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Manual do Professor

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Sumário
A proposta da obra
❚ A dimensão do tempo, 4
❚ A dimensão da escala, 5
❚ Organização dos conteúdos, 5
❚ O sentido do planejamento pedagógico, 7
❚ As atividades e a avaliação, 8
❚ A avaliação do aprendizado, 8
❚ Critérios cartográficos, 9
❚ Fontes estatísticas, 9
❚ Navegando na internet, 10

Parte 1 A dinâmica da natureza e as tecnologias


Unidade 1: A linguagem da Geografia, 12
Capítulo 1: A produção do espaço geográfico, 13
Capítulo 2: Interpretando os mapas, 13
O enfoque interdisciplinar, 13
Biblioteca do professor, 14
Indicações de leitura, 14

Unidade 2: A geografia da natureza, 15


Capítulo 3: Geomorfologia e recursos minerais, 15
Capítulo 4: As bases físicas do Brasil, 15
Capítulo 5: Dinâmica climática e ecossistemas, 16
Capítulo 6: Os domínios de natureza no Brasil, 16
Capítulo 7: A esfera das águas e os recursos hídricos, 17
O enfoque interdisciplinar, 17
Biblioteca do professor, 18
Indicações de leitura, 19

Unidade 3: Tecnologias e recursos naturais, 19


Capítulo 8: Os ciclos industriais, 19
Capítulo 9: Agropecuária e comércio global de alimentos, 20
Capítulo 10: Estratégias energéticas, 20
O enfoque interdisciplinar, 21
Biblioteca do professor, 21
Indicações de leitura, 22

Parte 2 O Brasil, território e nação


Unidade 4: O Brasil e a globalização, 23
Capítulo 11: Industrialização e integração nacional, 24
Capítulo 12: A matriz energética, 24
Capítulo 13: Os complexos agroindustriais, 25

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Capítulo 14: Urbanização e redes urbanas, 25
Capítulo 15: Comércio exterior e integração sul-americana, 26
O enfoque interdisciplinar, 26
Biblioteca do professor, 27
Indicações de leitura, 28

Unidade 5: Sociedade e espaço geográfico, 28


Capítulo 16: A estrutura regional brasileira, 28
Capítulo 17: Nordeste, nordestes, 29
Capítulo 18: A Amazônia e o planejamento regional, 29
Capítulo 19: Desigualdades sociais e pobreza, 30
Capítulo 20: A questão fundiária, 30
O enfoque interdisciplinar, 31
Biblioteca do professor, 31
Indicações de leitura, 32

Parte 3 Geografia e geopolítica da globalização


Unidade 6: O espaço da globalização, 33
Capítulo 21: Os fluxos da economia global, 34
Capítulo 22: Os Estados Unidos e o “Hemisfério Americano” , 34
Capítulo 23: União Européia e CEI, 35
Capítulo 24: A Bacia do Pacífico, 35
O enfoque interdisciplinar, 35
Biblioteca do professor, 36
Indicações de leitura, 37

Unidade 7: A fronteira Norte/Sul, 37


Capítulo 25: Periferias da globalização, 37
Capítulo 26: A transição demográfica, 38
Capítulo 27: Urbanização e meio ambiente, 39
O enfoque interdisciplinar, 39
Biblioteca do professor, 39
Indicações de leitura, 40

Unidade 8: Geopolíticas da globalização, 41


Capítulo 28: Da Guerra Fria à “nova ordem mundial”, 41
Capítulo 29: O mundo muçulmano e o Oriente Médio, 42
Capítulo 30: Estado e nação na África, 42
O enfoque interdisciplinar, 43
Biblioteca do professor, 43
Indicações de leitura, 44

Respostas
Exercícios propostos, 45
Vestibulares/Enem, 92

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A proposta da obra
O espaço geográfico é constituído por uma trama Os processos físicos e bioquímicos que ocorrem na
de objetos técnicos e informacionais construídos pela biosfera e modificam a superfície terrestre são ritmados
sociedade, pelos fluxos de matéria e informação que ne- pelo “tempo da natureza”, que se apresenta eventual-
les se apóiam e os transformam e pelo substrato físico e mente de modo “cataclísmico”, mas é fundado em di-
bioquímico da superfície terrestre. Ele pode ser compa- nâmicas de longa duração. O “tempo geológico” – na
rado a um texto, escrito em parte pelos seres humanos e expressão inspirada de Stephen Jay Gould, “tempo pro-
em parte pelos processos naturais. fundo” – é sua expressão extrema.
O ensino de Geografia destina-se a formar cidadãos A atividade social de construção do espaço geográ-
capacitados a “ler” esse “texto”, ou seja, a decifrar a fico, por sua vez, é ritmada pelo “tempo da história”,
trama do espaço geográfico, identificando suas estrutu- que se revela nas mudanças das formas de organização
ras básicas e as relações principais que se estabelecem da sociedade, nos conjuntos de tecnologias empregados
entre elas. Essa função é essencial na democracia da cha- na produção e no consumo e das concepções e idéias
mada “era da informação”. A “leitura” do espaço geo- sobre o mundo.
gráfico constitui, ao lado de competências desenvolvi- Milton Santos sugeriu interpretar o espaço geográ-
das em outras disciplinas, um instrumento crucial para a fico como “acumulação desigual de tempos”. Vale a
interpretação da torrente aparentemente caótica de in- pena seguir seu raciocínio, no contexto de uma discus-
formações que atinge os cidadãos. são sobre as técnicas:

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


As Diretrizes e os Parâmetros Curriculares Nacionais
para o Ensino Médio (DCNs e PCNs) ecoaram a crítica “Será possível falar da idade de um lugar segundo
de educadores contra o ensino enciclopédico e formalista [...] um critério propriamente ‘geográfico’? Os
reproduzido pela força da inércia e muitas vezes legiti- geomorfólogos o fazem. A observação da incidência
mado pelos exames vestibulares tradicionais. local dos processos naturais lhes permite datar áreas
inteiras, segundo a disposição das camadas que re-
“[...] a formação básica a ser buscada no ensino mé- velam as fases da história natural. [...] Diante das pai-
dio se realizará mais pela constituição de competên- sagens elaboradas pelo homem, será possível encon-
cias, habilidades e disposições de condutas do que trar um método de observação que produza idêntico
pela quantidade de informação. Aprender a aprender resultado? Pode a técnica exercer, em relação à geo-
e a pensar, a relacionar o conhecimento com dados grafia, um papel semelhante ao dos cortes geológi-
da experiência cotidiana, a dar significado ao apren- cos e geomorfológicos?
dido e a captar o significado do mundo, a fazer a
ponte entre teoria e prática, a fundamentar a crítica, A materialidade artificial pode ser datada, exatamen-
a argumentar com base em fatos, a lidar com o senti- te, por intermédio das técnicas: técnicas da produção,
mento que a linguagem desperta.” do transporte, da comunicação, do dinheiro, do con-
trole, da política e, também, técnicas da sociabilidade
MEC/Secretaria de Educação Média e Tecnológica.
e da subjetividade. As técnicas são um fenômeno his-
Diretrizes curriculares nacionais para o ensino
médio: um currículo voltado para as competências tórico. Por isso, é possível identificar o momento de
básicas. Brasília: MEC, 1999. p. 35. sua origem. Essa datação é tanto possível à escala de
um lugar, quanto à escala do mundo. Ela é também
possível à escala de um país, ao considerarmos o ter-
“Aprender a aprender e a pensar”: não se trata de
ritório nacional como um conjunto de lugares.”
oferecer um cardápio mais ou menos vasto de informa-
ções, mas de desenvolver a autonomia dos estudantes, SANTOS, Milton. A natureza do espaço.
São Paulo: Hucitec, 1996. p. 46.
capacitando-os a atuar como sujeitos na “era da infor-
mação”. A tradução dessa meta geral no ensino de Geo-
grafia solicita a construção do conceito de espaço geo- O reconhecimento da dimensão temporal do espa-
gráfico em suas dimensões de tempo e de escala. ço geográfico deve ser uma das metas gerais do ensino
de Geografia. Isso não significa, contudo, importar a
abordagem da História, que reconstitui cronologicamen-
te os processos sociais, narrando uma trama singular de
A dimensão do tempo eventos a partir de fontes documentais. A Geografia não
A Geografia situa-se no campo das Ciências Huma- é uma “história das técnicas”, pois seu método não é o
nas. O espaço geográfico é produto da atividade social método da História.
sobre um substrato natural, que é a superfície terrestre. Na abordagem geográfica, o ponto de partida e
Seu estudo exige o reconhecimento das distintas dinâ- de chegada é o espaço geográfico do presente, em suas
micas que o permeiam: o “tempo da natureza” e o diferentes escalas. O enfoque processual destina-se a
“tempo da história”. identificar e caracterizar seus elementos singulares,

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propiciando o reconhecimento das relações que man- tico. Este, que possibilita a operação, através da qual a
têm entre si. Essa “datação” revela a existência conco- escala dá visibilidade ao espaço mediante sua repre-
mitante do “novo” e do “velho” numa totalidade que sentação, muitas vezes se impõe, substituindo o pró-
é mundial e se expressa desigualmente nos territórios prio fenômeno. É verdade que para os geógrafos as
nacionais, nas regiões e nos lugares. perspectivas da grande e da pequena escala ainda se
fazem por analogia àquela dos mapas, fruto da confu-
são entre os raciocínios espacial e matemático [...].”
A dimensão da escala CASTRO, Iná Elias de. “O problema da escala”. In: CASTRO,
Iná Elias de; GOMES, Paulo César da Costa e CORRÊA,
Na cartografia, o conceito de escala tem um sentido Roberto Lobato (Orgs.). Geografia: conceitos e temas.
estritamente matemático. Mas a opção pelo uso de uma Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 120-121.
determinada escala requer uma compreensão abrangente
do espaço geográfico e das técnicas de representação.
A discussão teórica sobre o problema da escala geo-
Os mapas em pequena escala ocultam uma infini- gráfica, entendida como conceito não redutível à escala
dade de fenômenos, mas explicitam relações entre as cartográfica, está longe de uma conclusão. Contudo, é
grandes estruturas espaciais. Os mapas em grande esca- cada vez mais claro que o uso de diferentes escalas geo-
la não podem captar essas relações, mas representam as gráficas proporciona a apreensão de características di-
estruturas de dimensões menores. A opção de escala re- versas dos fenômenos e processos espaciais.
percute sobre o significado da representação. Ou, na sín-
O fenômeno da urbanização, por exemplo, revela-se
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tese de Yves Lacoste:


nos seus diferentes aspectos quando abordado na escala
“[...] um fenômeno só pode ser representado numa
do mundo, do território nacional, da região ou do lugar. A
determinada escala; em outras escalas ele não é
escala do mundo evidencia funções da cidade relacionadas
representável ou seu significado é modificado.”
à divisão internacional do trabalho e aos grandes fluxos da
LACOSTE, Yves. A Geografia: isso serve, em primeiro lugar, economia global. A escala do território nacional ilumina
para fazer a guerra. Campinas: Papirus, 1988. p. 74. suas funções na divisão regional do trabalho e na rede ur-
bana do país. A escala da região possibilita a investigação
Geografia não é igual a cartografia, embora esta úl- da sua capacidade de polarização. A escala do lugar des-
tima seja uma técnica crucial para a apreensão e inter- venda os nexos da estrutura do espaço intra-urbano e as
pretação do espaço geográfico. O problema da escala, percepções sociais ligadas à vivência urbana.
em Geografia, não se esgota no uso correto da escala As diferentes escalas geográficas não se confundem,
cartográfica. O tema, de óbvia relevância para o ensino, mas se inter-relacionam. A estrutura intra-urbana de São
foi proposto da seguinte forma por Iná Elias de Castro: Paulo, para retomar o exemplo anterior, é fortemente in-
“A análise geográfica dos fenômenos requer objetivar fluenciada pelas funções de metrópole global que a cida-
os espaços na escala em que eles são percebidos. Este de desempenha na atualidade. O lugar, mais do que em
pode ser um enunciado ou um ponto de partida para qualquer época anterior, é um lugar-no-mundo.
considerar, de modo explícito ou subsumido, que o fe- O reconhecimento das diferentes escalas geográfi-
nômeno observado, articulado a uma determinada es- cas não se reduz à capacidade de operar com a escala
cala, ganha um sentido particular. Esta consideração cartográfica, mesmo que, obviamente, essas competên-
poderia ser absolutamente banal se a prática geográfi- cias estejam relacionadas. Uma meta crucial do ensino
ca não tratasse a escala a partir de um raciocínio da Geografia consiste em proporcionar aos alunos os ins-
analógico com a cartografia, cuja representação de um trumentos conceituais para a distinção entre as escalas
real reduzido se faz a partir de um raciocínio matemá- do mundo, do território nacional, da região e do lugar.

Organização dos conteúdos


Algumas interpretações superficiais das DCNs e dos O equívoco embutido nessa crença é o de contrapor
PCNs difundiram-se largamente, configurando caricatu- as competências aos conteúdos. Os próprios documentos
ras que funcionam como obstáculos para a reforma do oficiais encarregam-se de definir conteúdo curricular como
ensino. Uma dessas interpretações consiste na crença o conjunto de discursos que entram em jogo no processo
segundo a qual o ensino deve buscar o desenvolvimento de ensino-aprendizagem, que abrange tanto os conteúdos
de competências e habilidades, ao invés de conteúdos programáticos (planos e programas de estudos) quanto as
curriculares. competências e habilidades construídas. Segundo os PCNs:

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“[...] as competências não eliminam os conteúdos, pois Geografia e, portanto, das competências necessárias para
que não é possível desenvolvê-las no vazio. Elas apenas “ler o texto” constituído pelo espaço geográfico. Isso signi-
norteiam a seleção dos conteúdos, para que o professor fica que a obra não contém “toda a Geografia”, qualquer
tenha presente que o que importa na educação básica que possa ser o sentido dessa expressão, mas se pauta pela
não é a quantidade de informações, mas a capacidade abordagem aprofundada dos conteúdos selecionados, dis-
de lidar com elas, através de processos que impliquem tinguindo-se radicalmente dos “almanaques geográficos”
sua apropriação e comunicação e, principalmente, sua tão em voga no universo do ensino.
produção ou reconstrução, a fim de que sejam transpos- Nela, a opção metodológica ganha consistência pela
tas a situações novas. Somente quando se dá essa apro- articulação entre a exposição e as atividades propostas.
priação e transposição de conhecimentos para novas As atividades dividem-se em quatro seções distintas, que
situações é que se pode dizer que houve aprendizado.” contemplam, em cada capítulo, níveis diferentes de apre-
MEC/Secretaria de Educação Média e Tecnológica. ensão dos conteúdos e abrangem a interpretação de
Parâmetros curriculares nacionais – ensino médio: ciências mapas e de textos. Além delas, uma seção que conclui
humanas e suas tecnologias. Brasília: MEC, 1999. p. 26. cada Unidade, contém sugestões de projetos de traba-
lhos interdisciplinares. Finalmente, a obra contém bate-
Uma qualidade dessa definição é a de esclarecer rias de exercícios selecionados que apareceram em exa-
que há uma relação permanente entre conteúdos pro- mes vestibulares recentes, em todo o país.
gramáticos, de um lado, e competências e habilidades, A estrutura da obra condensa uma proposta de or-
de outro. Se não funcionam como fontes para o desen- ganização dos conteúdos nas três séries do Ensino Mé-

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volvimento das competências e habilidades desejadas, dio. A Parte I – A dinâmica da natureza e as tecnologias,
os conteúdos programáticos não merecem esse nome – composta por três unidades e dez capítulos, compreen-
são apenas fragmentos de informações enciclopédicas de as noções básicas da Geografia. A Parte II – O Brasil,
destituídas de relevância. Ao mesmo tempo, as compe- território e nação situa o olhar na escala do território
tências e habilidades não se produzem no vácuo inte- nacional. A Parte III – Geografia e geopolítica da
lectual, mas emergem da reflexão organizada sobre um globalização está pautada na escala do mundo.
corpo de conhecimentos relevantes que são exatamen- A Parte I destina-se a construir os fundamentos do
te os conteúdos programáticos. Eles são os veículos – conceito de espaço geográfico. Sua unidade inicial (A lin-
isto é: os meios – para alcançar as metas do curso de guagem da Geografia), que atua como introdução de
Geografia. Meios e fins mantêm relações estreitas. A toda a obra, discute o espaço geográfico como fruto da
seleção adequada dos meios é indispensável para que humanização da superfície da Terra e aborda a cartogra-
se alcancem as finalidades planejadas. fia como técnica e expressão de concepções culturais so-
Abordando o ensino de Geografia, os PCNs bre o mundo. As unidades seguintes (A geografia da na-
direcionaram a crítica a duas tradições – uma mais anti- tureza e Tecnologia e recursos naturais) abordam,
ga, outra mais recente – que se manifestam nos livros respectivamente, as dinâmicas naturais e as relações en-
didáticos. tre as tecnologias e a produção do espaço geográfico.
Essas duas unidades têm a finalidade de elaborar os con-
“Em primeiro lugar, é necessário abandonar a visão ceitos de “tempo da natureza” e “tempo da socieda-
apoiada simplesmente na descrição e memorização da de”, e investigar o caráter processual de produção das
‘Terra e o Homem’, com informações sobrepostas do paisagens e do espaço geográfico.
relevo, clima, população e agricultura, por exemplo. Por
A Parte II situa-se na perspectiva da escala do territó-
outro lado, é preciso superar um modelo doutrinário de
rio nacional. Isso não significa que as demais escalas geo-
‘denúncia’, na perspectiva de uma sociedade pronta, em
gráficas estejam ausentes, mas que elas aparecem como
que todos os problemas já estivessem resolvidos.”
instrumentos auxiliares na apreensão da construção do es-
MEC/Secretaria de Educação Média e Tecnológica. paço geográfico brasileiro. A primeira unidade (O Brasil e a
Parâmetros curriculares nacionais – ensino médio: ciências globalização) está consagrada à dialética entre a escala do
humanas e suas tecnologias. Brasília: MEC, 1999. p. 59.
território nacional e a do mundo. A segunda unidade (Soci-
edade e espaço geográfico), à dialética entre a escala do
A tradição mais antiga enxerga os conteúdos território nacional e as escalas da região e do lugar.
programáticos como listas de temas ou assuntos que, por É importante sublinhar que essa parte da obra tem
motivos arbitrários, deveriam ser conhecidas pelos estu- como foco o território nacional, mas não é um “livro de
dantes. A mais recente recorta caprichosamente os con- Geografia do Brasil” anexado a uma coleção, pois alguns
teúdos programáticos em função do “modelo doutriná- conteúdos tradicionalmente estudados em Geografia do
rio” eleito como verdadeiro. Brasil aparecem na parte inicial da obra, assim como na
Nesta obra, os conteúdos programáticos são encara- parte final. A explicação encontra-se na opção metodo-
dos como veículos na construção dos conceitos básicos da lógica: nesta obra, os conteúdos não possuem um valor

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intrínseco, mas são plataformas sobre as quais erguem- globalização econômica. A unidade seguinte (A fronteira
se os blocos de conceitos. Norte/Sul) discute a persistência de uma “fronteira Nor-
A Parte III situa-se na perspectiva da escala do mun- te-Sul” marcada por profundas desigualdades socioeco-
do. Mais uma vez, isso não significa que as outras esca- nômicas entre os países desenvolvidos e subdesenvolvi-
las geográficas estejam ausentes. As escalas dos territó- dos. A unidade final (Geopolíticas da globalização) muda
rios nacionais, das regiões e dos lugares são usadas em o registro de análise, abordando o espaço mundial sob o
momentos distintos, como instrumentos destinados a ponto de vista geopolítico e estratégico.
evidenciar as diferentes dimensões do espaço mundial Na seqüência deste manual, discute-se com maior
da chamada “era da globalização”. profundidade a organização dos conteúdos de cada uma
Na unidade inicial (O espaço da globalização), abor- das partes, unidades e capítulos, além das estratégias
da-se a reorganização do espaço mundial associada à pedagógicas sugeridas pelos autores.

O sentido do planejamento pedagógico


O ensino conteudista e enciclopédico e seu corolário As seções deste manual consagradas às partes, uni-
extremo, representado pelos materiais apostilados que dades e capítulos são subsídios para o planejamento. Elas
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proliferaram à sombra dos exames vestibulares tradicio- explicitam um ponto de vista dos autores, mas não de-
nais, repercutiu devastadoramente sobre o planejamen- vem ser interpretadas como uma camisa-de-força impos-
to pedagógico. Os “cursos prontos”, em receituários ta ao professor. Na atividade de planejamento, o profes-
produzidos aula-a-aula, privaram escolas e professores sor tem a oportunidade de criar seu próprio curso,
de uma autonomia pedagógica básica. Esses modelos, inclusive por meio de ordenamentos alternativos do con-
abstraindo a singularidade das escolas, impuseram pa- teúdo programático. Sobretudo, porém, o professor tem
drões rígidos que, além de tudo, referenciam-se unica- a oportunidade de colocar ênfases especiais a determi-
mente aos conteúdos programáticos, e não estão nados conteúdos e/ou atividades, que decorrem da sua
focados na construção de competências. própria estratégia de desenvolvimento dos conceitos e
Nessa moldura, a atividade de planejamento do cur- competências.
so perde seu valor pedagógico, limitando-se a uma or- Neste manual, na conclusão da exposição dos con-
denação de assuntos em função do calendário escolar. teúdos de cada Unidade, há uma seção intitulada O
Muitas vezes, tudo se resume à reprodução do sumário enfoque interdisciplinar. Trata-se de sugestões de pes-
do material didático ou à sua adaptação direta à carga quisa e trabalho em equipes que requerem a participa-
horária disponível. ção de professores de outras disciplinas. A seção não foi
O ensino renovado define os conteúdos programáti- incluída no corpo da obra a fim de não prejudicar a flexi-
cos como etapas de construção de conceitos e competên- bilidade do planejamento escolar. Além dela, aparece a
cias. Sob essa perspectiva, cada um dos temas é o suporte seção Biblioteca do professor, que contém um texto e
para a elaboração do edifício conceitual da disciplina. A ati- indicações de leitura. Essa seção não se destina obvia-
vidade de planejamento, destinada a explicitar a trama de mente a ser utlilizada com os alunos, mas à reflexão teó-
conceitos associados aos temas e assuntos, ganha, assim, rica e metodológica do professor.
sua verdadeira dimensão pedagógica. O planejamento é, O livro didático consiste em uma seleção, entre ou-
ainda, o momento no qual traçam-se as estratégias desti- tras possíveis, dos conhecimentos geográficos adequados
nadas ao desenvolvimento das competências gerais e es- para o processo de ensino-aprendizagem. Essa seleção é
pecíficas trabalhadas em cada série e disciplina. genérica – cabe ao professor adaptá-la às condições sin-
No planejamento, o professor evidencia para si mes- gulares da escola e do público com o qual trabalha, bem
mo o sentido de seu trabalho didático. Ele não tratará da como à sua própria forma de entender o ensino de Geo-
geomorfologia para fixar na mente dos estudantes a su- grafia. A escolha de materiais de apoio didático – livros,
cessão de eras e períodos da coluna geológica, mas para publicações periódicas, jornais, vídeos, etc. – é uma das
elaborar o conceito de “tempo profundo”. Não tratará estratégias para realizar essa adaptação. Outras estraté-
da geografia da indústria para promover a memorização gias são o planejamento de avaliações e atividades, os pro-
das regiões industriais européias e norte-americanas, mas jetos de pesquisa, o estudo do meio. Por essas vias, o pro-
para elaborar o conceito de localização industrial. O pla- fessor apropria-se do curso, define suas ênfases, ritmo e
nejamento do curso permitirá visualizar a trama de con- pontuação. Assim, ele subordina o livro didático às neces-
ceitos na sua totalidade e, portanto, as relações que se sidades de uma escola e um público específicos, exercen-
estabelecem entre eles. do plenamente sua função criadora.

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As atividades e a avaliação
As propostas originais de atividades da obra foram • Dialogando com o texto. Seção associada à leitura
dispostas em seções distintas, pois desempenham papéis dos textos complementares. Esses textos, de dife-
também distintos no processo de ensino e aprendizagem. rentes autores, evidenciam o debate social que cer-
No final de cada capítulo, aparecem quatro seções de ca algum problema abordado no capítulo. As ques-
atividades: tões que acompanham esses textos funcionam
como uma “ficha de leitura”, ou seja, como um re-
• Revendo o capítulo. Seção destinada à retomada sumo das idéias centrais e, em certos casos, como
dos principais conceitos trabalhados no capítulo. Sua uma expansão da problemática neles contida.
função é promover uma leitura competente do tex-
Além das quatro seções básicas, a obra oferece
to teórico, isto é, levar o aluno a desenvolver a ple-
projetos de trabalho e baterias de exercícios dos exa-
na compreensão da estrutura da narrativa, com a
mes vestibulares.
identificação das idéias centrais e dos nexos
explicativos internos do texto. Idealmente, esses A seção Projeto de Trabalho, que aparece ao final
exercícios deveriam ser indicados como tarefa de de cada unidade, oferece propostas de projetos
casa e discutidos na aula seguinte. interdisciplinares, sempre associadas aos conteúdos e
competências desenvolvidos nos capítulos precedentes.
• O capítulo no contexto. Seção voltada à aplicação São sugestões a serem apresentadas aos professores de
dos conceitos principais do capítulo em contextos

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outras disciplinas e, eventualmente, incorporadas ao pla-
distintos. O uso freqüente de recursos como peque- nejamento geral da escola.
nos textos, gráficos e tabelas é uma característica
As propostas estão voltadas para o trabalho em
da seção. Esses exercícios, que apresentam grau de
equipe, sob orientação constante dos professores. Todas
complexidade maior, têm a finalidade de funcionar
prevêem que a pesquisa conduza a um produto final. Na
como parâmetro do aprendizado.
forma como foram elaboradas, solicitam várias semanas
• Trabalhando com mapas. Como o título indica, tra- de trabalho e podem ser propostas em bases bimestrais,
ta-se de uma seção voltada para a interpretação de trimestrais ou semestrais.
representações cartográficas de um ou mais fenô- A seção Questões de vestibulares/Enem abrange
menos discutidos no capítulo. Sua finalidade é pro- baterias de testes de múltipla escolha e exercícios
piciar ao professor um instrumento para a continui- discursivos extraídos de exames vestibulares de todo o
dade da “alfabetização cartográfica”, ao longo de país, de programas de avaliação seriada e do Enem. Os
todo o curso. As questões que acompanham os ma- autores selecionaram essas questões utilizando critérios
pas podem versar sobre técnicas de representação de qualidade, representatividade e diversidade geográfi-
ou sobre a natureza dos próprios fenômenos. Suge- ca. Algumas questões foram selecionadas com base na
re-se que as questões sejam propostas para resolu- sua qualidade intrínseca, outras porque evidenciam cer-
ção em pequenos grupos, mediante discussão pré- tas abordagens tradicionais ou determinados problemas
via dos alunos. valorizados pelos exames vestibulares

A avaliação do aprendizado
“Somente quando se dá [...] apropriação e trans- A competência para estabelecer relações entre fe-
posição de conhecimentos para novas situações é que nômenos, com a mediação de conceitos, é um indicador
se pode dizer que houve aprendizado.” Os PCNs apon- decisivo de que houve aprendizado. No caso da Geogra-
tam o rumo: avaliação não é cobrança de uma série fia, essa competência abrange a capacidade de identifi-
maior ou menor de informações específicas, mas aferi- car fenômenos espaciais, nas suas diferentes escalas, e
ção da construção de conceitos e competências rele- de estabelecer relações pertinentes com outros fenôme-
vantes. Isso significa que a simples memorização não nos espaciais.
indica aprendizado. A “transposição do conhecimento para novas situa-
O ponto de partida do aprendizado, em Geografia ções” abrange a capacidade de aplicar no cotidiano os
como nas demais disciplinas, é a competência de leitura conceitos básicos da Geografia. Os fenômenos estuda-
e interpretação. O sucesso na apreensão do sentido e dos em sala de aula manifestam-se, sob formas específi-
dos significados de textos, mapas, gráficos e tabelas de- cas, no “lugar-mundo” do aluno, quer por meio da ex-
veria ser objeto de aferição contínua. periência vivida quer por meio da torrente de informações

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oferecidas pela mídia. A avaliação do aprendizado deve aprendizado. Essa observação vale particularmente para
esforçar-se para aferir essa capacidade, explorando as as seções O capítulo no contexto, Trabalhando com
potencialidades de estudos do meio e fazendo uso do mapas e Dialogando com o texto. Além disso, particu-
noticiário cotidiano dos meios de comunicação. larmente no caso da 3a série, a seção Questões de ves-
Uma meta fundamental do ensino é a construção tibulares/Enem oferece subsídios para a elaboração de
do espírito científico. A capacidade de operar com o mé- provas ou simulados.
todo científico – identificando fenômenos relevantes, A avaliação contínua é, atualmente, um consenso
observando-os e descrevendo-os, formulando hipóteses entre os educadores. Mas esse processo permanente de
sobre sua origem e dinâmica, testando essas hipóteses e aferição da aprendizagem não deveria implicar a supres-
elaborando explicações – é desenvolvida desde o início são das provas formais. O momento da prova tem valor
da vida escolar e ganha sofisticação crescente. A avalia- pedagógico comprovado e elas oferecem ao professor um
ção do aprendizado deve conferir maior valor ao proces- termômetro acurado da própria eficiência das estratégias
so de construção do espírito científico que à adequação de ensino utilizadas. As provas periódicas deveriam estar
ou ao rigor das conclusões obtidas. pautadas pela aferição de metas de aprendizagem nítidas,
As atividades propostas na obra foram elaboradas definidas desde o momento do planejamento em termos
com vistas a contribuir para a avaliação contínua do de conteúdos, conceitos e competências.

Fontes estatísticas
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Nesta obra, utilizam-se estatísticas oriundas das Critérios cartográficos


mais diversas fontes: governos nacionais, instituições e
agências multilaterais, organizações não-governamen-
tais. Todas as fontes estão citadas. Nesta obra, foram adotados os seguintes critérios, em
relação à orientação, projeção e notação da escala dos
Na medida do possível, a obra utiliza estatísticas pa-
mapas.
dronizadas, de modo a facilitar a comparação entre infor-
mações apresentadas em diferentes seções ou capítulos. Orientação
Assim, por exemplo, privilegia-se o uso do PIB mensurado A agulha da bússola aponta para o norte magnético da
pelo método da paridade do poder de compra, embora Terra (Ilha Ellef Ringnes, Canadá), mas, para simplificar
em casos isolados, por razões específicas, utilize-se outras sua leitura, os mapas já estão orientados para o norte
formas de medir a riqueza nacional. Sempre que relevan- geográfico.
te, há explicação do significado do método de mensuração
Projeção
ou da unidade de medida utilizados.
Adota-se uma projeção cartográfica de acordo com os
A periodicidade dos censos e pesquisas nacionais varia objetivos do mapa, tendo em vista a extensão, a configu-
de país a país. Algumas séries estatísticas publicadas por ração e a posição da área de interesse no globo. A con-
instituições e agências multilaterais ou organizações não- veniência de uma ou outra projeção está relacionada às
governamentais apresentam descontinuidades no tempo. suas propriedades básicas – conformidade (ângulos ver-
Além disso, há importantes pesquisas que foram realizadas dadeiros), equivalência (áreas verdadeiras) e eqüidistân-
cia (distâncias verdadeiras) – na tentativa de reduzir ao
uma única vez e perderam parte de seu rigor quantitativo, mínimo as deformações. Nesta obra, a maioria dos pla-
mas ainda conservam forte poder explicativo. nisférios estão na Projeção de Miller, que representa os
Como regra, procurou-se utilizar a estatística mais pólos como uma linha e não deforma exageradamente
atualizada disponível. Contudo, em alguns casos, as séries nem áreas nem formas.
disponíveis encontram-se defasadas no tempo. Um caso Escala
notório, por exemplo, é o do Censo Agropecuário brasi-
Para facilidade, empregou-se neste livro a escala gráfica.
leiro, realizado pela última vez em meados da década de Ela permite medir as distâncias diretamente sobre o mapa
1990. O critério adotado nesses casos foi o do poder e pode ser usada mesmo em reduções ou ampliações.
explicativo das séries existentes, à luz das finalidades do
livro didático. As informações didáticas foram utilizadas.

9
01_Iniciais Geo constr mundo.10 9 7/14/05, 10:58 PM
Navegando na internet

A internet oferece uma verdadeira “biblioteca da Babilônia” pós-moderna, imensa
e diversificada. Existem milhares de sites dedicados a temas relevantes para o ensino de
Geografia. A relação seguinte limita-se a sites em português, de boa qualidade, renova-
dos de modo sistemático ao longo do tempo, que são mantidos por instituições públicas,
organizações não-governamentais ou empresas privadas.

Agência Carta Maior Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)


<agenciacartamaior.uol.com.br> <www.cvrd.com.br>
Portal da Agência de Notícias Carta Maior, que desta- Site da antiga estatal, gigante da mineração e da
ca os grandes temas da agenda ambiental e social brasileira. logística. Além de páginas de interesse empresarial, o site
oferece uma história da CVRD e uma página dedicada a

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assuntos relativos à mineração.
Ciência Hoje
<www2.uol.com.br/cienciahoje>
Deutsche Welle
Site da tradicional revista de divulgação científica.
Oferece artigos sobre tecnologia, saúde e ambiente re- <www.dw-world.de>
levantes para os conteúdos de Geografia. O portal brasileiro da agência de notícias alemã traz
diversos dossiês temáticos de grande interesse. Ele é uma
excelente fonte de pesquisa para temas como a agenda
Climatempo ambiental global, as relações do Brasil com a Alemanha
<www4.climatempo.com.br> e com a União Européia e os grandes destaques da polí-
tica internacional.
Site de previsão do tempo e análise climática. Exibe
imagens orbitais cedidas pela Administração Nacional
Oceânica e Atmosférica (Noaa), dos Estados Unidos, além Europa
de imagens orbitais do Brasil e dos diferentes continentes. <www.europa.eu.int>
Site da União Européia, com versão em português.
Clube Mundo Oferece informações históricas, econômicas e sociais,
além de estatísticas sobre o bloco europeu.
<www.clubemundo.com.br>
Site mantido pelo jornal Mundo – Geografia e Polí-
tica Internacional. Oferece textos de análise sobre a con- Greenpeace Brasil
juntura política e econômica. Disponibiliza as edições <www.greenpeace.org.br>
completas do jornal, dos anos anteriores, com um siste-
ma de busca que permite a consulta a mais de uma dé- Site da seção brasileira da organização ambientalis-
cada de textos de análise. ta global. Além da divulgação de campanhas, tem uma
seção de textos sobre temas relativos às políticas ambien-
tais e energéticas.
Com ciência
<www.comciencia.br>
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Revista eletrônica de jornalismo científico, produzi-
<www.ibge.gov.br>
da pela SBPC e pelo Labjor-Unicamp. Oferece dossiês
temáticos que contemplam diversos conteúdos associa- O site do IBGE oferece parcela significativa das in-
dos ao ensino de Geografia. formações estatísticas obtidas nos censos e pesquisas do

10
01_Iniciais Geo constr mundo.10 10 14.07.05, 16:25
órgão. É um instrumento eficiente para pesquisas de alu- National Geographic
nos, especialmente em temas ligados à demografia e à
<www.nationalgeographic.abril.com.br>
economia brasileiras.
Site da National Geographic, revista publicada em
diversos países e idiomas pela National Geographic
Instituto Nacional de Meteorologia Society. Trata de temas de geografia, história, arqueolo-
gia, paleontologia, cartografia e explorações.
<www.inmet.gov.br>
Site de previsão do tempo e do clima, mantido pelo
Inmet, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abaste- Organização das Nações Unidas
cimento. Oferece imagens do satélite Goes de abrangên-
<www.onu-brasil.org.br>
cia global e da América do Sul, nas faixas visível, infra-
vermelho e vapor d’água. Portal em português da ONU, que reúne informa-
ções sobre a atuação de suas agências no Brasil e apre-
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senta reportagens interessantes sobre os eventos temá-


Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ticos patrocinados pela organização.

<www.inpe.br>
Petrobras
Site mantido pelo Inpe, do Ministério da Ciência e
Tecnologia. Oferece dados climáticos e ambientais gerados <www.petrobras.com.br>
a partir de imagens orbitais da Terra do projeto Landsat.
O site da estatal de petróleo contém diversas infor-
mações úteis. A página Sala de Aula está dedicada às
escolas e representa um instrumento extremamente útil
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
para o ensino das diversas etapas da exploração, produ-
<www.ipea.gov.br> ção, refino e distribuição do petróleo.
O site do órgão de pesquisa vinculado ao Minis-
tério do Planejamento oferece dois recursos relevan- Rios Vivos
tes para os professores de Geografia. Um deles é a
página do IPEADATA, uma base de dados estatísticos <www.riosvivos.org.br>
sobre economia mais abrangente que a do IBGE. O Trata-se de um interessante portal dedicado às
outro são os textos para discussão, que podem ser questões ambientais, em especial àquelas referentes aos
acessados em versão eletrônica e abordam inúmeros recursos hídricos. O portal é mantido por uma coalizão
temas socioeconômicos. de Organizações Não-Governamentais.

11
01_Iniciais Geo constr mundo.10 11 14.07.05, 16:25
Parte 1
A dinâmica da natureza
e as tecnologias
O objetivo da Parte I desta obra é construir o con-

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ceito de espaço geográfico em suas múltiplas dimen- UNIDADE 1
sões. Sua estrutura está baseada no referencial teórico
elaborado pelo geógrafo Milton Santos, para quem a
história humana se expressa como uma sucessão de
meios geográficos.
A linguagem da geografia
O meio natural é pautado pelas dinâmicas da na-
tureza. Sua expressão sensível são as paisagens natu- “A ordem global busca impor, a todos os lugares, uma
rais. Através delas, é possível observar a diversidade única racionalidade. E os lugares respondem ao Mundo
de situações gerada pelos processos físicos e bioquí- segundo os diversos modos de sua própria racionalidade
micos e a interdependência entre os elementos natu- [...]. A ordem global funda as escalas superiores ou ex-
rais. Para decifrar as dinâmicas da natureza, é indis- ternas à escala do cotidiano. Seus parâmetros são a
pensável conceituar o tempo geológico. Esse “tempo razão técnica e operacional, o cálculo da função, a lin-
profundo” distingue-se radicalmente do tempo histó- guagem matemática. A ordem local funda a escala do
rico, ao qual está habituada a sensibilidade humana. cotidiano, e seus parâmetros são a co-presença, a vizi-
A distinção não é apenas quantitativa, mas qualitati- nhança, a intimidade, a emoção, a cooperação e a soci-
va: a escala de milhões de anos não faz parte da nossa alização com base na contiguidade [...]. Cada lugar é, ao
experiência. Assim, um aspecto fundamental desta mesmo tempo, objeto de uma razão global e de uma
Unidade é estabelecer relações significativas entre as razão local, convivendo dialeticamente.”
paisagens naturais e os processos de longa duração SANTOS, Milton. A natureza do espaço.
São Paulo: Hucitec, 1996. p. 272-273.
que as produziram.
É um erro teórico e filosófico contrapor o “ho-
Conforme afirmamos na apresentação da proposta
mem” à “natureza”. O ser humano é parte do mundo
desta obra, as competências e habilidades a serem de-
natural e compartilha a biosfera com os demais orga-
senvolvidas pelo ensino de Geografia podem ser sinteti-
nismos. O que singulariza a humanidade é seu poder
zadas como a capacidade de “ler” o espaço geográfico,
de transformação extensiva e intensiva do ambiente,
ou seja, a trama formada pelos objetos naturais e técni-
através da elaboração de projetos e da criação de tec-
cos e pelas múltiplas relações entre eles. Esta primeira
nologias capazes de executá-los. O ser humano que
Unidade apresenta os elementos básicos para o desen-
atua sobre o substrato natural e o transforma em meio
volvimento destas habilidades.
técnico e em meio tecnocientífico e informacional é
um ser social. Não é o “homem”, mas a sociedade que O arcabouço conceitual que sustenta o conheci-
produz os sucessivos meios geográficos. As tecnologi- mento geográfico, bem como as múltiplas relações entre
as, criações sociais embebidas por um “tempo históri- as diferentes escalas de análise geográfica da realidade
co”, são o principal objeto de análise da última unida- às quais se refere o fragmento de texto reproduzido aci-
de desta Parte I. ma, são abordados no Capítulo 1.

12
01_Iniciais Geo constr mundo.10 12 14.07.05, 16:25
A Geografia distingue-se nas Ciências Humanas Capítulo 2
pela espacialidade do seu objeto. Os mapas e cartas, des- Interpretando os mapas
tinados a captar arranjos espaciais na superfície terrestre,
A descoberta do mundo; A linguagem dos mapas;
formam sua linguagem e são instrumentos privilegia-
Coordenadas geográficas; A representação da Terra.
dos de análise do espaço geográfico. O Capítulo 2 dedica-
se à cartografia. Este capítulo enfoca a Cartografia na sua dupla condi-
ção de técnica de representação e de elemento da cultura.
Os exemplos extraídos da história da Cartografia apresen-
• Conteúdo programático tam os mapas em sua condição de produtos sociais, que
traduzem uma visão de mundo.
Capítulo 1 Os mapas são também instrumentos do planejamen-
to. Através deles, o poder público adquire o domínio inte-
A produção do espaço geográfico lectual sobre o território. Eles servem, por exemplo, para
As paisagens, as técnicas e as tecnologias; A natu- finalidades de zoneamento urbano e rural, destinado a dis-
reza do espaço geográfico; A economia em rede; O ciplinar os usos da terra. A revolução tecnocientífica e in-
lugar, o território e o mundo. formacional multiplicou as possibilidades da Cartografia.
As tecnologias modernas de sensoriamento remoto, ba-
Este primeiro capítulo destina-se a construir os con- seadas no uso de imagens digitais de satélites em diferen-
ceitos que fundamentam a perspectiva geográfica de tes bandas do espectro eletromagnético, proporcionam
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apreensão da realidade, e que formam o arcabouço es- mapas constantemente atualizados das mais diversas ca-
trutural do conjunto da obra. racterísticas de quase toda a superfície do planeta. A car-
A paisagem é a dimensão sensível do espaço geo- tografia computadorizada reduziu brutalmente os custos
gráfico, e, por isso mesmo, o ponto de partida para seu e o tempo para a produção de mapas. Esse conhecimento
estudo. As diferentes escalas temporais que produzem mais vasto e profundo do espaço geográfico materializa-
as formas naturais e as formas sociais que compõem as se em Sistemas de Informações Geográficas (SIG).
paisagens são apresentadas por meio das noções de Do ponto de vista do Ensino Médio, as técnicas
“tempo da natureza” e de “tempo da história”. cartográficas têm importância na medida em que permi-
tem desenvolver habilidades de interpretação da lingua-
Além das formas naturais e sociais, o espaço geo- gem dos mapas, que envolvem a compreensão do siste-
gráfico também abrange a rede de relações dos homens ma de coordenadas geográficas, da escala cartográfica
entre si e com a superfície terrestre, mediada pelas técni- numérica e gráfica e da legenda.
cas. Assim, o espaço geográfico incorpora a diversidade
As projeções são, em princípio, técnicas cartográfi-
natural que caracteriza esta superfície e a intervenção cas. Mas a opção por determinada projeção é, muitas
igualmente desigual das sociedades sobre ela. vezes, um ato cultural e politicamente motivado. As di-
De acordo com o geógrafo Milton Santos, o es- ferenças entre as projeções cilíndricas de Mercator e de
paço geográfico se apresenta como meio natural, Peters permitem revelar duas visões de mundo distintas,
quando ritmado pelos tempos da natureza; como cada uma delas adequada ao seu tempo. A projeção de
meio técnico, quando predominam as estruturas da Mercator materializa o eurocentrismo; a de Peters, a va-
era industrial, ou como meio tecnocientífico e infor- lorização do Terceiro Mundo. Por outro lado, a projeção
macional, quando dominado pelas tecnologias de in- azimutal responde às necessidades da geopolítica.
formação que estruturam as redes virtuais. Estes con-
ceitos, que são a chave da aventura geográfica de
descoberta do mundo, são cuidadosamente elabora- • O enfoque interdisciplinar
dos neste capítulo. Para discutir os efeitos da difusão Cartografia e Navegações
desigual das infra-estruturas do meio tecnocientífico
e informacional no espaço geográfico, por exemplo, As Grandes Navegações são tema muito relevante
é utilizado o exemplo do trágico tsunami que custou no estudo de História. Elas foram cruciais para o desen-
a vida de centenas de milhares de pessoas na bacia volvimento da Cartografia moderna, pois revelaram para
do Oceano Índico. os europeus as verdadeiras dimensões do planeta e a dis-
Os conceitos de lugar, de território e de mundo ilus- posição das terras emersas e oceanos.
tram as diferentes escalas da análise geográfica e as múl- O estudo de mapas antigos pode ser muito esclare-
tiplas relações entre estas escalas. A reflexão em torno cedor. Como era o mundo cartografado pelos gregos, na
das relações dialéticas entre o lugar e o mundo, media- Antiguidade? E o mundo cartografado no século XVI?
das pelos poderes políticos que controlam os territórios Como a concepção de mundo expressa pelos mapas re-
nacionais, encerra este capítulo introdutório. nascentistas participou da revolução de idéias do seu

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 13 14.07.05, 16:25
tempo? Quando e por que se fixaram as convenções atu- Neste período, os objetos técnicos tendem a ser ao mes-
ais, utilizadas na produção de planisférios, como a de co- mo tempo técnicos e informacionais, já que, graças à
locar o Hemisfério Norte na parte superior do mapa? extrema intencionalidade de sua produção e de sua lo-
calização, eles já surgem como informação; e, na verda-
de, a energia principal de seu funcionamento é também
• Biblioteca do professor a informação. Já hoje, quando nos referimos às manifes-
tações geográficas decorrentes dos novos progressos,
Do ponto de vista da Geografia, o processo de
não é mais de meio técnico que se trata. Estamos diante
globalização é também o da emergência de um meio
da produção de algo novo, a que estamos chamando
tecnocientífico e informacional. No texto abaixo, Milton
de meio tecnocientífico e informacional.
Santos reconstrói a história dos sucessivos meios geo-
gráficos, mostra os profundos impactos dos sistemas téc- Da mesma forma como participam da criação de no-
nicos sobre o território e enfatiza as especificidades do vos processos vitais e da produção de novas espécies
momento atual, no qual os objetos técnicos são movidos (animais e vegetais), a ciência e a tecnologia, junto
pela energia da informação. com a informação, estão na própria base da produ-
ção, da utilização e do funcionamento do espaço e
“O meio tecnocientífico e informacional tendem a constituir o seu substrato.
Antes, eram apenas as grandes cidades que se apre-
A história das chamadas relações entre sociedade e na-
sentavam como o império da técnica, objeto de modi-
tureza é, em todos os lugares habitados, a da substitui-
ficações, supressões, acréscimos, cada vez mais sofis-
ção de um meio natural, dado a uma determinada socie-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


ticados e mais carregados de artifício. Esse mundo
dade, por um meio cada vez mais artificializado, isto é,
artificial inclui, hoje, o mundo rural. [...]
sucessivamente instrumentalizado por essa mesma soci-
edade. Em cada fração da superfície da Terra, o caminho Cria-se um verdadeiro tecnocosmo [...], uma situação
que vai de uma situação a outra se dá de maneira parti- em que a natureza natural, onde ela ainda existe, ten-
cular; e a parte do ‘natural’ e do ‘artificial’ também varia, de a recuar, às vezes brutalmente. Segundo Ernest
assim como mudam as modalidades de seu arranjo. Gellner [...], ‘a natureza deixou de ser uma parte sig-
nificativa do nosso ambiente’. [...]
Podemos admitir que a história do meio geográfico
pode ser grosseiramente dividida em três etapas: o Podemos então falar de uma cientificização e de uma
meio natural, o meio técnico, o meio tecnocientífico e tecnicização da paisagem. Por outro lado, a informação
informacional. [...] não apenas está presente nas coisas, nos objetos técni-
cos, que formam o espaço, como ela é necessária à ação
Quando tudo era meio natural, o homem escolhia da
realizada sobre essas coisas. A informação é o vetor
natureza aquelas suas partes ou aspectos considera-
fundamental do processo social, e os territórios são, des-
dos fundamentais ao exercício da vida, valorizando,
se modo, equipados para facilitar a sua circulação. [...]
diferentemente, segundo os lugares e as culturas, es-
sas condições naturais que constituíam a base mate- Os espaços assim requalificados atendem sobretudo
rial da existência do grupo. [...] aos interesses dos atores hegemônicos da economia,
da cultura e da política e são incorporados plenamen-
O período técnico vê a emergência do espaço mecani-
te às novas correntes mundiais. O meio tecnocientífico
zado. Os objetos que formam o meio não são, ape-
e informacional é a cara geográfica da globalização.”
nas, objetos culturais; eles são culturais e técnicos,
ao mesmo tempo. Quanto ao espaço, o componente SANTOS, Milton. A natureza do espaço.
material é crescentemente formado do natural e do São Paulo: Hucitec, 1996. p. 186-191.
artificial. Mas o número e a qualidade de artefatos
variam. As áreas, os espaços, as regiões, os países
passam a se distinguir em função da extensão e da • Indicações de leitura
densidade da substituição, neles, dos objetos natu- CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São
rais e dos objetos culturais, por objetos técnicos. [...]
Paulo: Paz e Terra, 2000. v.1.
O terceiro período começa praticamente após a Se- JOLY, Fernand. A cartografia. Campinas: Papirus,
gunda Guerra Mundial e, sua afirmação, incluindo os 1990.
países de terceiro mundo, vai realmente dar-se nos
MARTINELLI, Marcello. Cartografia temática: ca-
anos 1970. É a fase que R. Richta [...] chamou de perío-
derno de mapas. São Paulo: Edusp, 2003.
do técnico-científico, e que se distingue dos anterio-
res, pelo fato da profunda interação da ciência e da MORAES, Antonio Carlos Robert. A gênese da Geo-
técnica, a tal ponto que certos autores preferem falar grafia moderna. São Paulo: Hucitec/Edusp, 1989.
de tecnociência para realçar a inseparabilidade atual SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Pau-
dos dois conceitos e das duas práticas. [...] lo: Hucitec, 1996.

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 14 14.07.05, 16:25
de energia do interior do planeta, ou seja, da dissipação
UNIDADE 2 do calor do núcleo através do manto. É essa dinâmica
que determina a existência de placas tectônicas.
A compreensão da escala de tempo geológico,
A geografia da natureza apresentada no capítulo, envolve uma forte capacidade
de abstração, pois ela está baseada em uma dimensão
O geógrafo Jurandir Ross sintetiza a dinâmica dos temporal dissociada da experiência sensível. Os méto-
ambientes naturais e as múltiplas interferências da socie- dos de datação das rochas e as evidências do registro
dade sobre estes ambientes: fóssil, discutidos no capítulo, fornecem as evidências
“As unidades de paisagens naturais se diferenciam pelo empíricas desta dimensão. O Texto Complementar tra-
relevo, clima, cobertura vegetal, solos ou até mesmo balha o tempo geológico do ponto de vista lógico, utili-
pelo arranjo estrutural e do tipo de litologia ou por ape- zando paralelos e metáforas.
nas um desses componentes. No entanto, como na na- As grandes estruturas geológicas da litosfera são
tureza esses componentes são interdependentes, quan- geradas pelos processos geomorfológicos de longa du-
do há variações na litologia, por exemplo, certamente ração. O estudo dos escudos cristalinos remete a proces-
observam-se diferenças na forma do relevo, na tipologia sos muito antigos, ligados à origem da litosfera. O estu-
dos solos e até mesmo na composição florística da co- do dos dobramentos modernos remete à construção do
bertura vegetal. Esta última interfere no clima ou pelo conceito de placas tectônicas e à identificação das suas
menos no microclima, na diferenciação e distribuição da faixas de fronteira, continentais e oceânicas. O estudo
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

fauna e microrganismos, e assim sucessivamente para das bacias sedimentares remete aos processos perma-
os demais componentes. [...] Nesse panorama [...] de nentes de destruição e construção das feições da crosta.
ambientes naturais, o homem, como ser social, interfere Por meio das tecnologias, as rochas, agregados formados
criando novas situações ao construir e reordenar os es- por um ou mais minerais que constituem cada uma das
paços físicos com a implantação de cidades, estradas, grandes estruturas geológicas, são transformadas em re-
atividades agrícolas, instalações de barragens, retifica- cursos utilizados intensivamente pelas sociedades; por
ções de canais fluviais, entre inúmeras outras.” isso, os recursos minerais são discutidos neste capítulo.
ROSS, Jurandyr L. S. Geomorfologia: ambiente O modelado da crosta também é um produto dos
e planejamento. São Paulo: Contexto, 1997. p. 11-12. processos geomorfológicos de longa duração. Tais pro-
cessos decorrem de fatores internos (modeladores), asso-
ciados ao tectonismo, e fatores externos (esculpidores),
A superfície da Terra é o substrato material sobre o
associados à erosão e à sedimentação. Os primeiros com-
qual atuam as sociedades, produzindo o espaço geográfi-
preendem a orogênese e a epirogênese e, numa outra es-
co. Há, portanto, um meio natural prévio à humanidade,
cala de tempo, as manifestações “catastróficas” do
fruto de processos físicos e bioquímicos. Esses processos são
vulcanismo e dos sismos. Os segundos compreendem a
resultantes tanto da dinâmica energética interna quanto da
erosão eólica, a erosão provocada pelo trabalho das águas
dinâmica externa do planeta, esta última baseada na inte-
(fluvial, marinha e glacial) e o intemperismo.
ração da energia solar com a atmosfera. O meio natural,
portanto, se encontra em estado de fluxo permanente.
Além disso, é um meio vivo, ou seja, não é apenas um am- Capítulo 4
biente que abriga a vida, mas consiste, em parte, num pro- As bases físicas do Brasil
duto da atividade dos organismos. Esta Unidade 2 se de-
dica a investigar as dinâmicas do meio natural e a transfor- O arcabouço geológico; A modelagem do relevo.
mação de seus elementos em recursos naturais.
O Capítulo 4 esclarece o trabalho das forças inter-
nas e externas sobre a Placa Sul-americana, que gera-
ram as estruturas geológicas e as formas do modelado
• Conteúdo programático presentes no território brasileiro. Para tanto, divide o
Capítulo 3 tempo geológico em dois componentes: os “tempos an-
tigos” e os “tempos recentes”. Os “tempos antigos”
Geomorfologia e recursos minerais abrangem o Pré-Cambriano e as eras Paleozóica e
O planeta Terra; As grandes estruturas geológicas; Mesozóica, associando-se à configuração do arcabouço
O modelado da crosta; Os recursos minerais. geológico. Os “tempos recentes” abrangem os períodos
Terciário e Quaternário da Era Cenozóica e associam-se
A dinâmica da litosfera compõe o eixo central do à modelagem do relevo. Essa distinção é crucial, pois per-
Capítulo 3. A litosfera está em contato com a hidrosfera mite dissipar a confusão bastante comum entre as estru-
e a atmosfera. Sua dinâmica estrutural depende do fluxo turas geológicas e as formas do modelado.

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 15 14.07.05, 16:25
A análise dos “tempos antigos” está focalizada nas de ar, a influência das correntes marinhas e os efeitos de
forças tectônicas, isto é, na orogênese e na epirogênese. A maritimidade/continentalidade são fundamentais para a
orogênese antiga que age no que atualmente é o território diferenciação dos grandes tipos climáticos. O estudo de
brasileiro configurou sistemas de dobramentos, dos quais cada um deles se baseia na análise de climogramas, de for-
aparecem apenas vestígios. A epirogênese soergueu toda a ma a propiciar o desenvolvimento de habilidades específi-
plataforma sul-americana, provocando regressão marinha cas de leitura de gráficos que relacionam o ciclo sazonal a
generalizada. O capítulo enfatiza os resultados atuais da duas variáveis: médias térmicas e precipitações. A dinâmica
ação das forças geológicas, destacando a localização dos sazonal das monções asiáticas recebe atenção especial, em
depósitos de minérios metálicos e de carvão mineral. virtude da nitidez com que permite explicar as relações en-
A análise dos “tempos recentes” está focalizada na tre os climas e as massas de ar.
ação das forças externas de erosão e sedimentação, que Os solos são produto da complexa interação entre
constituem processos controlados pelos climas. O capí- atmosfera, litosfera e biosfera. Sua gênese está associa-
tulo apresenta a proposta de classificação das formas do da ao desgaste das rochas pelo intemperismo. Os solos
modelado elaborada pelo geógrafo Jurandyr Ross, na são um meio vivo: a atividade física e químico-biológica
qual elas são divididas em planaltos, depressões e planí- dos organismos participa da sua formação. O conheci-
cies. A noção de erosão diferencial é vital para a com- mento dos horizontes dos solos permite esclarecer a ação
preensão das molduras de depressões configuradas em do intemperismo e relacionar os diferentes tipos de solos
torno dos planaltos brasileiros e também das formações às características dos climas de cada área.
de chapadas comuns em vastas áreas do território. O conceito de ecossistema fundamenta a análise

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


dos domínios fitogeográficos. Trata-se de um conceito
Capítulo 5 operativo, utilizado para uma abordagem integrada dos
diversos componentes da natureza e das suas relações
Dinâmica climática e ecossistemas recíprocas. Os domínios fitogeográficos apresentam as-
A radiação solar; Circulação da atmosfera e das pecto geral contínuo e definem a área de abrangência
massas líquidas; Os grandes tipos climáticos; As dos grandes ecossistemas da Terra.
paisagens vegetais; A Convenção da Diversidade A compreensão das características de cada um dos
Biológica. domínios fitogeográficos facilita o entendimento da po-
lêmica suscitada pelo processo atual de devastação das
O capítulo prossegue o estudo sobre os processos que florestas pluviais equatoriais e tropicais e de redução da
configuram o meio natural, enfocando a dinâmica climáti- diversidade biológica que as caracteriza. Por isso, a Con-
ca e sua relação com os grandes ecossistemas da Terra. venção da Diversidade Biológica é apresentada neste ca-
A dinâmica da troposfera, camada inferior da at- pítulo, que aborda também a oposição entre os interes-
mosfera, origina os climas do planeta. Os gases da ses dos países desenvolvidos e subdesenvolvidos no
troposfera absorvem a radiação terrestre. O “jogo de tratamento deste e de outros grandes temas ambientais.
reflexão” que se forma entre a troposfera e a superfície
do planeta produz um efeito estufa, sem o qual a tem- Capítulo 6
peratura média e a amplitude térmica seriam desfavorá-
Os domínios de natureza no Brasil
veis para o desenvolvimento da vida. Considerando a
polêmica atual sobre os “gases de estufa”, é importante As massas de ar e os tipos climáticos brasileiros;
esclarecer que o efeito estufa é um traço do meio natu- Os domínios morfoclimáticos.
ral, ainda que possa ser intensificado pela ação antrópica. O capítulo analisa a relação entre a dinâmica climá-
A energia solar recebida pela Terra varia em termos tica e a diversidade das paisagens naturais na escala do
temporais e espaciais. A rotação determina os ciclos diá- território brasileiro.
rios, expressos pelo sistema dos fusos horários. A transla- As massas de ar atuantes sobre o território brasilei-
ção determina os ciclos anuais, expressos pelas estações ro são explicadas em função da circulação geral atmos-
do ano. Os efeitos das latitudes, do modelado e da mariti- férica e, em particular, da convergência intertropical e
midade/continentalidade, são responsáveis pela diferen- da atividade das frentes frias de origem polar. As corren-
ciação das quantidades de luz e calor recebidas pelas di- tes marítimas, predominantemente quentes, exercem in-
versas áreas da superfície terrestre num mesmo momento. fluência mais direta sobre os climas da fachada costeira,
A análise de cada um desses fatores ajuda a introduzir a em especial no Nordeste e Sudeste. Os tipos climáticos
noção da diversidade de ambientes naturais do planeta. equatorial, tropical atlântico, tropical, semi-árido e tropi-
A compreensão da dinâmica dos climas exige também cal de altitude associam-se ao comportamento da Zona
o estudo das trocas de calor em escala planetária: a circula- de Convergência Intertropical (ZCIT), enquanto o clima
ção atmosférica e a circulação oceânica são os principais subtropical associa-se predominantemente ao compor-
mecanismos dessas trocas de calor. A atuação das massas tamento da massa Polar atlântica (mPa).

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A análise do quadro natural brasileiro baseia-se no potável que repercute em escala global. Além disso, o
conceito de domínio morfoclimático, elaborado por Aziz consumo de água contaminada por resíduos tóxicos in-
Ab’Sáber, que considera a íntima conexão entre os ele- dustriais e mesmo residenciais figura entre os maiores
mentos da natureza. A análise dos fatores limitantes que problemas de saúde pública do mundo contemporâneo.
definem a configuração das formações vegetais propor- Nas grandes cidades, o quadro de escassez está forte-
ciona um nexo concreto entre o estudo dos climas e o mente relacionado à poluição dos mananciais disponí-
dos domínios morfoclimáticos brasileiros. Por isso, na ca- veis e à ampliação do consumo.
racterização de cada um dos domínios, são discutidas as O caso brasileiro é bastante ilustrativo. Mesmo do-
temperaturas (médias e amplitudes térmicas) e as preci- tado de uma riqueza excepcional em termos de recursos
pitações (anuais e sazonais) associadas às formações ve- hídricos superficiais e subterrâneos – entre os quais se
getais. No caso da caracterização do cerrado, também é destaca o Aqüífero Guarani –, o país enfrenta problemas
importante destacar os fatores limitantes de ordem sérios de abastecimento de água, principalmente na por-
pedológica e as funções ecológicas desempenhadas pe- ção semi-árida da região Nordeste e nas principais re-
las queimadas naturais. giões metropolitanas. Para enfrentar este quadro, o Es-
A análise da intervenção antrópica sobre os domí- tado adotou um modelo institucional de gestão dos re-
nios morfoclimáticos demonstra as diferentes conse- cursos hídricos centrado na formação de Comitês de Ba-
qüências ambientais das atividades sociais e econômi- cia e na cobrança pelo uso de grandes quantidades de
cas. O desmatamento praticamente destruiu as flores- água para fins industriais ou agrícolas, que é apresenta-
tas subtropicais e as florestas tropicais da Mata do para discussão neste capítulo.
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Atlântica, e ameaça uma parcela considerável das flo-


restas amazônicas. No cerrado, a aceleração da ero-
são, resultante muitas vezes de práticas agrícolas ina- • O enfoque interdisciplinar
dequadas, torna-se particularmente dramática em
Fósseis e evolução biológica
função das enxurradas tropicais que removem solos
férteis, geram sulcos, ravinas e voçorocas e causam O registro fóssil desempenha papel destacado na
assoreamento dos rios. Nos domínios da Caatinga e Geologia. Mas ele é crucial para a Biologia, pois sustenta
das Pradarias, o capítulo discute os processos de are- a teoria da evolução. Essa discussão pode envolver o pro-
nização e desertificação, destacando as práticas eco- fessor de Biologia, que terá muito a acrescentar sobre o
nômicas que os provocam. trabalho de investigação das espécies extintas a partir
dos fósseis.
Capítulo 7 O trabalho em colaboração com o professor de Bio-
A esfera das águas logia pode esclarecer os critérios utilizados para a elabo-
ração da coluna geológica, cujas divisões baseiam-se na
e os recursos hídricos
evolução da vida. Há perguntas interessantes: O que dis-
O ciclo hidrológico; As sociedades e a utilização tingue o Pré-Cambriano das eras seguintes? Quando
de água; O estado das águas no Brasil. começou a se desenvolver uma flora continental exube-
rante? Quando viveram os dinossauros? Por que as gran-
Este capítulo aborda a dinâmica da hidrosfera e as
des “catástrofes” geológicas – como as transgressões
múltiplas dimensões da crise contemporânea dos recur-
marinhas ou a orogênese terciária – tiveram grande im-
sos hídricos, no mundo e no Brasil.
pacto sobre a evolução das espécies?
A hidrosfera, formada pelo conjunto de reservató-
rios de água do planeta, é supostamente um sistema fe- Nos domínios da termodinâmica
chado, no qual a água migra continuamente de um re-
servatório para outro. O conceito de ciclo hidrológico A dinâmica dos climas está associada às trocas de
esclarece os mecanismos naturais responsáveis por esta calor. Na atmosfera, trata-se do movimento das massas
migração. As águas doces superficiais e subterrâneas re- de ar. Nos oceanos, do movimento das correntes mari-
presentam uma parcela da hidrosfera, e sua distribuição nhas. Mas há também trocas de calor entre a troposfera
desigual pelo planeta é um fenômeno do meio natural, e a superfície e entre as massas líquidas e continentais.
condicionado, principalmente, pela dinâmica climática e Esses mecanismos obedecem às leis da termodinâmica.
pelas estruturas geológicas. O professor de Física pode contribuir para esclarecê-los.
Em diversas regiões do globo, entretanto, os impac- Por que há diferenças na pressão atmosférica? Por
tos das atividades humanas sobre o ciclo hidrológico, a que o ar quente descreve movimento ascendente, en-
contaminação de fração crescente dos reservatórios de quanto o ar frio descreve movimento descendente? Por
água doce e o abuso das práticas de irrigação agrícola que as massas líquidas apresentam comportamento tér-
geram ou intensificam um quadro de escassez de água mico diferente das massas sólidas?

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Essas e outras questões podem ser alvo de trabalho como o conhecemos hoje, é um curso fluvial
interdisciplinar e, eventualmente, originar propostas de hidrologicamente recente, gerado em tempos pós-
experimentos em laboratório. pliocênicos.
Tais acontecimentos geológicos foram responsáveis
por uma drenagem quaternária tipicamente centrípeta
• Biblioteca do professor na Amazônia ocidental, sob a condicionante ecológi-
O texto seguinte, extraído de uma entrevista dada ca de um domínio clímato-botânico equatorial. A por-
por Aziz Ab’Sáber à Revista de Estudos Avançados ção brasileira da Amazônia, pelo seu tamanho e ex-
publicada pelo IEA-USP, sintetiza a complexa história tensão, constitui o mais importante megadomínio de
geológica da Amazônia brasileira, relacionando-a com os natureza tropical da Terra. Na realidade, é um domí-
padrões de drenagem e com o afloramento das grandes nio quente e úmido propiciador de uma história vege-
reservas minerais. tal que embrionariamente remonta ao início do perío-
do Quaternário. Até o Terciário Médio, comportava-se
“Estudos Avançados – Diante da semelhança entre como um paleogolfão da fachada pacífica do conti-
geógrafos e geólogos no que tange à noção de esca- nente, intercalado entre os terrenos do Escudo
la do tempo, da natureza e da escala de tempo da Guianense e do Escudo Brasileiro norte-oriental. Essa
humanidade, como o sr. vê a escala do século que grande inversão, forçada pelo dobramento da Cordi-
passou? Gostaria que a avaliação fosse feita com ex- lheira Andina, exige que, antes desse fato, os bordos
pectativas para o século XXI. da Amazônia oriental ainda teriam vínculos com os

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Aziz Ab’Sáber – Vou decepcioná-lo um pouco. Você fa- terrenos antigos da África Ocidental.
lou nas escalas de tempo e espaço e, no caso da Ama- Isso me leva a dizer que as escalas de tempo na Ama-
zônia, isso é essencial. O que aconteceu na história geo- zônia são muito complexas, porque o embasamento
lógica da Amazônia brasileira, sobretudo, foi extraordi- cristalino que está do lado das Guianas e do lado do
nário em termos de interferências tectônicas e mudan- planalto brasileiro setentrional possuiu rochas
ças de tipos de bacias sedimentares. A teoria de placas gnáissicas e graníticas em importantes enclaves
que procura explicar a junção de África e Brasil tem mais (Carajás, Serra do Navio), de rochas metalogênicas
propriedade do que as teorias de derivas antigas, em- (manganês, ferro, entre outros), de antiqüíssimas
bora a deriva deva ser considerada entre os dois blo- orogêneses criadas em determinadas situações que
cos; sendo assim, se é que a teoria de placas pode ser hoje não podemos imaginar, visto que o escudo de
aceita, a depressão amazônica, antes que houvesse rochas resistentes sofreu vários soerguimentos
qualquer barreira oeste tipo andina, era um golfão, e a epirogênicos, acompanhados de sucessivos processos
presença de sedimentos de várias idades do Paleozóico, erosivos que acabaram por expor jazidas minerais for-
Siluriano, Devoniano e Carbonífero e depois muito mais madas em grande profundidade, através de muitos
tarde, restos de sedimentos marinhos do Mioceno, em contatos de calores extraordinários. E do outro lado
vários lugares, a oeste, um pouquinho a leste, na região há a grande área de manganês que também sugere
da Bragantina, servem para documentar que o mar vi- tempos muito antigos – embora hoje a Serra do Na-
nha de oeste até um certo tempo. Nesse caso, o dobra- vio esteja reduzida a um buraco [...]. Na parte, tam-
mento dos Andes acabou com o golfo, criando um bém do sul, onde está Carajás, com grandes reservas
paredão volteado, que nós chamamos de terras de minério de ferro da mais alta qualidade, há, para-
cisandinas. De maneira que isto proporcionou o começo lelamente, um distrito mineral, provavelmente o últi-
de uma sedimentação terrígena flúvio-lacustre muito mo grande distrito mineral descoberto no mundo du-
ampla, que é a que deu origem, dentro do golfão anti- rante a segunda metade do século XX.
go, a grandes territórios para a Formação Alter do Chão:
barra, barreiras. Somente a partir dessa sedimentação é As idades dos terrenos cristalinos, cristalofianos e os
que o rio se inverteu – o Amazonas era um rio complica- dotados de ferro de um lado e manganês do outro,
do dentro do golfão que não era muito homogêneo. são muito antigas. Constam, por aproximação, de um
Quando os Andes se soerguem, a sedimentação bilhão e quinhentos milhões de anos, enquanto os
terrígena estende-se de oeste para leste, tamponando terrenos Devonianos, Silurianos e Carboníferos, que
velhas formações sedimentares paleomesozóicas do an- são como depósitos marinhos de fundo de golfo do
tigo macrogolfo regional (Amazônia ocidental); existe a passado, têm cerca de trezentos milhões de anos. Os
certeza de que a drenagem amazônica possuía um rumo terrenos sedimentares desta vasta bacia, formada
leste-oeste, na direção do grande golfo regional. Nos pelos dobramentos dos sedimentos flúvio-lacustres,
fins do Terciário, o paleorio Amazonas, que diferia total- possuem no máximo quinze milhões de anos.”
mente do atual, foi tamponado pelas formações BORELLI, Dario Luis. Aziz Ab’Sáber: problemas
sedimentares pliocênicas (Formação Alter do Chão e For- da Amazônia brasileira. Cadernos de Estudos
mação Barreiras), de forma que o rio Amazonas, tal Avançados. n. 53, 2005. p. 7-35. v. 19.

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• Indicações de leitura atividades econômicas abordadas nesta Unidade e ga-
nha destaque no Capítulo 10, que relaciona os padrões
AB’SÁBER, Aziz. Os domínios de natureza no Bra- de consumo energético e de emissão de gases de estufa
sil. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. com o nível de industrialização e o modelo energético
CONTI, José Bueno. Clima e meio ambiente. São das economias nacionais, e apresenta os termos do Pro-
Paulo: Atual, 1998. tocolo de Kyoto.
DREW, David. Processos interativos homem-meio
ambiente. São Paulo: Difel, 1986.
TUNDISI, José Galisia. Água no século XXI: enfren-
• Conteúdo programático
tando a escassez. São Paulo: Rima/IIE, 2003.
Capítulo 8
GREGORY, K. J. A natureza da Geografia Física.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992. Os ciclos industriais
IBGE. Recursos naturais e meio ambiente: uma vi- Os ciclos tecnológicos da Revolução Industrial;
são do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1997. Tecnologia e localização industrial; A siderurgia
RIBEIRO, Wagner Costa (Org.). Patrimônio no Brasil.
ambiental brasileiro. São Paulo: Edusp/Im-
A aceleração tecnológica da era industrial e a confi-
prensa Oficial, 2003.
guração de um espaço mundial de fluxos são os funda-
ROSS, Jurandyr L. S. Geomorfologia: ambiente e mentos gerais deste capítulo, estruturado em torno do
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planejamento. São Paulo: Contexto, 1997. conceito de ondas de inovação e na teoria dos ciclos
tecnológicos.
A força motriz dos ciclos tecnológicos da era indus-
trial é a chamada “destruição criadora”, pela qual as ino-
UNIDADE 3 vações dissolvem tecnologias estabelecidas e renovam
radicalmente os padrões da divisão técnica do trabalho.
O resultado das inovações é o salto da economia para
Tecnologias e recursos novos patamares de produtividade, que implicam a re-
dução de custos de produção e a expansão dos merca-
naturais dos. No terceiro ciclo da revolução industrial, por exem-
plo, o advento da eletricidade e do motor a combustão
“As características da sociedade e do espaço geográ- interna, ao lado do uso de derivados do petróleo como
fico, em dado momento de sua evolução, estão em combustível, possibilitaram o surgimento da indústria
relação com um determinado estado das técnicas. automobilística e a organização do trabalho fabril em li-
Desse modo, o conhecimento dos sistemas técnicos nha de montagem. O “ciclo do petróleo” imprimiu pro-
sucessivos é essencial para o entendimento das di- fundas transformações em diferentes escalas do espaço
versas formas históricas de estruturação, funciona- geográfico, conforme explicita o capítulo.
mento e articulação dos territórios, desde os albores
O espaço geográfico dos ciclos iniciais da “era da
da história até a época atual. Cada período é porta-
indústria” constitui-se em um meio técnico, profunda-
dor de um sentido, partilhado pelo espaço e pela so-
mente marcado pela urbanização acelerada da popula-
ciedade, representativo da forma como a história rea-
ção e pelos fenômenos de concentração industrial.
liza as promessas da técnica.”
Em contrapartida, desde meados do século XX, co-
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. meça a se esboçar uma tendência à desconcentração in-
São Paulo: Hucitec, 1996. p. 137.
dustrial. No plano internacional, esta tendência resultou
na industrialização de regiões situadas nos países subde-
O período atual é marcado pela presença de um senvolvidos dotadas de importantes vantagens compara-
sistema técnico tornado universal e pelo avanço do tivas, principalmente no que diz respeito ao custo da mão-
meio tecnocientífico e informacional sobre o meio na- de-obra. Mas a desconcentração industrial também se
tural. Esta Unidade 3 investiga esses sinais nos proces- manifesta no plano nacional, em especial nos países de-
sos produtivos industriais e agropecuários e nas estra- senvolvidos: nas antigas regiões industriais, a escassez de
tégicas energéticas. terrenos, a força do movimento sindical, os congestiona-
A crise ambiental contemporânea revela os impas- mentos e a degradação ambiental se traduzem em dese-
ses e limitações do modelo de produção e consumo im- conomias de aglomeração. As indústrias de alta tecnolo-
plantado nas áreas mais ricas do planeta. Por isso, a dis- gia, marcadas pela forte integração com os centros de
cussão ambiental se integra à análise das diferentes pesquisa e desenvolvimento e com as universidades, se

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instalam longe das velhas aglomerações fabris, dinamizan- cujas marcas ainda estão presentes na paisagem. Con-
do regiões industriais em ascensão. Os tecnopólos, cen- forme já disse Milton Santos, “o espaço é uma acumula-
tros de produção de pesquisadores, tecnologias e novos ção desigual de tempos”.
produtos, são resultantes desse processo. Na maior parte do mundo tropical, a revolução
A localização industrial não se define unicamente tecnocientífica não se completou no meio rural. Assim,
pelos ciclos tecnológicos e pela economia de mercado, predominam as técnicas tradicionais da agricultura
mas depende também da política industrial conduzida camponesa voltada para a subsistência, muitas vezes as-
pelo Estado. No Brasil, a concentração espacial da siderur- sociada às plantations implantadas pelos colonizadores.
gia no Sudeste foi, em parte, condicionada pela configu- Contudo, a diversidade também marca os sistemas da
ração da região industrial central, mas foi também um pro- agricultura tropical, conforme revelam os exemplos ana-
duto de decisões políticas. A disputa entre as elites políticas lisados no capítulo.
do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais traduziu-se O abismo tecnológico que separa os países desen-
em decisões específicas de localização das siderúrgicas es- volvidos dos países subdesenvolvidos, que será retomado
tatais. A configuração do Vale do Aço deve ser encarada nos capítulos da Unidade 2 da Parte 3 deste livro, é aqui
como resultado dessa disputa política, na qual a elite de apresentado sob o prisma da agricultura: a tecnologia pre-
Minas Gerais soube impor a precedência das reservas sente na elevada produtividade que caracteriza as princi-
de matéria-prima como fator locacional decisivo. pais potências agrícolas do planeta. Além da tecnologia,
também o recurso aos subsídios agrícolas reduz substan-
Capítulo 9 cialmente a competitividade dos países subdesenvolvidos

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no concorrido mercado mundial de alimentos.
Agropecuária e comércio
global de alimentos Os impactos ambientais provocados pelas práticas
agrícolas também são objeto de discussão neste capítu-
Agropecuária, natureza e tecnologia; Os sistemas lo. Entre eles se destaca a redução da diversidade bioló-
da agricultura tropical; Agropecuária e comércio in- gica (em especial nas áreas de monocultura); a intensifi-
ternacional; Agropecuária e meio ambiente. cação da erosão (sobretudo nas vertentes tropicais); a
Nas sociedades urbano-industriais, o conjunto da desertificação (nos ecossistemas do semi-árido) e a
agropecuária é condicionado pelas necessidades urba- salinização (causada pela irrigação descontrolada).
nas, no que diz respeito tanto à demanda de alimentos Tecnologia e meio ambiente se cruzam no debate
quanto de matérias-primas para as indústrias. Por seu sobre os organismos geneticamente modificados
turno, a agropecuária depende cada vez mais dos (OGM). De um lado, o processo em curso é definido
maquinários e insumos industrializados, que garantem a pelas estratégias de corporações transnacionais, forte-
elevação da produtividade. Essa dependência está na ori- mente respaldadas pelos Estados Unidos. De outro, or-
gem do conceito de agricultura industrializada, que re- ganizações ambientalistas alertam para os riscos poten-
vela a intensidade tecnológica que caracteriza o setor em ciais de transferência horizontal de genes e para a
algumas regiões do planeta. redução mais acelerada da diversidade biológica. O ca-
pítulo traça as grandes linhas de força do debate,
Entretanto, e apesar de seu conteúdo técnico, a
enfatizando tanto a sua dimensão tecnológica quanto a
agricultura permanece estruturalmente diferente da in-
sua dimensão ecológica e social.
dústria: a produtividade da agricultura é limitada pelo
fato de que suas matérias-primas são seres vivos, cujo
desenvolvimento depende de processos naturais. Há mi- Capítulo 10
lênios, as técnicas de seleção dirigida buscam ampliar o Estratégias energéticas
controle humano sobre esses processos. Nas últimas dé- A energia e os ciclos industriais; As fontes de ener-
cadas, o surgimento de novas biotecnologias, responsá- gia; Geopolítica do petróleo; Alternativas energé-
veis pela produção de organismos transgênicos por meio ticas; O aquecimento global.
da engenharia genética, revelam o notável avanço do
meio tecnocientífico sobre o meio rural. A história dos ciclos tecnológicos da era industrial
A análise do espaço agrário dos Estados Unidos e pode ser contada por meio da evolução do consumo
da União Européia revela o quanto o meio rural é diver- energético e da incorporação de novas fontes de ener-
sificado, mesmo em áreas nas quais predomina a agri- gia. Entretanto, nas sociedades pré-industriais, o consu-
cultura industrializada. Essa diversidade não é apenas tri- mo e o balanço energético pouco se alteraram nos últi-
butária da diversidade do meio natural, mas também da mos séculos; neste caso, ainda predominam as fontes
história: nos Estados Unidos, a agricultura nasceu sob o tradicionais, tais como a força muscular e a madeira.
signo do mercado; na Europa, a economia de mercado Os combustíveis fósseis, recursos não-renováveis
deparou-se com as tradicionais aldeias camponesas, gerados pela fossilização de material orgânico, figuram

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entre as fontes energéticas mais utilizadas e alimentam ro- Uma dimensão vital dessa investigação envolve as
tas comerciais estratégicas. Utilizados como fonte de calor formas de organização do trabalho. Como se distingue o
nas indústrias, nos transportes e na produção de eletricida- sistema de fábrica das formas de produção anteriores?
de, os combustíveis fósseis liberam grandes quantidades de Qual foi a novidade introduzida pela linha de montagem
gases de estufa na atmosfera. O urânio, que alimenta as nesse sistema? Como o advento da indústria moderna e
centrais nucleares dedicadas à produção de eletricidade, do operariado fabril modificaram politicamente a socie-
também é uma fonte não-renovável de energia. Nesse dade? E como eles modificaram a paisagem urbana?
caso, a geração de resíduos com elevado poder de conta-
minação figura como o grande problema ambiental.
Entre as fontes renováveis de energia, destaca-se a • Biblioteca do professor
força das águas correntes, transformada em eletricidade O texto selecionado para esta seção é de autoria
nas centrais hidrelétricas. Porém, o potencial de geração do geógrafo francês Claude Raffestin. Raffestin produ-
de energia hidrelétrica é limitado pelas condições ziu uma obra geográfica singular, que percorre um ca-
morfológicas e climáticas. Nos países de consumo minho próprio e não admite as tradicionais divisões en-
energético intensivo, mesmo aqueles dotados de eleva- tre a Geografia Física, a Geografia Econômica e a
do potencial, estas centrais produzem uma porcentagem Geografia Política. Suas inspirações teóricas abrangem
relativamente pequena da demanda por eletricidade. a historiografia dos “tempos longos” de Fernand Brau-
Nos anos que se seguiram aos choques do petró- del e a lingüística de Saussure e Barthes. Sobre esses
leo protagonizados pela OPEP, a busca da eficiência fundamentos interdisciplinares, ele construiu uma abor-
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energética e da viabilização do uso comercial de ener- dagem da globalização que articula as noções de rede,
gias alternativas sustentáveis do ponto de vista ambien- tecnologia, informação e poder.
tal – tais como a solar e a eólica – se transformaram em O texto seguinte reflete acerca do controle dos pa-
programas prioritários nos países desenvolvidos. Mas íses desenvolvidos e das empresas transnacionais sobre
estes programas respondem também a imperativos as tecnologias e o saber de ponta. Nele, o autor não faz
econômicos: em meados da década de 1980, alguns apenas uma análise, mas defende a tese de que as tec-
deles foram total ou parcialmente desativados. Atual- nologias intermediárias podem revelar-se adequadas
mente, sob o impacto da “guerra ao terror”, da inten- para as necessidades dos países subdesenvolvidos, mas
sificação dos conflitos associados ao petróleo e do de- geralmente são rejeitadas por razões políticas. As tecno-
bate sobre o aquecimento global, as fontes alternativas logias intermediárias consistem em processos de produ-
apresentam renovado interesse. ção e equipamentos que, por não incorporarem os avan-
A intensificação do consumo de energia e da emis- ços da atual revolução tecnocientífica e informacional,
são de gases de estufa nas sociedades industriais figura custam menos e utilizam mais mão-de-obra por unidade
entre as principais causas da crise ambiental contemporâ- de capital que as tecnologias de ponta.
nea, cujos impactos afetam o conjunto do planeta. De
fato, a Convenção sobre Mudanças Climáticas Globais e As multinacionais e a transferência tecnológica
os termos atuais do Protocolo de Kyoto atribuem metas
de redução da emissão de gases de estufa apenas aos pa- “Em matéria de tecnologia, são as empresas
íses desenvolvidos, considerados os maiores responsáveis multinacionais que centralizam a produção dos co-
pelas alterações climáticas que ocorrem em escala global. nhecimentos e que asseguram a circulação interna e
Os Estados Unidos, entretanto, recusam os termos do tra- externa dessa informação. O essencial das atividades
tado e comprometem seriamente sua eficácia. de pesquisa e de desenvolvimento é efetuado nos
países de origem das multinacionais […]. É uma estra-
tégia da informação, que permite preservar o controle
• O enfoque interdisciplinar real sobre os recursos. Todavia, essa informação cir-
cula no espaço e, nesse sentido, pode-se falar de
Revolução Industrial e organização do trabalho transferências, mas na maioria das vezes trata-se de
A Revolução Industrial deu origem a características uma transferência interna no espaço das empresas.
essenciais da sociedade contemporânea, tanto em ter- A rede de circulação dessa informação não é pública,
mos da sua estrutura social – com a formação de uma mas privada. Os fluxos de informação tecnológica li-
classe de empresários industriais e uma classe de operá- gam as matrizes às filiais. Isso não significa que não
rios fabris – como da organização do seu espaço geográ- se façam pesquisas nos centros secundários, mas só
fico – com a expansão da urbanização e a configuração o centro principal conhece a sua finalidade e, assim,
de regiões industriais. A Geografia e a História cruzam- pode utilizá-la com eficácia. A informação paga pelas
se e se enriquecem mutuamente na investigação da Re- multinacionais oferece a possibilidade de uma
volução Industrial. estocagem fácil e de uma mobilização muito rápida

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dos conhecimentos necessários à tomada de decisões. entre as técnicas ancestrais e as técnicas sofisticadas.
É uma estratégia que se concebe, se elabora e desa- Para que interessem […], devem ser pouco onerosas:
brocha em ‘territórios abstratos’, ou melhor, nos terri- 100 dólares de capital por cada emprego criado. Por
tórios das empresas. outro lado, devem servir para mobilizar matérias lo-
cais que permitirão produzir artigos destinados ao
Existe a circulação externa da informação [que], na
consumo doméstico. Isso não significa que os bens
maioria das vezes, trata-se de uma tecnologia neces-
criados não alimentarão um mercado de exportação,
sária à utilização do produto. É, de certa forma, um
mas esse não é o principal objetivo visado. Além dis-
‘saber-manejar’ o produto que é transferido, mas não
so, essas técnicas devem ser criadoras de empregos e
um ‘saber-fazer’ o produto. Sem dúvida, é do interes-
de pólos de desenvolvimento.
se da empresa vulgarizar o ‘saber-manejar’, enquanto
o ‘saber-fazer’ permanece privado. A informação do […] Entretanto, isso não chega a eliminar a descon-
‘saber-fazer’ é a base do poder das multinacionais, fiança dos países do Terceiro Mundo, que logo têm
por isso elas não têm nenhum interesse em deslocar a impressão de estarem utilizando uma tecnologia
a inovação e, nessas condições, a circulação interna de segunda mão. […] Os países que dispõem de
permanece preponderante e predominante em rela- tecnologias avançadas fazem questão de valorizá-
ção à circulação externa. las, mas também de fazer delas as condições para
o seu poderio. Os países que não as possuem e
[…] Estamos na presença de relações assimétricas
que procuram adquiri-las não desejam obter
que são a conseqüência do desenvolvimento desi-
tecnologias que não sejam verdadeiras fontes de

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gual do saber. […] Enquanto as relações forem
poder, no sentido político do termo. […] Nesse caso,
marcadas pela cunha da dominação, as transferên-
a satisfação das necessidades sociais vem depois
cias tecnológicas continuarão a ser desviadas. Como
da satisfação das necessidades políticas de poder.
chegar a uma nova ordem tecnológica […]? Pode-se
A esse respeito o exemplo da tecnologia intermedi-
distinguir três tipos de tecnologia: a tecnologia alie-
ária é esclarecedor, pois essa tecnologia não satis-
nada, cedida em virtude de um acordo particular,
faz a nenhum dos atores em questão. É a prova de
que é a informação não-livre, secreta, cristalizada de
que se trata de um problema de poder: os países
uma forma complexa nos produtos, capitalizada nos
desenvolvidos só podem conservar sua potência
bens intermediários e nos bens de capital; a
pelo controle quase total do mercado tecnológico,
tecnologia socializada, disponível e acessível sem
e os subdesenvolvidos não podem concorrer eficaz-
restrição, que é a informação livre; e, enfim, a
mente com eles.”
tecnologia ‘encarnada’, o conhecimento de base, o
saber-fazer assimilado pelos homens. RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder.
São Paulo: Ática, 1993. p. 245-250.
A variável tecnológica tem um caráter multi-
dimensional, pois afeta as taxas de crescimento, o
emprego, a repartição dos lucros, o balanço de paga- • Indicações de leitura
mentos e o meio, entre outros. Não temos dúvida de
que o problema recai sobre a questão da escolha en- BAER, Werner. Siderurgia e desenvolvimento bra-
tre técnicas que implicam muito capital, a exemplo sileiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
das técnicas ocidentais muito sofisticadas, e aquelas GOLDEMBERG, José. O que é energia nuclear.
que implicam muita mão-de-obra. Essa escolha, fun- São Paulo: Abril/Brasiliense, 1985.
damental para a elaboração de uma estratégia, de- GOMES, Francisco Magalhães. História da side-
semboca na tese [da] tecnologia intermediária, rurgia no Brasil. Belo Horizonte-São Paulo:
mediatizada pelo Estado e pelas universidades. Sabe- Itatiaia/Edusp, 1983.
se que a China, muitas vezes evocada a propósito
GREENPEACE. Aquecimento global. Rio de Janei-
das tecnologias intermediárias, hoje se distancia de-
ro: FGV, 1992.
las, considerando sem dúvida que por essa via o ca-
minho para o poder é muito lento. Os recentes acor- MANZAGOL, Claude. Lógica do espaço industri-
dos feitos com o Japão indicam uma mudança, até al. São Paulo: Difel, 1985.
mesmo uma reformulação da política industrial. NOVAES, Washington. A década do impasse: da
Rio-92 à Rio+10. São Paulo: Estação Liberda-
[…] Por meio da tecnologia intermediária, procura-se
de/ISA, 2002.
criar instrumentos pouco dispendiosos que utilizam
muita mão-de-obra e serviços que podem aumentar a RIFKIN, Jeremy. O século da biotecnologia. São
capacidade produtiva de uma comunidade, Paulo: Makron Books, 1999.
minimizando, ao mesmo tempo, os deslocamentos SILVA, José Graziano da. A modernização doloro-
dos indivíduos. A tecnologia intermediária se situa sa. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 22 14.07.05, 16:25
Parte 2
O Brasil, território e nação
As fronteiras políticas indicam os limites do territó-
rio no qual o Estado exerce sua soberania. Mas, do pon- UNIDADE 4
to de vista do Estado-Nação contemporâneo, a sobera-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nia só se torna efetiva pela apropriação econômica do


território. Essa apropriação é uma obra social que jamais
O Brasil e a globalização
se encerra. O povoamento, que se realiza pela difusão
“Assim como se fala de produtividade de uma máquina,
desigual das forças produtivas e da população, qualifica de uma empresa, podemos, também, falar de produtivi-
o território nacional, configurando uma totalidade hete- dade espacial ou produtividade geográfica, noção que
rogênea e dinâmica. A regionalização é uma tentativa se aplica a um lugar, mas em função de uma determina-
de captar a imagem complexa do território apropriado da atividade ou conjunto de atividades. Essa categoria
pela sociedade nacional. se refere mais ao espaço produtivo, isto é, ao ‘trabalho’
O modelo econômico brasileiro associa-se às di- do espaço. Sem minimizar a importância das condições
nâmicas territoriais nacionais, numa dupla direção. De naturais, são as condições artificialmente criadas que
um lado, o modelo econômico atualiza o território, em sobressaem, enquanto expressão dos processos técni-
cos e dos suportes geográficos da informação. [...]
função das suas necessidades sempre renovadas. De
outro, o território, que incorpora as heranças do longo Os lugares se especializam, em função de suas virtuali-
ciclo de modernização por substituição de importações, dades naturais, de sua realidade técnica, de suas vanta-
define os campos de opções dos investidores e empre- gens de ordem social. Isso responde à exigência de
sários, refinando o modelo econômico e qualificando maior segurança e rentabilidade para capitais obriga-
as vocações das regiões e dos lugares. Esta associação dos a uma competitividade sempre crescente. [...] Na
se expressa nos padrões de concentração industrial no medida em que as possibilidades dos lugares são hoje
mais facilmente conhecidas à escala do mundo, sua es-
Centro-Sul, na distribuição da produção energética, na
colha para o exercício dessa ou daquela atividade torna-
organização espacial da agroindústria, na estruturação
se mais precisa. Disso, aliás, depende o sucesso dos
da rede urbana e nas infra-estruturas subcontinentais
empresários. É desse modo que os lugares se tornam
de transportes. O papel do Estado como agente e in-
competitivos. O dogma da competitividade não se im-
dutor das dinâmicas territoriais se torna nítido na aná-
põe apenas à economia, mas também à geografia.”
lise das políticas de desenvolvimento regional direcio-
nadas para a Amazônia e para o Nordeste. SANTOS, Milton. A natureza do espaço.
São Paulo: Hucitec, 1996. p. 197-199.
A extrema desigualdade social que caracteriza o
Brasil também apresenta múltiplas relações com as di-
O novo estágio das dinâmicas territoriais brasileiras
nâmicas espaciais. Em grande parte, ela é tributária
está marcado pela crescente inserção da economia naci-
da concentração fundiária e da modernização perver- onal nos fluxos da globalização. Este processo integra di-
sa da agricultura brasileira. Nas cidades, a exclusão ferencialmente os lugares, valorizando aqueles dotados
social é ancorada nos mecanismos de segregação es- de maior produtividade espacial e redimensionando o
pacial. No território brasileiro, a produção social da quadro de desigualdades entre as regiões brasileiras. A
riqueza está intimamente associada com a reprodu- reestruturação dos eixos de circulação, as formas de
ção da pobreza. integração entre os complexos regionais e entre o Brasil

23
01_Iniciais Geo constr mundo.10 23 14.07.05, 16:25
e os seus vizinhos hispano-americanos também são ex- do país. A “marcha para o oeste”, deflagrada desde a “era
pressões do modelo econômico internacionalizado no Vargas” e estimulada pela transferência da capital, assina-
território nacional. lou uma etapa crucial da constituição de um mercado naci-
onal unificado. A colonização moderna do Centro-Oeste e
das molduras meridionais da Amazônia realizou-se por
• Conteúdo programático meio das frentes de expansão e das frentes pioneiras. A
distinção entre esses conceitos, fundamentais no pensa-
mento geográfico brasileiro, é vital para a compreensão dos
Capítulo 11
conflitos fundiários que pontuaram e ainda pontuam as
A indústria e a integração nacional fronteiras agrícolas do país.
A integração do território brasileiro; A concentra-
ção industrial; As migrações inter-regionais. Capítulo 12

Este capítulo, que introduz a análise do espaço geo- Energia no Brasil


gráfico em escala nacional, aborda a formação territorial A matriz energética brasileira; O sistema elétrico;
do Estado brasileiro. A energia e o transporte.
A América Portuguesa caracterizou-se pela frag-
A matriz energética guarda nítidas relações com o
mentação política e pela fragmentação econômica, con-
perfil das economias nacionais. No modelo agroexporta-
substanciada na estruturação de pólos exportadores fra-
dor, vigente até as primeiras décadas do século XX, a le-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


camente conectados entre si. O Estado brasileiro herdou
nha se destacava como a principal fonte energética. A
essa dupla fragmentação. No plano político, enfrentou o
emergência do modelo urbano-industrial, em meados do
desafio da construção da unidade nacional. No plano século XX, alterou profundamente os padrões de consu-
geoeconômico, o “arquipélago econômico” de origem mo de energia. Desde então, a indústria e os transportes
colonial perdurou por cerca de um século. passaram a dominar a demanda energética.
O conceito de “arquipélago econômico” não pre- No Brasil, o setor industrial apresenta elevado consu-
tende negar a conexão entre as economias regionais bra- mo energético relativo, em função das formas assumidas
sileiras, mas realçar a existência de mercados regionais pela industrialização. O peso determinante dos ramos
distintos, que estavam separados por impostos que one- energointensivos (com destaque para a siderurgia e a me-
ravam a circulação interna de mercadorias e pela virtual talurgia do alumínio) revela a importância da transforma-
ausência de redes de transporte nacionais. ção dos recursos minerais na indústria brasileira e solicita
No interior do “arquipélago econômico” brasileiro, a oferta de energia abundante e barata. Na montagem do
emergência da economia cafeeira assinalou o início da tra- tripé industrial brasileiro, analisado no capítulo anterior, o
jetória que conduziria à integração nacional. A prosperi- Estado assumiu a função de fornecedor de energia barata
dade da “ilha exportadora de café” propiciou acumula- para esses ramos industriais. Impulsionando a moderniza-
ção interna de capitais e gerou um mercado regional ção dependente, a Eletrobrás passou a garantir subsídios
significativo, dinamizado pela imigração de trabalhadores indiretos para a indústria, oferecendo energia a preços infe-
livres. Esse foi o arcabouço para a industrialização, que riores aos custos reais de produção. No novo modelo do
acabou por gerar um mercado nacional unificado sob a setor elétrico brasileiro, o Estado busca substituir o investi-
hegemonia do Sudeste. mento público pelo investimento capitalista na ampliação
O processo de industrialização foi baseado no mo- da capacidade de geração e distribuição de eletricidade no
delo de substituição de importações, que se consolidou país, atraindo investidores privados para o setor. Os percal-
por meio dos fluxos de capitais produtivos que permiti- ços no caminho desta transição ficaram patentes durante a
ram a implantação de um setor diversificado de produ- crise energética que se abateu sobre o país em 2001.
ção de bens de consumo duráveis no país, em especial A modernização dependente exigiu a implantação de
no pós-guerra. A montagem da nova economia urbana uma rede nacional de transportes. Essa rede estruturou-se
e industrial assentou-se sobre um tripé, constituído pe- a partir da opção rodoviária, definida ainda antes da Se-
los capitais nacionais, pelas empresas estatais e pelos in- gunda Guerra Mundial. O alto consumo energético do
vestimentos transnacionais. setor de transportes é uma decorrência dessa opção e tor-
A integração nacional, sob o comando dos capitais e nou-se a raiz principal das importações de petróleo que
das elites industriais do Sudeste, deu origem a uma nova durante décadas oneraram a balança comercial brasileira.
divisão territorial do trabalho e estimulou as migrações Os padrões de consumo de energia condicionados
inter-regionais. Os fluxos de nordestinos para o Sudeste pelo modelo urbano-industrial têm como contrapartida
refletiram as desigualdades regionais crescentes e alimen- um esforço de produção, organizado em três frentes
taram o crescimento econômico do pólo urbano-industrial principais: a eletricidade, o petróleo e a biomassa.

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 24 14.07.05, 16:25
A produção de eletricidade desenvolveu-se essenci- à modernização da economia rural, materializada pela
almente pela implantação de hidrelétricas. Essa opção, que mecanização da agropecuária e por um processo, ainda em
distingue o país no panorama internacional, associou-se curso, de transferências setoriais de mão-de-obra que libe-
ao elevado potencial natural dos rios brasileiros, que se rou força de trabalho para os setores urbanos. Por meio das
explica em função dos climas e do relevo. Nesse ponto, a cadeias produtivas, o agronegócio fornece alimentos e ma-
força explicativa da Geografia revela todo seu vigor, per- térias-primas para a indústria, além de fornecer commodi-
mitindo estabelecer as conexões entre o modelo econô- ties para o mercado externo, gerando divisas. Consumindo
mico e as características naturais do território nacional. tecnologias, insumos e sementes, a agricultura moderna
A produção de eletricidade por termelétricas desem- mantém relações estreitas com a pesquisa científica.
penhou papéis secundários no Brasil. As termelétricas movi- As cadeias produtivas estão subordinadas aos capi-
das a combustíveis fósseis limitaram-se quase apenas aos tais industriais e aos capitais financeiros, mas suas etapas
estados do Sul e à Amazônia, enquanto as usinas nucleares agrícolas são realizadas por empresas rurais, que funcio-
assumiram maior importância política que energética. Con- nam em bases capitalistas, ou por produtores familiares,
tudo, os custos econômicos e ambientais crescentes da pro- que não dispõem de capital e raramente empregam tra-
dução hidrelétrica, assim como o fornecimento de gás na- balhadores assalariados.
tural de origem boliviana e a descoberta de grandes reservas A análise econômica dos complexos agroindustriais é
de gás no território brasileiro, apontam para um significati- o fundamento para a discussão das suas características es-
vo crescimento da produção termelétrica no Centro-Sul. paciais no território brasileiro. Aqui, trata-se de evidenciar a
A análise da produção petrolífera abrange, em pri- existência de uma divisão territorial do trabalho na agricul-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

meiro lugar, as particularidades da prospecção no país, tura, que reitera e aprofunda as desigualdades regionais.
fortemente dependente de campos situados na platafor- Os impactos ambientais da modernização da
ma continental. A exploração desses campos, viabilizada agropecuária são sintomas da industrialização do meio
pelas tecnologias desenvolvidas pela Petrobras, tornou- rural e revelam os problemas de sustentabilidade ecoló-
se prioritária após os “choques do petróleo”, que eleva- gica da acumulação de capital promovida pelos comple-
ram as cotações internacionais do produto. Em segundo xos agroindustriais.
lugar, a análise da produção petrolífera abrange as ativi-
dades de refino, destacando-se a amplitude dos merca- Capítulo 14
dos consumidores como fator decisivo na implantação Urbanização e redes urbanas
espacial das refinarias brasileiras.
Rumo às cidades; A rede urbana brasileira; Os es-
Os “choques do petróleo” estiveram na raiz do lan- paços metropolitanos; A cidade-capital.
çamento do Proálcool, na década de 1970. A produção
nacional de álcool para os transportes teve grandes reper- O ponto de partida do capítulo é o processo de ur-
cussões na agricultura do Centro-Sul e do Nordeste, mas banização e o conceito de meio urbano. A polêmica em
oscila ao sabor das flutuações das cotações internacionais torno dos critérios oficiais utilizados no Brasil para classi-
do petróleo. Por outro lado, o lançamento de um número ficar a população como urbana ou rural evidencia a idéia
crescente de automóveis dotados de motores bicombustí- de que o conceito de meio urbano é uma construção te-
veis traz novas perspectivas para o álcool combustível. órica, cujo significado varia em função dos diferentes
contextos histórico e geográfico. A análise da urbaniza-
Capítulo 13 ção brasileira funciona como suporte para a discussão da
rede urbana e, em seguida, dos espaços metropolitanos.
Os complexos agroindustriais No conjunto do território brasileiro, o processo de
A modernização conservadora; A divisão territorial urbanização acelerou-se após a Segunda Guerra Mundi-
do trabalho na agropecuária; Os impactos ambi- al, sob o efeito da modernização econômica e do êxodo
entais da agropecuária brasileira. rural gerado pela dissolução da economia rural auto-su-
ficiente. Contudo, os ritmos da urbanização expressam
Neste capítulo, a discussão sobre os complexos as desigualdades regionais e as taxas de urbanização e
agroindustriais desdobra-se em três direções: a análise servem como sinais das diferenças econômicas estrutu-
da organização produtiva do agronegócio, o estudo da rais entre as regiões brasileiras.
divisão territorial do trabalho na agricultura brasileira e
A rede urbana define-se pela configuração de uma
um panorama dos impactos ambientais provocados pela
hierarquia particular, que é uma expressão das dinâmi-
moderna economia agrícola.
cas territoriais em escala nacional e regional. A introdu-
Do ponto de vista histórico, os complexos agroindus- ção da categoria de metrópole global, associada a São
triais substituíram os antigos complexos rurais, que se su- Paulo e ao Rio de Janeiro, permite aprofundar a discus-
bordinavam à lógica do modelo agroexportador. A consoli- são sobre a polarização e as funções urbanas na era da
dação do modelo urbano-industrial ocorreu paralelamente “revolução da informação”.

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 25 14.07.05, 16:25
A hierarquia urbana é, tradicionalmente, definida Mercosul. A importância adquirida pelo comércio exterior
de modo quase exclusivo em termos da polarização e a condição de global trader realçaram o papel desempe-
proporcionada pelas redes de transportes. Atualmente, nhado pela Organização Mundial de Comércio na política
contudo, essa definição deve incorporar a polarização exterior brasileira.
proporcionada pelas redes de comunicações. Na esteira A importância adquirida pelo comércio exterior
dessa revisão e ampliação do conceito, os mapas de po- também lançou um foco de luz sobre os custos de deslo-
larização urbana mais recentes produzidos pelo IBGE, camento de mercadorias no território nacional, pondo
utilizados nesta obra, representam as descontinuidades em relevo a inadequação da rede de transportes
espaciais e as superposições das regiões de influência construída à sombra do modelo de substituição de im-
urbana no Brasil. portações. A necessidade de redução dos custos de des-
A concentração espacial da população e de recur- locamento das exportações nacionais traduziu-se em
sos produtivos, que tem raízes coloniais, foi impulsiona- projetos ferroviários e hidroviários destinados a gerar
da pelas formas específicas da modernização industrial uma rede de transportes em “bacia de drenagem”.
brasileira. A figura jurídica da região metropolitana cons- A inserção do Brasil nos processos de integração re-
tituiu um reconhecimento das tendências geográficas do gional em curso no subcontinente sul-americano empres-
processo de urbanização e ofereceu um quadro para o ta especial relevância às políticas sul-americanas, destina-
planejamento urbano nas metrópoles e áreas conurba- das a estreitar os laços geopolíticos e econômicos que
das. Desde o início da década de 1990, os processos de unem o Brasil aos seus vizinhos hispano-americanos.
conurbação, que envolvem também cidades médias si-
O Mercosul figura como a mais importante entre

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


tuadas em diversas áreas do país, conduziram à criação
essas políticas. Estruturado em torno das duas maiores
de mais de uma dezena de regiões metropolitanas e da
economias sul-americanas, mas compromissado com a
Região Integrada do Distrito Federal e Entorno. Neste
noção de regionalismo aberto, ele foi projetado para ser-
último caso, as regiões administrativas que compõem o
vir como plataforma de inserção competitiva nos fluxos
Plano Piloto se distinguem das chamadas “cidades saté-
internacionais de mercadorias e capitais. Assim, seu fun-
lites” pela dinâmica da segregação, cujos contornos são
damento é sobretudo o da integração econômica. Ao
analisados no item que encerra o capítulo.
contrário do que acontece na União Européia, o Merco-
No Sudeste, o desenvolvimento do processo de ur- sul não prevê o compartilhamento de soberanias entre
banização está na base de dois fenômenos de escala re- os Estados-membros, e depende sobretudo da diploma-
gional. Um deles é o da constituição da megalópole bra- cia presidencial nos momentos de impasse.
sileira no eixo que conecta as duas metrópoles nacionais.
Entretanto, a estratégia norte-americana de
O outro é o da constituição da metrópole expandida, ou
integração hemisférica, consubstanciada na Alca, pode
macrometrópole, que têm por centro a Região Metro-
representar uma ameaça para o futuro do Mercosul. Para
politana de São Paulo. Estes dois conceitos proporcio-
o Brasil, a alternativa consiste em consolidar o bloco do
nam a oportunidade para a abordagem dos problemas
Cone Sul e avançar no sentido da criação de uma área
sociais e ambientais associados à expansão das manchas
de livre comércio sul-americana, como forma de tornar
urbanas em escala regional.
mais equilibrada as negociações da Alca. Nesse contex-
to, o incremento das trocas comerciais entre o Brasil e os
Capítulo 15 demais países sul-americanos e o aprimoramento das
Comércio exterior e integração infra-estruturas subcontinentais de transporte se tornam
sul-americana tarefas urgentes.
O Brasil no comércio mundial; O Mercosul e a Amé-
rica do Sul; A Área de Livre Comércio das Américas.
• O enfoque interdisciplinar
As transformações na divisão internacional do traba- A química na agricultura moderna
lho, causadas pelos fluxos da globalização e pela revolu-
ção tecnocientífica contemporânea, assinalaram o esgo- A agricultura moderna caracteriza-se pelo uso in-
tamento do modelo de substituição de importações. Na tensivo de agrotóxicos no combate ao desenvolvimento
década de 1990, o Brasil transitou para o modelo de in- de pragas. Uma pesquisa, orientada pelos professores de
ternacionalização da economia, expresso na abertura co- Química e Biologia, pode esclarecer os principais efeitos
mercial e na ampliação do comércio exterior. O comércio desses produtos no ambiente e na saúde humana. Quais
multidirecional, que já caracterizava o país, consolidou-se são os produtos químicos mais utilizados e em quais cul-
através do aumento dos fluxos de intercâmbio com a tivos? De que maneira eles afetam os produtos cultiva-
América Latina e, em especial, com a Argentina. Desse dos? Quais os riscos envolvidos no consumo desses ali-
modo, o Brasil firmou-se como global trader, mantendo mentos? Os agrotóxicos deixam resíduos nos campos de
fluxos de intercâmbio com a União Européia, o Nafta e o cultivo? Quais os impactos ambientais desses resíduos?

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 26 14.07.05, 16:25
Por que as pragas se desenvolvem em monoculturas e, nas cidades-satélites mais próximas, ou as favelas que
muitas vezes, tornam-se resistentes aos agrotóxicos? resistem a investidas policiais em áreas isoladas do
Como a engenharia genética pode contribuir no comba- Plano Piloto. É meramente observar que nas áreas
te às pragas agrícolas? mais urbanizadas da capital não há cortiços […].
Ademais, […] as disparidades de renda entre o centro de
O olhar cinematográfico sobre a ditadura Brasília e sua periferia são bem maiores que em outras
Tanto no Brasil como na Argentina, o regime militar cidades brasileiras, precisamente porque a alta renda,
no Distrito Federal, está concentrada de forma esmaga-
serviu de tema para um conjunto importante de obras
dora e quase uniforme no Plano Piloto e nas mansões
cinematográficas. A colaboração dos professores de Co-
do Lago. Por fim, o que também intensifica as diferen-
municação e Expressão pode ser solicitada para a mon-
ças entre o centro de Brasília e sua periferia é a forma
tagem de uma mostra de vídeos sobre o tema, que pode
com que são expressas em termos espaciais. Enquanto
ser complementada por um ciclo de debates organizado
outras cidades são ocupadas continuamente do centro
pelos alunos. A título de exemplo, sugerimos o filme ar-
até a periferia, Brasília dicotomiza-os em termos absolu-
gentino A Historia Oficial (Dir. Luis Puenzo) e os brasi-
tos: não há nenhuma cidade-satélite em um raio de 14
leiros Pra Frente, Brasil (Dir. Roberto Farias) e O que é
quilômetros a partir do Plano Piloto. Assim, a distinção
isso, companheiro? (Dir. Bruno Barreto).
entre centro e periferia é implacavelmente nítida […].
Um processo básico na formação da periferia de Brasília
• Biblioteca do professor é a transformação de tomadas de terras ilegais em ur-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

banizações legais. Com efeito, as próprias cidades-saté-


James Holston é antropólogo especializado em es- lites têm origem em ciclos de rebelião e legitimação que
tudos urbanos. O texto que reproduzimos nesta seção remontam aos pioneiros e continuam até hoje. Na pri-
foi extraído de sua pesquisa, desenvolvida na década de meira fase desse processo, a população se apropria de
1980 a respeito de Brasília, que analisa os valores e ati- direitos à terra formando favelas. Na segunda fase, o
tudes envolvidos no processo conflituoso de produção governo reconhece formalmente esses direitos usurpa-
social da cidade. dos, seja dotando as terras tomadas de um status legal
O pensamento geográfico não se restringe aos tra- in situ, seja removendo os moradores para terrenos
balhos e reflexões de geógrafos. No campo dos estudos residenciais recentemente demarcados em uma cidade-
urbanos, inúmeras contribuições para a compreensão satélite já existente. Esta mudança de status legal resul-
dos processos de produção do espaço geográfico origi- ta na adição de novos moradores ao conjunto dos que
nam-se de arquitetos, urbanistas, economistas, sociólo- têm direitos legais a serviços urbanos, e na expansão
gos e antropólogos. da periferia urbana em novas áreas […].
O texto de Holston é um exemplo do caráter Seguindo a tradição dos pioneiros, as associações de
transdisciplinar dos estudos urbanos. Ele desvenda as re- favelados na Brasília de hoje organizam tomadas de
lações entre a produção social da cidade e os valores e terra para obter acesso legal à propriedade e aos ser-
atitudes envolvidos nesse processo conflituoso. viços urbanos. Como em outras cidades brasileiras,
os favelados alcançam este objetivo persuadindo as
A segregação planejada autoridades a mudar o status de seus povoamentos.
O paradoxo desta situação — de que os favelados
“[…] Brasília sustenta um padrão de urbanização que estão bem conscientes — é que na maioria dos casos
deriva e contradiz seus princípios iniciais: é um padrão é apenas por meio do ato ilegal de invadir um terreno
típico das grandes cidades brasileiras, onde as elites que eles podem ter os serviços de que necessitam
habitam o centro urbano e dominam os estratos inferi- desesperadamente. Mais ainda, sua situação é para-
ores e desassistidos da periferia. Deve também ser ob- doxal em outro sentido: o que a maioria dos favelados
servado, contudo, que Brasília intensifica, de várias ma- procura, além dos serviços urbanos básicos, é a res-
neiras significativas, as desigualdades do típico padrão peitabilidade social que a sociedade legítima lhes
metropolitano. […] A capital tem, proporcionalmente, nega. Carentes de respeito, organizam-se para obtê-
mais habitantes na periferia e menos habitantes no lo esposando um dos valores fundamentais da ordem
centro que qualquer outra grande cidade brasileira. social em que lutam por inserir-se: a propriedade pri-
[…] Enquanto outras cidades misturam bairros residen- vada. A invasão de terras é para eles um meio de
ciais de elite e favelas ou cortiços em suas regiões cen- adquirir os serviços urbanos e o status social de res-
trais, Brasília separa rigorosamente os primeiros no Pla- peitabilidade que derivam da propriedade privada.”
no Piloto e os outros nas cidades-satélites. Isto não sig- HOLSTON, James. A cidade modernista: uma crítica
nifica menosprezar o crescente número de habitantes de de Brasília e sua utopia. São Paulo: Companhia
média renda e de burocratas de nível médio morando das Letras, 1993. p. 293-296.

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• Indicações de leitura • Conteúdo programático
CORRÊA, Roberto Lobato. Trajetórias geográficas.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997. Capítulo 16
DEÁK, Csaba e SCHIFFER, Sueli Ramos (Org.). O
processo de urbanização no Brasil. São Paulo:
Estrutura regional
Edusp, 1999. brasileira
EVANS, Peter. A tríplice aliança. Rio de Janeiro:
Divisões regionais do Brasil; A globalização e as
Zahar, 1982.
desigualdades regionais; A industrialização con-
SANTOS, Regina B. dos. Migrações no Brasil. São
centrada; A industrialização descentralizada.
Paulo: Scipione, 1994.
SILVA, José Graziano da. A modernização doloro- A regionalização oficial do território brasileiro,
sa. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
elaborada em diferentes versões pelo IBGE, foi conce-
SILVA, Sérgio. Expansão cafeeira e origens da in- bida para servir de base aos levantamentos estatísticos
dústria no Brasil. São Paulo: Alfa-Ômega, que subsidiam as políticas públicas e de planejamento
1981. econômico, além de apresentar finalidade didática.
VEIGA, José Eli. A face rural do desenvolvimento. Considerando sobretudo os padrões de produtividade
Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, da economia, as densidades demográficas e as paisa-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


2000. gens naturais, o IBGE divide o território brasileiro em
VESENTINI, José William. A capital da geopolítica. cinco macrorregiões.
São Paulo: Ática, 1986. Mas a região não é um dado da realidade: é uma
construção teórica que admite os mais diferentes crité-
rios e que se transforma com a história. Por isso mes-
mo, a proposta de regionalização do IBGE não é nem
UNIDADE 5 única nem definitiva. No final da década de 1960 sur-
giu uma proposta de regionalização do território brasi-
leiro capaz de sintetizar as dinâmicas territoriais impul-
Sociedade e espaço sionadas pela integração nacional e pela hegemonia dos
capitais industriais e financeiros do Sudeste: trata-se da
geográfico divisão do Brasil em três grandes complexos regionais,
elaborada pelo geógrafo Pedro Pinchas Geiger. No iní-
“A questão da espacialidade, da territorialidade bra-
cio do século XXI, o geógrafo Milton Santos cunhou a
sileira, é sempre deixada de lado nas discussões polí-
expressão Região Concentrada para identificar um
ticas e nas formulações dos planos e políticas públi-
novo conjunto regional formado pelas regiões Sul e Su-
cas. Os discursos produzidos sobre estas questões
deste. Surgida da internacionalização da economia e da
insistem em ignorar que as características essenciais
concentração das infra-estruturas do meio tecnocientí-
da economia brasileira, ou, melhor dizendo, a forma-
ção socioespacial brasileira, a formação do território
fico e informacional, a Região Concentrada se estende
brasileiro, são produtos das relações sociais no Bra- entre Minas Gerais e o Rio Grande do Sul.
sil. A sociedade e o espaço brasileiros precisam ser O conceito de Região Concentrada ilumina aspec-
considerados concomitantemente.” tos importantes das dinâmicas territoriais em curso no
Brasil. A “soldagem” entre o Sudeste e Sul evidencia o
SOUZA, Maria Adélia Aparecida de. O Novo
Brasil Urbano, integração ou fragmentação. atual processo de descentralização industrial, materiali-
In: GONÇALVES, Maria Flora. O novo Brasil urbano. zado pela emergência de novos pólos industriais do in-
Porto Alegre: Mercado Aberto, 1995. p. 69 terior de São Paulo e do Rio de Janeiro, em Minas Ge-
rais e no Brasil meridional. Neste processo, a metrópole
As políticas territoriais de planejamento, voltadas paulista não está perdendo a hegemonia econômica
para a correção dos “desequilíbrios regionais” por meio tradicional, pois a redução da sua participação na ativi-
da dinamização ou da conquista de determinadas por- dade industrial ocorre paralelamente ao reforço do seu
ções do território, deixaram marcas profundas no espa- papel dominante na centralização financeira das ativi-
ço geográfico brasileiro, em especial no Nordeste e na dades produtivas em geral. As regiões industriais peri-
Amazônia. Mas não alteraram o traço estrutural da soci- féricas no Nordeste e na Amazônia, por sua vez, são
edade e do espaço nacional: o Brasil permanece sendo o em grande parte tributárias das políticas de planeja-
território da desigualdade. mento regional.

28
01_Iniciais Geo constr mundo.10 28 14.07.05, 16:25
Capítulo 17 o Nordeste. Agora, trata-se principalmente de integrar a
região aos fluxos de investimentos globalizados e ao mer-
Nordeste, nordestes cado mundial. Esta é a lógica que norteia a nova política de
Os “nordestes”; O Nordeste e o Planejamento Re- incentivos, voltada sobretudo para a agricultura empresari-
gional; O Nordeste da Sudene; O Nordeste e a glo- al de frutas no semi-árido, para o turismo e para as grandes
balização. obras de infra-estrutura. A transposição do rio São Francis-
co se insere nesta lógica, na medida em que cria novos pó-
Este capítulo está organizado em torno de quatro
los de agronegócio na região. No tocante ao setor industri-
grandes eixos temáticos, organizados de forma a escla-
al, destaca-se o crescimento do setor de bens de consumo
recer o significado das diferentes políticas regionais vol-
não-duráveis, ou seja, das indústrias de trabalho intensivo.
tadas para o Nordeste brasileiro.
Os conglomerados do setor são atraídos por diversas mo-
No primeiro deles, investiga-se os “nordestes” pro- dalidades de incentivos federais e estaduais e também pelo
duzidos pela economia agroexportadora. O “Nordeste baixo custo da mão-de-obra local, que lhes confere
açucareiro”, dos grandes latifúndios da Zona da Mata, competitividade internacional.
foi o primeiro a se configurar, ainda nos primórdios da
colonização. O “Nordeste algodoeiro-pecuarista” emer-
Capítulo 18
giu no Sertão, durante a vigência do Império. O “Nor-
deste cacaueiro”, por sua vez, estruturou-se no sudeste A Amazônia e o
da Bahia, nas primeiras décadas do século. planejamento regional
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Ao longo da história republicana, as elites latifundi- A conquista da fronteira amazônica; Amazônia Ori-
árias presentes em cada um desses “nordestes” prota- ental; Amazônia Ocidental; Planejamento e desen-
gonizaram uma disputa calorosa pelo controle político volvimento sustentável; O Estado na fronteira.
estadual e pela captura dos recursos federais. Os “coro-
néis do sertão” defendiam a atuação governamental no A Amazônia Legal, região de planejamento, foi cria-
combate aos impactos da seca; os “barões do açúcar” da junto com a Sudam, em 1966, nos primeiros anos do
lutavam para manter a competividade de suas lavouras regime militar. Concebida como um espaço de fronteira
ante os concorrentes do Centro-Sul. política, demográfica e econômica, a região foi objeto
O segundo eixo deste capítulo aborda as políticas de políticas territoriais marcadas pelo signo da conquis-
públicas resultantes desta disputa. A chamada “política ta. No plano político, a conquista da Amazônia envolvia
hidráulica”, esboçada ainda durante o Império, oficiali- a construção de bases para o exercício da soberania na-
zada na primeira década do século XX e consolidada no cional nas faixas de fronteira; no plano demográfico, o
governo Getúlio Vargas, representou uma vitória das oli- povoamento com base nos excedentes populacionais
garquias sertanejas. Por meio dela, um conjunto de obras gerados no Nordeste e no Centro-Sul; no plano econô-
patrocinadas pelo governo federal no semi-árido – tais mico, a atração de grandes investimentos em projetos
como açudes, barragens, poços e estradas de rodagem – agropecuários, minerais e industriais.
funcionava como meio de valorização das propriedades O conjunto de políticas voltadas para a conquista
dos coronéis. Os barões do açúcar, por sua vez, encon- da Amazônia deixou um rastro de violência e degrada-
tram amparo no Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), ção ambiental, muitas vezes sobrepostos. Os conflitos
criado em 1926. Estabelecendo um mecanismo de cotas fundiários envolvendo índios, grileiros e migrantes re-
de produção e implementando um sistema de preços cém-chegados configuraram um “arco da violência” nas
únicos, o IAA, na prática, oferecia subsídios públicos às franjas orientais e meridionais da Amazônia, enquanto
elites do Nordeste açucareiro. os grandes projetos criavam um “arco de devastação”
O terceiro eixo temático do capítulo enfoca a cons- nas áreas em que foram implementados.
tituição do Nordeste como região geoeconômica perifé- Também como resultado do empreendimento de con-
rica, resultante do processo de industrialização coman- quista, orientado pelos principais vetores de transporte, a
dado pelo Sudeste e da integração nacional. Nesse região Amazônica foi bipartida. Na Amazônia Oriental,
contexto, e sob a ótica do desenvolvimentismo, as polí- estruturada pelo eixo da Belém-Brasília e da E. F. Carajás, a
ticas públicas voltadas para a região passaram a enfatizar devastação é sobretudo resultado dos grandes projetos de
sobretudo a implementação de pólos de desenvolvimen- exploração mineral, transformados em verdadeiros enclaves
to industrial, dinamizados por capitais oriundos do Cen- na floresta e indutores de um processo de urbanização caó-
tro-Sul, como forma de minimizar os desequilíbrios regi- tico e desordenado em seu entorno. A Amazônia Ociden-
onais existentes no Brasil. tal, estruturada pelo segmento sul da Cuiabá-Santarém e
Finalmente, o quarto e último eixo temático analisa o da Brasília-Acre, foi o principal eixo de expansão da frontei-
impacto da abertura econômica e da chamada globalização ra agrícola, além de abrigar um enclave industrial idealiza-
sobre as estratégias de planejamento regional voltadas para do pelo governo militar: a Zona Franca de Manaus.

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A política de desenvolvimento regional dos milita- por pesquisadores do IPEA, que estabeleceram uma linha
res valorizou sobretudo a acumulação de capital por nacional de pobreza cruzando dados referentes à renda
grandes empresas por meio do uso predatório dos recur- per capita familiar e ao preço de bens de consumo consi-
sos naturais. O desmatamento de imensos trechos da flo- derados essenciais. Os resultados obtidos em 2002 reve-
resta e a miséria urbana foram seus resultados mais sig- lam que mais de 30% dos brasileiros vivem em famílias
nificativos. Os novos projetos de obras viárias, em cuja renda não é suficiente para garantir suas necessida-
especial a pavimentação da BR-319 (Porto Velho- des básicas em termos de habitação, alimentação, vestuá-
Manaus) e da BR-163 (Cuiabá-Santarém), assim como o rio e transporte. Revelam ainda que a pobreza tem um
avanço da agropecuária moderna sobre áreas florestadas forte componente regional, e que sua incidência relativa é
parecem estar anunciando um novo ciclo de devastação maior entre as populações rurais do que entre as popula-
ambiental, de proporções ainda maiores. A reversão des- ções urbanas. Nas cidades, a pobreza alimenta um merca-
se quadro depende da adoção de políticas territoriais do imobiliário informal constituído por loteamentos clan-
voltadas para o desenvolvimento sustentável e funda- destinos, cortiços e favelas; muitos dos quais situados em
mentadas em um minucioso zoneamento econômico e áreas de risco ambiental e epidemiológico.
ecológico da região. A disseminação do trabalho infantil é uma das con-
Em contrapartida, a preocupação com o exercício seqüências da situação de pobreza na qual vivem milha-
da soberania efetiva sobre a extensa faixa de fronteiras res de famílias brasileiras. Embora a porcentagem de cri-
amazônicas sobreviveu ao regime militar. O Projeto Ca- anças trabalhadoras esteja recuando no Brasil, as
lha Norte, implantado em 1985, foi concebido para fa- estatísticas mostram que esse ainda é um problema soci-

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zer frente a esta preocupação. Também o Sivam é uma al de grandes dimensões. Os programas federais criados
iniciativa voltada para o controle do espaço amazônico. para combater o trabalho infantil têm se mostrado mais
eficientes no meio rural do que no meio urbano, já que,
Capítulo 19 nas cidades, os rendimentos auferidos pelos menores tra-
balhadores são significativamente superiores à bolsa
Desigualdades sociais e pobreza fornecida pelo governo para as famílias que mantêm seus
A economia da desigualdade; Pobreza e desenvol- filhos na escola. Por fim, as modalidades de trabalho for-
vimento humano; A geografia da pobreza; Traba- çado que ainda resistem no Brasil constituem o limite
lho infantil e exclusão social. extremo da exclusão social.

Este capítulo busca desvendar os mecanismos res- Capítulo 20


ponsáveis pela disseminação da exclusão social e da po-
breza no Brasil, que inscrevem o país entre os campeões
A questão fundiária
mundiais de concentração de renda. A terra e os trabalhadores do campo; Trabalhado-
A análise dos indicadores sociais revela a existência res do campo; A luta pela terra.
de um verdadeiro fosso econômico e cultural separando O capítulo está organizado em torno de três gran-
os brasileiros ricos dos brasileiros pobres. O monopólio des eixos temáticos, fortemente relacionados entre si. O
de acesso à terra e a transferência de um grande contin- primeiro discute as origens históricas da concentração
gente de trabalhadores sem qualificação para os gran- fundiária, o segundo analisa a estrutura ocupacional da
des centros urbanos, por meio do êxodo rural, garanti- agropecuária e o terceiro aborda a luta pela terra.
ram as condições de reprodução da pobreza, mesmo nas
A modernização da agricultura, acompanhada por
fases de grande expansão do PIB nacional.
um processo de valorização das terras e de expulsão da
Os indicadores de condições de vida elaborados mão-de-obra, aprofundou a concentração fundiária nas
pela ONU ajudam a dimensionar a exclusão social e os regiões agrícolas mais dinâmicas. Este processo alimen-
níveis de pobreza vigentes no país. De acordo com o IPH, tou tanto o êxodo rural quanto os fluxos migratórios que
cerca de 12% dos brasileiros vivem em condições de ex- se dirigiram para regiões de fronteira, inicialmente ocu-
trema carência. Com relação ao IDH, o Brasil também padas pelas pequenas propriedades familiares. Mais tar-
ocupa uma posição bastante modesta, abaixo de sua de, com a chegada dos grandes proprietários às frontei-
classificação em termos de PIB per capita. Isso significa ras agrícolas, iniciava-se um novo ciclo de concentração
que, apesar dos avanços dos últimos decênios, fundiária e de expulsão de mão-de-obra. Este padrão de
registrados nos relatórios da ONU dedicados ao desen- concentração, desconcentração e reconcentração
volvimento humano, o país ainda tem um longo cami- fundiária que caracterizou a expansão da área agrícola
nho a percorrer no sentido de transformar a renda naci- total do país perdurou pelo menos até a década de 1980.
onal em bem-estar social. Ao contrário do que acontece nos setores urbanos,
Mas a tragédia social brasileira é ainda mais nítida no campo brasileiro o número de produtores diretos su-
quando analisada de acordo com os critérios elaborados pera com larga margem o número de trabalhadores as-

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salariados. Os produtores diretos formam uma categoria padrões de consumo acima das possibilidades ecológicas
social heterogênea composta por proprietários familia- em certas regiões do planeta, assim como a dissemina-
res, parceiros, rendeiros e posseiros. Enquanto os estra- ção da pobreza em outras, são fatores de risco para o
tos superiores praticam uma agricultura empresarial, ambiente global. Vale a pena investigar os significados
marcada pelo uso de tecnologias sofisticadas, os estratos desse conceito, com o auxílio do professor de Biologia.
inferiores dedicam-se principalmente à produção de sub- Além disso, os alunos poderiam ser orientados no senti-
sistência, e constituem-se como fonte de mão-de-obra do de realizar uma pesquisa sobre as atividades econô-
sazonal para a agricultura patronal. A força de trabalho micas implantadas na Amazônia que atendam aos requi-
engajada na agricultura patronal, por sua vez, é consti- sitos da sustentabilidade ambiental.
tuída pelos assalariados permanentes e pelos assalaria-
dos temporários. A oferta de empregos sazonais, porém,
encontra-se em declínio, já que um número cada vez • Biblioteca do professor
maior de empresas rurais está mecanizando a colheita. Bertha Becker, uma das maiores expoentes do pen-
No Brasil a agricultura familiar sempre foi preterida samento geográfico brasileiro, dedica grande parte de
em favor da agricultura patronal. Essa é uma das causas sua vasta produção teórica à reflexão sobre a Amazônia
da disseminação da pobreza no campo brasileiro e da brasileira. No trecho reproduzido abaixo, o enfoque re-
trágica situação econômica e social na qual se encontra cai sobre as perspectivas da região diante do processo
a maior parte dos pequenos produtores. O último eixo contemporâneo de mercantilização na natureza.
do capítulo apresenta um panorama da história da luta
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pela terra no Brasil, destacando a importância política do Globalização e Amazônia como fronteira
MST na história recente do país, e apresenta o sentido do capital natural
econômico, social e ambiental da noção moderna de re-
forma agrária voltada para a consolidação da agricultura “Até recentemente, dominava no projeto internacio-
familiar. nal a percepção da Amazônia como uma imensa uni-
dade de conservação a ser preservada, tendo em
vista a sobrevivência do planeta, devido aos efeitos
• O enfoque interdisciplinar do desmatamento sobre o clima e a biodiversidade.
As crianças trabalhadoras A base dessa percepção teve como origem, em gran-
de parte, a tecnologia dos satélites, que permitiu
A exploração do trabalho infantil é objeto de inten- pela primeira vez uma visão de conjunto da superfí-
sos debates internacionais, tanto no âmbito da Organi- cie da Terra e da sua unidade trazendo o sentimento
zação Internacional do Trabalho (OIT) quando no da da responsabilidade comum, assim como a percep-
Organização Mundial do Comércio (OMC). No Brasil, o ção do esgotamento da natureza, que se tornou um
tema tem sido objeto de diversas campanhas de esclare- recurso escasso.
cimento, patrocinadas tanto pelo governo federal como A natureza foi então reavaliada e revalorizada a par-
por ONGs. Além disso, o governo federal busca comba- tir de duas lógicas muito diferentes, mas que con-
ter o trabalho infantil por meio do Programa Bolsa-esco- vergem para o mesmo projeto de preservação da
la. Com o auxílio dos professores de Comunicação e Ex- Amazônia. A primeira lógica é a civilizatória ou cul-
pressão, os alunos podem organizar um painel com tural, que possui uma preocupação legítima com a
depoimentos de crianças trabalhadoras e produzir um natureza pela questão da vida, o que dá origem aos
relatório relacionando o teor dos depoimentos com os movimentos ambientalistas. A outra lógica é a da
mecanismos de exclusão social abordados no capítulo. acumulação, que vê a natureza como recurso escas-
O professor de Sociologia, por sua vez, pode contribuir so e como reserva de valor para a realização de ca-
para um debate sobre as virtudes e defeitos nos progra- pital futuro, fundamentalmente no que tange ao uso
mas federais de combate ao trabalho infantil. da biodiversidade condicionada ao avanço da
tecnologia. Outro recurso de que pouco se fala, mas
O desenvolvimento sustentável que já é fundamental, é a água como fonte de vida e
de energia em razão dos isótopos de hidrogênio,
O conceito de desenvolvimento sustentável se tor-
questão teórica ainda não solucionada, mas que vem
nou amplamente conhecido por meio do relatório pro-
sendo pesquisada em muitos países, especialmente
duzido pela Comissão Mundial de Meio Ambiente e De-
na Alemanha e nos EUA.
senvolvimento, instituída pela ONU. Publicado em 1987,
o Relatório Brundtland (como ficaria mundialmente co- Torna-se patente que, se há uma valorização da na-
nhecido) aborda de maneira integrada as questões tureza e da Amazônia, há também a relativização
ambientais, demográficas e sociais. De acordo com ele, do poder da virtualidade dos fluxos e redes do
o uso intensivo de recursos naturais e a manutenção de mundo contemporâneo, com a globalização, que

31
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acaba com as fronteiras e com os Estados. Na ver- projetos que não conhecemos, visto que uns são ofi-
dade, os fluxos e redes não eliminam o valor estra- ciais e outros não. Há restrições a colocar nesse sen-
tégico da riqueza localizada, in situ; eles susten- tido porque a terra e a floresta são bens públicos, e
tam a riqueza circulante do sistema financeiro, da a venda de floresta significa venda de território e
informação, mas a riqueza localizada no território não é correta do ponto de vista do país. [...]
também tem seu papel e seu valor. Polanyi mostra que há uma necessidade de organiza-
Isso, conseqüentemente, trouxe uma disputa das po- ção da sociedade para impedir o livre jogo das forças
tências pelos estoques das riquezas naturais, uma de mercado em relação aos elementos vitais para o
vez que a distribuição geográfica de tecnologia e de homem. Para tanto, foram criados sindicatos para pro-
recursos está distribuída de maneira desigual. En- teger o mercado do trabalho e organizadas associa-
quanto as tecnologias avançadas são desenvolvidas ções para regular o mercado da terra e o papel do
nos centros de poder, as reservas naturais estão lo- estado tornou-se fundamental. Que vamos fazer no
calizadas nos países periféricos, ou em áreas não Brasil, e qual deve hoje ser nossa reação? Temos to-
regulamentadas juridicamente. Esta é, pois, a base dos esses trunfos – florestas, biodiversidade, água;
da disputa. como a sociedade e o governo brasileiro devem se
Há três grandes eldorados naturais no mundo con- comportar em relação ao seu uso? Hoje, o movimento
temporâneo: a Antártida, que é um espaço dividido de mercantilização é irreversível e temos de saber
entre as grandes potências; os fundos marinhos, como lidar com ele. Parece-me que caberia ao gover-
riquíssimos em minerais e vegetais, que são espaços no e à sociedade lutar pela regulação desses merca-

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não regulamentados juridicamente; e a Amazônia, re- dos, mas ela deveria ser bem negociada [...]”
gião que está sob a soberania de estados nacionais, BECKER, Bertha K. Geopolítica da Amazônia. Revista
entre eles o Brasil. de Estudos Avançados. n. 53, 2005. p. 74-77. v. 19.

Esse contexto geopolítico, principalmente nas déca-


das de 1980 e 1990, gerou sugestões mundiais pela
soberania compartilhada e o poder de gerenciar a
• Indicações de leitura
Amazônia, que abalou até o Direito Internacional. AB’SÁBER, Aziz N. Amazônia: do discurso à práxis.
Hoje, contudo, são crescentes os interesses ligados à São Paulo: Edusp, 1996.
valorização do capital natural, que tende a se sobre- ANDRADE, Manuel Correia de. Classes sociais e
por à lógica cultural. agricultura no Nordeste. Recife: Fundação Joa-
Observa-se um processo de mercantilização da natu- quim Nabuco/Massangana, 1985.
reza. Elementos da natureza estão se transformando ARAÚJO, Tânia Bacelar de. Ensaios sobre o de-
em mercadorias fictícias, usando a expressão de Karl senvolvimento brasileiro: heranças e urgências.
Polanyi, em seu livro A grande transformação. Fictí- Rio de Janeiro: Revan/Fase, 2000.
cias por quê? Porque elas não foram produzidas para
AUBERTIN, Catherine. A ocupação da Amazônia:
venda no mercado – o ar, a água, a biodiversidade.
das drogas do sertão à biodiversidade. In:
Mas, no entanto, através desta ficção são gerados
EMPERAIRE, Laure. A Floresta em jogo: o
mercados reais e isto se deu, como Polanyi mostra
extrativismo na Amazônia central. São Paulo:
muito bem, no início da industrialização, quando ter-
UNESP/Imprensa Oficial, 2000.
ra, dinheiro e trabalho foram transformados em mer-
cadorias fictícias, gerando mercados reais. [...] BECKER, Bertha K. e MIRANDA, Mariana (Org.).
A geografia política do desenvolvimento sus-
Não é fantasia o fato de que está em curso na Ama- tentável. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.
zônia a transformação de bens da natureza em mer-
BRANDÃO, Carlos Antônio, GONÇALVES, Maria
cadorias. É o caso da Peugeot, que faz investimen-
Flora e GALVÃO, Antônio Carlos. Regiões e ci-
tos no sentido de seqüestro do carbono no Mato
dades, cidades nas regiões. São Paulo: Unesp/
Grosso; na ilha do Bananal, a empresa inglesa S.
Anpur, 2003.
Barry; a Mil Madeireira, que tem um projeto neste
sentido no estado do Amazonas; a Central South FURTADO, Celso. A fantasia desfeita. Rio de Ja-
West Corporations, de Dallas, uma empresa de ener- neiro: Paz e Terra, 1989.
gia que fez uma aquisição no Paraná de setecentos SANTOS, Milton e SILVEIRA, Maria Laura. O Bra-
mil hectares, através da mediação da National Con- sil: território e sociedade no início do século
servancy, da reserva da Serra de Itaqui; além dos XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.

32
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Parte 3

Geografia e geopolítica
da globalização
Esta Parte 3 aborda o espaço mundial contemporâ- uma “segunda globalização”, cujas raízes encontram-se
neo e sua perspectiva é fornecida pela escala geográfica no fim da Guerra Fria, na implosão da União Soviética e
do mundo. As demais escalas, tratadas com freqüência, na abertura econômica da China.
funcionam como instrumentos auxiliares no desvenda- Sob a perspectiva da Geografia, a globalização con-
mento da trama do espaço mundial. temporânea não pode ser dissociada da revolução
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O ensino de Geografia, tributário em alguma medida tecnocientífica e informacional. O ciclo de inovações des-
da tradição dos estudos regionais da “escola francesa”, sa revolução, que se desenvolve desde os anos 1970,
acostumou-se a abordar o espaço mundial como uma reorganiza extensa e profundamente o espaço mundial.
somatória de espaços nacionais. Por muito tempo – e essa Essa reorganização – desigual, traumática e perversa – é
prática ainda subsiste aqui e ali – ensinou-se uma “Geo- o objeto de análise desta Parte da obra.
grafia regional do mundo” por meio da descrição de ca-
racterísticas físicas, humanas e econômicas das unidades
políticas nacionais. Essa tradição degradou-se a ponto de
transformar os cursos em pouco mais que a apresentação UNIDADE 6
de sínteses de almanaque das “características geográfi-
cas” de cada país. No fundo, a abordagem tradicional se-
quer reconhece a escala geográfica do mundo, obscure-
O espaço da globalização
cendo a teia de relações econômicas, políticas e culturais Manuel Castells sintetizou a configuração da “eco-
que se estabelecem no espaço mundial. nomia global regionalizada” que emergiu nas duas últi-
O título dessa Parte merece um comentário. O ter- mas décadas:
mo “globalização” é um foco de polêmicas teóricas e
políticas. No terreno teórico, argumenta-se que a
“A economia global apresenta diversificações internas
globalização, se entendida como processo de configura-
representadas por três regiões principais e suas áreas
ção de uma economia mundial integrada, tem suas raízes
de influência: América do Norte [...], União Européia [...]
nas Grandes Navegações. E, de fato, o capitalismo co-
e a região do Pacífico asiático [...]. Em torno desse triân-
mercial do século XVI já estruturava uma nítida divisão
gulo de riqueza, poder e tecnologia, o resto do mundo
internacional do trabalho e diversas especializações pro-
organiza-se em uma rede hierárquica e assimetricamen-
dutivas regionais. Numa linha semelhante, argumenta-
te interdependente, conforme países e regiões diferen-
se que os dois ciclos da Revolução Industrial do século
tes competem para atrair capital, profissionais especiali-
XIX geraram ondas de investimentos internacionais que
zados e tecnologias para suas praias [...].
integraram em profundidade a economia mundial.
De certa forma, a maior parte do século XX pode O conceito de uma economia global regionalizada não
ser interpretada como uma longa reversão do processo representa nenhuma contradição de termos. Há, de
de globalização das décadas anteriores. A Primeira Guer- fato, uma economia global porque os agentes econô-
ra Mundial (1914-1918), a Revolução Russa (1917), a micos operam em uma rede global de interação que
Grande Depressão (1929 – década de 1930), a Segunda transcende as fronteiras nacionais e geográficas. Mas
Guerra Mundial (1939-1945), a Revolução Chinesa essa economia é diferenciada pelas políticas, e os
(1949) e a formação do bloco soviético da Guerra Fria governos nacionais desempenham um papel muito
interromperam ou mesmo reverteram as tendências an- importante nos processos econômicos.”
teriores. Sob uma perspectiva histórica, o que se deno- CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede.
mina hoje “globalização” poderia ser interpretado como São Paulo: Paz e Terra, 1999. p. 117-119.

33
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É preciso destacar os elementos dessa análise, que dos quartéis-generais das corporações transnacionais
ocupam lugares estratégicos na abordagem geográfica ajuda a esclarecer a topologia do espaço mundial.
do espaço mundial da globalização:
1. Um tripé de “riqueza, poder e tecnologia”, consti- Capítulo 22
tuído pela América do Norte, União Européia e Ba- Os Estados Unidos
cia do Pacífico, estrutura o espaço mundial;
e o “Hemisfério Americano”
2. A economia global opera em rede, uma rede “hie-
Formação territorial dos Estados Unidos; O caldei-
rárquica e assimetricamente interdependente” que
rão dos povos; A dinâmica regional; O Nafta e a
abrange o conjunto das regiões e países;
Alca.
3. As diferenciações na economia global decorrem, em
medida significativa, dos papéis desempenhados O Capítulo 22 está consagrado ao estudo dos Esta-
pelos governos. dos Unidos e das suas esferas de influência econômica
mais imediatas.
A Unidade 6 dedica-se a caracterizar, de modo geral, A seção inicial tem por finalidade investigar a dinâ-
a configuração desse espaço mundial. Os fluxos mica expansionista do século XIX, amparada na Doutrina
mundializados – de mercadorias, capitais, pessoas e infor- Monroe e no Destino Manifesto, e o contraste entre as
mações –, que dinamizam o processo de globalização, ge- formações socioespaciais do Norte e do Sul. O ponto de
ram redes hierárquicas e interdependentes. Na base desses chegada é a Guerra Civil e a integração econômica e polí-
fluxos encontra-se o meio tecnocientífico e informacional,

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


tica do território sob o comando da burguesia nortista.
que garante a conexão e a complementaridade dos proces-
Esse ponto de chegada, porém, funciona como
sos de produção e de consumo em escala mundial.
ponto de partida da análise da formação nacional. As
ondas de imigração européia, os fluxos contemporâ-
neos de imigrantes latino-americanos e asiáticos e a
• Conteúdo programático difícil trajetória de incorporação dos negros na socie-
dade são abordados pelo prisma da noção de melting-
Capítulo 21
pot, o “cadinho” de povos, e dos conceitos de inte-
Os fluxos da economia global gração/segregação.
Globalização: a economia policêntrica; Os conglo- Os fluxos migratórios contemporâneos, em parti-
merados transnacionais; Fluxos de mercadorias: o cular a imigração de mexicanos, evidenciam a importân-
comércio global; Fluxos de capital: os investimentos cia da discussão do conceito de fronteira, nas suas di-
internacionais; As cidades mundiais. mensões política e cultural. O tema da incorporação dos
negros na sociedade norte-americana, por sua vez, ofe-
O ponto de partida do Capítulo 21 é a configura- rece a oportunidade para a discussão dos processos gê-
ção da economia mundial capitalista do pós-guerra, no meos de segregação social e espacial, e da configuração
ambiente geopolítico da Guerra Fria. de guetos étnicos e sociais urbanos.
A ordem econômica constituída em Bretton Woods, A seção destinada à abordagem da dinâmica regio-
baseada no padrão dólar e nas instituições econômicas nal segue a trajetória de concentração e desconcentração
multilaterais (FMI, Banco Mundial e GATT, atual OMC), industrial nos Estados Unidos. A formação e o apogeu
propiciou as condições para as reconstruções européia e do Manufacturing Belt, seguido no pós-guerra pela
japonesa. A gradual emergência de uma economia glo- desconcentração de investimentos industriais para o Sul
bal policêntrica, de um lado, e os investimentos no exte- e o Oeste, revelam o impacto das mudanças tecnológicas
rior das corporações transnacionais, de outro, formaram e das políticas públicas no espaço nacional. Nesta seção,
as bases do atual processo de globalização. o conceito de meio tecnocientífico desdobra-se na análi-
O capítulo apresenta o tripé “riqueza, poder e se dos pólos de alta tecnologia e dos pólos das altas fi-
tecnologia” que estrutura o espaço mundial por meio da nanças, situados em lugares diferentes do território.
análise dos fluxos de mercadorias e dos fluxos de capitais A seção final aborda a criação do Nafta e o projeto
na economia global. Essa análise desvenda a complexa di- da Alca. Essas iniciativas, que só podem ser entendidas
visão internacional do trabalho contemporânea, que se na moldura da globalização, evidenciam a configuração
manifesta no espaço mundial sob as formas das especiali- de uma esfera de influência regional da maior potência
zações produtivas regionais, dos eixos de comércio interna- econômica do mundo. No caso do Nafta, o conjunto da
cional e da distribuição dos pólos das finanças mundiais. América do Norte solda-se economicamente aos Esta-
As cidades mundiais figuram como um traço mar- dos Unidos. O projeto da Alca, por sua vez, tem o po-
cante da globalização. O estudo da função, localiza- tencial de conectar em profundidade a América do Sul
ção e distribuição desses centros financeiros e sedes aos Estados Unidos.

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Capítulo 23 Guerra Fria experimentou notável reconstrução econômica
e redefiniu seu lugar na divisão internacional do trabalho.
União Européia e CEI O novo lugar ocupado pelo país foi determinado, durante
A integração européia; Núcleo e periferias da décadas, pela parceria estratégica e pelo intercâmbio eco-
União Européia; A Rússia e a CEI. nômico com os Estados Unidos.
O capítulo prossegue na investigação sobre a etapa A emergência dos Novos Países Industrializados (NPIs,
atual do processo de constituição de uma economia ou “Tigres Asiáticos”) refletiu as mudanças profundas na
mundial, marcada pelas tendências aparentemente con- divisão internacional do trabalho provocadas pela revolu-
traditórias de globalização e regionalização. ção tecnocientífica e informacional. O Japão redefiniu mais
uma vez seu lugar na economia global, tornando-se impor-
Criando vastos “mercados interiores” e reforçando
tante fonte de investimentos no exterior. Os NPIs iniciaram
o poder econômico das grandes corporações que atuam
sua trajetória de crescimento com base nos investimentos
no mercado global, os blocos econômicos supranacionais
japoneses e no mercado consumidor norte-americano. De
funcionam como pilares da globalização. O processo de
certo modo, a nova grande região industrial surgiu como
regionalização se manifesta contemporaneamente de di-
extensão dos pólos da microeletrônica e da informática ja-
versas formas. Na Europa, ele resulta de uma longa his-
poneses e norte-americanos.
tória de aproximações e acordos diplomáticos, cujas ori-
gens remontam ao período da Guerra Fria. A emergência econômica da China assinala uma
etapa posterior nesse processo e deflagra novos
Atualmente, a União Européia vive um novo ciclo
rearranjos na divisão internacional do trabalho. A segun-
de alargamento, que empurra os limites do bloco
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da seção do capítulo está consagrada ao estudo da emer-


supranacional até as fronteiras da Comunidade de Esta-
gência da China e da reconfiguração da Bacia do Pacífi-
dos Independentes (CEI). As dimensões política, econô-
co que está em curso.
mica e estratégica desse processo são objetos de discus-
são neste capítulo, que aborda também as negociações Ao longo do capítulo, a perspectiva central da
em torno do Tratado Constitucional, do qual emerge a abordagem é fornecida pela escala geográfica do mun-
figura do “cidadão europeu”. do. Mas, isso não implica o abandono das escalas nacio-
nal, regional e local. No caso do Japão, discute-se a for-
A expansão mais recente da União Européia eviden-
mação da megalópole de Tokaido e o fenômeno mais
ciou a divisão geopolítica da Europa no pós-Guerra Fria.
recente de descentralização industrial, que gera pólos
A Rússia e seu chamado “exterior próximo” – isto é: a
industriais no interior do arquipélago e financia parcial-
CEI – configuram um bloco geopolítico e conferem novo
mente a industrialização dos NPIs. No caso da China,
significado à expressão Europa Oriental.
propõe-se uma análise das desigualdades socioeconô-
O capítulo retoma e rediscute os conceitos de Esta- micas regionais, que são aprofundadas pela abertura
do, território, bloco supranacional, fronteira política e econômica do país.
fronteira estratégica. Além disso, proporciona a oportu-
nidade para o exame das desigualdades socioeconômicas
no interior do bloco europeu e das políticas públicas vol- • O enfoque interdisciplinar
tadas para a coesão estrutural desse bloco.
A economia-mundo e a rede de cidades
Capítulo 24
No passado, quando o comércio internacional co-
A Bacia do Pacífico meçou a interligar espaços distantes, desenhando a mol-
O Japão e os “Tigres Asiáticos”; A China, nova po- dura da economia-mundo, algumas cidades desempe-
tência mundial? nharam funções similares às das atuais cidades mundiais.
Gênova, no mar Tirreno, e Veneza, no mar Adriático,
O capítulo aborda a Bacia do Pacífico, um bloco ra- foram as pioneiras do movimento de expansão comercial
dicalmente distinto do Nafta e da União Européia por da Europa nos séculos XIV e XV. Dois séculos mais tarde,
não estar definido em tratados comerciais, econômicos Amsterdã, na Holanda, tornou-se a mais importante “ci-
ou políticos. A Bacia do Pacífico, entretanto, pode ser dade mundial”, funcionando como vértice do comércio
interpretada a partir do conceito de bloco econômico em holandês no Oriente e no Ocidente. A Companhia das
virtude do processo de integração comandado pelos flu- Índias Orientais estabeleceu a hegemonia holandesa so-
xos intra-regionais de investimentos, que geram inter- bre as rotas do Oceano Índico, agindo nos mercados asiá-
câmbios regionais cada vez mais significativos. ticos a partir de sua base um Batávia (atual Jacarta), na
O ponto de partida é a análise da evolução geopolítica Indonésia. A menos poderosa Companhia das Índias Oci-
do Japão, desde a Restauração Meiji, e da sua reorganiza- dentais chegou a controlar o comércio açucareiro do
ção no pós-guerra, definida, em larga medida, pela ocupa- Caribe e, por algum tempo, as áreas de plantations nor-
ção norte-americana. O Japão empresarial-burocrático da destinas da América Portuguesa.

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Um trabalho conjunto com o professor de História Coréia do Sul e Taiwan se caracterizam pela homoge-
pode estabelecer algumas semelhanças e diferenças entre: neidade étnica, a Malásia acolheu imigrantes india-
❚ as “cidades-Estado” do passado e as cidades nos e chineses no século XIX. As diferenças culturais
mundiais do presente; são consideráveis: a esfera de povoamento chinês
está longe do mundo muçulmano da Malásia e da
❚ as companhias de comércio holandesas e as atu-
sociedade budista tailandesa [...].
ais corporações transnacionais.
Correndo o risco da simplificação, podem-se distin-
guir os Novos Países Industrializados, ou NPIs (Coréia
• Biblioteca do professor do Sul, Taiwan, Hong Kong e Cingapura), que com-
partilham o fundo cultural chinês, da segunda onda
A configuração de uma macrorregião integrada por composta pela China e os países da Ásia de Sudeste
investimentos industriais e fluxos de comércio na Bacia (Indonésia, Malásia, Filipinas, Tailândia e Vietnã).
do Pacífico foi um dos fenômenos marcantes das últimas
décadas. A configuração do espaço mundial alterou-se Mesmo desprovidos de recursos naturais, os NPIs zar-
em profundidade e as repercussões do crescimento eco- param na frente. As análises elaboradas por Arnold
nômico da China e dos NPIs (os “Tigres Asiáticos”) con- Toynbee para compreender a história das civilizações
tinuam a se fazer sentir, modificando globalmente as di- encontram uma aplicação imprevista nesses países
reções dos investimentos financeiros e dos intercâmbios onde o desenvolvimento consistiu em ultrapassar de-
de bens e serviços. safios: o do Japão – antiga metrópole colonial – e da
concorrência próxima do comunismo, para a Coréia

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Nos NPIs e em vastas áreas da China litorânea, a
do Sul, Taiwan e Hong Kong, e aquele do entorno
onda de modernização varreu antigas paisagens de socie-
malaio, para o enclave chinês de Cingapura.
dades agrícolas, gerando novas paisagens urbanas e in-
dustriais. O texto seguinte, de Jean-Raphael Chaponnière, Postos avançados da Guerra Fria, a Coréia do Sul e
analisa esse processo. As tendências apontadas continu- Taiwan se beneficiaram de uma ajuda internacional im-
am a se desenvolver, confirmando a análise do autor. portante nos anos 1950 [...]. A diminuição da ajuda os
estimulou a adotar uma estratégia de promoção das
O vírus industrial no Extremo Oriente exportações. Lançados no movimento iniciado pelo Ja-
pão, esses países exportaram sucessivamente camisas,
“Desde a metade da época de 1950, o crescimento tecidos, televisores, em seguida peças eletrônicas e au-
econômico tornou-se contagioso na Ásia. A reconstru- tomóveis [...]. Entre 1987 e 1995, com o auxílio da de-
ção do Japão foi seguida pela arrancada da Coréia do mocratização e das lutas sociais, os salários aumenta-
Sul, de Taiwan, de Hong Kong e de Cingapura já na ram mais de 10% ao ano e o diferencial com os níveis
década de 1960 e, vinte anos mais tarde, pela emer- de vida europeus diminuiu. Essas altas ampliaram o
gência da Indonésia, da Malásia, da Tailândia e da consumo local, mas pesam sobre os custos de produ-
China e, enfim, depois da desagregação do bloco so- ção [...]. Para superar essa restrição, os industriais in-
viético, pela do Vietnã. Um após o outro, esses países vestiram pesadamente na China e no resto da Ásia.
adotaram estratégias de industrialização combinando
a promoção das exportações de manufaturados e – Foi através da valorização dos seus recursos naturais
com exceção de Hong Kong e Cingapura – uma prote- abundantes (estanho, petróleo, gás natural, planta-
ção seletiva dos seus mercados [...]. ções de borracha e produção de óleo de palmeira)
que os países do Sudeste asiático se desenvolveram
Tal dinamismo causa espanto. O Banco Mundial evo- após as independências. A indústria de bens de con-
ca os ‘milagres asiáticos’ e a mídia descreve os ‘no- sumo não-duráveis, controlada por empresários de
vos tigres’, diferentes dos ‘pequenos dragões’ (isto é, origem étnica chinesa, era pouco exportadora. A par-
Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Cingapura). Con- tir de 1980, a queda dos preços das matérias-primas
tudo, tais qualificativos não dão conta da diversidade no mercado internacional convenceu os Estados a
de países que, excetuando a localização geográfica, conferirem prioridade às exportações; na mesma épo-
não têm muito em comum. ca, a China engajava-se nas reformas de moderniza-
A distância econômica entre a Alemanha e a Grécia, ção para construir o ‘socialismo de mercado’. Tais
na Europa, é pouca coisa comparada ao fosso que mudanças coincidiram com o início das relocalizações
separa Taiwan, com renda per capita vizinha à da Es- japonesas [...], coreanas e taiwanesas. O Sudeste asi-
panha, da Indonésia, com renda per capita próxima à ático e a China se tornaram plataformas de exporta-
do Egito. Cingapura é uma cidade-Estado povoada ção de produtos industriais. O petróleo e o gás repre-
por cerca de 3 milhões de habitantes; a Indonésia, sentaram o essencial das exportações da Indonésia
um arquipélago de quase 200 milhões de habitantes, em 1980, mas menos de 40% em 1994. Desde 1992, a
e um quinto da humanidade é chinesa. Enquanto a China exporta mais que a Coréia do Sul [...].

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O movimento de integração que acompanha a emer- Bandung, de 1955. A escola de geógrafos franceses da
gência da Ásia testemunha um fenômeno de regiona- “Geografia Ativa” abordou o subdesenvolvimento em di-
lização. Nem o fax, nem as teleconferências permiti- versos estudos, que conduziram a listagens de caracterís-
ram eliminar as restrições da geografia, e a maior ticas dos “países subdesenvolvidos”. Aquelas característi-
parte dos países realizam o essencial das suas trocas cas esvaziaram-se de significado nas últimas décadas, em
com os seus vizinhos: a França com a Alemanha, os virtude da difusão da indústria por diversos países subde-
Estados Unidos com o Canadá. Esse não era o caso senvolvidos e da aceleração da urbanização na América
da Ásia. Embora baste uma jornada de navio para ir Latina, Ásia oriental e, em grau menor, também na Ásia
da península coreana ao litoral chinês ou para atra- meridional e na África Subsaariana.
vessar o estreito de Taiwan, nem a Coréia do Sul, Há sentido utilizar o par conceitual desenvolvimen-
nem Taiwan realizavam comércio com a China. to/subdesenvolvimento na “era da globalização”? Essa
Tudo mudou depois de 1989. Em 1995, a China foi o indagação continua submetida a interessantes debates e
terceiro parceiro comercial da Coréia do Sul, e Taiwan polêmicas apaixonadas. A obra que apresentamos utiliza
realiza 10% das suas trocas com o continente chinês. esse par conceitual, redefinindo-o de acordo com suges-
A isso, deve-se acrescentar os fluxos ligados às tões de diferentes autores.
relocalizações da Ásia oriental na direção da Ásia de O espaço mundial estruturado pelo tripé “riqueza,
sudeste.” poder e tecnologia” e organizado em “uma rede hierár-
CHAPONNIÈRE, Jean-Raphael. L’émergence des économies quica e assimetricamente interdependente” está atraves-
asiatiques: une croissance contagieuse. In: L’État sado por uma fronteira socioeconômica de fundo. Essa
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

du Monde 1996. Paris: La Découverte, 1995. p. 132-135. fronteira que separa o “Norte” do “Sul” define-se pelo
Traduzido pelos autores. controle sobre os grandes estoques de capital e pelo con-
trole das tecnologias da revolução tecnocientífica e
informacional. Yves Lacoste sugere que a fronteira socio-
• Indicações de leitura econômica também expressa as desigualdades no ritmo
BEAUD, Michel. História do capitalismo. São Pau- do processo de transição demográfica.
lo: Brasiliense, 1987. “Norte” e “Sul” representam, na escala mundial,
BENKO, Georges. Economia, espaço e globaliza- conjuntos de países que desempenham funções de centro
ção. São Paulo: Hucitec, 1996. e periferia na economia global. Mas “Norte” e “Sul” ex-
pressam, em outras escalas, o contraste entre regiões e
MAGNOLI, Demétrio. Globalização: Estado nacio-
lugares inscritos nos circuitos da globalização, de um lado,
nal e espaço mundial. São Paulo: Moderna,
e regiões e lugares excluídos desses circuitos, de outro.
2004.
——. União Européia: história e geopolítica. São
Paulo: Moderna, 2004. • Conteúdo programático
—— e ARAUJO, Regina. O projeto da Alca: He-
misfério Americano e Mercosul na ótica do Bra- Capítulo 25
sil. São Paulo: Moderna, 2003.
Periferias da globalização
ROCHEFORT, Michel. Rede e sistemas. São Pau-
lo: Hucitec, 1998. As fronteiras da produtividade; As fronteiras da po-
breza; Ásia meridional; África Subsaariana.
SASSEN, Saskia. As cidades na economia mundial.
São Paulo: Studio Nobel, 1998. A problemática do desenvolvimento e do subdesen-
WALLERSTEIN, Immanuel. O capitalismo históri- volvimento constitui o eixo central do capítulo. A abor-
co. São Paulo: Brasiliense, 1985. dagem proposta elabora o conceito de produtividade
econômica e, com base nele, discute o processo de trans-
ferências setoriais da força de trabalho associadas à evo-
lução tecnológica. A finalidade é desvendar os significa-
UNIDADE 7 dos históricos e geográficos das transferências de força
de trabalho do setor agrícola para os setores econômicos
urbanos e relacionar essas transferências ao conceito de
A fronteira Norte-Sul desenvolvimento.
O par conceitual desenvolvimento/subdesenvolvi- Mas o conceito de desenvolvimento experimentou,
mento consolidou-se durante o processo de descoloniza- ele próprio, um desenvolvimento. Atualmente, esse con-
ção do pós-guerra. Sua expressão geopolítica foi a noção ceito deve ser referenciado na revolução tecnocientífica e
de Terceiro Mundo, propagada a partir da Conferência de na configuração do meio tecnocientífico-informacional. O

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desenvolvimento significa, cada vez mais, controle sobre as mesmo tempo, revela a teia de relações que conecta a
tecnologias de ponta, o que representa aumento da produ- demografia humana à economia, às tecnologias e ao es-
tividade geral da economia e, o que é de importância sin- paço geográfico.
gular na Geografia, aumento da “produtividade espacial”. O ritmo e a intensidade do crescimento demográfico
O mapa dos investimentos em Pesquisa & Desen- das populações variam no tempo e no espaço. De acordo
volvimento que conclui a primeira seção do capítulo ofe- com as proposições malthusianas, tanto o comportamen-
rece a oportunidade de apreensão de uma dimensão to reprodutivo das sociedades humanas quanto o padrão
fundamental do espaço mundial contemporâneo. Ele re- geral de mortalidade nelas vigente seriam determinados
vela os contornos do “Norte” e do “Sul” e, também, por mecanismos naturais de regulação. Nessa perspecti-
permite apreciar aspectos importantes das desigualda- va, a natureza se encarregaria de “eliminar” o excedente
des entre os países do “Sul”. por meio de epidemias e crises generalizadas de fome que
As seções seguintes do capítulo estão destinadas à teriam a mesma função reguladora que a dos predadores
análise da difusão da pobreza no espaço mundial. O Índi- entre os animais.
ce de Desenvolvimento Humano (IDH) é certamente o O conceito de transição demográfica proporciona
mais completo indicador das condições de vida das popu- uma narrativa isenta de naturalismo. A transição demo-
lações em todo o mundo: daí seu destaque no capítulo. gráfica se refere à transição entre duas situações padrão
Se é verdade que a pobreza está presente também de crescimento demográfico. No período pré-transicio-
em países de IDH elevado, como revela o Índice de Po- nal, um regime demográfico tradicional se define por al-
breza Humana (IPH), é verdade também que ela não se tas taxas de natalidade e de mortalidade. O período pós-

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distribui no mundo de maneira uniforme. O capítulo dis- transicional, ou seja, o regime demográfico moderno,
cute em detalhes a Ásia Meridional e a África Subsaaria- define-se por baixas taxas de natalidade e de mortalida-
na, que apresentam as maiores concentrações de pobre- de. A fase aguda de crescimento da população corres-
za absoluta no mundo. ponde exatamente ao período de transição, no qual a
Na Ásia Meridional, a excessiva pressão demográfica taxa de mortalidade já caiu e a de natalidade permanece
sobre os vales férteis e a permanência de uma estrutura elevada. A Europa, berço da Revolução Industrial, co-
de produção agrícola baseada no trabalho intensivo figu- nheceu esse período de transição no século XIX. A per-
ram entre as principais causas da pobreza generalizada. manência de taxas de fecundidade relativamente eleva-
das explica o grande aumento do crescimento vegetativo
Em algumas regiões da África Subsaariana, como o
que marcou essa etapa da história do continente, na qual
Sahel, a pobreza é também conseqüência da pressão
surgiram as teses malthusianas.
demográfica sobre sistemas ecologicamente frágeis.
Mas, no conjunto, a miséria africana é principalmente Atualmente, a transição demográfica já se comple-
uma herança do colonialismo. As economias agroexpor- tou tanto na Europa quanto no conjunto dos países de-
tadoras, implantadas pelos colonizadores, ocupam as senvolvidos, caracterizados por um regime demográfico
melhores terras e uma parte significativa da força de tra- moderno. O caso europeu, no entanto, é ainda bastante
balho, enquanto as economias de subsistência foram, e particular: a manutenção da PEA do continente depen-
ainda são, desestruturadas pela penetração desigual das derá cada vez mais da imigração.
relações de produção capitalistas. Nos países subdesenvolvidos, a transição se iniciou
As dramáticas crises de fome que abalam o conti- muito mais tarde, após a Segunda Guerra Mundial, com
nente e a pandemia de aids são indicadores da difusão a redução generalizada das taxas de mortalidade, resul-
da pobreza absoluta, mas não podem ser explicadas uni- tante da revolução médico-sanitária. A conseqüência dis-
camente sob esse prisma. Elas refletem, em grande me- so, ou seja, o incremento demográfico sem precedentes
dida, a falência política dos Estados pós-coloniais. na história humana, alimentou o mito da explosão
demográfica e o surgimento do neomalthusianismo e do
Capítulo 26 ecomalthusianismo.

A transição demográfica Entretanto, todas as regiões do mundo subdesen-


volvido já ingressaram na segunda fase da transição
Industrialização e demografia; O mito da explosão demográfica, ou seja, apresentam tendência de queda
demográfica; As migrações internacionais; Dinâmi- das taxas de mortalidade, ainda que o ritmo do processo
ca da população no Brasil; A estrutura etária da po- seja desigual. A análise dessas desigualdades proporcio-
pulação brasileira. na a apreensão de mais uma dimensão do espaço mun-
O capítulo aborda a transição demográfica global e dial contemporâneo.
no Brasil. A construção do conceito de transição Na moldura conceitual anterior, o capítulo aborda
demográfica fundamenta a crítica das explicações natura- a evolução das estruturas etárias e analisa, em particu-
listas do comportamento demográfico da humanidade. Ao lar, o caso da estrutura etária brasileira. Nesta seção,

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evidencia-se a relação entre estrutura de idades e de- urbana. Atualmente, a maior parte das megacidades está
mandas sociais, o que coloca em pauta a discussão das localizada no mundo subdesenvolvido. Todas elas sofrem
políticas públicas de educação, saúde e previdência. de grandes problemas de infra-estrutura, principalmente
aqueles relacionados ao saneamento básico e à moradia.
Capítulo 27 Mas é claro que esses problemas são tão mais intensos
quanto menor for a capacidade de investimento do po-
Urbanização e meio ambiente
der público e, portanto, quanto mais pobre for o país no
O processo de urbanização; Metrópoles e megaló- qual ela se situa.
poles; O fenômeno das megacidades; O meio am-
Nas grandes cidades, o predomínio das formas arti-
biente urbano.
ficiais atesta de maneira inequívoca o recuo do meio na-
O processo acelerado de urbanização da população tural e suas conseqüências, em termos de impactos
mundial, o espaço das grandes aglomerações urbanas e ambientais. Os resíduos lançados nos rios, solos e atmos-
suas dinâmicas ambientais constituem os eixos temáticos fera são os principais responsáveis pelos problemas
deste capítulo. A Revolução Industrial pode ser vista ambientais tipicamente urbanos. No ambiente das gran-
como o marco inicial desse processo, já que com ela des cidades, configura-se um microclima urbano forte-
emergiu a divisão social do trabalho que caracteriza as mente alterado e potencialmente danoso para a saúde
sociedades modernas. humana. A poluição atmosférica deriva da emissão de
No conjunto dos países desenvolvidos, a segunda gases e de material particulado, que também produzem
metade do século XIX correspondeu a um período de os nevoeiros constantes e contribuem para a ocorrência
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

grande urbanização. De um lado, a introdução de no- de chuvas ácidas. O uso intensivo de combustíveis fós-
vas tecnologias no campo gerou intensa migração em seis e a densidade das construções produzem o fenôme-
direção às cidades, alimentando o mercado de traba- no conhecido como ilha de calor, perceptível principal-
lho industrial em expansão. De outro, os grandes cen- mente nas áreas centrais. Por meio do metabolismo
tros urbanos e mesmo os núcleos modestos se trans- urbano, a energia e a matéria consumidas e processadas
formaram em metrópoles, imensas superfícies pelas cidades geram quantidades colossais de resíduos
urbano-industriais que nasceram em função da ten- sólidos e líquidos.
dência à concentração geográfica da produção, típica
do capitalismo industrial. Mais tarde, seria a vez das
megalópoles, grandes regiões urbanizadas polarizadas • O enfoque interdisciplinar
por duas ou mais metrópoles. Subnutrição, desnutrição e fome
Nos países desenvolvidos, a urbanização pratica-
A incidência da fome é um dos indicadores mais
mente já se completou e a população da maioria das
contundentes da pobreza e das precárias condições de
metrópoles parou de crescer ou cresce muito lentamen-
vida das populações. Uma pesquisa interdisciplinar en-
te. Mas, no conjunto dos países subdesenvolvidos, o pro-
volvendo o professor de Biologia pode revelar outras di-
cesso de urbanização deslanchou após a Segunda Guer-
mensões desse problema.
ra Mundial, sob o efeito da modernização econômica e
do êxodo rural provocado pela dissolução da economia Os alunos poderão investigar, por exemplo, quais são
rural auto-suficiente. os patamares diários mínimos de ingestão de calorias, re-
comendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS),
As diferenças no processo de urbanização dos paí-
e em que eles se baseiam. Além disso, poderão buscar
ses desenvolvidos e dos subdesenvolvidos devem ser
informações acerca do significado clínico da subnutrição e
abordadas sob o ponto de vista estrutural, isto é, quali-
da desnutrição, e sobre seus efeitos no organismo.
tativo. No caso dos países subdesenvolvidos – mesmo
naqueles que conheceram significativa industrialização –
a oferta de empregos no setor secundário é relativamen-
te escassa. O resultado é a expansão do pequeno co-
• Biblioteca do professor
mércio, dos serviços de baixa qualificação e das mais va- O geógrafo Yves Lacoste participou – ao lado de
riadas formas de exclusão social. Pierre George, Raymond Guglielmo e Bernard Kayser –
Além disso, na Europa pré-industrial, já havia uma da obra coletiva A Geografia Ativa que, na década de
densa rede de cidades antes da arrancada da urbaniza- 1960, anunciou um movimento de renovação crítica do
ção: a metropolização apenas tornou mais complexa pensamento geográfico. Na época, ele formulou, sob a
uma hierarquia urbana preexistente. Em muitos países perspectiva da Geografia, os conceitos de subdesenvol-
subdesenvolvidos, ao contrário, quase todo o êxodo ru- vimento e Terceiro Mundo.
ral está direcionado para uns poucos centros urbanos, Os dois conceitos acompanharam toda sua reflexão
gerando o fenômeno conhecido como macrocefalia posterior. A industrialização parcial e desigual dos países

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subdesenvolvidos obrigou-o a rever as idéias originais, […] As populações não confundem, de modo algum,
adaptando-as às transformações do espaço mundial. a subalimentação ou a má nutrição de que sofrem
Depois, enfrentando os críticos que se voltavam contra a permanentemente, ou durante longos períodos, com
noção de uma bipartição do mundo em países desenvol- a fome, que elas temem como uma catástrofe e que,
vidos e subdesenvolvidos, Lacoste mais uma vez defen- muitas vezes, provoca movimentos de êxodo ou de
deu a validade do par conceitual. pânico. Fome é gente morrendo em grande número
O texto a seguir, extraído da obra na qual contesta ao longo das estradas, e os que ainda não morre-
os críticos, reflete sobre as relações entre subdesenvolvi- ram sem forças sequer para enterrá-los.
mento, crescimento demográfico e fome. […] Durante os últimos decênios, o desenvolvimento
das contradições econômicas, sociais, políticas e cul-
A explosão demográfica contradiz a tese turais que caracterizam os países do Terceiro Mun-
da fome planetária do, e o fato de que, por diversas razões, as popula-
ções tomam cada vez mais consciência da sua misé-
“[…] É incontestável que a fome, no sentido exato ria — tudo isso conduziu os governos a temer o
do termo, afeta periodicamente uma parte da po- desencadeamento da fome. Esta pode provocar tu-
pulação de Estados como a Etiópia, o Sudão, os da multos, rebeliões difíceis de dominar. Os progressos
zona do Sahel, Moçambique e, sem dúvida, tam- da climatologia permitem agora prever com antece-
bém o Haiti e Bangladesh, que no total formam […] dência os efeitos de certas irregularidades climáti-
menos de 10% da população do Terceiro Mundo — cas. A ampliação da rede rodoviária, a multiplicação

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


e isso já é inadmissível, pois hoje essas tragédias do número de caminhões e a ajuda internacional per-
podem ser evitadas sem que seja necessário espe- mitem agora encaminhar os socorros mais ou menos
rar o estabelecimento de uma ‘nova ordem econô- a tempo de evitar que a verdadeira fome se manifes-
mica’ no planeta. te. Hoje a fome é muito perigosa politicamente.
Entretanto, não só é falso mas também […] extre- Ora, é importante constatar que os períodos atuais
mamente perigoso proclamar que a fome devasta de fome e os que ocorreram nos últimos quinze anos
hoje a totalidade do Terceiro Mundo. Na realidade, se localizam nos países do Terceiro Mundo onde a
sabemos que os países da África, Ásia e América extensão das atividades resultantes do sistema capi-
Latina se caracterizam há vários decênios por um talista é ainda particularmente reduzida. É o caso dos
grande crescimento demográfico, que resulta da países do Sahel: as terras permaneceram basicamen-
manutenção de altos índices de natalidade e, so- te coletivas, as culturas de exportação quase não se
bretudo, de uma considerável redução dos índices desenvolveram e vastas regiões estão ainda nas mãos
de mortalidade. de pastores. Na Etiópia, não são as regiões cafeeiras
[…] A redução da mortalidade que se manifestou nes- que são atingidas pela fome, mas as regiões semi-
ses últimos decênios […] resulta principalmente do áridas de agricultura tradicional.
emprego de técnicas sanitárias eficazes (um dos efei-
Em contrapartida, consegue-se conter a fome há vá-
tos positivos da revolução científica e técnica). Mas
rias décadas — apesar de um grande crescimento
esta redução da mortalidade também é conseqüên-
demográfico — nos Estados mais modernizados pelo
cia do fato de que, nos últimos trinta anos, as terrí-
crescimento das atividades ligadas ao setor capitalis-
veis fomes de outrora puderam ser vencidas na maio-
ta, e ela teve de ser vencida em razão das contradi-
ria dos países.
ções sociais e políticas que este crescimento produz.
[…] É importante frisar que os gravíssimos períodos No entanto, o fato é que, em todos os países do Ter-
de fome que se manifestavam periodicamente duran- ceiro Mundo, a subalimentação, a má nutrição e a
te todo o século XIX e nas primeiras décadas do sécu- situação sanitária são muito graves para a grande
lo XX, na maioria dos países do Terceiro Mundo, ocor- maioria da população.”
reram quando a densidade de povoamento era duas
ou três vezes menor que hoje, e o crescimento LACOSTE, Yves. Contra os antiterceiro-mundistas e contra
certos terceiro-mundistas. São Paulo: Ática, 1991. p. 41-46.
demográfico era ainda muito reduzido. Não há corre-
lação entre a fase de multiplicação dos períodos de
fome e a do grande crescimento demográfico. Ao con-
trário, apesar do que se poderia acreditar, a correla-
• Indicações de leitura
ção é inversa: foi depois do grande aumento da po- DOWBOR, Ladislau. A formação do Terceiro
pulação no conjunto dos países do Terceiro Mundo Mundo. São Paulo: Brasiliense, 1985.
que a fome se tornou muito menos freqüente que an- FERRO, Marc. História das colonizações. São Pau-
tes. E este fato explica aquele. lo: Companhia das Letras, 1996.

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 40 14.07.05, 16:25
LACOSTE, Yves. Contra os antiterceiro-mundistas No registro do imaginário, a fronteira distingue
e contra certos terceiro-mundistas. São Paulo: uma comunidade do Outro, isto é, do estrangeiro. Essa
Ática, 1991. distinção realiza-se por meio de uma narrativa sobre a
MARTINE, George (Org.). População, meio am- singularidade da comunidade política: a língua e a cul-
biente e desenvolvimento. Campinas: tura compartilhadas, um passado comum, a crença num
Unicamp, 1996. futuro de unidade.
ROLNIK, Raquel. O que é cidade. São Paulo: A Unidade 8 dirige as atenções para a construção
Brasiliense, 1995. dos conceitos de Estado, nação, território e fronteira. O
temário abrange temas fundamentais da geografia polí-
VERRIERRE, Jacques. As políticas de população.
tica contemporânea, mas sua finalidade não é, primaria-
São Paulo: Difel, 1980.
mente, oferecer informações ou explicações para o sis-
tema internacional pós-Guerra Fria, os conflitos no
Oriente Médio ou os dilemas políticos africanos. É de-
senvolver o quadro de conceitos que proporciona a lei-
UNIDADE 8 tura competente do noticiário político e, portanto, o ple-
no exercício da cidadania.
Geopolíticas
da globalização • Conteúdo programático
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O que é a fronteira? Na natureza, fronteiras são fai-


Capítulo 28
xas, às vezes bastante largas, que assinalam a transição
entre domínios. Na política, são estruturas lineares que Da Guerra Fria à “nova
delimitam territórios. O geógrafo Michel Foucher evi- ordem mundial”
denciou os três registros da fronteira política: O equilíbrio bipolar da Guerra Fria; A “nova or-
dem mundial”.
“As fronteiras são estruturas espaciais elementares,
O capítulo aborda a ordem internacional bipolar da
de forma linear, que exercem funções de descontinui-
Guerra Fria, sua dissolução e as características da ordem
dade geopolítica, de delimitação e demarcação, nos
internacional atual.
três registros do real, do simbólico e do imaginário. A
descontinuidade interpõe-se entre as soberanias, as A seção inicial, dedicada à ordem da Guerra Fria,
histórias, as sociedades, as economias, os Estados, discute os conceitos de sistema internacional de Esta-
freqüentemente – mas não sempre – também entre as dos, blocos geopolíticos e fronteira estratégica. O cará-
línguas e as nações. ter bipolar e universal do sistema da Guerra Fria estru-
tura-se sobre a dupla hegemonia das superpotências
No registro real, é o limite espacial de exercício de nucleares.
uma soberania [...]. O simbólico remete à participa-
A Europa é o palco principal de confrontação das
ção em uma comunidade política inscrita num terri-
superpotências nucleares. A divisão da Europa em blo-
tório que lhe pertence: é um sinal identitário. O ima-
cos geopolíticos estabeleceu os conceitos antagônicos
ginário conota as relações com o Outro, vizinho,
de Europa Ocidental e Europa Oriental. A Cortina de
amigo ou inimigo, e portanto as relações da comu-
Ferro funcionou como fronteira estratégica entre os
nidade política com a sua própria história e seus
blocos europeus.
mitos fundadores [...]. A fronteira não é, então, um
limite funcional banal, com simples funções jurídi- A dissolução da Guerra Fria, cujos marcos são a
cas ou fiscais.” queda do Muro de Berlim (1989) e a implosão da União
Soviética, originou uma ordem internacional instável e
FOUCHER, Michel. Fronts et frontières: um tour du monde
complexa. “Nova ordem mundial” não é uma descri-
géopolitique. Paris: Fayard, 1991. p. 38.
ção adequada da ordem pós-Guerra Fria, mas uma
bandeira dos Estados Unidos triunfantes do início da dé-
No registro do real, a fronteira delimita soberanias cada de 1990.
políticas e, portanto, territórios definidos por sistemas de A segunda seção está consagrada ao sistema in-
leis. Mas a fronteira não desempenha apenas funções ternacional atual. A ordem pós-Guerra Fria não confi-
jurídicas ou fiscais. gura um sistema de polaridades claramente definidas.
No registro do simbólico, a fronteira delimita o ter- No plano estratégico, os Estados Unidos funcionam
ritório de uma comunidade política que se define por si- como hiperpotência global. No plano econômico, a
nais de identidade: o hino, a bandeira, o mapa. época da globalização apresenta-se sob configuração

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multipolar. A complexidade do sistema manifesta-se “jihad” global não é fruto do Islã, mas o resultado de
também nas transformações do espaço europeu, após doutrinas políticas contemporâneas que se consolidaram
o fim do bloco soviético e a expansão da OTAN e da após a virtual dissolução do projeto pan-arabista. O ter-
União Européia em direção ao leste. A fronteira estra- ror “islâmico” não é, portanto, o porta-voz de uma reli-
tégica européia não desaparece, mas muda de natu- gião, uma cultura ou uma civilização.
reza e de lugar, passando a separar a Rússia e a CEI do
restante do continente. Capítulo 30
Na ordem pós-Guerra Fria, as instituições inter-
Estado e nação na África
nacionais sofrem os efeitos da tensão gerada pela
hegemonia da hiperpotência. Essa tensão manifesta- África do Norte e África Subsaariana; As fronteiras
se sobretudo na ONU, como atestam os aconteci- e os Estados; O fracasso do Estado-Nação.
mentos ligados à invasão norte-americana do Iraque,
No ensino tradicional de Geografia, a África
em 2003.
Subsaariana é abordada unicamente sob a perspectiva
O sistema internacional atual está longe da estabi- do subdesenvolvimento, da miséria e da “explosão
lidade. Um dos fatores principais de instabilidade são demográfica”. O ponto de vista metodológico exclui,
os conflitos nacionais, que voltaram a abalar a Europa conscientemente ou não, as sociedades africanas do
e, particularmente, os Bálcãs na década de 1990. A aná- terreno da política. Tudo se passa como se essas socie-
lise dos conflitos balcânicos e da questão irlandesa abre dades estivessem “condenadas” à pobreza e à exclu-
caminho à construção dos conceitos de Estado e nação, são. O capítulo tem a finalidade de situar em outros

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que solicitam a elaboração da idéia de fronteira nos re- termos a discussão sobre a África Subsaariana, eviden-
gistros do simbólico e do imaginário. ciando as raízes históricas e as fontes políticas dos seus
dilemas socioeconômicos.
Capítulo 29 A seção inicial caracteriza a África Subsaariana, res-
O mundo muçulmano saltando sua extraordinária diversidade. No fundo, o
e o Oriente Médio conjunto que hoje se denomina África Subsaariana não
apresenta unidade interna, pois o tráfico negreiro e,
Mundo árabe, mundo muçulmano; O nacionalismo
mais tarde, a expansão imperial européia “inventaram”
árabe e o Estado de Israel; O Islã e o terror global.
uma África Subsaariana.
A Doutrina Bush alçou o conceito de civilização à Essa “invenção” deixou marcas e cicatrizes profun-
condição de elemento central do programa de política das, discutidas na segunda seção. A “caça ao homem”
externa da hiperpotência global. Parte significativa e in- e o empreendimento mercantil internacional do tráfico
fluente da mídia ocidental entregou-se à difusão de es- negreiro afetaram a demografia e a política africanas.
tereótipos e preconceitos sobre árabes e muçulmanos. Em especial, o tráfico negreiro internalizou-se, funcio-
O exame dos conceitos de mundo árabe e mundo mu- nando como argamassa para a construção de apare-
çulmano, na seção incial do capítulo, destina-se a funda- lhos políticos das elites negreiras africanas. Muitas das
mentar toda a discussão seguinte, que pretende situar o atuais identidades étnicas na África Subsaariana foram
conflito entre palestinos e Israel e a questão do terror construídas nesse processo, cujas repercussões expli-
global numa moldura política. Esse procedimento tem a cam, ao menos em parte, os conflitos atuais entre clãs
finalidade de mudar o registro estereotipado proposto e etnias nas sociedades africanas.
por essa parte da mídia, que se engajou na sua própria A expansão imperial européia desenhou as fron-
“guerra ao terror”. teiras políticas africanas. As potências coloniais estabe-
A segunda seção aborda o Oriente Médio e, em leceram territórios que viriam a gerar os atuais Estados
particular, o conflito na Palestina. O conceito de fron- africanos. A descolonização significou, em diversos ca-
teira reaparece sob um novo enfoque. A estratégia é sos, a substituição do poder europeu pelo poder de eli-
evidenciar o conteúdo nacional do conflito entre Israel tes étnicas selecionadas pelos colonizadores. Os atuais
e os palestinos, e suas releituras culturais e religiosas, Estados africanos não surgiram, de modo geral, como
que obedecem às necessidades da narrativa dos funda- expressão de nacionalismos africanos, mas como he-
mentalistas dos dois campos antagônicos. Além disso, rança do imperialismo europeu.
procura-se revelar o sentido estratégico das disputas A terceira seção dedica-se ao exame dos dilemas
territoriais na Palestina, inclusive sob o ponto de vista da miséria e das guerras civis. A moldura política da
do controle das fontes de água, um recurso natural es- análise é o fracasso do Estado-Nação em grande parte
casso na região. da África Subsaariana. Esse fracasso em unificar socie-
A terceira seção aborda a Doutrina Bush e a ques- dades atravessadas por identidades étnicas e clânicas,
tão do terror global. A análise histórica evidencia que a em erguer instituições nacionais verdadeiramente

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 42 14.07.05, 16:25
públicas, não reflete um “destino”. É um produto da rece ao espectador o sentimento do sublime. E ainda
história e, por isso mesmo, pode ser modificado pela é uma natureza supostamente virgem que os primei-
ação criadora dos cidadãos. ros pintores franceses da paisagem vão procurar em
1830 na floresta de Fontainebleau, a ‘selva’ mais pró-
xima da capital. Isso, por outro lado, conduz rapida-
• O enfoque interdisciplinar mente a transformar as paisagens pintadas em luga-
res ‘a serem vistos’. Logo, os guias de viagem pas-
A Geografia, a História e o nacionalismo
sam a indicá-los e Napoleão III institui as ‘zonas artís-
A Geografia e a História nasceram, como ciências ticas protegidas’.
contemporâneas, no berço do positivismo. Ensinadas nas […] Colina arenosa, rochas, solidão: essa paisagem
escolas fundamentais e médias desde o século XIX, essas de Fontainebleau é […] um dos grandes modelos de
disciplinas tornaram-se instrumentos da difusão de iden- construção das paisagens do século XIX. Não há nada
tidades nacionais. Os procedimentos metodológicos do de espantoso nisso, se sabemos que a formação dos
positivismo moldaram as descrições geográficas e as nar- pintores não passa mais pela viagem à Itália, mas
rativas históricas do nacionalismo. por temporadas na França e na Alemanha. Outros
A História desempenhava a função de inscrever grandes modelos de base: a paisagem alpina, desco-
a pátria no tempo, elaborando a narrativa das origens. berta inicialmente na Suíça pelos ingleses e, mais tar-
A Geografia cumpria a função de inscrever a pátria diamente, a costa da Bretanha, na condição de con-
no espaço, fornecendo uma narrativa sobre o territó- servatório do litoral selvagem.
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rio nacional. As paisagens nacionais derivam, geralmente, de um


De que modo o positivismo moldou a Geografia e ou de outro desses modelos, por adaptação e adição
a História, no século XIX? Quais são os procedimentos de elementos significativos. O trabalho de elaboração
das descrições geográficas típicas do nacionalismo? E da paisagem nacional é, de fato, uma obra coletiva,
as das narrativas históricas nacionalistas? Estas ques- realizada tanto por poetas e escritores quanto por pin-
tões, fundamentais para uma compreensão mais pro- tores: a descrição paisagística ocupa um lugar desta-
funda das ciências, podem ser abordadas em conjunto cado na literatura do século XIX. Todas selecionadas
com os professores de Filosofia e História. no reservatório da natureza e, segundo uma estética
coerente, os cenários são carregados de sentido e
portadores de sentimentos.
• Biblioteca do professor Mas como determinar precisamente as paisagens que
O texto seguinte é de autoria da antropóloga Anne- sintetizam a nação, funcionando como seus emble-
Marie Thiesse. A autora aborda o tema da fabricação mas? Como escolher entre montanha e planície, mar,
cultural das “paisagens nacionais”, que é de especial in- lago ou rio, floresta ou landes, sabendo que vários
teresse para a Geografia. países possuem a gama completa ou parte dela? É,
em geral, um princípio de diferenciação que é posto
Seu texto revela o papel desempenhado pelo
em prática. A paisagem nacional norueguesa, assim,
paisagismo na construção política das identidades nacio-
não é vale nem floresta, mas toma a forma do fiorde
nais. Por meio dele, é possível perceber que a nação é
imaculado de neve, cuja cor e verticalidade contras-
um produto da história e da cultura, bem como da geo- tam fortemente com as verdes pradarias do antigo
grafia. A construção de “paisagens nacionais” típicas foi dominador dinamarquês e das não menos verdes flo-
um empreendimento diversificado, do qual participaram restas do novo dominador sueco.
geógrafos, escritores, pintores, viajantes. Os resultados
forneceram imagens e símbolos poderosos para a con- A Hungria tem montanhas, nos Cárpatos, e colinas.
solidação dos Estados nacionais. Mas, por uma distinção radical em relação à Áustria e
seus Alpes grandiosos, os poetas e pintores húnga-
ros retiveram como paisagem típica da Hungria a
Paisagens nacionais Puszta (Grande Planície). Um poema de Petofi, em
“A pintura da paisagem se renova no final do século 1844, exalta essa paisagem, em princípio ingrata, pro-
XVIII, propondo a contemplação de uma natureza na clama que a Puszta é bela e que os húngaros devem
qual não mais aparecem os homens e seu trabalho. amá-la. Essa imensidão descrita como infinita e bati-
Natureza virgem, animada pela sua própria vida, na da pelas tempestades, sob um céu carregado de
qual os traços da atividade humana, quando apare- cumulus, aparece como um tipo de mar continental,
cem, só o fazem sob a forma de ruínas. Os picos alpi- símbolo de liberdade feroz.
nos, as margens acidentadas do Reno participam des- […] A Suíça, apesar da ampliação de seu território no
sa estética na qual a contemplação do grandioso ofe- início do século XIX, permanece diminuta entre seus

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vastos vizinhos: ela se apresenta alta, muito alta. O • Indicações de leitura
país dos helvéticos se representa todo em picos pro-
digiosos e resplandescentes. A paisagem nacional ARBEX JR., José. Islã, um enigma de nossa época.
francesa é mais complexa, pois aparece essencial- São Paulo: Moderna, 1996.
mente sob a forma de uma série de paisagens regio- ARMSTRONG, Karen. O Islã. Rio de Janeiro: Ob-
nais bem identificadas mas bastante diversas. Essa jetiva, 2001.
aparente indeterminação da imagem nacional não COSTA, Wanderley Messias da. Geografia política
se deve apenas à quantidade de pintores, franceses e geopolítica. São Paulo: Hucitec/Edusp, 1992.
e estrangeiros, que se dedicaram na França à repre-
HOURANI, Albert. Uma história dos povos ára-
sentação paisagística. É que no século XIX se instala
bes. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
uma concepção da especificidade francesa baseada
na variedade de recursos naturais do país: a França, KAPUSCINSKI, Ryszard. Ébano: minha vida na
pela sua diversidade, pode se orgulhar de ser algo África. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
como uma síntese ideal da Europa, onde se encon- MAGNOLI, Demétrio. O poder das nações no tem-
tra junto tudo aquilo que, em outros lugares, só exis- po da globalização. São Paulo: Unesp, 2005.
te separadamente.” ——. África do Sul: capitalismo e apartheid. São
THIESSE, Anne-Marie. La création des identités nationales. Paulo: Contexto, 1998.
Paris: Leul, 1999. p. 185-188. Tradução dos autores. MARTIN, André Roberto. Fronteiras e nações. São
Paulo: Contexto, 1992.

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RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder.
São Paulo: Ática, 1993.

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01_Iniciais Geo constr mundo.10 44 14.07.05, 16:25
RESPOSTAS EXERCÍCIOS PROPOSTOS
povoados e cidades. A contigüidade à estrada de
PARTE 1 ferro valorizava aquelas localizações, que davam
A dinâmica da natureza acesso à nova rede de transportes e, portanto, aos
e as tecnologias mercados consumidores vinculados à economia
cafeeira paulista.

5. Assim como a instalação de novas redes de trans-


UNIDADE 1
porte, as novas redes de comunicações deflagram
A linguagem da Geografia processos de “valorização espacial”. Os lugares ser-
vidos por infra-estruturas de internet em banda lar-
■ Capítulo 1 ga oferecem acesso privilegiado à rede mundial da
A produção do espaço geográfico “era da informação”, atraindo empresas e negó-
cios. Os produtos e serviços comercializados pelas
empresas instaladas nesses lugares beneficiam-se de
ATIVIDADES maior visibilidade em todos os mercados influencia-
dos pela rede.
Revendo o capítulo
6. Na “era da globalização”, os fluxos de mercadorias,
1. As paisagens humanas são um produto do trabalho capitais e informações têm caráter mundial. A
social. Elas sedimentam o esforço coletivo e organi- abrangência e intensidade desses fluxos tendem a
zado de gerações que, por meio das técnicas dispo- romper o antigo isolamento dos lugares e das pe-
níveis, instalam artefatos que servem a finalidades quenas comunidades. O lugar, no mundo contem-
úteis. A evolução técnica, as novas tecnologias e as porâneo, mantém profundos intercâmbios materi-
mudanças culturais imprimem-se às paisagens sob a ais e culturais com regiões e países distantes.
forma de artefatos humanos. As paisagens são, por
isso, testemunhos da organização social, das técni- O capítulo no contexto
cas e das idéias de diferentes tempos históricos.
7. Os elementos constitutivos das paisagens huma-
2. As mudanças no meio natural decorrem de proces- nas expressam as formas de organização social e
sos físico-químicos e biológicos que se desenrolam econômica, as técnicas e as visões de mundo da
na biosfera. Esses processos são ritmados pelo “tem- época em que foram produzidos. A Avenida Pau-
po da natureza”: o tempo das transformações geo- lista, nas primeiras décadas do século XX, ocupada
lógicas, morfológicas e biológicas que modificam as pelas mansões dos “barões do café”, traduzia uma
paisagens naturais. Algumas dessas transformações das funções desempenhadas pela cidade de São
são cataclísmicas, como por exemplo, as que decor- Paulo, de centro polarizador da economia cafeeira
rem de abalos sísmicos. Mas os processos de fundo e sede da elite social e política daquela economia
realizam-se na escala de tempo dos milhões de anos: agroexportadora. A paisagem atual da Avenida
a escala do “tempo profundo”, que escapa aos sen- Paulista, dominada por edifícios de instituições fi-
tidos humanos. nanceiras e grandes empresas, traduz uma das
principais funções desempenhadas pela metrópole
3. Meio natural, meio técnico e meio tecnocientífico e
na economia nacional, de centro do capital finan-
informacional não são “coisas” mas conceitos ana-
ceiro e de elo entre o mercado brasileiro e a eco-
líticos. Os lugares, as regiões, os territórios nacio-
nomia globalizada.
nais combinam elementos naturais e artefatos hu-
manos que expressam diferentes momentos da 8. a) A figura revela que a população mundial concen-
evolução tecnológica. Os elementos do meio natu- tra-se predominantemente nas cotas altimétricas
ral são dominantes na maior parte do espaço ama- mais baixas, rarefazendo-se com o aumento da
zônico, onde as vias líquidas, formadas pela rede hi- altitude.
drográfica, funcionam como principais suportes para
b) O fato de que mais de metade da população
os fluxos de pessoas e mercadorias. As vias férreas
mundial concentra-se na cota mais baixa de alti-
de transporte de minérios ilustram as tecnologias ca-
tude é uma herança da história das implantações
racterísticas do meio técnico. Um elemento recente,
humanas. As implantações humanas situadas nas
as torres de recepção de sinais de telefonia celular,
planícies costeiras e vales fluviais beneficiaram-se
evidenciam a introdução das tecnologias do meio
do acesso às vias naturais de transporte, que são
tecnocientífico e informacional nas paisagens.
os mares e os rios. Elas prosperaram e cresceram,
4. As estações ferroviárias das “ferrovias do café” tor- pois estabeleceram conexões com mercados dis-
naram-se núcleos em torno dos quais cresceram tantes, desenvolvendo intercâmbios materiais.

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9. a) As estações ferroviárias facilitam o acesso dos b) Essa rede de hidrovias é um elemento do meio
bens aos mercados consumidores, reduzindo os técnico, pois sua implantação envolveu a cons-
custos de transferência. Em torno delas, estabe- trução de canais artificiais, barragens e eclusas.
lecem-se empresas e estruturas de comercializa- 2. a) Nessa rede, os arcos de transmissão estão repre-
ção, gerando demanda por força de trabalho e sentados pelos eixos e os pontos de acesso, pelas
serviços. Esse processo estimula a formação de cidades.
centros urbanos.
b) A cidade que ocupa o lugar mais valioso na rede
b) O meio técnico é formado pelas concentrações é Detroit, pois funciona como nó de bifurcação
industriais, campos agrícolas, cidades e infra- de um grande número de arcos de transmissão.
estruturas de circulação estabelecidos ao longo
da era industrial. As redes ferroviárias são um c) Sault Ste. Marie Marquette e Petoskey são as ci-
elemento característico do meio técnico. As es- dades que ocupam os lugares mais periféricos na
tradas de ferro, implantadas na prairie cana- rede, pois são servidas por apenas um arco de
dense nas últimas décadas do século XIX, de- transmissão.
flagraram processos de expansão das culturas
comerciais e formação de centros urbanos, in-
TEXTO COMPLEMENTAR
corporando toda a vasta área aos fluxos da
economia internacional. Dialogando com o texto
10. Segundo o autor, o lugar opera segundo uma lógi-

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1. Os objetos naturais “não são obra do homem”; por
ca singular, que domina as escalas mundial e naci- isso, devem ser investigados sob a escala do “tem-
onal, diferente da lógica da razão técnica, utilizada po da natureza”. Os objetos sociais, que são “teste-
pelas grandes empresas e pelos Estados. O lugar, munhas do trabalho humano”, devem ser investi-
nessa visão, opera segundo lógicas ligadas à socia- gados sob a escala do “tempo da história”.
bilidade cotidiana, aos relacionamentos interpes-
soais diretos, aos códigos e costumes gerados pela 2. Os elementos constitutivos da paisagem surgiram
proximidade. em tempos diferentes e modificam-se em lapsos de
tempo diferentes. Assim, a paisagem materializa di-
11. a) O autor se refere à nação como uma “comuni-
versos momentos da história social e, também, da
dade imaginária” para enfatizar o caráter cultural
história natural.
e ideológico da nação. A comunidade política na-
cional é uma construção histórica relativamente 3. [Questão de resposta aberta. Sua finalidade é dirigir
recente, gerada pelo nacionalismo. a atenção dos estudantes para as paisagens relacio-
b) A nação é, historicamente, um empreendimento nadas à sua própria vivência e estimular a observa-
das elites políticas nacionalistas que, a partir dos ção e análise dos processos de transformação do
séculos XVIII e XIX, unificaram povos em torno de espaço urbano. Fenômenos como a verticalização
sistemas de leis, regras econômicas, conjuntos de áreas centrais ou de determinados bairros, a
de valores, crenças e símbolos, uma língua oficial substituição de usos residenciais por usos comerci-
etc. Esse empreendimento conferiu uma identi- ais, a implantação de shopping centers ou de con-
dade comum a populações que cultivavam dife- domínios fechados podem, entre outros, aparecer
rentes tradições, falavam diversos dialetos, parti- nas respostas.]
cipavam de variados agrupamentos culturais. O
nacionalismo borrou a lembrança das tradições
singulares e produziu novas memórias.
■ Capítulo 2
Interpretando os mapas
TRABALHANDO COM MAPAS
1. a) A rede de hidrovias interiores da Europa de noro-
este abrange, essencialmente, as planícies costei- ATIVIDADES
ras dos Países Baixos, da Bélgica, do nordeste da
França e norte da Alemanha. O limite das mon- Revendo o capítulo
tanhas assinala a faixa de fronteira dessa rede de 1. a) O modelo cartográfico Ptolomaico sintetizava
transporte. A construção de eclusas e canais per- os conhecimentos geográficos anteriores às
mitiu conectar algumas cidades situadas na área Grandes Navegações. No seu mapa do mundo,
montanhosa à rede hidroviária das planícies e aos o Oceano Índico era representado como um
portos do Mar do Norte. mar interior, limitado por terras meridionais

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02_Manual atividades.11 46 7/8/05, 4:00 PM
que conectavam o sul da África à extremidade O capítulo no contexto
da Ásia. O mapa, que pretendia mostrar todo
6. A cartografia é um instrumento de poder pois oferece
o ecúmeno, dividia o mundo em três continen-
informações especiais sobre a superfície terrestre e a
tes: Europa, Ásia e África.
organização do espaço geográfico. Os mapas revelam
b) O planisfério de Cantino, de 1502, evidenciou com exatidão a distribuição espacial dos objetos natu-
uma revolução no pensamento geográfico pro- rais e sociais, funcionando como meios para o controle
vocada pelas Grandes Navegações. Ele foi o pri- intelectual e material do espaço e dos territórios.
meiro documento cartográfico a registrar a exis-
7. e.
tência da América – a “Quarta Parte do Mundo”.
As dimensões da Terra e a configuração geral dos 8. a) As escalas utilizadas dependem do atlas consul-
continentes e oceanos tornavam-se, finalmente, tado. Mas, no mesmo atlas, a escala do planisfé-
conhecidas. rio político será menor que a do mapa político da
2. Durante a Idade Média, as concepções religiosas Europa. Isso porque, para representar áreas mai-
fundamentaram grande parte da cartografia produ- ores, é necessário usar uma redução também
zida na Europa cristã. Os planisférios elaborados maior, ou seja, uma escala menor.
pelos sábios religiosos funcionavam como represen- b) No mapa político da Europa dos atlas escolares
tações simbólicas, nas quais se misturavam conheci- aparecem informações como a localização das ca-
mentos geográficos, crenças religiosas e monstros pitais e cidades principais, o traçado dos rios mais
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míticos. Os mais famosos, conhecidos como cartas importantes e os nomes de diversas ilhas. Devido
T-O, são os que inscrevem o mundo habitado em à escala utilizada, no planisfério não aparecem as
um círculo, representado por um disco chato e cen- cidades, os rios e a maior parte das ilhas.
trado em Jerusalém. A divisão entre os três conti- 9. A convenção da hora do meridiano de Greenwich
nentes conhecidos era representada por meio de (GMT) estabelece um padrão horário mundial que
cursos d’água, formando o T. O T, além de repre- facilita as comunicações e os fluxos internacionais
sentar a cruz e o sacrifício de Cristo, é o símbolo da em geral. As transmissões internacionais de televi-
Santíssima Trindade. O O evoca a harmonia de um são ao vivo usam essa referência, que serve tam-
mundo fechado. bém para controle de vôos em rotas internacionais.
3. A escala, um dos atributos fundamentais de um 10. Todos os planisférios tendem a difundir idéias pre-
mapa, estabelece a correspondência entre as dis- conceituosas ou preconcebidas pois não é possível
tâncias representadas no mapa e as distâncias re- reproduzir com exatidão uma superfície esférica so-
ais da superfície cartografada. Existem duas ma- bre um plano. Os planisférios decorrem da opção
neiras de expressar a escala de um mapa. Na por uma projeção cartográfica, que veicula um
escala numérica a correspondência é indicada por modo específico de representar o mundo e implica
meio de uma fração. Na escala gráfica, essa cor- a valorização de certas áreas ou características, em
respondência é diretamente indicada em uma li- detrimento de outras.
nha graduada.
11. A projeção azimutal eqüidistante permite a constru-
4. a) Quando os relógios marcam 20 horas em Colom- ção de planisférios centrados em qualquer ponto da
bo, são 12 horas em Brasília. superfície terrestre, a partir do qual as direções e dis-
b) Quando os relógios marcam 20 horas em Brasí- tâncias são expressas com precisão. Trata-se da pro-
lia, são 4 horas do dia seguinte em Colombo. jeção mais adequada para a elaboração de mapas
geopolíticos, nos quais geralmente se pretende re-
5. a) A projeção de Mercator distorce as superfícies das presentar a situação de um Estado específico diante
massas continentais. Nessa projeção, à medida do seu entorno ou do resto do mundo.
que aumenta a distância do Equador (onde está
o foco da projeção), aumentam as superfícies re-
lativas. Como conseqüência, os continentes e pa- TRABALHANDO COM MAPAS
íses situados nas latitudes maiores são “favoreci-
dos”, aparentando uma dimensão relativa maior 1. No mapa, a escolha das cores não obedece à regra
do que a real. da boa leitura, pois a escala cromática não foi utilizada
corretamente. As zonas nas quais a participação
b) Na projeção de Peters, as formas são distorcidas,
da lenha e do carvão vegetal no consumo energético
gerando o alongamento dos continentes. Isso é
é menor deveriam receber as cores mais claras.
bem perceptível na silhueta da África ou da Amé-
rica do Sul. 2. 1/235.000.000

47
02_Manual atividades.11 47 7/8/05, 4:00 PM
3. Utilizou-se uma projeção semelhante, ou conforme. ATIVIDADES
Nesse tipo de projeção, conserva-se a relação entre
as formas da esfera e as do planisfério, mas a rela- Revendo o capítulo
ção entre as superfícies é distorcida. Essa distorção 1. a) A estrutura interna da Terra é composta pelo nú-
transparece no mapa, por exemplo, na superfície cleo interno, núcleo externo, manto e crosta.
muito exagerada da Antártida.
b) Porque ela é formada por elementos de diferen-
tes pesos e densidades. Durante o processo de
formação do planeta, os elementos mais pesados
TEXTO COMPLEMENTAR
e densos migraram para o interior, enquanto os
Dialogando com o texto mais leves afloraram à superfície.

1. Ao mencionar o “intervalo medieval”, o autor refe- 2. Os minerais são constituintes naturais da crosta
re-se ao longo período no qual a cartografia subor- terrestre. Já os minérios são uma classe especial de
dinou-se à hegemonia ideológica da Igreja. Nesse minerais, dos quais é possível extrair substâncias
intervalo, os mapas funcionaram em grande medi- de interesse econômico. O conceito de minérios
da como símbolos religiosos, expressando essenci- depende, assim, da organização econômica e das
tecnologias.
almente a idéia de que a Terra é uma obra de Deus.
3. Essas cordilheiras montanhosas são denominadas
2. Exemplificando as relações entre a cartografia e o
dobramentos modernos, pois configuram estruturas
poder político, o autor menciona: o uso de mapas

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de formação geológica recente. Os dobramentos
fundiários no Egito antigo pelos coletores de im-
modernos formaram-se no período Terciário da Era
postos do faraó; o desenvolvimento cartográfico
Cenozóica.
da época das Grandes Navegações, que servia aos
interesses das potências coloniais; o projeto carto- 4. a) As bacias sedimentares são formadas por diver-
gráfico da Endeavour, que fornecerá informações sas camadas de materiais sedimentares deposita-
estratégicas ao Departamento de Defesa dos Esta- dos em diferentes eras e períodos geológicos.
dos Unidos.
b) Elas podem abrigar combustíveis fósseis, tais
3. O mapa da Endeavour contribuirá para estudos so- como o carvão, o petróleo e o gás natural.
bre o ambiente global e os ecossistemas, análises de c) As bacias podem sofrer soerguimentos tectôni-
erosão e perda de solos, projetos ligados às teleco- cos, constituindo baixos planaltos ou platôs.
municações, entre outros. Beneficiará agricultores,
5. O arquipélago japonês e a Califórnia situam-se
o setor de turismo, governos, instituições científicas
em regiões de contato entre placas tectônicas,
e empresas ligadas às tecnologias da informação.
sujeitas a falhamentos, vulcanismo e grande ativi-
4. Resolução significa, no caso, a distância mínima dade sísmica.
entre dois objetos para que eles apareçam sepa-
rados na imagem. A restrição à divulgação públi- O capítulo no contexto
ca de dados de maior resolução tem motivação 6. a) A hipótese atualmente aceita é a de que a crosta
estratégica: o Departamento de Defesa dos Esta- é constituída por placas tectônicas separadas que
dos Unidos pretende manter sigilo sobre informa- flutuam sobre a astenosfera.
ções relativas à localização precisa de instalações
b) Os estudos do assoalho oceânico mostram como
de interesse militar.
os materiais provenientes do magma incorpo-
5. O Departamento de Defesa dos EUA contribui para ram-se à crosta, fornecendo evidências de que as
o financiamento do projeto pois ele oferecerá infor- placas tectônicas estão em movimento.
mações estratégicas que permanecerão sob seu con- 7. Os trabalhos de erosão e de sedimentação realiza-
trole estrito. dos pelos ventos e pela água, assim como o intem-
perismo físico e químico, são processos exógenos
(ou externos), transformadores do relevo. A atua-
ção de cada um desses agentes varia de acordo com
UNIDADE 2
o clima: nas regiões equatoriais, por exemplo, dota-
A geografia da natureza das de elevada umidade, predomina o intemperis-
mo químico, enquanto nos desertos, onde a ampli-
■ Capítulo 3 tude térmica diária é muito grande, a desintegração
Geomorfologia e recursos minerais mecânica das rochas é explicada por meio do in-
temperismo físico.

48
02_Manual atividades.11 48 7/8/05, 4:00 PM
8. A figura mostra as diferentes idades de forma- 2. O tempo histórico é uma medida de tempo ade-
ção das ilhas do arquipélago havaiano, que for- quada à história da humanidade; o tempo geoló-
mam uma fileira desde a mais antiga (Kauaí) até gico é uma medida de tempo adequada à história
a mais recente (Havaí). Ela sugere um “ponto do planeta Terra; o tempo cósmico refere-se à
quente” fixo atuando sobre uma placa tectônica medida de tempo dos fenômenos que configura-
em movimento. ram o universo.
9. De acordo com o princípio da isostasia, os blocos 3. A história da Terra é pontilhada de eventos climá-
continentais que flutuam sobre o manto encontram- ticos e geológicos extremos, que modificaram a
se em estado de equilíbrio. O derretimento do gelo superfície do planeta e provocaram a extinção de
na Península Escandinava torna este bloco continen-
um grande número de seres vivos. Basta lembrar
tal mais leve; como conseqüência, sua raiz subterra-
do soerguimento de grandes cadeias montanho-
nêa diminui por meio do soerguimento.
sas, das erupções vulcânicas, dos abalos sísmicos
10. Esta previsão sustenta-se no sentido do movimento provocados pelo ajuste das placas rochosas que
atual das placas tectônicas. A Dorsal Meso-Atlânti- formam a crosta terrestre ou, ainda, das glacia-
ca, por exemplo, fornece evidências do afastamen- ções que cobriram de gelo grande parte do pla-
to progressivo entre a Placa da Eurásia e a Placa neta. Assim, as alterações ambientais provocadas
Norte-Americana. pelas sociedades modernas não põem em risco a
existência do planeta, ainda que ameacem seria-
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mente as condições necessárias para a sobrevi-


TRABALHANDO COM MAPAS
vência de diversas espécies que o habitam, inclu-
1. Cada uma das placas tectônicas se move de manei- sive os homens.
ra independente, com uma direção e um sentido pe-
culiar. A Placa Indo-Australiana, por exemplo, se
move na direção nordeste, chocando-se com a Pla-
ca da Eurásia. A Placa Sul-Americana, por sua vez, ■ Capítulo 4
desloca-se para o oeste, chocando-se com a Placa As bases físicas do Brasil
de Nazca.

2. Nas faixas de encontro entre as placas predomi-


nam os dobramentos modernos, bem como o vul- ATIVIDADES
canismo ativo.
Revendo o capítulo
3. As zonas de afastamento entre as placas são domi-
nadas pelas dorsais submarinas. 1. A plataforma sul-americana é constituída por es-
cudos cristalinos e bacias sedimentares. Os escu-
4. As rochas situadas sob os oceanos são resultantes dos são formados por rochas cristalinas do Pré-
do material vulcânico expelido nos sistemas de fa- Cambriano. As bacias, por material rochoso
lhamentos que acompanham as dorsais submarinas, oriundo da erosão das rochas magmáticas e meta-
e, portanto, são mais recentes que a maior parte das mórficas ou por detritos orgânicos que se acumu-
rochas continentais. laram nas depressões.

2. O território brasileiro experimenta notável estabili-


TEXTO COMPLEMENTAR dade geológica por estar inteiramente contido na
plataforma sul-americana. As plataformas são for-
Dialogando com o texto madas por um embasamento cristalino de origem
1. Diante da vastidão do tempo geológico, a história pré-cambriana e por coberturas sedimentares anti-
das sociedades humanas parece muito pequena. A gas ou recentes. Sua estabilidade deriva do fato de
escala do tempo geológico é estranha à experiência estarem localizadas fora das faixas orogênicas de
e sensibilidade humanas: daí o uso da expressão contato entre placas tectônicas.
tempo profundo. O tempo profundo é mensurado 3. d.
em milhões de anos; o tempo histórico, em cente-
nas de anos. Neste caso, as metáforas são utilizadas 4. Os depósitos de carvão do sul do Brasil começa-
para comparar fenômenos de ordens de grandeza ram a se formar no ambiente glacial do permocar-
muito diferentes, tornando mais compreensível a bonífero, durante o qual as florestas e os pântanos
noção de tempo geológico. de Gondwana foram recobertos por sedimentos.

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02_Manual atividades.11 49 7/8/05, 4:00 PM
5. Este arcabouço estrutural é fruto dos sistemas de mostra sua ligação com um esporão de areia já
dobramentos e falhamentos resultantes da orogê- existente. A quarta figura registra a evolução do
nese ocorrida no Pré-Cambriano, que foram reati- esporão, com a formação de uma lagoa.
vados pelo soerguimento epirogenético durante a b) A causa do fenômeno é a acumulação arenosa
Era Cenozóica. pelo trabalho das águas do mar. Seu resultado é
6. Protegidas pela vegetação, as dunas contribuem a formação de uma restinga.
para atenuar os efeitos da erosão marinha sobre a
planície costeira. Quando ocorre desmatamento das
TRABALHANDO COM MAPAS
dunas, a planície fica mais vulnerável ao avanço do
mar, que pode ameaçar vias de tráfego e habita- 1. Os mapas de altimetria mostram as altitudes, isto é,
ções. Além disso, o deslocamento da própria duna um aspecto da realidade do modelado do relevo. Já
também pode se tornar uma ameaça para as cons- os mapas de classificação de relevo são resultantes
truções humanas implantadas na planície. do trabalho de interpretação de seus autores, que
dividiram o modelado em compartimentos por
O capítulo no contexto eles criados.
7. As chapadas são mesas delimitadas por taludes 2. Aroldo de Azevedo criou compartimentos de relevo
abruptos. As rochas mais resistentes à erosão for- com base nas altitudes médias. Já Aziz Ab´Sáber
mam a chapada. Os taludes revelam a atuação considerou sobretudo os processos de sedimenta-

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pretérita da erosão sobre rochas menos resisten- ção e erosão que originaram as formas do modela-
tes. Assim, as chapadas – como a dos Veadeiros, do. Por isso, apresenta um número maior de com-
que aparece na foto – são feições residuais do partimentos. Além disso, Ab’Sáber sugere a
relevo. denominação Planícies e Terras Baixas Amazônicas
para a área classificada por Azevedo como Planície
8. No relevo brasileiro, as depressões que circundam
Amazônica, já que os processos erosivos predomi-
os planaltos foram, em grande parte, geradas pelo
nam sobre o processo de sedimentação na maior
desgaste erosivo das massas rochosas menos resis-
parte deste compartimento.
tentes. Em geral, o arcabouço geológico das de-
pressões é constituído pelas bacias sedimentares. 3. Jurandyr Ross também considerou os processos de
As bordas de contato das depressões com os pla- erosão e sedimentação ao elaborar sua tipologia
naltos atestam a resistência desigual do substrato classificatória. Porém, ele criou um novo tipo de
rochoso à erosão. Assim, a erosão atua diferencia- compartimento, denominado de depressão, que
damente sobre os diversos substratos, produzindo como nos planaltos exibem predomínio dos proces-
as depressões. sos erosivos, mas apresentam características peculi-
ares com relação à forma das superfícies.
9. a) A expressão estrutura geológica designa o subs-
trato físico que forma a crosta e pode ser estuda-
do pelas suas características litológicas. As formas
TEXTO COMPLEMENTAR
da crosta – ou seja, o relevo – são “esculturas”
da natureza, que podem ser estudadas como Dialogando com o texto
uma organização espacial. O relevo está susten-
1. O carvão é chamado de combustível fóssil pois se
tado por estruturas geológicas mas não se con-
origina da fossilização de material orgânico. Tal pro-
funde com elas.
cesso teve início com o soterramento de antigas flo-
b) O alerta do geógrafo destina-se a enfatizar o fato restas, no ambiente glacial dos períodos Permiano e
de que o relevo brasileiro deriva, em grande par- Carbonífero.
te, do trabalho geologicamente recente de ero-
são e sedimentação. 2. A drenagem ácida resulta do descarte dos minerais
que se apresentam intercalados com as camadas de
10. A primeira foto mostra uma paisagem natural típica
carvão durante os procedimentos de extração. Estes
de áreas úmidas, com formas arrendondadas pelo
minerais contêm sulfeto de ferro, que em contato
intemperismo químico; a segunda revela uma pai-
com o oxigênio forma ácido sulfúrico, que torna áci-
sagem natural formada, principalmente, pela de-
dos os cursos fluviais nos quais se espalha. Esta for-
composição mecânica, com formas angulosas e aflo- ma de poluição só ocorre em escala regional em
ramentos rochosos. Santa Catarina, que responde pela maior parte da
11. a) Nas duas primeiras figuras, observa-se a forma- produção nacional e concentra a maioria das minas
ção de um banco arenoso ilhado. A terceira figura de carvão em atividade.

50
02_Manual atividades.11 50 7/8/05, 4:00 PM
4. a) No continente americano, os desertos estendem-
■ Capítulo 5 se pelo sudoeste dos Estados Unidos e pelo litoral
Dinâmica climática e ecossistemas norte do Chile e sul do Peru (Atacama).
b) Os desertos do sudoeste dos Estados Unidos
resultam principalmente da disposição das cor-
ATIVIDADES dilheiras montanhosas, que bloqueiam a ação
das massas úmidas provenientes do mar. Se-
Revendo o capítulo
cundariamente, esses desertos são condiciona-
1. Os ventos alísios e contra-alísios formam a Célula dos pela influência da corrente marinha fria da
Tropical da circulação geral atmosférica. A dinâmica Califórnia. O deserto de Atacama, uma das
da Célula Tropical é condicionada pelas diferenças áreas mais secas do mundo, resulta, basica-
de pressão entre o Equador e os trópicos. A Célula mente, da influência da corrente marinha fria
Tropical redistribui calor e umidade entre as latitu- de Humboldt.
des equatoriais e subtropicais. Na faixa equatorial, a
subida e resfriamento dos alísios úmidos provoca 5. A lixiviação é o processo de lavagem dos horizon-
condensação e chuvas o ano inteiro. Os contra-alí- tes superficiais do solo pelas chuvas torrenciais típi-
sios, enquanto se deslocam para o norte e para o cas do clima tropical. Por meio da lixiviação, ocorre
sul, perdem calor, tornando-se cada vez mais pesa- transporte dos nutrientes minerais e empobrecimen-
dos. Ao descerem, estão bastante secos, absorvem to do solo.
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a umidade existente nas proximidades da superfície


6. a) O bioma da tundra ocorre nas altas latitudes bo-
e condicionam a formação de áreas desérticas nas
reais, ocupando uma faixa circumpolar de 2 mi-
faixas tropicais.
lhões de hectares nos quais não existem árvo-
2. O climograma de Cingapura mostra precipitações res. Seu limite norte é a calota permanente de
mínimas mensais sempre superiores a 150 mm, o gelo polar. Seu limite sul são as florestas de co-
que evidencia a ausência de estação seca no clima níferas. Devido à posição latitudinal dos conti-
equatorial. As chuvas abundantes ao longo de todo nentes, a tundra praticamente não ocorre no
o ano decorrem do mecanismo da convecção dos Hemisfério Sul. A floresta boreal de coníferas
ventos alísios de ambos os hemisférios, que ascen- (ou taiga) é encontrada principalmente no He-
dem na zona de baixa pressão equatorial. misfério Norte, devido à posição latitudinal dos
3. a) continentes, abrangendo a faixa que se estende
entre a tundra, ao norte, e as florestas tempera-
das e pradarias, ao sul.
b) A presença permanente de uma camada de solo
congelado abaixo da superfície – o permafrost –
Chicago impede o desenvolvimento de raízes de árvores e
marca rigidamente a fronteira entre a tundra, ao
norte, e a taiga, ao sul.
OCEANO
ATLÂNTICO
O capítulo no contexto
0 630 km
Miami 7. a)
160 140 120 80 100 120

b) A amplitude térmica anual de Miami é de 8,6°C. 80

A amplitude térmica anual de Chicago é de


28,4°C. 60

c) A amplitude térmica anual de Miami é pequena


pois a cidade localiza-se em latitude subtropical, 40

OCEANO
em região dominada pelo clima subtropical, for- ATLÂNTICO
temente influenciado pela maritimidade. A am- 20

plitude térmica anual de Chicago é grande pois a


0 2.270 km
cidade localiza-se em latitude intermediária, em 100 80 60 40 20 0 20 40 60

região dominada pelo clima temperado, sob for- ,


Lat. 49° 49 N
Posição do veleiro Paratii Lat. 23° 49, W
te influência do fenômeno da continentalidade.

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02_Manual atividades.11 51 7/8/05, 4:00 PM
b) O vidro de Nescafé foi recuperado por um meni- ximam-se de 500 mm anuais, aparecem manchas
no norueguês, mais de 8º ao norte de onde foi campestres. Em áreas com temperaturas um pou-
lançado ao mar, pois derivou arrastado pela cor- co acima de 00C a tundra vai dando lugar à flo-
rente do Atlântico Norte, que é o prosseguimen- resta de coníferas.
to da Corrente do Golfo.
11. a) Durante as negociações da Convenção sobre Di-
c) As correntes marinhas são empurradas pelas mas- versidade Biológica, os governos dos países sub-
sas de ar que se deslocam sobre os oceanos e re- desenvolvidos resistiram em adotar políticas pre-
fletem, até certo ponto, os padrões da circulação servacionistas que acarretam restrições aos fluxos
atmosférica. Mas suas trajetórias são desviadas demográficos e às atividades econômicas. Em de-
pela disposição das terras emersas. A Corrente do fesa de programas de colonização de áreas flo-
Golfo origina-se da ação dos ventos alísios, que restais como as do Peru e Brasil, os países subde-
empurram as águas do Atlântico Central para o senvolvidos aferraram-se à defesa da soberania
istmo centro-americano, e da disposição do istmo nacional e rechaçaram a aplicação do conceito de
e das ilhas das Antilhas, que desviam essas águas patrimônio da humanidade a ecossistemas locali-
para o Atlântico Norte, através dos estreitos da
zados em seus territórios.
Flórida. A corrente do Atlântico Norte, que é
prosseguimento da Corrente do Golfo, é empur- b) Do ponto de vista científico, a biodiversidade re-
rada pelos ventos de oeste. Essa corrente quente presenta um vasto campo de pesquisas, que po-
atua no litoral ocidental e setentrional da Europa, derão resultar na ampliação dos conhecimentos

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amenizando as amplitudes térmicas da fachada acerca da riqueza e da complexidade da vida na
atlântica do continente e provocando significati- Terra. Do ponto de vista econômico, a biodiver-
vas precipitações. É a ação dessa corrente que sidade pode ser a base de novos e lucrativos ne-
evita o congelamento das águas oceânicas, na gócios para as indústrias de alimentos, de remé-
costa ocidental norueguesa. dios e de cosméticos.

8. a) As chuvas de monções, na Ásia meridional, ca-


racterizam os meses de verão. Elas se iniciam TRABALHANDO COM MAPAS
em julho mas ganham intensidade em agosto e
1. Trata-se da floresta pluvial equatorial, perene, ca-
setembro.
racterizada por uma grande diversidade biológica.
b) A brusca alteração climática é o início do período
chuvoso, marcado por fortes precipitações diá- 2. O desmatamento para a exploração madeireira, mi-
rias e elevada umidade do ar. Essa alteração de- neral e energética ou para a formação de pastos e
corre da transferência dos centros de baixa pres- campos de cultivo figura entre as principais causas
são do Oceano Índico para as áreas centrais da da devastação retratada nos mapas.
massa continental asiática. 3. Apesar de toda a devastação recente, a floresta
9. A diferença na amplitude térmica registrada nas três equatorial amazônica ainda recobre uma vasta re-
cidades ocorre sobretudo em função dos efeitos de gião sul-americana e o Brasil é o país com maior área
maritimidade e continentalidade. Em Amiens, situa- de floresta original do mundo. Por isso, a Amazônia
da na costa atlântica da França, a ação da Corrente ocupa o centro dos debates internacionais sobre bi-
do Golfo ameniza a temperatura durante o inverno. odiversidade.
Praga, na República Tcheca, apresenta grande am-
plitude térmica anual pois sofre principalmente o
efeito de continentalidade, que é ainda mais acen- TEXTO COMPLEMENTAR
tuado em Kiev, na Rússia.
Dialogando com o texto
10. De acordo com o gráfico, as florestas tropicais são
1. A diversidade biológica nas florestas da Europa e
características de regiões de temperaturas e pre- América do Norte é limitada pela curta duração dos
cipitações relativamente elevadas. Desertos e tun- períodos de verão e pela grande amplitude térmica
dras compartilham níveis baixos de chuvas, mas anual. Além disso, a diversidade biológica é estrutu-
distinguem-se em relação às médias térmicas. A ralmente pequena em função dos episódios glaciais
vegetação campestre desenvolve-se numa ampla que marcaram os paleoclimas do Quaternário.
faixa de condições térmicas, mas não ultrapassa
as áreas com precipitações superiores a 1.000 mm 2. O plano canadense de manejo é adequado às flo-
anuais, que são domínios florestais. Na orla dos restas homogêneas, que apresentam pequena diver-
desertos temperados, onde as precipitações apro- sidade biológica. O reflorestamento não é capaz de

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02_Manual atividades.11 52 7/8/05, 4:00 PM
reconstituir domínios de florestas tropicais como as ções de temperatura próximas às do ponto de
brasileiras, devido à sua diversidade e à complexi- congelamento.
dade das suas cadeias alimentares. b) Esses fenômenos ocorrem predominantemente
3. A destruição da Mata Atlântica é qualificada como nos planaltos da Região Sul em função das bai-
tragédia que não pode ser dimensionada, pois é im- xas temperaturas de inverno nessas áreas. As
possível inventariar a diversidade biológica de uma quedas de temperatura que provocam geadas e
floresta tropical. nevadas resultam, muitas vezes, da invasão da
massa Polar atlântica (mPa).
9. No caso das caatingas, a queda periódica das folhas
está associada aos prolongados períodos de seca
■ Capítulo 6 que ocorrem nesse ecossistema; nas florestas tem-
Os domínios de natureza no Brasil peradas, o fenômeno é resultante das baixas mé-
dias térmicas que caracterizam o inverno. A Amazô-
nia e a Mata Atlântica, por sua vez, situam-se em
ATIVIDADES regiões tropicais de elevada pluviosidade: daí a pre-
dominância de espécies perenes.
Revendo o capítulo
10. a) A irregularidade das precipitações, a presença de
1. c.
solos pouco profundos, a predominância de es-
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2. Belo Horizonte situa-se no domínio do clima Tropi- pécies vegetais decíduas e de rios intermitentes e
cal de Altitude. As chuvas concentram-se no verão sazonais figuram entre as principais característi-
e o inverno é a estação da estiagem. As médias tér- cas deste domínio.
micas de inverno caem abaixo dos 19°C, em função b) O desmatamento para a formação de campos de
do efeito da altitude. As médias térmicas de Teresi- cultivo e pastagens, o sobrepastoreio, a minera-
na, João Pessoa e Cuiabá são bem mais elevadas ção e o uso de técnicas inadequadas de irrigação
que as dos climograma apresentado. Joinville en- são responsáveis pelos principais impactos ambi-
contra-se em domínio subtropical, no qual as chu- entais de origem antrópica neste domínio.
vas estão distribuídas de forma mais equilibrada en-
11. a) O mapa mostra o avanço de uma frente fria pelo
tre as estações do ano.
Brasil meridional. A frente fria provoca rebaixa-
3. d. 4. d. 5. e. mento da pressão atmosférica e tempo instável.
6. O cerrado apresenta a relação com o fogo descrita b) A ZCIT encontra-se ao norte do Equador porque,
no texto. Neste ecossistema, o fogo atua no proces- durante o inverno, o disco solar encontra-se so-
so de reciclagem, transformando os detritos acumu- bre o Hemisfério Norte.
lados em nutrientes minerais. c) Na maior parte do território nacional, predomi-
nam as altas pressões e o tempo bom. Há tempo
O capítulo no contexto instável, com possíveis chuvas, no Rio Grande do
7. a) A amplitude térmica diária é a diferença de tem- Sul e Santa Catarina. Há instabilidades tropicais
peratura entre a hora mais quente e a hora mais em uma faixa que se estende entre Rondônia e o
fria do dia. A amplitude térmica anual é a dife- sul do Amazonas.
rença de temperatura entre a média do mês mais d) Após a passagem da frente fria, as temperaturas
quente e a média do mês mais frio. devem cair e o tempo torna-se claro e estável.
b) Genericamente, as amplitudes anuais aumentam
com o aumento das latitudes. Assim, no Brasil, as
menores amplitudes anuais são registradas na Ama- TRABALHANDO COM MAPAS
zônia e as maiores, na parte meridional do território.
1. No verão, as menores precipitações são registradas
c) Isso ocorre porque grande parte do território bra- no Nordeste, no extremo sul do país e em Roraima.
sileiro está situada na Zona Intertropical, sob do-
mínio de climas equatoriais e tropicais, caracte- 2. No inverno, as maiores precipitações são registra-
rísticos das baixas latitudes. das no litoral oriental nordestino e em porções se-
tentrionais da Amazônia.
8. a) As geadas são precipitações de baixíssima altitu-
de que resultam do congelamento do orvalho nas 3. As precipitações na Amazônia estão basicamente
proximidades do solo. As nevadas são precipita- vinculadas ao fenômeno da convecção das massas
ções de grande altitude que ocorrem em condi- de ar e, portanto, os máximos sazonais de chuvas

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acompanham o deslocamento da ZCIT. No verão do tre em diversos locais situados nas altas latitudes do
Hemisfério Sul, o disco solar move-se para a faixa Hemisfério Norte. Mais tarde, essas depressões se
do Trópico de Capricórnio e as maiores precipita- cobririam de água, transformando-se em imensos
ções atingem a Amazônia meridional. No outono, o lagos e sistemas lacustres. O Hemisfério Sul não foi
disco solar está sobre a linha do Equador e as chu- atingido por este ciclo glacial e abriga uma parcela
vas mais abundantes caem sobre a parte setentrio- significativamente menor do estoque global de água
nal da Amazônia. doce lacustre.

4. O litoral oriental nordestino apresenta regime de 3. Atualmente, pelo menos 1 bilhão de pessoas depende
chuvas contrastante com o da maior parte do Brasil. da água dos lençóis subterrâneos para suprir suas
Nessa faixa, as precipitações máximas concentram- necessidades básicas. Além disso, os estoques sub-
se no outono e no inverno. terrâneos são utilizados intensamente para a irriga-
ção de cultivos agrícolas. O esgotamento destes re-
servatórios pode diminuir a produtividade da
TEXTO COMPLEMENTAR agricultura e a produção de alimentos em diversas
regiões, além de acirrar os conflitos internacionais
Dialogando com o texto pelo controle das reservas superficiais.
1. Essas conclusões são apoiadas por dois tipos de evi-
4. Conforme demonstra o gráfico, o acesso à água
dências: a presença de estruturas rochosas subter-
potável não é condicionado apenas pelo tamanho
râneas que indicam a presença de água e a presen-

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das reservas hídricas de cada país, mas, principal-
ça de fósseis de espécies vegetais característicos de
mente, em função dos investimentos realizados
domínios florestados.
no setor. Assim, nos países pobres, parcelas ex-
2. O processo de formação das espeleotemas, estrutu- pressivas da população estão sujeitas aos diversos
ras que dependem da presença de água, foi datado problemas de saúde decorrentes do uso de água
por meio do método de desintegração radioativa contaminada e da inexistência de serviços sanitá-
dos elementos urânio e tório. rios eficientes.

3. No passado, é provável que tenha havido intercâm- 5. Nesse intervalo de tempo, ocorreu um brutal au-
bio genético de espécies animais e vegetais entre os mento na velocidade do escoamento superficial na
diversos ecossistemas florestados que compõem es- região metropolitana e, por conseqüência, da quan-
tes domínios. Este intercâmbio e o conseqüente sur- tidade de água que escoa pela calha do rio Tietê
gimento de novas espécies pode ser uma das cha- durante episódios de chuvas fortes. Este processo é
ves explicativas da imensa biodiversidade que resultado do crescimento da área impermeabilizada
caracteriza tanto a Floresta Amazônica quanto a pelas construções e pelo asfalto.
Mata Atlântica.
O capítulo no contexto
6. O estabelecimento de cotas de uso de água e a co-
brança pelo excesso de consumo pode ser uma ma-
■ Capítulo 7 neira eficaz de garantir o atendimento das necessi-
A esfera das águas e os recursos hídricos dades sociais básicas e, ao mesmo tempo, limitar a
contaminação dos recursos hídricos por parte dos
grandes usuários. No caso do México, por exem-
ATIVIDADES plo, a cobrança acarretou a redução do desperdício
e a adoção de novas práticas agrícolas, de forma a
Revendo o capítulo racionalizar o uso dos estoques hídricos sem prejuí-
1. O ciclo hidrológico é o processo de transferência zo das atividades econômicas.
contínua da água de um tipo de reservatório para
7. a) A “guerra da água” na Bolívia evidencia uma
outro. A evaporação e a transpiração, por meio das
das dimensões cruciais da crise contemporânea
quais a água é transferida da superfície para a at-
dos recursos naturais: em um cenário de dete-
mosfera, são diretamente causadas pela energia so-
rioração das reservas pluviais disponíveis e do
lar. A atuação da força de gravidade pode ser exem-
aumento acelerado do consumo, a água potá-
plificada pelo fluxo contínuo das águas fluviais em
vel se torna uma “mercadoria” tanto mais vali-
direção aos oceanos.
osa quanto mais escassa. Contudo, muito antes
2. Durante as glaciações quaternárias, a erosão glacial de ser uma mercadoria, ela é um recurso essen-
escavou profundas depressões na superfície terres- cial para a vida humana.

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02_Manual atividades.11 54 7/8/05, 4:00 PM
b) Para os movimentos sociais bolivianos, a água TEXTOS COMPLEMENTARES
deve ser tratada como um bem público, e, como
tal, deve atender às necessidades básicas do Dialogando com os textos
conjunto da população. Para as multinacionais 1. O desvio de grandes quantidades de água dos rios
que operam no setor, a água é uma mercadoria, Amurdarya e Sydarya, tributários do mar de Aral,
cujo valor oscila em função das leis da oferta e para abastecer projetos de irrigação que servem so-
da procura. bretudo às culturas de algodão na Ásia Central, fi-
8. Em um cenário de diminuição drástica dos estoques gura como a principal causa da drástica redução do
de água potável no planeta, os atuais conflitos pelo volume do mar de Aral.
uso dos sistemas fluviais, lacustres e subterrâneos 2. A redução do volume aumentou a salinidade do mar
que atravessam territórios nacionais distintos ten- de Aral. Além disso, a utilização intensiva de pestici-
dem a se acirrar, e novos focos de tensão diplomáti- das e defensivos agrícolas nas culturas irrigadas re-
ca ou de guerra aberta podem surgir. Ao que tudo sultaram em elevadas taxas de contaminação dos
indica, a água ocupará um lugar cada vez mais des- solos da região, inclusive na área que já foi ocupada
tacado nas relações internacionais. pelas águas do Aral.
9. Apesar da aparente abundância de recursos hídri- 3. O mar de Aral é um exemplo incontestável da ex-
cos, diversas cidades brasileiras sofrem severas li- trema degradação ambiental que pode resultar de
mitações no que diz respeito ao consumo de grandes projetos de irrigação realizados sem os ne-
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água. Apenas em alguns centros urbanos do semi- cessários estudos acerca das conseqüências do des-
árido nordestino o problema principal é mesmo a vio das águas para o conjunto do ecossistema. Nes-
escassez de fontes de abastecimento. Na grande te sentido, ele pode servir de alerta para impedir
maioria dos casos, porém, a escassez resulta da novos desastres ambientais.
concentração da demanda e da contaminação dos
mananciais: é o que ocorre, por exemplo, nas re-
giões metropolitanas de São Paulo, do Rio de Ja-
neiro e de Belo Horizonte. UNIDADE 3
Tecnologias e recursos naturais
10. O texto considera que a escassez de água é antes
um fato econômico e social do que um fato físico.
■ Capítulo 8
De acordo com seu argumento central, o principal
Os ciclos industriais
problema não é a falta de água, mas a falta de di-
nheiro para arcar com os custos do acesso regular à
água potável, por parte de parcelas crescentes da
ATIVIDADES
população mundial.
Revendo o capítulo
TRABALHANDO COM MAPAS 1. c.

1. O Canadá dispõe de uma população de pouco mais 2. A afirmação II é falsa pois a fase descendente dos
de 30 milhões de pessoas, enquanto a China é o ciclos caracteriza-se pela saturação do mercado e
país mais populoso do mundo, com mais de 1,25 pela redução das margens de lucro, o que dificulta
bilhão de habitantes. Assim, a disponibilidade per a entrada de pequenos capitais na disputa por mer-
capita de água é muito maior no Canadá que na cados submetidos ao domínio de oligopólios. A
China, ainda que os dois países detenham estoques afirmação IV é falsa, pois a teoria dos ciclos de ino-
semelhantes. vação ajuda a compreender as tendências de loca-
lização industrial mais importantes em cada ciclo,
2. Nos países situados nesta vasta região, o predo- ao mostrar a importância variável dos fatores de
mínio de climas desérticos e semi-áridos caracte- produção (como matérias-primas ou mão-de-obra
rizados pelos baixos índices de precipitação é o especializada, por exemplo).
principal fator responsável pela escassez crônica
de água. 3. Na cadeia produtiva do setor petroquímico, o pri-
meiro estágio produz matéria-prima para o segun-
3. No caso do Egito e do Sudão, o conflito está ligado do, e, por isso, ambos tendem a operar de maneira
à disputa pelas águas do rio Nilo, fundamental para concentrada. Já o terceiro estágio, que produz mer-
o abastecimento humano e a irrigação agrícola em cadorias prontas para o consumo final, tende a ser
ambos os países. atraído pelos grandes mercados consumidores.

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02_Manual atividades.11 55 7/8/05, 4:00 PM
4. No segundo ciclo tecnológico da Revolução Indus- tecnologias básicas e intermediárias tendem a
trial, que se espalhou na Europa em meados do sé- se implantar nos países subdesenvolvidos in-
culo XIX, o carvão era a principal fonte de energia dustrializados e as indústrias de conteúdo tecno-
tanto para as indústrias de base (em especial a side- lógico avançado tendem a se concentrar nos paí-
rurgia) como para as indústrias de bens de consumo ses desenvolvidos.
(principalmente as do ramo têxtil). Por isso, as baci- b) O crescimento da indústria têxtil e de confecções
as carboníferas tornaram-se focos de grandes con- nos países asiáticos, que se manifesta desde a dé-
centrações fabris. Essas concentrações originais con- cada de 1970, é um exemplo desta nova divisão
tinuam a responder por grande parte da produção internacional do trabalho.
industrial européia.
c) No Brasil, a importância estratégica do setor si-
5. c. derúrgico e a participação incipiente dos setores
de ponta no conjunto da produção industrial de-
O capítulo no contexto monstram que o país está afirmando sua inser-
6. a) Entre o final do século XVIII e meados do século ção nos fluxos econômicos globais com base em
XIX, a indústria têxtil nascente organizava-se em indústrias oriundas de ciclos de inovações anteri-
torno do tear hidráulico. A água corrente dos rios ores à revolução tecnocientífica.
era a principal fonte de energia mecânica para as 9. a) O complexo siderúrgico brasileiro está altamen-
fábricas e, por isso, as indústrias aglomeravam-se te concentrado no Sudeste, em virtude da pro-
em torno dos cursos d’água.

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ximidade dos grandes mercados consumidores
b) O carvão mineral e a máquina a vapor funciona- industriais.
ram como fonte de energia principal e tecnologia b) No interior da região, Minas Gerais concentra a
essencial para a Revolução Industrial do século maior parte da produção, em virtude da proxi-
XIX. Em função dos altos custos de deslocamen- midade do Quadrilátero Ferrífero. As grandes si-
to, as aglomerações industriais estabeleceram-se derúrgicas de São Paulo e do Espírito Santo situ-
junto às jazidas de carvão mineral. am-se junto aos portos marítimos. No Rio de
c) No século XX, a eletricidade e o petróleo abriram Janeiro, a CSN está conectada por ferrovia às
um amplo leque de novas localizações indus- reservas minerais do Quadrilátero Ferrífero e aos
triais. Os baixos custos de transmissão da energia portos marítimos.
elétrica possibilitaram a implantação de indústrias c) O Vale do Aço é a maior concentração siderúrgi-
em lugares distantes das fontes de energia. Os ca do país. O espaço de relações do Vale do Aço
motores a combustão interna e a indústria auto- é definido pelas ferrovias que o conectam ao Vale
mobilística deflagraram a construção de rodovias, do Paraíba e ao porto de Tubarão, no Espírito
que representaram novas redes de transporte, Santo. O eixo siderúrgico mineiro tornou-se um
muito mais densas que as redes ferroviárias, origi- importante corredor de urbanização e configu-
nando novas localizações para as indústrias e os rou uma área de significativo dinamismo econô-
centros urbanos. mico associada a Belo Horizonte.
7. a) O conceito de “acumulação flexível” diz respeito
à forma de acumulação nascida com a revolução
tecnocientífica, fundada na qualificação técnica e
TRABALHANDO COM MAPAS
científica da força de trabalho e voltada para a 1. A maioria dos pólos de alta tecnologia do mundo
produção de mercadorias de elevado conteúdo está localizada nos países industriais centrais, em
tecnológico, adaptadas a nichos de mercado com especial nos Estados Unidos e na União Européia.
exigências específicas. Contudo, observa-se a existência de pólos impor-
b) As regiões industriais tradicionais, nascidas sob a tantes na China, na Índia e nos NPIs, sinalizando a
égide do fordismo e da produção serializada, ten- importância da região do Pacífico no mapa mundial
dem a perder importância com a emergência das da indústria de ponta.
regiões industriais características do meio técni- 2. A geografia industrial contemporânea é marcada
co-científico-informacional, marcadas pela disse- por uma desconcentração seletiva. Os países sub-
minação das tecnologias de ponta. desenvolvidos recebem uma parcela significativa
8. a) O fundamento da “reconversão econômica dos novos investimentos em setores industriais ba-
global” ao qual se refere o texto é produto da seados em tecnologias tradicionais, enquanto a
desconcentração seletiva da indústria no plano grande parte dos investimentos em setores industriais
internacional, por meio da qual as indústrias de marcados pelo uso intensivo de tecnologias inova-

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02_Manual atividades.11 56 7/8/05, 4:00 PM
doras se realiza nos países industriais centrais. Esta nado pelos produtores familiares. As grandes em-
bipartição tecnológica é o cerne da divisão interna- presas concentram-se, geralmente, na comercializa-
cional do trabalho que atualmente caracteriza o es- ção e industrialização de alimentos.
paço mundial da indústria.
2. A seleção dirigida consiste numa intervenção sobre
os mecanismos evolutivos naturais: por meio de cru-
zamentos entre variedades ou raças da mesma es-
TEXTO COMPLEMENTAR
pécie, são gerados descendentes com algumas ca-
Dialogando com o texto racterísticas desejadas. A engenharia genética
consiste num patamar mais avançado de interven-
1. As redes de comunicação possibilitam o descola-
ção sobre a natureza: através da introdução de ge-
mento espacial entre as diferentes etapas do pro-
nes escolhidos em plantas ou animais, criam-se ca-
cesso produtivo. Assim, as empresas podem disper-
racterísticas que não se encontram no potencial
sar suas unidades produtivas, aproveitando vantagens
genético da espécie. A seleção dirigida limita-se a
comparativas oferecidas por diferentes localidades
promover o intercâmbio de material genético no in-
para cada uma dessas etapas e minimizando os cus-
terior das espécies; a engenharia genética faz esse
tos de produção.
intercâmbio por cima das fronteiras das espécies. A
2. Esta frase remete às vantagens locacionais oriundas seleção dirigida origina novas raças de animais e va-
da aglomeração inicial de indústrias. De fato, essa riedades de plantas; a engenharia genética produz
aglomeração, provocada por fatores muitas vezes organismos geneticamente modificados (OGM).
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circunstanciais, pressiona pela implantação de infra-


3. O caráter intensamente comercial da agricultura
estruturas, cria ambientes empresariais e amplia o
norte-americana gera importantes conseqüências
mercado de consumo e de mão-de-obra. Tudo isso
espaciais, pois os produtores agrícolas definem os
atua sobre as novas decisões de localização, geran-
usos da terra de modo a obter vantagens compara-
do vantagens comparativas que irão atrair novos in-
tivas e maximizar seus lucros. A diversidade climáti-
vestimentos.
ca, o acesso diferencial aos mercados e o preço de-
3. De acordo com o texto, a Geografia resulta da sín- sigual das terras influem nos custos de produção. A
tese entre o ambiente natural e a história. Nesta acirrada concorrência entre os produtores provoca
perspectiva, o estudo da Geografia tem como meta a especialização de cultivos. Sob o impacto da lógi-
a compreensão do processo histórico de produção ca da concorrência, delineou-se historicamente um
das paisagens e de avanço do meio técnico sobre o zoneamento agrícola caracterizado pelo surgimento
meio natural. de cinturões especializados denominados belts. O
cinturão dos laticínios localiza-se nas adjacências das
concentrações urbano-industriais, em virtude da
proximidade do mercado consumidor. O cinturão
■ Capítulo 9 do milho localiza-se no alto e médio Vale do Rio
Agropecuária e comércio global de alimentos Mississipi, o que facilita o abastecimento das áreas
de pecuária leiteira intensiva dos Grandes Lagos. A
cultura do algodão, adaptada a climas mais quen-
ATIVIDADES tes, domina as áreas subtropicais do sudeste e do
baixo Vale do Rio Mississipi.
Revendo o capítulo
4. a) A herança histórica distingue a agropecuária da
1. As tecnologias da indústria e da biotecnologia ga- Europa meridional. Durante a Idade Moderna, os
rantiram um enorme salto de eficiência e produtivi- latifundiários passaram a residir nas cidades e
dade no setor agropecuário, mas não eliminaram os subdividiram suas propriedades em parcelas, en-
condicionamentos naturais aos quais o setor está tregando-as à exploração de camponeses pobres,
submetido, tais como os ciclos vegetativos naturais, em troca de uma renda equivalente à metade da
as limitações climáticas e pedológicas e a vulnerabi- colheita. A dissolução desse sistema de trabalho,
lidade da agropecuária às alterações climáticas e no século XIX, originou a estrutura de pequenas
ambientais que escapam ao controle humano. Uma propriedades familiares característica de toda a
das conseqüências deste fato é que o trabalho na região. Na Grã-Bretanha, onde a velha agricultu-
agricultura e na pecuária, mesmo modernizadas, ra camponesa foi destruída pelos cercamentos e,
continua a ser menos produtivo do que o trabalho mais tarde, pela modernização industrial do sé-
na indústria. É por isso que a produção agropecuá- culo XIX, os estabelecimentos atingem as maio-
ria continua a constituir um setor econômico domi- res áreas médias do continente.

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02_Manual atividades.11 57 7/8/05, 4:00 PM
b) Nos países europeus, o tamanho médio dos esta- os campos de sorgo, milhete ou cevada são deixa-
belecimentos é muitas vezes menor que o das fa- dos em pousio e neles crescem naturalmente as
zendas norte-americanas. O contraste reflete o acácias. Esse sistema é capaz de recompor a pro-
peso das tradições históricas européias, ligadas à dutividade de solos marginais.
agricultura camponesa pré-capitalista, e da mo-
9. a) A desertificação consiste num conjunto de mu-
dernização mais intensa da agricultura norte-
danças ecológicas regressivas que terminam por
americana. Mas ele também decorre, em parte,
reduzir a capacidade de sustentação e a produti-
das densidades demográficas, que são muito
vidade da terra.
maiores na Europa.
b) A desertificação é deflagrada pela combinação de
5. d.
fatores naturais, como secas prolongadas, e fato-
O capítulo no contexto res antrópicos, como a retirada da vegetação e a
intensificação do uso da terra para pastoreio.
6. a) Pierre George refere-se ao sistema de plantations. Nessas condições, a erosão eólica transporta o
b) De acordo com o texto, as aldeias tribais da fino material superficial, degradando o solo.
região do Golfo da Guiné, nas quais é pratica-
da a agricultura de subsistência, funcionam
como reserva de mão-de-obra sazonal para as TRABALHANDO COM MAPAS
plantations que integram a economia agrícola 1. Os produtos destacados no mapa são chamados

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de mercado. “gêneros tropicais” por serem adaptados aos tipos
7. a) O gráfico revela a importância dos subsídios agrí- climáticos que caracterizam a zona intertropical.
colas concedidos pelos países desenvolvidos. Ele
2. As Américas Latina e Central, o Golfo da Guiné e o
mostra que apenas na área do Euro ocorreu uma
sudeste asiático são as regiões do mundo que se
forte redução de subsídios entre 1991 e 2001,
destacam na exportação destes produtos. Apesar da
embora os subsídios europeus continuem signifi-
grande diversidade entre as economias dos países
cativamente superiores aos norte-americanos.
que compõem estas regiões, todos eles podem ser
b) A Rodada Uruguai da OMC provocou a necessi- considerados subdesenvolvidos.
dade de uma reforma na Política Agrícola Co-
mum (PAC) da União Européia. Essa reforma re- 3. O sistema agrícola responsável pela produção des-
duziu os subsídios agrícolas dos países da UE. tes gêneros, chamado plantation, é caracterizado
pela utilização intensiva de mão-de-obra e pelo cul-
c) A reduzida participação dos países subdesenvol- tivo em grandes propriedades monocultoras, volta-
vidos no mercado mundial de alimentos decorre, das para a exportação.
antes de tudo, da concorrência desigual dos pro-
dutores dos países desenvolvidos, que se benefi- 4. O mercado mundial de produtos tropicais está su-
ciam de vultosos subsídios agrícolas. jeito a grandes oscilações na demanda dos países
desenvolvidos, que são os principais importadores.
8. Os agroecossistemas exibem diversidade biológica
Essas oscilações refletem-se nas cotações interna-
muito menor que os ecossistemas naturais. Esse
cionais desses produtos e provocam a grande ins-
efeito de redução da biodiversidade acentua-se
tabilidade que o caracteriza.
com a modernização agrícola, que enfatiza a espe-
cialização produtiva de cada área e tende a elimi-
nar as tradicionais culturas promíscuas. O combate
TEXTO COMPLEMENTAR
às pragas tornou-se um dos vetores da agropecuá-
ria moderna. Mas a introdução de pesticidas pro-
Dialogando com o texto
voca aumento da toxicidade do ambiente e a con-
taminação de águas fluviais e lençóis subterrâneos. 1. Nos países classificados como “em desenvolvimen-
Por isso, do ponto de vista ecológico, a agricultura to” pelo autor do texto, tanto o preço das terras
pré-industrial é mais eficiente que a moderna agri- quanto o da mão-de-obra tende a ser significativa-
cultura capitalista. Contudo, do ponto de vista eco- mente menor do que nos países industriais centrais.
nômico, a moderna agricultura capitalista é muito Devido a essas vantagens comparativas, teorica-
mais produtiva. Um exemplo de sistema de subsis- mente, os sistemas agrícolas podem operar com
tência ecologicamente adequado é o praticado no menores custos nesses países.
sul da faixa do Sahel, em domínios tropicais sub- 2. De acordo com o estudo citado, os subsídios agríco-
metidos a longas secas. O sistema se baseia na ro- las tornam artificiais os preços das commodities, blo-
tação de terras. Depois de alguns anos de cultivo, queiam a entrada de produtores competitivos no

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02_Manual atividades.11 58 7/8/05, 4:00 PM
mercado mundial de alimentos e atrasam ou impe- não afetam diretamente as condições atmosféri-
dem a saída de produtores não competitivos. cas. As usinas hidrelétricas utilizam um combustí-
vel renovável, a água, e também não lançam re-
3. Os produtores dos países em desenvolvimento sai-
síduos na atmosfera. Porém, as grandes usinas
riam ganhando com a liberalização comercial, que
exigem a inundação de vastas áreas, causando
lhes garantiria acesso a maiores parcelas do merca-
alterações profundas nos ecossistemas nos quais
do mundial. Os consumidores dos países que prati-
são implantadas.
cam elevados subsídios também seriam beneficia-
dos com a redução das tarifas de importação e com 3. Trata-se de países de grande extensão territorial, do-
o aumento da variedade de produtos. A União Eu- tados de uma rica rede hidrográfica, na qual estão
ropéia, o Japão e a China, por seu turno, sofreriam presentes rios caudalosos que atravessam terrenos
com a redução dos empregos no setor agrícola. Os acidentados.
países em desenvolvimento que desfrutam de acor- 4. Com a segunda Guerra do Golfo e a derrubada do
dos comerciais preferenciais, como os países indus- ditador Sadam Hussein, os Estados Unidos passa-
triais centrais, provavelmente perderiam parte de ram a exercer influência política decisiva sobre o Ira-
seus mercados e sairiam prejudicados caso tivessem que. Essa influência coloca os Estados Unidos em
que concorrer em condições de igualdade com os posição mais favorável para negociar com a monar-
demais países produtores. quia saudita o isolamento da seita dos Wahabitas,
4. De acordo com estudo do Banco Mundial, esse con- que controla a religião e a educação na Arábia Sau-
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junto de estratégias tem poucas chances de reverter dita e mantém conexões com a rede terrorista inter-
em elevação da renda interna nacional; pelo contrá- nacional Al-Qaeda, além de assegurar o controle
rio, ele poderá agravar a situação de pobreza, caso sobre as imensas reservas iraquianas de petróleo.
o quadro protecionista atual não seja revertido. 5. a) Esse tipo de energia envolve tecnologias sofisti-
cadas e caras, inacessíveis para a maior parte dos
países subdesenvolvidos.
b) Devido aos dois “choques” do petróleo, ocorri-
■ Capítulo 10
dos na década de 1970, muitos países desenvol-
Estratégias energéticas vidos optaram por substituir as usinas termelétri-
cas tradicionais pelas termonucleares, de forma a
diminuir o uso do óleo.
ATIVIDADES
O capítulo no contexto
Revendo o capítulo
6. Apesar de ser o maior produtor mundial de hidrele-
1. Em meados do século XIX, a lenha era a principal tricidade e figurar entre os maiores produtores de
fonte de energia utilizada no país. O carvão assume energia nuclear, o Canadá apresenta predomínio do
a liderança no final do século XIX, quando as fábri- petróleo e do gás natural em seu balanço energéti-
cas multiplicavam-se e a economia moderna era ins- co, devido à existência de reservas importantes des-
talada. O petróleo e o gás natural dominaram no tes combustíveis em seu território e o elevado con-
século XX, época da emergência da indústria auto- sumo per capita que caracteriza o país. No balanço
mobilística. A década de 1970 assistiu ao início do energético dos Estados Unidos, que é o maior pro-
crescimento acelerado da energia nuclear, que se dutor mundial de energia nuclear e figura entre os
prolongou pelas décadas seguintes. Atualmente, o grandes produtores de petróleo e hidreletricidade,
aumento da demanda explica a incorporação de predominam o petróleo, o carvão mineral e o gás
novos recursos energéticos, que se agregam suces- natural, pois o consumo per capita é ainda maior. A
sivamente aos que já existiam. China, por seu turno, é o maior produtor de carvão
mineral do mundo, e utiliza intensamente essa fon-
2. a) A eletricidade pode ser produzida em usinas ter-
te de energia, principalmente para alimentar o setor
melétricas (tradicionais ou nucleares) ou em usi-
industrial. Contudo, o uso do carvão vegetal, que
nas hidrelétricas.
aparece sob a rubrica de “combustível renovável”,
b) As termelétricas tradicionais produzem energia é intensivo no setor rural. Na Zâmbia, o predomínio
por meio da queima dos combustíveis fósseis, do carvão vegetal denuncia a precariedade tecnoló-
processo que libera uma grande quantidade de gica e a devastação da cobertura vegetal. Finalmen-
poluentes na atmosfera. As termonucleares, além te a França, que não dispõe de reservas importantes
de apresentarem riscos de acidentes, geram resí- de combustíveis fósseis, é movida sobretudo pela
duos com grande poder de contaminação, mas energia nuclear e pelo petróleo importado.

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7. c. as tendências climáticas de fundo não podem ser al-
teradas rapidamente por uma eventual redução das
8. Em diversos países do continente africano, a le-
emissões de “gases de estufa”.
nha é intensivamente utilizada para suprir a de-
manda energética. Por isso, grandes áreas origi- 3. Segundo Lovelock, o aquecimento global não podia
nalmente florestadas estão sendo desmatadas ser claramente compreendido a partir de uma visão
para gerar uma quantidade de energia relativa- fragmentária da Terra, na qual a crosta rochosa, a
mente pequena. atmosfera e a hidrosfera são objetos de estudo se-
9. Este fenômeno é, provavelmente, devido ao aque- parados. Essa visão ocultava que a Terra é um siste-
cimento global, resultante da elevada concentração ma auto-regulado e impedia a compreensão do pa-
de gases de estufa na atmosfera. pel desempenhado pela vida – isto é, pelos
organismos – na regulação do sistema terrestre. A
10. De acordo com o texto, o Brasil seria um dos superação da visão tradicional proporcionou a com-
“perdedores” porque, entre outras conseqüên- preensão das relações entre os componentes do sis-
cias, o aquecimento global representa uma gran- tema terrestre e, portanto, das interações presentes
de ameaça para a biodiversidade dos ecossiste- no processo de aquecimento global.
mas amazônicos.
4. O argumento central é que as usinas nucleares po-
dem substituir em larga escala as usinas térmicas
TRABALHANDO COM MAPAS convencionais na produção de eletricidade, sem

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


1. A principal diferença é que, ao contrário do que emitir “gases de estufa”. Esse benefício, na opinião
acontece no Golfo Pérsico, as reservas de hidrocar- de Lovelock, supera os custos ligados à segurança
boneto situadas na bacia do Cáspio estão distantes das instalações e ao destino do “lixo atômico”.
de saídas oceânicas.

2. Atualmente, existe um grande duto controlado pela


Rússia que escoa petróleo e gás para o mar Negro, PARTE 2
um outro que parte do Azerbaijão e atinge a Geór-
gia e um gasoduto de pequena extensão que liga o O Brasil, território e nação
Turcomenistão ao norte do Irã.

3. A Rússia seria beneficiada com a construção da rota UNIDADE 4


1, que ligaria o Cazaquistão ao mar Negro, pois ela
O Brasil e a globalização
passaria pelo território russo e reforçaria o poder de
Moscou sobre as riquezas naturais da região; já a
■ Capítulo 11
China pressiona pela implantação do projeto que
conecta o Cazaquistão ao seu próprio território (rota Industrialização e integração nacional
10), por razões semelhantes.

ATIVIDADES
TEXTO COMPLEMENTAR
Revendo o capítulo
Dialogando com o texto
1. a) O conceito de “arquipélago econômico” foi cu-
1. O aquecimento global gerado por causas antropo- nhado para descrever um conjunto de economi-
gênicas decorre, principalmente, da queima de com- as regionais que mantém fracas articulações in-
bustíveis fósseis na produção e consumo de ener- ternas e fortes laços comerciais com os mercados
gia. O Protocolo de Kyoto iniciou um processo de externos.
imposição de limites para a emissão de “gases de
estufa”. As estratégias energéticas nacionais já são b) No início do século XX, a economia brasileira exi-
afetadas por esse processo, que incentiva mudan- bia características de “arquipélago econômico”,
ças nas matrizes energéticas, com a redução da pois era possível identificar “ilhas econômicas”
queima de combustíveis fósseis. regionais pouco articuladas entre si. O complexo
cafeeiro paulista, a economia açucareira da Zona
2. Lovelock quer dizer que o clima terrestre é um siste- da Mata nordestina e a região amazônica, orga-
ma complexo e, por isso, está submetido a forças nizada em torno da exportação de borracha na-
inerciais poderosas. Assim como um grande navio em tural, são os melhores exemplos do “arquipélago
velocidade não pode mudar de rumo rapidamente, econômico” brasileiro.

60
02_Manual atividades.11 60 7/8/05, 4:00 PM
2. d. 9. A construção de Brasília representou o ápice de uma
estratégia de cunho geopolítico longamente acalen-
3. b.
tada no Brasil, qual seja, a afirmação política do Es-
4. O modelo de substituição de importações foi o ar- tado sobre o conjunto do território nacional. Mas
cabouço do crescimento industrial brasileiro e do ela só se tornou possível devido à integração eco-
processo de integração do espaço nacional duran- nômica e geográfica promovida pela industrializa-
te meio século, desde a década de 1930. ção, que articulou os mercados regionais sob o co-
Seu fundamento foi a proteção do mercado inter- mando de São Paulo e estimulou a construção de
no por meio de barreiras alfandegárias e estímulos uma infra-estrutura nacional de transporte terrestre.
às indústrias (nacionais ou estrangeiras) instaladas
10. a) Entre 1995 e 2000, houve mais entradas de mi-
no país. Sua meta consistiu na promoção do cres-
grantes no Nordeste que saídas, configurando
cimento e diversificação da indústria, a partir de in-
um saldo migratório positivo.
vestimentos privados nacionais e estrangeiros ou
investimentos estatais. b) Os fluxos de saída predominam na faixa etária
entre 17,5 e 25 anos de idade. Os fluxos de en-
5. a) A participação do Nordeste na população brasi-
trada predominam em todas as demais faixas etá-
leira diminuiu porque a região se transformou em
rias. Uma hipótese explicativa é que os jovens e
área de repulsão demográfica. Enquanto a eco-
adultos em idade de ingresso no mercado de tra-
nomia nordestina conhecia declínio relativo, flu-
balho buscam oportunidades de emprego fora da
xos de migrantes do Nordeste dirigiam-se para o
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Região Nordeste, enquanto famílias constituídas


Centro-Sul e para a Amazônia.
por migrantes nordestinos retornam à região.
b) A Região Sul comportou-se, até a década de
11. a) Essas empresas formaram-se nas décadas de
1970, como área de atração populacional, devi-
1940 e 1950, sob os governos de Getúlio Var-
do principalmente à expansão da fronteira agrí-
gas, no curso do processo de constituição de in-
cola e à oferta de empregos no meio rural. De-
dústrias de base com financiamento estatal.
pois disso, porém, a concentração da propriedade
fundiária e a intensa mecanização das lavouras b) No processo de industrialização do Brasil, o Es-
transformaram a região em área de repulsão de- tado funcionou como indutor do crescimento
mográfica. industrial, seja por meio de políticas destinadas
c) Nesse período, ao lado do início do deslocamen- a proteger o mercado interno da concorrência
to das fronteiras agrícolas para o Centro-Oeste, estrangeira, seja por meio de investimentos di-
ocorreu a transferência da capital federal para retos voltados, principalmente, para a indústria
Brasília. Esse processo gerou um importante flu- de base.
xo migratório.
6. c. TRABALHANDO COM MAPAS

O capítulo no contexto 1. O mapa expressa os saldos migratórios em números


absolutos.
7. A tabela evidencia que o valor relativo das exporta-
ções de São Paulo para o resto do Brasil aumenta no 2. Porque esses estados são os principais pólos econô-
período, enquanto diminuem as exportações para o micos nacionais, abrigam as duas maiores metrópo-
exterior. Esse é um indicador importante do proces- les do país e apresentam grande população absoluta.
so de constituição de um mercado interno unificado
3. Excluindo-se São Paulo e Rio de Janeiro, os estados
no Brasil, em curso nas primeiras décadas do século
com saldos migratórios positivos mais significativos
XX. Do ponto de vista da dinâmica regional brasilei-
encontravam-se nas regiões Centro-Oeste e Norte,
ra, é um indício da crescente polarização exercida
o que reflete as direções de expansão das fronteiras
pelo estado de São Paulo.
agrícolas nacionais.
8. A várzea do rio Amazonas destaca-se sobre o pano
4. Os estados com elevados saldos migratórios negati-
de fundo das densidades muito baixas da Amazônia
vos concentravam-se na Região Nordeste. O fenô-
desde os tempos coloniais, pois a ocupação regional
meno reflete o longo ciclo histórico de repulsão de-
realizou-se, historicamente, por meio das “estradas
mográfica regional que acompanhou o declínio
líquidas” formadas pela rede hidrográfica. Ao longo
relativo da economia nordestina.
do vale do Amazonas e dos vales dos principais aflu-
entes estabeleceram-se os núcleos urbanos mais im- 5. Os saldos migratórios negativos do Paraná e do
portantes da região. Rio Grande do Sul resultam dos fluxos de saída de

61
02_Manual atividades.11 61 7/8/05, 4:00 PM
migrantes desses estados em direção às novas fron- ATIVIDADES
teiras agrícolas do Centro-Oeste e da Amazônia.
Revendo o capítulo
1. a) O elevado potencial hidrelétrico das bacias hidro-
TEXTO COMPLEMENTAR gráficas brasileiras resulta do predomínio de ele-
vadas médias pluviométricas e de relevos planál-
Dialogando com o texto ticos no conjunto do território.
1. O “movimento centrípeto”, mencionado pelo au- b) A energia gerada na Bacia do Paraná atende à
tor, são as migrações em direção aos pólos econô- grande concentração urbana e industrial instala-
micos nacionais, situados no Sudeste e, particular- da no Centro-Sul brasileiro, responsável pela mai-
mente, no estado de São Paulo. Essas migrações or parcela do consumo energético nacional. Por
envolveram sobretudo nordestinos, realizando-se isso, a utilização do potencial energético da bacia
desde as décadas de 1920 e 1930 e acompanhando é mais intensiva.
o processo de industrialização do país.
c) A Bacia Amazônica, situada em uma região mar-
2. O conceito de frente pioneira descreve a fronteira cada pelas baixas densidades demográficas, está
de expansão da economia de mercado, que se reali- distante dos principais mercados de consumo
za pelo estabelecimento de migrantes e atividades energético do país.
econômicas comerciais em áreas até então ocupa- 2. a) O gráfico revela um aumento significativo da ca-
das pela pequena produção de autoconsumo. O

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


pacidade de geração de energia em termelétricas
“movimento pioneiro” na direção do Centro-Oeste convencionais a partir de 1998.
e da Amazônia corresponde à expansão da frontei-
ra agrícola, com o estabelecimento de cultivos co- b) A disponibilidade de gás natural boliviano, im-
merciais em novas áreas dessas regiões. portado por meio do gasoduto Brasil-Bolívia,
assim como a descoberta de reservas de gás na-
3. Provavelmente, o contraste entre o litoral densa- tural em bacias sedimentares brasileiras, oferece
mente povoado e o interior pouco povoado é mais boas perspectivas econômicas para a expansão
forte no Nordeste que no Sudeste devido ao seu da geração termelétrica no Brasil, em especial
processo de industrialização. Esse processo gerou quando se considera o elevado custo da expan-
importantes núcleos urbanos interiorizados, nos es- são da oferta de energia hidrelétrica no Centro-
tados de São Paulo e Minas Gerais. Sul do país.
4. A construção de Brasília desempenhou papel signi- c) As termelétricas a gás natural geram menos resí-
ficativo na intensificação da “marcha para o Oes- duos tóxicos e gases de estufa na atmosfera do
te”. A nova capital atraiu migrantes para o Distrito que as termelétricas a carvão mineral. Por isso,
Federal e seus arredores. As infra-estruturas de representam uma alternativa energética menos
transporte que conectaram a nova capital às demais nociva do ponto de vista ambiental.
regiões funcionaram como eixos de povoamento do 3. a) O gráfico revela que o Rio de Janeiro responde por
Brasil Central e da Amazônia. mais de 80% da produção petrolífera nacional.
5. A mobilidade espacial no Brasil reflete, sobretudo, b) Os campos petrolíferos do Rio de Janeiro locali-
as desigualdades na dinâmica econômica e na ofer- zam-se em bacias sedimentares marinhas. A ex-
ta de emprego ou trabalho entre as diversas regi- tração desse petróleo, que se encontra sob águas
ões. Os fluxos migratórios para o Sudeste decorrem profundas, mobiliza um grande aparato tecnoló-
da busca de empregos nos setores econômicos ur- gico, que envolve a construção de plataformas
banos. As migrações para o Centro-Oeste e a Ama- flutuantes, de linhas submarinhas e de dutos fle-
zônia decorrem, principalmente, da expansão da xíveis de escoamento.
fronteira agrícola. A migração possibilita, muitas ve- 4. Essa disparidade explica-se pela elevada taxa de ur-
zes, a conquista de melhores empregos e salários ou banização da Região Sudeste e pelo poder aquisiti-
de terras para cultivar, funcionando como veículo vo, em média, mais elevado de sua população.
de mobilidade social.
O capítulo no contexto
5. a) A acentuada diminuição da dependência externa
de petróleo entre 1973 e 2003 se deve ao au-
■ Capítulo 12 mento significativo da produção nacional, em
A matriz energética grande parte devido à descoberta das reservas da
Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

62
02_Manual atividades.11 62 7/8/05, 4:00 PM
b) Em 1985, com a inauguração da hidrelétrica de 2. O gasoduto Brasil-Bolívia atravessa os estados de
Itaipu, o Brasil passou a comprar sistematicamen- Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Ca-
te uma parte da metade paraguaia da energia tarina e Rio Grande do Sul.
gerada pela usina, o que resultou no aumento da
3. O traçado do gasoduto Brasil-Bolívia aumenta a dis-
dependência externa de eletricidade.
ponibilidade energética na região Centro-Oeste, e
6. a) A usina de Tucuruí foi construída para atender o poderá se transformar em fator de atração para
complexo metalúrgico da Amazônia Ocidental, empreendimentos industriais na região. Entretanto,
mas cumpre também a função de abastecer as ca- ele pode reforçar ainda mais a concentração indus-
pitais nordestinas nas ocasiões em que as usinas trial nas regiões Sudeste e Sul, que em conjunto
da Chesf não produzem o suficiente para atender compõem a “Região Concentrada”.
à demanda regional. Assim, apesar do imenso im-
pacto ambiental gerado pela construção de Tucu-
ruí, a usina assume uma importância econômica TEXTOS COMPLEMENTARES
inegável para as regiões Norte e Nordeste do país.
Dialogando com os textos
b) Do ponto de vista ambiental, a construção de gran-
des hidrelétricas na Amazônia implica alagamento 1. Do ponto de vista econômico, o autor do texto 1
de áreas florestadas e sensíveis alterações nos ecos- defende a construção de Angra III considerando a
sistemas regionais. Do ponto de vista econômico, importância da energia que seria gerada para as re-
esta estratégia implicaria elevados custos de trans- giões Sudeste e Centro-Oeste e dos empregos que
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

missão, dada a distância entre a Bacia Amazônica e beneficiariam diretamente a população do estado
os principais mercados consumidores do país. do Rio de Janeiro. Do ponto de vista estratégico, a
usina seria importante porque permitiria que o país
7. O São Francisco é o único rio perene que atravessa
obtivesse domínio tecnológico sobre todo o ciclo de
o semi-árido nordestino. Portanto, suas águas são
geração nuclear.
vitais tanto para o consumo das populações locais
quanto para os projetos de irrigação. A construção 2. O custo da importação de fontes de energia, tal
de diversas barragens ao longo do curso do rio pode como com todas as importações, oscila em função
comprometer os outros usos de suas águas, com das diferenças cambiais. No caso de uma grande
conseqüências sociais e econômicas desastrosas. valorização do dólar, por exemplo, o Brasil teria que
arcar com o aumento do preço do gás importado da
8. a) A energia gerada em Itaipu pertence, em partes
Bolívia, o que está sendo chamado pelo autor de
iguais, ao Brasil e ao Paraguai. O Brasil destina
“impacto cambial tarifário”.
sua parcela e, ainda, parte da parcela que per-
tence ao Paraguai, para abastecer as cidades e as 3. De acordo com José Goldemberg, a idéia de cons-
indústrias do Centro-Sul de seu território. O Pa- truir usinas nucleares no Brasil se originou de um pro-
raguai conta quase que exclusivamente com esta jeto megalomaníaco do governo militar que visava
usina para suprir sua demanda por eletricidade. substituir em grande escala a energia hidrelétrica pela
b) Ao proclamar que “a natureza está do nosso lado”, energia nuclear. A história recente da eletricidade bra-
a mensagem se refere ao fato de que, devido ao sileira mostrou o equívoco deste projeto.
regime climático que predomina na área da bacia, a 4. José Goldemberg defende a expansão da oferta de
vazão do rio Paraná é mais estável do que a do rio eletricidade a partir da construção de novas usinas
Yang-tse, o que permite uma menor oscilação na hidrelétricas, da utilização da biomassa e da opção
quantidade de energia produzida ao longo do ano. termelétrica, com a construção de usinas movidas
Mas a mensagem fornece uma explicação suple- tanto pelo gás natural boliviano quanto pelo gás
mentar para a estabilidade do rio Paraná, que não produzido no Brasil.
tem nenhum condicionante natural: as diversas bar-
ragens construídas a montante de Itaipu, que regu- 5. Resposta pessoal.
larizam artificialmente a vazão do rio.

TRABALHANDO COM MAPAS ■ Capítulo 13


Os complexos agroindustriais
1. As principais reservas de gás natural do Brasil estão
localizadas em bacias sedimentares situadas no es-
Revendo o capítulo
tado do Amazonas e ao longo dos litorais dos esta-
dos de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, 1. A agropecuária envolve apenas a agricultura e a cria-
Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará. ção de gado. Já o agronegócio abrange também o

63
02_Manual atividades.11 63 7/8/05, 4:00 PM
conjunto das cadeias produtivas alimentadas pela b) A produtividade da terra é maior no Mato Grosso
agropecuária, o que inclui diversos setores industri- do que no Paraná ou no Rio Grande do Sul. Este
ais, além dos sistemas de estocagem e distribuição. fato tem relação com a elevada densidade técni-
Por isso, corresponde a uma parcela significativa- ca que caracteriza a agricultura de grãos no Cen-
mente maior do PIB. tro-Oeste, responsável pelo aumento significati-
vo do preço da terra na região registrado nos
2. e.
últimos decênios.
3. No Brasil, o setor agropecuário liberou força de tra- 9. Trata-se da técnica de cultivo em curvas de nível,
balho para os setores urbanos industriais; represen- também conhecida como terraceamento. Sua fun-
ta uma fatia importante do mercado das indústrias ção é diminuir o impacto das enxurradas tropicais
mecânicas; é fundamental para o equilíbrio da ba- sobre os solos, de modo a atenuar os processos ero-
lança comercial e fornece alimento a custos razoá- sivos e a evitar os prejuízos econômicos oriundos da
veis para as populações urbanas. Entretanto, os agri- perda de terras férteis.
cultores familiares e os trabalhadores rurais auferem
rendimentos médios muito baixos, e são pratica- 10. O texto revela os mecanismos pelos quais os com-
mente excluídos do mercado dos bens de consumo plexos agroindustriais subordinam a agricultura fa-
produzidos nas cidades. miliar. No exemplo em questão, os pequenos pro-
dutores cumprem o papel de fornecedores de
4. A concentração da produção agropecuária nos es- matérias-primas para uma grande empresa do se-
tados do Centro-Sul do país pode ser explicada pela

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


tor, a qual padroniza os insumos e controla o bene-
adoção de tecnologias modernas, que elevam a pro- ficiamento e a comercialização da produção.
dutividade nesta porção do país. Além disso, essa
região abriga grande parte dos mercados consumi- 11. A modernização da agricultura brasileira foi parcial,
dores dos produtos da agropecuária voltados para o pois não incorporou a grande maioria dos produto-
consumo interno. res rurais, e conservadora, pois gerou um êxodo ru-
ral intenso e teve um impacto negativo na distribui-
5. A “erosão genética” refere-se à perda da diversida- ção da renda, além de ter sido fortemente predatória
de genética que caracteriza as áreas de agricultura do ponto de vista ambiental.
tradicional, devido à homogeneização promovida
pelas monoculturas. Correntes importantes do mo-
vimento ambientalista argumentam que a introdu- TRABALHANDO COM MAPAS
ção de cultivares transgênicos de elevada produtivi-
dade tende a acelerar este processo, na medida em 1. Em Rondônia e no norte do Mato Grosso, que
que pode acarretar uma homogeneização ainda funcionaram como fronteiras agrícolas na década
maior dos campos de cultivo. de 1970, os processos recentes de concentração
da propriedade fundiária são responsáveis pelos
6. Nesse período, o incremento da produção ocorreu fluxos atuais de êxodo rural e pela elevada por-
principalmente em função do aumento da produti- centagem de migrantes rurais no conjunto da po-
vidade resultante de um conjunto de inovações pulação urbana.
tecnológicas, tais como a correção artificial da aci-
dez dos solos e introdução de cultivares de maior 2. Também no caso dos estados da Região Sul, em es-
rendimento. pecial no oeste do Paraná e de Santa Catarina, a
concentração fundiária e a expulsão dos trabalha-
O capítulo no contexto dores rurais estão na origem do peso relativamente
elevado dos migrantes rurais na população urbana.
7. A expansão da soja sobre os cerrados só foi possível
graças à grande densidade científica e técnica incor-
porada ao setor agropecuário, que permitiu a corre- TEXTOS COMPLEMENTARES
ção da acidez natural dos solos e produziu sementes
adaptadas às características climáticas e pedológi- Dialogando com os textos
cas do ecossistema. Desta forma, os campos de soja
1. O conceito de “agricultura de precisão” refere-se
no Brasil central integram o meio tecnocientífico e
às práticas agrícolas que incorporam elevada den-
informacional.
sidade de técnicas, de ciência e de informação,
8. a) O gráfico mostra a relação entre o volume pro- como acontece nos exemplos citados pelo texto,
duzido, a área ocupada pela agricultura de grãos e que atestam a difusão do meio técnico-cientifi-
e a produtividade da terra, em cinco estados co-informacional sobre áreas específicas do meio
brasileiros. rural brasileiro.

64
02_Manual atividades.11 64 7/8/05, 4:00 PM
2. O fenômeno das “fazendas dispersas” guarda rela- principais cidades do país e pelas aglomerações a
ções com a dispersão característica de determina- elas conurbadas. Tais estruturas deveriam confi-
dos setores industriais, que concentram suas unida- gurar como unidades de planejamento do desen-
des de pesquisa nos países desenvolvidos, mas volvimento urbano.
distribuem a fabricação e a montagem final de seus b) A criação das regiões metropolitanas, no início da
produtos em plantas industriais situadas em países década de 1970, representou o reconhecimento
que dispõem de menores custos de mão-de-obra. da importância social e territorial dos processos
3. O contrato de integração das empresas agroindus- de conurbação que se realizavam em torno das
triais que operam na Região Sul com os agricultores principais metrópoles do país.
familiares exemplifica esta “dupla dependência”: de 6. b.
acordo com ele, a agroindústria é a fonte dos insu-
mos e o destino da produção. O capítulo no contexto
7. a) O gráfico da questão exemplifica, na escala esta-
dual, o processo de urbanização regional retrata-
■ Capítulo 14 do no gráfico que aparece no capítulo. Em ter-
Urbanização e redes urbanas mos gerais, eles mostram que a urbanização
começou antes e foi mais intensa no Sudeste.
Também mostram que a urbanização do Centro-
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Oeste e do Sul acelerou-se na década de 1970, o


ATIVIDADES
que não ocorreu com a mesma intensidade nas
Revendo o capítulo regiões Nordeste e Norte.

1. No pós-guerra, o acelerado processo de urbaniza- b) Em função do crescimento industrial e da moder-


ção da população brasileira apoiou-se essencialmen- nização agrícola, a urbanização no estado de São
te no êxodo rural. A repulsão da força de trabalho Paulo é mais antiga e mais intensa que a dos ou-
do campo decorreu da mecanização agrícola e da tros estados que aparecem no gráfico. Ela acele-
concentração fundiária. A atração dessa população rou-se na década de 1960 e atualmente é mais
para as cidades decorreu da presença de uma eco- lenta pois se encontra em seu estágio final.
nomia diversificada, que abre a possibilidade do tra- c) A urbanização no estado de Goiás acelerou-se na
balho sem vínculo empregatício, e dos serviços pú- década de 1960, quando as taxas de população
blicos de saúde e assistência social. urbana ultrapassaram as do Paraná. A urbaniza-
2. De acordo com os critérios adotados no Brasil, po- ção no Paraná acelerou-se na década de 1970,
pulação urbana é o conjunto da população residen- impulsionada pela concentração fundiária e me-
te nas sedes de município ou de distrito e nas de- canização agrícola, adquirindo ritmo similar à de
mais áreas definidas como urbanas pelas legislações Goiás. Atualmente as taxas de população urbana
municipais. Entretanto, a imensa maioria das sedes de ambos encontram-se muito próximas, com
de municípios brasileiros não dispõe dos equipa- pequena dianteira para Goiás.
mentos urbanos necessários para gerar bens e servi- d) A urbanização no estado do Pará desacelerou-
ços capazes de polarizar uma determinada porção se desde a década de 1970, em função da aber-
do território; por isso, ainda que sejam considerados tura de frentes pioneiras agrícolas no leste e sul
urbanos, esses municípios não funcionam como vér- do estado. Essa desaceleração permitiu que as
tices da rede urbana. taxas de urbanização da Bahia ultrapassassem
as do Pará. Na última década, ocorreu uma cer-
3. Parte significativa do êxodo rural nordestino reali-
ta desaceleração na urbanização da Bahia, em
zou-se sob a forma de migrações inter-regionais.
função da abertura de frentes pioneiras agríco-
Durante décadas, o movimento migratório para o
las no oeste do estado.
Sudeste transferiu populações do campo nordestino
para as cidades de São Paulo, Minas Gerais e Rio de 8. Durante décadas, a Amazônia funcionou como a
Janeiro. Atrás desse fenômeno encontra-se o pro- grande fronteira demográfica nacional, recebendo
cesso de modernização urbano-industrial e integra- fluxos de migrantes oriundos do Centro-Sul e do
ção territorial do país. Nordeste. Estes migrantes mantêm relações com
seus lugares de origem, que se expressam em co-
4. e. municações com familiares e conhecidos e viagens
5. a) As regiões metropolitanas foram definidas como de visita às cidades natais. Os migrantes funcionam,
estruturas territoriais especiais, formadas pelas assim, como veículos da influência crescente das

65
02_Manual atividades.11 65 7/8/05, 4:00 PM
metrópoles do Centro-Sul e do Nordeste sobre vas- rém, o eixo viário representado pela Rodovia Belém-
tas áreas amazônicas. Brasília também abriga diversos núcleos urbanos.
9. a) Há um desnível crescente na capacidade de pola- 2. Nos estados de Rondônia, Mato Grosso do Sul, To-
rização das duas principais metrópoles brasileiras. cantins e Goiás, a maioria dos núcleos urbanos está
A influência de São Paulo, que já era hegemôni- localizada ao longo dos eixos viários.
ca, ganhou novo impulso com a aceleração dos
fluxos associados à globalização e difunde-se in- 3. No primeiro caso, desde a colonização o povoa-
tensamente por todas as regiões do país. A in- mento foi atraído pelo eixo de comunicação na-
fluência do Rio de Janeiro, por sua vez, foi atin- tural do Vale do Rio Amazonas e de seus tributá-
gida negativamente pela privatização de rios. Desde a segunda metade do século XX,
empresas estatais que mantinham suas sedes na porém, com a construção da Belém-Brasília, o
antiga capital. A centralização do mercado acio- Pará conhece um processo de urbanização inédi-
nário brasileiro em São Paulo reforça ainda mais to para os padrões regionais, estruturado em tor-
este desnível. no de um eixo viário que atravessa extensas áreas
florestadas. No segundo caso, a expansão acele-
b) As cidades globais são centros nodais das finan- rada dos núcleos urbanos está relacionada com a
ças internacionais, do comércio mundializado, dos construção dos grandes eixos viários de integra-
serviços internacionais de consultoria especializa- ção nacional – em especial as rodovias Belém-Bra-
da e das instituições públicas multilaterais. Na sília e Cuiabá-Porto Velho.

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América Latina, São Paulo, Buenos Aires e a Ci-
dade do México desempenham limitadamente
funções de cidade global, conectando os territó- TEXTO COMPLEMENTAR
rios nacionais aos fluxos mundiais de capitais e às
redes administrativas das corporações transnacio- Dialogando com o texto
nais. No caso do Rio de Janeiro, contudo, a retra-
ção histórica da capacidade de polarização tor- 1. No texto de Roberto Lobato Corrêa, o conceito de
na problemática a aplicação do conceito de tempo histórico é fundamental na caracterização
cidade global. dos diferentes padrões espaciais presentes na rede
urbana brasileira, já que eles resultam de determi-
10. a) O mapa mostra a localização dos núcleos urba- nações surgidas em contextos históricos igualmente
nos que são sedes de municípios no estado do distintos. O padrão dendrítico, por exemplo, resul-
Paraná. tou de um modelo econômico “em arquipélago”
b) O mapa revela que a maior concentração de se- fundado na exportação de produtos primários; a in-
des de municípios localiza-se no norte do estado, dustrialização foi responsável pela integração da
onde ocorre um nítido processo de conurbação. rede urbana brasileira.
Esse processo justifica a criação das regiões me- 2. O padrão espacial dendrítico caracteriza-se pela
tropolitanas nucleadas por Londrina e Maringá. forte polarização em torno de um centro urbano li-
11. O texto apresenta as duas causas principais para a torâneo, organizado em torno de um porto expor-
configuração da megalópole brasileira. Os obstácu- tador e transformado em ponto de apoio para a va-
los naturais – as serras do Mar e da Mantiqueira – lorização econômica do interior.
definiram o eixo de circulação do Vale do Paraíba, 3. A criação da Região Metropolitana de Campinas é
situado entre as metrópoles nacionais. Trechos da uma resposta às demandas de infra-estrutura e
via regional de circulação, a rodovia Dutra, foram abastecimento surgidas com o processo de conur-
incorporados como vias de transporte intra-urbano bação entre Campinas e os núcleos urbanos situa-
pelas metrópoles e cidades médias do Vale do Para- dos em seu entorno. Isso resultou em uma grande
íba, acarretando expansão linear das manchas ur- mancha urbanizada contínua marcada pela integra-
banas ao longo desse eixo. ção funcional e atravessada por fluxos pendulares
diários de trabalhadores.

TRABALHANDO COM MAPAS 4. A rede urbana é constituída por fluxos de matéria e


de informação. As ligações telefônicas interurbanas
1. Nos estados do Amazonas e do Pará, a maior parte e internacionais são parte importante dos fluxos de
dos núcleos urbanos se distribui ao longo dos eixos informação, e sua densidade ajuda no dimensiona-
formados pelos cursos fluviais. No caso do Pará, po- mento da integração que caracteriza a rede.

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as condições políticas que propiciaram a criação
■ Capítulo 15 do Mercosul.
Comércio exterior e integração sul-americana b) A globalização econômica e os processos de aber-
tura comercial no Brasil e na Argentina formaram
as condições econômicas que propiciaram a cria-
ATIVIDADES ção do Mercosul.

Revendo o capítulo O capítulo no contexto


1. b. 7. a) Entre as empresas exportadoras, predominam
aquelas ligadas à indústria extrativa mineral e aos
2. O Brasil é um global trader – isto é, um parceiro ramos alimentares e automobilístico. Entre as im-
global – pois exibe um comércio exterior multidire- portadoras, destacam-se os ramos de telefonia,
cional. As exportações e importações do país estru- automobilístico e petroquímico.
turam-se sobre vários eixos importantes, com des-
taque para a União Européia, os Estados Unidos, a b) Este é o caso da Petrobras, da Embraer, da Bunge
América Latina e a Ásia. Entre as vantagens dessa Alimentos e de diversas montadoras automobilísti-
condição, destaca-se a limitação do impacto das re- cas. No caso da Petrobras, isto acontece porque a
cessões econômicas em um parceiro comercial so- empresa é importadora de petróleo e exportadora
bre o intercâmbio internacional do país. Entre as de derivados e serviços. No caso da Bunge, desta-
ca-se a exportação de soja e a importação de mi-
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desvantagens, destaca-se o risco para as nossas ex-


portações representado pelas medidas protecionis- lho. A Embraer, assim como as montadoras, impor-
tas adotadas pelos principais blocos econômicos – a ta diversas peças e exporta os produtos finais.
União Européia e o Nafta. 8. a) O texto revela claramente o peso dos custos de
transporte no custo final do produto. No caso da
3. a) No Centro-Sul, a malha rodoviária é densa, o que soja brasileira, mais de um terço do preço final é
reflete a elevada população absoluta, a intensi- formado pelos custos de transporte. Esse item re-
dade do povoamento e a existência de uma rede duz a competitividade do produto nacional, que
urbana complexa. Na Amazônia, a malha rodovi- ainda é transportado predominantemente pelo
ária é rarefeita, o que reflete as baixas densida- meio mais caro – o rodoviário.
des demográficas da região e a existência de pou-
cos centros urbanos expressivos. b) De acordo com os dados fornecidos, o custo de
transporte de 120 toneladas de soja, num trajeto
b) O Centro Sul está conectado à Amazônia princi- rodoviário de 600 quilômetros, é de R$ 4.032,00.
palmente por meio de três grandes eixos rodo- Por ferrovia, o custo seria de R$ 1.152,00.
viários: Belém-Brasília, Brasília-Acre e Cuiabá- Por hidrovia, de R$ 648,00.
Santarém.
c) Tendo em conta essa relação de custos, a política
4. Na Geografia Física, bacia de drenagem é a rede in- de transportes para as exportações agropecuá-
tegrada de canais que drenam as águas de determi- rias deve priorizar a integração entre as ferrovias
nada área. Aplicado à Geografia Humana, o concei- e as hidrovias.
to designa a rede integrada de vias de transporte
destinada a deslocar mercadorias até os portos ma- 9. a) O Mercosul é o principal parceiro comercial da
rítimos exportadores. Argentina, seguido pela União Européia e pelo
Nafta.
5. a) A Hidrovia Tietê-Paraná apresenta situação geo-
b) O Brasil é o maior parceiro comercial individual
gráfica privilegiada pois conecta os principais pó-
da Argentina. A parceria econômica com o Brasil
los econômicos do Brasil ao grande pólo econô-
tornou-se crucial para o comércio da Argentina.
mico da Argentina, percorrendo centros de
O intercâmbio comercial entre os dois países as-
produção industrial e de agropecuária moderna
senta-se sobre um processo de cooperação polí-
do Centro-Sul brasileiro e do Pampa argentino.
tica iniciado em meados da década de 1980 e for-
b) Atualmente a Hidrovia do Madeira tem, como malizado nos tratados do Mercosul.
função principal, o transporte de grãos cultiva-
10. a) Entre as principais mudanças do período 1983-
dos no Centro-Oeste brasileiro até os portos ex-
1993 destacam-se o forte aumento do inter-
portadores da Amazônia.
câmbio comercial com os países do Mercosul e
6. a) Os processos mais ou menos simultâneos de rede- o declínio acentuado das importações do Ori-
mocratização no Brasil e na Argentina e a aproxi- ente Médio. O primeiro fenômeno resultou da
mação diplomática entre os dois países formaram formação do Mercosul. O segundo, da redu-

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ção acentuada dos preços do petróleo no mer- validade, que durante muito tempo marcou as rela-
cado mundial. ções entre os vizinhos.
b) Entre as principais mudanças do período 1993- 2. Ao afirmar que as fronteiras entre os países do Mer-
2003 destacam-se a redução relativa do inter- cosul não são “naturais”, o texto não está sugerin-
câmbio comercial com os países do Mercosul e o do que existam fronteiras políticas naturais. Está
significativo aumento do intercâmbio com a Ásia. apenas salientando que essas fronteiras não foram
O primeiro fenômeno resultou da crise financeira traçadas com base em nítidos acidentes geográficos
e econômica da Argentina em 2000 e 2001. O como o curso de grandes rios ou as cristas de cadei-
segundo, da emergência da China como grande as montanhosas.
ator no cenário comercial global.
3. A frase de síntese pretende enfatizar o contraste en-
11. a) A espinha dorsal da integração viária entre os dois tre o poder econômico dos Estados Unidos e o dos
países é a Estrada de Ferro Brasil-Bolívia. Sua im- países latino-americanos, individualmente conside-
portância regional tende a aumentar em virtude rados. No fundo, do ponto de vista dos países lati-
do tratado comercial firmado entre o Mercosul e no-americanos, o atrativo potencial da Alca é, es-
a Comunidade Andina. sencialmente, a oportunidade de acesso facilitado ao
b) O gasoduto propicia a instalação de usinas ter- imenso mercado consumidor dos Estados Unidos.
melétricas nas suas proximidades. A energia ge- 4. O poder sem igual dos Estados Unidos confere uma
rada, por sua vez, contribui para a implantação óbvia dimensão geopolítica ao projeto da Alca. A

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de pólos industriais. decisão brasileira de participar ou não da Alca pro-
vavelmente se refletirá no conjunto das relações
políticas entre o Brasil e os Estados Unidos e tende a
TRABALHANDO COM MAPAS afetar, em especial, o nível de cooperação entre os
1. a) O Eixo Mercosul-Chile deve ser considerado o dois países nos organismos financeiros hemisféricos
mais importante, do ponto de vista da quanti- (como o BID) e nos organismos de segurança regio-
dade e diversidade de fluxos de intercâmbio, nal (como a OEA).
pois conectará o Centro-Sul brasileiro a Buenos 5. O texto traz três críticas ao projeto da Alca, do pon-
Aires e ao Pampa argentino, possibilitando os to de vista dos interesses brasileiros:
fluxos de mercadorias entre os principais pólos a) as regras de livre-comércio exporiam setores da
industriais e agrícolas da América do Sul e o co- indústria nacional à concorrência direta de em-
mércio do Mercosul com o Chile e os mercados presas norte-americanas mais poderosas;
da Bacia do Pacífico.
b) os compromissos que os Estados Unidos insistem
b) A construção da E. F. Brasil-Bolívia obedeceu à em introduzir no tratado da Alca limitariam as
lógica estratégica de projetar a influência geopo- possibilidades de intervenção do Estado na eco-
lítica do Brasil sobre o vizinho. O instrumento nomia brasileira;
para isso seria a ampliação do comércio bilateral
c) o acordo aumentaria a dependência brasileira em
e a concomitante criação de um eixo viário ligan-
relação ao mercado norte-americano e aos capi-
do a Bolívia ao Oceano Atlântico.
tais estrangeiros.
c) O Eixo Venezuela-Brasil-Guiana associa-se ao
potencial de comércio gerado pela concentração
industrial da Zona Franca de Manaus.
UNIDADE 5
d) O Eixo Peru-Brasil aproxima o Brasil Central da
Sociedade e espaço geográfico
Ásia, pois abrirá uma via de escoamento dos grãos
produzidos no Centro-Oeste em direção aos mer-
■ Capítulo 16
cados consumidores da Bacia do Pacífico.
A estrutura regional brasileira

TEXTO COMPLEMENTAR
ATIVIDADES
Dialogando com o texto
1. Segundo Celso Lafer, o Mercosul é destino, pois o Revendo o capítulo
tratado de integração é o elemento central da aliança 1. O espaço exibe menos heterogeneidade na esca-
estratégica entre o Brasil e a Argentina. Essa alian- la das microrregiões. A microrregião é a menor
ça estratégica representou a inversão da antiga ri- unidade de divisão regional oficial do Brasil,

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abrangendo apenas um pequeno conjunto de paços organizados sob a lógica de divisões do
municípios. Sua dimensão a torna menos hetero- trabalho anteriores à revolução tecnocientífica.
gênea, sob os pontos de vista físico e humano, 7. a) As informações da tabela evidenciam que as prin-
que as mesorregiões e macrorregiões. cipais empresas estatais atuavam na produção de
2. a. bens de produção e bens intermediários (minera-
ção, siderurgia) e no setor de infra-estrutura (ele-
3. a) A Região Concentrada, tal como proposta por tricidade, telecomunicações).
Milton Santos, abrange as regiões Sudeste e Sul.
b) O programa de desestatização foi acompanhado
b) A Região Concentrada distingue-se do restante pela criação de agências de regulamento e fisca-
do país pela densidade de objetos e infra-estru- lização das empresas privadas que se tornaram
turas geradas pela revolução tecnocientífica e concessionárias de serviços públicos. A Agência
informacional e pelos fluxos baseados nesses Nacional de Telecomunicações (Anatel), por
objetos e infra-estruturas. Na Região Concen- exemplo, tem a função de assegurar a concor-
trada, o meio tecnocientífico e informacional de- rência no setor de telefonia e o cumprimento dos
sempenha função definidora das características compromissos contratuais de qualidade e univer-
do espaço geográfico. salização dos serviços. A Agência Nacional de
4. a) Na região metropolitana de São Paulo, a indus- Energia Elétrica (Aneel) destina-se a supervisio-
trialização foi impulsionada por um conjunto de nar a geração e distribuição de eletricidade.
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fatores reunidos no complexo cafeeiro exporta- 8. a) O conceito de economias de aglomeração expli-


dor, desde as últimas décadas do século XIX. En- ca a concentração industrial na metrópole paulis-
tre esses fatores destacam-se a disponibilidade de tana. O salto industrial inicial, propiciado pelas ri-
capitais, a mão-de-obra gerada pela imigração quezas geradas no complexo cafeeiro, criou
européia e a infra-estrutura de transporte, repre- condições para a atração de novos investimen-
sentada pela malha ferroviária. tos. As infra-estruturas, o mercado consumidor e
o mercado de trabalho resultantes desempenha-
b) Na região metropolitana do Rio de Janeiro, a in-
ram o papel de novos fatores de atração de in-
dustrialização foi originalmente impulsionada
vestimentos.
pela presença, no final do século XIX, do maior
porto de exportação e importação do país e pela b) O conceito de deseconomias de aglomeração
função de capital política nacional desempenha- explica a retração industrial da metrópole paulis-
da pela cidade. tana a partir da década de 1980. A elevação ge-
ral dos custos de produção – em função do au-
c) Na região metropolitana de Belo Horizonte, a in- mento do preço da terra e dos tributos e da
dustrialização refletiu, desde o início, o esforço organização sindical dos trabalhadores – adicio-
de atração de investimentos realizados pela elite nou-se a fatores como os congestionamentos de
política do estado, por meio da concessão de in- tráfego e a degradação ambiental. Nessas condi-
centivos fiscais e da pressão pela instalação de ções, os novos investimentos tenderam a procu-
siderúrgicas estatais no Vale do Aço, junto às re- rar localizações exteriores à metrópole, contribu-
servas minerais do Quadrilátero Ferrífero. indo para a descentralização industrial.
d) No Vale do Paraíba, o crescimento industrial re- 9. b.
fletiu a expansão dos mercados consumidores
metropolitanos de São Paulo e do Rio de Janeiro 10. A expansão industrial recente aumentou a partici-
e foi impulsionado pela implantação da Compa- pação da Região Sul no valor da produção e no
nhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda emprego, o que significa que ocorreu descentrali-
(RJ), durante a Segunda Guerra Mundial. zação da indústria, em escala nacional. Contudo,
essa expansão industrial recente na Região Sul re-
5. d. alizou-se, essencialmente, nas regiões metropolita-
nas de Curitiba e Porto Alegre, reforçando aglo-
O capítulo no contexto merações já existentes.
6. a) Segundo essa argumentação, a Região Concen-
trada é o espaço geográfico estruturado em tor-
no do meio tecnocientífico e informacional. TRABALHANDO COM MAPAS
b) Fora da Região Concentrada, os elementos do 1. a) As unidades da Fiat localizam-se em Betim (MG)
meio tecnocientífico e informacional se apresen- e Sete Lagoas (MG). A opção de implantação das
tariam em manchas ou pontos isolados, em es- fábricas nas proximidades de Belo Horizonte

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refletiu a tendência de se evitar as deseconomias serviços de consultoria. Outro exemplo são as ativi-
de aglomeração da metrópole paulistana, bus- dades bancárias.
cando custos de produção mais baixos, sem con-
3. São Paulo é uma “metrópole onipresente” no
tudo abandonar as vantagens de localização as-
território nacional pois concentra os centros de
sociadas à proximidade dos grandes mercados
decisão das grandes empresas industriais e finan-
consumidores do Sudeste.
ceiras e as empresas que atuam em serviços es-
b) O Vale do Paraíba, com fábricas de veículos im- pecializados, como grandes escritórios de advo-
plantadas em São José dos Campos (SP), Tauba- cacia e de consultoria.
té (SP) e Porto Real (RJ), configura uma dessas
novas localizações. A região metropolitana de 4. O capítulo discute a descentralização industrial recen-
Curitiba, com fábricas de veículos implantadas te e as transformações na economia do estado de São
em Curitiba (PR) e São José dos Pinhais (PR), é Paulo, que reforçou sua hegemonia no setor bancário
outra dessas novas localizações. e financeiro. Essas tendências podem ser entendidas
por meio da noção de concentração das atividades de
c) A única fábrica localizada fora da chamada Re-
comando e dispersão das atividades de produção.
gião Concentrada é a unidade da Ford em Ca-
maçari (BA). O padrão geral representado no
mapa revela a preferência por localizações na
Região Concentrada, mas fora das metrópoles de ■ Capítulo 17
São Paulo e do Rio de Janeiro.

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Nordeste, nordestes
2. a) O “novo polígono” abrange a maior parte da Re-
gião Concentrada. Ela oferece um vasto espectro
de localizações industriais situadas fora das duas ATIVIDADES
metrópoles globais.
b) As localizações situadas no “novo polígono” Revendo o capítulo
abrangem as grandes e médias cidades do Su- 1. c.
deste e Sul, beneficiadas pelos elementos do meio
2. a) Entre 1988 e 2002, a produção brasileira de ca-
tecnocientífico e informacional.
cau despencou, devido à brutal redução da pro-
c) O “novo polígono” ajuda a entender a noção de dução baiana. Essa redução deve-se à concorrên-
Região Concentrada, pois evidencia as profundas cia dos produtores africanos, à queda dos preços
desigualdades na organização do espaço geográ- internacionais do produto e à praga da “vassou-
fico nacional. As metrópoles e cidades médias do ra-de-bruxa”, que dizimou as plantações do su-
Sudeste e do Sul estão integradas por intensos deste da Bahia.
fluxos financeiros e por infra-estruturas típicas da
b) As cidades são Ilhéus e Itabuna.
“era da informação”.
3. c.
4. a) A sub-região da Zona da Mata compreende as
TEXTO COMPLEMENTAR
planícies e os tabuleiros litorâneos úmidos do
Dialogando com o texto Nordeste oriental. Historicamente, seu espaço or-
ganizou-se em torno da produção canavieira e
1. O fenômeno da “dispersão das modernizações dos engenhos, e depois usinas, de açúcar. Na
pelo país nas décadas mais recentes” está associa- Zona da Mata encontram-se as metrópoles
do aos novos investimentos industriais no Centro- nacionais de Recife e Salvador, as capitais esta-
Sul, mas fora das aglomerações tradicionais, e à duais do Nordeste oriental e os principais pólos
difusão da agricultura moderna no Centro-Sul e industriais nordestinos.
nas franjas da Amazônia. Entre os inúmeros exem-
b) A sub-região do Agreste é uma zona de transição
plos podem-se citar os novos investimentos da in-
climática e ecológica entre a Zona da Mata úmi-
dústria de automóveis no Paraná e em Minas Ge-
da e o Sertão semi-árido. Parte importante da
rais, e a expansão do cultivo de soja no Mato
sub-região corresponde ao Planalto da Borbore-
Grosso, Tocantins e Maranhão.
ma. Historicamente, seu espaço organizou-se
2. A “produção imaterial” é constituída pelas ativida- com base na policultura familiar em pequenas
des financeiras e pelos serviços ligados à difusão e propriedades. As principais cidades do Agreste,
análise de informações especializadas. O texto chamadas “capitais do Agreste”, adquiriram im-
exemplifica essa “produção imaterial” ao analisar os portante função comercial.

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02_Manual atividades.11 70 7/8/05, 4:00 PM
c) A sub-região do Sertão, uma vasta depressão 8. a) O Pólo Petroquímico de Camaçari foi um empre-
pontilhada por chapadas, é o domínio do semi- endimento financiado por capitais estatais e pri-
árido e da caatinga. Historicamente, seu espaço vados, que se beneficiaram de incentivos fiscais
organizou-se com base no latifúndio pecuarista, da Sudene. Sua implantação respondeu à estra-
muitas vezes associado à produção algodoeira. tégia de industrialização do Nordeste por meio
Nas últimas décadas, com a irrigação, surgiram da implantação de pólos de produção de bens in-
importantes pólos exportadores de frutas. termediários voltados para os mercados do Cen-
tro-Sul.
5. c.
b) A implantação de novas indústrias têxteis no Ce-
O capítulo no contexto ará reflete tendências mais amplas da globaliza-
ção da economia. Os investimentos destinam-se
6. a) Do ponto de vista do meio natural, o “Nordeste a extrair o máximo de benefícios da vantagem
açucareiro” estruturou-se nas planícies e tabulei- comparativa regional representada pelos baixos
ros litorâneos do Nordeste oriental. Essa faixa ca- custos da força de trabalho. Os incentivos fiscais,
racteriza-se por precipitações abundantes, con- as políticas industriais do governo estadual e a
centradas no outono e inverno. No passado, adoção de sistemas flexíveis de organização do
esteve recoberta pela Mata Atlântica. O “Nor- trabalho funcionaram como ingredientes decisi-
deste algodoeiro-pecuarista”, por sua vez, estru- vos na estratégia das empresas.
turou-se no semi-árido nordestino, ou seja, nas
9. O Vale do Jequitinhonha mineiro foi incluído na
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

depressões interiores caracterizadas por precipi-


área de atuação da Sudene como resposta à pres-
tações irregulares e relativamente escassas e pela
são da elite estadual de Minas Gerais, que reivindi-
cobertura vegetal da caatinga. cava participar da direção do órgão de planejamen-
b) Do ponto de vista social e político, o “Nordeste to e beneficiar-se dos incentivos fiscais destinados
açucareiro” caracterizou-se pela hegemonia da ao “Nordeste da Sudene”. A inclusão foi justifica-
elite de usineiros e grandes plantadores de cana. da com base em características naturais (a ocor-
O “Nordeste algodoeiro-pecuarista”, por sua rência de secas) e sociais (a pobreza) do Vale do
vez, caracterizou-se pela hegemonia dos grandes Jequitinhonha mineiro.
latifundiários da pecuária, que associaram a essa
atividade o cultivo de algodão, muitas vezes por
meio de sistemas de arrendamento. TRABALHANDO COM MAPAS

7. a) Segundo o diagnóstico do Dnocs, a pobreza nor- 1. Na área irrigada indicada no mapa desenvolve-se o
destina decorria do fenômeno natural das secas. cultivo de frutas tropicais para exportação.
Com base nesse diagnóstico, a solução seria a
2. No semi-árido nordestino predomina a pecuária ex-
construção de obras hidráulicas, principalmente
tensiva tradicional. O Vale do Açu distingue-se tan-
açudes, que pudessem reter, por longos períodos,
to pela atividade econômica (o cultivo de frutas tro-
a água das chuvas.
picais para exportação) quanto pelas técnicas
b) A passagem citada constitui uma crítica à linha modernas utilizadas no cultivo e comercialização dos
oficial do Dnocs pois o autor revela uma visão produtos.
ecológica mais abrangente sobre o semi-árido.
3. As rodovias viabilizam o pólo de fruticultura do Vale
Na sua visão, os setores de planejamento deveri-
do Açu, pois asseguram o transporte dos produtos
am preocupar-se com a proteção da cobertura
até os portos exportadores.
vegetal e dos solos, ameaçados pela devastação.
c) Denomina-se “indústria da seca” aos mecanis-
mos de desvio de recursos públicos para as oli- TEXTOS COMPLEMENTARES
garquias nordestinas, a título de combate às se-
cas. As obras hidráulicas e as estradas financiadas Dialogando com os textos
por recursos federais funcionaram como instru- 1. O texto 1 expressa posição contrária à transposi-
mentos de valorização do latifúndio sertanejo, ção, pois o rio São Francisco não teria água sufici-
onde em geral foram construídas. Manipuladas ente para atender às novas demandas e porque o
pelos “coronéis do Sertão”, as verbas destinadas projeto estaria destinado a expandir o agronegó-
ao combate às secas engordaram o patrimônio cio no Sertão nordestino, provocando degradação
de particulares e contribuíram para as carreiras ambiental. Segundo esse texto, a solução adequa-
políticas dos poderosos locais. da para aumentar a oferta de água no semi-árido é

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02_Manual atividades.11 71 7/8/05, 4:00 PM
a multiplicação de cisternas familiares que rete- postos e bases do Exército e da Aeronáutica
nham as águas da chuva para o consumo humano numa faixa de cerca de 150 quilômetros adjacen-
e para os animais. te às fronteiras setentrionais, desde Oiapoque
(AP) até Tabatinga (AM).
2. Segundo o texto 2, o projeto não gera impactos am-
bientais desfavoráveis de grande monta, pois o vo- b) O Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam)
lume de água submetido à transposição seria muito tem como objetivos principais o controle do trá-
pequeno e porque o período de maior demanda de fego aéreo, a fiscalização de fronteiras, o moni-
água no semi-árido coincide com a estação das chu- toramento de queimadas, o desflorestamento, os
vas nas cabeceiras do São Francisco. garimpos ilegais e o mapeamento de recursos
naturais, por meio de uma rede integrada de sen-
3. O debate sobre a transposição das águas do rio São soriamento remoto e telecomunicações que
Francisco não se circunscreve a aspectos técnicos. abrange a maior parte da Amazônia Legal.
Trata-se de um debate de cunho político. Os de-
fensores do projeto enfatizam a carência de água O capítulo no contexto
para explicar a pobreza do semi-árido. Aqueles que 6. a) Os padrões tradicionais de ocupação do espa-
a ele se opõem argumentam que a pobreza deriva ço geográfico na Amazônia estruturaram-se em
da estrutura de propriedade da terra, interpretam torno da pequena agricultura de várzea, asso-
a transposição como estímulo ao agronegócio e in- ciada à pesca e à coleta florestal, e da circula-
sistem em políticas de fomento à pequena agricul- ção pelas vias fluviais formadas por rios e iga-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


tura familiar. rapés. Os padrões modernos de ocupação do
espaço amazônico estruturam-se em torno das
metrópoles regionais e de grandes projetos mi-
nerais e agropecuários, e baseiam-se na circu-
■ Capítulo 18
lação rodoviária.
A Amazônia e o planejamento regional
b) Os igarapés constituem as vias básicas de circula-
ção das populações ribeirinhas. Sua privatização
ATIVIDADES implicaria a supressão dos fundamentos do modo
de vida tradicional dessa população, gerando
Revendo o capítulo êxodo rural e inchaço urbano. Por isso, justifica-
se a proteção dos igarapés como vias públicas de
1. e.
circulação.
2. Na década de 1970, sob a coordenação da Sudam, 7. a) O oeste do Maranhão encontra-se na área de
a Amazônia Legal transformou-se em um vasto ce- atuação da Sudene, pois o Maranhão faz parte
nário de investimentos estimulados por recursos da Região Nordeste. Encontra-se também na
públicos. Até 1985, mais de 900 projetos foram área de atuação da Sudam, pois faz parte da
aprovados pela Sudam. A legislação vigente nesse Amazônia Legal.
período determinava que a devolução dos recursos
b) O pólo industrial de São Luís (MA) mantém rela-
públicos recebidos por projetos cancelados não en-
ções mais consistentes com a Amazônia do que
volveria juros ou correção monetária. Desse modo,
com o Nordeste, pois depende da eletricidade
em ambiente econômico inflacionário, abandonar
fornecida pela usina de Tucuruí e do eixo de
projetos incentivados tornou-se um negócio alta-
transporte da E. F. Carajás.
mente lucrativo.
8. a) O gráfico revela que a expansão demográfica
3. a) A usina hidrelétrica de Tucuruí localiza-se no rio acelerada de Manaus ocorreu nas décadas de
Tocantins, no sul do Pará. 1970 e 1980, quando a participação da cidade
b) A usina fornece eletricidade aos projetos minero- na população do estado do Amazonas saltou de
industriais da Amazônia Oriental. Os principais cerca de um terço para cerca de metade.
clientes industriais de Tucuruí são os grandes pro- b) O fenômeno da expansão demográfica acele-
jetos de alumina e alumínio situados em Barcare- rada de Manaus foi provocado pela criação da
na (PA) e São Luís (MA). Zona Franca de Manaus e pela conseqüente
4. d. implantação de um pólo industrial moderno
na cidade.
5. a) O Programa Calha Norte foi concebido com a fi-
nalidade de proteger as fronteiras setentrionais, 9. O ecoturismo tem potencial para se firmar como
por meio da instalação de uma rede integrada de importante atividade econômica na Amazônia,

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02_Manual atividades.11 72 7/8/05, 4:00 PM
gerando renda e empregos e dinamizando um 3. A autora do texto 2, pelo contrário, defende a idéia de
conjunto de atividades do setor terciário. Seu que o extrativismo possa funcionar como eixo de um
fundamento é a preservação das paisagens e dos redirecionamento da economia amazônica, baseado
ambientes da região. no conceito de desenvolvimento sustentável. Ela afir-
ma que uma prioridade é “garantir o controle do aces-
10. As palafitas, que são favelas erguidas sobre rios ou
so aos recursos naturais por seus usuários, asseguran-
igarapés, refletem o inchaço das cidades amazôni-
do assim os direitos dos trabalhadores da floresta”, o
cas e o caráter desordenado do crescimento urba-
que revela a visão de uma economia extrativista mo-
no na região. A Vila de Carajás é uma company-
derna, mas baseada na pequena produção local.
town, ou seja, um núcleo urbano planejado,
erguido por uma empresa e destinado a abrigar a
mão-de-obra permanente empregada no projeto
mineral. As duas formas de urbanização derivam ■ Capítulo 19
dos processos de modernização da economia ama-
Desigualdades sociais e pobreza
zônica, que se realiza sob o signo da exploração
empresarial dos recursos naturais e à margem de
qualquer planejamento orientado para o desenvol- Revendo o capítulo
vimento sustentável. 1. a) Os 20% mais ricos apropriavam-se, em 2000, de
68% da renda total.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

TRABALHANDO COM MAPAS b) Os dados do gráfico evidenciam que a distribui-


ção da renda no Brasil é extremamente desigual:
1. O mapa revela o processo histórico de apropria- o quinto mais rico da população concentra mais
ção de terras em Rondônia pela agricultura co- de dois terços da renda total enquanto os quatro
mercial que decorreu da frente pioneira constituí- quintos restantes não chegam a apropriar-se se-
da por migrantes, geralmente provenientes do quer de um terço da renda total.
Centro-Sul. O título do mapa é adequado, pois
c) O padrão extremamente desigual de distribuição da
sintetiza esse processo por meio do uso do con-
renda nacional é uma das principais causas da po-
ceito de fronteira agrícola.
breza de parcela significativa da população brasileira.
2. A apropriação de terras em Rondônia pela agricul- 2. b.
tura comercial realizou-se, essencialmente, ao lon-
go da rodovia Brasília-Acre, que figura como princi- 3. Ainda que a incidência de pobreza seja maior no
pal eixo de transporte de produtos agrícolas para os meio rural, o número absoluto de pobres é maior
mercados do Centro-Sul. nas cidades, devido ao elevado grau de urbanização
da população brasileira.
3. A proximidade, ou mesmo contigüidade, entre as
áreas de colonização agrícola e as reservas indíge- 4. a) João dos Santos Oliveira não coloca seu filho na
nas é fonte de tensões fundiárias e de violência no escola porque depende da ajuda dele para reali-
campo, envolvendo colonos e indígenas. zar seu trabalho e porque não tem residência fixa,
pois depende de serviços oferecidos esporadica-
mente em cidades distintas.
TEXTOS COMPLEMENTARES b) A incidência do trabalho infantil é maior nas ativida-
des agropecuárias porque muitas delas não exigem
Dialogando com os textos qualificação específica do trabalhador, tal como
1. Os dois textos abordam o extrativismo florestal, dis- acontece na grande maioria das atividades urbanas.
cutindo-o em relação ao planejamento do desen-
volvimento na Amazônia. O capítulo no contexto
5. a) O Brasil pertence ao segundo grupo, formado
2. O autor do texto 1 expressa uma posição ferozmen-
pelos países nos quais a concentração da renda é
te contrária à noção de que o extrativismo possa
a principal causa da pobreza.
funcionar como esteio para o desenvolvimento
amazônico. Ele considera que esse tipo de proposta b) Historicamente, a extrema concentração da renda
traduz uma visão ingênua e idílica ou, de outro lado, no Brasil foi condicionada por estruturas sociais
os interesses empresariais “da poderosa indústria marcadas por rígida estratificação de classes, he-
farmacêutica internacional, dos grupos econômicos rança da escravidão, e pela concentração da pro-
que trabalham com a biotecnologia, com a enge- priedade fundiária. Em meados do século XX, a
nharia genética e a etnobiologia”. concentração de renda aprofundou-se em virtude

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dos processos combinados de urbanização e in- per capita média de brancos e negros no interior de
dustrialização, que provocaram uma nítida distin- cada unidade da federação e, por isso, não autori-
ção entre os rendimentos dos trabalhadores urba- zam conclusões sobre a distribuição de renda nesses
nos qualificados e não-qualificados. grupos populacionais. Além disso, os mapas permi-
6. d. tem concluir que existem fortes diferenças de renda
per capita média entre brancos e negros no interior
7. A Região Nordeste é a de maior incidência da pobre- de cada unidade da federação.
za no Brasil, em conseqüência de suas estruturas eco-
2. Os mapas evidenciam a forte desigualdade de ren-
nômicas históricas, marcadas pelo contraste entre o
da no Brasil, sob o ponto de vista regional e estadu-
latifúndio e o minifúndio e agravadas pelo processo
al. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e o
excludente de desenvolvimento industrial iniciado em
Distrito Federal, apresentam níveis de renda per ca-
meados do século XX. A Região Sul, ao contrário, é a
pita superiores ao do restante do país, para brancos
de menor incidência de pobreza, em virtude da for-
e negros. O Sudeste e o Centro-Oeste apresentam
mação de um mercado consumidor regional que se
níveis de renda per capita superiores aos do Norte e
apoiou sobre uma estrutura agrária de pequenas pro-
Nordeste, para brancos e negros.
priedades familiares e uma industrialização largamen-
te sustentada por capitais regionais. 3. São Paulo e Rio de Janeiro situam-se na mais alta clas-
se de renda per capita nos dois mapas, pois são as
8. O senador José Sarney sugere que, apesar de ser apon- unidades da federação que concentram as maiores e
tado pelas estatísticas nacionais e internacionais como

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mais produtivas empresas dos setores Secundário e
um dos estados mais miseráveis do Brasil, o Maranhão Terciário, funcionando como pólos da economia na-
ostenta a maior igualdade social do país, já que quase cional. O Distrito Federal situa-se na mais alta classe
metade da população vive no campo em regime de de renda per capita nos dois mapas pois concentra a
subsistência. De acordo com ele, os indicadores sociais maior parte da burocracia de Estado, que dispõe de
só provam que a população do estado não é afetada salários muito mais elevados que a média nacional.
pela “sedução do consumismo” típica das metrópo-
les. Entretanto, as estatísticas mostram que, no Mara- 4. Os mapas evidenciam que a renda per capita dos
nhão, a mortalidade entre crianças até um ano de ida- negros é menor que a dos brancos, em média, em
de, assim como o analfabetismo entre os maiores de todos os estados da Federação.
15 anos, é significativamente superior à média nacio- Eles também evidenciam que as desigualdades regio-
nal. Isto significa que parcela expressiva da população nais de renda manifestam-se com intensidade simi-
maranhense morre por falta de cuidados básicos com lar entre as populações branca e negra.
a saúde das gestantes e dos recém-nascidos, e parte
dos que sobrevivem jamais irão aprender a ler ou a
TEXTOS COMPLEMENTARES
escrever. Considerando o discurso do senador, parece
que também os hospitais e as escolas atendem a ne- Dialogando com os textos
cessidades supérfluas, geradas pelo consumismo de-
1. De acordo com a autora do texto 1, não existe uma
senfreado das populações urbanas...
relação direta entre pobreza e violência; para ela, a
9. O texto revela o mecanismo por meio do qual a po- criminalização da pobreza é antes fruto do precon-
pulação de baixa renda, que não tem acesso ao mer- ceito do que da realidade social.
cado imobiliário formal, é levada a ocupar áreas de
risco ambiental ou interditadas pelo poder público. 2. O autor do texto 2 argumenta que a proximidade física
Este mecanismo é um dos principais responsáveis entre pobres e ricos na cidade do Rio de Janeiro é um
pela degradação ambiental urbana, que acaba por produto das múltiplas relações entre os dois grupos,
atingir de maneira mais direta a população carente posto que os pobres garantem sua sobrevivência pres-
que ocupa as encostas íngremes sujeitas ao desmo- tando serviços aos ricos, que por sua vez garantem seu
ronamento, os fundos de vale sujeitos à inundação estilo de vida comprando os serviços dos pobres.
e as margens de mananciais poluídos, que se trans- 3. O texto 4 mostra como o poder público, ao remover
formam em focos de transmissão de doenças. uma favela situada em um local nobre do tecido urba-
no, induziu a ocupação ilegal da terra, já que a indeni-
zação paga aos moradores não foi suficiente para lhes
TRABALHANDO COM MAPAS
garantir acesso ao mercado imobiliário formal. Este
1. Os mapas não sustentam a conclusão de que há episódio ilustra o argumento central do texto 3, de
pouca diferença de renda per capita no interior de acordo com o qual a produção da ilegalidade é parte
cada unidade da federação. Eles mostram a renda do mecanismo de desenvolvimento urbano brasileiro.

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ral e intensificação das tensões no campo e dos
■ Capítulo 20 conflitos fundiários.
A questão fundiária 7. a) Grileiros são os agentes dos grandes proprietários
fundiários que se dedicam a legalizar a proprieda-
de sobre as terras apossadas ilegalmente. A falsifi-
ATIVIDADES cação de títulos de propriedade da terra, pela via
da corrupção de funcionários cartoriais, é um de
Revendo o capítulo seus principais instrumentos de atuação. Possei-
ros são camponeses que detêm a posse real, mas
1. a) Na raiz desse fenômeno encontra-se a crise da
não a propriedade legal da terra que cultivam.
agricultura familiar, que sofre os efeitos da con-
corrência globalizada, da subordinação aos oligo- b) Os métodos utilizados pelo MST são variados e
pólios industriais e agroindustriais e da sucção de abrangem a realização de acampamentos de tra-
recursos pelo sistema financeiro. Uma das razões balhadores sem-terra às margens de rodovias, a
dessa crise é a redução dos subsídios agrícolas ve- ocupação de terras reivindicadas para reforma
rificada ao longo da década de 1990. agrária e manifestações públicas nas cidades.
8. O tamanho dos estabelecimentos rurais está relaci-
b) A crise da agricultura familiar gera êxodo rural, in-
onado às formas de uso da terra. A proporção de
chaço das periferias urbanas e aumento da quan-
terras utilizadas para lavouras permanentes ou tem-
tidade de trabalhadores sem terra no campo.
porárias diminui dos pequenos para os grandes es-
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2. A tabela revela que as regiões Sudeste e Centro- tabelecimentos. A parte das terras utilizadas para
Oeste exibem participação da agricultura familiar na pastagens naturais ou plantadas é menor nos pe-
produção agrícola regional significativamente me- quenos estabelecimentos e maior nos estabeleci-
nor que as demais. mentos médios. A proporção de terras com matas
Esse fenômeno resulta da difusão maior da agricultura aumenta dos pequenos para os grandes estabeleci-
patronal empresarial no Sudeste e no Centro-Oeste. mentos. O reflorestamento empresarial é o uso da
terra característico dos grandes estabelecimentos.
3. a) A canção retrata o processo de êxodo rural que
se desenrola aceleradamente no Brasil desde a 9. a) A instalação de empresas de telecomunicações e
década de 1930. alta tecnologia absorveu parcela significativa da
mão-de-obra não-especializada, gerando carên-
b) A transferência de mão-de-obra da agropecuária cia de força de trabalho nas lavouras de café.
para a indústria e os serviços é a causa principal
b) O relevo montanhoso da região limita as possibi-
do êxodo rural. Essa transferência, em ritmo ace-
lidades de mecanização das lavouras. Por isso,
lerado, está associada à modernização técnica da
dada a carência de mão-de-obra não-especializa-
agropecuária e à concentração fundiária.
da, os fazendeiros de café recorrem ao antigo sis-
4. e. 5. d. tema da parceria.
c) A queda dos preços do café no mercado internacio-
O capítulo no contexto nal tende a suprimir os produtores menores, abrindo
6. a) O texto esclarece como o apossamento de terras caminho para a aquisição dos sítios pelos fazendei-
na Primeira República contribuiu para acentuar a ros e provocando, portanto, concentração fundiária.
concentração fundiária. Os posseiros-fazendeiros
dispunham de recursos para assegurar o controle
TRABALHANDO COM MAPAS
sobre as terras que ocupavam. Por outro lado, os
pequenos posseiros, carentes desses recursos, 1. A elevada participação de estabelecimentos rurais
acabavam perdendo a posse das terras. com menos de 10 hectares no Maranhão, no Ceará
b) A “fronteira aberta” funcionou como válvula de e na Bahia reflete a sobrevivência de extensas áreas
escape para as tensões sociais, ao possibilitar o de agricultura tradicional, voltada essencialmente
estabelecimento dos trabalhadores pobres do para o autoconsumo, nesses estados. O binômio la-
campo em novas terras, como posseiros. tifúndio-minifúndio, característico da agricultura tra-
dicional no Brasil, continua a marcar a estrutura fun-
c) O padrão de expansão contínua da fronteira agrí-
diária da maior parte do Nordeste.
cola entrou em esgotamento na década de 1980.
A fronteira agrícola, durante décadas, recebeu 2. A elevada participação de estabelecimentos rurais
parte dos excedentes demográficos gerados pela com mais de 2.000 hectares no Mato Grosso e no
modernização agrícola. O “fechamento” da Mato Grosso do Sul reflete as formas de ocupação
fronteira agrícola provoca aumento do êxodo ru- do meio rural em grande parte do Centro-Oeste.

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Os latifúndios de pecuária extensiva continuam a ATIVIDADES
marcar a paisagem regional, ao lado de extensas fa-
zendas modernas de grãos, especialmente soja. Revendo o capítulo
1. O capitalismo industrial estruturou, na segunda me-
tade do século XIX, uma divisão internacional do tra-
TEXTOS COMPLEMENTARES
balho baseada no intercâmbio de produtos industri-
Dialogando com os textos ais da Europa e dos Estados Unidos por gêneros
tropicais e matérias-primas do resto do mundo. É
1. O texto de João Pedro Stédile propõe a desapropri- nessa moldura que se registra a expansão acelerada
ação de “todos os latifúndios existentes” e o esta- da produção de gêneros tropicais de exportação na
belecimento de “um tamanho máximo da proprie- América Latina, Ásia e África.
dade da terra”. Essas propostas configuram um
projeto de mudança radical das estruturas fundiária 2. c.
e agrária no Brasil, com a virtual extinção da grande
3. e.
agricultura patronal.
4. A aceleração do processo de centralização de capi-
2. O texto de José Eli da Veiga defende a agricultura
familiar, pois ela tem alto potencial de geração de tais, na década de 1990, foi impulsionada pelo acir-
empregos e seu estímulo tem efeitos positivos sobre ramento da concorrência em escala global, em vir-
os padrões gerais de distribuição da renda nacional. tude da tendência à liberalização dos mercados

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


nacionais. Além disso, foi estimulada pelos vultosos
3. O texto de Francisco Graziano Neto critica a noção investimentos em pesquisa, marketing e comerciali-
de que os assentamentos de reforma agrária possam zação exigidos pela concorrência globalizada.
contribuir para a redução do desemprego. Na sua vi-
são, o desemprego se combate com a criação de em- 5. a) O intercâmbio internacional de mercadorias tem,
pregos, não com a distribuição de terras, pois a imen- como eixos principais, os fluxos de comércio en-
sa maioria dos desempregados não dispõe dos meios tre os Estados Unidos, a Europa Ocidental, a Ásia
financeiros, técnicos e intelectuais para sobreviver oriental e o Japão.
como agricultores na economia moderna. b) As trocas comerciais entre os países subdesen-
volvidos são pouco significativas, em primeiro
4. João Pedro Stédile enxerga a reforma agrária como
lugar, em função das próprias dimensões das
uma mudança estrutural na economia e na socieda-
economias e dos mercados desses países, que
de brasileiras, que se expressaria na extinção da clas-
se de grandes empresários rurais e na implantação limitam sua capacidade de exportar e importar.
de um modelo econômico autônomo em relação ao Em segundo lugar, são pouco significativas de-
mercado mundial. José Eli da Veiga interpreta a re- vido à composição das exportações da maior
forma agrária como um processo de reformas desti- parte dos países subdesenvolvidos: os princi-
nado a amenizar a pressão migratória sobre as cida- pais mercados consumidores de gêneros agrí-
des e melhorar a distribuição de renda. Francisco colas tropicais e matérias-primas são os países
Graziano Neto não vê a necessidade histórica de desenvolvidos.
mudanças provocadas pelo governo e pela legisla- 6. Investimentos produtivos são fluxos de capitais des-
ção nas estruturas de propriedade da terra. tinados à implantação de unidades de produção ou
comercialização de bens ou serviços nos países re-
ceptores. Investimentos financeiros são fluxos de
capitais destinados aos mercados financeiros de tí-
PARTE 3 tulos ou ações dos países receptores.
Geografia e geopolítica
O capítulo no contexto
da globalização
7. a) O sonho de Gerstacker revela a utopia ultralibe-
ral de uma economia de mercado sem nenhuma
UNIDADE 6 regulação ou interferência estatal. Nessa situação
utópica, as empresas transnacionais poderiam,
O espaço da globalização
sem qualquer empecilho, aproveitar-se plena-
mente das diferenças de recursos naturais e hu-
■ Capítulo 21
manos entre as várias áreas do mundo de modo
Os fluxos da economia global
a maximizar seus lucros.

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b) As empresas transnacionais não funcionam, real- valores, as grandes companhias de comércio exteri-
mente, como “ilhas sem pátria”. Elas têm sede or, as principais empresas de serviços jurídicos e fi-
em determinado país, onde geralmente mantêm nanceiros internacionais e as organizações multila-
a maior parte de seu patrimônio e recrutam seus terais como a ONU, o FMI e o Banco Mundial.
principais executivos. Em muitos casos, essas em- Nessas cidades são tomadas decisões capazes de
presas mantêm estreitas relações com o governo afetar a organização de territórios em escala macror-
do país onde fica sua sede. regional, continental ou mundial.
8. Centralização de capital é o processo de expansão 2. As cidades mundiais, devido às funções que de-
dos recursos controlados por um grupo empresarial sempenham na economia internacional, são pó-
por meio de fusões com outros grupos ou aquisi-
los de fluxos de tráfego aéreo muito intensos, pois
ções de outras empresas. O conglomerado suíço
elas figuram como destinos privilegiados das via-
Nestlé ilustra esse processo. Por meio de inúmeras
gens de negócios.
aquisições, retratadas na figura, configurou-se o
atual conglomerado mundial. 3. O mapa mostra que Nova York, Londres e Tóquio,
as mais importantes cidades mundiais, são os maio-
9.