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COMPLEXO JURÍDICO DAMÁSIO DE

JESUS

PRÁTICA PENAL
OAB 2ª FASE

Coordenação
Prof. Marcelo Tadeu Cometti

Professores
Cícero Marcos Lima Lana
Flávio Cardoso de Oliveira

Colaboradores
Luciano Casaroti
Paula Quaggio

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SUMÁRIO

1. Instruções preliminares

2. Regras de competência

3. Ação penal
3.1. Ação penal pública
3.2. Ação penal privada

4. Ritos processuais
4.1. Rito ordinário
4.2. Rito sumário
4.3. Rito sumaríssimo
4.4. Ritos especiais
4.4.1. Júri
4.4.2. Lei de drogas
4.4.3. Funcionários públicos
4.4.4. Lei de Imprensa
4.4.5. Crimes contra a honra

5. Teses
5.1. Extinção da punibilidade
5.1.1. Prescrição
5.1.2. Decadência
5.2. Nulidades
5.3. Abuso de autoridade
5.4. Falta de justa causa

6. Peças
6.1. Modelo geral 1
6.2. Modelo geral 2

7. Peças (espécies)
7.1. Liberdade provisória (com e sem fiança)
7.2. Relaxamento da prisão em flagrante
7.3. Representação
7.4. Queixa-crime
7.5. Defesa prévia
7.6. Alegações finais
7.7. Apelação
7.8. Recurso em sentido estrito
7.9. Agravo em Execução
7.10. Embargos de declaração
7.11. Embargos infringentes e de nulidade
7.12. Correição parcial
7.13. Protesto por novo júri
7.14. Carta testemunhável
7.15. Recurso ordinário constitucional
7.16 Recurso extraordinário

2
7.17. Recurso especial
7.18. Habeas corpus
7.19. Mandado de Segurança
7.20. Revisão criminal
7.21. Reabilitação
7.22. Livramento condicional

8. Problemas

9. Gabarito

10. Questões práticas

11. Gabarito

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1. INSTRUÇÕES PRELIMINARES:

1. A prova não pode ser identificada; dessa forma, não se deve colocar datas, nomes,
assinaturas, marcas, desenhos, ou qualquer sinal que possa ser entendido como
identificação, salvo se determinado no próprio enunciado do problema.

2. A prova consiste em uma peça prática e 05 (cinco) questões, sendo que cada parte tem o
mesmo valor, qual seja, 5,0 (cinco) pontos.

3. Para aprovação, deve o candidato obter, no mínimo, a nota 6,0 (seis); por isso, não existe
uma parte mais importante do que a outra. A peça e as questões devem ser respondidas
com o mesmo zelo e atenção.

4. A correção da peça é feita com base nos seguintes critérios:


- Adequação da peça ao problema apresentado
- Raciocínio jurídico
- Fundamentação e sua consistência
- Capacidade de interpretação e exposição
- Correção gramatical
- Técnica profissional

5. As questões, por sua vez, são objetivas, de forma que podem estar corretas, parcialmente
corretas ou erradas;

6. A peça deve ser fundamentada, com citação de jurisprudência e doutrina, que darão
maior suporte à tese que será defendida.

7. As questões podem ser fundamentadas com doutrina e jurisprudência (desde que cabível
no espaço reservado para a resposta).

8. A letra deve ser legível.

9. É permitido o uso de doutrina, legislação e legislação comentada; são proibidos livros


que contenham modelo de peça, apostilas e dicionários jurídicos.

10. O segredo da prova é estudar e manter a calma!!!!

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2. REGRAS DE COMPETÊNCIA

As regras de competência determinam qual será o órgão judicial responsável


pelo julgamento de determinado processo, se a Justiça Estadual Federal, 1ª Instância, STJ e
assim por diante. Para perfeita compreensão das regras de competência, imperiosa é a verificação
da distribuição da organização judiciária.

A Justiça Estadual comum se divide entre os juízes de 1ª Instância (que


atuam nas mais diversas comarcas) e os Tribunais de Justiça, que representam a 2ª Instância
(cada Estado do Brasil possui um Tribunal de Justiça).

Na Justiça Federal, onde serão julgados os crimes federais (de acordo com a
regra do artigo 109 da Constituição Federal), a 1ª Instância é composta por juízes federais a 2ª
Instância pelos Tribunais Regionais Federais.

No entanto, diferente do que ocorre na Justiça Estadual, os Tribunais não


existem em todos os estados brasileiros; na verdade, existem apenas 05 (cinco) Tribunais
Regionais Federais, cuja competência é assim distribuída:

- Tribunal Regional Federal da 1ª Região (sede em Brasília): Distrito Federal, Acre, Amazonas,
Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Piauí, Goiás, Bahia e
Minas Gerais.
- Tribunal Regional Federal da 2ª Região (sede no Rio de Janeiro): Rio de Janeiro e Espírito
Santo.
- Tribunal Regional Federal da 3ª Região (sede em São Paulo): São Paulo e Mato Grosso do Sul.
- Tribunal Regional Federal da 4ª Região (sede em Porto Alegre): Rio Grande do Sul, Santa
Catarina e Paraná.
- Tribunal Regional Federal da 5ª Região (sede em Recife): Alagoas, Ceará, Paraíba,
Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Os Tribunais Superiores, por sua vez, têm sua competência prevista na


Constituição Federal.

O STJ – Superior Tribunal de Justiça – tem sua competência definida no


artigo 105, ao passo que o STF – Supremo Tribunal Federal – tem competência definida no
artigo 102.

LEMBRETES:
- A Justiça Federal não é competente para julgamento de contravenções penais, que
deverão ser processadas na Justiça Estadual.

- Caso haja conexão entre a Justiça Federal e a Estadual, prevalece a primeira.

- A Justiça Estadual julga apenas as infrações penais que não forem de competência
das justiças especializadas, tendo competência residual.

- De acordo com o Código de Processo Penal a competência é fixada com base no


lugar da infração (teoria do resultado: aquele local onde ocorreu a consumação do crime) ou o
último ato da execução no caso de tentativa.

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- Quando for desconhecido o local onde o crime se consumou, ou foram praticados os
últimos atos da execução, a competência poderá ser fixada de acordo com o domicílio ou
residência do réu (esta regra vale apenas para as ações penais públicas).

- Na ação penal privada o querelante poderá propor a queixa-crime no local onde se


consumou o crime ou no foro do domicílio do querelado, de acordo com o artigo73 do CPP.

- A competência também poderá ser fixada pela prevenção; nessa hipótese, o primeiro
juiz que praticar algum ato no processo será o competente.

DICA PARA A IDENTIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA: Verificar se a ação é da competência


da justiça comum ou especializada (Justiça Militar ou Justiça Eleitoral) e, posteriormente, se da
Justiça Estadual ou Federal.

EXEMPLOS DE ENDEREÇAMENTOS:

- DELEGADO DE POLÍCIA (fase pré-processual):


Ilustríssimo Senhor Doutor Delegado de Polícia Titular da Delegacia de Polícia de________

Ilustríssimo Senhor Doutor Delegado de Polícia Federal da Delegacia de Polícia Federal


de___________

- JUIZ DE DIREITO (fase pré-processual, processual ou recursal):


Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Departamento de Inquérito Policiais – DIPO-
de São Paulo/SP

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca de


_________.

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Juizado Especial Criminal da Comarca de


__________

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais da Comarca de
_________

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da _____ Vara Criminal Federal da Subseção
Judiciária de _________

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _____ Vara do Júri da Comarca de ________

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da ____ Vara do Júri da Subseção Judiciária de
_________

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz-Presidente do Tribunal do Júri da Comarca de __________

TRIBUNAIS de 2ª INSTÂNCIA (fase recursal):


Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do
Estado de _______

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Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Federal Presidente do Egrégio Tribunal Regional
Federal da _______Região

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Relator do (recurso nº)___________, da ____


Câmara Criminal do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de_________

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Federal Relator do (recurso nº)_________da


____ Turma Criminal do Egrégio Tribunal Regional Federal da _____Região

TRIBUNAIS SUPERIORES (fase recursal):


Excelentíssimo Senhor Doutor Ministro Presidente do Egrégio Superior Tribunal de Justiça

Excelentíssimo Senhor Doutor Ministro Presidente do Egrégio Supremo Tribunal Federal

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3. AÇÃO PENAL

A ação penal é pública, em regra, mas pode ser também de iniciativa


privada. A ação penal somente será privada quando o Código Penal assim determinar
expressamente; é uma exceção à regra. Na verdade, se o Código Penal nada mencionar, a ação
será pública, essa é a regra geral.

3.1. Ação penal pública

Possui duas espécies: incondicionada ou condicionada:

A ação penal pública incondicionada tem como titular o Ministério Público


(art. 129, I e 5º, LIX da CF, art. 100 do CP e 24 do CPP) e independe da vontade do ofendido.

Devem ser obedecidos os seguintes princípios, atinentes às ações penais


públicas incondicionadas:

- Oficialidade: somente órgãos oficiais podem oferecer a denúncia e conduzir o


processo penal contra o acusado.
- Obrigatoriedade: o Ministério Público não pode deixar de oferecer a denúncia.
- Indisponibilidade: o Ministério Público não pode dispor da ação penal.
- Intranscendência: a ação penal somente poderá ser promovida contra os indivíduos
que praticaram, em tese, a infração penal.

A ação penal pública condicionada também tem como titular o Ministério


Público, mas para exercer esse direito deve haver a representação do ofendido ou seu
representante legal, ou requisição do Ministro da Justiça (art. 100, § 1º do CP; art. 7º,§ 3º, ‘b’ do
CP; art. 145, p. único; 24, 2ª parte do CPP):

A representação não tem uma forma específica, basta a declaração da vítima


demonstrando o desejo de ver processar seu ofensor, é uma autorização para o início da
investigação e da persecução penal que pode ser dirigida ao Juiz, ao Ministério Público ou ao
Delegado de Polícia. Já a requisição tem como destinatário único o Ministério Público.

A representação é irretratável após o oferecimento da denúncia (art. 25 do


CPP).

3.2 Ação penal privada

A titularidade da ação penal é do ofendido ou seu representante legal (arts.


100, § 2º do CP e 30 do CPP).

Para o oferecimento da queixa-crime, há um prazo decadencial de seis


meses, (art. 38 do CPP e 103 do CP).

Existem 03 (três) tipos de ação penal privada:

- Exclusivamente privada: o titular da ação é o ofendido, mas este pode ser


representado, pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

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- Personalíssima: somente o ofendido pode ingressar com a ação penal; atualmente,
existe apenas no crime de indução a erro no casamento (artigo 236 do CP).
- Subsidiária da pública: apenas pode ser intentada na inércia do Ministério Público.

Devem ser obedecidos os seguintes princípios, atinentes às ações penais


privadas:

- Oportunidade: o ofendido tem o direito de promover ou não a ação penal, de acordo


com a sua conveniência.
- Disponibilidade: o ofendido poderá desistir da ação penal, a qualquer tempo, mesmo
após o recebimento da queixa-crime.
- Indivisibilidade: a ação penal deve ser proposta contra todos os autores do crime.

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4. RITOS PROCESSUAIS

Os ritos processuais são importantíssimos pára a elucidação do problema na


prova. A seqüência de atos do rito processual é o que determina a peça a ser feita ou mesmo pode
ser a solução para o problema apresentado, quando uma de suas particularidades não for
obedecida (vale lembrar que o rito processual pode aparecer nas questões objetivas).

4.1. Rito Ordinário (Crimes com pena máxima igual ou superior a 4 anos)

Fluxograma do procedimento ordinário:

a) oferecimento da denúncia ou queixa;


b) recebimento pelo juiz;
c) citação;
d) defesa prévia, no prazo de dez dias;
e) absolvição sumária ou designação de audiência;
f) audiência de instrução e julgamento (no prazo de 60 dias):
- declarações do ofendido
- oitiva das testemunhas de acusação
- oitiva das testemunhas de defesa
- esclarecimentos dos peritos
- acareações
- reconhecimento de pessoas e coisas
- interrogatório
- requerimento de diligências
- alegações finais (ou conversão em memoriais)
- sentença

4.2. Rito sumário (Crimes com pena máxima inferior a 4 anos)

- Fluxograma do procedimento sumário:

a) oferecimento da denúncia ou queixa;


b) recebimento pelo juiz;
c) citação;
d) defesa prévia, no prazo de dez dias;
e) absolvição sumária ou designação de audiência;
f) audiência de instrução e julgamento (no prazo de 30 dias):
- declarações do ofendido
- oitiva das testemunhas de acusação
- oitiva das testemunhas de defesa
- esclarecimentos dos peritos
- acareações
- reconhecimento de pessoas e coisas
- interrogatório
- alegações finais
- sentença

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4.3. Rito sumaríssimo (Infrações de menor potencial ofensivo, isto é, contravenções e crimes
com pena máxima não superior a dois anos)

- Fluxograma do procedimento sumaríssimo:

a) lavratura do Termo Circunstanciado de Ocorrência;


b) audiência preliminar: composição civil dos danos, transação penal e denúncia oral;

c) audiência de instrução e julgamento:


c.1) resposta preliminar;
c.2) recebimento da denúncia ou queixa;
c.3) proposta de suspensão condicional do processo;
c.4) oitiva da vítima, das testemunhas de acusação e de defesa;
c.5) interrogatório do acusado;
c.6) debates orais;
c.7) sentença.

4.4. Ritos especiais

4.4.1. Júri (Crimes dolosos contra a vida, tentados ou consumados)

- Fluxograma do procedimento do Juri:

1ª Fase:

a) oferecimento da denúncia ou queixa;


b) recebimento pelo juiz;
c) citação;
d) defesa prévia, no prazo de dez dias;
e) manifestação do MP ou querelante;
f) audiência de instrução e julgamento:
- declarações do ofendido
- oitiva das testemunhas de acusação
- oitiva das testemunhas de defesa
- esclarecimentos dos peritos
- acareações
- reconhecimento de pessoas e coisas
- interrogatório
- alegações finais
- decisão

O juiz poderá proferir, ao final da 1ª fase, as seguintes decisões:

a) Pronúncia: prova de materialidade e indícios de autoria, é a decisão que remete o réu ao


julgamento pelo tribunal do Júri;

b) Impronúncia: faltam os elementos mínimos para que o réu vá ao Plenário: não existem
indícios suficientes da autoria e prova de materialidade;

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c) Desclassificação: o crime imputado ao réu não é da competência do Júri;

d) Absolvição sumária: quando houver uma excludente de ilicitude ou culpabilidade, exceto


inimputabilidade, a não ser que seja a única tese da defesa, quando estiver provada a inexistência
do fato, quando estiver provado não ser o réu o autor ou partícipe do fato ou quando estiver
provado não constituir o fato infração penal, deve o juiz absolver desde logo o réu.

2ª Fase:

a) Prazo para requerimento de diligências, juntada de documentos e rol de testemunhas em cinco


dias;
b) despacho

Plenário:
- instalação da sessão (mínimo de 15 jurados);
- sorteio dos 7 jurados que vão integrar o conselho de sentença;
- jurados prestam compromisso (exortação);
- declarações do ofendido;
- testemunhas de acusação;
- testemunhas de defesa;
- acareações, reconhecimento de pessoas e coisas, esclarecimentos dos peritos e leitura de peças;
- interrogatório
- debates orais: acusação fala em primeiro lugar pelo período de uma hora e meia (ou duas horas
e meia, se forem dois ou mais réus); defesa na seqüência, pelo mesmo prazo;
- réplica: acusação poderá falar novamente pelo período de mais uma hora (duas horas se forem
dois ou mais réus);
- tréplica: somente se a acusação fez a réplica, a defesa terá direito à tréplica, pelo mesmo prazo;
- elaboração e leitura dos quesitos
- votação dos quesitos na sala secreta: os jurados respondem aos quesitos formulados com
cédulas definidas com “sim” e “não”;
- sentença – após a votação o juiz presidente do Júri profere a sentença.

4.4.2. Lei de drogas (Crimes relacionados ao consumo ou uso de entorpecentes – Lei nº


11.343/06)

- Fluxograma do procedimento da lei de drogas:

• Crimes relacionados ao uso de drogas para consumo pessoal: segue o rito sumaríssimo, com a
ressalva de que a transação penal apenas pode versar sobre uma das penas previstas na legislação
(advertência; prestação de serviços à comunidade e obrigação de freqüência a casa de
recuperação).

• Crimes relacionados ao tráfico de drogas:


a) laudo de constatação preliminar (suficiente para início do Inquérito Policial e/ou prisão em
flagrante);
b) oferecimento da denúncia;
c) resposta preliminar;
d) recebimento ou rejeição da denúncia, ou determinação de diligência para saneamento de
eventuais pontos obscuros;
e) audiência de instrução e julgamento.

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4.4.3. Funcionários públicos (Crimes praticados por funcionários públicos)

- Fluxograma do procedimento especial:


a) oferecimento da denúncia ou queixa;
b) resposta preliminar, no prazo de 15 dias;
c) recebimento pelo juiz;
d) citação;
e) interrogatório do réu;
f) defesa prévia, no prazo de três dias;
g) audiência para oitiva das testemunhas de acusação;
h) audiência para oitiva das testemunhas de defesa;
i) requerimento de diligências;
j) alegações finais, no prazo de três dias;
k) sentença.

4.4.4. Lei de imprensa (Crimes relacionados a crimes praticados através da imprensa – Lei nº
5250/67)

- Fluxograma do procedimento da lei de imprensa:


a) oferecimento da denúncia ou queixa;
b) defesa prévia;
c) audiência de apresentação do réu;
d) audiência de instrução e julgamento;
e) sentença.

4.4.5. Crimes contra a honra (Crime de injúria qualificada por racismo)

- Fluxograma do procedimento especial:


a) oferecimento da queixa;
b) audiência de conciliação;
c) recebimento da queixa pelo juiz;
d) citação;
e) interrogatório do réu;
f) defesa prévia, no prazo de três dias;
g) audiência para oitiva das testemunhas de acusação;
h) audiência para oitiva das testemunhas de defesa;
i) requerimento de diligências;
j) alegações finais, no prazo de três dias;
k) sentença.

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5. TESES DE DEFESA

5.1. Extinção da punibilidade

As causas de extinção da punibilidade estão previstas no artigo 107 do


Código Penal. A presença de qualquer uma destas causas implica na impossibilidade de punição
do agente

Oportuno mencionar que o rol do artigo 107 não é taxativo verificando-se


causas extintivas da punibilidade em outros dispositivos, bem como nas leis especiais.

5.2. Nulidade

A tese de nulidade será utilizada quando houver um erro no procedimento.

As hipóteses de nulidade, em regra, estão definidas no artigo 564 do Código


de Processo Penal. Não há nulidade se não houver prejuízo para a acusação ou para defesa.

Existem algumas nulidades mais comuns que podem ser pedidas no Exame
de Ordem, quais sejam:

a) Funcionário público sem o direito à defesa preliminar – art.514 do CPP;


b) Processo por delito funcional que seguiu o rito sumário e não o ordinário (arts. 513
a 518 CPP);
c) Incompetência do juízo;
d) Inversão na seqüência legal da lavratura do auto de prisão em flagrante (art. 304
CPP);
e) Ausência de audiência de reconciliação no rito especial dos crimes contra a honra –
art. 520 CPP;
f) Laudo pericial assinado por apenas um perito;
g) Não comparecimento do número mínimo de 15 jurados no Juri;
h) Falta dos quesitos ou das respectivas respostas;

Deve ser verificada a possibilidade de argüição das nulidades, uma vez que
o artigo 571 do Código de Processo Penal determina em que momentos as nulidades relativas
devem ser arguidas.

5.3. Falta de justa causa

Falta de justa causa é motivo, fundamento. É a falta de suporte para o


desenvolvimento do processo, seja suporte fático ou jurídico.

A atipicidade, presença de excludentes, crime impossível, são alguns dos


exemplos de falta de justa causa.

No entanto, não há uma regra clara, pré-definida sobre a falta de justa causa,
devendo ela ser verificada caso a caso.

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5.4. Abuso de autoridade

A tese de abuso de autoridade sempre estará ligada ao excessivo rigor da


autoridade ao avaliar a postulação do réu. Aquele que proferiu a decisão, ou determinou a
realização de um ato, está indo além dos seus limitados poderes legais, de forma que abusa da
autoridade concedida.

Também não há uma regra clara, pré-definida sobre o abuso de autoridade,


devendo ser verificado caso a caso.

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6. PEÇAS

No processo penal, regra geral, existem apenas dois tipos de peças


diferentes, isto é, a estrutura de qualquer peça sempre deverá obedecer a dois pré-definidos
modelos.

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6.1. Modelo geral 1

Este modelo de peça é utilizado para todos os requerimentos, “habeas


corpus”, revisão criminal, alegações finais, etc. Consiste em uma peça única, com
endereçamento, qualificação, a descrição dos fatos, do direito e o pedido.

Exemplo:

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca


___________________.

Autos nº_____.

(Pulam-se aproximadamente 10 linhas do endereçamento até o preâmbulo,


com a epígrafe no meio do espaço)

FULANO DE TAL, já qualificado, nos autos da AÇÃO PENAL que lhe


move a JUSTIÇA PÚBLICA, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem,
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, requerer _____________________, com
fundamento no art. ..........., pelas razões que passa a expor:

1) DOS FATOS.
(Aqui o candidato vai relatar os fatos que envolvem o problema
formulado. Deve se ater ao que foi exposto na prova, sem, contudo, fazer cópia literal do
problema).

2) DO DIREITO.
(Esta é a parte onde o candidato vai apresentar sua argumentação, visando
o resultado pretendido. Tudo o que for argumento para amparar a tese sustentada deve ser
exposto, na busca do convencimento do julgador)

3) PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja...................., por ser medida de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

(local/ data).

(nome e assinatura do advogado/ nº da OAB)

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6.2. Modelo geral 2

Este modelo de peça é utilizado para a maioria dos recursos, tais como
RESE, Apelação, Agravo etc. Consiste em duas peças: uma de interposição (ou juntada) e outra
de razões (ou contra-razões).

Exemplo:

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca


___________________.

Autos nº_____.

(Pulam-se aproximadamente 10 linhas do endereçamento até o preâmbulo,


com a epígrafe no meio do espaço)

FULANO DE TAL, já qualificado, nos autos da AÇÃO PENAL que lhe


move a JUSTIÇA PÚBLICA, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem,
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, interpor RECURSO, com fundamento no
art........., do Código de Processo Penal.

Requer seja o presente recebido, processado e encaminhado ao Egrégio


Tribunal de Justiça do Estado de ...............

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

(local/ data).

(nome e assinatura do advogado/ nº da OAB)

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RAZÕES DE RECURSO
RECORRENTE: ...............................
RECORRIDA: Justiça Pública
Processo nº ........., da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da respeitável sentença (ou decisão) pelas razões fáticas e de direito que
passa a expor.

1) DOS FATOS.
(Aqui o candidato vai relatar os fatos que envolvem o problema
formulado. Deve se ater ao que foi exposto na prova, sem, contudo, fazer cópia literal do
problema).

2) DO DIREITO.
(Esta é a parte onde o candidato vai apresentar sua argumentação, visando
o resultado pretendido. Tudo o que for argumento para amparar a tese sustentada deve ser
exposto, na busca do convencimento do julgador)

3) PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja...................., por ser medida de JUSTIÇA!

(local/data)

(nome e assinatura do advogado/nº OAB)

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7. PEÇAS (ESPÉCIES)

7.1. LIBERDADE PROVISÓRIA (art. 321 e seguintes, CPP).


É o instituto processual que garante ao acusado o direito de aguardar o curso do
processo em liberdade.

Não é admitida a liberdade provisória nos crimes de lavagem de dinheiro, de tráfico


de drogas e assemelhados e nos ligados a organizações criminosas. Anote-se que a proibição que
existia em relação aos crimes hediondos não mais persiste, em razão da alteração da Lei nº
8.072/90, promovida pela Lei nº 11.464/07. Da mesma forma, a proibição de liberdade
provisória aos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, comércio ilegal de arma
de fogo e tráfico internacional de arma de fogo, foi afastada por decisão do Supremo Tribunal
Federal, no julgamento da Adin 3.112-1.

No Exame de Ordem, basicamente vamos trabalhar com duas modalidades de


liberdade provisória – sem o arbitramento de fiança e com o arbitramento de fiança.

Pode o pedido ser formulado durante a fase de inquérito policial ou durante o curso
da ação penal, antes do trânsito em julgado.

Liberdade provisória sem fiança (art. 310, CPP).

O juiz deve conceder a liberdade provisória independente do pagamento de fiança


quando:

a) verificar que o acusado agiu amparado por causa excludente de ilicitude (art. 310,
caput);

b) verificar que não se encontram presentes os motivos autorizadores da prisão


preventiva (art. 310, parágrafo único, CPP).

Aqui pouco importa se a infração é afiançável ou inafiançável, o que importa é a


verificação dos requisitos legais. A liberdade provisória sem fiança, como adiantado, só pode ser
concedida pelo juiz, após oitiva do Ministério Público. Caso concedida, o acusado ficará
vinculado ao juízo através da assinatura de termo de comparecimento aos atos processuais, sob
pena de revogação.

Liberdade provisória com fiança (art. 323 e segs., CPP).

Fiança é uma caução destinada a garantir o cumprimento das obrigações processuais


pelo réu. Seu mecanismo consiste em depositar determinada quantia como garantia da liberdade
do acusado durante o processo.

A fiança poderá ser feita através de depósito (dinheiro, pedras preciosas, títulos da
dívida pública) ou através de hipoteca (art. 330, CPP).

O Código de Processo Penal traz as hipóteses em que não deverá ser concedida
fiança, ou seja, trata da inafiançabilidade. Se a infração não se encaixar nas hipóteses
relacionadas, ela é afiançável.

20
Não se concederá fiança:
a) em crimes punidos com reclusão, cuja pena mínima seja superior a 2 anos;

b) nas contravenções penais de vadiagem e mendicância (arts. 59 e 60, Dec. Lei


3688/41);

c) nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade, se o réu já tiver sido
condenado por outro crime doloso, com trânsito em julgado;

d) se houver prova de ser o réu vadio;

e) nos crimes punidos com reclusão que provoquem clamor público ou que tenham
sido cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa;

f) a quem tiver quebrado fiança ou desrespeitado obrigação no mesmo processo;

g) em caso de prisão civil, disciplinar, administrativa ou militar;

h) a quem estiver no período de prova de sursis ou livramento condicional, salvo de o


novo processo for por crime culposo ou contravenção penal;

i) quando presentes os motivos que autorizem a decretação da prisão preventiva.

São também inafiançáveis os crimes de racismo, hediondos, tráfico ilícito de


entorpecentes, terrorismo, tortura, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático, por
disposição constitucional.

A autoridade policial pode conceder fiança nos casos de crimes apenado com
detenção e prisão simples (art. 322), lembrando que, em princípio, a maior parte dessas infrações
são de menor potencial ofensivo, o que leva à aplicação dos institutos previstos na Lei nº
9.099/95.

Observação:

Note-se que, em suma, no pedido de liberdade provisória deve-se procurar


demonstrar que não estão presentes os requisitos para a decretação da prisão preventiva ou então
que a fiança (que é direito subjetivo do indiciado ou réu) é admitida na hipótese. Assim, trabalha-
se com o mérito subjetivo do preso e com as circunstâncias da infração para pleitear a soltura e
não se ataca a legalidade da medida, como se faz no pedido de relaxamento da prisão em
flagrante.

21
MODELO DE LIBERDADE PROVISÓRIA

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Departamento de Inquéritos Policiais da


Comarca da Capital-SP. (somente quando o problema for específico, dizendo que o crime
ocorreu em São Paulo).

OU

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ___ Vara Criminal da Comarca de ________
do Estado de ____________

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do Rg nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), no auto de prisão em flagrante
n.º _____, por seu defensor infra-assinado (procuração em anexo), vem à presença de Vossa
Excelência requerer LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA, com fundamento no artigo
5º, LXVI, da Constituição Federal, combinado com o artigo 310 e seguintes do Código de
Processo Penal, pelos motivos que passa a expor:

1) DOS FATOS.
O Requerente foi preso em flagrante delito, no último dia 20 de maio, pois
teria subtraído mediante grave ameaça a bolsa da transeunte “B”, na Rua das Flores, nesta
cidade.

Encontra-se ainda detido na Cadeia Pública local.

2) DO DIREITO.
Excelência, a liberdade provisória deve ser concedida.

De fato, não estão presentes, no caso em tela, os requisitos autorizadores


da prisão preventiva. Como se pode verificar, não há que se falar em garantia da ordem pública,
uma vez que o Requerente não denota periculosidade, pois é primário e ostenta bons
antecedentes (doc. ___). Não há fundado motivo para se acreditar que vá colocar em risco a
ordem social através da prática de novos delitos.

Da mesma forma, não há que se dizer que o Indiciado solto possa oferecer
qualquer obstáculo à produção da prova, pois não apresenta, como já dito, o perfil de pessoa
perigosa, assim, não está presente o requisito da conveniência da instrução criminal. Muito
menos razão existe para se acreditar que o Requerente apresente risco iminente de fuga, o que
justificaria a decretação da custódia pelo fundamento da garantia de aplicação da lei penal, pois
o Requerente é comerciante estabelecido há 10 anos no mesmo local (doc. ___), tem família
constituída, residência fixa (doc. ___), não apresentando qualquer indício de que possa se furtar à
aplicação da lei.

22
Assim, não estando presentes os requisitos da custódia preventiva, não há
que se falar em manutenção da prisão em flagrante, consoante redação do art. 310, parágrafo
único, do Código de Processo Penal.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“Não havendo requisitos para eventual decretação de prisão preventiva,


deve o acusado ser posto em liberdade” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“A prisão em nosso ordenamento é medida de exceção. Se não se


verificar, no caso concreto, a necessidade da segregação cautelar, deve o
acusado ser colocado em liberdade, ante a ausência de elementos que
autorizem a decretação da prisão preventiva” (in Processo Penal. São
Paulo: Editora, 2006, p. 120).

A melhor solução para o caso presente, então, é a soltura do Requerente,


mediante a assinatura do termo de comparecimento aos atos processuais.

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer, após oitiva do digno representante do
Ministério Público, a concessão da liberdade provisória ao Requerente, mediante assinatura do
termo de comparecimento, expedindo-se o alvará de soltura em seu favor, por ser medida de
JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

23
7.2. RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE

O pedido de relaxamento da prisão em flagrante deverá ser formulado se, pela


formulação do problema, for possível identificar que a prisão ocorreu fora das hipóteses legais
ou que há vício na elaboração do Auto de Prisão em Flagrante. Analisemos as duas hipóteses.

PRISÃO EM FLAGRANTE

É a prisão que ocorre durante a prática de uma infração penal ou momentos após; é a
prisão que tem lugar ainda no calor dos acontecimentos. Segundo disposição do nosso Código de
Processo Penal (art. 301) os agentes e as autoridades policiais devem e qualquer pessoa do povo
pode prender quem se encontre em estado de flagrância.

A prisão em flagrante é a única modalidade de prisão cautelar que dispensa a


apresentação de mandado, justamente por ser imposta no momento da prática delitiva. Por essa
razão, deve-se observar se ela foi realizada dentro dos limites legais.

Hipóteses legais:

1) Flagrante próprio ou real (art. 302, I e II, CPP): ocorre quando alguém é
surpreendido cometendo uma infração penal ou quando acaba de cometê-la. É a hipóteses
clássica de flagrante.

2) Flagrante impróprio ou quase-flagrante (art. 302, III, CPP): ocorre quando


alguém é perseguido logo após a prática de uma infração penal, em situação que faça presumir
ser ele o seu autor.

3) Flagrante ficto ou presumido (art. 302, IV, CPP): ocorre quando alguém é
encontrado logo depois da prática de uma infração penal, com instrumentos, armas, objetos ou
papéis que façam presumir ser ele o seu autor.

4) Flagrante retardado ou diferido (art. 2º, I, da Lei nº 9.034/95): ocorre quando, nos
crimes praticados por organizações criminosas, os agentes policiais deixam de prender os
suspeitos no momento em que se deparam com a prática criminosa, aguardando momento mais
oportuno para fazê-lo, do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações.
Há dispositivo semelhante no art. 53, II, da Lei nº 11.343/06.

Hipóteses ilegais.

A doutrina aponta, ainda, algumas hipóteses nitidamente ilegais de flagrante:

1) flagrante preparado ou provocado (delito de ensaio): alguém induz o autor à


prática do crime, viciando sua vontade, e, em seguida, o prende em flagrante. Como a infração
não foi praticada espontaneamente pelo agente, não pode existir crime, caracterizando, na
hipótese, crime impossível (Súmula 145 do STF).

2) flagrante forjado: policiais ou terceiros criam, forjam, provas de um crime que


sequer existe.

Flagrante de acordo com o crime:

24
1) crimes permanentes: enquanto não cessar a permanência, o agente encontra-se em
situação de flagrância, como por exemplo ocorre no crime de seqüestro (art. 148, CP).

2) crimes habituais: em tese não se admite, pois o crime só se caracteriza com a


reiteração da conduta, o que não se pode verificar num ato isolado. Há, contudo, doutrinadores
que admitem tal hipótese, desde que haja investigação anterior e provas da habitualidade.

3) crimes de ação penal privada: neles, o ofendido, se não for o autor da prisão,
deverá ratificá-la no prazo de entrega da nota de culpa, ou seja, em 24 horas, sob pena de
relaxamento.

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

Efetuada a prisão em flagrante, ela precisa ser formalizada, documentada, o que se faz
através do respectivo auto. Isso porque, como dito, ela independe de mandado e, assim, a
verificação de sua legalidade será feita posteriormente pelo juiz, através da análise do documento
em questão.

A autoridade competente para a lavratura do auto é a da circunscrição onde foi


efetuada a prisão. Se ela foi realizada em local distinto daquele onde se consumou a infração,
posteriormente os autos de inquérito seguirão para a autoridade policial respectiva.

Apresentado o preso à autoridade, a elaboração do autos seguirá as seguintes etapas:

1) Antes da lavratura, comunicação da prisão à família do preso ou a quem ele indicar


(art. 5º, LXIII, CF);

2) Oitiva do condutor, colheita de sua assinatura e entrega do recibo de entrega de


preso;

3) Oitiva da vítima, se for possível;

4) Oitiva de pelo menos 2 testemunhas que tenham acompanhado o condutor e


colheita de suas assinaturas. Se não houver, devem assinar o auto 2 testemunhas que tenham
presenciado a apresentação do preso à autoridade.

5) Oitiva do preso, alertando-o de seu direito ao silêncio e observando-se, no que


couber, os dispositivos do interrogatório judicial. Se o preso não souber, não puder ou se recusar
a assinar, 2 testemunhas assinarão após a leitura, em sua presença.

6) Encerrada a lavratura, cópia do auto será encaminhada ao juiz no prazo de 24


horas, a contar da prisão. No mesmo prazo deve ser enviada cópia à Defensoria Pública, se o
preso não tiver declinado possuir advogado.

Nota de culpa.

No prazo de até 24 horas após a prisão, deverá ser entregue a nota de culpa ao preso
(art. 306, § 2º, CPP), que indicará o motivo da prisão, o nome do condutor e das testemunhas. A
falta de entrega no prazo estipulado pode trazer o relaxamento da prisão.

25
MODELO DE PEDIDO DE RELAXAMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara do Júri da Comarca de


_____________

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do Rg nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), no auto de prisão em flagrante
n.º _____, por seu defensor infra-assinado (procuração em anexo), vem à presença de Vossa
Excelência, requerer o RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE, com fundamento
no artigo 5º, LXV, da Constituição Federal, pelas razões que passa a expor:

1) DOS FATOS.
O Requerente foi preso em flagrante, pois teria infringido o art. 121,
caput, do Código Penal, ao efetuar 10 disparos de arma de fogo contra “B”.

Encontra-se detido na Cadeia Pública local desde a data de 20 de maio.

2) DO DIREITO.
Excelência, não há motivos para a manutenção da prisão do Requerente.

Com efeito, a prisão em flagrante imposta não atendeu às exigências


legais. Sabe-se que referida modalidade de prisão cautelar só pode ser imposta dias das hipóteses
previstas no art. 302 do Código de Processo Penal.

Pode-se verificar que, no caso em tela, o Requerente não foi preso durante
a prática do delito, nem quando ele tinha acabado de ser cometido. Também não foi perseguido
em circunstâncias que fizessem presumir ser ele o autor da prática delitiva, muito menos foi
encontrado, logo depois da prática do crime, com objetos ou armas que o ligassem a tal prática.

O Requerente foi detido dois dias depois do delito ter sido cometido, em
plena Universidade, quando assistia à aula de Direito Penal. Não há nexo nenhum entre o
momento da prisão e a prática do delito. Note-se que, ainda que se pudesse presumir ser ele o
autor do crime, em razão de algum objeto encontrado em seu poder – o que não é o caso – a
prisão não foi efetuada logo depois da prática do crime. O requisito temporal, portanto, está
afastado.

A melhor solução, portanto, é o relaxamento da prisão.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

26
“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer o relaxamento da prisão imposta ao Requerente,
expedindo-se o competente alvará de soltura em seu favor, por ser medida de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

27
7.3. REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO

Representação é a manifestação de vontade do ofendido ou de seu representante legal,


no sentido de ser instaurada a ação penal. Exemplos de crimes que exigem representação no
Código Penal: art. 129, caput (este por força do art. 88 da Lei nº 9.099/95); art. 130; art. 147.

A natureza jurídica da representação é de condição de procedibilidade, ou seja, é


condição para que o Ministério Público possa intentar a ação penal, possa proceder à ação, caso
contrário, não poderá agir. Ela é verdadeira autorização para que o órgão ministerial possa
propor a ação penal.

Note-se que a representação oferecida pela vítima ou seu representante legal, não
vincula o Ministério Público a oferecer denúncia. O promotor ou procurador deverá analisar se
estão presentes os requisitos para propor a ação. A vontade do ofendido importa apenas para
autorizar o Ministério Público a analisar as condições da ação.

O prazo para oferecimento da representação é de 6 meses, a contar da data em que o


ofendido vier a saber quem é o autor da infração penal, conforme art. 38, CPP. O não
oferecimento da representação dentro do prazo acarreta a extinção da punibilidade pela
decadência (art. 107, IV, CP). Assim, o prazo para representação é decadencial: não oferecida no
prazo, terá o ofendido decaído de seu direito.

Quanto à forma, não se exige nenhum rigor formal, basta a inequívoca manifestação
de vontade do ofendido, no sentido de ver o autor do fato processado. O art. 39 do CPP, porém,
indica que ela deve conter todas as informações que possam servir à apuração do fato e da
autoria.

Ressalte-se que se o ofendido representar apenas um, dos vários autores, o Ministério
Público poderá denunciar todos eles. Isso é o que se chama de eficácia objetiva da representação.

A titularidade do direito de representação é:

a) do ofendido, em regra;

b) do representante legal, se o ofendido tiver menos de 18 anos ou for doente mental;

c) do cônjuge, ascendente, descendente ou irmãos (CADI), se o ofendido for morto ou


declarado ausente;

d) de um curador especial, no caso dos interesses do ofendido e do representante


colidirem ou se não houver representante. Na hipótese de nomeação de curador, ele não está
obrigado a representar, deve avaliar o interesse do assistido.

No caso de ser pessoa jurídica a que deva oferecer representação, esta deve ser feita
através da pessoa indicada no respectivo contrato social ou por seus diretores e sócios gerentes.

A representação poderá ser dirigida ao juiz, ao representante do Ministério Público e


à autoridade policial, nos termos do art. 39, caput. São os destinatários da representação.

Uma vez oferecida a representação, é possível voltar atrás, ou seja, retratar-se? Sim,
desde que a retratação seja realizada antes do oferecimento da denúncia, como estampado no art.

28
25, CPP. Não é possível após esse momento, pois a partir daí o Ministério Público já conta com a
autorização de que necessitava e não pode dispor da ação, como visto anteriormente. Nunca é
demais lembrar que se trata de ação pública, de titularidade do Ministério Público.

29
MODELO DE REPRESENTAÇÃO

Ilustríssimo Senhor Doutor Delegado de Polícia do ___ Distrito Policial de ___________ do


Estado de _______

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do Rg nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), por seu advogado infra-
assinado (procuração com poderes especiais em anexo), vem à presença de Vossa Senhoria,
oferecer REPRESENTAÇÃO contra “B”, (qualificação), com fundamento no artigo 39 do
Código de Processo Penal, pelos motivos que passa a expor:

1) DOS FATOS.
O Requerente foi vítima, no último dia 20 de maio, de ameaça proferida
por “B”, diante de seus familiares. “B”, sem pudores, disse ao Requerente, em alto e bom som,
que ria matá-lo com um tiro na cabeça na primeira oportunidade, pois conhecia todos os passos
do Requerente.

2) DO DIREITO.
Tendo em vista os fatos acima narrados, torna-se evidente que, assim
agindo, o ofensor praticou a conduta descrita no art. 147 do Código Penal, pois ameaçou o
Requerente, por meio de palavras, de causar-lhe mal injusto e grave.

Note-se que a ameaça revestiu-se de seriedade, foi proferida de forma


serena pelo ofensor, não havendo qualquer discussão no momento da conduta. Ressalte-se ainda
que o Requerente, de fato, sentiu-se atemorizado, pois não há dúvidas de que poderia
efetivamente sofrer mal injusto e grave.

Como tal infração exige a condição de procedibilidade da representação,


oferece esta para que possa ter curso o competente persecução penal, com a instauração do
devido Termo Circunstanciado e demais providências legais.

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja recebida a presente Representação,
lavrando-se o competente Termo Circunstanciado e prosseguindo-se nos demais termos legais.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

30
7.4. QUEIXA-CRIME

Queixa-crime ou simplesmente queixa é a petição inicial da ação penal privada,


modalidade de ação penal já estudada anteriormente. Como toda petição inicial a queixa-crime
deve preencher os requisitos enumerados pela lei para que possa ser recebida, possibilitando o
regular desenvolvimento do processo.

Requisitos (art. 41, CPP):

a) Descrição do fato em todas as suas circunstâncias.


A descrição na peça inicial deve ser exata, de modo a possibilitar a perfeita
identificação da acusação para que seja exercido o direito de defesa. Deve-se narrar tudo o que se
passou e na forma em que se passou, de modo que o julgador possa vislumbrar a possibilidade de
ter existido crime, bem como a possibilidade de ser o querelado seu autor.

b) Qualificação ou identificação do querelado.


Se não for possível qualificar o querelado, isto é, apontar sua completa
individualização, deve-se indicar os dados que possibilitem sua identificação. Tratam-se aqui de
dados físicos, que permitam ao menos saber quem ele é, muito embora não se saiba sua
qualificação, pois não se pode imputar vagamente a prática de um crime a alguém de quem não
se tem a mínima certeza de quem seja. Caso não seja possível colher o menor elemento
identificador, deve-se rejeitar a peça.

c) Classificação jurídica do fato.


É necessário apontar qual a previsão legal para a conduta que é narrada na inicial.
Isso porque não se admite o recebimento da queixa de fato que não é considerado crime pela lei
penal. Assim, ainda que não seja uma classificação imodificável, o correspondente abstrato ao
fato concreto deve ser trazido na peça inicial.

d) Rol de testemunhas.
A apresentação do rol de testemunhas aparece como requisito, mas é óbvio que ele só
será exigido se houver testemunha a ser inquirida. Havendo, este é o momento de arrolar, sob
pena de preclusão.

Note-se que para a queixa, outros requisitos ainda são exigidos, no que diz respeito à
procuração outorgada ao advogado, nos termos do art. 44 do CPP. Deve o instrumento de
mandato conter poderes especiais para promover a ação, além de fazer menção ao fato criminoso
e indicar o nome do querelado (há erro de redação no CPP, que traz, erroneamente, a palavra
querelante).

O prazo para o oferecimento da queixa é de 6 meses, a contar da data do


conhecimento da autoria do delito, ou do término do prazo do Ministério Público, dependendo da
modalidade de ação.

31
MODELO DE QUEIXA-CRIME

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca


______________.

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portadora do Rg nº


__________, inscrito no CPF sob nº_________, (endereço), por seu advogado infra-assinado
(procuração com poderes especiais em anexo), vem à presença de Vossa Excelência oferecer
QUEIXA-CRIME contra “B”, (qualificação), com fundamento no artigo 30 do Código de
Processo Penal, pelos motivos que passa a expor:

1) DOS FATOS.
Na data de 20 de abril, a Querelante voltava do trabalho para sua
residência quando foi abordada pelo Querelado, em uma viela. De posse de uma faca, este
obrigou-a a entrar num terreno abandonado e ali constrangeu-a à conjunção carnal.

Foi instaurado o competente Inquérito Policial, que colheu todos os


elementos necessários à propositura da ação penal e que segue em anexo.

2) DO DIREITO.
De acordo com os fatos apurados na peça investigatória, não resta dúvida
que o Querelado infringiu o art. 213 do Código Penal.

De fato, a conjunção carnal, cuja prova se encontra estampada no laudo de


exame de corpo de delito de fls., foi praticada sem consentimento da Querelante, muito pelo
contrário, foi obtida mediante grave ameaça, através do emprego de arma branca, apreendida nos
autos (fls. ).

A conduta praticada pelo Querelado é grave e trouxe sérias conseqüências


psicológicas à Querelante, não podendo restar impune. Como se sabe, tal crime se processa, em
regra, mediante ação penal de iniciativa privada e, por essa razão, oferece a presente queixa..

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja recebida a presente queixa-crime,
prosseguindo-se nos termos do art. 394 e seguintes do Código de Processo Penal, até final
condenação do Querelado, na pena do art. 213 do Código Penal.

Requer ainda sejam ouvidas as testemunhas constante do rol abaixo.

32
Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

Rol de testemunhas:

1)_____________, residente na Rua _________, número _____;


2)_____________, residente na Rua _________, número _____;
3)_____________, residente na Rua _________, número _____.

33
7.5. DEFESA PRÉVIA (art. 396-A, CPP)

Peça destinada ao oferecimento da primeira defesa por escrito do réu no processo.


Nela, pode-se:

a) discutir o mérito da imputação;

b) opor exceções que verificar existirem;

c) argüir nulidades ocorridas até então;

d) requerer as diligências que entender necessárias;

e) juntar documentos ;

f) arrolar testemunhas.

O prazo para apresentação é de 10 dias.

34
MODELO DE DEFESA PRÉVIA

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _____Vara Criminal da Comarca da


_________________ do Estado de _________

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem, respeitosamente à presença
de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 396-A do Código de Processo Penal, apresentar
DEFESA PRÉVIA, expondo e requerendo o seguinte:

1) DOS FATOS.
O Acusado foi denunciado e está sendo processado por suposta infração
ao art. 157, § 2º, I, do Código Penal, pois teria subtraído um veículo com emprego de arma de
fogo.

2) DO DIREITO.
A acusação dirigida ao Réu é infundada, o que provará no decorrer da
instrução criminal.

(OBS: Nesta peça, a defesa já deve discutir matéria de mérito que possa
levar à absolvição sumária, se houver, além de fazer eventuais requerimentos e arrolar as
testemunhas que quer sejam ouvidas).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer a improcedência do pedido acusatório,
requerendo ainda sejam ouvidas as testemunhas constantes do rol abaixo, por ser medida de
JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

35
Rol de testemunhas:

1)_____________, residente na Rua_________, número_____;


2)_____________, residente na Rua_________, número_____;
3)_____________, residente na Rua_________, número_____.

36
7.6. ALEGAÇÕES FINAIS (MEMORIAIS)

Momento para exposição da acusação e da defesa, propriamente ditas, discutindo-se e


analisando-se a prova produzida nos autos, tecendo as considerações devidas. Aqui devem ser
alegadas todas as matérias preliminares, isto é, aquelas cujo acolhimento impede a análise do
mérito, e a matéria de mérito propriamente dita.

Dessa forma, comumente se faz a argüição em preliminar de causas extintivas da


punibilidade e de nulidades, pois, se acolhidas, aquelas põem fim ao processo enquanto estas
implicam na renovação dos atos processuais viciados.

A apresentação das alegações finais é obrigatória, tanto para a acusação, que não
pode indispor da ação penal, quanto para a defesa, em atendimento aos princípios do
contraditório e da ampla defesa. Vigora ainda, nesta peça, o denominado princípio da
eventualidade, que permite às partes aduzirem toda a matéria que julgarem pertinente, sob a
forma de pedidos subsidiários, conforme o caso.

Devem ser feitas em audiência, havendo previsão de sua apresentação por escrito, em
forma de memoriais, no prazo de 5 dias (art. 403, § 3º, CPP).

37
MODELO DE ALEGAÇÕES FINAIS (MEMORIAIS)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _____ Vara Criminal da Comarca


___________________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem, respeitosamente à presença
de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal,
apresentar seus MEMORIAIS, apoiados nas seguintes razões:

1) DOS FATOS.
O Acusado foi denunciado e está sendo processado por suposta infração
ao art. 157, § 2º, I, do Código Penal, pois teria, mediante a simulação de estar armado, subtraído
um automóvel em via pública.

Em suas alegações finais, o ilustre representante do Ministério Público


pugnou pela condenação do Réu, nos exatos termos da denúncia.

2) DO DIREITO.
Excelência, o Réu deve ser absolvido.

De fato, não se apurou nos autos a autoria do delito. De toda a prova


colhida, nenhuma aponta com segurança para o acusado, apenas restam presunções e
conjecturas, o que não se pode admitir no processo penal.

Quando interrogado, o Acusado negou veementemente a prática do delito,


dizendo que no momento do crime estava em sua residência, na companhia de seus familiares.

As testemunhas arroladas pela acusação apenas disseram ter visto uma


pessoa parecida com o Acusado no local do delito, sem, contudo, reconhecê-lo com segurança.
Os policiais militares que atenderam à ocorrência informaram que a detenção do Réu ocorreu em
sua residência, após terem recebido denúncia anônima de que ele ali se ocultava.

Já as testemunhas arroladas pela defesa, por seu turno, foram unânimes ao


afirmar que o acusado estava em sua residência e que nada tem a ver com a prática do delito.

Inaceitável, portanto, que se possa condenar uma pessoa se nenhum


elemento de prova é capaz de vinculá-la à prática delitiva, sem o mínimo de segurança. Meras
suposições não têm o condão de sustentar a pretensão punitiva estatal. Por isso, a única solução
para o presente caso é a absolvição do Acusado.

38
Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

Muito embora esteja demonstrada a inexistência de elementos


comprobatórios da autoria delitiva, caso Vossa Excelência entenda deva condenar o acusado,
subsidiariamente requer seja afastada a causa de aumento de pena do emprego de arma.

Com efeito, já é pacífico o entendimento de que a simulação de arma não


pode autorizar o aumento em questão, pois não foi efetivamente empregada uma arma, no
sentido técnico.

Se a simulação pode servir para caracterizar a grave ameaça, o mesmo não


se pode dizer em relação à causa de aumento de pena. Se nesse sentido for admitida, teremos
violação ao princípio da legalidade, pois não há previsão legal para o aumento pela simulação.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado: causas extintivas da punibilidade,
nulidades e mérito propriamente dito).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja absolvido o acusado, com fundamento no
art. 386, IV, do Código de Processo Penal. Caso não seja esse o entendimento de Vossa
Excelência, subsidiariamente, requer seja afastada a causa de aumento de pena descrita no Art.
157, § 2º, I, por ser medida de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

39
7.7. APELAÇÃO

É o recurso interposto das sentenças definitivas de condenação ou absolvição e das


sentenças definitivas ou com força de definitiva, quando não caiba recurso em sentido estrito.

No rito do júri, em razão da garantia de soberania dos veredictos, o cabimento da


apelação não é completamente amplo, ditado pelo mero inconformismo do apelante, mas sim
está ele restrito às hipóteses previstas no Código. Nos termos do art. 593, III, caberá apelação das
decisões proferidas pelo Tribunal do Júri quando:

a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia. O julgamento é anulado e o réu submetido


a outro;

b) a sentença do juiz presidente for contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados.
O tribunal reforma e retifica a sentença, já que não se trata da decisão do conselho de sentença,
não havendo, portanto, novo julgamento;

c) houver erro ou injustiça na aplicação da pena. O tribunal retifica a dosagem da


pena, não havendo necessidade de novo julgamento;

d) decisão dos jurados for manifestamente contrária à prova dos autos. Realiza-se
novo julgamento. A apelação por este fundamento só é cabível uma única vez.

Na apelação, não se pode formular novo pedido, até então inexistente nos autos. Só se
procede ao reexame de matéria já discutida em primeira instância. Assim, de acordo com a
matéria que será discutida, pode ser ampla ou limitada, ou seja, pode-se apelar da decisão por
inteiro ou de parte dela. Desta forma, o Tribunal estará preso aos limites do apelo, adotando-se o
princípio tantum devolutum quantum apellatum. O limite do apelo é fixado na interposição do
mesmo e não quando da apresentação das razões. Comporta também a apelação, a veiculação de
matérias preliminares.

Quanto à legitimidade, pode apelar o réu, mesmo que a sentença seja absolutória,
desde que seja visando alterar o fundamento da absolvição, para fundamento que melhor lhe
aproveite. O Ministério Público não pode apelar de sentença absolutória na ação penal privada.
Em caso de sentença condenatória, pode ele apelar em favor do réu, seja ação pública ou privada,
na função de custos legis.

O assistente de acusação tem legitimidade supletiva, ou seja, poderá apelar se o


Ministério Público não o fizer. Quanto à possibilidade de apelar para aumentar a pena, a posição
não admite tal hipótese, pois se coloca ao lado do entendimento de que seu interesse é a
condenação para a formação do título executivo judicial, apenas.. Poderá o assistente, contudo,
arrazoar o recurso interposto pelo Ministério Público.

O prazo para interposição da apelação é de 5 dias e para a apresentação das razões 8


dias. No caso da apelação supletiva, terá o assistente de acusação os mesmo 5 dias para interpor
a apelação, se já estiver habilitado nos autos, e 15 dias se não estiver. O art. 600, § 4º, CPP,
faculta ao apelante apresentar as razões em Segunda Instância, desde que declare na interposição
do recurso.

Na Lei nº 9.099/95 o prazo é de 10 dias, com razões já inclusas.

40
MODELO DE PETIÇÃO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO DE APELAÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca


___________________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem, respeitosamente à presença
de Vossa Excelência, inconformado com a r. sentença de fls., interpor APELAÇÃO, com
fundamento no artigo 593, I, do Código de Processo Penal.

Requer seja a presente recebida e seja ordenado o seu processamento,


encaminhando-se ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado _______________, com as razões
em anexo.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

41
MODELO DE RAZÕES DE APELAÇÃO

RAZÕES DE APELAÇÃO
APELANTE: “A”
APELADA: Justiça Pública
Processo nº ........., da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,
(EMÉRITOS JULGADORES)

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. sentença pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Apelante foi denunciado e processado por suposta infração ao art. 157,
§ 2º, I, do Código Penal, pois teria, mediante a simulação de estar armado, subtraído um
automóvel em via pública.

Restou condenado às penas de 5 anos e 4 meses de reclusão, em regime


inicial semi-aberto, e ao pagamento de 13 dias-multa, no mínimo legal.

2) DO DIREITO.

Preliminarmente.
Antes que seja enfrentado o mérito da presente causa, se faz necessária a
análise de matéria preliminar, qual seja, a nulidade do processo.

De fato, pode-se observar que o Acusado não foi citado, muito embora
estivesse preso. Não há justificativa para a inexistência do referido ato, pois há nos autos, desde
o início, notícia do local onde se encontra recolhido.

Por muito tempo nosso ordenamento aceitou que em relação ao réu preso,
bastava a requisição para sua apresentação em juízo, dispensando-se, assim, a citação. A nova
redação do art. 360, contudo, impõe a necessidade do ato citatório ao réu preso, atendendo à
idéia de que a citação não é mero chamamento ao processo, mas ato pelo qual o acusado deve
tomar plena ciência da imputação.

Não tendo havido a citação, impossibilitou-se a ampla defesa, garantia


constitucional dos acusado em geral. Desta forma, ocorreu nulidade absoluta, o que traz como
conseqüência a anulação do processo, desde o seu início.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

42
“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

Mérito.
Caso seja ultrapassada a matéria preliminarmente argüida, no mérito o
Apelante deve ser absolvido.

De fato, não se apurou nos autos a autoria do delito. De toda a prova


colhida, nenhuma aponta com segurança para o Apelante, apenas restam presunções e
conjecturas, o que não se pode admitir no processo penal.

Quando interrogado, o Apelante negou veementemente a prática do delito,


dizendo que no momento do crime estava em sua residência, na companhia de seus familiares.

As testemunhas arroladas pela acusação apenas disseram ter visto uma


pessoa parecida com o Apelante no local do delito, sem, contudo, reconhecê-lo com segurança.
Os policiais militares que atenderam à ocorrência informaram que a detenção do Apelante
ocorreu em sua residência, após terem recebido denúncia anônima de que ele ali se ocultava.

Já as testemunhas arroladas pela defesa, por seu turno, foram unânimes ao


afirmar que o acusado estava em sua residência e que nada tem a ver com a prática do delito.

Inaceitável, portanto, que se possa condenar uma pessoa se nenhum


elemento de prova é capaz de vinculá-la à prática delitiva, sem o mínimo de segurança. Meras
suposições não têm o condão de sustentar a pretensão punitiva estatal. Por isso, a única solução
para o presente caso é a absolvição do Apelante.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

Muito embora esteja demonstrada a inexistência de elementos


comprobatórios da autoria delitiva, caso Vossa Excelência entenda deva condenar o Apelante,
subsidiariamente requer seja afastada a causa de aumento de pena do emprego de arma.

Com efeito, já é pacífico o entendimento de que a simulação de arma não


pode autorizar o aumento em questão, pois não foi efetivamente empregada uma arma, no
sentido técnico.

Se a simulação pode servir para caracterizar a grave ameaça, o mesmo não


se pode dizer em relação à causa de aumento de pena. Se nesse sentido for admitida, teremos
violação ao princípio da legalidade, pois não há previsão legal para o aumento pela simulação.

43
Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, contrariando a decisão do Magistrado).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para declarar a nulidade desde o início do processo, nos termos do art. 564, III, e, do Código de
Processo Penal. Caso seja ultrapassada a matéria preliminarmente argüida, no mérito requer a
absolvição do Apelante, com fundamento no art. 386, IV, do Código de Processo Penal, ou,
subsidiariamente, seja afastada a causa de aumento de pena prevista no art. 157, § 2º, I, do
Código de Penal, por ser medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

44
MODELO DE APRESENTAÇÃO DE CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Presidente do ____ Tribunal do Júri da Comarca de


___________________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem, respeitosamente à presença
de Vossa Excelência, apresentar suas CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO, com fundamento
no artigo 600 do Código de Processo Penal.

Requer seja a presente juntada aos autos, encaminhando-se ao Egrégio


Tribunal de Justiça do Estado___________.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

45
MODELO DE CONTRA-RAZOES DE APELAÇÃO

CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO
APELANTE: Justiça Pública
APELADO: “A”
Processo nº ........., da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,
(EMÉRITOS JULGADORES),

Em que pese o infonformismo do ilustre representante do Ministério


Público, impõe-se a manutenção da r. sentença pelas razões fáticas e de direito que passa a
expor.

1) DOS FATOS.
O Apelante foi denunciado e processado por suposta infração ao art. 157,
§ 2º, I, do Código Penal, pois teria, mediante a simulação de estar armado, subtraído um
automóvel em via pública.

Ao final, foi absolvido pelo MM. Juiz, com fundamento no art. 386, IV,
do Código de Processo Penal. Inconformado, o ilustre representante do Ministério Público
recorreu da r. decisão.

2) DO DIREITO.
Não há motivos para a reforma da r. decisão.

De fato, não se apurou nos autos a autoria do delito. De toda a prova


colhida, nenhuma aponta com segurança para o Apelado, apenas restam presunções e
conjecturas, o que não se pode admitir no processo penal.

Quando interrogado, o Apelado negou veementemente a prática do delito,


dizendo que no momento do crime estava em sua residência, na companhia de seus familiares.

As testemunhas arroladas pela acusação apenas disseram ter visto uma


pessoa parecida com o Apelante no local do delito, sem, contudo, reconhecê-lo com segurança.
Os policiais militares que atenderam à ocorrência informaram que a detenção do Apelado
ocorreu em sua residência, após terem recebido denúncia anônima de que ele ali se ocultava.

Já as testemunhas arroladas pela defesa, por seu turno, foram unânimes ao


afirmar que o Apelado estava em sua residência e que nada tem a ver com a prática do delito.

Inaceitável, portanto, que se possa condenar uma pessoa se nenhum


elemento de prova é capaz de vinculá-la à prática delitiva, sem o mínimo de segurança. Meras

46
suposições não têm o condão de sustentar a pretensão punitiva estatal. Por isso, agiu
acertadamente o Magistrado ao proferir sentença absolutória.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, ressaltando o acerto da decisão do
Magistrado e contrariando as razões do MP).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja negado provimento ao recurso, para manter
a absolvição do Apelante, com fundamento no art. 386, IV, do Código de Processo Penal, por ser
medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

47
7.8. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

É o que se destina a possibilitar o reexame das matérias previstas no art. 581 do


Código de Processo Penal. A posição majoritária da doutrina aponta para a taxatividade do rol,
apesar de opiniões em contrário. De qualquer forma, estabelece referido artigo que caberá
recurso em sentido estrito:

a) da decisão que rejeitar a denúncia ou a queixa.


Há exceções na legislação processual, quanto a essa decisão nos crimes de imprensa e
nas infrações de menor potencial ofensivo, em que é desafiada por apelação.

b) da decisão que concluir pela incompetência do juízo.


Trata-se da decisão que reconhece a incompetência de ofício e não através de exceção
oferecida pelas partes.

c) da decisão que julgar procedente exceção, salvo a de suspeição.


Como visto anteriormente, no caso da exceção de suspeição não cabe o recurso
porque ela é julgada pela segunda instância.

d) da decisão que pronunciar ou impronunciar o réu.


Hipótese em que podem recorrer o Ministério Público, o assistente de acusação e o
acusado. Inclusive, pode o acusado recorrer da impronúncia, para sustentar que deva ser
absolvido sumariamente, por exemplo (situação mais favorável a ele).

e) da decisão que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança,


indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade provisória ou
relaxar a prisão em flagrante.

f) da sentença que absolver sumariamente o réu.


Trata-se de decisão definitiva que não é atacada por apelação. Lembre-se que além da
possibilidade da parte recorrer, haverá, nesta hipótese, o reexame necessário.

g) da decisão que julgar quebrada a fiança ou perdido seu valor.

h) da decisão que decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a


punibilidade.
A decisão, portanto, que declara extinta a punibilidade do acusado, apesar de ser
definitiva, é atacada por recurso em sentido estrito e não por apelação.

i) da decisão que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra


causa extintiva da punibilidade.
A diferença em relação à previsão anterior é que aqui foi feito requerimento pela
parte, para a declaração de extinção da punibilidade, enquanto no outro a decisão era de ofício.

j) da decisão que conceder ou negar a ordem de habeas corpus.


Refere-se à decisão proferida por juiz, em primeira instância. Esta decisão também se
sujeita, como visto, ao reexame necessário.

k) da decisão que anular o processo da instrução criminal, no todo ou em parte.

l) da decisão que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir.

48
Cuida a hipótese da lista anual que contém o nome dos jurados selecionados para
trabalharem nas sessões do Júri. Esta lista pode ser impugnada no prazo de 20 dias, dirigindo-se
o recurso diretamente ao Presidente do Tribunal de Justiça.

m) da decisão que denegar a apelação ou julgá-la deserta.


Trata-se de juízo de admissibilidade do recurso de apelação.

n) da decisão que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão


prejudicial.

o) da decisão que decidir o incidente de falsidade.


Trata-se do incidente de falsidade documental.

As demais hipóteses contidas no art. 581 perderam a aplicação em razão de tratar de


matéria de execução penal, que passou a ser disciplinada pela Lei nº 7.210/84 – Lei de Execução
Penal. São eles: incisos XI, XII, XVII, XIX, XXI, XXII, XXIII, XXIV.

O recurso em sentido estrito possibilita ao próprio juiz recorrido uma nova apreciação
da questão, antes da remessa dos autos à Segunda Instância – o que se denomina juízo de
retratação.

O prazo para sua interposição é de 5 dias. As razões devem ser apresentadas em 2


dias (art. 588, CPP). Lembre-se da hipótese que impugna lista geral de jurados, onde o prazo é de
20 dias e recurso endereçado ao Presidente do Tribunal de Justiça.

49
MODELO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO (R.E.S.E.)

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara do Júri da Comarca


___________________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem, respeitosamente à presença
de Vossa Excelência, inconformado com a r. decisão de fls., interpor RECURSO EM
SENTIDO ESTRITO, com fundamento no artigo 581, IV, do Código de Processo Penal.

Caso Vossa Excelência entenda deva manter a r. decisão, requer seja o


presente recebido e seja ordenado o seu processamento, encaminhando-se ao Egrégio Tribunal
de Justiça do Estado _______________, com as razões em anexo.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

50
MODELO DE RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO (R.E.S.E.)

RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO


RECORRENTE: “A”
RECORRIDA: Justiça Pública
Processo nº ........., da _____ Vara do Júri da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,
(EMÉRITOS JULGADORES),

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. decisão pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Recorrente foi denunciado e processado por suposta infração ao art.
121, caput, do Código Penal, pois teria efetuado disparos de arma de fogo que levaram “B” à
morte.

Restou pronunciado nos termos da denúncia, sob o fundamento de que


estão presentes no caso, indícios veementes de autoria e prova da materialidade do crime.

2) DO DIREITO.
Excelências, o Recorrente deve ser despronunciado.

De fato, não há indícios de autoria a autorizar a pronúncia. Observa-se,


pela análise do que foi produzido nos presentes autos, que nenhuma das pessoas ouvidas liga o
Recorrente ao crime. Seu nome só é mencionado porque as testemunhas “ouviram dizer” que
seria ele o autor do delito.

Ora, como se sabe, prova de “ouvir dizer” não é prova suficiente para
submeter o Recorrente a julgamento perante o Tribunal Popular. Ainda que se exija apenas
indícios de autoria, esses indícios devem ser, no mínimo, razoáveis, o que não acontece no caso
em tela.

Não se argumente, também, que na fase da pronúncia vigora o princípio


“in dubio pro societate”. Como se sabe, em qualquer fase processual, a dúvida deve beneficiar o
acusado. Seria temeroso submeter o Recorrente a julgamento pelo Júri, se não existem ao menos
indícios razoáveis de autoria.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

51
“...................................................................................” (in Processo Penal.
São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, contrariando a decisão do Magistrado).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para despronunciar o Recorrente, com fundamento no art. 409, do Código de Processo Penal, por
ser medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

52
7.9. AGRAVO EM EXECUÇÃO

É o recurso cabível de todas as decisões proferidas pelo Juízo das Execuções


Criminais, conforme dispõe o art. 197 da Lei nº 7.210/84 (Lei de Execução Penal), tais como:
unificação de penas, progressão de regime, saída temporária, livramento condicional, entre
outras. Pode ser utilizado tanto pela defesa como pelo Ministério Público.

Por falta de previsão legal, segue o mesmo procedimento do RESE, incluindo o prazo
de 5 dias para interposição e 2 dias para apresentação de razões, admitindo-se, também, o juízo
de retratação.

53
MODELO DE INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor de Direito da Vara das Execuções Criminais da Comarca


___________________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Execução em epígrafe, por seu


defensor infra-assinado, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, inconformado
com a r. decisão de fls., interpor AGRAVO EM EXECUÇÃO, com fundamento no artigo 197
da Lei nº 7.210/84.

Caso Vossa Excelência entenda deva manter a r. decisão, requer seja o


presente recebido e seja ordenado o seu processamento, encaminhando-se ao Egrégio Tribunal
de Justiça do Estado ___________, com as razões em anexo.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

54
MODELO DE RAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO

RAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO


AGRAVANTE: “A”
AGRAVADA: Justiça Pública
Processo nº ........., da _____ Vara das Execuções Criminais da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,
(EMÉRITOS JULGADORES),

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. decisão de fls., pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Agravante foi processado e condenado por infração ao art. 213 do
Código Penal, à pena de 6 anos de reclusão, em regime inicial fechado. Recorreu e seu recurso
foi improvido.

Encontra-se recolhido na Penitenciária do Estado há 3 ano, com bom


comportamento. Requereu progressão para o regime semi-aberto, o que foi indeferido pelo
Magistrado, sob o fundamento de que o crime pelo qual foi condenado é de extrema gravidade.

2) DO DIREITO.
Excelências, o recurso deve ser provido.

De fato, a r. decisão de fls. carece de fundamento legal, pois negou o


direito do Agravante de progredir de regime prisional, sob o argumento de que o crime praticado
é de extrema gravidade.

Ora, os dispositivos legais que disciplinam a progressão de regime – art.


122, da Lei nº 7.209/84 e art. 2º, § 2º, – estabelecem apenas dois requisitos para a concessão do
benefício: bom comportamento e cumprimento de mais de 2/5 da pena.

No caso presente, o Agravante tem seu bom comportamento demonstrado


no atestado emitido pelo diretor do estabelecimento prisional (fls. ).

Quanto ao lapso temporal, cumpre pena há 3 anos, o que supera a fração


de 2/5 exigida pela Lei.

Portanto, não há motivos para o indeferimento do pleito. A Lei não impõe


como restrição a gravidade do delito; pautar-se por ela, com todo o respeito, é inovação
legislativa, tarefa que não cabe ao Poder Judiciário.

55
Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, contrariando a decisão do Magistrado).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para conceder a progressão de regime prisional para o semi-aberto ao Agravante, por ser medida
de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

56
7.10. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

É o recurso endereçado ao próprio prolator da decisão, seja juiz ou tribunal, a fim de


declarar, isto é, esclarecer, completar a decisão que contenha obscuridade, ambigüidade,
contradição ou omissão.

No Código de Processo Penal, o prazo para interposição é de 2 dias, tendo como


efeito a interrupção do prazo dos demais recursos. Já na Lei 9.099/95, o prazo é de 5 dias, tendo
como efeito a suspensão do prazo dos demais recursos.

57
MODELO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ___ Vara Criminal da Comarca ___________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem, respeitosamente à presença
de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 382 do Código de Processo Penal, opor
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO à r. sentença de fls., pelas razões a seguir expostas:

1) DOS FATOS.
O Embargante foi processado e condenado à pena de 12 anos de reclusão,
por infração ao art. 213 e art. 214, ambos do Código Penal.

Em sua r. decisão, contudo, o MM. Juiz deixou de analisar tese relevante


sustentada pela defesa, qual seja, a aplicação da regra do crime continuado.

2) DO DIREITO.
Não obstante o brilho do ilustre Magistrado, deixou ele de apreciar tese de
extrema importância, sustentada pela defesa.

De fato, a imputação dirigida ao Embargante prevê a prática de duas


condutas em concurso material, o que foi acolhido pelo MM. Juiz. Porém, a defesa,
fundamentadamente, pleiteou, caso fosse o Embargante condenado, que fosse reconhecida e
aplicada a regra contido no art. 71 do Código Penal, ou seja, regra do crime continuado, tese não
apreciada pelo Magistrado.

Se acolhido o pleito subsidiário, a pena aplicada poderia ter sido bem


menor, o que demonstra o prejuízo ao Embargante, pela não apreciação da tese ventilada nas
alegações finais da defesa.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

58
(OBS: Nesta peça deve-se argumentar de modo a apontar o defeito
contido na decisão).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer sejam acolhidos os presentes embargos, para
que seja suprida a omissão na r. sentença de fls., por ser medida de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

59
7.11. EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE

São recursos exclusivos da defesa, cabíveis quando não for unânime a decisão de
Segunda Instância - prejudicial ao acusado -, no julgamento de recurso em sentido estrito e
apelação (e agravo em execução, para alguns).

Diferenciam-se os recursos apenas pela matéria neles veiculadas. Os infringentes


versam sobre matéria de mérito e os de nulidade, sobre questão processual, ou, como o próprio
nome diz, nulidades.

Só pode ser objeto de discussão nos embargos a matéria divergente, desfavorável ao


acusado. Assim, as razões do recurso estão adstritas a tecer argumentação sobre o voto vencido.

O prazo para oposição é de 10 dias.

60
MODELO DE PETIÇÃO PARA OPOSIÇÃO DOS EMBARGOS INFRINGENTES E DE
NULIDADE

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Relator da Apelação nº ______, da _____


Câmara Criminal do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de _______.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Apelação em epígrafe, por seu defensor


infra-assinado, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, inconformado com o v.
acórdão de fls., opor EMBARGOS INFRINGENTES (OU DE NULIDADE), com
fundamento no artigo 609, parágrafo único, do Código de Processo Penal.

Requer seja o presente recebido e seja ordenado o seu processamento,


com as razões em anexo.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

61
MODELO DE RAZÕES DE EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE

RAZÕES DE EMBARGOS INFRINGENTES (OU DE NULIDADE)


EMBARGANTE: “A”
EMBARGADA: Justiça Pública
Recurso nº __________, da ______ Câmara do Tribunal de Justiça do Estado _______.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do nobre Turma Julgadora, impõe-se


a reforma do v. acórdão, pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Embargante foi processado e condenado à pena de 8 anos de reclusão,
em regime inicial aberto, por infração ao art. 213 do Código Penal.

Recorreu e seu recurso foi improvido por maioria de votos, sustentando o


voto vencido que a pena deveria ser reduzida ao patamar mínimo – 6 anos – uma vez que o
Acusado é primário e ostenta bons antecedentes.

2) DO DIREITO.
Excelências, a pena deve ser reduzida.

Como muito bem observado pelo ilustre Desembargador Revisor, ainda


que a condenação seja mantida, não se justifica o aumento realizado pelo MM. Juiz a quo. Não
há nos autos nenhum elemento que autorize o referido aumento de pena.

Note-se que o Embargante é primário e não possui nenhuma anotação


criminal. Além disso, as demais circunstâncias judiciais lhe são favoráveis, o que ampara a
solução encontrada pelo ilustre Desembargador vencido.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

Assim, o voto vencido é quem deve prevalecer no novo julgamento a ser


realizado perante essa Colenda Câmara.

62
(OBS: Nesta peça deve-se argumentar a respeito do voto vencido, a
matéria que foi nele ventilada é o objeto de sustentação).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer sejam acolhidos os embargos opostos, para
reduzir a pena imposta ao Embargante, por ser medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

63
7.12. CORREIÇÃO PARCIAL

É um recurso de caráter administrativo-judiciário, que visa corrigir despachos que


impliquem em inversão tumultuária do processo. Tem cabimento subsidiário, ou seja, só deve ser
utilizado quando não há recurso específico para a hipótese.

Ocorre divergência na doutrina, a respeito do processamento da correição parcial.


Alguns entendem que tal recurso deve seguir o rito do agravo de instrumento, como dispõem as
leis de organização judiciária de alguns Estados da Federação. Outros entendem que deve a
correição seguir o mesmo processamento do recurso em sentido estrito, recurso de cabimento
semelhante. Adotamos para nosso modelo, aqui, a segunda posição.

64
MODELO DE CORREIÇÃO PARCIAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _____Vara Criminal da Comarca


___________.

Autos nº _____/___

_______________________, já qualificado, nos autos da Ação Penal


que lhe move a Justiça Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem,
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, inconformado com a r. sentença/decisão de fls.,
interpor CORREIÇÃO PARCIAL, com fundamento no artigo ____, da Lei nº __________.

Caso Vossa Excelência entenda deva manter a r. decisão, requer seja o


presente recebido e ordenado o seu processamento, encaminhando-se ao Egrégio Tribunal
_______________.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

65
MODELO DE RAZÕES DE CORREIÇÃO PARCIAL

RAZÕES DE CORREIÇÃO PARCIAL


CORRIGENTE: ...............................
CORRIGIDO: Juízo da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. sentença/decisão pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
(Descrição do fato narrado no problema).

2) DO DIREITO.
(Nesta peça deve-se apontar qual o erro do juiz que cause inversão
tumultuária dos atos do processo).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso, para
__________, com fundamento no art. _____, do Código de Processo Penal, (conforme a tese
ventilada no problema) por ser medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

66
7.13. PROTESTO POR NOVO JÚRI (REVOGADO)

É recurso exclusivo da defesa, interposto perante o próprio Tribunal do Júri, no caso


de condenação à pena de 20 anos de reclusão ou mais, em razão de um único crime doloso contra
a vida.

Afasta-se, portanto, a possibilidade de cabimento do recurso no caso da pena igual ou


superior a 20 anos resultar da soma operada pelo concurso material de crimes (art. 69, CP). Já na
hipótese de haver concurso formal ou reconhecimento do crime continuado (arts. 70 e 71, CP),
como através de ficção jurídica cria-se um único crime, a medida tem sido admitida.

O protesto não precisa ser fundamentado, basta demonstrar a presença dos requisitos
legais, isto é, não há argumentação em torno da matéria, pois os requisitos são de ordem objetiva.
Tal recurso só poderá ser utilizado uma vez. Do novo julgamento não poderá fazer parte jurado
que tenham servido no primeiro.

Se houver crime conexo ao crime doloso contra a vida, em relação a ele deverá ser
interposta apelação, que ficará suspensa até a nova decisão proferida em virtude do protesto.

O prazo para sua interposição é de 5 dias

67
MODELO DE PROTESTO POR NOVO JÚRI

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Presidente do Egrégio Tribunal do Júri da Comarca


_____________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem, respeitosamente à presença
de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 607 do Código de Processo Penal, interpor
PROTESTO POR NOVO JÚRI, pelas razões a seguir expostas:

1) DOS FATOS.
O Acusado foi condenado à pena de 32 anos de reclusão, por infração ao
art. 121, § 2º, V, por três vezes, aplicando-se o art. 71 do Código Penal.
2) DO DIREITO.
Excelência, o presente protesto deve ser deferido.

De fato, tal recurso só exige requisitos objetivos para seu provimento,


todos atendidos no caso em tela. Como se pode observar, o Acusado foi condenado pelo Tribunal
do Júri da Comarca à pena de 32 anos de reclusão. O montante foi atingido em razão da
aplicação da regra contida no art. 71 do Código Penal, ou seja, do crime continuado.

É cediço que referida regra transforma em um, os vários crimes contidos


na imputação, portanto, perfeitamente cabível o novo julgamento.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se apontar a presença dos requisitos legais, que
são objetivos, de modo a possibilitar um novo julgamento pelo Tribunal do Júri).

3) DO PEDIDO.

68
Diante do exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, para
designar novo julgamento pelo Egrégio Tribunal do Júri da Comarca, por ser medida de
JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

69
7.14. CARTA TESTEMUNHÁVEL

Recurso cabível da decisão que não recebe ou nega seguimento ao recurso em sentido
estrito (e, para alguns, do agravo em execução e do protesto por novo júri).

Deve ser requerida no prazo de 48 horas ao Escrivão Diretor do Cartório Judicial.


Também conta com o juízo de retratação por parte do magistrado.

70
MODELO DE CARTA TESTEMUNHÁVEL

Ilustríssimo Senhor Escrivão Diretor do Cartório do ______ Ofício Criminal da Comarca


______________.

Autos nº _____/___

_______________________, já qualificado, nos autos da Ação Penal


que lhe move a Justiça Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem,
respeitosamente à presença de Vossa Senhoria, interpor CARTA TESTEMUNHÁVEL, com
fundamento no artigo 639 do Código de Processo Penal.

Caso o MM. Juiz entenda deva manter a r. decisão, requer seja o


presente recebido e ordenado o seu processamento, encaminhando-se ao Egrégio Tribunal
_______________, com as seguintes peças trasladadas:
1) ____________
2) ____________
3) ____________.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

71
MODELO DE RAZÕES DE CARTA TESTEMUNHÁVEL

RAZÕES DE CARTA TESTEMUNHÁVEL


TESTEMUNHANTE: _______________
TESTEMUNHADA: Justiça Pública
Processo nº ........., da _____ Vara Criminal da Comarca ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA CÂMARA,

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro grau,


impõe-se a reforma da r. sentença/decisão pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
(Descrição do fato narrado no problema).

2) DO DIREITO.
(Nesta peça deve-se argumentar sobre o não recebimento ou não
seguimento do recurso interposto).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso, para que seja
recebido/seja dado seguimento ao recurso interposto, por ser medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

72
7.15. RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL

Trata-se de recurso previsto na Constituição da República e será cabível, em matéria


criminal, da:

a) decisão denegatória de habeas corpus e mandado de segurança em Tribunais. Se a


decisão for proferida por Tribunal Superior, será julgado pelo STF, se proferida por Tribunal
Estadual ou Tribunal Regional Federal, será julgado pelo STJ;

b) decisão que julga crimes políticos. A competência para julgamento é do STF.

O prazo para interposição é de 5 dias no caso de habeas corpus e 15 dias, no caso de


mandado de segurança, ambos com as razões já inclusas.

73
MODELO DE PETIÇÃO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ORDINÁRIO
CONSTITUICIAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado ____________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos do Habeas Corpus em epígrafe, por seu


advogado infra-assinado, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, interpor
RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL, com fundamento no artigo 105, II, “a”, da
Constituição Federal e artigos 30 e seguintes da Lei nº 8.038/90.

Requer seja o presente recebido e ordenado o seu processamento,


encaminhando-se ao Egrégio Superior Tribunal de Justiça.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

74
MODELO DE RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL

RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL


RECORRENTE: “A”
RECORRIDA: Justiça Pública
Habeas Corpus nº _____ do Tribunal de Justiça do Estado __________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA TURMA,
(EMÉRITOS JULGADORES),

Em que pese o notório saber jurídico do Tribunal a quo, impõe-se a


reforma do v. acórdão, pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Recorrente foi denunciado e está sendo processado por suposta infração
ao art. 159, caput, do Código Penal, pois teria privado de liberdade “B”, exigindo de seus
parentes, quantia a título de resgate. Encontra-se preso desde o flagrante.

O processo encontra-se em fase de instrução e já conta com 2 anos de


andamento, o que motivou a impetração de ordem de habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça,
que indeferiu-a, através de sua 1ª Câmara Criminal.

2) DO DIREITO.
Excelências, o presente recurso deve ser provido.

De fato, não há justificativas para a demora no andamento do processo e


muito menos para a manutenção do Recorrente na prisão. Como se sabe, a soma dos prazos
processuais do rito ordinário totaliza 81 dias. Este é o prazo para o encerramento da instrução,
quando o acusado se encontra preso.

Contudo, já se passaram 2 anos sem que a defesa tivesse concorrido para


isso, já que o momento processual é o da colheita de provas da acusação.

Assim, inadmissível que o Recorrente suporte no cárcere a morosidade do


Poder Judiciário, impondo-se, de imediato o relaxamento de sua prisão, pelo gritante excesso de
prazo na formação da culpa.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

75
“...................................................................................” (in Processo Penal.
São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se atacar o acórdão que denegou a ordem,


apresentando argumentos que possibilitem sua reforma).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para relaxar a prisão imposta ao Recorrente, expedindo-se o competente alvará de soltura em seu
favor, por ser medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

76
7.16. RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Recurso constitucional de competência exclusiva do STF, destinado a discutir matéria


de direito e jamais reexame da matéria fática, cabível das decisões que:

a) contrariar dispositivo da Constituição da República;

b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;

c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição da


República;

d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

Valem para o recurso extraordinário as mesmas regras já expostas para o recurso


especial, ou seja, deve ele deve ser interposto perante o tribunal recorrido, ficando aí sujeito ao
exame de admissibilidade. Além da verificação de seu cabimento, só será admitido se houver
esgotamento das vias recursais e houver também prequestionamento da matéria Exige-se ainda,
para admissão do recurso extraordinário a demonstração de repercussão geral, isto é, deve o
recorrente demonstrar que a matéria é relevante, do interesse geral. Segundo manifestação
recente do STF, a repercussão geral deve vir alegada em sede de preliminar, para que seja
analisada como uma verdadeira condição de admissibilidade deste recurso.

O prazo para interposição é de 15 dias, com as razões inclusas. Caso seja negado
seguimento pelo tribunal recorrido, caberá agravo de instrumento (ou agravo de despacho
denegatório de recurso especial) no prazo de 5 dias.

77
MODELO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado ____________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Apelação em epígrafe, por seu


advogado infra-assinado, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, interpor
RECURSO EXTRAORDINÁRIO, com fundamento no artigo 102, III, a, da Constituição
Federal e nos artigos 26 e seguintes da Lei nº 8.038/90.

Requer seja o presente recebido e seja ordenado o seu processamento,


encaminhando-se ao Colendo Supremo Tribunal Federal.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

78
MODELO DE RAZÕES DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO

RAZÕES DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO


RECORRENTE: ...............................
RECORRIDA: Justiça Pública
Apelação nº _____ do Tribunal ___________.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

COLENDO TRIBUNAL,
COLENDA TURMA,

Em que pese o notório saber jurídico do Tribunal a quo, impõe-se a


reforma do v. acórdão, pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Recorrente foi processado e ao final condenado à pena de 1 ano de
reclusão e 10 dias-multa, por suposta infração ao art. 171, caput, do Código Penal, pois teria
aplicado o denominado “golpe do bilhete premiado” em “B”.

Durante o processo, requereu a oitiva de testemunhas de quem teve


conhecimento durante a fase de instrução. O MM. Juiz indeferiu o pleito, sob o argumento de
que as provas seriam protelatórias apenas. Em sede de apelação o pedido foi renovado e também
afastado pelo Egrégio Tribunal de Justiça. Sob o mesmo fundamento.

2) PRELIMINARMENTE.
Cumpre apontar que a presente questão é de repercussão geral. Com
efeito, a ofensa à ampla defesa do acusado não diz respeito somente a ela, mas é matéria de
ordem pública, uma vez que integrante dos direitos fundamentais da Constituição da República.

O resultado de um processo onde não se observou a ampla defesa


repercute em toda a coletividade, pois não é interesse dos membros da sociedade um processo
ilegítimo. Assim, aguarda o conhecimento e julgamento do presente recurso, em razão da
relevância do assunto ora tratado.

3) DO CABIMENTO.
Quanto ao cabimento, o presente recurso atende às exigências da
Constituição da República. De fato, é evidente à ofensa ao art. 5º, LV, da Carta Magna, uma vez
que a ampla defesa do Recorrente no processo não foi observada.

Houve esgotamento das vias recursais, já que a decisão no Tribunal de


Justiça foi unânime e não apresentou vícios que motivassem sua declaração, o que afasta a
possibilidade de oposição de embargos.

Nessa esteira, a matéria foi devidamente prequestionada, pois, como se


pode notar, o acórdão afastou explicitamente a pretensão do Recorrente.

79
(OBS: Aqui, deve-se demonstrar que estão atendidos todos os
pressupostos específicos de admissibilidade do recurso, tais como a ofensa à Constituição, o
esgotamento das vias recursais, o prequestionamento).

4) DO DIREITO.
Excelências, o presente recurso deve ser provido.

De fato, a Constituição Federal aponta como garantia individual o


exercício da ampla defesa no processo. Garantir a ampla defesa é permitir ao acusado que se
utilize de todos os meios lícitos e legítimos para enfrentar a pretensão estatal.

Ao impedir que o Recorrente produzisse novas provas, o Magistrado, bem


como o Tribunal a quo, violaram o art. 5, LV, da Carta Constitucional, trazendo evidente
cerceamento de defesa ao processo.

Havendo ofensa à ampla defesa, há nulidade absoluta do processo, o que


espera seja declarada por essa Colenda Corte.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

5) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para anular o processo desde a decisão que indeferiu a produção de provas, renovando-se os atos
processuais, por ser medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

80
7.17. RECURSO ESPECIAL

O recurso especial, também de previsão constitucional, é dirigido a discussão de


matéria de direito, não se admitindo reexame dos fatos. A competência para julgamento é
exclusiva do STJ e caberá da decisão proferida pelos Tribunais Estaduais ou Tribunais Regionais
Federais quando:

a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;

b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;

c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.

O recurso especial deve ser interposto perante o tribunal recorrido e estará sujeito a
rigoroso exame de admissibilidade. Além da verificação de seu cabimento, só será admitido se
houver esgotamento das vias recursais e houver também prequestionamento da matéria.

O prazo para interposição é de 15 dias, com as razões inclusas. Caso seja negado
seguimento pelo tribunal recorrido, caberá agravo de instrumento (ou agravo de despacho
denegatório de recurso especial) no prazo de 5 dias.

81
MODELO DE RECURSO ESPECIAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado ____________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Apelação em epígrafe, por seu


advogado infra-assinado, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, interpor
RECURSO ESPECIAL, com fundamento no artigo 105, III, a, da Constituição Federal e nos
artigos 26 e seguintes da Lei nº 8.038/90.

Requer seja o presente recebido e ordenado o seu processamento,


encaminhando-se ao Egrégio Superior Tribunal de Justiça.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

82
MODELO DE RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL

RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL


RECORRENTE: “A”
RECORRIDA: Justiça Pública
Apelação nº _____ do Tribunal de Justiça do Estado _______.

(Pular aproximadamente 5 linhas)

EGRÉGIO TRIBUNAL,
COLENDA TURMA,

Em que pese o notório saber jurídico do Tribunal a quo, impõe-se a


reforma do v. acórdão, pelas razões fáticas e de direito que passa a expor.

1) DOS FATOS.
O Recorrente foi processado e condenado à pena de 8 anos de reclusão,
por infração ao art. 214 do Código Penal.

No cálculo da pena, o MM. Juiz desconsiderou as circunstâncias judiciais


do art. 59 do Código Penal, majorando a pena base em razão da postura do Recorrente durante a
instrução processual, pois confessara friamente a prática do delito. Na apelação interposta pelo
Recorrente, o Egrégio Tribunal de Justiça manteve o mesmo entendimento manifestado pelo
julgado de Primeiro Grau.

2) DO CABIMENTO.
Quanto ao cabimento, o presente recurso atende às exigências da
Constituição da República. De fato, é evidente à ofensa ao art. 68 do Código Penal, uma vez que
não foram observadas as circunstâncias judiciais para a fixação da pena-base.

Houve esgotamento das vias recursais, já que a decisão no Tribunal de


Justiça foi unânime e não apresentou vícios que motivassem sua declaração, o que afasta a
possibilidade de oposição de embargos.

Nessa esteira, a matéria foi devidamente prequestionada, pois, como se


pode notar, o acórdão afastou explicitamente a pretensão do Recorrente.

(OBS: Aqui, deve-se demonstrar que estão atendidos todos os


pressupostos específicos de admissibilidade do recurso, tais como a ofensa a Lei Federal, o
esgotamento das vias recursais, o prequestionamento).

3) DO DIREITO.
Excelências, o presente recurso deve ser provido.

De fato, ao deixar de observar as exigências legais, o MM. Juiz trouxe


enorme prejuízo ao Recorrente, exasperando sua pena sem razão para tanto. O órgão julgador de
Segunda Instância não fez por menos e ratificou tal decisão.

83
Resta então ao Recorrente, utilizar a via recursal especial, para sanar a
patente ilegalidade.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
para reduzir a pena imposta ao Recorrente, por ser medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

84
7.18. HABEAS CORPUS

Da mesma forma que a revisão criminal, a despeito de haver recebido tratamento de


recurso pelo Código de Processo Penal, não é o habeas corpus recurso. É ação de impugnação,
destinada a fazer cessar coação ou ameaça de coação a direito de locomoção da pessoa, por
ilegalidade ou abuso de poder (ou seja, constrangimento ilegal).

Daí derivam duas espécies de habeas corpus:

a) liberatório: destinado a fazer cessar constrangimento ilegal já existente;

b) preventivo: destinado a impedir que constrangimento ilegal se efetive.

O Código traz enumeração do que se entende por constrangimento ilegal (art. 648):

a) quando houver falta de justa causa (para a ação, pisão ou inquérito policial);

b) quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;

c) quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;

d) houver cessado o motivo que autorizou a coação;

e) quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei autoriza;

f) quando o processo for manifestamente nulo;

g) quando estiver extinta a punibilidade.

Qualquer pessoa poderá impetrar ordem de habeas corpus em seu favor ou em favor
de outrem, podendo até mesmo ser analfabeto, sendo denominado impetrante. Aquele em favor
de quem se impetra a ordem, ou seja, quem sofre a coação ilegal, é denominado paciente, que
deve ser sempre pessoa física. Quem pratica o constrangimento ilegal é chamado de autoridade
coatora, ou até mesmo coator. É posição majoritária a que admite possa figurar como coator um
particular.

Não há prazo estabelecido para impetração de habeas corpus.

Na peça prática, pode-se trabalhar com as seguintes situações:

a) Nulidade:

1. Se a nulidade ocorreu no início da ação penal (até o interrogatório do réu): o


candidato deverá requerer a anulação desde o início da ação penal;

2. Se a nulidade ocorreu após o início da ação penal (a partir da defesa prévia): o


candidato deverá requerer a anulação da ação penal a partir da fase em que ocorrer o vicio ou a
nulidade. Cuidado com o fenômeno da preclusão temporal, já que as nulidades relativas deverão
ser argüidas em tempo oportuno.

b) Falta de Justa Causa:

85
3. Se ainda não tem sentença: busca-se o trancamento da ação penal;

4. Se já tem sentença: busca-se a cassação da sentença proferida contra o paciente;

c) Extinção da Punibilidade:

d) Relaxamento da Prisão em Flagrante:

e) Revogação da Prisão Preventiva:

f) Concessão de Liberdade Provisória sem Fiança;

g) Arbitramento de Fiança

86
MODELO DE HABEAS CORPUS

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Federal Presidente do Egrégio Tribunal Regional


Federal da _____ Região.

______________, advogado, inscrito na OAB/SP sob o nº ________,


com escritório na Rua _____________________, nº ___, cidade de ______________, Estado de
______________, vem, com fundamento no artigo 5º LXVIII, da Constituição Federal, impetrar
ordem de HABEAS CORPUS em favor de “A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador
do Rg nº __________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), que sofre
constrangimento ilegal por parte do MM. Juiz Federal da 1ª Vara Criminal da Seção Judiciária de
__________ , no processo nº _____ , pelos motivos a seguir expostos:

1) DOS FATOS.
O Paciente foi denunciado como incurso no art. 121, caput, do Código
Penal, pois teria tirado a vida de “B” com emprego de faca, a bordo de uma aeronave.

Ao receber a denúncia o MM. Juiz proferiu o seguinte despacho; “recebo a


denúncia, designo o interrogatório para o dia 15 e decreto a prisão preventiva do réu”

O Paciente foi preso em razão da decisão referida, encontrando-se


recolhido desde então.

2) DO DIREITO.
A presente ordem deve ser concedida.

De fato, a prisão imposta ao Paciente é completamente ilegal, uma vez que


o despacho que a decretou carece de fundamentação. Como se sabe, a motivação de decisões
judiciais é preceito constitucional, estampado no art. 93, IX, além de constar também em nosso
Diploma Processual, mais especificamente no art. 315, concernente à decretação da prisão
preventiva.

O nobre Magistrado, como se vê, não observou tais dispositivos. Como a


prisão é medida extrema, exceção ao direito de liberdade, é mister que sua imposição se dê
respeitando estritamente as determinações legais.

87
Não se pode tolerar que alguém seja levado ao cárcere, ainda que
provisoriamente, sem que a autoridade judiciária indique mais são os motivos e os fundamentos
para a adoção da medida extrema.

Portanto, a melhor solução é a concessão da ordem para que o Paciente


possa responder aos termos do processo em liberdade.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se atacar o ato da autoridade coatora,


demonstrando sua ilegalidade e o conseqüente constrangimento a que está submetido o
paciente).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer que, após requisitadas as informações da ilustre
autoridade coatora e ouvido o digno representante do Ministério Público, seja concedida a
presente ordem, para revogar a prisão imposta ao Paciente, expedindo-se o competente alvará de
soltura em seu favor, por ser medida de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

88
7.19. MANDADO DE SEGURANÇA

É a ação destinada a proteger direito liquído e certo não amparado por habeas corpus
e habeas data, quando houver ilegalidade ou abuso de poder por autoridade pública ou particular
no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5º, LXXIX, CF).

O mandado de segurança tem cabimento bastante reduzido na esfera penal, uma vez
que boa parte dos atos ilegais são impugnados por habeas corpus. Seu processamento segue o
determinado pela Lei nº 1.533/51, impondo-se como prazo para impetração 120 dias a contar da
ciência do ato praticado pela autoridade coatora.

89
MODELO DE MANDADO DE SEGURANÇA

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado de ____________.

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do Rg nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), por seu advogado infra-
assinado (procuração em anexo), vem, com fundamento no artigo 5º, LXIX, da Constituição
Federal e Lei nº 1.533/51, impetrar MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE
LIMINAR, contra ato do meritíssimo Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca
____________, no processo nº _______, pelos motivos a seguir expostos:

1) DOS FATOS.
O Impetrante foi vítima de roubo na data ______, tendo sido subtraído seu
veículo, não mais localizado. Após registro da ocorrência, foi formalizado o competente
inquérito policial, identificando-se o autor do delito – “B”.

“B” foi denunciado e está sendo processado. O processo encontra-se


aguardando audiência para oitiva das testemunhas de acusação. O Impetrante requereu, então,
sua habilitação nos autos, como assistente de acusação, o que foi indeferido pelo MM. Juiz, sob o
fundamento de que não é o momento processual adequado para tanto.

2) DO DIREITO.
Excelências, a segurança deve ser concedida.

De fato, o Impetrante preenche todos os requisitos para figurar nos autos


como assistente do Ministério Público. Como se sabe, basta que o ofendido faça prova de sua
identidade e que o processo ainda não tenha transitado em julgado para que seja admitido como
assistente, conforme redação dos artigos 286 e 269 do Código de Processo Penal.

Não há que se falar, então, em indeferimento do pedido, pois se trata de


direito líquido e certo do Impetrante.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

90
“...................................................................................” (in Processo Penal.
São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se atacar o ato da autoridade coatora,


demonstrando sua ilegalidade e a ofensa a direito líquido e certo do impetrante).

3) DA MEDIDA LIMINAR.
Estão presentes, no presente caso, os dois requisitos que autorizam a
concessão liminar da segurança. Com efeito, há fumus boni iuris, pois o direito líquido e certo
invocado e patente, bem como sua violação, demonstrando, assim, a verossimilhança do alegado.

Quanto ao periculum in mora, se a medida liminar não for concedida,


haverá prejuízo para o Impetrante, pois estará impedido de acompanhar a fase probatória do
processo, onde poderá colaborar sobremaneira com o Ministério Público.

(OBS: Neste item deve ser demonstrada a presença dos dois requisitos
que autorizam a concessão de medida liminar: fumus boni iuris e periculum in mora).

4) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja concedida a medida liminar para habilitar,
de plano, o Impetrante como assistente de acusação nos autos.

Após, requisitadas as informações da ilustre autoridade coatora e ouvido o


digno representante do Ministério Público, requer seja concedida definitivamente a segurança,
para o mesmo fim, por ser medida de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

91
7.20. REVISÃO CRIMINAL

Ação penal de caráter rescisório, dirigida contra sentença condenatória transitada em


julgado. Muito embora esteja elencada no Código de Processo Penal entre os recursos, vigora o
entendimento de que se trata realmente de ação.

É admitida nas seguintes hipóteses:

a) sentença contra texto expresso de lei ou contra a evidência dos autos;

b) sentença fundada em provas falsas;

c) quando surgirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que


autorize a redução da pena.

A revisão criminal, como dito, só pode ser proposta para rescindir sentença
condenatória, nunca contra sentença absolutória, ou seja, não é ela admitida pro societate.

Têm legitimidade para figurar no pólo ativo o próprio sentenciado ou procurador


habilitado. Se for ele falecido, poderão ingressar o cônjuge, ascendente, descendente ou irmão
(CADI).

Nota-se, então, que não há prazo para propositura da revisão criminal, podendo
ocorrer o ingresso até mesmo após a morte do sentenciado.

Acolhido o pedido revisional, o Tribunal poderá absolver o sentenciado, reduzir sua


pena ou declarar a nulidade do processo.

92
MODELO DE REVISÃO CRIMINAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do


Estado de __________.

“A”, (nacionalidade), (estado civil), (profissão), portador do Rg nº


__________, inscrito no CPF sob nº______________, (endereço), por seu advogado infra-
assinado (procuração em anexo), inconformado com a r. sentença já transitada em julgado,
conforme certidão em anexo (doc. ___), proferida no processo nº _____, da ____ Vara Criminal
da Comarca __________, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, promover
pedido de REVISÃO CRIMINAL com fundamento no artigo 621, III, do Código de Processo
Penal, pelos motivos a seguir expostos:

1) DOS FATOS.
O Peticionário foi denunciado, processado e ao final condenado à pena de
6 anos de reclusão, por infração ao art. 213 do Código Penal, pois teria constrangido “B” à
conjunção carnal.

Após o trânsito em julgado da r. sentença, descobriu-se documento onde a


suposta vítima admitia que não houve constrangimento e sim uma relação sexual consentida.

2) DO DIREITO.
Excelências, o presente pedido deve ser deferido.

De fato, o Peticionário foi condenado injustamente, conforme documento


descoberto posteriormente à sua condenação e ora anexado para apreciação dessa Colenda
Câmara. Nele, encontra-se relato de “B”, onde admite que não foi forçada em nenhum momento
e que a relação sexual foi consentida. A acusação de estupro se deu em razão de vingança contra
o Peticionário.

Ora, tal situação não pode prevalecer. Impõe-se a imediata revisão do


processo e da condenação, para que o Peticionário possa resgatar sua condição de inocente, da
qual nunca deveria ter sido privado.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido ensina o Mestre FULANO DE TAL:

93
“...................................................................................” (in Processo Penal.
São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

(OBS: Nesta peça deve-se argumentar sobre tudo que diga respeito à
defesa do cliente, de acordo com o problema formulado, como nulidades e mérito propriamente
dito. Mesmo já tendo havido trânsito em julgado, busca-se contrariar a sentença ou o acórdão).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer seja deferido o presente pedido revisional, para
absolver o Peticionário, com fundamento no art. 626 do Código de Processo Penal, por ser
medida de JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

__________________________________
OAB/___ nº ______________

94
7.21. REABILITAÇÃO

A reabilitação tem por fim restituir o condenado à situação anterior à condenação, no


tocante às anotações de sua folha de antecedentes, assegurando-lhe o sigilo dos registros sobre
seu processo e condenação (art. 93, CP).

São requisitos para a concessão (art. 94, CP):

a) que já tenham transcorridos 2 anos do cumprimento da pena ou do início do


período de prova do sursis ou do livramento;

b) que o sentenciado tenha tido domicílio no país, nos últimos 2 anos;

c) que durante esse prazo o condenado tenha dado demonstração efetiva de bom
comportamento público e privado;

d) que tenha ressarcido a vítima, salvo impossibilidade de fazê-lo.

Estabelece o Código de Processo Penal, em seu art. 744, que a petição que requerer a
concessão da reabilitação deverá ser acompanhada de:

a) certidões comprobatórias de não ter o requerente respondido, nem estar


respondendo a processo penal, em qualquer das comarcas em que houver residido no prazo após
a condenação;

b) atestados de autoridades policiais ou outros documentos que comprovem ter


residido nas comarcas indicadas e mantido, efetivamente, bom comportamento;

c) atestados de bom comportamento fornecido por pessoas a cujo serviço tenha


estado;

d) quaisquer outros documentos que sirvam como prova de sua regeneração;

e) prova de haver ressarcido o dano causado pelo crime ou persistir a impossibilidade


de fazê-lo.

95
MODELO DE REABILITAÇÃO CRIMINAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da _____ Vara Criminal da Comarca


___________________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe moveu a Justiça
Pública, processo em epígrafe, por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente à
presença de Vossa Excelência, requerer sua REABILITAÇÃO, com fundamento nos artigos 93
e seguintes do Código Penal e artigos 743 e seguintes do Código de Processo Penal, pelas razões
a seguir expostas:

1) DOS FATOS.
O Requerente foi processado e condenado à pena de 2 anos de reclusão,
por infração ao art. 129, § 2º, do Código Penal. Cumpriu sua reprimenda em regime aberto, tendo
ela sido extinta, por sentença datada de ________.

2) DO DIREITO.
Como demonstram os documentos acostados aos autos, o Requerente
atende a todos os requisitos exigidos pela lei, para a concessão da reabilitação.

De fato, já se passaram mais de 2 anos desde o término do cumprimento


de sua pena, conforme sentença do Juízo das Execuções Criminais (doc. ____). Além disso, o
Requerente morou no País desde então, mais precisamente no mesmo endereço em que sempre
residiu (doc. _____).

Tanto durante a execução da pena, como posteriormente a ela, o


Requerente ostentou bom comportamento. Não envolveu em nenhuma ocorrência policial,
demonstrando que o fato pelo qual foi condenado, foi realmente o único desabonador em sua
vida (doc. ___).

Como prova de sua boa índole, o Requerente ressarciu a vítima de todos


os gastos com medicamentos e tratamentos decorrentes das lesões sofridas (doc. ____).

Assim, atendidos os requisitos impostos pela lei, é medida de rigor a


concessão da reabilitação.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

96
“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer que, após a oitiva do ilustre representante do
Ministério Público, seja concedido o presente pedido de Reabilitação, por ser medida de
JUSTIÇA!

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

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OAB/___ nº ______________

97
7.22. LIVRAMENTO CONDICIONAL

É a concessão, pelo Poder Judiciário, da liberdade antecipada ao condenado,


atendidos os pressupostos e condicionada a determinadas exigências durante o restante da pena
que deveria cumprir preso.

Os pressupostos para concessão são:

1) Objetivos:

a) condenação a pena privativa de liberdade não superior a dois anos;

b) ter o sentenciado cumprido:


- mais de 1/3 da pena, se não for reincidente em crime doloso;
- mais de ½ da pena se for reincidente em crime doloso;
- mais de 2/3 da pena se a condenação for por crime hediondo, desde que não seja
reincidente específico.

2) Subjetivos:

a) comportamento satisfatório do sentenciado durante a execução da pena;

b) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído;

c) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;

d) para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa, constatação de condições pessoais que façam presumir que não voltará a delinqüir;

e) reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo.

Para a concessão do livramento, devem ser ouvidos o Ministério Público e o


Conselho Penitenciário. Se deferido o pedido, o juiz especificará as condições a que o liberado
ficará sujeito e determinará a expedição da carta de livramento, que conterá cópia integral da
sentença.

98
MODELO DE LIVRAMENTO CONDICIONAL

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais da Comarca
___________________.

Autos nº _____/___

“A”, já qualificado, nos autos da Execução em epígrafe, por seu


defensor infra-assinado, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, requerer
LIVRAMENTO CONDICIONAL, com fundamento no artigo 131 da Lei nº 7.210/84 e art. 83
do Código Penal, pelos motivos a seguir expostos:

1) DOS FATOS.
O Requerente foi processado e condenado à pena de 6 anos de reclusão,
por infração ao art. 33, caput, da Lei nº 11.343/06.

Encontra-se preso há 4 anos e 2 meses.

2) DO DIREITO.
O Requerente está recluso há 4 anos e 2 meses, ou seja, já ultrapassou o
período exigido pela Lei para a concessão do livramento, ou seja, 2/3 de sua pena.

É primário, possuidor de bons antecedentes, como atestam as certidões em


anexo (doc. ____).

Além disso, aprendeu ofício enquanto encarcerado, com excelente


aproveitamento (doc. ____), o que lhe possibilita exercer trabalho honesto estando em liberdade.
Inclusive, já conta com proposta para tal (doc. _____).

Portanto, estão presentes os pressupostos subjetivos e objetivos contidos


no art. 83 do Código Penal, fazendo jus, então, o Sentenciado, à concessão da medida.

Essa é a jurisprudência dominante em nossos tribunais:

“..............................................” (RT 000/000).

No mesmo sentido, ensina o Mestre FULANO DE TAL:

“...................................................................................” (in Processo Penal.


São Paulo: Editora, 2006, p. 120).

99
3) DO PEDIDO.
Diante do exposto, requer que, após parecer do Conselho Penitenciário e
manifestação do ilustre representante do Ministério Público, seja concedido o livramento
condicional ao Requerente, por ser medida de JUSTIÇA!

[CIDADE], ___, de ____________, de _____.

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OAB/___ nº ______________

100
8. PROBLEMAS.

RELAXAMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

PROBLEMA 1
Na data de ontem, por volta das 22 horas, Romualdo encontrava-se no interior de sua residência
quando ouviu um barulho no quintal. Munido de um revólver, abriu a janela de sua casa e
percebeu que uma pessoa, que não pôde identificar devido à escuridão, caminhava dentro dos
limites de sua propriedade. Considerando tratar-se de um ladrão, desferiu três tiros que acabaram
atingindo a vítima em região letal, causando sua morte. Ao sair do interior de sua residência,
Romualdo constatou que havia matado um adolescente que lá havia entrado por motivos que
fogem ao seu conhecimento. Imediatamente, Romualdo dirigiu-se à Delegacia de Polícia mais
próxima onde comunicou o ocorrido. O Delegado Plantonista, após ouvir os fatos, prendeu-o em
flagrante pelo crime de homicídio.
QUESTÃO: Elaborar a medida cabível visando a libertação de Romualdo.

PROBLEMA 2
Peter Perfeito era apaixonado por Penélope Charmosa e não era correspondido. Certo dia, não
mais suportando a dor da rejeição, aguardou-a defronte sua casa e desferiu 6 disparos de arma de
fogo, que lhe causaram a morte. Transtornado, Peter refugiou-se na casa de um amigo, onde
permaneceu por 1 semana até que, através de denúncia anônima, policiais surpreenderam-no,
prendendo-o em flagrante, pelo crime de homicídio.
QUESTÃO: como advogado de Peter, adote a medida cabível.

PROBLEMA 3 (UnB / CESPE – OAB –2006.3)


Maria José, indiciada por tráfico de drogas, apontou, em seu interrogatório extrajudicial,
realizado em 3/11/2006, Thiago, seu ex-namorado, brasileiro, solteiro, bancário, residente na rua
Machado de Assis, n.º 167, no Rio de Janeiro–RJ, como a pessoa que lhe fornecia entorpecentes.
No dia 4/11/2006, cientes da assertiva de Maria José, policiais foram ao local em que Thiago
trabalhava e o prenderam, por suposta prática do crime de tráfico de drogas. Nessa oportunidade,
não foi encontrado com Thiago qualquer objeto ou substância que o ligasse ao tráfico de
entorpecentes, mas a autoridade policial entendeu que, na hipótese, haveria flagrante impróprio,
ou quase-flagrante, porquanto se tratava de crime permanente. Apresentado à autoridade
competente, Thiago afirmou que nunca teve qualquer envolvimento com drogas e muito menos
passagem pela polícia. Disse, ainda, que sempre trabalhou em toda a sua vida, apresentou a sua
carteira de trabalho e declarou possuir residência fixa. Mesmo assim, lavrou-se o auto de prisão
em flagrante, sendo dada a Thiago a nota de culpa, e, em seguida, fizeram-se as comunicações de
praxe.
Com base na situação hipotética descrita acima, e considerando que Thiago está sob custódia
decorrente de prisão em flagrante, redija a peça processual, privativa de advogado, pertinente à
defesa de Thiago.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 136)


Pedro Paulo e Marconi estavam sendo investigados pela autoridade policial de distrito policial da
comarca de São Paulo em razão da prática do delito de tentativa de furto qualificado pelo
concurso de pessoas, ocorrido no dia 9/6/2008, por volta das 22 h. O inquérito policial foi
autuado e tramitava perante a 2.a vara criminal da capital. Ao registrar ocorrência policial, a
vítima, Maria Helena, narrou ter visto dois indivíduos de estatura mediana, com cabelos escuros
e utilizando bonés, no estacionamento do shopping Iguatemi, tentando subtrair o veículo

101
Corsa/GM, de cor verde, placa IFU 6643/SP, que lhe pertencia. Disse, ainda, que eles só não
alcançaram êxito na empreitada criminosa por motivos alheios às suas vontades, visto que foram
impedidos de concluí-la pelos policiais militares que estavam em patrulhamento na região. No
dia 30/6/2008, Pedro Paulo foi convidado para que se fizesse presente naquela delegacia de
polícia e assim o fez, imediata e espontaneamente, a fim de se submeter a reconhecimento
formal. Na ocasião, negou a autoria do delito, relatando que, no horário do crime, estava em
casa, dormindo. A vítima Maria Helena, e a testemunha Agnes, que, no dia do crime, iria pegar
uma carona com a vítima não reconheceram, inicialmente, Pedro Paulo como autor do delito.
Em seguida, Pedro Paulo foi posto em uma sala, junto com Marconi, para reconhecimento,
havendo insistência, por parte dos policiais, para que a vítima confirmasse que os indiciados
eram os autores do crime. Então, a vítima assinou o auto de reconhecimento, declarando que
Pedro Paulo era a pessoa que, no dia 9/6/2008, havia tentado furtar o seu veículo, conforme
orientação dos agentes de polícia. Diante disso, o delegado autuou Pedro Paulo em flagrante
delito e recolheu-o à prisão. Foi entregue a Pedro Paulo a nota de culpa, e, em seguida, foram
feitas as comunicações de praxe. Pedro Paulo não é primário, porém possui residência e emprego
fixos. Considerando a situação hipotética apresentada, redija, em favor de Pedro Paulo, a peça
jurídica, diversa de habeas corpus, cabível à espécie.

LIBERDADE PROVISÓRIA

PROBLEMA 1
Candido Alegria foi preso nas imediações de local onde vítima noticiou o roubo de seu carro,
mediante grave ameaça exercida com emprego de arma, logo após a ocorrência do delito. Na
delegacia, foi reconhecido como autor do crime e autuado por infração ao art. 157, § 2º, I, do CP.
É primário, tem bons antecedentes, trabalha como comerciante estabelecido na cidade há 15
anos, cidade, aliás, em que nasceu e sempre morou.
QUESTÃO: Como advogado de Candido, redigir a peça adequada para obter sua libertação.

PROBLEMA 2
José, sabendo que sua filha Manuela está grávida de dois meses e que seu namorado é casado,
decide fazer com que a filha pratique o aborto. Em contato com uma clínica, José marca a
realização do aborto para dali a dois dias. Contrária à prática, Manuela comparece ao Distrito
Policial do bairro onde se localiza a clínica e relata à autoridade de plantão tudo o que irá ocorrer
no dia seguinte. Quando Manuela se encontrava na clínica, iniciada a manobra abortiva, os
policiais, comandados pelo delegado, invadem o local e prendem em flagrante José e o médico
Alfredo. A acusação é de tentativa de aborto. Manuela, juntamente com seu namorado, no auto
de prisão em flagrante, acusa José e o médico Alfredo da intenção de praticarem o crime. Ambos
são primários e não registram nenhum antecedente criminal.
QUESTÃO: Na condição de advogado (a) do médico Alfredo, preso no 1º DP, elaborar a medida
cabível que melhor atenda a seus interesses, no sentido de ser libertado da forma mais rápida.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 135)


Daniel, conhecido empresário de São Paulo – SP, brasileiro, casado, residente e domiciliado na
rua Xangai, n.º 27, bairro Paulista, foi preso em flagrante pela suposta prática do delito tipificado
no artigo 3.º da Lei n.º 1.521/1951: “destruir ou inutilizar, intencionalmente e sem autorização
legal, com o fim de determinar alta de preços, em proveito próprio ou de terceiro, matérias-
primas ou produtos necessários ao consumo do povo”. Diante desse fato, Geiza, esposa de
Daniel, procurou um advogado e lhe informou que Daniel era primário e possuía residência fixa.
Aduziu que a empresa do marido, Feijão Paulistano S.A., já atuava no mercado havia mais de 8
anos. Ressaltou que Daniel sempre fora pessoa honesta e voltada para o trabalho. Além disso,
Geiza narrou que Daniel era pai de uma criança de tenra idade, Júlia, que necessitava

102
urgentemente do retorno do pai às atividades laborais para manter-lhe o sustento. Por fim,
informou que estava grávida e não trabalhava fora. Geiza apresentou ao advogado os seguintes
documentos: CPF e RG de Daniel, comprovante de residência, cartão da gestante expedido pela
Secretaria de Saúde de SP, certidão de nascimento da filha do casal, Júlia, auto de prisão em
flagrante, nota de culpa e folha de antecedentes penais do indiciado, sem qualquer incidência.
Considerando a situação hipotética descrita, formule, na condição de advogado(a) contratado(a)
por Daniel, a peça — diversa de habeas corpus — que deve ser apresentada no processo.

QUEIXA-CRIME

PROBLEMA 1 (OAB/SP 117 - ADAPTADO)


No dia 1o de julho de 2008, por volta das 12 horas, na confluência das ruas Maria Paula e
Genebra, Maria da Luz teve seu relógio subtraído por João da Paz, que se utilizou de violência e
grave ameaça, exercida com uma faca. Descoberta a autoria e formalizado o inquérito policial
com prova robusta de materialidade e autoria, os autos permanecem com o Ministério Público há
mais de trinta dias, sem qualquer manifestação.
QUESTÃO: Como advogado de Maria da Luz, atue em prol da constituinte.

PROBLEMA 2
Anna Karenina encontrava-se em festa concorrida da cidade. Ao dirigir-se ao banheiro para
retocar a maquiagem, foi perseguida por um garçom, de nome Antoine e levada a um quarto
vazio. Lá, mediante grave ameaça, ele obrigou-a a praticar nele sexo oral. A ocorrência foi
registrada e a pedido de Anna foi instaurado inquérito policial, já concluído com provas
contundentes.
QUESTÃO: Tendo sido contratado por Anna, mulher rica, atue em seu favor.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 131 - ADAPTADO)


Maria, alta funcionária da empresa “ATR”, no Centro de São Paulo, Capital, recebe
normalmente cantadas de seu superior hierárquico, João. Temendo por seu emprego, Maria
nunca efetuou nenhuma reclamação. Em 20.04.08, contudo, João, prevalecendo-se de sua
condição na empresa, chama Maria em sua sala. Quando ela na sala ingressa, João tranca a porta,
exigindo favores sexuais. Visivelmente alterado, João grita com Maria, dizendo que se ela não
concordasse com o ato sexual, ele iria demiti-la. Outros funcionários, escutando os gritos de
Maria, vão, imediatamente, em seu socorro, abrindo a sala de João com a chave mestra,
encontrando Maria aos prantos. João, nesse momento, sai rapidamente da sala. No dia seguinte,
pede desculpas a Maria, dizendo haver bebido demais na véspera, e que tudo não teria passado
de um mal entendido. Maria, revoltada, diz que vai procurar os seus direitos.
QUESTÃO: Como advogado de Maria, redija a peça mais adequada para fazer valerem os
direitos de sua cliente.

PROBLEMA 4 (OAB/MG - 23/09/2001)


Na tarde do dia 29 (vinte e nove) de julho do corrente ano, por volta das 15:00 horas, DEOLICE
PEREIRA, brasileira, casada, funcionária pública, residente a rua José Silvéiro, 122, apto 1302,
bairro Casa Branca, nesta Capital, compareceu ao restaurante “BOM DE BOCA”, localizado na
Av. Rio Branco, bairro Pindorama, também nesta Capital, onde fez uso do “self service”.
Durante a refeição, após já Ter se servido do primeiro prato, a Sra. DEOLICE PEREIRA
dirigiu-se ao garçon do citado estabelecimento comercial, Sr. FRANCISCO DA CRUZ,
alegando que não iria efetuar o pagamento das despesas do almoço, tendo em vista esta a comida
“muito salgada, uma porcaria”.

103
Diante do acontecido, o garçon disse para a Sra. DEOLICE, educadamente, que
aproximadamente 500 pessoas já haviam se servido da comida naquele dia, e nenhum havia
apresentado qualquer tipo de reclamação.
Diante da insistência da Sra. DEOLICE em não saldar o débito contraído, o Sr FRANCISCO
chamou a dona do restaurante “BOM DE BOCA”, Sra. MARIA CELESTE, brasileira, solteira,
comerciante, residente a Rua Francisco Pedrosa, 213 bairro Floresta, nesta Capital, que
imediatamente foi ao encontro da freguesa.
Após ouvir atentamente às reclamações da freguesa, a Sra. MARIA CELESTE ponderou que a
mesma poderia servir novo prato, sem qualquer ônus pela substituição.
No entanto, de modo brusco, a Sra. DEOLICE interrompeu o diálogo e, dirigindo-se à pessoa de
MARIA CELESTE, começou a dizer que “eu não vou comer esta merda de comida, essa merda
não presta”, não querendo conversa com “você, sua puta, piranha, pintada”, “vai se foder, vai
tomar naquele lugar...”. Não satisfeita, antes de ser retirada do estabelecimento comercial por
outros fregueses que ali se encontravam, a Sra. DEOLICE ainda desferiu uma “cusparada” no
rosto de MARIA CELESTE, dizendo que “eu não vou comer neste lugar nojento, pois a sua
proprietária é uma sem vergonha, vagabunda”.
Certo é que os atos se deram na presença de inúmeras pessoas, fregueses, que se viam no interior
do estabelecimento, que, como dito, não só retiraram a Sra. DEOLICE, como também tentaram
acalmar a proprietária do restaurante, que, muito abalada, desandou a chorar, quase tendo uma
crise nervosa.
Seguindo conselhos, e ainda abalada, a comerciante lhe procura como advogado no último dia
21(vinte e um) de dezembro.
Você entendendo, dada a notoriedade dos fatos, da desnecessidade de procedimento inquisitório,
decide, após a devida outorga do instrumento procuratório, aviar a peça com vistas à instauração
da persecutio criminis in judicio.

PEDE-SE: REDIJA A PEÇA EM QUESTÃO COM TODOS OS CONTORNOS DE


NATUREZA PENAL E PROCESSUAL PENAL.

DEFESA PRELIMINAR

PROBLEMA 1
Bernardo é preso em flagrante, acusado de vender substância entorpecente em ruas da cidade.
Concluído o inquérito policial, é denunciado por infração ao art. 33, caput, da Lei nº 11.343/06.
A inicial, contudo, é vaga e imprecisa. Oferecida a denúncia, o juiz determina a intimação do
defensor, para manifestação, no prazo legal.
QUESTÃO: Como defensor de Bernardo, redija a peça adequada.

ALEGAÇÕES FINAIS

PROBLEMA 1 (OAB/SP 106)


"A" está sendo processado segundo denúncia que lhe imputa violação do artigo 121, parágrafo
2o., inciso III, 1a. parte, combinado com o artigo 14, II do Código Penal, porque teria tentado
matar "B", mediante aplicação de injeção venenosa. O laudo do Instituto Médico Legal é
taxativo, concluindo que a substância ministrada não tinha potencialidade lesiva, ou seja, era
inócua. O Ministério Público apresentou alegações finais, postulando a pronúncia de "A", nos
termos da denúncia.
QUESTÃO:- Como advogado de "A", pratique o ato processual adequado ao rito processual.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 109)

104
Policiais Militares, em razão de denúncia sobre tráfico de entorpecentes, efetuaram diligência na
residência de "A", encontrando em determinado armário apenas uma cédula de identidade falsa,
com a foto de "A". Em razão desse fato, "A" foi denunciado por uso de documento falso. "A"
sempre negou a prática delituosa. Responde o processo em liberdade, sendo certo que a instrução
já foi concluída e, em alegações finais, o Ministério Público postulou a procedência da ação e
condenação de "A" como incurso nas penas do artigo 304, do Código Penal. A ação penal tem
curso perante a 12a Vara Criminal da Capital.
QUESTÃO: Como advogado de "A" elabore a peça processual pertinente.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 116)


João da Silva foi preso em flagrante delito, pois no dia 10 de janeiro do corrente ano, por volta
das 10:00 horas, fazendo uso de uma arma de fogo, tentou efetuar disparos contra seu vizinho
Antônio Miranda. Foi denunciado pelo representante do Ministério Público como incurso nas
sanções do artigo 121 caput, c.c. o artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal, porque teria
agido com “animus necandi”. Segundo o apurado na instrução criminal, uma semana antes dos
fatos o acusado, planejando matar Antônio, pediu emprestada a um colega de trabalho uma arma
de fogo e quantidade de balas suficiente para abastecê-la completamente, guardando-a
eficazmente municiada. Seu filho, a quem confidenciara seu plano, sem que o acusado
percebesse retirou todas as balas do tambor do revólver. No dia seguinte, conforme já esperava,
João encontrou Antônio em um ponto de ônibus e, sacando da arma, acionou o gatilho diversas
vezes, não atingindo a vítima, em face de ter sido a arma desmuniciada anteriormente. Dos autos
consta o laudo pericial da arma apreendida, a confissão do acusado e as declarações da vítima e
do filho do acusado. Por ser primário, o Juiz de primeiro grau concedeu ao acusado o direito de
defender-se solto. As alegações finais de acusação foram oferecidas pelo representante do
Ministério Público, requerendo a condenação do acusado nos exatos termos da denúncia.
QUESTÃO: Como advogado de João da Silva, elabore a peça profissional pertinente.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 118)


Agostinho registra grande número de condenações por crimes contra o patrimônio e já cumpriu
parte em regime fechado. Estava em gozo de livramento condicional, veio a ser autuado em
flagrante e foi denunciado por roubo simples. Encerrada a instrução probatória, em fase
oportuna, o Ministério Público pleiteia a condenação de Agostinho, sustentando que a prova é
suficiente para tanto, especialmente pelos maus antecedentes. Permanece preso. Consta dos autos
que tem trâmite na 1 a Vara Criminal da Capital, que Agostinho ingressou na farmácia de
Thomás, que desconfiou "daquele mal encarado" e avançou contra este imobilizando-o até a
chegada da polícia. Agostinho, sempre alegou que fora comprar remédio.
QUESTÃO: Como advogado de Agostinho, desenvolva a medida judicial pertinente.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 133 - ADAPTADO)


Pedro foi acusado de roubo qualificado por denúncia do Promotor de Justiça da comarca, o dia 1
de julho de 2006. Dela constou que ele subtraiu importância em dinheiro de Antônio, utilizando-
se de um revólver de brinquedo. Arrolou, para serem ouvidos, a vítima e dois policiais militares.
O Juiz ouviu-o no dia 5 de setembro de 2006, sem a presença de defensor, ocasião em que ele
confessou, com detalhes, a prática delituosa, descrevendo a vítima e afirmando que o dinheiro
fora utilizado na compra de drogas. Afirmou, ainda, que havia sido internado várias vezes para
tratamento. O defensor nomeado arrolou três testemunhas na defesa prévia. A vítima, ao ser
ouvida, confirmou o fato e afirmou que não viu o rosto do autor do crime porque estava
encoberto e, por isso, não tinha condições de reconhecê-lo. Os dois policiais afirmaram que
ouviram a vítima gritando que havia sido roubada, mas nada encontraram; contudo, no dia
seguinte, houve, no mesmo local, outro roubo, sendo o acusado preso quando estava fugindo e,
por isso, ligaram o fato com o do dia anterior; o acusado, por estar visivelmente “drogado”, não

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teve condições de esclarecer o fato. As testemunhas de defesa nada disseram sobre o fato;
confirmaram que o acusado tinha problemas com drogas e, por isso, era sempre internado.
Na fase do 402 CPP, nada foi requerido pelas partes. O Promotor de Justiça pediu a condenação,
alegando que a materialidade estava provada e que a confissão do acusado, pelos informes que
continha, mostrava ser ele o autor do crime. Quanto às penas, entendeu que poderiam ser
aplicadas nos patamares mínimos. Intimado o acusado para os fins do artigo 403, §3º, do CPP,
seus pais resolveram contratar um advogado para defendê-lo.
QUESTÃO: Como Advogado, apresente a peça adequada, com todos os argumentos e pedidos
cabíveis na defesa do acusado.

PROBLEMA 6 (OAB/SP 134)


Em 3/1/2008, quando caminhava na beira de uma estrada, saindo de uma festa, Vilma percebeu
dois rapazes se aproximarem pelas suas costas, os quais, dizendo portar uma arma de fogo,
encostaram algo em suas costas e lhe ordenaram que continuasse andando, olhando apenas para
frente, e lhes entregasse a bolsa. Vilma obedeceu à ordem, sem ver os dois rapazes, e, cerca de
vinte minutos depois, voltou à festa, pediu auxílio a um segurança e ambos saíram, em um carro,
para procurar os autores da subtração. Encontraram a bolsa, logo em seguida, a cerca de 100
metros do local do fato, e Vilma verificou que faltavam R$ 50,00, em uma nota de R$ 20,00,
duas de R$ 10,00 e duas de R$ 5,00, um relógio e um celular. Caminhando a cerca de 200 metros
do mesmo local, estavam dois rapazes, Luís e Antônio. O segurança os deteve e ligou para a
polícia, que compareceu ao local e os revistou. Com Luís foi encontrada a importância de R$
50,00, em duas notas de R$ 20,00 e uma de R$ 10,00; com Antônio, o total de R$ 15,00, em uma
nota de R$ 10,00 e uma de R$ 5,00. Não portavam celulares, nem relógio.
Em seguida, os policiais os conduziram para a delegacia, onde foi lavrado o auto de flagrante.
Em 11/1/2008, Luís e Antônio foram denunciados como incursos na prática do crime previsto no
artigo 157, §2.º, I e IV, c.c. art. 29, todos do Código Penal. A denúncia foi recebida em
14/1/2008. Ambos, primários, com residência fixa e com bons antecedentes, foram liberados
pelo juiz. Constituíram advogados distintos. No interrogatório, realizado em 21/1/2008, com a
presença de seu advogado, e diante da ausência do advogado de Luís, não intimado para o ato,
Antônio acusou Luís de ter cometido o roubo, dizendo, na ocasião, que não portavam qualquer
arma, tendo sido encostado um dedo nas costas de Vilma. No dia seguinte, no interrogatório de
Luís, com participação do seu advogado somente, o acusado negou que ele ou Antônio tivessem
realizado o roubo. A vítima foi ouvida e ,também, como testemunhas de acusação, foram
ouvidos o segurança e os dois policiais que realizaram a condução, os quais confirmaram o roubo
e o encontro do dinheiro com os acusados, afirmando que ambos haviam permanecido em
silêncio. Foram ouvidas testemunhas de defesa que atestaram o bom comportamento dos dois
acusados. Na fase prevista no artigo 402 CPP, nada foi requerido pelas partes. Na seqüência, o
Ministério Público manifestou-se pedindo a condenação de Luís e Antônio pela prática do crime
previsto no artigo 157, §2.º, I e IV, c.c art. 29, todos do Código Penal. O advogado de Luís foi
intimado, em 5/3/2008, para manifestar-se nos autos.
Considerando a situação hipotética descrita, formule, na condição de advogado contratado por
Luís, a peça a ser apresentada no processo.

PROBLEMA 7 (UnB / CESPE – OAB/ES –29/8/2004)


Félix Silva, nascido no dia 10/1/1978, foi denunciado como incurso nas penas do art. 155, § 4.º,
incisos I, II e IV, do Código Penal, combinado com o art. 1.º da Lei n.º 2.252/1954. Eis trecho da
denúncia.
“No dia 31/3/1998, por volta das 10 h 30 min, em Vitória – ES, o denunciado, mediante vontade
livre e consciente e previamente ajustado com Roberval, menor de 18 anos, com repartição de
tarefas, subtraiu, em proveito de ambos, após escalar o muro e arrombar a porta, os objetos
descritos no Auto de Apresentação e Apreensão, que se encontravam no interior da residência da

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vítima, quais sejam: xampu, condicionador, escova e creme dental, várias bijuterias, um rádio
AM/FM e dois perfumes, perfazendo um total de R$ 230,00, conforme Laudo de Avaliação
Indireta.
Consta dos autos que o denunciado, após pular o muro da casa da vítima, arrombou a porta de
entrada da frente e subtraiu de seu interior, depois de revirar toda a residência, os objetos já
referidos, colocando-os em uma mochila de náilon, também de propriedade da vítima. O menor
corrompido, concorrendo para a realização do delito, aguardava Félix do lado de fora em uma
motocicleta que conduzia, empreendendo fuga do local após a subtração dos bens. Os bens
subtraídos da vítima foram localizados em poder dos denunciados, que acabaram por confessar a
prática do delito.”
A denúncia foi recebida em 14 de abril de 2004. O réu foi interrogado e constituiu advogado, que
apresentou defesa prévia no prazo legal.
Na instrução, foram ouvidas as testemunhas Taciano, Roberval, Lília e Pedro. Taciano, vizinho
da vítima, afirmou que havia observado, momentos antes dos fatos, que o portão da residência
estava aberto, tendo inclusive pensado em avisar os moradores. Antes que o tivesse feito, porém,
o crime aconteceu. Afirmou ainda que havia visto pessoas entrando na casa, não reconhecendo,
no entanto, o acusado ou o menor. Disse não poder asseverar se houve escalada do muro.
Roberval, menor que praticou o fato em conjunto com o acusado, afirmou já ter sido processado
perante a Vara da Infância e Juventude por mais de uma vez, tendo inclusive sido submetido a
medida sócio-educativa. Disse ainda que costumava praticar furtos nas redondezas da casa da
vítima, pois era viciado em drogas e precisava do dinheiro obtido com os furtos para sustentar
seu vício. Lília, vítima do delito, afirmou não saber se houvera arrombamento da porta de sua
casa ou escalada do muro, pois havia saído no momento dos fatos e, quando retornou, no dia
seguinte, sua irmã tinha providenciado tudo. Declarou ainda ter-se casado com Félix três meses
após os fatos, apesar de não ter reavido os bens subtraídos. Pedro disse ser vizinho de Félix, o
qual, além de ser primário e ter bons antecedentes, apresentava boa conduta social e
personalidade pacata.
Na fase prevista pelo art. 402 do Código de Processo Penal, foram juntadas as folhas de
antecedentes penais do acusado e do menor Roberval, que indicaram ser Félix réu primário e
Roberval, um menor infrator com várias passagens na Delegacia da Criança e do Adolescente.
Em seguida, os autos foram ao Ministério Público para manifestação, oportunidade em que o
promotor requereu a condenação do acusado Félix nos exatos termos da denúncia.
Por despacho, o juiz ordenou, em seguida, que os autos fossem à defesa do acusado, para a
manifestação no prazo legal.
Em face da situação hipotética acima descrita, como advogado legalmente constituído pelo
acusado Félix Silva, redija a peça processual cabível para cumprimento do despacho do juiz e a
apresente no último dia do prazo, levando em conta que a intimação à defesa tenha sido feita no
dia 26 de agosto de 2004 (quinta-feira).

PROBLEMA 8 (UnB / CESPE – OAB / 2006.2 - ADAPTADO)


Consta do Inquérito Policial n.º 359/2006, referente à comunicação de ocorrência n.º 154/2006,
que, no dia 18/6/2008, por volta das 13 h, nas proximidades do estádio de futebol conhecido
como Maracanã, Pedro, brasileiro, professor, solteiro, residente na rua São Judas Tadeu, na
cidade do Rio de Janeiro – RJ, foi agredido fisicamente por Cristiano, após assistirem a uma
partida de futebol. Pedro, ao prestar declarações na delegacia de polícia, disse que Cristiano
desferiu-lhe um soco, causando-lhe hematomas na face. Ainda chocado com o acontecido, mas
ansioso para voltar para casa para assistir ao jogo do Brasil na Copa, Pedro não se dirigiu ao
Instituto Médico Legal (IML) a fim de fazer o exame de corpo de delito. No inquérito, registra-
se, ainda, que Cristiano, brasileiro, bancário, casado, residente na rua José das Couves, Rio de
Janeiro – RJ, não possui antecedentes criminais.

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Alguns dias após o incidente, os autos da investigação policial foram conclusos ao Ministério
Público, que, mesmo diante da ausência do exame de corpo de delito, denunciou Cristiano,
conforme a exordial acusatória transcrita integralmente a seguir:
“Aos 18 de junho de 2008, Cristiano ofendeu a integridade corporal de Pedro. Isso posto, o
Ministério Público (MP) requer a citação do réu, sob pena de revelia, e sua condenação nas penas
do art. 129, caput, do Código Penal.”
A denúncia foi recebida em 30 de junho pelo juiz da 4.ª Vara Criminal do Rio de Janeiro.
Cristiano foi regularmente citado e qualificado.
Interrogado em juízo, Cristiano afirmou que os fatos narrados na denúncia não eram verdadeiros.
Segundo ele, no dia dos fatos, após assistir a um jogo de futebol no Maracanã, estava em uma
parada de ônibus nas proximidades do estádio quando Pedro aproximou-se fazendo piadas a
respeito do seu time, que havia perdido o jogo. Cristiano esclareceu que não deu ouvidos a
Pedro, que ficou ainda mais irritado. Quando tentou dirigir-se para longe do local, Pedro o puxou
pela camisa e começou a agredir-lhe com socos. Cristiano, então, agindo em legítima defesa, deu
um soco em Pedro. Em poucos instantes, populares separaram os dois, e ele fugiu do local com
medo de novas agressões. Não houve abertura de prazo para a defesa prévia. O MP arrolou duas
testemunhas, que não foram localizadas, motivo pelo qual o MP desistiu de ouvi-las. Na fase do
artigo 402 do Código de Processo Penal, a acusação e a defesa nada requereram. Em seguida, o
juiz abriu vista às partes.
Diante dessa situação hipotética, considerando-se advogado de Cristiano, redija uma peça
processual pertinente à próxima fase do processo.

PROBLEMA 9 (CESPE/UnB - 2007.3 - ADAPTADO)


O Ministério Público ofereceu denúncia contra Alexandre Silva, brasileiro, casado, taxista,
nascido em 21/01/1986, pela prática de infração prevista no art. 121, caput, do CP.
Consta na denúncia que, no dia 10/10/2006, aproximadamente às 21 horas, em via pública da
cidade de Brasília – DF, o acusado teria efetuado um disparo contra a pessoa de Filipe Santos,
que, em razão dos ferimentos, veio a óbito.
No laudo de exame cadavérico acostado aos autos, os peritos do Instituto Médico Legal
registraram a seguinte conclusão: “morte decorrente de anemia aguda, devido a hemorragia
interna determinada por transfixação do pulmão por ação de instrumento perfurocontundente
(projétil de arma de fogo)”.
Consta da folha de antecedentes penais de Alexandre, um inquérito policial por crime de porte de
arma, anterior à data dos fatos e ainda em apuração.
No interrogatório judicial, o acusado afirmou que, no horário dos fatos, encontrava-se em casa
com sua esposa e dois filhos; que só saiu por volta das 22 horas para comprar refrigerante,
oportunidade em que foi preso quando adentrava no bar; que conhecia a vítima apenas de vista;
que não responde a nenhum processo.
Na instrução criminal, Paulo Costa, testemunha arrolada pelo Ministério Público, em certo trecho
do seu depoimento, disse que era amigo de Filipe, que aparentemente a vítima não tinha
inimigos; que deve ter sido um assalto; que estava a aproximadamente cinqüenta metros de
distância e não viu o rosto da pessoa que atirou em Filipe, mas que certamente era alto e forte, da
mesma compleição física do acusado; que não tem condições de reconhecer com certeza o ora
acusado.
André Gomes, também arrolado pela acusação, disse que a noite estava muito escura e o local
não tinha iluminação pública; que estava próximo da vítima, mas havia bebido; que hoje não tem
condições de reconhecer o autor dos disparos, mas tem a impressão de que o acusado tinha o
mesmo porte físico do assassino.
Breno Oliveira, policial militar, testemunha comum, afirmou que prendeu o acusado porque ele
estava próximo ao local dos fatos e suas características físicas correspondiam à descrição dada
pelas pessoas que teriam presenciado os fatos; que, pela descrição, o autor do disparo era alto,

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forte, moreno claro, vestia calça jeans e camiseta branca; que o céu estava encoberto, o que
deixava a rua muito escura, principalmente porque não havia iluminação pública; que, na
delegacia, o acusado permaneceu em silêncio; que a arma do crime não foi encontrada.
Maíra Silva, esposa de Alexandre, arrolada pela defesa, confirmou, em seu depoimento, que o
marido permanecera em casa a noite toda, só tendo saído para comprar refrigerante,
oportunidade em que foi preso e não mais voltou para casa; que só tomou conhecimento da
acusação na delegacia e, de imediato, disse ao delegado que aquilo não era possível, mas este
não acreditou; que o acusado vestia calça e camiseta clara no dia dos fatos; que Alexandre é um
bom marido, trabalhador e excelente pai.
Após a audiência, o juiz abriu vista dos autos ao Ministério Público, que requereu a pronúncia do
réu nos termos da denúncia.

Com base na situação hipotética apresentada, redija, na qualidade de advogado de Alexandre, a


peça processual, privativa de advogado, pertinente à defesa do réu; inclua a fundamentação legal
e jurídica e explore a tese defensiva cabível nesse momento processual.

PROBLEMA 10 (OAB/MG - 22/04/2001 - ADAPTADO) O representante do Ministério


Público ofereceu denúncia, narrando em síntese o seguinte:
“ (...) No dia 2 de dezembro de 2008, por volta das 21:00 (vinte e uma) horas, nesta Comarca de
Barão do Rio Branco, José da Silva, já qualificado, de 20 (vinte) anos de idade, seduziu sua
colega Maria Imaculada, de 17 (dezessete) anos, pobre, segundo declaração expressa de seus
pais, que regularmente aviaram a devida representação, com quem mantinha um
relacionamento de amizade. Para tanto, convidou-a para acampar nas margens de uma
cachoeira no distrito de Água Limpa, e lá, aproveitando-se da situação, manteve com a vítima
relações sexuais que foram atestadas pelo ACD de fls. e fls., que comprovam, inclusive, a sua
condição de moça virgem antes daquela relação.
‘(...) Com tal procedimento, acha-se José da Silva incurso nas sanções do art. 217 do CP,
motivo pelo qual a denúncia deve ser recebida e, ao final devendo o ora denunciado ser
condenado.’”
No decorrer da instrução processual, ficou patenteado por depoimentos de testemunhas e, até
mesmo pelo depoimento da vítima, que ela é moça esclarecida quanto aos fatos da vida em geral,
sendo estudante de segundo grau, tendo noção completa do que representa manter relações
sexuais na idade em que se achava.
Provado que nenhuma violência viu-se praticada por parte do réu e, segundo a própria Maria
Imaculada, “(...) a relação se deu porque eu também estava a fim”.
Encerrada a referida instrução, nada requerendo as partes na fase do art. 402 CPP, o Promotor de
Justiça, em suas alegações, insiste na procedência da acusação, estando agora os autos com vista
à defesa para os fins do art. 403, §3º, do Código de Processo Penal.

PEDE-SE: Elabore as alegações finais, com o devido e completo encaminhamento, alegando


toda a matéria de natureza penal e porventura processual aplicável ao caso proposto.

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

PROBLEMA 1 (OAB/SP 113)


João da Silva foi denunciado pelo Ministério Público porque teria causado em Antonio de Souza,
mediante uso de uma barra de ferro, as lesões corporais que o levaram à morte. Durante a
instrução criminal, o juiz, de ofício, determinou a instauração do Incidente de Sanidade Mental
do acusado. A perícia concluiu ser este portador de esquizofrenia grave. Duas testemunhas
presenciais arroladas pela defesa afirmaram, categoricamente, que no dia dos fatos Antonio de

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Souza, após provocar o acusado injustamente, com palavras de baixo calão, passou a desferir-lhe
socos e pontapés. Levantando-se com dificuldade, João alcançou uma barra de ferro que se
encontrava nas proximidades e golpeou Antonio por várias vezes, até que cessasse a agressão
que sofria. Encerrada a primeira fase processual, o Magistrado, acatando o Laudo Pericial,
absolveu sumariamente João da Silva, aplicando-lhe Medida de Segurança, consistente em
internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, pelo prazo mínimo de 02 (dois)
anos. A decisão judicial foi publicada há dois dias.
QUESTÃO: Na condição de advogado de João da Silva, tome a providência judicial cabível.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 115)


"A" e "B" eram amigos de infância. Resolveram excursionar por lugar extremamente perigoso,
hostil, deserto e com algumas cavernas, localizado no município de São Paulo. Ficaram perdidos
durante 2 meses. Finalmente, os bombeiros alcançaram o lugar onde eles estavam. "A" havia
tirado a vida de "B" e os homens viram "A" sentado ao lado de uma fogueira, tranqüilamente
assando a coxa da perna esquerda de "B". Os bombeiros ficaram horrorizados e "A" foi preso em
flagrante. Processado no Juízo competente, por homicídio doloso simples, alcançou a liberdade
provisória. Acabou pronunciado pelo magistrado, por sentença de pronúncia prolatada há 2 dias.
QUESTÃO: Elabore a peça processual conveniente, em favor de "A" destinando-a à autoridade
judiciária competente.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 117)


Os indivíduos Felício e Roberval, após uma partida de tênis, começaram a discutir. Felício que
estava com a raquete na mão, atingiu de lado e sem muita força a cabeça de Roberval, de
estrutura física inferior à do agressor e mãos desprovidas de qualquer objeto. Roberval
desequilibrou-se e, ao cair ao solo, bateu com a cabeça na guia, vindo a falecer. Felício foi
processado em liberdade perante a 1ª Vara do Júri, por homicídio simples – art. 121, "caput", do
C.P. e pronunciado pelo magistrado, ao entendimento de que houve dolo eventual, pois o
acusado teria assumido o risco de produzir o resultado, ao golpear Roberval com a raquete. A
sentença de pronúncia foi prolatada há dois dias.
QUESTÃO: Na condição de advogado de Felício, elabore a peça adequada à sua defesa.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 123 - ADAPTADO)


João Alves dos Santos, vítima de estelionato, atuara no processo por seu advogado, como
assistente do Ministério Público e apelou de sentença condenatória que, em 05.12.2008,
condenara Antonio Aparecido Almeida às penas mínimas de 1 (um) ano de reclusão e dez dias-
multa, pleiteando aumento da pena porque o condenado era reincidente. O juiz não admitiu a
apelação porque, no seu entendimento, não pode o ofendido apelar de sentença condenatória para
pleitear aumento de pena.
QUESTÃO: Verifique a medida cabível e, de forma fundamentada, apresente a peça adequada,
postulando, como advogado, o que for de interesse de João Alves dos Santos.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 125)


João foi acusado pelo Ministério Público de praticar homicídio qualificado por motivo fútil
porque disparou tiros que atingiram Pedro, seu amigo, e causaram-lhe a morte, assim agindo
porque este cuspira, em brincadeira, no seu rosto. Na decisão de pronúncia, o juiz, além de
admitir a qualificadora do motivo fútil, acrescentou, ainda, a qualificadora da traição porque,
segundo a prova colhida, João mentira para Pedro, convidando-o para almoçar em sua casa e,
aproveitando-se de momento em que ele estava sentado à mesa, atingiu-o pelas costas.
QUESTÃO: Como advogado de João, verifique o que pode ser feito em sua defesa e, de forma
fundamentada, postule o que for de seu interesse por meio de peça adequada.

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PROBLEMA 6 (OAB/SP 127 - ADAPTADO)
João, em 5.1.2008, foi denunciado pelo crime de homicídio duplamente qualificado: por motivo
fútil (discussão anterior por dívida de jogo) e por uso de recurso que impossibilitou a defesa (a
surpresa com que agiu). Procurado para ser citado, João não foi encontrado, realizando-se a sua
citação por edital e sendo declarada a sua revelia. Foi-lhe nomeado Defensor Dativo, que
apresentou a defesa prévia. Durante a instrução foram ouvidas duas testemunhas. A primeira,
arrolada pela acusação, afirmou ter visto quando João, por ela reconhecido fotograficamente na
audiência, surgiu de repente e logo desferiu disparos em direção à vitima Antonio, causando-lhe
a morte, tendo sabido pela esposa da vítima que o motivo era discussão anterior em virtude de
dívida. A segunda testemunha, arrolada pela defesa, afirmou que conhecia João há muito tempo,
sabendo que, na data do fato, ele não estava no Brasil e, por isso, não podia ser o autor dos
disparos. Oferecidas as alegações pelas partes, João foi pronunciado por homicídio duplamente
qualificado, nos termos da denúncia, sob o fundamento de que o depoimento da testemunha da
acusação, por ser ela presencial, merece crédito, além do que, em caso de dúvida, deve o acusado
ser pronunciado, já que, nessa fase processual, vigora o princípio in dubio pro societate. João,
intimado da decisão, deu ciência ao seu advogado.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 7 (OAB/SP 131 - ADAPTADO)


João foi denunciado criminalmente por, supostamente, ter causado a morte de Josefa, funcionária
da OAB/SP. Segundo a denúncia, o acusado, em atividade típica de grupo de extermínio, após
diversas discussões e ameaças à funcionária, a qual, segundo consta, não o teria tratado
adequadamente, aguardou a saída de Josefa de seu local de trabalho para outro prédio da OAB,
onde iria despachar outros processos, momento em que lhe deferiu disparos de arma de fogo que
a levaram a óbito. Recebida a denúncia, o réu alegou que não se encontrava, no dia dos fatos, em
São Paulo. Alegou, também, que uma simples discussão não seria motivo para um homicídio.
Mesmo apresentando testemunhas que o teriam visto em outro local, naquela hora, e mesmo não
tendo sido encontrada a arma do crime, o réu foi pronunciado como incurso no art.121, §2.º, II,
IV, CP, já que, pelo princípio in dúbio pro societate, deveria caber aos jurados a avaliação quanto
à culpa ou inocência de João.
QUESTÃO: Como defensor de João, redija a peça mais adequada para sua defesa.

PROBLEMA 8 (OAB/SP 132)


Luiz, no período do Carnaval, decide ir com seus amigos a seu sítio perto de Itu, com o intuito de
descansar do “stress” da cidade. Na quarta-feira de cinzas, Luiz decide ir até a cidade de Itu a fim
de comprar cerveja, vez que realizariam pescaria no período da tarde. No trajeto até a cidade,
Luiz, por meio de veículo automotor, realiza ultrapassagem em veículo que transitava no mesmo
sentido, conduzindo o veículo em velocidade compatível com o local. Entretanto, Luiz não havia
ligado a seta no instante da ultrapassagem, momento em que veio a colidir com um motociclista
que, sem capacete, vinha conduzindo em alta velocidade, no sentido oposto, vindo o condutor da
motocicleta a falecer, em virtude da colisão com o carro de Luiz. Instaurado o Inquérito Policial
por crime de homicídio culposo, decide o Promotor de Justiça denunciar Luiz por homicídio
doloso na modalidade de dolo eventual, argumentando que ele, por não ter dado a seta para a
ultrapassagem, assumiu o risco do resultado da morte do motociclista. Após a instrução
probatória, o Juiz decidiu pronunciar Luiz por crime doloso na modalidade eventual,
encaminhando os autos para a Vara do Júri de Itu para o respectivo julgamento, já tendo sido
expedida a intimação da decisão de pronúncia ao defensor de Luiz.
QUESTÃO: Como advogado de Luiz, interponha a peça pertinente.

PROBLEMA 9 (OAB/SP 133)

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João e Mário, juntos, ingressaram, no dia 20 de janeiro de 2007, na residência de Pedro, com a
intenção de subtrair coisas que nela encontrassem. Os dois eram empregados de Pedro e este não
estava efetuando os pagamentos de seus salários. Pretendiam, assim, com o que subtraíssem,
receber o que lhes era devido. Quando estavam no interior da casa, antes que tivessem começado
a subtrair qualquer coisa, Pedro, com um revólver, desferiu disparos contra os dois, vindo a
atingi-los e causar-lhes a morte. Os dois não traziam consigo nenhuma arma. Ele próprio chamou
a polícia e solicitou uma ambulância. Chegou a ser preso, mas foi liberado. Foi acusado, por
denúncia do Ministério Público, de duplo homicídio qualificado pela surpresa, recurso que
impossibilitou a defesa das vítimas, e, por motivo torpe, vingança, porque as vítimas queriam
subtrair bens como forma de receberem seus salários e, ainda, por guardar em sua residência
arma não registrada e sem autorização regular. Ouvido, confessou o crime, mas disse que não
sabia que as vítimas eram seus empregados, pois, se soubesse, não as teria atingido. Quanto à
arma, disse que, como já havia sido vítima de três roubos anteriormente, a havia adquirido
recentemente e ainda não tivera tempo de registrá-la. As testemunhas de acusação ouvidas foram
os policiais que atenderam a ocorrência. As testemunhas de defesa afirmaram que as vítimas
eram boas pessoas e nunca haviam cometido qualquer crime. O Promotor pediu a pronúncia do
acusado nos termos da denúncia. O advogado apresentou alegações. O Juiz, afirmando que,
nesse momento, prevalece o princípio in dubio pro societate, pronunciou o acusado, acolhendo
integralmente a denúncia. O acusado foi intimado no dia 5 de setembro de 2007 e manifestou
interesse em recorrer.
QUESTÃO: Como Advogado, apresente a peça mais adequada para a defesa do acusado, com os
fundamentos e pedidos.

PROBLEMA 10 (OAB/SP 134)


Em 1.º/2/2008, Mário foi acusado de ter contratado, em 3/1/2008, André para matar Vítor, que
era amante de sua esposa. André foi acusado de ter instalado, em 15/1/2008, uma bomba no
carro de Vítor, para que ela explodisse quando a ignição do veículo fosse ligada. De fato, quando
Vítor acionou o motor do carro, houve uma explosão que o matou. Mário e André foram
apontados como incursos no art. 121, §2.º, I – mediante paga; II – motivo fútil consistente em
ciúmes; III – emprego de explosivo; IV – recurso que impossibilitou a defesa da vítima; c.c. art.
29, caput, do Código Penal. Em 12/2/2008, André faleceu, tendo sido, então, declarada extinta a
sua punibilidade, não tendo ele chegado a ser ouvido, visto que, na fase policial, permanecera em
silêncio. Em interrogatório realizado em 14/2/2008,
Mário negou a contratação e disse viver bem com a esposa.
Foram ouvidos em juízo: o médico legista, que confirmou a morte por explosão; dois policiais
que afirmaram que, como André já era procurado pela polícia, uma interceptação telefônica
autorizada para desvendar outro crime captara, casualmente, conversa entre ele e outra pessoa,
não identificada, supostamente Mário, na qual este negociava com André a morte de uma pessoa,
cujo nome não foi mencionado, tendo sido, na ocasião, marcado encontro entre os dois; e um
perito, o qual declarou que, conforme perícia juntada aos autos, a voz da conversa interceptada
era semelhante à de Mário, embora não fosse possível uma afirmação conclusiva. Da gravação
nada constava sobre a forma de execução do crime. Duas testemunhas, amigos de Vítor,
afirmaram que ele era amante da esposa de Mário. Como testemunhas de defesa foram ouvidos
dois amigos de Mário, que disseram ser este pessoa calma e dedicado pai de família, incapaz de
causar mal a qualquer um, e sua esposa, que negou ter relações com a vítima. Finda a instrução,
as partes apresentaram suas alegações e, em 3/3/2008, o juiz pronunciou Mário pelo art. 121,
§2.º, I, II, III, IV, c.c art. 29, caput, todos do Código Penal, assentando-se na gravação e nos
depoimentos das testemunhas de acusação e afirmando que, na pronúncia, prevalece o princípio
in dubio pro societate. O acusado e seu advogado foram intimados da decisão em 5 de março de
2008.

112
Considerando a situação hipotética descrita, atue na defesa de Mário, como se seu advogado
fosse.

PROBLEMA 11 (OAB/SP 110 - ADAPTADO)


Aurélio, Promotor de Justiça, oferece denúncia contra Agripino, empresário, descrevendo
infração penal tipificada como receptação ocorrida em outubro de 2007. Contudo, esquece-se de
apresentar o rol de testemunhas na peça inicial, além de narrar fato equivocado, fazendo inserir
circunstâncias totalmente divorciadas da realidade, não oferecendo, outrossim, a qualificação do
indiciado. O Magistrado, ao tomar conhecimento do teor da denúncia, rejeita-a, expondo os
motivos para tal. O Promotor de Justiça recorre de tal decisão, expondo os motivos de seu
inconformismo, reiterando que a ação penal deve ser recebida para, ao final da instrução
probatória, ser o réu condenado pelo crime que cometeu. Você, como advogado de Agripino, é
intimado para tomar ciência da decisão do Juiz, bem como do recurso interposto pelo Promotor
de Justiça.
Assim, proponha a peça processual que julgar correta para a defesa de Agripino, justificando
fundamentadamente os argumentos que nela desenvolverá.

PROBLEMA 12 (OAB/MG - Agosto 2006)


No curso de ação penal de iniciativa privada ajuizada por João Henrique contra Edmar Benson,
na Comarca de Perdões/MG, pela prática dos delitos previstos nos artigos 138, 139 e 140 do CP,
o querelante foi devidamente intimado para constituir novo patrono por ter o anterior renunciado
aos poderes que lhe foram outorgados, deixando, no entanto, o querelante de fazê-lo por mais de
trinta dias seguidos.
O advogado do querelado requereu a decretação da perempção e o juiz indeferiu a pretensão ao
argumento de que a suposta omissão não poderia ser caracterizada como inércia ou desídia, pois
independente de ser iniciativa privada, toda ação penal tem interesse público e deve seguir o seu
trâmite até o final com o julgamento do mérito. Em face de tal decisão, atuando como advogado
do querelado, elabore a petição de interposição do recurso e as razões que o acompanha com o
devido e completo encaminhamento.

APELAÇÃO

PROBLEMA 1 (OAB/SP 107)


"A" já cumpriu pena na Penitenciária do Estado de São Paulo pela prática de diversos delitos
patrimoniais, sendo certo que obteve a liberdade definitiva no dia 28 de agosto de 1996. Em
liberdade, "A" locou de "B", para fins comerciais, o imóvel sito à rua "C", nº 100, Centro, São
Paulo, Capital, vencendo o contrato aos 15 de setembro de 1998. No dia 01 de fevereiro de 1997,
por volta das 23:00 horas, "B" passou defronte o imóvel de sua propriedade e notou um
caminhão sendo carregado com telhas, portas e janelas do imóvel, e foi informado de que
aqueles objetos estavam sendo retirados por ordem expressa de "A". Imediatamente "B" acionou
a polícia e após a tramitação do inquérito policial, "A" foi denunciado por furto agravado. O juiz
da 28ª Vara Criminal da Capital julgou procedente a ação penal, condenando "A", por violação
do artigo 155, § 1º, do Código Penal, a pena de 2 (dois) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, em
regime fechado, sem direito a apelar em liberdade. O mandado de prisão já foi cumprido e "A"
está preso na Casa de Detenção de São Paulo. O magistrado não acolheu a alegação de "A" no
sentido de que na condição de inquilino estava apenas reparando o imóvel de que tinha a posse
em razão de contrato em vigor. Entendeu o magistrado que, pelos antecedentes ostentados, "A"
não poderia estar fazendo outra coisa senão praticando o furto descrito na denúncia. O Advogado
de "A" foi intimado da respeitável sentença na data de ontem.

113
QUESTÃO: Como advogado(a) de "A", adote a medida judicial cabível, apresentando em
separado a justificativa.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 108)


Aurélio, em sede de inquérito policial, reservou-se o direito de permanecer calado. Na fase
judicial, foi condenado como incurso no art. 157, § 2º, incisos I e II, c.c. o art. 14, inciso II, do
Código Penal, às penas de 01 ano, 09 meses e 10 dias de reclusão e 04 dias-multa. Embora
frágeis as provas produzidas, o MM. Juízo da 15ª Vara Criminal Central da Comarca da Capital
fundamentou a decisão na presunção de culpa, pelo silêncio de Aurélio na fase policial. A
sentença foi publicada há cinco dias.
QUESTÃO: Como advogado de Aurélio, adote a medida judicial cabível, justificando-a.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 108)


Gaio foi denunciado como incurso no art. 121, § 2º, inciso II, c.c. o art. 29, todos do Código
Penal. Em Plenário, sustentou a Defesa, dentre outras, a tese da ausência do “animus necandi”.
Os Jurados, por significativa maioria de votos, rejeitaram todas, sendo certo que não foi
formulado quesito acerca da referida tese defensiva, fato que não foi objeto de reclamação na
oportunidade. A sentença, proferida no julgamento realizado há três dias, condenou Gaio a
cumprir a pena de 12 anos de reclusão, em regime fechado.
QUESTÃO: Como advogado de Gaio, ajuíze a providência judicial adequada, justificando-a.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 113)


O cidadão "A", em São Paulo, Capital, comprou do comerciante "B" um sofá de couro, no valor
de R$ 3.000,00. A compra foi efetuada no dia 10 de março de 1999, sendo que o comprador
pediu ao comerciante que apenas apresentasse o cheque no dia 30 do mesmo mês. O pedido foi
aceito e ficou consignado no verso da cártula. Porém, o acordo não foi cumprido e o cheque
referido voltou sem fundos, tanto na primeira vez em que foi apresentado quanto na posterior.
Por causa desses fatos, o cidadão "A" foi denunciado e processado, pelo artigo 171, parágrafo 2º,
inciso VI do Código Penal e restou condenado à pena de 1 ano e 8 meses de reclusão com
"sursis". O réu recusou a suspensão do processo, prevista no artigo 89 da Lei 9.099/95, no
momento procedimental oportuno. A respeitável sentença foi prolatada hoje.
QUESTÃO: Produzir a peça adequada na espécie, em favor de "A", perante o Órgão Judiciário
competente.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 114) "A" foi condenado a pena de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez)
dias-multa pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Capital, que o considerou incurso no artigo 333, do
Código Penal. Não havia aceito a aplicação da Lei Federal 9.099/95 e persiste no mesmo sentido,
daí ter o juiz concedido o "sursis". No qüinqüídio legal, o Ministério Púbico não recorreu e a
defesa de "A", sim. Consta da sentença condenatória que "...embora o réu apenas tenha
aquiescido ao insistente pedido do funcionário público e lhe dado R$ 100,00 (cem reais) para
retardar ato de ofício, a condenação seria de rigor em razão da crescente onda de corrupção que
não é tolerada pela sociedade. Mesmo que o réu tenha se sentido coagido, o que ficou bem
demonstrado nos autos, o fato é que se viu favorecido, o que também justificava a condenação."
QUESTÃO: Como advogado constituído por "A" e hoje intimado, dê continuidade ao recurso
interposto.

PROBLEMA 6 (OAB/SP 116)


Onesto de Abreu, agente de polícia federal, foi denunciado pelo Ministério Público Federal como
incurso no art. 317 do Código Penal, porque teria aceitado de Inocêncio da Silva, a quantia de R$
5.000,00 (cinco mil reais) a fim de não autuá-lo em flagrante delito por porte de substância
entorpecente. Inocêncio da Silva, por sua vez, também foi denunciado, nos mesmos autos, como

114
incurso no art. 333 do Código Penal, por ter pago a Onesto de Abreu a quantia já referida. Desde
a fase de inquérito policial, ambos os acusados negam a autoria que lhes foi imputada pela
acusação, mantendo a negativa no interrogatório judicial. Na instrução criminal, duas
testemunhas arroladas pela Promotoria, que se encontravam no dia dos fatos no Departamento de
Polícia, alegaram que ouviram os acusados conversando sobre um possível acordo, sem,
contudo, presenciarem a efetiva transação. Nenhuma outra prova foi produzida pelo Ministério
Público. A defesa, por sua vez, provou que Onesto tem incólume vida profissional.
Concomitantemente à ação penal, Onesto de Abreu respondeu a um procedimento administrativo
que resultou em sua demissão do serviço público. Encerrada a instrução, Onesto de Abreu foi
absolvido com fundamento no artigo 386, inciso VII do Código de Processo Penal.
QUESTÃO: Na condição de Advogado de Onesto de Abreu, tome a providência judicial cabível.

PROBLEMA 7 (OAB/SP 121)


Xisto e Peter combinaram entre si a prática de furto qualificado, consistente na subtração,
mediante arrombamento, do toca-fitas de veículo estacionado na via pública. Ao iniciarem o
furto, aparece o dono do veículo. Xisto sai correndo, enquanto Peter enfrenta a vítima e, usando
de uma arma de fogo que portava, o que não era do conhecimento de Xisto, vem a matar a
vítima. A sentença condenatória do MM. Juiz de Direito da 5.ª Vara Criminal da Capital aplicou
a pena de 20 anos a cada um dos acusados. Os advogados foram intimados da decisão há dois
dias.
QUESTÃO: Na qualidade de defensor de Xisto, apresentar a peça jurídica competente.

PROBLEMA 8 (OAB/SP 123)


João Alves dos Santos foi condenado, no dia 05.01.2004, por apropriação indébita porque, como
marceneiro, recebera, no dia 06.02.2002, importância de seu cliente, Antonio Aparecido
Almeida, como pagamento adiantado pelos serviços que prestaria em sua residência. Entendeu o
Magistrado que João cometera o crime porque ficou com o valor recebido, não executando os
trabalhos pelos quais foi contratado. Ele e seu advogado foram intimados da sentença
condenatória, no dia 20.05.04.
QUESTÃO: Como advogado de João, verifique a medida cabível e, de forma fundamentada,
postule o que for de seu interesse por meio de peça adequada.

PROBLEMA 9 (OAB/SP 124)


João foi condenado porque ele e Pedro, no dia 01.02.2004 ingressaram na residência de Antônio,
com a intenção de subtrair bens a este pertencentes, e, em virtude da resistência do morador,
desferiram-lhe tiros que vieram a causar lhe a morte. Um dos tiros atingiu o comparsa, Pedro,
que faleceu. João, temeroso, fugiu sem nada subtrair. O juiz, em razão dos fatos, condenou João,
como incurso duas vezes em concurso material, às penas do art. 157, § 3. °, segunda parte, do
Código Penal, num total de 40 (quarenta) anos de pena privativa de liberdade e 20 (vinte) dias
multa, fixadas no mínimo legal, e ao regime integralmente fechado, para o seu cumprimento.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa

PROBLEMA 10 (OAB/SP 125)


João foi acusado de ter subtraído, no dia 5 de janeiro de 2003, vinte mil dólares de seu pai,
Fábio, com cinqüenta e oito anos de idade. Houve proposta de suspensão condicional do
processo, não aceita pelo acusado. Ouvidas duas testemunhas de acusação, disseram que,
realmente, houve a subtração, por elas presenciada. O pai, vítima, confirmou o fato e a
propriedade dos dólares. Por outro lado, o acusado e duas testemunhas de defesa afirmaram que
os dólares não pertenciam ao pai do acusado, mas à sua mãe, que, antes de falecer, os dera para o
filho. Não foi juntada prova documental a respeito da propriedade do dinheiro. O juiz, no dia 4
de janeiro de 2005, condenou João pelo crime de furto simples às penas de 1 (um) ano de

115
reclusão e 10 dias-multa, no valor mínimo, substituindo a pena de reclusão pela restritiva de
direitos consistente em prestação de serviços à comunidade.
QUESTÃO: Como advogado de João, verifique o que pode ser feito em sua defesa e, de forma
fundamentada, postule o que for de seu interesse por meio de peça adequada.

PROBLEMA 11 (OAB/SP 126)


João, casado com Semprônia, foi denunciado como incurso nas penas dos arts. 213, “caput”, e
217 do Código Penal, cada um deles combinado com o art. 226, inciso III, do mesmo diploma
legal, em concurso material. Segundo a denúncia, João namorou Caia, virgem, de 15 anos de
idade, por vários meses durante o primeiro semestre de 2004 e, aproveitando-se de sua
inexperiência e iludindo-a com promessa de casamento, seduziu-a, conseguindo manter relações
sexuais com ela. Ainda, aproveitando-se do fato de freqüentar a casa de Caia, em dia não
esclarecido do mês de junho de 2004, mediante violência, João constrangeu a irmã de sua
namorada, de nome Tícia, de 21 anos de idade, a manter com ele conjunção carnal, vindo a
vítima a sofrer lesões corporais de natureza leve. Na delegacia, Tícia, em relação ao fato de que
foi vítima, e seus pais, quanto ao fato em que Caia foi vítima, apresentaram representação e
comprovaram ser pessoas pobres. Foram ouvidos o acusado, que negou os fatos, e Caia, que
confirmou ter sido vítima de sedução e afirmou ter sua irmã sido vítima de estupro. Tícia não foi
localizada. João foi condenado pelo crime do art. 217 à pena de 2 (dois) anos de reclusão,
aumentado de ¼ em face da incidência do art. 226, III, do Código Penal, totalizando a pena de 2
(dois) anos e 6 (seis) meses de reclusão. Foi também condenado pelo crime do art. 213, “caput”,
do Código Penal à pena de 6 (seis) anos, aumentada de quarta parte, totalizando a pena de 7
(sete) anos e 6 (seis) meses de reclusão. Foi fixado como regime de pena o integralmente
fechado, em razão de ser hediondo o crime de estupro. O acusado foi intimado da sentença no
dia 04.05.05 e o advogado foi intimado no dia 19.05.05.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 12 (OAB/SP 126 - ADAPTADO)


João foi condenado por crime de roubo qualificado pelo emprego de arma às penas de 5 (cinco)
anos e 4 (quatro) meses de reclusão e multa, fixada em seus patamares mínimos. Levou o juiz em
conta na aplicação da pena mínima, entre outras circunstâncias, a atenuante da menoridade
prevista no art. 65, I, do Código Penal, bem como o fato de o prejuízo sofrido pela vítima ter sido
de pequena monta. O processo foi anulado em sede de revisão criminal por vício de citação.
Renovada a instrução, apurou-se que o acusado era, na verdade, maior de 21 (vinte e um) anos à
época do fato e que o prejuízo da vítima era bem mais elevado do que o inicialmente apurado. O
juiz proferiu sentença condenando João às penas de 6 (seis) anos e 6 (seis) meses de reclusão e
10 dias-multa, sendo o valor de cada dia-multa fixado em um trigésimo do salário mínimo
vigente. O juiz fixou a pena privativa de liberdade acima do mínimo, em uma única operação,
em face das conseqüências graves do crime e, ainda, porque se provou ser o réu reincidente e não
lhe beneficiar nenhuma atenuante.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 13 (OAB/SP 128 - ADAPTADO)


José foi denunciado como incurso no art. 155, § 4o, incisos I e II, do Código Penal. Segundo a
acusação, José, em 5 de agosto de 2007, por volta das 22 horas, invadiu casa localizada na rua
Coronel Pereira Vaz, no 85, São Paulo – Capital, de propriedade e residência de Armando
Paixão, mediante a transposição de um muro de 80 centímetros de altura. Na garagem,
percebendo que o portão estava apenas encostado, sem estar trancado, segundo a denúncia, José
resolveu furtar o veículo de Armando ali estacionado. Para tanto, quebrou o vidro lateral do
veículo e ingressou em seu interior, evadindo-se do local com o carro. O veículo foi encontrado,
no dia seguinte, na garagem do prédio em que José reside. Em juízo, José negou o crime em seu

116
interrogatório, afirmando que, a pedido de um conhecido, de nome Pedrinho, deixou que este
estacionasse o veículo em sua vaga de garagem, pois esta estava disponível, nada tendo a ver
com a subtração. Que, após este dia, não encontrou mais Pedrinho. A vítima, ao ser ouvida,
confirmou a subtração. Carlos, vizinho da vítima, confirmando reconhecimento feito durante o
inquérito policial, afirmou que José foi visto por ele, saindo com o veículo. Em suas alegações
finais, a defesa sustentou que José apenas consentiu que Pedrinho guardasse o carro. Quanto ao
reconhecimento feito pelo vizinho, alegou que José é pessoa de fisionomia bastante comum e
que, certamente, fora confundido. Afirmou, ainda, que o fato ocorreu à noite, o que dificultava a
visualização do condutor do veículo.
O MM. Juiz da 23a Vara Criminal da comarca da Capital julgou procedente a acusação e
condenou José pelo crime de furto duplamente qualificado (escalada e rompimento de
obstáculo). Quanto à aplicação da pena, na primeira fase, o juiz, com base no art. 59 do Código
Penal, fixou a pena em 3 (três) anos de reclusão, acima do mínimo legal, porque eram duas as
qualificadoras do furto, fato que demonstraria dolo intenso do agente. A pena de multa foi fixada
no mínimo legal. Para o cumprimento da pena, determinou o regime aberto, substituindo a pena
privativa de liberdade por duas restritivas de direito, consistentes em prestação de serviços à
comunidade e multa. José foi intimado da sentença no dia 16 de fevereiro e o advogado foi
intimado no dia 17 de fevereiro de 2008. QUESTÃO: Como advogado de José, redija a peça
processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 14 (OAB/SP 130)


João foi processado e condenado por homicídio duplamente qualificado à pena de 19 (dezenove)
anos de reclusão. Conforme a denúncia e a pronúncia, houve motivo fútil porque o crime foi
praticado em razão de uma simples desavença em virtude de uma dívida de jogo no valor de R$
200,00 (duzentos reais) e, também, houve utilização de recurso que impossibilitou a defesa
consistente em surpresa porque os tiros foram desferidos logo após rápida discussão sobre a
dívida, quando a vítima, Antonio, chegou na casa de João, chamada por este. Não houve
testemunhas presenciais. A denúncia foi baseada em depoimento de Maria, namorada de
Antonio, a qual afirmou que conversou com a vítima sobre a desavença antes de sua morte.
Contudo, Maria desapareceu e não foi ouvida na fase processual. João negou a autoria na polícia
e em juízo. Foram ouvidos no processo dois policiais militares que afirmaram terem atendido à
vítima e visto quando ela conversava com a namorada, Maria, mas disseram que não chegaram a
conversar com a vítima ou com sua namorada. A arma não foi encontrada. A morte foi
demonstrada por laudo pericial. Indagados, os jurados responderam: a) por quatro votos a três,
que João desferiu os tiros na vítima Antonio, causando-lhe ferimentos; b) por cinco votos a dois,
que os ferimentos resultantes dos tiros causaram a morte de Antonio; c) por seis votos a um, que
João agiu por motivo fútil; d) por seis votos a um, que João usou de recurso que impossibilitou a
defesa de Antonio; e) por sete votos a zero, que inexistia circunstância atenuante em favor de
João. O advogado impugnou os quesitos sobre as qualificadoras, argumentando que foram
redigidos de forma singela, sem especificação do motivo fútil ou do recurso que impossibilitou a
defesa, não sendo a impugnação aceita pelo juiz. O Promotor de Justiça não apresentou a réplica.
O advogado, com base no princípio constitucional da plenitude da defesa, quis apresentar a
tréplica, sendo impedido pelo magistrado, o qual entendeu que não há tréplica sem réplica. A
sentença condenatória foi lida em plenário. No dia seguinte, 15.09.2006, o advogado recorreu.
QUESTÃO: Como advogado, indique os fundamentos do recurso e apresente as suas razões.

PROBLEMA 15 (OAB/SP 131)


João foi processado perante a ____ Vara Criminal da Capital por, supostamente, em 10.02.06,
ter, mediante violência, levado para sua casa, Maria, dançarina da casa noturna “Noites de
Prazer”, com fins libidinosos. Em seu interrogatório, afirmou, primeiramente, não ser Maria
pessoa honesta. Por outro lado, asseverou ter convidado a moça para sua casa, no que esta teria

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concordado, mediante remuneração pecuniária. Alegou, ainda, que, em momento posterior,
ambos discutiram sobre o valor a ser pago, tendo, Maria, saído revoltada e dizendo que iria se
vingar. Testemunhas foram apresentadas, asseverando terem se encontrado, na mesma noite e na
mesma casa noturna, com Maria, após sua saída com João. Em 20.01.07, João foi condenado a
uma pena de 2 anos de reclusão, sob a alegação de que teria ele, de qualquer forma, retido, com
fins libidinosos, Maria, contra a vontade desta.
QUESTÃO: Como advogado de João, escolha o melhor meio para sua defesa. Redija a peça.

PROBLEMA 16 (OAB/SP 134)


Em 1.º/3/2001, quando tinha dezenove anos de idade, Renato foi denunciado por roubo com
emprego de arma (art. 157, §2.º, I, do Código Penal). A denúncia foi recebida em 4/3/2002 e
Renato foi interrogado no dia 11/3/2002, tendo, no dia 12/3/2002, apresentado defesa prévia, na
qual foram arroladas cinco testemunhas suas e três que constavam da denúncia. Na audiência de
oitiva de testemunhas da acusação, foram ouvidas sete delas, tendo o Ministério Público
desistido de uma, também arrolada pela defesa. Cinco das testemunhas ouvidas afirmaram que
souberam do roubo, mas não o presenciaram, nem conheciam o acusado. Duas outras disseram
ter visto uma pessoa semelhante a Renato cometer o crime. A vítima o reconheceu. Foram
ouvidas cinco das testemunhas arroladas pela defesa, tendo todas elas somente feito referência à
boa personalidade e ao bom comportamento de Renato. O juiz dispensou as últimas testemunhas
da defesa, duas que já haviam sido ouvidas como testemunhas da acusação e uma que não mais
deveria ser ouvida ante a desistência do Ministério Público e, ainda, em razão de não ter
comparecido, tendo ficado clara a intenção da defesa em procrastinar o encerramento do
processo. Na audiência, o advogado manifestou sua inconformidade, solicitando a inquirição da
testemunha e se comprometendo a levá-la, independentemente de intimação. O juiz não atendeu
ao seu pleito. Na fase prevista no art. 402 do Código de Processo Penal, o Ministério Público
nada requereu, enquanto a defesa insistiu na oitiva da testemunha, afirmando ser importante para
a prova, contudo o juiz indeferiu o pedido e reiterou o seu entendimento. Em alegações finais, o
Ministério Público pleiteou a condenação, ao passo que a defesa, em preliminar, novamente
postulou a oitiva da testemunha e, no mérito, pediu absolvição. Na sentença, publicada em
10/8/2007, o juiz rejeitou a preliminar da defesa e condenou Renato, fixando, respectivamente, a
pena-base no mínimo legal — 4 anos de reclusão e 10 dias-multa —, e cada dia-multa, em um
trigésimo do salário mínimo, tendo acrescentado 1/3 pela causa de aumento, o que resultou na
pena de 5 anos e 4 meses de reclusão e 13 dias-multa. O acusado e seu advogado foram
intimados da decisão em 5 de março de 2008.
Considerando a situação hipotética descrita, atue na defesa de Renato, como se seu advogado
fosse.

PROBLEMA 17 (OAB/SP 111)


O Promotor de Justiça, quando da apresentação de alegações finais, em ação penal pública
incondicionada, conclui pela inocência do réu, e postula a sua absolvição. O Magistrado, ao
analisar os autos, profere sentença absolutória, acolhendo o pleito ministerial. Na ocasião da
intimação da sentença, em virtude de férias do subscritor das alegações finais, outro membro do
Ministério Público entende diferentemente do seu colega e do Juiz, considerando que a sentença
deve ser reformada. Assim, interpõe recurso, alegando ter independência funcional consagrada
na Carta Magna, afirmando que, por ser ação penal pública incondicionada, o Promotor que o
antecedeu, jamais poderia ter pleiteado a absolvição, mas tão-somente a condenação. Pugna,
outrossim, pela condenação do acusado nos termos do art. 171 do Código Penal (estelionato
consumado), aduzindo a presença de todos os elementos do tipo penal na conduta descrita na
denúncia, e o réu teria agido com culpa presumida, ainda que não tivesse obtido a vantagem
ilícita em prejuízo alheio.
QUESTÃO: Como advogado(a) do réu, formule a peça processual que julgar oportuna

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PROBLEMA 18 (OAB/MG – Abril 2006)
Jorge Mattos, funcionário público estadual, conhecido por seus amigos como excelente
motorista, no dia 25 de novembro de 2005, dirigia seu veículo esportivo pela Av. do Contorno a
100 Km/h durante a madrugada, sem permissão ou habilitação para direção de veículo
automotor, quando, ao ultrapassar um semáforo vermelho, colidiu com outro veículo, vindo a
lesionar Anabella de Castro, que ficou paralítica. Imediatamente, uma pessoa no local acionou o
SAMU, que prestou atendimento à vítima, encaminhando-a ao Hospital de Pronto-socorro. Antes
da chegada da Polícia Militar, Jorge ausentou-se do local dos fatos, deixando o número da placa
de seu veículo com o motorista da ambulância do SAMU.
A Polícia lavrou um TCO, oportunidade em que foi requisitado o exame pericial, capitulando o
fato nos artigos 303, 305 e 309 do Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), sendo
distribuído ao Juizado Especial Criminal de Belo Horizonte e designada audiência preliminar. As
partes foram intimadas sendo que apenas Jorge compareceu. O Promotor de justiça ofereceu
proposta de transação, sendo prontamente recusada pelo autor do fato. Denunciado pelos fatos
acima narrados como incurso nas sanções dos artigos 303, 305 e 309 do Código de Trânsito
Brasileiro, foi regularmente citado, apresentou defesa prévia.
Na audiência de instrução e julgamento, ocorrida em 28 de abril de 2006, o promotor solicitou o
adiamento da audiência pois a vítima não tinha comparecido ao fato o que foi negado pelo juiz
ante a demonstração de que esta foi regularmente intimada da audiência preliminar, bem como
da presente audiência. Logo após foram ouvidas as testemunhas, os policiais militares que
participaram da ocorrência policial e duas testemunhas do acusado para comprovar seus
antecedentes, e o acusado foi interrogado. Em seu interrogatório, o acusado narrou o fato,
ressaltando que a vítima se encontrava atravessando a avenida em um local em curva, distante da
faixa de pedestre e que ela parecia estar embriagada. Também justificou sua saída do local do
acidente, pois estava ermo o local, era de madrugada, que a pessoa que tinha chamado o SAMU
foi imediatamente embora, que entregou ao enfermeiro um papel com o número da placa, pelo
qual a polícia o localizou , que não possui mesmo habilitação para conduzir veículos
automotores. As alegações finais foram feitas oralmente pelo MP e defensor público, tendo o juiz
proferido sentença em audiência, cientificando as partes.
Na sentença o juiz dispensou o relatório, sustentado no TCO e no depoimento dos policiais,
condenou o réu pelos crimes previstos nos artigos 303, 305 e 309 do CTB, em concurso material,
a pena privativa de liberdade de 2 anos de detenção, substituída por uma pena restritiva de
direitos, consistente na prestação de serviço à comunidade por igual prazo.
Você foi contratado, hoje, por Jorge para assumir a causa. Produza a peça processual cabível
com o seu completo encaminhamento.

PROBLEMA 19 (OAB/MG – Dezembro 2006)


Pafúncio Augusto foi preso em flagrante delito. Consta da denúncia que o co-réu (Confúcio
Henrique) invadiu uma Agência da Caixa Econômica Federal (CEF) no Bairro do Santo
Agostinho (em Belo Horizonte – MG), após o expediente bancário. Com o uso de uma arma de
fogo (de numeração raspada e sem registro adequado), ele ameaçou o gerente e os seguranças da
instituição. Subtraiu R$ 50.000,00 de dentro do cofre da agência.
Consta, ainda, que Pafúncio Augusto teria ficado dentro do seu veículo, ao lado do local do
crime, de forma a oferecer ao co-réu um meio seguro de fuga. Os Policiais Militares, convocados
para a diligência, perseguiram os dois acusados, conseguindo efetivar a prisão em flagrante de
ambos minutos depois de uma perseguição ininterrupta.
Foram pegos com os dois acusados a arma usada por Confúcio Henrique e todos os valores
subtraídos da Agência da CEF.

119
O Ministério Público ajuizou ação penal em desfavor dos dois co-réus. De acordo com os termos
da denúncia oferecida, eles teriam infringido as normas penais anotadas nos arts. 157, § 1°, I e II,
do Código Penal, e 16 da Lei 10.826/03.
Denúncia recebida pelo Juiz Competente. Em seu Interrogatório, Pafúncio Augusto negou a
prática dos delitos a ele imputados na inicial acusatória. Afirmou que Confúncio Henrique, um
conhecido antigo, apenas lhe pedira uma carona para depositar determinados valores no caixa
automático da CEF. Anunciou, ainda, que não sabia da intenção delituosa do co-réu, somente
tomando consciência do crime quando, por vontade própria, deu fuga àquele outro. Tomou
ciência da arma de fogo, também, apenas durante a fuga.
Defesa Prévia apresentada. Audiência de Instrução realizada, na qual foram ouvidas as
testemunhas arroladas pelas partes. Como as testemunhas (gerente e seguranças) não saíram de
dentro da CEF, não conseguiram reconhecer Pafúncio Augusto como sendo o autor do delito.
Apenas os Policiais Militares o reconheceram como sendo a pessoa presa na perseguição
realizada.
Na fase do art. 402 CPP, o MP requereu a juntada da CAC e da FAC dos acusados. Pafúncio
Augusto era primário e de bons antecedentes. A defesa, a seu turno nada requereu. Não foi
juntada, nos autos, a perícia oficial, com o exame de perfeito funcionamento da arma de fogo
apreendida.
Alegações Finais do Ministério Público e da Defesa foram apresentadas devidamente.
A sentença foi publicada. Não houve prescrição, entendendo o Magistrado por condenar os co-
réus de acordo com a denúncia apresentada: arts. 157, § 1°, I e II, do Código Penal, e 16 da Lei
10.826/03. Como Pafúncio Augusto era primário e de bons antecedentes, a pena foi fixada no
mínimo legal: 5 anos e 4 meses para o roubo com as majorantes e 3 anos para o porte ilegal de
arma. Totalizou-se 8 anos e 4 meses de reclusão, em pena a ser inicialmente cumprida em regime
fechado, além do pagamento do valor equivalente a 15 (quinze) dias-multa, fixados a unidade de
1/30 (um trigésimo) do salário mínimo.
Não se conformando com a decisão do Magistrado, Pafúncio Augusto recorreu tempestivamente
da sentença, constituindo-o para elaborar as razões recursais. Assim, elabore-as, com o devido e
completo encaminhamento, arguindo toda a matéria pertinente.

PROBLEMA 20 (OAB/MT 2007.2)


O Ministério Público ofereceu denúncia contra Pedro Antunes Rodrigues, por infração prevista
no art. 121, caput, c/c o art. 14, inciso II, e art. 61, inciso II, alínea e, todos do Código Penal.
Conforme a inicial acusatória, no dia 2 de novembro de 2006, por volta das 15 horas, na quadra
5, em via pública, na localidade de Planaltina – DF, o denunciado, fazendo uso de uma pistola,
da marca Taurus, calibre 380, semi-automática, com capacidade para doze cartuchos, conforme
laudo de exame em arma de fogo, efetuou um disparo contra seu irmão Alberto Antunes
Rodrigues, na tentativa de matá-lo, causando-lhe lesões no peito, do lado esquerdo. O delito de
homicídio não se consumou por circunstâncias alheias à sua vontade, sendo evitado porque a
vítima recebeu pronto atendimento médico.
O que motivou o fato, conforme a exordial, foi a divisão de uma área de terras oriunda de
herança. Narra a denúncia que Pedro Antunes Rodrigues disse à vítima, na véspera dos fatos, que
“a fazenda seria sua de qualquer jeito, nem que, para isso, tivesse que matar o próprio irmão”.
Ao ser interrogado, o réu admitiu que teria dito ao seu irmão, um dia antes do crime, exatamente
as palavras narradas na denúncia.
Durante a instrução do feito, a acusação apresentou testemunhas não-presenciais. A defesa, por
seu turno, arrolou Catarina Andrade, que informou que, depois de efetuar um único disparo de
arma de fogo contra a vítima, Pedro Antunes Rodrigues absteve-se, voluntariamente, de reiterar
atos agressivos à integridade física da vítima e, ato contínuo, retirou-se, caminhando, do local
onde ocorreram os fatos.

120
Consta nos autos informação da polícia técnica de que na arma, apreendida imediatamente após
o crime, havia 7 cartuchos intactos. E, ainda, que Pedro não possui antecedentes penais.
Conforme o laudo de exame de corpo de delito (lesões corporais), a vítima foi atingida no lado
esquerdo do peito, tendo o projétil transfixado o coração, do que resultou perigo de vida. Em
razão da lesão sofrida, Alberto ficou 40 dias sem exercer suas atividades normais.
Sobreveio, então, sentença que pronunciou o réu nos termos da denúncia.
Submetido a julgamento pelo tribunal do júri, o réu foi condenado a 5 anos de reclusão, em
regime semi-aberto, conforme o disposto no art. 121, caput, c/c o art. 14, inciso II, e art. 61,
inciso II, alínea e, todos do Código Penal.

Considerando essa situação hipotética, redija, na qualidade de advogado de Pedro Antunes


Rodrigues, a peça processual que não seja o habeas corpus, privativa de advogado, pertinente à
sua defesa, incluindo a fundamentação legal.

PROBLEMA 21 (OAB/SP 112)


Cleóbulo, soldado da Polícia Militar, após cumprir seu turno de trabalho, dirigindo-se para o
ponto de ônibus, deparou-se com um estranho grupo de pessoas em volta de um veículo,
percebendo que ali ocorria um roubo e que um dos elementos mantinha uma senhora sob a mira
de um revólver. Aproximando-se por trás do meliante, sem ser notado, desferiu-lhe quatro tiros
com sua arma particular, vindo este a falecer no local. Os outros dois elementos que
participavam do roubo evadiram-se.
Cleóbulo foi processado e, a final, absolvido sumariamente em primeiro grau, pois a r. decisão
judicial reconheceu que o policial agira no cumprimento do dever de polícia (artigo 23, inciso
III, 1ª parte, Código Penal).
Inconformado, o Ministério Público recorreu pleiteando a reforma da r. decisão. Para tanto alega,
em síntese, que o policial estava fora de serviço e que houve excesso no revide, eis que Cleóbulo,
disparando quatro tiros do seu revólver, praticamente descarregou-o, pois a arma possuía, ao
todo, seis balas.
QUESTÃO: Na condição de advogado de Cleóbulo, apresente a peça pertinente.

PROBLEMA 22 (OAB/SP 135)


Luciano foi denunciado por ter, no dia 5 de junho de 2006, por volta das 00 h 30 min, em frente
à Igreja São Judas Tadeu, no bairro Moema, São Paulo – SP, desferido, com intenção de matar,
disparos de arma de fogo contra Eduardo, os quais, por sua natureza e sede, foram a causa
eficiente da morte deste, razão pela qual Luciano estaria incurso nas penas do art. 121, caput, do
Código Penal (CP). Após regular trâmite, sobreveio a decisão de pronúncia, determinando que
Luciano fosse submetido a júri popular, segundo a capitulação da denúncia. No dia do
julgamento, terminada a inquirição das testemunhas, o promotor de justiça deu início à produção
da acusação. Durante sua explanação perante o conselho de sentença, com o fito de influenciar o
ânimo dos julgadores quanto à conduta pretérita de Luciano, o promotor mostrou aos jurados,
sem a concordância da defesa, documentos relativos a outro processo, no qual o réu Luciano era
acusado de crime de homicídio qualificado praticado em 2/5/2005. Salientou, ainda, o órgão
ministerial que os jurados deveriam “pensar o que quisessem” acerca da recusa, pela defesa, da
produção da nova prova. Finda a acusação, foi dada a palavra ao defensor, que pediu ao
magistrado o registro, em ata, de que o promotor de justiça havia mostrado aos jurados
documentos relativos a outro processo a que respondia o réu, a despeito da discordância da
defesa. O pleito defensivo foi deferido. Ademais, tratou a defesa das questões de mérito, bem
como advertiu os jurados acerca da primariedade do réu. Por fim, Luciano foi condenado, pelo
Tribunal do Júri de São Paulo/SP, como incurso no art. 121, caput, do CP, à pena de 7 anos de
reclusão, que deveria ser cumprida em regime inicialmente fechado. Considerando a situação

121
hipotética descrita, formule, na condição de advogado(a) contratado(a) por Luciano, a peça —
diversa de habeas corpus — que deve ser apresentada no processo.

PROBLEMA 23 (OAB/SP 136)


No dia 30 de agosto de 2007, Vânia Pereira, brasileira, casada, residente na Rua José Portela nº
67, em Franco da Rocha – SP, foi presa, em flagrante, na posse de 11,5 g da substância
entorpecente causadora de dependência química e física, conhecida como cocaína, na forma de
uma única porção, trazida consigo, no interior de estabelecimento prisional. Vânia foi
denunciada por tráfico de drogas, de acordo com o art. 33, c/c art. 40, III, ambos da Lei n.º
11.343/2006. As testemunhas de acusação, agentes penitenciários, confirmaram que, na data dos
fatos, a ré fora surpreendida, dentro da Penitenciária III de Franco da Rocha, na posse da
substância entorpecente — escondida no interior do solado de um tênis —, destinada à entrega e
consumo do preso José Pereira da Silva, seu marido. Relataram, também, que somente após a
perfuração da sola do tênis, com um facão, puderam verificar a existência da droga. Informaram,
por fim, que a abordagem da ré ocorrera de modo aleatório, tendo ela passado calmamente pela
guarita policial, sem demonstrar nervosismo ou medo. As testemunhas de defesa disseram que a
ré fora instigada por um tal de João a levar o par de tênis, de modo que ela não tinha como saber
que estava levando drogas para o seu marido. Ademais, Vânia levava-lhe, semanalmente,
mantimentos e roupas. Em seu interrogatório em juízo, Vânia refutou a imputação, contando a
mesma versão dos fatos que narrara na delegacia. Afirmou que, na noite anterior aos fatos, um
indivíduo de prenome João fora até sua residência e pedira-lhe que entregasse um par de tênis a
seu marido, preso na Penitenciária III de Franco da Rocha, o que foi aceito. Declarou, ainda, que
“não sabia que havia droga dentro da sola do tênis” e que, por isso, decidira levar o calçado para
seu marido, ocasião em que foi detida. Há, nos autos, os laudos de constatação prévia e de exame
químico-toxicológico, que confirmam não apenas a quantidade da droga apreendida, mas
também a forma de acondicionamento apresentada, típica da atividade de tráfico. Constam,
ainda, nos autos, documentos que comprovam que Vânia é primária, tem bons antecedentes, não
se dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa. Ao final, Vânia foi
condenada pelo juiz da 1.a vara criminal da comarca de Franco da Rocha nas penas de seis anos
de reclusão, em regime inicial fechado, e pagamento de sessenta e seis dias-multa, no valor
unitário mínimo, como incursa no art. 33, c/c art. 40, III, ambos da Lei n.º 11.343/2006. A defesa
tomou ciência da decisão.
Considerando a situação hipotética apresentada, redija, em favor de Vânia Pereira, a peça
jurídica, diversa de habeas corpus, cabível à espécie.

EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE

PROBLEMA 1 (OAB/SP 108)


Octaviano, funcionário público, foi condenado pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça,
por maioria de votos. O relator, vencido, entendeu ser nulo o processo porque suprimida a fase
das alegações preliminares. O v. acórdão foi publicado há dois dias.
QUESTÃO: Como advogado de Octaviano, pratique o ato judicial pertinente, justificando-o.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 111)


Teodósio, nascido em 20 de setembro de 1980, subtraiu para si, de um supermercado, um queijo
importado, duas latas de refrigerante e um tablete de chocolate, avaliados em R$ 25,00 (vinte e
cinco reais). Denunciado pelo Ministério Público e após regular instrução criminal foi, a final,
condenado à pena de 01 (um) ano de reclusão, sendo-lhe concedido o benefício do sursis por 02
(dois) anos. Inconformado, o acusado recorreu. Julgado o recurso pelo Tribunal competente, a
sentença foi mantida por maioria de votos, sendo que o Magistrado vencido, embora mantivesse
a condenação, reduzia a reprimenda para 08 (oito) meses de detenção em razão do privilégio

122
disposto no próprio tipo penal, convertendo a pena corporal em restritiva de direitos, em face do
artigo 44 do C. P. O acórdão foi publicado há três dias.
QUESTÃO: Como advogado(a) de Teodósio, tome a providência judicial cabível.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 120)


"A", com 21 anos de idade, dirigia seu automóvel em São Paulo, Capital, quando parou para
abastecer o seu veículo. Dois adolescentes, que estavam nas proximidades, começaram a
importuná-lo, proferindo palavras ofensivas e desrespeitosas. "A", pegando no porta-luvas do
carro seu revólver devidamente registrado, com a concessão do porte inclusive, deu um tiro para
cima, com a intenção de assustar os adolescentes. Contudo, o projétil, chocando-se com o poste,
ricocheteou, e veio a atingir um dos menores, matando-o. "A" foi denunciado e processado
perante a 1.ª Vara do Júri da Capital, por homicídio simples – art. 121, caput, do Código Penal. O
magistrado proferiu sentença desclassificatória, decidindo que o homicídio ocorreu na forma
culposa, por imprudência, e não na forma dolosa. O Ministério Público recorreu em sentido
estrito, e a 1.ª Câmara do Tribunal competente reformou a decisão por maioria de votos,
entendendo que o crime deveria ser capitulado conforme a denúncia, devendo "A" ser enviado ao
Tribunal do Povo. O voto vencido seguiu o entendimento da r. sentença de 1.º grau, ou seja,
homicídio culposo. O V. acórdão foi publicado há sete dias.
QUESTÃO: Como advogado de "A", elabore a peça adequada.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

PROBLEMA 1 (OAB/SP 124) O juiz, ao proferir sentença condenando João por furto
qualificado, admitiu, expressamente, na fundamentação, que se tratava de caso de aplicação do
privilégio previsto no parágrafo segundo, do art. 155 do Código Penal, porque o prejuízo da
vítima era de R$ 100,00 (cem reais), devendo, em face de sua primariedade e bons antecedentes,
ser condenado à pena mínima. Na parte dispositiva, fixou como pena a de reclusão de 2 (dois)
anos, substituindo-a por uma pena restritiva de direito e multa, fixando regime inicial aberto.
QUESTÃO: Diante do inconformismo de João com essa condenação, como seu advogado, tome
as providências cabíveis para a sua defesa e redija a peça processual adequada.

HABEAS CORPUS

PROBLEMA 1 (OAB/SP 112)


Protágoras encontra-se preso há 18 dias em virtude de auto da prisão em flagrante, lavrado por
infração ao artigo 250, parágrafo 1º, inciso I, do Código Penal. O laudo do instituto de
criminalística ainda não foi elaborado, estando o inquérito policial aguardando a sua feitura. O
juízo competente, que se encontra na posse da cópia do auto da prisão em flagrante, indeferiu o
pedido de relaxamento desta, por excesso de prazo, sob o fundamento de que a gravidade do fato
impõe a segregação de Protágoras.
QUESTÃO: Com o objetivo de conseguir a liberdade de Protágoras, elabore a peça profissional
condizente.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 113 - ADAPTADO) "A" é titular da empresa ABC Produtos


Veterinários, que atua na distribuição de medicamentos na cidade de São Paulo. Seus vendedores
"B" e "C", contrariando normas da empresa e sem o conhecimento de "A", mediante o uso de
notas fiscais falsas, efetuaram vendas de produtos para "D", "E" e "F", recebendo os valores e
não entregando as mercadorias. Após regular inquérito policial, o Promotor de Justiça em
exercício na 1ª Vara Criminal da Capital denunciou somente "A" por estelionato na forma
continuada, porque seria o proprietário da empresa, requerendo o arquivamento em relação a "B"

123
e "C". O Meritíssimo Juiz recebeu a denúncia, estando designado o dia 03 de julho de 2008 para
interrogatório. "A" não preenche os requisitos para beneficiar-se da Lei Federal 9.099/95.
QUESTÃO: Adotar a medida judicial cabível em favor de "A", justificando.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 116 - ADAPTADO)


José da Silva foi condenado por violação do artigo 33, caput, da Lei Federal no 11.343/06, à
pena de 5 anos de reclusão. Tendo ocorrido o trânsito em julgado, eis que não apelou da decisão
de primeiro grau. Está recolhido na Penitenciária local. Compulsando-se os autos, verifica-se que
a materialidade do delito está demonstrada pelo auto de constatação que instruiu o auto de prisão
em flagrante delito, conforme, aliás, frisado pelo MM. Juiz sentenciante da 1a Vara Criminal da
Capital. A substância entorpecente já foi incinerada.
QUESTÃO: Como advogado de José da Silva, busque sua libertação.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 117 - ADAPTADO)


Procópio está sendo processado pela prática do delito do artigo 184, "caput", do Código Penal,
por Maurício da Silva, autor da obra literária "Minha Vida, Meus Amores". Na inicial,
distribuída em 14 de fevereiro de 2008, o querelante acusa o querelado de ter-se utilizado de
trecho de obra intelectual de sua autoria, sem a devida autorização, em jornal da sociedade de
amigos de bairro da qual aquele faz parte, que circulou no mês de dezembro de 2007. A
vestibular, que veio acompanhada tão-somente da procuração que atende os requisitos do artigo
44, do Código de Processo Penal, foi recebida pelo juízo da 25ª Vara Criminal da Capital, que
marcou, para interrogatório de Procópio, o dia 20 de junho próximo. A citação operou-se em 13
de maio de 2008.
QUESTÃO: Como advogado de Procópio, aja em seu favor.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 118)


Antonio é presidente de um grande clube local, com mais de três mil sócios, onde existem
piscinas, salão de festas, campo de futebol, etc. O clube é freqüentado por muitos jovens da
localidade. No mês de dezembro de 2001, o garoto Cipriano, sem perceber que o nível da água
de uma das piscinas estava baixo, lá jogou-se para brincar. Ao mergulhar, Cipriano bateu a
cabeça no fundo da piscina e veio a falecer. O presidente do clube, Antonio, agora, está sendo
processado criminalmente perante a 1 a Vara Criminal da Capital, em razão da aceitação da
denúncia formulada pelo Ministério Público, acusando-o da prática da figura prevista no artigo
121, parágrafo 3º , do Código Penal. Antonio não aceitou a suspensão processual, que lhe foi
proposta pelo Órgão Ministerial. A ação penal está tramitando.
QUESTÃO: Na condição de advogado de Antonio, atue em favor do constituinte.

PROBLEMA 6 (OAB/SP 120)


O cidadão "A" viajava de avião de carreira do Rio de Janeiro para São Paulo no mês de agosto de
2005 quando, na aproximação da Capital, passou a importunar a passageira "B", chegando a
praticar vias de fato. Em virtude destes fatos, "A", ao desembarcar, foi indiciado em inquérito,
como incurso no artigo 21 da Lei das Contravenções Penais – "vias de fato". Os fatos ocorreram
a bordo de aeronave, e assim entendeu-se de processar "A" perante a Justiça Federal, tendo este
sido condenado pela 1.ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária da Capital, à pena de 15 dias
de prisão simples, com concessão de sursis. O acusado não aceitou nenhum benefício legal
durante o processo. A r. sentença condenatória já transitou em julgado.
QUESTÃO: Elabore a peça cabível em favor de "A".

PROBLEMA 7 (OAB/SP 122 - ADAPTADO)


Lúcio, com 19 (dezenove) anos à época do fato, encontra-se condenado pela 27.ª Vara Criminal
desta Comarca ao cumprimento da pena de 2 (dois) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, pela

124
prática do crime de furto qualificado na modalidade continuada (artigos 155, parágrafo 4.º, n.º I,
e 71, do Código Penal), conforme sentença que transitou em julgado, para a acusação no dia
05.01.2005 e, para a defesa, no dia 20.02.2005. Lúcio, que estava foragido, veio a ser preso no
dia 28.01.2007.
QUESTÃO: Como advogado de Lúcio, qual a medida cabível em sua defesa? Redija a peça.

PROBLEMA 8 (OAB/SP 124)


Policial civil ingressou, sem mandado judicial, na residência de João, e nela apreendeu
documento público que, submetido à perícia, constatou-se ser falso, vindo por isso João a ser
denunciado como incurso no artigo 297, caput, do Código Penal. A denúncia foi recebida pelo
juiz.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual de sua defesa.

PROBLEMA 9 (OAB/SP 125)


O Ministério Público pleiteou a colocação de A, que cumpre pena pelo crime de seqüestro, no
regime disciplinar diferenciado, com base no artigo 52 da Lei de Execução Penal, pelo período
máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias. O juiz indeferiu o pedido porque, no seu
entendimento, o regime disciplinar diferenciado, na forma em que foi definido, fere princípios
constitucionais. Intimado da decisão, o Ministério Público interpôs agravo, juntando suas razões,
após ter decorrido o prazo de oito (dias), requerendo que fosse seguido o rito do agravo de
instrumento do Código de Processo Civil. Processado o recurso, o Tribunal de Justiça deu
provimento ao agravo e determinou a inclusão do preso no regime diferenciado.
QUESTÃO: Como advogado de A, verifique o que pode ser feito em sua defesa e, de forma
fundamentada, postule o que for de seu interesse por meio de peça adequada.

PROBLEMA 10 (OAB/SP 127)


João, definitivamente condenado, estava cumprindo pena privativa de liberdade em regime
aberto. Foi acusado, em novo processo, ainda não sentenciado, de roubo qualificado pelo
emprego de arma e concurso de agentes. Chegando ao conhecimento do Juiz das Execuções
Criminais a existência deste processo, ele revogou imediatamente, de ofício, o regime aberto e
determinou a regressão de João para regime fechado. João foi intimado da decisão no dia
15.9.05, e, no mesmo dia, deu ciência ao seu advogado.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 11 (OAB/SP 127)


O Delegado de Polícia representou ao Juiz de Direito a fim de que fosse decretada a prisão
temporária de João, alegando que ele estava sendo investigado por crimes de estelionato e furto e
se tratava de pessoa sem residência fixa, sendo a sua prisão imprescindível para as investigações.
O juiz, após ouvir o Ministério Público, decretou a prisão temporária por 5 (cinco) dias,
autorizando, desde logo, a prorrogação da prisão por mais 5 (cinco) dias, se persistissem os
motivos que levaram à sua decretação. Foi expedido mandado de prisão. Sem ser preso, João
soube da decisão e procurou um advogado para defendê-lo.
QUESTÃO: Como advogado de João, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 12 (OAB/SP 128)


José, advogado, foi denunciado como incurso no artigo 288, parágrafo único, c.c. artigo 157, §
2o, incisos I e II, todos do Código Penal, porque estaria associado com A, B e C para a prática de
crimes de roubo de veículos com a utilização de armas. Pela denúncia, a sua participação
consistia em estimular os autores materiais dos crimes à prática dos delitos, garantindo-lhes que,
com sua atuação profissional, conseguiria livrá-los de eventual prisão e condenação. Oferecida a
denúncia, o Promotor de Justiça requereu a sua prisão preventiva para garantia da ordem pública,

125
argumentando que os crimes de roubo, na atualidade, causam grande insegurança social e que o
acusado, na sua condição de advogado, não poderia agir de forma a incentivar a prática de tais
delitos. O juiz, apenas repetindo os argumentos expostos pelo membro do Ministério Público,
decretou a prisão preventiva. José foi preso e colocado em cela comum, com outros presos
provisórios, apesar de, em petição, sustentar perante o juiz que isso não podia ocorrer em face de
sua condição de advogado.
QUESTÃO: Como advogado de José, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

PROBLEMA 13 (OAB/SP 129)


João, sócio da firma “Antenados”, revendedora de componentes eletrônicos, foi denunciado,
nesta capital, em 05 de dezembro de 2005, por crime previsto no artigo 1.°, inciso II, da Lei n.o
8.137/90, acusado de ter fraudado a fiscalização tributária, omitindo operação de compra e venda
em livro contábil. O MM. Juiz da _Vara Criminal da Comarca da Capital recebeu a denúncia.
Em seu interrogatório, realizado no dia 13 de abril de 2006, João alegou que a operação inexistiu
e que o débito fiscal era objeto de impugnação em recurso administrativo, ainda pendente de
julgamento, interposto perante o Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo,
comprovando tal alegação com certidão emitida pelo referido Tribunal.
QUESTÃO: Como advogado de João, escolha o melhor meio para a sua defesa. Redija a peça.

PROBLEMA 14 (OAB/SP 129) João, primário e de bons antecedentes, foi denunciado pelo
crime previsto no artigo 171, § 2.°, VI, combinado com o artigo 69 (por três vezes), ambos do
Código Penal, porque teria emitido cheques sem provisão de fundos. Consta do inquérito policial
lavrado em razão dos fatos que João, no dia 05 de setembro de 2005, emitira cinco cheques, para
serem descontados mensalmente, sendo o primeiro para pagamento à vista, referentes a
prestações de uma máquina de lavar que João teria comprado de Antonio. Antonio recebera o
valor relativo aos dois primeiros meses, não recebendo os valores dos demais (três últimos
cheques) por insuficiência de fundos. Ao ser citado para a ação penal em curso, João não foi
encontrado, pois havia se mudado para lugar desconhecido. Com base na revelia do acusado, o
MM. Juiz da _Vara Criminal da Comarca da Capital, em 24 de abril de 2006, determinou a
suspensão do processo, decretando a prisão preventiva de João.
QUESTÃO: Como advogado de João, escolha o melhor meio para a sua defesa. Redija a peça

PROBLEMA 15 (OAB/SP 133)


Maria, saindo de uma escola, em horário noturno, no dia 25 de agosto de 2007, dirigia-se a sua
casa quando foi agarrada por Mário, que a levou para um matagal e, com uma faca, obrigou-a a
ter com ele conjunção carnal. Após, a vítima foi até a sua casa e contou para os seus pais o que
havia sucedido. Estes entraram em contato com a polícia, que se dirigiu ao local do fato e, nas
proximidades, depois de cerca de quatro horas de sua ocorrência, encontraram uma pessoa com
as características semelhantes às descritas pela vítima e com uma faca. Foi elaborado auto de
prisão em flagrante. A vítima, ao ser ouvida, disse que a pessoa presa era muito parecida com a
que a atacou, mas, como era noite, não tinha certeza. Afirmou ainda que ela e seus pais preferiam
que aquela pessoa não fosse processada, pois temiam que pudesse ser novamente atacada. Foram
ouvidos os policiais que confirmaram a prisão. Mário preferiu o silêncio, asseverando que
somente prestaria declarações em juízo. Encaminhado o auto de prisão em flagrante ao
Ministério Público, este, no dia 3 de setembro de 2007, ofereceu denúncia contra Mário pela
prática do crime de estupro (art. 213, caput, do CP). O Juiz recebeu a denúncia. Promotor e Juiz
entenderam que a prisão era regular.

PROBLEMA 16 (CESPE/NE 2006 – Abril e maio)


João da Silva procurou um escritório de advocacia, localizado no Setor Noroeste, Edifício
Modern Hall, salas 110/112, em Brasília/DF, e relatou ao advogado que o atendeu que sua irmã,

126
Lilian da Silva, brasileira, solteira, do lar, residente e domiciliada na SQN 311, bl. X, ap. 702,
Brasília – DF, havia sido presa e autuada em flagrante delito no dia 1/3/06, na cidade de Brasília,
pela prática de crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1.º, I, da Lei 8.137/90. João da
Silva informou ainda que a denúncia fora recebida no dia 3/4/06 pelo Juiz de Direito da 5.a Vara
Criminal da Circunscrição Judiciária de Brasília – DF. Ele afirmou que Lilian da Silva é
primária, tem bons antecedentes, possui residência fixa no distrito da culpa e freqüenta
regularmente as aulas do 3.º ano do ensino médio. Outrossim, argumentou que Lilian, após a
prisão em flagrante, quitou integralmente os débitos para com a Fazenda Pública, referentes ao
Auto de Infração n.º 6.332/2005, no valor de R$ 2.100,00, motivo pelo qual, segundo ele, a
indiciada merece ser posta em liberdade, aquiescendo em prestar compromisso de comparecer a
todos os atos processuais aos quais for intimada. Na ocasião, João da Silva, com o propósito de
auxiliar o pleito, trazia consigo os seguintes documentos pertencentes a sua irmã: nota de culpa,
cópia do auto de prisão em flagrante, certidão negativa de antecedentes criminais, conta de água,
histórico escolar e comprovantes de pagamento de tributos.

MANDADO DE SEGURANÇA

PROBLEMA 1 (OAB/SP 119)


Antenor teve seu veículo subtraído e posteriormente localizado e apreendido em auto próprio,
instaurando a autoridade policial regular inquérito, já que estabelecida a autoria. Requereu a
liberação do veículo, indiscutivelmente de sua propriedade, o que foi indeferido pelo delegado de
polícia civil local, a afirmação de que só será possível a restituição depois do processo penal
transitar em julgado, conforme despacho cuja cópia está em seu poder.
QUESTÃO: Como advogado de Antenor, agir no seu interesse.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 123 - ADAPTADO)


João Alves dos Santos, por estar indiciado pela prática de crime de roubo, procurou advogado
para atuar em sua defesa. Este, no dia 20.05.2008, dirigiu-se à Delegacia de Polícia e solicitou os
autos de inquérito para exame. O Delegado de Polícia, todavia, não lhe permitiu o acesso aos
autos porque a investigação era sigilosa.
QUESTÃO: Como advogado de João, verifique a medida cabível e de forma fundamentada
postule o que for adequado ao caso.

RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL

PROBLEMA 1 (OAB/SP 110)


Ésquines foi denunciado e está sendo processado por infração ao artigo 159 do Código Penal
porque, mediante grave ameaça exercida com arma de fogo, seqüestrou Demóstenes, empresário,
exigindo de sua família, como condição para sua libertação, a importância de R$ 100.000,00
(cem mil reais). Foi autuado em flagrante delito no momento em que pegava o dinheiro deixado
em local previamente combinado e a vítima foi encontrada ilesa.
O acusado encontra-se preso, por força da flagrância delitiva, há mais de 180 (cento e oitenta
dias) e ainda não se encerrou a instrução criminal, uma vez que o representante do Ministério
Público insiste na oitiva de duas testemunhas que devem ser ouvidas através de Carta Precatória,
por residirem em outro Estado.
Requerido o relaxamento do flagrante ao Juízo processante, foi o mesmo indeferido, ensejando
interposição de ordem de Habeas Corpus ao Tribunal competente. O Tribunal denegou a ordem
requerida fundamentando o V. acórdão no fato de que a gravidade da infração se sobrepõe ao
eventual excesso de prazo, desconfigurando o alegado constrangimento ilegal.
Como advogado de Ésquines, tome a providência judicial cabível.

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PROBLEMA 2 (OAB/SP 114)
João, investigador de polícia, está preso no Presídio Especial da Polícia Civil de São Paulo, por
força de auto de prisão em flagrante delito, e denunciado por violação do artigo 316, do Código
Penal, sendo certo que teve concedida a fase do artigo 514, do Código de Processo Penal, e os
prazos legais estão sendo observados. É primário, tem residência fixa e exerce atividade lícita. O
Meritíssimo Juiz de primeira instância negou a liberdade provisória com fiança, alegando apenas
e tão-somente "ser o crime muito grave", enquanto a Egrégia 1a Câmara do Tribunal de Justiça
de São Paulo, por maioria de votos, denegou a ordem de habeas corpus que fora impetrada,
usando do mesmo argumento, conforme consta do Venerando Acórdão hoje publicado.
QUESTÃO: Como advogado de João, adotar a medida judicial cabível.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 121)


João, investigador de polícia, está preso no Presídio Especial da Polícia Civil de São Paulo por
força de auto de prisão em flagrante delito e denunciado como violador do artigo 316, do Código
Penal, sendo certo que teve concedida a fase do artigo 514, do Código de Processo Penal, e que
os prazos legais estão sendo observados. É primário, tem residência fixa e exerce atividade lícita.
O Meritíssimo Juiz de primeira instância negou a liberdade provisória com fiança, alegando
apenas e tão somente "ser o crime muito grave", enquanto a Egrégia 1.ª Câmara do Tribunal de
Justiça de São Paulo, por maioria de votos, denegou a ordem de habeas corpus que fora
impetrada usando do mesmo argumento, conforme consta do v. aresto hoje publicado.
QUESTÃO: Como advogado de João, adotar a medida judicial cabível.

PROBLEMA 4 (OAB/MT 2007.1 - ADAPTADO)


João Silva, brasileiro, taxista, residente na Rua Madre Tereza n.º 167, Brasília – DF, foi
denunciado em 2 de fevereiro de 2007 pela prática de estelionato. Foi interrogado em juízo em
14 de março de 2007, sem que o ato fosse presenciado por qualquer pessoa habilitada a exercer a
denominada defesa técnica. O representante do Ministério Público também estava ausente.
Consta do termo de audiência que o acusado dispensou a entrevista prévia com o defensor
nomeado.
Durante a instrução processual, João Silva foi regularmente assistido por profissional habilitado
na OAB.
João Silva foi condenado a 3 anos de reclusão.
Interposto o recurso de apelação para o TJDFT, restou improvido.
Impetrado habeas corpus para o mesmo tribunal, requerendo-se a concessão da ordem para que o
processo fosse anulado desde o interrogatório, inclusive, foi a ordem denegada por acórdão
assim ementado:
Processo Penal. Habeas corpus. Interrogatório do réu. Defensor ausente por haver sido
dispensado pelo próprio réu. Feito sentenciado. Possível nulidade não alegada na defesa prévia,
nas alegações finais nem nas razões do recurso de apelação.
1. Mesmo considerando que, no processo penal, o princípio do contraditório tenha natureza
efetiva, real, não se verifica, no caso concreto, vício insanável a macular de forma grave e
irreversível o ato processual realizado em descompasso com a exigência legal.
2. Por outro lado, foi o próprio paciente quem dispensou a entrevista com o defensor nomeado,
não lhe sendo possível, posteriormente, argüir possível nulidade de ato a que deu causa, como
preceitua o art. 565 do Código de Processo Penal.
3. De mais a mais, rememore-se que tal possível nulidade não foi agitada no momento processual
oportuno — as alegações finais, art. 403, §3º, do CPP —, como exige o art. 571, inciso II, do
mesmo Código de Processo Penal.
4. Por último: estando sentenciado o processo, resta superada a alegação de nulidade, sobretudo
porque não utilizadas as fases que a lei reserva para esse fim.
5. Ordem de habeas corpus denegada.

128
Diante da denegação da ordem de habeas corpus, na qualidade de advogado, interponha o
recurso cabível em favor de João Silva, tendo em conta os fatos narrados e a legislação
pertinente.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 136)


Rodrigo Malta, brasileiro, solteiro, nascido em 4/5/1976, em São Paulo – SP, residente na rua
Pedro Afonso n.o 12, Moema, São Paulo – SP, foi preso em flagrante delito, em 2/8/2008. Em
9/9/2008, foi denunciado como incurso nas sanções previstas no art. 14, caput, e no art. 16,
parágrafo único, IV, ambos da Lei n.º 10.826/2003 (porte de arma de fogo de uso permitido e
posse de arma de fogo de uso restrito, com a numeração raspada), de acordo com o que dispõe o
art. 69 do Código Penal brasileiro. O advogado de Rodrigo pleiteou a liberdade provisória de seu
cliente, entretanto o pleito foi indeferido pelo juiz a quo, que assim se manifestou: “Após
analisar os autos, entendo que o pedido de liberdade provisória formulado não merece acolhida.
Com efeito, os crimes imputados ao acusado são sobremaneira graves, indicando a prova
indiciária, até o momento, que o acusado é provavelmente soldado do tráfico, o que só será
dirimido, com exatidão, durante a instrução. De outro lado, a primariedade e os bons
antecedentes não são pressupostos a impor a liberdade de forma incontinente, destacando-se que,
em casos como o presente, melhor razão está com a bem pautada promoção do Ministério
Público, que oficiou contrariamente à liberdade provisória. Isto posto, indefiro o pedido de
liberdade.” A defesa, então, impetrou habeas corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo, objetivando a concessão de liberdade provisória, sob o argumento de que o decreto de
prisão cautelar não explicitara a necessidade da medida nem indicara os motivos que a tornariam
indispensável, entre os elencados no art. 312 do Código de Processo Penal.
A ordem, contudo, restou denegada, confirmando-se a decisão do juiz a quo, em razão do
disposto no art. 21 da Lei n.º 10.826/2003, que proíbe a liberdade provisória no caso dos crimes
de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Registre-se que Rodrigo Malta é
primário, possui bons antecedentes e compareceu à delegacia e ao juízo todas as vezes em que
foi intimado. Outrossim, não demonstrou qualquer intenção de fuga. Considerando a situação
hipotética apresentada, na condição de advogado(a) contratado(a) por Rodrigo Malta, interponha
a peça jurídica cabível, diversa de habeas corpus, em favor de seu cliente, diante da denegação
da ordem.

RECURSO ESPECIAL

PROBLEMA 1
Tício foi processado e condenado às penas de 2anos de reclusão e 15 dias-multa pela prática do
crime de furto em regime aberto, substituída a pena privativa de liberdade por duas penas de
prestação de serviços à comunidade. Recorreu e seu recurso foi improvido por unanimidade de
votos, alterando ainda, os julgadores, sua pena, ou seja, afastando a possibilidade de substituição
por pena restritiva de direitos, já que ostenta maus antecedentes. A matéria foi devidamente
prequestionada.
QUESTÃO: Adote o recurso cabível em favor de Tício.

RECURSO EXTRAORDINÁRIO

PROBLEMA 1
Zé Ninja foi processado por infração ao art. 121, § 2º, II e IV, do CP perante o 1º Tribunal do
Júri, restando absolvido da imputação. Inconformado, o Promotor de Justiça recorreu e a 3ª
Câmara Criminal do Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso por unanimidade de votos,
afirmando que os jurados decidiram manifestamente contrária à prova dos autos. É certo que a

129
prova é amplamente favorável a Zé Ninja. A matéria foi prequestionada em embargos de
declaração.
QUESTÃO: Como advogado de Zé Ninja, adote o recurso cabível.

REVISÃO CRIMINAL

PROBLEMA 1 (OAB/SP 109)


João da Silva foi condenado, por sentença transitada em julgado, a cumprir 06 (seis) anos de
reclusão em regime prisional fechado, como incurso nas sanções do artigo 213 caput do Código
Penal, eis que teria constrangido Maria Soares à conjunção carnal mediante grave ameaça.
Decorrido 01 (um) ano do trânsito em julgado e encontrando-se João em cumprimento de pena,
Maria confidenciou à sua amiga Joana Gonçalves que antes dos fatos, já namorava João e que
com ele havia mantido relacionamento sexual por sua própria vontade. Relatou também, que o
acusou de crime, porque João rompera definitivamente com o namoro. Joana Gonçalves
imediatamente procurou os familiares de João transmitindo-lhes os fatos que integram a
justificação criminal já realizada.
QUESTÃO: Como advogado de João da Silva tome a providência judicial cabível.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 110)


Petrônio cumpria pena na Penitenciária do Forte quando, em 08 de fevereiro de 1993, conseguiu
evadir-se do presídio. Já na rua, roubou um veículo Opala, ameaçando de morte o seu
proprietário, fazendo gesto de que estava armado, para tanto colocando a mão sob a camisa, e
utilizando-se do veículo na fuga. Como o pneu do veículo estourasse, Petrônio o abandonou e,
novamente colocando as mãos sob a camisa, ameaçou Maria de morte, roubando seu veículo
Monza. Vinte minutos depois, quando trafegava pela rodovia, prosseguindo em sua fuga, foi
preso por policiais militares. Petrônio, então transferido para a Penitenciária de Jacaré, foi
denunciado como incurso nas penas do artigo 157, parágrafo 2º, inciso I, do Código Penal, por
duas vezes, c/c artigo 69 "caput", também do Código Penal. Na audiência para a oitiva das
vítimas e testemunhas de acusação, Petrônio não foi apresentado, em virtude de falta de viaturas
para conduzi-lo à cidade do Forte, tendo o seu defensor dativo dispensado a sua presença. Ao
final do processo, foi condenado à pena de treze anos e quatro meses de reclusão, além da pena
de multa, sendo aquela assim fixada: quatro anos, acrescidos de 1/4 pela reincidência, mais 1/3
pela qualificadora para cada um dos crimes, tendo o Juiz considerado, para fins de reincidência,
um crime de homicídio noticiado apenas em sua Folha de Antecedentes, desacompanhado da
certidão cartorária . A sentença transitou em julgado, ante a ausência de recurso da defesa. Anos
após, e ainda estando Petrônio preso, você é nomeado pelo Juiz da Comarca do Forte para
arrazoar pedido feito pelo réu para que fosse revista sua condenação.
Como advogado de Petrônio, apresente a peça processual cabível.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 115)


João foi processado por infração ao art. 157, parágrafo segundo, I e II, do Código Penal,
recebendo pena de 21 anos de reclusão, sem fundamentação judicial no tocante à majoração da
pena. Apresentou Recurso de Apelação, sendo certo que o Tribunal reconheceu a tese por ele
apresentada por dois votos a um, diminuindo a pena para 7 anos de reclusão. O Ministério
Público aforou Recurso Extraordinário, baseado no voto divergente desta decisão, o que
culminou por exasperar a pena para 12 anos de reclusão. O STF aduziu, apenas, que o Juiz
sentenciante equivocou-se materialmente, e onde se lê 21 anos, leia-se 12 anos, mantendo, no
mais, a r. sentença de primeiro grau jurisdicional, verificando-se o trânsito em julgado.
QUESTÃO: Como advogado de João, elabore a peça processual em prol de seu interesse,
fundamentando-a.

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PROBLEMA 4 (OAB/SP 121)
José, funcionário público com 38 anos de idade, casado, pai de três filhos, estava trabalhando em
presídio da Capital, quando inesperadamente ocorreu uma rebelião. Alguns detentos estavam
muito agitados, e por ordem de um superior, José imobilizou dois deles, com ataduras de pano,
fazendo-o com o devido cuidado para não os machucar. Após hora e meia, José soltou os
detentos, pois estes se mostravam calmos, e foram levados para a realização de exame de corpo
de delito, que apurou lesões bem leves, causadas pela própria movimentação dos presos. Mesmo
assim, ambos os detentos disseram que foram torturados por José. Diante desses fatos, José foi
processado e acabou sendo condenado pelo crime de tortura, previsto na Lei 9.455, de 7 de abril
de 1997, artigo 1.º, inciso II, parágrafo 4.º, inciso I, à pena de três anos de reclusão, mais a perda
de função pública. José está preso e a r. sentença já transitou em julgado. Agora, um dos
condenados foi colocado em liberdade e procurou a família de José, dizendo que foi obrigado
pelo outro preso a dizer que tinha sido torturado, mas a verdade é que José inclusive fez de tudo
para não os ferir. Como o outro detento não gostava de José, havia inventado toda a estória,
obrigando-o a mentir. Esta declaração foi colhida numa justificação criminal.
QUESTÃO: Como novo advogado de José, produzir a peça cabível que atenda o seu interesse.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 122)


Mário, após violenta discussão com Antônio, agride-o com um cano, causando-lhe ferimentos,
ato presenciado por duas testemunhas. Durante o inquérito policial, depois do primeiro exame
em Antônio, realizado 15 (quinze) dias após o fato, ele foi intimado para comparecer após 90
(noventa) dias, tendo os peritos, com base em informes do ofendido e de registros hospitalares,
pois desaparecidos os vestígios, afirmado a incapacidade para as ocupações habituais por mais de
30 (trinta) dias. Concluído o inquérito, Mário foi denunciado e condenado nas penas do artigo
129, parágrafo 1.º, n.º I, do Código Penal. O acusado Mário e seu advogado deixaram escoar o
prazo para impugnação da sentença.
QUESTÃO: Como novo advogado, o que faria em favor de Mário? Redija a peça.

PROBLEMA 6 (OAB/SP 128)


José, funcionário do Banco do Brasil, moveu ação contra o banco, em razão de descontos ilegais
efetuados pela instituição em sua folha de pagamento, no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos
reais). A ação foi julgada procedente. A sentença transitou em julgado no dia 10 de março de
2005. Já na fase de execução, após dois meses, no dia 11 de maio do mesmo ano, José, em
virtude de sua atividade no Banco do Brasil, recebera a quantia de R$ 2.500,00 (dois mil e
quinhentos reais) para o pagamento de serviços de manutenção do prédio onde o banco estava
instalado. Em posse do numerário, resolveu ficar com parte do dinheiro, no valor exato de seu
crédito, R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), utilizando o restante, R$ 1.000,00 (mil reais), para
parcial pagamento dos referidos serviços. Em 15 de junho de 2005, José foi denunciado como
incurso no artigo 312, “caput”, do Código Penal. A denúncia, sem que José fosse notificado para
eventual resposta, foi recebida em 20 de junho de 2005. Na instrução criminal, ouvido José, este
confirmou o fato, dizendo, contudo, que somente queria receber seu crédito para cobrir despesas
pessoais e familiares. Foram ouvidos, também, funcionários do banco que confirmaram o fato.
Superadas as fases dos artigos 402 e 403 do CPP, o MM. Juiz da 23a Vara Criminal da comarca
da Capital condenou José pelo crime de peculato, fixando a pena privativa de liberdade em 2
(dois) anos de reclusão, a ser cumprida em regime aberto, e a de multa em 10 dias-multa, no
valor de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo cada. A pena privativa de liberdade foi
substituída por duas penas restritivas de direitos (prestação de serviços à comunidade e multa).
As partes, Ministério Público e acusado, não apelaram. A decisão transitou em julgado no dia 20
de janeiro de 2006. Intimado para o cumprimento das penas, José procurou um novo advogado
para examinar sua situação e saber o que poderia ser feito.
QUESTÃO: Como advogado de José, redija a peça processual mais adequada à sua defesa.

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PROBLEMA 7 (OAB/SP 132) João foi processado e condenado à pena de 2 anos de reclusão,
cumprida em regime aberto, com o respectivo trânsito em julgado, pela prática de estelionato
majorado, previsto no artigo 171, § 3.º, do Código Penal, em face de um golpe financeiro que
teria, mediante ardil, induzido em erro e gerado prejuízos a entidade de direito público localizada
no centro da cidade de São Paulo. Passados dois meses após o trânsito em julgado da decisão
condenatória, surgem novas provas reconhecendo que, na realidade, a entidade de direito público
não teve qualquer prejuízo econômico em face da conduta de João.
QUESTÃO: Como advogado de João, ajuíze a peça pertinente.

AGRAVO EM EXECUÇÃO

PROBLEMA 1 (OAB/SP 112)


Quílon, por ter furtado um toca-fitas de um veículo que estava aberto e estacionado na via
pública, fato ocorrido no dia 17 de janeiro de 1999, no bairro da Penha, tendo agido sozinho, foi
condenado pelo Meritíssimo Juiz de Direito da 1ª Vara Criminal da Capital à pena de 1 (um) ano
de reclusão e multa de 10 (dez) dias-multa, em regime fechado, já transitada em julgado.
Também por furto de um toca-fitas, por delito perpetrado no dia 18 de janeiro de 1999, no
mesmo bairro e mesmas condições que o delito anterior, foi condenado, de modo irrecorrível,
pelo Meritíssimo Juiz da 2ª Vara Criminal da Capital à pena de 1 (um) ano de reclusão e multa
de 10 (dez) dias-multa, em regime fechado. Quílon encontra-se recolhido na Penitenciária do
Estado de São Paulo em virtude de ostentar outras condenações por delitos diversos. Em fase de
execução de sentença, por intermédio de Advogado, Quílon requereu a unificação de penas
relativa aos delitos de furto ocorridos nos dias 17 e 18 de janeiro de 1999, indeferida pelo
Meritíssimo Juiz sob o argumento de que os crimes são graves.
QUESTÃO: Como advogado de Quílon, hoje intimado, adote a medida judicial cabível.

PROBLEMA 2 (OAB/SP 114) Ernesto Manoel foi condenado por juízo criminal singular, a
cumprir 6 (seis) anos de reclusão, em regime prisional fechado, por ter sido incurso nas penas do
artigo 213, caput, do Código Penal. Houve recurso interposto pela defesa e o Tribunal confirmou
a sentença do juízo a quo. Contudo, o V. acórdão, expressa-mente, admitiu a progressão
meritória do regime prisional.
Já em fase de execução penal, transcorrido o lapso temporal do cumprimento da pena no regime
fechado, o condenado pleiteou transferência ao semi-aberto. O exame criminológico concluiu
favoravelmente à progressão e foi no mesmo sentido o parecer do Conselho Penitenciário.
Entretanto, apoiando-se naquele do Ministério Público, o Juiz das Execuções indeferiu o
benefício, fundamentando-se na Lei nº 8072/90.
QUESTÃO: Como advogado de Ernesto Manoel, tome a providência cabível.

PROBLEMA 3 (OAB/SP 115)


"A", com 35 anos de idade, professor de natação, convidou uma de suas alunas de nome "B", de
23 anos, moça de posses, para tomar um suco após a aula. Quando se dirigiam ao barzinho,
passaram por um bosque e "A", usando de violência, estuprou "B". Neste momento, policiais
militares que passavam por ali ouviram os gritos de "B" e efetuaram a prisão em flagrante de
"A". "A" foi processado pelo artigo 213 do Código Penal, sendo que "B" moveu uma ação
privada contra "A". Durante o processo, "A" não expressou humildade e até disse que "a vítima
na verdade gostou". "A" está cumprindo pena, já tendo descontado mais de 2/3 da reprimenda
carcerária. Agora, após tantos anos na cadeia, indenizou a vítima, tem ótimo comportamento
prisional, boa laborterapia e inclusive subsiste do seu trabalho, tendo recebido elogios do Diretor
da Unidade Prisional. Requereu o seu livramento condicional, sendo o exame criminológico
favorável, o mesmo ocorrendo com o parecer do Conselho Penitenciário. Porém, o Juiz da Vara

132
competente, impressionado com a gravidade do caso e ainda influenciado pela frase que a vítima
na verdade teria gostado, dita por "A" na época do processo, entendeu prematuro o benefício e
indeferiu a postulação. A r. decisão que indeferiu o benefício foi prolatada hoje.
QUESTÃO: Produzir a peça cabível na espécie, em favor de "A", direcionada ao Órgão
Judiciário ad quem.

PROBLEMA 4 (OAB/SP 119)


Tertuliano da Silva foi definitivamente condenado à pena de 6 anos de reclusão, em regime
inicial fechado, por infração ao artigo 157 do Código Penal, praticada em 29 de janeiro de 2000.
Acha-se condenado, também, em outros dois processos, com trânsito em julgado, às penas de 5
anos e 4 meses e 6 anos e 2 meses de reclusão, de igual modo por infração ao artigo 157 do
Código Penal, cujos fatos ocorreram, respectivamente, em 10 de janeiro e 15 de fevereiro de
2000, no mesmo bairro. Requereu junto ao Juiz da Vara das Execuções a unificação de penas,
que foi indeferida, ao fundamento de que o sentenciado agiu reiteradamente de forma criminosa.
A decisão foi publicada no Diário Oficial há dois dias e o condenado foi intimado ontem.
QUESTÃO: Como advogado de Tertuliano da Silva, cometa a ação pertinente.

PROBLEMA 5 (OAB/SP 130)


João, condenado definitivamente por vários crimes de homicídio qualificado, roubo, latrocínio e
seqüestro, a 156 (cento e cinqüenta e seis) anos de reclusão, iniciou o cumprimento de sua pena
no dia 01.09.2006. Sob o argumento de que ele pertenceria a organização criminosa, o Ministério
Público, no dia 04.09.2006, requereu sua colocação em regime disciplinar diferenciado pelo
prazo de três anos. O juiz, no dia 05.09.2006, sem ouvir o sentenciado, acatou o pedido, e
determinou o encaminhamento de João para penitenciária destinada ao cumprimento da pena no
regime disciplinar diferenciado.

PROBLEMA 6 (OAB/SP 135)


Márcio, brasileiro, solteiro, pedreiro, atualmente recluso no Centro de Readaptação Penitenciária
de Presidente Bernardes – SP, foi condenado, pelo juiz da 2.a Vara Criminal de São Paulo – SP,
a 8 anos de reclusão, em regime fechado, pela prática do crime previsto no art. 157, § 2.º, incisos
I e II. Recentemente, progrediu ao regime semi-aberto, razão pela qual ainda não faz jus à
progressão ao regime aberto. Márcio, que já cumpriu 5 anos do total da pena, tem profissão certa
e definida e está trabalhando, com carteira assinada, como pedreiro, demonstra intenção de fixar
residência na Colônia Agrícola Águas Lindas, lote 1, Guará – DF, em companhia de seus pais,
bem como de constituir uma família tão logo seja colocado em liberdade. Em razão disso, por
meio da defensoria pública, pleiteou ao juízo competente a concessão do livramento condicional.
O juiz indeferiu o pedido de livramento condicional, visto que, no relatório carcerário expedido
pelo diretor daquele estabelecimento prisional, consta uma tentativa de fuga em 22/4/2006, na
qual Márcio estivera envolvido. Entretanto, no mesmo relatório, a autoridade carcerária informa
que, atualmente, o detento, não reincidente em crime doloso, ostenta bom comportamento e
exerce trabalho externo. Considerando a situação hipotética descrita, formule, na condição de
advogado(a) contratado(a) por Márcio, a peça — diversa de habeas corpus — que deve ser
apresentada no processo.

PROGRESSÃO DE REGIME

PROBLEMA 1 (OAB/SP 132)


Carlos foi processado e condenado com trânsito em julgado pela prática de homicídio simples
(artigo 121, caput) praticado na cidade de Avaré, no ano de 2001, tendo sido condenado pelo
Juiz de Avaré à pena de 6 anos de reclusão a ser cumprida em regime fechado, em face de sua
condição de reincidente. Iniciada a execução de sua pena na Penitenciária de Avaré, passaram-se

133
exatos 2 anos desde o início do cumprimento da sua pena no regime fechado, ainda não
pleiteando Carlos qualquer benefício no âmbito da execução penal, não obstante o seu bom
comportamento na prisão e a existência da Vara de Execução na cidade de Avaré.
QUESTÃO: Como advogado de Carlos, faça a peça adequada.

LIVRAMENTO CONDICIONAL

PROBLEMA 1 (OAB/SP 109)


Manoel de Sassoferrato está condenado por homicídio qualificado a 12 (doze) anos de reclusão,
e encontra-se recolhido na Penitenciária do Estado de São Paulo. Não é reincidente. Em ação
própria na esfera cível reparou o dano. Já cumpriu mais de 2/3 (dois terços) da pena imposta,
sempre com excelente comportamento carcerário, aprendeu ofício e já tem emprego certo para
quando estiver em liberdade.
QUESTÃO: Como advogado de Manoel de Sassoferrato lance mão da medida cabível visando
sua libertação.

SEQUESTRO

PROBLEMA 1
Nos autos do inquérito policial, ainda vinculado ao juízo do Departamento de Inquéritos Policiais
da Capital de SP– DIPO –, ficou evidenciado que Graciliano, o autor do furto, logo após a sua
prática, adquiriu imóvel cujo valor coincide com o do numerário subtraído conforme escritura
lavrada em Cartório e registrada no serviço imobiliário competente.
QUESTÃO: Como advogado da vítima "B", atuar no escopo de obter o ressarcimento.

134
9. GABARITO.

RELAXAMENTO DE FLAGRANTE

PROBLEMA 1
Relaxamento da prisão em flagrante dirigido ao juiz da Vara do Júri, em razão da apresentação
espontânea (art. 317, CPP), que afasta o estado de flagrância.

PROBLEMA 2
Pedido de relaxamento da prisão em flagrante dirigido ao juiz de direito da Vara do Júri,
sustentando a ilegalidade da prisão, uma vez que a situação descrita não se encontra nas
hipóteses elencadas no art. 302, CPP, já que o preso foi encontrado uma semana após o crime,
sem que tenha, ao menos, sido perseguido.

PROBLEMA 3
PEÇA: PEDIDO DE RELAXAMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE (art. 5º, LXV, da CF).
COMPETÊNCIA: JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ___.
TESE: PRISÃO EM FLAGRANTE DECRETADA FORA DAS HIPÓTESES AUTORIZADAS
PELO ART. 302 DO CPP.
PEDIDO: RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE E EXPEDIÇÃO DO
COMPETENTE ALVARÁ DE SOLTURA.
FUNDAMENTO: O crime de tráfico de drogas, na forma “fornecer”, é um crime instantâneo (e
não permanente, como entendeu o delegado). Ademais, o crime de tráfico de drogas é um crime
formal, cabendo, portanto, prisão em flagrante apenas no momento da prática do delito (a prisão
em flagrante não poderá ocorrer no momento do exaurimento do delito). Sendo assim, não houve
o flagrante impróprio ou quase-flagrante (art. 302, III, do CPP), vez que NÃO houve perseguição
logo após a prática da infração (os policiais prenderam o Requerente no seu local de trabalho, no
dia seguinte ao da acusação feita), NEM presunção de autoria do delito (já que não foi
encontrado nenhum objeto ou substância que o ligasse ao tráfico de drogas).

PROBLEMA 4
No caso em comento, a peça processual cabível é o relaxamento de prisão, em face do art. 5.º,
LXV, da Constituição Federal, que determina que “a prisão ilegal será imediatamente relaxada
pela autoridade judiciária”.
[O examinando que fizer habeas corpus (peça não privativa de advogado) deve obter a nota zero
no quesito raciocínio jurídico. Frise-se que, devido a ilegalidade no flagrante, não é a liberdade
provisória o meio tecnicamente correto para obter-se a soltura de Pedro Paulo e, sim, o
relaxamento de prisão. Na prática, porém, é comum que os advogados cumulem o pedido de
relaxamento de prisão com o de liberdade provisória, o que poderá ser aceito. Aqueles que se
limitarem à liberdade provisória, deverão perder ponto no quesito domínio do raciocínio jurídico.
Prender em flagrante é capturar alguém no momento em que comete um crime. O que é flagrante
é o delito; a flagrância é uma qualidade da infração: o sujeito é preso ao perpetrar o crime, preso
em (a comissão de) um crime flagrante, isto é, atual. É o delito que está se consumando. Prisão
em flagrante delito é a prisão daquele que é surpreendido cometendo uma infração penal. Não
obstante seja esse o seu preciso significado, o certo é que as legislações alargaram um pouco esse
conceito, estendendo-o a outras situações.
Daí dizer o art. 302 do CPP que se considera em flagrante delito quem:
I está cometendo a infração penal; II) acaba de cometê-la; III) é perseguido, logo após, pela
autoridade, pelo ofendido, ou por qualquer pessoa, em qualquer situação que faça presumir ser o
autor da infração; IV) é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis,
que façam presumir ser ele o autor da infração.

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As duas primeiras modalidades são consideradas flagrante próprio, a terceira, flagrante
impróprio ou quase flagrante e, finalmente, a última, flagrante presumido. Ora, das três
modalidades acima expostas, nenhuma destas ocorreu no caso em tela, conforme pode-se
observar da situação narrada. Com efeito, no momento em que foi detido pela polícia, Pedro
Paulo não estava cometendo a infração penal, nem havia acabado de cometê-la (flagrante
próprio); não foi perseguido pela polícia ou por qualquer pessoa, logo após, em situação que faça
presumir ser ele o autor da infração (flagrante impróprio), nem foi encontrado, logo depois, com
nenhum objeto que faça presumir ser ele autor da infração que lhe foi imputada. Se há indícios,
ou não, de seu envolvimento no crime de furto qualificado, isso terá que ser apurado durante a
instrução criminal, com obediência aos princípios da ampla defesa e do contraditório, não
podendo, todavia, os fatos apurados sustentar uma prisão em flagrante. Ressalte-se que não
houve flagrante nenhum com relação a Pedro Paulo, uma vez que o mesmo, conforme se verifica
do auto de prisão em flagrante, “foi convidado para que se fizesse presente naquela delegacia de
polícia, o que o fez, imediata e espontaneamente”.
Está, assim, Pedro Paulo sofrendo coação por parte da Autoridade Policial, uma vez que o
mesmo não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 302 do Código de Processo Penal.
De tal entendimento não discrepam nossos tribunais, senão vejamos:
“Prisão em flagrante — Inocorrência — Agente que não foi surpreendido cometendo a infração
penal, nem tampouco perseguido imediatamente após sua prática, não sendo encontrado,
ademais, em situação que autorizasse presunção de ser o seu autor.” (TJSP - Câm. Crim. h.c. n.º
128.260, RJTJESP 39/256)
“Prisão em flagrante — Inocorrência — Inteligência dos arts. 302 e 317 do CPP — O caráter de
flagrante não se coaduna com a apresentação espontânea do acusado à autoridade policial.
Inexiste prisão em tais circunstâncias.” (TJSP Câm. Crim. h.c. n.º 126.351, RT 82/296)
Em verdade, a apresentação espontânea do requerente desfigura, por imprópria, a lavratura do
auto de prisão em flagrante. Nesse sentido, a doutrina de Magalhães Noronha nos ensina que:
“apresentando-se o acusado, nem por isso a autoridade poderá prendê-lo: deverá mandar lavrar o
auto de apresentação, ouvi-lo-á e representará ao juiz quanto à necessidade de decretar a custódia
preventiva. Inexiste prisão por apresentação” (in Curso de Direito Processual Penal).
Assim, por todo o exposto, deve-se requerer o relaxamento da prisão em flagrante delito levada a
efeito, uma vez ser esta totalmente nula, o que constitui prisão ilegal.
Não obstante ser necessária, para a prisão cautelar, apenas a existência da materialidade do crime
e indícios da autoria, não se pode, por outro lado, desconsiderar que a autoria deve vir ao menos
comprovada com o mínimo de prova — leiam-se aí indícios idôneos — pois, em caso contrário,
o jus libertatis estaria seriamente comprometido, e, reflexamente, o Estado Democrático de
Direito. Por fim, a reincidência não poderá prejudicar o pedido de relaxamento de prisão, com
base na periculosidade presumida do indiciado, segundo jurisprudência do STJ:
A Suprema Corte tem reiteradamente reconhecido como ilegais as prisões preventivas
decretadas, por exemplo, com base na gravidade abstrata do delito (HC 90.858/SP, Primeira
Turma, Rel. min. Sepúlveda Pertence, DJU de 21/06/2007; HC 90.162/RJ, Primeira Turma, Rel.
min. Carlos Britto, DJU de 28/06/2007); na periculosidade presumida do agente (HC 90.471/PA,
Segunda Turma, Rel. min. Cezar Peluso, DJU de 13/09/2007); no clamor social decorrente da
prática da conduta delituosa (HC 84.311/SP, Segunda Turma, Rel. min. Cezar Peluso, DJU de
06/06/2007) ou, ainda, na afirmação genérica de que a prisão é necessária para acautelar o meio
social (HC 86.748/RJ, Segunda Turma, Rel. min. Cezar Peluso, DJU de 06/06/2007). Em
resumo, nos casos de presunção “juris tantum” da desnecessidade da custódia cautelar, quais
sejam, de réu solto, primário e de bons antecedentes, como na Lei, ou de réu que responde, solto,
ao processo da ação penal, ainda que de maus antecedentes e reincidente, como na jurisprudência
deste Superior Tribunal de Justiça, a sua prisão, até o trânsito em julgado de sua condenação,
somente será legal e conforme a Constituição da República, se demonstrada a sua necessidade
pelo Juiz.(AgRg na MC 6576 / PR Agravo regimental na medida cautelar 2003/0105593-0) A

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privação cautelar da liberdade individual reveste-se de caráter excepcional (HC 90.753/RJ,
Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJU de 22/11/2007), sendo exceção à regra (HC
90.398/SP, Primeira Turma. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJU de 17/05/2007). Assim, é
inadmissível que a finalidade da custódia cautelar, qualquer que seja a modalidade (prisão em
flagrante, prisão temporária, prisão preventiva, prisão decorrente de decisão de pronúncia ou
prisão em razão de sentença penal condenatória recorrível) seja deturpada a ponto de configurar
uma antecipação do cumprimento de pena (HC 90.464/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, DJU de 04/05/2007). O princípio constitucional da não-culpabilidade se por um
lado não resta malferido diante da previsão no nosso ordenamento jurídico das prisões cautelares
(Súmula n.º 09/STJ), por outro não permite que o Estado trate como culpado aquele que não
sofreu condenação penal transitada em julgado (HC 89501/GO, Segunda Turma, Rel. Min. Celso
de Mello, DJU de 16/03/2007). Desse modo, a constrição cautelar desse direito fundamental (art.
5.º, inciso XV, da Carta Magna) deve ter base empírica e concreta (HC 91.729/SP, Primeira
Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJU de 11/10/2007).
Assim, a prisão preventiva se justifica desde que demonstrada a sua real necessidade (HC
90.862/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Eros Grau, DJU de 27/04/2007) com a satisfação dos
pressupostos a que se refere o art. 312 do Código de Processo Penal, não bastando, frise-se, a
mera explicitação textual de tais requisitos (HC 92.069/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar
Mendes, DJU de 09/11/2007). Não se exige, contudo, fundamentação exaustiva, sendo suficiente
que o decreto constritivo, ainda que de forma sucinta, concisa, analise a presença, no caso, dos
requisitos legais ensejadores da prisão preventiva (RHC 89.972/GO, Primeira Turma, Rel.ª Min.ª
Cármen Lúcia, DJU de 29/06/2007). Desse modo, deve ser expedido em favor de Pedro Paulo o
competente alvará de soltura.

LIBERDADE PROVISÓRIA

PROBLEMA 1
Liberdade provisória sem fiança, tendo em vista as condições subjetivas favoráveis ao preso e,
por conseguinte, ausência dos requisitos para a prisão preventiva. Fundamento: art. 310,
parágrafo único do CPP.

PROBLEMA 2
Liberdade provisória com ou sem fiança apoiando-se no mérito pessoal do preso, médico
estabelecido que não vai oferecer risco para o processo.

PROBLEMA 3
O candidato deve fazer um pedido de liberdade provisória em favor de Daniel. Sabidamente,
ninguém deverá ser recolhido à prisão senão após o trânsito em julgado de sentença
condenatória. A custódia cautelar, desta forma, apenas é prevista nas hipóteses de absoluta
necessidade, conforme se depreende do artigo 5.º da Constituição Federal (incisos LXVI –
“ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com
ou sem fiança;” e LVII – “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória.”). Assim sendo, houve a necessidade de estabelecer institutos com
a finalidade de assegurar o regular desenvolvimento do processo, sem que ocorresse qualquer
prejuízo à liberdade do acusado. Na nossa legislação pátria, esse instituto é a liberdade
provisória. Para o deferimento da liberdade provisória, exige o estatuto processual a inocorrência
das hipóteses previstas nos seus artigos 311 e 312. Atualmente, somente se admite a
continuidade da segregação caso resulte demonstrada a sua necessidade diante da análise dos
requisitos objetivos e subjetivos que autorizam a prisão preventiva. No caso em análise, não
estão presentes os requisitos da prisão preventiva pois o requerente é primário e possui residência
fixa, nada indicando que, em liberdade, venha a ausentar-se do distrito da culpa, dificultando a

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aplicação da lei penal, nem que venha a causar perturbações durante a instrução criminal,
dificultando a prova. Deve ser ressaltada, na resposta, a natureza do delito, pois não se trata de
crime no qual se tenha utilizado de violência ou grave ameaça. Por fim, deve ser requerida a
concessão de liberdade provisória mediante fiança, já que se trata de crime contra a economia
popular, e, nos termos do art. 325, § 2.º, nos casos de prisão em flagrante pela prática de crime
contra a economia popular ou de crime de sonegação fiscal, não se aplica o disposto no art. 310 e
parágrafo único do Código de Processo Penal. Assim, a liberdade provisória somente poderá ser
concedida mediante fiança, por decisão do juiz competente e após a lavratura do auto de prisão
em flagrante. Ressalte-se que não incide na hipótese o art. 350 do CPP, pois não se trata de
requerente comprovadamente pobre.
Lei n.º 1.521, de 26 de dezembro de 1951
Art. 1.º - Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes e as contravenções contra a economia
popular. Esta Lei regulará o seu julgamento.
Art. 3.º - São também crimes desta natureza:
I - destruir ou inutilizar, intencionalmente e sem autorização legal, com o fim de determinar alta
de preços, em proveito próprio ou de terceiro, matérias-primas ou produtos necessários ao
consumo do povo;
CPP, Art. 325 - O valor da fiança será fixado pela autoridade que a conceder nos seguintes
limites:
a) de 1 (um) a 5 (cinco) salários mínimos de referência, quando se tratar de infração punida, no
grau máximo, com pena privativa da liberdade, até 2 (dois) anos;
b) de 5 (cinco) a 20 (vinte) salários mínimos de referência, quando se tratar de infração punida
com pena privativa da liberdade, no grau máximo, até 4 (quatro) anos;
c) de 20 (vinte) a 100 (cem) salários mínimos de referência, quando o máximo da pena cominada
for superior a 4 (quatro) anos.
§ 1º - Se assim o recomendar a situação econômica do réu, a fiança poderá ser:
I - reduzida até o máximo de dois terços;
II - aumentada, pelo juiz, até o décuplo.
§ 2º - Nos casos de prisão em flagrante pela prática de crime contra a economia popular ou de
crime de sonegação fiscal, não se aplica o disposto no Art. 310 e parágrafo único deste Código,
devendo ser observados os seguintes procedimentos:
I - a liberdade provisória somente poderá ser concedida mediante fiança, por decisão do juiz
competente e após a lavratura do auto de prisão em flagrante;
II - o valor de fiança será fixado pelo juiz que a conceder, nos limites de dez mil a cem mil vezes
o valor do Bônus do Tesouro Nacional – BTN, da data da prática do crime;
III - se assim o recomendar a situação econômica do réu, o limite mínimo ou máximo do valor da
fiança poderá ser reduzido em até nove décimos ou aumentado até o décuplo.
Ressalte-se que o candidato que propuser habeas corpus (peça não privativa de advogado), ou
qualquer outra peça, deve obter a nota zero no quesito raciocínio jurídico.

QUEIXA-CRIME

PROBLEMA 1
Oferecimento de queixa-crime, com estrita observância do artigo 41 do CPP. Trata-se de ação
penal privada subsidiária da pública, em conformidade com o artigo 100 § 3º do CP em virtude
da inércia do Ministério Público em oferecer denúncia no prazo legal (requerimento endereçado
ao juízo de uma das Varas Criminais da Capital).

PROBLEMA 2
Deverá ser redigida Queixa-Crime contra Antoine, narrando o crime de atentado violento ao
pudor e requerendo o processamento do feito, seguindo-se o rito ordinário.

138
PROBLEMA 3
PEÇA: Queixa-Crime
ENDEREÇAMENTO: Juizado Especial Criminal de São Paulo, art.61, Lei nº 9.099/95, com
redação dada pela Lei nº 11.313/06.
PEDIDO: Condenação de João pela prática de assédio sexual, art.216-A, c.c., art.225, ambos do
CP.

PROBLEMA 4
PEÇA: QUEIXA-CRIME (ART. 100, §1º, do CP e art. 30 do CPP).
COMPETÊNCIA: JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA COMARCA
DE ___.
TESE: CRIME DE INJÚRIA REAL COM VIAS DE FATO (art. 140, § 2º, do CP) + CAUSA
DE AUMENTO DE PENA (art. 141, III, do CP)
PEDIDO: RECEBIMENTO E AUTUAÇÃO DA QUEIXA-CRIME + CITAÇÃO DA
QUERELADA PARA SER INTERROGADA, PROCESSADA E CONDENADA NA PENA
DO CRIME PREVISTO NO ART. 140, § 2º, COMBINADO COM O ART. 141, III, AMBOS
DO CP + NOTIFICAÇÃO E OITIVA DAS TESTEMUNHAS ARROLADAS (COLOCAR O
ROL DE TESTEMUNHAS).
FUNDAMENTO: A Querelante teve a sua honra subjetiva ofendida pela Querelada,
configurando, assim, o crime de injúria. Trata-se, inclusive, de um crime de injúria qualificado
por vias de fato (injúria real), vez que, além das ofensas, a Querelada cuspiu no rosto da
Querelante. Ademais, incidirá, ainda, a causa de aumento do art. 141, III, do CP, pois o crime foi
praticado na presença de inúmeras pessoas.

DEFESA PRELIMINAR

PROBLEMA 24
Defesa Preliminar prevista no art. 55 da Lei nº 11.343/06, onde deverá ser sustentada a inépcia
da denúncia, que é vaga e imprecisa. Pedido: rejeição da denúncia.

ALEGAÇÕES FINAIS

PROBLEMA 1
Alegações finais sob a forma de memoriais, apresentadas perante o Juízo do Júri (onde houver),
de conformidade com o artigo 411, §4º, do Código de Processo Penal, invocando o titulado
crime impossível (artigo 17 do Código Penal); pois, houve ineficácia absoluta do meio
empregado.

PROBLEMA 2
Alegações Finais, com base no artigo 403, §3º, do CPP.
Endereçamento: Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 12ª Vara Criminal da Capital.
Conteúdo da peça: Abordar que o Ministério Público não tem razão, já que o crime é de uso de
documento falso. No caso, o acusado não estava portando o documento que também não foi
exibido (daí não haver uso). Como o documento foi "encontrado no armário", a conduta de "A" é
atípica.
Requerer: A improcedência da ação penal nos termos do artigo 386, III, do CPP.

PROBLEMA 3
Peça profissional adequada: Alegações finais de defesa.
Competência: Juiz de Direito da Vara do Júri

139
Fundamento: Artigo 411, §4º, do Código de Processo Penal.
Argumento: Crime impossível, artigo 17 do Código Penal. Arma desmuniciada configura
ineficácia absoluta do meio. O fato não é punido, sequer, a título de tentativa. Pedido:
impronúncia por inexistência de crime (artigo 409, Código de Processo Penal), salientando que o
Ministério Público equivocadamente requereu a condenação, quando o correto seria a pronúncia.

PROBLEMA 4
Deverá ser cumprida a fase do artigo 403, §3º, do CPP, com a apresentação de alegações finais
perante o Juízo da 1ª Vara Criminal da Capital.
A postulação é de absolvição com fulcro no inciso I, do artigo 386, do CPP ("estar provada a
inexistência do fato"), expedindo-se alvará de soltura.
A prova reunida no processo não evidencia ter o réu ingressado em atos de execução, nos moldes
do tipo penal que lhe foi imputado (art. 157, "caput", do C.P.). O fato de contar com antecedentes
insalubres não tem o condão de conduzir o juiz para um decreto de reprovação.
A postulação ministerial vem firmada em suposição, que viola o princípio da presunção legal de
inocência.

PROBLEMA 5
Peça: alegações finais (art. 403, §3º, CPP). Dirigida ao juiz do processo.
Alegações possíveis:
a) nulidade do interrogatório em virtude da ausência do defensor;
b) requerimento para instauração de exame de dependência toxicológica;
c) absolvição – não basta a confissão, não foi reconhecido pela vítima, testemunhas não imputam
a ele o fato.

PROBLEMA 6
Alegações finais. Dirigida ao juiz de direito.
Fundamentos: pedido de absolvição, de nulidade e de afastamento da qualificadora do inciso I.
Absolvição - falta de provas suficientes para a condenação, observando-se que os testemunhos
são indiretos, não presenciais, não sendo suficiente a palavra do co-réu e o encontro do dinheiro;
nulidade pela realização do interrogatório de Antônio sem a presença do advogado de Luís e
ofensa ao contraditório. Afastamento das qualificadoras – não há prova de uso da arma e de que
os dois cometeram os crimes.

PROBLEMA 7
PEÇA: ALEGAÇÕES FINAIS (art. 403, §3º, do CPP).
COMPETÊNCIA: JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE
TESE E PEDIDO: FALTA DE JUSTA CAUSA EM RELAÇÃO AO CRIME DE
CORRUPÇÃO DE MENORES + AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA DO CRIME DE
FURTO
FUNDAMENTOS: O menor já teve diversas passagens pela Vara da Infância e Juventude,
inclusive tendo cumprido medida sócio-educativa de internação. Além disso, o menor era
conhecido nas redondezas por praticar pequenos furtos, desconfigurando a prática do crime de
corrupção de menores. Em relação ao crime de furto qualificado, cumpre ressaltar que em
nenhum momento houve provas suficientes de que o réu escalou o muro ou arrebentou o portão
da casa da vítima. (in dubio pro reo).

PROBLEMA 8
PEÇA: ALEGAÇÕES FINAIS (art. 403, §3º, do CPP)
COMPETÊNCIA: JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DO RIO DE
JANEIRO.

140
TESES: NULIDADE DO PROCESSO (art. 564 do CPP) e FALTA DE JUSTA CAUSA (art.
386, VI, do CPP = causa excludente de antijuridicidade).
PEDIDO: ABSOLVIÇÃO DO RÉU E, SUBSIDIARIAMENTE ANULAÇÃO DO PROCESSO
“AB INITIO”
FUNDAMENTOS: Em primeiro lugar, o crime é infração de menor potencial ofensivo, sujeito,
portanto, ao procedimento especial da Lei 9.099/95 (e não ao procedimento comum ordinário).
Desse modo, deveria ter sido lavrado um Termo Circunstanciado (em substituição ao Inquérito
Policial) e encaminhado ao Juizado Especial. Em seguida, deveria ter sido realizada a audiência
preliminar de conciliação (possibilidade de composição civil e transação penal) e, somente na
falta de acordo, oferecida a denúncia.
Ocorre que o crime de lesão corporal leve é um crime de ação penal pública condicionada à
representação. No caso em tela, não houve a representação do ofendido, tornando nula a
denúncia do promotor. Cumpre ressaltar, ainda, que a denúncia do promotor é inepta, pois não
preenche todos os requisitos exigidos pelo art. 41 do CPP.
Apesar de, no Juizado Especial, estar dispensado o exame de corpo de delito, deve existir laudo
médico comprovando a materialidade do delito (fato que também não ocorreu no problema
acima).
Por fim, o réu agiu em legítima defesa (causa excludente de antijuridicidade).

PROBLEMA 9
PEÇA: ALEGAÇÕES FINAIS, Art. 411, §4º, CPP
COMPETÊNCIA: JUIZ DE DIREITO DA _ VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA
COMARCA DE _
TESE: FALTA DE JUSTA CAUSA (IN DUBIO PRO REO)
PEDIDO: IMPRONÚNCIA DO RÉU (ART. 414 CPP)
FUNDAMENTOS: Na incerteza da autoria do delito, prevalece a impronúncia, por falta de
provas. O princípio do in dúbio pro reo é garantia constitucional.

PROBLEMA 10
PEÇA : ALEGAÇÕES FINAIS
COMPETÊNCIA : JUIZ DE DIREITO DA _ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE
PEDIDO: DECLARAÇÃO DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
TESE: EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
FUNDAMENTOS: Abolitio criminis. A Lei 11.106/2005 revogou o crime de sedução do CP,
tornando o fato atípico.

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

PROBLEMA 1
a) Recurso cabível: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO;
b) Órgão competente: Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: artigo 581, inciso IV do C.P.P.;
d) Prazo para interposição: 05 (cinco) dias, art. 586 do C.P.P..
Deve-se interpor Recurso em Sentido Estrito ao Juiz da Vara do Júri requerendo a
reconsideração da R. decisão. Em caso de manutenção da mesma, requerer, desde logo, que os
autos subam ao Tribunal competente. As razões do recurso deverão ser dirigidas ao Tribunal de
Justiça, competente por tratar-se de crime doloso contra a vida. A argumentação e a
fundamentação deverão invocar a legítima defesa como excludente de ilicitude, requerendo a
reforma em inteiro teor da decisão de primeiro grau, a fim de que o acusado seja absolvido
sumariamente (art. 415 do C.P.P.), com fundamento no artigo 25 do Código Penal, revogando-se
a Medida de Segurança.

141
Aceitar-se-ia para a solução do problema a interposição de um pedido de HC endereçado ao
Tribunal de Justiça desde que o mesmo esteja fundamentado na modificação de absolvição
sumária para que os julgadores acatem a legítima defesa como excludente de ilicitude de
conformidade com o artigo 25 do Código Penal; pleiteando-se ainda a revogação da medida de
segurança.

PROBLEMA 2
Trata-se de Recurso em Sentido Estrito em duas petições. A primeira de interposição endereçada
ao Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 1ª Vara do Júri da Capital, fundamentada no artigo 581,
inciso IV do Código de Processo Penal, sendo que nesta petição deverá constar o juízo de
retratabilidade. A segunda petição deverá ser endereçada ao Egrégio Tribunal de Justiça, sendo
que "A" agiu em estado de necessidade, nos exatos termos do artigo 24 do Código Penal,
podendo também ser suscitado o artigo 23, inciso I do Código Penal. Ao final o candidato deverá
postular a absolvição sumária com base no artigo 415 do Código de Processo Penal.

PROBLEMA 3
Trata-se de um recurso em sentido estrito, que deverá ser elaborado em duas petições:
A primeira, de interposição, no prazo de cinco dias, ao Juiz de Direito da 1ª Vara do Júri, com
fundamento no art. 581, IV do C.P.P.. O juízo de retratação deverá ser observado pelo candidato.
A segunda, de razões em recurso de sentido estrito, deverá ser endereçada ao Tribunal de Justiça,
postulando-se a desclassificação para o crime de lesões corporais seguidas de morte – art. 129
parágrafo 3º do C.P. - para que o réu seja julgado perante uma vara singular.
Não houve dolo eventual no caso em tela, que autorizasse a imputação de homicídio doloso.
O recurso deverá ser fundamentado ao final, com o disposto no artigo 419 do C.P.P.

PROBLEMA 4
Peça – Recurso em sentido estrito.
Endereçamento –Tribunal de Justiça
Pedido – Alteração pelo juiz. Se mantida, reforma pelo tribunal. Finalidade: recebimento da
apelação e seu processamento.
Fundamento – Segundo forte corrente doutrinária e jurisprudencial, o assistente pode recorrer
para pleitear agravamento da pena. Ele atua como auxiliar do Ministério Público e não defende,
exclusivamente, interesse próprio de natureza civil.

PROBLEMA 5
Peça – Recurso em sentido estrito (art. 581, IV)
Endereçamento –Tribunal de Justiça.
Pedido e fundamento – Afastamento das qualificadoras. Afastamento da qualificadora do motivo
fútil porque cuspir no rosto de outra pessoa pode configurar, até mesmo, crime de injúria, e não é
insignificante. Afastamento da qualificadora da traição porque não fora incluída na denúncia,
havendo necessidade de aditamento. Pode-se, também, pleitear a nulidade da pronúncia pela
inclusão da segunda qualificadora.

PROBLEMA 6
Recurso em sentido estrito
Habeas corpus (só para a declaração de nulidade)
Fundamento – Havia necessidade de suspensão do processo conforme dispõe o artigo 366 do
Código de Processo Penal. No mérito, há dúvida razoável sobre a autoria. O reconhecimento
fotográfico, apesar de admitido, não se prestaria à comprovação da autoria. A prova testemunhal
é controvertida, pois, enquanto uma afirma que o acusado era o autor dos disparos, outra
assevera que ele estava fora do país. Não é correto afirmar que, na decisão de pronúncia, vigora o

142
princípio “in dubio pro societate”, pois a dúvida razoável, em virtude do princípio do favor rei,
beneficia o acusado, mesmo em relação a essa espécie de decisão.

Pedido no Recurso em sentido estrito:


Preliminar - declaração de nulidade;
Mérito - impronúncia.

Pedido no habeas corpus: declaração da nulidade.

PROBLEMA 7
PEÇA: Recurso em Sentido Estrito
ENDEREÇAMENTO: Tribunal Regional Federal da 3ª Região
PEDIDO: Impronúncia de João pela não existência de indícios suficientes de que seja o réu o seu
autor, art.414, CPP.

PROBLEMA 8
A peça pertinente constitui na interposição do Recurso em Sentido Estrito perante o Tribunal de
Justiça de São Paulo, tendo como fundamento o artigo 581, inciso IV, do CPP, contrariando a
decisão de pronúncia proferida pelo juiz de Itu, vez que os fatos não configuram infração dolosa
já que não houve assunção do risco com indiferença quanto ao resultado, não sendo suficiente
para a caracterização do dolo a presença da assunção do risco, vez que obrigatória também a
indiferença quanto ao resultado, podendo o candidato alegar no recurso em sentido estrito pela
desclassificação por conduta culposa, negando o dolo eventual, destacando que o recurso em
sentido estrito é o recurso apropriado, já que não há informação de que o pronunciado está preso,
sendo admissível subsidiariamente o habeas corpus, caso o candidato considere que o
pronunciado esteja preso, sendo, entretanto, mais apropriado o recurso em sentido estrito.

PROBLEMA 9
Recurso em sentido estrito contra a decisão de pronúncia.
Dirigido ao juiz e ao tribunal.
Pedidos: absolvição sumária porque agiu em legítima defesa de sua propriedade, com remessa
dos autos ao juiz competente para o exame do crime conexo; afastamento das qualificadoras: não
agiu por motivo torpe, pois não sabia quem eram as pessoas que invadiram a sua casa; não houve
surpresa, pois é possível que o dono de uma residência reaja ao ingresso de pessoa estranha em
sua casa. Não se pode invocar mais, segundo doutrina atual, o princípio do in dubio pro societate
na pronúncia.

PROBLEMA 10
Peça - Recurso em sentido estrito. Órgão competente - Tribunal de Justiça. Juiz de direito – juízo
de retratação.
Pedidos: impronúncia e afastamento das qualificadoras.
Fundamentos: Impronúncia: falta de prova, inaplicabilidade do princípio “in dubio pro
societate”; prova ilícita (interceptação se destinava à descoberta de outro crime, tendo havido
encontro casual). Afastamento da qualificadora do inciso I, porque em nenhum momento houve
referência a pagamento feito por Mário, do inciso II, porque ciúme não configura motivo fútil;
III e IV porque não se comunicariam, no caso, não sendo previsível o uso de explosivo e de
recurso que impossibilitaria a defesa.

PROBLEMA 11
Tribunal competente – Tribunal de Justiça
Peça adequada – Contra-Razões de Recurso em Sentido Estrito (art. 581, I e 588 do C.P.P.)

143
Pontos a serem abordados – inépcia da inicial por falta do rol de testemunhas, por falta de
qualificação do indiciado e por fazer inserir circunstâncias totalmente divorciadas da realidade
(art. 41 e 395 do C.P.P.)
Crime prescrito – art. 109 + 107 C.P.

PROBLEMA 12
PEÇA: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO (art. 581, IX, do CP). OBS: Lembrar que RESE
tem juízo de retratação.
COMPETÊNCIA: JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ___
(INTERPOSIÇÃO DO RECURSO) + TRIBUNAL DE JUSTIÇA (RAZÕES DO RECURSO).
TESE: PEREMPÇÃO - EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE (art. 60, I, do CPP c/c art. 107, IV,
do CP).
PEDIDO: DECLARAÇÃO DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE.
FUNDAMENTO: A ação penal privada é norteada, entre outros, pelo princípio da
disponibilidade, ou seja, a vítima pode desistir da ação proposta. A perempção é um instituto
decorrente do princípio da disponibilidade da ação penal privada, ou seja, é uma sanção
processual imposta ao querelante inerte ou negligente na condução do processo, acarretando a
extinção da punibilidade (a qual deverá ser, inclusive, declarada de ofício pelo juiz – art. 61 do
CPP). No caso em tela, ocorreu a perempção com base no art. 60, I, do CPP e,
conseqüentemente, a extinção da punibilidade (art. 107, IV, do CP).

APELAÇÃO

PROBLEMA 1
Recurso de Apelação - art. 593, do CPP
Interposição: ao Juiz da 28º Vara
Razões: ao Tribunal de Justiça de São Paulo
Tese Principal: Não há que se falar de furto, de vez que "A" é inquilino e tem a posse do imóvel
(falta o denominado "animus furandi"). Ademais, só os antecedentes são insuficientes para
magistrado formar seu convencimento quanto a autoria.
Requerer: reforma da sentença (absolvição) - art. 386, III.

PROBLEMA 2
Interposição e razões de recurso de Apelação
Competência do Tribunal de Justiça
Desenvolver a tese de regular exercício do direito previsto no art. 5º, LXIII, da Constituição
Federal, que não pode ser interpretado em desfavor do acusado, transformando o seu silêncio na
polícia em presunção de culpa.
Pedido de absolvição por insuficiência de provas - art. 386, inciso VII, do CPP.
A impetração de habeas-corpus deverá ser considerada errada e suficiente para a reprovação do
candidato.

PROBLEMA 3
Interposição e razões de recurso de apelação - competência do Tribunal de Justiça
Pedido de anulação do julgamento por deficiência dos quesitos.
Vício insanável do questionário, que independe de reclamação oportuna. (art. 564, parágrafo
único, do CPP).
A impetração de habeas-corpus deverá ser considerada errada e suficiente para a reprovação do
candidato.

PROBLEMA 4

144
Trata-se de uma Apelação, composta por duas petições. A primeira de interposição, endereçada
ao Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 1º Vara Criminal do Foro Central da Capital, no prazo de 5
dias, com fulcro no art. 593, inciso I, do CPP. A segunda petição deverá ser endereçada ao
Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, na qual deve ser postulada a absolvição do
apelante, visto que o fato não constitui infração penal.
O STF, por meio da Súmula 246, examinou esta matéria, entendendo que o fato é atípico, pois
não há fraude e o estelionato não existe a não ser com cheque emitido para pronto pagamento,
não como promessa de dívida; também há jurisprudência neste sentido. Deverá ao final ser
postulada a absolvição do apelante "A" com fulcro no art. 386, inciso III do CPP.

PROBLEMA 5
Deverá ser apresentada, em 8 (oito) dias, nos termos do artigo 600, do Código de Processo Penal,
as razões de apelação. As razões são apresentadas no juízo "a quo", sendo que o arrazoado é
direcionado aos Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Deverá ser requerida a reforma da sentença (ou provimento do recurso) para os fins de absolver o
apelante, nos termos do artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal, já que atípica a
conduta de "A". O apelante não realizou as condutas núcleo do tipo que são "oferecer" ou
"prometer" vantagem indevida, mas deu a importância por imposição do funcionário, o que,
segundo Delmanto, "não há corrupção ativa, mas concussão praticada pelo funcionário".

PROBLEMA 6
a) Peça adequada: RECURSO DE APELAÇÃO;
b) Interposição: a uma das Varas Federais Criminais;
c) Competência: Tribunal Regional Federal 3ª Região.;
d) Fundamento: art. 593, inciso I do C.P.P.
Argumento: Deve-se interpor recurso de apelação a qualquer Vara Criminal Federal. As razões
do recurso devem ser dirigidas ao Tribunal Regional Federal. Há interesse em apelar da sentença
absolutória pois houve um prejuízo na esfera administrativa que poderá ser revisto se o Tribunal
reconhecer a inexistência do fato.
Assim, a fundamentação deve ser deduzida neste sentido, requerendo-se a absolvição, com
fundamento no artigo 386, inciso I do C.P.P..

PROBLEMA 7
A solução é a interposição do recurso de apelação perante o juízo de primeira instância, seguido
das razões endereçadas ao Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo.
Nas razões postular de forma mais ampla a absolvição do apelante, enquanto que
subsidiariamente (tese principal) pleitear a desclassificação do crime com base no artigo 29, § 2º,
1ª parte do Código Penal, pela participação idealizada em delito de menor gravidade.

PROBLEMA 8
Peça – Apelação
Endereçamento –Tribunal de Justiça.
Pedido – Reforma pelo tribunal. Absolvição.
Fundamento – Quando alguém recebe valor em dinheiro como pagamento de seus serviços e
não os executa não comete apropriação indébita. O dinheiro que é entregue passa a ser de sua
propriedade. A questão, assim, é estritamente civil, não penal.

PROBLEMA 9
Peça – Apelação
Endereçamento – Tribunal de Justiça.

145
Pedidos: crime único, desclassificação para tentativa de latrocínio e inconstitucionalidade do
regime integralmente fechado.
Fundamentos:
Crime único – Existe forte entendimento no sentido de que a morte do co-autor não serve para
afirmar a existência de concurso material, por ser ele sujeito ativo e não passivo do crime.
Desclassificação para tentativa de latrocínio – Embora haja súmula do Supremo Tribunal Federal
no sentido de que “há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize
o agente a subtração de bens da vítima” (Súmula 610), poderia ser sustentada a tese de tentativa
de latrocínio, aceita em alguns acórdãos, porque não houve a subtração.
Inconstitucionalidade do regime integralmente fechado – Há posicionamento no sentido de que a
fixação de regime integralmente fechado fere a garantia constitucional de individualização da
pena. Cuida-se de posição que, no momento, está sendo objeto de especial atenção do Supremo
Tribunal Federal, em sua nova composição.

PROBLEMA 10
Peça – Apelação, com pedido de absolvição, com fundamento no art. 386, VI do Código de
Processo Penal e no art. 181, II, do Código Penal.
OUTRA ALTERNATIVA
Peça - Habeas corpus.
Endereçamento –Tribunal de Justiça.
Pedido e fundamento – pedindo anulação da sentença, porque é isento de pena o filho que
comete crime contra pai, com menos de sessenta anos de idade (artigos 181, II e 183, III, do
Código Penal).

PROBLEMA 11
Apelação.
Endereçamento –Tribunal de Justiça.
Pedidos e fundamentos – Absolvição por ausência de provas em relação ao crime de estupro.
Quanto à sedução, abolitio criminis em razão da supressão do delito previsto no art. 217 do CP,
pela Lei 11.106, de 2005. Subsidiariamente, no tocante ao estupro, afastamento da causa de
aumento prevista no art. 226, inciso III, do CP, também em face da lei acima referida.

PROBLEMA 12
Apelação. Habeas corpus.
Endereçamento –Tribunal de Justiça.
Pedido e fundamento – Redução da pena em face da impossibilidade de agravamento, o que
representou reformatio in pejus indireta.

PROBLEMA 13
Apelação
Endereçamento: Tribunal de Justiça
Pedidos e fundamentos - No mérito, deveria sustentar a absolvição do acusado com base em
negativa de autoria, bem como em razão da dúvida ocasionada pelas condições em que a
testemunha de acusação o teria reconhecido (reconhecimento em período noturno; localização do
acusado no momento do reconhecimento - interior do veículo; tipo físico comum).
Subsidiariamente, deveria requerer o afastamento das qualificadoras. Quanto à qualificadora do
rompimento de obstáculo (art. 155, inciso I, do Código Penal), deveria argumentar que o
rompimento, para qualificar o crime de furto, deve ser efetuado contra o obstáculo que dificulta a
subtração da coisa e não contra a própria coisa. Quanto à qualificadora da escalada (art. 155,
inciso II, do Código Penal), deveria argumentar que a escalada somente se caracteriza com o
emprego de meio instrumental, como, por exemplo, uma escada, ou de esforço incomum, o que

146
não se vislumbra em razão da pequena altura do muro transposto. Ainda, quanto à aplicação da
pena, deveria indicar o equívoco do juiz ao exasperar a pena-base, acima do mínimo legal, com
base tão-somente no dolo intenso do agente, aspecto subjetivo que não se denota da simples
qualificação do crime, apartando-se dos elementos previstos no art. 59 do Código Penal e
norteadores da fixação da pena-base.

PROBLEMA 14
Peça: Apelação
Endereçamento: Tribunal de Justiça de São Paulo.
Pedido: decretação de nulidade ou realização de novo julgamento (artigo 593, III, “a” e “d” do
Código de Processo Penal). Fundamentos:
I – nulidade:
a. existência de contrariedade na votação dos quesitos por parte dos jurados, principalmente entre
os quesitos referentes à autoria e o evento morte;
b. existência de erro por parte do Magistrado na formulação dos quesitos referentes às
qualificadoras;
c. indeferimento da tréplica pelo Magistrado.
II – decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos;

PROBLEMA 15
PEÇA: Apelação Criminal
ENDEREÇAMENTO: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
PEDIDO: Absolvição de João do crime previsto no art.148, §1º, V, do Código Penal por não
haver prova da existência do fato (art.386, II, CPP) ou por não existir prova suficiente para a
condenação (art.386, VII, CPP).

PROBLEMA 16
Peça: Apelação. Órgão competente Tribunal de Justiça.
Pedidos – absolvição – insuficiência de prova
Nulidade do processo (é o pedido principal, no caso) - cerceamento de defesa e pedido de
reconhecimento de prescrição, pela proibição da reformatio in pejus indireta. Denúncia recebida
em 04.03.2002 – Prescrição – 12 anos (art. 109, III) – Redução pela metade – menoridade (art.
115) – tempo 6 anos – Tempo decorrido até agora.

PROBLEMA 17
a) Contra-Razões de Apelação.
b) Órgão competente: Tribunal de Justiça
c) Preliminar: Apesar de gozar o Promotor de Justiça de independência funcional, o Ministério
Público é uno e indivisível. Assim, o pleito ministerial não pode ser alterado em sede recursal.
Além disso, só pode recorrer quem foi vencido no pedido (sucumbência), o que não ocorreu no
caso em tela.
d) Mérito: Pode o Promotor de Justiça pleitear a absolvição do réu se concluir por sua inocência,
eis que não está vinculado à denúncia. Não é obrigatório o pleito condenatório. Pode requerer a
condenação, a absolvição ou o acolhimento parcial da denúncia.
Não pode ser estelionato consumado se inexistiram todos os elementos do tipo penal (não houve
a vantagem ilícita, nem o prejuízo alheio). Se crime existiu, foi ele tentando e nunca consumado.
Ainda, não há estelionato culposo; o estelionato só é púnivel a título de dolo, que consiste na
vontade de enganar a vítima, dela obtendo vantagem ilícita, em prejuízo alheio, empregando
artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.

PROBLEMA 18

147
PEÇA: APELAÇÃO (art. 593, I, do CPP).
COMPETÊNCIA: JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA COMARCA
DE BELO HORIZONTE (INTERPOSIÇÃO DA APELAÇÃO) + TURMA RECURSAL
(RAZÕES DA APELAÇÃO).
TESES: NULIDADE (FALTA DE CONDIÇÃO OBJETIVA DE PROCEDIBILIDADE) +
FALTA DE JUSTA CAUSA (FALTA DE TIPICIDADE OU, SUBSIDIARIMENTE,
EXCLUDENTE DE ANTIJURIDICIDADE).
PEDIDO: ANULAÇÃO “AB INITIO” EM RELAÇÃO AOS CRIMES DOS ARTS. 303 E 309,
DO CTB (art. 564, III, “a”, do CPP) + ABSOLVIÇÃO DO RÉU EM RELAÇÃO AO CRIME
DO ART. 305, DO CTB (art. 386, VI, do CPP).
FUNDAMENTOS: O crime de direção sem permissão ou habilitação (art. 309 do CTB) é,
necessariamente, absorvido pelo crime de lesão corporal culposa (art. 303 do CTB), uma vez que
configura causa de aumento de pena (art. 302, parágrafo único, I, c/c art. 303, parágrafo único,
ambos do CTB). Então, no caso em tela, ocorreu a absorção do crime de perigo (direção sem
habilitação) pelo delito de dano (lesão corporal culposa). Necessário ressaltar, ainda, que o crime
de lesão corporal culposa é um crime de ação penal pública condicionada à representação da
vítima. CONCLUSÃO: a falta de representação é causa de nulidade absoluta (a punibilidade não
está extinta, pois ainda não ocorreu a decadência do prazo para representação). Como o crime de
direção sem habilitação foi absorvido pelo crime de lesão corporal culposa, a nulidade também o
abrangerá.
Em relação ao crime de fuga do local do acidente (art. 305 do CTB), importante ressaltar que o
réu, antes de deixar o local dos fatos, entregou ao enfermeiro da ambulância um papel contendo a
identificação do seu carro, tornando, portanto, o fato atípico (já que o tipo penal exige a intenção
específica do agente de fugir da responsabilidade penal e civil). Todavia, ainda que se entenda
que o fato é típico, o afastamento do réu ocorreu por questão de segurança física (madrugada +
lugar ermo), configurando, assim, uma causa excludente de antijuridicidade.

PROBLEMA 19
PEÇA: RAZÕES DE APELAÇÃO
COMPETÊNCIA: DESEMBARGADOR RELATOR DA APELAÇÃO Nº _ DA _ TURMA DO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA _ REGIÃO
TESE: DIMINUIÇÃO DE PENA EM RELAÇÃO AO CRIME DE ROUBO + ATIPICIDADE
QUANTO AO CRIME DE PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO
PEDIDO: DIMINUIÇÃO DA PENA NA MEDIDA DE SUA CULPABILIDADE EM
RELAÇÃO AO CRIME DE ROUBO E ABSOLVIÇÃO DO CRIME DE PORTE ILEGAL DE
ARMA DE FOGO
FUNTAMENTOS: De acordo com o art. 29, § 1º, CP, Pafúncio deverá ter sua pena diminuída de
1/6 a 1/3, em razão de sua participação de menor importância no delito. Quanto ao crime de
porte ilegal de arma, Pafúncio não praticou nenhuma das condutas típicas descritas.

PROBLEMA 20
PEÇA: APELAÇÃO, Art. 593, III, d, CPP
COMPETÊNCIA: JUIZ PRESIDENTE DO _ TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE
TESE: DESCLASSIFICAÇÃO DO CRIME DE HOMICÍDIO TENTADO PARA O CRIME DE
LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE
PEDIDO: SEJA O RÉU SUBMETIDO A NOVO JULGAMENTO
FUNDAMENTAÇÃO: A acusação não conseguiu provar a intenção do réu de matar seu irmão,
ficando provado nos autos a intenção de lesionar, tão somente, a vítima (já que se absteve de
consumar o homicídio, por vontade própria).

PROBLEMA 21

148
a) CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO;
b) Órgão competente: Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: artigo 593 do Código de Processo Penal.
Deve-se requerer improvimento ao recurso ministerial e a conseqüente manutenção, em inteiro
teor, da R. decisão de 1º grau. A argumentação pode fundamentar-se, entre outras, na prova,
alegando-se que o acusado, mesmo sem farda e fora de serviço, está investido na condição de
policial, treinado para a proteção da sociedade.

PROBLEMA 22
O candidato deve interpor recurso de apelação com fundamento no art. 593, III, a, do CPP.
CPP, Art. 593 - Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias:
I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular;
II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos casos
não previstos no Capítulo anterior;
III - das decisões do Tribunal do Júri, quando:
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia;
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados;
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança;
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.
Deverá sustentar a nulidade do julgado, ante a violação ao art. 475 do CPP, visto que o
representante do Ministério Público, sem a concordância da defesa, exibiu documentos relativos
a outro processo a que responde o réu com o fito de influenciar o ânimo dos julgadores no que
concerne às condutas pretéritas do Apelante. Art. 475 - Durante o julgamento não será permitida
a produção ou leitura de documento que não tiver sido comunicado à parte contrária, com
antecedência, pelo menos, de 3 (três) dias, compreendida nessa proibição a leitura de jornais ou
qualquer escrito, cujo conteúdo versar sobre matéria de fato constante do processo. A proibição
contida no dispositivo em comento tem por escopo evitar que, em plenário, sejam as partes –
uma ou outra – surpreendidas com a produção ou leitura de documentos novos, sem a
oportunidade de contraditá-los. Sobre o tema leciona Aury Lopes Júnior:
“Situação bastante problemática e que acabou se tornando comum na atualidade é a seguinte: no
curso do júri, quando dos debates, uma das partes postula ao juiz a utilização de um determinado
documento que – pelos mais variados motivos – não pode ser juntado com a antecedência legal
de 3 dias. O que fazem os juízes, na sua maioria? Questionam a outra parte se concordam com a
produção. Pronto, está criado o problema. Errou o juiz. Nesse momento, a parte adversa fica
numa situação dificílima, que pode – definitivamente – comprometer o julgamento. Se aceitar a
produção, estará em situação de desvantagem pela surpresa gerada, e, conforme o conteúdo do
documento, será impossível contradizê-lo. Está perdido o júri e uma grave injustiça pode ser
produzida. Por outro lado, se não aceitar a produção, o estrago é ainda maior. Basta que o
adversário saiba explorar a curiosidade dos jurados, fazendo-os deslizar no imaginário, para
extrair de lá (do imaginário, lugar do logro, portanto) a decisão que pretende. É até mais útil
explorar o imaginário em torno do que foi mostrado (agravado pela recusa da outra parte, logo,
se recusou é porque algo tinha para esconder...), do que trabalhar com a realidade do documento.
Isso é elementar, basta saber lidar com a situação. Daí porque das duas uma: ou o juiz veda
categoricamente a produção do documento (sem questionar a outra parte para não comprometê-la
frente aos jurados) e não permite qualquer menção a ele no julgamento; ou, verificando sua
relevância, dissolve o conselho de sentença, determina a juntada do documento, assegurando o
necessário contraditório, e, após, marca novo júri (...). Assim, relevante a proibição do art. 475
(pois é uma garantia revestida de forma), e firmeza devem demonstrar os juízes na sua aplicação,
evitando comprometimento da outra parte com o ingênuo questionamento ‘concorda com a
leitura do documento’? Tal prática, muitas vezes fundamentada na (pseudo) garantia do
contraditório, causa danos irreparáveis ao julgamento.” (In: Direito Processual e sua

149
Conformidade Constitucional. Ed. Lumen Juris. Rio de Janeiro. 2007, p. 649/650). Hermínio
Alberto Marques Porto anota, na obra Júri – Procedimentos e aspectos do julgamento (11.ª ed.,
Editora Saraiva, página 133), que: “Constitui prova nova o documento que, mesmo não lido em
Plenário, tem seu conteúdo transmitido aos jurados”. Ora, pode ser que este fato não tenha sido
aquele que levou o conselho de sentença a decidir como decidiu. Entretanto, também não é
possível afastar a conclusão de que o nobre promotor de justiça surpreendeu a defesa. É que, ao
fazer uso do direito que lhe confere o art. 475 do CPP, restou prejudicada, mormente porque o
órgão ministerial instigou os senhores jurados a que “pensassem o que quisessem” acerca da
recusa, pela defesa, na produção da nova prova. Assim, o candidato deve pedir ao magistrado
que acolha a argüição de nulidade suscitada, para determinar seja o acusado submetido a novo
julgamento.
Subsidiariamente, o candidato deve pleitear a reforma da r. sentença, de modo que se estabeleça
regime mais ameno para o cumprimento da pena, qual seja, o semi-aberto, de acordo com o art.
33 do CP. Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou
aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a
regime fechado. (...) § 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as
hipóteses de transferência a regime mais rigoroso:
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito),
poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde
o início, cumpri-la em regime aberto.
Nesse sentido:TJDFT
Órgão: Segunda Turma Criminal
Classe: APR - Apelação Criminal
Num. Proc.: 2004 09 1 004111-7
Apelante: JÚLIO CÉSAR SOUZA
Apelado: MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
Relator: DESEMBARGADOR ROMÃO C. OLIVEIRA
Revisor: DESEMBARGADOR VAZ DE MELLO

PROBLEMA 23
Deve-se interpor recurso de apelação, com fundamento no art. 593, I, do CPP, para o TJSP.
Com efeito, o artigo 33 da Lei n.° 11.343/06 prevê: “Importar, exportar, remeter, preparar,
produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer
consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 ( mil
e quinhentos) dias-multa.”
“§ 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1.o deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de
um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente
seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre
organização criminosa.”
E o artigo 40, III, da Lei n° 11.343/06 prescreve:
“As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se:
III a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos
prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais,
recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se
realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de

150
dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou policiais ou em
transportes públicos.”
No caso, deve-se alegar que houve, por parte de Vânia, o erro de tipo determinado por terceiro
(artigo 20, § 2.o, do Código Penal).
Segundo Damásio E. de Jesus, em Código Penal Anotado, em hipóteses como essa, o terceiro
que provocou o erro responde pelo crime a título de dolo ou de culpa. Já a pessoa que foi
provocada, tratando-se de erro invencível, não responde pelo crime cometido, quer a título de
dolo ou culpa; tratando-se de provocação de erro vencível (aquele que poderia ser evitado pelo
homem médio, naquelas circunstâncias), não responde pelo crime a título de dolo, subsistindo a
modalidade culposa, se prevista em lei.
Restou comprovado nos autos, especialmente diante dos depoimentos das testemunhas, que a
acusada não tinha consciência do seu proceder. Até mesmo as testemunhas arroladas pela
acusação relataram que, somente após a perfuração da sola do tênis, com um facão, puderam
verificar a existência da droga. Informaram, por fim, que a abordagem da ré se deu de modo
aleatório, visto que Vânia passou caminhando calmamente pela guarita policial, sem demonstrar
nervosismo ou medo. Ademais, a acusada, durante toda a persecução criminal, afirmou uma
única versão para os fatos. O quadro probatório, portanto, contém elementos de convicção, de
molde a não deixar dúvidas sobre a inocência da ré quanto ao delito de tráfico de entorpecentes,
razão pela qual se deve requerer o conhecimento e provimento do recurso de apelação,
reformando-se a sentença condenatória integralmente, de modo que a ré seja absolvida da
imputação constante na denúncia.
Subsidiariamente, em caso de o TJSP negar provimento à apelação, deve-se requerer o
reconhecimento da causa de diminuição do artigo 33, § 4.o, da nova lei de combate às drogas, e a
fixação de regime inicial menos severo, haja vista que Vânia é primária, de bons antecedentes,
não se dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa. Frise-se que a
inconstitucionalidade do regime integralmente fechado declarada pelo Supremo Tribunal Federal
no leading case HC 82.959/SP e, em seguida, a Lei n.º 11.464/07 (Nova Lei dos Crimes
Hediondos) possibilitaram a progressão de regime no cumprimento da pena e afastaram o óbice
legal para permitir o regime inicial aberto ou substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos, mediante minuciosa análise das peculiaridades de cada caso.

EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE

PROBLEMA 1
Interposição de embargos infringentes com base no voto minoritário dirigida ao Desembargador
Relator - 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.
Pedido de nulidade do processo "ab initio", por desrespeito ao disposto no art. 514 o CPP.
A impetração de habeas-corpus deverá ser considerada errada e suficiente para a reprovação do
candidato.

PROBLEMA 2
a) Recurso cabível: EMBARGOS INFRINGENTES restritos à matéria divergente:
b) Órgão competente: Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: Parágrafo único do artigo 609, C.P.P.;
d) Requisito de admissibilidade: decisão não unânime do Tribunal;
e) Prazo para interposição: 10 (dez) dias.
O recurso deverá, de forma fundamentada, sustentar a tese contida no voto vencido.

PROBLEMA 3

151
Trata-se da interposição do Recurso de Embargos Infringentes e de Nulidade para o Tribunal de
Justiça, em petição que deverá conter, anexas, as razões do inconformismo.
A petição deverá ser endereçada ao Desembargador Relator do Recurso em sentido estrito, com
base no art. 609, parágrafo único do CPP.
Nas razões, o candidato deverá postular a reforma do V. Acórdão, para que prevaleça o voto
vencido, no sentido de ser "A" processado por homicídio culposo e não por homicídio doloso,
pois sua conduta não passou dos limites da imprudência.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

PROBLEMA 1
1ª OPÇÃO:
Peça – Embargos de Declaração
Endereçamento – Juiz de Direito
Pedido – Aplicação do §2º do artigo 155 do CP.
Fundamentos: Há contrariedade entre a parte dispositiva e a fundamentação. O juiz deve ajustar
a parte dispositiva à fundamentação, aplicando o §2° do art. 155 do Código Penal. Embora, com
isso, a pena venha a ser alterada, boa parte da doutrina admite, nos casos de contrariedade, essa
possibilidade. Ainda que haja entendimento contrário à admissibilidade de privilégio no furto
qualificado, há também orientação diversa, e, no caso, de qualquer forma, o juiz havia admitido a
aplicação do artigo 155, §2º, do Código Penal na fundamentação.

2ª OPÇÃO:
Peça – Apelação
Endereçamento – Petição de interposição ao Juiz de Direito e Razões ao Tribunal de Justiça
Pedido – Aplicação do §2º do artigo 155 do CP.
Fundamentos: Embora não fosse o remédio mais expedito e indicado, poderia ser admitida a
apelação, principalmente porque, segundo entendimento diverso do exposto na primeira opção,
não poderia haver alteração de pena por meio de embargos de declaração. Como já referido na 1ª
opção, ainda que haja entendimento contrário à admissibilidade de privilégio no furto
qualificado, há também orientação diversa, e, no caso, de qualquer forma, o juiz já havia
admitido a aplicação do artigo 155, §2º, do Código Penal na fundamentação.

HABEAS CORPUS

PROBLEMA 1
Habeas Corpus ao Tribunal de Justiça, uma vez que sofre coação ilegal por desrespeito ao artigo
10 do Código de Processo Penal em evidente excesso de prazo.

PROBLEMA 2
Deverá ser impetrada uma Ordem de "Habeas Corpus" (art. 5º, inciso LXVIII, da C.F. c.c. 647 e
648, inciso I, do C.P.P.) visando o trancamento da ação penal, visto que da forma como foi
elaborada a denúncia, "A" está sendo responsabilizado objetivamente, o que não é admitido em
direito penal (art. 13, do C.P.), já que somente responde quem desenvolver ação ou omissão.
Nessas condições, a conduta é atípica e o Juiz não poderia ter recebido a denúncia (art. 41 e 395
do C.P.P.). O Tribunal de Justiça é o competente para o julgamento do "Habeas Corpus",
devendo ser requerida a concessão de liminar para sustar o processo até final julgamento do
"writ".

PROBLEMA 3

152
O laudo de constatação é uma perícia preliminar e não definitiva. Serve apenas para a autuação
em flagrante e oferecimento da denúncia. A prova da materialidade da infração somente pode ser
comprovada pelo laudo de exame químico toxicológico, que tem caráter definitivo. Desse modo,
a sentença é nula eis que não demonstrada a materialidade do delito. Deverá ser impetrada uma
ordem de "habeas corpus", com fundamento no artigo 5º, inciso LXVIII, da Constituição
Federal, c.c. 648, inciso VI, do C.P.P., dirigida ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

PROBLEMA 4
Competência: Tribunal de Justiça de SP
Peça: Habeas Corpus
Fundamentação: alegar que Procópio está sofrendo constrangimento ilegal em razão do
recebimento irregular de queixa-crime pelo juízo da 25ª Vara Criminal da Capital, uma vez que
os delitos contra a propriedade imaterial constituem ilícitos penais que deixam vestígios
materiais, sendo, pois, indispensável o exame de corpo de delito direto, elaborado por peritos,
para comprovar a materialidade delitiva, ao teor do que dispõem os artigos 158 e 564, III, "b" do
código de Processo Penal, o que não ocorreu no presente caso. Ainda, nos termos do artigo 525
do CPP, o exame pericial é condição especial que assegura a viabilidade inicial da ação penal
nos delitos contra a propriedade imaterial.
Pedido: o trancamento da queixa-crime e a concessão de medida liminar para suspender o
andamento da ação penal até julgamento do HC, em face da proximidade do interrogatório.

PROBLEMA 5
Trata-se de um "Habeas Corpus" endereçado ao Tribunal de Justiça, com base no artigo 648,
inciso I, do Código de Processo Penal, pois não há justa causa para o processo.
O processo foi instaurado com fundamento na teoria da responsabilidade objetiva, que não é
admissível em Direito Penal, que só reconhece a responsabilidade subjetiva, que não ocorreu no
presente caso.

PROBLEMA 6
Trata-se de um Habeas Corpus, endereçado ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com
base no art. 648, VI do CPP, em virtude da total incompetência do Juízo, com fulcro no art. 564,
inciso I, 1ª figura do CPP, visto que segundo o art. 109, inciso IV, da Constituição Federal, e a
Súmula 38 do STJ, a Justiça Federal não é competente para julgar as contravenções, mas sim a
Justiça Estadual comum. Deverá ser postulada a anulação do processo desde o início, e a remessa
dos autos ao Juízo competente para a sua renovação.

PROBLEMA 7
Habeas Corpus por prescrição da pretensão executória, contando-se o prazo a partir do trânsito
em julgado para a acusação. A prescrição seria 4 anos, desconsiderando a continuidade, cai pela
metade pela idade, ficando apenas 2 anos.

PROBLEMA 8
Peça – Habeas Corpus
Endereçamento – Tribunal de Justiça
Pedido – Trancamento da ação penal.
Fundamentos:
Ilicitude da prova colhida em virtude do ingresso na residência sem mandado judicial. No caso, a
ilicitude não permitia a acusação porque dizia respeito ao próprio ato de apreensão de documento
falso e, portanto, à própria configuração da materialidade do crime.

PROBLEMA 9

153
Peça – Habeas corpus – Superior Tribunal de Justiça.
Pedido e fundamento – O rito adequado para o recurso do Ministério Público era o recurso em
sentido estrito, e, por isso, o agravo do Ministério Público foi intempestivo, não podendo, assim,
ser conhecido pelo Tribunal. Além disso, poderia acentuar os argumentos de
inconstitucionalidade, por violação do princípio da dignidade humana (art. 1 º, III), por ofensa à
integridade física e moral dos detentos (art. 5 º, XLIX), por contrariar o princípio de
individualização da pena (art. 5 º, XLVI).

PROBLEMA 10
Habeas corpus
Agravo de execução
Fundamento – A decisão de regressão para regime fechado deve ser precedida de oitiva do
condenado (art. 118, § 2°, da Lei 7.210/84 – Lei de Execução Penal) e de oportunidade de
defesa, com participação de advogado (art. 5°, inciso LV, da CF).
Pedido: declaração de nulidade da decisão.

PROBLEMA 11
Habeas corpus
Fundamento – A prisão temporária só é possível em relação aos crimes expressamente previstos
no inciso III do artigo 1.º da Lei 7.960, de 21.12.1989. Além disso, a prorrogação do prazo só é
possível em caso de extrema e comprovada necessidade (art. 2º., caput, parte final, da Lei 7960,
de 21.12.1989), não podendo ser autorizada, desde logo.
Pedido – concessão de habeas corpus para que seja revogada a prisão temporária, expedindo-se
contramandado de prisão.

PROBLEMA 12
Habeas Corpus
Endereçamento: Tribunal de Justiça
Pedidos e fundamentos: pedido de trancamento da ação penal por ausência de justa causa para a
ação penal em razão da inconsistência dos argumentos acusatórios (estímulo à prática de delitos
e garantia de impunidade). Subsidiariamente, pedido de nulidade da decisão que impôs a prisão
preventiva, haja vista a ausência do requisito da garantia da ordem pública. Deveria apontar,
ainda, a ilegalidade da colocação do acusado em cela comum, uma vez que o advogado, nos
termos do art. 7°, inciso V, da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia), tem direito à prisão especial
antes de eventual sentença condenatória transitada em julgado.

PROBLEMA 13
Habeas Corpus
Endereçamento: Tribunal de Justiça
Pedidos e fundamentos: pedido de trancamento da ação penal por ausência de justa causa para a
ação penal em razão da inconsistência dos argumentos acusatórios (estímulo à prática de delitos
e garantia de impunidade). Subsidiariamente, pedido de nulidade da decisão que impôs a prisão
preventiva, haja vista a ausência do requisito da garantia da ordem pública. Deveria apontar,
ainda, a ilegalidade da colocação do acusado em cela comum, uma vez que o advogado, nos
termos do art. 7°, inciso V, da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia), tem direito à prisão especial
antes de eventual sentença condenatória transitada em julgado.

PROBLEMA 14
Peça: Habeas Corpus
Endereçamento: Tribunal de Justiça de São Paulo.
Pedido: declaração de ilegalidade do decreto de prisão preventiva e trancamento da ação penal.

154
Fundamentos:
a) quanto à prisão preventiva, ausência dos requisitos previstos na lei (artigos 311 e 312 do
Código de Processo Penal), não podendo o decreto sustentar-se em simples revelia do acusado;

PROBLEMA 15
Habeas corpus ao Tribunal de Justiça.
Pedidos possíveis:
a) trancamento da ação penal por falta de justa causa e por ilegitimidade ativa do Ministério
Público;
b) relaxamento da prisão em flagrante porque não havia situação de flagrância;
c) liberdade provisória porque não estão presentes os requisitos da prisão preventiva.

PROBLEMA 16
PEÇA: HABEAS CORPUS COM PEDIDO DE LIMINAR, art. 648,VI, CPP
COMPETÊNCIA: DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DF
TESE: EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
PEDIDO: RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE E EXPEDIÇÃO DE ALVARÁ
DE SOLTURA + DECRETAÇÃO DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE E CONFIRMAÇÃO
DA LIMINAR
FUNDAMENTOS: De acordo com o art. 34 da Lei 9.249/95, o pagamento do tributo devido
(reparação dos danos) antes do recebimento da denúncia acarreta a extinção da punibilidade. O
dispositivo citado se aplica aos crimes contra a ordem tributária. No caso em tela, Lílian efetuou
o pagamento logo após sua prisão, ou seja, antes do recebimento da denúncia.

MANDADO DE SEGURANÇA

PROBLEMA 1
Impetrar junto ao Juízo de Direito de 1.ª Instância da Justiça Comum Estadual, com base no art.
5.º inciso LXIX, da Constituição Federal, combinado com os arts. 1.º e seguintes da Lei n.º
1533/51, Mandado de Segurança com pedido de liminar. Fundamentar no sentido de que o
indeferimento da pleiteada restituição fere direito líquido e certo do impetrante, já que é o
legítimo proprietário do veículo, não havendo necessidade de o mesmo permanecer à disposição
da justiça por falta de interesse ao processo, conforme preconizado nos arts. 118, 119 e 120 do
CPP. Apresentar fundamentação diante do "fumus boni iuris" e o "periculum in mora" para a
obtenção da liminar, sendo que ao final a segurança deverá ser concedida definitivamente.

PROBLEMA 2
Peça – Mandado de segurança
Endereçamento –Juiz de primeiro grau.
Pedido – Determinação à autoridade coatora para que garanta a vista dos autos.
Fundamento – O Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei 8906, de 4.7.94), em seu
artigo 7º, XIV, garante ao advogado o direito de examinar, na repartição policial, os autos do
inquérito policial. O sigilo não pode prevalecer em relação ao advogado.

RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL

PROBLEMA 1
a) Recurso cabível: RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL;
b) Órgão competente: Superior Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: Artigo 105, inciso II, alínea "a" da Constituição Federal e Lei nº. 8038/90,
artigos 30 a 32;

155
d) Prazo: 05 (cinco) dias.
Trata-se de decisão denegatória de Habeas Corpus. O único recurso cabível é o Recurso
Ordinário Constitucional, cuja competência para conhecimento e julgamento é do Superior
Tribunal de Justiça. O recurso deverá, portanto, ser interposto ao Tribunal de Justiça, no prazo de
05 dias, juntamente com as razões endereçadas ao Superior Tribunal de Justiça. A autoridade
coatora é o Tribunal de Justiça. O pedido de relaxamento do flagrante com a expedição de
Alvará de Soltura poderá enfocar o excesso de prazo para o término da instrução criminal por
motivos aos quais o acusado não deu causa; a configuração do constrangimento ilegal pela
manutenção do acusado sob custódia por mais tempo do que o admitido pela jurisprudência dos
Tribunais.
e) Aceitável, também, a impetração de Habeas Corpus, substitutivo ao Recurso Ordinário
Constitucional, dirigido diretamente ao STJ, no sentido de cessar o constrangimento ilegal que o
réu sofre, em virtude do excesso de prazo, para a formação da culpa.

PROBLEMA 2
Deverá ser interposto Recurso Ordinário Constitucional para o Superior Tribunal de Justiça, com
base no artigo 105, inciso II, alínea A, da Constituição Federal.
O endereçamento da interposição é para o Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo que encaminhará os autos para o STJ. As razões apresentadas junto com a interposição do
recurso referindo-se e buscando convencer os Ministros daquela Corte.
Indiscutivelmente a infração é afiançável, tanto que é concedido o prazo do artigo 154, do
Código de Processo Penal. Outrossim, a simples gravidade do fato não é motivo para não
conceder a fiança, aliás, direito subjetivo do réu consagrado na Constituição Federal.
Portanto, além de não estar o despacho e a decisão de segunda instância devidamente
fundamentados, foi eleito motivo que a lei não prescreve como impeditivo, persistindo o
constrangimento ilegal.
Buscar seja provido o recurso.

PROBLEMA 3
Deverá ser interposto Recurso Ordinário Constitucional para o Superior Tribunal de Justiça, com
base no artigo 105, inciso II, alínea a, da Constituição Federal. O endereçamento da interposição
é para o Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que encaminhará os autos
para o STJ. As razões devem ser apresentadas junto com a interposição do recurso.
Indiscutivelmente a infração é afiançável, tanto é que foi concedido o prazo do artigo 514, do
Código de Processo Penal. Outrossim, a simples gravidade do fato não é motivo para não
conceder a fiança, aliás, direito subjetivo do réu consagrado na Constituição Federal. Portanto,
além de não estarem o despacho e a decisão de segunda instância devidamente fundamentados,
foi eleito motivo que a lei não prescreve como impeditivo, persistindo o constrangimento ilegal.
Buscar seja provido o recurso. Admite-se, também, a impetração de ordem de "Habeas Corpus" –
substitutivo do Recurso Ordinário Constitucional para o Superior Tribunal de Justiça, desde que
com a fundamentação própria.

PROBLEMA 4
PEÇA: RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL (art. 105, II, “a”, da CF e Lei 8.038/90).
COMPETÊNCIA: DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO
ESTADO DE ___ (INTERPOSIÇÃO DO ROC) + STJ (RAZÕES DO ROC).
TESE: NULIDADE
PEDIDO: ANULAÇÃO DO PROCESSO DESDE O INTERROGATÓRIO.
FUNDAMENTOS: O recorrente deverá, no ROC, reproduzir a argumentação veiculada no
“habeas corpus” denegado e requerer aquela mesma providência que deveria ser concedida e não
foi (no caso em tela, a ausência de defensor e do próprio MP, no interrogatório do réu, viola os

156
princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, acarretando a nulidade absoluta do
ato processual. A nulidade absoluta pode ser alegada a qualquer tempo, inclusive de ofício pelo
juiz).

PROBLEMA 5
Deve-se interpor recurso ordinário em habeas corpus (RHC), para o STJ (CF, art. 104, II, alínea
“a”), tecendo-se os seguintes argumentos. A exigência de fundamentação do decreto judicial de
prisão cautelar, seja temporária ou preventiva, tem atualmente o inegável respaldo da doutrina
jurídica mais autorizada e da jurisprudência dos tribunais do país, sendo, em regra, inaceitável
que a só gravidade do crime imputada à pessoa seja suficiente para justificar a sua segregação,
antes de a decisão condenatória penal transitar em julgado, em face do princípio da presunção de
inocência. Por conseguinte, é fora de dúvida que o decreto de prisão cautelar há de explicitar a
necessidade dessa medida vexatória, indicando os motivos que a tornam indispensável, entre os
elencados no art. 312 do CPP, como, aliás, impõe o art. 315 do mesmo Código. Como se verifica
da decisão que determinou a prisão cautelar, confirmada pela corte estadual, manteve-se a
segregação do acusado sob o argumento de que, provavelmente, o acusado seria soldado do
tráfico, fato que justificaria a custódia. Tal fundamento, no entanto, afastado de qualquer
circunstância concreta diversa da relativa ao fato delituoso, como se vislumbra in casu, não basta
para, isoladamente, justificar a prisão cautelar. Como é cediço, a prisão cautelar é medida
excepcional e deve ser decretada apenas quando devidamente amparada pelos requisitos legais,
em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência ou da não-culpabilidade,
sob pena de antecipar a reprimenda a ser cumprida quando da condenação. A mera alusão a
requisito legal da segregação cautelar, sem apresentação de fato concreto determinante, não pode
servir de motivação à custódia, segundo jurisprudência pacífica do STJ e do STF. A propósito:
HC – Competência originária. Não pode o STF conhecer originariamente de questões suscitadas
pelo impetrante que, sequer submetidas ao STJ, ao qual, por conseguinte, não se pode atribuir a
alegada coação. II. Prisão preventiva: fundamentação: inidoneidade. Não constituem
fundamentos idôneos à prisão preventiva a invocação da gravidade do crime imputado, definido
ou não como hediondo, nem os apelos à repercussão dos delitos e à necessidade de acautelar a
credibilidade das instituições judiciárias: precedentes. III. Prisão preventiva: ausência de dados
concretos que justifiquem a afirmação de que o paciente não se sente inibido à prática de delitos.
IV. Decisão judicial: a falta ou inidoneidade da sua fundamentação não pode ser suprida pela
decisão do órgão judicial de grau superior ao negar habeas corpus ou desprover recurso:
precedentes. (STF, HC 85.020/RJ, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU 25.02.2005). Processual
penal. Habeas corpus. Homicídio tentado por duas vezes. Prisão preventiva decretada com base
na gravidade do delito. Ausência dos pressupostos e fundamentos legais que autorizam a prisão
preventiva. Necessidade concreta da medida restritiva de liberdade não demonstrada.
Constrangimento ilegal. Ordem concedida. O decreto prisional cautelar exarado em desfavor dos
pacientes bem como o acórdão que manteve referida decisão não demonstram de forma
consistente a presença dos pressupostos e fundamentos que autorizam a custódia preventiva
(CPP, art. 312), limitando-se a fazer referência à gravidade do delito imputado na denúncia
contra eles ofertada, circunstância que não se mostra suficiente, por si só, para a decretação da
referida medida restritiva de liberdade antecipada, que deve reger-se sempre pela demonstração
da efetiva necessidade no caso em concreto.
2. A simples reprodução das expressões ou dos termos legais expostos na norma de regência,
divorciada dos fatos concretos ou baseada em meras suposições ou pressentimentos, não é
suficiente para atrair a incidência do art. 312 do Código de Processo Penal, tendo em vista que o
referido dispositivo legal não admite conjecturas.
3. Considerando que a denúncia não foi precedida de inquérito policial, mas apenas de
procedimento administrativo instaurado no âmbito do Ministério Público Estadual, e que nem
mesmo a expedição da precatória destinada à citação dos acusados — para responder à

157
respectiva ação penal iniciada no mesmo instante em que decretada a preventiva — foi efetivada,
é prematuro decretar a custódia cautelar fundada na conveniência da instrução criminal e para
assegurar a aplicação da lei penal, quando ausentes quaisquer fatos concretos que justifiquem tal
medida preventiva, como fuga ou escusa no atendimento a chamado policial ou judicial.
4. Não se pode acolher sob o manto da ordem pública, que tem sentido muito amplo por estar
voltada para a preservação de bens jurídicos essenciais à convivência social, eventual sentimento
de vingança ou revolta por interesses ilegítimos contrariados.
5. Ordem concedida para revogar o decreto de prisão preventiva, ressalvada a possibilidade de
decretação de nova custódia cautelar por motivo superveniente, caso fique demonstrada
concretamente a necessidade da referida medida. (HC 38.397/MG, Rel. Min. Arnaldo Esteves
Lima, DJU 21.03.2005).
Anote-se, ainda, que, por ocasião do julgamento da ADIN 3.112-1/DF, do STF, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, considerou-se inconstitucional o disposto no art. 21 da Lei 10.826/2003,
que proibia a liberdade provisória no caso dos crimes de posse ou porte ilegal de arma de fogo de
uso restrito, comércio ilegal de arma de fogo e tráfico internacional de arma de fogo.
A questão foi retirada da jurisprudência do STJ:
Recurso em habeas corpus nº 23.344 – RJ (2008/0071349-8)
Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho
Recurso ordinário em habeas corpus. Prisão em flagrante. Posse ilegal de arma de fogo de uso
permitido e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, com a numeração raspada.
Indeferimento do pedido de liberdade provisória. Ausência de justificativa idônea amparada em
fatos concretos. Constrangimento ilegal evidenciado.
Precedentes do STJ e do STF. Recurso provido. É fora de dúvida que o decreto de prisão
cautelar, assim entendida aquela que antecede a condenação transitada em julgado, há de
explicitar a necessidade da medida, indicando os motivos que a tornam indispensável, dentre os
elencados no art. 312 do CPP, como, aliás, impõe o art. 315 do mesmo Código.
Como se verifica da decisão que indeferiu o pedido de liberdade provisória do paciente,
confirmada pela corte estadual, manteve-se a segregação do acusado sob o argumento de que,
provavelmente, os acusados são soldados do tráfico, fato que justificaria a custódia; todavia, tal
fundamento, afastado de qualquer circunstância concreta diversa da relativa ao fato delituoso, é
insuficiente para, isoladamente, justificar a segregação provisória.
Anote-se, ainda, que, por ocasião do julgamento da ADIN 3.112-1/DF, do STF, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, considerou-se inconstitucional o disposto no art. 21 da Lei 10.826/2003,
que proibia a liberdade provisória no caso dos crimes de posse ou porte ilegal de arma de fogo de
uso restrito, comércio ilegal de arma de fogo e tráfico internacional de arma de fogo. Recurso
provido, mas apenas e somente para deferir o pedido de liberdade provisória ao paciente, se por
outro motivo não estiver preso, sem prejuízo de nova decretação, com base em fundamentação
concreta, em consonância com o parecer do MPF.

RECURSO ESPECIAL

PROBLEMA 1
Recurso Especial para o Superior Tribunal de Justiça, alegando “reformatio in pejus” no
julgamento da apelação já que o Tribunal afastou a pena restritiva de direitos concedida pelo
Juízo de 1ª Instância.

RECURSO EXTRAORDINÁRIO

PROBLEMA 1
Recurso Extraordinário dirigido ao Supremo Tribunal Federal, sustentando ofensa à Constituição
da República, pois o Tribunal de Justiça, quando deu provimento ao apelo do Ministério Público,

158
violou a soberania dos veredictos que vigora no júri, já que os jurados apoiaram-se em prova
favorável ao acusado.

REVISÃO CRIMINAL

PROBLEMA 1
a) Recurso cabível: REVISÃO CRIMINAL;
b) Orgão competente: Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: artigo 621, inciso III do C. P. P.;
d) Requisito de admissibilidade: juntada da sentença transitada em julgado;
e) Prazo para interposição: não há prazo.

PROBLEMA 2
Razões de Revisão Criminal, dirigida ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Nas razões, alegar:
preliminarmente, nulidade do processo em vista da ausência do réu, ora requerente, na audiência,
sendo que o defensor dativo não pode dispensar a presença do acusado – segundo entendimento
do STF. No mérito, pleitear absolvição em vista de não haver dolo de roubo, mas apenas
intenção de fugir. Subsidiariamente, pedir afastamento da reincidência ( não comprovada através
de certidão cartorária ), afastamento da circunstância qualificadora ( ele não se encontrava
armado ) e reconhecimento do crime continuado ( em lugar do concurso material de crimes ).
Pode-se, também, impetrar Habeas Corpus em vista da nulidade apontada.

PROBLEMA 3
Foro competente: Supremo Tribunal Federal;
Peça processual: Revisão Criminal;
Fundamentação: O Recurso Extraordinário apresentado pela Procuradora Geral de Justiça foi
dirigido ao Supremo Tribunal Federal. Portanto, o foro competente é o STF, consoante dispõe o
art. 624, I do C.P.P.. Assim, compete ao STF rever, em benefício dos condenados, as decisões
criminais em processos findos, quando por ele proferidas, ainda que através da via recursal.
A peça processual deve ser a Revisão Criminal, visto que a decisão transitou em julgado para o
réu.
A fundamentação da defesa deve se basear na nulidade da sentença que não fundamentou a
exasperação da pena (todas as sentenças devem ser fundamentadas, posto que o réu deve saber
por quais motivos foi condenado). Além disso, o STF não apreciou os argumentos apresentados
pela Defesa, apenas aduzindo, laconicamente, que houve erro material, transmudando a pena de
21 para 12 anos, o que não pode prosperar.
Admite-se a impetração de "Habeas Corpus" com a finalidade de reconhecer a ausência da
fundamentação e ajustando-se a pena. Competência STF.

PROBLEMA 4
Trata-se de Revisão Criminal, endereçada ao Egrégio Tribunal de Justiça, com base no art. 621,
inciso III do C.P.P., visto que surgiu uma prova nova, com a juntada da justificação criminal,
onde foi ouvido o ex-detento, que comprovou a ocorrência de um enorme erro judiciário, pois
José não cometeu o crime de tortura que lhe foi imputado, sendo inocente portanto. O candidato
deverá postular seja conhecida a revisão e julgada procedente (artigo 626, 2ª parte do CPP) para
o fim de absolver José com base no art. 386, inciso III do C.P.P., requerendo o competente alvará
de soltura clausulado.

PROBLEMA 5
Revisão Criminal ou habeas corpus, pedindo a desclassificação para lesões leves e,
eventualmente, a anulação por falta de representação ou a aplicação da Lei 9.099/95.

159
PROBLEMA 6
Revisão criminal
Habeas corpus
Endereçamento: Tribunal de Justiça
Fundamentos: pedido de nulidade em razão da não concessão de prazo para defesa preliminar
(art. 514 do CPP). No mérito, desclassificação do crime para o de exercício arbitrário das
próprias razões (art. 345, caput, do CP), haja vista a retenção do dinheiro com vista a
ressarcimento de dinheiro devido pelo banco ao acusado, e conseqüente extinção da punibilidade
em virtude da decadência do direito de queixa do ofendido (art. 38, caput, do Código de Processo
Penal combinado com os artigos 107, inciso IV, e 345, parágrafo único, ambos do Código
Penal). Ainda, em relação ao crime de apropriação indébita, referência à teoria restritiva que não
enquadra o funcionário de sociedade de economia mista como funcionário público.
Pedido na Revisão criminal:
Preliminar - nulidade.
Mérito - desclassificação e extinção da punibilidade.
Pedido no Habeas Corpus - nulidade da decisão.

PROBLEMA 7
A peça pertinente consiste na interposição da revisão criminal ajuizada perante o Tribunal de
Justiça de São Paulo, prevista a revisão criminal com fulcro no artigo 621, inciso III do CPP, em
face da descoberta de novas provas ter ocorrido após o trânsito em julgado da sentença
condenatória, destacando que no mérito deverá o candidato pleitear a desconstituição da sentença
condenatória e a absolvição do seu cliente em face da atipicidade da conduta, vez que segundo o
problema, as novas provas corroboram que não houve prejuízo econômico para a entidade de
direito público, destacando que, por ser o estelionato um crime contra o patrimônio, torna-se
atípica a conduta, não havendo ofensa ao patrimônio. Destaque que a impetração de habeas
corpus não é a medida tecnicamente mais correta, vez que não há ninguém preso, sendo por isso
a medida mais adequada a revisão criminal, podendo, entretanto, subsidiariamente, ser aceita a
impetração de habeas corpus perante o Tribunal de Justiça, sob alegação de estar havendo
constrangimento ilegal em face de condenação, sendo que o problema do habeas corpus se
restringirá à possibilidade ou não da analise da prova, sendo por isso a revisão criminal a medida
tecnicamente mais adequada.

AGRAVO EM EXECUÇÃO

PROBLEMA 1
O artigo 71 do Código Penal é claro ao especificar quais são os requisitos para a unificação de
penas: pluralidade de ações (foram dois crimes), crimes da mesma espécie (furto simples),
condições de tempo (menos de 30 dias entre um delito e outro), lugar (no bairro da Penha),
maneira de execução (sempre sozinho e do mesmo modo) e outras semelhantes, não havendo,
portanto, qualquer referência a gravidade do fato.
Em assim sendo, o Meritíssimo Juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais da Capital
indeferiu o pleito estribado em motivo não determinado pela lei, o que é inadmissível.
O recurso cabível é o Agravo, previsto no artigo 197 da Lei de Execução Penal (Lei 7210/84),
que deverá ser interposto no juízo "a quo" para fins de retratação/reconsideração ou não e, se
mantida a decisão, as razões do recurso são para o Tribunal de Justiça de São Paulo,
argumentando que, ao contrário do decidido, estão presentes os pressupostos legais do artigo 71
do Código Penal, cumprindo, como conseqüência, ser aplicada apenas a pena de um dos crimes,
que é de 1 (um) ano, acrescida de 1/6 (um sexto), restando unificadas em 1 (um) ano e 2 (dois)
meses, o mesmo ocorrendo com a multa.

160
PROBLEMA 2
a) Recurso cabível: AGRAVO;
b) Órgão competente: Tribunal de Justiça;
c) Fundamento: artigo 197 da Lei de Execuções Penais;
d) Prazo para interposição: 05 (cinco) dias.
Deverá ser interposto AGRAVO ao Juiz da Vara das Execuções Criminais requerendo a
reconsideração da R. decisão. Em caso de manutenção da mesma, requerer, desde logo, que os
autos subam ao Tribunal competente. As razões do recurso deverão ser dirigidas ao Tribunal de
Justiça, competente por tratar-se de crime de estupro. A argumentação poderá fundamentar-se na
individualização da pena, enfatizando a permissão contida no V. acórdão para a progressão do
regime prisional. Poderá, ainda, guerrear a disposição da Lei 8072/90 que determina
cumprimento integral da pena em regime fechado permitindo, contudo, o Livramento
Condicional.

PROBLEMA 3
Trata-se de um Agravo em Execução, composto por duas petições. A primeira de interposição
endereçada ao Exmo. Sr. Juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais da Capital,
fundamentada no artigo 197 da Lei de Execução Penal, no prazo de 5 dias, sendo que nesta
petição deverá constar o juízo de retratabilidade.
A segunda petição de Razões de Agravo de Execução, deverá ser endereçada ao Egrégio
Tribunal de Justiça.
O agravante tem direito ao benefício uma vez que já cumpriu todos os requisitos, quer objetivo
(tempo), quer subjetivo (desenvolvimento perante a terapêutica Penal), previstos no artigo 83,
incisos III, IV, V e parágrafo único, do Código Penal, cc com o artigo 131 da Lei 7210/84,
devendo o recurso ao final ser fundamentado com o artigo 66, inciso III, letra "e" da Lei de
Execução Penal e também no artigo 83, inciso III, IV, V e parágrafo único do Código Penal,
postulando a expedição de carta de livramento, com base no artigo 136 da Lei 7210/84.

PROBLEMA 4
O candidato deverá formular recurso de agravo ao TJ, com fundamento no artigo 197 da Lei de
Execuções Penais, peça essa consistente em petição de interposição e razões anexas. Deverá
sustentar que se trata de crime continuado.

PROBLEMA 5
Peça: Agravo em Execução.
Endereçamento: Tribunal de Justiça de São Paulo.
Pedido: revogação da decretação do Regime Disciplinar Diferenciado.
Fundamentos:
I – inconstitucionalidade do Regime Disciplinar Diferenciado, por ofensa aos princípios da
dignidade da pessoa humana e da proibição de tratamento cruel e, principalmente, sua
inconstitucionalidade na modalidade pretendida, pois, logo após ingressar, foi o preso colocado
nesse regime, sem que tivesse cometido qualquer falta disciplinar;
II – o prazo para a decretação do Regime Disciplinar Diferenciado é de no máximo trezentos e
sessenta dias, sendo que sua prorrogação dependeria de nova avaliação após o transcurso do
prazo.

PROBLEMA 6
Com fundamento no artigo 197 da Lei n.º 7.210/1994, deve-se interpor agravo em execução da
decisão do juiz da Vara de Execuções Criminais de São Paulo/SP.

161
No mérito, com fulcro no art. 83, inciso II, do Código Penal, e art. 131 da LEP, deve-se requerer
a concessão do benefício do LIVRAMENTO CONDICIONAL, comprometendo-se Márcio,
desde já, a cumprir todas às condições que forem impostas e submeter-se a elas. Para a concessão
do livramento condicional, é necessário que o sentenciado preencha requisitos objetivos e
subjetivos. Márcio já cumpriu 5 anos do total da pena, possui profissão certa e definida, e está
trabalhando, como pedreiro, com carteira assinada. Ademais, no relatório carcerário, expedido
pelo diretor do estabelecimento prisional, consta que a última punição de Márcio ocorreu há mais
de dois anos, em razão de tentativa de fuga. A autoridade carcerária informou que, atualmente, o
detento ostenta bom comportamento e encontra-se exercendo trabalho externo. O artigo 131 da
LEP deixa bem clara a necessidade da observância dos requisitos elencados no art. 83 do CP.
“Art. 131. O livramento condicional poderá ser concedido pelo juiz da execução, presentes os
requisitos do art. 83, incisos e parágrafo único do Código Penal, ouvidos o Ministério Público e o
Conselho Penitenciário”.
O referido art. 83 do CP assim dispõe:
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de
liberdade igual ou superior a
2 (dois) anos, desde que:
I - cumprido mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e
tiver bons antecedentes;
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;
III - comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no
trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho
honesto;
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração;
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática
da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for
reincidente específico em crimes dessa natureza.
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça
à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições
pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinqüir.
A existência de registro de transgressão disciplinar ocorrida há mais de dois anos não tem o
condão de exigir que ele permaneça encarcerado até a final de sua expiação, mormente diante do
relatório atualizado da autoridade carcerária informando seu bom comportamento.
Com efeito, o relatório favorável da autoridade carcerária, por si só, denota que se houve, no
passado, alguma intenção deliberada do detento em frustrar a execução da pena, esta não mais
subsiste, porquanto há dois anos não se registra qualquer fato desabonador à sua conduta, pelo
contrário. Bem a propósito, destaque-se o que preleciona o mestre Júlio Fabrini Mirabete, in
execução penal, 8.ª edição, pág. 302: “Ainda que nos artigos 83 do CP e 132 da LEP se afirme
que o juiz ‘poderá’ conceder o livramento condicional e que a doutrina se tenha posicionado no
sentido de considerá-lo como uma faculdade do juiz, hoje se admite que se trata de um direito do
sentenciado. Embora atribuído em caráter excepcional, Frederico Marques lembra que pelo
benefício é ampliado o ‘status libertatis’, tornando-se este um direito público subjetivo de
liberdade, de modo que, preenchidos os seus pressupostos, o juiz é obrigado a concedê-lo.”

PROGRESSÃO DE REGIME

PROBLEMA 1
A Peça adequada é a interposição de um Pedido de Progressão de Regime, interposto perante o
juiz da Vara de Execuções Criminais de Avaré, tendo como fundamento o artigo 112, da Lei de
Execuções Penais, vez que cumprido o requisito objetivo, qual seja, ficou na prisão ao menos 1/6
da pena de 6 anos, no caso já tendo cumprido 2 anos, estando preenchido também o requisito

162
subjetivo, vez que o problema confirma que o condenado teve bom comportamento durante os 2
anos no cárcere, a ensejar a solicitação ao juiz para passar ao regime semi-aberto, vez que ele foi
condenado no regime fechado porquanto era reincidente. Destaque-se não ser cabível a
interposição do livramento condicional porquanto ainda não preencheu o requisito objetivo que
consiste em cumprir mais de 1/3 da pena – vez que não cumpriu ainda mais de 1/3 da pena, mas
sim exatos 1/3 da pena, não preenchendo também o artigo 83, inciso I, do Código Penal,
porquanto se trata de cliente que não ostenta bons antecedentes, tanto que reincidente, sendo
cabível apenas o livramento condicional, caso tivesse cumprido mais de metade da pena, o que
não ocorreu, a corroborar ser a medida adequada o pedido de progressão de regime ao Juiz de
Execução de Avaré, já que o problema confirma que há Vara de Execução Criminal em Avaré.

LIVRAMENTO CONDICIONAL

PROBLEMA 1
Manoel reúne os requisitos do artigo 83, inciso V do Código Penal, de maneira que poderá
requerer a concessão do Livramento Condicional. O pedido deverá ser endereçado ao Juiz da
Vara das Execuções Criminais, com a exposição do preenchimento dos requisitos legais e o
requerimento no sentido de que seja ouvido o Conselho Penitenciário, para, ao final, ser
concedido o livramento condicional com expedição de carteira. Obs. Nada impede que o pedido
seja dirigido diretamente ao Conselho Penitenciário, mas a decisão será do Juiz da Vara de
Execuções Criminais.

SEQUESTRO

PROBLEMA 1
Requerer junto ao DIPO o seqüestro do bem, autuando-se em apartado, operando-se a inscrição
no Registro de Imóveis, tudo com base nos artigos 125, 126, 128 e 129 todos do Código de
Processo Penal. Na fundamentação deverá demonstrar que a aquisição do imóvel se deu com os
proventos do delito, havendo o pressuposto dos indícios veementes de sua proveniência. O
requerimento deverá estar instruído com cópias das peças do inquérito que demonstrem a autoria
do delito e sua materialidade, juntando-se também a certidão do Cartório onde o imóvel foi
registrado.

163
10. QUESTÕES PRÁTICAS.

(OAB/SP – 106) 1. O que é reabilitação?

(OAB/SP – 106) 2. O que é perdão?

(OAB/SP – 106) 3. Que autoridade elabora o libelo crime acusatório?

(OAB/SP – 106) 4. Em que peça processual são trazidas aos autos as lesões sofridas pela vítima
em processo-crime por infração ao artigo 129, "caput" do Código Penal?

(OAB/SP – 107) 5. Cite três crimes considerados hediondos.

(OAB/SP – 107) 6. Estabeleça a diferença entre a concussão e a corrupção passiva.

(OAB/SP – 107) 7. Defina as notas características do instituto da perempção.

(OAB/SP – 107) 8. Indique os elementos do fato típico.

(OAB/SP – 112) 9. Quando da dosimetria da pena, por ocasião da prolação da sentença, o


Magistrado fixou a pena-base do acusado acima do mínimo legal em decorrência de maus
antecedentes, por existir condenação anterior (CP, art. 59). Após isso, aumentou a reprimenda
fixada em virtude da agravante da reincidência, por ostentar o réu aquela condenação anterior
(CP, art. 61, I). Está correto tal procedimento? Fundamente.

(OAB/SP – 112) 10. Manoel chega em casa, após o dia de trabalho, e sua mãe diz que policiais
estiveram à sua procura, aduzindo ser ele a pessoa que roubou Maria. Imediatamente, Manoel
dirige-se à Delegacia, com vistas a elucidar não ser ele o verdadeiro autor do delito. Neste
momento, o Delegado de Polícia efetua sua prisão em flagrante delito para garantia da ordem
pública. Quais os argumentos que podem ser invocados a favor de Manoel? Justifique.

(OAB/SP – 112) 11. Em que crime estará incurso o agente que, propositalmente, interrompe
fornecimento de força e luz em escola pública, com o intento de não serem realizadas na data
prevista os exames finais do ano letivo?

(OAB/SP – 113) 12. João da Silva e Antonio de Souza, em 10 de abril do corrente ano,
desentenderam-se devido à posição de uma cerca que separa as propriedades de ambos. Após
acalorada discussão, inclusive com agressões verbais, João da Silva, munido de uma marreta,
destruiu a lateral direita do veículo pertencente a Antonio. Se João da Silva cometeu crime,
classifique juridicamente sua conduta. Indique a natureza da eventual ação penal e o prazo final
para sua distribuição.

(OAB/SP – 113) 13. Maria das Flores foi a uma clínica clandestina, acompanhada de seu
namorado Ulisses Gabriel, submetendo-se a intervenção de abortamento, pago por ele. Neste
caso, se Maria e Ulisses cometeram crime, classifique juridicamente suas condutas, justificando.

(OAB/SP – 113) 14. Quais os requisitos para o deferimento da reabilitação?

(OAB/SP – 114) 15. Em Direito Penal, qual a diferença entre remição e detração?

164
(OAB/SP – 114) 16. É possível a manutenção do averiguado em custódia, após o esgotamento
do prazo legal da prisão temporária já prorrogado?

(OAB/SP – 114) 17. João Antônio, casado e pai de uma criança de seis meses de idade, na
véspera de completar dezoito anos dispara dois tiros com arma de fogo contra José Pedro, com o
objetivo de matá-lo. José Pedro, ferido, é socorrido por populares, porém, morre três dias depois,
quando João Antônio completara dezoito anos. João Antônio é considerado imputável e poderá
ser processado criminalmente? Justifique.

(OAB/SP – 114) 18. Antônio de Souza, durante a madrugada e mediante escalada, entra em uma
fábrica de cigarros com o fim de subtrair tantos pacotes quantos pudesse carregar. Quando se
encontrava já no interior do edifício, foi sur-preendido por um segurança da empresa que,
armado de revólver, lhe deu voz de prisão. Antônio, então, envolveu-se em luta corporal com o
segurança e com uma barra de ferro desferiu-lhe vários golpes, produzindo-lhe lesões que
resultaram perigo de vida. Em seguida, fugiu do local, sem nada levar. Classifique juridicamente
a conduta pela qual Antônio deverá ser responsabilizado.

(OAB/SP – 115) 19. Carlos, menor de 21 anos e primário, é condenado por roubo à pena de 5
anos e 4 meses em regime fechado, não lhe sendo facultado recorrer em liberdade. Arrole
argumentos hábeis à reforma de tal decisão.

(OAB/SP – 115) 20. A causa especial de aumento de pena concernente ao repouso noturno
aplica-se ao furto qualificado? Explique.

(OAB/SP – 115) 21. O artigo 14, em seu inciso II, aduz que "diz-se o crime: tentado, quando,
iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente". Ainda, o
parágrafo único deste artigo afirma que "salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a
pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços". Pergunta-se: Qual o
critério adotado para a diminuição entre um a dois terços? Justifique.

(OAB/SP – 115) 22. Pecuarista que tem sua propriedade margeando leito de estrada de ferro e
não coloca cerca para que o gado não invada a linha férrea comete algum delito? Elabore
resposta motivada e fundamentada.

(OAB/SP – 116) 23. Pode o Ministério Público impetrar Habeas Corpus? Explique.

(OAB/SP – 116) 24. José participou como jurado no julgamento de Américo, acusado de crime
de homicídio simples. Proferida sentença absolutória, dias após constatou-se que José e outros
três jurados receberam, cada um, a importância de R$1.000,00 (um mil reais) para votarem
favoravelmente ao acusado. José e seus companheiros do Conselho de Sentença cometeram
crime? Justifique fundamentadamente a resposta.

(OAB/SP – 116) 25. Ana induziu a gestante Maria a provocar aborto em si mesma, e ela o
provocou. Em outra hipótese, Geralda executou aborto em Clementina, gestante, com o seu
consentimento. Tipifique, juridicamente, as condutas de Ana, Maria, Geralda e Clementina.

(OAB/SP – 117) 26. Maria das Dores, chefe das enfermeiras de hospital municipal, presenciou
outra funcionária, Madalena, enfermeira a ela subordinada, furtando comprimidos para dor de
cabeça do almoxarifado. Sabedora de que Madalena encontrava-se em precária situação
financeira, deixou de responsabilizá-la pelo fato. Estaria Maria das Dores incursa em alguma
figura típica? Responda e justifique.

165
(OAB/SP – 117) 27. O julgamento do crime de furto, de alguma forma, pode submeter-se à
competência do Tribunal Popular do Júri? Dê sua posição, motivando-a.

(OAB/SP – 117) 28. Pítaco, sentenciado por furto, teve extinta a punibilidade pela prescrição da
pretensão punitiva estatal. Dias após, cometeu novo furto. Deverá ser considerado reincidente?
Explicite e justifique.

(OAB/SP – 118) 29. Eliseu compareceu ao Fórum da Capital e notou afixado no local de
costume o edital de citação em seu nome, vindo a dilacerá-lo. Não satisfeito, foi até o cartório
onde tramita a ação penal e, tendo o serventuário se descuidado, arrancou do livro de registro de
distribuições a folha que continha os seus dados, destruindo-a. Cometeu algum delito? Oferte
resposta motivada e fundamentada.

(OAB/SP – 118) 30. O advogado poderá arrolar testemunhas em dois momentos processuais no
Rito Ordinário e no Especial do Júri. Quais são estes momentos e quantas testemunhas poderão
ser arroladas em cada um? Explicite de modo detalhado.

(OAB/SP – 118) 31. "A revisão criminal, em regra, é ação com dúplice pedido, podendo, ainda,
cumular um terceiro: a indenização pelo erro judiciário". É correta a afirmativa? Por quê?

(OAB/SP – 118) 32. Quase ao término da construção de Hospital Público, com inauguração já
programada, o mestre de obras participa de greve e abandona o serviço junto com seus
subordinados, em razão de pretenderem justo aumento de salário e recebimento dos atrasados.
Praticaram algum crime? Emita seu parecer de modo fundamentado.

(OAB/SP – 119) 33. De acordo com os arts. 59 e 68 do CP, quando da dosimetria da pena, o
Magistrado considera os maus antecedentes resultantes de diversas condenações para sua
fixação, aumentando-a em 1/3 e, depois, tendo em vista as circunstâncias atenuantes e
agravantes, utiliza a reincidência para majorá-la. Foi aplicada a lei penal?

(OAB/SP – 119) 34. Dê as notas características do instituto da representação.

(OAB/SP – 119) 35. Agente que, com mais de cinco pessoas, participa de reuniões periódicas,
sob o compromisso de ocultar das autoridades a existência, o objetivo e a finalidade da
organização ou administração da associação, poderá estar incorrendo em algum ilícito penal
previsto na legislação própria?

(OAB/SP – 120) 36. Qual é o momento processual adequado para que se contradite testemunha
da acusação?

(OAB/SP – 120) 37. Arrole os direitos do inimputável sujeito à internação por força de medida
de segurança.

(OAB/SP – 120) 38. É possível a tentativa de contravenção?

(OAB/SP – 120) 39. Pode o Ministério Público impetrar Habeas Corpus? Explique.

(OAB/SP – 121) 40. Explique, dando o dispositivo legal, o que são normas penais permissivas,
também conhecidas como autorizantes.

166
(OAB/SP – 121) 41. O indivíduo "A", em estado de embriaguez, promove atos escandalosos no
interior de freqüentado restaurante. "A", visivelmente embriagado, é retirado do ambiente por
seu amigo "B" e conduzido até o bar anexo, onde "B" e o garçom "C" lhe servem uísque.
Justifique, dando os dispositivos legais, se ocorreu ilícito penal.

(OAB/SP – 121) 42. Particular pode ser co-autor de peculato? Explicite.

(OAB/SP – 121) 43. O crime de roubo qualificado, art. 157, parágrafo 2.º, incisos I, II, III, IV e
V do C.P., é considerado crime hediondo?

(OAB/SP – 122) 44. Qual é, atualmente, o conceito de infração de menor potencial ofensivo?
Justifique e fundamente a resposta.

(OAB/SP – 122) 45. Pode o juiz, na pronúncia, enquadrar o acusado em dispositivo penal que
prevê pena mais grave do que a imposta ao crime articulado na denúncia? Justifique e
fundamente a resposta.

(OAB/SP – 122) 46. Em que hipótese o delegado de polícia pode instaurar inquérito de ofício
para a apuração do crime de estupro? Fundamente a resposta.

(OAB/SP – 122) 47. Que justiça é competente para julgar civil que, em co-autoria com policial
militar estadual em serviço, subtrai bem pertencente a uma Secretaria de Estado? Justifique e
fundamente a resposta.

(OAB/SP – 123) 48. O particular, não funcionário público, pode ser punido por crime de
peculato? Explique e fundamente.

(OAB/SP – 123) 49. Qual o procedimento a ser seguido em relação ao recurso interposto da
decisão do juiz da execução penal que indefere o livramento condicional? Fundamentar.

(OAB/SP – 123) 50. João atira em determinada pessoa, mas erra o alvo, atingindo apenas outra
pessoa que vem a falecer. Como deve ser responsabilizado?

(OAB/SP – 123) 51. O que pode suceder se foi recebida queixa apresentada por advogado sem
estar acompanhada de procuração que faça menção ao fato criminoso?

(OAB/SP – 124) 52. Em qual tipo de procedimento e em quais momentos processuais o juiz
pode indeferir pedido de juntada de documentos? Quais as razões que justificam tais regras?
Fundamente.

(OAB/SP – 124) 53. “A” esteve preso preventivamente no período de 02.03.2003 a 02.06.2003,
mas foi absolvido da acusação. Contudo, foi condenado por outro crime, cometido em
01.02.2003, à pena de 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses de reclusão. No tocante à pena aplicada,
o que poderá ser levado em conta, em benefício do condenado? Fundamente.

(OAB/SP – 124) 54. Uma lei nova que impusesse prisão preventiva obrigatória em crimes de
tráfico internacional de entorpecentes poderia ser aceita e poderia ser aplicada a processos em
andamento? Por quê? Fundamente.

(OAB/SP – 124) 55. Corrija a seguinte frase, apontado os seus erros e justificando a correção:

167
“A coação moral, como causa excludente da tipicidade, ocasiona sempre a absolvição do coato,
só sendo punível o coator”.

(OAB/SP – 125) 56. O advogado do acusado A, em plenário de julgamento pelo Júri, apesar de
inexistir réplica do promotor, requereu ao juiz que lhe fosse dada a oportunidade para oferecer
tréplica. Qual a solução a ser adotada? Fundamente.

(OAB/SP – 125) 57. O advogado de João, apesar de regularmente intimado, deixou de oferecer
as razões de apelação que interpusera em favor do acusado em virtude de sua condenação. Que
deve fazer o juiz? Justifique.

(OAB/SP – 125) 58. Como o artigo 5o, XLII, da Constituição Federal, considera, entre outros,
crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia o terrorismo, tem sido questionada pela
doutrina a previsão do crime de terrorismo entre nós.
Pergunta-se: a) que artigo de lei se refere ao terrorismo como prática criminosa? b) essa
disposição permite afirmar que existe, entre nós, o crime de terrorismo?

(OAB/SP – 125) 59. Pedro, não-funcionário, ingressou na repartição pública em que João,
funcionário público, seu amigo, trabalha e subtraiu o computador que João, conforme
previamente combinado, deixara sobre a sua mesa. O ingresso se deu no período noturno, com
uso de chave cedida por João.
Pergunta-se: que crimes cometeram Pedro e João? Justifique.

(OAB/SP – 126) 60. Pode, durante o processamento de recurso especial, ser iniciado o
cumprimento de pena privativa de liberdade ou de pena restritiva de direito aplicada a acusado
que respondeu o processo em liberdade?
Justifique. Considere, separadamente, as hipóteses de pena privativa e de pena restritiva.

(OAB/SP – 126) 61. O Promotor de Justiça requereu arquivamento do inquérito policial porque,
em face das circunstâncias objetivas e subjetivas ligadas ao fato e ao agente, a pena aplicável
levaria à prescrição retroativa.
Como deve o juiz agir em face do requerimento formulado? Indique, se for o caso, as alternativas
possíveis para o juiz em face das orientações divergentes a respeito do assunto.

(OAB/SP – 126) 62. Como deve proceder o juiz, na aplicação da pena, em caso de concurso de
causas de aumento? E em caso de concurso de causas de diminuição? Justifique.

(OAB/SP – 126) 63. O Brasil adotava o sistema do duplo binário.


O que significa a adoção desse sistema? Qual sistema o substituiu e qual o seu significado?

(OAB/SP – 127) 64. No que consiste a teoria da actio libera in causa? É adotada no direito
brasileiro? Fundamentar legalmente.

(OAB/SP – 127) 65. João e Maria convivem, sem serem casados, há vinte anos, na mesma casa e
tiveram três filhos. João foi condenado por crime de roubo qualificado. Maria e o pai de João, de
nome Pedro, escondem-no em um sítio de propriedade de um amigo, chamado Antonio, dando a
este conhecimento do fato de João estar condenado. Que crimes cometem Maria, Pedro e
Antonio? Justifique.

(OAB/SP – 127) 66. Que justiça e órgão julgam juiz de direito do Estado de São Paulo acusado
de homicídio doloso ocorrido na cidade de Campo Grande – MS?

168
(OAB/SP – 127) 67. As Comissões Parlamentares de Inquérito estaduais podem determinar a
quebra de sigilo bancário de pessoas por elas investigadas? Fundamentar.

(OAB/SP – 128) 68. Tem-se admitido que o Tribunal de Justiça, em revisão criminal, possa
absolver pessoa condenada pelo Tribunal do Júri. Como conciliar tal orientação com o princípio
constitucional da soberania dos veredictos (art. 5o, inciso XXXVIII, alínea c, da Constituição
Federal)?

(OAB/SP – 128) 69. Verifique os crimes abaixo descritos e, de forma justificada, esclareça se
são crimes próprios.
I) Art. 1o, inciso I, alínea a, da Lei 9.455/97: “ Constitui crime de tortura: I – constranger alguém
com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) com o
fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa”.

II) Art. 133, caput, do Código Penal: “ Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda,
vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do
abandono”.

(OAB/SP – 128) 70. Para a regressão de regime de cumprimento de pena pela prática de fato
definido como crime doloso, conforme disposto no art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal,
há necessidade de sentença condenatória transitada em julgado em relação a este crime?
Fundamentar.

(OAB/SP – 128) 71. Que é flagrante diferido ou retardado? É possível a sua realização? Aplica-
se a todas as espécies de crimes?

(OAB/SP – 129) 72. Que são escusas absolutórias? Fundamente e indique as suas
conseqüências.

(OAB/SP – 129) 73. O juiz pode receber apenas parcialmente a denúncia oferecida pelo
Ministério Público? Fundamente a resposta.

(OAB/SP – 129) 74. Que é competência por prerrogativa de função? Em relação ao co-autor
particular, estende-se a ele essa competência? Fundamente.

(OAB/SP – 129) 75. Se alguém, para matar, fere a vítima, segundo a doutrina ele só será punido
pelo crime de homicídio. Neste caso, que tipo de conflito existe e qual o critério utilizado para
resolvê-lo?

(OAB/SP – 129) 76. O acusado apelou de uma condenação pelo Tribunal do Júri, alegando que
se tratava de decisão manifestamente contrária à prova dos autos. No dia seguinte, ainda dentro
do prazo, ingressa com nova apelação, sustentando que a decisão, além de manifestamente
contrária à prova dos autos, era nula. É admissível essa segunda apelação? Por quê?

(OAB/SP – 130) 77. A e B, sem estarem previamente combinados, atiram, ao mesmo tempo, em
C, que faleceu em virtude de ser atingido por somente um dos projéteis. Como a doutrina
denomina essa situação? A e B responderiam por algum crime? Justifique.

(OAB/SP – 130) 78. Foi expedido mandado de busca e apreensão para ingresso na residência de
A, cujo objeto era a busca e apreensão de coisas que serviriam como fontes de prova em

169
investigação sobre homicídio que teria sido cometido por A. No interior da residência nada foi
encontrado sobre o homicídio, mas os policiais acharam, fortuitamente, um famoso quadro que
fora subtraído de um museu. Pode ser o quadro apreendido? Explique, indicando as diversas
posições.

(OAB/SP – 130) 79. Por que a exigência de prisão para apelar constitui uso anômalo da prisão
processual? Fundamente a resposta.

(OAB/SP – 130) 80. O Ministério Público pode apelar de sentença absolutória proferida em
processo iniciado por queixa? Fundamente a resposta.

(OAB/SP – 130) 81. O tempo de prisão provisória em um processo pode, sempre, ser computado
em pena privativa de liberdade imposta em outro processo? Fundamentar.

(OAB/SP – 131) 82. O uso de arma de brinquedo pode ser tida como qualificadora do crime de
roubo (art.157, §2.º, I, do Código Penal)?

(OAB/SP – 131) 83. Em que tipo penal se enquadra o chamado seqüestro-relâmpago?

(OAB/SP – 131) 84. Quais os requisitos de admissibilidade da prisão temporária? Eles são
alternativos ou cumulativos?

(OAB/SP – 131) 85. Existem recursos criminais que podem ser considerados privativos da
defesa? Quais?

(OAB/SP – 131) 86. Todos os crimes da lei de drogas (Lei n.° 11.343/06) autorizam a prisão
preventiva? Por que razão?

(OAB/SP – 132) 87. O que significa a expressão “detração penal”?

(OAB/SP – 132) 88. Qual a diferença entre perdão judicial e perdão tácito?

(OAB/SP – 132) 89. O que é a reforma in pejus indireta?

(OAB/SP – 132) 90. O que significa a expressão “despronúncia”?

(OAB/SP – 132) 91. É possível a incidência da escusa absolutória no crime de roubo?

(OAB/SP – 133) 92. A Constituição Federal, em seu artigo 5.º, LVI, declara a inadmissibilidade
de provas obtidas por meios ilícitos. Houve, na doutrina e na jurisprudência, entendimento de
que, com a aplicação de determinado princípio, permite-se utilização de prova obtida com ofensa
às inviolabilidades constitucionais. Qual é esse princípio? Quando poderá ser aplicado?

(OAB/SP – 133) 93. É possível crime continuado entre estupro e atentado violento ao pudor?
Explique.

(OAB/SP – 133) 94. O que é tipo misto alternativo? Indique, na legislação brasileira, tipos desse
teor.

170
(OAB/SP – 133) 95. Comete crime quem coloca pontas de lança no muro de sua residência para
protegê-la e causa, por isso, lesões corporais graves em uma criança de 9 (nove) anos que tentou
pular o referido muro para colher frutas no quintal daquela residência? Explique.

(OAB/SP – 133) 96. Um Promotor de Justiça foi intimado de decisão do Juiz das execuções
criminais e interpôs agravo no sétimo dia útil após a sua intimação. O recurso interposto é o
adequado? Foi tempestivo?

(UnB/CESPE – OAB/SP 134) 97. Distinga crime habitual de crime continuado, indicando o
critério de distinção.
QUESTÃO 2
(UnB/CESPE – OAB/SP 134) 98. Que é absolvição imprópria? Ela impede o ajuizamento da
ação civil ex delicto?
QUESTÃO 3
(UnB/CESPE – OAB/SP 134) 99. Considere-se que, em homicídio culposo decorrente de
acidente de trânsito, a acusação tenha atribuído ao acusado conduta imprudente, consistente em
direção em excesso de velocidade.
Considere-se, ainda, que, durante a instrução, as provas demonstraram ter ocorrido, na realidade,
negligência na conservação do veículo, causa da falha no funcionamento do freio.
Considere-se, por fim, que, encerrada a instrução, após ouvidas as partes, o juiz tenha proferido
decisão condenatória por homicídio culposo, à pena mínima, fundando-se na negligência
provada.
Nessa situação, agiu corretamente o juiz? Justifique a sua resposta com base na legislação
pertinente.
QUESTÃO 4
(UnB/CESPE – OAB/SP 134) 100. Carlos, em sua casa, desferiu tapas e socos em sua esposa,
Sônia, causando-lhe ferimentos leves. Ela se dirigiu à delegacia de polícia, manifestando
interesse em que seu marido fosse processado, porque, segundo ela, ele já a havia agredido
outras vezes. O promotor de justiça ofereceu denúncia contra Carlos por infração ao art. 129,
caput, do Código Penal. Depois disso, Sônia compareceu ao gabinete do promotor e disse que
não queria mais a instauração do processo contra o marido, pois ela e Carlos haviam se
reconciliado e estavam vivendo em harmonia.
Discorra sobre o que pode ou deve ser feito em face da situação apresentada.

(UnB/CESPE – OAB/SP 134) 101. Há corrente doutrinária e jurisprudencial que entende ser
inconstitucional a internação do inimputável por prazo indeterminado. Que fundamentos podem
embasar essa corrente?

171
11. GABARITO.

1. É a restituição de qualidades e atribuições que o condenado havia perdido.

2. É uma causa extintiva da punibilidade e ocorre quando, uma vez instaurada a ação penal
privada, o ofendido ou seu representante legal desiste de prosseguí-la.

3. O representante do Ministério Público.

4. No laudo de exame de corpo de delito.

5. Considerar o disposto na Lei 8.072/90

6. A diferença está no núcleo do tipo. Na concussão o agente "exige" a vantagem indevida,


enquanto que na corrupção passiva o agente "solicita" ou "recebe" a vantagem indevida.

7. É causa extintiva da punibilidade, que se verifica quando o querelante por inércia deixa de
providenciar o andamento da ação penal privada, acarretando a perda do direito de nela
prosseguir.

8. Conduta/ resultado/ relação de causalidade/ tipicidade

9. O fato que serve para justificar a agravante da reincidência (CP, art. 61, I) não pode ser levado
à conta de maus antecedentes para fundamentar a fixação da pena-base acima do mínimo legal
(CP, art. 59). Reconhecendo a ocorrência de "bis in idem", deve-se excluir da pena-base o
aumento decorrente da circunstância judicial desfavorável.

10. A manutenção da prisão em flagrante só se justifica quando presentes os requisitos


ensejadores da prisão preventiva, nos termos do art. 310, parágrafo único do C.P.P.. O
fundamento invocado de garantia da ordem pública, sem qualquer outra demonstração de real
necessidade, nem tampouco da presença dos requisitos autorizadores da prisão preventiva, não
justifica a manutenção do flagrante.

11. Artigo 265 C.P..

12. Resolveu-se desconsiderar a questão, com conseqüente atribuição positiva em prol do


candidato.

13. Maria das Flores comete o crime de auto-aborto (artigo 124 do Código Penal) e Ulisses
Gabriel também responde pelo mesmo crime, na condição de co-autor (artigo 29, caput, do
Código Penal).

14. Arts. 93 a 95 CP.


decurso de dois anos, a partir da data em que foi extinta, de qualquer modo, a pena imposta;
tenha tido domicílio no País no prazo acima referido;
tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento
público e privado;
tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstrada a absoluta impossibilidade de o
fazer, até o dia do pedido, ou exiba documento que comprove renúncia da vítima ou novação da
dívida.

172
15. Detração é o cômputo, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, do tempo de
prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e internação em hospital
de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à sua falta, a outro estabelecimento adequado (Artigo
42, C.P.)

Remição: é instituto pelo qual o condenado que cumpre pena em regime fechado ou semi-aberto
poderá remir, pelo trabalho, parte do tempo da execução da pena. A contagem do tempo é feita a
razão de um dia de pena por três de trabalho (artigo 126 e § 1º da LEP).

16. É possível desde que, havendo prova do crime e indício suficiente de autoria, seja decretada a
prisão preventiva pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante
representação da autoridade policial.

17. João Antonio não poderá ser processado criminalmente pois era inimputável à época do fato,
ficando sujeito às normas estabelecidas na legislação especial (artigo 27 do C.P.). A
circunstância de ser casado não lhe confere maioridade penal, mas tão-somente a civil.

18. Antonio deverá ser responsabilizado por tentativa de furto qualificado (mediante escalada)
em concurso material com lesão corporal de natureza grave (Artigo 155, § 4º, inciso II e artigo
129, § 1º, inciso II, c.c. o artigo 69, todos do Código Penal).

19. Cabível o recurso em liberdade ante a menoridade e primariedade do réu.


Quanto ao regime fechado, pode ser outorgado regime semi-aberto, eis que não vedado pela lei,
consoante art. 33, parágrafo 2º, "b" do C.P.P.

20. "A causa especial de aumento do parágrafo 1º do art. 155 do CP (repouso noturno) somente
incide sobre o furto simples, sendo pois, descabida a sua aplicação na hipótese de delito
qualificado (art. 155, parágrafo 4º, IV do CP).
(HC nº 10.240/RS, 6ª turma, rel. min. Fernando Gonçalves, j. 21.10.99, v.u., DJU 14.02.00, p.
79).

21. O Código Penal adotou a teoria objetiva, sendo certo que o quantum da redução da pena deve
ser encontrado em função das circunstâncias da própria tentativa. Vale dizer: quanto mais o
agente aproximou-se da consumação do crime, menor deve ser a redução da pena; quanto mais
distante ficou da consumação, maior deve ser a redução da pena.

22. O pecuarista que assim agir incide nas penas do artigo 260, inciso IV, do Código Penal,
cometendo o crime de perigo de desastre ferroviário ("Impedir ou perturbar serviço de estrada de
ferro: IV praticando outro fato de que possa resultar desastre".)

23.O artigo 654 do Código de Processo Penal confere ao Ministério Público legitimidade para
impetrar Habeas Corpus. Demais, a Constituição Federal, em seu artigo 127, caput, atribui-lhe a
incumbência da "defesa da ordem jurídica, no regime democrático e dos interesses sociais e
individuais indisponíveis". Porém, só estará apto a agir em nome do Ministério Público o
promotor que, em razão do exercício de suas funções e nos limites de suas atribuições, tiver
conhecimento da ocorrência do constrangimento ou ameaça à liberdade.

24. José e os demais jurados envolvidos cometeram Crime Contra a Administração Pública, pois
sendo considerados funcionários públicos para fins penais (art.327 caput do CP) receberam
vantagem indevida. Incorreram, assim, nas sanções do artigo 317 do Código Penal - Corrupção
Passiva.

173
25. Ana: é partícipe no crime de auto-aborto (artigo 124, c.c. o artigo 29, ambos do Código
Penal); Maria: responde por auto-aborto (artigo 124 caput do Código Penal);
Geralda: responde por crime de aborto praticado com o consentimento da gestante (artigo 126 do
Código Penal); Clementina: responde por aborto consentido (artigo 124 do Código Penal).

26. A conduta de Maria das Dores se acomoda ao tipo penal do artigo 320, ou seja, assim
descrita:- "deixar o funcionário por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu
infração no exercício do cargo ou quando lhe falte competência, levar o fato ao conhecimento da
autoridade competente".

27. Em princípio o Tribunal do Júri detém a competência para o julgamento dos crimes dolosos
contra a vida, tentados e consumados, enquanto que, se houver outro delito conexo, esse fato
atrairá a competência, fazendo a exceção, que é referida no Código de Processo Penal em seu
artigo 78, inciso I.

28. O reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva, também chamada de retroativa ou da


ação penal, faz desaparecer a sentença condenatória e, portanto, seus efeitos. Como
conseqüência, não tem como influir para os fins de se reconhecer a reincidência.

29. O comportamento de "A" configura dois delitos, que estão previstos nos artigos 336 ("Rasgar
ou, de qualquer forma, inutilizar ou conspurcar edital afixado por ordem de funcionário
público...") e 337 ("Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial... confiado à
custódia de funcionário..."), ambos do Código Penal.

30. Defesa prévia, art. 395 do CPP, até 8 testemunhas e contrariedade ao libelo, art. 421
parágrafo único, até 5 testemunhas.

31. Sim. Com a RC é instaurada uma nova relação processual, visando a desconstituir a sentença
e substituí-la por outra. Assim, a sentença na RC rescinde a sentença anterior e determina uma
das 3 primeiras hipóteses do 626, caput, do CPP. Conforme o 630, CPP, é possível, ainda,
cumular o pedido de indenização.

32. Não, pois exerceram um direito, haja vista que o artigo 201 do Código Penal foi, em tese,
revogado pelo artigo 9º da Constituição Federal, bem como, a Doutrina entende que é uma
infração atípica, ainda que os grevistas sejam funcionários públicos, pois o artigo 37, inciso VII,
da C. Federal, não foi até a presente data, objeto de Lei Complementar.

33. Não. Hipótese que caracteriza "bis in idem".


"Dosimetria da pena. Maus antecedentes e reincidência considerados na fixação da pena-base e,
depois, para a aplicação da agravante da reincidência.
Nesta hipótese, as condenações anteriores foram explicitamente invocadas na fixação da pena-
base; não cabia, a seguir, tê-las em conta para a agravante da reincidência. Exclusão da
agravante".
(HC nº 76.285-6/SP, 2ª Turma, rel. min. Néri da Silveira, j. 05.05.98, v.u., DJU 19.11.99, nº
1.185).

34. Representação é um meio que visa provocar iniciativa do Ministério Público, a fim de que
este ofereça a denúncia, que é a peça inicial da ação penal pública. É considerada condição de
procedibilidade.

174
35. Sim, conforme artigo 39 da lei de Contravenções Penais.

36. A contradita deverá ser argüida após a qualificação e antes da oitiva da testemunha,
conforme artigo 214, do Código de Processo Penal.

37. Os direitos do internado estão previstos no artigo 99, do Código Penal, que estabelece o
recolhimento a estabelecimento dotado de características hospitalares e recebimento de
tratamento.

38. Não, pois o art. 4º da Lei das Contravenções Penais declara a impunibilidade da tentativa
dessa espécie de ato ilícito.

39. O artigo 654 do Código de Processo Penal confere ao Ministério Público legitimidade para
impetrar Habeas Corpus. Demais, a Constituição Federal, em seu artigo 127, caput, atribui ao
Ministério Público a incumbência da "defesa da ordem jurídica, no regime democrático e dos
interesses sociais e individuais indisponíveis". Porém, só estará apto a agir em nome do
Ministério Público o promotor que, em razão do exercício de suas funções e nos limites de suas
atribuições, tiver conhecimento da ocorrência do constrangimento ou ameaça à liberdade. Assim,
não pode o promotor atuante em determinada comarca impetrar Habeas Corpus por fato ocorrido
em outra comarca, onde não atue.

40. São aquelas que permitem a prática de um fato típico, excluindo-lhe a ilicitude. São,
portanto, as causas de exclusão da ilicitude, art. 23 do Código Penal.

41. Sim. "A" cometeu a contravenção penal de embriaguez (art. 62), e os indivíduos "B" e "C", a
contravenção penal de servir bebida alcoólica a quem já se encontre embriagado, art. 63, II,
todos da L.C.P..

42. Sim, conforme o art. 30 do C.P., pois é circunstância elementar do delito, a condição de
servidor público, que se comunica ao particular, quando este conhecia a condição do mencionado
funcionário.

43. Não, em virtude da relação dos crimes hediondos, mencionados na Lei 8072 de 25/07/90, não
ter incluido o crime de roubo no elenco dos delitos considerados como tal.

44. O conceito originário da Lei 9.099/95 foi ampliado pela dos Juizados Especiais Federais (Lei
nº 10.259/2001) de modo que atualmente abrange toda infração penal cuja pena máxima não
seja superior a 2 anos, sujeita ou não a procedimento especial.

45. Sim. Pronunciando o réu por crime mais grave (por exemplo: homicídio ao invés de
infanticídio); nem por isso o réu será julgado por fato de que não se defendeu, porque, após a
pronúncia, vem o libelo, do qual passará a constar o novo dispositivo legal, em que passou a
estar incurso o réu, podendo a defesa, na contrariedade, se insurgir contra a nova definição
jurídica do fato. Além do mais aplica-se ao caso o art. 408, parágrafo 4º c/c art. 383 do CPP.

46. Quando o estupro for seguido de lesão corporal grave, ou morte da vítima, ou cometido com
abuso de pátrio poder. Nesse caso, trata-se de crime de ação penal pública incondicionada, pois
pressupõe o emprego da violência. Aplica-se também no caso a súmula 608 do STF, o que
autoriza igualmente o delegado a instaurar inquérito em todos os casos de violência real.

175
47. Justiça Estadual Comum porque, pela Constituição Federal (art. 125, parágrafo 4º ), a Justiça
Militar só julga policial militar e bombeiro, não tendo, assim, competência para julgar processo
civil. Ainda, pelo artigo 79 – I, a continência, no caso, não importa em unidade de processo e
julgamento.

48. O particular pode ser punido como partícipe. Embora o peculato se trate de crime próprio,
praticado por funcionário público e não por particular, este pode, contudo, de qualquer modo
colaborar para a prática do crime (art. 29, do Código Penal). Responderá pelo ilícito criminal,
diante do que dispõe o artigo 30 do Código Penal, pois a condição de funcionário público se trata
de circunstância elementar do peculato.

49. O recurso é o agravo previsto no artigo 197 da Lei de Execução Penal. Embora houvesse
anteriormente divergência doutrinária e jurisprudencial quanto ao rito a ser seguido para esse
recurso, ora se afirmando que deveria ser o procedimento do agravo do Código de Processo
Civil, ora se sustentando que deveria ser o procedimento do recurso em sentido estrito,
atualmente, em virtude de orientação consolidada no Supremo Tribunal Federal, deve ser
adotado o rito do recurso em sentido estrito.

50. Cuida-se de hipótese de erro na execução do crime. Assim, aplica-se ao caso o artigo 73 do
Código Penal, ou seja, o agente responde como se tivesse praticado o crime contra a pessoa que
pretendia ofender, atendendo-se o disposto no §. 3 º, do artigo 20, do Código Penal.

51. O juiz não deveria ter recebido a queixa. Assim, se a falha for descoberta posteriormente,
deve o juiz anular o processo e, se for o caso, declarar extinta a punibilidade em virtude da
decadência. Ainda, se o juiz determinar que a procuração seja regularizada ou se o próprio
querelante perceber a falha, tem-se entendido, com base no artigo 568, do Código de Processo
Penal, ser possível a regularização desde que não tenha havido decadência.

52. As provas poderão ser apresentadas em qualquer fase do processo, desde que a lei não
disponha de forma contrária. Esta é a regra geral. Contudo, no procedimento dos crimes da
competência do Tribunal do Júri, há duas ressalvas a essa possibilidade: a primeira ocorre no
momento das alegações previstas no art. 406, §2°, do Código de Processo Penal; e a segunda no
momento do julgamento em plenário, conforme disposto no art. 475 do Código de Processo
Penal.
Em relação à primeira, a restrição é justificada em face da natureza da decisão de pronúncia, de
admissibilidade de encaminhamento da causa a julgamento em plenário, e em razão da
possibilidade posterior de juntada de documentos antes do julgamento em plenário. Quanto à
segunda, justifica-se a proibição da apresentação de documentos em data muito próxima ao
julgamento, ou durante este, para evitar surpresa às partes, impedindo-se o pleno exercício do
contraditório.

53. Em benefício do condenado, poderá levar-se em conta a detração penal, prevista nos artigos
42 do Código Penal (“Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o
tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de
internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior”).
Segundo entendimento jurisprudencial, assinalado por Mirabete (Execução Penal, Ed. Atlas,
tópico 3.17), tem-se admitido a detração por prisão ocorrida em outro processo, em que logrou o
réu a absolvição, quando se trata de pena por outro crime anteriormente cometido.

54. A aceitação, ou não, de prisão preventiva obrigatória envolve a admissibilidade, ou não, de


prisão que não tenha natureza cautelar. A tendência da doutrina é aceitar apenas a prisão

176
cautelar, ou seja, a prisão que é necessária em face de circunstâncias do caso concreto, porque,
assim, estaria sendo observado o princípio constitucional da presunção de inocência (art. 5 º,
LVII, da CF). A prisão preventiva obrigatória representaria simples antecipação de pena, sendo o
acusado tratado, antes de decisão definitiva, como se fosse culpado.
Contudo, como boa parte da jurisprudência admite prisões não cautelares, apesar do referido
princípio constitucional da presunção de inocência, deveria ser visto se a nova disposição seria
aplicável aos processos em andamento. A regra é de que a norma processual tem aplicação
imediata, atingindo processos em andamento. Contudo, parte da doutrina considera que, nos
casos de prisão, como está envolvida a liberdade, seja por aplicação de princípios constitucionais
de proteção à liberdade, seja por aplicação do artigo 2° da Lei de Introdução ao Código de
Processo Penal, só deveria ser aplicada aos novos crimes, ou, pelo menos, aos novos processos.

55. A frase correta, de acordo com o artigo 22 do Código Penal, aplicável ao caso, seria: “A
coação moral irresistível, como causa excludente da culpabilidade, ocasiona, sempre, a
absolvição do coato, só sendo punível o coator”.
A coação moral pode ser irresistível ou resistível.
Quando irresistível, a coação moral exclui a culpabilidade em relação ao coato, sendo punido
apenas o coator. Neste caso, como há um resquício de vontade na conduta do coato, o crime
subsiste. Existindo crime, não há que se falar em exclusão da tipicidade. Trata-se, como dito, de
causa excludente da culpabilidade.
A coação resistível, por sua vez, não causa a exclusão da culpabilidade, sendo o coato punido.
Neste caso, a coação serve apenas como atenuante genérica prevista no art. 65, inciso III, c,
primeira parte, do Código Penal.

56. Há duas posições, as quais indicam as possíveis soluções. Uma, no sentido de que o
advogado do acusado não pode oferecer a tréplica, pois ela pressupõe a réplica. Além do mais,
haveria prejuízo ao Ministério Público e ofensa ao princípio do contraditório. Conforme essa
orientação, o juiz deveria indeferir o pedido. Outra posição sustenta que a defesa pode apresentar
a tréplica, porque a Constituição Federal garante, no artigo 5 º, XXXVIII, alínea a, a plenitude da
defesa, não podendo ficar o acusado prejudicado em sua defesa devido à ausência de réplica do
Ministério Público, com tempo menor em relação ao que poderia ser utilizado. Por esse
entendimento, o juiz deveria deferir o requerimento.

57. Segundo o Código de Processo Penal, poderia o juiz dar seguimento ao processo (artigo 601)
sem as razões, encaminhando os autos ao tribunal. Contudo, conforme doutrina predominante e
forte jurisprudência, para melhor preservar o direito de defesa, em momento culminante do
processo, o juiz deveria intimar o acusado a constituir novo defensor para oferecer as razões no
prazo. Decorrido o prazo, deveria nomear defensor para o acusado.

58. O artigo 20 da Lei 7.170, de 14.12.83, considera crime “... praticar... atos de terrorismo”.
Parte da doutrina, contudo, sustenta que, ante a generalidade da disposição, inexiste, na
realidade, definido entre nós o crime de terrorismo. Considera que há ofensa ao princípio da
legalidade.

59. Peculato-subtração (artigo 312, §1º). Comunica-se a condição de funcionário público, porque
elementar do crime (art. 30 do Código Penal).

60. Pena restritiva de direitos – Não pode, segundo orientação do STJ e do STF, em face do
artigo 147 da Lei de Execução Penal. Há, contudo, orientação jurisprudencial minoritária em
sentido contrário, sustentando que o recurso especial não tem efeito suspensivo.

177
Pena privativa de liberdade – Não pode, segundo orientação doutrinária e em parte da
jurisprudência, por ofensa ao princípio constitucional da presunção de inocência, que exige ser
toda prisão cautelar. Pode, conforme orientação do STF e do STJ, porque o recurso especial não
tem efeito suspensivo e não há ofensa ao princípio constitucional da presunção de inocência.

61. Primeira alternativa – Encaminhar ao Procurador-Geral de Justiça (art. 28 do CPP),


sustentando o não cabimento do arquivamento em face de provável prescrição pela pena em
concreto, porque esta depende da sentença e não está prevista no direito brasileiro.
Segunda alternativa – Determina o arquivamento do inquérito policial, admitindo falta de
interesse de agir pela provável prescrição da pena em concreto.

62. Concurso de causas de aumento. Primeira possibilidade é a de o juiz aplicar somente a mais
ampla. A outra possibilidade, de aplicar as diversas causas de aumento, depende da orientação
adotada. Conforme uma orientação, os aumentos são sempre aplicados sobre a pena-base. Por
outra orientação, aplicado o primeiro aumento, os outros incidirão sobre a pena já acrescida.
Concurso de causas de diminuição. Primeira possibilidade é a de o juiz aplicar somente a mais
ampla. A outra possibilidade, de aplicar as diversas causas de diminuição, depende da orientação
adotada. Conforme uma orientação, as diminuições são sempre aplicadas sobre a pena-base. Por
outra orientação, aplicada a primeira diminuição, as outras incidirão sobre a pena já diminuída.
Há quem sustente que se deve adotar critérios diversos. No concurso de causas de diminuição,
feita a primeira redução, as demais incidiriam sobre a pena já diminuída, para evitar a pena
“zero”. Todavia, no concurso de causas de aumento, seria adotado outro critério, o de todos os
acréscimos incidirem sobre a pena-base, porque mais favorável ao acusado.

63. Segundo o sistema do duplo binário, vigente antes da Reforma Penal de 1984, o juiz podia
aplicar pena e medida de segurança. O sistema que o substituiu foi o vicariante, o qual veda a
aplicação conjunta de pena e de medida de segurança.

64. Conforme consta da Exposição de Motivos do Código, foi adotada, com o artigo 28 do
Código Penal, a teoria da “actio libera in causa”. Por essa teoria, “não deixa de ser imputável
quem se pôs em estado de inconsciência ou de incapacidade de autocontrole dolosa ou
culposamente (em relação ao fato que constitui o delito) , e nessa situação comete o crime”
(Mirabete, 5.7.2). Esclarece o autor citado: “A explicação é válida para os casos de embriaguez
preordenada ou mesmo da voluntária ou culposa quando o agente assumiu o risco de,
embriagado, cometer o crime ou, pelo menos, quando a prática do delito era previsível, mas não
nas hipóteses em o agente não quer ou não prevê que vá cometer o fato ilícito”.

65. O crime seria o previsto no artigo 348 do Código Penal. O pai, Pedro, não responde pelo
crime porque, segundo o § 2º, fica isento de pena o ascendente. O amigo, Antonio, poderá ser
punido pelo delito, porque a ele não se aplica o referido parágrafo. Quanto a Maria, duas
interpretações são possíveis. Por uma orientação mais rígida, ela responderia porque o parágrafo
só isenta de pena o cônjuge. Por outra, mais afinada com a vigente Constituição Federal, a
companheira deve ser equiparada à mulher casada (art. 226, § 3°).

66. O juiz de direito é julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

67. Segundo o Supremo Tribunal Federal, é possível que as comissões parlamentares de


inquérito estaduais determinem a quebra do sigilo bancário, equiparando-se os poderes dessas
comissões aos outorgados às comissões federais, pela invocação do princípio federativo (STF,
Inq. 779-RJ). Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal admite que as comissões federais

178
determinem a quebra de sigilo bancário, por terem os mesmos poderes do juiz, exceto aqueles
que são exclusivos do Poder Judiciário.

68. A soberania dos veredictos, princípio constitucional, "é preceito estabelecido como garantia
do acusado, podendo ceder diante de norma que visa exatamente a garantir os direitos de defesa
e a própria liberdade. Portanto, é juridicamente possível o pedido de revisão dos veredictos do
Júri" (Grinover, Magalhães e Scarance, Recursos no Processo Penal, Ed. Revista dos Tribunais,
4ª ed., tópico 212).

69. O art. 1.°, inciso I, alínea a, da Lei 9.455/97, não é crime próprio, tratando-se de delito
comum, pois para a sua consecução não se exige nenhuma qualidade especial do agente,
podendo ser cometido por qualquer pessoa. Já o crime de abandono de incapaz, previsto no art.
133, caput, do Código Penal, é próprio, pois exige "que o agente tenha especial relação de
assistência com o sujeito passivo (cuidado, guarda, vigilância ou autoridade), ou tenha a posição
de garantidor, ou, ainda, haja dado causa ao abandono por anterior comportamento (CP, art. 13, §
2.°)" (Delmanto, Código Penal Comentado, Ed. Renovar, comentário ao art. 133).

70. Não há necessidade de que o fato definido como crime doloso seja objeto de sentença
condenatória transitada em julgado para possibilitar a regressão do condenado a regime mais
gravoso, nos termos do art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal (Lei n° 7.210/84). Como
ensina Mirabete, "... quando a lei exige a condenação ou o trânsito em julgado da sentença é ela
expressa a respeito dessa circunstância, como, aliás, o faz no inciso II do artigo 118. Ademais, a
prática de crime doloso é também falta grave (art. 52 da LEP) e, se no inciso I desse artigo, se
menciona também a infração disciplinar como causa de regressão, entendimento diverso levaria
à conclusão final de que essa menção é superabundante, o que não se coaduna com as regras de
interpretação da lei. Deve-se entender, portanto, que, em se tratando da prática de falta grave ou
crime doloso, a revogação independe da condenação ou aplicação da sanção disciplinar"
(Execução Penal, ed. Atlas, 8ª edição, tópico 5.37).

71. O flagrante diferido, também conhecido como retardado ou prorrogado, "é a possibilidade
que a polícia possui de retardar a realização da prisão em flagrante, para obter maiores dados e
informações a respeito do funcionamento, componentes e atuação de uma organização
criminosa" (Guilherme de Souza Nucci, Código de Processo Penal Comentado, Ed. Revista dos
Tribunais, 2ª edição, comentário ao art. 302, n. 18). É possível a sua realização quando o
flagrante referir-se a alguns crimes. Aplica-se às investigações referentes a ilícitos decorrentes de
ações praticadas por quadrilha ou bando ou organizações ou associações criminosas de qualquer
tipo (art. 1° da Lei 9.034/95). Nos termos do art. 2°, inciso II, da referida lei, "em qualquer fase
de persecução criminal são permitidos, sem prejuízo dos já previstos em lei, os seguintes
procedimentos de investigação e formação de provas: II - a ação controlada, que consiste em
retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada por organizações criminosas ou a ela
vinculado, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se
concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de
informações". Aplica-se o instituto, também, aos procedimentos investigatórios relativos aos
crimes de tóxicos, nos termos do artigo 33, inciso II, da Lei n° 10.409/02. O dispositivo
possibilita, mediante autorização judicial, "a não-atuação policial sobre os portadores de
produtos, substâncias ou drogas ilícitas que entrem no território brasileiro, dele saiam ou nele
transitem, com a finalidade de, em colaboração ou não com outros países, identificar e
responsabilizar maior número de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo
da ação penal cabível".

179
72. As escusas absolutórias, também conhecidas como imunidades absolutas, são circunstâncias
de caráter pessoal, referentes a laços familiares ou afetivos entre os envolvidos, que, por razões
de política criminal, o legislador houve por bem afastar a punibilidade. Trata-se de condição
negativa de punibilidade ou causa de exclusão de pena. Estão previstas nos arts. 181, incisos I e
II, e 348, § 2.°, do Código Penal.

73. A maioria da doutrina entende ser possível o recebimento parcial da denúncia pelo juiz,
tendo em vista a inexistência de vedação legal.
Ressalte-se, ainda, que, havendo imputações cumulativas e recebendo o juiz a denúncia apenas
em relação a algumas, haverá rejeição quanto às outras e, neste ponto, caberá recurso em sentido
estrito.

74. É a competência determinada em razão da função ou cargo exercido por determinadas


pessoas. Tal determinação é feita tendo em vista a dignidade de alguns cargos e funções públicas
e não das pessoas que os ocupam.
Segundo a doutrina a competência por prerrogativa de função abrange também as pessoas que
não gozam de foro especial, sempre que houver concurso de pessoas (arts. 77, I, e 78, III). É
também o entendimento da jurisprudência. Entretanto, rejeitada a denúncia contra a pessoa que
goza de foro privilegiado, a competência para o julgamento dos demais retorna para o 1° grau de
jurisdição.
Em alguns casos, não se observa a regra de extensão da competência por estarem envolvidas
normas constitucionais, hierarquicamente superiores às regras sobre conexão do Código de
Processo Penal.

75. Trata-se de conflito aparente de normas, resolvido pelo princípio da consunção, pois ocorre a
relação consuntiva, ou de absorção, quando um fato definido por uma norma incriminadora é
meio necessário ou normal fase de preparação ou execução de outro crime, bem como quando
constitui conduta anterior ou posterior do agente, cometida com a mesma finalidade prática
atinente àquele crime, a exemplo do que ocorre no denominado crime progressivo, como é o
caso do crime de homicídio, o qual pressupõe a lesão corporal como resultado anterior.

76. O fundamento utilizado pelo juiz para não receber a apelação no caso aventado poderia ser o
da ocorrência de preclusão consumativa, alegando a perda da faculdade processual em
decorrência do seu exercício com o ingresso da primeira apelação.
Contudo, entende a doutrina que tal decisão não seria acertada, pois a regra da preclusão
consumativa não se aplica ao caso, visto se tratar de simples suplementação do recurso
interposto, realizada tempestivamente.

77. A doutrina denomina de autoria colateral (ou co-autoria lateral ou imprópria). “Caso duas
pessoas, ao mesmo tempo, sem conhecerem a intenção uma da outra, dispararem sobre a vítima,
responderão cada uma por um crime se os disparos de amas forem causas da morte. Se a vítima
morreu apenas em decorrência da conduta de uma, a outra responde por tentativa de homicídio.
Havendo dúvida insanável sobre a autoria, a solução deverá obedecer ao princípio do in dubio
pro reo, punindo-se ambos por tentativa de homicídio” (MIRABETE, Julio Fabbrini. “Manual de
Direito Penal – Parte Geral”. Vol 1. São Paulo: Atlas, 1997, p. 230).

78. Existem duas posições principais: a primeira entende que, estando a busca e apreensão
autorizada por mandado do juiz competente, a entrada na casa seria lícita, por isso tudo o que
fosse encontrado na casa poderia ser apreendido; a segunda defende que a diligência deve ser
relacionada apenas ao conteúdo do mandado e ao que está autorizado por este, só admitindo,
parte da doutrina, apreensão do que estivesse relacionado com o objeto do mandado

180
79. Essa exigência representa um impedimento ao exercício do direito de recorrer, ofendendo o
princípio do duplo grau de jurisdição e impondo ao acusado ônus excessivo sem que haja
qualquer limitação para o órgão da acusação. Assim, por não ter natureza cautelar, a prisão
exerce função anômala de impedimento da apelação.

80. Depende. Em se tratando de ação penal pública de iniciativa exclusivamente privada, o


Ministério Público não poderá interpor o recurso de apelação, uma vez que nesta ação vigora o
princípio da disponibilidade. Já na ação penal privada subsidiária da pública poderá o Ministério
Público apelar, segundo disposição expressa do artigo 29 do Código de Processo Penal.

81. Existem duas orientações. A primeira mais restrita entende que somente é computável na
pena de prisão aquela prisão cautelar relativa ao objeto da condenação. Uma segunda posição
mais liberal entende que é possível a “detração da pena ocorrida por outro processo, desde que o
crime pelo qual o sentenciado cumpre pena tenha sido praticado anteriormente à sua prisão. Seria
uma hipótese de fungibilidade da prisão” (MIRABETE, Julio Fabbrini. “Manual de Direito Penal
– Parte Geral”. Vol 1. São Paulo: Atlas, 1997, p. 262).

82. Não. O entendimento jurisprudencial dado pela antiga Súmula do STJ nº 174, foi revogada
pela Lei nº 9.437/97, que previu crime próprio para a utilização de simulacro de arma de
brinquedo (art.36). Esse artigo foi revogado, ao depois, pela Lei nº 10.826/03. Entretanto, hoje
não mais se considera motivo de maior reprovação a utilização de arma sem o potencial
ofensivo, não podendo ser tido o emprego de arma de brinquedo como qualificadora do roubo.

83. Existem 3 posições. A primeira, afirma tratar-se unicamente de crime de roubo com causa de
aumento de pena pela manutenção da vítima em poder do agente, restringindo sua liberdade
(art.157, §2º, V, CP). A segunda posição, assevera que tem-se configurado o crime de roubo
simples em concurso material com o crime de seqüestro (art.157, caput, c.c. art.148, caput, todos
do CP)(REGIS PRADO, Luiz.Curso de Direito Penal Brasileiro. São Paulo, RT, 2005, vol.2,
p.445). A terceira, entende haver, unicamente, extorsão, e não roubo (art.158, CP)(JESUS,
Damásio de.Código Penal Anotado. São Paulo: Saraiva, 2006, p.598).

84. Os requisitos são dados pelo art.1º, da Lei nº 7.960/89, quais sejam: I.quando imprescindível
para as investigações do inquérito policial; II.quando o indiciado não tiver residência fixa ou não
fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; III.quando houver fundadas
razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do
indiciado nos seguintes crimes: homicídio doloso (art.121 caput e seu §2º); seqüestro e cárcere
privado (art.148, caput, e seus §§1º e 2º); roubo (art.157, caput, e seus §§1º e 2º); extorsão
(art.158, caput e seus §§1º e 2º); extorsão mediante seqüestro (art.159, caput e seus §§1º e 2º);
estupro (art.213 caput e sua combinação com o art.223, caput e parágrafo único); atentado
violento ao pudor (art.214, caput e sua combinação com o art.223, caput e parágrafo único),
epidemia com resultado morte (art.267, §1º); envenenamento de água potável ou substância
alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art.279, caput, cc art.285); quadrilha ou bando
(art.288, todos do Código Penal); genocídio (art.1º, 2º, 3º da Lei nº 2.889/56), tráfico de drogas
(art.12 da Lei nº 6.368/76); crimes contra o sistema financeiro (Lei nº 7.492/86). Existe posição
que entende serem eles alternativos, bastando a presença de um deles para a possibilidade de
prisão temporária, e outra, que os entende cumulativos, sendo necessária a presença do item I ou
do item II, em conjunto com o item III.

85. Protesto por novo júri, Revisão Criminal; Embargos infringentes e de nulidade.

181
86. Não. Segundo o art. 48, §2° da Lei n° 11.343/06, “tratando-se da conduta prevista no art.28
desta Lei, não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente
encaminhado ao juízo competente ou, n falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer,
lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias
necessárias”. Isso se explica pelo fato do crime disposto no art.28 não prever penas privativas de
liberdade, não devendo, tampouco, ser submetido a prisão processual.

87. A detração penal é um instituto de direito penal que abate o tempo de segregação provisória
cumprida pelo condenado, tendo como fundamento o artigo 42 do Código Penal que enuncia que
se computam, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão
provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer
dos estabelecimentos referidos no artigo 41 do Código Penal.

88. O perdão tácito é uma causa extintiva de punibilidade prevista no artigo 107, inciso V, do
Código Penal, configurando-se na ação penal exclusivamente privada, em face de um ato do
querelante para com o querelado, denotando incompatibilidade e continuar o processo-crime, vez
que o ato da vítima denota que perdoou o querelado, existindo apenas quando já recebida a
queixa-crime por parte do juiz, não devendo ser confundida com a renuncia tácita que é sempre
antes de iniciar o processo, devendo o perdão tácito para extinguir a punibilidade ser aceito por
parte do querelado, porquanto o perdão é sempre bilateral.
Já o perdão judicial constitui providência exclusivamente do Poder Jurisdicional derivada de
medida de Política Criminal, havendo previsão expressa em situações de homicídio culposo e
outras culposas expressas em lei, quando as conseqüências da infração atingirem o próprio
agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária, destacando que o artigo 120
do Código Penal é expresso ao afirmar a natureza declaratória do instituto do perdão judicial ao
afirmar que “a sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de
reincidência”.

89. A reforma in pejus indireta consiste na situação em que anulada sentença condenatória em
recurso exclusivo da defesa, não pode ser prolatada nova decisão mais gravosa do que a anulada.
Trata-se assim de conseqüência negativa ao réu que exclusivamente apelou, não podendo por
isso o Tribunal piorar indiretamente a sua situação do réu. Exemplo: O réu condenado a 2 anos
de reclusão apela e obtém a nulidade da sentença. A nova decisão poderá impor-lhe, no máximo,
a pena de dois anos, pois do contrario o réu estaria sendo prejudicado indiretamente pelo seu
recurso.

90. A despronúncia é a reconsideração da própria decisão de pronúncia ou a não aceitação da


pronúncia por parte do Tribunal de Justiça, em face do Recurso em Sentido Estrito interposto
pelo pronunciado. A despronúncia, assim, pode ocorrer em duas hipóteses: 1) se o juiz, em face
do recurso em sentido estrito, interposto contra a sentença de pronuncia, reconsiderar a decisão,
revogando-a; se mantida a pronúncia, em primeira instância, vier o Tribunal a revogá-la. A
despronúncia é, portanto, a revogação ou desconstituição da pronúncia anteriormente decretada,
seja por parte do juízo de primeira instância, em sede de reconsideração, seja por parte do
Tribunal de Justiça que, apreciando recurso do réu, reforma a sentença de pronúncia para
impronunciá-lo. A distinção entre impronúncia e despronúncia está em que a primeira é
decretada pelo juízo “a quo” em juízo de valor que afirma, desde logo, a inexistência do crime ou
de indícios suficientes de autoria, enquanto a segunda pressupõe a existência de uma sentença de
pronúncia e o reconhecimento desses pressupostos por parte do juízo de origem, mas que vem a
ser reformada em sede de reexame pela instância “ad quem”.

182
91. Conforme o artigo 183 inciso I do Código Penal não é cabível a incidência da escusa
absolutória no crime de roubo.

92. É o princípio da proporcionalidade. Admite-se, amplamente, a sua aplicação em favor do


acusado, discutindo-se sobre a sua utilização para admitir prova em favor da acusação. Apontam-
se, ainda, alguns requisitos para sua aplicação: necessidade, adequação e proporcionalidade em
sentido estrito.

93. A matéria não é pacífica, mas a posição predominante é de que não é possível, restringindo-
se a continuidade aos crimes do mesmo tipo. Recentemente, porém, a Primeira Turma do
Supremo Tribunal Federal entendeu ser cabível a hipótese de crime continuado:
“Entendeu-se que a circunstância de esses delitos não possuírem tipificação idêntica não seria
suficiente a afastar a continuidade delitiva, uma vez que ambos são crimes contra a liberdade
sexual e, no caso, foram praticados no mesmo contexto fático e contra a mesma vítima” (HC nº
89827/SP, 27.02.2007).

94. Tipo misto alternativo é o composto por várias ações, sendo que, configurada qualquer uma
delas, o crime se realiza. Exemplos desse tipo são o do crime de tráfico de drogas e o de
instigação ao suicídio (art. 122, CP).

95. O caso é de uso de ofendículo. A doutrina entende que a pessoa age em exercício regular de
direito ou em legítima defesa predisposta ou preordenada. Normalmente, entende-se que não há
excesso na colocação de pontas de lança.

96. O recurso interposto é o adequado, conforme artigo 197, da Lei das Execuções Penais. Deve
ele, segundo orientação do Supremo Tribunal Federal, seguir o rito do recurso em sentido estrito.
Assim, o prazo é de cinco dias. Portanto, foi intempestivo.

97. A distinção entre crime habitual e crime continuado está assentada na natureza diversa das
ações que os constituem. No crime continuado, “as ações que o compõem, por si mesmas,
constituem crimes. (...) No crime habitual, ao contrário, as ações que o integram, consideradas
em separado, não são delitos.” (Damásio, Cap. XVIII, 36, p. 212).

98. A absolvição imprópria se verifica quando o autor do fato havido como infração penal for
inimputável, e consiste na “sentença que permite a aplicação da medida de segurança, (...), tendo
em vista que, a despeito de considerar que o réu não cometeu delito, logo, não é criminoso,
merece uma sanção penal (medida de segurança)”. (Guilherme de Souza Nucci, Código Penal
comentado, art.97, nota 6-A). A decisão absolutória imprópria não impede a propositura da ação
cível, pois não exclui a ilicitude do fato imputado, apenas isenta o acusado de pena.

99. O juiz agiu incorretamente. Apesar de a pena ter sido fixada no mínimo e não ter havido
alteração no tipo penal, houve mudança do fato imputado, uma vez que o acusado foi denunciado
por uma modalidade de culpa e condenado por outra. Ada Pellegrini Grinover, Antonio
Magalhães Gomes Filho e Antonio Scarance Fernandes (As nulidades no processo penal, Cap.
XI, 10) salientam que “não pode o juiz, sob pena de nulidade, condenar o réu, com base nessas
novas circunstâncias, por negligencia, sem tomar as providências do art. 384, caput, ou sem que
tenha havido prévio aditamento. Não se cuida de mera adequação do fato. Esse é diferente
daquele historiado na denúncia.”

100. Pela Lei de Violência Doméstica, a desistência da representação deve ser feita em audiência
com o juiz e com a presença do Ministério Público e pode ser refeita após a denúncia e antes de

183
seu recebimento (art. 16 da Lei 11.340). Pode-se, ainda, considerar que, para alguns autores, a
ação é pública incondicionada, e, assim, nada mais poderia ser feito.

101. Há quem sustente ser inconstitucional o prazo indeterminado para a medida de segurança,
pois é vedada a pena de caráter perpétuo – e a medida de segurança (...) é uma forma de sanção
penal –, além do que o imputável é beneficiado pelo limite das suas penas em 30 anos (art. 75,
CP)”. (Nucci, art. 97, nota 8).

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