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Casos Práticos resolvidos 2007/2008

Sousa Gomes

I ‐ INTRODUÇÃO AO DIREITO DA FAMÍLIA 
1. Pedro casou com Inês (1), viúva  do seu irmão consanguíneo  (2), Dinis (3). Dez  anos 
depois,  Inês  faleceu  e  Pedro  pretende  celebrar  novo  casamento  com  Catarina  (4),  filha 
do  anterior  casamento  de  Inês  com  Dinis,  com  quem  já  vivia  há  3  anos.  Catarina 
pretende  adoptar  Beatriz  (6),  filha  de  Pedro  e  Inês. Objectivos:  Qualificar  as  diversas 
relações  jurídico‐familiares  em  presença;  evidenciar  a  relevância  da  qualificação  para  efeitos  da 
constituição de outras relações jurídicas familiares (capacidade matrimonial, relação de adopção).

Resposta:
1 - Pedro e Inês (casamento – Noção – art.º 1577); 2 – Tipo de relação familiar – afins (art.º 1584 e
1585) de 2.º grau (art.º 1581/2); na linha colateral (art.º 1580/1); Provinham de progenitor comum
(art.º 1580/1).
3 - Relação entre Pedro e Dinis – Irmãos consanguíneos (art.º 1578)
Consanguíneos (mesmo pai)
Irmãos Uterinos (mesma mãe)
Germanos (mesmo pai e mesma mãe)
4 - Pedro e Catarina – Tio e sobrinha (parentes - art.º 1578, na linha colateral – art.º 1580/1), em
3.º grau (art.º 1581/2), conforme art.º 1604, al. c), impedimento impediente, mas podendo ser
dispensado por força do art.º 1609, al. a). Mas Pedro é padrasto de Catarina (afins em linha recta de
1.º grau – art.º 1581/1 que advém do art.º 1585. Temos então impedimento dirimente ao abrigo do
art.º 1602, al. c), anulável nos termos do art.º 1631.
5 – Relação entre Catarina e Inês ou entre Catarina e Dinis – Parentes em linha recta (art.º 1578 -
filha e mãe – (art.º 1580/1) – relação de filiação (poder paternal).
6 – Relação entre Catarina e Beatriz – Irmãs uterinas (1578) em linha colateral (1580/1) no 2º grau
(1581/2).
Adopção (art.º 1586) – semelhante à filiação natural mas independente dos laços de sangue
que se estabelece entre adoptante e adoptado ou entre um deles e os parentes do outro.
a) Adopção plena (art.º 1979), obriga ao cumprimento de requisitos mais exigentes,
gerando, por isso, efeitos mais alargados: pode levar à integração plena na família (o adoptado é
como se fosse 1 filho do casal), desaparecendo todos os vínculos que ligavam a criança à família
natural.
b) Adopção restrita (art.º 1992 e ss). Em relação ao nome os requisitos estão previstos no
art.º 1988.
A adopção, todavia, pode ser singular (i.é, pode ser levada a cabo apenas por 1 pessoa
casada ou não casada), bem como, nada impede que 1 elemento do casal adopte e o outro não.
c) Pode ser conjunta bem como por pessoas que vivam em UF. O art.º 1980 define os
requisitos do adoptado; os arts 1981º e 1982º aludem ao consentimento para a adopção plena. A
partir da vigência do DL nº 120/98, o processo de adopção não é interrompido enquanto se aguarda
o despacho de averiguação oficiosa; por outro lado, o consentimento dos pais naturais pode ser dado
"em branco", i.é, desconhecendo a identidade dos pais adoptivos. Tb a família adoptiva pode manter
em segredo a sua vontade de adoptar (1 excepção: no casamento do adoptado, este pode vir a
descobrir quem o adoptou através dos registos).

2. António, de 40 anos, recebeu em Janeiro de 2003, 1 carta de seu Pai, Luís, de 67 
anos,  com  o  seguinte  teor:  “Devo  confessar‐te  que  a  tua  primogénita,  Maria,  na 
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realidade é minha filha. Deveria ter‐to dito mais cedo, mas só agora encontrei a coragem 
necessária”. 
  Os factos remontam a 1 tempo em que Luís, viúvo, contratou 1 jovem assistente, 
Teresa, com quem iniciou 1 relação que resultou numa gravidez. Ambos decidiram que 
o  melhor  seria  que  ela  se  casasse  com  o  filho  dele,  António,  que  foi  mantido  na 
ignorância do que se passava.  
  António,  que  tem  mais  1  filho  em  comum  com  a  sua  mulher  Teresa,  Pedro, 
pretende agora extinguir o seu casamento e “retirar o reconhecimento da paternidade” a 
Maria. 
Objectivos: Qualificar as relações familiares que “de facto” existem entre António e Maria; Luís e Teresa;
Maria e Pedro. Evidenciar a importância da qualificação, a “sobreposição” de relações familiares, a eventual
não coincidência entre “verdade jurídica” e “biológica”.

Resposta: António e Maria são irmãos consanguíneos (art.º 1578 - parentes), na linha colateral
(art.º 1580/1), no 2º grau (art.º 1581/2), não podem casar (art.º 1602, al, b)). Pelo facto de António
ser casado com Teresa (mãe de Maria), são afins (art.º 1584) em linha recta (arts 1585º e 1580 e
1581), de 1º grau (art.º 1581/1). Maria judicialmente é filha de António, mas não o é
biologicamente, contudo vivendo os 2 maritalmente, presume-se que Maria é filha de António (art.º
1826). Presume-se que Maria nasceu na constância do casamento entre António e Teresa.
Luís e Teresa: sogro e nora. Afins (arts 1584º e 1585º), de 1.º grau em linha recta (arts 1580/1 e
1581/1)
Maria e Pedro: irmãos uterinos e tia e sobrinho (parentesco, relação de sangue – art.º 1578), linha
colateral (art.º 1580/1), 2.º grau de parentesco (art.º 1581/2). Maria é tia de Pedro (parentesco na
linha colateral (art.º 1580/1) de 3.º grau (art.º 1581/2).
É possível impugnar a presunção de paternidade por fazer coincidir a paternidade biológica
com a jurídica (art.º 1838 e ss)
   
  3.  José  Luís  e  Ana  Paula  divorciaram‐se  em  2000.  Em  consequência  de  acordo 
estabelecido  no  divórcio  por  mútuo  consentimento,  José  Luís  ficou  a  pagar  ao  filho 
Pedro,  1  pensão  no  valor  de  149,  64  Euros.  Em  2003,  José  Luís  passou  a  viver  com 
Matilde, de quem teve 1 filha.  
Em Janeiro de 2006, José Luís recorre ao Tribunal pedindo que seja reduzido para 
metade  o  valor  da  referida  pensão  de  alimentos,  alegando  que  as  despesas  com  o  seu 
novo  agregado  não  lhe  permitem  continuar  a  suportar  o  montante  estabelecido, 
nomeadamente as despesas com o pagamento do empréstimo bancário para habitação e 
com a ama da filha, que apenas lhe libertam 130 Euros/mês para os restantes encargos. 
Pedro vive com a Mãe que apenas tem como rendimento mensal 140, 71 Euros atribuído 
no contexto do Rendimento Social de Inserção.  Objectivos: Identificar as relações familiares ou 
parafamiliares em presença. Referir a situação às transformações da realidade familiar e às características do 
DF; referência ao conceito constitucional de Família e aos princípios constitucionais do Direito da Família (a 
CRP  como  força  geradora  de  Direito  Privado);  referência  à  solidariedade  intra‐familiar  (alimentos 
familiares), à importância “pública” da Família e ao de dever de cooperação do Estado.  

Resposta:
a) José luís e Pedro – Pai e filho (filiação), parentesco – 1578; linha recta – 1580/1, 1.º grau –
1581/1
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b) José Luís e Matilde – união de facto (relação parafamiliar)


c) Filha de José Luís e Pedro – relação de sangue - parentes – 1578; linha colateral – 1580/1 – 2º
grau – 1581/2
d) José Luís e Ana Paula – divórcio – 1 das causas de dissolução do casamento; 2 modalidades
(1773), existindo mutuo consentimento só se (1775)
José Luís e Matilde → nasce filha
Poderá deixar de dar pensão a Pedro? (art.º 2003, 2004 e 2012)
José Luís tem dto a constituir família → art.º 36/1 1ª parte da CRP.
Na impossibilidade de José Luís poder pagar, recorre-se aos arts 63, 67 e 69 CRP, regulado pelo DL
164/99.

4. Em 1987, Tony divorciou‐se de Amanda de quem tinha um filho, Stuart. Stuart 
casou  com  Cheryl,  mas,  em  1995,  divorciou‐se  desta  que  ficou  a  viver  com  o  filho 
comum, Wally.  
Entretanto, desenvolveu‐se uma relação entre Cheryl (de 39 anos) e Tony (de 61), 
passando ambos a coabitar em 1996. Wally vive com eles e só vê esporadicamente o pai, 
Stuart,  chamando  actualmente  “pai”  a  Tony.  Tony  pretende  agora  casar  com  Cheryl  e 
adoptar  Wally. Objectivos:  Identificar  as  relações  familiares  ou  parafamiliares  em  presença. 
Referir a situação às transformações da realidade familiar e às características do DF; referência ao 
conceito  constitucional  de  Família  e  aos  ppios  constitucionais  do  Dto  da  Família  e  seu  confronto 
com as soluções previstas na lei ordinária para as pretensões de Tony (ex. arts 1602º e 1974º  CC). 

Resposta:
Relação entre Tony e Amanda – divórcio – 1 das causas de dissolução do casamento; 2 modalidades
(1773)
Relação entre Stuart e Tony – Parentes (1578); linha recta (1580/1); 1º grau (1581/1)
Relação entre Stuart e Cheryl - casal (1577); divórcio – 1 das causas de dissolução do casamento; 2
modalidades (1773)
Relação entre Stuart e Amanda
Relação entre Stuart e Wally – Parentes (1578); linha recta (1580/1); 1º grau (1581/1)
Relação entre Cheryl e Tony – Nora de Tony (afins – 1584), na linha recta (1585 + 1580/1); 1º grau
(1581/1
Relação entre Tony e Wally – parentes (1578); linha recta (1580/1); 2º grau (1581/1)
- Tony não pode casar com Cheryl pq são afins em linha recta de 1º grau (impedimento dirimente –
1602/1, al. c)). Se casamento for efectuado é anulável (1631). Mas o art.º 36/1, 2ª parte da CRP.
Segundo P. Coelho este art.º não deve ser interpretado literalmente sob pena de que fossem
consideradas inconstitucionais todas as normas que estabelecem impedimentos ao casamento e sim
restritivamente em prol dos interesses públicos fundamentais.
   
 
   
 
 
 
 
5.  A  ILGA  recolheu  as  assinaturas  necessárias  para  1  petição  que  entregou  na  AR  no 
sentido de serem modificadas as disposições do CC que impedem o acesso de 2 pessoas 
do  mesmo  sexo  ao  casamento  civil.  Tais  disposições  violam  claramente  a  CRP  que 
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confere  a  todos  o  dto  de  constituir  família  e  de  contrair  casamento,  além  de  proibir  a 
discriminação com base na orientação sexual.  
Objectivos:  Referir  a  situação  às  transformações  da  realidade  familiar  e  às  características  do  Direito  da 
Família;  referência  ao  conceito  constitucional  de  Família  e  aos  princípios  constitucionais  do  Direito  da 
Família  e  seu  confronto  com  as  soluções  previstas  na  lei  ordinária  (ex.  artigos  1577º,  1628º,  e))  face  aos 
argumentos invocados. 

Resposta: Segundo o art.º 36/2 CRP, é da competência da lei civil regular os requisitos e efeitos
do casamento e da sua dissolução, independentemente da forma de celebração. Dto à celebração do
casamento – Está expresso no art.º 36/1, 2ª parte, mas não pode ser interpretado em termos gerais
(literalmente), sob pena de que fossem consideradas inconstitucionais todas as normas que
estabelecem impedimentos ao casamento. O Legislador constituinte pretendeu, que o Legislador
ordinário estabelecesse impedimentos que não sejam justificados por interesses públicos
fundamentais. Impede que o Legislador venha eliminar a figura do casamento ou os seus aspectos
essenciais. NOTA: O Prof. P. Coelho que este art.º é 1 garantia institucional que está a proteger a
instituição familiar não permitindo que o legislador ordinário altere, desfigure ou suprima o núcleo
essencial deste instituto.
   
6. Manuel, funcionário público, deixou a sua mulher Rosa e passou a viver com Odete, irmã
de Rosa, num andar que possuía na cidade do Porto.
Suponha agora que Manuel morre. Odete entende que tem alguns dtos relativamente
à herança de Manuel, nomeadamente qto à casa onde mora, pois viveram os 2, como
marido e mulher, durante quase 3 anos. Além disso entende que tem dto a 1 pensão de
sobrevivência. No entanto, o divórcio entre Manuel e Rosa apenas foi decretado há 1/5
tendo Manuel ficado obrigado a prestar-lhe alimentos. Objectivos: estudar a relevância jurídica 
da  UF  no  Dto  português  vigente;  efeitos  jurídicos  da  UF;  análise  crítica  das  disposições  contidas  na  Lei 
7/2001, de 11 de Maio. Referência à controvérsia doutrinal e jurisprudencial sobre as condições de atribuição 
de  pensão  de  sobrevivência  ao  membro  sobrevivo  de  UF.  Referência  à  questão  de  saber  se,  sendo  1  dos 
companheiros  casado,  o  período  de  coabitação  decorrido  antes  de  dissolvido  o  casamento  pode  ser  tido  em 
conta para efeitos da duração temporal exigida como condição da relevância jurídica da UF. Referência à Lei 
6/2001, de 11 de Maio e à vida em economia comum. 

Resposta:
Relação entre Manuel e Odete – Relação matrimonial (1577), separados (1795-A)
Relação entre Rosa e Odete – Parentes (1578), 2º grau (1581/2) na linha colateral (1580/1)
Relação entre Manuel e Rosa – Cunhados, afins (1584), 2º grau (1581/2) na linha colateral
(1580/1); União de facto (Lei 7/2001).
Requisitos de eficácia: diversidade de sexo (art.º 1 da Lei 7/2001); no entanto a alínea c) do art.º 2
da Lei 7/2001 remete-nos para os arts 1601, al. c) e 1602, al. c).
Manuel morreu – extingue a UF
1ª Hipótese – casa própria de Manuel – dto real de habitação (art.º 4/1 e 2 da Lei 7/2001).
2ª Hipótese – por força do art.º 5 da Lei 7/2001 aplica-se o art.º 1106 CC se a casa for arrendada.
Pensão de sobrevivência – art.º 3, al. e) da Lei 7/2001 condicionada ao art.º 6 da Lei 7 e art.º 2020
CC.
7.  Teresa e Simão separaram-se judicialmente de pessoas e bens, tendo este ficado
a pagar a Teresa a quantia mensal de 175 € a título de alimentos.
Mais tarde, Teresa conheceu Camilo, divorciado, com quem passou a viver. Tendo tomado
conhecimento desta situação, Simão deixa de pagar a quantia acima mencionada a Teresa.
Teresa entende que Simão continua obrigado a prestar-lhe alimentos. Será assim?
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Objectivos: estudar a relevância jurídica da união de facto no Direito português vigente; efeitos da 
separação de pessoas e bens; análise crítica das disposições contidas na Lei 7/2001, de 11 de Maio. Referência 
à  controvérsia  doutrinal  sobre  a  persistência  da  obrigação  de  alimentos  a  favor  do  ex‐cônjuge  que  vive  em 
união de facto. 

Resposta:
Teresa e Simão – casados (1570), separados de pessoas e bens (1794 e 1795-A)
Alimentos → 2003 → 2004/1
Teresa e Camilo – UF (lei 7/2001); não temos elementos se vivem há mais de 2 anos (art.º 1 da
lei).
Alimentos (2016 e 2009); contudo o art.º 2019, diz-nos que a obrigação de alimentos não cessa.
Teresa continua casada com Simão não podendo celebrar novo casamento (art.º 2 da Lei 7, al.
c)).
Dr. P. Coelho entende que se deve equiparar para estes efeitos a UF ao casamento.
 
8.  Em Junho de 2000, Justino, proprietário de 1 prédio urbano sito na cidade do
Porto, celebrou 1 contrato de arrendamento com Camilo, casado com Florinda mas
separado de pessoas e bens. Em Outubro do mesmo ano, Camilo passou a viver com Ana
naquele local. Em Janeiro de 2005, Camilo rompeu com Ana e ausentou-se de casa e nunca
mais regressou. Justino enviou 1 carta registada com aviso de recepção a Camilo
denunciando o contrato de arrendamento. Contudo, Ana pretende ter dto a continuar a
viver no prédio arrendado. Ana entende ainda que lhe pertence metade dos bens móveis
que constituem o recheio da casa. Objectivos: estudar a relevância jurídica da UF no Dto português 
vigente; análise crítica das disposições contidas na Lei 7/2001; o problema dos efeitos patrimoniais entre UF; 
relevância da UF face a terceiros e dissolução da UF. 

Resposta: Camilo e Ana → UF; Requisitos de eficácia: diversidade de sexo (art.º 1 da Lei
7/2001); no entanto a alínea c) do art.º 2 da Lei 7/2001 remete-nos para a alínea c) do art.º 1601,
contudo cumprem os requisitos do n.º 1 do art.º 7 da lei.
- Destino da casa de família – art.º 4 da lei → art.º 1105
- Em relação aos móveis não se aplicam as regras patrimoniais dos cônjuges e sim as da UF e ao
abrigo da autonomia privada (contrato de coabitação - 2º P Coelho). Não havendo contrato
aplicam-se as regras normais das relações obrigacionais e reais. Atentar ao enriquecimento sem
causa (art.º 473 e ss).
Não havendo acordo recorre-se ao tribunal.
   
 
 
 
 
 
 
 
9.  Uma noite, Tristão, casado com Isolda, chega a casa embriagado e agride-a
violentamente para a obrigar a ter relações sexuais com ele. Isolda pede o divórcio e o
pagamento de 1 indemnização por todos os danos sofridos. (arts.1672, 1779, 70, 496, 483,
1792, do CC). Objectivos:  evidenciar  a  questão  da  pretensa  fragilidade  da  garantia  dos  dtos 
familiares  pessoais;  os  dtos  de  personalidade  e  os  dtos/deveres  conjugais;  referência  às 
tendências doutrinais e jurisprudenciais nesta matéria. 
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Resposta: Tristão viola 1 dever de respeito, 1 dever de personalidade (1672). Isolda por via
dessa violação (1779)
Isolda pede o divórcio e 1 indemnização. Art.º 1792 – danos não causados pela violação do dever
de respeito mas sim pela dissolução do casamento. Esta questão prende-se com a fragilidade da
garantia, i.é, não existe sanção organizada pela violação destes dtos. O Dr. P. Coelho, entende
que, poderá ser admitida 1 solução diversa sempre que haja lugar ao pedido de divórcio ou a
separação judicial de pessoas e bens, pois que a partir do momento que existe acção, há
exposição automática da essência ética do casamento e da paz familiar não fazendo sentido 1
interpretação restritiva do art.º 483 em termos de nele se não abrangerem os dtos familiares
pessoais admitindo até, que o art.º 483 não exclui a possibilidade de, independentemente de ter
sido requerido o divórcio ou a separação judicial de pessoas e bens, se deduzir pedido de
indemnização dos danos causados pela violação dos deveres conjugais art.º 1672 - isto embora
não se verifique na prática, pois mal se imagina que 1 dos cônjuges não queira divorciar-se nem
separar-se do outro e pretenda obter deles 1 indemnização desses danos.
10.  Diana, casada com Carlos, toma conhecimento de que este mantém 1 relação amorosa
com Camila. Propõe 1 acção com vista a obter 1 indemnização pelos danos sofridos com
esta situação. Objectivos:  evidenciar  a  especificidade  dos  direitos  familiares  pessoais,  a 
obrigação  de  respeito  imposta  a  terceiros  (direitos  relativos  que  carecem  de  protecção  erga 
omnes?); tendências doutrinais nesta matéria. 
Resposta: Carlos viola os deveres de respeito e fidelidade (art.º 1672)
Para P. Coelho, os dtos familiares pessoais não são dtos subjectivos propriamente ditos, mas em
que o seu conteúdo no dto da família é composto por, poderes-deveres, irrenunciáveis,
indisponíveis, etc., não se aplicando a esses dtos, a noção tradicional de dto subjectivo. A sua
função é que os define, porquanto é ela que determina o seu conteúdo. Para este autor, os dtos
familiares não são dtos que o seu titular possa exercer como queira (neste sentido não são dtos
subjectivos no sentido de que não são do seu titular, não são coisa sua, coisa que lhe pertença),
pois pelo contrário o seu titular é obrigado a exercê-los, obrigado a exercê-los de certo modo, do
modo que for exigido pela função do dto e pelos interesses que eles servem. Ora, postas assim as
coisas, torna-se manifesto, para este autor, que nos dtos familiares pessoais a sua função é a de
favorecer e garantir o cumprimento dos particulares deveres morais que incumbem ao seu titular
para com a pessoa contra quem se dirigem, i.é, o titular do interesse não é o titular do dto
subjectivo. Para P. Coelho, os dtos familiares pessoais são dtos relativos (dtos que vinculam
determinadas pessoas entre si, não oponíveis erga omnes, ex, poder paternal), embora, por
vezes, os respectivos estados gozem de protecção absoluta (efeitos erga omnes), como se
mostra, designadamente, nos arts 495/3 e 496/2 (entendendo estas normas como excepcionais).
Diferentemente, o Dr. Hoerster entende que há 1 carácter absoluto e relativo nos dtos pessoais
familiares. Relativo porque apenas geram efeitos dentro da relação familiar estabelecida (ex: os
deveres dos pais e dos filhos no âmbito da relação de filiação; os deveres dos cônjuges no interior
da relação matrimonial).
Absoluto porque gozam de protecção total em relação a 3ºs (ou seja, os dtos familiares pessoais
estão isentos de violações de todas as outras pessoas que não fazem parte da relação familiar em
causa).
Portanto Diana ao intentar 1 acção contra Carlos e por esta se verificar dentro do estado
de casados, parece-nos algo incoerente, porquanto a vida em comum vai ser exposta ao público,
não impedindo que essa indemnização seja pedida o que não é mto usual acontecer.
 
 
 
 
 
 
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II ‐ CONSTITUIÇÃO DA FAMÍLIA O casamento: sistema matrimonial e conceito 
11. “Portugueses vão a Espanha para casar” 
(…)  Só  no  ano  passado  as  dioceses  fronteiriças  de  Vigo,  Orense,  Astorga,  Zamora  e 
Salamanca  registaram  cerca  de  500  casamentos  de  portugueses  (…)  [que]  continuam 
oficialmente  solteiros  em  Portugal,  podendo  assim  continuar  a  usufruir  de  diversos 
benefícios  fiscais  e  de  segurança  social.  (…)  Em  Portugal,  a  Concordata  obriga  a  que, 
sempre que se realize 1 casamento religioso, o mesmo aconteça civilmente. (…) cabe ao 
sacerdote  que  prepara  a  união  religiosa  preparar  tb  o  casamento  civil.  Se  o  não  fizer, 
pode mesmo ser punido com coimas e com 1 pena de prisão. (…). – ‘Se a vida continuar 
a  correr  bem,  em  breve  caso  pelo  Civil’  –  referiu  Tiago  [1  dos  noivos  que  casou  em 
Espanha].  Objectivos: estudar o sistema matrimonial português relativamente ao casamento católico;
Evidenciar o processo preliminar de casamento; diferença face ao casamento sob forma religiosa; referência à 
Concordata de 2004, à Lei da Liberdade Religiosa, ao Dec.‐Lei 324/2007. 

Resposta: Sistema facultativo na 2ª modalidade - Os nubentes podem optar pelo casamento


civil ou religioso. É aplicado a cada 1 o seu regime. Não serão, pois, apenas 2 formas diversas de
celebração do casamento, mas 2 institutos diferentes. Vantagem: poupa aos nubentes 1 dupla
celebração do matrimónio, mas agora à custa da unidade do dto matrimonial, que é sacrificada.
Esta é a modalidade que vigora em Portugal.
A forma do casamento é regida, em geral, pelo dto civil e pelo dto canónico. Assim, qto
às formalidades preliminares, há ao mesmo tempo formalidades canónicas e formalidades civis
a cumprir. O chamado processo preliminar de publicações corre na conservatória do registo civil e
a lei (através do CRC). No que toca à celebração do casamento católico é que não há
formalidades civis.
Formalidades preliminares – As formalidades a cumprir antes da celebração do casamento são
várias e constituem um encadeamento de actos, um “processo” – o chamado processo de
casamento ou processo preliminar de publicações, regulado no art.º 1610 e ss do CC e no
art.º 134 e ss do CRC. Pretende-se, nesta fase, aferir se há ou não impedimentos que impeçam o
casamento.
Lei da Liberdade Religiosa (lei n.º 16/2001 de 22 Junho) introduziu alterações ao CRC.
O diploma ressalva a concordata de 1940, o Protocolo Adicional de 1975 e a legislação aplicável à
Igreja Católica, à qual em ppio não são extensivas as disposições da Lei da Liberdade Religiosa
relativas às Igrejas ou comunidades religiosas inscritas ou radicadas no País. Manteve-se o
casamento civil facultativo na 2ª modalidade. Passaram a existir contudo, casamentos civis
celebrados por forma religiosa perante ministros de culto de igrejas ou comunidades religiosas
radicadas no País com outra forma de celebração do casamento, ficando estes, aparte a questão
da forma, sujeitos às mesmas disposições por que se regem os casamentos civis celebrados
perante o conservador do registo civil.
   
12. Pronuncie‐se sobre as 2 seguintes afirmações contidas num Acórdão do Tribunal…. 
1. É fundamento da anulação do casamento católico, pelo tribunal civil, a circunstância 
de ter sido contraído por nubente que seja demente notório. 
2. Não  está  subtraída  à  competência  do  tribunal  civil,  nos  casamentos  católicos,  a 
matéria  respeitante  à  capacidade  matrimonial.  Objectivos:  estudar o sistema matrimonial
português relativamente ao casamento católico no que diz respeito à competência dos Tribunais
eclesiásticos; referência à controvérsia doutrinal sobre a constitucionalidade do art.º 1625 e competência
exclusiva destes Tribunais; o problema do casamento católico contraído com impedimento de dto civil.
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

Resposta:
1 - 1601º, alínea b) - Fundamento: os interesses que se querem proteger com o
impedimento de demência são interesses públicos, de ordem eugénica e social (pretende-se
evitar que se formem células não úteis contrariamente aos NJ gerais que protegem o próprio
incapaz, i.é, que as taras do demente se transmitam para os filhos defendendo sob este aspecto a
própria sociedade – razão de ordem eugénica; por outro lado, a lei quer que os casamentos
durem para toda a vida)
Qto à demência notória coloca-se 1 problema: a eventual diferença entre o conceito
jurídico e o conceito médico da expressão. A lei não visa aqui, como na generalidade dos
negócios jurídicos, a protecção do interesse particular do próprio cônjuge psiquicamente anormal.
Demência de dto, reconhecida em sentença transitada em julgado que atesta a
incapacidade. Deve constar na sentença a data do início da interdição ou inabilitação por
anomalia psíquica.
Demência de facto, não existe qq processo judicial para a atribuir. A dificuldade reside em
provar o momento e o grau, nos termos da qual a acção tem de ser proposta, a fim de se provar
que determinado cônjuge, à data da celebração do casamento, já era demente.
Releva, assim, neste último caso, a data de celebração do casamento, ou seja, é nesse
preciso momento que se afere (ou não) a demência. Requer ainda a lei, que a demência tem de
ser notória (art.º 257/2). Segundo P. Coelho a demência notória deverá ser interpretada não à luz
do art.º 257/2 e sim como demência certa e inequívoca e não duvidosa; esta alusão justifica-se
por que o CC dá 1 noção de “facto notório” no qual releva, fundamentalmente, a defesa do
interesse do declaratário (“o facto notório é aquele que uma pessoa de normal diligência o teria
podido notar”) e reflexamente os interesses gerais da contratação: a lei permite a anulação do
negócio no interesse do incapaz, mas entende que só é razoável permiti-la se o declaratário sabia
ou devia saber, por o facto ser notório, da incapacidade da outra parte. Ora não acontece assim
no casamento, em que não se trata de ponderar os interesses das duas partes e achar 1 ponto de
equilíbrio entre eles; a lei não visa aqui proteger o interesse de 1 das partes, mas proteger
interesses públicos, os interesses eugénicos e sociais.  Outra nota importante, a propósito da
demência notória, deve ser feita à menção intervalos lúcidos (os momentos em que a pessoa está
normal); a lei é neste aspecto bastante exigente, na medida em que desvaloriza a ocorrência de
intervalos lúcidos: o casamento é sempre anulável (ao contrário do Dto Canónico, que não visa a
protecção de interesses públicos tratando este elemento no Consentimento e considerando o
casamento válido nos momentos de lucidez). Assim acontecendo, a Conservatória pode não
transcrever o casamento Católico. 
2 - Se o padre casar mesmo sem certificado do Registo Civil, e o nubente não tiver
capacidade civil mesmo casando catolicamente, ao abrigo do art.º 1625 do CC quem o pode fazer
são os tribunais Eclesiásticos, sendo que ao não haver uniformização (pq os impedimentos são os
mesmos) e se os tribunais eclesiásticos não o anularem, o Estado pode não proceder à
transcrição Civil, não produzindo assim os efeitos Civis, sendo o casamento inatendível pelo dto
Civil, não podendo invocar os Dtos Civis.
   
13. I ‐ A Lei Portuguesa equipara o casamento católico, desde que transcrito no registo 
civil, ao casamento civil. 
II ‐ Se a causa de pedir, numa acção de anulação de casamento, é a existência de erro que 
viciou  a  vontade,  sobre  qualidades  essenciais  do  cônjuge  réu,  não  estão  em  causa 
questões atinentes à nulidade do casamento católico, mas tão só, aos efeitos civis deste. 
III‐ O tribunal de família é o competente para conhecer da anulação do casamento com 
tal fundamento 
Objectivos: estudar o sistema matrimonial português relativamente ao casamento católico no que 
diz  respeito  à  competência  dos  Tribunais  eclesiásticos;  referência  à  controvérsia  doutrinal  sobre  a 
constitucionalidade  do  artigo  1625º  e  competência  exclusiva  destes  Tribunais;  o  problema  da  diferente 
relevância do erro nos ordenamentos civil e canónico. 
 
 
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

Resposta: I - Registo do casamento católico 


O Registo Civil refere-se ao estado das pessoas e é obrigatório. Para produzir efeitos civis é feito
por transcrição; tem que ter capacidade civil e católica; processo de averiguação de capacidade;
transcrição; se não for registado conforme os arts 167 e ss do CRC o casamento é inatendível. Há
situações em que a transcrição pode ser recusada – art.º 174, al. d) CRC; casamentos católicos
urgentes – art.º 1599 CC e art.º 151 CRC; impedimentos – 174, al. e) do CRC – o Estado pode
recusar a transcrição; os casamentos urgentes são celebrados em regime de separação de bens
(1720/1, al. a)).
II – No casamento católico, erro acerca da qualidade da pessoa apenas torna inválido o
matrimónio se directa e principalmente se pretendesse essa qualidade (cân. 1097/§1)
No casamento civil considera-se inválido qd há erro e coacção moral (vícios de
vontade). Para que o consentimento seja verdadeiramente livre é preciso que a vontade dos
nubentes, em 1º lugar, tenha sido esclarecida, ou seja formada com exacto conhecimento das
coisas, e, em 2º lugar, se tenha formado com liberdade exterior, i.é, sem a pressão de violências
ou ameaças.
O erro releva nos termos do art.º 1636.
A Coacção releva nos termos do art.º 1638.
Qd o consentimento for prestado por erro ou coacção e se verifiquem as respectivas
condições de relevância, o casamento é anulável (art.º 1631, al. b).
A acção de anulação só pode ser intentada pelo cônjuge enganado ou coacto, dentro dos
seis meses subsequentes à cessação do vício (art. 1645.°), ou seja, subsequentes à data em que
o cônjuge teve conhecimento da circunstância sobre que versou o erro ou em que cessou a
coacção; mas podem prosseguir nela os seus parentes, afins na linha recta, herdeiros ou
adoptantes se o autor falecer na pendência da causa (art. 1641.°). Além disso, a anulabilidade é
sanável mediante confirmação, nos termos gerais do art. 288.° A confirmação pode ser expressa
ou tácita como sos NJ em geral (art,º 288/3).
III - Coexistência, na OJ portuguesa, do dto estadual e do dto canónico na disciplina da relação
matrimonial – Saber se ainda hoje o dto matrimonial português reveste esta característica, é
questão implícita ao art.º 1625: se se entender que este é conforme à CRP, como se tem
entendido na prática, ou seja, que o conhecimento das causas respeitantes à nulidade do
casamento católico e à dispensa do casamento rato e não consumado é reservado aos tribunais e
repartições eclesiásticas competentes, o legislador português terá renunciado à sua soberania,
devolvendo para o dto canónico, portanto, para 1 ou outra ordem jurídica a regulamentação de
determinados aspectos do regime dos casamentos católicos. Coexistem portanto o dto civil e o dto
canónico.
As causas respeitantes à nulidade do casamento católico são da competência exclusiva
dos tribunais eclesiásticos pronunciando-se estes para produzir efeitos civis (art.º 16 concordata),
e as 2 modalidades de casamento são regidas por distintas normas jurídicas.
 
II‐  CONSTITUIÇÃO  DA  FAMÍLIA  O  casamento:  conceito,  caracteres,  modalidades, 
promessa de casamento, impedimentos, invalidades, registo 
14. Quando Cristiano nasceu, em 1937, foi registado como sendo do sexo masculino. Em
1960 casou e teve 1 filho. Em 1985, iniciou 1 tratamento hormonal destinado a alterar a sua
aparência externa de forma a apresentar características do sexo feminino. Em 1987,
submeteu-se a uma operação cirúrgica de mudança de sexo, em Inglaterra.
Cristiano, que exige agora ser tratado pelo nome de Cristina, pretende casar com um
homem que tem conhecimento dos seus antecedentes e o aceita como mulher. Objectivos: 
estudar as características do casamento como acto; a indicação do sexo no assento de nascimento; casamento 
entre pessoas do mesmo sexo; o problema da transexualidade e da mudança de sexo. 
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Sousa Gomes

Resposta:
Assento de nascimento
Registo – para alterar o registo pode fazer-se de 2 formas:
Acção de estado com processo ordinário, em que se peça ao tribunal a declaração de que o
indivíduo tem sexo diferente do que consta do registo e, em consequência, a rectificação por
averbamento do assento de nascimento relativamente ao sexo e ao nome registado. Ou…
Acção de rectificação do registo com processo de justificação judicial, visando os mesmos
objectivos.
A segunda hipótese – acção de rectificação – seria a mais correcta se toda a transsexualidade
fosse constitucional ou congénita (ou seja, sendo inexacta a menção constante do assento de
nascimento, proceder-se-ia à respectiva rectificação baseada em erro: o registando, afinal, era de
outro sexo).
Não sendo esse o caso, como não parece ser, e não enfermando o registo de qualquer
inexactidão, deficiência ou irregularidade, afigura-se mais correcto o recurso a 1 acção de
estado. Uma acção de rectificação do registo só será apropriada na hipótese de, sendo o sexo
indeterminado ou indefinido quando foi lavrado o assento de nascimento, se vir a mostrar inexacta
a menção constante do assento relativamente ao sexo do registado, que a operação cirúrgica, na
realidade, se terá limitado a definir em sentido oposto.
Cristiano devia pôr acção em tribunal requerendo alteração ao nome e ao sexo (regulado
pelo Cód. Proc. Civ.) e obter correspondente declaração judicial.
Questão: será possível este procedimento?, admissível?. Não há unanimidade dos
tribunais. A Profª Raquel diz que os cariotipos da pessoa são inalteráveis. P. Coelho tb vai por
esta via.
Há vários elementos que determinam o sexo de 1 pessoa: elemento social, biológico,
morfológico, psicológico. O que se procura é qd não existam estes 4 elementos ou não coincidam
e no entendimento de P. Coelho a pessoa sentir-se de sexo diferente e socialmente instável,
assim admitindo que Cristiano peça a alteração.
2ª Questão: Que acontece ao casamento de Cristiano?. O art.º 1628/1 diz que o
casamento entre pessoas do mesmo sexo é inexistente. P. Coelho diz que não há artigo no CC
que fundamente a transsexualidade, mas devemos dar solução semelhante ao art.º 1628, al. e),
só que nestes casos deve entender-se como inexistência superveniente mantendo todos os
efeitos ate à sentença da alteração de sexo.
Outra doutrina fala em divórcio por violação do dever conjugal. Mas se a esposa dá
consentimento?
3ª questão – Cristina pode casar novamente?. Pode. Adaptando a questão ao nosso dto,
se fosse impedido seria violar o art.º 36/1 CRP e art.º 12 CVDH.
 
15.  Valentim casou com Maria, modelo profissional. Após 1 ano de casamento e
interrogada sobre o assunto, Maria disse ao marido que nunca iria ter filhos, 1 vez que tal
iria prejudicar a sua carreira profissional. Poderá Valentim extinguir a sua relação
matrimonial com este fundamento?
  Objectivos: estudar o conceito de casamento no Direito Civil e no Direito canónico. 

Resposta: Não sabemos se é casamento católico ou civil


Se é casamento civil – 1 requisito fundamental é o consentimento e este tem que preencher
determinadas características, ex, puro e simples (dirigidos a todos os efeitos do casamento). Aqui
reside a ≠ entre casamento civil e católico.
Civil – válido (pq é 1 consentimento puro e simples, apesar de excluir 1 efeito), não podendo o
casamento ser atacado.
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Sousa Gomes

Católico – Cânon 1101 CDC (simulação parcial – invalido desde que exclua 1 característica
essencial).
Proposta de acção nos tribunais eclesiásticos com base no art.º 1625
Sistema de casamento facultativo na 2ª modalidade - Nesta hipótese, o Estado admite como
válido e eficaz o casamento católico, admite-o como tal, ou seja, como é regulado pelo direito da
Igreja. Portanto, o Estado não reconhece apenas a forma de celebração religiosa; o Estado
reconhece a própria legislação (e até a jurisdição) eclesiástica sobre o casamento, como que
renunciando nessa medida à sua soberania. O casamento civil e o casamento católico não serão,
pois, apenas duas formas diversas de celebração do casamento, mas dois institutos diferentes,
um regulado pelo direito civil, o outro pelo direito canónico, direito reconhecido ou recebido
genericamente pelo Estado.
   
16.  Amarilis,  solteira,  empregada  numa  empresa  comercial,  deixou  o  seu  emprego  e 
passou a viver com Tomás, pois este, embora casado, já encetara diligências no sentido 
de  se  divorciar.  Efectivamente,  veio  a  divorciar‐se  em  Janeiro  de  2003,  mas,  em 
Dezembro do mesmo ano, sem qualquer motivo, expulsou‐a de casa. Amarilis propõe 1 
acção exigindo 1 indemnização pelo rompimento da promessa de casamento com UF, 1 
vez  que  tinha  deixado  o  emprego  porque  ele  a  tinha  convencido  de  que  iriam  casar; 
invocou ainda o dto a viver na casa de morada comum.  Objectivos: estudar as especificidades 
da  promessa  de  casamento;  prova  da  promessa  de  casamento;  confronto  com  os  efeitos  da  ruptura  da 
união de facto. 

Resposta: 1 ‐ Promessa de casamento civil e católico (só regulado pelo dto Civil – art.º 1591 e ss)
a) Não há lugar à execução específica; b) Não há lugar a indemnização de todos os prejuízos mas
apenas algumas despesas → 1594/1 (intenção é preservar a liberdade do nubente). c) Há
obrigação de restituição (donativos, fotografias, etc.) ▬► art.º 1592
2 – UF – preenchimento dos requisitos:
a) Diversidade de sexo; b) nº2 da lei 7/2001; c) – Duração superior a 2 anos (a lei não especifica
qd começa a contar o prazo).
Não é possível pedir indemnização pela ruptura porquanto os membros da UF não assumem
qualquer compromisso (pq não podem ou pq não querem). P. Coelho entende no entanto não
excluir os casos em que a ruptura da UF se mostra manifestamente injusta, excedendo os limites
da BF ou bons costumes em claro abuso de dto (art.º 334). Assim sendo, o abuso de dto não
privará o sujeito de romper a UF, mas obrigá-lo-á a reparar os prejuízos causados (indemnização
pelos danos patrimoniais).
Destino da casa de família (comum)
a) Própria (comum ou de 1 deles) – art.º 4/4 da Lei 7/2001 e 1793/2 CC
b) Arrendada – art.º 4/3 da Lei 7/2001 e art.º 1105 CC
  
17. Joaquim e Maria, ambos com 16 anos, pretendem casar catolicamente. Como deverão 
proceder? E se o seu objectivo fosse casar numa mesquita e segundo os ritos da religião 
muçulmana? Objectivos:  estudar  o  processo  preliminar  de  casamento  e  suas  especificidades 
relativamente ao casamento católico e ao casamento sob forma religiosa; a idade núbil.

Resposta: Casar catolicamente - “capacidade” – neste requisito os casamentos são regulados


pelo dto civil e dto canónico – resulta do art.º 1596 CC.
O nosso caso tem a ver com a idade nupcial.
Para o dto civil não há impedimento dirimente (1601, al. a))
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

Para o dto canónico (cânon 1083). No entanto no parágrafo 2 a conferencia episcopal portuguesa
não cria impedimento.
Nos termos do art.º 1604 há impedimento impediente sendo elidível com autorização dos pais,
tutores ou suprido pelo Conservador. O Pároco pode celebrar após recebido da conservatória o
certificado de capacidade matrimonial.
Se o Pároco celebra sem o certificado não pode haver casamento nos termos do art.º 1598.
Se o Pároco celebrar normalmente, tem de enviar à Conservatória nos termos dos arts 167, 169,
171, 172 e 174. O casamento é registado por transcrição.
No caso de casamento Muçulmano (sob forma religiosa) há só 1 instituto, regulado pelo
dto Civil – casamento civil facultativo na 1ª modalidade - O Estado permite os 2 tipos, mas quando
optam por casar pela Igreja, este vai seguir o mesmo regime do casamento civil. Apenas 1
Instituto e 2 formas de celebração. Arts 146, 147 e 148.
 
18.  António, irmão de Gustavo, intenta 1 acção destinada à declaração da invalidade
do casamento civil do seu irmão com Guinevera, 1 vez que ele ao tempo sofria de 1 forma
rara de esquizofrenia que por vezes o impedia de ter consciência dos actos que praticava.
Objectivos: estudar os impedimentos dirimentes, consequências, legitimidade para acção de
anulação, prazos.

Resposta: Casamento Civil – nubente com demência (esquizofrenia)


- Requisito de capacidade – impedimentos (1601, 1602, 1603 e 164), no caso 1601, al. b),
dirimente, absoluto – demência notória.
Não sabemos se foi celebrado em intervalo lúcido (não releva para o dto civil). Anulável – 1631,
al.a).
Legitimidade para anular o casamento – 1639/1; prazo – 1643/1, al. a).
Se casamento católico – Para o dto canónico a demência não funciona como impedimento para o
casamento mas nos requisitos do consentimento (cânon 1095). So que o dto canónico dá relevo
diferente à liberdade do nubente, sendo então necessário saber se o nubente estaria ou não em
período lúcido.
A acção deve ser intentada num tribunal eclesiástico (1625)
Se o tribunal eclesiástico o considerar nulo, este produz efeitos civis
Se o tribunal eclesiástico o não considerar nulo, o Estado português não o pode anular,
mas pode recusar a sua transcrição – 174 CRC, ou no caso da transcrição ter sido feita o Estado
pode pedir o cancelamento e nulidade da transcrição – 87 CRC
 
19.  Raquel e Jacob casaram catolicamente em Janeiro de 2001. Em Março do mesmo ano,
Raquel foi informada de que Jacob já tinha casado anteriormente com Lia, 1 colega da
Universidade de Chicago, onde na altura ambos estudavam, acontecimento a que Jacob
não dava qq importância, considerando-o 1 “erro de juventude”; aliás, sendo católico,
achava que aquele casamento – civil – não tinha qualquer valor. Por seu turno, Raquel, não
se tinha apercebido de nada porque tal casamento não tinha sido registado em Portugal.
Objectivos:  evidenciar  o  sistema  matrimonial  português  no  que  diz  respeito  ao  casamento  católico 
contraído  com  impedimento  dirimente.  Valor  para  o  Direito  canónico  do  casamento  civil  contraído  por 
um baptizado. 

Resposta: 1º Casamento – Jacob e Lia. Não registado mas sujeito a registo nos termos do art.º
1651/1, al. b) → 51 CC. Consequências → art.º 2 CRC e 1669. Mas existem excepções (há
efeitos que se produzem) → 1601, al. c).
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

2º Casamento – não podia ter sido celebrado → valor anulável →1631, al. a) → impedimento
absoluto → 1601, al. c).
Raquel pode propor acção nos termos do art.º 1625 nos tribunais eclesiásticos. O dto
canónico tb tem impedimentos no casamento anterior não dissolvido (cânon 1085). Devemos
agora saber se Jacob é ou não baptizado → se for baptizado e casado catolicamente; Se for
baptizado e tiver casado civilmente
 
20. Maria, casou civilmente com João em Janeiro de 2002. Em Março do mesmo ano,
João tomou conhecimento de que Maria acabava nesse mês de completar 16 anos de
idade. Desgostoso com a imaturidade revelada por Maria e depois de várias tentativas para
conseguir viver com ela de forma harmoniosa, João, em Dezembro de 2002, pretende
anular o seu casamento. Maria opõe-se porque está satisfeita com a relação. Objectivos: 
distinguir entre impedimento e erro; o erro impróprio; legitimidade e prazo para anulação do casamento 
com fundamento em falta de idade núbil. 

Resposta:
Capacidade - No momento em que o casamento foi celebrado havia impedimento dirimente tipo
absoluto (1601, al. a)  → valor = anulável → 1631, al. a). Têm legitimidade → 1639/1 → prazo
1643/1, al. a). João pode invocar 1 erro. Tem relevância nos termos do art.º 1636. A propriedade
do erro, é 1 requisito fundamental, embora não venha expresso no art.º 1636. Pretende-se dizer
que o erro previsto neste preceito é o erro próprio. Ou seja, o erro que recai sobre 1 requisito de
eficácia do casamento (erro impróprio) não está abrangido pelo preceito, neste caso, o
casamento é anulável, não em razão de erro, mas antes da existência de 1 impedimento: trata-se
dum erro impróprio que versa sobre 1 requisito de validade do casamento, no caso, a capacidade
nupcial).
   
21.  Durante 1 férias em Punta Cana, Bárbara casou com Pedro, namorado com quem vivia,
sob a forma aí legalmente prescrita e no decorrer de 1 cerimónia registada em filmes e em
fotografias. Regressados a Portugal, Bárbara e Pedro continuaram a viver juntos ainda
algum tempo, terminando a relação entre ambos no ano seguinte, sem que o casamento
chegasse a ser registado em Portugal.
Entretanto, Bárbara conhece Manuel Sino, político famoso por quem se apaixona e
com quem pretende casar. O casamento é marcado mas, na antevéspera, são divulgadas
nos meios de comunicação social fotografias do casamento de Barbara com Pedro.
Bárbara Braga alega que se tratou apenas de 1 cerimónia de praia, com fins publicitários, a
que não atribuiu qualquer importância.
a) Diga se na sua opinião o casamento entre Bárbara Braga e Manuel Sino se poderá
realizar na data marcada ou ulteriormente.
b) Suponha que efectivamente Bárbara Braga e Manuel Sino celebram o seu casamento.
Que poderá fazer Pedro?
c) Imagine agora que, em virtude das revelações surgidas na Imprensa, o casamento entre
Bárbara Braga e Manuel Sino não se celebrou, mas teve lugar 1 cerimónia em que
publicamente assumiram 1 compromisso de vida em comum, que a Imprensa designou por
“bodas de facto”. Comente. Objectivos: estudar o processo preliminar de casamento, impedimento de 
casamento anterior não dissolvido; as hipóteses de anulação e divórcio; anulabilidade do casamento com 
fundamento em impedimento dirimente, legitimidade, prazo; distinção entre casamento e união de facto 
quanto ao “acto fundacional”. 
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

Resposta: Casamento celebrado por 2 portugueses no estrangeiro → art.º 51 CC e 161 CRC


- Está sujeito a registo → 1651/1, al. b). Não foi registado → art.º 2 CRC e 1669 CC é inatendível
com excepção do art.º 1601, al. c).
a) Art.º 1611. Não pode casar. Em data ulterior pode, se 1º se divorciar de Pedro. Ela pode
alegar incapacidade acidental (1635, al. a)). Sendo anulável Barbara só poderia voltar a casar
respeitando o prazo internupcial → 1604, al. b).
b) Se casarem → anulável → 1631, al. a). Legitimidade → 1639/2 → 1643, al. c). se por
acaso o 1º casamento fundamentado na falta de vontade, o efeito do 2º casamento retroage e
convalida o 2º casamento → 1643/3 e 1633, al. c).
c) UF. Face à lei 7/2001, art.º 2, não produz efeitos pq Barbara continua casada.
 
IV ‐ CONSTITUIÇÃO DA FAMÍLIA O casamento – Consentimento, invalidades, 
registo 
22.  Em Janeiro de 2000, Miriam conheceu Manuel numa festa e ambos casaram em
Março do mesmo ano, no Porto. Miriam nunca estabeleceu 1 verdadeira vida matrimonial
com Manuel, nunca tendo tido sequer relações sexuais. De facto, Miriam trabalhava em
Lisboa e só vinha a casa ao fim de semana, aproveitando então para sair com os amigos.
Manuel veio a descobrir que Miriam só casou com ele para adquirir a nacionalidade
portuguesa e poder permanecer no país.
a) Manuel pretende pôr fim ao seu casamento civil com Miriam.
b) Tendo o casamento sido católico e não querendo abdicar das suas convicções, Manuel
pretende uma solução que lhe permita mais tarde vir a casar catolicamente com outra
mulher. Objectivos: Evidenciar as diferenças entre divórcio e anulação ou declaração de nulidade;
relevância da simulação no Dto português e no Dto Canónico; efeitos do divórcio relativamente ao
casamento católico; distinção entre declaração de nulidade do casamento e dispensa pontifícia
(dissolução) do casamento rato e não consumado; competência dos Tribunais eclesiásticos para as causas
de nulidade matrimonial; eficácia civil das decisões dos Tribunais eclesiásticos. 

Resposta:
a) Art.º 1672. Parece que Miriam violou alguns
- Salvo motivos ponderosas o casal deve fixar a morada de família → 1673
- Manuel pode pedir divórcio por violação culposa dos deveres conjugais → 1779
- Reserva mental de Miriam – não há motivo para anular casamento se fosse católico
b) Manuel pode pedir separação judicial de pessoas e bens (1795-A) → não serve pq não
respeitava as suas convicções (não divorcio), mas não pode casar.
- Intentar acção nos tribunais eclesiásticos fundamentando:
1 – Nulidade do casamento com fundamento no cânon 1101/2, pq ela queria só a
nacionalidade.
2 – Se o tribunal não considerasse este fundamento, Manuel pode fundamentar com
casamento rato não consumado.
   
23.  Margarida e Fabrício casaram catolicamente em 24.06.00. Nos dias seguintes ao
casamento, Fabrício começou a apresentar 1 comportamento frio e distante para com
Margarida, que alguns amigos do casal notaram. Durante a lua-de-mel o casal dormiu
sempre em camas separadas por exigência do marido. No regresso, o comportamento de
Fabrício continuou distante, alegando que estava cansado, que estava doente e fazendo
dietas, mas nunca tendo ido ao médico. Várias vezes Margarida tentou aproximar-se do
marido e criar situações de intimidade. Fabrício passou a evitar estar sozinho com a mulher
e acabou por sair de casa, não mais tendo regressado. Margarida e Fabrício nunca tiveram
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Sousa Gomes

relações sexuais 1 com o outro, o que Margarida nunca tinha imaginado que pudesse
acontecer, até porque durante o namoro tinham planeado ter filhos.
Margarida intentou contra Fabrício, no Tribunal de Família e Menores de Lisboa, 1
acção declarativa, com processo ordinário, pedindo a anulação do casamento celebrado
entre ambos, 1 vez que o casamento nunca foi sexualmente consumado por incapacidade
de Fabrício e que a autora nunca teria casado com ele se tivesse conhecimento desta sua
incapacidade. Objectivos:  Referir  o  problema  da  competência  para  a  apreciação  da  validade  dos 
casamentos católicos; características do consentimento matrimonial; apreciação dos fundamentos invocados 
face ao Direito estadual e face ao Direito canónico; evidenciar as diferenças quanto ao conceito de casamento 
civil e canónico. 

Resposta:
1ª Questão – Tribunal com competência para propor acção → inválida pq ao abrigo do art.º 1625
só no Tribunal eclesiástico é que pode ser intentada a acção. O art.º 36/2 CRP atribui
competência à lei civil para regular “os requisitos e os efeitos do casamento e da sua dissolução,
por morte ou divórcio, independentemente da forma de celebração”. A refª aos requisitos do
casamento como 1 das matérias em que a lei civil seria exclusivamente competente, sugere a
ideia de que a CRP tenha querido derrogar os arts XXV da concordata e art.º 1625 CC o que
ainda não verificado, mantém que o conhecimento das causas respeitantes à nulidade do
casamento católico e à dispensa do casamento rato não consumado é reservado aos tribunais
eclesiásticos. As sentenças dos tribunais eclesiásticos não têm força jurídica sem existir
confirmação dessa sentença (art.º 16 da Concordata). Margarida pode pedir a nulidade com
fundamento em impotência (impedimento matrimonial – cânon 1084, 1097 e 1098.
2ª Questão – Se o casamento fosse civil. Margarida pode invocar erro sobre as qualidades
essenciais do cônjuge → 1636 → anulável → 1631, al. b). Legitimidade → 1641; prazo → 1645,
subsequentes à cessação do vicio (qd se apercebe da impotência).
   
24. Em 1985, Maria, residente em Portugal, casou civilmente na cidade do Porto com Pedro,
cidadão português emigrado no Brasil e que para o efeito lhe enviou 1 procuração nos
termos exigidos pela lei. Maria nunca chegou a ir viver com Pedro porque se apaixonou por
Manuel e, aproveitando-se do facto de, por lapso, o seu casamento com Pedro não se
encontrar averbado ao seu assento de nascimento, casou civilmente com Manuel em 1990.
Em Dezembro de 2001, Pedro morre subitamente e aparece referido nos serviços
noticiosos das televisões portuguesas como possuidor de 1 das maiores fortunas
imobiliárias em Portugal que seria herdada pelo seu irmão Miguel. Maria toma assim
conhecimento da actual situação de Pedro e pretende habilitar-se à herança deste, depois
de registado o respectivo casamento. Objectivos: estudar o casamento sob procuração, requisitos da 
procuração para casamento; registo tardio e retroactividade; dtos de 3º. 

Resposta:
Casamento por procuração. Reveste certas características → 1617 e ss. Formais e de conteúdo
→ 1620 CC e 44 CRC, puro e simples → 1618. Art.º 1651, al. a) → sujeito a registo mas não
registado = valido mas inatendível → 1669 e 2 CRC
2º Casamento de Maria → invalido/anulável → 1631, al. a); legitimidade → 1639; prazo → 1643
- O 1º casamento não se dissolveu, não pq não anulado mas por morte de Pedro. O 2º continua
invalido.
- Entretanto Maria quer registar tardiamente → 1670 e 188 CRP = efeitos retroactivos
- Mas único herdeiro vai ser o irmão e não Maria pois ficam protegidos os dtos de 3ºs antes do
registo do casamento → 1670/2 
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  25.  José, viúvo, sofrendo de doença de Alzheimer em estado avançado, estando


impossibilitado de sair do leito, casou com a enfermeira que o assistia no dia 6 de Janeiro
de 2002, perante o médico de família, a empregada doméstica e uma prima afastada. O
casamento foi devidamente registado, tendo José falecido quinze dias depois.
Os filhos de José propõem 1 acção destinada a invalidar este casamento, alegando que no
momento do casamento o Pai era demente, sendo esta demência certa e reconhecida por
todos no respectivo meio social, pelo que o casamento deveria ser anulado nos termos do
artigo 1601, c), do Código Civil.
(Adaptação de caso decidido pelo Acórdão do STJ de 3/08/94) 
Objectivos: estudar os casamentos urgentes, as condições da homologação e de registo. 

Resposta: Normalmente há avaliação previa  → casamentos civis urgentes, mas que têm que
preencher determinados pressupostos → 1622 e 156 CRC. Há 1 formalismo que tem que ser
respeitado, a avaliação à posteriori, depois homologado → 1623
Não estão cumpridas as exigência da lei → 4 testemunhas (156 CRC). É impedimento
dirimente → 1601, al. b). Ao não ser homologado é 1 casamento inexistente → 1628, al. b) que
resulta do art.º 1630.
- Se o Conservador tiver homologado, o parente pode intentar em tribunal e pedir o cancelamento
do registo → 91/1, al. b) CRC 
   
26. Sumário: O irmão do cônjuge, não tem legitimidade para instaurar acção de anulação de
casamento urgente, com fundamento na falta de vontade do cônjuge em causa, por
incapacidade acidental de entender e querer e, subsidiariamente, com o fundamento em a
vontade estar viciada por coação moral, após a morte de referido cônjuge. Objectivos: estudar 
os  casamentos  urgentes;  evidenciar  as  diferenças  entre  falta  de  vontade  e  defeito  da  vontade 
(incapacidade  acidental  e  coação  moral);  legitimidade  para  acção  de  anulação  de  casamento;  casamento 
urgente homologado apesar de existir fundamento para a recusa da homologação. 

Resposta: Casamento urgente art.º 1622/1 CC – qd haja fundado receio de morte próxima de
algum dos nubentes ou iminência de parto, o casamento pode celebrar-se sacrificando os
impedimentos dirimentes independentemente de processo preliminar de publicações e sem
intervenção do funcionário do registo civil. Caso não se verifique alguma das premissas do
casamento urgente ou tenham sido falsamente alegadas, o casamento urgente não será
homologado, o que, consequentemente, o torna inexistente. Este é o único caso (casamento civil
urgente) em que a nossa lei exige a homologação do casamento.
Quando o consentimento for prestado por falta de vontade, vontade viciada, erro ou
coacção e se verificarem as respectivas condições de relevância, o casamento é anulável, nos
termos do art.º 1631, al. b). A acção de anulação só pode ser intentada pelo cônjuge enganado ou
coacção, mas podendo prosseguir nela os seus parentes, afins em linha recta, herdeiros ou
adoptantes se o autor falecer na pendência da causa (art.º 1641), dentro dos 6 meses
subsequentes à cessação do vício (art.º 1645).
Não estão cumpridas as exigência da lei → 4 testemunhas (156 CRC). É impedimento
dirimente → 1601, al. b). Ao não ser homologado é 1 casamento inexistente → 1628, al. b) que
resulta do art.º 1630.
- Se o Conservador tiver homologado, o parente pode intentar em tribunal e pedir o cancelamento
do registo → 91/1, al. b) CRC 
 
 
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27.  Floribela decide casar civilmente com Fred, homem abastado, sem quaisquer
intenções de assumir o casamento, mas unicamente para conseguir obter 1 empréstimo de
instituição bancária para adquirir 1 andar, visto que ela não possuía bens que lhe
permitissem conseguir sozinha tal financiamento. O casamento é celebrado no regime da
comunhão geral de bens.
Após o casamento, Floribela alcançou o seu objectivo de obter o financiamento e comprar
o andar; contudo sempre se recusou a coabitar com Fred. Este acaba por descobrir as
intenções de Floribela que sempre tinha amado Afonso de quem tinha 1 filho. Fred
pretende obter a anulação do casamento para não ser responsabilizado pela dívida
contraída por Floribela e não ter de dividir os seus bens com ela.  Objectivos:  Evidenciar as
diferenças entre a anulação (ou declaração de nulidade) do casamento e o casamento inexistente;  estudar  o 
instituto do casamento putativo. 

Resposta: Fred podia recorrer ao divórcio mas quer anular o divórcio.


a) Pode invocar o erro (vicio da vontade) sobre as qualidades essenciais de Floribela → 1636 →
anulável 1631, al. a); legitimidade → 1641; prazo 1645 a partir da cessação do vício.
b) Floribela só quer casar com ele pelo financiamento – reserva mental. Perante o dto civil é
irrelevante.
Anulado o casamento os efeitos da sentença são retroactivos, mas pode funcionar o instituto do
casamento putativo → 1647 e 1648. - Efeitos da declaração de anulabilidade (art.º 289). Não
produz efeitos novos mas há efeitos que se mantêm. Para que funcione são necessários 3
requisitos:
- O casamento tem que existir (não aplicável aos casamentos inexistentes – art.º 1628
- Que esse casamento inexistente seja declarado nulo ou anulado (art.º 1647/1 e 3)
- Boa-fé dos conjugues ou de 1 deles (art.º 1648)
- Fred tinha que fundamentar não querer ser responsabilizado pelo empréstimo.
- Neste aspecto não se aplicam os efeitos do casamento putativo pq a Fred não interessa (1647/2)
pq é s´ele que está de BF e seria prejudicado

V- CONSTITUIÇÃO DA FAMÍLIA A filiação – estabelecimento da filiação 

28. Em Julho de 2001, Rosa deixou o seu marido Manuel e, depois de obter a separação de
pessoas e bens, passou a viver com Olavo, num andar que possuía na cidade do Porto. Em
Maio de 2003, Rosa tem 1 filho, Sérgio. Como se estabelecerá a paternidade relativamente a
Sérgio? Objectivos: estudar o sistema do estabelecimento da maternidade e da paternidade; a presunção
de paternidade “pater is est…”.

Resposta:
Rosa e Manuel separados de pessoas e bens. Não cessa o casamento mas cessam alguns
efeitos → 1795-A
Rosa e Olavo → vivem em UF – Neste caso é possível atribuir efeitos à UF adulterina → art.º 2
da Lei 7/2001.
- Em 2001 Rosa tem 1 filho. Como se estabelece a paternidade?
- Rosa continua casada com Manuel → presunção (1826), pode ser impugnada (1839), no
entanto existem causas de cessação previstas no art.º 1829 → 1832, ficando omisso qto à
paternidade.
- Ou o Olavo perfilha voluntariamente (1849 e ss) ou haverá averiguação oficiosa pelo MP →
1865/5→1847 ou pelo próprio filho → 1869
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29. Emídio e Margarida casaram em Setembro de 2001 e separaram-se em Dezembro do


mesmo ano, depois de violentas discussões. Margarida teve 1 filho em Fevereiro de 2002.
Emídio pretendia ver a criança, mas Margarida, para se vingar, impede-o. Emídio vem a
verificar com surpresa que o seu nome não consta no assento de nascimento da criança,
nem o de qualquer outro homem. Imagine que Emídio o consulta.
a) Como lhe explicará o facto de ele não constar como Pai do filho de Margarida?
b) Que conselho lhe dará sobre a forma como deverá proceder para exercer os seus
direitos relativamente à criança?
Objectivos: estudar a presunção de paternidade e os casos de cessação; período legal de concepção;
perfilhação.
Resposta:
- Emídio casado com Margarida. Parece que estão separados de facto. Entretanto nasce criança
→ 1826 → possibilidade qualificada.
- A mãe utiliza a faculdade do art.º 1832 (causas de cessação) e diz que o pai não é o marido mas
tb poderia ter recorrido ao art.º 1828.
a) Não consta do registo pq há causas de cessação previstas nos arts 1832 e 1828.
b) Emídio poderá perfilhar a criança (reconhecimento voluntário - 1850), na forma prevista no art.º
1853
30. Safira separou-se do marido em Janeiro de 1980, tendo tido 1 filho, Adão, no final de
Outubro desse ano. Recentemente, Safira teve de ser submetida a 1 intervenção cirúrgica e,
na véspera, confessou a Adão a verdade acerca da sua ascendência: o seu verdadeiro Pai
era Ananias, pessoa que visitava Safira com frequência.
a) Como se estabeleceu a paternidade relativamente a Adão?
b) Adão poderá fazer alguma coisa para alterar a paternidade estabelecida?
Objectivos: estudar a presunção de paternidade e a acção de impugnação da presunção; referência
ao princípio da verdade biológica e direito à identidade pessoal; prazos das acções de filiação.
Resposta:
a) Safira separou-se de facto de Adão, teve 1 filho em Outubro, supostamente com Adão → 1826
b) Não correspondendo à paternidade biológica Adão pode impugnar → 1838, com fundamento e
legitimidade → 1869/1 e 2, prazo → 1842, al. c)
Proposta de acção por Adão → 1869 → 1817
31. Cláudio nasceu em 26 de Agosto de 1994, tendo sido registado na Conservatória
do Registo Civil como filho de Maria Vieira, sem menção de paternidade. O magistrado da
comarca propôs acção contra José da Silva, casado, pedindo a sua condenação como pai
de Cláudio.
Na audiência de julgamento ficou provado que José da Silva teve relações sexuais
com Maria Vieira na noite de fim do ano de 1993. Também ficou provado que havia pessoas
que consideravam Maria uma pessoa leviana, correndo rumores de que mantinha relações
íntimas com alguns elementos do quartel onde José da Silva prestava serviço militar.
a) Enquadre a situação descrita no texto à luz do que estudou sobre o estabelecimento da
paternidade
b) Em face da prova produzida, como deverá decidir o Tribunal?
c) Suponha agora que o magistrado do MP entende que é necessário que José se submeta
a uma colheita de sangue com vista a oferecer uma prova através do exame hematológico.
Na hipótese de o Tribunal pedir tal coisa a José, diga se este se poderá recusar. Objectivos:
estudar a averiguação oficiosa da paternidade e a acção de investigação da paternidade. Objecto da prova
na acção de investigação da paternidade, presunções (híbridas) de paternidade; exames científicos como
prova pericial, valorização da violação do dever de cooperação processual.
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Sousa Gomes

Resposta:
1 – Temos 1 registo de 1 criança omisso qto à paternidade. Como interessa ao Estado, o
funcionário remete ao tribunal e este através do MP averigua oficiosamente a paternidade → 1864
e 1865/4. Tem que se provar a relação biológica entre Cláudio e José por via do art.º 1871, al. e),
mas José pode afastar esta presunção → 1871/2. O facto de Maria ser leviana pode criar dúvidas
ao juiz e este ou José (1859), podem recorrer ao art.º 1801. O Tribunal ordena a José 1 exame,
pode? – 519 CPC (pode recusar-se, está sujeito a coimas). 2 interesses: Autor – dto fundamental
de identidade pessoal. Réu – dto fundamental à integridade física e moral. Prazos → 1873 →
1817-
Nota: 2º P. Coelho é inconstitucional por via do art.º 26 CRP

32. Natália e Jacinto iniciaram 1 tratamento numa clínica de reprodução


medicamente assistida. Durante o tratamento foi descoberta 1 doença que exigiria a
extracção dos ovários de Natália o mais breve possível. Procedeu-se então à colheita de
alguns óvulos e de sémen e, depois de prestados os respectivos consentimentos, foram
criados 6 embriões destinados a futura implantação. Entretanto, a relação entre Natália e
Jacinto terminou, e este notificou por escrito a clínica de que o casal estava separado e de
que os embriões deveriam ser destruídos. Natália opõe-se, sustentando o seu dto a
implantar os embriões e exigindo a protecção dos mesmos. Na verdade, ela não tem outro
meio de vir a ter 1 filho biológico e não tem filhos. Contudo, Jacinto entende que tem dto a
retirar o seu consentimento, tal como aconteceria na situação inversa: Natália nunca
poderia ser obrigada a implantar os embriões contra vontade.
a) Diga se estão preenchidos os pressupostos exigidos pela lei portuguesa para o
recurso à técnica de PMA em causa.
b) Imagine que Natália vinha a dar à luz um filho, conforme planeado. Como se
estabeleceria a filiação relativamente à criança? E se o sémen utilizado não tivesse sido
fornecido por Jacinto?
c) Acha que Jacinto pode retirar o seu consentimento, interrompendo o processo de
PMA? Que valor atribui aos argumentos por ele aduzidos?
d) Imagine que acaba por ser dada razão a Jacinto. Qual o destino dos embriões que
foram entretanto criados?
Objectivos: Referência aos problemas subjacentes à PMA e a algumas soluções da portuguesa sobre
PMA.

Resposta:
a) Art.º 4; art.º 6 e 14
b) 1 – Presunção do art.º 1826
2 – Se não existisse lei recorria-mos ao art.º 1826 (pode ser impugnado), 1839/3 (impede o
marido de impugnar
3 – Com a nova lei com os arts 27 → 20
c) 14/4
d) 25 + 9
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VI - ORGANIZAÇÃO DA FAMÍLIA A situação jurídica dos cônjuges, 
Conteúdo da relação matrimonial
33. Após namorarem cerca de 1/5, Maria, enfermeira de profissão, e José, pasteleiro,
casaram catolicamente no dia 4 de Agosto de 1998, tendo continuado a viver em casa dos
respectivos Pais até Janeiro de 1995, data em que finalmente se mudaram para 1 andar
separado. Algum tempo depois, José começou a demonstrar graves dificuldades em
dormir, tendo contracções nocturnas e transpirando muito. Em Abril de 1999, Maria seguiu
o marido e viu-o num carro com outros indivíduos a injectarem-se. José confessou que se
tratava de heroína e pediu desculpa por ter omitido tal vício a Maria; não lhe disse nada
antes do casamento pq sabia que se lho tivesse revelado Maria não teria casado com ele.
José tentou a desintoxicação e a reabilitação com ajuda de Maria mas acabava por
abandonar os tratamentos, agredindo várias vezes a mulher, provocando-lhe hematomas e
destruindo o carro desta com vários acidentes sob a influência da droga. Além disso,
incomodava frequentemente a mulher no hospital onde esta trabalhava, pedindo-lhe
dinheiro aos gritos. Tb desviou por várias vezes as quantias que Maria lhe entregava para
pagar despesas correntes da casa, chegando a luz e a água a serem cortadas por falta de
pagamento. Por 2 vezes Maria foi abordada por familiares que lhe exigiam o pagamento de
dinheiro que tinham emprestado a José. Em 2002, Maria perdeu a esperança de que José
abandonasse o vício da droga, chegou à conclusão de que não podia continuar a viver
assim e voltou para casa dos Pais.
Objectivos: estudar o estado de estado de casado e os deveres recíprocos dos cônjuges.
Resposta:
Estado de casado → conjunto de deveres que se impõem (1672 e 1671). A não viverem de
imediato → 1673/2 (terá havido motivos ponderosos).
- Toxicodependência – violou o dever de sinceridade/respeito (de conteúdo negativo) ao não lhe
contar o vicio enquanto Maria coopera na sua reabilitação → 1674. ao agredir Maria violou o dever
de respeito, ao pedir-lhe dinheiro que eram para as despesas da casa violou o dever de
assistência na modalidade de contribuir para os encargos → 1675/1676.
- Maria ao abandonar a casa de família não violou ao abrigo da teoria do limite do sacrifício.
- Pode requerer o divórcio litigioso com fundamento na violação de deveres conjugais → 1779.
- Apesar de ser casada catolicamente, o protocolo Adicional à Concordata de 1940 permite
intentar acção nos tribunais civis… ou … que pelo compromisso católico pode pedir a separação
judicial de pessoas e bens → 1794 cujos efeitos estão previstos no art.º 1795-A… ou … tentar
invalidar o casamento católico propondo acção no tribunal eclesiástico por via do art.º 1625,
fundamentando com vicio de consentimento → cânon 1097 (art.º 16 da Concordata.

34. Adão e Eva, ambos médicos, contraíram casamento. Combinaram que Eva não
exerceria 1 profissão remunerada pq se ocuparia com as tarefas domésticas e com os
futuros filhos do casal. No ano seguinte, Adão propôs à mulher que aceitasse em lugar
em part-time, no centro de saúde da zona, alegando que os seus rendimentos não
estavam a ser suficientes para pagar os encargos da sua vida em comum. Eva recusou-se,
invocando o acordo entre ambos que considerava inalterável. Objectivos: estudar o estado de
casado e os deveres recíprocos dos cônjuges; referência aos acordos sobre a orientação da vida familiar e à
controvérsia sobre a sua natureza jurídica.

Resposta:
Nas CV’s antenupciais o art.º 1698 fala da liberdade de CV e o art.º 1699, al. b), fala nas
restrições ao ppio da liberdade.
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Temos aqui 1 limite à autonomia privada. O cônjuge deverá ponderar se é oportuno o divórcio. Qd
os cônjuges decidem não pode, à partida, ser desviado. Temos por isso 1 Dto Potestativo,
Extintivo e 1 Dto Pessoal. Por isso temos 1 situação em que Adão e Eva estipularam tarefas.
Estamos em presença do art.º 1671/2. Os cônjuges têm o dever de acordar a orientação da vida
em comum. Têm o dever de conversar para chegar a 1 acordo. Existe tb o dever de assistência –
art. 1675.º.
Podem contribuir para os encargos – art. 1676.º CC. Neste caso decidiram que o Adão contribuía
com o seu trabalho e a Eva através do trabalho do lar. É 1 acordo perfeitamente válido. Mas,
entretanto, Adão propôs à Eva que trabalhasse em part-time. Os acordos são autênticos negócios
jurídicos – art.º 406. O Dr. Pereira Coelho diz que apesar de ser 1 NJ – art. 406.º CC, cada 1 dos
cônjuges podem revogar o acordo desde que as circunstâncias se alterem. O dever de contribuir
para os encargos compete a ambos. O art.º 1676/3, fala na falta de prestação de 1 dos cônjuges.
Contudo existiu aqui 1 dever de respeito entre Adão e Eva. Não é pelo facto de Eva ter violado 1
dever conjugal (ao não aceitar trabalhar em part-time), que dá o dto a Adão de violar o dever de
respeito previsto no art. 1672.º CC.
Após a discussão Adão saiu e foi trabalhar. Aqui Adão não está a violar o previsto no art.º 1673 -
residência de família. Não existe neste caso falta de dever de coabitação. A Eva ao mudar a
fechadura está a violar 1 dever conjugal, está a violar o dever de coabitação. Neste caso Eva está
a separar-se de facto – art.º 1782. Para a separação de facto tem de haver o intuito de 1 deles
não querer viver com o outro. Ao mudar a fechadura está a dizer que não quer viver mais com
Adão. O art.º 1781, al. a) fala na ruptura.
Aqui a solução é o divórcio – art.º 1779, o vinculo conjugal é dissolvido, ou pela separação de
facto com base no art.º 1781. Vem ainda o art. 1795.º A que fala nos efeitos da separação.

VII - ORGANIZAÇÃO DA FAMÍLIA A situação jurídica dos cônjuges, conteúdo da 
relação matrimonial, organização patrimonial do casamento, Cv antenupcial, regime de 
bens 
35. Letizia e Filipe estão noivos e pretendem celebrar uma convenção antenupcial que
inclua as seguintes cláusulas:
i) o regime escolhido é o da separação de bens, com comunhão de rendimentos - sim
ii) Letizia compromete-se a não exercer uma profissão remunerada - sim
iii) os filhos do casal serão educados na fé católica e do seu nome constarão apenas
apelidos paternos
iv) em caso de divórcio, Letizia terá de abandonar a casa de morada –
v) em caso de divórcio, os eventuais filhos do casal ficarão a viver com o pai e será este
quem decidirá todas as questões a eles relativas
vi) em caso de divórcio, Letizia restituirá ao marido os bens que ele e a família lhe
doarem durante a vida conjugal (jóias, roupas, automóveis, etc)
Objectivos: estudar os pressupostos de validade e eficácia das convenções antenupciais, as
características do estado de casado, limites à liberdade contratual em matéria de convenção antenupcial.

Resposta:
Convenções antenupciais – É o acordo (contrato) entre os nubentes destinado a fixar o seu
regime de bens. A CV não se integra no contrato de casamento, mas é acessório deste,
pressupondo a sua existência e validade. Em termos de, se o casamento for inválido, a convenção
antenupcial ser arrastada por esta invalidade. É 1 contrato acessório. Dois ppios:
1 – Ppio da liberdade (1698) – P. Coelho entende… permite aos nubentes escolher outras
cláusulas, não se limitando à escolha do regime de bens mas tb aos dtos patrimoniais. Este ppio
aceita limites (1699), que não deve ser taxativo, pois admite todos os ppios gerais do dto, normas
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
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imperativas, normas de ordem pública, de BF. Exemplo de cláusulas que não devem constar das
CV’s antenupciais: cláusula que venha a excluir 1 dever conjugal (1677.º-B).
2 – Ppio da imutabilidade (1714/1) – Só começa a funcionar após o casamento, mas celebrado
antes. Está sujeito ao ppio da imutabilidade, não só o regime de bens convencionado pelos
esposos, mas tb o regime supletivo. Ou seja: desde o momento da celebração do casamento o
regime de bens é inalterável.
Apenas se aplica ao que tem a ver com o regime de bens. Todas as outras cláusulas podem ser
revogadas/alteradas.
Características do casamento como estado - o casamento tem 1 vocação tendencial de
perpetuidade, e deve ser único e exclusivo, ou seja, caso não haja nenhum facto que determine a
sua cessação, pode prolongar-se por toda a vida das pessoas casadas.

36. Duarte, jornalista, e Isabel, fotógrafa, casaram sem convenção antenupcial. Duarte
levou para o casamento 1 automóvel, 1 computador e 1 impressora e 1 máquina
fotográfica e demais aparelhagem de revelação fotográfica. O computador e a
impressora são usados por Duarte para redigir e imprimir os seus trabalhos, a máquina
fotográfica e demais aparelhagem é utilizada por Isabel e o automóvel usado por ambos
para entrega dos respectivos trabalhos.
Duarte vende todos estes bens a um amigo de longa data que o sabe proprietário dos
mesmos antes do casamento. Poderá Isabel reagir?
Imagine que é Isabel quem vende o computador e a impressora aproveitando uma
oferta generosa de uma amiga. Poderá Duarte reaver tais bens?
Objectivos: estudar o estatuto patrimonial imperativo de base do casamento; poderes de
administração e poderes de disposição; ilegitimidades conjugais.

Resposta:
Regime de bens (art.º 1717 que remete pata o art.º 1721 e ss.
Quem é o proprietário? R: Duarte 1722/1, al. a) (bens próprios).
Quem tem poderes para administrar? R: Duarte (1678), mas conhece excepções; alíneas e), f), e
g) do nº 2.
Duarte administra o PC (1678/1) e o automóvel (1678/2, al. c))
Isabel administra exclusivamente a máquina fotográfica e a aparelhagem (1678/2, al. e))
Quem pode dispor? Em relação aos bens móveis existe certa coincidência entre administração e
disposição (1682/2), mas há excepções.
Duarte vende: PC e impressora eram bens próprios de Duarte e ele é que fazia a sua
administração, não se verificando nenhuma das excepções daí o negócio ser válido.
Qto à máquina fotográfica, ela é administrada por Isabel (1678/2, al. e)), assim nos termos
do art.º 1682/3, al. a), o consentimento tem de se realizar conforme o art.º 1684. O valor do NJ é
anulável nos termos do art.º 1687/1. Legitimidade (art.º 1687/1), prazo (1687/2).
O automóvel é de Duarte e por ele administrado (1682/3, al. a)). O negócio é anulável
(1687/1 e 2)
Isabel Vende: PC e impressora. Bens do Duarte. Isabel não tem administração desses bens,
apenas Duarte (1678/1 e 1682/2. Valor do NJ é nulo (1687/4).
Máquina fotográfica (1678/2, al. e)). Negocio anulável (1687/1), pq há algum poder de
administração sobre a coisa.
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Sousa Gomes

37. Alice e Mário casaram em Junho de 1990. Mário dedicava-se a vários negócios, sendo
ao mesmo tempo sócio-gerente da sociedade Almiros Lda, que se dedicava ao comércio
de vestuário. Alice não exercia qq profissão remunerada, mas auferia alguns
rendimentos provenientes de prédios herdados por morte de seu Pai. Em Julho de 1992,
aquela sociedade contraiu 1 empréstimo bancário para fazer face a dificuldades de
tesouraria, de que Mário se constituiu fiador. Mais tarde, o Banco vem pedir o
pagamento da dívida a Alice e a Mário, alegando que a obrigação assumida por Mário
responsabiliza ambos.
a) Tendo em consideração que Mário exercia 1 actividade económica arriscada, os
familiares de Alice tinham-na aconselhado a celebrar 1 convenção antenupcial.
Explique qual teria sido o interesse de Alice em seguir tal conselho.
b) Alice entende que não tem nada que pagar as dívidas do marido. Que deverá fazer
para justificar a sua posição?
c) Suponha agora que Alice consegue afastar a sua responsabilidade pela referida
dívida, mas que entretanto é penhorada 1 fracção autónoma correspondente ao 2º andar
de 1 prédio urbano situado na rua de Oliveira Monteiro, no Porto, que tinha sido
comprado por Mário em 1997. Alice terá alguma hipótese de evitar esta execução?
Objectivos: estudar o regime das dívidas dos cônjuges (legitimidade para contrair
dívidas, responsabilidade, execução, compensações).

Resposta:
a) Alice e Mário casaram sem CV antenupcial (1717), depois regulado no art.º 1721 e ss.
Qq 1 dos cônjuges tem legitimidade para contrair dívidas sem consentimento (1690), mas estas
podem só responsabilizar Mário ou apenas Alice, só que Mário sendo comerciante, presumem-se
que são comuns (1691/1, al. d)). Era mais fácil aos credores obter ressarcimento dos 2.
Havia risco para Alice pq no exercício do comércio essas dívidas eram comuns
respondendo ambos (1695/1).
O interesse da Alice seria no caso a vantagem da CV antenupcial (1698 Æ 1735 e ss),
pois assim não respondiam os seus bens próprios não podendo aplicar-se a alínea d) do art.º
1691 e teria que ser o credor a provar o proveito comum (1691/1, al. c)).
b) Mário é fiador do crédito da sociedade onde trabalha, logo, não havendo separação de
bens aplica-se o regime do art.º 1691/1, al. d). Alice tem que provar que não houve proveito
comum contrariando assim a presunção do art.º 15 do CC.
c) Se a dívida responsabiliza apenas Mário aplica-se o art.º 1696 (bens próprios do Mário)
e na sua falta os bens comuns (1724, al. b)). O prédio era bem comum.
Qd o credor quer executar bens comuns tem que notificar o cônjuge para que este
querendo proceda à separação (825/1 e 7 CPC), ficando a execução suspensa até à partilha final.
No caso de o apartamento ficar com Alice vai nomear-se novamente os bens comuns.

38. Félix e Drusila casaram em Janeiro de 2001, sem convenção antenupcial.


Em Maio do mesmo ano, Félix foi despedido mas recebeu 1 avultada quantia a
título de indemnização por acordo de rescisão do seu contrato de trabalho. Entretanto,
decidiu passar a usar no transporte de passageiros - vulgo “taxi” - o carro que a mulher
tinha comprado antes de casar.
Em Janeiro do presente ano, Drusila saiu de casa depois de ter levantado uma
quantia correspondente ao saldo de uma conta bancária titulada por ambos os cônjuges.
No dia 1 de Abril, depois de Drusila ter feito compras num supermercado, foi-lhe
entregue 1 talão que lhe dava dto a participar num sorteio de 1 apartamento que lhe
veio efectivamente a ser atribuído no final do mês de Maio.
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

Drusila quer requerer o divórcio, mas antes quer certificar-se dos seus dtos
relativamente a certos bens.
Drusila entende que tem dto, de forma exclusiva, ao apartamento e ao automóvel; e que
deve partilhar o valor da indemnização recebida por Félix, o valor do dto à licença para
a exploração da indústria de transportes de aluguer em veículos ligeiros de passageiros
– e os proventos da respectiva actividade; por isso é que levantou a totalidade do saldo
da conta bancária.
Félix, por seu turno, entende que tem direito a metade do apartamento ganho por
Drusila e a metade do valor do saldo da conta bancária; e que lhe pertencem de forma
exclusiva e na totalidade os restantes bens mencionados. Quid iuris?
Objectivos: estudar o regime (supletivo) da comunhão de adquiridos; composição das massas patrimoniais.

Resposta:
Félix e Drusila casaram sem CV antenupcial (1717), depois regulado no art.º 1721 e ss.
1º - Indemnização que Félix recebeu – é 1 bem comum (1724, al. a). 2º P. Coelho é aqui
que se devem incluir em substituição do salário as indemnizações.
2º - Táxi – bem proprio de Drusila (1722/1, al. a), que tem a particularidade de ser
administrado por Félix, que normalmente é administrado por Drusila (1678/2, al. e))
Dinheiro nas contas bancárias (1680 Æ 1725)
3º Drusila ao sair de casa viola o dto de coabitação (1672). Estava obrigada a viver na
casa de família (1673). Passa o casal a viver em separação de facto (1782)
Em Abril Drusila ganha 1 apartamento;
a) Seria aquisição a título gratuito na constância do matrimónio pois não há esforço
conjunto (1722/1 al. b), Æ bem proprio de Drusila.
b) Contrato aleatório – ela não sabia se ia ganhar aquisição a título oneroso e seria comum
(1724, al. b).
4º - Qt ao automóvel Félix tem dto? Embora seja administrado por ele não se pode aplicar
o art.º 1731 pq não era bem comum, era de Drusila.
Qto à indemnização (bem comum), Drusila tem razão em que seja partilhada.
Qto à licença Æ 1733/1, al. c), não é comunicável, pertence exclusivamente a Félix
Qto aos proventos da actividade, são comuns Æ 1721, al. a).
Qto ao saldo, bens móveis são bens comuns, ela não podia levantar a titularidade

39. Em Janeiro de 2002, António e Beatriz casaram, depois de terem celebrado 1


CV antenupcial em que convencionaram o regime da separação de bens. O casal foi
viver para 1 apartamento que os Pais de Beatriz lhe tinham dado de presente de
casamento. Passados 2 anos, Beatriz resolveu vender o apartamento por 400.000 Euros e
comprar 1 moradia para o que pediu emprestado a 1 Banco os 40.000 Euros que faltavam
para completar o preço. O Banco exigiu a constituição de 1 hipoteca sobre a moradia e o
consentimento de António, mas este recusou-se porque Beatriz não lhe tinha dito nada
e, além disso, não estava de acordo com a mudança de casa pois estava desempregado e
receava endividar-se.
Objectivos: estudar as formalidades da convenção antenupcial, o regime da separação de bens e a
protecção da casa de morada da família.

Resposta:
António e Beatriz celebraram 1 CV antenupcial (contrato acessório do casamento Æ 1698 pela
separação de bens (1735 e ss). É possível por pessoas que podem casar (1708). Qto à forma
(1710).
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Sousa Gomes

Não foi registada. Consequência: É valida e eficaz entre as partes mas não produz efeitos
perante 3ºs (1711/1). Não são 3ºs os conjugues, herdeiros e as pessoas que intervêm na CV
(1711/2). Em relação a 3º é como se fosse regime da comunhão de adquiridos (1721), como se
não houvesse CV.
1 – O apartamento é 1 bem próprio: em relação aos conjugues Æ Cv antenupcial (1735),
em face de 3ºs é 1 bem próprio (1722/1, al. a), pq é 1 bem não oneroso adquirido antes do
casamento.
2 – Beatriz quer vender a casa e António não concorda. Direcção conjunta da família
(1671/2), dever de acordar/estar disponível para.
3 – Quem administra o apartamento? Beatriz (1678/1).
4 - Ela pode alienar sozinha o apartamento? Como se trata de casa de morada de família
ela não pode dispor sozinha (1682-A/2), apesar de ser ela a administradora.. Era necessário o
consentimento do marido (1684). Neste caso ela vende sem o consentimento do marido, daí
anulável (1687). Legitimidade – o marido; prazo – 6 meses.
5 – Contrai empréstimo e compra moradia. Entre o casal aplica-se o regime da separação
de bens. Em relação a 3ºs vale a comunhão de adquiridos (1723), se se verificou que este
requisito é 1 bem próprio de Beatriz, se não se verificou é 1 bem comum.
6 – Qto à dívida. Cada 1 dos conjugues tem legitimidade para contrair dívidas (1690). Se a
situação se enquadra no art.º 1691 é comum, se não, é própria. No caso há 1 posição expressa
de António pois este não dá consentimento. O credor é que tem que provar o proveito comum com
aquela dívida e assim responsabilizar o conjugue Æ respondem os bens comuns (1695). Se não,
a responsabilidade é de Beatriz (1696). Em face de 3ºs respondem tb os bens comuns. O proveito
comum não se presume.

40. Romeu casou com Julieta em 2000, tendo celebrado 1 CV antenupcial em que Romeu
autorizava Julieta a vender todos e quaisquer bens e dtos que lhe pertencessem situados
em Portugal. Em 2001, Julieta adquiriu, com dinheiro que o seu pai lhe tinha dado numa
ocasião em que tinha feito 1 negócio muito lucrativo, 1 carrinha Audi e 1 andar na rua
da Alegria, no Porto, onde o casal passou a viver. Passado 1 mês, Julieta mandou
substituir por 1 chão de madeira exótica muito dispendioso a alcatifa que revestia a
residência do casal e que lhe provocava 1 rinite alérgica. No final do ano, Julieta, sem
dizer nada ao marido, decidiu vender o automóvel a 1 amiga; nessa altura, vendeu tb o
andar pois pretendia instalar-se numa zona mais “chic” da cidade, exibindo para o
efeito a autorização que o marido lhe dera na convenção antenupcial.
Romeu recusa-se a pagar a factura relativa ao chão de madeira exótica que
tinha sido instalado no andar e cujo pagamento estava em falta, e intenta 1 acção
destinada a invalidar as vendas efectuadas por Julieta. Esta entende que todos os bens
referidos eram bens próprios dela, dos quais, por isso podia dispor, e que mesmo que as
vendas venham a ser invalidadas, tais bens lhe pertencem. Entende ainda que lhe
pertencem exclusivamente as quantias distribuídas a título de lucros pela sociedade por
quotas em que detém 1 participação social herdada do pai entretanto falecido. Objectivos:
estudar a forma do consentimento conjugal, a responsabilidade por dívidas, os poderes de administração
e de disposição dos cônjuges, a composição das massas patrimoniais no regime da comunhão de
adquiridos, a sub-rogação dos bens próprios nos regimes de comunhão.

Resposta: Cv antenupcial entre Romeu e Julieta que podem escolher outras cláusulas sobre o
ppio da imutabilidade e ppio da liberdade com os limites do art.º 1699. Não temos refª ao regime
de bens, assim aplica-se o regime supletivo (1717 Æ 1721 e ss).
1 – Cláusulas inseridas na CV:
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

a) Autorização de Romeu Æ inválida pq viola o art.º 1699/1, al. c). Ele pode atribuir à
esposa poderes de administração através de mandato Revogável Æ 1678/2, al. g), assim não
ficando sujeito ao ppio da imutabilidade.
b) Carrinha e apartamento. Comprados com dinheiro do pai de Julieta portanto bens
próprios (1722/1, al. b) a titulo gratuito que nos remete para o art.º 1723, al. c), respeitando este
requisito, se não se respeitar aplica-se o art.º 1724 (bem comum).
c) O apartamento passou a ser a casa de família (1673) administrado por Julieta
(1678/1).
d) Julieta ao substituir o chão contrai um ónus. Tem legitimidade sem o consentimento
do marido (1690). A dívida responsabiliza ambos os conjugues se estiver previsto na alínea c) do
art.º 1691. È necessário que o credor (é o interessado na divida conjunta) prove e assim
respondem os bens comuns (1695/1).
e) Julieta vende o automóvel. Se for preenchido o requisito da alínea c) do art.º 1678/1
– proprietária e administradora – pode dispor (1682/2), mas temos excepções Æ o automóvel
cabe no art.º 1682/3, al. a), assim Julieta não poderia alienar o automóvel sem consentimento do
marido só que este na~é válido (CV), mas por via do art.º 1684 o consentimento tem de ser
especial. Assim, a venda do automóvel é anulável por via do art.º 1687. Legitimidade Æ marido no
prazo de 6 meses.
Casa de família – ilegitimidade conjugal (1682-A/2). Valor do NJ Æ anulável Æ 1687.
Quantias. A cota é 1 bem próprio (1722, al. b).
Rendimentos. São bens comuns (frutos Æ 1728/1 à contrário).

41. Rosa e Hermínio casaram em 12/11/87 e, 1 vez decretado o divórcio por mútuo
consentimento, foi instaurada 1 acção de inventário para separação de meações. Na relação de
bens apresentada foi incluído 1 imóvel comprado por Hermínio por escritura pública datada
de 11/5/90. Hermínio deduz reclamação alegando que tal imóvel lhe pertencia em
exclusividade 1 vez que a respectiva escritura pública tinha sido celebrada em cumprimento
de 1 CPCV concluído por si em Janeiro de 1987 e que o respectivo preço tinha sido pago por
meio de uma quantia que lhe havia sido doada pelo Pai. Objectivos: estudar o contrato-promessa de
partilha de bens comuns, a sub-rogação de bens próprios nos regimes de comunhão, a cessação das relações
patrimoniais entre cônjuges.

Resposta:
1 - Não temos CV antenupcial. Vale o regime supletivo (1717 Æ 1725 e ss).
2 – O divórcio (1773), dissolve o casamento. Terminam as relações e tem de proceder-se
à partilha.
3 – Imóvel. Em ppio, na comunhão de adquiridos e ao abrigo do art.º 1724/2, al. b), o
imóvel é comum pois foi adquirido na constância do matrimónio.
4 – Hermínio pretende invocar o art.º 1722/2 al. c). Só se o CPCV tiver eficácia real. (P.
Coelho entende que se o contrato não tiver eficácia real não se pode aplicar esta alínea). Assim, é
1 dto que se baseia num dto anterior se tiver eficácia real.
O outro argumento que ele invoca é que ele compra com dinheiro seu. Só terá razão se
respeitar os requisitos do art.º 1723, al. c). Caso não tenha razão é 1 bem comum e aí como P.
Coelho entende que estão em causa as relações entre os conjugues, se possa provar por outros
meios que o dinheiro era só dele.
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Sousa Gomes

VIII - ORGANIZAÇÃO DA FAMÍLIA Situação jurídica de pais e filhos, 
a relação paterno/materno‐filial, a promoção dos direitos e protecção das crianças em 
perigo, a constituição da relação de adopção
42. Joselito tinha 7 meses e vivia com mais 6 irmãos de 12, 11, 9, 7, e 2 anos. Foi
encontrado por 1 assistente social, na sequência de denúncia de 1 vizinha, na casa onde
vivia toda a família, com 1 única divisão de reduzidas dimensões que funcionava com
espaço de dormir e de comer, sem água canalizada, energia eléctrica ou saneamento.
Estava deitado ao alcance da chuva, mal nutrido, com palidez acentuada e fontanela
aberta a 5 dedos (sinais de raquitismo), com sintomas de bronquite e desenvolvimento
físico não compatível com a idade. Foi decidido o seu internamento no Centro Social
Padre David. Os pais vivem sem qq rendimento, sem hábitos de trabalho, com o apoio
dos vizinhos e da avó paterna que tem 1 pensão de reforma de 200€. Foram tomadas as
diligências necessárias para conseguir apoios para esta família (Segurança Social, Junta
de freguesia, serviços de saúde). A criança esteve internada uma ano e meio. Os pais
começaram por visitar a criança, mas foram espaçando as visitas e, entre Agosto e
Novembro estiveram sem ver o filho. O Tribunal decidiu então a confiança de Joselito a
Mariana e Simão, casados, com quem viveu durante 18 meses. Mariana e Simão vêm
requerer a adopção plena de Joselito. Objectivos: estudar a relação paterno/materno-filial e as
responsabilidades parentais, os processos relativos à defesa dos direitos das crianças e dos jovens, a constituição
da relação de adopção.

Resposta:
1 – Os pais são os 1ºs responsáveis pelas crianças (art.º 36/5 CRP). Se não podem,
subsidiariamente pelo Estado para resolver a situação. Pode acontecer de 2 formas:
- Inibição do poder paternal
- Lei de protecção de crianças e jovens em perigo
Para se iniciar o processo deste tipo é necessário verificar-se a situação de perigo Æ resulta da
Lei (nº 3).
Joselito enquadra-se no art.º 3/2, al. c) da Lei em conformidade com o nº 1. O art.º 4
refere os ppios.
Este processo começa pela vizinha (legitimidade – art.º 66), em conformidade com a
alínea c) do art.º 4 (legitimidade alargada).
Joselito é internado (medida estabelecida no art.º 35 (e 6º), no caso alínea f),
desenvolvida no art.º 49), com a finalidade prevista no art.º 34.
Foram tomadas diligências (ppio da prevalência na família – art.º 4, al. g)) mas como
não deram certo a criança ficou internada no centro durante 1/5 ano (art.º 61), no entanto as
medidas podem ser revistas como foi o caso (art.º 62), substituindo a medida anterior pela
prevista na alínea g) do art.º 35 desenvolvida no art.º 38-A e pq se preenchiam os pressupostos
do art.º 1978-A do CC.
Mariana e Simão querem adoptar plenamente Joselito. Um dos requisitos necessários
é o previsto no art.º 1981 do CC, mas ilidível pq houve confiança judicial (1981, al. c) do CC).
Não se exigia consentimento do art.º 1981, al. c) dos pais biológicos pq houve
processo de protecção e promoção da criança ao abrigo da alínea g) do art.º 35 da Lei.
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

43. Ruben nasceu em 28/12/2003, no Hospital de Santa Maria em Lisboa, é filho de Maria
Fernanda, encontrando-se o assento de nascimento omisso quanto à paternidade. Ruben
foi acolhido na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa logo após o seu nascimento. Maria
Fernanda não o quis amamentar, alegando que não tinha desejado o seu nascimento,
tendo declarado por escrito a sua intenção de prestar o consentimento para a adopção, o
que todavia ainda não aconteceu. Maria Fernanda visita regularmente o filho, não
mostrando apego afectivo, nem interesse pelas necessidades e evolução deste. Em
28/5/2004, a equipa interdisciplinar que apoia a Santa Casa da Misericórdia emite 1
parecer 2º o qual o menor não deve permanecer mais tempo na instituição. Objectivos:
estudar a relação paterno/materno-filial e as responsabilidades parentais, os processos relativos à defesa dos
direitos das crianças e dos jovens, a constituição da relação de adopção.

Resposta:
1 – Os 1ºs responsáveis são os pais (art.º 36/5 CRP).
2 – O Estado só intervém subsidiariamente para resolver a situação e de 2 formas:
- Inibição do poder paternal
- Lei de protecção de crianças e jovens em perigo
3 - Para se iniciar o processo deste tipo é necessário verificar-se a situação de perigo conforme
resulta da Lei (nº 3). No caso pressupõe-se que estava em perigo.
4 – A medida adoptada foi a criança ser acolhida na Santa Casa da Misericórdia (35, al. f),
desenvolvida no art.º 49).
5 – Fernanda quer prestar consentimento para adopção. Tem que ser prestado perante o Juiz
(1982 CC). Fernanda não prestou.
6 – Entretanto a criança a criança permaneceu mto tempo na instituição. A equipa interdisciplinar
emitiu 1 parecer dizendo que aquela medida não era a adequada à criança. Nos termos do art.º
62 pode haver lugar à revisão de medida (art.º 1990 CC) e aplicar o art.º 35, al. g) Æ 38-A e 1978
CC.

44. Élia, casada com Porfírio, deixou o lar conjugal em Dezembro de 2005 e deu à luz 1
filho, Duarte, em 6/6/2006, que ficou registado apenas como filho de Élia. Porfírio
apenas teve conhecimento de que tinha 1 filho em Agosto de 2006 e tentou por todos os
meios encontrá-lo.
Entretanto, Élia deu o consentimento para a adopção em Setembro do mesmo ano. Em 
Abril  de  2007,  foi  decidida  a  confiança  judicial  de  Duarte  a  favor  de  Xavier  e  Wilma, 
respectivamente  de  42  e  44  anos,  casados  desde  2000,  candidatos  a  adoptantes,  tendo 
sido junta certidão de nascimento da qual não constava a identidade do pai de Duarte. 
Apenas  em  Maio  de  2007  foi  averbado  ao  assento  de  nascimento  do  menor  a 
identificação de Porfírio como Pai. 
Em  Novembro  de  2007,  Xavier  e  Wilma  requereram  a  adopção  plena  de  Duarte  mas 
Porfírio recusou o seu consentimento e mostrou interesse em ficar com o filho. Xavier e 
Wilma provaram que desde 2007 que cuidam da criança como sua e que, mesmo depois 
de  ter  tido  conhecimento  da  existência  do  filho,  Porfírio  não  procurou  imediatamente 
saber  com  quem  se  encontrava,  nem  o  visitou,  nem  contribuiu  para  o  seu  sustento. 
Contudo,  o  Tribunal  entendeu  que,  “havendo  um  pai  interessado  no  filho,  este  fica 
melhor  com  ele  do  que  com  outras  pessoas,  mesmo  que  elas  o  tratem  muito  bem”. 
Objectivos: estudar a relação paterno/materno-filial e as responsabilidades parentais, os processos relativos à
defesa dos direitos das crianças e dos jovens, a constituição da relação de adopção, concretização do princípio do
interesse superior da criança. 
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45. Joel coabita com Sandro desde 2000. No início de 2003, Joel fez 1 requerimento no
sentido de adoptar Bruno, de 5 anos, que vive com eles e nasceu do casamento de
Sandro com Alice, já falecida. Em Janeiro de 2004, Sandro morre e Joel continua a
pretender adoptar Bruno. Objectivos: estudar os requisitos legais para a constituição da relação de
adopção, concretização do interesse superior da criança.
Resposta:
Joel pretende adoptar Sandro. Há quem tente impedir com o art.º 1974
Sandro morre e Joel quer adoptar. É discutível, mas corresponde a situação idêntica à
filiação biológica até pq já havia relação d afectividade com Joel.
Da noção expressa no art.º 1586 do CC entende-se que a adopção é o vínculo que se
estabelece legalmente entre 2 pessoas nos termos do art.º 1973 e ss do CC, semelhante à filiação
natural e que assenta essencialmente em questões de ordem social e afectiva e não na origem
biológica do parentesco e que visa servir sobretudo o interesse do adoptado e da infância
abandonada ou desprotegida do ambiente familiar normal conforme atesta o art.º 69 da (CRP). A
defesa do interesse do adoptado e do interesse geral de protecção da infância é de tal importância
que se reflecte desde logo no regime geral dos arts 1973º a 2002º - D), bem como em outras
legislações extraordinárias, sendo estas revistas inúmeras vezes.
Convém no entanto referir que a Lei 7/2001, no art.º 1 parece estender à União de Facto
entre pessoas do mesmo sexo os mesmos efeitos jurídicos que os da União de Facto entre
pessoas de sexo diferente, mas que por outro lado no seu art.º 7º (relativo à adopção), deixa bem
claro que esta, no nosso ordenamento jurídico só é reconhecida às pessoas de “sexo diferente”.
Parece-nos oportuno, quanto a este artigo, referir que, segundo o Professor Pereira
Coelho, há determinados factos e efeitos que só são possíveis a casais heterossexuais [arts
1911/3 e 1871/1, al. c)], e ainda segundo o seu entendimento, a restrição continuar a fazer
sentido, dizendo até que os únicos direitos que relevam são os previstos no art.º 7 da lei 7/2001,
porque todos os outros são só possíveis a casais heterossexuais.

XI - CRISES MATRIMONIAIS Consequências das rupturas conjugais 
46. João e Paula contraíram casamento em 1991. A vida em comum foi desde o
início muito difícil, pq João era alcoólico, o que Paula só descobriu a seguir ao
casamento. Em 1997, Paula saiu de casa para ir viver com os Pais, decidida a nunca mais
restabelecer a vida em comum com o marido. Este tinha-a agredido várias vezes com 1
cinto, insultava-a e impedia-lhe o convívio com os Pais.
Em 2001, João propôs 1 acção de divórcio contra Paula em que pedia que o
divórcio fosse decretado por culpa exclusiva de Paula e exigia 1 indemnização pelos
danos não patrimoniais que o divórcio lhe provoca. Na verdade ele tinha sempre
tentado a reconciliação do casal e estaria disposto a viver de novo com Paula, ela é que
saiu de casa e se recusa a falar com ele. Ele é doente e precisa de ajuda. O divórcio
causa-lhe muito desgosto e dor.
Paula pretende defender os seus direitos e obter uma indemnização que a
compense dos danos causados por João à sua integridade física, à sua honra e à sua
liberdade. Objectivos: estudar o divórcio litigioso, causas, declaração do cônjuge culpado,
indemnização por danos não patrimoniais.

Resposta:
1 – Paula sai de casa – viola o dever de coabitação nos termos do art.º 1672 e desenvolvido no
art.º 1673.
2 – Separação de facto por parte de Paula – 1782 (elemento subjectivo e elemento objectivo).
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3 – Não há violação culposa (teoria do limite do sacrifício) por parte de Paula pq esta separação
foi provocada pelo comportamento do marido.
4 – O marido violou o dever de respeito.
5 – A acção de divórcio não procede pq caducou o tempo para a propositura da acção (1786).
6 – Não significa contudo que Paula não possa invocar os factos ocorridos para determinação da
culpa.
7 – O marido propõe a acção com fundamento na separação de facto (1781, al. a). Causa
objectiva, determinada, bilateral, peremptória e quer que o juiz declare a culpa de Paula.
8 – Mesmo sendo baseado no art.º 1781, al. a) e em conformidade com o art.º 1782, há interesse
que seja declarada culpa.
9 – Ao invocar a doença o marido quer dar a entender que foi Paula que violou o dever de
coabitação.
10 – Invoca o art.º 1792 para indemnização por danos não patrimoniais que resultam da
dissolução do casamento.
11 – Parece que em reconvenção, Paula pode provar as causas do abandono da casa de família.
12 – Paula pretende indemnização (questão da fragilidade da garantia dos dtos familiares
pessoais). P. Coelho, entende que a partir do momento que existe acção, há exposição
automática da essência ética do casamento e da paz familiar não fazendo sentido 1 interpretação
restritiva do art.º 483 em termos de nele se não abrangerem os dtos familiares pessoais, e se
deduzir pedido de indemnização dos danos causados pela violação dos deveres conjugais art.º
1672

47. Alice e Manuel casaram em 30/11/1946, sob o regime da comunhão geral de bens. Em
28/7/85 foi proposta 1 acção de divórcio, e este foi decretado em 9/2/87 por sentença que
transitou em julgado em 27/ 2/87. Em 12/12/86, Manuel arrematou em acção executiva 1
prédio rústico.
a) Alice pretende ter direitos sobre este prédio. Terá razão?
b) Alice exige que Manuel seja obrigado a pagar as prestações vencidas e vincendas
concernentes ao pagamento da dívida hipotecária relativa ao andar onde o casal
habitava, uma vez que Manuel desde que saiu de casa nunca mais pagou tais prestações.
Objectivos: estudar os efeitos do divórcio, data em que se produzem os efeitos do divórcio.

Resposta:
a) Regime da comunhão geral (art.º 1732)
Propositura de 1 acção de divorcio (1773 e ss) e sentença.
Em 12/12/86, Manuel adquire a titulo oneroso 1 prédio rústico. Alice considera que era 1
bem comum (1732).
O divórcio foi decretado e transitado em julgado e Alice acha que tem dto.
Não tem razão pq o art.º 1788 diz que o divórcio dissolve o casamento com efeitos ex
nunc, mas os efeitos retroagem (1789), i.é, o prédio é 1 bem proprio do Manuel pois conforme
sentença já era separado aquando da aquisição.
b) A divida contraída na constância do matrimónio (1691, al. b), responsabilizava ambos os
conjugues pelas dividas que já venceram pois que em relação a 3ºs os efeitos só funcionam a
partir da sentença. Em relação às prestações vincendas deverá ver-se em função da partilha
quem vai ficar responsável.
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

48. Ana Paula casou com Manuel José em 4 de Julho de 1992. Em finais de Agosto de
1995, Ana Paula deixou o lar conjugal e passou a viver em casa dos seus pais. Na
verdade, Manuel José nos últimos meses de vida em comum tinha-a agredido várias
vezes a murro e a pontapé, e insultou-a bem como à sogra, chamando-lhes “vacalhonas”
e gritando que “havia de dar cabo delas”. Entretanto, Manuel José começou a ser visto a
passear com 1 tal Carla, tendo sido tb visto entrar com ela no lar conjugal. Nos finais de
1998, Ana Paula intentou 1 acção de divórcio litigioso contra Manuel José. Ana Paula
reclama o dto a 1 pensão de alimentos, bem como a 1 indemnização. Manuel José
apresentou contestação na qual impugnava os factos articulados pela mulher e invocava
o facto de esta tb ter sido vista acompanhada de outro “indivíduo”. Na 1ª instância, o
Tribunal apenas não considerou provadas as agressões físicas, e julgou improcedente a
acção com fundamento em que “nada se apurou sobre o grau de educação e
sensibilidade da Autora, que nem foi alegado, tendo-se apenas referido que ‘ela é
pessoa de bem’, ‘sendo escriturária’, e ele ‘ladrilheiro’”. Objectivos: estudar o divórcio
litigioso, causas, declaração do cônjuge culpado, indemnização por danos não patrimoniais, direito a
alimentos.

Resposta:
1 – Ao abandonar o lar conjugal Ana Paula viola 1 dever conjugal (1672 → 1673).
2 – Manuel José tinha agredido (viola o dever de respeito – dever residual (menor) em que
nenhum dos conjugues pode por em causa a integridade física e moral do outro - 1672).
3 – O Manuel é visto com Carla (viola o dever de fidelidade - 1672) e esta violação é relevante
porquanto apesar da separação de facto eles continuam casados. A separação não destrói o
vínculo conjugal, a relação mantém-se com todos os dtos e deveres.
4 – O Manuel diz que anda com Carla mas Ana Paula tb anda com outro e alega compensação de
culpa. Não serve como desculpa socorrer-se de outra culpa.
5 – Ana Paula intenta acção de divórcio na modalidade de litigioso (1773) → de natureza judicial
(1773/3), com fundamento em determinada causa (dto potestativo, pessoal e irrenunciável, desde
logo porque se trata do poder de produzir a dissolução do vínculo matrimonial).
Ana podia utilizar 2 fundamentos:
1 – Violação dos deveres conjugais (1779), que foi culposa e que essa violação pela sua
gravidade e reiteração colocou em causa a vida em comum.
2 – Causa subjectiva, unilateral, indeterminada e facultativa pq é o juiz que vai avalia-la em
concreto. Para apreciar a situação (1779/2)
- Ana em face do art.º 1786 tem prazo para intentar a acção, o que em face do tempo
decorrido fez prescrever essa possibilidade de alegar esses factos, mas tem interesse em invocar
essas violações e assim justificar o abandono do lar alegando ainda com a teoria do limite do
sacrifício. Podia tb fundamentar com o art.º 1781, al. a) → causa objectiva, bilateral, peremptória e
determinada
5 – No caso em concreto provou-se tudo menos as agressões e o tribunal não atribui
culpa.
6 – Ana Paula reclama:
a) Em relação à indemnização → podia nos termos do art.º 1792 mas para isso era necessária a
culpa do marido.
b) Qto aos alimentos → 2016. Faz depender a prestação de alimentos da culpa, no entanto o nº 2
….
c) Em relação à casa de família, fundamenta o pedido: se casa própria (1793), se arrendada
(1105).
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

49. Em Julho de 2001, Mário, de férias no Brasil, conheceu Karen, brasileira, tendo
casado em Setembro do mesmo ano, fixando a sua residência no Porto onde Mário
trabalhava e possuía 1 apartamento. No ppio do ano seguinte, Karen e Mário chegaram
à conclusão de que tinham deixado de gostar 1 do outro e concordaram em requerer o
divórcio. Karen pretende continuar a viver no apartamento e julga que tem dto a que
Mário a sustente por forma a que possa manter o nível de vida a que entretanto se
habituou. Mário entende que o andar é dele e que ela pode trabalhar para ganhar a vida
ou voltar para o Brasil. Objectivos: estudar o divórcio por mútuo consentimento e respectivos
pressupostos.

Resposta:
O casal chegou a 1 situação de ruptura. Uma das soluções é o divórcio, outra é a separação
judicial de coisas e bens.
- Divórcio por mútuo consentimento (1773/2) → na Conservatória (271 a 274 CRC). Não tem que
se revelar a causa do divórcio, no entanto para que se possa recorrer é necessário acordo (1775).
50. Emiliana e Júlio casaram catolicamente em 1990, sem CV antenupcial.
A partir do ano de 2000, Júlio começou a desenvolver 1 actividade economicamente
arriscada e, em Janeiro de 2001, decidiram requerer a separação de pessoas e bens por
mútuo acordo. Júlio convenceu a mulher de que este seria o procedimento adequado
para salvaguardar o património de ambos, não pondo em causa as suas convicções
religiosas porque para todos os efeitos seria como se continuassem casados, e depois
sempre se poderiam “reconciliar” passando o regime de bens a ser o da separação.
Objectivos: estudar a separação de pessoas e bens e seus efeitos.

Resposta:
1 - Casaram sem CV (1717) Æ vale o ppio da imutabilidade
2 – As dívidas responsabilizam os dois (1691, al. d)
3 – Separação de pessoas e bens (1794); efeitos (1795-BÆ 1795-C) ), não se podendo
aplicar o art.º 1691, al. d).
4 – Vai valer agora com a reforma de 77 a solução conforme A. Varela e P. Coelho (aplicar
o regime que estava antes)

51. Maria e António casaram catolicamente no dia 22.01.1994, e desse casamento


nasceu em 1994 1 filha de nome Joana. Em Janeiro de 2001, Maria intentou uma acção de
divórcio contra o marido. Maria pede a condenação do marido e 1 indemnização por
danos não patrimoniais com fundamento no desgosto que o fim do casamento lhe
causou. O divórcio foi decretado em Abril de 2001 e a sentença registada em 30/05/2001.
António comprou 1 automóvel em Janeiro de 2000 e Maria entende que este é bem
comum. Dos factos por si alegados foram dados como provados os seguintes:
1) Após o casamento Autora e Réu foram viver para casa dos pais dela.
2) Em 10 de Maio de 1994 nasceu a filha Joana.
3) Desde o mês de Maio de 1999, o Réu alterou o seu comportamento saindo todos os
dias logo a seguir ao jantar e chegando a casa depois da 1 hora da manhã e, aos Sábados,
depois das 3 horas, sem dar qualquer satisfação à Autora.
4) No dia 11 de Setembro de 1999, o Réu saiu de casa e foi viver para casa dos pais dele.
5) Desde esse dia, o Réu nunca mais deu dinheiro algum à Autora, nem à filha.
6) Em Junho de 2000, junto ao seu local de trabalho, o Réu atingiu a Autora com uma
bofetada e apelidou-a de “burra”.
Casos Práticos resolvidos 2007/2008
Sousa Gomes

7) Na sequência destes acontecimentos, a Autora foi acometida de uma depressão e está


sob tratamento médico.
8) Ao casar com o Réu, a Autora perspectivou uma vida familiar harmoniosa e estável e
sofre com o facto de ela estar comprometida.
9) A Autora é uma pessoa de educação e sensibilidade normais e é considerada no meio
em que vive.
António reconveio pedindo que fosse decretado o divórcio contra a mulher, sendo esta
declarada como principal culpada em função dos seguintes factos dados como provados:
10) O Réu suportava também as despesas do agregado familiar quando estava em casa
com a família.
11) O Réu tentou convencer a Autora a sair de casa dos Pais dela, pois não tinham
condições para viver a sua própria vida.
12) O Réu pediu à Autora para vir viver para casa dos Pais dele, onde a sustentaria bem
como à filha.
Objectivos: Objectivos: estudar o divórcio litigioso, causas, processo de divórcio, declaração do cônjuge
culpado e ponderação de culpas, indemnização por danos não patrimoniais.

Resposta:
Acção de divórcio litigioso (1773/3)
1 – Viver em casa dos pais (1673)
2 – Nasce a filha Joana – presunção do art.º 1826
3 – Desde Maio de 1999 há violação do dever de respeito (1672)
4 – Separação de facto por parte do marido – 1782 (elemento subjectivo e elemento objectivo). A
separação não destrói o vínculo conjugal, a relação mantém-se com todos os dtos e deveres.
Maria invoca vários deveres conjugais e o marido faz a reconvenção dizendo que a culpa é dela.
5 – Em Setembro ele sai de casa (violação do dever de coabitação – 1672 e 1673) e dever de
assistência (1675)
6 – Em Junho viola o dever de respeito (1672)
7 – Maria está deprimida pq augurava 1 vida estável e amorosa, serve para ter dto a
indemnização pelos danos pela culpa do marido.
8 – O art.º 1779/2 manda atender a determinadas situações, nomeadamente às agressões.
9 – O marido vem reconvir e provar e contradizer com outros factos
10 e 11 – O marido tentou convencer a autora a sair de casa dos pais (1671/2)
- Tem que se verificar o prazo de caducidade (1786) – Não se verificou. O juiz analisa se está ou
não comprometida a vida em comum (causa unilateral, subjectiva) e se sim decreta a culpa
(reflecte-se no dto patrimonial)
- Qto aos pedidos de Maria Æ 1792 desde que o marido fosse declarado culpado;
- Automóvel – é 1 bem comum pq em ppio eles estão casados no regime da
comunhão de adquiridos (1717 e 1732) Æ 1789. No entanto se se verificar o disposto no nº
2. Mesmo assim não colhe.