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Tratamento Primário - Grades

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TRATAMENTO DE EFLUENTES INDUSTRIAIS

  • 1 - Procedimentos para a redução das cargas poluidoras

Sendo os efluentes industriais as perdas de água e matérias primas ou produtos oriundos do processo deve-se em primeiro lugar verificar se estas perdas não podem ser evitadas ou reduzidas, com a finalidade de reduzir os resíduos. Alguns cuidados importantes com esta finalidade são:

_ processos de limpeza de tanques, tubulações e pisos devem ser sempre focos de atenção, pois nestes pontos originam-se importantes cargas poluidoras;

_ remover os resíduos sólidos ou semi-sólidos tais como pós ou pastas; _ evitar paralisações do processo produtivo que levam a descarte de produtos, aumentando a carga poluidora; _ verificar vazamentos em bombas ou tubulações; _ especificar as matérias primas para evitar descarte de materiais fora de especificação; _ indústrias novas devem ser projetadas de forma que os tanques e tubulações favoreçam sua limpeza; _ verificar possíveis reutilizações no processo.

  • 2 - Levantamento de dados industriais

Para caracterizar a carga poluidora dos efluentes industriais é necessário:

_ conhecer o processo industrial para a definição do programa de amostragem; _ listar a matérias-prima empregada, principalmente aquelas que de alguma forma possam ser transferidas para os efluentes; _ fluxograma do processo industrial indicando os pontos nos quais são gerados efluentes contínuos ou intermitentes; _ identificar os pontos de lançamento de efluentes; _ definir o sistema de medição de efluentes e instalá-lo; _ os turnos das operações de limpeza e manutenção; Definir os parâmetros para a caracterização do efluente que são representativos da carga poluidora, tais como:

_ os que servem para a definição do processo de tratamento; _ os que dimensionamento a estação de tratamento; _ os que atendem à legislação ambiental. _ amostragem; _ determinação da vazão.

  • 3 Determinação da vazão A vazão dos efluentes líquidos industriais é relacionada com o tempo de funcionamento de cada linha de produção e com as características do processo, da matéria-prima e dos equipamentos, podendo ser constante ou bastante variada. A quantificação da vazão do resíduo líquido industrial pode ser realizada em equipamentos eletro-mecânicos ou em medidores hidráulicos (Parshall e vertedores), sendo importante para verificar se:

    • a) a vazão é continua ou intermitente no processo produtivo;

    • b) é grande a diferença entre os valores mínimo, médio e máximo;

    • c) existe contribuição indevida, como águas pluviais e esgoto sanitário;

    • d) há pico localizado de contribuição, especialmente de determinada fase do processamento;

    • e) os índices de controle de qualidade são adequados, como os que relacionam o volume

efluente líquido industrial (m 3 ) com o consumo e custo de energia elétrica, de água e de matéria-

prima.

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A variação horária das vazões permite a elaboração do Hidrograma de Vazões, que é utilizado para determinação das vazões mínimas, médias e máximas no período estudadas. Von Sperling (1995) comenta que a vazão de esgotos advindos dos despejos industriais é função precípua do tipo e porte da indústria, processo, grau de reciclagem, existência de pré-tratramento etc. Desta forma, mesmo no caso de duas indústrias que fabriquem essencialmente o mesmo produto, as vazões de despejos podem ser bastante diferentes entre si. O conhecimento da vazão e da composição do efluente líquido industrial possibilita a determinação das cargas de poluição / contaminação, o que é fundamental para definir o tipo de tratamento, avaliar o enquadramento na legislação ambiental e estimar a capacidade de autodepuração do corpo receptor. As cargas de poluição / contaminação são normalmente expressas em kg/dia, sendo o resultado da multiplicação da vazão pela concentração do parâmetro de interesse. Por exemplo, as cargas de sólido total (C ST ) e de matéria orgânica (CO DBO5 ) são:

C ST = Q (m 3 /d) . ST (g/m 3 ) CO DBO5 = Q (m 3 /d).DBO 5 (g/m 3 )

Dispositivos de Medição de Vazão

Q = Volume/Tempo

Existem dispositivos simples: para pequenas vazões, como:

  • a) Cubagem

Anota-se o tempo que a água leva para encher um recipiente de volume conhecido. Existem locais de difícil acesso sendo praticamente impossível instalar um dispositivo para se medir a vazão, ou nos casos que os custos forem elevados para se instalar um vertedor só para se coletar uma amostra, pode-se adotar o seguinte procedimento: fecha-se a entrada do reservatório, mede- se a altura (h) e o tempo (T) que leva para se ter um

desnível ( h). b) Vertedores
desnível ( h).
b)
Vertedores
Tratamento Primário - Grades 2 A variação horária das vazões permite a elaboração do Hidrograma de

Para cada faixa de vazão deve-se adotar um tipo de vertedor, com o seu formato e equação

específica.

Tratamento Primário - Grades 2 A variação horária das vazões permite a elaboração do Hidrograma de
Tratamento Primário - Grades 2 A variação horária das vazões permite a elaboração do Hidrograma de

Calha Parshall (tem padrões pré-estabelecidos), devendo ser adquirida. É indicada para vazões >50 m3/h.

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Tratamento Primário - Grades 3 A foto mostra um vertedor triangular de Thompson, com régua de

A foto mostra um vertedor triangular de Thompson, com régua de medição instalada.

  • c) Fluxômetros: para calhas de rios, utilizam-se fluxômetros para se obter a vazão.

  • d) Traçadores Radioativos e Fluorimétricos - são utilizados nos casos de impossibilidade de

instalação de medidores de vazão. Os traçadores são utilizados também para se conhecer as zonas de dispersão de efluentes lançados em rios ou em emissários submarinos.

  • e) Vazão para estações de tratamento de águas residuárias domésticas (ETEs)

e.1) Medição através da micromedição da água - ETE Caso exista um controle e confiabilidade no sistema de micromedição e conhecimento do coeficiente de retorno, pode-se calcular a vazão de esgoto. A micromedição é a somatória dos volumes que passam pelos hidrômetros das edificações. O coeficiente de retorno representa a fração da água que retorna ao sistema coletor de esgoto, sendo a outra parte infiltrada nos jardins ou destinada as galerias de água pluvial. Esta metodologia deve considerar a vazão devida infiltração na rede coletora de esgoto.

Tabela 1. Valores usuais do coeficiente de retorno (CR).

Condição

Grandes Cidades

Cidades médias

Cidades Pequenas

CR

0,85

0,80

0,70

e.2) Vazão através da estimativa populacional Este método é usado principalmente quando o projeto da ETE preve um crescimento populacional durante o tempo de operação. Para isso deve-se estudar vários parâmetros como tendência do crescimento populacional, código de obras, plano diretor, planejamento municipal e etc. O valor encontrado nos dá a estimativa de uma população futura que nos dará o consuma de água e de esgoto gerado.

Estimativa Populacional _ Método aritmético (projeção de no máximo 5 anos) P = P 2 + K a (T T 2 ), sendo Ka = (P 2 P 1 )/(T 2 T 1 )

_ Método geométrico (projeção de no máximo 5 anos) ln P = ln P 2 + K g ( T T 2 ), sendo Kg = (ln P 2 ln P 1 )/(T 2 T 1 )

onde:

P = população estimada na projeção P 1 = população no penúltimo senso P 2 = população no último senso T = ano da projeção T 1 = ano do penúltimo senso T 2 = ano do último senso

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_

Método

da

curva

(estimativa em até 20 anos)

P =

K

1 + e

a - b.t

K =

2

 

P o P 2

- (P 1 ) 2

a =

1

log

(K - P o )

0,4343

P o

b =

-1

log

P o (K - P 1 )

0,4343d

P 1 (K - P o )

P o P 1 P 2 - (P 1 ) 2 (P o + P 2 )

logística

onde:

P o = população relativa ao tempo T 0 ;

P 1 = população relativa ao tempo T 1 ;

P 2 = população relativa ao tempo T 2 ; P = população estimada para o ano de projeção; T 1 T o = T 2 T 1 ;

P o , P 1 , P 2 devem ser tais que P o < P 1 < P 2 ; P o , P 1 , P 2 devem ser tais que P o x P 2 < P 1 ; d = intervalo constante entre os anos T 0 , T 1 e T 2 .

A

curva

logística

possui

três

trechos

distintos: crescimento acelerado, crescimento

retardado e estabilização. Considera-se neste método um limite de saturação (K).

Cálculo da vazão média de esgoto tendo-se estimada a população

Q =

Q =

P . q . CR

1000

P . q . CR

86400

m 3 d -1

L s

-1

onde

P = população estimada; CR = coeficiente de retorno de esgoto;

q = consumo per capita de água;

Q = vazão do esgoto.

Tabela 2. Consumo per capita de água(q).

Porte da comunidade

Faixa da população (hab.)

Consumo per capita -q (L hab -1 dia -1 )

Povoado rural Vila Pequena localidade Cidade média

< 5.000 5.000 10.000 10.000 50.000 50.000 250.000

90 140 100 160 110 180 120 220

Cidade Grande

> 250.000

150 300

Fonte: Sperling, M. V.(1996)

Tabela 3. Valores típicos do consumo de água (q).

Estabelecimento

Unidade

Vazão (L/unidade.dia)

Aeroporto

Passageiro

15

Banheiro Público

Usuário

25

Bar

Freguês

15

Escritório

Empregado

50

Hotel

Hóspede

150

Hotel

Empregado

50

Indústria (esgoto sanitário )

Empregado

70

Lanchonete

Freguês

15

Lavanderia Comercial

Máquina

3000

Loja

Banheiro

1500

Loja

Empregado

40

Restaurante

Refeição

40

Clínica de Repouso

Residente

400

Clínica de Repouso

Empregado

50

Escola rica

Estudante

100

Escola média

Estudantes

60

Fonte: NBR 7229, Metcalf & Eddy (1991).

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Tabela 4. Consumo de água industrial:

Ramo

Tipo

Unidade

Consumo de água (m 3 /unidade produzida)

Alimentar Frutas, legumes em conservas

1 ton. de açúcar

40

Doces

1 ton. de produto

20

Açúcar de Cana

1 ton. de açúcar

8

Matadouros

1 boi / 2,5 porcos

0.4

Laticínios

1000 L de leite

8

Cervejaria

1000 L de cerveja

15

Padaria

1 ton. De pão

4

Refrigerantes

1000 L de refr.

3

Têxtil

Algodão

1 ton. Produto

500

1 ton. Produto

600

Rayon

1 ton. Produto

50

Nylon polyester

1 ton. Produto

130

Lavanderia de lã

1 ton. Produto

50

Tinturaria

1 ton. Produto

50

Couro

Curtume

1 ton. Pele

30

Sapato

1000 pares

5

Polpa e

Fabricação de Polpa

1 ton. Produto

150

Papel

Branqueamento de Polpa

1 ton. Produto

150

Fabricação de Papel

1 ton. Produto

200

Polpa e papel integrados

1 ton. Produto

220

Químicas Tinta

1 empregado

110 l/d

Vidro

1 ton. Vidro

15

Sabão

1 ton. de sabão

150

Ácido , Base e Sal

1 ton. de cloro

50

Borracha

1 ton. Produto

125

Borracha sintética

1 ton. Produto

500

Refinaria de petróleo

1 barril (117 L )

0,3

Detergente

1 ton. Produto

13

Amônia

1 ton. Produto

115

Dióxido de Carbono

1 ton. Produto

80

Gasolina

1 ton. Produto

25

Farmacêuticos (vitaminas)

1 ton. Produto

25

Mineração Carvão

1 ton. Carvão

10

 

Ferro

1 m 3 minério

16

Fonte.: CETESB (1976), Metcalf & Eddy ( 1991) .

Deve-se considerar aos valores acima a vazão devida à infiltração na rede coletora de esgoto. A norma NBR 9649 da ABNT, diz: “TI, Taxa de contribuição de infiltração, depende de condições locais tais como: Nível de água do lençol freático, natureza do subsolo, qualidade da execução da rede, material da tubulação e tipo de junta utilizado. O valor entre 0,05 a 1,0 L/s.Km adotado deve ser justificado”.

Tabela 5. Taxas de infiltração recomendadas para projetos

Autoria

Local

TI (L/s.Km)

Ano

Metcalf & Eddy Inc.

EUA

0,15 a 0,6

1981

SABESP

Estado de São Paulo

0,05 a 0,5

1984

NBR 9649 ABNT

Brasil

0,05 a 1,0

1986

J.R.Campos & F.Y.Hanai

Araraquara

0,17

1997

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EXERCÍCIOS 01) Os habitantes de uma comunidade geram uma contribuição per capita de DBO de 54 g hab -1 d -1 , e uma contribuição per capita de esgotos de 180 L hab -1 d -1 . Calcular a concentração de DBO nos esgotos. Concentração = (carga per capita)/vazão per capita

DBO

= (54 g hab -1 d -1 ) x (1000 mg g -1 )/180 L hab -1 d -1 = 300 mg L -1

02) Calcular a carga de nitrogênio total no afluente de uma ETE, sendo dados: concentração = 45 mg

N L -1

e vazão = 50 L s -1 . Para a mesma estação, calcular a concentração de fósforo total afluente, sabendo-se que a

carga afluente é de 60 kg P d -1 .

Expressando-se a vazão em m 3 d -1 , tem-se:

Q = [(50 L s -1 ) . 86400 s d -1 ]/1000 L m -3 = 4320 m 3 d -1 A carga de nitrogênio é:

Carga N = (45 g m -3 . 4320 m 3 d -1 )/1000 g kg -1 =

194 kg N d -1

Concentração P = (60 kg d -1 . 1000 g kg -1 )/4320 m -3 d -1

=

13,9 g P m -3

=

13,9 mg P -1 L

03) Calcular o Equivalente Populacional (E.P.) de uma indústria que possui os seguintes dados:

_ vazão = 120 m 3 d -1 ; concentração de DBO = 2000 mg L -1 Solução:

A carga de DBO é:

Carga = vazão . concentração

=

(120 m 3 d -1 . 2000 g m -3 )/ 1000 g kg -1

= 240 kg DBO d -1

O equivalente populacional (E.P.) é:

EP = (carga)/(carga per capita) = (240 kg d -1 )/(0,054 kg hab -1 d -1 ) =

4444 hab

Assim, os despejos desta indústria possuem um potencial poluidor (em termos de DBO) equivalente a uma população de 4444 habitantes.

04) Estabelecer as características dos esgotos a serem gerados pela cidade A até o ano 20 de operação. A projeção populacional prevê os seguintes valores para a população a ser atendida pela futura estação de tratamento de esgotos:

A cidade possui ainda uma indústria de laticínios, com produção de leite, queijo e manteiga, que

ANO

População (hab)

processa atualmente cerca de 5000 litros de leite por dia. Há

 
  • 0 40000

previsões de expansão para o ano 10, quando a capacidade

  • 5 47000

será duplicada.

  • 10 A extensão da rede coletora de esgotos é prevista em torno de

53000

  • 15 50 Km para o ano 0, sendo a partir daí expandida num

58000

  • 20 crescimento vegetativo de aproximadamente 1 km por ano.

62000

Dada a falta de tempo e condições, não foi possível obter-se dados amostrais das características atuais dos esgotos. Estabelecer hipóteses adequadas para os diversos parâmetros de cálculo.

Calcular:

  • Estimativa das vazões:

a) vazão doméstica; vazão média; vazão máxima; vazão mínima; b) vazão de infiltração; c) vazão industrial; d) vazão total

  • Carga de DBO: DBO doméstica, DBO das águas de infiltração, DBO industrial, carga de DBO total

  • Concentração de DBO

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TRATAMENTO PRELIMINAR E TRATAMENTO PRIMÁRIO DE EFLUENTES

I Introdução O grau de tratamento de um determinado efluente sempre será função da qualidade do corpo

receptor e das características necessárias para o uso da água a jusante do ponto de lançamento, da

capacidade de autodepuração e diluição do corpo d’água, da Legislação Ambiental e das

conseqüências do lançamento destes efluentes.

O lançamento de efluentes no corpo receptor gera as seguintes conseqüências:

_ problemas de natureza ambiental ou ecológica, em que a presença da matéria orgânica dos efluentes acarreta uma depleção do oxigênio dissolvido na massa de água e reduz a vida aquática e, _ problemas de saúde pública, em que a presença de possíveis agentes transmissores de doenças de veiculação hídrica coloca em risco a saúde da população.

A capacidade de autodepuração de um rio é típica e é função de uma série de fatores. Será justamente esta capacidade de depuração que deverá indicar a quantidade de efluentes ou de matéria orgânica, que poderá ser lançada no curso d’água, a fim de que a uma determinada distância do ponto de lançamento existam condições de vida e de uso da água.

A vida aquática pode ser relacionada a porcentagem de saturação do oxigênio dissolvido presente (ou à concentração de OD presente). A tabela 1 mostra as condições de vida aquática em relação a DBO e ao OD.

Tabela1. Condições de vida aquática em relação à DBO e ao OD.

Condição do rio DBO, 20 o C (mg L -1 ) Aspecto estético OD, % da
Condição do rio
DBO, 20 o C
(mg L -1 )
Aspecto
estético
OD, % da
saturação
Condição de vida dos
peixes

Muito limpo

1

bom

80 %

normal

Limpo

~ 2

bom

80 %

normal

Relativamente limpo

~ 3

bom

80 %

normal

Duvidoso

~ 5

turbidez

50 %

só os mais resistentes

Podre

~ 7,5

turbidez

50 %

só os mais resistentes

Mau

~ 10

mau

quase nulo

difícil

Péssimo

~ 20

mau

nulo

difícil

Tratamento Primário - Grades 7 TRATAMENTO PRELIMINAR E TRATAMENTO PRIMÁRIO DE EFLUENTES I – Introdução O

Um dos critérios para a seleção do tipo e do grau de tratamento de um efluente a ser lançado

em um curso d’água considera dois aspectos fundamentais:

_ o conhecimento dos usos benéficos desejados para um corpo d’água e, por conseguinte dos padrões de qualidade a serem mantidos, em função desses mesmos usos; _ o conhecimento da capacidade de autodepuração desse mesmo rio. Estes dois aspectos irão determinar a disponibilidade de um rio em receber lançamentos de efluentes com grau compatível com os padrões de qualidade a serem mantidos e a sua capacidade de autodepuração.

Poluição é um termo relativo, que se relaciona com a introdução ou com a presença de qualquer substância no recurso hídrico, capaz de alterar, suprimir, ou de alguma forma interferir com o uso esperado ou desejado daquele recurso hídrico.

Muitas vezes são necessários vários processos de tratamento de efluentes para o seu enquadramento dentro dos padrões estabelecidos pela Legislação Ambiental. Estes processos são

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chamados de pré-tratamento, primário, secundário, terciário e até quaternário e são recomendados de acordo com a natureza do efluente a ser tratado.

II Tratamento Primário O tratamento primário de despejos tem por finalidade a remoção do material sólido em suspensão e/ou flutuante ou ainda o ajuste do pH para posterior tratamento do despejo. Desde que sua qualidade esteja de acordo com os padrões de lançamento de despejos, o efluente de uma unidade de tratamento primário pode ser diretamente lançado no corpo receptor. Caso contrário, este efluente deve ser conduzido para uma outra unidade de tratamento de modo a receber um tratamento subseqüente (tratamento secundário e/ou tratamento terciário). Nesse caso, a operação de tratamento pode ser denominada de pré-tratamento que objetiva o condicionamento do despejo para subseqüente tratamento.

Os tipos, ou operações, mais comumente empregadas no tratamento primário são:

  • a) Gradeamento

  • b) Peneiras

  • c) Caixa de areia

  • d) Sedimentação

  • e) Equalização

  • f) Neutralização

  • g) Flotação

REMOÇÃO DE SÓLIDOS GROSSEIROS

1 - GRADEAMENTO

Os efluentes industriais, além dos componentes dissolvidos, podem conter parcelas de substâncias não dissolvidas. Entre essas matérias não dissolvidas encontram-se elementos fibrosos e volumosos, sólidos pesados como areia, limo, cinzas, cacos, pedras e também sólidos flutuantes como óleos de origem animal ou mineral, gorduras, ceras e parafinas, partículas de plástico, fibras e pedaços de madeira que, em função de seu reduzido peso específico, acabam flutuando na superfície da água. Essas matérias não dissolvidas ocasionam uma poluição visível do efluente e pode dificultar o funcionamento da canalização, interferir nos processos de depuração bem como, provocar odores indesejáveis. Gradeamento é uma operação utilizada para a remoção de material sólido grosseiro. A abertura das malhas da grade varia de acordo com os objetivos da operação de remoção desses sólidos. A finalidade fundamental da remoção de sólidos grosseiros é condicionar os efluentes para posterior tratamento ou lançamento em um corpo receptor. A função das grades é reter os sólidos grosseiros que se encontram no efluente para evitar distúrbios de funcionamento nos componentes subseqüentes da instalação. A estrutura básica de uma grade é a apresentada na Figura 1. Os dispositivos de remoção de sólidos grosseiros (grades) são constituídos de barras de ferro ou aço paralelas, posicionadas transversalmente no canal de chegada dos esgotos na estação de tratamento, perpendiculares ou inclinadas, dependendo do dispositivo de remoção do material retido. As grades devem permitir o escoamento dos esgotos sem produzir grandes perdas de carga, cuidando para que o fluxo de impacto seja homogêneo para que não haja desgaste precoce da instalação em função de um acúmulo de materiais em um lado, provocando um depósito muito irregular. As velocidades de impacto da água através da seção transversal livre com grades semi-ocupadas não devem ultrapassar 1,0 - 1,2 m s -1 uma vez que, frente a um fluxo de impacto muito forte, o material retido é imprensado através das grades ou fica preso entre as grades dificultando sua retirada. A retenção realizada pelas grades depende da distância e do formato das barras bem como da velocidade de impacto.

Tratamento Primário - Grades

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A limpeza de grades, normalmente, realiza-se de forma mecânica ou por um chamado pente móvel que se encaixa entre as grades. A limpeza da grade é realizada em períodos regulares ou, então, quando atingir uma determinada diferença de nível da água, é desencadeada automaticamente. De acordo com a distância entre as barras, as grades são subdivididas conforme a Tabela 2 e sua dimensão e eficiência, são dadas pelas Tabelas 3 e 4.

vista
vista
Tratamento Primário - Grades 9 A limpeza de grades, normalmente, realiza-se de forma mecânica ou por
 
Tratamento Primário - Grades 9 A limpeza de grades, normalmente, realiza-se de forma mecânica ou por

sentido do fluxo

Tratamento Primário - Grades 9 A limpeza de grades, normalmente, realiza-se de forma mecânica ou por

corte

Tratamento Primário - Grades 9 A limpeza de grades, normalmente, realiza-se de forma mecânica ou por

h

Figura 2. Estrutura básica e disposição de uma grade.

Tabela 2. Denominação das grades conforme o espaçamento entre as barras.

Tratamento Primário - Grades 9 A limpeza de grades, normalmente, realiza-se de forma mecânica ou por

Denominação da grade grade grosseira grade média grade fina

Distância entre as barras

4 10 cm 2 4 cm 1 2 cm

Tratamento Primário - Grades 9 A limpeza de grades, normalmente, realiza-se de forma mecânica ou por

A desvantagem das grades repousa no fato de que sólidos finos e fibras podem atravessar seus vãos flutuando na água.

O gradeamento é a primeira unidade de uma estação de tratamento de esgoto, sendo que essa unidade, só não deve ser prevista, na ausência total de sólidos grosseiros no efluente a ser tratado.

  • 1.1 - Dimensionamento Recomendações ABNT P-NB-569 e P-NB-570

  • 1.2 - Espaçamento e dimensões das grades

Na Tabela 3 constam as dimensões das barras , as quais devem ser robustas para suportar os

impactos e esforços devidos aos procedimentos operacionais exigidos das mesmas.

Tabela 3. Aberturas ou espaçamentos das barras e suas dimensões.

Tratamento Primário - Grades 9 A limpeza de grades, normalmente, realiza-se de forma mecânica ou por

Tipo de grade Espaçamento entre as barras (mm)

Espessuras das barras mais usuais (mm)

Grosseira

40

10 e 13

60

10 e13

80

10 e 13

100

10 e13

Média

20

8 e 10

30

8 e10

40

8 e 10

Fina

10

6; 8 e 10

15

6; 8 e 10

20

6; 8 e 10

Tratamento Primário - Grades 9 A limpeza de grades, normalmente, realiza-se de forma mecânica ou por

Tratamento Primário - Grades

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Tratamento Primário - Grades 10 Figura 3. Grade mecanizada. A eficiência é dada por O sistema

Figura 3. Grade mecanizada. A eficiência é dada por

O sistema de gradeamento pode conter uma ou mais grades. As grades grosseiras são utilizadas, quando o esgoto apresenta grande quantidade de sujeira. Nas grades são retidos pedras, pedaços de madeira, brinquedos, animais mortos e outros objetos de tamanho elevado. As grades média e fina devem ser utilizadas para retirada de partículas, que ultrapassam o gradeamento grosseiro. As grades fina e média só devem ser instaladas, sem o gradeamento grosseiro, no caso de remoção mecânica dos resíduos. Depois de retido pelo sistema de gradeamento o material deve ser removido e exposto a luz, para secar, sendo em seguida encaminhado para um aterro sanitário ou incineração. Para pequenas estações (vazão < 5 L/s), pode-se enterrar este material, desde que, adequadamente. Deve-se ter vários cuidados para que não ocorra o acúmulo de resíduos no gradeamento para não originar mau cheiro.

  • 1.3 - Inclinação entre as barras

As barras podem ser verticais ou inclinadas (45 o ou 60 o com a horizontal). As inclinações são

adotadas para grades finas de limpeza manual.

  • 1.4 - Tipos de grades

O tipo de grade é definido pela localização (área, remoção e transporte), vazão (0,6 m s -1 a 1,0 m s -1 ) e eficiência da grade (Tabela 4).

E =

a

a + t

a = espaçamento entre as barras;

t = espessura das barras

Tabela 4. Eficiência do sistema de gradeamento.

Tratamento Primário - Grades 10 Figura 3. Grade mecanizada. A eficiência é dada por O sistema
t a = 20 mm a = 25 mm 6 mm 75 % 80 % 8
t
a = 20 mm
a = 25 mm
6
mm
75 %
80 %
8
mm
73 %
76,8 %
10
mm
67,7 %
72,8 %
13
mm
60 %
66,7 %
a = 30 mm
83,4 %
80,3 %
77 %
71,5 %

a: espaço entre as barras; t: espessura das barras;

Grades, cujo processo de limpeza é mecânico, podem ser distinguidas entre grades de encaixe (remoção por um pente móvel) e grades rotativas (afasta o material retido nas grades por dentes presos nas correntes circulares).

1.5 - Material retido

_ condicionamento (lavados, secados, adições de substâncias químicas) _ incinerado;

_ aterro sanitário.

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REMOÇÃO DE SÓLIDOS FINOS

2 - PENEIRAS

Como no sistema de grades passam materiais sólidos longos, finos e fibras conseguem passar flutuando através da grade, até mesmo nas grades finas, o sistema de grades tem sido cada vez mais complementado com peneiras ou até, substituídas por elas. As aberturas da malha empregada ou das chapas perfuradas situam-se na faixa de 5 mm e 0,15 µm. É evidente que quanto menor a abertura entre as malhas, maior o risco de obstrução e oclusão bem como, de perda de pressão frente às redes de aberturas maiores. Quanto maior for à retirada dos componentes sólidos do efluente, tanto maior é a quantidade de lodos residuais que devem ser eliminados na primeira etapa de tratamento. Pelas peneiras (malha de 2,5 mm) pode ocorrer uma redução da DBO 5 de 10 - 20 % em instalações municipais de tratamento de esgoto. As peneiras mecânicas mais simples são as peneiras em arco (Figura 4). Elas não possuem peças móveis. O efluente flui de cima para baixo atravessando a peneira enquanto o material retido na peneira se desloca para baixo e com isso, é desidratado. Um sistema parecido à peneira rotatória é a peneira em cuba (Figura 5), cuja limpeza se dá mediante escovas de limpeza rotativas.

alimentação alimentação sólidos líquido descarte de depurado sólidos escoamento Figura 4. Peneira em arco (Kunz, 1990)
alimentação
alimentação
sólidos
líquido
descarte de
depurado
sólidos
escoamento
Figura 4. Peneira em arco (Kunz, 1990)
http://www.fh-nuernberg.de/tc/lab-aust/lim/abwasserkap4.pdf sentido da rotação escovas reguláveis raspador eliminação dos sólidos grosseiros chapa perfurada entrada (conexão do
http://www.fh-nuernberg.de/tc/lab-aust/lim/abwasserkap4.pdf
sentido da rotação
escovas reguláveis
raspador
eliminação
dos sólidos
grosseiros
chapa
perfurada
entrada (conexão do tubo)
aberturas de acesso
com tampas
a água depurada cai através
embocadura (vertedouro
do piso aberto
em canal de queda)

Figura 5. Peneira em cuba (Kunz, 1990) Peneiras rotatórias (Figura 6) são compostas de um tambor que gira lentamente, provido de um envoltório com aberturas circulares ou em fendas através do qual o efluente flui de fora para dentro, ou em sentido contrário, e com isso é liberado dos sólidos. Nos tambores com alimentação interna do efluente, o descarte do material retido na peneira acontece por uma rosca sem fim de alimentação externa, através de um sistema autolimpante.

Tratamento Primário - Grades 11 REMOÇÃO DE SÓLIDOS FINOS 2 - PENEIRAS Como no sistema de

Figura 6. Peneira rotativa (Kunz, 1990).