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Almoo Nu (Naked Lunch. Burroughs, William S., 1914) Almoo Nu transcende qualquer expectativa.

No se trata apenas de uma obra que proponha o surreal: mais do que isso, a narrativa de Burroughs alimenta o desespero, em cada palavra. Em princpio, apresenta-se como uma histria beatnik bizarra, com o cenrio composto por viagens pela costa, roupas gastas, barbitricos, narcticos, alucingenos e uma fome de qualquer coisa, fugitivos do claustro da sociedade americana da poca. Aos poucos, o autor nos permite afundar no lodoso territrio da Interzone, comportando-se como um bom anfitrio s avessas: jamais nos sentimos vontade. A Interzone a imagem perfeita da humanidade: um grande mercado, onde de tudo se pode encontrar, ponto de encontro de todos os cantos do mundo e aquela massa disforme de pessoas caminhando para todos os lados. O cenrio muda de forma, de cor e de cheiro a cada pgina. So imagens desconexas, improvveis, que, sutilmente, comeam a fazer um cruel sentido. A escrita de Burroughs nos coloca nus em meio a um mundo completamente desconhecido, porm carregado de concepes, crises e medos assustadoramente contemporneos.