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A profundidade de Krishnamurti.

Ana Elizabeth Diniz

Jiddu Krihnamurti nasceu em maio de 1895, na Índia. Foi educado dentro da Sociedade
Teosófica e tratado como veículo para encarnação do Messias, do Bodhisatwa Maitreya. Para
isso, foi colocado como chefe da Ordem da Estrela do Oriente. Em agosto de 1929, aos 34
anos, dissolveu a ordem, saiu da Sociedade Teosófica e seguiu seus caminho único. Seguiu
percebendo e sustentando o que ele chamou de !verdade" com total compromisso e
integridade. Por mais de 56 anos, viajou pelo mundo. Morreu em fevereiro de 1986, aos 90
anos, na Califórnia. Sua última palestra havia sido em janeiro, em Madras. Há quem diga que
ele é aquele que foi anunciado.

A essência dos ensinamentos de Krishnamurti está contida na declaração feita por ele em
1929: ''A verdade é uma terra sem caminho". O homem não chegará a ela através de
organização alguma, de qualquer crença de nenhum dogma, de nenhum sacerdotal ou mesmo
um ritual, nem através de nenhum conhecimento filosófico ou técnica psicológica. Ele vai
encontrá-la através do espelho do relacionamento, através do entendimento dos conteúdos de
sua própria mente, através da observação, e não através de análise intelectual ou dissecação
introspectiva".

Em 1980, o próprio Krishnamurti escreveu uma declaração que pode ser lida no volume dois de
sua biografia "Krishnamurti, os Anos de Plenitude", por Mary Lutyens: "O ser humano não pode
construir imagens dentro de si mesmo, como uma cerca de segurança - religiosa, política,
pessoal. Elas se manifestam como símbolos, idéias, crenças. O peso dessas imagens domina
o pensamento humano, seus relacionamentos e sua vida diária. Essas imagens são as causas
de nossos problemas porque elas separam as pessoas umas das outras. A sua percepção da
vida é moldada pelos conceitos já estabelecidos em sua mente. O conteúdo de sua consciência
é a sua consciência total. Esse conteúdo é comum a toda humanidade. A individualidade é o
nome, a forma e a cultura superficial que o homem adquire da tradição e do meio ambiente. A
singularidade do homem não se encontra no superficial, mas na completa libertação dos
conteúdos de sua consciência, comum a toda humanidade. Assim, ele não é um indivíduo.

Liberdade
O indiano dizia que " a liberdade não é uma reação, nem tão pouco uma escolha. É pretensão
do ser humano achar que, por ter escolha, ele é livre. A liberdade é pura observação sem
direção, sem medo de punição e recompensa. A liberdade é sem nenhum motivo, a liberdade
não está no fim da evolução humana, mas se encontra no primeiro passo da sua existência.
Pela observação, a pessoa começa a descobrir a falta de liberdade. A liberdade é encontrada
no estar atento, sem escolha, à nossa existência e atividades diárias.

Para ele, o pensamento é tempo. " O pensamento nasce da experiência e do conhecimento,


que são inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do ser humano.
Nossa ação é baseada no conhecimento e, portanto, no tempo. Assim, o ser humano é sempre
escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e assim nós vivemos em conflito e luta
constantes. Não há evolução psicológica.

O compromisso
Em 1980, seis anos antes de morrer, Krishnamurti estava fazendo uma palestra em
Brockwood, na Inglaterra, quando foi questionado sobre os motivos que o levaram a continuar
falando, após 50 anos, como mensageiro, gastando energia, quando ninguém parecia mudar.

Ele sábia e serenamente respondeu: "Antes de mais nada, eu não dependo de vocês como um
grupo que vem ouvir o palestrante. O orador não está ligado a nenhum grupo em particular,
nem está precisando de uma assembléia. Penso que quando alguém vê algo verdadeiro e belo,
ele quer contar às pessoas sobre isso, por afeição, por compaixão, por amor. E, se não houver
quem esteja interessado, tudo bem, mas aqueles que estão interessados, talvez eles possam
reunir-se. Você pode perguntar à flor por que ela cresce, por que ela tem perfume? É pela
mesma razão que o orador fala" .
Krishnamurti defendia a qualidade das amizades, do afeto. " Existe uma forma de comunhão
que não é verbal, que necessita aquela peculiar qualidade de atenção e sossego. Assim como
dois amigos muito íntimos que não têm que falar muito, que não têm que entrar em longas e
complicadas explicações, que compreendem um ao outro naquele próprio silêncio em que
existe a comunhão da amizade. Dois amigos muito íntimos podem ficar muito quietos, cada um
com seus próprios problemas e, nessa quietude, nesse silêncio, acontece uma outra atividade
que pode resolver o problema".

Sobre o medo ele escreveu: " Enfrente o medo, convide-o, não o deixe chegar de repente,
inesperadamente, mas encare-o constantemente, busque-o com diligência e determinação.
Não deixe os problemas criarem raiz. Passe por eles rapidamente, atravesse-os como se
estivesse cortando manteiga. Não permita que eles deixem uma marca, acabe com eles assim
que eles apareçam. Você não pode evitar ter problemas, mas acabe com eles imediatamente".

A renúncia a títulos preestabelecidos


Em Madras, em 1947, aqueles que tinham contato com o homem Krishnamurti e com a
essência de seus ensinamentos estavam perplexos com o fato de ele ter sido anunciado pela
Sociedade Teosófica como sendo o Messias e o instrutor do mundo e ter renunciado a esse
papel.
Krishnamurti tentou responder a essa questão contando uma história: "O diabo e um amigo
estavam passeando quando viram, a sua frente, um homem abaixar-se e pegar algo brilhante
do chão. O homem olhou para aquilo com deleite, colocou-o no bolso e continuou caminhando.
O amigo perguntou: "O que aquele homem achou que o transformou tanto?" O diabo
respondeu: "Eu sei, ele encontrou a verdade." "Por Deus!"- exclamou seu amigo: "Isto deve ser
um mau negócio para você!". "De jeito nenhum"- o diabo respondeu com um sorriso malicioso:
"Vou ajudá-lo a organizá-la, você vai ver só!"
Krishnamurti indaga: "Pode a verdade ser organizada? Você pode encontrar a verdade através
de uma organização? Elas estão baseadas em diferentes crenças. Crenças e organizações
estão sempre separando as pessoas, excluindo umas das outras. Você é um hindu e eu sou
um mulçumano, você é um cristão e eu sou um budista. Crenças, ao longo de toda a história,
atuaram como uma barreira entre os seres humanos. Nós falamos de fraternidade, mas se
você tem uma crença diferente da minha, estou pronto para cortar sua cabeça; nós temos visto
isso acontecer inúmeras vezes.
E prossegue; "A experiência de Deus deve ser experimentar por si mesmo. Ela não pode ser
organizada. No momento que é organizada, propagada, ela cessa de ser verdade, ela se torna
uma mentira. O real, o imensurável, não pode ser formulado, não pode ser colocado em
palavras. O desconhecido não pode ser medido pelo conhecido, pela palavra. Quando você o
mede, ele cessa de ser verdade, deixa de ser real e, portanto, é uma mentira".