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Comportamento: Cultura ou Genética?

• Postado por Rubens Mário Mazzini Rodrigues em 6 março 2011 às 20:46

Uma das grandes polêmicas das modernas ciências do


comportamento é sobre o quanto o comportamento e a
personalidade das pessoas depende da genética ou do
aprendizado. Uma das questões que tem sido alvo do
interesse da neurociência evolucionista é o altruísmo, ou
de por que as pessoas abrem mão de parte de seu bem
estar, patrimônio ou segurança para ajudar o próximo,
um comportamento aparentemente contrário às leis de evolução, pois um comportamento
individual que coloca em risco a sua descendência genética não poderia ser favorecido
pela seleção natural, tais como o de um soldado que se arrisca para salvar um
companheiro ou de um doador de sangue ou de órgãos.

Um estudo realizado por Adrian V. Bell e colegas na Universidade da Califórnia* concluiu


que o altruísmo é um comportamento mais determinado pelo aprendizado social do que
pela genética. Os pesquisadores utilizaram uma equação matemática, chamada equação
de Price, que descreve as condições para o desenvolvimento do altruísmo. Essa equação
motivou os pesquisadores a comparar a diferenciação genética e cultural entre grupos
sociais vizinhos. Utilizando estimativas previamente calculadas de diferenças genéticas
eles utilizaram um questionário, chamado Escala Mundial de Valores (cujas questões são
amplamente influenciadas pela cultura em um grande número de países) como uma fonte
de dados para calcular a diferenciação cultural entre os mesmos grupos vizinhos. Quando
comparados, os resultados levam à conclusão que o papel da cultura tem uma influência
muito maior para explicar o comportamento pró-social do que a genética.

Nas sociedades ancestrais, práticas culturais punitivas de comportamentos anti-sociais,


tais como a exclusão do mercado matrimonial, condenação moral, negação dos frutos de
atividades cooperativas, banimento, prisão e execução, exerceram forte pressão sobre a
seleção contrária a genes que tendem a favorecer o comportamento anti-social e,
presumivelmente, favorável aos genes que predispõe os indivíduos a ter comportamentos
pró-sociais. Isso resultou em uma co-evolução cultural e genética da propensão humana
para o comportamento pró-social.
Uma questão que pode ser levantada a partir do presente estudo é qual a influência que
terão os atuais padrões de controle social mais permissivos associados a altos níveis de
impunidade na seleção gênica e na composição genética das futuras gerações? Padrões
esses que, em algumas sociedades, até mesmo incentivam o uso da violência (inclusive
uso de armas) na resolução de conflitos ou, em outras, como é o caso da sociedade
Brasileira, incentivam o uso do engodo, da esperteza, da falcatrua e da corrupção na
busca de objetivos individuais. O que poderá vir a acontecer com a carga genética dos
indivíduos de uma sociedade na qual, como já dizia Ruy Barbosa, "de tanto ver triunfar as
nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver
agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto"?

* Adrian V. Bell, Peter J. Richerson, and Richard McElreath. Culture rather than genes
provides greater scope for the evolution of large-scale human prosociality. Proceedings of
the National Academy of Sciences, 2009; DOI: 10.1073/pnas.0903232106