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Perícia Contábil

PERÍCIA CONTÁBIL

Prof. Dr. JOÃO WANDERLEY VILELA GARCIA

Material didático refletidor de conhecimentos teóricos e


práticos da disciplina de Perícia Contabil, proporcionando
aos discentes do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em
AUDITORIA E PERÍCIA CONTÁBIL, FINANÇAS E
CONTROLADORIA EMPRESARIAL, ofertado pela EduCare
MT habilidades para desempenhar as atividades de Perito
e Auditor Contábil.

CUIABÁ, março de 2009


Perícia Contábil

Sumário

1.1 PERÍCIA X AUDITORIA............................................................................................................................. 2


1.2 PROVAS JURÍDICAS .................................................................................................................................. 3
1.2.1 Prova Jurídica Pericial .............................................................................................................................. 5
1.2.2 Da Perícia ................................................................................................................................................ 5
1.2.3 Ônus da prova ........................................................................................................................................... 6
1.2.4 Modalidades da Prova Pericial ............................................................................................................... 6
1.2.5 Prova Pericial – Código Processo Civil .................................................................................................... 7
1.2.6 Produção antecipada de provas ............................................................................................................... 10
1.2.7 Quanto à avaliação dos bens do espólio ................................................................................................. 10
1.3 PERÍCIA ..................................................................................................................................................... 12
1.3.1 Objetivo e finalidade da perícia .............................................................................................................. 13
1.3.2 Características da perícia ........................................................................................................................ 14
1.3.3 Tipos de Perícias..................................................................................................................................... 15
1.3.4 Perícia judicial ........................................................................................................................................ 16
1.3.5 Perícia Administrativa: .......................................................................................................................... 17
1.3.6 Perícia Especial ou Extrajudicial ........................................................................................................... 17
1.3.7 Perícia arbitral ........................................................................................................................................ 18
1.4 PERÍCIA CONTÁBIL ................................................................................................................................ 19
1.4.1 Áreas de conhecimentos específicos ...................................................................................................... 20
1.4.2 Justiça Federal e Cível ............................................................................................................................ 21
1.4.3 Conhecimentos em áreas afins ............................................................................................................... 22
1.5 RELATÓRIOS DA PERÍCIA ..................................................................................................................... 23
1.5.1 Tipos de Laudos e Pareceres .................................................................................................................. 23
1.5.2 Técnicas do trabalho pericial contábil .................................................................................................... 25
1.5.3 Laudo Pericial ......................................................................................................................................... 26
1.5.4 Parecer Pericial ....................................................................................................................................... 27
1.5.5 Relatório de Vistoria............................................................................................................................... 29
1.5.6 Laudo de Louvação ................................................................................................................................ 30
1.5.7 Estrutura Do Laudo E Parecer ................................................................................................................ 31
1.6 QUESITOS .................................................................................................................................................. 32
1.6.1 Exemplos de Quesitos e Respostas ......................................................................................................... 34
1.6.2 Quesitos Suplementares .......................................................................................................................... 35
1.6.3 Respostas aos Quesitos ........................................................................................................................... 35
1.6.4 Parecer do Assistente Técnico ................................................................................................................ 35
1.6.5 Estética e Forma do Laudo ou Parecer ................................................................................................... 35
1.6.6 Sistemática .............................................................................................................................................. 35
1.7 PROCEDIMENTOS PROCESSUAIS ....................................................................................................... 36
1.7.1 Técnica do Trabalho Pericial Judicial..................................................................................................... 36
1.7.2 Justiça trabalhista: .................................................................................................................................. 37
1.7.3 Siglas ...................................................................................................................................................... 38
1.7.4 Abreviaturas ........................................................................................................................................... 38
1.7.5 Terminologias ......................................................................................................................................... 39
1.8 DO PERITO ................................................................................................................................................ 41
1.8.1 Perfil profissional ................................................................................................................................... 42
1.8.2 Responsabilidade do perito ..................................................................................................................... 43
1.8.3 Responsabilidade Social ......................................................................................................................... 43
1.8.4 Responsabilidade Moral ......................................................................................................................... 44
1.8.5 Responsabilidade Civil e Criminal ......................................................................................................... 44
1.8.6 Condições legais na atuação do perito contábil ...................................................................................... 44
1.8.7 Direitos e deveres funcionais do perito contábil ..................................................................................... 46
CONCLUSÃO ..................................................................................................................................................... 53
REFERENCIAS ..................................................................................................................................................... 54
Perícia Contábil

1.1 PERÍCIA X AUDITORIA


Perícia contábil não é o mesmo que auditoria contábil, embora haja alguma
semelhança nos procedimentos - a auditoria e a perícia são bem diferentes quanto aos seus
objetivos e finalidades, variando quanto à natureza das causas e efeitos, de espaço e tempo.
A perícia serve a uma época, um questionamento, uma necessidade; enquanto que a
auditoria procura atender necessidades institucionais constantes, atingindo um número
maior de interessados, sem necessidade de rigores metodológicos; a auditoria consagra a
amostragem e a perícia não a utiliza como critério habitual. A perícia é uma apreciação
global de todas as operações da empresa, prendendo-se à especificidade, tem caráter de
eventualidade, só aceita o universo completo para produzir opinião como prova e não
como conceito.
A auditoria tem como meta uma maior abrangência das operações da entidade, a
gestão como algo em continuidade, a formação do patrimônio, o atendimento do objeto
proposto, a satisfação dos indivíduos interessados, a importância social. A auditoria utiliza-
se de normas geralmente aceitas e da confiabilidade da estrutura de controles internos,
produz o relatório e parecer do auditor, pelo qual se refere a uma parte dos fatos e assume
que as evidências e as provas encontradas representam a universalidade das provas. O
parecer de auditoria traz a informação que, na opinião do auditor, as demonstrações
contábeis representam ou não, em todos os aspectos relevantes, a situação patrimonial e
financeira do auditado. Exemplo: exame dos registros contábeis e dos documentos de suas
operações; a verificação física dos bens ou valores da entidade; confirmação dos débitos e
créditos de terceiros que transaciona com a entidade com o fim de apurar. Na auditoria, a
decisão é sempre uma busca da qualidade, através do melhoramento dos processos.
A Perícia tem como referência os fatos praticados num período determinado, em
geral, constitui o conjunto de procedimentos técnicos e científicos destinados a levar à
instância decisória, elementos de prova necessários a subsidiar à justa solução do litígio,
mediante laudo pericial ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas
jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente. Na perícia judicial
a decisão é a sentença do juiz; na arbitral é a sentença do árbitro ou tribunal arbitral; na
extrajudicial a decisão é o acordo das partes.
Os processos que envolvem a perícia e auditoria representam sempre o resultado
considerável de um conjunto de transações complexas, com aspectos administrativos,
legais, tributários, operacionais, sociais, comerciais, econômicos, patrimoniais e
financeiros.
Perícia Contábil

1.2 PROVAS JURÍDICAS


É o conjunto de atos processuais praticados para averiguar a verdade e a convicção
do julgador. É o meio legitimo capaz de demonstrar a verdade de um fato ou alegação,
necessárias para o magistrado julgar a lide.
O juiz pode realizar gestões para dirimir dúvida, acrescentando ao processo,
elementos de convicção que lhes são apresentadas, sendo assistido por um perito em exame
e qualificação dos fatos que depender de conhecimentos técnicos e científicos.
A prova é a demonstração da verdade que esclarece fatos controvertidos, conduz as
partes ao acordo, o juiz, a sentença ou vice versa. Podendo ser aceita como verdade
absoluta ou mesma ser constatada com uma contra prova (que é negação da prova).
A função da prova é fornecer ao magistrado subsídio da decisão do mérito da
questão, podendo ser opinião, convicção, conclusões e respostas fundamentadas de forma
técnica e científica sobre o objeto que foi submetido a exame do Perito.
Em relação a exame pericial, Gonçalves (1968) assim se expressou: “é o exame
hábil de alguma coisa realizada por pessoas habilitando o perito para determinado fim,
judicial ou extrajudicial”.

a. Prova
Probare (demonstrar, reconhecer, formar juízo, certeza) é o meio de convencer o
juízo da existência do fato em que se baseia o direito do postulante. Pode ser feita: pela
confissão, pelos depoimentos, pelas perícias (exames, vistorias, arbitramentos), pelos
documentos (públicos e particulares); e pelas presunções.

b. Verdade
Veritas exprime o que é real, autêntico, legítimo, fiel, exato. Opondo ao sentido de
inexistente, falso, ilegítimo, infiel. É nos autos que se formará a verdade dando ao juiz a
convicção para decidir o feito sob a luz da lei, da verdade, aplicável ao fato.
Ao examinar isoladamente a petição do requerente (inicial) transcrita as razões de
fato e de direito, bem como a contestação do réu, tem a impressão que ambos são donos da
verdade. Todavia, são as provas que demonstram a verdade.

c. Dúvida
Dubitare (hesitar, vacilar e pôr em duvida), incerteza em que se está a respeito da
verdade de um fato ou de uma coisa. Caracteriza-se em não se saber o certo a respeito da
verdade de um fato ou coisa em debate.
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d. Indícios
Indicium (rastro, sinal, vestígio), prova relativa ou circunstancial. Somente um
conjunto de circunstâncias pode revelar, pelas conexões que relacionarem com o fato a sua
existência. É elemento sensível, real, formando juízos sobre a existência do fato. Exemplo:
inimizade, ameaças, manchas de sangue, arma do crime, arranhões e escoriações, objetos
da vitima, etc.

e. Presunção
Praesumptio (conjectura, idéia antecipada), exprime a dedução, a conclusão ou a
conseqüência da certeza obtida de um fato conhecido e provado para se admitir a
existência de um fato desconhecido ou duvidoso. Pela ilação tirada de outro fato, tido
como certo e verdadeiro, como por exemplo: “o empréstimo do sócio em dinheiro, sem
comprovação do ingresso ou origem do dinheiro, pressuposto de omissão de vendas”.

f. Convicção
Convictio, convincere (convencimento, capacitar, provar, demonstrar, por em
evidencia, inferir). Opinião formada, esclarecimento obtido, conclusão a que se chegou,
certeza resultante da apreciação das provas produzidas pelas partes ou determinadas pelo
juiz. Reconhecimento da verdade com base nas evidencias e nos fatos.

g. Justiça
Justitia é um ordenamento destinado a dar, na forma de um conjunto de normas, a
cada um aquilo que é seu. Existe diferença entre justiça e o Poder Judiciário, que é o poder
com competência para aplicar e administrar justiça com base na lei e na jurisprudência.

h. Instrumento
Recurso empregado para se alcançar um objetivo. É o documento ou ato escrito, em
forma convencionada e parametrizada, em que se registram os atos com base nos exames,
vistorias e indagação de um fato, com o objetivo de torná-lo formal de forma
sistematizada. O Laudo Pericial é um instrumento jurídico, utilizado como meio de prova,
quando o juiz necessitar da verdade sobre demanda afeta ao conhecimento de natureza
contábil.

i. Jurisdição
Procedimento pelo qual o Poder Judiciário se organiza para administrar a justiça. É
a comarca de domicilio do juiz, podendo abranger mais de um município, no qual o
magistrado exerce o seu poder jurisdicional sobre os cidadãos residentes e domiciliados,
Perícia Contábil

para decidir segundo o direito aplicável aos fatos, nas relações dos indivíduos entre si e
entre os indivíduos e a sociedade.

1.2.1 Prova Jurídica Pericial

Prova é o elemento material para demonstração de uma verdade.


É um dos meios de provas, admitido pela legislação brasileira, processada em juízo.
Milhomens (1992) sobre o assunto afirma:

A prova, no significado comum e geral, visa à demonstração da verdade, ao passo


que a prova específica processual civil limita-se à produção da certeza jurídica, é a
demonstração que se faz – o modo – da existência, autenticidade e veracidade de um
fato ou ato. Juridicamente, é o meio de convencer o juízo da existência do fato em
que se baseia o direito do postulante.

O art. 5º, LVI, CF; art. 136, CC/1916; art. 212, CC/2002, manifestam sobre provas,
consubstanciado O CPC, em seu art. 332 rege:

Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não
especificados neste código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se
funda a ação ou a defesa.

Art. 212 do Código Civil Brasileiro:


Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado
mediante:
I - confissão;
II - documento;
III - testemunha;
IV - presunção;
V - perícia.

1.2.2 Da Perícia
a) Correspondência: art. 136, VI e VII, CC/1916.
b) Arts. 231 e 232, CC.
c) Arts. 18, § 2°, 420 a 439, 606, 607, 627, §§ 1° e 2°, e 1.206, CPC.
A perícia contábil tem os seguintes objetivos primordiais: a) Levantar elementos de
prova; b) Subsidiar a emissão de laudo ou parecer.
O Processo Civil brasileiro admite como prova:
CPC Art. 332, “todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda
que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se
funda a ação ou a defesa”.
Perícia Contábil

CPC Art. 136 “Os atos jurídicos, a que impõe forma especial, poderão provar-se
mediante”: confissão; atos processados em juízo; documentos públicos e particulares;
testemunhas; presunções; exames e vistorias; arbitramento.
O art. 122 do Código Comercial preceitua.

Os contratos comerciais podem provar-se: por escritura pública; por escritos


particulares; pelas notas dos corretores, e por certidões extraídas dos seus
protocolos; por correspondência epistolar; pelos livros dos comerciantes; por
testemunhas.
A perícia realizada na fase preparatória do inquérito representa ato instrução do
processo, emanado do órgão auxiliar da justiça, a fim de mostrar a verdade à luz da justiça.
Transformar os fatos relativos à lide, de natureza técnica ou cientifica, em verdade
formal, em certeza jurídica. Milhomens (1982) considera que “para demonstrar incidência
de forma jurídica é mister provar a existência do fato da vida e que se ajusta à norma ou
princípio de direito”.
O Juiz, árbitro de um conflito é incumbido de julgar, segundo as provas que lhe
forem apresentadas ou por ele requisitadas.

1.2.3 Ônus da prova


O dever de provar compete a quem alega, afirma ou nega fatos da causa.
Textualiza o art. 333 do CPC. “O ônus da prova incumbe:”
I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo
do direito do autor.

1.2.4 Modalidades da Prova Pericial


Trabalho pericial, os procedimentos técnicos dependem de individualmente de
cada caso que a PROVA irá requerer, vejamos esclarecimentos sobra cada tipo de ato
pericial:
O CPC em seu art. 420 preceitua que: “A prova pericial consiste em exame, vistoria
ou avaliação”.
Como técnica aplica no trabalho pericial com a interveniência de perito, qualificada
no CPC, como prova pericial, divide-se em quatro modalidades:

a. Exame
É a análise dos elementos constitutivos da matéria; envolve a inspeção de pessoas ou
coisas com o objetivo de se verificar determinados fatos relacionados com o objeto da lide.
Perícia Contábil

b. Vistoria Pericial
É o ato de verificação do estado circunstancial do objeto pericial concreto; trabalho
desenvolvido pelo perito para constatar in loco o estado ou a situação de determinada
coisa, geralmente imóvel.

c. Arbitramento
É a técnica de determinar valores por procedimentos estatísticos e analógicos capaz
de fundamentar o valor encontrado e detectado; consiste na fixação de valor, determinando
pelo perito para coisas, direitos e obrigações. É a estimativa do valor em moeda corrente.

d. Avaliação
É a constatação do valor real das coisas, ou de sua determinação por critério
comparativo direto, como pesquisas, valor de mercado etc.; tem por finalidade a fixação de
valor.

1.2.5 Prova Pericial – Código Processo Civil


Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria e avaliação.
arts. 846, parte final, e 850, CPC. A prova pericial realizar-se-á conforme o
disposto nos artigos 420 a 439.
Parágrafo único: O juiz indeferirá a perícia quando:
I – a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico;
II – for desnecessária em vista de outras provas produzidas;
III – a verificação for impraticável.
Arts. 846 e 850 CPC. (A produção antecipada da prova pode ... exame pericial).
Art. 421. O juiz nomeará o perito, fixando de imediato o prazo para a entrega do
laudo.
§ 1º Incumbe às partes, dentro de 5 (cinco) dias, contados da intimação do despacho
de nomeação do perito:
I – indicar o assistente técnico;
II – apresentar quesitos.
§ 2º Quando a natureza do fato o permitir, a perícia poderá consistir apenas na
inquirição pelo juiz do perito e dos assistentes, por ocasião da audiência de instrução e
julgamento a respeito das coisas que houverem informalmente examinado ou avaliado.
Perícia Contábil

§ 2º com redação determinada pela Lei 8.455/1992.


Art. 422. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi cometido,
independentemente de temo de compromisso. Os assistentes técnicos são de confiança da
parte, não sujeitos a impedimento ou suspeição.
Artigo com redação determinada pela Lei 8.455/1992; art. 850, CPC.
Art. 423. O perito pode escusar-se (art. 146), ou ser recusado por impedimento ou
suspeição (art.138, III); ao aceitar a escusa ou ao julgar procedente a impugnação, o juiz
nomeará novo perito.
Artigo com redação determinada pela Lei 8.455/199; art. 850, CPC.
Art. 424. O perito pode ser substituído quando:
Caput com redação determinada pela Lei 8.455/1992; art. 850, CPC.
I – carecer de conhecimento técnico ou cientifico;
II – sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi
assinado.
Inciso II com redação determinada pela Lei 8.455/1992.
Parágrafo único. No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à
corporação profissional respectiva, podendo, ainda, impor multa ao perito, fixada tendo em
vista o valor da causa e o possível prejuízo decorrente do atraso no processo.
Parágrafo único com redação determinada pela Lei 8.455/1992.
Art. 425. Poderá as partes apresentar, durante a diligência, quesitos suplementares.
Da juntada dos quesitos aos autos dará o escrivão ciência à parte contrária.
Art. 426. Compete ao juiz:
I – indeferir quesitos impertinentes;
II – formular os que entenderem necessários ao esclarecimento da causa.
Art. 427. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na
contestação, apresentarem sobre as questões de fato pareceres técnicos ou documentos
elucidativos que considerar suficientes.
Artigo com redação determinada pela Lei 8.455/1992; V. art. 850, CPC.
Art. 428. Quando a prova tiver de realizar-se por carta, poderá proceder-se à
nomeação de perito e indicação de assistentes técnicos no juízo, ao qual se requisitar a
perícia.
Perícia Contábil

Art. 429. Para o desempenho de sua função, podem o perito e os assistentes


técnicos utilizar-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo
informações, solicitando documentos que estejam em poder de parte ou em repartições
publicas, bem como instruir o laudo com plantas, desenhos, fotografias e outras peças.
Art. 431-A. As partes terão ciência da data e local designados pelo juiz ou
indicados pelo perito para ter início à produção de prova.
Artigos acrescentado pela Lei 10.358/2001.
Art. 431-B. Tratando-se de perícia complexa, que abranja mais de uma área de
conhecimento especializado, o juiz poderá nomear mais de um perito e a parte indicar mais
de um assistente técnico.
Art. 432. Se o perito, por motivo justificado, não puder apresentar o laudo dentro do
prazo, o juiz conceder-lhe-á, por uma vez, prorrogação, segundo o seu prudente arbítrio.
Parágrafo único. (Revogado pela Lei 8.455/1992.)
Art. 433. O perito apresentará o laudo em cartório, no prazo fixado pelo juiz, pelo
menos 20 (vinte) dias antes da audiência de instrução e julgamento.
Caput com redação determinada pela Lei 8.455/1992.
Parágrafo único. Os assistentes técnicos oferecerão seus pareceres no prazo comum
de 10(dez) dias, depois de intimadas as partes da apresentação do laudo.
Art. 434. Quando o exame tiver por objeto a autenticidade ou a falsidade de um
documento, ou for de natureza médico-legal, o perito será escolhido, de preferência, entre
os técnicos dos estabelecimentos oficiais especializados. O juiz autorizará a remessa dos
autos, bem como do material sujeito a exame, ao diretor do estabelecimento.
Parágrafo único. Quando o exame tiver por objeto a autenticidade da letra e firma, o
perito poderá requisitar, para efeito de comparação, documentos existentes em repartições
públicas; na falta destes, poderá requerer ao juiz que a pessoa, a quem se atribuir a autoria
do documento, lance em folha de papel por copia, ou sob ditado, dizeres diferentes, para
fins de comparação.
Art. 435. A parte, que desejar esclarecimento do perito e do assistente técnico,
requererá ao juiz que mande intimá-lo a comparecer à audiência, formulando desde logo as
perguntas, sob forma de quesitos.
Perícia Contábil

Parágrafo único. O perito e o assistente técnico só estarão obrigados a prestar os


esclarecimentos a que se refere este artigo, quando intimados 5 (cinco) dias antes da
audiência.
Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção
com outros elementos ou fatos provados nos autos.
Art. 437. O juiz poderá determinar de oficio ou a requerimento da parte, a
realização de nova perícia, quando a matéria não lhe parecer suficientemente esclarecida.
Art. 438. A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre que recaiu a
primeira e destina-se a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos resultados a que esta
conduziu.
Art. 439. A segunda perícia rege-se pelas disposições estabelecidas para a primeira.
Parágrafo único. A segunda perícia não substitui a primeira, e ao juiz apreciar
livremente o valor de uma e outra.

1.2.6 Produção antecipada de provas


CPC Art. 846 Caput - A produção antecipada da prova pode consistir em
interrogatório da parte, inquirição de testemunhas e exame pericial.
CPC 849 Caput - Havendo fundado receio de que venham a tornar-se impossível ou
muito difícil as verificações de certos fatos na pendência da ação, é admissível o exame
pericial.
CPC 851 Caput - Tomado o depoimento ou feito exame pericial, os autos
permanecerão em cartório, sendo licito aos interessados solicitar as certidões que quiserem.

1.2.7 Quanto à avaliação dos bens do espólio


CPC Art. 1003 Caput - Findo o prazo do art. 1000, sem impugnação ou decidida a
que houver sido aposta, o juiz nomeará um perito para avaliar os bens do espólio, se não
houver na comarca avaliador judicial.

CPC Art. 1003, Parágrafo único - No caso previsto no art. 993, parágrafo único, o
juiz nomeará um contador para levantar o balanço ou apurar haveres.

CPC Art. 1004 Caput - Ao avaliar os bens do espólio, observará o perito, no que for
aplicável, o disposto nos artigos 681 a 683.
Perícia Contábil

CPC Art. 1011 Caput - Aceito o laudo ou resolvidas as impugnações suscitadas a


seu respeito lavrar-se-á em seguida o termo de últimas declarações, no qual o inventariante
poderá emendar, aditar ou completar as primeiras.

Quanto à perícia, arbitramento, responsabilidade e avaliação

CPC Art. 1071 § 1º - Ao deferir o pedido, nomeará o juiz perito, que procederá à
vistoria da coisa e arbitramento de seu valor, descrevendo-lhe o estado e individuando-a
com todos os característicos.

CPC Art. 1206 - O arbitramento do valor da responsabilidade e a avaliação dos


bens far-se-á por perito nomeado pelo juiz.
Perícia Contábil

1.3 PERÍCIA
A palavra perícia vem do latim peritia que significa experiência, habilidade, saber e
na linguagem jurídica tem o sentido lato, de diligência realizada por peritos (pesquisa,
exame, acerca da verdade de fatos, efetuados por pessoa com muita habilidade ou
experiência na matéria investigada).
Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será
assistido por perito.
Nas normas brasileiras de contabilidade (NBC–T/13) editada pela Resolução
858/99 em 21/10/99, conceitua a perícia contábil como:

A perícia constitui o conjunto de procedimentos técnicos e científicos destinados a


levar à circunstância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa
solução do litígio, mediante laudo pericial contábil, e ou parecer pericial contábil,
em conformidade com as normas jurídicas e profissionais e a legislação específica
no que for pertinente.

A Perícia Judicial estará sempre voltada para a matéria de fato e não de direito, haja
vista que o fato é capaz de provocar alteração patrimonial, este forma o objeto de estudo da
contabilidade, por isso, deve esquivar de quesitos cuja resposta possa configurar tentativa
de julgar a lide, pois esta é competência do Julgador e não do Perito do Juízo. Esclarece
que a Perícia Contábil Judicial é um serviço de extremo relevo social prestado pela classe
contábil como elemento de auxilio ao juiz na sua árdua tarefa de distribuição de Justiça.
Conceitos expressados por autores, emanados de textos na forma citada:
Lopes de Sá (1997) afirma:

Perícia contábil é a verificação de fatos ligados ao patrimônio individualizado


visando oferecer opinião, mediante questão proposta. Para tal opinião realizam-se
exames, vistorias, indagações, investigações, avaliações, arbitramentos, em suma
todo e qualquer procedimento necessário à opinião.

Gonçalves (1968) discorre que:


Perícia é um modo definido e delimitado, é um instrumento, portanto, e, este, por
sua vez é especial porque se concretiza por uma peça ou relatório com características
formais, intrínsecas e extrínsecas, também definidas (o laudo pericial). Esta peça
contém, por outro lado, o resultado materializado, fundamentado científica ou
tecnicamente, dos procedimentos utilizados para constatação, prova ou
demonstração conclusiva sobre a veracidade do estado do objeto sobre o qual recaiu
(a situação, coisa ou fato).

Alberto (1996) conceitua e define: “É o exame hábil de alguma cousa realizada por
pessoa habilitada ou perito, para determinado fim, judicial ou extrajudicial”.
Perícia Contábil

D'Áuria (1962) apresenta:

A perícia contábil se caracteriza como incumbência atribuída a contador, para


examinar determinada matéria patrimonial, administrativa e de técnica contábil, e
asseverar seu estado circunstancial.
Perícia é o conhecimento e experiência das coisas. A função pericial é, portanto,
aquela pela qual uma pessoa conhecedora e experimentada em certas matérias e
assuntos examina as coisas e os fatos, reportando sua autenticidade e opinando sobre
as causas, essência e efeitos da matéria examinada.

Ornelas (1995) conceitua.

A perícia Contábil inscreve-se num dos gêneros de prova pericial, ou seja, é uma das
provas técnicas à disposição das pessoas naturais ou jurídicas, que serve como meio
de prova de determinados fatos contábeis ou de questões contábeis controvertidos.

Magalhães, et. Al. (1995) comunga “Entende-se por Perícia o trabalho de notória
especialização feito com o objetivo de obter prova ou opinião para orientar uma autoridade
formal no julgamento de um fato”.
Alonso, sobre as normas e procedimentos de perícia judicial, enfatiza:

A perícia judicial, quando pertinente a profissões regulamentadas, será exercita por


profissionais legalmente habilitados, com título registrado nos órgãos fiscalizadores
do exercício de suas profissões, requeridas ainda, reconhecida idoneidade moral,
capacidade técnica e experiência profissional.

Para Alberto, “Perícia é um instrumento especial de constatação, prova ou


demonstração, científica ou técnica, da veracidade de situações, coisas ou fatos”.
Perícia é a manifestação técnica-científica de qualquer dos ramos do conhecimento
humano e seu objetivo é o fato, característico e peculiar, que ocorre dentro do âmbito de
qualquer ciência, com a finalidade de estudar os contornos, bem como sua origem e
reflexos que produz no mundo interior e exterior da ciência em questão.
A perícia envolve a sensibilidade, a destreza e a habilidade de quem a praticam. É
um levantamento detalhado, devidamente fundamentado nos fatos alegados nos autos,
elaborado por profissional habilitado, que emite o Laudo Pericial devidamente instruído e
fundamentado com as provas e anexos pertinentes.

1.3.1 Objetivo e finalidade da perícia


A Perícia Contábil tem por objetivo resolver pendências (lide, demanda, briga,
desavença, intrigas, etc.) de ordem material ou moral envolvendo duas ou mais partes.
A busca da solução dessas pendências pode ser por via ou meios:
Perícia Contábil

Judicial, quando o Juiz, buscando elementos de convicção para julgar, determina,


quando for o caso, a realização da perícia de ofício ou por requerimento das partes
litigantes, ou
Extrajudicial, quando a perícia é livremente pactuada ou convencionada entre as
partes, para resolver determinado assunto, como exemplos citam-se a reavaliação e
partilhas de bens.
A perícia tem por finalidade esclarecer dúvidas sobre o assunto em questão, ficando
adstrita ao objeto sub-judice, a serem verificadas mediante procedimentos técnicos.
O Juiz determina a realização de perícia para esclarecer dúvida, quando a lide
depender de conhecimento técnico ou científico. Qualquer das partes pode requerer a
perícia, mas, é o magistrado que decide da necessidade ou não da mesma. A escolha do
perito recai sobre profissional de confiança do Juiz, desde que habilitado para o exercício
de tais funções.
A perícia contábil é a concretização de uma prova pericial e geralmente envolve a
justiça, quanto a este fato, Jesus (2.000), expõe o seguinte:

O objetivo de fazer prova pericial é a procura da demonstração da verdade, através


do conhecimento do juiz, que possuirá a certeza plena após a dialética da discussão
entre as partes, para que seja realizada a justiça, como as pessoas, de forma
idiossincrática.

Portanto, a perícia é um exame hábil relatado como meio de prova em um relatório


denominado de laudo pericial. Peça chave relatada pelo Perito do Juízo e o relatório do
Perito Assistente, denominado de parecer pericial, ou seja, o especialista do assunto
examina e relata o seu instrumento expondo as provas evidenciadas e que servirá de
embasamento para que o juiz tenha subsídio técnico suficiente para a decisão final da lide.
Por se tratar de matéria específica, a especialidade pericial tem como seus usuários:
a) Juizes das diversas varas em que se divide a Justiça Brasileira;
b) Litigantes em processos judiciais;
c) Litigantes em processos de juízo arbitral;
d) Governo, empresários, sócios e administradores em casos de perícia extrajudicial
ou administrativa.

1.3.2 Características da perícia


A característica predominante na perícia é sua requisição formal, que decorre de um
conflito de interesses com relação a um direito pleiteado, pode ser realizada através de um
ato oficial (quando é determinada e requisitada por autoridades como de Juizes,
Perícia Contábil

Promotores e Delegados), estas são chamadas perícias Judiciais. As perícias privadas são
chamadas de perícias extrajudiciais, administrativas e as especiais (quando os serviços
contratados são oferecidos a entidades privadas ou as partes envolvidas no litígio).
A perícia judicial se expressa pelas seguintes características essenciais:
a) É realizada sob direção e autoridade do juiz, que pode deferir ou indeferir se
requisitada pelas partes, ou determinar por sua própria iniciativa;
b) Permite a participação e a presença das partes na produção da perícia; e
c) Visa ao convencimento do juiz.
d) Limitação da matéria a ser examinada ou objeto da lide;
e) Pronunciamento restrito à questão, ou questões propostas, ou questinonado;
f) Meticuloso e eficiente exame do campo prefixado ou;
g) Escrupulosa referência ao objeto do material examinado;
h) Imparcialidade absoluta de pronunciamento ou manifestação;
i) Ter capacidade de preparar laudo pericial claro, conciso e definitivo.

1.3.3 Tipos de Perícias


Podemos resumir os diferentes tipos de perícia em:

 Judicial

Feita a comando do juiz, visando esclarecer fatos ou produzir provas sobre a


questão. Exemplo: O juiz solicita ao perito contábil o cálculo da apuração de
haveres de sócio excluído em sociedade limitada, em demanda pleiteada pelos
demais sócios.

 Arbitral

Feita a comando do árbitro ou da parte que a solicitou, visando subsidiar elementos


para a arbitragem. Como exemplo de perícia arbitral, aquela em que 2 empresas
solicitam ao árbitro nomeado de comum acordo entre as partes a determinação de
haveres numa rescisão de contrato, cuja cláusula previa arbitragem com base na Lei
9.307/1996.

 Administrativa ou Extrajudicial
Feita a comando de uma ou mais partes interessadas, visando produzir as
constatações necessárias. Como exemplo de perícia administrativa, aquela em que
um sócio solicita ao perito que levante o fundo de comércio da empresa, para
basear uma proposta de aquisição de quotas de capital de outro sócio.
Perícia Contábil

Quanto os tipos de perícia, citamos como exemplos os tipos classificados nos


textos:
Alberto (1996) menciona ser a perícia de quatro tipos: perícia judicial, perícia semi
judicial, perícia extrajudicial e perícia arbitral.
Dáuria (1962) enfatiza três tipos que se distinguem pelas suas finalidades e
situações:
Diante dos conceitos apresentados pelos autores citados e outros, conclui-se que as
perícias são:

1.3.4 Perícia judicial


Tem sua origem em ação posta em juízo; na perícia judicial é toda investigação ou
demonstração da verdade relatada em LAUDO ou PARECER que pode ter serventia para a
Justiça pertencente ao Estado, entendo que enquadra a semi judicial tanto nesta como na
extrajudicial – depende da questão em evidência;
As perícias judiciais podem ser também classificadas internamente quanto a
determinação da realização da perícia no processo como: oficiais (determinadas pelo Juiz
sem requerimentos das partes); requeridas (o juiz determina com base no requerimento das
partes); necessárias (a lei ou a natureza impõem a sua realização); facultativa (juiz
determina se houver conveniência), perícia do presente (é realizada no curso do processo) e
a perícia do futuro (são as cautelares preparatórias da ação principal) .
Em relação de perícias, temos nas perícias judiciais diversas modalidades, de
acordo com as necessidades processuais. As principais são:

 Varas Cíveis:

a. Prestação de contas, avaliações patrimoniais, litígios entre sócios,


indenizações, lucros cessantes, liquidação e dissolução de empresa,
prestação de contas, rescisórias, falência e concordata, inventários na
sucessão hereditária, revisão contratual, ação de cobrança e outras;

 Varas criminais:

Fraudes e vícios contábeis, adulterações de lançamentos e registros, desfalques


e alcances, apropriação de indébitas, contrabando e descaminho, confisco de
bens e outras;
Perícia Contábil

 Varas de família e sucessões:

Avaliação de pensões alimentícias, avaliações patrimoniais, apuração de


haveres, prestação de contas de inventariantes e outros;

 Justiça do trabalho:

Cálculos de liquidação de cálculo, liquidação por arbitramento, liquidação por


artigo, instrução contábil e outras diversas espécies de litígios entre empregadores e
empregados.

1.3.5 Perícia Administrativa:


O trabalho é investigar as respectivas causas, e desvendar as suposições ocorridas;
Na perícia administrativa, que é vista para alguns como uma auditoria com fins
investigativos, para detectar falhas, prejuízos para o administrador, tem os seguintes
modelos:
a) Perícias para aumentos salariais que visam especular sobre os limites suportáveis
dos aumentos;
b) Perícias para apurar possíveis desfalques, fraudes entre os diretores e
administradores e perícias para averiguar os desempenhos ou gestão;
c) Investigação dos bens existentes nos lançamentos dos livros contábeis;
d) Perícia para avaliar monetariamente os bens informados nos balanços e nos livros
contábeis;
e) Perícia para averiguar a liquidez e solidez de empresas a serem adquiridas;
f) Perícia para constatação de desvio de mercadorias e bens, e outras.

1.3.6 Perícia Especial ou Extrajudicial


Sua origem é a necessidade de uma opinião técnica especializada sobre um fato
controverso. Livremente contratada pelas partes em demanda, para resolver determinado
litígio; são exigidas nas reavaliações, avaliações, impugnações sobre autuações de tributos
fiscais etc.
Todas as perícias e investigações elaboradas para demonstrar verdades de direito e
de fato, na forma de parecer, poderá ser transformada em judicial – como uma “in futuru”
(Lucro cessante, apuração de haveres, etc).
Perícia Contábil

1.3.7 Perícia arbitral


Atua parcialmente como se fosse judicial e parcialmente extrajudicial, e subdivide-
se em probante e decisória, segundo se destine a funcionar como meio de prova do juízo
arbitral, como subsídio e da convicção arbitral, ou é ela própria a arbitragem (funciona seu
agente como o próprio árbitro da controvérsia). São as perícias solicitadas na Câmara de
Arbitragem e Mediação.
Perícia Contábil

1.4 PERÍCIA CONTÁBIL

A Perícia Contábil Judicial é o conjunto de procedimentos técnicos contábeis, tais


como, o exame e análise de livros e documentos, a vistoria ou diligência para constatar
uma situação ou demonstrar um fato, o arbitramento de valores por critérios técnicos, a
avaliação de coisas, bens, direitos, haveres e obrigações, e a investigação de tudo que possa
esclarecer o Laudo Pericial. Este, com as respostas aos quesitos formulados pelo Juiz e/ou
pelas partes representadas pelos respectivos advogados, com a devida observação e
conclusão do perito, fornecerá os subsídios para a decisão da lide. A perícia segue um rito
processual na forma do judiciário.
A perícia judicial torna-se necessária em decorrência das muitas disciplinas
envolvidas em certos processos judiciais em que o juiz, a quem não compete a
obrigatoriedade do domínio pleno de todas as áreas do saber, recorre a especialistas das
áreas técnicas ou científicas envolvidas no processo. A abordagem prática induz, pois à
conceituação da perícia por meio do seu enfoque utilitário ou empírico, em detrimento do
acadêmico.
A perícia judicial tem objetivo de colocar os conhecimentos e técnicas específicas à
disposição do Magistrado, e, é um elemento que serve de convicção pessoal do julgador da
lide quando este entender que necessita de informativos sobre o que vai julgar, ou seja,
fornecem subsídios baseados em exposições técnicas ou científicas o juiz ou às partes em
litígio.
A perícia visa esclarecer a situação do fato ou do assunto, ou seja, põem em
evidência fatos, coisas e situações para uma solução justa e verdadeira envolvendo a
questão técnica. Por isso, o perito contábil existe em função das necessidades de
apreciação de uma técnica que escape ao conhecimento dos juizes e autoridades que
nomeiam ou contratam o expert, considerando como assistente ou assessor, dando
subsídios de fatos que os juizes ou advogados percebem, todavia não compreendem em
toda a sua extensão.
Tem seu fundamento numa ação postulada em Juízo, podendo ser determinada
diretamente pelo juiz da Vara judicial competente, ou requerida por uma ou partes em
litígio. A perícia judicial é um elemento de convicção pessoal do julgador, entendendo ser
necessário tal instrumento de provas para julgar. É obrigatória: na liquidação de sociedade;
nas falências e concordatas, na sucessão por morte de sócio; na partilha de bens quando
houver herdeiros de menor idade.
Perícia Contábil

Na esfera do Direito, a atividade de perícia contábil/financeira é conhecida como


perícia judicial, e, nas considerações de Rodrigues (1985):

A perícia judicial é uma medida de instrução, necessitando de investigações


complexas, confiadas pelo juiz, em virtude de seu poder soberano de apreciação, a
um especialista a fim de que ele informe sobre as questões puramente técnicas
excedentes de sua competência e seus conhecimentos. Não deve ser confundida com
a perícia extrajudicial, seja ela a perícia amigável, resultante de acordo da partes
interessadas, seja a perícia oficiosa, esta fora e anterior ao litígio e em curso de
processo independente da decisão do juiz, na qual as partes pretendem colher
elementos para melhor conhecimento da questão.

A investigação contábil o profissional atua com o objetivo de coletar, nos


documentos produzidos pelas entidades, empresas as evidências necessárias à
comprovação de ocorrência de um delito.
A perícia contábil tem sua amplitude relacionada á causa que a deu origem ou o
objeto do litígio. Assim, uma perícia que envolva questões tributárias levará em conta a
escrituração contábil, a legislação fiscal, e outros assuntos que rege a matéria relacionada
aos exames.

 Competência
A perícia contábil, tanto a judicial, como a extrajudicial e a arbitral, é de
competência exclusiva de Contador registrado em Conselho Regional de Contabilidade.
Cabe à Fiscalização do CRC verificar se os Contadores estão procedendo
regularmente, conforme os preceitos das Normas de Auditoria e Perícia (técnicas e
profissionais) na elaboração de seus laudos e, também, coibir atuação de Leigos neste
segmento específico da profissão contábil.

1.4.1 Áreas de conhecimentos específicos


O conhecimento de áreas específicas deve ser necessário para atender as resposta
aos quesitos formulados, pelo magistrado e partes interessadas no processo:
a) Justiça trabalhista;
b) Consolidação das leis do trabalho;
c) Legislação complementar;
d) Súmulas do Supremo Tribunal Federal (STF);
e) Súmulas do Tribunal Federal de Recursos (TFR);
f) Documentação em poder das empresas, nos departamentos de: contabilidade,
pessoal, recursos humanos: exemplo: folhas de pagamento; recibos; cartões ponto;
mapa de produção e /ou de comissões; relações e guias - FGTS; normatizações
Perícia Contábil

referentes à prêmios de produção e/ou comissões; bases legais para aumentos


salariais de qualquer natureza;
g) Bases legais para cálculo dos juros de mora;
h) Bases legais para atualização dos débitos trabalhistas, etc.
i) Na fase de instrução, com formulação de quesitos;
j) Na face de liquidação de sentença, com elaboração dos cálculos das importâncias
devidas ao(s) reclamantes(s), com base nos fundamentos e na parte dispositiva da
sentença.

1.4.2 Justiça Federal e Cível


São exigidos do perito contábil, os mesmos conhecimentos básicos especificados
em relação às perícias perante a Justiça do Trabalho. Já nos processos que envolvem todos
os órgãos federais, sejam as caixas econômicas, receita federal, previdência social,
invasões e desapropriações de terra ou outras.
Nestas perícias exigem muitas habilidades dos peritos e devendo os mesmos reunir
sólidos conhecimentos de:
a) Contabilidade;
b) Legislação fiscal e tributária;
c) Legislação previdenciária;
d) Legislação bancária e principal mente sobre o sistema financeiro habitacional;
e) Domínio da matemática financeira aplicada;
f) Domínio da matéria em relação ao terreno da prática.
g) Nos processos que envolvem Direito de Família, a atuação do Perito Contábil está
voltada à partilha de bens ou revisão de alimentos.
Nos processos de natureza falimentar (falências ou recuperação judicial), prestar
assessoramento ou consultoria ao síndico e/ou comissário, em assuntos de sua área de
atuação, especializada, ou seja:
a) Nas habilitações de crédito, tempestivas, retardatárias e nas impugnadas;
b) No exame da contabilidade da falida e /ou concordatária;
c) Na verificação da existência, ou não, de crime falimentar;
d) No exame de valores ativos e passivos, para projetar a possibilidade de atendimento
aos credores.
As perícias judiciais são vistas nos âmbitos de justiças (trabalhista, federal e cível),
os conhecimentos devem ser transcrito no papel de trabalho reportado no laudo pericial.
Perícia Contábil

Gil (1996) com texto sobre Fraudes Informatizadas apresenta inúmeras situações de
fraudes. Os contadores são obrigados a assumir a vanguarda desta discussão sobre
investigar o fraudador, para isso o profissional atual deve conter certas habilidades,
vejamos:
O atual contexto determina que o profissional contador agregue conhecimentos à
sua formação com o objetivo de pensar em novos rumos para prevenção de fraudes contra
as empresas. Essa nova especialização irá exigir conhecimento das Leis e Códigos
Processuais, de Criminologia, de Sociologia, da Psicologia e, principalmente, do constante
aprendizado das ferramentas de Auditoria e Pericial Contábil.
Conhecer as Leis e Códigos é também subsidiar aqueles que buscam a verdade no
sucesso de suas ações e decisões. O contador deve auxiliar juiz, promotores, advogados e
policiais, para encontrar os meios necessários de identificar a ação de criminosos o dentro
das empresas. A continuidade na legalidade delas levará a melhora da saúde para a
sociedade. Novas regras de éticas nos negócios podem ser estabelecidas e sua
desobediência se refletiu imediatamente por meio do poder promotor da justiça.
Os estudos de criminologia, da Sociedade e da Psicologia irão auxiliar o contador
investigados de fraudes na sua capacidade de identificar padrões de conduta alterada, perfil
de atuação e indícios de distúrbios comuns aos criminosos dentro das empresas. Tudo isso
servirá de elemento para que as áreas de recursos humanos, dentro das companhias,
preparem-se melhor para receber e gerenciar os colaboradores, e que essas tarefas gerem
informações para os bancos de dados de inteligência da empresa.

1.4.3 Conhecimentos em áreas afins

É freqüente a realização de trabalho pericial com a participação de profissionais de


outras áreas, quando, para realizar ou concluir um trabalho pericial, seja necessário
conhecimento técnico, por exemplo: para calcular o custo de determinado produto
precisamos da informação da quantidade de produto químico consumido; para calcular o
lucro cessante há necessidade de calcular o valor de determinada obra; para avaliar o
rebanho, seja necessária a classificação genética dos animais; para calcular o valor do
patrimônio líquido, pela equivalência patrimonial, em função da descoberta de jazidas de
propriedade da controlada. Avarias: marítima, aérea, rodoviária, ferroviária. Sinistros:
incêndios (veículos, imóveis, meio ambientes). Médica (medicina legal, comprovação de
paternidade). Engenharia (cálculo estrutural, resistência).
Perícia Contábil

1.5 RELATÓRIOS DA PERÍCIA


Uma vez obedecidas suas peculiaridades, é a forma utilizada para apresentação do
trabalho pericial. Atende as características do trabalho de perícia, entre as quais, a principal
que é examinar a verdade ou não de assunto controverso apresentado, posto que,
inexistindo matéria controversa, inexiste razão para discussão e conseqüentemente, não há
o que periciar.
Constitui um elemento de prova, fornecendo elementos para firmar a convicção do
julgador a respeito de assunto conflituoso. As opiniões manifestadas no laudo pelo técnico
que o emitiu e que tem o domínio da área de conhecimento objeto da perícia, tornam-no
basilares no processo de decisão. Acumula todo o histórico da perícia realizada, trazendo
informações a respeito do processo do qual resultou o exame pericial, exposição sobre o
desenvolvimento do trabalho pericial, os quesitos e as respostas correspondentes. Pode ser
instruídos com documentos, mapas, demonstrativos, fotografias, desenhos, etc. É um
documento conclusivo de determinado trabalho pericial realizado.

1.5.1 Tipos de Laudos e Pareceres

Os tipos de laudos também não apresentam um consenso entre os autores


pesquisados, aliás, muitos deles nem chegam a classificar os tipos de laudos. Como
profissional da área e professora de Perícia Contábil, considera classificação de laudos,
conforme abaixo:

Laudo pericial contábil é o relatório do auxiliar do juízo, ou seja, do perito oficial


nomeado pelo juiz e em geral este serve para instruir a decisão do mérito da questão. Este
tipo restringe a matéria exclusiva de natureza contábil. Exemplo: envolvendo dissolução de
sociedade, Lucro Cessante em Empresa Jurídica, falência e concordata, prestação de conta
de sócio etc;

Laudo pericial contábil e financeiro é o relatório do perito oficial nomeado pelo juiz
e em geral este serve para instruir a decisão do mérito da questão, observando que estes
exigem profundos conhecimentos na área da matemática financeira e de investimento, e
além do raciocínio lógico, analítico, quantitativo e da área contábil.
Perícia Contábil

Cita-se como exemplo: perícia em cheque especial, no sistema financeiro


habitacional, em empréstimos em geral, etc.

Laudo pericial de liquidação é o relatório escrito do Perito do Juízo e que em geral


já constam nos autos uma decisão sobre o mérito da questão, servindo apenas para liquidar
os valores deferidos e os quesitos expostos. Neste tipo de laudo, seria essencial que todos
os Julgadores, já no ato da nomeação do Perito, colocasse o seu objetivo e o que o auxiliar
deveria se ater na liquidação ou mesmo nos possíveis questionamentos. Exemplo: Perícias
da Justiça Trabalhista, de liquidação de diferenças dos 28,86% e 3,14% da Justiça Federal,
Indenizações de danos, execuções etc.

Laudo pericial crítico classifico aquele laudo que o perito do juízo ou assistente
técnico pormenoriza os fatos impugnados ou questionados pelas partes envolvidas ou pelo
Julgador, respondendo os fatos contestados considerando o senso crítico dentro dos
procedimentos legais e científicos, e observando o princípio da razoabilidade e primazia
dentro das verdades das ciências contábeis;

Laudo pericial complementar este laudo complementa o original do Perito do Juízo,


e em geral acontece após o Juiz converter em diligências ou solicitar maior esclarecimento
técnico sobre o objeto da prova pericial.

Segundo ALBERTO PALOMBO (1996), os laudos pode ser classificados:

a. Laudo Pericial

É a forma pura de expressão da perícia, eis que é esta espécie predominante nas
aplicações da perícia contábil e serve como meio de prova e contem opiniões
técnicas do perito do juízo;

b. Relatório de Vistoria

Diferencia-se pela característica de rigor descritivo, do que ou quem foi vistoriado.

c. Laudo de louvação

Avaliações de bens, direitos, débitos ou créditos, por especialistas de outras áreas de


conhecimento, contendo descrições e quadro de avaliações;

d. Parecer Pericial

Neste laudo expressa a opinião do perito, sobre determinada matéria, pode ser
judicialmente ou extra judicialmente;
Perícia Contábil

e. Laudo Arbitral
É o resultado do trabalho do árbitro, não se tratando de uma atividade tipicamente
pericial, mas de instância decisória.

1.5.2 Técnicas do trabalho pericial contábil


É um conjunto de procedimentos técnicos utilizados para aplicação prática de tudo
aquilo que se pretende alcançar, que segundo Ornelas (1995) preliminarmente, são:

a. Definir O Objeto Da Perícia

O perito após estudo do processo ou causa, deve procurar estabelecer o objeto


principal, para que fique claro e consiga realizar a perícia de forma correta;

b. Estabelecer Objetivo

Constatar com base no objeto, o sentido da perícia que está sendo solicitada;

c. Diligência

São as verificações à campo propriamente ditas, que geralmente são as técnicas


mais cautelosas e importantes, exigindo perspicácia, disposição mental e
capacidade de apreensão do perito.

d. Investigação

É a pesquisa que busca trazer ao laudo, o que está oculto por quaisquer
circunstâncias; é o ato pericial de obtenção do testemunho pessoal daqueles que
têm conhecimentos dos fatos e atos, referentes à matéria periciada ou seja
investigada e averiguada;

e. Certificação

É a informação constante no laudo do perito com caráter afirmativo, cuja


autenticidade é reconhecida em função da fé pública atribuída ao profissional.
Concluídos os exames, vistorias, indagações, diligências, coleta de provas e de
todos os elementos necessários, o perito dispõe em exposição analítica e objetiva, na forma
de laudo pericial.
Perícia Contábil

1.5.3 Laudo Pericial

Laudo é uma peça através da qual são organizados e apresentados os trabalhos


periciais realizados.

O Conselho Federal de Contabilidade conceituou o laudo pericial, e a NBC T- 13,


no item 13.5 assim estabeleceram:

O laudo pericial contábil é a peça escrita, na qual o perito contador expressa, de


forma circunstanciada, clara e objetiva, as sínteses do objeto da perícia, os estudos e
as observações que realizou as diligências, os critérios adotados e os resultados
fundamentados e as suas conclusões.
O laudo pericial é a manifestação técnica/cientifica a respeito de determinado fato
que se quer esclarecer. É elaborado por profissional habilitado e qualificado na
especialidade objeto da lide para dirimir dúvida, controvérsia ou divergência. Tem que, no
final, dar a conhecer a verdade ou a realidade dos fatos que quer desvendar, dar a conhecer
suas origens, causas, dimensões e implicações para as partes envolvidas. Concluídas as
diligências, exames de documentos e informações através de vistorias, dando respostas aos
quesitos, que faz parte do laudo pericial.
É um instrumento pelo qual o perito apresenta sua conclusão, tem formatação ou
estilo próprio. A redação deve apresentar linguagem contábil com clareza e objetividade,
deve ser sucinto e conclusivo.
Laudo é o documento, elaborado por um ou mais peritos, onde se apresentam
conclusões do exame pericial. No laudo, responde-se aos quesitos (perguntas) que foram
propostos pelo juiz ou pelas partes interessadas.
O trabalho do perito é um relatório com considerações formais e que se chama
LAUDO. Neste relatório o perito demonstra e expõe todas as suas habilidades adquiridas
na lide contábil, acadêmica e nos seus princípios éticos profissionais.
Um trabalho pericial deve ter ou conter: “clareza; objetividade; precisão sobre os
fatos; fidelidade; concisão; confiabilidade; imparcialidade; circunscrito ao objeto da
perícia; não invadir a esfera do direito, fundamentado e com plena satisfação da finalidade
(nunca responde simplesmente com um sim ou não)”.
Quanto ao laudo pericial, Ornelas (2000) afirma que: “O laudo pericial contábil é a
peça técnica da lavra do perito”. Pode ser elaborado em cumprimento à determinação
judicial, arbitral, ou ainda por força de contratação. No primeiro caso, surge o laudo
contábil judicial, nos demais, surge o laudo pericial contábil extrajudicial, um por
solicitação de Tribunal Arbitral, outro em decorrência de contrato.
Perícia Contábil

O parecer pericial contábil é trabalho técnico da lavra de perito indicado ou


contrato.
O professor Sá (1996), ensina que:

Um laudo não pode basear-se em suposições, mas apenas em fatos concretos... Um


laudo pericial contábil não pode ser baseado apenas em opinião e testemunhos de
terceiros. Deve basear-se também em materialidades de natureza contábil... Um
laudo exige respostas que esgotem os assuntos dos quesitos e que não necessitem
mais de esclarecimentos... Quando um quesito é incompleto em sua redação, mas
tem objetivo correto dentro das razões que motivam a perícia, é conveniente ao
perito completar a resposta.

1.5.4 Parecer Pericial


O parecer pericial contábil, é o instrumento de trabalho do perito assistente que
expõe sua opinião sobre diligências realizadas, na elaboração deste é essencial a
observação dos seguintes itens: a finalidade é dar opinião pormenorizada sobre o laudo; se
houver concordância com algum ponto do laudo, será comunicada no parecer; e se não
haver concordância com algum ponto do laudo, este deverá ser transcrito inteiramente no
parecer; e também os anexos deverão ser de preferência numerados, identificados e
mencionados, isso se houver necessidade de incorporá-los ao parecer; deverá ser datado,
rubricado, e assinado, identificando habilitação; encaminhado por petição protocolada,
quando judicial e arbitral, e, se extrajudicial, por qualquer outro meio.
Quando é juntado na petição inicial um laudo ou parecer contábil, este é
denominado de laudo pericial emprestado, observando que a peça fica ao livre arbítrio do
Julgador a aceitação ou não do referido instrumento que pode dispensar a prova pericial,
mesmo que esta seja obrigatória e considerada como necessária pelas partes.
É um laudo, na forma de parecer, onde é consignada a opinião do profissional a
respeito de determinada matéria. Esta opinião, fruto da observação e utilização de técnicas
usuais de perícia, aplicadas com a abrangência julgada necessária. É normalmente
requisitado pelo usuário que dele necessite para a defesa de seus interesses ou mesmo
passar a conhecer com propriedade determinado assunto. É utilizado na esfera
extrajudicial, quando alguém dele necessita para determinada certificação ou ainda para
realização de uma transação econômica. Em vias judiciais é utilizado pela parte para
ilustrar petição inicial ou em resposta a ações em que seja réu, requerido, reclamado ou em
qualquer ação em que seja levado a ofertar contestação. Os Assistentes Técnicos passaram
a ter a responsabilidade de emitirem Pareceres, opinando sobre o laudo apresentado pelo
perito nomeado pelo juiz.
Perícia Contábil

A opção por apresentar Parecer Pericial Contábil em separado do Laudo Pericial é


de exclusiva responsabilidade do perito - contador assistente, tomada em conjunto com a
parte que o contratou.
O perito - contador assistente emitirá parecer pericial contábil em separado que
assim entender cabível, tendo em vista a comprovação, de forma técnica, das teses
levantadas.
Também emitirá parecer pericial contábil em separado que, uma vez analisadas as
conclusões trazidas pelo laudo pericial contábil elaborado pelo perito, não concordar total
ou parcialmente com elas ou discordar da forma como foram transmitidos os
procedimentos utilizados para fundamentá-lo.

a. Características Do Parecer Pericial

O Parecer Pericial Contábil deve ser uma peça escrita, na qual o perito - contador
assistente deve visualizar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os
aspectos e as minudências que envolvam a demanda.
Sempre que o parecer contábil for contrário às posições do laudo o perito - contador
assistente deve fundamentar suas manifestações.
O perito - contador assistente deve registrar no Parecer Pericial Contábil os estudos,
as pesquisas, as diligências ou as buscas de elementos de provas necessárias para a
conclusão dos seus trabalhos.

b. Estrutura Do Parecer Pericial Contábil


O Parecer Pericial Contábil deve conter, no mínimo, os seguintes itens:
a) identificação do processo e das partes;
b) síntese do objeto da perícia;
c) metodologia adotada para os trabalhos periciais;
d) identificação das diligências realizadas;
e) transcrição dos quesitos, no todo ou naqueles em discordância;
f) respostas aos quesitos;
g) conclusão;
h) identificação do perito - contador assistente nos termos do item 13.5.3 dessa
Norma; e
i) outras informações, a critério do perito - contador assistente, entendida como
importantes para melhor esclarecer ou apresentar o Parecer Pericial Contábil.
Perícia Contábil

c. Esclarecimentos Adicionais

Conclusão - o Perito - contador assistente deve, na conclusão do Parecer Pericial


Contábil, considerar as formas seguintes:
a) a conclusão com quantificação de valores é viável em casos de: apuração de haveres,
liquidação de sentença, inclusive em processos trabalhistas, dissolução societária, avaliação
patrimonial, entre outros.
b) a conclusão pode, ainda, reportar-se às respostas apresentadas nos quesitos.
c) a conclusão pode ser, simplesmente, elucidativa quanto ao objeto da perícia, não envolvendo,
necessariamente, quantificação de valores.

d. Objetivos

O Parecer Pericial Contábil, na esfera judicial, serve para subsidiar o juiz e as


partes, bem como para analisar de forma técnica e científica o laudo pericial contábil.
O Parecer Pericial Contábil, na esfera extrajudicial, serve para subsidiar as partes
nas suas tomadas de decisão.
O Parecer Pericial Contábil, na esfera arbitral, serve para subsidiar o árbitro e as
partes nas suas tomadas de decisão.

 Omissão de Fatos

O perito - contador assistente, ao efetuar suas manifestações no Parecer Pericial


Contábil, não pode omitir nenhum fato relevante encontrado no decorrer de suas pesquisas
ou diligências.

 Emissão de Opinião

Ao concluir o Parecer Pericial Contábil, não deve o perito - contador assistente


emitir qualquer opinião pessoal a respeito das respostas oferecidas aos questionamentos,
bem como na conclusão dos trabalhos, que contrarie o Código de Ética do Contabilista.

1.5.5 Relatório de Vistoria


É um documento resultante de um trabalho de vistoria realizado no
desenvolvimento de determinado exame pericial. Assim, relata o resultado do que foi
observado pelo perito no local ou objeto da vistoria. Este relatório identifica e retrata as
condições do objeto vistoriado e o estado do objeto, sendo desnecessária a consignação de
opinião acurada do técnico que realizou a vistoria, cuja opinião será restrita ao relato do
Perícia Contábil

que observou à vista desarmada ou com utilização de equipamentos próprios para o mister.
É uma peça rigorosamente descritiva, por meio de escritos, reproduções, desenhos, mapas,
fotografias, filmagens e outros recursos acumuladores de informações existentes.

1.5.6 Laudo de Louvação


É um relatório emitido quando se realiza a avaliação de bens, direitos, coisas,
obrigações, etc. Ocasião em que se serve de outras áreas de conhecimento, como,
Engenharia, Agronomia, Física, Química, Matemática, Atuária, Contabilidade, entre outras
e de especialistas que requerem a descrição e elaboração de quadros de avaliação, com
justificativa de critérios e normas utilizadas, trabalhos complementares de outras pessoas,
carreando credibilidade ao laudo. É chamado Laudo de Louvação pelo fato dos usuários
nele se louvarem da plenitude e certeza da avaliação.

a. Perito em substituição ao avaliador

CPC Art. 680 Caput - Prosseguindo a execução e não configuradas quaisquer


das hipóteses do art. 684, o juiz nomeará perito para estimar os bens
penhorados, se não houver, na comarca, avaliador oficial, ressalvada e
existência de anterior (art. 655 §, V).

b. Laudo do avaliador

CPC 681 § único - Quando o imóvel for suscetível de cômoda divisão, o perito
tendo em conta o crédito reclamado, o avaliará em suas partes, sugerindo os
possíveis desmembramentos.

c. Laudo Arbitral

Assemelha-se a uma sentença judicial, posto que é um relatório descritivo e


fundamentado. É o resultado do trabalho do árbitro, sendo que esta função em
determinados casos é adequada aos profissionais peritos. Não é próprio da atividade
tipicamente pericial, uma vez que expressa uma decisão. A arbitragem é uma jurisdição ou
poder que se concede, por lei ou por escolha das partes em litígio, a pessoas que vão
dirimir questões; processo decisório entre partes contendoras. O julgamento dos árbitros
que sua interposição esteja estipulada pelas partes. O laudo arbitral produz os mesmos
efeitos da eficácia de título executivo.
Perícia Contábil

Essa homologação é da competência do juiz, a que estiver afeto na origem, o


julgamento da causa. Só não podem ser árbitros os incapazes, os analfabetos, os legalmente
impedidos de servir como juiz e os suspeitos de parcialidade. CPC . Arts. 1.072 a 1.102.

1.5.7 Estrutura Do Laudo E Parecer

Cada laudo pericial tem as suas peculiaridades, sendo elaborado de acordo com a
espécie e tipos do trabalho desenvolvido. Possuindo alguns pontos em comum, tais como:
1. Considerações preliminares:
 Aspectos gerais dos autos;
 Diligências;
 Procedimentos técnicos adotados;
 Responsabilidade profissional.
Perícia Contábil

1.6 QUESITOS
Os quesitos constituem-se de uma peça instrumental formal, elaborada por
profissional altamente qualificado em sua especialidade. Considera-se o universo
científico da ciência, usando palavras adequadas para o entendimento dos interessados.
Produzir peças técnica com texto límpido, claro, preciso e sempre que possível, utilizar
linguagem de senso comum. Argumentar com termos técnicos, definindo-os no próprio
texto. Não usar frases de sentido dúbio, impreciso ou truncada. São impróprias as palavras
do tipo acho, talvez, pode ser, mais ou menos, às vezes. Não exceder na linguagem técnica,
do preciosismo e aforismo. A simplificação pode implicar em erros quando da utilização
de expressões coloquiais e inadequadas.
Os quesitos são entendidos como questionários básicos, são as perguntas
apresentadas nos autos para serem respondidos pelo Perito e, em geral são apresentados
pelo Juiz ou pelas partes litigantes. Existem duas categorias de quesitos: os pertinentes
(tem objetivo de esclarecer as normas técnicas contábeis) e os impertinentes (abordam
aspectos não relacionados com o que se debate e são perguntas que buscam opinião fora de
sua competência legal).
Categoria dos quesitos: pertinentes ao objeto da perícia -;impertinentes; indeferidos
pelo magistrado; dúbios e que permitem mais de uma resposta técnica; e aqueles que
invadem a esfera do direito.

Quanto ao Laudo e os questionamentos, são observados quando não respondidos


suficientes, sem objetivos e que não atende o objeto da prova pericial, vejamos:

a. Quesitos Suplementares

Relacionam com novos aspectos táticos desconhecidos ou não tratados pelas partes
quando formularam os seus quesitos.

b. Quesitos Complementares

Relacionam com os quesitos respondidos e não foram suficientemente respondidos


e são solicitados complementos ou novas respostas.

Na vida prática, como especialista e mestre com tema envolvendo o


PERITO/PERÍCIA, classifico a existência dos QUESITOS TEMPESTIVOS – não são
suplementares e nem encaixam como complementares – surgem diante de fatos novos
apontados pelos causídicos e estes devem solicitar HONORÁRIOS COMPLEMENTARES
para suas respostas.
Perícia Contábil

Deve apresentar os quesitos e as respectivas respostas, quando apresentados; em


seguida os quesitos suplementares (quando houver). Destacando os quesitos das respostas
(negrito, itálico, etc.)

As respostas aos quesitos deverão ser apresentadas na seguinte ordem:

 Do Magistrado;

 Do autor;

 Do Réu

O procedimento de apresentação do Laudo discriminado por Ornelas e determinado


pela norma da perícia contábil, é essencial o laudo pericial conter pelo menos três partes
principais, porém, todas comprometidas com o entendimento da totalidade da prova. São
elas: introdução com exposições das metodologias aplicadas, respostas aos quesitos e
conclusões. Após o relato, é necessário à revisão do laudo para evitar omissão de alguma
informação ou erros comuns de digitação, concluída a revisão , o laudo deve ser rubricado
em todas suas folhas e assinado na última sobre a identificação do perito.

Considerações finais: Encerramento, Anexos e Documentos, contendo o resumo de


valores e explicações, quando pertinente e necessário para elucidar os fatos. Informando a
quantidade de páginas, os documentos e anexos constantes do trabalho pericial
desenvolvido.

Quesitos são as perguntas de natureza técnica ou científica, formuladas pelo


magistrado e pelas partes a serem respondidos pelo perito contábil. O perito deve ressalvar
os quesitos impertinentes, os idênticos e os de dúbia interpretação. CPC - Art. 426.
“Compete ao juiz; I – indeferir quesitos impertinentes;” e o Art. 130. “Caberá ao juiz, de
oficio ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias à instrução do
processo, indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias”. AGUIAR, João
Carlos. Revista dos Tribunais, afirma:
Evidentemente, encontra-se o perito apto para afirmar, no mais das vezes, se um
quesito é manifestamente impertinente ou não. Se tiver dúvidas, sobretudo nas
perguntas cuja impertinência não seja manifesta, nada impede se que se dirija ao
magistrado, por petição nos autos ou verbalmente, para que este decida ou o oriente
a respeito.
O perito deve:

Responder primeiro os quesitos do Juiz, seguidos com os do requerente e por


último do requerido, quando elaborado.
Inadmissíveis as respostas do tipo “sim” ou “não”.
Perícia Contábil

Quesito impertinente é a pergunta dirigida ao perito, quando foge do âmbito do


exercício de sua profissão, bem como ao objeto da lide.
O perito relata o que examinou, vistoriou e indagou. O que concluiu tecnicamente.
Nos quesitos dúbios ou que permitem mais de uma resposta técnica, utilizar o “se”,
respondendo as indagações em ambos os sentidos.
Os quesitos já respondidos, mesmo que semelhantes, devem ser mencionados que
já foram respondidos, informando onde.

1.6.1 Exemplos de Quesitos e Respostas


Quesito: Os livros contábeis e fiscais da Autora estão revestidos das formalidades
legais, extrínsecas e intrínsecas, de modo a merecer fé em Juízo?
Resposta: Sim. Os livros contábeis e fiscais compulsados pela Perícia, do período
objeto da lide, foram aqueles especificados no anexo nº 1. Estes são possuidores das
formalidades legais, extrínsecas e intrínsecas, sendo, portanto, merecedores de fé em Juízo.

a) Quesitos já respondidos

Resposta: O presente quesito aborda o mesmo conteúdo do quesito nº ..., da série da


Autora, por isso, a Perícia pede vênia para se reportar à resposta oferecida àquele quesito.

b) Quesitos prejudicados

Quesito: Consta da nota fiscal de compra a data de sua emissão?


Resposta: Prejudicada a resposta ao presente quesito. A empresa informou-nos que
os mesmos foram incinerados pelo fato de encontrarem-se prescritos na forma da lei.
Resposta: Prejudicada a resposta ao presente quesito, pois o mesmo foi indeferido
pelo MM. Juízo, conforme despacho de fls.
Resposta: Prejudica a resposta, uma vez que o presente quesito não é objeto da lide.

c) Quesitos indeferidos

Quesito: Face às respostas oferecidas aos quesitos anteriores, pede-se ao Sr. Perito
que informe se é ou não procedente o auto de infração objeto da lide.
Resposta: Prejudicada a resposta ao presente quesito, pois o indagado envolve
mérito, matéria de exclusiva competência do MM. Juiz, fora, portanto, da função legal da
Perícia Contábil.
Perícia Contábil

1.6.2 Quesitos Suplementares


Quando da realização das diligencia podem surgir fatos novos, relevantes para
esclarecimento da lide. Nesse caso cabem novos quesitos, que podem ser requeridos pelas
partes ou introduzidos pelo magistrado, ou quando as partes forem intimadas para se
manifestarem sobre o Laudo Pericial.

1.6.3 Respostas aos Quesitos

Em seqüência: do Juiz, Autor e por final do Réu, e por fim deve haver Consideração
Final ou Conclusão.

São requisitos de um laudo:


a) Identificação completa do caso (Processo, lugar, data, partes envolvidas etc)
b) Identificação do perito;
c) Identificação da autoridade a que se destina;
d) Qual a metodologia adotada;
e) Identificação de quesito por quesito ou do caso sobre o qual se opina;
f) Resposta a cada um dos quesitos;
g) Conclusões precisas sobre os quesitos;
h) Anexos que comprovem os casos que merecem anáalises;
i) Data e assinatura do perito.

1.6.4 Parecer do Assistente Técnico


O perito contábil na função de assistente técnico pode oferecer Parecer contábil,
através de laudo, manifestando sua opinião técnica, critica ou concordante sobre o laudo
oferecido pelo perito judicial. O parecer do assistente técnico é formalizado com:
considerações preliminares, resumo do laudo oficial; comentários técnicos ao laudo
contábil; parecer pericial contábil; encerramento; anexos e documentos.

1.6.5 Estética e Forma do Laudo ou Parecer


Tamanho do papel A-4; estilo da letra: Arial; tamanho da letra:12; destacar com
negrito e itálico; espaçamento 1½; margens: superior e esquerda 3, inferior e direita 2½.

1.6.6 Sistemática
Antes de entregar os trabalhos é necessário que faça uma leitura minuciosa de todo o
seu conteúdo, verificando se esclarecimentos estão precisos, claros e objetivos para dirimir as
duvidas manifestadas pelo magistrado e pelas partes.
Perícia Contábil

1.7 PROCEDIMENTOS PROCESSUAIS


O perito recebe notificação do juízo competente para apresentar proposta dos
honorários periciais. O perito analisa os autos, quanto à especialidade dos trabalhos, dos
impedimentos e suspeição, apresenta a proposta para a execução dos trabalhos, inclusive
indicando o prazo necessário para a sua realização, bem como da previsão de horas a serem
trabalhadas, da metodologia (planilha eletrônica, etc.), diligências, tipos de gastos para a
realização da mesma, forma de pagamento, e outras informações pertinentes.

1.7.1 Técnica do Trabalho Pericial Judicial


O trabalho pericial inicia-se quando da intimação expedida pelo juiz, instrumento jurídico
que dá ciência ao contador sobre os trabalhos. Da competente intimação consta o prazo
para a entrega do laudo pericial.
Para o desenvolvimento dos trabalhos, o perito contador deve proceder da seguinte
forma:
a) Deslocar-se até secretaria do Cartório da Vara Judicial onde se encontram os autos;
b) Quando notificado, dará ciência ao processo “carga ao perito”, retirando os autos;
c) O perito assume o compromisso de desenvolver os trabalhos (justiça trabalhista);
d) O perito pode retornar à vara para solicitar dilatação de prazo ou orientação do
magistrado;
e) No seu local de trabalho (escritório) o perito realiza verificação e leitura minuciosa
dos documentos constitutivos dos autos (petição inicial, impugnação, contestação,
etc. documentos probatórios) objeto da lide, identificando e analisando as questões
de ordem técnica objeto da especialidade contábil;
f) Verifica o tipo de perícia (reconhecimento de direito, liquidação de sentença, etc.);
g) Organiza e planeja os trabalhos inerentes à perícia judicial em questão;
h) Iniciam-se as diligências nos locais pertinentes, coletando os documentos e
informações necessárias, para responder aos respectivos quesitos;
i) Concluído o trabalho, elabora o laudo pericial;
j) Revisar minuciosamente os trabalhos antes da entrega ou deposito na secretaria da
vara;
k) O perito devolve o processo juntamente com o “laudo pericial”, mediante
protocolo;
Perícia Contábil

 Aspectos

Ao aceitar o trabalho, o perito se compromete a produzir as provas relativas ao


objeto da lide, constante dos quesitos deferidos pelo magistrado e consubstanciados no
laudo pericial.
O perito pautará em atitude ética do profissional no desenvolvimento dos trabalhos com
imparcialidade para demonstrar e comprovar os fatos, não declinando da verdade.
O perito merece fé publica quando no exercício do cargo.

 Planejamento

O perito deverá planejar as ações de acordo com os procedimentos e especificidade de


cada lide, norteando nos autos e respectivos quesitos, observando o seguinte:
a) Na petição inicial da proponente da ação (autora, reclamante, requerente),
verificar os fatos elencados, pretendidos e documentados, constante da petição
submetida ao juiz.
b) Na contestação do requerido ou reclamado, verificar ou não à existência da
comprovação dos fatos sobre o ônus da prova;
c) Identificar à época dos fatos, verificando a possibilidade dos documentos que
devam ser exibidos e os meios disponíveis na coleta das provas e respostas aos
quesitos (livros contábeis e fiscais, controles auxiliares); verificar os
documentos prescritos por lei;
d) Verificar quais os documentos já existentes nos autos, juntados pelas partes;
e) Leitura minuciosa dos quesitos, ordenarem os procedimentos técnicos a serem
seguidos para obter os elementos que permitam formalizar o laudo pericial;
f) Verificar da necessidade de esclarecimentos e consultas sobre alguns quesitos.
g) Verificar os quesitos impertinentes.

 Apresentação do Laudo e Cálculos Periciais

Na prática pericial, os procedimentos técnicos de acordo com o tipo de serviço


pericial desenvolvido, observando o seguinte:

1.7.2 Justiça trabalhista:


Existem em geral dois tipos mais freqüentes: laudo de instrução e liquidação de
cálculo ou sentença, ambos tem metodologia diferente, onde: No laudo de instrução da
emissão da sentença, adotam-se os seguintes procedimentos:
Perícia Contábil

1º - apresentação da entrega do laudo á secretaria, contendo informações dos


números de páginas do relatório, de anexos, documentos, após término do trabalho é que
apresenta os honorários e condições para esclarecimentos sobre a matéria periciada;
2º - o relatório do laudo com: consideração inicial, a metodologia e análise contábil,
respostas dos quesitos ou esclarecimentos solicitados e por fim a conclusão colocada na
consideração final;
No laudo de cálculo, que tem como parâmetro a sentença e comandos para a
apresentação do trabalho: segue os mesmo procedimentos do item 1º, o relatório do laudo
contém informações objetivas sobre a metodologia aplicada, justificativa dos honorários
cobrados e apresentação dos cálculos que tem como fato gerado a sentença.

1.7.3 Siglas

 CC – Código Civil;  DNA ou ADN – Acido


 CF – Constituição Federal; Desoxirridonucleico;
 CPC – Código de Processo Civil;  NBC – Normas Brasileiras de
 CFC – Conselho Federal de Contabilidade;
Contabilidade;  T – Técnicas;
 CFE – Conselho Federal de Educação;  CpC – Comitê de Pronunciamentos
Contábeis.

1.7.4 Abreviaturas

 a. (assinado a);  fls. (folhas);


 a.a. (assinados as);  id. Idem (o mesmo);
 A (autor a);  i.e. id est (isto é);
 AA (autores as);  N.da R. (nota da redação);
 a.C. (antes de Cristo);  N.do A. (nota do autor);
 AC (Acórdão);  N.do E. (nota do editor);
 Ap. (apelação);  N.do T. (nota do tradutor);
 bel. (bacharel);  op.cit. – opus citatum (obra citada);
 Cap. (capitulo);  p. ou pág. (pagina);
 c/c (conta corrente);  p/p (por procuração);
 c.c (combinado com);  P.S. – post scriptum (pós-escrito);
 Cc (centímetro cúbico);  s.m.j. (salvo melhor juízo);
 Cfe. (conforme);  V (volt s);
 Cfr. Ou cf. (confira);  V. (você);
 Dec. (Decreto);  v.g. – verbi gratia; (por exemplo);
 DL (Decreto-Lei);  vs. – versus (contra);
 E.D. (espera deferimento);  x – versus (adversário);
 fl. (folha);
Perícia Contábil

1.7.5 Terminologias

AB INITIO (desde o começo); DOLO (dolo; vontade livre e


consciente na prática do fato
criminoso);
ACÓRDÃO (decisão proferida em ERROR IN PROCEDENDO (erro no
grau de recurso); procedimento);
ACORDAR (entrar em acordo); EVICÇÃO (perda que sofre o
adquirente, por decisão judicial, para o
verdadeiro dono);
AD ARGUMENTANDUM TANTUM EXEGETA – exegeta, exegese
(para argumentar); (interpreta);
AD CAUTELAM (por simples EXEMPLI GRATIA (por exemplo);
cautela);
AD HOC (para este caso); EX OFFICIO (em razão do ofício);
AD LIBITUM (livremente); EXTRA PETITA (fora do pedido);
AD LITEM (limitada à lide); FIANÇA (benefício para responder o
processo em liberdade);
AD NUTUM (unilateral); FORO – fórum (jurisdição, alçada,
competência, juízo);
AD VALOREM (conforme o valor); FORTUITO - fortuitus (casualmente);
ALHEAÇÃO (alienação); HABEAS-CORPUS - habeas corpus
(tenhas o corpo);
ÁLIBI – álibi (noutro lugar); HABEAS DATA (tenha os dados);
ALICANTINA (astúcia, trapaça); HONORIS CAUSA (para a honra);
ALIENI JÚRIS (incapaz); IBIDEM (no mesmo lugar);
POSTERIORI (posteriormente); IDEM (o mesmo);
A PRIORI (antes); IMPETRAR (requerer);
APUD ACTA (nos autos); INCISO – incisus (abrir, cindir, cortar,
I, II ...);
AUTOS (processo); IN EXTENSO (na integra);
A ROGO (a pedido); IN FINE (no fim);
BENS PARAFERNAIS (da esposa, IN LOCO (no local);
sob administração do esposo, não
podendo ser alienados);
BIS EADEM RE NON SIT ACTIO INTIMAÇÃO (ordem expedida por
(não podem existir duas ações sobre autoridade publica);
uma mesma coisa);
CAPUT (cabeça); INTER VIVOS (entre vivos);
CAUSA MORTIS (causa da morte); IN VERBIS (transcrever da mesma
forma);
CITRA PETITA (aquém do pedido); IN TOTUM (totalmente);
CONDITIO SINE QUA NON IPSIS LITTERIS (com a mesma letra);
(condição sem a qual não);
CULPA (não tem intenção de praticar JUS (direito);
o ato);
CURRICULUM VITAE (carreira da JUS EUNDI (direito de ir e vir);
vida);
Perícia Contábil

DATA VENIA (devida vênia, licença LATO SENSU (sentido amplo);


ou permissão);

DE CUJUS (de cuja sucessão – LAUDO - louvar (basear, apoiar,


inventariado); adotar);
DATIO IN SOLUTUM (dação em MANDADO (mandar, ordem,
pagamento); mandamento, determinação judicial);
DE MERITIS (no mérito); MANDATO - mandatum (ato de dar as
mãos, compromisso com fidelidade);
DESPACHO (decisão proferida) ; MERITÍSSIMO MM - meritus
(merecedor, justo);
DILIGENCIAR (empregar meios para MUI (muito);
realizar determinada missão); NEC PLUS ULTRA (nada mais além);
NONADA (ninharia); SIC (transcrição fiel) “....”(sic);
ORDINATÓRIO – ordinário (contém SINE DIE (sem data fixa);
ordem);
OUTORGA UXÓRIA (consentimento SINE QUA (sem a qual);
da mulher para o marido);
PARÁGRAFO - § - parágraphos STATUS QUO (estado em que se
(seção de um texto 1°,); encontrava);
PARACER (manifestação de órgão STRICTO SENSU (sentido estrito);
técnico ou de especialista, com caráter
opinativo);
PARI PASSU (passo a passo); SUB JUDICE (em juízo);
PORTARIA (ato ordinário interno, que SUI GENERIS (sem igual);
disciplina as funções dos servidores);
PRECATÓRIA – CARTA (ato pelo SURSIS (suspensão condicional da
qual o juiz solicita a outro, pena);
providencias ou diligencias);
PRIMA FACIE (primeira vista); TRANSLADAR (cópia ou
reprodução);
PRO FORMA (por formalidade); ULTRA PETITA (além do pedido);
PRO RATA (em proporção); USQUE (até – Fls.22 até 54);
QUANTUM SATIS (quanto basta); UT INFRA (como abaixo –
transcrição);
RECURSO (pedido formulado para UT RETRO (como atrás);
reexaminar uma decisão);
REINTEGRAÇÃO (reintegra-se na UT SUPRA (como acima);
posse);
RELATÓRIO – relatum (referir, VOCATIO LEGIS (vacância da lei);
verificar);
RES JUDICATA (coisa julgada); VEREDICTO (verdadeiramente dito);
Perícia Contábil

1.8 DO PERITO
A origem do termo perito vem do latim peritu significa aquele que entende,
conhece profundamente, que sabe pôr experiência; em inglês derivou para expert e em
francês para expertise.
O perito é o profissional que deve possuir conhecimentos técnicos aprimoramento,
especializado e aperfeiçoado em sua área de atuação. Pôr isso, mesmo é também
“louvado”. O termo “louvado” é um termo da linguagem jurídico, entende-se o homem
hábil, que por suas qualidade ou conhecimentos, está em condições de esclarecer a situação
do fato ou do assunto que se pretende aclarar ou pôr em evidência, para uma solução justa
e verdadeira de contenda.
O perito como pessoa, deve ser íntegro e possuir virtudes como: honestidade,
personalidade, imparcialidade, equilíbrio emocional, independência e autonomia funcional,
e principalmente, obediência irrestrita e incondicional aos princípios da ética e da moral.
Segundo Ornelas (2.000), na definição do perfil profissional do perito, deve possuir
duas qualidades:

1º - deve possuir cultura geral e contábil profundas que lhe permitam colaborar
com o magistrado na verificação ou apreciação dos fatos contábeis objeto da lide
de modo a supri-lo daqueles conhecimentos técnicos ou científicos que este não
possui;
2º - ser profissional habilitado, ou seja, deve ter capacidade legal para o exercício
da função pericial contábil advinda de seu título universitário de bacharel em
Ciências Contábeis, ou equiparado, devidamente registrado no Conselho
Regional de Contabilidade.

Além destas qualidades, Ornelas (2000) complementa afirmando:

Conhecimentos gerais e profundos da ciência contábil, teórica ou aplicada em


suas várias manifestações organizacionais públicas e privada, além de outras
áreas correlatas, como, pôr exemplo, matemática financeira, estatísticas, assuntos
tributários, técnicas e práticas de negócios, bem como domínio do direito
processual civil, em especial quanto aos usos e costumes relativos à perícia, e da
legislação correlata., são essenciais ao desempenho competente da função
pericial aliados, com qualidades de espírito que o fazem perspicaz, crítico, hábil
e circunspeto.

O perito tem contato direto com o magistrado e os assistentes técnicos que


representa as respectivas partes na demanda.
Perícia Contábil

1.8.1 Perfil profissional


Parece-nos importante discorrer as características que devem compor o perfil do
profissional da perícia, as quais propiciarão a manifestação consciente do perito na
controvérsia, de forma equilibrada e responsável.
A primeira relaciona-se com a necessidade de possuir profundo conhecimento
contábil e geral a fim de colaborar com o julgador na apreciação dos fatos atinentes ao
objeto de lide que se relacionam com a contabilidade, de modo a supri-lo daqueles
conhecimentos técnicos e científicos que este não possui. A segunda qualidade é a de ser
profissional habilitado, ou seja, deve possuir capacidade legal para o exercício da função
contábil, a qual, como sabemos, decorre de sua formação superior em Ciências Contábeis,
com o devido registro no CRC.
D’Auria (1962), assim define a habilitação do perito contábil:

Resumem-se no perito a competência técnica da sua especialidade, a experiência da


função e as qualidades morais, formando um conjunto de requisitos que lhe dão a
reputação necessária para ser preferido pelas partes interessadas e pelas autoridades
judiciais.

É essencial ao perito contábil para desempenhar com competência suas atividades,


conhecimentos gerais e profundos da ciência contábil, além de outras áreas correlatas,
como, por exemplo, estatística, matemática financeiro, direito tributário, assim como um
domínio da processualística do direito civil, em especial no tocante aos usos e costumes
relativos à perícia.
Frente a dinâmica do trabalho pericial, que tem como pilares a postura e a prática
investigativa, verifica-se que outras qualidades pessoais são necessárias ao perito contábil
para que obtenhamos o perfil do profissional.
A postura crítica é indispensável e deve ser observada pelo perito, não no sentido
popular, mas sim no aspecto relacionado com o desenvolvimento desta atitude quanto ao
rigor e legitimidade do assunto sob apreciação, visando possibilitar afirmações ou
negações decisivas.
Define-se assim, o espírito crítico com uma atitude íntima desenvolvida pelo perito
contábil de modo a lhe permitir chegar à verdade dos fatos contábil sobre o qual lhe é
solicitado, por terceiros interessados, sua apreciação ou opinião técnica.
Por fim, dois requisitos são fundamentais ao perito contábil: formação moral
elevada e imparcialidade.
Perícia Contábil

A formação moral elevada retrata uma postura pessoal de integridade, de


honestidade, oriunda da própria função de auxiliar da justiça que o perito contábil exerce,
bem como da observância do código de ética profissional.
A imparcialidade é necessária no desenvolvimento do trabalho pericial, pois o
perito deve apresentar a perícia sem ser tendencioso para qualquer uma das partes
envolvidas no processo judicial, sendo que esta ocorre no momento em que se exerce a
função pericial de forma independente, conforme definido pelas Normas Profissionais de
Perito Contábil (NBC-P-2).
A pertinência primordial do perito contábil é esclarecer e contribuir com a decisão
do magistrado. A orientação fornecida pelo perito deve suprir ao questionamento elaborado
pelas partes, frente o dever de demonstrar os fatos detectados, pois o juiz espera a
orientação pericial para proferir a sentença.
Caso o perito constate fatos não indagados que contribuíram para o desfecho do
caso a serviço da justiça de seu trabalho, ele deve relatar o inquirido, sendo que as partes
podem por omissão ou desconhecimento, formular quesitos que prejudiquem o julgamento.
Cabe ao perito opinar sobre a matéria da lide para definir critérios da sentença dentro dos
princípios éticos da função pericial.

1.8.2 Responsabilidade do perito


Independentemente de atender aos requisitos formais relativos ao exercício da
atividade pericial, o profissional também deve atentar a outras responsabilidades que
possui. Estas podem influenciar e até mesmo repercutir na realização e no acatamento do
seu trabalho. Assim, passamos a destacar as que pensamos ser mais relevantes.

1.8.3 Responsabilidade Social


O exercício da cidadania está ligado diretamente com a questão da responsabilidade
social, em virtude de a esta corresponder direitos e deveres.
Desnecessário traçar um paralelo entre a cidadania e o seu exercício, pois o que nos
interessa, sem dúvida, são as questões que se relacionam com a perícia.
A perícia é um exercício pleno de cidadania, face ao dispor e ordenar os direitos de
outras pessoas, ter o dever de fazê-lo com total isenção de ânimo. O perito deve
abandonar-se de todos os preconceitos para oferecer aos cidadãos que se submetem ao
Estado - Juiz ou a qualquer outra instância decisória, um serviço tecnicamente perfeito e
moralmente isento e justo.
Perícia Contábil

A medida que a perícia é uma instituição de justiça, age sobre os direitos de pessoas
e da coletividade, tendo, necessariamente, o dever de servir bem. As responsabilidades da
atividade pericial são oriundas da fé pública que envolve o perito, conforme concluiu o
mestre D’Auria (1962), em seus ensinamentos já referidos em outras oportunidades.

1.8.4 Responsabilidade Moral


A questão da responsabilidade moral está relacionada com as virtudes das atitudes
pessoais do profissional que exerce o trabalho. A responsabilidade que recai sobre o perito
contábil é, principalmente, aquela em que este se impõe, como suporte para uma atividade
eficaz.
Necessário assim que o perito, a fim de atender suas responsabilidades, busque
sempre educar-se continuamente, pois a educação continuada, nada mais é que o estudo
permanente de sua especialidade, originando, desta forma, um preparo consciente e
permanente para atuar.
A responsabilidade moral do perito contábil é com a verdade, a qual não nos parece
ser fácil buscar e demonstrar em um processo. Oportuno lembrar que o exercício da função
de auxiliar da justiça, frente ao poder que o judiciário lhe confere, também é considerada
uma das bases da sociedade, pois garante paz e progresso social.

1.8.5 Responsabilidade Civil e Criminal


O perito contábil, em face da própria natureza da função que exerce, responde
plenamente pelas afirmações que lavrar no laudo, portanto necessário arrolar os deveres,
direitos e penalidades previstas nas legislações profissional, civil e criminal.

1.8.6 Condições legais na atuação do perito contábil


O requisito jurídico e formal essencial ao perito é que tenha concluído o curso de
“ciências contábeis” e esteja devidamente inscrito no Conselho de Contabilidade, os
profissionais com curso médio não pode atuar como “perito”, é necessário o curso superior
e na nova norma do perito é exigido uma educação continuada (pós graduação ou
especialização na área contábil).
Quanto à condição legal estabelecida pelo Conselho Federal e Regional de
Contabilidade, tem-se observados em muitas nomeações de Peritos a atuação de
economistas, matemáticos e administradores em perícias essencialmente de natureza
contábil, ou seja, qualquer perícia que envolve conhecimentos e análise em livros contábeis
(diários, livro caixa, razão, lalur e outros), pois estas perícias poderão serem anuladas, já
Perícia Contábil

que o artigo 62, inciso V, do decreto – Lei 7.661/1945 e o decreto –lei 9.295 de 27/05/46,
atribuem esta função exclusivamente ao contador.
O artigo 145 do CPC, “quando a prova do fato depender de conhecimento técnico
ou científico, o juiz será assistido por perito”, e no § 1º do artigo 421: “incumbe às partes
indicar assistentes técnicos, observa-se”:
a) Ser o perito, pessoa de conhecimento específico cujos serviços estão à disposição
do judiciário, ora diretamente ligado ao juiz ora diretamente ligado às parte:
b) Ser denominado perito o profissional, nomeado pelo juiz, cujos conhecimentos se
fazem necessários para esclarecimento de matéria técnica ligada aos fatos alegado
no litígio;
c) Ser denominado assistente técnico o profissional indicado pelas partes e cujos
conhecimentos irão auxiliá-las na garantia dos direitos sobre os fatos alegados.
A escolha do perito, segundo as normas em vigor, é atribuição exclusiva do juiz, mas a
lei não determina com especificidade como e quem deve ser o perito, embora apresente
alguns requisitos que servem de base para sua escolha, conforme exposto no artigo 14 do
CPC.§ 1º

Os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário, devidamente


inscrito no órgão de classe competente, respeitado o disposto no capítulo VI, seção
VII, deste Código. § 2º - Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre
que deverão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que estiverem
inscritos. § 3º - nas localidades onde não houver profissionais qualificados que
preencham os requisitos dos parágrafos anteriores, a indicação dos peritos será de
livre escolha do juiz.

Quanto este fato Monteiro (1.985) comenta:

Uma das grandes diferenças que leva ao tratamento desigual reside no fato de o
perito judicial ser “auxiliar da justiça”, prestando um “munus público” e estando
equipado, para efeitos penais, ao funcionário público. Já o assistente técnico é pago
pela parte que o indicou e para ela trabalha, podendo , assim , dar uma maior
elasticidade à sua crítica técnica, diferentemente do perito judicial, que deve
permanecer imparcial entre o autor e o réu, respondendo, fundamentalmente, às
questões, mas sem lhes dar a “elasticidade” permitidas ao assistente técnico.

Mesmo não tendo nenhuma norma ou legislação que regulem o comportamento do


perito assistente, o mesmo deve agir dentro dos limites da técnica contábil. Sobre este fato
Camargo (1999), esclarece:

O fato de ter sido contratado pôr uma das partes interessada não o obriga a violentar
a pureza da técnica, faltar com a verdade e agir como se fosse advogado da parte
contratante. São: o perito – contador e o perito – contador assistentes peritos. As
atribuições diferem: o perito - contador elabora o laudo, enquanto que o perito -
contador assistente emite parecer sobre esse laudo. Mas, para que essa tarefa seja
realizada, há, necessariamente, de trilhar o mesmo caminho: a perícia.
Perícia Contábil

O artigo 22 do CPC In Verbis: “Os assistentes técnicos são de confiança da parte,


não sujeitos o impedimento ou suspeição”.
Portanto, mesmo que o assistente não seja um contador não tenha habilidade
necessária o mesmo poderá assumir o papel, pois o mesmo não precisa dos conhecimentos
técnicos suficientes para a lide.

1.8.7 Direitos e deveres funcionais do perito contábil


Aos deveres correspondem determinados direitos exercidos pelos peritos.
Vejamos o que ensina Amaral Santos:

Ao dever de aceitar o encargo, ampara-os o direito de isentar-se de uma obrigação,


dada a ocorrência de razões que tornariam o encargo extremamente gravoso; ao
dever de respeitar os prazos e de comparecer à audiência, surge-lhes o direito de
pedir prorrogação, verificada a existência de motivos relevantes de corresponder ao
princípio de moralidade, arma-os a lei de poderes, que equivalem a legítimos direitos
de investigar; ao dever de servir se emparelham o direito à indenização das despesas
e o de perceber honorários por seus serviços.

A perícia exige um trabalho personal, onde é exigido o domínio da matéria a ser


periciada, cautela e dedicação, sendo o que afirma o professor Vaz (1992):

A perícia é uma especialização que requer um universo diversificado de


conhecimentos, não bastando, apenas, a contabilidade acadêmica, porque, na perícia,
o perito precisa enxergar onde não há luz, ler o que não está escrito e encontrar o que
parece não existir.

A responsabilidade de exercer a função de “perito“ é muito grande e merece uma


meditação antes de aceitá-la. Para alguns, parece fácil exercer o papel de perito, mas não é,
principalmente quando houver contestação do laudo escrito pelo perito, onde devem
demonstrar as suas habilidades, experiências e todos os seus conhecimentos sobre o
assunto, não deixando sobrepujar pelo assistente técnico, sob pena de ficar desacreditado.
Diante de tanta responsabilidade exigida e que deve ser cumprida no desempenho
da função, sobressaem os seus deveres e também os seus direitos, que legalmente são
estabelecidos através de normas profissionais do Conselho Federal de Contabilidade,
Código Civil e o Código do Processo Civil. Vide abaixo alguns direitos e deveres exigidos
do PERITO CONTÁBIL:

 Deveres Do Perito

a) Dever de aceitar o encargo, do qual não pode escusar-se, ressalvado motivo


legítimo (CPC art. 146). Devendo considerar-se, que a ninguém é dado eximir-se
de colaborar para que verdade venha aos autos, CPC art. 339;
Perícia Contábil

b) Dever de cumprir o ofício (CPC art, 146);


c) Dever de comprovar sua habilitação (CPC art, 145);
d) Dever de respeitar os prazos (CPC art. 146);
e) Dever de lealdade (CPC art. 147);
f) Dever de cumprir escrupulosamente o encargo (CPC art. 422);
g) Dever de prestar esclarecimentos (CPC art. 435);
h) Dever profissional de recusar a indicação, quando não se achar capacitado para
bem desempenhar o encargo (CPC - artigo 5º item I);
i) Dever profissional de evitar interpretações tendenciosas, mantendo absoluta
independência moral e técnica (idem, item II);
j) Dever profissional de abster - se de dar sua convicção pessoal sobre direitos da
partes, mantendo seu laudo no âmbito técnico (idem, item III);
k) Dever profissional de apreciar com imparcialidade o pensamento exposto em laudo
pericial que lhe for submetido (idem, item IV);
l) Dever profissional de abster de dar parecer ou emite opinião sem estar
suficientemente informado e documentado (idem, item VI);
m) Dever de cumprir e fazer cumprir as normas técnicas e profissionais de perícia
contábil (CFC Resoluções 731 e 733 de 22/10/92)

 Direitos Do Perito

a) Direito de escusar-se do encargo pôr motivo legítimo (CPC art. 146);


b) Direito a prorrogação de prazo para realizar o trabalho (CPC, art. 432);
c) Direito à pesquisa de fontes documentais e testemunhais (CPC, art. 429);
d) Direitos a honorários (CPC art. 33);

Honorários – título executivo extrajudicial

CPC Art. 585 – São títulos executivos extrajudiciais:


V – o crédito de serventuário da justiça, do perito, de intérprete, ou de tradutor, quando as
custas, emolumentos ou honorários forem aprovados por decisão judicial;

 Responsabilidade Criminal do Perito

O perito pode ser responsabilizado pela inveracidade de seu laudo, se comprovado


dolo ou má fé, quer em juízo, quer perante os conselhos de contabilidade, lhe ocasionado:
Perícia Contábil

a) Indenização à parte prejudicada;


b) Inabilitação por dois anos para o exercício de nova perícia;
c) Sanção penal por crime.
Estas penas são estabelecidas pelo Código do Processo Civil artigo 147 e quanto ao
escrúpulo exigido o artigo 1° da lei n° 8.455/92 que modifica o artigo 422 do referido
código.
Além dessas sanções, estarão sujeitas as estabelecidas pelo Código de Ética
Profissional dos Conselhos de Contabilidade.
Para que nenhum problema ocorra, as tarefas do perito devem ser executadas com
lisura, sinceridade, competência e muito bem argumentada. Pois o mesmo poder que ele
tem de influir na vida de terceiros, terceiros tem de influir de forma gravosa na vida dele,
então para isso não ocorrer deverá desempenhar seu trabalho com eficiência e eficácia.
Um exemplo para que seu trabalho não seja contestado, é na duvida não fazer, ou seja,
é preferível omitir uma opinião sobre fatos que não se chegou a um convencimento pleno
do que lançar qualquer resposta só para satisfazer aos quesitos que foram formulados.
O perito deve ser cauteloso em seu trabalho, não deve precipitar-se, então se o prazo
que lhe fixam para realizar um trabalho não for suficiente, deve sugerir a hipótese de
prorrogação ou recusar a tarefa.

 Penalidades Civis e Criminais

a) Multa pelo prejuízo causado na ação, se deixar de cumprir o encargo que lhe foi
assinalado – CPC ART. 424;
b) Indenização pelos prejuízos que causar à parte, se, por dolo ou culpa, prestar
informações inverídicas – CPC ART. 147;
c) Inabilitado por dois anos para atuar em outras perícias judiciais ou fora da justiça,
art. 147;
d) Reclusão de um à três anos, e multa, se fizer afirmação falsa, ou negar, ou calar a
verdade, tanto em processo judicial ou administrativo, ou em juízo arbitral, por
falsa perícial – CÓD. PENAL ART. 342;
e) Detenção de três meses à dois anos, e multa se inovar artificialmente a pendência
de processo civil ou administrar o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com fim
de induzir o erro o Juiz, por fraude processual –CÓD. PENAL. ART. 347.
Perícia Contábil

 Nomeação do Perito e Procedimentos para Início dos Trabalhos

Nomeado o Perito, quer a pedido das partes, quer de ofício, pelo próprio juiz, é
concedido o prazo de cinco dias para as partes apresentarem quesitos e assistentes
técnicos, na forma do parágrafo 1º do art.421 do Código de Processo Civil, que assim
dispõe:
“Art. 421 – O Juiz nomeará o Perito, fixando de imediato o prazo para a entrega do
laudo.
Parágr.1º - Incumbe às partes, dentro de cinco (5) dias, contados da intimação do
despacho de nomeação do Perito:
I – indicar o assistente técnico;
II – apresentar quesitos.
Parágr.2º - Quando a natureza do fato o permitir, a perícia poderá consistir apenas
na inquirição pelo Juiz do Perito e dos assistentes, por ocasião da audiência de instrução e
julgamento a respeito das coisas que houverem informalmente examinado ou avaliado.”
Após a apresentação dos quesitos e indicação dos assistentes técnicos, o Perito
dirige-se ao cartório da vara correspondente a faz dos autos (retira o processo).

 Indicação e Requisição dos Honorários Periciais

Aceitando a perícia, o Perito encaminhará a proposta de honorários periciais e


solicitará o depósito prévio, para início dos trabalhos.
A proposta deve ser fundamentada, indicando o número de horas para execução de
todas as tarefas planejadas para o trabalho, a fim de convencer as partes de sua pertinência
e evitar impugnações.
Pode ser incluído ainda serviço de terceiros, como profissionais de outras áreas que
atuarão no processo, oferecendo laudos e pareceres.
Esta apuração de horas é relativa e varia de acordo com a natureza da perícia –
havendo perícias simples e outras altamente complexas para os quais, para elucidar o
objeto litigioso, se necessita de um maior número de horas, que variam por tarefa de
acordo com a necessidade de investigação e pesquisa em cada tarefa.
O total de honorários é determinado pelas horas, estimadas e indicadas,
multiplicadas pelo valor atribuído à hora pericial.
O valor da hora de trabalho pericial é definido normalmente pelas associações de
peritos, que atualmente se encontram organizadas na maioria dos Estados da Federação.
Perícia Contábil

Segundo a “NBC P2 – Normas Profissionais do Perito”, o Perito – Contador e o


Perito – Contador Assistente devem estabelecer seus honorários mediante a avaliação dos
serviços, considerando os seguintes aspectos:

 Honorários

O Perito – Contador e o Perito – Contador Assistente devem estabelecer previamente


seus honorários, mediante avaliação dos serviços, considerando-se entre outros os
seguintes fatores:
a) A relevância, o vulto, o risco e a complexidade dos serviços a executar;
b) As horas estimadas para realização de cada fase do trabalho;
c) A qualificação do pessoal técnico que irá participar da execução dos serviços;
d) O prazo fixado, quando indicado ou escolhido, e o prazo médio habitual de
liquidação, se nomeado pelo Juiz.
e) A forma de reajuste e de parcelamento, se houver;
f) Os laudos inter-profissionais e outros inerentes aos trabalhos; e
g) No caso do Perito – Contador Assistente, o assistente, o resultado que, para o
contratante, advirá com o serviço prestado, se houver.

 Renúncia ao Trabalho Pericial

Reconhecendo estar impedido, quer por imposição legal, como suspeição, ou


pessoal ou profissional, quer falta de conhecimento específico da área, deve o Perito
encaminhar por escrito seu pedido de dispensa de encargo.
Deve ser ressalvado que o Perito tem o prazo de cinco dias para manifestar-se no
processo aceitando, com o encaminhamento da proposta de honorários, ou renunciando nos
termos do art. 146, parágrafo único do Código de Processo Civil.
A suspeição ou impedimento pode ser seguido por uma das partes ( parágrafo 1º do
art. 138 do Código de Processo Civil).

 Assistente Técnico ou Perito Contador Assistente

No prazo de cinco dias da intimação da nomeação do Perito, as partes indicarão os


assistentes técnicos – conforme estabelece o artigo 421, parágrafo 1º, inciso I, do Código
de Processo Civil.
Perícia Contábil

Art.421 – O Juiz nomeará o Perito, fixando imediatamente o prazo para entrega do


laudo.
Parágrafo 1º - incumbe às partes, dentro de cinco (5) dias, contados da intimação do
despacho de nomeação do Perito.
I – indicar o assistente técnico;
II – apresentar quesitos.
Parágrafo 2º - Quando a natureza de fato o permitir, a perícia poderá consistir apenas na
inquirição pelo Juiz do perito e dos assistentes, por ocasião da audiência de instrução e
julgamento a respeito das coisas que houverem informalmente examinado ou avaliado.
O assistente técnico não está sujeito à suspeição de que trata o artigo 423 do Código
de Processo Civil, uma vez que, sendo nomeado, é de confiança da parte que o indicou.
Em relação a habilitação, deve ter o assistente técnico ou Perito – Contador
assistente a mesma formação do Perito do Juiz, ou seja, deve ser bacharel em Ciências
Contábeis e estar regularmente registrado no Conselho Regional de Contabilidade.

 Relacionamento - Perito – Contador e Perito Contador Assistente

Recebidos e estudados os autos, pode o Perito – Contador notificar os Peritos –


Contadores Assistentes, colocando os autos à disposição dos mesmos, comunicando, ainda,
das diligências, reuniões e dos procedimentos, outros fatos e providências como a
documentação solicitada e examinada, etc.

 Habilidades que são Necessárias aos Peritos

O profissional na lide pericial necessita além das qualidades éticas, pessoais e


humanísticas, competência de exigência legal, reciclagem técnica, pesquisas, cursos
técnicos renovadores constantes, pois, deve saber muito da sua área e um pouco das outras.
Necessitam desenvolver outras habilidades colocadas em questões neste artigo, pois muitos
contadores só trabalham com a parte técnica e científica, esquecendo de outras partes como
a humanística, e por isso, chamo atenção das Instituições de Ensino, para valorização do
homem em um todo, começando pela valorização das habilidades relevantes que devem ser
trabalhadas. Sobre estas passaremos a expor as qualidades e habilidades citadas por
Fernando de Jesus, Nicolau Schwez e por esta autora.
Perícia Contábil

 Perito Assistente

O perito - contador assistente, assinar em conjunto com o perito - contador o laudo


pericial contábil elaborado por este último e, também, apresentar, em separado, parecer
pericial contábil, destacando e/ou desenvolvendo, de forma técnica, algum ponto relevante
do trabalho, desde que não haja contrariedade com o contido no laudo pericial contábil.
Perícia Contábil

CONCLUSÃO

A Perícia, cada vez mais essencial, como meio de provas para a solução de litígios na
Justiça.
O Judiciário recorre ao perito contábil quando o juiz necessita de um laudo profissional
especializado ou para atender ao pedido de uma das partes envolvidas no processo. Muitas perícias
na área da contabilidade são hoje requeridas principalmente na parte de levantamento de perdas e
danos, avaliação de haveres na dissolução ou saída de sociedade, revisão de encargos financeiros
contra bancos e outras questões como leasing e prestação de contas.
A Lei de Falências e Recuperação Judicial fortaleceu mais ainda no mercado a importância
da perícia contábil. Isso porque a nova norma determina que o pedido de recuperação judicial -
instrumento que substituiu a concordata e é considerada a principal novidade, sendo apreciado
depois que um especialista apresentar um parecer sobre a situação contábil da companhia.
Quando a perícia é solicitada é porque não se tem condições de resolver o que está sendo
pleiteado por uma das partes com as provas existentes.
O perito é indicado pelo juiz e goza da confiança do mesmo, devendo realizar o trabalho
com qualidade técnica, mostrando ao julgador a verdade dos fatos de forma cristalina, com o
objetivo maior de fazer justiça.
Perícia Contábil

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