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Ibmec - Minas

Ibmec - Minas O caso dos denunciantes invejosos Trabalho de Introdução ao Estudo de Direito Professor:

O caso dos denunciantes invejosos Trabalho de Introdução ao Estudo de Direito

Professor: Marcelo de Souza Moura

Aluno: Diogo Mello Brazioli

Belo Horizonte

2012

Conteúdo

Questões

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Questão 1

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Solução do caso dos denunciantes invejosos

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Crítica aos posicionamentos

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Primeiro deputado

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Segundo deputado

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Terceiro deputado

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Quarto deputado

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Quinto deputado

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Professor Goldenage

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Professor Wendelin

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Professora Sting

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Professor Satene

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Professora Bernadotti

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Questão 2

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A)

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B)

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Bibliografia

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Questões

1- Você, na qualidade de Ministro da Justiça do País retratado, analise os 5 posicionamentos dos Deputados (Fuller), bem como os posicionamentos dos 5 professores (Dimoulis), e apresente sua solução ao caso dos denunciantes. Ao responder, faça também uma análise crítica de todos os posicionamentos apresentados, expondo os motivos que o levaram a descartá-los.

2- Faça uma analise crítica do caso de denunciantes, contextualizando com o caso concreto brasileiro: O movimento de 1964, que tomou o poder no Brasil, trouxe repressão e perseguição política aos que eram contrários ao regime. Do ano de 1964 até a Edição do Ato institucional n. 5, de dezembro de 1968, as atitudes governamentais de repressão aos opositores, como a suspensão de direitos estabelecidos na Constituição anterior (Carta de 1946), foram realizadas sem embasamento legal. A partir do Ato Institucional n. 5, bem como da Emenda Constitucional n. 01, de 1969, passa a existir embasamento legal, que legitimava a suspensão de direitos. Em agosto de 1979, com a promulgação da Lei da Anistia, tanto perseguidos pelo regime quanto os executores das ordens de perseguição foram anistiados.

Analise os atos praticados (de resistência e repressão) no contexto dos dois períodos históricos (março de 1964- dezembro 1968 e dezembro de 1968 até agosto de 1979) e decida, para cada um dos dois períodos históricos, na qualidade de relator de processo de Ação Direta de Inconstitucionalidade: A) pela manutenção ou revogação da Lei da Anistia de 1979; e B) Pela aplicação da Lei de Anistia apenas para os opositores do regime, determinando o processamento dos executores governamentais por seus crimes (Lembre-se: você deve responder o pedido em A e B para cada um dos períodos históricos relatados).

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Questão 1

Solução do caso dos denunciantes invejosos

Após analisar em profundo os posicionamentos apresentados pelos deputados e pelos professores, eis que chegou o momento de sentenciar a situação. É necessário, no entanto, evidenciar minhas bases de argumentação para tal decisão.

Segundo a Constituição Federal, Art.5º, inciso XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina nem pena sem prévia cominação legal portanto, de acordo com a lei vigente, não é possível condenar os atos dos denunciantes invejosos, pois devemos nos ater aos instrumentos jurídicos dos quais dispomos, buscando respeitar a hierarquia das leis, ou seja, optando pela ordem já existente. A Constituição, desde seu estabelecimento, muitas vezes é esquecida e posta de lado. Se existe uma constituição, devemos agir de acordo com o que por ela está posto.

Além disso, de acordo com a Constituição Federal, Artº5, inciso XL - a lei penal não retroagirá, salvo para benefício do réu. Com isso, não é aceitável a criação de lei de efeito ex tunc para condenação dos denunciantes, pois geraria um ato inconstitucional, o que não faria nossas ações diferentes daquelas praticadas pelos Camisas-Púrpuras.

No que diz respeito aos juízes que sentenciaram os denunciados, nada há o que se fazer a não ser reconhecer que suas escolhas foram influenciadas, cabendo a eles simplesmente obedecer às regras impostas pelos Camisas-Púrpuras. Caso não obedecessem, sofreriam sansões e os ordenadores não encontrariam facilmente outra pessoa para fazer cumprir as regras impostas. Portanto, esses servidores não podem ser condenados pelos mesmos motivos anteriormente citados, e também, devido ao fato de que estavam sobre intimidação do governo.

Assinado por nosso país em data anterior à ascensão dos Camisas-Púrpuras, o tratado internacional que permitia a pena de morte apenas nos casos de crimes mais graves embasa a punição daqueles que contradisseram esta lei. Já que os camisas-púrpuras não revogaram os tratados assinados e nem os códigos estabelecidos no país, é plausível a punição dos líderes dessa facção, dos quais a ordem de ir contra essa lei, mesmo com ela

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estando em vigor, constituindo assim, um crime plausível de coerção, já que, a legislatura ou mesmo a imposição informal da ordem “pena de morte” não estava condizente com a hierarquia das leis. Portanto, os superiores do comando dos camisas-púrpuras, por terem causado a morte de pessoas por crimes considerados pequenos pela sociedade, devem ser presos sob a acusação de homicídio qualificado, assim como posto pelo Código Penal, Artº121, § 2º, inciso V - se o homicídio é cometido para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime ou seja, para sustentar um governo irregular, dotado de ações inconstitucionais e desrespeito a tratados internacionais, foram decretadas mortes por motivos ínfimos, mas que, mesmo assim, para o governo, eram considerados ameaçadores, ameaça essa para com o crime político em andamento na época.

É de meu conhecimento a insatisfação popular perante esta decisão, porém, foi a mesma insatisfação popular que elegeu e colocou no poder os verdadeiros culpados por todas as atrocidades cometidas neste período ditatorial, o qual desejamos esquecer. Para tanto, não é aconselhável que o rancor seja guardado. É necessária a compreensão de todos de que devemos respeitar as leis postas em nosso Estado Democrático de Direito, para que possamos sempre cobrar esse respeito, pois, se não o fizermos, nada diferentes estaríamos fazendo senão repetindo os erros cometidos pelos tiranos púrpuros.

Não vivemos mais nos tempos antigos, época em que prevalecia o brocado “Olho por olho, dente por dente”. Portanto, além de conceder a anistia aos denunciantes, devemos também garantir sua segurança, pois, assim como lembrado anteriormente, existe o sentimento e o desejo de rancor por parte do povo, o que não é moralmente injustificável, porém o ódio e o rancor apenas geram mais ódio e rancor. Ou seja, aqueles que tanto criticaram a imoralidade, a ausência de virtude dos denunciantes, devem, agora, dar o exemplo de como as situações devem ser tradadas.

Portanto, para finalizarmos o caso dos chamados “denunciantes invejosos” sentencio a anistia para estes e para os juízes e comandados do governo ditatorial dos Camisas- Púrpuras, seguido também da garantia de sua integridade física, de sua dignidade, de suas posses e de todos os seus direitos fundamentais constitucionalmente estabelecidos.

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Crítica aos posicionamentos

Primeiro deputado

O primeiro deputado apresenta um posicionamento a favor da não condenação dos denunciantes invejosos, pois, estes obedeciam às leis vigentes no momento do ato. Esse argumento é, realmente, de muito peso. Não é cabível sancionar sem haver uma lei que torne o ato coercível. Além disso, ao analisarmos a situação, é necessário enquadrarmos as questões ao sistema legal da época, ou seja, recorrer a uma hermenêutica adequada para o caso.

Minha opinião converge em sua quase sua integralidade com o argumento do primeiro deputado, diferenciando-se em alguns aspectos. Primeiramente, a divergência de opiniões está no trecho em que é mencionado que os juízes do governo camisa-púrpuro sentenciaram os denunciados à morte pelo fato de possuírem, assim como dito pelo deputado, maior liberdade de decisão no âmbito penal em relação os juízes contemporâneos. Esse argumento utilizado como justificativa das ações dos juízes não justifica a aplicação de uma sanção como a pena de morte. Na realidade, a situação política em que os juízes se encontravam é que os levaram a essas escolhas. Em razão disto, o deputado propõe uma triagem entre os fatos do antigo regime, anulando alguns julgamentos, invalidando certas leis ou considerando algumas condenações como abuso de poder. Porém, quando feito isto, estaríamos fazendo exatamente o que os Camisas-Púrpuras fizeram.

Um quesito importante apresentado pelo deputado e adotado por mim em minha decisão foi de que são necessários cuidados especiais para com os anistiados, pois, caso contrário, estaríamos permitindo que o povo fizesse sua justiça com suas próprias mãos.

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Segundo deputado

O segundo deputado concorda com a solução apontada pelo primeiro, que os Denunciantes Invejosos não fossem sancionados. Porém discorda de suas bases argumentativas.

O deputado, neste caso, aponta que a partir da ascensão dos Camisas-Púrpuras ao poder, o Estado de Direito em que o país estava foi suspenso, portanto, todo e qualquer ato executado durante esse período “anárquico”, assim como exemplificado, pode ser comparado com a sobrevivência na selva ou no oceano, o que significa uma guerra hobbesiana, de todos contra todos, tendo seus atos justificáveis devido à preservação de sua própria vida.

Apesar de concordar com a anistia aos Denunciantes, discordo da fundamentação apresentada pelo segundo deputado. Em momento algum podemos dizer que o Estado de Direito foi suspenso, pois o poder concedido aos Camisas-Púrpuras foi legitimado pelo povo e, além disso, o fato de o direito ser flexível aos que estão no poder e estes o utilizarem para seus próprios interesses não descaracteriza uma sociedade organizada, não ao ponto de podermos dizer que o período do regime camisa-púrpuro pode ser considerado como uma sobrevivência selvagem. Pelo contrário, os Camisas-Púrpuras estabeleceram uma ditadura regida por normas, ainda que não positivadas e nem constitucionalmente justificáveis, que direcionavam e organizavam a forma de agir da população.

Além disso, muitos atos da vida cotidiana continuaram inalterados, por exemplo:

casamentos, transições comerciais, estudos, etc. Assim também ocorreu com os eventuais contratempos, como: falências, batidas de carro, assaltos. Todos esses eventos eram julgados pela justiça de forma extremamente semelhante tanto nos tribunais anteriores aos Camisas-Púrpuras, quanto nos tribunais durante o regime.

Não devemos, portanto, deixar-nos levar por argumentos de cunho excessivamente sentimental e nem temporalmente deslocado. Mesmo levando-nos ao mesmo ponto de conclusão, não é correto agir com base nesse posicionamento.

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Terceiro deputado

O Terceiro deputado apresenta um posicionamento contrário ao apresentado pelo segundo deputado, inclusive, negando seu principal argumento (guerra de todos contra todos). Além disso, ele diz que não pode opinar em forma dilemática, escolhendo um dos extremos, justificando que essa forma de pensamento é muito perigosa, passível de equívocos.

Ele apresenta o caso do homem que denunciou o marido de sua amante por não ter aviso no prazo de cinco dias que havia perdido seus documentos, ato esse que o levaria a ser condenado à morte. Com base nesse exemplo, o deputado mostra a intencionalidade de utilizar o direito do regime como arma contra seus desagrados para atingir seus objetivos. Neste caso, assim como também apresentado pelo delegado, não devemos considerar que todos os denunciantes teriam a intencionalidade de atingir seus fins utilizando de má fé. Em minha concepção, o deputado está repleto de razão, porém, assim como já explicado em meu posicionamento (Página 4, parágrafo 2º), não podemos condenar os denunciantes por agir de forma não previamente censurada pela lei, ou seja, a inveja não é coercível. Também não podemos criar leis que retroagirão (efeito ex tunc) para condená-los, pois, assim como também já explicado (Pagina 4, parágrafo 3º), a lei penal não retroagirá, salvo para benefício do réu, o que não aconteceria nessa hipótese. Além disso, também não podemos escolher os casos aos quais devemos julgar, pois estaríamos cometendo um ato camiso-purpurista.

Por fim, o terceiro deputado não apresenta um posicionamento conclusivo. Pode apenas dizer mantêm-se de acordo com a punição dos denunciantes, ato esse que também geraria base para punição dos juízes e dos demais relacionados à execução dos denunciados.

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Quarto deputado

O quarto deputado, assim como o terceiro, não opta por uma posição extremista. Alega que a forma mais correta de se analisar o caso é através de um raciocínio que mescla as situações.

Sua proposta é baseada na criação de uma lei especial para o caso dos Denunciantes Invejosos. Em sua fundamentação, ele aborda o fato de que as leis que regem nosso Código Penal são inapropriadas para o caso, ou seja, é necessária a averiguação e estudo profundo de cada caso dos denunciantes para que, assim, possa ser elaborada uma medida cabível para cada situação, individualmente. Com isso, evitariam utilizar de leis que tratam de assuntos que não diz respeito ao julgamento dos denunciantes. Além disso, os legisladores seriam sobrecarregados de uma responsabilidade extremamente complicada.

Não sou a favor desse posicionamento, pois este é inconstitucional, assim como já fundamentado em meu posicionamento (Página 4, parágrafo 2º e 3º). Não podemos aceitar a criação de leis para condenação de atos que, em sua execução, não eram passiveis de penalidades. Portanto, se consentirmos com a argumentação apresentada pelo quarto deputado, estaremos agindo assim como agiram os Camisas-Púrpuras, ação essa que jamais pode acontecer.

Além disso, o deputado também fala sobre definir legalmente a inveja. Se essa ideia for admitida, deveremos também definir legalmente o ódio, a cobiça, a raiva, a vingança, algo que, a meu ver, foge completamente da alçada da situação e nem devem ser compreendidas como crimes, pois são de foro interno humano. Apesar de o direito utilizar em algumas situações dessas condições, como em definições de homicídio, não podemos aceitar a definição legal de um sentimento individual não atributivo.

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Quinto deputado

O quinto deputado tem, em minha opinião, a mais absurda proposta dentre todas. Apesar de não embasar sua opinião em criações de leis, condenações por assassinato, etc., ele propõe que seja feita a justiça dos homens, ou seja, que o povo, com suas próprias mãos, incumba-se de fazer a justiça.

Para embasar sua posição, o deputado alega que o regime dos Camisas-Púrpuras sofria com vários problemas, e que, para se manter, era necessário utilizar de medidas drásticas, muito rigorosas. Ou seja, com isso, ele quis dizer que, durante o regime camisa- púrpuro, também era necessário a manutenção da ordem pública.

Mesmo com base nas situações supracitadas, é de inconstitucionalidade tamanha deixar a povo agir por conta própria neste caso que soa absurdo. Essa ação iria, basicamente, contra todos os princípios fundamentais. Portanto, jamais a omissão do direito será uma solução, pois, dessa forma, estaríamos liberando uma ação anarquista, dando origem, dessa forma, a uma barbárie que jamais seria esquecida por este país, situação comparável ou pior que o próprio regime camisa-púrpuro.

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Professor Goldenage

O Professor Goldenage é a favor da punição dos Denunciantes Invejosos. Ele embasa sua posição mediante duas considerações.

Primeiramente, apesar de as condenações ocorridas no período do regime camisa- púrpuro terem sido feitas com base na legislação vigente em tal período, elas não deixam de ser um odioso produto de mentes criminosas, e quando isso acontecia, o fato se dava por regulamentos emergenciais, ou seja, sem que houvesse o devido processamento legal. Sua segunda consideração consiste na afirmação de que o direito deve ser aplicado de forma justa, ou seja, não há de lei se não há justiça.

Sustentando nessas colocações, o Professor conclui que houve um crime de subversão da ordem política e social, cometido pelos Denunciantes invejosos, juntamente com as autoridades estatais que deram o segmento de tais denuncias e, também, cometido pelos juízes que se prestaram aos projetos camisa-púrpuros.

Meu questionamento referente aos argumentos do Professor Goldenage começa por sua colocação de que o processamento legal não era feito de forma eficiente. Ditos os padrões de cada época, não podemos julgar a eficiência ou não dos processamentos jurídicos, pois estes eram, para aqueles que deles utilizavam, os instrumentos necessários para a aplicação de suas leis, independente dos resultados que encontravam, que, no caso, estavam de acordo com as normas vigentes no período. Portanto, não podemos dizer que os processos do direito eram mal feitos, mas sim que eram adaptados à situação do momento.

Em relação à segunda colocação do Professor, existem muitas correntes filosóficas que tentam explicar a essência do direito, que tentam transformar em poema suas relações, mas, a realidade é que o direito é uma questão prática. O professor alega que se não há justiça, não há direito, mas esquece-se de que o direito é organizador da vida social do homem. Por esse motivo, devo discordar de sua colocação, pois há direito sim, mesmo havendo injustiça, e não cabe simplesmente ao homem desobedecê-lo.

Portanto, essas colocações são insuficientes para condenar os Denunciantes, as autoridades e os juízes, apesar de que realmente, em casos específicos, houve a prática

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criminosa, mas, como vivemos em um Estado de Direito, devemos nos submeter às considerações feitas pela lei.

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Professor Wendelin

Segundo o Professor Wendelin, o poder judiciário é responsável por resolver os conflitos com determinação e presteza, visando à pacificação da sociedade. Em seu posicionamento, ele alega que é de inteira responsabilidade dos juízes os resultados obtidos nos julgamento durante o governo dos Camisas-Púrpuras, embora ache eles não devam ser condenados, pois a lei em vigor subsidiava tais operações.

Além disso, o Professor alega a legitimidade do poder dos Camisas-Púrpuras, uma vez que estes foram eleitos pelo voto popular, portanto o povo estava de acordo com as ideias dos futuros governantes, e por isso, não podiam alegar a invalidez de tais propostas. Ele também põe a seguinte colocação: “o direito é um instrumento que cada grupo social utiliza para alcançar suas finalidades”, ou seja, os denunciantes nada mais estavam fazendo do que utilizando dos recursos ao seu dispor para alcançar seus objetivos, algo que qualquer pessoa está autorizada a fazer se sustentado pela lei.

Minha discordância consiste na dita integral responsabilidade dos juízes, pois, diante da pressão sofrida por estes diante dos comandos eminentes do governo camisa-púrpuro, nada mais o juiz poderia fazer se não sentenciar condenações de acordo com a vontade daqueles. Além disso, tenho de discordar da legitimidade da utilização do direito pelos denunciantes. Apesar de não concordar com sua condenação (assim como já embasado em meu posicionamento), os denunciantes não agiram de forma moralmente correta, portanto, não devemos pressupor legitimidade completa em seus atos, pois estes, sem duvidas, estavam dotados de má intenção. Além disso, o Professor não baseia seu posicionamento em nenhuma estrutura legal vigente.

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Professora Sting

A Professora Sting adota uma concepção feminista para embasar seus argumentos, alegando que os outros professores e deputados estavam equivocados em suas colocações por não levarem em consideração o ponto de vista da mulher. Como exemplo de sua colocação, ela utiliza o caso da mulher que teve o marido condenado pela denuncia de seu amante, alegando que não se sabe a situação da mulher e seu marido, podendo, aquela, estar sendo mal tratada, tendo, neste ponto de vista, o amante como feitor de uma justiça e, por isso, não deve ser condenado, pois seu ato não foi baseado na inveja.

Seu posicionamento em relação ao caso é de que o governo deve deixar impunes os Denunciantes, pois, segundo a Professora, existem assuntos mais relevantes com os quais o governo deve se ocupar, como a reestruturação do ordenamento jurídico, garantindo maior participação feminina no atual sistema jurídico.

Em minha concepção, apesar de a Professora apresentar conclusão convergente à por mim apresentada, não podemos simplesmente conceder a anistia aos denunciantes pelo fato de haver coisas mais importantes para se tratar, ainda podendo dizer que a importância de algo é estritamente relativa. Além disso, posso dizer que a professora se baseia em um único caso de denuncia para construir seu posicionamento e, ainda, faz suposições infundadas para legitimar em justiça a ação do denunciante, ao que não podemos pressupor sem que haja alguma evidencia disso. No demais, a professora, assim como o supracitado Professor Wendelin, não embasa sua argumentação em qualquer quesito da legislação vigente, o que, tomar seu argumento ainda mais inconsistente.

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Professor Satene

O Professor Satene além de se posicionar completamente contra a argumentação da Professora Sting, principalmente por envolver o caso de descriminação entre homens e mulheres, salienta a importância de uma discussão mais profunda sobre, afinal, o que é o direito.

Para o Professor, o direito é o produto das várias interpretações dos princípios que fundamentam a vida em sociedade, portanto, as leis devem visar à democracia, que, em sua opinião, é o objetivo da vida social. Com base nessa argumentação, posiciona-se a favor da condenação tanto dos Denunciantes Invejosos, quanto dos juízes que fundamentaram tais leis injustas e corruptas.

Diferentemente do que foi colocado pelo Professor Satene, escolher uma definição exata para um dos termos de maior variação semântica (direito) é, não só prepotência, como também extremamente perigoso, pois abre as portas para demais interpretações fixas sobre o tema, mesmo porque, o direito, nessa concepção, não se enquadra em uma ciência exata. Além disso, podemos dizer que ao juiz não é simplesmente dado a total liberdade para aplicar a sentença que bem lhe entender, pelo contrário, o juiz é guiado pelas leis em vigência e, no caso dos Denunciantes Invejosos, manipulado pelo poder político ameaçador exercido pelos governantes camisa-púrpuros.

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Professora Bernadotti

O décimo e ultimo posicionamento pertence à Professora Bernadotti, que se posiciona contraria às opiniões manifestadas pelos seus colegas Prof.º Goldenage e Prof.º Satene, pois, ao contrário do que é afirmado por eles, ela acredita que, apesar de sermos integrantes de uma mesma sociedade, não possuímos os mesmos direitos. Em sua opinião nem todos tem acesso ao poder político e isso é de fundamental importância para compreender a situação dos Denunciantes Invejosos.

Primeiramente, em sua fundamentação, a lei está diretamente vinculada aos governantes já que, o interesse destes é determinante para as operações no Estado. Devido a essa fundamentação, a Professora defende brilhantemente a anistia aos Denunciantes e aos Juízes, pois estes nada mais estavam sendo do que cumpridores da lei em vigência, mesmo esta sendo injusta, e, por isso, não podem ser condenados. Portanto, de acordo com essa colocação, devemos considerar como legitima as ações praticadas pelos denunciantes, independente de suas intencionalidades.

Na minha visão, a Professora Bernadotti discorre muito bem em sua argumentação, porém, discordo em apenas um aspecto de sua defesa. A intencionalidade das ações dos denunciantes e a injustiça presente nas leis aplicadas pelos juízes são de extrema relevância para uma avaliação, não sendo suficiente apenas a argumentação de que estavam cumprindo ordens. No caso, ela deveria ter embasado sua argumentação também na procedência das leis atuais e em como elas influenciam em nossa tomada de decisão, só então teria um argumento suficientemente forte.

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Questão 2

O Caso dos Denunciantes Invejosos gera um incontestável paralelo entre a ditadura militar ocorrida no Brasil (1694 1985) e o fictício regime implantado pelos Camisas- Púrpuras. Mas, para que possamos efetivar uma comparação, é preciso destacar os resultados, as características, as convergências e distinções acerca de três momentos específicos de ambos os casos: A Instalação, A Ordem Jurídica e o Fim do Regime.

No caso do regime militar brasileiro, A Instalação sucedeu-se com a acusação do então presidente, legitimamente eleito pelo povo, João Goulart (Jango), por práticas comunistas e preparação de uma “República Sindicalista” no Brasil. Com isso, ocorreu o golpe militar que conduziu o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, em 1964, à Presidência do Brasil.

A Instalação do Regime dos Camisas-Púrpuras iniciou-se devido a uma grave crise que econômica que eclodiu em sérios conflitos entre os grupos de interesses do país. Desde conflito, surgiu a figura de um “messias”, chefe de um partido político (os Camisas-Púrpuras) que, durante as eleições faz promessas falsas e insensatas. Iludindo a população e reprimindo a oposição, o Chefe dos Camisas-Púrpuras vence o pleito e torna-se o novo Presidente.

Em síntese, n’O Caso dos Denunciantes Invejosos, o Chefe dos Camisas-Púrpuras foi eleito de forma direta, mesmo que devido à falsas promessas, e em um ambiente de insegurança e fraude eleitoral. Já no Brasil, o presidente eleito diretamente foi deposto coercivamente por um representante do novo regime.

No Brasil, o que deu origem ao novo regime político foi a insatisfação com o modelo de Estado instalado por um presidente populista que desejava executar reformas das quais o povo brasileiro necessitava, insatisfação essa intensificada pela vertente comunista que amedrontava o mundo capitalista. Já no caso fictício, o regime emerge de uma crise política gerada por uma crise econômica que acabou gerando conflitos internos, dos quais o líder camisa-púrpuro tirou proveito para ser eleito.

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A Ordem Jurídica no caso dos Camisas-Púrpuras deu-se com extinção de todos os partidos políticos seguido da não modificação da Constituição, nem do Código Penal, nem do Código Civil e nem dos Códigos Processuais. Neste regime, o critério decisivo era a interpretação que foi, por vezes, utilizada para enquadrar adversários políticos às normas do código penal. Essa interpretação também beneficiou os Camisas-Púrpuras, já que seus membros presos receberam anistia, assim como dito, baseada na “defesa da pátria contra a subversão”.

No Brasil, da mesma maneira, foram criados atos institucionais (como o famoso Ato institucional n. 5) que, progressivamente, diminuíam os direitos previstos na Constituição vigente. Nestes atos institucionais ficaram previstas medidas como, extinção dos partidos políticos, substituídos pelo bipartidarismo da ARENA (Aliança Renovadora Nacional partido dos militares) e do MDB (Movimento Democrático Brasileiro espécie de proteção ideológica que abrigava os políticos dos partidos extintos). Aconteceu, além disso, a suspensão das garantias e soluções constitucionais, como as eleições indiretas inclusive para governadores e prefeitos das capitais. As adequações da ordem jurídica aos interesses do Regime Militar são finalizadas com a outorga chamada “Constituição de 1967” e com a Emenda Constitucional n. 01. No entanto, permaneceram intactos o Código Civil e Penal, além de outras legislações infraconstitucionais.

Em suma, o regime dos Camisas-Púrpuras manteve a ordem jurídica do antigo regime, utilizando da hermenêutica para embasar suas decisões e vontades a partir da coação do judiciário. No Brasil, foi imposta uma nova Constituição, combinada com Atos Institucionais. Em ambos os partidos políticos foram instintos, restando apenas o partido no novo regime, no caso dos camisas-púrpuras. Porém, no Brasil, almejando um ar de normalidade democrática, o novo regime adotou o bipartidarismo.

Os movimentos sociais se tornaram mais fortes no Brasil, em especial com a campanha pela Anistia e as Diretas Já, e o governo iniciou uma lenta abertura política, até que durante o governo de Figueiredo essa liberação fosse acelerada. Essa época foi consagrada pela Lei da Anistia que, de forma mutua, livrou da justiça os resistentes ao regime e os envolvidos em ações repressivas (torturadores) e o desaparecimento de

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cidadãos. Em 1985 foi realizada de forma indireta, através do Código Eleitoral formado pelo Congresso Nacional, a Eleição Presidencial.

Em síntese: a queda do regime purpurista se dá de forma extremamente fictício, motivada apenas por uma desestabilização interno do partido. No caso brasileiro, a redemocratização foi um procedimento longo, iniciado com a Lei de Anistia de 1979 e concluído com a eleição presidencial direta em 1989, situação conquistada devido a participação popular e pressão política.

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A)

Eis um caso de estrema delicadeza, em que exige, não apenas discernimento, mas também equidade. Pois, para poder expressar uma decisão, é necessário uma analise mais profunda no que diz respeito aos efeitos da manutenção ou revogação da lei de anistia de 1979. Primeiramente, recorramos aos fatos históricos que sempre auxiliam no esclarecimento de casos difíceis.

O período da história brasileira, atualmente conhecido como “Ditadura Militar”, foi marcado por um forte embate político, por exemplo, sérias questões de liberdade. Os ideais conflitantes do governo e de parcela da população desencadeou ações que vão completamente contra qualquer principio fundamental da vida humana, tanto por parte do governo, quando por parte dos seus opositores. Com isso, ao já final do regime estabeleceu- se a Lei de Anistia, visando um tipo apaziguamento e solução perante os desentendimentos atuantes durante a ditadura.

A Lei nº 6.683/79 (Lei de Anistia) que foi promulgada pelo presidente João Baptista

de Oliveira Figueiredo, ultimo general presidente brasileiro, ainda no período do regime militar, graças à Campanha da Anistia estabelece, principalmente, as seguintes colocações:

“Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 2 de

de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com

estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares.

§ 1º - Consideram-se conexos, para efeito deste artigo, os crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política.”

A repercussão dessa lei, apesar de turbulenta, mostra reflexos positivos ainda hoje,

pois o perdão mutuo consagrou uma espécie de ponto final político para o Brasil. Ainda sim,

muitas pessoas se mostraram insatisfeitas com esse posicionamento, pois alguns desejavam

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ainda a punição de um dos lados, ou até mesmo de ambos. Não obstante, devemos mais uma vez refletir na consequência da possível revogação dessa lei.

Caso aconteça de o fato supracitado, podemos visualizar algumas questões, por exemplo: famílias reconstituídas que já haviam superado o mal do regime sendo assoladas, mais uma vez, por fatos passados e que agora ressurgem para despertar o medo e o sofrimento. Esse é apenas um exemplo prático do que aconteceria, para ambos os lados que, mesmo com alguma insatisfação existente, no geral, se contenta com a solução garantida pela Lei em discussão.

Podemos analisar agora um pouco da parte técnica da opção de revogação da Lei nº 6.683/79, que, sem dúvidas, apresenta um forte empecilho para esta decisão. Primeiramente, com a promulgação da Lei de Anistia, todos os afetados por seus efeitos passam a gozar do direito à anistia, assim como posto pela Constituição Federal, Art.5º, inciso XXXVI a lei não prejudicará o direito ADQUIRIDO , o ato jurídico perfeito e a coisa julgada e também posto pela Lei de Introdução ao Código Civil, Art. 6º, §2º - Consideram- se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém que por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo, ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.

Com isso, não devemos perturbar à já estabelecida equidade posta Lei de Anistia diante dos resultados do regime militar e, também, ao fato de não podermos agir contrariamente aos princípios fundamentais garantidos em nossa Constituição e em suas ramificações legais. Portanto, julgo que a procedência a ser tomada é a de manutenção da Lei nº 6.683/79 (Lei de Anistia).

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B)

É compreensível o manifesto a favor da aplicação da Lei de Anistia apenas em prol

dos opositores do regime militar, afinal, é de conhecimento geral os malefícios causados pelo governo militar à sociedade brasileira. Porém, não podemos simplesmente nos deixar guiar pelo sentimento de rancor e vingança.

Se for verdade que cada povo soluciona os seus problemas históricos de acordo com a sua cultura, com os seus sentimentos, com a sua índole e também com a sua história, o Brasil deve uma optar pelo caminho da concórdia. Só o homem perdoa, só uma sociedade superior qualificada pela consciência dos mais elevados sentimentos de humanidade é capaz de perdoar. Porque só uma sociedade que, por ter grandeza, e maior do que os seus inimigos é capaz de sobreviver à situações como esta.

A anistia é resultado do perdão necessário para a "transição institucional" entre dois

regimes, o militar e o democrático. Podemos considerá-la, então, como preço que a "sociedade brasileira deve pagar" para ter de volta a democracia. Uma sociedade que queira

lutar contra os seus inimigos com as mesmas armas, com os mesmos instrumentos, com os mesmos sentimentos está condenada a um fracasso histórico.

Além disso, não podemos nos esquecer da fundamentação legal do caso. De acordo com o texto disposto em nossa Constituição Federal, Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e

- não podemos negar a isonomia existente entre os indivíduos tratados

nesse caso, pois, diante do que é lícito, todos se caracterizam como infratores da lei, não

à propriedade

podendo então o legislativo editar normas que se afastem do principio da igualdade (tratar os iguais como iguais e os desiguais como desiguais).

Portanto, é de inteira prudência a aplicação da Lei de Anistia tanto para os militares e aqueles que praticaram crimes em nome do regime, quanto para os opositores destes.

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Bibliografia

O Caso dos Denunciantes Invejosos - Dimoulis, Dimitre.

Resumo do livro “O caso dos Denunciantes Invejosos” - Faculdade de Direito Eduvale - Alexandre Gazetta Simões 2010 ARTE, DIREITO E MEMÓRIA: UMA NOVA OPINIÃO SOBRE O CASO DOS DENUNCIANTES INVEJOSOS - William Rodrigues Dantas, Maria Beatriz de Miranda Toledo, Maria Isabella Bottino

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