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O PÃO NOSSO DE CADA DIA

Título Original
“Hibi no Kate”

ÍNDICE DO LIVRO

PREFÁCIO

O PLANO DIVINO

O SER HUMANO

O TEMPO

O S A LVA D O R

E N S I N AM E N T O S D A S A LVA Ç ÃO

O SOLO SAGRADO

O REINO DOS CÉUS NA TERRA

VERDADE, BEM E BELO

JOHREI

A LUZ DA INTELIGÊNCIA

MAKOTO

AMOR AO PRÓXIMO

EDUCAÇÃO

FUI SALVO

A FELICIDADE

O CAMINHO DO HOMEM

C O M P O R TAM E N T O D O H O M E M NA S O C I E D A D E

HONESTIDADE E MENTIRA

G R ATI D ÃO E R E T R I B UI Ç ÃO

DOENÇA

A V O N TA D E D E D E U S

O BEM E O MAL

AD M O E S TA Ç ÃO
O HOMEM VERDADEIRO

GRAÇAS DIVINAS

A P R O V I D Ê N C I A D A N AT U R E Z A

CIVILIDADE

MU N D O D E PA Z

JUSTIÇA

POLIMENTO DA ALMA

SERVOS DE DEUS

ARTE

UNIDADE VIDA E MORTE

PREFÁCIO

Nós, messiânicos, estudamos as Máximas e Pensamentos de Meishu-Sama, que


desejou intensamente que a fé se tornasse parte integrante de nossas vidas. Com
este objetivo e visando, igualmente, a transformação do nosso ambiente em Paraíso,
estamos nos empenhando na leitura de Seus Ensinamentos e na construção de uma
vida baseada na Vontade de Deus.
A fim de concretizar e de por em prática esse desejo, publicamos, portanto, este
livro, com o intuito de apreen-dermos a Vontade de Meishu-Sama e de Nidai-Sama
contida nesta obra.
Convém esclarecer que os Ensinamentos de Meishu-Sama são compilados, e, na
medida do possível, se relacionam à máxima transcrita no início de cada
Ensinamento. Gostaríamos, pois, que os prezados leitores estudassem o presente
volume cientes deste fato.

O PLANO DIVINO

“Desde o início da Criação Deus traçou Seu Plano para o estabelecimento do


Reino dos Céus na Terra.”

Nós, messiânicos, cremos em Deus, Criador do Universo. Cremos que, desde o


início da Criação, Deus objetivou estabelecer o Céu na Terra e tem atuado
continuamente para a concretização desse objetivo. Com tal propósito, fez do ser
humano o Seu instrumento para servir ao bem-estar da humanidade, condicionando
a ele todas as demais criaturas e coisas. Cremos, portanto, que a história humana
do passado constitui estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu na
Terra. Para cada época, Deus envia o Seu mensageiro e as religiões necessárias,
cada qual com sua missão.
Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em tão caótica situação, Deus
enviou o Mestre Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a
suprema missão de realizar o Seu sagrado objetivo de salvar toda a humanidade.
Por conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de eterna paz,
perfeitamente consubstanciado na Verdade-Bem-Belo, empenhamo-nos em fazer
sempre o melhor, erradicando a doença, a pobreza e o conflito, as três grandes
desgraças que assolam este mundo.
Alicerce do Paraíso, “Doutrina da Igreja Messiânica Mundial” – (11/03/50)
“Até quando permanecerão confinados nas trevas o Céu e a Terra criados por
Deus?”

(...) Conforme dissemos no capítulo anterior, explicando a relação entre o Mundo


Espiritual e o Mundo Material, tudo que acontece no Mundo Material é reflexo do
Mundo Espiritual. Neste último, está ocorrendo atualmente uma grande transição;
conhecendo esse fato, tudo se torna claro aos nossos olhos.
Todas as coisas existentes no Universo nascem e crescem, são criadas e
destruídas, numa evolução infinita, pela ação dos dois mundos. Se observarmos
com visão ampla, veremos que o Universo, ao mesmo tempo que é macroinfinito,
também é o Mundo Material, um corpo constituído de microinfinitos. Por sua
contínua transformação, há uma ininterrupta evolução da cultura. Meditando sobre
isso, não podemos deixar de sentir a “vontade” do Universo, isto é, o objetivo e os
planos de Deus.
Em tudo há positivo e negativo, claro e escuro; assim também, há diferença entre
noite e dia. Quando observamos a mudança das quatro estações do ano, o
progresso e declínio de todas as coisas, notamos que isso se encaixa perfeitamente
à vida humana. Existe diferença entre o grande, o médio e o pequeno em tudo. Com
relação ao tempo, temos o contraste entre o dia e a noite não só no espaço de um
dia, mas também em intervalos de um, dez, cem, mil, milhares ou milhões de anos.
É um fenômeno que ocorre no Mundo Espiritual; no Mundo Material, entretanto, só
notamos essa diferença no espaço de vinte e quatro horas.
No Mundo Espiritual, é chegada a hora da transição que se processa em intervalos
de milhares ou milhões de anos. Trata-se de um fato extremamente importante, cujo
conhecimento, além de nos permitir entender o princípio do Johrei, torna possível a
previsão do futuro do mundo e nos dá paz e tranqüilidade. Explicarei, a seguir, como
essa mudança está se refletindo no Mundo Material.
Até agora era noite no Mundo Espiritual. Nele, da mesma forma que no Mundo
Material, a noite é escura, e só periodicamente há luar. Como conseqüência,
predomina o elemento água. Quando a lua se esconde, resta apenas a luz das
estrelas; se estas forem encobertas pelas nuvens, a escuridão será completa.
Observando-se os fatos do Mundo Material, que são a projeção do que ocorre no
Mundo Espiritual, isso se torna muito claro. Pelas marcas deixadas até os nossos
dias, os períodos de guerra e paz, de ascensão e queda das nações, podem ser
comparados às fases crescentes ou minguantes da lua. É chegada, portanto, a hora
de se iniciar mais um ciclo, ou seja, encontramo-nos na iminência da mudança para
o dia. Estamos justamente na fase do alvorecer.
A transição da noite para o dia no Mundo Espiritual ocasionará uma experiência
inédita para a humanidade. Uma grande, espantosa, temível e ao mesmo tempo feliz
mudança está para ocorrer, e seus sinais já estão aparecendo. Vejamos.
O dia, no Mundo Espiritual, é como no Mundo Material: primeiro aparecem
pinceladas de luz do sol no horizonte, a leste. Atentem, por exemplo, para a grande
transformação ocorrida no Japão, o País do Sol Nascente. Nele já se iniciou o
colapso da Cultura da Noite, ou seja, da cultura já formada. Observem, também, o
desmoronamento das grandes metrópoles da cultura, a situação calamitosa da
economia industrial, a queda dos superpoderes, das classes privilegiadas, etc. Tudo
isso é conseqüência da mudança a que nos referimos. Logo virá a construção da
Cultura do Dia, que também já está raiando, representada, no Japão, pelo
desarmamento total, seguido da ascensão da democracia. Esses dois fatos,
absolutamente imprevisíveis desde a instituição do país como Nação, há dois mil e
seiscentos anos, será o primeiro passo para o estabelecimento da eterna paz
mundial.
O Mundo da Noite é um mundo de trevas, caracterizado pelas lutas, pela fome, pelas
doenças. Em contraposição, o Mundo do Dia é um mundo de luz, caracterizado pela
paz, pela abundância e pela saúde. O Japão atual expressa bem a fase de transição
entre esses dois mundos. O sol que desponta no leste, deverá atingir o zênite. E o
que significa isso? Significa o colapso total da Cultura da Noite; ao mesmo tempo,
ouvir-se-á o brado do nascimento da Cultura do Dia. Pode-se mais ou menos ter
uma idéia disso pelos fatos ocorridos no Japão, os quais, em pequena escala, já
mostram um modelo da nova cultura. Assim, aproxima-se o momento decisivo para
toda a humanidade, e ninguém poderá escapar. Resta ao homem apenas esforçar-
se para tornar os efeitos dessa ocorrência o mais brandos possível. Para isso, ele só
tem um meio: conhecer o princípio do Johrei e unir-se ao trabalho de construção da
Cultura do Dia.
Há um trecho na Bíblia que diz que seria pregado o Evangelho do Paraíso ao mundo
inteiro e depois viria o fim. Que quer dizer isso? Acredito firmemente que essa
missão será cumprida pelos meus Ensinamentos. (...)
O Evangelho do Paraíso, “A transição da Noite para o Dia” – (05/02/47)

“Quando todos os homens abrirem as portas dos seus corações,


desaparecerão as trevas que envolvem este mundo.”

Este volume é inédito na História. Em síntese, ele pode ser considerado como o
Plano para a Construção da Nova Civilização; constitui também as “Boas-novas do
Céu” e, ainda, a “Bíblia do Século XXI”. Isto porque a civilização atual não é
autêntica, mas apenas provisória, até o nascimento da nova e verdadeira civilização.
A referência bíblica sobre o Fim do Mundo ou Final dos Tempos significa o fim desse
mundo de civilização provisória. Também a profecia “E será pregado o Evangelho do
Reino dos Céus por todo o mundo, em testemunho a todos os povos, e então
chegará o fim” referia-se à difusão deste volume.
Na Bíblia estão coletados os Ensinamentos de Cristo, mas o presente livro é
revelação direta de Jeová, a quem Cristo se referiu repetidamente, chamando-o de
Pai do Céu. Cristo também advertiu: “Arrependei-vos, porque está próximo o Reino
dos Céus”. Cristo não disse que ele mesmo iria construir o Reino dos Céus.
Entretanto, eu não digo que o Reino dos Céus está próximo, mas sim, que ele já
chegou.
Atualmente, estou executando os preparativos básicos para a construção do Reino
dos Céus. Ela ainda se processa em pequena escala, mas as pessoas estão
admiradas com a força e os milagres surpreendentes que têm se manifestado. À
medida que o Plano Divino, em forma de protótipo, avança passo a passo, por outro
lado, mundialmente, o acerto de contas da Velha Civilização está sendo solicitado.
Isso vem a ser o início do Juízo Final, que, em essência, é a distinção entre o Bem e
o Mal. Ou seja, vamos entrar na fase em que o Mal perecerá e o Bem prosperará.
Para isso, será incalculável o número de vítimas. O motivo da publicação deste livro
está no amor de Deus, que, desejando reduzir ao mínimo o número de vítimas, dá o
primeiro grito da salvação. Mesmo assim, da Velha Civilização Deus irá selecionar o
bem e o mal, o certo e o errado. Aqueles que forem úteis serão poupados e,
paralelamente, as pessoas más e sem esperança serão extintas para sempre.
Infelizmente chegará esse momento.
Com o término do “Juízo Final”, evidentemente seguindo a ordem, terá início o
projeto do Novo Mundo. A reforma de toda a cultura, nessa época de transição, será
algo sem precedentes e que jamais poderemos ver no futuro. Sem dúvida, será a
correção dos erros da Velha Civilização e a diretriz da Nova Civilização. Uma coisa,
porém, nos deixa triste: a grande purificação que com certeza sobrevirá, por causa
das máculas que a humanidade veio acumulando ao longo de milhares de anos. Vou
explanar com detalhes, e, para aqueles que lerem, felizmente será o mesmo que ter
a corda da salvação à frente dos olhos. Portanto, devem agarrá-la sem qualquer
vacilação. Com a corda da salvação eu estou avisando a humanidade, advertindo-
lhe, em nome de Deus, que se arrependa. O que vem a ser isso, senão o grande
amor de Deus? Conscientizando-se desse fato, devem mudar imediatamente seus
pensamentos e começar a preparar seu espírito. É fato decisivo que, no final do
Julgamento, os homens de muitos pecados serão extintos e os de poucos pecados
serão salvos. Quem acreditar nessa advertência terá vida eterna e, ao mesmo
tempo, tornar-se-á habitante do Paraíso Terrestre, que será estabelecido no futuro.
Através do presente livro, desejo conscientizar plenamente os leitores de quão
profundo e amplo é o Plano do Supremo Deus e quão inferior e selvagem é a
civilização atual, fazendo com que obtenham firme convicção.
Jornal Eiko nº 170, Prefácio do livro “A criação da civilização” – (20/08/52)

“Através de sua visão limitada, o homem não pode perceber o plano traçado
por Deus para corrigir os erros do Céu e da Terra.”

Estou agora escrevendo sobre a situação real do Mundo de Miroku pregado por
mim, e pretendo publicar esse trabalho algum dia. No momento, vou escrever sobre
o processo até a construção daquele mundo.
O Mundo de Miroku é, sem dúvida, o Paraíso profetizado por Cristo e o Mundo de
Miroku pregado por Sakyamuni. E esse mundo ideal está prestes a nascer. De
acordo com a minha sensibilidade espiritual, os alicerces já foram levantados no
Mundo Espiritual. Dessa forma, em futuro próximo, não há dúvida de que o Mundo
de Miroku se projetará no Mundo Material. Estamos realmente repletos de felicidade
por termos nascido numa época tão gratificante.
Em relação a isso, é preciso saber, por exemplo, que para construir um prédio
suntuoso num terreno onde existe uma casa velha, é necessário destruir essa casa.
Naturalmente, dentre o material velho, o que for útil para a nova construção será
selecionado, purificado e reformado. O mesmo fenômeno está para acontecer na
construção do Mundo de Miroku. Diversas situações que forem surgindo daqui em
diante, fatos que não se encaixam dentro da lógica vista pelos olhos do homem,
coisas que não parecem lucrativas, coisas destrutivas, é preciso saber que tudo isso
constitui uma grande limpeza de impurezas. Entretanto, tudo é manifestação da
Vontade Divina. Se através da visão do homem comum não se pode julgar isto e
aquilo, o homem deve ser bem humilde e adaptar-se inteiramente à evolução de
todas as coisas.
Nós, que conseguimos tomar conhecimento disso através da sensibilidade espiritual,
devemos tomar cuidado para não distorcermos a grandiosa Vontade de Deus.
Doravante, com uma visão correta, quaisquer imprevistos e processos destrutivos
nunca experimentados pela humanidade devem ser tomados como privilégio das
pessoas que se devotam à fé. No estado de verdadeira tranqüilidade que nos foi
concedido, devemos esperar o tempo desfrutando a vida. Essa minha maneira de
falar, difícil de ser compreendida, deve-se ao fato de eu ainda não poder me
expressar abertamente sobre os profundos desígnios de Deus.
Em síntese, apenas abordei acima que medidas o homem deve tomar e que
preparação mental ele deve fazer para poder ultrapassar o processo que antecede a
concretização do Mundo de Miroku.
Coletânea Série Jikan vol. 12, “A construção do Mundo de Miroku” (30/01/50)

“Depois de uma espera de milhares de anos, o Plano de Deus está, agora, no


limiar de sua realização.”

(...) Conseqüentemente, se não construir o Paraíso Terrestre nos Estados Unidos, a


Igreja Messiânica Mundial não se tornará mundial. Mas é uma questão de tempo,
pois se trata de uma concretização que está determinada. Depois será na Europa e
em direção ao Oriente, em países tais como a China, a Índia e a Birmânia. Deus já
começou a fazer os preparativos nessas regiões. (...)
Aquilo que vamos realizar daqui para frente, foi preparado por Deus há centenas,
milhares ou milhões de anos atrás; portanto, basta que chegue o tempo. Desta feita,
é fácil. Mesmo no caso do Paraíso Terrestre de Atami, eu necessitava de muitas
pedras para levantar paredes, e elas surgiam em abundância e ilimitadamente.
Sabendo da atual necessidade de paredes de pedras, Deus preparou-as há milhões
e milhões de anos. E para a apreciação de belas paisagens naquele local, Ele criou
a baía de Sagami e as ilhas de Hatsushima e Ooshima. Diante de preparativos feitos
há tanto tempo, as várias edificações atuais foram prepara das deveras
recentemente.
Coletânea de Ensinamentos vol. 29 – (17/12/53)

“Até mesmo o grandioso Plano de Deus teve início através de um pequeno


modelo.”

O Plano do Mundo, ou seja, o Plano de Deus, é algo muito interessante. É como a


semente de uma fruta. Ameixa ou pêssego, por exemplo: a polpa significa o mundo,
e a semente fica no centro. Sobre o centro, no momento, não posso falar
claramente, mas devo esclarecer que no centro da semente existe a sua origem.
Dessa maneira, para mudar o mundo, é necessário que se mude a menor parte, que
é a semente.
Quando se joga uma pedra no lago, formam-se círculos concêntricos. Assim, para
transformar o mundo em Paraíso, há necessidade de mudar, a todo custo, a parte
extremamente pequena, que é o centro do centro. A mudança dessa parte significa a
construção do Paraíso Terrestre.
E quem vai construir o Paraíso Terrestre sou eu. Por isso, eu sou o extremo centro
do mundo. Esse centro é o ponto (.) que fica no centro da circunferência, a qual tem
o formato do Universo. A circunferência é o Universo, e o ponto é a parte principal. O
ponto corresponde ao meu trabalho de salvação. É algo extremamente misterioso.
Seria interessante se eu pudesse expor detalhadamente, mas, como ainda não
chegou o tempo adequado, estou aguardando a sua maturidade.
Coletânea de Ensinamentos vol. 11 – (15/06/52)
Como já lhes disse em outra oportunidade, Hakone é espírito e Atami é matéria; por
isso, a conclusão do Templo Messiânico significa, materialmente, o início. Sendo
espírito, Hakone é um tanto difícil de visualizar, mas, como Atami é matéria, à
medida que o Templo Messiânico avança gradativamente rumo à conclusão, sua
influência se manifestará mundialmente. A expansão da Igreja Messiânica Mundial
será o mais evidente; como ocorrerá no nível material, será mais perceptível.
Todas as coisas relacionadas a Deus realizam-se através de uma “forma”. Quando
ocorre, por exemplo, a ampliação ou a criação de algum lugar ou alguma coisa, a
Obra Divina também cresce e amplia-se proporcionalmente. Ao ampliarmos a forma
pequena, as coisas grandes também se ampliam. Por isso, a ampliação da
construção ou do terreno é algo muito bom. O mesmo acontece com as filiais:
quanto maior for sua ampliação, maior será a amplitude da Obra Divina que elas
desenvolvem. Esse vem a ser o sentido da forma.
É totalmente diferente daquelas religiões antigas que estão instaladas em locais
apertados e desenvolvem suas atividades modestamente. Nos tempos antigos,
essas religiões construíam igrejas e templos magníficos, mas isso só acontecia
depois que elas alcançavam certa expansão. No início, realmente elas não davam
muita atenção a esse ponto. Na Igreja Messiânica Mundial, o procedimento é
diferente. Até hoje, tinha-se como princípio a salvação de todos os seres vivos, mas
na Igreja Messiânica Mundial o essencial é a construção do Paraíso Terrestre. Assim,
como a essência da nossa Igreja está estabelecida dessa maneira, devemos
também desenvolver a construção material. Por esse motivo, à medida que o
Templo Messiânico for sendo concluído, haverá grande expansão da Igreja não
somente no Japão, mas também no exterior.
Coletânea de Ensinamentos vol. 27 – (15/10/53)
O SER HUMANO

“Deus atribuiu ao ser humano, o mais nobre de todos os seres, a missão de


construir o Reino dos Céus na Terra.”

(Nidai-Sama)

(...) Sem dúvida, o homem é o senhor de todas as coisas; ele é o rei e o mandatário
do globo terrestre. Todas as coisas entre o Céu e a Terra existem em função do
homem. Em primeiro lugar, elas estão preservando a vida do ser humano e, em
segundo, auxiliando a missão de cada pessoa. (...)
Jornal Eiko nº 222, “Ultraciência” – (19/08/53)
(...) Isto porque, originariamente, o homem é o rei do globo terrestre, é o seu
mandatário. Com base nisso, todas as outras existências materiais estão
subordinadas a ele. Elas são movidas à mercê da própria vontade do homem; para
proteção do seu corpo carnal e pela sua necessidade de sobrevivência, cada coisa
está desempenhando uma função. Falando de forma mais compreensiva, a
diferença é a mesma que existe entre o senhor e o súdito. De acordo com esse
princípio, naturalmente, através da ciência criada pelo homem, é possível a
transformação e o progresso de todas as coisas, dependendo da sua vontade;
graças a isso é que se alcançou a maravilhosa civilização atual. (...)
Jornal Eiko nº 225, “Deus e a pedra de cristal” – (09/09/53)

“Embora a salvação da humanidade seja obra Sua, Deus a realiza através do


homem.”

(...) O homem nasce no Mundo Material por desígnio de Deus. Creio que, nesse
sentido, o elemento “mei” (desígnio), que aparece em “seimei” (vida), tem a mesma
significação que o “mei” de “meirei” (ordem).
Eis uma pergunta que todos fazem: por que razão o homem nasce? Enquanto não
compreender isso, o homem não poderá ter comportamento correto nem verdadeira
tranqüilidade, estando sujeito a levar uma vida vazia e ociosa.
O objetivo de Deus é fazer da Terra um mundo ideal, ou melhor, construir o Paraíso
Terrestre. No desenvolvimento do Seu plano, há uma grandiosidade que não pode
ser expressa com palavras, pois o progresso da cultura não tem limite. Assim, todos
os acontecimentos da História Mundial, até hoje, não passaram de operações
básicas para concretizar o objetivo de Deus. Este, concedendo diferentes missões e
características a cada pessoa e alternando a vida e a morte, está fazendo evoluir
Seu plano em direção ao objetivo estabelecido. Portanto, concluímos que o bem e o
mal, a guerra e a paz, a destruição e a construção são processos necessários à
evolução.
Como já expliquei minuciosamente, estamos atravessando a fase de transição da
Noite para o Dia. O mundo, atualmente, está prestes a dar um grande salto para a
Nova Era, e a humanidade, libertando-se da selvageria, está procurando alcançar o
mais alto nível da cultura. Aí, a guerra, a doença e a pobreza terão fim. É claro que o
aparecimento do Johrei é o prenúncio disso e constitui mesmo um fator essencial.
Para o cumprimento de Seu plano, Deus emite ordens ao homem constantemente,
através de algo que é como a semente de cada indivíduo numa das camadas do
Mundo Espiritual. Dei-lhe o nome de Yukon. A ordem é primeiramente baixada ao
Yukon, e este, através do elo espiritual, a transmite à alma, núcleo do corpo
espiritual do homem. Entretanto, é dificílimo o homem comum conseguir perceber a
ordem Divina; somente aqueles cujo corpo espiritual foi purificado até certo ponto é
que o conseguem. Essa percepção é dificultada não só pela grande quantidade de
máculas, mas também pela ação de Satanás, que se aproveita dessas máculas.
Uma prova disso é que, às vezes, as coisas não correm como o homem deseja, e o
seu destino toma um rumo que ele jamais imaginaria. Existem, também, pessoas
que se sentem sempre governadas por uma força estranha e não conseguem mudar
seu destino. (...)
Alicerce do Paraíso, “Camadas do Mundo Espiritual” – (05/02/47)

“O homem vem a este mundo com um corpo físico recebido de seus pais e
uma alma provinda de Deus.”
(Nidai-Sama)

Todo homem tem, no Mundo Espiritual, um Espírito Guardião que constantemente o


protege. É comum ouvirmos dizer que o homem é filho ou templo de Deus: isso
significa que ele possui a partícula Divina que lhe foi outorgada pelo Criador e que
constitui seu Espírito Primordial. O espírito animal agregado após o nascimento, é o
Espírito Secundário; pode ser de raposa, texugo, cão, gato, cavalo, boi, macaco,
doninha, dragão, “tengu”(1), aves, etc. Em geral, há uma espécie para cada pessoa,
mas em casos menos freqüentes há mais de uma. Dificilmente os homens da
atualidade acreditam nisso; creio mesmo que chegam a escarnecer. Contudo,
através de inúmeras experiências, eu compreendi que se trata de uma realidade
incontestável.
O Espírito Primordial é o bem, é a consciência; o Espírito Secundário é o mal, são os
pensamentos vis. No budismo, dá-se à consciência o nome de Bodaishin (espírito do
bem) ou Bushin (sentimento de misericórdia búdica), e os maus pensamentos são
chamados de Bonno (desejos mundanos).
Além desses dois espíritos – Primordial e Secundário – existe o Espírito Guardião. É
o espírito de um ancestral. Quando uma pessoa nasce, é escolhido entre seus
ancestrais um espírito que recebe a missão de guardá-la. Via de regra, é espírito
humano, mas também podem ser espíritos híbridos de homem com dragão, raposa,
”tengu”, etc. Meu Espírito Secundário, por exemplo, é “Karassu-tengu”(2), e meu
Espirito Guardião é dragão.
É muito freqüente, diante de um perigo, o homem se salvar miraculosamente, sendo
avisado em sonho ou tendo um pressentimento. Isso é trabalho do Espírito
Guardião. O mesmo se pode dizer em relação à inspiração recebida por artistas e
inventores, no momento em que, compenetrados, estão criando alguma obra. No
caso de querer satisfazer os desejos corretos do homem ou fazê-lo receber graças
através da Fé, Deus atua por intermédio do Espírito Guardião. Os antigos provérbios
“A verdadeira sinceridade se transmite ao Céu”, ou “A sinceridade se transmite a
Deus”, significam a concessão das graças Divinas através do Espírito Guardião.
Alicerce do Paraíso, “Os três espíritos do homem” – (05/02/47)

( 1)
Tengu: ser misterioso que, segundo a crença popular, habita às montanhas. Tem forma humana, asas, rosto vermelho e nariz comprido,
sendo possuidor de poderes extraordinários. Porta sempre um grande leque. É orgulhoso e amante de discussão e jogo.
( 2)
Karassu-tengu: variedade de “tengu” com cabeça de corvo.
“Sendo nossa vida uma dádiva de Deus, não a menosprezemos. Sigamos
obedientemente o Caminho.”

A essência da fé, em última análise, é a obediência ao “Doori” (Caminho Perfeito). O


termo “Doori” é constituído de “doo” e “ri”: “doo” é o mesmo que “miti”, ou seja,
caminho; “ri” significa lógica.
Não existe palavra tão significativa quanto “miti”. Pela ciência do espírito das
palavras, “mi” é água, matéria, e “ti” é sangue, espírito; “mi” também significa
negativo, e “ti”, positivo. Na representação gráfica da palavra “miti” entra a letra que,
isoladamente, representa a palavra “kubi” (pescoço), e o sinal chamado “shinnyu”,
que indica ligação. O pescoço é a parte mais importante do corpo; podemos viver
mesmo que nos cortem os braços ou as pernas, mas, se nos cortarem o pescoço,
morreremos. É muito expressivo aquilo que se costuma dizer quando uma pessoa é
despedida do emprego: “Cortaram-lhe o pescoço”. O acréscimo do referido sinal a
uma letra tão importante, torna extremamente significativa a palavra “miti”.
Caminho é também o meio pelo qual todas as coisas se ligam. Os meios de
transporte, as ondas elétricas, os raios luminosos, o deslocamento das pessoas de
um lugar para outro, tudo depende do caminho. Até o Sol, a Lua e as estrelas
possuem uma órbita definida, isto é, um caminho. Sendo assim, o caminho é a base
de todas as coisas e, conseqüentemente, podemos concluir como é errado desviar-
nos dele.
A seguir explicarei o sentido espiritual da palavra “ri”. Ela faz parte da seqüência de
“ra” (a seqüência é ra-ri-ru-re-ro), que significa espiral e cuja expressão concreta
toma a forma de redemoinho. Este possui um centro, dependendo do qual se
produzem movimentos de expansão ou de contração. Se o movimento for da
esquerda para a direita, torna-se centrípeto; se for da direita para a esquerda, torna-
se centrífugo. Exemplifiquemos:
O centro de nossa Igreja é Gora, na cidade de Hakone. “Go” significa cinco, e
também fogo; “ra” é redemoinho. Isso quer dizer que o espírito do fogo se expande
em movimentos centrífugos. O desenho chamado “tomoê”(3) encerra um significado
que é realmente um profundo mistério: todo movimento para a esquerda transforma-
se em movimento para a direita.
O sentido espiritual das sílabas da seqüência ra-ri-ru-re-ro caracteriza a atividade do
dragão (“ryu-jin”). O termo “ryujin”, é constituído de “ryu” e “jin”; “ryu”, por sua vez, é
constituído de “ri” e “u”. Quando o dragão está imóvel, toma a forma de redemoinho.
O engraçado é que a maioria das pessoas cujo nome tem uma das sílabas ra-ri-ru-
re-ro, apresentam características de dragão. Observando-as, poderemos constatar
isso.
Se eu continuar explicando essas coisas, não acabarei nunca, por isso vou me deter
na palavra “ri”. Ela é formada pela junção de duas letras que, sozinhas, representam
palavras cujo sentido é, respectivamente, rei ( ) e povoado ( ). A primeira
compõe-se de três linhas horizontais paralelas, sendo que da linha superior, a qual
representa o Céu e o Fogo, parte uma linha vertical; esta atravessa a linha mediana,
que representa o Interregno e a Água, e termina na linha inferior, que representa a
Terra e o Solo. A letra com que representamos a palavra que significa povoado ( )
é constituída, por sua vez, de duas outras que, isoladas, representam palavras que
( 3)
Esse desenho existe desde a época antiga e aparece em alguns brasões, sendo muito utilizado entre os budistas. Figuras de 1 ( ), 2 (
)e
3( ) “tomoê” mais usadas. De acordo com a direção, tornam-se centrípetas ou centrífugas.
significam, respectivamente, arrozal em campo alagado ( ) e solo ( ). A primeira,
originariamente, era uma cruz dentro de um círculo; a segunda é expressa da
mesma forma que o número 11 em algarismos japoneses, ou seja, uma cruz sobre
uma linha. O número 11 também tem o sentido de unificação; portanto, “ri” é a ação
básica de todas as coisas e tem o sentido de Perfeição. O nome da Igreja Tenri-kyo,
onde também entra essa palavra, é um nome muito bom.
“Riho” (lei) é uma palavra bastante usada e, a propósito, vou explicar o sentido
espiritual de “ho”. “Ho” é fogo, e “o” é água. De acordo, porém, com a ciência do
espírito das palavras, “o” está incluído em “ho”; isto quer dizer que o fogo arde
continuamente por ação da água. Graficamente, “ho” compõe-se de duas palavras
cujo sentido é: anular a ação da água. Como esta ocorre horizontalmente, há o
perigo de gerar desordem; portanto, anulada sua ação, fica apenas o vertical, o que
significa a imobilidade absoluta. Dai se conclui que não podemos infringir o “ho”, que
é a Lei.
Se juntarmos tudo isso, entenderemos o profundo significado do “Doori”. Em
resumo, podemos dizer que “Doori” (Caminho Perfeito) é Deus. Obedecer a ele é
obedecer a Deus. O homem, em quaisquer circunstâncias, deve sempre respeitá-lo,
obedecer-lhe e jamais desviar-se dele. (...)
Alicerce do Paraíso, “Obediência ao caminho perfeito” – (20/11/50)

“O ser humano é uma parte do Espírito de Deus. Purificando-o, reconduzamo-


lo ao seu estado original.”
(Nidai-Sama)

Já lhes falei, a propósito do Setsubun (véspera do início da primavera no antigo


calendário japonês), que antigamente o mundo era governado por um deus chamado
Kunitokotati-no-Mikoto. Como se trata de um tempo muito antigo, embora falemos
mundo, não sabemos se era realmente o mundo todo ou não, mas com certeza,
centralizado no Japão, esse deus governava uma vasta área.
Falamos em deuses, mas na verdade tratava-se de homens, que, na época, eram
espiritualmente muito elevados. Essa época era a fase final da Era do Dia. Durante a
longa Era da Noite, entretanto, o homem foi maculando seu espírito e regredindo seu
nível espiritual.
Naquela época, quem governava o Japão era o último imperador denominado
Amaterassu. Como eu já disse em outra oportunidade, com a fuga do Imperador
Amaterassu do Japão, só ficou a imperatriz Amaterassu Oomikami. Antes dela, a
Terra era governada pelo deus Kunitokotati-no-Mikoto. Como ele era muito severo,
ou melhor, muito justo e correto, e só permitia realizar aquilo que era extremamente
correto – no xintoísmo também consta isso – dizem que numerosos deuses entraram
em acordo e resolveram aprisioná-lo. Acredita-se que esse fato tenha ocorrido na
noite do Setsubun. Quem o aprisionou foi o líder dos deuses, o deus Ameno-
wakahiko-no-Mikoto. Dizem que Kunitokotati-no-Mikoto foi aprisionado num local
situado na direção do “ushitora” (nordeste), para que não mais aparecesse no
mundo. Pelo fato de ter sido aprisionado no nordeste, ele passou a ser chamado
Deus Dourado do Ushitora: Kunitokotati-no-Mikoto, o Deus Dourado do Ushitora.
Na noite do Setsubun, as pessoas costumam atirar punhados de feijão de soja
torrado, dizendo: “Se o feijão der flores, poderás sair. Caso contrário, ficarás preso
para sempre”. Desde então, existe o hábito de atirar feijão torrado.
Coletânea de Ensinamentos vol. 31 – (07/02/54)
“Aquele que considera o homem um ser realmente elevado e nobre, é um
Homem entre os homens.”

(...) Deus concedeu ao homem a liberdade infinita. Eis a Verdade. As outras


criaturas, como os animais e os vegetais, gozam de liberdade limitada. Aqui se
percebe a superioridade do homem. Falar da sua liberdade, é dizer que ele ocupa o
ponto médio entre os dois extremos – o animal e o Divino.
Quando ele se eleva, torna-se Divino; quando se corrompe, equipara-se ao animal.
Se desenvolvermos esse princípio, veremos que basta o homem querer para que o
mundo se converta em Paraíso. Caso contrário, ele faz do mundo um inferno. Esta é
a Verdade. (...)
Alicerce do Paraíso, “Concretização da Verdade” – (16/07/49)
O TEMPO

“Está se aproximando o grande nó da História. Abram os olhos e vejam a


situação do mundo atual.”

(...) A felicidade e até o mundo ideal, que eram aspiração inicial de todos os homens,
foram esquecidos, não se sabe quando, tendo-se chegado a um momento em que
não se vai nem para frente nem para trás. Assim, quanto mais a cultura progride,
mais o homem se distancia da felicidade. É um resultado extremamente irônico.
Parece uma gangorra: quando um dos lados sobe, o outro desce.
Em termos mais concretos, inicialmente se tentou construir o Paraíso Terrestre com
a cultura espiritual, mas, como a sua concretização parecia impossível, apelou-se
para a cultura científica. Os homens avançaram com força total. Entretanto,
conforme foi exposto anteriormente, ao invés de se alcançar o Paraíso, chegou-se a
um estado pior que o do próprio inferno: a iminência da destruição da humanidade,
com a descoberta da bomba atômica. O fato é que, embora se tenha chegado a uma
época tão perigosa como a atual, os homens ainda não despertaram, continuando a
venerar a ciência materialista. Em poucas palavras, eles fracassaram recorrendo à
cultura espiritual e também à cultura material, mas infelizmente ainda não se
cansaram das coisas ruins. Como solucionar esse problema? A tarefa mais
importante de toda a humanidade é reconhecer os erros cometidos até agora e
recomeçar da estaca zero. Ou seja, a solução é formar uma cultura cruzada, que
não pende nem para o espírito nem para a matéria, mas funde e iguala ambas as
partes. Somente assim estará concretizado o Paraíso Terrestre.
Por tudo que vimos até o presente, podemos dizer que a época atual é a época da
mudança da velha para a nova cultura, a era da grande transição mundial a que
sempre nos referimos. Será que, na história da humanidade, já foi registrada uma
mudança tão grande? Em verdade, é um fato inédito. E como será essa nova cultura
? Incontestavelmente, trata-se de algo que não pode ser compreendido, ainda que
em pequena parcela, pela inteligência do homem contemporâneo. E quem se
encarregará de criá-la?
Neste momento que estamos vivendo, independentemente de crermos ou não, é
imprescindível começarmos a admitir a existência do ser conhecido como Deus. Por
conseguinte, darei explicações a respeito.
Embora falemos simplesmente Deus, na verdade existem níveis superior, médio e
inferior – com inúmeras funções. O xintoísmo admite a existência de uma infinidade
de deuses. Até hoje, quando se fala em Deus, pensa-se no monoteísmo cristão ou
no politeísmo xintoísta. Entretanto, ambas são visões arbitrárias. Na verdade, existe
um único e verdadeiro Deus, que se subdivide, transformando-se em vários deuses.
Por isso, Ele é um e muitos ao mesmo tempo. Cheguei a essa conclusão através de
longos anos de pesquisas sobre o Mundo Divino. Trata-se de um pensamento que já
existia, mas parece que não se conseguiu dar maiores explicações a respeito. Até
aquele Deus que veio sendo adorado como Supremo está abaixo da segunda
classe. Deus está muito além e só veio sendo venerado de longe pela humanidade.
Mas quem é Ele, então? Não é outro senão o Senhor e Criador do Universo, ou seja,
o Princípio de tudo. Aquele a quem os povos vêm se referindo como Jeová, Logos,
Deus, Tentei, Mukyoku, Segunda Vinda de Cristo, Messias, etc..
O objetivo de Deus é a construção do Mundo Ideal de perfeita Verdade, Bem e Belo,
e, para tanto, era necessário que todas as condições fossem preenchidas. Ele
estava aguardando o tempo certo. Essa hora chegou: é a época atual. Sendo assim,
é preciso, antes de mais nada, que a humanidade se conscientize disso e que se
processe a revolução espiritual de cada indivíduo. (...)
Ligeiras noções sobre a I.M.M., “Nascimento da Igreja Messiânica Mundial” –
(20/11/50)

“Aqueles que conseguem vislumbrar o Alvorecer, revelam possuir a verdadeira


visão.”

A expressão Juízo Final foi enunciada por Cristo, mas, como ele não falou quando e
como isso iria se processar, ainda hoje tudo permanece envolto em mistério.
Especialmente os cristãos têm tentado, ao longo dos tempos, desvendá-lo. Até o
momento, porém, ninguém o conseguiu, pois quem for capaz de tal feito deverá ter o
mesmo nível ou nível mais elevado que Cristo.
O esclarecimento seguro dessa verdade, através de mim, fará com que a pessoa,
seja ela quem for, arregale os olhos de puro assombro. E é natural que assim seja,
pois recebi de Deus a missão de dar a partida para o advento do Juízo Final.
Juízo significa julgamento. A crença geral é que esse julgamento será efetuado por
Deus, ou então que aparecerá o Enma(4). Mas não é assim. Então como será?
Resumindo em uma palavra, vai haver uma grande ação purificadora, que atingirá a
todos.
Há algum tempo venho anunciando que o Mundo Espiritual, que até agora se
encontrava na Era da Noite, finalmente está entrando na Era do Dia. O Juízo Final é
o momento em que esse processo transitório for totalmente concluído, e a hora está
bem próxima. Como eu já disse anteriormente, tendo o dia 15 de junho de 1931
como ponto de partida, vem se operando gradativamente a mudança para o Dia,
com a grande e decisiva ação purificadora ocorrendo no final. Evidentemente, ela se
processará em três escalas: do Mundo Divino para o Mundo Espiritual e deste para o
Mundo Material, que então se tornará verdadeiramente Mundo do Dia. Este será o
Mundo da Luz. Com respeito ao tempo, em 15 de junho deste ano o Mundo Material
deu o primeiro passo para entrar na derradeira fase da transição para o Mundo do
Dia. Devo esclarecer que existe um plano determinando que dentro de dez anos, a
partir do corrente ano, será estabelecido o alicerce do Mundo de Miroku, ou seja, do
Paraíso Terrestre.
Falei de modo geral, mas, naturalmente, o avanço dessa mudança é gradativo; os
senhores membros devem saber que ela está se processando passo a passo,
judiciosamente. Na medida em que o Mundo Espiritual se torna Dia, as purificações
tornam-se cada vez mais fortes, o efeito do Johrei mais notável e a cura das
doenças cada dia mais rápida, com o número de milagres aumentando. Se
compararem as curas obtidas há um ou dois anos atrás com as do presente,
compreenderão bem. Da mesma forma, com a intensificação gradativa da
purificação, a mudança na sociedade também será mais violenta. Como tudo será
exposto à Luz, de acordo com o princípio da Concordância, os desonestos irão
gradualmente decair e os honestos prosperar, assimilando o mesmo padrão da
purificação do Mundo Espiritual. Existe, porém, um problema muito sério: chegando
a hora, por mais que o homem se esforce, nada poderá contra a força da Grande
Natureza. O Bem e o Mal serão claramente separados; o Mal será destruído e o Bem
sobreviverá.
( 4)
Enma ou Enma Daiô é a divindade que exerce a função de juiz no Fórum do Mundo Espiritual.
Pela razão acima, quanto mais pecados e impurezas a pessoa tiver, menos
conseguirá suportar a grande purificação, não havendo outra alternativa a não ser
despedir-se deste mundo. Em contrapartida, o Bem conseguirá sobreviver com
facilidade. Assim, não podemos ficar tranqüilos, a menos que nos encontremos em
condições de suportar qualquer espécie de purificação. Para os que possuem muitos
pecados e impurezas, o Juízo Final é temível; para aqueles que os têm em pequena
quantidade, ao contrário, ele é gratificante. Isto porque, após o Juízo Final, virá o
Paraíso, e as pessoas poderão ter uma vida jubilosa.
A esse respeito, como expliquei, o aparecimento da nossa Igreja está ligado ao
objetivo de criar o maior número possível de pessoas capazes de atravessar imunes
o Juízo Final. Isso significa o grande amor de Deus e, também, a grande missão a
mim atribuída. Sendo o Johrei o único método para atingir esse objetivo, ele não só
cura doenças, mas também cria pessoas com qualificação para atravessar imunes o
Juízo Final. Aqueles que souberem dessa Obra deverão reconhecer, na nossa Igreja,
a grande Arca de Noé para a salvação do mundo. Ela se chama Igreja Messiânica
Mundial exatamente pelas razões citadas.
Creio que, através do que dissemos, puderam compreender, de modo geral, o
significado do Juízo Final.
Jornal Eiko nº 110, “O que é o Juízo Final?” – (26/06/51)
“O Deus da Salvação, há tanto tempo esperado pela humanidade, já se
manifestou.”

O que vem a ser Salvador do Mundo? Sem dúvida, como as próprias palavras
dizem, é o santo e poderoso homem nascido com a grandiosa missão de salvar o
mundo. Na realidade, desde a criação do gênero humano, ele jamais se manifestou.
Gostaria de transmitir revelações sobre esse fato, e falar, sem subterfúgios de
espécie alguma, a respeito da Obra Divina que estou realizando.
Vista pelo prisma da humanidade em geral, a atividade de salvação que eu realizo
pode parecer uma ínfima parcela num milhão. Entretanto, pela situação atual, em
que, gradativamente, dia a dia, mês a mês, aumenta o número de pessoas salvas,
podemos imaginar a grandeza da escala da salvação, no futuro. Se digo que estou
utilizando ativamente as forças invisíveis, as pessoas da atualidade, que recebem
educação materialista, podem achar minhas palavras extremamente absurdas e me
olhar como um embusteiro, pois lhes é muito difícil e demasiado utópico acreditar em
algo que não podem ver. Tal incredulidade é compreensível;. mas, se o que eu
afirmo é uma realidade inegável e passível de comprovação, o que acontecerá?
Creio que essa revelação provocará um grande impacto.
Através da minha força indireta, transmitida pelos membros, curam-se doenças
graves, consideradas sem esperança, e as pessoas se recuperam definitivamente,
livrando-se do destino da morte. Há vários exemplos de pessoas que se tornaram
saudáveis e estão ativas. Hoje, já são milhares e milhares; tantas, que até perdi a
conta.
Desde as eras mais remotas, o homem tem deixado sua vida à mercê do destino, e
é escusado dizer que o avanço da civilização e o desenvolvimento da Medicina têm
sido considerados, igualmente, como coisas de rumo já traçado. Considerando, no
entanto, que eu tornei exeqüível o prolongamento da vida humana – desejo máximo
do homem – qual não será o contentamento das pessoas que compreendem e
acreditam nessa realidade? Provavelmente as palavras não conseguirão exprimir tal
contentamento. Contudo, é compreensível que muitos, ouvindo essa realidade
através de terceiros ou de publicações da nossa Igreja, não consigam aceitá-la de
imediato; alguns talvez achem que é uma superstição, e outros, um grande embuste.
A não ser um demente, quem não deseja ser feliz? Mas mesmo quem possui todas
as condições para ser feliz, não alcança a felicidade se não tiver saúde. Cristo disse:
“De que adianta o homem ganhar o mundo todo, se vier a perder a vida?” ou “O que
o homem dará em troca da vida?” Sábias palavras. Realmente, que poderá haver de
mais precioso que a saúde? Toda a felicidade ao longo da vida, pode-se dizer,
resume-se na palavra saúde. Nossas publicações estão repletas de casos verídicos
de salvação. E é claro que não se trata apenas de doença. Amontoam-se sobre a
minha escrivaninha relatos cheios de gratidão e profunda emoção, feitos por
pessoas salvas de catástrofes nas quais correram risco de vida, por pessoas que se
livraram da pobreza e por pessoas infelizes que se tornaram felizes.
Através de documentos e vestígios que remontam aos primórdios da história da
humanidade, sabe-se do aparecimento de grandes religiosos e homens santos, mas
não há termos de comparação entre o que eles realizaram e a obra que eu estou
realizando. Assim, a volta de Cristo, a vinda do Messias, o nascimento de Miroku, é
tudo questão de tempo, pois coisas absurdas e sem nexo, de realização impossível,
não haveriam de ser profetizadas há centenas ou milhares de anos. Originariamente,
jamais pretendi tornar-me um grande santo ou Messias. Nunca pensei em mim
nesses termos. No entanto, por sentir intenso amor pela humanidade desde jovem,
eu pensava muito em me tornar um religioso, para poder salvar amplamente o
mundo. Ingressando no mundo religioso, após atingir certo grau de aprimoramento,
recebi a revelação do Divino Espírito de Deus, e desde então, com o passar do
tempo, vem ocorrendo uma seqüência de fatos misteriosos. A inesperada mudança
do meu destino não deixou de me surpreender. Realmente, marcho de milagre para
milagre. Exemplificarei com estes fatos: quando peço algo, esse algo
inevitavelmente se realiza; se escrevo num papel com tinta carvão, as letras se
movimentam viva e livremente no ar. A partir do instante em que esse papel é
dobrado e guardado no peito como proteção, o sentimento se purifica, começam os
milagres e é liberada a força capaz de curar as pessoas. Gradativamente, as
criaturas infelizes passam a viver em condições favoráveis. Por outro lado,
pendurando na parede o papel manuscrito por mim ou colocando-o em um quadro,
as letras emitem raios de Luz, muitas vezes vistos por algumas pessoas. Sem
dúvida, o lar torna-se alegre, e a colheita, para os agricultores, torna-se mais farta. A
transformação gradual do lar em Paraíso é um fato verídico, proclamado por
inúmeros membros de forma unânime.
Sendo eu, como acabei de dizer, aquele que tem a missão de executar a misteriosa
Obra Divina, creio ter recebido, na condição de representante de Deus, a proteção
que me permite cumprir a grandiosa missão de salvar o mundo. Gostaria, portanto,
que, doravante, observassem bem as atividades da nossa Igreja, para depois fazer
dela alvo de críticas. (...)
Rápidas transformações da I.M.M., “Salvador do Mundo” – (20/11/50)
O S ALVAD O R

“Sou homem e não sou homem. Sou Deus e não sou Deus. Fico a refletir sobre
mim mesmo...”

Desde os tempos antigos, muito se tem falado sobre pessoas que vivem em estado
de perfeita união com Deus, mas eu creio que jamais existiu alguém que realmente
tivesse vivido nesse estado. De fato, os três grandes religiosos – Sakyamuni, Jesus
Cristo e Maomé – pareciam unos com Deus, mas, em verdade, eram apenas
mensageiros da Vontade Divina; em termos mais claros, eram mensageiros de
Deus. Dessa forma, não se sabia fazer diferença entre uma pessoa em estado de
união com Deus e um mensageiro de Deus.
Os mensageiros de Deus atuam através de encostos ou seguindo as determinações
Divinas. Por esse motivo, sempre rezam a Deus e pedem Sua proteção. Eu, porém,
não faço nada disso. Como os fiéis sabem, não oro a Deus nem lhe peço orientação.
Basta-me agir de acordo com a minha própria vontade, o que é muito fácil. Visto que
poderão estranhar o que estou dizendo, por ser algo inédito, explanarei apenas os
pontos que não acarretam nenhum problema.
Como sempre digo, há uma Bola de Luz em meu ventre. Essa Bola é o Espírito de
Deus, de modo que Ele mesmo maneja livremente meus atos, minhas palavras,
tudo. Ou seja: em mim não há distinção entre Deus e o homem. Este é o verdadeiro
Estado de União com Deus. Como o Espírito Divino que habita o meu ser é o mais
elevado, não existindo nenhum deus superior a este, não faz sentido reverenciar
outros deuses. A melhor prova são os milagres manifestados diariamente pelos fiéis.
Ora, se até os meus discípulos evidenciam milagres que não são inferiores aos
manifestados por Cristo, poder-se-á, através desse único fato, imaginar a minha
hierarquia divina.
Acrescente-se, ainda, que todos os religiosos existentes até agora previram a
concretização de um mundo paradisíaco, mas não disseram que seriam eles os
construtores desse mundo. Isto porque seu nível divino era inferior, e seu poder,
insuficiente. Mas eu afirmo que o Paraíso Terrestre, mundo sem doença, pobreza e
conflito, será construído por mim. Daqui para a frente evidenciarei inúmeras
realizações surpreendentes, nunca vistas até agora, e por isso gostaria de que as
observassem com muita atenção. Surgirão inúmeras ocorrências inconcebíveis em
termos de realização humana.
Jornal Eiko nº 155, “Estado de união com Deus” – (07/05/52)

“Vivo para cumprir uma grande missão. Devo empenhar-me, com todas as
minhas forças, na salvação do mundo.”

(...) Pensando bem sobre a minha pessoa, eu me pergunto: “Para que nasci e por
que sou diferente das pessoas em geral?” Vou explicar isso a seguir.
Fundei uma religião denominada Igreja Messiânica Mundial e estou me empenhando
em salvar a humanidade e construir um mundo feliz. O rápido desenvolvimento da
nossa Igreja também é uma exceção. E também é inédita uma religião como a
nossa, que cura radicalmente as doenças. Realmente, podemos considerá-la o
mistério do século. Observando-se apenas esse aspecto, verifica-se que aí deve
existir algo grandioso. Uma prova disso são as experiências de fé. Quando lemos
essas experiências pensando nas pessoas que foram salvas e na sua transbordante
gratidão e emoção, não conseguimos ler sem derramar lágrimas.
Mas eu quero escrever sobre a minha pessoa de outro ângulo. Como falei
anteriormente, desde o meu nascimento até mais ou menos a meia-idade, eu era
uma pessoa comum, sem qualquer diferença em relação às demais. Após atingir a
meia-idade, perseguido por condições adversas, senti-me perdido no mundo,
tornando-me totalmente incrédulo, e por essa razão comecei a buscar a Fé. Filiei-me
à Religião Oomoto e, depois de considerável aprimoramento, consegui apreender a
essência de Deus.
Desde épocas antigas dizem que, mesmo dedicando toda a sua vida a esse objetivo,
é impossível o homem atingir tal estado; entretanto, eu o consegui em curto espaço
de tempo, o que se pode considerar um fato inédito. A partir de então, ao mesmo
tempo em que, com renovado ardor, conscientizei-me da missão recebida do
Altíssimo, surgiram subseqüentes milagres. Com isso, minha incredulidade
desapareceu e minha maneira de pensar ampliou-se de forma surpreendente.
Tornei-me, no entanto, possuidor de um sentimento pequeno, limitado. Resumindo,
posso dizer que, se por um lado sou tímido, por outro lado sou audacioso. Meu lado
audacioso poderá ser identificado nas minhas aspirações e realizações concretas; o
lado tímido, na vergonha que eu sentia ao falar perante um grande número de
pessoas. Eu próprio achava isso estranho; hoje, já estou mais habituado e consigo
falar abertamente tudo aquilo que desejo.
Também sinto um grande ódio contra as injustiças. Quanto mais injusta é uma
pessoa, maior é minha convicção: “Tenho de vencê-la de qualquer forma”. Como
exemplo, há quatorze anos venho lutando na Justiça com o problema de um terreno.
Meu contestante, tomado de impaciência, já me propôs solução amigável por três
vezes, mas, por ele não demonstrar nenhum arrependimento pelo que fez, rejeitei
sua proposta. Conseqüentemente, quem está em apuros agora é o juiz, que procura
uma solução amistosa. Outro exemplo: Certa vez entrei com uma ação judicial
contra um jornal de renome. Na ocasião, muitas pessoas me aconselharam a não
fazê-lo, pois a luta contra uma grande empresa jornalística poderia resultar em
prejuízos. Mas eu não cedi um passo sequer e, como deve ser do conhecimento de
todos, batalhei através do nosso Jornal Hikari. Se é por justiça, eu luto até mesmo
contra o mundo.
Discorri acima sobre o meu ponto forte, mas também desejo falar sobre meus pontos
fracos. Quando alguém me pede ajuda, desde que esse pedido seja algo correto,
não consigo recusar. Também não consigo ficar indiferente ao ver uma pessoa boa
sofrendo. Em relação aos pontos errados do mundo, ao mesmo tempo que sinto
indignação, faço todo o empenho para que haja, o quanto antes, uma transformação
positiva. A prova disso é que, na ânsia de diminuir ao máximo os sofrimentos do
mundo, venho prevenindo constantemente a humanidade, sobretudo apontando os
erros da Medicina. Sempre senti prazer – como se fosse um “hobby” – em procurar
alegrar, ajudar, desejar felicidade e dar tranqüilidade e esperança ao próximo. Isto
acontece porque, de certa forma, o pensamento das outras pessoas se reflete em
mim e, quando elas expõem seus problemas e sofrimentos, eu sofro também.
Estendi-me um pouco nesse tema, mas agora vou entrar no assunto que me propus
tratar.
A minha missão torna-se clara ao se observar os diversos pontos em que meu
pensamento diverge do pensamento das outras pessoas. Atualmente caminhamos
voltados para a salvação da humanidade, mas nosso objetivo final é criar uma Nova
Civilização. Explicando de forma mais simples, a expressão “Nova Civilização”
refere-se a uma civilização espiritualista, alicerçada na Religião, isto é, refere-se ao
grande desenvolvimento da civilização religiosa em relação à civilização material.
Será a substituição da civilização material, que está criando infelicidade, pela
civilização religiosa, que gera felicidade; será a implantação de uma religião
poderosa, que saiba aproveitar ao máximo a civilização material, cujo progresso é
muito grande; será, também, a transformação da Civilização do Mal na Civilização do
Bem. Concretizado isso, entrar-se-á numa Era de Ouro, de perfeita harmonia,
consubstanciada na Verdade, no Bem e no Belo, e surgirá um mundo paradisíaco,
muito além da nossa imaginação.
Embora eu afirme o advento de um mundo paradisíaco, trata-se de uma tarefa
árdua, já que a humanidade veio alimentando esse ideal por longo tempo, mas ainda
não havia aparecido quem o realizasse. E a razão é o fator tempo. Entretanto, para
alegria de todos, finalmente chegou o momento tão esperado, e Deus, confiando
essa grande missão a um simples ser humano como eu, fez-me nascer neste
mundo. Por conseguinte, quem entendeu o fato acima não poderá de deixar de
acreditar na absoluta viabilidade da concretização do Paraíso Terrestre.
Não tenho a mínima intenção de fazer propaganda da minha importância; basta que
tenham conhecimento da realidade da minha pessoa. Se, através disso, aumentar o
número de pessoas que acreditem na viabilidade da concretização do Paraíso
Terrestre, maior será a expansão do Grande Amor Divino e, conseqüentemente,
estará multiplicado o número de criaturas que serão salvas.
Como vimos, está prestes a desaparecer o Mundo do Mal, e o alvorecer do Mundo
do Bem é uma realidade incontestável. Há milhares de anos Deus vinha preparando
a grande transição, para estabelecer esse Mundo Ideal. Podemos, portanto, dizer
que é um plano histórico, isto é, a profecia de Cristo “O Reino dos Céus está
próximo” e a sua advertência “Tem Fé e serás salvo”
referem-se a esse acontecimento. Assim, que vem a ser este Ensinamento senão o
Evangelho do Paraíso?
“Era da Civilização Religiosa, vol. 1 “ – (08/08/51)
“Era da Civilização Religiosa, vol. 2 “ – (15/08/51)

“Já passei por muitas atribulações. Houve momentos em que me vi sob águas
escaldantes e, outras vezes, sobre tênues camadas de gelo.”

(...) Completar trinta e oito anos, para mim, foi também o meu segundo nascimento.
A partir de então, inesperadamente, ingressei na vida religiosa e, pela primeira vez,
soube da missão confiada a mim pelos Céus. Após tornar-me religioso, passei por
grandes sofrimentos, mas, por outro lado, também tive grandes alegrias. Tal como
diz o ditado: “A tristeza e a alegria vêm alternadamente”. Assim, consegui percorrer
até aqui a minha vida. Naturalmente, consegui alcançar o estado de 'Kenshinjitsu'
(Estado de Suprema Iluminação Espiritual), que Sakyamuni atingiu aos setenta e
dois anos, e pude conhecer a existência de Deus e dos mundos Divino, Espiritual e
Material, o significado fundamental da vida e da morte, a tendência do mundo no
passado, presente e futuro, o significado da vida, etc. Minha alegria foi algo
imensurável. Acho que foi bem maior que a alegria sentida por Dharma quando
alcançou a Suprema Sabedoria, na noite em que reverenciou a lua cheia, após ficar
sentado contra uma parede durante nove anos, oito meses e quinze dias.
É do conhecimento de todos que, em princípio, os fundadores de religiões, desde os
tempos antigos, têm manifestado muitos milagres. Eu, também, cheguei aos dias de
hoje vivendo uma vida religiosa de contínuos milagres, extremamente misteriosos e
profundos. Entretanto, desejo ressaltar, em especial, que, de acordo com os dados,
comparando-me aos fundadores das religiões que até hoje surgiram, eu sou muito
diferente em todos os sentidos. Dentre eles, o ponto mais evidente é a inexistência
de qualquer diferença entre mim e as pessoas comuns no que se refere à maneira
de vida, e isto, as pessoas têm dito com freqüência. Dessa maneira, tenho sempre
como princípio o senso comum, talvez por detestar as condutas excêntricas.
Também creio que não há pessoa de caráter tão multilateral como eu; ninguém que,
apesar de ser religioso, tenha tanto interesse por quase todas as coisas da vida, tais
como Política, Economia, Arte, Educação, etc. Sinto que isso é realmente uma
grande felicidade; portanto, é constante a minha gratidão a Deus. (...)
Coletânea Série Jikan vol. 9, Prefácio do livro “Caminho para a Luz” – (30/12/49)
E N S I N AM E N TO S D A S ALVAÇ ÃO D O M U N D O

“A religião que propicia graças materiais possui a verdadeira força de salvação


do mundo.”

Modéstia à parte, em nossa Igreja ocorrem maravilhosas Graças Divinas.


Na antigüidade surgiram religiões magníficas, e até hoje isso vem acontecendo.
Entre elas, as três mais importantes – o cristianismo, o islamismo e o budismo – e
mais algumas já conquistaram suas respectivas posições. A maioria, porém, desde o
início, sempre se ocupou unicamente da salvação espiritual.
A Igreja Messiânica Mundial ainda tem pouco tempo de vida, e, compara da com
outras, é uma religião pequena. Apesar disso, a rapidez de seu progresso pode ser
considerada inédita e está sendo alvo de muita atenção, o que, às vezes, até se
torna um problema. Mas isso é um fenômeno transitório, uma das inevitáveis
experiências pelas quais temos de passar. É uma questão de tempo; naturalmente,
virá o dia em que, por opinião imparcial, será reconhecido seu verdadeiro valor.
Como todas as religiões, nossa Igreja tem seus ideais, seus princípios religiosos, e
vem se esforçando para progredir. Vou mostrar os pontos em que ela difere das
religiões tradicionais, pois, se não os conhecerem, não conseguirão compreendê-la
verdadeiramente.
A grande diferença é que nela ocorrem muitos benefícios materiais. Entretanto, as
pessoas que se dizem entendidas no assunto acham que esse tipo de religião é de
baixo nível e por isso não lhe dão atenção. Se pensarmos bem, encontraremos uma
explicação para essa atitude.
Atualmente, analisando as inúmeras religiões do Japão, constatamos que existem
dois tipos: as que são populares e as que não o são. No primeiro caso, por exemplo,
a fé está voltada para este ou aquele ídolo ou deus, e seus adeptos – pessoas de
baixo nível cultural, que nada entendem de teorias religiosas ou de Filosofia – têm
um único objetivo: receber benefícios materiais. Ora, do ponto de vista dos
intelectuais, isso é tolice e não merece a mínima atenção. Assim, eles concluem que
a busca desses benefícios é própria da Fé de nível inferior. Por outro lado, valorizam
as religiões que, não se importando com os benefícios materiais, colocam os
princípios religiosos em termos didáticos, dotando-os de inteligentes razões. Se tais
religiões tiverem uma longa tradição e durante esse tempo nela tiverem surgido
grandes líderes ou sacerdotes de alta virtude, eles as valorizam ainda mais,
considerando-as de alto nível. Em síntese, para os intelectuais o que vale é a força
do nome e a tradição. A propósito disso, desejo expor minha sincera crítica.
Dos dois tipos de Fé mencionados, o primeiro pode ser de baixo nível, mas a
verdade é que ele está atingindo a massa popular mais do que podemos supor.
Como as pessoas que o professam têm pouca cultura, não lhes interessam
princípios nem teorias; elas vão de vez em quando à Igreja, fazem pedidos de graça,
dão uma esmola e se satisfazem com isso. Trata-se de uma fé muito simples, mas é
indiscutível que impressiona bem e contribui para mudar o sentimento de outras
pessoas. Se essas religiões acreditam no invisível, é porque têm uma visão
espiritualista; portanto, elas contribuem de alguma forma para o bem social, mais do
que aquelas que estão baseadas num sólido materialismo. Seus seguidores cultivam
o bom sentimento de pedir ajuda a Deus, por isso não haverá motivos para que
cometam, inescrupulosamente, os crimes horríveis a que ficam sujeitos os
materialistas.
Quanto ao segundo tipo de fé, diferentemente do primeiro, é seguido por pessoas
que, acreditando somente no que vêem, desprezam aqueles que crêem no invisível,
considerando-os supersticiosos. Parece que, atualmente, a maioria pertence à
classe dos intelectuais. Naturalmente, uma vez que são materialistas, eles acham
que devem lidar com as religiões didaticamente; quando discutem sobre o assunto,
não ficam satisfeitos se não o colocarem em termos lógicos e filosóficos. Por isso, a
nosso ver, suas teses são superficiais, e as críticas que fazem à nossa Igreja não
passam de comentários malévolos.Para fazer a verdadeira análise de uma religião, é
preciso penetrar nela profundamente, procurando averiguar seu conteúdo com os
olhos bem abertos. Deve-se analisá-la livre de conceitos pessoais. Originariamente,
a natureza de uma religião não está na sua forma, mas no seu conteúdo. Portanto, é
necessário que os intelectuais mudem bastante suas atitudes críticas.
De acordo com o exposto acima, criticar nossa Igreja vendo apenas as aparências
externas e classificá-la como religião vulgar por estar centralizada no recebimento de
benefícios materiais, é uma grande leviandade ou descortesia. Enquanto se persistir
nessa atitude, as críticas não terão nenhum sentido. Se fizerem uma profunda
análise da Igreja Messiânica Mundial, compreenderão que ela não só é de caráter
popular como teórico. Podemos dizer mesmo que é uma Ultra-Religião, inédita para
a humanidade. E não é só isso. O que defendemos não se restringe apenas à
Religião. Nosso objetivo é dar a mais alta diretriz ao campo da Medicina, da
Agricultura, da Arte, da Educação, da Economia, da Política, enfim, a tudo quanto diz
respeito ao homem. Em suma: queremos colocar a teoria em prática, de maneira
que a Fé seja vivida no nosso dia-a-dia.
Alicerce do Paraíso, “Benefícios materiais” – (08/11/50)
“Se os ensinamentos que pregamos não apresentarem resultados e milagres,
as pessoas não os aceitarão, por mais elevados e profundos que eles sejam.”

Seria desnecessário dizer que milagre é o acontecimento de algo considerado


impossível, algo que, não coincidindo com a lógica e não se podendo medir com o
senso comum, só podemos afirmar que é um mistério.
Mas desde quando existe esse mistério chamado milagre? Temos registrados os
milagres de Cristo, os quais são muito conhecidos e dispensam comentários; no
Japão, evidenciaram-se, entre outros, o milagre acontecido a Nitiren e os realizados
pelos fundadores das Igrejas Tenri-Kyo, Oomoto-Kyo, Konko-Kyo e Hito-no-Miti
(atualmente Igreja P.L.). Sabe-se que em vários outros lugares ocorreram pequenos
milagres, mas o interessante é que nas mais antigas e abalizadas religiões eles
quase não ocorrem. Enquanto seus fundadores estavam vivos, é possível que
muitos milagres tenham sido realizados, porém, com o passar do tempo, eles se
extinguiram por completo. Por esse motivo, em certas religiões tradicionais, as
pessoas de posição elevada precisaram encontrar algo de valor que substituísse os
milagres, pela necessidade de fazê-las sobreviver. Como resultado, apareceram as
religiões filosóficas, as ciências religiosas, a Teologia e outras formas de estudos
sistematizados. Obviamente, elas consideram que o ponto mais importante da
Religião é a salvação do espírito, razão pela qual desprezam as graças materiais.
Além disso, acrescentam as formalidades tradicionais de cada uma. Assim, vieram
mantendo sua existência como organização religiosa. As pessoas conscientes e os
povos civilizados não as aceitam, e, não encontrando uma Fé cujo teor os satisfaça,
muitos se tornam incrédulos, como vemos atualmente. Torna-se claro, portanto, que
a Fé ardentemente desejada pelas pessoas é, antes de mais nada, uma nova Fé,
que se tenha despojado das velhas roupagens e cujos princípios sejam racionais e
comprovados por provas autênticas.
Existem, no momento, algumas religiões que estão se expandindo muito, como a
Narita-no-Fudosson, Toyokawa, Fushimi-Inari, Kompira Gonguen e certas seitas da
Religião Nitiren, as quais, indubitavelmente, de certa forma estão sendo úteis à
sociedade. Entretanto, elas visam apenas os benefícios materiais, e seus níveis são
tão baixos, que não exercem nenhuma atração sobre as pessoas de cultura elevada
nem sobre a camada jovem. Em verdade, satisfazem apenas um número limitado de
pessoas.
De acordo com o que acabo de expor, podemos dizer que, atualmente, só há duas
espécies de Fé no Japão: as religiões teóricas e as religiões práticas, ou seja, as que
visam unicamente as graças. Essa é a situação inexpressiva do campo religioso
japonês. Portanto, pensando naquilo que as circunstâncias atuais estão exigindo,
concluímos que é necessário o aparecimento de uma religião nova e ideal.
A peculiaridade da nossa Igreja é que, através de princípios religiosos, ela formula
conceitos inéditos sobre a Teologia, a Ciência e a Filosofia, dando-lhes novas
interpretações. Além disso, aponta os defeitos da cultura contemporânea, ensina
como deve ser a nova cultura e indica o caminho para a criação da nova civilização
mundial. Por conseguinte, podemos dizer que ela está acima da conceituação de
uma simples religião.
Uma vez ingressando na Fé Messiânica e analisando-a minuciosamente, a pessoa
se surpreenderá com a veracidade do que acabamos de dizer. Tornando-se fiel,
compreenderá, também, que uma das grandes características da nossa religião é a
ocorrência de muitos milagres. Certamente a História das Religiões não registra
nenhuma outra em que eles sejam tão numerosos. Milagre, como já dissemos, é
benefício material, por isso não há dúvida de que conseguiremos atingir o nosso
objetivo: construir um mundo absolutamente isento de doença, pobreza e conflito.
Mas não basta lerem o que escrevi; antes de mais nada, é necessário conhecerem a
Igreja Messiânica Mundial.
Alicerce do Paraíso, “Milagre e Religião” – (05/03/52)

“Ensinamentos verdadeiros são aqueles que desvelam mistérios que a razão é


incapaz de desvelar.”

Comecei a escrever há mais de dez anos; naturalmente, apenas sobre assuntos


relacionados à Fé. Ao contrário de outros fundadores de religiões, procurei eliminar
formalidades e palavras difíceis, utilizando uma linguagem que todos pudessem
compreender facilmente. Todavia, em matéria de textos religiosos, há um
inconveniente. Os oitenta e quatro mil sutras de Sakyamuni, por exemplo, assim
como a Bíblia cristã, os mistérios de Shingon, o “tan-ni-sho” de Shinran, os textos de
Nitiren, o “mikagura-uta” da Tenri-Kyo, o “Ofudessaki” da Oomoto, etc, falando em
sentido negativo, todos eles cheiram a religião. De modo geral, as religiões são
boas. Entretanto, se por um lado elas possuem o que poderíamos chamar de
característica peculiar a toda religião, por outro lado têm um certo mistério que ora
julgamos entender, ora nos parece incompreensível, e talvez seja por isso mesmo
que elas exercem atração. Sendo difícil compreendê-las, as religiões podem ser
interpretadas de várias maneiras, dependendo da pessoa, o que facilita a formação
de seitas. Além disso, quanto mais adeptos tiver uma religião, mais probabilidade ela
terá de subdividir-se. A História nos mostra a luta que travaram entre si essas
facções. Assim, não conseguindo captar a essência da Fé, os fiéis sentem
freqüentes dúvidas, tornando-se difícil alcançarem a verdadeira paz e iluminação
espiritual.
Através dos métodos utilizados até agora, não conseguiremos obter a unificação
harmoniosa nem mesmo de uma só religião. Conseqüentemente, a unificação de
todas elas torna-se uma utopia. Esse deve ser, também, o motivo do aparecimento
de novas religiões a cada ano que passa. Observando somente o Japão, notamos
que a tendência atual é aumentar o número de religiões proporcionalmente ao
aumento da população.
Jeová, Deus, Logos, Tentei, Mukyoku, Amaterassu-Ookami, Kunitokotati-no-Mikoto,
Cristo, Shaka, Amida e Kannon constituem o alvo da adoração de diversas religiões.
Além destes, que são os principais, poderíamos citar Mikoto, Nyorai, Daishi e
inúmeros outros. Sem dúvida alguma, não levando em conta Inari, Tengu, Ryujin e
mais alguns, que pertencem a crenças inferiores, todos eles são divindades de alto
nível. Remontando às origens, é óbvio que só existe um deus verdadeiro, isto é,
DEUS. Até hoje, contudo, cada religião se considera mais elevada que as demais,
havendo, também, certa dose de discriminação entre elas. Dessa forma, é
impossível promover-se a união de todas. Apesar disso, o objetivo final de todas as
religiões é o mesmo; não há uma sequer que não deseje o Céu ou o Paraíso neste
mundo, ou melhor, a concretização do Mundo Ideal, um mundo onde todas as
criaturas sejam felizes.
Mas o que é preciso para que esse mundo se concretize?
É preciso que surja uma religião universal, que englobe o mundo inteiro. Deverá ter
as características de uma Ultra-Religião, ser tão grandiosa que toda a humanidade
possa crer nela incondicionalmente. Não quero dizer que essa religião seja a Igreja
Messiânica Mundial, mas a missão de nossa Igreja é ensinar o meio que possibilitará
a realização do Mundo Ideal, ou seja, mostrar como elaborar o plano, o projeto para
a construção desse mundo. Na medida em que aumentar, em cada país, o número
de intelectos conscientes disso, estaremos marchando passo a passo para atingir
nosso objetivo.
Em síntese, será a concretização da Verdade. Através dela, todos os erros se
tornarão claros e serão corrigidos, surgindo o Mundo de Luz, claro e límpido.
Naturalmente, a humanidade se libertará do Mal; o Bem, que estava subjugado por
ele, triunfará, e o homem alcançará a felicidade. Portanto, em primeiro lugar, é
fundamental que a Verdade seja conhecida pelas pessoas do mundo inteiro. Então,
as pessoas poderão afirmar: “Desde os tempos antigos, todos os grandes homens
vieram ensinando a Verdade”. E talvez dirão: “Para que, a essas alturas, há
necessidade de fazer isso?” Entretanto, isto é um problema, pois, se a Verdade
tivesse sido revelada, ela teria se manifestado concretamente, e o mundo
paradisíaco ou teria se concretizado ou estaria prestes a sê-lo, porém não há
qualquer indício disso. Realmente podemos dizer que estamos nos aproximando
passo a passo do Paraíso, mas, por outro lado., espiritualmente não há qualquer
progresso, ocorrendo justamente o contrário. Se a situação continuar como está, não
sabemos e nem temos idéia de quando será concretizado verdadeiramente o mundo
paradisíaco. Sendo assim, poderão se conscientizar de que aquilo que até agora
acreditávamos ser Verdade, na realidade não era.
Como melhor prova do que dizemos, basta observar a situação do mundo. Tudo está
por demais distante do Paraíso; a doença, o maior sofrimento do homem, não
diminui; a pobreza, que representa um sofrimento na vida, continua; o conflito entre
os indivíduos e de âmbito nacional, isto é, a guerra, também é um fato real. Isto é a
prova de que a Verdade não está sendo praticada de forma alguma. Aquilo que até
agora se pensava ser Verdade, na realidade era inverdade; portanto, não sendo útil,
tornava-se até mesmo uma interferência na construção do Paraíso. Todavia, chegou
finalmente o momento em que Deus, através da minha pessoa, esclarece a Verdade
a toda a humanidade. Esse é o motivo do aparecimento da nossa Igreja. Por
conseguinte, os textos que eu escrevo, são ordenados por Deus, para que sejam
compreendidos por todos.
Tudo o que eu escrevi até agora são Verdades. Espelhando-me na Verdade, vou
revelar os erros da inverdade e ensinar a forma de corrigi-los. Mostrarei a distinção
entre a Verdade e a inverdade, e, mais do que isso, vou mostrá-la baseado na
realidade. Isso vem a ser o já referido tratamento através do Johrei, o cultivo natural,
a elevação da Arte e a construção do protótipo do Paraíso Terrestre.
Dessa maneira, o empreendimento que agora estou realizando – um grande esforço
para revelar a Verdade através de explanações escritas – constitui uma fase
importantíssima para a concretização desse mundo.
Alicerce do Paraíso, “Eu escrevo a Verdade” – (25/09/51)

“Ensinamentos desprovidos de senso comum não conseguem salvar toda a


humanidade.”

Para que a Fé seja autêntica, ela deve ser professada sem ferir o bom senso.
Palavras e atos excêntricos devem ser vistos com desconfiança; entretanto, as
pessoas geralmente dão muito crédito a tais coisas.
É preciso muita cautela. Religiões egocêntricas, fechadas, que não mantêm relações
com outras e que se isolam socialmente, também não são dignas de confiança. A Fé
é verdadeira quando não prejudica a lucidez e, ao mesmo tempo, desenvolve a
consciência de que sua missão é salvar a humanidade. Jamais pode ser egoística
ou fechada em si mesma. O Japão é exemplo típico do que aqui se condena: sofreu
amarga derrota na Segunda Guerra Mundial porque visava apenas o seu próprio
bem, ficando indiferente à sorte dos países vizinhos.
A formação de homens perfeitos é um dos propósitos da Fé. Evidentemente, não se
pode exigir a perfeição do mundo, mas o esforço para consegui-la passo a passo
deve ser a verdadeira atitude religiosa.
A consolidação da Fé faz com que a pessoa assuma uma aparência comum. Isto
significa que ela se identificou plenamente com a Fé. Chega a tal ponto, que seus
atos ou palavras jamais ferem o bom senso. Sempre inspira simpatia, sem dar
indícios da religião a que pertence. No seu contato com os outros, assemelha-se à
suave brisa da primavera. Suas maneiras são afáveis, modestas e gentis. Deseja
crescente bem ao próximo e trabalha em favor do bem-estar da comunidade.
Sempre afirmei e continuo afirmando: quem deseja ser feliz, deve primeiramente
tornar feliz seus semelhantes, pois a Divina recompensa que disto provém, será a
Verdadeira Felicidade. Buscar a própria felicidade com o sacrifício alheio, é criar
infelicidade para si mesmo.
Alicerce do Paraíso, “Bom senso” – (25/01/49)

“Ensinamentos que dão vida aos de outras religiões, são ensinamentos


proclamados pelo Deus da Salvação.”

(...) Começarei por explicar o significado da forma ( ) (“su”). Como se pode ver, é
uma circunferência ( ) com um ponto ( • ) bem no centro. Se fosse apenas isso,
não teria um significado muito importante; entretanto, nada é tão significativo.
A circunferência expressa a forma de todas as coisas no Universo. A Terra, o Sol, a
Lua e até mesmo os espíritos desencarnados e as divindades tomam esse formato
para se moverem de um lugar para outro. Isso está bem comprovado pela conhecida
expressão “Bola de Fogo”. A “Bola de Fogo” das divindades é uma esfera de luz; a
dos espíritos humanos desencarnados não possui luz, é apenas algo embaçado ou
desfocado, de cor amarela ou branca. Tratando-se de espírito masculino, é amarela,
e de espírito feminino, branca, correspondendo respectivamente ao Sol e à Lua.
Mas vamos ao mais importante. Naturalmente, este mundo também tem o formato
circular; mas não passa de um círculo, pois o seu interior está vazio. No caso do ser
humano, significa não ter alma; assim, colocar-lhe um ponto no centro, ou seja,
colocar-lhe alma, é torná-lo um ser vivente. Só dessa maneira ele pode
desempenhar atividades. Por conseguinte, a circunferência com um ponto no centro
simboliza uma forma vazia na qual se pôs alma. Isso equivale à expressão “colocar
espírito”, usada pelos pintores antigos. Com base no que acabamos de dizer,
podemos afirmar que até agora o mundo era vazio, não possuía alma. Eis, portanto,
o que significa “Cultura Superficial”, sobre a qual já escrevi em outra oportunidade.
A prova do princípio exposto acima evidencia-se em todos os setores da cultura. O
tratamento alopático das doenças, como sempre digo, também é uma manifestação
desse princípio. As dores e a coceira são adormecidas por meio da aplicação de
injeções ou de remédios passados no local; a febre, baixa-se com gelo; corta-se,
também, a purificação tomando-se remédios. Dessa forma, o doente livra-se dos
sofrimentos durante algum tempo, mas, como não se atingiu a raiz da doença, a
cura completa é impossível; com o tempo, a doença retorna. Em verdade, o que
acontece é apenas o seu adiantamento. Sendo assim, também a causa das
enfermidades está na alma, porém até agora não se compreendeu isso.
O mesmo se verifica em relação a outros males, como os crimes, por exemplos.
Atualmente, eles são evitados de uma só maneira: fazendo-se o criminoso cumprir
uma pena dolorosa. Trata-se de um processo idêntico ao tratamento alopático
empregado pela Medicina. Por isso é que, quando alguém comete um crime,
geralmente vem a cometer outros. Existe quem pratique dezenas deles, e até
mesmo quem os cometa a vida inteira, passando mais tempo preso do que em
liberdade. A causa disto está na falta do ponto, ou seja, da alma.
Sobre a guerra pode-se dizer a mesma coisa. Aumentando-se o poderio militar, o
inimigo sentirá que não tem condições de vencer e desistirá da luta por algum
tempo. Mas isso não passa de um meio de adiar a guerra; a História tem
demonstrado que um dia, inevitavelmente, ela recomeçará. Assim, podemos
entender que a cultura existente até agora era apenas uma circunferência sem um
ponto no centro.
Eu sempre falo sobre a teoria dos noventa e nove por cento e do um por cento. Se
numa circunferência entrar um ponto, significa que por meio de um por cento
modificam-se noventa e nove por cento. Em outras palavras, representa destruir
noventa e nove por cento do Mal com a força de um por cento do Bem. Seria o
mesmo que tornar branca uma circunferência preta unicamente com a força desse
um por cento. Relacionando isso ao mundo, significa colocar conteúdo, ou melhor,
colocar alma numa civilização vazia. Assim, estamos vivificando a civilização que até
agora só apresentava forma, como se fosse um objeto inerte. É o nascimento de um
novo mundo.
Alicerce do Paraíso, “A Cultura de Su” – (10/09/52)
“Através do poder de Deus, rompamos o cárcere da superstição criado pela
ciência material.”

Este livro é uma bomba atômica em relação à Ciência. São escritos iluministas
referentes à humanidade e também o Evangelho da salvação do mundo. Vou agora
explicar essa teoria e, ao mesmo tempo, como endosso, entre inúmeros milagres
ocorridos na Igreja Messiânica Mundial, foram escolhidas e estão aqui publicadas
cento e vinte experiências de fé. Como todas elas vão muito além da realidade, os
leitores não conseguirão acreditar de imediato. Isto porque, no passado e no
presente, milagres maravilhosos como esses ainda não tinham acontecido. Todos
sabem que, desde os tempos antigos, os milagres acompanham a Religião, mas,
mesmo olhando com esses olhos, as pessoas dificilmente conseguem aceitar os
milagres da nossa Igreja e também argumentar sobre eles. Além disso, todas essas
experiências foram escritas pelos próprios agraciados, não havendo, assim,
nenhuma dúvida. Nem é preciso dizer que, no Japão e também no exterior, não
existem exemplos semelhantes. Considerando motivo de orgulho para o Japão esse
fato sem precedentes, eu me sinto na obrigação de propagá-lo o quanto antes ao
mundo inteiro.
O fato a que nos referimos, constitui, sem dúvida, a grande maravilha da segunda
metade do século XX, jamais imaginada por toda a humanidade. Se ela está sendo
realizada através de mim, um ser humano, podemos dizer que é realmente um
mistério que vai além do mistério. Não há dúvida de que é preciso ver aí um
profundo significado, cuja raiz se baseia no profundo Plano do Deus Supremo, o
superintendente do Universo. A causa dessa ocorrência é a existência de um grande
erro na civilização contemporânea, o qual representa um forte empecilho para o
progresso da cultura. A prova é que, apesar da cultura ter progredido tanto, o maior
desejo do homem, que é a felicidade, não acompanhou esse progresso; pelo
contrário, a infelicidade tende a se tornar cada vez mais profunda, esta é a verdade.
Mas de que erro estamos falando? É, certamente, o erro do princípio de supremacia
da Ciência. O homem moderno acredita que qualquer problema pode ser
solucionado através da Ciência. E muito mais do que superestimação da Ciência,
podemos dizer que ele caiu no abismo da superstição da Ciência. Atingido tal ponto,
Deus irá destruir completamente essa superstição. Objetivando a construção de um
mundo verdadeiramente civilizado, Ele começou a trabalhar diretamente, tendo o
homem como intermediário, e isso também é realmente uma providência do tempo.
A causa da superstição a que nos referimos é o pensamento, absolutamente
materialista, de acreditar naquilo que se vê e não acreditar naquilo que não se vê.
Portanto, para corrigir esse modo de pensar, é preciso todo empenho no sentido de
que o homem tome consciência da realidade do espírito, até hoje considerado
inexistente, e compreenda que, em tudo, o espírito é principal e a matéria é
secundária.
Quero dizer também que, se a Ciência materialista fosse a Verdade, com o seu
progresso, o sofrimento da humanidade deveria diminuir aos poucos, e, na mesma
proporção, a felicidade deveria aumentar, não acham? Entretanto, qual é a
realidade? O progresso material é de fato magnífico: metrópoles culturais
deslumbrantes, facilidade de transporte, modo de vida adiantado, tudo mecanizado,
etc. Materialmente, não há dúvida de que a felicidade aumentou, mas a felicidade
espiritual, que é importante, não passa de zero. Olhando sob esse prisma, fica bem
evidente o erro da civilização contemporânea.
Mas o erro de que eu estou falando também faz parte do profundo Plano do
Supremo Deus, e até hoje estava bem assim. Isso porque, para construir o Mundo
Ideal, que é o objetivo de Deus, era preciso, primeiro, como preparação, desenvolver
até certo ponto a cultura materialista. E a história da humanidade até hoje, cheia de
guerras e de paz, de ascensão e decadência, também se explica dessa forma.
Assim, a época da cultura materialista chega ao seu fim; ao mesmo tempo, é
chegada a época da ascensão inesperada da cultura espiritualista. E as duas
culturas, a materialista e a espiritualista, irão caminhar com os passos alinhados,
concretizando-se a era da Verdadeira Civilização. Em outras palavras, é também a
união da Religião com a Ciência. Para tanto, a questão prioritária é fazer com que se
tome consciência da existência real do espírito. Deus mostra o milagre como método
para essa tomada de consciência. Eu fui escolhido para desempenhar tal função, e,
naturalmente, também recebi força para realizar milagres. Em relação aos milagres,
entre inúmeras religiões existentes desde tempos antigos, parecem-me
especialmente marcantes os milagres de Cristo, ainda hoje famosos. Ele devolveu a
visão a um cego, fez um aleijado andar, expulsou o demônio de uma pessoa má, e
outros milagres. A maioria dos milagres contidos na nossa coletânea são quase
iguais aos de Cristo, e alguns até mesmo superiores, podendo ser resumidos numa
só palavra: espantosos! Além disso, todos eles foram manifestados por meus
discípulos, o que, falando honestamente, é um acontecimento que pode virar a
História.
A famosa expressão de Cristo, “Fim do Mundo”, refere-se ao fim da época da cultura
materialista, e a profecia “O Reino dos Céus está próximo”, nem é preciso dizer,
refere-se à época de uma cultura elevada, que progride rapidamente, ao nascimento
iminente de um mundo de Verdadeira Civilização. Nessa grande transição do
mundo, Deus irá manifestar milagres sem precedentes, realizando uma revolução
cultural de âmbito mundial. Aqueles que acreditarem nisso, serão pessoas felizes na
Nova Era.
Gostaria de escrever muito mais, mas este livro ficaria puramente religioso, por isso
vou parar por aqui. O leitor deve gravar bem o significado das minhas palavras e ler
atentamente. Ao mesmo tempo, ele deve abandonar a visão da nossa Igreja como
religião tradicional e olhá-la como uma Ultra-Religião.
Jornal Eiko nº 202, Prefácio da “Coletânea de milagres da I.M.M” – (01/04/53)
O SOLO SAGRADO

“Deus escolheu Atami para aí estabelecer o protótipo do Paraíso na Terra,


confiando a mim sua construção.”

Registrarei aqui o quanto é grandiosa, profunda e sutil a nossa Igreja Messiânica


Mundial. Quando os fiéis, ou quem quer que seja, lerem este Ensinamento, creio que
ficarão pasmados e boquiabertos.
Antes de mais nada, devemos saber que o Plano Divino é algo inimaginável pela
mente humana. O mesmo se pode dizer em relação ao Paraíso Terrestre, que
atualmente estamos construindo em Atami. Como os fiéis podem observar com
freqüência, à medida que avança a construção, verifica-se, a cada momento, a sua
transformação. Principalmente no que se refere à configuração das colinas, à
posição das árvores, ao terreno, e também à maravilhosa paisagem observada à
distância, ao aspecto dos arredores, etc. Em matéria de muros de pedras, este deve
ser o local mais rico do Japão. As pedras aqui empregadas têm surgido
abundantemente num só lugar, e quanto mais se cava, mais aparecem. Não existe
outro local de Atami onde haja tantas pedras. Todos ficam surpresos, pois realmente
é um mistério.
Observando apenas tal fato, já se verifica que há milhares de anos Deus veio
planejando e preparando este local. E, quando vemos a paisagem em volta deste
Paraíso, observamos uma beleza harmônica na variedade das árvores, na
configuração das montanhas, etc. Realmente, é um êxtase.
Também o fato de termos conseguido adquirir aqui, seguidamente, as áreas
necessárias, não deixa de ser um mistério. Essa aquisição de terrenos foi se
processando de forma ordenada, ampliando-se gradativamente. Mesmo em se
tratando de oportunidade, quando eu sentia necessidade de determinado terreno, o
seu proprietário vinha oferecê-lo a mim. Tudo ocorria de acordo com o meu desejo.
Após a aquisição do terreno, cada vez que eu ia inspecionar o local, surgia em
minha mente um novo projeto. Era uma tranqüilidade, pois nem precisava pensar
muito sobre o assunto.
Mas o que vem a ser o grande Plano Divino, a que me referi no início e que deixa
todas as pessoas pasmadas?
Atami possui a paisagem mais bela do Japão. Como sempre digo, é também um
local dotado de todas as condições necessárias, como o clima, as águas termais, a
facilidade de transportes e de locomoção, etc. Portanto, se analisarmos
profundamente, chegaremos à conclusão de que, por ocasião da criação do mundo,
Deus projetou este local baseado no Seu Plano Infinito. Certamente, o fato deve ter
ocorrido há milhões de anos. Naquela ocasião, Deus estabeleceu um local onde, no
futuro, com a denominação de Japão, seria criado, de forma paradisíaca, um jardim
de escala mundial; para isso, preparou, com perfeição, todas as condições, como o
clima, a beleza, o aspecto natural, etc., e esperou a chegada do tempo.
Logicamente, trata-se de Atami, de Hakone e também do Monte Fuji. Acredito que
Deus criou um ambiente ideal e de beleza máxima, visando, principalmente, Atami.
Finalmente, com a chegada da época apropriada para a construção do Paraíso, pelo
progresso da cultura material, Deus me fez nascer neste mundo e, após me fazer
passar por vários caminhos na vida, conduziu-me para Atami, onde dei início à
concretização do Seu propósito de construir o protótipo do Paraíso Terrestre.
Sempre que subo ao Monte Zuiun, apreciando a paisagem, penso o seguinte: “Na
remota antigüidade, Deus deve ter estabelecido o plano para o futuro e projetado
esta obra.”
As ilhas de Hatsushima e Ooshima, os cinco cabos, a ponta do promontório de
Manazuru, as ondulações das montanhas do desfiladeiro Jukkoku, o mar, que,
parecendo um espelho, nos dá a impressão de um lago, e principalmente a beleza
das montanhas de Atami, não seria tudo isso fruto da enorme habilidade Divina?
Nasci nesta época, para executar a obra de acordo com o Plano Divino. Aí está a
razão lógica da manifestação dos inúmeros milagres que mencionei anteriormente.
Meu trabalho, entretanto, não se limita unicamente à construção do protótipo do
Paraíso Terrestre, mas abrange muitas outras atividades, fatos inauditos que foram
programados por ocasião da criação do mundo.
A propósito, vou explanar aqui um fato importante. Talvez seja um auto-elogio, mas,
quando transformo o papel por mim caligrafado em Luz Divina, manifesta-se uma
força maravilhosa, capaz de curar doenças. Como é do conhecimento de todos,
consigo caligrafar, por hora, quinhentas folhas; isto significa uma folha a cada sete
segundos. Por meio desta obra, feita de papel e tinta, em apenas sete segundos, é
possível salvar milhares de pessoas. A grandiosidade do Poder Divino é, portanto,
algo imensurável. Não significa que eu me ache poderoso, mas a verdade é que
esse trabalho é possível graças ao maravilhoso poder que Deus me concedeu.
Jornal Eiko nº 109, “O Plano Divino” – (20/06/51))
“A beleza natural e a beleza criada pelo homem estão expressas em perfeita
harmonia no Paraíso Celestial.”

Os fiéis sabem perfeitamente qual é a atividade em que estou agora me


empenhando de corpo e alma. Ultimamente, entre as pessoas cultas, aumentou
bastante o número daquelas que passaram a compreender o meu trabalho, o que é
animador. Mas, como ainda existem pessoas equivocadas, parte do que eu vou
escrever será pensando nelas. Essas pessoas, sem dúvida, desconhecem a
verdadeira natureza da nossa Igreja, e por isso vacilam com os comentários do povo
e a demagogia dos veículos de comunicação. Entre elas há ateístas convictos, que
não gostam de Religião desde que nasceram; aliás, até parece mentira, mas
também existem pessoas que, não sei se por gostarem do Mal, ficam irritadas
porque a Religião incentiva o Bem. Entretanto, a não ser os comunistas, não deve
existir um só japonês contrário ao melhoramento do Japão, sua terra natal.
Deixando de lado assuntos religiosos como Deus e fé, o presente artigo está
centralizado num assunto que até mesmo uma pessoa comum consegue
compreender. Trata-se do protótipo do Paraíso Terrestre, que está em plena
construção em Hakone e Atami. O protótipo de Hakone é de escala menor, por isso
eu me aterei apenas ao protótipo de Atami. Meu plano, inicialmente, é construir uma
grandiosa Obra de Arte, única no mundo, onde a beleza natural se harmonize com a
beleza artificial.
Olhando mundialmente, tenho a opinião definida de que o país mais rico em
paisagens é o Japão. É verdade que ainda não fui ao estrangeiro, mas, analisando a
questão sob diversos pontos, chego a essa conclusão. Como sempre digo, o Japão
é o parque do mundo, e desde o início foi construído por Deus com esse objetivo.
Por felicidade nasci neste país, e residir nele, atualmente, sem dúvida é conveniente
em todos os aspectos. Pesquisando, no Japão, locais que preenchessem os
requisitos, concluí, sem sombra de dúvida, que esses locais eram Hakone e Atami.
Nestas cidades, encontrei misteriosamente o terreno e a casa para morar
exatamente como eu queria e os adquiri com facilidade. Depois, assim que a guerra
terminou, tudo transcorreu harmoniosamente. Tanto em Hakone como em Atami
foram adquiridos, seguidamente, os terrenos necessários; ambos medem mais de 60
mil metros quadrados, podendo-se dizer que, no tocante à extensão, é o bastante.
Os terrenos de Hakone têm colinas íngremes, e as rochas estão empilhadas uma
em cima da outra, o que não é adequado para um plano de grande porte. Nesse
ponto, as colinas de Atami não são altas, e há bastante espaço plano, sendo
possível fazer um planejamento em grande escala. É por esse motivo que o protótipo
de Atami está em plena construção neste momento.
Atami reúne todas as condições, e, antes de mais nada, uma paisagem maravilhosa.
Provavelmente, não existe um local desse porte em nenhum lugar do Japão, por
mais que se procure, e essa é a opinião unânime de todas as pessoas que o visitam.
Além disso, é um local de trânsito bom e, como todos sabem, encontra-se
praticamente no limite da região Kanto com a região Kansai, sendo de fácil acesso
tanto para o leste como para o oeste. E tem outras peculiaridades: no inverno, o
clima é ameno; é rico em águas termais; o verde cobre as montanhas ao redor; o
mar da baía de Sagami é como se fosse um espelho; do lado direito, bem ao longe,
a beleza das curvas desenhadas por cinco cabos; do lado esquerdo, também são
interessantes as vinte e três ilhas pequenas que ficam na parte extrema do Cabo de
Manazuru; quando há sol, vê-se no horizonte a linha da Península Miura, que flutua
como num sonho; no fundo das névoas, a linha comprida que parece estar dormindo
é a Península Bôsso, e as linhas curvas e estranhas, cheias de dentes, do famoso
Monte Nokoguiri chamam a atenção. Bem em frente à miniatura de uma paisagem
para da, está a Ilha Hatsushima e, à sua direita, a Ilha Ooshima, com suas linhas
leves, que não fazem notar o famoso vulcão.
O lugar que engloba numa só visão essa vista encantadora é a plataforma
panorâmica localizada no centro do Zuiun-Kyo (Terra Celestial). Pela sua posição,
pela altura das montanhas, é o local mais adequado para se apreciar todo o
panorama; quando colocamos os pés nesse local, nos sentimos como se
estivéssemos no Paraíso, e com isso qualquer pessoa concorda plenamente. De
fato, é o Solo Sagrado que Deus preparou quando construiu o Céu e a Terra. Se não
for uma grandiosa Obra de Arte feita por Deus, o que poderá ser? Além do mais, da
estação até lá leva-se quinze minutos a pé e cinco minutos de carro; a estrada é
uma subida branda, e por isso facilmente transitável. Adquiri esse terreno em 1946;
portanto, está fazendo cinco anos. Até hoje, todos os dias, ali estão trabalhando de
corpo e alma, de acordo com o meu projeto, cinqüenta a cem pessoas. No decorrer
deste ano, pretendo terminar a topografia. Serão plantadas, principalmente, 20
espécies de azaléias, somando um total de dois mil pés; mil cerejeiras; quinhentas
ameixeiras. Também quero plantar o maior número possível de outras árvores que
dão flores, de modo que sempre haja flores no local. Pode-se dizer, antes de
qualquer outra coisa, que é o Paraíso ideal.
Finalmente, a partir da primavera do ano que vem, passaremos para a fase de
construção. Inicialmente, no terreno de 4.303m², construirei o Prédio Messiânico, de
um andar, que ocupará uma área de 2.648m². Certamente será de ferro e concreto,
e o estilo será baseado no estilo do francês Le Corbusier, que, atualmente, está
predominando no mundo da arquitetura. Calcado sobre ele, meu projeto será um
estilo novo, um estilo inédito; depois de pronto, provavelmente chamará a atenção
do mundo, tornando-se uma arquitetura religiosa mundial. Realmente, o estilo Le
Corbusier corresponde perfeitamente à sensibilidade da época, mas falta-lhe um ar
de altivez. Ele é bom e prático para repartições públicas, apartamentos, residências,
etc; no entanto, sinto que não é muito adequado para construções de cunho
religioso. Por outro lado, não quero fazer uma construção clássica como as deixadas
pelos antigos, por isso precisa ser algo que expresse bem a sensibilidade da época.
Ao mesmo tempo, pretendo apresentar uma originalidade que combine com a
ornamentação interior e demais aspectos.
Em seguida, construirei o Museu de Belas-Artes, que será de três andares e terá
mais ou menos 331m². Seu estilo é que é um problema. Isso porque o Museu
também será no estilo Le Corbusier, mas quero que seja algo mundial, que mostre
bem o colorido de um Museu de Belas-Artes. Quanto às obras que serão expostas,
tanto no que se refere à quantidade como à qualidade, estou objetivando o nível
mais alto, em termos mundiais. Isso porque os Estados Unidos, a Inglaterra e a
França também possuem esplêndidos museus históricos e de Belas-Artes, mas os
objetos expostos são, na sua maioria, obras ocidentais. Em nosso Museu, darei
prioridade a obras de arte orientais. Segundo a opinião dos próprios apreciadores de
Belas-Artes europeus e americanos, em termos de obra de arte, sem dúvida alguma
o Oriente é superior ao Ocidente. Isso se evidencia ao observarmos que,
ultimamente, os Estados Unidos e a Europa também estão se esforçando em
colecionar obras de arte orientais. Há mais de dez anos eles voltaram os olhos para
o Oriente, e o que conseguiram obter, sem se importar com a quantia despendida,
hoje está fazendo prosperar o Museu Nacional de Belas-Artes. No entanto, nesse
curto período de dez anos, ele não atingiu a perfeição, o que está sendo motivo de
preocupação para os especialistas da América. No Japão, felizmente, estão
conservadas, em estado satisfatório, há mais de mil anos, obras da China, da Coréia
e do próprio Japão, as quais, apesar de espalhadas, possuem algo que chama a
atenção. No momento, a maioria permanece guardada, sem vida, o que é
lamentável. De qualquer modo, ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, até
hoje o Japão valorizou essas obras, por não ter meios para torná-las de utilidade
mundial. Além disso, atualmente, quase não existem mais no país obras de arte da
China e da Coréia. Isto porque o Japão sofreu com os vários incêndios causados
pela guerra, e quase todas essas obras foram destruídas pelo fogo. Algumas foram
descobertas em escavações e adquiridas pelos americanos e europeus, estando
expostas em museus históricos e de Belas-Artes.
Há mais de mil anos o Japão importou pinturas e porcelanas famosas da China e da
Coréia, sendo que, na Era Suiko-chô, mais de mil e trezentos anos atrás, aprendeu
com a China a técnica da arte budista e criou a arte budista peculiar japonesa.
Posteriormente, desenvolveu todos os tipos de obras de arte. Paralelamente ao
aparecimento de célebres mestres, surgiram numerosas obras famosas no decorrer
dos períodos Tempyo, Fujiwara, Kamakura, Momoyama, Tokugawa, Meiji, Taisho, até
os dias de hoje. É realmente grande o número de excelentes obras de arte orientais
armazenadas nesse longo período. Além disso, desde épocas antigas, a começar
pelo Palácio Imperial, os generais, os senhores feudais e, atualmente, os grupos
financeiros, apreciam e valorizam tais obras, esforçando-se pela sua conservação.
Mesmo hoje, essas obras raras são admiradas em todos os locais do país. Aquilo
que sempre digo, “o Japão é o Museu de Arte do Mundo”, é uma frase bem
adequada.
Por esse motivo, no Museu de Belas-Artes que eu pretendo construir, reunirei o
melhor da arte oriental e, ao mesmo tempo em que satisfarei a sede dos
apreciadores de cada país do mundo, mostrarei a superioridade cultural do povo
japonês. Além de limpar-lhe a má fama de povo belicoso, creio que esse museu terá
um grande efeito; inclusive, como meio a ser utilizado pela política nacional, posso
dizer, com orgulho, que ele tem força para atrair visitantes estrangeiros. E existe
outro ponto importante. Os artistas japoneses estão mostrando intenso desejo de ter
como referência as obras-primas da arte erudita. Pode-se dizer, no entanto, que
quase não existem estabelecimentos que satisfaçam esse seu desejo. Há museus
históricos em apenas três cidades, e museus de Arte particulares em poucos
lugares. Os museus históricos têm principalmente obras históricas e arqueológicas,
sendo carentes de obras artísticas. No caso dos museus de Arte particulares, é
como se fosse uma espécie de proteção ao patrimônio, pois somente duas vezes
por ano, na primavera e no outono, eles são abertos, durante um curto período, a um
grupo especial de pessoas. Como não existem museus de Arte com uma
organização maleável, que permita as pessoas apreciarem seu acervo quando elas
quiserem, ao ficar pronto o nosso Museu de Belas-Artes, creio que não preciso dizer
o quanto ele será útil para a elevação da cultura japonesa.
Através de tudo que foi escrito acima sobre as inúmeras obras de arte famosas e
raras existentes, atualmente, no Japão, guardadas no fundo de armazéns dos
grupos financeiros e de classes especiais, e também sobre a existência de inúmeros
artistas e apreciadores apaixonados por essas obras, podemos compreender que,
futuramente, será necessário um órgão que estabeleça uma ligação entre as obras e
os artistas e apreciadores. Nesse sentido, o melhor meio é obter a compreensão dos
possuidores de obras de arte. Também é de extrema necessidade um museu com
instalações completas, onde as obras possam ser expostas com tranqüilidade.
Eu me estendi muito, mas, como pretendo realizar sozinho essa obra tão grandiosa,
realmente não é fácil. Provavelmente é algo que ninguém jamais experimentou
realizar, desde o início da História. Normalmente, mesmo que não me fosse possível
receber ajuda do governo, não haveria nenhum problema em receber ajuda do
município e de entidades privadas. Mas eu não quero isso, porque, recebendo esse
tipo de ajuda, não poderei agir com firmeza, do jeito que eu penso. Além do mais,
por se tratar de um empreendimento que não visa à obtenção de lucros e por ser um
planejamento novo de grande porte, sem exemplo igual, quero demonstrar toda a
minha originalidade, tal como os artistas fazem com as suas obras.
A propósito da grandiosa obra que estou realizando, parece que alguns jornalistas
falam isso e aquilo de nossa Igreja sem ter conhecimento da sua verdadeira
natureza, por isso eu gostaria que eles refletissem bastante. Creio que, dessa forma,
eles poderão compreender que eu venho me esforçando em silêncio, pensando no
bem da cultura mundial e no futuro do Japão. E estou feliz por ter conseguido,
através da ajuda Divina, levar a obra adiante, até hoje, com sucesso. Mesmo que eu
não a realizasse, alguém teria que realizá-la, porque se trata de uma obra de
importância nacional, ou melhor, mundial. Quanto mais rápido ela se concretizar,
mais rapidamente contribuirá para a elevação da cultura. Sendo assim, quero que as
pessoas que ainda desconhecem o meu projeto e aquelas que se interessam por
ele, antes de mais nada, vejam a realidade “in loco”. Nesse caso, mostrarei de bom
grado o que estamos realizando e não medirei esforços para dar-lhes explicações
satisfatórias.
Jornal Eiko nº 131 e 132 – “Não atrapalhe o meu trabalho” (21/11/51 e 28/11/51)

“No jardim do Paraíso, purificam-se as almas das pessoas, maculadas pelas


impurezas deste mundo.”

Diariamente, através do rádio e dos jornais, tomamos conhecimento de que a


sociedade está repleta de males. Numa visão a grosso modo, e excluindo a guerra,
podemos enumerar a corrupção dos funcionários públicos, assassinatos, roubos,
fraudes, suicídios, tuberculose e outras doenças contagiosas, falta de alimentos,
crises habitacionais, dificuldades financeiras, opressão de impostos, etc. As coisas
boas são tão poucas quanto as estrelas do amanhecer... Então surge a dúvida: por
que a sociedade chegou até esse ponto?
Realmente, pode ser que existam muitas causas, mas, em poucas palavras,
diríamos que a situação é decorrente da decadência moral e também da acentuada
decadência do nível do homem. É por isso que, ultimamente, os entendidos no
assunto e os educadores começaram a interessar-se por essa questão. Outra causa
que pode ser levantada é que, após a Segunda Grande Guerra, o pensamento
liberal passou dos limites. Parece que se discute a reforma e o incremento da
Educação, da Moral e da Educação Cívica por não haver outra alternativa. Mas é
interessante observar que, em tais ocasiões, o Japão nunca recorre à Religião, o
que talvez possa ser explicado. As religiões antigas são fracas demais, e as novas,
em sua maioria, são supersticiosas e falsas. É por isso que, como todos vêem, ainda
não se conseguiu achar um caminho que levasse à solução radical do problema. Eu,
porém, elaborei um plano concreto, objetivando solucioná-lo de forma diferente.
Para começar, baseei-me nas diversões populares. Naturalmente, em qualquer
época, a grande massa popular necessita de diversões. Na sociedade atual,
entretanto, as que existem são de baixíssima categoria. De fato, teatro, cinema,
esporte, xadrez, dominó, etc., são diversões aceitáveis, mas acho que se fazem
necessárias recreações de nível ainda mais elevado. É com esse objetivo que a
nossa Igreja está construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, nas terras de Hakone
e Atami. Como já escrevi várias vezes, aí será construído o Paraíso ideal, onde se
acham perfeitamente harmonizadas a beleza natural e a beleza criada pelo homem.
Um projeto grandioso como esse, não creio que já tenha sido elaborado por alguém.
Encantada com a atmosfera tão diferente do mundo a que está acostumada,
qualquer pessoa, nesses locais, esquece-se de tudo e até pensa estar em cima das
nuvens. Visto que isso acontece antes mesmo de termos concluído metade da obra,
todos ficam maravilhados.
O protótipo de Hakone já está próximo de sua conclusão, mas, como é uma obra de
pequena escala, falarei a respeito do protótipo de Atami, em plena construção,
atualmente.
No jardim de cem mil metros quadrados, com altos e baixos, estão sendo plantados
arbustos e árvores que dão flores, como ameixeiras, cerejeiras, azaléias, etc.,
mescladas com árvores que estão sempre verdes. Também está em fase de
preparação a construção de um jardim com as mais diversas variedades de flores.
Pela sua beleza encantadora na primavera e pela paisagem da baía de Sagami, que
se pode avistar ao longe, não seria exagero dizer que o protótipo de Atami é um
enorme e ideal “Jardim do Éden”.
Como localização, este protótipo do Paraíso Terrestre está situado no melhor local
de Atami. Além do mais, para acrescentarmos maior beleza ao lugar, construiremos
um magnífico Museu de Belas-Artes, cuja conclusão certamente fará o protótipo do
Paraíso Terrestre de Atami tornar-se alvo da admiração não só de japoneses como
de estrangeiros. Por conseguinte, qualquer pessoa que visite esse local purificará
seu espírito maculado pelas condições do mundo, e sua alma, completamente árida,
será regada na própria fonte. Assim revigorada, seu trabalho renderá mais e,
naturalmente, seu caráter também se elevará. Por isso, a contribuição do protótipo
do Paraíso Terrestre para o espírito das pessoas da sociedade será inestimável.
Alicerce do Paraíso, “A respeito do Paraíso Terrestre” – (01/01/52)
“Estou construindo o protótipo do Paraíso para que as pessoas exaustas deste
mundo nele possam descansar serenamente.”

O Jardim Sagrado que estou construindo há cinco anos, em Gora, na cidade de


Hakone, só está cerca de oitenta por cento pronto. Mesmo assim, compara do aos
famosos jardins existentes em todo o Japão, desde os tempos antigos, não deixa
nada a desejar. Talvez soe como auto-elogio, mas há uma grande diferença de nível
entre este jardim e os demais. É claro que existem muitos jardins maravilhosos, cada
um com suas características; porém, seja ele qual for, não possui aspectos tão
relevantes quanto o de Hakone.
A Terra Divina, como podemos ver, é totalmente diferente de outros locais. Possui tal
abundância de pedras e rochas naturais, que chega a espantar. Estou dispondo-as
conforme a Orientação Divina, não me submetendo às tradicionais formalidades
relativas a jardins. Não me baseio em modelos; estou construindo este jardim num
estilo totalmente novo. Até no que diz respeito às árvores, juntei várias espécies,
combinando-as bem, para que possam estar em harmonia com as pedras e rochas.
As cascatas e correntes d'água foram aproveitadas para expressarem, ao máximo, o
sabor da natureza. Assim, somando a beleza das montanhas e das águas com a
beleza dos jardins, tentei expressar o que há de melhor e mais elevado na arte
natural. Meu objetivo é fazer aflorar, através dos olhos da pessoa que vê esse
quadro, o sentimento do Belo latente nos seres humanos, elevar seu caráter e
eliminar as impurezas de seu espírito. Por esse motivo, tanto as pedras como as
árvores e plantas foram selecionadas e combinadas cuidadosamente, colocando-se
amor em cada uma delas. É como se fôssemos pintar um quadro utilizando
materiais “in natura”. Gostaria, portanto, que o admirassem com esse espírito.
Construí o jardim de modo que, visto de perto ou de longe, parcialmente ou em
conjunto, ou de qualquer ângulo, sobressaia cada uma de suas características. Além
disso, com o passar dos meses e dos anos, vão nascendo vários musgos típicos de
Hakone, plantinhas de nome desconhecido, minúsculas flores graciosas e brotos de
árvores que crescem nas reentrâncias das pedras como “bonsai” (5), as quais, por si
mesmas, parecem querer atrair a atenção das pessoas. No ano passado, o jardim
todo ficou mais “maduro”, assumindo um aspecto mais tranqüilo; melhorou tanto,
que nem o reconhecíamos. Eu mesmo cheguei a percorrê-lo diversas vezes, sem ter
coragem de afastar-me.
Após a chuva, quando a água é abundante, temos a impressão de estar vendo, de
lugar bem alto, uma correnteza no meio da mata. O som da água escorrendo pelas
pedras, a corrente quebrando-se, lançando gotas para todos os lados, mais adiante
descrevendo graciosas curvas e terminando em duas cascatas... Visão panorâmica
deslumbrante! A cascata do lado direito, chamada “Ryuzu no taki” (Cachoeira
Cabeça de Dragão), é maravilhosa, e a do lado esquerdo divide-se em vários fios
d'água, para mais abaixo quebrar-se e espirrar para todos os lados. Vejo de relance
até uma andorinha voando rápido, bem rente às cascatas. Realmente, a harmonia
da beleza natural com a beleza artificial está expressa muito melhor do que eu
esperava. Fico satisfeitíssimo. Ao contemplar essas cascatas, sinto-me como se
estivesse nas profundezas de montanhas e vales ou diante de um quadro magnífico.
Geralmente, as cascatas artificiais têm certo sabor mundano que as prejudica, mas
isso não acontece com as deste jardim, plenamente identificadas com as cascatas
naturais. O vermelho e o amarelo dos bordos, que nelas se refletem
( 5)
Bonsai: técnica de cultivo pela qual se fazem plantas em miniatura.
esplendorosamente, as cores de cada árvore e a forma tridimensional de plantio
fazem com que eu me sinta no meio de densas matas.
Mas deixemos aqui as explanações a respeito do que já foi concluído. Também no
terreno baldio, bem espaçoso e próximo à parte posterior do jardim, estou pensando
em construir outro jardim muito diferente, e já dei início à sua construção. Também
para este tenho um plano bem diferente, inaudito; quando ele estiver terminado,
talvez cause assombro a todas as pessoas.
Vim escrevendo à proporção que as idéias me afloravam à mente, e talvez me
achem orgulhoso demais por estar elogiando o que eu mesmo fiz. Sem dúvida, na
opinião das pessoas comuns, isso está errado. Mas este jardim da Terra Divina foi
construído por Deus; eu sou apenas o Seu Instrumento. Portanto, como ele foi
construído pela técnica, ou melhor, pela Arte Divina, não seria nada de mais elogiá-
lo. É o mesmo que louvar a Deus; por conseguinte, um ato muito justo. Há algum
tempo, o Sr. William W. Shudler, professor de Geografia de um colégio dos Estados
Unidos, veio apreciá-lo e, com visão de profissional, assim exprimiu sua admiração:
“Já vi jardins do mundo inteiro, mas nenhum tão raro e artístico como este. Talvez
possamos afirmar que ele seja único em todo o mundo”.
A seguir, falarei sobre o Museu de Belas-Artes, que será construído por último.
A construção está planejada até o verão do ano que vem e, quando ela estiver
concluída, o Jardim Sagrado da Terra Divina ficará ainda mais magnífico. Quanto às
obras artísticas a serem expostas, já tenho algumas e andei pesquisando as que são
avaliadas como Tesouro Nacional, existentes em museus históricos e de Belas-Artes
de várias regiões, em coleções particulares, em templos, etc., com os quais, pouco a
pouco, estou fortalecendo meu relacionamento. Assim, tenho certeza de que o
Museu de Belas-Artes de Hakone nada ficará devendo a outros do gênero. Minha
intenção é expor poucas obras históricas e arqueológicas, tendo como critério meu
senso estético, independente de ser arte oriental ou ocidental, antiga ou moderna.
Pretendo selecionar somente as obras-primas de artistas famosos de cada época.
Isso porque o significado do Museu de Belas-Artes deixará de ser alcançado se
todas as pessoas, entendidas ou não em Arte, não se sentirem tocadas e extasiadas
com a beleza das obras expostas.
Naturalmente, este museu, a começar pela sua arquitetura, instalações internas,
decoração e tudo o mais, será construído de acordo com a orientação de Deus; por
isso, quando ele estiver concluído, apresentará resultados absolutamente especiais.
Com a sua conclusão, praticamente estará terminada a construção do protótipo do
Paraíso da Terra Divina. No momento em que isso se concretizar, a Obra Divina
entrará em sua verdadeira fase de expansão. Mas não pararemos aí. A construção
do protótipo do Paraíso de Atami também terá rápido progresso. Deus faz com que
tudo se processe de acordo com a Ordem, esta é a Verdade.
Alicerce do Paraíso, “A respeito do Jardim da Terra Divina” – (19/09/51)

“ Quando a Luz de Deus se estender ao mundo inteiro, os povos serão


ressuscitados.”

Finalmente foi concluído o protótipo do Paraíso Terrestre do Solo Sagrado da Terra


Divina, localizado nas montanhas de Hakone. Sem dúvida, esse Jardim Divino,
construído em montanhas tão altas, no qual se usaram livremente numerosas
rochas, é uma obra inédita, tanto no Japão como no exterior. Todas as pessoas o
elogiam unanimemente, dizendo que é como se estivessem recreando-se no
Paraíso, distante dos locais mundanos, apreciando abundantemente a beleza
natural, representada por árvores, flores e vegetais de lugares altos, ouvindo o som
de águas correntes nas depressões formadas entre os montes. Além do mais, ali
está instalado o magnífico Palácio do Belo, como que acrescentando maior beleza
às flores. Em resumo, é uma obra de arte que une a beleza natural e a beleza
artificial, o que me deixa orgulhoso.
O que eu citei acima é uma impressão obtida pela visão humana; espiritualmente, no
entanto, o protótipo do Paraíso Terrestre de Hakone oculta um amplo e inimaginável
significado. Explicarei, a seguir, mais detalhadamente, e através de minha
explicação poderão compreender quão profundo, sutil e impenetrável é o Plano de
Deus, a ponto de transcender a inteligência humana.
Como eu digo sempre, o Plano de Deus, no início da Criação, era extremamente
limitado e foi se ampliando gradativamente até alcançar o mundo inteiro; realmente é
algo extremamente misterioso. Isso pode ser aplicado ao Mundo Material. No caso
de realizar uma ampla construção, primeiramente o homem faz uma maquete, para
depois entrar na fase de execução. Assim, devem pensar que a construção do
Paraíso Terrestre da Terra Divina, concluída nesta oportunidade, foi realizada
objetivando a sua ampliação ao mundo inteiro. Vou explicar o profundo significado da
escolha das montanhas de Hakone.
Em primeiro lugar, o centro espiritual do mundo é o Japão, e o Monte Fuji é a coluna
do globo terrestre. Devem observar que a forma soberba desse monte é inédita no
mundo. Desde os tempos antigos ele é chamado de Montanha Divina ou Montanha
Sagrada; os estrangeiros consideram-no o símbolo do Japão. Desse modo,
podemos constatar o profundo significado que o Monte Fuji encerra. O destino do
Japão é tornar-se o centro do Paraíso Terrestre. Isso já estava estabelecido por
Deus na ocasião em que o Céu e Terra foram criados. Como podemos observar,
pela beleza das montanhas e das águas, pelas várias espécies de ervas e árvores,
pela paisagem magnífica de cada estação, determinada pela mudança do clima,
enfim, por essa rica dádiva da natureza, o Japão possui por si mesmo a beleza
paradisíaca. O primeiro imperador da Era Shin denominou-o Ilha de Eterna
Juventude do Oriente, e eu concordo plenamente com isso. Os estrangeiros também
reconhecem que o povo japonês possui aguçada sensibilidade, principalmente no
que se refere ao Belo, o que não pode ser negado pelos outros povos. Também é
misterioso o fato de se reunirem no Japão, desde os tempos antigos, obras de arte
de vários países do mundo. Assim, o Japão já está dotado de elementos do Paraíso
por Vontade Divina. Eis a razão de se dizer freqüentemente que ele é o jardim e o
Museu de Arte do mundo.
Ora, se o território japonês for considerado jardim e centro do mundo, o jardim do
Japão vem a ser Hakone. Esta cidade está situada no centro da região leste-oeste, e
isso se evidencia ao observarmos que, a partir de Hakone, o lado leste é
denominado Kanto, e o lado oeste, Kansai. Mesmo no aspecto cultural, creio que
não há outro país com tanta mescla da cultura oriental e da cultura ocidental. O
Japão é o país que tem a missão de equilibrar as duas culturas, criando uma cultura
ideal e pacífica.
Ouvi dizer que, ultimamente, um grupo de intelectuais dos Estados Unidos começou
a defender a teoria acima, o que não poderia ser de outra forma. Hakone, portanto, é
o centro do Japão, e o centro de Hakone é Gora. Atrás do Soun-zan (Montanha
Nuvens Ligeiras) avista-se a imponente Montanha Divina, que, sendo a mais alta da
cadeia de montanhas de Hakone, é o verdadeiro centro. Assim, não resta dúvida de
que essa montanha representa o ponto de separação entre o leste e o oeste do
Japão. É um fato realmente misterioso, e acho que o nome Montanha Divina é bem
adequado.
Na verdade, o protótipo do Paraíso Terrestre deveria ter sido construído sobre a
Montanha Divina, mas, como isso era impossível, escolhi este local. Quando vim
para Gora, denominei a minha primeira residência de Shinzan-So (Solar da
Montanha Divina), considerando-a como símbolo daquela montanha. Na ocasião, dei
ao local onde hoje se encontra o Nikko-Den (Templo da Luz do Sol) o nome de
Soun-ryo (Alojamento Nuvens Ligeiras), devido às nuvens que passam rapidamente
sobre a montanha Soun.
Um fato interessante é que Gora foi explorada pela Companhia Ferroviária Tozan.
No início, o local onde está situado o Solo Sagrado da Terra Divina era Parque
Nacional do Japão. A parte de baixo de Gora, era de estilo ocidental, o que também
é um mistério. Dessa forma, o Japão é o parque do mundo; o parque do Japão é
Hakone; o parque de Hakone é Gora, e o centro de Gora é o Solo Sagrado da Terra
Divina. Portanto, o Solo Sagrado da Terra Divina vem a ser o verdadeiro centro do
mundo. A conclusão da construção do Solo Sagrado da Terra Divina, nesta
oportunidade, significa o estabelecimento do Paraíso Terrestre no centro do mundo,
ou seja, o nascimento do Paraíso Terrestre. Por isso, além de ser um fato inédito
desde a criação do mundo, é um dia de grande comemoração mundial, daqui para
frente, por toda a eternidade. Doravante, creio que a data 15 de junho será
comemorada como data do nascimento do Paraíso Terrestre. Mas eu desejo fazer
aqui uma declaração de suma importância: tendo como ponto de partida o dia de
hoje, será acelerada a atividade espiritual, centralizada no Solo Sagrado da Terra
Divina, em ritmo de grande redemoinho girando da esquerda para a direita e
expandindo-se gradativamente pelo mundo todo. Eu acredito que sobrevirá uma
mudança sem precedentes, e isto não é senão a reconstrução e a reforma do
mundo.
Jornal Eiko nº 216, “O grande significado do Paraíso Terrestre do Solo Sagrado da
Terra Divina” – (08/07/53)
“Eu conduzo ao protótipo do Paraíso, ainda que por pouco tempo, as criaturas
sofredoras deste mundo infernal.”

Depois da criação do mundo, nunca existiu uma obra tão grandiosa, de tão grande
importância, e motivo de tanta alegria. No Japão, dizem que o general Hideyoshi
Toyotomi construiu o castelo de Oossaka e que Nikko foi construída por xóguns de
três gerações. Essas construções, entretanto, tinham um motivo completamente
diferente da obra que eu estou realizando. Elas foram realizadas para enaltecer os
seus autores e mantê-los no poder, isto é, para sua defesa nas ocasiões de guerra.
Eram uma forma de prevenção para eles não serem dominados na luta, uma
espécie de orgulho do seu próprio poder. (...) Realmente, era muito escasso o
interesse pelo público. Sendo eles japoneses, deveriam alegrar todo o povo japonês.
Conseqüentemente, seus autores estavam centralizados em si mesmos, em seu
próprio benefício.
Também o Vaticano, na Itália, tem cunho religioso, sendo a sede central para
propagação do cristianismo, que na Era Romana teve grande expansão. Com as
doações de mercadorias e de dinheiro é que foi possível construir, gradativamente,
aquele Museu de Arte. Portanto, ele é quase que totalmente religioso. No ano
passado, ganhei fotografias coloridas de pinturas a óleo do Vaticano e achei-as
realmente maravilhosas. Vistas através de fotografias, elas já são belas, imaginem
pessoalmente. Fiquei deveras surpreso. Não obstante, o Vaticano foi criado por uma
religião. A cultura americana também é maravilhosa, mas é motivo de orgulho da
cultura mecânica, sendo aproveitada, também, para obtenção de lucros. O conjunto
desses fatores é que gerou aquela obra magnífica. Por conseguinte, não é uma obra
artística.
O protótipo do Paraíso Terrestre que agora estou construindo, ao contrário de visar a
guerra, servir de proteção ou expandir uma religião, tem um sentido puramente
pacífico, objetivando que um grande número de pessoas – as pessoas do mundo
inteiro – apreciem o Belo e, através disso, possam elevar as suas almas. Até agora,
nada semelhante foi criado em nenhum lugar do mundo. O protótipo do Paraíso
Terrestre deve ser a primeira realização com esse sentido. Futuramente, ele será
compreendido pelo mundo todo. Os próprios jornalistas dos Estados Unidos vêm
afirmando que em vários locais do mundo estão sendo construídos museus
magníficos, mas que todos esses museus visam principalmente benefícios próprios.
“O senhor, no entanto – disseram eles – é diferente, está realizando uma obra em
benefício do povo, visando realmente a paz, por isso é uma pessoa rara entre os
japoneses. Não sabia que existiam pessoas como o senhor no Japão”. É lógico que
eles não tinham conhecimento da construção do protótipo do Paraíso Terrestre, pois
trata-se de fato recente. A conversa acabou se tornando um tremendo rasga-sedas,
mas essa obra não sou eu quem estou realizando. É Deus quem está me utilizando;
portanto, pode-se dizer que eu sou um emissor do orgulho de Deus. Após a
conclusão do protótipo do Paraíso Terrestre de Atami, a Igreja Messiânica Mundial
sofrerá uma transformação radical e será conhecida como algo mundialmente
grandioso. Conseqüentemente, ela será conhecida não só no Japão como também
no exterior.
Coletânea de Ensinamentos vol. 30 – (02/01/54)
O REINO DOS CÉUS NA TERRA

“Estou empenhado, com todas as minhas forças, na concretização do Reino


dos Céus na Terra.”

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando
e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o
progresso material.
Não há dúvida de que “Paraíso Terrestre” é uma expressão que se refere ao mundo
ideal, onde não existe doença, pobreza nem conflito. O “Mundo de Miroku”,
anunciado por Buda, o advento do “Reino dos Céus”, profetizado por Cristo, a
“Agricultura Justa”, proclamada por Nitiren, e o “Pavilhão da Doçura”, idealizada pela
Igreja Tenri-kyo, têm o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de
tempo. Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que
significa isto? É a hora da “Destruição da Lei”, prevista por Buda, e do “Fim do
Mundo” ou “Juízo Final”, profetizado por Cristo.
Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso
afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que
pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do
prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável – e a
seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne
útil para o mundo vindouro.
Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a
Fé é o único caminho para obtermos aprovação. (...)
Alicerce do Paraíso, “O que é a Igreja Messiânica Mundial” – (25/01/49)

“Cultura totalmente livre de doença, pobreza e conflito: eis a cultura do Reino


dos Céus ou Paraíso.”

Apesar de nossa Igreja anunciar-se como religião e apresentar certa diferença em


relação às demais, em geral as pessoas acham que ela não passa de uma das
novas seitas religiosas. Essas pessoas estão com toda razão, pois até hoje não
surgiu nenhuma religião tão maravilhosa como a nossa. Não se trata de uma simples
religião que possa ser compreendida do ponto de vista das religiões tradicionais;
entretanto, não encontrando um nome adequado, denominei-a Igreja Messiânica
Mundial. E por que não existe um nome adequado para ela? Porque até hoje não
existiu nada que tivesse características semelhantes às suas. Sendo assim, vou
esclarecer os pontos em que ela diverge das demais.
A nossa Igreja descobriu todos os erros fundamentais da cultura básica –
excetuando a Religião – e procura levar ao conhecimento de todos o que é a
verdadeira cultura; além disso, apresenta claramente o método para alcançá-la.
Dessa forma, promove uma revolução da cultura em grande escala. Quando esses
fatos forem conhecidos pelo mundo inteiro, ela há de despertar grande atenção e
interesse em toda a humanidade, principalmente entre os intelectuais.
Até os dias de hoje, em cada época apareceram grandes personagens que
realizaram trabalhos revolucionários para a evolução da cultura; esses trabalhos,
porém, eram limitados a uma determinada área e careciam de eternidade. Basta
observar o mundo contemporâneo, para se comprovar tal fato. Entre esses líderes,
Buda e Cristo conseguiram obter resultados maravilhosos na revolução religiosa.
Entretanto, isso ocorreu principalmente na parte espiritual, e quase nada se fez na
parte material. Além do mais, pelo fato de, naquela época, a cultura ser um tanto
primária, bem diferente dos dias atuais, não existindo os meios de transporte e
outras condições necessárias que possuímos atualmente, as influências dos
acontecimentos não ultrapassavam as “fronteiras” do Oriente e do Ocidente.
Hoje, entretanto, ultrapassada a primeira metade do século XX, atingiu-se um nível
de cultura sem termos de comparação, e poderão concordar comigo que a grande
revolução que pretendo realizar não é nenhum sonho. No seu decurso, logicamente
haverá a destruição e a construção. Mas não se trata de destruição causada pelas
forças externas, e sim de autodepuração através do juízo de Deus; por outro lado,
também é a construção da nova cultura. Queiramos ou não, esse tempo está se
aproximando a cada momento. Em outras palavras, o que pertence ao Bem será
poupado, e o que pertence ao Mal será destruído. Creio que com esta explicação
poderão imaginar o que vem a ser o objetivo de Deus.
Mas será que durante a nossa vida esse grande empreendimento que nos parece
algo fantástico irá se concretizar realmente? Eu próprio nunca havia pensado nisso,
nem mesmo em sonho. Como religioso, desejava unicamente fazer o máximo para a
salvação da humanidade e acreditava que essa era a missão atribuída a mim por
Deus. Entretanto, à medida que o trabalho ia sendo desenvolvido, fui
compreendendo claramente a minha importante missão de construir a nova cultura.
Ao mesmo tempo, em face de sucessivos e surpreendentes milagres, precisei tomar
a minha grande decisão. Entre tais milagres, avultava o fato do grandioso
empreendimento ter sido minuciosamente planejado por Deus há vários milhões de
anos. Além de ver com os meus próprios olhos vários acontecimentos ou fenômenos
que comprovam essa verdade, também compreendi que as profecias feitas por
vários homens santos, desde tempos antigos, eram insinuações da construção da
nova cultura. Portanto, firmemente convicto, já sem qualquer dúvida ou vacilação,
estou desenvolvendo de corpo e alma a grande obra de salvação da humanidade.
As pessoas que desconhecem tais fatos talvez me achem um megalomaníaco, mas
a verdade é que eu tenho uma natureza diferente das demais pessoas. Sou tão
cauteloso e medroso que jamais consigo mentir ou falsear as coisas; entretanto,
apesar de pertencer à classe das pessoas demasiadamente honestas, estou me
abrindo de modo extremamente audacioso. Daí poderão imaginar o quanto estou
seguro nas minhas convicções.
Revista Tijô-Tengoku nº 33 – “A Igreja Messiânica Mundial e a Revolução da Cultura”
– (25/02/52)

“Denomino Reino dos Céus na Terra o mundo material dotado de completa


Verdade, Bem e Belo.”

Conforme tenho dito, o Paraíso Terrestre que idealizamos é um mundo de perfeita


Verdade, Bem e Belo. Mas gostaria de escrever a respeito com maiores detalhes.
Para seguir a ordem, começarei explicando o que entendemos por Verdade.
Evidentemente, referimo-nos à manifestação concreta da Verdade, isto é, a própria
realidade, autêntica, expressa corretamente, sem o mínimo erro, impureza ou
obscuridade. A cultura desenvolvida até o presente vinha confundindo e
considerando como Verdade muita coisa que não o era, e por isso muitos conceitos
falsos eram tidos como verdadeiros. Entretanto, ninguém percebeu isso, porque,
obviamente, a cultura era de baixo nível.
Basta observarmos a sociedade atual para percebermos que a maioria dos homens
são forçados a trabalhar desde a manhã até a noite para ganhar o pão de cada dia,
fazendo-o sem nenhuma parcela de ânimo, alegria e esperança, mas apenas para
se manterem vivos. Embora estejam se afogando num lamaçal de preocupações,
motivadas pela doença, pelas dificuldades financeiras e pelo medo da guerra, eles
insistem em dizer que este mundo em que vivemos é avançado, civilizado. Não
obstante, observando com rigorosa imparcialidade, percebemos que quase todos os
homens lutam entre si, odeiam-se e entram em choque, tal como os animais,
agonizando num redemoinho de insegurança e ansiedade; é como se estivéssemos
olhando o próprio Inferno. E este é justamente o resultado da cultura de
pseudoverdade, à qual me referi há pouco. Os próprios intelectuais não percebem
isso e, acreditando tratar-se de um mundo civilizado, continuam a enaltecê-lo.
Coitados, são dignos de nossa compaixão...
O mesmo acontece com a doença, por exemplo. Justamente porque a Medicina está
em desacordo com a Verdade, todos os lugares estão repletos de pessoas doentes.
É tuberculose, é disenteria infecciosa, é meningite, é derrame cerebral, é paralisia
infantil, enfim, são inúmeras espécies de doenças. E eis a justificativa que dão para
isso: “Antigamente também existiam várias enfermidades, só que a Medicina não
estava desenvolvida a ponto de descobri-las; hoje, porém, ela adquiriu essa
capacidade”. Insistindo sobre o assunto, o que nós desejamos é que o número de
doentes diminua e o número de homens realmente saudáveis aumente. Apenas isso.
Vejamos.
Os homens contemporâneos temem exageradamente a doença. Por essa razão, as
autoridades e os especialistas preocupam-se com a higiene e empenham-se na
prevenção das doenças. O mais engraçado nisso é a vacina preventiva: ela mesmo
não cura; não passa de simples paliativo. Dessa forma, a Medicina nem ao menos
sabe distinguir a cura temporária da cura verdadeira e radical. E, mesmo que
soubesse, não adiantaria nada, pois desconhece o método para erradicar a doença.
Além do mais, como ignora completamente que ela é uma Providência de Deus para
aumentar a saúde, empenha-se tão simplesmente em deter sua marcha, pensando
que isso é progresso. Outrossim, por total desconhecimento de que esse método se
torna origem da doença – como mostra a realidade.– quanto mais a Ciência
progride, mais se multiplicam as enfermidades e o número de doentes, diminuindo
cada vez mais a resistência física. Por isso, os homens sofrem de cansaço e insônia,
não têm persistência, não podem fazer qualquer excesso; caso pratiquem um
exercício um pouco pesado, acabam sentindo-se “quebrados”. Por quê? Isso não é
incompreensível? A realidade mostra-nos, porém, que, seguindo-se o princípio da
doença ensinado pela nossa Igreja e recebendo-se Johrei, as doenças desaparecem
e as pessoas tornam-se verdadeiramente saudáveis.
A seguir, escreverei a respeito do Bem, que, evidentemente, é o contrário do Mal.
Mas o que é o Mal? Ele é causado pelo ateísmo nascido do pensamento
materialista, e o Bem é o seu oposto: nasceu do teísmo. Esta é a Verdade.
Entretanto, como a razão da Ciência consiste na negação do teísmo, que é a
Verdade, quanto mais ela progride, mais aumenta o Mal; sendo assim, o progresso
da cultura não passa de superficial. Dessa forma, reconhecemos os méritos da
Ciência, mas não podemos deixar de levar em conta o Mal que ela produz. Sem
perceber isso, os homens enaltecem apenas os seus pontos positivos e, elaborando
habilidosas teorias para ocultar-lhe os pontos negativos, subjugam as classes
dirigentes e levam-nas a concluir que, sem a Ciência, nada terá solução. Assim,
acabaram por afastar-se da felicidade espiritual.
Em seguida, analisemos o Belo, que também constitui um problema.
De fato, acompanhando o desenvolvimento da cultura, os elementos representativos
do Belo multiplicaram-se e, individualmente, estão em nível satisfatório, mas o povo
não consegue usufruir deles. Somente uma parte – a classe privilegiada – desfruta
de boas roupas, boa alimentação e boas moradias, enquanto a classe popular mal
consegue alimentar-se, não tendo condições para pensar no Belo. Talvez isso ocorra
apenas no Japão, mas essas pessoas dispõem de alimento simplesmente para
matar a fome; de casa, para dormir; de ruas, para passagem e condução, e onde
têm de enfrentar os empurra-empurras. Da mesma forma, a sociedade não
consegue gozar das belezas naturais, que são dádivas de Deus, tal como as
montanhas, as águas, as plantas e as flores, nem das belezas artísticas criadas pelo
homem. Assim, não obstante o grande desenvolvimento da civilização, uma vez que
toda a humanidade não pode usufruir de tais dádivas, o mundo contemporâneo é
realmente o Paraíso dos ricos e o inferno dos pobres. A causa disso é a existência
de uma grande falha em algum lugar da civilização; quando essa falha for corrigida e
a felicidade desfrutada eqüitativamente, o mundo será de fato civilizado. Essa é a
missão da Igreja Messiânica Mundial.
Por tudo que aqui foi exposto, creio que puderam entender o verdadeiro significado
da Verdade, do Bem e do Belo, mas o mais importante é o poder de concretizá-los.
De nada adiantarão as palavras se elas constituírem apenas um lema pintado num
quadro. Todavia, devemos alegrar-nos, pois este sonho tão almejado está para se
tornar uma realidade em nosso planeta.
Alicerce do Paraíso, “Verdade, Bem e Belo” – (25/09/53)
“As conhecidas expressões Reino dos Céus na Terra ou Era de Miroku,
referem-se ao Mundo Ideal.”

“Paraíso Terrestre” é uma expressão que soa maravilhosamente. Não há nenhuma


outra que inspire mais Luz e Esperança. A maioria das pessoas, no entanto,
considera o Paraíso Terrestre uma utopia, algo sem qualquer possibilidade de
realização. Quanto a mim, creio na sua chegada e sinto-a bem próxima. Meditemos
na grande advertência bíblica: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos
Céus”. Parece-nos impossível que o grande fundador do poderoso cristianismo, que
influenciou metade do mundo, tenha proferido palavras sem fundamento.
É natural que todos queiram saber o que seja o Paraíso Terrestre. Vou descrevê-lo
apelando para a imaginação.
O Paraíso Terrestre pode ser compreendido como o Mundo dos Felizes. Será um
mundo de alta civilização, isento de doença, pobreza e conflito. Cabe a nós,
entretanto, encontrar a forma de minorar o sofrimento humano e transformar em
Paraíso este mundo repleto de males.
Inicialmente, precisamos descobrir como eliminar a doença, pois, entre as três
grandes desgraças que citamos, ela é a principal. Em seguida, temos de vencer a
pobreza, cuja causa primária é a doença; os pensamentos errados, as falhas
políticas e a deficiente organização social são causas secundárias. Quanto à
inclinação para o conflito é motivada pelo estado selvagem de que a humanidade
ainda não conseguiu se libertar. Portanto, é essencial eliminar as três grandes
desgraças. Como adquiri confiança na solução desses problemas, vou esclarecer a
realidade da forma mais simples possível.
Todos aqueles que ingressam em nossa Igreja e seguem seus ensinamentos, para
sua própria surpresa, vão sendo purificados espiritual e fisicamente, libertam-se
pouco a pouco da pobreza e tomam aversão aos conflitos. Há inúmeras experiências
de fé provando que a maioria dos fiéis, com o correr dos anos, goza de crescente
felicidade.
É condenável salientar os defeitos alheios, mas, neste momento, devo fazer
referência às pessoas que, embora possuam fé, tombam nas garras de doenças
fatais ou continuam vivendo de forma miserável, porém satisfeitas e contentes.
Comparando-as com os descrentes, pode ser que estejam salvas espiritualmente,
mas não fisicamente. A salvação foi feita pela metade. A Verdadeira Salvação
abrange o espírito e o corpo. Numa família, todos devem tornar-se saudáveis,
libertar-se da pobreza e usufruir de alegria plena. Até hoje, porém, visava-se apenas
a salvação do espirito, não havendo preocupação com o corpo físico; todos se
resignavam, considerando que a Fé limita-se à salvação da alma.
Muitos religiosos afirmam que a Fé que busca obter graças imediatas é de nível
inferior. Trata-se de uma concepção ilógica, pois não há quem não aspire a graças
imediatas. Se alguém se queixa de dores físicas, é estranho retrucar que o homem
deve superar a vida e a morte. Ora, ninguém é capaz de tal superação. Pensar que
se conseguiu tal coisa é enganar a si próprio.
Um episódio relacionado à história do mestre Takuan é bem ilustrativo. Quando ele
estava às portas da morte, cercado de pessoas, alguém lhe solicitou que escrevesse
uma frase. Takuan, tomando da pena, escreveu: “Não quero morrer”. Imaginando
algum engano, pois julgavam que um mestre tão notável não escreveria tal coisa,
entregaram-lhe novamente a pena e o papel. E o mestre escreveu: “Não quero
morrer de maneira alguma.”
Admiro essa atitude. Em igual circunstância, a tendência vaidosa seria escrever:
“Acaso temerei a morte?” O mestre, porém, abandonou todo falso orgulho e revelou
francamente seus sentimentos. Isso merece consideração, porque um simples
bonzo não conseguiria agir assim.
Muitas pessoas que pretendem salvar o próximo, fazem autopropaganda, apesar de
ainda não viverem livres das desgraças. A intenção pode ser boa, mas os meios são
incorretos. Só devemos pensar em conduzir aqueles que são vítimas de sofrimentos
e misérias, quando já tivermos conseguido a nossa própria salvação e felicidade;
então, poderemos trazê-los ao nível em que estamos. Nossos semelhantes sentir-
se-ão atraídos ao presenciar nosso estado feliz. É quando a propaganda surte cem
por cento de efeito. Eu mesmo não ousei difundir meus ensinamentos antes de me
encontrar em boas condições. Só o fiz quando me senti abençoado pelas Graças
Divinas.
Se considerarmos que o Paraíso Terrestre é o Mundo dos Felizes, concluiremos que,
no lugar onde as pessoas se reúnem e se tornam felizes, está estabelecido o
Paraíso Terrestre.
Alicerce do Paraíso, “Paraíso Terrestre” – (25/01/49)

“Felizmente chegou a Era da Justiça. Os que estão do lado do Bem viverão


felizes; os que estão do lado do Mal serão eliminados.”

(...) Se o Mal é a causa fundamental da infelicidade humana, conforme dissemos,


levanta-se a seguinte questão: por que Deus o criou? Esta é a pergunta que mais
tem atormentado o homem até os dias de hoje. Eis, porém, que finalmente Deus
esclareceu a Verdade, que eu passo agora a anunciar.
O Mal foi necessário até o momento porque, através do conflito entre ele e o Bem, a
cultura material pôde progredir até chegar ao ponto em que se encontra. É
surpreendente! Embora nem em sonho pudéssemos imaginar que o motivo fosse
realmente esse, é a pura verdade. A propósito, falarei primeiramente sobre a guerra.
A guerra ceifou milhares de vidas e, por ser tão trágica, os homens a temem mais do
que tudo. Para fugir a essa catástrofe, usaram todos os recursos da inteligência
humana, e nem precisamos falar o quanto isso contribuiu para o progresso da
cultura. Entre outras coisas, a História nos mostra claramente que, após as guerras,
tanto os países vencedores como os vencidos progrediram enormemente. Todavia,
se elas chegassem ao extremo ou se prolongassem demasiadamente, os países
seriam totalmente aniquilados, o que representaria a destruição da cultura. Sendo
assim, Deus as detém num certo ponto, fazendo com que retorne a paz. Através dos
relatos históricos, vemos que sempre houve alternância de períodos de guerra e
períodos de paz.
Na sociedade, a situação é idêntica. Os criminosos e as autoridades vivem fazendo
competição de inteligência. Os desajustes de relacionamento entre as pessoas
também são decorrentes da luta entre o Bem e o Mal. Podemos entender, no
entanto, que essas divergências contribuem para o desenvolvimento da inteligência
humana.
Ora, se até hoje a cultura progrediu graças aos atritos entre o Bem e o Mal, é lícito
afirmar que este foi imprescindível. Contudo, precisamos saber que não é uma
necessidade eterna, ou seja, há um limite para ela. A esse respeito, devo dizer que,
atrás de tudo isso, está o objetivo de Deus, que comanda o Universo. Em termos
filosóficos, a expressão seria Ser Absoluto, ou Vontade Universal.
A começar por Cristo, todos os fundadores de religiões fizeram profecias sobre o
“Fim do Mundo”, mas essa expressão, em verdade, significa o fim do Mundo do Mal
e o advento de um mundo ideal – o Paraíso Terrestre, isento de doença, pobreza e
conflito, o Mundo de Verdade, Bem e Belo, o Mundo de Miroku, o Reino dos Céus,
etc. Os nomes diferem, mas o significado é um só.
A construção de um mundo tão maravilhoso requer um preparo à altura; um preparo
completo, que preencha todas as condições, tanto do ponto de vista espiritual como
do ponto de vista material. Deus determinou que primeiro se efetuasse o progresso
material, pois o progresso espiritual não está preso ao tempo, podendo ser efetuado
de uma só vez, ao contrário daquele, que necessita de muitos e muitos anos. Para
preencher a primeira condição, Ele fez com que, inicialmente, os homens
ignorassem Sua existência, concentrando-se apenas nas coisas materiais. Foi assim
que surgiu o ateísmo, condição básica para a criação do Mal. Assim fortificado, o Mal
impingiu maiores sofrimentos ao Bem e, prosseguindo na luta, atirou o homem ao
abismo do sofrimento. Mas o homem sempre se debateu, na ânsia de sair desse
abismo, o que desencadeou a força geradora de um grande impulso no progresso da
cultura. Foi trágico, porém inevitável.
Com tudo que dissemos, creio que puderam ter uma noção básica sobre o Bem e o
Mal. Tendo finalmente chegado o tempo em que o Mal não será mais necessário, ou
seja, o tempo presente, a questão é seriíssima. Não se trata de previsão nem sonho;
é a pura realidade. Acreditando ou não, o fato já está saltando aos nossos olhos,
através do extraordinário progresso da ciência nuclear. Por conseguinte, se
estourasse uma nova guerra, não seria uma simples guerra e sim a destruição total,
a extinção da humanidade. Não obstante, esse progresso é uma forma de extinguir o
Mal e, por isso, torna-se motivo de alegria. Como resultado, a cultura, que até hoje
foi aproveitada pelo Mal, sofrerá uma reviravolta, ficando à inteira disposição do
Bem. Daí surgirá o tão almejado Paraíso Terrestre.
Alicerce do Paraíso, “A construção do Paraíso e a eliminação do Mal” – (13/08/52)

“Época em que nada se conseguirá ocultar, nem mesmo os mínimos pecados e


máculas.
Eis o que é o Mundo Cristalino.”

Creio que a expressão “Luz do Oriente” surgiu há uns dois mil anos, em determinada
parte da Europa, tendo-se propagado gradativamente a ponto de hoje não existir
quem a desconheça. Até agora, no entanto, por ignorância do seu verdadeiro
significado, ela continua envolvida em mistério. Assim, gostaria de mostrar o que
realmente significa essa expressão.
Indiscutivelmente, “Luz do Oriente” era uma predição relacionada à minha pessoa.
Não haverá quem não se espante ao tomar conhecimento dessa verdade, e poucas
pessoas conseguirão aceitá-la de imediato. Por isso, tentarei me explicar melhor,
apresentando provas reais do que estou dizendo.
A primeira prova é o local onde nasci e o trajeto das mudanças que fiz.
Nasci num bairro pobre, antigamente denominado Hashiba, situado em Assakussa,
na cidade de Tóquio. O país chamado Japão, como todos sabem, localiza-se no
extremo leste do globo terrestre; acrescente-se que Tóquio é uma cidade do leste do
Japão. O leste de Tóquio é Assakussa, cujo leste, por sua vez, é Hashiba, o bairro
ao qual me referi. A leste desse bairro está o rio Sumida. Assim, Hashiba é
realmente o leste do leste; em termos mundiais, é o extremo leste do mundo.
Aos oito anos, fui morar no bairro de Senzoku, a oeste de Hashiba; mais ou menos
na época em que concluí o curso primário, mudei-me para o bairro de Naniwa, em
Nihonbashi, e em seguida, para Tsukiji, em Kyobashi; depois fui para os bairros de
Ooi e Oomori, ambos em Ebara; mais tarde, transferi-me para Koji e, a seguir, para
Tamagawa, onde existe, atualmente, o Solar da Montanha Preciosa. Posteriormente,
dando um salto bem grande, mudei-me para Hakone e Atami, e, agora, para Quioto.
Assim, troquei de residência dez vezes, e dessas mudanças, excetuando-se o bairro
de Koji, nove foram para o oeste. Naturalmente, daqui em diante a Luz do Oriente
avançará cada vez mais para o oeste; um dia, é óbvio, chegará à China e,
finalmente, à Europa.
Analisando os diferentes aspectos da cultura japonesa até o presente momento,
constatamos que todos eles nasceram no oeste e foram se expandindo em direção
do leste. Entre as religiões, o budismo, incluindo todas as suas ramificações, o
cristianismo e o xintoísmo – este último, originário do Japão – nasceram no oeste e
foram se propagando para o leste. A religião budista Nitiren foi a única que nasceu
no leste. E isso tem uma profunda razão de ser. Vejamos.
O budismo, como tenho dito, foi criado para promover a salvação das criaturas na
Era da Noite, isto é, o período em que o mundo era protegido pela deusa da Lua.
Entretanto, como tudo ocorre primeiramente no Mundo Espiritual, chegando a época
apropriada à mudança para a Era do Dia, iniciou-se naquele mundo, há setecentos
anos, o primeiro estágio do Alvorecer. Foi por isso que nasceu Nitiren Shonin.
Crendo em Buda, assim que terminou seus primeiros aprimoramentos, ele tomou a
decisão inabalável de se dedicar à divulgação do sutra “Hoke”, pregado pelo Mestre.
Primeiramente foi a Awa, sua terra natal, e, escalando o Monte Kiyossumi, próximo
ao mar, entoou em voz alta, no momento em que o Sol estava para nascer, as
palavras “Nan-myo-ho-ren-gue-kyo”(6). A partir de então, divulgou para o mundo o
sutra “Hoke” com todas as suas forças, enaltecendo-lhe os benefícios. Mais tarde,
lutou contra inúmeras perseguições, até que, finalmente, estabeleceu uma seita
inabalável como é hoje a Hoke-kyo(7), que merece todo o nosso respeito.
Esse grande feito de Nitiren representava o primeiro raio da Luz do Oriente. Em
termos espirituais, podemos dizer que, no extremo leste do Mundo Espiritual, até
então imerso nas trevas, era um brilho bem fraco e pequeno, o primeiro indício de
que o Sol estava para nascer. Naturalmente, isso não se evidenciava aos olhos
humanos, mas em verdade constituía uma importante realização Divina no avanço
da Grande Providência.
Seiscentos e tantos anos depois, chegada a hora do Alvorecer, no dia 15 de junho de
1931, levando trinta e poucos acompanhantes, escalei o Monte Kenkon(8), situado
em Awa, onde se localiza o Templo Nihon, e no topo desse monte, em direção ao
céu no leste, entoei uma oração. Na mesma hora, ocorreu algo misterioso. Ainda
não me é permitido revelá-lo, mas significava a demarcação da mudança da Noite
para o Dia, promovida pela Providência de Deus. E o interessante é que a leste do
Monte Kenkon está localizado o Monte Kiyossumi, a uma distância tão irrelevante
que, se uma pessoa chamar por outra de um dos lados, será ouvida por ela. São
realmente montes irmãos. E Nihon, o nome do templo, que significa “Nascente do
Sol”, também está insinuando aquela mudança.
Acima escrevi sobre a afinidade do Japão com o budismo. Quanto ao confucionismo,
( 6)
Palavras pronunciadas pelos fiéis da Religião para pedirem proteção e atingirem a Iluminação.
( 7)
Também conhecida pelo nome de Religião Nitiren.
( 8)
Nome oficial da Montanha Nokoguiri, no Estado de Tiba.
à moral, à sinologia, à medicina chinesa e todas as primeiras expressões da cultura
japonesa, foram importadas da China e da Coréia. Nos últimos tempos, foi
introduzida no país a cultura ocidental, de modo que a maior parte da sua cultura
provém do oeste. Além da Religião Nitiren, não existia nenhuma outra expressão
cultural japonesa que tivesse nascido no leste.
Mas agora precisamos refletir: se, através dessa cultura nascida no oeste, se tivesse
conseguido formar um mundo ideal de paz e felicidade, que teria eu para falar? O
que vemos, é justamente o contrário. Materialmente, o mundo se tornou uma
civilização magnífica, porém o mais importante, que é a felicidade humana, não foi
alcançado; e o pior é que, segundo tudo indica, também não o será, no futuro.
Certamente, todos pensam assim. No entanto, embora o homem contemporâneo
não possua nenhuma esperança e viva uma vida cotidiana sem objetivos, sentindo
uma intranqüilidade inexplicável, a maioria das pessoas, no íntimo, não cessa de
ansiar pela luz da esperança.
(...) Isso pode ser muito bem compreendido ao observarmos a Natureza: o Sol e a
Lua despontam no leste e descrevem órbita em direção do oeste. Sendo esta uma
verdade eterna, o que nasce no leste representa a própria Verdade. Assim, posso
afirmar com toda segurança que as pessoas que acreditarem em minhas palavras,
procedendo em conformidade com elas, conseguirão obter a verdadeira felicidade.
Em resumo: vou purificar toda a água turva impelida do oeste para o leste, devolvê-
la-ei pura e construirei um mundo límpido como o cristal.
Jornal Eiko nº.182, “Luz do Oriente” – (12/11/52)
VERDADE, BEM E BELO

“Eu conduzo as pessoas ao caminho do Reino dos Céus ensinando-lhes a


Verdade, praticando o Bem e fazendo com que elas apreciem o Belo.”

O Paraíso Terrestre a que costumamos nos referir, é, em termos mais claros, o


Mundo do Belo. Em relação ao homem, é a beleza dos sentimentos, o Belo
espiritual. Naturalmente, as palavras e atitudes do homem devem ser belas. Da
expansão do Belo individual nasceria o Belo social, isto é, as relações pessoais se
tornariam belas, assim como também as casas, as ruas, os meios de transporte e as
praças públicas. Em grande escala, como é natural que a limpeza acompanhe o
Belo, a Política, a Educação e as relações econômicas também se tornariam belas e
limpas, da mesma forma que as relações diplomáticas entre os países.
Pensando desse modo, podemos perceber o quanto a sociedade contemporânea
está cheia de fealdade e maldade. Nas classes baixas, principalmente, o Belo é
escasso demais, em virtude das péssimas condições financeiras, que causam a
decadência do ensino e a precariedade dos estabelecimentos e instalações de
atendimento ao público. Daí, conseqüentemente, nasce a intranqüilidade social.
Agora, gostaria de falar em especial sobre a parte relativa às diversões. Nesse
campo, o Belo precisa ser muito enriquecido, pois a consciência do Belo é o que de
melhor existe para a elevação dos sentimentos humanos. Esse é um dos motivos
pelos quais sempre incentivamos a Arte. Nem é preciso mencionar o quanto o baixo
nível das artes, na época atual, está degradando a espiritualidade das pessoas.
Como se vê, o fator essencial para a criação do Mundo do Belo é o poder
econômico. Enquanto o povo for pobre, não poderemos sequer sonhar em
concretizar esse mundo. Mas como fortalecer o poder econômico? Se todos os
indivíduos trabalharem com total empenho visando a elevar o poder de produção,
estarão fortalecendo-o. A condição básica para tanto é a saúde de cada indivíduo. E
a saúde é o principal objetivo de nossa Igreja, o que se torna evidente pelo grande
número de pessoas perfeitamente saudáveis que estamos conseguindo criar
unicamente com o poder de purificação por nós manifestado.
Portanto, devemos dizer que a Igreja Messiânica Mundial é a primeira religião à qual
Deus atribuiu a qualificação para o estabelecimento do Mundo do Belo. Concretizá-
lo, é questão de tempo. Para se certificarem dessa verdade, basta observarem
atentamente a atuação de nossa Igreja daqui em diante.
Alicerce do Paraíso, “Considerações sobre o Paraíso Terrestre” – (03/06/50)

“A Verdade é o caminho, o Bem é a ação, o Belo é o sentimento.


Desejo, ardentemente que todos os cultivem.”

O objetivo da Igreja Messiânica Mundial é a construção do Paraíso Terrestre. Mas o


que significa isso?
Obviamente, o Paraíso Terrestre é o mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. O
método para obtenção da saúde – o Johrei, que é a vida de nossa Igreja – e a
Agricultura Natural, são meios de que nos utilizamos para materializá-lo, mas o
Johrei, além de promover a renovação do corpo físico, visa também à renovação do
espírito. Independentemente de tais métodos, é de extrema urgência elevar o
espírito das pessoas através do Belo. Esse é um novo projeto da Igreja Messiânica
Mundial, que agora estamos colocando em prática. Para falar a respeito, vou expor,
em primeiro lugar, a situação atual do Japão.
Numa classificação sumária, o Belo situa-se no domínio da audição, da visão e do
paladar. No que se refere à audição, talvez nunca tenha havido época tão próspera
em música como a época atual, em virtude, principalmente, do rádio, sendo muito
significativo, também, o progresso do toca-discos, dos discos, etc... No tocante à
visão, entretanto, a situação é muito precária, existindo apenas o teatro, o cinema e
coisas do gênero. Em verdade, queremos algo que toque nosso sentimento pela
beleza, que seja mais simples, mais próximo de nós, e que não esteja limitado pelo
tempo. Ora, o teatro e o cinema são excelentes meios para deleitar os olhos, mas,
como implicam limitação no tempo, questões financeiras e meios de transporte, não
podem ser aceitos integralmente.
O que propomos aqui, é o cultivo e distribuição das flores, excelente forma de
propagação do Belo. Consiste em ornamentar com flores não só as residências
como outros locais. Hoje em dia, as flores ornamentam, geralmente, as residências
de pessoas acima da classe média, mas isso é insuficiente. Nosso objetivo é
adornar com elas todos os lugares e classes sociais, colocando-as à vista de
qualquer pessoa. No canto do escritório, em cima da escrivaninha, onde quer que
seja, não é nem preciso dizer o quanto uma flor nos reanima e nos faz sentir um
toque de pureza. Em termos ideais, desejamos ornamentar até mesmo prisões e
locais de execução. Quão boa influência isso exerceria sobre os detentos! Se
chegarmos ao ponto de existirem flores onde quer que haja pessoas, a força para
tornar ameno este mundo infernal será bem grande. Atualmente, porém, isso é
impossível, dado o alto preço das flores; por conseguinte, precisamos fazer com que
elas possam ser adquiridas a preços bem baixos. Para tanto, devemos intensificar o
seu cultivo, mas de modo a não prejudicar a produção de alimentos.
O Japão é considerado o primeiro país do mundo no que se refere à variedade de
flores. Quanto aos métodos de cultivo, também parece atingir o nível mais alto, e
todos sabem que a tulipa, que era produzida exclusivamente na Holanda, começou a
ser cultivada, antes da última guerra, não só no Estado de Niigata, com exceção da
Ilha de Sado, mas também no Estado de Kanagawa. Está sendo exportada para a
Inglaterra e para os Estados Unidos, e a produção vem aumentando a cada ano.
Pela pesquisa que fizemos, constatamos, por exemplo, que os americanos admiram
muito as flores existentes no Japão, interessando-se pelas raridades que não
possuem em seu país. Assim, doravante, devemos fazer das flores mais um recurso
para a obtenção de divisas, cultivando-as em larga escala. Até hoje essa prática veio
sendo negligenciada, mas de agora em diante deve ser estimulada ao máximo. Além
do mais, como a flor é um produto cuja exportação não sofre limitações de
quantidade, torna-se objeto de enorme expectativa.
Alicerce do Paraíso, “Campanha de formação do Paraíso por meio das flores” –
(08/05/49)

“Estejam cientes os messiânicos de que o Bem é o pensamento gerado pela


Verdade, e o Belo é a forma criada pelo Bem.”

Costumo dizer que o Paraíso é o Mundo da Arte, mas isso não deixa de ser um
conceito bastante resumido. Naturalmente, o aperfeiçoamento da Arte é desejável,
seja a pintura, a escultura, a música, as artes cênicas, a dança, a literatura, a
arquitetura, etc.; entretanto, para se poder falar em Paraíso, é preciso que todas as
artes estejam reunidas, ou melhor, que tudo seja artístico.
Segundo o meu princípio, a solução dos sofrimentos pela Graça Divina não é outra
coisa senão a magnífica Arte da Vida, isto porque a Arte, na sua essência, deve
satisfazer as condições da Verdade, do Bem e do Belo.
Em primeiro lugar, no sofredor não há, fundamentalmente, Verdade. O homem deve
ser sadio por natureza. Quando ele perde a saúde espiritual ou material, significa
que deixou de ser o que era: Verdade. Tomemos por exemplo uma jarra: se ela
apresentar um defeito, perderá sua utilidade. Como objeto, nela não há Verdade se
deixar vazar água, se cair quando a colocarmos em pé, ou quebrar quando
tentarmos usá-la. Para que a jarra possa ser utilizada, é preciso consertá-la. O
mesmo acontece com os homens. Se uma pessoa, por motivo de doença, não puder
cumprir as missões para as quais foi criada, tornar-se-á inútil para a sociedade.
Deverá, pois, submeter-se à reforma que vem a ser o Johrei da nossa Igreja, prece a
Deus em favor de quem sofre.
A seguir, consideremos o Bem. Se não houver, no homem, nenhuma parcela de
Bem e ele praticar somente o mal, também deixará de ser um homem verdadeiro:
será um animal. Tal espécie de homem prejudicaria a coletividade em que vive, e
precisaríamos, ao invés de condená-lo, evitar sua existência. Mas isso compete a
Deus, que possui o direito sobre a vida e a morte. Inúmeras pessoas tornam-se
vítimas do fracasso, da doença e da pobreza; algumas chegam até a perder a vida.
Elas estão sendo julgadas por Deus. Entretanto, embora se fale no mal de forma
genérica, existe aquele que é praticado conscientemente e aquele que é praticado
inconscientemente. O sofrimento varia de acordo com essa diferença. A justiça é
perfeita.
Dispenso maiores explanações sobre o Belo, por ser assunto do domínio de todos;
mas, como temos dito, a condição fundamental para transformar este mundo em
Paraíso está na concretização da Verdade, do Bem e do Belo. Assim, tanto a
eliminação das máculas causadoras das doenças, como a reformulação dos
métodos agrícolas, são, logicamente, artes. A primeira é a Arte da Vida, e a segunda,
a Arte da Agricultura. Acrescentemos, ainda, a construção do protótipo do Paraíso
Terrestre, que é a Arte do Belo. Com a junção das três, construiremos o Mundo da
Luz, consubstanciado na trindade Verdade-Bem-Belo. É o Paraíso Terrestre, ou a
concretização do Mundo de Miroku.
Alicerce do Paraíso, “Paraíso – Mundo da Arte” – (04/10/50)

“Para a construção de um mundo pleno de Verdade, Bem e Belo, só há um


meio:
a prática do Amor e do Bem.”

(Nidai-Sama)

Ninguém ignora que os povos do mundo atual estão submetidos a diversos


sofrimentos, tais como guerras, doenças, insegurança, crises políticas e
econômicas, etc. Tratarei, aqui, dos itens relacionados, sem me referir – é claro – a
este ou àquele país, mas de um modo amplo e geral. Começarei pelos aspectos que
constituem problemas mundiais.
Em primeiro lugar, salientarei o problema econômico, por representar um dos
motivos de maior preocupação. A crise econômica, que atinge não só o governo,
como também o povo, deixa de ser uma novidade, embora a maioria ignore a sua
causa. Indubitavelmente, ela surge por influência do Mal. Os governos, por exemplo,
são prejudicados pelo mau procedimento dos funcionários. Que aconteceria se estes
agissem conscienciosa-mente? Evitar-se-ia o esbanjamento de recursos, pois os
funcionários teriam consciência de que tais recursos são provenientes dos impostos,
que custaram o suor do povo. O número de funcionários poderia ser reduzido à
metade, ou até menos, devido à eficiência do trabalho, motivada pela supressão do
desperdício de tempo durante o expediente. A fidelidade dos funcionários no
cumprimento dos deveres favoreceria o sucesso de todos os empreendimentos e
cativaria a simpatia do público, que, por sua vez, os olharia com respeito, deixando
de temê-los ou desprezá-los. Além disso, a extinção dos subornos impediria a
prevaricação dos mesmos funcionários, tornando-os dignos da confiança do povo.
Se tudo isso acontecesse, não haveria mais necessidade de fiscalização, nem de
processos jurídicos onerosos, resultando em incalculável benefício para a economia
do país. Em relação à vida privada, o indivíduo adquiriria mais saúde, uma vida mais
confortável e um lar feliz, pelo abandono do uso de bebidas alcoólicas e
extravagâncias prejudiciais. Notaríamos, ainda, o lucro inesperado que adviria da
baixa de todos os preços, pelo desaparecimento das negociatas, muito comuns nos
empreendimentos.
Realizado o que foi exposto, o governo não necessitaria sequer da metade do
presente orçamento, e o povo exultaria de alegria pela redução dos impostos.
O mesmo podemos dizer em relação às empresas particulares. Que sucederia se
todos os empregados conseguissem vencer a sua má índole? A fiel execução dos
serviços dispensaria gastos supérfluos; a astúcia e a fraude tornar-se-iam uma
raridade. Por conseguinte, facilitar-se-iam as boas transações, poupar-se-ia tempo,
os negócios seriam efetuados em ambiente agradável, haveria aumento de
produção e, conseqüentemente, baixa dos custos e ampla saída dos produtos. No
setor da exportação, nos tornaríamos imbatíveis mundialmente. O resultado mais
agradável seria o desaparecimento de conflitos entre empregados e empregadores.
O prazer com que todos se dedicariam à produção, a conciliação e a disposição
saudável, dariam grande impulso ao serviço, o que, por sua vez, ocasionaria
aumento da renda, extinguindo por completo a preocupação com problemas
econômicos. As empresas prosperariam, sem dúvida, em ambiente saudável,
desaparecendo bajulações e traições entre chefes e subordinados.
No setor político, as pessoas estão conscientes do habilidoso emprego do Mal e do
pequeno número de membros de partidos que têm por princípio velar pela felicidade
do Estado e do povo. Certamente os políticos não deixam de levar em consideração
o bem-estar da Nação e do povo, mas a realidade prova que eles são dotados de
conceitos egoísticos e fazem tudo em benefício próprio e do partido a que
pertencem, tendo por costume atacar as opiniões dos partidos opostos. Esse ataque,
de caráter extremamente desprezível, que consiste no simples prazer doentio de
criticar, hoje é tido como um ato comum. Nas assembléias, as sátiras, os termos
indecorosos, os tumultos, que se convertem em vexame, assim como as agressões,
dão a impressão de encontros de bandoleiros.
Vejamos, agora, o que está acontecendo com a sociedade.
Ninguém ignora que a corrupção é geral em todos os setores. É raríssimo encontrar
um lar pacífico, pois em todas as famílias fomentam-se os conhecidos conflitos entre
casais, entre pais e filhos, etc. Vemos, também, com freqüência, desavenças entre
amigos e conhecidos. Ultimamente, os crimes contra parentes próximos entraram
em moda, ultrapassando o limite do lamentável e causando terror. Além disso, os
jornais estampam, diariamente, invasões domiciliares, assaltos, roubos violentos,
fraudes, usurpações, furtos em lojas, ameaças e outros horrores. Em linhas gerais,
esse é o aspecto da sociedade; podemos, pois, afirmar que este mundo é um
atoleiro de pecados. É conforme disse Buda: “um mundo de sofrimentos”. Portanto,
não há exagero em afirmar que a sociedade é constituída pelas vítimas do Mal. Com
efeito, entre milhares de pessoas, não existe uma só que possa viver um dia livre de
preocupações. Dentre estas, a maior, certamente, é a doença. O medo de ladrões
resolve-se trancando-se as portas; com saúde, conseguimos livrar-nos da pobreza,
porque podemos trabalhar; processos jurídicos são evitados agindo-se com
prudência. Mas é impossível evitar doenças e guerras. Um análise minuciosa,
entretanto, esclarece-nos sobre a possibilidade de evitá-las, unicamente através da
Religião, já que toda desgraça tem sua origem no Mal.
Alicerce do Paraíso, “O mundo dominado pelo mal” – (17/09/52)

“O Reino dos Céus é o mundo do Belo. Os sentimentos de seus habitantes são


igualmente belos.”

Os fiéis da nossa Igreja estão bem cientes de que o objetivo de Deus é a construção
do mundo ideal, de perfeita Verdade, Bem e Belo. Sendo assim, o objetivo de
Satanás, Seu antagonista, é obviamente a Falsidade, o Mal e a Fealdade. Falsidade
e Mal não necessitam de explicações; portanto, falarei a respeito da Fealdade.
Neste mundo, existem coisas erradas. Há casos, por exemplo, em que a Fealdade
se associa à Verdade e ao Bem. Ao ver tais fatos, muitas vezes as pessoas fazem
deles alvo de admiração e respeito. Em termos mais claros, desde tempos remotos,
não são poucas as pessoas que, comendo e vestindo-se precariamente, morando
em cabanas, enfim, vivendo uma vida miserável, realizam práticas virtuosas para o
bem do próximo e da sociedade. Realmente, se suas condições de vida fossem
desfavoráveis, isso seria inevitável para elas poderem sobreviver, mas algumas,
mesmo tendo condições para viverem de modo diferente, escolhem
espontaneamente tal forma de vida, o que acredito não ser desejável. Entre elas,
encontram-se muitos religiosos que escolhem uma vida de abstinência como meio
de aprimoramento, achando ser um meio excelente. Quem vê isso, considera-os
pessoas sublimes. Mas, para falar a verdade, esse pensamento não é correto, pois
se negligencia um fator importantíssimo, que é o Belo; ou seja, temos Verdade, Bem
e Fealdade. Neste sentido, desde que não ultrapassem as condições adequadas a
cada indivíduo, as vestes, a alimentação e a moradia do homem devem ser
utilizadas da maneira mais bela possível, porque isso está de acordo com a Vontade
Divina. Além do mais, o Belo não é simplesmente uma satisfação individual, mas
também o que causa uma sensação agradável aos outros; assim, podemos dizer
que é uma espécie de boa ação. Na verdade, quanto mais alto grau de civilização a
sociedade alcançar, tudo deverá se tornar mais belo. Pensem bem. Na vida dos
selvagens não existe quase nenhuma beleza. Por isso, também podemos dizer que
o progresso da civilização é, em parte, o progresso do Belo.
Naturalmente, a nível individual, os homens também devem procurar manter uma
beleza adequada, para causar boa impressão às demais pessoas; sobretudo as
mulheres, devem procurar mostrar-se ainda mais belas. Talvez não seja da minha
conta falar-lhes semelhantes coisas, mas é a pura verdade: dentro de casa, deve-se
sempre ter o cuidado de não deixar teias de aranha no teto, de conservar o assoalho
tão limpo que não haja nem um cisco, de arrumar logo os objetos desagradáveis à
vista e deixar os utensílios bem organizados. Assim, tanto os moradores da casa
como as visitas sentir-se-ão bem, o sentimento de respeito nascerá naturalmente, e
o conceito do chefe da casa também se elevará. Devemos, ainda, cuidar do aspecto
externo das residências. Mas não é preciso gastar dinheiro para isso; se
procurarmos conservar nossa casa sempre limpa e em bom estado exteriormente,
não só causaremos uma boa impressão às pessoas que passam pela sua frente,
como também contribuiremos para influenciar positivamente o plano de turismo
nacional. A esse respeito, existe um comentário sobre a Suíça, o qual, em parte,
talvez se justifique pelo tamanho do país. De qualquer forma, dizem que, lá, tanto as
ruas como as praças públicas são sempre conservadas limpas e por isso a
sensação que se tem é realmente a melhor possível. Este é um dos motivos pelos
quais o país recebe tantos turistas; portanto, poderíamos tê-lo como exemplo a ser
imitado.
As razões expostas mostram que nós, japoneses, também precisamos cultivar o
senso do Belo. Através disso, exerceremos boa influência sobre os indivíduos e, em
grande escala, muito mais do que pensamos, sobre a sociedade e a Nação. E mais
ainda: através desse ambiente belo, os sentimentos dos cidadãos também se
tornarão belos, e os crimes e os acontecimentos desagradáveis diminuirão, o que,
conseqüentemente, se tornará um dos fatores determinantes do Paraíso Terrestre.
Finalizando, escreverei a meu respeito. Desde jovem eu gostava de tudo que
dissesse respeito ao Belo. Embora fosse muito pobre, cultivava flores em espaços
vazios e, quando dispunha de tempo, pintava quadros. Sempre que me era possível,
visitava museus e exposições. Na primavera, apreciava as flores, e no outono, o
bordo. Agora, pela graça de Deus, minha vida se tornou mais afortunada, e, além de
apreciar o Belo como desejo, isso constitui uma ajuda para a realização das
atividades da Obra Divina. Entretanto, para terceiros, que desconhecem esse fato,
minha vida parece exageradamente luxuosa, o que é inevitável. Desde tempos
antigos, como sempre digo, os fundadores de religiões faziam a divulgação das
doutrinas levando uma vida paupérrima e realizando penitências. Comparando-me
com eles, talvez achem minhas atitudes um tanto estranhas, pela grande diferença
observada. Na verdade, aqueles religiosos estavam na Era da Noite, e até mesmo a
Religião era divulgada por meios infernais. Chegou, porém, a Época de Transição e,
atualmente, quando o mundo está para se tornar Dia, a salvação é efetuada num
estado paradisíaco, de modo que é necessário refletir profundamente sobre esse
ponto.
Por fim, quero falar sobre o comunismo. Dizem que o seu objetivo é também a
construção do Paraíso Terrestre, mas, deixando de lado outros aspectos,
principalmente a sua noção do Belo é escassa. Portanto, desde que não adota o
Belo, podemos compreender que ele não é verdadeiro.
Alicerce do Paraíso, “O Paraíso é o Mundo do Belo” – (11/07/51)

“Os homens de pensamentos, palavras e ações puras e belas, estes, sim, são
entes do Reino dos Céus.”

Interlocutor: Gostaria de saber a relação que há entre Nenpi-Kannon-Riki, Nenpi-


Kannon-Gyo e Nenpi-Kannon-Shin.
Meishu-Sama: Neste caso, o ponto de partida é o pensamento; portanto, se a
pessoa conseguir praticar o Kannon-shin (pensamento de Kannon), também
conseguirá praticar o Kannon-gyo (prática de Kannon). Com esta prática, poderá se
manifestar o Kannon-riki (força de Kannon). Na oração, eles estão dispostos em
ordem contrária. Mas é bom que estejam naquela ordem, porque para os budistas é
o contrário, o corpo físico vem antes. Para os que têm a fé centralizada em Deus,
entretanto, o espírito é que vem antes, porque o pensamento é primordial.
Posteriormente é que se determina a prática. O pensamento e a prática devem
unificar-se. Fala-se sobre a unidade pensamento, palavra e ação; o correto é a
unificação dos três.
Registro das Palavras de Luz vol. 8 – (30/05/49)
JOHREI

“O ato que eu realizo sob o nome de Johrei constitui aquilo a que se dá o nome
de Batismo pelo Fogo.”

(...) Tomando a Bíblia como base e analisando o sentido das profecias citadas,
podemos afirmar que nos encontramos na iminência de um grande perigo; para
ultrapassá-lo, precisaremos estar com o espírito purificado. Isso quer dizer que o
homem mau será eliminado para sempre. Se assim for, torna-se imprescindível
purificarmos nosso espírito através de uma fé correta, a fim de que possamos
transpor essa fase com segurança.
Os materialistas podem não acreditar, podem dizer que é um absurdo, que Deus é
apenas fruto da imaginação do homem; entretanto, quando chegar o momento
decisivo e, aflitos, eles quiserem voltar-se para Deus, já será tarde demais. Isso é
mais claro que a luz do dia. Naturalmente, o amor de Deus é infinito e Seu desejo é
salvar o maior número possível de criaturas. Nós, que seguimos Sua Vontade,
estamos repetidamente advertindo os homens, através da palavra oral e escrita.
Sobre o mesmo assunto existe outra advertência: “Deus está querendo salvar os
homens, mas, se eles não tomarem cuidado e não derem importância a tantos
avisos, encarando-os simplesmente como o canto do galo que estão acostumados a
ouvir, chegará a hora em que, prostrados, terão de pedir perdão a Deus. No entanto,
quando chegar essa hora, Deus não poderá ficar se ocupando dos homens. Assim,
eles terão de resignar-se ante a situação criada pelas suas próprias mãos.” Acho que
essas palavras têm exatamente o mesmo sentido daquilo que eu acabei de explicar.
A propósito, falarei resumidamente sobre o Dilúvio e a Arca de Noé.
O fato deve ter acontecido há milhares de anos, num antigo pais europeu, onde
viviam dois irmãos de nome Noé. No estado que hoje chamamos de “transe”, o mais
velho foi avisado sobre a iminência de um dilúvio e por isso deveria alertar seu povo.
Muito apreensivos, eles anunciaram aos homens o perigo iminente, mas ninguém
acreditou em suas palavras. Passados alguns anos, finalmente eles conseguiram
convencer seis pessoas. Então Deus lhes ordenou que construíssem uma arca, e os
oito entraram nela.
Pouco tempo depois, começou a chover ininterruptamente. Uns dizem que choveu
durante quarenta dias; outros dizem que cem. O certo é que foi um longo período de
fortes chuvas. As águas subiam cada vez mais, inundando as casas; apenas o cume
das montanhas ficava de fora. Os homens tentavam entrar na arca ou refugiar-se
nas montanhas, mas os animais ferozes e as cobras venenosas, querendo salvar-se,
faziam o mesmo. Como a arca possuía tampa, ninguém conseguiu entrar. Famintos,
os animais devoravam todos os homens; salvaram-se apenas as oito pessoas que
estavam na arca. Elas são consideradas antepassados da raça branca.
No Novo Testamento, existe uma passagem na qual se diz que João faria o batismo
pela água e Cristo faria o batismo pelo fogo. Se o Dilúvio representou o início do
batismo pela água, o batismo pelo fogo, atribuído a Cristo, só poderá ser o Juízo
Final que está prestes a chegar. Acontece que a água é material, e o fogo é
espiritual. Por isso, aquilo que estamos realizando atualmente a purificação do
espírito através do espírito – nada mais é que o batismo pelo fogo. Como o espírito
se reflete na matéria, a influência que esse batismo exercerá sobre ela deverá
produzir uma mudança extraordinária. Mas precisamos saber que existe perigo
apenas para o Mal, e não para o Bem.
Este artigo, eu o ofereço às pessoas descrentes.
Alicerce do Paraíso, “O Juízo Final” – (20/01/50)

“Acredito que, no mundo atual, só há uma forma para os homens


compreenderem Deus:
através dos milagres do Johrei.”

(Nidai-Sama)

Só em agosto de 1947 a nossa Igreja Messiânica Mundial foi fundada como entidade
religiosa e começou a desenvolver suas atividades abertamente. Até então, a
pressão por parte das autoridades era intensa, e por isso, como é do conhecimento
de todos, ela vinha desenvolvendo a terapia popular sob a denominação “terapia de
purificação japonesa”. Todavia, entre as pessoas que não tinham fé, a cura das
doenças não era absoluta, e por esse motivo, dependendo da pessoa, eu fazia com
que ela orasse diante da imagem de Kannon pintada por mim. Tal procedimento era
aceito pelas autoridades, que, desde antigamente, diziam não ser problema esse
tipo de fé. A esse ponto as autoridades detestavam as religiões novas... Felizmente,
o mundo tornou-se democrático e foi permitida a liberdade em matéria de Religião.
Desde então, pudemos desenvolver livremente as nossas atividades como
organização religiosa. Na época, as pessoas que poderiam ser consideradas como
membros eram apenas de duzentas a trezentas.
Como todos estão cientes, em agosto deste ano a Igreja estará completando seis
anos de existência, e é surpreendente o número atual de membros, que somam
algumas dezenas de milhares. Existem 3.242 ministros; Igrejas grandes, 4 unidades;
Igrejas médias, 88 unidades, e 524 filiais. A Igreja vem se expandindo dessa maneira
e promete crescer ainda mais vigorosamente, a cada dia e a cada mês. Além disso,
a partir da primavera deste ano, ela será ampliada no Havaí e, no verão, nos
Estados Unidos. No que se refere à expansão, o número dos membros do Havaí,
num período de mais ou menos meio ano, já ultrapassou a casa dos mil.
Recentemente, foi adquirido, por 50 mil dólares, um terreno com casa, que poderá
se tornar uma magnifica Sede Central; ao mesmo tempo, entre os membros nativos,
pessoas fervorosas têm se tornado dirigentes das unidades filiais, que já são
inúmeras. Atualmente, estão sendo criadas outras unidades em várias localidades.
Nos Estados Unidos, também, no mês de agosto será inaugurada uma filial, e dias
atrás recebi um relatório dizendo que o número de participantes nos cursos de
iniciação tem aumentado dia a dia, tudo indicando que, no futuro, vai ser incalculável
a expansão da Igreja naquele país.
Além disso, foi concluído o Paraíso Terrestre de Hakone, e o Museu de Arte, que
ficou pronto no ano passado e está sendo aperfeiçoado gradativamente, por fim
passou a ser conhecido pelo povo em geral. Neste verão, o número de visitantes foi
várias vezes maior. A sua fama se estendeu principalmente entre os estrangeiros, e
muitos deles o têm visitado diariamente. Acho que, se continuar assim, não estará
distante o dia em que ele se tornará famoso no Japão. Há alguns anos adquiri, no
centro de Gora, no melhor local de Hakone, um terreno que mede cerca de 33 mil
metros quadrados, onde tenho o plano de, futuramente, construir a Sede Geral.
A construção do Paraíso Terrestre que ora estamos realizando em Atami, tal como o
Templo Messiânico, a plataforma de vista panorâmica, o Museu de Arte, etc., tem
avançado progressivamente. Consegui adquirir, também, o terreno para o Paraíso
Terrestre de Saga, em Quioto, cuja construção pretendo realizar um dia.
Observando esse grandioso e magnífico progresso, não podemos imaginar em
absoluto que seja uma obra humana. Está ocorrendo um progresso em grande
escala, além da minha imaginação, e mesmo no que se refere à sua rapidez fico
realmente surpreso; certamente é um fato inédito na história religiosa do mundo. E
onde está a causa desse progresso? Está no Johrei, peculiaridade da nossa Igreja, e
nos milagres que têm ocorrido em grande número. Pessoas com doenças graves e
desenganadas pelos médicos, que já se preparavam para a morte, repentinamente
começam a se restabelecer, tornam-se saudáveis e são agraciadas com vida nova,
de modo que a sua gratidão e emoção são incalculáveis. Não conseguindo deixar de
retribuir essa graça, primeiramente elas passam a oferecer agradecimento
monetário. Além do mais, como a diretriz da nossa Igreja proíbe a exploração,
contribuem espontaneamente. Sendo elevado o número de tais pessoas, a quantia
também se torna elevada. Desse modo, é possível fazer várias construções
seguidamente.
Através de tudo isso, creio que poderão imaginar quão surpreendentes são os
benefícios materiais proporcionados pela nossa Igreja. Dizem que, sem exceção,
tudo é milagre; por conseguinte, uma Igreja que gera tantos milagres como a nossa
é inédita. Em suma, ela expande-se seguindo a ordem: grandes benefícios materiais,
milagres, desenvolvimento. Entretanto, o que referi acima, são fatos que se limitam
ao Japão. Posteriormente, a linha de difusão deverá se estender aos Estados Unidos
e demais países; portanto, o vigor desse progresso certamente será inimaginável.
Como prevemos, nossa Igreja se tornará uma grande Igreja de âmbito mundial, e
acredito que o dia da salvação da humanidade não está tão distante. Quando penso
nisso, sinto uma grande emoção.
Jornal Eiko nº 228 ”Principal causa da expansão da nossa Igreja” – (30/09/53)
“A ação que purifica as criaturas possuidoras de muitas máculas é a tábua da
verdadeira salvação”.

(...) O Johrei não visa curar doenças; é, antes, um método de criar felicidade. Ele
não pode ter como objetivo a cura das doenças, porque estas são formas de
purificação; sua finalidade é eliminar as máculas do espírito. O resultado da
erradicação dessas máculas é a extinção dos sofrimentos humanos.
Costumo ensinar que a doença, a pobreza e o conflito são processos purificadores. A
doença é o principal, porque afeta a própria base da vida. Quando conseguirmos
vencê-la, também solucionaremos o problema da pobreza e do conflito. Portanto, a
base da felicidade é a eliminação das máculas espirituais. O Johrei é o método mais
simples e infalível para erradicá-las. É, pois, evidente que ele não visa a própria
doença, e sim as suas causas.
Como já escrevi em outras oportunidades, o corpo material do homem vive no
Mundo Material, e o espírito, no Mundo Espiritual. Sendo assim, a situação do
Mundo Espiritual influi sobre o espírito e se reflete sobre o corpo, de modo que o
destino do homem se origina no Mundo Espiritual.
O Mundo Espiritual está dividido em três planos: Superior, Intermediário e Inferior.
Cada plano é constituído de três níveis, e cada nível se subdivide em vinte camadas.
Ao todo, são cento e oitenta camadas, mais uma – acima de todas ocupada por
Deus. Temos, pois, cento e oitenta e uma camadas. Qualquer entidade, por mais
elevada que seja, acha-se numa das cento e oitenta camadas.
Essa explicação tem por base o sentido vertical. Horizontalmente, a extensão de
cada plano varia no sentido do Inferno até o Céu.
Suponhamos que um espírito se encontre no nível inferior do Plano Inferior; isto
significa que ele se acha no fundo do Inferno. Como nesse local o sofrimento do
espírito é muito intenso, há terrível reflexo sobre o corpo físico, que passa a ser
espantosamente atormentado. No nível médio do Plano Inferior, o reflexo é menos
danoso. Então o sofrimento se torna mais suave, mais tolerável. E assim por diante.
Os padecimentos variam de acordo com a posição do espirito nas várias camadas
do Mundo Espiritual.
Ultrapassando-se as sessenta camadas do Plano Inferior, atinge-se o Plano
Intermediário, que corresponde à vida na Terra. Acima do Plano Intermediário está o
Plano Superior, o Reino dos Céus, onde se acham os anjos e onde se pode desfrutar
uma vida de felicidade.
Como se vê, a posição em que se acha o espírito de uma pessoa reflete-se no seu
destino. Por isso, devemos esforçar-nos para elevar o nosso nível espiritual, o que
significa reduzir os nossos sofrimentos e, proporcionalmente, aumentar a nossa
felicidade. Assim, não mais serão necessários os sofrimentos purificadores. É inútil
apelar para a inteligência e envidar esforços enquanto o espírito estiver no Plano
Inferior, porque esta é a Lei de Deus. E a Lei do Espírito Precede a Matéria também
é inviolável.
Concluímos, portanto, que, para ser feliz, é necessário crer em Deus Absoluto,
adorá-Lo, compreender e praticar a Sua Vontade, somar méritos e purificar o espírito
de modo que o seu habitat espiritual se eleve ao Céu. Não há outro processo para
alcançarmos a felicidade, e nisso reside o profundo significado do Johrei.
Alicerce do Paraíso, “Sermão, Johrei e Felicidade” – (25/03/52 – 25/08/52)
A LUZ DA INTELIGÊNCIA

“Sabedoria! Oh, sabedoria! És a luz que ilumina as trevas do caminho


percorrido pelo homem.”

Há vários tipos de inteligência. Formam uma escada de cinco degraus, na seguinte


ordem: Divina, sagrada, superior, ardilosa e calculista.
A inteligência Divina é a mais elevada, e Deus a concede a certas pessoas para que
cumpram missões importantes. Bem afirma o ditado: “Diz-se que a inteligência é
humana, quando o conhecimento é aprendido; é Divina, quando não depende de
aprendizado.”
A inteligência Divina pode ser considerada como de caráter masculino em relação à
inteligência sagrada, que, por sua vez, pode ser considerada como de caráter
feminino.
A inteligência superior é aquela manifestada pelas pessoas sábias. No budismo,
denomina-se “Tie Shokaku” (Inteligência da Percepção Verdadeira) ou simplesmente
“Tie” (inteligência).
A ação dos espíritos malignos é que obscurece o discernimento humano. Os
políticos e os intelectuais da atualidade dão-nos exemplo disto: gastam horas e
horas discutindo problemas quase sempre de muito pouca importância. Quando se
trata de assunto de grande monta, dezenas de pessoas passam a debatê-lo por
várias horas, durante dias e dias, muitas vezes sem chegar à conclusão desejada.
Isso prova a lentidão mental do homem contemporâneo, pois todo problema só
apresenta uma solução. Jamais houve um problema com muitas respostas. E dizer
que tantos cérebros levam vários dias só para encontrar a solução de um problema!
É desolador...
A causa dessa lentidão mental é a escassez de inteligência superior, pois as mentes
se acham obscurecidas. E se elas estão obscurecidas é porque cultivam idéias
satânicas, decorrentes da devoção ao materialismo. Essa devoção provém do não-
reconhecimento da existência de Deus. Ora, se as pessoas não reconhecem a
existência de Deus, é porque falta uma religião com o poder de inspirar-lhes essa
crença. A verdadeira religião deve ser capaz de mostrar claramente que Deus existe.
A própria necessidade de insistir neste assunto é decorrente da fraqueza mental do
homem moderno.
De acordo com a teoria que expomos, quem possui inteligência superior, consegue
resolver qualquer problema em poucos minutos. Eu, pessoalmente, limito a trinta
minutos os debates de meus subalternos, seja qual for o problema discutido.
Quando a questão se prolonga por mais de uma hora, aconselho que interrompam a
reunião, deixando-a para outro dia, ou que me consultem sobre o assunto. É claro
que não atendo à modéstia quando digo que quase sempre consigo resolver
qualquer problema em poucos minutos, por mais difícil que ele seja.
Excepcionalmente, se aparece uma questão que não resolvo logo, protelo-a sem me
esforçar. Momentos depois, infalivelmente, vem-me a inspiração para solucionar o
caso.
Analisemos, a seguir, a inteligência calculista. Todos a consideram uma inteligência
superficial; seu sucesso é passageiro, resultando sempre em derrota, e os que dela
se utilizam perdem a confiança dos outros.
A inteligência ardilosa pode ser considerada como perversidade – é a inteligência do
Mal. Milhares de pessoas a empregam, quase sempre pertencentes às classes
dirigentes e intelectuais. Assim, é impossível a sociedade melhorar. Tão logo essa
espécie de inteligência seja erradicada do Universo, surgirá uma sociedade sadia e
países magníficos. Mas haverá meios de erradicá-la? Certamente que sim. Basta
destruirmos sua raiz. Essa tarefa cabe a uma religião poderosa, capaz de despertar
a fé em Deus.
Alicerce do Paraíso, “As cinco inteligências” – (20/08/49)

“As pessoas que lêem os meus Ensinamentos com avidez gradativamente vão
elevando sua sabedoria.”

Quem nada sabe, mesmo duvidando, é natural que será perdoado, e isto está de
acordo com a lógica. Entretanto, se a pessoa ainda duvida, apesar de lhe ter sido
mostrada a realidade, a cura não se processará conforme o desejado. Analisando
bem esses casos, vemos que eles estão adequados à lógica. Descobrir rapidamente
essa lógica significa possuir Inteligência da Percepção Verdadeira. Significa que
houve reflexo no espelho da alma. Quando o espelho fica embaçado, o reflexo perde
a nitidez. Por isso, polindo-se constantemente o espelho da alma, o reflexo se
produz claramente e consegue-se descobrir tudo muito rápido. Apesar de quase não
ser levado em consideração, este é um ponto muito importante na Fé. A esse
respeito, no budismo, Sakyamuni disse que inteligência é a capacidade de se
descobrir as coisas rapidamente. Quando ela se manifesta, num determinado nível,
a pessoa torna-se iluminada. O Grande Iluminado é o mais poderoso. Sakyamuni
disse: “Torna-se Bossatsu quem adquirir Percepção Verdadeira. Quem possui
Grande Iluminação é Nyorai.” Isso quer dizer que a percepção é, de fato, a
“Inteligência”. Assim, existem pessoas que percebem as coisas rapidamente porque
são iluminadas, e quem é iluminado tem poucas máculas espirituais. Para diminuir
as máculas e tornar límpido o espelho da alma, o melhor é ler bastante os
Ensinamentos. O que antes não se entendia, ao lê-los novamente entende-se.
Depois de algum tempo, muitas vezes a pessoa desperta, dizendo: “Aqui está”,
“Existe cada coisa tão boa!”, “Está tão claro! Como é que eu não conseguia
entender?” Isso acontece porque, na leitura anterior, o espírito estava maculado. À
medida que as máculas vão sendo eliminadas, a compreensão vai melhorando.
Coletânea de Ensinamentos vol. 29 – (05/12/53)

“A elevada inteligência concedida por Deus constitui a maior força do homem.”

Todos se referem à inteligência como se fosse uma coisa única. Mas ela pode ser de
vários tipos, apresentando diferentes níveis de profundidade.
Dentre as inteligências, as mais elevadas são: a Divina, a sagrada e a superior.
Precisamos aprofundar a nossa própria fé, a fim de cultivá-las. Elas surgem quando
possuímos espírito correto, que admite a existência de Deus. Quando há esforço
baseado na virtude, esses aspectos superiores da inteligência se desenvolvem, e a
recompensa será a verdadeira felicidade.
Em nível mais baixo, estão as inteligências calculista, ardilosa, satânica e outras,
que nascem do Mal. Todos os criminosos servem como exemplo. Os delinqüentes
intelectuais, especialistas em fraudes, possuem-nas em alto grau. Os conhecidos
“heróis” de sucesso passageiro nada mais são do que portadores, em ampla escala,
dessas inteligências nocivas.
É interessante notar que quanto maior for a inteligência do Bem, mais profunda ela
é; quanto maior a inteligência do Mal, mais superficial. Basta analisar a vida dos
criminosos, desde épocas remotas, para verificar o que estamos dizendo. Eles
fazem planos aparentemente perfeitos, mas que, na prática, apresentam alguma
falha. É essa falha que torna público e notório o seu fracasso. Por conseguinte, se o
homem deseja crescente prosperidade, deve fazer esforços para aprofundar sua
inteligência. A profundidade da inteligência depende da força da sinceridade. Assim,
conclui-se que o homem cuja fé não é correta, nada conseguirá. Tão logo seja aceita
essa teoria, desaparecerão os males da sociedade.
O homem de hoje é superficial. Isto pode ser facilmente observado por quem
examina os vários campos da atividade humana. Os políticos, por exemplo, só se
ocupam de assuntos imediatos; qualquer outro é negligenciado até que tome vulto.
Suas providências assemelham-se aos remédios alopatas: combatem os efeitos e
não as causas. Ora, todo problema surge porque existe uma causa; nada acontece
sem motivo. A inteligência superficial não consegue prever o futuro, ficando
impossibilitada de estabelecer uma verdadeira política. No jogo de xadrez, o mestre
ganha a partida porque “enxerga” os lances subseqüentes; o novato é derrotado
porque não os prevê.
Neste sentido, o homem deve conscientizar-se de que precisa cultivar as
inteligências de nível superior, pois, sem elas, não obterá o verdadeiro êxito. E
devemos compreender que a Fé é o único meio para adquiri-las.
Alicerce do Paraíso, “Luz da inteligência” – (25/05/49)

“Para percorrer com segurança o caminho das trevas, é preciso ter a Palavra
de Deus como guia, e a fé como bengala.”

(...) Ler os meus Ensinamentos é receber Johrei através dos olhos. Eis a explicação:
Todos os textos refletem o pensamento da pessoa que os escreveu; precisamos ter
plena ciência disso. Espiritualmente falando, significa que as vibrações espirituais do
escritor são transmitidas, através das letras, para o espírito do leitor. Como os meus
Ensinamentos representam a própria Vontade Divina, o espírito de quem os lê se
purifica.
A leitura pode exercer influência positiva ou negativa sobre a alma do leitor. É
grande, portanto, a influência exercida pela personalidade do escritor. Quer se trate
de artigo de jornal ou de obra literária, aconselho aqueles que os escrevem a
pensarem muito, mas isto não quer dizer que eu lhes esteja recomendando
escreverem sermões.
Naturalmente, se a obra não for interessante, as pessoas não a lerão com prazer, e
por isso ela será inútil. É importante que o assunto atraia, fazendo os leitores se
sentirem presos a ele. Todavia, analisando a literatura da atualidade, a grande
maioria das obras nos faz pensar que os escritores se interessam apenas em vendê-
las ou vê-las adaptadas ao cinema, e, com isso, ganhar fama. Os textos não passam
de um amontoado de palavras; terminada a leitura, sentimos que deles nada se
aproveita. Em verdade, seus autores não passam de pretensos escritores. Tais obras
poderiam ser comparadas a pessoas vazias de conteúdo: podem ser famosas por
algum tempo, mas um dia cairão no esquecimento.
Quando observarmos minuciosamente a sociedade atual, até nos assustamos com
as numerosas falhas que ela apresenta. Se quisermos tomá-la por tema, não nos
faltarão assuntos. Gosto muito de cinema, do qual sou freqüentador assíduo. Às
vezes, quando vejo filmes que apontam as falhas da sociedade, fico muito
interessado e contente, por saber que, de alguma forma, alguém pensa como eu;
tenho até vontade de reverenciar seus autores e produtores. Obras desse tipo nunca
deixam de ser reconhecidas pelo público, dando lucros vantajosos às livrarias e às
empresas cinematográficas. É como matar dois coelhos de uma só cajadada.
Alicerce do Paraíso, “Johrei, através das letras” – (26/11/52)

“Na Era de Miroku, sobressairão neste mundo as pessoas transbordantes de


inteligência verdadeira e luz do amor.”

Dizem que a fé é amor, mas existem vários tipos de amor: amor correto, amor
incorreto, amor amplo, amor limitado, etc. É por isso que os que possuem fé não
podem deixar de ter um entendimento correto sobre o amor.
Em primeiro lugar, darei exemplos de amor correto. Nele se inclui o amor no lar –
entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos, etc. – e o amor relativo às
demais pessoas, tais como amigos, parentes ou conhecidos. Por mais que esse tipo
de amor aumente, não há nenhuma censura a fazer. O problema é o amor incorreto.
Obviamente, o amor incorreto é o oposto do anterior: quebra a harmonia entre
marido e mulher, esfria as relações entre pais, filhos e irmãos, causa
desentendimentos entre amigos e parentes, distancia as relações, etc. Isso é muito
freqüente na sociedade, sendo causado pelo amor incorreto, ou pelo amor escasso.
Essa é uma classificação genérica do amor correto e do amor incorreto. Entretanto,
entre esses tipos de amor, o que talvez precisa ser mais analisado é o amor-paixão.
Como já tive oportunidade de explicar, mesmo nesse tipo de amor existe o correto e
o incorreto. Naturalmente, o amor de jovens puros, que objetivam o casamento, é
um amor-paixão correto. Mas o amor-paixão muito freqüente na sociedade, motivado
por um impulso momentâneo, fútil, isto é, amor intempestivo como uma febre
tropical, é amor incorreto. Em suma, o amor-paixão não embasado na Inteligência
Superior é amor incorreto. Se ele progride demais, invariavelmente gera situações
trágicas. Isto porque, apesar de a pessoa ter esposo ou esposa, o amor-paixão é
dirigido para terceiros. Existem pessoas que acabam caindo num destino
catastrófico para o resto de seus dias e até perdem a vida por causa de um prazer
de pouca duração. É por isso que devem acautelar-se ao máximo, pois não há nada
que cause tão grandes prejuízos como esse tipo de amor-paixão.
Fiz uma crítica bem simples a respeito do bem e do mal no amor-paixão. Agora
desejo explanar sobre a amplitude do amor. Como eu disse anteriormente, o amor
entre familiares e o amor pelas coisas que nos rodeiam é amor de caráter “Shojo”
(restrito), que pertence ao grupo do amor-próprio, sendo mais freqüente nas pessoas
comuns. É inerente ao tipo comum das pessoas boas, existindo, também, nos
agnósticos; quanto a estes, não tenho nada de especial a comentar, mas, em se
tratando de verdadeiras pessoas de fé, é totalmente diferente. O amor dos que têm
fé é “Daijo”, ou seja, altruísta. Este amor “Daijo” ampliado ao máximo é o amor à
humanidade, é o amor ao mundo.
Devemos atentar para o fato de que os japoneses, até o fim da Segunda Guerra
Mundial, não conheciam o verdadeiro amor “Daijo”. Para eles, a mais ampla e
elevada forma de amor era o amor à pátria. Como todos sabem, seu maior objetivo
consistia em dar a vida por ela, mas, como se tratava de amor “Shojo”, resultante da
crença de que isso era o que havia de mais importante, causou a lamentável
situação em que o Japão se encontra atualmente. Portanto, como o amor limitado a
um povo ou a uma classe não é verdadeiro, mesmo que se prospere por um
momento, inevitavelmente acaba-se fracassando. Conseqüentemente, como eu
disse antes, por mais que as pessoas se esforcem com um objetivo limitado,
afirmando pertencer a esta ou àquela ideologia, não há possibilidade de grande
sucesso. Tratando-se de ideologia, só o cosmopolitismo é verdadeiro. Nesse
sentido, para que a religião seja aceita como a verdadeira salvação, ela também
deve ser de caráter universal. É por esse motivo que a nossa Igreja teve seu nome
completado com a palavra Mundial.
Alicerce do Paraíso, “Amor correto e amor incorreto” – (18/10/50)

“Fé é verdadeira inteligência, é sabedoria. Sem esta, não nasce a gratidão.”

(Nidai-Sama)

É realmente verdade que gratidão gera gratidão e lamúria gera lamúria. Isto
acontece porque o coração agradecido comunica-se com Deus, e o queixoso
relaciona-se com Satanás. Assim, quem vive agradecendo, torna-se feliz; quem vive
se lamuriando, caminha para a infelicidade.
A frase “Alegrem-se que virão coisas alegres”, expressa uma grande verdade.
Alicerce do Paraíso, “O homem depende de seu pensamento” – (03/09/49)

“Pesquisando a causa dos sofrimentos da humanidade, descobri que eles se


originam na ignorância.”

Em geral, a felicidade ou infelicidade do ser humano dependem da sua cabeça. Ele


se torna infeliz porque sua cabeça é ruim. Quem tem a cabeça pior é o homem mau.
Isso porque ele tem a ilusão de que, com más ações, será bem sucedido e feliz. Sua
cabeça é tão ruim, que ele não percebe que, praticando más ações, vai destruir a si
próprio. Por isso, eu acho que quem pratica o mal tem a cabeça muito ruim. O fato
da pessoa ser ou não ser ilustre, ter ou não ter renome, não tem muita importância.
O que importa é a felicidade. Só porque obteve fama não significa que a pessoa se
tornou feliz. E, mesmo se tratando de cabeça ruim, o conceito de ruim é bem
diversificado: existe a cabeça extremamente ruim e a que não é tão ruim assim.
Atualmente, a cabeça das pessoas bem sucedidas, ou das pessoas famosas, por
exemplo, apesar de ser ruim, não chega a sê-lo em demasia. Mas também não se
pode dizer que seja boa...
Coletânea de Ensinamentos vol. 11 – (26/06/52)
“A inteligência superficial progride, mas diminui, a cada dia, neste mundo, o
número de pessoas possuidoras de verdadeira inteligência.”

Talvez todos pensem que a época mais próspera da civilização mundial seja a época
contemporânea. Entretanto, quando analisamos bem seu conteúdo, observamos que
ela apresenta muitas falhas, como podemos constatar todos os dias através dos
jornais, que estão repletos de artigos sobre criminosos e criaturas desventuradas.
Analisando com justiça, verificamos que as coisas ruins são muito mais numerosas
do que as coisas boas. Há pouco tempo, por exemplo, tivemos um caso de
corrupção que se tornou um problema muito sério. Quando as autoridades
começaram a investigar, o caso se diversificou a tal ponto, que nem podemos
imaginar até onde se multiplicará. Portanto, ele também não seria uma pequena
parte de um “iceberg”? Aliás, se investigarmos as coisas profundamente, quantas
pessoas íntegras encontraremos no mundo político e econômico? Poderíamos
arriscar-nos a dizer que nenhuma.
Pensando bem sobre o assunto, existe algo difícil de se entender. Se as pessoas
relacionadas ao caso em questão fossem camponeses de instrução primária, ainda
seria compreensível. Mas todas elas são pessoas civilizadas, que receberam
educação esmerada. Em geral, acredita-se que, quando as pessoas recebem
educação apurada, sua mente se desenvolve e elas se tornam criaturas civilizadas,
de modo que, assim, os crimes tendem a diminuir. Entretanto, vendo fatos como o
que ora se nos apresenta, ficamos desapontados, só podendo dizer que tudo isso é
realmente incompreensível. Por conseguinte, como eu disse no titulo deste artigo, a
época em que vivemos é semicivilizada e semi-selvagem, e acho que, analisando a
realidade que temos diante dos nossos olhos, ninguém conseguiria dizer o contrário.
Que devemos fazer então? A solução do problema não é absolutamente difícil; pelo
contrário, é muito fácil. Como sempre tenho explicado, basta despertar as pessoas
da educação materialista que receberam para a educação espiritualista. Em termos
mais claros, destruir o pensamento errôneo de que se deve acreditar somente nas
coisas que possuem forma e desacreditar daquelas que não a possuem. A única
maneira de se conseguir isso é fazer com que seja reconhecida a existência de Deus
através do poder da Religião.
Estendendo-se esse entendimento das classes dirigentes a todas as pessoas,
corrigir-se-á o conceito errado de que se pode cometer crimes, contanto que eles
não cheguem ao conhecimento de terceiros. Assim, não haverá mais criminosos e,
conseqüentemente, formar-se-á um mundo onde impere o bem e a alegria. Parece,
no entanto, que ninguém entende um princípio tão simples e claro como este, visto
que só se procura controlar o mal por meio de fortes redes e prisões chamadas leis.
Isso é tratar os homens como se fossem animais, não sendo à toa que o método não
surte resultados positivos.
Ora, se não se consegue manter a disciplina da sociedade nem mesmo com as
malhas da lei, torna-se necessário descobrir onde está a causa do problema. Mas
ninguém a percebe. A sociedade continua sendo uma coletividade constituída de
seres que são meio-homens e meio-animais. Por esse motivo, está demasiado claro
que já não é possível eliminar o caráter animalesco do homem através da educação
materialista. O ensino ministrado até hoje, como se pode ver pelos seus resultados,
não passa de uma técnica para encobrir esse caráter. Dessa maneira, não podemos
sequer imaginar quando se edificará uma sociedade verdadeiramente civilizada.
Portanto, para solucionar o problema, é fundamental eliminar as características
animalescas da alma do homem. Não há método mais eficiente. (...)
Alicerce do Paraíso, “A época semicivilizada e semi-selvagem” – (14/04/54)

“Aqueles que lêem constantemente a Palavra de Deus, jamais enveredarão por


labirintos.”

Outra coisa perigosa é acreditar piamente nas opiniões das pessoas. Portanto, ao
ouvir diversos pareceres, mesmo que os achem corretos, devem, primeiramente,
analisar se eles estão de acordo com a Vontade de Deus. No caso de encontrarem
alguns pontos que pareçam em desacordo com o Objetivo Divino, consultem o livro
de Ensinamentos. Em alguma parte deles, poderão encontrar a maioria das
respostas. A partir daí, devem tomar uma decisão. Muitos erros são cometidos por
não se agir dessa maneira.
Coletânea de Ensinamentos vol. 11 – (07/06/52)

“Iluminado pela Luz de Deus, o homem pode viver sem dificuldades mesmo
num mundo de eternas trevas.”

Como o objetivo da nossa Igreja é a construção do Paraíso Terrestre, cada um de


nós deve primeiramente criar o Paraíso no seu próprio lar. Para isso, cada um deve
tornar o seu espírito paradisíaco. Ter espírito paradisíaco significa não ter nenhum
sofrimento. Assim, se a afobação é um sofrimento, sofrer porque as coisas não
correm a contento também é uma situação infernal. Portanto, devemos no mínimo
livrar-nos do sofrimento. Para isso, a melhor maneira é dirimi-lo através do
sentimento de gratidão, ou seja, não criar o inferno dentro do coração. Devemos
atentar para o fato de que as religiões até hoje consideraram o sofrimento como algo
benéfico. Existem até aquelas que chegam a procurar o sofrimento. Mesmo o
cristianismo, uma religião que se propagou a nível mundial, praticamente se
desenvolveu por meio do sofrimento. Como os homens comuns têm esse fato
gravado na mente, ainda que se tornem membros da nossa Igreja, não conseguem
se desligar dessa idéia.
Tudo que escrevi acima é porque o mundo se encontrava na Era da Noite, isto é, o
mundo era infernal. Por esse motivo, ainda que a pessoa se tornasse um exemplar
seguidor da fé, não conseguia escapar do sofrimento infernal. Agora, entretanto,
como a Noite está se despedindo, e o mundo está se tornando Dia, a nossa Igreja é
que dará a orientação quanto à construção do Paraíso Terrestre. Com esse objetivo,
devemos nos esforçar para construir o Paraíso dentro dos nossos corações, para
que o inferno não tenha oportunidade de aí se instalar.
Jornal Eiko nº 147, “Deus dirige o trabalho de expansão da Igreja” (12/03/52)

“Enquanto vive neste mundo, o homem deve professar a fé em Deus e


acumular virtudes ocultamente.”

(Nidai-Sama)

(...) No Plano Superior, a divindade mais alta e mais sagrada é Deus. Toda
organização religiosa tem uma divindade padroeira e também um fundador.
Exemplifiquemos com o xintoísmo: na seita “Taisha-Kyo”, o padroeiro é Ookuninushi
no Mikoto; na seita “Ontake-Kyo”, é Kunitokotati no Mikoto; na seita “Tenri-Kyo”, é
Tohashira no Kami. O budismo também serve como exemplo: na seita “Shinshu”, o
padroeiro é Amida Nyorai; na seita “Zen-Shu”, é Daruma Daishi; na seita “Tendai”, é
Kanzeon Bossatsu; etc. Os fundadores de seitas, como Kobo, Shinran, Nitiren,
Hônen e outros, situam-se na classe de líderes de cada comunidade. Assim, ao
entrarem no Mundo Espiritual, os espíritos das pessoas que tinham religião durante
a vida terrena ligam-se à organização a que elas pertenciam, e não se pode calcular
o quanto são mais felizes que os espíritos dos descrentes. Estes, não tendo uma
organização à qual filiar-se, ficam perdidos, extremamente confusos, vagando pelo
Mundo Espiritual.
Desde épocas remotas fala-se sobre “espíritos errantes”, porque tais espíritos ficam
perambulando pelo Plano Intermediário. Uma vez passando para o Mundo Espiritual,
aqueles que não reconhecem a sua existência e não crêem na vida após a morte,
não podem se fixar em nenhum lugar, ficando privados de inteligência e juízo
durante certo tempo. Como exemplo, citarei um caso ocorrido há alguns anos.
Numa reunião de pessoas que pesquisavam fenômenos espirituais, o espírito de um
homem muito famoso manifestou-se, através de um médium. Chamaram, então, a
esposa do falecido, a qual, pela maneira como o espírito falava e agia, confirmou
que realmente se tratava do marido. Fizeram-lhe muitas perguntas, mas as
respostas não eram corretas nem lúcidas, apesar do seu nível de cultura no Mundo
Material. Isso acontecia porque aqui neste mundo ele não acreditava na existência
do Mundo Espiritual. Vemos, pois, que é necessário o homem crer na existência do
Mundo Espiritual e, assim, preparar-se para a vida após a morte. (...)
Alicerce do Paraíso, “Constituição do Mundo Espiritual” – (05/02/47)

“Ainda que a pessoa busque a Verdade em milhares de livros, se ela não


estiver centralizada na fé em Deus, acabará por se perder.”

(Nidai-Sama)

Tenho observado que, quando as pessoas analisam a Religião, não compreendem o


ponto mais importante: sua posição.
A Religião está acima de qualquer outro valor. A Filosofia, a Moral e a Ciência
ocupam uma posição inferior. Entretanto, por ignorância dessa verdade, usam-se
expressões como “Religião Filosófica” e outras parecidas, baseadas na interpretação
filosófica da Religião, o que é absolutamente errado. Explicar a Religião sob o ponto
de vista da Filosofia, é tentar explicar algo que não possui forma através de algo que
a possui. A Religião foi criada por Deus, e a Filosofia, pelos homens. A Moral
também difere da Religião. Tal como a Filosofia, ela foi criada pelo homem, mas há
uma diferença entre ambas: a Filosofia é de caráter ocidental e científico, ao passo
que a Moral é de caráter oriental e psicológico. Comparada com a Filosofia e a
Moral, a Ciência é muito mais materialista, sendo patente a distância que há entre
ela e a Religião. Por todas essas razões, podemos perceber como está errado o
conceito que os intelectuais da atualidade têm sobre esta última.
Todavia, se analisarmos mais profundamente, veremos que a Filosofia é o conjunto
das teorias criadas pelo homem até hoje, e por isso, quando a comparamos com a
Religião, a importância desta revela-se por si mesma. Se tentamos descobrir,
através da Filosofia, o ponto mais profundo de uma questão, encontramos barreira e
nada conseguimos. Uma prova disso é que, quanto mais pesquisamos através dela,
mais confusos ficamos. Uma dúvida puxa outra, e na maioria das vezes não
recebemos resposta para as nossas perguntas. A conseqüência é nos cansarmos
facilmente da vida, havendo pessoas que chegam ao extremo de pensar que a única
solução para tal angústia é o suicídio. Esse é um fato que ninguém desconhece.
Quanto à Moral, não se pode negar que tem contribuído muito para o bem da
sociedade. Entretanto, embora ela tenha surgido com o objetivo de melhorar a
conduta do homem por meio de códigos, não conseguiu dominar-lhe totalmente o
espírito, pois também nasceu do cérebro dos intelectuais. No antigo Japão, talvez
fosse possível aceitá-la, mas hoje em dia, tendo a Moral caráter oriental e estando
tudo dominado pela cultura ocidental, ela já não consegue convencer as pessoas e,
obviamente, tende a desaparecer.
A respeito da ciência materialista, que nós sempre criticamos, não há necessidade
de maiores comentários. Atualmente, falar em cultura é o mesmo que talar em
Ciência; interpreta-se progresso cultural como progresso científico. É duvidoso,
porém, que o homem tenha se tornado mais feliz com o progresso da Ciência. Ao
contrário, somos levados a pensar que a infelicidade cresceu proporcionalmente a
ele. Ante a terrível ameaça de guerra nuclear que paira sobre a humanidade, não é
preciso dizer mais nada. (...)
Alicerce do Paraíso, “Como encarar a Religião” – (29/04/50)

“Existem muitas pessoas que, embora estejam recebendo ilimitadas bênçãos,


não conhecem Deus.”

(Nidai-Sama)

Parece regra geral, quando se escreve sobre ateísmo, desenvolver o raciocínio do


ponto de vista religioso, mas eu pretendo discorrer sobre esse tema sem tocar em
Religião, colocando-me a mim próprio na posição de ateu.
Quando uma criança nasce, o seio materno lhe fornece o leite para sua nutrição. A
criança cresce normalmente, e os pais ministram-lhe alimentação adequada à
primeira dentição. Assim, ela vai vencendo várias fases de seu desenvolvimento, até
atingir a adolescência. A alimentação, portanto, é a base do crescimento. O homem
se nutre suficientemente de calorias ao ingerir alimentos com prazer, graças ao
paladar. Creio ser esse o maior de todos os prazeres humanos.
O físico e também a inteligência vão se desenvolvendo gradualmente através da
instrução e, na mocidade, o ser humano está apto a exercer as funções normais de
um adulto. Surgem-lhe, então, diversas ambições, como a ânsia de poder, o espírito
de competição e de progresso e, no plano físico, em forma de diversões, folguedos e
namoros. Dessa maneira, o homem está pronto para participar da vida social,
característica de um ser superior, com os sofrimentos e alegrias que nascem da
razão e do sentimento.
Consideremos, agora, a Natureza.
No Universo, não só os fenômenos visíveis, como o sol, a lua, as estrelas, a via-
láctea, a temperatura, o vento, a chuva, os animais, os vegetais e os minerais, que
estão diretamente relacionados com o ser humano, mas também os fenômenos
invisíveis, tudo está sob a ação e controle do poder da Natureza. Esta é a própria
figura do mundo. Observando-a calmamente e sem idéias preconcebidas, qualquer
pessoas menos que seja insensível – fica embevecida com seu encanto misterioso.
A Natureza é dotada de mistério profundo e insondável. Grandioso é o Céu que
contemplamos e ilimitada é a sua extensão. Como se apresenta o centro da Terra?
Qual o número certo de estrelas, o peso exato do globo terrestre, a quantidade das
águas marítimas? Se começarmos a enumerar coisas e fatos, não acabaremos
nunca. A especulação nos deixa abismados com o movimento metódico dos astros,
a formação da noite e do dia, o fenômeno das estações, o sentido esotérico dos 365
dias do ano, a evolução de todas as coisas, o progresso ilimitado da civilização, etc.
Quando surgiu este mundo? Qual a sua extensão? Ele é finito ou infinito? Qual o
limite da população mundial? E o futuro da Terra?
Tudo permanece envolvido em mistério. Tudo caminha silenciosamente, sem a
mínima falha ou atraso, obedecendo a uma ordem determinada.
Ainda nos deparamos com os seguintes problemas: Por que viemos a este mundo e
que papel devemos desempenhar? Até quando poderemos viver? Voltaremos ao
Nada, após a morte, ou existe o desconhecido Mundo Espiritual onde iremos habitar
em paz? As reflexões sobre o assunto nos deixam ainda mais confusos,
permanecendo tudo na obscuridade. Não há outro qualificativo a não ser o que
dizem os bonzos: “A Realidade é um Nada, e o Nada é uma Realidade.”
Vasta, ilimitada e infinita é a existência do mundo. O ser humano, com a pretensão
de desvendar este mundo misterioso, vem empregando todos os meios,
principalmente a pesquisa; apesar de seus esforços, só consegue conhecer uma
pequena parcela dos fenômenos infinitos. Daí atinarmos com a insignificância da
inteligência humana em relação à Natureza. É significativa a expressão “sombrio
vazio”, também citada pelos bonzos. Entretanto, a vaidade humana, em sua tola
presunção, excede-se a ponto de querer subjugar essa mesma Natureza. Sábio é o
homem que, antes de mais nada, procura conhecer a si mesmo, submete-se a ela e
participa das suas graças. (...)
Alicerce do Paraíso, “A respeito do ateísmo” – (06/01/54)

“Quem se orgulha de negar a existência de Deus, é como se estivesse negando


sua própria existência futura.”

(...) Analisando a Natureza sob o aspecto da vida humana e do ambiente que a


rodeia, subsiste um enigma que sobrepuja todos os outros: “Quem construiu este
mundo maravilhoso e o governa à sua vontade?” Ninguém poderá deixar de refletir
sobre o seu Criador, nem sobre o propósito com o qual foi construído um mundo tão
esplendoroso. Procuremos imaginar esse Criador.
Um lar é governado pelo chefe da família; um país, pelo rei ou presidente.
Logicamente, este mundo deve ser dirigido por alguém. E quem poderia ser senão o
Ente conhecido como Deus? Não encontro outra conclusão. Por conseguinte, negar
Deus significa negar o mundo em si mesmo. Tal lógica não permite dúvidas; se
alguma pessoa duvidar, coloca-se num plano de obstinado preconceito. Nesse caso,
assemelha-se aos irracionais: é desprovida de inteligência.
Nossa missão é extirpar do homem essa irracionalidade, transformando-o em
verdadeiro ser pensante, numa verdadeira obra de reforma humana. Até mesmo o
ateu deve convir que a grandiosidade do Universo e a perfeição cósmica só podem
partir de um princípio perfeito: DEUS.
Alicerce do Paraíso, “A respeito do ateísmo” – (06/01/54)

“O destino das pessoas sem fé assemelha-se ao dos aguapés, que vivem


flutuando sobre as águas.”

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que, com a expressão “crentes”,


queremos nos referir aos que professam a nossa religião, e não a praticantes de
outras religiões.
Sem retroceder ao passado, mas observando, de maneira objetiva, as pessoas que
vivem no mundo atual, chegamos à conclusão de que a expressão “pobres ovelhas”,
usada por Cristo, é bem adequada. Pensemos: quantas criaturas vivem realmente
sem qualquer preocupação? Certamente nenhuma. Entre as preocupações que
afligem o homem, a que se poderia colocar em primeiro plano é a doença. Ninguém
sabe quando será acometido por alguma enfermidade. Pode ser que fiquemos
gripados daqui a uma hora; pode ser, inclusive, que a gripe se agrave em pneumonia
ou seja, o início de uma tuberculose. É possível que esta noite tenhamos uma crise
de apendicite e acabemos nos contorcendo em dores agudas, ou que, de uma hora
para outra, venhamos a contrair tifo ou alguma doença de origem desconhecida.
Quem tem filhos, corre o risco de vê-los acometidos por epidemias, como difteria ou
meningite, por exemplo, e em poucos dias ver as suas vidas ceifadas. As pessoas
de idade, por sua vez, podem a qualquer momento viver a tragédia de um derrame
cerebral que lhes paralise metade do corpo, prendendo-as ao leito durante anos a
fio. É possível, também, que algum de nossos familiares contraia uma moléstia
infecto-contagiosa e tenha de ficar internado em isolamento.
Mas as coisas não param aí. Da maneira como são altas as despesas médico-
hospitalares, não se sabe quanto se gastará com tratamentos e internação. Se a
doença for debelada em pouco tempo, ainda bem; todavia, se o tratamento for
prolongado, as economias feitas com sacrifício, ao longo dos anos, serão totalmente
consumidas. Pode mesmo acontecer que, embora recupere a saúde, a pessoa seja
despedida do emprego e termine perambulando pelas ruas. Conseguindo ter a vida
salva, ela ainda pode trabalhar e se reerguer, mas se, por um golpe de azar, ficar
inválida ou acabar falecendo, que acontecerá? Tratando-se de um chefe de família,
como irão sobreviver seus familiares? Ele próprio deixará inacabados seus
empreendimentos ou seu trabalho. Ora, é realmente lamentável que um homem, no
auge da vida, tenha de deixar este mundo; é insuportável ver cortados os laços de
amor e afeto que o unem à esposa e aos filhos. E qual chefe de família poderá
garantir que tal situação não se lhe apresente de um momento para outro? Quando
pensamos em circunstâncias desse tipo, sentimos que o medo com relação às
doenças pesa como chumbo, e continuamente, sobre todas as pessoas, sem
exceção de ninguém.
Se a vida é tão terrível como dizemos, se não podemos nos livrar da intranqüilidade,
é como afirmou Sakyamuni: “Este mundo é um purgatório, um mundo de dor, e o
homem não pode escapar destes quatro sofrimentos: nascimento, doença, velhice e
morte; não há outro jeito a não ser ele se resignar e suportar essas condições. Isso é
o que chamamos Iluminação”.
Diante de semelhante quadro, não haveria salvação maior que o aparecimento de
uma religião capaz de libertar o homem, totalmente, da angústia da doença.
Entretanto, quem ouvir falar pela primeira vez sobre o aparecimento de uma religião
dessa natureza, dirá: “Como pode haver tamanha tolice neste mundo? A cabeça da
pessoa que diz isso não deve estar funcionando bem”. Provavelmente essa pessoa
seria considerada como estando a um passo da loucura. Mas, creiam, apareceu uma
religião com o poder que dissemos. Os leitores poderão duvidar uma vez, duas
vezes, ou até negar. Mas...se souberem que se trata de uma verdade, que farão? O
rebuliço seria tal, que ultrapassaria os moldes de um grande acontecimento,
provocando, sem a menor dúvida, a maior sensação no mundo inteiro. Quem tiver
sorte vai querer fazer uma pesquisa; por outro lado, haverá pessoas que vão rir
diante dos nossos olhos, dizendo que isso não passa de superstição. Tais pessoas
serão companheiras daquelas que se suicidam pulando na cascata Kegon ou no
vulcão do Monte Miharassan; devo dizer que são pessoas realmente infelizes.
Talvez digam que eu estou me vangloriando demais, mas vou falar aqui, de maneira
bem simples, sobre a Fé Messiânica e a doença. As pessoas que tiverem
compreendido a verdadeira natureza da fé através desta religião, ficarão
completamente despreocupadas em relação às enfermidades. E não é só isso.
Esclarecidas sobre a origem da doença, ao invés de temor, sentirão até alegria,
cientes de que ela é uma ação fisiológica natural para aumentar a saúde,
constituindo uma grande bênção de Deus.
Além da doença, existem várias outras causas de infelicidade. Exemplifiquemos. Na
vida moderna temos um estreito relacionamento com os meios de transporte, dos
quais não podemos prescindir; inclusive, dependendo de suas atividades, muitas
pessoas os ocupam a maior parte de sua vida. Como é do conhecimento de todos,
não pode ser menosprezada a preocupação com acidentes e com os danos que
deles decorrem. Além disso, temos os acidentes provocados pelas máquinas, nas
indústrias, os incêndios, os prejuízos causados por assaltantes e, mais raras, porém
sérias, as inundações e os terremotos.
A vida moderna está, portanto, cercada de muitos perigos, como enfermidades ou
desastres, os quais não sabemos quando irão nos atingir. Pensando nisso, não
podemos sentir-nos tranqüilos um instante sequer. Em face dessa situação, os
órgãos governamentais e civis têm tomado medidas de defesa, tal como seguros de
saúde, seguros contra acidentes e desemprego, sistema de poupança e instalações
assistenciais. Entretanto, medidas de ordem material como essas não garantem a
tranqüilidade além de certo limite. Apenas um seguro abstrato, isto é, o seguro
proporcionado por Deus, é que nos pode assegurar a tranqüilidade absoluta. O
homem moderno, no entanto, vive num dilema: vê que as medidas materiais não lhe
proporcionam uma vida tranqüila, mas dificilmente aceita o conceito de força
abstrata ou seguro proporcionado por Deus. Sendo assim, ele não passa de uma
pobre ovelha.
Para nós, que professamos a Fé Messiânica, é realmente insuportável ver a situação
aflitiva e insegura dos descrentes, os quais vivem como ervas flutuantes, sem ter
onde firmar-se. É como se nos dirigíssemos a uma pessoa que tenta controlar um
pequeno barco em alto mar e a convidássemos para embarcar num transatlântico,
mas essa pessoa só ficasse a fitar o seu próprio barco e não conseguisse notar a
existência da embarcação de grande porte. Assim, embora convidemos os
descrentes a ingressarem em nossa Fé, eles não conseguem sair das trevas da
negação.
Admitimos que seja difícil acreditar numa força de salvação tão grandiosa, pois trata-
se de algo inédito na história da humanidade. Contudo, só pelo fato de ter surgido
essa extraordinária salvação, as pessoas devem se conscientizar de que, sem a
menor sombra de dúvida, está bem próximo o advento do Paraíso Terrestre, mundo
absolutamente isento de doença, pobreza e conflito.
Jornal Hikari nº 2, “Teísmo e ateísmo” (20/03/49)
“MAKOTO”

“Ainda que sejamos inábeis ao falar, se as nossas palavras forem ditas com
makoto, terão o poder de mover as pessoas.”

Freqüentemente ouço pessoas dizendo que não conseguem formar novos membros
por não saberem falar. Se as pessoas que sabem falar bem conseguem formar
membros, então é melhor contratarmos comentaristas. (risos) Não são as nossas
palavras, e sim, o nosso makoto que se transmite às pessoas com quem falamos.
Por isso, mesmo falando muito mal a pessoa consegue formar novos membros.
Creio que a maioria é assim. Fico sempre admirado com os chantagistas, que são
bons falantes. A sua conversa é realmente eficaz, por isso, creio eu, eles continuam
chantageando. Ao contrário, as pessoas que não sabem falar bem, procuram
demonstrar seus sentimentos através da ação ou do resultado.
Não devem fingir-se de valentes. O homem deve tornar-se polido. É como afirma o
ditado: “Missô de boa qualidade não apresenta o mau cheiro do missô ”.
Registro das Palavras de Luz vol. 12 – (13/06/49)

“Fé, resumindo numa só palavra, significa makoto.”

Para sabermos se uma pessoa age com makoto ou não, temos um meio muito
simples: ver se ela respeita seus compromissos. Deixar de cumprir os
compromissos, parece – à primeira vista e em certos casos – coisa de pouca
importância. Na verdade, significa enganar, e isso constitui uma espécie de pecado.
Portanto, é assunto que merece a máxima atenção.
Um dos compromissos mais sujeitos a ser desrespeitado é o que se refere ao
horário.
Pensemos no que ocorre quando somos impontuais. A pessoa que nos espera
sujeita-se a todo tipo de aborrecimento e preocupações. Há um ditado que afirma: “É
melhor ser esperado do que esperar”, mas pense de modo contrário. Devemos
considerar o estado de ânimo daquele que nos aguarda. Quem não o leva em conta,
não tem makoto, e isso anula qualquer outra qualidade.
Como instrumentos de Deus, os messiânicos devem cumprir rigorosamente seus
compromissos e respeitar pontualmente os horários. Não serão aprovados na Fé os
que assim não procederem. Gravem isto na mente e jamais se esqueçam desta
advertência.
Alicerce do Paraíso, “Sinceridade” – (28/01/50)

“Makoto é o que mais desejo para este país.”

Praticar o makoto é fazer o bem ao próximo, deixando a si mesmo em segundo


plano. Ou seja, é o pensamento altruísta. É a prática do bem em prol da
Humanidade e da sociedade.
Makoto é o contrário de falsidade. É a Verdade. Entretanto, a pessoa não pode
simplesmente ser sincera. É preciso que ela use a inteligência e se baseie no senso
comum.
Fazer o bem objetivando o seu próprio país ou sua classe social, parece ser boa
ação, mas não é makoto. Analisada minuciosamente, deixa de ser makoto, pois é,
uma ação limitada.
É necessário avaliar a makoto tendo como base o amor à Humanidade.
Revista Tijô-Tengoku nº 4 (25/05/49)

“Nada é tão precioso quanto o makoto, o qual tem o poder de penetrar até
mesmo numa grande rocha de ferro.”

Só o makoto é capaz de resolver os problemas dos indivíduos, do país e do mundo.


A deficiência política resulta da falta de makoto. A pobreza material e a corrupção
moral também têm a mesma origem. Enfim, todos os problemas são gerados pela
falta de makoto. Religião, Educação e Arte que não se alicerçam no makoto, passam
a representar meras formas sem conteúdo.
Homens, a chave de todos os problemas está no makoto.
Alicerce do Paraíso, “Sinceridade” – (25/01/49)

“Makoto é um tesouro inestimável que se acumula no coração das pessoas


que não são falsas, que não mentem.”

Talvez não exista nenhuma palavra que soe tão agradavelmente quanto “simpatia”.
Pensando bem, a simpatia é muito mais importante do que imaginamos, pois tem
muita ralação não só com o destino do indivíduo, mas também com a sociedade. Se
alguém se tornasse simpático graças ao relacionamento com uma pessoa simpática
e isso fosse se propagando continuamente, é óbvio que a sociedade se tornaria
bastante agradável. Por conseguinte, diminuiriam os problemas, principalmente o
conflito e o crime; espiritualmente, criar-se-ia o Paraíso. Não existe meio melhor do
que esse, pois não requer dinheiro, não é trabalhoso e pode ser posto em prática
imediatamente.
Falando, parece muito simples, mas todos sabem que, na realidade, não é tão fácil
assim, pois não basta que a simpatia seja apenas aparente. A verdadeira simpatia
aflora do interior; é indispensável, portanto, que a pessoa tenha makoto, o que
depende de cada um. Em suma, a base da simpatia é o espírito de Amor ao
Próximo.
Vou contar um pouco de minha experiência a esse respeito.
É engraçado eu mesmo falar destas coisas, mas desde pequeno, onde quer que eu
fosse, quase nunca era malquisto ou antipatizado. Pelo contrário, era respeitado e
amado na maioria das vezes. Então, pensando bem, concluí que tenho uma
característica que me parece ser o motivo disso: sempre deixo meus próprios
interesses e minha própria satisfação em segundo plano; procuro fazer, em primeiro
lugar, aquilo que satisfaz aos outros, aquilo que os deixa felizes. Ajo assim não por
razões morais ou religiosas, mas naturalmente. Talvez seja da minha própria
natureza. Em outras palavras, é até uma espécie de “hobby” para mim. Por essa
razão, muitos dizem que tenho uma natureza privilegiada, e é possível que tenha
mesmo.
Depois que me tornei religioso, esse sentimento aumentou ainda mais. Quando vejo
uma pessoa sofrendo por doença, não consigo ficar tranqüilo; tenho vontade de
curá-la a qualquer custo. Então, ministro-lhe Johrei, e ela fica curada e feliz. Ao ver
sua alegria, esta se reflete em mim e eu me sinto feliz também. Por esse motivo,
criei inúmeros problemas no passado e sofri muito. Mesmo quando achava que nada
poderia fazer por uma pessoa e que deveria parar de dar-lhe assistência, a pedido
insistente e até súplicas da própria pessoa e de sua família, eu cedia e continuava
indo visitá-la, ainda que fosse longe. Gastava tempo e dinheiro, e, no final, o
resultado era ruim, desapontando os familiares do doente. Muitas vezes, cheguei até
a ser odiado. Toda vez que isso acontecia, eu me censurava, achando que deveria
tornar-me mais frio.
Como essa minha característica também foi de muita ajuda para a construção do
protótipo do Paraíso Terrestre e do Museu de Belas-Artes, creio que ela me tenha
sido atribuída por Deus. Quando vejo uma magnífica obra de arte ou uma paisagem
maravilhosa, não sinto vontade de apreciá-la sozinho e até fico melindrado; nasce
em mim o desejo de mostrá-las a um grande número de pessoas, para alegrá-las.
Dessa forma, minha maior satisfação é alegrar o próximo, o que me faz ficar alegre
também.
Alicerce do Paraíso, “Pessoa simpática” – (21/04/54)

“Os problemas de um país não são solucionados porque falta makoto àqueles
que o administram.”

Apesar de haver uma estreita relação entre Religião e Política, é estranho que isso
não tenha despertado muito interesse. Na realidade, até o término da Segunda
Guerra Mundial, a Política, longe de apreciar a participação da Religião, vivia
oprimindo-a. Desde a antigüidade este fenômeno se fez notar em vários lugares,
registrando-se não poucos casos da quase extinção de religiões devido à violência
das perseguições. No entanto, por mais que a Religião tente realizar o seu objetivo,
que é a construção de um Mundo Ideal, para incrementar a felicidade do homem,
torna-se evidente que ela jamais atingirá essa meta se a Política não for justa. Sendo
assim, uma Política escrupulosa requer políticos íntegros e, para preencherem essa
condição, os políticos devem ser dotados de religiosidade.
No Japão – desconheço a situação no estrangeiro – um erro no qual os políticos têm
inclinação para incorrer é a corrupção. Pode-se dizer que isso acontece porque eles
são escravos do materialismo, cuja origem está na falta de religiosidade. É desejável
o aparecimento de políticos dotados de espírito religioso, pois só assim poderemos
alimentar esperanças quanto ao futuro, aguardando o bom desenrolar dos destinos
da Nação. No que se refere à construção de um novo Japão, é necessário,
sobretudo, incutir espírito religioso nos políticos, para que seja realizada uma Política
arraigada no senso religioso.
Atualmente o povo vive criticando, e com razão, a degeneração da Política, as
fraudes eleitorais, a prevaricação dos funcionários públicos, a degradação dos
educadores, etc. Os próprios políticos, os órgãos competentes e o povo empenham-
se com unhas e dentes na solução purificadora dos problemas dessa lamacenta
sociedade. Infelizmente, na prevenção do crime, conta-se apenas com a força da
Lei, mas esta não atinge o âmago da questão, pois a causa dos crimes está no
interior do homem, ou seja, na sua alma. Purificar a alma é o método
verdadeiramente eficaz. Estou convicto de que isso só poderá ser conseguido
através de uma Fé verdadeira.
Alicerce do Paraíso, “Religião e política” – (25/01/49)
“Se nos apoiarmos na bengala de makoto, poderemos percorrer facilmente
qualquer caminho.”

Interlocutor: Por favor, ensine-nos a maneira mais eficiente de fazer a difusão


pioneira em locais longínquos.
Meishu-Sama: Não há uma forma especialmente definida. O fundamental é possuir
o makoto. Quem possui maior “makoto”, recebe maior proteção Divina. Como o
espírito atua ativamente, é possível obter melhores resultados. A pessoa jamais deve
se precipitar. Se isso acontecer, a força humana fica por cima e acaba provocando o
efeito contrário. Também, a existência ou não de resultado numa região depende da
atmosfera espiritual clara ou escura do local; isso causa grande influência. Muitas
vezes, depende da linhagem do padroeiro desse local. Depende também da
fervorosa atividade dos antepassados. A pessoa deve empenhar-se ao máximo e
entregar o restante nas mãos de Deus. Na parte de Deus, tudo depende do tempo
certo e da ordem. Em muitos casos é necessário desenvolver a difusão
primeiramente num determinado local, senão será impossível realizá-la em outro.
Muitas vezes o pensamento de Deus difere do pensamento do homem. Como o
homem desconhece isso, quando as coisas não correm bem, logo começa a
precipitar-se. É importante observar-se com atenção esse ponto.
Revista Tijô-Tengoku nº 4 – (25/05/49)

“O makoto das pessoas que não conhecem Deus é mera forma.


Só aqueles que O conhecem, possuem o verdadeiro makoto ”.

Acredito que jamais houve uma época em que a sociedade estivesse tão
deteriorada como hoje. A melhor prova disso evidencia-se no rápido aumento de
crimes, na superlotação de presídios, na grande quantidade de processos por
solucionar, no reduzido número de casos solúveis, etc.
A realidade acima é apenas uma manifestação superficial, ou seja, a ponta de um
“iceberg”. A seguir, vou apresentar a minha experiência.
Naturalmente, faço entrevistas com numerosos fiéis e contacto com pessoas de
vários níveis sociais. Evito o máximo encontrar-me com pessoas que não são
membros da Igreja, mas há ocasiões em que isso é inevitável. Dessa maneira,
passo a conversar com essas pessoas e a ter contacto com suas ações, mas
dificilmente encontro criaturas nas quais posso realmente confiar. Algumas parecem
pessoas de caráter; a maioria, porém, efetivamente não é gente interessante. Sem
qualquer temor, logo começam a proferir mentiras que podem ser desmascaradas na
hora; mesmo durante a entrevista mentem. Como consigo perceber isso, minha
tristeza ao ouvi-las é ilimitada. Seu único intento é enganar-me, para obter dinheiro e
bens materiais. Ultimamente estou fazendo tudo para não me encontrar com esse
tipo de gente.
Parece que essas pessoas pensam que eu sou filhinho de papai. Menosprezam-me
logo de saída. Como eu consigo fugir habilmente, elas ficam assustadas. De fato é
muito engraçado. Muitas vezes, elas ficam arrependidas, por ser uma situação
totalmente imprevista; realmente são imbecis. Tenho vontade de dizer-lhes: “Como
poderei salvar a humanidade sendo enganado por texugos como vocês?” Pensem
bem, se eu fosse muito indulgente, não poderia ser respeitado por várias dezenas de
milhares de pessoas e não haveria razão para conseguir tão grande expansão em
curto espaço de tempo, não é verdade? As pessoas não conseguem ver essa
realidade; só posso considerá-las cegos de olhos abertos.
O número de criaturas como as que eu referi acima é surpreendentemente elevado.
Todavia, os seus métodos são realmente muito hábeis e quase inesgotáveis. Fico
imaginando sempre com pena: “Se elas utilizassem sua inteligência para o Bem,
poderiam obter um grande sucesso”. Pensando um pouco mais profundamente, no
entanto, acho que essas pessoas conseguem ter tal inteligência por se tratar de
ações malignas; sentindo-se incapazes de ações benignas, creio que por isso elas
recorrem ao Mal. Em suma, são pessoas inteligentes apenas superficialmente; na
verdade são tolas.
O interessante é a absoluta diferença entre os membros e os não-membros.
Quando trato com pessoas que não são membros, sinto-me em extremo perigo; com
os membros, ao contrário, sinto-me como se estivesse lidando com meus filhos. É
completamente diferente, como se fosse Deus e Satanás. Com relação a isso,
sempre penso na diferença básica entre ter e não ter fé. Enfim, chego a pensar que,
se não for religiosa, a pessoa não se inclui no rol dos homens.
Assim, devemos formar o maior número de membros, caso contrário, as
perspectivas de futuro para o Japão serão deploráveis demais.
Jornal Hikari nº 47, “Aspecto da atual sociedade” - (28/01/50)

“Ainda que sejamos muito eloqüentes, se as nossas palavras não forem ditas
com makoto, não produzirão nenhum efeito.”

Na Bíblia está escrito: “No princípio era o Verbo. Todas as coisas foram feitas por
ele”. Isso se refere à ação do espírito da palavra. Começarei explicando o significado
fundamental dessa expressão.
A palavra, naturalmente, é constituída e emitida pela ação da voz, da língua, dos
lábios e do maxilar inferior, mas a origem dessa emissão, não resta dúvida, é o
pensamento, que se manifesta em forma de palavras. O pensamento é a
manifestação da vontade. Suponhamos que surja no homem alguma vontade. Para
manifestá-la através de palavras, o pensamento entra em ação. Naturalmente, na
ação do pensamento ocorre o discernimento do correto e do incorreto, do bem e do
mal, do sucesso e do insucesso, etc. O conjunto disso é a inteligência, e sua
manifestação é o espírito da palavra; a materialização do espírito da palavra é a
ação. Baseados nesse princípio, não estaremos equivocados se dissermos que
existem três níveis: pensamento, espírito da palavra e ação. Assim, o pensamento
está ligado ao Mundo Espiritual; o espírito da palavra, ao Mundo do Espírito da
Palavra; a ação, ao Mundo Material. Isto é, o espírito da palavra fica entre o oculto e
o manifesto. Pode-se dizer que ele é mediador entre o pensamento e a ação.
Através disso, poderão compreender quão importante é o seu papel.
O espírito da palavra é semelhante a uma marionete: a manifestação da alma ou do
espírito fica à sua mercê. Irritar as pessoas ou fazê-las rir, preocupá-las ou
tranqüilizá-las, entristecê-las ou alegrá-las, provocar conflitos ou paz, obter sucesso
ou insucesso, tudo depende do espírito da palavra. Usá-lo de forma leviana é muito
perigoso.
Por outro lado, apenas manejar habilmente o espírito da palavra, não passaria de
uma simples técnica. A pessoa se assemelharia a um humorista, comediante ou
comentarista. Se na base do espírito da palavra não houver força para a
manifestação de um grande poder, não há qualquer sentido. Mas, tratando-se de
força, existe a benigna e a maligna. Ou seja, o espírito das palavras malignas
constitui pecado, e o espírito das palavras benignas constitui virtude. Assim, o
homem deve se esforçar para usar o espírito das palavras benignas. Nestas,
evidentemente, o fundamental é o “makoto”, que se origina de Deus. Portanto, não
há outro recurso senão reconhecer a existência de Deus. Se a pessoa não for
religiosa, não conseguirá manifestar o verdadeiro makoto, e por isso não se
manifestará a força benigna no espírito da palavra.
“A respeito do espírito da palavra” – (1950)

“O único poder que constrói um mundo de paz, é o makoto.”

O amor à pátria parece ser comum a todos os povos. Talvez não exista um só país
que não o adote como regra de ouro e máxima do civismo. No Japão também, até o
fim da guerra, um forte sentimento de amor à pátria tomava conta de toda a
população. Uma das causas, naturalmente, era o regime imperialista, em que o
Imperador era o símbolo do povo, adorado como encarnação de Deus. O fato está
nitidamente gravado em nossa memória.
É óbvio que o respeito e a crença na eternidade da família imperial criaram esse
sentimento no povo e que certo grupo de ambiciosos e de governantes exerceu
enorme influência sobre o ensino e a propaganda, fazendo com que tudo saísse a
seu favor. Como resultado, construiu-se uma nação singular, como jamais se viu
outra igual. Considerando-se um país Divino, o Japão acabou caindo na auto-
satisfação, fez-se de “filhinho mimado”, sem ao menos ser tão rico assim.
Habilmente, os escolásticos insuflaram esse complexo de superioridade em termos
lógicos e históricos, o que foi desastroso. Assim, o sentimento de lealdade e
patriotismo assolou o país inteiro, e o povo acabou por achar muito normal fazer
qualquer coisa em prol da nação e do Imperador, até mesmo sacrificar a própria
vida. Isto era considerado o mais elevado ato moral.
Com a perda da guerra, o orgulho dos japoneses voou longe e, ao contrário, até
nasceu neles um sentimento de inferioridade. Nessa ocasião, houve uma declaração
do Imperador que deixou o povo perplexo: “Eu não sou Deus, sou um homem”.
Surgiu, então, a nova Constituição, que dizia estar o poder político nas mãos do
povo. Dessa forma, o Japão se tornou uma nação democrática. Foi realmente um
acontecimento inédito desde o começo de sua existência histórica. Além disso, a
mudança de posição do Imperador, que antes se colocava na posição de Deus,
determinou que, à exceção dos intelectuais, o futuro da grande massa popular, já
sem razão de existência, ficasse totalmente obscuro. E todos sabem que o povo
acabou por perder o rumo, situação que continua até os dias de hoje.
A propósito, houve um fato muito engraçado. Logo após o término da guerra, todas
as pessoas que se encontravam comigo diziam, com expressão desapontada: “O
“vento Divino” acabou não soprando, não é?” Então eu respondia: “Não digam
tolices. O “vento Divino” soprou, mas vocês o estavam interpretando erradamente.
Em verdade, a Vontade de Deus é ajudar o Bem e castigar o Mal. Já que o Japão é
que estava errado, é natural que tenha perdido a guerra. Portanto, ao invés de nos
lamentarmos, deveríamos agradecer e até comemorar. Como não podemos fazer
isso, temos de ficar quietos, mas virá o dia em que todos compreenderão a
verdade”. Ouvindo essas palavras, as pessoas diziam: “Entendi perfeitamente”, e
voltavam alegres para suas casas.
Através desse fato, podemos ver que os japoneses deixavam em segundo plano o
que é bom e o que é mau, quando se tratava de assuntos relativos à Nação.
Pensando apenas no seu próprio bem, chegaram até a criar e propagar o “slogan”
“Hakko iti u” (o mundo sob a égide do Japão) e a julgar que, se o seu país estivesse
bem, pouco importavam os outros países. Isso foi considerado lealdade e
patriotismo, e assim os japoneses vieram avançando como cavalos refreados a
cabresto. Desde essa época, portanto, estava sendo plantada a semente terrível da
catástrofe.
Quando pensamos em tudo isso, compreendemos que o amor à pátria deve estar de
acordo com a época. Além do mais, se não for com base no conceito do Bem e do
Mal, do certo e do errado, é impossível formar um plano a longo prazo, em termos
nacionais. Sendo assim, vou mostrar o sentimento de amor à pátria que está de
acordo com a era vindoura.
Em termos mais claros, o fundamental é tornar “Daijo” o pensamento do Japão, que
até então era “Shojo”. Sintetizando: criar o amor internacional, o amor humanitário,
isto é, amar o mundo por amar o Japão. Atualmente, tudo está se tornando universal
e internacional, e as aspirações independentes e transcendentais já se tornaram
sonho do passado. Conseqüentemente, em termos concretos, o amor à pátria, daqui
para frente, deve consistir, antes de mais nada, em tornar segura a vida de nossos
irmãos – noventa milhões de pessoas – e fazer do Japão uma nação justa, baseada
na moral, merecedora do respeito do mundo inteiro. A propósito, existe o problema
do rearmamento, que está em ativa discussão. As teses favoráveis e contrárias
acham-se em confronto há algum tempo e não se obtém nenhuma solução.
Entretanto, acho que não é um problema tão difícil assim. Encarando-o como um
problema real, logo compreenderemos a solução adequada, ou seja, abandonar o
rearmamento se houver garantia de que não há absolutamente nenhum país que
possa invadir o Japão; caso contrário, fazer uma defesa de acordo com a
capacidade do país.
Alicerce do Paraíso, “Novo conceito de amor à Pátria” – (03/12/52)
“Com a bengala de makoto, poderemos caminhar até mesmo num mundo
cheio de preocupações e sofrimentos.”

É necessário que a Tie Shokaku (Inteligência da Percepção Verdadeira) atue e, para


isso, tudo dependerá das toxinas que a pessoa possui na cabeça, e das suas
condições psicológicas. Se houver um mínimo de pensamento impuro ou má
intenção, a inteligência ficará nublada e não poderá atuar. Se no pensamento da
pessoa não houver impurezas, e sim o desejo de se empenhar realmente pelo bem
do mundo e dos homens, a inteligência atuará. É por esse motivo que o homem de
maus pensamentos, infalivelmente, fracassa.
Coletânea de Ensinamentos vol. 26 – (05/09/53)

“Seja qual for o sofrimento que a pessoa enfrente, se ela caminhar baseada
apenas no makoto, jamais vacilará.”

Interlocutor: Fui atingido pelo infortúnio da guerra, em Tóquio, e atualmente estou


residindo em outro local. Embora eu tenha o ardente desejo de trabalhar bastante
para o Caminho da Salvação, embora suporte os seguidos sofrimentos materiais e
espirituais, não consigo dedicar como gostaria. Qual será o motivo?
Meishu-Sama: É porque você possui muitas máculas e, também, porque tem uma
grande missão. Quem tem maior missão, precisa um polimento maior. Por esse
motivo, quando a pessoa tem fé, mesmo tendo purificações difíceis, Deus sempre
manifesta milagres e algo de bom, para que ela seja capaz de suportar as
purificações sem perder as esperanças. Basta que a fé não se abale para que as
coisas comecem a melhorar gradativamente, sem que seja preciso sofrer tanto.
Conseqüentemente, devemos entender que se trata de um sofrimento para
melhorar.
Revista Tijô-Tengoku nº 2 – (01/03/49)
AMOR AO PRÓXIMO

“Nobre é o homem que, desejando o bem do próximo, coloca-se em segundo


plano.”

Certa ocasião, uma senhora me disse: “Tenho a impressão de que, ao morrer, irei
para o Inferno, mas quero ir para o Paraíso.”
Respondi-lhe: “Não me importa cair no Inferno. Desde que, antes, eu consiga levar
todas as pessoas do mundo para o Paraíso. Se, mesmo assim, eu for para o Inferno,
não tem importância. Penso o contrário da senhora”.
Aí, ela falou: “O senhor pensa assim, porque é homem. Mulher é diferente.”
Há uma diferença radical entre não querer ir para o Inferno, mas para o Paraíso, e
querer que as pessoas subam ao Paraíso, ainda que se desça ao Inferno. Na
verdade, quem pensa em conduzir as pessoas ao Paraíso, também irá para lá.
Quem deseja ir para o Paraíso, acredito que não irá para o Inferno, mas ficará no
nível inferior do Mundo Superior ou no Mundo Intermediário.
Coletânea de Ensinamentos vol. 23 – (27/06/53)
“Meu único empenho é concretizar aquilo a que a humanidade aspira.”

Eu, também, tenho vários sofrimentos. Acho isso muito natural, porque meu trabalho
é desbravar o mundo das trevas, em que Satanás e Daiba estão agindo à solta. É
como se eu estivesse rodeado por uma cerca de lanças representadas pela inveja,
pela perseguição, pelos mal-entendidos, pela má fama, etc. Como preciso romper
esta cerca e pouco a pouco vou expandindo o Paraíso neste mundo infernal, as
dificuldades que encontro estão além da imaginação. Mas estou seguro de que
meus sofrimentos não são maiores, como poderia parecer a quem está de fora,
porque tenho a grandiosa proteção de Deus. Eu próprio me considero a pessoa mais
feliz deste mundo e julgo-me dono de um destino muito misterioso, motivo pelo qual
sempre vivo agradecido.
Tenho, porém, sofrimentos que as pessoas desconhecem. Passarei a escrever sobre
o maior deles. É justamente o que se refere à medicina moderna, cujos erros
durante muito tempo vim apontando através da palavra escrita e oral. Entretanto,
para dizer a verdade, até agora não pude colocar a questão a nu. Sempre procurei
ter o cuidado de abrandar ao máximo as minhas palavras, a fim de evitar choques,
pois receava que, se expusesse toda a verdade, o resultado fosse desastroso. Além
disso, mesmo que eu quisesse falar abertamente, havia uma terminante proibição de
Deus nesse sentido, obrigando-me a esperar até o momento certo. Deus me fez
profundas revelações sobre a saúde e a doença do homem. Não fosse assim, eu
não poderia afirmar algo de tamanha grandeza: a construção de um mundo sem
doenças. Se falo claramente, é porque tenho absoluta convicção do que estou
dizendo.
Por essas razões, a solução do problema da doença constitui a base fundamental
para eliminar o sofrimento e a angústia da humanidade. Entretanto, analisando a
situação em que esta se encontra, devo dizer que é demasiado trágica. E eu, que
vejo tal situação, sofro de maneira quase insuportável, porque Deus ainda não me
permitiu divulgar a verdadeira solução do problema. É como se me encontrasse
prensado entre duas tábuas. Não consigo, portanto, disfarçar o meu estado de
espírito, a minha ânsia de que chegue o mais breve possível o tempo de divulgar a
Verdade.
Jornal Kyussei nº 65, “Um sofrimento” – (03/06/50)

“A felicidade que sentimos quando fazemos outras pessoas felizes é uma


felicidade inigualável.”

Conforme já expliquei, o destino e até mesmo a vida e a morte são determinados


pelos desígnios de Deus. A letra que forma a palavra “mei” (desígnio), a qual
também figura em “seimei” (vida) é a mesma de “meirei” (ordem). A morte é o
cancelamento da ordem de Deus. A ordem é cancelada porque o indivíduo está
causando danos ao mundo, perdendo o valor da sua existência. Assim, o homem
precisa lutar para a sua ordem não ser cancelada, para ser amado por Deus e para
tornar-se útil à sociedade, caso contrário não poderá ter vida longa e feliz.
Quanto mais perto do nível superior das camadas do Mundo Espiritual, menor é o
sofrimento com doença, pobreza e conflito. Os espíritos gozam de saúde vigorosa,
são afortunados, suas vestimentas, alimentos e moradias são soberbos. Como eles
levam uma vida alegre, a felicidade do Yukon aí posicionado é transmitida
diretamente ao homem, no Mundo Material, por meio do elo espiritual, tornando-o
feliz. Ao contrário, o Yukon que se encontra nas camadas inferiores do Mundo
Espiritual reflete-se no homem, através do elo espiritual, e ele leva uma vida infernal,
passa a vida toda infeliz.
Existem pessoas que se interessam pela fisiognomonia e pelos pontos cardeais de
uma casa, mas quem se encontra no nível superior das camadas do Mundo
Espiritual, quando vai se mudar ou construir uma moradia, muda-se naturalmente
para uma que esteja bem localizada e tenha bom aspecto. Ao contrário, se a pessoa
está no nível inferior das camadas do Mundo Espiritual, por mais que se esforce,
muda-se para uma casa mal localizada e de mau aspecto. Também no que se refere
a casamento, a boa ou má afinidade deve-se ao mesmo princípio, a Lei da
Identidade Espírito-Matéria. Portanto, ninguém pode se rebelar contra essa força
absoluta.
Agora darei uma breve explicação sobre predestino e destino. O predestino é
determinado desde o nascimento, sendo limitado a um dos três planos do Mundo
Espiritual – Superior, Intermediário e Inferior –, e é impossível ultrapassar esse limite.
O destino depende do esforço feito para se atingir o nível mais alto ou o nível mais
baixo do plano predestinado. Portanto, em relação à imutabilidade do predestino, o
destino concede uma certa liberdade.
O homem deve sempre acumular virtudes, diminuindo os seus pecados, para que o
seu Yukon se eleve a camadas cada vez mais altas do Mundo Espiritual. Não existe
outro caminho, além desse, para o homem se tornar feliz.
Coletânea Série Jikan vol. 3, “Camadas do Mundo Espiritual” – (25/08/49)

“Se você deseja corresponder à Vontade de Deus, torne-se uma pessoa que
deseja a felicidade do próximo.”

É preciso ter pleno conhecimento de que existem dois tipos de amor: o amor Shojo
(restrito) e o amor Daijo (amplo). O exemplo mais extremo de amor Shojo é o amor
próprio; em seguida, por ordem, o amor entre os familiares, os amigos, a
comunidade, as classes, o amor pela pátria e o amor pelo povo. Todos esses tipos
de amor são amor Shojo. Por mais ardentes que sejam, acabam constituindo um
mal, pois dão origem a conflitos. Então o que é o amor Daijo? É o amor à
humanidade, o amor ao mundo, o amor de Deus. De acordo com esse princípio, o
amor Shojo é um amor limitado; conseqüentemente, por mais que se preguem
esplêndidas teorias, ele representa um perigo. A causa das guerras está nesse amor.
Para erradicar totalmente a guerra, torna-se necessário que o amor ao mundo se
espalhe por toda a humanidade, tornando-se um ideal comum. Não existe outro
meio além desse para eliminar completamente a guerra.
Com base no argumento acima, é preciso saber que o princípio de todos os conflitos
está no amor Shojo. E uma coisa incompreensível é que mesmo as religiões que
pregam o amor, infalivelmente possuem conflitos internos. Hoje em dia não existem
conflitos religiosos tão grandes assim, mas as Cruzadas da antiga Europa, entre
outros movimentos, fizeram guerras religiosas. Mesmo no Japão, existiam,
antigamente, os chamados monges soldados. Os bonzos pegavam nas armas e
guerreavam, e isso também está claro na História.
Sendo assim, a religião que está em conflito perde rapidamente sua qualificação
como entidade religiosa. Nesse sentido, caso se trate de uma religião verdadeira, ela
deve pregar o amor ao mundo e, ao mesmo tempo, transformá-lo em prática; esse é
o procedimento de uma religião Daijo. A nossa Igreja Messiânica Mundial tem como
base o amor Daijo e promove a salvação da humanidade, por isso recebe o nome de
Mundial.
Jornal Eiko nº 166, “Amor Daijo” – (23/07/52)
“Quando a pessoa que só pensa em si mesma purifica o seu coração e passa a
orar pelo bem do próximo, esse sentimento comunica-se com Deus.”

(Nidai-Sama)

(...)Se alguém diz a si mesmo, após filiar-se à Igreja: “Agora eu compreendo como é
maravilhoso poder participar da Obra Divina. Há tantas pessoas sofrendo
infernalmente com tantos problemas! Preciso ajudar tantas quantas for possível”,
naturalmente, o Johrei dessa pessoa torna-se poderoso e dá bons resultados. Se a
pessoa diz: “É bom eu receber tantas graças nesta Religião e estar protegido. Isso é
o que eu queria”, o Johrei ministrado por ela não será forte e, conseqüentemente,
não será tão atuante.
Outro ponto referente ao Johrei é que uma pessoa de vontade firme, de caráter
obstinado, pode ministrar um Johrei muito eficaz. Obviamente, esta é uma condição
inerente à pessoa. O principal fator, no entanto, é o makoto do fiel. Quem sente
necessidade de ajudar uma pessoa que está sofrendo, porque não pode vê-la sofrer
sozinha, ministrará um Johrei mais eficaz. Se alguém ministra Johrei por motivos
egoístas, como: “Se eu puder ajudá-lo, quem sabe ele me recompensará”, “Poderei
melhorar de posição” ou “Terei mais influência”, certamente seu Johrei não será tão
atuante, embora apresente resultados. Além do mais, o Johrei atua na exata
proporção do sentimento do messiânico que está servindo como canal. A pessoa
cujo sentimento está em harmonia com a Vontade de Deus recebe d'Ele maiores
bênçãos, e a Luz que transmite é mais intensa. A Luz Divina que alcança cada fiel
através do elo espiritual é sempre a mesma; todavia, canalizada através do corpo
humano, ela manifesta uma diferença de força, de acordo com o sentimento de cada
indivíduo. Poderemos entender melhor se atentarmos para o fato de que a água
limpa, ao correr por um local poluído, fica suja, mas se passar por um lugar limpo,
não tem por que se sujar. (...)
Registro das Palavras de Luz vol. 13 (23/07/49)

“Meu coração fica radiante por eu estar servindo unicamente ao bem do


próximo e do mundo.”

De acordo com o senso comum, não há dúvidas de que servir em prol do bem-estar
social e fazer feliz o próximo são boas ações. Por conseguinte, deveria ser próprio
da natureza humana apoiá-las e ter vontade de Servir; entretanto, por incrível que
pareça, freqüentemente vejo pessoas agirem friamente com referência a essa
questão. Parece que não se interessam por aquilo que não lhes diz respeito, nem
pelo bem da sociedade. Para elas, estas coisas só as fazem perder tempo; em tudo,
o que importa mesmo são elas próprias; se tiverem lucros, está ótimo. Acham que
agir assim é que é ser inteligente, pois, de outro modo, é impossível ganhar dinheiro
ou subir na vida. De fato, o mundo é engraçado, porque pessoas desse tipo é que
são tidas como espertas.
Criaturas assim pensam de forma calculada e materialista quando deparam com
qualquer sofrimento. No caso de ficarem doentes, por exemplo, basta-lhes consultar
um médico; em assuntos complicados, basta-lhes pedir ajuda à Lei; a quem não lhes
obedece, bastam carões ou castigos. Dessa forma, simplesmente acomodam os
problemas. Como acham que, se estiverem bem, não importa como estejam os
outros, procuram comodidade apenas para si. Ora, por não pensarem também no
próximo, não são merecedoras de estima nem de consideração. Os que se juntam à
sua volta são interesseiros, e por isso, quando a situação começa a piorar, todos se
afastam. É natural que, justamente para tais pessoas, problemas e sofrimentos
sejam uma constante. Quando tudo principia a correr mal e fracassar, elas se
afobam, tentando recuperar-se com suas próprias forças; forçam a situação que já
estava forçada e, assim, acabam num estado calamitoso, nunca mais voltando ao
que eram antes.
Exemplos como esses são muito freqüentes na sociedade. Obviamente, tais
pessoas não querem nem ouvir falar em Fé. Acham que Deus não existe, que tudo
não passa de superstição, ou que Deus existe dentro de cada um. Além de se
jactarem de também serem deuses, dizem que gastar tempo e dinheiro com
semelhantes coisas é a maior tolice que existe. Acham que a Fé não passa de
consolo mental para covardes ou passatempo de quem não tem nada a fazer.
Consideramos tais pessoas insensíveis em relação à Fé.
Alicerce do Paraíso, “Insensibilidade em relação à Fé” – (08/04/50)

“É dever de todo ser humano trabalhar pela felicidade e pela paz neste
mundo.”

(Nidai-Sama)

Publicamos, outro dia, nesta mesma coluna, um artigo sobre a lógica na Fé, e eu
acredito que o tenham compreendido. Recentemente, porém, como um dirigente de
Igreja fez uma nova pergunta relacionada ao assunto, volto a escrever sobre esse
tema.
O caso refere-se a uma senhora que ingressou na Fé há dois anos. Ela se tornou
messiânica por causa do problema do marido, que estava com infiltração pulmonar.
Em fevereiro deste ano, seu filho de dois anos de idade contraiu pneumonia. Vindo
pedir orientação ao dirigente de um Templo-filial, este lhe disse que curaria o
menino, no qual passou a ministrar Johrei com fervor. Mas não houve melhora, e a
criança chegou a correr risco de vida. Assim, dias atrás, ele me telefonou, fazendo
pedido de graça. Depois disso, a criança melhorou bastante, mas a mãe, ainda
preocupada, recorreu ao dirigente da Igreja, querendo saber como agir; então, ele
veio me procurar, trazendo consigo a mãe e a criança.
Minha orientação foi a seguinte:
Uma doença simples como a pneumonia não deveria durar tanto tempo assim.
Infalivelmente, devia existir algum ponto errado. Foram duas as causas. Uma delas
constituía um grande erro, mas, como se trata de algo particular, vamos deixar em
sigilo. A outra era ainda mais importante. Desejando que o dirigente da Igreja
também ouvisse, expliquei-lhes detalhadamente.
Como os pais tinham se tornado membros há um ou dois anos, deveriam ter
ministrado Johrei no filho, acometido de uma simples pneumonia; assim, ele poderia
ter-se restabelecido satisfatoriamente. No entanto, os pais cometeram um erro. Nem
sequer ministraram-lhe Johrei direito, incomodando o dirigente do Templo-filial, o que
está fora da lógica. E o dirigente também, por sua vez, foi ministrar Johrei no menino
de vez em quando; portanto, as duas partes estavam completamente erradas.
A função do dirigente do Templo-filial é manter contato com as pessoas não-
membros, pois aquelas que já são membros têm permissão de Deus para realizar a
cura de doenças. Assim, quando se trata de doenças entre os familiares, os próprios
membros da família é que devem ministrar Johrei. Recorrer ao dirigente do Templo-
filial significa atrapalhar a sua atividade. Por outro lado, o dirigente deveria ter
orientado os membros nesse sentido; só posso imaginar que ele estivesse realmente
no mundo da Lua, pelo fato de não conseguir perceber isso. Entretanto, em casos
especiais, pedindo permissão a Deus, ele pode ministrar Johrei moderadamente.
Em suma, naquele caso, nada estava de acordo com a lógica, por isso não se pôde
receber graças. Os diretores, ministros, dirigentes de Igrejas e dos Templos-filiais,
cada qual, discernindo bem sobre o seu nível e a sua responsabilidade, deve tomar
cuidado para não fugir da lógica. Nesse sentido, caso eles se esforcem, dia a dia, na
leitura dos Ensinamentos e mantenham sempre polida a Inteligência da Percepção
Verdadeira, poderão perceber essas coisas em qualquer situação. Também, não
podemos nos esquecer de fazer distinção entre Daijo e Shojo.
Todas as coisas devem estar relacionadas, em primeiro lugar, ao desenvolvimento
da Obra Divina, e em segundo ou terceiro plano, aos assuntos particulares; assim,
tudo correrá favoravelmente. Pensando no interesse geral e com base na lógica,
poderemos receber muitas graças; porém, se perturbarmos a Obra Divina um pouco
que seja, é natural que as coisas não transcorram conforme o nosso desejo.
Salvar toda a humanidade é um trabalho imenso, e além do mais, Deus está com
bastante pressa. Portanto, é preciso que reflitam sobre isso.
Jornal Eiko nº 213, “A respeito da lógica na Fé” – (17/06/53)
“Quem ama a vida e ajuda o próximo, será amado e protegido por Deus onde
quer que esteja.”

Ao entrar em determinadas casas, temos uma sensação de frieza e de tristeza. Isso


é causado pela falta de amor do chefe da família, isto é, pela sua frieza de
sentimentos: “Basta que eu esteja bem, os outros que se danem”. Em suma, ele é
um animal de sangue frio, por isso sua casa é fria. O mesmo acontece com o
homem. Quando encontramos determinada pessoa, não sabemos por quê, sentimos
que ela é fria ou então calorosa. Isso é devido ao seu espírito; é a sensação
provocada pelo espírito dessa pessoa. Se a sensação for calorosa, significa que a
pessoa tem muito amor. Tudo é assim. Mesmo em se tratando de unidades
religiosas que se desenvolvem e outras que não vão adiante, a causa fundamental
está nesse ponto. O fato da pessoa ter amplo ou forte amor, significa que ela possui
maior Luz. O homem, por natureza, se aproxima da Luz, sentindo atração por ela.
Assim, inevitavelmente, ele tende a se voltar sempre para o local onde há calor. Não
saber falar bem, local ruim, casa apertada, etc., tudo isso influi de certa forma, mas
não é a causa fundamental. O essencial é o dirigente da unidade religiosa ter amor
intenso para atrair as pessoas. Por isso, é interessante analisar esse assunto sob o
ponto de vista do espírito da palavra. O Sol é fogo, portanto, é calor; diz-se também
calor do fogo. Ao contrário, a Lua, conforme está escrito em meus livros, é fria, por
ser gelo.
Coletânea de Ensinamentos vol. 26 – (16/09/53)
“Quando vejo alguém se empenhando pelo bem do próximo e do mundo, tenho
a sensação de estar vendo um diamante entre o cascalho.”

Quando um fiel da nossa Igreja se esforça e, através do Johrei e do espírito da


palavra, consegue formar um novo membro, ele sente-se aliviado. Na verdade, isso
não passa de conduzir alguém e fazê-lo ultrapassar o portão da casa, o que não dá
tranqüilidade suficiente. Se a pessoa não for conduzida à sala e não lhe forem
mostrados os locais importantes da casa, não podemos dizer que ela se tornou um
verdadeiro membro. Quem tem experiência sabe muito bem, mas há um ponto que
eu desejo ressaltar. Se alguém possui capacidade para formar um membro convicto,
formar cem membros não é uma tarefa muito difícil. E se cada um desses cem
membros formar cem novos membros, o aumento se dará em progressão
geométrica e, obviamente, esse número se elevará de forma espantosa.
Falando assim, poderão achar que nem tudo transcorre de forma tão acelerada. Mas
isso é porque se raciocina através dos padrões das religiões existentes até hoje. A
nossa Igreja Messiânica Mundial é totalmente diferente. Sendo uma religião tão
elevada, ela não pode ser compara da com as outras. Especialmente, o resultado da
cura das doenças através do Johrei é tão maravilhoso, que é difícil acreditar. Esse
fato se torna compreensível quando se tem contato com a nossa Igreja. Realmente,
existem diversas formas de cura das doenças através das religiões, mas elas se
baseiam em graças obtidas indiretamente, através das divindades e da própria força
humana. E mesmo essas divindades, por possuírem qualificação abaixo da segunda
classe, não podem manifestar uma força acima de certo limite. Como a divindade
orientadora da nossa Igreja é o Supremo Deus, a força que se manifesta é absoluta.
Isso se evidencia pelo fato de que, enquanto as outras religiões constroem seus
próprios hospitais, a nossa não o faz.
Na nossa religião, não só praticamente inexistem dogmas ou práticas estabelecidas
há milhares de anos, como também se têm apontado as falhas desses dogmas e
práticas. Dessa forma, tudo é moderno e, ao contrário das demais religiões, que
demonstram indiferença em relação à cultura científica, a nossa faz-lhe muitas
críticas e tem demonstrado um alto nível cultural. Caso existam pessoas que criticam
a nossa Igreja por esse ou outro motivo, é porque não tiveram contato com ela. O
que é também inimitável na Igreja Messiânica Mundial é a sua peculiaridade de
manifestar milagres tão numerosos e grandiosos, que chegamos a ser confundidos
com os demagogos. Além do mais, esses milagres se manifestam de forma
constante, apresentando resultados admiráveis. Isso despertou a atenção não só
daqueles que se interessam por Religião, mas também de outras pessoas.
Embora a nossa Igreja seja uma entidade religiosa, a Religião representa somente
uma parte dela. Mesmo numa rápida análise, vemos que ela manifesta resultados
maravilhosos, principalmente no campo da Medicina, da Agricultura e da Arte.
Obviamente, no futuro, pretendo realizar atividades extraordinárias em outras áreas
culturais. Em suma, vamos substituir a cultura infernal, errônea, pela verdadeira
cultura, paradisíaca. Sendo a Igreja Messiânica Mundial uma religião que possui tal
capacidade, não será impossível uma pessoa poder salvar outras cem.
Jornal Eiko nº 192 – (21/01/53)
EDUCAÇÃO

“A verdadeira Educação é aquela que ensina o princípio de que o Bem leva o


homem à felicidade, e o Mal leva-o à desgraça.”

(...) Quanto à Educação, também está muito distante do verdadeiro caminho. Seu
real objetivo é tornar homens íntegros, isto é, homens que façam da justiça o seu
código de Fé e se esforcem para aumentar o bem-estar social, contribuindo para o
progresso e a elevação da cultura. Na situação atual, porém, até mesmo os que se
formam nas melhores escolas superiores praticam crimes e outras ações que
prejudicam a sociedade. Urge fazer algo para modificar essas condições.
O maior erro da Educação é ser totalmente materialista. Estamos cansados de dizer
que, se ela não evoluir juntamente com o espiritualismo, não lhe será possível nem
mesmo sonhar em atingir seu verdadeiro objetivo. Entretanto, como esse erro vem
de longa data, estamos conscientes de que enfrentaremos muitas dificuldades se
tentarmos eliminá-lo bruscamente.
O ideal espiritualista é fazer reconhecer a existência do espírito, o que significa fazer
reconhecer a existência de Deus. Sem isso, o espiritualismo não teria fundamento.
Naturalmente, a Religião encarregou-se disso até hoje, mas não obteve resultado
visível, porque não havia uma religião com força suficiente para tanto. Nasceu,
então, a nossa Igreja, dotada de força para fazer com que todos reconheçam o
espiritualismo e com que a Religião e a Ciência caminhem lado a lado. Dessa forma,
nascerá um mundo de eterna paz, onde todos poderão viver uma vida celestial. Se o
progresso da cultura, por maior que ele seja, não promove, paralelamente, o
aumento da felicidade, a culpa cabe ao próprio homem, que ficou preso apenas à
cultura material. A humanidade precisa perceber isso o quanto antes.
No que concerne à Política, a situação também é calamitosa. Tomarei por base
exclusivamente a política japonesa, que, mesmo sob domínio estrangeiro, é assaz
medíocre. Sendo ela materialista, seu conteúdo torna-se mais medíocre ainda.
Podemos afirmar que não existem muitos políticos de visão ampla e que a maioria
se restringe às tarefas do dia-a-dia. Isso acontece porque seus espíritos estão
maculados, de modo que, embora sejam políticos, eles não conseguirão, de maneira
alguma, manter um desempenho desejável se não tiverem por base a Fé. Como as
religiões tradicionais não têm força suficiente para modificá-los, a única solução é o
aparecimento de uma religião nova e poderosa.
Alicerce do Paraíso, “Religião, Educação e Política” – (27/08/49)

“Quão medíocre é o ensino que instrui apenas materialmente, deixando as


pessoas permanecerem cegas de espírito!”

(...) Eis a missão da Religião. Mas é estranho que, quanto mais elevada é a
educação que se recebe, mais se despreza a Religião. Por quê? Talvez seja esta a
grande falha da civilização. A causa está no caráter animalesco existente no interior
dos homens, o qual recusa a Religião. Ou seja, é porque o Mal não gosta do Bem.
Daí podermos dizer que a Educação da atualidade forma as “inteligências” do Mal.
Entretanto, chegou a hora em que tal coisa não mais será permitida, porque surgiu a
Igreja Messiânica Mundial, que prova a existência de Deus e consegue fazer com
que as pessoas O alcancem. Talvez achem impossível algo tão maravilhoso, mas,
na realidade, pode-se conseguir isso sem nenhuma dificuldade. Pelo simples contato
com a nossa Igreja, a pessoa obtém a certeza da existência de Deus, através do
milagre. A melhor prova do que dizemos são as inúmeras bênçãos maravilhosas
manifestadas por ela. Creio que isso representa a manifestação da Grandiosa
Providência de Deus, que finalmente corrigirá essa civilização falha, semicivilizada e
semi-selvagem, fazendo com que espírito e matéria caminhem lado a lado, para a
construção do verdadeiro mundo civilizado.
Alicerce do Paraíso, “A época semicivilizada e semi-selvagem” – (14/04/54)
“Este mundo está tão consolidado na instrução materialista, que não percebe a
eternidade da vida.”

(Nidai-Sama)

Falarei a respeito dos males sociais, que, atualmente, constituem o maior problema
do Japão. Antes, porém, é necessário analisarmos o método que os intelectuais e os
governantes empregam para evitá-los.
Os males sociais estão sendo controlados de forma cada vez mais rigorosa, através
de leis e regulamentos, mas, como essas medidas não atingem o ponto vital do
problema, os homens maus só pensam nos meios de livrar-se delas habilmente. Se
encontram alguma brecha, logo tentam aproveitar-se, de modo que as autoridades
se esforçam por não lhes dar oportunidades, tornando as leis e os regulamentos
cada vez mais rigorosos. É realmente uma competição entre a inteligência do Bem e
a inteligência do Mal.
Geralmente pensamos que os violadores das leis são os criminosos, os
delinqüentes, os chefes de bandos, etc. Na realidade, o problema não envolve
apenas as pessoas das classes inferiores; ele vem de cima, começando por
ministros, políticos, deputados e funcionários públicos, e atingindo até famosos
empresários. Podemos dizer que poucas são as pessoas que não cometem crimes.
Acontece que os criminosos que se mostram abertamente como tal, são apenas
uma parte; costuma-se mesmo dizer que os que foram agarrados pelas malhas da
lei não tiveram sorte, o que prova a existência de muitos crimes submersos, que não
vêm à tona.
Quando analisamos profundamente os criminosos, não temos dúvida em afirmar que
eles não temem o crime. Não sabem que é uma vergonha causar danos à nação,
prejudicar a sociedade ou fazer mal às pessoas. Os criminosos podem saber criticar
os outros, mas não sabem criticar a si próprios. E não é raro sabermos, atualmente,
de funcionários que fazem festas e gastam a rodo, enquanto o povo está sofrendo
sob a pressão dos impostos.
Se o homem não tiver receio de cometer más ações, se não sentir vergonha de
praticar atos impuros nem pena de fazer os outros sofrerem, esse homem já perdeu
o valor como ser humano. Por mais que fale de teorias excelentes e se orgulhe de
ter instrução, somente isso não lhe confere valor como ser humano. Ele é um objeto,
é um homem sem alma. Por haver muitas pessoas desse tipo atualmente, o mal
social é intenso, apresentando-se o mundo em estado infernal. Resumindo,
podemos dizer que no Japão existem doentes em estado gravíssimo.
Qual será o motivo de ocorrências tão aflitivas? Indubitavelmente elas são
conseqüência da educação materialista de que tanto falamos. Por isso, é muito fácil
exterminar totalmente o mal social: basta destruir o pensamento materialista. Mais
nada. Mas de que maneira? Obviamente, através da educação espiritualista, isto é,
do reconhecimento da existência de Deus, do espírito e do Mundo Espiritual. Esta é
a verdadeira e valiosa missão da Religião. Entretanto, é impossível fazer as pessoas
reconhecerem a existência de Deus e do espírito somente por meio de princípios
religiosos, sermões e preces. É necessário manifestar milagres, conceder benefícios
materiais, ou seja, Graças Divinas palpáveis. Não existe absolutamente outro meio,
além desse, para eliminar o pensamento materialista.
Alicerce do Paraíso, “A origem dos males sociais” – (14/05/49)
“A educação que forma homens incapazes de distinguir o Bem e o Mal está
baseada na pseudoverdade.”

Talvez estas palavras pareçam demasiado fortes, mas não posso evitá-las, pois
correspondem à pura verdade. Segundo nosso ponto de vista, o materialismo, ou
seja, o ateísmo, pode ser considerado o pensamento mais perigoso que existe.
Vejamos. Se Deus não existisse, eu também ganharia dinheiro enganando o próximo
habilmente, de modo que não fosse descoberto; faria o que bem entendesse e, além
de viver uma vida de luxo, estaria ocupando uma posição de maior destaque na
sociedade. Entretanto, consciente da existência de Deus, de forma alguma sou
capaz de proceder assim. Tenho de percorrer o caminho mais correto possível e
tornar-me um homem que deseja a felicidade das outras pessoas. Caso contrário,
jamais poderia ser feliz e levar uma vida que vale a pena ser vivida.
O que eu estou dizendo não é mera teoria ou algo parecido. Como podemos ver
através de inúmeros exemplos que a História nos mostra desde os tempos antigos,
por mais que a pessoa prospere por meio do Mal, essa prosperidade não dura muito,
acabando por desmoronar. É um fato que deveria ser percebido facilmente, mas
parece que isso não acontece. A sociedade continua assolada pelos crimes. Crimes
horripilantes, como assaltos, fraudes e assassinatos; casos de corrupção de pessoas
que ocupam posições elevadas, os quais se tornam objeto de comentários sociais;
incontável número de crimes de pequeno e médio porte, etc. Tudo isso é uma
conseqüência do pensamento ateísta; por conseguinte, podemos dizer que esta é a
verdadeira causa dos crimes. Está, pois, mais do que claro que só há um meio de
eliminar os crimes deste mundo: destruir o ateísmo. Atualmente, porém, os
intelectuais, as autoridades e os pedagogos estão confundindo pensamento teísta
com superstição e tentando obter bons resultados com apoio nos regulamentos da
Lei, no ensino, nos sermões, etc. Dessa forma, por mais que eles se esforcem, é
natural que nada consigam. As notícias publicadas diariamente nos jornais mostram-
no claramente.
Assim, para criar uma sociedade limpa e pura, é preciso estimular intensamente o
pensamento teísta. Por infelicidade, o Japão encontra-se em tal situação que, quanto
mais instruída é a classe, maior o número de pessoas ateístas. Além disso, é comum
acreditar-se que esta é uma qualificação dos intelectuais e dos jornalistas, de modo
que, quanto mais a pessoa enfatiza o ateísmo, mais progressista ela é considerada.
Por esse motivo, se não houver uma mudança radical, no sentido de que os ateístas
sejam vistos como ultrapassados, e os teístas, como vanguarda intelectual da
época, a sociedade não se tornará alegre e feliz.
Alicerce do Paraíso, “O materialismo cria o homem mau” – (07/05/52)

“O progresso da sociedade não depende apenas da ciência material.


É preciso começar a desenvolver, o quanto antes, a ciência do espírito.”

(Nidai-Sama)

Desde os tempos mais remotos é costume dizer: “Se tiveres riqueza consolidada,
terás espírito correto”. Isso significa que, quando o homem deixa de passar por
dificuldades materiais, suas palavras e atitudes também melhoram. Assim, muitos
intelectuais interpretam que a carência material é a causa dos males sociais que
infestam o mundo atualmente. Em parte isto é verdade, mas não é o ponto vital do
problema. Se essa fosse a verdadeira causa dos males sociais, as pessoas
abençoadas materialmente deveriam ser corretas; todavia, a realidade nos mostra
que nem todas o são. Existem muitas pessoas ricas que praticam atos ilícitos e às
vezes perturbam e prejudicam a sociedade muito mais do que os pobres. Através do
poder do dinheiro, apoderam-se de muitas residências e deixam-nas desabitadas,
numa época em que estamos passando por séria crise habitacional; alvoroçam a
moral; tiram a liberdade dos fracos e indefesos, impedindo-os de subir na vida;
corrompem o mundo político; e tantas outras coisas, que chega a ser impossível
enumerá-las.
Por esses fatos, fica evidente que o aumento dos males sociais não é causado
unicamente pela carência material. Conclui-se, daí, que eles provêm da falta de fé,
como sempre costumamos dizer. Esta é a sua verdadeira causa. Enquanto não
solucionarmos essa questão, será impossível pensarmos na erradicação dos males
sociais. A solução básica e incontestável do problema está no aparecimento de uma
religião poderosa.
O maior erro que existe no pensamento dos homens civilizados da atualidade é a
mania de atribuir ou transferir todas as culpas para terceiros. Creio que a influência
do marxismo constitui o centro desse modo de pensar, pois, segundo sua teoria
socialista, a infelicidade do homem é causada unicamente pelo péssimo mecanismo
da organização social. De fato, torna-se necessário melhorar cada vez mais esse
mecanismo, mas é um grande equívoco determinar que esta seja a causa única da
infelicidade do homem. Mesmo que se chegue a uma organização ideal, se o modo
de pensar e agir de cada indivíduo estiver errado, essa organização não poderá ser
administrada com eficiência, e o resultado, infalivelmente, será a bancarrota.
Portanto, a única forma de solucionar o problema é melhorar a natureza espiritual de
cada indivíduo. Ou seja, deve-se considerar que o homem é o ponto principal, e a
organização social, um ponto secundário.
É evidente que esse pensamento errado surgiu das teorias materialistas, que não
reconhecem a natureza espiritual do homem. Tenta-se solucionar todos os
problemas através dessas teorias e nisso está o grande erro. Como resultado, os
homens da época atual julgam que suas próprias palavras e ações são corretas e
procuram atribuir a culpa dos males sociais a terceiros. Na realidade, porém, a
causa de quase todos esses males está no próprio indivíduo. Se os homens
estiverem profundamente conscientizados disso, a humildade e o espírito filantrópico
surgirão por si mesmos, nascendo uma sociedade feliz e pacífica. E jamais se
conseguirá tal coisa por outro caminho que não seja a Fé.
O pensamento de que a culpa dos males sociais está em terceiros princípio da
revolução socialista – baseado no qual se pretende destruir a organização social, faz
com que o povo se rebele, transferindo a culpa à organização, ao invés de assumi-
la. Gostaríamos, portanto, que os homens da atualidade, plenamente
conscientizados do que estamos dizendo, reconsiderassem os erros cometidos até o
presente e começassem tudo de novo.
Alicerce do Paraíso, “O mal social é ou não é causado pelo meio ambiente?” –
(25/05/49)

“Neste mundo, aumenta cada vez mais o número de homens astutos.


Escasseiam, porém, os homens possuidores de verdadeira inteligência.”

(...) Analisemos mais profundamente. O ensino tradicional foi sedimentando-se


através dos anos, mas o progresso cultural faz com que ele se dissocie dessa forma
estática numa rapidez incrível. Um dia destes, ouvi do presidente de uma empresa o
seguinte comentário: “Embora seja muito inteligente, uma pessoa que saiu da
universidade há mais de dez anos não consegue situar-se, em face dos problemas
reais do presente. Isso acontece por não haver correspondência entre o que ela
aprendeu naquela época e o tempo atual, especialmente no que se refere aos
técnicos.” Essas palavras vêm ao encontro daquilo que eu explanava, porque, pela
sua própria natureza, os conteúdos das matérias estudadas devem se referir à
época do estudo, mas, se eles não acompanharem o progresso cultural, fatalmente
o estudo perderá sua validade. Exemplifiquemos.
Dizem que os políticos contemporâneos tornaram-se muito “pequenos”, o que
significa dizer que é difícil encontrar políticos de grande envergadura. Os ministros
de hoje não são nada hábeis; o máximo que eles conseguem é resolver problemas
do momento. Isso ocorre porque, na atualidade, os estadistas de nível ministerial são
formados pelas Universidades Federais e deixam-se levar facilmente pelas velhas
teorias aprendidas. Racionais em tudo, eles não sabem que existe algo além da
lógica. É a mesma coisa que utilizar o cavalo como meio de transporte numa
rodovia, ou aprender a dirigir charrete ao invés de carro.
O estudo destina-se ao desenvolvimento do cérebro humano. É para edificar uma
base, como se fosse o alicerce de uma casa. Sobre essa base, precisamos fazer
uma nova construção, ou seja, utilizar o estudo, desenvolvê-lo e com ele criar coisas
novas. Isso significa ajustar os passos ao contínuo progresso cultural. E não é só
isso. O verdadeiro estudo vivo é aquele que avança ainda mais, desempenhando a
função de orientar a cultura. (...)
Alicerce do Paraíso, “Inadequação do estudo” – (25/06/49)
F U I S ALV O

“Sinto-me profundamente grato!


Depois de me ver curado de uma doença com sério risco de vida, passei a viver
sob as bênçãos de Deus.”

Hoje em dia, a crítica mais freqüente em relação à nossa Igreja é que, tratando-se de
uma entidade religiosa, não deveria empenhar-se na cura de doenças. Entretanto, se
pensarmos bem, concluiremos que não há nada tão sem sentido como essa
observação. Ela provém do pensamento limitado dos críticos, segundo os quais a
Religião deve ocupar-se apenas da salvação do espírito, não lhe cabendo a
salvação da matéria. Para eles, a cura de doenças é uma questão material, e por
isso acham que ela não compete à Religião. Excluem das atribuições religiosas a
salvação material, limitando a essência da Religião à parte espiritual. Logicamente,
de acordo com o conceito dos críticos, a salvação espiritual, em síntese, consiste na
renúncia. Não tendo o Poder da Salvação para eliminar materialmente o sofrimento
e não encontrando outro recurso, as religiões, pelo menos, tentam diminuí-lo
espiritualmente, através da renúncia. Essa é a maneira como muitas pessoas têm
encarado a Religião até agora.
Não obstante, se a Religião excluir a matéria e preocupar-se unicamente com a
salvação do espírito, ela não estará promovendo a verdadeira salvação, pois a
crença na possibilidade da solução dos problemas materiais é que nos permitirá
obter a verdadeira tranqüilidade espiritual. Quando sentimos fome, por exemplo, só
podemos ficar tranqüilos se tivermos certeza de que alguém nos trará comida; se
soubermos que ninguém o fará, é natural que fiquemos desesperados, temendo
morrer de inanição. O mesmo acontece em relação à doença, dificuldades
financeiras e outros problemas. Só pelo reconhecimento de que tudo será
solucionado através da Fé teremos tranqüilidade absoluta. Dessa forma, a salvação
das duas partes – a material e a espiritual – é que nos fará sentir-nos salvos,
alcançando o estado de verdadeira paz e segurança.
A base da salvação material e espiritual – aquela que é a mais perfeita – consiste,
portanto, unicamente, em eliminar a doença, tornando as pessoas sadias. Por maior
que seja a nossa fortuna ou a quantidade e variedade dos mais saborosos
alimentos, provenientes do mar e da terra, em nossas refeições, por maiores
honrarias e por mais elevada posição social que tenhamos, isso de nada adiantará,
se estivermos sofrendo com doenças. A primeira condição para salvação da
humanidade é, antes de mais nada, alcançar a saúde. Por esse motivo, a meta de
nossa religião é formar indivíduos e sociedades saudáveis.
Alicerce do Paraíso, “O que é a verdadeira salvação” – (24/12/49)

“Que alegria! Meu espírito enfermo se restabeleceu! Como retribuir essa


bênção de Deus?”

(...) Contudo, em meio desta confusão, repentinamente surgiu a Igreja Messiânica


Mundial, que, com muita coragem, pretende alertar todos os setores da cultura
tradicional, apontar um por um de seus erros e mostrar como deve ser a verdadeira
civilização. Como essa grande força de atuação já está sendo manifestada
continuamente, podemos afirmar, sem nenhuma parcialidade, que ela é o assombro
do século XX. Tal afirmação fundamenta-se naquilo que sempre digo: o mundo, até
agora, estava na Era da Noite, iluminado unicamente pela fraca luz da Lua, mas
surgiu a luz do Sol, e todas as coisas desnecessárias e prejudiciais que estavam
encobertas começaram a aparecer abertamente. Eis o significado da expressão “Luz
do Oriente”, usada pelos antigos. Atualmente, estamos atravessando a fase da
aurora; como o passar do tempo, o Sol se levantará até o centro do Céu e iluminará
o mundo inteiro. Por esse motivo, as teorias que venho divulgando, desconhecidas
por todos até o momento, causam espanto e até muitos mal-entendidos.
Como o mundo esteve durante longo tempo na Era da Noite, não é de se admirar
que os olhos tenham se acostumado à escuridão e fiquem ofuscados ante a
repentina revelação da Cultura do Dia. Existe, no entanto, um problema: uma vez
chegado o Mundo do Dia, Deus aproveitará da Cultura da Noite apenas as coisas
úteis, não havendo outro recurso senão eliminar as inúteis. Além do mais, sendo a
luz do Sol sessenta vezes mais clara do que o luar, até as doenças não identificadas
ou consideradas incuráveis serão facilmente solucionadas. Os fatos reais
evidenciados diariamente através do Johrei de nossa Igreja mostram isso muito
nitidamente. Falando com mais clareza, assim como a Lua perde seu brilho ante o
esplendor do Sol, também a civilização sofrerá uma grande transformação.
Com o que acabo de dizer, creio que poderão entender a grandiosidade dos
empreendimentos da Igreja Messiânica Mundial.
Alicerce do Paraíso, “O que é uma religião nova?” – (08/04/53)
“A vida é o que há de mais precioso neste mundo.
A Obra Divina pode ser desenvolvida graças à existência da vida.”

Na verdade, a repurificação é algo que não deveria ocorrer. Mas mesmo afirmando
que ela não deveria acontecer, de certa forma é impossível evitá-la. Entretanto,
jamais acontece uma pessoa perder a vida por causa da repurificação.
A repurificação ocorre geralmente com os tuberculosos. Se aqueles que estavam
desenganados pelos médicos e destinados a morrer forem salvos, é um fato
extraordinário. Por isso, mesmo sacrificando tudo, é preciso agradecer em troca da
vida. É preciso dedicar para manifestar gratidão. Mas, como a pessoa negligencia
esse ponto, é claro que Deus lhe vira as costas. Assim, a repurificação acontece
porque as pessoas deixam que ela aconteça.
Atualmente, devido à superstição da Medicina, as pessoas sentem-se muito gratas
pela cura obtida por meio dos tratamentos médicos. Mas sentem pouca gratidão pela
cura obtida através da Fé. Isso porque elas pensam que a doença é algo que não
pode ser curado através da Fé. Há algumas que interpretam da seguinte forma:
“Houve a cura porque chegou o tempo certo” ou “Acho que os inúmeros remédios
que tomei até hoje estão começando a fazer efeito”. No entanto, elas se esquecem
logo da cura obtida pela ação dos médicos. Uma coisa assim, tão fora de lógica
quando se obtém a Graça Divina, Deus jamais perdoa. Até hoje, devido à época,
isso era permitido, porém, daqui para frente, porém, não haverá absolutamente tal
permissão.
Na religião Oomoto existe o seguinte ensinamento: “Quando Deus se torna rigoroso,
o povo se apazigua”. São palavras sábias.
Coletânea de Ensinamentos vol. 22 – (15/05/53)

“Deus ressuscitou-me. Devo retribuir-lhe essa graça com todas as forças do


meu ser.”

O ponto vital do problema dessa pessoa é ter esquecido que sua vida foi salva. Ela
já estava condenada a morrer, devido às fortes toxinas medicinais. A pobre coitada
foi vítima da Medicina. Quando se restabeleceu a ponto de poder trabalhar, deveria
ter se integrado, imediatamente, na Causa Divina, por ter recebido de Deus uma
vida nova. Essa vida não lhe pertence; como foi salva por Deus, pertence a Ele.
Todavia, como essa pessoa agiu à revelia, a proteção se desfez. Por isso, é lógico
ter acontecido o que aconteceu. Ela precisa se conscientizar disso. Receber de Deus
uma vida nova significa que é preciso Servir a Ele; portanto, tais pessoas não estão
aptas a realizar trabalhos a não ser para Deus. Existe muita gente nesse caso.
Quando as pessoas usam a seu bel-prazer a nova vida que receberam de Deus e
que não lhes pertence – usando-a, por exemplo, em prol de alguma firma – não há
razão para serem salvas novamente. Ao contrário, Deus concedeu-lhes vida nova
para ser utilizada na Obra Divina. A pessoa de quem falamos esqueceu-se disso.
Nesse ponto, a responsabilidade também cabe ao orientador. Talvez ele tenha
falado, mas deveria ter explicado melhor, de forma categórica: “Se agir de outra
maneira, sua vida estará condenada”. Nesses casos, convém dizer resolutamente à
pessoa que ela não deve fazer nada a não ser para Deus. Se ela não ouvir, devemos
abandoná-la de vez. É bom a pessoa receber Johrei, mas ela deve pedir do fundo do
seu coração:
“Eu estava errada. Se desta vez eu ficar curada, vou me empenhar na salvação do
meu próximo; por isso, conceda-me a vida só mais esta vez”. Se Deus atender o
pedido, a pessoa se salvará, mas se Ele disser: “Não posso mais atender” – nesse
ponto Deus é rigoroso – “Você deve vir para o Mundo Espiritual e trabalhar nele”,
então não terá mais jeito.
Coletânea de Ensinamentos vol. 6 – (17/01/52)

“Sem recriminar meus graves pecados, Deus me concede uma grande


felicidade.”

As pessoas acham que as expressões “paz” e “segurança” limitam-se apenas ao


espírito, mas esse modo de pensar constitui um grande erro, uma vez que, para
obtermos a verdadeira paz e segurança, não podemos excluir a matéria. Pensem
bem: se houver uma que seja das três grandes desgraças – doença, pobreza e
conflito – onde estará a paz? Quando as pessoas estiverem certas de que, durante
toda a sua vida, não terão preocupações com doenças, não ficarão pobres, nem
haverá possibilidade de se envolverem em conflitos, aí sim, elas terão a verdadeira
paz e segurança. Entretanto, no mundo contemporâneo, possuir essas três
condições ao mesmo tempo não passa de utopia. Diríamos que provavelmente não
existe uma pessoa sequer, no mundo inteiro, que possa afirmar possuí-las.
Observando este mundo, logo percebemos que nada ocorre conforme desejamos;
as coisas más acontecem incessantemente, e as boas, só de vez em quando. O
mundo em que vivemos é a própria imagem do Inferno.
No que se refere à saúde, por exemplo, não sabemos quando vamos ficar doentes.
Um simples resfriado pode acabar logo, como também perdurar e gerar uma doença
terrível. Portanto, não podemos estar despreocupados, pensando que um resfriado
não é nada. Como diz a Medicina, os vírus estão em toda parte, e por isso é
impossível saber quando vamos contrair uma doença contagiosa ou a que hora um
bacilo vai nos atacar. Conseqüentemente, as autoridades são muito exigentes em
matéria de higiene, aconselhando-nos a conservar a limpeza, não comer nem beber
em demasia, fazer gargarejo ao voltar da rua, lavar as mãos antes das refeições,
tomar cuidado com os alimentos e outras medidas semelhantes. São tantas as
advertências, que até ficamos saturados. Levar tudo isso em consideração é o
mesmo que viver sob a constante ameaça de todos os tipos de perigos.
Quanto à pobreza e aos conflitos, na maior parte dos casos provêm de problemas
financeiros, que se originam do desequilíbrio entre o espírito e a matéria. Assim, é
óbvio que, se não conservarmos o espírito e o corpo sadios, jamais conseguiremos a
tranqüilidade absoluta. Talvez as pessoas achem impossível consegui-la; contudo,
se pudermos realmente obtê-la, não será uma maravilhosa Graça do Céu? Eu
afirmo, sem qualquer sombra de dúvida, que é possível alcançar essa Graça.
Alicerce do Paraíso, “Paz e segurança” – (10/12/52)

“Ainda que represente a milésima parte das bênçãos que me concedestes,


recebei este oferecimento como símbolo do meu makoto.”

“Vou curá-lo, por isso faça donativo de gratidão” ou “Se eu sarar, quero que me
permita ingressar na Fé” – dizer isso ainda é tolerável, mas há quem diga: “Se eu
sarar, farei o favor de ingressar na Fé”. Neste caso, não se sabe quem é superior.
Em princípio, o fato de uma pessoa oferecer o agradecimento depois de sarar, é o
mesmo que utilizar Deus como empregado, pagando-lhe um salário: “Fez esse
trabalho, por isso vou lhe pagar”. Com tal procedimento, até mesmo Deus virará as
costas. Esse é um ponto realmente difícil. Também não se pode pedir que a pessoa
faça donativo, se ela não tiver recebido muitas graças.
Havia um missionário de uma religião que, ao ver uma pessoa sofrendo por doença,
dizia que a salvaria se ela doasse uma certa quantia em dinheiro. A pessoa ofertava
a quantia pedida, mas não sarava e acabava morrendo. Na ocasião, eu disse que
aquilo não era obra de Deus, mas do intermediário de Deus, o qual estava
praticando fraude.
O correto é a pessoa, após ter recebido a graça, oferecer o donativo com verdadeiro
sentimento de gratidão, e não como permuta. Entretanto, esquecer as graças
recebidas, inclusive a vida salva, e gastar muito dinheiro em coisas fúteis,
oferecendo pequenas quantias como agradecimento, está fora de lógica. Portanto,
como eu disse outro dia, é preciso estar de acordo com a lógica.
Coletânea de Ensinamentos vol. 22 – (27/05/53)

“O homem que esquece ter recebido de Deus a bênção de uma vida nova,
assemelha-se aos bichos.”

Não podemos esquecer que, originariamente, a base da Fé se encontra na palavra


Lógica. Embora sejam levantadas teorias que, na visão religiosa, são corretas, se
elas não estiverem fundamentadas na lógica, não se pode dizer que a Fé seja
verdadeira. Nesse sentido, estando a pessoa de acordo com a lógica, Deus lhe
concede muitas graças; caso contrário, mesmo que ela reze com fervor, Ele não as
concede. Este ponto é muito importante e nele reside o significado da repurificação.
Um tuberculoso, por exemplo, que se submete a vários tratamentos, a começar pelo
tratamento médico, não sara; através do Johrei, no entanto, ele se restabelece
rapidamente e, com alegria, torna-se membro. Passado algum tempo, muitos
recebem repurificação. Isso acontece, naturalmente, porque eles estão em
desacordo com a lógica. Ou seja, ser um doente desenganado pelos médicos e
curado pela graça de Deus, significa receber vida nova; por isso, por mais que ele
agradeça, não há como pagá-la. Há pessoas que acabam esquecendo até mesmo a
emoção sentida naquele momento, e, uma vez curadas, pensam que tudo terminou.
Assim, além de voltarem a ser o que eram antes de se tornarem membros, acabam
tendo um comportamento nada recomendável. Se nada acontecesse, seria uma
maravilha, mas tal não ocorre. Isto porque, durante muito tempo elas ingeriram
vários remédios, e por esse motivo, juntamente com a recuperação da saúde, inicia-
se o processo de eliminação dos remédios acumulados em grande quantidade. Isso
é repurificação.
O caso acima, como sempre digo, refere-se apenas à parte física; entretanto, há
uma questão importante na parte espiritual. Até hoje, não falei nada sobre o assunto,
mas chegou o momento em que essa situação não pode continuar, e por isso vou
explicar o seu fundamento.
Jornal Eiko nº 210 “A lógica da fé e repurificação” – (27/05/53)
“Maior que a alegria de ter grandes riquezas é a felicidade de poder viver são e
salvo.”

(...) A forma mais fácil de compreender isso é quando ministramos Johrei e não
obtemos resultados satisfatórios. Achando estranho, analisamos o fato e
descobrimos, então, que os cálculos ou a ordem não estavam corretos. Por isso, a
ordem também deve estar de acordo com a lógica. No caso de um doente, se
houver uma pessoa contra e o pensamento dele estiver em desacordo com a Fé, a
recuperação não correrá bem. E nesse ponto existe uma razão. Enquanto o doente
não tiver compreensão, ele pode duvidar; se ele for contra, mas tentar, a título de
experiência, será perdoado por Deus. Isso é lógico. Entretanto, se depois de ter
ouvido suficientemente a respeito da Igreja e ter lido os seus Ensinamentos –
inclusive ter se convertido à Fé – a pessoa ainda age com o pensamento em
desacordo com ela, então, a cura se torna difícil, não correndo como desejamos. Em
relação a isso, há uma lógica. É por esse motivo que, muitas vezes, a pessoa que
duvida, se restabelece rapidamente, e quem crê, custa a melhorar.
Coletânea de Ensinamentos vol. 29 – (05/12/53)

“Meu Deus, cada vez que me ajoelho diante de Vós, lágrimas escorrem de
meus olhos, pela vida nova que me concedestes.”

Interlocutor: A pessoa melhora porque acredita, e não melhora porque não acredita.
Não será isso?
Meishu-Sama: Não. Mesmo não acreditando, a pessoa pode se restabelecer.
Quando a pessoa ainda não se converteu à Fé, mesmo que ela não acredite, Deus a
faz restabelecer-se. Mas, se ela duvidar mesmo depois de ter alcançado um certo
entendimento, haverá uma pequena diferença.
Interlocutor: Eu diria que no recebimento do Johrei, há uma certa diferença para a
obtenção de graças: quando a pessoa sente real gratidão e quando ela faz pouco
caso.
Meishu-Sama: Entretanto, não se pode generalizar. Quem não conhece o Johrei,
acha que é um absurdo melhorar com “uma coisa dessas”. Esse procedimento está
de acordo com a lógica. Agora, se a pessoa, mesmo presenciando o milagre, ainda
continua duvidando, nesse caso significa que o homem é que está errado. Por isso
há diferença no resultado, e a repurificação acontece por esse motivo. Já que sarou,
a pessoa deveria pensar que, recebendo Johrei, a cura é absoluta, e achar que o
Johrei é algo fabuloso; no entanto, apesar de curada, ela ainda continua vacilando.
Então, o Espírito Guardião fica zangado e a faz sofrer uma vez mais.
Interlocutor: A pessoa recebe o Ohikari e se restabelece da doença. Mesmo assim,
quando não há sentimento de gratidão, aumenta a possibilidade de uma
repurificação. Seria isso?
Meishu-Sama: Sim. Em Deus não há o mínimo de erro. Tudo está de acordo com a
lógica.
Registro de Orientações vol. 23 – (01/08/53)

“Durante longo tempo vim duvidando e vacilando. Mas que alegria! Pela Luz de
Deus, despertei.”

Falando sobre Religião, ouço muitas críticas a respeito dos líderes religiosos. Dizem
que eles deveriam viver com mais sobriedade, comer, beber e morar pobremente,
assim como andar de trem, de ônibus ou até mesmo a pé.
É fato que, antigamente, para fazerem suas pregações, os fundadores de religiões
calçavam sandálias de palha e usavam panos enrolados nas pernas, como se
fossem polainas, a fim de facilitar-lhes as longas caminhadas. Às vezes, retiravam-
se para as montanhas, faziam jejuns, tomavam banhos de cascata, experimentavam
todos os tipos de sofrimentos e sacrifícios; outras vezes, eram jogados na prisão, ou
exilados em ilhas longínquas. Ainda hoje sentimos tristeza ao pensar nos
sofrimentos que eles tiveram que passar. Entretanto, apesar de tantos sacrifícios, só
conseguiram estender suas doutrinas a um território restrito; para que elas se
expandissem mais amplamente, foram necessárias dezenas de gerações.
Comparadas aos dias atuais, as condições precárias a que esses pregadores
tiveram de se sujeitar a vida inteira vão muito além de nossa imaginação.
A lembrança das práticas religiosas a que nos referimos permanece gravada na
mente das pessoas, e por isso é natural que elas tenham uma visão errada sobre as
religiões novas. As religiões caracterizadas por tais práticas particularizam-se pela fé
“Shojo”, que é anterior ao nascimento de Sakyamuni e tem sua origem no
bramanismo da Índia. Seus ensinamentos valorizam, principalmente, a Iluminação
através da ascese. Segundo dizem, ainda hoje existe, naquele país, um pequeno
número de bramanistas que conseguem fazer milagres graças a um enorme esforço
espiritual. O jejum praticado pelo famoso Mahatma Gandhi talvez fosse uma
decorrência do fato de ele ter professado o bramanismo quando jovem.
Há uma história interessante sobre a origem dos oitenta e quatro mil sutras budistas
divulgados por Sakyamuni.
Naquele tempo, o bramanismo estava em grande expansão na Índia, e acreditava-se
que a Iluminação só podia ser alcançada por meio da ascese, considerada o
verdadeiro caminho da Fé. Vendo a expressão das esculturas e pinturas
representativas de ascetas brâmanes existentes em diversos locais do Japão,
podemos imaginar a situação deles naquela época. Não suportando semelhante
estado de coisas, Sakyamuni, com sua grande misericórdia, descobriu uma forma
para as pessoas obterem a Iluminação sem precisar recorrer às práticas ascéticas:
os sutras budistas. Segundo ele, a simples leitura desses textos seria bastante.
Obviamente o povo se alegrou com isso e passou a considerá-lo o mais respeitável
e benéfico de todos os santos. Foi assim que o budismo se espalhou por toda a
Índia. Podemos mesmo dizer que essa foi a maior realização de Sakyamuni entre as
suas atividades de salvação.
Diante do exposto, é fácil entender quão erradas estão as práticas ascéticas da fé
“Shojo”, que contrariam a vontade e a grande misericórdia de Sakyamuni,
aproximando-se do bramanismo, o qual foi alvo de sua atividade salvadora. Creio
que, do Paraíso, ele estará lamentando essa situação. Assim, podemos, concluir que
a fé “Shojo”, além de errada, é inadequada ao nosso tempo.
Por outro lado, no que se refere à difusão religiosa, observamos que aquilo que
antigamente se levava dez anos para conseguir, hoje pode ser feito apenas em um
dia, graças ao progresso tecnológico da imprensa e dos meios de transporte. O
correto, por conseguinte, é nos adequarmos à época em que vivemos, utilizando-nos
de todos os recursos que a civilização moderna nos oferece. Se a religião se basear
unicamente nos métodos antigos, obviamente não conseguirá atingir seus
verdadeiros objetivos. Isso se evidencia na tendência que as religiões tradicionais
têm de se afastar da época atual. (...)
Alicerce do Paraíso, “Fé Shojo” – (11/03/50)
“Eu pensava que a felicidade era apenas um sonho.
Agora eu a vejo diante dos meus olhos, e lágrimas de alegria rolam-me pelas
faces.”

(...) Quando as pessoas de fé “Shojo” vêem as atividades religiosas que estamos


realizando, limitam-se a ficar admiradas e não tentam sequer compreender aquilo
que verdadeiramente objetivamos. Se elas se restringissem a isso, não haveria nada
de mau; algumas, porém, começam a espalhar boatos contra nós, dizendo que
levamos vida de nababos. Entretanto, nós dependemos apenas das contribuições
dos fiéis; não temos necessidade de dinheiro. Se dermos atenção aos comentários,
deixaremos que essas contribuições em gêneros alimentícios, feitas com tanto
sacrifício, apodreçam, obrigando-nos a jogá-las fora. Por outro lado, não podemos
vendê-las nem devolvê-las. Da mesma forma, não poderíamos deixar de utilizar as
casas que nos são oferecidas pelos fiéis, movidos pelo seu makoto. Ao invés de dar
ouvidos a comentários, devemos atentar para o grande trabalho que essas doações
nos estão possibilitando realizar: a salvação da humanidade. Diante disso, poder-se-
á entender o quanto é errado o pensamento “Shojo”.
Como o ideal de nossa Igreja é construir um mundo sem doença, pobreza e conflito,
as pessoas que nela ingressam adquirem uma vida alegre e saudável, cheia de
harmonia e prosperidade. Todavia, para os que vivem no lamentável inferno da
sociedade atual, isso é algo inconcebível. Além de negarem a concretização desse
ideal, eles pensam, naturalmente, que tudo não passa de uma boa isca para iludir o
povo. Pode ser também que, para essas pessoas, o protótipo do Paraíso Terrestre
que estamos construindo sejam meros palacetes luxuosos. O nosso objetivo, no
entanto, é cultivar os nobres sentimentos dos homens, possibilitando-lhes
oportunidade para se distanciarem, de vez em quando, da sociedade infernal de hoje
em dia e visitarem terras paradisíacas, que os envolvam nos ares celestiais de
Verdade, Bem e Belo, fazendo-os sentir-se no estado de suprema alegria. Assim,
evidencia-se a grande necessidade da construção do protótipo do Paraíso Terrestre
para o homem contemporâneo.
Se a sociedade continuar como está, crescerá cada vez mais o número de pessoas
de baixo nível, de jovens degradados, e não haverá um lugar sequer que não seja
um viveiro para a maldade social. Por isso podemos afirmar que o único “oásis” do
mundo moderno é este protótipo do Paraíso Terrestre. Se as pessoas
compreenderem realmente a grandiosidade do nosso sublime projeto, ao invés de
nos censurarem, o que elas deverão fazer é manifestar-nos seu inteiro apoio.
Ainda tenho algo importante a dizer. Os japoneses, por causa das invasões bélicas
que empreenderam há algum tempo, foram tão mal interpretados que perderam a
confiança do mundo. Sentimos que é preciso recuperar, o mais breve possível, essa
confiança. Justamente por esse motivo é que o protótipo do Paraíso Terrestre
constitui um patrimônio importantíssimo, para mostrar não só a beleza natural do
nosso país, como também o indiscutível pendor artístico dos japoneses. Doravante,
surge uma grande oportunidade para que os turistas nos visitem cada vez mais e
compreendam o nosso alto nível cultural, ao mesmo tempo que desfrutam o prazer
da viagem. Fico na expectativa da grande admiração que o protótipo do Paraíso
Terrestre despertará, quando ficar concluído.
Com o que se diz acima, fica explicado o que é fé “Shojo” e fé “Daijo”
Alicerce do Paraíso, “Fé Shojo” – (11/03/50)
“Minha vida, que era cinzenta, imperceptivelmente tornou-se clara depois que
fui salvo.”

Desde tempos remotos costuma-se dizer que os milagres são inerentes à Religião, o
que realmente é verdade. Modéstia à parte, nunca houve religião que evidenciasse
tantos milagres como a Igreja Messiânica Mundial. Em poucas palavras, direi que
isso ocorre porque ela é dirigida pelo Supremo Deus.
Pensando que todas as divindades são iguais, as pessoas geralmente tendem a
cultuá-las da mesma forma. Entretanto, precisamos saber que até entre as
divindades existe hierarquia: superior, média e inferior. Em ordem decrescente, essa
hierarquia, iniciando pelo Altíssimo, vai até Ubussunagami, Tengu, Ryujin, Inari e
outros. Gostaria de falar detalhadamente sobre todas essas classes, mas assim eu
estaria desvelando divindades de outras religiões. Portanto, por uma questão de
respeito, não o farei. Desejo apenas mostrar, através de fatos, quão elevado é o
deus que dirige a Igreja Messiânica Mundial.
Nem preciso falar sobre a maravilha que é o Johrei, pois, com o passar do tempo, na
medida que vai se tornando conhecido, ele está constituindo o elemento mais
eficiente para a expansão da nossa Igreja. Aliás, sobre a solução de doenças através
do Johrei, devo esclarecer que, mesmo a pessoa duvidando e recebendo-o apenas a
título de experiência, ou achando impossível obter a cura por meio de “uma tolice
dessas”, a graça será alcançada da mesma forma, e rapidamente, o que muitos
acham um mistério. Até o presente acreditava-se imprescindível a pessoa ter fé para
ficar curada de uma doença. Era corrente este pensamento: “Acredite; você não
pode duvidar.” Assim, é natural que, condicionadas a essa idéia fixa, as pessoas
estranhem o que acabo de dizer. Vou explicar a razão.
Primeiramente, crer na validade de algo sem ter nada que a comprove é enganar a
si próprio, pois ninguém pode acreditar numa coisa antes de ter provas. Assim, é
óbvio que aquele pensamento está errado. Empregar todos os esforços para crer
porque nos foi dito para crer, produz algum efeito, pois isso é melhor do que duvidar.
Tal efeito, porém, não provém de Deus, como muitos pensam, mas da própria força
de cada um. Mas por que motivo um pensamento tão errado vinha sendo aceito
como a coisa mais natural? É que, até agora, ignorando que a divindade à qual se
dirigiam não tinha poder suficiente, as pessoas tentavam suprir essa deficiência com
a força humana. Nesse sentido, em nossa Igreja, as pessoas melhoram mesmo que
duvidem. Isso acontece por conta da grande força de Deus, não sendo necessário,
portanto, acrescentar a força humana. Logo, se uma divindade não tem poder para
curar uma doença, é porque seu nível é inferior.
Muitas vezes, quando as graças não ocorrem do modo desejado, o ministro ou o
orientador dão desculpa de que a pessoa tem pouca fé. Parece-me que eles acham
que a graça é conseguida com o esforço do homem, ao invés de ser concedida por
Deus. Na verdade, Deus é infinitamente piedoso; por isso, mesmo que façamos
apenas um pedido, infalivelmente Ele nos atenderá. Quando o homem emprega
demasiado esforço para alcançar uma graça e ultrapassa os limites, Deus não fica
satisfeito, se é que se trata do Verdadeiro Deus. Principalmente penitências, jejuns e
abstenções são atitudes que estão em desacordo com a Vontade de Deus, pois Seu
grande amor vê com tristeza o sofrimento humano. Pensemos bem. Nós, seres
humanos, somos filhos de Deus. Como nosso pai, não há razão para Ele se alegrar
com o nosso sofrimento. Ainda que a pessoa tenha conseguido receber uma graça
através de penitência, quem a concedeu não foi Deus, mas algum espírito
pertencente à falange dos demônios. Graças desse tipo são efêmeras, não duram
muito tempo. As graças concedidas por Deus são diferentes. À medida que nos
dedicamos à Fé, nossos infortúnios irão diminuindo gradativamente, atingiremos um
estado espiritual de paz e segurança e seremos felizes.
Em síntese: é religião de baixo nível aquela em que a pessoa, embora não creia,
esforça-se para crer, com o objetivo de alcançar graças; é religião de nível superior
aquela em que Deus concede a graça mesmo que a pessoa duvide ou não acredite.
Alicerce do Paraíso, “Religião é milagre” – (11/04/51)
A FELICIDADE

“Quando o homem busca a felicidade procurando-a unicamente na matéria,ela


escorrega de suas mãos.”

Ao falar em destino, devo esclarecer primeiramente que as pessoas confundem


predestinação com destino. A diferença, no entanto, é radical. Devemos entender por
predestinação certas condições a que estamos sujeitos antes mesmo do
nascimento, ao passo que o destino depende inteiramente do homem.
A não-realização de diversos desejos deve-se à predestinação, da qual estamos
impossibilitados de nos livrar. O importante é conhecer o seu limite, o que é difícil, ou
seja, quase impossível. O desconhecimento desse limite faz o homem traçar planos
superiores à sua capacidade e ter esperanças descabidas, que o levam ao fracasso.
Se, consciente do seu erro, ele voltasse imediatamente ao ponto de partida,
certamente sofreria menos, mas a ignorância da predestinação o impele a
prosseguir, aumentando sua desgraça. Isso decorre também do fato de subestimar-
se o rigor do mundo. Como resultado, a maioria das pessoas só toma consciência da
realidade após amargas experiências, falhando nas tentativas de recuperação ou
vendo-se impedidas de recomeçar suas atividades, por causa das pedras lançadas
em seu caminho. Felizes os que reconhecem o erro em tempo, ao tomarem
conhecimento da realidade.
Referi-me ao destino dos descrentes. Com os crentes é diferente.
Devo abordar a questão pelo aspecto espiritual e dizer, numa palavra, que todos os
sofrimentos são ações purificadoras. Ser vítima de chantagem, incêndio, acidente,
roubo, desgraça familiar, prejuízo, fracasso comercial, necessidade monetária,
conflito conjugal, desavença entre pais e filhos ou entre irmãos, contenda com
parentes e amigos, tudo isso faz parte da ação purificadora. Nessas circunstâncias,
só há um recurso: eliminar as máculas espirituais por meio do sofrimento. Enquanto
houver máculas no espírito, a ação purificadora persistirá; diminuí-las, é condição
essencial para melhorar o destino. O ato purificador é dispensado quando atingimos
certo grau de purificação; então a desgraça se transforma em felicidade. Sendo esta
a verdade, a boa sorte não se espera de braços cruzados, mas purificando.
Se a Fé é o meio para purificarmos sem sofrimentos, é natural que não haja
felicidade para os descrentes. Existem diversas espécies de crenças, mas para se
obter a verdadeira felicidade é preciso seguir uma fé verdadeira e de poder elevado.
Daí a necessidade de se reconhecer a Igreja Messiânica Mundial como uma religião
que corresponde a essa condição.
Alicerce do Paraíso, “Nós é que traçamos o nosso destino” – (25/10/52)

“Pobre daquele que, com sua próprias mãos, rompe a corda da felicidade e cai
no Inferno!”

(...) O Bem e o Mal se digladiam desde as eras mais remotas; jamais um


predominou definitivamente sobre o outro. Refletindo bem, foi em conseqüência do
atrito entre ambos que a civilização atingiu tão grande desenvolvimento.
Mas como obter a felicidade neste mundo em que se empreende tal batalha?
Deixando de lado todas as suposições com que temos tentado compreender a
vontade de Deus, procuremos descobrir o meio de sermos felizes.
Como venho afirmando há muito tempo, nossa felicidade depende de fazermos os
outros felizes. Esse é o meio mais seguro para alcançá-la, e eu o venho aplicando
há muito anos com resultados maravilhosos. Foi por isso que escrevi este
ensinamento. Simplificando o conselho, pratiquemos o maior número possível de
boas ações, pensemos em dar alegria às outras pessoas.
Que a esposa estimule o marido a trabalhar para o bem-estar da sociedade e que o
marido lhe dê alegria, mostrando-se gentil com ela e inspirando-lhe confiança.
É natural que os pais amem os filhos. Mas devem fazer mais do que isso: devem
cuidar do seu futuro com a máxima inteligência e eliminar atitudes autoritárias no
trato com eles.
Que na vida cotidiana suscitemos esperança no coração das pessoas com quem
lidamos, tendo por lema proceder com amor e gentileza em relação a chefes e
subalternos, bem como seguir as normas da honestidade.
Aos políticos, cabe esquecerem a si próprios, pondo a felicidade do povo acima de
tudo e erigindo-se como exemplos de boa conduta. O povo também deve praticar
boas ações e esforçar-se constantemente para desenvolver sua inteligência.
Sabemos que serão mais felizes aqueles que praticarem maior número de ações
louváveis. Já imaginaram que povo e que nação surgiriam, se todas as pessoas se
unissem para praticar o bem? Um país assim seria alvo de respeito universal.
Poderia ser considerado como uma parcela do Paraíso Terrestre, pois, com o tempo,
desapareceriam todos os problemas de ordem moral, toda doença, toda pobreza e
todo conflito. Seria como “bater com o martelo no chão” – a pancada não poderia
falhar.
Por toda parte existem homens praticando o mal, mentindo, enganando, buscando
atender às exigências de seu próprio egoísmo. É uma sociedade de seres maldosos.
Assim, a felicidade mantém-se muito distante. E o pior é que há quem julgue ser
natural um mundo tão perverso, achando inútil tentar reformá-lo. Temos até
encontrado quem procure impedir nossas tentativas de transformar em Paraíso este
inferno terrestre. Essas pessoas, pelo mal que intentam, cavam sua própria
desgraça, criando para si próprias o pior de todos os infernos. São merecedoras de
piedade e oramos constantemente para que sejam salvas.
Tenho certeza de que, meditando sobre este ensinamento, todos perceberão que
não é difícil ser feliz.
Alicerce do Paraíso, “Segredo da felicidade” – (01/10/49)

“A felicidade não é companheira da civilização porque esta é criada pelo


homem.”

Quando examinamos atentamente a civilização atual, vemos que ela apresenta


muitas falhas, sendo que a falha fundamental é o seu conceito sobre a Ciência.
Como é do conhecimento de todos, exceto os religiosos, as pessoas estão presas ao
princípio da supremacia da Ciência, acreditando que todos os problemas poderão
ser solucionados através dela. Existem muitas coisas que a Ciência não pode
explicar; entretanto, com o cérebro tomado por uma devoção unilateral, essas
pessoas não conseguem enxergar nada além da Ciência. Isso acontece porque elas
não percebem o baixo nível em que se encontra a cultura atual. Ofuscadas pela
Ciência, as pessoas não conseguem atentar para isso.
Para facilitar a compreensão dos leitores, procurarei discorrer sobre a civilização
atual de maneira abrangente. Via de regra, a maioria das pessoas tenta encontrar na
Religião aquilo que a Ciência não consegue solucionar. Entretanto, como existem
muitos problemas que não podem ser solucionados através da Religião, elas
acabam se voltando de novo para a Ciência, tornando-se, então, presas dessa
ilusão. A realidade é que tanto a Ciência como a Religião têm força limitada, e por
isso não conseguem resolver todos os problemas. Dentre eles, os três maiores são a
guerra, a doença e o crime. É do conhecimento geral o quanto a humanidade veio se
esforçando durante milênios, empregando toda a sua inteligência para solucionar
esses problemas. Infelizmente, ainda não se pode sequer vislumbrar a solução.
Assim, parece não haver nenhuma perspectiva, a não ser que surja algo superior à
Ciência e à Religião atuais.
Mas será que este mundo continuará iludido, por mais que se esforce? Obviamente
que não, visto que esse “algo superior” já apareceu e está irradiando sua luz. Não se
assustem, pois trata-se da nossa Igreja; é a Luz do Oriente, tão almejada pela
humanidade.
A Igreja Messiânica Mundial possui um poder incomum de erradicar doenças, e está
realmente salvando um grande número de pessoas infelizes. Seus membros tornam-
se, evidentemente, pessoas saudáveis, incapazes de cometer crimes e possuidoras
de força até mesmo para acabar com as guerras. E isso pode ser comprovado
através de fatos concretos. É evidente que, no futuro, ela atrairá a atenção do
mundo, pois a Luz por ela irradiada é algo inédito na face da Terra. Conforme sugere
o título deste artigo, é algo superior à Ciência e à Religião. A nossa Igreja abrange,
como partes integrantes, a Ciência e a Religião, utilizando-as conforme as
peculiaridades e propriedades de cada uma.
Por tudo isso, a Igreja Messiânica Mundial é grandiosa e misteriosa demais para ser
compreendida pela inteligência dos homens da atualidade. Se quiséssemos dar-lhe
um nome mais forte, poderia ser “Força de Salvação do Mundo”. Como estamos
desenvolvendo a Obra da Salvação da humanidade através dessa Força, eu gostaria
que todos observassem com redobrada atenção as atividades que desenvolveremos
daqui para frente.
Jornal Eiko nº 197, “Algo superior à religião e à ciência – (25/02/53)

“A mescla da ambição desmedida e do apego destrói o corpo e a alma.”

Notamos que todas as pessoas manifestam em seu caráter dois traços irmãos –
egoísmo e apego – e que nos problemas complicados há sempre interferência
desses sentimentos.
Temos casos de políticos que acabaram na miséria porque o apego às posições os
fez perder a melhor oportunidade de se afastarem da vida pública. Eis um bom
exemplo da inconveniência do egoísmo e do apego.
Há industriais que, devido ao apego que têm ao dinheiro e ao lucro, irritam seus
fornecedores, prejudicando as transações comerciais. Momentaneamente, o negócio
se lhes afigura vantajoso, mas, com o tempo, mostra-se contraproducente.
Na vida sentimental, quem muito se apega geralmente é desprezado; muitas vezes
os problemas nesse terreno surgem do excesso de egoísmo.
O passado nos revela como os egoístas provocam conflitos e se atormentam, pelos
sofrimentos causados ao próximo.
Já dissemos que o principal objetivo da Fé é erradicar o egoísmo e o apego. Tão
logo me conscientizei disto, empenhei-me em exterminá-los. Como resultado, meus
sofrimentos se amenizaram e tudo corre normalmente em minha vida. Há um
ensinamento que diz: “Não sofra antecipadamente pelo que ainda não ocorreu, nem
pelo que já passou”. São palavras de grande sabedoria.
A finalidade do aprimoramento no Mundo Espiritual é a extinção do apego. A posição
do nosso espírito se eleva à medida que o apego se reduz.
No Mundo Espiritual, é raro que marido e mulher permaneçam juntos. A razão do
fato está na diferença da posição que o espírito de cada um alcançou. O convívio
dos dois só lhes será possível quando estiverem nivelados, como habitantes do
Reino dos Céus. Aqueles que alcançarem certo grau de aprimoramento, terão
licença de se encontrar, embora estejam em camadas espirituais inferiores. Mas o
encontro durará apenas um instante, e a licença lhes será concedida pelas
divindades que superintendem os níveis em que eles estão situados. Não haverá
permissão para que, levados pela saudade, os cônjuges se abracem; à mínima
intenção de teor mundano, seus corpos ficarão rijos e perderão o movimento. Isso
demonstra como o apego é condenável. A posição do espírito vai se elevando de
acordo com a redução do apego, mediante o aprimoramento no Mundo Espiritual.
Sendo assim, o encontro de marido e mulher irá sendo facilitado conforme eles
forem subindo de nível.
Creio que, com o que acabamos de dizer, demos ao leitor uma clara noção da
diferença entre o Mundo Material e o Mundo Espiritual.
Outro aspecto negativo do apego refere-se às pessoas que se mostram insistentes
quando convidam outras a participarem de sua crença, dando a impressão de serem
muito dedicadas. Isso não dá bom resultado. Impingir a Fé é um sacrilégio aos olhos
de Deus. Quem prega uma religião, só deve insistir se observar que o outro está
interessado. Se a pessoa não demonstrar interesse, é melhor desistir e esperar o
tempo oportuno.
Alicerce do Paraíso, “Egoísmo e apego” – (25/01/49)

“Que tolos são os homens!


Perdidos pela ambição de bens imediatos, deixam fugir das suas próprias
mãos a felicidade eterna.”

(Nidai-Sama)

Sabemos que o homem mau é aquele que sacrifica o próximo para satisfazer os
seus interesses, dando a impressão, muitas vezes, de estar agindo apenas por uma
espécie de capricho.
Passarei a uma análise psicológica desse tipo de pessoas.
É costume dos homens maus expressarem o desejo de gozar a vida enquanto
podem. Ora, os delitos não ficam ocultos por muito tempo, e esses infelizes,
receosos de tal fato, preparam-se para o fim iminente do seu breve gozo. Os delitos
não se restringem aos de banditismo, roubo ou homicídio, como se costuma supor.
Homens de elevada posição social também cometem desonestidades sumamente
lamentáveis. Os jornais de após-guerra alardeavam repelentes delitos, como desvio
de mercadorias, contrabando, sonegação de impostos e fraudes. Surpreendia-nos a
prisão de personagens que jamais poderíamos imaginar em semelhante situação.
Eles supunham que seus crimes passariam despercebidos, por terem sido
habilmente executados, esquecendo-se de que a maldade é sempre descoberta,
porque Deus tudo observa no invisível Mundo Espiritual. A nossa constante
afirmação de que o homem descrente é perigoso, está fundamentada justamente
nisso. Trata-se de um ponto importantíssimo e difícil de ser compreendido até por
pessoas inteligentes.
Uma vez descobertas e condenadas as más ações, as pessoas caem no conceito
público, levando anos para recuperarem a confiança perdida. Muitas, caindo em
descrédito, ficam relegadas para o resto da vida. Reflitamos um pouco. O prejuízo
será muitas vezes superior aos lucros obtidos por meios ilícitos. Na Era Meiji (1868-
1912), o famoso ladrão Sadakiti Shimizu, quando foi preso, assim expressou seu
arrependimento: “Não há coisa pior do que roubar. Se eu dividisse o dinheiro que
roubei até hoje pelo número de dias que se passaram, o resultado seria de apenas
45 centavos por dia.” Concordo que não deve ter sido compensador, por mais baixos
que estivessem os preços na Era Meiji.
Praticar o mal, além de não ser compensador do ponto de vista religioso e material,
também não o é pela inquietação de que o criminoso se torna vítima até ser
descoberto. O maior ignorante é o individuo que comete o mal e sacrifica o próximo
para satisfazer os seus próprios interesses.
Alicerce do Paraíso, “O homem mau é ignorante” – (30/04/49)

“Tanto a criação do Paraíso como a criação do Inferno dependem unicamente


do pensamento do homem.”

Iniciei minha vida religiosa há cerca de trinta anos. Até então, minha maneira de
pensar era pouco eficaz. Eu sempre pensava: “Não devemos praticar más ações, e
sim boas ações.” Ao tentar colocar isso em prática, no entanto, faltava-me coragem.
Dessa maneira, eu era completamente indiferente no que se refere ao Bem e ao Mal.
Creio que na sociedade existem muitas pessoas com pensamento semelhante ao
meu naquela época. Todavia, à medida que minha fé ia se aprofundando, comecei a
compreender claramente não só a relação entre o Mundo Material e o Mundo
Espiritual, mas também a Vontade Divina, e minha maneira de pensar mudou por
completo. De que forma isso aconteceu? As más ações tornam-se grandes pecados,
e as boas ações resultam num bem várias vezes maior, além da nossa imaginação.
Assim, juntamente com a grande mudança do meu estado psicológico, minha diretriz
mudou no sentido de excluir absolutamente o mal e fazer todo o esforço para colocar
em prática o bem. Desde então, de forma surpreendente e misteriosa, meu destino
começou a mudar. Minha confiança aumentou e, quanto mais eu praticava boas
ações, como que em recompensa, as coisas boas vinham às minhas mãos.
Logicamente, eu também ia ganhando a confiança da maioria das pessoas,
confiança que foi aumentando a cada dia, até os dias de hoje. Essa deve ser a
filosofia da felicidade total.
Tais experiências não se limitam a mim. Ao observar numerosas pessoas da
sociedade, constato que, apesar do seu grande esforço, as coisas não correm
conforme o seu desejo. Muitas vezes, vejo pessoas que ficam desapontadas por
terem encontrado obstáculos, por terem tido prejuízos, por não verem os seus
esforços reconhecidos e por não ganharem a confiança dos outros. Ao analisá-las
minuciosamente, no entanto, infalivelmente descubro os pontos em que elas estão
erradas. Principalmente mentiras ditas com toda naturalidade. Isso é o que há de
pior. Tais pessoas, antes de mais nada, devem fazer um exame íntimo de si
mesmas, pois certamente descobrirão a causa dos seus problemas no fundo do
coração. Creio que elas compreenderão que a causa de não conseguirem obter os
resultados desejados, não obstante o seu esforço, são os seus próprios pecados.
Principalmente os religiosos, como foram escolhidos por Deus e têm o compromisso
de serem pessoas exemplares, não devem desviar-se do caminho. Devem manter a
firme disposição de não se envergonharem perante o Céu e a Terra. Tais pessoas
são amadas por Deus, conseqüentemente a proteção Divina também é maior. Como
o seu espírito está sempre alegre, elas gozam de uma vida tranqüila, não criam
inimigos, não granjeiam o rancor de terceiros e passam a ser respeitadas por muitas
pessoas. Assim, tornam-se criaturas felizes. (...)
Revista Tijô-Tengoku nº 173, “Mentira e felicidade” – (01/02/64)
O CAMINHO DO HOMEM

“Nobre é o homem que tem seu pensamento dirigido, a todo momento, para a
Causa Divina, orando pelo bem do mundo e do próximo.”

Já escrevi um artigo intitulado “Como eu me vejo”. Agora, ao invés de me colocar na


posição de terceiros, tentarei analisar-me de forma subjetiva, dando uma visão mais
profunda de mim mesmo.
Creio que, atualmente, não existe uma pessoa tão feliz quanto eu, e por isso minha
gratidão a Deus é constante e profunda. Mas qual será a causa da minha felicidade?
De fato, eu não sou uma pessoa comum, sobretudo porque Deus me atribuiu uma
grandiosa missão. Esforço-me dia e noite para cumpri-la, e todos os messiânicos
sabem que, através dela, um incontável número de pessoas está sendo salvo.
Entretanto, a felicidade tem um segredo fácil de ser praticado mesmo pelas pessoas
comuns, ou melhor, por aqueles que não têm uma missão especial como eu.
Primeiramente, desejo abrir meu coração, mostrando aquilo que é uma tônica em
meu íntimo.
Desde jovem gosto de dar alegria ao próximo, a ponto de isso se tornar quase um
“hobby” para mim. Sempre estou pensando no que devo fazer para que todos fiquem
felizes. Quando acordo pela manhã, por exemplo, minha primeira preocupação é
saber o estado de ânimo dos meus familiares. Se houver uma só pessoa mal-
humorada, já não me sinto bem. Na sociedade acontece justamente o contrário: os
subordinados é que se preocupam com o estado de ânimo dos seus superiores.
Como sou diferente, acho isso estranho e até fico um pouco desapontado. Por esse
motivo, algo que me deixa muito triste é escutar gritos de raiva, lamentações inúteis
e reclamações. Também me é difícil ouvir repetidas vezes um mesmo assunto.
Minha natureza é sempre pacífica e alegre.
O resultado do que acabo de expor é um dos fatores determinantes da minha
felicidade. Por isso eu sempre afirmo: “Se não fizermos a felicidade do próximo, não
poderemos ser felizes.” Acredito que meu maior objetivo – o Paraíso Terrestre –
estará concretizado quando meu estado de espírito encontrar ressonância e
expansão no coração de todos os homens.
Este artigo parece um auto-elogio, mas se, depois de sua leitura, ele puder levar
algum benefício às pessoas, ficarei satisfeito.
Alicerce do Paraíso, “Minha natureza” – (30/08/49)

“Homem forte é aquele que, esquecendo-se de si mesmo, percorre o caminho


correto.”

Mediante observação cuidadosa, constatei que o homem de nossos dias é destituído


de ódio ao Mal. São poucos os que ficam indignados quando sabem que um
inocente está nas garras de um perverso.
Imagino que muitas pessoas, ao lerem o que escrevi acima, refletirão assim: “Que
adianta rebelar-me contra o Mal que atinge os outros? Não fere meus interesses! É
bobagem atormentar-me com tais fatos... Bastam-me as minhas preocupações! A
vida já é tão cheia de problemas e sofrimentos, que o melhor é disfarçar e fingir que
não vejo certas coisas”. Ora, quem pensa assim geralmente é considerado hábil e
dotado de experiência. A seu respeito, costuma-se dizer: “É um sujeito vivido!” Esse
tipo, pretensamente experiente, é tido como padrão, sendo respeitado e imitado por
muita gente.
Na Política, que sempre funciona muito mal, o descalabro é evidente. A maioria dos
políticos e funcionários públicos são corruptos. Ex-dirigentes de sociedades são
denunciados por escândalos de suborno e prevaricação. A onda de crimes avoluma-
se dia a dia. Segundo a opinião geral, urge dar fim à delinqüência juvenil, evitando-
se, dessa forma, um negro futuro para o Japão e para o mundo.
Essas observações que fiz cuidadosamente, demonstram que o Mal não é odiado.
Os funcionários públicos conservam o autoritarismo feudal. Esfriam-se as relações
entre os familiares e aumenta a crise entre educadores e educandos, por ter-se
abraçado a democracia de maneira deturpada. A bela capa da democracia oculta a
exploração dos impostos e o sofrimento do povo sob a opressão do poder
burocrático. O número de problemas desagradáveis é tal, que se torna difícil
relacioná-los.
A causa de tudo isto é uma generalizada despreocupação quanto ao sentido de
justiça, acrescida do egoísmo de muitas criaturas, erroneamente consideradas
“experientes”. Todavia, examinando os fatos, vemos que a sociedade atual não
poderia possuir outras características. Chega a ser lógico.
Em todas as épocas, os jovens possuem vigoroso senso de justiça e ódio ao Mal. Ao
deixarem os bancos escolares, no entanto, enfrentam uma realidade tão inesperada,
que golpeia todas as suas convicções, dissolve seus velhos ideais e exige e
reformulação de seus valores, para que eles adquiram a chamada “experiência da
vida”. Qualquer manifestação do espírito de justiça cria mal-entendidos, suscita
antipatia de superiores hierárquicos e dificulta-lhes o sucesso na profissão. Qualquer
intenção de justiça é considerada como pedantismo ou inexperiência. A essa altura,
o sentimento de justiça é posto de lado, num canto do coração, sendo substituído
pelo “senso prático”. Considera-se, então, que o jovem se aprimorou na arte de viver
em sociedade.
Não digo que isto seja propriamente mau; contudo, o aumento de pessoas
acomodadas afrouxa a estrutura da sociedade e facilita o aparecimento de corruptos
e criminosos. A nossa realidade social torna patente o que acabo de afirmar.
Para definir o valor de um homem, julgo importante verificar a sua dosagem de ódio
ao Mal. Quanto maior ojeriza tiver pelo Mal, mais firme é a pessoa, mais sólido é o
seu caráter. Mas não me refiro ao ódio simplista, que geralmente traz complicações.
Os jovens costumam exaltar-se facilmente, importunar o próximo, ameaçar a ordem
social e causar uma sensação de desconforto à sua volta. Para evitar esse ódio
nocivo, precisam do apoio da Inteligência Suprema. Quem abomina profundamente
o Mal, deve amadurecer seu pensamento, evitar atos impulsivos, dar bons exemplos
à sociedade, praticando tudo que é bom e justo, virtuoso e útil.
Gostaria de contar a minha experiência sobre esse assunto.
Desde menino, desenvolvi um forte sentimento de justiça. Tinha um ódio profundo
pelas desigualdades que há no mundo e muito lutei para reprimir o furor que me
dominava quando sabia de alguma injustiça ou desonestidade. Esse autodomínio é
difícil e doloroso, mas será facilitado se o encararmos como um treinamento Divino
que nos aprimora espiritualmente. Sob esse aspecto, vemos que tal controle minora
o sofrimento e lapida a alma.
Eis uma característica que conservo até hoje: continuo tendo horror pelo Mal. Porém
aceito os fatos, buscando ser tolerante, tomando tudo como provação. A boa norma
de conduta determina o ódio ao Mal, mas também prudência nas ocasiões em que
ele se manifeste. Melhor dizendo, temos de ter cuidado para que esse sentimento
não se mostre exagerado nem prejudique o próximo; que ele não fira o bom senso,
não falte aos preceitos do amor e da harmonia. É um ódio útil, que nos permite
caminhar com um sentimento semelhante ao de Deus.
Alicerce do Paraíso, “Ódio ao Mal” – (25/02/51)

“O homem que procura mostrar a todos os seus próprios méritos revela


mesquinhez de espírito.”

Os homens que não obtêm resultados satisfatórios naquilo que executam com
esforço, ou no que julgam ser uma boa ação, desconhecem a teoria dos efeitos
contrários, ou melhor, falta-lhes discernimento a respeito de sua razão
transcendental. Vou explicar essa teoria dando alguns exemplos. Quem a entender,
não deixará de lucrar com isso.
Dentre os líderes dos fiéis, há os que procuram mostrar-se mais elevados, mais
importantes do que realmente são. Tais líderes acabam recebendo o que merecem
e, conseqüentemente, são menosprezados. Aqueles que sempre mantêm uma
atitude discreta e moderada, atraem maior consideração.
Existem, também, os que gostam de contar seus sucessos, o que não é agradável
para os ouvintes. A exibição é condenável. Quem expõe os fatos tal qual eles se
apresentam, granjeia maior simpatia, e sua palavra discreta o enobrece perante o
ouvinte. Ao prestar um auxílio, evitem falar como estivessem vendendo favores, pois
isso só serve para diminuir o sentimento de gratidão das pessoas. (...)
Alicerce do Paraíso, “Teoria sobre os efeitos contrários” – (03/10/51)

“Se o homem trilhar o caminho correto, despojado de sentimentos


egoísticos,receberá grandes e abundantes bênçãos.”

(...) Nos dias de hoje, o espírito de justiça está sendo muito negligenciado. Se
observarmos os diversos aspectos do mundo ao nosso redor, notaremos que ele é
quase que destituído do espírito de justiça. Tão enormes são os interesses em jogo,
de tal forma predomina a cobiça na mente humana, que, quando alguém se refere à
justiça, é menosprezado.
Todavia, nem sempre as coisas ocorrem como os homens desejam; muito pelo
contrário, os fracassos e desgraças são mais freqüentes que o sucesso. Apesar
disso, nada lhes causa surpresa, como se fosse um estado normal da vida; assim,
eles continuam a viver inconscientemente. Esta é a realidade do mundo moderno.
Para tal situação, no entanto, existe, a nosso ver, uma causa evidente, que a maioria
das pessoas não consegue perceber. É justamente a carência do espírito de justiça,
do qual falarei em seguida.
A maior parte dos homens vive contaminada pelos maus pensamentos, que anuviam
seu espírito. Esta cegueira espiritual os impede de descobrir a causa a que nos
referimos. Tenho certeza disso pela observação que há longo tempo venho fazendo
sobre a sorte dos homens.
A causa da falta do espírito de justiça acha-se relacionada com o Mundo Espiritual,
cuja existência é absoluta, embora ele seja invisível. Naquele mundo, há uma lei de
Deus, rigorosa e imparcial – diferente da lei humana – que julga as ações dos
homens com perfeita justiça. Infelizmente o homem não compreende nem acredita
nisso pela simples menção, e assim, com as próprias mãos, contribui para a sua
infelicidade.
A maioria das pessoas é hábil no falar, no falsificar as aparências e simular um valor
pessoal inexistente. Tudo, porém, será inútil, porque, como eu disse anteriormente, o
olhar de Deus desvenda o íntimo dos homens, cuja sorte Ele decide, pesando o Bem
e o Mal na mesma balança. Se uma verdade tão patente deixa de ser compreendida
até por homens ilustres, cultos, com posição e fama, é porque eles só vêem a parte
superficial do mundo, ignorando a existência da parte principal – o Mundo Espiritual.
Conseqüentemente, forçam a inteligência para falsear a vida e lutam no sentido de
enganar o próximo. Pobres de espírito os que julgam ser isso esperteza!
Não obstante a prova que se evidencia nas conseqüências sempre contrárias a essa
realidade, a generalização de tal conceito faz aumentar o número de criminosos e a
insegurança social. Assim, apesar dos seus desdobrados esforços, quando os
homens procuram realizar algo na sociedade atual, são marcados pelo fracasso,
resultante das pedras lançadas em seus caminhos. Alguns caem na desdita de
figurar nos periódicos como vítimas de casos judiciais. Considero “espertos imbecis”
os indivíduos desse tipo e estou tentando convencê-los dos seus erros. O recurso é
fazer com que eles reconheçam a existência de Deus, e essa tarefa é bastante
árdua. Para tanto, é necessário criar oportunidade para mostrar-lhes o milagre. Eis
por que estou realizando surpreendentes milagres com o poder que me foi
concedido por Deus, e sinto-me jubiloso em saber que o fato está sendo reconhecido
pela sociedade.
Resumindo: a justiça é o próprio Deus; a injustiça pertence ao Mal, sendo própria de
Satanás. Deus é a própria justiça, e Satanás, a própria maldade. Por natureza, Deus
promove a felicidade, e Satanás, a desgraça. O essencial é nos convencermos desta
verdade: tanto a felicidade como a desgraça dependem do comportamento humano.
Para nos tornarmos felizes, é absolutamente necessário basear-nos no espírito de
justiça.
Vemos, portanto, que o Mal jamais compensa. Costumo afirmar que os homens
maus são idiotas. Se o sentido de minhas palavras for compreendido, eles tornar-se-
ão aptos a percorrer o caminho da felicidade. Para isso, três aspectos devem ser
considerados: a justiça menor, de objetivos individuais; a intermediária, baseada no
interesse da comunidade ou da nação; e a justiça ampla, que visa a humanidade. O
Japão foi derrotado, na última guerra mundial, porque se baseou numa
pseudojustiça, que visava somente o seu próprio bem. A justiça menor e a
intermediária são falsas; somente a justiça ampla, que augura benefícios para o
mundo inteiro, é verdadeira, e apenas ela perdurará eternamente. Esta é uma
verdade que se aplica também à Religião.
A Igreja Messiânica Mundial tem por objetivo a construção do Paraíso na Terra –
mundo isento de doença, pobreza e conflito. Isso beneficiará toda a humanidade e
representará a concretização da verdadeira e integral justiça.
Alicerce do Paraíso, “Espírito de justiça” – (23/12/53)
“Tudo se tornará fácil para o homem, neste mundo, se ele respeitar os limites
em todas as coisas.”

Tempos atrás, em determinado lugar, fiquei admirado ao ver um quadro do professor


Yamaoka Teshu. Em cima, estava escrita, com letra bem grande, a palavra Limite.
Abaixo, em letras pequenas, lia-se: “Em tudo os homens dependem dessa única
palavra.” Isso ficou gravado de forma tão profunda em minha mente, que até hoje
não consegui esquecer. Durante dezenas de anos, em diversas ocasiões, lembrei-
me daquele quadro, e a lembrança me foi de grande utilidade.
Muitas palavras sábias vêm sendo ditas desde os tempos antigos, mas talvez
nenhuma tenha me impressionado tanto quanto aquela. É constituída de uma letra
apenas, mas que força maravilhosa! Quando observamos as diversas situações do
mundo tomando-a como ponto de referência, constatamos que ela se encaixa
perfeitamente em todas. Ajusta-se, por exemplo, à passividade, aos exageros, aos
pensamentos extremados voltados para a esquerda ou para a direita, à ostentação
proveniente da riqueza e à inibição motivada pela pobreza. Não sei por que as
pessoas sempre se colocam nos extremos. Talvez seja por isso que, na maioria das
vezes, elas fracassam. A famosa admoestação de Confúcio no sentido de se obter o
meio-termo surgiu para evitar esses fracassos. As expressões antigas “é bom não
exceder o limite”, “o limite é bom”, “guardar o limite” significam, em síntese, que cada
um deve proceder de acordo com a sua própria posição social.
Do ponto de vista espiritual, segundo a doutrina da nossa Igreja, se cruzarmos o
vertical e o horizontal, isto é, “Shojo” e “Daijo”, efetuar-se-á, no centro, a ação de
“Izunomê”. Isso resumido, significa também “limite”. Por conseguinte, antes de mais
nada, o homem deve respeitar os limites. Se o fizer, tudo lhe irá às mil maravilhas.
Alicerce do Paraíso, “O que é limite” – (08/08/51)

“Os homens maus são fracos.


Eles não têm força para vencer os mais diversos pecados.”

Atualmente, fala-se muito sobre os erros sociais, mas esses erros são causados
pela existência de um grande número de criaturas corruptas. Uma rápida visão do
passado mostra-nos que sempre houve necessidade de combater os perversos.
Se examinarmos a psicologia dos que vivem a prejudicar o próximo, veremos que
eles têm plena noção do que fazem, com exceção dos grandes criminosos,
destituídos da menor parcela de discernimento. Quase todos se encaminham para o
Mal em busca de riquezas, bebidas e sexo, embora saibam que isso é condenável.
Sustentam a idéia medíocre de que é impossível a regeneração para os que já
trilharam o caminho do erro. Naturalmente, eles temem a lei; mas, como lhes é difícil
satisfazer honestamente suas ambições, usam de todos os meios para fugir à
punição e esconder seus malfeitos. Mentem e ludibriam com crescente habilidade;
enganar os outros acaba se tornando, para eles, algo extremamente fácil.
Os ludibriados se resignam porque são honestos e não têm experiência dos ardis
utilizados pelos perversos. Isso ajuda a intensificação do crime, e os corruptos
passam a auferir grandes vantagens. Quando o Mal compensa, é muito difícil a
reabilitação. Então, pouco a pouco, eles começam a se afundar na lama do pecado.
Geralmente, o tipo que obtém muito proveito de seus delitos é um criminoso
intelectual, pertencente à classe superior ou média.
Dizem os antigos que todas as pessoas têm sete manias, ainda que não tenham
consciência disso. Creio que as manias do homem malvado não o impedem de
passar por tormentos de consciência ao prejudicar os outros, criando máculas e
infelicidade para si mesmo, nem de reconhecer que o hábito de beber, de gastar em
excesso e afligir a família, é uma fonte de padecimentos. Mas ele não consegue se
dominar e continua agindo de maneira errada. Sabe que o relacionamento
extraconjugal custa dinheiro e que se arrisca a contrair doenças malignas, causando
preocupação aos familiares; entretanto, persiste em seu modo perigoso de viver.
Entrega-se a jogos de azar, que sempre lhe acarretam prejuízo, mas teima em
arriscar a sorte.
Acredito que quase todos nós temos conhecimento de casos semelhantes, tão
comuns hoje em dia. Eis por que me detive nesses aspectos da questão.
Quem não consegue se dominar, apesar de compreender que deve abandonar as
práticas viciosas, é um ser destituído de força, isto é, de verdadeira coragem, o que
há de mais precioso no homem. Costumo dizer: “Quando o homem se enobrece,
identifica-se com Deus”. Manter vigilante esforço contra o Mal, dominá-lo e superá-
lo, significa tornar-se Divino. Esta é a força autêntica, proveniente de Deus. Portanto,
para mim, o perverso não passa de um homem fraco.
Alicerce do Paraíso, “O verdadeiro homem forte” – (29/10/49)
“Aquele que ensina com cortesia, sem distinção da posição que as pessoas
ocupam, está de acordo com a Vontade de Deus.”

Na vida, o treino de humildade é importante, constituindo uma prática tradicional


entre os religiosos. Observamos, entretanto, que falta humildade a muitos
pregadores. Os velhos axiomas “O falcão inteligente oculta as garras” e “Quanto
mais carregada de grãos, mais se curva a espiga de arroz” referem-se à humildade.
Orgulho, mania de grandeza, pedantismo e vaidade produzem efeitos negativos. O
ponto fraco do ser humano é gostar de se exibir, tão logo comece a se elevar
socialmente. Por exemplo, quando um homem que exerce uma profissão comum
passa a ser respeitado dentro da vida religiosa, recebendo uma função de destaque,
sendo chamado de “professor”, “ministro”, etc., poderá indagar a si próprio: “Será
que sou tão importante?” De início, ele se sentirá emocionado, feliz, agradecido.
Com o tempo, no entanto, terá ânsia de ver reconhecida sua importância. Até então
tudo ia bem, mas, com esse novo pensamento, a pessoa começará a se tornar
impertinente e desagradável, embora não tome consciência do que lhe ocorre.
Deus desaprova a presunção. Empurrar as pessoas nas conduções, no meio da
multidão, enfim, em qualquer lugar, para obter situação privilegiada, é falta de
humildade, é uma atitude desprezível, que revela feio egoísmo.
Formar uma sociedade harmoniosa e agradável foi, em todas as épocas, ideal da
verdadeira Democracia.
Alicerce do Paraíso, “Treino de humildade” – (25/01/49)

“Enganar os outros é como apoderar-se, às escondidas, dos seus pertences.”

(...) Claro está que esse conceito é largamente seguido entre os que praticam o mal,
mas o fato é que o crime sempre é descoberto. No fundo, o próprio culpado sabe
disso, porém, como desconhece a razão dessa verdade, não consegue abandonar a
senda do mal.
Considera-se que todo cidadão é independente, apesar de ser um membro da
sociedade, e que, portanto, ele é livre para praticar quaisquer atos. Atualmente,
“viver com inteligência” significa empregar a habilidade exclusivamente no que possa
proporcionar benefícios à própria pessoa. O homem, simulando admiração pelas
palavras dos seus superiores ou religiosos, no íntimo zomba delas, achando que são
tolices. Prende-se a formalidades, tornando-se nulo não apenas espiritualmente,
mas também quanto ao seu valor humano.
Esse é o pensamento moderno da maioria dos homens, os quais, longe de
conseguirem a almejada felicidade, acabam fracassando. E fracassam porque,
embora o mal não seja descoberto pelos outros, a própria pessoa sabe que o
cometeu. Aí é que está o problema, pois o conteúdo do consciente e do
subconsciente reflete-se num local do Mundo Espiritual que corresponde, na Terra,
ao nosso Palácio da Justiça. Pode ser chamado de Fórum do Mundo Espiritual.
Infelizmente, é difícil para o homem, vítima do materialismo, crer na existência do
Mundo Espiritual, que ele nega sumariamente. A ignorância da existência desse
mundo é a fonte do mal. Assim, para extirpar o mal pela raiz é necessário pregar
esta verdade e convencer o homem; não há meio mais eficiente.
Vejamos como é feita a comunicação ao Fórum do Mundo Espiritual.
Há um elo espiritual semelhante ao telégrafo sem fio que estabelece uma ligação
entre cada homem e esse Fórum, no qual as nossas ações são registradas com
assombrosa exatidão. O registrador anota tudo minuciosamente num livro, e os
delitos são julgados de acordo com o grau de perversidade. Por esse julgamento do
Mundo Espiritual, o delito é revelado no Mundo Material, de forma hábil, para a pena
correspondente. Quando o homem tomar consciência desse fato, deixará de cometer
qualquer espécie de mal. Se, ao contrário, praticar bons atos, será recompensado
também, segundo o próprio mérito. Esta é a realidade dos dois mundos, o Espiritual
e o Material. Deus construiu-os sabiamente. Sendo esta a Verdade Absoluta, não há
outra solução a não ser aceitá-la.
Atualmente, a maioria dos homens cultos é cega a essas questões espirituais e
menospreza o ato de revelá-las ao povo. Inclusive mostram-se prevenidos contra a
pregação desse princípio fundamental, considerando-o superstição, quando, na
realidade, são eles que se portam como verdadeiros supersticiosos. A maior prova
do que dizemos é que, apesar de intenso empenho nesse sentido, os delitos não
têm diminuído. A justiça terrena tenta evitá-los punindo-os com medidas provisórias
e superficiais, depois que eles vêm à tona. Estabelece leis que podem ser
transgredidas, deixando de tocar no ponto vital, e a humanidade, imatura, chega a
orgulhar-se do que denomina “Civilização”. Digamos, antes, pela evidência dos fatos,
que estamos vivendo, atualmente, a era da “cultura selvagem”.
Alicerce do Paraíso, “Por que o mal se revela” – (26/12/51)
“Torne-se uma pessoa capaz de suportar todos os reveses da vida,aceitando-
os com um sorriso.”

Diz um velho ditado: “Tolerar o que é fácil está ao alcance de todos, mas a
verdadeira tolerância significa tolerar o que é intolerável”. Outro ditado aconselha:
“Carrega sempre contigo o saco da paciência e costura-o toda vez que ele se
romper”. Encontro boas razões nesses conselhos.
As pessoas me perguntam: “Que práticas ascéticas o senhor realizou? Subiu alguma
montanha para banhar-se numa cachoeira, jejuou ou fez outras penitências?” Então
esclareço que jamais pratiquei tais coisas. Todas as minhas “penitências”
consistiram em tolerar a tortura das dívidas e reprimir a ira. Quem ouve, fica
espantado, mas é a pura verdade. Creio que Deus determinou aperfeiçoar-me
mediante purificações desse tipo, pois continuamente têm aparecido fortes motivos
para eu ficar irritado. Por natureza, detesto irritar-me, mas há sempre alguma coisa
que me afeta nesse sentido.
Certa vez, passei por tanta vergonha devido a um desentendimento, que mal
conseguia encarar as pessoas. Minha indignação atingia o auge e eu não conseguia
reprimi-la. Foi quando me fizeram um convite para comparecer a uma festa. Nas
circunstâncias, o convite era irrecusável. Lá, entretanto, permaneci desligado, sem
poder concentrar meu espírito. Tomei até uma dose de saquê, para me descontrair.
Isso demonstra como eu estava perturbado. Somente após alguns dias consegui
recobrar a tranqüilidade.
Mais tarde, vim a saber que a minha ida àquela festa salvou-me de uma grande
desgraça. Se não fosse a indignação daquele momento, eu não teria comparecido a
ela, e teria recebido um golpe fatal. Realmente fui salvo pela ira e não pude conter
minha gratidão.
Quem tem missão importante, é submetido por Deus a muitos aprimoramentos.
Creio que ter de reprimir a raiva, é uma das maiores provas. Aqueles que têm muitas
razões para irritar-se, devem compreender que sua missão é grandiosa. Se
conseguirem resistir a todo tipo de provocação, mantendo calma absoluta, terão
concluído uma etapa do seu aprimoramento.
Há um episódio interessante que eu gostaria de relatar.
Na Era Meiji, houve um homem famoso pela sua paciência, o Sr. Buei Nakano,
presidente do Conselho Privado de Comércio. Uma vez lhe perguntaram qual era o
segredo de seu espírito de tolerância. Ele respondeu: “Por natureza, eu era irascível.
Mas, certo dia, ao visitar o grande industrial Eiichi Shibuzawa, ouvi-o discutindo com
a esposa no cômodo contíguo àquele em que eu estava. Informado de minha
presença, ele abriu a porta corrediça e veio sentar-se junto a mim. Trazia a
fisionomia serena de sempre; nem parecia vir de uma discussão. Admirei-me e, ao
mesmo tempo, tive a revelação de algo importante: o poder de controlar a ira.
Compreendi que aquele era o segredo de seu prestígio no mundo industrial, e que
eu devia seguir seu exemplo e esforçar-me para reprimir a ira com facilidade. Desde
então passei a disciplinar-me nesse sentido, e tudo começou a correr normalmente
em minha vida, até eu atingir a condição atual. “
Lembrem-se, pois, de que Deus treina e disciplina aqueles que têm uma grande
missão a cumprir. (...)
Alicerce do Paraíso, “Não se irrite” – (25/01/49)
C O M P O R TAM E N TO D O H O M E M N A S O C I E D AD E

“No mundo, há coisas que podem e que não podem ser ditas.
Estejam atentos, nesse sentido, os que seguem este Caminho.”

É tendência do ser humano prender-se aos seus próprios pontos de vista; isso
acontece com mais freqüência entre as mulheres. Trata-se de uma tendência
altamente perigosa, porque aquele que sustenta inflexivelmente as próprias opiniões,
considerando-as verdadeiras, julga o próximo baseando-se nelas, de modo que as
coisas não acontecem como se esperava. Geralmente essas pessoas torturam a si
mesmas e aos seus semelhantes.
É necessário que o homem aprenda a se analisar objetivamente, isto é, crie em si
uma “segunda pessoa” que o veja e critique. Tal prática lhe evitará muitos
problemas.
O Sr. Ruiko Kuroiwa, ex-diretor do antigo jornal Yorozutyoho e famoso tradutor de
romances, também cultivava a Filosofia. Fui ouvinte assíduo de suas palestras.
Citarei um trecho que ouvi e muito me impressionou: “Todo homem nasce
mesquinho. Para aperfeiçoar-se, deve cultivar uma segunda personalidade, ou seja,
nascer pela segunda vez.” Estas palavras ficaram gravadas na minha mente e me
esforcei no sentido de colocá-las em prática na minha vida, o que me trouxe muitos
benefícios.
Alicerce do Paraíso, “Subjetivismo e objetivismo” – (18/03/50)

“As pessoas de alma elevada podem ser distinguidas, em seu relacionamento


com as demais, pela nobreza de suas atitudes.”

Bondade e cortesia são as qualidades que mais faltam ao homem da atualidade.


Há um método que nos permite avaliar o nosso progresso na Fé e o nosso
aprimoramento espiritual. Primeiro, devemos evitar as desavenças; depois,
desenvolver a bondade; por fim, nos tornamos mais corteses. Se conhecermos
alguém com tais atributos, veremos logo que é pessoa polida, que se aprimorou e
que possui o intrínseco valor da Fé. Essa pessoa será estimada e respeitada por
todos; suas atitudes valerão como uma silenciosa divulgação de Fé; servirá como
exemplo de Fé concretizada em atos.
Mas o mundo atual mostra-nos, a todo instante, como é carente dessa bondade e
cortesia. Por toda parte, o ser humano vive a esmiuçar os defeitos alheios, odiando e
recriminando a toda gente, salientando sempre os seus aspectos desagradáveis.
Podemos afirmar que quase não existe cortesia no homem moderno. Há, nele, um
requinte de egoísmo, grosseria, espírito calculista e constante desculpa para todos
os erros que comete. Não lhe importa ser desagradável aos outros.
Tal procedimento jamais foi liberdade democrática; é um exagero nocivo, um abuso
do egoísmo. Em tudo isso, o mais desprezível é que o homem se transforma em
delator e perseguidor de seu próprio irmão, porque escasseia o sentido de amor
humano. O aumento desse tipo de gente obscurece a sociedade, esfria o
relacionamento entre os homens e engrossa a fileira dos desiludidos. Por isso é que
os suicídios aumentam cada vez mais.
A verdadeira civilização resultará do crescente número de pessoas que agem
conforme o cavalheirismo inglês ou a filantropia americana. Ser fiel às regras morais
permite a formação de uma sociedade agradável, onde reina o conforto. Se tal
sociedade puder ser criada, o Paraíso será uma realidade para o homem.
No Japão, há um assunto que tem interessado a muitos: a necessidade econômica
de desenvolver o turismo. As instalações materiais são importantes; mais
importante, no entanto, é a boa impressão que possam ter aqueles que nos visitam.
Bondade, higiene e cortesia não custam dinheiro e são elementos essenciais, que
atraem os turistas.
A formação desse homem bondoso e cortês depende unicamente da Fé e constitui a
diretriz de nossa Igreja, que, nesse sentido, vem se desenvolvendo cada vez mais.
Alicerce do Paraíso, “Bondade e cortesia” – (25/10/50)

“É agradável ouvir as pessoas dizerem palavras francas, tais como: “Branco é


branco”.”

Meishu-Sama: De modo geral, detesto Religião.


Sr. Konishi: Nunca vi Líder Espiritual como o senhor. Já me encontrei com vários
Líderes Espirituais de outras religiões, mas alguns, assim que me viam, faziam
ameaças, e outros oravam “Nan-myo-ho-ren-gue-kyo”.
Meishu-Sama: Detesto terminantemente esse tipo estranho de Líder Espiritual ou
fundador de religião. É muito mais cômodo manter-me como uma pessoa comum, e
acredito que essa é a maneira correta. Embora nos digamos religiosos, também
somos homens, não é verdade?
Sr. Takeuchi: Eu também, quando fui visitá-lo pela primeira vez, em Gora, pensei
que o senhor se apresentaria com alguma vestimenta estranha, mas, ao vê-lo
fumando tranqüilamente, fiquei deveras curioso. Observando do ponto de vista do
caráter do seu Líder Espiritual, a Igreja Messiânica Mundial não ameaça as pessoas
e não dá qualquer impressão de Igreja sombria, por isso acho-a muito boa.
Meishu-Sama: Em suma, ela não tem cheiro de religião, não é mesmo?
Sr. Takeuchi: Realmente, ela não cheira a sermão.
Meishu-Sama: Não faço questão disso, o que importa é o trabalho realizado. Basta
que ele se torne realmente útil à sociedade e à salvação do mundo.
Sr. Takeuchi: A Igreja Messiânica Mundial possui características culturais, e o seu
sabor todo peculiar é que me atrai.
Jornal Eiko nº 194, “Meishu-Sama fala amplamente sobre a situação internacional e
questões relacionadas à Medicina e à Agricultura”.- (04/02/53)

“Aquele que consegue encontrar uma solução harmônica para qualquer


problema é amado e respeitado por todos.”

É do conhecimento de todos que o fato de se ter boa ou má reputação está


relacionado ao destino do homem. Talvez nem possam imaginar o quanto influi no
destino de uma pessoa o fato de confiarem nela, por ter boa fama, ou se
acautelarem contra ela, por ter má reputação. Naturalmente, não há nada melhor do
que se ter boa fama. E como isso tem grande importância também no âmbito da Fé,
falarei a respeito.
Satanás vale-se muito dessa situação, e a nossa Igreja vem sendo seu alvo até o
momento. Seu método consiste em utilizar-se dos meios de comunicação,
espalhando boatos para destruir a boa reputação de nossa Igreja. Ela sofre bastante
com isso, no que se refere à sua expansão, motivo pelo qual não podemos nos
descuidar. Principalmente em casos individuais, é preciso grande precaução.
Mais do que tudo, o homem é movido pelos sentimentos; portanto, mesmo que seja
por algo mínimo, atingir seu sentimento é muito mais desvantajoso do que se pensa.
Para que isso não aconteça, não devemos impor o nosso eu, isto é, precisamos ser
tolerantes em relação às outras pessoas, entrando no ritmo de sua conversa,
mesmo que elas estejam falando o que nos parece errado. Seja qual for a situação,
nunca se deve pensar em ganhar, e sim em perder. O ditado “perder para ganhar” é
muito significativo. Eu sempre me utilizo desse método, e os resultados são sempre
os melhores. Entretanto, embora digamos que é preciso perder, existem ocasiões
em que não se deve perder. Mas isso não vem ao caso, pois é muito raro. Se, em
dez casos, a pessoa perder oito ou nove, sairá ganhando. Quando Cristo, prestes a
ser pregado na cruz, disse: “Venci o Mundo”, creio que estava ensinando essa
verdade. Exemplificando com a minha longa experiência, foi perdendo muitas vezes
que eu consegui chegar ao que sou hoje. Todavia, os homens se esforçam ao
máximo para ganhar, pensando sempre: “Não vou perder, jamais serei vencido”.
Esse é um ponto em que eles precisam se corrigir.
Alicerce do Paraíso, “Sentimento e reputação” – (28/10/53)
“Quem não menospreza nem mesmo as coisas insignificantes é capaz de
realizar grandes feitos.”

O ser humano que realmente realiza grandes feitos, deve se preocupar com as
pequeninas coisas. Quem se preocupa com as coisas grandes e não percebe as
pequenas, torna-se um fracassado. Mesmo possuindo grandes idéias, a pessoa
deve também cultivar os pensamentos pequenos. Concluindo: se ela não perceber
as coisas pequenas, não poderá realizar grandes feitos. Logo, não devemos ser
“Daijo” nem “Shojo”, isto é, não podemos pender para um dos lados. O fato de se
dizer que devemos ser “Daijo”, já significa tender para um dos extremos.
Registro de Orientações vol. 26 – (01/11/53)

“As pessoas de visão estreita são dignas de pena, pois perdem de vista o
Grande Caminho.”

Existem adeptos fervorosos que criticam os métodos dos dirigentes da Igreja a que
pertencem, impacientando-se quando estes não ouvem seus conselhos relativos às
reformas que lhes parecem necessárias. Como o número desses adeptos é muito
grande, escreverei sobre o assunto.
Não condeno os fiéis que agem assim, pois sua atitude é ditada pela sinceridade;
mas o fato exige muita reflexão, porque o pensamento deles está baseado na fé
“Shojo”. A nossa Igreja caracteriza-se pela fé “Daijo” e por isso difere muito do
pensamento comum da sociedade em geral.
Julgar o próximo é uma presunção. Se não reconhecermos esse ponto, não
poderemos agradar a Deus. Somente Ele conhece a bondade e a maldade dos
homens. Já escrevi a respeito uma vez e aconselho muita prudência. Caso o fiel
estiver errado ou for má pessoa, Deus se encarregará de julgá-lo, sendo
desnecessário qualquer preocupação de nossa parte. A preocupação não significa
falta de confiança no poder de Deus? Isso é comprovado por inúmeras experiências
de antigos fiéis que foram julgados por Deus, muitos deles perdendo até a vida por
causa de uma fé errada. Portanto, devem conhecer a si próprios muito bem, antes
de pretenderem julgar o próximo.
Não há fiéis com más intenções, já que ingressaram em nossa Igreja. Sei
perfeitamente que todos são sinceros; entretanto, como há vários níveis de
sinceridade, é preciso muita atenção. Isso nada mais é do que a minha costumeira
frase: O Bem de “Shojo” vem a ser o Mal de “Daijo”. Qualquer bem ou sinceridade de
caráter restrito resulta em mal.
Desde a criação deste mundo, nunca houve religião que tivesse um objetivo tão
elevado quanto o nosso, isto é, salvar toda a humanidade. Por conseguinte, os
problemas internos da Igreja devem ser confiados a Deus. Os fiéis precisam ter
sempre em mente a sociedade, o mundo, ou melhor, dirigir a vista para fora, e não
para dentro.
Desejo acrescentar que a Providência de Deus é demasiado profunda para ser
compreendida pela inteligência humana. Nos ensinamentos da Igreja Oomoto consta
a seguinte passagem: “Aquele que considera o Mundo Divino inatingível pela
sabedoria humana, é um esclarecido.” E também esta: “Pergunto se seria possível
fazer a reconstrução dos três mil mundos(9) com uma Providência facilmente
compreendida pelos seres humanos.” Estas palavras são realmente simples e bem
( 9)
Expressão budista referente a todos os mundos contidos no Universo.
claras.
Alicerce do Paraíso, “Presunção” – (12/09/51)

“Proceder de acordo com a Vontade de Deus, é o caminho mais fácil para se


viver neste mundo atribulado.”

O grande caminho do “Kamu-nagara” (de acordo com a Vontade de Deus) vem a ser
o caminho natural. Por isso, na época em que eu morava em Oomori, quando
acontecia alguma coisa e não me surgia uma boa idéia, eu sempre dizia: “Deixe
acontecer de acordo com a Vontade de Deus”. Quem não compreende isso, tenta
agir com a sua própria força e acaba sofrendo. Isso não é bom. O importante é
conhecer a fragilidade da força humana. Napoleão disse que no seu dicionário não
existia a palavra impossível, mas ele dizia isso por desconhecer a fraqueza do
homem. Por essa razão acabou exilado na ilha solitária de Santa Helena. Hitler e
Tojo também eram assim.
Fala-se também, freqüentemente, no domínio do homem sobre a Natureza, mas não
há equívoco maior do que esse. O certo é o homem submeter-se à Natureza e viver
em harmonia com ela. Se o homem disser que vai dominar a montanha, o “tengu”
das montanhas ficará irritado, e ele será castigado. Antigamente, fazia-se pedido de
proteção ao deus da montanha, por isso os acidentes eram reduzidos. As
montanhas, o mar, tudo é governado e protegido pelos seus respectivos deuses. Se
dissermos tais coisas nos dias de hoje, vão dizer que somos antiquados e primitivos,
mas essas pessoas são muito mais antiquadas e primitivas.
Registro das Palavras de Luz - Suplemento – (18/08/48)
“Homens, não estranhem.
Seus desejos nem sempre se realizam por causa das máculas existentes em
seu espírito.”

Como já falei anteriormente, os três planos do Mundo Espiritual – Superior,


Intermediário e Inferior – dividem-se em nove níveis, e cada nível, por sua vez,
subdivide-se em vinte camadas, num total de cento e oitenta camadas. Eu as chamo
de Camadas do Mundo Espiritual. Acima dessas camadas, assenta-se o
Superintendente do Universo, o Deus Supremo. A letra com que se escreve a
palavra “Sushin” (Deus Supremo) é composta de três traços horizontais, um traço
vertical e um acento em cima, o que me parece interessante.
Explicarei detalhadamente a relação entre o homem e o espírito. O homem tem um
espírito com a mesma forma do corpo; no centro do espírito, existe o sentimento; no
centro do sentimento, existe a alma. Dessa forma, o espírito possui três níveis
grande, médio e pequeno – ou melhor, um está sobre o outro, formando três
camadas. Na verdade, a alma foi concedida por Deus e é a própria consciência. A
terra natal dessa alma, isto é, a sua origem, que deve ser chamada de local de
nascimento, fica numa das cento e oitenta camadas citadas acima, e eu lhe dei o
nome de Yukon. O Yukon está ligado à alma do homem através do elo espiritual. O
pensamento e os atos do homem são transmitidos incessantemente ao Yukon, que
está ligado com Deus, e a ordem dada por Deus é transmitida ao homem através do
Yukon e do elo espiritual. Como prova disso, às vezes a pessoa arquiteta diversos
planos e se esforça para alcançar os seus objetivos, mas os planos seguem uma
direção diferente da desejada. No caso de deparar com um destino inesperado, se a
pessoa refletir, verá que existe um dominador que ela não consegue enxergar. A
maioria das pessoas já teve a experiência de sentir-se manipulada. Esse dominador
é a Vontade de Deus, que lhe está sendo transmitida pelo Yukon. Se a pessoa
contrariar a Vontade de Deus, quanto mais ela se esforça, mais contrários são os
resultados. Por conseguinte, o homem precisa fazer sempre uma profunda reflexão,
para ver se o seu pensamento está ou não de acordo com a Vontade de Deus.
Entretanto, se existirem más intenções, de interesse próprio, cria-se um obstáculo
para a transmissão da Vontade de Deus; por isso, apesar de o plano parecer bom
por uns tempos, sobrevém, infalivelmente, o fracasso.
Segundo o princípio acima, no caso de traçar qualquer plano, a pessoa deve refletir
muito bem sobre si mesma e analisar profundamente se os objetivos são bons ou
não, e se eles serão úteis à sociedade humana. O interessante é que, devido aos
maus pensamentos, as coisas não correm de acordo com a Vontade de Deus, e
nesse caso, pelo sofrimento decorrente do fracasso, os pecados são diminuídos.
Dessa maneira, a alma é polida, e da próxima vez o plano passa a coincidir com a
Vontade de Deus e tem êxito. Na sociedade, há muitos exemplos de pessoas que
obtiveram êxito depois de fracassarem uma vez. E quanto maior é o número de
fracassos, maior o sucesso. Isso se explica pelo princípio acima.
Assim, assentar sua alma no nível mais alto das camadas do Mundo Espiritual é o
único meio para uma pessoa se tornar feliz. Originariamente, a posição da alma não
é fixa; está sempre subindo e descendo. Quanto mais leve, mais ela sobe; quanto
mais pesada, mais ela desce. E por que a alma é leve ou pesada? A causa são as
boas e as más ações do homem. Praticando-se boas ações e acumulando-se
virtudes, os pecados diminuem, e por isso a alma torna-se leve. Praticando-se más
ações, acumulando-se crimes, os pecados aumentam, e então a alma torna-se
pesada. A velha expressão “carga pesada do crime”, expressa muito bem essa idéia.
Além disso, através do elo espiritual, os próprios pensamentos, palavras e atos do
Bem e do Mal são transmitidos diretamente a Deus. Conhecendo esse princípio, não
tem como a pessoa não se tornar virtuosa.
Coletânea Série Jikan vol. 3, “Camadas do Mundo Espiritual” – (25/08/49)

“Neste mundo, não há outra alternativa para o homem a não ser o Caminho da
Fé.”

(...) Não chega a ser legislação do caminho, mas é caminho e é lei. Estar no
Caminho significa estar de acordo com o “Dori”(caminho perfeito). Por desvio do
Caminho ocorrem as dificuldades entre os homens, a desarmonia no lar e a
perturbação da ordem pública. Não existem somente as leis criadas pelo homem;
existem também as Leis Divinas, que não são visíveis aos nossos olhos, mas que de
forma alguma podem ser infringidas. Devemos saber que todos os infortúnios do
homem são punições decorrentes da infração das Leis Divinas. Na realidade, essas
punições são muito mais rigorosas que as leis do homem e não podemos
absolutamente livrar-nos delas. Naturalmente, existe também a pena de morte; trata-
se da morte por calamidades, por doença, etc., que vem a ser a punição por ter a
pessoa violado as Leis Divinas.
Existem leis regendo todas as coisas. A lei é o critério, a ordem de todas as coisas.
Em suma, o pensamento e a ação do homem já estão pré-determinados. O político,
o educador, o religioso, o artista, o administrador, o comerciante, o médico, o
homem, a mulher, para todo ser humano há uma lei estabelecida, que ele deve ou
não observar. As coisas vão bem e a pessoa prospera quando ela observa essa lei.
Desde antigamente fala-se em não transgredir a lei, mas creio que o sentido é
esse.(...)
Jornal Eiko nº 102, “O caminho que reduz os sofrimentos e o caminho da civilidade”
– (02/05/51)
HONESTIDADE E MENTIRA

“Realmente é tolo aquele que mente. Fere a si mesmo com a sua própria
língua.”

Sem dúvida, os leitores ficarão espantados se eu disser que não existe um povo tão
desprovido de ambição como os japoneses. Entretanto, não posso deixar de dizê-lo,
pois é a pura verdade. Acontece simplesmente que a maioria das pessoas não
percebe isso.
Dando exemplos concretos, os japoneses da atualidade quase não se interessam
em ganhar a confiança do próximo. Falam, sem a menor perturbação, mentiras que
inevitavelmente serão descobertas, ou que estão mais do que evidentes. E o pior:
mentiras que serão descobertas assim que eles virarem as costas. Mais do que tudo,
existem muitas pessoas que não cumprem os horários combinados. Isso também
constitui uma mentira, mas, achando que é algo muito natural, qualquer pessoa faz
dessa prática uma rotina. Quando se vai fazer uma compra, o vendedor e o
comprador mentem um para o outro. Como o vendedor não lucra se for muito
honesto, talvez, até certo ponto, a mentira seja inevitável, mas em geral elas são
exageradas. Em primeiro lugar, o tempo que os dois perdem nas negociações e
complicações burocráticas é insuportável; além do mais, um perde a confiança no
outro. Como o comprador pede desconto, o vendedor aumenta o preço, e vice-versa.
Tratando-se de negócios de maior vulto, é preciso fazer-se ofertas e contra-ofertas,
durante meio dia ou um dia inteiro, havendo até os que demoram dias ou meses.
Assim, é um grande desperdício de tempo e dinheiro para ambos os lados.
Dar exemplo de si próprio é meio constrangedor, mas, quando vou fazer compras,
sou do tipo que quase nunca pede desconto. Só quando os artigos são
espantosamente caros ou quando percebo que vou ser enganado é que me vejo
forçado a regatear, porém é muito raro. Ajo assim porque, se eu pechinchar, não há
dúvida de que o vendedor aumentará o preço na próxima ocasião; ai eu vou
pechinchar outra vez, e assim por diante. Isso dá muito trabalho e só causa
experiências desagradáveis.
Os exemplos acima relacionam-se a compra e venda, mas o mesmo parece ocorrer
com os funcionários de órgãos públicos e empresas privadas. Querendo subir rápido
na vida, eles gostam de mostrar suas realizações, de contar seus feitos para todos e
de se apresentar como benfeitores. Acham-se espertos por agirem dessa maneira,
mas, como seus chefes têm percepção mais aguda, acabam descobrindo a verdade
e pensando: “Este indivíduo mostra-se bom diante dos superiores, mas não deve ser
leal de coração”. Assim, tais pessoas não se tornam dignas de confiança. Os
empresários, por sua vez, gostam de mostrar que têm dinheiro, quando na realidade
não o têm; querem mostrar que têm apoios poderosos atrás de si e anunciar que
seus empreendimentos são muitíssimo vantajosos. Entretanto, ainda que eles
triunfem momentaneamente, estas artimanhas nunca dão bons resultados.
O que acabamos de dizer também se aplica, freqüentemente, à propaganda feita
pelos padrinhos de casamento. Quando alguém apresenta o proponente de
casamento e o elogia além do que ele merece, mesmo que o casamento fique
acertado, será um desastre, antes ou depois de realizado. Além disso, os noivos e
seus familiares serão prejudicados, e o padrinho ou a pessoa que serviu de
intermediário, daí por diante não será merecedor de confiança. Muitas vezes,
também, acontece de ser feita uma intensa propaganda de remédios e cosméticos
que, por um momento, são muito bem vendidos, mas que acabam não tendo mais
saída, por seus efeitos não corresponderem à propaganda.
Os exemplos são tão numerosos que parecem não ter fim. Resumindo, em todos os
nossos empreendimentos a confiança deve estar em primeiro plano. Se perdermos a
confiança dos outros, será o nosso fim. Ainda que façamos tudo com perfeição, nada
dará certo. Será o mesmo que tentar encher uma peneira com água. Todavia, parece
que pouquíssimas pessoas percebem isso. Muitas, embora julguem ter feito algo
com inteligência, visando grandes lucros, acabam perdendo a confiança do próximo.
Perdem todo o seu trabalho, restando-lhes apenas o cansaço. Quem age dessa
maneira não possui ambição. Portanto, se agirmos honestamente, sem mentir, nos
tornaremos pessoas de quem todos dirão: “O que essa pessoa diz não tem erro.
Tratando-se dela, posso ter absoluta confiança”. Assim, é lógico que ganharemos
dinheiro, subiremos na vida e seremos amados e respeitados pelos outros. Esse tipo
de pessoa é que tem verdadeira e profunda ambição. Aliás, eu sempre costumo
dizer que o homem deve ter grandes ambições, mas a ambição de bens eternos, e
não de bens momentâneos.
Alicerce do Paraíso, “Os japoneses não têm ambição” – (01/11/50)

“Quanto mais honesta for a pessoa, maiores bênçãos lhe serão concedidas por
Deus.”

Existem muitas pessoas que seguem uma religião, mas o homem de verdadeira fé é
raro. O fato de alguém se considerar um verdadeiro religioso, nada significa, porque
o julgamento está baseado num critério subjetivo. Só é de fato um verdadeiro
religioso aquele que assim for reconhecido objetivamente.
É necessário distinguir claramente como age um autêntico homem de fé.
Teoricamente é simples: que inspire confiança nos que convivem com ele; que todos
confiem nas suas palavras; que, no contato com as pessoas, elas sintam que só lhes
advirá o bem, porque ele é uma pessoa excelente.
Obter tal confiança não é difícil. O essencial é não mentir e favorecer primeiramente
o próximo, deixando os interesses pessoais relegados a segundo plano. As pessoas
devem comentar a respeito desse homem: “É alguém que me ajudou, que me
salvou... É pessoa muito bondosa... Seria um grande prazer tê-lo como amigo. É
uma criatura muito agradável...” Tal indivíduo certamente terá o respeito e a estima
de todos, o que é muito compreensível. Nós mesmos, se encontrássemos uma
pessoa assim, desejaríamos cultivar sua amizade, confiar-lhe nossos problemas, e
nos sentiríamos ligados a ela. Essa dedicação, entretanto, não pode ter caráter
passageiro. Exemplifiquemos com o arroz: quem se habitua com ele, a cada dia o
acha mais saboroso. O homem de verdadeira fé pode ser compara do ao arroz.
No mundo, predominam pessoas que contrariam tudo o que acabamos de dizer:
suas ações comprometedoras levam-nas a perder a confiança do próximo, sem que
isto as preocupe. Mentem de tal forma, que podem ser desmascaradas a qualquer
momento. Embora possuam boas qualidades, suscitam desconfiança e se
desvalorizam aos olhos dos outros.
Mentir é uma grande tolice; basta uma pequena mentira para se ficar desacreditado.
Se investigarmos por que certas pessoas não melhoram de situação, embora sejam
esforçadas e assíduas no trabalho, veremos que elas não merecem crédito, devido
às suas mentiras.
A confiança é realmente um tesouro. Quem a merece jamais passará por
dificuldades monetárias, pois todos sentirão prazer em lhe fazer empréstimos. Estou
me referindo à confiança entre os homens; mas obter a confiança de Deus é algo de
valor inestimável. Se a conseguirmos, tudo correrá bem e teremos uma vida repleta
de alegrias.
Alicerce do Paraíso, “Fé é confiança” – (18/06/49)

“Nenhum tesouro, por mais valioso que seja, supera o tesouro da


honestidade.”

Quando observo a sociedade atual, constato que existe um grande número de


gananciosos. Entretanto, embora possa parecer estranho, não são pessoas
verdadeiramente gananciosas, porque buscam apenas o sucesso momentâneo, não
percebendo que mais tarde só terão prejuízos. Dizem mentiras bem arquitetadas,
mas, como a mentira é sempre desmascarada, acabam perdendo totalmente a
confiança dos outros. Quanto mais hábil for o mentiroso, mais tempo levará para ser
descoberto. Por isso, durante algum tempo, ele pode pensar que teve vantagens; no
entanto, a verdade sempre vem à tona. Criaturas assim enganam-se ao julgar que
nunca serão desmascaradas e por esse motivo não se corrigem, continuando a
enganar o próximo. Obviamente, são materialistas, não acreditam na existência de
Deus. Quando são descobertas, é o seu fim: toda a confiança que nelas se
depositava cairá por terra. Com isso terão perdas incalculáveis, pois ninguém mais
lhes dará atenção.
Em tais ocasiões, fico com pena dessas pessoas e ponho-me a pensar que, se elas
tivessem agido honesta e corretamente desde o início, agora seriam merecedoras de
crédito e estariam obtendo grandes lucros, ao invés das vantagens efêmeras que
tiveram. Com esse procedimento, elas mostram não ser gananciosas de fato. A
maioria dos indivíduos que estão em apuros por causa de dinheiro ou cujos
empreendimentos não vão bem, são pessoas gananciosas, mas do tipo sem
ganância.
Quaisquer que sejam as circunstâncias, o homem deve conquistar, em primeiro
lugar, a confiança de todos. Não há riqueza maior. Da riqueza chamada confiança
surgem “juros” sem limites, e mesmo que, socialmente, lhes faltem recursos, os
“ricos” desta ordem nunca ficarão em má situação. Por esse motivo, enquanto as
pessoas não crerem na existência de Deus, nada há de dar certo com elas. Para
isso, só há um caminho: a fé. Aqueles que a têm, são possuidores de um tesouro
sem limites e, além de verdadeiramente felizes, são criaturas da ganância mais
autêntica.
Alicerce do Paraíso, “Gananciosos sem ganância” – (11/02/50)

“Neste mundo, ocorrem freqüentes desgraças porque é grande o número de


pessoas falsas.”

Entre as várias espécies de hábitos, existe um, pouco percebido, que é o da mentira.
O homem moderno mente demais, baseando-se na idéia errônea de que será bem
sucedido. A maioria, acostumada a esse mau hábito, nem sequer toma consciência
de que está mentindo. Quando isso ocorre com os meus subalternos, costumo
chamar-lhes a atenção, mas muitos deles parecem ter perdido a noção da diferença
entre a verdade e a mentira. Só percebem haver mentido e pedem desculpas depois
de eu lhes ministrar uma lição bem clara a respeito. O hábito faz com que o povo
moderno se perca, incapaz de distinguir os limites entre a mentira e a verdade.
Deixarei de lado as mentiras inconseqüentes, que não merecem análise especial,
para cuidar das maiores, mais graves, por serem conscientes e premeditadas. Entre
elas, começaremos por analisar as mentiras proferidas pelos políticos. Estes, muitas
vezes, são censurados por deixarem de cumprir as promessas de uma boa política e
planejamento, feitas durante pomposas propagandas eleitorais. Há, também, muitos
parlamentares que desprezam os compromissos assumidos com os seus eleitores,
julgando essa atitude perfeitamente normal. Existem educadores cujos atos
contradizem a grandeza de suas palavras, e é comum os jornais publicarem artigos
de caráter duvidoso. As propagandas exageradas não constituem exceção. Os
impostos representam o maior problema. É uma competição de mentiras, entre
fiscais e contribuintes, de caráter sumamente complicado e desagradável.
Os assuntos que se seguem também são muito conhecidos. Já nos tempos antigos
se dizia que as mulheres do mundo da prostituição aprendem a mentir desde
crianças e, quando conseguem aprovação, estão aptas a exercer a profissão. Há
médicos que mentem, dando esperanças a pacientes incuráveis, e agem assim
porque, do contrário, não conseguem sobreviver. Também desaprovo os bonzos que
fazem uso freqüente das “mentiras de ocasião”. As conhecidas táticas empregadas
pelos comerciantes são mentiras aceitas pelo público. Com estas variedades,
embora resumidas, podemos afirmar que o mundo é um complexo de mentiras.
Principalmente o acentuado hábito de mentir, entre os japoneses, é conhecido
mundialmente, mas não é nada honroso.
Estamos falando simplesmente em mentiras, mas há aquelas que não causam muito
prejuízo e aquelas que são malignas. Entre estas, a que se segue é um problema
muito sério. Trata-se da mentira das autoridades que julgam os crimes, como no
“Caso Mitaka”, que recentemente inflamou os jornais. Entre vários criminosos
condenados à morte, apenas um foi totalmente absolvido. Outro exemplo é o caso
de dois elementos condenados a trabalhos forçados por homicídio. Hoje, após três
anos, apareceu o verdadeiro criminoso, que se entregou espontaneamente.
Podemos citar, ainda o “Caso Taizo”, ocorrido em Oossaka, no qual dois elementos a
quem o promotor infligiu uma pena de cinco anos de trabalhos forçados foram
absolvidos. Fatos semelhantes têm ocorrido freqüentemente, mas essas pessoas
são realmente vítimas da mentira dos promotores. Talvez achem incrível o fato de
um promotor mentir, mas isso acontece de vez em quando. A prova se evidencia no
notável esforço que o Ministério Público vem empregando, baseado em suposições,
para criar criminosos, desde a ocorrência de um caso até o julgamento final. Sempre
que isso se repete, penso insistentemente no motivo de tanto interesse em culpar
cidadãos inocentes. É realmente um enigma, para o qual não existe explicação. A
profissão de promotor exige a condenação de um criminoso, mas a condenação de
um inocente foge ao nosso raciocínio. É difícil saber prontamente se um suspeito é
ou não responsável por um crime, mas creio ser possível distinguir o branco do
preto, após uma breve investigação.
O desejo de mentir parte do pensamento otimista segundo o qual é impossível a
mentira vir à luz. A teoria da inexistência de Deus favorece o argumento de que a
mentira perfeita é sinal de inteligência – o que constitui um erro gravíssimo. A
existência de Deus é uma realidade, e a mentira, mesmo bem pregada, é
passageira, estando sempre sujeita a ser descoberta. Isso acarreta um grande
prejuízo a quem mente, porque, contrariando seu objetivo primordial, a pessoa se
expõe à vergonha de ter o seu crédito destruído e ser-lhe imposto um castigo. O
mentiroso pensa que Deus não existe, simplesmente porque Ele é invisível. Neste
ponto, iguala-se aos selvagens, que não acreditam na existência do ar porque não o
vêem. Pobre homem civilizado, completamente mergulhado no hábito da mentira!
Portanto, compreendendo este princípio, é lógico que de nada adianta ter uma
atuação admirável. Principalmente aqueles que exercem a sagrada profissão de
julgar o bem e o mal dos outros, devem prestar a máxima atenção a esse ponto.
Eles julgam as pessoas, mas, no final, serão julgados por Deus. Se não conseguem
acreditar num fato tão evidente, significa que estão totalmente enquadrados no
hábito da mentira. Sendo assim, nosso grande desejo é que todos os magistrados se
tornem fiéis de religiões corretas e conheçam a realidade de Deus. Nos Estados
Unidos, os promotores são, antes de mais nada, possuidores de sentimentos
humanos, de modo que, lá, os julgamentos se processam de forma relativamente
imparcial. Isso, inegavelmente, deve-se ao grande número de cristãos existentes
naquele país.
Alicerce do Paraíso, “O hábito da mentira” – (05/09/51)

“A semente que gera todos os males é a predisposição que os homens têm


para mentir e falsear.”

(...) Devemos tomar cuidado, principalmente, com o que se refere à mentira. Os


japoneses são conhecidos mundialmente como mentirosos, e isso é uma verdade.
As pessoas que mentem freqüentemente, acabam se acostumando e passam a
achar que não são tão mentirosas assim. Colocando alto o critério do seu próprio
sentimento e fazendo uma análise aguçada, com certeza a pessoa conseguirá
descobrir a existência da mentira. Baseado nisso, vou falar sobre uma mentira que
quase não se percebe.
Trata-se do não-cumprimento de horário. Certamente são poucos os japoneses que
cumprem rigorosamente os horários. Neste sentido, toda vez que ouço falar sobre
estrangeiros que os cumprem rigorosamente, sinto inveja deles. Combinar um
horário e não cumpri-lo significa enganar a pessoa; significa que se contou uma bela
mentira. E não se limita à mentira. Como a pessoa fica irritada, isso gera máculas.
Contraem-se máculas duplamente. Na sociedade japonesa tem se tornado natural o
não-cumprimento dos horários e parece que são muito poucas as pessoas que se
preocupam com isso. Há um antigo ditado que diz: “A mentira é o primeiro passo
para o homem se tornar ladrão”. Talvez isso seja verdade, mas embora não
cheguem a roubar, as pessoas cometem alguns logros.
Sobre o assunto, vou falar da minha pessoa. De manhã, quando me levanto, traço
de certa forma os meus planos para o dia. Programo que de tal a tal hora ou de tal a
tal minuto vou realizar determinada tarefa. Entretanto, quando a pessoa que se
comprometeu a chegar num determinado horário se atrasa, o meu plano vai por
água abaixo. Às vezes, fica totalmente desfeito. Devido a isso, os trinta minutos
previstos para a entrevista acabam reduzidos a dez ou quinze, tornando-se
impossível obter bons resultados. Naturalmente, devido também ao
descontentamento da pessoa. Nessas ocasiões, eu penso profundamente no
baixíssimo conceito sobre os japoneses em matéria de horários. Todavia, se
realmente desejam modificar esse conceito, eles precisam, o quanto antes, passar a
cumpri-los rigorosamente, e isso, certamente, será o início da extinção da mentira.
Sempre achei e aqui desejo dizer que, como primeiro passo para a construção do
novo Japão, todos os japoneses devem começar pelo rigoroso cumprimento dos
horários.
Outrora ocorreu o seguinte fato. O famoso Sr. Kato Takaaki, que se casou com a
filha do milionário Iwassaki Yotaro e até se tornou Primeiro Ministro do Japão,
trabalhava, quando jovem, na filial da Loja Mitsubishi, na região de Hokkaido. Certa
ocasião, ele viu um de seus subalternos usar um envelope timbrado da firma para
enviar uma carta particular, e chamou-lhe a atenção. Disse-lhe que usar envelopes
da firma para assuntos particulares, mesmo que um só, significava furtar e, desde
então, baixou uma proibição nesse sentido a todos os funcionários. Certamente ele
tinha razão, mas ainda hoje as pessoas acham que não há nada de mais em usar
envelopes da firma onde trabalham para interesses pessoais. Através desse fato,
podemos perceber que o Sr. Takaaki tinha um discernimento elevado e não permitia
a menor má ação.
Revista Tijô-Tengoku nº 173, “Mentira e felicidade” – (01/02/64)

“A causa da desordem deste mundo são as palavras falsas e enganosas.”

Interlocutor: Quando acharmos que as nossas palavras beneficiarão o próximo,


será que poderemos dizer mentiras, ficar irados ou compartilhar de lamentações?
Meishu-Sama: A mentira é inevitável. Se nos perguntarem: “Será que a minha
doença tem cura?” e respondermos: “Sua doença jamais será curada”, a pessoa
ficará totalmente desanimada, não é verdade? (risos). A afirmação “Fique tranqüilo,
que você vai sarar” é uma mentira; mas é uma mentira positiva.
A ira dirigida ao mundo ou ao país é construtiva, mas a ira pessoal não é. Também é
evidente que não se deve manifestá-la através da ação, principalmente porque isso
não traz nenhum benefício. Há pessoas que batem nas crianças, mas, agindo-se
assim, essas crianças passam a bater em outras crianças. Não obstante, há
momentos em que a ira é inevitável. Se ficar sempre controlando a ira, a pessoa
acaba contraindo doença mental.(risos) Há mulheres que, devido às repreensões do
marido ou aos desentendimentos com ele acabam ficando aéreas. Portanto, nessa
questão, deve-se agir de acordo com as circunstâncias.
Por princípio, tanto a mentira como a ira devem atuar corretamente. Entretanto, há
pessoas que fazem difusão da nossa Igreja e, no encaminhamento de outras
pessoas, não escolhem meios para alcançar seus objetivos. Isso não deve ocorrer.
As coisas de Deus devem ser sempre realizadas de forma correta. O certo é as
pessoas dizerem: “Vou praticar a Fé porque ela é verdadeira e gratificante”.
Bem, o correto é nos tornarmos pessoas que não consigam dizer mentiras.
As lamentações devem ser compartilhadas, pois isso servirá de consolo para a
pessoa, não é? Mas também tem limite. Se ficarmos compartilhando das
lamentações alheias em demasia, nós também ficaremos amargurados. Nessas
ocasiões, devemos mostrar primeiramente o ponto vital do problema. Assim, a
pessoa deixará de se lamentar. Em suma, se nos entregarmos nas mãos de Deus
com makoto, no momento surgirão as palavras adequadas. Portanto, não há motivo
para preocupação.
Registro das Palavras de Luz vol. 12 – (13/06/49)
No budismo, a mentira inclusive era perdoada. Por isso, os budistas dizem: “A
mentira também é um recurso”. Portanto, ela não é uma coisa boa, mas não causa
tanta mácula. O que realmente causa mácula é a falsidade.
A mentira e a falsidade são duas coisas distintas. A mentira é algo livre; tanto a
pessoa pode acreditar como não acreditar. Ela pode responder na cara da outra:
“Você está mentindo”, não é verdade? A falsidade é o resultado concreto da mentira.
Dizer mentiras aos outros, não é tão grave. De acordo com as circunstâncias, pode-
se mentir. A mentira é algo vago. Por isso, essa palavra, em japonês, é formada
pelos ideogramas “kuti”(boca) e “kará”(vazio). Na falsidade, entretanto, há conteúdo.
Coletânea de Ensinamentos vol. 11 – (07/06/52)
“A honestidade é o tesouro mais valioso que existe. É o autêntico tesouro da
fé.”

Há muito tempo ouve-se dizer que as pessoas honestas saem perdendo. Refletindo
profundamente, pergunto a mim mesmo se essas palavras não soam mal para a
sociedade e para os indivíduos. Sendo assim, ainda que pouco adiante afirmar o
contrário, pois os fatos parecem comprovar a veracidade daquela afirmação, minha
experiência me faz garantir que não existe nada tão falso. Vejamos.
Quando observamos minuciosamente a sociedade, notamos que existem duas
maneiras de ver as coisas: a curto prazo e a longo prazo. Em geral, os homens
tendem a julgar o Bem ou o Mal através de resultados momentâneos. Ao verem, por
exemplo, o sucesso obtido por pessoas desonestas que enganam o próximo ou
vendem gato por lebre, ficam deslumbradas e definem que os honestos sempre
saem perdendo. Mas é preciso que tais coisas sejam vistas a prazo mais longo, pois,
inevitavelmente, a farsa virá à tona e aquelas pessoas passarão por grandes
vexames, podendo-se até afirmar que acabarão arruinadas. Em contrapartida, ainda
que por um momento os honestos seja mal interpretados, prejudicados ou colocados
em posição desvantajosa, com o passar do tempo, infalivelmente, a verdade será
esclarecida. Vou contar minha experiência a esse respeito.
É constrangedor eu falar de mim mesmo, mas desde jovem eu era muito honesto.
Não conseguia mentir de maneira alguma. Por isso, sempre me diziam: “Um rapaz
honesto como você nunca vai alcançar sucesso. Se você não mudar seu
pensamento e não for hábil no mentir, dificilmente será bem-sucedido na vida”.
Achando que essas palavras eram sensatas, menti bastante durante algum tempo,
mas não estava bem comigo mesmo. Sentia uma angústia insuportável, minha vida
se tornava sombria, meus dias eram só de tristeza. Não havia, pois, condição para
eu obter bons resultados nos meus empreendimentos.
Naquela época, eu era comerciante, de modo que as “técnicas” de negociar
deveriam ser muito mais vantajosas para mim. Mas eu não conseguia me sair bem e
acabei decidindo voltar à honestidade, traço próprio de meu caráter. O engraçado é
que, depois disso, os resultados começaram a ser melhores do que eu esperava.
Em primeiro lugar, adquiri maior crédito no mundo dos negócios, as coisas passaram
a se processar num ritmo excelente e em pouco tempo consegui um grande capital.
Com isso, deixei-me levar pela corrente. Quando já tinha estendido demais a mão,
deparei com a crise do mundo econômico e decai a ponto de não conseguir mais
recuperar-me. Foi isso que me fez abraçar a vida religiosa.
Até hoje, entretanto, continuei seguindo os princípios da honestidade, da qual
determinei jamais me apartar. Obviamente, os resultados são ótimos. Durante um
período relativamente longo, houve ocasiões em que fui mal interpretado, criticado,
pressionado, enfrentando caminhos espinhosos, cheios de dificuldades, mas nunca
perdi a confiança das pessoas, o que ainda hoje atribuo, com toda convicção, à
minha honestidade.
Parece que os homens contemporâneos têm uma visão a curto prazo e se deixam
encantar por resultados momentâneos. É, pois, necessário que, diante de qualquer
situação, eles observem os fatos com os olhos voltados para a eternidade. Isso é
válido para todas as circunstâncias. Exemplifiquemos. Um político que força a
situação para conseguir o poder, não o reterá nas mãos por muito tempo. É o
mesmo que colher um caqui ainda verde, não esperando que ele amadureça e caia,
e ficar frustrado com a sua cica. Existe um ditado que diz: “Os grandes políticos
pensam em termos de cem anos; os políticos de nível médio, em termos de dez
anos; os de nível inferior, em termos de um ano”. É exatamente assim. Hoje em dia,
por infelicidade, parece que o número de políticos de nível inferior é bem maior.
O mesmo princípio se aplica à Agricultura Natural, por mim preconizada. Vemos que
a agricultura praticada até hoje conseguiu bons resultados com o uso de adubos,
mas, como os adubos corroem a terra, esta se torna cada vez mais pobre. Sem
perceber isso, as pessoas mostram-se deslumbradas com os resultados
momentâneos. Por fim, tanto a terra como o homem ficam intoxicados.
O princípio também é válido para a Medicina atual. Durante algum tempo, os
medicamentos e os tratamentos através de aparelhos surtem efeito; pouco a pouco,
no entanto, surgem efeitos contrários e a pessoa piora. Sempre deslumbrada com os
resultados momentâneos, ela volta a utilizar o mesmo método e vai piorando cada
vez mais.
Meu objetivo, com esses exemplos, é chamar atenção para as conseqüências da
visão a curto e a longo prazo, a que me referi inicialmente.
Alicerce do Paraíso, “Está errado dizer que os honestos saem perdendo.” –
(20/04/49)

“Objetivando a formação de homens honestos, estou agora me empenhando


na divulgação dos Ensinamentos de Deus.”

É melhor ser franco ou não ser franco? É claro que a franqueza é o melhor caminho.
Entretanto, as coisas não são tão simples assim. Há ocasiões em que precisamos
ser francos e outras em que não devemos sê-lo. As pessoas que conseguem
distinguir tais situações são consideradas inteligentes, ou sábias. Quando temos de
escolher entre uma situação e outra, devemos, tanto quanto possível, ter como
norma a franqueza. Todavia, se esta for totalmente impraticável, como, por exemplo,
quando visitamos um doente desenganado, somos forçados a omitir a verdade.
Ainda que estejamos contrariando a nossa vontade, esse é o melhor procedimento.
Na sociedade, existem muitas pessoas de larga vivência que não gostam de usar de
franqueza. Observando o mundo, constato que essa é a causa de inúmeros
fracassos. Todavia, é difícil falharmos quando agimos de modo contrário.
Alicerce do Paraíso, “Honestidade e mentira” – (30/08/49)

“Para formar pessoas honestas, torne-se, em primeiro lugar, uma pessoa


despojada de toda mentira e falsidade.”

(...) Devemos ter o máximo cuidado para não lhes responder de forma evasiva, por
falta de conhecimento. Quando as pessoas vão se aprofundando muito, às vezes
nós nos esquivamos, dando uma resposta qualquer, o que não deve acontecer de
maneira nenhuma. Como seguidores de Deus que somos, não podemos usar do
expediente de mentir. Se não soubermos responder, devemos dizê-lo francamente.
No entanto, pelo receio de que, agindo assim, as pessoas nos menosprezem,
costumamos fingir que sabemos. Isso é péssimo. Nesse caso, os resultados são
desastrosos. Se confessarmos o nosso desconhecimento, as pessoas confiarão em
nós, achando que somos honestos e sinceros. Por mais inteligente que alguém seja,
é impossível saber tudo; portanto, não é nenhuma vergonha desconhecer alguma
coisa. (...)
Alicerce do Paraíso: “Leia o mais possível os meus ensinamentos” – (29/11/50)
G R AT I D Ã O E R E T R I B U I Ç Ã O

“Como eu me sinto agradecido!


Além de poder viver o dia-a-dia sem problemas, foi-me concedido o método de
salvação.”

Isto não é um auto-elogio, mas não existem palavras para expressar a grandiosidade
da força Divina que estou manifestando atualmente. Isto porque, até os dias de hoje,
jamais houve uma pessoa que tivesse experimentado uma força ultra-humana como
esta. Os membros estão cientes disso; portanto, vou falar aqui objetivando as
pessoas que não são membros.
Sofrendo de uma doença grave por longo tempo, a pessoa submete-se a
tratamentos médicos e outros tratamentos, inclusive através de várias religiões, mas
não obtém a cura; após o agravamento cada vez maior da doença e diante de um
beco sem saída, ela ouve falar sobre a nossa Igreja. Ao receber Johrei,
imediatamente obtém um resultado maravilhoso, que nem sequer imaginava. Então,
a pessoa sente-se atônita e surpreendida. Ao mesmo tempo, fica sabendo que pode
curar não somente a sua própria doença, mas a de outras pessoas, ingressando na
Fé Messiânica, e acaba tornando-se membro.
A pessoa surpreende-se pela segunda vez, pois, participando do curso de iniciação
durante apenas três dias, já pode efetuar imediatamente a cura de doenças.
Casualmente, ela encontra-se com um doente e, no início, ministra-lhe Johrei com
certo receio. Entretanto, quando o doente vem lhe agradecer, dizendo: “Através de
uma surpreendente graça, como se pode ver, eu estou curado”, o ministrante, em
decorrência desse grande mistério, fica muito mais surpreso do que a pessoa que foi
agraciada. Ao pensar que se tornou possuidor de uma força como esta logo após o
ingresso na Fé, ele sente grande alegria, como se isso fosse um sonho. Assim, mais
do que depressa lê os Ensinamentos, faz perguntas ao Ministro e por fim consegue
compreender. A essas alturas, passa a conhecer o verdadeiro valor da Igreja
Messiânica Mundial. A partir de então, curando várias pessoas doentes, solidifica a
sua fé e torna-se um membro adulto.
Desejo que pensem bem sobre os atuais doutores em Medicina. Até se tornar doutor,
a pessoa leva mais de dez anos e gasta uma quantia superior a 1 milhão de ienes.
No entanto, uma doença grave, considerada incurável pelo médico que se formou
fazendo tão grande sacrifício, é curada imediatamente pelo doutor bebê, novinho em
folha, que se formou através de um curso realizado em três dias. Creio que não há
no mundo um fato tão sem lógica como este. Não obstante, a realidade é a
realidade. Se houver uma pessoa que ache que isso é mentira, gostaria que ela
descobrisse a verdade de forma decisiva.
Certa ocasião, ouvi de um médico o seguinte: “Se todas as pessoas se tornassem
médicos, não haveria mais necessidade de higiene, de prevenção de doenças e de
métodos de saúde; dessa maneira, estaria solucionado o problema da saúde
pública”. Na ocasião, achei que ele tinha razão. Isto porque, naquela época, eu
achava que a Medicina era algo magnífico, mas agora sei que a Medicina é o oposto
e que ela de nada adianta. Mesmo que adiantasse, para se formarem os médicos
que há pouco mencionei, necessita-se de vultosa soma de dinheiro e longo tempo;
na realidade, isso é impraticável. Já com relação ao nosso Johrei, como eu disse,
em apenas três dias a pessoa pode se tornar um médico renomado, superior a um
doutor. Por conseguinte, não há medicina tão simples e grandiosa como esta. Ao
mesmo tempo, será uma grande economia para o país, parecendo até mesmo um
sonho.
Se todo o povo japonês aprender o método do Johrei, é lógico que surgirá um Japão
sem doenças, e creio que o progresso do país será magnífico. Como resultado, o
Japão se transformará no primeiro modelo cultural do mundo, e está mais do que
evidente que todos os outros países virão aprender com ele.
Senhores, quão grandiosa é esta obra!
Jornal Eiko nº 232, “Em três dias, forma-se um doutor” – (28/10/53)

“Por mais que eu agradeça a grande felicidade que sinto, ainda será
insuficiente.
Não há palavras que traduzam minha gratidão.”

(...) O fato é que, tornando-se membro da Igreja Messiânica Mundial, qualquer


pessoa consegue manifestar um poder semelhante ao do fundador de uma religião.
Um simples fiel manifestar milagres é coisa mais do que comum em nossa Igreja; é,
realmente, uma extraordinária graça material. Além disso, através dos nossos
ensinamentos, o fiel consegue captar a essência da vida, despertar para a Verdade,
melhorar sua vida cotidiana e ficar mais alegre. Sustentado por inabalável fé, pode
até mesmo vislumbrar o futuro. Assim, ele passa a viver com verdadeira segurança e
tranqüilidade.
A prova mais evidente é que, com o decorrer do tempo, as feições e a pele do fiel
melhoram. Isso acontece porque, uma vez que seu sangue se torna mais puro, sua
saúde aumenta, desaparecem suas incertezas quanto ao futuro, seu caráter se
eleva, e ele se torna uma pessoa virtuosa. Dessa forma, ganha maior confiança de
terceiros e por eles é respeitado.
A condição fundamental para se construir o Paraíso Terrestre, objetivo de nossa
Igreja, é que o indivíduo se eleve e adquira a qualificação de ente celestial. Como o
mundo é um agrupamento de indivíduos, se aumentar o número de pessoas com
essa característica, obviamente surgirá o Paraíso Terrestre.
Luz do Oriente: “Nascimento da Igreja Messiânica Mundial” – (20/11/50)

“As máculas espirituais que me faziam amaldiçoar o mundo e odiar meus


semelhantes, desapareceram sem deixar vestígios.”

Vou dar uma explicação espiritual sobre o clima e o tempo, mas para as pessoas da
atualidade, habituadas a explicações científicas, talvez minha explicação seja pouco
convincente. Entretanto, como se trata de Revelação de Deus, vou explaná-la com
toda a convicção.
Primeiramente, tanto as mudanças climáticas como o bom ou mau tempo são
provocados pelo homem. Talvez achem estranha essa afirmativa, mas gostaria que
a levassem em consideração.
Creio que os leitores devem ter se conscientizado também da influência do Mundo
Espiritual, além do Mundo Material, que podemos perceber através de nossos cinco
sentidos. A esse respeito, escreverei inicialmente sobre a causa das mudanças do
clima.
Do frio do inverno ao calor do verão, o ano está dividido em quatro estações.
Todavia, embora as mudanças climáticas devam transcorrer ordenadamente, de
acordo com cada época, às vezes acontecem mudanças estranhas. Por que isso
ocorre? É porque o pensamento do homem se reflete no Mundo Espiritual. Por
exemplo: se o pensamento da grande maioria dos homens for correto e tranqüilo, o
clima também o será. Mas quando é grande o número de pessoas que se desviam
do ritmo normal, ou seja, que carecem de amor, esse pensamento frio produz um frio
mais intenso do que seria natural. Por outro lado, se houver exaltação por algum
acontecimento e for preciso refrear os ânimos, o resultado será um calor além do
normal em relação ao clima da época. Além disso, quando o ser humano tem
pensamentos voltados para o Mal, ou seja, quando há muita lamúria, insatisfação,
maldições, mentiras, etc., isso se reflete no Mundo Espiritual e paira uma atmosfera
um tanto negativa.
A seguir, falarei sobre o espírito das palavras proferidas pelo ser humano, as quais
também exercem uma influência muito grande.
São numerosas as palavras que pertencem ao Mal, como, por exemplo, as
maldições, as lamentações, as reclamações, as mentiras, etc., as quais maculam o
Mundo Espiritual. Tempos atrás, um religioso amigo meu, que enxerga o espírito das
palavras proferidas pelas pessoas, disse-me que, quando alguém emite palavras
pertencentes ao Mal, ele vê algo preto como fuligem sair em forma de fumaça pela
sua boca; no caso do espírito de palavras pertencentes ao Bem, ele vê algo
semelhante a uma luz fraca, de cor branca. Essa coisa parecida com fuligem,
emitida do espírito das palavras do Mal, é que macula o Mundo Espiritual. Quando
as máculas aumentam e ultrapassam determinado limite, surge uma ação
purificadora natural, a fim de limpá-las e eliminá-las. É o mesmo princípio da limpeza
feita pelo homem quando se acumula sujeira no interior e no exterior de uma casa.
Chuvas fortes, tufões, trovoada, enchentes, grandes incêndios, terremotos, etc.
também são ações purificadoras. Eles varrem, lavam e incineram as impurezas.
Existem divindades encarregadas dessas atividades. Eles realizam a obra de
purificação do mundo todo; para isso, cada qual usa numerosos dragões divinos.
Vou falar aqui sobre o Awa-no-naruto. De que maneira são extintas as sujeiras
acumuladas através da purificação do vento, da água e do fogo, às quais me referi?
Elas são levadas para o mar, através dos rios, e depositadas no fundo do mar da
região do Canal de Awa-no-naruto. Naturalmente, como se trata de sujeiras do
mundo todo, sua quantidade provavelmente é assustadora. Entretanto, como dizem
os cientistas, o centro da Terra é uma gigantesca bola de calor, e por isso as sujeiras
depositadas no fundo do mar da região do Canal de Naruto são constantemente
queimadas por esse calor da terra. Por conseguinte, podemos dizer que o Japão é o
incinerador das sujeiras do mundo.
Quando compreender o princípio acima, o homem se preocupará em evitar o
máximo possível os pensamentos e as palavras malignas.
Coletânea “Assuntos sobre fé”, “O clima e o tempo” (25/01/49)

“Sem a existência de meu pai e de minha mãe, não existiriam, neste mundo,
meu corpo e minha alma.”

Até agora, pouco se tem falado sobre elo espiritual, porque ainda se desconhece a
sua importância. Entretanto, embora os elos espirituais sejam invisíveis e mais
rarefeitos que a atmosfera, através deles todos os seres são influenciados
consideravelmente. No homem, eles tornam-se o veículo transmissor da causa da
felicidade e da infelicidade. Em sentido amplo, exercem influência até sobre a
História. Portanto, o homem deve conhecer o seu significado.
Primeiramente desejo advertir que isso é Ciência, é Religião e também preparação
para o futuro. O princípio da relatividade, os raios cósmicos e os problemas
referentes à sociedade ou ao indivíduo, tudo se relaciona com os elos espirituais.
Vejamos a relação entre eles e o homem.
Tomemos como exemplo um homem qualquer: pode ser o próprio leitor. Ele não
sabe quantos elos espirituais estão ligados a ele; podem ser poucos, dezenas,
centenas ou milhares. Há elos espirituais grossos e finos, compridos e curtos, bons e
maus, e constantemente causam influência e transformação no homem. Portanto,
não é absurdo dizer que este se mantém vivo graças aos elos espirituais. Entre
estes, o mais forte é o que existe entre um casal; a seguir, o que existe entre pais e
filhos, entre irmãos, entre tios e sobrinhos, entre primos, amigos, conhecidos, etc.
Creio que as expressões “laços de afinidade” e “ter afinidade com alguém”, usadas
desde a antigüidade, referem-se aos elos espirituais.
Os elos espirituais sempre se modificam, tornando-se grossos ou finos. Quando há
harmonia entre o casal, ele é grosso e brilhante; quando os cônjuges estão em
conflito, ele toma-se mais fino e perde o brilho. Entre pais e filhos, entre irmãos, etc.,
dá-se a mesma coisa.
Também podem ser formados novos elos, quando uma pessoa trava conhecimento
com outra, quando inicia uma amizade e, principalmente, um namoro. Chegando o
namoro ao clímax, o elo torna-se infinitamente grosso e transmite intensas vibrações
de um para o outro. São trocadas não só sensações agradáveis e sutis, mas
também de tristeza e solidão. Por esse motivo, o elo espiritual torna-se
extremamente forte e é impossível a separação. Nesse caso, mesmo que uma
terceira pessoa tente interferir no romance, não só não obterá nenhum resultado,
mas, ao contrário, fará aumentar ainda mais o grau da paixão. Quando duas
pessoas se amam, é como o pólo positivo e o pólo negativo em eletricidade, que se
tocam e geram a energia elétrica; nesse caso, o elo espiritual trabalha como fio
elétrico. Tempos atrás, extinguindo espiritualmente o pólo positivo, salvei duas
estudantes que, envolvidas num amor lésbico, estavam a um passo de duplo
suicídio. Consegui que a moça que representava o pólo positivo voltasse à
normalidade em cerca de uma semana. Esfriado o ardor da paixão, foi rompido o elo
espiritual, e a outra, automaticamente, também voltou à normalidade.
O elo espiritual entre pessoas que não têm laços de consangüinidade pode ser
rompido, mas é impossível romper o que existe entre parentes consangüíneos. No
caso de pais e filhos, deve-se dar atenção a um ponto: como eles sempre estão
pensando uns nos outros, o caráter dos filhos sofre a influência do caráter dos pais,
através do elo espiritual. Portanto, se os pais desejam melhorar os filhos, em
primeiro lugar devem melhorar a si mesmos. Freqüentemente eles fazem coisas
erradas e vivem advertindo os filhos, porém isso não dá muito resultado, e o motivo
é o que acabamos de expor. Muitas vezes, entretanto, admiramo-nos por ver pais
maravilhosos com um filho transviado. A verdade é que esses pais são boas
pessoas por interesse e apenas na aparência, mas seu espírito está maculado, e
isso se reflete no filho. Pode também acontecer que, entre dois irmãos, um seja bom
e outro seja corrupto. A causa está na vida anterior e nas máculas dos pais. Para
que possam compreendê-lo, falarei sobre o princípio da reencarnação.
Após a morte, o espírito vai para o Mundo Espiritual, isto é, nasce nesse mundo.
Referindo-se à morte, os budistas usam a expressão “Oodyoo”, que significa “vir
para nascer”. Analisando do ponto de vista do Mundo Espiritual, é realmente o que
acontece. Ali se efetua a purificação das máculas acumuladas no Mundo Material, e
os espíritos que atingiram certo grau de purificação voltam a nascer neste mundo, ou
melhor, reencarnam. Todavia, há pessoas perversas que se arrependem ao morrer,
seja por medo do castigo, seja por outros motivos. Tendo compreendido que o
homem nunca deve praticar o mal, fazem o firme propósito de se tornarem virtuosas
na próxima vida e, quando reencarnam, praticam realmente o bem. Vemos, pois,
que, embora alguém seja muito bom nesta vida, na encarnação anterior pode ter
sido um grande perverso.
Muitos homens, enquanto estão vivos, não acreditam na vida após a morte e, depois
que morrem, não conseguem se integrar no Mundo Espiritual. Pelo apego à vida,
reencarnam antes de estarem suficientemente purificados e sofrem várias
purificações no Mundo Material, pelas máculas que ainda restam em seu espírito.
Como o sofrimento é uma ação purificadora, um homem pode ser infeliz apesar de
ter sido bom desde que nasceu. Os defeituosos de nascença, como por exemplo
cegos, mudos e aleijados, são pessoas que tiveram morte violenta na encarnação
anterior e reencarnaram antes de concluída a purificação.
Um caso interessante e freqüente de reencarnação é o de crianças que nascem com
feições de velho. Isso acontece porque elas morreram idosas na vida anterior e
reencarnaram precocemente; só dois ou três meses após o nascimento é que
tomam feições de bebê.
Ocorre, ainda, o caso do reflexo das más características dos pais sobre um dos
filhos, o qual se torna perverso, ao passo que num outro se reflete a consciência, ou
melhor, o lado bom dos pais, e por isso este filho se torna bondoso. Acontece
também com freqüência que, tendo os pais enriquecido ilicitamente, um filho se
torne esbanjador, gastando dinheiro como água, até acabar com a fortuna da família.
Como se trata de riqueza ilícita, os ancestrais escolhem um descendente que,
dilapidando essa riqueza, na verdade está trabalhando para salvar a família.
Desconhecendo essa verdade, as pessoas acham que tal filho é desprezível; por
isso, ele é digno de pena. (...)
Alicerce do Paraíso: “Elo Espiritual” – (25/01/49)
“Abençoado pela Luz de Deus, tornei-me uma pessoa que vive em paz e
harmonia com o próximo.”

(...) Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame Divino, e
a Fé é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar
essa fase são as seguintes:
a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na aparência;
b) um homem que se libertou da pobreza;
c) um homem de paz, que odeia o conflito.
Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se
utilizará, como entes preciosos, no mundo que vai surgir. Certamente não há
discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto,
haverá um caminho que permita estabelecer as condições requeridas. Mas como
poderemos obtê-las?
Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina,
possibilitando-lhes criar tais condições.
Alicerce do Paraíso, “O que é a Igreja Messiânica Mundial” – (25/01/49)
“A nobreza do homem está em sentir gratidão pelas graças recebidas e gravá-
las no seu coração.”

Quando se trata de uma doença que não acarreta risco de vida, é diferente, mas,
quando houver a cura de uma doença que compromete a vida, significa que a
pessoa ganhou uma nova existência. Portanto, ela achar que é sorte e ficar
ocupando-se em ganhar dinheiro ou coisa semelhante, significa utilizar em benefício
próprio a vida que lhe foi especialmente concedida. Como sempre digo, já que a vida
é sua, a pessoa acaba pensando que se trata de um patrimônio próprio. Aí se
observa uma grande diferença.
Tempos atrás, um senhor de idade avançada, que trabalhava numa mina, estava
condenado a morrer, devido a uma doença cardíaca, mas foi salvo. Então, ele disse
que iria trabalhar firmemente para Deus, porém, sem que eu soubesse, voltou para a
mina. Como não o visse há algum tempo, pensei: “Como estará passando aquele
senhor?” Sendo um grande capitalista e administrador, ele tinha ido à mina, mas,
não se sentindo bem, voltou correndo. Depois de receber nosso tratamento,
melhorou. Aí eu pensei que desta vez ele não retornaria à mina, mas me enganei.
Como o fato tornou a se repetir, eu disse que o deixassem de lado, porque ele não
tinha mais jeito; pouco tempo depois, ele morreu. Essa pessoa não valorizava muito
a sua vida; até dava pena ver. É raro encontrar alguém assim, mas ouço falar
freqüentemente sobre casos semelhantes. Vejo muitos exemplos em Experiências
de Fé. A pessoa sara de uma doença grave e diz que Deus é extraordinário, mas,
quando sobrevém a repurificação, procura o médico. Faz inúmeros tratamentos e,
piorando, resolve recorrer a Deus novamente. Então, sara e, desta vez, finalmente
entende.
Esse tipo de pessoa realmente dá muito trabalho, mas existe muita gente assim.
Doravante, devem alertar sobre esse ponto aqueles que receberam grandes graças
e tiveram suas vidas salvas. Dessa maneira, a repurificação diminuirá
sensivelmente. Se ela acontecer, devem explicar o porquê, esclarecendo à pessoa
que é devido ao motivo acima.
Em geral, qualquer que seja a doença, uma vez que ela sara, não há motivo para
ressurgir em forma mais grave. Se aparecer pela segunda vez, deverá ser mais leve.
Entretanto, há muitos casos em que a repurificação é mais pesada. Isto significa que
quem está errado é o homem.
Coletânea de Ensinamentos vol. 22 – (15/05/53)

“Pensando na felicidade de ter sido salvo, empenho-me, de todo coração, em


retribuir a graça que me foi concedida.”

Originariamente, todas as coisas existentes no mundo movem-se graças à Lei da


Concordância, e tudo está de acordo com a lógica. Isso é bem evidente sobretudo
na Fé. As palavras de Sakyamuni: “Tudo que nasce está sujeito a desaparecer” e
“Todo encontro está condenado à separação” sintetizam essa verdade. A Lei de
Causa e Efeito tem o mesmo sentido.
Através do que estamos dizendo, também poderão entender que quando um doente
em estado grave, sem esperanças, prepara do para a morte, sara completamente, é
natural que, acima de tudo e com todo o esforço, ele retribua a Deus. Isso é o
natural; mas se a graça cair no esquecimento, significa simplesmente que ele
recebeu a graça e deixou de retribuir, demonstrando ser muito mal agradecido.
Expliquemos melhor essa teoria. Se considerarmos dez o valor da vida e a gratidão
for dez também, o saldo será zero. Entretanto, se a gratidão for acima de dez,
haverá crédito, e Deus concederá graças várias vezes maiores. Por outro lado, se a
gratidão for apenas cinco, a diferença ficará sendo uma dívida com Deus. Por isso,
será melhor saldá-la o quanto antes, pois a negligência fará aumentar os juros e,
conseqüentemente, a dívida. Nesse ponto, não difere nem um pouco do Mundo
Material, uma vez que a dívida está baseada na Lei da Concordância. Quando ela se
acumula e ultrapassa um determinado limite, recebe-se a intimação e o encargo do
Tribunal Divino. Essa é a causa da repurificação; portanto, se a pessoa perceber
isso, pedir perdão sinceramente e pagar toda a dívida, é natural que seja salva.
Entretanto, existem pessoas que pensam de maneira completamente errada. Acham
que a cura através da Fé foi temporária, que não se recuperaram de verdade e,
assim, começam a vacilar. Então, as pessoas ao seu redor, como que dizendo: “Não
te falei?” incentivam-nas constantemente a fazer tratamento médico, e elas acabam
aceitando a sugestão. Chegando a esse ponto, é o fim. A maioria segue o caminho
da degeneração e, no final, parte para o outro mundo. É um fato que presenciamos
sempre.
Mas onde está a causa disso?
No Mundo Espiritual, os espíritos malignos ficam à espreita de uma brecha no
sentimento humano. Havendo um mínimo de descuido, eles se apoderam
instantaneamente da pessoa e a manipulam. É preciso tomar o máximo de cuidado
nesse ponto.
No caso, por exemplo, de se oferecer sincera gratidão em espécie, não importa a
quantia. A oferta deve ser feita de acordo com o limite máximo de cada um. Dessa
maneira, se todas as coisas se enquadrarem na lógica, não haverá motivo para
ocorrer a repurificação; mesmo que ela ocorra, será leve e jamais afetará a vida.
Mudando de assunto, entre as inúmeras religiões existentes, algumas dizem que,
mesmo antes de receber a graça, se a pessoa oferecer uma certa quantia como
retribuição, será salva. Assim, recebem antecipadamente o donativo de gratidão.
Mas isso é uma ação fraudulenta, de modo que não há como a pessoa receber
benefícios. Sem dúvida, o pensamento do religioso que orienta dessa forma está
errado.
Na nossa Igreja Messiânica Mundial, as pessoas fazem donativo de gratidão depois
de receberem o benefício e de acordo com a possibilidade de cada uma, o que é
bastante lógico. Se houver negligência, o erro estará no homem; portanto, é natural
que ele receba advertências. Se, mesmo assim, ele não toma consciência disso,
Deus tira-lhe a vida. Não há perdão para quem estiver fora da lógica.
Existe outro fator importante. O objetivo de Deus, ao conceder a vida à pessoa, é
que ela trabalhe na Obra Divina. Se a pessoa entender e participar desse objetivo,
tornar-se-á cada vez mais saudável e será agraciada com a felicidade. Caso haja
traição, significa que ela própria está rejeitando a Salvação.
Jornal Eiko nº 210, “A Lógica da Religião e a Repurificação” – (27/05/53)

“Ainda que eu não passe de um pequenino grão de areia, recebei, meu Deus,
minha sincera gratidão materializada.”

O certo é oferecer a gratidão monetária antes de fazer o pedido. Isso porque,


oferecer a gratidão depois de melhorar, é tratar Deus como se fosse nosso
empregado. É o mesmo que empregar uma pessoa e pagar-lhe uma determinada
quantia pela prestação do serviço. Desse jeito, significa que o ser humano é
superior, e Deus, inferior. Por isso, antes de recebermos Johrei, devemos oferecer
nosso “makoto” e orar a Deus.
Acho que as pessoas da atualidade não se convencem dessas coisas. Até agora,
mesmo oferecendo gratidão monetária, muitas vezes as pessoas acabavam
morrendo. No entanto, a culpa não é de Deus, e sim do ministrante. Mesmo que ele
tenha agido sem más intenções, o resultado acaba se tornando ruim.
Fundamentalmente é isso.
Registro das Palavras de Luz vol. 13 – (23/07/49)

“Embora eu seja tão fraco, utilizai-me, ó Deus Miroku Ookami, como vosso
instrumento neste Caminho.”

De acordo com a missão e as habilidades atribuídas por Deus, algumas pessoas


empenham-se em salvar o próximo através do Johrei, ao passo que outras Servem
monetariamente. Todas elas se elevam espiritualmente, mas cada uma tem a sua
missão, isto é, a missão vai sendo delineada pelas circunstâncias. Se, de acordo
com as circunstâncias, as coisas tomam determinado rumo, essa é a missão;
portanto, basta seguir adiante.
Registro de Orientações vol. 22 – (01/07/53)

“Meu lar, apesar de tão pequeno, tornou-se um Paraíso, pela graça de Deus.”

Quando se entroniza a Imagem de Deus, o Mundo Espiritual do lar torna-se claro; do


contrário, ele permanece escuro. Escuridão significa Inferno, portanto, não é bom, as
pessoas não serão salvas. Cada vez que a pessoa ora diante da Imagem de Deus,
recebe Luz, por isso vai se purificando. A diferença é muito grande. Se o fiel não
entronizar a Imagem de Deus em seu lar, não se pode dizer que ele realmente
entrou na Fé. Em suma, entronizar a Imagem de Deus significa ficar do lado de
dentro do portão da Fé; não entronizá-la, significa estar do lado de fora.
Mesmo assim, de nada adianta apenas entrar para o lado de dentro do portão. É
preciso passar pelo “hall” de entrada e chegar à sala de visitas. Se o fiel não
proceder desta forma, seu lar não se transformará em Paraíso. A afirmação: “De
nada adianta apenas fazer o Curso de Formação de Novos Membros” tem esse
sentido.
Registro das Palavras de Luz vol. 9 – (30/07/49)

“Como estou agradecido! Fui salvo, e hoje meu lar é o Paraíso neste mundo.”

Cada coisa tem seu sabor. A matéria, o homem, a vida cotidiana com suas múltiplas
facetas, tudo, enfim, tem um sabor peculiar. Se excluirmos da vida o sabor, ela
perderá sua atração e o homem não terá mais vontade de viver.
No campo religioso também existem religiões que têm sabor e as que não o têm.
Pode parecer estranho, mas há religiões que despertam verdadeiro pavor. Nelas, os
adeptos vivem sob o constante temor das divindades, aprisionados pelos dogmas,
não gozam da menor liberdade. A esse tipo de Fé, eu denomino “Fé Infernal”.
O objetivo da Fé é alegrar a vida, dar-lhe tranqüilidade e permitir que se desfrute do
sabor de viver. Então as coisas da natureza se transfiguram: as flores, o vento, a lua,
o cântico dos pássaros, a beleza das águas e das montanhas passam a ser vistos
como dádivas de Deus para alegria das criaturas. E passamos a agradecer os
alimentos, o vestuário e a casa em que vivemos, considerando-os como bênçãos, e
a simpatizar com todos os seres, mesmo os irracionais e os inanimados. Sentimos
que até o pequenino verme da terra se acha próximo de nós... É o estado de êxtase.
A Religião deve levar o homem à despreocupação, que é o estado ideal. Se ele
enfrenta um problema, que aprenda a deixá-lo nas mãos de Deus, tão logo sejam
aplicados os recursos humanos para a sua solução. Eu procedo assim: aquilo que
me parece difícil e incompreensível, remeto aos cuidados do Absoluto – e dou tempo
ao tempo. Numerosas experiências minhas demonstraram que tal prática dá
resultados além dos esperados. Mais ainda: eles ultrapassam todos os desejos
formulados. Por isso, quando surge algo desagradável, confiando em Deus, eu logo
admito que é prenúncio de bons acontecimentos. Acho interessante quando
compreendo, depois, que o mal aparente determinou a vinda do bem. Então as
preocupações se tornam ridículas, sinto-me grato e percebo que minha vida é um
contínuo milagre...
Eis o que chamo de maravilhoso Sabor da Fé.
Alicerce do Paraíso, “Sabor da Fé” – (25/01/49)

“Sinto-me imensamente feliz, pois estou no caminho do Paraíso.


Meu passado, que parecia um inferno, desvaneceu-se como um pesadelo.”

Se salvarmos um grande número de pessoas e formos úteis a Deus, nossas


máculas irão sendo eliminadas, e por fim não mais seremos submetidos a
purificações. As diversas calamidades, os sofrimentos, irão acabando. Assim,
começaremos a sentir paz e segurança e acabaremos por nos entregar a Deus. Não
é fácil obter repentinamente a paz e a segurança. É preciso que a pessoa se
purifique o suficiente. Entretanto, se ela conseguir entender, acreditar
verdadeiramente e, aconteça o que acontecer, não se abalar o mínimo que seja,
significa que já adquiriu paz e segurança. Mesmo que esteja sofrendo um pouco,
acreditará que isso é purificação e que, dessa forma, suas toxinas irão diminuir.
As pessoas que ingressam na Igreja Messiânica Mundial geralmente têm obtido paz
e segurança. Como a purificação está muito forte, alguns fiéis vacilam, pensando:
“Por que isso está acontecendo comigo?” Mas o sofrimento é algo inevitável para o
homem. Se a pessoa entender as suas causas, conseguirá ultrapassá-lo facilmente.
No meu caso, por exemplo, quando fui maltratado pela polícia, no ano passado,
cheguei a pensar: “Na realidade, Deus não precisava chegar a tal ponto”. Por outro
lado, também pensei: “Como eu tenho uma missão muito importante, é natural que
eu sofra mais que as pessoas comuns.”
Registro de Orientações vol. 4 – (05/11/51)
DOENÇA

“Ensinamentos que proporcionam ao homem uma vida sadia representam o


Caminho da Salvação, traçado pela Vontade do Céu.”

Para construir o mundo sem doença, pobreza e conflito que sempre temos pregado,
devemos resolver, em primeiro lugar, a questão principal: viver com perfeita saúde.
Sem saúde, não existe salvação. Há pessoas que se dizem salvas mesmo sofrendo
por doenças, mas trata-se de um grande erro. Embora estejam salvas
espiritualmente, não o estão fisicamente, ou seja, a salvação realizou-se apenas
pela metade. Isso acontece porque as religiões tradicionais só conseguem salvar o
espírito, não chegando até a matéria, o que mostra o quanto elas carecem de força.
Eis a razão pela qual durante longo tempo se considerou que as religiões deveriam
cuidar apenas da salvação espiritual. Os próprios teólogos acabaram por estabelecer
a esperta teoria de que as religiões que procuram salvar o corpo são heréticas.
Baseados nessa visão contraditória, eles espalharam a versão, absolutamente
errada, de que as religiões que se empenham em curar doenças ou salvar as
pessoas da pobreza são de baixo nível, por visarem apenas os benefícios materiais.
Acontece, porém, que os messiânicos recebem abundantes graças materiais, o que
seria impossível através de qualquer religião tradicional. Recebendo Johrei, doentes
que não obtiveram a cura por nenhum outro método, melhoram rapidamente e se
recuperam. Um fato surpreendente como esse constitui um grande problema para os
médicos. Diante de tais resultados, é natural que a nossa Igreja tenha alcançado um
progresso notável, mesmo sob a crítica de todos os setores da sociedade.
Os ministros da nossa Igreja não têm intenção de curar doentes. Eles apenas
purificam o espírito da pessoa através do Johrei, a pedido dela própria. Purificando-
se o espírito, a doença se cura naturalmente. Portanto, não se cura a doença; ela
sara. Esse é um aspecto importantíssimo. Quais são, então, os pontos em que
infringimos as leis e prejudicamos a sociedade? É realmente algo que não podemos
compreender.
Tenho recebido muitas cartas de agradecimento relatando curas através do Johrei. O
número de cartas é tão grande que as páginas da revista mensal “Tijô-Tengoku” e do
semanário “Hikari” são insuficientes para publicá-las. Isso atesta a quantidade de
pessoas que têm sido salvas, mostrando, assim, o quanto temos contribuído para o
bem-estar social. Gostaria até que fizessem uma pesquisa para comprovar a
veracidade do que estou dizendo. Quanto aos relatos daqueles que foram salvos,
não há a menor intenção de exagerar, pois temos como princípio que as próprias
pessoas narrem os fatos, exatamente como eles ocorreram. Quando alguém não
pode escrever, a experiência é feita através de relatório oral, o qual será transcrito. O
nome e o endereço das pessoas são fornecidos com todos os detalhes, e, se
alguém duvidar, o melhor é visitá-las pessoalmente e fazer-lhes perguntas diretas.
Temos trabalhado com o grande objetivo de construir o Novo Japão, mas há
criaturas extremamente levianas que, não sei se consciente ou inconscientemente,
procuram criar-nos as maiores dificuldades, o que é uma atitude lamentável. Só
porque a força capaz de salvar o homem do grande sofrimento representado pela
doença é superior à dos tratamentos existentes, elas procuram esmagar-nos por
todos os meios. Não sei como avaliar tais pessoas e esforço-me para encontrar um
termo adequado a elas. Na verdade, não seria o caso do povo e do governo
louvarem e incentivarem a atividade que estamos desenvolvendo? Isto porque, à
medida que o Johrei da nossa Igreja for difundido ativamente, a tuberculose, as
doenças transmissíveis e todas as demais que a Medicina não consegue solucionar,
se reduzirão gradativamente. Isto está se evidenciando claramente; portanto, o
surgimento de um Japão saudável não é nada difícil. Nesse sentido, os obstáculos a
todas as atividades de salvação desenvolvidas, atualmente, pela nossa Igreja, não
constituem senão um fator de atraso do surgimento de um Japão saudável; desse
modo, eles representam um grande mal social. Oramos com todo fervor para que as
pessoas despertem o quanto antes em relação a isso.
Jornal Hikari nº 3, “Purificando-se o espírito, as doenças saram” – (30/03/49)

“Não tema a doença.


Lembre-se de que ela é uma bênção de Deus para purificar os pecados e as
máculas acumuladas.”

O Mundo Espiritual está dividido em níveis, por isso ele se reflete de acordo com o
nível. Nível é o local onde se posiciona a alma humana. Entretanto, como é a alma
que domina o corpo, o local onde ela se posiciona é a sua qualificação.
Posicionando-se a qualificação da alma no nível superior, significa que não haverá
qualquer sofrimento. Até agora, o homem tem se sujado com máculas, toxinas
medicinais e muitas outras coisas, de modo que é necessário ele eliminar todas
essas impurezas.
Quando a pessoa ingressa nesta Fé, sua alma eleva-se a um nível superior. Se
somente a alma receber Luz, as sujeiras existentes no corpo físico não
corresponderão ao posicionamento da alma, e por isso elas precisam ser purificadas
e eliminadas, para que o corpo fique na mesma posição em que a alma se encontra.
Isso é a purificação. Assim, a purificação após o ingresso na Fé e a da época em
que a pessoa não era membro têm sentidos diferentes. É preciso que saibam essa
diferença. A purificação da época em que a pessoa não é membro ocorre
naturalmente, com a finalidade de preservar-lhe a saúde. Se não ocorrer tal
purificação, a pessoa acaba perdendo a vida. Ocorre, portanto, uma purificação
natural para que o homem possa viver e trabalhar o máximo possível. A purificação
natural é a limpeza efetuada por meio de tormentos e sofrimentos.
Coletânea de Ensinamentos vol. 30 – (27/01/54)

“Ainda que se consiga curar a doença através da oração a Deus, não se deve
menosprezar o trabalho dos médicos.”

(Nidai-Sama)

Para explanar sobre o assunto, devo dizer inicialmente que a verdade, em matéria
de saúde, está na adaptação e no respeito à Natureza. Essa é a condição
fundamental.
Antes de mais nada, deve-se pensar: com que objetivo Deus criou o homem?
Segundo nossa interpretação, foi para construir um mundo perfeito, de Verdade,
Bem e Belo. É de se esperar, entretanto, que uma teoria como essa não seja aceita
com muita facilidade. Evidentemente, não se sabe se levará dezenas, centenas,
milhares ou até milhões de anos para se concretizar o mundo ideal. Todavia,
observando os fatos do passado, vemos claramente que o mundo vem caminhando
passo a passo neste sentido; ninguém poderá negá-lo. Deus é o espírito, e o homem
é a matéria; ambos, o espírito e a matéria, em trabalho conjunto, estão em infinita
evolução, tornando-se desnecessário dizer que o homem existe como instrumento
de Deus para a construção do Mundo Perfeito. Conseqüentemente, sua
responsabilidade é enorme.
A condição fundamental para a execução dessa obra grandiosa é a saúde. Deus
atribuiu uma missão a cada pessoa, concedendo-lhe, logicamente, a saúde
necessária para cumpri-la. Com efeito, se o homem estiver doente, significa que o
sagrado objetivo de Deus não será alcançado. Tomando por base este princípio,
concluiremos que a saúde é inerente ao homem, devendo ser o seu estado normal.
O estranho é as pessoas serem acometidas de doenças com tanta facilidade, ou
seja, ticarem em estado anormal. Sendo assim, apreender claramente os princípios
da saúde e fazer o homem retornar ao estado normal está coerente com o objetivo
de Deus.
Mas o que descobrimos ao examinar o corpo humano em estado anormal? Em
primeiro lugar, ressalta que ele está em desacordo com a Natureza. Perceber a real
situação desse estado antinatural, corrigi-lo, fazendo voltar a normalidade, é a
verdadeira Medicina. E mais: tornar possível esse retorno é a forma existencial da
correta Medicina. Passarei, portanto, a explicar o que vem a ser o estado antinatural.
Quando nasce, o homem alimenta-se com o leite materno ou com leite animal, pois
ainda não tem dentes, e seu aparelho digestivo, recém-formado, é muito frágil.
Gradualmente, porém, nascem-lhe os dentes, e, à medida que suas funções
orgânicas se desenvolvem, ele começa a ingerir alimentação adequada. Existe uma
variedade de alimentos, cada um com sabor característico, sendo que o homem é
dotado de paladar para comê-los com prazer. Além disso, o ar, o fogo e a água
existem em proporções adequadas à saúde, de modo que tudo está ordenado de
maneira realmente perfeita. Quanto ao corpo humano, vejamos: do cérebro nascem
a razão, a memória e o sentimento; os objetos são criados com as mãos; a
locomoção é feita livremente, por meio dos pés, e o corpo está provido de partes
muito necessárias, como cabelos, pele, unhas, olhos, nariz, boca, ouvidos, etc.
Acrescente-se a isso que o corpo todo, a começar pela face, está recoberto de pele,
que ressalta sua beleza. Um rápido exame já evidencia que o ser humano é uma
obra maravilhosa; analisando-o mais profundamente, concluiremos que ele é um
milagre da Criação, difícil de se expressar com palavras.
As flores, as folhas, a beleza dos rios e das montanhas, os pássaros, os insetos, os
peixes e outros animais não podem deixar de ser admirados como obras
extraordinárias da Arte Divina, mas o homem é, inegavelmente, a obra-prima do
Criador. Principalmente no que se refere ao processo de procriação, como
preservação da espécie, a Providência é tão hábil, que não encontramos palavras
para exprimir sua perfeição. Ora, sendo o homem a obra máxima de Deus, devemos
pensar, séria e profundamente, que erros, que ações antinaturais estamos
cometendo para a ocorrência das anormalidades chamadas doenças, as quais
impedem suas atividades. Homens, eis um ponto importantíssimo, sobre o qual
devem fazer uma profunda reflexão.
Coletânea Série Jikan vol. 10, “A Verdade sobre a Saúde” – (20/04/50)

“Quão tolo é aquele que tenta curar a doença sem ter noção de sua verdadeira
causa!...”

(...) Desde os tempos antigos está determinado que a doença deve ser curada pelos
médicos e pelos remédios. Como o homem da atualidade, que confia somente na
Ciência e tornou-se fiel ao princípio da Ciência Superior, sofre para entender, é
lógico que ele tenha vontade de fazer perguntas. A propósito disso, é de suma
importância, antes de tudo, conhecer a relação entre a Medicina e a Ciência.
Realmente, todas as coisas podem ser solucionadas através da Ciência, com
exceção da Medicina, que está por demais fora do alvo. Isto porque o homem e
todas as coisas além do homem são fundamentalmente diferentes. Antes de mais
nada, o homem é um ser de nível superior entre todas as criaturas. Realmente é um
grande mistério, absolutamente incompreensível por meio da inteligência humana.
Entretanto, como a Ciência desconhece totalmente a profundidade desse ponto,
considera o homem um animal. Ela veio objetivando apenas o corpo físico, que é
matéria; portanto, entende que a doença é prejudicial ao corpo físico. Sua maneira
de pensar é extremamente simples, pois tenta curar a doença por meio de
medicamentos e de máquinas. Mas a realidade não é tão simples assim. No homem
existe, espiritualmente, um corpo sólido muito mais importante que o corpo físico,
denominado força de vida. Esta, encontra-se numa relação muito íntima com o corpo
físico, por isso o homem consegue viver e trabalhar. Todavia, como o espírito
equivale quase ao nada, a Ciência material não conseguiu detectá-lo. Dessa forma,
ao observar, por exemplo, a dissecação de um cadáver, podemos compreender
muito bem que a Ciência veio se dedicando somente à pesquisa do corpo físico.
Embora se diga que ela progrediu, como se trata de progresso unilateral, ele é coxo,
de modo que todos os esforços serão em vão.
Como dissemos, o homem está constituído de espírito e matéria. O espírito é
primordial, e a matéria, secundária. Essa é a lei universal. Quanto à doença, as
toxinas existentes no corpo físico refletem-se no corpo espiritual e transformam·se
em máculas. Aí surge a purificação natural, e as máculas são eliminadas. Ao mesmo
tempo, elas se refletem novamente no corpo físico. Conseqüentemente, as toxinas
são dissolvidas e eliminadas. A isso se denomina doença. A primeira é ação
horizontal, baseada na Lei de Identidade Espírito-Matéria, e a segunda, ação vertical,
baseada na Lei do Espírito Precede a Matéria. É importante que se compreenda
bem essa teoria.
Mas qual é a verdadeira essência da mácula? Denomina-se mácula uma opacidade
surgida no espírito, a qual é incolor e transparente. Ela é a verdadeira causa da
doença; por isso, eliminando-se a mácula, evidentemente a doença será curada.
Esse método é o Johrei. De acordo com os ideogramas que compõem a palavra, é
um método de purificar as máculas do espírito. E esta é a verdadeira Medicina.
Portanto, devem compreender que, além do Johrei, todos os outros tratamentos são
uma antimedicina.
O que acabamos de expor é o princípio fundamental da origem da doença e o seu
tratamento. Em suma, a doença é o sintoma que se manifesta na parte externa, e a
causa da doença está nas máculas localizadas na parte interna. A eliminação das
máculas vem a ser o verdadeiro método de tratamento da doença. No entanto, por
desconhecer esse princípio, a Medicina considera que basta eliminar o sintoma que
se manifesta. Mesmo que haja um efeito, é temporário, e disso, os médicos têm tido
experiência constante. (...)
Jornal Eiko nº 243, “O Johrei é tratamento científico” – (13/01/54)

“Sendo a doença uma ação para purificar o corpo e a alma, ela é a maior
bênção de Deus.”

(...) Originariamente, a causa da doença é a ação fisiológica, e esse princípio se


aplica a tudo. Em todas as coisas, tanto material como espiritualmente, acumulam-
se sujeiras; proporcionalmente, surge uma ação natural para purificá-las. Trata-se de
um princípio natural que, realmente, não apresenta a menor diferença sequer. De
forma ampla, pela sedimentação de sujeiras entre o Céu e a Terra, ocorre a
tempestade, que, com o vento, varre as sujeiras; com a chuva, lava-as; com o sol,
seca-as. De forma menor, quando se acumula sujeira no interior de uma casa, ela é
espanada, varrida e jogada no lixo. Posteriormente, o lixo é reunido num
determinado local e incinerado. Segue-se essa ordem. Fatos semelhantes ocorrem
no ser humano. Nele também, tanto espiritual como materialmente, por alguma
razão, acumulam-se sujeiras. Em conseqüência delas, surgem purificações naturais,
que vêm a ser as doenças. A maior prova disso está na febre que surge por ocasião
da purificação. As toxinas acumuladas solidificam-se com o passar dos dias, e a
febre surge para dissolvê-las. Uma vez dissolvidas e liquefeitas, as toxinas são
eliminadas do corpo em forma de catarro, secreção nasal, suor, urina, diarréia, etc.
Todavia, esse processo de purificação acarreta dores e sofrimentos, por isso foi
denominado doença. Entretanto, através dele, o interior do corpo é purificado e a
saúde aumenta. A doença é uma ação fisiológica natural para aumentar a saúde;
portanto, não existe coisa melhor que ela. Esse deve ser, realmente, o maior
benefício concedido por Deus ao homem. (...)
Coletânea Série Jikan vol. 10, “O erro da medicina” – (20/04/50)

“O ser humano não foi criado pelo homem, e sim por Deus.”

O homem foi criado por Deus, sendo desnecessário dizer que ele não foi criado por
um erudito ou por um técnico. Portanto, quando o homem fica doente, a lógica
natural é que ele seja curado por Deus; tentar curá-lo por meio de remédios e
aparelhos é um cálculo completamente errado. Ao invés de se dizer “obter a cura”,
deve-se dizer “obter a salvação de Deus.” Sendo assim, a posição da pessoa que
será salva e a posição da pessoa que irá salvá-la é por si mesma diferente. Ou seja,
uma das duas é inferior e a outra é superior. Nem é preciso dizer que a parte
superior é aquela que irá salvar. Em termos concretos, o doente é a parte que será
salva, e o tratamento médico, a parte que irá salvar. Dessa forma, visto que o
tratamento médico utiliza aparelhos e remédios, significa que a posição do homem
ficará abaixo da matéria, que são os aparelhos e os remédios. O remédio extraído do
musgo verde, que está em moda ultimamente, fica acima, e o homem fica abaixo.
Ora, se o musgo verde salva a vida do homem, é deveras lamentável, porque
significa que o homem se iguala a um pequeno verme.
Os opositores irão dizer que, sendo necessário à sobrevivência do homem, o
alimento está acima do homem, o que não deixa de ter lógica. Entretanto, o fato de
um homem que estava destinado a morrer ter a vida salva é completamente
diferente. A cura da doença não tem relação com o alimento. Para livrar-se do perigo
da morte, obviamente o homem deverá ser salvo por Deus, que é o Senhor Criador.
Como eu já disse uma vez, se por acaso foi o médico que curou o doente, este deve
colocar sua fotografia no Altar e reverenciá-lo; se o doente foi salvo com remédios e
injeções, deve se ajoelhar três vezes e fazer nove reverências para esses remédios
e injeções; se foi salvo por uma operação, deve considerar o bisturi, a pinça, os
desinfetantes e outros objetos como tesouros perpétuos da família e transmiti-los de
geração a geração. É o que dá vontade de dizer, mas mesmo que as pessoas da
atualidade leiam isto, creio que apenas irão rir com desdém. Se aqueles que
agissem assim estivessem cheios de vigor, eu não diria nada; no entanto, é gripe,
disenteria, encefalite, tuberculose, câncer, paralisia infantil, cárie da espinha,
doenças do coração, apendicite, amigdalite, etc. A situação é cômica e, ao mesmo
tempo, trágica, visto serem tantas as doenças que nem dá para citar todas elas.
Sendo assim, não há erro nas minhas palavras, por isso é preciso as pessoas se
conscientizarem do que eu acabo de dizer.
Jornal Eiko nº 195, “A lógica que não é lógica” – (11/02/53)
“A causa das doenças são as máculas da alma.
Portanto, aqueles que estão neste Caminho, devem polir sua alma.”

Os sofrimentos do homem não se restringem à doença, mas também abrangem


outras coisas. O homem deve se conscientizar de que, quando ocorre a doença,
ocorrem, ao mesmo tempo, ou logo depois, outras purificações. Portanto, a redução
de toxinas e a eliminação de máculas significam que, inevitavelmente, a sorte do
homem melhorará; é preciso que ele se conscientize disso.
Deus criou o homem para que ele trabalhasse. Se o homem conseguir trabalhar de
acordo com a Sua vontade, torna-se, perante Ele, uma pessoa importante. Assim,
Deus age de forma que o homem não sofra de doença, tenha vida longa e trabalhe
sempre. No entanto, há pessoas que morrem cedo. Isto ocorre porque elas pensam
e agem erroneamente em relação a Deus e ao mundo; por conseguinte, Deus não
tem outro recurso senão tirá-las deste mundo. Sem qualquer dúvida, isso está sendo
realizado por Deus, só que o homem não consegue percebê-lo.
Coletânea de Ensinamentos vol. 28 – (17/11/53)

“Como eu me sinto grato, meu Deus, por ter sido escolhido, através da doença,
para servir na Vossa Obra!”

Entre todas as coisas do mundo, o que o homem mais detesta é a tragédia. Eliminá-
la totalmente é impossível, mas, de certo modo, não será tão difícil diminuí-la.
Passemos a estudar sua natureza.
A realidade evidencia que a maioria das tragédias é causada pela doença.
Entretanto, elas também são geradas por problemas sentimentais e pela
desonestidade proveniente de interesses materiais. Através de uma pesquisa
acurada, no entanto, descobri que todas as tragédias têm sua raiz na enfermidade
espiritual. Dizem que um espírito são habita um corpo são, e isso é uma grande
verdade. Verifiquei, após longos anos de pesquisa, que a imoralidade, a injustiça, a
impaciência, o alcoolismo, a preguiça e a corrupção de jovens existem quase
sempre em físicos doentes.
Infelizmente, ainda não se descobriram métodos positivos para solucionar o
problema da doença e restabelecer a saúde física e espiritual, nem mesmo apelando
para a Medicina ou para outros meios. Ainda que se tivesse encontrado a causa das
doenças, não existiria uma forma para resolver o problema verdadeiramente. Há
quem se orgulhe de ter descoberto a origem das doenças e o processo de cura; a
maioria dos processos, contudo, não passa de paliativos. É realmente desolador.
Todavia, dentre os casos milagrosos relatados em nossas publicações, encontramos
muitos exemplos da cura de doenças gravíssimas, e a alegria e gratidão dos
agraciados nos comovem até as lágrimas.
A verdadeira solução das doenças e de outras desgraças depende de uma força
invisível, e só aos que a experimentaram é dado reconhecer o incomensurável Poder
Divino. Os homens modernos não se convencem senão através da realidade ou de
provas; portanto, sem a apresentação de resultados concretos é inútil pregar
princípios elevados e divulgá-los. Para esses homens, a salvação da humanidade e
a obra em prol da sociedade não passam de um sonho.
A essência da verdadeira Fé consiste em mover o que é visível por ação de um
poder invisível. Esse poder maravilhoso está sendo manifestado pela nossa Igreja, e
por essa razão, creio eu, poderíamos dizer que ela é a Religião do Poder. Como a
maioria das religiões hoje existentes se limita a pregar doutrinas, suas forças agem
do exterior para a alma. Mas o ato purificador empregado pela Igreja Messiânica
Mundial – o Johrei – projeta a Luz Espiritual diretamente na alma, despertando-a
instantaneamente. Isto é, a Igreja converte a pessoa sem a intervenção humana,
deixando os sermões para segundo plano. Os que nela ingressam, alcançam
rapidamente uma percepção superficial, e, em seguida, uma percepção mais
profunda. Além de superarem as sua próprias tragédias, tornam-se aptos, também, a
eliminar as tragédias alheias.
Alicerce do Paraíso, “Eliminação da tragédia” – (11/06/49)

“Minha vida é de um valor inestimável pois estou a serviço de Deus.


Assim, não tenho por que contrair doenças.”

Volto a ventilar o assunto de que o homem foi criado para construir o Mundo Ideal
planejado por Deus. Ele só trabalhará com saúde, sem desgraças, em ambiente
satisfatório, se conseguir identificar-se com este objetivo Divino. Eis a Verdade
Eterna.
O ser humano carrega não só as suas próprias máculas, como as de sua raiz
familiar. Além disso, mesmo sem saber, ele absorve substâncias tóxicas,
aumentando, inevitavelmente, o número de suas enfermidades. Ora, a existência de
pessoas doentes e, conseqüentemente, inúteis para a Obra Divina, constitui um
prejuízo para Deus. Por isso, é lógico que Ele deseje curá-las; nem precisaríamos
preocupar-nos com o assunto. No entanto, os que ignoram esse aspecto, julgam que
os remédios sejam o único recurso contra as doenças, e nada mais fazem que
reprimi-las. (...)
Alicerce do Paraíso, “Conheça a Vontade Divina” – (02/12/53)
A V O N TAD E D E D E U S

“É realmente extraordinário. Se a prece for correta, Deus não deixará de


atendê-la.”

“Desejo que salve minha vida, desejo que cure minha doença”. A pessoa pedindo
assim, Deus poderá dizer: “Você está na Fé, não está? Portanto, de minha parte,
darei um jeito. Não é preciso pedir com tanto apego. O fato de me acharem assim
tão desumano, não é nada agradável. Se você veio solicitar minha ajuda, farei
qualquer coisa para salvar sua vida”.
Nas religiões tradicionais, que dizem que o homem será salvo se tomar banhos,
jejuar, rezar 100 vezes etc., o deus não é verdadeiro. É Satanás, sem dúvida. O
Amor de Deus é grande e profundo, por isso a salvação depende do homem. Desde
que o homem confie e recorra a Deus, deixando a vida por Sua conta, Ele não pode
deixar de salvá-lo. Uma vez que o problema foi entregue em Suas mãos, a
responsabilidade de Deus torna-se mais pesada. Assim, da Sua parte, a salvação
torna-se bem mais fácil. Quanto a esse modo de pensar, é, sem dúvida, Daijo e
Shojo. Deus salva, a qualquer custo, as pessoas que lhe são úteis. Aquelas que O
atrapalham ou são inúteis, Ele deixa de lado e espera pelo tempo certo, até que elas
ganhem compreensão. Deus tem um poder incrível; portanto, basta Ele querer, que
poderá salvar facilmente. A dificuldade está em reunir pessoas que tenham
condições para serem salvas. Por isso, é preciso que o homem adquira essas
condições.
Coletânea de Ensinamentos vol. 23 – (27/06/53)
“ A verdadeira força de salvação do mundo está em Deus. Orai, orai a Deus.”

(Nidai-Sama)

Interlocutor: Há ministros que estão desorientados, pois, mesmo desejando


empenhar-se ativamente na Obra Divina, não têm conseguido resultados
satisfatórios. Assim, eles acham que isso acontece porque lhes falta virtude ou
capacidade para exercerem o cargo de Ministro. Analisando sob o aspecto
financeiro, acham que devem retornar ao trabalho anterior. Neste caso, como
devemos proceder?
Meishu-Sama: A essas pessoas falta maior firmeza nas decisões. Isto é, sua fé é
superficial. Se elas se empenharem dando a sua própria vida e orando a Deus, é
impossível que as coisas não corram bem. Como não se entregam a Deus
totalmente, ficam desorientadas e chegam até a pensar em retornar ao trabalho
anterior. Deveriam retornar, a título de experiência, pois sei que não daria certo.
(risos) Após defrontarem-se com dificuldades, voltariam novamente ao trabalho
missionário e, a partir de então, se empenhariam ao máximo. Se tivermos firmeza de
fé, poderemos receber todo tipo de benefícios maravilhosos.
Registro das Palavras de Luz vol. 7 – (23/04/49)

“Há fatos que, pela visão do homem, são um bem, mas que estão em
desacordo com a vontade de Deus.”

Diferente das Igrejas “Shojo” que apareceram até agora, a nossa Igreja não tem
exigências maçantes; portanto, se compreenderem o seu verdadeiro significado,
poderão ultrapassar sem qualquer problema os períodos críticos. O mais importante
é não definir as coisas de modo “Shojo”. Para entender isso mais facilmente, basta
pensar que não se consegue entender nada através do pensamento humano.
Entretanto, as pessoas de pensamento “Shojo” criam suas próprias teorias e acham
que elas é que estão certas. Por esse motivo, apesar de se esforçarem bastante,
acabam errando.
A esse respeito, há um ensinamento interessante na Religião Oomoto: “Existem
muitas coisas que as pessoas acham certas, mas aos olhos de Deus estão erradas”.
Por isso aquilo que, às vezes, achamos ser um bem, na realidade, acaba sendo um
empecilho para Deus. E isso acontece porque achamos que o nosso pensamento é
correto. Pensar assim é presunção. Portanto, o ensinamento da Oomoto faz uma
grande advertência sobre a presunção e a interpretação errada. Há também o
seguinte ensinamento: “Não faço planos tão mesquinhos que possam ser entendidos
pelos olhos humanos. Quem pensa que não entende as coisas do Mundo Divino é
que realmente as entende”.
Lendo os meus Ensinamentos, em algum lugar encontrarão a resposta que
precisam; portanto, se raciocinarem com base nos Ensinamentos, não terão
nenhuma dificuldade. É mais cômodo. Quem está praticando ações erradas,
encontra obstáculos, sacrifica-se fazendo coisas penosas. Mas isso acontece porque
o que faz não está correto. O certo é as coisas correrem com facilidade. Aí está a
diferença entre a nossa Igreja e as religiões existentes até agora.
Coletânea de Ensinamentos vol. 23 – (16/06/53)
“Envolvido pela aura de Deus, sinto-me profundamente feliz.
É como se eu estivesse me divertindo no campo, durante a primavera.”

(...) O corpo espiritual irradia incessantemente uma espécie de ondas de luz. É como
se fosse a veste do corpo espiritual, daí a denominação “aura”. Sua cor é geralmente
branca, porém, conforme a pessoa, poderá ser amarelada ou roxa. Também há
diferença de largura: normalmente tem cerca de três centímetros, mas nos enfermos
é fina; à medida que a enfermidade se agrava, a aura vai afinando cada vez mais, e
na hora da morte desaparece. A expressão popular “Fulano está com a sombra da
morte na face” justifica-se pela percepção de que a aura de pessoas nesse estado é
quase inexistente. Nas pessoas saudáveis, ao contrário, ela é larga. Essa largura
torna-se ainda maior nos virtuosos, cujas ondas de luz também são mais fortes; nos
heróis, a aura é mais larga do que nas pessoas comuns; nas personalidades ilustres
do mundo, é ainda mais, sendo extraordinariamente larga nos homens santos.
Entretanto, a largura da aura não é fixa; varia constantemente, de acordo com os
pensamentos e atos da pessoa. Quando esta pratica ações virtuosas, baseada na
justiça, sua aura é larga; em caso contrário, é fina. As pessoas de sensibilidade
comum em geral não conseguem enxergar a aura, mas existe quem o consiga.
Mesmo aquelas, se observarem atentamente, poderão vislumbrá-la.
A largura da aura tem relação direta com o destino do homem. Quanto mais larga ela
for, mais feliz ele será. Os que têm aura larga são mais calorosos, causam uma boa
impressão e atraem muitas pessoas, porque as envolvem com sua aura. Ao
contrário, aqueles cuja aura é fina, causam uma impressão de frieza, desagrado e
tristeza, e temos pouca vontade de permanecer em sua companhia.
Em face do que dissemos, o esforço para aumentar a largura da aura é a fonte da
felicidade. Mas de que forma devemos agir? Antes de responder a essa pergunta,
darei uma explicação sobre a natureza da aura.
Já sabemos que todos os pensamentos e atos humanos se subordinam ao bem ou
ao mal. A largura da aura também é proporcional à soma do bem ou do mal. Isto
significa que, na ocasião em que a pessoa pensa ou pratica o bem, surge-lhe o
sentimento de satisfação na consciência, o qual se transforma em luz e soma-se ao
seu corpo espiritual, aumentando-lhe, assim, a luminosidade; ao contrário, o mal
transforma-se em máculas, que também se acrescentam às já existentes no corpo
espiritual da pessoa. Ao mesmo tempo, quando se faz o bem, a gratidão do
beneficiado torna-se luz, e esta, através do elo espiritual, é transmitida para o
praticante do bem, aumentando-lhe, conseqüentemente, a luz; em contraposição,
pensamentos de vingança, ódio, inveja, etc., transformam-se em máculas, que são
transmitidas à outra pessoa pelo elo espiritual, somando-se às que ela já possui.
Sendo assim, é importante que o homem pratique o bem, alegre o próximo e dele
jamais receba pensamentos como os que mencionamos.(...)
Alicerce do Paraíso: “Aura” – (05/02/47)

“É venerável o sentimento de Deus. Ele ama os homens tal como os pais amam
os filhos.”

Qualquer pessoa tomará por um sonho descabido o objetivo da nossa Igreja –


construir um mundo sem doenças, pobreza e conflitos, ou seja, o Paraíso Terrestre,
que corresponde ao “Advento do Reino dos Céus”, pregado por Cristo, ou à “Vinda
do Messias”, da religião judaica. Sakyamuni disse que, depois de sua morte, surgiria
um mundo perfeito. Não afirmou, entretanto, que esse mundo estivesse iminente; ao
contrário, disse estar infinitamente longe: 5.670.000.000 de anos.
Todas essas profecias foram de grande utilidade. Se não houve referência a um
plano de execução, devemos interpretar que ainda não era chegado o tempo, mas
sabemos que a aceitação e a prática dos ensinamentos pregados pelas religiões
antigas tornaram-se o alicerce das religiões atuais. Naturalmente, cada religião criou
e divulgou os seus protótipos, formas e métodos, adaptáveis aos diferentes povos e
países. Evidentemente, as religiões foram criadas sob o desígnio de Deus, para
serem condicionadas a determinadas épocas, localidades, povos, tradições,
costumes, etc. Graças a essa força, a cultura alcançou o deslumbrante progresso
que hoje apresenta. Não fossem as religiões, o mundo estaria à mercê de Satanás,
ou talvez, destruído.
Ao refletirmos sobre esses assuntos, não podemos deixar de levar em consideração
os grandes méritos dos fundadores de religiões. Todavia, embora estas últimas
hajam evitado a destruição do mundo, é duvidoso que o seu poder seja eficiente
para o mundo atual ou para o futuro. Isto porque a humanidade padece um
sofrimento infernal, o que comprova a deficiência das Igrejas, as quais não
conseguem conduzir os sofredores ao estado celestial. Só um número restrito de
povos participa dos benefícios da civilização moderna. Presentemente, a
humanidade carece muito do espírito de paz.
Uma observação sobre o mundo atual faz com que as pessoas prudentes sintam a
necessidade do aparecimento de uma grande luz que dissipe as trevas, isto é, o
poder salvador de uma Ultra-Religião. Nesse sentido, consciente da
responsabilidade que lhe cabe como sendo esta Ultra-Religião, nossa Igreja vem
apresentando resultados surpreendentes.
Alicerce do Paraíso: “Ultra-Religião” – (20/07/49)
“Compreendendo o amor de Deus do fundo do meu coração, tornei-me uma
pessoa que desconhece a solidão.”

(...) Os males que decorrem da ignorância humana, não se restringem às questões


de saúde. Todas as desgraças têm o mesmo caráter e destinam-se à purificação do
homem. O processo purificador, no entanto, muda seu tipo de ação de acordo com a
causa do mal.
Os pecados de furto, peculato, prejuízo ao próximo, luxo excessivo e outros, são
redimidos com perda de dinheiro e de bens materiais. O farrista que esbanja a
herança familiar está redimindo as máculas de seus pais e de seus antepassados. O
espírito de um antepassado escolheu um descendente para que, por seu intermédio,
se processe a purificação e a preservação do sangue da família, a fim de que ela
venha a progredir no futuro. Nessas circunstâncias, não há conselho que surta
efeito. Pode ocorrer o caso de dois irmãos com índoles diferentes: um é incorrigível e
malvado; o outro é leal e honesto. Aparentemente, o primeiro é mau e desonra o
nome da família. Mas, à luz da Verdade, purificando a família e eliminando as
máculas dos antepassados, sua missão assume maior importância que a do outro.
Por essa razão, é dificílimo definir o Bem e o Mal usando critérios humanos.
Incêndios, roubos, falsidade, perdas na Bolsa, falências comerciais, apostas inúteis,
gastos com doenças, etc., são formas materiais de redenção de máculas também
adquiridas materialmente. Portanto, embora possa fugir às sanções das leis
humanas, ninguém escapa das leis eternas.
O pecado de enganar ou ludibriar os olhos humanos será redimido,
conseqüentemente, pelos males da vista; aquele que se comete através da palavra,
provocará doença dos ouvidos ou da língua; torturar a mente do próximo causará
dores de cabeça; o uso dos braços apenas para benefício próprio, será fonte de
padecimento nos braços. A purificação ocorre de acordo com o Princípio da
Concordância.
Também o ingresso na Fé produz sofrimento, e este será tanto mais profundo,
quanto maior for a dedicação. O motivo é que Deus quer beneficiar a pessoa como
recompensa pela sua dedicação, e para isso é necessário eliminar suas máculas
espirituais, a fim de que ela possa receber as Graças Divinas. Suportando as
purificações sem vacilar, a pessoa receberá benefícios inesperados. Entretanto,
quem não possui firmeza de fé, vacila nesses momentos decisivos.
Vou lhes falar de minha experiência sobre o assunto.
Durante vinte anos sofri em virtude de dividas aparentemente insolúveis. Finalmente
consegui saldá-las em 1941. Foi um alívio! No ano seguinte, começaram a chegar-
me riquezas inesperadas, e assim me surpreendi com a profundidade da Vontade
Divina. É habitual ouvirmos comentários como este: “Fulano ficou rico após o
incêndio”. Isso nada mais é que uma conseqüência da purificação. Podemos dizer o
mesmo em relação ao incêndio de Atami. Se compararmos a atual cidade com o que
ela era antes da catástrofe, veremos que a diferença é surpreendente.
Concluímos que, se os bons acontecimentos são apreciáveis, os maus também nos
trazem benefícios, pois são purificadores, e que haverá verdadeira paz sempre que
soubermos agradecer, tanto na saúde como na enfermidade. Mas isto se limita aos
que têm fé. Com os descrentes ocorre o contrário: o sofrimento gera o sofrimento, a
ansiedade piora a situação, e tudo caminha para o abismo.
O segredo da felicidade humana consiste em aceitar esta verdade.
Alicerce do Paraíso: “Conheça a Vontade Divina” – (02/12/53)
O BEM E O MAL

“Quando a prática do bem, seja ela qual for, é realizada por pessoas
agnósticas, na maioria das vezes visa apenas a própria pessoa.”

(...) Existem pessoas que deixam de praticar ações condenáveis, entre outros
motivos, por estes dois: por autodefesa, pois, apesar de pretenderem o mal, temem
o descrédito da sociedade, e por covardia, não obstante desejarem os seus
proveitos. Por outro lado, muitos praticam o bem por conveniência, sabendo que as
boas ações conquistam simpatia e são compensadoras; ou melhor, praticam o bem
na esperança de retribuição. Isso não passa de uma transação, pois essas pessoas
vendem favores para comprar gratidão. Tais ações não oprimem o próximo nem
afetam a sociedade, sendo melhores que as más, porém não são verdadeiramente
benéficas. Portanto, perante Deus, cujo olhar penetra no intimo do homem, nelas
não há honestidade. A dúvida quanto a isso é decorrente da superficialidade do
ponto de vista humano. Essas atitudes são perigosas, próprias dos que não crêem
no Ser Invisível; os que as praticam são levados, no momento oportuno, a cometer
algum mal que possa passar despercebido na sociedade.
Ao contrário, quem realmente crê em Deus, não se deixa ludibriar por”brilhantes
perspectivas”. Ainda que seja considerado um homem de bem, do ponto de vista
terreno e objetivo, se o individuo não crê em Deus, situa-se na esfera do Mal, visto
estar propenso a transformar-se num mau elemento a qualquer instante.(...)
Alicerce do Paraíso, “O bem e o mal” – (25/01/49)

“Quem cochicha aos ouvidos dos outros não merece confiança.”

(...) No caso dos crimes intelectuais, também existem os grandes e os pequenos;


atualmente, os de grande envergadura são muito mais numerosos. É de nosso
conhecimento os danos causados por pequenas fraudes, falsificação de textos,
venda ilegal, etc., mas a maioria dos crimes intelectuais é de grande porte. Por meio
de importantes empresas e bancos, realizam-se, entre outras coisas, vendas ilegais
em grande escala, seqüestro de autoridades e sonegação dos agiotas; entre os
implicados, incluem-se alguns bem conhecidos pela sociedade. Por isso, no que se
refere aos danos causados à sociedade, há pontos que não podemos deixar passar
facilmente.
Vou explicar onde está a causa do que mencionamos acima. Como sempre dizemos,
é a educação materialista, tendenciosa, o que, a essas alturas, dispensa
comentários. O motivo é extremamente simples: crer ou não crer no invisível.
Dissecando-se a psicologia do criminoso intelectual, vemos que ela se resume no
seguinte: “No mundo não existe Deus nem Buda; portanto, desde que as pessoas
não vejam, não tem importância praticar qualquer tipo de astúcia. Quem pratica
ações engenhosas escapando habilmente à visão dos homens, é inteligente e hábil”.
Tais pessoas são fiéis absolutos da filosofia materialista. Ainda que, misteriosamente
e de maneira inesperada, os fatos sejam descobertos, essas pessoas, baseadas na
interpretação materialista, pensam: “O modo como a coisa foi realizada não estava
correto; da próxima vez, vou agir de forma mais engenhosa”. Assim, sua inteligência
vai se desenvolvendo. Sendo terminantemente materialistas, elas acham que a frase
“O Bem produz bons frutos, e o Mal produz maus frutos” não passa de um dispara te
dito por um estúpido. No entanto, embora ajam com mais habilidade, repete-se o
fracasso. Mas elas não despertam, porque são semelhantes aos supersticiosos
heréticos.
A realidade acima torna-se evidente ao observarmos os grupos de chantagistas que
vêm à nossa Igreja. Eles tentam enganar-me de modo realmente hábil, alegando ser
algo vantajoso para a Igreja. Se eu cair, distraidamente, na conversa deles, será
perigoso, por isso fujo habilmente. Nesse sentido, pela visão espiritual que Deus me
concedeu, consigo ver claramente as suas tramas e palavras insinceras. Eles ficam
eufóricos pensando que me enganaram, mas acabam tendo despesas com viagens
e não conseguem obter nada. Mesmo assim, não conseguem despertar. É grande,
muito além da nossa imaginação, o número de criminosos intelectuais. E não
podemos nos descuidar, pois existem pessoas de qualificação e posição que,
enganadas por eles, concedem-lhes auxílio. Num mundo podre como este, se Deus
não fizer uma grande limpeza, sinto que não será possível a formação de uma
sociedade alegre e feliz.
Quanto mais observo os efeitos perniciosos do pensamento materialista, vejo maior
necessidade da educação espiritualista. Nesse aspecto, são fomentadas amplas e
variadas reflexões pelos intelectuais do mundo inteiro. Educação espiritualista vem a
ser, logicamente, a postura original da Religião, mas, tal como a filosofia religiosa, se
ela for compreendida somente por uma parte das pessoas e não por todos, na
realidade, não será útil. Deverão compreender que uma religião não terá sentido se
não for capaz de fazer reconhecer a existência de Deus, invisível por meio de
milagres.
Jornal Kyussei nº 52, “O aumento recente dos crimes intelectuais” – (04/03/50)
“As pessoas que vivem corretamente são alegres. Nelas não existem frestas
para o Mal penetrar.”

O que mais falta no Japão é o espírito de justiça. O espírito de justiça é uma


necessidade muito maior que a do arroz. A prosperidade dos Estados Unidos é
decorrente da proteção de Deus, concedida pelo progresso baseado no espírito de
justiça. Eu também sempre vim lutando muito para preservar o espírito de justiça.
Por outro lado, havia também uma desvantagem: nos processos judiciais, muitas
vezes eu era fortemente pressionado, por tentar preservá-lo. Todavia, Deus
realmente é justiça; sem justiça, a afinidade com Deus será rompida. Por isso, a
pessoa deve observar se o seu pensamento e suas ações estão de acordo com a
justiça. Tratando-se de justiça, há vários tipos de pensamento. Na Guerra do Oceano
Pacífico, por exemplo, o Japão pensava que era justo matar os inimigos e apossar-
se das suas terras, mas essa era uma justiça totalmente equivocada. Era uma
justiça favorável à época. Não pode existir justiça assim. Esse equívoco é decorrente
da visão estreita. Sem qualquer erro, a verdadeira justiça é aquela que visa à
felicidade de toda a humanidade. Basta, por conseguinte, que fixem os olhos nesse
ponto. E qual será o resultado? O resultado não deve ser benéfico apenas para os
japoneses ou unicamente para sua família, mas para todo o país. Se o resultado for
o aumento da felicidade do mundo inteiro, esta sim é a verdadeira justiça. A Igreja
Messiânica Mundial tem como objetivo transformar o mundo inteiro em Paraíso
Terrestre e torná-lo feliz; por isso, ela é a Verdadeira Justiça.
Coletânea de Ensinamentos vol. 29 – (05/04/52)
“Aqueles que estão muito interessados na aprovação dos outros, quase
sempre se esquecem de Deus.”

Uma vez que o ser humano olha só o lado superficial das coisas, fica preso apenas
às formas. Ele pensa: “As pessoas irão pensar assim ou assado daquilo que eu fiz”.
Esse é um problema sério. Por isso eu digo que não se deve objetivar o homem, e
sim, Deus. Não há necessidade de sermos queridos pelos homens. Devemos ser
arnados por Deus. Entretanto, as pessoas querem ser amadas pelos homens. A
sociedade em geral é assim, mas Deus é diferente. Muitas vezes, nas outras
religiões, quando a pessoa doa dinheiro, por exemplo, ela o faz publicamente,
colocando nome e quantia numa tabuleta. Na nossa Igreja não se fica sabendo nada
sobre essas coisas; não sabemos quem e quanto se ofertou. Aliás, de nada adianta
uma pessoa doar determinada quantia para mostrar-se importante. Nós pensamos
no reconhecimento de Deus, e não no reconhecimento dos homens. No
reconhecimento de Deus – quero ressaltar esse ponto. Logo, devemos ter o
pensamento centralizado em Deus, para sermos amados somente por Ele e para
sermos do Seu agrado. Quando temos esse pensamento, a proteção é sempre
maior.
Coletânea de Ensinamentos vol. 9 – (15/04/52)

“A virtude ostensiva não é a verdadeira virtude. Só a virtude oculta comunica-


se com Deus.”

Interlocutor: Fala-se sobre a soma de virtudes e sobre pessoas virtuosas, mas o


que vem a ser virtude? E o que significa somar virtude oculta?
Meishu-Sama: Praticar ações úteis ao próximo e ao mundo torna-se virtude. Somar
virtude significa praticar inúmeras vezes essas ações. A melhor maneira de somar
virtude é ministrar Johrei e conduzir pessoas à Fé Messiânica. Dar esmolas e fazer
caridade é temporário, não é duradouro. Por isso, não há forma melhor de somar
virtude do que ingressar na Fé que salva o próximo para sempre. Somando virtude,
grande número de pessoas sente gratidão pelo seu benfeitor. Essa Luz da gratidão,
tornando-se um nutriente, fortalece-lhe o espírito. Numa oração xintoísta se diz:
“Mitama no fuyu o sakihae tamae” (Multiplicai a felicidade da alma). “Fuyu” significa
multiplicar e fortalecer. O espírito se fortalecendo, a sua Luz aumenta, e,
conseqüentemente, ele sobe de nível nas camadas do Mundo Espiritual; a felicidade
e as boas coisas também aumentam.
Quanto à virtude oculta, é a prática de boas ações sem o conhecimento de outras
pessoas. Geralmente, nos recintos dos santuários existem placas onde se coloca o
valor das contribuições. Aquilo é do conhecimento de todos; portanto, é virtude
ostensiva. Quando o fato é do conhecimento das pessoas, o benfeitor já estará
recebendo a recompensa merecida, mas quando não é, Deus é quem concede a
recompensa. Assim, tratando-se de virtude, a oculta é bem melhor. No entanto, o
homem não se sente satisfeito se não aparecer...
Devemos praticar boas ações fazendo o possível para que elas não sejam do
conhecimento das outras pessoas. Se procedermos assim, Deus nos devolverá o
bem multiplicado várias vezes. A soma de virtude oculta é algo surpreendente. As
pessoas da atualidade não estão cientes disso, e por esse motivo só praticam
virtude ostensiva.
Registro das Palavras de Luz vol. 9 – (30/07/49)
“Mesmo que a pessoa consiga ocultar-se dos olhos dos outros, não poderá
ocultar-se dos seus próprios olhos.”

Por volta dos doze ou treze anos, eu morava no bairro Senzoku, de Assakussa. Meu
pai era vendedor de objetos usados e eu lhe fazia companhia. Na época, havia uma
loja de objetos usados, a melhor de Assakussa, cujo dono se chamava Hanagame
(flor-tartaruga). Esse nome é abreviação de “Hanakawado ni sumu Kame-san” (Sr.
Tartaruga que mora no Portal do Rio das Flores). Hanagame ficara completamente
cego por volta dos sessenta anos. Ainda me lembro perfeitamente da sua história,
pois meu pai a contava sempre. A história é a seguinte:
Hanagame ficara cego por castigo dos Céus. Quando ele tinha meia-idade, um
bonzo famoso, responsável por um templo do Estado de Shizuoka, alugou o recinto
do Templo Kannon de Assakussa para uma exposição de grande envergadura, da
Imagem do seu templo. Mas foi infeliz. Ao contrário de sua expectativa, teve um
grande prejuízo e, não podendo retornar à sua terra, sem outra alternativa, deixou a
Imagem de Kannon como garantia e fez um empréstimo com Hanagame. Meses
depois, juntando o dinheiro necessário, o bonzo procurou-o, conforme o prometido,
para pagar a dívida e reaver a Imagem. Mas Hanagame lhe disse: “Não me lembro
absolutamente, deve haver algum engano”, e nem lhe deu atenção. O bonzo, num
beco sem saída, amaldiçoou-o e enforcou-se em frente à casa dele. Hanagame
vendera a Imagem a um estrangeiro por uma quantia elevada e, desde então,
ampliara sua loja.
Evidentemente, o rancor e a maldição do bonzo foram os causadores da cegueira de
Hanagame. Além do mais, seu único filho tornou-se um alcoólatra depravado, que
gastou toda a fortuna da família em poucos anos, tendo deixado a casa sem que
ninguém soubesse mais de seu paradeiro. Em conseqüência, Hanagame ficou
extremamente pobre e vivia com grande dificuldade, dependendo da ajuda de
parentes. Na época, eu o via freqüentemente, andando pela cidade, guiado pela sua
esposa, já idosa.
Nas vizinhanças, também morava um homem chamado Watanabe Guinjiro,
conhecido pelo apelido de Kyoguin, o qual era forrador de papel (em portas
corrediças, quadros etc.). Ele também ficou cego, por volta dos sessenta anos. Eu ia
sempre brincar na sua casa e ele me tratava com muito carinho. O motivo que o
levou à cegueira foi o seguinte:
Kyoguin era um excelente forrador de papel e muito hábil em falsificações. Ele
entrou de sócio com um pintor perito em falsificar quadros antigos, principalmente
obras de Ookyo, Hoitsu, Zeshin, etc. Quando eu ia brincar na sua casa,
freqüentemente via os dois fazerem as falsificações. Kyoguin era extremamente
hábil em toques de antigüidade, especialmente no que se refere a partes comidas
por bichinhos, as quais pareciam realmente verdadeiras. Na casa dele havia um
quarto onde não era permitida a entrada de ninguém. Como eu lhe perguntasse o
porquê dessa proibição, ele respondeu que era para as pessoas não verem a
falsificação que fazia as obras parecerem comidas por bichinhos. Assim, diziam que
a cegueira de Kyoguin era castigo dos Céus, pelo fato dele ter ganho muito dinheiro
através de falsificações feitas ocultamente. Embora eu fosse criança na época,
compreendi como é rigoroso o castigo dos Céus.
Por volta dos trinta anos, contratei uma empregada. Era uma moça muito bonita, de
dezoito ou dezenove anos, mas lamentavelmente havia perdido um dos olhos.
Baseado nos dois exemplos anteriormente citados, imaginei que aquilo era causado
por algum pecado e perguntei-lhe como ficara cega. Ela disse que, no início da Era
Meiji, quando apareceu no Japão o coral falso fabricado com borracha, seu pai
ganhara muito dinheiro com a venda desse material em várias regiões. Aí está a
causa, pensei comigo mesmo. O motivo da cegueira da moça foi uma bala de
espingarda de pressão, disparada por brincadeira pelo menino da casa onde ela
trabalhava anteriormente.
Coletânea Série Jikan vol. 5, “A história de duas pessoas cegas” – (30/08/49)
“Olhos que vêem o Bem como Bem e o Mal como Mal: eis a correta visão.”

Interlocutor: Para discernir as coisas, acho que o homem deve ter uma sistemática.
Meishu-Sama: Sistemática no sentido científico?
Interlocutor: De que forma devo pensar para obter um discernimento de acordo
com a Vontade Divina sem cair nos extremos?
Meishu-Sama: Conseguir discernir o que é o Bem e o que é o Mal, não é mesmo?
Se conseguir, tudo bem.
O egoísmo é a medida para se definir o que é Bem e o que é Mal. Fazer os outros
sofrer para auferir benefícios próprios, causar danos a terceiros, é Mal. Beneficiar o
próximo, melhorar o mundo, deixar os interesses pessoais relegados a segundo
plano, colocando os interesses das outras pessoas e da sociedade em primeiro
lugar, é Bem. Por isso, quando se analisa: “Com o que estou fazendo, quantas
pessoas sofrem? Quantas pessoas se alegram e se tornam felizes?”, pode-se
entender o que estou dizendo. Se tirarmos a comida dos outros, eles não poderão
comer: isso é Mal. Ao contrário, se eles forem alimentados, ficarão alegres: isso é
Bem. É simples. Não há nenhuma forma. Por ser tão simples e compreensível, não
há necessidade de se estabelecerem definições ou teorias.
Registro de Orientações vol. 27 (01/12/53)

“Mesmo que a pessoa consiga enganar os olhos do próximo, não conseguirá


enganar os olhos de Deus. Feliz de quem tem consciência disso.”

O mundo apresenta um aspecto multiforme, com a mescla do Bem e do Mal.


Tragédia e comédia, desgraça e felicidade, guerra e paz, tudo é impulsionado pelo
Bem ou pelo Mal. Há homens bons e homens maus. Precisamos, portanto, ser
esclarecidos sobre a existência de uma causa básica, determinante desses dois
fatores. No momento, parece-me indispensável conhecê-la, e por isso desejo
explicá-la.
Por uma inclinação normal, o homem odeia o Mal e procura o Bem. Com raras
exceções, tanto os governos, como a sociedade ou a família, amam o Bem, porque
sabem que o Mal não gera paz e felicidade.
Há dois pontos a salientar na definição do Bem e do Mal. “Homem bom é aquele que
crê no invisível; mau é o que não crê. “ O primeiro crê em Deus: é espiritualista; o
segundo, pelo fato de não O ver, não crê: é materialista.
A boa ação parte do amor, da compaixão ou da justiça social, isto é, do amor à
humanidade. Há pessoas que praticam o Bem por saberem que a boa ação produz
bom fruto, e a má ação, mau fruto. Outras socorrem o próximo impelidas pela
compaixão. Os quatro princípios do budismo – evitar o desperdício, ser moderado,
fazer economia e tudo poupar – são práticas do Bem. O desejo de ser simpático,
gentil, fiel à profissão, almejar o benefício e a felicidade do próximo, render graças,
manifestar gratidão e esforçar-se no sentido de agradar a Deus, também são
práticas do Bem. Ainda existem várias outras práticas, mas creio que essas sejam as
mais comuns.
A má ação, produto do pensamento destrutivo fechado à existência de Deus, justifica
o delito, contanto que se consiga ludibriar os outros. Então, a fraude é praticada
como ação perfeitamente normal. Torturam-se inocentes, não importando se isso
desgraça os homens e a sociedade, e chega-se até ao cúmulo da prática do
homicídio.
A guerra é um homicídio coletivo. Desde a antigüidade, os homens considerados
heróis provocaram guerras para conseguir poderes e satisfazer desatinadas
ambições. Diz um provérbio: “O vitorioso domina o mundo, mas este o subjuga
quando readquire seu equilíbrio.” A História nos mostra o fim, quase sempre trágico,
desses “heróis” que brilharam apenas temporariamente, como conseqüência natural
do mal que cometeram.
Se fosse certo o conceito popular de que “não importa enganar, contanto que não se
seja descoberto”, seria até mais vantajoso e inteligente praticar toda espécie de
maldades e viver luxuosamente.
O Mal surge, ainda, da crença de que, após a morte, o homem retorna ao Nada; é a
negação da vida após a morte, isto é, da vida no Mundo Espiritual.
Embora a sorte o favoreça durante algum tempo, a realidade evidente é que o
faltoso está fadado à ruína. Aquele que comete delitos vive inquieto e atormentado
pelo receio de ser preso. Sob a tortura da sua consciência acusadora, é induzido ao
arrependimento, sendo freqüente o caso de criminosos que se entregam ou se
alegram em cumprir a pena, porque assim adquirem tranqüilidade. Isto significa que
sua alma, através do elo espiritual, está sendo censurada por Deus, seu Criador.
Portanto, ao praticar o mal, mesmo que consiga enganar os outros, a pessoa não
pode enganar a si mesma e muito menos a Deus Onisciente, ao qual todo homem
está ligado por um elo espiritual. Por essa razão, jamais o crime compensa. (...)
Alicerce do Paraíso “O Bem e o Mal” (25/01/49)

“Ignorantes são aqueles que semeiam o Mal e não sabem por que colhem
sofrimentos.”

Meishu-Sama: Outro dia, assisti a um filme de Chaplin, intitulado “A Era dos Loucos
Assassinos”, no qual se dizia algo como “Se alguém matar apenas uma pessoa, é
um assassino; se matar um milhão de pessoas, é um herói”. Achei aquilo um
aforismo muito interessante.
Stalin, por exemplo, terá grandes sofrimentos no Inferno. Pessoas como ele, caem
realmente no Reino do Fundo da Raiz. Ali, a pena mais leve é de seiscentos anos.
Mesmo se arrependendo, o espírito leva mais de seiscentos anos para libertar-se
desse local. A pena de Hitler deve ser leve, mas a de Stalin é pesada. Creio que seja
de milhares de anos. A pena máxima é de seis mil anos; portanto, acho que ele
ficará no Inferno no mínimo durante três milênios. É por esse motivo que eu sempre
afirmo: “Tolos são aqueles cujo nome é herói”. Por um curto período eles são
chamados de herói e gozam de boa fama, mas não sabem que depois serão
submetidos a sofrimentos durante longo tempo.
Interlocutor: Dizem que Maomé realizava conquistas para expandir a Fé. Nesse
caso, como fica?
Meishu-Sama: Isso é crime e mérito ao mesmo tempo. Nesse caso, calcula-se a
diferença, de modo que a pena se torna relativamente leve. Há, porém, expiação
pelo crime cometido. Mesmo realizando algo extremamente bom, proporcionalmente
ao crime que cometeu, o espírito cai no Inferno. Pode acontecer de, ali, o Enma Daio
afirmar: “Como você praticou o bem, vou mandá-lo para o Céu, mas antes deve ficar
no Inferno por um ou dois anos, pelo mal que praticou.”
Registro de Orientações vol. 22 – (01/07/53)
AD M O E S TAÇ ÃO

“São vis as pessoas que não se envergonham de causar conflitos.”

Interlocutor: Admitindo-se que a pessoa esteja numa posição correta, qual das
atitudes é melhor, é mais humana: ter personalidade, mas, por detestar o conflito,
ficar estática, esperando pela chegada do tempo certo, ou discutir com a outra, não
se sentindo satisfeita enquanto não determinar o certo e o errado?
Meishu-Sama: Depende da circunstância, não se pode determinar qual das duas.
Há ocasiões em que se deve ficar estático, em que a discussão não deve ocorrer,
pois esse caminho força a extinção do conflito, não é verdade? Se a pessoa está
equivocada, devemos esclarecê-la. Caso ela não consiga compreender, devemos
esperar pelo tempo certo. Se as pessoas não conseguirem solucionar o problema
através da discussão, acabarão se agredindo fisicamente. (risos).
Registro das Palavras de Luz vol. 15 – (20/12/49)
Quando as pessoas dizem certas coisas, tentamos de qualquer forma fazer valer a
nossa própria opinião, mas isso não é bom. É melhor passar por bobo.
Digo sempre para serem dóceis, obedientes, pois quem se torna dócil, no final
vence. Aquele que tenta subjugar, acaba subjugado. Dizem que quem perde é quem
ganha. Numa discussão, a parte que perde, é que obtém a vitória. Isto porque o lado
que começou a discussão expôs a sua opinião, e nada mais tem a dizer; ele não
sabe o que o lado oposto, que perdeu docilmente, tem em seu poder. O vencedor
fica com medo. O perdedor não sente nada. A pessoa que passou por maus
bocados, por um momento tem medo, mas, com o correr do tempo, a preocupação
acaba. Além do mais, como ela acha que a outra parte está satisfeita, tranqüiliza-se.
A parte que a fez passar por maus bocados fica inquieta, pensando: “Acho que ela
está com raiva. Será que vai se vingar de mim?” Portanto, o lado que perde está
sempre ganhando. É bom perder em tudo, deixando que os outros imponham a sua
opinião. Isso é a mesma coisa que tirar a força da barriga.
Assim, mesmo que os meus discípulos digam qualquer coisa sem importância, faço
o possível para ouvi-los ao máximo. Somente quando o Mal tenta me humilhar é que
eu ajo com energia e tento impor a minha opinião; fora disso, sou condescendente.
Geralmente, na sociedade, as pessoas pensam que ouvir o que seus subalternos
dizem, significa depreciar-se. Isso é realmente ridículo. Bernard Shaw escreveu
muitas comédias desse tipo. São estórias engraçadas.
Quando o general MacArthur sofreu um ataque inimigo nas Filipinas, ele fugiu, mas,
na hora da fuga, disse que um dia voltaria. Naquela ocasião, eu falei que MacArthur
era um homem extraordinário e que, num futuro breve, pelo fato de ter perdido e ter
fugido, ele faria um grande trabalho.Um militar que consegue fugir, torna-se um
grande general. Aquele que joga fora sua vida e procura enfrentar o inimigo a todo
custo, está no nível mais baixo. Dessa forma, o efeito é extremamente diferente.
Como eu disse antes, é temporário. Pela Medicina, fica-se bom temporariamente,
mas isso não adianta. Deve-se melhorar para sempre.
Baseado na lógica, acredito que essa é a verdade. Portanto, como eu disse, se a
pessoa viver no estilo “perder é vencer”, infalivelmente será bem sucedida na vida.
No final, acaba sendo vencedora. A maioria das coisas do mundo têm efeitos
contrários. Por isso devemos aprender, observando os resultados, as manifestações
contrárias. Desse modo, é possível obter êxito facilmente.
Coletânea de Ensinamentos vol. 11 – (06/06/52)
“Os indivíduos que se envaidecem e viram as costas a Deus, são vencidos ao
alcançarem noventa e nove por cento dos seus intentos.”

Não deixa de ser estranho falar, agora, que Deus é Justiça. Mas insisto nesse ponto
porque não só o povo, mas também os fiéis e os ministros geralmente tendem a
esquecê-lo.
Embora a nossa Igreja se dedique especialmente à prática da justiça e do bem, há
alguns fiéis que se desviam do caminho certo e vagueiam sem rumo. Nessas
ocasiões – torno a insistir – se eles desprezarem o sinal de advertência enviado por
Deus, poderão sofrer terríveis conseqüências.
No início, sensíveis e agradecidas às graças e milagres recebidos, as pessoas se
mostram devotadas, fervorosas na fé. Desde que esta seja sincera, as graças se
fazem evidentes, o que torna essas pessoas respeitadas por todos. Como também
são beneficiadas materialmente, na verdade elas deveriam sentir-se ainda mais
gratas e dedicadas; entretanto, longe de pensarem na retribuição, muitas se
acostumam com as graças, tornando-se orgulhosas e vaidosas. Os espíritos do Mal,
que estão sempre vigilantes, aproveitam essa oportunidade para conquistá-las, e
começam a controlá-las a seu bel-prazer. Isso é realmente alarmante.
Satanás espreita principalmente as pessoas ambiciosas e fúteis. Sendo ele
impotente contra a verdadeira fé, não há perigo para quem a possui. Isso se
evidencia pela presença ou ausência de egoísmo. O homem que vive somente para
Deus e a humanidade, sem pensar nos seus próprios interesses, não é atingido por
Satanás. No entanto, quando as coisas começam a correr bem, ele pode tornar-se
pretensioso, julgando ser um grande homem. Aí é que está o perigo, pois surge a
ambição, e quanto mais ambicioso se torna o homem, mais ele procura
engrandecer-se e mais poderes deseja conquistar. O fato é alarmante. Quando isso
acontece, Satanás penetra no espírito da pessoa e acaba por dominá-la. É um poder
passageiro; entretanto, como ocorre a cura de doenças e outros milagres, a vaidade
é mais instigada ainda, chegando o vaidoso a se julgar a encarnação de alguma
divindade.
Trata-se de uma tendência que pode ser claramente distinguida se observarmos
com atenção as atividades das religiões fundadas por esses pseudoDeuses.
Algumas se caracterizam pelo escasso amor e pela fé “Shojo”, regida por preceitos
extremamente rigorosos. Os que não obedecem a eles, vêem-se ameaçados de
castigo, destruição ou morte, caso abandonem o grupo ou a Fé. São religiões
ameaçadoras, que procuram impedir o desmembramento de sua organização. Se
uma religião apresentar esses indícios, pode ser julgada como de caráter diabólico.
Torno a dizer que a fé verdadeira é “Daijo”, liberal; portanto, nada impede que seja
seguida ou abandonada. Além disso, ela é celestial, alegre e ativa, revelando vida. A
religião que exige uma fé rigorosa e dogmática, age com heresia, é infernal. Devem
acautelar-se principalmente quando houver o mínimo de segredo que seja. Se uma
religião disser, por exemplo: “Isso não pode ser dito aos outros, mas...”, podem ter
certeza de que ela é herética. A religião correta e autêntica é a própria imagem da
clareza, sem nenhum indício de sigilo ou mistério.
Alicerce do Paraíso, “Deus é justiça” – (18/03/50)

“A força do homem é noventa e nove por cento; a força de Deus é cem por
cento.
Quem está consciente disso não se envaidece.”

A causa da guerra é o próprio mal existente dentro do homem. E qual é a essência


desse mal? Ele é a manifestação dos desejos do espírito animal, como eu já escrevi,
e isso também se evidencia através dos atos animalescos do homem. Os animais,
naturalmente, são os quadrúpedes, em primeiro lugar; em seguida, as aves;
raramente insetos e peixes. Deus criou o homem dessa maneira pela necessidade
de governar os seus desejos materiais. É o chamado mal necessário. Entretanto,
esse espírito animal, através do elo espiritual, está ligado com o chefe do Mundo do
Deus Falso, sendo manipulado livremente conforme a vontade dele. No Mundo do
Deus Falso também existe hierarquia, e os espíritos encostam de acordo com o nível
espiritual de cada ser humano, havendo diferenças desde a classe superior até a
classe inferior. É a mesma organização que a do Mundo do Deus Verdadeiro.
Por esse motivo, desde a era primitiva até os dias de hoje, o Bem e o Mal se
confrontam, chegando a mais de 10 milhões de anos de luta. Sem dúvida, durante
esse tempo, a força do Deus Falso era mais forte, por isso algumas vezes o Deus
Verdadeiro era facilmente pressionado. Mas, no final, o Mal perdia e o Bem vencia, o
que a História comprova perfeitamente. Se o Deus Falso vencesse, o mundo seria
destruído e não existiria o mundo que vemos hoje. Isso também se deve ao fato de
que até agora o tempo, de certa forma, estava ao lado do Mal, isto é, o mundo se
encontrava na Era da Noite. Sendo a noite, naturalmente, a própria escuridão – e
não havia outro jeito, já que era escassa a Luz que domina o Mal – o mundo até
agora alcançou seus objetivos através do Mal. Como isso perdurou por muito tempo,
o homem acabou na ilusão de que o Mal é o caminho mais rápido para alcançar o
sucesso. Ao mesmo tempo, apareceram imitadores, de modo que, rapidamente, as
pessoas foram contagiadas pelo Mal, e isso acabou se tornando uma conduta
normal de vida.
Através da História pode-se compreender que, embora pareça que por meio do Mal
se obtém sucesso, é apenas um sucesso temporário, pois um dia certamente a
pessoa irá fracassar. Mas a maioria das pessoas mostrou-se indiferente a esse
respeito. Sendo assim, pode-se dizer que a História não passa de um registro
alternado e contínuo do sucesso e do fracasso do Mal. Na Era da Noite, como a
força do Mal era forte, não foram poucos os benfeitores sacrificados, principalmente
os religiosos, e o maior sacrificado foi Cristo. Até mesmo eu, se tivesse nascido
naquela época, nem sei com que dificuldades me depara ria. Agora, como eu
sempre digo, a Era da Noite terminou e estamos a um passo da Era da Renascença,
por isso as conseqüências são leves e estou podendo efetuar a expansão
programada.
Entretanto, é preciso tomar cuidado, pois os planos e ações do Demônio não se
limitam apenas à guerra e à violência, estendendo-se por todas as áreas.
Meticulosamente, ele veio desenvolvendo sua atuação subordinado a grandiosos
planos, dentre os quais o que teve mais êxito foi a Ciência materialista, sua maior
arma. Através dessa arma ele concedeu maravilhosos benefícios a toda a
humanidade; ao mesmo tempo, utilizando-se dela, fez com que confiassem nele e,
no final, quis assegurar direitos absolutos. Esse é o seu plano, e o seu objetivo, sem
dúvida, é controlar a vida do homem. Nesse sentido, promovendo o progresso da
Medicina moderna, ele tenta curar a doença através de um método totalmente
materialista. Superficialmente parece que o doente sara, mas internamente isso não
acontece. Mesmo assim, com muita destreza, a inteligência do Demônio empenha-
se por todos os meios. Sem dúvida que, como métodos, são utilizados aparelhos,
raios de luz, drogas novas, cirurgias e outros. Além disso, defendem-se teses
minuciosas sobre o princípio da doença, mas até hoje não houve uma só pessoa que
tenha conseguido detectá-lo no seu aspecto verdadeiro. Assim, se uma pessoa fica
doente e pergunta a origem dessa doença, os médicos não conseguem dar-lhe uma
explicação exata, mas apenas superficial, respondendo ambiguamente. Se a pessoa
também pergunta sobre as suas chances em relação à doença, eles fazem apenas
suposições, não confirmam nada. Se por acaso dez confirmam, oito ou nove entram
em contradição. E essa é uma experiência que os próprios médicos não podem
negar. (...)
Outro problema é o que se refere aos alimentos. Este também, como o da Medicina,
foi criado principalmente com base em argumentos científicos. É o chamado adubo
químico. No início ele mostrou um efeito temporário, por isso o homem se deixou
enganar. Como hoje se vê, o problema estende-se a todos os povos, mas sobre isso
falarei detalhadamente em outro capítulo.
A seguir vem a guerra. Como eu disse anteriormente, os ambiciosos da época que
tinham capacidade, sacrificaram inúmeras vidas planejando serem os dominadores,
mas estes também só tiveram o sonho da vitória temporariamente. No final,
acabaram derrotados, tornando-se apenas um assunto para a História.
Através desta abordagem geral sobre o Mal, torna-se claro que chegou o momento
de Deus realizar o balanço da cultura materialista. Hoje, quando estamos a um
passo da não-concretização dos objetivos do Demônio, Deus revela a Verdade,
através da minha pessoa. Refletindo sobre isso profundamente, vemos que o Plano
de Deus, profundo e misterioso, tem realmente aspectos místicos. Em outros termos,
o poder de Deus é 100% e o poder do Demônio 99%; portanto, Deus está ganhando
de 1%. Como é essa força de 1% que faz a reversão, ela é sem dúvida a força de
Cintâmani. A cultura moderna, como eu sempre digo, será modificada quando
chegar a 99%, e esse momento corresponde ao Fim do Mundo, profetizado por
Cristo. É o momento em que, no Mundo Espiritual, ocorrerá uma transformação
surpreendente. As pessoas que acreditam nisso serão eternamente felizes.
Como a Ciência moderna é um dos principais objetivos do Plano de Deus,
certamente ocorrerá a revolução da Medicina. O Johrei da nossa Igreja será seu
substituto. Isso porque inúmeros doutores ficarão sem saber o que fazer, e os
doentes à beira da morte serão curados por pessoas comuns, que desconhecem a
palavra medicina, e que com alguns dias de aprimoramento receberão o poder de
curar. Diante disso, não haverá muito o que dizer. Portanto, utilizando a força do
Johrei, creio que não será difícil eliminar os pontos errados da cultura moderna,
acumulados durante vários séculos.
Chegando a esse ponto, o véu da Noite será cortado e derrubado, e surgirá o Sol
avermelhado. Sem dúvida, estamos agora na Era do Alvorecer. Segundo Cristo,
quem acredita em Deus será feliz; quem não acredita, não tem jeito, está fadado à
extinção.
Jornal Eiko nº 138, “99% e 1%” – (09/01/52)

“As pessoas que só pensam em si mesmas e semeiam desgraças, estão


expostas a perigos.”

Em todos os tempos, o ser humano aspirou à felicidade, primeiro e último objetivo do


homem e meta de todo preparo, esforço e aperfeiçoamento. Mas quando poderão as
criaturas consegui-la de fato? A maioria, não obstante ansiar pela felicidade,
permanece vítima das desgraças e deixa este mundo antes de desfrutar a alegria de
vê-la concretizada.
Será, então, a felicidade algo tão difícil de se conseguir? Devo dizer que não. A
felicidade baseia-se na eliminação de três fatores principais: doença, pobreza e
conflito. Como essa eliminação não é fácil, a maior parte das pessoas submete-se a
uma forçada resignação.
Tudo se enquadra dentro da Lei de Causa e Efeito, e a felicidade não foge a essa lei.
Descobrir sua causa será, pois, descobrir a chave do problema. A solução da
incógnita está na compreensão do amor altruísta. Lutar pelo bem-estar do próximo é
a condição essencial para nos tornarmos felizes. O mundo, entretanto, está repleto
de pessoas que buscam a felicidade apenas para si, indiferentes à desgraça alheia.
É uma tolice almejar a felicidade semeando a infelicidade. É como a água de um
recipiente: se a empurramos, ela volta; se a puxamos, ela se afasta. A necessidade
da Religião reside nesse ponto. O amor pregado pelo cristianismo e a caridade
búdica têm por propósito infundir a fraternidade no coração humano. Contudo, essa
verdade tão simples é difícil de ser reconhecida pelo homem.
Deus, por meio de Seus representantes, criou as religiões, que por sua vez
estabeleceram doutrinas, através das quais são indicadas as bases do viver. São as
religiões que nos ensinam a existência de um Ser Invisível, para, com a mais pura
intenção, conduzir-nos ao caminho da Fé. Não é pequeno o empenho requerido para
salvar uma pessoa. A vida, realmente, não tem sentido para a maioria, que, não
sendo ensinada a crer no invisível, parte para o Além indiferente aos ensinamentos,
ludibriada e perdida nas trevas. Todavia, para os que souberem desfrutar da alegria
de viver, extasiar-se com as verdades, conseguir vida longa e o meio de serem
verdadeiramente felizes, o mundo será, sem dúvida, um Paraíso digno de ser vivido.
Nós afirmamos que, para nos tornarmos felizes, há um caminho cujo rumo está
indicado neste livro, apresentado com tal propósito.
Alicerce do Paraíso, “Felicidade” – (01/12/48)
“É preciso que cada homem retorne à sua verdadeira natureza e exponha sua
alma à Luz de Deus.”

Tempos atrás, o dirigente de uma unidade religiosa, que futuramente poderia tornar-
se dirigente de uma Igreja mediana e que havia ingressado na Fé por ter-se curado,
se não me engano, de doença pulmonar, estava passando por um processo de
repurificação. Não se tratava de um caso difícil, mas como seu sofrimento era
intenso, pensando em ajudá-lo, ministrei-lhe Johrei. Nessa ocasião, ele disse que
queria me mostrar uma cerâmica chinesa que pertencia ao seu tio. Suas palavras
não eram muito claras, parecendo que ele queria que eu a adquirisse. Ao ver a
cerâmica, percebi que não era de boa qualidade. Valia em torno de 20 a 30 mil
ienes. “É uma peça que não vale a pena comprar, mas, se for doação, posso
aceitar”, comentei. Quando eu disse isso, ele falou: “Então...” e levou a peça de volta
para o tio. Se fosse realmente uma pessoa sincera, o certo seria dizer: “Mesmo
assim quero lhe oferecer essa peça”. No entanto, ele tratou Deus como um perito em
cerâmica. Através desse seu procedimento senti que ele não tinha mais jeito. A cura
tornou-se totalmente impossível por causa deste único fato. O correto era dizer: “Se
a peça lhe agrada, Meishu-Sama, gostaria de oferecê-la ao senhor”, mas ele não
teve tal postura. Depois disso, ministrei-lhe Johrei durante algum tempo, mas o seu
estado foi se agravando. Como ocorrera aquele fato e eu achava que ele não ia
muito longe, falei-lhe sobre o seu procedimento, mas ele acabou morrendo.
Assim, por um simples fato posso avaliar o pensamento e a fé das pessoas. O
Sonen (pensamento) deve estar sempre correto. Se houver nele a mínima nuvem
que seja, não será possível receber a graça. Não se consegue isso em apenas seis
meses ou um ano, mas não é bom que, após vários anos de fé, a pessoa não tenha
conseguido aprimorar até esse ponto.
Coletânea de Ensinamentos vol. 22 – (25/05/53)

“Se você tem tempo para criticar os outros, analise a si mesmo e corrija seu
comportamento.”

(Nidai-Sama)

O mais condenável é alguém comentar: “Fulano não devia proceder daquele jeito,
ele está errado”. O homem não tem como saber se alguém é bom ou mau. Só Deus
consegue fazer essa distinção. Afirmar: “Fulano tem um espírito maligno, está
possuído pelo demônio”, significa violar o direito de Deus, e isso é bastante grave. O
homem não deve ficar analisando os outros, mas analisar a si mesmo, para ver se
não está errado. Esse é o verdadeiro “makoto”. As pessoas acham que apontar e
criticar as falhas do próximo é um bom procedimento, mas isso é um erro muito
grave. Na sociedade em geral, o fato é perdoável, mas, uma vez que alguém se
tornou membro da nossa Igreja, ele não pode acontecer. Caso a pessoa criticada
esteja errada, Deus se encarregará de repreendê-la. Se não for assim, o homem
acaba se colocando acima do Poder de Deus. Eu escrevi um artigo sobre este
assunto e vou publicá-lo no jornal. É neste ponto que há uma grande diferença entre
a nossa Igreja e a sociedade em geral. Essa é a essência da Fé.
Em suma, não se deve definir nada. Se o fizerem, incorrerão em erro. Existem
coisas que não podem ser definidas. Aliás, deve-se estabelecer que a maioria das
coisas não devem ser definidas; o que é necessário definir, deve ser definido. Mas
depende muito dos fatos e das circunstâncias. Por conseguinte, definir que não se
deve definir também é errado. Isso está de acordo com as “Mil Transformações e
Mistérios”. Quem conseguir compreender um pouco que seja, já terá seu espírito
polido.
Quando se raciocina com esse tipo de pensamento, tudo se torna muito
interessante. Vendo o mundo por esse prisma, podemos entender muitas coisas.
Isso é o que chamamos “Daijo”. O caminho Daijo é a essência de tudo.
Registro de Orientações vol. 8 – (01/04/52)
O HOMEM VERDADEIRO

“Quem vive censurando os erros alheios será censurado por Deus.”

O fato de ainda haver, entre os fiéis, uma maioria que comenta: “Fulano é bom,
beltrano é mau”, “isto é um obstáculo, aquilo não”, significa que os Ensinamentos
não foram assimilados completamente.
Já repeti várias vezes que julgar o próximo é o mesmo que profanar a posição de
Deus. É um erro gravíssimo, para o qual peço muita atenção. O homem é incapaz
de discernir o Bem do Mal. Se ele julga ter conseguido esse discernimento, é porque
atingiu, inconscientemente, o auge da presunção. Isso prova que ele nem
ultrapassou o portão da Fé.
Devem também levar em consideração que a Providência Divina não é fácil de ser
compreendida pelo raciocínio humano. Querer compreendê-la com a fé “Shojo”, é o
mesmo que espreitar o céu através de um orifício. Já me cansei de repetir que não
permaneçam nesse tipo de fé, porque só se consegue conhecer a Vontade de Deus
com a fé “Daijo”. Mas isso parece ser difícil, pois, infelizmente, há pessoas que
persistem no erro.
Observando a sociedade em que vivemos, notamos que ela apresenta um aspecto
limitado em todos os setores. De vez em quando, os jornais anunciam escândalos
pela disputa de poderes entre facções criadas dentro das organizações religiosas.
Não constituem exceção os partidos políticos, as empresas e outras associações,
sendo escusado falar sobre os prejuízos causados à eficiência e progresso dos
empreendimentos.
Deus quer reconstruir este mundo justamente por causa de tais erros. Um estudo
aprofundado mostra-nos que todos eles resultam dos princípios “Shojo”. Ora, se não
partirmos dos princípios “Daijo”, jamais surgirá uma sociedade sadia e altruísta.
Assim, espero que, se os nossos fiéis ainda possuem resquícios de pensamentos
estreitos e vulgares, tomem consciência disso o quanto antes e procurem reformar
sua mente, para se tornarem verdadeiros messiânicos. Com a intensificação gradual
da purificação, o Juízo Divino se tornará mais severo, e, se não o fizerem agora, será
tarde demais para arrependimentos.
São realmente verdadeiras estas palavras que aparecem insistentemente nos
ensinamentos da Igreja Oomoto: “A presunção e o engano são causas de grandes
desgraças.” Têm o mesmo sentido as palavras de Jesus: “Não julgueis.” O
importante é a pessoa julgar a si própria, não se intrometendo nos atos alheios.
Os nossos adeptos já sabem que ninguém deixa de ter toxinas no corpo. O mesmo
acontece no terreno espiritual: ninguém deixa de apresentar máculas, razão pela
qual Deus procura salvar-nos através da purificação. Eu sei tudo que se passa
dentro das pessoas. Como não me manifesto, elas se preocupam, achando que não
sei de nada. No entanto, eu permaneço calado, entregando tudo nas mãos de Deus.
Isto porque aquelas pessoas que realmente não têm mais jeito, são afastadas por
Deus; se forem pessoas perversas, Ele soluciona o problema tirando-lhes até
mesmo a vida. Até agora, algumas pessoas tiveram esse fim; os membros veteranos
devem estar cientes disso.
Como eu falei, para mim, que deixo tudo nas mãos de Deus, é cômodo e tranqüilo.
Do meu ponto de vista, a maioria das pessoas é mimada. De certo modo é
lamentável, mas mesmo os heróis mundiais e as pessoas destacadas do Japão, eu
os considero filhinhos de papai. Entre eles, os mais mimados são as pessoas
perversas. Kitamura, o fundador da “Odoru Shukyo”, só de ver a fisionomia dessas
pessoas afirma que elas são vermes; sua forma de falar é grosseira, mas acho que é
uma verdade. A conversa foi deveras desviada do assunto, portanto, vou encerrar
por aqui.
Alicerce do Paraíso, “Não julgue” – (13/05/53)

“Não ambicione ser considerado pessoa importante.


Deseje apenas ser admirado como pessoa benevolente.”

(...) O que mais existe no mundo são pessoas corruptas que, por ambição
desmedida, aborrecem, fazem sofrer e levam os outros à desgraça. Isso é produto
das idéias materialistas, que negam o invisível, mas, analisando do ponto de vista
espiritual, é algo realmente terrível. Como tais pessoas fazem os outros sofrer, os
que são atingidos ficam cheios de rancor, de ódio por elas, e procuram retribuir-lhes
o mal que receberam. Esses pensamentos são transmitidos à pessoa visada através
do elo espiritual. A imagem espiritual do ódio e do rancor é tão pavorosa, que, se
pudesse enxergá-la, qualquer perverso morreria instantaneamente. Entretanto, se as
pessoas atingidas não são apenas uma ou duas, mas milhares ou milhões, forma-se
um monstro ainda mais horripilante, que circunda esse perverso de diversas
maneiras e tenta destruí-lo. A situação dele, portanto, é insuportável. Mesmo sendo
um bravo ou um grande herói, terá um fim miserável. Relembrando os grandes
personagens da História, desde a antigüidade, vemos que todos eles, sem exceção,
tiveram esse destino. Observando, também, o drama dos políticos perversos, a ruína
dos que se tornaram ricos repentinamente e, ainda, o fim dos que seduziram e
enganaram muitas mulheres, poderemos compreender muito bem por que tiveram
tal destino.
Ao contrário, se a pessoa praticar um grande número de boas ações e despertar em
muita gente gratidão e alegria, estes sentimentos a envolverão em forma de Luz, e
ela, então, se tornará cada vez mais virtuosa. Como Satanás e os maus espíritos,
amedrontados pela Luz, também não poderão se aproximar, a pessoa será muito
feliz. A auréola que se vê nas imagens das divindades simboliza essa Luz.
Com o que acabo de dizer, poderão compreender quanta importância o homem deve
atribuir ao pensamento.
Alicerce do Paraíso, “Mistério do Mundo Espiritual” – (25/10/49)

“Aqueles que têm uma grande admiração pela beleza das flores possuem
corações que a elas se assemelham.”

As religiões antigas, ou seja, as de até agora, eram religiões ascéticas e


consideravam bom a pessoa alimentar-se de coisas ruins, vestir roupas rasgadas e
morar em casas pobres. Mas isso está errado. O desabrochar de belas flores e a
existência de lindas paisagens, não foi em vão que Deus os criou, mas sim, para
recrear os homens. As coisas deliciosas também. Fazer esforço para comer comidas
ruins e vestir-se de roupas pobres, significa rebelar-se contra a Vontade de Deus.
Será construído o Paraíso, mas esse Paraíso é o mundo da Verdade, do Bem e do
Belo. E o que vem a ser o Belo? Não seria morar numa casa bela, vestir-se de
roupas bonitas e comer alimentos saborosos? A maior prova disso é que Satanás
detesta flores. Como se vê, este “tokonoma” também está ornamentado com flores.
Há muito tempo venho falando que os aposentos devem ser ornamentados com
flores. Oferecer flores aos Ancestrais tem o mesmo sentido. A for exerce uma
influência muito positiva sobre o Mundo Espiritual. Na minha casa, geralmente eu
coloco flores em todos os aposentos; é raro encontrar um aposento sem flores. Vou
publicar, brevemente, Ensinamentos a respeito das flores.
Registro das Palavras de Luz vol. 8 – (30/05/49)

“O homem que se empenha em viver plenamente de acordo com a Vontade de


Deus, é um homem verdadeiro.”

Antigamente, quando vinham me contar: “Estão falando mal do senhor” ou “Estão


dizendo isso”, eu dava gargalhadas, achando muito engraçado. Eu próprio julgava
interessante, porque, ao invés de me irritar, eu ria. Tinha pena das pessoas que
falavam mal de mim. Como eu ficava rindo, quem vinha me relatar o fato acabava
perdendo o ânimo para dar continuidade ao comentário.
Dependendo do indivíduo, há quem sinta prazer em amedrontar os outros. No
entanto, comigo isso não dá certo, porque eu dou risadas. Se a pessoa se aborrece,
por pouco que seja, quando alguém fala mal a seu respeito, é porque sua fé ainda é
superficial. Como nós temos Deus como meta, e não o homem, basta que sejamos
amados por Ele. O ser humano não tem capacidade de entender a Verdade das
coisas.
Na sociedade, é comum o nosso esforço não ser reconhecido, mesmo que
tenhamos nos esforçado o máximo. Mas não devemos ligar para isso: o importante é
sermos amados por Deus. Mas o que significa ser amado por Deus? É ajudar o
próximo, é ajudar o maior número de doentes possível, tornando-os saudáveis.
Mesmo que seja uma só pessoa. Se forem dez, cem pessoas, seremos ainda mais
amados por Deus. Basta continuarmos praticando isso. Se pensarmos de forma
complicada, tudo fica muito complicado; se raciocinarmos de forma simples, tudo
fica muito simples.
Registro de Orientações vol. 8 – (01/04/52)

“Procure sempre cultivar bons sentimentos.


Um dia, a soma desses sentimentos fará de você um verdadeiro virtuoso.”

(Nidai-Sama)

A diferença entre as pessoas de fé “Shojo” e as pessoas de fé “Daijo” é que as


primeiras desejam a sua própria salvação, ao passo que o lema da fé “Daijo” é “Eu
não me preocupo comigo; preciso salvar as pessoas que estão sofrendo no mundo”.
A pessoa deve sempre pensar: “Eu não me preocupo em ser salvo. Preciso salvar o
maior número de pessoas, pois sinto pena delas e não consigo ficar para do”. Essa é
a verdadeira fé. No entanto, as pessoas sempre desejam ser salvas. Isso é amor-
próprio; portanto, Deus não concede muitas graças a tais pessoas. E depois, devido
ao seu amor-próprio, elas ficam aborrecidas quando alguém as critica. A pessoa de
fé “Daijo” não se importa nem se preocupa com o que os outros dizem; basta-lhe
agradar a Deus. Por isso eu digo para não se prenderem às pessoas e sim a Deus.
Nesse ponto, a diferença parece mínima, mas é grande. Por conseguinte, devem
seguir sempre a fé “Daijo”.
As pessoas de fé “Daijo” não dizem que os outros são bons ou maus. Já as pessoas
de fé “Shojo” sempre pensam e dizem: “Aquele ponto não está bom”, “Este ponto
não está bom”. Mas isso não é certo; em primeiro lugar, porque é impossível saber
se uma pessoa é boa ou má.
Coletânea de Ensinamentos vol. 21- (25/04/53)

“Aquele que, somando boas ações, vive dias alegres, terá prosperidade
ilimitada.”

O homem costuma resignar-se a tudo, atribuindo ao destino o desenrolar dos


acontecimentos.
É comum definir-se destino como “algo que não pode ser mudado”. Mas eu desejo
ensinar que todos podem mudá-lo de acordo com sua própria vontade, ou melhor,
cada um pode traçar o seu destino. A consciência desse fato permite transformar o
pessimismo em otimismo.
A não ser um louco, ninguém deseja um destino infeliz. Todo mundo almeja a boa
sorte, mas são poucos os que a conseguem, não obstante o enorme esforço que
fazem. Entre cem pessoas, talvez não se encontre uma que seja feliz. Triste
realidade!
Buda afirmou: “Todas as coisas são efêmeras”. Mas há criaturas inconformadas,
que, atraídas pela presença de um homem afortunado entre milhares que não têm
sorte, continuam perseguindo tenazmente o sucesso. Por outro lado, existe gente
conformada, que aceita tudo na vida.
Seria maravilhoso que o homem encontrasse realmente um meio de alcançar a boa
sorte. Não o conhecendo, ele se confunde ao traçar seu destino, tornando-se infeliz.
Sofre dentro do cárcere criado por ele próprio. O mundo acha-se repleto dessas
pessoas ignorantes e dignas de compaixão.
Assim, está mais do que evidente que, para ser afortunado, o homem precisa
semear o bem. É costume dizer-se que o bem produz bons frutos, e o mal faz o
contrário. A semente do mal tem origem no egoísmo, que leva as pessoas a
quererem tudo para si, não se importando com o sofrimento e o prejuízo que possam
causar ao próximo. A semente do bem origina-se no sentimento fraterno de querer
alegrar ou favorecer os semelhantes. Parece simples, mas é difícil de praticar.
A vida é bem complicada. Para viver, é preciso criar um espírito capaz de aceitar e
aplicar o princípio acima. Todavia, isso depende unicamente da Fé que se pratica, a
qual deve ser selecionada entre as muitas que existem. Modéstia à parte, a Fé
Messiânica é a que está mais concorde com essas condições. Por isso aconselho
aqueles que estão sofrendo a ingressarem o mais breve possível na nossa Igreja.
Alicerce do Paraíso, “Nós é que traçamos o destino” – (27/02/52)

“Não desejo a glória de ser cortejado como herói, mas de ser uma pessoa
amada por todos.”

(...) O Plano de Deus é construir o Paraíso Terrestre, e para isso era necessário que
a cultura material progredisse até certo ponto. Com esse objetivo, Ele criou o Bem e
o Mal, e foi pelo atrito entre ambos que alcançamos o extraordinário progresso
material da atualidade e estamos agora a um passo do advento do Paraíso. Já
expliquei isso muitas vezes, mas vou tornar a fazê-lo, caso contrário, as pessoas que
nunca ouviram falar sobre o assunto teriam dificuldade de compreender aquilo que
hoje pretendo expor.
A luta entre os homens iniciou-se no Mundo Espiritual a partir do momento em que o
ser humano foi criado. Os mais fortes queriam apoderar-se de todas as regiões
conhecidas àquela época, governando-as conforme sua vontade. Para isso,
recorriam à violência, sem distinguir o Bem e o Mal, tal como vemos presentemente.
Assim, pouco a pouco, a inteligência do homem foi se desenvolvendo, e,
paralelamente ao aumento da população, ampliou-se a escala da luta, tendo-se
chegado, enfim, à situação atual.
O plano de conquista da supremacia mundial foi elaborado há cerca de três mil
anos, e seu chefe era um dragão possuidor de grande poder no Mundo Espiritual.
Esse dragão incorporou numa divindade e, através dela, quis apoderar-se do mundo,
tendo utilizado os métodos mais atrozes. Durante algum tempo a divindade se saiu
bem, recorrendo a tudo para atingir seu objetivo, mas, quando já estava prestes a
atingi-lo, falhou e recebeu severa punição de Deus. Arrependendo-se, voltou ao seu
estado natural. A partir daí, o dragão passou a incorporar nas grandes
personalidades de cada época, procurando despertar nelas a ambição de dominar o
mundo. Fracassou sempre, mas não aprendeu, e até hoje está lutando tenazmente,
com toda a força. Muitos homens considerados importantes estão nesse caso. A
História nos mostra que, embora eles tivessem grandes poderes na época,
acabaram tendo um triste fim. César, Napoleão, Guilherme II, Hitler e outros podem
servir de exemplo.
Creio que agora já podem ter mais ou menos uma idéia da origem da situação atual.
Referindo-me a personagens como os que mencionamos acima, eu sempre digo que
são chefes dos demolidores do mundo, pois até agora este não era verdadeiramente
civilizado, ainda restando ao homem cerca de cinqüenta por cento de características
selvagens. Espiritualmente falando, significa que o homem pecou muito e acumulou
máculas; portanto, surge de vez em quando a necessidade de uma ação
purificadora. Como para isso é preciso haver demolidores e também limpadores,
compreendemos que o aparecimento deles sob forma de grandes personagens é
apenas uma manifestação do Plano de Deus. De nada adianta nos aborrecermos ou
nos desesperarmos.
Alicerce do Paraíso, “A situação do mundo contemporâneo e o Mundo Espiritual” –
(25/02/51)

“Tanto a alegria como o sofrimento são criados pelas próprias mãos do


homem.”

Interlocutor: Será que os infortúnios e as desgraças representam o perdão dos


pecados da pessoa ou da família, ou será que eles são provações?
Meishu-Sama: Não é para perdoar os pecados que eles acontecem, mas sim para
condená-los. Portanto, é o contrário. Nem Deus pode perdoar os pecados,
compreende?
De modo geral, o homem sofre por causa dos pecados criados por ele mesmo. Por
conseguinte, ele é um tolo.(risos) Os infortúnios são criados pelo homem e ele
próprio sofre por sua causa. Naturalmente, o sofrimento pode ser causado pelos
pecados dos antepassados, mas, quando se fala em antepassados, está se falando
da própria pessoa; conseqüentemente, são os seus próprios pecados. E por quê?
Porque o antepassado é a própria pessoa ou seu parente carnal, como seus pais ou
irmãos.
Quando Deus deseja utilizar uma pessoa, concede-lhe provações e purificações,
para eliminar as suas máculas. Isso vem a ser o sofrimento, que o homem interpreta
posteriormente: “Ah, aquilo era uma provação de Deus”. Bem, essa é a maneira
positiva de se pensar, é só o que eu posso dizer.
Registro das Palavras de Luz vol. 15 – (20/12/49)

“Vivo com um grande ideal. Todavia, estou também atento às pequeninas


coisas.

(...) Como vemos, a Grande Natureza ensina ao homem a importância do tempo. Em


seu estado original, ela é a própria Verdade, e por isso serve de modelo a todos os
projetos do homem. Eis a condição vital para o sucesso. O Johrei, a Agricultura
Natural e outros princípios preconizados por mim, praticamente não fracassam; eles
alcançam os objetivos almejados porque se baseiam na Lei da Natureza.
Nunca me afobo quando planejo algo. Encaro o assunto com objetividade,
examinando-o sob todos os ângulos possíveis, e ponho-me a refletir calmamente. Só
me entrego aos preparativos indispensáveis, após me convencer de que o plano é
correto e útil à humanidade em todos os aspectos e possui sentido duradouro.
Acontece que a maioria das pessoas não têm paciência para esperar. Lançam-se à
obra prematuramente, provocando desequilíbrio entre o projeto e o tempo. Por se
afobarem, aumentam esse desequilíbrio, e daí sobrevém o fracasso. Portanto, em
todos os empreendimentos, o essencial é ter paciência para aguardar a chegada do
tempo exato. As coisas possuem, infalivelmente, uma ocasião propícia. Com toda
razão dizem os velhos provérbios: “Se esperarmos, teremos bom tempo para
navegar”, “A sorte se espera deitado” e “Mire cuidadosamente para acertar o alvo”.
Muita gente se impacientou com meu sistema. Houve quem me apresentasse idéias
e planos que, às vezes, eu prometia realizar. Como tardasse a executá-los, as
pessoas reclamavam ou estranhavam. Quanto a mim, estava à espera do tempo
adequado.
Os conhecidos aforismos “Agarre a oportunidade” e “Não perca a ocasião”,
confirmam o que estou dizendo. Sentimos que estamos diante da ocasião propícia,
quando, preenchidas todas as condições, passamos a sentir um forte impulso para
executar o plano imediatamente. Tudo se processará, então, com facilidade, devido
ao amadurecimento do tempo. Aguardando o tempo certo, estaremos poupando
esforços e todas as coisas correrão bem. Em resumo, devemos refletir bastante
antes de agir. Por exemplo: se algo impede que uma pedra role morro abaixo, mas
tentarmos empurrá-la, despenderemos muita força. Entretanto, se soubermos
esperar pacientemente, o obstáculo irá sendo vencido pelo peso da pedra. Com o
tempo, até o empurrão de um dedo a fará precipitar-se. É o que acontece com a
oportunidade. “Se o rouxinol não canta, esperarei até que ele cante”. Esta frase foi
dita satiricamente por Ieyassu Tokugawa, o fundador da dinastia Tokugawa, a qual
governou o Japão durante trezentos anos porque ele soube dar tempo ao tempo.
Creio que o que dissemos é suficiente para compreenderem a importância do tempo.
Nao Deguti escreveu: “Com o tempo nem Deus pode”. Isso resume admiravelmente
a verdade da questão.
Alicerce do Paraíso, “Aguardar o tempo certo” – (25/06/49)
GRAÇAS DIVINAS

“Sinto-me atemorizado só de lembrar o tempo em que vaguei nas trevas, sem


nenhum apoio.”

Quando se fala em Religião, é do conhecimento de todos que os fiéis oram


compenetradamente objetivando transformar este mundo num Paraíso e acreditando
que obterão grandes benefícios espirituais e materiais, paz e segurança e um lar
feliz. Eles crêem que, através disso, melhorarão a sociedade e a nação. Entretanto,
como existe um ponto importante que ninguém percebeu, vou escrever a respeito: a
diferença entre religião paradisíaca e religião infernal.
As religiões existentes até hoje, falando sem reserva, são quase todas religiões
infernais; pode-se mesmo dizer que não há nenhuma religião paradisíaca. A nossa
Igreja Messiânica é a primeira religião paradisíaca que surgiu; as religiões de até
agora apresentam notáveis diferenças em relação a ela, de ponta a ponta.
Os fiéis o sabem perfeitamente, mas o fato de que a nossa Igreja cura sem qualquer
dificuldade doenças incuráveis através da tão avançada Medicina, pode ser
comprovado nos relatos que sempre enchem todos os números do nosso jornal.
Qualquer pessoa que receba as aulas de aprimoramento durante alguns dias
consegue manifestar essa capacidade de curar doenças. Consegue curar não só
doentes que foram abandonados pelos médicos, mas também a sua própria doença.
É quase inacreditável. Entretanto, como se trata de uma verdade inegável, a pessoa
que duvida deve, em primeiro lugar, senti-la na prática. Ingressando na nossa Igreja,
com o passar do tempo, ela própria e as pessoas da sua família vão se tornando
saudáveis a cada dia que passa; por fim, em seu lar não há mais nenhum doente e
todas as pessoas ficam cheias de vitalidade. A família torna-se alegre, e tudo
transcorre em perfeita harmonia, vivendo-se uma vida de verdadeira felicidade.
Realmente, como a pessoa que passou tantos anos dependente de médicos e de
remédios, cortou completamente essa dependência, sua situação econômica e até
mesmo espiritual melhorou; é impossível, portanto, imaginar a grandiosidade desse
benefício. Esta é sem dúvida uma salvação paradisíaca, e as pessoas que estão se
lamentando num mundo infernal como o de hoje, não conseguem acreditar de
maneira alguma. Se isso não for a realização do sonho, do ideal do homem, o que
poderá ser?
O motivo acima é a diferença que existe entre a nossa Igreja e as numerosas
religiões da atualidade. Geralmente, apesar de praticarem ardorosamente a fé, os
fiéis adoecem da mesma forma que as outras pessoas, e, sem outro recurso,
acabam sob os cuidados médicos. Mas não saram com facilidade, e às vezes
acontece de terem um final infeliz. Nesse caso, as pessoas se conformam, dizendo
que era o tempo de vida dessa pessoa. Apesar de pensarem assim, normalmente
falam que se deve ter cuidado para não pegar gripe, não contrair o vírus da
tuberculose ou micróbios de doenças contagiosas, não se resfriar ao dormir, não
comer nem beber demais, etc. Só falam coisas impertinentes e passam os dias
tremendo de medo. Essa é a situação real. Além disso, o que se pode considerar
mais trágico e ao mesmo tempo cômico é que, mesmo de cama, doente, gemendo
durante anos seguidos, a própria pessoa diz que foi salva por Deus e sente-se feliz.
Vemos muitas criaturas assim, mas do nosso ponto de vista isso é realmente uma
ilusão pessoal. Embora se encontrem nesse estado, elas se conformam que é o seu
destino e sufocam a dor à força, dizendo que estão felizes. Essa concepção, que
não dá absolutamente para se aceitar pelo senso comum, a pessoa aceita como
graça da Fé, o que dá pena. Assim, mesmo que ela esteja salva espiritualmente, é
realmente lamentável o estado dos seus familiares e dos que estão ao seu redor.
Não que a pessoa não tenha consciência disso, mas, devido ao intenso sofrimento
físico, ela não deve ter serenidade para pensar tais coisas. Resumindo, apesar do
espírito estar salvo, o corpo não se salvará, isto é, uma metade está salva e a outra
metade não.
A verdadeira salvação consiste na salvação do espírito e do corpo ao mesmo tempo,
e provavelmente não existe no mundo uma religião com esse poder. Por esse
motivo, pensando em salvar pelo menos a metade, a pessoa torna-se fiel de uma
religião e fica praticamente distante do Paraíso. Isso realmente não passa de
salvação infernal, o que se evidencia claramente no fato de a maioria das grandes
religiões da atualidade estarem administrando hospitais. A sociedade reconhece e
aceita isso como um magnífico empreendimento religioso, o que não faz sentido,
pois é uma confissão de que essa religião não possui nenhum poder para curar
doenças. Originariamente, a Religião teria que ser uma existência metafísica muito
superior à Ciência, mas dessa forma a Religião está abaixo da Ciência. Resumindo,
quer dizer que ela perdeu a vida como Religião. A nossa Igreja, ao contrário,
caracteriza-se pelo resultado, que é a cura da doença. De fato, doentes que de
forma alguma são curados pela Ciência, estão sendo curados aos montes. Se não
dissermos que essa é uma religião que possui vida, o que poderá sei?
A nossa Igreja também está incentivando bastante a Arte. Existem muitas religiões,
mas creio que nenhuma dá tanto peso à Arte como a nossa. Como eu sempre digo,
o Paraíso é o Mundo da Arte, ou seja, se a Arte faz parte do Belo, da trilogia
Verdade-Bem-Belo, ela é algo da maior importância. Nem é preciso dizer que a
impressão que se recebe do Belo não pode ser vista levianamente pelo homem. Isso
porque, através do Belo, o pensamento se alegra e, ao mesmo tempo,
imperceptivelmente, o caráter do homem também se eleva, e fomenta-se o amor à
paz. Podemos compreendê-lo muito bem observando a Grande Natureza. Em
primeiro lugar, a beleza das montanhas e das águas. O Belo que se depreende das
paisagens em viagens realizadas nas quatro estações do ano, lava e purifica as
impurezas do cotidiano, devolve o vigor, alegra a nossa mente e, além disso,
enriquece os nossos conhecimentos históricos. Em qualquer cidade, ou mesmo vila,
temos o verde das árvores por todos os cantos, as cores das flores, o cântico dos
pássaros, as borboletas que voam na primavera, os aspectos diversos dos bandos
de insetos no outono. A Terra está repleta de coisas variadas para deleitar o homem.
Ao olhar para o céu, o brilho do sol, da lua, das estrelas, convida o sentimento das
pessoas para o espaço misterioso da eternidade. Se tudo isso não for a
manifestação da profunda Vontade de Deus, o que poderá sei? Mesmo na questão
dos alimentos, os produtos da montanha e do mar são naturais mas existem muitas
outras coisas para deliciar o paladar do homem. Falando sobre o Belo, quero
particularmente falar sobre a beleza do ser humano. A sua imagem quando dança, a
sua voz afinada quando canta, a beleza equilibrada do esportista, a beleza da nudez
da mulher... As habilidades recebidas de Deus, como a pintura, escultura, diversos
tipos de artesanatos, arquitetura, jardinagem e outras, essas também, se forem
enumeradas, são quase infinitas. Realmente, neste mundo, a beleza natural e a
beleza do homem existem em abundância. Ao ver todas essas coisas, podemos
imaginar onde está a Vontade de Deus, e nem é preciso dizer que elas são
elementos que foram prepara dos para a construção do Paraíso Terrestre, no futuro.
Se não for isso, o que será?
Nesse sentido, estou construindo, atualmente, o modelo do Paraíso Terrestre, e esse
projeto representa a harmonia de toda a beleza natural e da beleza artificial. Creio
ser uma nova obra de arte, um evento marcante jamais realizado por alguém até
hoje. Através dessa obra, milhares de pessoas despertarão para a Vontade Divina, a
alegria de viver será aprofundada e o caráter do homem se elevará. Assim, pode-se
compreender que a nossa Igreja é, sem dúvida, uma religião paradisíaca.
Em contrapartida, as religiões até agora sempre se mostraram desinteressadas em
relação a essa concepção de beleza. Ou melhor, negligenciar o Belo vinha sendo
considerado ilusoriamente como uma coisa natural em Religião. Os fiéis da maioria
das religiões, quanto mais fervorosos, mais simplesmente se vestem e comem,
moram em casas humildes e estão contentes levando uma vida de baixo nível.
Desse jeito não é absolutamente Verdade-Bem-Belo; pode-se dizer que é Verdade-
Bem-Feiúra. Quando entramos no lar de um fiel assim, geralmente são casas
úmidas e sombrias, e temos a sensação de Inferno. Damos a isso o nome de Fé
Infernal. Como as pessoas nos olham com essa mentalidade, não conseguem
compreender-nos. Olhando-nos com os olhos do Inferno, elas acham que a maneira
de agir da nossa Igreja está errada. Na verdade, esse modo de ver é uma
superstição da qual se deve ter medo. Portanto, desejo derrubar essa superstição,
despertar as pessoas, conscientizando-as de que a religião paradisíaca é a
verdadeira religião.
Analisando dessa maneira, vemos como são difíceis as condições do mundo
moderno. Isso porque a superstição científica e a superstição religiosa se juntam
para tornar o mundo infernal. É preciso, então, fazer com que as pessoas
compreendam bem esse ponto obscuro. Para tanto, urge o aparecimento de uma
ultra-religião, isto é, de uma religião paradisíaca. Digo claramente que essa ultra-
religião é a nossa Igreja Messiânica Mundial. Até hoje o mundo se encontrava na Era
da Noite; agora, quando finalmente se processa a transição para o Mundo do Dia, a
humanidade ficará sabendo que a Igreja Messiânica Mundial nasceu com a grande
missão de construir o Paraíso.
Jornal Eiko nº 127, “Religião celestial e religião infernal” – (24/10/51)
“Iluminado pela Luz de Deus, percebi que existia um abismo à minha frente.”

Os cristãos e todas as pessoas em geral devem estar muito interessados em saber


quando e como virá o Juízo Final, profetizado por Cristo. Visto que está se
aproximando a hora, vou esclarecer a questão parcialmente. Não se trata de
interpretação minha, e sim de um conhecimento que me veio totalmente por intuição
espiritual. Por isso, quero que tomem minhas palavras apenas como mais uma
referência ou teoria.
Em primeiro lugar, é necessário definir se realmente haverá um Juízo Final. Ora, um
ser Divino como Cristo, que hoje é alvo da fé de milhares de seguidores no mundo
inteiro, entre os quais se contam povos de nações superdesenvolvidas, não
profetizaria algo que não acontecerá. Caso sua profecia não se concretize, ele não
passará de um simples mentiroso. Portanto, embora não sejamos cristãos,
acreditamos nela piamente. As palavras do fundador da Religião Oomoto: “O que
Deus diz não tem qualquer margem de erro, nem sequer da largura de um fio de
cabelo”, sem dúvida alguma podem ser aplicadas à profecia sobre o Juízo Final.
Sobre o Bem e o Mal também existem as seguintes profecias: “Destruirei o Mal pela
raiz e construirei o Mundo do Bem”; “O Mundo do Mal já acabou”; “O Mundo do Mal
atingirá o seu ápice aos noventa e nove por cento, e, com a ação de um por cento,
será transformado no Mundo do Bem”; “Finalmente está chegando a hora da
transição do mundo”. Todas elas, creio eu, não podem dizer respeito a outra coisa
senão ao Juízo Final. É aquilo a que estamos nos referindo constantemente como
sendo a Transição da Noite para o Dia. Há uma frase também relacionada a essa
transição: “O momento crítico deste mundo está prestes a chegar; por isso, nosso
espírito precisa estar polido”. Tais palavras significam que é impossível o ser humano
transpor esse período estando cheio de máculas. (...)
Alicerce do Paraíso, “O Juízo Final” – (20/01/50)

“Preciso esquecer os fatos desagradáveis que já me ocorreram, pois eles


foram causados pela minha ignorância.”

Quando o homem pratica o mal, inevitavelmente obtém resultados negativos. Pela


Lei de Causa e Efeito, isso é incontestável, é a Verdade. Por mais que se empenhe,
se não for para o Bem, o homem não progredirá. Se a pessoa fizer o próximo sofrer,
ela própria sofrerá; se fizer o próximo feliz, ela própria será feliz. Chega-se à
conclusão de que é melhor praticar o bem; portanto, o homem deve objetivar a
prática de boas ações.
O sofrimento também foi criado por alguma necessidade, mas como poderemos nos
libertar dele? Não há outra forma senão pedir a Deus para eliminar as nossas
máculas espirituais, que são a origem dos sofrimentos. Elas serão eliminadas
através da Luz de Deus. O Johrei da Igreja Messiânica Mundial surgiu para isso.
Através dele, é emitida a Luz que elimina as máculas e extingue o sofrimento,
fazendo com que a pessoa se sinta aliviada. As máculas podem ser eliminadas em
grande ou pequena proporção, de acordo com a fé e a virtude da pessoa. Os
pecados contraídos por pensamentos e palavras, geralmente são purificados por
meio das orações matinais ou vespertinas, mas isso não basta. É importante tornar o
próximo feliz; a fé que se limita a orar não conduz à verdadeira salvação. É
necessário fazer feliz um grande número de pessoas.
Revista Tijô-Tengoku nº 1 – (01/12/48)
“Envolvido pela Luz de Deus, esqueci até mesmo o vendaval que assola o
mundo.”

(...) Por outro lado, através de documentos escritos e da tradição oral, constatamos
que invariavelmente os fundadores de diversas religiões realizaram milagres. O fato
é mais evidente nas grandes religiões. No entanto, pelo nível cultural daquela época,
era possível convencer o povo apenas pela concessão de benefícios e pela
realização de milagres, pois ele não buscava esclarecimentos sobre a teoria ou o
conteúdo das religiões. O lamentável é que, se não tivesse havido a redenção,
Cristo, quem mais milagres realizou, talvez conseguisse, durante a sua vida, salvar
uma grande parte da humanidade e ampliar muito mais a sua doutrina. Seu período
de atuação foi bastante curto, sem dúvida por causa da força de Satanás, que, na
época, era inegavelmente mais forte, em virtude da prematuridade do tempo no
Mundo Espiritual. Entretanto, finalmente o tempo amadureceu e adveio a grande
transição naquele mundo. Através da nossa percepção espiritual, podemos ver
claramente que a força de Satanás está enfraquecendo dia a dia.
Por Revelação Divina foi-me esclarecida a causa de vários fatos até hoje
considerados mistérios do mundo. Assim, me é possível distinguir o justo e o
satânico, determinar a raiz do Bem e do Mal, corrigir o erro de todas as coisas. Em
face do desequilíbrio do mundo contemporâneo, decorrente do progresso unilateral
da cultura, ou seja, o progresso apenas da cultura material, vou incrementar
extraordinariamente a cultura espiritual e, com o desenvolvimento paralelo de
ambas, fazer surgir o mundo perfeito: o Paraíso Terrestre.
Como eu disse anteriormente, diferindo dos homens primitivos e dos homens de
épocas de baixo nível cultural, o homem da atualidade não consegue confiar apenas
em milagres, mesmo que estes sejam manifestados concretamente. Ele não se
convence sem uma explicação teórica dos fatos. Uma das causas da decadência
das religiões tradicionais é justamente elas negarem a cultura material e não
conseguirem proporcionar benefícios concretos aos fiéis.
Vou explicar agora o princípio do Johrei, um dos métodos pelos quais os fiéis de
nossa Igreja vêm obtendo magníficos resultados, expressos sob a forma de
surpreendentes milagres. Quando se estende a mão em direção à pessoa enferma,
as doenças mais difíceis e os enfermos mais graves começam a melhorar. Mesmo
as dores mais fortes são aliviadas ou extintas em curto espaço de tempo. Portanto,
só podemos dizer que se trata de “milagre”. São inumeráveis os casos de doentes
que, desenganados por vários médicos, têm obtido resultados surpreendentes
através do tratamento realizado por membros que ingressaram na Fé há poucos
meses e não têm nenhuma formação médica. Pela visão dos materialistas da
atualidade, são fatos completamente sem lógica, e não deixa de ser para eles um
grande problema.
A Medicina atual é o resultado de milhares de anos de estudo, de prática constante
realizada por renomados estudiosos de vários países, e suas terapias minuciosas e
refinadas são dignas de elogio. Entretanto, um indivíduo comum obtém resultados
notáveis ministrando Johrei em doentes que não conseguiram se restabelecer com o
trabalho das autoridades médicas, formadas à custa de elevadas despesas com
estudos e pesquisas durante dezenas de anos. É realmente um fato que está além
da razão. Não séria, pois, exagero definir o Johrei como a maravilha do século.
Todavia, pelo simples conhecimento dos seus resultados reais através de notícias,
as pessoas não o aceitam facilmente. Mais do que isso: vêem-no pela ótica da
superstição ou da anormalidade psíquica, o que talvez seja uma reação natural.
O aparecimento do Johrei é um grande acontecimento, inédito na História. (...)
A Outra Face da Doença, “Princípio do Johrei” – (30/05/49)

“Estamos vivendo uma época em que os acontecimentos que pensávamos não


nos dizerem respeito poderão ocorrer conosco amanhã.”

A eliminação do pecado pode ser feita através do sofrimento ou de forma menos


penosa, pela entrega a Deus. O primeiro relaciona-se aos ateus, e a segunda, aos
religiosos.
Ainda que Deus estenda a corda da salvação, existem pessoas que não conseguem
agarrá-la. Isto acontece porque o espírito, tendo muitas máculas, fica pesado, e as
pessoas não conseguem segurar a corda. Para purificá-lo, surgem, posteriormente,
sofrimentos como doenças e desgraças. Através disso, com a diminuição das
máculas, o espírito torna-se leve, o que possibilita alcançar a corda da salvação.
Por esse motivo, por mais que se transmitam bons ensinamentos às pessoas, se
elas não conseguem segurar a corda da salvação, não há outro meio senão esperar
pelo tempo certo, até que suas máculas sejam diminuídas. Se forçarmos a pessoa a
segurar a corda quando há muitas máculas, ela acaba caindo. Neste caso,
entretanto, se ela receber Johrei, será purificada com facilidade e rapidez.
As pessoas que, mesmo recebendo Johrei, vêm a falecer, é porque não se
entregaram a Deus. Muitas vezes existem pontos errados na sua fé. Aqueles que
deixam tudo e se entregam a Deus, embora sofrendo de doenças consideradas
incuráveis, na maioria das vezes são salvos. Quem possui fé superficial, nos
momentos críticos fica perdido, e nesse momento a corda da salvação se rompe.
Revista Tijô-Tengoku nº 3 – (20/04/1949)
“Como podemos perceber todas as coisas distorcidas pelo Mal, se não nos
espelharmos no espelho de Deus?”

Ao ouvir falar em Medicina conservadora, por ser uma expressão nova, talvez as
pessoas fiquem um pouco desnorteadas, mas, lendo sobre o assunto, creio que não
haverá quem discorde. Isto porque, atualmente, como todos sabem, tanto a
variedade de doenças como o número de doentes é realmente grande. No caso das
doenças, entre dez, oito ou nove são enfermidades crônicas ou graves, e a maioria
das pessoas não consegue se restabelecer totalmente. Disso os médicos também
têm ciência. Em relação aos doentes, eles procuram curá-los o mais rápido e da
melhor forma possível, usando os métodos de tratamento mais recentes e se
esforçando o máximo. Mesmo assim, não obtêm a cura da forma desejada. No
início, por ocasião dos exames, os médicos fazem uma previsão e dizem ao enfermo
que dentro de tantas semanas ou de tantos meses ele estará curado, mas são
poucas as pessoas que ficam curadas dentro do limite previsto. De acordo com a
teoria, usando-se tal remédio e tal forma de tratamento, tal doença será curada.
Pensando assim, os médicos agem exatamente assim, mas dificilmente sobrevém a
cura. Tais experiências são constatadas freqüentemente pelos doentes e também
pelos médicos.
Teoricamente, parece que de fato a pessoa ficou curada, mas a cura não é
duradoura. Mais dia ou menos dia, inevitavelmente, a doença ressurge, ou então se
transforma em outra doença. Os médicos devem estar cientes disso, em face das
numerosas experiências por que passaram. Entretanto, diante dessa realidade, não
é difícil imaginar que eles também estejam sempre com dúvidas, achando tudo
muito estranho. O fato é que a Medicina não alcançou tanto progresso quanto os
médicos imaginam. O progresso que ela parece ter alcançado não passa de uma
ilusão, por isso eles estão sempre prensados pela contradição entre a teoria e a
realidade. Pelo mundo, que desconhece isso, os médicos são respeitados e
colocados socialmente numa posição firme, mas o seu tormento interior não deve
ser nada fácil. Eu acredito que não passa de uma vã esperança, mas, baseados
num determinado tipo de conceitos, eles pensam que um dia, com o progresso da
Medicina, encontrarão a solução para o problema da doença. Se, por ventura, o véu
de dúvidas existente até agora for descoberto com a leitura deste artigo, através da
Luz da Verdade, o erro virá à tona, como se fosse um dia claro, e, evidentemente, os
médicos despertarão, atônitos.
Essa superstição cega tem sido o maior obstáculo para o progresso da civilização;
por isso, mesmo com o atual progresso da Ciência, os cientistas ainda não se
conscientizaram de que não tem aumentado a felicidade do homem. Em relação a
esta minha tese, eles sequer realizam qualquer estudo. Por ser tese de um religioso,
consideram-na anticientífica. Achando que será uma traição às teorias da Ciência,
que conseguiu obter um rápido progresso, sequer tentam analisá-la. Por usarem os
óculos escuros da Ciência supersticiosa, eles não conseguem enxergar bem.
Mas o que vêm a ser esses óculos escuros?
Desde o início, o pensamento fundamental dos médicos tem colocado a vida do
homem no mesmo nível de todas as coisas, na crença de que as doenças também
podem ser solucionadas por meio da Ciência. Entretanto, através da Revelação
Divina, eu fiquei sabendo que o homem é fundamentalmente diferente de todos os
outros seres e não se enquadra no campo da Ciência. A sua inclinação pelo “hobby”,
os seus sentimentos e emoções, como a alegria, a tristeza, o amor, e também a
inteligência, o pendor artístico, a sua natureza misteriosa, o amor pela humanidade,
etc., são atributos que não existem em outros seres. Observando-se apenas este
aspecto, já é possível evidenciar a diferença entre ele e os outros seres. Dessa
forma, a Ciência ignora a natureza do homem e trata-o no mesmo nível dos animais.
Aí está o grande erro. Sendo esse o pensamento fundamental da Medicina,
aprisionada dentro dos limites da Ciência, ela não consegue visualizar o outro
mundo.
Observando de outro ângulo e considerando que o nível do homem seja uma linha
horizontal, o que está abaixo dessa linha é fenômeno material, e o homem
posiciona-se acima; esta é a lei do Universo. De acordo com esse princípio, todas as
coisas que ficam abaixo da linha horizontal estão à mercê do homem, mas as que
estão acima não. Dessa maneira, é impossível manusear livremente a vida do
homem através da Ciência criada por ele mesmo. Isso se torna evidente pelo fato
dele não conseguir eliminar a doença e obter vida longa. O fato do homem querer
curar a doença de outro homem significa o domínio do inferior sobre o superior; é,
portanto, violação da posição de Deus. Com base nesse princípio, nada poderá ser
feito em relação à vida humana, por mais que os cientistas do mundo inteiro se
esforcem. Sem perceber isso, a Medicina atual está percorrendo um caminho
equivocado e paralelo, e eu realmente sinto muita pena da sua falta de inteligência.
Acho que os médicos da atualidade são escravos da Ciência e têm uma mentalidade
semelhante às superstições das religiões heréticas, assemelhando-se, também, à
moral máxima da época conservadora dos samurais, segundo a qual, se fosse em
prol do senhor, não havia qualquer impedimento em relação ao homicídio. Além
disso, a admiração era maior e concediam-se honrarias àquele que conseguia
exterminar, coletivamente, um grande número de pessoas. Do ponto de vista da
época atual, isso não passa de selvageria, pois o crime era incentivado
publicamente. Poderemos compreender bem, aplicando esse conceito à Medicina.
Considera-se que o melhor método de tratamento da doença é através da Ciência, e
isso se deve à cegueira da Medicina, que não conseguiu libertar-se da estreita casca
conservadora. No entanto, eu soube que existe um mundo desconhecido e
maravilhoso onde está a verdadeira Medicina, que cura radicalmente a doença. Para
comunicar a todos os povos esta grande boa-nova, publico esta minha tese como
premissa, dirigindo-a aos médicos do mundo inteiro.
Jornal Eiko nº 227, “A Medicina conservadora” – (23/09/53)

“Sem força, sem bengala e sem lanterna... Será que podemos caminhar sem
apoiar-nos em Deus?”

Em poucas palavras, chama-se milagre a realização daquilo que achamos


impossível, mas, na verdade, nada acontece por acaso. Quem pensa de forma
diferente, está redondamente enganado. Parece um tanto complicado, contudo vou
mostrar por que estou fazendo essa afirmativa.
A idéia preconcebida de que determinada coisa nunca poderá acontecer, já constitui
um erro, pois leva em consideração apenas aquilo que se manifesta exteriormente,
ou seja, as aparências. Como até agora o pensamento da maioria dos homens
baseava-se em conceitos materialistas, se às vezes sucede algo diferente, eles
pensam que se trata de milagre. Por exemplo: uma criança cair de um penhasco e
não sofrer nada; um carro bater numa bicicleta e não haver ferimentos nem
prejuízos; uma pessoa se salvar por ter se atrasado e perdido um trem que depois
descarrilhou, virou ou colidiu com outro; um ladrão que estava entrando numa casa
fugir, pela ministração do Johrei; uma pessoa recuperar o que lhe foi roubado; um
incêndio que havia se alastrado até à casa do vizinho ser desviado, devido à
repentina mudança de direção do vento, por efeito do Johrei.
Com os fiéis da nossa Igreja ocorrem constantemente grandes e pequenos milagres,
isto é, fatos fora do comum. E por que motivo eles ocorrem? Onde está a causa?
Creio que todos querem sabê-lo.
É claro que a verdadeira razão do milagre está no Mundo Espiritual. Entretanto, há
milagres decorrentes da força pessoal de cada um e outros decorrentes da força de
terceiros. Inicialmente falarei sobre o primeiro tipo.
O homem possui aquilo a que chamamos aura, que é como se fosse a vestimenta
do espírito. Ela tem o formato do corpo, que parece coberto por uma espécie de
névoa branca, e não é visível às pessoas de sensibilidade comum. Sua largura é
variável, e isso se deve ao grau de pureza do espírito; quanto mais puro ele for, mais
larga é a aura. Nas pessoas comuns, ela varia de três a seis centímetros; a dos
virtuosos tem de sessenta a noventa centímetros; nos salvadores da humanidade,
ela é infinita. Ao contrário, se o corpo e o espírito são impuros, a aura é estreita e
tênue. Em caso de desastre, por exemplo, na hora exata em que um carro – que
também possui espírito – vai bater numa pessoa, não conseguirá atingi-la se for
alguém de aura larga. Ela se salva, porque é afastada para o lado. Pessoas assim,
quando caem de um local alto, mesmo indo de encontro ao espírito da terra ou de
uma pedra, não se machucam, apenas batem de leve.
As casas também possuem espírito, de modo que, se o dono for virtuoso, a aura da
casa será larga; no caso de incêndio, o espírito do fogo não a atinge, pois é barrado
pela aura. Por isso, na ocasião do grande incêndio de Atami, a sede provisória da
nossa Igreja foi milagrosamente poupada. Se ocorre o contrário – o que é difícil é
porque há necessidade de queimar impurezas; por conseguinte, o fato obedece ao
Plano de Deus.
Vejamos, a seguir, os milagres decorrentes da força de terceiros.
O homem tem três espíritos: o Primordial, o Guardião e o Secundário. Vou me abster
de maiores explicações sobre a relação existente entre eles, pois já falei sobre isso
em outras oportunidades.
O Espírito Guardião é escolhido entre os ancestrais. Ele salva seu protegido no caso
de um perigo, ou lhe faz avisos importantes através de sonhos. Quando se trata de
pessoa que tem missões especiais, há casos em que uma divindade vem em seu
socorro (em geral, o padroeiro do local onde a pessoa nasceu). Por exemplo, se um
trem está prestes a colidir com outro, como essa divindade tem conhecimento do
fato, pode fazer parar o espírito do trem instantaneamente. Mesmo que o fato esteja
ocorrendo a milhares de quilômetros, ela chega ao local numa rapidez extraordinária.
Como vemos, o milagre não ocorre absolutamente por coincidência ou por acaso; há
sempre uma razão. Se compreenderem isso, verão que ele não tem nada de
sobrenatural. Para mim, o natural é haver milagres; se não houver é que eu acho
estranho.
Às vezes, quando me encontro diante de um problema difícil, cuja solução está
demorando, começo a esperar que repentinamente aconteça um milagre, e
geralmente ele acontece, solucionando o problema. Isso é muito freqüente. Creio
que aqueles que têm fé profunda e acumularam virtudes, já passaram por muitas
experiências nesse sentido. Portanto, se o homem pensar e praticar o bem,
acumular virtudes e fizer esforços para tornar mais larga sua aura, jamais lhe
acontecerão desgraças inesperadas.
Em nosso contacto com as pessoas, quanto mais espessa for sua aura, mais calor
sentiremos, surgindo, daí, grandes afeições. Tais pessoas sempre cativam outras,
que se reúnem à sua volta em grande número, e assim elas terão êxito e progresso
no trabalho.
Alicerce do Paraíso, “Análise do milagre” – (06/06/51)
“Eu, que, desorientado, percorria o caminho negativo das dúvidas, fui salvo
pela Luz de Deus.”

A palavra “dúvida” não soa muito bem aos nossos ouvidos. Entretanto, representa o
que há de mais importante. Com efeito, a dúvida pode ser considerada a mãe da
civilização, pois foi ela que deu origem às novas filosofias, às novas doutrinas, assim
como também à Ciência. O chinês Chu-tzu disse: “A dúvida é o princípio da crença.”
De fato, entre as muitas palavras que, desde tempos antigos foram ditas a esse
respeito, estas são bem significativas.
Eis alguns exemplos de dúvida: Por que razão a Igreja Messiânica Mundial, uma
religião nova, expandiu-se tanto em tão pouco tempo? Por que será que acontecem
os maravilhosos milagres que são relatados nas Experiências de Fé? Como se
explica que a construção do protótipo do Paraíso Terrestre, cujo grandioso plano é
absolutamente inédito, esteja conseguindo dar passos cada vez mais firmes?
É natural que surjam semelhantes dúvidas; contudo, duvidar apenas não significa
nada. Se as pessoas se dispõem a encontrar a chave desses mistérios, aí sim, a
dúvida se torna realmente válida, pois, com tal procedimento, elas entenderão a
Verdade e aumentarão seu discernimento. Aqueles que sempre têm dúvidas são
pessoas progressistas, e seu futuro é brilhante. Existem, porém, alguns que não têm
sorte e que, embora sintam dúvidas, não encontram o lugar onde lhes possa ser
mostrada a Verdade. Por essa razão, ficam perdidos a vida inteira, acumulando
dúvidas em cima de dúvidas. Podemos dizer que isso acontece com a maioria das
pessoas, e entre elas deve haver algumas que fazem pouco caso das verdades
pregadas pela nossa Igreja, deixando-as passar despercebidas. São criaturas
infelizes.
Ao pensar em todos aqueles que, cheios de dúvidas, chegaram à Igreja Messiânica
Mundial e estão sendo salvos, vivendo atualmente banhados de alegria, concluímos
que nada é mais construtivo que a dúvida. Assim, creio que puderam entender que,
se o homem não tiver capacidade de duvidar, ele é um ser imprestável. Portanto, é
necessário ter a coragem de esclarecer as dúvidas.
Alicerce do Paraíso, “Dúvida” – (21/03/51)

“É imensa a minha felicidade, mas é triste não encontrar palavras que possam
exprimi-la.”

Várias heranças literárias provam que Religião e milagre são coisas inseparáveis.
Religião sem milagre deixa de ser Religião. Isto porque o homem é totalmente
incapaz de operar qualquer milagre, o qual é obra de Deus. Sendo assim, uma
religião que não apresente milagres é como uma existência nula. Falta-lhe a
essência, embora ostente aparência religiosa. A magnitude de uma religião é
proporcional à ocorrência de milagres. Milagre, em outras palavras, significa o
aparecimento de benefícios inesperados. Isso estimula e dá origem a um profundo
sentimento religioso, que conduz o homem à Fé e salva-o da desgraça. Que religião
podemos chamar de verdadeira a não ser essa? É desnecessário dizer que uma
única prova vale por mil argumentos.
Embora a situação que vivemos atualmente seja uma conseqüência da Segunda
Grande Guerra, o aumento do mal social, principalmente os pensamentos insanos
que infestam os jovens verdadeiros sustentáculos do futuro – e o estado confuso em
que estes se encontram, não deixam de representar uma realidade apavorante. A
causa de tudo isso é a educação recebida pelos jovens, a qual os levou a aceitar o
materialismo como norma de ouro. Enquanto os homens não despertarem desse
engano, não haverá solução para o problema.
Naturalmente, para combater os conceitos materialistas, é preciso despertar o
homem para a Religião, começando por convencê-lo da existência de Deus. Nossa
Igreja vem insistindo neste ponto, e o milagre é o único recurso para ela atingir seu
propósito.
Milagre é tornar possível aquilo que se considera impossível realizar pela ação do
homem. Como ele mostra, na realidade, o que não se pode interpretar teoricamente,
quaisquer dúvidas a respeito serão, logicamente, dissipadas de imediato. Assim,
mesmo na exclusão do mal social ou na criação de países pacíficos, não se poderão
obter resultados satisfatórios a não ser que se dê a exata consciência de Deus
através do milagre, cultivando, dessa forma, a espiritualidade.
Na história da humanidade, não se conhece nenhuma religião que tenha
apresentado tantos milagres como a nossa. Neste sentido e nesta fase de grande
transição que estamos atravessando, o objetivo da Igreja Messiânica Mundial é
sacudir a alma do mundo, que está adormecida, despertando-a com o poderoso
sopro do milagre.
Deus, Todo-poderoso, veio à Terra como Kanzeon-Bossatsu (encarnação da
Misericórdia), conhecido também como Komyo-Nyorai (encarnação da Luz), e, após
transformar-se em Ooshin-Miroku (encarnação da Ação Livre e Desimpedida), está
manifestando, pelas Divinas Mãos do Messias, os mais variados e incontáveis
milagres, utilizando livremente a sagrada energia vital. Dessa forma, através da
Igreja Messiânica Mundial, Deus está realizando a grandiosa obra de salvação do
mundo.
Alicerce do Paraíso, “Religião é milagre” – (11/06/49)
A P R O V I D Ê N C I A D A N AT U R E Z A

“A razão da eterna prosperidade do Universo é que todas as coisas se


movimentam em perfeita ordem.”

(...) Em primeiro lugar, a condição básica para construir o Paraíso Terrestre, objetivo
do Supremo Deus, é, antes de mais nada, mostrar a realidade da Grande Natureza
tal qual ela é. Como sempre venho falando, isso quer dizer que a constituição de
tudo no Universo tem como base o Sol, a Lua e a Terra, e sendo o fogo, a água e o
solo as essências dessa base, é através da força das três essências unidas que
todas as coisas nascem e se desenvolvem, e que o mundo está atingindo um infinito
progresso. Entretanto, conforme já explanei algumas vezes, como o Mundo
Espiritual se encontrava na escuridão até agora, o Sol estava escondido. Ou seja, a
ordem era: Lua, Terra e Sol. Não sendo esta a ordem correta, tudo neste mundo era
destituído de harmonia e estava cada vez mais corrompido, surgindo, então, o
mundo infernal que podemos ver hoje. Isso aconteceu também porque era
necessário o choque entre o Bem e o Mal, que nada mais é do que o profundo Plano
de Deus. Durante esse período, o choque entre ambos veio sendo amenizado
através da Religião, mas as expressões Mundo de Sofrimento e Ensinamentos de
Resignação, de Sakyamuni, assim como Redenção e Amor ao Próximo, pregadas
por Cristo, realmente não possuem outro significado.
Eu venho pregando que o Mundo da Noite vai se transformar em Mundo do Dia, e
que, pela Lei do Universo, a ordem dos três níveis é Sol, Lua e Terra. Até aqui não
era assim pelo motivo explicado acima, mas agora o mundo assumirá a sua forma
perfeita. É a virada do mundo em 180 graus. Realmente, é uma transformação
importante e inédita. É, pois, natural que a forma da cultura atual também sofra uma
transformação. E, fundamentalmente, como dissemos, ela vai assumir a forma da
Grande Natureza. Então, toda estrutura terá três níveis que, subdivididos, serão seis;
subdividindo-se novamente, serão nove. Isto é, 369, que significa Miroku. O Mundo
de Miroku vem a ser o Paraíso Terrestre. (...)
Jornal Eiko nº 137, “Volume sobre o Paraíso” – (01/01/52)

“A beleza da Grande Natureza representa o sagrado e silencioso ensinamento


de Deus.”

Desde os tempos antigos costuma-se pensar que, para ser um excelente religioso, a
pessoa precisa ter uma vida de abstinência, e que essa é a melhor forma de
conhecer a Verdade Absoluta e polir a alma. Mas eu sou um religioso diferente. Vou
explicá-lo a seguir, de forma clara.
A Natureza e tudo que nela existe, foram feitos para o homem: as flores da
primavera, os bordos do outono, o cantar dos pássaros e dos insetos, a beleza das
montanhas e dos lagos, as noites de luar, as fontes de águas termais... Pensemos
no porquê de tudo isso.
Que poderá ser senão a Providência Divina, proporcionando alegria aos homens?
Belíssimos cantos, bailados, obras literárias e artísticas em geral, enchem de alegria
seus realizadores, como também seus ouvintes ou apreciadores. Alimentos
deliciosos, primorosas construções arquitetônicas, jardins, vestimentas, além de
suprirem as necessidades da vida humana, contêm elementos para realmente nos
comprazer. O corpo se nutre e a vida é preservada com os alimentos que
saboreamos. Se as nossas roupas e residências servissem unicamente para o
indispensável, nunca iriam além de um aspecto vulgar. Na geração dos filhos,
também, visa-se algo mais que uma simples necessidade.
Desde que o Altíssimo concedeu ao homem o instinto para alegrar-se com a
Natureza e com tudo o que ela lhe possa proporcionar, devemos aceitar esse prazer.
A abstinência que nega tal alegria e contenta-se com o mínimo necessário para a
subsistência, vai contra as graças de Deus. Por outro lado, a pobreza do amor ao
próximo entre os homens privilegiados leva-os a julgar que os prazeres se destinam
unicamente a eles e aos seus familiares. A indiferença que eles têm pelos seus
semelhantes e a falta do desejo de compartilhar da alegria de todos, revelam como
esses homens são destituídos do espírito de fraternidade. Isso significa querer
monopolizar as graças de Deus. Creio que os milionários, franqueando seus jardins
ao povo, expondo seus objetos de arte e participando da alegria geral, praticariam
um ato que corresponde à Vontade Divina.
Paraíso Terrestre, portanto, é um mundo onde há progresso na vida de toda a
humanidade e grande desenvolvimento das artes e demais prazeres de caráter
elevado. Como a Verdade, o Bem e o Belo significam, respectivamente, o que não é
falso, o que é justo e o que é bonito, numa vida de abstinência há o Bem, mas não
há Verdade nem Belo. Além disso, a abstinência poderá até ser obstáculo ao
progresso da cultura. A decadência de certos países que outrora possuíram uma alta
civilização, pode ser atribuída ao fato de seu povo ter levado a vida espiritual ao
extremo.
Alicerce do Paraíso, “Abstinência” – (25/01/49)
“Quem se vangloria de ter conquistado a Grande Natureza, um dia será por ela
dominado.”

(...)Resumindo, “Daijo” significa Natureza e refere-se às atividades de criação e


desenvolvimento de todas as coisas existentes no Universo. Portanto, “Daijo”
abrange tudo, nada lhe escapa. De acordo com este sentido, falarei não sobre o
“Daijo” búdico, mas sobre o “Daijo” universal. Isto é, não somente Religião, Filosofia,
Ciência, Política, Educação, Economia e Arte, mas também a guerra e a paz, o bem
e o mal.
Podemos observar uma ordem natural nas atividades de todo o Universo.
Considera-se realmente homem o indivíduo que reconhece a obediência à ordem
como fator natural do progresso. Por essa razão, o desvio da ordem acarreta,
infalivelmente, obstáculos, estacionamento ou destruição. A obediência ou a
desobediência à ordem constrói ou destrói, e a realidade mostra que no mundo
sempre tem ocorrido construção e destruição. É como o trem, que sobre os trilhos
avança, mas fora deles pára.
Desse modo, tudo que se extingue, tem o seu motivo, e o que deve surgir, tem a sua
razão de ser; nada ocorre por acaso. Naturalmente, tudo acontece porque é
necessário. Mesmo no que se refere ao pensamento, se ele pender para a esquerda,
surgirá à direita, e vice-versa; em ambos os casos deve-se ir em frente, sem tender
para nenhum dos lados, tal como na direção de um carro. Baseado nesse princípio,
tanto o capitalismo como o socialismo, o comunismo, as alas conservadora e
progressista, o positivismo, o negativismo e demais “ismos” surgiram por uma
necessidade, e pela mesma razão serão reduzidos e extintos. Isso ocorre também
com as religiões; as que surgem têm as suas razões para surgir. Entretanto, a
maioria dos homens tende a observaras religiões posicionando-se nos seus próprios
pontos de vista e a considerar todas elas heréticas, com exceção da sua. Isso
acontece porque eles olham com uma visão extremamente pequena. É como diz o
provérbio: “Espreitar o céu pela fechadura”. Todavia, para a visão de Deus, que
concretiza o Seu Plano nesta Terra, deve ser uma tristeza a pequenez dos homens,
que lutam constante e mutuamente por causa de pequenas rivalidades.
Todas as coisas que se tornarem desnecessárias ao homem serão naturalmente
eliminadas, mas se forem necessárias, mesmo que ele tente eliminá-las, não
conseguirá. Vamos supor, por exemplo, que surjam novas religiões e novas
ideologias. Embora os homens as condenem, tachando-as de supersticiosas ou
heréticas, elas progredirão se forem necessárias à humanidade; caso contrário,
submeter-se-ão à seleção natural. Devemos confiar até certo ponto nação da
Natureza. Se as religiões tiverem realmente vida e valor, a perseguição humana
contribuirá para o seu progresso. Temos um exemplo vivo no cristianismo. Quem
objetará contra a sua predominância atualmente, apesar da crucificação do seu
fundador?
O homem moderno possui uma visão demasiadamente estreita e curta, cujo erro,
creio eu, deve ser analisado seriamente.
Alicerce do Paraíso, “Religião à Luz da Verdade” – (25/10/49)

“Fitando o vasto firmamento, fico a meditar sobre o infinito amor de Deus.”

Nem é preciso dizer que a energia do Sol, da qual já falei, é, naturalmente, o espírito
do Sol. Entretanto, por que até agora ele não se manifestou na Terra? Existe um
motivo profundamente misterioso, que eu vou explicar minuciosamente.
Como eu já disse, o homem está constituído de espírito e matéria. Da mesma forma,
a Terra está constituída pelos Mundos Espiritual e Material. O Mundo Espiritual, por
sua vez, está constituído por dois elementos. O primeiro é o Mundo da Essência
Espiritual, e o segundo, o Mundo da Essência Atmosférica. A característica do
primeiro é “o fogo precede a água”, e a do segundo, “a água precede o fogo”, ou
seja, o positivo e o negativo.
De acordo com esse princípio, todas as coisas são criadas pelas energias do Sol e
da Lua, que, juntas, as envolvem. É como se fosse o pai e a mãe, os quais, pela
colaboração mútua, educam os filhos. Dessa maneira, a força da natureza surge por
meio da trilogia Sol, Lua e Terra e, através dela, todas as coisas nascem e se
desenvolvem; esta é a situação real do Universo.
O homem é o senhor, é o centro de tudo; depois de Deus, ele é a existência máxima.
Por esse motivo, todas as outras coisas existem em função do homem, para sua
sobrevivência.
Tudo que eu falei, representa a relação entre o homem e o Universo, mas agora se
aproxima uma grande e surpreendente mudança. Trata-se de um fato sem
precedentes na História. Até o presente, o mundo era noturno, mas está prestes a se
tornar um mundo diurno. A aurora deste mundo é a época atual; portanto, as
pessoas certamente estão perdidas, sem saber o que está ocorrendo. Talvez elas
riam, dizendo: “O dia e a noite só existem no espaço de um dia. Ligar isso às épocas
é absurdo demais”. E eu lhes dou toda a razão. O mesmo poderia ocorrer comigo; se
eu não tivesse conhecimento dessa realidade, evidentemente pensaria assim.
Todavia, desde que eu a conheci através da Revelação Divina, não posso deixar de
acreditar. Trata-se de uma verdade; portanto, se lerem atentamente o presente
artigo, com certeza hão de compreender.
Assim, a Terra está envolvida pelo Mundo Atmosférico, constituído pelo Mundo da
Essência Espiritual, cuja característica é “o fogo precede a água”, e pelo Mundo da
Essência Atmosférica, cuja característica é “a água precede o fogo”. O dia e a noite
perceptíveis pelos nossos cinco sentidos correspondem ao dia e à noite materiais,
mas precisamos conhecer o dia e a noite espirituais, que transcendem o tempo. Isso
tem um significado sumamente importante e constitui um grande mistério do
Universo. É como se fosse a ampliação infinita do dia e da noite, assemelhando-se
ao vazio, por isso não pode ser percebido pelo homem. Mas o fato é que está
ocorrendo uma constante mudança, de forma bem ordenada. Essa mudança ocorre
a cada dez, mil, dez mil anos, em escala pequena, média e ampla. Cada período
está subdividido em 3, 6 e 9, cuja soma é 18; esta é a situação real do mundo. O
ensinamento de Buda diz que o Mundo de Miroku viria dali a 5.670.000.000 de anos,
mas, se interpretarmos literalmente, é distante demais e na realidade não tem
sentido. Trata-se apenas de uma alusão aos números citados.
Voltando ao que dissemos no início, o mundo noturno era presidido pela Lua, e,
como esta é água e matéria, houve o progresso da cultura material. Ao contrário, o
mundo diurno será presidido pelo Sol. O Sol vem a ser o fogo, que por sua vez é
espírito. Se classificarmos em Bem e Mal, o espírito é o Bem, e a matéria é o Mal.
Esta é a Verdade. No mundo de até agora o Mal precedia o Bem. Daqui para frente,
ele se transformará no mundo civilizado em que o Bem precederá o Mal. Devido ao
predomínio do Mal sobre o Bem, surgiu o mundo que vemos atualmente, semelhante
ao Inferno. Se isso continuar por muito tempo, evidentemente chegará a época em
que a humanidade será extinta. A descoberta da bomba atômica também não passa
de um dos indícios dessa ocorrência. Por conseguinte, a parte profunda do Plano de
Deus, não pode, em absoluto, ser entendida pela inteligência humana.
Com o que acabamos de dizer, creio que puderam entender, de modo geral, a
mudança que ocorrerá no mundo daqui para frente. O “Fim do mundo” e o “Advento
do Reino dos Céus”, profetizados por Cristo, referem-se a essa mudança. A extinção
da doença, da pobreza e do conflito, proclamada por mim, também é uma condição
básica para isso. E a extinção da doença, por sua vez, é a condição fundamental.
Como Deus me concedeu a chave, tenho por objetivo principal, atualmente, a
solução do problema da doença.
Analisando o que expusemos acima, vemos que este grandioso Plano é uma obra
sem precedentes. Em conseqüência, a civilização será revolucionada e,
logicamente, surgirá a Segunda Era. Por se tratar de uma teoria por demais
maravilhosa, acho que a simples leitura deste artigo deixará as pessoas atônitas,
com dificuldade para compreender. Mas a verdade é sempre verdade, e, como essa
época está bem próxima, desejo que se conscientizem disso o quanto antes.
Existe, no entanto, um ponto muito importante. Como eu já tive oportunidade de
falar, trata-se da sedimentação dos pecados cometidos no longo período de
predomínio do Mal sobre o Bem, durante o transcurso do desenvolvimento da cultura
material. Relacionando isso ao homem, materialmente, são as toxinas medicinais;
espiritualmente, são as máculas geradas pelo Mal. Com o aumento do elemento
fogo no Mundo Espiritual, a purificação se intensificará e no final haverá um decisivo
acerto de contas. Se isso for o “Juízo Final” profetizado por Cristo, então o ser
humano precisa ultrapassar essa barreira. Se fracassar, seja ele quem for, será
extinto para sempre. Isso não foi afirmado agora por mim, mas vem sendo
profetizado por vários profetas e sábios há milhares de anos. Crer ou não crer, fica a
critério das pessoas. Atualmente, como prova para as pessoas crerem, estou
manifestando milagres que não dão margem a qualquer dúvida.
Jornal Eiko nº 247, “Johrei é tratamento científico” – (10/02/54)
“Todos os infortúnios que ocorrem no Céu e na Terra têm a sua razão de ser.”

Nem Deus pode violar as leis do Céu e da Terra. Elas estão constituídas assim, sem
o mínimo de falha.
Mesmo que o homem tente agir do jeito que bem entende, mesmo que estabeleça
objetivos, se ele estiver errado, será castigado. Depende apenas do tempo. É como
os entorpecentes e os remédios. Por surtirem efeitos imediatos, os entorpecentes
são temidos, ao passo que os remédios, como necessitam de maior tempo para
atuar, são considerados benéficos. Se o mundo se tornar de tal forma que, quando
se praticar o mal, ele for logo descoberto, deixarão de existir aqueles que o
pratiquem. Quando o Mundo Espiritual entrar na Era do Dia, a descoberta da
atuação do mal ocorrerá mais rapidamente, e praticá-lo deixará de ser atraente.
O mal é praticado porque não é descoberto. Como a mentira e o roubo necessitam
de tempo pará serem revelados, acaba-se criando a ilusão de que nunca o serão. Se
o mal praticado hoje for descoberto amanhã, deixarão de existir pessoas que o
pratiquem. No Mundo de Miroku, o Mundo Espiritual se apresentará realmente claro
e, por isso, o mal será logo descoberto e as pessoas perderão o interesse de praticar
maldades. Se elas têm esse interesse é porque conseguem, ainda que parcialmente,
ocultar a maldade. Desse modo, é questão de tempo. O mesmo acontece com o
remédio: se ocorrer a purificação assim que ele for tomado, seus usuários
desaparecerão.
Registro de Orientações vol. 26 – (01/11/53)
“É impossível medir, através da limitação da Ciência, o grande princípio que
rege a Natureza.”

Pode-se dizer que o homem moderno está dominado pela magia dos princípios
científicos. Isso porque, tratando-se de princípios científicos, ele acredita,
incondicionalmente, em qualquer coisa. Pode-se dizer, também, que ele acredita de
forma absoluta. Entretanto, os princípios científicos não são absolutos; eles estão
sempre em mudança. Durante longo tempo, por exemplo, acreditou-se que a
pneumonia era transmissível; atualmente, no entanto, vigora a tese de que ela não é
transmissível. Com a lepra aconteceu o mesmo. Hoje, considera-se, no Japão, que a
encefalite é transmitida por mosquito, mas nós garantimos que, num futuro não
muito distante, descobrirão que isso é um erro. No caso da tuberculose, os doentes
podiam tomar banho de sol, e por algum tempo isso esteve muito em moda, mas
agora a situação mudou. Quanto à apendicite, ainda hoje não há nada definitivo com
referência a poder ou não poder fazer resfriamento ou aquecimento. O mesmo
acontece com os remédios. O remédio de maior efeito contra a tuberculose era o
Cephalanthine; depois passou a ser a penicilina e, nos últimos tempos, a
estreptomicina. Dessa forma, os remédios tendem, alternadamente, a ficar em moda
e a cair em desuso.
Conforme se pode ver por esses exemplos, os princípios científicos da Medicina são
como as vestimentas. Às vezes, ficam em moda o ano inteiro, ou caem em desuso,
e por isso não têm uma característica absoluta. Se disserem que se trata de curso
do progresso, fica por isso mesmo. Mas, mesmo supondo que se trate de curso do
progresso, é diferente de uma vestimenta, porque se relaciona com a vida humana.
Assim, essas pessoas que serão sacrificadas são realmente dignas de pena, não
passando de cobaias.
Por todos esses motivos, o problema está no fato do homem moderno dar prioridade
aos princípios científicos e não aos resultados. Mas há uma coisa interessante.
Muitas pessoas sabem que o Johrei da nossa Igreja cura, mas não se dispõem a
recebê-lo se não tiverem explicações teóricas. E só existe uma explicação para isso:
essas pessoas estão dominadas pela magia dos princípios científicos. Por outro
lado, com o nível atual dos princípios científicos, é muito difícil explicar o Johrei. Isso
porque o verdadeiro princípio científico do Johrei está um século mais avançado,
sendo incompreensível para as pessoas da atualidade. É exatamente como se
fizéssemos uma palestra de Faculdade para alunos do primário. Portanto, o homem
moderno deve despertar para esse ponto, colocando em primeiro plano a realidade
viva e os seus resultados, e em segundo plano, os princípios científicos.
Procedendo-se dessa maneira, aumentará o número de pessoas que serão salvas.
Revista Tijô-Tengoku nº 10 – (20/11/49)
CIVILIDADE

“Saibam os fiéis que a essência da fé consiste em manter a civilidade.”

(...) A seguir, falaremos sobre a civilidade, e este é um tema realmente apropriado às


pessoas da época atual. Nesse ponto, elas deixam muito a desejar em relação às
pessoas de antigamente. Encontro com muita gente no dia-a-dia, mas posso afirmar
que, entre dez pessoas, não existe uma sequer que se distinga pela civilidade. Os
membros da nossa Igreja, sem dúvida, são bem diferentes das outras pessoas, mas,
como no relacionamento entre eles eu vejo que ainda há pontos que deixam a
desejar, gostaria que aprimorassem ainda mais.
Numa vida social tão complicada como a de hoje, não é possível praticar a civilidade
como desejamos. De certa forma é impossível. Mesmo assim, devemos tomar muito
cuidado, pois, levados por um conceito errado de democracia, muitos jovens não
levam em consideração a diferença entre superior, médio e inferior, e isso é um
problema. Realmente, o antigo princípio de discriminação das classes militar,
agrícola, industrial e comercial estava errado, mas ações igualitárias como as da
atualidade também estão erradas. Principalmente a forma pela qual é efetuada a
educação escolar é realmente lamentável. Vejo, freqüentemente, os jovens caírem
na libertinagem pelo excesso de liberalismo e pela ausência da distinção entre
professores e alunos. Nesse sentido, os professores também têm muitos pontos que
devem ser objeto de reflexão. Evidentemente, a forma militar dos tempos antigos
não é boa, mas o relaxamento atual também não é bom. Em suma, o essencial é
não cair nos extremos, obedecer aos limites, mantendo-se no centro. Nem é preciso
dizer que a diretriz da Educação deve estar centralizada neste ponto. Isso significa
civilidade. Como essa afirmação já vem desde os tempos antigos, o homem
moderno também deve proceder de forma que não sinta vergonha de seus atos.
Jornal Eiko nº 102, “O Caminho que reduz os sofrimentos e o Caminho da
Civilidade” – (02/05/51)

“A confusão existente no Mundo Material é uma conseqüência do menosprezo


da civilidade.”

O Japão, assim como todos os países que se dizem civilizados, é regido por leis.
Entretanto, a realidade nos mostra que essa não é a forma ideal para se governar
uma nação. Através da História, vê-se que é difícil exterminar os crimes somente
com o poder das leis. Como não se consegue eliminar todo o mal do homem, os
crimes são inevitáveis; conseqüentemente, só a Religião poderá trazer a verdadeira
solução para o problema. Contudo, casos que exigem soluções imediatas não
poderão ser resolvidos apenas por meio dela. Por esse motivo, em primeiro lugar é
preciso ensinar ao homem o Caminho. Refiro-me ao Caminho Perfeito e à lógica.
Embora o assunto se assemelhe à antiga moral oriental, o que agora desejo
anunciar é uma moral nova e progressista. Sou levado a isso pela evidente
decadência moral da sociedade contemporânea, onde saltam aos nossos olhos a
corrupção dos jovens, o aumento do índice de criminalidade e outros fatos. Até
mesmo os intelectuais já estão percebendo a situação, tanto assim que aconselham
a volta ao ensino da Moral nas escolas e a elaboração de algo que preencha as
falhas da Educação. O assunto tem servido de tema para várias discussões, e é
muito animador constatar a existência de uma preocupação nesse sentido.
Após a Segunda Guerra Mundial, os japoneses ficaram sem qualquer apoio, não
tendo a que recorrer. O resultado é que aumentou o número de criaturas
desorientadas. Até o fim da guerra, em todas as escolas do país, o ensino tinha por
base a Moral, as sábias palavras do Imperador e também a lealdade e o amor aos
pais, profundamente enraizados no coração do povo japonês desde épocas antigas.
É inegável, portanto, que a sociedade daquela época era muito mais honesta e
sincera que a da época atual. Mas nem por isso devemos revitalizar essa velha
moral; torna-se imprescindível criar uma ordem moral para a Nova Era. Após a
guerra, estabeleceu-se a democracia no Japão, e assim nos libertamos do
despotismo. Isso foi muito bom; pena é que se tenha ido além dos limites e chegado
à situação presente, ou seja, a uma sociedade predisposta à anarquia. Sendo assim,
urge formar uma nova idéia moral que esteja em conformidade com a época,
eliminando o que há de mau e aproveitando o que há de bom no antigo e no novo
pensamento. É necessário construir um novo espírito japonês, semelhante ao do
cavalheirismo inglês, por exemplo. Para tanto, como expus acima, a base é o
Caminho, cuja noção deve ser intensamente apregoada, não só no ensino como na
sociedade. Se conseguirmos, com isso, diminuir uma parte que seja do mal social,
ficaremos muito satisfeitos.
Dando uma explicação mais compreensível sobre Caminho, isto é, o Caminho
Perfeito, devo dizer que se trata de algo aplicável a todas as coisas; ou melhor, ele é
a bússola orientadora da conduta humana. Seguindo o Caminho, o homem não terá
insucessos nem desgraças, tudo lhe correrá bem. Gozará de maior confiança, será
respeitado e amado pelo próximo e, logicamente, ficará em situação de harmonia e
de paz. Na medida em que aumentar o número de indivíduos e de lares com tais
características, o mal social irá diminuindo cada vez mais, graças à influência
exercida por eles.
Por esse motivo, se continuarmos apoiando-nos apenas nas leis, como fazemos
atualmente, crescerá o número de indivíduos espertos e malvados, os quais pensam
que lhes basta agir de modo a não caírem nas mãos da Justiça. Em outras palavras,
Deus, como sempre digo, é o Caminho Perfeito; adorara Deus significa seguir o
Caminho. Portanto, o homem que se submete ao Caminho Perfeito e por ele é
regido, é um verdadeiro homem civilizado.
Este artigo, eu ofereço aos intelectuais do mundo inteiro.
Alicerce do Paraíso, “Nação Regida pelo Caminho” – (07/02/51)

“O país que mantém a civilidade e a ordem é a “Terra da Paz” anunciada por


Deus.”

O conhecido adágio “Deus é Ordem” deve ser lembrado como algo que exerce vital
importância sobre tudo que existe.
Em primeiro lugar, observando o movimento de todas as coisas do Universo,
verificamos que tudo se desenvolve dentro de perfeita harmonia. Tomemos como
exemplo as estações do ano. Elas se repetem infalivelmente todos os anos,
seguindo a mesma ordem: primavera, verão, outono e inverno. As flores
desabrocham nesta seqüência: ameixeiras, cerejeiras, glicínias, íris... Assim, a
Natureza nos ensina a ordem. Se o homem a desconhecer ou for indiferente a ela,
nada lhe correrá bem. Os obstáculos serão freqüentes, resultando em confusão. Até
hoje, no entanto, a maioria dos homens não têm respeitado a ordem, o que se pode
desculpar pelo fato de não ter havido quem lhes ensinasse as más conseqüências
desse desrespeito.
Vou expor, resumidamente, o que todos devem saber sobre o tema em questão.
Todos os fenômenos do Mundo Material são reflexos do Mundo Espiritual; ao mesmo
tempo, os fenômenos do Mundo Material também se refletem no Mundo Espiritual. A
ordem é o caminho e também a Lei. Perturbar a ordem, significa desviar-se do
caminho; violar a Lei, é faltar à civilidade.
Na vida cotidiana, existem ordens que o homem deve respeitar. Entre os membros
de uma família há diferenças de comportamento. Para nos sentarmos numa sala,
por exemplo, devemos considerar como lugar de honra a parte mais elevada, onde
se colocam objetos de adorno; faltando essa parte, o lugar de honra é o local mais
afastado da entrada. Quando os membros de uma família ocupam os devidos
lugares, sentando-se o pai próximo ao lugar de honra, depois a mãe, o primogênito,
a primogênita, o segundo filho, a segunda filha, etc., cria-se um ambiente
harmonioso. O desrespeito à Lei não trará boas conseqüências, mesmo num regime
democrático.
Suponhamos uma ponte sobre um rio, a qual só dá passagem para uma pessoa de
cada vez. Se várias pessoas tentarem atravessá-la ao mesmo tempo, haverá
confusão e todos se precipitarão no rio. É absolutamente necessário que as pessoas
atravessem uma de cada vez, ou seja, é preciso que haja ordem.
Outro exemplo: quando recebemos visitas, as poltronas e os lugares variam de
acordo com o grau de amizade e posição, o mesmo acontecendo com os
cumprimentos. Se isso for observado, tudo correrá em perfeita harmonia e não se
causarão impressões desagradáveis. Também há diferença de atitudes e diálogos
entre moços, velhos e crianças. O essencial é causar sempre boa impressão ao
próximo.
Em algumas famílias, os pais dormem no térreo, reservando o andar de cima para
os filhos e empregados. Isso é um erro: nessas famílias, os filhos e os empregados
tornar-se-ão desobedientes. Também a esposa deixará de ser dócil e submissa,
quando dormir mais próximo ao lugar de honra do que o marido.
Falemos agora sobre as imagens religiosas.
Quem entroniza Deus ou Buda no térreo e dorme no andar superior, está colocando-
os abaixo do homem. É preferível deixar de entronizá-los, porque, além de impedir
as graças, isso constitui uma ofensa. O mesmo se aplica ao Altar dos antepassados.
Será uma grave ofensa colocar os descendentes acima dos antepassados, pois os
fenômenos terrestres se refletem no Mundo Espiritual, destruindo a harmonia que
deve ser mantida entre os dois mundos. (...)
Alicerce do Paraíso, “Respeite a Ordem” – (25/01/49)

“É realmente nobre o homem que, livre de todas as limitações, vive de acordo


com a sua vontade, mas sem ultrapassar essas limitações.”

Tudo, na vida humana, principalmente a nossa fé, tem de ser versátil (“enten-
katsudatsu”), livre e desimpedido (“jiyu-mugue”). “Enten” significa “a roda gira”. Se a
roda possui arestas, não pode girar. Com muita razão se diz: “Aquela pessoa perdeu
as arestas porque sofreu muito.”
Entretanto, mais do que possuir arestas, existem pessoas que se assemelham ao
“konpeito” (doce cheio de ângulos). Ao invés de rodarem, vivem se enroscando em
toda parte. Há outras que sofrem dentro do molde criado por elas próprias, o que é
desculpável, quando se limita a elas próprias; mas há quem considere boa ação
atormentar o próximo, encurralando-o dentro desse molde.
Os exemplos que citamos são característicos da fé “Shojo” e não se limitam à
Religião. A vida dessas pessoas cheira a mofo e causa náuseas.
“Jiyu-mugue” significa “não criar formas, normas e mandamentos” e, por extensão,
“ser completamente livre de todas as limitações”. Devo lembrar-lhes que não se trata
de anarquia, e sim, da liberdade que respeita a liberdade alheia.
Sendo “Daijo”, a Fé Messiânica difere muito da fé “Shojo”, cujos preceitos são tão
rigorosos que ela própria não consegue cumpri-los. Eles são cumpridos apenas
superficialmente, não na sua essência. Essa duplicidade de ação gera fracasso e, ao
mesmo tempo, constitui um mal, porque dá origem à hipocrisia. Sendo assim, as
pessoas de fé “Shojo” são aparentemente boas, mas interiormente ruins. Ao
contrário, as de fé “Daijo” sentem-se mais livres, alegres, sem necessidade de
camuflagem, porque sabem respeitar a liberdade humana; nelas, a hipocrisia não
tem lugar. Esta é a verdadeira e grata Fé Messiânica. Em outras palavras, as
pessoas de fé “Shojo” sofrem de mania de grandeza, tornam-se megalomaníacas,
porque caem, sem querer, na hipocrisia. Isso as torna insuportáveis e antipáticas.
Além disso, elas diminuem-se, ao invés de engrandecer-se. Chamamos de “homem
limitado” a esse tipo de pessoa.
Na ocasião de levantar alguma construção, por exemplo, divirjo sempre do operário
que se preocupa somente com a beleza exterior. Como isso, de certo modo, causa
má impressão, faço-o corrigir as suas falhas. O mesmo se aplica aos homens. Os
que procuram ser modestos, são sempre mais respeitados, porque parecem mais
nobres. Portanto, os que professam a nossa Fé, devem tornar-se alvo de um
respeito sincero.
Alicerce do Paraíso, “Fé Messiânica” – (20/04/49)

“O homem tem um caminho a percorrer e um trabalho a realizar.


É preciso que ele se acautele, para não se deixar levar pelas ilusões.”

(...) Mais tarde, quando iniciei meus trabalhos religiosos, julguei necessário aplicá-lo
à Religião. Isto significa ampliar o campo religioso de modo que abranja a vida em
geral. Então, o político não cometeria injustiças, porque, visando à felicidade do
povo, promoveria uma boa administração, granjeando, assim, a confiança de todos.
O industrial obteria a admiração da coletividade, pois exerceria a profissão
honestamente; seus negócios progrediriam com segurança, porque ele mereceria a
estima de seus empregados, que seriam fiéis no trabalho. O educador seria
respeitado e teria notável influência sobre seus discípulos, educando-os com bases
sólidas. Os funcionários e os assalariados em geral subiriam de posição, porque a
Fé produz bom trabalho. A alma do artista irradiaria de suas obras, com grande
elevação e força espiritual, exercendo influência benéfica sobre o povo. O ator, no
palco, manifestaria nobreza, porque suas representações seriam baseadas na Fé, e
os espectadores receberiam o reflexo de seus sentimentos elevados. Entretanto,
isso não significa que as coisas se processassem com rigidez didática: tudo deveria
ser agradável e atraente.
É fácil imaginar como melhoraria o destino dos indivíduos e como eles se tornariam
úteis à sociedade, se seus atos fossem iluminados pela Fé, qualquer que fosse sua
profissão ou situação.
Haveria, certamente, um cuidado especial: o pragmatismo religioso não deveria
transformar-se em fanatismo, pois todo exagero é desagradável. A ostentação
religiosa é uma das piores coisas que há. Existem muitas criaturas que exibem
atitudes de religiosidade. Isso aborrece os outros. O ideal é ser natural, ser uma
pessoa simples, pondo apenas mais gentileza e nobreza nos atos. Em uma frase:
ser polido, eliminando a fé grosseira. Alguns devotos têm atitudes que lembram as
dos psicopatas. São extremamente subjetivos, fazem do lar um ambiente triste,
importunam os vizinhos e suscitam desconfiança sobre a religião que seguem. A
culpa, no entanto, é de quem os orienta; por isso, o ato de orientar requer muita
prudência.
Alicerce do Paraíso, “Pragmatismo” – (25/01/49)

“O liberalismo que não se baseia na civilidade é falso.”

Como sempre me fazem perguntas sobre predestinação e destino, explicarei a


diferença entre ambos.
A predestinação é algo atribuído a uma pessoa em caráter definitivo, e de maneira
alguma pode ser mudada. Já o destino é livre, dentro dos limites da predestinação,
e, dependendo do esforço de cada um, pode-se atingir o nível mais alto ou, ao
contrário, decair ao nível mais baixo.
O liberalismo, que hoje se tornou alvo da atenção de tantas pessoas, é muito
semelhante ao destino. O verdadeiro liberalismo está restrito a certos limites. É
impossível existir a liberdade infinita; a verdadeira liberdade é aquela que tem
limites. Assim, quando ultrapassamos esses limites, não só invadimos e
prejudicamos a liberdade dos outros, como também nos tornamos traidores da
cultura. Pela mesma razão, quando ultrapassamos os limites do destino,
invariavelmente fracassamos.
Alicerce do Paraíso, “Destino e Liberalismo” – (25/01/49)
O M U N D O D E PAZ

“Detestar o conflito e amar a paz. Este é o espírito da Grande Harmonia criada


por Deus.”

Baseado na atual conjuntura, desejo tecer considerações a respeito da política


nacional que o Japão precisa adotar daqui para frente. Antes, porém, tenho que falar
sobre a missão da nação japonesa.
Deus, para governar o mundo, concedeu a cada país uma missão específica.
Evidentemente, o Japão não constitui exceção. Como a missão que lhe cabe não
estava esclarecida até o presente momento, foram praticados os mais gritantes
erros, decorrentes da interpretação caprichosa do homem. O resultado foi a nação
caótica que vemos atualmente.
Analisando a história do Japão, evidencia-se que, desde a antigüidade, têm surgido
grandes heróis e guerreiros, a maioria dos quais, utilizando-se da violência chamada
guerra, enfeixou o poder em suas mãos. Em quase todos os lugares, podemos ver
os males e crimes que eles cometeram, devastando territórios e fazendo o povo
viver na pior das agonias. Em poucas palavras, pode-se afirmar que a história do
Japão não passa do registro de uma disputa de poderes entre os dominantes. É fato
real, sem margem de dúvida, que a maior e a última dessas disputas foi a Segunda
Guerra Mundial. Desde que o Japão foi instituído como nação, seu povo tem sido
muito sacrificado, vítima dessa situação conflitante. Vê-se, portanto, que não houve
absolutamente história do povo.
Todavia, durante esse longo período, também houve épocas pacíficas de tempos em
tempos. Nos períodos Assuka (592-707), Hakuho (646-723), Tempyo (710-797),
Heian (801-899), Ashikaga (1338-1573), Kamakura (1205-1333), Momoyama (1574-
1600), Guenroku (1688-1704), Kyoho (1763-1782), Bunka (1804-1817), Bunsei
(1818-1829) e Meiji (1868-1911), apesar de sua curta duração, desenvolveu-se uma
cultura pacífica, da qual foram preservadas até hoje algumas heranças. São quadros
que retratam sua época, esculturas, objetos artesanais, etc. O fato de haverem sido
criadas tantas peças artísticas maravilhosas em tão curto período de paz – peças
que ainda hoje podemos apreciar – mostra-nos a elevada tendência dos japoneses
para o Belo.
Outro ponto a ressaltar é a natureza do Japão. Todos os turistas que o visitam ficam
admirados, dizendo que nenhum país tem paisagens tão puras e lindas como as
japonesas. É também um dos países mais ricos em espécies de ervas, árvores e
flores. Além disso, dizem que, no Japão, a variação das estações é incomparável,
evidenciando-se nas transformações das montanhas, rios, gramas e árvores, nas
flores da primavera, no verde do verão, no bordo do outono, na queda das folhas
durante o inverno e em outros aspectos, cada qual expressando a beleza de sua
estação.
É também característica a arte e a técnica dos japoneses na utilização da beleza
natural da madeira e outros materiais nas construções. As artes plásticas e o
artesanato são muito apreciados pelos estrangeiros, seja a pureza e riqueza das
pinturas, os característicos “makiê”, as cerâmicas e outros objetos.
Quioto e Nara escaparam aos bombardeios aéreos durante a guerra graças ao
trabalho do Professor Langdon Warner (1881-1955), que se empenhou na
preservação das duas cidades pela compreensão que tinha da arte japonesa, não
obstante ser estrangeiro.
No que se refere aos produtos alimentícios, a grande quantidade de alimentos
provenientes do mar, as verduras variadas e a técnica da culinária também
evidenciam uma cultura muito característica, que vivifica o sabor natural das coisas.
Refletindo sobre tudo isso, pode-se perceber qual é a missão inata do Japão: por
meio da beleza natural e da beleza criada pelo homem, cultivar o espírito de nobreza
do ser humano, dar-lhe tranqüilidade e fortalecer-lhe o desejo de desfrutar da paz.
Em termos mais concretos, tornar-se o jardim público do mundo e a fonte de toda e
qualquer expressão do Belo.
Entretanto, em que situação nos encontramos! Ao invés de cumprir sua verdadeira
missão, o Japão viveu por longo tempo sob a bandeira do militarismo, sem voltar sua
atenção para mais nada. Uma vez que despertem para o significado de sua missão
e reflitam profundamente, os japoneses poderão compreender o quanto estavam
errados. A situação inédita em que o país se encontra, obrigado a dispensar os
armamentos militares em conseqüência da derrota sofrida na guerra, só pode ser
determinação de Deus para fazê-lo entender sua verdadeira missão. A propósito da
inexistência de forças armadas, talvez haja, entre os japoneses, pessoas que se
preocupam com o futuro da nação, mas acredito que seja uma preocupação
desnecessária. Isto porque, se o Japão se tornar o parque público do mundo,
incorporando o Bem e o Belo e apresentando-se como um jardim paradisíaco,
embora ocorra uma guerra, os inimigos, e muito menos os aliados, não teriam
coragem de destruí-lo. (...)
Alicerce do Paraíso, “A bússola da reconstrução do Japão” – (30/05/49)
“Na sagrada Era de Miroku, os países manterão um relacionamento tão bom
uns com os outros, que parecerão constituir um só país.”

(...)Primeiramente, vou explicar pelo aspecto internacional. As fronteiras de cada


país continuarão como atualmente, mas, na realidade, será como se tivessem sido
abolidas. Já que o poder de cada país será igual ao dos países vizinhos, jamais
haverá invasões, ou melhor, não haverá necessidade de invasão.
Até hoje, havia dois tipos de invasão: a necessária e a desnecessária. No primeiro
caso, a população de determinado país aumenta cada vez mais, e o seu território
fica limitado, sendo necessário o escoamento da população excedente. Se não
houver um país que a receba de boa vontade, será preciso consegui-lo de qualquer
maneira. Assim, a guerra torna-se inevitável.
No Mundo de Miroku, esses fatos jamais acontecerão. Isso porque existem muitos
países com vastas terras e população escassa, e mesmo existindo um país como o
Japão, de pouca extensão territorial e excesso de população, a solução será
simples. Haverá a Assembléia Mundial e qualquer problema será resolvido depois de
ser cuidadosamente examinado. Sem dúvida, não haverá interesses egoísticos de
um só país, como existe hoje; por isso, qualquer medida, desde que seja correta,
será executada em harmonia. Quanto à população excedente, em um ano, mais de
dez mil pessoas serão distribuídas igualmente em cada nação, sem a necessidade
de conflito. Essa seria a Assembléia Internacional do Mundo de Miroku, mas cada
país terá a sua própria Assembléia Nacional, só que diferente das de hoje. Seus
membros se caracterizarão pela responsabilidade, não terão concepções egoísticas,
e qualquer assunto será resolvido com amor universal e humanitário. Portanto, não
haverá cenas de discussão dos prós e contras nem tumultos. Tudo será decidido
rapidamente, só com explicações e em perfeita harmonia. Até mesmo no que se
refere ao tempo, não chegará a um décimo do que se gasta hoje. Por esse motivo, a
Assembléia se reunirá uma vez a cada três meses, e cada reunião terá a duração de
três dias, realizada só em meio período por dia. Existe também um motivo para isso.
Aquilo que se chama lei será em número bem reduzido. Nem é preciso dizer que a
lei é irrelevante para o homem de bem, sendo necessária apenas para os homens
maus. Surgindo um mundo sem pessoas más, é natural que fique assim.
Imaginando esse tipo de Assembléia e observando as assembléias atuais, o que
acham? Podemos dizer, sem constrangimento, que as da atualidade são locais onde
se reúnem pessoas selvagens, embora cultas.
Falando de outro ângulo sobre a Assembléia Mundial, a chamada Nação
Internacional que está sendo sugerida ultimamente pelos Estados Unidos, tem
relação com isso, e o aparecimento dessa tese é um sinal de que está se
aproximando o Mundo de Miroku. Pode-se pensar que a Assembléia Mundial é a
assembléia de hoje ampliada mundialmente. Sem dúvida, o líder será igual ao
Presidente atual, ou seja, teremos um Presidente Mundial. Seu mandato será de três
anos. Naturalmente, entre os membros da Assembléia de cada país, será escolhido
um comitê que depois escolherá o Presidente. Esses membros serão proporcionais
ao número de habitantes do país, ou seja, esses serão os membros da Assembléia
Mundial.
Falarei agora sobre a questão do invasor. Nessa época, nenhum país terá poder
armamentista, de modo que não haverá possibilidade de guerra. Como eu falei
anteriormente, a regulamentação populacional e tudo o mais poderá ser feito
racionalmente e sem brigas. Portanto, não há necessidade de escrever sobre isso.
Jornal Eiko nº 137 – (01/01/52)
“Quão vazio é o homem que aprecia o conflito! Ele ainda possui resquícios de
selvageria.”

A seguir, falarei sobre a guerra. Ao fazer-lhe críticas, quero deixar claro que ela é
uma relíquia da esplêndida era bárbara, e relíquia da pior qualidade. Isso porque,
originariamente, o selvagem está muito próximo da besta, ou melhor, ele é metade
animal e metade homem. Analisando o homem civilizado da atualidade, descobrimos
que, interiormente, não existe grande diferença. Exteriormente, ele é bem civilizado,
sem dúvida, não se notando o mínimo de selvageria; mas resta uma grande
quantidade de características selvagens no fundo do seu coração, representadas
pelo espírito belicoso. Atualmente, o confronto de duas grandes potências, os
Estados Unidos e a União Soviética, é como se fosse o tigre e o leão olhando-se
furiosamente e mostrando-se as garras, prontos para se atacarem. A única diferença
é que, entre os seres humanos, todas as coisas se desenrolam com inteligência.
Possuindo a arma do progresso e organização coletiva, eles elaboram as estratégias
esperando apenas a chegada do momento. Entretanto, são piores que os animais,
pois o tigre e o leão se contentam com a morte de um dos dois, mas os homens não.
Eles colocam em segurança apenas o cabeça e, sacrificando milhares de vidas,
definem a luta; por conseguinte, tanto a parte que vence como a parte que perde,
constroem uma montanha de mortos. Falando pelo resultado, em termos de
características selvagens, o homem é superior ao animal.
Em seguida, mostrarei a falta de racionalidade na sociedade atual. Olhando
exteriormente, todos os países têm leis, organização política e econômica, sistema
social, etc. Estão constituídos de forma extremamente satisfatória pela Ciência e
pela inteligência humana, mas as características selvagens dos homens que os
administram manifestam-se em todos os lugares. Uma vez retirada a máscara, a
irracionalidade aparece numa quantidade exorbitante e assustadora. Na política, por
exemplo, observando o estado da Assembléia, pode-se perceber que a linguagem e
as atitudes abusivas não parecem adequadas a uma reunião de pessoas de alto
nível. O tumulto é tão insuportável, que a gente tem a impressão de estar vendo uma
multidão de velhacos. O regime parlamentar está constituído de forma bem racional,
mas também é destruído pelas características selvagens dos seus componentes. Os
membros dos partidos políticos pensam em primeiro lugar no seu próprio benefício,
em segundo lugar no benefício do partido, e em terceiro lugar é que vão pensar no
benefício dos cidadãos. É um assunto problemático, pois essas pessoas se
vangloriam, dizendo-se representantes do povo no Congresso. No caso das eleições
é a mesma coisa. Realmente, as leis e o controle são extremamente rigorosos e
minuciosos, mas isso é apenas na aparência. Na realidade, é considerado esperto
aquele que consegue ludibriar a lei.
E acontece o mesmo no Japão, que está contente por ter se tornado uma nação
democrática. O seu conteúdo é decepcionante, mas ele se jacta de sua autoridade,
não dando a mínima importância à infração dos direitos humanos. É uma situação
que sempre pode ser vista nos jornais. Esse fato antidemocrático é impossível de
ser imaginado por terceiros. Trata-se realmente de uma civilização superficial;
interiormente ela é selvagem, e não há outras palavras adequadas. Além disso,
como é do conhecimento de todos, os problemas de corrupção não passam do pico
visível de um “iceberg”.
Escrevi por alto o que me veio à mente; o restante, os leitores poderão deduzir.
Resumindo, é como falei no início: o mundo atual é civilizado apenas
superficialmente; no seu interior, ainda restam muitas características selvagens.
Portanto, creio que o título deste artigo é bem adequado.
Jornal Eiko nº 201, “A civilização selvagem” – (25/03/53)
“Quando todos os corações se religarem a Deus, será o início da paz mundial.”

(Nidai-Sama)

Uma coisa que eu não consigo entender é a cabeça dos fabricantes de guerras. Isso
não começou agora; existe desde épocas remotas. É um estado psicológico de
pessoas que, pela sua própria ambição, sacrificam numerosas vidas e ficam
indiferentes. Pensem bem. Mesmo quando se mata uma só pessoa, isso é
enquadrado como crime, e o próprio criminoso é atormentado constantemente pela
sua consciência e pelo arrependimento. Freqüentemente ouvimos tais confissões de
indivíduos que cometeram crimes. Apesar de criminosos, eles ainda são de
qualidade melhor. O homem extremamente perverso mata inúmeras pessoas, mas
dificilmente se sente atormentado. Quando o Mal se torna ativo, pode vencer os
Céus. Durante algum tempo o criminoso consegue viver magnificamente, mas
depois começa a decair pouco a pouco, por causa da punição do Mal, e acaba
sendo descoberto. No momento de pagar o tributo, ele estremece de temor do Mal.
Freqüentemente ouço falar que tais pessoas, quando despertam, ao mesmo tempo
que derramam lágrimas de arrependimento, sequer conseguem pronunciar palavras
dignas. Às vezes, há pessoas que, além de não sentirem qualquer tormento, fogem
descaradamente, dizendo impropérios, mas isso é uma exceção.
Com relação à guerra a coisa é diferente. O cabeça não mata diretamente as
pessoas, mas, tendo milhares ou milhões de subordinados, pratica um amplo
assassinato. Além disso, não mata só o inimigo, mas também os amigos. Portanto,
essa ação brutal é absolutamente insuportável. Sem dúvida, ele deve ser um
demônio, ou um animal satânico; não posso expressar o que ele é através de
palavras. E não se trata de mal só pelo fato de ser um assassinato coletivo. Isto
porque, se uma pessoa ou pessoas, ameaçam os povos pacíficos, ou seja,
aficionados à paz por meio da força militar, o fato de impedir que isso aconteça é
uma magnífica e correta forma de defesa. Se ela não atuar rapidamente, o prejuízo
será grande. Por conseguinte, isso não constitui crime.
Seja como for, devemos dizer que os heróis da época em que não se hesitava em
sacrificar inúmeras vidas para satisfazer caprichos pessoais, são realmente
possuidores de cabeças incompreensíveis. Está mais do que claro que, enquanto a
cabeça dessas pessoas não mudar por completo, não será possível concretizar a
paz mundial. Nesse sentido, as atividades realizadas por diversas instituições
pacifistas e por diversas religiões que existem hoje no mundo, naturalmente são
ótimas, mas, para aperfeiçoá-las, não há outro meio senão eliminara brutalidade
existente na cabeça dos heróis atuais. As pessoas poderão dizer que isso é quase
impossível, e o que vem à cabeça de qualquer um deve ser a Religião. Entretanto, já
está mais do que comprovado que as religiões de até agora não servem, por isso é
preciso que surja algo superior a elas, algo denominado X. Quem pensa assim, não
somos apenas nós.
Jornal Eiko nº 101, “A cabeça dos fabricantes de guerra” – (25/04/51)

“Para Deus, todos os povos são Seus filhos, não obstante as diferenças de
feições e cor.”

Doravante, as pessoas precisam ser universais. A propósito disso, existe uma


história interessante.
Logo após a Segunda Guerra Mundial, um ex-militar veio a mim muito nervoso e,
com expressão de ressentimento, falou: “Não entendo de modo algum o motivo da
rendição dos japoneses. É realmente algo inadmissível”. Impressionado por eu não
ter dado importância às suas palavras, perguntou: “O senhor é japonês?” Respondi:
“Não”. Ele ficou muito espantado e, trêmulo, insistiu: “Qual é a sua nacionalidade?”
Eu disse: “Sou universal”. Ouvindo isso, o ex-militar ficou confuso e pediu que eu me
explicasse melhor. O que vou escrever a seguir tem por base a explicação dada
naquela oportunidade.
É errado distinguir um ser do outro identificando-os como japonês, chinês ou de
outra nacionalidade qualquer. Os japoneses daquela época agiam assim. Tendo
vencido as guerras contra a China e a Rússia, começaram a se orgulhar, por se
verem incluídos entre os países do primeiro plano. Não só julgaram, como também
fizeram os outros julgar que o Japão era um País Divino, todo especial. Tais
pensamentos acabaram por gerar a Segunda Guerra Mundial. Por idênticos motivos,
passaram a desprezar os outros povos, como se estes fossem meros animais,
pondo-se a matar pessoas com a maior naturalidade e a invadir as outras nações
como bem entendiam. No final, entretanto, acabaram recebendo uma lição, sendo
derrotados.
A verdade é que enquanto cada povo tiver o pensamento de que, se o seu próprio
país estiver bem, não interessa como estejam os demais, será impossível conseguir-
se a paz mundial. Poderemos entender isso melhor imaginando, por exemplo, um
conflito entre dois estados do Japão. Como o problema ocorre dentro de um mesmo
país, tratando-se, portanto, de conflito entre irmãos, é lógico que será fácil resolvê-lo.
Logo, basta aplicarmos esse conceito em amplitude mundial. É como diz o famoso
poema do Imperador Meiji: “Na era em que consideramos todos os povos irmãos –
inclusive os de além-mar – por que as ondas e os ventos se enfurecem?” É
exatamente isso. Se todos pensassem assim, se a humanidade tivesse esse
sentimento amplo, amanhã mesmo estaria concretizada a paz no mundo. Todos os
países formariam uma só família, não havendo motivo para guerras.
Pensamentos egocêntricos que levam as pessoas a formar grupos que, dizendo-se
defensores de determinada ideologia ou pensamento, consideram os demais como
inimigos, não só geram erros para a Nação, como também constituem um obstáculo
para a paz mundial. Com base no que estou dizendo, é preciso que pelo menos
todos os japoneses, em comemoração à assinatura do Tratado de Paz, tornem-se
universais, libertando-se do pensamento limitado que tiveram até agora e adquirindo
um pensamento amplo, irrestrito. Doravante, entre os pensamentos que dominam a
humanidade, este deverá estar à frente de todos, pois o mundo inteiro precisa de
pessoas que pensem assim.
O assunto muda um pouco, mas também no que se refere à Religião o
comportamento deve ser o mesmo. Já está fora de época criar alas dentro de uma
religião ou de uma seita. Modéstia à parte, a nossa Igreja não é assim. Ela não nos
proíbe contatar com as outras religiões. Ao contrário, esse contato é até motivo de
alegria para nós, visto que, pacifista, ela tem por objetivo harmonizar toda a
humanidade, fazendo dos seres humanos uma só família. Sendo assim,
consideramos todas as religiões como companheiras e queremos dar-lhes as mãos,
caminhando lado a lado com elas.
Alicerce do Paraíso, “Precisamos ser universais” – (03/10/51)

“Se houver entre os homens um sincero espírito de união no sentido de orar


pelo bem do mundo, todos os infortúnios desaparecerão.”

(Nidai-Sama)

Recentemente, foram realizadas duas Conferências Populares de Paz, centralizadas


justamente no Japão, e isso merece menção especial. Uma delas foi a Conferência
dos Budistas Influentes na Ásia, realizada em Tóquio, e a outra, a Conferência
Federal sobre a Paz Mundial, em Hiroshima. Esta foi uma reunião destinada
principalmente às pessoas influentes do cristianismo. Sem dúvida, ambas foram
reuniões de pessoas que objetivam a paz. Parece que o tema em discussão foi a
forma como vêm sendo realizados os pronunciamentos e os movimentos existentes.
Logicamente, trata-se de um plano útil, e não é que não estejamos dispostos a
expressar-lhe o nosso apoio, mas eu gostaria de tecer alguns comentários a
respeito.
Não somente as conferências citadas acima, mas também as atividades da
UNESCO – uma entidade poderosa como movimento pacifista, apesar de não ser de
caráter religioso como as anteriores, e sim um movimento pragmático pela paz
mundial, baseado na Ciência e na Moral – são iniciativas excelentes. Entretanto,
esses movimentos merecem uma reflexão profunda: eles não têm qualquer relação
com os países da Cortina de Ferro. Isso é realmente absurdo, mas o que é que pode
fazei? No momento, os movimentos pacifistas restringem-se aos países fora da
Cortina de Ferro. Portanto, mesmo que eles tenham sucesso, está evidente que não
poderão alcançar a meta esperada. Isto porque seus efeitos contrários ocasionarão
uma situação terrível. Observando a situação atual do mundo, vemos, sem dúvida,
que ela está fundamentada no antagonismo entre os EUA e a URSS. Além do mais,
esses dois países estão se empenhando o máximo na incessante intensificação dos
preparativos para a guerra e, se continuar desse jeito, indiscutivelmente se chegará
a uma situação gravíssima. Sendo assim, a junção dos dois campos será o caminho
da paz eterna, e nem é preciso dizer que, além desta, não há, em absoluto, outra
solução.
Se, por infelicidade, eclodir a Terceira Guerra Mundial, visto que todos os países do
mundo estão filiados a um daqueles dois países, naturalmente todos vão ser
envolvidos; por menor que seja o país, será impossível ele ficar na neutralidade. Só
de imaginar, já ficamos arrepiados. Por isso é que se tornam necessários os
movimentos pela paz. Mas aqui há um ponto muito importante, do qual devem se
conscientizar. Através desses movimentos, à medida que a atmosfera de paz se
tornar mais densa em todos os países situados fora da Cortina de Ferro, logicamente
eles deixarão de se preocupar com a preparação de armamentos. Em contrapartida,
os países pertencentes à Cortina de Ferro irão aperfeiçoar os armamentos a seu bel-
prazer. Dessa maneira, no momento decisivo, os países fora da Cortina certamente
serão arrasados com facilidade. Eu gostaria que pensassem como seria nessa
ocasião. Certamente, o ideal dos pacifistas desapareceria imediatamente, e não
sabemos que tragédia poderia ocorrer. Segundo recente notícia do exterior, uma
seita cristã, não se importando absolutamente com a questão de ganhos ou perdas,
declarou ser totalmente contra o armamento; firmando-se nessa posição, não há
quem a convença. Certamente isso também não está errado. Sem dúvida, do ponto
de vista religioso, está correto, mas, se porventura o país for arrasado, o que
acontecerá? Naturalmente, não mais será possível fazer a difusão da Fé. Portanto, o
princípio extremado contra a guerra não é senão o princípio de derrota na guerra. É o
princípio do suicídio. Mesmo assim, não posso determinar a sua conveniência ou
inconveniência. Isto porque, tanto os atuais distúrbios como a crise do mundo são a
manifestação profundado Plano de Deus. Como digo sempre, o Plano de Deus não
é tão simples a ponto de ser compreendido através da inteligência ou da razão do
homem. A sua profundidade é ilimitada e realmente impenetrável. Ainda que se
consiga compreendê-lo e se tente explicá-lo, de nada adiantará, pois ele é
incompreensível por meio do cérebro humano. Há um ensinamento da Religião
Oomoto que diz: “Há várias maneiras de realizar um trabalho; portanto, esperem
pela conclusão para depois criticar”. Acho que estas palavras são realmente
adequadas.
Jornal Eiko nº 184, “Pensemos sobre o Princípio da Paz” – (26/11/52)
JUSTIÇA

“Desde tempos remotos, sempre houve interferência do Mal sobre aqueles que
agem baseados na Justiça.”

Desde a antigüidade, costuma-se dizer que os obstáculos são inerentes à Religião.


O maior deles, talvez, tenha sido aquele que foi imposto a Cristo. Os obstáculos
impostos a Buda por Daiba também são famosos. No Japão, registram-se os de
Honen, Shinran, Nitiren e outros, os quais são do conhecimento de todos. Mais
próximo de nossos dias, podemos citar as pressões feitas às Igrejas Tenri-kyo,
Oomoto-kyo, Hito-no-Miti, etc. Nossa Igreja também não constitui exceção; já foi
pressionada inúmeras vezes, enchendo as páginas dos jornais, onde ocupou o
desagradável lugar de honra entre as religiões novas. O interessante é que, quanto
mais brilhante se anunciar o futuro de uma religião e quanto mais alto for o seu valor,
maiores serão os obstáculos enfrentados por ela. Vou explicar por quê.
Pela Lei do Espírito Precede a Matéria, as divindades do Mundo Espiritual,
cumprindo as determinações de Deus, procedem à salvação da humanidade através
das religiões, de acordo com o tempo, o lugar e o povo. O cristianismo, o budismo e
o islamismo são os exemplos mais importantes. Naturalmente, toda religião ensina o
bem e tem como objetivo transformar o mundo em Paraíso. Isso é ótimo para os
homens, mas, para os demônios, é justamente o contrário, pois seu objetivo é criar
homens maus, a fim de construir uma sociedade infernal, repleta de angústias e
sofrimentos. Para atingir esse propósito, eles lutam incessantemente com as
divindades. Essa é a realidade do Mundo Espiritual, que se reflete no Mundo
Material, e por isso este é um mundo diabólico, como podemos constatar.
Para um pequeno bem, surge uma ação contrária praticada por um demônio de
pouca força; para um grande bem, surge a ação de um demônio muito poderoso.
Assim, a Igreja Messiânica Mundial vem enfrentando contínuos obstáculos
provocados pelos chefes do mundo satânico. Sendo ela a mais elevada de todas as
religiões que já existiram desde o começo da História, aquele mundo está em
pânico. Para mim, o fato não requer maiores explicações, mas os messiânicos de
todos os lugares podem comprová-lo, em parte, através de encostos espirituais ou
fenômenos semelhantes. Atualmente, os demônios que atuam com mais força são o
chefe dos dragões vermelhos e o chefe dos dragões pretos; utilizando-se de seus
sequazes, eles estão criando obstáculos em conjunto. Essa luta é travada de uma
forma que vai além da imaginação. Gostaria de escrever tudo a respeito, porém,
como não tenho permissão de Deus, deixarei para uma próxima oportunidade,
quando tiver chegado o tempo certo. Entretanto, por mais que os chefes dos
demônios tentem nos atrapalhar, nós temos ao nosso lado o Supremo Deus, o qual
manifesta um poder absoluto; mesmo que estejamos perdendo a batalha por uns
instantes, no final sairemos vencedores, não havendo, portanto, motivo para
preocupação. O sofrimento até lá será intenso, mas percebe-se claramente que
estamos crescendo de forma considerável, apesar dos contínuos obstáculos.
Convém conhecer a característica dos demônios. Eles possuem uma persistência
assustadora e, ainda que falhem inúmeras vezes, não se arrependem nem desistem
de seus objetivos de maneira nenhuma. Tentam atingir-nos por estes e aqueles
meios, insistentemente, utilizando-se de artifícios que nem podemos imaginar. Não
há adjetivos para definir sua impiedade, barbárie e crueldade. No entanto, sendo
esta a própria natureza dos demônios, o que fazer? Os mais poderosos escolhem e
encostam nas pessoas que ocupam posições de destaque na sociedade, nos
intelectuais e nos jornalistas. Todo mundo ficaria aterrorizado se conhecesse a
extensão desta verdade.
Embora a luta entre Deus e esses terríveis demônios seja travada incessantemente,
não tomamos conhecimento dela, por se tratar de um fato ocorrido no invisível
Mundo Espiritual. É por esse motivo que o homem – o Rei da Criação – é manejado
como se fosse um boneco. Estando diretamente relacionado com o assunto,
entendo perfeitamente essa luta, mas creio que é difícil alguém compreender o meu
estado espiritual em relação a ela, pois às vezes sinto medo, e às vezes acho graça
e até me divirto.
A luta entre o Bem e o Mal, na Obra Divina, nunca foi tão intensa e variada como
atualmente. Ela constitui uma grande peça teatral formada de verdades e falsidades,
a qual só pode ser qualificada de misteriosa. Há, porém, um fato muito importante a
considerar: a grande transformação do mundo. Na luta travada até hoje entre Deus e
o demônio, quando Deus cedia algum terreno, porque se estava na Era das Trevas,
era necessário bastante tempo para Ele reconquistar o que perdera; agora, como
todos os fiéis sabem, esse tempo está se encurtando consideravelmente.
Encontramo-nos na transição para o Mundo do Dia, e a força dos demônios está
enfraquecendo cada vez mais. Por essa razão, a rapidez com que vem se efetuando
a reconquista, em algumas ocasiões até nos traz vantagens, e a realidade nos
mostra isso.
Em maio do ano retrasado, recebemos um golpe que, por um momento, parecia fatal
à nossa organização. Pensamos até que jamais conseguiríamos nos recuperar.
Hoje, porém, passados apenas dois anos, o progresso da construção dos protótipos
do Paraíso Terrestre, em Hakone e Atami, e a expansão da Fé são tão grandes
como ninguém poderia imaginar. Essa é uma prova de que o poder de Deus está
sendo manifestado com maior intensidade e de que estamos a um passo do advento
do Mundo do Dia. Logo virá o tempo em que a Igreja Messiânica Mundial será
procurada pelo mundo inteiro. Portanto, uma vez que ela desenvolve uma obra tão
grandiosa para a salvação da humanidade, acho até natural que enfrente obstáculos
de grandes dimensões.
Alicerce do Paraíso, “Religião e obstáculo” – (03/09/52)

“Vou lutar, durante toda a minha vida, contra os planos traçados pelo Mal para
destruir este mundo.”

Desde tempos antigos se diz que, na sociedade humana, quase não existe local nem
época onde não se registre a luta entre o Bem e o Mal. Temos desde as lutas de
grandes proporções, como as de âmbito internacional, até as de pequenas
proporções, como as que ocorrem no lar de quase todas as pessoas. Naturalmente,
no mundo religioso é a mesma coisa. A nossa Igreja, também, até um certo período
se empenhará em salvar o homem da doença, da pobreza e do conflito,
considerando ser este um tipo de luta absolutamente inevitável. Os fariseus, por
obstinação, usando esse e aquele meio, tentaram atrapalhar o progresso da nossa
Igreja armando conflitos. Essa realidade é sem dúvida a luta entre o Bem e o Mal; é
o combate entre Deus e Satanás; é também a guerra entre o Deus Verdadeiro e o
Deus Falso. Provavelmente não há, entre as religiões novas, nenhuma que seja
considerada tão inimiga como a nossa, pelos demônios. E existe um grande motivo
para isso. Como eu acho que todos querem conhecê-lo, vou explicar
detalhadamente.
O Espírito Divino que preside a nossa Igreja, por ocasião da grande transição do
mundo, irá manifestar a força de salvação mundial, o que é uma ameaça sem
precedentes, o último sopro para o Mundo do Demônio. Além disso, se a nossa
Igreja, gradativamente, passa a realizar grandes feitos, o demônio irá sendo
encurralado, pressionado a escolher definitivamente um dos dois destinos: renovar
os seus sentimentos ou se render. Sabendo disso, ele quer escapar, de qualquer
jeito, dessa ameaça. E o resultado é que emprega todo o esforço possível,
praticando atividades sabotadoras. Além do mais, existem não sei quantos milhões
de demônios, sendo quase impossível contá-los. Naturalmente, se há um líder,
também há subalternos divididos em superiores, médios e inferiores, e cada um tem
a força correspondente. O grupo de demônios escolhe as pessoas que parecem ser
úteis para atrapalhar a nossa Igreja e encosta nelas. Logicamente, encosta nos
ateus, nos materialistas, raramente nos espiritualistas; mas estes, quando, por
algum motivo, criam maus pensamentos, também se tornam prisioneiros do
demônio.
Sob o encosto do demônio, o ser humano é utilizado livremente. O meio empregado
é dominar-lhe o cérebro e roubar-lhe o pensamento. Em relação à nossa Igreja, por
exemplo, aos poucos vão surgindo idéias como: “Não sei por que ela me irrita, tenho
antipatia por ela, quero prejudicá-la, quero acabar com ela”. Nos intelectuais o
demônio faz surgir pensamentos de acordo com a sua condição de intelectuais: “É
uma religião supersticiosa, por isso quer fazer acreditar que a destruição é para o
bem da sociedade”.
Existe uma coisa ainda mais interessante. São as nossas publicações impressas.
Todas elas são reportagens boas, não tendo um ponto sequer que mereça críticas.
Se elas forem lidas, os planos do demônio sofrerão um grande revés, razão pela
qual não só ele faz o máximo de esforço para que as pessoas não as leiam, como
também tem muito medo dessas publicações. E isso também acontece porque ele
sofre quando as lê. Esse sofrimento é confessado pelas pessoas que estavam com
encosto do demônio, quando elas renovam o seu sentimento. Aliás, esse é o melhor
teste mental para saber se a pessoa está ou não com encosto do demônio. É só
deixar as nossas publicações num local visível aos olhos: aquele que pegar e ler é
um homem bom; aquele que não olhar, pode-se afirmar sem erro que está com
encosto do demônio. Segundo esse princípio, desde que a pessoa leia as
publicações da nossa Igreja, o espírito negativo se encolhe, o sentimento obstrutivo
se anula. Enquanto não consegue lê-las, a pessoa continua como serva de Satanás
e revolta-se contra Deus. Através desse fato, compreende-se também como a nossa
Igreja é poderosa.
Quero fazer uma advertência sobre o destino daqueles que estão com encosto do
demônio. O Mundo Espiritual logo se tornará dia e, à medida que a purificação se
intensificar, o processo de limpeza será absoluto. A partir daí, não haverá outro
recurso a não ser a destruição do demônio. Isso, em síntese, é o Juízo Final.
Entretanto, o amplo amor de Deus salvará o maior número possível de pessoas.
Assim, para restabelecer o corpo material, Deus expulsa o demônio e, através de
mim, escreve esta advertência.
Jornal Kyussei nº 54, “A luta entre o bem e o mal” – (18/03/50)

“Não temo críticas nem censuras sejam elas quais forem. Tenho a espada para
destruir o Mal.”
Assim como Cristo foi tentado por Satanás e Buda foi atormentado por seu primo
Daiba, no caso da nossa Igreja, Satanás e Daiba também nos espreitam
insistentemente. O interessante é que, com o passar do tempo, os demônios estão
cada vez mais desesperados; atualmente, ele agem com vigor e força leonina. Todos
poderão comprovar a veracidade das minhas palavras através dos fatos que nos
últimos tempos estão sendo freqüentemente publicados pelos jornais. Por isso pode-
se imaginar que a derrota do demônio está iminente, o que significa que estamos
atravessando a véspera do “Fim do Mundo” profetizado por Cristo.
Falando·se em demônio, tem-se a impressão de que seja um só. Na verdade,
existem vários, de grande, médio e pequeno poder. Quanto mais máculas o ser
humano tiver, mais livremente será manipulado por eles, através dos elos espirituais
maléficos. Dessa forma, inconscientemente, o homem tomará atitudes que se
opõem a Deus. Como os demônios vêm agindo à vontade há milhares de anos,
continuam com sua maldade e pensam que nada mudou, porque desconhecem a
transição do Mundo Espiritual. Entretanto, como essa transição está se processando,
é com razão que eles estão confusos e ainda não despertaram.
À medida que o Mundo Espiritual vai clareando, a luz vai se tornando mais intensa.
Quer dizer que está chegando a época de terror para o demônio, pois Luz é o que
ele mais teme; diante dela, ele se encolhe e perde a força de ação. É por isso que
até nas experiências mediúnicas, se não apagarem a luz, esses espíritos não podem
atuar. Só ocorre o contrário quando se trata de um espírito muito elevado. Por esse
motivo, como os espíritos satânicos temem a Luz que emana do Poder de Deus,
fazem tudo para interromper-lhe o fluxo, procurando criar obstáculos para nossa
Igreja.
Alicerce do Paraíso, “Derrota do demônio” – (20/11/49)

“Quem caminha tendo Deus como força e o amor ao próximo como bengala,
não tem nada a temer neste mundo.”

O meio mais eficiente para a avaliação de uma pessoa, é o conhecimento do grau


do seu espírito de justiça. O processo mais correto é determinar o padrão de
honestidade, o senso de responsabilidade e a confiança que ela inspira. Realmente,
creio que o espírito de justiça é a essência do homem. Quem não o possui,
assemelha-se à medusa, vulgarmente conhecida como água-viva, a qual é
destituída de ossos, de modo que não merece confiança alguma.
Devemos distinguir, em primeiro lugar, o certo e o errado das coisas. Se a pessoa
que de nós discorda estiver desorientada, é nosso dever ajudá-la com espírito de
justiça, sem nos intimidarmos. Essa atitude poderá causar momentos amargos em
nossa vida, mas promete a realização dos nossos desejos, não havendo motivos
para preocupação.
Atualmente, o mundo está repleto de pessoas más. Basta a menor distração para
cairmos nas malhas de seus enganos e explorações. Isso provém da falta de um
espírito de justiça inabalável. Minha longa experiência é a melhor prova do que estou
dizendo, e por essa razão vou tomá-la como exemplo.
Na época em que eu era comerciante (antes de me tornar religioso), muitas vezes fui
vítima de embustes e experiências pavorosas. Por felicidade, possuo inquebrantável
espírito de justiça. Lutei contra todos os obstáculos, indiferente às conseqüências
monetárias. O esforço empreendido na preservação da justiça acarretou-me muitas
desvantagens, que felizmente foram passageiras. Com o tempo, a situação
melhorou e acabei por vencer, não só recuperando como ganhando muito mais do
que tinha perdido. Involuntariamente tive três ou quatro casos judiciais, e um deles
vem se prolongando até hoje.
No tempo em que eu vivia na pobreza, uma associação perseguiu-me, aproveitando-
se do seu dinheiro e posição. Com o decorrer do tempo, fui favorecido pelas
circunstâncias e essa associação teve de desistir. Foi o seguinte:
Eu possuía uma fábrica de objetos de fantasia e obtive, em dez países, a patente de
um artigo que teve extraordinária aceitação, propiciando-me um contrato especial
com certa firma. Como o artigo tivesse entrado em moda, recebi uma proposta
sumamente egoísta de uma associação de lojas varejistas de objetos de fantasia,
sediada em Tóquio, a qual me pedia que lhe vendesse uma das duas exclusividades
reservadas àquela firma. Vendo-se rejeitada pela minha honestidade, tentou
boicotar-me com a colaboração de todas as lojas do gênero, a fim de obrigar-me a
ceder. Dois anos de resistência me acarretaram considerável prejuízo, mas a
associação deu-se por vencida e entramos em acordo.
Outro caso interessante foi quando, em protesto contra uma injustiça comercial,
tentei suspender determinada transação. O encarregado, surpreso, disse-me ter sido
eu a primeira pessoa que rompera a tradicional obediência às imposições feitas aos
comerciantes. Reconhecendo que eu estava com a razão, a firma desculpou-se, e o
caso foi resolvido.
Após tornar-me religioso, por diversas vezes passei momentos agitadíssimos, de
sério perigo. Nessa época, bastava a religião ser nova para sofrer pressão e
perseguição. Não havia meios para reagir, e eu padeci bastante. Mas, afinal, a
pressão e a perseguição cessaram, o que prova a vitória da justiça.
Por essas experiências, vemos que, embora o Bem se renda temporariamente ao
Mal, a perseverança assegurará a sua vitória definitiva. Daí a conclusão de que o
homem deve abraçar a justiça e marchar destemidamente, tornando-se, assim,
sustentáculo da comunidade, baluarte contra o mal social e construtor de uma
sociedade sadia, porque Deus não deixará de ajudar os justos, como jamais deixou.
Alicerce do Paraíso, “O valor do homem reside no seu espírito de justiça” –
(10/10/51)

“Aquele que nada tem de que se envergonhar perante os Céus e nada a temer
na Terra, é o verdadeiro filho amado por Deus.”

Que é Religião?
Religião, evidentemente, não é uma interpretação complicada de doutrinas e
filosofias religiosas. Seu objetivo é a formação de homens perfeitos. Estas palavras
tão simples resumem a resposta, mas na prática isso é difícil de realizar. É
exatamente como disse Confúcio (552-479): “Falar é fácil; fazer é que é difícil”.
Vou explicar qual é a dificuldade.
A maioria das pessoas pensa que ninguém consegue fama ou riqueza apenas com
honestidade, julgando inevitável a utilização de alguns meios ilícitos. Além disso,
quase todos preferem os maus divertimentos aos bons. Esse falso critério
prevaleceu durante milhares de anos e acabou se transformando em senso comum.
Embora houvesse muitas tentativas por parte da lei e da educação moral visando a
melhorar a sociedade, os resultados foram insignificantes.
A Religião é o último recurso que possuímos; entretanto, devemos considerar que a
diferença de força, no campo religioso, influi enormemente. Uma religião de pouco
poder não consegue vencer o Mal. Eis por que seus seguidores também não
conseguem deixar de agir erradamente. Torna-se, pois, necessário o aparecimento
de uma poderosa religião capaz de vencer o Mal. Só assim teremos um mundo
harmonioso e uma boa sociedade. Isso é o que chamamos de Justiça aliada à Fé.
Alicerce do Paraíso, “Fé é justiça” – (03/06/50)

“Devemos caminhar de acordo com a Vontade de Deus, mesmo que, pela ação
do Mal, nosso caminho se estreite.”

Mesmo no caso de más propagandas, pode ser que Deus esteja usando as pessoas
para fazê-las. Até o problema referente a impostos, que enfrentamos recentemente,
eu pensava que fosse atuação de Satanás, mas, analisando, constatei que não era;
era Deus quem o estava promovendo. Através daquele problema, ao contrário do
que imaginávamos, houve boas influências em diversos lugares. Por isso, à medida
que se for aprofundando a fé, as coisas tornar-se-ão ainda mais paradoxais. E,
mesmo que se esteja ajudando o Mal, é impossível o ser humano impedir isso. Pelo
contrário, devemos corrigir o nosso mal e os nossos erros, e não os dos outros. É
bom ter-se o desejo de mudar as pessoas, mas por meio da ação nada se pode
fazer.
Existem coisas que devem ser feitas e outras que não devem ser feitas.
Normalmente, quando digo para fazerem, as pessoas fazem demais, e quando digo
que não podem fazer, elas nada fazem. Isso acontece também com o tempero dos
alimentos. Quando digo que falta açúcar, fazem doce demais; quando digo que está
insosso, colocam sal em excesso. É difícil fazer na medida ideal. É importante fazer
as coisas pensando na sua proporção. Isso significa ter inteligência. Mesmo para
entregar o caso nas mãos de Deus, existe uma dosagem. Há um ditado que diz:
“Faça o melhor de si, e deixe o restante com Deus”. Isso é bom. Depois de fazermos
tudo que é possível, tudo que deve ser feito do ponto de vista humano, devemos
entregar o restante nas mãos de Deus. Portanto, as coisas vão mudando de acordo
com o “jishoi” da pessoa.
Saneatsu disse: “Forte como Deus e fraco como Deus”. São palavras sábias, não
são? Até mesmo Deus, há ocasiões em que Ele é forte, e outras, em que Ele é fraco.
Entre os Kannon, o Bato Kanzeon (Avalokitesvara de cabeça de cavalo) solta fogo
pela boca e seus olhos brilham fortemente. Isso expressa a sua atuação para salvar
o Mundo das Bestas. A inteligência consiste em saber usar habilmente diversas
coisas. Conseguir encontrar o método que surta o melhor resultado, significa ter
inteligência.
Registro das Palavras de Luz vol. 2 – (28/12/48)
POLIMENTO DA ALMA

“Desejando polir nossa alma, Deus emprega o Mal como esmeril.”

A sorte é proporcional às máculas espirituais, isto é, os sofrimentos ocorrem de


acordo com a quantidade de máculas existentes no espírito. Portanto, tudo se baseia
na Lei da Concordância e nada está em desarmonia. Se o homem acha que existe
desarmonia, é porque ele julga observando apenas a parte superficial das coisas.
Suponhamos que numa família haja uma pessoa que não deseja se tornar membro
de forma alguma e é contra a Igreja. É freqüente, nesses casos, os membros ficarem
impacientes, mas quem tem máculas são as pessoas que se encontram
impacientes. Se as suas máculas forem eliminadas e a sua alma for purificada, as
outras pessoas não conseguirão mais atormentá-la ou fazê-la sofrer. Assim, aquela
pessoa acabará ingressando na Fé. Quando alguém nos diz: “Aquele animal me
atormentou, por sua causa me aconteceram fatos desagradáveis, ele me causou
grandes prejuízos”, e também quando a pessoa não ingressa na Fé apesar da nossa
insistência, devemos analisar a nós mesmos. Isso acontece porque nós temos
máculas. Através desses acontecimentos as nossas máculas são resgatadas.
Portanto, as pessoas que nos atormentam e nos fazem sofrer estão nos ajudando a
eliminá-las, estão realizando a atividade de purificação. Se chegarmos a entender
esse ponto, passaremos a sentir gratidão.
Outro dia, assim que terminou uma audiência no Tribunal de Justiça, foram ouvidas
as impressões dos réus. Segundo um deles, as investigações foram feitas pelas
pessoas de forma equivocada, e o juiz e o promotor eram insolentes. Insatisfeito, ele
disse tudo aquilo que havia deixado de falar até então. Eu, entretanto, disse que
estava agradecido, pois graças ao promotor pude aprimorar muito, e com isso a
Igreja também se tornou sólida. Mas não falei para agradar. Como eu disse há
pouco, quando pensamos de forma “Daijo”, procedemos assim, isto é, podemos
agradecer profundamente. O nosso pensamento deve basear-se nesse ponto. Nessa
forma de pensar está o valor, ou melhor, a essência da Fé.
Coletânea de Ensinamentos vol. 15 – (06/10/52)

“Polindo a alma e purificando o espírito, empenhem-se na Sagrada Obra Divina


de salvação do mundo.”

Se as coisas não ocorrem de acordo com o nosso desejo, é sinal de que ainda
temos máculas. A essência da Igreja Messiânica Mundial é eliminar as máculas de
forma alegre, sem sofrimento. Para isso, devemos salvar as pessoas. Através da
gratidão dessas pessoas, poderemos receber Luz sempre, e com isso a nossa alma
se purifica. Ou seja, ao invés de práticas ascéticas, devemos alegrar as pessoas e
salvá-las. Através disso, poderemos obter o mesmo resultado que se obtém pelas
práticas ascéticas. Para salvar as pessoas, realmente precisamos saber conversar e
explicar bem. Para tanto, devemos ler os Ensinamentos. Pela leitura dos
Ensinamentos passamos a conhecer vários tipos de Verdade e isso purifica a nossa
alma. Ao mesmo tempo, se intensificará, proporcionalmente, a nossa força de
salvação. Assim, salvando e alegrando o nosso semelhante, nós nos elevamos
espiritualmente.
Coletânea de Ensinamentos vol. 15 – (06/10/52)
“Purifiquem seu espírito e tornem-se pessoas que trabalhem para limpar este
mundo abjeto.”

O homem deve progredir e elevar-se continuamente, sobretudo aqueles que


possuem fé. Entretanto, quando tocamos em assuntos religiosos, as pessoas
costumam julgar-nos antiquados e conservadores. Não podemos negar que essa é
uma tendência dos fiéis em geral; porém, com os messiânicos, dá-se justamente o
contrário, ou melhor, eles devem esforçar-se para ser o contrário.
Observemos a Natureza. Ela procura renovar-se e progredir constantemente, sem
um minuto de interrupção. O número de seres humanos aumenta de ano para ano.
As terras vão sendo exploradas todos os anos. Vemos maiores e melhores vias de
transportes – obras cuja construção demonstra crescente arrojo arquitetônico – e
maquinarias cada vez mais perfeitas. As ervas e as árvores crescem em direção ao
Céu. Tudo isso mostra que nada regride.
Ora, se tudo continua evoluindo, é natural que os homens também devam evoluir
continuamente, seguindo o exemplo da Natureza. Nesse sentido, eu mesmo faço
esforço para elevar-me e progredir cada vez mais; este mês, mais do que no mês
anterior; este ano, mais do que no ano passado. Mas progredir somente na parte
material, isto é, nos negócios, na profissão e na posição social, não passa de algo
sem base, algo demasiado superficial, como uma planta sem raiz. É indispensável o
progresso do espírito, isto é, a elevação da individualidade. Portanto, devemos
prosseguir passo a passo, pacientemente, visando à perfeição, principalmente no
que se refere à espiritualidade. Com a elevação gradual do espírito, a personalidade
também florescerá e, sem dúvida alguma, essa atitude de contínuo progresso
conquistará a confiança do próximo, facilitará os empreendimentos e tornará a
pessoa feliz.
Os jovens da atualidade talvez encarem estas palavras como moral antiquada e já
superada; entretanto, é pondo em ação tais palavras que as criaturas poderão,
verdadeiramente, ficar atualizadas. Os homens que não pensam e não agem assim,
desejando evoluir apenas materialmente, ficam estacionados. Não progridem nem
são progressistas. Parecem-me antiquadíssimos, observados deste ponto de vista.
Seus pensamentos e assuntos são sempre os mesmos, não apresentam nada de
especial. Conversar com essas pessoas não me desperta nenhum interesse, pois
elas se limitam e assuntos triviais, não falando de Religião, de Política, de Filosofia e
muito menos de Arte.
O ideal seria que todos os fiéis da nossa Igreja se interessassem em progredir e
elevar-se cada vez mais. Como visamos a corrigir a civilização errônea e construir
um mundo ideal, os messiânicos devem procurar, nesta época de transição do
mundo, ser sempre homens atualizados, vivendo em sintonia com o século XXI, que
se aproxima.
Eis o sentido do meu costumeiro conselho: sejam homens do presente.
Alicerce do Paraíso, “Sejam sempre homens do presente” – (11/10/50)

“Sem o devido polimento, até mesmo uma pedra preciosa admirada por todos
não passa de um simples cascalho.”

Antigamente, para se fazer uma boa espada, era necessário esquentar o aço até a
incandescência, batê-lo com martelo sobre uma bigorna e, a seguir, colocá-lo na
água. Repetia-se várias vezes essa operação, isto é, caldeava-se e batia-se o aço
em brasa, mergulhando-o, depois, na água.
O interessante é que esse princípio também se aplica à vida humana. A divulgação
da nossa Igreja, com o decorrer do tempo, encontrou várias críticas e obstáculos,
isto é, contratempos e ataques, para , em seguida, receber elogios e louvores.
Experimentamos, portanto, do fogo escaldante ao mergulho na água fria.
Muitas vezes me perguntam: “Por que ocorrem fatos tão contrastantes?” Para essas
perguntas eu dou como resposta o exemplo do caldeamento da espada, e as
pessoas compreendem bem.
Desde os tempos mais remotos, quem executa uma obra fora do comum não só
recebe louvores, mas também perseguições, oriundas do despeito. É nessa luta,
porém, que reside o mérito de alcançarmos fortalecimento. É como a espada, que só
adquire todas as qualidades graças à alternância do caldeamento e esfriamento e às
fortes marteladas sobre a bigorna. Analisando sob o aspecto religioso, significa que
Deus impõe maior sofrimento a quem tem maior missão, o que não deixa de ser
motivo de alegria.
Alicerce do Paraíso, “A parábola da espada” – (1949)

“O Mundo Material é um local de aprimoramento onde estão mesclados o Bem


e o Mal, para os homens se burilarem mutuamente. Burilem-se, portanto.”

(Nidai-Sama)

Isso não pode, em absoluto, ser compreendido pela mente humana. As coisas de
Deus são extremamente profundas. Exemplificando, podemos até achar que o
médico é o demônio.
Como o remédio faz enfraquecer o corpo saudável e, em conseqüência disso, acaba
tirando até a vida da pessoa, trata-se de uma ação disparatada de Satanás. Graças,
porém, a esse Satanás é que surgiu a Igreja Messiânica Mundial, a qual está se
desenvolvendo passo a passo. Se os médicos curassem todos os doentes, a Igreja
Messiânica Mundial não progrediria. Se a Igreja Messiânica Mundial se sente
orgulhosa pelo seu rápido desenvolvimento, é por causa do Satanás denominado
Medicina. Por conseguinte, significa que Satanás está realizando um trabalho muito
bom. Entretanto, não é que eu esteja agindo propositadamente, de forma planejada;
já está determinado assim, de modo que eu não posso julgar se isso é bom ou mau.
É assim que as coisas acontecem. Dessa forma, como sempre digo, também a
nossa Igreja tem sido salva e recebido uma considerável contribuição de Satanás.
Por isso, não importa dizer se é bom ou ruim. Não se pode definir, porque Deus
utiliza igualmente a parte maligna. Por exemplo, polir a própria alma, tornar-se
pessoa eminente: esses tipos de polimento são feitos por Satanás. Ele faz a pessoa
sofrer e, com isso, ela se esmera. Satanás assemelha-se a um esmeril, criando
homens de bem. No caso da luta entre o Bem e o Mal, se houvesse somente
homens bons, não haveria luta coisa alguma, e por isso, seria o fim. A única coisa
que não pode acontecer é perdermos para Satanás. Se perdermos, o mundo se
transformará no Mundo do Mal; portanto, é preciso ganhar. Só que, até agora, como
Satanás era mais forte, Deus perdia, embora momentaneamente. É por isso que
existe a infelicidade e as desgraças. Basta que, doravante, os que estão do lado de
Deus comecem a vencer Satanás. Mesmo quando chegar o Mundo de Miroku, não
significa que o Mal deixará de existir por completo. Ele continuará existindo. Só que
irá perder para Deus. Mas, como Satanás é muito persistente, além de não desistir,
ainda que perca, vai até o fim. E essa é a função de Satanás.
Sendo assim, nem é preciso pensar nessas coisas. Basta não perder para Satanás.
Entretanto, mesmo dizendo que é bom não perder para ele, mesmo querendo
vencer, há casos em que, baseado na sabedoria, é melhor perder. Em tais casos, é
preciso perder. Por isso, até agora se perdia para Satanás, mas, no final, Deus irá
vencer. Como todos sabem: “O Mal não vencerá o Bem. O Bem acabará vencendo”.
Até o presente Satanás tinha mais poder, e o período de derrota era longo.
Gradativamente, essa situação irá invertendo. Quando ficar completamente o
inverso, estará concretizado o Mundo de Miroku.
Concluindo, não se deve temer Satanás. É um grande erro definir que fulano é o
diabo ou que sicrano é assim ou assado. Isso infringe os domínios de Deus.
Registro de Orientações vol. 23 – (01/08/53)

“Tornando-se puro de corpo e alma, o homem poderá ultrapassar facilmente os


momentos de angústia.”

Todos os sofrimentos são purificações. Através deles, as máculas do corpo espiritual


são eliminadas. As religiões de até agora baseavam-se no método de práticas
ascéticas. Normalmente os sofrimentos são considerados inevitáveis; segundo esse
conceito, o sofrimento é que vem a nós. Na prática ascética, entretanto, a pessoa se
empenha em sofrer, achando que, assim, a sua alma fica polida. No bramanismo
ensina-se que através do sofrimento se obtém a Verdade Absoluta. Mas a Verdade
Absoluta pode ser alcançada através da eliminação das máculas espirituais. Não
existindo máculas, a pessoa consegue distinguir bem os fatos; conseqüentemente,
alcança a Verdade Absoluta. Alcançar a Verdade Absoluta significa ter compreensão
dos fatos, ou seja, compreender a Verdade. Mas mesmo na Verdade existem vários
tipos: a superior, a média e a inferior. Por isso, o que todos acham que é Verdade, na
maioria das vezes, é uma verdade de baixíssimo nível. Quando a alma se torna mais
pura, diminuem proporcionalmente as indecisões e aumenta o poder de
discernimento. Contudo, as indecisões não acabam por completo. Por mais
importante que uma pessoa seja, ela tem momentos de indecisão. Eu também os
tenho. A diferença está na rapidez ou na demora com que se sai da indecisão. No
meu caso, por exemplo, mesmo que isso aconteça, não dura mais do que meio dia.
Diante dos fatos, eu consigo tirar as conclusões rapidamente. Por isso, quando
observo, por exemplo, o jardim, as construções e demais coisas, consigo entender
de imediato. Jamais me ocorre ficar pensando. Se, porventura, eu tiver dificuldade,
imediatamente, sem me preocupar, deixo de lado o assunto. Tudo tem seu tempo
certo. Num determinado momento, sobrevém a compreensão. Isto acontece porque
existe a ordem. Quando é cedo demais, Deus não me comunica; quando chega o
tempo certo, consigo compreender. E consigo compreender sem qualquer indecisão.
As pessoas da atualidade, como têm seus espíritos maculados, por mais
importantes que sejam ficam totalmente perdidas, pensando intensamente. Mas, por
mais que pensem, não lhes surgem boas idéias, e por esse motivo não conseguem
obter bons resultados, nem mesmo na busca realizada por si mesmas.
Principalmente as pessoas da área política... Elas aparecem freqüentemente nos
jornais, mas realmente sinto nelas uma total falta de inteligência. Isso acontece
porque os seus espíritos estão maculados.
Assim, se o homem eliminar o máximo possível as máculas espirituais, além dele
ficar saudável, a sua cabeça funcionará bem. Creio que só na nossa Igreja é que
não há necessidade de práticas ascéticas para a cabeça funcionar melhor, ou seja,
para eliminar as máculas. Isto é possível porque a Igreja Messiânica Mundial é uma
religião paradisíaca, uma religião da Era do Dia. Por ela ser clara, as máculas são
eliminadas rapidamente, a alma fica polida, e torna-se possível obter “Tie-Shokaku”
(Inteligência da Percepção Verdadeira).
Coletânea de Ensinamentos vol. 15 – (06/10/52)
SERVOS DE DEUS

“Os messiânicos devem fazer do Johrei uma ação horizontal de ministração de


amor, e dos Ensinamentos da Verdade, uma ação vertical.”

(Nidai-Sama)

Para divulgar a nossa Religião, utilizamos até agora o Johrei e as publicações. Daqui
em diante, também vamos difundi-la por meio de mesas redondas e palestras em
auditórios, nas mais diversas localidades. À difusão através da visão e da cura de
doenças será acrescentado o método que alcança as pessoas pela audição.
Utilizando esses três meios, poderemos operar grandiosos resultados.
O novo método consiste em transmitir explicações orais sobre a Igreja, procurando
mostrar que se trata de uma religião realmente fora do comum. Entretanto, para que
nos compreendam, é necessário nós próprios termos profundo conhecimento sobre
a Fé que professamos. Só assim faremos com que os nossos ouvintes, conscientes
de que a Igreja Messiânica Mundial é de fato uma grande religião, tenham vontade
de ingressar nela.
Em tais ocasiões, muitos dizem que não sabem falar bem, ou coisas semelhantes,
mas esse é um pensamento errado, pois não é com belas palavras que atingimos o
coração do próximo. Como sempre digo, o que move as pessoas é o nosso ,
“makoto”. É com ela que atingimos o seu espírito, que despertamos a sua alma; falar
bem ou mal é um problema secundário. Todavia, para mover as pessoas com o
nosso ardor e “makoto”, precisamos ter muita compreensão, e para isso devemos ler
o mais possível os Ensinamentos, a fim de polir nossa inteligência.
Haverá muitas oportunidades em que nos farão perguntas às quais teremos de
responder com bastante clareza, pois, do contrário, as pessoas não ficarão
satisfeitas. Por mais difícil que seja a pergunta, precisamos dar uma resposta que
elas aceitem. (...)
Às vezes as pessoas me fazem perguntas sobre assuntos que estão bem claros nos
meus Ensinamentos. Isso acontece porque elas estão faltando com o dever diário de
os ler. Os Ensinamentos devem ser lidos tanto quanto possível; quanto mais os
lerem, mais os fiéis aprofundarão sua fé e elevarão seu espírito. Aqueles que
negligenciam sua leitura, vão perdendo força gradativamente. Quanto mais sólida for
sua fé, mais a pessoa terá vontade de ler, e é bom que o faça repetidas vezes, até
que os Ensinamentos se fixem bem em sua mente. Na medida em que se lê, vai se
compreendendo mais claramente a Vontade Divina.
Aproveito a oportunidade para acrescentar algo com relação ao Johrei. Alguns
ministrantes, embora desconheçam a causa da doença, fazem de conta que o
sabem. Isso não deve ocorrer de maneira alguma. Tais pessoas, quando o doente
não consegue melhorar como elas desejam, dizem que o problema é de origem
espiritual, para fugirem da responsabilidade. Em verdade, é difícil determinar se a
causa de uma doença é espiritual ou material. Por princípio, o homem é uma
unidade espírito-matéria, portanto, no caso do Johrei, não existe essa distinção. Se o
espírito melhora, a matéria também melhora, e vice-versa. Por outro lado, quando o
doente melhora rapidamente, alguns acham que se trata de uma purificação comum;
se acontece o contrário, pensam que a causa é espiritual. Isso constitui um grande
erro. É o mesmo que um médico diagnosticar tuberculose quando não está
conseguindo curar a doença.
Alicerce do Paraíso, “Leia o mais possível os meus Ensinamentos” – (29/11/50)

“Quem se empenha neste Caminho e consegue suportar com paciência todas


as dificuldades, é realmente servo de Deus.”

(Nidai-Sama)

Todos vão passar pelas provas de Deus e muitos vão ser reprovados. Se a pessoa
não conseguir suportar firmemente, seja o que for que acontecer, estará perdida.
Alguém querer praticar ações excêntricas num momento difícil como este é prova de
que sua vontade é completamente fraca. Analisando desse modo, chega-se à
conclusão de que, no dia-a-dia, o procedimento dessa pessoa não era correto. Não
posso mais salvá-la. É melhor abandoná-la e cuidar de outras pessoas. Não há
necessidade de você se preocupar com a salvação dela. Por mais que nos
empenhemos, não conseguiremos salvaras pessoas cuja corda da salvação foi
rompida por Deus. Deus está bem mais rigoroso que antes, por isso não adianta
pensar em salvar esse tipo de pessoa. Ao invés disso, é melhor se empenhar em
salvar aqueles para os quais haja esperança de salvação.
Registro de Orientações vol. 25 – (01/10/53)
“Quem está com Deus não deve lamentar o passado nem se preocupar com o
futuro.”

Freqüentemente aconselho às pessoas: “Entreguem-se a Deus”.


Entregar-se inteiramente a Deus é jamais se preocupar com o que possa acontecer.
Isso parece fácil, mas na realidade não é. Eu mesmo faço um grande esforço para
agir assim; entretanto, as preocupações surgem-me involuntariamente. Neste mundo
cheio de perversidade, é quase impossível viver sem preocupações. Mas o homem
de fé torna-se diferente dos demais: tão logo lhe surge um problema, lembra-se de
entregá-lo a Deus. Sente-se, pois, aliviado.
Gostaria de salientar um ponto que a maioria das pessoas desconhece. Se
interpretarmos espiritualmente o ato de preocupar-se, verificaremos que ele
representa uma forma de apego. É o apego à preocupação. Isso constitui um grave
problema, porque influi maleficamente sobre todas as coisas.
O apego apresenta-se como desejo de fama, dinheiro e satisfação de todas as
vontades. Entretanto, ainda há outros apegos de caráter maligno. Por exemplo,
referir-se a alguém dizendo: “Fulano não merece perdão, é um insolente. Eu o
detesto, vou dar-lhe uma lição”. Esse pensamento expressa o desejo obstinado de
que aconteça algo mau à pessoa.
Mas não me prenderei a essas conhecidas formas de apego. Pretendo analisar
aquelas que nem todos percebem, tal como a preocupação em relação ao futuro e o
sofrimento pelo que já passou. Quando se trata de um religioso, embora Deus queira
protegê-lo, o apego forma espiritualmente um obstáculo. Quanto mais forte o apego,
mais fraca é a proteção Divina; daí nem sempre as coisas correrem como
gostaríamos. Vejamos.
É difícil conseguir de imediato aquilo que se deseja intensamente, mas todos
sabemos, por experiência própria, que é comum esse desejo se concretizar a partir
do momento em que, considerando-o inviável, a pessoa se resigna. Às vezes,
querendo obter algo, tudo nos parece fácil, mas nada conseguimos. E, mais uma
vez, o desejo se concretiza repentinamente, quando já o tivermos esquecido.
Na prática do Johrei acontece o mesmo. Se houver intensa vontade de curar alguém
“de qualquer maneira”, a recuperação torna-se mais difícil. Entretanto quando o
ministramos com desprendimento, ou quando a pessoa o recebe com certa
desconfiança, inesperadamente sobrevêm bons resultados. Freqüentemente, apesar
do esforço de toda a família, o doente em estado grave acaba morrendo. Observa-se
que é relativamente mais fácil a cura de um enfermo, quando este e sua família se
preocupam menos, ficando um tanto indiferentes ante a idéia da morte. Temos,
ainda, o caso de o doente e seus familiares, ansiosos pela cura, verem a doença ir
se agravando sempre, até chegar ao ponto em que, ante a perspectiva do inevitável
desenlace, todos se resignam. É então que sobrevêm melhoras rápidas, e firma-se a
cura. Aquele que reage, confiando somente no poder de sua força de vontade, certo
de que vai se curar, quase sempre morre. É um fato curioso. A causa principal está
no apego à vida.
Esses exemplos mostram a perigosa influência do apego.
Ao nos depararmos com um doente desenganado, é bom insinuar-lhe, bem como à
sua família, que, diante da improbabilidade da cura, vamos pedir a Deus pela sua
infalível salvação no Mundo Espiritual. A partir daí, com a ministração do Johrei,
muitas vezes a doença começa a ceder. O mesmo se aplica ao relacionamento entre
pessoas de sexos opostos. O demasiado interesse de uma afasta a outra. Pode
parecer irônico, mas é o apego que esfria o coração. Aliás, a maioria dos
acontecimentos tem, realmente, caráter irônico. Por isso, são complicados e
curiosos.
Considerando que quase sempre o apego é a causa do insucesso, tenho por hábito
aconselhar às pessoas que provoquem o efeito contrário. É a ironia das ironias, mas
é a pura verdade.
Alicerce do Paraíso, “Entregue-se a Deus” – (28/11/51)

“Se pregarmos o amor e aconselharmos a misericórdia, mas isso não for


acompanhado de prática, nossas palavras serão como o sussurro do vento nos
pinheiros.”

“Quando a sua fé se elevar e você tiver a verdadeira intenção de defender o meu


trabalho – a Obra Divina – mesmo sacrificando a sua própria vida, não haverá
oportunidade para o demônio encostar em você.”
“A fé é ação; portanto, se a pessoa não consegue pô-la em prática, de nada adianta.
Tal fé é infantil.”
Reminiscências sobre Meishu-Sama vol. 4, “A fé só é autêntica quando seguida pela
prática do caminho do makoto.”
“Não sendo Deus, o homem não deve levianamente julgar o bem e o mal do
próximo.”

Há um ensinamento da religião Oomoto que fala sobre reforma e reconstrução: “A


reforma e a reconstrução que se processam atualmente, é uma grande peça de
teatro, na qual há dois papéis: o do Bem e o do Mal”. Vou falar um pouco a esse
respeito. Realmente isso está dito de uma forma muito interessante. Existem vários
papéis. Todavia, não existe o papel do Mal; e sim, o papel daquilo que aparenta ser
Mal. Aí é que reside a dificuldade. Para o homem parece ser Mal, mas para Deus
não é. Há casos, também, em que para o homem parece ser Bem, mas para Deus é
Mal. Por isso, o homem não deve julgar, dizendo que determinada pessoa é boa ou
má. Eu próprio procuro agir assim. Quando alguém diz “Aquela pessoa é má”, eu
penso que essa pessoa tem uma missão para com Deus, e ela acaba realizando um
trabalho relevante. Como o homem só vê a parte superficial, não consegue entender
a parte interior. Determina o Bem e o Mal observando a parte superficial, e isso é
perigoso. Deus consegue ver tanto a parte interior como a alma, que ali se encontra,
por isso não se pode fazer absolutamente nada.
Coletânea de Ensinamentos vol. 9 – (15/04/52)

“O ser humano não deve impor os seus gostos nem aceitar imposições, pois a
liberdade é uma dádiva de Deus.”

(Nidai-Sama)

As pessoas geralmente pensam que não existe nenhuma liberdade na Religião,


havendo muita gente que foge ao contato com as religiões por temer sua rigidez.
Entretanto, esse é um grave engano, cuja causa está, sem dúvida, na fé “Shojo”
(restrita) das religiões existentes. A fé “Shojo” considera que o polimento da alma e a
suprema Iluminação são alcançados através de penitências e práticas ascéticas. Do
nosso ponto de vista, com esse princípio cai-se num tipo de religião infernal. E como
foi que isso teve início? É que faltava poder a Buda, a divindade que presidia essa
fé. Originariamente, através da luz dessa divindade, a pessoa deveria obter o
discernimento sem sofrer muito e alcançar o estado de verdadeira tranqüilidade.
Sendo assim, a fé “Shojo” aproveita-se da sua própria força, e a fé “Daijo” vale-se da
força alheia. Esse caminho “Shojo” teve início com bramanismo, na Índia.
Através do que acabamos de expor, poderão compreender que na fé “Shojo” não
existe liberdade, e na fé “Daijo” existe liberdade infinita. Mas não se trata
simplesmente de liberdade. Se a sabedoria não funcionar, existe o perigo de a
liberdade se tornar comodista. A verdadeira liberdade respeita a liberdade alheia;
portanto, ela tem um limite. No final das contas, é uma liberdade determinada a um
círculo. Essa liberdade, sem dúvida, é a verdadeira liberdade. Isso porque, se a
pessoa causar o mínimo de infortúnio ao próximo, sentir·se-á culpada e não terá
nenhuma alegria. Por isso ela não conseguirá ter um sentimento magnânimo.
Proporcionando felicidade ao próximo, você próprio também se torna feliz. Esta é a
verdadeira liberdade.
Jornal Kyussei nº 48 – “Existe liberdade na religião” (04/02/50)
“O homem deve viver de acordo apenas com a Vontade Divina, sem se deixar
influenciar pelos olhos e pela boca dos outros.”

Certo dia, um membro que ocupava o cargo de Dirigente apresentou-se a mim


dizendo que queria fazer-me uma pergunta. Sem demora, atendi-o. Ele me disse: “O
comentário de fulano a respeito de sicrano está errado. Como a pessoa me contou,
eu gostaria de desfazer o mal-entendido”. Então eu lhe respondi o seguinte:
“Atualmente estou empregando o meu tempo de uma forma extremamente útil ao
desenvolvimento da grande obra de salvação da humanidade. Portanto, diga-me
qual é a relação do seu problema com a salvação da humanidade”. A pessoa ficou
deveras surpresa e, fazendo várias reverências em sinal de desculpas, retirou-se
apressadamente.
Têm ocorrido, freqüentemente, fatos dos quais não podemos rir, apesar de cômicos,
tal como esse que eu acabo de citar. O Fim do Mundo está se aproximando. Assim,
desejando salvar o maior número de pessoas possível, Deus está desenvolvendo
uma atividade de grande misericórdia, através da minha pessoa. Mesmo assim, as
pessoas vêm se queixar por seus interesses particulares, questões sentimentais, etc.
Realmente, torna-se difícil entender como elas estão pensando a respeito da nossa
Fé. Presumo que existem muitos fiéis com pensamento semelhante ao da pessoa
referida acima, por isso espero que isto lhes sirva como uma dura lição. Quando
aquela pessoa ia se retirando, eu lhe disse: “Se você tem tempo para coisas desse
tipo, leia o máximo possível os livros de Deus”.
Jornal Hikari nº 46, “Resposta a um certo indagador” – (21/01/50)
“Quem se entrega à grandiosa Obra Divina de Salvação, precisa ter um
coração muito amplo.”

Certa vez, na época da Oomoto, uma pessoa me disse: “Peço encarecidamente que
me conduza ao Paraíso”. Então eu lhe falei: “Não penso nem um pouco em ser
conduzido ao Paraíso. Ao contrário, o meu desejo é conduzir ao Paraíso o maior
número de pessoas possível. Para isso, não me importa cair no Inferno”. O homem
tem a tendência de considerar-se importante e ficar preso às suas próprias coisas.
Evidentemente, ele não pode libertar-se disso por completo, mas, estando ciente de
que não deve ficar preso a si mesmo, ele consegue ter uma visão mais ampla e
tornar-se generoso. Quem é generoso acaba progredindo. Quem não é, não
progride.
Registro das Palavras de Luz vol. 19 – (03/04/49)

“Sem apego, acolhendo o lado bom das coisas e ignorando seu lado mau,
empenhemo-nos alegremente na construção do Paraíso Terrestre.”

(Nidai-Sama)

A pessoa não deve censurar a mentira proferida por outra pessoa. Deve sim, ouvi-la,
demonstrando admiração: “Ah, é verdade?!” Mas, por dentro, ela precisa estar ciente
da verdade. O homem tem de ser astuto até nesse ponto.
O dono de uma casa de móveis usados, tratando-me com menosprezo, dizia-me:
“Aquele é assim; este é falso”. Então, eu falava: “Realmente, é verdade!” Mas
pensava comigo mesmo: “O que é que esse homem está falando? Ele é um tolo.
Será que ele acha que eu não entendo disso?” Eu o ouvia aparentemente admirado,
e com isso aprendia: “É, ele diz coisas boas. De fato, é isso mesmo”.
Certo chinês disse o seguinte: “Não faça distinção para conversar com as pessoas”.
Há coisas ditas por um simples trabalhador ou camponês que nos ensinam muito.
Por isso, não devemos discriminar as pessoas. Qualquer coisa que ouvirmos deve
ser levada em consideração.
Também há ocasiões em que aprendemos com as crianças. Acredito que já tiveram
essa experiência. Segundo a “Teoria da Intuição”, de Bergson, as crianças possuem
a intuição verdadeira, por isso dizem coisas maravilhosas. Nas brigas entre mãe e
filho, muitas vezes a verdade está do lado do filho.
Registro de Orientações vol. 21- (01/06/53)
ARTE

“Quem se deleita profundamente com a Arte, está apto a viver no Paraíso.”

Sempre se pensou que não há muita relação entre Arte e Religião. Entretanto, no
Japão, as manifestações artísticas tiveram início com a arte budista, não obstante se
limitassem a simples quadros, estátuas, tecelagem, etc. No que se refere à música,
existiam instrumentos tais como “sho”(10), “hitiriki”(11), “mokugyo”(12), e “dora”(13), e os
sons emitidos na leitura dos sutras budistas. Por isso, podemos dizer que se tratava
de uma arte primitiva.
Mais tarde, estimulada pela introdução das artes chinesa e coreana no país, a arte
japonesa passou por um período de imitações, até que conseguiu criar um estilo
próprio. Atualmente, com a importação da cultura ocidental, também foi introduzida a
arte do Ocidente. Principalmente após a Era Meiji (1868-1912), afluíram, com grande
intensidade, as artes dos Estados Unidos e da Europa. Em conseqüência, no
panorama artístico japonês da época atual, encontram-se as melhores obras de todo
o mundo, as quais estão sendo absorvidas e assimiladas, de modo que, aos poucos,
vai se criando uma arte universal. Por isso, talvez possamos afirmar que o Japão é
um centro cultural.
Não existe, ou melhor, nunca existiu uma religião que desse tanta importância à Arte
quanto a Igreja Messiânica Mundial. Isto porque o Paraíso Terrestre – nosso objetivo
último – é o Mundo da Arte. Obviamente, se ele é um mundo isento de doença,
pobreza e conflito, isto é, o mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo, o homem
seguirá a Verdade, amará o Bem e odiará o Mal; assim, todas as coisas se tornarão
belas. Nesse sentido, a Arte não será apenas um deleite indispensável; ela
constituirá a própria vida e se desenvolverá intensamente. Ou seja, o Paraíso
Terrestre será o Mundo da Arte. Eis o motivo pelo qual tenho grande interesse por
ela e pretendo incentivá-la bastante, no futuro. Como primeiro passo, estou
construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, em Atami. Quando ele estiver
concluído, atrairá ainda mais a atenção da sociedade, recebendo muitos elogios.
Infalivelmente, merecerá consideração a nível mundial. Portanto, estamos dando
prosseguimento aos planos sob essa diretriz.
Alicerce do Paraíso, “Religião Artística”- (06/06/51)

“Aqueles que desviam seus olhos da luz, da neve, das flores e dos sentimentos
humanos, são de baixo nível espiritual.”

Há mais uma coisa importante. Dois ou três dias atrás, adquiri uma pintura de
Miyamoto Mussashi, exímio esgrimista do início da Era Edo, e dentro em breve vou
expô-la no Museu. Trata-se da pintura de Dharma. É uma pintura excelente. Fiquei
surpreso. Nem se compara com as famosas obras chinesas da Era Soguen. Uma
das obras de Miyamoto é Tesouro Nacional. Dessa maneira, quem se torna “expert”
em artes marciais, consegue alcançar o princípio profundo de todas as coisas. Isto é
algo que é bom ficar sabendo. Existem vários níveis, várias categorias, tanto na
( 10)
Sho: instrumento musical de cano É constituído de dezessete canos de bambu, longos e curtos, dispostos verticalmente. Dois deles
não emitem som, os quinze restantes possuem orifícios na parte anterior e na parte posterior.
( 11)
Hitiriki: instrumento musical de cano, semelhante à flauta.
( 12)
Mokugyo: instrumento sonoro que se bate na hora de ler os sutras budistas. É feito de madeira oca, arredondado, esculpido em
formato de cabeça de peixe. Para se produzir o som, utiliza-se um pequeno bastão coberto por um pedaço de pano ou couro.
( 13)
Dora: instrumento musical semelhante ao gongo.
pintura, como na escultura, na literatura e em outras artes. Na vida diária do homem,
também existem vários níveis em todas as suas atividades. Se uma delas conseguir
avançar, as demais também avançam, mesmo que estejam em situação inferior. Isso
é interessante, não é verdade? No caso do praticante de artes marciais, quando ele
se torna um “expert”, mesmo executando uma pintura, esta chega também ao nível
de “expert”. Quem escreve bem, também pinta bem, ou vice-versa. O fato de ser
bem sucedido em todas as coisas que realizo é porque, espiritualmente, a minha
alma encontra-se no nível superior, de modo que todas as coisas que eu faço
alcançam esse nível. Seja construindo jardins, seja construindo edifícios, eles se
tornam magníficos. As coisas ficam assim naturalmente, sem qualquer aprendizado.
Eis aí o sentido de construir um Museu de Arte e mostrar as melhores obras. Quem
aprecia obras de arte de qualidade, de alto nível, sua cabeça aproxima-se dessas
obras, por isso o resultado será o mesmo que polir a alma através da Fé. Só que as
pessoas da antigüidade elevavam suas almas realizando vários tipos de práticas
ascéticas. Isso é fé infernal, ou seja, fé do Mundo da Noite. Nossa Igreja é uma
religião paradisíaca, por isso os seus resultados são os mesmos que se alcançam
através de banhos de cachoeira ou jejum.
Coletânea de Ensinamentos vol. 11- (06/06/52)

“Quem ama as flores da primavera e o bordo do outono, está correspondendo


às dádivas de Deus.”

O conceito atual de que a Religião está desligada da Arte parece-me um grande


equívoco. Enobrecer os sentimentos do homem e enriquecer-lhe a vida,
proporcionando-lhe alegria e sentido, é a missão da Arte. Os entendidos no assunto
sentem indizível prazer em apreciar as flores, na primavera, e as paisagens
campestres ou marítimas. Não é exagero dizer que o Paraíso Terrestre, que temos
por ideal, é o Mundo da Arte, o qual não é outro senão o mundo da Verdade, do Bem
e do Belo, a que costumo me referir.
A Arte é a representação do Belo. Mas por que será que ela foi negligenciada até os
nossos dias?
Monges antigos e famosos demonstraram notável genialidade no campo artístico,
esculpindo e construindo templos. Entre esses artistas religiosos, sobressaiu o
príncipe Shotoku. Dificilmente se pode crer, dizem todos, que a magnificência
arquitetônica do Templo Horyuji, de Nara – obra-prima do príncipe – e as pinturas e
esculturas que adornam o seu interior, tenham sido criadas há mais de mil e
trezentos anos. Por outro lado, como houve muitos monges que divulgaram
doutrinas adotando a simplicidade e o ascetismo, certamente nasceu o conceito de
que não há nenhuma relação entre a Arte e a Religião. Aqui impera a Verdade e o
Bem, mas falta o Belo.
Pelas razões expostas, pretendo fazer uma grande divulgação da Arte.
Alicerce do Paraíso, “Religião e Arte” – (25/01/49)
“O magnífico cenário da natureza, formado por montanhas, rios e plantas,
constitui a Arte de Deus, criada para alegrar a visão do homem.”

O mundo contemporâneo pensa que tudo pode ser resolvido pela Ciência.
Entretanto, embora quase ninguém chegue a perceber, existem diversas coisas
importantes que a Ciência não consegue resolver. Analisemos a Arte, por exemplo.
A pintura e as mais diversas expressões artísticas, como a literatura, a música, o
cinema e até o teatro, possuem algum teor científico, mas não é preciso dizer que
estão quase totalmente fundamentadas no conjunto da genialidade, inteligência,
consciência e esforço do homem. Todos sabem o quanto a Arte é necessária para a
sociedade humana. Se ela não existisse, a vida seria seca e sem sabor, como se
estivéssemos dentro de uma cela de pedra.
Exemplifiquemos. Sempre que caminho pela cidade, sinto que, se não houvesse
lojas, residências e prédios ao redor, e eu não pudesse ver o verde das árvores da
rua ou dos jardins das casas, mas apenas uma parede semelhante à de um presídio,
de uma só cor sombria, prolongada em linha reta, talvez eu não suportaria andar
sequer alguns quarteirões. Assim, a bela visão proporcionada pelo rico colorido das
casas, pelas diferentes feições e expressões das pessoas, com sua maneira
característica de se vestir e de andar – a exuberância dos jovens exibindo a moda;
as pessoas de idade; os recém-chegados do interior – enfim, os infinitos aspectos
que encontramos, cada um com algo de interessante, é que nos permitem andar
pela rua sem entediar-nos. Quando nos distanciamos da cidade, dentro de um
ônibus ou de um trem, não ficamos cansados porque a paisagem variada –
montanhas, rios, plantas, árvores e plantações – nos faz passar o tempo. Além do
mais, as diversas transformações ocasionadas pelo clima das estações enriquecem
o nosso sentimento. O mundo é realmente uma arte criada pela Natureza e pela
mão do homem. É por isso que vale a pena viver.
Pensando dessa forma, poderão concluir que até a Ciência é uma parte da Arte, e
entender, portanto, que ela tem uma função auxiliar. Assim, é por demais evidente
que há uma ligação inseparável da Arte com a vida do homem. Ante essa evidência,
a Igreja Messiânica Mundial interessa-se pela Arte e estimula-a como nenhuma
religião o fez até agora. Entretanto, até mesmo na Arte existem níveis. Se ela é de
nível inferior, corre o perigo de abaixar o nível das pessoas, levando-as à
degradação, motivo pelo qual é preciso muita cautela. Por isso, a Arte deve ser de
nível elevado – uma arte que, deleitando a pessoa, eleve o seu sentimento. A teoria
é fácil, mas existirão organizações que se encarreguem disso? Quanto ao exterior,
nada posso afirmar; porém, todos sabem que, nesse ponto, a situação do Japão é
muito precária. Para corrigir essa falha, nossa Igreja está efetuando a construção do
protótipo do Paraíso Terrestre, do qual faz parte o Museu de Belas-Artes. Há um
sábio e antigo ditado que diz: “A Religião é a mãe da Arte”. Ele exprime muito bem a
atividade de construção que estamos desenvolvendo.
Alicerce do Paraíso, “Ciência e Arte” – (30/04/52)

“Com o desejo de salvar a humanidade, conduzindo-a ao Paraíso,


primeiramente tornei-me, eu próprio, habitante do Paraíso.”

Embora simples, os princípios religiosos utilizados por mim na obra de salvação que
venho empreendendo, diferem grandemente dos princípios religiosos existentes até
hoje.
Os antigos fundadores ou pregadores de religiões adotavam a frugalidade na
alimentação, vestiam-se sumariamente e levavam uma vida simples. Para se
aperfeiçoarem, faziam penitências, permanecendo isolados em montanhas quase
inacessíveis, debaixo de cascatas (ato considerado purificador), lendo os livros
sagrados dia após dia. Dessa maneira, entre Verdade, Bem e Belo, este último era
negligenciado. Poucos religiosos se interessavam pelas artes. O milagre era
vagamente conhecido; entretanto, eles tinham especial consideração pelos
princípios dos livros búdicos, apreciavam as formalidades e as celebrações
religiosas e procuravam salvar a humanidade unicamente com a pregação.
Essa análise limita-se ao budismo. Tomei-o como exemplo porque o xintoísmo e o
cristianismo são religiões modernas. Deixo de fazer referência ao antigo xintoísmo,
anterior à introdução do budismo, porque quase não consta da História nem da
tradição.
O trabalho que estou realizando, é bem diferente do que era feito pelos antigos. Em
primeiro lugar porque, objetivando o mundo isento de doença, pobreza e conflito,
proclamei, audaciosamente, a construção do Paraíso Terrestre o que já é suficiente
para evidenciar a grande diferença entre a Igreja Messiânica Mundial e as demais
religiões. Como primeira meta para atingir o nosso objetivo, estamos libertando o
homem do seu maior inimigo – a doença – e os resultados são cada vez mais
evidentes e indiscutíveis. A condição fundamental para a concretização do Paraíso
Terrestre é ser saudável de corpo e alma, o que, por sua vez, elimina a pobreza e o
conflito. Os fiéis da nossa Igreja estão trabalhando dia e noite, unidos por esse
princípio. Assim, a construção do Paraíso Terrestre, longe de ser um mero ideal, é
uma realidade que está apresentando surpreendentes resultados.
Projetamos o protótipo do Paraíso Terrestre escolhendo locais maravilhosos, em
Atami e Hakone, onde estão sendo edificados magníficos edifícios e jardins. Com a
conclusão dessas obras, pretendo mostrar ao mundo a sublimidade e formosura do
Supremo Céu. O Paraíso Terrestre pode ser considerado, essencialmente, o Mundo
da Arte, razão por que a nossa Igreja confere às manifestações artísticas uma
atenção toda especial.
Paralelamente à marcha do Plano Divino, pretendo publicar projetos mais recentes,
elaborados sob a Orientação de Deus, os quais abrangem Política, Economia,
Educação, etc. Através deles, os leitores poderão reconhecer a magnitude dos
objetivos da Igreja Messiânica Mundial.
Alicerce do Paraíso, “Religião antiga e religião moderna” – (09/07/49)

“Deleitando-se com a Arte, o homem purifica seu corpo e sua alma. É


realmente uma dádiva Divina.”

Como sempre digo, o objetivo da Fé é polir a alma e purificar os sentimentos.


Existem três maneiras para conseguirmos isso: pelo sofrimento oriundo não só de
abstinência ou penitências, mas também de danos e catástrofes; pela soma de
méritos e virtudes e pela elevação da alma por influência da arte de alto nível. Dentre
elas, o caminho mais rápido é este último. E não existe nada melhor, pois nossa
alma vai sendo polida imperceptível e prazerosamente.
Neste sentido, sempre que dispusermos de tempo, é bom lermos a coletânea
intitulada “Yama to Mizu” (Monte e Água), poemas escritos em estilo “waka”(14). Por
( 14)
Waka: poema composto no Japão desde os tempos antigos, semelhante ao haicai, diferenciando-se deste no que diz respeito aos pés
métricos, que são trinta e um. É constituído de cinco versos, dos quais o primeiro e o terceiro são pentassílabos, e os demais,
intermédio deles, nossa alma se eleva sem que o percebamos. Quando a alma se
eleva, a Inteligência da Percepção Verdadeira é polida e, assim, o cérebro se torna
mais claro e a fé se eleva mais facilmente. Isso acontece porque os referidos
poemas são repletos de Verdade, Bem e Belo.
De acordo com o exposto, tenho como objetivo elevar a fé também por meio do
poder do espírito das palavras.
Alicerce do Paraíso, “A respeito da coletânea de poemas “Yama to Mizu”” –
(06/05/50)

heptassílabos.
UNIDADE VIDA E MORTE

“Na alternância entre a vida e a morte, o espírito do homem alcança a glória


eterna.”

(...) Desprendido do corpo, que se tornou inútil, o espírito retorna ao Mundo


Espiritual, onde passa a habitar, começando uma nova vida. Descreverei,
inicialmente, como se processa o instante da morte, observado do Mundo Espiritual.
Geralmente o espírito se desprende do corpo pela testa, pela região umbilical ou
pela ponta dos dedos do pé. O espírito puro sai pela testa; o que tem muitas
máculas, pela ponta dos dedos do pé; o mediano, pela região umbilical. Isso se
explica porque o espírito puro praticou o bem enquanto vivia, somou méritos e foi
purificado; o que tem muitas máculas somou muitos pecados, e o mediano situou-se
entre os tipos mencionados. Tudo está fundamentado na Lei da Concordância.
O exemplo que se segue é a experiência de uma enfermeira que “viu” a morte de um
doente; sua descrição é tão perfeita, que serve de ilustração. É um exemplo
ocidental, porém, tanto no Ocidente como no Japão, existem pessoas que têm a
faculdade de ver espíritos. Não guardei os pormenores da descrição, mas vou
reproduzir as partes mais importantes.
“Certa vez – disse ela – fitando um doente prestes a morrer, notei que de sua testa
subia algo branco, uma espécie de névoa que, espalhando-se lentamente pelo
espaço, tornou-se uma massa informe, semelhante a uma nuvem. Pouco a pouco,
entretanto, começou a tomar a forma humana; minutos depois, apresentou-se
exatamente com as mesmas caraterísticas físicas da pessoa. De pé, no espaço,
olhava atentamente seu corpo inerte, junto do qual os familiares choravam. Parecia
que desejava mostrar-lhes sua presença, mas desistiu, por saber que estava em
dimensão diferente. Mudou, então, de posição, dirigiu-se para a janela e saiu
suavemente”.
Realmente, a descrição acima retrata muito bem os instantes da morte, que os
budistas designam pela expressão “vir para nascer”. De fato, se analisarmos do
Mundo Material, é “ir para morrer”, mas, se o fizermos do Mundo Espiritual, é “vir
para nascer”. Da mesma forma, ao invés de dizerem “antes de morrer”, eles dizem
“antes de nascer”. Assim, o espírito vive no Mundo Espiritual durante determinado
tempo, às vezes dezenas, centenas ou milhares de anos, para nascer novamente.
Desse modo, o homem nasce e morre muitas vezes. Para se referirem a esse
nascer e renascer, os budistas usam a expressão “Rin-ne-Tensho”.
Mas qual é a relação entre o Mundo Espiritual e o homem?
O homem vem ao Mundo Material para cumprir a missão que lhe foi determinada por
Deus, tenha ou não tenha consciência disso. No cumprimento dessa missão,
acumula máculas no seu corpo espiritual. Chega, porém, um momento em que, por
doença, velhice ou outros motivos, torna-se-lhe difícil continuar a cumpri-la. Quando
isso ocorre, o espírito abandona o corpo e retorna ao Mundo Espiritual. Nesse
sentido, desde tempos remotos chama-se “Nakigara” (invólucro vazio) ao corpo sem
espírito, e “Karada” (invólucro) ao corpo carnal de uma pessoa viva.
Na ocasião em que o espírito entra no Mundo Espiritual, inicia·se, na maioria deles, o
processo purificador das máculas. Dependendo do peso e da quantidade destas,
logicamente ele vai ocupar um nível mais elevado ou mais baixo. O período de
purificação é variável. Os períodos mais curtos duram poucos anos, às vezes
dezenas, e os mais prolongados, centenas ou milhares de anos. Os espíritos que
foram purificados até certo ponto, reencarnam, por determinação de Deus. (...)
Alicerce do Paraíso, “Vida e Morte” – (05/02/47)

“As palavras das pessoas que pregam o Caminho desconhecendo o Mundo


Espiritual, são palavras vazias, sem sentido.”

Pude intuir esta maravilha que é o Johrei graças ao conhecimento que tive sobre a
existência do espírito e ao princípio fundamental de que, com a purificação do
espírito, o corpo volta à normalidade. Esse princípio deve ser considerado como um
prenúncio da cultura do futuro. Realmente ele representa uma grande revolução para
a Ciência, e, se o aplicarmos em todos os setores da vida, o bem-estar da
humanidade aumentará incalculavelmente. E não é só isso. Aprofundando-se a
pesquisa desse princípio fundamental, pode-se prever que ele influenciará até a
essência da própria Religião.
A controvérsia sobre a existência de Deus é uma questão que tem desafiado os
tempos e continua sempre presente. E isso se justifica porque, apenas do ângulo de
visão materialista, obviamente as pessoas nada podem compreender a respeito de
Deus, que é Espírito, o qual, para elas, equivale ao Nada. Mas, pela Ciência
Espiritual que estou propondo, é possível reconhecer a existência de Deus e, ao
mesmo tempo, responder a indagações sobre problemas como a vida após a morte,
a reencarnação, a verdade sobre o Mundo Espiritual, os fenômenos de encosto e
incorporação e outras questões relativas ao Mundo Desconhecido, que chamo
também de Mundo Intemporal.
Primeiramente devo explicar como se processou a evolução do meu pensamento.
Quando jovem, eu era extremamente materialista. Até mais ou menos quarenta anos
nunca entrei em templo algum. Achava tolice adorar ou rezar para uma pedra, um
espelho ou um papel escrito, que constituem a imagem de Deus nos templos
xintoístas e são colocados num recipiente com formato de caixa, feito por
carpinteiros, com tábuas de cânfora, e chamado “Omiya”. Nos templos budistas
também se adora um Buda desenhado em papel, ou as estátuas de Kannon, Amida
e Buda talhadas em madeira, pedra ou metal. Eu costumava afirmar que Kannon e
Amida só existiam na imaginação do homem; por conseguinte, achava que era uma
adoração ainda mais sem sentido, não passando de idolatria.
Naquele tempo, li a tese do famoso filósofo alemão Rudolf Eucken (1846-1926), o
qual diz que o homem possui o instinto inato de adorar qualquer coisa e, assim, criou
e adora os seus próprios ídolos, caindo na auto-satisfação. Como prova disso,
acrescenta ele, todas as oferendas depositadas no altar estão voltadas para o lado
dos homens e não para o lado de Deus. Senti-me perfeitamente identificado com a
tese e até considerava que a existência de templos era prejudicial ao progresso da
Pátria, porque as nações que possuíam muitos templos estavam em declínio e
aquelas que quase não os tinham achavam-se em franco desenvolvimento. Apesar
disso, mensalmente eu contribuía com uma modesta quantia para o Exército da
Salvação, e por esse motivo era visitado por um sacerdote que sempre insistia em
que eu me convertesse ao cristianismo. Ele me dizia: “As pessoas que contribuem
para o Exército da Salvação geralmente são cristãs. Por que o senhor contribui se
não é cristão?” Então expliquei: “O Exército da Salvação trabalha para a recuperação
de ex-presidiários, transformando-os em pessoas de bem. Se não existisse, talvez
um deles tivesse entrado em minha casa para me roubar. Portanto, se o Exército da
Salvação está impedindo que isso aconteça, é natural que eu seja agradecido e
colabore nas suas obras”.
Houve muitos casos semelhantes, porém, na época, apesar de fazer o bem, eu não
acreditava em Deus nem em Buda. Sendo assim, poderão compreender quão forte
era a minha tendência a jamais acreditar naquilo que não se pode ver.
Naquele tempo, as minhas atividades comerciais iam muito bem, e eu estava no
auge da autoconfiança, mas um de meus empregados me fez perder tudo. A sorte
adversa, manifestada através do falecimento de minha primeira esposa, dos
embargos judiciais sofridos, da falência e de outras desgraças, arrastaram-me para o
fundo do abismo. Como resultado, acabei recorrendo àquilo a que todos recorrem
nessas ocasiões: a Religião. Também eu fui à procura da salvação no xintoísmo e no
budismo, como era de praxe, e assim tive conhecimento da existência de Deus, do
Mundo Espiritual, da vida após a morte, etc. Refletindo sobre o meu passado,
arrependi-me da vida inútil que levara até então.
Após esse despertar, meu conceito sobre a vida deu uma volta de cento e oitenta
graus. Compreendi que o homem é protegido por Deus e que, se ele não reconhecer
a existência do espírito, não passa de um ser vazio. Também entendi que, mesmo na
pregação moral, se não fizermos com que as pessoas reconheçam a existência do
espírito, ela não terá nenhum valor. Por isso, caros leitores, faço votos de que
“abram os olhos” para os esclarecimentos que darei sobre os fenômenos espirituais.
Alicerce do Paraíso, “Deus Existe?” – (05/02/47)

“Desconhecendo que foi criado por Deus, o homem estulto nega a existência
do Criador.”

(...) Essa é a ordem normal, porém, de acordo com a pessoa, há situações em que
não se obedece a ela. Isso acontece com aqueles que, na ocasião da morte, têm
forte apego à vida. Eles reencarnam antes de terem sido suficientemente purificados
no Mundo Espiritual. Geralmente têm destino infeliz, porque lhes restam
consideráveis máculas da vida anterior, que precisam ser eliminadas. Por essa razão
é que muitos praticam o bem mas vivem perseguidos pelos infortúnios. São pessoas
que na vida anterior cometeram muitos pecados e, quando morreram,
arrependeram-se seriamente, tomando a firme decisão de não persistir no erro. Esse
propósito ficou impregnado em seu espírito, mas, como reencarnaram sem terem
sido suficientemente purificadas, vivem sempre cercadas de sofrimento, apesar de
detestarem o mal e praticarem o bem. Entretanto, não são poucos os exemplos de
pessoas que, passando um período de infelicidade e tendo redimido os seus
pecados, tornam-se subitamente felizes.
Há homens que se orgulham de não conhecerem outra mulher além de sua esposa,
e outros que não desejam casar-se, terminando a vida solteiros. São indivíduos a
quem as mulheres causaram muita infelicidade na vida anterior, e por esse motivo
morreram com uma espécie de temor ao sexo feminino, sentimento que deixou
marcas em seu espírito.
Algumas pessoas têm especial aversão ou receio de aves, insetos ou outros bichos.
Isso tem origem na morte que tiveram, causada por um desses animais. O mesmo
pode ser dito em relação àqueles que temem a água, o fogo ou os lugares altos.
Outros têm medo de lugares onde se aglomera muita gente. Quando alguém sente
isso, é porque em outra vida morreu pisoteado pela multidão. É interessante o pavor
que certas criaturas têm de ficar sozinhas. Ministrei Johrei numa pessoa assim. Ela
não podia ficar sozinha dentro de casa. Nessas ocasiões, saía para a rua e ficava
esperando alguém chegar. Provavelmente, na vida anterior, tais pessoas faleceram
de um mal súbito, quando estavam sozinhas.
Pelos diversos exemplos citados, concluímos que, no dia-a-dia da sua vida, o
homem deve se esforçar para morrer em paz, sem apegos, temores e outras
preocupações.
Quando uma pessoa nasce deformada ou aleijada, geralmente é porque reencarnou
antes de estar suficientemente purificada no Mundo Espiritual. Por exemplo: antes
de ser curada de fratura nas mãos ou nas pernas, provocada pela queda de um
lugar alto. Além do apego do próprio falecido, há outro motivo para a reencarnação
prematura: a influência do apego dos familiares. É comum o caso de mulheres que
engravidam logo após o falecimento de um filho querido. Esse novo filho é aquele
que morreu e reencarnou prematuramente, em virtude do apego da mãe.
Geralmente essas crianças não são muito felizes.
Existem pessoas sábias e pessoas ignorantes. Por quê? Pela diferença de idade
entre suas almas: as primeiras têm alma velha; as segundas têm alma nova. A alma
velha, por ter reencarnado muitas vezes, possui uma larga experiência do mundo, ao
passo que a nova, por ter sido criada recentemente no Mundo Espiritual, tem pouca
experiência, motivo pelo qual é mais ignorante. Como vemos, também há um
processo de procriação no Mundo Espiritual.
Ainda podemos citar algumas experiências pelas quais muitos já passaram.
Certas pessoas, ao encontrarem alguém que nunca viram, têm a impressão de
tratar-se de pessoa já conhecida. Sentem uma grande emoção, como se fossem pai
e filho, ou irmãos; podem até experimentar um sentimento mais profundo. A razão é
que na vida anterior eram parentes bem próximos ou tinham laços de estreita
amizade; a isso se convencionou chamar de “in-nen” (afinidade espiritual).
Também, por ocasião de uma viagem, encontramos lugares pelos quais sentimos
especial simpatia ou atração e onde desejaríamos residir. É porque em outra vida
residimos ou passamos muito tempo nesse locais.
No relacionamento entre homem e mulher, há casos em que ambos ficam em idílio
ardente, que progride até se tornar um amor cego. A explicação é que na vida
anterior, apesar de enamorados, eles não conseguiram unir-se. Entretanto, na vida
atual, apresentando-se essa oportunidade, cria-se entre os dois um amor
apaixonado.
Ao lermos ou ouvirmos falar de determinados personagens ou acontecimentos
históricos, podemos sentir simpatia ou até ódio. Isso acontece porque já vivemos na
época em que aqueles fatos ocorreram, ou porque tivemos algum relacionamento
com aqueles personagens.
Alicerce do Paraíso, “Vida e Morte” – (05/02/47)

“O homem que tem consciência da eternidade da vida, é um verdadeiro


homem.”

Enquanto vive no Mundo Material, o homem deve se esforçar para cumprir


plenamente a missão que lhe foi concedida por Deus, contribuindo para o bem da
sociedade. A maioria das pessoas, no entanto, fica atenta apenas aos aspectos
exteriores das coisas e, inconscientemente, pratica ações subordinadas ao Mal. Em
conseqüência, no seu corpo espiritual vão se acumulando máculas. Passando para
o Mundo Espiritual, nele se efetua uma rigorosa eliminação dessas máculas.
Realizei minuciosos estudos e pesquisas, procurando ouvir o maior número possível
de espíritos desencarnados, através de médiuns. De tudo que esses espíritos
disseram, eliminei aquilo que pode não ser verdade, transcrevendo apenas os
pontos coincidentes entre os muitos depoimentos que ouvi. Por isso, tenho certeza
de que não há erros em minhas explanações.
Ao entrar no Mundo Espiritual, a maioria dos espíritos é conduzida para o local a que
dou o nome de Plano Intermediário. No xintoísmo, chamam-no de “Yatimata”
(encruzilhada de oito direções); no budismo, “Rokudo no Tsuji” (esquina de seis
caminhos), e no cristianismo, Purgatório. Entretanto, desejo chamar a atenção para
um fato: o Mundo Espiritual do Oriente é mais verticalizado que o do Ocidente, e o
Mundo Espiritual do Japão é o que se apresenta mais vertical. Por isso é que a
sociedade japonesa é particularmente constituída de muitos níveis hierárquicos, e a
sociedade ocidental, menos hierarquizada, mais propensa à igualdade. O objeto de
minhas pesquisas foi o Mundo Espiritual do Japão. Espero que não esqueçam esse
fator, ao lerem minhas palavras.
Fundamentalmente, o Mundo Espiritual é constituído de nove níveis, pois tanto o
Plano Superior, quanto o Intermediário e o Inferior são formados de três níveis. Após
a morte, o espírito das pessoas comuns vai para o Plano Intermediário, mas o
espírito daqueles que foram muito bons sobe imediatamente ao Plano Superior, e o
dos perversos desce incontinenti ao Plano Inferior. Podemos ter mais ou menos uma
idéia disso observando a forma como ocorre a morte.
Aqueles cujo espírito vai para o Plano Superior, sabem a data aproximada em que
vão morrer e, nessa ocasião, não sentem nenhum sofrimento. Chamam os mais
chegados, expressam seus últimos desejos e morrem em paz, como se a morte
fosse a coisa mais natural. Ao contrário, aqueles cujo espírito vai para o Plano
Inferior têm morte muito dolorosa, agonizando em meio a sofrimentos extremos. Os
que vão para o Plano Intermediário estão sujeitos a sofrimentos menos dolorosos. A
maioria dos espíritos vai para este plano, e podemos deduzir isso observando a face
do cadáver. Se o espírito foi para o Plano Superior, não há nenhuma expressão de
sofrimento; pelo contrário, a pessoa fica como se estivesse viva. Se foi para o Plano
Inferior, a face do cadáver se apresenta escurecida ou preto-esverdeada, com uma
expressão de agonia. A face daqueles cujo espírito foi para o Plano Intermediário,
em geral mostra-se amarela, como é o caso da maioria dos cadáveres.
Falarei primeiramente sobre os espíritos que se destinam ao Plano Intermediário.
Para chegarem lá, eles têm de atravessar um rio. Nessa ocasião, um funcionário
examina-lhes a roupa; se esta é branca, o espírito passa, mas se é de cor, ele é
obrigado a trocá-la por uma de cor branca. Há duas versões: segundo uns, o espírito
passa por uma ponte; segundo outros, não há ponte, e ele atravessa o próprio rio.
Estes últimos falam, ainda, que o rio não tem água e que as ondas que se tem
impressão de ver nada mais são que as ondulações dos corpos de inúmeros
dragões se movimentando.
Quando o espírito acaba de atravessar o rio, a veste branca apresenta-se tingida; a
cor varia de acordo com a quantidade de máculas. A dos espíritos mais maculados
tinge-se de preto. A seguir, por ordem decrescente de máculas, a veste pode tornar-
se azul, vermelha, amarela, etc., sendo que a dos mais puros permanece branca.
Em seguida, de acordo com a tese budista, o espírito vai para o Fórum, onde é
julgado. O julgamento é bem diferente do que ocorre no Mundo Material: caracteriza-
se pela imparcialidade, não havendo o mínimo de favoritismo nem de equívocos. Na
hora do julgamento, os espíritos vêem de forma diferente a face de Enma Daio, o
juiz. Para os perversos, ele se apresenta com os olhos brilhando assustadoramente,
abre a boca até às orelhas e, quando fala, cospe fogo; só de vê-lo o espírito já fica
atemorizado. Entretanto, os bons vêem-no com uma expressão afável, branda e
afetuosa, mas sóbria; o espírito, naturalmente, sente simpatia e respeito por ele.
Um por um, os pecados são refletidos num espelho de cristal puro e, em seguida,
julgados. O julgamento é precedido de uma investigação, procedendo-se, depois, à
comparação das condições presentes do espirito com os outros registros seus
existentes no Fórum. Quem exerce a função de juiz no fórum do Mundo Material,
também a exerce no Mundo Espiritual. Segundo o xintoísmo, o fiscal dos promotores
é “Haraido no Kami” (deus da purificação), e o Enma Daio é a divindade chamada
“Kunitokotati-no-Mikoto”.
Após receber a sentença, o espírito dirige-se para um dos três níveis do Plano
Superior ou do Plano Inferior. Portanto, a “esquina de seis caminhos” a que
aludimos, como o próprio nome indica, é a encruzilhada para ele ir a um daqueles
níveis. Todavia, embora tenha ficado decidido que o espírito vai para o Plano Inferior,
concede-se a ele mais uma oportunidade: fazer aprimoramento no Plano
Intermediário, para a sua elevação. Aqueles que se arrependem e se convertem, ao
invés de irem para o Plano Inferior como estava determinado, vão para o Plano
Superior.
O trabalho de orientação é realizado pelos eclesiásticos das respectivas religiões,
como faziam no Mundo Material. Tais eclesiásticos, após seu falecimento, recebem
ordem para cumprir essa missão. No Plano Intermediário, o período de
aprimoramento vai de alguns dias até trinta anos, e aqueles que não conseguem
arrepender-se, descem ao Plano Inferior. Há um outro fator ainda. Se os parentes,
amigos e conhecidos lhe oferecem cultos após a morte – cultos feitos de coração,
com todo “makoto” – ou somam méritos e virtudes praticando o bem, fazendo feliz o
próximo, a purificação do espírito desencarnado será acelerada. Por essa razão, a
dedicação aos pais, a fidelidade ao cônjuge, etc., aqui no Mundo Material, reveste-se
de grande significado mesmo após a sua morte, e eles ficam muito contentes com
os cultos feitos em sua memória.
Alicerce do Paraíso, “Julgamento no Mundo Espiritual” – (05/02/47)
“A boa ação praticada sem que os olhos de outras pessoas a enxerguem, é um
tesouro que não apodrece nem se queima.”

A morte pode ocorrer de muitas formas. Uns morrem de repente por hemorragia
cerebral, apoplexia, ataque cardíaco, desastre, etc., e quem nada conhece sobre o
assunto diz que essas pessoas é que são felizes, porque não passam pelas
angústias nem pelas dores da doença. Entretanto, nada mais errado; ninguém é
mais infeliz do que elas. Como não estavam prepara das para morrer, mesmo
habitando o Mundo Espiritual não têm noção de que faleceram e continuam
pensando que estão vivas. Além do mais, como os elos espirituais se mantêm após
a morte, o espírito, através desses elos, tenta encostar num parente consangüíneo.
Geralmente encosta em criança ou em pessoas fisicamente enfraquecidas, como
senhoras anêmicas em conseqüência de parto, visto que nelas o encosto se torna
mais fácil. Essa é a causa da paralisia infantil autêntica, e também pode ser a causa
da epilepsia. É por isso que a paralisia infantil freqüentemente apresenta sintomas
semelhantes aos da hemorragia cerebral. A epilepsia manifesta os sintomas dos
instantes da morte. Por exemplo: quando a pessoa espuma, é porque se trata da
incorporação do espírito de alguém que morreu afogado; se tem ataque ao ver fogo,
trata-se da incorporação do espírito de uma pessoa que morreu queimada. Há
diversos outros casos em que se manifestam condições relacionadas com morte
antinatural. O sonambulismo também tem a mesma causa, assim como muitas
doenças de origem espiritual.
Sobre mortes antinaturais, há um aspecto que convém conhecer.
Os espíritos daqueles que morreram assassinados, que se suicidaram, etc., durante
algum tempo não podem sair do local em que ocorreu a morte, e são chamados de
“espíritos presos à terra”. Geralmente eles ficam circunscritos a um espaço mais ou
menos exíguo (de dez a cem metros) e, não suportando a solidão, tentam atrair
companheiros. Por essa razão, tornam-se freqüentes as mortes nos locais onde
aconteceram desastres, como estradas de rodagem e de ferro, nos locais onde
houve afogamentos, como lagos e rios, ou onde alguém se enforcou. Os “espíritos
presos à terra” não podem desligar-se desses locais durante cerca de trinta anos,
mas, de acordo com a atenção e o carinho que seus familiares lhes dispensam,
oferecendo-lhes cultos para sua elevação, esse tempo pode ser muito abreviado.
Por isso, devem dispensar uma atenção toda especial aos espíritos daqueles que
não tiveram morte natural.
Todos os mortos, especialmente os suicidas, continuam no Mundo Espiritual com as
dores e as angústias do momento em que morreram. Os suicidas se arrependem
seriamente, porque o Mundo Espiritual é a continuação do Mundo Material. Por essa
razão, se a morte ocorre em meio a sofrimentos, o espírito vai para o Plano
Intermediário ou para o Plano Inferior, mesmo que se trate de uma pessoa bondosa.
Quem era solitário antes de morrer, continua solitário no Mundo Espiritual; os que
não tinham sorte, continuam sem sorte.
Contudo, há casos particulares em que a situação no Mundo Espiritual torna-se o
oposto do que era no Mundo Material. É o que acontece, por exemplo, com aqueles
que enriqueceram à custa do sofrimento alheio. É, também, o caso dos avarentos.
Indo para o Mundo Espiritual, eles ficam paupérrimos e se arrependem
enormemente. Ao contrário, pessoas que no Mundo Material gastaram grandes
somas para o bem da humanidade, acumulando méritos pelo altruísmo praticado, no
Mundo Espiritual tornam-se ricas e afortunadas. Criaturas que aparentavam uma
dignidade que não tinham, poucos meses ou um ano depois da passagem para o
Mundo Espiritual tomam uma aparência de acordo com seu verdadeiro caráter. Isso
se justifica porque o Mundo Espiritual é o mundo do pensamento, e aquilo que
esconde o pensamento, ou seja, o corpo carnal, já não existe. Os pensamentos
malévolos e indignos fazem com que o espírito tome um aspecto feio ou até horrível;
já o espírito daqueles que acumularam méritos pelo seu altruísmo, toma uma
aparência bondosa e agradável. Podem, pois, compreender a diferença entre o
Mundo Espiritual e o Mundo Material. Realmente, no Mundo Espiritual não há
parcialidade de forma alguma. (...)
Alicerce do Paraíso, “As diversas expressões faciais após a morte.” – (25/08/49)

“A dedicação é a maior manifestação de amor que os descendentes podem dar


aos seus ancestrais, que habitam o Mundo Espiritual.”

Desde épocas remotas há controvérsias sobre a existência de fantasmas, mas eu


afirmo que eles existem. Trata-se de uma realidade que ninguém pode negar. Creio
que a tese do Inferno e do Paraíso, pregada por Buda, assim como a do Inferno,
Purgatório e Céu, da “Divina Comédia” de Dante Alighieri (1265-1321), não são teses
sem fundamento, absurdas ou ilusórias.
Que é o Mundo Espiritual? Em síntese, o Mundo Espiritual é o mundo da vontade e
do pensamento. Sem o empecilho da matéria, há uma liberdade que não existe no
Mundo Material. O espírito pode ir aonde quiser, e mais rapidamente do que uma
aeronave. No xintoísmo, as palavras “Tome assento nesse templo, vencendo o
tempo e o espaço”, proferidas nas cerimônias litúrgicas, significam que um espírito
pode cobrir a distância de mil léguas em alguns minutos ou até segundos.
Entretanto, a rapidez com que ele se move depende da sua hierarquia. Os espíritos
elevados, isto é, aqueles que conseguiram atingir os níveis de hierarquia Divina, são
mais velozes. O espírito do nível mais alto da hierarquia Divina pode chegar ao local
mais distante num espaço de tempo menor do que a milionésima parte de um
segundo, mas o espírito de nível inferior leva algumas dezenas de minutos para
cobrir mil léguas. Isso porque, quanto mais baixo o nível do espírito, mais pesado ele
é, devido às suas impurezas.
Além disso, por sua própria vontade, o espírito pode aumentar ou diminuir de
tamanho. Numa Morada dos Ancestrais com mais ou menos trinta e cinco
centímetros de largura, podem tomar assento várias centenas de espíritos. Nessa
oportunidade, é rigorosamente observada a ordem, isto é, cada um ocupa a posição
adequada ao seu nível, dentro da maior disciplina e com a indumentária apropriada.
No budismo, eles assentam no seu nome intemporal, escrito numa placa de madeira
ou de qualquer outro material; no xintoísmo, assentam num espelho, numa pedra,
numa letra ou no “Himorogui” (cruz feita de fibras de linho).
Logicamente, os espíritos ficam muito satisfeitos pelos cultos que lhes são
oferecidos de coração, mas o mesmo não acontece se são atos apenas formais.
Assim, nas ocasiões de culto, as pessoas devem colocar o máximo de sentimento e
realizá-lo de forma ideal, de acordo com as condições materiais do momento.
Desde épocas remotas fala-se em pessoas que ocasionalmente vêem fantasmas,
mas na maioria dos casos trata-se de espíritos com poucos dias de desencarnados.
O grau de densidade das células espirituais dos recém-falecidos é elevado, razão
pela qual esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas. Nada há de
estranho, portanto, no fato de muitos terem visto a Ressurreição e Ascensão de
Cristo. Todavia, como o espírito de Cristo era elevado, Divino, ascendeu ao Céu.
Com o passar do tempo, o espírito é purificado, ficando menos denso, e, assim, mais
difícil de ser visto. Um fantasma pode entrar e sair livremente por um orifício do
tamanho do buraco de uma agulha, pois não tem corpo carnal que lhe estorve a
passagem. Em vista disso, muitos podem pensar que o Mundo Espiritual seja o lugar
ideal para quem ama a liberdade, mas não é bem assim. Nele existem leis que são
aplicadas rigorosamente, e a liberdade é limitada.
Agora falarei rapidamente sobre a expressão facial dos espíritos.
Os fantasmas geralmente são retratados com a expressão facial dos instantes da
morte. Entretanto, com o decorrer do tempo, a expressão do espírito vai mudando
lentamente, amoldando-se à índole da pessoa. Por exemplo, os tímidos, os
pessimistas e os solitários tomam um aspecto lúgubre, raquítico; os possuidores de
natureza diabólica e animalesca, tomam a aparência do próprio demônio; os de
pensamento vil ficam com a face disforme, e os que têm bom coração adquirem uma
expressão bondosa e bela. No Mundo Material, é possível encobrir o pensamento,
pela configuração chamada corpo carnal, mas no Mundo Espiritual tudo é revelado,
aparecendo exatamente como é. Essa imagem verdadeira aparece mais ou menos
um ano após a morte.
Num livro da autoria de um grande religioso, há mais ou menos esta referência:
“Quando o homem falece, seu espírito se extingue. O espírito não é eterno, nem
tampouco existe Mundo Espiritual; se existisse, já estaria repleto, pois o número de
pessoas que faleceram atinge vários bilhões”. Esse autor, apesar de ser um
expoente do budismo, desconhece o poder de elasticidade do espírito.
Alicerce do Paraíso, “Existem fantasmas?” – (05/02/47)