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CONTEÚDO

PROFº: PANTOJA
12 ROMA – A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO
A Certeza de Vencer KL 060808

A CRISE DO IMPÉRIO ROMANO DECLÍNIO E cidades orientais continuavam economicamente estáveis, o


FIM DO IMPÉRIO DO OCIDENTE que possibilitava que as ordens de curais pudessem
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Os grandes proprietários fundiários tornaram-se persistir. Alem disso, a parte oriental ficou menos exposta
cada vez mais independentes, economicamente, em aos ataques bárbaros. Todos esses fatores facilitaram a
relação ao Estado. Tendem a se retirar para suas terras, continuidade do Império Romano do Oriente.
onde se desenvolveu uma produção auto-suficiente. Dessa O Império do Ocidente sofreu repetidas incursões
forma, passaram a exercer as funções que cabiam ao bárbaras culminando, em 410, com a ocupação e o saque
Estado, como a administração da justiça, e a partir do final de Roma pelos visigodos de Alarico, fato que teve enorme
do século IV, se encarregaram da defesa contra os impacto entre os romanos. Pela primeira vez em sua
ataques dos bárbaros. A ligação entre uma grande história, Roma era ocupada pelos inimigos (se
propriedade e o poder central do Império resumiu-se na desprezarmos o saque gaulês nos primórdios da
obrigação de pagarem impostos. Começou a se manifestar República). Em 455, Roma foi saqueada pelos vândalos e
um movimento que tornaria a massa rural pobre ainda assistiu à formação de reinos bárbaros dentro do território
mais dependentes dos do Império (na Gália na
latifundiários: o Espanha e no norte da
“patrocínio”. Camponês África). O fim do sistema
livres, colonos e até político romano no Ocidente
habitantes de aldeias é marcado pela deposição
inteiras se colocavam sob a de Rômulo Augústulo, o
proteção – patrocinium – último imperador, pelo
de uma pessoa influente, chefe germânico Odoacro.
de grande proprietário de em 476. Aquilo que
terras poderoso, pagando-a convencionalmente se
com produtos agrícolas ou costuma qualificar de
dinheiro, o que se tornou passagem da Antiguidade
uma forma regular de para a Idade Média não
taxação. Para a monarquia ocorreu a partir de um
Imperial, o resultado do evento específico, como a
aparato estatal. A pressão fiscal recaiu então sobre os divisão do Império por Teodósio em 395, ou a derrota de
setores que ainda pagavam impostos, o que aumentou Rômulo Augústulo, em 476, mas resultou de uma série de
ainda mais o descontentamento geral. graduais transformações. A queda do Império Romano do
Aqui encontramos a explicação párea o Ocidente representou a desagregação do quadro político
desinteresse da sociedade romana no império tardio do do Estado, cujo aparato administrativo e militar entrou em
Império em relação à sobrevivência do Estado. Já no início colapso no século V. A organização social da época tardia
do século V um autor cristão, Orósio, refere-se a romanos persistiu, com a permanência de instituições como o
que preferiam viver sobe o domínio dos bárbaros, nas patrocínio e o colonato. A economia existente no século IV
regiões onde se formariam os estados germânicos, a sofrer não soh-eu de imediato uma grande transformação. Ao
com a pressão do governo romano. Não se demoraria lado dos dominadores bárbaros, a velha aristocracia
muito a perceber que o estado Imperial tornara-se romana de latifundiários manteve boa parte de seus
supérfluo, crescendo a indiferença pela sua manutenção. privilégios. A força militar dos bárbaros contribuiu para
Durante o século IV, o sistema estatal romano foi perpetuar a exploração da massa de colonos, ligando-os
suficientemente forte para defender sua própria existência estreitamente à terra e submetendo-os a seus senhores ou
e manter o Império unido, embora, em 395, com a morte seus bispos.
do Imperador Teodósio, o Império foi dividido entre seus A Igreja garantiu um mínimo de unidade cultural
dois filhos: Honório, no Ocidente, e Arcádio, no Oriente. no então fragmentado mundo ocidental. A cultura clássica,
Essa data de 395 aparece em alguns manuais escolares tão cara aos homens de letras do século IV, seria
como o fim da idade Antiga. Com o reinício das invasões conservada nos livros das bibliotecas dos conventos e nas
bárbaras, foi inevitável o declínio do império do Ocidente. escolas bizantinas. A Igreja Católica incorporou muitos
O Estado cada vez mais mostrou-se incapaz de defender elementos romanos em sua organização e em seu ritual.
os próprios súditos dos mais favoráveis. Durante séculos, o latim foi não apenas a língua oficial dos
O Império do Oriente, com condições sociais mais cristãos, mas também a da cultura e das relações
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favoráveis, conseguiu sobreviver e dar origem ao Estado internacionais. Do latim vulgar, falado pelos soldados e
Bizantino, destinado a perdurar até a queda de pelo povo, originaram-se os idiomas neolatinos, inclusive o
Constantinopla, em 1453. As relações entre o Imperador português.
romano do Oriente e os proprietário de terras eram de O legado da civilização romana foi preservado, e
colaboração. A igreja do Oriente, ligada ao Estado, hoje é parte integrante de nossa cultura. Uma das suas
apoiava-o, assim como o senado de Constantinopla. As maiores contribuições foi o Direito, que é o fundamento
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das leis dos países ocidentais ainda hoje. A arquitetura e o Constantinopla (hoje Istambul). Visando maior proteção da
urbanismo romanos permaneceram não só nas ruínas fronteira leste do Império Romano, essa cidade assumiu a
antigas, mas também no traçado das inumeráveis cidades função de capital oriental do império.
e estradas. Ao longo do tempo e até nossos dias, os Para reorganizar a produção agrícola, que sofria
pensadores, escritores e artistas buscaram inspiração em com a falta de mão-de-obra escrava, Constantino decretou
temas ligados àquela época. A herança deixada pelo a Lei do Colonato (332). Essa medida obrigava o
inundo romano nas artes, na literatura, no pensamento trabalhador rural a permanescer nas grandes propriedades
político, nos sistemas de governo, nas crenças religiosas e como colonos. A lei fixava o homem à terra, tendo o
nos valores humanísticos representa um patrimônio grande tranbalho escravo pelo trabalho servil.
cultural inestimável. Entretanto, as medidas de Constantino foram
insuficiente para pôr fim à séria críse pela qual passava a
O Baixo Império (Séculos III-V) economia romana. Os constantes ataques bárbaros e
Após os inúmeras outras dificuldades levaram as propriedades
Severos, a crise rurais a produzirem somente o necessário para seu
imperial romana foi consumo, convertendo-se em unidade auto-suficientes.
aumentando Constituía-se, assim, lentamente uma nova ordem
progressivamente, econômica.
iniciando-se um Depois de Constantino, acentuou-se a decadência
período de caos e de romana. Com Teodósio (379 – 395), promoveu-se a
invasões, com definitiva divisão do Império Romano: o do Ocidente, com
governos de exceção. capital em Roma, ficou a cargo de Honório, enquanto o do
Esse período da Oriente, com capital em Constantinopla, foi atribuido a
história de Roma Arcádio. Teodósio ainda fez do cristianismo a religião
denominou-se Baixo oficial do império.
Império. O processo expansionista dos bárbaros determinou
O século III o fim do Império Romano do Ocidente em 476, quando a
correspondeu a um tribo dos hérulos, chefiada por Odoacro, derrubou
período de anarquia Rômulço Augusto do trono imperial romano. No Oriente,
"Escultura simbolizando a Tetrarquia" militar, quando, porém o império manteve-se até 1453, quando sua capital,
simultaneamente, constantinopla, foi tomada pelos turcos otomanos.
várias legiões do exército romano proclamaram seus
O Império Romano e os Barbaros
comandantes imperadores, ocasionando conflitos que
afetaram seriamente a produção agrícola, o comércio,
enfim, toda a base da economia imperial. Até a
disponibilidade de mão-de-obra estava afetada, devido ao
fim das conquistas territoriais e da submissão à escravidão
dos povos vencidos. Entre os anos 235 e 284, houve em
Roma 26 imperadores, 25 dos quais morreram
assassinados.
O caos militar, econômico e administrativo
facilitava a invasão de estrangeiros, denominados pelos
romanos de bárbaros, que foram ocupando e dominando,
pacífica ou militarmente, vastos territórios do império.
Alguns imperadores dessa fase, no entanto, se
destacaram: Diocleciano (284-305) dividiu o poder romano
entre quatro generais (tetrarquia) a fim de obter a paz
social. Conseguiu momentaneamente algum sucesso com
o Edito Máximo de 301, o qual estipulava um limite
máximo para preços e salários. Porém, tal medida
provocou o desabastecimento de alimentos e o surgimento
de ágio, contribuindo para o aprofundamento da crise.
Constantíno (312-337), considerado o último dos
grandes imperadores romanos, publicou, em 313, o Edito
de Milão, concedendo liberdade de culto aos cristãos,
reconhecendo assim a força do cristianismo entre os
súditos do império em várias de suas regiões.
Ainda sob o seu reinado, foram aprovadas as
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bases da doutrina da nova Igreja, por meio do Concílio de


Nicéia, ocorrido em 325, que teve a participação do
imperador.
Constantino fundou, ainda, a cidade de Bizâncio,
considerada a segunda Roma, que passou a se chamar
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