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ESCAVAÇÕES SUBTERRÂNEAS II Lisoarte Gomes Carlos Galiza António Vieira Escavações subterrâneas II 1

ESCAVAÇÕES SUBTERRÂNEAS II

Lisoarte Gomes Carlos Galiza António Vieira

1 – SUSTIMENTO

Sustimento não é mais do que um conjunto da acções, com recurso a elementos estruturais, que venham a garantir a estabilidade de escavação, durante o tempo em que ele vai ser utilizada.

Este conceito baseia-se na aceitação dos seguintes princípios:

Sempre que se realiza uma escavação, o maciço envolvente irá deformar- se, sendo as deformações verificadas em cada caso, para que se verifique estabilidade, compatíveis com o fim a que se destina a escavação.

O período de tempo durante o qual se irá verificar a sua utilização, irá condicionar as exigências de características do sustimento, supondo-se que ao

longo desse tempo de utilização, o maciço se irá degradar essencialmente devido

a efeitos ambientais.

Muitas rochas manifestam este fenómeno de degradação em espaços de tempo relativamente curtos.

O dimensionamento do sustimento depende essencialmente:

- Da qualidade das rochas que constituem o maciço rochoso.

- Do estado de fracturação do mesmo.

- Das dimensões de escavação.

- Do estado de tensão existente antes do início da escavação.

1.1 – Campo natural de tensões.

1.1.1– Tensões geostáticas – Resultantes de peso dos terrenos subjacentes à escavação.

Admite-se que o maior valor tem a direcção vertical (gravidade),

componente vertical, e que as componentes horizontais, ortogonais entre si, têm

o mesmo valor.

Nestas condições, o estado de tensão inicial será:

σ v – Tensão vertical = γ × H σ h – Tensão horizontal = K × γ × H

Sendo:

γ = Peso específico médio dos terrenos.

H = Profundidade a que se encontra a escavação.

K = Coeficiente de repartição de tensões, cujo valor médio em meios homogéneos e isotrópicos e sem existência de tensões residuais, resultantes de fenómenos tectónicos ou erosão profunda, é:

K =

v

1

v

Sendo

v - Coeficiente de Poisson.

Este valor de K, segundo Cook, dependerá da profundidade e da posição do ponto de observação, relativamente a eventuais falhas próximas.

Assim:

Nas proximidades de uma falha normal: K < 1 Nas proximidades de uma falha inversa: K > 1

Para secções circulares:

Se

K > 3, aparecem tracções nos pontos de arranque da abóbada.

Se

K < 3, podem aparecer tracções na abóbada e soleira da escavação.

Nos meios com estratificação horizontal, o valor de K será dado pela expressão

K =

v

1

v

Sendo normal em casos de escavações de grande dimensão, quando do dimensionamento do sustimento, proceder-se à determinação do estado de tensão prévio.

Na sua falta, deverá realizar-se estudo paramétrico mantendo os dados

característicos e variando o valor de K.

Toda a escavação subterrânea provoca um desequilíbrio do estado de tensão inicial.

O maciço

rochoso

irá

procurar

encontrar

um

novo

equilíbrio

pelo

ajustamento das tensões e deformações resultantes.

Se as características geomecânicas do maciço em causa não forem capazes de por si só permitir o restabelecimento do equilíbrio, só um sustimento aplicado atempadamente, poderá, pela interacção deste com o maciço rochoso, evitar a rotura deste e o colapso da escavação.

As classificações geomecânicas permitem-nos de maneira empírica, quantificar a capacidade que o maciço rochoso possui para se adaptar às novas

condições provocadas pela escavação e sugerir determinado tipo de sustimento

a aplicar.

No entanto, outros factores não contemplados directamente nas classificações geomecânicas usualmente utilizadas, poderão contribuir para o desenvolvimento do campo de tensões preexistentes, ou surgir quando da escavação por empolamento da rocha posta em contacto com a atmosfera, ou ainda pelo fluxo de água posta em movimento pela própria escavação ou mesmo efeitos dinâmicos provenientes de tremores de terra ou vibrações provocadas pelo próprio desmonte com explosivos.

Os valores das tensões in situ, pedem ser determinadas por ensaio de campo, o que pressupõe acesso ao maciço rochoso à cota do projecto.

A grandeza e a direcção e a direcção entre elas, juntamente com o

conhecimento das propriedades mecânicas do maciço rochoso, permitem prever

a ocorrência de golpes do terreno (rotura brusca), associada ao desenvolvimento da própria escavação.

O comportamento do maciço rochoso envolvente, está em grande parte

relacionado com as tensões in situ.

Quando a escavação se desenvolve, o campo de tensões original é afectado numa área envolvente, cujo raio é aproximadamente 1,5 vezes o diâmetro de escavação.

1.2 –

Redistribuição

de

tensões

escavação subterrânea.

no

maciço

envolvente

a

uma

Como se disse, ao realizar uma escavação subterrânea, modifica-se o estado de tensão preexistente desenvolvendo-se picos de tensão.

É assim importante conhecer, por razões de garantia de estabilidade com

recurso a sustimento adequado, a redistribuição de tensões.

Se pelo contrário, não for capaz de suportar o pico de tensões, irá romper- se, passando o maciço ao regime plástico.

Neste caso, para garantir a estabilidade da escavação, será necessário recorrer ao sustimento.

A determinação analítica da redistribuição de tensões no contorno de uma

escavação, tem sido objecto de preocupação de muitos autores, tendo sido

apenas encontradas soluções para escavações de geometria simples (círculos, rectângulos e elipses), considerando um terreno com comportamento homogéneo

e isotrópico.

Hoje, as técnicas disponíveis de cálculo numérico, como sejam o método dos elementos finitos e diferenças finitas, permitem a resolução destes problemas.

1.3 – Redistribuição de tensões envolventes a uma escavação circular em meio elástico.

Considerando um campo uniforme, em que K = 1, as tensões poderão ser calculadas pelas expressões:

σ

σ

r

θ

0

0

1

1

Em que:

+

R

2

r

2

R

2

r

2

σ0 - Tensão inicial. σθ - Tensão tangencial. σr - Tensão radial.

σ θ - Tensão tangencial. σ r - Tensão radial. Fig. 1 – Desenvolvimento de tensões.

Fig. 1 – Desenvolvimento de tensões.

Na figura 1 pode observar-se que o pico de pressão é igual a 2 vezes a tensão inicial, sendo a tensão radial nula, a que corresponde uma tensão tangencial máxima. Esta vai diminuindo à medida que nos afastamos do contorno, com correspondente aumento da tensão radial.

A uma distância cerca de 3 vezes o raio da escavação, a partir do centro,

os valores de σr e σθ aproximam-se.

1.4 – Redistribuição de tensões na envolvente de uma escavação circular em meio elástico-plástico.

Se o maciço rochoso não é capaz de resistir ao pico de tensão tangencial, a rocha passará ao domínio plástico, sendo visíveis roturas no perímetro de escavação.

À medida que se avança no maciço rochoso, a tensão radial irá aumentar

e com ela o efeito de confinamento, que se traduzirá no aumento de resistência da rocha, até ao ponto em que se torna capaz de suportar o pico de tensão tangencial. Nesse ponto a rocha passa a comportar-se elasticamente.

Raio de plastificação – é a distância do centro de escavação ao ponto em que a rocha passa do domínio plástico ao domínio elástico.

a rocha passa do domínio plástico ao domínio elástico. Fig. 2 – Distribuição das tensões em

Fig. 2 – Distribuição das tensões em meio elástico-plástico.

Nestas condições, para evitar a queda de rocha plastificada que rodeia a escavação, terá que recorrer-se a uma operação de sustimento que irá instalar uma pressão radial no contorno.

O problema do dimensionamento do referido sustimento, será determinar

qual deverá ser a pressão radial aplicada pelo mesmo.

É necessário ter presente que quando se coloca o sustimento, este não

ficará, na generalidade, imediatamente carregado, mas sim após o processo de deformação do próprio terreno.

O nível de tensões que actuarão sobre o sustimento, dependerá da

deformação que o terreno venha a sofrer depois da sua colocação, sendo necessário quando o seu dimensionamento atender à interacção entre o terreno e o próprio sustimento.

O método actualmente utilizado para o dimensionamento do sustimento, é

como veremos no próximo capítulo, o das curvas características.

Os valores de tensão in situ, pedem ser determinados por ensaios in situ, o

que pressupõe acesso ao maciço à cota do projecto.

A experiência obtida em minas profundas em rochas duras, mostraram que na vizinhança da escavação será inevitável a fracturação intensa. Para o controlo do movimento da rocha fracturada, se as grandes tensões se mantiverem, será necessário o recurso a um suporte elástico que à custa da sua deformação irá absorver e degradar tensões existentes.

Uma vez provado que a rocha fracturada possa ser mantida na sua posição, haverá pequenos riscos da zona fracturada se desenvolver até ao ponto de colapso.

Os maciços rochosos com fracturação inicial, preenchida com materiais com tendência a empolar em contacto com a água, criam problemas correntes em escavações subterrâneas, não sendo fácil quantificar o valor das tensões resultantes daquele fenómeno de empolamento.

O comportamento plástico do maciço envolvente a uma escavação ao

longo de um tempo mais ou menos dilatado, cria tensões que muitas vezes

ultrapassam as tensões de rotura do maciço.

O princípio que deverá reger o dimensionamento do suporte aplicável

nestes casos, é de permitir que a escavação se deforme sem colocação de revestimento até que as deformações atinjam valores de 5 a 10% do diâmetro da escavação.

O problema reside na avaliação de grandeza da deformação possível,

antes da tensão de rotura ser atingida.

Para evitar o empolamento resultante do contacto do material de preenchimento da fracturação inicial, deverá ser colocado, imediatamente após a escavação, betão projectado.

As rochas com tendência a empolar ou com comportamento plástico têm normalmente baixa resistência, razão pela qual não é recomendado, como veremos mais tarde, a pregagem com fixação mecânica.

Um completo sistema de suporte em terrenos deste tipo deverá inclui uma camada inicial de betão projectado, seguida de pregagem tensionada, após ter sido permitida alguma deformação. Por este facto, é natural que na parte do betão projectado apareçam fracturas, ocorrendo mesmo a possibilidade da queda de pequenos fragmento de rocha.

A colocação de uma rede (malha sol), fixada por pregos e ancorada por

pontos intermédios, poderá evitar que isso aconteça.

Uma camada de betão projectado cobrindo a rede completa o suporte.

1.5 – Água no solo.

A abundância de água no subsolo ao nível de escavação pode criar

problemas.

É difícil prever o caudal que aflui a um túnel, quando este é escavado

através de formações geológicas diferentes. Aquele caudal tem particular significado na análise de estabilidade da escavação e também no sustimento a utilizar.

A drenagem de zonas próximas da superfície deve ser se possível

considerada, sendo aconselhável a redução da pressão hidrostática sobre o revestimento, criando drenagem conveniente (capítulo seguinte).

Injecções

de

cimento

são

algumas

vezes

usadas

para

reduzir

a

permeabilidade do maciço e aumentar a sua resistência.

Quando são previstos grandes caudais antes da escavação ser iniciada é importantíssimo um esquema de investigação das zonas onde o fenómeno se desenvolva com maior intensidade, tomando-se antecipadas precauções quanto à técnica de escavação a utilizar.

1.6

– Efeitos dinâmicos.

Efeitos dinâmicos resultantes de tremores de terra, desmonte com explosivos ou choques hidráulicos em túneis, poderão ter, em certas circunstâncias, influência no comportamento do sustimento aplicado.

Os deslocamentos resultantes daquelas acções, são geralmente

pequenos, mas algumas vezes os efeitos progressivos resultantes das vibrações, produzidas nos sucessivos rebentamentos no desmonte com explosivos, podem provocar alguma fracturação.

O efeito daquelas, nas pregagens de fixação mecânica não pode deixar de

ser considerado.

Para que se assegure a tensão de amarração da pregagem por fixação, esta não deve ser aplicada a distância inferior a 10 m da frente de desmonte

Ensaios de arrancamento de ancoragens por cabos selados com cimento em rocha dura, mostraram que a sua capacidade de suporte não foi afectada pelas vibrações resultantes do rebentamento de explosivos, quando a velocidade de vibração não excedeu 500 mm/s junto do cabo.

1.7 – Rebentamento suave.

Uma das regras essenciais a observar para obter um bom sustimento, é reduzir a sobre quebra, adoptando as técnicas de rebentamento suave.

A correcta execução do diagrama de fogo com perfuração satisfazendo os

parâmetros geométricos previstos (redução de desvios), e cargas reduzidas nos

tiros de contorno é fundamental para o sucesso.

O rebentamento suave envolve a realização de uma furacão paralela muito

próxima ao longo do contorno da escavação e o recurso ao rebentamento simultâneo de cargas explosivas com baixas concentrações.

2– Estabilização da escavação subterrânea.

É usual considerar este domínio tecnológico dividido em dois conceitos

distintos:

Sustimento provisório a aplicar durante a fase de escavação ou mesmo entes desta, sustimento antecipado.

Sustimento definitivo que como o nome indica, terá carácter permanente durante a vida útil da obra.

Será difícil definir uma fronteira entre estes dois conceitos, pois a qualidade da obra, a sua vida prevista e a segurança exigida, são factores a considerar, podendo o sustimento provisório ter a eficiência necessária durante a vida da obra.

O conceito moderno de suporte baseia-se na preocupação de conferir ao

maciço rochoso capacidade autoportante, complementando-o com outras acções, que por razão de maior segurança exigida em função da sua utilização, vida longa ou eficiência, venham a ser recomendadas.

Podemos assim distinguir:

Reforço do maciço rochoso.

Instalação no maciço rochoso de pregagens e ancoragens no sentido de reforçar o maciço rochoso e utilizar a própria resistência da rocha que constitui o modo de torná-lo autoportante.

O reforça utilizado é instalado no interior do próprio maciço, passando a

ser parte integrante dele.

Suporte.

Aplicação de revestimento em betão, betonado in situ ou pré-fabricado, de perfis metálicos, betão projectado, revestimento metálico, etc., com função de minimizar os movimentos da rocha, sempre actuando exteriormente ao maciço.

Pré-esforço.

Instalação de um reforço antes do início da escavação.

- Injecção de cimento.

- Ancoragem a partir da superfície.

- Gelificação da água de percolação.

2.1 – Diferentes tipos de reforço.

2. 1 .1 - Pregagem.

Como dissemos, o principal objectivo dum sistema de reforço, é criar condições ao maciço para que se suporte. A pregagem mobiliza as características mecânicas do próprio maciço. Há varias razões justificativas do incremento do suo deste sistema:

- Versatilidade – pode ser utilizado em escavações da mais variada geometria.

- Instalação simples.

- Baixo custo relativo.

- Facilidade de aplicação mecanizada.

A possibilidade da sua aplicação logo após a escavação, é extremamente

importante sob o ponto de vista da geomecânica.

Usando pregagem, modificando-se o espaçamento entre pregos e o seu comprimento, facilmente se poderá responder às exigências impostas pelas características do maciço rochoso e pela geometria de escavação.

A pregagem pode facilmente ser combinada com sistemas de suporte

adicionais:

- Rede.

- Betão projectado.

- Revestimento em betão cofrado ou pré-fabricado.

Sistemas típicos de pregagem.

É grande a diversidade de tipos de pregagem utilizados actualmente,

apresentando algumas diferenças no seu desenho, baseado no mesmo conceito.

Podemos agrupá-los de acordo com as técnicas de fixação:

- Ancoragens mecânicas.

- Selagem com calda de cimento.

- Selagem com resina.

- Fixação por atrito.

2.1.1.1 – Ancoragem mecânica.

Diferindo apenas no sistema, a ancoragem é garantida por um sistema de expansão, assegurado pelo movimento de rotação que se comunica ao prego, uma cunha roscada no extremo interior do prego obriga, quando do movimento de rotação do tirante, à expansão de uma bucha que se vai cravando nas paredes do furo previamente aberto.

Se

for

utilizado

com

aspecto

permanente,

o

tirante

deverá

ser

posteriormente envolvido por uma calda que o protegerá contra a corrosão.

A rocha não deverá ser muito dura de modo a permitir a sua deformação resultante da tensão aplicada pela expansão da cabeça.

resultante da tensão aplicada pela expansão da cabeça. Fig.3 – Ancoragem mecânica. Características: Tabela 1

Fig.3 – Ancoragem mecânica.

Características:

da cabeça. Fig.3 – Ancoragem mecânica. Características: Tabela 1 – Características de uma ancoragem mecânica.

Tabela 1 – Características de uma ancoragem mecânica.

Vantagens:

- Baixo preço.

- Actua imediatamente após instalação.

- Possibilidade de tensionamento por rotação da cabeça após colocação.

- Fácil aplicação de sistemas para avaliar o tensionamento.

Desvantagens:

-

Uso limitado a rochas duras (não muito).

-

As vibrações provocadas por rebentamentos podem produzir perda de

fixação.

2.1.1.2 – Tirantes selados com calda de cimento ou resina.

É

de

nervurado.

aplicação

mais

corrente.

São

constituídos

por

verão

de

aço

Dado o tempo muito curto necessário à selagem dom resina, este tipo pode ser imediatamente tensionado (ao fim de alguns minutos de aplicação).

Os dois sistemas podem ser usados com fim temporário ou permanente nas mais variadas características do maciço rochoso.

Dado o elevado preço da resina, a sua aplicação é menos frequente.

Neste caso a selagem não é completa. Faz-se apenas no bolbo de amarração.

Características:

Faz-se apenas no bolbo de amarração. Características: Tabela 2 – Características do aço para ancoragens com

Tabela 2 – Características do aço para ancoragens com calda.

Fig. 4 – Tipos de varão para ancoragens com calda de cimento ou resina. Vantagens

Fig. 4 – Tipos de varão para ancoragens com calda de cimento ou resina.

Vantagens da ancoragem Rebar:

- Rápida entrada em acção quando selado com resina.

- Se for utilizada uma resina de presa rápida apenas para selagem do bolbo, há possibilidade de tensionamento imediato.

- Muito boa resistência à corrosão em aplicação de carácter permanente.

Desvantagens:

- Dificuldades no armazenamento e manuseamento da resina.

Vantagens da ancoragem Dywidag:

- Quando bem instaladas asseguram um reforço duradouro e de alta qualidade.

- Suportam cargas elevadas nas mais diversas condições.

- Muito boa resistência à corrosão.

Desvantagens:

- Elevado preço.

- O tensionamento só é possível com uma técnica de selagem especial de

modo a deixar livre para tensionamento parte significativa do comprimento do

varão.

Self Drilling Anchoring

Self Drilling Anchoring Fig.5 – Self Drilling Anchoring A principal vantagem do sistema reside na possibilidade

Fig.5 – Self Drilling Anchoring

A principal vantagem do sistema reside na

possibilidade de executar ancoragens em solos e rocha branda e muito diaclasada, onde é difícil manter o furo aberto para colocação de qualquer sistema de pregagem.

Quando aplicado em solos arenosos, o furo é aberto por jacto de água através do bit. Em solos argilosos e com furos curtos, é possível utilizar ar comprimido para executar a perfuração. A injecção de calda de selagem é realizada após colocação do tirante.

Em rochas brandas e diaclasadas, utiliza-se o sistema de perfuração rotopercutiva para instalação da ancoragem ao mesmo tempo que se realiza a injecção da calda de selagem. Este método permite que a calda preencha completamente todo o espaço criado pela perfuração.

Os tirantes podem ser fornecidos em comprimentos

variáveis até 6 metros.

Com o acoplamento de vários tirantes é fácil atingir 12 ou 15 metros de ancoragem rapidamente.

Este tipo de pregagem é muito utilizado na criação de sustimento prévio sobre o tecto de uma escavação.

de sustimento prévio sobre o tecto de uma escavação. Fig.6 – Colocação de diferentes tipos de

Fig.6 – Colocação de diferentes tipos de ancoragens.

CT-Bolt.

Trata-se de um tipo de ancoragem mecânica, com a particularidade de possuir um furo interior por onde é possível realizar a injecção de calda de cimento. Quando comparado com o sistema Rebar ou Diwidag, a grande vantagem reside na possibilidade da injecção de calda de cimento ao longo de toda a ancoragem imediatamente após aplicação e tensionamento.

a ancoragem imediatamente após aplicação e tensionamento. Fig.7 – Ancoragem CT-Bolt. 2.1.1.3 – Cabos selados com

Fig.7 – Ancoragem CT-Bolt.

2.1.1.3 – Cabos selados com cimento.

É corrente o uso de cabos não tensionados, selados com cimento, no

reforço de estruturas em rocha, com fim temporário na actividade mineira.

Nas obras públicas, com carácter permanente, é corrente o pré- tensionamento dos cabos, seguido de selagem com calda de cimento a todo o comprimento.

O tipo mais corrente em minas é o cabo de 15,2 mm de diâmetro com

betas de 7 arames, normalmente aplicados aos pares em cada furo.

Dada a sua flexibilidade, o cabo pode ser aplicado em substituição dos varões, facilitando o seu uso em espaços confinados.

Flexirope

facilitando o seu uso em espaços confinados. Flexirope Fig.8 – Cabos selados com cimento Características: Tabela

Fig.8 – Cabos selados com cimento

Características:

Fig.8 – Cabos selados com cimento Características: Tabela 3 – Características do flexirope. Escavações

Tabela 3 – Características do flexirope.

Vantagens:

- Baixo preço.

- Muito eficiente quando bem aplicado.

- Pode ser instalado com grandes comprimentos em espaços confinados.

- Suporta cargas muito elevadas.

- Bom comportamento contra a corrosão.

Desvantagens:

- Tensionamento com condições especiais de instalação.

- O uso de cimento standard para a selagem do cabo exige vários dias de presa antes da entrada em carga.

2.1.1.4 – Fixação por atrito.

Este sistema representa o mais recente desenvolvimento no reforço do maciço rochoso.

No mercado estão disponíveis dois tipos:

- Split-set

- Swellex

Nos dois tipos, o atrito entre a rocha e o aço é criado por uma tensão radial contra as paredes do furo ao longo do seu comprimento.

Tal como a fixação mecânica, a fixação por atrito, não é prejudicada pelo fluxo de água nos furos. No entanto, a corrosão provocada pela água pode reduzir largamente a sua aplicabilidade em obras de carácter permanente.

A - Split set.

A - Split set. Características: Fig. 9 – Spli set. Tabela 4 – Características do split

Características:

Fig. 9 – Spli set.

A - Split set. Características: Fig. 9 – Spli set. Tabela 4 – Características do split

Tabela 4 – Características do split set.

Vantagens:

- Fácil instalação.

- Pode entrar em serviço logo após a instalação.

- Interessante na fixação de rede.

- Dispensa qualquer ferramenta especial de aplicação.

- Usa-se o martelo de impacto para introduzir o tirante.

Desvantagens:

- Preço comparativo elevado.

- O correcto diâmetro do furo é fundamental para a eficiência deste tipo de pregagem.

- Algumas dificuldades na instalação dos pregos de maior comprimento.

- Facilmente atacados pelos agentes corrosivos.

B - Swellex.

- Facilmente atacados pelos agentes corrosivos. B - Swellex. Fig.10 – Swellex. Características: Tabela 5 –

Fig.10 – Swellex.

Características:

B - Swellex. Fig.10 – Swellex. Características: Tabela 5 – Características do Swellex Standard.

Tabela 5 – Características do Swellex Standard.

Para além do tipo de swellex corrente, existem no mercado diferentes opções:

Swellex com manganês (série Mn16 e Mn 24). - 160 e 240 kN. Swellex acopolável. (série Mn 24C e 24H). Swellex protegido contra a corrosão. Swellex plastificado.

Vantagens:

- Fácil instalação.

- Capacidade em serviço logo após a instalação.

- Adaptável às mais diversas características do terreno.

- O processo de instalação causa retracção longitudinal do prego e

consequente efectiva tensão sobre a rocha.

Desvantagens:

- Custo elevado.

- Necessidade de utilização do tipo especial (protecção anticorrosiva se estiver previsto o seu funcionamento durante tempo dilatado).

- Exige ferramenta especial para a sua instalação (bomba hidráulica para assegurar a pressão necessária à deformação radial do tubo).

2.1.1.5 – Acessórios de pregagem.

Placas de apoio.

São desenhadas de modo a distribuir a carga axial do prego sobre a superfície da rocha. Para se poder assegurar a elasticidade desejável do sistema, é fundamental a escolha do tipo de placa.

Placa plana. Deve ser usada se a face da rocha é plana (regular) e se o eixo do prego é perpendicular à face.

Placa côncava. Neste caso o prego poderá ter uma direcção oblíqua à superfície, sem que naquela se introduzam esforços desfavoráveis.

Placas triangulares côncavas. Conferem ao sistema grande flexibilidade.

Fig.11 – Tipos de placas. A placa plana, quando submetida a pequenas cargas, apoia-se só

Fig.11 – Tipos de placas.

A placa plana, quando submetida a pequenas cargas, apoia-se só em

alguns pontos da rocha, que será esmagada se a tensão aumentar.

Uma cedência de um ou dois milímetros poderá reduzir 20% a 70% a tensão do tirante. O tirante deverá ser novamente tensionado.

No caso dos tirantes tensionados após colocação e selagem posterior com uma calda de cimento, a tensão é mantida e não dependerá mais da acção da placa.

A grande maioria dos pregos selados com cimento em todo o seu

comprimento, não se aplica com placa.

2.2 – Aplicação da rede.

Para evitar a queda de pequenos blocos destacados do espaço entre pregos, é usual a aplicação de uma rede metálica fixada pelos próprios pregos com placa.

A rede poderá vir a servir de reforço a uma camada de betão projectado.

É habitual o uso de dois tipos de rede:

- De malha entrelaçada. - Malha soldada (malha sol).

Dependendo do espaço entre pontos de suporte, a rede poderá ser responsável pela segurança, evitando a queda de pequenos blocos.

pela segurança, evitando a queda de pequenos blocos. Fig.12 – Fixação de rede com a chapa

Fig.12 – Fixação de rede com a chapa do parafuso.

2.3 - Chapas de aço.

Em certos pontos de rocha muito fracturada, é recomendável o uso de chapas de aço de 6 mm de espessura e com uma largura de 100 mm aproximadamente, fixadas por pregos contíguos e ajustando-se à rocha entre aqueles.

2.4 - Varões de aço.

O uso de 2 varões de aço de 6 mm de espessura colocados paralelamente

e espaçados cerca de 10 cm, soldados entre si por pequenas tiras de ferro, pode ser um bom elemento de auxílio no suporte entre dois parafusos contíguos. Os varões de ferro têm as vantagens de serem facilmente ajustáveis à rocha e possibilitarem a penetração do betão projectado pelo interior, formando por isso uma excelente armadura.

2.5 – Revestimento em betão recorrendo a chapas Bernold.

Quando a obra impõe a colocação de revestimento contínuo em betão imediatamente a seguir à escavação, será interessante considerar o emprego de chapas Bernold como elemento simultâneo de cofragem e armadura do próprio betão.

Não sendo possível realizar simultaneamente as duas operações interessará, em condições de instabilidade, reduzir o tempo que medeia entre as duas operações, de modo a que as deformações tenham ainda valores pouco significativos.

Em qualquer tipo de rocha, com excepção das rochas expansivas onde a pressão do tipo hidrostático desempenha uma função importante, a cavidade escavada pode permanecer sem suporte durante um maior ou menor período de tempo, período esse durante o qual não será possível a colocação de um revestimento em betão sem que este, enquanto fresco, seja solicitado pelas tensões radiais. A colocação do referido revestimento impede o desenvolvimento de fenómenos de descompressão.

A deformação plástica das rochas não começa imediatamente após a

escavação, mas sim depois de decorrido certo tempo em que se vai verificar a descompressão do maciço, se se puder colocar um revestimento de betão de espessura adequada durante esse período será possível obter tempos mais reduzidos para a execução da obra.

O sistema Bernold permite muitas vezes atingir este objectivo utilizando

um tipo de chapas nervuradas usadas simultaneamente como cofragem e como

armadura de betão.

Dados técnicos:

Dimensões standard Espessura

1200 × 1,080 mm 1 / 2 / 3 / 4 / 5 mm

As chapas são facilmente curvadas de modo a adaptar-se ao contorno da escavação.

São fixadas com pernos que as ligam entre si assegurando uma rápida montagem.

Tabela 6 – Características da chapa Bernold. Como cofragem, as chapas perfuradas e moldadas, possuem

Tabela 6 – Características da chapa Bernold.

Como cofragem, as chapas perfuradas e moldadas, possuem o momento de inércia suficiente para assegurar rigidez suficiente para suportar o peso do betão não permitindo no entanto a fuga do betão com consistência plástica.

Normalmente usa-se betão com a seguinte composição:

- Granulometria do agregado 0 a 30 mm.

- 250 a 300 kg de cimento por m³.

- Relação água/cimento 0,4 a 0,5.

O betão deve ser vibrado com vibrador de imersão no betão.

As mesmas chapas podem também ser utilizadas como armadura quando do seu uso com betão projectado.

Pressão do terreno.

Em termos práticos poderá dizer-se que conforme a proposta de classificação das rochas apresentado por Bernold poderá estimar-se para os diferentes tipos, o tempo em que se admite a estabilidade de maciço circundante à escavação. Este tempo permitirá, em função do ritmo da escavação, definir a distância entre a frente e o último anel betonado.

a distância entre a frente e o último anel betonado. Tabela 7 – Tempo possível antes

Tabela 7 – Tempo possível antes do revestimento.

2.6 – Betão projectado.

É usual a aplicação em zonas de maior instabilidade de uma ou duas

camadas de betão projectado, como reforço conferido pela pregagem.

É importante a sua aplicação, como dissemos, como protecção contra a

humidade ambiente, no caso de existir argila ou no caso de comportamento plástico. Como regra, a projecção de betão deverá ser executada tão cedo quanto possível após a escavação.

Há fundamentalmente duas técnicas para aplicação de betão projectado:

Via seca.

A mistura de inerte e cimento é feita sem adição de água, sendo esta

adicionada à mistura por injecção junto da boca do monitor de projecção.

Via húmida.

A mistura

de

cimento,

inerte

e

água

é

homogeneizada numa betoneira.

projectada

após

ter

sido

Esta solução tem o inconveniente de exigir uma limpeza cuidada do equipamento (bomba, tubagem e monitor), sempre que se pára a operação por algum tempo.

A qualidade do betão projectado depende dos materiais usados e muito do

processo de homogeneização da mistura.

A técnica de projecção tem também elevada importância, não só na

qualidade do serviço executado, mas também no rendimento do material utilizado. Um incorrecto ângulo de incidência do jacto relativamente à superfície a revestir, provoca elevadas perdas de material que por reflexão, acabam por cair no chão.

Composição típica de uma mistura seca:

Cimento Gravilha Areia Acelerador de presa

15 a 20 % 30 a 40 % 40 a 50% 2 a 5%

A relação água/cimento (em peso), para misturas secas, é de 0,3 a 0,5% e

ajustada pelo operador às condições de trabalho.

A adição de fibras de aço de 0,4 a 0,8 mm de diâmetro e comprimentos

variáveis, confere ao revestimento uma maior resistência à flexão e ao corte, reduzindo a formação de pequenas fracturas.

Quando se impõe a aplicação de uma camada espessa de betão projectado, este deve ser aplicado por camadas sucessivas de cerca de 50 mm, sendo entre elas colocadas uma malha de aço.

de 50 mm, sendo entre elas colocadas uma malha de aço. Fig.13 – Fases de aplicação

Fig.13 – Fases de aplicação de betão projectado em duas camadas.

As modernas técnicas de execução de túneis, nomeadamente o método NATM, utilizam revestimento provisório ou definitivo executado com betão projectado, combinado ou não com outros sistemas de sustimento.

revestimento,

descompressão do maciço, pelas suas características, vinham a causar problemas na medida que envelheciam.

a

Os

antigos

métodos

de

colocados

geralmente

após

No revestimento dos túneis em maçonaria, as cavidades entre a rocha e o sustimento eram preenchidas com rocha desagregada e nem sempre era convenientemente compactada. Com o tempo, o maciço escavado deformava-se e surgiam sobrecargas na abóbada do revestimento que podiam por em causa a sua estabilidade. O uso de betão não era habitual pelo receio que existia no seu comportamento quando submetido a esforços assimétricos.

Posteriormente, com a introdução dos arcos metálicos, observam-se importantes alterações na técnica de construção de túneis.

O suporte com arcos metálicos permite a escavação em secção total na maior parte das condições geotécnicas, ao mesmo tempo que possibilita a utilização de betão como revestimento definitivo, usando os arcos como armadura.

Recentemente, a introdução do uso de parafusos e betão projectado, veio facilitar a escavação de túneis, principalmente em condições geotécnicas desfavoráveis.

A ideia proposta no NATM, consiste em criar condições de suporte temporário imediatamente após o rebentamento, de modo a, impossibilitando a queda de blocos e a descompressão descontrolada do maciço, utilizar o próprio maciço para a criação de um arco de suporte. O betão projectado, para além das características de resistência, impermeabiliza a superfície rochosa, protegendo-a da degradação pelos agentes externos (água e ar).

Quando aplicado numa superfície rochosa, o betão projectado penetra nas fissuras e cavidades da rocha escavada. Esta interacção entre o betão e a rocha, cria novas condições de estabilidade, ainda que permitindo alguma deformação da rocha, sem que contudo se verifique o colapso, enquanto o betão projectado endurece.

Em termos teóricos, uma fina camada de 3 cm de espessura aplicada no tecto de uma galeria, terá uma considerável capacidade de suporte e de prevenção da queda de blocos.

2.6.1 - Dimensionamento do betão projectado.

Podemos apontar dois métodos principais:

- Dimensionamento com base em medições. - Dimensionamento com base na classificação geotécnica.

No primeiro caso, o uso de instrumentos de medição e controlo dos deslocamentos axiais e de células para determinação da pressão, permite o dimensionamento do sustimento necessário em cada caso. Este método é mais usual em terrenos com elevada pressão, onde o erro no dimensionamento do sustimento pode causar graves problemas e custos elevados.

Dimensionamento com base na classificação geotécnica.

De entre os diferentes métodos existentes, apenas vamos referir o proposto por Barton, Lien e Lunde, que utilizam o índice Q (Rock Mass Quality), para definirem diferentes esquemas de sustimento em função do referido índice.

Trata-se de um método empírico para a previsão de sustimento que pode incluir betão projectado, rede electro-soldada, parafusos, arcos metálicos, betão, etc,.

O gráfico apresentado na figura 14 apenas considera a espessura de

betão projectado e a necessidade ou não de aplicação de rede.

O betão projectado usa-se não só como revestimento provisório, mas

também como revestimento definitivo.

O índice Q obtém-se pelo cálculo da seguinte expressão:

Q =

RQD

Jr

Jw

Jn

×

Ja

×

SRF

Em que:

 

RQD – Rock quality designation.

Jn

– Índice do número de família de fracturas.

Jr

– Índice relativo à rugosidade das fracturas.

Ja

– Índice relativo à alteração e grandeza das fracturas.

Jw

– Índice relativo à presença de água nas fracturas.

SRF – Índice relativo à presença de áreas pouco competentes.

Índice relativo à presença de áreas pouco competentes. Fig.14 – Estimativa para o uso de betão

Fig.14 – Estimativa para o uso de betão projectado e reforço com malha electro-soldada usando o a classificação geotécnica e índice Q.

Tabela 8 – Factor de modificação da largura da escavação em função do tipo de

Tabela 8 – Factor de modificação da largura da escavação em função do tipo de utilização da escavação.

2.6.2 - Comparação entre a aplicação de betão projectado por via seca e por via húmida.

2.6.2. 1 - Método por via seca:

Vantagens:

- Mais adaptável a condições variáveis do solo, particularmente no que respeita à quantidade de água.

- O equipamento de mistura a seco é mais barato.

- As máquinas para mistura a seco são mais pequenas e portanto mais

adaptáveis a túneis com espaço limitado.

- Os materiais podem ser conduzidos a grande distância nas tubagens.

Desvantagens:

- Provoca elevada quantidade de poeira na galeria.

- A quantidade de reflexões é grande (30% nos agregados e 50% nas fibras de aço).

- A qualidade pode ser muito influenciada pela regulação de água do operador.

- Pequena capacidade.

2.6.2.2 - Método por via húmida:

Vantagens:

- Menores reflexões (10%)

- Menor produção de poeira.

- Melhor visibilidade nas operações.

- O controlo de qualidade é mais fácil pois a mistura é realizada em unidades de produção idênticas ás do betão convencional.

- A qualidade do betão projectado é menos sensível à perícia do operador, uma vez que não tem de regular o caudal de água.

- O operário controla directamente a velocidade de impacto das partículas

e portanto a compactação ao regular o caudal de ar introduzido na embocadura.

- Mais fácil de limpar.

- Custos de conservação mais baixos.

- Níveis de produção mais elevados.

- Mais fácil a aplicação de fibras.

Desvantagens:

- O sistema exige uma instalação de mistura.

- Geralmente é necessário usar aditivos para manter as características do betão até à aplicação. - Necessita de maior quantidade de cimento para a mesma resistência quando comparado com o betão projectado por via seca.

- O tempo entre a mistura e a aplicação é reduzido quando não se utilizam retardadores de presa.

2.6.3 - Preparação da mistura.

O processo de estudo da mistura é longo e complicado, sendo parte

integrante do estabelecimento de toda a operação a selecção dos materiais, do equipamento e a formação dos operadores. Qualquer alteração neste processo resulta numa alteração da qualidade do produto final.

O método geral de abordar o problema da composição da mistura é

idêntica tanto para o processo de mistura seca como para a mistura húmida, mas algumas diferenças de detalhe importantes que dependem do processo usado.

Para qualquer dos processos a composição da mistura deve obedecer aos seguintes critérios:

1. Características de aptidão para projecção – Deve ser colocado na vertical com um mínimo de reflexão.

2. Resistência a curto prazo – Deve ser suficientemente forte para fornecer suporte ao terreno ao fim de menos de 4 a 8 horas.

3. Resistência a longo prazo – Deve atingir uma resistência especificada ao fim de 20 dias, com a dosagem de aditivo necessária para permitir projecção e resistência a curto prazo.

4. Durabilidade – Resistência a longo prazo à acção do meio ambiente.

5. Economia – Baixo custo dos materiais e um mínimo de perdas devidas a reflexão.

2.6.4 - Selecção de materiais.

2.6.4. 1 - Cimento.

A escolha do tipo de cimento deve ter em atenção as condições do local

de aplicação. Geralmente usa-se o cimento Portland (tipo I) associado a aditivos, por serem os materiais mais correntemente à disposição e devido à flexibilidade que se pode conseguir com pequenas variações da mistura. No entanto é necessário verificar a compatibilidade dos aditivos com o cimento usados nas aplicações do

betão projectado, uma vez que o comportamento do betão tanto a curto como a longo prazo, pode ser influenciado pela mistura de componentes não compatíveis.

O uso de cimento com características especiais impõe-se quando as condições locais assim o exigem: Resistência a sulfatos, maior resistência a curto prazo.

2.6.4.2 - Agregados.

São de preferir inertes naturais à pedra britada devido à sua melhor aptidão para bombagem das partículas arredondadas. Os agregados devem ser limpos, duros, resistentes e duráveis e com menos de 2% de passados no peneiro 200 (0,075mm).

O agregado não deve conter grande quantidade de silte, material friável,

substâncias prejudiciais e matéria orgânica. Devem ser evitados agregados que

reajam com substâncias alcalinas.

O agregado deve possuir curva granulométrica contínua, evitando por isso

a existência de vazios que para além de aumentarem a porosidade do betão obrigam ao consumo de maior quantidade de cimento.

Na tabela seguinte vão indicadas curvas típicas de agregados para betão projectado:

curvas típicas de agregados para betão projectado: Tabela 9 – Curvas granulométricas de agregados para

Tabela 9 – Curvas granulométricas de agregados para betão projectado.

A curva do agregado é crítica para o estudo da mistura e aptidão de

bombagem através das tubagens, hidratação na saída do tubo aderência com a área a cobrir, densidade e economia do produto final.

Um aumento na percentagem de grossos resultará numa melhor compactação, maior densidade, menor necessidade de água e cimento, menor contracção e maior resistência à tracção e flexão.

Por outro lado, o uso de agregado grosso leva a que o betão seja mais difícil de bombear e aumente a % de reflexão.

Uma mistura típica de betão projectado contém as seguintes percentagens de componentes secos:

Cimento Agregado grosso Agregado fino

15 – 20 % 30 – 40 % 40 – 50 %

2.6.4.3

- Água.

A água usada para betão projectado deve satisfazer os mesmos requisitos

da usada em betão normal. Deve ser isenta de óleos, gorduras, sais, substâncias alcalinas e matéria orgânica.

A razão água - cimento em betão projectado de mistura seca fica ente 0,3

e 0,5 e é ajustada pelo operador de acordo com as condições do local. Interessa salientar que o teor em água é importante não só para a qualidade final do produto, mas também influi na percentagem de material reflectido. Elevado teor em água ou mistura seca produzem maior reflexão.

Para betão projectado em mistura húmida, a relação água – cimento fica entre 0,4 e 0,6.

2.6.4.4 - Aditivos.

2.6.4.4.1 - Aceleradores de presa.

O sucesso do betão projectado no revestimento de uma galeria depende muitas vezes da sua capacidade de suporte nas primeiras horas após aplicação. Por este motivo, e para permitir usadas finas camadas, são usados aceleradores de presa. Saliente-se que o uso de aceleradores de presa, principalmente em pó, diminui a resistência do betão.

Alguns aceleradores de presa em pó, podem mesmo causar graves problemas ao betão projectado, principalmente quando existem paragens na aplicação e o acelerador já se encontra na mistura a provocar reacção química. A utilização de um acelerador no estado líquido, como este só é adicionado no bico de projecção no instante de aplicação, não provoca aquele tipo de problemas.

O uso de aceleradores de presa apenas se justifica na primeira camada de

betão projectado e quando aplicado nos hasteais e tecto das escavações.

Recentemente, as preocupações de saúde e ecológicas, tornaram-se dominantes na tecnologia do betão projectado, e os utilizadores tornaram-se relutantes no uso de produtos agressivos.

Aceleradores de presa não alcalinos vieram substituir os antigos produtos.

Fig.15 – Efeito dos aceleradores de presa na resistência do betão projectado. 1. Sem acelerador.

Fig.15 – Efeito dos aceleradores de presa na resistência do betão projectado.

1. Sem acelerador.

2. Com acelerador em pó (5% do peso do cimento).

3. Acelerador líquido em quantidade normal.

4. Acelerador líquido com quantidade ligeiramente aumentada.

2.6.4.4.2 - Plastificantes.

O uso de plastificantes tem a vantagem de permitir aumentar a dispersão

das partículas finas sobre os agregados de maior dimensão actuando como um lubrificante e possibilitando o preenchimento dos vazios pelas partículas mais finas sem que estas se acumulem em grandes concentrações.

2.6.4.4.3 - Agentes arejadores.

Pouco ou raramente utilizados, estes agentes aumentam a mobilidade do

betão ao mesmo tempo que aumentam a resistência ao congelamento. Tal consegue-se pela diminuição da tensão superficial da água pela introdução de um grande número de bolhas de ar no processo de mistura. Estas bolhas são estáveis e não têm tendência a juntar-se formando bolhas maiores.

O uso deste tipo de agentes também pode aumentar a impermeabilização.

2.6.4.4.4 - Micro sílica.

A adição de micro sílica (partículas entre 0,05 e 0,5 mm) no betão

projectado, por reacção com o hidróxido de cálcio e água, produz sílicas. Estes produtos aumentam a resistência e reduzem a porosidade.

A micro sílica também aumenta a viscosidade, aumentando a eficiência da

bombagem do betão, reduz o ricochete e aumenta a adesão com a rocha.

2.6.5

- Reforço do betão projectado com fibras.

Uma das desvantagens do betão projectado normal é a sua baixa resistência à tracção e não é raro observar-se betão altamente fissurado devido a movimentos da massa rochosa. A colocação de armaduras de rede de arame soldado pode ser usada para ultrapassar este problema, mas a colocação da rede é uma operação demorada.

O uso de fibras de aço aumenta a resistência à tracção do betão projectado, ao mesmo tempo que permite uma grande flexibilidade durante as primeiras horas após aplicação, quando se verificam descompressão e movimentos no maciço rochoso.

se verificam descompressão e movimentos no maciço rochoso. Fig.16 – Efeito de diferentes tipos de fibras

Fig.16 – Efeito de diferentes tipos de fibras na resistência à flexão.

Para além de evitar o uso de betão projectado extra para cobrir a rede metálica, pode permitir diminuir a espessura final da camada devido às maiores resistências obtidas (Tracção, flexão e mesmo compressão).

Embora o custo das fibra seja elevado, este é relativamente compensado pela menor necessidade de mão de obra para a colocação de rede e maior tempo disponível na frente de escavação para outras operações.

O teor em fibras varia ente 3% e 6% em peso, tendo-se verificado que acima deste valor existem dificuldades na operação de mistura a aplicação, por se formarem concentrações de fibras que em alguns casos provocaram perdas por reflexão dos ordem dos 60%.

2.6.6

- Outros produtos.

 

Para

além

dos

produtos

mencionados,

ainda

são

usados

corantes,

polímeros, cinzas vulcânicas e retardadores de presa.

2.7 - Propriedades do betão que interessam à engenharia.

Um certo número de propriedades têm influência no betão projectado quando aplicado no suporte de escavação subterrâneas. Estas incluem a resistência à compressão, resistência à flexão, resistência à tracção e módulo de elasticidade. Uma discussão completa do significado de todas estas propriedades pode ser encontrada em “Shotcrete pratice in underground construction”.

Na discussão que se segue, só a resistência à compressão e o módulo de elasticidade serão considerados.

Um crescimento rápido do tempo da resistência à compressão é essencial para que o betão projectado cumpra o seu papel de elemento de suporte efectivo de solo de má qualidade. Apresentam-se a seguir os valores típicos da resistência à compressão do betão projectado.

da resistência à compressão do betão projectado. Tabela 10 – Valores típicos da resistência à

Tabela 10 – Valores típicos da resistência à compressão do betão projectado.

Estes valores são indicados unicamente para uma orientação geral e não devem ser usados como substitutos de testes realmente feitos em obra. Os autores consideram os valores de resistência a curto prazo para betão projectado de presa regulada bastante optimistas, mas foram incluídos por indicarem até que ponto a pesquisa sobre cimentos e combinações cimento/acelerador, podem melhorar as características de resistência a curto prazo.

O módulo de elasticidade do betão projectado está relacionado muito directamente com a resistência à compressão e como seria de esperar,

apresenta crescimentos com o tempo muito semelhantes aos verificados para a resistência à compressão.

De modo a fornecer ao leitor um ponto de partida na escolha da mistura de betão projectado, compilou-se uma lista que é apresentada na tabela seguinte, das misturas habituais de betão projectado com as resistências à compressão e módulos de elasticidade respectivos.

Tabela 11 - Propriedades típicas do betão projectado. Escavações subterrâneas II 39

Tabela 11 - Propriedades típicas do betão projectado.

2.8 - Aplicação de betão projectado.

A qualidade do betão projectado em obra, depende da composição da

mistura e dos materiais usados, mas também grandemente do método de aplicação.

O betão projectado pode ser aplicado manualmente, ou seja, o operador,

protegido por equipamentos adequados, segura a tubo de projectar, apontando-o para a parede a uma distância relativamente curta. Levantam-se por isso alguns problemas:

O operador, se não estiver devidamente equipado com equipamento de

protecção, refugia-se dos ricochetes dos agregados, aumentando a distância entre o bico aplicador e a parede a revestir. Com esta medida, a velocidade de

chegada diminui e consequentemente a compactação.

Para que a compactação seja regular, é necessário que o bico de projectar chegue com facilidade a todos os locais, obrigando o operador a dispor de uma plataforma de trabalho.

A proximidade do operador com o bico de projectar e portanto com os

ricochetes e as poeiras, muitas das quais provenientes dos aditivos incluídos na mistura, levantam um problema de saúde que é necessário acautelar

devidamente com o uso de bom equipamento de protecção.

A utilização de meios mecanizados deverá ser, sempre que possível, o

método escolhido para a aplicação de betão projectado.

o método escolhido para a aplicação de betão projectado. Fig.17 – Aplicação de betão projectado por

Fig.17 – Aplicação de betão projectado por via seca.

Para além de protegerem o operador, possibilitam a colocação do tubo de projecção nos diferentes locais, pela utilização de um braço telescópico.

Com o sistema mecanizado, o operador, para além de se encontrar numa cabine com tecto, trabalho debaixo de uma zona da escavação já protegida.

trabalho debaixo de uma zona da escavação já protegida. Fig.18 – Sistema mecanizado para aplicação de

Fig.18 – Sistema mecanizado para aplicação de betão projectado.

A preparação da superfície a ser recoberta constitui parte essencial da

operação.

O saneamento é importante para a segurança do operador mas também

para reduzir a hipótese de aparecimento de betão com ocos provocados pela projecção sobre rocha solta. Obviamente que se a rocha for de muito má qualidade, o saneamento não é possível, sendo provavelmente necessário aplicar o betão projectado de imediato.

As superfícies para recobrir com betão projectado devem estar limpas de

qualquer material solto ou estranho à superfície para que se obtenha boa aderência.

O pó dos rebentamentos depositado na superfície a projectar e as fissuras

expostas devem ser convenientemente lavadas.

Uma vez limpa a superfície pode iniciar-se a projecção.

O operador selecciona a pressão do ar e a velocidade de fornecimento de

material. Uma velocidade demasiado baixa resulta na saída do material aos soluços e não em fluxo contínuo. Uma alimentação demasiado rápida causa o entupimento da máquina.

A velocidade também tem influência nas reflexões.

Fig.19 – Efeito da velocidade da projecção nas perdas de material. A distância óptima entre

Fig.19 – Efeito da velocidade da projecção nas perdas de material.

A distância óptima entre o tubo de saída e a parede deve ser cerca de 1

metro. A quantidade de material que não adere é significativamente influenciada por esta distância conforme se pode observar pelo gráfico seguinte:

distância conforme se pode observar pelo gráfico seguinte: Fig.20 – Efeito da distância do bico na

Fig.20 – Efeito da distância do bico na quantidade de reflexões.

A reflexão também é influenciada pelo ângulo feito entre o tubo de saída

com a horizontal.

Fig.21 – Efeito do ângulo com a horizontal do tubo de saída. Quer o tubo

Fig.21 – Efeito do ângulo com a horizontal do tubo de saída.

Quer o tubo de saída seja operado manualmente ou por uma máquina, ele deve ser mantido em movimento seguindo um percurso definido à medida que o betão vai sendo projectado.

O não cumprimento deste preceito resulta em betão projectado não

uniforme de espessura e capacidade variável.

Quando o tubo de saída é operado manualmente recomenda-se que o betão seja aplicado em séries contínuas de anéis circulares ou elípticos sobrepondo-se parcialmente como se vê na figura seguinte.

sobrepondo-se parcialmente como se vê na figura seguinte. Fig.22 – projectado. Movimento recomendado na aplicação

Fig.22

projectado.

Movimento

recomendado

na

aplicação

manual

de

betão

Ao aplicar-se betão sobre uma armadura de malha de rede soldada, deve-

se ter cuidado em garantir que não se formem vazios na parte posterior da rede. Aproximar mais o tubo da rede é uma das técnicas possíveis. Outra técnica, particularmente bem sucedida quando se usam máquinas de projectar, é

a variação do ângulo do tubo de saída com a superfície. Muitas vezes é mesmo necessário cortar fracções do arame para facilitar o enchimento dos vazios.

A espessura de uma camada de betão projectado é habitualmente estimada a partir do volume total de material colocado descontando as perdas por reflexão. Ao recobrir superfícies muito irregulares é quase impossível conseguir uma espessura uniforme e pode ser necessário aplicar mais betão do que o inicialmente planeado de modo a garantir a cobertura de toda a superfície.

de modo a garantir a cobertura de toda a superfície. Fig.23 – Influência da espessura na

Fig.23 – Influência da espessura na quantidade de perdas por reflexão.

2.9 - Drenagem com betão projectado.

A água é geralmente impeditiva da adesividade do betão projectado. Por outro lado, em locais muito frios, a presença da água e o seu congelamento, podem criar condições para a rotura do betão por aumento de volume da água congelada.

A drenagem temporária da água não pressurizada é, por isso, uma operação fundamental em qualquer das situações.

Antes da aplicação do betão projectado, procede-se à captação da maior quantidade de água possível através de pequenos tubos resistentes ao choque pela projecção do betão, que são ligados e canalizados para a base da galeria. Os tubos são fixados às paredes da galeria com sistema próprio de pregagem ou usando um cimento de presa rápida.

Para além de tubos são ainda usados membranas geotextil e produtos impermeabilizantes projectados.

3 – SUSTIMENTO COM ANÉIS INTERIORES.

Entre os diferentes tipos de sustimento incluídos nesta categoria, os mais frequentemente utilizados são os arcos metálicos e as aduelas pré-fabricadas.

3.1 – Arcos metálicos

Os arcos metálicos constituem uma estrutura em forma de arco ou pórtico,

colocada espaçadamente segundo a secção transversal da galeria, sendo constituído por perfis metálicos tipo I.

Modernamente e de produção específica, utiliza-se um perfil em U (TH) que assegura, com um deslizamento dos diferentes elementos que constituem o arco, a flexibilidade pretendida.

A degradação das acções do terreno sobre o sustimento é assegurada

pela cedência por deslizamento nas ligações.

O atrito

conveniente

é

assegurado

pelo

aperto

proporcionado

por

braçadeiras especiais, aplicadas nas ligações dos diferentes elementos.

Para que este tipo de suporte entre a trabalhar, imediatamente após a sua colocação e não só quando da deformação do terreno envolvente, deverá o espaço irregular compreendido entre o arco e o terreno ser preenchido, ser preenchido com madeira roliça. No caso deste sustimento vir a ser incluído mais tarde no betão de revestimento definitivo, deverá ser usada sucata de ferro para enchimento.

Dada a acção descontínua deste tipo de sustimento, ele aparece muitas vezes associado à colocação de betão projectado que contribua não só para uma melhor fixação da sucata de enchimento, mas também confere maior estabilidade ao terreno entre os apoios.

Em terrenos muito maus aplicam-se chapas metálicas que apoiando-se em

dois arcos contíguos evitarão a queda de blocos de pequena dimensão.

O espaçamento entre arcos varia geralmente entre 0,8 e 1,5 m, função da

sua capacidade resistente e do valor dos impulsos do terreno.

No entanto, o espaçamento será também condicionado pelo comprimento

da abóbada que se poderá manter sem apoio quando do avanço da frente.

É normal a classificação deste tipo de arcos em ligeiros e pesados.

Fig.24 – Método de ligação do perfil TH. Os arcos metálicos ligeiros, de menor peso

Fig.24 – Método de ligação do perfil TH.

Os arcos metálicos ligeiros, de menor peso por metro, a apresentando uma capacidade de suporte reduzida, têm a vantagem de serem de fácil e rápida aplicação, permitindo um sustimento provisório, embora precário, complementado com pregagem e betão projectado.

Os arcos metálicos pesados quando correctamente apoiados, dado o momento de inércia do seu perfil, asseguram um bom apoio.

O arco ou pórtico é constituído por vários elementos em função do perímetro da galeria, sendo o comprimento desses elementos muitas vezes condicionados pelas condições de transporte e colocação em obra.

A título indicativo, os perfis mais utilizados em função do diâmetro da galeria são os seguintes:

em função do diâmetro da galeria são os seguintes: Tabela12 – Características do perfil HEB Escavações

Tabela12 – Características do perfil HEB

O espaçamento entre os arcos é condicionado pela qualidade do terreno e pela sua capacidade de auto suporte durante um ciclo completo de uma pega. Por esta razão, os arcos considerados pesados, são raramente utilizados em escavações subterrâneas com diâmetros superiores a 12 metros.

3. 1 .1 - Dimensionamento do suporte.

No cálculo da entivação necessária admitem-se as seguintes hipóteses:

a) O quadro metálico comporta-se como uma estrutura articulada nos dois

apoios.

b) As cargas actuantes sobre o quadro supõem-se verticais e uniformemente distribuídas.

c) O ajustamento do quadro produz-se por flexão. Desprezam-se os efeitos

de flexão composta. O quadro metálico deslizante antes de se ajustar por flexão terá que deslizar por esforço axial.

d) A máxima tensão admissível no material do quadro é igual à tensão de

rotura do aço empregue. e) O quadro deverá ser montado correctamente de acordo com as

instruções de montagem.

Os ábacos seguintes para os perfis TH 16”5, TH 21” e TH 29 de fácil utilização, permitem, entrando no eixo das abcissas, com o raio do quadro ou com metade da largura da galeria expressos em metros e no eixo das abcissas, com a carga vertical estimada em t/m², obter o valor do espaçamento entre arcos.

Ábaco 1 Escavações subterrâneas II 49

Ábaco 1

Ábaco 2 Escavações subterrâneas II 50

Ábaco 2

Ábaco 3 Escavações subterrâneas II 51

Ábaco 3

3. 1 .2 - Instruções para montagem.

O quadro mais comum é constituído por 3 elementos:

- Um arco abóbada.

- Dois pés direitos.

O arco abóbada é encaixado nos pés direitos e fixado a este por

abraçadeiras, sendo possível o deslizamento das partes sobrepostas quando a pressão do terreno ultrapassa determinado valor.

Deve comprovar-se que a secção da galeria está de acordo com as dimensões do plano de montagem.

A sobreposição dos perfis deve ser aproximadamente a prevista no plano

de montagem.

O aperto dos pernos das abraçadeiras deve ser conseguido com uma

chave de tubo em T. De preferência deve usar-se uma chave de aperto dinamométrica que garanta o aperto suficiente.

Quando a deformação do terreno exerça pressão sobre o quadro deverá proceder-se a um reaperto dos parafusos das abraçadeiras.

Para evitar que os pés direitos, pela pressão a que acabem de ser sujeitos penetrem na soleira, há que atender à resistência à compressão da rocha. No caso de soleira branda, há que entrepor uma peça de aço ou de madeira para aumentar a superfície de contacto.

aço ou de madeira para aumentar a superfície de contacto. Fig.25 – Apoio dos pés direitos

Fig.25 – Apoio dos pés direitos para aumentar a superfície de contacto.

A resistência ao deslizamento entre elementos não deve ultrapassar a resistência à penetração dos pés direitos no terreno, nem a resistência à deformação do próprio quadro. Os quadros devem solidarizar-se entre si aplicando tirantes entre eles.

Fig.26 - Método para aplicação dos tirantes entre perfis. Recomenda-se a aplicação de cinco tirantes

Fig.26 - Método para aplicação dos tirantes entre perfis.

Recomenda-se a aplicação de cinco tirantes entre quadros colocados da seguinte maneira:

- Dois de cada lado a cinquenta cm do solo.

- Um na coroa.

- Dois equidistantes nos pés colocados.

Deverá entender-se que a sua posição não deverá dificultar o possível deslizamento entre elementos, pelo que devem situar-se a alguma distância das uniões entre elementos do quadro. É importante que os tirantes sejam colocados à mesma altura para evitar esforços de torção ou flexão no perfil, provocados pelos impulsos das pegas de fogo.

Dada a irregularidade do contorno de escavação ficarão espaços entre a rocha e os quadros, que deverão ser preenchidos com pedra ou madeira de modo a garantir o perfeito ajustamento.

pedra ou madeira de modo a garantir o perfeito ajustamento. Fig.27 – Preenchimento das cavidades com

Fig.27 – Preenchimento das cavidades com pedra ou madeira.

Quando seja necessário proceder à protecção de galeria, podem colocar- se chapas metálicas entre os quadros.

Os quadros não devem ser parcialmente fixados ou fora do paralelismo do

perfil.

Quando

a fixação não

se

abertura dos quadros.

realiza

Quando a fixação não se abertura dos quadros. realiza convenientemente, pode dar-se a Fig.28 – Fixação
Quando a fixação não se abertura dos quadros. realiza convenientemente, pode dar-se a Fig.28 – Fixação

convenientemente,

pode

dar-se

a

dos quadros. realiza convenientemente, pode dar-se a Fig.28 – Fixação deficiente dos perfis de um quadro

Fig.28 – Fixação deficiente dos perfis de um quadro metálico TH.

3.2 – Aduelas pré-fabricadas.

As aduelas pré-fabricadas são elementos constituídos por anéis circulares, funcionando não só como sustimento provisório, mas também como revestimento definitivo. O seu emprego corrente verifica-se em túneis escavados com máquinas de ataque por secção inteira em rochas brandas ou mesmo em solos.

O revestimento assim constituído funciona também como elemento de apoio hidráulico à retaguarda, de modo a assegurar a aplicação do impulso dos cilindros hidráulicos, que permitem o avanço da máquina.

As aduelas são colocadas por fases sucessivas ao abrigo do escudete e na fase posterior à recuperação do sistema de avanço da máquina. O espaço anelar compreendido entre a face exterior das aduelas e o perfil da escavação é preenchido por injecção de calda de cimento, feita o mais cedo possível, logo após a passagem do extremo do escudete pelo último anel aplicado.

Os anéis são constituídos por vários elementos (aduelas), sendo o último a colocar (a chave) o da abóbada, cuja forma em cunha permite e blocagem do conjunto.

Construídos em betão armado ou ferro fundido, os anéis são fixados uns aos outros por parafusos, que no caso de ser necessária a estanquecidade do revestimento, permitem o esmagamento necessário de juntas de material flexível (neoprene) colocado entre dois anéis consecutivos.

(neoprene) colocado entre dois anéis consecutivos. Fig.29 – Colocação de aduelas de betão. Escavações

Fig.29 – Colocação de aduelas de betão.

Quando o traçado se desenvolve acima do nível freático onde se levantam problemas de estanquecidade, usam-se elementos cujo arco que constituem é pressionado contra o terreno por acção do ajustamento de um elemento chave em forma de cunha que obriga os diferentes elementos do mesmo anel a adaptar-se ao terreno envolvente.

Os diferentes elementos do conjunto são posicionados sucessivamente desde a soleira até à chave por meio de equipamento (braço hidráulico) que constitui parte integrante da máquina.

Para que tal seja possível, os diferentes elementos têm furos próprios para aplicação das garras concebidas para a movimentação das diferentes peças constituintes do anel. Para além destes furos criados quando da moldagem dos elementos, outros permitem a aplicação de furos que garantem o alinhamento dos diferentes anéis.

Em galerias destinadas ao transporte de água e onde se exige a menor perturbação possível no movimento do fluído, o revestimento descrito funcionando como sustimento é posteriormente completado com a betonagem de um revestimento definitivo em betão.

Quando exigências de estanquecidade se levantam é incluída entre os dois sistemas uma membrana impermeável.

No caso de aplicação do sustimento com anéis em terreno cuja deformabilidade não permite o ajustamento do revestimento ao terreno, procede- se a injecções da calda de cimento através de furos criados previamente nos elementos constituídos pelos anéis de modo a preencher os eventuais espaços deixados entre terreno e revestimento.

As peças pré-fabricadas, moldadas com betão normalmente armado são dimensionadas não só para resistir aos esforços aplicados pelo próprio terreno, normalmente pequenos, dado serem tipos de trabalhos desenvolvidos a pequenas profundidades, mas fundamentalmente para resistirem aos esforços quando do transporte e montagem e proporcionam posteriormente apoios aos cilindros hidráulicos que asseguram o avanço da máquina.

O betão recomendado para o fabrico dos elementos constituintes dos anéis devem assegurar resistências à compressão simples superiores a 41 MPa aos 28 dias.

Fig.30 – Método de fecho das aduelas em betão. Escavações subterrâneas II 57

Fig.30 – Método de fecho das aduelas em betão.

4 – Revestimento definitivo betonado in situ.

Aplicado na grande maioria dos túneis rodoviários, mais por razões psicológicas dos utentes, conectadas com preocupações de segurança, do que para funcionar como suporte, este tipo de revestimento é realizado geralmente após concluir a escavação.

Em caos em que é necessário reduzir o tempo de realização da obra, encara-se a possibilidade de colocação simultânea deste tipo de revestimento à medida que avança a escavação, havendo contudo uma considerável distância entre as duas frentes de trabalho.

Por razões de atravancamento provocado pelo sistema que suporta a cofragem ficam prejudicadas as condições de movimentação de equipamento utilizado na escavação propriamente dita e principalmente do equipamento de remoção do escombro.

Estas razões defendem a tendência de realizar só no final a betonagem do revestimento utilizando uma estrutura móvel que permita a movimentação de cofragem necessária.

São vários os tipos de revestimento praticados:

- Betão não armado.

- Betão armado com armadura simples ou dupla.

- Betonado ou não sobre uma membrana estanque.

4. 1 – Revestimento definitivo em betão.

Este tipo de revestimento deverá ser definido atendendo à interacção com o maciço rochoso e regime hidrológico, sem descurar problemas ligados à sua própria realização e economia.

A espessura do revestimento em betão está mais dependente das limitações do processo construtivo do que das exigências estruturais. Somente em túneis profundos sujeitos a cargas hidrostáticas externas elevadas, ou a tensões não uniformes provocando distorções, o revestimento deverá ser dimensionado de modo a suportar tais solicitações. A mínima espessura imposta pelos processos construtivos é de cerca de 230 mm, sendo no entanto frequente 300 mm.

Características do betão utilizado:

- Carga de rotura à compressão aos 28 dias = 21 Mpa.

- Relação água/cimento (em peso) = 0,45.

Maiores cargas de rotura à compressão, até 35 MPa, são justificadas quando se pretendem menores espessuras ou resistências à abrasão.

Normalmente o betão é colocado durante o dia ganhando presa durante a noite de modo a permitir a descofragem no turno seguinte, sendo assim fundamental que o betão tenha atingido a resistência suficiente para se manter sem suporte.

O betão é transportado muitas vezes em longas distâncias dentro do túnel

até ao local de betonagem por bombagem. Assim, a composição da mistura deverá ser tal que permita a bombagem

para o interior da cofragem. Deverá satisfazer um “slump” 100 a 125 mm 90 minutos após a mistura.

È frequente o uso de aditivos a aceleradores de presa. Estes últimos são

adicionados apenas no momento da betonagem.

4.2 - Reforço em aço para controlo da fracturação.

Durante o processo de curo desenvolvem-se deformações que atingem valores da ordem dos 15/100. Adicionalmente, deformações por tracção podem surgir por exposição ao ambiente atmosférico e variações consideráveis de temperatura. As fracturas ocorrem em pontos discretos, dependentes da variação da espessura do betão resultante da sobre quebra da escavação da rocha

envolvente, ou pela presença de arcos metálicos deixados pontualmente como suporte inicial. As juntas de expansão têm pouco efeito na formação ou controlo da fracturação.

O betão deve ser colocado sem juntas de expansão, assegurando-se que

o aço de reforço tenha continuidade para lá de uma junta de construção.

A densidade do aço de reforço é normalmente da ordem dos 0,28 % da

área da secção transversal do betão.

Quando de uma escavação com explosivos resulta uma sobre quebra elevada, a espessura do revestimento deverá ser a teoricamente determinada, acrescida de metade da estimada por sobre quebra.

O reforço do aço do revestimento de malha simples deverá ser colocado

próximo da face interna.

Este tipo de revestimento (betão armado) resiste sem danos a distorções até 0,5 (relação entre a variação do diâmetro do túnel e o diâmetro do revestimento).

Um maior número de malhas de reforço pode ser necessário devido a grandes pressões hidrostáticas internas ou por empolamento da rocha encaixante.

Em rochas com cavidades responsáveis por cargas não uniformes poderá ser necessário tal reforço.

4.3 - Revestimento sujeito a pressão hidrostática externa.

Os

revestimentos

colocados

sem

drenagem

prévia

devem

ser

dimensionados atendendo à máxima pressão hidrostática actuando sobre aquela.

Se a espessura do revestimento for menor do que 1/10 do raio do túnel, a tensão no betão é calculada segundo a expressão:

Fc

= pR

t

Em que:

Fc

= Tensão no betão

p

= Pressão hidrostática

R

= Raio medido em relação à linha média do revestimento

t

= Espessura do revestimento.

Se a espessura do revestimento for maior que 1/10 do raio do túnel, a tensão Fc medida na face inferior será:

Fc

=

2

pR

2

2

(

R

2

2

R

1

2

)

Em que:

R 1 = Raio interior R 2 = Raio exterior

4.4 - Revestimento sujeito a flexão ou torção.

Na maioria dos casos o maciço rochoso está estabilizado antes da colocação de revestimento e as pressões que actuam sobre o revestimento são do tipo hidrostático. Contudo, o uso de betão armado pode ser recomendado para fazer face à flexão e torção.

As causas mais frequentes deste fenómeno são:

- Deficiente suporte primário provocado por uma fina camada de rocha

com menor módulo de deformabilidade do que a rocha envolvente, ou vazios deixados antes do revestimento.

- Carga causada por volumes de rocha fracturada após a construção ou pressão de água localizada.

- Deslocamento por empolamento.

- Cargas provocadas durante o processo construtivo, por exemplo, pressão não uniforme na aplicação de injecções.

Avaliação das cargas possíveis.

1 - Carga mínima.

Cargas horizontais distribuídas sobre a largura do túnel, - 0,3 da altura da

rocha sobrejacente.

2 – Rocha muito fragmentada.

Previamente estabilizada – Carga vertical de 0,6 a altura da rocha

sobrejacente.

3 – Rocha fluente.

Carga igual a 1 a 2 vezes a profundidade do túnel, dependendo contudo do deslocamento e libertação de tensões permitidas antes da colocação do revestimento.

4 – Para os casos 1, 2 e 3, as pressões laterais são metade das pressões verticais. Quando da escavação com explosivos aumenta 30%.

5 – Rocha empolada – saturada. O mesmo que em 3.

6 – Rocha empolada – Não saturada com fácil acesso de água. Pressão da água.

– Para secções não circulares (ferradura). Aumentar 50% as cargas verticais.

7

8 – Carga resultante de injecções com pressões não uniformes.

Considere a máxima pressão de injecção permitida actuando sobre uma área igual a ¼ do diâmetro do túnel, no máximo de 1,5 m.

5 – Instalação de um reforço.

5.1 – Pregagem.

O programa de uma pregagem deve ser organizado de maneira que a

instalação dos pregos deve ser integrada no ciclo de escavação, conferido ao terreno reforço atempado.

Apesar de poderem ser considerados como reforço permanente diferentes tipos de pregagem, será importante considerar o sistema como fazendo parte de um sistema permanente mais desenvolvido.

Assim o sistema de pregagem deve ser escolhido tendo em atenção o sistema final a empregar.

Na generalidade, a instalação de pregagem por tirantes ou cabos, é condicionada pela acessibilidade à superfície da rocha que se pretende controlar – caso da abóbada de galerias de elevada secção.

Estão disponíveis no mercado jumbos completamente mecanizados capazes de assegurar o ciclo completo de instalação: Furacão, introdução da calda ou resina, introdução do tirante e se for caso disso, tensionamento do mesmo.

Além da qualidade e rapidez do trabalho executado, o sistema mecanizado garante uma maior segurança ao operador do que se fosse feita a aplicação manual. É contudo necessário considerar um programa de pregagem relativamente extenso para ser possível aceitar o investimento em equipamento para tal fim.

Como são muitos os tipos de pregos disponíveis, também são numerosos os processos de instalação, muitas vezes condicionados pelas condições locais.

Em termos de segurança, é importante salientar que é indispensável uma cuidada operação de saneamento antes da colocação da pregagem. A vibração provocada pela perfuração pode levar à queda de blocos com consequências possivelmente graves.

5.1.1 – Pregagem com fixação mecânica.

O diâmetro dos furos é um factor importante na eficiência deste tipo de

prego.

Após a introdução do prego até que a placa se apoie na face da rocha circundante à boca do furo, a fêmea é roscada até que o torque recomendado seja atendido.

Esta operação pode ser efectuada por uma chave pneumática de torque controlado.

efectuada por uma chave pneumática de torque controlado. Fig.31 – Tensionamento de um prego. O torque

Fig.31 – Tensionamento de um prego.

O torque a aplicar varia entre os 135 e 340 Nm, valor cerca de 50 abaixo

da capacidade do tirante.

Há uma relação linear entre a tensão no tirante e o torque aplicado.

P = CT

P – Tensão do tirante em N. T – Torque aplicado em Nm.

C – Depende do diâmetro do tirante:

C

= 50 para d = 16 mm.

C

= 40 para d = 19 mm.

A eficiência deste tipo de tirantes depende essencialmente da amarração

da cabeça afectada naturalmente pela natureza da rocha e estado de

fragmentação na zona de amarração.

Os tirantes colocados muito próximo (10 a 20 cm) das frentes de desmonte com explosivos podem ser afectados pelas vibrações, recomendando-se o seu retensionamento.

O uso deste tipo de prego é independente da quantidade de água nos

furos. No entanto se a exigência de vida for longa recomenda-se a injecção de calda de cimento no furo.

Excluindo o tempo necessário para furacão, podemos considerar que são necessários cerca de 75 segundos para colocação e tensionamento de um tirante deste tipo com 2 m de comprimento, utilizando uma chave de torque pneumática.

5.1.2 – Pregagem com selagem.

Os

processos

semelhantes:

de

selagem

com

cimento

ou

com

resina

são

muito

A calda pode ser colocada nos furos quer por bombagem quer em forma de cartuchos.

Quando é usada a bombagem recomenda-se a introdução do tubo de injecção até ao fundo do furo, sendo depois retirado à medida que o furo vai sendo preenchido. Esta operação deverá ser feita de modo a evitar a formação de bolhas de ar no interior da calda. Terminada esta operação o tirante é introduzido no furo.

Nos furos verticais ascendentes, a calda tem tendência a sair do furo. Uma mistura de água/cimento de 0,3 a 0,35 (em peso) assegura bons resultados.

Se se pretende acelerar a presa devem usar-se aditivos.

Quando a calda é bombada, o diâmetro do furo não é um ponto crítico relativamente ao resultado da selagem.

Em alternativa, o uso de cartuchos quer de cimento quer de resina, é uma solução mais rápida.

O mais comum é um cartucho contendo cimento e aditivos envolvido por

uma camisa porosa que se satura de água antes de ser introduzida no furo.

No caso de uso de resinas impõe-se a homogeneização da resina com o catalizador, o que se consegue imprimindo ao varão um movimento de rotação por meio de um berbequim pneumático.

No caso de se pretender a selagem a todo o comprimento antecedida de tensionamento podem usar-se simultaneamente cartuchos de cimento e de resina.

Estas para a amarração imediata e o cimento para a selagem contínua após tensionamento.

Quando se usam cartuchos, a relação entre o seu diâmetro e o diâmetro do furo é importante, pois além da economia de resina, a homogeneização pode ser dificultada se o diâmetro do furo for maior do que o recomendado. No caso dos tirantes tensionados, o tensionamento faz-se por aperto da fêmea com chave dinamométrica manual ou pneumática com torque regulável.

Os sistemas de tensionamento hidráulico podem também ser usados para teste de arrancamento se perfeitamente calibrados.

para teste de arrancamento se perfeitamente calibrados. Fig.32 – Princípio de instalação e tensionamento de uma

Fig.32 – Princípio de instalação e tensionamento de uma pregagem com selagem usando um sistema de tensionamento hidráulico.

No caso de selagem parcial com resina, os tirantes podem ser tensionados após 3 a 5 minutos, ao passo que os selados com cimento, mesmo com aditivos, só poderão ser tensionados ao fim de algumas horas.

Os tirantes completamente selados com cimento são a solução mais corrente de pregagem e a mais barata, se o varão for do tipo Rebar standard.

Alguns insucessos deste sistema devem-se à perda de qualidade da resina ou dos cartuchos de cimento por armazenamento prolongado ou deficiente.

O tempo de colocação deste tipo de pregos é semelhante ao dos pregos por fixação mecânica.

Fig.33 – Tensor para parafuso. 5.1.3 – Instalação de cabos selados com cimento. Cabos curtos

Fig.33 – Tensor para parafuso.

5.1.3 – Instalação de cabos selados com cimento.

Cabos curtos (menos de 6 m) podem substituir os varões num sistema de reforço. A instalação é semelhante sendo com regra empregue a calda de cimento. Embora o tempo de colocação seja superior, é uma solução quando o comprimento da pregagem é superior à dimensão livre da galeria (excepto quando se usa swellex acoplável). No caso do reforço do maciço rochoso exigir cabos longos, o processo de instalação é um pouco diferente.

Em furos horizontais e descendentes, o tubo de injecção da calda é introduzido até ao fundo do furo e retirado lentamente á medida que o furo fica cheio de calda.

Após o enchimento deste, o cabo é introduzido até ao fundo do furo. Para facilidade de introdução a extremidade do cabo é protegida com uma ponteira metálica.

No caso de instalação ascendente, o cabo é introduzido no furo juntamente com um tubo de plástico (tubo de respiro). Depois de se introduzir o tubo de injecção cerca de 0,5 m, o furo é obturado na boca de maneira a bloquear o cabo contrariando a tendência a deslizar.

Seguidamente é introduzida a calda de cimento que, quando tiver preenchido todo o espaço disponível no furo começará a sair pelo tubo de respiro.

Finalmente o tubo de injecção é rolhado de modo a não permitir a saída da

calda.

A mistura mais conveniente água/cimento é ditada pelas características do

equipamento de injecção. A proporção em peso de 0,4 é normalmente satisfeita.

No mercado há equipamentos para a instalação mecanizada de cabos incluindo a própria acção de introdução da calda.

incluindo a própria acção de introdução da calda. Fig.34 – Equipamento de comprimentos até 50 m.

Fig.34

Equipamento

de

comprimentos até 50 m.

pregagem

em

qualquer

direcção

para

A – Jumbo completamente mecanizado.

B – perfuração combinada com uma unidade de instalação de cabos.

Podemos considerar que dispondo de um sistema mecânico para instalação do cabo, serão necessários cerca de 30 minutos para a instalação de um cabo com cerca de 20 m, num furo inclinado descendente.

Fig. 35 – Princípio de instalação de um cabo num furo inclinado. 5.1.4 – Instalação

Fig. 35 – Princípio de instalação de um cabo num furo inclinado.

5.1.4 – Instalação de pregos de fixação por atrito.

5. 1 .4. 1 – Split set.

O prego é forçado por impacto axial a penetrar no furo de diâmetro inferior

previamente feito.

A energia de impacto de um stoper ou de um martelo com coluna é

normalmente utilizada para a sua colocação.

Um diâmetro correcto do furo é a razão mais vulgar para a garantia de eficiência do processo.

Este tipo de prego não pode ser tensionado mas entra imediatamente em serviço.

Pode ser usado nas condições mais variadas do maciço rochoso, não sendo porém recomendado em rochas muito brandas e fracturadas.

Fig.36 – Instalação do split set. Tempo de instalação – 40 segundos para um tirante

Fig.36 – Instalação do split set.

Tempo de instalação – 40 segundos para um tirante de 1,9 m excluindo o tempo de perfuração.

5. 1 .4.2 – Swellex.

Após a execução do furo o tirante é introduzido manualmente, sendo em seguida expandido pela força hidráulica de uma bomba que injecta água a alta pressão no interior do tirante.

A expansão do tirante, realizada do interior para o exterior, provoca um

ligeiro encurtamento daquele e consequente força de tracção axial que cria na

superfície de contacto da placa com a rocha uma tensão de compressão, entrando imediatamente em serviço.

A única precaução exigida ao operador é a correcta regulação da pressão

de injecção da água. A bomba pára quando essa pressão é atingida e assim esta assegurada a correcta instalação.

Fig.37 – Instalação de swellex. A pressão normal de características do terreno. injecção de 300

Fig.37 – Instalação de swellex.

A

pressão

normal

de

características do terreno.

injecção

de

300

bar

pode

ser

ajustada

às

Em terrenos onde se esperam grandes movimentos, a redução de pressão de injecção para 240 bar, pode conferir ao sistema uma maior flexibilidade deixando deslizar o tirante sem que seja perdida a sua eficiência.

Tempo de instalação – 25 segundos para um tirante de 2,4 m.

de instalação – 25 segundos para um tirante de 2,4 m. Fig.38 - Princípio de funcionamento

Fig.38 - Princípio de funcionamento e instalação de Swellex.

Fig.39 – O Swellex adapta-se às irregularidades do furo. Fig.40 – Swellex utilizado com cabos

Fig.39 – O Swellex adapta-se às irregularidades do furo.

Fig.39 – O Swellex adapta-se às irregularidades do furo. Fig.40 – Swellex utilizado com cabos de

Fig.40 – Swellex utilizado com cabos de amarração.

Fig.41 – Aplicação de injecções através do prego swellex. 5.2 – Testes de eficiência de

Fig.41 – Aplicação de injecções através do prego swellex.

5.2 – Testes de eficiência de uma pregagem.

As falhas de um sistema de reforço podem ocasionalmente serem atribuídas ao material de que é constituído o tirante mas, na maior parte dos casos elas devem ser atribuídas às condições de instalação.

Causas mais comuns:

- Escolha incorrecta do sistema.

- Colocação incorrecta dos furos: Muito longos ou muito curtos

- Diâmetro incorrecto dos furos.

- Incorrecta limpeza dos furos.

- Comprimento de selagem dos furos.

- Superfície do aço com gordura.

- Vida das resinas ou cimento ultrapassada.

- Má mistura da calda.

- Entupimento do tubo de respiro.

- Má selagem da boca do furo.

- Lubrificação deficiente das porcas de aperto.

- Instalação incorrecta.

- Programa de teste impróprio.

- Falta do sistema de observação e controlo do sistema (instrumentação).

Como

vemos

as

especializado.

causas

são

extensas

sendo

indispensável

pessoal

Mesmo assim é importante a montagem de um sistema de teste após instalação.

Teste de arranque. É similar ao processo de tensionamento. A força de arranque e deslocamento são registados.

o

Teste de torque.

A carga no tirante pode ser medida indirectamente com uma chave de

torque. O torque é aplicado até que a fêmea comece a rodar.

Célula da carga.

A carga no tirante pode ser medida por meio de uma célula colocada entre

a face da rocha e a placa. Quando bem instalada dá uma leitura correcta da carga em função do

tempo.

Sobrecarotagem. Realização de uma sondagem com direcção coincidente com o eixo do tirante com diâmetro francamente superior, permitindo observar no testemunho recolhido a aderência da calda ao tirante e à rocha e porventura fenómenos de corrosão.

A eficiência do swellex.

Pode ser testada decorrido algum tempo após aplicação. Utilizando a mesma bomba da aplicação, se a pressão de instalação não for atingida evidencia a rotura do próprio tirante.

Ensaios electrónicos não destrutivos.

A qualidade da selagem da resina e cimento e o comportamento dos

pregos utilizados podem ser verificados baseados nos princípios do estudo de ondas de tensão reflectidas. Sensores à base de cristais piezométricos são fixados no topo livre do

prego.

Ondas de compressão e flexão são transmitidas ao prego. As ondas

elásticas são reflectidas a partir do extremo inferior do prego sendo registadas no outro extremo pelos cristais piezométricos. Se a selagem for perfeita, a amplitude de onda reflectida é mais reduzida do que se a selagem fosse de má qualidade.

A partir do intervalo de tempo entre a onda excitada e a onda reflectida, é

possível calcular o comprimento do prego. A amplitude da onda reflectida ou das sucessivas reflexões pode ser amortizada e assim estimadas as condições do

tirante, isto baseado no teste de calibração.

Utilizando o instrumento (Boltometro), foi possível definir as diferentes classes seguintes referentes à qualidade de selagem dos tirantes:

A

– Semi-reflexão – selagem óptima, pregos até 2,3 m.

B – Uma só pequena reflexão – Selagem suficiente.

C – Uma grande reflexão ou várias pequenas – Selagem insuficiente.

D – Várias reflexões grandes – O prego poderá facilmente ser arrancado

com macaco hidráulico.

5.3 – Capacidade de suporte.

A capacidade de suporte depende essencialmente do tipo de prego, mas

dentro do mesmo tipo essa capacidade varia consideravelmente, dependendo fundamentalmente da qualidade da técnica quando da instalação.

Os teste de arrancamento devem ser considerados de muito interesse fornecendo uma medida da capacidade de suporte e permitindo a sua comparação entre diferentes tipos de pregos.

Isto não quer dizer que estes testes sejam usados exclusivamente para uma avaliação do sistema apropriado de reforço para determinada situação.

uma

descontinuidade é maior do que 40º, a cedência resulta de uma acção de tensão e simultaneamente corte.

Quando

o

ângulo

definido

pelo

eixo

do

prego

e

a

face

de

Quando o ângulo definido pelo eixo do prego e a face de Fig.42 – Ensaio de

Fig.42 – Ensaio de arrancamento de um tirante.

A solução final resulta, na maior parte dos casos, da experiência do engenheiro e dos resultados dos ensaios previamente realizados na obra.

e dos resultados dos ensaios previamente realizados na obra. Fig.43 – A, extensómetro multiponto. B, Detalhe

Fig.43 – A, extensómetro multiponto. B, Detalhe do sistema de leitura do potenciómetro.

Nas figuras anexas apresentam-se gráficos resultantes de testes de arrancamento para diferentes tipos de pregos utilizados num mesmo maciço rochoso.

tipos de pregos utilizados num mesmo maciço rochoso. 1. Condições estáveis Leituras menos frequentes 2.

1. Condições estáveis Leituras menos frequentes

2. Condições quase estáveis. Leituras menos frequentes

2. Condições quase estáveis. Leituras menos frequentes 3. Condições instáveis Leituras regularmente 4.

3. Condições instáveis Leituras regularmente

4. Condições a ficar instáveis. Leituras mais frequentes.

Fig.44 – Exemplos de leituras típicas de um extensómetro.

Escavações subterrâneas II 77
Escavações subterrâneas II 77
Fig.45 – Curvas características de diferentes tipos de pregagem. É importante reconhecer as limitações destes

Fig.45 – Curvas características de diferentes tipos de pregagem.

É importante reconhecer as limitações destes valores dado que dependem muito das condições do maciço e da técnica de instalação.

Um prego sujeito a um esforço de corte terá uma capacidade de suporte menor do que quando sujeito a um puro esforço de tracção.

Os pregos de fixação mecânica são menos adaptáveis ás acções de deslizamento que os selados com resina ou cimento.

uma

descontinuidade é maior do que 40º a cedência resulta de uma acção de tensão e simultaneamente corte.

Quando

o

ângulo

definido

pelo

eixo

do

prego

e

a

face

de

6 – INTERACÇÃO ENTRE MACIÇO E REFORÇO.

É importante apreciar as diferenças qualitativas desta interacção entre

pregagens de fixação mecânica, por selagem e por atrito, com o maciço rochoso.

Na fixação mecânica, a tensão de tracção é constante ao longo de todo o comprimento livre do tirante.

Qualquer deslocamento entre os dois pontos extremos do tirante, cabeça de amarração e placa será distribuído ao longo do tirante, que se irá alongar, conferindo a este tipo de reforço uma certa flexibilidade (regime elástico).

Nos tirantes completamente selados, a carga é transferida da calda de selagem para a rocha, ficando assim garantida uma boa selagem, porque a deformação do maciço rochoso não pode ser separada da deformação do tirante.

A carga é distribuída no maciço até uma distância que varia entre 5 a 10 vezes o diâmetro do tirante. Neste caso o sistema não é flexível.

No reforço com fixação por atrito, o fenómeno das deformações do maciço e do tirante é semelhante e não podem ser individualizadas, caso do swellex. Neste caso não haverá deslizamento, até que se atinja a carga de rotura.

É questão normalmente

levantada,

saber quando o

uso de tirantes

tensionados deve ser preferido em prejuízo dos não tensionados.

Diz-se que um tirante é tensionado, quando após amarração o tirante é

submetido a um esforço de tracção, de modo a que a chapa aplique sobre a face do maciço, uma acção de compressão.

O tirante não poderá ser tensionado para além do seu comportamento

elástico. Nestes casos, o tirante entra imediatamente a trabalhar após a colocação.

Os tirantes não tensionados só se deformarão elasticamente, quando a deformação do próprio terreno o solicitar.

O reforço com tirantes tensionados tem o mesmo tipo de tensionamento

que o do betão pré-esforçado. O seu comportamento deve ser comparado com o

dos tirantes não tensionados, que juntamente com o maciço rochoso actuam como se tratasse de uma estrutura fracturada em betão armado.

Quando são usado tirantes tensionados num maciço irregular fracturado, os blocos individualizados interactuam criando por atrito um arco natural reforçado, não se vindo a verificar pontualmente significativas deformações.

Contudo, tirantes não tensionados selados, instalados próximo das frentes de desmonte, podem vir a tornar-se tensionados por relaxamento do maciço rochoso, não se aconselhando aqui o pré-tensionamento.

Na maior parte dos casos, a carga suportada pelos tirantes é consideravelmente menor do que as que actuam no maciço e o reforço proporciona ao maciço rochoso a capacidade de se auto-suportar, excepto naqueles em que o dimensionamento do suporte visa apenas a carga resultante do peso morto dos blocos.

Para compreender bem o reforço por pregagem, é necessário considerar a interacção entre o reforço e o maciço rochoso.

Quando a compartimentação do maciço é bem conhecida, a pregagem com tirantes e cabos é a solução recomendada como reforço, isto é, em situações onde os blocos instáveis em forma de cunha são livres de deslizar pela acção do peso próprio. O seu dimensionamento é mais simples do que o dos arcos metálicos, quando sujeitos a cargas excêntricas.

Em situações mais complexas, com existência de tensões residuais, a elasticidade e o tempo de instalação do reforço tornam-se muito importantes.

Este fenómeno é facilmente analisável na curva de reacção do maciço.

é facilmente analisável na curva de reacção do maciço. Fig.46 – Curvas de reacção. Se o

Fig.46 – Curvas de reacção.

Se o reforço for instalado antes de ter ocorrido o relaxamento do terreno, aquele irá suportar cargas excessivas, isto se o tipo de reforço não tiver sido seleccionado de modo a consentir uma certa deformação.

Se pelo contrário, o reforço for instalado após e relaxamento do terreno e os terrenos não forem suficientemente rígidos, a deformação plástica do maciço continuará, resultando excessivamente grande para o tipo de reforço escolhido.

6.1 - Projecto de reforço.

O sistema de reforço com tirantes ou cabos, deve ser concebido visando

minimizar as deformações induzidas pelo peso morto da rocha fracturada, mas considerando as resultantes da redistribuição das tensões no maciço circundante à escavação. O princípio base é estabilizar os blocos que afloram na superfície

envolvente da escavação ou deformações geológicas distintas, reduzindo os deslocamentos entre blocos adjacentes.

Para além da sua capacidade e aspecto construtivo, não há diferenças significativas entre pregagem com tirantes ou com cabos selados.

O desenho do reforço aqui considerado para tirantes selados é também

aplicável para um reforço utilizando cabos.

Na generalidade, a estabilidade de uma escavação subterrânea, próxima da superfície, com baixas tensões circundantes, depende fundamentalmente das condições estruturais do maciço rochoso, enquanto que em escavações profundas, são as relações entre tensões no maciço e a carga de rotura da rocha, que determinam a sua estabilidade. Em minas profundas, em que as tensões excedem localmente a carga de rotura da rocha, os métodos de reforço por pregagem estão menos desenvolvidos do que os utilizados em níveis próximo da superfície, onde a natureza do maciço condiciona a estabilidade da escavação.

Quanto menor a tensão, mais significativa se torna a estrutura no encontro de estabilidade. A dimensão e orientação das estruturas geológicas que intersectam a escavação, são importantes na estimativa de dimensionamento da zona com comportamento plástico e consequentemente no dimensionamento do próprio reforço.

Quando para o sustimento provisório se opta pela pregagem, a determinação das deformações é essencial para a selecção e oportunidade da colocação do suporte definitivo mais aconselhável.

Esta é a filosofia do NATM – Novo Método Austríaco de Escavação de Túneis.

A concepção dos sistemas de reforço por pregagem deve basear-se em:

- Análise da estabilidade estrutural.

- Avaliação empírica.

- Modelos numéricos.

Seja qual for o método seleccionado, é importante considerar os seguintes pontos:

- O dimensionamento deve ser desenvolvido ao longo do período de construção, fazendo uso de instrumentação para controlo das tensões e deformações.

- Deverá haver a preocupação de estabelecer uma relação equilibrada entre segurança e economia.

- As propostas de carácter teórico deverão ser complementadas pela experiência e sensibilidade do engenheiro.

6.2 - Análise da estabilidade estrutural.

Apesar da estabilidade de uma escavação subterrânea próxima da superfície, geralmente dependente da estrutura geológica, especialmente em rochas duras, a análise das tensões poderá ser ainda de interesse.

A zona circundante à escavação sujeita à descompressão e deslizamento

ao longo de fracturas e tensões resultantes da instabilidade dos blocos circundantes à escavação tem a maior importância.

Consideremos 4 exemplos de maciços rochosos fracturados:

Consideremos 4 exemplos de maciços rochosos fracturados: Fig.47 – Exemplos de maciços fracturados. Escavações

Fig.47 – Exemplos de maciços fracturados.

A estabilidade de uma escavação pode ser analisada segundo três

aspectos diferentes:

- Análise da estabilidade dos blocos circundantes.

- Conceito de viga em rochas estratificadas.

- Conceito de arco.

6.3 - Análise da estabilidade dos blocos circundantes.

É aplicável no caso da existência de blocos em forma de cunha ou outros

livres, que deslizam pela acção do próprio peso.

A determinação do seu volume levanta algumas dificuldades. Deve ser

estimado, baseando-se na dimensão e orientação das fracturas que definem o bloco,

Para a determinação da forma, peso e direcção de deslizamento, a projecção estereográfica poderá ser a solução.

O número de tirantes necessários para suportar o bloco, poderá assim ser

calculado conhecido o seu peso.

6.4 - Suporte de blocos que ameaçam cair.

Neste caso, o atrito nos planos de fractura não é considerado. Apenas o seu peso próprio.

A determinação do comprimento do tirante deve basear-se nas dimensões do bloco, devendo ser considerado um certo grau de incerteza na avaliação daquelas dimensões.

O comprimento do tirante deverá ser suficiente para que a sua amarração

se verifique no maciço firme. No caso de selagem com cimento, o comprimento

de amarração não deverá ser inferior a um metro.

O número de tirantes deve ser calculado considerando um factor de

segurança igual ou superior a 2.

Seja:

N

Em que:

=

W

×

f

B

N – Nº de tirantes. W – Peso da cunha (bloco). f – Factor de segurança.

2 f 5

(bloco). f – Factor de segurança. 2 ≤ f ≤ 5 Fig.48 – Suporte de bloco

Fig.48 – Suporte de bloco em cunha.

6.5 - Suporte de blocos que ameaçam deslizar.

Seja:

N

=

Em que:

W

×

(

f

×

sen

β

cos

)

βφ

×

tg

C

×Α

B

(

××

cos

α

φ

tg

+

f

×

sen

α

)

N – Nº de tirantes. W – Peso do bloco incluindo o peso de outros blocos suportados por aquele.

f - Factor de segurança 1,5 f 3 ; conforme o carácter mais ou menos

permanente do suporte. β – Ângulo de superfície de deslizamento.

Φ – Ângulo de atrito na superfície de deslizamento com a horizontal.

C – Coesão na superfície de deslizamento.

A – Área de superfície de deslizamento.

B – Capacidade de suporte do tirante.

α - Ângulo definido pelo eixo do tirante e pela normal à superfície de deslizamento.

do tirante e pela normal à superfície de deslizamento. Fig.49 – Deslizamento no hasteal. O ângulo

Fig.49 – Deslizamento no hasteal.

O ângulo de atrito, a coesão e a capacidade de suporte do tirante numa

direcção particular relativa à superfície de deslizamento, são de difícil avaliação.

Considere ser N o número mínimo de tirantes por fiada. O espaçamento entre fiadas ditará o peso W suportado por cada fiada. Assim o espaçamento dependerá da capacidade de suporte conjunta de cada fiada de tirantes.

A coesão varia muito, pois depende do tipo de material de enchimento e

do teor em água.

Para uma argila deve ser relativamente inferior a 1. Considerá-la igual a zero será introduzir um elevado coeficiente de segurança. (ver capacidade de suporte dos diferentes tipos de tirantes).

Tabela 13 – valores típicos de ângulo de atrito interno. 6.6 - Conceito de viga

Tabela 13 – valores típicos de ângulo de atrito interno.

6.6 - Conceito de viga em rochas estratificadas.

interno. 6.6 - Conceito de viga em rochas estratificadas. Fig.50 – Viga em rocha estratificada. Escavações

Fig.50 – Viga em rocha estratificada.

Em rochas estratificadas horizontalmente, o tecto da escavação é controlado pela espessura dos estratos que tendem a flectir. Assim, nas escavações em rochas sedimentares realizadas com tectos planos, é constituída uma viga estrutural conseguida com a aplicação de tirantes.

6.6.1 - Caso de uma viga com uma camada sobrejacente competente.

Os tirantes devem fazer a amarração na camada competente. O número de tirantes é ditado pelo peso próprio do estrato subjacente.

Seja: W = f ××SCh×× ρ

Em que:

W – Peso da porção de rocha suportada por um tirante.

f - Factor de segurança 1,5

f

3, dependente do carácter mais ou

menos permanente do suporte.

S

– Espaçamento entre tirantes.

C

– Espaçamento entre linhas de tirante.

h

– Espessura da camada instável.

ρ – Densidade da rocha.

Os tirantes laterais devem ser inclinados para o exterior de modo a aumentar a sua acção ao corte.

6.6.2 - Caso de uma viga em rocha estratificada.

a aumentar a sua acção ao corte. 6.6.2 - Caso de uma viga em rocha estratificada.

Fig.51 – Suporte para formação de uma viga em rocha estratificada.

Devem ser utilizados tirantes tensionados de modo a criar uma interacção entre os diferentes planos de estratificação.

Recomenda-se o uso de um monograma proposto por PANEK.

O dimensionamento do suporte baseado neste monograma deverá incluir

os seguintes passos:

1º - Estimar a espessura (e) dos diferentes estratos – escolher um tirante

cujo comprimento permita a amarração estreita com espessura e resistência suficientes.

2º - Realizar ensaios de arrancamento de modo a determinar o valor correcto do tensionamento. O tensionamento a aplicar deverá ser 0,6 da carga de rotura à tracção do tirante.

3º - É estimado o número mínimo de tirantes por linha perpendicular ao eixo da escavação. Se existirem fracturas sub verticais no tecto, a distância entre tirantes (S), numa mesma linha, deverá ser igual a 3 × e (espessura do estrato).

4º - O espaçamento entre fiadas C, será sensivelmente igual a S.

5º e 6º - Conhecido o vão, é fácil determinar o factor de segurança que será sempre 2. Este factor está relacionado com o decréscimo percentual da flexão no tecto.

Exemplo:

Largura da escavação Espessura do estrato Comprimento do tirante Tensão do tirante

a = 5 m e = 0,08 m L = 1,2 m = 4,5 t.

Do monograma, seguindo a, b, c, d, e, f e g, um espaçamento S = 1,7 e C = 0,5 m, resultará em 67% da carga máxima de rotura à flexão a que corresponde um factor 3.

Ábaco 4 – Monograma de PANEK. 6.7 - Conceito de arco. Se a abóbada de

Ábaco 4 – Monograma de PANEK.

6.7 - Conceito de arco.

Se a abóbada de escavação é curva num maciço fracturado, forma-se num arco natural resultante de uma redistribuição de tensões à medida que a escavação aumenta. A rocha que constituirá esse arco é submetida inicialmente a esforços de compressão.

A espessura desse arco depende do tipo de rocha e da largura da escavação.

Para manter a estabilidade desse arco natural, recorre-se ao reforço por meio de tirantes, cujo comprimento deverá ultrapassar francamente a espessura do arco constituído por rocha fracturada, de modo a que a amarração se realize na zona ainda não descomprimida.

a amarração se realize na zona ainda não descomprimida. Fig.52 – Conceito de arco desenvolvido na

Fig.52 – Conceito de arco desenvolvido na abóbada de uma escavação com fracturação moderada.

Aqui surge a dificuldade de avaliar, num dado momento após a escavação, qual será essa espessura.

O Instituto Norueguês para o desenvolvimento das técnicas de desmonte com explosivos, propõe a seguinte fórmula para estimar qual o comprimento do tirante a aplicar.

h = 1,4 + 0,184 × a

Em que:

h = Comprimento do tirante em metros.

a = largura da escavação.

O espaçamento entre tirantes é ditado pela densidade de fracturas,

devendo ser 2 a 3 vezes o espaçamento médio entre fracturas.

Se esta é moderada, é recomendado o uso de tirantes não tensionados.

moderada, é recomendado o uso de tirantes não tensionados. Fig.53 - Conceito de arco desenvolvido na

Fig.53 - Conceito de arco desenvolvido na abóbada de uma escavação com fracturação intensa.

Se a fractura é intensa, então o uso de tirantes tensionados deverá ser a

solução, criando-se um arco reforçado constituído pela zona fracturada.

A “zona solta” de rocha abaixo do arco natural foi reforçada por pregos tensionados. Isto cria um arco artificial perto do tecto da escavação. A rocha solta entre os pregos tem que ser suportada por uma rede ou betão projectado.

Esta solução tem particular interesse em estruturas pouco competentes, onde a fronteira da zona ainda não descomprimida está relativamente afastada do tecto da escavação.

Este conceito colide com a solução anteriormente proposta, onde se pretende que a amarração dos tirantes não tensionados se faça na zona ainda não descomprimida.

Num arco, o reforço tem como objectivo aumentar não só a resistência ao corte nos planos de fractura, como também a tensão normal a esses planos. A experiência demonstrou que o espaçamento entre tirantes deverá satisfazer à seguinte relação:

h/S = 2

Em que:

h

= Comprimento do tirante em metros.

S

= Espaçamento dos tirantes em metros.

Este

espaçamento

aflorantes (e).

é

dependente

do

intervalo

médio

entre

fracturas

Numa situação limite, o espaçamento deverá ser:

S 3 × e

e = intervalo médio entre fracturas

O tensionamento deve ser:

0,5 B < T < 0,8 B

Em que:

T

= Tensão aplicada ao tirante.

B

= Capacidade de suporte do tirante.

Este conceito de reforço de uma abóbada curvilínea formando um arco estruturalmente competente, é fundamental no desenvolvimento de um projecto de sustimento, sendo a base da maior parte dos métodos empíricos de projecto.

6.8 - Avaliação empírica.

A avaliação empírica de um reforço, proporciona um suplemento útil de um

trabalho analítico detalhado.

Pode ser muito útil quando não existe informação geotécnica adequada ou os modelos analíticos não são adaptáveis.

Desde que seja possível uma avaliação técnica capaz das condições encontradas, a avaliação empírica, baseada no uso dos sistemas de classificação geomecânica, proporciona excelentes directrizes para um apropriado projecto de suporte. (Ver sistemas de classificação geomecânica).

6.9 - Modelos numéricos.

Modelos numéricos, tais como o método dos elementos finitos e o método dos elementos de fronteiras, podem ser utilizados para o estudo do reforço de um maciço rochoso.

Nestes modelos, porções de maciço contendo fracturas e os próprios tirantes a aplicar, são representados por elementos espaciais.

As deformações destes elementos submetidos a condições específicas de vizinhança, são avaliados por meio de cálculos potentes, sendo fácil o cálculo das deformações da estrutura que foi simulada.

O engenheiro compara as deformações medidas com as calculadas e

assim, progressivamente, concebe o reforço.

A incerteza dos dados geotécnicos introduzidos a par da difícil modelação

dos elementos de reforço (tirante) tem levantado algumas dificuldades, sendo contudo indiscutível o interesse complementar dos raciocínios por este método.

O ingrediente essencial de um programa de reforço é a sua capacidade de

adaptação às condições tão variadas que se encontram no terreno quando da

escavação.

É importante que o engenheiro inicie o trabalho com uma ideia clara do

que pretende, baseado nos estudos teóricos, na experiência e nas soluções disponíveis.

O que é mais importante é a capacidade do engenheiro em adoptar as

soluções de suporte disponíveis às constantes mudanças de condições do terreno.

A insistência no uso de um sistema de suporte pré-seleccionado, poderá

conduzir a soluções pouco efectivas e pouco económicas.

6.10 - Esquemas de sustimento.

(Praticado com sucesso nas minas de Aljustrel).

Objectivo:

- Sistematizar o suporte na mina, contribuindo para a sua racionalização e optimização. - Como exercício, o suporte deve ser comparado com o proposto nas classificações geomecânicas.

1. Os esquemas de sustimento são para execução imediata e permanente, podendo ser aperfeiçoadas de acordo com os resultados obtidos.

2. Cada esquema de sustimento corresponde a um suporte mínimo.

3. Dois ou mais esquemas de sustimento podem ser aplicados em simultâneo, de modo a conseguir-se um reforço da segurança.

4. Os esquemas de sustimento deverão ser entendidos como uma contribuição para a segurança pessoal e aumento da produtividade, e não como um obstáculo às operações de produção.

Regras gerais de aplicação.

1. Nunca esquecer o saneamento manual ou mecanizado do tecto e hasteais.

2. Aplicar imediatamente ou o mais rápido possível, o esquema de sustimento adequado. Só assim se obterá o máximo proveito do suporte instalado.

3. As ancoragens deverão ser colocadas o mais perpendicularmente possível à estratificação ou fracturação.

Considerações sobre a qualidade da rocha. Classificação geomecânica. Parâmetros mais importantes.

a qualidade da rocha. Classificação geomecânica. Parâmetros mais importantes. Escavações subterrâneas II 95
a qualidade da rocha. Classificação geomecânica. Parâmetros mais importantes. Escavações subterrâneas II 95
a qualidade da rocha. Classificação geomecânica. Parâmetros mais importantes. Escavações subterrâneas II 95
a qualidade da rocha. Classificação geomecânica. Parâmetros mais importantes. Escavações subterrâneas II 95
a qualidade da rocha. Classificação geomecânica. Parâmetros mais importantes. Escavações subterrâneas II 95
Escavações subterrâneas II 96
Escavações subterrâneas II 97
Escavações subterrâneas II 98
Escavações subterrâneas II 99
Escavações subterrâneas II 100
Escavações subterrâneas II 101
Escavações subterrâneas II 102

7. DIMENSIONAMENTO DO SUSTIMENTO.

7.1 – Método de convergência – Confinamento.

É um método baseado no cálculo analítico de interacção entre o maciço

rochoso e os sustimento.

É um método de cálculo simples mas eficiente na maior parte dos casos.

Não atendendo à geometria de escavação, à anisotropia do comportamento mecânico e das tensões geostáticas, permite no entanto ter em conta factores mais importantes quanto ao equilíbrio do conjunto maciço rochoso/sustimento.

Esses factores são:

- Deformabilidade do terreno, isto é, o seu comportamento após a rotura e ao longo do tempo.

- A rigidez do sustimento.

- A deformação do maciço rochoso antes da colocação do sustimento.

O método conduz-nos a um pré-dimensionamento do sustimento no caso

de galerias de secção circular a médias e grandes profundidades, com tensões que podem ser consideradas homogéneas e isotrópicas.

Em casos mais complexos, o método fornece orientação na fase de ante- projecto, quando da escolha do tipo de sustimento e estima a grandeza das deformações.

Este método tem sido desenvolvido simultaneamente com o método de escavação conhecido como o Novo Método Austríaco (NATM), que na sua generalidade não é mais do que uma escavação acompanhada de sustimento imediato e que conduz à participação efectiva do terreno na procura da sua própria estabilidade.

O objectivo do sustimento não será na generalidade opor-se à deformação

do terreno envolvente à escavação, mas sim limitar o desenvolvimento da zona envolvente dita plástica.

É assim possível optimizar as características e os custos do sustimento.

A par de uma auscultação por instrumentação sistemática durante a

realização do trabalho, é possível a adaptação das condições previstas no projecto às condições reais, à medida que o avanço progride.

Fig.54 – Curvas características. Escavações subterrâneas II 104

Fig.54 – Curvas características.

Fig.55 - curvas características de uma escavação circular. De acordo com a figura, consideremos uma

Fig.55 - curvas características de uma escavação circular.

De acordo com a figura, consideremos uma secção circular de escavação num terreno em que o estado inicial de tensões é isotrópico de valor σ 0 . Admite-se que a cavidade pré-escavada é preenchida simultaneamente por um líquido pressurizado a uma pressão P, correspondente a σ 0 .

Nesta situação o deslocamento da parede é nulo (ponto A da figura).

Reduzindo a pressão P, verifica-se um deslocamento radial U, resultante da descompressão do maciço envolvente.

Na primeira fase o terreno tem um comportamento elástico; a curva P = f(U), pressão (deslocamento é linear entre os pontos A e B).

Numa segunda fase, poderá verificar-se em torno da cavidade um

fenómeno de rotura, dando origem a um comportamento plástico, aumentando-se

a deformação, situação representada pelo tramo BC da curva P = f(U).

Esta curva é conhecida como curva característica do maciço rochoso.

Se a curva corta o eixo do deslocamento, este terá um valor final quando P

= 0 e a escavação será estável sem recurso a sustimento. O factor tempo poderá comprometer este equilíbrio.

Se pelo contrário, a curva não encontra o eixo das abcissas, a cavidade não é estável, necessitando imperativamente de sustimento.

7.1.2 - Curva característica do sustimento.

Na mesma figura 55, a curva (4) fornecerá a deformação do sustimento quando sujeito a uma variação de tensão imposta pela deformação do terreno. Supondo que a deformação do sustimento se verifica dentro do domínio elástico, a curva característica do sustimento será uma recta (ver diferentes tipos de sustimento).

Porque há sempre um intervalo de tempo mais ou menos dilatado entre a escavação e a colocação do sustimento, a carga sobre este inicia-se já após se ter verificado deformação do terreno (ponto O).

O ponto de equilíbrio verifica-se quando as duas curvas se intersectam.

Este ponto de equilíbrio será diferente, dependente do momento em que o sustimento é colocado.

O ponto M define o limite da capacidade do sustimento que por razões de

segurança nunca deverá ser atingido.

À passagem do tempo por influência da viscosidade/fluência do terreno, a

curva característica do terreno poderá modificar-se (caso das curvas 2 e 3), alterando as condições de equilíbrio.

Notas importantes.

Convergência.

É a aproximação das paredes da escavação, sendo igual ao dobro da

deformação U.

Rigidez.

K – Homogéneo ao módulo de deformação, que relaciona a variação de

pressão radial P com o deslocamento da parede U.

p

=

K

R

×∆

U

Taxa de desconfinamento do terreno.

λ =

σ

0

P

σ

0

Em que:

σ 0 – Tensão inicial homogénea e isotrópica.

P – Pressão sobre o sustimento em cada ponto da curva característica do

terreno.

Se o terreno tem um comportamento elástico, o deslocamento U está relacionado com a taxa de desconfinamento.

U =λ× Ue

Em que Ue é o deslocamento elástico quando P = 0.

7.3 - Traçado da curva característica do terreno e do sustimento.

O cálculo da curva característica de um terreno não é trabalho fácil devido

ao elevado número de parâmetros que poderão intervir no cálculo.

O método mais elementar permite resolver com precisão satisfatória os

problemas do sustimento que normalmente se levantam.

O método que se expõe recorre ao uso de um programa informático

compatível com IBM-PC, apoiado na proposta apresentada pelos autores HOEK-

BROWN no seu livro “Underground Escavation in Rock”.

Hipóteses básicas do programa.

Geometria da escavação. Supõe-se uma escavação circular de raio r i .

Tensões de campo. Supõe-se que o campo de tensões naturais é uniforme, de modo que as tensões verticais e horizontais são iguais a P 0 .

Tensão do sustimento.

O sustimento após a sua colocação desenvolve uma pressão radial

uniforme P i .

Extensão da zona plastificada. Se a rocha se plastifica em torno da escavação, forma-se um anel de rocha fracturada cujo raio exterior é r e .

Características iniciais do maciço rochoso.

A

rocha comporta-se elasticamente sendo

E

– Módulo de Young.

υ - Coeficiente de Poisson.

Segundo Hoek-Brown, o critério de rotura será:

σσ′=

3+

c

2

+ mr ×σσσc×

Em que.

m e s têm os valores dados pelo quadro 1, em função das características da rocha.

pelo quadro 1, em função das características da rocha. Tabela 14 – Valores típicos dos parâmetros

Tabela 14 – Valores típicos dos parâmetros do critério de rotura de Hoek-Brown.

7.4

- Características do maciço rochoso após rotura.

Quando

o

maciço

rochoso

se

plastifica

e

se