TEORIAS DA COMUNICAÇÃO:
INSERÇÃO, RELAÇÕES E
COMPLEXIDADES
RESUMO
Relações Públicas, com a intenção de identificar os pontos de semelhança entre ambas e a sua
Relações Públicas. A partir deste estudo, será feita uma analogia das elaborações teóricos-
Públicas.
4
ABSTRACT
The aim of this paper is to present a critical analysis of Communication and Public
Relations Theories with the intention of identifying points of similarity between both and their
use in the communication process. Thus this study will show the essenciality of integrating
Communication theories with public relation activities . After this study an analogy about the
done.
The general objective of this study is to compare the Communication theories and the
attributions of a professional of public relations. The specific him of this study is revising
with the function of public relations; clarifying Public Relations function; advancing
communicational theoric knowledge and working the consonance and dissonance between
The methodology used in this study was the bibliografhical research anylising the
universe of printed materials (bocks, magazines and monograph) and eletronic field (internet).
Words keys: Theories of the Communication; Public Relations; Theories of the Public
Relations.
5
Anair Weirich
6
Agradecimentos
Agradeço de coração ao meu pai e minha mãe, por todo amor e carinho que me
dedicaram.
In memória, agradeço aos meus avós maternos, por todo ensinamento e carinho.
Aos irmãos, sobrinhas, tios e primos agradeço pelo apoio e compreensão nas horas
Aos amigos agradeço o apoio e a força que me deram direta ou indiretamente nesta
Um agradecimento especial a Marta Dal Ri, que, mais que uma amiga, tornou-se
uma irmã.
Aos mestres agradeço pela dedicação e paciência nesta longa jornada, na qual
profissão.
Sumário
Introdução ......................................................................................................................... 10
Introdução
Esta monografia foi elaborada como requisito básico para a conclusão do Curso de
Tem como objetivo fazer uma análise crítica das teorias da Comunicação e das
Relações Públicas, com a intenção de identificar os pontos de semelhança entre ambas e a sua
conhecimentos sobre as teorias da Comunicação, estudadas durante o curso, uma vez que
estas apresentam os preceitos que servem de base a todo o processo de comunicação existente,
constituindo-se no princípio que deve nortear todo e qualquer projeto. Ante isso, está o
Comunicação com a atividade de Relações Públicas. A partir deste estudo, será feita uma
entre os estudantes universitários, para que estes, conhecendo os princípios que nortearam os
estudiosos em suas pesquisas, sejam capazes de entender sua atividade e situar-se no eixo
é vital para o ser humano e que sem ela o homem não teria se desenvolvido. Deve-se
considerar, também, que os atos comunicativos integram a evolução social, uma vez que os
indivíduos têm a necessidade de transmitir aos outros suas intenções, desejos, sentimentos,
quantidade quanto na qualidade das informações que o homem recebe diariamente, através
dos meios de comunicação (rádio, jornal, televisão, Internet, entre outros), e que há pouca
disponibilidade de tempo para sua analise e interpretação, é importante estar atento, também,
para o fato de que a comunicação é a marca do terceiro milênio, o que torna ainda mais
necessária a sua compreensão e a perfeita aplicabilidade das suas técnicas por parte dos
gestão de relacionamento com os públicos, bem como auxiliar as organizações a alcançar seus
definição clara para as suas atribuições e funções. Isto porque existem muitas divergências
alunos e professores durante o curso, pretende-se, com este estudo, contribuir para elucidação
12
2003. Foi escolhida a primeira quinzena de setembro de 2002 para a escolha e análise da
comparação dos títulos catalogados. Após a etapa de compilação das informações obtidas,
Finais:
deste trabalho, quando será feita a confrontação destas com as teorias de Relações Públicas.
diversas teorias, objetivando identificar os pontos convergentes entre elas. Após esta
13
identificação, será analisada de que forma as Relações Públicas podem contribuir para
Acredita-se que esta monografia deverá contribuir para a compreensão das teorias da
Comunicação e sua efetiva aplicação no trabalho desenvolvido pelos relações públicas, já que
comunicacional.
14
A análise das teorias da comunicação é o tema central deste capítulo, devido à sua
A relevância, neste caso, dá-se por ser o objeto de estudo de suma importância para a
compreensão, interpretação e elucidação dos fatos e fatores que interferem nas trocas
simbólicas. Busca-se, a partir deste trabalho, identificar as falhas existentes no repasse das
informações, com o intuito de proporcionar uma melhora na Comunicação. Para que isso seja
A falsa idéia de que a teoria serve apenas para definir uma doutrina, é difícil e sem
utilidade, não correspondente à realidade, está associada à definição dada quando da sua
e meramente racional. Esta situação perpetua-se desde a época dos pensadores, por volta de
384 a. C., na antiga Grécia, quando por definição dos filósofos a teoria foi considerada como
sendo um ato de abstração, ou seja, possível apenas aos intelectuais, excluindo as demais
15
pessoas, pois estas não dispunham de tempo, nem de conhecimento suficiente para exercer tal
prática.
Posteriormente, surgiram outros estudiosos das teorias nas mais diversas áreas do
distanciamento entre o conceito e a prática, talvez por serem essas definições e conceitos
formulados em linguagem técnica não atraiam tanto o interesse da maioria das pessoas. Além
do mais, o interesse cotidiano volta-se para outro nível de problema, mais ligado à
sobrevivência imediata.
contemplação, mesmo sem perceber ele observa, questiona, pesquisa, analisa e tira conclusões
O que pode ser observado na definição acima, é o cotidiano das pessoas. Porém, elas
não vêem desta maneira. Tendo em vista que as atividades desenvolvidas diariamente, são
aprendidas ao longo da sua vida, tornam-se automáticas, por isso, quando elas são solicitadas
a escrever ou a pensar a respeito, alegam não serem capazes, que é um processo muito
complexo.
No livro O que é Teoria, Otaviano Pereira discorre com muita propriedade sobre a
1
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Hoauiis da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2001. p. 2697.
16
contemplação abstrata. Contudo, a palavra como é definida pelo dicionário não permite uma
maior compreensão para além do seu significado literal, fato este que causa muitos impasses
Para que se consiga desfazer a confusão gerada sobre a teoria é necessário dirimir os
mesma forma, deve-se também procurar evitar que o fator ideológico interfira no trabalho
técnico, uma vez que este tem por vezes mais poder de persuasão que o trabalho científico.
Ao ratificar esses questionamentos, o autor diz que “não se deve acusar ninguém, mas
deve-se saber que há muita confusão entre uma coisa e outra”.3 Alerta para que seja
observado que estas confusões estão incorporadas na sociedade e no pensamento geral através
2
PEREIRA, Otaviano. O que é teoria. São Paulo: Brasiliense, 1995. p. 8.
3
Ibid., p. 9.
17
do modo como a realidade é abordada. É necessário perceber que existe um senso comum que
domina
o homem e que deve criar uma atitude metodológica adequada, que permita purificar muitas
alimentadas.
A escola é o lugar onde se deve cultivar a teoria, juntamente com a prática, o ensino, a
pesquisa e, isso, não vem acontecendo; ao contrário, hoje se criou uma espécie de neurose ou
fobia teórica, gerada pela mudança dos métodos didáticos, após o golpe do ano de 1964.
[...] teoria e abstração parecem, mas não são a mesma coisa. É porque são duas
realidades tão inseparáveis e independentes que nos confundem. A questão é que a
palavra em estado de dicionário reforça em nós este senso-comum perigoso. Pura e
simplesmente contrapõe teoria com a prática como excludentes. Aí teoria não passa
do estágio de abstração. Ora, não é a teoria que se contrapõe à prática pura, é a
abstração. Neste sentido, de fato, informações de dicionários são insuficientes para
uma crítica e uma compreensão mais apurada da teoria.4
Além disso, deve-se considerar que, de fato, fora do horizonte da prática que a
Na seqüência, Pereira coloca que a questão central da teoria não se trata do ato
mundo e na relação com o outro.5 Enfatiza que é preciso, em primeiro lugar, que haja lucidez
conceitos que se encontram, e que apenas se parecem, como, por exemplo fazer a distinção
4
Ibid., p. 11.
5
Ibid., p. 13.
18
(qualquer que seja), mais que uma questão lógica, é uma questão antropológica, pois está
Deve-se observar também que essa confusão teórica não é recente, ela perpetua-se
desde 384 a. C. a partir da definição de teoria acabada dada por Aristóteles, a qual deixou
pouca possibilidade de explicar e ampliar esse conceito e tornar o pensamento mais dinâmico.
exercício do pensamento. Teorizar não é apenas abstrair-se, é observar o todo com o intuito de
fazer uma análise geral da situação (macro) em relação ao indivíduo (micro), com o objetivo
Pedro Gilberto Gomes apresenta uma definição mais clara do termo teoria, como
sendo “[...] um conjunto de leis que procuram explicar a realidade, os fatos concretos. [...] As
conceituação da teoria, pois ele utiliza-se de exemplos práticos e simples para explicá-la, o
Observa ainda que “existem muitos preconceitos com relação à teoria e à prática, pois
essa é identificada com a experiência, sem sustentação; e aquela é vista como uma abstração,
um verbalismo, algo fora da realidade”.7 Não é possível a separação das duas, pois elas se
complementam.
6
GOMES, Pedro Gilberto. Tópicos da Teoria da Comunicação. São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 1997. p. 10.
7
Ibid.
19
ligação entre a teoria e a prática. Esta análise explica que a teoria não existe se não houver
uma situação ou observação que a legitime. Observa também que a teoria não tem “sentido
em si, mas em sua referência à ação” e que a prática “desperta a teoria e será critério de
julgamento da mesma”. 9
estudo das teorias com maior profundidade e objetividade. Pois estas são de fundamental
importância para o exercício de qualquer atividade profissional, uma vez que elas trarão mais
Conclui dizendo que ambas as teorias não podem se reduzir mutuamente, isto é, são
irredutíveis uma à outra, pois não há teoria que substitua a ação, nem ação que se
autolegitime10.
A palavra teoria é quase tão indefinível quanto o termo comunicação. [...] Com
muita freqüência, as pessoas usam o termo teoria para significar qualquer conjetura
não-fundamentada sobre alguma coisa. Mesmo entre os cientistas, escritores e
11
filósofos, o termo teoria é empregado de modos diferentes.
problema apenas para os leigos, e até os estudiosos encontram dificuldades em sua definição e
empregabilidade. No entanto, deve-se levar em conta que cada pessoa faz sua análise a partir
da realidade em que vive e esse fator interfere muito na interpretação e nas conclusões de
8
Ibid., p. 11.
9
Ibid.
10
Ibid.
11
LITTLEJOHN, Stephen W. Fundamentos Teóricos da Comunicação Humana. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
p. 19.
20
cada um. Até mesmo esta definição sofreu a influência da percepção do autor e da época em
Littlejohn apresenta dois aspectos das teorias, em primeiro lugar que “todas as teorias
dos enunciados.12 Conseqüentemente, considera toda a teoria parcial, deixa algo de fora, uma
vez que se concentra em certos aspectos do processo, a custas de outros. A teoria jamais
revelará a verdade, pois seu autor está sempre tentando sublinhar e explicar o que ele acredita
ser importante. Em segundo lugar, diz que “todas as teorias devem ser vistas como
construções”, pois são criadas por pessoas e representam os vários modos como os
observadores vêem o meio à sua volta, mas que as teorias não são, em si mesmas, a realidade.
Vera Veiga França ratifica, também, que “uma teoria sem prática é pura abstração; só
a prática é fundadora – é ela que problematiza, instiga, coloca questões: o homem teoriza não
apenas porque pensa, mas porque sente, age, se relaciona”. Ela complementa sua
argumentação dizendo que “não cabe à teoria captar mecanicamente reflexos do mundo, mas
processo reflexivo que o homem tem condições de analisar os acontecimentos ao seu redor e a
Assim como Gomes, França ratifica que teoria desvinculada da prática é abstração.
Contudo, vale lembrar que ambos compactuam do pensamento de que a teoria explica a ação
12
Ibid., p. 20.
13
Ibid.
14
FRANÇA, Vera Veiga. O objeto da comunicação / A comunicação como objeto. In: HOHLFELDT, Antônio;
MARTINO, Luiz C.; FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.). Teorias da Comunicação: conceitos, escolas e tendências.
Petrópolis: Vozes, 2001. p. 39-60. p. 45.
21
humana, pois é a partir das reflexões do homem que elas são elaboradas. Da mesma forma,
cada indivíduo.
Relações Públicas.
conceituar comunicação, porque, assim como acontece com a teoria, este termo suscita
Falar em e sobre comunicação todos falam, mas será que a maioria sabe o que este
termo significa? É incoerente dizer que as pessoas, apesar de utilizarem a comunicação no seu
dia-a-dia, não conseguem defini-la, nem utilizá-la corretamente. Talvez isso aconteça em
Para tanto, assim como no item anterior, é necessário definir a palavra comunicação
com o intuito de fazer um melhor uso do termo e das oportunidades que esta atividade
proporciona.
significa:
apresenta seu conceito e, também, define a forma como se processa o repasse das informações
Nesta definição de comunicação pode-se observar que o autor descreve as reações que
são produzidas no ser durante o processo comunicativo, à maneira como ele responde a essa
interferência e o que acontece quando o processo é interrompido. Neste caso não existe a
preocupação em definir o termo, mas em explicar como ele se processa e quais são seus
efeitos.
Convém lembrar que a necessidade do homem comunicar-se é tão antiga que remonta
às primeiras civilizações. Como exemplo disso, temos as inscrições rupestres, que revelam
através de seus desenhos o modo de vida das comunidades primitivas. Além destas inscrições
15
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles, op. cit., p. 781.
16
RABAÇA, Carlos Alberto; BARBOSA, Gustavo Guimarães. Dicionário de Comunicação. Rio de Janeiro:
Campus, 2001. p. 156.
17
Ibid.
23
deve-se considerar também que existem outras culturas, como a dos índios, que, apesar de não
deixarem nada gravado ou por escrito, transmitem seus conhecimentos de forma oral, com o
intuito de preservar a sua cultura. Com a evolução, o ser humano foi desenvolvendo
certo que esse processo não se encerra, é continuo, assim como a comunicação adequa-se às
só é possível por meio da comunicação”, pois é através dela que existe a ligação e integração
da humanidade, na medida em que está presente em qualquer momento e lugar onde exista
vida humana.18
processo comunicacional tem como função promover a aproximação entre as pessoas, o que
ciência, seu objetivo é o estudo dos processos e análise dos meios de comunicação através dos
comparando a casa com o mundo, sendo que os tijolos são as pessoas e a comunicação é a
O exemplo acima parece simples, mas o que quer dizer o autor quando faz a
comparação do mundo com a casa, dos tijolos com as pessoas e da comunicação com a massa.
Se os elementos forem analisados pela semiótica cada símbolo isolado tem uma função,
porém no conjunto apresentam outro significado. Pode-se dizer que o mundo e a casa são as
referências do homem, local onde tudo inicia. Os tijolos e as pessoas são partes isoladas em
18
Ibid., p. 157.
19
Ibid.
24
um determinado momento que podem ou não se unir para a construção de novo elemento e,
para que exista essa união é necessário algo que promova a aproximação, neste caso a massa
ou a comunicação. Entretanto essa é apenas uma das muitas interpretações que podem ser
apresentadas ao exemplo, pois cada pessoa tem uma percepção que varia conforme sua
experiência de vida.
Mas Antônio Carlos Moreira afirma que certo dia alguém contestou esta comparação,
dizendo que o ser humano consegue o progresso do mundo com sua inteligência.20 Esta
posição não está errada, porém, ela é incompleta. De nada adiantaria o homem ter capacidade
de raciocínio se não houvesse criado formas de transmitir, comunicar suas descobertas, seus
conhecimentos.21
classificando-os conforme sua abordagem, dos quais um dos que mais interessam a este
projeto é o conceito etimológico, que introduz a idéia de comunhão, pois segundo Wilbur
caso; Luiz Beltrão situa a comunicação entre os seres vivos como necessidade não só para a
Por fazer parte da vida tanto dos animais quanto dos seres humanos a comunicação é
aprendida quase que instintivamente. Porém, o que difere os homens dos animais é a sua
capacidade de raciocínio, a qual ele desenvolve durante o seu crescimento, pois tem a
necessidade de expressar-se.
20
Ibid.
21
Ibid.
22
Ibid.
23
Ibid.
25
desenvolveu o conceito do agir comunicativo, no qual afirma que a sociologia crítica deve
É a partir destes estudos que o homem começa a ser inserido como peça importante no
bagagem cultural de cada indivíduo na sociedade, que, sem comunicação entre os seres
conceitos acima mencionados. Porém o conceito que mais se aproxima com os objetivos deste
segue:
24
Ibid.
25
Ibid.
26
informação transmitida, seja em sua forma original, seja em outra forma, que, por
26
sua vez, vai atuar como fonte para a transmissão de novas informações.
processo que venha a ser desenvolvido; sem ela as demais dinâmicas poderão nem existir.
Ratifica-se esta consideração, baseado no texto de James Bowditch, que apresenta a seguinte
afirmação:
A mensagem pode ser transmitida de diversas formas, através dos símbolos, tais como
palavras, escritas e desenhos, entre outros, ou comportamentos, como gestos, contato visual,
linguagem corporal e outros atos não verbais. O entendimento é a chave desses símbolos e
significado dessa informação, tendo em vista que pode haver problemas técnicos de
como um processo mecânico, pois está sendo analisada neste caso através de processos
matemáticos, ou seja, na linguagem das máquinas, pois o único objetivo é fazer com que uma
mensagem chegue a seu destino com um mínimo de distorções e erros, o que não pode ser
26
Ibid.
27
BOWDITCH, James. Elementos do Comportamento Organizacional. São Paulo: Pioneira, 1992. p. 80.
28
Ibid.
27
completada quando o receptor consegue interpretar (perceber) sem distorções o sinal que é
mensagem transmitida, para que esta produza algum sentido. Os ruídos também estão
Fonte de
Ruído
Feedback
Fonte: Adaptado de SHANNON, Claude; WEAVER Warren. The Mathematical Theory of Communication.
Urbana: University of Ilinois Pres, 1949, p. 5-98
dúvida foi um grande marco para o processo comunicacional. Porém, por se tratar de um
existente na época da pesquisa, não leva em conta o principal fator da comunicação humana
29
Ibid.
28
integração entre os seres humanos, e não somente como um processo de transmissão de dados
No século XX, acreditava-se que o mundo pudesse ser dividido entre coisas e
processo. Após a revolução da filosofia científica provocadas pelas obras de Einstein, Russell,
Whitehead e outros, foram negadas as crenças das coisas e dos processos de duas maneiras.
acontecimento só podia ser analisado ou descrito à luz de outros acontecimentos com ele
que qualquer coisa tão estática ou estável, como uma mesa ou cadeira, pode ser encarada
como um fenômeno em constante mutação, atuando sobre e sendo atuado por todos os outros
partir daí, surgiu uma forma inteiramente diversa de encarar o mundo: a visão de realidade em
processo.31
são semelhantes e que as definições do termo sempre ficam aquém da realidade. Por isso, é
30
BERLO, David Kenneth. O processo da Comunicação: introdução à teoria e à prática. Rio de Janeiro: Fundo
de Cultura, 1970. p. 29.
31
Ibid., p. 30
32
GOMES, Pedro Gilberto, op. cit., p. 12.
29
E ratifica sua afirmação, através da observação das necessidades dos homens enquanto
seres sociais.
que “não se pode ignorar ou reivindicar o desconhecimento do que vem a ser a comunicação
Porém, esta situação é muito comum de acontecer, por existirem diversas utilizações
Não obstante, Martino questiona “como não saber o que é comunicação, se é através
dela e pelo seu exercício que se desenvolvem atividades como o ensino ou o confronto de
idéias”.36
A dúvida na definição da palavra comunicação é gerada pela sua ambigüidade. Por ter
mais de um sentido, uso e aplicação, e por serem todas as suas definições muitos similares.
Por estarem relacionadas a um mesmo tema é quase que impossível distinguir a Comunicação
33
Ibid.
34
Ibid.
35
MARTINO, Luiz C. De qual comunicação estamos falando?. In: HOHLFELDT, Antônio; MARTINO, Luiz
C.; FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p. 11-25. p. 11.
36
Ibid.
30
Observa-se, entretanto, que a resposta mais espontânea para a pergunta sobre o que é
é, trocam idéias, informações ou mensagens”.37 Esta é a resposta mais imediata que é dada
sobre o que é entendido como comunicação. No entanto, o autor questiona “se solicitados,
área têm dificuldades para responder esta pergunta, não se deve exigir muito das demais
pessoas. É possível até que se encontre alguém com conhecimentos para definir ou explicar o
Para justificar seu questionamento, Martino afirma que é aceita sem maiores
(computadores ligados por modem) e também admitimos como legítimos outros sentidos, tais
diversidade que nos leva para muito longe daquela situação inicial, descrita pelo diálogo.
Conclui com a seguinte afirmativa: “podemos dizer que definir a comunicação é uma tarefa
muito fácil, que se complica bastante se nos afastamos de nossa idéia intuitiva”.40
polêmica gerada pela sua definição, que pode variar do simples diálogo entre duas pessoas até
inicial que trata da comunicação entre duas pessoas é bem aceita e entendida, mas quando
37
Ibid.
38
Ibid.
39
Ibid.
40
Ibid., p.12.
31
evolui para as demais conceituações, que são os processos, os relacionamentos entre outros,
as coisas complicam.
[...] pode-se dizer que o termo comunicação não se aplica nem às propriedades ou ao
modo de ser das coisas, nem exprime uma ação que reúne os membros de uma
comunidade. Ela não designa nem o ser, nem a ação sobre a matéria, tampouco a
práxis social, mas um tipo de relação intencional exercida sobre outrem.
Enfim, o significado de comunicação também pode ser expresso na simples
decomposição do termo comum+ação, de onde o significado “ação em comum”,
desde que se tenha em conta que o “algo em comum” refere-se a um mesmo objeto
de consciência e não a coisas materiais, ou à propriedade de coisas materiais. A
“ação” realizada não é sobre a matéria, mas sobre outrem, justamente aquela cuja
intenção é realizar o ato de duas (ou mais) consciências com objetos comuns.
Portanto, em sua acepção mais fundamental, o termo “comunicação” refere-se ao
processo de compartilhar um mesmo objeto de consciência, ele exprime a relação
41
entre consciências.
apesar de serem amplamente utilizados, apresentam consenso entre os autores apenas na sua
definição literal. Contudo, não há conformidade quanto à sua interpretação, uma vez que cada
indivíduo percebe e analisa a informação ou o objeto através da sua visão de mundo ou dos
conhecimentos adquiridos.
consideram a teoria e a comunicação como um processo, algo em movimento. Talvez por não
serem algo palpável e não apresentarem nem início, nem fim, as duas palavras sejam tão
difíceis de se trabalhar.
desafio, que é analisar junto os dois termos apresentados anteriormente, tratando-se das
teorias da comunicação.
32
humana e sua curiosidade em face dos mistérios desconcertantes de sua própria natureza.42
humano, que, apesar de básicas, induzem a reflexões sobre o cotidiano, as quais servem de
pesquisas é a necessidade que as pessoas têm de compreender a sua origem como seres
humanos, desde o surgimento, perpassando pelos dias de hoje e com grande probabilidade de
perpetuação, tendo em vista que esse processo é contínuo. Como a comunicação está sempre
teoria pode não possuir todos esses componentes, mas eles não se excluem mutuamente, mas
41
Ibid., p. 14.
42
LITTLEJOHN, Stephen W., op. cit., p. 19.
43
Ibid., p. 21.
33
Conhecer mais sobre as teorias ajuda a compreendê-las melhor e a partir daí tirar
explicação mais parcimoniosa possível? Está bem integrada com outro conhecimento teórico
afim? A teoria é nova e original? É abrangente, dentro de seu campo? É largamente aplicável
novos dados?45
a partir do início século XX, é necessário que se faça uma breve abordagem sobre o primeiro
passo teórico, relativo ao tema, que se tem conhecimento, com data do final do século XVIII,
que é a divisão do trabalho, estudado por Adam Smith (1723-1790), e conforme Armand e
44
Ibid., p. 28.
45
Ibid., p. 31-34.
46
Para maior conhecimento sobre o assunto, ver LITTLEJOHN, Stephen W., op. cit., p. 17-38.
47
MATTELART, Armand et Michèle. História das teorias da comunicação. São Paulo: Loyola, 1999. p. 13.
34
sociais e de trabalho, pois até então o sistema existente era caracterizado pela dominação dos
senhores feudais sobre a população. A partir desta mudança houve uma reestruturação na
Todavia, deve-se ter em mente que a definição de comunicação, nesta época, era bem
fluviais, marítimas e terrestres, “as quais, junto com a divisão do trabalho, rimavam com
opulência e crescimento”.49
[...] todos eles são muito assemelhadas às antigas descrições sobre retórica, dialética
e argumentação que nos vieram sobretudo de Platão, Aristóteles, os estóicos, Cícero
e Quintilhano, e permanece, praticamente, o clássico esquema tricotômico da
48
Ibid.
49
Ibid., p. 14.
50
Ibid.
35
soldados, nos campos de batalha, e a população sobre o que estava acontecendo durante este
período.
que surgiu o primeiro livro sobre Mass Comunication Research, em 1927, com o título de
Propaganda Techniques in the World War, escrito por Harold D. Lasswel,52 o qual é
informações atingiu seu auge após a 1ª Guerra Mundial, período em que foi largamente
gestão governamental das opiniões, os quais tiveram início a partir das técnicas de
51
RABAÇA, Carlos Alberto; BARBOSA, Gustavo Guimarães, op. cit., p. 160.
52
MATTELART, Armand et Michèle, op. cit. p. 36.
53
Ibid., p. 37.
36
É o modelo que procura explicar a primeira reação que a difusão dos meios de
A síntese dessa teoria é que cada indivíduo é diretamente atingido pela mensagem
onipotência dos meios e de seus efeitos diretos. Sua preocupação básica é com esses efeitos.
teoria hipodérmica são, por um lado, a novidade do próprio fenômeno das comunicações de
massa e, por outro, a ligação desse fenômeno às trágicas experiências totalitárias daquele
período”.54
Essa teoria teve seu ápice num período bastante conturbado e, além de ser novidade,
surgiu num momento em que a população estava desorientada, em função do clima adverso
diversidade existente entre os vários meios e que responde sobretudo à interrogação: que
54
WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 1987. p. 18.
55
Ibid.
37
apresentaram diversas teses. Numa delas Wolf ratifica sua argumentação com a afirmação de
finalidade de atingir o grande público, motivo pelo qual ela é produzida em linguagem de
indivíduo na massa anômica é pois o pré-requisito da primeira teoria sobre os mass media”.57
indivíduo, uma vez que este estará mais vulnerável e receptivo em virtude da sua falta de
hipodérmica, é preciso ter claro que foi a partir das mudanças ocorridas na sociedade
moderna, com as novas condições vividas pelos indivíduos nas aglomerações urbanas,
provocadas pelas mudanças de hábitos, declínio dos grupos primários (família, grupos de
56
Ibid.
57
Ibid., p. 21.
58
Ibid.
38
capacidades manipuladoras dos mass media. Nesta linha, Ferreira faz a seguinte afirmação:
apanhada pela propaganda, ela pode ser controlada, manipulada, levada a agir.
estímulo e resposta reduz a ação humana a uma relação de causualidade linear, e diminui
tentativa de conceituação entre a teoria social e a teoria psicológica, de forma que a primeira
59
FERREIRA, Giovandro Marcus. As origens recentes: os meios de comunicação pelo viés do paradigma da
sociedade de massa. In: HOHLFELDT, Antônio; MARTINO, Luiz C.; FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p.
61-116. p. 108.
60
Ibid.
39
Esta situação foi gerada a partir de fatores como o desenvolvimento das cidades e a
mudança nas relações de trabalho, as quais imprimiram ao homem um novo ritmo de vida. As
pessoas passaram a exercer múltiplas atividades que alteraram sensivelmente a suas rotinas.
Logo aparecem nesta cena os meios de comunicação, que vêm preencher o vazio
deixado pelas instituições inoperantes, que forjavam outrora laços tradicionais (Igreja, família,
escola ...), e, por conseguinte, passa a ditar o comportamento dos indivíduos, já que estes vão
reagir aos estímulos (informações), que são fontes de seu agir, pensar e sentir.62
porém, causaram também uma série de problemas, considerando que após essa evolução
houve uma série de alteração no padrão comportamental das pessoas, tendo em vista que as
novas atividades exigiram uma maior disponibilidade de tempo para a sua execução, restando-
lhe pouco tempo livre para a convivência social e de lazer. Como já foi dito anteriormente, a
Os efeitos dos meios de comunicação, vistos pela teoria hipodérmica, não são objetos
de estudo, já que eles são dados como certos, a partir dessas bases sociológicas e
psicológicas.63
61
Ibid.
62
Ibid. p. 109.
63
Ibid.
40
informação entre emissores e receptores, que tem aplicações muito práticas nas ciências
Porém, a teoria da informação apresenta outras direções que até então não foram
segue:
Desde seu começo, a teoria da informação expandiu-se em várias direções. Num dos
primeiros artigos sobre a teoria matemática da comunicação, Warren Weaver
sugeriu três fecundas áreas ou níveis de interesse. A primeira dessas áreas, ou nível
técnico, preocupa-se com a exatidão de transmissão da informação. O nível
semântico trata dos significados da informação para a fonte e receptor. Finalmente, o
nível de eficiência trata da influência da informação sobre o receptor. [...] Até aqui, a
teoria da informação relacionou-se sobretudo com o primeiro nível mas têm sido
64
tentadas algumas extensões para os segundos e terceiros níveis.
Apesar de ter sido desenvolvida para o uso exclusivo dos equipamentos eletrônicos,
Segundo Winkin, Wiener planeja, portanto, uma ciência que estude o “controle e a
de
64
LITTLEJOHN, Stephen W., op. cit., p. 152.
41
refletir do que uma teoria articulada e detalhada. Baseado na idéia da retroação, a explicação
linear tradicional torna-se um tanto ultrapassada. Todo efeito retroage sobre a sua causa e todo
linha de pensamento, porém, não atendia às necessidades da comunicação humana, pois esta
Roman Jakobson, em 1963, ilustra um fenômeno que pode ser observado em todos os
pesquisadores das ciências humanas que se utilizam, de certa forma, da teoria da comunicação
de Shannon, da qual deixam de lado os aspectos mais técnicos, em especial aqueles que dizem
respeito à noção de informática.66 Por ser extremamente despojada, essa teoria tornou-se,
também, o modelo da comunicação nas ciências sociais; apesar de sofrer muitas críticas e
cibernética e teoria geral dos sistemas, surge uma analogia entre a comunicação e uma
orquestra, proposta por vários membros do colégio invisível. A semelhança com a orquestra
tem por objetivo mostrar como cada indivíduo se comporta e quais os meios que utilizam em
comunicação o fenômeno social que o primeiro sentido da palavra traduzia muito bem, tanto
partir de uma perspectiva puramente técnica, com ênfase nos aspectos quantitativos”.68 Essa
65
WINKIN, Yves. A nova comunicação: da teoria ao trabalho de campo. Campinas: Papirus, 1998. p. 23.
66
Ibid., p. 27.
67
Ibid., p. 34.
68
ARAÚJO, Carlos Alberto. A pesquisa norte-americana. In: HOHLFELDT, Antônio; MARTINO, Luiz C.;
FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p. 119-147. p. 121.
42
teoria foi assim designada, a partir do trabalho realizado por Claude Shanon, a qual tem como
canal, o receptor e o destino, considera também, o sinal e o ruído que podem interferir na
processo de transmissão de uma mensagem por uma fonte de informação, através de um canal
a um destinatário, o que equivale a dizer: uma fonte de informação seleciona uma mensagem
transformando-a num sinal passível de ser enviada por um canal ao receptor, que fará o
da Informação foi criada para o uso das máquinas, onde a comunicação é feita de forma linear
Do mesmo modo que Littlejohn, Araújo apresenta alguns conceitos correlatos que
A Teoria Matemática não está preocupada com a inserção social da comunicação e sua
69
LITTLEJOHN, Stephen W., op. cit., p. 152.
43
fenômeno comunicativo, modelo que servirá de “suporte” para todas as pesquisas que
Apesar de concordar com os demais autores, Venício Lima diz que é interessante
observar que a Teoria Matemática, apesar de ter sido articulada depois da de Lassweel (quem,
diz o quê, através de que canal, para quem, com que efeito?), transformou-se pelas mãos de
Informação, apesar de ter sido projetada para o uso mecânico, reproduz a linha mestra do
comunicação humano, serviu de base para o estudo das demais teorias que se desenvolveram.
A teoria crítica foi desenvolvida por Adorno, Marcuse e Horkheimer, entre outros
70
LIMA, Venício A. Mídia: Teoria e política. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2001. p. 45.
44
envolvidos com uma concepção teórica global da sociedade. Por terem formação em Filosofia
teórica crítica baseada em reflexões filosóficas que serão aplicadas posteriormente nas
relação ao contexto social. Com objetivo de esclarecer as novas realidades surgidas com o
desenvolver seus estudos, pois esses dedicavam-se a análise e interpretação dos fatos
construção analítica dos fenômenos que investiga e, por outro lado e simultaneamente, na
Pode-se dizer que a teoria crítica propõe-se a estudar a sociedade como um todo. Ela
71
RÜDIGER, Francisco. A escola de Frankfurt. In: HOHLFELDT, Antônio; MARTINO, Luiz C.; FRANÇA,
Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p. 131-150. p. 132.
72
WOLF, Mauro, op. cit., p. 71.
45
histórica da divisão de classes, tendo como ponto de partida a análise do sistema da economia
de mercado.
elementos da psicanálise na análise das novas temáticas que as dinâmicas sociais da época
configuravam, entre os quais se pode citar o totalitarismo, a indústria cultural, etc., tendo
Gomes diz que a escola européia, se diferencia das demais quanto à sua forma e
73
HORKHEIMER, Max. Teoria Tradicional e Teoria Crítica. In: HORKHEIMER, Max; ADORNO Theodor W.
Os pensadores: textos escolhidos. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 31-68. p. 49.
74
HORKHEIMER, Max. Filosofia e Teoria Crítica. In: HORKHEIMER, Max; ADORNO Theodor W., op. cit.,
p. 69-75. p. 69.
46
conclui pelo poder da sociedade sobre os meios, outra conclui pelo poder dos meios
75
sobre a sociedade).
Como já foi visto anteriormente, pode-se observar que cada pesquisador analisa o
fenômeno de uma forma e através da sua cultura e percepção. Como exemplo temos as teorias
acima apresentadas.
Para Ferreira, “a perspectiva da sociedade de massa, na teoria crítica, deve ser vista a
qual gera luz e liberdade ao homem; enquanto a segunda recebeu esse nome dos teóricos
de massa para indústria cultural, pois o primeiro poderia ser confundido com a cultura
bens culturais.
Cultural para substituir o termo cultura de massa, que poderia ser enganoso, isso é, poderia
levar a pensar que se tratava de uma cultura vinda espontaneamente das massas, de uma
75
GOMES, Pedro Gilberto, op. cit., p. 64.
76
FERREIRA, Giovandro Marcus. As origens recentes: os meios de comunicação pelo viés do paradigma da
sociedade de massa. In: HOHLFELDT, Antônio; MARTINO, Luiz C.; FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p.
61-116. p. 109.
77
WOLF, Mauro, op. cit., p. 73.
47
Wolf apresenta em seu livro alguns dos tópicos desenvolvidos pelos teóricos de
A teoria da indústria da cultura foi elaborada nos anos de 1940, período em que houve
grandes mudanças nas relações políticas, comerciais e sociais. Nesta década as indústrias
consumo. Os produtos culturais eram produzidos e adaptados para o consumo das massas e
indivíduos. Pode-se observar que esta situação permanece até os dias atuais.
conjugam harmonicamente, tais como: rádio, televisão, jornal, revistas, entre outros. Essa
[...] a produção industrial dos bens culturais como o movimento global de produção
da cultura como mercadoria. Os produtos, os filmes, os programas radiofônicos, as
revistas ilustram a mesma racionalidade técnica, o mesmo esquema de organização e
planejamento administrativo que a fabricação de automóveis em série ou projetos de
79
urbanismo.
78
Ibid., p. 71-80.
79
MATTELART, Armand et Michèle, op. cit., p. 77.
48
demandas dos espectadores. Sendo assim os produtos culturais são produzidos segundo os
A lógica que comanda todo esse processo operativo é o lucro, pois o objetivo da obra
cultural deixa de ser a criação de algo novo, e passa a ter por tarefa, vender bem.
da estratificação dos produtos culturais, segundo a sua qualidade estética ou o seu interesse,
como por exemplo: romance, drama, aventura. Através desse processo é possível definir o
Desta forma a indústria cultural exerceu sua influência sobre o indivíduo em sua fase
inicial. Posteriormente ganhou força ao utilizar-se dos meios de comunicação para oferecer
novos produtos, que passaram a atuar de forma direta sobre o indivíduo, o qual acaba
vontade própria.
A indústria cultural está inserida num contexto representado pela força da sociedade,
vertebrada pela racionalidade técnico-instrumental, pela imagem da fraqueza e da
vulnerabilidade do indivíduo. Mais uma vez, encontramos o desequilíbrio entre o
mass media: a indústria cultural, de um lado, e os indivíduos, de outro. A
supremacia da sociedade sobre o indivíduo ocorre nas várias situações (trabalho,
80
Ibid., p. 73.
49
Muito antes de Ferreira, Horkheimer e Adorno fizeram uma crítica bastante incisiva
sobre a atuação da indústria cultural, a qual diz que “quanto mais sólidas se tornam as
posições da indústria cultural, tanto mais brutalmente esta pode agir sobre as necessidades dos
Fazendo uma análise desta citação, pode-se concluir que se o indivíduo não souber o
que ele quer, poderá facilmente ser manipulado pelo sistema de tal forma a criar-se um
pseudo-indivíduo. Uma vez que existe uma desproporção entre a resistência de cada indivíduo
de significados sobrepostos, uma vez que existem mensagens explícitas e outras ocultas. Seu
de ser capazes de decidir autonomamente, passando a aderir sem criticar os valores impostos,
Wolf, baseado na citação de Adorno, diz que “[...] aquilo a que outrora os filósofos
81
FERREIRA, Giovandro Marcus. As origens recentes: os meios de comunicação pelo viés do paradigma da
sociedade de massa. In: HOHLFELDT, Antônio; MARTINO, Luiz C.; FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p.
61-116. p. 110.
82
HORKEIMER, Max; ADORNO, W. Theodor. A indústria cultural: O Iluminismo como mistifIcação de
massas. In: LIMA, Luiz Costa. Teoria da cultura de massa: introdução, comentários e seleção de Luiz Costa
Lima. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. p. 159-204. p.181.
50
simples, que não é mais do que um apêndice do processo material da produção, sem
sociedade que o domina a seu bel-prazer. E que embora os indivíduos acreditem estarem
agindo por conta própria, eles já estão condicionados aos procedimentos pré-estipulados pela
Deve-se levar em conta também que toda a criação da Indústria Cultural tem como
simplesmente.
não se dá conta disso, passando assim a fazer parte de um todo que age de maneira
independente.
mentalidade das massas como algo imutável, tratar os indivíduos como seres completamente
83
WOLF, Mauro, op. cit., p. 74.
84
Ibid., p. 75.
85
MATTELART, Armand et Michèle, op. cit., p. 77-78.
51
bens culturais passaram a ser produzidos em série, perdendo desta forma sua originalidade e
transforma o ato cultural em valor, anulando a sua função crítica e desmembrando os traços
Além dessa desestruturação provocada na cultura, deve-se observar que tudo o que é
repassado para o espectador é propositadamente preparado para que ele se sinta confortável e
não necessite pensar. Dessa forma não questionará o que acontece ao seu redor.
Citando Adorno, Wolf relata como a estrutura multiestratificada das mensagens reflete
tudo quanto ela comunica foi organizado por ela própria com objetivo de seduzir os
espectadores a vários níveis psicológicos, simultaneamente. Com efeito, a
mensagem oculta pode ser mais importante do que a que se vê, já que aquela
escapará ao controle da consciência, não será impedida pelas resistências
psicológicas aos consumos e penetrará provavelmente no cérebro dos
86
espectadores.
sociedade, pretendida pela Indústria Cultural foi estendida para os meios televisivos, os quais
atuam através da manipulação das mensagens. Segundo Wolf, estas têm por objetivo manter o
espectador sob controle, sendo que as mensagens utilizadas “[...] fingem dizer uma coisa e
dizem outra, fingem ser frívolas mas, ao situarem-se para além do conhecimento do público
que uma delas é a estereotipização, processo pelo qual se reproduzem fielmente as situações
Como é o caso da televisão, cinema, rádio, jornal, revista, entre outros, pode-se
86
WOLF, Mauro, op. cit., p. 78.
87
Ibid.
52
observar que a divisão dos conteúdos em vários gêneros, como jogos, policiais, comédia, etc,
conduzem a atitude do espectador antes mesmo que este se questione acerca de qualquer
manifestações sofrem influências diretas e diárias das indústrias culturais, as quais alteram a
sua própria individualidade. Sem se dar conta de que é assediado, o indivíduo cede aos apelos
de consumo e torna-se prisioneiro do sistema que o induz até a uma mudança de hábitos.
A partir da análise das obras de Horkheimer, Adorno, Marcuse e outros, Rüdiger faz
cultura é o triunfo do capital investido, pois este só se interessa pelos indivíduos apenas como
formalidades.89
Esses estereótipos foram reforçados ainda mais pelas mudanças ocorridas nas relações
sociais. Estas alterações modificaram o estilo de vida das pessoas, as quais passaram a buscar
Frankfurt generaliza que os produtos da indústria cultural são feitos de tal modo a não
88
RÜDIGER, Francisco. A escola de Frankfurt. In: HOHLFELDT, Antônio; MARTINO, Luiz C.; FRANÇA,
Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p. 131-150. p. 138.
89
WOLF, Mauro, op. cit., p. 78.
53
Filmes, programas de rádio e televisão são produzidos de forma a não estimular a atividade
mental do espectador, pois exigem-lhe muita atenção e observação, a fim de não serem
perdidos os fatos que são apresentados e que passam muito rapidamente. Construídos
tempo do lazer.
manipulação do processo. Tudo o que ela comunica foi organizado com o objetivo de seduzir
analisa o sistema como um todo, examinando as relações e as funções dos elementos que o
constituem, os quais são inúmeros, variando das línguas e das práticas culturais aos textos
fundador dos métodos do Estruturalismo, através dos três cursos de lingüística que ministrou
Era sonho de Saussure uma ciência geral de todas as línguas faladas ou não, de todos
os signos sociais. Para tanto, desenvolveu em seu curso de lingüística geral uma ciência que
por Suassure, com o artigo Elementos de semiologia, que foi publicado na revista
A semiologia tem por objeto todo o sistema de signos, qualquer que seja sua
substância, quaisquer que sejam seus limites: as imagens, os gestos, os sons
melódicos, os objetos e os complexos dessas substâncias que encontramos em ritos,
protocolos ou espetáculos constituem, se não linguagem, ao menos sistemas de
91
significação.
É a partir desta definição que Barthes ordena os elementos fundamentais desse projeto,
válidos para a lingüística e para as ciências que nela se inspiram sob quatro rubricas: língua e
Estes estudos servem de base até hoje para análise e interpretação dos processos de
comunicação, dos quais podem-se destacar os termos mais utilizados que são o significado e o
90
MATTELART, Armand et Michèle, op. cit., p. 86.
91
Ibid., p. 87.
92
SILVA, Juremir Machado da. O pensamento contemporâneo francês sobre a comunicação. In: HOHLFELDT,
Antônio; MARTINO, Luiz C.; FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p. 171-186. p. 173.
55
aspecto: o significante é perceptível e audível, enquanto que o significado traz consigo a sua
representação.
1991), porém com outra terminologia, prático-mítico, e com o objetivo de se impor quanto à
análise estrutural e busca englobar e sistematizar todos os fatos que vão além da linguagem
primeira e básica.93
processo. Através da conotação pode ser expressa a ideologia das coisas ou ações, enquanto
Outro nome que deve ser citado é o de Georges Friedmann, que conduziu um grupo de
pesquisa sobre o estatuto simbólico dos fenômenos culturais, entre os quais estavam Edgard
Morin e Roland Barthes, sendo que cada um deles representava um campo e uma orientação
de pesquisa própria.
do lazer”.94
avaliação da comunicação de massa, através da análise crítica das obras e dos meios de
comunicação.
93
MATTELART, Armand et Michèle, op. cit., p. 87.
94
Ibid., p. 90.
56
o exército e a polícia, que exercem coerção direta, aos aparelhos que cumprem as
funções ideológicas e aos quais denomina aparelhos ideológicos de Estado. Esses
aparelhos significantes (escola, Igreja, mídia, família etc) têm por função assegurar,
garantir e perpetuar o monopólio da violência simbólica, que exerce sob o manto de
uma legitimidade pretensamente natural. Por seu intermédio age concretamente a
dominação ideológica, ou seja, a maneira pela qual uma classe no poder (sociedade
95
política) exerce sua influência sobre as outras classes (sociedade civil).
Além dessas análises, outros autores, como Michael Foucalt e Jeremy Bentham,
práticas de dominação. A televisão pode ser utilizada como exemplo, pois é possível ao poder
precedentes, pois a questão de fundo já não é os efeitos, mas as funções exercidas pela
como uma perspectiva de certa forma paralela à dos efeitos, trazendo também elementos que
Aqui, tem-se uma definição da problemática dos mass media a partir da sociedade e de
componentes. Já não é a dinâmica interna dos processos comunicativos que define o campo de
interesse de uma teoria dos mass media, mas sim a dinâmica do sistema social.
95
Ibid., p. 95.
57
vivo, composto de partes, e no qual cada parte cumpre seu papel e gera o todo e, torna esse
Segundo Gomes:
Nesta teoria é possível observar a valorização dos seres humanos como sendo parte
Para Wolf “a teoria funcionalista dos meios de massa constitui essencialmente uma
abordagem geral dos meios de comunicação de massa no seu conjunto”, nas quais “acentuam-
se as funções em detrimento dos efeitos. Isto é, a grande questão de fundo é o estudo das
conjunto que é a sociedade, deve esclarecer quais são as funções que foram observadas e
quais os pesquisadores que a estudaram. Araújo apresenta alguns dos autores e funções deste
96
GOMES, Pedro Gilberto, op. cit., p. 58.
97
WOLF, Mauro, op. cit., p. 53.
98
ARAÚJO, Carlos Alberto. A pesquisa norte-americana. In: HOHLFELDT, Antônio; MARTINO, Luiz C.;
FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p. 119-147. p. 123.
58
Baseado nessa consideração, verifica-se que a teoria funcionalista, bem como seus
da diversidade dos meios utilizados para a veiculação das informações, verifica-se que a
do país.
99
BRITTOS, Valério C. Capitalismo contemporâneo, mercado brasileiro de televisão por assinatura e
expansão transnacional. 2001. Tese (Doutorado em Comunicação e Cultura Contemporâneas) – Faculdade de
Comunicação, Universidade Federal da Bahia.
59
existentes, tendo o cuidado de não retroceder aos processos iniciais de comunicação. Esse
trabalho visa denunciar o domínio dos meios de comunicações e a utilização dos produtos da
indústria cultural como forma de valorizar o capital, uma vez que as indústrias da mídia estão
diz que:
Percebe-se, tendo em vista esta análise, que a comunicação passou a exerce um papel
relevante tanto para iniciativa pública quanto privada, influenciando inclusive na economia do
100
BRITTOS, Valério C. A terceira fase da comunicação: novos papéis no capitalismo. In. BRITTOS, Valério
(Org.). Comunicação, informação e espaço público: exclusão no mundo globalizado. Rio de Janeiro: Papel e
Virtual, 2002. p. 21-46. p. 25-26.
60
partir do capitalismo. Neste contexto de globalização pode-se dizer que a comunicação exerce
uma função de relacionamento entre todas as atividades e meios, influenciando dessa forma
Esta preocupação deve-se em função das mudanças ocorridas nos anos de 1970, com a
acontecer no setor da informação e das comunicações, que foi a quebra dos monopólios
101
Ibid., p. 29.
102
JAMBEIRO, Othon. Estado e regulação da informação e das comunicações no mundo globalizado. In.
BRITTOS, Valério C. (Org.), op. cit., p. 109-142. p. 109.
61
internacional do capitalismo.
estudo teve início na década de 60, na América Latina, com o propósito de promover a
resistência política e cultural, principalmente contra os Estados Unidos, pois este tentava (e
ainda o fazem) impor seu domínio através do estímulo e da difusão da sua tecnologia e de
modelos desenvolvidos principalmente para incorporação por parte dos agricultores dos
países pobres.
se num período em que era pretendido explicar o atraso dos países subdesenvolvidos
ultrapassada, tendo em vista que muitos países subdesenvolvidos passaram a produzir cultura
em longa escala, em alguns casos até exportando. Outro fator que deve ser levado em conta é
elaborados desde a década de 30, pelo jornalismo vinculados à discussão sobre liberdade de
imprensa e legislação.103
Gomes, por sua vez, ao abordar os estudos de José Marques de Melo relata que:
103
BERGER, Christa. A pesquisa em comunicação na América Latina. In: HOHLFELDT, Antônio;
MARTINO, Luiz C.; FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p. 241-277. p. 242.
62
[...] O CIESPAL foi, durante mais de duas décadas, a principal ponte entre os
especialistas, escolas e os diversos centros de reflexões e, com a difusão de suas
publicações, iniciou e sustentou um importante esforço de reflexão sobre os
problemas da comunicação, além de ter formado um centro de documentação
106
especializado, registrando a memória histórica sobre os meios da região.
comunicação, cada um sob um enfoque. O ININCO tinha como objetivo a pesquisa social ou
com análise permanente dos diferentes meios e sua incidência no âmbito nacional. O CEREN
104
GOMES, Pedro Gilberto, op. cit., p. 20.
105
Ibid., p. 22.
106
BERGER, Christa. A pesquisa em comunicação na América Latina. In: HOHLFELDT, Antônio; MARTINO,
Luiz C.; FRANÇA, Vera Veiga (Orgs.), op. cit., p. 241-277. p. 243.
63
introduzindo conceitos como ideologia, relações de poder e conflitos de classe. O ILET, por
Os principais estudiosos desta teoria são Armand Mattelart (belga), Jesus Martins
Barbero, Luís Beltrão, José Marques de Melo, Paulo Freire, os quais desenvolveram suas
pesquisas em torno de duas áreas temáticas: estudo da estrutura de poder dos meios de
dependência cultural e econômica. Sendo que hoje não há mais estudos com base na Teoria da
Dependência.
comunicação.
populares no contexto político e social desta linha de pesquisa, uma vez que estes são
1.3.7 – Etnometodologia
permitir uma leitura interpretativa da realidade. Para a Etnometodologia os fatos são oriundos
não só da natureza, mas construídos conforme a dinâmica cultural e o contexto social. Utiliza-
se do método indutivo para generalizar dentro dos casos e particularizar o objeto, em função
depende do lugar em que foi visto e das outras coisas que são vistas ao mesmo tempo. É assim
compreensiva, na qual os relatos obtidos sobre a maneira como qualquer grupo interpreta suas
experiências, sejam depois utilizados pela etnometodologia para tirar conclusões acerca de
outros relatos sobre expressões de identidade, poder, cultura ou expressão, entre outras.
Mattelart, em seu livro, introduz da seguinte forma o capítulo que trata sobre a
etnometodologia:
Pode-se observar que os estudiosos dessa teoria tinham como objetivo a análise da
sociedade a partir da sua estratificação e da influência externas que eram exercidas sobre os
indivíduos.
diz que:
[...] assim como para a chamada sociologia objetivista em geral, a ação do ator
resulta de uma imposição de normas pela sociedade e das disposições a agir que ela
cria. Quando os atores interiorizam o sistema fundamental de valores da sociedade, a
108
coesão social emerge da partilha de seus objetos e expectativas.
levado a agir conforme as regras e normas que são impostas pela meio no qual vive.
Esta consideração ratifica o que já foi dito, mas é necessário reforçar a importância da
interpretação dos fatos, pois estes produzem a compreensão cultural. Deve-se também
107
MATTELART, Armand et Michèle, op. cit., p. 132.
108
Ibid., p. 132.
109
Ibid., p. 133.
66
Cicourel diz que “a análise do conteúdo manifesto e o método das técnicas quantitativas de
pesquisa são rejeitadas como incapazes de dar conta da dimensão subjetiva do processo de
comunicação”.110
Deve-se levar em conta que a Etnometodologia foi inspirada em grande parte na obra
conhecimento na vida cotidiana. Este estudo servirá de base para a etnometodologia, a qual
tomará emprestado o conceito de estoque de conhecimento que diz que o mundo social é
recursos aos quais recorrem os atores sociais para alcançar uma compreensão intersubjetiva e
Esta procura por fim à separação entre o sujeito e o objeto, o indivíduo e o outro, na
medida em que analisa o processo como um todo, e não mais apenas em relação a situações
isoladas.
Seu estudo deve ser feito de forma interdisciplinar, uma vez que é fundamentado na
A partir das mudanças ocorridas nos anos de 1960, as quais afetaram a sociologia
interpretativa, surgem novas análises, entre elas a de Jürgen Habermas, denominada agir
ação e interação não mais são vistas unicamente como produção de efeitos, mas
analisadas como associadas a tramas de trocas simbólicas e contextos lingüísticos.
110
Ibid., p. 134.
111
Ibid., p. 136.
112
Ibid., p. 137.
67
As atitudes, as opiniões que acompanham a ação não podem por si mesmas explicar
a realidade.
[...] Segundo Habermas, a Sociologia Crítica deve estudar as redes de interação em
uma sociedade constituída por relações comunicativas, a união na comunicação de
sujeitos opostos. Ao agir estratégico, isto é, à razão e à ação numa perspectiva
estritamente utilitária e instrumental (cujos meios de comunicação de massa são seu
dispositivo privilegiado), que ameaçam colonizar o mundo social vivido, Habermas
contrapõe outros modos de ação ou de relações com o mundo a seus próprios
critérios de validade: a ação objetiva e cognitiva que se impõe dizer a verdade, a
ação intersubjetiva que visa à correção moral da ação, a ação expressiva que supõe a
sinceridade. Ele identifica a crise da democracia como devida ao fato de os
dispositivos sociais, que deveriam facilitar as trocas e o desenvolvimento da
racionalidade comunicativa, ganharem autonomia, de serem administrados como
abstrações reais, fazendo realmente circular a informação, mas entravando as
relações comunicativas, isto é, as atividades de interpretação dos indivíduos e grupos
sociais. Para ele, a racionalidade não diz respeito à posse de um saber; mas à
maneira pela qual os sujeitos dotados de fala e ação adquirem e empregam um
113
saber.
Assim como nas outras teorias, nesta também não existe unanimidade quanto à sua
definição e análise, pois, como já foi dito, cada estudioso faz suas argumentações baseado no
seu tempo e a partir do conhecimento adquirido. Cabe ressaltar que esta teoria, mais do que
Convém, também, apresentar o estudo feito por Yves Winkin sobre etnografia, no qual
conta que a partir do século XIX ela passou a ser denominada antropologia. Essa mudança
deve-se à nova postura adotada pelos pesquisadores em relação ao objeto de estudos que é a
113
Ibid., p. 143-144.
114
WINKIN, Yves. A nova comunicação: da teoria ao trabalho de campo. Campinas: Papirus, 1998. p. 129.
68
[...] é ao mesmo tempo uma arte e uma disciplina científica, que consiste em
primeiro lugar em saber ver. É em seguida uma disciplina que exige saber estar
com, com outros e consigo mesmo, quando você se encontra perante outras pessoas.
Enfim, é uma arte que exige que se saiba retraduzir para um público terceiro
(terceiro em relação àquele que você estudou) e portanto que se saiba escrever. Arte
de ver, arte de ser, arte de escrever. São estas três competências que a etnografia
115
convoca.
Na segunda parte do livro, no capítulo dois, sob o título “descer ao campo”, Winkin
orienta como deve-se proceder para fazer um trabalho etnográfico. Parte do princípio que o
observador deve ter um diário e, nele anotar todas as suas observações de campo para mais
tarde proceder a análise do que foi observado. Salienta também que o estudioso deve procurar
observar todos os fatos que ocorrem e anotar o maior número de dados de forma sistematizada
sem se esconder.
Enfatiza que é necessário que os pesquisadores planejem seus trabalhos de tal forma
que seja possível imaginar os espaços delimitados aonde vai se efetuar a observação e ratifica
essa orientação quando diz que “os mapas são, portanto, um instrumento essencial para aquele
que quer fazer um trabalho etnográfico.”116 Observa também que o processo de escrever ou
relatar as experiências tem tanta importância quanto a observação e análise dos fatos, pois de
nada adianta um estudo teórico sem o desenvolvimento das análises e conclusões sobre o
objeto de estudo.
meio.
É a partir destes estudos que, após os anos de 1970, iniciaram-se as observações sobre
115
Ibid., p. 132.
116
Ibid., p. 134.
69
a satisfação dos usuários, a qual analisa os efeitos da mídia sobre as pessoas. Esse estudo
também foi chamado de teoria dos efeitos limitados, porque o efeito que a mídia exerce sobre
os indivíduos é limitado, pois existem obstáculos que impedem sua abrangência total, que são
a seletividade dos receptores; o fato de não ser direta, pois existem intermediários e o fato de
Para concluir deve-se levar em conta que as análises sob o prisma do Interacionismo
Simbólico são de certa forma peculiares, pois, ao se repetir cada experiência, obtêm-se
elementos novos. Se a ação é calcada nos significados que as pessoas imprimem naquilo que
significados provêm da interação, eles não são inerentes ao objeto, nem estão na mente das
mas esses elementos não representam a totalidade do simbólico. Existe uma dimensão que é
própria de quem está atribuindo o sentido. Por fim, se o homem é vivo, é pensante, é capaz de
como área de atuação a cultura, no sentido amplo dado pela antropologia, mas restrito ao
capaz de dar conta da crescente complexidade das sociedades que marcam a lógica das
70
relações culturais e econômicas do mundo contemporâneo. Cada vez mais este quadro
intensivo de globalização, balizado de um lado pela economia e de outro pela mídia e pelas
transmissão e recepção da cultura e evidencia seu impacto nas culturas dos países.
drásticas. Desde os anos 1960, houve uma série de modificações espetaculares na cultura e na
progresso vieram os produtos culturais, os quais para muitos autores são responsáveis pela
O ponto-chave aqui é que as lutas focalizadas pelos estudos culturais críticos são
contra a dominação e a subordinação. O que estamos preocupados em desenvolver
não é qualquer luta e qualquer resistência, mas sim a luta contra a dominação e
contra as relações estruturais de desigualdade e opressão ressaltadas pelos estudos
culturais críticos.
Portanto, esses estudos situam a cultura num contexto sócio-histórico no qual esta
promove dominação ou resistência, e critica as formas de cultura que fomenta a
subordinação. Desse modo, os estudos culturais podem ser distinguidos dos
discursos e das teorias idealistas, textualistas e extremistas que só reconhecem as
formas lingüísticas como constituintes da cultura e da subjetividade. Os estudos
culturais, ao contrário, são materialistas porque se atêm às origens e aos efeitos
materiais da cultura e aos modos como a cultura se imbrica no processo de
118
dominação e resistência.
117
KELLNER, Douglas. A cultura da mídia. Estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-
moderno. São Paulo: EDUSC, 2001. p. 25.
118
Ibid., p. 49
71
Por esta via, desloca-se o foco exclusivo dos meios de comunicação para privilegiar
as manifestações próprias da recepção, enfatizando-se a posição da cultura e do
cotidiano. Sendo a comunicação integrante da cultura, valoriza-se igualmente a
função da mídia na constituição das identidades culturais, inclusive como agente
119
privilegiada, diante de sua força na sociedade contemporânea.
Nesta citação o autor dá mais valor ao processo de recepção, deste modo valoriza a
também, que a comunicação não pode ser vista em separado da cultura, pois elas fazem parte
do todo.
Segundo Brittos, esta abordagem é utilizada para promover “um rompimento com as
análises apocalípticas, que vêem o receptor indefeso e apático diante do poder indefensável
dos meios comunicacionais massivos, os quais são apresentados como constituindo uma
esfera distinta da cultura”.120 Diz também que é a partir do momento em que “[...] os
receptores não são mais considerados guiados pelas indústrias culturais, a sociedade não é só
mídia, ou seja, há muitos mais dados a serem observados, formando as mediações”. Justifica
que “a inclusão da comunicação como parte da cultura tem sido proposta defendida também
Sendo assim, este pensamento significa que houve uma mudança na compreensão do
processo que até então era estanque. Porém, essa mudança de posicionamento gera uma
insegurança, pois provoca alterações em posições pré-estabelecidas, que por sua vez tendem a
119
BRITTOS, Valério C.. Recepção e TV a cabo: a força da cultura local. 2 ed. São Leopoldo: Ed. Unisinos,
2001. p. 21.
120
Ibid.
72
humanas.
estas mudanças devem ser analisadas criticamente, tendo em vista que não se deve considerar
linear pela curva causal. Trata-se de uma teoria das máquinas autônomas, em que a causa atua
Segundo Mattelart, nos anos de 1960, Everest Rogers limitara a definição da inovação
ao que “é comunicado, por certos canais, num tempo determinado, entre os membros de um
sistema social”.122 É relevante considerar que esta definição foi feita no início do processo de
implantação dos computadores, período em que era preciso apresentar o produto e explicar a
sua utilidade, a fim de persuadir o futuro usuário. Cerca de 20 anos mais tarde, Rogers reviu
121
Ibid., p. 22.
122
MATTELART, Armand et Michèle, op. cit., p. 157.
73
comunicação.123 Essa análise implica em novos procedimentos de pesquisas, a qual tem por
sistema geral; os indivíduos-pontes que ligam entre si dois ou mais grupos, a partir de seu
estatuto de membro do grupo; indivíduos-ligações, que ligam entre si dois ou mais grupos,
sistema.
Gomes ao analisar o estudo desenvolvido por McLuhan, apresenta a forma como este
Segundo Gomes, McLuhan fez uma análise da forma como os meios de comunicação
interferem nos sentidos do ser humano. Iniciou pela transmissão oral, anterior à Renascença;
passando pela visão, com a invenção da imprensa; até chegar ao envolvimento múltiplo
tempo, um fato social, que, por sua vez, isolaram e aproximaram o homem em sua
comunidade. “A escrita agiu como um fato isolante, arrancando o homem da sua comunidade
123
Ibid., p. 158.
124
GOMES, Pedro Gilberto, op. cit., p. 70.
74
se em conta a influência que este recebeu do meio, sua participação, evolução e contribuição
aproxima do drama e do ritual. Portanto, segundo ele, a eletrônica não seria mais uma etapa
retomada de uma convivência orgânica tribal.126 Dessa forma, altera o sistema de percepção
espacial e temporal do homem, o qual sofre o impacto das várias tecnologias comunicativas,
Segundo Gomes, McLuhan apresentou três etapas da evolução cultural do homem, que
essencial para a sobrevivência social. Por isso, os indivíduos deixam de lutar entre si e
rompimento dos laços tribais, libertando o ser humano da dependência direta dos ancestrais e
registros gráficos.
125
Ibid.
126
Ibid.
75
A retribalização tem seu início em meados do século XX, quando a imprensa perde o
seu monopólio como meio de comunicação de massa e começam a surgir novos instrumentos
retribalização estaria ligada à constituição de uma aldeia global, da qual a televisão seria o
veículo básico, com uma linguagem universal: a imagem, que seria a linguagem da
evidência.127
Pode-se considerar que o advento da televisão marca o início de uma nova era nos
transformaram a televisão no meio mais aceito para a obtenção de conhecimento, pois são
ciberespaço, que tem levado a novas audiências. Neste novo contexto, o ciberespaço,
configure dotado de fluidez, abarca espaços sociais precisos, nos quais operam padrões
comunidades virtuais.
Porém, o processo comunicacional não pode ser entendido somente através do uso
das novas tecnologias da informação, mas elas devem ser sobretudo humanizadas. O homem
interpessoal.
127
Ibid., p. 71-72.
76
das Relações Públicas, com a finalidade de identificar e esclarecer quais são as funções e
Publicidade e Propaganda, e são usuárias dos produtos comunicacionais criados pelas outras
duas. Deve-se observar que estas se diferenciam, no entanto, na dimensão relacional, que
principais atividades e funções do relações públicas, uma vez que, para o exercício da
profissão, é necessário um conhecimento bastante amplo, pois é possível que ele atue desde a
Públicas, que, segundo Houaiss, significa: “atividade profissional cujo objetivo é informar a
77
opinião pública acerca das realizações de organizações de qualquer tipo; ação de dar retorno,
Porém, esta definição não retrata a verdadeira amplitude que o termo representa. Para
mútua entre uma instituição pública ou privada e os grupos de pessoas a que esteja
diretamente ligada”.129 Esta definição sintetiza apenas uma parte das atividades dos
profissionais de Relações Públicas, as quais estão descritas no Capítulo II, art. 4º, do Decreto
Vale aqui ressaltar que a regulamentação da profissão deu-se mais por questões
políticas que propriamente por interesse dos próprios profissionais que neste período
começavam a se mobilizar.
128
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles, op. cit., p. 2421.
129
RABAÇA, Carlos Alberto; BARBOSA, Gustavo Guimarães, op. cit., p. 504.
130
BRASIL. Decreto nº 63.283, de 26 de setembro de 1968. Aprova o Regulamento da Profissão de Relações
Públicas de que trata a Lei nº 5.377, de 11.12.1967. Diário Oficial da União, Brasília, 27 set 1968.
131
POYARES, Walter Ramos. Comunicação social e relações públicas. Rio de Janeiro: Agir, 1970. p. 139.
78
Ao fazer a análise dessa definição deve se levar em conta a época em que ela foi feita,
pois é possível perceber que está direcionada apenas para uma das áreas de atuação das
relações públicas, que é a opinião pública. Assim como o decreto que regulamenta a
profissão, ambos foram criados no final da década de 60 e início dos anos 70, período em que
as relações públicas estavam recém iniciando no Brasil e eram bastante influenciadas pelos
de vista das pessoas é um dos mais delicados, difíceis e importantes com que se defronta a
decadência.
em desenvolver e aperfeiçoar estes relacionamentos nas mais diversas áreas. Neste período, as
administração; uma função administrativa; uma técnica de comunicação que implicam na boa
Baseado nestas afirmações, Canfield apresenta a sua definição das Relações Públicas
como sendo uma atividade administrativa com objetivo de melhorar as relações entre as
pessoas, e considerava que, “em primeiro lugar, são uma filosofia da administração, uma
atitude de espírito que situa os interesses das pessoas acima de todos os assuntos ligados à
132
CANFIELD, Bertrand R. Relações Públicas. São Paulo: Pioneira, 1970. p. 3.
133
Ibid., p. 5.
79
o período e o enfoque que cada autor deu a seu estudo, pois estas podem ser consideradas
observação da relação dos membros de uma comunidade e o controle social exercido pelos
seus dirigentes. Explica também que a primeira forma de realização das Relações Públicas foi
conseguida através do poder de mando, utilizando a força física, sendo a seguir o temor
utilizado; porém, ambas as formas não foram eficientes, surgindo então a persuasão, com a
das Relações Públicas, que consistiam em: informações dadas ao público; persuasão dirigida
atitudes e ações das instituições para com seus públicos e dos públicos para com as
instituições.137
Roberto Simões Pires diz que devido ao grande número de definições, as quais são
134
Ibid.
135
COQUEIRO, Márcio César Leal. Relações Públicas. São Paulo: Sugestões Literárias, 1972. p. 26.
136
Ibid.
137
Ibid.
80
prejudiciais à comunicação e a quem lida com relações públicas, prefere utilizar apenas a
execução do trabalho científico. Nesta explanação ele descreve o significado dos termos
Sendo assim descreve as ações e as etapas utilizadas pelos profissionais de relações públicas
no exercício da sua atividade. Esta descrição tem por objetivo enquadrar as atividades na
138
SIMÕES, Roberto Porto; WANDHAUSEN, Eugênia da Silva. Introdução a relações públicas: guia
didático. Porto Alegre: PUC, 1974. p. 5.
139
Ibid., p. 5-6.
81
definição conceitual da ABRP e atingir a compreensão mútua entre os dois conceitos, a saber:
Estes conceitos foram apresentados no início das atividades dos profissionais das
relações públicas no Brasil, período em que havia muitas dificuldades em definir e conceituar
definição e a prática das relações públicas, situação que se perpetuava num período em que
esta atividade estava diretamente relacionada com satisfação e pesquisa de opinião pública.
140
Ibid., p. 6-7.
82
Segundo Candido Teobaldo de Souza Andrade, não faltam definições para o tema,
porém, nenhuma delas parecem satisfazer completamente. “Na realidade, há tantas definições
diferença muito tênue entre a definição da função e da sua atividade profissional. Isto ocorre,
também, devido à tangibilidade dos resultados alcançados pelo trabalho desenvolvido por
estes profissionais.
É certo que a confusão acarretada pelo termo “Relações Públicas” é produto direto
do fato de se empregar essa expressão, indiscriminadamente, como causa e efeito.
Procura-se designar “relações públicas” tanto para as relações que devem existir
entre as empresas e os seus públicos, como para os fatores que venham a influir
nessas relações. Poder-se-ia dizer que o problema da definição de RR.PP. é, em
alguns aspectos, uma questão de semântica, já que esse termo é usado com várias
significações. Chega-se mesmo a empregar essa expressão para indicar um estado de
142
espírito ou uma atitude, confundindo-se, assim, os meios com os fins.
Além dessa explicação, deve ser levado em conta que a definição do termo relações
públicas vai ter um significado diferente para cada pessoa, e este significado pode variar
Andrade considera ainda que as “Relações Públicas são também filosofia e método,
seu processo.
Entre as definições apresentadas por Andrade, deve-se citar algumas afim de que se
possa verificar que as opiniões, há muito tempo, divergem. Com referência ao artigo de Rex
141
ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Para entender Relações Públicas. São Paulo: Loyola, 1993. p.
29.
142
Ibid., p. 30.
143
Ibid.
83
Harlow, publicado em 1945, diz que “toda a gente está falando de Relações Públicas. Porém,
ninguém parece saber demasiado a cerca da significação do termo. Hoje, Relações Públicas
são uma louca miscelânea de idéias e atividades”.144 Entre outras definições, segundo
Andrade, a mais citada, nos Estados Unidos, foi a do casal Griswold, datada de 1947, que diz
o seguinte:
Relações Públicas são uma função administrativa por meio da qual se avaliam as
atitudes públicas, se identificam as diretrizes e os procedimentos de um indivíduo ou
de uma organização com o interesse público e se executa um programa de ação com
o objetivo de angariar a compreensão e a aceitação públicas em favor daquele
145
indivíduo ou daquela organização.
Dentre os vários conceitos, pode-se ver a definição brasileira que foi apresentada por
Como é possível perceber nas definições que foram apresentadas, as relações públicas
no início das atividades tinham como finalidade a defesa dos interesses institucional perante a
opinião pública. Dessa forma o trabalho era direcionado à utilização de técnicas de pesquisas,
possível dizer que, em termos gerais, ela está bem próxima da realidade que atualmente é
trabalhada. Contudo, deve se considerar a realidade do período em que cada definição foi
144
Ibid., p. 33.
145
Ibid.
146
Ibid., p. 39.
84
As Relações Públicas, assim como a Comunicação, são inerentes aos seres humanos,
ao ponto de se dizer que elas existem desde os primórdios da civilização. A diferença é que
naquela época ainda não havia recebido este nome. Andrade, citando Hugo Barbieri, diz que
“Relações Públicas como filosofia de ação tende a tornar algo apreciado ou conhecido são tão
antigas quanto a própria civilização, apenas não haviam sido batizadas com o nome que
têm”.147
Desta forma, não há como contestar o que já foi dito anteriormente, onde houver mais
Porém, as relações públicas como atividade profissional não existiu sempre. Surgiu no
foram utilizadas para promover campanhas de opinião públicas favoráveis aos países que
população.
Considerando que houve uma evolução tanto da Comunicação quanto das Relações
Públicas e tendo em vista que elas são parte integrantes dos processos comunicacionais e
147
Ibid., p. 55.
85
alcançarem a popularidade, como por exemplos: políticos, artistas entre outros, e para o
Ratifica-se as considerações iniciais com a posição de Roberto Fonseca Vieira que diz:
O termo Relações Públicas, segundo Andrade, foi utilizado pela primeira vez em 27 de
outubro de 1807, pelo presidente dos Estados Unidos, em mensagem ao Congresso. Outra
informação é que teria surgido em 1882, na Yale Law School, nos Estados Unidos, no
pronunciamento do advogado Dorman Eaton em uma conferência. Mas foi somente a partir
de 1906 que Theodore Vail, presidente da American Telephone and Telegraph Co. utilizou no
relatório da empresa a expressão com o mesmo significado pela qual ela hoje é conhecida.149
A ascensão das Relações Públicas deu-se a partir do ano de 1930, nos Estados Unidos,
período em que houve o desenvolvimento das grandes empresas, as quais eram acusadas de
monopolizar as atividades industriais por meio de cartel. Além de manipularem os preços dos
produtos e pagarem aos seus empregados salários muitos baixos, essas empresas não gozavam
de boa reputação perante a opinião pública. Foi nessa época, segundo Andrade, que surgiu o
jornalista Ivy L. Lee contratado por John D. Rockefeller, considerado pelos amigos o pai das
boca.150
148
VIEIRA, Roberto Fonseca. Relações Públicas: opção pelo cidadão. Rio de Janeiro: Mauad, 2002. p. 59.
149
Ibid., p. 56.
150
Ibid., p. 58.
86
Peruzzo diz que “estas breves indicações demonstram que as Relações Públicas nascem num
capital.”151
Deve-se considerar também que o fortalecimento das relações públicas deu-se pela
interno, com o intuito de obterem destes um maior desempenho e rendimento nas suas
funções, sem que fosse necessário desembolsar mais por estes serviços e, desta forma,
desenvolvimento das Relações Públicas, pois estão serão responsáveis pela harmonia e
151
PERUZZO, Cicilia Krohling. Relações Públicas no modo de produção capitalista. São Paulo: Summus,
1986. p. 21.
152
Ibid., p. 52.
153
Ibid., p. 55.
87
1930. Entre eles estão Paul Garret, vice-presidente de Relações Públicas e de Propaganda da
General Motors; Edward Pendray, assistente do presidente da Westinghouse Eletric, além dos
consultores de Relações Públicas John W. Hill, Harry Bruno, T. J. Ross e Carl Byoir. Em
1931, foi criada em Nova York a firma Roy Bernard Co., trabalhando como pioneira de
América do Sul.154
passou a fornecer o curso de Relações Públicas, em virtude do grande interesse. Em 1944, foi
prospectos. Há informações que os responsáveis pela difusão das relações públicas foram as
empresas petroliferas Esso Standart e Shel Petroleum, pois estas foram pioneiras na
Relações Públicas da empresa The San Paulo Tramway Light and Power Company Limited –
hoje Eletropaulo, tendo como chefe do departamento o engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo,
154
VIEIRA, Roberto Fonseca, op. cit., p. 59.
155
Ibid., p. 61.
88
até então as atividades de relações públicas eram confundidas com relações sociais.
meados dos anos 50.156 É possível relacionar uma seqüência de atos representativos da
evolução das relações públicas, entre eles, a criação em 1911 do Serviço de Informação e
programa radiofônico “A Voz do Brasil”, existente desde 1932. O início das atividades do
No entanto, foi no final da década de 40 que estudos mais sérios sobre relações
públicas estava ligado à área da administração. Na USP, desde 1948, foram organizados
seminários sobre o tema para alunos da Ciência da Administração. Havia outras entidades
interessadas em relações públicas, mas da forma mais difusa, pois nesta época, existia muita
confusão com publicidade e propaganda, em parte devido ao trabalho desenvolvido pelo DIP
privadas de propaganda.158
relações públicas à administração pública, contratou o professor Eric Carlson para ministrar o
curso e formou-se um grupo integrado por profissionais de alto gabarito, entre eles, Roberto
Petis Fernandes, Floriano Villa-Alvarez, Simas Pereiras e Benedito Silva. Este grupo optou,
156
WEY, Hebe. O processo de relações públicas. São Paulo: Summus, 1986. p. 34.
157
Ibid.
158
Ibid., p. 35.
89
em 1953, por fundar uma associação brasileira, ao invés de reproduzir o modelo da PRSA –
estatutos, entre o grupo citado, foi fundada em 1954 a Associação Brasileira de Relações
Públicas – ABRP.159
Paulo, com o primeiro curso superior de Relações Públicas. Neste mesmo ano o presidente da
em Relações Públicas. Isso ocorre pelo fato de não haver um objeto específico de trabalho
para as relações públicas e por serem suas funções e atividades muito semelhantes e, também,
por não existir consenso entre os próprios teóricos e profissionais da área. Sua conceituação é
bastante ampla e em alguns casos divergente. Isso se deve ao fato das relações públicas serem
com as quais passa a interagir para a execução de suas atividades, como é o caso com
A falta de uma teoria que dê embasamento às Relações Públicas e torne claro seus
objetivos provoca muita polêmica, que na maioria das vezes não é esclarecida de forma
159
Ibid.
90
discussões e debates chamado de Parlamento Nacional de Relações Públicas, que teve por
profissionais em nível nacional. Este trabalho foi realizado através de discussões nos
que foram propostas à Câmara Federal para alteração da lei em vigor, através do Projeto de
Lei, está a “nova redação da lei que deve privilegiar o caráter gerencial da profissão por ser
esse um traço mais relevante e a maior contribuição que pode oferecer em termos de obtenção
de resultados”.160
160
CONFERP. Conclusões do Parlamento Nacional de Relações Públicas. Conselho Federal de Profissionais
de Relações Públicas: Atibaia, 1997. p. 3.
91
conseguem oferecer, com suficiente clareza e ênfase, um novo foco para as Relações
Públicas, onde sua atividade fim é o papel de administrador dos relacionamentos necessários à
meio.
grande avanço à profissão, pois propiciou a discussão dos diversos problemas enfrentados
Mas esta situação começou a ser revertida, com a recente disseminação de importantes
Contudo, é necessário que se faça uma reflexão mais aprofundada sobre as teorias das
relações públicas e para tanto serão analisados alguns autores que discorreram sobre o tema.
161
Ibid., p. 4.
162
ANDRADE, Cândido Tobaldo de Souza, op. cit., p. 171.
92
Percebe-se nesta análise que houve uma evolução na maneira como é descrita a função
apresentado por Marx e Hillix, o qual diz que “ciência é um empreendimento social,
realizado, portanto, por pessoas com uma atividade científica, utilizando métodos e técnicas
diz que se pode identificar a existência de dois elementos básicos, que são os aspectos
mundo social.164
requer um suporte teórico, como requisito básico para sua sustentação e desenvolvimento”.166
define critérios à realização das atividades necessárias e à obtenção dos resultados desejados.
163
SIMÕES, Roberto Porto. Relações Públicas: função política. Porto Alegre: Sagra, 1987. p. 24.
164
Ibid.
165
Ibid.
166
Ibid., p. 25.
93
além da área da comunicação, também nas áreas da administração e das ciências sociais.
Porém, faltam-lhes uma teoria resultante de investigações científicas que testem a validade
dos fundamentos das inúmeras proposições que se reproduzem em todo o contexto social.
Além da falta de uma teoria que dê embasamento teórico às práticas profissionais das
relações públicas, existe, ainda, a indefinição do seu objeto de trabalho, a qual pode causar
As regras da ciência exigem, entre outros pontos, que o objeto de qualquer ramo de
estudo seja perfeitamente delimitado. Esta imposição tem suas razões, tanto no
aspecto da pesquisa do conhecimento, como, depois, na aplicação tecnológica da
prática profissional. O desenvolvimento dos estudos sobre determinado assunto
somente será possível se a comunidade científica estiver a par e de acordo com o
objeto de estudo.167
importância, pois existe muita semelhança com os objetos de estudos de outras atividades.
Esta semelhança por vezes gera conflitos e prejudica o desenvolvimento das atividades
Baseado nas definições dadas por outros autores e considerando a definição conceitual
e operacional de relações públicas, Simões diz que Relações Públicas são uma função
167
Ibid., p. 58.
168
Ibid., p. 62.
94
afirmação, diz que toda e qualquer ação organizacional é feita a partir de uma decisão tomada
anteriormente, e para tanto é necessário que as Relações Públicas estejam atentas aos
sociais aplicadas e, para tanto, os fundamentos e os pressupostos teóricos para a prática têm
que ser buscados nessas ciências. Justifica sua posição com a citação de J. F. Megale, que diz:
Com base nessa afirmação deve-se ter claro que o relações públicas, para o exercício
de sua profissão, necessita de um conhecimento teórico bastante abrangente. Isto lhe permitirá
fazer uma boa análise da situação, na qual deve ser observado com muita atenção o contexto
Ao ratificar sua afirmação, Kunsch diz que Edward Bernays foi um dos primeiros
autores clássicos a fundamentar as relações públicas nas ciências sociais, com a seguinte
citação:
169
Ibid., p. 169.
170
Ibid.
171
KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Relações Públicas e modernidade: novos paradigmas na
comunicação organizacional. São Paulo: Summus. 1997. p. 105.
172
Ibid., p. 105-106.
95
173
Ibid.
96
pesquisa.
Dentre os autores que enquadram as relações públicas na área das Ciências Sociais,
Tendo em vista o dinamismo das relações públicas, alguns autores utilizam, também,
Com base em estudos mais recentes, Maria Aparecida Ferrari discorre sobre a
seguinte argumentação:
174
VIEIRA, Roberto Fonseca. op. cit., p. 16-17.
175
WEY, Hebe, op. cit., p. 49.
97
A análise das Teorias das Relações Públicas serve de base para profissionais e alunos
compreenderem o que são as Relações Públicas, quais são os objetivos da profissão, suas
funções e objeto. Para ilustrar as fases do desenvolvimento das relações públicas serão
analisadas as atividades e as funções, desde o seu início até os dias de hoje, visando uma
Ao resgatar a história das relações públicas pode-se dizer que ela desenvolveu-se a
partir das necessidades apresentadas pela sociedade, ou seja, os conflitos gerados pelo
convívio social. Desde a sua criação, as relações públicas e seus profissionais vêm se
ocorrem na sociedade.
Fazendo uma retrospectiva com objetivo de resgatar as origens das atividades das
relações públicas, pode-se observar que seu desenvolvimento ocorreu inicialmente apoiado no
jornalismo, pois alguns desses profissionais começaram a fazer relações públicas com intuito
de defender grandes empresários que eram vítimas do jornalismo denúncia, praticado a partir
do ano de 1900. Neste período, o objetivo das relações públicas era de assessoria aos
176
FERREIRA, Maria Aparecida. Novos aportes das relações públicas para o século XXI. Comunicação &
Sociedade. São Bernardo do Campo, n. 39, 1 sem. 2003. p. 53-65. p. 61.
98
empresários, para auxiliá-los a corrigir sua atitude perante a opinião pública e para divulgar
O Paradigma que definiu, por muito tempo, o objetivo das Relações públicas como
tática foi o de formar opinião pública. Em nível de estratégia, o objetivo é o de
legitimar o poder de decisão da organização. Essas hipóteses induzem a uma revisão
dos conceitos pertencentes ao discurso da Ciência Política, como opinião pública,
177
legitimação e poder, já que os objetivos apresentados apoiam-se nesse discurso.
ajustar e influenciar o clima humano. [...] Agrega elementos de psicologia, política, economia,
um papel intermediário entre seus públicos. E, para tanto, deve conhecer bem as necessidades
Segundo Lesly, são oito as fases de relações públicas que envolvem a completa
análise e compreensão dos fatores que influenciam as atitudes das pessoas em relação a uma
organização, quais sejam: 1) analisar o clima geral de atitudes e a relação da organização com
177
VIEIRA, Roberto Fonseca, op. cit., p. 19-20.
178
LESLY, Philip. Os fundamentos de relações públicas e da comunicação. São Paulo: Pioneira, 1995. p. XI.
179
Ibid., p. 10-11.
99
de relações públicas tenham uma formação bastante ampla, pois suas atividades e funções
consenso nas definições, nas teorias e no objeto de trabalho, as atividades e forma de atuação
constituem o processo administrativo, que são planejar, organizar, dirigir e controlar, e devem
ser exercidas por cada administrador.181 Ao analisar estes conteúdos, percebe-se que as
funções dos processos administrativos têm muita afinidade com as quatro operações
pessoas, desde o processo de seleção, até o seu desligamento. Para sintetizar o processo de
trabalho das pessoas em seis processos básicos que são os seguintes: 1) processo de agregar
180
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 6. ed.
Rio de Janeiro: Campus, 1999. p. 11.
181
Ibid., p. 12.
100
pessoas.182
das duas áreas trabalham de modo independente, apesar da afinidade de seu objeto de trabalho
implementadas.
forma de atuação da empresa, com objetivo de manter ou melhorar a sua imagem perante a
opinião pública. Porém, em grande parte das empresas essas atividades não recebem muita
Neste sentido, Roberto de Castro Neves diz que existe nas grandes empresas sempre
uma disputa muito grande entre o assessor de comunicação e o assessor jurídico, pois os
Deve-se considerar também que as relações públicas desde sua criação transcendem
182
Ibid.
183
NEVES, Roberto de Castro. Imagem empresarial. Rio de Janeiro: Mauad, 1998. p. 191-192.
101
Simões, ao falar das Relações Públicas, vai além das definições acima citadas,
apesar de trabalhosa, é viável, em face das teorias relatadas por vários cientistas na
Além das funções acima apresentadas, surge com a nova era da informação e com as
novas tecnologias mais uma atividade para as relações públicas, que é a gestão estratégica das
184
SIMÕES, Roberto Porto. Relações Públicas e Micropolítica. São Paulo: Summus, 2001. p. 26.
185
Ibid., p. 64.
186
Ibid., p. 65.
102
sobre a sua área de atuação e também sobre o mercado, para que as decisões possam ser
187
CARVALHO, Helenice. As relações públicas e a gestão estratégica das informações nas empresas
TENDÊNCIAS NA COMUNICAÇÃO. Porto Alegre: L&PM, 2001. p. 132-138. p. 133.
188
Ibid., p. 136.
189
GONÇALVES, Fernando do Nascimento. Relações Públicas e as novas tecnologias: solução ou dilema? In.
FREITAS, Ricardo Ferreira; LUCAS, Luciane (Orgs.). Desafios contemporâneos em Comunicação:
perspectivas de relações públicas. São Paulo: Summus, 2002. p. 51-71. p. 57-58.
103
Para finalizar este capítulo, é importante levar em conta que atuação dos profissionais
de relações públicas no Brasil é muito recente. Deve-se considerar, também, que não existe a
públicas para saberem se estão fazendo a coisa certa ou não, pois isto gera custo e o retorno só
é visível a médio e a longo prazo. Além disso, as empresas sempre dispõem de outros
profissionais que se intitulam especialistas em muitos assuntos e, por sua vez, interferem na
tomada de decisão. Porém, quando a situação torna-se complexa, recorrem aos profissionais
especializados para tentarem contornar o problema. Aí, aparece o relações públicas como um
Por essa e por muitas outras situações será analisado no próximo capítulo de que
processos comunicacionais.
104
Com base nas considerações feitas anteriormente, neste capítulo serão confrontadas as
convergentes entre elas. Após esta identificação, será analisada de que forma as Relações
Públicas podem contribuir para explicar os processos de comunicação, tanto na teoria como
na prática.
Por isso, faz-se necessário reforçar que o objetivo da teoria, seja ela qual for, é fazer
uma reflexão da realidade. Para tanto, deve-se observar se os fundamentos teóricos explicam a
prática e, esta por sua vez, não deve desconhecer nem rejeitar os princípios teóricos que lhe
embasam.
Para esta análise, deve-se levar em conta também a evolução das teorias e do
vida em sociedade.
3.1 – Convergências
ter em mente que elas darão os subsídios necessários a toda e qualquer atividade destes
fundamentada em ser ela o ato reflexivo do cotidiano, ou seja, ela analisa o que o homem faz
na prática, permitindo, desta forma, que aconteçam discussões e que sejam desenvolvidas
primeiro capítulo, com seu principal enfoque e considerações baseados no que foi tratado no
seja, existe uma concepção de onipotência dos meios e de seus efeitos diretos. Sua
preocupação básica é com esses efeitos. Pode-se perceber como característica marcante a
que, se estivesse integrado num contexto mais amplo ou se sentisse fortalecido com o apoio
uma mão, a qual tem por objetivo a disseminação da informação e preocupa-se apenas com o
que essa teoria surgiu e foi utilizada no período da I Guerra Mundial, com a intenção de
informar e motivar os soldados combatentes sobre a sua situação e acalmar a população dos
Atualmente esta teoria não mais se aplica, pois as pessoas têm acesso, em tempo real,
aos mais diversos tipos de informações. Isto se deve ao avanço da tecnologia, da diversidade
informações são repassadas através dos meios de comunicação – rádio, televisão, jornal,
internet, revistas, entre outros – e o indivíduo recebe, analisa e questiona conforme sua
realidade.
Outro fator que contribuiu para a defasagem desta teoria foi a liberdade de expressão
industrial e cultural.
Sendo assim os princípios básicos da teoria hipodérmica perdem seus efeitos devido à
Além disso, deve-se levar em conta que houve uma evolução do conhecimento do receptor,
manipulação da informação, uma vez que foi desenvolvida por um matemático e um físico,
com o objetivo de solucionar problemas de ordens técnicas. Apesar de ter seu foco em um
processo mecânico, nesta teoria foi identificada e representada a estrutura básica do processo
de comunicação, que serve tanto para aparelhos eletrônicos quanto para os seres humanos,
107
não havendo, no primeiro caso, a preocupação com a decodificação da mensagem, mas sim
Sob o ponto de vista das Relações Públicas esta teoria utiliza-se do modelo de
repassar a informação, sem considerar que a análise deve ser feita a partir do todo, que é a
Contudo, esta teoria não explica integralmente a atividade de relações públicas, pois
Apesar desta teoria ter tido como primeiro enfoque o estudo da estrutura do repasse da
aprendido de forma prática, até então não tinha merecido nenhum estudo teórico a seu
respeito.
Desta forma pode-se considerar que a teoria da informação continua sendo uma
referência tanto para a área da informática quanto para as áreas da comunicação, pois os
A Teoria Crítica tem por objetivo fazer uma análise da sociedade como um todo. Seu
principal objetivo foi denunciar a condição do indivíduo em relação à distribuição das classes
cultura de massa para indústria cultural com o objetivo de evitar que a mesma fosse
confundida com a cultura das massas ou provinda da arte popular. Questionou também quanto
massa.
Analisando sob o ponto de vista das Relações Públicas, esta teoria utiliza-se do
modelo da persuasão científica, que é o processo de duas mãos, no qual são utilizadas
públicos.
A formulação desta teoria deu-se a partir das transformações que ocorreram nos mais diversos
ideologia, crença, interesses, poder econômico, entre outros fatores e assim a formar nichos,
109
os quais devem ser estudados separadamente porém não se deve desconsiderar que eles fazem
consumidor, que foi criado e introduzido na época em que esta teoria foi apresentada. A
e sua divulgação pelos meios de comunicação se perpetuam até hoje. Mas a adequação e
modernização dos produtos, bens e serviços, assim como a sua promoção e divulgação
científica, que é o processo de duas mãos, no qual são utilizadas pesquisas a fim de obter
Ainda hoje, esta teoria mantém-se e serve de base para os profissionais da área da
comunicação, pois ela apresentou elementos que são utilizados na comunicação. A partir da
identificação dos elementos fundamentais, através da semiótica, pode-se fazer uma análise e
Sendo assim, os signos devem ser pensados como integrantes das relações sociais.
Porém em alguns momentos estes foram deixados de lado, sendo posteriormente retomado.
Neste sentido deve-se procurar identificar e avaliar quais as simbologias que são utilizadas no
Entre os elementos apresentados por esta teoria, estão a conotação e a denotação, que
são muito utilizados em propagandas e comercias, pois ambos os termos têm como finalidade,
A Teoria Funcionalista se difere das demais teorias, pois analisa as funções exercidas
pela comunicação de massa na sociedade. Essa teoria tem sua origem na concepção da função
valorização do ser humano como componente das organizações e a importância que cada um
Analisando sob o ponto de vista das Relações Públicas esta teoria utiliza-se do modelo
da compreensão mútua, que é o processo simétrico de duas mãos, no qual há uma busca de
os públicos estratégicos.
sistema a teoria funcionalista se afasta das demais teorias. No intuito de aproximar esta aos
A partir desse argumento pode-se considerar que a teoria funcionalista teve como
objetivo explicar a organização social, através da análise dos costumes e tradições exercidas
Porém, é necessário observar que o equilíbrio proposto por esta teoria em relação à
função social de cada indivíduo na sociedade não se aplica integralmente, pois a estrutura
fenômenos comunicacionais, através da influência e do poder que são exercidos pelos meios
sociais que formam os campos econômico, político, social e cultural, com objetivo de
compreender a mudança social e a sua transformação histórica. Tem como objetivo denunciar
o domínio dos meios de comunicação e a utilização dos produtos da indústria cultural como
190
POLISTCHUK, Ilana; TRINTA, Aluizio Ramos. Teorias da Comunicação: o pensamento e a prática da
comunicação social. Rio de Janeiro: Campus, 2003. p. 85-86.
112
manter o acordo entre os interesses da organização e dos seus públicos envolvidos; baseia-se
Esta teoria desenvolveu-se, a partir dos anos 50, período em que houve a expansão do
capitalismo, juntamente com os meios de comunicação, os quais eram e são responsáveis pela
difusão dos produtos da indústria cultural, principalmente na América Latina. Nesta época os
Com essas mudanças reduziu-se também parte da dependência econômica e cultural que
quais necessitam ter maior controle sobre o capital investido, o que requer uma maior atenção
por parte dos administradores e das demais áreas que compõem a organização. Levando-se
em conta o período em que esta teoria foi desenvolvida e tendo em vista que ela se mantém
atualizada, pode-se dizer que sua contribuição às relações públicas é bastante significativa. A
partir das considerações apresentadas pela Economia Política da Comunicação ainda hoje é
3.1.7 – Etnometodologia
contexto social do indivíduo. Utiliza-se do método indutivo para generalizar dentro dos casos
uma ciência social interpretativa, fundamentada numa hermenêutica cultural e organizada por
estruturas locais de saber, inseparáveis de seus invólucros e dos seus instrumentos. Sendo
assim, é de fundamental importância para esta teoria que a sua análise e verificação do fato
ocorra dentro do contexto onde o mesmo se deu, pois este sofre alteração e influência do
A Etnometodologia tem influencia de outras teorias e, por isso, seu estudo deve ser
compreensão mútua, que é o processo simétrico de duas mãos, no qual há uma busca de
os públicos estratégicos.
relações públicas, pois trabalha com a observação, análise e compreensão do indivíduo dentro
de seu contexto social. Contempla, além das experiências pessoais, os significados que os
indivíduos imprimem as coisas, levando em consideração que as situações não são estanques
comunicação, pois, além dela se apoiar em outras ciências, está atrelada ao sentido que as
pessoas dão aos fatos, a partir do conhecimento e interpretação adquiridos em seu ambiente
físico.
contemporâneo.
compreensão mútua, que é o processo simétrico de duas mãos, no qual há uma busca de
os públicos estratégicos.
suas análises e considerações, dos fatos que provocaram as mudanças mais recentes na
sociedade. Contudo, esta teoria não explica integralmente o processo existente, sendo
necessário o aporte de subsídios das outras teorias, e também de outras ciências, como
antropologia e sociologia, entre outras, para que se possa efetuar uma análise mais complexa
do processo.
grandes modificações nas relações sociais e humanas. Neste contexto, pode-se observar três
etapas na evolução cultural do homem geradas a partir da introdução das novas tecnologias
eletrônicas, que foram estudadas por esta teoria, que são a tribalização, a destribalização e a
retribalização.
Nos marcos das Relações Públicas esta teoria utiliza-se do modelo da compreensão
mútua, que é o processo simétrico de duas mãos, no qual há uma busca de equilíbrio entre os
estratégicos.
Deve-se considerar que essa é a mais recente teoria da comunicação e tem por objetivo
televisão, a qual trouxe consigo novos hábitos que provocaram alteração e influenciaram nos
116
outras tecnologias, entre elas a internet, foram responsáveis também pelo distanciamento
físico das pessoas, que optaram por se corresponder e relacionar através de máquinas e
pelo isolamento do indivíduo, que na maioria das vezes não se dá conta de que virou escravo
da máquina e não mais consegue se relacionar com as outras pessoas por falta de tempo, entre
interconectado. As noções de espaço e tempo são relativizadas, as fronteiras acabam por ser
deve-se ter presente que, apesar da crescente difusão dos meios e dos relacionamentos
virtuais, as relações interpessoais continuam a existir, uma vez que centenas de indivíduos
relacionamento pessoal e físico, é intrínseco aos seres humanos, e jamais será substituído por
máquinas e equipamentos.
Porém, esta teoria, por si só, não explica integralmente o processo existente, sendo
necessário o aporte de subsídios das demais teorias, e também de ciências como antropologia,
sociologia entre outras, para que se possa efetuar uma análise substancial do processo.
117
Considerações Finais
síntese, pode-se concluir que a pesquisa em Comunicação foi influenciada pelas condições
explicam cada uma em seu tempo a realidade da época. Deve-se considerar, também, que as
teorias mencionadas não explicam na integra a realidade da comunicação nos dias de hoje.
Elas dão apenas embasamento teórico e subsídios aos estudiosos e pesquisadores para o
consenso entre os profissionais que existe uma necessidade muito grande de se investir em
pesquisas, pois é somente a partir do confronto entre a teoria e prática que será possível
explicar as mudanças que ocorreram na sociedade. Além disso, deve-se considerar que é
públicas são capacitados para implementar atividades que visam auxiliar e facilitar o
desenvolvimento dos processos comunicacionais entre os mais diversos públicos e nas mais
diversas áreas de atuação. Isso se deve ao fato de serem, os relações públicas, os únicos
118
Públicas. Neste exame procurou-se analisar como as teorias da Comunicação e das Relações
não explicam de forma integral o processo da comunicação, em nenhuma das três áreas –
defasagem histórica que existe entre a formulação da teoria e realidade atual. Porém, deve-se
salientar que, apesar das divergências constatadas, a teoria ou a junção de mais de uma delas,
em algum momento, serve de referencial teórico para análise, estudo e observação dos
processos comunicacionais.
Fazendo uma análise das Teorias da Comunicação, sob o olhar crítico das Relações
Públicas, com objetivo de identificar as possíveis convergências, pode-se dizer que a Teoria
Hipodérmica não se aplica, pois a sua visão do público, desde formulação, é equivocada. É
inconcebível considerar que o público como um objeto que pode ser manipulado ou se
explica o processo mecânico da comunicação, que num primeiro momento serve também aos
compreensão.
na análise e observação dos fenômenos contemporâneos, sendo, para isso, necessário uma
profissionais de relações públicas, pois tem sua concepção formulada a partir da função do
indivíduo na estrutura social e organizacional. Porém, esta não se aplica integralmente, pois
não há na sociedade o mesmo equilíbrio proposto, sendo necessário, para sua aplicação a
cada sistema.
mundial.
técnicas das ciências sociais para suporte e subsídio às suas análises. Examinam o
em conta o contexto onde ocorrem as relações sociais. Estas teorias fornecem informações
novas tecnologias.
sendo implementada juntamente com as alterações que a sociedade vem sofrendo, em função
Com base nas análises apresentadas, é possível observar que nenhuma das teorias
explica de forma integral e satisfatória o processo comunicacional, porque cada uma em seu
Deve-se se ter claro também que algumas teorias foram realizadas em condições bastante
adversas ao nosso tempo e outras tinham objetivos específicos, os quais foram posteriormente
Se considerarmos que as relações públicas têm como objetivo proporcionar aos seus
públicos uma comunicação abrangente e eficaz, é necessário que se aprofunde ainda mais os
conhecimentos teóricos, tanto, na área das teorias da comunicação, quanto, na área específica
de relações públicas, com o objetivo de se obter maiores subsídios que dêem suporte para
incentivem e promovam mais pesquisas, especificamente na área das relações públicas, pois é
inconcebível pensar as relações públicas como seres isolados, inertes, sem conhecimento e
do fazer Relações Públicas, sendo mais ou menos aceitas conforme objetivo de análise,
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