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"-<.-

ROBERT K. MERTON

SOCIOLOGIA

~ !

TEORIA E ESTRUTURA

Tradução de

MIGUEL MAILLET

EDITôRA

!j,

ÂI~>

MESTRE

SÃO PAULO

JOU

VI

A TÉ HÁ POUCO TEMPO -

ESTRUTURA SOCIAL

E ANO MIA

e outrora muito mais -,

podia-se falar de

uzfta acentuada tendênci a nas teorias psicológicas e sociológicas,

de

atri- iC) '1 ; l ; ) \ . \

buir o funcionamento defeituoso d a s estruturas

sociais às falhas

do con- L

\

,

r.".

trôl

e soci a l s ô bre

o s imperiosos impul s os biológicos do homem .

A í ma-

. ,'. ' iv,:,;

gem das relações

entre o homem

e a sociedade insinuada

por esta dou- = c / é

 

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trina é ba s t a nte clara mas é muito questionável. No comêço, e x istem os

.

impulsos bioló g icos do homem, os quais procur a m expressão total.

Sur-

ge depois a ordem social , essencialmente um aparelhamento para

o ma-

nejo dos impulsos , p a ra o processamento social das tensões para

núncia às satisfações dos instintos", nas palavras de Freu.d

º !D.º-Q . g!Ql:-

a "re-

o mísmocom

. ests,º-º,º--,-3 , Ea.!g-ª.clQ:QªJ . 1ªt~r~:z-ªº!, . i E i! : lªI. 1 São os impulsos biologicamen-

as exigências de uma .~:strutura social é assim · admitido QQillQ ' "

te

enraiz a dos que de v e z em quando irrompem através do contrôle social.

E

implicitamente , a conformidade é o resultado de um cálculo utilitário,

ou de um condicionamento não racional.

Com o recente avanço da ciência social, êste conjunto de concepções

sofreu modificação básica .

Um dos f a tôres observ a dos é que j ! i, não o Ra-

} ': o ~Q ~ tã _

ra incessan t e entre o impulso. b i oló g ico e as restrições sociais. A ima g em do homem como um indomado feixe de impulsos começa' li: parecer mais

uma caricatura

ciológicas têm contribuído cada vez mais à análise do comportamento que se desvia das normas prescritas, pois qualquer que seja o papel dos impulsos biológicos, ainda permanece de pé a questão de se saber por que

ólJ' y i-º . qtl ~ ohomemseja colocado contra . a _ ªº ~ *dade , r.tuma . gt,leJ,'-

do que um retrato .

Por outro lado, as perspectivas

so-

1. Ver , por exemplo , S. Fr e ud , Civilizalion

and Its Discontents

(passim e esp. p ág. 63) ; Er-

n es t Jon es , Social A s p e ct s of Psychoanalysi s

é uma var i edade da doutrina do "pecado original", então a Interpretação

(Londres,

1 9 24) , 28 .

Se a noç ã o freudiana

ofere c ida nes-

te estudo

é uma doutr i na

do "pecado socialmente

derivado".

204

Robert K. M erton.

2 freqüência do comportamento

desviado varia dentro de estruturas

so-

ciais diferentes,

e por que sucede que os desvios têm diferentes

formas

e

moldes em estruturas diferentes. Hoje, como outrora, temos muito que

sociais geram as cir-

aprender sôbre os processos pelos quais as estruturas

cunstâncias em que a infração dos códigos sociais constitui uma reação

"normal"

tentativa de esclarecimento

(isto é, qus pode ser esperaríaj.a

do problema.

Êste capítulo constitui uma

A estrutura erigida neste ensaio pretende proporcionar

um enfoque

sistemático da análise

transviado. Nosso objetivo principal é descobrir como é que algumas es-

das fontes sociais e culturais de comportamento

sôbre certas pessoas da

o

l :truturas

' I sociedsuie, para que sigam conduta não conformista, ao invés de trilharem

sociais exercem uma pressão definida

[caminho conformista.

Se pudermos localizar grupos peCUliarmente sujei.

tos- a tais pressões, deveremos esperar encontrar proporções moderada. mente elevadas de comportamento desviado em tais grupos, não porque

os seres humanos, nêles compreendidos, sejam compostos de tendências

biológicas diferentes, mas porque êles estão reagindo normalmente

liQ.s.sªQ~rspectiva. é socio16gÍ9a.

Olhamos as variações nas proporções do comportamento desviado, e não

tuação

à si.

social na

qual se encontram.

i à sua incidência. 3 Se nossa indagação fôr bem sucedida, algumas formas

! de comportamento desviado serão encontradas como sendo psicológica-

[mente normais,

[serã posta em dúvida.

e a equação

do desvio e da anormalidade

psicológica

PADRóES DE METAS CULTURAIS E NORMAS INSTITUCIONAIS

Entre os diversos elemento" das estruturas

sociais e culturais, dois

São analiticamente separáveis embora se

são de imediata importância.

'~. "Normal" no sentido da reação a determinadas condições sociais, psicologicamente esperadz, se não cuIturalmen te s,provada. Esta afirmação, evidentemente, não nega o papel das diferenças biológicas e de personalidade, na fixação da incidência do comportamento des-

viado. Simplesmente, assim o considero,

condições anormais". Ver sua PersonaÜty
248.

que

êste

não

é o problema

§,

J~J.ªI.1t ü/2.

aqui considerado. da "reação normal

E, no mesmo

sentido,

a

de pessoas normais

and the Cultural Pattern (Nova Iorque, 1937)~

3. A posição aqui tomada tem sido lucidamente

descrita

por Edward

Sapir.

"

os proble.

individu::;J em grau de

especificidade, e não de classe. Cada afirmação a respeto de comportamento que dirija n

mas da ciência social diferem dos problemas do comportamento

ênfase, explíclts, ou implicitamente,

definidas ou tipos de perso.nalidades,

sôbre as experiências

atuais e integrais

de pessoas

constitui um

dado de psicologia ou de psiquíatrta,

não de ciência

sociaã.

Cada afirmação a respeito de comportamento

que pretende não

estudar o indivíduo ou indivíduos

em si mesmos,

ou tratar

do comportamento

esperado

de um tipo ',comportamento

de indivíduo

física e psicolõgicamente

a fim de pôr em claro relêvo certas

definido, mas que prescinde

de

tal

expectativas

em relação aos aspec-

tos de comportamento

pessoal ou 'social', constitui um dado, embora cruamente expresso, de ciência social", Nes-

de .&tt!

tudes, valôres e funções,

ta obra escolhi a segunda perspectiva; embora eu venha a ter ocasão de

individual

será

que vátias pessoas compartilham

de vista

de como

como norma inter-

falar

social estimul ••

do ponto

a estrutura

ou inibe sua aparição, em tipos especírícos de situações.

pology needs the psychiatnst",

Psychíatry, 1938, I, 7.12.

Ver Saplr, "Why cultural anthro-

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SOCiologia - Teoria e Estrutura

205

misturem em situações concretas. 10 primeiro consiste em QbJetivos C11.1- tMr[tlm~nt!Lg.efinldºli, de propósitos e ínterêsses, mantidoscQmoobJeti,

YºS J~gíUWºSP.ªIª

sociedade.

gração

em alguma hierarquia de valôres. Envolvendo vários graus de sentímen-

to e de significação, os objetivos predominantes compreendem uma arma-

/;,ão de referência aspiracional ,

um componente básico, embora não exclusivo, "desígnios para a vida "do grupo". E embora

objetivos culturais sejam diretamente relacionados aos impulsos bíológí-

cos do homem, não são por êles determinados.

]I Um segundo elemento .da,. estrutura cUlt11ralciefine,. reg11Ia e controla as rnoqosaceitáveis de alcançar êsses objetivos. Cada grupo social, ínva- riàvelmente, liga seus objetivos culturais a regulamentos, enraizados nos costumes ou nas instituições, de procedimentos permissíveis para a procu- ra de tais objetivos. EstasI1ormasr~g1l1[tdoras não são necessàríamen- te idênticas às normas técnicas ou de eficiência. Muitos procedimentos que do ponto de vista de indivíduos isolados seriam os mais eficientes na obtenção dos valôres desejados - o exercício da fôrça, da fraude, do po-

der -

vêzes, os procedimentos desabonados incluem algo que seria eficiente para

o grupo em si mesmo, por exemplo, os tabus históricos contra .a vivissec-

ção, ou a respeito das experiências

normas "sagradas" -

ciência técnica, mas sim os sentimentos

do grupo, ou por aquêles capazes de

do poder e da pro-

paganda).

promover tais sentimentos

dos pela maior parte dos membros

tºdo§,

ou para membros diversamente localizados da

o grau de inte-

ordenados

São

Os objetivos são mais ou menos integrados -

é uma questão de fato empírico -

e aproximadamente

São coisas "que valem o esfôrço".

do que .J:4!l:t!211- denominou

alguns, não todos, de tais

estão excluídos

da área institucional da conduta permitida. Por

médicas, ou a análise sociológica das

desde que o critério de aceítabilidado

não é a efi·

carregados de valôres (apóia-

através do uso simultâneo

Em todos os casos,.fI, escoíha jíos exp~clieI1tes para se esfor-

l

J

çar na obtenção dos objetivos. culturais é limitada pelas normas instituo _ciQU.aliz;aQa. s .

Os sociólogos falam freqüentemente de tais contrôles como estando

Tais afir-

mações elipticamente são bastante verdadeiras, porém obscurecem o fa-

de que as práticas culturalmente 'padronizadas não são tôdas de uma

só peça. São sujeitas a uma larga gama de contrôles. Êstes podem re-

presentar padrões de comportamento prescritos em forma definida ou

preferencial, ou permissiva, ou proibida. Na avaliação do funcionamento

indicadas pelos

"nos costumes", ou operando através das instituições sociais.

to

dos contrôles sociais, estas variações aproximadamente

têrmos prescrição, preferência, permissão e proibição devem ser natural-

rnente levadas em conta. Outrossím, dizer que os objetivos culturais e normas ínstítucíonalíza-

das funcionam

ao mesmo tempo para modelar práticas

significa que elas exercem uma relação constante umas sôbre as outras.

A ênfase cultural dada a certos objetivos varia independentemente do grau

em vigor, não

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206

R ob e rt K : " M e rto n

d e ên f a s e sô bre os m e i os in sti tuc ío nalíz ad os . t e nsão mu i t o p esada, p o r vêzes vir t u a lm en te

obj e t ivos

co m os mei os in stit ucio na lm ente

secuç ã o

a amplitude de pro ce dim e ntos altern a tivos é go v e rn ada ape n as pe l as nor-

de t a is ob je tivo s , j O caso limit e dêss e tipo é alc a nçad o

r eco m e nd a do s de esfo r ça r- se p a r a a co n -

Pod e-se d ese n volv e r u ma

e xcl u s iva , s ô br e

o va l o r d e

pou c a pr eoc upa çã o

quando

p a rticu l a re s,

envo l v e ndo e m com p a ração

mas té cnicas

em ve z d as norma s í n s t í tucío n a ís.

Neste c a s o extrem o

e ·

hipot ét i c o , se riam p er mi tidos t od o s e qu aisq u er pr o ced i mentos q u e p er m i-

tissem a tin g ir ê sse obj eti vo tã o

cultura mal inte g rada. v Um se g und o tip o limi te é e n co ntr ado em g ru p o s

ond e a s ati v id a d es o ri g inalm e n te c o nc e bi das c o m o in st rum enta i s são t r a n s -

muda das

a d erê n ci a à co n d u ta ) :it ,1,lªJ. 4 A c o n -

formid a d e a b s olut a torn a-se um v a lor cent ra l . P o r a l g u m te m po , a esta- bilid a d e s o cia l é asseg ur ada às expe n sa s da f l e xi b ilidade, D e s de que a

amplitude dos c o m po r ta m e n tos al te rn a t ivos, p er m it i d os

ba se par a ada p tá -I a a n o v as cond i çõ es. De-

s e nvolve - se

s ev eram e nt e l imi ta d a, h á p ou ca

Instítuc i onajm e nt s

As J in a li dad ~~ c: ri g~ !l ª i~ s ã o esq u e ei < : l ? 13 8 8 est r e ita

import a n t e,

Is t o c o n st i tui

u lt e r ior e s

um t ipo de '

ob j eti vo s.

em p r át i cas auto c ont i da s ,

às q uais f a ltem

re com e nd a d a tprn a -se1,l ! Das s lln to d . e ,

pela cu l t ur a, é

" sa gra d a " ,

m a r-

então uma so cied ad e limitad a pela t radi çã o ,

c a d a p e la n eo f o bi a . En t r e êsses tip os e xt rem os estão as s o c i edades q u e m a nt êm um equil í b rio ap r oxim a d o ent r e ê nf ases sôbre o b je t i v os c ultu r a i s

e pr át ic a s

da s e r e lat ivam en te e s táve is , e mbor a mu tá vei s.

i nst i t uc io n a li zadas ,

e e stas

co n st i tu e m

as soc i e da d e s inte g ra -

Um e qui l íbrio efe tiv o e ntr e e ssas duas f a se s d a e st ru t ur a

so ci al é m a n -

tido e n q u a n to as sa t is f a ç ões

du as p ressõ e s

de e s -

f ô rço para atíng í -lo s , in s titucionalm e nte c a nali za dos. É e sti mad o e m t ê rmo do pr od u t o e em tê rr nos do p r oc e sso, em tê rm os do re s u ltado e em

ç ã o d o s ob jet i v o s e sa t isfação d ir eta men te

propo r cionadas

aos índ ív í d u o s s e a ju s ta m

às

c u lt ur a i s , po r e x e m plo, sat i s faç ões

p r ov eni e n te s da r e al i z a -

das fo rm as

e m e r g e n tes

t ê rmos d as ativ id ades. A ssim de ve m d e r iv a r s a t i s fa ç õe s con t ínuas , d a

da c o mpeti -

eclips a r o s c omp e ti d or es , s e a p r ó pr ia ordem d e ve ser sust e nt ad a S e a preocupação se tran s ferir excl us ivarn e nte p a ra o re s ul t ado da co mp eti- ç ã o , ent ã o a qu ê l es que pe r e n em e n te s o frem derr ota pode m , de modo bas -

t a nte com p r eens í ve l ,

uca s ion a lm e n te

ri3tado § . pe la _ gQ nformida g , e com as _ n o rm a sins tit ucion aís deve m s er c o m-

pensado

.pel as rec om pen sa s s oc i a li za d a s . A di st ribui ç ã o de po s i çõe s so-

. ci a is a t r av é s da co m pe ti ç ão d eve s e r or ga niz ad a de m od o q u e se p r opo r- c i o n em inc ent i v o s p o s i ti v o s pa r a a ades ão às obri g a ções da si t u aç ão, e

p re ocu paçã o

se t r ansfe rir exc lu sivame n te

p ara

o r esu l t a do

p rocu rar a l t er a r

as reg r as

do j ô g o

_ O ) L S a CJ;iJícios

- e n ão ínva r í àve lr ne nte ,

s e g u nd0 I < '. reud adm i tia - a . ca r -

s

4.

Ês te r it uali sm o

 

po d e

s e r u ss oc tno o

c o m

u rn a

rni t o l o g ia

q ue r ac ío n z .liz c

es t a s pr á t.ica s

 

de

 

mod

o q ue e l as apar ente me n t e r e t e nham s u a situ açã o c o m o m eio , p orém,

a pr e s sã o

 

d e-

mi n

ant c

é n o

se n tid o d e con f o rmid a de

ri t u a l íst t ca

da m i t o l o g i a .

O

ri tual i smo

é

c ss ím

t an to

ma is co mp le t o ,

qu a nto

e s tr i t a, i n d e p e n d e n te t a is r ac i on aliza ç õ es

nã o

s ã o

n em

se qu e r p r ovo ca d as .

 
 

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So eio l o ij io

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T e oria e E s t rutu r a

 

20 7

isso , p ara cada posi ç ão dent ro

da or de m di s tributiv a.

Do contr á r i o ,

tal

com o o v e r i fic a r e mo s a d i a nte, su r g i rá o c o mpor ta men to

Na ,

v er dade , mi n h a

h ip óte se cent r a l é q u e ' q c o mpor ta men t o

ab e rr a n te . a b e rr a nte

pod e

ser co n sider a do

soc i o l ó g i cam en te

c om o um s intom a

de d í ssoc í aç ã o

e ntre : C":;-"''ê

as aspira çõ es cul t uralmen te prescritas e as vias sociallIlente es trut u radas ] p a r a r eali z a r essas as pir ações.

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Dos t i pos de soci e da de s

q ue re s ult a m

da vari a ção independen te dos

ob jet i v o s c u lt u rais e dos m e ios í n stít u c ion a l í z a dos , dar e mos priorid a de ao

estudo d o pri m e iro: uma so cied ad e em qu e há ênfase excepcionalmente

fort e sôb re o b jet i vos es pe c í f i c os , s e m uma correspondente

p r oce d ime n t o s

ci a d o d e v e s e r b e m e x pli cado .

ve rn a nt es d a co nd ut a, po r é m e l as r ea lment e s e dif e r e nci a m na medi- da e m qu e os usos e cos t umes popul a res e os contr ô les instituc í onai s T I I

estão ef e t i v a m ente i ntegrados r a r qu i a d os va l ô res c ul t u ra i s.

sua s con v ic ç õ es em oc ion ais

fm s c ul t u ra lm e n te apl a udid os , com muito m e nos apoio emocional sõbre os

m éto dos p r e scri tos p a r a al ca nçarem es sas fin a lidade s.

f ere n c i a i s sób r e os o bjet i v os e sô br e o s pro ce dim e n t o s institu c ion a i s, os

úl t i m o s p od em s e r t ã o v i ci a dos pe la t e n sã o em

o

té cn ica. Nest e con t e x to, a única per g unta signi-

f icati v a é a se g u in t e: Q ual do s pro cessos di s ponív e is lê o m a i s e f ic ient e

a fi m d e a po s sar-se do val o r cu lt uralmen te

efici e nte do pon t o de v is t a técnico , qu e r s e j a culturalm e n t e l eg í t i m o ou

prescr í - d as nor -

ta .

m as, a so c ie da de t o r n a - s e in s táve l

v íd u os a c ent r a l iza r e m

sôbre o c ompl exo d e

ênfas e s ô bre os ' :'/\ '

ê s te

e nun-

í ntituc í o n ai s .

P a r a ev itar m al - e ntendido s,

N e nhu ma soci e d a d e car e c e de normas go -

com os o bje ti v os qu e s e d es t aca m

n a hie-

A c ul t ur a p o d e ser t a l qu e in d u za o s indi-

Com tais ê nfa s es di -

al ca nçar o s ob je ti vos, que

a pen a s a c ons ide-

O pr oce s so mai s

" !

comport a men t o

d e m ui t os i n di v í d u os, fique su je ito

a pro va do? 5

ra çõe s d e con ve niênc ia

n ão, to r na-se t ip ic am e nt e pre f e rid o à c o ndu ta in s titucion a lm e nte

À m ed ida q ue se de s e nv olv e ê ste proc esso d e amaci a men to

e a p arece o qu e . Durkh e ím de n o m i n a v a

" ·f

+

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. " ~,

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, :

.1

~ . ~ ~

,' , i '

i

l

' l

,

.

II I'

"anem i a "

(ou a u sência

d e nor m a). 6

 
 

~

5.

A é s t e

res pe i to ,

pe rc eb e - s e

a r e l e vân ci a

da pará fr a s e

de E l t l U 1 . M; ~YÇ l do tit ulo

do be m

c " ~

 

-

 

c o nhecid o l i vr o

d e ~' I 'a wr i e y .

UNa

v e rdad e

n ã o

d a

enfermi d a de

d e

/

~

.

I!

u m a s oc i e dade aq ui s it i v a ;

é o

da . aqu i s iti vida d e

o pr o b l e m a d e uma

~ o so c i e dad e

d oe nt e " .

I - J um a n Pre-

~.

';;-:,

[I

bl e ms

of a n I n du s t r i a l

C i vi l iz a tion,

1 53. M ay o

lid a

co m O p roce s s o

at r av é s

do q ua l

a

 

1

r i qu ez a , v e m a s e r o s í m b o l o

bá s i c o

d a real i z açã o

so c ial

,

e e n c a r a

i s to

co m o s e ndo pr o -

~ ~ l

v e n i e n t e de u m esta d o d e an om i a . Minha maior p r e oc up aç ã o a q ui é c om as c onseq üên-

 

'1

c i a s

c i e d a d e

pl e ta exi g i r i a . o exam e s i m u l t â neo d e amb o s os pro c es s o s .

so ci ais

d e um a

pe sa da

ê nfa se

s ô br e

o suc esso às co rr elaçõ e s

m onet á r i o d esta

q ue n ã - o a dap to u

su a e s tr u tu r a

com o obj eti v o,

ê n fase ,

n uma SOA

com-

Um a a n á li se

 

6 .

A r ess ur r e íc ã o

fe i t a p o r Du rkh c . im

d o t e rm o " ano m í a",

o qu a l , t a n to

q uan to

é d e m e u c c-

nh e c í m e n t o , ap arec e e m p r i m ei r o l u g a r no m e s mo s e ntido n o fim do séc u l o XV I , b e m

hi s-

t ó r ica d a s id éi a s . T al c o mo ao f ra s e "c lim a de o p i n i ã o" tr a z ida à popul a r i dad e ac ad ê -

mi ca

qu e contem p o r ã-

n e a ? Um m ag ni f i c o m o dé l o d o t ip o d e p e squi s a exi g ido p or q u e s tõ es d e ssa o r d e m , e n -

p o de r ia .

se r o b j e to

e p o l i t i ca

d e u ma

i nv e s ti ga çã o,

por

u ni es t udan t e

de p o i s

ult i mam e nte

in te r ess a do

d e t er s ido

u s o n a

n a

rí li aç â o

p o r e s d e

p o r A. N . W h~te heª . c ! , trê s séc u l o s

a p a l a v r a

" a n om ía "

p o r

. ! ? _ ~ r~ ~ i _ l ! ! .

e ntrou

Por

cun h a da

d

J(" !.

s e p h Gl a n v i l l,

f o i r e í u t . r o duzida

e m q u e e s s a r esso n ânc ia

f r eqüen t e , s o c i e d a d e

'--, ~'-1!-

208

Robert K. M erton

 

o funcionamento

dêste processo

que

eventualmente

resulta

em ano-

.

.

" . '

• ~

" '\

~

.

J -'-

""'"1.-'-"

mia pode ser fàcilmente percebida numa

instru t i v os , embora talvez triviais.

quando o alvo da vitória é despojado de suas roupagens ínstítuc í onaís

sucesso torna - se subentendido em "ganhar segundo as regras do jôgo" , estabelece-se

série de episódios familiares

de atl e tismo ,

e

e o

Assim, na comp e tição

a partida" em vez de "ganhar

implicitamente

um prêmio

a o do ti - é in-

porém ilí-

O " craque " golpeado; o lutador

d ã o " colas" aos "estu d an -

as satisf a ções

uso d e melos ilegitimos , porém têcnicamente eficientes .

me de futebol concorrente

capacitado por seu oponente , citas; os alunos da universidade

tes" cujos talentos são limitados ao campo do atletismo. A ê nfase con-

deriv a das d a

cedida ao r e sultado simple s par t ic i pação

bem sucedido fornece a sat í sr a c ã o. Através do mesmo processo , a ten-

s ã o g e rad a pelo desejo de g anhar num a p a rtid a de pôquer é afroux a da pe-

la di st ribuiç ão

che g ou ao e x t remo , pelo s ag a z embar a lh a mento de cartas numa p a rtida de paciência. A débil pontada de mal-estar no último exemplo e a natu-

_r e -

re z a s u b- rept í c í a

g ras i ns ti t ucionais do jô g o s ã o conh eci da s por a qu ê les que as desprez a m. Porém, o exagêro cultural (ou id í ossíncrát í co ) que conduz o homem a ob-

ter s u c es s o de qualquer m a neir a ,

é sub-reptícíamente

através de técn i cas engenhosas ,

encobert am ente

atenuou

de tal maneira

na

atividade competitiva , qu e somente um result a do

a s es a si próprio

ou , quando

o culto do suc es so

em público indicam

clar a m e nt e

qu e

ª s

_

l e va-o a despr e zar o a poi o emocio n al

das

de qu a tro

dos deli t os

. r eg r as. 7

Ê s te proc es so evident e mente

não se restringe

à s competiç õe s es porti-

vas , as quaís s imples m ent e

no s f o rnecem im ag en s mícroc ó sm í c a s

do ma-

croco s m o soci a l.

O pro ces so

pelo qu a l _ a ex a lta çã Q

dQ Jim

ge ra

um a li-

teral d e$ 1 ! !-oral i zação, i s to é, d e sin s t í tucíonal í z a câo

muitos 8 g rupos, nos qua i s estej a m altamente integrados . A cul t ura norte-american a

po polar em que ocorre grand e

f a se equivalente sôbre os meios in s titucion a is.

dos m e ios, ocorre

d a e s trutura

em

soci a l n ã o

os dois comp e tent e s

con t empor â nea

parece a proxim a r- s e

do ti-

de êx ito sem a ên-

ênfase sôbre objetivos

E v identem e nte se ri a irr ea l

í asse v erar que a riqueza acumulad a perm a nece s ó z í nha como um símbol o

c o ntr a -s e e m Le o S pi tzer, "M ili e u an d Ambiance: a n essay ín hi st o ri c a l se m a nt í cs " . Philo s ophy a nd Ph e nom e nol o gteal R es ea r c h, 1 942, 3 , 1, 4 2 , 1 6 9 · 218 .

po ssa m se r tot a lm e n t e

elim i n a d a s.

t os , com a lgu m a m e d id a d e amb i va l ê nc i a.

7 . Pa-r e ce i m prov á vel

q ue as normas

c ultur a is, q u e p e r sis t a ,

d e pois de as simil a da s.

induzir á

Um a re j e i ção

li gada

Qu alqu e r r e s ídu o

t e n sões d e pe r so n a lid a de

o st en s i v a

da s

e c o nfl i - in s t a-

n o r m a s l a t e n te

de

seu s corr e lati vo s e mocionais. Sen s açã o de culp a, s en tim en to d e p ec ado , a.ngú s tia d2

con sc iên c i a, sã o t ê r mo s di v er s o s a plt czd o s a esta t en sã o não a li via da. A ade rên ci a

simb ó l i c a

d e

tu c i o na i s já in co r po r ad a s, es t ará p ro v á ve l me n te

a a l g u r n s, r e t e n çã o

a os v al õ r es n o min a l men t e

m a s n ã o e m tod os em que a e· ufzlS e

r e pu día d os ,

s uti s

as r a c ion a l i z aç õe s t e n s ões.

o u

p e la

d a re jeição

t a i s va lô r e s , constit u e m e x pr essões

Em "mu i t os ", Nos grup o s

mais

de s s as

8.

o s grup os

pri nc ipal

n ã o i nte gr ad o s ,

recai

r az ão a nt es

men c ion a da. o r es ultado

sôbr e os mei o s in s tituc1onai s,

é norm a lm e nte um t i p o de ritu a li s mo , e m v ez d e anomía ,

~

Sociologia -

Teoria e Estrutura

2X>9

I

I

I

do sucesso, assim como seria irreal negar que os norte-americanos lhe

atribuem um lugar saliente em sua escala de valôr e s.

.dinheíro teI D sidoçºJ:l§ ª grl1dº ~ corno um , yaIQ:l". , ~!!1 , , § . L I!! ~ Sm9,além e

Em grande parte,

Q

.

acima

aumento do poder.

nar-se um símbolo de prestígio . Conforme Simme l salientou , o dínhei-

rõ ' é ' aít am ~~te ' abstrato e - impessoal. Não importando como é adquiri-

do , fraudulenta

tor-

de seu gasto a trôco de artigos de consumo

ou de seu uso para O "d í nhe í ro" ~ peçuHarro~llt~ bflmarnmt a do , _ a

pode ser usado

para adquirir

o

ou dentro das instituições ,

os mesmos bens e serviços . A anon í mía da sociedade urbana, em con - I junção com essas peculíarídades do dinheiro, permite que a riqueza, _

cujas origens podem ser desconhecidas da comunidade em que vive o plu -

tocrata

ou , quando conhecidas ,

podem

ser purifica das p e lo d e curso

do

- Norte - americano

tempo

s i rv a como símbolo de elevado statu s .

não há ponto

de parada

final.

Ainda mais, no Sonho A medida de "sucesso

monet á rio" é conveníentements

indefinida e relativa .

Em cada

nível de

; ( ,

I

renda , conf o rme verificou H ·_E., , Gta"r.:i!:,. os nort e -americ a nos

querem sem- , ~ ,

pre uns 2 5% a mais (é claro que ' esta ' idéia. de "um pouco mais" volta a '

funcionar

logo depois que o a lvo

anterior foi atin g ido).

Neste fluxo de ,

padrões em mudança, não há pon t o de descanso está v el , ou, em ou t ras

pala v r a s, é o ponto que s e mantém sempr e " um pouco adiante". O ob- i '-

 

servad o r

de uma comunidad e

n a qual não são inconiuns

os s a l á rios anuais i

l ' epre se ntados

por seis a lgarismos

(isto é , de 100 . 000 dólar e s

para cima)

relata as p a lavr a s an g ustiadas ue uma vítíma do Sonho Americano: " Nes-

ta cidade, s ou soci a lmente menosprezado ,

porque ganho

apenas

mil dó -

lar es por semana.

Isto dói." 9

Dizer que o obj e tivo do s uc e sso mone t ário está entrincheirado

na cul-

tura norte- a mericana

é apenas repe t ir

que os americanos

são bombardea-

dos de todos os lados por preceitos que afirmam

o direito

e , freqüente.

mente , o d ev er de alcançar o objetivo , me s mo em f ac e a rep et idas frus-

trações .

cultural.

Prestigiosos representantes A família , a escola e o

da sociedade reforçam -

essa ênfase

local de trabalho

principais organis-

mos qu e modelam a estrutura

da p e rsonalídad. ,

e a formação

dos objeti-

- na necessária para que um indivíduo

vos dos norte-americanos

unem-se

a fim de impor a intensiva

consere intacta

discipli-

uma meta que está,

cada vez mais , fora do seu alcance e que obrigue a motivar seu compor-

tamento pela promessa de uma recompensa que não se cumpre. Tal co-

mo veremos, Q ª _ Im.!§ . Il~:[Y~m_ ge _ , cº-w~iª

tral!ll!l1ill.llªº

parte, sobretudo

<l€l"

_

_Pª,m , QIl

Vªl!ll"E!s

os da sua clas-

_ JLQbje t i y os dos grupos dos quais fazem

,

. 'v-,

se social ou da classe com que se identifi c am ,

E as escolas são evidente-

mente organismos oficiais para a transmissão dos valôres predominantes,

com uma grande proporção

de livros usados

nas escolas

da cidade, afir -

t mando implicitamente, ou mesmo de modo explícito, "que a educação con-

duz à inteligência e conseq ü entement« ao sucesso no emprêgo e ao êxí-

\ ,

~

~

I

i

~_",_,~~,,~~-",t

9. L e o C. R osten , Hollywood (Nova Iorque , 1940) , 40.

~~ !

21G

Robert K. M erton

to monetário". 10 Os protótipos do sucesso, os documentos vivos que teso temunham que o Sonho Norte-americano pode ser realizado contanto que

a pessoa tenha as habilidades exigidas, são peças centrais dêsse

proces-

so de disciplinar o povo, a fim de mantê-to prêso às suas ilusões

insatis-

feitas. Considere-se a éste respeito os seguintes trechos do jornal de ne- gócios, Nation's Business, extraídos de uma grande quantidade de maté- ria análoga encontrada em comunicações de massa, estabelecendo os va- lôres de cultura predominantes, no mundo dos negócios:

(Nation's

o Documento Business, Vol. 27, n.o 8, pág.

7).

Suas Implicações

Sociológicas

"Você tem

que

ter

nascido

para

êsse

Aqui está

uma

opinião

herética

possi-

trabalho,

meu amigo, ou então

ter um bom

velmente nascida

de uma frustração

con-

pistolão",

ttnuoda,

a qual rejeita

o' valor de alcançar

um objetivo aparentemente

irreaUzável e~

mais ainda,

põe em dúvida,

a legitimidade

de uma estrutura renças

no acesso

social que oferece meta.

a esse

dife-

Isto é um velho sedativo para

a ambição.

o contra-ataque,

afirmando

explicitamen-

 

te o valor

cultural

de reter

as aspirações

 

de

cads, um

intactas,

de

não

perder

a

"ambição".

 

Antes

de dar ouvidos a esta sedução,

por

da função

a

ser

gunte

a êstes homens:

Uma clara afirmação servida pela seguinte

lista de "sucessos",

Elmer R. Jones, presidente da WeIls-Far-

como rapaz

go Co., que começou a vida

Êstes homens são testemunhos

vivos de que

a

estrutura

social

(:. t~l

que permite

que

essas aspirações sejam alcançadas

 

se

a

pessoa fôr corajosa e persistente.

E

cor-

relativamente,

.0 rracasso

,,}~"l:º

~t~.~g~mento

dêsses_objetivºsdá

testemunho

das

de fi-

_~~i.~QÇ.illJ:i-.P~§êºa,is! A reação provocada pelo

fracasso deveria, portanto,

ra dentro

prias pessoas

social que proporciona

à oportunidade.

ser dirigida

pa-

e não para

e não

fora, contra

contra

acesso

as pró-

ums, estrutura

livre

e igual

ter

as mesmas corretas ambições elevadas, POi5

Protótipo

de sucesso

I: Todos podem

pobre

e deixou

a escola

no

5.? ano

para

não importa

 

de partida

seja

pegar seu primeiro emprêgo.

 

que o ponto talento

o alcançar as maiores alturas.

muito

bzdxo :

verdadeiro

pode

As aspirações

 

devem ser conservadas

intactas.

Frank

C. Ball, o pedreiro

que veio a ser

Protótipo

de sucesso

11: Quaisquer

que

o rei

das frutas

em conserva,

que VÜ:'1joll

sejam os atuaís resultados

dos esforços de

de Buffalo

roça,

até Muncie, Indiana, O cavalo do irmão

numa car-

George, ali

::rJguém, o futuro

é grande

em suas

pro-

messas,

pois .9 homem

comum

-ªj.nçl.ª .pode

iniciou

com um pequeno negócio

que se tornou

tornar-se

um

rei.

As recompensas

podem

o

maior

de sua espécie.

parecer

ad 'adas para

sempre,

mas final-

mente elas serão concretizadas

quando

fi

10. Malcolm

29.

emprêsa

de sua espécie".

de alguém

se

tornar

"a

maior

S. MacLean, Scholars, Workers and Gentlemen (Harvard University Press, 1938),

I

1

Sociologia -

Teoria e Estrutura

211

J. L. Bevan, presidente

tral Railroad,

do IIlinois Cen-

que aos doze anos era men-

sageiro

no escritório

de

frete

de

Nova

Orleans.

Protótipo

de sucesso

lIr:

Se as tendên-

cias seculares

de nossa economia parecem:

 

dar pouco

incentivo

aos pequenos

negó

.

cios, então

as pessoas podem

subir dentro

das gigantescas

burocracias

Se alguém

de sua própria

das emprêsas

p:;,rticulares.

não

pode

ser

rei no âmbito

criação, pe-

lo menos

pode ser um presidente

em uma

 

das democracias econômicas.

a situação

de recados' ou escriturário,

ve estar

Seja qual tõr

môço

atua'

de um individuo,

o seu olhar de-

o alto.

sempre fixado para

al-

tas ambições. A literatura de exortação é imensa, e podemos escolher

Lembremos apenas os

Cowell, cujo sermão Acres ot Diamonds foi

ouvido e lido por centenas de milhares de pessoas, sendo seguido por

somente correndo o risco de parecermos injustos.

seguintes: O Rev. Russel

De diversas fontes jorra uma pressão contínua

H

a fim de manter

The New Day, ou Fresh Opportunities:

A Book for Young Men, Elbert Hub-

bard, que proferiu a famosa Mensagem a Garcui nos clubes de Chautau-

qua, por tôda a extensão

do país; Orison Swett

Marden que, numa tor-

rente de livros, publicou em primeiro lugar The secret o] Achievement,

elogiado por reitores de universidades;

frente" em seu livro Pushinq

d.ente.McKinley e finalmente, não obstante êsses testemunhos democrá-

ttcos, cartografou os caminhos para fazer de todo

Man a King). O simbolismo do homem comum, elevando-se à situação de; realeza econômica, está profundamente entrelaçado à cultura norte-ernerí-:

a seguir ensinou como "Ir para a

Front,

recomendado pelo Presí -

homem um rei (Every

to

lhe

cana, encontrando

talvez

a sua

definitiva

expressão

nas palavras

de

alguém que sabia do que estava falando.

em seus sonhos. Diga a si mesmo "Meu lugar é no alto".l1 i Unida a esta ênfase positiva sôbre a obrigação de manter alvos ele- vados, há uma ênfase correlativa sôbre o castigo daqueles que refreiam suas ambições. Os norte-americanos são admoestados a "não ser um dos

que desistem" pois no dicionário da cultura daquele povo, tal como no lé-

Andrew Carnegie: "Seja um rei:

xico da sua juventude,

"não existe a palavra

'fracasso'''.

O manifesto

cultural é claro: não se_po<l~gesistir, não se devernoderar

os esforços,

_ráo

s<J_

pode diminuir

xo é crime". Assim a cultura

os objetivos, pois "não o fracasso, mas o alvo bai-

impõe a aceitação de três axiomas culturais.

. PrÍ-

1- meíro, todos devem esforçar-se para atingir os mesmos elevados objeti-

vos, já que estão à disposição de todos ;::segundo, o aparente fracasso mo " mentâneo é apenas uma estação no caminho .do sucesso final ;:=:e terceí-

ro, o fracasso genuíno consiste apenas na diminuição ou retirada bição.

da am-

11. Cf., A. W. Griswold, The American Cult of Suecess (Yale University doctoral dísscrtatíon,

1933); R. O. Carlson, "Personality síty Masters Essay, 1948).

Schools": A Sociological Analysis (Columbia trníver-

",

: t .

~

212

Roõert K. Merton

Numa paráfrase psicológica aproximativa, êsses axiomas representam em .primeiro lugar. j . um refôrço secundário simbólico do incentivo; em segundo Iu g ar. I urn freio à ameaça de extinção da reaç ã o mediante um es-

idmulo associado ; em terceíro l ugar, 3 , 0 aumento da fôrça impulsora para . " . responder ronstant e mente ao estímulo, apesar da continuada ausência de recompens a. Na par á frase sociológica, ê stes axiomas representam primeiro ' . o des-

indivíduo , co-

vio da crítica da estrutura

social para a critica do próprio

<,

locado entre aquêl e s

situados de tal forma na soci e dade , que n ã o têm to-

tal e igual acesso à oportunidade; segundo. r a preservaç ã o de uma estru -

tura do pouer social, pela identificação d o s indivíduos dos estratos so-

ciais inferi o res , n ã o com seus pares, mas com a quêles que e st ão no alto

(a quem ê les finalmente se juntarão);

favor á veis à c o nf c rmidade com os dit a me s culturais d e ambiç ã o irrepri- mível , med i ant e a ame aç a, para aquêles que não se acomod a m aos referi-

dos di ta m es, de n ã o s e rem considerad o s pl e n a mente p e rt e ncen te s ciedad e.

à so-

e terceíro. T a atuaç ã o de pressões

É nestes t ê rmos e atrav é s de tais processos que a cultura norte-amerí-

can a c o nt e mpor â n ea c o ntinua a s e r caracteriz a da por uma p esa da ênfa-

se sôbre a riqueza

respondent e

ção a ês te objetivo . Como rea g em os indivídu o s que viv e m ness e contex -

to cultural? E c o mo a s nossas observ aç ões se refletem n a doutrina de que o comportamento t ransviado deriva tipicamente d o s impulsos bioló- gicos que irrompem através das restri ç ões impostas p e la cultura? Em

das pes -

social de uma cultur a , na

qual

so a s situadas em v á ria s posições na e s trutura

em dire-

com o símbolo b ás ico do s uce s so, sem uma ênfas e cor-

sôbre a s legítimas vias nas quais se deve marchar

pouca s palavras

a ênfase

qu aí s s ã o as con s eqü ê ncias do compor t am e nto

sôbre os obj e tivos do sucesso d o minante

afastou - se ' cad a

vez mais de uma ê nfa s e e quivalente sôbr e o s processos tnstltucíonalíza- dos p a ra a obtenç ã o d ê sses objetivos?

TIPOS DE ADAPTAÇÃO INDIVIDUAL

Deixando êstes padrões de cultura, examinaremos agora os tipos tIe adaptaç ã o dos indi v íduos, d e ntro da sociedade portadora da cultura . Em- bora no s so enfoqu e seja ainda. a gênese cultural e social das proporções variáveis e tipos de comportamento divergente, nossa perspectiva. se +ransferírá do plano dos moldes dos valôres culturais para o plano dos

tipos de aaaptação

tes posições na estrutura socia1.

a êstes valôres entre

as pessoas que ocupam diferen-

Consideramos aqui cinco tipos de adaptação, tal como estão esquema-

ticamente

dispostos na tabela seguinte, onde (+) significa "aceitação",

f -)

significa "rejeíçâo", e (±)

significa "rejeição de valôres predominan-

tes e sua substítuí ç ão por novos valôres".

_~~~

SOCiOlogia - Teoria e Estrutura

213

TIPOLOGIA DE MODOS DE ADAPTAÇÃO INDIVIDUAL U

'. \ I

.\fodos de' Adaptação

Metas CuDturais

I. Conformidade

+

II.

Inovação

+

lII . B í tual í smo

-

IV. Retraimento

V.

Rebelião 13

±

Meios

I nstitucionalizados

+

+

±

o ex a me do modo pelo qual a estrutura social opera a fim de exercer pressões sôbre os indivíduos, num ou outro dêsses modos alternativos de comportamento , deve ser precedido pela observação de que as pessoas po- dem mudar de uma alternativa. para outra, à medida que elas se lançam em diferentes esf e ras de atividades sociais. Essas categorias se referem ao pap e l de c omportamento e m t ipos específicos de situações , não à persona- lidade . Sã o tipos d e rea ç ão mais ou menos duradoura , não tipos de or- ganizaç ão de person a lidade . Considerar ê sses tipos de adaptação em di- vers a s esferas de conduta introduziria uma complexidade que não pode- ria ser dominad a na extensão dêste capítulo . Por es t a razão, v a mos nos ocupar primordialmente com !J. a tividade econômica . no sentido amplo "da produção, troca, distribuiç ã o e consumo dos bens e serviços" em nos- sa so ci e d a de competitiva, ond e a. riqueza assumiu um papel altamente simbólico .

12 . N ã o fal tam tip o l o gia s d e difer e ntes

e m .K ª . rg n . H ; ar o e y,

d e

, ! 91 1I ! I )Q U ar g ,

n a . e s trit a

inteir a ment e

N e uroii~

do

de

f ru stra çã o . • E r e u d , e m s u a CiviJiz a tion a nd Jts

um; t i p o l og i aSde ri vativas , · fr e qü e n teme nt e di fe r e nt es

co ntr ada s

!h .~ osell l'. w e ig ,_ "The ex peri m" ent a l m e as ur eme nt

ª , _ I L ~ Mtiri l! Y , ' e o ut ros, Ex plorations

H a r o ld

t í p o l ogía sep a rad a

traba lh e s

pa r tic ul a rm e nt e

dividu ai s,

Ape sar d e s u a con s t a nt e pr eo cup aç ão co m a "c ultur a ", p o r e x e mplo , Horn e y não expl o -

soci a l.

in P e r s onality

Ma s

1 938 ), 5 85· 5 9 9 ; e n o s

e m

19 3 7);

en-

mod os

d e re açã o,

e m rel a ç ã o

(pág.

às c on diç õ es

3 0 e segs .)

bás ic o s ,

(N o va

e -E .ri c h

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se r ã o

em d e t a lhe s

Our

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or re acti on

( No va Ior que,

P e rsonality

Iorqu e,

t o f r u st ra ti on",

Fromm.

L assw e ll , Ab r am . K a r . d i n e r

rreT~diant:1 a p e r s pectt va

lug a r

do ind iv íduo

é I d e tip o s de--reaçóes in-

den t ro

d a e s trutura

+

I

I

i

r \ , . )

. r

'' .'

r a as difer e n ç a s n o i m pa ct o d es s a cultur a s ô br e o f a z e nd e ir o, o tra bal ha do r e o hom e m

d e n e gócios, sõb r e o s i ndi v íduos

v á rio s g rup os étn icos

situa-

d a s c l ass e s

e tc.

e s p écie

ba i x a,

média

e z,l t a, sôbr e

o s m e mbro s

de

da

e r ac iais

Com o re s ultado,

d e

l enç ol

o p a pel

s õbre

das " incon s ist ê ncia s

cu l tur a" d os .

não é l oca li za do

A c u l t ura

to rn a - se

e m se u im pa cto dif e r e nci a l

u ma

grup o s d iv er sa ment e

t o d os s u as hí s t ó rí as

s ec isa m ente

ocorrem

no s

qu e cobr e Igua rn e n te

n as

re a çõe pr

so c ioló g i c a será en co nt r ad a .

o s m e m-

do

com

por-

br os da socie d ade,

v ida.

freqü ê n c ia difer e nte

que os m e mbr os d e tai s grup os ou estratos são dif e r e n c i a lm e n te su j eitos ao e s tímulo

e s c rí-

n os trabalhos d e Fromnl, Kardiner e Lasswell.

tos d e Doll a rd, e , menos si s t e m à ticam e nte,

Do pon t o d e vista ger a l, v e r a nota 3 d ês t e capitulo .

s e m con s ider a r

as dif e r e n ças í d ío ssín c r á t íc as

da nossa tipol o gía

é

qu e ess as

s ub g rupo s

de noss a

s oci e dad e,

Uma s upo s ição p rim or dial

d e ntr o

c às r es triç õ e s

de vá rio s

c u l tu r al

so c i ai s .

Est a or ie nt a ç ã o

: ~ ~ ) E s t a

q u int a

alt e rnati va d e tr a n s i çã o

mudar

es t á

num

pl a no

c l a r a m e nte

m e mbros

dif e r e nt e

d "," d e m ai s .

Repres e nta

e n ovos proc e di. R e f e re -s e ass í m d e acomodar

u m a r e aç ão

qu e pr oc ur a institncion a lizar

por outro s cultural

no v o s o bje t ivos da s oc i e d a de.

ao inv é s

m e n t os a se r e m compartilh a do s

es forç o s p a r a

a

es-

a estrutur a

e soc ís d existent e ,

I forços dentro d e ssa es trutur a.

i

~l_

214

L CONFORMIDADE

Robert K. Merton

Sociologia -

Teoria e Estrutura

 

215

Conforme

VeblelL . observou,

manobras " e s pertas" além dos costumes.

"não é fácil em qualquer caso dado - na verdade, é por - - Vêzes ímpossí -

Na medida

em que uma sociedade é estável,

o tipo I de adaptação

é a mais comum e a mais difundida

extensamen-

vel, até que os tribunais hajam se man í testado a respeito - dizer se é um caso de elogiável habilidade de vendedor, ou uma ofensa punível".

sões rumo a inovações ínstítucíonalmente

duvidosas, tal como é atesta-

conformidade

ínstitucionalízados

tanto com os objetivos culturais -

como com os meios

A história das grandes fortunas norte-americanas é um exemplo de ten-

te. Se ass i m não fôsse, não se poderia manter a estabilidade e contt-

A engrenagem de expectativas que constitui cada ordem

social é sustentada pelo comportamento modal de seus membros, repre- sentando a. conformidade com os padrões culturais estabelecidos, embora êstes estejam talvez variando desde muitos séculos. De fato é somen- te porque o comportamento é tipicamente orientado em direção aos val ô -

res básicos da sociedade, que podemos falar de um agre g ado . humano co-

nuidade sociais .

mo constituinte de trrna

y.ª!QI§_COlll - ºªIltlll,ªg9J L PQ L .L11ºi . yíd}J.illL , glJ~

1\.-ID!:!.l1Qs

glJ, ·

J;,e

e.

.l : Uol,j'LY

wr

e pO . sitÓr . io . de .

inHlJem

reclP.l,:ocam~pj;e,

<.~

exist e m rel a ções soc ~i s

(se é que assim possam

ser chamadas

as inte-

rações desordenadas) , mas _ ºª"Q

_s9.cie d ª-Q.e. É assim que, e m

meados

dêste século XX , seria possível nos referirmos

ções" principalmente como uma figura de linguagem, ou como um objeti- vo imaginado, mas não como uma realidade sociológica.

de

comportamento desviado e já que temos examinado resumidamente os me-

canismos que transformam a conformidade como a rea çã o modal da so-

ser dito neste pont o , em

relação

"Liga das Na-

à extinta

Já que o nosso

interê s se

primordial se concentra

sôbre as fontes

ciedade norte-americana,

pouco mais necessita

a êste tipo de adaptação.

lI. INOVAÇÃO

.

g)'"ªlJc1eêpfase . clJ,ltural

sóbre

a meta de êxito estimula

êste modo

ele adaptação através de meios institucion a lmente

proibidos ,

mas

rre-

qüentemente eficientes ,

de atingir pelo menos o simulacro do sucesso -

a.

riqueza e o poder . Esta re a ção ocorre

ênfase cultural sôbre o alvo a alcançar sem ao mesmo tempo absorve!' igualmente as normas institucionaís que governam os meios e processos para o seu atingimento. Do ponto de vista da psicologia, pode-se esperar que um grand e inte-

rêsse emocional por determinado alvo em vis ta, produza a ~Qsi çª pd e

quando o indivíduo assimilou a

as

camadas da sociedade. Do ponto de vista da sociologia, surge então esta

pergunta: quaís as características

põem em direção a êsse tipo de adaptáção, produzindo a s sim maiores fre- qüências de comportamento divergente em uma camada social do que em outra? Nos níveis econômicos mais elevados a pressão rumo à inovação apa-

ga, com não pouca freqüência, a distin ç ão entre os esforços normalmente

dos negócios, ou seja , no lado "legal" dos costumes e as

social que predis-

. aceítar rísccs, e esta

atitude

pode ser adotada

por pessoas

de tôdas

de nossa estrutura

usados no mundo

_

"

j'

i

~

~

i

,

I

I

i

I

;

!

,

I

I

í

~

< ~ _~ d

do por muitos elogios aos "Barões Ladrões". A relutante admiração fre- qüentemente . expressa em particular, e não raramente em público , a ês- ses homens " astutos, hábeis e bem sucedidos" , é um produto da estrutu- ra cultural em que a meta sacrossanta virtualmente consagra os meios.

Êste fenômeno não é nôvo. Sem admitir que Charles

PipJ.;:º-l}§ fôsse um

observador inteiramente cuidadoso da cena norte-americana. i e com pleno conhecimento de que êle era tudo, menos imparcial , citemos suas agudas observações s ô bre o "amor dos norte-americanos"

às tran s ações tos d e s f a lqu es ,

ou um a f a l ê n c i a l

o u de um t r at a nte

"Fa z e

tive o seg uinte diálo g o um a c e nten a de vê zes : "Nã o é u ma cir c un s t â nci a muit o degr a d a nte

" e sperta s ",

que e ncobr e muitas fraudes

e permit e

e grosseiras quebras de corifiança:

muí-

da rõrca

~(! t- ,

LI

áur e a.

M

a n-

públi cos e priv a dos,

qu e m uito s ca nalha s mer ece dores

d e um a es p e c ul ação

r

c o m

i g u a l e m

com pe ss oas h o ne s t a s

O s mé rito s

n ão

irr eg ul a r e l a ç õ e s

p e l a sua " es pert eza "

b e m su c edi d o ,

s ão m e d id os

p o r s u a s m a s são a pr ec i a dos

a r eg ra

a ou t rem o qu e q u e r e s qu e te faç am " .

'

que

ful a no est e ja - adquirindo

uma grande p r opried a de

pelos

meio s os m a is

ínr a mes

e odio-

s os,

e nã o ob s tante

todos o s cr im es

d e qu e êle s e to rnou

c ulpad o ,

deva se r tol e rado

e es ti-

m u la d o pe l os v o ss o s c on cí d e dãos ? E l e é um a pr a ga públi c a , n ã o é" ? " Sim , s enh o r". "Um

c on f ess o" ? " Sim, se n ho r" .

nhor " . " É u m i ndiv í d uo i nt e ir a m e nt e

me ntir os o

e pr êso" ? "S im, se -

" É le t e m d es o n r a do,

s i do c h uta d o

d eg rada do

e a l g e mad o ,

io

+

e ' d eva ss o" ? " Si m,

se nh o r" ,

"Ba ntc -1;, C .~, " ;:-:· I

Deus, qual é e ntão o s e u m é rito"? "B e m, s e n hor , ê l e é um hom e m esp er to " ,

Nesta c aricatura dos valôres culturais conflitantes, J:;>.ickJ\Il~. era evi-

d entemente apenas mais um dêsses espíritos a gudos que demonstraram sem piedade as conseqü ê ncias da import â ncia dada ao sucesso f i nancei- ro. Os humoristas norte-americanos continuaram no ponto em que os

estrangeiros

satirizou os lugares comuns da

vida a mericana , até qu e par e cessem es t r a nhamente incongru e ntes. Os

"filósofos de praça pública " , . B.ilLArn e Petroleurn volcano [mais tarde Vesúvio] Nasby , puseram a sátira a serviço da íconoolast í a, quebrando

as imagens das figuras públicas

Art~ . mus

:W1!,rd.

. 'I'io . Esek, tornaram explícito o que muitos não podiam

com pr a zer não oculto .

.:r9. §.ll,. B i lljngs

e seu alter ego, 1l

admitir li v remente, qu a ndo êle s observa v am que a satisfa ç ão é relativa,

já que " a maior part e da f e licidade nes te mu n do consist e em possuir o

que os outros não podem conseguir".

as funções sociais do humorismo tendencioso, tal como foi mais tarde analis a do porFJ~ud ) em sua monografia acêrca de Wit and Its Relation

"Todos se dedicaram a d e monstrar

de ataque tudo o que é

grande , dignificado e poderoso , contra aquilo que está protegido por obs-

dire-

ta"

feita por _ AmbrQ.s JL . : 61 ~ [ç!Lnuma forma que tornou evidente que o espíri- to não se havia de ' stacado de suas origens etimológicas e ainda sígnífí-

to the Unconscio u s, usando

como "uma arma

externas

táculos internos ou circunstâncias

contra

a detra ç ão

Porém, talvez mais apropriada tenha sido a exibição de espírito,

216

Rob e rt K . Mer t o r i

cava o p o d e r pelo qu a l a g en te sabe, aprende, ou p e n sa . E m s e u en-

e s e us cor-

s a i o caracteristicam e n te

ir ô nico e profundo

acêrc a

do "c rim e

f r eti vos" , Bierce com e ç a ob se r v ando

que "os soci ó l ogos

tê m l o n g amente

deb a tido

tia; os que concordam com i sso parecem sofrer d e s s a m es m a moléstia".

Após tal prelúdio, descr e ve

a s discrep â ncias

entre os valôres cultur a i s e as r e la ç ões sociais.

a teoria

d e qu e o impulso

para cometer

o cr i m e é uma molés-

bem sucedi-

o s modos pelos quais o mal a ndro

soci a l e prossegue, analisando

• do alcança

a legitimação

V ia d e r eg r a, o bom nor t e -arne r tc a no

é basta n te cont r á rio

à v e l h aca r i a ,

êle suav iz a

 

s u a & .!u ster id a d e p o r uma am i g ável t o ler â n c ia

d e qu e ê l e d eva co nh ecer p es soa l ment e

p a r a

o s tr a t a ntes .

m as úni c a e xi g ênc i a o s l ad r õ e s

b e m ,

co m o s v e l h a c o s.

Se t i vermos

Su a

T o d os nó s " d e nun c i amos "

e s s a h o nr a ,

i st o

é

e m

voz a l ta ,

se n ão temos

a h onr a d e c on h e cê - I o s .

é. dir e -

r e nt e, a m e nos q u e êle s r ec e ndam

à

f a v e l a ou à pri s ão.

P ode mo s sabe r que ê le s são d e l in -

" '1

i

'1

e nt es ,

m a s q u ando

o s en c ontr a m os ,

sa c u dimo s

s u a s mão s) b e b em os

co m

ê les, e s e a c o n -

t ece

qu e s e jam

rico s, o u im po r ta n t es

so b a l g um

ou tr o

as p ecto, co n v ida m o - t os

à s n ossas

e ss a s e c onsi d e r amos

s e u s m é tod o s " que r i m po rt â nc i a

um a h o nr a fr e qüenta r

s e p e n sa ,

a s s u as .

t er

B e m ent en d i do,

A id éia

p o r

"n ã o a pr ov a mos

hu mo r i s ta .

os

e is t o j á c on st i t ui a o q u e d ê l e

um a puniç ão su fi c i e nte.

pa r e ce

d e qu e u m pat if e

u m

d á qua l-

No

s i do in ve n ta do

p a l c o de va ude vi lIe d e M a r t e , i st o p r ov à ve lmen te t e r ia fe i to s u a f o r t un a .

[ E a cr es c entr . l : Se fôsse n úmer o con s i d eràve l me n t e

menor.

to s ao l on g o do cami n h o

pcra r e n u nc i ar às d e s v a n ta g e n s

n e g ado o r e c o n hec i ment o

s o ci a l

ao s ve l haco s ,

ê les s e ri a m

em seus r a s- i n st int o s U ma

A l g un s , a penas esconderia m

m as ou t ros contr a r ia r i a m

em t r o c a d ~ u m

c o m ma is cuida do

ba s ta n t e

d a iniqüi d a d e ,

o s s e u s d a s de u m a . v i da h o n ra da .

ap ê rt o

d a v e lh ac a ri a

p e s s oa i J ? d i~ª _ ~ ª - ç J_ ª - t~m _ ~ .t ~ ºJ 9 . ~oPJ 9 . a . J;le g a~ iya

ma s i ne v i tá v e l

de

t om á-I o s censurá-Ias;

p lice, P ode-se so rrir par a um can a lh a (a maior ps -r t e de n ós faz i s so m ui tas v ê zes por dia) s e a ge n te não sabe qu e ê l e é um sa f a do e n ão disse que êl e é; m as s ab e ndo q u e é, ou ten- d o p r o clamado que é, sorrir pa r a ê l e é s e r hipócrita, apen a s u m s i mpl e s hipócr i t a ou um

h ipócri t a adulador, de ac ô rd o com a p os ição na vida em qu e es t e j a o ca n a lha q ue recebe

ve-

l hacos d e p o uca import â n c i a

n ossos so rri s os.

de_ro~º . e o g Q J p~ .~ à e m o r ~ d cJ

q ue n ã o

se e nverg o n h a m

c o n si d er a m co ntr a

d e s leal um cúm -

de um olhar

d e d es pr ê z o .

T emos vel h acos

r i c o s por q u e

vi s t as

t e m os p ess oas " re s peitá v eis"

p e l a mão , de ser e m

gritar

qua n do

c o m ê l es , de d i zer que os c o n h e c e m;

por ê l es equivaler i a

a t e s t e m u nh a r

se é roub ad o

Há mai s hip ócr i t as

s i m p l e s d o que hípócrib as ad ul ado r e s ,

ri c o s e distint os, s e rá saqu ea d o

p o i s há

mais

do qu e ca n a lhas O povo n or t e - am e rica n o

e m bo r a' c a da . um dos últimos

e nqu a n to

o s e u c aráte r

fôr

re c eba . me nos sorriso s .

o

qu e p .: e n q u an t o

fô r to l e rant e

e m r e l aç ã o

aos cana l has

bem s u ce d i d os ; e n qu a n t o

a í n ge -

nu

idade n o r t e-a m e r rcssna

tr aça r

u m a di s t inç ã o

im a g i ná r ia

en t r e

O ca r á t e r

pú b l i c o

de

U 1 U

h om e m e o se u caráter p a rtt c u l a r ,

c o m e r c ia l o u pessoa l.

Em po u cas p a l a v r a s,

o . P'?.Y9 do s

§ ~ a d o s

E

ne!

I ! . ~ ~ : ve

~Ç 2 ~E ~ .!

{

Jll!@ .

s.eQ . Jo u b a . d o ,

e n qu a n to

m e r e c e r

s e r r o u b a do,

N e n h u m a

l e i

h u m a n a

pode " H a ve rá s

eviy~: 1 (l

,PQ.

_ ~ ~ _ ~~ ~ .~l9 _z~§~evlr~ í a abrt g a r ur n a " e í m ais a l t a ~ ma i s sa luta r :

9 Q l ! e _ ~j Y ~;Lel L fi ~ _ m ~ ~ ç 1~49" .

1 4 . As ob se r va ç õ e s

em B os t o n:

de D i cken s B oo k s ,

sã o In c. ,

cad a

m o r tenden c ioso e d os hur no r i sta s

d e SU 2 . S Am eri c a n

No ! es

( p o r

e x e m p l o ,

n a

e

diç ã o

1 940 ), 2 1 8 ,

Uma a n á li se s oc i o l ó g i ca

da s fu nç ões

publí- d o h u-

t en d e n c ios o s,

q u e s e ria a c o nt r a p a r tid a

f or m a l , embora

J n e v l t à ve lm e n t e

m e nor ,

d

a

a rr á l is e ps i co l õg i ca d e P re ud , já .

est á

t ar da n do

w a p a r e c e r.

A

d i ss e rtaç ã o

d o u to r a l

d e . r c a n n e t te

'I ' a . nd y, e mbora

n ão

s e j a

d e c a r át e r

a p rese n ta

um po nt o

de pa . r t i da :

C r ac k c rb ox

Ph ilo s o p h c r s : Am c ri oa n Hum o r

soc i o l ó g i co , an d Sa t.ir e

(N ova I o r q u e : Colum b i a U ni v e r s i ty P r es s , 1 9 25). No Capít u l o V d e I n! e ll c c t u a l

Ame rica

( Nova I orque: Mac m ilI a n ,

1 9 4 1 ) , a pr o p ri a d a m e n te

i n t i tul a d o

" T h e Ir i t cl t i ga nt st a, " ,

Oscar

C a r g il l tec e al g u m as só li d a s o b s e r v a ções sô br e o p a p e l d o s m es t r es d a sá ti ra norte -

-am e ri ca n a d o sé culo X IX ;

s e u g ra nd e

d e Bierce,

p o r é m , i s t o n a turalme n te

t e m a p e n as

um p eq u e no O e n s ai o

l u g a r

em

li v r o sô br e

H a m a r c h a

d as id é i a s norte-am e ri ca n as" .

"~~: "".':"

.• ,.:;""

,-1

" :1•.•••. '.:, •.~.~

So ci o lo g i a -

T eor i a e E s t rutur a

-

-

- --- - -

217

n ã o po-

dería f àc il mente de i xa r de ob s ervar o qu e m a is

do com o "d .§ . li! 1: q4~ t e s . çl e eolRl'illl1o br i lP,QQ". N ã o obstante,

que nem to d o s êsse s g randes é dram á ti c os a f a st a m e ntos das norm a s ins-

titucion a i s possivelm e nte

e que

mé-

Vi vendo n a er a e m que os bar õe s

l a dr õe s fl o re s c e ram ,

B í erce

ta rde se tornou conheci-

ê le s a bi a

são conhecidos,

as classes

no s es tr a tos superiores

v ê m à luz número

da e c on o mi a

menor

de d e svios entre

dias inf e ri o r €s .S _ u t h ~ rl ª ).).d

_tem rep e tidamente

documentado a predomi -

nância da " c r imin ãiidacte ' d e colarinho br a nco"

cios. Êle n ota, a l é m d iss o , que muitos de t a is crime s não foram l e v a dos

a o t ribun a l p orqu e n ão f o r a m descobertos;

t us s oc i a l d o hom e m d e n egóc ios, a te nd ê nci a c on t r á ria ao c a sti g o , e o

res se n t im e n t o

so s d e col a ri nho

entr e os homens

de negó-

ou, s e foram , ' devido ao " sta-

c ontr a os c rimino-

p ú blico r e l at i v amen t e

b ranco" . 1 5

n ã o or ga niz a do

Um es tudo de a pro x imad a m e n t e

1.700 í ndi- C

v í du os , predom in ant e mente

re g í s t r a d as" so.c . i ~da ~ . : .

sar a m te r c o m e t i do u m a ou mai s d a s 49 in f r a çõe s à l ei p e n a l do E st a d o d e : /

Nova l orqu e , se n do c a d a u ma d e t a is infra çõ e s

r a ser p a s s í ve l d e pena m áx ima d e p e l o m e n o s um a no de pris ã o . O

- ções c o m etidas a n te s dos dezesseí s a n os - er a d e 1 8 p a r a os h o m e ns e de 11 p a r a as m u l h e r es . M ais de 64 % dos hom e n s ed e 29% d as mulheres

núm e r o

da cla sse m é di a , r eve l o u q ue as Ü l fr a . çQgf;~n . ã .o : .c ' ; :

da . ,.

co nt es - • . "

sé ri a P ª ' , - I

exc luíd as tô das as ínrra -

e r a m com un s e n t r e m e mbr os int e i r a m ente . " r es p eitá ve i s"

Noven t a

e no v e por ce n t o

das p essoas

p esq u isad a s

Sufici e n te men te

e m id a de a dul ta

m é d i o de i n f r ações

r eco nh ec i am s u a c ul pa e m u m ou m a i s casos d e cr i mes g r aves o que , seg un do as l e i s de N ova I o rqu e, s ã o suf ic ient e s p a r a pri v ar a p e s s oa de to dos os s e us d ir e i tos de ci da dão . Um cas o fri sa nte fo i expre s so p o r um

eclesi ást i co ,

dizer a

peito d e ur na m e r cado ria que vend e ra: " Pr oc ur e i primeiramente

verdade, ma s nem se mpre ela dá bom r es ult a do"· Com base em tais re-

sultados, os a u to r es concluíram mod e st a m e n te

por ê l e a res -

ao se r ef e rir

às falsas d e cl a r ações

pr es tadas

que "oII1ÍIl1ero d e . a , t ºs

que le ga lm e n te co n s t it u e m

cial me n te d e n un ci ados, O comportam e nt o

fes tação

Um f e n ôme no mui t o c omum v. i s

crimes, e x c e d e de m ui t o

longe aquêle do s ofi- .

ile ga l , lon ge de ser uma m a ni-

é n a v e rdade

an or ma l ,

do po n t o de v i s ta soc i a l ou psi c oló g ico ,

d o q u a l tir ei tã o e x t ensa

br ose Bier c e

XI , 1 8 7 - 1 98, Q u a l que r

gam e nto

e x p r essão d e u m pr e c o n ce ito

c i taç ã o , pod e ser enconrr s oo

e m " Th e

Colle c l e d

Work s of Am-

1 9 1 2) , vo l.

( Nova I o r que e Wa s h ington:

q ue se ja o seu va lor ,

a r e s p e it o

de B ierce .

q ue, na

p r ó pria

T h e N e a l e P ublish i ng

d e vo di s c o rd a r

P a r ec e i d é i a

Compan y ,

do r ude uma

e inju s tifi ca do

opini ã o

jul·

de C a r g ill

se r que B i e r c e

m e n o s

do que

a

f a i lia d o "preconce i t o",

s eria a p e n a s

1 5 . E. H . Su t h e r

"ur na o p i n i ão

" Whi t e

nd,

v ad i a sem qua l qu e r

c ol l a r cr i m i n ali t y ".

m ei o vi s í v el

de apoio".

en .

ci t. ;

"Cr i m e

an d bu s ine s s ",

Am e r i c an Acad e m y

of Po l it i ca l

and

Socia l S ci c n c c,

19 4 1 , 2 1 7, 1 12· 1 1 8 ; " I s

'w hit e

A nnal s, c o l l ar

}

~'f~ .

ti

'

·

,

f

- . ; ,

,

I

I

I

. ~<'. , \

c r i m e '

c r i me "? Am e r i c a n

So c i olo gica I Review

1 9 4 5 , 10 , 1 32- 1 39 ; Ma r shal l

B . Clinar d .

Th c

B l a ck ! \1 a r k c t:

A S tud y

of Whit e

C oIl ar Cr im e

(N ova Io r q u e :

Rin e har

t

&

CO .,

1 952) ; D o rr a. d R . Cr esse y ,

Olh e r

P eo pl e 's

I U o n e y : A S lud y

in th e

Soci a l P s y c holo gy

o t

Em b e z z 1 e m cn t (G 1e n coe :

Th e Free P r e s s,

19 5 3) .

1 6 . J a rn es abril,

S . \ \ : z: J l e r s tei n 1 9 4 7.

and C l e mcnt

J . Wy l e .

"O u r I aw - a b í din g

l aw-b r eaker s " ,

P ro bat i oD .

218

R o b e r t K. Me r t o1~

Porém, quaisquer que sejam a s proporções diferenciais do comporta-

.;:.-.",:.

.

mento desviado nos diversos estr a tos

tes que as estat í stic a s oficiais a respei t o dos crimes mostram uniforme-

mente proporções maiores nos estratos inferior e s,

para

nas de confiança , resulta da nossa análise que . as maiores . P!e15sães

sociais, e sabemos por mui t as

ron -

e que elas não são dig-

9

,ǺJ:D QQl'j;ª!!:IE ? p !

~~l! : l1_s_,,-i~s!()~ f , () exerci d~il

:5 â

b

x:e.asc:j,!p:.

. a . c lª _ s

ÍIlferiores_

.

Casos que podemos apontar nos permitem descobrir os mecanismos socio-

Dive r sa s pesquis a s t ê m mostra-

do que as á reas especializ a das de vícios e crimes constituem uma reaç ã o

o sucesso

pecuniário te m sido assimil a d a ,

venc i on a is e le g ítimos para qu e uma pe s s o a seja bem sucedida na vida .

áre a s s ão g r a ndern e n-

t e confinadas a o trabalho m a nu a l e aos pequenos empre g os d e c olarinho

As oportunid a d es o c up a cionai s

lógicos res p onsávei s por ess a s pressões .

" normal " contra uma situ a ç ã o

em que a Ê nf a se cultural

s ô bre

m as onde h á pouco ac e s s o aos meios con -

das pesso a s d esta s

branco.

Dad a a . eI' .1igJ, : ! H . t J;lz J K_ã_-ºJl,Q]j & a .m e r i c a n a . ao

trabalho

.

manu a l ,

a qual se ve~ yic . ~ . ~ _ ~ e1'.~C ! stl 1: rI: ~ ~ Y 7Ly?rrn e _ I !' f! ! ~ _ d:a . s_iJ:.s . ! ! !:I ! :

t

_

.~. ~s ()ciais,17l ! . ~

e

a ausência de oportunidades r e alísticas para ultrapassar aquêle nível, c re - j

sultado tem sido uma tend ê nc ia acentuada em direção ao comportamen-

t o desviado.

do) e o cons e qüente bai x o rendimento não o habilitam

A situ a ção social do trabalh ad or

manual (não especializ a -

a competir

den-

t ro do s padr õe s co n s a grad o s

p od e r e de a l to rend i ment o t ag em e do crim e . 1 8

d e hon es t ida de , com as op o r t unidades

de

ofere c i d os p e l o s si n dicatos

do v ício , da chan-

P a r a as fin a li d a d es

dês te tr a b al ho,

es s a s s i t uaçõ e s

e x ib e m

dua s

c a-

rac te rístic a s

d o s pelas norm a s e s tabel ec i d a s

disponív e is par a o a ces s o ra de classe , que n ã o resta

comportamento .

s a li entes. ;J. Prim e iro ,

o s inc e n t i vo s

d a c ultu ra

p a ra o ê xi t o s ã o inculc a-

as v i a s

e Z ,. e m s e g undo lu ga r ,

sã o tã o limi ta d as

a

a ês t e objeti v o ,

o utr a

pela estrutu- os desvios de

p e lo

saída s e n ã o a pelar

par

e ntre os alvo s propostos

É a jalta

d e e ntrosament o

1 7.

N a ti o n a l

O p i n i on R es e a r c h

C e nt e r , Na t i onal

Opin i o n o n O c cupatí o n s ,

a br il ,

1 9 47. E st a

I _ o

p es q u i s a s ô bre a c l ass i f i cação

e a va l i a ç ã o d e n o v e n ta

oc up a çõe s . nu m a a m o s t r age m

n a-

c io n a l , ap r e se nt a

um a

s é r i e d e i m p o r t a n t es

d a d os emp í r íco s .

D e g r a nd e sig ni f ica çã o

~

a

const a tação

de q u e, ap esa r

d e um a

l e v e ten d ênc i a

d as p es s o a s a v a l o r i zar e m

sua p ró -

pri

a oc u p ação e as c or r e lctas ma is a l t o do q u e a s d e o u t r o s g r u p os , há u m a sub s r a n -

~ _~ con c or dâ n ci a na av a li a çã o dos empregos ou oc up a ções e m t odo s o s am bie n t es do

e s p é cie são n ece s s á ri a s

tr a b al h o .

gra fi a c u l t u r a l d a s s o cie d a d e s contemp o r â n e a s.

M ais p esq u isa s

d es t a

a f im

d e cúr t o g r a f a r

a t o p o -

(Ve r o e s t udo co mp a r a t i v o

do p re s t íg i o

.~

 

co

n ce d i d o à s pr i n c i p a i s

o c u pações e m se i s p aíses i n du s t r i a li za do s :

A l e x I n ke l es

e P e t e r

H .

R ossí, " N a t í on a l

com p a rr son s

o f occ u p a ti o n a l

p r e s ti g e " , Ameri ca n

Jou r n a l

of

80-

cio

l o g y, 1 9 5 6 , 6 1 , 3 29 · 339).

18 .

V e r Joseph D . L o h ma n

"The p a rt icip an t

obser v e r in c o mm unit y st u d i e s ", American

So-

.

~ ~

~ _,- , -

"

, "

ciological Reví e w, 1 93 7, 2,. 880-'898 e William

19 4 3). Notem- s e as co nclusões d e Whyt e : dif í c i l p a r a o homem de C o rnerville a l-

~l e é u m i t a liano, e os

F. W hyt e,

street Comer S o c iety (Chica g o ,

os m e no s

d e s e j á-

d e

c a n ç ar a e s c ada (do s u c esso) , me s mo o s e u prim ei r o d e g r a u

it a lia n os são c o n s i de r a do s v e i s dos p ovos im i gr a n t es dinh e i r o e p o s s es m a t e rt aís

de Corne r v i l l e e ss as rec o mpen s as

l h a s (" r ac k e ts") e da pr o teção po l i t í c a" . (273 -27 4)

p e l as p essoa s

da s cla sses

s u p e r io r e s

com o at r a e n t es a m a i o r i a p e l a in flu ê n cia

a s o c i e d a d e p r om e te r e compen sas

a o hom e m

' b e m s u c e dido ' .

P ara

s ó po derão

se r a l c a n ç ad as

e m t ê rmo s

d o s h ab i t a nt e s d a s quad rl-

: . - .

.

-

- '

,

~

-

", , , , _,_

~, ,~ " '~~.~ "" _ ~~ " "" " ~ ~ ii i ~,~ _

r

I

I

SOC i olog ia -

T e or ia e Estrutu r a

219

ambi e n t e c ultural e as po ss ibilid ad es oferecid a s

produz intensa pre s s ã o para o desvio de compor t amento. O recurso a

""' u ais

ra de classe a qual n ã o é in t eiram e nte acess íve l, em todos os níveis, a hom e ns de boa capacidade. 19 Apesar de nossa . P J lIs.!ste1lte-i da ol.ug.ia_de_

ho.p-ºI l y u i.!JIj,.lÍesjgu a i s

te fech a do e notavelmente difíc i l par a os Que têm pouca instruç ã o formal

e parcos r e curs o s .

ção da s v i a s le gai s , m a s ínefícientes ,

g ítimos , porém m ai s ou meno s eficientes .

à atenuação da utiliza- uso dos expedien t es ile-

p e l a cul t ur a

so c i al qUQ

le g í t imos par á . "entrar no dinheiro"

é limitado

por uma es tru ü · ·

para. tºq . a~",20 o caminho para o êxito é rel a tivamen-

A pressão domin a nte condu z

e a o cresc e nte

a ,

Çl 1l t ur : ª _ çl º m ! .I ) , ª :Il, t . e J al 'u: ) ~!g ª n ç i l ts

i l1 . ç o . m n\lt! y e j,~ , par a o s índ í yí duo s

sl tY . ª99 ? ! la . l?. ~a m a d . ~ se ped e q ue ori e n t em

rique za : - " Qu e c a d a h ome m sej a um rei " , d i z iam Marden , C a rn eg ie c

ipferioj . " e s o, a e s t m t u r a . s9 C . Ü i l .

De um l a do , a êles

d a grande

s ua condut a

e m dire çã o

à e x pecta t i v a

Lon g - e do outro lado, a ê l e s s e ne ga m , em l a r g a medida,

a s oportuní-

nad e s efetivas d e ass im fazer de ntro das insti t u içõ es vigent es . A conse-