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CANDOMBLÉ DE CABOCLO Profª Drª Zelinda Barros

CANDOMBLÉ DE CABOCLO

Profª Drª Zelinda Barros

Continente Africano
Continente Africano

Os primeiros humanos surgiram por volta de 150.000 anos, e viviam nas cavernas da África do Sul. O Homo sapiens africano é conhecido como homem de Grimaldi. São faladas mais de 2.000 línguas, distribuídas em quatro famílias linguísticas: Afro-Asiática, Nilo-Saariana, Koissã e Nígero-Congolesa. A África subsaariana concentra a população negra do continente (à exceção dos koissã – hotentotes e bosquímanos), sendo chamada de África Negra. O Reino do Congo, de onde vieram muitos africanos escravizados, foi fundado em 1240, por Ntinu Wene. Estendia-se do oceano Atlântico, a oeste, até ao rio Cuango, a leste, e do rio Oguwé, no atual Gabão, a norte, até ao rio Kwanza, a sul.

FONTE: CASTRO, 2011, p. 104)
FONTE: CASTRO, 2011, p. 104)
Africanos no Brasil
Africanos no Brasil

As culturas ioruba (nagô), fon (jeje) e do império do Congo que se destacaram na formação do patrimônio de valores negros no Brasil. Bantos => chamados cabindas ou congos, provenientes da região Congo-Angola, Moçambique e do antigo Zaire

Fulas

da Guiné

e

mandingos

(séc.

XVI)

=>

provenientes

Portuguesa (Senegal, Serra Leoa)

-

significa

estrangeiro. Adja => nome de grupos étnicos do leste do Daomé. Nagôs (anagô/piolhento, nagô ou anagonu ) => grupos étnicos de fala iorubá que vieram para o Brasil (Oió, Ketu, Ijexá, Egbabo, Abeokutá, Ijebu, Odé, Ibadan). Foram os últimos a chegar ao país.

Jeje

=>

se

refere

os

aos

e

grupos

os

gú.

étnicos

do

Baixo

Daomé

especialmente

Etimologicamente,

Bantos e sudaneses
Bantos e sudaneses

OrigemOrigemOrigemOrigem bantobantobantobanto (Congo,(Congo,(Congo,(Congo, Angola,Angola,Angola,Angola, Moçambique)Moçambique)Moçambique)Moçambique)

Angolas Caçanjes Bengalas Cabindas Quimbundos Mondongos Congos

OrigemOrigemOrigemOrigem sudanesasudanesasudanesasudanesa TTTTogo)ogo)ogo)ogo)

Iorubas ou nagôs (Oió, Ketu, Ijexá, Egbá, Abeokutá, Ijebu, Odé, Ibadan) Jejes (Baixo Daomé - especialmente os ewe, fon e os gú) Fanti ashanti Islamizados => haussás, tapas, peuls, fulas e mandingas Minas (tshis e gás) Jolofos, mandingas (Gâmbia), achantis, berberes, jalofos

BantoBantoBantoBanto = “povo”, “os homens”. Plural de muntomuntomuntomunto, “o homem”.

(África(África(África(África Ocidental/Nígéria,Ocidental/Nígéria,Ocidental/Nígéria,Ocidental/Nígéria, BeninBeninBeninBenin eeee

BeninBeninBeninBenin eeee Séc. XVI a XIX Séc. XVII a XIX
BeninBeninBeninBenin eeee Séc. XVI a XIX Séc. XVII a XIX

Séc. XVI a

XIX

Séc. XVII a

XIX

BANTOS

A partir do século

XVI

Origem

BANTOS A partir do século XVI Origem

mesmo “

minoria, o sudanês parece ter sido na

paisagem étnica e social da escravidão na Bahia o elemento dinamicamente urbano em contraste com o banto; passivamente rústico; e como elemento dinamicamente urbano parece ter-se feito respeitar pelos brancos mais do que o escravo rústico, impondo- se ao respeito dos mesmos brancos, os homens pela sua formação não raro muçulmana, igual e às vezes superior à cristã dos colonos portugueses, as mulheres, por sua beleza de traços – do ponto de vista europeu -, por sua arte do adorno do corpo, por suas virtudes pessoais, graças domésticas, quindins sexuais.”

Prefácio de Gilberto Freyre ao livro “O negro na Bahia” (FILHO, 2008, p. 8)

Durante muito tempo foi sustentada por intelectuais a oposição entre os bantos, predominantes na zona rural, e os sudaneses, predominantes na zona urbana => visão preconceituosa e em desuso

Bantos (séc. XVI)

A palavra “banto” foi cunhada em 1862 pelo filólogo e etnólogo alemão Wilhelm H. I. Bleek, no livro A Comparative Grammar of South African Languages, para referir-se a uma comunidade linguística por aproximadamente 450 línguas que possuem uma origem comum. Os bantófonos são povos que habitam desde a baía de Biafra a Melinde.

BANTU, FAMÍLIA LINGUÍSTICA Nome da grande família de línguas faladas em cerca de um terço

BANTU, FAMÍLIA LINGUÍSTICA

Nome da grande família de línguas faladas em cerca de um terço do continente africano, compreendendo cerca de 500 idiomas, pertencente ao ramo Benué- Congo, da família Níger-Congo. “Bantu” significa “gente” ou “povo” em parte das línguas desse grupo. O kimbundu e o kikongo, idiomas bantu utilizados na região do Congo- Angola, influenciaram enormemente o português falado no Brasil.

FONTE: FIGUEIREDO, Fábio Baqueiro. Glossário. In: História da África. Salvador:

CEAO/UFBA, 2011.

SUDANESES A partir do século XVII Origem

SUDANESES

A partir do século

XVII

Origem

Religiões de matrizes africanas
Religiões de matrizes africanas

Até o século XVIII, as religiões de matrizes africanas eram chamadas de calunduscalunduscalunduscalundus (banto), batuquebatuquebatuquebatuque ou batucajébatucajé.batucajébatucajé Em 1826182618261826, Pierre Verger identificou a primeira referência a candomblécandomblécandomblécandomblé. As casas de candomblé surgiram no século XIX e deram origem aos atuais terreiros de candomblé.

CandombléCandombléCandombléCandomblé ou condomblécondomblécondomblécondomblé => “grupos religiosos caracterizados por una sistema de crenças em divindades chamadas de santossantossantossantos ou orixásorixásorixásorixás e associadas ao fenômeno da possessão ou transe místico” (LIMA, p. 66). => também é sinônimo de terreiro,terreiro,terreiro,terreiro, roça,roça,roça,roça, casacasacasacasa dededede santo,santo,santo,santo, aldeiaaldeiaaldeiaaldeia (os que sofreram a influência indígena).

CandomblésCandomblésCandomblésCandomblés dededede caboclocaboclocaboclocaboclo =>=>=>=> chamam os santos ou orixás de encantadosencantadosencantadosencantados

Diversidade afro-religiosa
Diversidade afro-religiosa

Nações:

Terreiros ketu => origem iorubá ou nagô => língua ritual:

iorubá => orixá => Casa Branca, Axé Opo Afonjá, Gantois Terreiros jeje-mahin => língua ritual do ewê-fon => vodum Terreiros congo e angola => chamado de candomblé de inquice => línguas rituais: quicongo (Congo) e quimbundo, umbundu e cabinda (Angola) => inquice => origem do candomblé de caboclo, ancestral da umbanda

Outras nações de origem iorubá:

Efã e ijexá => Bahia Nagô ou ebá => Pernambuco Oióijexá ou batuque de nação => Rio Grande do Sul Minanagô => Maranhão Xambá => Alagoas e Pernambuco

Musicalidade
Musicalidade

RitmosRitmosRitmosRitmos

IjexáIjexáIjexáIjexá => ritmo de um toque especial de atabaques para os orixás cultuados entre os ijexás da Nigéria Ocidental, como Oxum, Ogum, Obatalá, Logum-Edé, etc. BarraventoBarraventoBarraventoBarravento CabulaCabulaCabulaCabula AngolaAngolaAngolaAngola CongoCongoCongoCongo dededede ouroouroouroouro

Cosmogonia iorubá
Cosmogonia iorubá

RelatosRelatosRelatosRelatos dededede origemorigemorigemorigem dodododo mundomundomundomundo ---- VersãoVersãoVersãoVersão 1111

Olorun pediu a Oxalá que baixasse e criasse a primeira terra em Ilê-Ifé, Nigéria.

Oxalá se atrasou e seu irmão, Oduduwa quem realizou

a tarefa.

Mais tarde, 16 orixás desceram à terra para criar os humanos e conviver com eles na terra.

Obatalá criou o corpo humano e Olorun nele introduziu

a alma.

Cosmogonia iorubá
Cosmogonia iorubá

RelatosRelatosRelatosRelatos dededede origemorigemorigemorigem dodododo mundomundomundomundo ---- VersãoVersãoVersãoVersão 2222

Olorun lançou uma grande cadeia do céu até as aguas e por ela desceu Oduduwa, pai de todos iorubás.

Oduduwa trouxe um punhado de terra, uma galinha especial com cinco dedos e uma simente. Ele jogou o punhado de terra sobre a agua original e colocou a galinha sobre a terra;

A galinha começou a rasgar a terra e a esparsou e dispersou até que formou o primeiro espaço de terra seco. No centro deste novo mundo, Oduduwa fundou o magnífico reino de Ifé e plantou a semente que cresceu até transformar-se numa estupenda e grande árvore com 16 ramos, que simbolizam os 16 filhos e netos de Oduduwa.

Cosmogonia iorubá
Cosmogonia iorubá

RelatosRelatosRelatosRelatos dededede origemorigemorigemorigem dodododo mundomundomundomundo ---- VersãoVersãoVersãoVersão 3333

Seres humanos e orixás conviviam e podiam transitar entre o Orun e o Aiyê.

Por uma transgressão humana, esse trânsito foi interdidado por Olorun (Olodumare), “Ala Âba L’ Âché, O Supremo Guardião dos Poderes da Existência, da Realização e da Essência de tudo aquilo que foi, é e será.” Com o seu sopro divino (ofurufu) separou os dois planos;

Os orixás pediram compreensão a Olorun, que determinou que os orixás poderia vir ao Aiyê através dos corpos dos devotos; os humanos só vão ao Orun através da morte;

Após realizar as oferendas a Exu, senhor do caminhos, Oxum desceu à terra para preparar a humanidade para receber os orixás.

Orun/Aiyê
Orun/Aiyê

OrunOrunOrunOrun

Plano espiritual paralelo e que governa o plano material (Aiyê), habitado por ancestrais divinos (Orixás), por ancestrais humanos (Eguns) e por ancestrais humanos ilustres (Baba Eguns), chamados de Ara-Orun

Os habitantes do Orun são chamados de Ara-Orun

Governado por Olorun (Olodumare)

AiyêAiyêAiyêAiyê

Plano material, onde habitam os seres humanos (Ara-Aiye)

Governado pelos orixás, sob as ordens de Olorun, que não interfere diretamente no mundo físico

Princípios de formação do universo
Princípios de formação do universo

IwáIwáIwáIwá,,,, AshéAshéAshéAshé eeee AbáAbáAbáAbá

IwáIwáIwáIwá

Princípio que propicia a existênciaexistênciaexistênciaexistência em si mesma.

Tem

ligação

direta

OrixásOrixásOrixásOrixás

masculinosmasculinosmasculinosmasculinos,

com

os

considerados

os

senhores

do

poder

gerador

masculino. Expresso materialmente pela corcorcorcor brancabrancabrancabranca.

Ashé (Axé)
Ashé (Axé)

Princípio dinâmico e poder de realização; força que promove a movimentaçãomovimentaçãomovimentaçãomovimentação e o desenvolvimento do universo

Manifestação do poder dos orixás nos diferentes reinos: animal, vegetal, mineral

O àse contido e transferido por certos elementos materiais aos seres e objetos mantém e renova neles o poder de realização

AséAséAséAsé vermelhovermelhovermelhovermelho: contido nos elementos de cor vermelha, amarela, marrom avermelhado (sangue, mel, azeite de dendê, ouro, cobre)

AséAséAséAsé brancobrancobrancobranco: contido nos elementos de cor branca ou mesmo incolor (sêmen, saliva, seiva de alguns vegetais, prata, chumbo)

AséAséAséAsé pretopretopretopreto: contido nos elementos de cor escura, como azul, verde, preto, cinza, etc. (penas, pelos, chifres pretos, sumo de ervas, carvão vegetal, ferro, carvão mineral, azeviche)

Abá
Abá

AbáAbáAbáAbá

Princípio indutor da direçãodireçãodireçãodireção e do objetivo preciso.

Afeto aos OrixásOrixásOrixásOrixás femininosfemininosfemininosfemininos, tidas como senhoras do poder gestante feminino.

Pode ser manifesta materialmente pela corcorcorcor pretapretapretapreta

Estrutura Comunitária
Estrutura Comunitária

NagôNagôNagôNagô

IyalorixáIyalorixáIyalorixáIyalorixá – mãe BabalorixáBabalorixáBabalorixáBabalorixá – pai OmoOmoOmoOmo – filho EbomiEbomiEbomiEbomi – irmã mais velha IyawoIyawoIyawoIyawo - neófita

JejeJejeJejeJeje

NochêNochêNochêNochê – mãe TTTTochéochéochéoché – pai VichêVichêVichêVichê – filho AssisseAssisseAssisseAssisse – irmão NovicheNovicheNovicheNoviche - irmã

Hierarquia de terreiros de egun
Hierarquia de terreiros de egun

AmúisanAmúisanAmúisanAmúisan ou AmuixanAmuixanAmuixanAmuixan= novato, recém iniciado OjéOjéOjéOjé ou MariwoMariwoMariwoMariwo = sacerdote (apenas homem) OjéOjéOjéOjé AgbaAgbaAgbaAgba = sacerdote mais velho AtokeAtokeAtokeAtoke = Ojé que zela de mais de um Egun AlagbáAlagbáAlagbáAlagbá BabaBabaBabaBaba MariwoMariwoMariwoMariwo = Ojé mais antigo e chefe de uma comunidade-terreiro AlapiniAlapiniAlapiniAlapini IpeIpeIpeIpe KunKunKunKun ‘‘Ojé‘‘OjéOjéOjé ou AlapiniAlapiniAlapiniAlapini = supremo sacerdote do culto aos Egungun IjoiyèIjoiyèIjoiyèIjoiyè = título de honra concedido a quem ocupa posições de destaque na vida comunitária AlabêAlabêAlabêAlabê = tocador e zelador da orquestra ritual (atabaques, agogô, xekerê) OtunOtunOtunOtun AlabêAlabêAlabêAlabê e OsiOsiOsiOsi AlabêAlabêAlabêAlabê = assistentes do Alabê IjoiyéIjoiyéIjoiyéIjoiyé femininosfemininosfemininosfemininos = Iya-egbe, Iya-Mondé, Iyale-Agbá, Iyakekere, Iyalojá, Iyamoro, Iya Mon Yoyo, Elemásó, etc. IyáIyá-IyáIyá--Egbe-EgbeEgbeEgbe = trasmite o desejo dos Egunguns às mulheres.

Hierarquia de terreiros de orixá
Hierarquia de terreiros de orixá

AbiãAbiãAbiãAbiã = novata/o IyawoIyawoIyawoIyawo = iniciada, esposa de Orixá EbomiEbomiEbomiEbomi = irmã mais velha (depois da obrigação de 3 e 7 anos) AburoAburoAburoAburo = irmã mais nova IyalorixáIyalorixáIyalorixáIyalorixá ou IyalaxéIyalaxéIyalaxéIyalaxé = mãe IyaIyaIyaIya KekereKekereKekereKekere = mãe pequena IyaIyaIyaIya DagãDagãDagãDagã = responsável pela cabaça ritual IyaIyaIyaIya AgbaseAgbaseAgbaseAgbase = responsável pela comida dos orixás IyaIyaIyaIya TTTTebeseebeseebeseebese = tem a iniciativa dos cânticos rituais IyaIyaIyaIya EfunEfunEfunEfun = responsável pelo efun BabalosãiynBabalosãiynBabalosãiynBabalosãiyn = responsável pela ervas e poções rituais BaléBalé-BaléBalé--Xangô-XangôXangôXangô = responsável pela casa de Xangô AxogunAxogunAxogunAxogun = responsável pelo sacrifício animal EkedeEkedeEkedeEkede = auxiliar do orixá AlabêAlabêAlabêAlabê = responsável pela orquestra ritual SarepegbeSarepegbeSarepegbeSarepegbe = convoca e conclama os integrantes da comunidade em nome da Iyalaxé OloyêOloyêOloyêOloyê ou IjoiêIjoiêIjoiêIjoiê = quem detém títulos honoríficos

Composição do barco
Composição do barco

1 – Dofono (mais velha)

2 – Dofonitinha

3 – Fomo

4 – Fomutinha

5 – Gamo

6 – Gamotinha

7 – Domo

8 – Domutinha

9 – Vito

10 - Vitutinha

Orixás
Orixás

Masculinos

Irunmolê

Obatalá (Oxalá) => princípio masculino da criação, encarregado da criação dos seres humanos e de outros seres vivos => relaciona-se à cor branca, ao ar, a prata, às grandes árvores e o sêmen => ohun-omokurin

Femininos

Igbámolê

Odudúa => orixá da criação da terra => princípio feminino da criação, encarregada da criação do mundo => relaciona-se à terra e às águas nela contida, ao poder da gestação, do interior da terra e das águas, e ao corrimento menstrual => ohun- omobirin

Representação cabaça ritual

do

casal

Oxalá/Odudua

=>

Igbadu,

Deus da comunicação Também chamado de Legba, Bará, Aluvaiá ou Eleguá, foi o primeiro orixá criado por Olorun (Olodumare) Mensageiro entre os planos material e espiritual (Orun e Aiyê) Senhor dos caminhos (òna burúkú, caminhos que são condutores dos elementos malignos/òna rere, condutores das boas coisas) Guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas, abre a porta para fixar os orixás nas cabeças dos adeptos De personalidade inquieta, é astuto, por vezes grosseiro, indecente, vaidoso e irascível Executor das funções e determinações dos orixás

astuto, por vezes grosseiro, indecente, vaidoso e irascível Executor das funções e determinações dos orixás Exu
Exu
Exu
Exu
Exu

Outros símbolos: o Ado-Iran, cabaça de pescoço longo, e o Ogó, bastão ritualístico em forma de falo que demonstra seu aspecto dinamizador e fecundante da existência

Exu é escravo de Ifá, doméstico dos orixás, porteiro de Ossaim e controla a reencarnação dos eguns

Os caboclos (indígenas), os pretos-velhos (antigos escravos), os Exus e Pombajiras, e os erês são exus-eguns

Seu símbolo mais característico é o Okotô, espécie de caracol de forma cônica e espiralada.

Yangi = primeira matéria do universo

Bara = rege o interior do corpo

Enugbarijo = ligado às funções da boca, da introjeção e da fala

Ojixé-ebó = mensageiro e transportador de oferendas

Elebó = senhor das oferendas

Exu Onã = abre e fecha os caminhos

Exu Obé = maneja a faca

Osetuwa = movimenta a posição dos símbolos que representam os Odu que regem o destino

A saudação a Exu é Laroyê!

Orixá nla = Oxalá Companheiro de Nanã Oxalufã = Oxalá velho / Oxaguiã = Oxalá jovem

Deus da criação. Sincretizado com Jesus Cristo. Seus seguidores vestem-se de branco às sextas- feiras. É sempre o último a ser louvado durante as cerimônias religiosos afrobrasileiras; é reverenciado pelos demais orixás. Como criador, ele modelou os primeiros seres humanos. Quando se revela no transe, apresenta-se de duas formas: o velho Oxalufã, cansado e encurvado, movendo-se vagarosamente, quase incapaz de dançar; o jovem Oxaguiã, dançando rápido como o guerreiro. Por ter inventado o pilão para preparar o inhame como seu prato favorito, Oxaguiã é considerado o criador da cultura material. Ao invés de sacrifício de sangue de animais quentes, Oxalá prefere o sangue frio dos caracóis. Os filhos de Oxalá gostam do poder, do trabalho criativo, apreciam ser bem tratados e mostram-se mandões e determinados na relação com os outros.

do trabalho criativo, apreciam ser bem tratados e mostram-se mandões e determinados na relação com os
Oxalá
Oxalá
Oxalá
Oxalá

São melhores no amor do que no sexo, gostam muito de aprender e de ensinar, mas nunca ensinam a lição completamente. São calados e chatos. Gostam de desafios, são muito bons amigos e muito bons adversários aos que se atrevem a se opor a eles. Povo de Oxalá nunca desiste. Epa Babá! (PRANDI, 1997, p. 11)

Cultuada no Benim Companheira de Oxalá Mãe de Omolu e de Oxumarê Deusa das águas contidas na terra, como lagos, lagoas, fontes e poços. Patrona da agricultura Orixá do equilíbrio e da expansão da vida Conquistou a cidade de Teju-Ade, fez muitos prisioneiros e exterminou muita gente. Por isso recebeu o nome Nanã Buruku, ou seja Buru(mau) e Iku(morte).

muitos prisioneiros e exterminou muita gente. Por isso recebeu o nome Nanã Buruku, ou seja Buru(mau)
Nanã
Nanã

DeusDeusDeusDeus

dasdasdasdas

folhas,folhas,folhas,folhas,

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ervaservaservaservas

eeee

dosdosdosdos

remédiosremédiosremédiosremédios eeee preparadospreparadospreparadospreparados

medicinaismedicinais.medicinaismedicinais

rituaisrituaisrituaisrituais

eeee

Também

chamado

de

CatendêCatendêCatendêCatendê

e

OssaimOssaimOssaimOssaim

Escravo de Orunmilá, dono do mato Orixá de rua, assim como Exu, Ogum e Oxóssi “Kosi ewe kosi orisa” => sem folhas não há orixá Vive na floresta com Aroni, anão de uma perna só que fuma cachimbo Não fala, quem fala por ele é Aroni Sua saudação é EweEwe,EweEwe,,, o!o!o!o!

uma perna só que fuma cachimbo Não fala, quem fala por ele é Aroni Sua saudação
Ossanha
Ossanha

Cultuado na cidade de Ire Filho de Oxalá e irmão de Exu e de Oxóssi

Deus da guerra, do ferro, da metalurgia e da tecnologia. Sincretizado com Santo Antônio e São Jorge. É o orixá que tem o poder de abrir os caminhos, facilitando viagens e progressos na vida. Os estereótipos mostram os filhos de Ogum como teimosos, apaixonados e com certa frieza racional. Eles são muito trabalhadores, especialmente moldados para o trabalho manual e para as atividades técnicas. Embora eles usualmente façam qualquer coisa por um amigo, os filhos e filhas de Ogum não sabem amar sem machucar: despedaçam corações. Acredita-se que sejam muito bem dotados sexualmente, tanto quanto os filhos de Exu, irmão de Ogum. Embora eles possam ter muitos interesses, os filhos de Ogum preferem as coisas práticas, detestando qualquer trabalho intelectual. Eles dão bons guerreiros, policiais, soldados, mecânicos, técnicos. Saudação:

Eles dão bons guerreiros, policiais, soldados, mecânicos, técnicos. Saudação: Ogum Ogunhê ! ” (PRANDI, 1997, p.
Ogum
Ogum

Irmão mais novo de Ogum. Originalmente cultuado em Ketu, Nigéria. Junto com Oxum, teve Logunedé, deus dos rios que correm nas florestas.

Deus da caça. Sincretizado com São Jorge e São Sebastião. Orixá da fartura. Seus filhos são elegantes, graciosos, xeretas, curiosos e solitários. Embora dêem bons pais e boas mães, têm sempre dificuldade com o ser amado. São amigáveis, pacientes e muitas vezes ingênuos. Os filhos de Oxóssi têm aparência jovial e parece que estão sempre à procura de alguma coisa. Não conseguem ser monogâmicos. Têm de caçar noite e dia. Por isso são considerados irresponsáveis. De fato, eles se sentem livres para quebrar qualquer compromisso que não lhes agrade mais. Dificilmente eles se sentem obrigados a comparecer a um encontro marcado, quando outra coisa mais interessante cruza o seu caminho. Okê arô!” (PRANDI, 1997, p. 9)

encontro marcado, quando outra coisa mais interessante cruza o seu caminho. Okê arô ! ” (PRANDI,
Oxóssi
Oxóssi

Originalmente cultuado em Oyó, Nigéria. Irmão de Omolu e companheiro de Iansã, Oxum e Obá

Deus do trovão e da justiça. Sincretizado com São Jerônimo. Seus filhos se dão bem em atividades e assuntos que envolvem justiça, negócios e burocracia. Sentem que nasceram para ser reis e rainhas, mas usualmente acabam se comportando como plebeus. São teimosos, resolutos e glutões; gananciosos por dinheiro, comida e poder. Uma pessoa de Xangô gosta de se mostrar com muitos amantes, embora não sejam reconhecidos como pessoas capazes de grandes proezas sexuais. Vivem para lutar e para envolver as pessoas que o cercam na sua própria e interminável guerra pessoal. Gostam de criar suas famílias, protegendo seus rebentos além do usual. Por isso são muito bons amigos e excelentes pais. Kaô kabiesile!” (PRANDI, 1997, p. 10)

além do usual. Por isso são muito bons amigos e excelentes pais. Kaô kabiesile ! ”
Xangô
Xangô

Filho de Nanã e irmão mais velho de Xangô Oba-olu-Aiyê = rei dos espíritos do mundo Orixá que equilibra o ciclo vital, promovendo o renascimento

Deus da varíola, das pragas e doenças. É relacionado com todo o tipo de mal físico e suas curas. Associado aos cemitérios, solos e subsolos. Sincretizado com São Lázaro e São Roque. Seus filhos aparentam um aspecto deprimido. São negativos, pessimistas, inspirando pena. Eles parecem pouco amigos, mas é porque são tímidos e envergonhados. Seja amigo de um deles e você descobrirá que tudo o que eles precisam para ser as melhores pessoas do mundo é de um pouco de atenção e uma pitada de amor. Quando envelhecem, alguns se tornam sábios, outros parecem completos idiotas. É que apenas querem ficar sozinhos. Atotô!” (PRANDI, 1997, p. 9-

10)

Obaluaiê ou Omolu
Obaluaiê ou
Omolu

Originalmente cultuada na cidade de Ilexá, Osum, Nigéria. Iya-Mi-Akoko => mãe ancestral suprema Mãe de Iansã, companheira de Xangô, Ogum, Orunmilá e Oxóssi

Deusa da água doce, do ouro, da fertilidade e do amor. Sincretizada com Nossa Senhora das Candeias. Senhora da vaidade, ela foi a esposa favorita de Xangô. Os filhos e filhas de Oxum são pessoas atrativas, sedutoras, manhosas e insinuantes. Elas sabem como manobrar os seus amores; são boas na feitiçaria e na previsão do futuro. Adoram adivinhar segredos e mistérios. São orgulhosas da beleza que pensam ter por direito natural. Podem ser muito vaidosas, atrevidas e arrogantes. Dizem que sabem tudo do amor, do namoro e do casamento, mas têm muita dificuldade em criar seus filhos adequadamente, muitas vezes até se esquecendo que eles existem. Não gostam da pobreza e nem da solidão. Saudação:

que eles existem. Não gostam da pobreza e nem da solidão. Saudação: Oxum Ora yeyê ô
Oxum
Oxum

Filha de Oxum e companheira de Xangô e Ogum Iya-mesan-orun => Iyansan Também chamada de Oyá, rainha dos egunguns Deusa dos raios, dos ventos e das tempestades. É a esposa de Xangô que o acompanha na guerra. Orixá guerreira que leva a alma dos mortos ao outro mundo. Sincretizada com Santa Bárbara. Seus filhos e filhas são mais dotados para a prática do sexo do que para o cultivo do amor. Deusa do erotismo, ela é uma espécie de entidade feminista. As pessoas de Iansã são brilhantes, conversadoras, espalhafatosas, bocudas e corajosas. Detestam fazer pequenos serviços em favor dos outros, pois sentem que isso contraria sua majestade. Elas podem dar a vida pela pessoa amada, mas jamais perdoam uma traição. Eparrei! (PRANDI, 1997, p. 10)

Elas podem dar a vida pela pessoa amada, mas jamais perdoam uma traição. Eparrei ! (PRANDI,
Iansã
Iansã

Originalmente cultuada em Abeocutá, Nigéria. Iye-omo-eja => mãe dos filhos peixes Mãe de Xangô

Deusa dos grandes rios, dos mares, dos oceanos. Cultuada no Brasil como mãe de muitos orixás. Sincretizada com Nossa Senhora da Conceição. Freqüentemente representada por uma sereia, sua estátua pode ser vista em quase todas as cidades ao longo da costa brasileira. Ela é a grande mãe, dos orixás e do Brasil, a quem protege como padroeira, sendo igualmente Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Os filhos e filhas de Iemanjá tornam-se bons pais e boas mães. Protegem seus filhos como leões. Seu maior defeito é falar demais; são incapazes de guardar um segredo. Gostam muito do trabalho e de derrotar a pobreza. Fisicamente são pessoas pouco atraentes, mulheres de bustos exagerados, e sua presença entre outras pessoas é sempre pálida. Saudação:

exagerados, e sua presença entre outras pessoas é sempre pálida. Saudação: Iemanjá Odoyá ! (PRANDI, 1997,
Iemanjá
Iemanjá
Elementos míticos
Elementos míticos

FOGO

Exu

Iansã

Xangô

TERRA

Exu

Ogum

Oxóssi

Logunedé

Ossaim

Omolu

AR

ÁGUA

Iansã

Iansã

Oxaguiã

Obá

Oxalufã

Oxum

Logunedé

Oxumarê

Euá

Iemanjá

Nanã

Equivalências
Equivalências

JEJE

NAGÔ

 

ANGOLA

Legba Gun Hewiozo e Badé

 

Exu

Bombojira

Ogum

Incoce

Xangô

Nzazi, Lubango, Luango Gangazumba Tingongo Angorô

Mawu

Nanã

Sapata

Sapata Omolu

Omolu

Sapata Omolu

Bessen

Oxumarê

Lisa

Obatalá

 

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Ossanha

Catendê Mutacalombo ou Bugurunçu Caiaia Dandalunda Anwula Lembarenga, Ganga Rumbanda Cassutê

Oxóssi

Iemanjá

Oxum

Iansã

Oxalá

Oxaguiã

Candomblé de caboclo
Candomblé de caboclo

Formado a partir das influências africana, indígena e europeia (catolicismo)

Caboclo

a) índio semi-aculturado (sécx. XVII e XVIII);

b) homem do serão, caipira, roceiro (séc. XX).

O marinheiro também foi incorporado ao culto (marujo)

Terreiros de tradição africana (Nagôs/”puros”) versus Terreiros banto (Candomblés de caboclo/”misturados, impuros”) => falsa oposição, pois o candomblé, tal como praticado no Brasil, é fruto de sincretismo, não há “pureza”.

Caboclo no candomblé:

a) espírito de um morto ancestral;

b) deidade com o mesmo status de orixá

Explicações sobre caboclo no candomblé
Explicações sobre caboclo no candomblé

1) Teoria do sincretismo afro-ameríndio => incorporação da cultura indígena por ocasião da comemoração da independência do Brasil na Bahia (2 de julho de 1824)

2) Candomblé de caboclo como uma variante da estrutura jeje-nagô => Edison Carneiro (1936)

3) A incorporação de elementos indígenas foi guiada pela lógica interna do simbolismo religioso do candomblé => Santos (1995)

Candomblé de caboclo
Candomblé de caboclo
Candomblé de caboclo Aurelina Souza (mãe Lalu) Iniciou sua relação com os encantados em 1941, quando

Aurelina Souza (mãe Lalu) Iniciou sua relação com os encantados em 1941, quando foi acometida por doença não diagnosticada Começou a incorporar o caboclo Ogum de Lei na década de 1950 Foi feita numa casa de nação Ketu que também não permitia que homens “rodassem no santo” Influências de candomblés Nagô /Ketu/Angola

nação Ketu que também não permitia que homens “rodassem no santo” Influências de candomblés Nagô /Ketu/Angola
nação Ketu que também não permitia que homens “rodassem no santo” Influências de candomblés Nagô /Ketu/Angola
nação Ketu que também não permitia que homens “rodassem no santo” Influências de candomblés Nagô /Ketu/Angola
nação Ketu que também não permitia que homens “rodassem no santo” Influências de candomblés Nagô /Ketu/Angola
Referências bibliográficas
Referências bibliográficas

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<http://www.bahiarqueologica.com/mural/caderno_site_cor.pd f > FILHO, Luiz Vianna. O negro na Bahia. Salvador: EDUFBA; Fundação Gregório de Mattos, 2008.

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