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Classicismo – Capítulo 08, pág.126

Classicismo – Capítulo 08, pág.126

O Classicismo foi consequência do Renascimento, importante movimento de renovação científica e cultural ocorrido na Europa que marca o nascimento da Idade Moderna. A base do Renascimento encontra-se no crescimento gradativo da burguesia comercial e das atividades econômicas entre as cidades europeias, o que acabou estimulando a vida urbana e as manifestações artísticas, que passaram a ser patrocinadas por ricos comerciantes (mecenato). O aperfeiçoamento da imprensa possibilitou uma maior difusão de ideias novas, contribuindo para o enriquecimento do ambiente cultural. As grandes navegações alargaram a visão de mundo do europeu, que entrou em contato com culturas diferentes. A matemática se desenvolveu, bem como o estudo das línguas, surgindo as primeiras gramáticas de língua

portuguesa.

Todo

esse

contexto fez nascer uma visão antropocêntrica de

mundo. Ou seja, o homem é visto como centro do universo. O

cristianismo continua

imperando,

mas

o homem renascentista

já não é tão angustiado com as questões religiosas como o era o homem medieval.

Dois movimentos religiosos que marcaram o século XVI tiveram grande repercussão social e cultural: a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero (1483-1546); e a Contrarreforma, movimento de reação da Igreja Romana Os artistas – pintores, escultores, arquitetos – inspiravam-se nas obras dos antigos gregos e romanos, que se transformaram em modelos. Por isso mesmo, dizia-se que a gloriosa arte antiga estava renascendo.

Classicismo em Portugal

O marco inicial do Classicismo português é em 1527, quando se dá o retorno do escritor Sá de Miranda de uma viagem feita à Itália, de onde trouxe as ideias de renovação literária e as novas formas de composição poética, como o soneto. O período encerra em 1580, ano da morte de Luís Vaz de Camões e do domínio espanhol sobre Portugal.

Classicismo Literário

Os escritores classicistas retomaram a ideia de que a arte deve fundamentar-se na razão, que controla a expressão das emoções. Por isso, buscavam o equilíbrio entre os sentimentos e a razão, procurando assim alcançar uma representação universal da realidade, desprezando o que fosse puramente ocasional ou particular. Os versos deixam de ser escritos em redondilhas (cinco ou sete sílabas poéticas) – que passa a ser chamada medida velha – e passam a ser escritos em decassílabos (dez sílabas poéticas) – que recebeu a denominação de medida nova. Introduz-se o soneto, 14 versos decassilábicos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.

Luís de Camões (1525?-1580): poeta soldado

Escritor de dados biográficos muito obscuros, Camões é o maior autor do período. Sabe-se que, em 1547, embarcou como soldado para a África, onde, em combate, perdeu o olho direito. Em 1553, voltou a embarcar, dessa vez para as Índias, onde participou de várias expedições militares. Em 1572, Camões publica Os Lusíadas, poema que celebrava os recentes feitos marítimos e guerreiros de Portugal. A obra fez tanto sucesso que o escritor recebeu do rei D. Sebastião uma pensão anual – que mesmo assim não o livrou da extrema pobreza que vivia. Camões morreu no dia 10 de junho de 1580.

Bendito seja o dia, o mês, o ano (pág. 127)

Bendito seja o dia, o mês, o ano, A sazão, o lugar, a hora, o momento, E o país de meu doce encantamento Aos seus olhos de lume soberano.

E bendito o primeiro doce afano Que tive ao ter de Amor conhecimento E o arco e a seta a que devo o ferimento, Aberta a chaga em fraco peito humano.

Bendito seja o mísero lamento Que pela terra em vão hei dispersado E o desejo e o suspiro e o sofrimento.

Bendito seja o canto sublimado

Que a celebra e também meu pensamento Que na terra não tem outro cuidado.

Petrarca

A Lírica Camoniana

Camões escreveu versos tanto na medida velha quanto na medida nova. Seus poemas heptassílabos geralmente são compostos por um mote e uma ou mais estrofes que constituíam glosas (ou voltas a ele). Os sonetos, porém, são a parte mais conhecida da lírica camoniana. Com estrutura tipicamente silogística, normalmente apresentam duas premissas e uma conclusão, que costuma ser revelada no último terceto, fechando, assim, o raciocínio. Camões demonstra, em seus sonetos, uma luta constante entre o amor material, manifestação da carnalidade e do desejo, e o amor idealizado, puro, espiritualizado, capaz de conduzir o homem à realização plena. Nessa perspectiva, o poeta concilia o amor como ideia e o amor como forma, tendo a mulher como exemplo de perfeição, ansiando pelo amor em sua integridade e universalidade

A Poesia Épica de Camões

Como tema para o seu poema épico, Luís de Camões escolheu a história de Portugal, intenção explicitada no título do poema: Os lusíadas. O cerne da ação desenvolve-se em torno da viagem de Vasco da Gama às Índias.

A palavra “lusíada” é um neologismo inventado por André de Resende para designar os portugueses como descendentes de Luso (filho ou companheiro do deus Baco).

A Estrutura

Os lusíadas apresenta 1102 estrofes, todas em oitava-rima (esquema ABABABCC), organizadas em dez cantos.

Quando na passagem do tempo perdido (pág. 133) No soneto abaixo, Shakespeare reflete sobre como a beleza é registrada pela literatura

Quando na passagem do tempo perdido Vejo descritos os belos ramos, E a beleza emprestar seus dons à velha rima, Ao elogiar as damas mortas e os belos cavaleiros, Então, no brasão da melhor doçura da beleza, Da mão, dos pés, dos lábios, dos olhos, da fronte, Vejo que sua antiga pluma teria expressado Mesmo tal beleza como teu senhor agora. Então, todos os elogios não são senão profecias Desde nosso tempo, tudo que pressagias, E, mesmo vendo com olhos de adivinho, Não tinham talentos suficiente para cantar os teus dons; Pois nós, que hoje aqui estamos, e vemos, Temos olhos para sonhar, mas não línguas para louvar.

Poesia lírica camoniana (pág. 135)

Volta a cantiga alheia

Na fonte está Lianor

Lavando a talha e chorando Às amigas perguntando:

  • - Vistes lá o meu amor?

Posto o pensamento nele

Porque a tudo o amor obriga, Cantava, mas a cantiga Eram suspiros por ele. Nisto estava Lianor O seu desejo enganado,

Às amigas perguntando

  • - Vistes lá o meu amor?

O rosto sobre uma mão Os olhos no chão pregados Que , a chorar já cansados, Algum descanso lhe dão, Desta sorte Lianor Suspende de quando em quando Sua dor; e, em si tornando Mais pesada sente a dor.

Não deita os olhos água Que não quer que a dor se abrande Amor, porque, em mágoa grande, Seca as lágrimas a mágoa Depois que de seu amor Soube novas perguntando De improviso a vi chorando. Olhai que extremos de dor!

O desconcerto do mundo (pág. 136)

Correm turvas as águas deste rio, Que as do céu e as do monte as enturbaram; Os campos flore[s]cidos se secaram; Intratável se fez o vale, e frio.

Passou o Verão, passou o ardente Estio; Umas cousas por outras se trocaram; Os fementidos Fados já deixaram Do mundo o regimento ou desvairio.

Tem o tempo sua ordem já sabida; O mundo não; mas anda tão confuso, Que parece que dele Deus se esquece.

Casos, opinião, natura e uso Fazem que nos pareça desta vida Que não há nela mais que o que parece

As mudanças constantes (pág. 136)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto:

Que não se muda já como soía.

O sofrimento amoroso

Transforma-se o amador na cousa amada, Por virtude do muito imaginar; Não tenho logo mais que desejar, Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada, Que mais deseja o corpo de alcançar? Em si sómente pode descansar, Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia, Que, como o acidente em seu sujeito, Assim co'a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia; [E] o vivo e puro amor de que sou feito, Como matéria simples busca a forma.

Quando da bela vista e doce riso (pág. 138) Quando da bela vista e doce riso Tomando estão meus olhos mantimentos, Tão elevado sinto o pensamento, Que me faz ver na terra o Paraiso.

Tanto do bem humano estou diviso, Que qualquer outro bem julgo por vento; Assi que em caso tal, segundo sento, Assaz de pouco faz quem perde o siso.

Em vos louvar, Senhora, não me fundo, Porque quem vossas cousas claro sente, Sentirá que não pode merecê-las.

Que de tanta estranheza sois ao mundo, Que não é d´estranhar, Dama excelente, Quem vos fez, fizesse Céu e estrelas.

Monte Castelo

Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua dos anjos, Sem amor eu nada seria. É só o amor! É só o amor Que conhece o que é verdade. O amor é bom, não quer o mal, Não sente inveja ou se envaidece. O amor é o fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer. Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua dos anjos Sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É um não contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder. É um estar-se preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É servir a quem vence, o vencedor; É um ter com quem nos mata a lealdade. Tão contrário a si é o mesmo amor. Estou acordado e todos dormem. Todos dormem. Todos dormem. Agora vejo em parte, Mas então veremos face a face. É só o amor! É só o amor Que conhece o que é verdade. Ainda que eu falasse A língua dos homens E falasse a língua dos anjos, Sem amor eu nada seria.

Mundo Moderno

Chico Anysio

Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial. Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.

Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, maratonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.

Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.