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Professor Cícero José – Uniban 2011

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CAPÍTULO I Equações Diofantinas

1. Um pouco de História

A teoria das Equações Diofantinas é o ramo da teoria dos números que investiga as soluções inteiras ou racionais de equações polinomiais, como, 2x + 4y = 5, y² – x³ = –2 ou x² + y² = z². O nome Equações Diofantinas é uma homenagem a um dos maiores algebristas da Grécia antiga, Diophantus de Alexandria, grego do século III D.C., que formulou e resolveu muitas dessas equações. Diofante foi um grande matemático que se dedicou à resolução de problemas. Sua mais importante obra foi a Aritmética, uma coleção de 13 livros nos quais o autor reuniu cerca de 150 problemas resolvidos através de operações numéricas, nas quais demonstra seu alto grau de habilidade e engenho. Também chamado de “pai da álgebra”, devido a sua contribuição na introdução de notações algébricas, Diofante utilizou abreviações para a subtração, a igualdade e a incógnita. Bastante curioso é o epitáfio de Diofante, matemático grego da Antiguidade, que viveu 200 anos a.C. Encontramos na Antologia Grega um problema que é apresentado sob a forma de epitáfio:

Eis o túmulo que encerra Diofante, maravilha de contemplar. Com um artifício aritmético a pedra ensina a sua idade. Deus concedeu-lhe passar a sexta parte de sua vida na juventude; um duodécimo na adolescência; um sétimo em seguida foi passado num casamento estéril. Decorreram mais cinco anos, depois do que lhe nasceu um filho. Mas este filho desgraçado e, no entanto, bem amado! apenas tinha atingido a metade da idade que viveu seu pai, morreu. Quatro anos ainda, mitigando sua própria dor com o estudo da ciência dos números, passou-os Diofante, antes de chegar ao termo de sua existência.

 

Em

linguagem

x

+

x

+

x

+ 5 +

x

6

12

7

2

algébrica

o

epigrama

da

Antologia

seria

traduzido

pela

equação:

+ 4 = x , na qual x representa o número de anos que viveu Diofante.

Resolvendo essa equação, achamos x = 84. Trata-se, afinal, de uma equação muito simples do 1º

grau com uma incógnita.

A obra de Diophantus serviu como fonte de inspiração para muitos matemáticos entre eles o matemático francês Pierre de Fermat (1601-1665). Pierre de Fermat era um Conselheiro da Câmara de Requerimentos de Toulouse, na França de 1631. Sua responsabilidade estava ligada à condenação de pessoas à morte na fogueira e por isso não podia ter muitas amizades. Em seu tempo livre dedicava-se à Matemática e ficou conhecido como o

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"Príncipe dos Amadores" por ter descoberto as leis da probabilidade, os fundamentos do Cálculo Diferencial antes de Newton e Leibniz, desenvolvido a Geometria Analítica antes de Descartes e teoremas difíceis e elegantes sobre Números Inteiros. Entretanto Fermat se interessou pelo assunto após ter lido a edição de 1621 da obra de Bachet: “Arithmetica de Diophantus”, obra que consistia do material que restou do trabalho de Diophantus. Fermat deu início a várias áreas da Teoria dos Números moderna, inclusive à Análise Diofantina, e formulou o problema mais famoso da Teoria dos Números e da Matemática que desafiou gerações de matemáticos. Essa batalha durou cerca de 350 anos e influenciou praticamente toda a Matemática. Fermat simplesmente afirmou que possuía uma demonstração para a seguinte generalização das Ternas Pitagóricas:

se n 3, a equação x + y = z não admite soluções inteiras não-nulas.

Mas a demonstração “não cabia na margem de sua cópia da Arithmetica de Diophantus” onde Fermat deixou registrada essa afirmação. Descobrir a “demonstração de Fermat” tornou-se o desafio mais famoso da Matemática e ficou conhecido como o “Último Teorema de Fermat”. Parecia tão simples, porém os grandes matemáticos dos últimos quatro séculos não puderam resolvê-lo antes de 1994. Fermat possuía um prazer especial em provocar embaraços aos matemáticos da sua época, em particular aos ingleses. Quis o destino que um inglês, Andrew Wiles, fosse o escolhido para colocar um fim a tais provocações. A mais terrível delas, o "Último Teorema de Fermat", foi demonstrada em 1994, pelo matemático inglês Andrew Wiles. Um importante matemático, professor em Cambridge, Inglaterra, chamado John Coates, que foi o orientador da tese de doutoramento de Andrew Wiles, comparou esse fato à descoberta de que o átomo é divisível e à descoberta da estrutura do DNA. Para Andrew Wiles o problema tornou-se uma obsessão desde seus 10 anos quando conheceu o livro de Eric Temple Bell, “O Último Problema”. Wiles achou que tinha que ser ele a resolvê-lo. A história dos detalhes de como a afirmação de Fermat se tornou a mais terrível provocação é magistralmente contada por Simon Singh em seu livro “O Último Teorema de Fermat” lançada pela editora Record aqui no Brasil. Esse livro foi o mais vendido no mundo sobre o “Último Teorema de Fermat”, pois narra de maneira brilhante episódios divertidos, dramáticos e até trágicos, da História da Matemática, para descrever ao grande público a conquista mais famosa da Matemática. Uma das aplicações interessantes da Matemática no nosso cotidiano são as equações diofantinas. Estas equações, de primeiro grau, nos levam às diversas soluções inteiras que podem resolver tais equações. Aplicando-se restrições a uma solução geral, de forma parametrizada, podemos obter uma ou mais soluções que atendam ao que se deseja. Vejamos como resolver o exemplo que problema que fizemos durante a aula usando os métodos de solução.

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2. Definição de equação diofantina

Equação diofantina linear é uma equação da forma ax + by = c em que a, b, c, são números

inteiros. Uma solução de uma equação diofantina linear é um par de inteiros (x o , y o ) que satisfaz a

equação.

Exemplo 1: A equação 3x + 6y = 18 tem como soluções os pares (4, 1); (–6, 6); (10, –2); etc.

Exemplo 2: A equação 2x + 4y = 7 não tem solução, pois o primeiro membro será sempre par e o

segundo membro é ímpar.

3. Condição de Existência de Solução

A equação diofantina linear ax + by = c tem solução se, e somente se, d = mdc (a, b) divide c.

4. Soluções da Equação ax + by = c

Teorema: Se d = mdc (a, b) divide c (d | c), e se o par de inteiros (x 0 , y 0 ) Z x Z é uma solução

particular da equação diofantina linear ax + by = c, então todas as outras soluções desta equação são

dadas pela fórmula: x = x 0 +

b

d

t e y = y 0

a

d

t, onde t é um inteiro arbitrário.

Corolário: Se o mdc (a, b) = 1 e se (x 0 , y 0 ) Z x Z é uma solução particular da equação diofantina

ax + by = c, então todas as outras soluções desta equação são dadas pelas fórmulas: x = x 0 + bt e

y = y 0 – at, onde t é um inteiro arbitrário.

Teorema de Bezout

Se d = mdc (a,b) então existem números inteiros x 0 e y 0 tais que ax 0 + by 0 = d.

Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 1: Determine todas as soluções inteiras da equação diofantina 56x + 72y = 40.

Resolução:

O mdc (56, 72) = 8 e 8 40, portanto a equação 56x + 72y = 40 possui soluções inteiras. De

acordo com o Teorema de Bezout, existe um par ordenado (x 0 , y 0 ) tal que 56x 0 + 72y 0 = 8.

Usando o algoritmo da divisão temos:

72

= 56 . 1 + 16

72 – 56 . 1 = 16

56

= 16 . 3 + 8

56 – 16 . 3 = 8

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Escrevendo o 8 como combinação linear de 56 e 72 vem:

56

– 16 . 3 = 8

56

(72 – 56 . 1) . 3 = 8

56

– 72 . 3 + 56 . 3 = 8

56

. 4 + 72 . (–3) = 8

Como queremos resolver a equação 56x + 72y = 40, multipliquemos a última igualdade por 5.

56 . 20 + 72 . (–15) = 40

Logo x 0 = 20 e y 0 = –15 é uma solução particular da equação 56x + 72y = 40. A solução geral é:

x = 20 +

y =

15

72

8

56

8

t

t

x = 20 + 9t

y =

15

7t

, com t

Z

Observação: Para encontrar outras soluções particulares, basta atribuir valores inteiros para t. Por

exemplo:

Para t = –1 x = 20 + 9 . (–1) = 20 – 9 = 11

e

y = –15 – 7 . (–1) = –15 + 7 = –8

Para t = 1 x = 20 + 9 . 1 = 20 + 9 = 29

e

y = –15 – 7 . 1 = –15 – 7 = –22

Para t = 2 x = 20 + 9 . 2 = 20 + 18 = 38

e

y = –15 – 7 . 2 = –15 – 14 = –29

Exemplo 2: Determine todas as soluções inteiras da equação diofantina 11x + 30y = 31.

Resolução:

O mdc (11, 30) = 1 e 1 31, portanto a equação 11x + 30y = 31 possui soluções inteiras. De

acordo com o Teorema de Bezout, existe um par ordenado (x o , y o ) tal que 11x o + 30y o = 31.

Usando o algoritmo da divisão temos:

30

= 11 . 2 + 8

30 – 11 . 2 = 8

11

= 8 . 1 + 3

11 – 8 . 1 = 3

8

= 3 . 2 + 2

8 – 3 . 2 = 2

3

= 2 . 1 + 1

3 – 2 . 1 = 1

Escrevendo o 1 como combinação linear de 11 e 30 vem:

3 – 2 . 1 = 1

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3 – 8 . 1 + 3 . 2 = 1

3

(11 – 8 . 1) . 3 – 8 . 1 = 1

. 3 –

8

.

1

= 1

11

. 3 – 8 . 3 – 8 . 1 = 1

11

. 3 – 8 . 4 = 1

11

. 3 – (30 – 11 . 2) . 4 = 1

11

. 3 – 30 . 4 + 11 . 8 = 1

11

. 11 + 30 . (–4) = 1

Como queremos resolver a equação 11x + 30y = 31, multipliquemos a última igualdade por 31.

11 . 341 + 30 . (–124) = 31

Logo x o = 314 e y o = –124 é uma solução particular da equação 11x + 30y = 31. A solução geral

é:

x = 341 +

y =

124

30

1

11

1

t

t

x = 341 + 30t

y =

124

11t

, com t

Z

Exemplo 3: Determine todas as soluções inteiras da equação diofantina 2x + 4y = 7.

Resolução:

O mdc (2, 4) = 2 e 2

diofantina 2x + 4y = 7. Resolução: O mdc (2, 4) = 2 e 2 7,

7, portanto a equação 2x + 4y = 7 não possui soluções inteiras.

Exemplo 4: Fernando recebeu R$ 50,00 para comprar dois tipos de lanches para um piquenique com

sues colegas. Depois de pesquisar, conseguiu o preço de R$ 4,00 por hambúrguer e de R$ 6,00 por

mini-pizza. De quantas maneiras ele pode comprar o lanche para o piquenique?

Resolução:

Para resolvermos este problema devemos ter em mente que a solução precisa envolver números

inteiros, pois o Fernando não pode comprar fração do hambúrguer, nem fração da mini-pizza. É,

portanto típico de uma equação diofantina. Façamos x como sendo a quantidade de hambúrguer e y

como sendo a quantidade de mini-pizzas. Então, podemos escrever uma equação do tipo ax + by = c,

onde a representa o custo do hamburger e b o custo da mini-pizza temos que:

4x + 6y = 50, ou melhor, ainda 2x + 3y = 25

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Como o mdc (2, 3) = 1 e 1 divide 25, logo é possível termos soluções inteiras. De acordo com o

Teorema de Bezout, existe um par ordenado (x o , y o ) tal que 2x o + 3y o =25.

Usando o algoritmo da divisão temos:

3 = 2 . 1 + 1

Escrevendo o 1 como combinação linear de 2 e 3 vem:

3 – 2 . 1 = 1

–2 . 1 + 3 . 1 = 1

2. (–1) + 3 . 1 = 1

Como queremos resolver a equação 2x + 3y = 25, multipliquemos a última igualdade por 25.

2 . (–25) + 3 . 25 = 25

Logo x o = –25 e y o = 25 é uma solução particular da equação 2x + 3y = 25. A solução geral é:

x

=

y = 25

25 +

2

1

3

1

t

t

x =

y = 25

25

2t

+ 3t , com t

Z

Como x > 0 e y > 0 temos que –25 + 3t > 0 e 25 – 2t > 0. Resolvendo cada uma delas temos:

3t > 25

–2t > –25

t > 8,3

t < 12,5

Os valores inteiros de t que se encontram no intervalo são: 9, 10, 11 e 12.

Logo, as soluções possíveis são:

Quando t = 9, temos x = –25 + 27 = 2 e y = 25 – 18 = 7.

Quando t = 10, temos x = –25 + 30 = 5 e y = 25 – 20 = 5.

Quando t = 11, temos x = –25 + 33 = 8 e y = 25 – 22 = 3.

Quando t = 12, temos x = –25 + 36 = 11 e y = 25 – 24 = 1.

Ou seja, o Fernando poderia comprar com os R$ 50,00:

2

hambúrguer e 7 mini-pizzas ou

5

hamburguês e 5 mini-pizzas ou

8

hamburguês e 3 mini-pizzas ou

11 hamburguês e 1 mini-pizza

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Exercícios

1) Dados

134r + 55s = d.

a

=

134

e

b

=

55,

calcule d

=

mdc

(a, b) e determine os

valores

de

r

e

s

tais

que

2) Determinar todos os múltiplos positivos de 11 e de 9 cuja soma seja 270.

3) Resolva as seguintes equações diofantinas:

a)

b)

c) 8x + 40y = 20

d) 3x + 4y = 20

2x + 3y =9 3x + 5y = 47

e)

f)

g) 24x + 18y = 18

5x – 2y = 2 18x – 20y = 8

4) Encontre as soluções inteiras positivas de:

a) 2x + y = 2

b) 6x + 15y = 51

5) Encontre as soluções inteiras negativas de:

a) 2x + y = 2

b) 6x + 15y = 51

6) Decomponha o número 100 em duas parcelas positivas tais que uma é múltiplo de 7 e a outra de 11. (problema do matemático L. Euler [1707 – 1783].)

7) Ache todos os inteiros estritamente positivos com a seguinte propriedade: fornecem resto 6 quando divididos por 11 e resto 3 quando divididos por 7.

8) O valor da entrada de um cinema é R$ 8,00 e da meia entrada R$ 5,00. Qual é o menor número de pessoas que pode assistir a uma sessão de maneira que a bilheteria seja de R$ 500,00?

9) Um parque de diversões cobra R$ 1,00 a entrada de crianças e R$ 3,00 a de adultos. Para que a arrecadação de um dia seja R$ 200,00, qual o menor número de pessoas, entre adultos e crianças, que poderiam frequentar o parque nesse dia? Quantas crianças? Quantos adultos?

10) Determine o menor inteiro positivo que deixa restos 16 e 27 quando dividido por 39 e 56, respectivamente.

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CAPÍTULO II Congruências Módulo m

1. Introdução

O conceito de congruência, bem como a notação através da qual se torna um dos instrumentos

mais fortes da teoria dos números, foi introduzido por Karl Friedrich Gauss (1777 – 1855) em sua Disquisitiones Arithmeticae de 1801. Mesmo no dia a dia nem sempre as contas dão como resultado aquilo que “reza” a Aritmética. Por exemplo, quando é que 13 + 18 dá 7? Quando estamos falando de horas. Se forem 13 horas ou 1 hora da tarde, ao adicionarmos 18 horas teremos 7 horas da manhã. Mas isto não é privilégio só das horas, qualquer fenômeno cíclico vai produzir uma Aritmética semelhante a esta. E é esta Aritmética

dos fenômenos cíclicos que é conhecida como Aritmética dos Restos ou Congruência. Consideremos a seguinte situação: se hoje é sábado, daqui a 152 dias, que dia da semana será? E há 152 dias, que dia semana foi? Consideremos a seguinte correspondência biunívoca entre a sucessão dos dias e o conjunto dos números inteiros: ao dia de hoje (sábado) associamos o número 0, ao dia de amanhã o 1, e assim por diante; ao dia de ontem (sexta-feira) associamos o –1, ao de anteontem o –2, etc. Observemos o quadro:

Sábado

Domingo

Segunda

Terça

Quarta

Quinta

Sexta

–14

–13

–12

–11

–10

–9

–8

–7

–6

–5

–4

–3

–2

–1

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

Sua primeira coluna representa sábados: abaixo da linha do 0, posteriores a hoje; acima, anteriores. A segunda representa domingos, e assim por diante. Notemos que dois inteiros representam o mesmo dia da semana se, e somente se, sua diferença é um múltiplo de 7. Mas na primeira coluna estão os números da forma 7k, na segunda os da forma 7k + 1, na terceira

os da forma 7k + 3, etc., onde k = 0, ± 1, ±2, … . Como 152 = 7 . 21 + 5, então 152 está na coluna do 5, ou seja, das quintas-feiras. Logo a resposta à primeira pergunta é quinta-feira.

E como –152 = 7 . (–22) + 2, então –152 está na coluna do 2. Assim, a resposta à segunda

pergunta é segunda-feira.

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Outro campo de aplicação da teoria é o da periodicidade da natureza, o tempo por exemplo. Os nossos relógios registram as horas em módulo 12. Após 12 horas voltam ao zero, começando novamente a contagem do tempo. Neste caso, é preciso levar em conta que 1 hora são 60 minutos se quisermos estabelecer um sistema completo de resíduos. No caso do relógio de ponteiros trabalhamos com congruência (mod 12), isto é, indicamos no relógio o resto da divisão euclidiana, das horas consideradas, por 12. Quando falamos 21 horas, por exemplo, não vemos este número marcado no relógio, o que vemos é o resto da divisão de 21 por 12 que é igual a 9. Encontramos congruências em todos os cantos. Como dissemos, os relógios trabalham com módulos 12 ou 24 para as horas e módulo 60 para os minutos e segundos. Calendários usam módulo 7 para os dias da semana e módulo 12 para os meses. Vejamos outros exemplos:

Exemplo 1: Queremos determinar o horário que chegaremos a um certo destino, sabendo que essa viagem dura, com paradas e pernoites, 73 horas e que o horário de partida é às 17:00 h. Para isso, basta obter o resto da divisão de 73 + 17 = 90 por 24, já que o dia tem 24 horas: 90 = 24 . 3 + 18. Assim, o horário de chegada será às 18:00 horas.

Exemplo 2: Comprei um carro e vou pagá-lo em 107 prestações mensais. Se estamos em março, em qual mês terminarei de pagá-lo? Aqui a repetição se dá de 12 em 12 meses. Considerando a numeração usual dos meses, temos que março corresponde a 3. Somando 3 a 107, obtemos 110, que corresponde a fevereiro, pois 110 = 9 . 12 + 2.

2. Definição

Sejam a, b e m números inteiros, m > 0. Dizemos que a é côngruo a b, módulo m, se m/(a – b). Notação: a b (mod. m). Se m não divide a diferença a – b, então diz-se que a é incongruente a b módulo m. Note que dois números inteiros quaisquer são congruentes módulo 1, enquanto dois números inteiros são congruentes módulo 2 se ambos são pares ou se ambos são ímpares. Em particular a 0 (mod m) se e somente se o módulo m divide a.

RESUMO: Seja m um número inteiro maior que zero. Dizemos que dois números inteiros a e b são congruentes módulo m se os restos da sua divisão euclidiana por m são iguais. Representamos a b (mod m).

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Vejamos dois exemplos:

Exemplo 1:

21 13 (mod 2), pois os restos da divisão euclidiana de 21 e de 13 por 2 são iguais a 1.

Exemplo 2:

15 4 (mod 11), pois os restos da divisão euclidiana de 15 e de 4 por 11 são iguais a 4.

3. Propriedades importantes

Se a, b, m e d são inteiros, m > 0 as seguintes sentenças são verdadeiras:

a) a a (mod m). (reflexiva)

b) se a b (mod m), então b a (mod m). (simétrica)

c) se a b (mod m) e b d (mod m), então a c (mod m). (transitiva)

Estas propriedades, reflexiva, simétrica e transitiva, respectivamente, tornam a congruência uma

relação de equivalência.

d) se a b (mod m) e 0 b < m, então b é resto da divisão euclidiana de a por m. Reciprocamente, se r

é o resto da divisão de a por m, então a r (mod m)

Se a, b, c e m (m > 0) são inteiros tais que a b (mod m), então:

e) a + c b + c (mod m).

f) a – c b – c (mod m).

g) a . c b . c (mod m).

A última propriedade pode ser generalizada, por indução, para r congruências: se a 1 b 1

(mod m), a 2 b 2 (mod m),

, a r b r (mod m), então:

a 1 . a 2

a r b 1 . b 2

Em particular, se a 1 = a 2 =

a r b r (mod m)

b r (mod m)

= a r e b 1 = b 2 =

= b r , temos que:

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Vejamos mais exemplos:

Exemplo 3: Calcule o resto da divisão de 2 343 por 15. Resolução: Pela propriedade reflexiva temos que:

2 0 1 (mod 15) 2 1 2 (mod 15) 2 2 4 (mod 15) 2 3 8 (mod 15) 2 4 16 1 (mod 15) (2 4 ) 85 1 85 (mod 15), logo 2 340 1 (mod 15). Desta forma, 2 340 . 2 3 2 3 (mod 15).

Resposta: 2 343 8 (mod 15), isto é, o resto da divisão de 2 343 por 15 é 8.

Exemplo 4: Determine o resto de 3 25 por 19. Resolução: Pela propriedade reflexiva temos que:

3 0 1 (mod 19) 3 1 3 (mod 19) 3 2 9 (mod 19) 3 3 9 . 3 27 8 (mod 19) (3 3 ) 2 8 2 64 7 (mod 19), logo 3 6 7 (mod 19) (3 6 ) 2 7 2 49 11 (mod 19), logo 3 12 11 –8 (mod 19) (3 12 ) 2 (–8) 2 64 7 (mod 19), logo 3 24 7 Desta forma, 3 24 . 3 7 . 3 (mod 19), então, 3 25 21 2 (mod 19)

Resposta: 3 25 2 (mod 19), isto é, o resto da divisão de 3 25 por 19 é 2.

Exemplo 5: Qual o resto da divisão de 2 45 por 7? Resolução: Pela propriedade simétrica temos que:

2 2 (mod 7) 2 3 8 1 (mod 7) (2 3 ) 15 1 15 (mod 7) Logo, 2 45 1 (mod 7)

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Exemplo 6: Mostre que 10 200 – 1 é divisível por 11.

10 –1 (mod. 11) 10 200 1 (mod. 11) 10 200 – 1 0 (mod. 11)

11 | (10 200 – 1)

Exemplo 7: Calcular 1017 + 2876 (mod 7). Resolução: Reduzindo as parcelas da soma temos 1017 2 (mod 7) e 2876 6 (mod 7) Logo: 1017 + 2876 2 + 6 = 8 (mod 7):

A título de curiosidade, vejamos mais dois exemplos um pouco mais elaborados.

Exemplo 8: Ache o algarismo das unidades do número

7

(7

7

)

.

7 7 (mod 10)

7 2 49 9 (mod 10) 7 3 63 3 (mod 10) 7 4 21 1 (mod 10)

Então, 7 r 7, 9, 3 ou 1 (mod. 10) conforme, respectivamente, r 1, 2, 3 ou 0 (mod 4). Mas 7 3

Ou seja, 7 s 3 ou 1 (mod 4)

(mod 4), 7 2 21 1 (mod 4), 7 3 7 3 (mod 4), 7 4 21 1 (mod 4),

conforme s seja ímpar ou par. Como 7 7 é ímpar, então 7 7 3 (mod 4). Logo Assim, o algarismo das unidades do número dado é 3.

7

(7

7

)

7 3 3 (mod 10).

Exemplo 9: Ache o algarismo das unidades do número

9

(9

9

)

.

9 9 (mod 10) 9 2 81 1 (mod 10) 9 3 9 (mod 10) 9 4 81 1 (mod 10)

Então, 9 r 9 ou 1 (mod 10) conforme, respectivamente, r 1, 2, 3 ou 0 (mod 4). Mas 9 5 1

Ou seja, 9 s 1 (mod 4) s N. Então,

(mod 4), 9 2 1 (mod 4), 9 3 1 (mod 4), 9 4 1 (mod 4),

9

(9

9

)

9 1 9 (mod 10). Assim, o algarismo das unidades do número dado é 9.

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13

Exercícios

11) Ache os restos nas seguintes divisões:

a) 11 10 por 100

b) 3 10 . 42 5 + 6 8 por 5

c) 5 2 . 4841 + 28 5 por 3

d) 11 69 por 3

12) Mostre que 2 20 – 1 é divisível por 41.

e) 2 512 por 5

f) 2 334 por 23

13) Mostrar que, qualquer que seja o inteiro ímpar a, o resto da divisão de a 2 por 8 é 1.

14) Determine todos os inteiros x tais que:

a) 0 x 100 e x 5 (mod 8)

b) 100 x 200 e x –1 (mod 7)

15) Se 402 654 (mod m), determine todos os possíveis valores de m.

16) Use as congruências para verificar que:

a) 89 | (2 44 – 1)

b) 97 | (2 48 – 1)

c) 23 | (2 11 – 1)

17) Determine duas frações positivas que tenham 13 e 17 para denominadores e cuja soma seja igual a

305

221 .

18) Determine duas frações cujos denominadores sejam 12 e 16 e cuja soma seja

19) Calcule x sabendo que 7x 4 (mod 10).

10

48 .

20) Um teatro vende ingressos e cobra R$ 18,00 por adulto e R$ 7,50 por criança. Numa noite, arrecada R$ 900,00. Quantos adultos e crianças assistiram ao espetáculo, sabendo que eram mais adultos do que criança?

21) Determine os restos da divisão de 2 50 por 7.

22) Determine os restos da divisão de 3 98 por 11.

23) Prove que:

a) 2 2n 1 (mod 3)

b) 2 4m 1 (mod 15)

24) Verifique se são côngruos (mod 5) os inteiros:

c) 2 3n 1 (mod 7)

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14

4. Congruência linear

Retomaremos agora o estudo de equações diofantinas lineares, considerando sistemas de tais

equações.

Chama-se congruência linear toda equação da forma ax b (mod m), onde a e b são inteiros

quaisquer e m um inteiro positivo. Todo inteiro x 0 tal que ax 0 b (mod m) diz-se uma solução da

congruência linear.

Se x 0 é uma solução da congruência linear ax b (mod m), então todos os inteiros x 0 + km, onde

k é um inteiro arbitrário, também são soluções da congruência linear.

5. Condição de Existência de Soluções

A congruência linear ax

b (mod

m) tem

solução

d = mdc (a, m). Logo ax 0 – by = my 0 ou ax 0 – my 0 = b.

6. Soluções da Congruência ax b (mod m)

se,

e somente se,

d

divide b, sendo

Se d divide b, sendo d = mdc(a, m), então a congruência linear ax b (mod m) tem precisamente

d soluções mutuamente incongruentes módulo m, dada pela fórmula:

x = x 0 +

m

d

t, com 0 t d – 1

Se o mdc (a, m) = 1, então a congruência linear ax b (mod m) tem uma única solução.

7. Resolução de uma congruência linear

Uma equação diofantina linear é uma equação da forma ax + by = c em que a, b, c, são números

inteiros. A equação diofantina linear ax + by = c tem solução se, e somente se, d = mdc (a, b) divide c.

Uma solução de uma equação diofantina linear é um par de inteiros x 0 , y 0 que satisfaz a equação,

então:

ax 0 + by 0 = c

o que implica: ax 0 b (mod m).

Assim sendo, para obter uma solução particular da equação diofantina linear, basta determinar

uma solução qualquer x = x 0 da congruência linear ax c (mod b), e substituir este valor x 0 de x na

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15

Obviamente, também se pode obter uma solução particular da equação diofantina linear, determinando uma solução qualquer y = y 0 da congruência linear bx c (mod a). Por exemplo, 4 é solução de 2x 3 (mod 5), então todos os elementos de {4 + 5t / t Z} =

{4, –1, 9, –6,

} são apenas representações da mesma solução.

Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 1: Resolva a congruência linear 2x 1 (mod 17).

Resolução: O mdc (2, 17) = 1 e 1 | 1, logo a congruência possui uma solução. 2x 1 e 1 2 . 9 (mod 17), então:

2x 2.9 (mod 17)

x 9 (mod 17)

Exemplo 2: Resolva a congruência linear 3x 1 (mod 17). Resolução: O mdc (3, 17) = 1 e 1 | 1, logo a congruência possui uma solução. 3x 1 (mod 17) e 1 3 . 6 (mod 17), então:

3x 3.6 (mod 17)

x 6 (mod 17)

Exemplo 3: Resolva a congruência 3x 6 (mod 18). Resolução: O mdc (3, 18) = 3, e 3 | 6, logo a congruência possui três soluções. Dividindo por 3 a congruência dada, obtemos:

x 2 (mod 6)

Assim a solução geral é x = 2 + 6t, t = 0, 1 e 2 dando x = 2, x = 8 e x = 14

8. Teorema Chinês do Resto

O nome dado ao teorema se deve ao fato de que este resultado já era conhecido, na Antiguidade, pelos matemáticos chineses. No século um, o matemático chinês chamado Sun-Tsu se perguntou? Que número ser esse de forma que quando dividido por 3, o resto é 2; quando dividido por 5, o resto é 3, e quando dividido por 7, o resto é 2? A pergunta é: Qual é a solução para o seguinte sistema de congruências?

x

x

x

2 (mod 3)

3 (mod 5) 2 (mod 7)

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Definição: Um sistema de congruências lineares é um sistema da forma abaixo:

A x

1

A

A

2

r

x

x

B

1

B

2

B

r

(mod m )

1

(mod m )

2

(mod m )

r

, r são inteiros supostamente não nulos. Uma solução do

sistema é um inteiro x 0 que é solução de cada uma das congruências que dele fazem partes. Exemplo:

3x 1 (mod 5) 2x 3 (mod 9).

A r x B r (mod m r ) onde A i , i = 1,2,

Teorema 1: Um sistema x a 1 (mod m 1 ); x a 2 (mod m 2 ) admite solução se, e somente se, a 1 – a 2 é

divisível por d = mdc (m 1 , m 2 ). Neste caso, se x 0 é uma solução particular do sistema e se

m = mmc (m 1 , m 2 ) então x = x 0 (mod m) é sua solução geral.

Teorema 2 (do Resto Chinês): Sejam m 1 , m 2 ,

(m i , m j ) = 1, i j. Façamos m = m 1 m 2

m

r

, m r números inteiros maiores que zero e tais que mdc

b r , respectivamente, soluções das

e sejam

b 1 ,

b 2 ,

,

congruências lineares

m

m

j

y 1 (mod mj). Então o sistema x a 1 (mod m 1 ); x a 2 (mod m 2 );

(mod m r ) admite soluções para quaisquer a 1 , a 2 ,

, a r Z e sua solução geral é dada por:

; x a r

x = a b

1

1

M

m 1

+ a b

2

2

M

m

2

+

+ a

r

b

r

M

m

r

(mod m)

Este algoritmo, utilizado para resolver sistemas de congruências lineares, é muito antigo e foi

inventado, independentemente, pelos chineses e pelos gregos, para resolver problemas de astronomia.

O algoritmo chinês do resto tem este nome porque um dos primeiros lugares em que apareceu foi no

livro Manual de aritmética do mestre Sun-Tsu, escrito entre 287 d.C. e 473 d.C.

Vejamos alguns exemplos:

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Exemplo 4: Resolva o sistema de congruência linear x 1 (mod 2) e x 1 (mod 3). Resolução: Como o mdc (2, 3) = 1 o sistema possui solução.

A solução geral da 1ª é x = 1 + 2a. Substituindo este valor na 2ª, obtemos:

1 + 2a 1 (mod 3) 2a 0 (mod 3)

a 0 (mod 3)

Logo a = 3b. Substituindo este valor em x = 1 + 2a, temos:

x = 1 + 2(3b), dando x = 1 + 6b

que é solução geral do sistema, ou x 1 (mod 6).

Exemplo 5: Resolva o sistema de congruência linear x 5 (mod 12) e x 7 (mod 19). Resolução: Como o mdc (12, 19) = 1 o sistema possui solução.

A solução geral da 1ª é x = 5 + 12a. Substituindo este valor na 2ª, obtemos:

5 + 12a 7 (mod 19) 12a 2 (mod 19) 6a 1 (mod 19)

Temos que 1 6 . 16 (mod 19), então:

6a 6 . 16 (mod 19), então temos que a 16 (mod 19)

Logo a = 16 + 19b. Substituindo este valor em x = 5 + 12a, temos:

x = 5 + 12(16 + 19b) = 5 + 192 + 228b = 197 + 228b

que é solução geral do sistema, ou x 197 (mod 228).

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CAPÍTULO III Números racionais

1. Introdução

Antes do estudo de números racionais precisamos retomar alguns conceitos já estudados este ano e introduzir outros novos que nos auxiliarão em nossos estudos desse semestre.

2. Produto Cartesiano

Definição 1: Dados dois conjuntos E e F não vazios, chama-se produto cartesiano de E por F o conjunto formado por todos os pares ordenados (x, y), com x em E e y em F. O conceito de par ordenado é tomado como conceito primitivo, postulando-se que (x, y) = (u, v) se, e somente se, x = u e y = v. Notação: E x F = {(x, y) x E e y F}

3. Relação Binária

Já conhecemos algumas relações entre números inteiros, como maior, menor, divide e congruente módulo m.

–3, –2, –1,}. Então, é uma

, relação entre elementos de E e F: x + y = 0, em que x representa um elemento de E e y um elemento de

F.

Para outro exemplo, consideremos E = {0, 1, 2, 3,

}

e F = {

De situações como essa, decorre que uma relação é um conjunto constituído de:

um conjunto E chamado de partida;

um conjunto F chamado de chegada;

uma sentença aberta P(x, y), em que x é uma variável em E e y uma variável em F, sentença essa que, para todo par ordenado (a, b) E X F, a proposição P(a, b) é verdadeira ou falsa.

Quando P(a, b) é verdadeira, dizemos que “a está relacionado com b através de R” e escrevemos

aRb.

está relacionado com b através de R” e escrevemos aRb . Se P(a, b) é falsa,

Se P(a, b) é falsa, dizemos que “a não está relacionado com b através de R” e escrevemos a Rb .

Por exemplo, se R indica a relação em que o conjunto de partida e o conjunto de chegada são iguais a P e a função proposicional é x 2 + y = 0, então:

a P e a função proposicional é x 2 + y = 0, então: 1R(–1), (–3)R(–9)
a P e a função proposicional é x 2 + y = 0, então: 1R(–1), (–3)R(–9)
a P e a função proposicional é x 2 + y = 0, então: 1R(–1), (–3)R(–9)

1R(–1), (–3)R(–9) e 0R0, já 0 R1, 1R (4) e 3 R 6 .

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O conjunto dos elementos a E tais que aRb, para pelo menos um elemento b F, é chamado

domínio da relação (D(R)), e o conjunto dos elementos b F tais que, para pelo menos um elemento

a E, verifica-se aRb, é chamado conjunto imagem (Im(R)).

Definição 2: Chama-se relação binária de E em F todo subconjunto R de E x F. Logo, (R é relação de E em F) se, e somente se, R E x F. De acordo com essa definição, R é um conjunto de pares ordenados (a, b) pertencentes a E x F. Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 1: Se E = {0, 1, 2, 3} e F = {4, 5, 6}, então:

E x F = {(0, 4), (0, 5), (0, 6), (1, 4), (1, 5), (1, 6), (2, 4), (2, 5), (2, 6), (3, 4), (3, 5), (3, 6)}.

Qualquer subconjunto de E x F é uma relação de E em F, por exemplo:

R

1 = {(0, 4), (0, 5), (0, 6)}

R

2 = {(0, 4), (1, 4), (1, 5), (2, 6)}

R

3 = {(2, 5), (3, 6)}.

Exemplo 2: Se E = F = Z, então E x F é o conjunto formado por todos os pares ordenados de números inteiros. Um exemplo de relação de Z em Z é:

R = {(x, y) Z x Z x = –y} = {

,

(–n, n),

,

(–2, 2), (–1, 1), (0, 0), (1, –1),

,

(n, –n),

}

Exemplo 3: Se E = F = R, então E x F é o conjunto formado por todos os pares ordenados de números reais. Um exemplo de relação de R em R é:

R = {(x, y) R x R x 0 e y 0}

4. Inversa de uma relação

Definição 3: Seja R uma relação de E em F. Chama-se relação inversa de R, e indica-se por R 1 , a seguinte relação de F em E:

R 1 = {(y, x) F x E (x, y) R}

Exemplo 4: Dados os conjuntos E = {0, 1, 2, 3} e F = {4, 5, 6}, seja a relação R = {(0, 4), (0, 5), (0, 6)}, então: R 1 = {(4, 0), (5, 0), (6, 0)}

Exemplo 5: Sejam os conjuntos E = R, F = R e R{(x, y) R 2 y = 2x}, então:

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Exemplo 6: Sejam os conjuntos E = R, F = R e R{(x, y) R 2 y = x 2 }, então:

R 1 = {(y, x) R 2 y = x 2 } = {(x, y) R 2 x = y 2 }

Exercícios

25) Sejam E = {1, 3, 5, 7, 9} e F = {0, 2, 4, 6}.

a) Enumere os elementos das seguintes relações de E em F:

R 2 = {(x, y) x < y}

R 1 = {(x, y) y = x – 1}

b) Estabeleça o domínio e a imagem de cada uma.

R 3 = {(x, y) y = 3x}

26) Seja R a relação sobre o conjunto N * definida pela sentença x + 3y = 10. Pede-se:

a) Os elementos de R

b) O domínio de R

c) A imagem de R

d) Os elementos de R 1

27) Sejam E e F dois conjuntos finitos com m e n elementos, respectivamente. Qual é o número de elementos de E x F?

5. Relação sobre um conjunto

Definição 4: Quando E = F e R é uma relação de E em F, dizemos que R é uma relação sobre E ou, ainda, R é uma relação em E.

Veremos algumas propriedades que as relações em E podem apresentar e, a seguir, estudaremos dois tipos de relações sobre E: as relações de equivalência e as relações de ordem. Neste estudo o diagrama de flechas pode ser útil quando trabalhamos com poucos exemplos. Observe o seguinte exemplo: a relação R = {(a ,a), (a, b) (b, c), (c, a)} sobre E = {a, b, c}

exemplos. Observe o seguinte exemplo: a relação R = {(a ,a), (a, b) (b, c), (c,

Propriedades:

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5.1. Reflexiva

Definição 5: Dizemos que R é reflexiva quando todo elemento de E se relaciona consigo mesmo. Ou

seja, quando, para todo x E, vale xRx.

Exemplo: a relação R = {(a, a), (b, b), (a, b) (b, a), (c, c)} sobre E = {a, b, c} é reflexiva, pois aRa, bRb

cRc. Note que a relação R = {(a, a), (b, b), (a, b), (b, a), (b, c)} sobre E = {a, b, c} não é reflexiva, pois

R c

e

c

(b, c)} sobre E = {a, b, c} não é reflexiva, pois R c e c

Diagrama de flechas:

Em cada ponto do diagrama deve haver um laço.

Exemplo

Contraexemplo

ponto do diagrama deve haver um laço. Exemplo Contraexemplo 5.2. Simétrica Definição 6: Dizemos que R

5.2. Simétrica

Definição 6: Dizemos que R é simétrica se vale yRx sempre que vale xRy. Ou seja, se xRy, então yRx.

Exemplo: a relação R = {(a, a), (a, b) (b, a), (c, c)} sobre E = {a, b, c} é simétrica, pois aRb e bRa.

Note que a relação R = {(a, a), (b, b), (a, b), (b, c)} sobre E = {a, b, c} não é simétrica, pois aRb e

(b, c)} sobre E = {a, b, c} não é simétrica, pois aRb e b R

b R a .

Diagrama de flechas:

Toda flecha tem duas pontas.

Exemplo

Contraexemplo

= {a, b, c} não é simétrica, pois aRb e b R a . Diagrama de

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5.3. Transitiva

Definição 7: Dizemos que R é transitiva se vale xRz sempre que vale xRy e yRz. Ou seja, se xRy e yRz, então xRz. Exemplo: a relação R = {(a, b), (b, b), (b, c) (a, c), (c, c)} sobre E = {a, b, c} é transitiva, pois aRb, bRc e aRc. Note que a relação R = {(a, a), (b, b), (a, b), (b, c)} sobre E = {a, b, c} não é transitiva, pois aRb,

bRc

c)} sobre E = {a, b, c} não é transitiva, pois aRb, bRc e a R

e a R c .

Diagrama de flechas:

Para todo par de flechas consecutivas existe uma terceira flecha cuja origem é a origem da primeira e a extremidade, a da segunda.

Exemplo

Contraexemplo

e a extremidade, a da segunda. Exemplo Contraexemplo 5.4. Antissimétrica Definição 8: Dizemos que R é

5.4. Antissimétrica

Definição 8: Dizemos que R é antissimétrica se x = y, sempre que xRy e yRx. Ou seja, se xRy e yRx, então x = y. É importante destacar que se x y, então xRy ou yRx.

Exemplo: a relação R sobre o conjunto dos números reais dada por xRy se, e somente se, x y é

antissimétrica, pois, sendo x e y números reais quaisquer, se x y e y x, então x = y. Note que uma relação R sobre E não é antissimétrica se existirem x e y em E tais que x y e xRy

e

yRx. Se R = {(a, a), (b, b), (c, c), (b, c), (c, b)} sobre E = {a, b, c} não é antissimétrica, pois b c, bRc

e

cRb.

Diagrama de flechas:

Não há flechas de duas pontas.

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Exemplo

Contraexemplo

Cícero José – Uniban 2011 23 Exemplo Contraexemplo Exercícios 28) Seja R a relação em E

Exercícios

28) Seja R a relação em E = {1, 2, 3, 4} tal que xRy se, e somente se, x + y é múltiplo de 2.

a) Quais são os elementos de R?

b) Faça o diagrama de flechas para R.

c) R é reflexiva? R é simétrica? R é transitiva? R é antissimétrica?

29) R é uma relação sobre E = {a, b, c, d} dada pelo esquema de flechas abaixo. Que propriedade R apresenta?

pelo esquema de flechas abaixo. Que propriedade R apresenta? 30) Que propriedade apresenta a relação S

30) Que propriedade apresenta a relação S dada pelo esquema abaixo?

apresenta a relação S dada pelo esquema abaixo? 31) Seja E = {1, 2, 3}. Considerem-se

31) Seja E = {1, 2, 3}. Considerem-se as seguintes relações em E:

a) R 1 = {(1, 1), (2, 2), (3, 3)}

b) R 2 = {(1, 1), (1, 2), (1, 3), (2, 2), (2, 3), (3, 3)}

c) R 3 = {(1, 2), (1, 3), (2, 1), (2, 3), (3, 1), (3, 2), (3, 3)}

Que propriedades cada relação acima apresentam?

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6. Relação de Equivalência

Definição 9: Uma relação binária R num conjunto A diz-se uma relação de equivalência se ela é reflexiva, simétrica e transitiva. Usando o símbolo para indicar uma relação de equivalência, podemos escrever:

Uma relação binária num conjunto A, diz-se uma relação de equivalência se, para quaisquer a, b, c em A, tem-se:

(i)

a a (reflexiva)

(ii)

a b implica b a (simétrica)

(iii) a b e b c implica a c (transitiva)

7. Relação de Ordem

Definição 10: Uma relação R sobre um conjunto E não vazio é chamada relação de ordem parcial sobre E se, e somente se, R é reflexiva, antissimétrica e transitiva. Ou seja, R deve cumprir respectivamente as seguintes propriedades:

(i)

Se x E, então xRx

(ii)

Se x, y E, xRy e yRx, então x = y

(iii) Se x, y, z E, xRy e yRz, então xRz

Quando R é uma relação de ordem parcial sobre E, para exprimir que (a, b) R, usaremos a notação a b (R) (a precede b na relação R ou b segue a na relação R). Para exprimir que (a, b) R e a b usaremos a notação a < b (R) (a precede estritamente b na relação R ou b segue estritamente a na relação R).

Definição 11: Um conjunto parcialmente ordenado é um conjunto sobre o qual se definiu uma certa relação de ordem parcial.

Definição 12: Seja R uma relação de ordem parcial sobre E. Os elementos a, b E se dizem comparáveis mediante R se a b ou b a.

Definição 13: Se dois elementos quaisquer de E forem comparáveis mediante R, então R será chamada relação de ordem total sobre E. Nesse caso, o conjunto E é dito totalmente ordenado por R.

Vejamos alguns exemplos:

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Exemplo 1: A relação R 3 = {(a, a), (b, b), (c, c), (a, b), (b, c), (a, c)} é uma relação de ordem sobre E

= {a, b, c}, conforme se pode notar no diagrama abaixo. O conjunto E é totalmente ordenado por R,

uma vez que não há dois elementos distintos de E que não estejam ligados por uma flecha.

distintos de E que não estejam ligados por uma flecha. Exemplo 2: A relação R sobre

Exemplo 2: A relação R sobre R definida por xRy se, e somente se, x y é uma relação de ordem, denominada ordem habitual, pois:

( x), x R x x

( x, y R), x y e y x x = y

( x, y, z R), x y e y z x z

Exemplo 3: A relação R sobre N definida por xRy se, e somente se, x | y é uma relação de ordem, pois:

( x), x N x | x

( x, y N), x | y e y | x x = y

( x, y, z N), x | y e y | z x | z

O conjunto N é parcialmente ordenado por essa relação, já que há elementos de N não

comparáveis por divisibilidade, por exemplo: 2 e 3.

Exercícios

32) Quais das relações abaixo são relações de equivalência:

a) R 1 = {(a, a), (b, b), (a, b) (b, a), (c, c)}

b) R 2 = {(a, a), (b, b), (a, b) (b, a), (b, c)}

c) R 3 = {(a, a), (b, b), (a, b) (b, c), (c, b), (a, c), (c, a)}

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33) Quais dos seguintes itens abaixo representam uma relação de equivalência?

d) perpendicularismo

a) relação divide

b) semelhança de triângulos

c)

paralelismo

e) relação menor

f)

congruência

8. Construção de Q

Já sabemos que se a e b são números inteiros com b 0 a equação bx = a nem sempre tem

solução em Z, isso acontece se e somente se b | a. Por exemplo, a equação 2x = 6 tem solução x = 3 em

Z, mas a equação 5x = 8 não tem solução em Z.

Essa limitação do conjunto dos números inteiros nos leva a construção de um novo conjunto de

números em que toda a equação da forma acima tenha solução. Indicaremos essa solução por

b a , ainda

que esse número não seja um inteiro. É imediato que b .

Indicaremos por Z * o conjunto de todos os inteiros exceto o número 0 e começaremos por

considerar o conjunto Z X Z * = {(a, b) | a Z, b Z * }, isto é, o conjunto de todos os pares ordenados

de números inteiros com a segunda componente não nula. Neste conjunto introduzimos uma relação ,

do seguinte modo:

a

b

= a.

Definição: Dados dois elementos (a, b) e (c, d) do conjunto Z X Z * , diremos que (a, b) (c, d) se e

somente se ad bc.

Por exemplo: (3, 6) (5, 10), pois 3 . 10 = 6 . 5 e da mesma forma, (5, 10) (1, 2), já que 5 . 2 =

10 . 1.

Proposição: A relação acima é uma relação de equivalência.

Demonstração: Precisamos demonstrar que a nossa relação verifica as três condições da definição:

(i) Para todo par (a, b) Z X Z * , temos que (a, b) (a, b), pois ad = bc

(ii) Sejam (a, b), (c, d) pares tais que (a, b) (c, d). Temos, então, que ad = bc, donde também cb = da.

Da última igualdade e da definição acima, vem que (c, d) = (a, b).

(iii) Sejam (a, b), (c, d) e (e, f) pares tais que (a, b) (c, d) e (c, d) (e, f). Então, temos que ad = bc e

cf = de. Multiplicando a primeira igualdade por f e a segunda por b temos: adf = bcf e bcf = bde. Logo

adf = bde.

Como d 0, podemos cancelar e obter af = de, o que implica que (a, b) (e, f). (c.q.d.)

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27

Podemos agora considerar o conjunto quociente (Z X Z * )/ , isto é, o conjunto de todas as classes

de equivalência. Para representar a classe do par (a, b), utilizaremos o símbolo a/b. Assim:

a = {(x, y) Z X Z * | (x, y) (a, b)} = {(x, y) Z X Z * | xb = ya)}
b

O símbolo

a

b

chama-se uma fração de numerador a e denominador b.

Definição: O conjunto dos números racionais é definido como o conjunto de todas as frações

b a sendo

que a Z e b Z, b 0, isto é:

Q =

Z, b
b

a / a

Z

e b

0

Conhecido o conjunto Q, passamos a definir as operações de adição e multiplicação nesse

conjunto.

a c

ad + bc

a c

ac

+

=

e

.

=

b d

bd

b d

bd

Assim, temos:

 

2 2 . 5 + 3 . 3

3

19

2

3

2 . 3

6

+

=

 

=

e

 

=

=

   

.

3 3 . 5

5

 

15

3

5

3 . 5

15

Em Q os números não têm uma forma única para serem escritos. Por exemplo, 2

3

=

6

9 .

MAS ATENÇÃO: 2

3

é solução da equação 3x = 2, ou seja, 3 .

membros desta igualdade por 3, obtemos: 3 . 3 . 2

3

que 2

= 3 . 2, isto é, 9 .

é solução de 9y = 6. Ocorre que a solução de 9y = 6 é 6 . Assim:

9

3

2

3

= 2. Multiplicando os dois

2 = 6 o que equivale a afirmar

3

Teorema: As operações acima estão bem definidas em Q, isto é, o resultado não depende da particular

forma dos operandos. Ao invés de demonstrar, vamos dar um exemplo.

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28

Imagine que queremos somar e multiplicar 1 3 e 3 . A soma é 14

15

5

e o produto

3

15 . Acontece que,

por exemplo,

1

3

=

4

e 5 3

12

=

10 . Operando com esses valores obtemos a soma 112

6

120 e o produto

resultados iguais aos obtidos anteriormente.

24

120 ,

8.1. Propriedades das operações em Q

Teorema: O conjunto Q, com as operações + e . acima definidas, possui as seguintes propriedades:

a) Propriedade Associativa: Para quaisquer a, b, c em Q tem-se que:

(a + b) + c = a + (b + c)

e

(ab)c = a(bc)

b) Propriedade Comutativa: Para quaisquer a, b em Q tem-se que:

a + b = b + a

e

ab = ba

c) Existência de elemento neutro: Para todo a Q:

existe 0 Q tal que a + 0 = a

existe 1 Q tal que a . 1 = a

d) Existência de Inversos: Para cada a Q:

existe −a Q tal que a + (−a) = 0

com a 0, existe a 1 Q tal que a . a 1 = 1

e) Propriedade Distributiva: Para quaisquer a, b, c Q tem-se que:

a (b + c) = ab + ac

Exercícios

34) Mostre que:

 

1

515

15

131

131

13

a)

=

a)

=

 

3

333

33

999

999

99

35) Achar os valores do inteiro n para os quais a fração n + 2 n 1

represente um inteiro.

36) Determine r Z de maneira que as seguintes frações ordinárias representem números inteiros:

a)

10m

2m 1

b)

33m

3m 1

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29

CAPÍTULO IV Operações

1. Leis de Composição Interna

Considere a operação f: N x N N tal que f(x, y) = x + y. A aplicação é conhecida como operação de adição sobre N. Pense agora na aplicação g: R x R R tal que g(x, y) = x . y, que é conhecida como operação de multiplicação sobre R.

Definição 1: Sendo E um conjunto não vazio, toda aplicação f: E x E E recebe o nome operação sobre E (ou em E) ou lei de composição interna sobre E (ou em E).

Em nossas considerações ma operação f sobre E associa a cada par (x, y) de E x E um elemento de E que será simbolizado por x*y. Assim, x*y é uma forma de indicar f(x, y). Dizemos também que E é um conjunto munido da operação *.

O elemento x*y é chamado composto de x e y pela operação *. O termo x e y são chamados,

respectivamente, primeiro e segundo termos ou termo da direita e termo da esquerda. Outras notações poderão ser usadas para indicar uma operação sobre E.

a) Notação aditiva

O símbolo da operação é (+), a operação é chamada adição, o composto x + y é chamado soma, e

os termos são as parcelas.

b) Notação multiplicativa

O símbolo da operação é (.), a operação é chamada multiplicação, o composto x . y é chamado

produto, e os termos são os fatores.

c) Outros símbolos utilizados para operações genéricas são: , , , X, etc.

Vejamos alguns exemplos:

a) A aplicação f: N * x N * N * tal que f(x, y) = x y é operação potenciação sobre N * .

b) A aplicação f: Q * x Q * Q * tal que f(x, y) = x y é a operação de divisão sobre Q * .

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30

2. Propriedades das Operações

Seja * uma operação de composição interna em E.

2.1. Propriedade associativa

Definição 2: Dizemos que * goza da propriedade associativa se x * (y * z) = (x * y) * z, quaisquer que

sejam x, y, z E.

Exemplos:

a) As adições em N, Z, Q e R são operações que gozam da propriedade associativa:

(x + y) + z = x + (y + z), x, y, z

b) As multiplicações em N, Z, Q e R são operações associativas:

(x . y) . z = x . (y . z), x, y, z

Contraexemplos:

a) A potenciação em N* não é operação associativa, pois:

2 * (3 * 4) =

2

(

3

)

4

= 2 81

e

(2 * 3) * 4 = (2 3 ) 4 = 2 12

b) A divisão em R* não é operação associativa, pois:

24 * (4 * 2) = 24 : (4 : 2) = 24 : 2 = 12

e

2.2. Propriedade comutativa

(24 * 4) * 2 = (24 : 4) : 2 = 6 : 2 = 3

Definição 3: Dizemos que * goza da propriedade comutativa se x * y = y * x, quaisquer que sejam

x, y E.

Exemplos:

a) As adições em N, Z, Q e R são operações que gozam da propriedade comutativa:

x + y = y + x, x, y

b) As multiplicações em N, Z, Q e R são operações associativas:

x . y = y . x, x, y

Contraexemplos:

a) A potenciação em N* não é operação comutativa, pois:

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31

b) A divisão em R* não é operação comutativa, pois:

3

: 6 =

1

e

6 : 3 = 2

 

2

c) A subtração em Z não é operação comutativa, pois:

3 – 7 = –4

e

7 – 3 = 4

2.3. Elemento Neutro

Definição 4: Se existe e E tal que e * x = x para todo x E, dizemos que e é um elemento neutro à

esquerda para *.

Se existe e E tal que x * e = x para todo x E, dizemos que e é um elemento neutro à direita

para *.

Se e é um elemento neutro à direita e à esquerda para a operação *, dizemos simplesmente que e

é um elemento neutro.

Exemplos:

a) O elemento neutro das adições em N, Z, Q e R é o número 0, pois:

x + 0 = 0 + x = x, x, y

b) O elemento neutro das multiplicações em N, Z, Q e R é o número 1, pois:

x . 1 = 1 . x = x, x, y

Contraexemplos:

a) A subtração em Z admite 0 como elemento neutro à direita pois x – 0 = x, , x Z, mas não

admite neutro à esquerda, pois não existe e (fixo) tal que e – x = x, x Z.

b) A divisão em R* admite 1 como elemento neutro à direita, pois x : 1 = x , x

admite neutro à esquerda, pois não existe e (fixo) tal que e : x = x, x R*.

R*, mas não

Proposição: Se a operação sobre E tem um elemento neutro e, então ele é único.

2.4. Elementos simetrizáveis

Definição 5: Seja * uma operação sobre E que tem elemento neutro e. Dizemos que x E é um

elemento simetrizável para essa operação se existir x’ E tal que x’ * x = x * x’ = e.

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32

O elemento x’ é chamado simétrico de x para a operação *.

Quando a operação é a adição, o simétrico de x é chamado oposto de x e indicado por – x.

Quando a operação é a multiplicação, o simétrico de x é chamado inverso de x e indicado por x 1 .

Exemplos:

a) 3 é um elemento simetrizável para a adição em Z, e seu simétrico (ou oposto) é – 3, pois:

(–3) + 3 = 3 + (–3) = 0

b) 3 é um elemento simetrizável para a multiplicação em Q, e seu simétrico (ou inverso) é 1 3 , pois:

1 3 . 3 = 3 .

1

3

= 1

Proposição: Seja * uma operação sobre E que é associativa e tem elemento neutro e.

a) Se um elemento x E é simetrizável, então o simétrico de x é único.

b) Se x E é simetrizável, então seu simétrico x’ também é e (x’)’ = x.

c) Se x, y E são simetrizáveis, então x * y é simetrizável e (x * y)’ = y’ * x’.

2.5. Elementos regulares (Lei do Cancelamento)

Definição 6: Seja * uma operação sobre E. Dizemos que a E é regular (ou simplificável ou que

cumpre a lei do cancelamento) à esquerda em relação à operação * se, para quaisquer x, y E tais que

a * x = a * y, vale x = y.

Dizemos que a E é regular (ou simplificável ou que cumpre a lei do cancelamento) à direita

em relação à operação * se, para quaisquer x, y E tais que x * a = y * a, vale x = y.

Se a E é um elemento regular à direita e a esquerda em relação à operação *, dizemos

simplesmente que a é regular para essa operação.

Exemplos:

a) 3 é regular para a adição em N, pois: 3 + x = 3 + y x = y quaisquer que sejam x, y N.

b) 3 é regular para a multiplicação em Z, pois: 3 . x = 3 . y x = y quaisquer que sejam x, y Z.

Contraexemplo:

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33

2.6. Propriedade distributiva

Definição 7: Sejam * e duas operações sobre E. Dizemos que é distributiva à esquerda relativamente a* se: x (y * z) = (x y) * (x z), quaisquer que sejam x, y, z E. Dizemos que é distributiva à direita relativamente a* se: (y * z) x = (y x) * (z x), quaisquer que sejam x, y, z E.

Quando é distributiva à direita e à esquerda de *, dizemos simplesmente que é distributiva relativamente a *.

Exemplos e contraexemplo:

a) A multiplicação em Z é distributiva em relação à adição em Z, pois:

x . (y + z) = (x . y) + (x . z), x, y,z Z

b) Em N*, a potenciação é distributiva à direita em relação à multiplicação, pois:

(x . y)z = xz . yz, x, y,z N*

Entretanto a potenciação em N* não é distributiva à direita em relação a multiplicação, pois:

2 3 . 4 2 3 . 2 4

Exercícios

37) Em cada caso, verifique se a operação * sobre E é associativa, é comutativa, tem elemento neutro e se tem elemento simetrizável. x + y

a) E = R e x * y =

2

b) E = R e x * y = x + y – 10

c) E = R + e x * y = x 2 + y 2

d) E = R e x * y =

3 3 3 x + y
3
3
3 x
+ y

38) Em cada caso abaixo está definida uma operação sobre Z x Z. Verifique se ela é: associativa, comutativa, tem elemento neutro e se tem elemento simetrizável.

a) (a, b) * (c, d) = (ac, 0)

b) (a, b) (c, d) = (a + c, b + d)

c) (a, b) x (c, d) = (ac, ad + bc)

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34

3. Tábua de uma Operação

Seja E = {a 1 ; a 2 ; :::; a n }; (com n > 1) um conjunto com n elementos. Toda operação sobre E é uma aplicação f: E x E E que associa a cada par (a i ; a j ) o elemento a i * a j = a ij. Podemos representar o elemento a ij , correspondente ao par (a i , a j ), numa tabela de dupla entrada construída como se segue:

1º) Marcamos na linha fundamental e na coluna fundamental os elementos do conjunto E. Chamamos de i-ésima linha aquela que começa com a i e de j-ésima coluna aquela que começa com a j .

i e de j-ésima coluna aquela que começa com a j . 2º) Dado um elemento

2º) Dado um elemento a i na coluna fundamental e um elemento a j na linha fundamental, na interseção da linha i com a coluna j; o elemento correspondente a ij .

fundamental, na interseção da linha i com a coluna j; o elemento correspondente a i j

Vejamos alguns exemplos:

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35

Exemplo 1: Tábua da multiplicação em E = {–1, 0, 1}.

.

–1

0

1

–1

1

0

–1

0

0

0

0

1

–1

0

1

Exemplo 2: Tábua operação * sobre E = {1, 3, 5, 15} tal que x * y = mdc (x, y).

.

1 3

5

15

1

1 1

1

1

3

1 3

1

3

5

1 1

1

5

15

1 3

5

15

Exercícios

39) Em cada caso a seguir está definida uma operação sobre E. Faça a tábua da operação.

a) E = {1, 2, 3, 6} e x * y = mdc (x, y)

b) E = {1, 3, 9, 27} e x * y = mmc (x, y)

c) E = {0, 1, 2, 3, 4} e x * y = resto da divisão em Z de x + y por 4

d) E = {0, 1, 2, 3, 4} e x y = resto da divisão em Z de x . y por 4

e) E = {0, 1, 2, 3, 4} e x y = resto da divisão em Z de x + y por 5

f) E = {0, 1, 2, 3, 4} e x y = resto da divisão em Z de x . y por 5

40) A partir da tábua da operação sobre E = {1, 2, 3, 4}, calcule os seguintes compostos:

 

 

1

2 3

   

4

 

1

 

1

1 1

   

1

2

 

1

2 3

   

4

3

 

1

3 4

   

2

4

 

1

4 2

   

3

a)

(3 4) 2

b) 3 (4 2)

c) [4 (3 3)] 4

d) (4 3) (3 4)

e) [(4 3) 3] 4

41) Consideremos as funções f 2 (x) : R R e f 3 : R * R * , definidas por f 2 (x) = –x e f 3 (x) =

as funções f 1 (x) = f 2 o f 2 e f 4 (x) = f 2 o f 3 . Construa uma tábua de composição {f 1 , f 2 , f 3 , f 4 }.

1

x . Sejam

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36

CAPÍTULO V Estruturas Algébricas: Grupos

1. Introdução

Definição 1: Um sistema matemático constituído de um conjunto não vazio G e uma operação (x, y) x * y sobre G é chamado grupo se essa operação satisfaz as seguintes condições:

a) Se a, b G, então a * b G (fechamento)

b) (a * b) * c = a * (b * c), a, b, c G (associativa)

c) e

G / a * e = e * a = a, a G (elemento neutro)

d) a G, a’ G / a * a’ = a’ * a = e (elemento simétrico)

Notação: (G, *)

Se, além disso, ainda tivermos a * b = b * a, a, b G (comutativa), o grupo é chamado de

grupo comutativo, aditivo ou abeliano.

Ou seja, um grupo é um conjunto não vazio G munido de uma operação fechada que é associativa, admite elemento neutro e admite inverso para cada um de seus elementos. Se, além disso, se a operação for comutativa, dizemos que G é grupo abeliano, em homenagem ao matemático N. Abel (1802-1829).

Vejamos um exemplo:

Seja G = {2, 4, 6, 8} e consideremos a operação * determinada pela seguinte tábua:

*

2

4

6

8

2

4

8

2

6

4

8

6

4

2

6

2

4

6

8

8

6

2

8

4

A operação * determinada pela tábua define uma estrutura de grupo comutativo sobre o conjunto G, pois:

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37

b) Tem elemento neutro: A 3ª coluna é igual à coluna fundamental e a 3ª linha é igual à linha

fundamental; portanto, 6 é o elemento neutro para operação *.

c) É comutativa: A tábua é simétrica em relação à diagonal principal.

d) Tem elemento simetrizável: O elemento 6 aparece uma única vez em cada linha e cada coluna

da tábua dada e, além disso, suas posições são simétricas em relação à diagonal principal; portanto, cada elemento de G é simetrizável para a operação *. Precisamente, os simétricos de 2, 4, 6 e 8 são,

respectivamente, 8, 4, 6 e 2.

Falta verificar a propriedade associativa. Na prática temos que calcular e comparar todos os compostos (a * b) * c = a * (b * c), e assim temos que determinar 2n 3 compostos de três termos cada um.

Notemos que se um destes elementos é igual ao elemento neutro 6, então a igualdade (a * b) * c = a * (b * c) é verdadeira. Portanto, restam 54 compostos (2 . 3 3 ) compostos de 3 termos cada um. Fazendo a verificação para alguns casos, ficará provado que G possui a propriedade associativa.

2. Grupos finitos

Um grupo (G, *) em que o conjunto G é finito, chama-se grupo finito. Nesse caso, o número de elementos de G é chamado ordem do grupo (notação o(G)) e a tábua da operação * se denomina tábua do grupo.

Exemplo: G = {–1, 1} é um grupo multiplicativo, sua ordem é 2 e sua tábua:

.

1

–1

1

1

–1

–1

–1

1