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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PE RNAMBUCO NÚCLEO SOCIEDADE, CULTURA E COMUNICAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERA L DE ALAGOAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PE RNAMBUCO NÚCLEO SOCIEDADE, CULTURA E COMUNICAÇÃO

DE PE RNAMBUCO NÚCLEO SOCIEDADE, CULTURA E COMUNICAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERA L DE ALAGOAS LABORATÓRIO DA CIDADE

UNIVERSIDADE FEDERA L DE ALAGOAS LABORATÓRIO DA CIDADE E D O CONTEMPORÂNEO

Anais Completos do

I ENC ONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBR E QUADRINHOS E CULTURA POP

Programação Livro de Resumos Trabalhos Completos

Centro de Convenções da UFPE

R ecife, 29 a 31 de outubro de 2011

Copyright © 2011 by Amaro Xavier Braga Júnior

Impresso no Brasil Printed in Brazil

Organização, Diagramação e Edição:

AMARO BRAGA

.

Este evento foi produzido numa parceria dos Núcleos Sociedade, Cultura e Comunicação da UFPE e do Laboratório da Cidade e do Contemporâneo da UFAL, e da ONG CDICHQ Centro de Desenvolvimento e Incentivo Cultura às Histórias em Quadrinhos, através do Prof. Amaro Braga com a Super-CON.

I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP Centro de Convenções da UFPE Auditórios do 1º andar 29 a 31 de julho de 2011

COMISSÃO CIENTIFICA Prof. MsC. Amaro Braga (Presidência) ICS-UFAL/PPGS-UFPE Profª MsC. Ana Lúcia Machado Maia SEDUC-PE/Estácio/FIR Profª Msc. Rachel Rodrigues - FMN Profª Drª Sônia Maria Bibe-Luyten Profª Msc. Tatiana Valença Ferraz FMN

COMISSÃO ORGANIZADORA Prof. MsC. Amaro Braga (Presidência) ICS-UFAL/PPGS-UFPE Prof. Esp. Danielle Souza de Jaimes Profª Msc. Tatiana Valença Ferraz - FMN

DIREÇÃO DA SUPER-COM Fabbio Vila

Este evento contou com o patrocínio da Agência Administrativa Independente The Japan Foundation

E com o apoio :

SUPER-COM CDICHQ Centro de Desenvolvimento e Incentivo Cultural às Histórias em Quadrinhos Universidade Federal de Pernambuco Universidade Federal de Alagoas

DIREÇÃO EXECUTIVA DO ENCONTRO ALIMENTAÇÃO E DESIGN DO BLOG Amaro Braga

Contatos: encontrohq@gmail.com HTTP://encontrohq.blogspot.com

ISSN 2238-2402

Edufal

Este e vento contou com os seguintes apoios:

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Apresentação

A produção de histórias em quadrinhos ganha cada vez mais admiradores.

Leitores crescem e acompanham suas edições todos os meses. Colecionadores ocupam ainda mais espaços na proteção e ampliação de suas preciosidades. Pessoas habilidosas com lápis, nanquim e tinta se dedicam, crescentemente, a imprimir sobre diversas superfícies, narrativas visuais que não só enchem os olhos, mas alimentam os sonhos. Administradores e investidores multiplicam suas finanças aportando valores significativos na indústria dos quadrinhos e congêneres derivados. Definitivamente não estamos mais lidando simplesmente com um entretenimento infantil e inocente. Esta arte, mídia, expressão, veículo - ou qualquer que seja a denominação que venham a lhe ser atribuída exerce um importante fator de interação com a sociedade e os indivíduos aos quais se interrelaciona.

É inegável que se acompanhe nestas últimas décadas um crescimento no número

de pesquisas nos mais diversos níveis sobre os Quadrinhos. Pesquisas que surgem nas áreas mais diversas: na comunicação e na educação, suas áreas mais privilegiadas e seguindo para temas mais tangentes na lingüística, nas ciências humanas, nas artes e até nas ciências exatas.

A proposta do encontro foi reunir estes diversos pesquisadores em um único

espaço visando compartilhar suas produções recentes e aproximar os jovens pesquisadores dos com um maior tempo no campo. Visando uma troca de experiências e o estabelecimento de um contato recíproco. Apesar de existir iniciativas semelhantes no país, a distância geográfica não

permite a continua participação dos interessados. Também os eventos que ocorrem no nordeste, que permitiriam a estes pesquisadores interessados nas histórias em quadrinhos e na cultura pop escoarem suas produções, tendem a ser eventos locais, de turno ou dia único e que, por diversos outros motivos não conseguem envolver outros pesquisadores das regiões circunvizinhas ou de estados mais distantes.

O mais importante é que esta é só mais uma iniciativa no país que promove o

conhecimento e a divulgação sobre as histórias em quadrinhos, estimulando não só seu consumo, sua produção, mas seu estudo.

Recife, verão de 2011.

Prof. Amaro X. Braga Jr Organizador do Evento

Programação 7

Livro de Resumos 11

Sumário

14

Conferência de abertura

14

Conferência de encerramento

14

Palestras

15

Discussões em mesas-redondas

18

Mini-cursos

19

Grupos de trabalho

21

Artigos nos grupos de trabalho

Trabalhos Completos

42

44

Histórias em quadrinhos em sala de aula: ler para quê?

Adriana Rosa e José Barros

54

A leitura estudo do texto: histórias em quadrinhos no livro didático de português

Adriana Rosa e José Barros

69

Red son: superman e os limites entre heroísmo e tirania

Agostinho Torres, Breno Cavalcante e Eduardo Machado

86

A criação gráfica em um curso de mídias digitais: um estudo de caso

Alberto Pessoa

96

Estratégias de tradução e suas implicações nos quadrinhos

Alessandra Querido

113

Naruto: um protagonista marginal e heroi. A representação social do menino

kyuubi

Amanda Araújo

131

Análise sociológica e estética midiática: reflexões sobre a aparência e os impactos

das histórias em quadrinhos japonesas Amaro Braga

154

Mangá Shakespeare : tradição e atualidade

Anuska Vaz

165

A cultura juvenil ea influência da mídia japonesa

Carlos Machado

183

Estratégias metaficcionais em narrativas de super-herói

Claudio Eufrausino

200

André Dahmer e a barbárie

Clayton Marinho e Maria Manzano

226

Histórias em quadrinhos: por um desvelamento pedagógico de suas possibilidades

Clayton Marinho e Maria Manzano

248

Terrível simetria: visão psicanalítica da identidade em watchmen

Cleriston Costa

263

Ele estava lá para me pegar quando eu saltei : especularidade e mise en abyme

em fun home, de Alison Bechdel Daiany Dantas

272

A influência estética das artes visuais japonesas nas produções de entretenimento

ocidentais Diego Brandão e Luis Brandão

290

Fantasia e sua música: semiótica aplicada à animação

Diego Campos e Marcos Buccini

313

Apontamentos para uma reflexão sociológica sobre as histórias em quadrinhos:

representações da guerra fria em Ferdinando Diego dos Anjos

327

Reflexão quadro a quadro: leitura, interpretação e produção textual em hqs

Elaine Santana

351

Estágio supervisionado em ensino das artes visuais, o projeto o prazer da arte e

o curso de extensão em histórias em quadrinhos Fábio Silva e Fábio Costa

361

5 minutos para o fim do mundo: Watchmen através do olhar da história.

Fabrina Almeida e Celso Nascimento

367

Explosão nipônica: otakus pernambucanos num estudo histórico-cultural

Fred Pedrosa e Ana Alves

385

Death Note e o herói ao contrário: uma leitura simbólica discursiva

Genis Schmaltz

394

Histórias em quadrinhos: mediando a busca pela superação do tradicionalismo

Gil Silva e Joselia Silva

394

Will Eisner (um contrato com deus e outras histórias de cortiço) e Aluísio

Azevedo (o cortiço): uma comparação entre a sociedade suburbana do Bronx e Botafogo Hosana Bezerra e Viviane Silva

420

O poder da palavra: magia, mito e religião em Shazam!

Iuri Reblin

430

Representações do feminino: embates acerca da sexualidade e da religiosidade

Kathlen Oliveira e Iuri Reblin

446

Superman sem fronteiras: a polêmica renúncia da cidadania norte-americana

Kathlen Oliveira e Iuri Reblin

461

Hq e sistemas simbólicos: uma experiência de ensino no curso de design

Mario Carvalho e José Gonçalves

468

No caminho errante da escuridão: análise da hq The Pro como modelo contra-

hegemônico de super-heroínas Luciana Chagas

488

Quadrinhos de internauta : a apropriação da linguagem dos quadrinhos na

internet Acemir Mendes e Ludmila Monteiro

500

Modalidade de uso de charges e cartuns no ensino de história na escola pública

Maria Souza, Patrícia Araújo, Maria Carneiro e Silvano Lira

509

Quadrinhos e teatro fragmentado: desenvolvimento de procedimentos

pedagógicos Marcio Rodrigues

521

Xilogravura em motion graphics - a representação do movimento em animações

baseadas no estilo da xilogravura de cordel Marcos Buccini, Rosângela Vieira e Christiane Quaresma

534

Possibilidades do uso dos quadrinhos em ambiene escolar: relato de experiência

Natania Nogueira

544

Representações femininas nas histórias em quadrinhos da Ebal

Natania Nogueira

544

Os quadrinhos baianos: a influência regional como expressão sócio-cultural na

produção de artistas locais Nerize Portela, Aline Brune, Lilian Balbino e Jamile Barbosa

575

As histórias em quadrinhos e a cultura do capitalismo durante o regime de

acumulação integral Nildo Viana

584

Inconsciente coletivo feminino e valores contraditórios na Mulher-Maravilha

Nildo Viana

597

Uma trajetória comum: Roberto Marinho e o Gibi

Paulo Ramos

614

Animês, obscenidade e violência: conflitos culturais no ocidente

Quise Gonçalves e Yuji Gushiken

636

Garra de pantera: o negro nos quadrinhos de super-herói dos EUA

Sávio Lima

644

Histórias em quadrinhos: possibilidades e perspectivas do fazer pedagógico no

ensino de história Silvano Lira

652

Mangá: de expressão nipônica a fenômeno global

Taís Ueta e Yuji Gushiken

671

Quem tem medo dos ratos Maus?

Tasso Brito

683

É lábil o heroísmo da América Latina? Macunaíma, Shazan & Sherife, Chapolin

Colorado

Valério Schaper

699

Tirinhas 2.0: novas possibilidades de criação de tirinhas nas mídias digitais

Vítor Nicolau, Henrique Magalhães e Raquel Almeida

713

Ensino, quadrinho e mitologia, tudo a ver?

Wanessa Vanderlei

PROGRAMAÇÃO

I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP

 

28/07/11

29/07/2011

30/07/2011

31/07/2011

Quinta

Sexta

Sábado

Domingo

8h00-

     

SALA 1

SALA 2

SALA 1

SALA 2

9h45

Credenciamento

Mini-

Mini-

Mini-

Mini-

curso 1

curso 2

curso 1

curso 2

           

SALA 2

10h00-

11h00

GT 2

SALA 1

SALA 2

SALA 1

Sessão 3

 

SALA 1

SALA 2

GT 1

GT 2

GT 1

Sessão 4

 

Mini-

Mini-

Sessão 1

Sessão 1

Sessão 3

SALA 2

11h00-

12h00

curso 3

curso 4

Sessão 2

Sessão 2

Sessão 4

GT 6

Sessão 4

13h30-14h00

 

Palestra

 

Palestra

 

Prof. Dr

Prof. ª Drª

Carlos

Patrícia

Alberto

SALA 2

GT 6

Borges

SALA 2

SALA 1

SALA 1

GT 6

14h00-16h00

 

Conferência de Abertura Profª Drª Sônia Luyten SALA 1

SALA 1

Sessão 1

Sessão 2

SALA 1

Sessão 5

Sessão 6

GT 3

Sessão 3

GT 3

Credenciamento

Sessão 1

Sessão 3

Sessão 2

Sessão 4

16h15-18h00

SALA 1

Mesa-

Redonda 1

SALA 2

Mesa-

Redonda 2

SALA 1

Mesa-

Redonda

SALA 2

Mesa-

Redonda

SALA 1

Mesa-

Redonda

SALA 2

Mesa-

Redonda

 

3

5

4

6

19h00-19h30

 

Lançamento de Livro Sessão de autógrafos

SALA 1

SALA 2

Conferência de Encerramento Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

Mini-

Mini-

curso 3

curso 4

CONFERÊNCIA

DE ABERTURA

Sexta-feira, 29 | 14h | Sala 01

Cultura Pop Japonesa: Pioneirismo, experimentação e produção acadêmica Prof.ª Dr.ª Sônia Bibe Luyten

CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO

Domingo, 31 | 19h | Sala 01

Quadrinhos, mangás e animês a serviço da educação: sem perder a ternura jamais Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro (USP)

PALESTRAS

Sábado, 30 | 13h30 | Sala 01

A cultura juvenil brasileira e a influência da midia japonesa Prof. Dr. Carlos Alberto Machado

Domingo, 31 | 13h30 | Sala 01

Breve história dos animês na tevê brasileira Prof.ª Dr.ª Patrícia Borges

MESAS

REDONDAS

Sexta, 29 | 16h15 | Sala 01

MR01 - Quadrinhos e Cultura Contemporânea

Coordenação e Mediação: Prof. Dr. Nildo Viana (UFG)

As Histórias em Quadrinhos e a Cultura do Capitalismo durante o Regime de Acumulação Integral Prof. Dr. Nildo Viana (UFG)

O Poder da Palavra: Magia, Mito e Religião em Shazam! Prof. Ms. Iuri Andréas Reblin (EST)

Namor nas profundezas da axionomia: o tsunami que resiste à axiologia Prof. Dr. Edmilson Marques (UFG)

Macunaíma, Shazan & Xerife, Chapolin Colorado. O heroísmo lábil da América Latina Prof. Dr. Valério Guilherme Schaper (EST)

Sexta, 29 | 16h15 | Sala 02

MR02 - Dos Super-Seres: História Cultural dos Super-heróis

Coordenação e Mediação: Prof. Sávio Queiroz Lima (Universidade Católica de Salvador)

Representações femininas nas histórias em quadrinhos da EBAL Prof.ª Esp. Natania A. Silva Nogueira (Rede Municipal de Ensino de Leopoldina MG)

Anarquismo e Direitos dos animais nos quadrinhos: uma relação possível em "Homem Animal" Prof. Márcio dos Santos Rodrigues - (UFMG)

Garras de Pantera: O negro nos quadrinhos de super-heróis dos EUA Prof. Sávio Queiroz Lima - (Ucsal)

Paródias e gracejos: o ridículo e risível nos Super-heróis nos quadrinhos nacionais Drª Geisa Fernandes d´Oliveira - Observatório de Histórias em Quadrinhos (ECA/ USP)

Sábado, 30 | 16h15 | Sala 01

MR 03 - Uma história que está no Gibi - A trajetória editorial de 70 anos da revista Gibi

Coordenação e Mediação:Prof. Dr. Paulo Ramos (Unifesp)

O surgimento da revista Gibi Prof. MsC. Nobuyoshi Chinen ( USP/Faculdades Oswaldo Cruz)

As retomadas do Gibi ao longo das décadas Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro (USP)

Uma trajetória comum: Roberto Marinho e o Gibi Prof. Dr. Paulo Ramos (Unifesp)

Domingo, 31 | 16h15 | Sala 01

MR04 - Quadrinhos em Novas Mídias: Redes Sociais e Mobiles

Coordenação: Prof. Alex D'ates (UEMG) Mediação: Prof. Dr. Henrique Magalhães (UFPB)

Os Quadrinhos nas redes Sociais: Experiência de implementação e adaptação do Kaplan Project Comics para o Facebook Prof. Alex D'ates (UEMG)

Os Quadrinhos na era Digital: criando uma nova linguagem a partir dos impressos para as diversas telas Gio Vieira (UEMG)

A criação gráfica em um curso de mídias digitais: um estudo de caso Prof. Dr. Alberto Ricardo Pessoa (UFPB)

A Edição Independente e os Novos Recursos da Informática Prof. Dr. Henrique Magalhães (UFPB)

Sábado, 30 | 16h15 | Sala 02

MR05 Rediscutindo a Estética dos Mangás

Coordenação e Mediação: Profª. Drª Sônia Bibe Luyten

Os deslocamentos culturais e artísticos da estética bidimensional dos mangás Prof.ª Drª Patrícia Borges

Reprodução e Hibridização nos Mangás Prof. MsC. Amaro Xavier Braga Júnior (UFAL\ PPGS-UFPE)

Classificação de Gêneros nos Mangás Profª. Drª Sônia Bibe Luyten

Domingo, 31 | 16h15 | Sala 02

MR06 Tradução e Adaptação nos Quadrinhos

Coordenação e Mediação: Prof. MsC. Amaro Xavier Braga Júnior (UFAL\PPGS-UFPE)

Técnicas e Modelos de Adaptação de Clássicos da Literatura para os Quadrinhos Laílson de Holanda Cavalcanti

Estratégias de tradução e suas implicações nos Quadrinhos Prof.ª Msc. Alessandra Matias Querido (UnB)

Adaptando Textos Acadêmicos para os Quadrinhos Prof.ª Esp. Danielle Jaimes e Prof. MsC. Amaro Xavier Braga Júnior (UFAL\PPGS-UFPE)

MINI-CURSOS

Sábado, 30 e Domingo, 31 | 8h-9h45 | Sala 01

Mini-Curso 1 | O PRAZER E O DESAFIO DE TRADUZIR TIRAS CÔMICAS

Responsável: Profª Doutoranda Alessandra Matias Querido UnB

Sábado, 30 e Domingo, 31 | 8h-9h45 | Sala 02

Mini-Curso 2 | CRIAÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS EM ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO Responsável: Prof. Dr. Alberto Ricardo Pessoa (UFPB)

Sexta, 29 | 10h-12h | Sala 01

Sexta, 29 | 10h-12h | Sala 01 Sábado, 30 | 19h-19h30| Sala 01
Sábado, 30 | 19h-19h30| Sala 01

Sábado, 30 | 19h-19h30| Sala 01

mini-Curso 3 | STORYBOARD: DO TEXTO À IMAGEM Responsável: Prof. MsC. Marcos Buccini (UFPE)

Sexta, 29 | 10h-12h | Sala 02

Sexta, 29 | 10h-12h | Sala 02 Sábado, 30 | 19h-19h30| Sala 02
Sábado, 30 | 19h-19h30| Sala 02

Sábado, 30 | 19h-19h30| Sala 02

Mini-Curso 4 | AUTOBIOGRAFIAS DE MULHERES NOS QUADRINHOS: RELATOS E IMAGENS COMO AFIRMAÇÃO DE IDENTIDADES Responsável: Profa. Ms. Daiany Ferreira Dantas (UFPE)

GRUPOS

DE TRABALHO

Sábado, 30 | 10h-12h

Sala 01
Sala 01

GT01 - PESQUISA, ENSINO E QUADRINHOS (sessões 1 e 2)

Sala 02
Sala 02

GT02 - SUPER-HERÓIS EM PERSPECTIVAS INTERDISCIPLINARES (sessões 1 e 2)

Sábado, 30 | 14h-16h | Sala 01

GT03 - HISTÓRIA, QUADRINHOS E CULTURA POP: REPRESENTAÇÕES DO PASSADO, IMAGINÁRIO E ENSINO (sessões 1 e 2)

Sábado, 30 | 13h30-16h | Sala 02

GT 06 - REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NOS QUADRINHOS, DESENHOS ANIMADOS E RPG´S

Domingo, 31 | 10h-12h

Sala 01
Sala 01

GT01 - PESQUISA, ENSINO E QUADRINHOS (sessões 3 e 4)

Sala 02
Sala 02

GT02 - SUPER-HERÓIS EM PERSPECTIVAS INTERDISCIPLINARES (sessão 3)

Domingo, 31 | 11h-12h | Sala 02

GT 06 - REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NOS QUADRINHOS, DESENHOS ANIMADOS E RPG´S (sessão 4)

Domingo, 31 | 14h-16h | Sala 01

GT03 - HISTÓRIA, QUADRINHOS E CULTURA POP: REPRESENTAÇÕES DO PASSADO, IMAGINÁRIO E ENSINO (sessões 3 e 4)

Domingo, 31 | 13h30-16h | Sala 02

GT 06 - REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NOS QUADRINHOS, DESENHOS ANIMADOS E RPG´S (sessões 5 e 6)

LIVRO DE RESUMOS

I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP

1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

Conferência

de Abertura

CULTURA POP JAPONESA: PIONEIRISMO, EXPERIMENTAÇÃO E PRODUÇÃO ACADÊMICA Profª. Drª Sônia Bibe Luyten

As Histórias em Quadrinhos japonesas, conhecidas como mangá , representam um fenômeno de comunicação de massa atingindo tiragens milionárias em seu país de origem. Hoje o mercado de mangá é um dos alicerces da cultura de entretenimento do Japão. Além disso, a expansão da informação tecnológica deu aos jovens um conhecimento multimídia mais amplo particularmente com o uso dos computadores e a capacidade para comunicação visual via gráficos e animação. De desconhecidas no mundo ocidental, passaram, hoje em dia, a fazer parte do cotidiano de leitura dos jovens do mundo inteiro. O Brasil, tendo a maior colônia nipônica fora do Japão, já tinha a tradição de ler as revistas de quadrinhos japonesas através de seus imigrantes tornando-se pioneiro não só na leitura como na produção de mangá fora do Japão desde a década de 1960. Também a primeira pesquisa sobre mangá foi realizada na década de 1970 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo publicada na Revista Quadreca. Meu objetivo mostrar como seu deu o impacto da vinda massiva de novos títulos a partir da década de 1990, a experimentação através da produção de fanzines e a produção de quadrinhos brasileiros utilizando a forma do mangá como expressão. Nesta nova fase, esta produção nacional tem sido feita não só por artistas descendentes de japoneses como de diversas procedências. O sucesso do estilo tem sido de forma tão penetrante que seu uso tem se observado até em propaganda institucional. Além disso, muitas teses acadêmicas em todas universidades brasileiras tem explorado várias facetas do universo da Cultura Pop Japonesa com novas formas de olhar desta expansão tanto no Brasil como no mundo.

Conferência

de Encerramento

QUADRINHOS, MANGÁS E ANIMÊS A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO: SEM PERDER A TERNURA JAMAIS Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro (USP)

As histórias em quadrinhos, em todas as suas formas e estilos, estão sendo cada vez mais apropriadas pelo espaço educativo, transformando-se em instrumentos pedagógicos. Nos últimos anos, as iniciativas nesse sentido passaram a ser vistas de forma mais positiva por pedagogos e autoridades educacionais de todos os níveis, que desenvolveram programas específicos para incorporação desses meios ao processo educacional e buscam muitas vezes preparar os educadores para melhor utilização dos produtos da linguagem gráfica sequencial em benefício do processo didático. No entanto, a incorporação dos quadrinhos e dos mangás no ambiente educacional, bem como de produtos de animação deles derivados, não deve significar um abandono do aspecto lúdico e de maravilhamento intrínseco a esses produtos ou representar o afastamento dos leitores desse meio de comunicação de massa.

Palestras

BREVE HISTÓRIA DOS ANIMÊS NA TEVÊ BRASILEIRA Prof.ª Drª Patrícia Borges

Ao ressaltar a importância do animê como principal canal de acesso aos hábitos e costumes da cultura japonesa, a palestra evidencia as relações culturais entre a história do desenvolvimento dos animês na programação da TV brasileira desde o final dos anos 60. Com este ponto de partida, serão apresentados clipes, trailers, aberturas e trechos de animês, destacando algumas séries de sucesso no Brasil e seus realizadores para mostrar a diversidade de estilos e temáticas que se encontra nas animações japonesas.

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

Discussões

em Mesas-Redondas

OS DESLOCAMENTOS CULTURAIS E ARTÍSTICOS DA ESTÉTICA BIDIMENSIONAL DOS MANGÁS Prof.ª Drª Patrícia Borges

A pesquisa discute as novas formas de comunicação surgidas a partir do processo de recodificação da

estética bidimensional dos mangás. Para tanto, entendeu-se que no deslocamento de determinados traços estéticos e conceituais dominantes dos mangás para outros meios e suportes, o contato com outras linguagens possibilitou recriar e transformar a informação e fez originar novos produtos e novos significados. Nos deslocamentos dessa estética - do meio impresso (histórias em quadrinhos) para o meio virtual, ao partir dos games e da projeção holográfica, a análise permitiu identificar novas formas de se relacionar com as imagens -; ao migrar do meio virtual para o mundo real, a recriação estética dos mangás ressurgiu na moda com o visual kei e os estilos lolita e meido; promoveu o surgimento uma nova modalidade teatral, no momento em que o termo cosplay passou a significar um conjunto de hábitos da juventude que começaram a desfilar pelas ruas imitando os trejeitos e vestidos com a mesma caracterização de seus personagens de mangás, games e animês prediletos; ainda contou com a incorporação cultural de novos hábitos e estilos de vida; o surgimento de vanguardas na arte, literatura, arquitetura e de uma nova geração de artistas japoneses cujas obras são inspiradas nos mangás e animês.

GARRA DE PANTERA: O NEGRO NOS QUADRINHOS DE SUPER-HERÓI DOS EUA Prof. Sávio Queiroz Lima

Através de construção cronológica da produção e edição de quadrinhos norte-americanos dos anos 60 e

o seguir, o artigo fundamenta análise sobre os super-heróis negros no século XX. Para tanto, o artigo elabora uma rede de relações entre a realidade histórica e a historicidade literária dessa produção mercadológica. Com o destaque alguns produtos, personagens, como Pantera Negra, Tempestade, Luke Cage e outros, o artigo compreende a importância destes como construções sócio-culturais de cada época e as alterações e permissões que as estruturas mentais exerceram na fundamentação e apropriação dos super-seres de fenótipo de origem africana e afro-americana.

PARÓDIAS E GRACEJOS: O RIDÍCULO E O RISÍVEL NOS SUPER-HERÓIS DOS QUADRINHOS NACIONAIS Drª Geisa Fernandes

A partir do caso das paródias aos personagens norte-americanos pela série de quadrinhos Os Trapalhões , percorre-se a formação do gênero dos Super-heróis. Discute-se a aplicação do conceito de carnavalização de Bakhtin aos quadrinhos e sua participação na crítica à correção política. Propõe-se o reconhecimento de uma experiência de construção identitária, por meio das histórias em quadrinhos

REPRESENTAÇÕES FEMININAS NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS DA EBAL Prof. Esp. Natania A. Silva Nogueira

No presente trabalho, faremos uma análise das representações das mulheres nas histórias em quadrinhos publicadas no Brasil pela Ebal dos anos 50/70. Nosso objetivo é identificar mudanças e permanências em relação à imagem e ao discurso criado em torno das mulheres, algumas vezes a heroína destemida e independente, outras vezes a mocinha sempre em perigo, necessitando da proteção masculina. Ao mesmo tempo, iremos fazer uma ponte entre o discurso e a prática social, ligando a realidade vivida pelas mulheres nos contextos específicos em que as histórias em quadrinhos foram concebidas e a representação que se deseja fazer delas.

AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E A CULTURA DO CAPITALISMO DURANTE O REGIME DE ACUMULAÇÃO INTEGRAL Nildo Viana (UFG)

As histórias em quadrinhos são um fenômeno social que surge no capitalismo e possui uma historicidade dependente da historicidade do capitalismo. As HQ nascem muito tempo depois do surgimento do capitalismo. O capitalismo emerge no século 16 e se consolida no século 18, quando o capital industrial

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

se torna hegemônico. O capitalismo pode ser periodizado a partir dos regimes de acumulação, destacando-se o extensivo, intensivo, intensivo-extensivo (ou conjugado) e o integral. As HQ surgem no regime de acumulação intensivo (final do século 19 até metade do século 20) e sofre alterações durante o regime de acumulação conjugado (1945-1980) e acompanha as mudanças ocorridas a partir do regime de acumulação integral (1980 até hoje). O regime de acumulação integral se instaura através da reestruturação produtiva, neoliberalismo e neoimperialismo e isto gera mudanças culturais que afetam

as HQ. A nova cultura dominante é expressa através de uma diversidade de manifestações, entre as quais

o pós-estruturalismo, o pós-vanguardismo, ideologia neoliberal, retomada de cultura contestadora, entre outras. A cultura do capitalismo no regime de acumulação integral se reproduz nas HQ, bem como, de forma marginal, a cultura contestadora. Porém, mesmo a cultura contestadora reproduz a cultura dominante. A produção quadrinística a partir dos anos 1980, nos Estados Unidos, apresenta diversas mudanças que refletem essas alterações da cultura capitalista. Os personagens e histórias já existentes apresentam mudanças e novos personagens entram em cena. Nesse processo, um estudo comparativo mostra a força da cultura capitalista em diversas produções quadrinísticas que serão exploradas na exposição.

MACUNAÍMA, SHAZAN & SHERIFE, CHAPOLIN COLORADO - O HEROÍSMO LÁBIL DA AMÉRICA LATINA Valério G. Schaper (EST)

HQs de Super-Heróis brasileiros existem! Infelizmente, as diversas e variadas tentativas de aclimatar em solo brasileiro a proposta do HQs de Super-Heróis têm fracassado ao longo dos anos. Um breve exame das propostas evidencia que estas tentativas, ainda que generosas, abnegadas e apaixonadas, caracterizam-se por transferir para nomes, temas e paisagens nacionais a formato, a linguagem e a estética dos HQs de Super-Heróis norte-americanas. O foco deste ensaio está menos na reflexão sobre elementos da estética do que na concepção de idéia de heroísmo ou da imagem do herói, sobretudo no tocante ao estofo moral dos personagens. Obviamente, não interessa, nesta primeira aproximação, analisar as HQs de Super-Heróis que emulam as norte-americanas. A abordagem principia pela análise do estrutura de heroísmo construída por Mário de Andrade em Macunaíma que, como diz o subtítulo do livro, é um herói sem nenhum caráter . Na sequência analisa-se dois modelos televisivos, Shazan & Sherife (Brasil, 1972-74) e Chapolin (Méxixo, 1970-79). O último tornou-se um ícone televiso na América de fala hispana e portuguesa. A partir dos modelos de heroísmo construídos a partir destas três referências intenta-se expandir esta análise para o dilema do super-heroísmo na América Latina. Estamos condenados ao heroísmo burlesco, bufo? Há uma inconsistência moral de tal amplitude que impossibilita a fundação de valores elevados? O ensaio de reflexão intenta uma etiologia dos valores na América Latina a partir do estudo destes arquétipos em contraste com os esforços de criar HQs de super- heróis.

O PODER DA PALAVRA: MAGIA, MITO E RELIGIÃO EM SHAZAM! Iuri Andréas Reblin (EST)

O presente texto aborda as narrativas do Mago Shazam e de sua Família Marvel sob o prisma da

teologia. Por meio de uma pesquisa bibliográfica exploratória fundamentada no pensamento teológico de Rubem Alves e no conceito da teologia do cotidiano, a pesquisa tem o objetivo de identificar elementos religiosos e mitológicos das histórias da Família Marvel, verificando como esses elementos estão articulados na narrativa e constituem sua mensagem. As narrativas dos super-heróis são complexas e retratam a teia cultural e a vida social de diferentes formas. De maneira em geral, são expressões sociais daquilo que o ser humano espera e teme. A teologia e, particulamente, a teologia do cotidiano, se debruça sobre as produções culturais e visa compreender os anseios religiosos que transcendem e transgridem os espaços institucionais socialmente definidos para a vida religiosa. Nessa direção, as histórias do Mago Shazam e de sua Família Marvel, criadas por C.C. Beck e Bill Parker em 1939 são emblemáticas. É a primeira vez em que a magia e a mitologia (e, com elas, a religião) são argumentos utilizados na criação das narrativas dos super-heróis após o surgimento do Superman. O empoderamento do herói pelo divino através do pronunciamento da palavra mágica, o uso da magia e da mitologia expressam a relação entre o divino e o humano. Essa relação é retratada ora pelo mérito, ora pelo altruísmo, ora pela "pureza de coração", ora pela necessidade da fé nas divindades implicadas. O

texto conclui que a narrativa expressa, ora de forma mais nítida, ora de forma mais difusa, os anseios e

os valores sociais e o tipo de sociedade em que se vive e o tipo de sociedade em que se quer viver.

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

NAMOR NAS PROFUNDEZAS DA AXIONOMIA: O TSUNAMI QUE RESISTE À AXIOLOGIA Edmilson Marques

O objetivo com o tema proposto é contribuir com o debate sobre quadrinhos e a cultura contemporânea.

Inicialmente trataremos do contexto em que surgem os quadrinhos, uma vez que estes são expressões culturais da sociedade onde foram criados. Analisaremos a questão da cultura expressa nos quadrinhos tomando a luta de classes como referência fundamental, por ser a questão essencial da sociedade moderna, e que será, consequentemente, expressa nas histórias. Em seguida discutiremos como a luta de classes gera determinadas culturas que serão expressas nas histórias. Para esta discussão, no entanto,

destacamos um personagem das histórias em quadrinhos, Namor (O Príncipe Submarino), que surge no final da década de 30. Namor é um personagem que tem uma forte proximidade com a axionomia (expressão dos valores das classes exploradas). Mesmo sendo um personagem que é criado num mundo onde a axiologia (valores dominantes) é predominante, a axionomia expressa em suas histórias continua sendo uma força resistente à cultura dominante. As histórias de Namor sofreram mudanças profundas em seu processo histórico, que com o tempo foram sendo dominadas pelos valores dominantes. Mas a axionomia não foi extinta de suas histórias e isso pode ser notado através de uma análise rigorosa de suas múltiplas determinações. Nesse sentido, percebemos a axionomia semelhante a um tsunami, que a qualquer momento pode aparecer como uma força transformadora, porém, se encontra marginalizada, e isso pode ser notado nas histórias de Namor. Enfim, analisaremos a questão cultural como produto da luta de classes a partir do personagem Namor.

ADAPTANDO TEXTOS ACADÊMICOS PARA OS QUADRINHOS Prof.ª Esp. Danielle Jaimes (Colégio Dourado\ Colégio Decisão) Prof. MsC. Amaro Xavier Braga Júnior (UFAL\PPGS-UFPE)

O artigo apresenta uma análise de um Projeto de Extensão realizado na UFPE que objetivava a inserção

e produção de histórias em quadrinhos enquanto veículo de informação na sala de aula. Através deste estudo de caso, enfatiza a propagação da memória cultural e o exercício de uma cidadania midiatizada representativa da identidade local, mediada pelas histórias em quadrinhos através das representações sociais nelas contidas, de origem tanto imagética quanto textual. A partir de uma revisão de literatura

sobre o uso das HQ´s na sala de aula e do estudo de caso da série de revistas em quadrinhos feitas para

o uso da transmissão da memória etnohistórica com base nas revistas Passos Perdidos, História

Desenhada , retratando a presença judaica na região nordeste do Brasil, Heróis da Restauração Pernambucana sobre a formação étnica da nação e AfroHQ que procurar resgatar elementos sobre

a história e a cultura afro-brasileira e africana, todas publicadas em Pernambuco entre 2005 e 2010, defende a possibilidade da produção de quadrinhos que valorize a memória local e exerça a função informativa para escolares ao se constituir de referenciais identitários locais.

A EDIÇÃO INDEPENDENTE E OS NOVOS RECURSOS DA INFORMÁTICA Prof. Dr. Henrique Magalhães (UFPB)

Em três décadas a produção editorial independente passou da idade da pedra à era da computação. Até o final da década de 1980 era comum encontrar-se fanzines e outras publicações independentes feitos do modo mais artesanal, com os recursos analógicos mais arcaicos. A produção de textos era feita em máquinas de escrever, a impressão em mimeógrafos, além dos próprios processos produtivos e criativos, com ampla utilização de estêncil e colagem manual. A popularização das fotocópias foi o primeiro passo para a transformação do fanzine de uma edição rústica para algo que emulava as publicações profissionais, já que a ampliação e redução de originais tornou-se possível, bem como a elevação da qualidade de reprodução. Contudo, a transformação radical das publicações independentes se deu com o advento da informática. Com os computadores pessoais, a impressão a lazer e a internet finalmente se pode dar às publicações independentes todas as possibilidades criativas e materiais para a resolução de um trabalho gráfico de qualidade. A parte gráfica em si não seria suficiente para elevar o nível do fanzine de forma ampla e irrestrita. A própria transformação do processo comunicativo evoluiu com as possibilidades oferecidas pela informática, em particular pela internet. Os fanzines e demais publicações independentes beneficiaram-se com isto, não só pelo acesso às informações, mas pela capacidade de se tornar disseminador sem limite dos conteúdos produzidos.

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

O SURGIMENTO DA REVISTA GIBI

Prof. MsC. Nobuyoshi Chinen ( USP/Faculdades Oswaldo Cruz)

A revista Gibi, lançada em 1939 pela empresa jornalística O Globo, foi uma publicação editada

regularmente até os anos 1950. Ela teve diversas versões e fez tanto sucesso que o seu nome passou a designar, de modo generalizado, revista em quadrinho no Brasil. O presente trabalho tem por finalidade apresentar a história dessa revista, desde sua origem até a interrupção de sua publicação, fazendo um levantamento das principais séries publicadas e o espaço conquistado. Além do breve histórico do contexto de seu lançamento e dos modelos em que se baseou, também são destacadas as versões e formatos que vieram a consagrar a revista. Para a realização do estudo, além de pesquisa nos principais títulos disponíveis, foi efetuada uma consulta a fontes primárias, disponíveis em acervos de colecionadores e no arquivo da editora Globo, proprietária do título Gibi. O objetivo do trabalho é trazer ao conhecimento das gerações mais jovens a história de uma publicação de valor histórico inegável por trazer ao público alguns dos personagens prediletos dos leitores. A conclusão do trabalho demonstra que o modelo de revista e quadrinhos, do qual o Gibi foi um dos primeiros exemplos e o mais bem sucedido entre eles, tem norteado até hoje a fórmula de se publicar quadrinhos no Brasil.

AS RETOMADAS DO GIBI AO LONGO DAS DÉCADAS Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro

O sucesso da revista Gibi levou a que a palavra fosse incorporada à linguagem popular, passando a

designar genericamente todas as revistas de histórias em quadrinhos e a ser utilizada em títulos de publicações em campanhas de educação popular (ex: Gibi do Álcool, Gibi das Drogas, Gibi da Aids, Gibi do HIV, etc.). Após o término da revista Gibi Mensal, a editora Rio Gráfica passou a publicar uma série de títulos, com muitos dos personagens que anteriormente saiam nas revistas. As revistas com personagens únicos substituíam as revistas de coletânea, em que heróis de ficção científica conviviam

harmoniosamente com detetives orientais, aventureiros da selva africana ou super-heróis voadores. Essa situação permaneceu inalterada durante quinze anos, quando ocorreu uma tentativa para relançamento

do título Gibi, com a revista Gibi Semanal, em formato grande (30 x 40cm) e trazendo personagens como

Peanuts, Versus, Recruta Zero, Popeye, Touro-Sentado, Bronco Bill, Frank e Ernest, entre outros. A revista deu origem posteriormente à publicação Almanaque do Gibi Nostalgia, que trazia apenas personagens clássicos dos quadrinhos, e uma edição do título Almanaque do Gibi Atualidade, com personagens atuais, a maioria de origem europeia. O Gibi Semanal durou apenas 40 números, encerrando-se em 1975. Nesse mesmo ano surgiu o Gibi Mensal, com histórias de um único personagem, que durou apenas 8 números. Outras tentativas de relançamento do título ocorreram nas décadas de

1980 e 1990, mas seriam iniciativas totalmente descaracterizadas, que muito pouco tinham a ver com a publicação original. O mesmo ocorreu com o uso da marca pelo desenhista/empresário Maurício de Sousa, em publicações como Gibizinho ou Gibizão da Mônica. Depois disso, nada mais se fez em termos

de ressurgimento do título. E talvez com razão: a revista Gibi parece ter definitivamente saído da vida

para entrar na história.

UMA TRAJETÓRIA COMUM: ROBERTO MARINHO E O GIBI Prof. Dr. Paulo Ramos

As biografias sobre Roberto Marinho (1904-2003) costumam reservar poucas linhas, quando muito, ao

relembrar o papel do empresário no processo de difusão e consolidação dos quadrinhos no Brasil. O editor foi um dos protagonistas no processo de trazer para o Brasil os comics norte-americanos. Ao mesmo tempo, o material importado ajudou a firmar as empresas de comunicação de Marinho, entre as quais se destaca o jornal O Globo, do Rio de Janeiro. Esta comunicação procura fazer uma rápida

biografia de Marinho sob a ótica do editor de quadrinhos que foi e que é ofuscada pelas outras atuações profissionais do empresário. Um roteiro de vida que teve na revista Gibi um de seus primeiros sucessos

no setor.

MINI-CURSOS

Mini-Curso 1

O PRAZER E O DESAFIO DE TRADUZIR TIRAS CÔMICAS

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

Responsável: Profª Doutoranda Alessandra Matias Querido UnB (Doutoranda em Teoria Literária, mestre em Linguística Aplicada e bacharel em Letras-Tradução (Inglês) pela Universidade de Brasília. Atualmente, professora substituta de Tradução, também na UnB) Descrição: O objetivo do presente mini-curso é realizar uma oficina de tradução de tiras cômicas. Serão propostas diferentes estratégias (domesticação e estrangeirização) de tradução e, em seguida, discutiremos as possíveis implicações do caminho escolhido. Além disso, analisaremos quais aspectos pictóricos e lingüísticos, além de culturais, podem afetar as escolhas do tradutor, uma vez que é necessário que haja coerência entre imagem e texto. Durante o mini-curso, primeiramente, será explicado o que são estratégias de tradução, bem como o conceito de domesticação e estrangeirização. Logo após, os participantes terão a oportunidade de traduzir duas tiras cômicas, do inglês para o português, utilizando as estratégias citadas, e, em seguida, relatar os aspectos observados no processo de tradução. Também será realizada uma análise de uma tradução do português para o inglês, com o objetivo de ressaltar a relação entre imagem, texto e cultura e suas implicações para a tradutor. Carga Horária: 04 horas

Mini-Curso 2 CRIAÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS EM ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO Responsável: Prof. Dr. Alberto Ricardo Pessoa (UFPB) Descrição: O objetivo deste curso é apresentar propostas pedagógicas de natureza interdisciplinar para o ensino de histórias em quadrinhos em escolas de ensino médio, com o intuito de complementar as atividades pedagógicas que o docente já realiza em sala de aula. O curso abrange desde concepção do uso das histórias em quadrinhos em sala de aula, implementação, dificuldades e resultados de experiências voluntárias como o projeto mamute, projeto calango entre outros. Dentre os pesquisadores que irão embasar o curso podemos citar Paulo Ramos, Will Eisner e Waldomiro Vergueiro. Dentro dessa linha de pensamento o curso se propõe a estabelecer conceitos técnicos e teóricos que propiciem a conjectura de um curso voluntário na educação básica. Carga Horária: 04 horas

Mini-Curso 3 STORYBOARD: DO TEXTO À IMAGEM Responsável: Prof. MsC. Marcos Buccini (UFPE)

Descrição: O storyboard é uma importante ferramenta no processo de produção de qualquer obra audiovisual. Através de seus quadros desenhados pode-se pré-visualizar o resultado final a ser filmado ou animado. A oficina irá abordar a importância desta prática e seus detalhes técnicos, além de conceitos de desenho e linguagem gráfica e cinematográfica. Após a apresentação de toda a teoria, serão analisados alguns roteiros e os alunos poderão por em prática o conhecimento adquirido. Conteúdos abordados:

composição visual; linguagem cinematográfica; e montagem cinematográfica Carga Horária: 08 horas.

Mini-Curso 4 AUTOBIOGRAFIAS DE MULHERES NOS QUADRINHOS: RELATOS E IMAGENS COMO AFIRMAÇÃO DE IDENTIDADES Responsável: Profa. Ms. Daiany Ferreira Dantas (UFPE)

Descrição: A proposta deste mini curso é analisar a trajetória das mulheres que fazem autobiografia em quadrinhos, revisitando obras de referência desde os anos 60, quando este gênero se limitava às fronteiras do underground, até chegarmos à situação de visibilidade que esta sorte de quadrinho desfruta no contemporâneo, em novelas gráficas reconhecidas pela crítica especializada, tais como Persépolis, Fun Home e Mas ele diz que me ama. Desta forma, refletindo sobre as suas estratégias de produção cultural das mulheres e investigando se os seus testemunhos pessoais, com o atributo de verdade, atuariam na construção de identidades de gênero. Conteúdo: 1ª parte: 1. As mulheres na produção de HQs. 2. História cultural das Autobiografias de mulheres, dos anos 60 aos dias de hoje: temas e contextos. 2ª parte: 1. A questão de gênero nas HQs visibilidade e invisibilidade das mulheres na indústria dos quadrinhos. 2. Estudos de caso: a questão da agência e da subjetividade. Carga Horária: 08 horas.

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

GRUPOS DE TRABALHO

GT01 - PESQUISA, ENSINO E QUADRINHOS Coordenação: Profª. Drª. Valéria Fernandes (FTBB/DF) e Profª. Natania Nogueira (Rede Municipal de Ensino de Leopoldina/MG)

"Material nascido dentro da cultura popular, os quadrinhos foram depreciados como fonte de estudos ou material digno de atenção nos cursos universitários, fora os preconceitos promovidos especialmente a partir dos anos 1950 com a publicação nos Estados Unidos do livro A Sedução dos Inocentes, de Frederick Wertham, que deixaram os quadrinhos marcados como material prejudicial aos jovens e crianças. Sendo assim, muitos dos primeiros trabalhos acadêmicos sobre e com quadrinhos tinham como objetivo ressaltar o seu caráter prejudicial. A promoção dos trabalhos com quadrinhos sem serem marcadas por uma nota pessimista, que muitas vezes obliterava a análise do material e da sua importância histórica e cultural, demorou muito a se tornar regra dentro dos ambientes acadêmicos internacionais. Nos últimos anos, entretanto, os quadrinhos foram promovidos a objeto de estudo nas universidades brasileiras, e, antes marginalizada, a Nona Arte vem sendo assunto de trabalhos e eventos acadêmicos nacionais e internacionais. Antes quase restrita aos cursos de Artes e Comunicação, hoje as pesquisas com HQs se espalham por diversas áreas do conhecimento e vêm possibilitando intensa interdisciplinaridade, além de um diálogo com a cultura pop tão presente nas mais diversas mídias. A proposta do nosso grupo de trabalho é mapear as pesquisas com HQs comics, mangás, bande desinée, fumetti, gibis, etc. em nosso país, priorizando o uso dos quadrinhos como fonte, assim como as experiências pedagógicas com quadrinhos em sala de aula ou em projetos educacionais." Objetivos do GT:

1. Mapear acadêmicas as pesquisas com quadrinhos no Brasil.

2. Discutir o uso de HQs em sala de aula e projetos pedagógicos no país.

3. Discutir as possibilidades e limites das pesquisas acadêmicas com quadrinhos no Brasil.

4. Levantar propostas para os próximos encontros nacionais.

GT02 - SUPER-HERÓIS EM PERSPECTIVAS INTERDISCIPLINARES Coordenação: Prof. Dr. Nildo Viana (UFG) e Prof. Ms. Iuri Andréas Reblin (EST)

Os super-heróis se consolidaram como personagens típicos da cultura da era contemporânea. Originários

das histórias em quadrinhos, esses personagens conquistaram leitores e invadiram outras mídias tais como

a televisão, o cinema, sem mensurar a quantidade de produtos licenciados que têm movimentado bilhares

de dólares ao redor do globo. Típicos dos Estados Unidos, sua influência em outros países motivou a criação de personagens nacionais e apontou para um possível arquétipo universal . Desde o início, os super-heróis também foram alvos de debates entre teóricos, educadores, pais, que se preocuparam tanto

com o impacto negativo do conteúdo de suas histórias quanto sobre as possibilidades para se compreender

a sociedade contemporânea. Estes debates moldaram uma visão ambígua de suas histórias. Diante desse

cenário plural e complexo, o Grupo de Trabalho Super-heróis em perspectivas interdisciplinares tem o objetivo de lançar um olhar sobre esse fenômeno cultural numa perspectiva interdisciplinar, a fim de delinear um quadro que dê conta dos diversos aspectos (sociais, culturais, religiosos, ideológicos, éticos,

políticos, comunicativos) que compreendem a constituição desses personagens e de suas histórias. Portanto, este Grupo de Trabalho convida professores e professoras, pesquisadores e pesquisadoras, estudantes, para apresentarem seus trabalhos sobre super-heróis e suas histórias em diversas mídias

(filmes, quadrinhos, séries de tv) a partir de perspectivas das áreas das ciências humanas (sociologia,

das ciências sociais aplicadas (comunicação,

arte,

antropologia, educação, teologia, filosofia, psicologia,

)

)

ou ainda dos estudos culturais ou dos estudos literários.

GT03 - HISTÓRIA, QUADRINHOS E CULTURA POP: REPRESENTAÇÕES DO PASSADO, IMAGINÁRIO E ENSINO Coordenação: Prof. Msc.Ivan Lima Gomes (UEG/UFF)

A proposta deste Grupo de Trabalho é agregar o conjunto de trabalhos preocupados em estabelecer conexões e diálogos entre histórias em quadrinhos, cultura pop e as abordagens ligadas ao saber histórico. Pretende-se aqui reunir pesquisas voltadas para as diversas formas de interação possíveis entre elas, dentre as quais destacamos: as possibilidades do seu uso como fonte para a pesquisa histórica; a relação

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

entre produção artística/industrial e seus respectivos contextos sociais de origem; as formas de representação de períodos passados na cultura pop e nos quadrinhos, destacando-se a dinâmica presente/passado, o humor e o engajamento do autor a mediar estas representações, por exemplo; e também as possibilidades do uso destas novas mídias em aulas de História a partir de suas especificidades estéticas. A reflexão acadêmica sobre mídia, quadrinhos e cultura pop expandiu-se significativamente nos últimos anos em áreas diversas como Comunicação, Letras e Pedagogia. A História também acompanha esta tendência, ainda que percebamos uma tendência geral à dispersão, com algum carência de centros especializados no seu estudo ou de grupos de trabalho dedicados ao tema em congressos e simpósios. Consideramos ser esta proposta de Grupo de Trabalho uma tomada de posição diante do estado atual das pesquisas preocupadas em compreender historicamente estas mídias, contribuindo assim para maior integração e difusão de pesquisas ligadas a esta área do conhecimento.

GT 06 - REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NOS QUADRINHOS, DESENHOS ANIMADOS E RPG´S Coordenação: Prof. MsC. Amaro Xavier Braga júnior (UFAL/PPGS-UFPE) e Prof. MsC. Marcos Buccini (UFPE)

O GT tem o objetivo de reunir pesquisas que analisam as estruturas sociais e sua dinâmica de transmissão nas HQ´s, nos Desenhos Animados e nos Jogos de RPG. Propõe-se a receber estudos que privilegiem as trocas simbólicas, representações do imaginário social, cultural e político e os padrões arquetípicos e reproduções de estereótipos presentes nestas mídias. Estudos sobre Gênero e Sexualidade, Família, Raça , Preconceito, Discriminação, Violência e Relações de Poder nestas mídias ou em seus padrões intersemióticos ou em estudos comparativos. Artigos que analisem os processo de reafirmação de valores sociais ligados aos padrões sexuais, familiares, de trabalho e identidade étnica (ou racial ) ou críticas e estudos pós-coloniais e a perpetuação dos estereótipos de discriminação relacionadas às caracterizações de personagens, às visões de mudo dos desenhistas, editores e produtores dos quadrinhos, desenhos animados e jogos de RPG com seus leitores\consumidores.

Artigos nos Grupos de Trabalho

GT01 - Pesquisa, ensino e quadrinhos

Coordenação: Profª. Drª. Valéria Fernandes (FTBB/DF) e Profª. Natania Nogueira (Rede Municipal de Ensino de Leopoldina/MG)

SESSÃO 1 | 30\07 | Sala 1 | 10h00 11h00

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS EM SALA DE AULA: LER PARA QUÊ? Adriana Letícia Torres da Rosa (UFPE) José Batista de Barros (UVA)

Diante da importância do ato de ler como forma de participação cidadã, bem como da necessidade da formação de leitores que passeiem compreensivamente e dialogicamente pela diversidade de gêneros textuais, este trabalho tem como propósito apresentar uma discussão a respeito do estudo do gênero história em quadrinhos no ensino-aprendizagem de língua materna. O estudo insere-se nas perspectivas teóricas que vislumbram a linguagem como forma de interação social, conforme Teoria dos Gêneros do Discurso bakthiniana. Em março de 2011, entrevistamos 10 professores de língua portuguesa, Educação Básica, a fim de identificar as abordagens pedagógicas utilizadas nas atividades de leitura do referido gênero. Os resultados apontam para o fato dos quadrinhos serem bastante presentes na sala de aula, contudo, seu potencial como mediador de leitura deleite associada à crítica precisa ser mais trabalhado.

A LEITURA ESTUDO DO TEXTO: HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NO LIVRO DIDÁTICO DE PORTUGUÊS Adriana Letícia Torres da Rosa (UFPE) José Batista de Barros (UVA)

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

Na perspectiva do letramento, a leitura é uma prática social de uso da escrita pela qual a interlocução compreensiva e ativa de sujeitos, autor-leitor, é mediada pelo texto. Os leitores valem-se da leitura com objetivos diversos, tais como buscar informações, realizar atividades, documentar-se, estimular a imaginação, e, ação muito presente na academia, estudar o texto. Nesse contexto, filiando-se à Teoria dos Gêneros do Discurso de Bakhtin (1979), este trabalho tem como objetivo apresentar como as histórias em quadrinhos são abordadas nas atividades de leitura estudo do texto dos livros didáticos de português do Ensino Fundamental. Para tanto, analisamos, em três coleções do 6º ao 9º ano, os exercícios de compreensão e interpretação de textos voltados para esse gênero. Metodologicamente, identificamos todos os gêneros trabalhados na referida seção, fazendo um contraponto com o HQ. Posteriormente, apontamos o tratamento teórico-metodológico subjacente ao enfoque dado à leitura do gênero. Trabalho em co-autoria com a professora doutora Adriana Letícia Torres da Rosa (UFPE).

AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS EM PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Patrícia Cristina de Aragão Araújo (UEPB) Doutora em Educação. Letícia Rameh Barbosa (FASHO/FASC) Doutora em Educação. Isabel Cristina Ferreira (IPDI) - Esp. em PROEJA-IFPE, Esp. em Psicopedagogia - FACHO

Neste artigo, discutimos acerca das possibilidades pedagógicas contidas nas linguagens das histórias em quadrinhos enquanto recurso didático em processos educativos escolares, através da aula oficina na Educação de Jovens e Adultos. Nossa proposta é mostrar que os quadrinhos, como uma forma de arte, apresentam, um potencial educacional, que possibilita o incentivo às práticas de leitura e escrita nesta modalidade de ensino. A aula oficina instrumentaliza uma ação pedagógica, que quando trabalhada através dos quadrinhos, motiva no cotidiano da sala de aula, que educandos/as, possam a partir da linguagem lúdica e criativa dos quadrinhos, em seus textos escrito e visual, elaborar uma interpretação do mundo vivido e da realidade da qual fazem parte, contribuindo assim, para uma aprendizagem significativa e movedora de sentidos no contexto da escola. Como referencial teórico norte neste estudo, trabalhamos a partir das perspectivas de Freire (2002), Barca (2004), Loch et al (2009), O´Sullivan ( 2000), Certeau (1994) e Sacristan (2004). Nosso arcabouço metodológico está ancorado nos saberes produzidos por Franco (2004) e Aumont (1993). Este estudo nos permitiu compreender, que o uso dos quadrinhos na educação de jovens e adultos, permite que a partir de uma linguagem educativa facilitadora da aprendizagem, contribua nas práticas de leitura e escrita, através de um fazer pedagógico, centrado numa ação dialógica, conscientizadora e contextualizadora. Palavras-chave: História em Quadrinhos. Educação de Jovens e Adultos. Leitura. Escrita.

REFLEXÃO QUADRO A QUADRO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO TEXTUAL EM HQs Elaine da Silva Santana (UFPE) Graduandos em Letras Português/Espanhol

Enquanto bem cultural, a Banda Desenhada (BD) - em especial as Histórias em Quadrinhos do tipo Aventura - já conquistou um enorme público tanto jovem quanto adulto. Compreendendo a escola como lugar privilegiado para o desenvolvimento da reflexão e da aprendizagem, acreditamos que trazer para a sala de aula algo que seja do repertório de gostos do aluno é um meio eficaz de instigar nesse a necessidade e o interesse de questionar, bem como de participar ativamente do processo de ensino- aprendizagem. Nosso trabalho pretende mostrar como as HQs do gênero aventura podem ser levadas para aulas de Língua Portuguesa e Literatura. Para tal, exploraremos os elementos exigidos em sua leitura, aproximando-os de conteúdos tradicionalmente abordados nas citadas disciplinas, e ainda refletiremos a respeito das possibilidades de reflexão sobre a sociedade que as HQs proporcionam. Nossa visão atinge ainda a disciplina de Artes Plásticas, encarando não só a BD como expressão artística, mas também seu diálogo com outras formas de arte.

SESSÃO 2 | 30\07 | Sala 1 | 11h00 12h00

PROJETO MAMUTE: UM ESTUDO DE CASO DE ENSINO DE HISTÓRIA EM QUADRINHOS COMO AÇÃO VOLUNTÁRIA EM ESCOLA PÚBLICA Alberto Ricardo Pessoa (UFPB)

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

Doutorado em Letras (Universidade Mackenzie) Mestre em Artes Visuais (UNESP) Licenciatura Educação Artística. Professor da UFPB.

O objetivo deste artigo é apresentar um estudo crítico de um estudo de caso de uma proposta de ensino

voluntária em uma escola pública de 1º e 2º graus, abrangendo desde concepção da proposta, implementação, dificuldades e resultados obtidos. Desenvolvendo os resultados apresentados na dissertação de mestrado entitulada Quadrinhos na educação: Uma proposta didática na educação básica, consideramos que o estudo de caso necessita de uma revisão crítica e apontamentos pedagógicos de pesquisadores como Waldomiro Vergueiro, Paulo Ramos e Will Eisner. Dentro dessa linha de

pensamento, este artigo se propõe a estabelecer conceitos técnicos e teóricos que propiciem a conjectura

de um curso voluntário na educação básica.

ENTRE AS PRÁTICAS E SABERES DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: LEITURAS DE INCLUSÃO EDUCACIONAL NO ENSINO FUNDAMENTAL Patrícia Cristina de Aragão Araújo(UEPB), Doutora em Educação Maria Lindaci Gomes de Souza (UEPB), Drª em Educação (UFRN), Profª Dep. de História (UEPB). Maria Aparecida Barbosa Carneiro, Departamento de Serviço Social (UEPB) Silvano Fidelis de Lira (UEPB), Graduando em História

As histórias em quadrinhos, enquanto mídia e artefato cultural, consistem num significativo ambiente de aprendizagem, sobre as questões relativas ao mundo social, entre as quais aquelas atinentes à educação escolar. Na contextura da escola, o quadrinho enquanto espaço educativo possibilita que docentes e alunos, trabalhem através de eixos temáticos, a inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais, chamando atenção a partir do contexto da aula, sobre a importância de perceber os sujeitos educativos, pessoas com deficiência. Visto por este modo, os quadrinhos educam, numa perspectiva que pode motivar uma ação pedagógica inclusiva visibilizando sujeitos que muitas vezes são excluídos no espaço escolar. Este artigo discute sobre a educação inclusiva na perspectiva de pessoas com necessidades educativas especiais nas histórias de quadrinhos da Turma da Mônica, a partir de análise de personagem que representa criança com deficiência visual. Nossa proposta é mostrar que existe uma pedagogia dialógica na arte dos quadrinhos, e esta ação educativa permite fazer leituras sobre a realidade social e que pode na aula, entre turmas de ensino fundamental, ser incluída como conteúdo de aprendizagem. Nos ancoramos teoricamente a partir dos estudos de Freire (2002), Sousa Santos (2009), Bauman (2001), Cuche (2002) e Chartier (2002), na qual embasamos nossa análise. Trabalhamos os quadrinhos na abordagem da análise de conteúdo com base nas proposições enfatizadas por Franco (2004) e Aumont (1993), propiciando perceber como os conteúdos e as imagens veiculadas nos quadrinhos nos permite compreender como estes abordam a questão em torno da educação inclusiva e dos direitos humanos e sociais.

POSSIBILIDADES DE USO DOS QUADRINHOS EM AMBIENTE ESOCLAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA Natania Nogueira Professora da Rede Municipal de Ensino Básica Leopoldina (MG)

As histórias em quadrinhos são uma mídia que tem ganhado espaço cada vez maior entre o meio escolar.

Embora ainda seja recebido com certa desconfiança pelos professores do ensino fundamental II e pelo ensino médio, seu uso como instrumento complementar de ensino e a forma como atrai os estudantes para

o mundo da leitura tem rendido boas experiências de trabalho. Na presente comunicação pretendemos

expor alguns dos resultados do nosso trabalho com quadrinhos em uma escola que atende da educação infantil ao ensino fundamental II, realizado por meio de uma gibiteca, cuja implementação teve início no

ano de 2007.

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: MEDIANDO A BUSCA PELA SUPERAÇÃO DO TRADICIONALISMO Gil Anderson Ferreira Silva (UFPI) Josélia Saraiva e Silva (UFPI)

Nesta produção trabalhamos com a perspectiva de contribuir para a valorização de ferramentas didáticas não convencionais, mais especificamente as histórias em quadrinhos, nas aulas de geografia. Nosso propósito é apresentar e discutir o potencial das HQs enquanto recurso didático, bem como a aplicação desse recurso nas aulas da Educação Básica. Apresentamos também, a título de exemplificação, os relatos de experiência de professores de geografia que fizeram uso desse recurso em sala de aula. Como

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metodologia utilizamos a revisão de literatura e analise dos relatos de experiência produzidos pelos professores. Constatamos que o uso de quadrinhos pode melhorar a assimilação de conteúdos geográficos pelos alunos. Então, os gibis podem auxiliar os docentes de geografia a ministrarem conteúdos dessa disciplina.

SESSÃO 3 | 31\07 | Sala 1 | 10h00 11h00

ÂNGELO AGOSTINI E A EDUCAÇÃO PELA ABOLIÇÃO NO SEGUNDO REINADO DO IMPÉRIO DO BRASIL Thiago Vasconcellos Modenesi Licenciado em História (UFPE), Esp. em Ensino de História (UFRPE) e Mestrando em Educação (UFPE)

Nosso trabalho estuda a formação da corrente abolicionista no contexto do Segundo Reinado do Império brasileiro. Para fazê-lo parto do que se conhece sobre a escola pública da época, que era voltada para a minoria enquanto a maior parte da população continuava analfabeta. Tendo essa informação quero levantar elementos comprobatórios de que se educava além do espaço escolar formal. Entendo a formação

do ideário abolicionista como um processo educativo, algo que contagiou parte da elite da época, que teve

contato com ideias vindas da Europa e o fim do trabalho escravo no restante do mundo, para os mais humildes e alijados da Corte, tornando-se um movimento que envolveu larga parcela do povo. Encaro a Revista Illustrada como uma publicação que, pela longevidade, circulação ampla e presença de imagens cumpriu essa função, ela será a fonte de nossa pesquisa. Foi publicada durante vinte e dois anos do

Império do Brasil. Seu editor, Ângelo Agostini, foi importante no fortalecimento das ideias da abolição

no Brasil, seus desenhos foram um marco artístico e eram entendidos desde o mais letrado até o mais

humilde. Agostini era um ativista da abolição, sua obra teve o peso de muitas vozes, repercutiu em vários órgãos da imprensa imperial e dos defensores daquele modo de governar e, como consequência, de se manter a escravidão, pilar do Império. Tratava-se de uma revista cujo conteúdo atingia à população não letrada, dividia espaço meio a meio as charges/histórias em quadrinhos e os textos: quatro páginas para cada. Tal interesse se dava pela soma das imagens com a presença de demais elementos atrativos na revista como poesias, charges, críticas e textos literários. O conjunto do que foi produzido nas charges e histórias em quadrinhos do século XIX na fonte analisada era de caráter contestador, com críticas evidentes ao status quo, com posição ideológica clara e expressa em defesa da abolição, analiso o publicado na Revista a partir das teorias de Norbert Elias. Mostro essa relevância e insiro esse debate no contexto da fase final do Segundo Reinado do Império, tendo como marco histórico a fase mais desgastante para o Governo na Guerra do Paraguai.

METAFICÇÃO HISTORIOGRÁFICA E SHOUJO MANGÁ: UM OLHAR FEMINISTA SOBRE A ROSA DE VERSALHES Valéria Fernandes da Silva Graduação e Mestrado em História Social (UFRJ), Doutorado em História (UnB)

No Ocidente os quadrinhos têm mantido um diálogo intenso com a História que é utilizada como pano de fundo, recurso para a ação e fonte de inspiração. No Japão não é diferente. No caso do quadrinho feminino, ou shoujo mangá, a Rosa de Versalhes, de Riyoko Ikeda, inovou ao entrelaçar história e literatura para narrar os acontecimentos da vida de duas mulheres, a rainha Maria Antonieta e Oscar François de Jarjayes, uma moça criada como homem e que se torna chefe da guarda real, tendo como fundo os acontecimentos dramáticos que conduziram à Revolução Francesa. A série foi um marco cultural dentro da história dos quadrinhos japoneses, influenciando obras posteriores, seja na construção ficcional da História, ou nas discussões dos papéis de gênero. Em nosso artigo pretendemos discutir o caráter didático quadrinho, que percebemos como um tipo de literatura, como veículo de transmissão da História Ocidental para as adolescentes japonesas e discussão da inserção das mulheres no mercado de trabalho e de questões sociais urgentes, como as demandas feministas.

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: POSSIBILIDADES E PERSPECTIVAS DO FAZER PEDAGÓGICO NO ENSINO DE HISTÓRIA Silvano Fidelis de Lira (UEPB), Graduando em História Patrícia Cristina de Aragão Araújo (UEPB), Drª em Educação Maria Lindací Gomes de Souza (UEPB), Drª em Educação (UFRN), Profª Dep. de História (UEPB).

O ensino de História é um ambiente de aprendizagem que utiliza de variadas formas de materiais

didáticos para o seu fazer-se, junto a isto se somam novos personagens, novas abordagens e novas fontes

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e nesta perspectiva, a utilização das Histórias em Quadrinho (HQ). Este trabalho busca fazer reflexões, diagnosticar problemas e propor algumas questões quanto ao uso de (HQ) e sua utilização no ensino de História. A metodologia empregada busca investigar em escolas públicas se existe a utilização das HQ e a sua receptividade em meio aos professores e alunos. É preciso, contudo perceber quais as barreiras encontradas para a sua utilização como material pedagógico, a partir disso objetiva-se traçar possibilidades para a utilização das HQ nas aulas de História, propondo possibilidades para a sua abordagem como linguagem acadêmica.

MODALIDADE DE USO DE CHARGES E CARTUNS NO ENSINO DE HISTÓRIA NA ESCOLA PÚBLICA Maria Lindací Gomes de Souza (UEPB), Drª em Educação (UFRN), Profª Dep. de História (UEPB). Patrícia Cristina de Aragão Araújo, Drª em Educação Maria Aparecida Barbosa Carneiro, Profª Departamento de Serviço Social (UEPB) Silvano Fidelis de Lira (UEPB), Graduando em História

Nosso interesse em estudar as charges e cartuns, surgiu por um fato que nos chamou a atenção, no cotidiano da sala de aula da escola pública. A constatação da baixa utilização de novas linguagens na prática e ensino de História, nas quais se destacam o uso cômico representado pelos registros em jornais e livros didáticos. Justificamos a importância do uso do aspecto risível, satírico e irônico como uma potencialidade a ser apropriada através de temáticas no contexto da sala de aula, pelo seu potencial informativo enquanto fonte visual assim como compreender a sua natureza discursiva, o seu sentido dialógico e, portanto socialmente construído enquanto documento visual, e perceber suas possibilidades de uso no ensino de História.

SESSÃO 4 | 31\07 | Sala 1 | 11h00 12h00

A EMERGÊNCIA DE UM NOVO PERFIL DE CONSUMIDOR DE QUADRINHOS NO BRASIL? Lucas de Sousa Medeiros (UFU)

Dentre os pesquisadores de quadrinhos no Brasil, muitos apontam uma mudança no público leitor de quadrinhos. Diversos fatores viriam a contribuir para isso, o envelhecimento dos leitores, a elitização dos títulos, a segmentação dos consumidores com o aumento da oferta de gêneros, todavia as categorias básicas de leitor ainda se aplicam, a dos leitores ocasionais e dos constantes. O movimento alardeado de quadrinhos às livrarias e os novos modelos de produção característicos deste novo decênio, de tiragens modestas com maior valor embutido, só se tornou possível com a mudança nos hábitos de compra dos leitores? Se sim, que mudanças foram estas e no núcleo de que grupo elas se instalaram? Partindo das questões levantadas a proposta deste artigo é problematizar o valor dos quadrinhos dentro do universo simbólico dos leitores e como este seria capaz de justificar não só a compra de materiais elitizados como incentivá-la. Para tanto utilizaremos o conceito forjado por Agnelo Fedel de iconográfilos e a partir deste buscar pensar o papel do formato das publicações como um elemento de diferenciação não apenas do produto, mas também de seus consumidores. Esta lógica estaria sujeita a emergência de narrativas justificatórias mais complexas advindas da supervalorização de elementos até então relegados a segundo plano na figura de quadrinhos como um entretenimento pouco elaborado.

ENSINO, QUADRINHO E MITOLOGIA, TUDO A VER? Wanessa Rayzza Loyo da Fonseca Marinho Vanderlei (UFPE) Graduanda em Letras/Português e Bacharelado em Literatura

Os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), baseados nas concepções bakhtinianas, estabelecem que o ensino de língua portuguesa deve ter como base o estudo de diferentes gêneros discursivos. Visando proporcionar ao aluno o acesso ao universo textual que circula socialmente, permitindo, com isso, ao aluno produzi-lo e interpretá-lo. Um dos gêneros que está, cada vez, mais difundido mundialmente é o HQs. Todavia esse gênero ainda é tratado de forma preconceituosa, dentro e fora da sala de aula, por parte de algumas esferas sociais que o consideram como um gênero menor ou só destinado aos leitores iniciantes. Defendemos neste trabalho a concepção da HQ como suporte pedagógico para o professor, não somente nas aulas de língua portuguesa, mas para todas as outras disciplinas do currículo educacional. Para isso, analisaremos a HQ, ou como defende Will Eisner (2005), a arte sequencial Olympus(2005) de

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Geoff Johns e Kris Grimminger com ilustrações de Butch Guice, discutindo a importância dele para o ensino e aprendizagem da mitologia e, consequentemente, a formação do aluno.

HEROES, ELETRICIDADE E BENJAMIN FRANKLIN: O USO DE UMA HQ EM AULAS DE FÍSICA DO ENSINO MÉDIO Paloma Nascimento dos Santos (SEE\PE) Mestre em Química Analítica (UFRPE), Profª de Química e Física da Secretaria de Educação do Estado

de PE SEE

A série Heroes conta a história de um grupo de pessoas aparentemente comuns, mas que tem habilidades

especiais que são utilizadas para evitar desastres. Foi exibida entre os anos de 2006 e 2008 e possui um site intitulado 9th Wonders , um fansite com diversas informações, dentre elas a presença de histórias em quadrinhos com personagens paralelos ao universo de Heroes, mas com as habilidades especiais características dos personagens. As Histórias em quadrinhos (HQ) têm encontrado bastante espaço no Ensino de Ciências. Estão disponíveis na literatura propostas que utilizam charges e histórias comerciais em sala de aula, bem como sugestões de atividades em que os próprios alunos se envolvem na elaboração. As HQs se mostram, assim, um importante aliado para a contextualização e ensino das Ciências Naturais. Partindo desse princípio, utilizou-se uma história em quadrinho da série Heroes que tinha como argumento um episódio da História da Eletricidade em uma turma de Física do Ensino Médio. A atividade foi aplicada em uma turma do terceiro ano do ensino médio, composta por 35 alunos da Escola Estadual Eneida Rabello, localizada em Pernambuco. Dividiu-se a intervenção em três momentos. No primeiro momento, os alunos realizaram a leitura da HQ Heroes, Uma Lição de Eletricidade , que retrata de forma ficcional o episódio do suposto experimento de Benjamin Franklin para definição da natureza elétrica de raios, utilizando uma pipa. Após a leitura, os alunos discutiram os aspectos físicos e fictícios presentes na HQ. Para o segundo momento, a turma foi dividida em equipes e realizaram uma pesquisa para avaliar os seguintes aspectos: biografia de Benjamin Franklin, situação histórico-social da época, visão de ciência da época e a veracidade da realização do experimento por Franklin, utilizando para isso um conjunto de artigos históricos sobre o tema. Após a discussão com o grande grupo, no terceiro momento, os alunos foram incentivados a reescrever um roteiro para um novo episódio de HQs, utilizando a mesma temática e procurando integrar os conceitos físicos e históricos discutidos. Os alunos elaboraram fanzines, charges, histórias curtas e roteiros, que foram socializados em momento posterior. A atividade colaborou para apresentar sentido ao estudo de eletricidade no Ensino Médio, muitas vezes, apenas matemático e descontextualizado, e serviu como ponto motivador e de envolvimento para os alunos, a partir do uso de histórias em quadrinhos.

MANGÁ: DE EXPRESSÃO NIPÔNICA A FENÔMENO GLOBAL Taís Marie Ueta (UFMT), Mestranda em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO-UFMT); Yuji Gushiken (UFMT), Prof. Dep. de Com. Social e do Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO-UFMT)

O mangá, quadrinho japonês, ganhou a condição de produto da cultura internacional popular, em especial

junto ao segmento jovem, ao expandir-se no mercado global. O alcance mercadológico e simbólico do

mangá em hipótese, deve-se às diferenças conceituais com relação aos quadrinhos ocidentais, entre elas

ao retratar o imaginário da cultura japonesa em sua dimensão dramática e com uso de variadas formas de narrativa. A caracterização visual do mangá evoca uma já histórica dimensão imagética dos processos

comunicacionais na cultura japonesa, o que inclui a tradição da escrita. De modo comparativo, busca-se analisar o mangá no que ele se diferencia dos quadrinhos ocidentais: a atenção ao detalhe, amplitude em possibilidades de diagramação e principais caracterí­sticas psicológicas dos personagens. Narram-se também as formas e as dinâmicas diferenciadas de produção do mangá no contexto socioeconômico e polí­tico japonês. Destaca-se também como a convergência midiática entre televisão e internet impulsionou o alcance global do mangá como fenômeno editorial a partir da segunda metade do século

XX.

ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ENSINO DAS ARTES VISUAIS, O PROJETO O PRAZER DA ARTE E O CURSO DE EXTENSÃO EM HISTÓRIAS EM QUADRINHOS Fábio Tavares da Silva (URCA), Graduando Artes Visuais Fábio José Rodrigues da Costa, (URCA), Prof. Dep. de Artes Visuais da URCA.

A partir do Estágio Supervisionado em Ensino das Artes Visuais II do Curso de Licenciatura Plena em

Artes Visuais foi proposto a realização do Projeto O Prazer da Arte objetivando desenvolver ações

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

educativas nas diferentes expressões das Artes Visuais em parceria com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino da Arte NEPEA voltado a estudantes de escolas públicas e privadas da cidade de Juazeiro do Norte Ceará e regularmente matriculados no Ensino Médio. Este trabalho apresenta a experiência com o ensino de História em Quadrinhos uma linguagem artística que pode, deve e é necessária ser experimentada no ambiente formal da escola e em outros espaços de educação não formal. O curso objetivou proporcionar aos participantes o conhecer, o ler, o interpretar e o experimentar as etapas de produção de uma HQ no período de 14 a 25 de março de 2011.

GT02 - Super-heróis em perspectivas interdisciplinares

Coordenação: Prof. Dr. Nildo Viana (UFG) e Prof. Ms. Iuri Andréas Reblin (EST)

SESSÃO 1 | 30\07 | Sala 2 | 10h00 11h00

NO CAMINHO ERRANTE DA ESCURIDÃO: ANÁLISE DA HQ THE PRO COMO MODELO CONTRA-HEGEMÔNICO DE SUPER-HEROÍNAS Luciana Zamprogne Chagas (UFES) Bacharel e Mestranda em Ciências Sociais

Esse artigo se propõe a discutir a ideologia individualista - no sentido de Louis Dumont - da sociedade moderna e a possibilidade dos desvios e divergências que a dinâmica cultural da sociedade ocidental permite criar. A ideia defendida é que, pela plasticidade e dinamização da mudança nos discursos hegemônicos, os outsiders podem, sim, tornarem-se novos ícones ou, minimamente, fazer sucesso. A pesquisa centra-se em mulheres (des)enquadradas das HQs, na perspectiva de serem modelos contra- hegemônicos que corroboram dessa hipótese. A partir do universo fantástico dos super-heróis o recorte empírico se dará no quadrinho The Pro escrito por Garth Enis e originalmente publicado pela Image Comics, que conta a história de uma prostituta que, por acaso do destino, vira super-heroína. Além de ser uma paródia sobre os super-heróis mais famosos da DC Comics, chama a atenção pelo sucesso de vendas que obteve, pois, apesar de ter apenas 1 revistinha, foi reimpressa diversas vezes e ganhou até versão em capa dura.

ESTRATÉGIAS DE METAFICÇÃO EM NARRATIVAS DE SUPER-HERÓI Cláudio Clécio Vidal Eufrausino (UFPE) Jornalista, Mestre em Comunicação e Doutorando em Teoria Literária

O objetivo deste trabalho é discutir como elementos das narrativas de super-herói, como super-poderes, identidade secreta, paralelismos de tempo e espaço e crises de identidade, podem funcionar como estratégias da metaficção, entendida, com auxílio da teorização de Gustavo Bernardo, como o campo em que realidade e ficção dialogam sobre seus limites e possibilidades.

DEATH NOTE E O HERÓI AO CONTRÁRIO: UMA LEITURA SIMBÓLICA DISCURSIVA Genis Frederico Schmaltz Neto (UFG) Graduado em Letras e Mestrando em Letras e Linguística Núcleo de Estudos em Linguagem e Imaginário (Nelim)

Valendo-se da semiótica praticada por A. Greimas, alicerçada à antropologia do Imaginário de G. Durand, toma-se como corpus o anime Death Note para se pensar como se configuram as paixões discursivas do personagem Yagami Raito e os símbolos enunciativos que enlaçam a noção de Justiça no decorrer da narrativa, seja guiado por seu companheiro shinigami Ryuk ou pelas relações interpessoais estabelecidas com os demais personagens, Desenvolvendo-se na contramão do arquétipo do Herói (aquele que é chamado e se sacrifica), Raito se estabelece como herói contemporâneo da pós-modernidade e propõe um novo olhar sobre os fenômenos sociais. Ademais, rompe com os paradigmas moralistas e oferece um novo mecanismo de catarse pertinente ao século XXI: lida com a morte e dela faz sua essência, torna-se vivo.

ELEMENTOS DA GUERRA FRIA NO UNIVERSO FICCIONAL DE FERDINANDO Diego Marques Pereira dos Anjos (UFG) Graduando em Ciências Sociais

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

As hq´s foram durante muito tempo certo tipo de produção cultural marginalizadas socialmente, tal marginalização se deve a inúmeros fatores: desprezo por formas criativas e fantásticas de expressão priorizando a racionalidade instrumental; pouco desenvolvimento do mercado consumidor; censura estatal e conflito de interesses; conservadorismo pedagógico, entre inúmeros outros motivos. Aos poucos

esta situação vem se alterando e um dos principais reflexos é uma renovação crítica na análise sociológica

da hq, de alguns de seus temas e personagens. Nesse sentido, pretendemos com essa comunicação realizar

alguns apontamentos sobre a pesquisa que realizamos sobre o universo ficcional de Ferdinando, hq produzida nos EUA e divulgada em inúmeros países, na medida em que a análise sociológica de uma produção cultural nos permite descobrir não somente as determinações individuais da produção, mas principalmente a sociedade que possibilitou a emergência da história tal como ela se apresenta com os valores que reproduz.

SESSÃO 2 | 30\07 | Sala 2 | 11h00 12h00

MONAQUISMO, ASCETISMO E MISTICISMO ELEMENTOS DA CULTURA RELIGIOSA NOS HERÓIS CONTEMPORÂNEOS Valério Guilherme Schaper (EST) Doutor em Teologia

A cultura religiosa cristã, ao longo de sua história, fomentou o desenvolvimento e o cultivo de

determinadas práticas espirituais voltadas para a consecução de suas finalidades. A tradição cristã contribuiu para a criação de uma galeria de personagens (santos, monges, guerreiros, místicos, etc.). Esta

cultura compôs o caldo cultural que forneceu muitos elementos do universo heróico dos quadrinhos contemporâneos.

INCONSCIENTE COLETIVO FEMININO E VALORES CONTRADITÓRIOS NA MULHER- MARAVILHA Nildo Viana (UFG) Graduado em Ciências Sociais; Especialista em Filosofia; Mestre em Filosofia; Mestre em Sociologia; Doutor em Sociologia.

A personagem Mulher-Maravilha expressa um conjunto de contradições e por isso revela valores opostos

e ainda o inconsciente coletivo feminino. Desde sua criação, em 1942, a Mulher-Maravilha revelava um

forte desejo de emancipação feminina, manifestando o inconsciente coletivo, o desejo da mulher de superar seu papel na divisão social do trabalho e ethos feminino marcado pela opressão. O que se vê, desde sua primeira história, é uma mulher forte e inteligente que possuía super-poderes, sendo manifestação ideal do desejo reprimido coletivo das mulheres. No entanto, ao mesmo tempo em que

manifestava o inconsciente coletivo feminino, essa personagem aparecia como um misto de axiologia e axionomia, valores dominantes e valores autênticos, tal como no caso do seu uniforme e objetivo inicial, lutar pelos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e recusar o dinheiro como valor fundamental, expressando os dois tipos de valores simultaneamente. Apesar dos valores contraditórios, há o predomínio

da

axiologia e por isso a axionomia é subordinada, juntamente com o inconsciente coletivo nas histórias

da

Mulher-Maravilha. A evolução da personagem promoveu alterações em vários sentidos, mas a

manifestação do inconsciente coletivo feminino e predomínio da axiologia, permaneceu, sendo que o primeiro elemento sempre foi o atrativo do público feminino desta super-heróina.

OS SUPER-HERÓIS E O DESEJO DE LIBERDADE Edmilson Marques (UFG) Mestre e Doutorando em História

Os

super-heróis se destacam como os personagens dos quadrinhos onde a questão da liberdade se afigura

de

forma mais clara. A liberdade, por sua vez, é um fenômeno amplamente discutido na sociedade

moderna, ao mesmo tempo, uma pressuposição da necessidade humana de desfrutá-la na realidade. A superaventura expressa o desejo de liberdade nas ações e poderes dos super-heróis, contudo, esta questão

se torna complexa, uma vez que a liberdade expressada nas histórias, não coloca em questão o que causa

a não liberdade, o que se torna de fundamental importância, discutir o contexto em que surge este gênero

dos quadrinhos e analisar a relação dos super-heróis com a sociedade moderna. Neste sentido, esta comunicação tem como objetivo, analisar a liberdade na sociedade moderna, apontando as contradições e possibilidade que a envolve, e, desta forma, compreender como esta se expressa nas histórias da

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superaventura através de seus personagens, onde o desejo de liberdade aparece de forma implícita nos diversos elementos que constituem estas histórias.

SESSÃO 3 | 31\07 | Sala 2 | 10h00 11h00

REPRESENTAÇÕES DO FEMININO: EMBATES ACERCA DA SEXUALIDADE E DA RELIGIOSIDADE Kathlen Luana de Oliveira (EST) Mestra e Doutoranda em Teologia (EST); Especialista em Interdisciplinaridade na Prática Pedagógica (FURB)

A presente pesquisa aborda representações de gênero e religião nas histórias da Velta, da Penitência e da Mulher Maravilha. Tem por objetivo identificar e verificar como gênero e religião são compreendidos nessas narrativas. Por meio de uma pesquisa bibliográfica descritiva, evidencia-se uma suspeita: as representações de gênero, do feminino, mantêm estereótipos de construção de um feminino pensado pela ótica masculina. Já as representações acerca da religião tendem a ser moralizantes, fundamentalistas ou superficiais. A partir de estudos de teólogas feministas se evidencia que a representação do feminino concentra-se em uma sexualidade de extremos: entre a santidade e a promiscuidade. Por fim, o caráter propositivo da pesquisa é delinear as bases para a discussão dessas representações, alargando a compreensão da sexualidade feminina e da religiosidade.

SUPERMAN SEM FRONTEIRAS: A POLÊMICA RENÚNCIA DA CIDADANIA NORTE- AMERICANA Iuri Andréas Reblin (EST) Doutorando em Teologia

A presente pesquisa aborda a polêmica renúncia da cidadania norte-americana na história do Superman escrita por David Goyer e publicada na edição comemorativa de Action Comics # 900. Por meio de uma pesquisa bibliográfica exploratória, ela tem o objetivo de analisar as consequências dessa renúncia na perspectiva das narrativas do super-herói e de sua mitologia e as consequências na comunidade com a qual o personagem possui uma relação de pertença. O questionamento do significado dessa renuncia reflete duas direções: uma ruptura formal e discursiva e uma ruptura substancial. O que significam essas rupturas? Qual é o seu impacto? Isso a pesquisa se propõe a discutir.

MAIS RÁPIDO QUE UMA BALA, MAIS FORTE QUE UMA LOCOMOTIVA: DO FAUSTO AO UBERMENSCH, DO BATMAN AO SUPERMAN

Paulo Fernando Dias Diniz (Fac. Damas\ FAVIP) Licenciado em História (UNICAP);Bacharel em Design (UFPE);Mestre em Comunicação (UFPE); Professor da Fac. Damas e da FAVIP

Os super-heróis são seres exclusivos da sociedade industrial e informacional. Eles marcam a separação entre o mundo natural e o mundo artificial da técnica, estão além da natureza porém não pressupõem um poder sobrenatural como os heróis clássicos filhos de deuses com mortais. O super-herói é criado pela máquina e em alguns casos a supera. Este ser devotado para a máquina é o burguês urbanóide e self-made man, supramito do indivíduo ideal e moderno livre, autônomo e técnico como um demiurgo. Aplicaremos estes conceitos em dois super-heróis antagônicos e ao mesmo tempo referências fortes no mundo mitológico da indústria cultural e do universo dos quadrinhos, o primeiro é Batman (homem-morcego) e o outro é o Superman (super-homem). Baseando-se nestes dois super-heróis tentar-se-a buscar uma correlação entre os signos do super-heroísmo e seu respaldo numa cultura científica pós-moderna.

GT03 - História, Quadrinhos E Cultura Pop: Representações Do Passado, Imaginário E Ensino

Coordenação: Prof. Msc.Ivan Lima Gomes (UEG/UFF)

1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

A INDÚSTRIA É MASSA: Os Quadrinhos são massa Paulo Fernando Dias Diniz Licenciado em História (UNICAP);Bacharel em Design (UFPE);Mestre em Comunicação (UFPE); professor do curso de Arquitetura da Faculdade Damas e Faculdade do Vale do Ipojuca.

Qualquer objeto produzido traz em si as marcas de seu autor e de seu tempo; independente da posição que

o artista toma em sua exteriorização, ela traz em si a pressão social representada metonimicamente pela

pressão do lápis sobre o papel. Mas, mesmo nesta representação as relações sociais demarcam os limites do pensamento do produtor do objeto. Este artigo analisa a produção quadrinística brasileira e mundial. O artigo parte da premissa que a cultura de massa mediatiza os conceitos de cultura erudita e popular, não havendo mais a clássica distinção entre cultura letrada e iletrada. A cultura pop, mediatizada nos mass media pode ser exemplificada com a produção quadrinística na qual personagem tipificados de uma cultura urbana e classe média representam uma cultura que se faz e se apresenta já como produto industrial e comercial.

O HUMOR GRÁFICO E OS QUADRINHOS BRASILEIROS: UM BREVE HISTÓRICO DA RELAÇÃO DO HUMOR GRÁFICO E OS QUADRINHOS BRASILEIROS Paulo Fernando Dias Diniz Licenciado em História (UNICAP);Bacharel em Design (UFPE);Mestre em Comunicação (UFPE); professor do curso de Arquitetura da Faculdade Damas e Faculdade do Vale do Ipojuca.

Este artigo se propõe analisar a relação entre quadrinhos e humor gráfico como vertente principal da produção quadrinística do Brasil. A postulação dessa vertente foi feita por Moacy Cirne no seu livro

História das Histórias em quadrinhos brasileiras. Além de um breve histórico dos quadrinhos brasileiros o artigo se concentra na conceituação dos vários tipos de humor gráfico (da caricatura à charge) até analisar

a relação direta deste com a produção quadrinística brasileira.

UMA VIDA PARA OS QUADRINHOS: MOACY CIRNE E OS ESTUDOS SOBRE OS QUADRINHOS NO BRASIL Ivan Lima Gomes Mestre em História Social (UFRJ) e Doutorando em História Social. Professor da UEG e do Colégio Universitário Geraldo Reis - UFF.

Esta proposta de comunicação estabelece a relevância das reflexões de Moacy Cirne como estudioso pioneiro das histórias em quadrinhos no Brasil. Partimos da premissa de que as reflexões em torno desta mídia apresentam uma trajetória peculiar no país e que estas, por sua vez, não devem ser ignoradas por aqueles que pretendem se aventurar nos estudos sobre quadrinhos. Neste sentido, objetivamos analisar as linhas gerais do pensamento de Cirne relacionadas a este tema produzidas entre os anos 1970 e 1990, bem como relacioná-las aos debates gerais presentes na sociedade brasileira em cada contexto específico.

ESTRATÉGIAS DISCURSIVAS NA NARRATIVA DA HQ CHIBATA! André Pereira de Carvalho Graduado em Ciências Sociais (UFAL) e Mestre em sociologia (UFPE)

Este trabalho tem por interesse analisar as estratégias discursivas das histórias em quadrinhos ao narrar um fato real. Havendo recentemente uma maior produção de quadrinhos sobre acontecimentos reais, sejam pessoais ou históricos, é possível serem observados elementos na construção do discurso que levem

o leitor a não apenas entender a história, mas a tomar uma posição dentro dela. Diferente das HQs

fictícias, estas narram um evento que aconteceu, o que prende, de certa maneira, a liberdade do artista de proceder de qualquer maneira ao contar a história. Porém, considerando que a história e o discurso não são elementos fixos, irrefutáveis, mas sim contextuais, pois dependem de quem conta e como conta, analisamos uma HQ que aborda um evento real da história brasileira, a fim de analisar suas estratégias discursivas. Compreenderemos, através da semiótica greimasiana, como elementos do discurso se unem entre si para formar um sentido coerente, e apontar a posição que o artista imprimiu na estória, o caráter ideológico subjacente nas entrelinhas. A HQ analisada é Chibata! João Cândido e a revolta que abalou o

Brasil, de Olinto Gadelha e Hemeterio, que narra a revolta da chibata de 1910.

1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

A INOSCENTE IRONIA: BILL WATTERSON E A CRITICA CONTRA GUERRA FRIA NAS TIRINHAS DE CALVIN E HAROLDO Agostinho Rodrigues Torres Thyego Douglas Araújo dos Santos Graduandos em Historia (UFPI)

O que propomos neste artigo é uma reflexão sobre a própria indústria cultural e o uso das tirinhas como

subversão cotidiana. O quadrinista não é simplesmente um informador neutro típico dos jornais (jornalista), ele é também artista, por isso detentor de uma sensibilidade aguçada, mesmo que num espaço físico de atuação extremamente limitado como o pedaço de uma pagina exprimido entre notícias de corrupção e assassinatos. Seu objetivo principal no caso das tirinhas é causar gargalhadas com questões diretamente ligadas ao cotidiano das pessoas, seja focalizando suas ironias em políticos, celebridades ou situações constrangedoras. Desta maneira, as tirinhas diárias dos jornais são capazes de tornar mostráveis, sob certas condições sociais, determinadas ações de modo que todos possam controlá-las e compreendê- las de forma integral. No caso deste artigo analisaremos aspectos da Guerra Fria presentes na famosa tirinha Calvin e Haroldo. Na década de 80 a Guerra Fria era um assunto inquestionavelmente comum no dia-a-dia e afetou consideravelmente todo o ambiente cultural da época. A indústria cultural de massa não ficou de fora e foi atravessada por anseios de todos os gêneros nessa época. Jornais, filmes, pinturas, posturas políticas e até a família, são exemplos de questões influenciadas pela eminente catástrofe nuclear. Nas palavras de Carlos André Krakhecke a paranóia da guerra nuclear cria uma sensação de insegurança para a maioria das pessoas. Levando em conta os estudos da escola de Frankfurt sobre o desenvolvimento e propagação das idéias na indústria de massa e a ampliação da abrangência do termo fonte histórica pela historiografia contemporânea, as tirinhas que eram publicadas diariamente em diversos jornais do mundo se tornam fontes históricas relevantes de sua sociedade.

WILL EISNER (UM CONTRATO COM DEUS E OUTRAS HISTÓRIAS DE CORTIÇO) E ALUÍSIO AZEVEDO (O CORTIÇO): UMA COMPARAÇÃO ENTRE A SOCIEDADE SUBURBANA DO BRONX E BOTAFOGO Hosana Araújo Bezerra Viviane Flávia da Silva Graduandas em Letras (UFPE)

Considerado um dos grandes artistas de histórias em quadrinhos de todos os tempos, Will Eisner (1917- 2005) com o revolucionário estilo da graphic novel inaugurado nesta obra, explora com uma visão realista e humanizada as situações vivenciadas pelos moradores de um decadente cortiço na América dos anos 30, destacando os indivíduos comuns e marginalizados, longe do heroísmo maniqueísta tão utilizado nesta indústria. De modo semelhante, na consagrada obra naturalista de Aluísio Azevedo (1857-1913), na qual

os tipos humanos patológicos são caracterizados como um modelo da sociedade carioca do final do século

XIX, as narrativas se cruzam por meio de seus personagens principais: um prédio arruinado que abriga os

conflitos da classe suburbana, onde todos participam da vida de todos.

5 MINUTOS PARA O FIM DO MUNDO; WATCHMEN ATRAVÉS DO OLHAR DA HISTÓRIA. Fabrina Michely Franklin de Almeida Graduanda em História (UFCG)

Durante muito tempo a nona arte foi relegada a um plano secundário na pesquisa e ensino de História, mesmo após a diversificação de temas e fontes presente na escola dos Annales, encontramos mais recentemente uma mudança neste quadro inserindo as histórias em quadrinhos no campo do saber/fazer histórico, o que possibilita tecer o transcorrido por novos prismas. A partir de olhares diferenciados propomos analisar as (re) construções do período descrito como Guerra Fria, observando as marcas desta época, tendo como norte a literatura fantástica de Alan Moore em Watchmen. Para tanto iremos nos apropriar das leituras de Chartier na medida em que a literatura torna-se uma representação do passado e não um espelho fidedigno, além da necessidade de compreensão da leitura como um caminhar em um terreno alheio cheio de símbolos e linguagens próprias, as quais, embora não se possa entender em sua totalidade, ainda constroem-se como patamar na busca pelo verossímil.

QUEM TEM MEDO DOS RATOS MAUS?

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Tásso Araújo de Brito Graduando em História UFPE

Em 1986, Art Spiegelman publica Maus: A História de um Sobrevivente, baseado nas memórias de seu pai que sobrevivera à ocupação alemã na Polônia durante a II Grande Guerra. Este trabalho é resultado da disciplina Autobiografias em Quadrinhos cursada no período 2010.2 e a proposta deste trabalho é analisar Maus a partir dos apontamentos sobre narrativa e experiência feita pelo filosofo alemão Walter Benjamin. Além de pensar as possibilidades de Maus quanto documento passível de interpretação histórica. E por fim vendo como esta obra está na contramão do discurso sionista.

SESSÃO 3 | 31\07 | Sala 1 | 10h00 11h00

MANGÁ SHAKESPEARE: TRADIÇÃO E ATUALIDADE Anuska Karla Vaz da Silva Mestranda em Teoria da Literatura UFPE

William Shakespeare é considerado um dos maiores ícones da literatura mundial e suas obras vêm recebendo ao longo dos séculos os mais diversos tratamentos artísticos. Pensando esses tratamentos pelo viés da reescritura, isto é, de um novo foco ou linguagem atribuído ao texto original conceito formulado por teóricos como Roland Barthes, Harold Bloom e Linda Hutcheon, deparamo-nos com a coleção Mangá Shakespeare, que propõe revisitar o escritor inglês através de imagens, especificamente os traços orientais. Contudo, não se trata somente de uma tradução intersemiótica, saindo da Literatura para as Histórias em Quadrinhos: os enredos recebem novos elementos pertencentes a nossa contemporaneidade, como no caso da adaptação de Romeu e Julieta, que tem suas famílias separadas por brigas da facção criminosa Yakuza; ou como na adaptação de Hamlet, que se passa num futuro não muito distante (2017) e coloca em pauta questões ambientais em contraponto a uma nova realidade cibernética. Assim, o objetivo desta comunicação é analisar nas obras supracitadas a maneira como ocorre a transposição de linguagem escrita para a imagética e no que consiste e contribui a inserção de elementos pertencentes ao contexto histórico atual.

A INFLUÊNCIA DO ESTILO MANGÁ NOS QUADRINHOS OCIDENTAIS: ESTUDO DE CASO TURMA DA MÔNICA JOVEM E SCOTT PILGRIM Fernanda Chagas Sobreira Graduanda em Publicidade e Propaganda UFC

A cultura pop japonesa cresce cada vez mais, em número de fãs e admiradores. São quadrinhos, desenhos animados, filmes, músicas, roupas, jogos e muitos outros produtos desta cultura presentes no mundo ocidental. Consequentemente, os trabalhos realizados com influência no estilo de quadrinhos oriental, conhecido como mangá, também aumentaram em diversas áreas. O artigo vem com o objetivo de apresentar estas influências na área dos quadrinhos. Iniciaremos com um histórico do mangá moderno, seguido das principais características deste estilo: olhos grandes, narrativa cinematográfica, entre outras. Esta introdução ao mundo do mangá irá preparar o leitor para os estudos de caso. Nesta etapa, serão analisadas duas obras: Turma da Mônica Jovem, de Mauricio de Souza, e Scott Pilgrim, do canadense Brian Lee O Malley. A primeira produção retrata a história da turma adolescente, enfrentando vários conflitos típicos da juventude, contando com diversas edições temáticas inseridas no contexto atual, tendo influências de jogos, obras de literatura e até mesmo do próprio mangá. Já em Scott Pilgrim, conhecemos Scott, um jovem que se apaixona por uma garota e, a fim de namorá-la, precisa lutar e derrotar os sete ex- namorados malvados dela. Veremos como o estilo característico do mangá influenciou cada um destes trabalhos, tanto na área da ilustração, narrativa e desenvolvimento das histórias. O estudo se dará com base em diversos autores estudiosos do tema mangá e cultura japonesa em geral, entre eles Paul Gravett, Sonia Luyten, Cristiane Sato, Alexandre Nagado, entre outros.

A INFLUENCIA DA MODA NO VISUAL DOS SUPER-HEROIS Noaldo Vidal Eufrausino Graduando em Design (UFPE)

Falar um pouco a respeito da influencia que a moda exerce sobre o modo de vestir e a atitude dos herois das revistas em quadrinhos e como isso reflete no publico consumidor de HQs.

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EXPLOSÃO NIPÔNICA: OTAKUS PERNAMBUCANOS NUM ESTUDO HISTÓRICO- CULTURAL Fred Rego Barros Pedrosa Graduando em História (UFRPE) Ana Camyla Medeiros Alves Graduando em História (UFRPE)

A propagação de culturas jovens estrangeiras trazidas para Pernambuco no começo do segundo milênio modificou o contexto histórico-cultural de muitos jovens pernambucanos, pois eles incorporam novos aspectos culturais no seu cotidiano. Em virtude deste difusionismo cultural surgem as tribos urbanas, indivíduos que apresentam uma conformidade de pensamento, hábitos e maneiras de se vestir como meio de diferenciar dos demais jovens e assim criarem uma identidade. Este trabalho busca analisar a trajetória histórica da cultura pop japonesa difundida entre os jovens pernambucanos, sendo assimilada e ressignificada, assim como compreender a relação destes jovens com a sociedade e a formação de uma identidade cultural a partir de uma pesquisa feita em dois locais de grande presença desta tribo urbana: a loja Magic Center e a XIV Feira Japonesa do Recife 2010.

SESSÃO 4 | 31\07 | Sala 1 | 11h00 12h00

TIRINHAS 2.0: NOVAS POSSIBILIDADES DE CRIAÇÃO DE TIRINHAS NAS MÍDIAS DIGITAIS Vítor Feitosa Nicolau Mestrando em Comunicação (UFPB) e Professor Substituto do curso de Design Gráfico do IFPB

Com a convergência midiática, as tirinhas estão ganhando cada vez mais espaço dentro da web. Novas possibilidades de criação e veiculação deste gênero, consolidado dentro do jornal e da revista, têm surgido, principalmente através de sites que disponibilizam ferramentas para que usuários leigos nos programas de edição de imagem possam produzir suas tirinhas a partir de boas ideias e um pouco de criatividade. O objetivo deste artigo é demonstrar como o modelo de produção dentro das novas mídias está sendo modificado, sob a ótica dos sites que possibilitam a qualquer um criar suas tirinhas. A convergência faz surgir uma nova dinâmica em que os usuários estão exigindo cada vez mais sua participação no processo de produção, procurando interagir de maneira cada vez mais complexa com o conteúdo disponível nas mídias digitais.

CONCEITO DE FOTOTIRINHA: UMA ANÁLISE DA ADAPTAÇÃO DO GÊNERO FOTONOVELA PARA O MEIO DIGITAL Vítor Feitosa Nicolau Mestrando em Comunicação (UFPB) e Professor Substituto do curso de Design Gráfico do IFPB

A tirinha tem conquistado gradativamente espaço dentro das novas mídias digitais, incorporando elementos como som, animação e, principalmente, imagens retiradas da própria internet, aproximando-se bastante das produções conhecidas como fotonovelas, narrativas seqüenciadas semelhantes aos quadrinhos que utilizam, em vez de desenhos, fotografias. Nas fotonovelas, cada quadrinho representa uma cena, com temáticas centradas em romance, drama e humor. De acordo com o que afirma Jenkins (2008), a convergência midiática permitiu que novos e antigos gêneros pudessem coexistir, adotando novos formatos e adaptando-se a era digital. Assim, a fotonovela pôde ressurgir em uma estrutura que se confunde e se agrupa com a definição de Tirinhas, ou tiras diárias, compreendida por Magalhães (2006) como uma história de arte seqüencial, de três ou quatro quadros, e geralmente de conteúdo satírico, irônico e opinativo. As imagens destas novas produções, conceituadas pelo autor como fototirinhas, geralmente são extraídas de programas de televisão, jornais ou fotografias publicadas na internet, com ausência do crédito à imagem, e utilizadas fora do contexto da narrativa da qual foram fotografadas ou filmadas. Estas imagens ganham assim um novo significado, graças à percepção e astúcia do criador da fototirinhas. O principal objetivo deste estudo está em demonstrar como antigos gêneros, a exemplo da fotonovela, estão ressurgindo de maneira adaptada na internet. O estudo também apresenta como os quadrinhos e as tirinhas estão conquistando cada vez mais espaço, principalmente dentro dos Blogs, e se readaptando e criando novos gêneros, como propõe McCloud (2006) com o conceito de Webcomics, e Franco (2004), com as HQtrônicas.

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QUADRINHOS DE INTERNAUTA": A APROPRIAÇÃO DA LINGUAGEM DOS QUADRINHOS NA INTERNET Acemir Sousa Mendes Graduado em Computação (UFPI) Ludmila Nascimento Monteiro Graduada em Jornalismo (UFPI) Estudantes do Curso Técnico de Artes Visuais do Instituto Federal do Piauí - IFPI

O presente trabalho visa investigar os novos usos da linguagem dos quadrinhos advindos com a ascensão das novas tecnologias estudando os casos de personagens transformados em imagens de domínio público

através da internet que viraram protagonistas de diferentes histórias em quadrinhos de autorias anônimas

na rede. Tal apropriação de uma imagem, geralmente um traço universalizado em forma de palito ou

fotografias- frames de filmes clássicos, para contar uma anedota ou história se caracterizaria como história em quadrinho? Partimos do pressuposto de que a maior parte dessas criações via apropriação de imagem na rede se dão para fins humorísticos, caracterizando propriamente o gênero tirinhas dentro dos

quadrinhos. Para fins metodológicos, utilizamos uma abordagem transdisciplinar, com olhares dos campos artísticos, das ciências da computação e da comunicação.

GT 06 - Representações Sociais nos Quadrinhos, Desenhos Animados e RPG´s

Coordenação: Prof. MsC. Amaro Xavier Braga júnior (UFAL/PPGS-UFPE), Prof. MsC. Marcos Buccini (UFPE)

SESSÃO 1 | 30\07 | Sala 2 | 13h30 14h30

AMAZÔNIA ANIMADA É BRASIL ANIMADO - A AMAZÔNIA COMO ALEGORIA NACIONAL NA PRODUÇÃO DE ANIMAÇÃO NO BRASIL Davi de Barros Coelho (PUC-Rio) Bacharel em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (UFPA), Mestrando em Design (PUC-Rio)

O artigo propõe analisar a presença da Amazônia (mais precisamente, dos elementos materiais e

imateriais presentes nas diversas culturas que se localizam na região amazônica) na construção de uma identidade nacional brasileira, a partir do Romantismo, no século XIX, passando pelo Modernismo e demais movimentos artísticos e culturais, ao longo do século XX, até a contemporaneidade. A análise será baseada nos conceitos de comunidades imaginadas, de Benedict Anderson, considerando que aquilo que hoje entendemos como Brasil, como nação brasileira é um discurso construído, em grande parte, por artistas. A Amazônia se encontra entre os elementos mais comuns desse discurso, dessa narrativa de nação, seja no que se refere aos seus aspectos materiais e naturais (a floresta, os rios, os animais, as pessoas) como, e principalmente, no que se refere a seus aspectos imateriais (mitos, lendas, crenças, rituais, festas populares, tradições, danças, ritmos), provenientes das comunidades indígenas nativas. Muitos desses elementos foram revisitados e reinterpretados por artistas diversos, até serem incluídos num repertório cultural com o qual o brasileiro construiu uma relação identitária. A partir dessa análise, será traçado um paralelo entre a produção cultural ao longo desse período, marcada principalmente por artistas no campo da literatura e artes plásticas, e a produção de animação para cinema e TV, a partir dos anos 50. A Amazônia é tema recorrente na produção de animação. Não por acaso, o primeiro longa- metragem animado produzido no Brasil chama-se Sinfonia Amazônica (Anélio Latini, 1953), e, ainda hoje, séries de animação para TV como Tromba Trem (Zé Brandão, 2010) e Vivi Viravento (Alê Abreu, 2010) encontram na Amazônia resquícios de uma cultura brasileira Coriginal, sem influências estrangeiras. Será investigado se essa escolha tão comum pela Amazônia por diretores de cinema de animação é uma espécie de busca (tardia, diga-se de passagem) por essa cultura brasileira imaculada, não- híbrida. Tardia, porque já vimos na literatura, na pintura, na música, no cinema tradicional, movimentos nesse sentido, desde o início do século XX.

FANTASIA: PARA VER E OUVIR Diego Malta De Campos Graduando Em Design

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A partir de uma análise semiológica do Filme Fantasia", produzido no ano de 1940, pelos Estúdios

Disney, veremos os princípios formais da mensagem visual e sonora, unidos para uma possível "audição visual" ou "visão auditiva". Poderemos identificar os níveis de significação do que é transmitido durante o

longa metragem, resultado do que poderíamos chamar de uma multissesorialidade do Desgin que estudamos."

XILOGRAVURA EM MOTION GRAPHICS - A REPRESENTAÇÃO DO MOVIMENTO EM ANIMAÇÕES BASEADAS NO ESTILO DA XILOGRAVURA DE CORDEL Marcos Buccini Mestre em Design da Informação. Prof. Dep. Design (UFPE)

O presente artigo propõe analisar como se dá a transferência do estilo da xilogravura de cordel para um

novo suporte como o cinema de animação, recurso que traz um novo elemento para a representação o movimento; e como este é representado no intuito de se adaptar criativa e conceitualmente à simplicidade gráfica e estilística da xilogravura de cordel. A pesquisa encontra fundamento nos estudos de Furniss (2009) sobre a representação do movimento, e especificamente suas considerações a respeito do recurso conhecido como 'animação limitada'. Representações limitadas do movimento desenvolveram-se com vista a facilitar e baratear a produção, porém atualmente são utilizadas como recurso artístico e estilístico. Três animações que se utilizam do estilo da xilogravura de cordel foram analisadas: Disputa Entre o Diabo e o Padre pela Posse do Cênte-Fór na Festa do Santo Mendigo (2006), A árvore do dinheiro (2002) e O Jumento Santo e A Cidade Que Se Acabou Antes de Começar (2007). Verifica-se o uso do movimento limitado de modo conceitual, com intuito de melhor se adequar à representação baseada no estilo da xilogravura de cordel, com seus contornos grossos, traços irregulares, alto contraste e planificação da imagem.

FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DE GÊNERO E CONSUMO CULTURAL NOS DESENHOS ANIMADOS PARA CRIANÇAS Senyra Martins Cavalcanti (UEPB) Mestre em Sociologia, Profª Dep. de Educação (UEPB)

Os desenhos animados dirigidos ao público infantil escondem formações ativas de valores e produção de sentidos em sua abordagem lúdica que estimula a fantasia e a imaginação. Uma leitura crítica deste tipo

de

produção identificaria que desenhos animados podem vir a reforçar estereótipos e incentivar produções

de

sentidos e significados sobre identidade de gênero, com ramificações nos processos de socialização e

formação de gostos que se estendem da infância à vida adulta. A ausência de conflitos de gênero reforça

tanto o mito da infância imaculada quanto o da feminilidade subordinada e complementar ao masculino.

O caráter de ser construída e conflitante poderia ofertar um referencial alternativo ao referencial padrão,

mas ao retirar os conflitos das situações, estas produções promovem modelos petrificados de identidade

de gênero e perpetuam o mito da infância modelar. Neste trabalho, as questões analisadas se inscrevem no

quadro teórico de Foucault (1993), Walkerdine (1999), Louro (1999) e de Giroux (2001), e o material de análise é composto por desenhos animados produzidos pelos Estúdios Disney bem como produções mais contemporâneas dos Estúdios Jetix e Cartoon Network.

SESSÃO 2 | 30\07 | Sala 2 | 14h30 15h30

A INFLUÊNCIA ESTÉTICA DAS ARTES VISUAIS JAPONESAS PELO MANGÁ E ANIMÊ NAS PRODUÇÕES DE ENTRETENIMENTO OCIDENTAIS Diego Gomes Brandão, Mestrando em Artes Visuais (UFPB/UFPE) Luis Rodrigo Gomes Brandão, Graduando em Comunicação (UFPB)

O presente trabalho busca discutir a influência estética do mangá e animê nas artes visuais do ocidente.

Constatamos na pesquisa de Machado (1986), o contato entre a arte oriental e a ocidental a partir da obra impressionista de Monet. Em seguida, sob a ótica de reinvenção dos quadrinhos japoneses proposto por Gravett (2006), identificamos algumas características do mangá inovadas por Osamu Tezuka que determinaram a linguagem do animê. Tomamos como exemplo animações da década de 80, 90 e do século XXI, pesquisando conceitos de animação limitada e total citados por Furniss (2009). Desta forma, buscamos comparar as características que distinguem estes pólos estéticos em obras audiovisuais e

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games. Como esta contaminação estética oriental constituiu-se como um fenômeno de hibridização e associou uma forte identidade visual da cultura pop nipônica aos bens de consumo mundiais?

APROPRIAÇÕES E REPRESENTAÇÕES DA ÉTICA NOS ANIMES DA TV FECHADA: UMA LEITURA VISUAL DO DESENHO DEATH NOTE Diego Rocha Guedes de Almeida Graduando em História (UEPB), Graduando em Ciências Sociais (UFCG)

Este trabalho é resultado da análise de discussões entre jovens que tem acesso a canais de TV fechada, destacando o desenhos animado japonês, exibido no Brasil, Death Note. Nesse contexto percebemos circularidade social entre esses jovens e como estes se apropriam de valores representados por estigmas sociais, que acabam por ser representadas nas interações face-a-face da vida cotidiana destes jovens.Estaremos dialogando com categorias de análise tanto histórica como sociológicas, tais como, Chartier, Honneth, Elias e Baudrilard. Destarte, a importância deste trabalho repousa na forma como esses jovens reestruturam valores éticos para moldar novas figurações sociais, sendo um fruto dos impactos dos meios de comunicação que invadem a lógica do dia-a-dia desses jovens, distorcendo seus referenciais sociais que regem seus padrões comportamentais.

ANIMÊS, OBSCENIDADE E VIOLÊNCIA: CONFLITOS CULTURAIS NO OCIDENTE Quise Gonçalves Brito (UFMT), Mestranda em Estudos de Cultura Contemporânea Yuji Gushiken, Prof. Dep. Comunicação Social e do Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO-UFMT)

O Japão desenvolveu na área da animação um estilo de produção muito singular o qual se tornou

popularmente conhecido como animê. Muitos são os elementos técnicos, conceituais e estéticos que diferenciam os animês das demais produções de animação, sobretudo ocidentais. A diversidade temática contemplada pelos animês pode ser apontada como motivadora de sua popularização em escala global e também pelo surgimento de polêmicas e reservas morais em torno dessas produções de origem japonesa. Este artigo busca analisar dois aspectos: a) os efeitos da política macartista e do Comics Code dos EUA sobre a atual concepção ocidental a respeito da produção de animações e b) como a violência e o erotismo são percebidos na cultura japonesa a partir de uma perspectiva antropológica.

NARUTO: UM PROTAGONISTA MARGINAL E HEROI. A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO MENINO KYUUBI. Amanda Brandão Araújo (UFPE)

Os quadrinhos são um dos meios que a indústria cultural usa para atingir determinados públicos. A tipologia mangá, de origem japonesa, representa, mesmo que com algumas especificidades distintas da HQ americana tradicional, uma cultura de massa uniformizadora. Ainda assim, há obras que apesar de perpetuar essa ideia, o fazem de forma diferenciada. Naruto, de Masashi Kishimoto, é uma delas. Uzumaki Naruto é uma criança órfã e excluída, representante daqueles que são marginalizados socialmente; no entanto, é receptáculo de um mau espírito que possui poderes extremamente destruidores. Neste trabalho, analisaremos, com base nos primeiros volumes da obra, como se dá construção dessa personagem que é, ao mesmo tempo, marginal e heroi daqueles que o marginalizam.

SESSÃO 3 | 30\07 | Sala 2 | 15h30 16h10

HQ E SISTEMAS SIMBÓLICOS: UMA EXPERIÊNCIA DE ENSINO NO CURSO DE DESIGN José Pirauá (UFPE) Mestre em Design e Bacharel em Desenho Industrial

Reflete-se neste artigo sobre as experiências de ensino-aprendizagem do componente curricular HQ e Sistemas Simbólicos oferecido no Curso de Design de Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco. A partir das perspectivas oriundas da teoria do imaginário de Gilbert Durand,

aborda-se a criação em si e sua prática inserida no universo das histórias em quadrinhos. Percebeu-se que

os alunos conseguiram exercitar sua criatividade de modo a ampliar suas potencialidades ao mesmo

tempo em que aprofundaram a compreensão sobre os símbolos inseridos nas histórias que são criadas no decorrer do semestre.

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HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: POR UM DESVELAMENTO PEDAGÓGICO DE SUAS POSSIBILIDADES Clayton Rodrigo da Fonsêca Marinho (UFRN) Graduando em Artes Visuais

Este trabalho tenciona investigar as histórias em quadrinhos produzidas por alunos do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, partindo de seu desvelamento pedagógico oriundo das possibilidades interdisciplinares constituintes de suas leituras. Norteado por autores seminais no âmbito dos quadrinhos, como Will Eisner, Scott McCloud, Moacyr Cirne e das análises semióticas de Umberto Eco, verifica-se a relevância teórica de tais autores para o aprimoramento da leitura visual, da criatividade na sequenciação das histórias e dos contextos socioculturais dos leitores e os significados que atribuem a tal produção midiática. Ademais, cabe ressaltar a seriedade adotada nesta pesquisa ao abordar os estudos acerca dessa temática, tendo-se em vista suas potencialidades ideológicas já abordadas por diversos estudiosos. Para tanto, debruçamo-nos sobre a leitura de duas páginas de quadrinhos produzidas na Mostra de História em Quadrinhos, no âmbito do XII Encontro Nacional de estudantes de Artes, realizado no Pará, em 2008, intitulada tragédias Urbanas analisando os contextos significativos para o ensino com o desenvolvimento desse dispositivo pedagógico. Desse modo, pode-se notar as possibilidades de interação entre a produção de quadrinhos e sua funcionalidade como ferramenta pedagógica, além uma articulação com as produções artísticas contemporâneas.

QUADRINHOS E TEATRO FRAGMENTADO: DESENVOLVIMENTO DE PROCEDIMENTOS PEDAGÓGICOS. Marcio Alessandro Nunes Rodrigues Universidade Regional do Cariri URCA. Mestre.

O presente resumo pretende demonstrar as relações entre a teoria de transição aspecto-a-aspecto de Scott

McCloud (2005), a lógica das sensações de Deleuze (2007), e o teatro fragmentário contemporâneo. Tendo como objetivo final a aproximação de estudantes da estética do teatro construído de fragmentos e do conceito da lógica das sensações. Utilizando a teoria de McCloud sobre a transição nos quadrinhos japoneses, a junção de diferentes fragmentos pelo critério da instauração de uma atmosfera, ao invés de uma lógica narrativa como uma ferramenta conceitual para desenvolver os procedimentos pedagógicos. A pesquisa desenvolveu-se em forma de revisão bibliográfica, e posteriormente na criação de procedimentos teatrais que resultaram no experimento Toque-me , realizado com alunos da Licenciatura de Teatro da Universidade Regional do Cariri URCA, em Juazeiro do Norte, Ceará, sendo o processo registrado na dissertação de mestrado entitulada "A Cena Contemporânea aos Pedaços". Os alunos em seus relatos posteriores à apresentação revelam que a teoria de McCloud e os procedimentos criados auxiliaram a compreender a lógica das sensações e as manifestações cênicas fragmentárias.

TERRÍVEL SIMETRIA: VISÃO PSICANALÍTICA DA IDENTIDADE EM WATCHMEN Cleriston de Oliveira Costa (UEPB) Graduado em Comunicação Social e em Letras

O presente trabalho tem como objetivo estudar, de acordo com a perspectiva freudiana, as motivações

inconscientes das personagens centrais de Watchmen (1986), de Alan Moore e Dave Gibbons. Recorremos então a uma pesquisa de cunho bibliográfico e qualitativo, na qual McCloud (2004) e Eisner (2010) nos permitem estudar as técnicas de narrativa próprias aos quadrinhos, enquanto Freud (1996) nos cede o embasamento necessário para analisar os traços psicanalíticos das personagens. Pretendemos expor os atributos inerentes à personalidade de cada uma delas, por meio da identificação dos agentes do aparelho psíquico id, ego e superego que atuam de maneira mais influente em seu modus operandi, bem como a busca pelas identidades por elas efetivamente desejadas.

SESSÃO 4 | 31\07 | Sala 2 | 11h00 12h00

RED SON: SUPERMAN E OS LIMITES ENTRE HEROÍSMO E TIRANIA Agostinho Rodrigues Torres (UFPI) Breno Moreno Ferreira da Silva Cavalcante (UFPI)

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

Eduardo de Andrade Machado (UFPI) Graduandos em História (UFPI) Personagem criado em meados dos anos 30, por Joe Shuster e Jerry Siegel, Superman foi herói representativo da moral norte-americana, abalada durante o período da recessão econômica, que anunciava nos símbolos em que opera uma possibilidade de superação da crise e indícios de uma revitalização do sentimento patriótico. Com a mudança das conjunturas históricas, sua função dentro da cultura pop foi por diversas vezes ressignificada. Nossa intenção neste trabalho é abordar uma dessas reconstruções, buscando explorar as referências sócio-culturais que o HQ pode acrescentar como fonte plausível para a pesquisa histórica. Neste viés, perscrutaremos a imagem do Superman modulada pela DC Comics, na HQ Red Son, publicada nos EUA em 2003 pelo projeto Elseworld, que surgira com intuito de abranger as personagens mais diversas já publicadas pela empresa, numa remodelação arquetípica de suas origens, caracterizando uma desterritorialização da figura do herói.

JEITINHO BRASILEIRO E IDENTIDADE NACIONAL EM ZÉ CARIOCA Senyra Martins Cavalcanti (UEPB) Mestre em sociologia, Professora do Departamento de Educação da UEPB. Maria Lindaci Gomes de Souza (UEPB) Doutora em História, Professora do Departamento de História da UEPB.

Esse texto tem o propósito de fazer uma reflexão sobre a identidade cultural brasileira através do personagem Zé Carioca. Criado por Walt Disney no contexto da política norte-americana de boa vizinhança do governo Roosevelt nos anos 40, Zé Carioca é freqüentemente identificado como um malandro que escapa do casamento, do trabalho, da polícia e dos credores fazendo uso do jeitinho brasileiro . Como centro de análise, focalizamos em uma dupla abordagem as astúcias do personagem: o humor diante das dificuldades cotidianas que os mais pobres enfrentam, e a dimensão negativa pela resistência a se incorporar aos padrões de uma existência regulada por horários, normas e compromissos. As ilustrações e os textos integram uma unidade de sentido, visto que mais uma leitura que configura o personagem é a semiótica das cores através do verde, amarelo e azul representantes da identidade nacional brasileira. Portanto, essa representação construía de forma perjorativa visualizada através do malandro do morro , aquele que leva a vida numa boa que toma atitudes anti-éticas, principalmente em relação aos valores que sustentam as relações sociais, torna-se inviabilizada nos desenhos quando priorizamos uma leitura, na qual não percebemos essa depreciação simbólica construída do ser social brasileiro.

OS QUADRINHOS BAIANOS: A INFLUÊNCIA REGIONAL COMO EXPRESSÃO SÓCIO- CULTURAL NA PRODUÇÃO DE ARTISTAS LOCAIS. Aline Brune Ferraz de Morais Nerize Portela Madureira Leoncio Lilian Balbino Jamile Barbosa. Graduandas em Artes Visuais (UFRB)

O presente artigo, primeiramente, traça as origens do humor gráfico baiano, identificando os artistas que foram indispensáveis para o seu desenvolvimento. A busca pela expressão de elementos regionais e culturais nas HQ´s baianas, reflexo do contexto histórico-social no qual o artista está inserido, nos levou ao estudo dos trabalhos de Antônio Cedraz, Flávio Luiz e Marcos Franco, principalmente. A partir das declarações desses quadrinhistas em entrevistas, definiu-se o atual quadro desta categoria artística, relacionado ao reconhecimento editorial e público de suas produções. A Bahia é retratada a partir da atrativa linguagem dos quadrinhos e cartuns, repletos de signos, capturados ao longo dessa pesquisa, apontando uma possibilidade interessante de representação e, conseqüentemente, valorização da cultura regional.

PROCESSO CRIATIVO DO QUADRINHO - O EVANGELHO SEGUNDO O SANGUE Leandro Gomes de Moura (UFRN)

Este trabalho trata de examinar o processo criativo por trás da obra O Evangelho Segundo o Sangue, série de contos de terror, realizada em parceria com o amigo e artista Marcos Guerra , a qual é publicada na Webcomic K-ótica que, por sua vez, é inserida na seção Quadrinhos da Revista Catorze. Para tanto, como co-autor conto a experiência de transpor o roteiro para as páginas dessa narrativa, procurando explicar o quanto produzir essa forma de arte é algo desafiador, envolvente, rico em detalhes e particularmente interessante do ponto de vista semiótico, já que apresenta signos verbais e não verbais (palavras e

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imagens visuais). Em síntese, será demonstrado nos capítulos a seguir o percurso do projeto desde as primeiras ideias, esboços iniciais dos personagens, instruções do roteiro para a elaboração das páginas, além de exemplos das páginas que compõem a obra. Em outras palavras, abordar os princípios e práticas da arte sequencial será o foco basilar deste trabalho.

SESSÃO 5 | 31\07 | Sala 2 | 13h30 14h30

"OS

PODER

Daniel Carvalho Cisneiros Silva Graduando em Letras/ Crítica Literária (UFPE)

LEÕES

DE

BAGDÁ":

REPRESENTAÇÕES

SOCIAIS,

DISCURSO

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"Os Leões de Bagdá", graphic novel publicada em 2007 e aclamada pela crítica, conta- nos a história de um grupo de leões que, após um bombardeio norte-americano na cidade de Bagdá, escapam de um zoológico e se deparam com uma cidade devastada pela guerra, o que os fará reelaborar seus conceitos de liberdade. Compreende-se que o processo de personificação dos animais executado na criação do roteiro da hq, e a subsequente transcriação deste roteiro em imagens, não são desvinculados da construção de representações sociais. Assim, através da linguagem verbal e da linguagem visual, estruturas sociais de poder são reconstruídas na ficcionalidade dos quadrinhos. Tais reconstruções, antes de mimetizarem a sociedade, reconstroem-na, de forma a evidenciar e criticar tais estruturas; o que se adensa se levarmos em conta que estas são reproduzidas a partir de personagens não-humanos, mas humanizados, e que empreendem uma 'jornada' através da qual reelaboram seus conceitos de liberdade. Este estudo pretende, a partir de uma leitura crítica ancorada em estudos sobre representação social, discurso e poder, desvendar de que forma a sociedade é representada e resconstruída na graphic novel em questão, objetivando, assim, não só alargar a percepção e interpretação da obra, como também contribuir para os estudos sobre representações sociais em revistas em quadrinhos.

O MUNDO DO ABSURDO DE KAFKA NA QUADRINIZAÇÃO Alberes dos Santos de Sousa Mestrando em Teoria Literária (UFPE)

O presente trabalho pretende analisar a transposição literária de A Metamorfose de

Franz Kafka para a linguagem da História em Quadrinhos realizada por Peter Kupfer,

destacando as transmutações ocorridas nesta passagem como também as suas relações intersígnicas nesta tradução textual. Para a discussão desta traduzibilidade, utilizaremos

os aportes teóricos de Plaza( 2002) e de Arrojo( 2003) no tocante à reorganização e à

decodificação da referida obra literária na linguagem do HQ, e Pierce( 1989) no estudo da Semiótica na nova instauração de sentido promovido pela mudança do contexto de

produção. Palavras-chave: Tradução; Semiótica; A Metamorfose; Kafka e Peter Kupfer.

O ETHOS JORNALÍSTICO NAS HQ DE JOE SACCO Geilson Fernandes de Oliveira Graduando em Comunicação Social - Jornalismo (UERN)

As HQs são fontes profícuas para a pesquisa em diversos campos das ciências humanas e sociais, e nos últimos tempos, mais do que nunca elas são analisadas como um objeto que reflete o meio social do qual fazemos parte. Assim sendo, o presente estudo tem por objetivo analisar a construção do ethos jornalístico

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

nos quadrinhos de Joe Sacco, jornalista internacionalmente conhecido por relatar, por meio das HQ´´s grandes tragédias de guerras e conflitos armados. Sacco aborda o cotidiano de um jornalista em meio à escassez de informações num cenário de conflitos armados, lidando com dilemas como a questão ética e o sigilo com as fontes. Analisando o conteúdo da HQ Área de segurança Gorazde, identificamos que a representação do ethos jornalístico nesta HQ sofre influência desta identidade/modo de ser, já que são resultantes das impressões de um jornalista face aos conflitos de sua profissão.

ANDRÉ DAHMER E A BARBÁRIE Clayton Rodrigo da Fonsêca Marinho (UFRN) Graduando em Artes Visuais

André Dahmer desnuda sarcasticamente aspectos comportamentais da sociedade hodierna, ao revelar, à partir da condição bárbara de seus personagens, o comportamento social do ser humano, condições essas que levaram-no ao maniqueísmo que o faz sucumbir. Ao mesmo tempo, o autor assinala que o homem também se torna responsável por aceitar subjugar-se docilmente aos seus grilhões. Partindo de duas obras impressas, Malvados (2008) e O Livro Negro de André Dahmer (2007), analisa-se a postura adota pelo quadrinista, a partir dos pressupostos teóricos da filosofia de Walter Benjamin, Theodor Adorno e Jean- François Mattéi, os quais assinalaram, cada qual ao seu modo, a presença da barbárie na civilização. Tais fatores refletem-se nas posturas adotadas por Dahmer em seus personagens e ressalta essa barbárie de que, possivelmente, ele tenha consciência. Assim, observa-se a presença contínua do processo de individualização, a alienação, o sentimento constante do vazio, a fraqueza de sucumbir aos remédios e vícios, a perda da experiência como história vivida e o desejo pela violência como fatores da barbárie presente nas obras citadas. Contudo, seria o uso de postura irônica que poderia superar esse estado em seus personagens, como um dia os gregos fizeram com a arte.

SESSÃO 6 | 31\07 | Sala 2 | 14h30 16h00

TORNANDO-SE MULHER: A REPRESENTAÇÃO DO FEMININO EM BORDADOS, DE MARJANE SATRAPI Maria Adriana Nogueira (UERN) Graduando em Comunicação Social - Jornalismo

O presente artigo analisa as representações do feminino na HQ Bordados, de Majane Satrapi, obra que

reúne depoimentos de mulheres, suas experiências amorosas e sexuais, em relatos, que surpreendem ao se considerar os estereótipos da mulher do Irã, já que a sexualidade feminina é considerada um assunto tabu naquela sociedade. A sala passa a ser o seu espaço para troca de experiência, resistência, e aprendizado, na sua constituição como sujeitos. Nessa perspectiva, utilizamos as teorias sobre a sexualidade desenvolvidas por Foucault (1998), e a representação do feminino em Beauvoir (1970). Além disso, analisamos como essas mulheres se constituem como sujeitos diante de contexto opressores, onde a voz delas não é socialmente amplificada. Observamos que apesar do rigor religioso do seu país essas mulheres buscam o amor em suas vidas e a emancipação sexual, ainda que às escondidas.

SOBRE A CONSTRUÇÃO DO SENSÍVEL: REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES NOS ÁLBUNS DE FRÉDÉRIC BOILET Tiago Canário de Araujo (UFBA) Jornalista e mestrando em Análise de Produtos e Linguagens da Cultura Mediática, PPGCCC/UFBA

O artigo analisa a representação das mulheres em dois álbuns do quadrinista francês Frédéric Boilet, O

Espinafre de yukiko e Garotas de Tóquio . Partindo de estudos acerca do problema da representação e do envolvimento de relações de poder, são abordados os discursos envolvidos (e construídos) na configuração das identidades sexuais e de gênero veiculadas nas duas produções. A análise considera tanto as articulações de enredo (em uma perspectiva narratológica) quanto de estrutura gráfica, observando a composição da narrativa imagética pelo uso de diagramação, operadores icônicos, vinhetas e variáveis visuais em suma, o modo como o discurso sígnico é preparado a fim de suscitar determinadas sensações no leitor. A partir dois livros, são apresentados os relacionamentos amorosos/sexuais do quadrinista com sete mulheres, a partir dos quais este artigo demonstra como é possível depreender uma ruptura no discurso corrente sobre o feminino, marcado por hierarquias, submissão e passividade, sobretudo em produções de cunho erótico.

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1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop. Centro de Convenções da UFPE. 29 a 31 de julho de 2011. Recife. 29 a 31 de julho de 2011. ISSN 2238-2402.

TRANSFORMAÇÕES NAS CORPORALIDADES E VESTIMENTAS DOS SUPER-HERÓIS Pâmella Rochelle Rochanne Dias de Oliveira (UFRN) Graduando em Comunicação Social - Jornalismo

As HQ´s, como qualquer outro produto cultural, sofrem interferências diretas do tempo e espaço social. As mudanças sociais refletem nas representações gráficas, no aspecto físico, códigos corporais e nas vestimentas de seus personagens. O personagem Thor, que nasceu nas HQ´s e recentemente tornou-se parte da indústria cinematográfica, é um exemplo disso. Sua primeira indumentária parte de referências mitológicas e de um código de vestimenta dos nos 70. O passar do tempo evidencia uma tendência mais estilizada nessa releitura do personagem, acentuando a virilidade do corpo masculino, descartando antigos signos e incorporando novos. O presente artigo analisa as influências sociais e simbólicas por trás dessas mudanças.

ELE ESTAVA LÁ PARA ME PEGAR QUANDO EU SALTEI : ESPECULARIDADE E MISE EN ABYME EM FUN HOME, DE ALISON BECHDEL Daiany Ferreira Dantas (UFPE) Mestre e Doutoranda em Comunicação Social pelo PPGCOM/UFPE, graduada em Comunicação Social pela UFRN. Professora da UERN

O conceito de mise en abyme é proveniente da lingüística, sendo utilizado para determinar os espelhos no texto , um fenômeno narrativo identificado na análise da auto-reflexividade das narrativas romanescas. Ao investigar Fun Home, uma tragicomédia em família, autobiografia em quadrinhos de Alison Bechdel, o presente artigo busca identificar as marcas de subjetividade no exercício de auto- representação empreendido pela autora, que, ao buscar respostas para o suicídio de seu pai, confronta-se com um percurso que remete, de forma vertiginosa e obsessiva, à proximidade e semelhança existente entre ambos, em função de sua homossexualidade. Numa narrativa repleta de intertextualidade, nas referências literárias e no uso da representação de fragmentos de arquivos e documentos, observamos o sentido da especularidade.

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TRABALHOS COMPLETOS

I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP

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I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE.
I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE.
I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE.

I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE. Recife, 29 a 31 de Julho de 2011. ISSN 2238-2402

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS EM SALA DE AULA: LER PARA QUÊ?

ADRIANA LETÍCIA TORRES DA ROSA Doutora em Letras, Professora da Universidade Federal de Pernambuco

adrianarosa100@gmail.com

JOSÉ BATISTA DE BARROS Pedagogo, Pós-Graduando pela Universidade do Vale do Acaraú

Josebatista.40@hotmail.com

RESUMO

Diante da importância do ato de ler como forma de participação cidadã, bem como da necessidade da formação de leitores que passeiem compreensivamente e dialogicamente pela diversidade de gêneros textuais, este trabalho tem como propósito apresentar uma discussão a respeito do estudo do gênero história em quadrinhos no ensino-aprendizagem de língua materna. O estudo insere-se nas perspectivas teóricas que vislumbram a linguagem como forma de interação social, conforme Teoria dos Gêneros do Discurso bakhtiniana. Em março de 2011, entrevistamos 10 professores de língua portuguesa, Educação Básica, a fim de identificar as abordagens pedagógicas utilizadas nas atividades de leitura do referido gênero. Os resultados apontam para o fato dos quadrinhos serem bastante presentes na sala de aula, contudo, seu potencial como mediador de leitura deleite associada à crítica precisa ser mais trabalhado.

Palavras-Chave: História em quadrinhos, gênero textual, leitura, letramento.

Introdução

Os quadrinhos atualmente ocupam um espaço de destaque na mídia de entretenimento, bem como na crítica: gibis, jornais, revistas, internet, dentre outros, veiculam uma gama de textos que discutem questões de interesse social com base na linguagem imagética associada, em grande parte, à verbal. Histórias em quadrinhos, tirinhas, charges, cartuns estão acessíveis a leitores das mais variadas classes sociais e faixas etárias, exigindo desses, leituras de complexidade variável mediante as especificidades de objetivos discursivos, formas e funções sociais que cada texto os colocam.

Diante da importância do ato de ler como forma de participação cidadã, bem como da necessidade da formação de leitores que passeiem compreensivamente e dialogicamente pela diversidade de gêneros textuais, este trabalho tem como propósito apresentar uma discussão a respeito do estudo do gênero história em quadrinhos no

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ensino-aprendizagem de língua materna, destacando a sua relevante contribuição para inserção do aluno no mundo da leitura, bem como, num caminho reverso, do mundo da leitura do HQ na própria escola. Nesse caso, a ludicidade e a criticidade, muitas vezes oferecidas por esse gênero, poderão ser pauta, em cumplicidade com o estudo das estratégias de produção de sentido. O estudo insere-se nas perspectivas teóricas que vislumbram a linguagem como forma de interação social, conforme Teoria dos Gêneros do Discurso bakthiniana. Nesse caso, o HQ é entendido como um gênero relativamente estável que abarca a flexibilidade de formas e funções de realização na dinâmica sociointerativa de uso da linguagem. Metodologicamente, em março de 2011, entrevistamos 10 professores de língua portuguesa, Educação Básica, a fim de identificar as abordagens pedagógicas utilizadas nas atividades de leitura do referido gênero. Nosso corpus consta da resposta dos docentes aos questionamentos acerca do uso, da finalidade e da frequência desse uso do HQ na sala de aula; bem como dos suportes, autores e estilos privilegiados; e, sobretudo a abordagem pedagógica impressa ao trabalho nas aulas de leitura.

1. HQ em sala de aula: que história é essa?

Ao contrário do que se pensa, segundo diversos pesquisadores, o gênero história em quarinhos, tal qual conhecemos hoje, remota o seu surgimento na Europa em meados do século XIX com as histórias de Busch e Topffer, nascendo, nesse ínterim, o primeiro herói desenhado por Richard Outcault (Figura 1), numa despretensiosa história publicada em um jornal, o New York World, no final desse mesmo século, (cf. Ianonne e Ianonne, 1994)

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Figura 1 Yellow Kid por Richard Outcault No entanto, outros estudiosos do assunto, porém, o

Figura 1 Yellow Kid por Richard Outcault

No entanto, outros estudiosos do assunto, porém, o classifica como arte sequencial e atribui seus resquícios de surgimento ainda nas artes rupestres deixadas por nossos ancestrais em paredões rochosos e cavernas nas mais diversas partes do mundo. Nos anos iniciais do século XXI, sua consolidação já está efetivada devido à grande aceitação e circulação de jornais e a sua gama de variedades, que logo foi assimilada pelos empresários do ramo, vendo neste gênero um grande meio de aumentar suas vendas e consequentemente seus lucros. Desde então, o gênero ganhou status e prestígio, com estilo próprio, dentro das principais mídias, desenvolvendo-se em seguimento específico, e se popularizando, caindo no gosto de todas as classes sociais e faixa etária das mais diversas, como evidenciam as imagens a seguir:

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Figura 2 Gibi Figura 3 Jornal 47

Figura 2 Gibi

Figura 2 Gibi Figura 3 Jornal 47

Figura 3 Jornal

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Figura 4 - Internet http://www.ziraldo.com.br/ A breve contextualização sócio-histórica do HQ pode ser tomada por

Figura 4 - Internet

http://www.ziraldo.com.br/

A breve contextualização sócio-histórica do HQ pode ser tomada por base para

entendermos elementos da teoria dos gêneros do discurso bakhtiniana. Segundo Bakhtin (1988), a linguagem, como fenômeno de comunicação interativa, é constituída e constituidora da sociedade, revestida de tons ideológicos e dialógicos. Nesse caminhar, os gêneros do discurso (textuais) são tomados como unidades da interação verbal, chegando o autor (1997) a ressaltar que sem os mesmo não existiria a nossa fala . Os gêneros são, pois, relativamente estáveis do ponto de vista do seu conteúdo temático,

sua composição e seu estilo, adaptando-se às condições sócio-históricas e aos propósitos que regem seus usos.

É nesse sentido que os meios de apresentação e de divulgação de tais gêneros

na atualidade, certamente surpreendem pela qualidade de material produzido e o leque de opções e possibilidades de áreas de trabalhos que variam de desde um simples gibi, sua forma mais tradicional, a campanhas publicitárias, utilização no livro escolar como recurso didático valioso para facilitar o processo de aprendizagem, crédito este atribuído aos desenhos e facilidades de leituras por parte dos que ainda não dominam totalmente o letramento, em revistas e jornais, como entretenimento em caderno e seções específicas, almanaques etc. Diante de tal quadro apresentado e das várias facetas dos usos e democratização dos acessos mais variados (em suportes como gibis, jornais, revistas,

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internet, livro didático, periódicos e tantos outros), podemos dizer com certa veemência que se trata de um gênero popular, sem perder seu requinte ao exigir dos leitores mobilização de conhecimentos prévios no trabalho semiótico que privilegia a articulação do verbal ao não-verbal. Conforme Mendonça (2002, p.199-200), as histórias em quadrinhos poderiam ser provisoriamente caracterizadas como um gênero icônico ou icônico-verbal narrativo cuja progressão temporal se organiza quadro a quadro. Como elementos típicos, a HQ apresenta os desenhos, os quadros e os balões e/ou legendas, onde é inserido o texto verbal . Nesse contexto, a variedade das histórias apresentadas nos quadrinhos, definem por si o tipo textual que os enquadra, podendo variar desde uma narrativa, a uma argumentação, passando também por uma situação de texto injuntivo sem deixar de aparecer sequências expositivas. Porém sua predominância é tipicamente narrativa. Várias são as nuances do HQ, subtipos de gêneros em quadrinhos figuram pequenos ou grandes espaços das publicações circulantes, apresenta-se como alternativa para entretenimento e informação, que em muito satisfazem os leitores: as charges, as tirinhas, as caricaturas e o cartum. Cada uma com suas características próprias, e distingui-los por vezes não é tarefa fácil, mesmo para os mais experientes. Verifica-se também a valorização de determinados tipos em detrimento de outros, caracterizando com isso a popularização e aceitação por parte dos leitores, uma vez que é este ser que de certa forma determina a permanência ou a extinção nos meios de circulação das mesmas.

Na sala de aula, finalmente, o uso das histórias em quadrinhos já esteve em níveis mais baixos em outrora, isso, porém não quer dizer que vivemos usufruindo dos benefícios e vantagens que o gênero possa nos oferecer hoje em dia. Encontrando resistência e por vezes más interpretações por profissionais da educação que dizem só tratar as HQs de entretenimento e humor, no entanto se aguçarmos nossa sensibilidade, veremos uma vasta gama de oportunidades para trabalharmos os mais variados temas e assuntos das diversas disciplinas do currículo escolar. Seu uso fora do ambiente escolar é muito salutar para o desenvolvimento cognitivo, uma vez que ao se apropriar das leituras, ativa-se a memória visual, desenvolve-se uma leitura com fluência, apropria-se de uma vasta e ampla infinidade de palavras, desenvolve-se também o senso de concentração; e na escola isso não seria diferente:

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Reconhecer e utilizar o recurso da quadrinização como ferramenta pedagógica parece impor-se como necessidade numa época em que a imagem e a palavra, cada vez mais, associam-se para a produção de sentido nos diversos contextos comunicativos. (Mendonça, 2002, p.27)

Com esse entendimento, a exemplo, recentemente vemos com bastante frequência clássicos da nossa literatura em formato de história em quadrinho aptos a serem trabalhados pedagogicamente pelos professores de língua. Nesse sentido, com o intuito de observar como os professores se valem do HQ para desenvolver a competência leitora em sala de aula, apresentamos a seguir os resultados oriundos da pesquisa a docentes a respeito das suas práticas com o gênero na escola.

2. As abordagens pedagógicas utilizadas nas atividades de leitura do gênero HQ

Nosso estudo se debruça sobre o gênero história em quadrinhos (HQ), dada à importância do uso da mesma na sociedade e, portanto também nas salas de aulas, seja como forma de entretenimento e de aguçar o senso crítico; seja como objeto de trabalho e estudo de professores e alunos no aprimoramento das práticas de letramento e oralidade, contribuindo para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. A pesquisa elaborada foi composta por questões pensadas para verificar, dentre os dez professores da rede pública das séries iniciais da educação básica entrevistados, o uso ou não do referido gênero, como proposta didática, e potencial auxiliar no processo ensino-aprendizagem de leitura. De base qualitativa, nosso trabalho busca levantar elementos do contexto de produção, circulação e consumo do gênero HQ trabalhados em sala de aula, observando o uso das HQs, com que finalidade os docentes as utilizam, a frequência, os suportes de excelência e os principais autores por eles trabalhados, sua opinião quanto à estrutura textual adequada e os objetivos a serem enfatizados nas leituras das HQs. Com base nesses questionamentos e seus resultados, ficou claro que boa parte dos profissionais pesquisados se utiliza do HQ em sala de aula, 70% dos docentes afirmam trabalhar pedagogicamente com o gênero, mesmo que cada qual tenha objetivos diversos ou distintos: trabalhar competências de leitura foi o propósito mais citado quando do uso do HQ; realizar atividades de produção de texto, ilustrar tarefas e estudar tópicos gramaticais foram finalidades ainda mencionadas. Apenas 30% dos

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professores afirmam não optar pelo trabalho com o mesmo para o desenvolvimento das competências de leituras dos seus alunos. Nesse compasso, no que tange a frequência do uso das HQs em relação à leitura estudo do texto, nas respostas dos professores há um equilíbrio entre semanalmente e mensalmente, o que nos faz crer que os intervalos de tempo de usos são satisfatórios para usufruto dos benefícios oferecidos pelo gênero analisado. Já quanto ao de suporte do HQ, a maioria dos docentes respondeu utilizar-se apenas do livro didático como principal recurso, seguido pelos gibis, o que consideramos ser pouco significante diante do universo de opções existentes tais como revistas diversas, internet, jornais. A nosso ver, seria importante que o gênero textual fosse trabalho considerando-se os campos originais de circulação, como forma, dentre outras coisas, de orientar a formação de leitores quanto às forma e funções de acesso ao gênero em tela. Maurício de Souza e Ziraldo foram os autores mais citados pelos docentes como produtores dos textos levado à sala de aula; apenas um professor citou Quino e Angeli como opção adicional; equivocadamente Cecília Meireles também foi citada por um docente. Verifica-se uma limitada seleção de autoria de textos de para se discutir em sala, ficando assim uma lacuna no que se refere ao trabalho com a diversidade de estilos.

Na aula de leitura, os professores observaram que a interpretação da mensagem do texto é o principal enfoque a ser desenvolvido; o estudo da estrutura narrativa e o reconhecimento dos elementos de organização do texto (linguagem verbal e não-verbal) mantêm-se em segunda ordem de estudo; e a contextualização do texto encontra-se em terceiro plano. Observamos que a ênfase está no conteúdo temático textual; contextualização sociohistórica, objetivos discursivos, aspectos formais e seus efeitos de sentido e estilos textuais parecem não serem tópicos estudados consistentemente. No que se refere à estrutura textual ideal para se trabalhar a sequência narrativa do HQ, começo, meio e fim (nessa ordem), foi a sugerida por 70% dos docentes; começo, meio e fim (não necessariamente nessa ordem), foi sugerida por 30%. Os dados sugerem que o professor ao trabalhar o HQ prioriza a exploração de uma ordem linear de organização textual, contudo há espaço, ainda que restrito, para a observância possibilidades de mudanças. Finalmente, dentre a gama de gêneros textuais que se realizam em forma de quadrinhos, os professores elegeram como os mais trabalhados o HQ (aqui entendido

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como as histórias quadrinizadas mais longas, estilo gibi) e em segundo lugar as tirinhas. O cartum, a charge, o mangá, por exemplo, não foram citados, infere-se do dados que se perde, com isso, uma excelente oportunidade de ampliar o conhecimento dos alunos acerca dos aspectos formais e funcionais desses gêneros, aguçando o potencial da leitura crítica que os mesmos podem fomentar.

Considerações Finais

Constatamos que o HQ vêm ganhando um espaço de destaque no trabalho pedagógico com a linguagem, especialmente no tocante às práticas de letramento, e contribuindo para o processo de ensino-aprendizagem. Contudo não podemos dizer que seu uso se encontra num nível de excelência. Nesse contexto, podemos afirmar que cabe a escola promover através de seus agentes, mais situações de ensino-aprendizagem significativas envolvendo o HQ a fim de garantir aos alunos o direito de desenvolvimento de competências, especialmente em leitura, para garantir a possibilidade de maior inserção, ação e transformação social dos educandos, proporcionado do trabalho com o gênero. Fazemos lembrar que a proposta de estudo das histórias em quadrinhos é vista como base de um currículo escolar que contribui significativamente para o exercício da cidadania, uma vez que permite o acesso a discussão de questões de interesse social, bem como, atrelado a isso, o aprofundamento de habilidade sociocognitivas de leitura do mundo com base nos textos. Nesse caminhar é possível enxergar a escola numa perspectiva de promotora da educação inclusiva, que, portanto não deixa de lado o esmero com o trabalho voltado com as práticas de linguagem. Assegurada a qualidade da escola como instância institucional que investe na alfabetização e letramento sistematicamente, está também assegurada a participação efetiva dos sujeitos numa cultura letrada, que demanda a ampliação paulatina da sua competência comunicativa como meio de compreender as relações sociais e agir em comunidade de forma efetiva e significativa e para isto, vale ressaltar, o papel do professor é importantíssimo nesse contexto.

Referências

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BAKNTIN, M. Estética da criação verbal. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997. BAKHTIN, M. / VOLOCHÍNOV, V. N. [1929]. Marxismo e filosofia de linguagem. São Paulo: Hucitec, 1988. IANONNE, L. R. e IANONNE, R. O mundo das histórias em quadrinhos. 4. ed. São Paulo: Moderna, 1994). MENDONÇA, M. Um gênero quadro a quadro: a história em quadrinhos. In. A. P. Dionísio; A. R, Machado; M. A. Bezerra. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro:

Lucerna, 2002. pp.194- 207.

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I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE.
I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE.
I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE.

I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE. Recife, 29 a 31 de Julho de 2011. ISSN 2238-2402

A LEITURA ESTUDO DO TEXTO: HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NO LIVRO DIDÁTICO DE PORTUGUÊS

ADRIANA LETÍCIA TORRES DA ROSA Doutora em Letras, Professora da Universidade Federal de Pernambuco

adrianarosa100@gmail.com

JOSÉ BATISTA DE BARROS Pedagogo, Pós-Graduando pela Universidade do Vale do Acaraú

Josebatista.40@hotmail.com

RESUMO

Na perspectiva do letramento, a leitura é uma prática social de uso da escrita pela qual a interlocução compreensiva e ativa de sujeitos, autor-leitor, é mediada pelo texto. Os leitores valem-se da leitura com objetivos diversos, tais como buscar informações, realizar atividades, documentar-se, estimular a imaginação, e, ação muito presente na academia, estudar o texto. Nesse contexto, filiando-se à Teoria dos Gêneros do Discurso de Bakhtin (1979), este trabalho tem como objetivo apresentar como os quadrinhos (HQ) são abordados nas atividades de leitura estudo do texto dos livros didáticos de português do Ensino Fundamental. Para tanto, analisamos, em três coleções do 6º ao 9º ano, os exercícios de compreensão e interpretação de textos voltados para esse gênero. Metodologicamente, identificamos todos os gêneros trabalhados na referida seção, fazendo um contraponto os associados ao HQ. Posteriormente, apontamos o tratamento teórico-metodológico subjacente ao enfoque dado à leitura dos gêneros em questão. Palavras-Chave: História em quadrinhos, gênero textual, leitura, letramento, livro didático de português.

Introdução

A participação social, indubitavelmente, nos requer o conhecimento das práticas de leitura e escrita: desde ações mais simples, como pegar um transporte coletivo, até ações mais complexas, como, por exemplo, fazer valer o código de defesa do consumidor. É nesse sentido que desenvolver e aprofundar conhecimentos que envolvam atividades de letramento é basilar para o exercício da cidadania. Tendo por norte tal concepção, nosso trabalho adere a pressupostos que vislumbram a linguagem como uma prática sociointerativa, contexto no qual a leitura é entendida como um processo sociocognitivo e político de interação humana que envolve a decodificação de um sistema lingüístico situado nas práticas sociais, tais como os estudos de Koch (2009), Kleiman (2004) e Marcuschi (2008) apóiam. Filiando-se ainda à Teoria dos Gêneros do Discurso de Bakhtin (1997), ressaltamos que as práticas sociais de uso da linguagem orientam-se com base na

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interação via gêneros do discurso (gêneros textuais): formas relativamente estáveis de enunciados quanto aos seus aspectos conteudísticos, composicionais e estilísticos, elaborados pelas diversas esferas de comunicação humana, segundo seus propósitos. Com isso, defendemos que as ações de ler, escutar ou produzir textos se dão por intermédio de algum gênero, - bilhete, carta, conversação, entrevista, debate, artigo de opinião -, característico pelo seu funcionamento social e formal, mas também flexível à mudanças a cada situação de comunicação. Dada a importância da escola como lócus de formação cidadã de permitindo aos alunos o acesso aos bens culturais da sociedade, nasce a relevante necessidade de aprofundamento das competências leitoras daqueles que convivem numa comunidade letrada. Assim o estudo da diversidade de gêneros é um facilitador para tal. Particularmente o trabalho pedagógico com textos organizado em quadrinhos (HQ), poderá potencializar a formação de leitores que, passeando pela linguagem verbal e visual, terão a oportunidade de refletir a respeito de temáticas de interesse social, bem como estratégias discursivas de construção de humor e crítica. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo apresentar como o HQ é abordado nas atividades de leitura estudo do texto dos livros didáticos de português do Ensino Fundamental. Para tanto, analisamos, em três coleções do 6º ao 9º ano, os exercícios de compreensão e interpretação de textos voltados para tal. Metodologicamente, identificamos todos os gêneros trabalhados na referida seção, fazendo um contraponto com aqueles enquadrados no HQ. Posteriormente, apontamos aspectos relativos ao tratamento teórico-metodológico subjacente ao enfoque dado à leitura dos quadrinhos. A escolha do livro didático de português como objeto de estudo deve-se a compreensão de que ainda hoje esse material pedagógico serve como apoio singular para o professor no seu processo de ensino-aprendizagem de língua materna, tanto em escolas particulares como públicas brasileiras.

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1. Nos enquadres da leitu ra

1. Nos enquadres da leitu ra 56 João C abral de Melo Neto Miguel Falcão
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João C abral de Melo Neto Miguel Falcão

Com a imersão na epígrafe ora apresentada, observamos que o texto tem

como base uma (re)criação da obra do poeta da pedra João Cabral pelo quadrinista Miguel Falcão. No seu processo constitutivo, o texto em tela retoma os versos do Morte e vida severina ao mesmo tempo que os recontextualiza, abrindo novas possibilidades

de leitura por parte do leitor. Esse processo de trabalho com a linguagem é apenas uma

das múltiplas facetas dos seus usos - usos que nascem na vida explodida do dialogismo sociointerativo:

A leitura é, pois, uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza evidentemente com base nos elementos linguísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes no interior do evento comunicativo. (KOCH & ELIAS, 2009, p.11)

Os enquadres da leitura, por assim dizer, vão além da decodificação de um código organizado em um sistema, conferem, pois, a atribuição de sentidos ao que é decodificado, com a mobilização socicognitiva de conhecimentos prévios como os de ordens interacional, enciclopédica, textual:

Na compreensão influenciam condições textuais, pragmáticas, cognitivas, interesses e outros fatores, tais como conhecimento do leitor, gênero e forma de textualização. Por isso a compreensão de texto é uma questão complexa que envolve não apenas fenômenos linguísticos, mas também antropológicos psicológicos e factuais. As inferências lidam com as relações entre esses conhecimentos e muitos outros aspectos. (MARCUSCHI, 2008, p. 249)

O texto, verbal e/ou não verbal, funda-se como mediador do diálogo entre autor e leitor, numa produção mútua de sentidos orientada por seus objetivos

sociocomuncativos. É nessa linha de pensar que a leitura, assim como a escrita e a fala e

a escuta, é entendida como um pratica social, que envolve usos situados contextualmente da linguagem:

Nessa perspectiva, os usos da leitura estão ligados à situação; são determinados pelas histórias dos participantes, pelas características da instituição em que se encontra pelo grau de formalidade ou informalidade da situação, pelo objetivo da atividade de leitura, diferindo segundo o grupo social. (KLEIMAN, 2004, p.14)

Enquanto prática social, o acesso à leitura é de suma relevância para participação do cidadão no sentido de compreender as construções simbólicas nas quais

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está imerso; bem como intervir socialmente com base na produção do seu próprio discurso:

Ler é numa primeira instância possuir elementos de combate à alienação e

ignorância. (

)

O ato de ler se constitui num instrumento de luta contra a

dominação. (

)

A leitura, se efetuada dentro de moldes críticos, sempre leva

á produção ou construção de outro texto: o texto do próprio leitor. Em outras palavras, a leitura crítica sempre é geradora de expressão: o desvelamento do próprio SER do leitor, levando-o a participar do destino da sociedade a qual ele pertence. (SILVA, 1991, p.49-53)

É fato que a escola é um espaço em que a aprendizagem da leitura é priorizada, nesse sentido, a ação pedagógica para formação dos leitores na perspectiva do letramento trata essa prática de linguagem visando a levar o aluno ao reconhecimento de um código linguístico e suas formas de decodificação; à construção de significados situados contextualmente com base em elementos de ordem sociocognitiva e pragmática; à participação em práticas dialógicas, sócio-interativas e históricas, de uso da linguagem; e à ação sociopolítica, instrumento de luta do cidadão.

Assim, quanto os objetivos de se aprender a leitura na escola, diríamos que não poderia deixar de se prestar à participação de ordem interativa das atividades em comunidade. Dentre tantos outros objetivos de leitura, poderíamos destacar: ler para viver com os outros no quadro de uma vida cooperativa; para comunicar com o exterior; para descobrir informações; par fazer; para nutrir e estimular o imaginário; para documentar-se; ente outros (cf. JOLIBERT, 1994). Segundo Koch & Elias (2009, p.19),

De modo geral, podemos dizer que há textos que lemos porque queremos nos manter informados (jornais, revistas); há outros textos que lemos para realizar trabalhos acadêmicos (dissertações, teses, livros, periódicos científicos); há, ainda, outros textos cuja leitura é realizada por prazer, puro deleite (poemas, contos, romances); e, nessa lista, não podemos esquecer os textos que lemos para consulta (dicionários, catálogos), dos que somos obrigados a ler de vez em quando (manuais, bulas), dos que nos caem em mãos (panfletos) ou nos são apresentados aos olhos (outdoors, cartazes, faixas).

As palavras das autoras supracitadas revelam o quando são diversas e dinâmicas as práticas de leitura de que um sujeito pode participar na sua vida cotidiana. Na escola, é importante que isso seja levado em consideração, pois quanto maior for o trabalho com a diversidade de situações interativas, quanto mais gêneros textuais o aluno conhecer e usar, mais integrado à comunidade letrada ele poderá ficar, bem como mais acesso aos bens culturais ele terá e, consequentemente, mais incluso socialmente ele será. Nesse contexto insere-se o trabalhar com o HQ na sala de aula, e, mais especificamente, com base no livro didático de português (LDP). Explorar a pluralidade de gêneros textuais que se organizam quadro a quadro, seus conteúdos dizíveis, formas e funções sociodiscursivas, envolvendo a reflexão sobre os contextos de produção, circulação e consumo

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desses gêneros certamente será uma significativa contribuição do ensino de língua materna para o aprofundamento das competências interativas dos estudantes 1 .

2. Leitura estudo do texto: o espaço do HQ nos livros didáticos

Tendo em vista a plasticidade do gênero do discurso, - na ótica de Bakhtin, seu traço relativamente estável -, compreendemos que vários gêneros textuais organizam-se com base em quadros, associando o não-verbal ao verbal na maioria dos casos. Costa (2008), no seu dicionário de gêneros textuais apresenta algumas definições elucidativas sobre alguns desses gêneros em quadrinhos, as quais retomamos:

Cartum (

desenhado em cartão . Como gênero do domínio jornalístico, passou a ser usado como desenho humorístico ou satírico veiculado, em geral, por jornais

e revistas. Acompanhado ou não de legenda, de caráter extremamente crítico,

retrata, de forma bastante sintetizada, algo que envolve o dia a dia de uma sociedade. Trata-se de um desenho humorístico ou caricatural, ou seja, uma espécie de anedota gráfica, geralmente destinad a publicação, que satiriza comportamentos humanos. (pp.57-58)

adaptado do inglês cartoon, significa esboço ou modelo

)

Charge (

balão, veiculado pela imprensa, que tem por finalidade satirizar e criticar

geralmente é um texto de opinião,

algum acontecimento do momento. (

expresso em dimensão verbal e não verbal (

ilustração ou desenho humorístico , com ou sem legenda ou

)

)

). (p.60)

Apesar de ser confundido com o cartum, palavra de origem inglesa (cartoon), são dois gêneros textuais diferentes, pois, ao contrário da charge, que sempre

é uma crítica contundente, o cartum retrata situações mais corriqueiras do dia

a dia da sociedade. (p.62)

Em resumo, a HQs teria 3

características essenciais: a) a maioria possui uma interação dinâmica, criativa e harmoniosa entre história, palavras e imagens/desenhos/ilustrações; b) a quase totalidade dos textos é do tipo narrativo; c) o suporte deve ser

manuseável e portátil, sendo o papel o mais comum. (p. 128)

História em quadrinhos (HQs) (

)

Tira / Tirinha Segmento ou fragmento de HQs, geralmente com três ou quatro quadros, apresenta um texto sincrético que alia o verbal e o visual no mesmo enunciado e sob a mesma enunciação. Circula em jornais ou revistas, numa só faixa horizontal de mais ou menos 14cm x 4cm, em geral na seção Quadrinhos do caderno de diversões, amenidades ou também conhecido como recreativo, onde se podem encontrar Cruzadas, Horóscopo, HQs, etc. (pp. 191-192)

1 Nestes mesmos Anais, publicamos o trabalho HISTÓRIAS EM QUADRINHOS EM SALA DE AULA:

LER PARA QUÊ?, momento em que também apresentamos reflexões sobre de constituição dos gêneros associados.

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Pelo exposto, observamos que esses gêneros mantêm ora relações de

aproximação ora de distanciamento quantos aos seus aspectos constitutivos e

funcionais, a esse conjunto de gêneros denominamos de forma geral neste trabalho

como HQ.

Considerando tal universo, verificamos sua exploração nas atividades de leitura

estudo do texto quando o LDP o toma como texto privilegiado da unidade pedagógica

em trabalho, e a esse dirige o principal exercício de compreensão e interpretação textual

da lição. As coleções selecionadas para estudo são aprovadas pelo Programa Nacional

do Livro Didático 2008, Ministério da Educação, a saber:

Coleção 1 Cereja, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Português Linguagens. Editora Ática. Coleção 2 Soares, Magda. Português uma proposta para o letramento. Editora Moderna. Coleção 3 Takazaki, Heloísa. Linguagens no século XXI. Editora IBEP.

Observamos que, no conjunto das coleções didáticas, os gêneros textuais

privilegiados nas atividades de leitura estudo do texto compreendem, segundo ordem de

recorrência: crônica, poema, reportagem.

Considerando a ocorrência de 49 diferentes gêneros textuais abordados nas

atividades de leitura em questão, o HQ, embora não tão explorado como aqueles do

domínio literário (crônica, poema, conto) e tradicionalmente jornalístico (reportagens,

entrevista) figura entre os selecionados para a abordagem pedagógica discutida nesse

trabalho, estando entre os 10 gêneros mais evidenciados, como nos indica a tabela 1.

Gêneros

Ocorrências

%

1. Crônica

38

17,84

2. Poema

22

10,33

3. Reportagem

16

7,51

4. Artigo de opinião

13

6,10

5. Conto

13

6,10

6. Texto informativo

13

6,10

7. Narrativa ficcional

11

5,15

8. Entrevista

8

3,78

9. Cartaz

5

2,35

10. HQ

5

2,35

11. Relato

5

2,35

12. Anúncio publicitário

4

1,88

13. Matéria jornalística

4

1,88

14. Obra de arte

4

1,88

15. Romance

4

1,88

16. Artigo de divulgação científica

3

1,41

17. Depoimento

3

1,41

18. Notícia

3

1,41

60
60

19. Textos descritivos

3

1,41

20. Verbete (dicionário e enciclopédia)

3

1,41

21. Capa de revista

2

0,93

22. Carta pessoal

2

0,93

23. Conselho

2

0,93

24. Primeira página de jornal

2

0,93

25. Canção

1

0,47

26. Caricatura

1

0,47

27. Carta do leitor

1

0,47

28. Cartão

1

0,47

29. Cordel

1

0,47

30. Conversação

1

0,47

31. Discurso político

1

0,47

32. Editorial

1

0,47

33. E-mail

1

0,47

34. Fábula

1

0,47

35. Haicai

1

0,47

36. Texto de humor

1

0,47

37. Lenda

1

0,47

38. Mensagem

1

0,47

39. Mito

1

0,47

40. Peça teatral

1

0,47

41. Piada

1

0,47

42. Provérbios

1

0,47

43. Referências Bibliográficas

1

0,47

44. Resenha

1

0,47

45. Resumo de texto informativo

1

0,47

46. Sumário

1

0,47

47. Telenovela

1

0,47

48. Texto de Lei

1

0,47

49. Texto instrucional

1

0,47

Total

213

100

Tabela 1 Distribuição dos gêneros textuais nas atividades de leitura estudo do texto nos LDP

Analisando a distribuição de HQ segundo coleção 2 -ano nas atividades de leitura estudo do texto nos LDP, verificamos que o referido gênero é alvo de exploração tipicamente no sexto ano do ensino fundamental, como nos mostra o quadro 1.

Coleção

Ano

Ocorrência(s)

3

6

1

3

7

1

3

9

1

2

6

1

1

6

1

Quadro 1 - Distribuição coleção-ano de HQ nas atividades de leitura estudo do texto nos LDP

2 Coleção 1 Cereja, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Português Linguagens. Editora Ática. Coleção 2 Soares, Magda. Português uma proposta para o letramento. Editora Moderna. Coleção 3 Takazaki, Heloísa. Linguagens no século XXI. Editora IBEP.

61
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A leitura estudo do texto dirigida ao HQ é enfatizada pelas coleções didáticas,

salvo coleção 3, como elemento de letramento dirigido ao público infanto-juvenil, com faixa etária de 10 a 12 anos em média. O dado pode revelar que as coleções vislumbram

que esse gênero não é adequado ao público adolescente, apresentando uma lacuna quanto ao aprofundamento das competências de leitura correlacionadas ao gênero em tela. Na atualidade, o consumo do HQ é bastante comum entre o referido público nos diversos espaços sociais em que circula, o que merece atenção da escola, no tocante a ampliação das discussões das temáticas que abordam como também do funcionamento sociodiscursivo e formal de uma gama de gêneros que se organiza com base nos quadrinhos e ainda com base nas relações intertextuais que mantém com os mesmos. A leitura dos quadrinhos requer, além de reflexão a respeito da situação interativa em que o texto se insere, o trabalho com os aspectos verbais campo da tipologia textual, da morfossintaxe e das relações semânticas, a exemplo; como também

a percepção de questões estéticas associadas à imagem e de um conjunto de

informações codificadas nos traçados (perspectiva, tonalidades, contornos, entre outros).

A inter-relação verbal e não-verbal é basilar na construção do sentido do texto:

a exploração dos elementos da narrativa, incluindo a construção de personagens (herói e

vilão, por exemplo), ou de outro tipo textual como o argumentativo; o uso de onomatopéias e interjeições; as estratégias discursivas de produção de humor ou ironia; complementam-se, articuladamente na seqüência dos quadros, com elementos imagéticos tais como a diversidade de formas de balões e seus significados; mecanismos de representação de emissão de som; metáforas visuais, entre outros. No que tange aos exercícios de compreensão e interpretação de textos associado ao HQ, observamos que as atividades do LDP visam levar o aluno a reconhecer elementos relativos ao conteúdo temático, à composição e ao estilo do gênero, como também estão em pauta questões que orientam para a reflexão sobre a função social do texto, compreendendo análise dos elementos envolvidos na produção, circulação e consumo do gênero, mesmo que em alguns casos superficialmente.

O texto A vocação do Geraldinho de

Ziraldo (Coleção 1) (Figura 1), por exemplo, abre

a unidade letiva de temática Crianças . Do

gênero história em quadrinhos, inicia um momento

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abre a unidade letiva de temática Crianças . Do gênero história em quadrinhos, inicia um momento

Figura 1

didático voltado para o estudo desse gênero que compreende atividades de leitura e produção. Junto ao texto, como estratégia de se resgatar ou apresentar conhecimentos que auxiliarão à compreensão textual, informações sobre a autoria do mesmo são expostas em box (Figura 2). Dados sobre o autor do texto, vida, obras e estilo são resgatados pela coleção, apresentando-se assim como elemento de contextualização da produção textual. Ainda são expostos, também em boxes, acompanhando as questões da atividade de Estudo do texto compreensão e interpretação , dados sobre como surgiu a turma do Pererê , personagens presentes na história; e informações sobre os quadrinhos no mundo , breve histórico do seu surgimento. Esses

últimos dois boxes apontam sutilmente para as condições de circulação e consumo do gênero textual em questão. No que se refere às questões da atividade de leitura estudo do texto, tomamos como parâmetro de análise a tipologia de perguntas de compreensão oriunda das pesquisas de Marcuschi (2008). Segundo o autor, os tipos de perguntas mais presentes nos LDP são assim categorizados:

de Marcuschi (2008). Segundo o autor, os tipos de perguntas mais presentes nos LDP são assim

Figura 2

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Observamos que inferencial , (MARCUSC HI, 2008, p. 271-2) num total de 13 itens, 07

Observamos que inferencial ,

(MARCUSC HI, 2008, p. 271-2)

num total de 13 itens, 07 questões enqua dram-se no tipo

Quan do Geraldinho recebe uma segunda mensagem da cap ital, ele levanta uma h hipótese sobre o conteúdo da carta. A) Qual é essa hip ótese?

e 06 questões enquadram-s e no tipo Subjetivas , de base opinativa,

A car ta tenta desfazer um equívoco cometido nos testes voc acionais de Geral ldinho. Na sua opinião:

a) Os amigos de Geraldinho já sabiam que ele estava prati cando a profissão errad a? Justifique a sua resposta. b) O sacrifício dos amigos foi em vão/ Por quê?.

(Coleçã o 1 6º ano p.81)

base inferencial são de extrema impo rtância para o

desenvolvimento da comp etência leitora visto que exigem um apr ofundamento do

do aluno está em

voga, relacionam-se super ficialmente com o texto, podendo o aluno re spondê-la como

horizonte de compreensão do aluno. As subjetivas, nas quais a opinião

As

questões

de

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queira e a validade dessa resposta está assegurada. Nesse caso, o professor ao fazer suas considerações, deverá ser cauteloso no sentido de verificar que várias possibilidades de respostas (até díspares) são cabíveis na interpretação do grupo, favorecendo assim o trabalho com a leitura crítica. Notamos ainda que as questões voltadas para a leitura em tela focam a reflexão a respeito do conteúdo do texto, ficando a discussão a respeito da construção de sentido com base na relação verbal e não-verbal em segundo plano (mesmo que essa relação venha a ser explorada nas atividades de produção textual na mesma coleção). Não tão distante da coleção 1, a coleção 2 também, ao trabalhar com a leitura do HQ como texto de destaque na unidade, apresenta informações introdutórias sobre as condições de produção do texto, circulação e consumo do texto. Variando as suas questões entre inferenciais (em maior número), subjetivas e objetivas, além de apresentar indagações a respeito da temática textual, pré-adolescência , ainda leva o aluno a refletir sobre as estratégias de construção do humor nos quadrinhos,

A história em quadrinhos que vocês leram e interpretaram é uma história de humor: uma história engraçada, que faz rir. O que faz essa história se engraçada?,

(Coleção 2 6º ano p.37)

bem como sobre a construção de sentido na associação das linguagens verbal e não- verbal,

A história em quadrinhos é uma história contada por meio de palavras e de desenho. Observem e analisem o que o desenho conta. (Coleção 2 6º ano p.37)

No que tange à coleção 3, observamos que a mesma explora a HQ em mais de um volume como texto de destaque da unidade. No livro 6º ano, insere-se o estudo dos quadrinhos numa unidade temática que tem por objetivo trabalhar com estratégias de humor numa diversidade de gêneros textuais. É nesse contexto que elege os tópicos O humor dos quadrinhos e Recursos dos quadrinhos para tal. Quanto ao primeiro caso, apresenta duas tirinhas para análise, questionando sobre o tema, sobre o papel da imagem na construção do humor, a construção dos personagens. Sobre os segundo caso,

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com mais três tirinhas, reflete sobre os recursos usados pelo desenhista para representar a situação textual (considerando balões, imagens, onomatopéias, tipos de letras). No livro do 7º ano, aprofunda-se o estudo das HQs: há uma unidade integralmente destinada ao estudo dos quadrinhos, História em quadrinhos e super- heróis , enfocando: a estrutura narrativa; os super-heróis; a relação entre as diversas histórias em quadrinhos; os recursos da HQ e ainda os diferentes estilos de HQ. Na atividade de leitura estudo do texto, apresenta-se uma história do personagem Calvin (de Watterson) para indagar especialmente sobre a construção da narrativa. No livro do 8º ano, o quadrinho, cartum, é usado como pretexto para estudo do gênero conto, questionando o aluno sobre as relações de semelhanças e diferenças entre os dois gêneros textuais. No que se refere à tipologia de questões, a coleção 3 apresenta, assim como as demais coleções, uma gama de questões inferenciais, e também subjetivas e objetivas, sendo as duas últimas em menor recorrência. Questões inferenciais globais são bastante exploradas:

Em uma atividade coletiva e com a ajuda do professor, reescrevam a história do Calvin, utilizando exclusivamente a linguagem verbal. Agora responda:

- Que diferenças existem entre os textos que vocês fizeram e a HQ? - Quais elementos não estavam descritos na HQ que tiveram de ser explicitados no seu texto? - O que foi suprimido?

(Coleção 3 7º ano p.132)

Nessa atividade, o aluno fará uma retextualização da tira lida o que lhe exigirá uma compreensão global do texto, bem como o conhecimento das relações entre gêneros. A ajuda do professor é fundamental para problematizar e fazer com que o aluno possa articular conhecimentos prévios ou novos na realização da atividade que passeia entre a leitura e a produção de texto.

Considerações Finais

Os resultados da análise dos livros didáticos de português, quanto às atividades de leitura dos quadrinhos, mostram que alguns gêneros são privilegiados nesse momento de estudo, como tirinhas e histórias de gibi, ficando outros em segundo plano tais como cartum e charges que são em geral apresentados em leituras complementares.

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Esse dado, ao nosso olhar, deveria ser revisto a fim de que o contato mais aprofundado com a diversidade textual pudesse facilitar o desenvolvimento de estratégias de leitura e compreensão de textos que cada gênero requer. Também observamos que há um descompasso entre a faixa etária e a apresentação do HQ para os estudantes: os livros destinados ao público do 6º ano do ensino fundamental são aqueles em que se figuram com maior freqüência os quadrinhos na leitura estudo do texto. Dado o interesse pela leitura do gênero ser estendido a um público que varia de crianças a adultos, far-se-ia produtivo que, considerada a complexidade de abordagem, a leitura dos quadrinhos estivesse presente em todos os níveis do ensino fundamental, passando de um tratamento mais lúdico para um mais crítico, obviamente sem se perder tons humorísticos, dos discursos que interpretam as relações sociais e políticas em que nos inserimos. Destacadas lacunas do LDP, verificamos, por outro lado, que há uma tendência dos autores das coleções didáticas de, ao se trabalhar em leitura e produção o estudo de um gênero eleito, refletir a respeito dos elementos do contexto de produção, circulação e consumo daquele gênero textual, bem como a respeito dos aspectos relativos a conteúdos e formas textuais a esse contexto associados. Também na construção das questões dirigidas aos textos em leitura valorizam o processo inferencial sem deixar de lado o apoio à subjetividade do leitor, nesse caso, o horizonte de compreensão exigido dos alunos é significativo para a sua formação. Finalmente, gostaríamos de frisar que o LDP não é o único material didático à disposição do professor e nem é essa a pretensão daqueles que os produzem. Portanto, cabe ao docente tomar esse material pedagógico como um, entre tantos, recurso didático para auxiliar sua prática, e cabe ainda avaliar a qualidade do livro adotado, bem como a adequação das propostas a sua prática e a peculiaridade de cada grupo de alunos a que leciona. É nesse sentido que se faz importante na formação docente consolidar teorias e práticas, num movimento constante de ação e reflexão sobre o ensino-aprendizagem.

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Referências

BAKNTIN, M. Estética da criação verbal. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997. COSTA, S. R. Dicionário de gêneros textuais. 2. Ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. JOLIBERT, Josett. Formando crianças leitoras. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. KLEIMAN, Ângela. Abordagens da leitura. Scripta, Belo Horizonte, vol. 7, n. 14, 2004.

PP.13-22.

KOCH, Ingedore G. V.; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos dos textos. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2009. MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008. SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura na escola e na biblioteca. 3. ed. Campinas:

Papirus, 1991.

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I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE.
I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE.
I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE.

I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP. Centro de Convenções da UFPE. Recife, 29 a 31 de Julho de 2011. ISSN 2238-2402

RED SON: SUPERMAN E OS LIMITES ENTRE HEROÍSMO E TIRANIA

AGOSTINHO RODRIGUES TORRES Graduando em História pela Universidade Federal do Piauí lol.amem@gmail.com

BRENO MORENO FERREIRA DA SILVA CAVALCANTE Graduando em História pela Universidade Estadual do Piauí brenokavalcante@gmail.com

EDUARDO DE ANDRADE MACHADO Graduando em História pela Universidade Federal do Piauí Bolsista PET - História da UFPI eduardo.deandrade@hotmail.com

RESUMO

Personagem criado em meados dos anos 30, por Joe Shuster e Jerry Siegel, Superman foi herói representativo da moral norte-americana, abalada durante o período da recessão econômica, que anunciava nos símbolos em que opera uma possibilidade de superação da crise e indícios de uma revitalização do sentimento patriótico. Com a mudança das conjunturas históricas, sua função dentro da cultura pop foi por diversas vezes ressignificada. Nossa intenção neste trabalho é abordar uma dessas reconstruções, buscando explorar as referências sócio-culturais que o HQ pode acrescentar como fonte plausível para a pesquisa histórica. Neste viés, perscrutaremos a imagem do Superman modulada pela DC Comics, na HQ Red Son, publicada nos EUA em 2003 pelo projeto Elseworld, que surgira com intuito de abranger as personagens mais diversas já publicadas pela empresa, numa remodelação arquetípica de suas origens, caracterizando uma desterritorialização da figura do herói.

PALAVRAS-CHAVE: Super-homem; Quadrinhos; Heroísmo; Tirania; Rebeldia

Introdução

O quadrinho, ou HQ, como correspondendo a um exercício do labor criativo e físico do ser humano, encaixa-se à sociedade enquanto produto de um trabalho. Um produto voltado a um consumo dentro dos padrões culturais. A cultura entendida em sentido lato, expande a concepção de um trabalho. Todo trabalho sendo mediado culturalmente, acreditamos ser o quadrinho um referencial duplamente profícuo para o rastreamento das formas de pensar, de registrar, de projeção de assuntos que correm nas discussões da sociedade, mesmo que de forma heterogênea e processual. Superman Red Son: Entre a foice e o martelo, publicada pela DC Comics entre abril e junho de 2003, originalmente nos Estados Unidos, no aparece como um objeto passível de ser questionado enquanto fonte para a pesquisa em história. Tendo este artigo um caráter

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introdutório na questão da análise discursiva, de conteúdo e de leitura de imagem, buscaremos nas páginas que seguem, abordar as interfaces do heroísmo, papel este que envolve o tema do quadrinho escolhido, que, inverte a postura do Superman originalmente criado na década de 30, nos Estados Unidos. Veremos aqui, um Super- homem soviético, símbolo do poder da URSS, lutando para salvar o mundo do capitalismo, para encaixar o mundo numa ética planificada, enquanto este mundo, assim como qualquer objeto meditado culturalmente, tenta ajustar-se às pressões dos atos humanos, num devenir incessante.

O Herói e o Mito

Do grego veio a palavra em latim heros, que se referia ao protagonista de uma obra narrativa ou dramática de caráter mítico 1 . Embora tenha suas variações conforme o período histórico, podemos considerar válida a idéia do herói como um protagonista que ao mesmo tempo encarna a condição humana/social embora e a transcende, sendo assim um enobrecedor e muitas vezes até mesmo fundador dos valores coletivos de uma determinada sociedade ou grupo específico.

Para o grego Hesíodo, por exemplo, o herói seria um intermediário entre a condição humana e a divina. Após a decadência da era de ouro, prata e bronze que eram espécies de paraísos primordiais vinha a era heróica, sendo depois substituída pela era de ferro, era na qual Hesíodo lamenta ter nascido em sua obra Trabalhos e dias.

O herói nas sociedades antigas eram espécies de semi-deuses ou no mínimo algum homem que tinha proteção de forças sobrenaturais, muitas vezes ele era o fundador da cultura de um certo povo servindo como um exemplo arquétipo a ser seguido. Essa situação do herói só foi modificada com o nascimento da tragédia grega que questionava as necessidades, limitações e os valores dos heróis essencialmente mitológicos.

Os primeiros heróis que surgiram literariamente foram os do gênero épico, sendo o exemplo fundador do modelo heróico aqueles protagonistas das obras Ilíada e Odisséia de Homero. Nessas obras os deuses chegavam a interferir fisicamente a favor ou contra os personagens, ajudando ou atrapalhando seu destino. A diferença entre o herói épico e o puramente mítico, é que o primeiro contém algumas características

1

MONIZ,

António.

Herói.

E-dicionário

de

termos

http://www.edtl.com.pt/bibliografias.htm >.

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literários.

Disponível

em:

<

humanas (FEIJÓ, 1984) valorizadas pelos seus ouvintes/leitores enquanto a narrativa

era declamada/lida. O herói épico era aquele que constantemente conseguia romper sua

condição humana, muitas vezes com ajuda dos deuses, mas também através de suas

próprias forças. Ele se torna divino em relação ao seres humanos comuns, mas ainda é

muito inferior às forças sobrenaturais as quais ele muitas vezes está submetido. Segundo

Joseph Campbell:

Numa palavra: a primeira tarefa do herói consiste em retirar-se da cena mundana dos efeitos secundários e iniciar uma jornada pelas regiões causais da psique, onde residem efetivamente as dificuldades, para torná-las claras, erradicá-las em favor de si mesmo (isto é, combater os demônios infantis de sua cultura local) e penetrar no domínio da experiência e da assimilação, diretas e sem distorções. (CAMPBELL, 1992, p. 12).

O herói é aquele que purifica a psique coletiva que foi desequilibrada por

algum dragão, serpente ou qualquer outro monstro que represente simbolicamente as

dificuldades psíquicas de uma comunidade ou grupo, esse herói busca forças extra-

humanas e geralmente com ajuda de artefatos sagrados e manifestações divinas

consegue causar um retorno ao equilíbrio da comunidade.

Para se compreender mais sobre as características e representações culturais

dos heróis, teremos que entender um pouco do seu universo: o mito. O historiador das

religiões Mircea Eliade discutiu exaustivamente sobre as funções dos mitos em seus

livros, para ele

o mito conta uma história sagrada, quer dizer, um acontecimento primordial que teve lugar no começo do Tempo, ab initio. Mas contar uma história sagrada equivale a revelar um mistério, pois as personagens do mito não são seres humanos: são deuses ou Heróis civilizadores. Por esta razão suas gestas constituem mistérios: o homem não poderia conhecê-los se não lhe fossem revelados. O mito é, pois a história do que se passou in illo tempore, a narração daquilo que os deuses ou os Seres divinos fizeram no começo do Tempo. Dizer um mito é proclamar o que se passou ab origine. Uma vez dito , quer dizer, revelado, o mito torna-se verdade apodítica: funda a verdade absoluta. É assim porque foi dito que é assim , declaram os esquimós netsilik a fim de justificar a validade de sua história sagrada e suas tradições religiosas. O mito proclama a aparição de uma nova situação cósmica ou de um acontecimento primordial. Portanto, é sempre a narração de uma criação : conta-se como qualquer coisa foi efetuada, começou a ser. É por isso que o mito é solidário da ontologia: só fala das realidades, do que

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aconteceu realmente, do que se manifestou plenamente (ELIADE, 1992, p. 50).

Levando em consideração as palavras de Eliade, podemos entender que os heróis

épicos ainda mantinham o caráter fundador dos personagens míticos, pois eles

geralmente agiam com os valores aristocráticos da elite militar da sociedade a qual se

referenciavam. No caso dos gregos, sabe-se que os grandes aristocratas eram o público

principal das declamações dos poemas de Homero, assim viam nos heróis modelos de

superação da existência ordinária e de manutenção da virtude.

Arquétipo na era moderna

Embora tenhamos observado as palavras de Eliade, a idéia por trás do mito

permanece vaga, tentaremos esclarecê-la por meio de sua relação com os arquétipos.

Para Jung o mito é uma das formas simbólicas através dos quais os arquétipos se

manifestam. Definir um conceito para arquétipo é uma tarefa complexa, podemos

considerar que Freud através de seus primeiros experimentos psicanalíticos trouxe a

tona o inconsciente individual, que consiste metaforicamente em um local da psique

para o qual conteúdos recalcados e esquecidos são banidos. No entanto Carl Gustav

Jung em seu primeiro artigo sobre os arquétipos no ano de 1934 na revista Eranos

Jahrbuch chegou a seguinte constatação:

segundo FREUD, o inconsciente é de natureza exclusivamente pessoal, muito embora ele tenha chegado a discernir as formas de pensamento arcaico-mitológicas do inconsciente. Uma camada mais ou menos superficial do inconsciente é indubitavelmente pessoal. Nós a denominamos inconsciente pessoal. Este porém repousa sobre uma camada mais profunda, que já não tem sua origem em experiências ou aquisições pessoais, sendo inata. Esta camada mais profunda é o que chamamos inconsciente coletivo. Eu optei pelo termo "coletivo" pelo fato de o inconsciente não ser de natureza individual, mas universal; isto é, contrariamente a psique pessoal ele possui conteúdos e modos de comportamento, os quais são 'cum grano salis' os mesmos em toda parte e em todos os indivíduos (JUNG, 2000, p. 14).

Os conteúdos inatos e coletivos do inconsciente serão denominados pelo

conceito de arquétipo. Através desta formulação Jung não está negando as

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particularidades da psique nem limitando as formas de expressão inconsciente humana, porém está lhes dando um plano de fundo inato que consistiria em fragmentos psicológicos existentes desde o primórdio da espécie. Toda mitologia, expressão religiosa e até mesmo a gênese da ciência estaria relacionado com instintos arquetípicos primitivos.

Esses arquétipos eram para os homens primitivos uma força psíquica capaz de lhes direcionar todo o conteúdo da realidade, no entanto com o marchar da história os símbolos místicos foram se esvaziando de sentido e o homem ia paulatinamente adquirindo outros que lhes parecessem mais próximos do mistério primordial. Segundo Jung esses símbolos eram tão poderosos que por milênios os homens nem se quer se perguntavam por que acreditavam neles, criam porque havia sido dito pelos antepassados mas muitas vezes não se compreendia nem o seu conteúdo, essa é uma das características das manifestações arquetípicas. No entanto com o aprimoramento da razão e a criação do ideário cientifico começou a se questionar o valor dos símbolos, dos deuses e da religião, trazendo uma consciência sobre o vazio da existência em substituição ao conteúdo antes preenchido pela crença.

Os arquétipos ainda permanecem como uma das peças fundamentais da nossa psique, enquanto existir instintos haverá arquétipos, pois os instintos são de caráter impessoal e não podem ser conectados ao inconsciente individual, portanto podemos determiná-los como estruturas indestrutíveis do ser humano. Devemos considerar que a diferença primordial entre os arquétipos a partir do século XIX é que eles passam a também se manifestar em contornos dessacralizados. A psique moderna tem diferenças históricas em relação aos outros períodos, então em grande parte não mais o místico domina nossas especulações, temos agora a ciência e todos os seus desdobramentos para nos ocuparmos.

Então na pintura, música, literatura, enfim, em todas as áreas em que o instinto pode se manifestar ou na revelação de aspirações inconscientes temos a presença de arquétipos. Um dos principais meios contemporâneos de difusão destes arquétipos é a História em Quadrinho, que possui internamente um caráter de mitologia profana. O termo profano aqui não se refere a uma negativação da HQ, apenas realça que ela não tem mais um caráter de sagrado tal como um sentimento religioso clássico.

O conceito que institui a representação geral do Super-homem é estreitamente próxima ao do mito grego de Hércules, desta forma me refiro ao personagem como

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parte do arquétipo hercúleo que se constrói através das seguintes características:

estrangeiro; indestrutível e redentor.

Primeiramente temos não mais o filho de uma mortal com o senhor do Olimpo mas um alienígena, um estrangeiro de outro planeta que a princípio sem uma explicação cai na terra ainda bebê e vai ser criado por fazendeiros humanos. A aproximação entre as duas imagens aparentemente diferentes pode ser feita através da conciliação de que tanto Hércules quanto Super-homem não são mortais, não são humanos em sentido ordinário. Clark Kent e Hércules apenas têm a aparência de humano, o primeiro é um ser de outro planeta e o outro um semi-deus. O caráter místico do mito de Hércules foi retirado em sua versão moderna, não há mais a presença do sagrado como elucidação das forças sobre-humanas e sim uma explicação profana-racional por mais rasa que seja - que consiste em o Super-homem ser de uma civilização alienígena muito mais evoluída que a espécie humana e que por isso desenvolveu poderes pessoais e tecnológicos incomparáveis.

Este arquétipo hercúleo também está presente no herói inglês épico Beowulf da antiguidade tardia. Ambos os personagens tem de passar por provas que certamente seriam mortais para os homens comuns e que no entanto embora com todo o esforço empregado, são realizadas pelos heróis sem correrem risco real. Beowulf enfrenta a fera Grendel e sua mãe dentro de território inimigo, Hércules realiza os 12 trabalhos e Super-Homem enfrenta super-vilões urbanos, o que consiste em atividade de vigilância permanente.

A diferença inicial entre Super-homem e os outros heróis que é efeito da dessacralização do arquétipo é que a vinda do herói ao planeta foi ambígua. Enquanto os heróis mitológicos são fundadores de cidades, costumes e regras cívico-religiosas, o herói contemporâneo tem que enfrentar a ambigüidade da existência. Não são humanos porém não são divinos, cometem erros e não são necessariamente agraciados pela força do destino. A queda da nave de Clark Kent causou alguns incidentes, entre eles a chuva de meteoros que acompanhava a nave trouxe fragmentos de rochas alienígenas que possibilitou a existência de humanos mutantes com super-poderes. Se os heróis míticos cumprem o seu destino já fixado desde as origens, os heróis da era moderna são levados a tentar agir como redentor da humanidade apenas a partir de circunstâncias. Em certos momentos eles notam que romperam o equilíbrio da humanidade ou que algo externo rompeu e agem no intuito de restaurá-lo.

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Como Jung já assinalava, os arquétipos embora partam do mesmo impulso instintivo vão se manifestar através dos símbolos de maneiras individuais, particulares. Por isso tantos heróis, circunstâncias e enredos, cada qual com sua particularidade e ao mesmo tempo com um plano de fundo geral, exatamente como a distinção entre inconsciente individual e inconsciente coletivo que não são dicotomias e sim uma relação de complementaridade.

Já no selo Elseworld (Túnel do Tempo na versão brasileira) o roteirista Mark Millar pondera numa história do Super-homem o outro lado deste arquétipo hercúleo, explorando justamente a ambigüidade do privilégio do super poder.

A grande pergunta que percorre subterraneamente a HQ Super-man: Red Son

acaba sendo: como a humanidade seria se alguém que pudesse ver e ouvir tudo, que fosse capaz de se locomover quase instantaneamente para qualquer lugar do planeta, tivesse força incomensurável e fosse invencível, existisse? O mundo não seria como ele acreditasse que deveria ser? Por mais que ele fosse bom, não acabaria moldando o planeta a sua imagem? O mundo não se renderia aos seus pés sem reclamar? Isso é heroísmo?

Misturando Orwell, o panóptico de Foucault, retomando o confronto já secular entre anarquismo libertário e comunismo pleno (Proudhon x Marx, na HQ será Batman

x Super-man) e fragmentos de teoria do caos-temporal, Mark Millar constrói um roteiro formidável no qual o arquétipo de herói se confunde com o do pai tirano primordial, do deus que penaliza aquele que age de maneira que não lhe agrada.

A figura de Super-homem acaba se confundido com a do Grande Irmão da obra

1984 de George Orwell. A narrativa de 1984 gira em torno de Winston Smith, um camarada que vive em uma sociedade totalitária controlada por um único partido comandando o Estado. O controle no universo da obra vai além do físico, é praticado também um controle mental. A idéia do partido é que tudo deve ser feito coletivamente, mas que as pessoas não tenham laços umas com as outras, sejam apenas úteis e fiéis ao

partido, seu lema é: GUERRA É PAZ; LIBERDADE É ESCRAVIDÃO; IGNORÂNCIA É FORÇA.

A figura principal do partido é O Grande Irmão , o ditador da Oceania que é

adorado como um deus, um líder a que todos devem amar e obedecer cegamente. Sua figura como esse trecho demonstra está espalhada em todos os locais: Moedas, selos, capas de livros, faixas, cartazes, maços de cigarro em toda parte. Sempre os olhos

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fitando o indivíduo, a voz a envolvê-lo. Adormecido ou desperto, trabalhando ou comendo, dentro e fora de casa, no banheiro ou na cama não havia fuga. Nada pertencia ao indivíduo, com exceção de alguns centímetros cúbicos dentro do crânio (ORWELL, 1986, p. 20). A figura do grande irmão vem sempre acompanhada do lema do partido ou da frase: O Grande irmão está de olho em você . Em certo momento da HQ Super-Homem se torna o líder do partido comunista na URSS e inconscientemente em nome do bem da humanidade age como o Grande Irmão .

Explorando a narrativa entremente a foice e o martelo

O Super-homem que nos é mostrado no primeiro volume de Red Son, vem a ser um rapaz que caiu de sua espaçonave misteriosa, na Ucrânia e fora criado numa fazenda coletiva, da sistemática produção de alimentos nas Repúblicas Soviéticas, tendo manifestado suas primeiras habilidades sobrehumanas a partir dos doze anos. Aos poucos, sua criação campesina com uma estrita moral rural de preparação do jovem talentoso que, até então, nada tinha de tão diferenciado, foi levando o superman a tornar-se um prestador de serviços à população mundial. A dimensão que toma, passa a transcender a responsabilidade de um agente social comum, com supervisão, supersopro, superaudição, ascende ao posto de Homem de aço do Estado Soviético, de interesse estreito do Homem de aço do Partido Comunista, Josef Stalin 2 . A relação de Super-homem com Stalin é, aparentemente tranquila, mas, em momento algum, Stalin nega suas considerações de utilização dos dotes do Super-homem para perpetuação dos ideais ou para a liderança da Mãe russa. Ainda assim, para Super-homem, sua missão não é encarregar-se do trato político, mas, sim, de ajudar o homem comum, o proletário, estando a serviço do povo de forma a renegar uma atuação nos bastidores 3 . O chefe Pyotr, da N.K.V.G, futura KGB, é um oponente da liderança de Super- homem. O militar considera o alienígena como ser excepcional aos demais, ou seja, a presença de um alienígnea qual o homem de ferro, seria uma violação do sentido pelo

2 Em diálogo com o Chefe de polícia soviético, Stalin assim se refere ao homem de aço, o que explicita a

importância da utilização da forma do superherói para a construção da identidade revolucionária, por extensão, do fomento à empresa exapansionista do Pacto de Varsóvia: Porque todos adoram o Superman, meu jovem. Ele foi criado para acreditar em tudo que eu represento e fazer a Rússia se sentir tão indestrutível quanto ele . Superman Red Son: Entre a foice e o martelo. DC Comics, 2003, 1.v. p.

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3 Respondendo a Stalin, Super-homem chega a dizer:

sua idéia de que eu quero liderar o partido é

bastante equivocada. A política me desagrada. Só vim à cidade grande a fim de usar meus poderes para ajudar as pessoas.Superman Red Son: Entre a foice e o martelo. DC Comics, 2003, 1v. p. 24.

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qual se instaurou o socialismo do império soviético. Qual seria a utilidade de um ser que não é pertencente à mãe Russa? Como um indivíduo poderia ser tão requisitado para a liderança se, contradiz a teoria marxista que diz que todos os homens são iguais 4 ? Este questionamento surge no personagem à medida que a pressão sobre a expectativa do partido cresce para a manutenção da figura simbólica do líder capaz de amalgamar a todos, imagem tão cultivada durante o período em que Stalin ascende à liderança da CCCP. A pressão, segundo o ponto de vista de Super-homem, não o faz titubear em sua escolha pela vida de prática social, na ajuda eficaz e real, imediata, de salvar vidas em perigo. Não quer assumir o controle burocrático de uma nação dividida em gabinetes. Entretanto, com Stalin inculcando essa sugestão a Super-homem e com a morte daquele, a pressão sobre quem seria o próximo líder aumenta, no debate público e na cúpula governamental da URSS. Super-homem é cotado para ser o líder, mas, este, de certa forma absorvendo a fala de Pyotr e reforçando sua ética, renega o posto de liderança, visto que, não se compreendia enquanto um indivíduo diferente ou necessário para a gerência do poder, dada suas particularidades alienígenas que, mais serviam para o conforto ideológico dos povos envoltos na Guerra Fria, particularmente do Pacto de Varsóvia, frente ao insistente incremento militar e nuclear da OTAN. Outro ponto emblemático, seria o da constatação de Pyotr da vilania e torpeza de seu trabalho, enquanto chefe de polícia. Em meio a seu desabafo com Super-homem, diz que, por conta do Dia de paradas criado para homenagens a Super-homem, teve que assassinar um casal dissidente, na frente do filho que, a despeito de sua agonia e toda a violação que sentiu ao ver seu lar ser invadido e seus pais serem assassinados de forma, aparentemente inefável, parecia sereno demais, revelando um olhar sombrio, o escombro do ser atingido em toda a profundidade psíquica, sendo desestabilizado com um simples ato necessário , do ponto de vista do controle do poder. A cidadania parece ser plástica, quando não reconhece a hierarquia de poder do partido único. O centralismo democrático é colocado tão vertical quanto o despotismo absoluto. E a figura que executa o braço do poder, reflete sua validade. Que nação é esta que se quer compor? A da uniformidade, da conivência, do silenciamento de vozes discordantes, quando estas não podem atender aos almejos dos maquinistas da superestrutura partidária que arroga para si a missão organizadora da nação, mesmo que para isto

4 Op. Cit. 1v. p 26; Em meio à cólera, Pyotr declara: Foi só depois que você apareceu que percebi o quanto meu trabalho é vil e horrível. E estou farto dele, supeman. Farto de trabalhar num sistema em que, não importa o quanto eu me esforce, jamais vou chegar ao topo do partido agora que você está por perto . p 30.

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