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CARVALHO TG; PIRES MMML; BARROS JP; PIMENTA RMB; SANTOS JP; ARAGÃO CA.

Efeito de diferentes
Efeito de diferentes substratos na produção de mudas de tomateiro.
substratos na produção de mudas de tomateiro. 2010. Horticultura Brasileira 28: S2071-S2076.

Efeito de diferentes substratos na produção de mudas de tomateiro.

Tiago Gomes de Carvalho1; Mayara M. M. da Luz Pires1; Jadson Pereira de Barros1;


Rérison Magno Borges Pimenta1; James Pereira dos Santos1; Carlos Alberto Aragão1.

1
Uneb– Universidade do Estado da Bahia. Avenida Edgard Chastinet s/n , São Geraldo, 48900-000 Juazeiro–
BA, tgcarvalho@bol.com.br; milamlp@gmail.com; jad-pereira@hotmail.com; rerisonmagno@hotmail.com;
james.jps@gmail.com; carlosaragao@hotmail.com

RESUMO Palavras-chave: Lycopersicon esculentum


L., qualidade, hortaliça.
Este trabalho teve como objetivo avaliar
o desenvolvimento de mudas de tomateiro
produzidas em diferentes substratos. O ABSTRACT
experimento foi realizado em casa telada com Quality of melon seedlings produced
sombrite 50%, no Departamento de Tecnologia in different substrates.
e Ciências Sociais-DTCS da Universidade do
Estado da Bahia/ UNEB, localizado no This study aimed to evaluate the
Município de Juazeiro-BA, de setembro a development of tomato seedlings grown on different
novembro de 2009. O delineamento substrates. The experiment was conducted in a
experimental foi inteiramente casualizado com screenhouse with 50% shading in the Departmento
cinco tratamentos, 4 repetições, sendo de Technologia e Ciências Sociais -DTCS / UNEB,
utilizadas 48 células por parcela. Os located in the municipality of Juazeiro-BA,
tratamentos foram constituídos por diferentes September-November 2009. The experimental
substratos: Plantmax HT; vermiculita; design was completely randomized design with five
vermiculita + húmus (3:1); bagaço-de-cana e treatments, four replications, using 48 cells per
bagaço de cana + húmus (3:1). Foram share. The treatments consisted of different
utilizadas bandejas de poliestireno expandido substrates: Plantmax HT; vermiculite, vermiculite
de 96 células. Foi utilizada a cultivar de tomate and humus (3:1), sugar cane bagasse and sugar
IPA 6, sendo semeadas nas bandejas com os cane bagasse + humus (3:1). We used polystyrene
diferentes substratos, distribuindo-se uma trays of 96 cells. Was used to cultivate tomato IPA
semente por célula. Determinou-se a 6, and sown in trays with different substrates, is
porcentagem final de emergência e índice de distributing one seed per cell. Determined the final
velocidade de emergência. Aos 33 dias da germination percentage and emergence speed
semeadura, analisou-se a altura das plantas, index. At 33 days after sowing, we analyzed plant
diâmetro do colo, número de folhas, matéria height, stem diameter, leaf number, fresh and dry
fresca e seca de parte aérea e índice relativo shoot and relative chlorophyll content of leaves.
Based on these results, we can conclude generally
de clorofila das folhas. Diante dos resultados
that the treatments with humus and vermiculite +
obtidos, pode-se concluir de modo geral que
Plantmax HT showed the best characteristics for
os tratamentos com os substratos vermiculita
seedling production, providing the best
+ húmus e Plantmax HT apresentaram
development of tomato seedlings.
melhores características para a produção de
mudas, proporcionando o melhor Keywords: Lycopersicon esculentum L.,
desenvolvimento das mudas de tomateiro. quality, vegetable.

Hortic. bras., v. 28, n. 2 (Suplemento - CD Rom), julho 2010 S 2071


Efeito de diferentes substratos na produção de mudas de tomateiro.

O aumento na procura por hortaliças tem ocorrido devido à conscientização da


população na busca por uma alimentação mais saudável, o que ocasiona um aprimoramento
nos sistemas de cultivos visando aumento na produtividade. As características dos substratos
empregados para produção de mudas têm grande influência na qualidade da planta gerada
(Waters et al., 1970), sendo esta etapa uma das mais importantes do sistema produtivo, pois
dela depende o desempenho final das plantas nos campos de produção (Carmello, 1995).
Esta fase detém os erros mais graves e mais difíceis de posterior correção (Filgueira, 1981,
Boffelli & Sirtori, 1991), sendo que mudas mal formadas originarão plantas com produção
abaixo do seu potencial genético.
São adotadas diversas misturas de materiais para a composição de substratos,
devendo-se levar em consideração as propriedades químicas e fisico-hídricas, pois influenciam
na relação água/ar do substrato e na disponibilidade e absorção de nutrientes. Um bom
substrato deve proporcionar fornecimento constante de água, oxigênio e nutrientes para as
plantas (Fermino, 2002), disponibilidade de aquisição e transporte, ausência de patógenos,
riqueza de nutrientes essenciais, pH adequado, textura e estrutura (Silva et al., 2001), custo,
capacidade de troca de cátions, boa agregação às raízes (torrão) e uniformidade (Gonçalves,
1995). Obter todas essas características em um único material é praticamente impossível,
portanto, deve-se ressaltar a importância da mistura de dois ou mais materiais para a
composição de um substrato adequado (Backes et al., 1988).
Diante disto, este trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes substratos
na produção de mudas de tomateiro.

O MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado em casa telada com sombrite 50%, no Departamento de


Tecnologia e Ciências Sociais-DTCS da Universidade do Estado da Bahia/ UNEB, localizado
no Município de Juazeiro-BA, à Latitude 9° 25’43.6" S, longitude 40° 32’14" W e altitude 384
m, no período de setembro a novembro de 2009. O delineamento experimental utilizado foi
o inteiramente casualizado, com cinco tratamentos e quatro repetições, utilizando-se 48
plantas por parcela. Os tratamentos consistiram de diferentes substratos Plantmax HT;
vermiculita; vermiculita + húmus (3 : 1); bagaço-de-cana e bagaço de cana + húmus (3 : 1).
Foram utilizadas sementes de tomate da cv. IPA 6, distribuindo-se uma semente por célula.
Utilizou-se bandejas de poliestireno expandido de 96 células. Foram realizadas regas diárias,
com auxílio de um regador, aplicando-se a mesma quantidade de água para todos os
tratamentos.
Contagens diárias foram feitas do número de plântulas emergidas até a uniformização
da emergência das mesmas nas bandejas. Determinou-se a porcentagem final de emergência
(Maguire, 1962) e velocidade média de emergência (Labouriau & Valadares, 1976). Aos 35
dias da semeadura coletou-se 10 plantas por parcela para as avaliações de altura de plantas,
diâmetro do colo e índice relativo de clorofila. Posteriormente foi coletada a parte aérea
dessas plantas e determinada a massa fresca, sendo posteriormente acondicionadas em
sacos de papel e levadas à estufa com ventilação forçada, a 65° C por 72 horas, obtendo-se
a massa seca das mesmas. Os dados foram submetidos à análise de variância com auxílio
do programa Sisvar/UFLA e as médias comparadas entre si pelo teste de Tukey a 5% de

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Efeito de diferentes substratos na produção de mudas de tomateiro.

probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Verifica-se na Tabela 1 que o índice de velocidade de emergência e porcentagem final


de emergência de plantas foram influenciados significativamente pelos diferentes substratos
adotados. A vermiculita associada ao húmus proporcionou maior velocidade de emergência
às mudas, não diferindo do bagaço de cana+húmus. Observa-se que o bagaço de cana
gerou piores resultados em relação a essa característica. Fernandes et al. (2002) avaliando
o Impacto de quatro substratos e parcelamento da fertirrigação na produção de tomate sob
cultivo protegido, observaram que o substrato constituído de bagaço de cana + areia fina se
mostrou inferior aos demais. Para a porcentagem de emergência a vermiculita associada ao
húmus produziu melhores resultados, não diferindo, porém, dos substratos Plantmax, bagaço
de cana e bagaço de cana+húmus. No substrato vermiculita foi observada a menor
porcentagem de emergência dentre os tratamentos avaliados. Rocha et al. (2007) não
observaram diferença estatística entre os substratos Plantmax e húmus na germinação de
sementes de tomateiro.
Observa-se na Tabela 2 que houve diferença estatística entre os susbtratos avaliados
para a altura de planta, tendo o Plantmax e a vermiculita + húmus proporcionado maior
altura de planta, com médias de 6,4 cm e 7,4 cm, respectivamente. Entretanto, os substratos
vermiculita, bagaço de cana e bagaço de cana+húmus não diferiram estatisticamente entre
si. Comportamento semelhante foi verificado para o diâmetro de colo, onde os substratos
Plantmax e o oriundo da mistura da vermiculita com húmus proporcionaram maiores diâmetros
que os demais tratamentos, não diferindo entre si (Tabela 2). Para o número de folhas, a
vermiculita + húmus gerou melhor resultado, diferindo estatisticamente dos demais
tratamentos, exceto do Plantmax. Souza et al. (2003) estudando a utilização do húmus de
minhoca em substratos para produção de mudas de tomateiro, observaram melhor
desempenho das mudas de tomateiro quando estas foram produzidas em substratos a base
de húmus em comparação com o substrato comercial Plantmax. Os substratos bagaço de
cana e bagaço associado ao húmus geraram menor número de folhas nas plantas. Biasi et
al. (1995) obtiveram valores de altura de plântulas de tomateiro de 2,8 cm quando cultivados
em bagaço de cana. Rocha et al. (2007) testando diferentes substratos no cultivo de tomateiro
Floradade, observaram que o húmus proporcionou maior diâmetro de colo (2,04 mm) e
altura de planta (7,58 cm) aos 25 dias da semeadura. Estes mesmos autores encontraram
valores de número de folhas para os substratos húmus e Plantmax de 2,16 e 2,17, não
diferindo entre si.
Efeito significativo dos tratamentos ocorreu sobre as matérias fresca e seca da parte
aérea de mudas de tomateiro, tendo os substratos Plantmax e vermiculita associada ao
húmus proporcionado maiores valores de 0,61 g e 0,23 g, respectivamente, conforme pode
ser observado na Tabela 3. Rocha et al. (2007), avaliando diferentes substratos na produção
de mudas de tomateiro, relataram que o húmus proporcionou melhores resultados que o
Plantmax para a matéria fresca da parte aérea.
Diante dos resultados encontrados, os tratamentos com os substratos vermiculita +
húmus e Plantmax apresentaram melhores características para a produção de mudas,
proporcionando o melhor desenvolvimento das mudas de tomateiro cultivar IPA-6.

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Efeito de diferentes substratos na produção de mudas de tomateiro.

REFERÊNCIAS

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BIASI LA; BILIA DAC; SÃO JOSÉ AR; FORNASIERI JL; MINAMI K. 1995. Efeito de misturas
de turfa e bagaço-de-cana sobre a produção de mudas de maracujá e tomate. Scientia
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BOFFELLI E; SIRTORI G. 1991. Los 100 Errores del Horticultor y como Evitarlos. Barcelona:
Vecchi, 142p.
CARMELO QAC. 1995. Nutrição e adubação de mudas hortícolas. Produção de mudas de
alta qualidade em horticultura. São Paulo: T.A. Queiroz, 128p.
FERMINO MH. 2002. O uso da análise física na avaliação da qualidade de componentes e
substratos. In: FURLANI AMC; BATAGLIA OC; ABREU MF; ABREU CA; FURLANI PR,
QUAGGIO JÁ; MINAMI K (Coords.). Caracterização, manejo e qualidade de substratos para
a produção de plantas. Campinas: Instituto Agronômico. p.29-37.
FERNANDES C; ARAUJO JAC; CORA JE. 2002. Impacto de quatro substratos e parcelamento
da fertirrigação na produção de tomate sob cultivo protegido. Horticultura Brasileira 20: 559-
563.
FILGUEIRA FAR. 1981. Manual de Olericultura. São Paulo: Ceres. 338p.
GONÇALVES AL. 1995. Recipientes, embalagens e acondicionamentos de mudas de plantas
ornamentais. In: MINAMI, K. (Ed.). Produção de mudas de alta qualidade em horticultura.
São Paulo: T.A. Queiroz. 128p.
LABOURIAU LG; VALADARES MEB. 1976. On the germination of seeds of Calotropis procera
(Ait) Ait. f. Anais da Academia Brasileira de Ciências. Rio de Janeiro: p.236-284.
MAGUIRE JD. 1962. Speed of germination: aid in selection and evaluation for seedling
emergence and vigour. Crop Science, Madison 2, n.2: 176-177.
ROCHA MQ; COGO CM; OLANDA BR. 2007. Casca de arroz in natura como substrato para
produção de mudas de tomateiro. Revista Brasileira de Agroecologia 2: 1208-1211.
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desenvolvimento de mudas de maracujazeiro-azedo (Passiflora edulis Sims f. flavicarpa
DEG). Revista Brasileira de Fruticultura 23: 377-381.
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Efeito de diferentes substratos na produção de mudas de tomateiro.

Tabela 1. Índice de velocidades de emergência (I.V.E.) e porcentagem final de emergência


1
(EF) de plântulas de tomateiro semeadas em diferentes substratos (Index of emergency
rate (I.E.R.) and final germination percentage (FGP) of tomato seedlings grown in different
substrate ). UNEB, Juazeiro, 2009.

Tratamento I.V.E. EF (%)


Plantmax 46,19 bc 87,49 ab
Vermiculita 39,38 cd 79,68 b
Vermiculita + húmus 56,16 a 93,74 a
Bagaço de cana 37,13 d 85,93 ab
Bagaço + húmus 49,18 ab 88,01 ab
CV (%) 8,62 6,07
1
Médias seguidas de mesma letra nas colunas não diferem significativamente pelo teste de Tukey ao nível
de 5% de probabilidade (Means followed by the same letter in columns do not differ significantly by Tukey
test at 5% probability).

Tabela 2. Altura, diâmetro e número de folhas de mudas de tomateiro produzidas em diferentes


1
substratos (Height, diameter and number of leaves of tomato seedlings grown on different
substrates). UNEB, Juazeiro, 2009.

Tratamento Altura (cm) Diâmetro (mm) Número de folhas


Plantmax 6,455 a 1,997 a 3,90 ab
Vermiculita 3,570 b 1,350 b 3,05 bc
Vermiculita + húmus 7,490 a 2,015 a 4,85 a
Bagaço de cana 3,385 b 1,417 b 2,27 c
Bagaço + húmus 3,610 b 1,407 b 2,65 c
CV(%) 11,69 10,73 16,41
1
Médias seguidas de mesma letra nas colunas não diferem significativamente pelo teste de Tukey ao nível
de 5% de probabilidade (Means followed by the same letter in columns do not differ significantly by Tukey
test at 5% probability).

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Efeito de diferentes substratos na produção de mudas de tomateiro.

Tabela 3. Matéria fresca e seca da parte aérea (mg) de mudas de tomateiros desenvolvidas
1
em diferentes substratos (Fresh and dry shoot (mg) of tomato plants developed on different
substrates) UNEB, Juazeiro, 2009.

Tratamento Matéria fresca aérea Matéria seca aérea


Plantmax 2,3 a 0,3 a
Vermiculita 0,3 b 0,05 b
Vermiculita + húmus 3,9 a 0,5 a
Bagaço de cana 0,2 b 0,03 b
Bagaço + húmus 0,3 b 0,04 b
CV* (%) 22,87 22,91
1
Médias seguidas de mesma letra nas colunas não diferem significativamente pelo teste de Tukey ao nível
de 5% de probabilidade (Means followed by the same letter in columns do not differ significantly by Tukey
test at 5% probability).

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