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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 99º VARA FEITOS CÍVEIS, DE CONSUMO E EMPRESARIAL DA COMARCA DE SALVADOR BA.

PEDRO LIMA SABOIA, já devidamente qualificado nos autos do processo em que litiga contra REVENDEDORA SEU CARRO LTDA, também devidamente qualificada, em atenção ao despacho de fl., vem perante V. Excelência emendar a Inicial nos termos a seguir:

DO DIREITO

O ordenamento jurídico pátrio estabelece que quem dispõe de um bem tem a obrigação de garantir que o seu adquirente tenha, mais do que a propriedade e a posse, o seu uso e gozo dentro dos padrões normais que se contratou no negócio efetuado.

É o que se vê no art. 447 do Código Civil, “in verbis”:

“Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.”

Nesse sentido, caso, após a aquisição, venha o adquirente a perder a propriedade de um bem por determinação judicial que confere a titularidade de tal bem a outrem, fundamentada a decisão judicial em elemento jurídico preexistente ao negócio em assunto há o reconhecimento do direito do prejudicado em requerer junto ao vendedor ou permutante a reparação do dano causado.

É o que se vê no caso em tela!

A doutrina especializada ensina que a evicção é direito que tem características inatas a qualquer contrato, exceto em havendo estipulação em

contrário. Desse modo, só se excluirá a responsabilidade do alienante se houver cláusula expressa (pactum de non praetanda evictione), conforme dicção do artigo 448 do Código Civil, “in verbis”:

Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção.

O que não se efetivou no caso em baila!

Como visto, tem o autor o direito de exigir contratualmente que a empresa alienante da coisa venha a responder por eventual evicção que venha a ocorrer.

DOS DANOS MORAIS

Referente aos danos morais sofridos pelo autor estes são explícitos, em face da negligencia da Ré, quando o autor agindo de boa-fé adimpliu corretamente as prestações acordadas, e não obteve a contraprestação devida: o pleno gozo do bem!

Diariamente lidamos com as mesmas situações criadas por empresas descontroladas e com alta lucratividade que se prevalecem da vulnerabilidade do consumidor, e como se não bastasse, regozijam sobre os consumidores seu superior poder econômico, trazendo angustia e sofrimento aos mesmos.

Logo, a indenização, além de servir para compensar o Autor dos transtornos causados pela negligencia e desorganização da Ré em resolver a situação, apresenta sem dúvida, um aspecto pedagógico, pois serve de advertência para que o causador do dano e seus congêneres venham a se abster de praticar os atos geradores desse dano. Resta evidente, em virtude da constituição federal de 1988 (Artigo 5, incisos V e X) e o Código de Defesa do Consumidor, que não há mais espaço para aqueles que afirmam a falta de fundamentação legal para a reparação do dano moral: “é assegurado o direito de resposta proporcional ao agravo, além de reparação por dano material, moral e a imagem.” (Art.5º,V CF); “é direito básico do consumidor a efetiva

prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais,individuais coletivos e difusos.” (Art.6º,VI da lei 8.078/90)

Nas palavras de Sérgio Cavalieri Filho:

“O dano moral é aquele que atinge os bens da personalidade, tais como a honra, a liberdade a

saúde e a integridade psicológica, causando dor

tristeza, vexame e humilhação a vitima (

se incluem nos novos direitos da personalidade os

aspectos de sua vida privada, entre eles a sua

situação econômica financeira (

Responsabilidade Civil, Editora Malheiros, SP, 7ª Edição, 2007)

) Também

)(Programa

de

Segundo a lição do inexcedível Mestre Yussef Said Cahali (in Dano Moral, Editora Revista dos Tribunais, SP, 1998,2ª Edição):

“Dano moral é a privação ou diminuição daqueles bens que tem um valor precípuo na vida do homem e que são a paz, a tranqüilidade de espírito, a liberdade individual, a integridade individual, a integridade física, a honra e os demais sagrados afetos, classificando-se desse modo, em dano que afeta a parte social do patrimônio moral (honra, reputação etc.) e dano que molesta a parte afetiva do patrimônio moral (dor, tristeza, saudade etc.), dano moral que provoca direta ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz deformante) e dano moral puro (dor, tristeza etc.)”.

Desta feita, a negligência e falta de organização quanto ao atendimento ao Autor, causaram grande impacto emocional, que se deparou impotente diante da privação de não dispor do bem para dele desfrutar, afetando drasticamente o seu rendimento mensal, o impendido de batalhar para

conseguir o seu sustento e de toda a sua família, tendo assim a sua honra, dignidade e tranquilidade feridas gravemente.

Não se trata de simples dissabor, como aqueles a que todos estão submetidos na vida em sociedade, e muito menos de uma personalidade com sensibilidade exacerbada.

As atitudes da empresa Ré causou ao Autor profunda frustração, angustia dor e desequilíbrio em seu bem estar. Não há como se negar que aquelas pessoas que assinam contrato de compra e venda de imóvel necessitam de toda explicação acerca do negocio contratado, visto que é um bem de tamanha importância.

Vale lembrar que a prova do dano moral é “in ré ipsa”, ou seja, não precisa comprovar, pois nasce do próprio fato, configurando-se através da dor, sofrimento que retire a pessoa do seu bem estar, causando ao homem desgaste e ferindo a sua dignidade.

Destarte, afigura-se inexoravelmente danosa a conduta da Ré, gerando assim danos morais de enorme gravidade, visto que, como já exposto causou frustração de expectativa do Autor que, fugindo a normalidade, interferiu no comportamento psicológico do mesmo causando-lhe angustias de tal ordem que agrediram seu bem estar.

Quanto à fixação da indenização por danos morais, aquela carecerá restar definida pelo prudente arbítrio desse Nobre Juízo.

Importante ressaltar que a importância da indenização vai além do caso concreto, posto que a sentença tem alcance muito elevada, na medida em que traz consequências ao direito e toda sociedade. Por isso, deve haver a correspondente e necessária exacerbação do quantum da indenização tendo em vista a gravidade da ofensa à honra do autor; os efeitos sancionadores da sentença só produzirão seus efeitos e alcançarão sua finalidade se esse quantum for suficientemente alto a ponto de apenar a empresa ré, revendedora de veículos consagrada no mercado, e assim coibir que outros casos semelhantes aconteçam.

DA ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA.

Tendo em vista as ilegalidades praticadas pela ré, que de total má fé ofertou produto no qual não podia dispor, haja vista ser este de terceiros. E diante da situação lamentável a que se encontra o autor, ao ver sua vida devassada em razão da impossibilidade de laborar somada ao descrédito que acometeu seu nome, ambas as situações decorrentes da conduta irresponsável e abusiva da ré, é de rigor que a requerida seja liminarmente obrigada a retirar o nome do autor dos cadastros restritivos de crédito.

Assim, restam demonstrados os requisitos para a concessão da tutela antecipada a que se pleiteia, senão vejamos:

a) Prova inequívoca da verossimilhança das alegações: verifica-se dos documentos acostados, que o autor cumpriu religiosamente com suas obrigações. Sendo evidente que as prestações que deram ensejo a negativação datam justamente dos meses subsequentes ao cumprimento da decisão judicial, que privou o autor do bem.

Sendo assim, completamente equivocada a restrição que sofreu o demandante.

b) Dano irreparável ou de difícil reparação: depreende-se da farta documentação inclusa que o autor vem enfrentando dificuldades financeiras terríveis em razão de não dispor de veículo para o seu labor diário, além dos transtornos provocados em razão de não dispor sequer de crédito na praça.

Desta forma, é de se ponderar que sobredito dano tem efetiva origem nas práticas abusivas, pois é presumível que o autor assinou contrato de compra e venda de automóvel com base na confiança das informações prestadas pelos representantes do réu, que omitindo informações induziu o autor a erro.

Ademais, não há perigo de irreversibilidade no provimento antecipatório, eis que a liminar concedida não acarreta nenhum prejuízo aos réus.

Portanto, é por medida de justiça que a requerida seja liminarmente obrigada a excluir o nome do autor dos cadastros restritivos de crédito, bem como para disponibilizar veículo automotor, nas mesmas condições do que fora apreendido, a fim de que possa o autor voltar ao seu labor e, consequentemente, voltar a promover o seu próprio sustento.

DOS PEDIDOS

Em face do exposto, requer a V. Exa.

a) O sentenciamento pela inteira procedência da ação com a condenação de Requerido à integral reparação dos danos materiais no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), e de danos morais no valor a ser arbitrado pelo M.M. juízo, em valor não inferior a R$ 10.000 (dez mil reais).

b) A antecipação dos efeitos da tutela, liminarmente e inaudita altera pars, com supedâneo no art. 273 do CPC, para que obrigue a ré a excluir o nome do autor dos cadastros restritivos de crédito, bem como para disponibilizar veículo automotor, nas mesmas condições do que fora apreendido.

c) Requer a produção de prova através de todos os meios em direito admitidos, inclusive o depoimento pessoal do representante legal da ré e inquirição das testemunhas, caso necessário.

Nestes termos.

Pede deferimento.

Salvador, 27 de novembro de 2013

Tício de Oliveira Bastos

Tício de Oliveira Bastos

OAB/BA nº 30.045