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Santos, Sérgio Ribeiro dos.

Administração aplicada à enfermagem / Sérgio Ribeiro dos
Santos. 3.ed. – João Pessoa: Idéia, 2007. 237p.

Bibliografia.
ISBN 85-7539-062-7

CDU: 616-083:658








































A minha família

Fátima, esposa amada, Sarah e Filipe meus amados
filhos, pelo apoio, incentivo e compreensão.



SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
CAPÍTULO 1: Introdução às teorias da administração
1. Evolução histórica da administração ....................................................................... 2
2. Administração científica .......................................................................................... 4
3. Teoria Clássica e seus fundamentos ...................................................................... 7
4. Teoria das relações humanas ................................................................................. 9
5. Administração por objetivo (APO) ........................................................................... 12
6. Teoria da burocracia ............................................................................................... 14
7. Teoria estruturalista ................................................................................................ 15
8. Teoria comportamental ........................................................................................... 16
9. Teoria de sistemas .................................................................................................. 19
10. Implicações do estudo das teorias administrativas no serviço de enfermagem ..... 21
Resumo ...................................................................................................................... 23
Questões para revisão e discussão ........................................................................... 24
Referências... ............................................................................................................. 25
CAPÍTULO 2: ORGANIZAÇÃO HOSPITALAR
1. Histórico .................................................................................................................. 27
2. Funções do hospital ................................................................................................ 29
3. Classificação dos hospitais ..................................................................................... 34
4. Estrutura organizacional do hospital ....................................................................... 38
5. Terminologia hospitalar ........................................................................................... 44
6. Indicadores hospitalares ........................................................................................ 54
Resumo ...................................................................................................................... 56
Questões para revisão e discussão ........................................................................... 57
Referências... ............................................................................................................. 58
CAPÍTULO 3: O PROCESSO DE PLANEJAMENTO
1. Conceitos básicos ................................................................................................... 60
2. Características do planejamento ............................................................................. 60
3. Tipos de planejamento ............................................................................................ 61
4. Etapas do processo de planejamento ..................................................................... 62
5. Princípios administrativos para o serviço de enfermagem ...................................... 68
6. Planejamento da assistência .................................................................................. 69
Resumo ...................................................................................................................... 80
Questões para revisão e discussão ........................................................................... 81
Referências... ............................................................................................................. 82



CAPÍTULO 4: O PROCESSO DE ORGANIZAÇÃO
1. Conceitos de organização ....................................................................................... 85
2. Ferramentas básicas relacionadas com a organização .......................................... 86
3. Regimento ............................................................................................................... 95
4. Normas .................................................................................................................... 96
5. Rotinas .................................................................................................................... 97
6. Manual .................................................................................................................... 99
Resumo ...................................................................................................................... 101
Questões para revisão e discussão ........................................................................... 102
Referências... ............................................................................................................. 103
CAPÍTULO 5: O PROCESSO DE DIREÇÃO
1. Considerações gerais ............................................................................................. 105
2. Funções básicas da direção ................................................................................... 105
3. Estilos de chefia ..................................................................................................... 109
4. Qualidades do chefe ............................................................................................... 110
5. Características do mau chefe ................................................................................. 110
6. Regras básicas para o exercício da chefia ............................................................. 111
Resumo ...................................................................................................................... 112
Questões para revisão e discussão ........................................................................... 113
Referências... ............................................................................................................. 114
CAPÍTULO 6: O PROCESSO DE CONTROLE
1. Considerações gerais ............................................................................................. 116
2. Funções do controle ............................................................................................... 116
3. Mecanismo de controle ........................................................................................... 117
4. Controle do serviço de enfermagem ....................................................................... 117
5. Orientação para o controle ...................................................................................... 120
6. Avaliação do serviço de enfermagem ..................................................................... 121
Resumo ...................................................................................................................... 125
Questões para revisão e discussão ........................................................................... 126
Referências... ............................................................................................................. 127
CAPÍTULO 7: ADMINISTRAÇÃO DO PESSOAL DE ENFERMAGEM
1. Considerações sobre a Lei n.º 7.498/86 .................................................................
2. Política de recursos humanos em enfermagem ......................................................
3. Dimensionamento do pessoal de enfermagem .......................................................
4. Escala de serviço ....................................................................................................
5. O serviço de enfermagem e a gestão de pessoal ...................................................


6. Funções do gerente de pessoal no serviço de enfermagem ..................................
7. Avaliação de desempenho ......................................................................................
Resumo ......................................................................................................................
Questões para revisão e discussão ...........................................................................
Referências... .............................................................................................................
CAPÍTULO 8: GESTÃO DA QUALIDADE NO SERVIÇO DE ENFERMAGEM
1. Conceitos de qualidade ........................................................................................... 175
2. Princípios básicos da qualidade .............................................................................. 176
3. Qualidade em serviço de enfermagem ................................................................... 177
4. Implantação da qualidade total no serviço de enfermagem .................................... 178
5. Busca da produtividade com qualidade .................................................................. 179
6. Como medir a qualidade? ....................................................................................... 182
7. Humanização da qualidade no hospital .................................................................. 184
Resumo ...................................................................................................................... 195
Questões para revisão e discussão ........................................................................... 196
Referências... ............................................................................................................. 197
















APRESENTAÇÃO
Numa época em que dezenas e até centenas de livros sobre administração são
publicadas, pode até parecer desnecessário e impertinente escrever um livro sobre o
assunto. Contudo, o livro do Professor Sérgio Ribeiro dos Santos vem preencher uma
lacuna, já que é dirigido para os profissionais de enfermagem.
Assim, em vez de buscar dezenas de livros a procura do desenvolvimento do
pensamento administrativo, o estudante ou gerente de enfermagem poderá, neste
compêndio, adquirir uma base introdutória da teoria da administração.
Já que o sucesso das instituições prestadoras de assistência de saúde depende, em
grande parte, da competência administrativa da enfermagem, é louvável a tarefa de oferecer
um compêndio destinado à educação gerencial dos profissionais de enfermagem. Por outro
lado, para quem se preocupa com a desordem organizacional do nosso sistema de saúde,
deseja contribuir para a formação de administradores de saúde, no intuito de que o
consumidor ou paciente receba um cuidado digno e humano.
Apesar do avanço tecnológico no setor saúde, a prática administrativa continua
absoleta e sem inovação em muitas instituições de saúde, sobretudo nos países em
desenvolvimento. Portanto, as organizações de saúde e as associações de enfermagem
devem se preocupar com o desenvolvimento de modernas técnicas gerenciais. A melhoria
do gerenciamento dos serviços de enfermagem e a avaliação econômica de sua
contribuição para o setor saúde devem merecer atenção redobrada por parte dos
profissionais de enfermagem, considerando que o grande beneficiário é o paciente.
Neste sentido, a leitura desse compêndio deve contribuir para o estabelecimento da
terminologia dos estudos de administração, de modo que os gerentes de enfermagem
passem a se preocupar com as questões de organização, planejamento e controle, tanto
dos recursos humanos quanto materiais.
A enfermagem, que detém o maior contigente humano no setor saúde de qualquer
país, pode se tornar, também, pioneira na administração dos recursos de saúde, de forma
eficaz e eficiente.
Prof. Dr. José Rodrigues Filho













CAPÍTULO 1
Introdução às Teorias da Administração

















Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


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1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ADMINISTRAÇÃO

A administração é tão antiga quanto à própria origem do universo. Não há registros na
história que aponte quem foi o primeiro administrador. Como Cristão, acredito ter sido o
Deus Eterno, que posteriormente delegou ao homem autoridade sobre os seres que
habitavam o planeta.
Quando os homens espalharam-se na terra, procuraram viver em grupos para se
proteger dos grandes animais, tudo isso sob a liderança de um indivíduo forte que,
autocraticamente, estabelecia as regras de convivência no grupo. Gradativamente, foram
surgindo novos grupos que se expandiram, através de conquistas militares, até se
constituírem em povos, reinos e nações.
Em todo esse contexto a evolução histórica da administração pode ser dividida em
duas fases:
1ª. Fase Empírica da Administração. Caracterizada por dois períodos distintos:
a) Período Teocrático: Forma de governo em que a autoridade era emanada dos deuses ou
de Deus. Destacaram-se nesse período as contribuições de Moisés (Êxodo 18:13-27),
de Hamurabi, dos faraós egípcios, entre outros.
b) Período dos precursores da Administração Científica: nesse período a administração
recebeu influência dos grandes pensadores da humanidade, tais como:
• Sócrates (470a.C – 399a.C): filósofo grego. Considerou a administração uma habilidade
pessoal, separada do conhecimento técnico e da experiência.
• Platão (429a.C – 347a.C): filósofo grego. Expôs seu ponto de vista sobre a forma
democrática de governo e da administração dos negócios públicos. Sua principal obra foi
“A República”.
• Aristóteles (384a.C – 322a.C): outro filósofo grego. Defendeu a divisão do trabalho e a
união de esforços dos trabalhadores. No seu livro “Política”, apresentou três formas de
governo: monarquia, aristocracia e democracia.
Monarquia - Forma de governo na qual o poder supremo é exercido por um monarca;
Aristocracia - Tipo de organização social e política em que o governo é monopolizado
por um número reduzido de pessoas privilegiadas;
Democracia - Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular
e da distribuição eqüitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza,
em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle
da autoridade, isto é, dos poderes de decisão e de execução.
Durante séculos, a filosofia deixou nomes que contribuíram para a formação de
conceitos e princípios de administração, apesar de um intervalo improdutivo que vai da
idade antiga até a idade moderna. Mais tarde surgem nomes como Francis Bacon (1561 –

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1626), René Descartes (1596 – 1778), Thomas Hobbes (1588 – 1670), Jean Jacques
Rousseau (1702 – 1778) e Karl Marx (1818 – 1883).
Além da contribuição dos filósofos, a administração recebeu influência de diversos
campos do conhecimento e da organização social e cultural, vivenciado nos períodos
históricos. Como se sabe, a Igreja Católica teve marcante influência no destino dos povos –
por conseguinte, na administração – por conta de seu modelo de estrutura organizacional,
da hierarquia de autoridade e da coordenação funcional.
Segundo, Chiavenato
3
, a estrutura da organização eclesiástica serviu de modelo para
muitas organizações que, em virtude das muitas experiências bem sucedidas, passaram a
incorporar uma infinidade de princípios e normas administrativas utilizadas na Igreja
Católica.
É também inquestionável a influência exercida pela Organização Militar para o
desenvolvimento das teorias da administração, como, por exemplo, o princípio da unidade
de comando e da escala hierárquica.
É necessário, ainda, considerar a importância da Revolução Industrial como
instrumento transformador da estrutura sócio-econômica, de dentro para fora, embora de
maneira drástica. Arndt; Huckabay
1
afirmam que os pioneiros da teoria administrativa,
mesmo que fossem gênios, não estavam imunes a essas influências.
2ª. Fase da Administração Científica. Caracteriza-se pelo estudo do método científico,
isto é, pela utilização de experiências testadas no processo de causa e efeito, nas funções
de previsão, organização, comando, coordenação e controle. Pode ser dividida em três
períodos:
a) Período Clássico: teve com principal característica a gerência do trabalho. Seus maiores
representantes foram Frederick Winslow Taylor, Frank B. Gilbreth, Henri Fayol, James D.
Mooney, Henry Lawrence Gantt.
b) Período Neoclássico: caracterizou-se por enfatizar as relações humanas e os
fundamentos do behaviorismo (comportamento humano na organização).
c) Período Moderno: destacou-se por ressaltar a teoria organizacional e a análise de
sistemas.
Depois dessas breves considerações históricas, será feito um estudo sobre os
aspectos fundamentais, conceitos, princípios e características das principais teorias da
administração. Os estudos iniciais das teorias podem ser considerados sintéticos, mas têm a
preocupação de identificar, isolar e analisar os componentes da administração que tenham
aplicações nas atividades de enfermagem.
Somente conhecendo os princípios em que se fundamentam a administração e
possuindo habilidades para tomar decisões, é que o enfermeiro poderá usar
adequadamente as teorias para planejar, executar e avaliar as ações na prática do serviço

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de enfermagem. A esse respeito, Arndt; Huckabay
1
comentam que a contribuição da
enfermagem é relativa a conhecimentos, habilidades, atitudes e liderança na prestação de
assistência à saúde. A administração do serviço de enfermagem deve ser baseada numa
sólida, embora flexível, essência teórica. Caso isso não aconteça, as soluções inovadoras
para os problemas atuais e futuros deixarão de aparecer.

2. ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA
Essa abordagem é também denominada Escola da Administração Científica ou Escola
de Gerência Científica. Assim se denomina, porque se originou da observação sistemática
dos meios de produção, que proporcionaram uma base para a observação racional do
trabalho e para o surgimento dos princípios de administração.
Chiavenato
3
esclarece que o nome administração científica deve-se à tentativa de
aplicação dos métodos da ciência aos problemas da administração, a fim de alcançar-se
elevada eficiência industrial. Os principais métodos científicos aplicáveis aos problemas da
administração são a observação e mensuração.
Indiscutivelmente, o primeiro nome que se costuma salientar nesse campo é do
engenheiro americano Frederick W. Taylor, considerado o fundador da moderna teoria da
administração. De origem humilde, veio de uma família de princípios rígidos, iniciando sua
vida profissional aos dezoito anos, como operário da Midvale Steel Co., passando a ocupar
cargos de capataz, contramestre e chefe de oficina. Aos vinte anos, terminou o curso de
engenharia. Estudando e trabalhando de forma intensa e criativa conseguiu registrar mais
de cinqüenta patentes de invenções. Para melhor compreensão, o trabalho de Taylor será
dividido em dois períodos:
Primeiro período: Taylor se preocupou exclusivamente com as técnicas de
racionalização do trabalho, medindo o desempenho e distinguindo as diferentes fases de
uma tarefa. Esse método ficou conhecido como Estudo de Tempos e Movimentos, cuja
ênfase estava voltada para a tarefa.
Segundo período: Taylor desenvolveu estudo, o qual denominou de Administração
Científica, em que definiu princípios de administração aplicáveis em todas as situações da
empresa.
A seguir será apresentada uma síntese de alguns princípios taylorianos mais
divulgados em nosso meio:
a) Organização Racional do Trabalho: segundo Chiavenato
3
, fundamenta-se na análise do
trabalho do operário, no estudo dos tempos e movimentos, fragmentação das tarefas e
na especialização do trabalhador.
b) Lei da Fadiga: trata-se de um estudo realizado por Gilbreth, colaborador de Taylor. A
fadiga é considerada um redutor da eficiência. Para reduzi-la, é necessário que sejam
Taylor

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observados alguns princípios de economia de movimentos, eliminando-se aqueles
desnecessários e fatigantes. Daí a importância essencial que uma especialização do
trabalho assume para o desenvolvimento das tarefas a serem realizadas.
c) Desenho de Cargos e Tarefas: enfatiza o trabalho simples e repetitivo das linhas de
produção e montagem, a padronização e as condições de trabalho que assegurem a
eficiência
3
.
d) Incentivos Salariais e Prêmios de Produção: Taylor referiu-se ao interesse básico do
trabalhador pelo ganho material, pois é estimulado a produzir individualmente o máximo
possível, quando recebe algum tipo de incentivo monetário
6
.
e) Conceito de homo economicus: essa estreita visão da natureza humana – homem
econômico – significa que o homem procura o trabalho, não porque gosta dele, mas
como um meio de ganhar um salário que lhe garanta a sobrevivência.
f) Padronização: significa a aplicação de métodos científicos para obter-se a uniformidade
e a redução dos custos. Taylor preocupou-se com a padronização, porque ela conduz à
simplificação e a uma constante busca na obtenção da eficiência.
g) Supervisão funcional: Taylor propôs a supervisão funcional, simplesmente, por causa da
divisão do trabalho e da especialização. Mas, o que significa supervisão funcional? De
acordo com a abordagem de Chiavenato
3
, nada mais é do que a existência de diversos
supervisores, cada um especializado em determinada área, os quais tem autoridade
funcional (relativa somente a sua especialidade) sobre os respectivos subordinados. A
supervisão funcional pressupõe uma autoridade relativa, dividida e zoneada.
Influências da teoria científica sobre a enfermagem: a prática de enfermagem tem
recebido muita influência dos antigos princípios da teoria científica, podendo-se destacar os
seguintes aspectos:
• Há na enfermagem uma preocupação com regras e normas que devem ser obedecidas
por todos os profissionais.
• A divisão do trabalho na enfermagem faz com que haja uma especialização de seus
membros nas tarefas de competência do auxiliar, do técnico e do enfermeiro, que,
certamente, norteia a prática de enfermagem.
• Métodos de trabalho funcionalista, tipicamente mecanicista da administração, que
direciona a assistência de enfermagem, tornando-a fragmentada em suas atividades, ou
seja, cada membro da equipe de enfermagem tem sua tarefa contextualizada e
individualizada.
Taylor não estava sozinho na defesa de suas teses. Acompanhava-se de vários
seguidores e colaboradores, que vieram a constituir uma Escola ou Movimento da
Administração Científica, podendo-se citar entre eles:

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6
• Harrington Emerson: desenvolveu trabalhos sobre seleção e treinamento de
empregados;
• Frank e Lilian Gilbreth: desenvolveram técnicas de simbolização do trabalho, das quais o
fluxograma é a mais conhecida;
• Henry Gantt: inventou o gráfico de Gantt, conhecido como cronograma;
• Hugo Munsterberg: desenvolveu técnicas psicológicas de seleção de pessoal;
• Henry Ford: foi o formulador de idéias e de teorias próprias a respeito da administração,
estando sua contribuição presente nos seguintes aspectos:
(a) Participação acionária dos trabalhadores da empresa.
(b) Estabelecimento da jornada de oito horas.
(c) Definição de princípios de especialização da tarefa como forma de
permitir a produção em massa.
A partir desses conceitos e princípios, foram dados os primeiros passos no estudo da
administração, numa busca constante do conhecimento e da reflexão. À medida que o
processo reflexivo se desenvolvia, novas idéias foram surgindo. Assim sendo, com o
aprofundamento do saber, é possível a formulação de críticas a antigos conceitos, sem,
contudo, desmerecer o mérito das primeiras teorias. Nesse sentido, é inevitável que se
façam algumas críticas a respeito do trabalho de Taylor, destacando-se:
• Seu caráter mecanicista.
• A ênfase na especialização do trabalhador como fator de produção.
• A desvalorização do indivíduo como ser social, sujeito às influências do grupo.
• A adoção de uma teoria essencialmente prescritiva (norma, preceito, regra, ordem) e
normativa (diz-se de conhecimento que enuncia ou que constitui uma norma).

3. TEORIA CLÁSSICA E SEUS FUNDAMENTOS
O próximo passo no progresso do estudo da administração é a chamada Teoria
Clássica ou Escola de Processo Administrativo. Enquanto a administração científica se
caracterizava pela ênfase na tarefa realizada pelo operário, a teoria clássica tomava por
base a ênfase na estrutura, ou seja, considerava a organização como um todo para garantir
a eficiência das partes envolvidas. A esse respeito, Arndt; Huckabay
1
comentam que o
pressuposto principal é que a administração é universal, tanto na teoria como na prática,
sendo operativa em qualquer lugar. O responsável por essa corrente do pensamento
administrativo foi o engenheiro de minas Henri Fayol (1841-1925), nascido em
Constantinopla e falecido em Paris, cidade onde desenvolveu todos os seus princípios
organizacionais e administrativos. Transformou-se num tratadista da matéria, sendo
cognominado de “O pai da Administração Científica”.

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O que fez Fayol de importante? Ele explicou que toda empresa pode ser dividida em
seis grupos básicos:
I. Funções técnicas – relacionadas com a produção de bens ou de serviços.
II. Funções comerciais – relacionadas com a compra, venda e troca.
III. Funções financeiras – relacionadas à gerência e procura de capitais.
IV. Funções de segurança – relacionadas à proteção e preservação dos bens e das
pessoas.
V. Funções contábeis – relacionadas aos inventários, registros, balanços, custos e
estatísticas.
VI. Funções administrativas – coordenam e sincronizam as demais funções da empresa.
As funções administrativas, para Fayol, englobam os elementos da administração, que
são os seguintes:
• Planejar ou prever: é visualizar o futuro e traçar um programa de ação.
• Organizar: é constituir o duplo organismo material e social da empresa.
• Comandar: é dirigir e orientar o pessoal.
• Coordenar: é ligar, unir, harmonizar todos os esforços coletivos.
• Controlar: é verificar, de modo que tudo transcorra de acordo com as regras
estabelecidas.
Além disso, Fayol tentou também definir os princípios gerais de administração, criados
a partir de sua experiência, nos quais resume a arte de administrar, que consubstanciou
numa lista de quatorze princípios norteadores da ação dos executivos
3
:
I. Divisão do trabalho – consiste na especialização das tarefas e das pessoas para
aumentar a eficiência.
II. Autoridade e responsabilidade – autoridade é o direito de dar ordens e o poder de
esperar obediência; a responsabilidade é uma conseqüência natural da autoridade.
III. Disciplina – aplicação, comportamento e respeito aos acordos estabelecidos.
IV. Unidade de comando – cada empregado deve receber ordens de apenas um superior.
V. Unidade de direção – um plano para cada grupo de atividades que tenham o mesmo
objetivo.
VI. Subordinação dos interesses individuais aos interesses gerais – os interesses gerais
devem sobrepor-se aos interesses particulares.
VII. Remuneração do pessoal - justiça e satisfação para os empregados e a empresa
quanto à remuneração.
VIII. Centralização – refere-se a centralização da autoridade no alto da hierarquia.
IX. Cadeia escalar - é a linha de autoridade que vai do escalão mais alto ao mais baixo.
X. Ordem – um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar.
XI. Eqüidade – amabilidade e justiça para alcançar a lealdade do pessoal.
planejar,
organizar,
comandar,
cooedenar e
controlar.

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XII. Estabilidade do pessoal – é a permanência da pessoa no cargo.
XIII. Iniciativa – a capacidade de visualizar um plano e assegurar seu sucesso.
XIV. Espírito de equipe – harmonia e união entre as pessoas
Segundo Maximiano
9
, a contribuição maior de Fayol se deu no sentido de explicar as
diretrizes para a estruturação da empresa, delinear os processos que definem o trabalho
gerencial e propor princípios que devem orientar o comportamento gerencial. É necessário,
ainda, considerar que, através da teoria clássica, Fayol formulou uma teoria organizacional,
na qual concebe a organização em termos de estrutura, forma e disposição das partes.
Conforme, Chiavenato
3
, tudo se restringe apenas aos aspectos da organização formal. Para
divulgação da obra de Fayol, muito contribuíram os trabalhos de Lyndall F. Urwick e Luther
Gulick.
Por sua importância, o assunto sempre foi bastante discutido por diversos estudiosos
em administração. Este trabalho não tem a pretensão de aprofundar a questão. Todavia,
conclui afirmando que, apesar do impacto causado sobre a organização do conhecimento
administrativo e seu aproveitamento para a formação de executivos, a abordagem clássica
foi extremamente voltada para a organização formal, esquecendo-se da organização
informal. Essa visão mecanicista valeu-lhe o nome de Teoria da Máquina. Portanto, mesmo
considerada como a base para a administração moderna, a teoria clássica revelou-se
incompleta, porque visualizava a organização como se fosse um sistema fechado. As
principais críticas sobre a teoria clássica concentram-se no seu caráter prescritivo e
normativo e na ênfase à estrutura formal da organização.
Com relação às influências da teoria clássica sobre a enfermagem, pode-se afirmar
que basicamente a estruturação dos serviços de saúde e sua forma rigidamente
hierarquizada são reproduzidas na prática da enfermagem, através dos organogramas onde
são expressas as linhas de subordinação. Além disso, muitos dos princípios defendidos por
Fayol, por exemplo, a divisão de trabalho, disciplina, responsabilidade, subordinação, ordem
e outros, foram facilmente incorporados no exercício profissional da enfermagem.

4. TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS
A Teoria das Relações Humanas ou Escola Humanista da Administração surgiu nos
Estados Unidos, através dos esforços do seu mais importante representante, George Elton
Mayo e seus colaboradores. Essa teoria nasceu da necessidade de se corrigir a forte
tendência a desumanização no trabalho, resultante dos princípios adotados por Taylor,
Fayol e seus seguidores.
Apontam-se os seguintes fatores como embasadores da teoria das relações humanas:
• A necessidade de se humanizar e democratizar a administração.
• desenvolvimento das chamadas ciências humanas.

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9
• A influência da filosofia pragmática
*
de John Dewey e da psicologia dinâmica de Kurt
Lewin.
• As conclusões da experiência de Hawthorne.
A experiência de Hawthorne foi desenvolvida pelo cientista social australiano George
Elton Mayo que emigrou para os Estados Unidos, fixando-se profissionalmente na Escola de
Administração de Negócios da Universidade de Harvard. Em 1927, o Conselho Nacional de
Pesquisa iniciou uma experiência, cujo objetivo era analisar as condições de trabalho de
uma das unidades fabris da Western Electri Company, situada em Chicago, no bairro de
Hawthorne. Tratava-se de uma fábrica de relés para telefone, pois havia uma intenção da
direção em estudar os fatores que proporcionavam índices de acidentes de trabalho,
rotatividade, absenteísmo e redução da produtividade da fábrica.
Os estudos começaram com um experimento que visava determinar o efeito da
iluminação sobre o rendimento dos operários. Foram formados dois grupos de operários, um
experimental e um de controle. Dessa forma, seria possível fazer-se, com maior facilidade, a
análise das conseqüências da introdução de modificações nas condições de trabalho dos
grupos. Foram mantidos os níveis de remuneração e, sistematicamente, adotadas
modificações nas condições físicas e ambientais de trabalho, com alterações nos intervalos
dos períodos de trabalho e de descanso.
A experiência foi suspensa em 1932, mas seus resultados foram surpreendentes.
Pôde-se observar, ao longo do estudo, que havia um sistemático e constante aumento na
produtividade do grupo em cada fase da experiência, qualquer que fosse a modificação
introduzida. Verificou-se, ainda, uma acentuada coesão e satisfação no grupo, havendo
considerável redução no absenteísmo.
Muitas outras evidências surgiram. No entanto, os resultados obtidos foram atribuídos
às circunstâncias de que os componentes do grupo selecionado para a experiência,
sentindo-se observados, passaram a se considerar distintos dos demais, assumindo uma
postura comportamental fechada, julgando-se, até certo ponto, superiores em comparação
com os outros operários do conjunto.
Por outro lado, é fundamental ter-se em mente que os princípios básicos da Escola de
Relações Humanas abriram novos horizontes no campo da administração, principalmente, a
partir dos estudos de Hawthorne. Não se tem aqui a pretensão de aprofundar o assunto,
mas pode-se traçar os lineamentos gerais de algumas das principais conclusões:
a) O rendimento do trabalho é resultante da integração social.
b) Os grupos informais ou organização humana da empresa determinam os níveis de
colaboração humana mais do que a estrutura formal da empresa.

*
Conjunto de normas formais e rigorosas.

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c) As recompensas e sanções sociais têm influências relativas sobre a produtividade. Para
a teoria das relações humanas, as pessoas são motivadas principalmente pela
necessidade de “reconhecimento”, de “aprovação social” e de “participação” das
atividades dos grupos sociais onde convivem.
d) O conteúdo do cargo e a natureza do trabalho têm enorme influência sobre a satisfação
do trabalhador.
e) A empresa tem duas funções básicas: produzir bens ou prestar serviços, mas também
pode oferecer condições de satisfação aos seus empregados.
Para Mayo, o trabalho em equipe, o autogoverno e a cooperação trabalhadores-
administração seriam as conseqüências no plano prático da aplicação das descobertas dos
estudos de Hawthorne.
A seguir são apresentadas, de maneira resumida, algumas comparações entre a teoria
clássica e a teoria das relações humanas, que possibilitam uma melhor avaliação. A
elaboração desse quadro seguiu o modelo de Charles Perrow citado por Chiavenato
3
no seu
trabalho sobre Teoria Geral da Administração.
Teoria Clássica Teoria das Relações Humanas
Trata a organização como uma máquina. Trata a organização como grupo de pessoas.
Enfatiza as tarefas ou a tecnologia. Enfatiza as pessoas.
Inspirada em sistemas de engenharia. Inspirada em sistemas de psicologia.
Autoridade centralizada. Delegação plena de autoridade.
Linhas claras de autoridade. Autonomia do empregado.
Especialização e competência técnica. Confiança e abertura.
Acentuada divisão do trabalho. Ênfase nas relações humanas.
Regras e regulamentos. Preocupação com a ‘pessoa integral’.
Clara separação da linha e “staff”. Dinâmica interpessoal e grupal.

A teoria das relações humanas deixou uma significativa contribuição para a
enfermagem, através dos estudos da dinâmica de grupo, da liderança, da comunicação e da
motivação. A enfermagem absorveu muitos conceitos e princípios que serviram como
estratégia na administração de pessoal, de tal forma que nas escolas de enfermagem são
inseridos esses conteúdos nos currículos de graduação.

5. ADMINISTRAÇÃO POR OBJETIVO (APO)
A Administração por Objetivo ou Administração por Resultados surgiu em 1954, a
partir dos trabalhos publicados por Peter F. Drucker. Nascido na Áustria, formado
academicamente na Alemanha e profissionalmente na Inglaterra, fixou-se posteriormente
nos Estados Unidos.

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11
Segundo Maximiano
9
, a administração por objetivo é o processo de estabelecer
padrões individuais de desempenho, em relação aos quais os ocupantes são avaliados.
Chiavenato
3
estabelece a seguinte conceituação de administração por objetivo: é uma
técnica participativa de planejamento e avaliação, através das quais superiores e
subordinados, conjuntamente, definem aspectos prioritários e estabelecem objetivos
(resultados) a serem alcançados num determinado período de tempo e, em termos
quantitativos dimensiona as respectivas contribuições (metas) e acompanham
sistematicamente o desempenho (controle) procedendo às correções necessárias.
A administração por objetivo enfatiza o trabalho e estabelece metas para definir aquilo
que deve ser realizado, num período determinado. Para a fixação das metas, leva em
consideração os critérios de escolha dos objetivos que devem ser estabelecidos mediante
as prioridades ou hierarquização dos objetivos e sua contribuição para atingir o resultado
esperado.
Nesse sentido, a administração por objetivo estabelece a estratégia empresarial a ser
adotada, permitindo uma ação coerente e uma instrumentação técnica satisfatória que lhe
possibilite uma ação eficaz. Assim sendo, escolhe as táticas que melhor implementam a
estratégia adotada.
Em resumo, o plano estratégico é o planejamento global, em longo prazo, envolvendo
todo o sistema, enquanto que o plano tático é resultante do desdobramento e detalhamento
do plano estratégico. Os planos táticos fragmentam-se em planos operacionais.
Chiavenato
3
faz o seguinte quadro comparativo entre estratégia e tática:

ESTRATÉGIA TÁTICA
Envolve a organização como uma
totalidade
Refere-se a cada departamento ou unidade
da organização.
É um meio para alcançar objetivos
organizacionais.
É um meio para alcançar objetivos
departamentais.
É orientada em longo prazo. É orientado para médio ou curto prazo.
É decidida pela alta administração da
organização.
É da responsabilidade de cada gerente de
departamento.

As propostas estabelecidas pela administração por objetivo vão mais além do que foi
aqui exposto. No entanto, não é pretensão deste trabalho aprofundar a questão. Para
informações mais detalhadas, devem ser consultados, entre outros, os seguintes autores:
Drucker
4
, Lodi
8
e Chiavenato
3
.



planos:
1
estratégico
tático
operacionais

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12
6. TEORIA DA BUROCRACIA
Surgiu na década de 1940, inspirada na teoria da racionalização progressiva de todas
as instituições. Ou seja, tornou-se necessária a criação de um modelo organizacional, capaz
de caracterizar todas as variáveis envolvidas, bem como o comportamento dos membros
participantes da organização.
A teoria da burocracia foi inspirada por Max Weber, sociólogo alemão (1864/1920).
Essa teoria inspirou o surgimento de outros estudiosos, destacando-se as figuras de Robert
K. Merton, Philip Selznick, Richard Scott e Trence Hopking. O que é burocracia?
Popularmente, burocracia é sinônimo de ineficiência, de espera, de papelada desnecessária
que retarda o andamento do processo de trabalho, impedindo as soluções rápidas. Max
Weber pensava exatamente o contrário, considerando a burocracia a organização eficiente
por excelência.
Segundo Chiavenato
3
, burocracia é uma forma de organização humana que se baseia
na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de
garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos. A partir dessa
conceituação, fica mais claro caracterizar o conteúdo específico do modelo weberiano, que
não considerou a burocracia como um sistema social, mas como um tipo de poder. O autor
estudou os tipos de sociedades e de autoridades, a fim de melhor compreender a
burocracia.
Em resumo, o modelo weberiano oferecia vantagens à organização, tais como:
racionalidade, precisão, rapidez, univocidade de interpretação, uniformidade de rotinas e
procedimentos, continuidade da organização, constância e confiabilidade. Contudo, a
racionalidade burocrática, a omissão da participação das pessoas na organização e a
própria fragilidade da estrutura burocrática, provocada, de um lado, pelas pressões
constantes de forças externas e, de outro, pelo enfraquecimento do compromisso dos
subordinados com as regras burocráticas, constituíram problemas que a burocracia não
resolveu até hoje.
A enfermagem, por estar inserida num sistema burocratizado, não poderia ficar isenta
desse processo. Na prática de enfermagem, considera-se atividade burocrática todo tipo de
cuidado indireto prestado pelo enfermeiro que possibilite meios para execução da atividade-
fim (assistência ao paciente). Segundo Santos
11
, em pesquisa realizada num hospital-
escola, verificou que os enfermeiros consideram burocracia as seguintes atividades:
• Receber pacientes.
• Fazer pedidos à farmácia e ao almoxarifado.
• Fazer controle de material.
• Receber e passar o plantão.
• Supervisionar e orientar as atribuições dos auxiliares.

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13
• Fazer provisão de recursos humanos.
• Elaborar escala de serviço.
• Verificar prontuários, exames, escalas de cirurgias, etc.
• Trocar informações.
A grande preocupação da enfermagem moderna situa-se nas disfunções da
burocracia, em que o enfermeiro se envolve, excessivamente, com as funções-meio
(administração da burocracia) e delega aos auxiliares ou técnicos de enfermagem os
cuidados com o paciente. Essa disfunção proporciona acomodação e inabilidade no
atendimento às necessidades do paciente, provocando tensão, desmotivação e conflitos,
por conta do descompasso entre teoria e prática.

7. TEORIA ESTRUTURALISTA
A teoria estruturalista surgiu na década de 1950, resultante de uma abordagem
múltipla fundamentada na teoria clássica, na teoria das relações humanas e na teoria da
burocracia. Procurava conciliar a tese proposta por essas três teorias. Na realidade, a teoria
estruturalista é considerada por alguns autores como uma teoria de transição e de mudança.
Na escola estruturalista, avultam os nomes de Philip Selznick, Alvin Gouldner, Amitai
Etzioni, Peter Blau, Lévy-Strauss, James D. Thompson e David R. Sills. Gonçalves
6

apresenta o seguinte conceito de estruturalismo:
É um método analista comparativo que atribui importância especial ao
relacionamento das partes na constituição do todo, sem excluir os conjuntos
formados por elementos que se relacionam por simples justaposição.
Assim, pode-se concluir que o estruturalismo se preocupa com o todo e com o
relacionamento das partes na constituição do todo organizacional. A teoria estruturalista,
cujos autores estavam mais voltados para a sociologia organizacional, deixou as seguintes
contribuições:
• Criação do interrelacionamento das organizações com seu ambiente externo.
• Surgimento de um novo conceito de organização e um novo conceito de homem: o
homem organizacional.
• Desenvolvimento, por parte dos autores estruturalistas, da tipologia de organizações e
dos objetivos organizacionais.

8. TEORIA COMPORTAMENTAL OU BEHAVIORISTA
A teoria comportamental surgiu em 1947 nos Estados Unidos, marcando
profundamente a administração pela influência no campo das ciências do comportamento. A
teoria comportamental tem o seu maior representante em Herbert Alexander Simon. Há
também outros nomes famosos que dominam o universo behaviorista, tais como: Chester

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14
Bernard, Douglas McGregor, Rensis Likert, Chris Argyris, Abraham Maslow, Frederick
Herzberg e David McClelland, sendo que os três últimos se destacaram no campo da
motivação humana.
O comportamento organizacional é explicado pela teoria comportamental, com base
na conduta individual das pessoas. Para melhor conhecer esse comportamento, torna-se
necessário estudar a motivação humana. Nesse aspecto, um psicólogo americano, Abraham
H. Maslow (1908/1970), destacou-se ao apresentar uma teoria da motivação em que
focaliza o indivíduo em suas necessidades, dispostas em níveis ou hierarquia de
importância, de forma que um tipo de necessidade surge quando as de ordem
imediatamente precedentes tenham sido satisfeitas.
Para uma melhor compreensão do assunto é apresentado a seguir, de forma
resumida, o esquema das necessidades hierárquicas de Maslow:

Necessidades fisiológicas: alimentação, abrigo, repouso, sexo. Necessidades
Primárias
Necessidades de segurança: proteção contra ameaças(doenças,
desemprego, roubo, etc.).
Necessidades sociais: participação, amizade, amor.

Necessidades
Secundárias
Necessidades de estima: auto-estima, auto-respeito, status,
reconhecimento, admiração, etc.
Necessidades de auto-realização: uso pleno da potencialidade individual.

A teoria de Maslow é demasiadamente simplista. Mas, apesar de não ter sido
submetida à comprovação científica, faz certo sentido. De qualquer forma parece ter
influenciado, por sua hierarquia, algumas teorias da administração, por oferecer um
esquema orientador e útil para o administrador.
Para proporcionar continuidade no estudo da motivação, cabe mencionar o nome de
Frederick Herzberg que simplificou a teoria de Maslow, formulando a chamada Teoria dos
Dois Fatores (Bifatorial), que são os seguintes: fatores higiênicos e fatores motivacionais
7
.
a) Fatores higiênicos: baseiam-se nos níveis inferiores ou necessidades primárias de
hierarquia de Maslow. Os principais fatores higiênicos são: salário, benefícios sociais, o
tipo de chefia ou supervisão, condições físicas e ambientais do trabalho, as políticas e
diretrizes da empresa, os regulamentos internos, o clima de relação entre empresa e as
pessoas, etc.
b) Fatores motivacionais: baseiam-se nos níveis mais elevados ou necessidades
secundárias da hierarquia de Maslow. Os principais fatores motivacionais são: as
atribuições do cargo; a natureza da tarefa que o indivíduo executa; o reconhecimento
profissional; as necessidades de auto-realização; o crescimento individual, etc.

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15
No elenco de teses desenvolvidas pelos autores behavioristas, destacam-se ainda as
Teorias X-Y, de Douglas McGregor, que tratam dos estilos de administração. Para
McGregor
10
, a teoria X reflete um estilo de administração duro, rígido e diretivo de chefia em
que as pessoas envolvidas na organização desejam ser dirigidas e controladas, já que não
gostam do seu trabalho. São indolentes por natureza, sem ambições, acomodadas e
incapazes de autocontrolar-se, autodisciplinar-se e tomar decisões por si mesmas. Sob
certos aspectos, é natural concluir que os pressupostos da teoria X são semelhantes aos da
administração científica de Taylor.
Por outro lado, a teoria Y implica numa visão otimista da natureza humana. Baseia-se
na concepção de que as pessoas gostam de trabalhar, quando compreendem aquilo que
delas se espera e quando recebem uma satisfação decorrente do trabalho. É um estilo
participativo e democrático, baseado nos valores humanos e sociais.
Outro aspecto importante da teoria comportamental é a teoria da decisão de Herbert
Simon, que considerava a organização como um sistema de decisões, onde existe a
participação consciente e racional das pessoas na escolha de alternativas.
Chiavenato
3
, fazendo comentários a esse respeito, afirma que os processos de
percepção das situações e o raciocínio são básicos para a explicação do comportamento
humano nas organizações. Segundo explica, o que uma pessoa aprecia e deseja influencia
aquilo que vê e interpreta, assim como o que vê e interpreta influencia o que aprecia e
deseja. Em outros termos, a pessoa decide em função de sua percepção das situações.
Os problemas de decisão fundem-se a partir daí. Mas, o que significa decisão? Para
esclarecer melhor, pode-se afirmar que decisão é o processo de análise e escolha, entre
várias alternativas disponíveis, do curso de ação que a pessoa deverá seguir.
3

Simon descreve o processo decisório em sete etapas, a saber:
1. Percepção da situação que envolve algum problema.
2. Análise e definição do processo.
3. Definição dos objetivos.
4. Procura de alternativas de solução ou de curso de ação.
5. Escolha (seleção) da alternativa mais adequada.
6. Avaliação e comparação dessas alternativas
7. Implementação da alternativa escolhida.
Em função dessas considerações, floresceram conceitos e técnicas que de há muito
estavam latentes, originando-se daí o conceito de homem administrativo, o comportamento
organizacional e os conflitos entre os objetivos organizacionais e os objetivos individuais.
As principais influências da teoria comportamental sobre a enfermagem dizem respeito
à adoção de alguns pressupostos teóricos, como por exemplo, a teoria das necessidades
básicas de Maslow aplicada no processo de enfermagem, através de Wanda de Aguiar

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16
Horta. Os estilos de chefias apontados por McGregor, além das teorias X e Y, podem ser
identificados na prática de enfermagem.

9. TEORIA DE SISTEMAS
A teoria de sistemas originou-se a partir dos trabalhos do biólogo alemão Ludwig Von
Bertalanffy e espalhou-se por todas as ciências, notadamente, no campo da administração.
Para uma melhor compreensão dos princípios da teoria de Bertalanffy, deve-se
apresentar inicialmente o conceito de sistemas. A palavra sistema vem do grego systêma
que significa “um conjunto de partes coordenadas entre si, para a obtenção harmônica de
um resultado”.
Chiavenato
3
ressalta que um sistema é um conjunto de objetos unidos por alguma
forma de interação ou interdependência. Qualquer conjunto de partes unidas entre si pode
ser considerado um sistema, desde que as relações entre as partes e o comportamento do
todo sejam o foco da atenção. Ardnt; Huckabay
1
definem sistema como um conjunto de
partes que trabalham juntos na realização de objetivos da empresa.
Johson; Kast; Rosenwhg citado por Chaves
2
, afirmam que “sistema é um todo
complexo e organizado; uma reunião de coisas ou partes formando um todo unitário e
complexo”. Realmente, é difícil uma definição completa do que seja um sistema, pois cada
pessoa procura analisá-lo conforme a sua perspectiva, sendo, portanto, uma questão de
abordagem. Assim, sistema pode ser conceituado como um conjunto de elementos
interdependentes, interagentes, trabalhados com objetivos definidos e mútuos.
Normalmente, são reconhecidos dois tipos de sistemas:
a) Sistema aberto: é o que permite um intercâmbio ou interação contínua com o ambiente.
Ex.: o homem, a organização, a sociedade e outros.
b) Sistema fechado: é o que não permite um intercâmbio com o meio. Ex.: máquinas,
relógios, termostato.

Processamento

Input Output
throughput
Entrada Saída


Feedback

Figura 1: Modelo sistêmico e seus parâmetros.


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17
• Entrada ou insumo (INPUT).
• Processamento ou transformação (THROUGHPUT).
• Saída ou resultado ou produto (OUTPUT).
• Retroalimentação ou retroação ou retroinformação (FEEDBACK).
O sistema recebe influência do ambiente através da entrada ou input. No caso do
hospital, os inputs representam dois tipos: input de trabalho (pacientes, alimentação,
recursos materiais, etc.) e input de apoio (recursos humanos) que sofrem um processo de
transformação chamado de processamento. Em outros termos, o indivíduo (paciente) entra
no sistema (hospital) doente e recebe assistência sistematizada, capaz de produzir
mudanças no seu estado inicial. O resultado desse processo é denominado de saída ou
output que pode ser por óbito ou por restabelecimento do estado de saúde (cura). Esse
resultado deve ser coerente com o objetivo do sistema.
O output é ainda submetido a uma avaliação do ambiente ou comunidade, que são os
usuários do sistema. Assim, os resultados dessas avaliações, na forma de informações ou
comentários sobre as situações que necessitam de mudanças ou sobre as áreas em que o
padrão de qualidade é elogiável, retornam ao sistema para realimentá-lo. Esse fenômeno é
denominado retroalimentação ou feedback.
A idéia de visualizar a organização como um sistema aberto não foi mérito exclusivo
de Bertalanffy. Outros estudiosos também desenvolveram pesquisas nesse sentido, tais
como: Herbert Spencer, que afirmava ser a organização um sistema aberto de
comportamento probabilístico e não determinístico; Katz e Kahn, que desenvolveram um
modelo de organização baseado no sistema aberto, constituído por sistemas sociais com
sua própria cultura ou clima em estado de dinâmica sistêmica; e Tavistock, que concebeu a
idéia de organização como um sistema sociotécnico (tecnologia e social), sendo
denominado de Modelo Sociotécnico de Tavistock.
É importante lembrar que a teoria sistêmica trouxe um fantástico impulso para a visão
dos problemas organizacionais. Contudo, não se pretendeu, nessas considerações, esgotar
o assunto, mesmo porque os limites de sua abrangência e profundidade ainda deverão ser
objeto de discussões detalhadas sobre sua aplicação prática.

10. IMPLICAÇÕES DO ESTUDO DAS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO NA
ENFERMAGEM.
A enfermagem é uma profissão que tem evoluído muito nos últimos anos, em
decorrência do acompanhamento da tecnologia e de seu aproveitamento no
desenvolvimento de sua prática profissional. Por se constituir num conjunto de ciências
humanas e sociais, buscou na administração a utilização do método científico capaz de
tornar o trabalho operacionalmente racional, com o único propósito de prestar assistência ao

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18
paciente, à família e à comunidade, de modo que pudesse atender as suas necessidades.
Portanto, somente conhecendo os princípios em que se fundamentam a administração e
possuindo habilidades para tomar decisões, é que o enfermeiro pode escolher o método
para planejar, executar e avaliar as ações na prática do serviço de enfermagem.
Convém lembrar que as teorias da administração são universais e facilmente
absorvidas em qualquer área do conhecimento. Em particular, na enfermagem, sua
influência foi relevante, devido à própria natureza e filosofia do serviço de enfermagem que
obrigatoriamente faz uso dos princípios administrativos propostos por Taylor, Fayol, Maslow
e outros.
Dentre as inúmeras contribuições das teorias de administração para enfermagem,
podem-se destacar as seguintes:
a) Administração científica de Taylor: organização racional do trabalho.
b) Teoria clássica de Fayol: princípios gerais de administração (planejar, organizar,
comandar, coordenar e controlar).
c) Teoria das relações humanas: humanização da organização, liderança, comunicação e
dinâmica de grupo.
d) Teoria comportamental: motivação humana, estilos de administração e o processo
decisório.
e) Teoria sistêmica: visão sistêmica das organizações.
Por tudo isso, o enfermeiro necessita, além dos conhecimentos específicos, conhecer
o processo administrativo e suas teorias, para aplicá-los nas decisões de sua competência,
com habilidade, confiança em si e eficácia.
A administração pode ser considerada a base de todo o processo de enfermagem.
Portanto, não é um privilégio exclusivo do gerente, mas uma função de cada componente da
equipe de enfermagem distribuída gradativamente, conforme o nível de responsabilidade e
hierarquia.
Em qualquer trabalho que o enfermeiro desenvolva, três fatores estão presentes:
DECISÃO ORGANIZAÇÃO EXECUÇÃO.
Arndt; Huckabay
1
lembram que a prática eficaz da administração depende de uma
síntese de conhecimento das quatro escolas de pensamento administrativo, consideradas
como a base da teoria em administração e aplicadas aos objetivos e problemas das ações
de assistência à saúde e às áreas de interesses mais amplos nos assuntos de saúde da
comunidade.





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19
RESUMO

1. Evolução histórica da administração:
Primeira fase – fase empírica da administração: período teocrático e o período
precursor da administração científica.
Segunda fase – fase da administração científica: período clássico, neoclássico e
moderno.
2. Teoria e seus representantes
a) Administração científica: ênfase na tarefa. Taylor, Emerson, Gilbreth e Ford.
b) Teoria clássica: ênfase na estrutura organizacional. Fayol, Urwick e Gulick.
c) Teoria das relações humanas: ênfase na pessoa. Elton Mayo, John Dewey e Kurt
Lewin.
d) Teoria da burocracia: ênfase na racionalidade. Max Weber.
e) Teoria estruturalista: ênfase na tipologia e objetivos organizacionais. Philip Selznick,
Amitai Etzioni e Levy Strauss.
f) Teoria comportamental: ênfase no comportamento humano na organização. Herbert
Simon, McGregor, Maslow e Herzberg.
g) Teoria de sistemas: ênfase na visão sistêmica da organização. Ludwig Bertalanffy.

QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO
1) O que caracterizou a fase da administração científica e como foi dividida?
2) De que forma se destaca os períodos da obra de Taylor?
3) Explique o que é organização racional do trabalho.
4) Explique o conceito de “homo economicus”.
5) Quais as funções básicas da empresa para Fayol?
6) Comente os princípios gerais de administração de Fayol.
7) Comente a experiência de Hawthorne.
8) Faça um confronto entre a teoria clássica e a teoria das relações humanas.
9) O que significa burocracia?
10) Quais as vantagens da burocracia?
11) Defina estruturalismo.
12) Relacione as principais contribuições da teoria estruturalista na administração.
13) Explique a hierarquia das necessidades, segundo Maslow.
14) Explique a teoria dos fatores de Herzberg.
15) Explique as teorias X e Y de McGregor.
16) Explique as origens da teoria de sistemas.
17) O que significa sistema?

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
1. ARNDT C; HUCKABAY LMD. Administração em enfermagem. Rio de
Janeiro: Interamericana, 1983.
2. CHAVES JC. Administração dos serviços de saúde. Rio de Janeiro: FGV,
1980.
3. CHIAVENATO I. Introdução à teoria geral da administração. São Paulo:
McGraw-Hill do Brasil, 1983.
4. DRUKER PF. Prática de administração de empresa. Rio de Janeiro: Fundo
de Cultura, 1960.
5. ETZIONI A. Organizações modernas. São Paulo: Pioneira, 1967.
6. GONÇALVES EL. Administração de recursos humanos nas instituições de
saúde. São Paulo: Pioneira, 1987.
7. HERZBERG F. The motivation work. New York: John Wiley & Sons, 1959.
8. LODI B. Administração por objetivos. São Paulo: Pioneira, 1972.
9. MAXIMIANO AC A. Introdução à administração. São Paulo: Atlas, 1981.
10. MCGREGOR D. Motivação e liderança. São Paulo: Brasiliense, 1973.
11. SANTOS SR. Administração em enfermagem: burocracia ou assistência?
Revista Hospital – Adm. e Saúde, São Paulo, v. 16, n. 1, jan./fev., 1992.











CAPÍTULO 2
Organização hospitalar
















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1. HISTÓRICO
O termo Hospital tem sua origem no Latim – hospitale
4
, adjetivo derivado de hospes
(hóspede, viajante, estrangeiro), significando aquele que dá o agasalho ou que hospeda. Do
primitivo latim, originaram-se os termos hospital e ospedale, aceitos em diversos países.
Entretanto, nos primórdios da era cristã, a terminologia mais utilizada relacionava-se
com o grego latinizado, salientando-se:
• Nosodochium: lugar para receber doentes.
• Ptochotrophium: asilo para pobres.
• Poedotrophium: asilo para crianças.
• Xenotrophium: asilo e refúgio para viajantes estrangeiros.
• Gynetrophium: asilo para velhos.
• Hospitum: lugar que recebia enfermos incuráveis ou insanos.
As origens do hospital remontam à idade antiga, mistificada pelas lendas ou mitos dos
povos que atribuíam à doença um castigo dos deuses. Os gregos construíram hospital-
templo que consistia em amplo edifício, segundo o modelo arquitetônico da época, sendo
um ambiente místico e de superstições.
A milenar Índia, no reinado do rei Asaka, em 226 a.C., construiu hospitais, segundo
registros encontrados numa rocha do país. Outros registros comprovam a existência de
hospitais no Ceilão, em 437 a.C., conforme atesta Mac Earchern
5
. Todavia, somente a partir
da era cristã, o hospital passou a ser caracterizado como entidade assistencial para
doentes, pobres e peregrinos, fundamentada nos princípios da proteção e amor ao próximo.
Para Mac Earchern
5
, as primeiras instituições hospitalares, construídas na era cristã,
datam da segunda metade do séc. IV, com o estabelecimento do nosocômio erigido por São
Basílio (369 a 372 d.C.), em Cesaréia, na Capadócia. Já outros autores citam o hospital
mandado erigir por Fabíola, em Roma, nesse mesmo século, como o primeiro hospital
cristão. O imperador Constantino, ao se converter à fé cristã, destruiu os templos de
Esculápio (355 d.C.) e construiu um hospital em Constantinopla.
O que caracterizava os primeiros hospitais cristãos era a espiritualidade, a oração e os
ofícios de religiosos que dedicavam suas vidas à assistência aos moribundos. Essa feição
religiosa das organizações hospitalares acentuou-se entre os séculos XII a XVI, nos
mosteiros, onde os frades, monges e outros religiosos utilizavam-se da prática médica fora
dos conventos, atendendo os chamados dos enfermos
2
.
A partir do Concílio de Viena, em 1312, o tratamento dos enfermos passou a ser
exercido por leigos, competindo aos religiosos o direito da assistência espiritual. Assim,
cresceram e se desenvolveram as instituições hospitalares entre os povos que

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23
gradativamente foram libertando-se da igreja institucional, apesar da forte influência
religiosa, em virtude de sua origem.
Atualmente, o hospital tem sido caracterizado como empresa de prestação de serviço,
dentro do mais profundo sentido humano, do amor e da caridade. Além disso, o direito à
saúde é universalmente reconhecido como inalienável aos indivíduos ou a cada nação,
constando das primeiras declarações aprovadas nas Nações Unidas.
No Brasil, o governo federal, através do Decreto n.º 37.773, de 18 de agosto de 1955,
publicado no Diário Oficial da União, em 22 de agosto do mesmo ano, criou uma comissão
para elaborar anteprojeto da lei orgânica de assistência médico-hospitalar. Na época, o
hospital foi conceituado como uma instituição destinada a internar, para diagnóstico e
tratamento, pessoas que necessitam de assistência de médicos e cuidados constantes de
enfermagem.
Em 1977, é instituída a Portaria do Ministério da Saúde Nº 400 que aprova normas e
padrões de construções e instalações de serviços de saúde para hospital geral, de pequeno
e médio porte. Em 1978, o Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e
Sistemas de Saúde da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (PROHASA) elaborou um
Manual de Organização e Procedimentos Hospitalares, cujo objetivo era difundir para os
estabelecimentos, públicos e privados de pequeno, médio ou grande porte um documento
básico que normatiza, simplifica e aperfeiçoa a organização interna dessas instituições.
Assim, para Mac Eachern
5
, pioneiro da moderna administração hospitalar, o hospital é
a representação do direito inalienável que o homem tem de ter saúde e o reconhecimento
formal, pela comunidade, de sua responsabilidade de prover meios para mantê-lo são ou
restaurar-lhe a saúde perdida.
O Dr. John S Billings, na abertura do Hospital Johns Hopkins, de Baltimore, definiu o
hospital como: [...] “organismo vivo, constituído de diferentes partes, tendo funções diversas,
mas todas na devida proporção, relacionados entre si e no conjunto, para produzir os
resultados desejados”.
6

Analisando os aspectos característicos de uma organização hospitalar, adverte Mac
Eachern:
De todas as empresas modernas, nenhuma é mais complexa que o hospital.
Como objetivo fundamental, tem ele um simples propósito: receber o corpo
humano quando, por alguma razão, se tornou doente ou ferido, e cuidar
dele de modo a restaurá-lo ao normal, ou tão próximo quanto possível ao
normal.
5
Assim conceituado, percebe-se que o hospital é uma instituição dotada de planta
física, organização administrativa e equipamentos, capaz de receber o paciente, acomodá-
lo, tratá-lo e devolvê-lo à comunidade em condições satisfatórias de saúde.

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24
O hospital, por sua vez, tem acompanhado o avanço da tecnologia médica e passou a
considerar o ser paciente, não mais como matéria-prima para produzir serviços de saúde,
mas sob o prisma social e econômico do indivíduo em relação à comunidade. Assim, o
hospital é a casa em que o hóspede é pessoa especial, um membro para o qual a
comunidade tem deveres, inclusive o de promover a sua completa reintegração social mais
do que a recuperação somática, psíquica ou psicossomática.
O hospital também deve ser visto sob o ângulo econômico, conforme lembra J. K.
Owen: “o hospital deve trabalhar 365 dias do ano e, muito embora, seja olhado como
instituição humanitária, encontra os mesmos problemas econômicos das indústrias”.
6

E não poderia ser de outro modo, considerando-se a complexidade de sua
organização que exige “bom planejamento comunitário, bom projeto de construção e boa
administração”, segundo McGibony
7
. Observando-se os diversos conceitos, sente-se que é
grande a responsabilidade do hospital em relação à comunidade a que se destina. A antiga
concepção de cuidar da doença foi sendo alterada até atingir a complexidade que hoje
alcançou a ponto de ser impossível estabelecer limites entre a saúde e a doença.

2. FUNÇÕES DO HOSPITAL
As funções do hospital evoluíram com sua própria história, deixando de ser um centro
de diagnóstico e tratamento da doença, para assumir uma postura mais complexa no seio
da comunidade. Atualmente, lhe são confiadas funções básicas, de acordo com a Comissão
de Peritos em Assistência Médica da Organização Mundial de Saúde. Em reunião realizada
em Genebra, no período de 18 a 23 de junho de 1956, a comissão definiu hospital como
sendo:
Uma parte integral de uma organização médica e social, cuja função é
prover completa assistência de saúde à população, curativa e preventiva, e
cujos serviços de ambulatório atingem até a família e seu meio ambiente. É
também, um centro de ensino por excelência, bem como à pesquisa
biossocial.
9

A citada comissão também discutiu as funções do hospital geral e sentiu que este não
poderia limitar suas atividades à esfera restaurativa, devendo, tanto quanto possível,
organizar-se no sentido de atender as necessidades preventivas, de ensino e de pesquisa.
As funções do hospital padronizadas pela comissão foram:
a) Preventiva:
· Supervisão da gravidez normal e nascimento da criança.
· Supervisão do crescimento normal da criança.
· Controle das doenças transmissíveis.
· Educação sanitária.

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· Saúde ocupacional.
b) Restaurativa:
· Diagnóstico, ambulatório e internação.
· Tratamento da doença: curativa e paliativa, envolvendo os procedimentos médicos,
cirúrgicos e especiais.
· Reabilitação: física, mental e social.
· Cuidados de emergência: acidentes e doenças (mal súbito).
c) Ensino:
· Formação de técnicos de nível médio e graduação médica/paramédica.
· Pós-graduação: especialização a praticantes em geral.
· Interessados em medicina social.
· Outras profissões correlatas.
d) Pesquisa:
· Aspectos sociais, psicológicos e físicos da saúde e da doença.
· Práticas hospitalares, técnicas e administrativas.

Função preventiva
Prevenir a doença é, sem dúvida, a função mais importante para o hospital. Mas, em
que consiste essa prevenção? Basicamente, consiste em medidas de supervisão e
acompanhamento dos clientes que necessitam de tais medidas no controle e na educação
sanitária.
Mas, para que isso aconteça, é necessário que exista uma intensa colaboração entre
os serviços dos diversos hospitais, mediante o intercâmbio de informações e experiências.
Não se pode mais pensar em hospital, sem uma perfeita sintonia entre a medicina
preventiva e curativa. Os hospitais devem existir com programas de medicina preventiva em
execução e eficiente.
Todavia, observa-se perfeitamente, o número crescente de instituições hospitalares,
sem nenhum planejamento real das necessidades da comunidade, estabelecendo-se
apenas como marketing comercial de empresa privada, produtora de serviço, que visa
exclusivamente à lucratividade. Esse fato tem dificultado a “prevenção da doença”.
No Brasil, os dados levantados pelo primeiro censo hospitalar, levado a efeito sob os
auspícios do Ministério da Saúde, em 1965, comprovaram que, dos 2.883 hospitais
recenseados, somente 32 constituíam unidades integradas. Atualmente, o quadro não
sofreu significativas modificações. A grande preocupação da Organização Pan-Americana
de Saúde, no sentido de assistência médico-hospitalar, tem sido enfatizada através de
resoluções das assembléias de delegados. Nas discussões da XVII Conferência Sanitária
Pan-Americana, que versou sobre o tema: Meios para promover e tornar efetiva a

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26
coordenação entre os serviços e programas do Ministério da Saúde, concluiu-se que a
coordenação de esforços para a organização e administração dos serviços de assistência
médico-hospitalar é uma necessidade imperiosa e impostergável
6
.
A propósito, assinala Campos
2
: “as atividades da medicina curativa e preventiva não
podem fugir de um esquema de coordenação, pela ordem metódica no uso dos recursos
materiais e humanos disponíveis, nas organizações públicas e privadas, para o cuidado da
saúde”. Assim, a lacuna existente atualmente em muitos hospitais, entre os serviços
preventivos e curativos, deve ser eliminada com a fixação de programas integrados e a
participação de toda a equipe de saúde.

Função restaurativa
A função restaurativa é, sem dúvida, uma das mais importantes do hospital,
executada por um complexo de técnicas capazes de realizar, com rapidez e eficiência, o
diagnóstico e o tratamento das pessoas necessitadas que o procuram. A evolução histórica
e a substituição do empirismo pela tecnologia científica fizeram com que essa idéia simplista
de função restaurativa fosse provida de instalações, equipamentos e organizações, a fim de
possibilitar, com uma margem maior de segurança, o diagnóstico precoce e o tratamento
adequado das doenças.
No Brasil, até a segunda metade do século XX, os hospitais eram construídos, salvo
algumas exceções, sem qualquer planejamento, apenas considerando-se as necessidades
comunitárias de subsistência. Isso retardou o processo evolutivo das funções, pois não se
estabeleceu, sequer, um conjunto de condições favoráveis ao cumprimento da atividade
relacionada com o diagnóstico e o tratamento.
Atualmente, a idéia dominante é a de que as instituições hospitalares devem ser
planejadas, de modo a estabelecer-se uma combinação ideal entre os leitos disponíveis e as
necessidades da comunidade. Além disso, o diagnóstico e o tratamento da doença
possibilitam a restauração que prevê a reabilitação física, mental e social do indivíduo.
Portanto, na sociedade o indivíduo deve ser “sempre colocado como o elemento mais
importante, para que se creia que tal custo poderá ser totalmente compensado pelos
relevantes serviços prestados à comunidade”, salienta Campos
2
.

Função de ensino
O hospital exerce um papel fundamental na formação de recursos humanos para a
área de saúde. Por isso mesmo todos os hospitais podem ser centro de estudo em
potencial, não somente para a prática de estudantes de medicina ou de enfermagem, mas
para todas as áreas ligadas à saúde, a nível médio e de graduação.

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27
Outros aspectos de relevância na função de desenvolvimento no hospital são
aqueles relativos ao processo de treinamento e capacitação, destacando-se:
a) orientação ao funcionário novato;
b) treinamento em serviço.
Assim, o hospital possibilita um preparo prático, moderno e atualizado aos
enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, aos assistentes e demais categorias que
trabalham na instituição. Portanto, o papel educativo do hospital pode ser resumido de
acordo com o seguinte esquema:

Introdução de
conhecimentos
Correção e atualização
de conhecimentos


Mudança
de atitude
Melhoria do
desempenho
(estudantes) (profissionais) (equipe de Saúde)
Função de Pesquisa
Kreatchemer citado por Maudonnet
6
, define pesquisa como: “o esforço consciente do
homem no sentido de encontrar novos fatos pela exploração, de relacionar uns com os
outros e deles derivar novos princípios e generalidades”.
Dentro do campo da atividade hospitalar, a pesquisa envolve aspectos médicos,
sociais e administrativos. Analisando-se o papel do hospital no contexto de suas funções,
percebe-se que, por ser uma unidade dinâmica na sociedade, deve manter-se atualizado,
testando e inovando técnicas. Só assim será capaz de obter os melhores resultados, com
menos tempo e esforço, e menor custo operacional. Mas, para alcançar esse objetivo,
precisa investir em recursos, na pesquisa ligada a todos os campos de sua atividade.
Cherubin
3
define a pesquisa hospitalar, como meio para chegar ao conhecimento e à
aplicação de novos processos de diagnóstico e tratamento, que vão da simples observação
ou pesquisa passiva, até a experimentação, ou seja, a atitude ativa do pesquisador. Seu
objetivo é modificar o curso da doença ou as condições dos organismos vivos e chegar
assim, a uma conclusão a respeito dos melhores processos referentes aos objetivos da
medicina.
Para Harvey citado por Campos
2
, “não há melhor maneira de fazer avançar a prática
da medicina do que aplicar nossas mentes, não apenas na descoberta do trabalho normal
da natureza, mas também na cuidadosa investigação das mais raras formas de
enfermidades”.
É isso que faz com que a pesquisa seja considerada necessária, obrigando o hospital
a se manter atualizado nos aspectos relacionados com a constante evolução da prática
médica e administrativa.



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28
3. CLASSIFICAÇÃO DOS HOSPITAIS
A classificação hospitalar supõe uma série de requisitos que tem por objetivo medir o
desempenho em termos de serviços prestados, com base em padrões preestabelecidos
pelo Ministério da Saúde, cuja finalidade é estimular a melhoria do atendimento prestado ao
paciente, elevando o padrão das instituições.
Para a classificação dos hospitais, utilizam-se como parâmetros de avaliação, os
instrumentos elaborados pela coordenação de assistência médica do Ministério da Saúde,
com base nos critérios baixados pelo Conselho Nacional de Classificação Hospitalar.
A classificação dos hospitais obedece a uma série de critérios. É impossível relacionar
todos os critérios neste trabalho. Pode-se, porém, apresentar alguns aspectos adotados,
seguindo o exposto no Anteprojeto da Lei Orgânica de Assistência Hospitalar, de 1964, que
define assistência hospitalar como aquela que tem por base o hospital e a instituição para-
hospitalar e que concorre para a criação de completo estado de bem-estar físico, mental e
social do indivíduo. Portanto, a assistência hospitalar pode ser classificada da seguinte
forma:
· Geral: é aquela prestada por hospitais gerais (que atendem a muitas enfermidades).
· Especializada: é aquela prestada por hospitais especializados, como por exemplo,
tuberculose, doenças mentais, câncer, etc.
Outras formas de classificação indicadas pelo anteprojeto da Lei Orgânica referida aos
hospitais são:
a) Nível de competência (nível de serviços médicos):
· Hospital primário: profilaxia, prevenção, clínica básica.
· Hospital secundário: básico, sem recursos avançados.
· Hospital terciário: nível tecnológico desenvolvido.
À medida que aumenta o nível de serviços médicos, aumentam o nível de capacitação
dos recursos humanos e a sofisticação tecnológica dos equipamentos.
b) Hospital oficial: o provimento cabe direta ou indiretamente à administração pública,
podendo ser:
· Administração central: o hospital é mantido por órgãos da administração centralizada
federal, estadual e municipal.
· Administração descentralizada ou paraestatal: o hospital é mantido por órgãos da
administração descentralizada federal, estadual ou municipal, pelas sociedades de
economia mista ou por fundação.
3. Hospital particular: mantido por instituições particulares ou pessoa jurídica de direito
privado. Pode ser:
· Hospital lucrativo: objetiva o lucro da empresa compensando o emprego do capital com
distribuição de dividendos.

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29
· Hospital não lucrativo: não objetiva o lucro, não remunera os administradores (as
pessoas jurídicas), não distribui benefícios a qualquer título. Apenas aplica integralmente
os recursos na manutenção, que tenha idênticos objetivos sociais.
· Hospital filantrópico: é o hospital particular não lucrativo que, de acordo com o Decreto
n.º 1840, de 20 de julho de 1973, proporciona assistência gratuita a um quinto do total de
seus serviços. Apresenta ainda o seguinte: “não concebe remuneração, gratificação,
vantagem ou benefício de qualquer espécie e a qualquer título, a dirigentes superiores,
diretores, sócio, irmãos ou outras pessoas, salvo aquelas com as quais mantém vínculos
legais de empregador
3
”.
· Hospital beneficente: é o hospital particular não lucrativo, cuja finalidade é prestar
assistência hospitalar a um grupo específico de pessoas a respectivos dependentes que
contribuem como associados, cujos atos de constituição especifiquem sua clientela. Não
é permitida a distribuição de dividendos, devendo seus recursos financeiros ser
aplicados em benefício da própria instituição.
c) Tempo de permanência do paciente:
· Hospital de crônicos: é aquele que se destina a prestar assistência a pacientes, cujo
quadro clínico se tenha estabilizado.
· Hospital de longa permanência: é aquele cuja permanência é prolongada por moléstia
grave ou de prognóstico negativo, tendo geralmente uma média de sessenta dias. É o
caso dos hospitais de psiquiatria, tisiologia e outros com características semelhantes.
· Hospital de agudos ou de curta permanência: é aquele cuja permanência em média não
ultrapassa a trinta dias. É o caso das situações médicas de emergência ou moléstias
agudas.
d) Grupo etário:
· Hospital infantil: destina-se assistir pacientes com idade de até doze anos, podendo essa
faixa etária máxima variar em alguns hospitais.
· Hospital geriátrico: destina-se a assistir pacientes idosos.
· Hospital de adultos: destina-se a assistir o paciente adulto.
e) Faculdade do exercício profissional médico:
· Hospital de corpo clínico aberto: permite a qualquer médico a internação e a assistência
a seus pacientes.
· Hospital de corpo clínico fechado: só permite o exercício da medicina àqueles médicos
que compõem seu corpo clínico.
f) Edificação:
· Hospital pavilhonar: é o hospital cujos serviços se apresentam distribuído por edificações
isoladas de pequeno porte, podendo ou não estar interligadas.

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30
· Hospital multibloco: é o hospital cujos serviços encontram-se distribuídos por edificações
de médio ou grande porte, que podem ou não estar interligadas.
· Hospital horizontal: é o hospital em que há predominância de sua dimensão horizontal
sobre a vertical.
· Hospital vertical: é o hospital em que há predominância de sua dimensão vertical sobre a
horizontal.
g) Tamanho em relação ao número de leitos:
· Hospital de pequeno porte: entre 25 a 49 leitos.
· Hospital de médio porte: entre 50 a 149 leitos.
· Hospital de grande porte: entre 150 a 500 leitos.
· Hospital de porte especial ou extra: mais de 500 leitos.
8. Capacidade e localização:
· Hospital Unidade Integrada de Saúde ou Unidade Mista: essas unidades foram
construídas para servir de ponto avançado em zonas de escassa densidade
demográfica. Devem atender a uma faixa populacional entre 10.000 a 20.000 habitantes,
centralizando e integrando as atividades de saúde, basicamente em clínicas médico-
pediátricas, obstétricas e cirúrgicas, todas normalmente em caráter de urgência. As
Unidades Mistas, além de realizar internação, executam programas de saúde pública,
contendo serviços de ambulatório, laboratório e de odontologia.
· Hospital local ou de comunidade: é um hospital destinado a população igual ou superior
a 20.000 habitantes, constando de unidade de internação nas áreas de clínica médica,
pediátrica, obstétrica, cirúrgica em geral e pediátrica, ginecologia e obstetrícia,
otorrinolaringologia, oftalmologia e traumatologia.
· Hospital de base: é um hospital geral que possui entre 300 a 500 leitos. Destina-se a
funcionar como centro coordenador de integração dos serviços médico-hospitalares de
uma determinada área ou região, prestando assistência médico-cirúrgica e especializado
e servindo de apoio aos hospitais distritais ou regionais. Além disso, o hospital de base
complementa a ação dos hospitais com os quais mantém intercâmbio, formando,
treinando e aperfeiçoando o pessoal hospitalar, profissional e não profissional,
cooperando com a unidade sanitária no campo da saúde pública.
· Hospital de ensino: é um hospital geral com a característica e função do hospital de
base, destinada à formação de estudantes na área de saúde. Tem suas atividades
assistenciais ajustadas ao ensino e ao treinamento, sob a responsabilidade do corpo
docente da instituição. Normalmente sua capacidade é de 400 a 500 leitos. Seus
objetivos principais são:
¬ Formação profissional.
¬ Pesquisa clínica e social.

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31
¬ Treinamento de graduados (aperfeiçoamento e especialização).
¬ Preparo do pessoal paramédico

.
¬ Desenvolvimento da medicina comunitária.

4. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO HOSPITAL
A organização hospitalar apresenta muita semelhança com a de uma empresa de
produção industrial. Essa semelhança diz respeito à estrutura formal, principalmente a
administrativa que se completa com uma complexa divisão de funções, com pessoal de
profissões diferentes, agrupados e estruturados, de forma a haver distribuição de trabalho e
responsabilidade, constituindo-se num conjunto de atividades, gerenciada pelo
administrador.
O hospital segundo Teixeira
11
:
É uma organização que tem características próprias que o diferenciam de
outras instituições; muitas áreas funcionais que são interdependentes e se
interrelacionam, necessitando de um funcionamento eficiente de todos os
seus componentes de maneira a compor um todo e, não um somatório de
partes desagregadas.
O hospital é uma instituição de complexa estrutura organizacional, mas acima de tudo
humanitária, burocrática e altamente hierarquizada ou autoritária, mas com uma extrema
divisão de trabalho, que reparte em parcelas de densidades diferentes as suas
responsabilidades. Seu objetivo principal é proporcionar cuidado adequado aos pacientes,
aplicando os recursos disponíveis em tecnologia e em atividade humana.
O trabalho no hospital apresenta objetivo definido. Por isso, é visto como um sistema
humano de serviço, tornando o trabalho individualizado devido à dinâmica gerada no seu
planejamento. Dessa forma, depende muito de sua interação com as pessoas que cuidam
dos pacientes, porque, apesar de o produto do hospital ser o paciente, o mesmo não pode
ser considerado um objeto ou matéria – prima.
Embora o hospital apresente essa característica humanitária, é também uma
organização burocrática, com regras e regulamentos para o controle do comportamento e
trabalho de seus funcionários. Esses profissionais são, extremamente, ciosos de seu status,
não apenas social, mas principalmente político e técnico. Porém, com as mudanças na
cultura organizacional do hospital, esse autoritarismo vem perdendo gradualmente suas
características, tornando a organização mais funcional, racional e descentralizada.
O esquema apresentado a seguir, exposto por Teixeira
11
, tem a finalidade de facilitar a
compreensão da estrutura hospitalar, independentemente de denominações oficiais ou
peculiares a cada hospital. A autoridade no hospital é repartida em parcelas, segundo as


Relativo à complementação de serviços médicos. Que tem relação secundária com a medicina.

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32
instituições, entre a direção superior, o corpo clínico, o corpo profissional e administração ou
diretoria.
A organização formal do hospital mostra que a direção superior é a autoridade
máxima, sendo a responsável pela instituição. A figura 2 apresenta os segmentos que
compõem a estrutura de um hospital.
Conselho Diretivo

Diretoria


Corpo
Clínico

Corpo Profissional
Figura 2: Modelo da estrutura de um hospital
a) Conselho Diretivo ou Direção Superior: recebe denominações diversas, variando de um
hospital para outro. Por exemplo: mesa administrativa ou junta de diretores, conselho de
administração ou diretor geral, ou ainda, superintendente, nos hospitais públicos,
conforme o porte.
Compete à direção superior, por ser um órgão deliberativo, tratar as políticas gerais da
instituição, elaborando as diretrizes indispensáveis à concretização de tais políticas. Além
disso, a direção superior responde pela administração dos recursos econômicos que lhe são
confiados e que são essenciais ao funcionamento do hospital.
b) Diretoria: é o órgão executivo, ao qual compete planejar e estabelecer a organização
interna das unidades, coordenar os trabalhos médicos e administrativos, bem como
controlar as atividades técnicas e administrativas.
c) Corpo clínico: é o conjunto de profissionais de medicina, os quais se agrupam por
especialidade, em serviços e clínicas. As especialidades médicas na organização
hospitalar são constituídas de: clínica médica, cirúrgica, obstétrica, ginecológica e
pediátrica.
O corpo clínico realiza ainda os serviços de apoio clínico (auxiliar de diagnóstico e
tratamento ou serviços médicos auxiliares), que auxiliam o trabalho do médico, na
confirmação do diagnóstico e nas medidas terapêuticas, caracterizando uma atenção
médica moderna, resultando na organização do trabalho em equipe. São eles, entre outros:
♦ Laboratório clínico.
♦ Transfusão.
♦ Anatomia patológica.

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♦ Radiologia.
♦ Anestesia.
♦ Medicina física.
♦ Eletrocardiografia.
♦ Hemodinâmica.
♦ Endoscopia.
♦ Medicina nuclear.
Os serviços técnicos são atividades que colaboram diretamente com o corpo clínico.
São compostos de profissionais paramédicos que desempenham diferentes atividades
relacionadas diretamente ao paciente. Situa-se nesse âmbito, com destaque, o serviço de
enfermagem, que é constituído pelo maior número de profissionais, em torno de 60% do
quadro geral de pessoal, estando presente em todos os turnos de funcionamento do
hospital. Outros serviços que são enquadrados dentro dos serviços técnicos são:
• Serviço social médico.
• Serviço de nutrição e dietética.
• Serviço de farmácia.
• Serviço de psicologia.
• Serviço de arquivo médico e estatístico.
• Serviço de fisioterapia.
• Biblioteca.
d) Corpo profissional: é constituído pelo serviço de apoio administrativo ou apoio gerencial.
Esse serviço constitui a infraestrutura do hospital, que inclui a coordenação de recursos
humanos e materiais, visando atingir os objetivos-fins do hospital. O serviço de apoio
administrativo engloba os seguintes serviços:
• Comunicações e arquivo ou protocolo e arquivo ou secretaria.
• Recursos humanos.
• Recursos materiais.
• Recursos financeiros.
• Contabilidade.
• Engenharia e manutenção hospitalar.
• Processamento de dados.
• Lavanderia e rouparia.
• Zeladoria.
• Limpeza.
• Transporte.
• Portaria.

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34
• Telefone.
• Serviços gerais.
Além dos serviços citados, o hospital pode ainda dispor de assessoria jurídica,
relações públicas, sistema de informações e organização & métodos, fazendo parte do staff
da direção do hospital. Esses serviços são fundamentais, porque vão fornecer ao nível
técnico, o ingresso do material, energia e informações para que as atividades-fim da
instituição sejam realizadas com eficiência.
Como se pode verificar, a organização de um hospital é geralmente bastante
complexa. Não há uma resposta mágica que defina a estrutura de inter-relacionamento mais
correta, nessa organização, fato que dificulta sensivelmente aqueles que trabalham nos
hospitais.
e) Serviço de Arquivo Médico e Estatístico – SAME: no Brasil, o primeiro SAME surgiu no
Hospital das Clínicas de São Paulo, organizado e implementado em 1943, pela Dra.
Lourdes de Freitas Carvalho, e tem servido de modelo para os demais que vêm sendo
organizado no país. O SAME recebe outras denominações, por exemplo: SDM – Serviço
de Documentação Médica; SDC – Serviço de Documentação Científica. Não importa a
sigla usada pelo hospital, mas sim, a forma como o setor se encontra estruturado, capaz
de prestar serviços ao paciente, ao corpo clínico, ao hospital e à sociedade.
Sua boa organização possibilita ao hospital facilidades na obtenção de convênios ou
contratos com entidades, ou ainda, de subvenções governamentais. Esse serviço é
responsável pelo desenrolar do SDM e também pela fidelidade das estatísticas.
Mezomo
8
ressalta que:
a finalidade da estatística é fornecer dados para avaliação do padrão de
atendimento e da eficiência dos serviços e prestar informações dentro do
menor tempo possível os resultados, quando conhecidos tardiamente, não
permitem sanar as causas em curto prazo e, dessa forma, as falhas
prolongam-se mais do que seria tolerável.
O SAME é o retrato do hospital, por isso deve estar estruturado para funcionar em
perfeita harmonia com a imagem da instituição. Para Maudonnet
6
, o SDM deve funcionar
como os ponteiros de um relógio, mostrando os efeitos de seu mecanismo. Afirma ainda que
o “SDM está para a entidade assistencial médica, assim como a central de custos está para
a entidade administrativa hoteleira”.
Diante de tudo quanto se disse a seu respeito, o SAME deve ser conceituado como
sendo um órgão, hierarquicamente subordinado ao serviço técnico, destinado ao registro de
dados do paciente, ordenação e controle do prontuário. Além disso, fornece informações
para pesquisa médico-social e para administração do hospital. Para Maudonnet
6
, o SDM “é
um órgão, destinado a coletar, controlar, apurar e fazer amostragem de todos os dados de

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35
ordem médico-administrativa, referentes aos pacientes que utilizam a entidade assistencial
médica”.
O PROAHSA – Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e de
Sistemas de Saúde – define o SAME como um órgão que:
tem por finalidade a manutenção da integridade do conjunto de prontuário
pertencente ao hospital, por meio de atividades desenvolvidas segundo
critérios especiais de guarda, classificação, codificação e controle da
circulação dos prontuários, bem como do necessário sigilo no que se refere
ao conteúdo dos mesmos
10
.
Quanto às finalidades do SAME, pode-se enumerar os seguintes encargos, segundo
PROAHSA
10
, Maudonnet
6
e Berezovisk
1
:
· Manter um sistema de registro que controle toda a movimentação dos pacientes no
hospital.
· Zelar pela clareza e exatidão dos prontuários médicos do hospital.
· Zelar pela ordenação, guarda e conservação dos prontuários médicos dos pacientes
tratados no hospital.
· Cooperar no estudo ou na alteração dos formulários relacionados à assistência prestada
ao paciente.
· Manter um serviço que proporcione estudos capazes de facilitar o diagnóstico, o
tratamento e o prognóstico.
· Colaborar em programas de ensino e pesquisa.
Para atingir essas finalidades, o SAME precisa se organizar, sendo estruturalmente
delineado pelos seguintes setores:
· Diretoria.
· Registro geral: registro, internação, informação e marcação de consultas e exames.
· Arquivo médico: recepção, prontuário, ambulatório e clínicas gerais e especializadas.
· Estatísticas: estatística médica e administrativa.
· Expediente.
O SAME tem responsabilidade pelo controle do prontuário. Esse controle evoluiu com
a introdução de novos métodos, formas, técnicas e de equipamentos, sendo utilizado, por
exemplo, um sistema numérico nos prontuários, calculado por computador, onde todos os
dados do paciente são cadastrados em banco de dados, proporcionando os seguintes
benefícios:
· Maior rapidez nas anotações e na transmissão de informações de interesse
administrativo.
· Melhoria na qualidade, na quantidade e na utilização das informações médicas.

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· Diminuição nas possibilidades de erro e redução do tempo gasto nas verificações e
transcrições.
· Melhoria do sistema de informação e comunicação.
Outro recurso técnico atual é o processo de microfilmagem utilizada nos prontuários
inativa. Esse processo facilita o serviço de arquivamento, em virtude da economia de
espaço, redução do pessoal para ordenação, guarda e conservação, possibilitando maior
rapidez na localização de documentos e melhoria nas condições de manutenção e limpeza
da documentação.
Lamentavelmente, só os grandes hospitais utilizam os modernos métodos de
sistematização do trabalho no SAME, por vários fatores significativos. No entanto, quer
utilize técnicas avançadas, quer utilize técnicas rudimentares, esse serviço cumpre, no
hospital, uma fundamental tarefa de revelar o grau de desenvolvimento técnico e de
eficiência da instituição.
5. TERMINOLOGIA HOSPITALAR
Para uma melhor compreensão da complexidade da administração hospitalar, o
primeiro passo é conhecimento de sua linguagem técnica mais usual, transcrita em seguida.
Terminologia geral – médico-hospitalar e epidemiológica:
ALOJAMENTO CONJUNTO: é um tipo de acomodação em que o recém-nascido normal
permanece junto ao leito da mãe, após o parto hospitalar.
ALTA ADMINISTRAÇÃO ou ALTA GERÊNCIA: é a expressão que inclui os chefes
corporativos. Em grandes empresas, altos gerentes são os gerentes gerais e seus
subordinados.
ALTA: é um ato médico, que põe termo à assistência prestada ao paciente. Pode ser por
cura, melhora, a pedido, por óbito, transferência ou indisciplina. Compreende alta
ambulatorial, domiciliar e hospitalar.
ASSISTÊNCIA DOMICILIAR: é aquela prestada pela equipe de saúde no domicílio ou na
residência do paciente.
ASSISTÊNCIA HOSPITALAR: é aquela que exige o emprego de um conjunto de ações,
métodos e processos de ciência da saúde, com o objetivo de promover, proteger,
recuperar e reabilitar o indivíduo, em regime de internação, em estabelecimentos
hospitalares.
ASSISTÊNCIA MÉDICA: é aquela prestada pelo médico, onde é empregado um conjunto
de ações, métodos e processos de ciência médica, com o objetivo de promover, proteger,
recuperar e reabilitar o indivíduo.
ASSISTÊNCIA SANITÁRIA: é aquela desenvolvida pela equipe de saúde junto à
população, com o propósito de elevar o nível de saúde. Para isso, é empregado um

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conjunto de ações, métodos e processos de ciências da saúde, com o objetivo de
promover, proteger, recuperar e reabilitar o indivíduo.
ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA: constitui-se num conjunto de ações destinadas à
recuperação de pacientes, cujos agravos à saúde necessitam de assistência imediata.
ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM: é aquele em que a prestação de cuidados ao
paciente é realizada pelo pessoal de enfermagem, em todos os níveis.
BERÇO DE MATERNIDADE: é a cama destinada ao recém-nascido sadio, nascido no
hospital. Para o recém-nascido doente, prematuro e recém-nascido admitido para
tratamento, o berço é considerado leito infantil e será computado na lotação.
CAPACIDADE HOSPITALAR DE EMERGÊNCIA: é o número de leitos que poderão ser
colocados no hospital, em circunstâncias anormais ou de calamidade pública, com
aproveitamento das áreas consideradas utilizáveis.
CAPACIDADE HOSPITALAR DE OPERAÇÃO: é o número de leitos em funcionamento
no hospital.
CAPACIDADE HOSPITALAR DE PLANEJAMENTO: é o número máximo de leitos que
poderão ser colocados em quartos e enfermarias.
CENSO HOSPITALAR DIÁRIO: é a contagem, a cada 24 horas, do número de leitos
ocupados.
CENTRO DE SAÚDE: é o estabelecimento de saúde destinado a prestar cuidados
médicos e sanitários à comunidade, nas quatro especialidades básicas (clínica médica,
clínica cirúrgica, gineco-obstetríca e pediatria).
CICLO PDCA: trata-se de uma ferramenta que pode ser aplicado às pessoas, aos
processos, ao sistema e à gestão para aprimoramento contínuo do processo. Ele significa
Plan, Do, Check e Act (Planejar, Fazer, Controlar e Agir).
CLIENTE: é todo aquele afetado por produto ou processo. Pode ser externo e interno.
CLIENTES EXTERNOS: aqueles que são afetados pelo produto, mas não pertencem à
empresa na qual o produto ou serviço é feito.
CLIENTES INTERNOS: aqueles que são afetados pelo produto e também são
integrantes da companhia que produz o produto ou serviço.
COBERTURA DE SERVIÇO DE SAÚDE: é a oferta sistematizada de serviços básicos de
saúde, que satisfaçam às necessidades de uma população determinada, proporcionada
de forma contínua, em lugar geograficamente acessível e que garanta o acesso da
população aos diferentes níveis de atendimento do sistema de serviços de saúde.
COMUNICANTE: é qualquer pessoa ou animal que esteja em contato com pessoa ou
animal infectado, ou com ambiente contaminado, possibilitando oportunidade de contrair
a doença.

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CONSULTA DE PRIMEIRA VEZ OU PRIMEIRA CONSULTA: é o primeiro atendimento
médico a um paciente ambulatorial, após seu registro.
CONSULTA SUBSEQÜENTE OU DE RETORNO: é a consulta que sucede a primeira,
para continuidade do atendimento do mesmo quadro mórbido ou avaliação periódica da
saúde.
CONSULTA: é o tipo de assistência na qual um profissional da equipe de saúde,
geralmente médico e enfermeiro, interage com o indivíduo para fins de exame,
diagnóstico, tratamento e orientação.
CONTÁGIO: é a transmissão do agente infeccioso de um doente ou portador para outro
indivíduo.
CONTAMINAÇÃO: é a transferência do agente infeccioso para um organismo, objeto ou
substância.
CONTRA-REFERÊNCIA: é o ato formal de encaminhamento de um paciente ao
estabelecimento de origem, após resolução de causa responsável pela referência. A
contra – referência do paciente deverá, sempre ser acompanhada das informações
necessárias ao seguimento do paciente no estabelecimento de origem.
CUSTO DO PACIENTE – DIA: é uma unidade de gasto hospitalar, que representa os
dispêndios diretos e indiretos por serviço prestado a um paciente, num dia hospitalar.
DESINFECÇÃO CONCORRENTE: é a desinfecção que se faz imediatamente após a
expulsão de matérias infecciosas do corpo do indivíduo infectado, ou logo depois de
terem sido com elas contaminados por objeto de uso, antes que qualquer pessoa entre
em contato com tais materiais ou objetos.
DESINFECÇÃO TERMINAL: é a desinfecção que se faz quando se submetem roupas,
objetos de uso pessoal e o meio ambiente do indivíduo infectado após a extinção da fonte
de infecção, por morte, remoção do doente ou suspensão das medidas de isolamento.
DESINFECÇÃO: é a destruição de agentes infecciosos situados fora do organismo,
mediante aplicação direta de meios físicos e químicos.
DESINFESTAÇÃO: é a eliminação ou destruição de metazoários da superfície corporal
do hospedeiro, de suas roupas ou meio ambiente, por qualquer processo físico ou
químico.
DIA HOSPITALAR: é o período de trabalho, compreendido entre dois censos hospitalares
consecutivos.
DIRETRIZ: é a rota que sustenta o desenvolvimento das estratégias de aprimoramento
contínuo das pessoas, processos, sistemas de gestão no atingimento de seus objetivos
de curto, médio e longo prazos.
DOENÇA INFECCIOSA: é aquela resultante de uma infecção.

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DOENÇA TRANSMISSÍVEL: é aquela causada por um agente infeccioso ou por suas
toxinas, contraídas através da transmissão desse agente, ou de seus produtos,
diretamente de uma pessoa ou animal infectado, ou de um reservatório ao hospedeiro
intermediário, de natureza vegetal ou animal, de um vetor ou de meio ambiente
inanimado.
DOENÇA: é o distúrbio da saúde física ou mental.
EFICÁCIA: é o resultado da tarefa, isto é, o produto. Relaciona-se com a satisfação do
cliente.
EFICIÊNCIA: é a forma de organização da tarefa. Relaciona-se com os custos.
ENDEMIA: é uma doença que ocorre em determinada área geográfica ou sua prevalência
nessa área.
EPIDEMIA: são casos de doenças que ocorrem numa coletividade ou região, em número
que ultrapassa a incidência normalmente esperada.
EPIDEMIOLOGIA: é o estudo da distribuição dos eventos relacionados com a saúde da
comunidade e seus fatores determinantes.
ESTERILIZAÇÃO: é a destruição total dos microorganismos na forma vegetativa ou
esporulada.
ESTRUTURAS: são os recursos disponíveis na organização, titulação do profissional,
características prediais, procedimentos, etc.
FONTE DE INFECÇÃO: é uma pessoa, animal, objeto ou substância de onde um agente
infeccioso passa diretamente a um hospedeiro.
GERÊNCIA DA QUALIDADE TOTAL: é ação de forma planejada e sistemática para
implantar e implementar um ambiente, no qual, em todas as relações fornecedor – cliente
da organização, sejam elas internas ou externas, exista satisfação mútua.
HOSPEDEIRO: é o homem ou animal que oferece condições naturais de subsistência ou
alojamento a um agente infeccioso.
HOSPITAL – DIA: é uma modalidade de assistência na qual o paciente utiliza, com
regularidade, os serviços e o leito hospitalar, apenas durante o período diurno.
HOSPITAL – NOITE: é uma modalidade de assistência na qual o paciente utiliza, com
regularidade, os serviços e o leito hospitalar, apenas durante o período noturno.
IMUNIDADE: é a resistência de um hospedeiro contra determinado agente etiológico
associado à presença de anticorpos ou células de ação específica.
INCIDÊNCIA: é o número de casos novos de doenças que vão aparecendo numa
comunidade.
ÍNDICE: é a razão entre determinados valores.
INFECÇÃO INAPARENTE, SUBCLÍNICA OU LATENTE: é a ocorrência de infecção num

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hospedeiro, sem o aparecimento de sinais ou sintomas aparentes.
INFECÇÃO: é a penetração e desenvolvimento de um agente infeccioso no organismo do
homem ou de outro animal.
INFESTAÇÃO: é o alojamento, desenvolvimento e reprodução de artrópodes na
superfície do corpo de pessoas e animais ou nas vestes.
INFLAMAÇÃO: é a reação local do organismo a um agente agressor (físico, químico ou
biológico) e que se destina, quando possível, a destruí-lo ou limitar sua difusão, a fim de
reparar e substituir os tecidos lesados.
INQUÉRITO EPIDEMIOLÓGICO: é uma coleta de dados através de um levantamento
epidemiológico, que pode ser por amostragem, a fim de obter informações sobre uma
doença, em determinada comunidade.
INTERCORRÊNCIA: é o surgimento de uma doença concomitante com uma
enfermidade, sem ter ligação com a mesma.
INTERNAÇÃO: é a admissão de um paciente para ocupar um leito hospitalar, por um
período superior a 24 horas.
ISOLAMENTO: é a separação de uma pessoa ou animal infectados, de outros não
infectados, durante o período de transmissibilidade da doença, em lugar e condições que
evitem a transmissão do agente infeccioso aos suscetíveis.
LEITO – DIA: é a cama disponível ao paciente num dia hospitalar.
LEITO DE OBSERVAÇÃO: é aquele destinado a acomodar os pacientes que necessitam
ficar sob supervisão médica e de enfermagem, para fins de diagnóstico ou terapêutica,
durante um período inferior a 24 horas.
LEITO ESPECIALIZADO: é o leito hospitalar destinado a certas especialidades médicas.
LEITO HOSPITALAR: é a cama destinada a acomodar o paciente internado no hospital.
LEITO INDIFERENCIADO: é o leito hospitalar destinado a acomodar pacientes de
qualquer especialidade médica.
MATRÍCULA OU REGISTRO: é a inscrição do paciente no estabelecimento de saúde.
MISSÃO: é a expressão usada par que a organização estabeleça o que fazer para
aprimorar continuamente, quais os recursos disponíveis, quais os indicadores a utilizar
para que se identifique que o pretendido está sendo atendido. Seu objetivo é atingir a
visão de futuro.
NASCIDO MORTO OU NATIMORTO: é o óbito fetal tardio, ou seja, o óbito ocorrido antes
da expulsão ou extração completa do corpo materno de um produto da concepção que
tenha alcançado 28 semanas completas ou mais de gestação.
NASCIDO VIVO: é a expulsão ou extração completa do corpo materno,
independentemente da duração da gravidez, de um produto da concepção que, depois da

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41
separação, respire ou dê qualquer sinal de vida, tais como, batimentos do coração,
pulsações do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contrações
voluntária.
NOTIFICAÇÃO: é a comunicação oficial da ocorrência de doenças à autoridade
competente.
ÓBITO DE ADULTO: é o óbito ocorrido em pessoas com mais de 14 anos.
ÓBITO DE CRIANÇA E ADOLESCENTE: é o óbito ocorrido em pessoas com idade de
até 14 anos.
ÓBITO FETAL OU PERDA FETAL; é a morte de um produto da concepção, antes da
expulsão ou de sua extração completa do corpo materno, independentemente da duração
da gravidez.
ÓBITO HOSPITALAR ESPECÍFICO OU INSTITUCIONAL: é o óbito ocorrido após 48
horas de internação de um paciente.
ÓBITO HOSPITALAR: é o óbito ocorrido no hospital após o registro do paciente.
ÓBITO INFANTIL TARDIO OU PÓS-NEONATAL: é o óbito que se verifica em crianças
com mais de 28 dias e menos de 01 ano.
ÓBITO INFANTIL: é o óbito que se verifica em crianças menores de 01 ano.
ÓBITO MATERNO: é o óbito ocorrido devido a complicações da gravidez, do parto ou do
puerpério.
ÓBITO NEONATAL PRECOCE: é o óbito que ocorre em crianças que não atingiram 07
dias de vida.
ÓBITO NEONATAL: é o óbito que se verifica em crianças que não atingiram 28 dias de
vida.
ÓBITO OPERATÓRIO: é o óbito que ocorre durante o ato cirúrgico ou por conseqüência
deste.
ÓBITO PERINATAL: é o óbito fetal tardio e o óbito neonatal e o óbito neonatal precoce.
ÓBITO POR ANESTESIA: é o óbito causado por agentes anestésicos.
ÓBITO PÓS – OPERATÓRIO: é o óbito ocorrido dentro do período de 10 dias, do ato
cirúrgico e em conseqüência deste.
ÓBITO TRANSOPERATÓRIO: é o óbito ocorrido durante o ato operatório, como
conseqüência do mesmo.
PACIENTE – DIA: é uma unidade de mensuração da assistência prestada, em um dia
hospitalar a um paciente internado.
PACIENTE EGRESSO: é o paciente que recebe alta de um estabelecimento de saúde.
PACIENTE ANTIGO: é aquele paciente registrado e já assistido anteriormente, e que
volta para novo atendimento.

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42
PACIENTE DE AMBULATÓRIO OU EXTERNO: é o paciente que, após ser registrado,
recebe assistência ambulatorial ou de emergência.
PACIENTE DE CONVÊNIO OU SEGURADO: é o paciente contribuinte que paga pela
assistência hospitalar recebida.
PACIENTE DE RETORNO: é o paciente que, após a primeira consulta ou após alta
hospitalar, volta para continuar o tratamento.
PACIENTE NÃO PAGANTE OU NÃO CONTRIBUINTE OU GRATUITO: é o paciente que
não contribui com qualquer pagamento para receber a assistência hospitalar.
PACIENTE NOVO: é o paciente que, após o registro no hospital, é assistido pela primeira
vez.
PACIENTE PAGANTE OU CONTRIBUINTE: é o paciente que retribui com pagamento a
assistência hospitalar recebida.
PANDEMIA: é uma epidemia em grandes proporções que atinge um enorme número de
pessoas em uma vasta região.
PATOGENICIDADE: é a capacidade que um agente infeccioso tem de produzir doença
num hospedeiro suscetível.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: é o intervalo de tempo entre a infecção e o aparecimento
dos sintomas ou sinais da doença.
PESSOA IMUNE: é a pessoa que possui imunidade.
PESSOA INFECTADA: é a pessoa portadora de infecção.
PESSOA INFECTANTE: é a pessoa da qual o agente infeccioso pode ser contraído em
condições naturais.
PLANO: é um recurso que permite elaborar os desdobramentos das diretrizes dos níveis
estratégicos até aos operacionais.
PORTADOR: é a pessoa ou animal infectado que guarda em si o agente infeccioso
específico de uma doença sem apresentar, contudo, sintomas da doença e que pode
constituir fonte de infecção.
POSTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA OU POLICLÍNICA: é o estabelecimento de saúde
destinado à assistência ambulatorial, orientando suas ações, sob a demanda.
POSTO DE SAÚDE: é o estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência
sanitária a uma população determinada, utilizando técnicas simplificadas e pessoal de
nível médio ou elementar. Deve ser apoiado pelo Centro de Saúde.
PROCESSO: é um conjunto formado pela união de tarefas de forma ordenada,
planejada, objetivando atingir metas estabelecidas.
PRODUTO: é o resultado de qualquer processo.
PROFILAXIA: é um conjunto de medidas propostas para prevenir ou atenuar as doenças,

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43
bem como suas complicações e conseqüências.
PRONTO SOCORRO: é o estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência a
pacientes acidentados ou acometidos de mal súbito, com ou sem risco de vida,
funcionando durante 24 horas.
PRONTUÁRIO: é um conjunto de documentos padronizados, destinados ao registro da
assistência prestada ao paciente.
QUALIDADE: são características de um serviço ou produto que satisfazem às
necessidades explícitas ou implícitas do cliente.
QUIMIOPROFILAXIA: é o emprego de uma substância química para prevenir uma
doença ou infecção, ou ainda sua evolução.
QUIMIOTERAPIA: é o emprego de uma substância química para curar uma doença
clinicamente manifestada ou limitar sua evolução.
RECAÍDA: é o reaparecimento ou recrudescimento dos sintomas de uma doença, antes
de curado inteiramente o doente.
RECIDIVA: é o reaparecimento do processo mórbido após a cura aparente.
REFERÊNCIA: é o ato formal de encaminhamento de um paciente atendido em um
determinado estabelecimento de saúde, para outro de maior complexidade.
RESISTÊNCIA: é um conjunto de mecanismos corporais que servem de defesa contra a
invasão de agentes infecciosos ou contra os efeitos nocivos de suas toxinas.
SAÍDA HOSPITALAR: é a soma dos óbitos mais as altas hospitalares.
SUSCETÍVEL: é a pessoa ou animal que se presume não possuir suficiente resistência
contra determinado agente patogênico, e por essa razão pode contrair a doença.
TRANSMISSÃO DE AGENTES INFECCIOSOS: é qualquer mecanismo que possibilite a
transferência do agente etiológico de um hospedeiro a outro, ou deste ao meio ambiente
e vice-versa.
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: é o acompanhamento contínuo e sistematizado da
ocorrência de determinada doença e de seus fatores condicionantes, com objetivos de
orientar a utilização de medidas de controle pertinentes.
VIGILÂNCIA SANITÁRIA: é um conjunto de medidas que visam elaborar, controlar e
fiscalizar o cumprimento de normas e padrões de interesse sanitário relativos a portos,
aeroportos e fronteiras, medicamentos, cosméticos, alimentos e bens, respeitada a
legislação pertinente, bem como o exercício profissional relacionado com a saúde.




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6. INDICADORES HOSPITALARES
Denominam-se indicadores hospitalares os números, taxas, índices, percentuais e
razões que permitem mensurar a dimensão dos vários fenômenos ocorridos no hospital, os
recursos existentes, o seu aproveitamento e em última análise, avaliar a qualidade da
assistência prestada e a eficiência do hospital
4
. Eis alguns indicadores:
a) Taxa de mortalidade global - é a relação percentual entre o total de óbitos ocorridos no
hospital durante determinado período e o total de pacientes saídos por alta e óbitos no
mesmo período de tempo.
Fórmula: Total de óbitos em determinado período x 100
Total de altas e óbitos no mesmo período
b) Taxa de mortalidade infantil - é a relação percentual entre o total de óbitos infantis
ocorridos no hospital em determinado período e o total de nascidos vivos no mesmo
período.
Fórmula: Total de óbitos infantis no hospital em determinado período X 100
Total de nascidos vivos no mesmo período
c) Taxa de infecção hospitalar - é a relação percentual entre o total de infecções ocorridas
no hospital, sem relação com a causa que motivou a internação, e o total de altas e
óbitos no mesmo período.
Fórmula: Total de infecções em determinado período X 100
Total de altas e óbitos no mesmo período
d) Média de pacientes-dia - é o número médio de pacientes internados que receberam
assistência em cada dia, no hospital, durante determinado período, apurado nos Censos
Diários.
Fórmula: Total de pacientes-dia durante determinado período de tempo
Total de dias no mesmo período
e) Média de tempo de permanência - é a relação entre número de pacientes-dia durante
determinado período e o de paciência saídos (alta + óbitos) durante o mesmo período.

Fórmula: Total de pacientes-dia durante determinado período de tempo
Total de pacientes saídos (altas + óbitos no mesmo período + remanescentes)
f) Percentagem de ocupação hospitalar - é a relação percentual entre o total de pacientes-
dia em determinado período e o total de leitos-dia, no mesmo período.
Fórmula: Total de pacientes-dia em determinado período X 100
Total de leitos-dia no mesmo período
g) Índice leitos servidor - estabelece a relação entre o total de leitos hospitalares e o total
de pessoal.
Fórmula: Total de leitos hospitalares
Total de servidores

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h) Índice de rotatividade do leito hospitalar - representa a medida de utilização do leito
hospitalar durante um determinado período.
Fórmula: Total de pacientes saídos (alta + óbitos) em determinado período
Total de leitos hospitalares durante o mesmo período

RESUMO
1. Hospital: vem do latim hospitale, derivado de hospe (hóspede, viajante, conviva,
estrangeiro), significando aquele que dá agasalho ou que hospeda.
2. A origem do hospital remonta à idade antiga, através dos gregos, egípcios, judeus e
outros povos que construíram hospital templo ou hospital primitivo.
3. A comissão de Peritos em Assistência Médica da OMS definiu o hospital como uma
parte integral de uma organização médica e social, cuja função é prover completa
assistência de saúde à população curativa e preventiva e, cujos serviços de ambulatório
atingem até a família e seu meio ambiente.
4. Funções do hospital: preventiva, restaurativa, de ensino e pesquisa.
5. Classificação dos hospitais:
a) Geral e Especializado.
b) Oficial e particular.
c) Quanto ao tempo de permanência: hospital de longa permanência e hospital de curta
permanência.
d) Quanto ao grupo etário: infantil, geriátrico e de adultos.
e) Quanto à faculdade do exercício profissional médico: hospital de corpo clínico aberto
e fechado.
f) Quanto à edificação: pavilhonar, monobloco, multibloco, horizontal e vertical.
6. Estrutura organizacional:
a) Conselho Diretivo – é o órgão deliberativo que traça as políticas gerais da instituição.
b) Diretoria – é o órgão executivo que planeja, organiza, implementa e controla as
atividades técnicas e administrativas.
c) Corpo Clínico – é formado pelo conjunto de profissionais de medicina.
d) Corpo Profissional – é constituído pelo serviço de apoio administrativo ou gerencial.
7. Serviço de Arquivo Médico e Estatístico – SAME: é responsável pela manutenção da
integridade do conjunto de prontuários do hospital, desde o registro ao arquivo. Além
disso, é o centro de informações estatísticas referentes aos pacientes e à administração
do hospital.



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QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO
1. Faça um comentário sobre as funções preventiva, restaurativa, de ensino e de pesquisa
do hospital.
2. Quais os aspectos utilizados pelo anteprojeto da Lei Orgânica de Assistência Hospitalar?
3. Explique o mecanismo organizacional do hospital.
4. Explique o qual é o papel do Conselho Diretivo para o hospital?
5. O que significa serviços técnicos do hospital?
6. Defina diretoria.
7. Quais os serviços que constituem o corpo profissional ou apoio administrativo?
8. Descreva a origem histórica do SAME.
9. Quais as finalidades do SAME?
10. Como o SAME pode ser organizado?
BIBLIOGRAFIA
1. BEREZOVSKY, M. Serviço social médico na administração hospitalar.
São Paulo: Moraes, 1980.
2. CAMPOS, JQ. Documentação médica. In.: MAUDONNET, R. Administração
hospitalar. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1988.
3. FERREIRA, ABH. Dicionário Aurélio Eletrônico - Século XXI. Versão 3.0. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
4. CHERUBIN, NA. Fundamentos da administração hospitalar. São Paulo: CEDAS,
1977.
5. MACEACHERN, M. Hospital organization and management. Chicago: Psysican’s
Record Company, U.S.A., 1939.
6. MAUDONNET, R. Introdução à administração hospitalar. Rio de Janeiro: Cultura
Médica, 1988.
7. MCGIBONY, JR. Principle of hospital administration. New York: G. P. Pretnam’a
sons, 1969.
8. MEZZOMO, AA. Serviço de arquivo médico e estatístico. Curso de administração
hospitalar para graduados. São Paulo: IBDPH, 1973. (mimeografado).
9. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Série de informes técnicos. Genebra, n.
122, 1957.
10. PROAHSA. Manual de organização e procedimentos hospitalares. São Paulo:
Pioneira, 1987.
11. TEIXEIRA, JMC. Sistemas médicos, técnicos e administrativos do hospital moderno:
sua ordenação. In.: GONÇALVES, EL. O hospital e a visão administrativa
contemporânea. São Paulo: Pioneira, 1983.


47
















CAPÍTULO 3
O processo de planejamento
















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48
1. CONCEITOS BÁSICOS

O planejamento é a primeira função administrativa, exatamente, porque sem
planejamento não se pratica administração. Portanto, o planejamento é a base que norteia
todo o processo administrativo. É uma técnica que visa tomar decisões antecipadas de
ocorrências futuras e traçar um programa de ação. Quem planeja tem maior probabilidade
de alcançar os objetivos, porque define a melhor estratégia de ação. Quem não planeja,
evidentemente, tem menor probabilidade de atingir sua finalidade, ou seja, estará
planejando o fracasso.
De acordo com Chiavenato
3
, planejamento é “o modelo teórico para a ação futura.
Visa dar condições racionais para que se organize e dirija o sistema a partir de certas
hipóteses acerca da realidade atual e futura”. É um processo em que, interpretando-se os
fatos, determina-se com segurança uma linha de ação futura com a indicação de objetivos a
serem alcançados, inclusive, a previsão das diversas etapas de execução. O planejamento
está presente nas mais variadas situações, especialmente no serviço de enfermagem, onde
se torna essencial para se evitarem atrasos, desperdícios, insuficiência de pessoal e o baixo
nível da assistência.
Como se pode deduzir, o processo de planejamento é o pré-requisito das operações
do serviço de enfermagem. A esse respeito, Arndt; Huckabay
1
afirmam que, sem
planejamento, o administrador não pode corresponder aos requisitos básicos e aos padrões
da organização. O planejamento acrescenta ainda, é a primeira característica conceptual
exigida do administrador do serviço de enfermagem.

2. CARACTERÍSTICAS DO PLANEJAMENTO
Seja qual for a natureza da atividade, o processo de planejamento caracteriza-se
principalmente por ser:
• Um processo permanente e contínuo.
• Uma técnica voltada para o futuro.
• Racional na tomada de decisões.
• Sistêmico.
• Iterativo.
• Uma técnica cíclica.
• Uma função administrativa que interage dinamicamente com as demais.




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49
3. TIPOS DE PLANEJAMENTO

a) Planejamento estratégico: envolve a organização como um todo. É elaborado para
um período de tempo maior, considerado de longo prazo, sendo sempre realizado
pelos altos escalões da instituição.
b) Planejamento tático: é o desdobramento do planejamento estratégico. É elaborado
de maneira a estabelecer os objetivos setoriais, sendo de curto prazo, contribuindo
assim para um melhor desempenho das atividades inerentes a cada setor.
c) Planejamento operacional: é o desdobramento do planejamento tático, cuja
finalidade primordial é o estabelecimento de metas e o emprego de técnicas
científicas na implementação do que foi estabelecido nos objetivos da empresa.

Critérios para a elaboração do plano
O processo de planejamento, para ser bem desenvolvido, precisa:
• Definir objetivos claros e precisamente estabelecidos.
• Ser guiado pela política organizacional.
• Determinar prioridades.
• Formular ações de acordo com a realidade presente em termos de pessoal, material,
equipamento e tempo disponível.
• Desenvolver uma seqüência lógica de atividades.
• Procurar o melhor método para atingir os objetivos.

Questões básicas na elaboração dos planos
Ao se estabelecer qualquer plano, é necessário, antes de tudo, situá-lo em torno das
seguintes questões:
O QUÊ? O quê deverá ser feito? Essa pergunta determina os objetivos do plano.
COMO? Como deverá ser feito? Essa pergunta estabelece os meios ou métodos propostos
para a realização do trabalho.
QUANDO? Quando deverá ser feito? Essa pergunta considera o tempo, ou seja, o início e o
término de cada parte do trabalho.
QUEM? Quem deverá fazer? Essa pergunta designa tarefas a alguém, considerando o tipo,
a disponibilidade e a experiência para a execução do trabalho planejado.
POR QUÊ? Por quê isto deverá ser feito? Essa pergunta esclarece a necessidade real do
trabalho.
ONDE? Onde deverá ser feito? Essa pergunta esclarece o local e espaço, centralização ou
descentralização das atividades.


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50
4. ETAPAS DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO

As etapas do planejamento podem ser compreendidas através das atividades
envolvidas no processo, tais como:
1ª etapa: Levantamento geral – Diagnóstico ou identificação das necessidades.
2ª etapa: Formulação de objetivos.
3ª etapa: Seleção do método – ações concretas que vão modificar a realidade
encontrada.
4ª etapa: Implementação.
5ª etapa: Avaliação, controle e supervisão.

4.1 Diagnóstico
O administrador do serviço de saúde hospitalar ou ambulatorial depara-se, no
momento de gerenciá-lo, com uma realidade que precisa ser conhecida e estudada em
profundidade, devido ao seu complexo dinamismo.
O planejamento é um processo de racionalização das decisões para mudanças que
são geradas na busca de conhecimento da realidade. Através desse conhecimento, lança-
se mão de instrumentos técnicos, os quais, conforme a ênfase dada ao problema, pode ser
dirigida ao âmbito setorial ou organizacional (macroplanejamento). Essas técnicas
metodológicas estão baseadas na teoria e no método científico, onde se utilizam
procedimentos que levam o investigador ao conhecimento e à compreensão da situação
diagnosticada. A realidade orientará o planejador na definição da técnica que utilizará na
solução dos problemas.
Ao se desenvolver o processo de planejamento, várias dificuldades podem se
apresentar. A primeira grande dificuldade no processo de planejamento é derivada do
problema da definição de técnicas. A segunda é a de estabelecer prioridades, em face dos
diversos problemas a enfrentar. Uma outra dificuldade é a operacionalização das técnicas.
Os esquemas e modelos traçados de uma realidade contribuem para orientar ações
planejadas de saúde. Assim, serão considerados, de início, os aspectos conceituais da
situação, onde irão desenvolver-se ações planejadas.
O termo diagnóstico é muito utilizado nas análises médicas da situação de saúde dos
pacientes. Assim, será feita uma correlação entre o diagnóstico clínico e aquele que será
utilizado em administração na área de planejamento.
O conceito tradicional de diagnóstico, segundo a Enciclopédia Larousse
4
, se expressa
da seguinte forma: “a arte de conhecer as doenças pelos seus sinais e sintomas”.
Campos; Tinoco
2
, referindo-se à conceituação de diagnóstico, assim se expressam:
atenção: 5 etapas

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51
O diagnóstico é o ato médico mais importante, porquanto conduz a
prescrição do tratamento mais indicado. É muitas vezes bastante difícil e
exige, da parte do médico, não apenas conhecimentos teóricos e
experiência, mas também capacidade de julgar e um bom desenvolvimento
do sentido de intuição. O diagnóstico é constituído por fases sucessivas:
estudo do modo pelo qual a doença começou, os antecedentes patológicos
do paciente: exame clínico completado freqüentemente por exames de
laboratório e por investigações complementares. Os elementos recolhidos
são em seguida agrupados; permitindo assim estabelecer, ou pelo menos
considerar um diagnóstico positivo. A partir deste, pode ser elaborado um
diagnóstico diferencial, que consiste em examinar os sinais comuns de
diferentes tipos de conduta, do raciocínio. Sendo determinado o diagnóstico,
poderá o médico estabelecer o prognóstico, isto é, a evolução provável, na
dependência da terapêutica prescrita.
Qualquer situação em que se buscam informações para se chegar a um diagnóstico
envolve uma análise ampla da área em estudo, abrangendo todos os fatores significativos
que possam interferir como condicionantes a realidade que se vai estudar.
O diagnóstico, no contexto administrativo, é a aplicação da investigação social da
realidade, com o propósito prático de operar sobre a realidade. Em outras palavras, o
diagnóstico consiste na coleta de informações para a elaboração do planejamento, através
do conhecimento objetivo da situação, a fim de, na prática, intervir na conjuntura.
O diagnóstico possibilitará a identificação de problemas, de acordo com o objetivo da
investigação. O diagnóstico institucional revelará a situação do hospital ou unidade de
saúde, sob o aspecto técnico-administrativo e assistencial que, podem estar associados às
condições sócio-econômicas da região, a infraestrutura hospitalar e ainda às características
e necessidades em termos de recursos humanos, materiais e financeiros.
A fase diagnóstica permite ao estabelecimento aprender a se conhecer, levando em
consideração suas estruturas, recursos, produção e medir suas forças e fraquezas. Este
conhecimento é fundamental para o estudo do meio – ambiente, possibilitando a instituição
melhor definir seu lugar no contexto social.

4.2 Etapas do diagnóstico
1ª Etapa: Descrição da situação - esta coleta de informações poderá ser feita na
própria instituição onde o profissional da área de saúde atua. Deve conter as seguintes
informações mínimas:
a) Identificação: nome e local da instituição.
b) Objetivo da instituição: estabelecimento das finalidades, políticas e metas.
03 etapas:
descrição,
análise e
avaliação da
situação

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52
c) Organização administrativa: organograma, fluxograma, manual de normas e rotinas,
manual de procedimentos técnicos, regimento, gráfico estatístico, organização e
métodos.
d) Estrutura e funcionamento: os setores que compõem a instituição e como estão
distribuídos os serviços por setor.
e) Características da clientela atendida: quantidade, naturalidade, nível de estudo, idade,
sexo, habitação, quadro nosológico, etc.
f) Instalações e equipamentos: quantidade e estado de conservação.
g) Recursos humanos: quantidade, categorias profissionais, dimensionamento do pessoal,
condições de trabalho, sociograma, etc.
h) Nível de assistência: investigação no prontuário, entrevista com os pacientes,
observação e acompanhamento.
2ª Etapa: Análise crítica da situação - conhecida a situação, feita a sua descrição, é
possível fazer-se uma apreciação dos dados da instituição como um todo, considerando os
seguintes fatores:
a) Análise interna: estabelecer a relação de causa e efeito, isto é, o que determinou a
situação encontrada. Colocam-se em evidência os pontos fortes e fracos da instituição
sobre diversos níveis:
· Ao nível do estabelecimento (estruturas, modelo gerencial, equipamentos, processo de
trabalho, qualidade de vida do trabalhador, etc.).
· Ao nível de cada serviço (recursos humanos e materiais, qualidade e produtividade dos
resultados).
· Ao nível de grandes funções (médico-assistencial, técnica administrativa, hotelaria, etc.).
b) Análise externa: estabelecer a origem de fatores condicionantes. Coloca-se em
evidência o contexto sócio-econômico atual, as oportunidades e as ameaças do meio –
ambiente.
3ª Etapa: Avaliação da situação - a última etapa do diagnóstico é a avaliação da
situação. Conhecida a situação, é possível fazer-se uma previsão de como poderá
comportar-se essa situação nos próximos anos. No entanto, a situação conhecida deve ser
avaliada em termos de satisfatoriedade e mutabilidade. A avaliação deve ser voltada,
basicamente, para a produtividade do setor. A satisfatoriedade é estabelecida em termos de
rendimento, concentração, cobertura, eficiência, modelos matemáticos ou uso de
instrumentos que possam estabelecer comparações sobre a satisfatoriedade da situação em
relação à prática no serviço.
Outro fator a considerar é o da mutabilidade. Será que a situação encontrada poderá
ser modificada? Se a resposta for positiva, levará o administrador a propor ações. Caso
contrário, não tem sentido o plano.

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4.3 Planejamento estratégico - pode ser definido como o processo de identificação,
seleção, implementação e avaliação de linhas de ação básica para a organização. Ou seja,
com base no diagnóstico define-se alternativas, como implementá-las e avaliá-las na
organização. Assim, é um processo de seqüência racional de atividades para o futuro em
que são tomadas decisões no presente.
Na elaboração de um plano estratégico devem-se considerar os seguintes aspectos:
a) Fase diagnóstica: que precede qualquer reflexão estratégica.
b) Missão organizacional - é o objetivo maior da instituição, tem a ver com o que somos, o
que fazemos, para quem fazemos e com que desafio se vai atuar no negócio. A missão
representa um compromisso maior das atitudes da instituição para com a visão.
Os objetivos são resultados futuros a serem alcançados dentro de certo espaço de
tempo, aplicando-se uma metodologia compatível com o cumprimento de sua missão. Seu
enunciado deve transmitir um propósito, descrever uma mudança na situação existente ou
ainda, definir o que deve ser realizado.
Os objetivos podem ser assim enunciados:
• Objetivos gerais - são aqueles de natureza ampla que expressam os valores principais e
a política da organização. Os objetivos gerais são alcançáveis em longo prazo, ou seja,
são os resultados do conjunto formados pelos objetivos específicos.
• Objetivos específicos - expressam uma decomposição dos objetivos gerais,
determinando as ações a serem alcançadas. Representam à previsão das
características desejáveis do sistema, quanto a sua extensão, estrutura e resultados em
um tempo determinado e em função de critérios específicos.
Os objetivos devem ser quantificados, relevantes e compatíveis com a realidade. Os
enunciados devem ser expressos por frases o mais possível quantificado, isto é, devem
permitir que os resultados sejam mensuráveis, de forma que se possa determinar o
progresso no sentido de atingir a meta final.
Os objetivos devem ser organizados de modo hierarquizado, de acordo com o grau de
prioridade de cada problema e de forma clara. Devem ser estabelecidos em consonância
com a estratégia da organização, com suas responsabilidades e limitações.
As metas devem ser estabelecidas numa seqüência de prioridades, em que estejam
contidos os elementos tempo, espaço e volume da coisa a ser alcançada.
Os verbos usados para enunciar o objetivo devem indicar um resultado isolado,
verificável e mensurável, de acordo com Kron; Gray
5
. Os verbos usados geralmente são:
conhecer, manter, assistir, usar, prover, desenvolver, verificar, melhorar, adquirir,
aperfeiçoar, saber, dominar, aumentar, etc. Outros verbos de menor amplitude, são usados
na elaboração dos objetivos específicos, são: aplicar, apontar, classificar, comparar,
enumerar, produzir, listar, marcar, relacionar, etc.

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54
Ao estabelecerem os objetivos, algumas organizações usam os conceitos da
Administração por Objetivo ou da Teoria Z (administração participativa) para que se possam
obter bons resultados, envolvendo os membros da equipe com os propósitos fundamentais
do trabalho. Todos os participantes se conscientizam dos objetivos, discutem e avaliam
conjuntamente o desempenho obtido com o resultado esperado. Dessa forma, os elementos
da equipe de trabalho sabem onde querem chegar e como vão agir para atingirem o alvo
desejado, satisfazendo, assim, suas expectativas.
a) O ambiente externo: evidenciam-se as oportunidades e ameaças do meio ambiente que
podem influenciar no desempenho da organização. Podem-se incluir tendências e
fatores na esfera econômica, social, política e tecnológica.
b) O ambiente interno: procura-se destacar os pontos fortes e fracos da estrutura atual que
podem ser passíveis de controle.
c) Determinação da visão: constitui-se numa descrição do que se deseja para a instituição
no futuro, dentro do mercado e da comunidade, no meio ambiente no qual atua e que
servirá para balizar o seu desenvolvimento.
d) Questões estratégicas/ações: a partir da análise ambiental serão determinadas questões
de grande impacto, que demandam muito esforço e tempo para solução. Essas questões
decorrem da análise dos pontos fracos, aproveitando-se os pontos fortes e relacionando-
os com as oportunidades existentes, procurando-se evitar as ameaças para a instituição.
As soluções das questões estratégicas são indicadas por ações que constituirão o plano
operacional.
e) Plano operacional: é o detalhamento das ações a serem executadas dentro de um
período de planejamento.
f) Avaliação, controle e supervisão: avaliar - são os resultados em função dos objetivos
estabelecidos no plano, podendo também medir a eficiência das atividades
administrativas e a competência do pessoal na execução do plano. Para fazer uma
avaliação é necessário o estabelecimento de critérios ou parâmetros que são
instrumentos quantificáveis, elaborados com o propósito de medir os resultados do plano
como bom ou ruim. Esses instrumentos variam, conforme o tipo de plano proposto.
O controle possibilita comparar o desempenho realizado com o que foi planejado,
objetivando evitar desvios, alterando e corrigindo, quando necessário, de forma que o
processo de planejamento possa ser mantido de maneira flexível e dinâmico.
É através da supervisão que a avaliação e o controle se integram, proporcionando
“feedback”, parte integrante do processo completo. Cada etapa do processo de
planejamento encontra-se interdependente, como um verdadeiro sistema, em que uma
etapa proporciona informações para a etapa seguinte. É um processo contínuo.


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55
Vejamos um exemplo de questão estratégica e ações

QE.1 Como o hospital poderá se modernizar do ponto de vista estrutural, gerencial e
financeiro para se tornar um centro de referência?
Ação 01 – Promover e desencadear um processo de revisão na estrutura
organizacional.
Ação 02 – Instituir uma política de capacitação dos recursos humanos do hospital.
Ação 03 – Promover uma ampla reforma administrativa.
Ação 04 – Viabilizar parcerias e convênios com instituições públicas e privadas,
nacionais e internacionais.

MODELO DE PLANO OPERACIONAL

Nome da instituição: ________________________________________________________
Título da Ação: ____________________________________________________________
Objetivo(s) da Ação: ________________________________________________________
Itens Cronograma Início: Término:
Etapas de Execução







Responsável direto Recursos necessários
Descrição Total em R$ Origem
Pessoal
Custeio
Capital
OBS: apresentar memória de cálculo de cada valor.

Produto esperado Aprovado em:
Concluído em:



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56
5. PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS PARA O SERVIÇO DE ENFERMAGEM

O raio de ação desses princípios atinge diretamente a administração do serviço de
enfermagem, desde o planejamento até a avaliação. É importante considerar os seguintes
pontos:
a) Formular planos baseados nos objetivos, na estrutura, na filosofia, nos padrões e
procedimentos de trabalho previamente aceita pela organização – planejando a
assistência e dirigindo os funcionários, a enfermagem está assumindo suas funções
gerenciais.
b) Compor sistematicamente todo o pessoal e suas atividades, de modo que a
responsabilidade e a autoridade para funções específicas sejam definidas e possam ser
delegadas.
c) Qualificar o pessoal para execução dos planos e alcançar os objetivos propostos pelo
serviço e pela organização.
d) Utilizar a capacidade de cada pessoa eficazmente.
e) Promover a cooperação como essencial para coordenar as atividades dos diversos
departamentos e de pessoal.
f) Obter o máximo de resultados com o mínimo de tempo, esforço, suprimento e
equipamentos, através de medidas de planejamento e organização.
g) Manter atualizados e conservados os relatórios e registros das atividades de
organização.

6. PLANEJAMENTO DA ASSISTÊNCIA

O planejamento é uma técnica que tem por objetivo determinar um curso de ação ou
um programa, definido por objetivos previamente traçados e prevendo as diversas etapas de
execução. Ele faz parte da ciência da administração como primeiro elemento do processo
administrativo, tornando-se a mais importante das funções.
No serviço de enfermagem, o planejamento está presente em todas as suas
dimensões e, em especial, com certa relevância, na assistência ao paciente. O
planejamento da assistência é à base das ações de enfermagem, onde se utiliza uma
metodologia científica aliada ao conhecimento e a habilidade profissional, proporcionando
meios para modificar a situação – problema do paciente.
Os elementos da metodologia científica utilizada no planejamento da assistência são:
a) Identificar os problemas do paciente.
b) Determinar prioridades, conforme evidências do desequilíbrio orgânico.
c) Selecionar a ação que tem maior probabilidade de resolver o problema.

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57
6.1 Etapas do planejamento da assistência de enfermagem.

Todo planejamento inicia-se com um levantamento minucioso da situação, que se
denomina diagnóstico. De acordo com Kron; Gray
8
, o diagnóstico de enfermagem deve ser a
base para o planejamento das intervenções de enfermagem. No que tange às etapas do
planejamento na assistência ao paciente, os autores levam em consideração os seguintes
critérios:
• Atribuir prioridades aos problemas já diagnosticados.
• Decidir os objetivos de enfermagem.
• Selecionar ações de enfermagem apropriadas.
• Registrar essas informações no plano de atendimento.

6.2 Propósitos do planejamento da assistência.

O plano é um guia dinâmico, que utiliza seus objetivos para a satisfação daqueles que
necessitam dos serviços hospitalares, com alto grau de responsabilidade, organização e
senso de realização por parte dos que fornecem o serviço. A seguir, serão destacados os
princípios básicos do plano de cuidados de enfermagem:
• Indicar os objetivos da intervenção de enfermagem.
• Individualizar a assistência de enfermagem.
• Proporcionar uma orientação para o cuidado centrado no paciente.
• Dar continuidade aos cuidados de enfermagem.
• Avaliar os cuidados de enfermagem.
• Desenvolver o pessoal de enfermagem.
• Facilitar a comunicação com os membros da equipe de saúde.
• Proporcionar uma orientação para supervisão.
• Facilitar o planejamento da assistência de enfermagem.
Estudar o planejamento da assistência de enfermagem é como estudar a própria
essência da enfermagem. No entanto, essa abordagem exige um aprofundamento
expressivo e uma busca de informações inesgotáveis no campo da literatura em
enfermagem, além da própria experiência.

6.3 Sistemas de classificação da assistência de enfermagem
Historicamente, o surgimento de sistemas de classificação em enfermagem foi
intensificado nos Estados Unidos na década de 1970, quando cresceu o interesse em
identificar os diagnósticos de enfermagem. A preocupação em formular um sistema para
promover o uso de uma terminologia própria para a enfermagem levou os enfermeiros norte-

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58
americanos a promoverem a Primeira Conferência do Grupo Norte-Americano para
Classificação dos Diagnósticos de Enfermagem, em 1973. Participaram dessa conferência
enfermeiros convidados dos Estados Unidos e Canadá, iniciando esforços para identificar,
desenvolver e classificar os diagnósticos de enfermagem. Desde então, já foram realizadas
catorze conferências. Em 1982, a NANDA foi formalmente organizada e seu regimento
aprovado, sendo suas conferências abertas à comunidade mundial da enfermagem. A
participação de enfermeiros da Europa e América do Sul, inclusive do Brasil, começou em
1988, com o desenvolvimento de estudos sobre a utilização dos diagnósticos de
enfermagem no ensino, na pesquisa e na prática
7
.
A NANDA é uma associação de enfermagem voluntária e não lucrativa que promove a
profissão através do desenvolvimento, refinamento, classificação e uso da linguagem de
enfermagem, buscando auxiliar tanto os enfermeiros da prática clínica como os que
trabalham com informática e desenvolvimento de sistemas e aqueles que desenvolvem
linguagem. Ela é reconhecida nos Estados Unidos e outros países como pioneira na
classificação dos diagnósticos de enfermagem e está localizada na Internet pelo site
http://www.nanda.org/.
As propostas e modelos para se classificar a prática de enfermagem ganharam
impulso nas duas últimas décadas. Todavia, esses modelos ainda não são considerados
estruturas ou sistemas de classificação consolidados. Entre os modelos apresentados, a
taxonomia da NANDA é constituída por uma estrutura teórica – os padrões de respostas
humanas – que orienta a classificação e categorização dos diagnósticos de enfermagem ou
das condições que necessitam de cuidados de enfermagem. O uso dessa taxonomia define
o foco do cuidado de enfermagem e dá aos enfermeiros exemplos de como a profissão
difere de outras profissões da saúde
16
.
No final da década de 1990, a NANDA aliou-se à SNOMED RT – CAP (Nomenclatura
Sistematizada de Terminologia de Referência Médica – Colégio Americano de Patologistas)
para aprimorar a documentação da enfermagem e desenvolver um sistema de classificação
de diagnóstico (SNOMED RT, 1999). Esse acordo colaborativo para mapear a taxonomia da
NANDA pela SNOMED RT foi um passo significativo no reconhecimento da documentação
em enfermagem pelas empresas de saúde, vendedores de software e administradores,
como uma ferramenta mais compreensiva e de conceitos baseados numa terminologia de
referência médica disponível para ser armazenada, restaurada e reunida numa base de
dados que descreve os cuidados de enfermagem.
É oportuno lembrar que o CAP é uma sociedade médica sem fins lucrativos, servindo
a cerca de 16.000 membros médicos e à comunidade de laboratórios do mundo inteiro,
composta exclusivamente de patologistas, sendo considerada o “número 1” na garantia de
qualidade laboratorial. O colégio está localizado na Web através do site

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59
http://www.cap.org/index.cfm. A SNOMED é uma entidade internacional que está
comprometida com a excelência do cuidado ao paciente com desenvolvimento da validade
científica da terminologia de referência, capacitando médicos clínicos, pesquisadores e até
pacientes que participam da elaboração de seus conceitos, através do Web site da
SNOMED (http://www.snomed.org).
O entendimento entre a NANDA e o CAP permitiu uma melhor compreensão da
pesquisa dominante na enfermagem dentro do sistema SNOMED RT. Assim, as duas
entidades tentam melhorar a qualidade do cuidado direto, através de uma documentação
mais completa e consistente das condições dos pacientes.
Em nosso entendimento, a taxonomia da NANDA mapeada pela SNOMED RT deve
aumentar o uso da terminologia de enfermagem. Assim, a linguagem dos diagnósticos de
enfermagem pode ser um caminho importante para que os enfermeiros demonstrem a sua
experiência no cuidado ao paciente e transmita esse conhecimento tácito aos outros. Vale
salientar que o diagnóstico de enfermagem está baseado em uma sistemática avaliação de
sinais e sintomas e exames de fatores relatados e associados com as condições do
paciente, da família e da comunidade.
A taxonomia da NANDA disponível nesse sistema ajudará os enfermeiros fornecendo
uma linguagem unificada pela prática de enfermagem, educação e pesquisa. É um sistema
que utiliza uma linguagem padronizada, a qual pode ser adaptada pela tecnologia da
informação e usada como meio de comunicação interdisciplinar de cuidados de saúde. Com
isso, aumentará a capacidade de articular as contribuições da enfermagem para uma
assistência eficaz quanto ao custo eficiente e de qualidade. O sistema de classificação,
através dos diagnósticos de enfermagem, fornece a base para a seleção das intervenções
de enfermagem e resultados do feedback do paciente pelo qual o enfermeiro é responsável.
Atualmente, existem vários sistemas de classificação ou modelos formais. Segundo
Suzanne; Mead
19
, eles são necessários, mas não suficientes, para representar o que a
enfermagem faz. Nesse aspecto é necessário reconhecer a utilização dos sistemas de
classificação, pois, além de estabelecerem padrões de cuidados, que podem ser utilizados
em qualquer parte do mundo, permitem uma melhoria na qualidade desse cuidado, através
da sistematização, registro e quantificação do que a enfermagem produz. Portanto, deve ser
considerada uma ferramenta indispensável para a determinação de custos, planejamento e
automação da informação.
Serão abordados alguns desses modelos formais de sistemas construídos a partir dos
diagnósticos de enfermagem propostos pela NANDA: Sistema de Classificação - OMAHA
(Community Health System); Classificação na Assistência Domiciliar – HHCC (Home Health
Care Classification); Léxico e Taxonomia em Intervenção de Enfermagem – NILT (Nursing
Intervention Lexicon Taxonomy); Classificação da Intervenção em Enfermagem – NIC

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60
(Nursing Intervention Classification) e Classificação Internacional para a Prática de
Enfermagem – CIPE (Internacional Classification for Nursing Practice).
a) Sistema OMAHA - consiste de três componentes: o esquema de classificação de
problemas, a escala de avaliação do problema para resultados e o esquema de
intervenções. Quando usados ao mesmo tempo, esses esquemas formam um sistema que:
aumenta a prática da saúde comunitária; habilita a enfermagem para documentar o cuidado
ao cliente com mais eficiência e efetividade; gera dados importantes para o gerenciamento
do sistema de informação
13
. Segundo os referidos autores, uma característica poderosa do
sistema OMAHA inclui a redução, a simplicidade da nomenclatura, a relação de
exclusividade interna e a aplicabilidade através de programas baseados na comunidade.
O esquema de classificação dos resultados usa cinco pontos de uma escala tipo
Likert, contendo três níveis hierárquicos distintos para medir o desenvolvimento do cliente
em termos de problemas e diagnósticos identificados pelo enfermeiro, em relação ao
conhecimento, ao comportamento e ao estado de saúde:
• Conhecimento: é a habilidade do cliente em lembrar e interpretar a informação.
• Comportamento: é a observação de respostas, ações ou atividades do cliente em
adaptar a ocasião vivida.
• Status: é a condição do cliente em relação às características definidoras objetivas e
subjetivas.
b) Sistema HHCC: Classificação dos Cuidados Domiciliares de Saúde - esse sistema foi
desenvolvido para avaliar e classificar o cuidado realizado no domicílio dos clientes que
eram conveniados com um seguro de saúde norte-americano – o Medicare, a fim de prever,
tanto as necessidades de enfermagem, como de outros serviços domiciliares necessários
para medir os resultados obtidos
18
. O sistema está organizado com vinte componentes de
cuidado de saúde domiciliar, os quais fornecem uma estrutura de classificação e codificação
dos diagnósticos e intervenção de enfermagem. É constituído por dois esquemas exclusivos
da enfermagem de saúde domiciliar que foram desenvolvidos empiricamente e
estabelecidos para serem estatisticamente significantes. Eles estão fundamentados no
julgamento clínico e fornecem um modelo analítico para medir e avaliar os cuidados de
enfermagem em saúde domiciliar
12
.
O sistema oferece uma nova abordagem para a organização do registro do paciente,
documentando o processo de enfermagem e determinando os recursos requeridos. Desse
modo, o HHCC pode ser usado como um dicionário de dados clínicos dos elementos da
prática de enfermagem para o desenvolvimento de sistemas de registro computadorizado.
Também fornece uma base para medidas de efetividade e qualidade do cuidado de
enfermagem em saúde domiciliar. Enfim, esse modelo expande o conhecimento da saúde
domiciliar e comunitária em enfermagem
17
.

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61
Os componentes que constituem a estrutura da classificação e a taxonomia dos
diagnósticos de enfermagem são: atividade, eliminação intestinal, cardíaco, cognitivo,
coping

, volume de líquidos, comportamento de saúde, medicação, metabolismo, nutrição,
controle físico, respiração, relacionamento entre papel, segurança, autocuidado,
autoconceito, órgãos do sentido, integridade de pele e tecido, perfusão tissular e eliminação
urinária. Esses componentes estão esquematicamente expostos em quatro níveis que são
distribuídos dos mais gerais e amplos para os mais específicos:
Nível 1 - Componente
Nível 2 - Maior categoria
Nível 3 - Subcategoria
Nível 4 - Modificador
c) Sistema NILT: Léxico e Taxonomia de Intervenção em Enfermagem - Esse sistema foi
desenvolvido por Susan Grobe, enfermeira e cientista da informação da Universidade do
Texas, Houston – EUA. Ela critica a tentativa de criar-se um sistema universal, padronizado,
considerando-o cientificamente antiquado e inflexível. Em vez disso, Grobe propôs seu
próprio sistema de intervenção de enfermagem: a Léxico e Taxonomia de Intervenção em
Enfermagem
8
. Neste sistema, a idéia não é padronizar a linguagem, mas oferecer um meio
de compreender os vocábulos de enfermagem, observar o relacionamento entre eles e
demonstrar através do método científico como estabelecer e validar um vocabulário que
possa ser usado num sistema computadorizado.
O sistema é constituído por oito grandes categorias de intervenções de enfermagem.
A maior dificuldade de uma linguagem padronizada reside no sistema automatizado que não
é capaz de ditar a prática profissional com suas memórias e experiências
20
. Pode-se afirmar
que o ponto central dessa abordagem está na constatação de que a linguagem é um reflexo
do conhecimento que a profissão possui.
d) Sistema NIC: Classificação das Intervenções de Enfermagem - também conhecido como
projeto de intervenções de Iowa, é uma categorização das atividades de cuidado direto
desempenhado pelos enfermeiros. Cada intervenção consiste de um título descrevendo uma
definição e grupo de atividades ou ações
9
. Essas atividades são listadas e o enfermeiro
pode escolher, identificando as intervenções que poderão ser realizadas. Isso inclui desde
aspectos psicossociais até fisiológicos, assim como as intervenções que podem estar
voltadas para o tratamento, prevenção e promoção da saúde.
Esse sistema de classificação foi desenvolvido na Universidade de Iowa, pelas
enfermeiras Joanne McCloskey e Gloria Bulechek. As pesquisadoras da NIC construíram

*
Não traduzimos por se tratar de um termo que apresenta diverso significado. Para o ICN (1999), é um tipo de adaptação com
as seguintes características específicas: disposição para gerir o stress, que constitui um desafio aos recursos que o indivíduo
tem para satisfazer as exigências da vida e padrões de papel autoprotetores que o defendam contra ameaças subjacentes que
são apercebidas como ameaçadoras de uma auto-estima positiva; é acompanhada por um sentimento de controle, diminuição
do stress, verbalização da aceitação da situação, aumento do conforto psicológico.

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62
seu sistema de intervenção de enfermagem indutivamente. Elas avaliaram compilações de
atividades descritas pela enfermagem e criaram uma lista preliminar que distingue entre
intervenções e atividades de enfermagem
20
.
A publicação original da NIC, em sua primeira edição, apresentava uma lista de 336
intervenções, que foram validadas por enfermeiros experts em assistência de enfermagem.
O sistema de classificação estava crescendo lentamente, através de um processo
cooperativo de ampla escala com enfermeiros assistenciais que testavam novas categorias
e sugeriam outras. Já na segunda publicação a NIC apresentou uma lista de 433
intervenções, incluindo cuidados diretos e indiretos
14
.
Embora ainda relativamente recente, o NIC promete fornecer a maior reunião de
elementos para enfermagem no século que se inicia. Desde os primeiros trabalhos, versão
1992, o NIC tem sido conduzido por uma das maiores publicações médicas, formalmente
usadas para organizar treinamento em enfermagem. Essa publicação é apoiada pela
maioria dos hospitais e agências de saúde dos Estados Unida, adotada por importantes
índices de referência em enfermagem, a Biblioteca Nacional de Medicina Metathesaurus
para sistema unificado de linguagem médica. Está traduzida em vários idiomas e pode ser
encontrada na Internet em cinco sites nos Estados Unidos da América
20
. Portanto, o NIC é
uma série de intervenções que fornecem uma lista do que a enfermagem faz e o que é.
Embora o NIC possa ser visto como uma ferramenta organizacional simples, é muito mais
do que isso, pois une conhecimento científico, prática, burocracia e sistema de informação.
Atualmente, têm-se falado na possibilidade da integração dos três sistemas para
comporem a epistemologia da prática de enfermagem, com seus fenômenos, níveis
abstratos e categorias concretas. É importante frisar que está em desenvolvimento uma
reestruturação no sistema NANDA, evoluindo da taxonomia I, fundamentada nas respostas
humanas, para a taxonomia II, com os padrões de saúde multiaxial, contendo seis eixos,
treze domínios e quarenta e seis classes
15
. O NIC e a NOC têm em comum: eixos para
qualificar ou refinar os títulos de intervenções ou dos resultados e domínios, com categorias
maiores das classificações para designar os fenômenos mais abstratos subclassificados por
classes, as quais são categorias mais concretas
6
.
Assim, está se formando uma aliança designada NNN – NANDA, NIC e NOC – que
será vinculada por links, um sistema em formação na Internet. Esse link estará
disponibilizado para consulta pela comunidade acadêmica e de enfermagem na Web site
www.nanlink.org. A integração dos grupos de estudo em enfermagem na Internet
possibilitará o avanço no desenvolvimento, e refinamento na linguagem e na informática no
conhecimento de enfermagem. Para Coler
6
, essa aliança vai ser uma tentativa da NANDA
para dirigir a ligação com grupos e organizações de enfermagem em outros países, grupos

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63
de pesquisa de universidades ou indivíduos que queiram fazer parte de uma rede de
pesquisa ou assunto clínico.
Os grupos-alvo da aliança NANDA, NIC, NOC e o consórcio da NANDA e NDEC -
Equipe de Extensão e Classificação dos Diagnósticos de Enfermagem e outros
interessados, terão como metas: reunir, comunicar, internalizar conceitos, pesquisar
possibilidades, categorizar, sintetizar e priorizar as possibilidades de links. O NNN ligado por
links não vai parar: futuramente se ligará a Classificação Internacional de Enfermagem e se
integrará a CID e também a sistemas informatizados e lingüísticos já codificados
6
.
e) CIPE: Classificação Internacional da Prática de Enfermagem - O projeto CIPE/ICNP
®
teve
seu início em 1986, quando a NANDA e a American Nurses Association - ANA
desenvolveram uma classificação, a partir dos diagnósticos de enfermagem aprovados
dentro dos critérios da CID – Classificação Internacional de Doenças – e a encaminharam à
OMS – Organização Mundial de Saúde – solicitando a sua inclusão na CID-10. Como
resposta a essa solicitação, a OMS argumentou que esta classificação não representava a
enfermagem mundial e sugeriu que uma Associação Internacional desenvolvesse uma
classificação nos moldes do capítulo “Família de Classificações” da CID.
Somente em 1989, em Seul – Coréia, enfermeiros da NANDA apresentaram, durante
o Congresso Quadrienal do International Council of Nurses (Conselho Internacional de
Enfermeiros - CIE), a necessidade do desenvolvimento de um sistema de classificação
internacional para a prática de enfermagem. Em 1990, o CIE acatou a sugestão e, desde
então, estudos vêm sendo desenvolvidos visando à definição de um sistema de
classificação da prática de enfermagem.
O projeto CIPE é resultado da mobilização de enfermeiros em todo o mundo, na busca
de uma linguagem universal que mostre com clareza os elementos da prática de
enfermagem. Estudos têm sido realizados por pesquisadores e enfermeiros assistenciais
sobre a classificação da prática, envolvendo vários vocabulários desenvolvidos por outros
projetos como: NANDA, NIC, NILT, sistema Omaha, SABA, entre outros.
Em 1993, a CIE apresentou um documento denominado Nursing’s Next Advance: an
International Classification for Nursing Practice – ICNP
®
(Próximo avanço da Enfermagem:
uma Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem – CIPE), que é uma
compilação, em ordem alfabética, dos elementos da prática de enfermagem – os
diagnósticos, intervenções e resultados esperados
10
.
Em 1996, o CIE publicou a CIPE – Versão Alfa: um marco unificador, construído pelas
classificações de fenômenos e de ações de enfermagem. Na realidade, o conteúdo dessa
versão representa os conceitos de enfermagem que já existiam, mas agrupados
hierarquicamente em nova combinação
16
. Essa versão apresentava a classificação de
intervenções estruturada em eixos: ação, objeto, enfoque, meio, lugar do corpo e

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64
tempo/lugar. Os objetivos iniciais da CIPE, estabelecidos pela ICN e delineados na versão
Alfa, foram revisados durante o desenvolvimento da versão Beta. Esses objetivos que
continuam dirigindo os pressupostos do programa CIPE/ICNP
®
são os seguintes:
• estabelecer uma linguagem comum para descrever a prática de enfermagem, a fim de
melhorar a comunicação entre os enfermeiros e dos enfermeiros com outros
profissionais;
• descrever o cuidado de enfermagem a pessoas (indivíduos, famílias e comunidade)
numa variedade de locais, seja institucional ou não;
• permitir a comparação dos dados de enfermagem entre populações de diferentes
clínicas, locais, áreas e épocas distintas;
• demonstrar ou projetar tendências na provisão de tratamentos e cuidados de
enfermagem e sobre a alocação de recursos para o paciente, de acordo com suas
necessidades baseadas em diagnósticos de enfermagem;
• estimular a pesquisa de enfermagem através de ligações entre os dados disponibilizados
por SI em enfermagem e por SI em saúde;
• fornecer dados sobre a prática de enfermagem, a fim de influenciar a tomada de decisão
nas políticas de saúde
12
.
Por ocasião do 100º aniversário de sua fundação, o Conselho Internacional de
Enfermeiros (ICN) lançou a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem
(CIPE/ICNP
®
), versão Beta. A CIPE/ICNP
®
é constituída de três classificações: de
fenômenos, de intervenções e de resultados de enfermagem. Serve como uma estrutura de
unificação em que os vocábulos existentes de enfermagem e as classificações já existentes
possam ser mapeados para permitir a comparação dos dados de enfermagem.
Paralelamente ao desenvolvimento da CIPE/ICNP
®
, ocorreram profundas mudanças nos
cuidados de saúde, na prática de enfermagem e nas definições do papel dos enfermeiros
11
.
A diferença da CIPE/ICNP
®
em relação aos demais modelos de classificação de
enfermagem existentes e a outras classificações utilizadas na área de saúde, como a CID –
10 está na sua construção de acordo com as regras de classificação, nas quais todos os
conceitos se definem e se situam sistematicamente em um marco de relações hierárquicas.
Uma relação hierárquica é aquela que se dá entre conceitos, e se estabelece através de
divisão de um conceito de ordem superior em conceitos subordinados, para formar um ou
mais níveis adjacentes, que se denominam níveis de abstração
16
.
A prática de enfermagem encontra nomes para compor todos os elementos
da classificação. A idéia é que estes nomes tenham o mesmo significado para profissionais
de diferentes regiões. Sendo assim, serão descritos a seguir alguns desses elementos,
conceituando-os, conforme a CIPE
11
.

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65
. Fenômenos de enfermagem: são aspectos pertinentes à saúde para a prática de
enfermagem.
. Diagnóstico de enfermagem: título dado pelo enfermeiro à decisão sobre um fenômeno
que representa o foco das intervenções de enfermagem. Um diagnóstico de enfermagem
é composto por conceitos contidos nos eixos da classificação dos fenômenos. Os oitos
eixos desenvolvidos numa abordagem multiaxial, na versão Beta 1, são assim
denominados: foco na prática de enfermagem - é a área de atuação descrita nos
regulamentos sociais e políticos da profissão e nas estruturas conceituais da prática
profissional de enfermagem (Ex.: dor, auto-estima, pobreza); julgamento - é a opinião
clínica, estimada ou determinada pela prática profissional de enfermagem, sobre o
estado de um fenômeno de enfermagem, incluindo a qualidade relativa da intensidade
ou grau da manifestação do fenômeno de enfermagem (Ex.: reforçado, inadequado,
melhorado); freqüência - é o número de ocorrências ou repetições de um fenômeno de
enfermagem durante um intervalo de tempo (Ex.: intermitente, freqüente); duração - é a
extensão de um intervalo de tempo durante o qual um fenômeno de enfermagem
ocorre (Ex.: agudo, crônico); topologia - compreende a região anatômica em relação ao
ponto mediano ou extensão da área anatômica de um fenômeno de enfermagem (Ex.:
direito, esquerdo, parcial, total); localização anatômica -define-se como a posição
anatômica ou localização de um fenômeno de enfermagem (Ex.: olho, dedo);
probabilidade - significa a possibilidade de ocorrência de um fenômeno de enfermagem
(Ex.: risco, oportunidade); portador - é qualquer entidade que pode ser vista como
portadora do fenômeno de enfermagem (Ex.: o indivíduo, a família, a comunidade).
. Resultados de enfermagem: são vistos como a mensuração de um diagnóstico de
enfermagem num determinado tempo, após a realização das intervenções de
enfermagem. Em outras palavras, os resultados de enfermagem são resultantes de
intervenções de enfermagem, medidas ao longo do tempo, sob a forma de mudanças
efetuadas nos diagnósticos de enfermagem. Há muitos fatores que contribuem para os
resultados dos cuidados de saúde. A ênfase na efetividade de cuidados de saúde tem
resultado em muitos esforços para se descrever e definir resultados e medidas de
resultados (p. ex. medidas da condição funcional ou da qualidade de vida). Muitos
desses esforços enfatizam o aspecto multidimensional de resultados, incluindo a
enfermagem como uma dimensão desse quadro. A importância multidimensional (fatores
sociais e pessoais) e os fatores interdisciplinares no resultado do cuidado de saúde não
podem ser ignorados. De qualquer forma, o propósito da CIPE/ICNP
®
na classificação
dos resultados em enfermagem é identificar e distinguir as contribuições específicas da

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66
enfermagem dentro dessa complexa visão dos resultados de cuidados de saúde (ICN,
1999).
Vale ressaltar que os elementos da prática de enfermagem – diagnósticos,
intervenções e resultados – têm vários sinônimos, diferentes sentidos e até alguns sistemas
antagônicos. Talvez seja essa a grande dificuldade enfrentada pelos pesquisadores na
tentativa de classificar a prática de enfermagem. Todavia, é notório o interesse desses
pesquisadores em definir e classificar os fenômenos de enfermagem, porque a proposta é
organizar termos que tenham o mesmo significado para os profissionais de enfermagem em
qualquer parte do mundo. Se isso for alcançado, obter-se-á a padronização do vocabulário
em enfermagem, que é um passo decisivo para se criar uma nomenclatura de enfermagem,
ferramenta imprescindível para o desenvolvimento de um sistema de informação
automatizado.

RESUMO
1. Planejamento: é uma técnica que visa tomar decisões antecipadas de ocorrências
futuras e traçar um plano de ação.
2. Características do planejamento:
♦ É contínuo e permanente.
♦ Está voltado para o futuro.
♦ É racional.
♦ É sistêmico.
♦ É cíclico.
♦ É uma função administrativa integrada, dinamicamente, com outras funções.
Tipos de planejamento: estratégico, tático e operacional.
Questões básicas para elaboração de um plano: O quê? Como? Quando? Quem? Por quê?
Onde?
Etapas do processo de planejamento:
♦ Diagnóstico da instituição.
♦ Análise da situação.
♦ Missão.
♦ Objetivos.
♦ Visão.
♦ Questões estratégicas/Ações.
♦ Operacionalização das ações.
♦ Resultados.

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67
6. Planejamento da assistência: é a aplicação da metodologia científica, associada ao
conhecimento técnico e à habilidade do enfermeiro, a fim de ajudar a modificar a
situação problema do paciente.

QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO

1) Conceitue planejamento.
2) Cite as características do planejamento.
3) Cite os tipos de planejamento e explique-os.
4) Descreva as etapas do processo de planejamento.
5) O que significa diagnóstico no contexto administrativo?
6) Descreva as etapas do diagnóstico.
7) Defina um problema administrativo e elabore uma questão estratégica com respectivas
ações.
8) Que aspectos devem ser considerados como princípios administrativos aplicados no
planejamento?
9) Quais os elementos metodológicos utilizados no planejamento da assistência de
enfermagem?
10) Cite as etapas do planejamento na assistência de enfermagem.



















Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


68
BIBLIOGRAFIA

1) ARNDT, C.; HUCKABAY, LMD. Administração em enfermagem. Rio de Janeiro:
Interamericana, 1983.
2) CAMPOS, JQ.; TINÔCO, AF. Política e planejamento de saúde. São Paulo: J. Q.
Campos, 1986.
3) CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração. São Paulo: McGraw-Hill, 1979.
4) ENCICLOPÉDIA Delta Larousse. Rio de Janeiro: Delta, 1982.
5) KRON, T.; GRAY, A. Administração dos cuidados de enfermagem ao paciente.
Rio de Janeiro: Interamericana, 1989.
6. COLER, MS. O projeto de integração da NANDA, NIC, NOC. In: GARCIA, T.R.;
NÓBREGA, MML. (Org.). Sistemas de classificação da prática de enfermagem:
um trabalho coletivo. João Pessoa: Idéia, 2000. p.191–9.
7. FARIAS, JN.; NÓBREGA, MML.; PÉREZ, VLAB.; COLER, MS. Diagnóstico de
enfermagem: uma abordagem conceitual e prática. João Pessoa: Santa Marta, 1990.
8. GROBE, SJ. Nursing intervention lexicon and taxonomy: preliminary categorization.
In.: LUN, KC; DEGOULET, P.; PIEMME, TE.; RIENHOFF, O. MEDINFO’92.
Proceedings, Geneva: North-Holland, p. 981–6, 1992.
9. HENRY, SB.; HOLZEMER, WL.; REILLY, CA. et. al. comparison of nursing
intervention classification and current procedural terminology codes for representing
nursing interventions in HIV disease. Proceedings of the Eighth World Congress
on Medical Informatics, Canadá, 1995, p. 131 – 135.
10. INTERNACIONAL COUNCIL OF NURSING. Nursing’s next advance: an
Internacional Classification System for Nursing practice (ICNP). Geneva: ICN, 1993.
120p.
11. INTERNATIONAL COUNCIL OF NURSES. ICNP

- International classification for
nursing practice – Beta, Geneva: ICN, 1999. 201p.
12. MARIN, HF. Vocabulário em enfermagem. São Paulo, 1999. Disponível em:
<http://www.sbis.epm.br/pep99/proceed/html/heimar.html>. Acesso em: 05 out. 2000.
13. MARTIN, KS.; SCHEET, NJ. The Omaha system: A pocket guide for Community
Health Nursing. Philadelphia: W.D. Saunfers, 1992. 289 p.
14. McCLOSKEY, JC.; BULECHEK, GM. Nursing Intervention Classification: Iowa
Intervention Project. 2. ed. St. Louis: Mosby, 1996.
15. NANDA. Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e classificação –
1999-2000. Organizado por North American Nursing Association. Tradução de Jeanne
Liliane Marlene Michel. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


69
16. NÓBREGA, MML.; GUTIÉRREZ, MGR. Sistemas de classificação em enfermagem:
avanços e perspectivas. In.: GARCIA, TR.; NÓBREGA, MML. (org.). Sistemas de
classificação da prática de enfermagem: um trabalho coletivo. João Pessoa: Idéia,
2000. p.19-27.
17. SABA, VK. Home health care classification system. In.: HOVENGA, E.J.S.; HANNAH,
K.J.; McCORMICK, K.A.; RONALD, J.S. (Eds) – Nursing Informatics 91.
Proceedeings of the Fourth Internacional Conference on Nursing use of
computers and information science. New York: Springer-Verlag, 1991. p. 397.
18. SABA, VK. The classifications of home health nursing diagnoses and
interventions. Washington: Georgetown University School of Nursing, 1990.
19. SUZANNE, BH.; MEAD, CN. Standardized nursing classification systems: necessary,
but not sufficient, for representing what nurses do. JAMIA, p. 145 – 49, 1996.
20. TIMMERMANS, S.; BOWKER, GC.; STAR, SL. The architecture of difference:
visibility, control, and comparability in building a nursing interventions classification.
1994. Disponível em: <http://alexia.lis.uiuc.edu/~star/nic.paper.html>. Acesso em: 30
Dec. 1998.





















70














CAPÍTULO 4
O processo de organização















Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos

71
1. CONCEITOS DE ORGANIZAÇÃO

Organização é uma palavra que tem diversos significados, tais como: arrumação,
ordem, instituição, empresa e outros. Mas, organização será situada neste trabalho sob o
prisma da administração. Imagine uma empresa, onde as pessoas se encontram
trabalhando desordenadamente, cada uma fazendo uma determinada tarefa sem obedecer
a uma seqüência ou regras definidas. Por exemplo, um chefe que dá ordens e recebe
ordens dos empregados. Realmente, seria muito confuso. É necessário, portanto, organizar
o trabalho, definir funções e cargos, estabelecer normas e padrões, estruturar formalmente o
comportamento dos indivíduos na instituição.
A organização, segundo Koontz; O’Donnel citado por Chiavenato
1
, consiste num
agrupamento das atividades necessárias para a realização de objetivos e planos, na
atribuição dessas atividades a departamentos apropriados e nos passos necessários para
delegação e coordenação da autoridade. Desse modo, pode ser definido como o ato de
agrupar atividades, estruturar, integrar os recursos e estabelecer relações de trabalho entre
a instituição e o empregado, a fim de realizar seus objetivos conjuntos. Portanto, a
organização é uma atividade básica da administração e se caracteriza por ser sempre um
meio para atingir os objetivos da instituição e por ser dinâmica com sentido coletivo.
A administração de uma organização, qualquer que seja seu tipo ou objetivo de sua
atividade, depara-se com duas situações distintas, mas interdependentes. De um lado, está
a organização formal que compreende a estrutura organizacional, a política, as diretrizes, as
normas e regulamentos da empresa. Enfim, todos os aspectos relacionados com os órgãos,
cargos e ocupantes, a fim de que seus objetivos sejam alcançados. Do outro lado, está a
organização informal, que são as pessoas associadas em obediência às leis naturais, onde
prevalecem os objetivos individuais.
A estrutura organizacional pode ser ainda visualizada sob dois aspectos: o aspecto
vertical e o aspecto horizontal, segundo John B. Miner citado por Chiavenato.
1
Analisando
tais fatos, Miner explica que o aspecto vertical se refere basicamente à dimensão escalar ou
hierárquica que envolve a nivelação das decisões, a cadeia de comando, o número de
níveis hierárquico necessários e a amplitude administrativa. O aspecto horizontal continua o
autor, se refere basicamente ao fluxo de relações dentro da organização e envolvem a
departamentalização, a divisão do trabalho, órgãos de linha e de staff, as comissões, a
coordenação e os procedimentos de tomada de decisão entre setores diferentes da
organização. Todos esses aspectos convergem para uma explicação óbvia: a organização é
um conjunto complexo e diversificado de trabalho, executado por pessoas agrupadas em
órgão, representando suas relações formais e informais. É um processo social altamente
dinâmico.

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72
2. FERRAMENTAS BÁSICAS RELACIONADAS COM A ORGANIZAÇÃO

2.1 Gráficos - o serviço de enfermagem deve utilizá-lo amplamente, por que auxiliam no
processo de decisão. É um instrumento de apoio no processo de planejamento e
controle, possibilitando ainda o levantamento de tendências e o enriquecimento dos
relatórios de enfermagem.
Considerando-se que os gráficos são instrumentos importantes na administração do
serviço de enfermagem apontamos três requisitos indispensáveis que devem ser
observados em sua elaboração:
• Devem possuir única interpretação, devem ser claros e objetivos.
• Devem ter simplicidade, devendo-se evitar o excesso de informações num mesmo
gráfico.
• Devem retratar a realidade, devem ser a expressão do que existe efetivamente.
A seguir, serão examinados alguns tipos de gráficos que a enfermagem pode utilizar
em suas atividades:
(a) Gráfico de levantamento - neste tipo de gráfico estão incluídos todos os gráficos
estatísticos.
Exemplo:
Quadro estatístico que demonstra a flutuação de demanda para atendimento em
ambulatório de janeiro a junho, como segue:
Atend/Mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Total
Médico 6.550 7.120 6.835 7.070 7.568 7.895 43.038
Odontológico 3.530 3.732 3.895 3.661 4.010 3.958 22.786
Enfermagem 2.832 2.964 3.010 3.152 3.335 3.525 18.818
Total 12.912 13.816 13.740 13.883 14.913 15.378 84.642

(b) Gráfico de linha ou diagrama de linha poligonal - esse tipo de gráfico é obtido
pela união dos pontos por segmentos de retas. A observação dos pontos mais
baixos é importante para fazer possíveis alterações nas metas. Meta é o objetivo
quantificado.








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73


(c) Fluxograma - é um gráfico de levantamento de rotina, representando, de forma
dinâmica e descritiva, o fluxo ou a seqüência de um processo, permitindo a
visualização das diversas operações e os respectivos agentes executores.
A fluxogramação de um processo possibilita a simplificação do trabalho, além da
localização, correção e eliminação dos movimentos inúteis ou desnecessários que
comprometem o bom desenvolvimento do trabalho. Dessa forma, é possível estudar, corrigir
e obter a melhor seqüência dos passos fundamentais da tarefa.
Para a elaboração do fluxograma, são utilizados símbolos para representar cada etapa
do processo.








Figura 4 - Casos registrados de linfomas, sexo
masculino, segundo a idade
0
50
100
150
10 20 30 40 50 60 70
Nº casos
Figura 3 - Número de casos da moléstia X, na área Y, de 2000 a
2005
0
100
200
300
400
500
2000 2001 2002 2003 2004 2005
Moléstia x

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74

Início


Fase do processo



Decisão



Fim


Para identificar problemas e até encontrar soluções deve-se:
• Desenhar o fluxo atual.
• Desenhar o fluxo ideal.
• Comparar os dois fluxos para verificar onde diferem entre si, a fim de encontrar o
problema.
Símbolos usados na elaboração do fluxograma:
Início/fim Documento

Processo Conector de processo

Decisões alternativas Demora

Conector de página Vários documentos

Arquivo definido Arquivo transitório

Direção de fluxo Destruição de documentos


Os autores norte – americanos utilizam vários termos para designar os diferentes tipos
de fluxogramas: flow – chart, process chart, work chart, routine chart, flow diagram, flow
process e process diagram.

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75

1

2 3

4

5

6 7

8

Figura 5: Fluxograma do pedido de vacinação ao almoxarifado
Legenda:
1. Início do processo. O setor de vacinação verifica do estoque.
2. Faz pedido em duas vias e encaminha o pedido ao médico – chefe.
3. O médico – chefe visa o pedido e encaminha ao médico de distrito.
4. O médico do distrito recebe o pedido.
5. O médico do distrito autoriza e encaminha o pedido para almoxarifado.
6. O almoxarifado recebe o pedido, providencia o material e encaminha.
7. O setor de vacinação recebe o material e confere o pedido.
8. O setor de vacinação guarda o material e arquiva a segunda via do pedido.
Analisando o processo, é possível eliminar passos desnecessários (burocracia,
retrabalho) e promover seus primeiros pontos de melhoria. Os processos, depois de
descritos e analisados, devem ser implementados e executados dentro do padrão.

(d) Cronograma - é uma técnica relacionada com a função de planejamento; é um
gráfico de dupla entrada: nas linhas são colocados os eventos planejados e nas
colunas o período de tempo considerado como padrão. Sua função é relacionar
duas variáveis – os eventos em função do tempo. O cronograma possibilita
acompanhar e controlar qualquer programação, permitindo destacar a fase que está
terminando e aquela que deverá ser iniciada.





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ATIVIDADES 1º SEMESTRE DE 2005
JAN FEV MAR ABR MAIO JUN
Curso de sistematização da
assistência de enfermagem.

Palestra sobre a importância da
informática na enfermagem.

Curso de relações humanas no
trabalho.

Seminário de qualidade e
produtividade em enfermagem.


Legenda: Atividade planejada

Figura 6: Exemplo de cronograma de atividades do setor de educação continuada de um hospital
escola.

(e) Organograma - é um gráfico que representa a estrutura formal de uma
organização, permitindo destacar quem é quem nessa estrutura. Define os diversos
níveis da organização em função da hierarquia, os órgãos componentes da
estrutura, bem como os canais de comunicação que representam as relações
formais de caráter hierárquico. O organograma é constituído de retângulos, caixas
ou círculos, representando cargos ou órgãos, ligados por linhas horizontais e
verticais, indicando o fluxo de autoridade. Neles, as relações de autoridade podem
ser representadas de três maneiras diferentes, segundo Chiavenato
1
:
· Autoridade de linha: confere ao seu possuidor o direito de dar ordens diretas a seus
subordinados e de delegar parte de sua autoridade diretamente.
· Autoridade de assessoria ou staff: ocorre quando uma pessoa recebe poderes para
fazer pesquisa, levantamentos, trabalhos em áreas específicas aconselhamento
sobre determinados assuntos, etc.
· Autoridade funcional: permite a um órgão atuar sobre elementos não ligados
diretamente a ele, apenas em relação a assuntos específicos à sua organização.

Figura 7: Organograma de autoridade de linha.

Enf. Chefe da
Unid. Obstetrícia
Enf. Chefe da
Unid. Médica
Enf. Chefe da
Unid. Pediátrica
Diretor da Divisão
de Enfermagem

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77


Figura 8: Organograma de autoridade de staff


Figura 9: Organograma de autoridade funcional
Classificação dos organogramas:
· Analíticos: mostram toda a estrutura da organização e quase todas as relações
funcionais.
· Sintéticos: mostram apenas as unidades estruturais mais importantes.
Alguns cuidados deverão ser tomados na construção de um organograma:
× A altura do retângulo deverá ser a metade da base.
× As ligações hierárquicas são representadas por linhas contínuas (cheias) e as ligações
funcionais serão retratadas por linhas interrompidas (tracejadas).
× Os órgãos auxiliares deverão ficar justapostos.
Comissão de
Auditoria
Enf. Chefe da
Unid. Obstetrícia
Enf. Chefe da
Unid. Médica
Enf. Chefe da
Unid. Pediátrica
Diretor da Divisão
de Enfermagem
Supervisão de
Enfermagem
Unidade de
Assist. Enf.
Enf. Chefe
Cl. Médica
Unidade de
Assist. Enf.
Enf. Chefe
Cl. Cirúrgica
Diretor da Divisão
de Enfermagem

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78
× As linhas verticais ligarão os órgãos de linha e as linhas horizontais ligarão os órgãos de
apoio.
× Deve-se evitar cruzamento de linhas diagonais.
× Os órgãos devem ter o seguinte posicionamento:
· Os órgãos deliberativos ficarão no 1º nível (alta administração).
· Os órgãos executivos ficarão no 2º nível (diretorias).
· Os órgãos técnicos ficarão no 3º nível (divisões ou departamentos).
· Os órgãos operacionais ficarão no 4º nível (chefias, setores seções).
Tipos de organograma: há vários tipos de organograma, cada um com características
próprias.
1) Organograma padrão ou clássico: é aquele que apresenta as características mais
importantes da estrutura organizacional. É o mais conhecido entre todos os tipos de
organograma.

Figura 10: Exemplo de organograma clássico

2) Organograma em barras: é aquele que representa a estrutura organizacional através de
barras horizontais, com extensões variáveis, de acordo com o nível hierárquico.
3) Organograma circular: é elaborado em círculos concêntricos que representam os
diversos níveis hierárquicos, traçados em linhas pontilhados ou tracejados. As linhas
cheias representam os canais de comunicação dos órgãos ou cargos existentes.
Enfermagem
Cl. Médica
Enfermagem
Cl. Cirúrgica
Enfermagem
Materno-infantil
Divisão de
Enfermagem
Diretoria
Técnica

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79
4) Organograma radial ou setorial: é elaborado através de círculos concêntricos, onde a
autoridade máxima localiza-se no centro do organograma. É uma forma compacta de
apresentar a estrutura organizacional.

(f) Sociograma (Gráfico de Moreno) - esse tipo de gráfico permite conhecer a estrutura
informal da organização. A técnica se fundamenta na obtenção de respostas de um
grupo social sobre o que pensam e sentem uns dos outros.
A elaboração do sociograma é simples com as seguintes fases:
· Deve-se solicitar as pessoas que formam um grupo que escrevam numa folha de
papel, individualmente e em ordem de preferência, os nomes de três colegas com
quem gostaria de trabalhar.
· Deve-se solicitar, em seguida, que as pessoas escrevam, de acordo com a
preferência, os nomes de três colegas com quem gostaria de ir a um restaurante.
· Coletar os dados e fazer respectiva tabulação.
· Elaborar tabela de dupla entrada.
· Construir o gráfico sociograma.

Convenções utilizadas:

Sexo Masculino

Sexo Feminino
1º Voto

2º Voto

3º Voto

Os pontos são identificados através de letras:
a = 3 pontos b = 2 pontos c = 1 ponto
(1º voto) (2º voto) (3º voto)







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80
Votantes/nomes ESCOLHIDOS POR PONTOS
Relação nominal 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
1. Eva Maria a b c
2. Fátima b c a
3. Filipe a c b
4. Israel b a c
5. Ivanilda c a b
6. Jonathas a c b
7. Rebeca b a c
8. Samuel c b a
9. Sarah a b c
10. Sérgio b c a
11. Vinícios a c b
TOTAL 4 3 19 7 7 8 3 1 5 1 8


1 2
5
4 6 3
7
8 9
10 11
Observa-se que a preferência do grupo foi para o número (3) – Filipe, que é então o líder.

(g) Layout ou plantas: é uma técnica utilizada nos manuais de organização para permitir
uma visualização geral do fluxo contínuo do trabalho, possibilitando a racionalização do
espaço e a disposição de todo o instrumental necessário, em função da distância, custo
operacional e integração dos diversos serviços.
Objetivos para o uso de um layout:
· Minimizar a movimentação de material e de pessoal.
· Aproveitar racionalmente o espaço.
· Assegurar economia de tempo nas operações.
· Proporcionar melhor ambiente de trabalho.
(h) Folha de verificação: essa técnica é utilizada para colher dados que ocorrem com certa
freqüência em determinado período de tempo.

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81
A folha de verificação permite transformar opiniões em fatos. Para montagem deve-se
considerar:
· O que exatamente está sendo observado.
· Estabeleça o período em que os dados devem ser coletados.
· Faça um formulário fácil e claro, com espaços suficientes.
Exemplo:
PROBLEMAS TEMPO (Mês, Semana, etc) TOTAL
Janeiro Fevereiro Março
A ||||| |||| ||||| 14
B ||| ||||| |||| 12
C |||||| || ||| 11
TOTAL 14 11 12 37

(i) Diagrama de causa e efeito ou diagrama espinha de peixe ou diagrama de ishikawa:
esse gráfico é usado para identificar, explorar e ressaltar todas as possíveis causas de
um determinado problema e seus efeitos para o serviço.
O diagrama tem a seguinte forma:

Causa
subcausa subcausa subcausa
subcausa

subcausa subcausa subcausa
subcausa


Em geral, as causas principais são representadas como 4M: materiais, mão-de-obra,
máquinas, métodos ou 6M, incluindo, medidas e meio ambiente.

2.2 Regimento - o serviço de enfermagem deve seguir um sistema de organização proposta
pela instituição. Daí a necessidade de um documento que possibilite a definição de
papéis e atribuições estabelecidas pela administração superior. Desse modo, partindo
da política institucional, a enfermagem elabora um ato normativo de caráter flexível que
rege a disciplina do serviço, especifica as finalidades e posição do serviço na estrutura
administrativa e a competência das diversas unidades de trabalho, define pessoal, sua
função e explica os requisitos que são exigidos pela instituição.
Efeito
Causa Causa
Causa Causa

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82
O regimento aborda os assuntos em capítulos, artigos e parágrafos, agrupados da
seguinte forma:
· Capítulo I – Finalidade do serviço de enfermagem.
· Capítulo II – Posição do serviço de enfermagem.
· Capítulo III – Composição do serviço de enfermagem.
· Capítulo IV – Competência das unidades de trabalho.
· Capítulo V – Pessoal e seus requisitos.
· Capítulo VI – Pessoal e suas atribuições.
· Capítulo VII – Horário de trabalho.
· Capítulo VIII – Disposições gerais.
Convém lembrar que o regimento do serviço de enfermagem deve ser baseado no
regimento da instituição, por ser esta de caráter estável, com normas preconizadas,
baixadas pela administração superior.
Quem elabora o regimento do serviço de enfermagem? Geralmente, o regimento é
elaborado pela diretoria ou chefia do serviço de enfermagem. No entanto, uma comissão
pode ser designada e coordenada pela chefia ou diretoria do serviço. Após sua elaboração,
o regimento deve ser aprovado pela administração superior do hospital.

2.3 Normas - são estabelecidas com o propósito de orientar o desenvolvimento dos
indivíduos na busca dos objetivos determinados pela administração superior.
De acordo com Holle; Blatchley citado por Kron; Gray
2
, as normas são guias para
auxiliar no alcance seguro e eficiente dos objetivos organizacionais. As normas têm como
finalidade fornecer informações gerais do trabalho (o que deve ser feito e como deve ser
feito) e dos padrões comportamentais.
Feldmann citado por Hendrikx
3
, afirma que, na enfermagem, as normas são técnicas,
padrões ou métodos costumeiros para conduzir e guiar a vasta complexidade de funções.
São baseadas em princípios estabelecidos por autoridade, dando segurança ao pessoal do
serviço de enfermagem e ao paciente. Assim, as normas no serviço de enfermagem
precisam ser específicas e completas com diretrizes que delineiam o seu campo de ação.
Seus programas devem estar de acordo com as leis e os regulamentos da organização.
As normas são classificadas por muitos autores em:
• Normas administrativas (o que deve ser feito).
• Normas técnicas (como deve ser feito).
Para elaboração das normas, devem ser considerados os seguintes critérios:
• As normas devem ser estabelecidas de acordo com os objetivos e a filosofia do serviço
de enfermagem.
• Devem deixar claras as funções dos serviços de enfermagem.

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83
• Devem proporcionar meios para economizar tempo e esforço, garantindo a eficiência no
trabalho.
• Devem ser elaboradas, visando ao conforto e à segurança do paciente.
• Devem oferecer condições para a segurança e satisfação do pessoal.
As normas, geralmente, apresentam características peculiares, quanto as sua
formulação, destacando-se:
• Linguagem simples e de fácil compreensão.
• Abordagem resumida.
• Enunciado apresentado no modo indicativo.
• Flexibilidade e atualização.
• Necessidade de avaliação contínua.
Exemplos de normas:
• funcionário deve bater o seu cartão de ponto sempre uniformizado.
• serviço de enfermagem deve encaminhar o orçamento à administração superior.

2.4 Rotinas - em todo o serviço de enfermagem, devem existir rotinas de serviço,
elaboradas com redação clara, de fácil acesso ao funcionário, possibilitando um melhor
desempenho do pessoal em suas atribuições. Hendrikx
3
conceitua rotina como a
descrição sistemática dos passos a serem dados para a realização das ações
componentes de uma atividade. Ou seja, a rotina estabelece as tarefas em forma
sistemática e na seqüência em que devem ser executadas.
Basicamente, as rotinas são guias para a execução de tarefas, proporcionando um
melhor e mais rápido andamento de qualquer serviço. As rotinas são fundamentadas no
estudo e na vivência adquirida no dia – a – dia do trabalho. Dessa forma, uma comissão
designada pela chefia de enfermagem elabora textos que devem constituir a realidade do
trabalho planejado, contendo orientações acerca da execução de tarefas, facilitando o
treinamento dos funcionários.
A confecção de rotinas tem como finalidade guiar e fornecer dados, visando:
• Estabelecer com precisão de que forma o trabalho deve ser desenvolvido.
• Incluir os padrões ou métodos de procedimento.
• Prestar orientação segura aos funcionários.
• Racionalizar o trabalho.
• Diminuir erros e acidentes.
• Proporcionar segurança aos pacientes.



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84
No serviço de enfermagem podem ser destacadas as seguintes rotinas mais usadas
nos hospitais:
• Rotina para uso dos impressos.
• Rotinas gerais.
• Rotinas específicas para cada especialidade.
• Rotinas administrativas.
Ainda com referência às rotinas, devem ser observados alguns princípios técnicos de
elaboração, visando proporcionar um melhor e mais rápido andamento do serviço. Apesar
de serem guias orientadoras flexíveis e estarem sujeitas a modificações no decorrer do
andamento dos trabalhos, as rotinas se destinam a todos os funcionários, sendo extensa a
sua atuação. Daí a exigência de flexibilidade.
Assim, quem elabora rotinas deve ter em mente os seguintes requisitos:
• Ser sintético, porém elucidativo.
• Usar linguagem simples e acessível a todos os funcionários.
• Tornar as rotinas de fácil manuseio e protegê-las em folhas plásticas.
• Manter as rotinas em processo de revisão contínua e atualizada, com folhas de fácil
substituição.
• Utilizar desenhos e esquemas ou impressos, quando necessário.
Há várias formas para a elaboração de rotinas, destacando-se duas delas:
a) Elaboração em colunas: nessa forma, a rotina explica a ação do operante e a própria
operação. Ou seja, a primeira coluna apresenta o agente e a segunda cada etapa da
operação até alcançar o seu objetivo ou destino final.
b) Elaboração textual: nessa forma, o assunto da rotina é dividido em três itens:
• Introdução – é a abordagem geral sobre o tipo de rotina e seus objetivos.
• Competência – é a designação das pessoas envolvidas na rotina e suas funções quanto
à execução.
• Normas a seguir – são os procedimentos sistematizados com ações,
material/equipamentos e riscos.









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Exemplo de uma rotina de colunas
HOSPITAL MENINO DE DEUS
UNIDADE DE PEDIATRIA
ROTINA DE ADMISSÃO PARA CIRURGIA
NORMAS:
1. A unidade de pediatria admite crianças de zero a 12 anos.
2. Todas as crianças poderão estar acompanhadas da mãe ou responsáveis.
3. As admissões programadas deverão ser feitas, no período da tarde, no dia anterior à
cirurgia, às 16 h.
AGENTE AÇÃO OBSERVAÇÃO
Enfermeiro · Recebe a criança, a mãe ou responsável.
· Mostra a unidade.
· Orienta sobre as rotinas da unidade.
· Preenche o histórico de enfermagem.
Na sala 101.
Impresso n.º
0/11/739
Aux. Enf. · Prepara o quarto onde a criança ficará.
· Providencia roupas para a criança.
Pijama ou camisola.
Enfermeiro · Acomodar a criança e o acompanhante no
quarto.

Aux. Enf. · Identifica os impressos no prontuário da criança.
Enfermeiro · Prescreve cuidado de enfermagem a serem
prestados.
· Faz anotações na papeleta.
Na evolução de
enfermagem. Sinais
vitais, data e hora da
internação e
intercorrência.
Médico · Prescreve medicação e prepara para cirurgia.
· Avisa o anestesista para fazer a visita pré-
operatória.


2.5 Manual

O Ministério da Saúde, através da Coordenadoria de Assistência Médica e Hospitalar,
definiu o manual como uma coleção sistematizada de instrumentos normativos e atos de
interesse de consulta de setores ou de ocupante de cargos e funções, podendo ser mais ou
menos detalhados, de acordo com o fim a que se destina. Portanto, o manual é um guia, um
orientador escrito, que traz instruções gerais e específicas do funcionamento do serviço; é
um instrumento básico para uma boa organização e indispensável em qualquer serviço. A
utilização do manual de serviço possibilita as seguintes vantagens:
• Orienta no desenvolvimento das atividades do serviço.
• Proporciona segurança para o funcionário.

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• Protege os serviços e a administração contra possíveis equívocos.
• Evita desordens no trabalho.
• Minimiza o desperdício de material e de energia.
• Protege o paciente.
O manual deve ser elaborado por uma comissão designada pela administração
superior do hospital. No caso da enfermagem essa comissão poderá ser composta pelos
seguintes profissionais: chefe do serviço de enfermagem, enfermeiro assistencial, supervisor
e enfermeiro – chefe.
A composição do manual, geralmente, segue os seguintes itens:
• Planta física do serviço de enfermagem e das unidades de trabalho.
• Regimento do serviço de enfermagem.
• Organograma do serviço de enfermagem: hierárquico e das áreas de trabalho.
• Descrição de cargos e funções.
• Normas e rotinas.
• Técnicas de enfermagem.
• Descrição do funcionamento e manuseio dos aparelhos ou equipamentos usados pelo
serviço de enfermagem.
• Inventário do material permanente e equipamentos.
• Mapas da cota de material de consumo.
• Impressos usados pelo serviço de enfermagem.
• Direitos, deveres, proibições referentes aos funcionários.
• Modelo do uniforme usado pelo pessoal de enfermagem.
Considerando-se que o serviço de enfermagem é um processo dinâmico, sujeito as
reavaliações no desenvolvimento de suas atividades, o manual assume um caráter flexível,
quanto à sua elaboração. Portanto. Alguns esclarecimentos devem ser observados durante
a sua elaboração e montagem:
• Cada folha deve versar sobre um único assunto.
• As folhas devem ser destacáveis de maneira que, ao se modificar uma rotina, rotina,
técnica, etc. a folha correspondente à mudança possa ser simplesmente substituída.
• As folhas devem ser devidamente protegidas em folha plástica.







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RESUMO

1. Organização é a segunda função do processo administrativo. Consiste num
agrupamento de atividades necessárias para alcançar os objetivos.
2. Instrumentos técnicos relacionados com a organização: gráficos, fluxograma,
cronograma, organograma, sociograma e layout. Outros instrumentos: regimento,
normas, rotinas e manual.

QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO

1. Porque é importante a utilização dos gráficos na administração organizacional.
2. O que é fluxograma?
3. O que é cronograma?
4. O que significa organograma?
5. Como são representadas as relações de autoridade no organograma?
6. Como se classifica o organograma?
7. O que é sociograma?
8. Conceitue regimento.
9. O que são normas?
10. O que são rotinas?
11. Que vantagem representa o manual no serviço?
12. Que itens devem integrar o manual?



BIBLIOGRAFIA

1. CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração. São Paulo: McGraw-Hill,1979.
2. HENDRIKY, H. M. Manual de organização e avaliação do serviço de enfermagem.
São Paulo: União São Camiliana, sd.
3. KRON, T.; GRAY, A. Administração dos cuidados de enfermagem ao paciente.
Rio de Janeiro: Interamericana, 1989.






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CAPÍTULO 5
O Processo de Direção
















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89
1. CONSIDERAÇÕES GERAIS

A direção é a terceira função do processo administrativo. É através dessa função que
são tomadas decisões, emitidas as ordens, orientações e supervisão do esforço dos
subordinados, no sentido de alcançar os objetivos definidos no planejamento.
Há vários conceitos acerca de direção, destacando-se entre outros, o de Terry
11
:
Direção é a atividade de integrar os esforços dos membros de um grupo,
porque desempenhando as tarefas que lhes forem atribuídas, eles irão ao
encontro de objetivos individuais e do grupo. Todos os esforços de grupo
exigem direção, se espera que os objetivos finais do grupo tenham sucesso.
Cada membro do grupo precisa ter a informação necessária para executar
sua atribuição. Portanto, os membros devem ter conhecimento a respeito
dos planos apropriados e isto deve ser feito em forma de ordens e
instruções oficiais.
Ernest Dale; L. C. Michelon citado por Chiavenato
2
, afirmam que a função de direção
tem por objetivo dizer a outras pessoas o que fazer e conseguir que elas o façam da melhor
maneira possível. Para Maximiano
5
, dirigir é o próprio conceito de administrar em ação.
A função de direção tem sido considerada sob diferentes modos pelos diversos
autores da administração, embora o significado seja basicamente similar para todos eles. De
uma maneira geral, pode-se afirmar que a direção é uma forma sistemática de integração
entre o elemento humano e material, no sentido de alcançar os objetivos preestabelecidos.
Desse modo, o grupo de trabalho desenvolverá uma ação, a mais eficaz possível, a fim de
atender os objetivos propostos.

2. FUNÇÕES BÁSICAS DA DIREÇÃO

As funções de direção ou chefia envolvem os seguintes elementos rigorosamente
interdependentes: delegação, motivação, liderança, supervisão, coordenação e controle.
2.1 Delegação
A delegação é uma importante habilidade que todo administrador precisa desenvolver.
Delegação, segundo Dimock citado por Arndt; Huckbay
1
significa alocar e descentralizar
autoridade, fixando responsabilidade, competência e designando tarefas até o menor nível
em que existam competência e informações, para um efetivo desempenho da tarefa e
tomada de decisão.
O enfermeiro gerente não pode assumir todas as responsabilidades, desde o
planejamento até a execução das tarefas, havendo necessidade, portanto, de selecionar a
pessoa adequada para efetuar certas operações. Para isso, é imprescindível que o gerente

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90
conheça o nível de competência do seu pessoal, a fim de não delegar tarefas a uma pessoa
desqualificada. É indispensável ter uma compreensão clara acerca do que delegar. De
acordo com Verteris
12
, o gerente do serviço de enfermagem não deve delegar uma atividade
simplesmente porque não quer fazê-la, não sabe fazê-la ou porque é desagradável.
A delegação deve estar diretamente relacionada com o conhecimento da ação a ser
executada e a responsabilidade pelos resultados finais. Não delegar ou fazer a delegação
erradamente representam prejuízo para a instituição e insatisfação para o pessoal. A
delegação é um relacionamento recíproco onde se atribui responsabilidade, concede-se
autoridade e exige-se feedback. Na realidade, delegar não é uma função fácil, porém
necessária, num trabalho complexo e diversificado como se apresenta o serviço de
enfermagem. Seguem algumas sugestões apresentadas por Kron; Gray
4
, para aquele que
deseja delegar de forma segura e eficaz:
• Pense antes de delegar.
• Planeje e organize as atividades da unidade em uma ordem lógica.
• Esclareça por que você está delegando certas atividades a determinada pessoa.
• Esteja disposto a investir algum tempo, planejando como ensinar as pessoas.
• Seja específico ao delegar.
• Esteja disposto a aceitar os riscos e responsabilidades por ações dos outros.
• Mantenha-se informado após a delegação.
2.2 Motivação
Considerando-se a motivação em termos de comportamento, observa-se que ela
exerce uma forte influência na conduta das pessoas. Assim, o enfermeiro gerente precisa
identificar os fatores ou forças de motivação que afetam o comportamento, no sentido de
alcançar os níveis mais elevados de desempenho
8
. São muitos os fatores que afetam o
comportamento dos indivíduos. Sabe-se que o homem é um animal complexo, dotado de
necessidades variadas e abrangentes. Por esses motivos diversos autores formularam
teorias sobre o assunto: Maslow hierarquizou as necessidades em forma de uma pirâmide;
Herzberg formulou a chamada teoria dos dois fatores: fatores motivacionais e fatores
higiênicos; McGregor concebeu a teoria X, em que as pessoas desejam ser dirigidas e
controladas, e a teoria Y em que as pessoas gostam de trabalhar.
É indispensável que o enfermeiro gerente conheça as necessidades humanas, para
melhor compreender o comportamento humano. Em outras palavras, deve ser capaz de
utilizar a motivação humana como poderoso meio para melhorar o nível de vida do grupo na
instituição
9
.
A motivação tem um sentido mais profundo do que o de fazer alguma coisa para obter
uma outra coisa. Nuttin
7
afirma que a questão primordial é saber quais são estas coisas que

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91
os sujeitos desejam atingir ou fazer, isto é, quais são os objetos fundamentais de sua
motivação.
O que se pretende aqui mostrar é que a direção ou chefia é responsável pelo nível de
motivação do grupo. Portanto, é necessário um planejamento que ajude as pessoas a
obterem satisfação no trabalho.
2.3 Liderança
Uma das funções essenciais que um chefe deve exercitar é a liderança. Um chefia
líder é capaz de induzir o subordinado a executar as ações desejadas, a fim de que alcance
os objetivos organizacionais.
Serão apresentados alguns conceitos de liderança, observando-se que são bastante
parecidos.
Para Koontz; O’Donnel
3
, liderança é a habilidade de exercer influência interpessoal,
por meio de comunicação para a consecução de um objetivo. Em palestra apresentada no
XI Congresso Brasileiro de Administração Hospitalar, Souza
10
citando palavras de Celso
Magalhães, afirma que “líder é todo aquele que, desejando ou não, consegue de outrem
adesão espontânea às suas atitudes ou idéias”. De acordo com Arndt; Huckabay
1
, liderança
é um processo onde um indivíduo exerce influência sobre outros no grupo. Em resumo,
pode-se afirmar que o líder é aquele indivíduo que estando no grupo, se destaca ou se
sobressai, com seu poder de influências e não de sua posição.
É difícil, por outro lado, visualizar o chefe como um líder em potencial, porque nem
todo chefe é líder, embora o cargo que ocupa exija características de líder, atitudes e outras
particularidades pessoais de dirigente. O professor Jorge Guimarães faz uma série de
diferenças entre o líder e o chefe:
Chefe: por vezes não cativa, impõe; nem sempre conquista, domina; castiga e impõe a
motivação.
Líder: conquista, cativa, doutrina, desenvolve a automotivação e influencia.
Chefe: move os atos e, em conseqüência destes, influencia as idéias.
Líder: sob as influências das idéias, move os atos.
Chefe: impõe sua autoridade (exerce domínio sobre as pessoas).
Líder: busca interessar seus subordinados (exerce domínio com as pessoas).
Conclui-se, portanto, que a chefia deve ser edificada numa liderança total,
politicamente ativa, a fim de resolver os problemas que requerem liderança compartilhada,
com igualdade de objetivos e uma única ideologia que vai além dos interesses e motivações
organizacionais dos indivíduos que estiverem envolvidos na empresa.




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92
2.4 Supervisão
A supervisão é uma parte do processo administrativo essencial para o enfermeiro
gerente, que visa basicamente melhorar a qualidade da assistência e estimular o
desenvolvimento do trabalho e o bem-estar do pessoal. Portanto, pode-se afirmar que o
principal interesse da supervisão é o pessoal. O objetivo da supervisão exercida pela
direção ou chefia é o de motivar o desempenho máximo dos profissionais, criando um
ambiente favorável para a liderança.
Nesse sentido, não se deve confundir supervisão com “super visão”, inspeção ou
vigilância, como muitos chefes e dirigentes a consideram. A ênfase atribuída aqui à
supervisão é diferente. Supervisão é ajudar o indivíduo a fazer melhor seu trabalho e, a
partir daí, observar o que já foi feito para orientar o pessoal e manter o sentido do valor
profissional e a obtenção da satisfação do seu próprio trabalho.
Os autores enfatizam ainda que, os profissionais necessitam de recompensas
psicológicas e sociais que tornem a vida gratificante para eles, seja pelo desenvolvimento de
grupos de trabalho adequados e compatíveis, seja pelo reconhecimento formal e informal do
trabalho realizado e metas atingidas pelos grupos ou indivíduos.
Quem ocupa cargos de direção deve empregar técnicas que envolvam comunicação,
relações humanas, educação, etc., para atingir seus objetivos. Qualquer que seja o
caminho, o responsável tem a obrigação de obter o desempenho máximo dos membros da
organização, trazendo ao mesmo tempo satisfação para o pessoal.
2.5 Coordenação
Um dos pontos essenciais na direção é a coordenação de esforços especializados.
Antes de se abordar o assunto, é preciso que se saiba o que é coordenação.
Segundo Fayol, a coordenação harmoniza todas as atividades do negócio, facilitando
seu trabalho e seu sucesso. Para o autor, a coordenação sincroniza coisas e ações em suas
proporções certas e adapta os meios aos fins.
Da mesma forma, Mooney
6
define coordenação como a “distribuição ordenada do
esforço do grupo, a fim de obter unidade de ação na consecução de um fim comum”.
Observa-se que há semelhanças na maneira como os autores definem coordenação.
Portanto, coordenação é harmonia de esforços. Partindo desse princípio, o papel da direção
consiste na divisão de trabalho, acompanhada de especialização de função, de acordo com
um princípio de organização, a fim de cumprir os objetivos propostos. Assim, nasce a
interdependência funcional que requer controle rigoroso e ordenação do fluxo de trabalho,
surgindo, dessa forma, a atividade de coordenação.
Para evitar mal – entendido, é importante que sejam acrescentadas algumas
informações. Não se pode esquecer que os métodos e mecanismos de coordenação são
quase infinitos. Todavia, tomando-se por base essa interdependência funcional que gera a

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93
necessidade de coordenação, alguns instrumentos devem ser utilizados como meios de
coordenação. É o caso, por exemplo, dos estatutos ou documentos legais da organização,
as reuniões formais e informais, conferências e intercâmbios entre membros da
organização. É também impossível negar a importância do relacionamento entre superior e
subordinado, bem como das atitudes e valores dos indivíduos no sistema organizacional.
Conclui-se que a função de coordenação se fundamenta nas comunicações, ou seja,
nas informações que devem ser transmitidas em todas as direções e em todos os níveis e
setores. Fundamenta-se, sobretudo, na capacidade gerencial da direção em identificar as
forças sociopsicológicas existente nos membros da organização, procurando ajustá-los às
necessidades da empresa para que alcancem os objetivos organizacionais.

2.6 Controle: em virtude de sua grande importância na atividade de direção, o controle será
abordado no capítulo seguinte.

3. ESTILOS DE CHEFIA

Os estilos de chefia são semelhantes aos da liderança, porque ambos fazem parte da
forma como as pessoas dirigem uma organização, dependendo da situação em que estejam
trabalhando no momento.
Comumente, são apontados três estilos de chefia:
a) Democrático: é um estilo que se caracteriza pelo trabalho em conjunto ou participativo.
Em outras palavras, é permitido ao grupo efetuar sugestões e participar nas decisões, ao
mesmo tempo em que a autoridade é exercida com o subordinado, resultando em
obediência aprovada, isto é, sem a força do poder dominante.
b) Autocrático: esse estilo é denominado por alguns autores como diretivo, burocrático e
até ditatorial. Efetivamente, concebe-se nele um comportamento arbitrário, autoritário e
prejudicial, não permitindo argumentação capaz de lhe desviar dos métodos e objetivos
selecionados. Sua concepção consiste em fazer alguma coisa pela força e não pela
liberdade de ação.
c) Liberal: o estilo liberal, também denominado laissez faire, caracteriza-se pelo excesso
de liberdade permitida aos subordinados, possibilitando uma situação em que as
pessoas não conhecem seus objetivos e nem se interessam em fazer alguma coisa.
Em resumo, pode-se concluir, sem hesitação, que a melhor forma de chefiar é aquela
em que se aplica um dos estilos à situação do momento. Ou seja, não existe o melhor estilo,
mas sim aqueles que se adaptam às necessidades, tanto da situação quanto dos
seguidores.


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94
4. QUALIDADES DO CHEFE

Não se pretende identificar todos os aspectos qualitativos do chefe, que é tarefa difícil,
para não dizer impossível, mas serão listadas algumas das virtudes consideradas a
expressão positiva de um caráter. São as seguintes: capacidade administrativa e técnica;
conhecimento dos homens; cultura geral; inteligência; competência; saúde física e mental;
senso de determinação e decisão; sentido de autoridade, capacidade de escolha dos seus
auxiliares; capacidade de saber delegar atribuições; habilidade educativa; espirito de
disciplina, espírito de disciplina; espírito de justiça, energia realizadora; domínio de si
mesmo; sentido de realidade, benevolência; bondade; respeito à dignidade humana;
exemplo; humildade e outras.

5. CARACTERÍSTICAS DO MAU CHEFE

Em se tratando de chefia, é evidente que relacionar fatores desfavoráveis ou negativos
de um chefe parece tarefa fácil. Na realidade, não interessa discutir defeitos e, sim,
qualidades. Porém, quando as influências negativas se sobrepõem às positivas, devem ser
observadas para que se tenham condições de corrigi-las, a fim de que não se manifestem
diretamente no nosso comportamento.
A seguir, serão relacionadas algumas características, deixando-se, no entanto, bem
claro que é quase impossível que alguém possua todas elas. São as seguintes:
incapacidade administrativa e técnica; falta de inteligência; tendência autocrática; ausência
de espírito público; prática contrária ao que preconiza; inveja dos subordinados; atitude de
fiscal ou vigia; receio de ser ofuscado pelos subordinados; falta de estímulo ao esforço dos
subordinados; desinteresse pelo trabalho; julgamento apressado dos subordinados perante
os outros; irredutibilidade de opiniões; exigência ao subordinado de esforço ou trabalho que
ele próprio não é capaz de fazer; subserviência para com os superiores; inabilidade
educativa; mau humor; relutância em delegar atribuições; protelação sistemática de
resoluções; preocupação com por menores; indecisão e inconstância; injustiça e
parcialidade; precipitação e impaciência.

6. REGRAS BÁSICAS PARA O EXERCÍCIO DA CHEFIA

Por fim, serão apresentadas algumas sugestões que poderão ajudar no exercício da
liderança na equipe de trabalho:
• Faça com que as pessoas executem as ações, não porque foram mandadas, mas
porque querem realizá-las.

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• Exercite o autocontrole e aja com maturidade emocional, a fim de não desgastar sua
autoridade.
• Estabeleça objetivo realista e trabalhe no sentido de atingi-los.
• Torne o grupo mais participante e criativo delegando atribuições.
• Conheça o seu subordinado.
• Seja um comunicador eficaz.
• Reconheça o valor dos seus colaboradores e tenha interesse por eles.
• Admita as falhas e não a fraqueza dos subordinados.
• Seja positivo e leal com seus subordinados.
• Compartilhe as informações com seus colaboradores.
• Seja criativo e autoconfiante.
• Conserve o senso de humor.
• Saiba ouvir.
• Ao rejeitar, justifique-se para não bloquear colaborações criativas.
• Seja humilde.
• Analise os fatos ao criticar, critique em particular e elogie em público.
• Reconheça a necessidade de melhorar sempre.




















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RESUMO


1. A direção é a terceira função do processo administrativo. Consiste em integrar o
elemento humano e material de forma sistemática, a fim de alcançar os objetivos
preestabelecidos.
2. As funções básicas da direção são: delegação, motivação, liderança, supervisão,
coordenação e controle.
3. Os estilos de chefia são iguais aos de liderança: democrático, autocrático e liberal.

QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO

1. De acordo com sua percepção, defina direção.
2. Quais as funções básicas da direção?
3. Por que é importante a delegação para a administração do serviço?
4. Quais as principais contribuições de Maslow, Herzberg e McGregor ?
5. O que significa liderança?
6. Explique a diferença entre o chefe e o líder.
7. Quais as características da função de supervisão?
8. Explique as características dos estilos de chefia.
9. Cite as qualidades do bom chefe e do mau chefe.

















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BIBLIOGRAFIA

1. ARNDT, C.; HUCKABAY, L.MD. Administração em enfermagem. Rio de Janeiro:
Interamericana, 1983.
2. CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração. São Paulo: McGraw - Hill, 1979.
3. KOONTZ, H.; O’DONNEL, C. Princípios de administração. São Paulo: Pioneira,
1982.
4. KRON, T.; GRAY, A. Administração dos cuidados de enfermagem ao paciente.
Rio de Janeiro: Interamericana, 1989.
5. MAXIMIANO, A.CA. Introdução à administração. São Paulo: Atlas, 1981.
6. MOONEY, JD. The principles of organizations. New York: Haper & Bros, 1947.
7. NUTTIN, J. Teoria da motivação humana. São Paulo: Loyola, 1983.
8. SANTOS, SR. Motivação no trabalho do enfermeiro: fatores de satisfação e
insatisfação. João Pessoa, 1992. Dissertação (mestrado) UFPB – Centro de Ciências
da Saúde.
9. ___________. O fator humano na organização: aspectos teóricos. Revista Hospital –
Adm. e Saúde, v. 17, n. 1, p. 13 – 16, jan./fev., 1993.
10. SOUZA, JG. Chefia e liderança. Revista Hospital – Adm. e Saúde, v. 12, n. 4, p.
117 – 126, 3º trimestre, 1987.
11. TERRY, GR. Princípios de administração. São Paulo: Brasiliense, 1976.
12. VERTERIS, T. Steps from do it yourselves to delegator. Nurs – success today, v. 1,
n. 4, p. 16, 1984.











98
















CAPÍTULO 6
O processo de controle












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1. CONSIDERAÇÕES GERAIS

A quarta função administrativa é o controle, que tem muito a ver com o planejado e o
realizado, o desejado e o obtido, o orçado e o efetivado. Por essa razão, o controle fecha o
ciclo do processo administrativo, iniciado pelo planejamento. Através dele, procura-se
corrigir desvios nos objetivos predeterminados, avaliando-se os resultados obtidos pela
aplicação de métodos que podem levar à reorganização do trabalho, tanto em termos de
qualidade quanto de quantidade.
O termo controle é empregado em contextos muito diversificados. Seu significado
depende da função ou área específica em que é aplicado. A concepção de controle, ao
invés de uma definição estrita, significa um mecanismo que detecta qualquer desvio dos
padrões normais definidos num plano, ou seja, os objetivos possibilitando quando possível à
devida regulação.
Para Koontz; O’Donnel citado por Chiavenato
2
, controle é:
A função administrativa que consiste em medir e corrigir o
desempenho de subordinados para assegurar que os objetivos da
empresa e os planos delineados para alcançá-los sejam realizados;
é, pois, a função segundo a qual a cada administrador, do presidente
ao mestre, certifica-se de que aquilo que é feito está de acordo com
o que se tencionava fazer.
Fayol já dizia que, num empreendimento, o controle consiste em verificar se tudo
ocorre de conformidade com o plano adotado, as instruções emitidas e os princípios
estabelecidos, tendo por objetivo apontar as falhas e os erros para retificá-los e evitar sua
reincidência.
É nessa linha de pensamento que está voltada à gerência científica, defendida por
Urwick, Mooney, Reiley, Taylor e muitos outros. O conceito clássico de controle foi
expandido, de tal forma que não se pode dissociá-lo das funções de planejamento,
organização e direção, porque estão todas interrelacionadas e se apresentam muitas vezes
concomitantemente.

2. FUNÇÕES DO CONTROLE

Os três componentes funcionais do controle são os seguintes:
a) Controle de pré-ação: estabelecidos os padrões e objetivos como parte da fase de
planejamento, procura-se evitar desvios na qualidade e quantidade de recursos.

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100
b) Controle concorrente: acompanha o desenvolvimento das operações para verificar
se os objetivos estão sendo seguidos. O método principal utilizado nesse controle
dá-se através da inspeção ou da supervisão.
c) Controle por feedback: focaliza a ação corretiva como meio preventivo para atingir
os objetivos que serão alcançados em futuras ações. Em outras palavras, os
resultados finais são avaliados e os dados gerados representarão subsídios para
corrigir as deficiências e para reforçar as medidas de novas ações, quanto às
possíveis mudanças.

3. MECANISMOS DE CONTROLE

A esse respeito, o que se pretende mostrar é que o controle está diretamente
relacionado com as orientações geradas pelos objetivos, ou seja, a forma de controle é
determinada pelos objetivos traçados no plano. Não existe um mecanismo de controle único.
Ao contrário, há uma diversificação, conforme o objeto em questão. Deve-se reconhecer
também que alguns mecanismos são utilizados com mais freqüência, os quais destacam os
seguintes:
♦ Gráficos.
♦ Relatórios.
♦ Índices, porcentagens e medidas estatísticas.
♦ Formulários.
♦ Mapas de avaliação.

4. CONTROLE DO SERVIÇO DE ENFERMAGEM

O serviço de enfermagem, como qualquer outro, deve estabelecer sistemas próprios
de controle, a fim de alcançar os objetivos predeterminados e avaliar os resultados, de modo
a minimizar os problemas ou desvios dos objetivos. Para tanto, é preciso haver o controle de
qualidade e de quantidade.

4.1 Controle de qualidade
O controle de qualidade deve ser uma responsabilidade de toda a equipe de
enfermagem, no sentido de que haja consenso da importância de se preservar um elevado
nível de otimização da assistência que possibilite uma melhoria na qualidade do cuidado
prestado ao paciente.
Percebe-se que essa forma de considerar o serviço, sob o prisma da qualidade,
desperta o interesse de melhor adequar os recursos disponíveis à produção de serviços em

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101
níveis econômicos e satisfatórios às necessidades do paciente, ao atendimento e à
satisfação do pessoal.
Assim, para que haja crescimento da demanda no serviço hospitalar, é essencial que
se apresentem níveis de qualidade. Em tese, o aumento da demanda é proporcional ao
aumento da qualidade. Com base nessa afirmação, pode-se dizer que os objetivos do
controle de qualidade são os seguintes:
× Melhorar a assistência prestada ao paciente.
× Racionalizar as ações de tempo e movimentos.
× Otimizar o desempenho do pessoal.
× Melhorar a utilização de material e equipamentos.
× Manter os custos baixos.
Deve-se observar que, quando se fala em controle de qualidade, incluem-se também a
supervisão e a delegação de atividades. Nesse contexto, é interessante que se analise o
controle de qualidade sob três aspectos:
a) Controle de qualidade da assistência prestada: o ponto de partida do controle de
qualidade da assistência prestada ao paciente é o estabelecimento de um padrão
mínimo de atendimento, para a formulação de metas a serem atingidas. Assim, é
imprescindível a tabulação dos cuidados prestados, de forma gráfica. Além disso, é
necessária a criação de um sistema de avaliação periódica, para que sejam
adotadas variações no padrão de referência estabelecido.
b) Controle de qualidade do pessoal de enfermagem: esse controle é desenvolvido a
partir do controle da assistência prestada ao paciente, devido ao seu estreito
relacionamento. A idéia fundamental que esse controle apresenta é a avaliação
contínua dos elementos, denominada Análise de Desempenho. Essa forma de
análise baseia-se na avaliação pessoal, técnica e operativa dos elementos que
compõem a equipe de enfermagem. Outro aspecto importante a considerar é que os
programas de treinamento e reciclagem devem estar direcionados na mesma
proporção das avaliações, de acordo com as necessidades e não em épocas
predeterminadas ou por modismo.
c) Controle de qualidade do material e equipamento: nesse contexto, é preciso destacar
o aspecto que indica a adequação dos materiais e equipamentos à realidade de cada
serviço, prevenindo assim a ociosidade, além de perdas e extravios de
equipamentos. Dessa forma, deve-se fazer um estudo aprofundado da qualidade do
material ou equipamento, no que tange à funcionalidade, durabilidade, facilidade,
manuseio, segurança, facilidade de manutenção e custos.



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102
3.2 Controle de quantidade
Não se pode desvincular o controle de qualidade do controle de quantidade, porque
ambos se completam para a efetivação do estudo de produtividade. Aliás, os dois tipos de
controle devem ser desenvolvidos paralelamente, de modo a proporcionar meios para a
investigação e análise da situação e da atuação de seus componentes em função dos
recursos disponíveis.
A tudo isso, conclui-se que o controle quantitativo visa adequar as pessoas aos
recursos, evitando assim, a evasão de material e equipamentos, diminuindo os custos
indiretos e propiciando a otimização dos serviços prestados. Os objetivos do controle de
qualidade, segundo Martins
5
, são os seguintes:
- Melhorar a assistência prestada ao paciente.
- Tornar efetivo os sistemas de informação, de análise e método administrativo dos
recursos de enfermagem.
- Evitar a evasão do material e equipamentos.
- Diminuir os custos indiretos do serviço de enfermagem e melhorar a utilização dos
recursos financeiros.
O problema do controle de qualidade coloca-se em duplo contexto na perspectiva do
serviço de enfermagem:
(1) controle de quantidade do pessoal de enfermagem: efetivamente, para existir esse
controle, é necessário a determinação de um modelo de dotação de pessoal,
compatível com a realidade do serviço e de um sistema de escalas que atenda as
necessidades do serviço e do trabalhador.
(2) Controle de quantidade do material e equipamento: como o extravio de material,
geralmente, é expressivo nos hospitais, faz-se necessário o uso de medidas que
evitem ou minimizem as perdas, através de um controle rigoroso e periódico, capaz
de oferecer dados atualizados do material em circulação.
É importante destacar alguns aspectos práticos para a realização do controle de
quantidade.
a) Levantamento periódico (diário, semanal, mensal, trimestral ou anual): possibilita
maior controle do material existente na unidade, em termos de quantidade e
qualidade. Esse procedimento deve seguir um critério normativo específico para
cada unidade do serviço de enfermagem.
Exemplo: Levantamento de material/equipamento





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103
Hospital: _________________________ Unidade: _____________________ Ano: ______
Gerente da Unidade: ________________________________________________________
Material Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total Obs








Visto ...... total

b) Manutenção: em virtude do elevado volume de materiais e equipamentos que são
encaminhados à manutenção para revisão, há necessidade de um controle que
relacione todo o material e equipamento que estão em manutenção. Esse é feito
através do arquivamento da segunda via do formulário de encaminhamento,
devidamente assinada pelo responsável, para que não haja extravios.
Levantamento da necessidade de materiais e equipamentos
Unidade
Classificação Prioridade
S – Substituição
A – Atualização
M – Manutenção
1 – Urgente
2 – Mínima (até 3 meses)
3 – Média (até 6 meses)
4 – Máxima (até 12 meses)
Serviço:
Item Descrição Classif. Priorid












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104
c) Registros: não se questiona a importância do registro para o patrimônio do hospital.
Todo material e equipamento devem ser codificados e descritos em números,
quantidade, espécie e marca.
d) Extravios: o extravio de material e equipamento onera os custos do serviço. Por essa
razão, deve-se fazer um levantamento periódico que possibilite uma avaliação geral
acerca dos acontecimentos.

5. ORIENTAÇÃO PARA CONTROLE

Será apresentado, a seguir, um resumo sobre controle para o gerente do serviço de
enfermagem. Pretende-se apenas fazer algumas considerações que variam de acordo com
a instituição.

5.1 Controle de material de consumo

O gerente de enfermagem deve estabelecer uma simplificação e padronização do seu
material de consumo, que consiste em determinar as especificações de quantidade,
dimensões, valores ou qualidade do material. Deve também reduzir as variedades,
eliminando o que for desnecessário para diminuir a quantidade de alguns materiais, fazendo
com que cada item tenha o maior número possível de aplicações.
Exemplo de uma rotina para pedido de material de consumo:
N.º ETAPAS
1. Verificar o estoque existente na unidade.
2. Solicitar o pedido do material de consumo semanal, quinzenal ou mensal.
3. Requisitar o pedido no impresso específico.
4. Enviar a requisição à chefia para autorização.
5. Encaminhar a requisição para o almoxarifado.
6. Receber o material do almoxarifado.
7. Verificar o material recebido.
8. Constatar se o pedido veio de acordo com o solicitado.
9. Armazenar o material.
10. Fazer o controle dos gastos, através de fichas de entrada e saída.


5.2 Controle do material permanente

Para um adequado controle do material permanente, deve-se verificar periodicamente
as necessidades de conserto ou manutenção e orientar o pessoal no manuseio dos

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105
equipamentos, a fim de minimizar os custos. É necessário fazer-se um inventário anual de
todo o material sob o ponto de vista do estado de vida útil, a probabilidade de duração e a
localização.
Todo o processo de controle do material permanente inicia-se na escolha do material.
A partir daí, devem ser observados os seguintes aspectos:
a) Aspecto quantitativo: deve ser requisitado o material necessário que atenda a
necessidade do paciente, de acordo com o pessoal que vai utilizar.
b) Aspecto qualitativo: deve-se fazer um estudo profundo sobre a qualidade do
material, no que diz respeito à funcionalidade, durabilidade, facilidade de
manuseio, segurança e manutenção fácil.

6. AVALIAÇÃO DO SERVIÇO DE ENFERMAGEM

A avaliação é a última fase do processo administrativo. Fornece uma referência sobre
os efeitos dos resultados, devidamente planejados, a fim de serem replanejados. O controle
dá seguimento à avaliação, tanto durante o andamento do trabalho como ao seu término.
Por isso, esses elementos, anteriormente estudados, não podem ser separados, porque são
interdependentes e, como tais, são essenciais.
O processo de avaliação determina até que ponto está sendo realizado os objetivos
individuais e organizacionais, segundo Arndt; Huckbay
1
. Já de acordo com Hendrikx
4
, a
avaliação serve de referência às necessidades reveladas pelas análises (levantamento para
planejamento), aos objetivos fixados no planejamento do serviço, às atividades previstas no
plano de ação e aos recursos citados para a prestação de serviços e programas de ensino
ou treinamento em serviço.
Nesse contexto, é interessante notar que a avaliação serve de base para um novo
plano, onde se procuram métodos que possam direcionar o alcance dos objetivos propostos.
Para isso é necessário estabelecer padrões e critérios capazes de medir os resultados com
precisão.
Deve-se frisar, desde já, que a avaliação das atividades de enfermagem envolve todo
o pessoal da equipe (enfermeiro, técnico e auxiliar). Todavia, essa diversificação de pessoal
e de níveis de complexidade, nas ações de enfermagem, exige que se estabeleçam critérios
de avaliação coerentes com a amplitude, eficácia, rendimento e objetivos fixados pelo
serviço de enfermagem.
A ausência do processo de avaliação é desastrosa para o serviço, para o hospital e,
principalmente, para o paciente. Pode-se admitir que, não havendo avaliação, caminha-se
para o insucesso sem retorno. Sendo assim, o gerente do serviço de enfermagem deve
utilizar procedimentos de avaliação, a fim de determinar os níveis desejáveis ao alcance dos

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


106
objetivos e realizar modificações que se fizerem necessárias para atingir um sistema efetivo
de prestação de assistência à saúde.

6.1 Tipos de avaliação

Tradicionalmente, são conhecidos dois tipos de avaliação: a avaliação formativa, que
ocorre durante a execução ou implementação de um plano e a avaliação somativa, que tem
lugar ao término de um período do plano.
Mas, o que interessa neste tipo de abordagem é o estudo da avaliação, sob dois
aspectos: auto–avaliação e auditoria.
(a) Auto–avaliação: é evidente que o ser humano deve auto-avaliar-se, principalmente
quando está inserido numa equipe de trabalho. Todo profissional deve ser capaz de
criticar-se de forma objetiva e honestamente. Assim, estará apto a trabalhar em
grupo, disciplinando-se para atingir os objetivos organizacionais.
A administração do serviço de enfermagem deve estabelecer seus próprios critérios de
avaliação, com o propósito de identificar problemas que evidenciem necessidades de
melhorar as relações inter–pessoais e funcionais.
A título de exemplificação, seguem alguns tópicos para a auto-avaliação do pessoal de
enfermagem:
· O pessoal de enfermagem é suficiente para o atendimento aos pacientes?
· Há igual distribuição de trabalho e da carga horária para todo o pessoal?
· O ânimo do pessoal de enfermagem está elevado?
· Há reuniões periódicas?
· Há boas relações entre a enfermagem e os demais serviços?
· As enfermeiras são aproveitadas para o ensino?
· Há educação em serviço para atualização?
· Há regimento que estabeleça as atribuições, os horários de serviço, às normas
administrativas e técnicas e as rotinas?
· Há registros de enfermagem?
(b) Auditoria: a respeito do assunto, deve-se tomar como ponto de partida, o conceito
formulado por Cherubin
3
:
Entende-se por auditoria a tarefa de aferir a eficiência e eficácia do hospital
e/ou de serviços. A eficiência aborda os aspectos quantitativos, econômicos
e financeiros e a eficácia os qualitativos.
Em outras palavras, pode-se afirmar que a auditoria é um sistema de avaliação formal
que identifica o nível de qualidade da assistência, através do exame do prontuário do
paciente e das próprias condições dos mesmos.

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107
Deve-se considerar a auditoria sob dois aspectos:
Auditoria interna: nesse processo são aplicados questionários específicos que
possibilitem a localização de problemas.
Auditoria externa: trata-se da contratação de serviços de profissionais qualificados
e especializados ou de firmas para esse fim.
Enquanto os padrões oferecem os critérios para a mensuração da qualidade do
cuidado, as auditorias constituem instrumentos de medida. Uma auditoria é um exame
sistemático e oficial de um registro, processo ou contabilidade para a avaliação do
desempenho. Auditoria em organizações de saúde proporciona aos administradores um
meio de aplicar o processo de controle para a determinação da qualidade dos serviços
prestados. As auditorias utilizadas com maior freqüência no controle de qualidade incluem
verificações de resultado, processo e estrutura.
Auditoria de resultados – são as mudanças no estado de saúde do paciente
atribuídas à prestação de serviços. As auditorias de resultados determinam quais os
resultados que ocorreram como conseqüência de intervenções específicas de enfermagem
em relação aos clientes. O resultado demonstra a qualidade do atendimento oferecido. Os
padrões de resultados podem ser definidos da seguinte forma: o que o paciente saberá,
fará, manifestará ou vivenciará, isso refletem as metas de enfermagem direcionadas ao
bem-estar fisiológico, emocional e mental do cliente.
Exemplos de resultados: as taxas de mortalidade, morbidade e a duração da
permanência no hospital. Outros elementos podem ser mensurados como o estado
funcional, o estado mental, os níveis de stress, a satisfação do cliente com os cuidados e o
custo dos cuidados.
A Comissão Conjunta para Acreditação de Organizações de Cuidados à Saúde
(JCAHO) utiliza os critérios de resultados para as 24h que antecedem a alta, quando da
revisão da qualidade do atendimento. Os registros do paciente são revisados após a alta
hospitalar, mas os critérios para a revisão são estabelecidos em termos dos resultados
esperados que deva ter ocorrido 24h antes da alta.
Auditoria do processo - são empregadas para mensurar o processo de cuidados. A
ênfase é à tarefa e o foco está nos padrões da prática. Daí a existência da relação entre a
qualidade do enfermeiro e a qualidade do cuidado oferecido. Os padrões do processo
encontram-se nos planos de cuidado do paciente, nos manuais de procedimento ou nas
declarações do protocolo de enfermagem. Exemplo: uma auditoria de processo pode ser
utilizada para que seja estabelecido se as pressões sangüíneas foram verificadas, conforme
rotina estabelecida.
Auditoria de estrutura – é a auditoria que monitora a estrutura ou o local em que se
realiza o cuidado ao paciente, a saber: a situação financeira, o serviço de enfermagem, os

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108
registros médicos e o ambiente. Nessa auditoria existe uma relação entre cuidado
qualificado e estrutura adequada. Por exemplo: a verificação das luzes utilizadas pelo
paciente para chamar os enfermeiros ou se os jarros de água estão ao alcance do paciente.
Auditorias de resultados, processos e estrutura podem ocorrer retrospectivamente,
simultaneamente ou com vistas ao futuro. As auditorias retrospectivas são realizadas após o
cliente receber o serviço. As auditorias simultâneas ocorrem enquanto o cliente está sendo
atendido. As auditorias com vistas ao futuro ou prospectivas tentam identificar a maneira
como o desempenho será afetado pelas atuais intervenções.
Na auditoria de enfermagem o prontuário do paciente é examinado para se determinar
a qualidade do atendimento prestado durante um determinado tempo. Embora possa ser
feita enquanto o paciente está no hospital, a revisão é geralmente retrospectiva: ou seja, ela
é feita após o paciente ter recebido alta.
A auditoria de enfermagem procura descobrir as deficiências ou omissões no
planejamento e na prestação do atendimento ao paciente. Apesar de apontar as
deficiências, a auditoria não pode corrigi-las. No entanto, as áreas que podem ser
examinadas incluem: o regime médico, o ensino de dados ao paciente, os registros do
atendimento de enfermagem prestado e as evidências do uso dos planos de atendimento de
enfermagem.
O processo de auditoria ajuda os enfermeiros perceberem que suas responsabilidades
profissionais vão além de simplesmente seguir as prescrições médicas. O caráter dinâmico
da auditoria, que constitui uma necessidade manifestada pelo indivíduo e pelo meio que
ocupa e baseia-se nos seguintes objetivos:
o Elevar os conhecimentos dos enfermeiros sobre a prática de enfermagem.
o Atuar como elemento motivador entre o pessoal de enfermagem.
o Avaliar, através das anotações ou registros, o grau da assistência que a enfermagem
presta ao paciente.
o Alcançar padrões ideais na assistência de enfermagem.
Fatores básicos observáveis numa auditoria de enfermagem são todos os aspectos
das atividades administrativas e técnicas. Podem-se usar os seguintes fatores:
= Prontuário.
= Grau do padrão de enfermagem.
= Distribuição adequada de pessoal por cada plantão.
= Relações humanas no trabalho.
= O uso adequado da comunicação.
Um outro ponto importante a ser considerado é a composição de membros da
Comissão de Auditoria, integrada pelo:

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109
O Supervisor.
O Enfermeiro gerente.
O Enfermeiro assistencial.
Desse modo, algumas exigências básicas deverão ser observadas:
· Guarda do sigilo de todos os dados obtidos.
· Reuniões periódicas para discussões, análises e propostas de solução.
· Estabelecimento do padrão desejado para conhecimento.

RESUMO

1. O controle é a quarta função do processo administrativo.
2. As funções do controle são: controle de pré-ação, controle concorrente e controle por
feedback.
3. O mecanismo de controle é determinado pelo objetivo traçado no planejamento, sendo,
portanto, muito diversificado.
4. O controle no serviço de enfermagem envolve: controle de qualidade e controle de
quantidade.
5. O processo de avaliação é a última etapa do processo administrativo. Consiste em
determinar até que ponto está sendo atingido os objetivos.
6. Tipos de avaliação: avaliação formativa e somativa, auto-avaliação e auditoria.

QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO

1. Explique as três funções do controle.
2. Justifique o funcionamento do mecanismo de controle.
3. Como exercer o controle de qualidade do pessoal de enfermagem?
4. Quais os objetivos do controle de qualidade?
5. Que aspectos devem ser observados no controle do material permanente?
6. Quais os tipos de avaliação? Explique.
7. Cite os objetivos da auditoria.







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BIBLIOGRAFIA

1. ARNDT, C.; HUCKABAY, L.MD. Administração em enfermagem. Rio de Janeiro:
Interamericana, 1983.
2. CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração. São Paulo: McGraw-Hill, 1979.
3. CHERUBIM, NA. Fundamentos da administração hospitalar. São Paulo: União
São Camiliana, 1977.
4. HENDRIKX, HM. Manual de organização e avaliação do serviço de enfermagem.
São Paulo: União São Camiliana, sd.
5. MARTINS, MLR. O serviço de enfermagem: administração e organização. São
Paulo: CEDAS, 1983.






















111














CAPÍTULO 7
Administração de Pessoal de Enfermagem












Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


112
1. CONSIDERAÇÕES SOBRE A LEI N.º 7.498/86.

A Lei n.º 7.498, publicada no Diário Oficial da União, de 26 de junho de 1986, que
regulamenta o exercício da enfermagem no Brasil, servirá de base para as definições acerca
das funções exercidas pela categoria da enfermagem. É necessário esse conhecimento
preliminar, a fim de que as atividades de enfermagem possam ser executadas sob o amparo
da lei.
Para evitar-se qualquer equívoco, serão transcritos, a seguir, alguns artigos da referida
lei.
Art. 11 – O enfermeiro exerce as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:
I – Privativamente:
a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de
saúde, pública e privada, e chefia de serviço e de unidade de enfermagem;
b) organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas e
auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da
assistência de enfermagem;
d) (VETADO);
e) (VETADO);
f) (VETADO);
g) (VETADO);
h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matérias de enfermagem;
i) consulta de enfermagem;
j) prescrição da assistência de enfermagem;
k) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
l) cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam
conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas.
II – Como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;
c) prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde
pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar e de doenças transmissíveis
em geral;
f) prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela
durante a assistência de enfermagem;

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113
g) assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera;
h) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
i) execução do parto sem distocia;
j) educação visando à melhoria de saúde da população;
Parágrafo único: Às profissionais referidas no inciso II do art. 6º desta Lei incumbe,
ainda:
a) assistência à parturiente e ao parto normal;
b) identificação das distocias obstétricas e tomada de providências até a chegada do
médico;
c) realização de episiotomia e epistorrafia e aplicação de anestesia local, quando
necessária.
Art. 12 – O Técnico de Enfermagem exerce atividades de nível médio, envolvendo
orientação e acompanhamento do trabalho de enfermagem em grau auxiliar, e
participação no planejamento da assistência de enfermagem, cabendo-lhe
especialmente:
a) participar da programação da assistência de enfermagem;
b) executar ações assistenciais de enfermagem, exceto as privativas do enfermeiro,
observando o disposto no parágrafo único do art. 11 desta Lei;
c) participar da orientação e supervisão do trabalho de enfermagem em grau auxiliar;
d) participar da equipe de saúde.
Art. 13 – O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza
repetitiva, envolvendo serviços auxiliares de enfermagem sob supervisão, bem como a
participação em nível de execução simples, em processo de tratamento, cabendo-lhe
especialmente:
a) observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas;
b) executar ações de tratamento simples;
c) prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente;
d) participar da equipe de saúde.
Art.14 – (VETADO).
Art. 15 – As atividades referidas nos arts. 12 e 13 desta Lei, quando exercidas em
instituições de saúde pública e privada, e em programas de saúde, somente podem ser
desempenhadas sob orientação e supervisão de Enfermeiro.
Art. 16 – (VETADO).
Art. 17 – (VETADO).
Art. 18 – (VETADO).
Parágrafo único – (VETADO).
Art. 19 – (VETADO).

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114
Art. 20 – Os órgãos de pessoal da administração pública, direta e indireta, federal,
estadual, municipal, do Distrito Federal e dos Territórios observarão, no provimento de
cargos e funções e na contratação de pessoal de enfermagem, de todos os graus, os
preceitos desta Lei.
Parágrafo único – Os órgãos a que se refere este artigo promoverão as medidas
necessárias à harmonização das situações já existentes com a disposição desta Lei,
respeitados os direitos adquiridos quanto a vencimentos e salários.

De acordo com a lei do exercício profissional, o enfermeiro deve ser conhecedor das
responsabilidades profissionais, porque a lei existe para ser cumprida rigorosamente e será
exigida pela sociedade. Portanto, faz-se necessário estabelecer com clareza o papel
exercido pela equipe de enfermagem, para que não haja confusão na divisão de trabalho
entre os seus integrantes.
Partindo-se desses princípios, serão delineadas algumas atribuições que são da
competência exclusiva do enfermeiro, do técnico e do auxiliar, a fim de ajudá-los na divisão
de tarefas e para que não ocorram desvios de funções por parte do pessoal de enfermagem.
a) Ao enfermeiro compete:
= diagnosticar as necessidades de enfermagem e elaborar o plano de assistência a ser
prestado pela equipe de enfermagem em serviços de proteção, de recuperação e de
reabilitação da saúde;
= prestar assistência de enfermagem em serviços de proteção, de recuperação e de
reabilitação da saúde;
= coordenar e supervisionar o pessoal da equipe de enfermagem;
= programar e desenvolver o treinamento em serviço para o pessoal da equipe de
enfermagem;
= desenvolver atividades de educação para a saúde;
= organizar e administrar serviços de enfermagem;
= realizar pesquisa operacional em enfermagem.
Exemplos de tarefas típicas na prestação da assistência de enfermagem:
· prestação de cuidados de conforto e de higiene pessoal a pacientes em estado grave;
· alimentação de pacientes por sonda;
· aplicação de lavagem de estômago, lavagem vesical, sonda, aspiração de secreções
e diálise peritonial;
· aplicação e leitura de testes para subsídios do diagnóstico;

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115
· execução de tarefas complementares ao tratamento médico especializado em casos
de cateterismo cardíaco, transplante de órgão e hemodiálise;
· realização de curativos especiais;
· controle de pressão venosa, de monitorização e de respiradores artificiais;
· coleta, análise e interpretação dos dados de produção da atividade de enfermagem.
b) Ao técnico compete:
= prestar assistência de enfermagem em serviços de proteção e recuperação e de
reabilitação da saúde, de acordo com o plano estabelecido pelo enfermeiro;
= colaborar com o enfermeiro na elaboração do plano de assistência a ser prestada
pela equipe de enfermagem;
= coordenar e supervisionar o pessoal auxiliar de enfermagem nos serviços de
proteção, de recuperação e de reabilitação da saúde, na ausência do enfermeiro;
= participar na orientação à saúde individual e coletiva.
Exemplos de tarefas típicas na prestação de assistência de enfermagem pelo
técnico:
· prestação de cuidados de conforto e de higiene a pacientes graves sob supervisão do
enfermeiro;
· observação e registro de sinais e sintomas apresentados pelos pacientes;
· verificação de sinais vitais;
· coleta de material para exames de laboratório;
· administração de medicamentos aos pacientes;
· realização de curativos;
· instrumentação em intervenções cirúrgicas;
· registro das atividades executadas;
· aplicação de imunizantes;
· execução de atividades de apoio, tais como: preparo de ambiente e disposição do
material para exames, tratamento, intervenções cirúrgicas e atendimento obstétrico.
c) Ao auxiliar de enfermagem compete: prestar assistência de enfermagem em
programas de proteção, de recuperação e de reabilitação da saúde, visando à
satisfação das necessidades básicas do paciente, cujo estado não apresenta
gravidade, sob supervisão do enfermeiro ou do técnico de enfermagem.
Exemplos de tarefas típicas do auxiliar de enfermagem:
· prestação de cuidados de conforto e de higiene pessoal;
· auxílio ao paciente na alimentação;
· verificação de sinais vitais;

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· realização da pesagem e mensuração do paciente;
· preparação de clientes para consulta médica e de enfermagem;
· aplicação de imunizantes;
· instrumentação em intervenções cirúrgicas;
· realização de tratamento com lavagem intestinal, enemas, aplicações quentes e frias;
· coleta de material para exames de laboratório;
· auxílio em exames e tratamentos;
· administração de medicamentos ao paciente;
· realização de curativos simples;
· registro das tarefas executadas;
· execução de atividades de apoio, tais como: preparo e esterilização de material,
preparo de ambientes e disposição do material para exames, tratamento,
intervenções cirúrgicas e atendimento obstétrico.

2. POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS EM ENFERMAGEM

O princípio básico para se estabelecer a política

de pessoal está no pleno
conhecimento dos objetivos organizacionais, sejam os genéricos, sejam os específicos.
Obviamente, os objetivos gerais abrangem informações, princípios administrativos e
aspectos tipicamente profissionais, referindo-se à dimensão maior que atinge todas as
categorias.
Os objetivos específicos estão relacionados com uma determinada área de pessoal.
Portanto, para uma formulação coerente, correta e consistente de uma política de RH, torna-
se necessário um instrumento legal, que sirva como diretriz geral para a instituição.
MacGibony citado por Ribeiro
6
, arrola alguns itens que podem figurar num manual de
política de pessoal:
· Posições e relações.
· Responsabilidades.
· Organizações.
· Funções departamentais.
· Políticas de emprego: condições, horários, férias, ausência por doença e preceitos de
saúde.
· Planejamento do serviço de treinamento.
· Aspectos legais.
· Segurança.


Princípio doutrinário que caracteriza a estrutura organizacional; posição ideológica a respeito dos fins da
organização.

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117
· Registros e relatórios.
· Rotinas.
Nesse contexto, vê-se que a política de pessoal para enfermagem deve partir de
aspectos gerais para situações específicas da categoria. Assim, é fundamental conhecer a
realidade dos problemas: absenteísmo, rotatividade, escala de horário, número de pacientes
por pessoal de enfermagem, turnos de trabalho, legislação específica, desvios de funções,
facilidades educacionais, físicas e de acomodações, alimentação, salários e planos de
incentivos.
O que se pretende mostrar é que a política de RH em enfermagem não deve ignorar
esses fatos, mas sim colocar o profissional como o núcleo das preocupações, uma vez que
o seu desempenho irá ser analisado e avaliado pelo padrão de atendimento que presta ao
paciente. Se esses fatores não estiverem claramente definidos, refletirão diretamente na
qualidade do serviço. Daí a importância de políticas que visem melhorar as condições
humanas de trabalho para que, direta ou indiretamente, haja uma melhoria na quantidade e
na qualidade do atendimento de enfermagem. Além disso, a política de RH deve existir e ser
cumprida. Basta que um grupo de pessoas trabalhe para que os objetivos sejam atingidos.
Para Higginson M. Valliant citado por Ribeiro
6
, a política de RH é útil pelas seguintes
razões:
O Ajuda a manter a continuidade e a estabilidade da administração.
O Integra funções e atividades e encoraja o trabalho em grupo.
O Promove a consistência das decisões da administração e aperfeiçoa as relações.
O Permite aos chefes manobrar os problemas mais rapidamente e com maior liberdade.
O Habilita os chefes a preencher suas responsabilidades, definindo os limites dentro dos
quais eles devem operar.
Em outras palavras, a política de pessoal promove a integração organizacional,
constituindo-se em um veículo orientador para o chefe e demais níveis administrativos, além
de reforçar os princípios da descentralização e delegação de competência.
Para Mesomo
5
, as políticas de RH racionalmente fixadas, conhecidas, aceitas e
praticadas, são de extraordinário auxílio à administração, porque evitam sua dispersão
operativa e o desvio dos objetivos traçados, e também ao próprio pessoal, que está imune a
qualquer tipo de arbitrariedade e tem seus interesses respeitados.

4. DIMENSIONAMENTO DO PESSOAL DE ENFERMAGEM

O serviço de enfermagem constitui cerca de 60% a 70% do pessoal hospitalar. É,
portanto, a principal categoria profissional em termos quantitativos que faz a instituição de

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118
saúde produzir serviços. O termo dotação de pessoal é utilizado com referência ao número
necessário de pessoas para o serviço de enfermagem, pois representaria um caos sob o
ponto de vista técnico, financeiro e social, trabalhar com um número insuficiente de pessoas,
isso acarretaria sobrecarga de trabalho que traria conseqüências graves como por exemplo:
esgotamento físico, fadiga e estresse, além de baixa produtividade e aumento no índice de
absenteísmo.
O outro extremo da questão é o excesso de pessoal no serviço, fato que pode
provocar má distribuição de tarefas, conflitos pessoais e ociosidade. Portanto, em se
tratando de administrar recursos humanos, não se pode utilizar o empirismo para definir o
quantitativo de pessoal. É necessário um estudo profundo que indique, matematicamente, o
número ideal de pessoas para o trabalho, a fim de possibilitar condições satisfatórias para
uma boa assistência e um bom relacionamento em equipe.
A dotação de pessoal pode ser definida como sendo uma estimativa da quantidade
necessária de recursos humanos, que possibilite a adequação entre o volume de trabalho
(necessidade de assistência de enfermagem) e a força de trabalho (pessoal de
enfermagem)
7
.
Mas, para se definir o quantitativo de pessoal devem ser levadas em consideração
algumas informações, tais como: as características da instituição, do serviço de enfermagem
e da clientela. Qualquer que seja a fórmula o método aplicado, essas variáveis devem ser
observadas.
Antes de fazermos a demonstração dos métodos e fórmulas para o dimensionamento
do pessoal de enfermagem, algumas terminologias devem ser conhecidas, de acordo com o
Anexo III da Resolução COFEN Nº 293/2004:
ÁREA OPERACIONAL - consultório, sala de exame, sala de tratamento, sala de trauma,
sala de emergência, sala de pronto-atendimento, sala de imunização, sala de diálise /
hemodiálise, sala de cirurgia, sala de pré e pós-parto, sala de parto, sala de preparo de
material, sala de esterilização, sala de ultra-som, sala de eletrocardiograma etc.
ATIVIDADE: pré–consulta, consulta, tratamento (curativo, quimioterapia, hemodiálise,
diálise, instrumentação e circulação de cirurgias, atendimento / assistência), preparo de
material, esterilização, chefia, coordenação ou supervisão etc.
BENCHMARKING - é uma ferramenta prática de melhoria para a realização de
comparações da empresa ou outras organizações que são reconhecidas pelas melhores
práticas administrativas, para avaliar produtos, serviços e métodos de trabalho. Pode ser
aplicado a qualquer nível da organização, em qualquer sítio funcional (SF).
COMPLEXIDADE - é o que abrange ou encerra elementos ou partes, segundo Mário
Chaves, os Hospitais, pela sua complexidade, caracterizam-se como secundários terciários

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119
e quaternários, de acordo com a assistência prestada, tecnologia utilizada e serviços
desenvolvidos.
GRAU DE DEPENDÊNCIA - é o nível de atenção quanti-qualitativa requerida pela situação
de saúde em que o cliente se encontra, exigindo demandas de cuidados mínimos,
intermediários, semi-intensivos e intensivos.
INDICADORES - instrumentos que permitem quanti-qualificar os resultados das ações. São
indicadores que devem nortear o dimensionamento de pessoal do Hospital, quanto a:
número de leitos, número de atendimentos, taxa de ocupação, média de permanência,
paciente/dia, relação empregado/leito, dentre outros.
INDICADORES DE QUALIDADE - instrumentos que permitem a avaliação da assistência
de Enfermagem, tais como: sistematização da assistência de Enfermagem; taxa de
ocorrência de incidentes (iatrogenias); anotações de Enfermagem quanto à freqüência e
qualidade; taxa de absenteísmo; existência de normas e padrões da assistência de
Enfermagem, entre outros.
ÍNDICE DE SEGURANÇA TÉCNICA – é um valor percentual que se destina a cobertura
das taxas de absenteísmo e de ausências de benefícios. Ela destina-se à cobertura das
ausências do trabalho, previstas ou não, estabelecidas ou não em Lei.
MÉTODO DE TRABALHO - relacionam-se à maneira de organização das atividades de
Enfermagem, podendo ser através do cuidado integral ou outras formas.
MISSÃO – é a razão de ser (da existência) da instituição/empresa incorporada por todos os
seus integrantes.
MODELO ASSISTENCIAL - metodologia estabelecida na sistematização da assistência de
Enfermagem (Art. 4º da Lei nº 7.498/86 e Art. 3º do Dec. nº 94.406/87).
MODELO GERENCIAL - compreende as atividades administrativas desenvolvidas pelos
Enfermeiros nas unidades de serviço (Art. 3º da Lei nº 7.498/86 e Art. 2º do Dec. nº
94.406/87).
PACIENTE DE CUIDADO MÍNIMO (PCM)/AUTO-CUIDADO - cliente/paciente estável sob o
ponto de vista clínico e de enfermagem e fisicamente auto-suficiente quanto ao atendimento
das necessidades humanas básicas.
PACIENTE DE CUIDADOS INTERMEDIÁRIOS (PCI) - cliente/paciente estável sob o ponto
de vista clínico e de enfermagem, requerendo avaliações médicas e de enfermagem, com
parcial dependência dos profissionais de enfermagem para o atendimento das necessidades
humanas básicas.
PACIENTE DE CUIDADOS SEMI-INTENSIVOS (PCSI) - cliente/ paciente recuperável, sem
risco iminente de morte, passíveis de instabilidade das funções vitais, requerendo
assistência de enfermagem e médica permanente e especializada.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


120
PACIENTE DE CUIDADOS INTENSIVOS (PCIt) - cliente/ paciente grave e recuperável,
com risco iminente de morte, sujeitos à instabilidade das funções vitais, requerendo
assistência de enfermagem e médica permanente e especializada.
PERÍODO DE TRABALHO (PT) - é diferente e varia nas diversas Instituições e Unidades
Assistenciais, com os valores típicos de 4 h; 5 h e 6 h, decorrentes de jornadas diárias de 8,
10 e 12 horas.
PORTE – é determinado pela capacidade instalada de leitos, segundo definição do
Ministério da Saúde.
POLÍTICA DE PESSOAL - diretrizes que determinam as necessidades de pessoal, sua
disponibilidade e utilização através do processo de recrutamento, seleção, contratação,
desenvolvimento e avaliação, incluindo benefícios previstos na legislação e as
especializações existentes.
PROGRAMAS - conjunto de atividades ordenadas para atingir objetivos específicos que
signifiquem a utilização dos recursos combinados. Exemplo: Programa Integral de Saúde da
Mulher, Programa de Transplante etc.
QUANTIDADE DE PESSOAL (QP) - é o número de profissionais de enfermagem
necessárias na UI, com base no SPC e na TO.
SERVIÇOS - conjunto de especialidades na área da saúde oferecidas à clientela, cujas
características podem sofrer influência da entidade mantenedora, tempo de permanência,
entre outras (serviços médicos hospitalares).
SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE PACIENTES (SCP) - Categorias de pacientes por
complexidade assistencial (adaptado de Fugulin, F.M. et alii). Sistema de classificação de
pacientes: (por complexidade assistencial) é um método para determinar, validar e monitorar
o cuidado individualizado do paciente, objetivando o alcance dos padrões de qualidade
assistencial. (De Groot, H.A-J. Nurs. Adm. v.19, n.7, p.24-30, 1989).
SÍTIO FUNCIONAL (SF) - é a unidade de medida que tem um significado tridimensional
para o trabalho de enfermagem. Ele considera a(s) atividade(s) desenvolvida(s), a área
operacional ou local da atividade e o período de trabalho, obtida da distribuído no decurso
de uma semana padrão (espelho semanal padrão).
-SF1 significa um sítio funcional com um único profissional;
-SF2 consiste de um sítio funcional com dois profissionais;
-SF3 traduz o sítio funcional com três profissionais
-SFn refere-se a um sítio funcional com “n” profissionais.
TAXA DE ABSENTEÍSMO - são ausências não programadas ao trabalho, em um
determinado período (mês).
TAXA DE AUSÊNCIAS DE BENEFÍCIOS - são ausências programadas ao trabalho, em um
determinado período (férias, licença prêmio, etc.).

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


121
TAXA DE OCUPAÇÃO (TO) - expressa a razão entre a média do número de leitos
ocupados por clientes e o número de leitos disponíveis, em um determinado período.
TOTAL DE HORAS DE ENFERMAGEM (THE) - é o somatório das horas necessárias para
assistir os clientes com demanda de cuidados mínimos, intermediários, semi - intensivos e
intensivos.
ROTATIVIDADE DE PESSOAL - TURNOVER - é a relação entre as admissões e os
desligamentos de profissionais ocorridos de forma voluntária ou involuntária, em um
determinado período.
UNIDADE ASSISTENCIAL ESPECIAL (UE) - local onde são desenvolvidas atividades
especializadas por profissionais de saúde, em regime ambulatorial, ou para atendimento de
demanda ou de produção de serviços, com ou sem auxilio de equipamentos de alta
tecnologia.
UNIDADE DE INTERNAÇÃO (UI) - local com infra-estrutura adequada para a permanência
do paciente em um leito hospitalar.

4.1 Resolução COFEN 293

O Conselho Federal de Enfermagem, no uso de suas atribuições, estabeleceu
parâmetros para melhor dimensionar o quadro de profissionais de enfermagem nas
instituições de saúde, após vários estudos e discussões realizadas sobre a matéria com
segmentos representativos da Enfermagem do País.
Assim, para garantir maior segurança e qualidade da assistência ao cliente, a
continuidade ininterrupta da atuação da Enfermagem, os avanços tecnológicos e a
complexidade dos cuidados ao cliente, compete ao Enfermeiro estabelecer o quadro quanti-
qualitativo de profissionais, necessários a prestação da Assistência de Enfermagem.

Art. 1º - Estabelecer, na forma desta Resolução e de seus anexos I, II, III e IV, os parâmetros para
dimensionar o quantitativo mínimo dos diferentes níveis de formação dos profissionais de
Enfermagem para a cobertura assistencial nas instituições de saúde.
§ 1º - Os referidos parâmetros representam normas técnicas mínimas, constituindo-se em
referências para orientar os gestores e gerentes das instituições de saúde no planejamento,
programação e priorização das ações de saúde a serem desenvolvidas;

§ 2º - Esses parâmetros podem sofrer adequações regionais e/ou locais de acordo com
realidades epidemiológicas e financeiras, desde que devidamente justificados e aprovados pelos
respectivos Conselhos Regionais de Enfermagem e, posteriormente, referendados pelo COFEN.

Art. 2º - O dimensionamento e a adequação quantiqualitativa do quadro de profissionais de
Enfermagem devem basear-se em características relativas:

I - à instituição/empresa: missão; porte; estrutura organizacional e física; tipos de serviços

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122
e/ou programas; tecnologia e complexidade dos serviços e/ou programas; política de
pessoal, de recursos materiais e financeiros; atribuições e competências dos integrantes
dos diferentes serviços e/ou programas e indicadores hospitalares do Ministério da Saúde.

II - ao serviço de Enfermagem: - Fundamentação legal do exercício profissional (Lei nº
7.498/86 e Decreto nº 94.406/87); - Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem,
Resoluções COFEN e Decisões dos CORENs; - Aspectos técnico- administrativos: dinâmica
de funcionamento das unidades nos diferentes turnos; modelo gerencial; modelo
assistencial; métodos de trabalho; jornada de trabalho; carga horária semanal; padrões de
desempenho dos profissionais; índice de segurança técnica (IST); taxa de absenteísmo (TA)
e taxa ausência de benefícios (TB) da unidade assistencial; proporção de profissionais de
Enfermagem de nível superior e de nível médio, e indicadores de avaliação da qualidade da
assistência.

III - à clientela: sistema de classificação de pacientes (SCP), realidade sócio-cultural e
econômica.

Art. 3º - O referencial mínimo para o quadro de profissionais de Enfermagem, incluindo todos os
elementos que compõem a equipe, referido no Art. 2º da Lei nº 7.498/86, para as 24 horas de cada
Unidade de Internação, considera o SCP, as horas de assistência de Enfermagem, os turnos e a
proporção funcionário/leito.

Art. 4º - Para efeito de cálculo, devem ser consideradas como horas de Enfermagem, por leito, nas
24 horas:
- 3,8 horas de Enfermagem, por cliente, na assistência mínima ou autocuidado;
- 5,6 horas de Enfermagem, por cliente, na assistência intermediária;
- 9,4 horas de Enfermagem, por cliente, na assistência semi-intensiva;
- 17,9 horas de Enfermagem, por cliente, na assistência intensiva.

§ 1º - Tais quantitativos devem adequar-se aos elementos contidos no Art. 2º desta
Resolução.
§ 2º - O quantitativo de profissionais estabelecido deverá ser acrescido de um índice de
segurança técnica (IST) não inferior a 15% do total.
§ 3º - Para o serviço em que a referência não pode ser associada ao leito-dia, a unidade de
medida será o sítio funcional, com um significado tridimensional: atividade(s), local ou área
operacional e o período de tempo (4,5 ou 6 horas).
§ 4º - Para efeito de cálculo deverá ser observada a cláusula contratual quanto à carga
horária.
§ 5º - Para unidades especializadas como psiquiatria e oncologia, deve-se classificar o
cliente tomando como base as características assistenciais específicas, adaptando-as ao SCP.
§ 6º - O cliente especial ou da área psiquiátrica, com intercorrência clínica ou cirúrgica
associada, deve ser classificado um nível acima no SCP, iniciando-se com cuidados intermediários.
§ 7º - Para berçário e unidade de internação em pediatria, caso não tenha acompanhante, a
criança menor de seis anos e o recém nascido devem ser classificados com necessidades de
cuidados intermediários.
§ 8
o
- O cliente com demanda de cuidados intensivos deverá ser assistido em unidade com
infra-estrutura adequada e especializada para este fim.
§ 9º - Ao cliente crônico com idade superior a 60 anos, sem acompanhante, classificado
pelo SCP com demanda de assistência intermediária ou semi-intensiva deverá ser acrescido de 0,5
às horas de Enfermagem especificadas no Art.4º.

Art. 5º - A distribuição percentual do total de profissionais de Enfermagem, deve observar as
seguintes proporções e o SCP:

04 classificações
5,6
ou seja:
interm =
6,1
semi=9,9

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123
1 - Para assistência mínima e intermediária: de 33 a 37% são Enfermeiros (mínimo de seis) e os
demais, Auxiliares e/ ou Técnicos de Enfermagem;
2 - Para assistência semi-intensiva: de 42 a 46% são Enfermeiros e os demais, Técnicos e
Auxiliares de Enfermagem;
3 - Para assistência intensiva: de 52 a 56% são Enfermeiros e os demais, Técnicos de
Enfermagem.
Parágrafo único - A distribuição de profissionais por categoria deverá seguir o grupo de
pacientes de maior prevalência.

Art. 6º - Cabe ao Enfermeiro o registro diário da(s):- ausências ao serviço de profissionais de
enfermagem; presença de crianças menores de 06 (seis) anos e de clientes crônicos, com mais de
60 (sessenta) anos, sem acompanhantes; e classificação dos clientes segundo o SCP, para
subsidiar a composição do quadro de enfermagem para as unidades assistenciais.

Art. 7º - Deve ser garantida a autonomia do enfermeiro nas unidades assistenciais, para
dimensionar e gerenciar o quadro de profissionais de enfermagem.

§ 1º - O responsável técnico de enfermagem da instituição de saúde deve gerenciar os
indicadores de performance do pessoal de enfermagem.
§ 2º - Os indicadores de performance devem ter como base a infra-estrutura institucional e
os dados nacionais e internacionais obtidos por “benchmarking”.
§ 3º - Os índices máximo e mínimo de performance devem ser de domínio público.

Art. 8º - O responsável técnico de enfermagem deve dispor de 3 a 5% do quadro geral de
profissionais de enfermagem para cobertura de situações relacionadas à rotatividade de pessoal e
participação de programas de educação continuada.

Parágrafo único - O quantitativo de Enfermeiros para o exercício de atividades gerenciais,
educação continuada e comissões permanentes, deverá ser dimensionado de acordo com a
estrutura da organização/empresa.

Art. 9º – O quadro de profissionais de enfermagem da unidade de internação composto por 60% ou
mais de pessoas com idade superior a 50 (cinqüenta) anos, deve ser acrescido de 10% ao IST.

Art. 10 - O Atendente de Enfermagem não foi incluído na presente Resolução, por executar
atividades elementares de Enfermagem não ligadas à assistência direta ao paciente, conforme
disposto na Resolução COFEN nº 186/1995.

Art. 11 - O disposto nesta Resolução aplica-se a todas as instituições de saúde e, no que couber, às
outras instituições.

Art. 12 - Esta Resolução entra em vigor após sua publicação, revogando as disposições em
contrário, em especial a Resolução 189 de 25 de março de 1996.

Gilberto Linhares Teixeira
COREN-RJ nº. 2.380
Presidente




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124
4.2 Metodologia de cálculo de pessoal de enfermagem

I) UNIDADE DE INTERNAÇÃO

1-UNIDADE DE INTERNAÇÃO (UI): Local com infra-estrutura adequada para a
permanência do paciente em um leito hospitalar.

2-SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE PACIENTES (SCP):

2.1 - Paciente de Cuidado Mínimo (PCM): cliente/paciente estável sob o ponto de vista
clínico e de enfermagem e auto-suficientes quanto ao atendimento das necessidades
humanas básicas;
2.2 - Paciente de Cuidados Intermediários (PCI): cliente/paciente estável sob o ponto de
vista clínico e de enfermagem, requerendo avaliações médicas e de enfermagem, com
parcial dependência dos profissionais de enfermagem para o atendimento das necessidades
humanas básicas;
2.3 - Paciente de Cuidados Semi-Intensivos (PCSI): cliente/paciente recuperável, sem risco
iminente de morte, passíveis de instabilidade das funções vitais, requerendo assistência de
enfermagem e médica permanente e especializada;
2.4 - Paciente de Cuidados Intensivos (PCIt): cliente/paciente grave e recuperável, com risco
iminente de morte, sujeitos à instabilidade das funções vitais, requerendo assistência de
enfermagem e médica permanente e especializada.

3-DIAS DA SEMANA (DS): 7 dias completos ou 168 horas redondas.

4-JORNADA SEMANAL DE TRABALHO (JST): assume os valores de 20h.; 24h.; 30 h.;
32,5h.; 36h. ou 40h. nas unidades assistenciais.

5-ÍNDICE DE SEGURANÇA TÉCNICA (IST): admite-se o coeficiente empírico de 1,15
(15%), que considera 8,33% para cobertura de férias (item da Taxa de Ausências de
Benefícios) e 6,67% para cobertura da Taxa de Absenteísmo.

Nota 1 - o IST é composto de duas parcelas fundamentais, a taxa de ausências por
benefícios (planejada, isto é, para cobertura de férias, licenças - prêmio, etc.) e a taxa de
absenteísmo (não – planejada, ou seja, para cobertura de ausências/faltas por diversos
motivos).

scp=3,8

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125
6-TAXA DE OCUPAÇÃO (TO): expressa a razão entre a média do número de leitos
ocupados por clientes e o número de leitos disponíveis, em um determinado período.

Nota 2 - a quantidades de clientes é obtida da média aritmética de uma série histórica de
leitos ocupados colhida diariamente, de acordo com o SCP e que deverá guardar
correspondência com a Taxa de Ocupação (TO) da UI. Para reduzir a margem de variação
os dados devem ser obtidos de 4 a 6 períodos (meses) padrões, isto é sem feriados ou
interrupções significativas na tomada de dados.

6-QUANTIDADE DE PESSOAL (QP): é o número de profissionais de enfermagem
necessárias na UI, com base no SPC e na TO.

7-TOTAL DE HORAS DE ENFERMAGEM (THE): é o somatório das horas necessárias para
assistir os clientes com demanda de cuidados mínimos, intermediários, semi-intensivos e
intensivos.

8-CONSTANTE DE MARINHO (K
M
): coeficiente deduzido em função de DS, da JST e do
IST.
K
M
= DS x IST = 7 x IST = 7IST
JST JST JST

Por exemplo, utilizando - se o coeficiente IST igual a 1,15 (15%) e substituindo JST pelos
seus valores assumidos de 20h.; 24h.; 30 h.; 32,5h.; 36h. ou 40h., a K
M
terá os valores
respectivos de:
K
M (20)
= 0,4025 K
M(32,5)
= 0,2476
K
M (24)
= 0,3354 K
M(36)
= 0,2236
K
M (30)
= 0,2683 K
M(40)
= 0,2012


Considerando que:
THE = [(PCM x 3,8) + (PCI x 5,6) + (PCSI x 9,4) + (PCIt x 17,9)]

E, finalmente, substituindo THE e K
M
na equação abaixo, serão obtidos as correspondentes
quantidades do pessoal de enfermagem.
QP
(UI;SCP)
= K
M
x THE


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126
II) UNIDADES ASSISTENCIAIS ESPECIAIS

1-UNIDADE ASSISTENCIAL ESPECIAL (UE): Locais onde são desenvolvidas atividades
especializadas por profissionais de saúde, em regime ambulatorial, ou para atendimento de
demanda ou de produção de serviços, com ou sem auxilio de equipamentos de alta
tecnologia.

2-SÍTIO FUNCIONAL (SF): é a unidade de medida que tem um significado tridimensional
para o trabalho de enfermagem. Ele considera a(s) atividade(s) desenvolvida(s), a área
operacional ou local da atividade e o período de trabalho, obtida da distribuído no decurso
de uma semana padrão (espelho semanal padrão).

Nota 3 - adotou-se a seguinte nomenclatura para os SF:
· SF1 significa um sítio funcional com um único profissional;
· SF2 consiste de um sítio funcional com dois profissionais;
· SF3 traduz o sítio funcional com três profissionais
· SFn refere-se a um sítio funcional com “n” profissionais.

Nota 4 - para evitar desvios sugere-se que se tome dados de uma série histórica de
espelhos semanais de alocação de SF, escolhidos aleatoriamente durante 6 semanas, no
mínimo.

Nota 5 - o SF deve ser quantificado para as diversas categorias profissionais (enfermeiros,
técnico de enfermagem e auxiliar de enfermagem).

3-ATIVIDADE: pré–consulta, consulta, tratamento (curativo, quimioterapia, hemodiálise,
diálise, instrumentação e circulação de cirurgias, atendimento/assistência), preparo de
material, esterilização, chefia, coordenação ou supervisão, etc.

4-ÁREA OPERACIONAL: consultório, sala de exame, sala de tratamento, sala de trauma,
sala de emergência, sala de pronto-atendimento, sala de imunização, sala de diálise/
hemodiálise, sala de cirurgia, sala de pré e pós parto, sala de parto, sala de preparo de
material, sala de esterilização, sala de ultra-som, sala de eletrocardiograma, etc.

5-PERÍODO DE TRABALHO (PT): é diferente e varia nas diversas Instituições e Unidades
Assistenciais, com os valores típicos de 4 h; 5 h e 6 h, decorrentes de jornadas diárias de 8,
10 e 12 horas.

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6-Total de Sítios Funcionais (TSF)

TSF = [(SF1) + (SF2) + (SF3) +…+ (SFn)]



7- Cálculo da K
M(SF)
= Constante de Marinho para SF:
K
M(SF)
==> K
M (PT;JST)



8-Quantidade de profissionais = QP



Exemplo de Cálculo da Constante de Marinho para Sítios Funcionais:
Com IST de 15 % ou coeficiente de 1,15 Correspondendo a: KM(SF)= PT / JST x 1,15
KM(PT;20) KM(PT;24) KM(PT;30)
KM (4;20) = 0,2300 KM( 4;24) =0,1916 KM( 4;30) =0,1533
KM( 5;20) =0,2875 KM( 5;24) =0,2395 KM( 5;30) =0,1916
KM( 6;20) =0,3450 KM( 6;24) =0,2875 KM( 6;30) =0,2300
KM(PT;32,5) KM(PT;36) KM(PT;40)
KM( 4;32,5) =0,1415 KM( 4;36) =0,1277 KM( 4;40) =0,1150
KM( 5;32,5) =0,1769 KM( 5;36) =0,1597 KM( 5;40) =0,1437
KM( 6;32,5) =0,2123 KM( 6;36) =0,1916 KM( 6;40) =0,1725

III) CÁLCULO DO ÍNDICE DE SEGURANÇA TÉCNICA (IST):
IST = TA + TB

1-Taxa de Absenteísmo (TA) é obtida com o cálculo das faltas, não planejadas, por vários
motivos.
2- Faltas ao trabalho na escala de M1 ou T (FM1): manhã ou tarde de 7:00 h às 13:00 ou de
13:00 h às 19:00 h.
3- Faltas ao trabalho na escala de manhã e parte da tarde (FM) de 7:00 h às 16:00 ou de
8:00 h às 17:00 h.
4- Faltas ao trabalho na escala de plantões (FP) no serviço diurno (SD) ou noturno (SN): de
7:00 h às 19:00 ou de 19:00 h às 07:00 h.
5- Total de Funcionários (TF) atuando no setor/serviço/departamento, no período de
apuração.
6- Total de Dias (TD) úteis do período de apuração.
N
TSF = SF
N


N=1

K
M(SF)
= PT x IST
JST
QP
(SF)
= K
M(PT;JST)
x TSF

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128
7- Total de Dias Úteis de Ausência (TDUA) no período, ausências planejadas decorrentes
de benefícios (férias, licença especial, etc.).

A - TAXA DE ABSENTEÍSMO (TA)



B - TAXA AUSÊNCIAS POR BENEFÍCIOS (TB):



Anotações importantes:
A - O cálculo para sete dias da semana deve ser realizado para os turnos da manhã (M),
tarde (T) e noite (N = N1 / N2), sendo seis horas para os períodos da manhã e tarde e doze
horas para o noturno (dois turnos de 6 horas).
B - O período noturno deve ser duplicado para completar quatro períodos iguais de 6 horas.
C - Para efeito de cálculo, classificar o pessoal de nível superior (NS) e médio (NM),
devendo o de nível médio ser dividido em Técnico e Auxiliar de Enfermagem, a critério da
instituição, pela demanda e oferta de mão-de-obra existente, obedecendo ao percentual
estabelecido. Na assistência intensiva deve-se utilizar o Técnico de Enfermagem.
D - Ao total, apresentado no modelo acima, deverá ser acrescido 15% como Índice de
Segurança Técnica (IST), sendo que 8,33% são para cobertura de férias. As férias é um dos
componentes da Taxa Ausências de Benefícios, e os restantes 6,67% (valor empírico/
arbitrado) são para cobertura da Taxa de Absenteísmo.
D1 - O Índice de Segurança Técnico (IST) poderá ser aumentado, quando:
1) Sessenta por cento (60%) ou mais do total de profissionais de enfermagem, que atuam
nas Unidades de Internação, estiver com idades acima de 50 anos, aumentar de 10% ao
IST.
2) A Unidade Assistencial apresentar a soma das Taxas de Absenteísmo e de Benefícios,
comprovadamente, superior a 15% (8,33 % + X % > 15%).
E - Deverá ser previsto 01(um) enfermeiro para atividades gerenciais, com atuação
predominante na área administrativa (liderança, coordenação, supervisão, controle,
treinamento, etc.), já contemplada no sistema de cálculo (horas de enfermagem/paciente/
HEP).
F - A carga horária semanal para exercer as atividades assistenciais e administrativas será
estabelecida nos respectivos contratos de trabalho, que devem ter como base os aspectos
legais e os acordos conquistados pelos órgãos de classe da Enfermagem.
TA
(JST)
= 500[(6FMI) + (8FM) + (12FP)
JST x TF x TD
TB = TDUA x 100
TD x TF

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NOTAS:
1- Em uma Unidade de Internação encontram-se clientes com demandas enquadradas em
todas as categorias do Sistema de Classificação de Pacientes (SCP).
2- Os pacientes da categoria de Cuidados Intensivos deverão ser internados em Unidades
Especiais (UTI) com infra-estrutura e recursos tecnológicos e humanos adequados.
3- O dimensionamento de profissionais de Enfermagem inicia-se pela quantificação de
enfermeiros.
4- As atividades desenvolvidas por profissionais de enfermagem serão coordenadas pelo
enfermeiro.
5- Um enfermeiro só pode coordenar as atividades de no máximo 15 profissionais de
enfermagem, por turno de trabalho, salvo nas condições estabelecidas no tópico abaixo.
6- As Clínicas e/ou Hospitais com menos de 50 leitos, voltada para assistência de Cuidados
Mínimos e Intermediários, localizados em regiões interioranas, em que, por diversas razões,
houver dificuldades de contratar enfermeiros o COREN local, após avaliação, poderá
autorizar a complementação das equipes com Técnicos de Enfermagem, respeitando-se a
presença física de pelo menos um enfermeiro por período de trabalho.
7- Nas Unidades de Internação com clientes que exigem cuidados de enfermagem de alta
complexidade, independente da quantidade de clientes na unidade, exige-se a presença
física do enfermeiro.
8- Os clientes internados em “Unidades Intermediárias” serão classificados como de
cuidados intermediários ou semi-intensivos.
9- Os clientes internados em Unidades de Terapia Intensiva serão classificados como de
cuidados semi-intensivos ou intensivos.
10- Os cálculos de profissionais para desenvolver atividades de especialistas terão
tratamento diferenciado.

2.3 Aplicação da metodologia de cálculo de pessoal de enfermagem
1- A Quantidade de Pessoal de Enfermagem (QPE) pode ser calculada utilizando-se o Total
de Horas de Enfermagem por Dia (THE/Dia) ou o Total de Sítios Funcionais/Semana
(TSF/Sem).

2- A QPE pode ser obtida através da aplicação de duas equações matemáticas:
(1) QP = KMhe X THE (2) QP = KM sf X TSF

3- A Constante de Marinho (KM) pode assumir duas configurações Constante de Marinho
relacionado a Horas de Enfermagem (KMhe) e Constante de Marinho relacionado a Sítios
Funcionais (KMsf).

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130
4- A KMhe é utilizada para QPE quando se estabelecem os tempos que são necessários
para se desenvolver cada atividade nas 24 horas, como por exemplo: assistência a
pacientes de acordo com o Sistema de Classificação de Pacientes –SCP (Cuidados
Mínimos, Cuidados Intermediários, Cuidados Semi-Intensivos e Cuidados Intensivos) com
suas respectivas horas/dia.

5- A KMsf é utilizada para QPE para cobertura nas unidades operacionais na dimensão
tridimensional (Atividade(s) , Período de Tempo e Local de Trabalho).

6- A KMhe é estruturada com a variável “dias da semana (7 dias)” no numerador, já a KMsf
é como Período de Tempo (PT), que pode ser de 4, 5 ou 6 horas.



7- O Relatório Diário de Enfermagem com os registros da Classificação dos Pacientes
(SCP) e da Taxa de Absenteísmo/Taxa de Benefícios (TA/TB), é a ferramenta utilizada para
obter-se o Total de Horas de Enfermagem (THE).

8- O THE é calculado pela aplicação da seguinte expressão matemática:

THE = ( NMP x HE )
THE = [(NMPCMn x HECMn) + (NMPCInter x HECinterm) + (NMPCSI x HECSI) +
(NMPCIntens x HE CIntens)]
Onde:
NMP = Número Médio de Clientes/Pacientes por tipo.
HE = Horas de Enfermagem relacionadas a cada tipo.
NMCMn = Número Médio de Clientes/Paciente de Cuidados Mínimos.
NMCinterm = Número Médio de Clientes/Pacientes de Cuidados Intermediários.
NMCSI = Número Médio de Clientes/Paciente de Cuidados Semi-Intensivos.
NMCIntens = Número Médio de clientes/ Paciente de Cuidados Intensivos.
HECMn = Horas de Enfermagem por dia para assistência de clientes/pacientes de Cuidados
Mínimos.
HECInterm = Horas de Enfermagem por dia para assistência de clientes/pacientes de
Cuidados Intermediários.
KMhe = DS x IST
JST
KMsf = PT x IST
JST
Importante!!!!!

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131
HECSI = Horas de Enfermagem por dia para assistência de clientes/pacientes de Cuidados
Semi-Intensivos.
HECIntens = Horas de Enfermagem por dia para assistência de clientes/ pacientes de
Cuidados Intensivos.

9 - A Média de clientes/paciente por Tipo (SCP) deve ser obtida pelo menos por um série
histórica de, no mínimo, 4 a 6 meses padrões (120 dias).

10 - Correlação entre QPE relacionada a HE e a QPE relacionada a SF.
Pegando como parâmetros:
PT = 8 / 2 = 4 horas (Jornada diária de 8 horas => dois Períodos de Trabalho de 4 horas)
JST= 30 horas
IST= 15% = 1,15
KMsf = 4/30 x 1,15 = 0,23
HECMn = 3,8 horas
Total de Pacientes da Unidade = 20 pacientes
THE = 20 x 3,8 = 76 horas
KMhe = 7/30 x 1,15 = 0, 2683332

TSF = 89
Sítios Funcionais (SF): QPE = KMsf x TSF = 0,23 x 89 = 20,47 Pessoas (20)
Horas de Enfermagem (HE): QPE = KMhe x THE = 0,2683 X 76 = 20,39 Pessoas (*) (20)

Nota 1- (*): A diferença na fração decimal é devida a aproximações matemáticas.
Nota 2 - Quando o SF exigir profissionais com atividades especializadas, isto é,
competência e formação específica a QPE devem respeitar e ser ajustada às demandas da
especialidade.

OBSERVAÇÃO:
Os resultados deverão ser aproximados, exclusivamente, no final dos cálculos, ficando
assim construídos:
= todos os valores iguais ou superiores a 0,5 (cinco décimos) passarão à unidade
inteira imediatamente superior;
= todos os valores iguais ou inferiores a 0,49 (quarenta e nove centésimos) serão
reduzidos à unidade inteira inferior.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


132
EXERCÍCIOS

1. Determine o pessoal de enfermagem necessário para um hospital geral, cujo número de
leitos está baseado na sua capacidade máxima de 240 leitos, assim distribuídos:
· Clínica Médica = 80
· Clínica Pediátrica = 60
· Clínica Cirúrgica = 50
· Clínica Obstétrica = 50
Para efeito de cálculo leve em consideração a Capacidade Máxima de Ocupação por
clínica de 80% (CMO). O percentual do nível de cuidado fica assim estabelecido:
PCM (HE=3,8) PCI (HE=5,6) PCSI(HE=9,4)
Clínica Médica 30% 60% 10%
Clínica Pediátrica 60% 20% 20%
Clínica Cirúrgica 20% 60% 20%
Clínica Obstétrica 30% 60% 10%
Berçário 30% 30% 40%
O hospital dispõe de oito salas de cirurgias, quatro salas de parto e um centro de
recuperação com 10 leitos, 20 leitos no berçário e 8 na UTI.
Utilize para cálculo a Resolução 293. Considere ainda as seguintes variáveis:
· IST = 15% = 1,15
· K
M(30)
= 0,2683
Faça a distribuição por categorias:
Enfermeiros Auxiliares Técnico
PCM + PCI 33% 67% ****
PCSI 42% 58% ****
PCI 52% **** 48%

2. O Hospital da Santa Casa está iniciando um processo de sistematização da assistência
de enfermagem. Para esse fim, escolheu em caráter experimental, a Clínica Médica que
possui 40 leitos, mas sua CMO é igual a 80%. Dispõem ainda de 20 enfermeiros e 35
auxiliares de enfermagem. Para minimizar os custos e melhorar a qualidade da
assistência, o Diretor resolveu reduzir o número de leitos em 25%. Pede-se que seja
determinado o total de pessoal de enfermagem com a CMO de 80%. O percentual de
nível de cuidado fica assim estabelecido: PCM = 30%(HE=3,8); PCI = 60%(HE=5,6) e
PCSI = 10%(HE=9,4).
Considere os seguintes dados:

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


133
· IST = 15% = 1,15
· K
M(30)
= 0,2683
· Faça a distribuição por categorias:
Enfermeiros Auxiliares Técnico
PCM + PCI 33% 67% ****
PCSI 42% 58% ****

3. Um hospital possui uma UTI com 10 leitos para 6 enfermeiros e 10 técnicos de
enfermagem. Quantos enfermeiros e técnicos de enfermagem são necessários para o
hospital funcionar, de acordo com as determinações da Resolução 293 do COFEN?
Quantas pessoas serão preciso contratar ou dispensar?
Considere ainda os seguintes dados:
a) Índice de Segurança Técnica (IST) = 15% = 1,15
b) K
M(30)
= 0,2683
c) HE =17,9
d) Faça distribuição por categorias: Enfermeiros (52%) e Técnicos de Enf. (48%).

4. Uma Unidade de Clínica Médica com 32 leitos e CMO igual a 80%, dos quais 25%
destinam-se a pacientes com assistência mínima (HE=3,8), 50% pacientes com
assistência intermediária (HE=5,6) e 25% para pacientes que necessitam assistência
semi-intensiva (HE=9,4). Calcule o pessoal de enfermagem para a referida unidade, de
acordo com a Resolução COFEN 293, considerando os seguintes dados:
· Índice de Segurança Técnica (IST) = 15% = 1,15
· K
M(30)
= 0,2683
· Faça a distribuição por categorias:
Enfermeiros Auxiliares Técnico
PCM + PCI 33% 67% ****
PCSI 42% 58% ****

SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS:
1. Distribuição de pessoal por categorias nas respectivas Unidades de Internação:
Enfermeiros Aux./Téc. de Enfermagem
Clínica Médica 32,3=32 61,2=61
Clínica Pediátrica 24,6=25 43,3=43
Clínica Cirúrgica 23,1=23 41,3=41
Clínica Obstétrica 20,1=20 38,3=38

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134
Unidade de Recuperação 10,6=11 14,6=15
Berçário 13,5=14 21,8=22
UTI 20 18,4=18
TOTAL DE PROFISSIONAIS 145 238

2. Enfermeiros = 12,1 = 12 e Auxiliar de Enfermagem = 22,9 = 23
3. Enfermeiros = 25 e Técnicos de Enfermagem = 23
4. Enfermeiros = 15,3 = 15 e Auxiliar de Enfermagem = 26,7 = 27

5. ESCALA DE SERVIÇO

Chama-se escala de serviço ou escala de folgas, a representação tabular e funcional
do escalonamento programado de períodos em que o servidor estará desenvolvendo suas
atividades e de períodos de folgas no decurso de um mês
3, 4
.
A técnica de elaboração da escala é bastante diversificada. No entanto, devem ser
consideradas algumas observações preliminares, tais como:
a) Conhecimento das leis trabalhistas:
· A jornada de trabalho, de acordo com o contrato de trabalho, deve está compatível
com a legislação vigente.
· Os plantões noturnos não deverão exceder a 12 horas.
· Os servidores com 50 anos ou mais de idade e/ou 20 anos ou mais de exercício
profissional deverão ser dispensados das escalas de plantão noturno.
· O servidor tem direito a, no mínimo, um dia ou 24 horas de descanso semanal, que
deve ser remunerado e preferencialmente no domingo, exceto quando a atividade
profissional exija trabalho aos domingos. Nesse caso, o servidor terá direito a pelo
menos um domingo a cada sete semanas.
· O número de folgas deve ser igual ao número de domingos e feriados não
coincidentes.
b) Conhecimento do regulamento da instituição, do regimento do serviço de enfermagem
e das atribuições de cada categoria profissional da equipe de enfermagem.
c) Conhecimento da duração semanal de trabalho do pessoal de enfermagem na
instituição que pode ser 20h, 24h, 30h, 32,5h, 36h, 40h ou 44 horas.
d) Conhecimento das características da clientela, da dinâmica da unidade e da equipe
de enfermagem.
e) Humanização na elaboração da escala:
· As características individuais e as solicitações especiais devem ser observadas.
· A escala sempre apresenta um caráter de continuidade em relação ao mês anterior.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


135

1.1 Recomendações para elaboração da escala mensal
(a) Informações impressas na escala:
= Nome da instituição.
= Unidade de referência.
= Período (mês/ano).
= Nome dos funcionários e função.
= Dias do mês.
= Nomes e assinatura do gerente da unidade.
(b) Usar código para o escalonamento dos turnos: M (manhã), T (tarde), N (noturno) e F ou
– (traço) para indicar folga. Também podem ser usados números: 1 = M, 2 = T e 3 = N.
Alguns gerentes de enfermagem utilizam números e letras. Por exemplo: 1, 2, N e um
traço (folga).
(c) Certifica-se do número de folgas correspondentes ao mês, registrando-o no rodapé da
escala.
(d) Anotar, na margem direita da escala, o número de folgas que, porventura, o funcionário
tenha em haver ou que esteja devendo, mediante consulta da escala anterior.
(e) Verificar o dia da última folga do mês anterior, para que não haja período maior de sete
dias consecutivos sem folgas.
(f) Observar se o retorno do funcionário de férias incide em dia útil.
(g) Consultar a escala anterior para verificar o último plantão noturno em que o funcionário
trabalhou no mês.
(h) Procurar distribuir as folgas em domingos e feriados de forma eqüitativa entre os
funcionários.

1.2 Método para elaboração da escala.
Na elaboração da escala algumas etapas devem ser seguidas para melhor distribuir o
pessoal. As etapas são as seguintes:
I. Faz-se a distribuição dos plantões noturnos em sentido diagonal, da esquerda para a
direita.
II. Inicialmente, dá-se preferência à distribuição dos casos especiais ou solicitações
excepcionais, a fim de ajustar melhor as necessidades do serviço com os interesses
dos profissionais.
III. Distribuem-se os casos independentes, ou seja, aqueles profissionais que não têm
preferências na escala.

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136
IV. Todos os profissionais de enfermagem deverão ter igual número de horas mensais.
V. Após o escalonamento dos plantões noturnos, faz-se um intervalo para o próximo
escalonamento, em torno de 24 a 48 horas.
VI. O cálculo das operações matemático se procede da seguinte maneira:
O Soma-se o total de plantões noturnos com as horas escalonadas por cada
profissional da equipe de enfermagem.
Por exemplo:
Se Maria foi escalada no mês para trabalhar 05 plantões noturnos. E José foi escalado
para trabalhar 06 plantões noturnos. Então teremos a seguinte operação:
Considerando N = 12 h, logo para N = 5, temos: 12 x 5 = 60 horas noturnas.
Em seguida, subtrai-se o total de plantões noturnos/horas da carga horária mensal de
trabalho.
Por exemplo: se no mês temos 22 dias úteis, a carga horária mensal para um hospital,
com regime de 6 horas diárias, será igual a 132 horas. Portanto, se Maria está escalada
para trabalhar 05 noturnos, terá uma carga horária de 60 horas. Logo, 132 – 60 = 72 horas.
Isso corresponde às horas que Maria precisa trabalhar para complementar a carga horária
do mês, que deverá ser diurna.
O resultado dessa operação divide-se por 6:
72 ÷ 6 = 12 diurnos que serão distribuídos nos turnos da manhã ou tarde.

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138
6. O SERVIÇO DE ENFERMAGEM E A GESTÃO DE PESSOAL

Administrar pessoas não é tarefa fácil. Ao contrário, é uma atividade complexa, porque
se trata de comportamentos individuais que precisam ser coordenados, a fim de alcançar os
objetivos organizacionais.
No campo hospitalar, a figura básica em que os objetivos de trabalho estão
centralizados é o paciente. Assim sendo, ele deve receber uma assistência integral e
humanizada no hospital. Mas, para que este processo aconteça, alguns princípios devem
ser seguidos pelo administrador. Maudonnet
4
faz as seguintes recomendações:
+ trabalhe com pessoas;
+ estabeleça altos e reais padrões para seus subordinados;
+ estabeleça um clima de cooperação entre todos;
+ saiba para onde vai;
+ defenda seu pessoal;
+ delegue autoridade;
+ aceite com naturalidade certas críticas e rivalidades;
+ tome decisões certas e não “populares”;
+ admita falha humana.
Além desses princípios, que merecem ser lembrados, Gonçalves
2
, analisando a
administração de recursos humanos no contexto organizacional, afirma que se trata de um
conjunto de atividades capazes de garantir o alcance dos objetivos definidos originalmente,
com a menor intensidade de esforço e de conflito interpessoal, para o que se exige amplo
espírito de cooperação e acentuado interesse pelo bem-estar de cada integrante da
organização.
Administrar pessoas implica planejamento, provisão, organização, direção,
coordenação e pesquisa. Tais aspectos exercem influência no ambiente e nas pessoas,
porque constituem a própria essência da administração.
É conveniente lembrar que o gerente de enfermagem para desempenhar bem o seu
papel deve possuir uma série de qualidades:
- capacidade para conviver e trabalhar com outras pessoas;
- capacidade para saber ouvir, examinar e conciliar;
- coragem para assumir riscos, tomar decisões e mantê-las;
- elevado caráter moral;
- elevado controle emocional;
- facilidade de comunicação e elevada capacidade para motivar a equipe de trabalho
que dirige;
- ser constante e justo sem se tornar rígido;


139
- ser dotado de liderança, iniciativa, lealdade e espírito público.
Não se pretende, com a apresentação desses atributos, traçar o perfil de super –
gerente de enfermagem. Mas, eles devem ser considerados como indispensáveis para
quem administra pessoas. É importante frisar que o enfermeiro – gerente precisa ter a
capacidade de avaliar as pessoas que dirige segundo suas personalidades, seus interesses
e suas capacidades, com o objetivo de proporcionar oportunidades reais de satisfação no
trabalho. É imprescindível a capacidade de saber delegar atividades, descentralizando
responsabilidades e criando um clima de confiança entre o pessoal que, sem dúvida,
retribuirá com atitudes amigáveis, espírito de iniciativa e colaboração dos integrantes da
equipe.
Segundo Cuaron citado por Gonçalves
2
, o ânimo dos empregados mantém-se alto
quando estão convencidos de que conservarão seu emprego, enquanto continuarem
realizando-o de modo satisfatório; seu supervisor reconhece neles seres humanos e os trata
como tal; têm oportunidade de serem ouvidos, quando consideram que foram tratados
injustamente; a administração está interessada em seu bem-estar e progresso; seu trabalho
é importante; conhecem toda a entidade para qual trabalham e os serviços que ela executa;
a chefia justifica sua falta, quando há razão, mas aplicam-lhes sanções, quando tal falta não
se justifica; têm oportunidade de progredir no seu trabalho; suas sugestões são bem
recebidas; a organização é bem conceituada na comunidade.
O gerente do serviço de enfermagem é o responsável pelo nível de motivação e
satisfação no grupo, que existirá quando conseguir harmonizar os interesses do grupo com
os objetivos da instituição. Isso é a chave para uma administração de pessoal conduzida
para o sucesso.

7. FUNÇÕES DO GERENTE DE PESSOAL NO SERVIÇO DE ENFERMAGEM

O serviço de enfermagem tem participação direta com as funções básicas da
administração de recursos humanos, compreendendo basicamente três funções:
· função de procura;
· função de desenvolvimento;
· função de pesquisa.
Para facilitar a análise das funções exercidas na administração de pessoal, serão
consideradas apenas as três citadas, uma vez que envolve o processo administrativo do
serviço de enfermagem.





140
a) Função de Procura
Essa função engloba as atividades de localização, recrutamento e seleção. A
enfermagem participa desse processo desde a descrição do perfil do ocupante do cargo até
o processo seletivo. Essa caracterização parte inicialmente da necessidade de
preenchimento de vagas em determinada unidade de enfermagem, cujo gerente utiliza
procedimentos matemáticos, para calcular a necessidade real e ideal de pessoal.
Logo em seguida, procede-se ao recrutamento, a cargo de uma comissão designada
pela administração superior, que terá a participação do gerente da unidade e enfermeiros
que estabelecerão critérios para selecionar o melhor candidato.
A partir daí, passam a ser divulgadas informações no mercado de trabalho, acerca da
existência de vagas que deseja preencher. Essa divulgação do interesse da organização por
candidatos denomina-se de recrutamento. Em seguida, através de um processo avaliativo
são escolhidos aqueles que apresentam mais aptidão ou capacidade. A esse conjunto de
procedimentos denomina-se seleção.
No processo seletivo a equipe de enfermagem é responsável pela elaboração da
prova de conhecimentos, que deve seguir o esquema abaixo.
Ao elaborar as provas de conhecimentos em forma de questionário, o enfermeiro –
gerente deve considerar aqueles conhecimentos indispensáveis para o exercício do cargo e
aqueles que são úteis de forma direta ou indireta.
Além disso, o enfermeiro deve participar da entrevista com os candidatos ao cargo.
Trata-se de um momento muito importante, pois é a oportunidade de se obterem
informações diretas do candidato, possibilitando ao entrevistador concluir se ele está ou não
em condições de ocupar o cargo.
Gerais
Quanto ao conteúdo
Específicos

Prática (específica)
Conhecimento Teórica (específica / geral)

Dissertativa
Escolha múltipla
Quanto à forma Escrita Resposta simples
Questionário
Escolha simples
Complementação

Oral



141
Mas, para obter as informações necessárias, o entrevistador deve seguir alguns
princípios, a seguir delineados:
× usar linguagem adequada;
× evitar o “inquérito policial” e a invasão da privacidade;
× evitar perguntas tipo “armadilha”;
× evitar opiniões;
× evitar a tendência de classificar o candidato como “péssimo” ou “excepcional”;
× evitar tomar muitas notas durante a entrevista;
× permitir a abertura do candidato sem, contudo, desviar-se de seu objetivo;
× garantir a quebra da tensão inicial;
× ouvir atentamente o candidato e demonstrar interesse pelo que é dito;
× tratar o entrevistado como amigo, para que ele se sinta à vontade.
Para Maudonnet
4
, a entrevista deve ser desenvolvida em ambiente propício, que
apresente as seguintes condições:
× conforto mínimo;
× tranqüilidade para não permitir interrupções;
× garantia do sigilo;
× tempo suficiente;
× programação prévia definida.
Com relação ao conteúdo da entrevista, Chiavenato citado por Mezomo
5
, apresenta
alguns pontos que devem ser lembrados:
♦ estabilidade;
♦ conhecimento e/ou experiência;
♦ perseverança;
♦ iniciativa e autosuficiência;
♦ lealdade;
♦ convívio;
♦ aparência;
♦ liderança;
♦ motivação;
♦ maturidade emocional;
♦ criatividade;
♦ produção;
♦ fluidez verbal;
♦ curiosidade intelectual.


142
Já Maudonnet
4
, aponta o “Plano dos sete pontos”, que é um método formal que busca
obter todas as informações necessárias. Os sete pontos são:
1. Qualidade física.
2. Conhecimento.
3. Inteligência genérica.
4. Atitudes particulares.
5. Interesses.
6. Disposição.
7. Circunstâncias.

b) Função de desenvolvimento

Em linhas gerais, essa função visa capacitar cada vez mais o funcionário para o
exercício de funções mais complexas e de crescente responsabilidade, em nível hierárquico.
Para tanto, é indispensável à orientação e o treinamento sistemático para o êxito de
qualquer programa de relações humanas no trabalho e no ajustamento do indivíduo ao
cargo.
A orientação deve ser uma atividade constante na prática administrativa do gerente
que tem seu início quando do ingresso do funcionário no serviço. O gerente deve acolher
pessoalmente o novo funcionário e com palavras de incentivo explicará o trabalho que lhe
será confiado. Em seguida, deve apresentá-lo aos seus colegas de trabalho, com os quais
ele terá, de início, maior contato pessoal.
De acordo com Mezomo
5
, a orientação deve seguir um planejamento, a fim de atingir
os seguintes objetivos:
1. Produzir um sentimento de identificação do funcionário com o serviço, mostrando-lhe a
importância do trabalho que irá fazer e tornando-o orgulhoso de trabalhar pela instituição.
2. Ajudá-lo a conquistar a aceitação dos seus colegas e entrosá-lo no grupo de trabalho.
3. Dar-lhe uma visão clara e compreensível, embora geral, de tudo quanto ele deve
conhecer, ou seja:
♦ objetivos e políticas gerais;
♦ normas e regulamentos;
♦ pagamento, benefícios e política de pessoal;
♦ funções e responsabilidade de cada um;
♦ relações com os colegas;
♦ facilidade e rotinas.
O outro aspecto fundamental na função de desenvolvimento é o treinamento. Para
Serson
7
, o treinamento é um conjunto de processos pelos quais se dão ou se aperfeiçoam


143
conhecimentos para o trabalho. Trata-se, pois, de um esforço planejado e organizado para
auxiliar os indivíduos a desenvolverem suas capacidades. Em outras palavras, é a busca da
melhoria da performance do exercício profissional. Para isso, é necessária uma contínua
comunicação, a fim de harmonizar a satisfação das necessidades entre o empregado e seu
chefe.
Na verdade, o treinamento visa sempre o atendimento de determinadas necessidades
da empresa, que podem ser a priori ou a posteriori. Segundo Chiavenato
1
, os fatos que
determinam a necessidade de treinamento a priori são:
· admissão de novos funcionários;
· redução do número de funcionários;
· mudança de métodos e processos de trabalho;
· substituição ou movimentação de pessoal;
· faltas, licenças e férias do pessoal;
· expansão de serviços;
· mudanças nos programas de trabalho ou de produção;
· modernização do maquinário;
· produção e comercialização de novos produtos ou serviços.
Os fatos que determinam as necessidades de treinamento a posteriori em relação à
produção, são:
· baixa produtividade;
· avarias freqüentes em equipamentos e instalações;
· comunicações defeituosas;
· tempo de aprendizagem e integração no cargo muito prolongada;
· despesas excessivas;
· elevado número de acidentes;
· pouca versatilidade dos empregados;
· mau aproveitamento do espaço disponível.
Em relação ao pessoal, deve-se observar o seguinte:
· relações deficientes;
· número excessivo de queixas;
· pouco ou nenhum interesse pelo trabalho;
· falta de cooperação;
· faltas e substituições em demasia;
· dificuldades na obtenção de bons elementos;
· erros na execução de ordens.
Na realidade, a necessidade de treinamento é determinada pela diferença entre o
conhecimento necessário para o trabalho e o que a pessoa possui. Para que o treinamento


144
possa ser estabelecido, as seguintes perguntas deverão ser respondidas: Quem deve ser
treinado? O quê? Quando? Onde? Como? Por quem? Qual o custo desse processo?
Genericamente, o processo de treinamento compreende duas fases fundamentais: o
planejamento e a execução.
a) Fase de planejamento. Envolve os seguintes aspectos:
× abordagem de uma só necessidade específica de cada vez, de preferência
hierarquizada;
× definição do objetivo do treinamento;
× divisão do trabalho;
× determinação dos recursos humanos e materiais;
× determinação das pessoas a serem treinadas:
· número;
· grau de habilidade;
· como? onde? quando? por quem treiná-los?
× determinação da seqüência de operações;
× cálculo do tempo gasto em sua execução;
× estudo do controle de execução e do acompanhamento.
b) Fase de execução - é fundamental e deve obedecer às seguintes etapas:
♦ preparo do aluno;
♦ apresentação do trabalho;
♦ execução do trabalho pelo empregado;
♦ acompanhamento.
A aprendizagem é um processo contínuo. O indivíduo está sujeito a modificações
oriundas das novas situações que exigirão novas atitudes, técnicas, interesse e capacidade,
havendo consequentemente a necessidade de novo treinamento para aperfeiçoá-lo.
Para que se possa atingir êxito no treinamento, alguns fatores merecem ser
considerados:
O adequação do programa às necessidades da empresa;
O qualidade do material de treinamento;
O cooperação e interesse do pessoal, gerentes e dirigentes;
O qualidade e preparo dos instrutores;
O características dos aprendizes.


Nesse mesmo contexto, alguns métodos devem ser utilizados, de acordo com a
necessidade, para auxiliarem no bom desempenho do treinamento. São os seguintes:


145
= demonstração;
= palestras e aulas;
= projeções;
= método do caso;
= instrução individual ou de grupo;
= estágio supervisionado;
= cursos internos e externos;
= aprendizagem por observação.
O treinamento deve ser ministrado pelo chefe imediato, pelo supervisor ou ainda, por
um indivíduo especialmente designado.
A última etapa do processo de desenvolvimento é uma decorrência da etapa anterior
que consiste na avaliação do treinamento. Entende-se por avaliação o processo que atinge
o empregado quanto ao seu nível de aproveitamento e ao treinamento como todo. Daí a
necessidade de verificar se os objetivos e os conteúdos correspondem às necessidades do
serviço. De qualquer forma, é bom que se tenha um registro da situação e necessidades
antes de iniciar o curso, para posteriormente observar a realização e comparar os
resultados.
Assim, após o retorno ao trabalho, podem-se investigar quais das informações
recebidas no treinamento provaram ser mais úteis e se ocorreram modificações de
comportamento. Um reexame do curso poderá ser feito em três etapas:
+ logo após o curso;
+ passados seis meses;
+ após um ano, a fim de confirmar sua validade ou ainda, discutir sua reaplicação.

c) Função de pesquisa

Trata-se, nesse caso, de procurar conhecer problemas e, em seguida, propor
soluções. Ou seja, é preciso investigar e realizar um diagnóstico da situação. Essa função
visa escolher as melhores alternativas na solução dos problemas que possibilitem o
aperfeiçoamento do desempenho individual e organizacional.


8. AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO



146
Quem gerencia recursos humanos deve ter uma preocupação constante com o
desenvolvimento dos seus funcionários. O treinamento é importante para se obter o melhor
desempenho no trabalho, porém, isso por si só não basta. Deve ser acompanhado de uma
constante avaliação do trabalho. Aliás, muitas pessoas sentem necessidade de conhecer
seu desempenho, se foi bom, regular ou deficiente.
No entanto, não é fácil avaliar, porque falta o preparo adequado para quem avalia,
falta sistematização, objetividade e comunicação. Além disso, a avaliação é direcionada
mais para os resultados do que para as causas comportamentais do empregado. Como,
então, avaliar? A avaliação não deve ser superficial, esporádica e subjetiva, mas sim,
sistemática, objetiva e profunda, visando medir a capacidade de desempenho do funcionário
nas funções exercidas e as responsabilidades que caracterizam o cargo que ele ocupa.
É importante ressaltar a afirmativa de Tiffin; McCormick citado por Gonçalves
2
: “a
avaliação de desempenho é uma avaliação sistemática de empregados feita por seus
supervisores ou outros que estão familiarizados com seu desempenho de trabalho”.
O principal objetivo da avaliação de desempenho é conhecer, a fim de:
+ melhorar o desempenho;
+ desenvolver o pessoal;
+ fornecer subsídios que determinem a necessidade de treinamento;
+ aproveitar melhor o potencial humano;
+ melhorar as relações humanas no trabalho;
+ readaptar o profissional;
+ fornecer bases para o futuro planejamento;
+ manter a administração informada sobre fatos importantes;
+ caracterizar o grau de dedicação do empregado;
+ facilitar o progresso do funcionário na instituição.
Além desse objetivo elementar e prático, a avaliação de desempenho abrange três
aspectos básicos, formando um tríplice papel no processo avaliativo:
a) O avaliador deverá:
= conhecer seu subordinado;
= estar treinado para avaliar;
= manter objetivos prefixados bem definidos;
= verificar resultados.

b) O avaliado deverá:
= ter pleno conhecimento dos critérios adotados;


147
= aceitar a avaliação;
= participar ativamente do processo.
c) O trabalho feito naquele momento.
Procurando sistematizar o processo, Serson citado por Gonçalves
2
, propõe quatro
fatores de avaliação a serem utilizados:
· quantidade de trabalho;
· qualidade do trabalho;
· características da personalidade;
· conduta formal.
Naturalmente cada um desses fatores deverá ser considerado de maneira adequada,
segundo o nível hierárquico do cargo, as características da função exercida, o perfil do
ocupante, além de outros.
Há, portanto, uma significação para cada fator considerado. O avaliador deve analisar
como ponto de partida, a quantidade de trabalho que poderá ser apreciado segundo o seu
volume (produtividade, quando houver relação com alguma unidade de tempo, hora, dia,
semana, mês, rapidez, esforço exigido). Em seguida, avaliará a qualidade do trabalho, cujos
critérios serão diferenciados, conforme a situação exercida pelo funcionário no cargo que
ocupa na organização.
Quanto às características de personalidade, deverão ser considerados os seguintes
aspectos: iniciativa, responsabilidade, assiduidade, pontualidade, criatividade, postura física,
capacidade de liderança, capacidade de trabalhar em equipe, conhecimento de
procedimentos, capacidade de relacionamento com o paciente e/ou familiares, aceitação de
orientação, comunicação oral e escrita, organização no serviço e disponibilidade para o
trabalho.
Importa, por último, lembrar alguns princípios que devem ser seguidos na avaliação,
de acordo com Mezomo
5
:
· ter clareza a respeito dos fatores com relação aos quais o empregado será avaliado;
· fazer a avaliação comparativa, quando possível;
· não pensar em termos de “tudo ou nada”;
· evitar os erros, tanto da “compaixão” quanto do “meio termo”;
· evitar a “generalização”;
· evitar julgamentos estereotipados;
· ter respeito pela pessoa humana;
· avaliar o desempenho, de acordo com as características de cada tarefa.
Além de tudo o que foi apresentado, resta ainda mencionar os muitos sistemas de
avaliação, que podem ser:


148
a) Entrevista.
b) Preenchimento da ficha de avaliação.
c) Observação direta do supervisor.
d) Auto-avaliação do funcionário.
É interessante observar a confecção de um instrumento de avaliação, que deverá
conter, basicamente:
a) Identificação: trata-se de identificar a pessoa avaliada.
b) Instruções: são todas as informações necessárias ao preenchimento da ficha de
avaliação, a fim de orientar e esclarecer acerca dos objetivos do processo.
A ficha, propriamente dita, poderá ser montada de várias formas, tais como:
a) Perguntas em aberto.
b) Frases relativas ao desempenho.
c) Conceitos que serão assinalados.
Outro momento importante no processo de avaliação é a entrevista, cujos objetivos
principais são:
e estabelecer melhores relações de trabalho;
e reconhecer o bom desempenho dos funcionários e incentivá-los a melhorar ainda
mais;
e discutir as áreas em que o desempenho pode melhorar;
e planejar, com o avaliado, um programa de auto-aperfeiçoamento;
e desenvolvê-lo para funções mais elevadas;
e colocar-se à sua disposição para ajudá-lo em seu autodesenvolvimento.
Para a entrevista atingir seus objetivos, deve ser planejada e preparada
cuidadosamente, definindo-se um roteiro com as principais perguntas que se pretende fazer
e as questões que serão discutidas. Antes de iniciar a entrevista, o entrevistador deve reunir
todos os elementos necessários a respeito do funcionário e estudar sua ficha individual.
De acordo com Maudonnet
4
, no decorrer da entrevista, devem ser observados alguns
critérios, tais como:
a) esperar que o funcionário estivesse pronto para conhecer seu desempenho;
b) apresentar primeiramente as boas qualidades, cumprimentando-o pelo esforço;
c) apresentar, em clima favorável e de forma objetiva, os pontos negativos, esclarecendo-
os com exemplos concretos;
d) estar pronto para ouvir todos os esclarecimentos do avaliado;
e) estar atento a detalhes importantes, solicitando esclarecimentos;
f) dar atenção às reações do avaliado;
g) registrar todas as informações.


149
Não se pode dizer, todavia, que a entrevista se desenvolve num clima de tranqüilidade
e harmonia, havendo às vezes, muitas dificuldades. Por exemplo, o funcionário discorda de
tudo, emociona-se com facilidade ou é muito sensível a críticas. No entanto, o entrevistador
é o responsável pela condução do processo, no sentido de realizar os maiores
esclarecimentos possíveis.
Em conclusão, pode-se afirmar que o êxito da entrevista resulta numa mudança de
atitudes no avaliado. Por esse motivo, a entrevista é considerada o ponto chave para
provocar mudança de comportamento e encorajar o desejo do auto-aperfeiçoamento.
Quando o gerente age de modo construtivo, o funcionário aceita sua orientação e busca
apoio para o seu desenvolvimento.

RESUMO

1. A Lei n.º 7.498, de 25 de junho de 1986, regulamenta o exercício da profissão de
Enfermagem, determinando as funções e atribuições de cada categoria profissional.

2. A Resolução COFEN-293 estabelece parâmetros para dimensionamento do quadro de
profissionais de Enfermagem nas instituições de saúde.

3. A escala de serviço é a representação tabular do escalonamento programado de
períodos em que o servidor estará desenvolvendo suas atividades e de períodos de
folgas no decurso de um mês. Sua elaboração obedece a alguns princípios legais,
baseados na legislação trabalhista e nas normas institucionais.

4. A avaliação do desempenho de pessoal deve ser uma preocupação constante da
administração do serviço de enfermagem, a fim de melhorar a qualidade do trabalho.












150
QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO

1. O que compete ao enfermeiro, de acordo com a Lei n.º 7.498/86?
2. Que princípios o administrador deve observar na gerência de pessoal?
3. O que é Sistema de Classificação de Pacientes – SCP?
4. Cite e explique as categorias de pacientes por complexidade assistencial?
5. Quais os direitos e deveres do profissional de Enfermagem?
6. Quais as qualidades que o administrador deve possuir na gerência de pessoal?
7. Quais as atribuições do enfermeiro na gerência do pessoal de enfermagem?
8. Explique a necessidade de treinamento como função de desenvolvimento.
9. Explique a função de procura.
10. Explique a função de pesquisa.
11. O que é avaliação de desempenho?
12. Quais os principais objetivos da avaliação de desempenho?
13. Mencione os critérios que devem ser observados no transcorrer de uma entrevista.
BIBLIOGRAFIA
1. CHIAVENATO, I. Administração de pessoal. Apostila do curso de administração
hospitalar para graduados, p. 112-3, s/d.
2. GONÇALVES, EL. Administração de recursos humanos nas instituições de
saúde. São Paulo: Pioneira, 1987.
3. MARTINS, MLR. O serviço de enfermagem: organização e administração. São
Paulo: CEDAS, 1983, p. 22 – 31.
4. MAUDONNET, R. Administração hospitalar. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1988.
p. 105 – 114.
5. MEZOMO, JC. Administração de recursos humanos no hospital. São Paulo:
CEDAS, 1981.
6. RIBEIRO, ABC. Administração de pessoal nos hospitais. São Paulo: FENAME,
1977.
7. SANTOS, SR. Cálculo de pessoal de enfermagem: estudo de dois métodos. Rev.
Esc. Enf. USP, v. 26, n. 2, p.137 – 54, Ago., 1992.
8. SERSON, J. Curso básico de administração de pessoal. São Paulo: LTR, 1971.
p. 293.
9. A lei do exercício da enfermagem. Revista Hospital – Administração e Saúde. 4º
Bimestre, v. 10, n. 40, 1986.
10. Resolução COFEN-293/2004.




151











CAPÍTULO 8
Qualidade total no serviço de Enfermagem











Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


152
1. CONCEITOS DE QUALIDADE

O tema qualidade é hoje um dos assuntos mais comentado nos congressos,
simpósios, encontros e seminários de enfermagem. Os manuais de administração também
têm contribuído para uma ampla divulgação do termo qualidade.
Mas, o que vem a ser “qualidade”?
Juran citado por Mezomo
9
, afirma que qualidade é “satisfação (do cliente) e ausência
de defeitos”. Para Crosby, é “conformidade com as exigências (e expectativas) do cliente”.
Segundo Deming, “é sentir orgulho do que se faz”. Finalmente, para Chiavenato
5
, qualidade
significa conformidade e adequação com relação ao que o usuário ou cliente espera. Na
verdade, o conceito de qualidade é muito subjetivo e depende particularmente da
mentalidade das pessoas e da sua percepção de qualidade. Pode-se afirmar que a cultura
da organização é capaz de influenciar tanto na teoria quanto na prática da qualidade do
serviço ou da produção. Nesse sentido, o usuário ou cliente é o elemento que mantém a
relação de interdependência com a organização e representa a resposta afirmativa ou
negativa da qualidade do produto ou do serviço que recebe. Ou seja, deve haver uma
recíproca satisfação (organização - consumidor).
É aqui onde a qualidade pode caracterizar-se como um elemento importante. Sua
busca deve ser feita através das pessoas. Por isso, é necessário criar uma nova
mentalidade de trabalho que atenda as necessidades do cliente. A qualidade exige uma
mobilização interna organizada e sistemática, para realizar o que foi prometida ao cliente,
com menor margem de desvio e com maior eficácia
5
.
A qualidade tem sua origem nos ensinamentos do professor W. Edwards Deming,
nascido nos Estados Unidos em 1900. Foi durante a 2ª Guerra Mundial que teve
oportunidade de aplicar, ensinar e desenvolver suas teorias. Todavia, Deming não foi
reconhecido no seu país. Em 1947, viajou ao Japão para planejar o Censo Japonês. Em
1950, a convite de um grupo de cientistas e engenheiros, voltou ao Japão com a missão de
“reconstruir” o país. O trabalho seguinte foi feito com 21 dos maiores empresários
japoneses. Desenhou, num quadro-negro, um fluxo que ligava o fornecedor ao consumidor e
convenceu-os de que sua responsabilidade era agregar qualidade à matéria-prima e,
sobretudo, pensar no cliente, como a parte mais importante do processo de produção
13
.
Deming pregava uma teoria estranha: “quanto maior for a qualidade, menor serão os
custos de produção”. A busca dessa qualidade deve ser feita passo a passo, durante todo o
processo de trabalho, e não apenas na inspeção final. São suas as seguintes idéias: é
preferível o trabalho em equipe ao individual; as avaliações individuais de desempenho são
instrumentos desagregadores dos grupos nas empresas; acabem com a administração por
objetivo (APO); as pessoas podem produzir melhor quando não se sentirem coagidos a

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


153
alcançar metas; ao invés de chefes, precisa-se de líderes; quebrem as barreiras entre os
escalões hierárquicos e paredes que separam as pessoas; eliminem o medo no trabalho: o
medo de se acidentar, o medo de errar e o medo de ser demitido; fomentem o orgulho pelo
trabalho bem feito; persigam o aperfeiçoamento constante; por melhor que esteja um
processo, ele ainda pode ser aperfeiçoado
13
.
As teorias de Deming provocaram uma verdadeira revolução, sem armas ou bombas,
na conjuntura japonesa que floresceu e produziu resultados. O Japão hoje é um país com
avançada tecnologia e economicamente forte.
Aqui estão os 14 pontos do Método Deming de administração:
1. Estabelecer a constância de finalidades para melhorar o produto e o serviço.
2. Adotar a nova filosofia: qualidade.
3. Acabar com a dependência da inspeção em massa.
4. Cessar a prática de avaliar as transações com base nos preços.
5. Melhorar constantemente o sistema de produção de serviço.
6. Instituir o treinamento em serviço, de forma permanente.
7. Instituir a liderança.
8. Afastar o medo.
9. Eliminar as barreiras entre as áreas e o meio.
10. Eliminar slogans, exortações e metas para os empregados.
11. Eliminar as cotas numéricas.
12. Remover as barreiras ao orgulho da execução.
13. Instituir um sólido programa de educação e aperfeiçoamento.
14. Agir no sentido de concretizar a transformação.

2. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA QUALIDADE

a) O trabalho produtivo realiza-se através de processos. Ou seja, cada funcionário executa
uma etapa do trabalho que se complementa existindo, portanto, uma interdependência
de tarefas. Assim, se cada elemento do processo produtivo melhorar a qualidade do seu
trabalho, será obtido a qualidade desejada. Isso se aplica também aos serviços de
saúde, onde o paciente é assistido por uma equipe multiprofissional.
b) A administração da qualidade está centrada no cliente. Entende-se por cliente todas as
pessoas de dentro e de fora da organização. No hospital, por exemplo, são clientes os
pacientes e seus familiares (clientes externos), além dos médicos, enfermeiros e demais
funcionários (clientes internos). Daí a necessidade de se trabalhar com qualidade,
através de medidas que atendam as necessidades dos clientes, tanto no nível externo
quanto no interno.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


154
c) O envolvimento das pessoas na execução do trabalho com qualidade. O processo de
melhoria da qualidade exige participação integral de todos os componentes da
organização. No hospital, por exemplo, o paciente não é assistido apenas por um
profissional, mas por dezenas de pessoas que vão constituir o sistema de saúde. Se
cada indivíduo estiver consciente da importância da qualidade do seu trabalho para o
bem – estar do cliente, pode-se ter a melhoria da qualidade de um hospital. Todavia,
qualidade não se faz isoladamente, embora seja uma prática comum nos serviços de
saúde. O envolvimento das pessoas precisa ser bem entendido. O envolvimento é um
processo de transformação da cultura organizacional para utilizar a energia criativa de
todos os funcionários na solução dos problemas e na obtenção de melhorias. Trata-se
de um processo demorado, onde as pessoas precisam ser treinadas e encorajadas a
adotar a nova cultura de melhoria continuada
11
.

3. QUALIDADE EM SERVIÇO DE ENFERMAGEM

O serviço de enfermagem tem características próprias que o distinguem dos outros
serviços no hospital. Assim, em termos de qualidade, deve ser pensado e tratado de forma
diferenciada.
Dentre estas características próprias, podem ser citadas as seguintes:
(a) O objetivo da enfermagem é cuidar do paciente na sua dimensão biopsicossocial em
todos os níveis de cuidados, o que torna o trabalho da enfermagem bastante complexo
e singular.
(b) A enfermagem é uma das profissões da área de saúde que apresenta uma variedade
de categorias no seu quadro funcional: auxiliar de enfermagem, técnico de enfermagem
e o enfermeiro. Cada nível de função tem sua competência estabelecida na lei do
exercício profissional.
Portanto, o cliente é assistido por fragmentos da enfermagem que precisam estar em
consonância com a visão de qualidade na assistência de enfermagem. Se algum membro
da equipe de enfermagem não se envolver com a busca da qualidade, o processo de
trabalho estará comprometido.
(c) A enfermagem está presente, em plena atividade no hospital, durante 24 horas.
(d) A enfermagem é uma profissão eminentemente feminina. Esta característica favorece
as taxas de absenteísmo e de rotatividade. Todavia, devem ser levadas em
consideração as especialidades da equipe de enfermagem.
(e) Os clientes nem sempre são informados sobre as distinções do pessoal de
enfermagem. Nem se quer percebem a diferença de cuidados prestados entre o

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


155
pessoal da equipe de enfermagem. Para a maioria deles, qualquer mulher de branco,
com ou sem touca, é uma “enfermeira”.
Diante do exposto, percebe-se que é preciso trabalhar o pessoal de enfermagem com
habilidade e liderança. Aliás, a enfermagem não está isolada do sistema hospitalar. Todos
os profissionais da saúde precisam se engajar nessa nova mentalidade de fazer saúde com
qualidade. As razões são simples:
O qualidade é um compromisso profissional;
O qualidade faz parte da ética;
O qualidade é trabalho bem feito e satisfação do paciente;
O qualidade é um ato de sensibilidade e respeito pelo paciente;
O qualidade faz o profissional sentir orgulho de superar-se a cada dia;
O qualidade é uma melhoria contínua do trabalho e não tem limites nem fronteiras para
o aprimoramento das ações. No serviço de enfermagem o paciente é o objetivo de ser
da profissão. Logo, é a razão de ser da qualidade e a essência do trabalho da
enfermagem e da organização. Essa perspectiva exige uma nova administração,
voltada para a participação e a responsabilidade coletiva, para a busca de um
aperfeiçoamento contínuo dos integrantes da organização, flexibilidade nos planos e
objetivos. A administração deve focalizar o aprimoramento nos processos e no cliente
ou usuário do serviço – a luz da qualidade está focalizada no binômio
processo/cliente; deve valorizar a criatividade e a inovação em todos os níveis,
potencializando os recursos humanos existentes, por que eles são o maior patrimônio
da organização.

4. IMPLANTAÇÃO DA QUALIDADE TOTAL NO SERVIÇO DE ENFERMAGEM

A implantação do programa de qualidade total em qualquer serviço de uma
organização exige uma imediata aceitação e compromisso da administração superior,
priorizando as ações que efetivamente contribuam para o desenvolvimento da qualidade. A
mudança de mentalidade deve iniciar-se no nível mais elevado da organização, a fim de ser
seguida por todos os subordinados. Todavia, essa mudança de atitude não se consegue em
curto prazo. É um trabalho essencialmente educacional, ou seja, “qualidade é um ato
educativo”. Nesse sentido são necessárias algumas estratégias:
· promover cursos de aperfeiçoamento em todos os níveis e envolver cada servidor da
organização, segundo sua função;
· redesenhar o processo de trabalho, a fim de que cada etapa contribua para a
qualidade final;

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


156
· controlar o desperdício;
· promover estímulos e recompensas às descobertas de erros e problemas que
comprometem a qualidade final do trabalho;
· desenvolver nas pessoas a idéia de que elas são capazes de melhorar o trabalho
diariamente;
· redefinir o papel do enfermeiro na assistência e na gerência dos serviços de saúde.
Segundo, Mezomo
10
, a qualidade total é o novo paradigma da administração. Por isso,
o administrador de cuidados ou serviços de saúde precisa possuir algumas características:
· conhecimento claro do significado de qualidade e da importância dos clientes;
· apoio ao desenvolvimento da qualidade e conhecimento dos instrumentos de sua
monitoração;
· conhecimento do pensamento estatístico e das ferramentas de controle;
· capacidade de mudança;
· liderança;
· criatividade e inovação permanentes;
· humildade;
· busca de novos padrões;
· fortalecimento dos empregados;
· capacidade de ouvir.
Essas características associadas com algumas estratégias são fundamentais para os
preparativos da mudança organizacional, no tocante ao redesenho do processo e à busca
continuada da melhoria do trabalho. É importante esclarecer que a implantação do processo
de qualidade total em qualquer organização exige tempo, paciência, persistência e
dedicação.

5. BUSCA DA PRODUTIVIDADE COM QUALIDADE

A produtividade é hoje tema obrigatório nos eventos de enfermagem. Todavia, a
grande polêmica está na definição de instrumentos que meçam quantitativamente o trabalho
da enfermagem. Por outro lado, a resistência da administração superior em remunerar o
enfermeiro nas atividades de atendimento e cuidados de enfermagem, providência que
contribuiria para elevar a produção da organização, tem causado constrangimentos e
frustrações. Em se tratando de serviço de saúde, deve-se pensar num trabalho de parceria e
cultivar o espírito de equipe. Afinal, o paciente não é atendido apenas pelo médico, mas por
toda uma equipe multiprofissional. Portanto, a busca da produtividade em enfermagem é,
antes de qualquer coisa, um desafio para a categoria.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


157
O incentivo da produtividade é uma forma de remunerar o trabalho do profissional que
consegue fazer mais e melhor com cada vez menos. Isso significa produzir com qualidade.
Essa questão, apesar de ser muito importante para a enfermagem, é pouco discutida
no Brasil. Todavia, algumas considerações podem ser feitas, no sentido de se desenvolver
um programa de produtividade com qualidade.
a) Desenvolver uma ação conjunta com todo o hospital ou serviço de saúde e todo o
pessoal de enfermagem. A busca da produtividade com qualidade não deve ser uma
preocupação apenas da enfermagem, mas de toda organização. Uma ação conjunta é
vital para o envolvimento das pessoas e a criação de um clima organizacional que
possibilite a remoção de vícios e elimine a resistência às mudanças. A parceria entre a
alta administração da organização com o corpo clínico e técnico é fundamental para
legitimar o programa de qualidade. A enfermagem é um componente muito importante
no sistema. Porém, não pode por si só tomar medidas isoladas, pois corre o risco do
insucesso e do não reconhecimento.
b) Desenvolver um ambiente de ampla participação. Segundo Chiavenato
5
, é
indispensável à descentralização da autoridade. As decisões devem ser tomadas no
ponto mais próximo da ação, através da consulta às pessoas envolvidas nas
formulações de objetivos e metas a atingir, na participação, no desenho do cargo e
tarefas e na própria formulação do programa de melhoria da produtividade.
c) Desenvolver um clima de confiabilidade e reciprocidade. O programa de produtividade
com qualidade somente alcançará resultados satisfatórios se for implantado num clima
de mútua confiança e reciprocidade.
Nas organizações hospitalares, o paciente é o núcleo das atenções. Assim, as
relações de trabalho precisam ser gerenciadas sob a perspectiva dos fatores produtores de
motivação, a fim de interagir o trabalhador com a empresa no propósito de melhorar a
qualidade da prestação do serviço de saúde e, portanto, gerar satisfação no trabalho
15
.
d) Desenvolver a criatividade e o espírito de inovação. A produtividade com qualidade
depende muitas vezes de soluções novas, da criatividade e da inovação. É a busca
contínua da melhoria do trabalho e isso implica muitas vezes em fazer as coisas de
maneira diferente.
e) Desenvolver indicadores para a avaliação dos resultados. A produtividade deve ser
avaliada e mensurada por indicadores numéricos. Daí a necessidade de elaborar-se um
instrumento que seja aceito por todos de maneira participativa e consensual.
f) Desenvolver o processo produtivo com eficiência e eficácia.
A eficiência está relacionada diretamente à atividade, enquanto a eficácia com os
resultados alcançados. Segundo Chiavenato
5
, se eficiência é a relação entre a produção e
os resultados alcançados, o programa de produtividade deve utilizar um conceito mais

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158
abrangente – o da efetividade – que constitui o somatório da eficiência e da eficácia. A
efetividade relaciona os recursos inicialmente aplicados com os resultados finalmente
alcançados. A busca de uma maior produtividade no serviço deve vir acompanhada da
qualidade. A qualidade deve ser considerada como a adequação e a conformidade na
relação com o usuário ou cliente e suas expectativas. Nesse sentido, cada pessoa dentro da
organização é responsável direto pela satisfação do usuário ou cliente. É aqui onde a
qualidade tem sua importância, pois exige uma mobilização geral e sistemática das pessoas
para realizar o que foi prometida ao cliente, com a menor margem de desvios ou erros e
com a maior eficácia. Portanto, pode-se afirmar que qualidade é uma questão de
mentalidade e de cultura.
O gerente deve investir pesado no seu ativo fixo – os recursos humanos. A busca
deve ser feita através das pessoas e em todos os níveis e interdependências. A qualidade é
um compromisso de todos em benefício do cliente.
Nos cuidados de saúde, a preocupação com a qualidade visa melhorar a assistência
ao paciente e as condições técnicas de tratamento com menor índice de permanência
hospitalar, resultando em satisfação do usuário.
Mas, o que proporciona satisfação ao cliente hospitalizado, além da qualidade dos
cuidados recebidos pela equipe de saúde? Dentre outros aspectos, podem ser destacados
os seguintes:
= o nível dos resultados obtidos com o tratamento;
= a continuidade dos cuidados intra/extra – hospitalares;
= as expectativas atendidas (em termos de atenção, segurança, organização e
disciplina);
= uma adequada comunicação “enfermeiro – paciente”;
= a competência técnica da equipe de saúde;
= a periodicidade das visitas;
= os cuidados de enfermagem (em termos de competência, pronto atendimento,
delicadeza, clareza nas informações);
= a utilização de tecnologia avançada (como auxiliar no diagnóstico e tratamento das
enfermidades);
= a qualidade dos serviços de apoio clínico;
= um ambiente limpo e higiênico;
= alimentação variada e de boa qualidade;

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159
= uma administração competente, comprometida com a qualidade e a satisfação do
usuário e do seu pessoal.

6. COMO MEDIR A QUALIDADE?

A preocupação com a qualidade provoca algumas questões que permitem uma
resposta definitiva: a instituição está ou não oferecendo qualidade? A resposta a essa
questão não suscita apenas uma mera formulação teórica do tipo sim ou não. Na verdade, a
qualidade pode e deve ser medida e mensurada, a fim de selecionar e priorizar elementos
que sejam expressivos para o objetivo final, que é a prestação de uma assistência à saúde
realmente com qualidade.
Assim, podem-se mencionar alguns indicadores que irão auxiliar na busca da
qualidade:
· a média de permanência;
· a taxa de infecção hospitalar;
· a taxa de mortalidade;
· o número de ocorrências adversas;
· o nível de preenchimento do prontuário do paciente;
· o tempo de espera do paciente para ser atendido;
· o resultado da revisão de óbitos;
· a qualificação do quadro profissional;
· o nível de comprometimento das pessoas com o trabalho e sua qualidade;
· a confiabilidade no manuseio de dados para avaliação e monitoria do processo de
trabalho.
É importante lembrar que esses indicadores devem ser considerados sempre em
termos de resultados final desejado, ou seja, a satisfação do cliente. Assim, é necessária a
participação de todas as pessoas que fazem parte do sistema de saúde (usuários, médicos,
funcionários, familiares, fornecedores, enfim a sociedade).
O esforço em melhorar a qualidade nos cuidados de saúde traz uma série de
benefícios para o usuário, funcionários e para a própria organização. Pode-se citar por
exemplo:
· a eficiência nos resultados para o paciente;
· a eficiência nos processos de trabalho;
· a maior satisfação dos funcionários e da equipe de saúde;
· a maior produtividade com menor custo operacional;
· a maior rentabilidade e participação no mercado.

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160
Portanto, em virtude da necessidade de se melhorar continuamente a qualidade dos
cuidados de saúde e reduzir os custos dos serviços, são evidentes a necessidade de serem
tomadas medidas capazes de motivar as pessoas a trabalharem com qualidade e eficiência.
Trata-se da vontade e do desejo dos integrantes da organização de se engajarem
entusiasticamente nas mudanças comportamentais exigidas para melhorar a qualidade dos
serviços. O envolvimento das pessoas, segundo Mezomo
11
, traz muitas vantagens:
+ elimina a mentalidade dos nós contra eles, substituindo-a pela confiança, pela
cooperação e pelos objetivos comuns;
+ desenvolve a capacidade de autogerência e as habilidades de liderança, criando um
sentido de missão e fortalecendo a confiança;
+ aumenta o ânimo e o compromisso dos funcionários;
+ incentiva a criatividade e a inovação, que são a fonte da competitividade;
+ ajuda as pessoas a entender os princípios da qualidade, inserindo-as na cultura
corporativa;
+ permite a solução dos problemas logo que surgem;
+ aumenta a qualidade e a produtividade;
+ democratiza a solução dos problemas.
O envolvimento dos funcionários é o modelo organizacional dominante nas empresas
líderes mundiais em qualidade. Aliás, é certamente mais fácil mudar a cultura organizacional
pelo envolvimento das pessoas do que através de palestras e exortações de um líder.
O papel do enfermeiro na função de gerente de serviço é o de harmonizar as
necessidades individuais e organizacionais, através de um comportamento de liderança que
possibilite o envolvimento e comprometimento da sua equipe com a melhoria continuada do
trabalho. Isso só é possível quando se cria um ambiente democrático, onde o funcionário
possa expressar abertamente, e sem medo de represália, as soluções para os problemas
que vêm ocorrendo. Portanto, o enfermeiro deve estar aberto para enfrentar o que é bom e
o que é mau. Uma atitude democrática gera confiança entre as pessoas, fato que possibilita
superar o medo e encorajar a experimentação e a cooperação. Assim, o envolvimento das
pessoas pode transformá-las em elementos capazes de identificar problemas e de assumir
responsabilidades que antes eram atribuídas apenas ao gerente do serviço de enfermagem.






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161
7. HUMANIZAÇÃO DA QUALIDADE NO HOSPITAL
∗ ∗∗ ∗


Nos últimos anos, a concepção de qualidade nos serviços de saúde foi maciçamente
empregada, com a finalidade de se mensurar o potencial do trabalhador em todos os
serviços. As mudanças e os avanços tecnológicos que vêm ocorrendo na área de saúde
estão exigindo de cada profissional ação cada vez mais firmes e sintonizadas com o
despontar do novo milênio. Criaram-se modismo e propaganda com o programa de
qualidade nos hospitais, com o propósito de transformar e/ou mudar suas organizações,
procurando torná-los mais eficientes no atendimento à população e preocupados em
oferecer um serviço digno ao cidadão cada vez mais exigente de seus direitos. Todavia, o
sentido filosófico do processo de melhoria contínua da qualidade na assistência à saúde
está relegado a um plano indefinido de prioridade pelas autoridades competentes. O que se
tem observado é que o princípio da satisfação do cliente para se conceituar a qualidade
encontra-se cada vez mais distante da realidade.
Trabalhar a qualidade implica proporcionar satisfação ao cliente interno e externo,
através da busca contínua do conhecimento e do aperfeiçoamento disponibilizado pela
tecnologia. Todavia, qualidade na área de saúde tem uma conotação diferente que vai além
da mera satisfação do cliente, ou seja, significa o ato de cuidar o ser paciente
holisticamente.
Entende-se que a interligação qualidade e humanização da assistência em saúde são
de tal ordem, que não se podem dissociar esses termos. Na concepção de Mezomo
9
,
humanizar o hospital é fazer progredir a “qualidade de ser” e a “qualidade de vida” dos que
ali trabalham ou ali permanecem. A “qualidade de ser” significa disposição para escuta, para
o respeito e para a valorização do outro. Isso significa cuidados globais e polarizados no
paciente, com sua colaboração, graças a um trabalho de equipe.
Todos os profissionais de saúde são responsáveis direta ou indiretamente por oferecer
ao paciente uma assistência com dignidade e humanidade e que lhe garanta o direito
constitucional à saúde e à vida. Neste pensar, a equipe de saúde tem o compromisso de
implementar ações para uma assistência de qualidade, a fim de conduzir a questão saúde
de forma integrada numa visão holística do homem. Assim, o propósito desse artigo é
pontuar algumas reflexões teóricas sobre a participação dos profissionais de saúde, no que
concerne à humanização da qualidade dos cuidados do ser paciente no cenário hospitalar.
Burmester; Malik
4
destacam qualidade do atendimento como um conceito simples, mas de
definição complexa, pois seu significado é variável de acordo com a visão do observador.


Artigo publicado na Revista Temas em Saúde. Edição comemorativa dos 25 anos do Coren - PB. Participação
dos autores Iolanda Beserra da Costa Santos, Eduardo Sérgio S. Souza e Solange Fátima Geraldo da Costa.

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162
Cada pessoa possui expectativas diferentes e por vezes conflitantes em relação ao
desconhecido.
7.1 Humanização no hospital e sua equipe de saúde
Humanização, segundo Mezomo
9
, significa “tudo quanto seja necessário para tornar a
instituição adequada à pessoa humana e à salvaguarda de seus direitos fundamentais”.
Hospital humanizado é aquele que, em sua estrutura física, tecnológica, humana e
administrativa, valoriza e respeita a pessoa, colocando-se a serviço da mesma, garantindo-
lhe um atendimento de elevada qualidade, possibilitando ao profissional adaptar-se às
transformações concernentes ao mercado de trabalho, para que possa aferir resultados
satisfatórios e significativos ao atendimento individual e coletivo.
A humanização da assistência à saúde não deve ser confundida como um marketing
para mostrar que se faz qualidade no hospital, promovendo o indivíduo enfermo como sua
figura mais importante. Na realidade, humanização implica uma política administrativa
integrada e permanentemente centrada na assistência personalizada e sistemática,
envolvendo toda a equipe de saúde. Assim pode ser vista como prática efetiva da qualidade,
em que se procura superar as expectativas e necessidades do cliente.
Portanto, qualidade e humanização caminham juntas, numa filosofia de ação solidária
que deve estar sempre presente em qualquer empresa, inclusive no hospital, tendo como
objetivos diminuir a oportunidade de erros, reduzir a existência de culpados e oferecer ao
doente um tratamento apropriado a cada caso, no momento oportuno e de acordo com os
recursos disponíveis. A atitude do trabalhador, com uma mão estendida, um silêncio, uma
lágrima que enxuga na face do paciente, um sorriso de apoio e otimismo, um olhar de
amizade e de confiança na assistência à saúde, o compartilhamento e a solidariedade, as
dúvidas e as informações esclarecedoras, a orientação na despedida, garantem um cuidado
profissional com sentimento e emoção. Dessa forma, o “profissional ideal” combinaria toda a
seqüência no serviço, de maneira a obter eficiência e maior benefício para saúde de seu
paciente
4
.
O resgate do cuidado não se faz à custa do trabalho, mas sim, mediante uma forma
diferente de entendê-lo e de realizá-lo. Para isso, o ser humano precisa voltar-se sobre si
mesmo e descobrir seu modo-de-ser-cuidado
3
. Além do mais, todo indivíduo doente, ao
ingressar no hospital para internação, precipita reações de medo do desconhecido e, em
geral, sente um grande choque pela mudança de seu estilo de vida. Em todos os casos é
uma experiência difícil, de incertezas e de insegurança, gerando conflito. Há uma ruptura
brusca dos laços sociais, familiares e até espirituais, que passa a envolver o novo ambiente
em que o indivíduo irá conviver. Dependendo do nível sócio-cultural e experiência de vida
de cada pessoa, o processo de adaptação à nova realidade pode ser difícil, e isso reflete

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


163
nos profissionais de saúde, nos familiares e na sua recuperação, pois eles estão no âmago
de todas essas circunstâncias.
A qualidade, na perspectiva humanística do hospital, é tão importante quanto o
tratamento técnico que se oferece ao paciente. Nesse sentido, os profissionais de saúde
devem estar conscientes de que o serviço existe em função dos seres humanos. A
beneficência precisa ser resgatada nesse terceiro milênio na equipe de saúde, sobretudo
em determinadas especialidades que estão mais presentes no ato de cuidar, executando
atividades simples, como escrever uma carta para alguém necessitado, servir as refeições,
confortar, animar e assim por diante.
A internação traz muita insegurança, reação natural de qualquer pessoa. A família,
em geral, demonstra temor para enfrentar um resultado negativo em relação ao prognóstico
de seu parente. Pensa que o caso do seu doente é o único e, por essa razão, necessita de
cuidado especial quanto ao atendimento e acolhimento. Nesse contexto, o ser paciente
deve merecer uma orientação personalizada da equipe que o assiste e deve ser iniciado,
desde o primeiro contato na recepção, até o setor de internação e de alta, abordando
aspectos, como: normas hospitalares, direitos e deveres do acompanhante e
recomendações peculiares. A equipe de profissionais que presta assistência ao doente
pode ajudá-lo direcionando suas ações para um cuidado personalizado. Ou seja, usando as
habilidades técnicas do ato de cuidar, numa dimensão humanística, de acordo com a
necessidade de cada pessoa. Nessa perspectiva, a equipe de saúde deve, por exemplo:
· Estar atento às preocupações do paciente ou familiar em qualquer eventualidade;
· Promover um ambiente terapêutico que mantenha o equilíbrio motivacional da pessoa;
· Tomar a iniciativa de se aproximar do paciente, apresentando-se, conversando,
informando acerca dos cuidados com a saúde, sem demonstrar pessimismo em relação
ao seu estado e tratamento;
· Mostrar suas acomodações, explicar-lhe o horário de visitas, enfim, prestar-lhe todas as
informações e esclarecimentos necessários, de forma calorosa e amigável;
· Garantir-lhe apoio moral, compreensão e explicações detalhadas, a fim de se esclarecer
possíveis dúvidas que provoquem insegurança no decorrer da hospitalização;
· Manter um clima harmonioso entre todos os componentes da equipe, o paciente e sua
família.


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164
Nessa perspectiva, a qualidade da assistência não depende apenas da execução de
ações e técnicas bem planejadas, mas, também, de um sentimento de empatia. A atitude e
atuação dos profissionais de saúde em relação ao paciente são fundamentais para ele
superar a situação em que se encontra. Em outras palavras, procedimentos básicos como
um simples olhar, uma palavra, um aceno de mão, um gesto e o respeito são ferramentas
valiosas no processo terapêutico, tão eficaz quanto os medicamentos. Se o paciente
perceber que está incomodando muita gente e sentir a sensação de medo ou insegurança
quando o profissional de saúde se aproxima dele, isso pode levá-lo a expressar sentimentos
de negação, rejeição ou alheamento, fatos que dificultam a sua recuperação e
comprometem a qualidade do serviço.
Além disso, é válido ressaltar que o indivíduo deve estar consciente de que seus
familiares também estão participando do tratamento, embora, não possam estar
permanentemente ao seu lado, de forma que, o paciente possa sentir-se acolhido e não
abandonado.
7.2 A comunicação como estratégia para a humanização da qualidade na
assistência à saúde
A comunicação é um ato intrínseco ao existir humano. Antes do nascimento já
transmitimos e recebemos mensagens do mundo. Etmologicamente a palavra comunicação
vem do latim comunicare que significa “por em comum”. Ferreira
7
acrescenta que é a
capacidade de trocar ou discutir idéias, de dialogar, de conversar, com vista ao bom
entendimento entre pessoas. Sua função consiste em informar, persuadir, ensinar ou
discutir. Com a nova abordagem a comunicação passa a ter a função de promover o
relacionamento entre as pessoas, de forma horizontal, para a busca de soluções
2
.
Assim, a comunicação é fundamental no processo de humanização da qualidade,
porque implica a troca que nós fazemos com as pessoas e isso envolve, não só palavras,
mas pensamentos, intenções, expressões, olhares, posturas corporais, emoções. As
pessoas que estão doentes são muito vulneráveis e atentas ao que os profissionais de
saúde falam. É esse um momento muito propício para assimilarem qualquer recomendação,
prestarem bastante atenção ao comportamento de quem transmite a comunicação.
Na concepção de Silva
16
, quando pensamos em comunicação e qualidade, é preciso
entender de que forma vamos abordar o cliente, para o alcance dos nossos objetivos,
porque o entendimento é muito complexo entre um e outro e não porque estamos falando
algo diferente. Estamos comunicando alguma coisa, da mesma maneira, considerando a
comunicação verbal apenas um terço do que está acontecendo nas relações interpessoais.
Todas as outras formas de comunicação não verbal: cinética, toque, territoriedade também

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165
emitem mensagens sobre o significado ou interesse que nós temos em relação àquela
interação.
Dentre esses aspectos, Bittes Júnior & Matheus
2
enfatizam diversas barreiras que
podem ser interpretadas de forma errônea, causando frustração aos interlocutores, estando
relacionados com a falta de capacidade de concentração, pressuposição de entendimento,
ausência de significação comum, influência de mecanismos inconscientes e limitações do
emissor-receptor.
Então, a comunicação na qualidade para a humanização do cuidado em saúde
depende de se voltar à atenção para as pessoas, de uma forma integral, porque é assim
que gostaríamos de ser tratados, principalmente quando estamos fragilizados pela doença.
Para isso, alguns princípios elementares de comunicação e humanização da qualidade,
abaixo relacionada, poderão fazer a diferença no hospital:
· Comece o dia diante do paciente com um genuíno sorriso e um "Bom Dia". A
humanização do tratamento passa pela comunicação.
· Interesse-se, sinceramente, pelo paciente em querer ajudá-lo a vencer esse momento
difícil de sua vida. Lembre-se de que o seu serviço está voltado para pessoas.
· Faça um elogio sincero sobre a sua recuperação. Um ditado popular afirma que "a
palavra tem poder". Isso tem fundo de verdade, pois, palavras animadoras, otimistas,
elogiosas, podem provocar mudanças significativas na melhoria da saúde.
· Dirija-se ao paciente sempre pelo nome. Não o trate pelo número da enfermaria ou pelo
leito tal. O nome da pessoa é o som mais importante que existe em qualquer idioma.
· Seja um bom ouvinte, incentivando o paciente a falar sobre ele mesmo, a desabafar suas
ansiedades e seus problemas.
· Fale com o paciente sobre assuntos que sejam do interesse dele. Não se preocupe com
o que você deve dizer. Deixe-o expressar suas emoções de acordo com suas
necessidades. Na sua conversa, evite discussões, respeitando a opinião dele e nunca
dizendo "o(a) senhor(a) está errado(a)". Se ele estiver exaltado, procure amenizar o seu
estado, com a voz calma e mansa, explicando seu ponto de vista, sem, contudo, deixar
claro que ele se sinta errado.
· Deixe-o falar durante a maior parte da conversa, permitindo-lhe a liberdade de
compartilhar seus pensamentos, idéias, atitudes e sentimentos.
· Evite comentários impróprios na presença do paciente, pois isso pode ocasionar-lhe
interpretações errôneas ou deturpadas, e, assim, aumentar sua preocupação e seu
medo.
· Demonstre conhecimento técnico-científico, como também, habilidade e sensibilidade no
trato com o doente. Faça com que se sinta importante, mas procure fazê-lo com
sinceridade.

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166
· Elogie o menor progresso e também cada novo progresso alcançado na recuperação do
paciente. Seja caloroso ao incentivá-lo a continuar no tratamento durante e após a alta
hospitalar.
Diante do que descrevemos, podemos perceber que, se não estivermos atentos a
todos os imprevistos ocorridos no processo de comunicação, também não estaremos
preparados para trocas significativas de experiência, tornando-se isso frustrante para o
interlocutor e vice-versa.
7.3 Estratégias para valorização do ser paciente no contexto hospitalar
É preciso lembrar que a humanização diz respeito, também, à defesa dos valores do
paciente e ao atendimento de suas expectativas e necessidades, devendo ser considerado
alguns aspectos relevantes para se assegurar a qualidade do cuidado humanizado:
a) Respeito à privacidade do paciente - é preciso compreender e aceitar a individualidade
de cada pessoa e não expô-la a situações que o constranja, como por exemplo: colocá-lo
no leito exposto num ambiente separado por divisórias improvisadas que, muitas vezes,
não o separa por sexo, idade ou até mesmo pela gravidade da doença. Situações dessa
natureza são comuns nos hospitais públicos e nas enfermarias de hospitais privados que
atendem pessoas do SUS (Sistema Único de Saúde), favorecendo um clima
desagradável e quebrando a privacidade do doente. A equipe de saúde deve estar atenta
e planejar mudanças que garantam a integridade e privacidade do cliente no decorrer da
hospitalização.
b) Cuidado de saúde personalizado – o principal objetivo da qualidade humanizada no
serviço de saúde é o paciente (cliente) que deve ser tratado com dignidade e respeito, o
que não significa tratar com liberdade, no sentido pejorativo, como se dirigir à pessoa
como tio, tia, Seu Zé ou Dona Maria. É importante ressaltar que essa forma de
tratamento pode ser interpretada como uma maneira carinhosa, mas, também, pode
causar ressentimentos e ser interpretada como falta de respeito. O indivíduo necessita
ser reconhecido como um ser humano que possui um nome próprio. Portanto, um
cuidado de saúde humanizado começa com a identificação personalizada do ser
paciente. Esse conhecimento torna o doente mais seguro em relação à equipe de saúde.
c) Envolvimento ativo do paciente em seu tratamento – considerando as características
individuais de cada um, no que diz respeito a seu estado de saúde (gravidade do seu
quadro clínico, lucidez e consciência), ao nível de escolaridade, sócio-econômico, e
outras. A equipe de saúde, sob a liderança do médico ou do enfermeiro assistencial, deve
elaborar um plano de cuidado que envolva as necessidades do paciente para seu
tratamento, tornando-o consciente de todos os passos terapêuticos que serão adotados,

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167
a fim de que colabore em sua recuperação, durante o período de hospitalização e nos
cuidados que lhe são dispensados.
d) Apoio psico-espiritual prestado pela equipe de saúde – esse aspecto é muito complexo,
porém fundamental no tratamento humanizado, embora se reconheça que tratar da
esfera espiritual ou religiosa é procurar compreender a liberdade que as pessoas têm de
praticar a sua religião, de professar sua crença, de se apoiar em algo que lhe dê força e
motivação para continuar lutando pela vida. Cabem a esses profissionais respeitá-lo e
compreendê-lo, proporcionando-lhe uma assistência que satisfaça as suas necessidades.
Não se deve discutir religião, nem tentar converter o doente a sua fé, mas, apenas,
ajudá-lo a alcançar forças na sua própria fé.
e) Visita dos familiares – esse aspecto tem grande relevância porque os familiares
constituem parceiros da equipe de saúde nos cuidados e serve de rede de suporte.
Nesse sentido, os cuidadores devem esclarecer e orientar os familiares sobre as rotinas
do serviço, as normas que regulamentam o horário das visitas e dar informações gerais
sobre a evolução de seu tratamento, os procedimentos que estão sendo desenvolvidos
junto ao paciente e como ele está respondendo ao mesmo. Os familiares, quando bem
orientados, se constituem num forte aliado na recuperação do paciente.
Oliveira & Santos
14
, abordando a necessidade de humanização hospitalar, fazem
algumas recomendações, entre as quais se destacam:
· O profissional deve ouvir o paciente no que se refere aos seus interesses e
preocupações, dando-lhe atenção adequada ou demonstrando interesse quanto a suas
necessidades, para que ele não se senta rejeitado e ainda mais isolado.
· Antes da hora da refeição é particularmente uma boa oportunidade para conversar com
o paciente – propiciar-lhe medidas de conforto (banho, massagens), aumentando sua
estimulação física – e, se a sua condição permitir, incentivá-lo a andar ou sentar-se em
uma cadeira.
· O profissional deve explicar aos familiares os riscos que o paciente tem de apresentar
depressão ou solidão. As visitas dos familiares devem ser estimuladas para se evitar
manifestações intempestivas ou de revolta.
· A equipe deve aconselhar os familiares sobre os modos de fornecerem ao doente
estímulo significativo. Muitas vezes o simples fato de ouvir é, na realidade, a única ajuda
que podemos efetivamente oferecer-lhe. Estar junto, fazer-se presente, tocar não só o
corpo, a pele, mas, também, o coração, é uma experiência gratificante. Assim, o
profissional deve adotar medidas para melhorar o estímulo sensorial do doente através
de livros, revistas, rádio ou televisão. Relógio e materiais de seu interesse devem estar
disponíveis.

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168
7.4 A multidisciplinaridade no processo de recuperação da saúde do paciente
O trabalho em equipe se constitui em uma grande responsabilidade com todos os que
procuram o serviço de saúde para atendimento e, pode-se afirmar que é o profissional de
saúde quem deve estar mais envolvido e comprometido com a prestação do cuidado direto
ou indireto ao paciente. Surge daí a necessidade desses trabalhadores desenvolverem
atitudes que favoreçam a humanização do atendimento em grupo, que começa na
recepção, no consultório e deve acolher a pessoa de forma a familiarizá-la com o novo
ambiente.
Como a equipe de saúde pode tornar agradável a estada do paciente no hospital? Não
existem princípios estabelecidos para esse fim. Todavia, algumas atitudes podem ser
praticadas para melhorar o ânimo do doente durante a internação que vão desde um sorriso
até uma postura amável dos profissionais no momento de assisti-lo. Ela pode ser a chave
para se alcançar a satisfação e a excelência no serviço hospitalar, tornando a permanência
de qualquer pessoa, mais agradável, apesar da enfermidade e de suas conseqüências.
Na realidade, todo indivíduo tem muito a dizer de si mesmo, mas será que as pessoas
da equipe do cuidado têm tempo para escutar? Para conhecer hábitos, desejos e crenças?
Todas as informações básicas poderão ajudar na elaboração do plano de cuidados. Os
cuidadores não podem situar-se longe do paciente, nem podem deixá-lo desinformado a
respeito do seu tratamento. Nos dias de hoje, não se concebe a idéia de que o doente não
conheça nada sobre sua doença, não seja capaz de compreendê-la e não tenha condições
de encarar a verdade sobre a sua situação. O fato é que não se podem negar ao indivíduo
informações da parte de quem às pode e deve dar. É imprescindível o trabalho educativo na
prestação de informações, a fim de se evitar que o paciente as tenha incompletas e mal
interpretadas, quando não deformadas, acarretando até o comprometimento do seu estado
de saúde. Assim, na prestação dessas informações, dois aspectos devem ser observados
pela equipe de saúde:
• O direito do paciente à informação, que engloba questões que, geralmente, são uma
incógnita para a pessoa, como a duração da internação, o diagnóstico e tratamento
indicado pelo médico;
• As informações, às quais o paciente tem direito, devem estar condicionadas ao seu
estado. É preciso que a equipe tenha sensibilidade e percepção necessárias para
identificar a capacidade de compreensão das pessoas, suas condições físicas e morais.
Assim, reafirmamos a tese da assistência personalizada. Cada pessoa deve ser
tratada com eqüidade e qualidade, porém respeitando-se as diferenças individuais. Logo, o
processo educativo e de comunicação empregado pela equipe de saúde para explicar algo
ao paciente nem sempre é fácil, porque envolve todo um sistema conceitual próprio e

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169
complexo. O diálogo se torna ainda mais difícil, quando ele demonstra ser carente de
entendimento, não ousando nem fazer qualquer questionamento.
Quando as recomendações feitas pelos membros da equipe de saúde se tornam
confusas à compreensão do paciente, isso pode dificultar a continuidade do tratamento, de
forma que expressões como: “beba bastante líquido”, mas não se diz, o quanto, que pode
ser um copo, um litro ou mais; “perca peso” também não determina quantos quilos é preciso
se perder; “trabalhe menos”, redução de trabalho indefinida que será em termos de duração
ou de intensidade?; “descanse”, sem se estabelecer o tempo, que poderá ser uma hora, um
dia ou até mesmo um mês. Como explicar isso tudo ao paciente? É preciso dialogar com
ele, demonstrar-lhe segurança, expor-lhe idéias e esclarecer suas dúvidas ou incertezas.
Para isso, a equipe de saúde pode fazer uso de um plano de informações previamente
programado e detalhado para ajudar na elucidação das dúvidas, do medo ou da ansiedade.
É preciso fazer o paciente falar e saber escutá-lo. Pode ser perfeitamente possível que
a informação transmitida a ele tenha sido mal recebida ou mal interpretada, principalmente
quando não é empregada na mesma linguagem. Portanto, tudo o que for argumentado pelo
paciente deve ser registrado para, posteriormente, orientá-lo quanto às necessidades
apresentadas, como os acontecimentos vividos no momento da internação, durante ou após
o tratamento, em termos de dor, sensações desagradáveis e outros problemas.
7.5 Considerações finais
A humanização da qualidade é o caminho para se melhorar a assistência hospitalar e
traz vantagens para a equipe de saúde, para o paciente e para o hospital, todavia existem
alguns obstáculos de ordem administrativa aliada a outros fatores que fogem à competência
dos profissionais que dificultam a sua operacionalização na labuta do dia-a-dia, conforme
mostra a figura 1.










Figura 11 – Fatores que dificultam a operacionalização da humanização da qualidade

Falta de recursos
humanos:
Qualitativos
Quantitativos

Indiferença ao
sofrimento humano

Fragmentação
da assistência
médico-hospitalar

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170
Continuando essa linha de pensamento, Mezomo
9
diz que, o hospital mais humano é
aquele em que o paciente se vê rodeado por um pessoal dedicado ao trabalho e disponível
para compreender seus desejos e para responder às suas necessidades. O relacionamento
doente-pessoal, ali, é criado pela elaboração e realização conjunta de um verdadeiro
"programa-saúde". Ressalta o autor que humanizar o hospital é fazer progredir a "qualidade
de ser" e a "qualidade de vida" dos que ali trabalham ou ali permanecem.
Na realidade, o paciente não deseja pessoas mecânicas ou robóticas que cuidam
mais a doença do que a ele próprio, passando a impressão de que o hospital é feito para as
doenças e não para cuidar do doente. Infelizmente, não possuímos protocolos
administrativos potencialmente poderosos para serem usados de forma adequadas, que
possam tornar-se úteis para avaliar a qualidade do serviço e do atendimento que se presta
no hospital, pois cada pessoa apresenta-se diferenciada de outra, tornando-se difícil uma
aferição fidedigna nesse caso. É preciso deixar claro que os profissionais de saúde não
devem ser responsabilizados pela dor e pelo sofrimento de todos os que procuram o
serviço para tratamento ou cura, mas, no contexto geral da hospitalização, a equipe de
saúde deve estar preparada para desenvolver a necessária compreensão e tentar ir além
das expectativas do doente e familiar. Essa concepção de qualidade exige preparo técnico
científico e ético indispensáveis ao profissional nas diversas fases do cuidado em saúde.
Segundo Garrafa
8
, se tem trabalhado pouco sobre a ética da responsabilidade
individual dos profissionais e auxiliares que atuam nos serviços de saúde. Por outro lado,
não deixa de ser um compromisso a participação destes no ato de cuidar. Por essa razão, a
equipe multiprofissional deve estar junta, falando a mesma linguagem para o paciente e
família, com o propósito de conquistar a confiança, através de informações precisas,
promovendo um encontro do doente com a realidade que ora está vivenciando. Entende-se
que, às vezes, é difícil para o paciente compreender a razão pela qual está passando por
um momento tão difícil, de incerteza, na fronteira entre a vida e a morte, fato que
naturalmente deprime e preocupa. No entanto, a equipe de saúde pode ajudá-lo a vencer
os obstáculos que dificultam sua cura, através de abordagens gradativas do seu estado de
saúde e de palavras animadoras. É preciso que se quebrem as barreiras e se permita que o
doente expresse seus pensamentos e participe do processo terapêutico com mais
dinamismo.
Qualidade em relação ao paciente significa disposição para escutá-lo, respeitá-lo e
valorizá-lo como um ser humano. Isto quer dizer cuidados globais e polarizados no paciente,
graças a um trabalho de equipe. Assim, qualidade humanizada implica no atendimento das
necessidades materiais e aspirações do paciente, assim como, de toda a equipe de saúde.



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171
RESUMO

1. Qualidade é a satisfação do cliente e ausência de defeitos.
2. Origem das teorias de qualidade: toma por base os ensinamentos do Professor W.
Edwards Deming.
3. Princípios básicos da qualidade: o processo, o cliente e o envolvimento das pessoas.
4. Estratégias para implantação da qualidade total no serviço de enfermagem: promover
cursos, redesenhar processos, promover estímulos, redefinir o papel do enfermeiro,
desenvolver a idéia de melhorar continuamente.
5. Para desenvolver um programa de produtividade com qualidade devemos:
desenvolver uma ação conjunta com todo hospital, desenvolver um ambiente de
ampla participação, desenvolver um clima de confiabilidade e reciprocidade,
desenvolver a criatividade e o espírito de inovação, desenvolver indicadores de
avaliação, desenvolver o processo produtivo.
6. Para medir a qualidade hospitalar devem-se levar em consideração os indicadores de
qualidade: média de permanência, taxa de infecção hospitalar, taxa de mortalidade,
tempo de espera do paciente, nível de comprometimento das pessoas, entre outros.

QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO

1. O que você entende por qualidade?
2. Quem foi o idealizador dos princípios da qualidade total?
3. Cite os quatorze pontos do método Deming?
4. Explique os princípios básicos da qualidade.
5. Cite as características próprias da enfermagem que interferem na qualidade do serviço.
6. Por que os profissionais da área de saúde precisam desenvolver suas atividades com
qualidade?
7. Cite algumas estratégias para se implantar a qualidade total no serviço de enfermagem.
8. Quais os requisitos necessários para o administrador do serviço de saúde?
9. Cite as estratégias para se desenvolver um programa de produtividade com qualidade.
10. Cite os indicadores de qualidade no hospital.
11. Quais os benefícios trazidos com a implantação da qualidade total no serviço de
enfermagem?
12. Qual o papel do gerente do serviço de enfermagem?




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BIBLIOGRAFIA

1. ARAÚJO, MRN.; CHOMPRÉ, RR. Humanização no atendimento de enfermagem–
problemas das doenças transmissíveis. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto
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Instrumentos básicos para o cuidar: um desafio para a qualidade da assistência.
São Paulo: Atheneu, 1996. p. 61-73.
3. BOFF, L.. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. Petrópolis-RJ:
Vozes, 1999.
4. BURMESTER, H.; MALIK, AM. Controle de qualidade no atendimento médico
hospitalar. In.: Rodrigues, EAC. Infecções hospitalares: prevenção e controle. São
Paulo: Savier, 1997. p. 46-54.
5. CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas – o passo decisivo para a administração
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10. MEZOMO, JC. A qualidade da assistência à saúde e o ensino médico. Revista –
Adm. e Saúde, São Paulo, v. 17, n. 4, p. 194 – 7, 1993.
11. MEZOMO, JC. Envolvendo as pessoas no processo da qualidade. Revista –
Adm. e Saúde, São Paulo, v. 17, n. 3, p. 130 – 4, 1993.
12. MEZOMO, JC. Serviço de saúde com qualidade total. Revista – Adm. e Saúde.
São Paulo, v. 16, n. 6, p. 229 – 31, nov./dez., 1992.
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recomendações segundo os 14 pontos de Deming. Brasília: QA&T consultores
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hospitalar. João Pessoa, maio/1997. (mimeografado).
15. SANTOS, SR. Motivação no trabalho do enfermeiro – fatores de satisfação e

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos


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insatisfação. João Pessoa, Paraíba, 1992. Dissertação de mestrado. Enfermagem em
Saúde Pública do CCS/UFPB.
16. SILVA, MJP. Comunicação tem remédio - a comunicação nas relações inter -
pessoais em saúde. São Paulo: Gente, 1996.
17. SOUZA, M.; POSSARI, JF.; MUGALAR, KH. Humanização da abordagem nas
unidades de Terapia intensiva. Revista Paulista de Enfermagem, São Paulo,
v. 5, n. 2, p. 77 – 79, abr./mai./jun., 1985.




Santos, Sérgio Ribeiro dos. Administração aplicada à enfermagem / Sérgio Ribeiro dos Santos. 3.ed. – João Pessoa: Idéia, 2007. 237p. Bibliografia. ISBN 85-7539-062-7 CDU: 616-083:658

A minha família Fátima, esposa amada, Sarah e Filipe meus amados filhos, pelo apoio, incentivo e compreensão.

......................................................... 4............... Referências......................................... 3.. Referências........................................................................................... Teoria das relações humanas ................................................................................ .................................................................................................................. Questões para revisão e discussão ................................. 6..................................................................................... 6. Histórico . ............................................................................................................... Classificação dos hospitais ............................................................................................................................................. CAPÍTULO 2: ORGANIZAÇÃO HOSPITALAR 1.............................................................................................................................................................................APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 2 4 7 9 12 14 15 16 19 21 23 24 25 27 29 34 38 44 54 56 57 58 60 60 61 62 68 69 80 81 82 CAPÍTULO 1: Introdução às teorias da administração 1................. Teoria Clássica e seus fundamentos ..... Indicadores hospitalares ............................ Terminologia hospitalar ........... 4................................ 5......... 6.... 9.................... 3.. 8........................................................................................................ Referências......... 10.................................................................................. 2............................. Questões para revisão e discussão ....... 5.......................................................................................................................................................... Resumo .............................................................................................................. 5....... 2.......................................................... Questões para revisão e discussão ........................... 2................... .......... CAPÍTULO 3: O PROCESSO DE PLANEJAMENTO 1......................... 7... Teoria estruturalista ................................ ................................. Etapas do processo de planejamento ..................................... Teoria comportamental ........ Teoria de sistemas .............................. Conceitos básicos ................................................................................ Implicações do estudo das teorias administrativas no serviço de enfermagem ............................................................................ Estrutura organizacional do hospital .................... Tipos de planejamento ...................... Princípios administrativos para o serviço de enfermagem ......................................................................... Funções do hospital .................. Administração científica ............... Teoria da burocracia .................... 4................................................................. Resumo ................ Características do planejamento ................................................................................................................................ Resumo ............................................................................................................................................ Planejamento da assistência ...... Administração por objetivo (APO) ................................................................. 3...................................................................................... Evolução histórica da administração .........................

............... 6.................. Questões para revisão e discussão ........... 2............................................. Ferramentas básicas relacionadas com a organização .............................................................................. 6...................................................................................... Regras básicas para o exercício da chefia .......................... 3.................................. Considerações gerais ...... 2.... 2..........................................º 7....................................................... Resumo ................................ Regimento .............................................. Considerações sobre a Lei n................................................... 3............................................................................................................. 3.... O serviço de enfermagem e a gestão de pessoal ......................................................................................................................................................................................................... Conceitos de organização ............................ Funções básicas da direção ............................................ Política de recursos humanos em enfermagem ............................................... Resumo ........................................................................................................................................................................................................ CAPÍTULO 5: O PROCESSO DE DIREÇÃO 1............................... Questões para revisão e discussão .................................................................................................................... 4............................................................................................ Questões para revisão e discussão .................................... 5....................................................... 4................ Avaliação do serviço de enfermagem .... .... 3.......... Orientação para o controle ............................................ Controle do serviço de enfermagem ..................... Escala de serviço ... Referências...CAPÍTULO 4: O PROCESSO DE ORGANIZAÇÃO 1...... CAPÍTULO 7: ADMINISTRAÇÃO DO PESSOAL DE ENFERMAGEM 1................................... Normas ....................................................................................................................... 5......... 116 116 117 117 121 125 126 127 105 105 109 110 110 111 112 113 114 85 86 95 96 97 99 101 102 103 5.. 5.....................................................................................498/86 .................................................................................... Manual .............................................. CAPÍTULO 6: O PROCESSO DE CONTROLE 1......................................................... 4.................................. 6................................ 120 ........................................................ ............. 4.................................................... 2................... Considerações gerais ........ Funções do controle ..................... Características do mau chefe .................................. ..................................... Estilos de chefia ........ Qualidades do chefe ....... Referências.............................................................................. Dimensionamento do pessoal de enfermagem ............................................................................................. Rotinas ..................................................................... Referências............... Resumo ............... Mecanismo de controle ..............................................................................................................................................................................................................................

....................................... Como medir a qualidade? ............................. Implantação da qualidade total no serviço de enfermagem ......................... .......................................................................................................................................................6...................... 178 ................................................ Busca da produtividade com qualidade .......................................................................................... Referências............................................... 175 2............................ Qualidade em serviço de enfermagem ........................................................................................................................................... ......... Referências.. Humanização da qualidade no hospital ............. Resumo ........ 6................................................................................................. Resumo ......... 177 179 182 184 195 196 197 4.............. Questões para revisão e discussão .................................... 7.............................................................. CAPÍTULO 8: GESTÃO DA QUALIDADE NO SERVIÇO DE ENFERMAGEM 1............ Princípios básicos da qualidade ... 176 3............................................................................................................... Questões para revisão e discussão ................ 5........................................... 7................................................................... Funções do gerente de pessoal no serviço de enfermagem .............................. Avaliação de desempenho ......................................................... Conceitos de qualidade ........................

A melhoria do gerenciamento dos serviços de enfermagem e a avaliação econômica de sua contribuição para o setor saúde devem merecer atenção redobrada por parte dos profissionais de enfermagem. de modo que os gerentes de enfermagem passem a se preocupar com as questões de organização. Por outro lado. planejamento e controle. já que é dirigido para os profissionais de enfermagem. o estudante ou gerente de enfermagem poderá. as organizações de saúde e as associações de enfermagem devem se preocupar com o desenvolvimento de modernas técnicas gerenciais. Apesar do avanço tecnológico no setor saúde. Prof. adquirir uma base introdutória da teoria da administração. Assim. Dr. a leitura desse compêndio deve contribuir para o estabelecimento da terminologia dos estudos de administração. pode até parecer desnecessário e impertinente escrever um livro sobre o assunto. pode se tornar. a prática administrativa continua absoleta e sem inovação em muitas instituições de saúde. no intuito de que o consumidor ou paciente receba um cuidado digno e humano. que detém o maior contigente humano no setor saúde de qualquer país. para quem se preocupa com a desordem organizacional do nosso sistema de saúde. sobretudo nos países em desenvolvimento. Já que o sucesso das instituições prestadoras de assistência de saúde depende. deseja contribuir para a formação de administradores de saúde. neste compêndio. A enfermagem. em vez de buscar dezenas de livros a procura do desenvolvimento do pensamento administrativo. também. Portanto. considerando que o grande beneficiário é o paciente. Contudo. o livro do Professor Sérgio Ribeiro dos Santos vem preencher uma lacuna. em grande parte. pioneira na administração dos recursos de saúde. tanto dos recursos humanos quanto materiais. é louvável a tarefa de oferecer um compêndio destinado à educação gerencial dos profissionais de enfermagem. de forma eficaz e eficiente.APRESENTAÇÃO Numa época em que dezenas e até centenas de livros sobre administração são publicadas. Neste sentido. da competência administrativa da enfermagem. José Rodrigues Filho .

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separada do conhecimento técnico e da experiência. Destacaram-se nesse período as contribuições de Moisés (Êxodo 18:13-27). Durante séculos. Considerou a administração uma habilidade pessoal. Fase Empírica da Administração. ou seja.Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição eqüitativa do poder. pela liberdade do ato eleitoral. procuraram viver em grupos para se proteger dos grandes animais. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ADMINISTRAÇÃO Sérgio Ribeiro dos Santos A administração é tão antiga quanto à própria origem do universo. autocraticamente. aristocracia e democracia. estabelecia as regras de convivência no grupo. dos poderes de decisão e de execução. dos faraós egípcios. isto é. através de conquistas militares. foram surgindo novos grupos que se expandiram. Platão (429a.Tipo de organização social e política em que o governo é monopolizado por um número reduzido de pessoas privilegiadas. em essência. Não há registros na história que aponte quem foi o primeiro administrador. até se constituírem em povos. Defendeu a divisão do trabalho e a união de esforços dos trabalhadores. que posteriormente delegou ao homem autoridade sobre os seres que habitavam o planeta. Em todo esse contexto a evolução histórica da administração pode ser dividida em duas fases: 1ª. Quando os homens espalharam-se na terra.C): filósofo grego.C): outro filósofo grego. Monarquia . apresentou três formas de governo: monarquia. Caracterizada por dois períodos distintos: a) Período Teocrático: Forma de governo em que a autoridade era emanada dos deuses ou de Deus. Mais tarde surgem nomes como Francis Bacon (1561 – . entre outros. de Hamurabi. a filosofia deixou nomes que contribuíram para a formação de conceitos e princípios de administração.C – 399a.Administração aplicada à enfermagem 1. reinos e nações. tudo isso sob a liderança de um indivíduo forte que. Democracia .Forma de governo na qual o poder supremo é exercido por um monarca. Gradativamente. tais como: • • Sócrates (470a. b) Período dos precursores da Administração Científica: nesse período a administração recebeu influência dos grandes pensadores da humanidade.C – 322a. • Aristóteles (384a. Aristocracia .C – 347a. regime de governo que se caracteriza. acredito ter sido o Deus Eterno. No seu livro “Política”. apesar de um intervalo improdutivo que vai da idade antiga até a idade moderna. pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade. Como Cristão. Sua principal obra foi “A República”. Expôs seu ponto de vista sobre a forma democrática de governo e da administração dos negócios públicos.C): filósofo grego.

isolar e analisar os componentes da administração que tenham aplicações nas atividades de enfermagem. Chiavenato3. mas têm a preocupação de identificar. de dentro para fora. comando. pela utilização de experiências testadas no processo de causa e efeito. organização. em virtude das muitas experiências bem sucedidas. Além da contribuição dos filósofos. Arndt. Mooney. Thomas Hobbes (1588 – 1670). como. Jean Jacques Rousseau (1702 – 1778) e Karl Marx (1818 – 1883). Pode ser dividida em três períodos: a) Período Clássico: teve com principal característica a gerência do trabalho. por exemplo. Somente conhecendo os princípios em que se fundamentam a administração e possuindo habilidades para tomar decisões. da hierarquia de autoridade e da coordenação funcional. Como se sabe. Caracteriza-se pelo estudo do método científico. René Descartes (1596 – 1778). Huckabay1 afirmam que os pioneiros da teoria administrativa. na administração – por conta de seu modelo de estrutura organizacional. nas funções de previsão. c) Período Moderno: destacou-se por ressaltar a teoria organizacional e a análise de sistemas.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 1626). Henry Lawrence Gantt. É também inquestionável a influência exercida pela Organização Militar para o desenvolvimento das teorias da administração. a estrutura da organização eclesiástica serviu de modelo para muitas organizações que. James D. o princípio da unidade de comando e da escala hierárquica. Henri Fayol. não estavam imunes a essas influências. conceitos. Seus maiores representantes foram Frederick Winslow Taylor. 2ª. mesmo que fossem gênios. passaram a incorporar uma infinidade de princípios e normas administrativas utilizadas na Igreja Católica. a administração recebeu influência de diversos campos do conhecimento e da organização social e cultural. coordenação e controle. executar e avaliar as ações na prática do serviço . Segundo. É necessário. ainda. Depois dessas breves considerações históricas. é que o enfermeiro poderá usar adequadamente as teorias para planejar. considerar a importância da Revolução Industrial como instrumento transformador da estrutura sócio-econômica. Frank B. será feito um estudo sobre os aspectos fundamentais. princípios e características das principais teorias da administração. Gilbreth. Fase da Administração Científica. a Igreja Católica teve marcante influência no destino dos povos – por conseguinte. vivenciado nos períodos históricos. Os estudos iniciais das teorias podem ser considerados sintéticos. b) Período Neoclássico: caracterizou-se por enfatizar as relações humanas e os fundamentos do behaviorismo (comportamento humano na organização). isto é. embora de maneira drástica.

A administração do serviço de enfermagem deve ser baseada numa sólida. o primeiro nome que se costuma salientar nesse campo é do engenheiro americano Frederick W. porque se originou da observação sistemática dos meios de produção. habilidades. iniciando sua vida profissional aos dezoito anos. Caso isso não aconteça. o qual denominou de Administração Científica. terminou o curso de engenharia. contramestre e chefe de oficina. como operário da Midvale Steel Co.. Para melhor compreensão. Chiavenato3 esclarece que o nome administração científica deve-se à tentativa de aplicação dos métodos da ciência aos problemas da administração. colaborador de Taylor. cuja ênfase estava voltada para a tarefa. Segundo período: Taylor desenvolveu estudo. A fadiga é considerada um redutor da eficiência. o trabalho de Taylor será dividido em dois períodos: Primeiro período: Taylor se preocupou exclusivamente com as técnicas de racionalização do trabalho. Aos vinte anos. Indiscutivelmente. Arndt. Taylor. A esse respeito. Os principais métodos científicos aplicáveis aos problemas da administração são a observação e mensuração. é necessário que sejam . que proporcionaram uma base para a observação racional do trabalho e para o surgimento dos princípios de administração. Taylor A seguir será apresentada uma síntese de alguns princípios taylorianos mais divulgados em nosso meio: a) Organização Racional do Trabalho: segundo Chiavenato3. passando a ocupar cargos de capataz. fragmentação das tarefas e na especialização do trabalhador. em que definiu princípios de administração aplicáveis em todas as situações da empresa. 2. Esse método ficou conhecido como Estudo de Tempos e Movimentos. essência teórica. Para reduzi-la.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos de enfermagem. as soluções inovadoras para os problemas atuais e futuros deixarão de aparecer. embora flexível. Estudando e trabalhando de forma intensa e criativa conseguiu registrar mais de cinqüenta patentes de invenções. De origem humilde. b) Lei da Fadiga: trata-se de um estudo realizado por Gilbreth. considerado o fundador da moderna teoria da administração. no estudo dos tempos e movimentos. a fim de alcançar-se elevada eficiência industrial. Assim se denomina. medindo o desempenho e distinguindo as diferentes fases de uma tarefa. Huckabay1 comentam que a contribuição da enfermagem é relativa a conhecimentos. fundamenta-se na análise do trabalho do operário. atitudes e liderança na prestação de assistência à saúde. veio de uma família de princípios rígidos. ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA Essa abordagem é também denominada Escola da Administração Científica ou Escola de Gerência Científica.

do técnico e do enfermeiro. A divisão do trabalho na enfermagem faz com que haja uma especialização de seus membros nas tarefas de competência do auxiliar. podendo-se citar entre eles: . cada membro da equipe de enfermagem tem sua tarefa contextualizada e individualizada. por causa da divisão do trabalho e da especialização. que direciona a assistência de enfermagem. não porque gosta dele. tornando-a fragmentada em suas atividades. e) Conceito de homo economicus: essa estreita visão da natureza humana – homem econômico – significa que o homem procura o trabalho. pois é estimulado a produzir individualmente o máximo possível. nada mais é do que a existência de diversos supervisores. simplesmente. mas como um meio de ganhar um salário que lhe garanta a sobrevivência. a padronização e as condições de trabalho que assegurem a eficiência3. dividida e zoneada. g) Supervisão funcional: Taylor propôs a supervisão funcional. porque ela conduz à simplificação e a uma constante busca na obtenção da eficiência. quando recebe algum tipo de incentivo monetário6. ou seja. que vieram a constituir uma Escola ou Movimento da Administração Científica.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos observados alguns princípios de economia de movimentos. o que significa supervisão funcional? De acordo com a abordagem de Chiavenato3. Daí a importância essencial que uma especialização do trabalho assume para o desenvolvimento das tarefas a serem realizadas. eliminando-se aqueles desnecessários e fatigantes. que. d) Incentivos Salariais e Prêmios de Produção: Taylor referiu-se ao interesse básico do trabalhador pelo ganho material. os quais tem autoridade funcional (relativa somente a sua especialidade) sobre os respectivos subordinados. podendo-se destacar os seguintes aspectos: • • Há na enfermagem uma preocupação com regras e normas que devem ser obedecidas por todos os profissionais. tipicamente mecanicista da administração. A supervisão funcional pressupõe uma autoridade relativa. Influências da teoria científica sobre a enfermagem: a prática de enfermagem tem recebido muita influência dos antigos princípios da teoria científica. c) Desenho de Cargos e Tarefas: enfatiza o trabalho simples e repetitivo das linhas de produção e montagem. cada um especializado em determinada área. Mas. Taylor não estava sozinho na defesa de suas teses. • Métodos de trabalho funcionalista. Acompanhava-se de vários seguidores e colaboradores. certamente. f) Padronização: significa a aplicação de métodos científicos para obter-se a uniformidade e a redução dos custos. norteia a prática de enfermagem. Taylor preocupou-se com a padronização.

. numa busca constante do conhecimento e da reflexão. com o aprofundamento do saber. A esse respeito. considerava a organização como um todo para garantir a eficiência das partes envolvidas. 3. A partir desses conceitos e princípios. Sérgio Ribeiro dos Santos sobre seleção e treinamento de Frank e Lilian Gilbreth: desenvolveram técnicas de simbolização do trabalho. À medida que o processo reflexivo se desenvolvia. TEORIA CLÁSSICA E SEUS FUNDAMENTOS O próximo passo no progresso do estudo da administração é a chamada Teoria Clássica ou Escola de Processo Administrativo. desmerecer o mérito das primeiras teorias. nascido em Constantinopla e falecido em Paris. conhecido como cronograma. foram dados os primeiros passos no estudo da administração. contudo. Transformou-se num tratadista da matéria. das quais o fluxograma é a mais conhecida. A desvalorização do indivíduo como ser social. novas idéias foram surgindo. estando sua contribuição presente nos seguintes aspectos: (a) (b) (c) Participação acionária dos trabalhadores da empresa. preceito. ou seja. Definição de princípios de especialização da tarefa como forma de permitir a produção em massa. ordem) e normativa (diz-se de conhecimento que enuncia ou que constitui uma norma). sem. Arndt. Huckabay1 comentam que o pressuposto principal é que a administração é universal. cidade onde desenvolveu todos os seus princípios organizacionais e administrativos. destacando-se: • • • • Seu caráter mecanicista. Hugo Munsterberg: desenvolveu técnicas psicológicas de seleção de pessoal. sendo cognominado de “O pai da Administração Científica”.Administração aplicada à enfermagem • • • • • Harrington Emerson: desenvolveu trabalhos empregados. a teoria clássica tomava por base a ênfase na estrutura. A adoção de uma teoria essencialmente prescritiva (norma. sujeito às influências do grupo. Nesse sentido. Assim sendo. Henry Gantt: inventou o gráfico de Gantt. Estabelecimento da jornada de oito horas. O responsável por essa corrente do pensamento administrativo foi o engenheiro de minas Henri Fayol (1841-1925). é inevitável que se façam algumas críticas a respeito do trabalho de Taylor. Henry Ford: foi o formulador de idéias e de teorias próprias a respeito da administração. Enquanto a administração científica se caracterizava pela ênfase na tarefa realizada pelo operário. A ênfase na especialização do trabalhador como fator de produção. tanto na teoria como na prática. é possível a formulação de críticas a antigos conceitos. regra. sendo operativa em qualquer lugar.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos O que fez Fayol de importante? Ele explicou que toda empresa pode ser dividida em seis grupos básicos: I. II. As funções administrativas. Unidade de comando – cada empregado deve receber ordens de apenas um superior. de modo que tudo transcorra de acordo com as regras estabelecidas. Coordenar: é ligar. organizar. IV. Controlar: é verificar. comandar. III. XI. englobam os elementos da administração. a responsabilidade é uma conseqüência natural da autoridade. Comandar: é dirigir e orientar o pessoal. Funções administrativas – coordenam e sincronizam as demais funções da empresa. venda e troca. Autoridade e responsabilidade – autoridade é o direito de dar ordens e o poder de esperar obediência. registros. Subordinação dos interesses individuais aos interesses gerais – os interesses gerais devem sobrepor-se aos interesses particulares. VI. Funções financeiras – relacionadas à gerência e procura de capitais.justiça e satisfação para os empregados e a empresa quanto à remuneração. Funções técnicas – relacionadas com a produção de bens ou de serviços. unir. Cadeia escalar . custos e estatísticas. Divisão do trabalho – consiste na especialização das tarefas e das pessoas para aumentar a eficiência. IV. III. X. para Fayol. VI. VII. Remuneração do pessoal . Disciplina – aplicação. Funções contábeis – relacionadas aos inventários. II. Organizar: é constituir o duplo organismo material e social da empresa. comportamento e respeito aos acordos estabelecidos. Além disso. que consubstanciou numa lista de quatorze princípios norteadores da ação dos executivos3: I. balanços.é a linha de autoridade que vai do escalão mais alto ao mais baixo. nos quais resume a arte de administrar. Centralização – refere-se a centralização da autoridade no alto da hierarquia. que são os seguintes: • • • • • Planejar ou prever: é visualizar o futuro e traçar um programa de ação. Eqüidade – amabilidade e justiça para alcançar a lealdade do pessoal. Ordem – um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. Funções comerciais – relacionadas com a compra. criados a partir de sua experiência. harmonizar todos os esforços coletivos. V. V. IX. Funções de segurança – relacionadas à proteção e preservação dos bens e das pessoas. planejar. Unidade de direção – um plano para cada grupo de atividades que tenham o mesmo objetivo. VIII. . Fayol tentou também definir os princípios gerais de administração. cooedenar e controlar.

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Estabilidade do pessoal – é a permanência da pessoa no cargo.

XIII. Iniciativa – a capacidade de visualizar um plano e assegurar seu sucesso. XIV. Espírito de equipe – harmonia e união entre as pessoas Segundo Maximiano9, a contribuição maior de Fayol se deu no sentido de explicar as diretrizes para a estruturação da empresa, delinear os processos que definem o trabalho gerencial e propor princípios que devem orientar o comportamento gerencial. É necessário, ainda, considerar que, através da teoria clássica, Fayol formulou uma teoria organizacional, na qual concebe a organização em termos de estrutura, forma e disposição das partes. Conforme, Chiavenato3, tudo se restringe apenas aos aspectos da organização formal. Para divulgação da obra de Fayol, muito contribuíram os trabalhos de Lyndall F. Urwick e Luther Gulick. Por sua importância, o assunto sempre foi bastante discutido por diversos estudiosos em administração. Este trabalho não tem a pretensão de aprofundar a questão. Todavia, conclui afirmando que, apesar do impacto causado sobre a organização do conhecimento administrativo e seu aproveitamento para a formação de executivos, a abordagem clássica foi extremamente voltada para a organização formal, esquecendo-se da organização informal. Essa visão mecanicista valeu-lhe o nome de Teoria da Máquina. Portanto, mesmo considerada como a base para a administração moderna, a teoria clássica revelou-se incompleta, porque visualizava a organização como se fosse um sistema fechado. As principais críticas sobre a teoria clássica concentram-se no seu caráter prescritivo e normativo e na ênfase à estrutura formal da organização. Com relação às influências da teoria clássica sobre a enfermagem, pode-se afirmar que basicamente a estruturação dos serviços de saúde e sua forma rigidamente hierarquizada são reproduzidas na prática da enfermagem, através dos organogramas onde são expressas as linhas de subordinação. Além disso, muitos dos princípios defendidos por Fayol, por exemplo, a divisão de trabalho, disciplina, responsabilidade, subordinação, ordem e outros, foram facilmente incorporados no exercício profissional da enfermagem. 4. TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS A Teoria das Relações Humanas ou Escola Humanista da Administração surgiu nos Estados Unidos, através dos esforços do seu mais importante representante, George Elton Mayo e seus colaboradores. Essa teoria nasceu da necessidade de se corrigir a forte tendência a desumanização no trabalho, resultante dos princípios adotados por Taylor, Fayol e seus seguidores. Apontam-se os seguintes fatores como embasadores da teoria das relações humanas: • • A necessidade de se humanizar e democratizar a administração. desenvolvimento das chamadas ciências humanas.

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A influência da filosofia pragmática* de John Dewey e da psicologia dinâmica de Kurt Lewin. As conclusões da experiência de Hawthorne. A experiência de Hawthorne foi desenvolvida pelo cientista social australiano George

Elton Mayo que emigrou para os Estados Unidos, fixando-se profissionalmente na Escola de Administração de Negócios da Universidade de Harvard. Em 1927, o Conselho Nacional de Pesquisa iniciou uma experiência, cujo objetivo era analisar as condições de trabalho de uma das unidades fabris da Western Electri Company, situada em Chicago, no bairro de Hawthorne. Tratava-se de uma fábrica de relés para telefone, pois havia uma intenção da direção em estudar os fatores que proporcionavam índices de acidentes de trabalho, rotatividade, absenteísmo e redução da produtividade da fábrica. Os estudos começaram com um experimento que visava determinar o efeito da iluminação sobre o rendimento dos operários. Foram formados dois grupos de operários, um experimental e um de controle. Dessa forma, seria possível fazer-se, com maior facilidade, a análise das conseqüências da introdução de modificações nas condições de trabalho dos grupos. Foram mantidos os níveis de remuneração e, sistematicamente, adotadas modificações nas condições físicas e ambientais de trabalho, com alterações nos intervalos dos períodos de trabalho e de descanso. A experiência foi suspensa em 1932, mas seus resultados foram surpreendentes. Pôde-se observar, ao longo do estudo, que havia um sistemático e constante aumento na produtividade do grupo em cada fase da experiência, qualquer que fosse a modificação introduzida. Verificou-se, ainda, uma acentuada coesão e satisfação no grupo, havendo considerável redução no absenteísmo. Muitas outras evidências surgiram. No entanto, os resultados obtidos foram atribuídos às circunstâncias de que os componentes do grupo selecionado para a experiência, sentindo-se observados, passaram a se considerar distintos dos demais, assumindo uma postura comportamental fechada, julgando-se, até certo ponto, superiores em comparação com os outros operários do conjunto. Por outro lado, é fundamental ter-se em mente que os princípios básicos da Escola de Relações Humanas abriram novos horizontes no campo da administração, principalmente, a partir dos estudos de Hawthorne. Não se tem aqui a pretensão de aprofundar o assunto, mas pode-se traçar os lineamentos gerais de algumas das principais conclusões: a) O rendimento do trabalho é resultante da integração social. b) Os grupos informais ou organização humana da empresa determinam os níveis de colaboração humana mais do que a estrutura formal da empresa.
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Conjunto de normas formais e rigorosas.

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c) As recompensas e sanções sociais têm influências relativas sobre a produtividade. Para a teoria das relações humanas, as pessoas são motivadas principalmente pela necessidade de “reconhecimento”, de “aprovação social” e de “participação” das atividades dos grupos sociais onde convivem. d) O conteúdo do cargo e a natureza do trabalho têm enorme influência sobre a satisfação do trabalhador. e) A empresa tem duas funções básicas: produzir bens ou prestar serviços, mas também pode oferecer condições de satisfação aos seus empregados. Para Mayo, o trabalho em equipe, o autogoverno e a cooperação trabalhadoresadministração seriam as conseqüências no plano prático da aplicação das descobertas dos estudos de Hawthorne. A seguir são apresentadas, de maneira resumida, algumas comparações entre a teoria clássica e a teoria das relações humanas, que possibilitam uma melhor avaliação. A elaboração desse quadro seguiu o modelo de Charles Perrow citado por Chiavenato3 no seu trabalho sobre Teoria Geral da Administração. Teoria Clássica Trata a organização como uma máquina. Enfatiza as tarefas ou a tecnologia. Inspirada em sistemas de engenharia. Autoridade centralizada. Linhas claras de autoridade. Especialização e competência técnica. Acentuada divisão do trabalho. Regras e regulamentos. Clara separação da linha e “staff”. Teoria das Relações Humanas Trata a organização como grupo de pessoas. Enfatiza as pessoas. Inspirada em sistemas de psicologia. Delegação plena de autoridade. Autonomia do empregado. Confiança e abertura. Ênfase nas relações humanas. Preocupação com a ‘pessoa integral’. Dinâmica interpessoal e grupal.

A teoria das relações humanas deixou uma significativa contribuição para a enfermagem, através dos estudos da dinâmica de grupo, da liderança, da comunicação e da motivação. A enfermagem absorveu muitos conceitos e princípios que serviram como estratégia na administração de pessoal, de tal forma que nas escolas de enfermagem são inseridos esses conteúdos nos currículos de graduação. 5. ADMINISTRAÇÃO POR OBJETIVO (APO) A Administração por Objetivo ou Administração por Resultados surgiu em 1954, a partir dos trabalhos publicados por Peter F. Drucker. Nascido na Áustria, formado academicamente na Alemanha e profissionalmente na Inglaterra, fixou-se posteriormente nos Estados Unidos.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Segundo Maximiano9. permitindo uma ação coerente e uma instrumentação técnica satisfatória que lhe possibilite uma ação eficaz. num período determinado. leva em consideração os critérios de escolha dos objetivos que devem ser estabelecidos mediante as prioridades ou hierarquização dos objetivos e sua contribuição para atingir o resultado esperado. definem aspectos prioritários e estabelecem objetivos (resultados) a serem alcançados num determinado período de tempo e. conjuntamente. o plano estratégico é o planejamento global. departamento. entre outros. os seguintes autores: Drucker4. departamentais. Para informações mais detalhadas. através das quais superiores e subordinados. Assim sendo. Nesse sentido. Chiavenato3 estabelece a seguinte conceituação de administração por objetivo: é uma técnica participativa de planejamento e avaliação. As propostas estabelecidas pela administração por objetivo vão mais além do que foi aqui exposto. É orientada em longo prazo. Em resumo. É decidida pela alta administração da É da responsabilidade de cada gerente de organização. A administração por objetivo enfatiza o trabalho e estabelece metas para definir aquilo que deve ser realizado. É orientado para médio ou curto prazo. Os planos táticos fragmentam-se em planos operacionais. Chiavenato3 faz o seguinte quadro comparativo entre estratégia e tática: planos: 1 ESTRATÉGIA TÁTICA estratégico Envolve a organização como uma Refere-se a cada departamento ou unidade tático totalidade da organização. . em termos quantitativos dimensiona as respectivas contribuições (metas) e acompanham sistematicamente o desempenho (controle) procedendo às correções necessárias. devem ser consultados. operacionais É um meio para alcançar objetivos É um meio para alcançar objetivos organizacionais. em relação aos quais os ocupantes são avaliados. Lodi8 e Chiavenato3. enquanto que o plano tático é resultante do desdobramento e detalhamento do plano estratégico. escolhe as táticas que melhor implementam a estratégia adotada. Para a fixação das metas. a administração por objetivo é o processo de estabelecer padrões individuais de desempenho. No entanto. envolvendo todo o sistema. em longo prazo. não é pretensão deste trabalho aprofundar a questão. a administração por objetivo estabelece a estratégia empresarial a ser adotada.

de outro. Segundo Chiavenato3. rapidez. verificou que os enfermeiros consideram burocracia as seguintes atividades: • • • • • Receber pacientes. de papelada desnecessária que retarda o andamento do processo de trabalho. Max Weber pensava exatamente o contrário. a fim de melhor compreender a burocracia. univocidade de interpretação. a omissão da participação das pessoas na organização e a própria fragilidade da estrutura burocrática. burocracia é sinônimo de ineficiência. constância e confiabilidade. tornou-se necessária a criação de um modelo organizacional. bem como o comportamento dos membros participantes da organização. Segundo Santos11.Administração aplicada à enfermagem 6. Na prática de enfermagem. mas como um tipo de poder. continuidade da organização. de um lado. constituíram problemas que a burocracia não resolveu até hoje. de espera. O que é burocracia? Popularmente. precisão. a racionalidade burocrática. burocracia é uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade. considera-se atividade burocrática todo tipo de cuidado indireto prestado pelo enfermeiro que possibilite meios para execução da atividadefim (assistência ao paciente). Fazer pedidos à farmácia e ao almoxarifado. Ou seja. Richard Scott e Trence Hopking. TEORIA DA BUROCRACIA Sérgio Ribeiro dos Santos Surgiu na década de 1940. Philip Selznick. Fazer controle de material. que não considerou a burocracia como um sistema social. tais como: racionalidade. considerando a burocracia a organização eficiente por excelência. A enfermagem. Em resumo. Essa teoria inspirou o surgimento de outros estudiosos. em pesquisa realizada num hospitalescola. o modelo weberiano oferecia vantagens à organização. A teoria da burocracia foi inspirada por Max Weber. Receber e passar o plantão. Contudo. uniformidade de rotinas e procedimentos. inspirada na teoria da racionalização progressiva de todas as instituições. Supervisionar e orientar as atribuições dos auxiliares. pelas pressões constantes de forças externas e. sociólogo alemão (1864/1920). impedindo as soluções rápidas. provocada. pelo enfraquecimento do compromisso dos subordinados com as regras burocráticas. . por estar inserida num sistema burocratizado. Merton. A partir dessa conceituação. a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos. fica mais claro caracterizar o conteúdo específico do modelo weberiano. capaz de caracterizar todas as variáveis envolvidas. na adequação dos meios aos objetivos (fins) pretendidos. destacando-se as figuras de Robert K. O autor estudou os tipos de sociedades e de autoridades. isto é. não poderia ficar isenta desse processo.

resultante de uma abordagem múltipla fundamentada na teoria clássica. Assim. 7. avultam os nomes de Philip Selznick. TEORIA COMPORTAMENTAL OU BEHAVIORISTA A teoria comportamental surgiu em 1947 nos Estados Unidos. por parte dos autores estruturalistas. Desenvolvimento. Alvin Gouldner. com as funções-meio (administração da burocracia) e delega aos auxiliares ou técnicos de enfermagem os cuidados com o paciente. Sills. por conta do descompasso entre teoria e prática. desmotivação e conflitos. em que o enfermeiro se envolve. Elaborar escala de serviço. Lévy-Strauss. excessivamente. Na escola estruturalista. pode-se concluir que o estruturalismo se preocupa com o todo e com o relacionamento das partes na constituição do todo organizacional. Trocar informações. marcando profundamente a administração pela influência no campo das ciências do comportamento. Gonçalves6 apresenta o seguinte conceito de estruturalismo: É um método analista comparativo que atribui importância especial ao relacionamento das partes na constituição do todo. provocando tensão. escalas de cirurgias. A teoria comportamental tem o seu maior representante em Herbert Alexander Simon. Peter Blau. James D. 8. Surgimento de um novo conceito de organização e um novo conceito de homem: o homem organizacional. sem excluir os conjuntos formados por elementos que se relacionam por simples justaposição. Procurava conciliar a tese proposta por essas três teorias. a teoria estruturalista é considerada por alguns autores como uma teoria de transição e de mudança. Essa disfunção proporciona acomodação e inabilidade no atendimento às necessidades do paciente. tais como: Chester . Há também outros nomes famosos que dominam o universo behaviorista. Sérgio Ribeiro dos Santos Verificar prontuários. Amitai Etzioni. na teoria das relações humanas e na teoria da burocracia. da tipologia de organizações e dos objetivos organizacionais. TEORIA ESTRUTURALISTA A teoria estruturalista surgiu na década de 1950. deixou as seguintes contribuições: • • • Criação do interrelacionamento das organizações com seu ambiente externo. A grande preocupação da enfermagem moderna situa-se nas disfunções da burocracia. cujos autores estavam mais voltados para a sociologia organizacional.Administração aplicada à enfermagem • • • • Fazer provisão de recursos humanos. exames. Na realidade. Thompson e David R. A teoria estruturalista. etc.

com base na conduta individual das pessoas. o esquema das necessidades hierárquicas de Maslow: Necessidades Necessidades fisiológicas: alimentação. Maslow (1908/1970). Rensis Likert. Necessidades de auto-realização: uso pleno da potencialidade individual. Para uma melhor compreensão do assunto é apresentado a seguir. que são os seguintes: fatores higiênicos e fatores motivacionais7. amizade. apesar de não ter sido submetida à comprovação científica. Abraham Maslow. Nesse aspecto. o tipo de chefia ou supervisão. . o crescimento individual. de forma que um tipo de necessidade surge quando as de ordem imediatamente precedentes tenham sido satisfeitas. o reconhecimento profissional. algumas teorias da administração. roubo. sendo que os três últimos se destacaram no campo da motivação humana. Para proporcionar continuidade no estudo da motivação. b) Fatores motivacionais: baseiam-se nos níveis mais elevados ou necessidades secundárias da hierarquia de Maslow. Necessidades sociais: participação. auto-respeito. admiração. abrigo. A teoria de Maslow é demasiadamente simplista. etc. Abraham H. etc. etc. um psicólogo americano. Primárias Necessidades de segurança: proteção contra ameaças(doenças. formulando a chamada Teoria dos Dois Fatores (Bifatorial). a natureza da tarefa que o indivíduo executa. as necessidades de auto-realização. condições físicas e ambientais do trabalho. etc. o clima de relação entre empresa e as pessoas. Para melhor conhecer esse comportamento.). Secundárias reconhecimento. De qualquer forma parece ter influenciado. de forma resumida. faz certo sentido. destacou-se ao apresentar uma teoria da motivação em que focaliza o indivíduo em suas necessidades. a) Fatores higiênicos: baseiam-se nos níveis inferiores ou necessidades primárias de hierarquia de Maslow. sexo. as políticas e diretrizes da empresa. Os principais fatores motivacionais são: as atribuições do cargo. Douglas McGregor. repouso. dispostas em níveis ou hierarquia de importância. Mas. cabe mencionar o nome de Frederick Herzberg que simplificou a teoria de Maslow.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Bernard. desemprego. O comportamento organizacional é explicado pela teoria comportamental. benefícios sociais. amor. por sua hierarquia. Chris Argyris. por oferecer um esquema orientador e útil para o administrador. torna-se necessário estudar a motivação humana. Necessidades Necessidades de estima: auto-estima. Os principais fatores higiênicos são: salário. status. os regulamentos internos. Frederick Herzberg e David McClelland.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos No elenco de teses desenvolvidas pelos autores behavioristas. entre várias alternativas disponíveis. Sob certos aspectos. rígido e diretivo de chefia em que as pessoas envolvidas na organização desejam ser dirigidas e controladas. a teoria X reflete um estilo de administração duro. que considerava a organização como um sistema de decisões. Análise e definição do processo. destacam-se ainda as Teorias X-Y. a saber: 1. Em função dessas considerações. o que significa decisão? Para esclarecer melhor. afirma que os processos de percepção das situações e o raciocínio são básicos para a explicação do comportamento humano nas organizações. assim como o que vê e interpreta influencia o que aprecia e deseja. originando-se daí o conceito de homem administrativo. 3. a teoria Y implica numa visão otimista da natureza humana. Baseia-se na concepção de que as pessoas gostam de trabalhar. Os problemas de decisão fundem-se a partir daí. quando compreendem aquilo que delas se espera e quando recebem uma satisfação decorrente do trabalho. Por outro lado. 6. 7. Procura de alternativas de solução ou de curso de ação. o comportamento organizacional e os conflitos entre os objetivos organizacionais e os objetivos individuais. autodisciplinar-se e tomar decisões por si mesmas. como por exemplo. Mas. As principais influências da teoria comportamental sobre a enfermagem dizem respeito à adoção de alguns pressupostos teóricos. de Douglas McGregor. a pessoa decide em função de sua percepção das situações. acomodadas e incapazes de autocontrolar-se. Outro aspecto importante da teoria comportamental é a teoria da decisão de Herbert Simon. Percepção da situação que envolve algum problema. a teoria das necessidades básicas de Maslow aplicada no processo de enfermagem. Avaliação e comparação dessas alternativas Implementação da alternativa escolhida. Escolha (seleção) da alternativa mais adequada. do curso de ação que a pessoa deverá seguir.3 Simon descreve o processo decisório em sete etapas. 4. baseado nos valores humanos e sociais. Chiavenato3. É um estilo participativo e democrático. onde existe a participação consciente e racional das pessoas na escolha de alternativas. pode-se afirmar que decisão é o processo de análise e escolha. Definição dos objetivos. Em outros termos. 5. Segundo explica. é natural concluir que os pressupostos da teoria X são semelhantes aos da administração científica de Taylor. que tratam dos estilos de administração. 2. fazendo comentários a esse respeito. Para McGregor10. através de Wanda de Aguiar . sem ambições. o que uma pessoa aprecia e deseja influencia aquilo que vê e interpreta. floresceram conceitos e técnicas que de há muito estavam latentes. já que não gostam do seu trabalho. São indolentes por natureza.

termostato. TEORIA DE SISTEMAS A teoria de sistemas originou-se a partir dos trabalhos do biólogo alemão Ludwig Von Bertalanffy e espalhou-se por todas as ciências. interagentes. Chiavenato3 ressalta que um sistema é um conjunto de objetos unidos por alguma forma de interação ou interdependência. desde que as relações entre as partes e o comportamento do todo sejam o foco da atenção. relógios.: máquinas. Kast. pois cada pessoa procura analisá-lo conforme a sua perspectiva. Para uma melhor compreensão dos princípios da teoria de Bertalanffy.: o homem. no campo da administração. sistema pode ser conceituado como um conjunto de elementos interdependentes. Rosenwhg citado por Chaves2. A palavra sistema vem do grego systêma que significa “um conjunto de partes coordenadas entre si. além das teorias X e Y. para a obtenção harmônica de um resultado”. Os estilos de chefias apontados por McGregor. Assim. podem ser identificados na prática de enfermagem. Normalmente. são reconhecidos dois tipos de sistemas: a) Sistema aberto: é o que permite um intercâmbio ou interação contínua com o ambiente. a sociedade e outros. . é difícil uma definição completa do que seja um sistema. 9. deve-se apresentar inicialmente o conceito de sistemas. a organização. b) Sistema fechado: é o que não permite um intercâmbio com o meio. Huckabay1 definem sistema como um conjunto de partes que trabalham juntos na realização de objetivos da empresa. notadamente. Realmente. sendo. Processamento Input Entrada Output Saída throughput Feedback Figura 1: Modelo sistêmico e seus parâmetros. uma questão de abordagem. Ex. Johson. Qualquer conjunto de partes unidas entre si pode ser considerado um sistema. afirmam que “sistema é um todo complexo e organizado. Ex.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Horta. uma reunião de coisas ou partes formando um todo unitário e complexo”. portanto. trabalhados com objetivos definidos e mútuos. Ardnt.

Em outros termos. constituído por sistemas sociais com sua própria cultura ou clima em estado de dinâmica sistêmica. Contudo. Esse fenômeno é denominado retroalimentação ou feedback. que concebeu a idéia de organização como um sistema sociotécnico (tecnologia e social). Sérgio Ribeiro dos Santos Retroalimentação ou retroação ou retroinformação (FEEDBACK). buscou na administração a utilização do método científico capaz de tornar o trabalho operacionalmente racional.) e input de apoio (recursos humanos) que sofrem um processo de transformação chamado de processamento. os inputs representam dois tipos: input de trabalho (pacientes. Saída ou resultado ou produto (OUTPUT). nessas considerações. não se pretendeu. esgotar o assunto. capaz de produzir mudanças no seu estado inicial. 10. IMPLICAÇÕES DO ESTUDO DAS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO NA ENFERMAGEM. sendo denominado de Modelo Sociotécnico de Tavistock. e Tavistock. em decorrência do acompanhamento da tecnologia e de seu aproveitamento no desenvolvimento de sua prática profissional. O output é ainda submetido a uma avaliação do ambiente ou comunidade. os resultados dessas avaliações. na forma de informações ou comentários sobre as situações que necessitam de mudanças ou sobre as áreas em que o padrão de qualidade é elogiável. que são os usuários do sistema. mesmo porque os limites de sua abrangência e profundidade ainda deverão ser objeto de discussões detalhadas sobre sua aplicação prática. É importante lembrar que a teoria sistêmica trouxe um fantástico impulso para a visão dos problemas organizacionais. tais como: Herbert Spencer. retornam ao sistema para realimentá-lo. Katz e Kahn. o indivíduo (paciente) entra no sistema (hospital) doente e recebe assistência sistematizada. com o único propósito de prestar assistência ao . O sistema recebe influência do ambiente através da entrada ou input. A idéia de visualizar a organização como um sistema aberto não foi mérito exclusivo de Bertalanffy. recursos materiais.Administração aplicada à enfermagem • • • • Entrada ou insumo (INPUT). Esse resultado deve ser coerente com o objetivo do sistema. Outros estudiosos também desenvolveram pesquisas nesse sentido. O resultado desse processo é denominado de saída ou output que pode ser por óbito ou por restabelecimento do estado de saúde (cura). Por se constituir num conjunto de ciências humanas e sociais. Assim. etc. Processamento ou transformação (THROUGHPUT). alimentação. que desenvolveram um modelo de organização baseado no sistema aberto. que afirmava ser a organização um sistema aberto de comportamento probabilístico e não determinístico. No caso do hospital. A enfermagem é uma profissão que tem evoluído muito nos últimos anos.

liderança. para aplicá-los nas decisões de sua competência. comunicação e dinâmica de grupo. organizar. c) Teoria das relações humanas: humanização da organização. Fayol. Dentre as inúmeras contribuições das teorias de administração para enfermagem. estilos de administração e o processo decisório. Portanto. mas uma função de cada componente da equipe de enfermagem distribuída gradativamente. de modo que pudesse atender as suas necessidades. Maslow e outros. Portanto. d) Teoria comportamental: motivação humana. Huckabay1 lembram que a prática eficaz da administração depende de uma síntese de conhecimento das quatro escolas de pensamento administrativo. Arndt. comandar. na enfermagem. é que o enfermeiro pode escolher o método para planejar. coordenar e controlar). A administração pode ser considerada a base de todo o processo de enfermagem. com habilidade. Convém lembrar que as teorias da administração são universais e facilmente absorvidas em qualquer área do conhecimento. conhecer o processo administrativo e suas teorias. além dos conhecimentos específicos. b) Teoria clássica de Fayol: princípios gerais de administração (planejar. não é um privilégio exclusivo do gerente. e) Teoria sistêmica: visão sistêmica das organizações. Em particular.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos paciente. à família e à comunidade. confiança em si e eficácia. consideradas como a base da teoria em administração e aplicadas aos objetivos e problemas das ações de assistência à saúde e às áreas de interesses mais amplos nos assuntos de saúde da comunidade. executar e avaliar as ações na prática do serviço de enfermagem. somente conhecendo os princípios em que se fundamentam a administração e possuindo habilidades para tomar decisões. . Por tudo isso. sua influência foi relevante. três fatores estão presentes: DECISÃO ORGANIZAÇÃO EXECUÇÃO. podem-se destacar as seguintes: a) Administração científica de Taylor: organização racional do trabalho. conforme o nível de responsabilidade e hierarquia. o enfermeiro necessita. Em qualquer trabalho que o enfermeiro desenvolva. devido à própria natureza e filosofia do serviço de enfermagem que obrigatoriamente faz uso dos princípios administrativos propostos por Taylor.

Administração aplicada à enfermagem RESUMO 1. Evolução histórica da administração:

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Primeira fase – fase empírica da administração: período teocrático e o período precursor da administração científica. Segunda fase – fase da administração científica: período clássico, neoclássico e moderno. 2. Teoria e seus representantes a) Administração científica: ênfase na tarefa. Taylor, Emerson, Gilbreth e Ford. b) Teoria clássica: ênfase na estrutura organizacional. Fayol, Urwick e Gulick. c) Teoria das relações humanas: ênfase na pessoa. Elton Mayo, John Dewey e Kurt Lewin. d) Teoria da burocracia: ênfase na racionalidade. Max Weber. e) Teoria estruturalista: ênfase na tipologia e objetivos organizacionais. Philip Selznick, Amitai Etzioni e Levy Strauss. f) Teoria comportamental: ênfase no comportamento humano na organização. Herbert Simon, McGregor, Maslow e Herzberg. g) Teoria de sistemas: ênfase na visão sistêmica da organização. Ludwig Bertalanffy. QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO 1) O que caracterizou a fase da administração científica e como foi dividida? 2) De que forma se destaca os períodos da obra de Taylor? 3) Explique o que é organização racional do trabalho. 4) Explique o conceito de “homo economicus”. 5) Quais as funções básicas da empresa para Fayol? 6) Comente os princípios gerais de administração de Fayol. 7) Comente a experiência de Hawthorne. 8) Faça um confronto entre a teoria clássica e a teoria das relações humanas. 9) O que significa burocracia? 10) Quais as vantagens da burocracia? 11) Defina estruturalismo. 12) Relacione as principais contribuições da teoria estruturalista na administração. 13) Explique a hierarquia das necessidades, segundo Maslow. 14) Explique a teoria dos fatores de Herzberg. 15) Explique as teorias X e Y de McGregor. 16) Explique as origens da teoria de sistemas. 17) O que significa sistema?

Administração aplicada à enfermagem REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 1. ARNDT C; HUCKABAY LMD.

Sérgio Ribeiro dos Santos

Administração

em

enfermagem.

Rio

de

Janeiro: Interamericana, 1983. 2. CHAVES JC. Administração dos serviços de saúde. Rio de Janeiro: FGV, 1980. 3. CHIAVENATO I. Introdução à teoria geral da administração. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1983. 4. DRUKER PF. Prática de administração de empresa. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1960. 5. ETZIONI A. Organizações modernas. São Paulo: Pioneira, 1967. 6. GONÇALVES EL. Administração de recursos humanos nas instituições de saúde. São Paulo: Pioneira, 1987. 7. HERZBERG F. The motivation work. New York: John Wiley & Sons, 1959. 8. LODI B. Administração por objetivos. São Paulo: Pioneira, 1972. 9. MAXIMIANO AC A. Introdução à administração. São Paulo: Atlas, 1981. 10. MCGREGOR D. Motivação e liderança. São Paulo: Brasiliense, 1973. 11. SANTOS SR. Administração em enfermagem: burocracia ou assistência? Revista Hospital – Adm. e Saúde, São Paulo, v. 16, n. 1, jan./fev., 1992.

aceitos em diversos países. As origens do hospital remontam à idade antiga. ao se converter à fé cristã. Entretanto. as primeiras instituições hospitalares. o hospital passou a ser caracterizado como entidade assistencial para doentes. • Xenotrophium: asilo e refúgio para viajantes estrangeiros. em 437 a. competindo aos religiosos o direito da assistência espiritual.. significando aquele que dá o agasalho ou que hospeda. segundo registros encontrados numa rocha do país. a terminologia mais utilizada relacionava-se com o grego latinizado. Já outros autores citam o hospital mandado erigir por Fabíola.C. Para Mac Earchern5. viajante.). salientando-se: • Nosodochium: lugar para receber doentes. datam da segunda metade do séc. o tratamento dos enfermos passou a ser exercido por leigos. Assim. • Ptochotrophium: asilo para pobres. somente a partir da era cristã.. onde os frades. O imperador Constantino. adjetivo derivado de hospes (hóspede. monges e outros religiosos utilizavam-se da prática médica fora dos conventos. mistificada pelas lendas ou mitos dos povos que atribuíam à doença um castigo dos deuses.C. em Roma. construídas na era cristã. sendo um ambiente místico e de superstições. Essa feição religiosa das organizações hospitalares acentuou-se entre os séculos XII a XVI. segundo o modelo arquitetônico da época. fundamentada nos princípios da proteção e amor ao próximo. Do primitivo latim. pobres e peregrinos. Outros registros comprovam a existência de hospitais no Ceilão. • Gynetrophium: asilo para velhos. nesse mesmo século. A milenar Índia. construiu hospitais. destruiu os templos de Esculápio (355 d. nos mosteiros. a oração e os ofícios de religiosos que dedicavam suas vidas à assistência aos moribundos. atendendo os chamados dos enfermos2. como o primeiro hospital cristão.C. A partir do Concílio de Viena. conforme atesta Mac Earchern5. em 1312. originaram-se os termos hospital e ospedale. HISTÓRICO O termo Hospital tem sua origem no Latim – hospitale4. Todavia. • Poedotrophium: asilo para crianças. na Capadócia. cresceram e se desenvolveram as instituições hospitalares entre os povos que . no reinado do rei Asaka. estrangeiro). Os gregos construíram hospitaltemplo que consistia em amplo edifício. • Hospitum: lugar que recebia enfermos incuráveis ou insanos. em Cesaréia. em 226 a. com o estabelecimento do nosocômio erigido por São Basílio (369 a 372 d. O que caracterizava os primeiros hospitais cristãos era a espiritualidade. IV. nos primórdios da era cristã.C.) e construiu um hospital em Constantinopla.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 1.

percebe-se que o hospital é uma instituição dotada de planta física. em virtude de sua origem. publicado no Diário Oficial da União. organização administrativa e equipamentos.773. Em 1977. se tornou doente ou ferido.. definiu o hospital como: [. dentro do mais profundo sentido humano. o direito à saúde é universalmente reconhecido como inalienável aos indivíduos ou a cada nação. adverte Mac Eachern: De todas as empresas modernas. Em 1978. em 22 de agosto do mesmo ano. é instituída a Portaria do Ministério da Saúde Nº 400 que aprova normas e padrões de construções e instalações de serviços de saúde para hospital geral. de sua responsabilidade de prover meios para mantê-lo são ou restaurar-lhe a saúde perdida. constando das primeiras declarações aprovadas nas Nações Unidas. o hospital foi conceituado como uma instituição destinada a internar. para diagnóstico e tratamento. constituído de diferentes partes. 5 Assim conceituado. capaz de receber o paciente. por alguma razão. o hospital tem sido caracterizado como empresa de prestação de serviço. Como objetivo fundamental. apesar da forte influência religiosa. relacionados entre si e no conjunto. acomodálo. na abertura do Hospital Johns Hopkins. ou tão próximo quanto possível ao normal. . e cuidar dele de modo a restaurá-lo ao normal. pela comunidade.. do amor e da caridade. Na época. Assim. pessoas que necessitam de assistência de médicos e cuidados constantes de enfermagem.º 37. para Mac Eachern5. o hospital é a representação do direito inalienável que o homem tem de ter saúde e o reconhecimento formal. John S Billings.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos gradativamente foram libertando-se da igreja institucional. simplifica e aperfeiçoa a organização interna dessas instituições. de 18 de agosto de 1955. o governo federal. nenhuma é mais complexa que o hospital. Atualmente. tendo funções diversas. através do Decreto n. para produzir os resultados desejados”. tem ele um simples propósito: receber o corpo humano quando. No Brasil. médio ou grande porte um documento básico que normatiza. Além disso. mas todas na devida proporção. O Dr. pioneiro da moderna administração hospitalar. cujo objetivo era difundir para os estabelecimentos. de Baltimore. 6 Analisando os aspectos característicos de uma organização hospitalar. públicos e privados de pequeno. tratá-lo e devolvê-lo à comunidade em condições satisfatórias de saúde.] “organismo vivo. o Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (PROHASA) elaborou um Manual de Organização e Procedimentos Hospitalares. criou uma comissão para elaborar anteprojeto da lei orgânica de assistência médico-hospitalar. de pequeno e médio porte.

psíquica ou psicossomática. seja olhado como instituição humanitária. tanto quanto possível. um membro para o qual a comunidade tem deveres. lhe são confiadas funções básicas. de acordo com a Comissão de Peritos em Assistência Médica da Organização Mundial de Saúde. por sua vez. Supervisão do crescimento normal da criança. para assumir uma postura mais complexa no seio da comunidade. o hospital é a casa em que o hóspede é pessoa especial. O hospital também deve ser visto sob o ângulo econômico. FUNÇÕES DO HOSPITAL As funções do hospital evoluíram com sua própria história. Atualmente. Assim. Owen: “o hospital deve trabalhar 365 dias do ano e. mas sob o prisma social e econômico do indivíduo em relação à comunidade. organizar-se no sentido de atender as necessidades preventivas. cuja função é prover completa assistência de saúde à população. de ensino e de pesquisa.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos O hospital. As funções do hospital padronizadas pela comissão foram: a) Preventiva: Supervisão da gravidez normal e nascimento da criança. muito embora. a comissão definiu hospital como sendo: Uma parte integral de uma organização médica e social. Observando-se os diversos conceitos. É também. 2. considerando-se a complexidade de sua organização que exige “bom planejamento comunitário. 9 A citada comissão também discutiu as funções do hospital geral e sentiu que este não poderia limitar suas atividades à esfera restaurativa. conforme lembra J. Educação sanitária. no período de 18 a 23 de junho de 1956. e cujos serviços de ambulatório atingem até a família e seu meio ambiente. inclusive o de promover a sua completa reintegração social mais do que a recuperação somática. bom projeto de construção e boa administração”. sente-se que é grande a responsabilidade do hospital em relação à comunidade a que se destina. bem como à pesquisa biossocial. tem acompanhado o avanço da tecnologia médica e passou a considerar o ser paciente.6 E não poderia ser de outro modo. A antiga concepção de cuidar da doença foi sendo alterada até atingir a complexidade que hoje alcançou a ponto de ser impossível estabelecer limites entre a saúde e a doença. devendo. segundo McGibony7. um centro de ensino por excelência. deixando de ser um centro de diagnóstico e tratamento da doença. K. Controle das doenças transmissíveis. . Em reunião realizada em Genebra. curativa e preventiva. não mais como matéria-prima para produzir serviços de saúde. encontra os mesmos problemas econômicos das indústrias”.

Pós-graduação: especialização a praticantes em geral. observa-se perfeitamente. Todavia. levado a efeito sob os auspícios do Ministério da Saúde. mental e social. b) Restaurativa: Diagnóstico. estabelecendo-se apenas como marketing comercial de empresa privada. Função preventiva Prevenir a doença é. cirúrgicos e especiais. Nas discussões da XVII Conferência Sanitária Pan-Americana. ambulatório e internação. que visa exclusivamente à lucratividade. consiste em medidas de supervisão e acompanhamento dos clientes que necessitam de tais medidas no controle e na educação sanitária. sem dúvida. que versou sobre o tema: Meios para promover e tornar efetiva a . dos 2. produtora de serviço. mediante o intercâmbio de informações e experiências. o quadro não sofreu significativas modificações. psicológicos e físicos da saúde e da doença. em que consiste essa prevenção? Basicamente. Práticas hospitalares. técnicas e administrativas. para que isso aconteça. No Brasil. Reabilitação: física. Interessados em medicina social.883 hospitais recenseados. Cuidados de emergência: acidentes e doenças (mal súbito). A grande preocupação da Organização Pan-Americana de Saúde. no sentido de assistência médico-hospitalar.Administração aplicada à enfermagem Saúde ocupacional. Mas. sem uma perfeita sintonia entre a medicina preventiva e curativa. Mas. envolvendo os procedimentos médicos. em 1965. Outras profissões correlatas. é necessário que exista uma intensa colaboração entre os serviços dos diversos hospitais. os dados levantados pelo primeiro censo hospitalar. Esse fato tem dificultado a “prevenção da doença”. c) Ensino: Formação de técnicos de nível médio e graduação médica/paramédica. sem nenhum planejamento real das necessidades da comunidade. tem sido enfatizada através de resoluções das assembléias de delegados. Atualmente. d) Pesquisa: Aspectos sociais. o número crescente de instituições hospitalares. Os hospitais devem existir com programas de medicina preventiva em execução e eficiente. somente 32 constituíam unidades integradas. Não se pode mais pensar em hospital. Sérgio Ribeiro dos Santos Tratamento da doença: curativa e paliativa. comprovaram que. a função mais importante para o hospital.

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coordenação entre os serviços e programas do Ministério da Saúde, concluiu-se que a coordenação de esforços para a organização e administração dos serviços de assistência médico-hospitalar é uma necessidade imperiosa e impostergável6. A propósito, assinala Campos2: “as atividades da medicina curativa e preventiva não podem fugir de um esquema de coordenação, pela ordem metódica no uso dos recursos materiais e humanos disponíveis, nas organizações públicas e privadas, para o cuidado da saúde”. Assim, a lacuna existente atualmente em muitos hospitais, entre os serviços preventivos e curativos, deve ser eliminada com a fixação de programas integrados e a participação de toda a equipe de saúde. Função restaurativa A função restaurativa é, sem dúvida, uma das mais importantes do hospital, executada por um complexo de técnicas capazes de realizar, com rapidez e eficiência, o diagnóstico e o tratamento das pessoas necessitadas que o procuram. A evolução histórica e a substituição do empirismo pela tecnologia científica fizeram com que essa idéia simplista de função restaurativa fosse provida de instalações, equipamentos e organizações, a fim de possibilitar, com uma margem maior de segurança, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado das doenças. No Brasil, até a segunda metade do século XX, os hospitais eram construídos, salvo algumas exceções, sem qualquer planejamento, apenas considerando-se as necessidades comunitárias de subsistência. Isso retardou o processo evolutivo das funções, pois não se estabeleceu, sequer, um conjunto de condições favoráveis ao cumprimento da atividade relacionada com o diagnóstico e o tratamento. Atualmente, a idéia dominante é a de que as instituições hospitalares devem ser planejadas, de modo a estabelecer-se uma combinação ideal entre os leitos disponíveis e as necessidades da comunidade. Além disso, o diagnóstico e o tratamento da doença possibilitam a restauração que prevê a reabilitação física, mental e social do indivíduo. Portanto, na sociedade o indivíduo deve ser “sempre colocado como o elemento mais importante, para que se creia que tal custo poderá ser totalmente compensado pelos relevantes serviços prestados à comunidade”, salienta Campos2. Função de ensino O hospital exerce um papel fundamental na formação de recursos humanos para a área de saúde. Por isso mesmo todos os hospitais podem ser centro de estudo em potencial, não somente para a prática de estudantes de medicina ou de enfermagem, mas para todas as áreas ligadas à saúde, a nível médio e de graduação.

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Outros aspectos de relevância na função de desenvolvimento no hospital são aqueles relativos ao processo de treinamento e capacitação, destacando-se: a) b) orientação ao funcionário novato; treinamento em serviço.

Assim, o hospital possibilita um preparo prático, moderno e atualizado aos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, aos assistentes e demais categorias que trabalham na instituição. Portanto, o papel educativo do hospital pode ser resumido de acordo com o seguinte esquema:
Introdução de conhecimentos (estudantes) Correção e atualização de conhecimentos (profissionais) Mudança de atitude (equipe Melhoria do desempenho Saúde)

de

Função de Pesquisa Kreatchemer citado por Maudonnet6, define pesquisa como: “o esforço consciente do homem no sentido de encontrar novos fatos pela exploração, de relacionar uns com os outros e deles derivar novos princípios e generalidades”. Dentro do campo da atividade hospitalar, a pesquisa envolve aspectos médicos, sociais e administrativos. Analisando-se o papel do hospital no contexto de suas funções, percebe-se que, por ser uma unidade dinâmica na sociedade, deve manter-se atualizado, testando e inovando técnicas. Só assim será capaz de obter os melhores resultados, com menos tempo e esforço, e menor custo operacional. Mas, para alcançar esse objetivo, precisa investir em recursos, na pesquisa ligada a todos os campos de sua atividade. Cherubin3 define a pesquisa hospitalar, como meio para chegar ao conhecimento e à aplicação de novos processos de diagnóstico e tratamento, que vão da simples observação ou pesquisa passiva, até a experimentação, ou seja, a atitude ativa do pesquisador. Seu objetivo é modificar o curso da doença ou as condições dos organismos vivos e chegar assim, a uma conclusão a respeito dos melhores processos referentes aos objetivos da medicina. Para Harvey citado por Campos2, “não há melhor maneira de fazer avançar a prática da medicina do que aplicar nossas mentes, não apenas na descoberta do trabalho normal da natureza, mas também na cuidadosa investigação das mais raras formas de enfermidades”. É isso que faz com que a pesquisa seja considerada necessária, obrigando o hospital a se manter atualizado nos aspectos relacionados com a constante evolução da prática médica e administrativa.

Administração aplicada à enfermagem 3. CLASSIFICAÇÃO DOS HOSPITAIS

Sérgio Ribeiro dos Santos

A classificação hospitalar supõe uma série de requisitos que tem por objetivo medir o desempenho em termos de serviços prestados, com base em padrões preestabelecidos pelo Ministério da Saúde, cuja finalidade é estimular a melhoria do atendimento prestado ao paciente, elevando o padrão das instituições. Para a classificação dos hospitais, utilizam-se como parâmetros de avaliação, os instrumentos elaborados pela coordenação de assistência médica do Ministério da Saúde, com base nos critérios baixados pelo Conselho Nacional de Classificação Hospitalar. A classificação dos hospitais obedece a uma série de critérios. É impossível relacionar todos os critérios neste trabalho. Pode-se, porém, apresentar alguns aspectos adotados, seguindo o exposto no Anteprojeto da Lei Orgânica de Assistência Hospitalar, de 1964, que define assistência hospitalar como aquela que tem por base o hospital e a instituição parahospitalar e que concorre para a criação de completo estado de bem-estar físico, mental e social do indivíduo. Portanto, a assistência hospitalar pode ser classificada da seguinte forma: Geral: é aquela prestada por hospitais gerais (que atendem a muitas enfermidades). Especializada: é aquela prestada por hospitais especializados, como por exemplo, tuberculose, doenças mentais, câncer, etc. Outras formas de classificação indicadas pelo anteprojeto da Lei Orgânica referida aos hospitais são: a) Nível de competência (nível de serviços médicos): Hospital primário: profilaxia, prevenção, clínica básica. Hospital secundário: básico, sem recursos avançados. Hospital terciário: nível tecnológico desenvolvido. À medida que aumenta o nível de serviços médicos, aumentam o nível de capacitação dos recursos humanos e a sofisticação tecnológica dos equipamentos. b) Hospital oficial: o provimento cabe direta ou indiretamente à administração pública, podendo ser: Administração central: o hospital é mantido por órgãos da administração centralizada federal, estadual e municipal. Administração descentralizada ou paraestatal: o hospital é mantido por órgãos da administração descentralizada federal, estadual ou municipal, pelas sociedades de economia mista ou por fundação. 3. Hospital particular: mantido por instituições particulares ou pessoa jurídica de direito privado. Pode ser: Hospital lucrativo: objetiva o lucro da empresa compensando o emprego do capital com distribuição de dividendos.

diretores. proporciona assistência gratuita a um quinto do total de seus serviços. c) Tempo de permanência do paciente: Hospital de crônicos: é aquele que se destina a prestar assistência a pacientes. não distribui benefícios a qualquer título. Hospital beneficente: é o hospital particular não lucrativo. de 20 de julho de 1973. gratificação. f) Edificação: Hospital pavilhonar: é o hospital cujos serviços se apresentam distribuído por edificações isoladas de pequeno porte. Não é permitida a distribuição de dividendos. Apresenta ainda o seguinte: “não concebe remuneração. e) Faculdade do exercício profissional médico: Hospital de corpo clínico aberto: permite a qualquer médico a internação e a assistência a seus pacientes. devendo seus recursos financeiros ser aplicados em benefício da própria instituição. de acordo com o Decreto n. Hospital de adultos: destina-se a assistir o paciente adulto. podendo essa faixa etária máxima variar em alguns hospitais. tisiologia e outros com características semelhantes. que tenha idênticos objetivos sociais. não remunera os administradores (as pessoas jurídicas). a dirigentes superiores. vantagem ou benefício de qualquer espécie e a qualquer título. cujos atos de constituição especifiquem sua clientela. É o caso dos hospitais de psiquiatria. Hospital de corpo clínico fechado: só permite o exercício da medicina àqueles médicos que compõem seu corpo clínico. cuja finalidade é prestar assistência hospitalar a um grupo específico de pessoas a respectivos dependentes que contribuem como associados. irmãos ou outras pessoas. salvo aquelas com as quais mantém vínculos legais de empregador3”. É o caso das situações médicas de emergência ou moléstias agudas. podendo ou não estar interligadas. . Hospital geriátrico: destina-se a assistir pacientes idosos.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Hospital não lucrativo: não objetiva o lucro. tendo geralmente uma média de sessenta dias. sócio. Hospital filantrópico: é o hospital particular não lucrativo que.º 1840. Apenas aplica integralmente os recursos na manutenção. d) Grupo etário: Hospital infantil: destina-se assistir pacientes com idade de até doze anos. Hospital de longa permanência: é aquele cuja permanência é prolongada por moléstia grave ou de prognóstico negativo. Hospital de agudos ou de curta permanência: é aquele cuja permanência em média não ultrapassa a trinta dias. cujo quadro clínico se tenha estabilizado.

profissional e não profissional. Seus objetivos principais são: Formação profissional. Hospital de médio porte: entre 50 a 149 leitos. Hospital de ensino: é um hospital geral com a característica e função do hospital de base. Hospital vertical: é o hospital em que há predominância de sua dimensão vertical sobre a horizontal. Capacidade e localização: Hospital Unidade Integrada de Saúde ou Unidade Mista: essas unidades foram construídas para servir de ponto avançado em zonas de escassa densidade demográfica. pediátrica. constando de unidade de internação nas áreas de clínica médica. Além disso. Hospital horizontal: é o hospital em que há predominância de sua dimensão horizontal sobre a vertical. obstétricas e cirúrgicas.000 habitantes. Hospital local ou de comunidade: é um hospital destinado a população igual ou superior a 20. laboratório e de odontologia. destinada à formação de estudantes na área de saúde. todas normalmente em caráter de urgência. ginecologia e obstetrícia. sob a responsabilidade do corpo docente da instituição. As Unidades Mistas. Hospital de base: é um hospital geral que possui entre 300 a 500 leitos. otorrinolaringologia. 8. . basicamente em clínicas médicopediátricas. g) Tamanho em relação ao número de leitos: Hospital de pequeno porte: entre 25 a 49 leitos. cooperando com a unidade sanitária no campo da saúde pública. Normalmente sua capacidade é de 400 a 500 leitos. obstétrica. além de realizar internação. contendo serviços de ambulatório. o hospital de base complementa a ação dos hospitais com os quais mantém intercâmbio. Destina-se a funcionar como centro coordenador de integração dos serviços médico-hospitalares de uma determinada área ou região. cirúrgica em geral e pediátrica. Tem suas atividades assistenciais ajustadas ao ensino e ao treinamento. Pesquisa clínica e social. executam programas de saúde pública.000 a 20. treinando e aperfeiçoando o pessoal hospitalar. Devem atender a uma faixa populacional entre 10. que podem ou não estar interligadas. formando. Hospital de grande porte: entre 150 a 500 leitos. prestando assistência médico-cirúrgica e especializado e servindo de apoio aos hospitais distritais ou regionais. oftalmologia e traumatologia. centralizando e integrando as atividades de saúde.000 habitantes.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Hospital multibloco: é o hospital cujos serviços encontram-se distribuídos por edificações de médio ou grande porte. Hospital de porte especial ou extra: mais de 500 leitos.

muitas áreas funcionais que são interdependentes e se interrelacionam. constituindo-se num conjunto de atividades. principalmente a administrativa que se completa com uma complexa divisão de funções. mas principalmente político e técnico. Esses profissionais são. tornando o trabalho individualizado devido à dinâmica gerada no seu planejamento. Embora o hospital apresente essa característica humanitária. administrador. não um somatório de partes desagregadas. com pessoal de profissões diferentes. burocrática e altamente hierarquizada ou autoritária. independentemente de denominações oficiais ou peculiares a cada hospital. gerenciada pelo O hospital é uma instituição de complexa estrutura organizacional. Essa semelhança diz respeito à estrutura formal. depende muito de sua interação com as pessoas que cuidam dos pacientes. Que tem relação secundária com a medicina. O trabalho no hospital apresenta objetivo definido. é também uma organização burocrática. ciosos de seu status. agrupados e estruturados. esse autoritarismo vem perdendo gradualmente suas características. O esquema apresentado a seguir. que reparte em parcelas de densidades diferentes as suas responsabilidades. Desenvolvimento da medicina comunitária. com regras e regulamentos para o controle do comportamento e trabalho de seus funcionários. . apesar de o produto do hospital ser o paciente. tornando a organização mais funcional. Porém. Preparo do pessoal paramédico†. segundo as † Relativo à complementação de serviços médicos. aplicando os recursos disponíveis em tecnologia e em atividade humana.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Treinamento de graduados (aperfeiçoamento e especialização). O hospital segundo Teixeira11: É uma organização que tem características próprias que o diferenciam de outras instituições. com as mudanças na cultura organizacional do hospital. mas acima de tudo humanitária. tem a finalidade de facilitar a compreensão da estrutura hospitalar. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO HOSPITAL A organização hospitalar apresenta muita semelhança com a de uma empresa de produção industrial. de forma a haver distribuição de trabalho e responsabilidade. Dessa forma. é visto como um sistema humano de serviço. porque. o mesmo não pode ser considerado um objeto ou matéria – prima. Seu objetivo principal é proporcionar cuidado adequado aos pacientes. extremamente. não apenas social. necessitando de um funcionamento eficiente de todos os seus componentes de maneira a compor um todo e. A autoridade no hospital é repartida em parcelas. 4. mas com uma extrema divisão de trabalho. Por isso. racional e descentralizada. exposto por Teixeira11.

sendo a responsável pela instituição. bem como controlar as atividades técnicas e administrativas. resultando na organização do trabalho em equipe. O corpo clínico realiza ainda os serviços de apoio clínico (auxiliar de diagnóstico e tratamento ou serviços médicos auxiliares). Conselho Diretivo Diretoria Corpo Clínico Corpo Profissional Figura 2: Modelo da estrutura de um hospital a) Conselho Diretivo ou Direção Superior: recebe denominações diversas.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos instituições. ginecológica e pediátrica. A figura 2 apresenta os segmentos que compõem a estrutura de um hospital. nos hospitais públicos. por ser um órgão deliberativo. As especialidades médicas na organização hospitalar são constituídas de: clínica médica. c) Corpo clínico: é o conjunto de profissionais de medicina. entre a direção superior. a direção superior responde pela administração dos recursos econômicos que lhe são confiados e que são essenciais ao funcionamento do hospital. tratar as políticas gerais da instituição. na confirmação do diagnóstico e nas medidas terapêuticas. o corpo profissional e administração ou diretoria. A organização formal do hospital mostra que a direção superior é a autoridade máxima. . superintendente. ao qual compete planejar e estabelecer a organização interna das unidades. caracterizando uma atenção médica moderna. os quais se agrupam por especialidade. São eles. entre outros: ♦ Laboratório clínico. em serviços e clínicas. conforme o porte. cirúrgica. que auxiliam o trabalho do médico. Por exemplo: mesa administrativa ou junta de diretores. ♦ Transfusão. b) Diretoria: é o órgão executivo. variando de um hospital para outro. o corpo clínico. ♦ Anatomia patológica. elaborando as diretrizes indispensáveis à concretização de tais políticas. obstétrica. conselho de administração ou diretor geral. Compete à direção superior. ou ainda. Além disso. coordenar os trabalhos médicos e administrativos.

Sérgio Ribeiro dos Santos Os serviços técnicos são atividades que colaboram diretamente com o corpo clínico. d) Corpo profissional: é constituído pelo serviço de apoio administrativo ou apoio gerencial. com destaque. visando atingir os objetivos-fins do hospital. Esse serviço constitui a infraestrutura do hospital. Transporte. Serviço de fisioterapia. ♦ Medicina física. ♦ Endoscopia. Outros serviços que são enquadrados dentro dos serviços técnicos são: • • • • • • • Serviço social médico. Lavanderia e rouparia. Recursos materiais. ♦ Hemodinâmica. que é constituído pelo maior número de profissionais. Recursos humanos. São compostos de profissionais paramédicos que desempenham diferentes atividades relacionadas diretamente ao paciente. ♦ Eletrocardiografia. o serviço de enfermagem. em torno de 60% do quadro geral de pessoal. que inclui a coordenação de recursos humanos e materiais. Engenharia e manutenção hospitalar. Serviço de arquivo médico e estatístico. Zeladoria. Portaria. ♦ Anestesia. ♦ Medicina nuclear. Serviço de psicologia. Contabilidade. Biblioteca. O serviço de apoio administrativo engloba os seguintes serviços: • • • • • • • • • • • • Comunicações e arquivo ou protocolo e arquivo ou secretaria. . Situa-se nesse âmbito.Administração aplicada à enfermagem ♦ Radiologia. Serviço de nutrição e dietética. Serviço de farmácia. Recursos financeiros. Limpeza. estando presente em todos os turnos de funcionamento do hospital. Processamento de dados.

Lourdes de Freitas Carvalho. fato que dificulta sensivelmente aqueles que trabalham nos hospitais. Para Maudonnet6. porque vão fornecer ao nível técnico. hierarquicamente subordinado ao serviço técnico. Além disso. quando conhecidos tardiamente. Serviços gerais. capaz de prestar serviços ao paciente. não permitem sanar as causas em curto prazo e. ao hospital e à sociedade. O SAME é o retrato do hospital. Sérgio Ribeiro dos Santos Além dos serviços citados. fornece informações para pesquisa médico-social e para administração do hospital. destinado a coletar. pela Dra. Não importa a sigla usada pelo hospital. ordenação e controle do prontuário. a forma como o setor se encontra estruturado. por isso deve estar estruturado para funcionar em perfeita harmonia com a imagem da instituição. dessa forma. fazendo parte do staff da direção do hospital. energia e informações para que as atividades-fim da instituição sejam realizadas com eficiência. e) Serviço de Arquivo Médico e Estatístico – SAME: no Brasil. as falhas prolongam-se mais do que seria tolerável. Afirma ainda que o “SDM está para a entidade assistencial médica. e tem servido de modelo para os demais que vêm sendo organizado no país. controlar. mas sim. de subvenções governamentais. Esses serviços são fundamentais. Como se pode verificar. ou ainda. mostrando os efeitos de seu mecanismo. Mezomo8 ressalta que: a finalidade da estatística é fornecer dados para avaliação do padrão de atendimento e da eficiência dos serviços e prestar informações dentro do menor tempo possível os resultados. organizado e implementado em 1943. por exemplo: SDM – Serviço de Documentação Médica. SDC – Serviço de Documentação Científica. o SDM deve funcionar como os ponteiros de um relógio. Esse serviço é responsável pelo desenrolar do SDM e também pela fidelidade das estatísticas. O SAME recebe outras denominações. nessa organização. a organização de um hospital é geralmente bastante complexa. o SDM “é um órgão. o primeiro SAME surgiu no Hospital das Clínicas de São Paulo. apurar e fazer amostragem de todos os dados de . assim como a central de custos está para a entidade administrativa hoteleira”. Para Maudonnet6. Não há uma resposta mágica que defina a estrutura de inter-relacionamento mais correta. relações públicas.Administração aplicada à enfermagem • • Telefone. o SAME deve ser conceituado como sendo um órgão. destinado ao registro de dados do paciente. o hospital pode ainda dispor de assessoria jurídica. Diante de tudo quanto se disse a seu respeito. Sua boa organização possibilita ao hospital facilidades na obtenção de convênios ou contratos com entidades. ao corpo clínico. sistema de informações e organização & métodos. o ingresso do material.

Estatísticas: estatística médica e administrativa. internação. Zelar pela clareza e exatidão dos prontuários médicos do hospital. . sendo utilizado. Manter um serviço que proporcione estudos capazes de facilitar o diagnóstico. Maudonnet6 e Berezovisk1 : Manter um sistema de registro que controle toda a movimentação dos pacientes no hospital. um sistema numérico nos prontuários.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos ordem médico-administrativa. Zelar pela ordenação. técnicas e de equipamentos. Melhoria na qualidade. O PROAHSA – Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde – define o SAME como um órgão que: tem por finalidade a manutenção da integridade do conjunto de prontuário pertencente ao hospital. guarda e conservação dos prontuários médicos dos pacientes tratados no hospital. Arquivo médico: recepção. ambulatório e clínicas gerais e especializadas. segundo PROAHSA10. Colaborar em programas de ensino e pesquisa. codificação e controle da circulação dos prontuários. pode-se enumerar os seguintes encargos. formas. sendo estruturalmente delineado pelos seguintes setores: Diretoria. informação e marcação de consultas e exames. na quantidade e na utilização das informações médicas. calculado por computador. classificação. Expediente. onde todos os dados do paciente são cadastrados em banco de dados. bem como do necessário sigilo no que se refere ao conteúdo dos mesmos 10 . por meio de atividades desenvolvidas segundo critérios especiais de guarda. Registro geral: registro. Quanto às finalidades do SAME. o tratamento e o prognóstico. proporcionando os seguintes benefícios: Maior rapidez nas anotações e na transmissão de informações de interesse administrativo. Para atingir essas finalidades. Esse controle evoluiu com a introdução de novos métodos. O SAME tem responsabilidade pelo controle do prontuário. por exemplo. Cooperar no estudo ou na alteração dos formulários relacionados à assistência prestada ao paciente. o SAME precisa se organizar. prontuário. referentes aos pacientes que utilizam a entidade assistencial médica”.

Terminologia geral – médico-hospitalar e epidemiológica: ALOJAMENTO CONJUNTO: é um tipo de acomodação em que o recém-nascido normal permanece junto ao leito da mãe. com o propósito de elevar o nível de saúde. Em grandes empresas. por vários fatores significativos. proteger. métodos e processos de ciência da saúde. uma fundamental tarefa de revelar o grau de desenvolvimento técnico e de eficiência da instituição. onde é empregado um conjunto de ações. ASSISTÊNCIA SANITÁRIA: é aquela desenvolvida pela equipe de saúde junto à população. por óbito. quer utilize técnicas avançadas. que põe termo à assistência prestada ao paciente. Pode ser por cura. Compreende alta ambulatorial. transferência ou indisciplina. com o objetivo de promover. com o objetivo de promover. TERMINOLOGIA HOSPITALAR Para uma melhor compreensão da complexidade da administração hospitalar. possibilitando maior rapidez na localização de documentos e melhoria nas condições de manutenção e limpeza da documentação. guarda e conservação. altos gerentes são os gerentes gerais e seus subordinados. é empregado um . proteger. ASSISTÊNCIA HOSPITALAR: é aquela que exige o emprego de um conjunto de ações. em regime de internação. só os grandes hospitais utilizam os modernos métodos de sistematização do trabalho no SAME. Lamentavelmente.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Diminuição nas possibilidades de erro e redução do tempo gasto nas verificações e transcrições. recuperar e reabilitar o indivíduo. após o parto hospitalar. No entanto. transcrita em seguida. quer utilize técnicas rudimentares. ALTA: é um ato médico. ASSISTÊNCIA MÉDICA: é aquela prestada pelo médico. no hospital. Para isso. ASSISTÊNCIA DOMICILIAR: é aquela prestada pela equipe de saúde no domicílio ou na residência do paciente. melhora. a pedido. redução do pessoal para ordenação. métodos e processos de ciência médica. em virtude da economia de espaço. Outro recurso técnico atual é o processo de microfilmagem utilizada nos prontuários inativa. Melhoria do sistema de informação e comunicação. domiciliar e hospitalar. em estabelecimentos hospitalares. Esse processo facilita o serviço de arquivamento. esse serviço cumpre. o primeiro passo é conhecimento de sua linguagem técnica mais usual. ALTA ADMINISTRAÇÃO ou ALTA GERÊNCIA: é a expressão que inclui os chefes corporativos. 5. recuperar e reabilitar o indivíduo.

que satisfaçam às necessidades de uma população determinada. mas não pertencem à empresa na qual o produto ou serviço é feito. CENSO HOSPITALAR DIÁRIO: é a contagem. cujos agravos à saúde necessitam de assistência imediata. ao sistema e à gestão para aprimoramento contínuo do processo. Check e Act (Planejar. CLIENTES EXTERNOS: aqueles que são afetados pelo produto. aos processos. . CAPACIDADE HOSPITALAR DE EMERGÊNCIA: é o número de leitos que poderão ser colocados no hospital. ou com ambiente contaminado. CENTRO DE SAÚDE: é o estabelecimento de saúde destinado a prestar cuidados médicos e sanitários à comunidade. CAPACIDADE HOSPITALAR DE OPERAÇÃO: é o número de leitos em funcionamento no hospital. prematuro e recém-nascido admitido para tratamento. o berço é considerado leito infantil e será computado na lotação.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos conjunto de ações. CAPACIDADE HOSPITALAR DE PLANEJAMENTO: é o número máximo de leitos que poderão ser colocados em quartos e enfermarias. clínica cirúrgica. proteger. CICLO PDCA: trata-se de uma ferramenta que pode ser aplicado às pessoas. métodos e processos de ciências da saúde. a cada 24 horas. BERÇO DE MATERNIDADE: é a cama destinada ao recém-nascido sadio. COBERTURA DE SERVIÇO DE SAÚDE: é a oferta sistematizada de serviços básicos de saúde. do número de leitos ocupados. possibilitando oportunidade de contrair a doença. com aproveitamento das áreas consideradas utilizáveis. em lugar geograficamente acessível e que garanta o acesso da população aos diferentes níveis de atendimento do sistema de serviços de saúde. nas quatro especialidades básicas (clínica médica. Fazer. nascido no hospital. em circunstâncias anormais ou de calamidade pública. Para o recém-nascido doente. proporcionada de forma contínua. com o objetivo de promover. CLIENTE: é todo aquele afetado por produto ou processo. CLIENTES INTERNOS: aqueles que são afetados pelo produto e também são integrantes da companhia que produz o produto ou serviço. em todos os níveis. recuperar e reabilitar o indivíduo. Controlar e Agir). gineco-obstetríca e pediatria). ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM: é aquele em que a prestação de cuidados ao paciente é realizada pelo pessoal de enfermagem. ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA: constitui-se num conjunto de ações destinadas à recuperação de pacientes. COMUNICANTE: é qualquer pessoa ou animal que esteja em contato com pessoa ou animal infectado. Ele significa Plan. Do. Pode ser externo e interno.

por qualquer processo físico ou químico. CONTAMINAÇÃO: é a transferência do agente infeccioso para um organismo. num dia hospitalar. CONSULTA: é o tipo de assistência na qual um profissional da equipe de saúde. diagnóstico. que representa os dispêndios diretos e indiretos por serviço prestado a um paciente. CONTÁGIO: é a transmissão do agente infeccioso de um doente ou portador para outro indivíduo. ou logo depois de terem sido com elas contaminados por objeto de uso. DESINFESTAÇÃO: é a eliminação ou destruição de metazoários da superfície corporal do hospedeiro. A contra – referência do paciente deverá. interage com o indivíduo para fins de exame. . DESINFECÇÃO TERMINAL: é a desinfecção que se faz quando se submetem roupas. CONSULTA SUBSEQÜENTE OU DE RETORNO: é a consulta que sucede a primeira. DOENÇA INFECCIOSA: é aquela resultante de uma infecção. DESINFECÇÃO: é a destruição de agentes infecciosos situados fora do organismo. sempre ser acompanhada das informações necessárias ao seguimento do paciente no estabelecimento de origem. DESINFECÇÃO CONCORRENTE: é a desinfecção que se faz imediatamente após a expulsão de matérias infecciosas do corpo do indivíduo infectado. sistemas de gestão no atingimento de seus objetivos de curto.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos CONSULTA DE PRIMEIRA VEZ OU PRIMEIRA CONSULTA: é o primeiro atendimento médico a um paciente ambulatorial. após seu registro. tratamento e orientação. processos. após resolução de causa responsável pela referência. por morte. de suas roupas ou meio ambiente. DIA HOSPITALAR: é o período de trabalho. CUSTO DO PACIENTE – DIA: é uma unidade de gasto hospitalar. mediante aplicação direta de meios físicos e químicos. médio e longo prazos. geralmente médico e enfermeiro. para continuidade do atendimento do mesmo quadro mórbido ou avaliação periódica da saúde. CONTRA-REFERÊNCIA: é o ato formal de encaminhamento de um paciente ao estabelecimento de origem. compreendido entre dois censos hospitalares consecutivos. objeto ou substância. objetos de uso pessoal e o meio ambiente do indivíduo infectado após a extinção da fonte de infecção. antes que qualquer pessoa entre em contato com tais materiais ou objetos. remoção do doente ou suspensão das medidas de isolamento. DIRETRIZ: é a rota que sustenta o desenvolvimento das estratégias de aprimoramento contínuo das pessoas.

ESTRUTURAS: são os recursos disponíveis na organização. apenas durante o período diurno. objeto ou substância de onde um agente infeccioso passa diretamente a um hospedeiro. Relaciona-se com os custos. no qual. com regularidade. ENDEMIA: é uma doença que ocorre em determinada área geográfica ou sua prevalência nessa área. os serviços e o leito hospitalar. EPIDEMIA: são casos de doenças que ocorrem numa coletividade ou região. exista satisfação mútua. de natureza vegetal ou animal. apenas durante o período noturno. isto é. em todas as relações fornecedor – cliente da organização. sejam elas internas ou externas. INCIDÊNCIA: é o número de casos novos de doenças que vão aparecendo numa comunidade. animal. etc. em número que ultrapassa a incidência normalmente esperada. ou de um reservatório ao hospedeiro intermediário. diretamente de uma pessoa ou animal infectado. EFICÁCIA: é o resultado da tarefa. INFECÇÃO INAPARENTE. com regularidade. GERÊNCIA DA QUALIDADE TOTAL: é ação de forma planejada e sistemática para implantar e implementar um ambiente. SUBCLÍNICA OU LATENTE: é a ocorrência de infecção num . EPIDEMIOLOGIA: é o estudo da distribuição dos eventos relacionados com a saúde da comunidade e seus fatores determinantes. ESTERILIZAÇÃO: é a destruição total dos microorganismos na forma vegetativa ou esporulada. de um vetor ou de meio ambiente inanimado. Relaciona-se com a satisfação do cliente. características prediais. titulação do profissional. contraídas através da transmissão desse agente. EFICIÊNCIA: é a forma de organização da tarefa. os serviços e o leito hospitalar. DOENÇA: é o distúrbio da saúde física ou mental. o produto. ou de seus produtos. HOSPITAL – NOITE: é uma modalidade de assistência na qual o paciente utiliza. HOSPEDEIRO: é o homem ou animal que oferece condições naturais de subsistência ou alojamento a um agente infeccioso.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos DOENÇA TRANSMISSÍVEL: é aquela causada por um agente infeccioso ou por suas toxinas. IMUNIDADE: é a resistência de um hospedeiro contra determinado agente etiológico associado à presença de anticorpos ou células de ação específica. procedimentos. HOSPITAL – DIA: é uma modalidade de assistência na qual o paciente utiliza. ÍNDICE: é a razão entre determinados valores. FONTE DE INFECÇÃO: é uma pessoa.

sem ter ligação com a mesma. Seu objetivo é atingir a visão de futuro. quais os indicadores a utilizar para que se identifique que o pretendido está sendo atendido. desenvolvimento e reprodução de artrópodes na superfície do corpo de pessoas e animais ou nas vestes. para fins de diagnóstico ou terapêutica. INFECÇÃO: é a penetração e desenvolvimento de um agente infeccioso no organismo do homem ou de outro animal. LEITO ESPECIALIZADO: é o leito hospitalar destinado a certas especialidades médicas. durante o período de transmissibilidade da doença. quais os recursos disponíveis. NASCIDO VIVO: é a expulsão ou extração completa do corpo materno. ou seja. o óbito ocorrido antes da expulsão ou extração completa do corpo materno de um produto da concepção que tenha alcançado 28 semanas completas ou mais de gestação. MISSÃO: é a expressão usada par que a organização estabeleça o que fazer para aprimorar continuamente. que pode ser por amostragem. durante um período inferior a 24 horas.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos hospedeiro. químico ou biológico) e que se destina. depois da . por um período superior a 24 horas. INFESTAÇÃO: é o alojamento. sem o aparecimento de sinais ou sintomas aparentes. a fim de obter informações sobre uma doença. INQUÉRITO EPIDEMIOLÓGICO: é uma coleta de dados através de um levantamento epidemiológico. independentemente da duração da gravidez. INTERNAÇÃO: é a admissão de um paciente para ocupar um leito hospitalar. LEITO HOSPITALAR: é a cama destinada a acomodar o paciente internado no hospital. NASCIDO MORTO OU NATIMORTO: é o óbito fetal tardio. LEITO DE OBSERVAÇÃO: é aquele destinado a acomodar os pacientes que necessitam ficar sob supervisão médica e de enfermagem. de um produto da concepção que. quando possível. INFLAMAÇÃO: é a reação local do organismo a um agente agressor (físico. LEITO – DIA: é a cama disponível ao paciente num dia hospitalar. MATRÍCULA OU REGISTRO: é a inscrição do paciente no estabelecimento de saúde. ISOLAMENTO: é a separação de uma pessoa ou animal infectados. a destruí-lo ou limitar sua difusão. INTERCORRÊNCIA: é o surgimento de uma doença concomitante com uma enfermidade. em determinada comunidade. de outros não infectados. LEITO INDIFERENCIADO: é o leito hospitalar destinado a acomodar pacientes de qualquer especialidade médica. a fim de reparar e substituir os tecidos lesados. em lugar e condições que evitem a transmissão do agente infeccioso aos suscetíveis.

respire ou dê qualquer sinal de vida. do ato cirúrgico e em conseqüência deste. ÓBITO TRANSOPERATÓRIO: é o óbito ocorrido durante o ato operatório. pulsações do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contrações voluntária. ÓBITO INFANTIL TARDIO OU PÓS-NEONATAL: é o óbito que se verifica em crianças com mais de 28 dias e menos de 01 ano. antes da expulsão ou de sua extração completa do corpo materno. PACIENTE ANTIGO: é aquele paciente registrado e já assistido anteriormente. é a morte de um produto da concepção. em um dia hospitalar a um paciente internado. ÓBITO NEONATAL: é o óbito que se verifica em crianças que não atingiram 28 dias de vida. ÓBITO HOSPITALAR: é o óbito ocorrido no hospital após o registro do paciente. ÓBITO HOSPITALAR ESPECÍFICO OU INSTITUCIONAL: é o óbito ocorrido após 48 horas de internação de um paciente. ÓBITO MATERNO: é o óbito ocorrido devido a complicações da gravidez. NOTIFICAÇÃO: é a comunicação oficial da ocorrência de doenças à autoridade competente. ÓBITO PERINATAL: é o óbito fetal tardio e o óbito neonatal e o óbito neonatal precoce. ÓBITO POR ANESTESIA: é o óbito causado por agentes anestésicos. batimentos do coração. ÓBITO NEONATAL PRECOCE: é o óbito que ocorre em crianças que não atingiram 07 dias de vida. do parto ou do puerpério. tais como. ÓBITO OPERATÓRIO: é o óbito que ocorre durante o ato cirúrgico ou por conseqüência deste. e que volta para novo atendimento. ÓBITO INFANTIL: é o óbito que se verifica em crianças menores de 01 ano. ÓBITO FETAL OU PERDA FETAL. ÓBITO PÓS – OPERATÓRIO: é o óbito ocorrido dentro do período de 10 dias. . PACIENTE – DIA: é uma unidade de mensuração da assistência prestada. PACIENTE EGRESSO: é o paciente que recebe alta de um estabelecimento de saúde. como conseqüência do mesmo. ÓBITO DE CRIANÇA E ADOLESCENTE: é o óbito ocorrido em pessoas com idade de até 14 anos. independentemente da duração da gravidez. ÓBITO DE ADULTO: é o óbito ocorrido em pessoas com mais de 14 anos.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos separação.

PROFILAXIA: é um conjunto de medidas propostas para prevenir ou atenuar as doenças. PESSOA INFECTADA: é a pessoa portadora de infecção. PROCESSO: é um conjunto formado pela união de tarefas de forma ordenada. PESSOA IMUNE: é a pessoa que possui imunidade. após o registro no hospital. planejada. orientando suas ações. PORTADOR: é a pessoa ou animal infectado que guarda em si o agente infeccioso específico de uma doença sem apresentar.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos PACIENTE DE AMBULATÓRIO OU EXTERNO: é o paciente que. POSTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA OU POLICLÍNICA: é o estabelecimento de saúde destinado à assistência ambulatorial. PACIENTE PAGANTE OU CONTRIBUINTE: é o paciente que retribui com pagamento a assistência hospitalar recebida. sob a demanda. PANDEMIA: é uma epidemia em grandes proporções que atinge um enorme número de pessoas em uma vasta região. após ser registrado. PACIENTE DE CONVÊNIO OU SEGURADO: é o paciente contribuinte que paga pela assistência hospitalar recebida. após a primeira consulta ou após alta hospitalar. PACIENTE NÃO PAGANTE OU NÃO CONTRIBUINTE OU GRATUITO: é o paciente que não contribui com qualquer pagamento para receber a assistência hospitalar. PACIENTE NOVO: é o paciente que. . PATOGENICIDADE: é a capacidade que um agente infeccioso tem de produzir doença num hospedeiro suscetível. é assistido pela primeira vez. recebe assistência ambulatorial ou de emergência. PERÍODO DE INCUBAÇÃO: é o intervalo de tempo entre a infecção e o aparecimento dos sintomas ou sinais da doença. objetivando atingir metas estabelecidas. Deve ser apoiado pelo Centro de Saúde. volta para continuar o tratamento. PRODUTO: é o resultado de qualquer processo. contudo. PESSOA INFECTANTE: é a pessoa da qual o agente infeccioso pode ser contraído em condições naturais. POSTO DE SAÚDE: é o estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência sanitária a uma população determinada. PACIENTE DE RETORNO: é o paciente que. utilizando técnicas simplificadas e pessoal de nível médio ou elementar. sintomas da doença e que pode constituir fonte de infecção. PLANO: é um recurso que permite elaborar os desdobramentos das diretrizes dos níveis estratégicos até aos operacionais.

SUSCETÍVEL: é a pessoa ou animal que se presume não possuir suficiente resistência contra determinado agente patogênico. respeitada a legislação pertinente. aeroportos e fronteiras. para outro de maior complexidade. com objetivos de orientar a utilização de medidas de controle pertinentes. PRONTUÁRIO: é um conjunto de documentos padronizados. Sérgio Ribeiro dos Santos PRONTO SOCORRO: é o estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência a pacientes acidentados ou acometidos de mal súbito. e por essa razão pode contrair a doença. bem como o exercício profissional relacionado com a saúde. VIGILÂNCIA SANITÁRIA: é um conjunto de medidas que visam elaborar. QUALIDADE: são características de um serviço ou produto que satisfazem às necessidades explícitas ou implícitas do cliente. TRANSMISSÃO DE AGENTES INFECCIOSOS: é qualquer mecanismo que possibilite a transferência do agente etiológico de um hospedeiro a outro. ou ainda sua evolução. funcionando durante 24 horas. com ou sem risco de vida. controlar e fiscalizar o cumprimento de normas e padrões de interesse sanitário relativos a portos. ou deste ao meio ambiente e vice-versa. antes de curado inteiramente o doente. alimentos e bens. destinados ao registro da assistência prestada ao paciente.Administração aplicada à enfermagem bem como suas complicações e conseqüências. RECAÍDA: é o reaparecimento ou recrudescimento dos sintomas de uma doença. REFERÊNCIA: é o ato formal de encaminhamento de um paciente atendido em um determinado estabelecimento de saúde. cosméticos. medicamentos. RESISTÊNCIA: é um conjunto de mecanismos corporais que servem de defesa contra a invasão de agentes infecciosos ou contra os efeitos nocivos de suas toxinas. SAÍDA HOSPITALAR: é a soma dos óbitos mais as altas hospitalares. VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: é o acompanhamento contínuo e sistematizado da ocorrência de determinada doença e de seus fatores condicionantes. QUIMIOTERAPIA: é o emprego de uma substância química para curar uma doença clinicamente manifestada ou limitar sua evolução. QUIMIOPROFILAXIA: é o emprego de uma substância química para prevenir uma doença ou infecção. . RECIDIVA: é o reaparecimento do processo mórbido após a cura aparente.

Administração aplicada à enfermagem 6. Fórmula: Total de pacientes-dia em determinado período X 100 Total de leitos-dia no mesmo período g) Índice leitos servidor .é a relação percentual entre o total de óbitos infantis ocorridos no hospital em determinado período e o total de nascidos vivos no mesmo período. apurado nos Censos Diários.é a relação percentual entre o total de infecções ocorridas no hospital. percentuais e razões que permitem mensurar a dimensão dos vários fenômenos ocorridos no hospital. e o total de altas e óbitos no mesmo período. Fórmula: Total de leitos hospitalares Total de servidores . Fórmula: Total de óbitos em determinado período x 100 Total de altas e óbitos no mesmo período b) Taxa de mortalidade infantil . Fórmula: Total de pacientes-dia durante determinado período de tempo Total de dias no mesmo período e) Média de tempo de permanência . sem relação com a causa que motivou a internação. índices. os recursos existentes. INDICADORES HOSPITALARES Sérgio Ribeiro dos Santos Denominam-se indicadores hospitalares os números. avaliar a qualidade da assistência prestada e a eficiência do hospital4.é a relação percentual entre o total de pacientesdia em determinado período e o total de leitos-dia. o seu aproveitamento e em última análise.é o número médio de pacientes internados que receberam assistência em cada dia. Fórmula: Total de infecções em determinado período X 100 Total de altas e óbitos no mesmo período d) Média de pacientes-dia . taxas. Fórmula: Total de pacientes-dia durante determinado período de tempo f) Total de pacientes saídos (altas + óbitos no mesmo período + remanescentes) Percentagem de ocupação hospitalar .é a relação entre número de pacientes-dia durante determinado período e o de paciência saídos (alta + óbitos) durante o mesmo período. Fórmula: Total de óbitos infantis no hospital em determinado período X 100 Total de nascidos vivos no mesmo período c) Taxa de infecção hospitalar . no hospital. no mesmo período. Eis alguns indicadores: a) Taxa de mortalidade global .estabelece a relação entre o total de leitos hospitalares e o total de pessoal. durante determinado período.é a relação percentual entre o total de óbitos ocorridos no hospital durante determinado período e o total de pacientes saídos por alta e óbitos no mesmo período de tempo.

Fórmula: Total de pacientes saídos (alta + óbitos) em determinado período Total de leitos hospitalares durante o mesmo período RESUMO 1. d) Corpo Profissional – é constituído pelo serviço de apoio administrativo ou gerencial. cuja função é prover completa assistência de saúde à população curativa e preventiva e. horizontal e vertical. 5.representa a medida de utilização do leito hospitalar durante um determinado período. judeus e outros povos que construíram hospital templo ou hospital primitivo. 4. derivado de hospe (hóspede. cujos serviços de ambulatório atingem até a família e seu meio ambiente. Funções do hospital: preventiva. Além disso. implementa e controla as atividades técnicas e administrativas. f) Quanto à edificação: pavilhonar. significando aquele que dá agasalho ou que hospeda. b) Diretoria – é o órgão executivo que planeja. d) Quanto ao grupo etário: infantil. é o centro de informações estatísticas referentes aos pacientes e à administração do hospital. através dos gregos. viajante. Hospital: vem do latim hospitale. e) Quanto à faculdade do exercício profissional médico: hospital de corpo clínico aberto e fechado. estrangeiro). Classificação dos hospitais: a) Geral e Especializado. A origem do hospital remonta à idade antiga. c) Corpo Clínico – é formado pelo conjunto de profissionais de medicina. de ensino e pesquisa. geriátrico e de adultos. conviva. A comissão de Peritos em Assistência Médica da OMS definiu o hospital como uma parte integral de uma organização médica e social. monobloco. 3. desde o registro ao arquivo.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos h) Índice de rotatividade do leito hospitalar . organiza. b) Oficial e particular. Estrutura organizacional: a) Conselho Diretivo – é o órgão deliberativo que traça as políticas gerais da instituição. multibloco. egípcios. 6. 2. c) Quanto ao tempo de permanência: hospital de longa permanência e hospital de curta permanência. . Serviço de Arquivo Médico e Estatístico – SAME: é responsável pela manutenção da integridade do conjunto de prontuários do hospital. restaurativa. 7.

In. 1969. Serviço de arquivo médico e estatístico.. Curso de administração hospitalar para graduados. New York: G. de ensino e de pesquisa do hospital. Rio de Janeiro: Cultura Médica. AA.: GONÇALVES. 4.Século XXI. São Paulo: Pioneira. JQ.0.: MAUDONNET. O que significa serviços técnicos do hospital? 6. 7. São Paulo: IBDPH. MACEACHERN. Genebra. CHERUBIN. 11. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. PROAHSA. Quais os aspectos utilizados pelo anteprojeto da Lei Orgânica de Assistência Hospitalar? 3. In.Administração aplicada à enfermagem QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO Sérgio Ribeiro dos Santos 1. São Paulo: Pioneira. Explique o qual é o papel do Conselho Diretivo para o hospital? 5. U. Faça um comentário sobre as funções preventiva. 1957. Serviço social médico na administração hospitalar. MEZZOMO. O hospital e a visão contemporânea. R. n. (mimeografado). Rio de Janeiro: Nova Fronteira. São Paulo: CEDAS. Principle of hospital administration. CAMPOS. JR. 1988. M. Quais as finalidades do SAME? 10. técnicos e administrativos do hospital moderno: sua ordenação. 1939. administrativa . 122. Introdução à administração hospitalar. 2. Hospital organization and management. P. 1988. 10. Defina diretoria. 9. Dicionário Aurélio Eletrônico . M. Administração hospitalar. Pretnam’a sons. BEREZOVSKY. Manual de organização e procedimentos hospitalares. FERREIRA. São Paulo: Moraes. 3. 1999. Descreva a origem histórica do SAME. TEIXEIRA. Série de informes técnicos. restaurativa. Como o SAME pode ser organizado? BIBLIOGRAFIA 1. 5. 1980. 9. NA. 4. MCGIBONY. Documentação médica. R. 6. ABH. EL. 1987. 1983. 1973. 8. Fundamentos da administração hospitalar.A. Rio de Janeiro: Cultura Médica. 7. Chicago: Psysican’s Record Company. Versão 3. MAUDONNET. 1977. JMC. Explique o mecanismo organizacional do hospital. 2.S. Quais os serviços que constituem o corpo profissional ou apoio administrativo? 8. Sistemas médicos.

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o processo de planejamento é o pré-requisito das operações do serviço de enfermagem.Administração aplicada à enfermagem 1. Visa dar condições racionais para que se organize e dirija o sistema a partir de certas hipóteses acerca da realidade atual e futura”. o processo de planejamento caracteriza-se principalmente por ser: • • • • • • • Um processo permanente e contínuo. É um processo em que. interpretando-se os fatos. Portanto. O planejamento acrescenta ainda. Uma técnica cíclica. O planejamento está presente nas mais variadas situações. De acordo com Chiavenato3. ou seja. evidentemente. onde se torna essencial para se evitarem atrasos. porque define a melhor estratégia de ação. a previsão das diversas etapas de execução. inclusive. o planejamento é a base que norteia todo o processo administrativo. o administrador não pode corresponder aos requisitos básicos e aos padrões da organização. determina-se com segurança uma linha de ação futura com a indicação de objetivos a serem alcançados. Sistêmico. sem planejamento. CONCEITOS BÁSICOS Sérgio Ribeiro dos Santos O planejamento é a primeira função administrativa. porque sem planejamento não se pratica administração. 2. exatamente. Huckabay1 afirmam que. Racional na tomada de decisões. CARACTERÍSTICAS DO PLANEJAMENTO Seja qual for a natureza da atividade. É uma técnica que visa tomar decisões antecipadas de ocorrências futuras e traçar um programa de ação. é a primeira característica conceptual exigida do administrador do serviço de enfermagem. insuficiência de pessoal e o baixo nível da assistência. planejamento é “o modelo teórico para a ação futura. estará planejando o fracasso. Uma função administrativa que interage dinamicamente com as demais. tem menor probabilidade de atingir sua finalidade. Arndt. Como se pode deduzir. desperdícios. A esse respeito. especialmente no serviço de enfermagem. Quem não planeja. Quem planeja tem maior probabilidade de alcançar os objetivos. . Uma técnica voltada para o futuro. Iterativo.

POR QUÊ? Por quê isto deverá ser feito? Essa pergunta esclarece a necessidade real do trabalho. considerando o tipo. Ser guiado pela política organizacional. c) Planejamento operacional: é o desdobramento do planejamento tático. b) Planejamento tático: é o desdobramento do planejamento estratégico. Desenvolver uma seqüência lógica de atividades. QUANDO? Quando deverá ser feito? Essa pergunta considera o tempo. precisa: • • • • • • Definir objetivos claros e precisamente estabelecidos. COMO? Como deverá ser feito? Essa pergunta estabelece os meios ou métodos propostos para a realização do trabalho. Questões básicas na elaboração dos planos Ao se estabelecer qualquer plano. a disponibilidade e a experiência para a execução do trabalho planejado. É elaborado para um período de tempo maior. considerado de longo prazo. Critérios para a elaboração do plano O processo de planejamento. antes de tudo. Formular ações de acordo com a realidade presente em termos de pessoal. o início e o término de cada parte do trabalho. . Procurar o melhor método para atingir os objetivos. contribuindo assim para um melhor desempenho das atividades inerentes a cada setor. cuja finalidade primordial é o estabelecimento de metas e o emprego de técnicas científicas na implementação do que foi estabelecido nos objetivos da empresa. QUEM? Quem deverá fazer? Essa pergunta designa tarefas a alguém. para ser bem desenvolvido. TIPOS DE PLANEJAMENTO Sérgio Ribeiro dos Santos a) Planejamento estratégico: envolve a organização como um todo.Administração aplicada à enfermagem 3. Determinar prioridades. equipamento e tempo disponível. ou seja. é necessário. situá-lo em torno das seguintes questões: O QUÊ? O quê deverá ser feito? Essa pergunta determina os objetivos do plano. material. ONDE? Onde deverá ser feito? Essa pergunta esclarece o local e espaço. É elaborado de maneira a estabelecer os objetivos setoriais. sendo de curto prazo. centralização ou descentralização das atividades. sendo sempre realizado pelos altos escalões da instituição.

segundo a Enciclopédia Larousse4. no momento de gerenciá-lo. referindo-se à conceituação de diagnóstico. várias dificuldades podem se apresentar. atenção: 5 etapas 2ª etapa: Formulação de objetivos. Uma outra dificuldade é a operacionalização das técnicas. ETAPAS DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO Sérgio Ribeiro dos Santos As etapas do planejamento podem ser compreendidas através das atividades envolvidas no processo. 3ª etapa: Seleção do método – ações concretas que vão modificar a realidade encontrada. Os esquemas e modelos traçados de uma realidade contribuem para orientar ações planejadas de saúde. Assim. onde irão desenvolver-se ações planejadas. se expressa da seguinte forma: “a arte de conhecer as doenças pelos seus sinais e sintomas”. 4ª etapa: Implementação. de início. assim se expressam: . A segunda é a de estabelecer prioridades. pode ser dirigida ao âmbito setorial ou organizacional (macroplanejamento).1 Diagnóstico O administrador do serviço de saúde hospitalar ou ambulatorial depara-se. O conceito tradicional de diagnóstico. tais como: 1ª etapa: Levantamento geral – Diagnóstico ou identificação das necessidades. lançase mão de instrumentos técnicos. Tinoco2. Ao se desenvolver o processo de planejamento. controle e supervisão. 4. A realidade orientará o planejador na definição da técnica que utilizará na solução dos problemas. Através desse conhecimento. onde se utilizam procedimentos que levam o investigador ao conhecimento e à compreensão da situação diagnosticada. Assim. O termo diagnóstico é muito utilizado nas análises médicas da situação de saúde dos pacientes. em face dos diversos problemas a enfrentar. os aspectos conceituais da situação. Campos. 5ª etapa: Avaliação. conforme a ênfase dada ao problema. A primeira grande dificuldade no processo de planejamento é derivada do problema da definição de técnicas. Essas técnicas metodológicas estão baseadas na teoria e no método científico. devido ao seu complexo dinamismo. os quais. com uma realidade que precisa ser conhecida e estudada em profundidade. serão considerados.Administração aplicada à enfermagem 4. O planejamento é um processo de racionalização das decisões para mudanças que são geradas na busca de conhecimento da realidade. será feita uma correlação entre o diagnóstico clínico e aquele que será utilizado em administração na área de planejamento.

Qualquer situação em que se buscam informações para se chegar a um diagnóstico envolve uma análise ampla da área em estudo.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos O diagnóstico é o ato médico mais importante.2 Etapas do diagnóstico 1ª Etapa: Descrição da situação . através do conhecimento objetivo da situação. O diagnóstico institucional revelará a situação do hospital ou unidade de saúde. na dependência da terapêutica prescrita. É muitas vezes bastante difícil e exige. os antecedentes patológicos do paciente: exame clínico completado freqüentemente por exames de laboratório e por investigações complementares. Sendo determinado o diagnóstico. podem estar associados às condições sócio-econômicas da região. intervir na conjuntura. abrangendo todos os fatores significativos que possam interferir como condicionantes a realidade que se vai estudar. a infraestrutura hospitalar e ainda às características e necessidades em termos de recursos humanos. com o propósito prático de operar sobre a realidade. análise e avaliação da situação própria instituição onde o profissional da área de saúde atua. ou pelo menos considerar um diagnóstico positivo. políticas e metas. produção e medir suas forças e fraquezas. a evolução provável. poderá o médico estabelecer o prognóstico. . não apenas conhecimentos teóricos e experiência. materiais e financeiros. porquanto conduz a prescrição do tratamento mais indicado. O diagnóstico. O diagnóstico possibilitará a identificação de problemas. a fim de. O diagnóstico é constituído por fases sucessivas: estudo do modo pelo qual a doença começou. A partir deste. é a aplicação da investigação social da realidade. mas também capacidade de julgar e um bom desenvolvimento do sentido de intuição. 4. pode ser elaborado um diagnóstico diferencial. de acordo com o objetivo da investigação. no contexto administrativo. sob o aspecto técnico-administrativo e assistencial que. do raciocínio. A fase diagnóstica permite ao estabelecimento aprender a se conhecer. o diagnóstico consiste na coleta de informações para a elaboração do planejamento. da parte do médico. possibilitando a instituição melhor definir seu lugar no contexto social. Deve conter as seguintes informações mínimas: a) Identificação: nome e local da instituição. levando em consideração suas estruturas. Os elementos recolhidos são em seguida agrupados. permitindo assim estabelecer. na prática. que consiste em examinar os sinais comuns de diferentes tipos de conduta.esta coleta de informações poderá ser feita na 03 etapas: descrição. Em outras palavras. recursos. b) Objetivo da instituição: estabelecimento das finalidades. Este conhecimento é fundamental para o estudo do meio – ambiente. isto é.

regimento. A satisfatoriedade é estabelecida em termos de rendimento. modelo gerencial. A avaliação deve ser voltada. etc. f) Instalações e equipamentos: quantidade e estado de conservação. manual de normas e rotinas. manual de procedimentos técnicos. qualidade e produtividade dos resultados). Outro fator a considerar é o da mutabilidade. fluxograma. equipamentos. sociograma. Será que a situação encontrada poderá ser modificada? Se a resposta for positiva. é possível fazer-se uma previsão de como poderá comportar-se essa situação nos próximos anos. basicamente. h) Nível de assistência: investigação no prontuário. 3ª Etapa: Avaliação da situação . 2ª Etapa: Análise crítica da situação . levará o administrador a propor ações. dimensionamento do pessoal. eficiência. idade. etc. condições de trabalho. entrevista com os pacientes. não tem sentido o plano. Coloca-se em evidência o contexto sócio-econômico atual. observação e acompanhamento. naturalidade. as oportunidades e as ameaças do meio – ambiente.conhecida a situação. cobertura. quadro nosológico. etc.a última etapa do diagnóstico é a avaliação da situação. No entanto. sexo. e) Características da clientela atendida: quantidade. habitação. nível de estudo. Colocam-se em evidência os pontos fortes e fracos da instituição sobre diversos níveis: Ao nível do estabelecimento (estruturas.). hotelaria. para a produtividade do setor.). isto é. é possível fazer-se uma apreciação dos dados da instituição como um todo. categorias profissionais. organização e métodos. b) Análise externa: estabelecer a origem de fatores condicionantes. Ao nível de grandes funções (médico-assistencial. feita a sua descrição. processo de trabalho. o que determinou a situação encontrada. considerando os seguintes fatores: a) Análise interna: estabelecer a relação de causa e efeito. a situação conhecida deve ser avaliada em termos de satisfatoriedade e mutabilidade. gráfico estatístico. d) Estrutura e funcionamento: os setores que compõem a instituição e como estão distribuídos os serviços por setor. concentração. modelos matemáticos ou uso de instrumentos que possam estabelecer comparações sobre a satisfatoriedade da situação em relação à prática no serviço. . técnica administrativa. g) Recursos humanos: quantidade. qualidade de vida do trabalhador. Caso contrário. Conhecida a situação.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos c) Organização administrativa: organograma. Ao nível de cada serviço (recursos humanos e materiais. etc.

Assim. tem a ver com o que somos. melhorar. Os verbos usados para enunciar o objetivo devem indicar um resultado isolado. saber. Representam à previsão características desejáveis do sistema. Outros verbos de menor amplitude. desenvolver. espaço e volume da coisa a ser alcançada. descrever uma mudança na situação existente ou ainda. definir o que deve ser realizado. verificável e mensurável.é o objetivo maior da instituição. como implementá-las e avaliá-las na organização. implementação e avaliação de linhas de ação básica para a organização. com suas responsabilidades e limitações. A missão representa um compromisso maior das atitudes da instituição para com a visão. de acordo com Kron. Os objetivos podem ser assim enunciados: • Objetivos gerais . listar. Seu enunciado deve transmitir um propósito. assistir. são: aplicar. usar.3 Planejamento estratégico . adquirir. etc. As metas devem ser estabelecidas numa seqüência de prioridades. marcar. Na elaboração de um plano estratégico devem-se considerar os seguintes aspectos: a) Fase diagnóstica: que precede qualquer reflexão estratégica. b) Missão organizacional . Os enunciados devem ser expressos por frases o mais possível quantificado. estrutura e resultados em um tempo determinado e em função de critérios específicos.pode ser definido como o processo de identificação. quanto a sua extensão. aplicando-se uma metodologia compatível com o cumprimento de sua missão. para quem fazemos e com que desafio se vai atuar no negócio. Ou seja. Os verbos usados geralmente são: conhecer. Os objetivos devem ser quantificados.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 4. produzir. classificar. relacionar. de forma que se possa determinar o progresso no sentido de atingir a meta final. em que estejam contidos os elementos tempo. . isto é. Gray5. devem permitir que os resultados sejam mensuráveis. apontar. enumerar. etc. Os objetivos gerais são alcançáveis em longo prazo. Os objetivos devem ser organizados de modo hierarquizado. seleção.são aqueles de natureza ampla que expressam os valores principais e a política da organização. aperfeiçoar. das determinando ações alcançadas. comparar. de acordo com o grau de prioridade de cada problema e de forma clara. • Objetivos específicos as expressam a serem uma decomposição dos objetivos gerais. Devem ser estabelecidos em consonância com a estratégia da organização. o que fazemos. relevantes e compatíveis com a realidade. com base no diagnóstico define-se alternativas. ou seja. são usados na elaboração dos objetivos específicos. são os resultados do conjunto formados pelos objetivos específicos. verificar. manter. aumentar. prover. Os objetivos são resultados futuros a serem alcançados dentro de certo espaço de tempo. dominar. é um processo de seqüência racional de atividades para o futuro em que são tomadas decisões no presente.

É um processo contínuo. As soluções das questões estratégicas são indicadas por ações que constituirão o plano operacional. como um verdadeiro sistema. no meio ambiente no qual atua e que servirá para balizar o seu desenvolvimento. procurando-se evitar as ameaças para a instituição. assim. em que uma etapa proporciona informações para a etapa seguinte. aproveitando-se os pontos fortes e relacionandoos com as oportunidades existentes. envolvendo os membros da equipe com os propósitos fundamentais do trabalho. . quando necessário. social. Cada etapa do processo de planejamento encontra-se interdependente. discutem e avaliam conjuntamente o desempenho obtido com o resultado esperado. controle e supervisão: avaliar . a) O ambiente externo: evidenciam-se as oportunidades e ameaças do meio ambiente que podem influenciar no desempenho da organização. podendo também medir a eficiência das atividades administrativas e a competência do pessoal na execução do plano. satisfazendo. parte integrante do processo completo. Todos os participantes se conscientizam dos objetivos. os elementos da equipe de trabalho sabem onde querem chegar e como vão agir para atingirem o alvo desejado. Essas questões decorrem da análise dos pontos fracos. Esses instrumentos variam. Dessa forma. conforme o tipo de plano proposto. d) Questões estratégicas/ações: a partir da análise ambiental serão determinadas questões de grande impacto. e) Plano operacional: é o detalhamento das ações a serem executadas dentro de um período de planejamento. b) O ambiente interno: procura-se destacar os pontos fortes e fracos da estrutura atual que podem ser passíveis de controle.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Ao estabelecerem os objetivos. elaborados com o propósito de medir os resultados do plano como bom ou ruim. que demandam muito esforço e tempo para solução. Podem-se incluir tendências e fatores na esfera econômica. algumas organizações usam os conceitos da Administração por Objetivo ou da Teoria Z (administração participativa) para que se possam obter bons resultados. dentro do mercado e da comunidade. suas expectativas. política e tecnológica. objetivando evitar desvios. de forma que o processo de planejamento possa ser mantido de maneira flexível e dinâmico. proporcionando “feedback”. O controle possibilita comparar o desempenho realizado com o que foi planejado.são os resultados em função dos objetivos estabelecidos no plano. alterando e corrigindo. Para fazer uma avaliação é necessário o estabelecimento de critérios ou parâmetros que são instrumentos quantificáveis. É através da supervisão que a avaliação e o controle se integram. f) Avaliação. c) Determinação da visão: constitui-se numa descrição do que se deseja para a instituição no futuro.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Vejamos um exemplo de questão estratégica e ações QE. gerencial e financeiro para se tornar um centro de referência? Ação 01 – Promover e desencadear um processo de revisão na estrutura organizacional. Produto esperado Aprovado em: Concluído em: . Ação 04 – Viabilizar parcerias e convênios com instituições públicas e privadas. Ação 02 – Instituir uma política de capacitação dos recursos humanos do hospital.1 Como o hospital poderá se modernizar do ponto de vista estrutural. nacionais e internacionais. MODELO DE PLANO OPERACIONAL Nome da instituição: ________________________________________________________ Título da Ação: ____________________________________________________________ Objetivo(s) da Ação: ________________________________________________________ Itens Cronograma Etapas de Execução Início: Término: Responsável direto Descrição Pessoal Custeio Capital Recursos necessários Total em R$ Origem OBS: apresentar memória de cálculo de cada valor. Ação 03 – Promover uma ampla reforma administrativa.

É importante considerar os seguintes pontos: a) Formular planos baseados nos objetivos. definido por objetivos previamente traçados e prevendo as diversas etapas de execução. g) Manter atualizados e conservados os relatórios e registros das atividades de organização. suprimento e equipamentos. onde se utiliza uma metodologia científica aliada ao conhecimento e a habilidade profissional. a enfermagem está assumindo suas funções gerenciais. proporcionando meios para modificar a situação – problema do paciente. d) Utilizar a capacidade de cada pessoa eficazmente. esforço. na assistência ao paciente. b) Compor sistematicamente todo o pessoal e suas atividades. PLANEJAMENTO DA ASSISTÊNCIA O planejamento é uma técnica que tem por objetivo determinar um curso de ação ou um programa. na estrutura. Ele faz parte da ciência da administração como primeiro elemento do processo administrativo. PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS PARA O SERVIÇO DE ENFERMAGEM O raio de ação desses princípios atinge diretamente a administração do serviço de enfermagem. conforme evidências do desequilíbrio orgânico. f) Obter o máximo de resultados com o mínimo de tempo. e) Promover a cooperação como essencial para coordenar as atividades dos diversos departamentos e de pessoal. em especial. b) Determinar prioridades. o planejamento está presente em todas as suas dimensões e. .Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 5. O planejamento da assistência é à base das ações de enfermagem. c) Selecionar a ação que tem maior probabilidade de resolver o problema. com certa relevância. Os elementos da metodologia científica utilizada no planejamento da assistência são: a) Identificar os problemas do paciente. tornando-se a mais importante das funções. c) Qualificar o pessoal para execução dos planos e alcançar os objetivos propostos pelo serviço e pela organização. através de medidas de planejamento e organização. nos padrões e procedimentos de trabalho previamente aceita pela organização – planejando a assistência e dirigindo os funcionários. No serviço de enfermagem. desde o planejamento até a avaliação. na filosofia. de modo que a responsabilidade e a autoridade para funções específicas sejam definidas e possam ser delegadas. 6.

1 Etapas do planejamento da assistência de enfermagem.2 Propósitos do planejamento da assistência. Selecionar ações de enfermagem apropriadas. Estudar o planejamento da assistência de enfermagem é como estudar a própria essência da enfermagem. Avaliar os cuidados de enfermagem. o diagnóstico de enfermagem deve ser a base para o planejamento das intervenções de enfermagem. 6. que utiliza seus objetivos para a satisfação daqueles que necessitam dos serviços hospitalares.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 6. Desenvolver o pessoal de enfermagem. com alto grau de responsabilidade. Individualizar a assistência de enfermagem. Gray8. os autores levam em consideração os seguintes critérios: • • • • Atribuir prioridades aos problemas já diagnosticados. organização e senso de realização por parte dos que fornecem o serviço. Decidir os objetivos de enfermagem. Dar continuidade aos cuidados de enfermagem. o surgimento de sistemas de classificação em enfermagem foi intensificado nos Estados Unidos na década de 1970. A preocupação em formular um sistema para promover o uso de uma terminologia própria para a enfermagem levou os enfermeiros norte- . quando cresceu o interesse em identificar os diagnósticos de enfermagem. essa abordagem exige um aprofundamento expressivo e uma busca de informações inesgotáveis no campo da literatura em enfermagem. Facilitar a comunicação com os membros da equipe de saúde. serão destacados os princípios básicos do plano de cuidados de enfermagem: • • • • • • • • • Indicar os objetivos da intervenção de enfermagem. No que tange às etapas do planejamento na assistência ao paciente.3 Sistemas de classificação da assistência de enfermagem Historicamente. além da própria experiência. Registrar essas informações no plano de atendimento. Proporcionar uma orientação para supervisão. Facilitar o planejamento da assistência de enfermagem. 6. De acordo com Kron. que se denomina diagnóstico. Todo planejamento inicia-se com um levantamento minucioso da situação. A seguir. Proporcionar uma orientação para o cuidado centrado no paciente. O plano é um guia dinâmico. No entanto.

sendo considerada o “número 1” na garantia de qualidade laboratorial. sendo suas conferências abertas à comunidade mundial da enfermagem. Entre os modelos apresentados. A participação de enfermeiros da Europa e América do Sul. refinamento. iniciando esforços para identificar. a NANDA aliou-se à SNOMED RT – CAP (Nomenclatura Sistematizada de Terminologia de Referência Médica – Colégio Americano de Patologistas) para aprimorar a documentação da enfermagem e desenvolver um sistema de classificação de diagnóstico (SNOMED RT. como uma ferramenta mais compreensiva e de conceitos baseados numa terminologia de referência médica disponível para ser armazenada. classificação e uso da linguagem de enfermagem. desenvolver e classificar os diagnósticos de enfermagem. Ela é reconhecida nos Estados Unidos e outros países como pioneira na classificação dos diagnósticos de enfermagem e está localizada na Internet pelo site http://www. O colégio está localizado na Web através do site . As propostas e modelos para se classificar a prática de enfermagem ganharam impulso nas duas últimas décadas. No final da década de 1990. com o desenvolvimento de estudos sobre a utilização dos diagnósticos de enfermagem no ensino. 1999).000 membros médicos e à comunidade de laboratórios do mundo inteiro. Participaram dessa conferência enfermeiros convidados dos Estados Unidos e Canadá. já foram realizadas catorze conferências. Em 1982. buscando auxiliar tanto os enfermeiros da prática clínica como os que trabalham com informática e desenvolvimento de sistemas e aqueles que desenvolvem linguagem. na pesquisa e na prática7. composta exclusivamente de patologistas. O uso dessa taxonomia define o foco do cuidado de enfermagem e dá aos enfermeiros exemplos de como a profissão difere de outras profissões da saúde16. É oportuno lembrar que o CAP é uma sociedade médica sem fins lucrativos. Esse acordo colaborativo para mapear a taxonomia da NANDA pela SNOMED RT foi um passo significativo no reconhecimento da documentação em enfermagem pelas empresas de saúde.org/. em 1973. vendedores de software e administradores. A NANDA é uma associação de enfermagem voluntária e não lucrativa que promove a profissão através do desenvolvimento. inclusive do Brasil. a taxonomia da NANDA é constituída por uma estrutura teórica – os padrões de respostas humanas – que orienta a classificação e categorização dos diagnósticos de enfermagem ou das condições que necessitam de cuidados de enfermagem. servindo a cerca de 16.nanda. restaurada e reunida numa base de dados que descreve os cuidados de enfermagem. Todavia. esses modelos ainda não são considerados estruturas ou sistemas de classificação consolidados.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos americanos a promoverem a Primeira Conferência do Grupo Norte-Americano para Classificação dos Diagnósticos de Enfermagem. Desde então. a NANDA foi formalmente organizada e seu regimento aprovado. começou em 1988.

A SNOMED é uma entidade internacional que está comprometida com a excelência do cuidado ao paciente com desenvolvimento da validade científica da terminologia de referência. Assim. A taxonomia da NANDA disponível nesse sistema ajudará os enfermeiros fornecendo uma linguagem unificada pela prática de enfermagem. pois. O sistema de classificação. através da sistematização. capacitando médicos clínicos. mas não suficientes. Segundo Suzanne. a qual pode ser adaptada pela tecnologia da informação e usada como meio de comunicação interdisciplinar de cuidados de saúde. Nesse aspecto é necessário reconhecer a utilização dos sistemas de classificação.org/index. permitem uma melhoria na qualidade desse cuidado.snomed. Portanto.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos http://www.OMAHA (Community Health System). planejamento e automação da informação. através dos diagnósticos de enfermagem.cap. educação e pesquisa. Classificação da Intervenção em Enfermagem – NIC . pesquisadores e até pacientes que participam da elaboração de seus conceitos. É um sistema que utiliza uma linguagem padronizada. as duas entidades tentam melhorar a qualidade do cuidado direto. Classificação na Assistência Domiciliar – HHCC (Home Health Care Classification). Atualmente.org). O entendimento entre a NANDA e o CAP permitiu uma melhor compreensão da pesquisa dominante na enfermagem dentro do sistema SNOMED RT. deve ser considerada uma ferramenta indispensável para a determinação de custos.cfm. fornece a base para a seleção das intervenções de enfermagem e resultados do feedback do paciente pelo qual o enfermeiro é responsável. registro e quantificação do que a enfermagem produz. através de uma documentação mais completa e consistente das condições dos pacientes. Com isso. além de estabelecerem padrões de cuidados. para representar o que a enfermagem faz. Léxico e Taxonomia em Intervenção de Enfermagem – NILT (Nursing Intervention Lexicon Taxonomy). existem vários sistemas de classificação ou modelos formais. da família e da comunidade. eles são necessários. Assim. Mead19. a taxonomia da NANDA mapeada pela SNOMED RT deve aumentar o uso da terminologia de enfermagem. através do Web site da SNOMED (http://www. a linguagem dos diagnósticos de enfermagem pode ser um caminho importante para que os enfermeiros demonstrem a sua experiência no cuidado ao paciente e transmita esse conhecimento tácito aos outros. que podem ser utilizados em qualquer parte do mundo. aumentará a capacidade de articular as contribuições da enfermagem para uma assistência eficaz quanto ao custo eficiente e de qualidade. Em nosso entendimento. Vale salientar que o diagnóstico de enfermagem está baseado em uma sistemática avaliação de sinais e sintomas e exames de fatores relatados e associados com as condições do paciente. Serão abordados alguns desses modelos formais de sistemas construídos a partir dos diagnósticos de enfermagem propostos pela NANDA: Sistema de Classificação .

É constituído por dois esquemas exclusivos da enfermagem de saúde domiciliar que foram desenvolvidos empiricamente e estabelecidos para serem estatisticamente significantes. O sistema está organizado com vinte componentes de cuidado de saúde domiciliar. Status: é a condição do cliente em relação às características definidoras objetivas e subjetivas. Quando usados ao mesmo tempo. O sistema oferece uma nova abordagem para a organização do registro do paciente. o HHCC pode ser usado como um dicionário de dados clínicos dos elementos da prática de enfermagem para o desenvolvimento de sistemas de registro computadorizado. a escala de avaliação do problema para resultados e o esquema de intervenções. esse modelo expande o conhecimento da saúde domiciliar e comunitária em enfermagem17. Também fornece uma base para medidas de efetividade e qualidade do cuidado de enfermagem em saúde domiciliar. contendo três níveis hierárquicos distintos para medir o desenvolvimento do cliente em termos de problemas e diagnósticos identificados pelo enfermeiro. Eles estão fundamentados no julgamento clínico e fornecem um modelo analítico para medir e avaliar os cuidados de enfermagem em saúde domiciliar12. Segundo os referidos autores. a fim de prever.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos (Nursing Intervention Classification) e Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem – CIPE (Internacional Classification for Nursing Practice).consiste de três componentes: o esquema de classificação de problemas. Enfim. uma característica poderosa do sistema OMAHA inclui a redução. ações ou atividades do cliente em adaptar a ocasião vivida. os quais fornecem uma estrutura de classificação e codificação dos diagnósticos e intervenção de enfermagem. Comportamento: é a observação de respostas. habilita a enfermagem para documentar o cuidado ao cliente com mais eficiência e efetividade. gera dados importantes para o gerenciamento do sistema de informação13. a) Sistema OMAHA .esse sistema foi desenvolvido para avaliar e classificar o cuidado realizado no domicílio dos clientes que eram conveniados com um seguro de saúde norte-americano – o Medicare. Desse modo. . documentando o processo de enfermagem e determinando os recursos requeridos. a relação de exclusividade interna e a aplicabilidade através de programas baseados na comunidade. O esquema de classificação dos resultados usa cinco pontos de uma escala tipo Likert. tanto as necessidades de enfermagem. esses esquemas formam um sistema que: aumenta a prática da saúde comunitária. a simplicidade da nomenclatura. em relação ao conhecimento. como de outros serviços domiciliares necessários para medir os resultados obtidos18. ao comportamento e ao estado de saúde: • • • Conhecimento: é a habilidade do cliente em lembrar e interpretar a informação. b) Sistema HHCC: Classificação dos Cuidados Domiciliares de Saúde .

assim como as intervenções que podem estar voltadas para o tratamento. considerando-o cientificamente antiquado e inflexível. . enfermeira e cientista da informação da Universidade do Texas. O sistema é constituído por oito grandes categorias de intervenções de enfermagem. integridade de pele e tecido.Componente Nível 2 . metabolismo. padronizado. Pode-se afirmar que o ponto central dessa abordagem está na constatação de que a linguagem é um reflexo do conhecimento que a profissão possui. volume de líquidos. Ela critica a tentativa de criar-se um sistema universal. verbalização da aceitação da situação.Esse sistema foi desenvolvido por Susan Grobe. eliminação intestinal. observar o relacionamento entre eles e demonstrar através do método científico como estabelecer e validar um vocabulário que possa ser usado num sistema computadorizado. medicação. Neste sistema. comportamento de saúde. Esses componentes estão esquematicamente expostos em quatro níveis que são distribuídos dos mais gerais e amplos para os mais específicos: Nível 1 . a idéia não é padronizar a linguagem. coping‡. órgãos do sentido. Grobe propôs seu próprio sistema de intervenção de enfermagem: a Léxico e Taxonomia de Intervenção em Enfermagem8.Maior categoria Nível 3 . que constitui um desafio aos recursos que o indivíduo tem para satisfazer as exigências da vida e padrões de papel autoprotetores que o defendam contra ameaças subjacentes que são apercebidas como ameaçadoras de uma auto-estima positiva. identificando as intervenções que poderão ser realizadas. controle físico. relacionamento entre papel. cognitivo. autoconceito. diminuição do stress. A maior dificuldade de uma linguagem padronizada reside no sistema automatizado que não é capaz de ditar a prática profissional com suas memórias e experiências20. Em vez disso. prevenção e promoção da saúde. Isso inclui desde aspectos psicossociais até fisiológicos. cardíaco. pelas enfermeiras Joanne McCloskey e Gloria Bulechek.também conhecido como projeto de intervenções de Iowa. d) Sistema NIC: Classificação das Intervenções de Enfermagem . Para o ICN (1999). é acompanhada por um sentimento de controle. é um tipo de adaptação com as seguintes características específicas: disposição para gerir o stress. segurança. perfusão tissular e eliminação urinária. aumento do conforto psicológico. respiração.Subcategoria Nível 4 . Essas atividades são listadas e o enfermeiro pode escolher. autocuidado. Houston – EUA. é uma categorização das atividades de cuidado direto desempenhado pelos enfermeiros. As pesquisadoras da NIC construíram * Não traduzimos por se tratar de um termo que apresenta diverso significado.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Os componentes que constituem a estrutura da classificação e a taxonomia dos diagnósticos de enfermagem são: atividade. Cada intervenção consiste de um título descrevendo uma definição e grupo de atividades ou ações9.Modificador c) Sistema NILT: Léxico e Taxonomia de Intervenção em Enfermagem . nutrição. mas oferecer um meio de compreender os vocábulos de enfermagem. Esse sistema de classificação foi desenvolvido na Universidade de Iowa.

Para Coler6. as quais são categorias mais concretas6. Embora o NIC possa ser visto como uma ferramenta organizacional simples. A publicação original da NIC. O NIC e a NOC têm em comum: eixos para qualificar ou refinar os títulos de intervenções ou dos resultados e domínios. pois une conhecimento científico. formalmente usadas para organizar treinamento em enfermagem. níveis abstratos e categorias concretas. Está traduzida em vários idiomas e pode ser encontrada na Internet em cinco sites nos Estados Unidos da América20. Atualmente. um sistema em formação na Internet. apresentava uma lista de 336 intervenções. a Biblioteca Nacional de Medicina Metathesaurus para sistema unificado de linguagem médica. incluindo cuidados diretos e indiretos14. Essa publicação é apoiada pela maioria dos hospitais e agências de saúde dos Estados Unida. que foram validadas por enfermeiros experts em assistência de enfermagem. com categorias maiores das classificações para designar os fenômenos mais abstratos subclassificados por classes. o NIC é uma série de intervenções que fornecem uma lista do que a enfermagem faz e o que é. adotada por importantes índices de referência em enfermagem. prática. contendo seis eixos. através de um processo cooperativo de ampla escala com enfermeiros assistenciais que testavam novas categorias e sugeriam outras. Assim. fundamentada nas respostas humanas.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos seu sistema de intervenção de enfermagem indutivamente. Portanto. para a taxonomia II. Embora ainda relativamente recente. e refinamento na linguagem e na informática no conhecimento de enfermagem. É importante frisar que está em desenvolvimento uma reestruturação no sistema NANDA. A integração dos grupos de estudo em enfermagem na Internet possibilitará o avanço no desenvolvimento. é muito mais do que isso. treze domínios e quarenta e seis classes15. Desde os primeiros trabalhos. versão 1992. está se formando uma aliança designada NNN – NANDA. evoluindo da taxonomia I. em sua primeira edição. burocracia e sistema de informação. NIC e NOC – que será vinculada por links. essa aliança vai ser uma tentativa da NANDA para dirigir a ligação com grupos e organizações de enfermagem em outros países. O sistema de classificação estava crescendo lentamente. com os padrões de saúde multiaxial. o NIC promete fornecer a maior reunião de elementos para enfermagem no século que se inicia. grupos . o NIC tem sido conduzido por uma das maiores publicações médicas. Já na segunda publicação a NIC apresentou uma lista de 433 intervenções.nanlink.org. têm-se falado na possibilidade da integração dos três sistemas para comporem a epistemologia da prática de enfermagem. Elas avaliaram compilações de atividades descritas pela enfermagem e criaram uma lista preliminar que distingue entre intervenções e atividades de enfermagem20. com seus fenômenos. Esse link estará disponibilizado para consulta pela comunidade acadêmica e de enfermagem na Web site www.

a partir dos diagnósticos de enfermagem aprovados dentro dos critérios da CID – Classificação Internacional de Doenças – e a encaminharam à OMS – Organização Mundial de Saúde – solicitando a sua inclusão na CID-10. objeto. na busca de uma linguagem universal que mostre com clareza os elementos da prática de enfermagem. em ordem alfabética. dos elementos da prática de enfermagem – os diagnósticos. a OMS argumentou que esta classificação não representava a enfermagem mundial e sugeriu que uma Associação Internacional desenvolvesse uma classificação nos moldes do capítulo “Família de Classificações” da CID. meio. o CIE acatou a sugestão e. mas agrupados hierarquicamente em nova combinação16. Essa versão apresentava a classificação de intervenções estruturada em eixos: ação. NILT.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos de pesquisa de universidades ou indivíduos que queiram fazer parte de uma rede de pesquisa ou assunto clínico. a necessidade do desenvolvimento de um sistema de classificação internacional para a prática de enfermagem. internalizar conceitos. Os grupos-alvo da aliança NANDA. O projeto CIPE é resultado da mobilização de enfermeiros em todo o mundo. entre outros. intervenções e resultados esperados10. e) CIPE: Classificação Internacional da Prática de Enfermagem . em Seul – Coréia.O projeto CIPE/ICNP® teve seu início em 1986. quando a NANDA e a American Nurses Association .CIE). Na realidade. Em 1993. durante o Congresso Quadrienal do International Council of Nurses (Conselho Internacional de Enfermeiros . estudos vêm sendo desenvolvidos visando à definição de um sistema de classificação da prática de enfermagem. Estudos têm sido realizados por pesquisadores e enfermeiros assistenciais sobre a classificação da prática. terão como metas: reunir. categorizar. O NNN ligado por links não vai parar: futuramente se ligará a Classificação Internacional de Enfermagem e se integrará a CID e também a sistemas informatizados e lingüísticos já codificados6. o conteúdo dessa versão representa os conceitos de enfermagem que já existiam.ANA desenvolveram uma classificação. comunicar. a CIE apresentou um documento denominado Nursing’s Next Advance: an International Classification for Nursing Practice – ICNP® (Próximo avanço da Enfermagem: uma Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem – CIPE). NOC e o consórcio da NANDA e NDEC Equipe de Extensão e Classificação dos Diagnósticos de Enfermagem e outros interessados. envolvendo vários vocabulários desenvolvidos por outros projetos como: NANDA. desde então. SABA. o CIE publicou a CIPE – Versão Alfa: um marco unificador. Somente em 1989. lugar do corpo e . Em 1996. pesquisar possibilidades. NIC. enfoque. sintetizar e priorizar as possibilidades de links. NIC. Em 1990. enfermeiros da NANDA apresentaram. sistema Omaha. que é uma compilação. construído pelas classificações de fenômenos e de ações de enfermagem. Como resposta a essa solicitação.

Paralelamente ao desenvolvimento da CIPE/ICNP®. Uma relação hierárquica é aquela que se dá entre conceitos. para formar um ou mais níveis adjacentes. nas quais todos os conceitos se definem e se situam sistematicamente em um marco de relações hierárquicas. que se denominam níveis de abstração16. A CIPE/ICNP® é constituída de três classificações: de fenômenos. locais. permitir a comparação dos dados de enfermagem entre populações de diferentes clínicas. • • • descrever o cuidado de enfermagem a pessoas (indivíduos. fornecer dados sobre a prática de enfermagem. Por ocasião do 100º aniversário de sua fundação. de intervenções e de resultados de enfermagem. #! $ ! ! elementos da classificação. demonstrar ou projetar tendências na provisão de tratamentos e cuidados de enfermagem e sobre a alocação de recursos para o paciente. conceituando-os. seja institucional ou não. • • estimular a pesquisa de enfermagem através de ligações entre os dados disponibilizados por SI em enfermagem e por SI em saúde. famílias e comunidade) numa variedade de locais. Sendo assim. serão descritos a seguir alguns desses elementos. conforme a CIPE11. Os objetivos iniciais da CIPE. foram revisados durante o desenvolvimento da versão Beta. a fim de influenciar a tomada de decisão nas políticas de saúde12. versão Beta. áreas e épocas distintas. A idéia é que estes nomes tenham o mesmo significado para profissionais de diferentes regiões. Esses objetivos que continuam dirigindo os pressupostos do programa CIPE/ICNP® são os seguintes: • estabelecer uma linguagem comum para descrever a prática de enfermagem. A diferença da CIPE/ICNP® em relação aos demais modelos de classificação de enfermagem existentes e a outras classificações utilizadas na área de saúde. . o Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN) lançou a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE/ICNP®). na prática de enfermagem e nas definições do papel dos enfermeiros11. e se estabelece através de divisão de um conceito de ordem superior em conceitos subordinados. estabelecidos pela ICN e delineados na versão Alfa.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos tempo/lugar. a fim de melhorar a comunicação entre os enfermeiros e dos enfermeiros com outros profissionais. de acordo com suas necessidades baseadas em diagnósticos de enfermagem. ocorreram profundas mudanças nos cuidados de saúde. como a CID – 10 está na sua construção de acordo com as regras de classificação. Serve como uma estrutura de unificação em que os vocábulos existentes de enfermagem e as classificações já existentes possam ser mapeados para permitir a comparação dos dados de enfermagem.

Os oitos eixos desenvolvidos numa abordagem multiaxial. portador . localização anatômica -define-se como a posição anatômica ou localização de um fenômeno de enfermagem (Ex.: o indivíduo. após a realização das intervenções de enfermagem. Diagnóstico de enfermagem: título dado pelo enfermeiro à decisão sobre um fenômeno que representa o foco das intervenções de enfermagem. auto-estima. inadequado. oportunidade). .é o número de ocorrências ou repetições de um fenômeno de enfermagem durante um intervalo de tempo (Ex. na versão Beta 1. probabilidade . sobre o estado de um fenômeno de enfermagem.: olho. Resultados de enfermagem: são vistos como a mensuração de um diagnóstico de enfermagem num determinado tempo. sob a forma de mudanças efetuadas nos diagnósticos de enfermagem. pobreza). medidas da condição funcional ou da qualidade de vida). Em outras palavras. a comunidade).: agudo. esquerdo. melhorado). A importância multidimensional (fatores sociais e pessoais) e os fatores interdisciplinares no resultado do cuidado de saúde não podem ser ignorados. estimada ou determinada pela prática profissional de enfermagem. são assim denominados: foco na prática de enfermagem . De qualquer forma.: direito. incluindo a qualidade relativa da intensidade ou grau da manifestação do fenômeno de enfermagem (Ex.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos .significa a possibilidade de ocorrência de um fenômeno de enfermagem (Ex. Muitos desses esforços enfatizam o aspecto multidimensional de resultados.é a área de atuação descrita nos regulamentos sociais e políticos da profissão e nas estruturas conceituais da prática profissional de enfermagem (Ex. . A ênfase na efetividade de cuidados de saúde tem resultado em muitos esforços para se descrever e definir resultados e medidas de resultados (p. ex.: risco. duração . medidas ao longo do tempo.é a opinião clínica. incluindo a enfermagem como uma dimensão desse quadro.é a extensão de um intervalo de tempo durante o qual um fenômeno de enfermagem ocorre (Ex. o propósito da CIPE/ICNP® na classificação dos resultados em enfermagem é identificar e distinguir as contribuições específicas da .: dor. Um diagnóstico de enfermagem é composto por conceitos contidos nos eixos da classificação dos fenômenos. crônico). parcial.é qualquer entidade que pode ser vista como portadora do fenômeno de enfermagem (Ex. a família.: reforçado. Fenômenos de enfermagem: são aspectos pertinentes à saúde para a prática de enfermagem. topologia . julgamento . freqüente). freqüência .: intermitente. total). os resultados de enfermagem são resultantes de intervenções de enfermagem. dedo).compreende a região anatômica em relação ao ponto mediano ou extensão da área anatômica de um fenômeno de enfermagem (Ex. Há muitos fatores que contribuem para os resultados dos cuidados de saúde.

que é um passo decisivo para se criar uma nomenclatura de enfermagem. ♦ É sistêmico. obter-se-á a padronização do vocabulário em enfermagem. Planejamento: é uma técnica que visa tomar decisões antecipadas de ocorrências futuras e traçar um plano de ação. ♦ É cíclico. ♦ Questões estratégicas/Ações. Características do planejamento: ♦ É contínuo e permanente. ♦ Está voltado para o futuro. ♦ Resultados. ♦ Operacionalização das ações. ♦ Objetivos. RESUMO 1. Todavia. Questões básicas para elaboração de um plano: O quê? Como? Quando? Quem? Por quê? Onde? Etapas do processo de planejamento: ♦ Diagnóstico da instituição. 2. com outras funções. tático e operacional.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos enfermagem dentro dessa complexa visão dos resultados de cuidados de saúde (ICN. ♦ Visão. . ferramenta imprescindível para o desenvolvimento de um sistema de informação automatizado. intervenções e resultados – têm vários sinônimos. ♦ Análise da situação. Se isso for alcançado. ♦ É uma função administrativa integrada. dinamicamente. Talvez seja essa a grande dificuldade enfrentada pelos pesquisadores na tentativa de classificar a prática de enfermagem. 1999). Vale ressaltar que os elementos da prática de enfermagem – diagnósticos. Tipos de planejamento: estratégico. ♦ Missão. porque a proposta é organizar termos que tenham o mesmo significado para os profissionais de enfermagem em qualquer parte do mundo. é notório o interesse desses pesquisadores em definir e classificar os fenômenos de enfermagem. diferentes sentidos e até alguns sistemas antagônicos. ♦ É racional.

. QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO 1) Conceitue planejamento.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 6. a fim de ajudar a modificar a situação problema do paciente. associada ao conhecimento técnico e à habilidade do enfermeiro. Planejamento da assistência: é a aplicação da metodologia científica. 2) Cite as características do planejamento. 5) O que significa diagnóstico no contexto administrativo? 6) Descreva as etapas do diagnóstico. 8) Que aspectos devem ser considerados como princípios administrativos aplicados no planejamento? 9) Quais os elementos metodológicos utilizados no planejamento da assistência de enfermagem? 10) Cite as etapas do planejamento na assistência de enfermagem. 7) Defina um problema administrativo e elabore uma questão estratégica com respectivas ações. 3) Cite os tipos de planejamento e explique-os. 4) Descreva as etapas do processo de planejamento.

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onde prevalecem os objetivos individuais. Realmente. estruturar. a cadeia de comando. É necessário. Por exemplo. Do outro lado. cargos e ocupantes. as normas e regulamentos da empresa. representando suas relações formais e informais. executado por pessoas agrupadas em órgão. a fim de realizar seus objetivos conjuntos. Miner citado por Chiavenato. Desse modo. Todos esses aspectos convergem para uma explicação óbvia: a organização é um conjunto complexo e diversificado de trabalho. está a organização informal. a divisão do trabalho. a organização é uma atividade básica da administração e se caracteriza por ser sempre um meio para atingir os objetivos da instituição e por ser dinâmica com sentido coletivo. É um processo social altamente dinâmico. A organização. tais como: arrumação. ordem. A estrutura organizacional pode ser ainda visualizada sob dois aspectos: o aspecto vertical e o aspecto horizontal. organizar o trabalho. empresa e outros. pode ser definido como o ato de agrupar atividades. integrar os recursos e estabelecer relações de trabalho entre a instituição e o empregado. De um lado. todos os aspectos relacionados com os órgãos. A administração de uma organização. que são as pessoas associadas em obediência às leis naturais. consiste num agrupamento das atividades necessárias para a realização de objetivos e planos. cada uma fazendo uma determinada tarefa sem obedecer a uma seqüência ou regras definidas. onde as pessoas se encontram trabalhando desordenadamente. as comissões. portanto. Miner explica que o aspecto vertical se refere basicamente à dimensão escalar ou hierárquica que envolve a nivelação das decisões.Administração aplicada à enfermagem 1. as diretrizes. está a organização formal que compreende a estrutura organizacional. se refere basicamente ao fluxo de relações dentro da organização e envolvem a departamentalização. organização será situada neste trabalho sob o prisma da administração. a fim de que seus objetivos sejam alcançados. estabelecer normas e padrões. Mas. o número de níveis hierárquico necessários e a amplitude administrativa. . estruturar formalmente o comportamento dos indivíduos na instituição. definir funções e cargos. a política. órgãos de linha e de staff. qualquer que seja seu tipo ou objetivo de sua atividade. Imagine uma empresa.1 Analisando tais fatos. instituição. seria muito confuso. O’Donnel citado por Chiavenato1. a coordenação e os procedimentos de tomada de decisão entre setores diferentes da organização. depara-se com duas situações distintas. Enfim. Portanto. segundo Koontz. O aspecto horizontal continua o autor. mas interdependentes. segundo John B. CONCEITOS DE ORGANIZAÇÃO Sérgio Ribeiro dos Santos Organização é uma palavra que tem diversos significados. um chefe que dá ordens e recebe ordens dos empregados. na atribuição dessas atividades a departamentos apropriados e nos passos necessários para delegação e coordenação da autoridade.

335 14.010 13.732 2. serão examinados alguns tipos de gráficos que a enfermagem pode utilizar em suas atividades: (a) Gráfico de levantamento . É um instrumento de apoio no processo de planejamento e controle. A observação dos pontos mais baixos é importante para fazer possíveis alterações nas metas.832 12. .740 Abril 7.530 2.913 Junho 7. Devem ter simplicidade.883 Maio 7.neste tipo de gráfico estão incluídos todos os gráficos estatísticos.o serviço de enfermagem deve utilizá-lo amplamente.esse tipo de gráfico é obtido pela união dos pontos por segmentos de retas.958 3. como segue: Atend/Mês Médico Odontológico Enfermagem Total Janeiro Fevereiro 6.070 3. possibilitando ainda o levantamento de tendências e o enriquecimento dos relatórios de enfermagem. Devem retratar a realidade.152 13.835 3. por que auxiliam no processo de decisão.568 4.895 3.120 3.786 18.038 22.964 13. FERRAMENTAS BÁSICAS RELACIONADAS COM A ORGANIZAÇÃO 2.912 7.642 (b) Gráfico de linha ou diagrama de linha poligonal . devem ser claros e objetivos. devem ser a expressão do que existe efetivamente.661 3.895 3.525 15. Meta é o objetivo quantificado. A seguir. Considerando-se que os gráficos são instrumentos importantes na administração do serviço de enfermagem apontamos três requisitos indispensáveis que devem ser observados em sua elaboração: • • • Devem possuir única interpretação. devendo-se evitar o excesso de informações num mesmo gráfico.816 Março 6. Exemplo: Quadro estatístico que demonstra a flutuação de demanda para atendimento em ambulatório de janeiro a junho.550 3.818 84.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 2.378 Total 43.1 Gráficos .010 3.

Dessa forma.Número de casos da moléstia X. é possível estudar. corrigir e obter a melhor seqüência dos passos fundamentais da tarefa.Casos registrados de linfomas. na área Y. correção e eliminação dos movimentos inúteis ou desnecessários que comprometem o bom desenvolvimento do trabalho.é um gráfico de levantamento de rotina. sexo masculino. permitindo a visualização das diversas operações e os respectivos agentes executores.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Figura 3 . Para a elaboração do fluxograma. representando. segundo a idade 150 100 Nº casos 50 0 10 20 30 40 50 60 70 (c) Fluxograma . . o fluxo ou a seqüência de um processo. de forma dinâmica e descritiva. são utilizados símbolos para representar cada etapa do processo. de 2000 a 2005 500 400 300 200 100 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Moléstia x Figura 4 . A fluxogramação de um processo possibilita a simplificação do trabalho. além da localização.

Símbolos usados na elaboração do fluxograma: Início/fim Processo Decisões alternativas Conector de página Arquivo definido Direção de fluxo Documento Conector de processo Demora Vários documentos Arquivo transitório Destruição de documentos Os autores norte – americanos utilizam vários termos para designar os diferentes tipos de fluxogramas: flow – chart. flow diagram. work chart. a fim de encontrar o problema. Desenhar o fluxo ideal. routine chart.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Início Fase do processo Decisão Fim Para identificar problemas e até encontrar soluções deve-se: • • • Desenhar o fluxo atual. process chart. flow process e process diagram. . Comparar os dois fluxos para verificar onde diferem entre si.

depois de descritos e analisados. (d) Cronograma . devem ser implementados e executados dentro do padrão. O médico do distrito recebe o pedido.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 1 2 4 5 6 8 Figura 5: Fluxograma do pedido de vacinação ao almoxarifado 3 7 Legenda: 1. Sua função é relacionar duas variáveis – os eventos em função do tempo. providencia o material e encaminha. O médico do distrito autoriza e encaminha o pedido para almoxarifado. 7. 3. Faz pedido em duas vias e encaminha o pedido ao médico – chefe. O setor de vacinação guarda o material e arquiva a segunda via do pedido. Analisando o processo. é possível eliminar passos desnecessários (burocracia. O cronograma possibilita acompanhar e controlar qualquer programação.é uma técnica relacionada com a função de planejamento. 2. 6. 4. Os processos. O médico – chefe visa o pedido e encaminha ao médico de distrito. . permitindo destacar a fase que está terminando e aquela que deverá ser iniciada. O setor de vacinação verifica do estoque. retrabalho) e promover seus primeiros pontos de melhoria. Início do processo. é um gráfico de dupla entrada: nas linhas são colocados os eventos planejados e nas colunas o período de tempo considerado como padrão. O almoxarifado recebe o pedido. O setor de vacinação recebe o material e confere o pedido. 8. 5.

trabalhos em áreas específicas aconselhamento sobre determinados assuntos. Diretor da Divisão de Enfermagem Enf. Neles. levantamentos. etc. Define os diversos níveis da organização em função da hierarquia. apenas em relação a assuntos específicos à sua organização. ligados por linhas horizontais e verticais.Administração aplicada à enfermagem ATIVIDADES JAN Curso de sistematização da assistência de enfermagem. representando cargos ou órgãos. segundo Chiavenato1: Autoridade de linha: confere ao seu possuidor o direito de dar ordens diretas a seus subordinados e de delegar parte de sua autoridade diretamente. permitindo destacar quem é quem nessa estrutura. (e) Organograma . Chefe da Unid.é um gráfico que representa a estrutura formal de uma organização. indicando o fluxo de autoridade. bem como os canais de comunicação que representam as relações formais de caráter hierárquico. Chefe da Unid. Autoridade de assessoria ou staff: ocorre quando uma pessoa recebe poderes para fazer pesquisa. Curso de relações humanas no trabalho. . Obstetrícia Enf. Legenda: Atividade planejada Sérgio Ribeiro dos Santos 1º SEMESTRE DE 2005 FEV MAR ABR MAIO JUN Figura 6: Exemplo de cronograma de atividades do setor de educação continuada de um hospital escola. Médica Enf. caixas ou círculos. Seminário de qualidade e produtividade em enfermagem. os órgãos componentes da estrutura. Autoridade funcional: permite a um órgão atuar sobre elementos não ligados diretamente a ele. O organograma é constituído de retângulos. Pediátrica Figura 7: Organograma de autoridade de linha. Chefe da Unid. as relações de autoridade podem ser representadas de três maneiras diferentes. Palestra sobre a importância da informática na enfermagem.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Diretor da Divisão de Enfermagem Comissão de Auditoria Enf. Cirúrgica Unidade de Assist. Enf. Chefe da Unid. . Chefe da Unid. Médica Unidade de Assist. Pediátrica Figura 8: Organograma de autoridade de staff Diretor da Divisão de Enfermagem Supervisão de Enfermagem Enf. Chefe Cl. Alguns cuidados deverão ser tomados na construção de um organograma: A altura do retângulo deverá ser a metade da base. Figura 9: Organograma de autoridade funcional Classificação dos organogramas: Analíticos: mostram toda a estrutura da organização e quase todas as relações funcionais. Sintéticos: mostram apenas as unidades estruturais mais importantes. Médica Enf. As ligações hierárquicas são representadas por linhas contínuas (cheias) e as ligações funcionais serão retratadas por linhas interrompidas (tracejadas). Enf. Enf. Os órgãos auxiliares deverão ficar justapostos. Chefe Cl. Obstetrícia Enf. Chefe da Unid.

3) Organograma circular: é elaborado em círculos concêntricos que representam os diversos níveis hierárquicos. Cirúrgica Enfermagem Materno-infantil Figura 10: Exemplo de organograma clássico 2) Organograma em barras: é aquele que representa a estrutura organizacional através de barras horizontais. Médica Enfermagem Cl. Tipos de organograma: há vários tipos de organograma. Os órgãos técnicos ficarão no 3º nível (divisões ou departamentos). 1) Organograma padrão ou clássico: é aquele que apresenta as características mais importantes da estrutura organizacional.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos As linhas verticais ligarão os órgãos de linha e as linhas horizontais ligarão os órgãos de apoio. cada um com características próprias. Os órgãos devem ter o seguinte posicionamento: Os órgãos deliberativos ficarão no 1º nível (alta administração). setores seções). É o mais conhecido entre todos os tipos de organograma. Deve-se evitar cruzamento de linhas diagonais. As linhas cheias representam os canais de comunicação dos órgãos ou cargos existentes. com extensões variáveis. de acordo com o nível hierárquico. . Diretoria Técnica Divisão de Enfermagem Enfermagem Cl. Os órgãos executivos ficarão no 2º nível (diretorias). Os órgãos operacionais ficarão no 4º nível (chefias. traçados em linhas pontilhados ou tracejados.

Construir o gráfico sociograma. Deve-se solicitar. Elaborar tabela de dupla entrada. Convenções utilizadas: Sexo Masculino Sexo Feminino 1º Voto 2º Voto 3º Voto Os pontos são identificados através de letras: a = 3 pontos (1º voto) b = 2 pontos (2º voto) c = 1 ponto (3º voto) . A elaboração do sociograma é simples com as seguintes fases: Deve-se solicitar as pessoas que formam um grupo que escrevam numa folha de papel. A técnica se fundamenta na obtenção de respostas de um grupo social sobre o que pensam e sentem uns dos outros. É uma forma compacta de apresentar a estrutura organizacional. (f) Sociograma (Gráfico de Moreno) .esse tipo de gráfico permite conhecer a estrutura informal da organização. que as pessoas escrevam. onde a autoridade máxima localiza-se no centro do organograma.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 4) Organograma radial ou setorial: é elaborado através de círculos concêntricos. Coletar os dados e fazer respectiva tabulação. individualmente e em ordem de preferência. os nomes de três colegas com quem gostaria de trabalhar. em seguida. os nomes de três colegas com quem gostaria de ir a um restaurante. de acordo com a preferência.

Sarah 10. Jonathas 7. Assegurar economia de tempo nas operações. que é então o líder. Vinícios TOTAL b b b a c a b a a a a 1 2 3 a b c Sérgio Ribeiro dos Santos ESCOLHIDOS POR PONTOS 4 5 6 b a c c b c b c a c c 3 1 b 5 1 8 b 7 8 9 10 11 c 1 4 8 10 6 7 2 5 3 9 11 Observa-se que a preferência do grupo foi para o número (3) – Filipe. Objetivos para o uso de um layout: Minimizar a movimentação de material e de pessoal. Sérgio 11. Ivanilda 6. Eva Maria 2. (g) Layout ou plantas: é uma técnica utilizada nos manuais de organização para permitir uma visualização geral do fluxo contínuo do trabalho. Israel 5. custo operacional e integração dos diversos serviços. possibilitando a racionalização do espaço e a disposição de todo o instrumental necessário. Proporcionar melhor ambiente de trabalho. Fátima 3. em função da distância. Aproveitar racionalmente o espaço. Filipe 4. Samuel c a b 4 3 c a 19 7 7 8 9. Rebeca 8.Administração aplicada à enfermagem Votantes/nomes Relação nominal 1. . (h) Folha de verificação: essa técnica é utilizada para colher dados que ocorrem com certa freqüência em determinado período de tempo.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos A folha de verificação permite transformar opiniões em fatos.o serviço de enfermagem deve seguir um sistema de organização proposta pela instituição. incluindo. as causas principais são representadas como 4M: materiais. Para montagem deve-se considerar: O que exatamente está sendo observado. etc) Fevereiro |||| ||||| || 11 Março ||||| |||| ||| 12 14 12 11 37 TOTAL (i) Diagrama de causa e efeito ou diagrama espinha de peixe ou diagrama de ishikawa: esse gráfico é usado para identificar. 2. define pessoal. Exemplo: PROBLEMAS Janeiro A B C TOTAL ||||| ||| |||||| 14 TEMPO (Mês. mão-de-obra. máquinas. a enfermagem elabora um ato normativo de caráter flexível que rege a disciplina do serviço. O diagrama tem a seguinte forma: Causa Causa subcausa Causa subcausa subcausa Efeito subcausa subcausa Causa Causa subcausa subcausa subcausa Em geral. com espaços suficientes.2 Regimento . partindo da política institucional. Estabeleça o período em que os dados devem ser coletados. especifica as finalidades e posição do serviço na estrutura administrativa e a competência das diversas unidades de trabalho. Desse modo. sua função e explica os requisitos que são exigidos pela instituição. medidas e meio ambiente. Daí a necessidade de um documento que possibilite a definição de papéis e atribuições estabelecidas pela administração superior. . Faça um formulário fácil e claro. métodos ou 6M. Semana. explorar e ressaltar todas as possíveis causas de um determinado problema e seus efeitos para o serviço.

afirma que. artigos e parágrafos.são estabelecidas com o propósito de orientar o desenvolvimento dos indivíduos na busca dos objetivos determinados pela administração superior. Feldmann citado por Hendrikx3. De acordo com Holle. Capítulo VIII – Disposições gerais. Assim. Seus programas devem estar de acordo com as leis e os regulamentos da organização. . Normas técnicas (como deve ser feito). as normas no serviço de enfermagem precisam ser específicas e completas com diretrizes que delineiam o seu campo de ação. 2. Para elaboração das normas. as normas são técnicas. o regimento deve ser aprovado pela administração superior do hospital. Capítulo II – Posição do serviço de enfermagem. baixadas pela administração superior. devem ser considerados os seguintes critérios: As normas devem ser estabelecidas de acordo com os objetivos e a filosofia do serviço de enfermagem. As normas têm como finalidade fornecer informações gerais do trabalho (o que deve ser feito e como deve ser feito) e dos padrões comportamentais.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos O regimento aborda os assuntos em capítulos. dando segurança ao pessoal do serviço de enfermagem e ao paciente.3 Normas . Devem deixar claras as funções dos serviços de enfermagem. agrupados da seguinte forma: Capítulo I – Finalidade do serviço de enfermagem. As normas são classificadas por muitos autores em: • • • • Normas administrativas (o que deve ser feito). com normas preconizadas. padrões ou métodos costumeiros para conduzir e guiar a vasta complexidade de funções. o regimento é elaborado pela diretoria ou chefia do serviço de enfermagem. São baseadas em princípios estabelecidos por autoridade. por ser esta de caráter estável. as normas são guias para auxiliar no alcance seguro e eficiente dos objetivos organizacionais. Capítulo V – Pessoal e seus requisitos. Convém lembrar que o regimento do serviço de enfermagem deve ser baseado no regimento da instituição. Blatchley citado por Kron. Após sua elaboração. Capítulo III – Composição do serviço de enfermagem. uma comissão pode ser designada e coordenada pela chefia ou diretoria do serviço. Capítulo VI – Pessoal e suas atribuições. na enfermagem. No entanto. Quem elabora o regimento do serviço de enfermagem? Geralmente. Gray2. Capítulo IV – Competência das unidades de trabalho. Capítulo VII – Horário de trabalho.

Proporcionar segurança aos pacientes. Abordagem resumida. geralmente. Enunciado apresentado no modo indicativo. visando: • • • • • • Estabelecer com precisão de que forma o trabalho deve ser desenvolvido.em todo o serviço de enfermagem. As normas. Ou seja. uma comissão designada pela chefia de enfermagem elabora textos que devem constituir a realidade do trabalho planejado. Devem ser elaboradas. elaboradas com redação clara. quanto as sua formulação. Exemplos de normas: 2. apresentam características peculiares.Administração aplicada à enfermagem • • • Sérgio Ribeiro dos Santos Devem proporcionar meios para economizar tempo e esforço. as rotinas são guias para a execução de tarefas. Racionalizar o trabalho.4 Rotinas . Prestar orientação segura aos funcionários. Basicamente. contendo orientações acerca da execução de tarefas. proporcionando um melhor e mais rápido andamento de qualquer serviço. facilitando o treinamento dos funcionários. serviço de enfermagem deve encaminhar o orçamento à administração superior. A confecção de rotinas tem como finalidade guiar e fornecer dados. Diminuir erros e acidentes. Devem oferecer condições para a segurança e satisfação do pessoal. Dessa forma. a rotina estabelece as tarefas em forma sistemática e na seqüência em que devem ser executadas. garantindo a eficiência no trabalho. Incluir os padrões ou métodos de procedimento. de fácil acesso ao funcionário. possibilitando um melhor desempenho do pessoal em suas atribuições. funcionário deve bater o seu cartão de ponto sempre uniformizado. devem existir rotinas de serviço. Necessidade de avaliação contínua. Hendrikx3 conceitua rotina como a descrição sistemática dos passos a serem dados para a realização das ações componentes de uma atividade. visando ao conforto e à segurança do paciente. destacando-se: • • • • • • • Linguagem simples e de fácil compreensão. Flexibilidade e atualização. As rotinas são fundamentadas no estudo e na vivência adquirida no dia – a – dia do trabalho. .

. Apesar de serem guias orientadoras flexíveis e estarem sujeitas a modificações no decorrer do andamento dos trabalhos. Assim. Normas a seguir – são os procedimentos sistematizados com ações. Utilizar desenhos e esquemas ou impressos. Tornar as rotinas de fácil manuseio e protegê-las em folhas plásticas. Há várias formas para a elaboração de rotinas. Ainda com referência às rotinas. devem ser observados alguns princípios técnicos de elaboração. sendo extensa a sua atuação. b) Elaboração textual: nessa forma. Ou seja. a primeira coluna apresenta o agente e a segunda cada etapa da operação até alcançar o seu objetivo ou destino final. com folhas de fácil substituição. Rotinas gerais. as rotinas se destinam a todos os funcionários. material/equipamentos e riscos. Rotinas administrativas. Usar linguagem simples e acessível a todos os funcionários. destacando-se duas delas: a) Elaboração em colunas: nessa forma. quando necessário. a rotina explica a ação do operante e a própria operação. Daí a exigência de flexibilidade. porém elucidativo. quem elabora rotinas deve ter em mente os seguintes requisitos: • • • • • Ser sintético. Manter as rotinas em processo de revisão contínua e atualizada.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos No serviço de enfermagem podem ser destacadas as seguintes rotinas mais usadas nos hospitais: • • • • Rotina para uso dos impressos. o assunto da rotina é dividido em três itens: • • • Introdução – é a abordagem geral sobre o tipo de rotina e seus objetivos. Rotinas específicas para cada especialidade. Competência – é a designação das pessoas envolvidas na rotina e suas funções quanto à execução. visando proporcionar um melhor e mais rápido andamento do serviço.

As admissões programadas deverão ser feitas. Enfermeiro Aux. Proporciona segurança para o funcionário. Portanto. Sinais vitais. Enfermeiro Prepara o quarto onde a criança ficará. definiu o manual como uma coleção sistematizada de instrumentos normativos e atos de interesse de consulta de setores ou de ocupante de cargos e funções.Administração aplicada à enfermagem Exemplo de uma rotina de colunas Sérgio Ribeiro dos Santos NORMAS: 1. Enf. enfermagem. Mostra a unidade. Médico Prescreve medicação e prepara para cirurgia. Prescreve cuidado de enfermagem a serem Na evolução de prestados. Identifica os impressos no prontuário da criança. que traz instruções gerais e específicas do funcionamento do serviço. Na sala 101. o manual é um guia. no dia anterior à cirurgia. Avisa o anestesista para fazer a visita préoperatória. podendo ser mais ou menos detalhados. Todas as crianças poderão estar acompanhadas da mãe ou responsáveis. 2. Pijama ou camisola. é um instrumento básico para uma boa organização e indispensável em qualquer serviço. às 16 h. Preenche o histórico de enfermagem. A unidade de pediatria admite crianças de zero a 12 anos. A utilização do manual de serviço possibilita as seguintes vantagens: • • Orienta no desenvolvimento das atividades do serviço.º 0/11/739 HOSPITAL MENINO DE DEUS UNIDADE DE PEDIATRIA ROTINA DE ADMISSÃO PARA CIRURGIA . Acomodar a criança e o acompanhante no quarto. AGENTE AÇÃO OBSERVAÇÃO Enfermeiro Recebe a criança. Faz anotações na papeleta. Aux. Enf. Providencia roupas para a criança. Orienta sobre as rotinas da unidade. 3. Impresso n. de acordo com o fim a que se destina. 2. data e hora da internação e intercorrência. através da Coordenadoria de Assistência Médica e Hospitalar. um orientador escrito.5 Manual O Ministério da Saúde. a mãe ou responsável. no período da tarde.

etc. Impressos usados pelo serviço de enfermagem. Regimento do serviço de enfermagem. Técnicas de enfermagem.Administração aplicada à enfermagem • • • • Sérgio Ribeiro dos Santos Protege os serviços e a administração contra possíveis equívocos. segue os seguintes itens: • • • • • • • • • • • • Planta física do serviço de enfermagem e das unidades de trabalho. Evita desordens no trabalho. . proibições referentes aos funcionários. ao se modificar uma rotina. Organograma do serviço de enfermagem: hierárquico e das áreas de trabalho. Inventário do material permanente e equipamentos. As folhas devem ser destacáveis de maneira que. Modelo do uniforme usado pelo pessoal de enfermagem. No caso da enfermagem essa comissão poderá ser composta pelos seguintes profissionais: chefe do serviço de enfermagem. Descrição de cargos e funções. supervisor e enfermeiro – chefe. Normas e rotinas. enfermeiro assistencial. A composição do manual. Protege o paciente. sujeito as reavaliações no desenvolvimento de suas atividades. Alguns esclarecimentos devem ser observados durante a sua elaboração e montagem: • • • Cada folha deve versar sobre um único assunto. Mapas da cota de material de consumo. Descrição do funcionamento e manuseio dos aparelhos ou equipamentos usados pelo serviço de enfermagem. deveres. quanto à sua elaboração. Portanto. a folha correspondente à mudança possa ser simplesmente substituída. Direitos. As folhas devem ser devidamente protegidas em folha plástica. técnica. rotina. Considerando-se que o serviço de enfermagem é um processo dinâmico. o manual assume um caráter flexível. geralmente. O manual deve ser elaborado por uma comissão designada pela administração superior do hospital. Minimiza o desperdício de material e de energia.

T. O que é fluxograma? 3. QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO 1. HENDRIKY. sd. O que é cronograma? 4. Manual de organização e avaliação do serviço de enfermagem. sociograma e layout. Administração dos cuidados de enfermagem ao paciente. São Paulo: União São Camiliana. H. 2. KRON. Que itens devem integrar o manual? BIBLIOGRAFIA 1. A. rotinas e manual. GRAY. Instrumentos técnicos relacionados com a organização: gráficos.1979. . O que é sociograma? 8. 9. Rio de Janeiro: Interamericana. Que vantagem representa o manual no serviço? 12. Teoria geral da administração. Organização é a segunda função do processo administrativo. Como se classifica o organograma? 7. normas. O que são normas? 10. Como são representadas as relações de autoridade no organograma? 6. Consiste num agrupamento de atividades necessárias para alcançar os objetivos. São Paulo: McGraw-Hill.Administração aplicada à enfermagem RESUMO Sérgio Ribeiro dos Santos 1. O que são rotinas? 11. Outros instrumentos: regimento. 2. Conceitue regimento. 1989. organograma. 3. M.. cronograma. I. Porque é importante a utilização dos gráficos na administração organizacional. 2. fluxograma. CHIAVENATO. O que significa organograma? 5.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos & ! ' .

FUNÇÕES BÁSICAS DA DIREÇÃO As funções de direção ou chefia envolvem os seguintes elementos rigorosamente interdependentes: delegação. no sentido de alcançar os objetivos definidos no planejamento. Desse modo. a fim de atender os objetivos propostos. de selecionar a pessoa adequada para efetuar certas operações. L. emitidas as ordens. supervisão. coordenação e controle. afirmam que a função de direção tem por objetivo dizer a outras pessoas o que fazer e conseguir que elas o façam da melhor maneira possível. destacando-se entre outros. competência e designando tarefas até o menor nível em que existam competência e informações. portanto. desde o planejamento até a execução das tarefas. 2. C. os membros devem ter conhecimento a respeito dos planos apropriados e isto deve ser feito em forma de ordens e instruções oficiais. Para Maximiano5. A função de direção tem sido considerada sob diferentes modos pelos diversos autores da administração. 2. a mais eficaz possível. o grupo de trabalho desenvolverá uma ação. Delegação. Todos os esforços de grupo exigem direção. embora o significado seja basicamente similar para todos eles. Ernest Dale. Huckbay1 significa alocar e descentralizar autoridade. para um efetivo desempenho da tarefa e tomada de decisão.1 Delegação A delegação é uma importante habilidade que todo administrador precisa desenvolver. porque desempenhando as tarefas que lhes forem atribuídas. Cada membro do grupo precisa ter a informação necessária para executar sua atribuição. Michelon citado por Chiavenato2. dirigir é o próprio conceito de administrar em ação. Há vários conceitos acerca de direção. no sentido de alcançar os objetivos preestabelecidos. é imprescindível que o gerente . De uma maneira geral. Para isso. Portanto. se espera que os objetivos finais do grupo tenham sucesso. eles irão ao encontro de objetivos individuais e do grupo. O enfermeiro gerente não pode assumir todas as responsabilidades. pode-se afirmar que a direção é uma forma sistemática de integração entre o elemento humano e material. fixando responsabilidade. liderança. orientações e supervisão do esforço dos subordinados. É através dessa função que são tomadas decisões. o de Terry11: Direção é a atividade de integrar os esforços dos membros de um grupo. havendo necessidade. motivação. segundo Dimock citado por Arndt.Administração aplicada à enfermagem 1. CONSIDERAÇÕES GERAIS Sérgio Ribeiro dos Santos A direção é a terceira função do processo administrativo.

Em outras palavras. dotado de necessidades variadas e abrangentes. e a teoria Y em que as pessoas gostam de trabalhar. McGregor concebeu a teoria X. Seguem algumas sugestões apresentadas por Kron. É indispensável que o enfermeiro gerente conheça as necessidades humanas. planejando como ensinar as pessoas. para melhor compreender o comportamento humano.2 Motivação . A delegação deve estar diretamente relacionada com o conhecimento da ação a ser executada e a responsabilidade pelos resultados finais. deve ser capaz de utilizar a motivação humana como poderoso meio para melhorar o nível de vida do grupo na instituição9. num trabalho complexo e diversificado como se apresenta o serviço de enfermagem. para aquele que deseja delegar de forma segura e eficaz: • • • • • • • Pense antes de delegar. Assim. delegar não é uma função fácil. Esteja disposto a aceitar os riscos e responsabilidades por ações dos outros. o enfermeiro gerente precisa identificar os fatores ou forças de motivação que afetam o comportamento. em que as pessoas desejam ser dirigidas e controladas.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos conheça o nível de competência do seu pessoal. observa-se que ela exerce uma forte influência na conduta das pessoas. não sabe fazê-la ou porque é desagradável. É indispensável ter uma compreensão clara acerca do que delegar. Planeje e organize as atividades da unidade em uma ordem lógica. Seja específico ao delegar. A motivação tem um sentido mais profundo do que o de fazer alguma coisa para obter uma outra coisa. Considerando-se a motivação em termos de comportamento. A delegação é um relacionamento recíproco onde se atribui responsabilidade. no sentido de alcançar os níveis mais elevados de desempenho8. o gerente do serviço de enfermagem não deve delegar uma atividade simplesmente porque não quer fazê-la. São muitos os fatores que afetam o comportamento dos indivíduos. Esteja disposto a investir algum tempo. a fim de não delegar tarefas a uma pessoa desqualificada. De acordo com Verteris12. Não delegar ou fazer a delegação erradamente representam prejuízo para a instituição e insatisfação para o pessoal. Na realidade. Nuttin7 afirma que a questão primordial é saber quais são estas coisas que 2. concede-se autoridade e exige-se feedback. Gray4. Sabe-se que o homem é um animal complexo. Por esses motivos diversos autores formularam teorias sobre o assunto: Maslow hierarquizou as necessidades em forma de uma pirâmide. Herzberg formulou a chamada teoria dos dois fatores: fatores motivacionais e fatores higiênicos. Mantenha-se informado após a delegação. Esclareça por que você está delegando certas atividades a determinada pessoa. porém necessária.

Um chefia líder é capaz de induzir o subordinado a executar as ações desejadas. com igualdade de objetivos e uma única ideologia que vai além dos interesses e motivações organizacionais dos indivíduos que estiverem envolvidos na empresa. Líder: conquista. impõe. domina. cativa. Souza10 citando palavras de Celso Magalhães. atitudes e outras particularidades pessoais de dirigente. liderança é a habilidade de exercer influência interpessoal. que a chefia deve ser edificada numa liderança total. Líder: sob as influências das idéias. Em resumo. Chefe: impõe sua autoridade (exerce domínio sobre as pessoas). consegue de outrem adesão espontânea às suas atitudes ou idéias”. em conseqüência destes. De acordo com Arndt. portanto.3 Liderança Uma das funções essenciais que um chefe deve exercitar é a liderança. Chefe: move os atos e. visualizar o chefe como um líder em potencial. Em palestra apresentada no XI Congresso Brasileiro de Administração Hospitalar. Líder: busca interessar seus subordinados (exerce domínio com as pessoas). Para Koontz. 2. O que se pretende aqui mostrar é que a direção ou chefia é responsável pelo nível de motivação do grupo. quais são os objetos fundamentais de sua motivação. por meio de comunicação para a consecução de um objetivo. afirma que “líder é todo aquele que. move os atos. influencia as idéias. Portanto. embora o cargo que ocupa exija características de líder. . a fim de resolver os problemas que requerem liderança compartilhada. É difícil. nem sempre conquista. desenvolve a automotivação e influencia. por outro lado. com seu poder de influências e não de sua posição. a fim de que alcance os objetivos organizacionais. porque nem todo chefe é líder. Huckabay1. O’Donnel3.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos os sujeitos desejam atingir ou fazer. doutrina. politicamente ativa. O professor Jorge Guimarães faz uma série de diferenças entre o líder e o chefe: Chefe: por vezes não cativa. pode-se afirmar que o líder é aquele indivíduo que estando no grupo. liderança é um processo onde um indivíduo exerce influência sobre outros no grupo. castiga e impõe a motivação. observando-se que são bastante parecidos. isto é. desejando ou não. se destaca ou se sobressai. Serão apresentados alguns conceitos de liderança. é necessário um planejamento que ajude as pessoas a obterem satisfação no trabalho. Conclui-se.

A ênfase atribuída aqui à supervisão é diferente.Administração aplicada à enfermagem 2. observar o que já foi feito para orientar o pessoal e manter o sentido do valor profissional e a obtenção da satisfação do seu próprio trabalho. Portanto. criando um ambiente favorável para a liderança. Supervisão é ajudar o indivíduo a fazer melhor seu trabalho e. Da mesma forma. os profissionais necessitam de recompensas psicológicas e sociais que tornem a vida gratificante para eles. Portanto. Qualquer que seja o caminho. tomando-se por base essa interdependência funcional que gera a . etc. a fim de cumprir os objetivos propostos. Os autores enfatizam ainda que. Antes de se abordar o assunto. que visa basicamente melhorar a qualidade da assistência e estimular o desenvolvimento do trabalho e o bem-estar do pessoal. de acordo com um princípio de organização. a coordenação harmoniza todas as atividades do negócio. educação. nasce a interdependência funcional que requer controle rigoroso e ordenação do fluxo de trabalho. Segundo Fayol. Para evitar mal – entendido. Assim. como muitos chefes e dirigentes a consideram. a fim de obter unidade de ação na consecução de um fim comum”. inspeção ou vigilância. Para o autor. a atividade de coordenação.. para atingir seus objetivos.4 Supervisão Sérgio Ribeiro dos Santos A supervisão é uma parte do processo administrativo essencial para o enfermeiro gerente. O objetivo da supervisão exercida pela direção ou chefia é o de motivar o desempenho máximo dos profissionais. o papel da direção consiste na divisão de trabalho. surgindo. Não se pode esquecer que os métodos e mecanismos de coordenação são quase infinitos. seja pelo reconhecimento formal e informal do trabalho realizado e metas atingidas pelos grupos ou indivíduos. a partir daí. a coordenação sincroniza coisas e ações em suas proporções certas e adapta os meios aos fins. Quem ocupa cargos de direção deve empregar técnicas que envolvam comunicação. seja pelo desenvolvimento de grupos de trabalho adequados e compatíveis. trazendo ao mesmo tempo satisfação para o pessoal. Todavia. o responsável tem a obrigação de obter o desempenho máximo dos membros da organização. 2. facilitando seu trabalho e seu sucesso. pode-se afirmar que o principal interesse da supervisão é o pessoal. é importante que sejam acrescentadas algumas informações. é preciso que se saiba o que é coordenação. relações humanas. coordenação é harmonia de esforços. Observa-se que há semelhanças na maneira como os autores definem coordenação. não se deve confundir supervisão com “super visão”. Mooney6 define coordenação como a “distribuição ordenada do esforço do grupo. Partindo desse princípio. Nesse sentido.5 Coordenação Um dos pontos essenciais na direção é a coordenação de esforços especializados. dessa forma. acompanhada de especialização de função.

procurando ajustá-los às necessidades da empresa para que alcancem os objetivos organizacionais. dos estatutos ou documentos legais da organização. Conclui-se que a função de coordenação se fundamenta nas comunicações. bem como das atitudes e valores dos indivíduos no sistema organizacional. resultando em obediência aprovada. que a melhor forma de chefiar é aquela em que se aplica um dos estilos à situação do momento. Efetivamente. c) Liberal: o estilo liberal. não existe o melhor estilo. sem a força do poder dominante. ou seja. não permitindo argumentação capaz de lhe desviar dos métodos e objetivos selecionados. por exemplo. concebe-se nele um comportamento arbitrário. possibilitando uma situação em que as pessoas não conhecem seus objetivos e nem se interessam em fazer alguma coisa. tanto da situação quanto dos seguidores. ESTILOS DE CHEFIA Os estilos de chefia são semelhantes aos da liderança. ao mesmo tempo em que a autoridade é exercida com o subordinado. as reuniões formais e informais. 3. dependendo da situação em que estejam trabalhando no momento. Em outras palavras. caracteriza-se pelo excesso de liberdade permitida aos subordinados. 2. b) Autocrático: esse estilo é denominado por alguns autores como diretivo. burocrático e até ditatorial. são apontados três estilos de chefia: a) Democrático: é um estilo que se caracteriza pelo trabalho em conjunto ou participativo. conferências e intercâmbios entre membros da organização. Fundamenta-se. o controle será abordado no capítulo seguinte. alguns instrumentos devem ser utilizados como meios de coordenação. É o caso. Ou seja. Sua concepção consiste em fazer alguma coisa pela força e não pela liberdade de ação. nas informações que devem ser transmitidas em todas as direções e em todos os níveis e setores. . isto é. sem hesitação. É também impossível negar a importância do relacionamento entre superior e subordinado. sobretudo. é permitido ao grupo efetuar sugestões e participar nas decisões. também denominado laissez faire. porque ambos fazem parte da forma como as pessoas dirigem uma organização.6 Controle: em virtude de sua grande importância na atividade de direção. Em resumo. pode-se concluir. mas sim aqueles que se adaptam às necessidades. na capacidade gerencial da direção em identificar as forças sociopsicológicas existente nos membros da organização. Comumente.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos necessidade de coordenação. autoritário e prejudicial.

inteligência. CARACTERÍSTICAS DO MAU CHEFE Em se tratando de chefia. atitude de fiscal ou vigia. inabilidade educativa. mas porque querem realizá-las. a fim de que não se manifestem diretamente no nosso comportamento. energia realizadora. relutância em delegar atribuições. qualidades. irredutibilidade de opiniões. devem ser observadas para que se tenham condições de corrigi-las. desinteresse pelo trabalho. mau humor. espírito de justiça. cultura geral. subserviência para com os superiores. QUALIDADES DO CHEFE Sérgio Ribeiro dos Santos Não se pretende identificar todos os aspectos qualitativos do chefe. sentido de autoridade. não porque foram mandadas. espírito de disciplina. prática contrária ao que preconiza. Porém. São as seguintes: capacidade administrativa e técnica. tendência autocrática. quando as influências negativas se sobrepõem às positivas. inveja dos subordinados. receio de ser ofuscado pelos subordinados. capacidade de saber delegar atribuições. exemplo. . saúde física e mental. senso de determinação e decisão. falta de inteligência. respeito à dignidade humana. 6. serão apresentadas algumas sugestões que poderão ajudar no exercício da liderança na equipe de trabalho: • Faça com que as pessoas executem as ações. serão relacionadas algumas características. 5. bem claro que é quase impossível que alguém possua todas elas. que é tarefa difícil. Na realidade. humildade e outras. sim. A seguir. para não dizer impossível. protelação sistemática de resoluções. habilidade educativa. espirito de disciplina. julgamento apressado dos subordinados perante os outros. domínio de si mesmo. capacidade de escolha dos seus auxiliares. indecisão e inconstância. sentido de realidade. bondade. precipitação e impaciência. injustiça e parcialidade. benevolência. não interessa discutir defeitos e. mas serão listadas algumas das virtudes consideradas a expressão positiva de um caráter. conhecimento dos homens. deixando-se. REGRAS BÁSICAS PARA O EXERCÍCIO DA CHEFIA Por fim. é evidente que relacionar fatores desfavoráveis ou negativos de um chefe parece tarefa fácil. exigência ao subordinado de esforço ou trabalho que ele próprio não é capaz de fazer. no entanto. ausência de espírito público. preocupação com por menores. São as seguintes: incapacidade administrativa e técnica. competência. falta de estímulo ao esforço dos subordinados.Administração aplicada à enfermagem 4.

Ao rejeitar. Torne o grupo mais participante e criativo delegando atribuições. Saiba ouvir. critique em particular e elogie em público.Administração aplicada à enfermagem • • • • • • • • • • • • • • • • Sérgio Ribeiro dos Santos Exercite o autocontrole e aja com maturidade emocional. Estabeleça objetivo realista e trabalhe no sentido de atingi-los. Admita as falhas e não a fraqueza dos subordinados. Conheça o seu subordinado. Reconheça o valor dos seus colaboradores e tenha interesse por eles. Analise os fatos ao criticar. Seja um comunicador eficaz. justifique-se para não bloquear colaborações criativas. . Conserve o senso de humor. a fim de não desgastar sua autoridade. Seja positivo e leal com seus subordinados. Compartilhe as informações com seus colaboradores. Reconheça a necessidade de melhorar sempre. Seja humilde. Seja criativo e autoconfiante.

O que significa liderança? 6. De acordo com sua percepção. Explique as características dos estilos de chefia. QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO 1. 7. 2. liderança. Por que é importante a delegação para a administração do serviço? 4. Quais as funções básicas da direção? 3. 2. Quais as características da função de supervisão? 8. 9. supervisão. motivação. Consiste em integrar o elemento humano e material de forma sistemática. a fim de alcançar os objetivos preestabelecidos. . Explique a diferença entre o chefe e o líder. defina direção.Administração aplicada à enfermagem RESUMO Sérgio Ribeiro dos Santos 1. autocrático e liberal. As funções básicas da direção são: delegação. 3. Cite as qualidades do bom chefe e do mau chefe. Herzberg e McGregor ? 5. Os estilos de chefia são iguais aos de liderança: democrático. Quais as principais contribuições de Maslow. A direção é a terceira função do processo administrativo. coordenação e controle.

10. The principles of organizations. 3º trimestre. SOUZA. 1989. NUTTIN.Hill. SR. 13 – 16. 1976. João Pessoa. 1979. H. Rio de Janeiro: Interamericana. 9. Chefia e liderança. J. A. 1982. MOONEY. 1992. KRON./fev. I.. New York: Haper & Bros. 16. 1. Revista Hospital – Adm.MD. 17. JD. Teoria da motivação humana. 4. ___________. CHIAVENATO. 1983. Motivação no trabalho do enfermeiro: fatores de satisfação e insatisfação. ARNDT. Princípios de administração. L.CA. A. 1984. Steps from do it yourselves to delegator. T. p. São Paulo: Brasiliense. São Paulo: Atlas. e Saúde. jan. 7. 5. O fator humano na organização: aspectos teóricos. Introdução à administração. Princípios de administração. 1993. 11. 4. C. O’DONNEL. v. 1981. GRAY... Administração em enfermagem. Teoria geral da administração. 2. e Saúde. KOONTZ. 12. 6. C. GR. São Paulo: Pioneira. JG. 1947. v. 1. 4. T. Revista Hospital – Adm. Dissertação (mestrado) UFPB – Centro de Ciências da Saúde. MAXIMIANO. SANTOS. n. 12. HUCKABAY. n. São Paulo: McGraw .. . 1987. 117 – 126. Administração dos cuidados de enfermagem ao paciente. 8. Rio de Janeiro: Interamericana. VERTERIS. 1983. Nurs – success today. 3. São Paulo: Loyola. n. p. p. TERRY.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos BIBLIOGRAFIA 1. v.

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pois. FUNÇÕES DO CONTROLE Os três componentes funcionais do controle são os seguintes: a) Controle de pré-ação: estabelecidos os padrões e objetivos como parte da fase de planejamento. do presidente ao mestre. Mooney. tendo por objetivo apontar as falhas e os erros para retificá-los e evitar sua reincidência.Administração aplicada à enfermagem 1. Para Koontz. Fayol já dizia que. Através dele. ao invés de uma definição estrita. Reiley. É nessa linha de pensamento que está voltada à gerência científica. O conceito clássico de controle foi expandido. é. O termo controle é empregado em contextos muito diversificados. os objetivos possibilitando quando possível à devida regulação. tanto em termos de qualidade quanto de quantidade. iniciado pelo planejamento. 2. CONSIDERAÇÕES GERAIS Sérgio Ribeiro dos Santos A quarta função administrativa é o controle. Seu significado depende da função ou área específica em que é aplicado. as instruções emitidas e os princípios estabelecidos. . certifica-se de que aquilo que é feito está de acordo com o que se tencionava fazer. o desejado e o obtido. o controle consiste em verificar se tudo ocorre de conformidade com o plano adotado. significa um mecanismo que detecta qualquer desvio dos padrões normais definidos num plano. que tem muito a ver com o planejado e o realizado. Taylor e muitos outros. a função segundo a qual a cada administrador. procura-se corrigir desvios nos objetivos predeterminados. defendida por Urwick. A concepção de controle. controle é: A função administrativa que consiste em medir e corrigir o desempenho de subordinados para assegurar que os objetivos da empresa e os planos delineados para alcançá-los sejam realizados. porque estão todas interrelacionadas e se apresentam muitas vezes concomitantemente. Por essa razão. de tal forma que não se pode dissociá-lo das funções de planejamento. organização e direção. o orçado e o efetivado. avaliando-se os resultados obtidos pela aplicação de métodos que podem levar à reorganização do trabalho. o controle fecha o ciclo do processo administrativo. ou seja. num empreendimento. O’Donnel citado por Chiavenato2. procura-se evitar desvios na qualidade e quantidade de recursos.

1 Controle de qualidade O controle de qualidade deve ser uma responsabilidade de toda a equipe de enfermagem. ♦ Índices. desperta o interesse de melhor adequar os recursos disponíveis à produção de serviços em . há uma diversificação. ♦ Mapas de avaliação. CONTROLE DO SERVIÇO DE ENFERMAGEM O serviço de enfermagem. conforme o objeto em questão. de modo a minimizar os problemas ou desvios dos objetivos. sob o prisma da qualidade. a fim de alcançar os objetivos predeterminados e avaliar os resultados. quanto às possíveis mudanças. Deve-se reconhecer também que alguns mecanismos são utilizados com mais freqüência. Para tanto. O método principal utilizado nesse controle dá-se através da inspeção ou da supervisão. o que se pretende mostrar é que o controle está diretamente relacionado com as orientações geradas pelos objetivos. 4. Em outras palavras. ♦ Relatórios. deve estabelecer sistemas próprios de controle. é preciso haver o controle de qualidade e de quantidade. c) Controle por feedback: focaliza a ação corretiva como meio preventivo para atingir os objetivos que serão alcançados em futuras ações.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos b) Controle concorrente: acompanha o desenvolvimento das operações para verificar se os objetivos estão sendo seguidos. MECANISMOS DE CONTROLE A esse respeito. 4. ♦ Formulários. porcentagens e medidas estatísticas. no sentido de que haja consenso da importância de se preservar um elevado nível de otimização da assistência que possibilite uma melhoria na qualidade do cuidado prestado ao paciente. os resultados finais são avaliados e os dados gerados representarão subsídios para corrigir as deficiências e para reforçar as medidas de novas ações. a forma de controle é determinada pelos objetivos traçados no plano. 3. como qualquer outro. ou seja. Não existe um mecanismo de controle único. os quais destacam os seguintes: ♦ Gráficos. Percebe-se que essa forma de considerar o serviço. Ao contrário.

técnica e operativa dos elementos que compõem a equipe de enfermagem. Com base nessa afirmação. Além disso. b) Controle de qualidade do pessoal de enfermagem: esse controle é desenvolvido a partir do controle da assistência prestada ao paciente. Racionalizar as ações de tempo e movimentos. incluem-se também a supervisão e a delegação de atividades. manuseio. ao atendimento e à satisfação do pessoal. Outro aspecto importante a considerar é que os programas de treinamento e reciclagem devem estar direcionados na mesma proporção das avaliações. c) Controle de qualidade do material e equipamento: nesse contexto. . Assim. Deve-se observar que. de forma gráfica. devido ao seu estreito relacionamento. quando se fala em controle de qualidade. Dessa forma. para a formulação de metas a serem atingidas. de acordo com as necessidades e não em épocas predeterminadas ou por modismo. para que sejam adotadas variações no padrão de referência estabelecido. facilidade de manutenção e custos. é preciso destacar o aspecto que indica a adequação dos materiais e equipamentos à realidade de cada serviço. Assim. Essa forma de análise baseia-se na avaliação pessoal. durabilidade. prevenindo assim a ociosidade. é interessante que se analise o controle de qualidade sob três aspectos: a) Controle de qualidade da assistência prestada: o ponto de partida do controle de qualidade da assistência prestada ao paciente é o estabelecimento de um padrão mínimo de atendimento.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos níveis econômicos e satisfatórios às necessidades do paciente. Em tese. o aumento da demanda é proporcional ao aumento da qualidade. pode-se dizer que os objetivos do controle de qualidade são os seguintes: Melhorar a assistência prestada ao paciente. para que haja crescimento da demanda no serviço hospitalar. é imprescindível a tabulação dos cuidados prestados. facilidade. é necessária a criação de um sistema de avaliação periódica. Otimizar o desempenho do pessoal. deve-se fazer um estudo aprofundado da qualidade do material ou equipamento. Nesse contexto. Melhorar a utilização de material e equipamentos. A idéia fundamental que esse controle apresenta é a avaliação contínua dos elementos. segurança. no que tange à funcionalidade. Manter os custos baixos. é essencial que se apresentem níveis de qualidade. denominada Análise de Desempenho. além de perdas e extravios de equipamentos.

É importante destacar alguns aspectos práticos para a realização do controle de quantidade. de modo a proporcionar meios para a investigação e análise da situação e da atuação de seus componentes em função dos recursos disponíveis. mensal. A tudo isso. porque ambos se completam para a efetivação do estudo de produtividade. Tornar efetivo os sistemas de informação. é necessário a determinação de um modelo de dotação de pessoal. O problema do controle de qualidade coloca-se em duplo contexto na perspectiva do serviço de enfermagem: (1) controle de quantidade do pessoal de enfermagem: efetivamente. geralmente. Exemplo: Levantamento de material/equipamento .2 Controle de quantidade Sérgio Ribeiro dos Santos Não se pode desvincular o controle de qualidade do controle de quantidade. para existir esse controle. conclui-se que o controle quantitativo visa adequar as pessoas aos recursos. a) Levantamento periódico (diário. compatível com a realidade do serviço e de um sistema de escalas que atenda as necessidades do serviço e do trabalhador. faz-se necessário o uso de medidas que evitem ou minimizem as perdas. Os objetivos do controle de qualidade. segundo Martins5. através de um controle rigoroso e periódico. em termos de quantidade e qualidade. Diminuir os custos indiretos do serviço de enfermagem e melhorar a utilização dos recursos financeiros. Evitar a evasão do material e equipamentos. os dois tipos de controle devem ser desenvolvidos paralelamente. capaz de oferecer dados atualizados do material em circulação. trimestral ou anual): possibilita maior controle do material existente na unidade. são os seguintes: Melhorar a assistência prestada ao paciente.Administração aplicada à enfermagem 3. evitando assim. semanal. Aliás. a evasão de material e equipamentos. diminuindo os custos indiretos e propiciando a otimização dos serviços prestados. Esse procedimento deve seguir um critério normativo específico para cada unidade do serviço de enfermagem. é expressivo nos hospitais. (2) Controle de quantidade do material e equipamento: como o extravio de material. de análise e método administrativo dos recursos de enfermagem.

Esse é feito através do arquivamento da segunda via do formulário de encaminhamento.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Hospital: _________________________ Unidade: _____________________ Ano: ______ Gerente da Unidade: ________________________________________________________ Material Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total Obs Visto . para que não haja extravios. há necessidade de um controle que relacione todo o material e equipamento que estão em manutenção. Levantamento da necessidade de materiais e equipamentos Unidade Classificação S – Substituição A – Atualização M – Manutenção Prioridade 1 – Urgente 2 – Mínima (até 3 meses) 3 – Média (até 6 meses) 4 – Máxima (até 12 meses) Serviço: Item Descrição Classif.. Priorid . total b) Manutenção: em virtude do elevado volume de materiais e equipamentos que são encaminhados à manutenção para revisão. devidamente assinada pelo responsável.....

Deve também reduzir as variedades. Verificar o material recebido. Armazenar o material. dimensões.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos c) Registros: não se questiona a importância do registro para o patrimônio do hospital. Por essa razão. Todo material e equipamento devem ser codificados e descritos em números. deve-se verificar periodicamente as necessidades de conserto ou manutenção e orientar o pessoal no manuseio dos . 4. quantidade. através de fichas de entrada e saída. Solicitar o pedido do material de consumo semanal. 2. 5. 5. 5. Enviar a requisição à chefia para autorização. eliminando o que for desnecessário para diminuir a quantidade de alguns materiais. d) Extravios: o extravio de material e equipamento onera os custos do serviço. Exemplo de uma rotina para pedido de material de consumo: N. 10. espécie e marca. 5. ETAPAS Verificar o estoque existente na unidade. Receber o material do almoxarifado. Requisitar o pedido no impresso específico. fazendo com que cada item tenha o maior número possível de aplicações. Pretende-se apenas fazer algumas considerações que variam de acordo com a instituição. 7. Fazer o controle dos gastos. quinzenal ou mensal. ORIENTAÇÃO PARA CONTROLE Será apresentado. deve-se fazer um levantamento periódico que possibilite uma avaliação geral acerca dos acontecimentos. valores ou qualidade do material. 6.1 Controle de material de consumo O gerente de enfermagem deve estabelecer uma simplificação e padronização do seu material de consumo. 8. um resumo sobre controle para o gerente do serviço de enfermagem. 3.º 1. a seguir. 9. Constatar se o pedido veio de acordo com o solicitado.2 Controle do material permanente Para um adequado controle do material permanente. que consiste em determinar as especificações de quantidade. Encaminhar a requisição para o almoxarifado.

a fim de determinar os níveis desejáveis ao alcance dos . essa diversificação de pessoal e de níveis de complexidade. exige que se estabeleçam critérios de avaliação coerentes com a amplitude. para o hospital e. devidamente planejados. Para isso é necessário estabelecer padrões e critérios capazes de medir os resultados com precisão. anteriormente estudados. esses elementos. 6. Por isso. Deve-se frisar. que a avaliação das atividades de enfermagem envolve todo o pessoal da equipe (enfermeiro. a fim de minimizar os custos. rendimento e objetivos fixados pelo serviço de enfermagem. como tais. são essenciais. Já de acordo com Hendrikx4. É necessário fazer-se um inventário anual de todo o material sob o ponto de vista do estado de vida útil. Sendo assim. principalmente. Fornece uma referência sobre os efeitos dos resultados. a avaliação serve de referência às necessidades reveladas pelas análises (levantamento para planejamento). é interessante notar que a avaliação serve de base para um novo plano. tanto durante o andamento do trabalho como ao seu término. eficácia. segurança e manutenção fácil. O processo de avaliação determina até que ponto está sendo realizado os objetivos individuais e organizacionais. às atividades previstas no plano de ação e aos recursos citados para a prestação de serviços e programas de ensino ou treinamento em serviço. não havendo avaliação. não podem ser separados. Todavia. devem ser observados os seguintes aspectos: a) Aspecto quantitativo: deve ser requisitado o material necessário que atenda a necessidade do paciente. A partir daí. AVALIAÇÃO DO SERVIÇO DE ENFERMAGEM A avaliação é a última fase do processo administrativo. O controle dá seguimento à avaliação. desde já. aos objetivos fixados no planejamento do serviço.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos equipamentos. durabilidade. de acordo com o pessoal que vai utilizar. caminha-se para o insucesso sem retorno. a fim de serem replanejados. porque são interdependentes e. b) Aspecto qualitativo: deve-se fazer um estudo profundo sobre a qualidade do material. para o paciente. Nesse contexto. onde se procuram métodos que possam direcionar o alcance dos objetivos propostos. segundo Arndt. facilidade de manuseio. técnico e auxiliar). o gerente do serviço de enfermagem deve utilizar procedimentos de avaliação. Pode-se admitir que. nas ações de enfermagem. A ausência do processo de avaliação é desastrosa para o serviço. Huckbay1. no que diz respeito à funcionalidade. Todo o processo de controle do material permanente inicia-se na escolha do material. a probabilidade de duração e a localização.

A título de exemplificação. com o propósito de identificar problemas que evidenciem necessidades de melhorar as relações inter–pessoais e funcionais. os horários de serviço. econômicos e financeiros e a eficácia os qualitativos. sob dois aspectos: auto–avaliação e auditoria. que tem lugar ao término de um período do plano. deve-se tomar como ponto de partida. às normas administrativas e técnicas e as rotinas? Há registros de enfermagem? (b) Auditoria: a respeito do assunto. pode-se afirmar que a auditoria é um sistema de avaliação formal que identifica o nível de qualidade da assistência. 6. estará apto a trabalhar em grupo. o que interessa neste tipo de abordagem é o estudo da avaliação. principalmente quando está inserido numa equipe de trabalho. seguem alguns tópicos para a auto-avaliação do pessoal de enfermagem: O pessoal de enfermagem é suficiente para o atendimento aos pacientes? Há igual distribuição de trabalho e da carga horária para todo o pessoal? O ânimo do pessoal de enfermagem está elevado? Há reuniões periódicas? Há boas relações entre a enfermagem e os demais serviços? As enfermeiras são aproveitadas para o ensino? Há educação em serviço para atualização? Há regimento que estabeleça as atribuições.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos objetivos e realizar modificações que se fizerem necessárias para atingir um sistema efetivo de prestação de assistência à saúde. através do exame do prontuário do paciente e das próprias condições dos mesmos. são conhecidos dois tipos de avaliação: a avaliação formativa. o conceito formulado por Cherubin3: Entende-se por auditoria a tarefa de aferir a eficiência e eficácia do hospital e/ou de serviços.1 Tipos de avaliação Tradicionalmente. que ocorre durante a execução ou implementação de um plano e a avaliação somativa. A eficiência aborda os aspectos quantitativos. (a) Auto–avaliação: é evidente que o ser humano deve auto-avaliar-se. A administração do serviço de enfermagem deve estabelecer seus próprios critérios de avaliação. disciplinando-se para atingir os objetivos organizacionais. Em outras palavras. Todo profissional deve ser capaz de criticar-se de forma objetiva e honestamente. Mas. Assim. .

O resultado demonstra a qualidade do atendimento oferecido. morbidade e a duração da permanência no hospital. mas os critérios para a revisão são estabelecidos em termos dos resultados esperados que deva ter ocorrido 24h antes da alta. quando da revisão da qualidade do atendimento. Enquanto os padrões oferecem os critérios para a mensuração da qualidade do cuidado. Os padrões de resultados podem ser definidos da seguinte forma: o que o paciente saberá. As auditorias utilizadas com maior freqüência no controle de qualidade incluem verificações de resultado. os . Os registros do paciente são revisados após a alta hospitalar. Uma auditoria é um exame sistemático e oficial de um registro. emocional e mental do cliente. processo e estrutura. processo ou contabilidade para a avaliação do desempenho. Auditoria de estrutura – é a auditoria que monitora a estrutura ou o local em que se realiza o cuidado ao paciente. manifestará ou vivenciará. A ênfase é à tarefa e o foco está nos padrões da prática. Exemplos de resultados: as taxas de mortalidade. a saber: a situação financeira. Auditoria de resultados – são as mudanças no estado de saúde do paciente atribuídas à prestação de serviços. a satisfação do cliente com os cuidados e o custo dos cuidados. Os padrões do processo encontram-se nos planos de cuidado do paciente. A Comissão Conjunta para Acreditação de Organizações de Cuidados à Saúde (JCAHO) utiliza os critérios de resultados para as 24h que antecedem a alta. nos manuais de procedimento ou nas declarações do protocolo de enfermagem. Exemplo: uma auditoria de processo pode ser utilizada para que seja estabelecido se as pressões sangüíneas foram verificadas. o estado mental. Auditoria do processo . os níveis de stress. o serviço de enfermagem. isso refletem as metas de enfermagem direcionadas ao bem-estar fisiológico. As auditorias de resultados determinam quais os resultados que ocorreram como conseqüência de intervenções específicas de enfermagem em relação aos clientes. Auditoria externa: trata-se da contratação de serviços de profissionais qualificados e especializados ou de firmas para esse fim. Daí a existência da relação entre a qualidade do enfermeiro e a qualidade do cuidado oferecido. Auditoria em organizações de saúde proporciona aos administradores um meio de aplicar o processo de controle para a determinação da qualidade dos serviços prestados. Outros elementos podem ser mensurados como o estado funcional.Administração aplicada à enfermagem Deve-se considerar a auditoria sob dois aspectos: Sérgio Ribeiro dos Santos Auditoria interna: nesse processo são aplicados questionários específicos que possibilitem a localização de problemas. fará. conforme rotina estabelecida. as auditorias constituem instrumentos de medida.são empregadas para mensurar o processo de cuidados.

Auditorias de resultados. a revisão é geralmente retrospectiva: ou seja. através das anotações ou registros. o grau da assistência que a enfermagem presta ao paciente. As auditorias com vistas ao futuro ou prospectivas tentam identificar a maneira como o desempenho será afetado pelas atuais intervenções. processos e estrutura podem ocorrer retrospectivamente. Alcançar padrões ideais na assistência de enfermagem. as áreas que podem ser examinadas incluem: o regime médico. ela é feita após o paciente ter recebido alta. o ensino de dados ao paciente. Um outro ponto importante a ser considerado é a composição de membros da Comissão de Auditoria. Avaliar. a auditoria não pode corrigi-las. Distribuição adequada de pessoal por cada plantão. os registros do atendimento de enfermagem prestado e as evidências do uso dos planos de atendimento de enfermagem. Fatores básicos observáveis numa auditoria de enfermagem são todos os aspectos das atividades administrativas e técnicas.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos registros médicos e o ambiente. que constitui uma necessidade manifestada pelo indivíduo e pelo meio que ocupa e baseia-se nos seguintes objetivos: o o o o Elevar os conhecimentos dos enfermeiros sobre a prática de enfermagem. Podem-se usar os seguintes fatores: Prontuário. A auditoria de enfermagem procura descobrir as deficiências ou omissões no planejamento e na prestação do atendimento ao paciente. Nessa auditoria existe uma relação entre cuidado qualificado e estrutura adequada. simultaneamente ou com vistas ao futuro. As auditorias retrospectivas são realizadas após o cliente receber o serviço. Na auditoria de enfermagem o prontuário do paciente é examinado para se determinar a qualidade do atendimento prestado durante um determinado tempo. integrada pelo: . Atuar como elemento motivador entre o pessoal de enfermagem. Relações humanas no trabalho. No entanto. Grau do padrão de enfermagem. O caráter dinâmico da auditoria. O uso adequado da comunicação. Embora possa ser feita enquanto o paciente está no hospital. As auditorias simultâneas ocorrem enquanto o cliente está sendo atendido. Apesar de apontar as deficiências. Por exemplo: a verificação das luzes utilizadas pelo paciente para chamar os enfermeiros ou se os jarros de água estão ao alcance do paciente. O processo de auditoria ajuda os enfermeiros perceberem que suas responsabilidades profissionais vão além de simplesmente seguir as prescrições médicas.

algumas exigências básicas deverão ser observadas: Guarda do sigilo de todos os dados obtidos. O mecanismo de controle é determinado pelo objetivo traçado no planejamento. análises e propostas de solução.Administração aplicada à enfermagem Supervisor. As funções do controle são: controle de pré-ação. Enfermeiro gerente. Quais os tipos de avaliação? Explique. O controle é a quarta função do processo administrativo. Estabelecimento do padrão desejado para conhecimento. Consiste em determinar até que ponto está sendo atingido os objetivos. auto-avaliação e auditoria. Reuniões periódicas para discussões. Sérgio Ribeiro dos Santos Desse modo. 3. portanto. Enfermeiro assistencial. 6. 5. RESUMO 1. Como exercer o controle de qualidade do pessoal de enfermagem? 4. Explique as três funções do controle. Tipos de avaliação: avaliação formativa e somativa. 2. . sendo. controle concorrente e controle por feedback. 3. O processo de avaliação é a última etapa do processo administrativo. O controle no serviço de enfermagem envolve: controle de qualidade e controle de quantidade. 4. 2. Quais os objetivos do controle de qualidade? 5. Que aspectos devem ser observados no controle do material permanente? 6. 7. muito diversificado. Cite os objetivos da auditoria. QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO 1. Justifique o funcionamento do mecanismo de controle.

Manual de organização e avaliação do serviço de enfermagem. C. Teoria geral da administração. 5. São Paulo: União São Camiliana. I. Fundamentos da administração hospitalar. NA. São Paulo: CEDAS. sd. 1983. MLR.Administração aplicada à enfermagem BIBLIOGRAFIA Sérgio Ribeiro dos Santos 1. HUCKABAY. CHIAVENATO. L. 3. 1977. HM. 1979.. Rio de Janeiro: Interamericana. São Paulo: McGraw-Hill. ARNDT. HENDRIKX. 1983. CHERUBIM. .MD. 4. Administração em enfermagem. 2. São Paulo: União São Camiliana. O serviço de enfermagem: administração e organização. MARTINS.

) *$ .

a seguir.498. auditoria e emissão de parecer sobre matérias de enfermagem. organização. a fim de que as atividades de enfermagem possam ser executadas sob o amparo da lei. c) planejamento. e) prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar e de doenças transmissíveis em geral. e chefia de serviço e de unidade de enfermagem.º 7. cabendo-lhe: I – Privativamente: a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde. execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde. Art. b) organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços.º 7. prescrição da assistência de enfermagem. alguns artigos da referida lei. f) (VETADO).Administração aplicada à enfermagem 1. II – Como integrante da equipe de saúde: a) participação no planejamento. publicada no Diário Oficial da União. h) consultoria. Sérgio Ribeiro dos Santos A Lei n. que regulamenta o exercício da enfermagem no Brasil. de 26 de junho de 1986. execução e avaliação dos serviços da assistência de enfermagem. pública e privada. É necessário esse conhecimento preliminar. 11 – O enfermeiro exerce as atividades de enfermagem. d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação. serão transcritos. e) (VETADO). execução e avaliação da programação de saúde. d) (VETADO). . coordenação. Para evitar-se qualquer equívoco. c) prescrição de medicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde. CONSIDERAÇÕES SOBRE A LEI N. f) prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela durante a assistência de enfermagem. i) j) l) consulta de enfermagem. b) participação na elaboração. conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas. servirá de base para as definições acerca das funções exercidas pela categoria da enfermagem. cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam k) cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida. g) (VETADO).498/86.

b) executar ações assistenciais de enfermagem. quando exercidas em instituições de saúde pública e privada. de natureza repetitiva. 12 – O Técnico de Enfermagem exerce atividades de nível médio. . Art. 15 – As atividades referidas nos arts. c) participar da orientação e supervisão do trabalho de enfermagem em grau auxiliar. quando necessária. ainda: a) assistência à parturiente e ao parto normal. 18 – (VETADO). 19 – (VETADO). e participação no planejamento da assistência de enfermagem. 6º desta Lei incumbe. Parágrafo único – (VETADO). Art. Art. 13 – O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio. c) prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente. Art. observando o disposto no parágrafo único do art. b) identificação das distocias obstétricas e tomada de providências até a chegada do médico. envolvendo orientação e acompanhamento do trabalho de enfermagem em grau auxiliar.14 – (VETADO). Art. cabendo-lhe especialmente: a) participar da programação da assistência de enfermagem. exceto as privativas do enfermeiro. 12 e 13 desta Lei. bem como a participação em nível de execução simples. 17 – (VETADO). somente podem ser desempenhadas sob orientação e supervisão de Enfermeiro.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos g) assistência de enfermagem à gestante. Parágrafo único: Às profissionais referidas no inciso II do art. h) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto. Art. educação visando à melhoria de saúde da população. c) realização de episiotomia e epistorrafia e aplicação de anestesia local. reconhecer e descrever sinais e sintomas. e em programas de saúde. Art. cabendo-lhe especialmente: a) observar. d) participar da equipe de saúde. 11 desta Lei. Art. i) j) execução do parto sem distocia. 16 – (VETADO). parturiente e puérpera. em processo de tratamento. d) participar da equipe de saúde. b) executar ações de tratamento simples. envolvendo serviços auxiliares de enfermagem sob supervisão.

respeitados os direitos adquiridos quanto a vencimentos e salários.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Art. programar e desenvolver o treinamento em serviço para o pessoal da equipe de enfermagem. municipal. estadual. Exemplos de tarefas típicas na prestação da assistência de enfermagem: prestação de cuidados de conforto e de higiene pessoal a pacientes em estado grave. desenvolver atividades de educação para a saúde. Partindo-se desses princípios. De acordo com a lei do exercício profissional. coordenar e supervisionar o pessoal da equipe de enfermagem. o enfermeiro deve ser conhecedor das responsabilidades profissionais. alimentação de pacientes por sonda. a) Ao enfermeiro compete: diagnosticar as necessidades de enfermagem e elaborar o plano de assistência a ser prestado pela equipe de enfermagem em serviços de proteção. organizar e administrar serviços de enfermagem. do técnico e do auxiliar. serão delineadas algumas atribuições que são da competência exclusiva do enfermeiro. prestar assistência de enfermagem em serviços de proteção. Parágrafo único – Os órgãos a que se refere este artigo promoverão as medidas necessárias à harmonização das situações já existentes com a disposição desta Lei. do Distrito Federal e dos Territórios observarão. federal. Portanto. sonda. aspiração de secreções e diálise peritonial. os preceitos desta Lei. faz-se necessário estabelecer com clareza o papel exercido pela equipe de enfermagem. de recuperação e de reabilitação da saúde. 20 – Os órgãos de pessoal da administração pública. para que não haja confusão na divisão de trabalho entre os seus integrantes. aplicação e leitura de testes para subsídios do diagnóstico. . lavagem vesical. no provimento de cargos e funções e na contratação de pessoal de enfermagem. porque a lei existe para ser cumprida rigorosamente e será exigida pela sociedade. aplicação de lavagem de estômago. realizar pesquisa operacional em enfermagem. a fim de ajudá-los na divisão de tarefas e para que não ocorram desvios de funções por parte do pessoal de enfermagem. de todos os graus. de recuperação e de reabilitação da saúde. direta e indireta.

colaborar com o enfermeiro na elaboração do plano de assistência a ser prestada pela equipe de enfermagem. de acordo com o plano estabelecido pelo enfermeiro. . b) Ao técnico compete: prestar assistência de enfermagem em serviços de proteção e recuperação e de reabilitação da saúde. controle de pressão venosa. participar na orientação à saúde individual e coletiva. registro das atividades executadas. c) Ao auxiliar de enfermagem compete: prestar assistência de enfermagem em programas de proteção. na ausência do enfermeiro. transplante de órgão e hemodiálise. sob supervisão do enfermeiro ou do técnico de enfermagem. coordenar e supervisionar o pessoal auxiliar de enfermagem nos serviços de proteção. execução de atividades de apoio. observação e registro de sinais e sintomas apresentados pelos pacientes.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos execução de tarefas complementares ao tratamento médico especializado em casos de cateterismo cardíaco. verificação de sinais vitais. realização de curativos. realização de curativos especiais. instrumentação em intervenções cirúrgicas. Exemplos de tarefas típicas do auxiliar de enfermagem: prestação de cuidados de conforto e de higiene pessoal. visando à satisfação das necessidades básicas do paciente. tratamento. de recuperação e de reabilitação da saúde. tais como: preparo de ambiente e disposição do material para exames. análise e interpretação dos dados de produção da atividade de enfermagem. auxílio ao paciente na alimentação. intervenções cirúrgicas e atendimento obstétrico. de recuperação e de reabilitação da saúde. coleta de material para exames de laboratório. cujo estado não apresenta gravidade. administração de medicamentos aos pacientes. aplicação de imunizantes. Exemplos de tarefas típicas na prestação de assistência de enfermagem pelo técnico: prestação de cuidados de conforto e de higiene a pacientes graves sob supervisão do enfermeiro. de monitorização e de respiradores artificiais. verificação de sinais vitais. coleta.

auxílio em exames e tratamentos. ausência por doença e preceitos de saúde. tratamento. correta e consistente de uma política de RH. enemas. Responsabilidades. realização de tratamento com lavagem intestinal. Portanto. instrumentação em intervenções cirúrgicas. execução de atividades de apoio. sejam os específicos. • . MacGibony citado por Ribeiro6. arrola alguns itens que podem figurar num manual de política de pessoal: Posições e relações. férias.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos realização da pesagem e mensuração do paciente. para uma formulação coerente. Organizações. Segurança. posição ideológica a respeito dos fins da organização. preparação de clientes para consulta médica e de enfermagem. princípios administrativos e aspectos tipicamente profissionais. Obviamente. referindo-se à dimensão maior que atinge todas as categorias. administração de medicamentos ao paciente. horários. que sirva como diretriz geral para a instituição. Políticas de emprego: condições. tornase necessário um instrumento legal. Os objetivos específicos estão relacionados com uma determinada área de pessoal. coleta de material para exames de laboratório. Aspectos legais. aplicação de imunizantes. os objetivos gerais abrangem informações. realização de curativos simples. tais como: preparo e esterilização de material. Planejamento do serviço de treinamento. aplicações quentes e frias. preparo de ambientes e disposição do material para exames. registro das tarefas executadas. sejam os genéricos. Princípio doutrinário que caracteriza a estrutura organizacional. Funções departamentais. intervenções cirúrgicas e atendimento obstétrico. 2. POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS EM ENFERMAGEM O princípio básico para se estabelecer a política• de pessoal está no pleno conhecimento dos objetivos organizacionais.

alimentação. Se esses fatores não estiverem claramente definidos. além de reforçar os princípios da descentralização e delegação de competência. a política de RH é útil pelas seguintes razões: Ajuda a manter a continuidade e a estabilidade da administração. as políticas de RH racionalmente fixadas. aceitas e praticadas. são de extraordinário auxílio à administração. facilidades educacionais. a política de RH deve existir e ser cumprida. Em outras palavras. legislação específica. Valliant citado por Ribeiro6. a principal categoria profissional em termos quantitativos que faz a instituição de . Permite aos chefes manobrar os problemas mais rapidamente e com maior liberdade. DIMENSIONAMENTO DO PESSOAL DE ENFERMAGEM O serviço de enfermagem constitui cerca de 60% a 70% do pessoal hospitalar. O que se pretende mostrar é que a política de RH em enfermagem não deve ignorar esses fatos. portanto. Além disso. Promove a consistência das decisões da administração e aperfeiçoa as relações. desvios de funções. Habilita os chefes a preencher suas responsabilidades. físicas e de acomodações. salários e planos de incentivos. Assim. Integra funções e atividades e encoraja o trabalho em grupo. turnos de trabalho. mas sim colocar o profissional como o núcleo das preocupações. Basta que um grupo de pessoas trabalhe para que os objetivos sejam atingidos. Rotinas. 4. Daí a importância de políticas que visem melhorar as condições humanas de trabalho para que. Sérgio Ribeiro dos Santos Nesse contexto. porque evitam sua dispersão operativa e o desvio dos objetivos traçados.Administração aplicada à enfermagem Registros e relatórios. é fundamental conhecer a realidade dos problemas: absenteísmo. haja uma melhoria na quantidade e na qualidade do atendimento de enfermagem. vê-se que a política de pessoal para enfermagem deve partir de aspectos gerais para situações específicas da categoria. a política de pessoal promove a integração organizacional. constituindo-se em um veículo orientador para o chefe e demais níveis administrativos. escala de horário. É. número de pacientes por pessoal de enfermagem. Para Higginson M. refletirão diretamente na qualidade do serviço. direta ou indiretamente. conhecidas. e também ao próprio pessoal. rotatividade. que está imune a qualquer tipo de arbitrariedade e tem seus interesses respeitados. definindo os limites dentro dos quais eles devem operar. uma vez que o seu desempenho irá ser analisado e avaliado pelo padrão de atendimento que presta ao paciente. Para Mesomo5.

quimioterapia. sala de pronto-atendimento. serviços e métodos de trabalho. O outro extremo da questão é o excesso de pessoal no serviço. algumas terminologias devem ser conhecidas. sala de imunização. segundo Mário Chaves. conflitos pessoais e ociosidade. atendimento / assistência). Qualquer que seja a fórmula o método aplicado. ATIVIDADE: pré–consulta. sala de eletrocardiograma etc. em qualquer sítio funcional (SF). que possibilite a adequação entre o volume de trabalho (necessidade de assistência de enfermagem) e a força de trabalho (pessoal de enfermagem)7. sala de exame. para se definir o quantitativo de pessoal devem ser levadas em consideração algumas informações. preparo de material. sala de tratamento. BENCHMARKING . coordenação ou supervisão etc. sala de pré e pós-parto. Mas. COMPLEXIDADE . É necessário um estudo profundo que indique.é uma ferramenta prática de melhoria para a realização de comparações da empresa ou outras organizações que são reconhecidas pelas melhores práticas administrativas.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos saúde produzir serviços.consultório. não se pode utilizar o empirismo para definir o quantitativo de pessoal. do serviço de enfermagem e da clientela. fadiga e estresse. matematicamente. O termo dotação de pessoal é utilizado com referência ao número necessário de pessoas para o serviço de enfermagem. fato que pode provocar má distribuição de tarefas. diálise. de acordo com o Anexo III da Resolução COFEN Nº 293/2004: ÁREA OPERACIONAL . sala de trauma. trabalhar com um número insuficiente de pessoas. esterilização. sala de preparo de material. sala de parto. financeiro e social. isso acarretaria sobrecarga de trabalho que traria conseqüências graves como por exemplo: esgotamento físico. a fim de possibilitar condições satisfatórias para uma boa assistência e um bom relacionamento em equipe. tratamento (curativo. hemodiálise. instrumentação e circulação de cirurgias. Pode ser aplicado a qualquer nível da organização. sala de cirurgia. Portanto. além de baixa produtividade e aumento no índice de absenteísmo. Antes de fazermos a demonstração dos métodos e fórmulas para o dimensionamento do pessoal de enfermagem. sala de diálise / hemodiálise. os Hospitais. chefia. pela sua complexidade. sala de emergência. sala de ultra-som. em se tratando de administrar recursos humanos. pois representaria um caos sob o ponto de vista técnico. A dotação de pessoal pode ser definida como sendo uma estimativa da quantidade necessária de recursos humanos. para avaliar produtos. tais como: as características da instituição. sala de esterilização.é o que abrange ou encerra elementos ou partes. consulta. o número ideal de pessoas para o trabalho. caracterizam-se como secundários terciários . essas variáveis devem ser observadas.

ÍNDICE DE SEGURANÇA TÉCNICA – é um valor percentual que se destina a cobertura das taxas de absenteísmo e de ausências de benefícios. sem risco iminente de morte. semi-intensivos e intensivos. nº 94. média de permanência. 2º do Dec. dentre outros. São indicadores que devem nortear o dimensionamento de pessoal do Hospital. . requerendo avaliações médicas e de enfermagem.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos e quaternários. PACIENTE DE CUIDADO MÍNIMO (PCM)/AUTO-CUIDADO . Ela destina-se à cobertura das ausências do trabalho.é o nível de atenção quanti-qualitativa requerida pela situação de saúde em que o cliente se encontra. INDICADORES DE QUALIDADE . MODELO ASSISTENCIAL . número de atendimentos. INDICADORES . existência de normas e padrões da assistência de Enfermagem. estabelecidas ou não em Lei. tais como: sistematização da assistência de Enfermagem. 4º da Lei nº 7. MÉTODO DE TRABALHO . nº 94. tecnologia utilizada e serviços desenvolvidos.compreende as atividades administrativas desenvolvidas pelos Enfermeiros nas unidades de serviço (Art.498/86 e Art.instrumentos que permitem quanti-qualificar os resultados das ações. paciente/dia.metodologia estabelecida na sistematização da assistência de Enfermagem (Art.cliente/paciente estável sob o ponto de vista clínico e de enfermagem. 3º do Dec. PACIENTE DE CUIDADOS SEMI-INTENSIVOS (PCSI) . taxa de ocupação.cliente/paciente estável sob o ponto de vista clínico e de enfermagem e fisicamente auto-suficiente quanto ao atendimento das necessidades humanas básicas.relacionam-se à maneira de organização das atividades de Enfermagem.instrumentos que permitem a avaliação da assistência de Enfermagem.406/87). MODELO GERENCIAL . taxa de ocorrência de incidentes (iatrogenias). MISSÃO – é a razão de ser (da existência) da instituição/empresa incorporada por todos os seus integrantes. taxa de absenteísmo. PACIENTE DE CUIDADOS INTERMEDIÁRIOS (PCI) .406/87). previstas ou não. podendo ser através do cuidado integral ou outras formas.cliente/ paciente recuperável. quanto a: número de leitos. GRAU DE DEPENDÊNCIA . requerendo assistência de enfermagem e médica permanente e especializada. intermediários. 3º da Lei nº 7. passíveis de instabilidade das funções vitais. anotações de Enfermagem quanto à freqüência e qualidade. relação empregado/leito. com parcial dependência dos profissionais de enfermagem para o atendimento das necessidades humanas básicas. entre outros. exigindo demandas de cuidados mínimos.498/86 e Art. de acordo com a assistência prestada.

SERVIÇOS . em um determinado período (mês). incluindo benefícios previstos na legislação e as . p. cujas características podem sofrer influência da entidade mantenedora. com base no SPC e na TO. PROGRAMAS . et alii).são ausências não programadas ao trabalho.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos PACIENTE DE CUIDADOS INTENSIVOS (PCIt) . desenvolvimento e avaliação. entre outras (serviços médicos hospitalares). Programa de Transplante etc. -SF1 significa um sítio funcional com um único profissional. PERÍODO DE TRABALHO (PT) .24-30.é diferente e varia nas diversas Instituições e Unidades Assistenciais. seleção. -SF3 traduz o sítio funcional com três profissionais -SFn refere-se a um sítio funcional com “n” profissionais.7. 1989).conjunto de atividades ordenadas para atingir objetivos específicos que signifiquem a utilização dos recursos combinados. tempo de permanência. objetivando o alcance dos padrões de qualidade assistencial. TAXA DE ABSENTEÍSMO . -SF2 consiste de um sítio funcional com dois profissionais. H.).conjunto de especialidades na área da saúde oferecidas à clientela. a área operacional ou local da atividade e o período de trabalho. QUANTIDADE DE PESSOAL (QP) . POLÍTICA DE PESSOAL . Nurs.Categorias de pacientes por complexidade assistencial (adaptado de Fugulin.é o número de profissionais de enfermagem necessárias na UI. (De Groot. SÍTIO FUNCIONAL (SF) .19. sujeitos à instabilidade das funções vitais. segundo definição do Ministério da Saúde. obtida da distribuído no decurso de uma semana padrão (espelho semanal padrão).são ausências programadas ao trabalho. requerendo assistência de enfermagem e médica permanente e especializada. 10 e 12 horas. sua disponibilidade e utilização através do processo de recrutamento. 5 h e 6 h. n. Sistema de classificação de pacientes: (por complexidade assistencial) é um método para determinar. decorrentes de jornadas diárias de 8. F.cliente/ paciente grave e recuperável. Exemplo: Programa Integral de Saúde da Mulher. Adm.é a unidade de medida que tem um significado tridimensional para o trabalho de enfermagem. PORTE – é determinado pela capacidade instalada de leitos. SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE PACIENTES (SCP) . v. em um determinado período (férias. validar e monitorar o cuidado individualizado do paciente. com os valores típicos de 4 h.diretrizes que determinam as necessidades de pessoal. com risco iminente de morte. Ele considera a(s) atividade(s) desenvolvida(s). contratação. TAXA DE AUSÊNCIAS DE BENEFÍCIOS . licença prêmio. etc. especializações existentes.M.A-J.

com ou sem auxilio de equipamentos de alta tecnologia. § 2º . estabeleceu parâmetros para melhor dimensionar o quadro de profissionais de enfermagem nas instituições de saúde. 2º . 1º .à instituição/empresa: missão.Esses parâmetros podem sofrer adequações regionais e/ou locais de acordo com realidades epidemiológicas e financeiras. constituindo-se em referências para orientar os gestores e gerentes das instituições de saúde no planejamento. necessários a prestação da Assistência de Enfermagem.local onde são desenvolvidas atividades especializadas por profissionais de saúde. estrutura organizacional e física.Os referidos parâmetros representam normas técnicas mínimas.1 Resolução COFEN 293 O Conselho Federal de Enfermagem. no uso de suas atribuições. UNIDADE DE INTERNAÇÃO (UI) . § 1º . semi . na forma desta Resolução e de seus anexos I.Estabelecer. em um determinado período. ou para atendimento de demanda ou de produção de serviços.é a relação entre as admissões e os desligamentos de profissionais ocorridos de forma voluntária ou involuntária.O dimensionamento e a adequação quantiqualitativa do quadro de profissionais de Enfermagem devem basear-se em características relativas: I .local com infra-estrutura adequada para a permanência do paciente em um leito hospitalar. intermediários. após vários estudos e discussões realizadas sobre a matéria com segmentos representativos da Enfermagem do País.é o somatório das horas necessárias para assistir os clientes com demanda de cuidados mínimos.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos TAXA DE OCUPAÇÃO (TO) .expressa a razão entre a média do número de leitos ocupados por clientes e o número de leitos disponíveis. em regime ambulatorial. em um determinado período.TURNOVER . programação e priorização das ações de saúde a serem desenvolvidas. UNIDADE ASSISTENCIAL ESPECIAL (UE) . referendados pelo COFEN. posteriormente. tipos de serviços . a continuidade ininterrupta da atuação da Enfermagem. TOTAL DE HORAS DE ENFERMAGEM (THE) . desde que devidamente justificados e aprovados pelos respectivos Conselhos Regionais de Enfermagem e. os parâmetros para dimensionar o quantitativo mínimo dos diferentes níveis de formação dos profissionais de Enfermagem para a cobertura assistencial nas instituições de saúde. II.intensivos e intensivos. os avanços tecnológicos e a complexidade dos cuidados ao cliente. Assim. porte. Art. Art. para garantir maior segurança e qualidade da assistência ao cliente. 4. III e IV. ROTATIVIDADE DE PESSOAL . compete ao Enfermeiro estabelecer o quadro quantiqualitativo de profissionais.

com um significado tridimensional: atividade(s). incluindo todos os elementos que compõem a equipe. a criança menor de seis anos e o recém nascido devem ser classificados com necessidades de cuidados intermediários. modelo assistencial. considera o SCP. realidade sócio-cultural e econômica. § 2º . III . por leito. proporção de profissionais de Enfermagem de nível superior e de nível médio.Fundamentação legal do exercício profissional (Lei nº 7. com intercorrência clínica ou cirúrgica associada.Para efeito de cálculo deverá ser observada a cláusula contratual quanto à carga horária.498/86.à clientela: sistema de classificação de pacientes (SCP). 04 classificações - § 1º . § 7º . classificado pelo SCP com demanda de assistência intermediária ou semi-intensiva deverá ser acrescido de 0.406/87). 2º da Lei nº 7.O referencial mínimo para o quadro de profissionais de Enfermagem. .6 ou seja: interm = 6. § 6º . na assistência semi-intensiva. jornada de trabalho. carga horária semanal.ao serviço de Enfermagem: . adaptando-as ao SCP.Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. por cliente. § 4º .Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos e/ou programas. o § 8 . padrões de desempenho dos profissionais. métodos de trabalho. 9. sem acompanhante.Para efeito de cálculo. modelo gerencial.A distribuição percentual do total de profissionais de Enfermagem. Art. por cliente. índice de segurança técnica (IST). deve observar as seguintes proporções e o SCP: 5. . na assistência intensiva. 4º . para as 24 horas de cada Unidade de Internação. § 5º . referido no Art.5 às horas de Enfermagem especificadas no Art.O cliente especial ou da área psiquiátrica. devem ser consideradas como horas de Enfermagem.Ao cliente crônico com idade superior a 60 anos. deve-se classificar o cliente tomando como base as características assistenciais específicas.Tais quantitativos devem adequar-se aos elementos contidos no Art. os turnos e a proporção funcionário/leito. nas 24 horas: 3. por cliente.5 ou 6 horas). § 3º .O cliente com demanda de cuidados intensivos deverá ser assistido em unidade com infra-estrutura adequada e especializada para este fim.Aspectos técnico.4 horas de Enfermagem. de recursos materiais e financeiros. na assistência intermediária. 5.administrativos: dinâmica de funcionamento das unidades nos diferentes turnos. 5º . tecnologia e complexidade dos serviços e/ou programas.Para o serviço em que a referência não pode ser associada ao leito-dia. iniciando-se com cuidados intermediários. Resoluções COFEN e Decisões dos CORENs. local ou área operacional e o período de tempo (4. Art. as horas de assistência de Enfermagem.498/86 e Decreto nº 94.O quantitativo de profissionais estabelecido deverá ser acrescido de um índice de segurança técnica (IST) não inferior a 15% do total.1 semi=9. Art.8 horas de Enfermagem. e indicadores de avaliação da qualidade da assistência. 3º . 17. por cliente.4º. § 9º . II . caso não tenha acompanhante. política de pessoal. 2º desta Resolução. atribuições e competências dos integrantes dos diferentes serviços e/ou programas e indicadores hospitalares do Ministério da Saúde.9 . taxa de absenteísmo (TA) e taxa ausência de benefícios (TB) da unidade assistencial.6 horas de Enfermagem.Para unidades especializadas como psiquiatria e oncologia. na assistência mínima ou autocuidado. a unidade de medida será o sítio funcional.9 horas de Enfermagem.Para berçário e unidade de internação em pediatria. deve ser classificado um nível acima no SCP.

para dimensionar e gerenciar o quadro de profissionais de enfermagem. 6º .O responsável técnico de enfermagem deve dispor de 3 a 5% do quadro geral de profissionais de enfermagem para cobertura de situações relacionadas à rotatividade de pessoal e participação de programas de educação continuada. 7º .Para assistência semi-intensiva: de 42 a 46% são Enfermeiros e os demais.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 1 . conforme disposto na Resolução COFEN nº 186/1995.O disposto nesta Resolução aplica-se a todas as instituições de saúde e. em especial a Resolução 189 de 25 de março de 1996.380 Presidente . Art.O Atendente de Enfermagem não foi incluído na presente Resolução. Art. Art. 10 . Parágrafo único . § 3º . às outras instituições. 2. Art. 11 .ausências ao serviço de profissionais de enfermagem.Os índices máximo e mínimo de performance devem ser de domínio público.O responsável técnico de enfermagem da instituição de saúde deve gerenciar os indicadores de performance do pessoal de enfermagem. para subsidiar a composição do quadro de enfermagem para as unidades assistenciais. Técnicos e Auxiliares de Enfermagem. no que couber.Os indicadores de performance devem ter como base a infra-estrutura institucional e os dados nacionais e internacionais obtidos por “benchmarking”. 2 . deve ser acrescido de 10% ao IST. e classificação dos clientes segundo o SCP. com mais de 60 (sessenta) anos.Para assistência intensiva: de 52 a 56% são Enfermeiros e os demais. Art. 3 . 9º – O quadro de profissionais de enfermagem da unidade de internação composto por 60% ou mais de pessoas com idade superior a 50 (cinqüenta) anos. Art.Para assistência mínima e intermediária: de 33 a 37% são Enfermeiros (mínimo de seis) e os demais. § 1º .A distribuição de profissionais por categoria deverá seguir o grupo de pacientes de maior prevalência. educação continuada e comissões permanentes. sem acompanhantes. Gilberto Linhares Teixeira COREN-RJ nº.Esta Resolução entra em vigor após sua publicação.O quantitativo de Enfermeiros para o exercício de atividades gerenciais. 8º . Técnicos de Enfermagem. revogando as disposições em contrário. presença de crianças menores de 06 (seis) anos e de clientes crônicos. Parágrafo único . deverá ser dimensionado de acordo com a estrutura da organização/empresa.Deve ser garantida a autonomia do enfermeiro nas unidades assistenciais. Auxiliares e/ ou Técnicos de Enfermagem.Cabe ao Enfermeiro o registro diário da(s):. 12 . § 2º . Art. por executar atividades elementares de Enfermagem não ligadas à assistência direta ao paciente.

2.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 4. com parcial dependência dos profissionais de enfermagem para o atendimento das necessidades humanas básicas.Paciente de Cuidado Mínimo (PCM): cliente/paciente estável sob o ponto de vista clínico e de enfermagem e auto-suficientes quanto ao atendimento das necessidades humanas básicas. 32.2 . . 24h. 36h. passíveis de instabilidade das funções vitais.1 . sem risco iminente de morte. sujeitos à instabilidade das funções vitais. Nota 1 . para cobertura de ausências/faltas por diversos motivos).5h. isto é.Paciente de Cuidados Intensivos (PCIt): cliente/paciente grave e recuperável. licenças . 30 h.8 2.o IST é composto de duas parcelas fundamentais. ou 40h. para cobertura de férias. ou seja.33% para cobertura de férias (item da Taxa de Ausências de Benefícios) e 6.Paciente de Cuidados Semi-Intensivos (PCSI): cliente/paciente recuperável. nas unidades assistenciais. a taxa de ausências por benefícios (planejada. requerendo assistência de enfermagem e médica permanente e especializada.. requerendo avaliações médicas e de enfermagem.... 2-SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE PACIENTES (SCP): scp=3. 2. 4-JORNADA SEMANAL DE TRABALHO (JST): assume os valores de 20h.) e a taxa de absenteísmo (não – planejada.67% para cobertura da Taxa de Absenteísmo.2 Metodologia de cálculo de pessoal de enfermagem I) UNIDADE DE INTERNAÇÃO 1-UNIDADE DE INTERNAÇÃO (UI): Local com infra-estrutura adequada para a permanência do paciente em um leito hospitalar.Paciente de Cuidados Intermediários (PCI): cliente/paciente estável sob o ponto de vista clínico e de enfermagem. requerendo assistência de enfermagem e médica permanente e especializada. 2. etc. 5-ÍNDICE DE SEGURANÇA TÉCNICA (IST): admite-se o coeficiente empírico de 1. com risco iminente de morte.prêmio.15 (15%). que considera 8.3 .4 . 3-DIAS DA SEMANA (DS): 7 dias completos ou 168 horas redondas.

finalmente. utilizando . QP(UI. isto é sem feriados ou interrupções significativas na tomada de dados.SCP) = KM x THE . de acordo com o SCP e que deverá guardar correspondência com a Taxa de Ocupação (TO) da UI.5) = 0.4025 KM (24) = 0. Nota 2 . 24h.6) + (PCSI x 9. Para reduzir a margem de variação os dados devem ser obtidos de 4 a 6 períodos (meses) padrões. 32.2476 KM(36) = 0. semi-intensivos e intensivos. intermediários..2683 KM(32. KM = DS x IST = 7 x IST = 7IST JST JST JST Por exemplo.4) + (PCIt x 17.5h.a quantidades de clientes é obtida da média aritmética de uma série histórica de leitos ocupados colhida diariamente.3354 KM (30) = 0.9)] E. 8-CONSTANTE DE MARINHO (KM): coeficiente deduzido em função de DS.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 6-TAXA DE OCUPAÇÃO (TO): expressa a razão entre a média do número de leitos ocupados por clientes e o número de leitos disponíveis. substituindo THE e KM na equação abaixo. em um determinado período.se o coeficiente IST igual a 1..2236 KM(40) = 0. 7-TOTAL DE HORAS DE ENFERMAGEM (THE): é o somatório das horas necessárias para assistir os clientes com demanda de cuidados mínimos.8) + (PCI x 5..15 (15%) e substituindo JST pelos seus valores assumidos de 20h. a KM terá os valores respectivos de: KM (20) = 0.. 30 h. serão obtidos as correspondentes quantidades do pessoal de enfermagem.2012 Considerando que: THE = [(PCM x 3. com base no SPC e na TO. da JST e do IST. 6-QUANTIDADE DE PESSOAL (QP): é o número de profissionais de enfermagem necessárias na UI.. ou 40h. 36h.

sala de exame. sala de parto. SF3 traduz o sítio funcional com três profissionais SFn refere-se a um sítio funcional com “n” profissionais. a área operacional ou local da atividade e o período de trabalho. no mínimo. sala de cirurgia. 10 e 12 horas.Administração aplicada à enfermagem II) UNIDADES ASSISTENCIAIS ESPECIAIS Sérgio Ribeiro dos Santos 1-UNIDADE ASSISTENCIAL ESPECIAL (UE): Locais onde são desenvolvidas atividades especializadas por profissionais de saúde. preparo de material. Ele considera a(s) atividade(s) desenvolvida(s). sala de pré e pós parto. em regime ambulatorial. etc. sala de emergência. sala de esterilização. tratamento (curativo. decorrentes de jornadas diárias de 8. SF2 consiste de um sítio funcional com dois profissionais. Nota 4 . hemodiálise. esterilização. escolhidos aleatoriamente durante 6 semanas.para evitar desvios sugere-se que se tome dados de uma série histórica de espelhos semanais de alocação de SF. sala de ultra-som. consulta. Nota 5 . coordenação ou supervisão. sala de diálise/ hemodiálise. quimioterapia. com ou sem auxilio de equipamentos de alta tecnologia. sala de tratamento. sala de imunização. técnico de enfermagem e auxiliar de enfermagem). sala de trauma. ou para atendimento de demanda ou de produção de serviços. 2-SÍTIO FUNCIONAL (SF): é a unidade de medida que tem um significado tridimensional para o trabalho de enfermagem.adotou-se a seguinte nomenclatura para os SF: SF1 significa um sítio funcional com um único profissional. chefia. diálise. . 5 h e 6 h. sala de pronto-atendimento. etc. sala de preparo de material. sala de eletrocardiograma. 4-ÁREA OPERACIONAL: consultório.o SF deve ser quantificado para as diversas categorias profissionais (enfermeiros. Nota 3 . 5-PERÍODO DE TRABALHO (PT): é diferente e varia nas diversas Instituições e Unidades Assistenciais. atendimento/assistência). obtida da distribuído no decurso de uma semana padrão (espelho semanal padrão). instrumentação e circulação de cirurgias. 3-ATIVIDADE: pré–consulta. com os valores típicos de 4 h.

30) =0. 6.1437 KM( 6.30) =0.24) =0.5) =0.Total de Dias (TD) úteis do período de apuração.Faltas ao trabalho na escala de manhã e parte da tarde (FM) de 7:00 h às 16:00 ou de 8:00 h às 17:00 h.32.40) KM( 4.15 KM(PT.2123 KM(PT.1725 III) CÁLCULO DO ÍNDICE DE SEGURANÇA TÉCNICA (IST): IST = TA + TB 1-Taxa de Absenteísmo (TA) é obtida com o cálculo das faltas. 5.Total de Funcionários (TF) atuando no setor/serviço/departamento.20) = 0.24) =0. 3.30) =0.2875 KM(PT.3450 KM(PT. 2.20) =0.JST) QP(SF)= KM(PT.JST) x TSF Exemplo de Cálculo da Constante de Marinho para Sítios Funcionais: Com IST de 15 % ou coeficiente de 1.2875 KM( 6.1916 KM( 6.24) =0.36) =0.36) =0.1769 KM( 6.1150 KM( 5.1597 KM( 6.32.5) =0.20) KM (4.36) =0.40) =0.Faltas ao trabalho na escala de M1 ou T (FM1): manhã ou tarde de 7:00 h às 13:00 ou de 13:00 h às 19:00 h.20) =0. por vários motivos.32.32.1916 KM(PT.2300 KM(PT.5) KM( 4. 4.Administração aplicada à enfermagem 6-Total de Sítios Funcionais (TSF) TSF = [(SF1) + (SF2) + (SF3) +…+ (SFn)] Sérgio Ribeiro dos Santos TSF = N N=1 SFN 7. .36) KM( 4. no período de apuração.2395 KM( 6.1916 KM( 5.24) KM( 4.Cálculo da KM(SF) = Constante de Marinho para SF: KM(SF) = PT x IST JST 8-Quantidade de profissionais = QP KM(SF)==> KM (PT.1415 KM( 5.1533 KM( 5.40) =0.1277 KM( 5.2300 KM( 5.15 Correspondendo a: KM(SF)= PT / JST x 1.Faltas ao trabalho na escala de plantões (FP) no serviço diurno (SD) ou noturno (SN): de 7:00 h às 19:00 ou de 19:00 h às 07:00 h.5) =0.30) KM( 4.40) =0. não planejadas.

Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 7.). 2) A Unidade Assistencial apresentar a soma das Taxas de Absenteísmo e de Benefícios. treinamento. licença especial. etc. aumentar de 10% ao IST. a critério da instituição. D . pela demanda e oferta de mão-de-obra existente. sendo seis horas para os períodos da manhã e tarde e doze horas para o noturno (dois turnos de 6 horas). comprovadamente. devendo o de nível médio ser dividido em Técnico e Auxiliar de Enfermagem.33 % + X % > 15%). coordenação. controle. ausências planejadas decorrentes de benefícios (férias. superior a 15% (8.Total de Dias Úteis de Ausência (TDUA) no período. supervisão. estiver com idades acima de 50 anos.Para efeito de cálculo.Deverá ser previsto 01(um) enfermeiro para atividades gerenciais. e os restantes 6. sendo que 8. etc. já contemplada no sistema de cálculo (horas de enfermagem/paciente/ HEP).O cálculo para sete dias da semana deve ser realizado para os turnos da manhã (M).TAXA AUSÊNCIAS POR BENEFÍCIOS (TB): TB = TDUA x 100 TD x TF Anotações importantes: A . C . que devem ter como base os aspectos legais e os acordos conquistados pelos órgãos de classe da Enfermagem. com atuação predominante na área administrativa (liderança.O Índice de Segurança Técnico (IST) poderá ser aumentado.TAXA DE ABSENTEÍSMO (TA) TA(JST) = 500[(6FMI) + (8FM) + (12FP) JST x TF x TD B . deverá ser acrescido 15% como Índice de Segurança Técnica (IST). B . D1 . que atuam nas Unidades de Internação.O período noturno deve ser duplicado para completar quatro períodos iguais de 6 horas.Ao total. Na assistência intensiva deve-se utilizar o Técnico de Enfermagem. As férias é um dos componentes da Taxa Ausências de Benefícios. classificar o pessoal de nível superior (NS) e médio (NM). A .67% (valor empírico/ arbitrado) são para cobertura da Taxa de Absenteísmo. apresentado no modelo acima. tarde (T) e noite (N = N1 / N2).A carga horária semanal para exercer as atividades assistenciais e administrativas será estabelecida nos respectivos contratos de trabalho.33% são para cobertura de férias. quando: 1) Sessenta por cento (60%) ou mais do total de profissionais de enfermagem. E . .). F . obedecendo ao percentual estabelecido.

3 Aplicação da metodologia de cálculo de pessoal de enfermagem 1. por turno de trabalho. 10. exige-se a presença física do enfermeiro.Administração aplicada à enfermagem NOTAS: Sérgio Ribeiro dos Santos 1.A Constante de Marinho (KM) pode assumir duas configurações Constante de Marinho relacionado a Horas de Enfermagem (KMhe) e Constante de Marinho relacionado a Sítios Funcionais (KMsf). houver dificuldades de contratar enfermeiros o COREN local.Em uma Unidade de Internação encontram-se clientes com demandas enquadradas em todas as categorias do Sistema de Classificação de Pacientes (SCP). 9. 4. independente da quantidade de clientes na unidade.A Quantidade de Pessoal de Enfermagem (QPE) pode ser calculada utilizando-se o Total de Horas de Enfermagem por Dia (THE/Dia) ou o Total de Sítios Funcionais/Semana (TSF/Sem). 2. respeitando-se a presença física de pelo menos um enfermeiro por período de trabalho.O dimensionamento de profissionais de Enfermagem inicia-se pela quantificação de enfermeiros. salvo nas condições estabelecidas no tópico abaixo. 8. em que. 3. . 7.As Clínicas e/ou Hospitais com menos de 50 leitos. 5.Um enfermeiro só pode coordenar as atividades de no máximo 15 profissionais de enfermagem. 6.Nas Unidades de Internação com clientes que exigem cuidados de enfermagem de alta complexidade. voltada para assistência de Cuidados Mínimos e Intermediários. após avaliação. 2.Os clientes internados em “Unidades Intermediárias” serão classificados como de cuidados intermediários ou semi-intensivos.Os cálculos de profissionais para desenvolver atividades de especialistas terão tratamento diferenciado. localizados em regiões interioranas.As atividades desenvolvidas por profissionais de enfermagem serão coordenadas pelo enfermeiro. poderá autorizar a complementação das equipes com Técnicos de Enfermagem.A QPE pode ser obtida através da aplicação de duas equações matemáticas: (1) QP = KMhe X THE (2) QP = KM sf X TSF 3.Os pacientes da categoria de Cuidados Intensivos deverão ser internados em Unidades Especiais (UTI) com infra-estrutura e recursos tecnológicos e humanos adequados. 2.Os clientes internados em Unidades de Terapia Intensiva serão classificados como de cuidados semi-intensivos ou intensivos. por diversas razões.

Administração aplicada à enfermagem

Sérgio Ribeiro dos Santos

4- A KMhe é utilizada para QPE quando se estabelecem os tempos que são necessários para se desenvolver cada atividade nas 24 horas, como por exemplo: assistência a pacientes de acordo com o Sistema de Classificação de Pacientes –SCP (Cuidados Mínimos, Cuidados Intermediários, Cuidados Semi-Intensivos e Cuidados Intensivos) com suas respectivas horas/dia. 5- A KMsf é utilizada para QPE para cobertura nas unidades operacionais na dimensão tridimensional (Atividade(s) , Período de Tempo e Local de Trabalho). 6- A KMhe é estruturada com a variável “dias da semana (7 dias)” no numerador, já a KMsf é como Período de Tempo (PT), que pode ser de 4, 5 ou 6 horas.

Importante!!!!!

KMhe = DS x IST JST

KMsf = PT x IST JST

7- O Relatório Diário de Enfermagem com os registros da Classificação dos Pacientes (SCP) e da Taxa de Absenteísmo/Taxa de Benefícios (TA/TB), é a ferramenta utilizada para obter-se o Total de Horas de Enfermagem (THE). 8- O THE é calculado pela aplicação da seguinte expressão matemática: THE = ( NMP x HE )

THE = [(NMPCMn x HECMn) + (NMPCInter x HECinterm) + (NMPCSI x HECSI) +

(NMPCIntens x HE CIntens)]
Onde: NMP = Número Médio de Clientes/Pacientes por tipo. HE = Horas de Enfermagem relacionadas a cada tipo. NMCMn = Número Médio de Clientes/Paciente de Cuidados Mínimos. NMCinterm = Número Médio de Clientes/Pacientes de Cuidados Intermediários. NMCSI = Número Médio de Clientes/Paciente de Cuidados Semi-Intensivos. NMCIntens = Número Médio de clientes/ Paciente de Cuidados Intensivos. HECMn = Horas de Enfermagem por dia para assistência de clientes/pacientes de Cuidados Mínimos. HECInterm = Horas de Enfermagem por dia para assistência de clientes/pacientes de Cuidados Intermediários.

Administração aplicada à enfermagem

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HECSI = Horas de Enfermagem por dia para assistência de clientes/pacientes de Cuidados Semi-Intensivos. HECIntens = Horas de Enfermagem por dia para assistência de clientes/ pacientes de Cuidados Intensivos. 9 - A Média de clientes/paciente por Tipo (SCP) deve ser obtida pelo menos por um série histórica de, no mínimo, 4 a 6 meses padrões (120 dias). 10 - Correlação entre QPE relacionada a HE e a QPE relacionada a SF. Pegando como parâmetros: PT = 8 / 2 = 4 horas (Jornada diária de 8 horas => dois Períodos de Trabalho de 4 horas) JST= 30 horas IST= 15% = 1,15 KMsf = 4/30 x 1,15 = 0,23 HECMn = 3,8 horas Total de Pacientes da Unidade = 20 pacientes THE = 20 x 3,8 = 76 horas KMhe = 7/30 x 1,15 = 0, 2683332 TSF = 89 Sítios Funcionais (SF): QPE = KMsf x TSF = 0,23 x 89 = 20,47 Pessoas (20) Horas de Enfermagem (HE): QPE = KMhe x THE = 0,2683 X 76 = 20,39 Pessoas (*) (20) Nota 1- (*): A diferença na fração decimal é devida a aproximações matemáticas. Nota 2 - Quando o SF exigir profissionais com atividades especializadas, isto é, competência e formação específica a QPE devem respeitar e ser ajustada às demandas da especialidade. OBSERVAÇÃO: Os resultados deverão ser aproximados, exclusivamente, no final dos cálculos, ficando assim construídos: todos os valores iguais ou superiores a 0,5 (cinco décimos) passarão à unidade inteira imediatamente superior; todos os valores iguais ou inferiores a 0,49 (quarenta e nove centésimos) serão reduzidos à unidade inteira inferior.

Administração aplicada à enfermagem EXERCÍCIOS

Sérgio Ribeiro dos Santos

1. Determine o pessoal de enfermagem necessário para um hospital geral, cujo número de leitos está baseado na sua capacidade máxima de 240 leitos, assim distribuídos: Clínica Médica = 80 Clínica Pediátrica = 60 Clínica Cirúrgica = 50 Clínica Obstétrica = 50 Para efeito de cálculo leve em consideração a Capacidade Máxima de Ocupação por clínica de 80% (CMO). O percentual do nível de cuidado fica assim estabelecido: PCM (HE=3,8) Clínica Médica Clínica Pediátrica Clínica Cirúrgica Clínica Obstétrica Berçário 30% 60% 20% 30% 30% PCI (HE=5,6) 60% 20% 60% 60% 30% PCSI(HE=9,4) 10% 20% 20% 10% 40%

O hospital dispõe de oito salas de cirurgias, quatro salas de parto e um centro de recuperação com 10 leitos, 20 leitos no berçário e 8 na UTI. Utilize para cálculo a Resolução 293. Considere ainda as seguintes variáveis: IST = 15% = 1,15 KM(30) = 0,2683 Faça a distribuição por categorias: Enfermeiros PCM + PCI PCSI PCI 33% 42% 52% Auxiliares 67% 58% **** Técnico **** **** 48%

2. O Hospital da Santa Casa está iniciando um processo de sistematização da assistência de enfermagem. Para esse fim, escolheu em caráter experimental, a Clínica Médica que possui 40 leitos, mas sua CMO é igual a 80%. Dispõem ainda de 20 enfermeiros e 35 auxiliares de enfermagem. Para minimizar os custos e melhorar a qualidade da assistência, o Diretor resolveu reduzir o número de leitos em 25%. Pede-se que seja determinado o total de pessoal de enfermagem com a CMO de 80%. O percentual de nível de cuidado fica assim estabelecido: PCM = 30%(HE=3,8); PCI = 60%(HE=5,6) e PCSI = 10%(HE=9,4). Considere os seguintes dados:

(48%).Administração aplicada à enfermagem IST = 15% = 1.6) e 25% para pacientes que necessitam assistência semi-intensiva (HE=9. considerando os seguintes dados: Índice de Segurança Técnica (IST) = 15% = 1.2683 c) HE =17.2683 Faça a distribuição por categorias: Enfermeiros PCM + PCI PCSI 33% 42% Sérgio Ribeiro dos Santos Auxiliares 67% 58% Técnico **** **** 3. de acordo com a Resolução COFEN 293.1=20 Aux.2=61 43. 4. Calcule o pessoal de enfermagem para a referida unidade. Um hospital possui uma UTI com 10 leitos para 6 enfermeiros e 10 técnicos de enfermagem.1=23 20.3=32 24.4).9 d) Faça distribuição por categorias: Enfermeiros (52%) e Técnicos de Enf.15 b) KM(30) = 0. Distribuição de pessoal por categorias nas respectivas Unidades de Internação: Enfermeiros Clínica Médica Clínica Pediátrica Clínica Cirúrgica Clínica Obstétrica 32.3=41 38. de Enfermagem 61. 50% pacientes com assistência intermediária (HE=5. dos quais 25% destinam-se a pacientes com assistência mínima (HE=3.2683 Faça a distribuição por categorias: Enfermeiros PCM + PCI PCSI 33% 42% Auxiliares 67% 58% Técnico **** **** SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS: 1.3=38 ./Téc.15 KM(30) = 0. de acordo com as determinações da Resolução 293 do COFEN? Quantas pessoas serão preciso contratar ou dispensar? Considere ainda os seguintes dados: a) Índice de Segurança Técnica (IST) = 15% = 1.3=43 41.15 KM(30) = 0. Quantos enfermeiros e técnicos de enfermagem são necessários para o hospital funcionar.6=25 23.8). Uma Unidade de Clínica Médica com 32 leitos e CMO igual a 80%.

Nesse caso. e) Humanização na elaboração da escala: As características individuais e as solicitações especiais devem ser observadas. Os plantões noturnos não deverão exceder a 12 horas. deve está compatível com a legislação vigente. .6=11 13. da dinâmica da unidade e da equipe de enfermagem. tais como: a) Conhecimento das leis trabalhistas: A jornada de trabalho. Os servidores com 50 anos ou mais de idade e/ou 20 anos ou mais de exercício profissional deverão ser dispensados das escalas de plantão noturno.5h.5=14 20 145 Sérgio Ribeiro dos Santos 14. 32. 4. de acordo com o contrato de trabalho. A escala sempre apresenta um caráter de continuidade em relação ao mês anterior.9 = 23 3. b) Conhecimento do regulamento da instituição. 40h ou 44 horas. A técnica de elaboração da escala é bastante diversificada.4=18 238 2. c) Conhecimento da duração semanal de trabalho do pessoal de enfermagem na instituição que pode ser 20h.7 = 27 5. um dia ou 24 horas de descanso semanal. No entanto.1 = 12 e Auxiliar de Enfermagem = 22. ESCALA DE SERVIÇO Chama-se escala de serviço ou escala de folgas. 30h. no mínimo. Enfermeiros = 12. a representação tabular e funcional do escalonamento programado de períodos em que o servidor estará desenvolvendo suas atividades e de períodos de folgas no decurso de um mês3. que deve ser remunerado e preferencialmente no domingo. O número de folgas deve ser igual ao número de domingos e feriados não coincidentes. 24h. o servidor terá direito a pelo menos um domingo a cada sete semanas. Enfermeiros = 15. d) Conhecimento das características da clientela. do regimento do serviço de enfermagem e das atribuições de cada categoria profissional da equipe de enfermagem.Administração aplicada à enfermagem Unidade de Recuperação Berçário UTI TOTAL DE PROFISSIONAIS 10.8=22 18.3 = 15 e Auxiliar de Enfermagem = 26. Enfermeiros = 25 e Técnicos de Enfermagem = 23 4. 36h. exceto quando a atividade profissional exija trabalho aos domingos.6=15 21. devem ser consideradas algumas observações preliminares. O servidor tem direito a.

porventura. aqueles profissionais que não têm preferências na escala.2 Método para elaboração da escala.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 1.1 Recomendações para elaboração da escala mensal (a) Informações impressas na escala: Nome da instituição. 1. (h) Procurar distribuir as folgas em domingos e feriados de forma eqüitativa entre os funcionários. 2. (c) Certifica-se do número de folgas correspondentes ao mês. da esquerda para a direita. Na elaboração da escala algumas etapas devem ser seguidas para melhor distribuir o pessoal. N e um traço (folga). 2 = T e 3 = N. Por exemplo: 1. (b) Usar código para o escalonamento dos turnos: M (manhã). (d) Anotar. o número de folgas que. Unidade de referência. T (tarde). na margem direita da escala. ou seja. Distribuem-se os casos independentes. III. Nome dos funcionários e função. Inicialmente. . Alguns gerentes de enfermagem utilizam números e letras. Faz-se a distribuição dos plantões noturnos em sentido diagonal. o funcionário tenha em haver ou que esteja devendo. dá-se preferência à distribuição dos casos especiais ou solicitações excepcionais. (g) Consultar a escala anterior para verificar o último plantão noturno em que o funcionário trabalhou no mês. para que não haja período maior de sete dias consecutivos sem folgas. Período (mês/ano). As etapas são as seguintes: I. registrando-o no rodapé da escala. mediante consulta da escala anterior. N (noturno) e F ou – (traço) para indicar folga. II. Também podem ser usados números: 1 = M. a fim de ajustar melhor as necessidades do serviço com os interesses dos profissionais. Nomes e assinatura do gerente da unidade. Dias do mês. (e) Verificar o dia da última folga do mês anterior. (f) Observar se o retorno do funcionário de férias incide em dia útil.

em torno de 24 a 48 horas. se Maria está escalada para trabalhar 05 noturnos. que deverá ser diurna. subtrai-se o total de plantões noturnos/horas da carga horária mensal de trabalho. a carga horária mensal para um hospital. com regime de 6 horas diárias. VI. Então teremos a seguinte operação: Considerando N = 12 h. Portanto. E José foi escalado para trabalhar 06 plantões noturnos. temos: 12 x 5 = 60 horas noturnas.Administração aplicada à enfermagem IV. Após o escalonamento dos plantões noturnos. Por exemplo: Se Maria foi escalada no mês para trabalhar 05 plantões noturnos. . Em seguida. O cálculo das operações matemático se procede da seguinte maneira: Soma-se o total de plantões noturnos com as horas escalonadas por cada profissional da equipe de enfermagem. logo para N = 5. 132 – 60 = 72 horas. Logo. terá uma carga horária de 60 horas. Sérgio Ribeiro dos Santos Todos os profissionais de enfermagem deverão ter igual número de horas mensais. Por exemplo: se no mês temos 22 dias úteis. será igual a 132 horas. faz-se um intervalo para o próximo escalonamento. V. O resultado dessa operação divide-se por 6: 72 ÷ 6 = 12 diurnos que serão distribuídos nos turnos da manhã ou tarde. Isso corresponde às horas que Maria precisa trabalhar para complementar a carga horária do mês.

Administração aplicada à enfermagem SERVIÇO: Sérgio Ribeiro dos Santos 137 ___________ de ________ Nome Dias da Semana Observações 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 .

analisando a administração de recursos humanos no contexto organizacional. examinar e conciliar. a figura básica em que os objetivos de trabalho estão centralizados é o paciente. provisão. estabeleça altos e reais padrões para seus subordinados. admita falha humana. Administrar pessoas implica planejamento. facilidade de comunicação e elevada capacidade para motivar a equipe de trabalho que dirige. aceite com naturalidade certas críticas e rivalidades. delegue autoridade. porque se trata de comportamentos individuais que precisam ser coordenados. para que este processo aconteça. defenda seu pessoal. elevado caráter moral. com a menor intensidade de esforço e de conflito interpessoal. Ao contrário. Tais aspectos exercem influência no ambiente e nas pessoas. ser constante e justo sem se tornar rígido. coordenação e pesquisa. organização. estabeleça um clima de cooperação entre todos. É conveniente lembrar que o gerente de enfermagem para desempenhar bem o seu papel deve possuir uma série de qualidades: capacidade para conviver e trabalhar com outras pessoas. afirma que se trata de um conjunto de atividades capazes de garantir o alcance dos objetivos definidos originalmente. Mas. alguns princípios devem ser seguidos pelo administrador. para o que se exige amplo espírito de cooperação e acentuado interesse pelo bem-estar de cada integrante da organização. elevado controle emocional.6. porque constituem a própria essência da administração. Gonçalves2. No campo hospitalar. capacidade para saber ouvir. Além desses princípios. é uma atividade complexa. O SERVIÇO DE ENFERMAGEM E A GESTÃO DE PESSOAL Administrar pessoas não é tarefa fácil. saiba para onde vai. tomar decisões e mantê-las. . coragem para assumir riscos. direção. Assim sendo. que merecem ser lembrados. Maudonnet4 faz as seguintes recomendações: trabalhe com pessoas. tome decisões certas e não “populares”. ele deve receber uma assistência integral e humanizada no hospital. a fim de alcançar os objetivos organizacionais.

conhecem toda a entidade para qual trabalham e os serviços que ela executa. enquanto continuarem realizando-o de modo satisfatório. a organização é bem conceituada na comunidade. sem dúvida. o ânimo dos empregados mantém-se alto quando estão convencidos de que conservarão seu emprego. função de desenvolvimento. O gerente do serviço de enfermagem é o responsável pelo nível de motivação e satisfação no grupo. seu trabalho é importante. com a apresentação desses atributos. a chefia justifica sua falta. serão consideradas apenas as três citadas. quando consideram que foram tratados injustamente. seus interesses e suas capacidades. iniciativa. Isso é a chave para uma administração de pessoal conduzida para o sucesso. FUNÇÕES DO GERENTE DE PESSOAL NO SERVIÇO DE ENFERMAGEM O serviço de enfermagem tem participação direta com as funções básicas da administração de recursos humanos. Não se pretende. com o objetivo de proporcionar oportunidades reais de satisfação no trabalho. que existirá quando conseguir harmonizar os interesses do grupo com os objetivos da instituição. É importante frisar que o enfermeiro – gerente precisa ter a capacidade de avaliar as pessoas que dirige segundo suas personalidades. seu supervisor reconhece neles seres humanos e os trata como tal. têm oportunidade de progredir no seu trabalho. É imprescindível a capacidade de saber delegar atividades. Segundo Cuaron citado por Gonçalves2. traçar o perfil de super – gerente de enfermagem. função de pesquisa. quando tal falta não se justifica. lealdade e espírito público. suas sugestões são bem recebidas.ser dotado de liderança. a administração está interessada em seu bem-estar e progresso. Mas. 7. têm oportunidade de serem ouvidos. mas aplicam-lhes sanções. uma vez que envolve o processo administrativo do serviço de enfermagem. descentralizando responsabilidades e criando um clima de confiança entre o pessoal que. compreendendo basicamente três funções: função de procura. Para facilitar a análise das funções exercidas na administração de pessoal. quando há razão. retribuirá com atitudes amigáveis. espírito de iniciativa e colaboração dos integrantes da equipe. . eles devem ser considerados como indispensáveis para quem administra pessoas.

A partir daí. para calcular a necessidade real e ideal de pessoal.a) Função de Procura Essa função engloba as atividades de localização. recrutamento e seleção. Trata-se de um momento muito importante. Além disso. Em seguida. Logo em seguida. pois é a oportunidade de se obterem informações diretas do candidato. A esse conjunto de procedimentos denomina-se seleção. o enfermeiro – gerente deve considerar aqueles conhecimentos indispensáveis para o exercício do cargo e aqueles que são úteis de forma direta ou indireta. A enfermagem participa desse processo desde a descrição do perfil do ocupante do cargo até o processo seletivo. possibilitando ao entrevistador concluir se ele está ou não em condições de ocupar o cargo. passam a ser divulgadas informações no mercado de trabalho. Essa caracterização parte inicialmente da necessidade de preenchimento de vagas em determinada unidade de enfermagem. a cargo de uma comissão designada pela administração superior. procede-se ao recrutamento. Essa divulgação do interesse da organização por candidatos denomina-se de recrutamento. o enfermeiro deve participar da entrevista com os candidatos ao cargo. cujo gerente utiliza procedimentos matemáticos. Gerais Quanto ao conteúdo Específicos Prática (específica) Teórica (específica / geral) Dissertativa Escolha múltipla Resposta simples Questionário Escolha simples Complementação Conhecimento Quanto à forma Escrita Oral . No processo seletivo a equipe de enfermagem é responsável pela elaboração da prova de conhecimentos. acerca da existência de vagas que deseja preencher. através de um processo avaliativo são escolhidos aqueles que apresentam mais aptidão ou capacidade. Ao elaborar as provas de conhecimentos em forma de questionário. que deve seguir o esquema abaixo. que terá a participação do gerente da unidade e enfermeiros que estabelecerão critérios para selecionar o melhor candidato.

♦ maturidade emocional. permitir a abertura do candidato sem. garantia do sigilo. tratar o entrevistado como amigo. evitar opiniões. ♦ liderança. evitar tomar muitas notas durante a entrevista. a seguir delineados: usar linguagem adequada. ♦ aparência. Chiavenato citado por Mezomo5. evitar perguntas tipo “armadilha”. ♦ conhecimento e/ou experiência. tranqüilidade para não permitir interrupções. evitar a tendência de classificar o candidato como “péssimo” ou “excepcional”. garantir a quebra da tensão inicial. para que ele se sinta à vontade. contudo. ♦ fluidez verbal. ouvir atentamente o candidato e demonstrar interesse pelo que é dito. desviar-se de seu objetivo. Para Maudonnet4. para obter as informações necessárias. que apresente as seguintes condições: conforto mínimo. a entrevista deve ser desenvolvida em ambiente propício. Com relação ao conteúdo da entrevista. ♦ curiosidade intelectual.Mas. ♦ convívio. apresenta alguns pontos que devem ser lembrados: ♦ estabilidade. . tempo suficiente. ♦ lealdade. ♦ produção. ♦ criatividade. programação prévia definida. ♦ perseverança. ♦ iniciativa e autosuficiência. ♦ motivação. o entrevistador deve seguir alguns princípios. evitar o “inquérito policial” e a invasão da privacidade.

6. ♦ funções e responsabilidade de cada um. Para tanto. Circunstâncias. O gerente deve acolher pessoalmente o novo funcionário e com palavras de incentivo explicará o trabalho que lhe será confiado. Os sete pontos são: 1. ou seja: ♦ objetivos e políticas gerais. em nível hierárquico. Conhecimento. b) Função de desenvolvimento Em linhas gerais. é indispensável à orientação e o treinamento sistemático para o êxito de qualquer programa de relações humanas no trabalho e no ajustamento do indivíduo ao cargo. 5. Interesses. maior contato pessoal. 3. O outro aspecto fundamental na função de desenvolvimento é o treinamento. Produzir um sentimento de identificação do funcionário com o serviço. Dar-lhe uma visão clara e compreensível. deve apresentá-lo aos seus colegas de trabalho. ♦ facilidade e rotinas. mostrando-lhe a importância do trabalho que irá fazer e tornando-o orgulhoso de trabalhar pela instituição. ♦ pagamento. Atitudes particulares.Já Maudonnet4. Disposição. com os quais ele terá. Em seguida. 3. que é um método formal que busca obter todas as informações necessárias. aponta o “Plano dos sete pontos”. o treinamento é um conjunto de processos pelos quais se dão ou se aperfeiçoam . benefícios e política de pessoal. Qualidade física. essa função visa capacitar cada vez mais o funcionário para o exercício de funções mais complexas e de crescente responsabilidade. Inteligência genérica. a fim de atingir os seguintes objetivos: 1. 2. de tudo quanto ele deve conhecer. de início. Para Serson7. a orientação deve seguir um planejamento. A orientação deve ser uma atividade constante na prática administrativa do gerente que tem seu início quando do ingresso do funcionário no serviço. De acordo com Mezomo5. ♦ normas e regulamentos. ♦ relações com os colegas. 7. embora geral. 2. 4. Ajudá-lo a conquistar a aceitação dos seus colegas e entrosá-lo no grupo de trabalho.

Em relação ao pessoal. despesas excessivas. tempo de aprendizagem e integração no cargo muito prolongada. Na realidade. redução do número de funcionários. os fatos que determinam a necessidade de treinamento a priori são: admissão de novos funcionários. deve-se observar o seguinte: relações deficientes. a necessidade de treinamento é determinada pela diferença entre o conhecimento necessário para o trabalho e o que a pessoa possui. Na verdade. pouca versatilidade dos empregados. faltas. Segundo Chiavenato1. comunicações defeituosas. pouco ou nenhum interesse pelo trabalho. pois. modernização do maquinário. é a busca da melhoria da performance do exercício profissional. Para que o treinamento . produção e comercialização de novos produtos ou serviços. mudanças nos programas de trabalho ou de produção. mudança de métodos e processos de trabalho. que podem ser a priori ou a posteriori. dificuldades na obtenção de bons elementos. mau aproveitamento do espaço disponível. o treinamento visa sempre o atendimento de determinadas necessidades da empresa. a fim de harmonizar a satisfação das necessidades entre o empregado e seu chefe. substituição ou movimentação de pessoal. é necessária uma contínua comunicação. licenças e férias do pessoal. elevado número de acidentes. erros na execução de ordens. Em outras palavras. Trata-se. número excessivo de queixas. Os fatos que determinam as necessidades de treinamento a posteriori em relação à produção. expansão de serviços. avarias freqüentes em equipamentos e instalações. falta de cooperação. de um esforço planejado e organizado para auxiliar os indivíduos a desenvolverem suas capacidades. Para isso. são: baixa produtividade. faltas e substituições em demasia.conhecimentos para o trabalho.

Para que se possa atingir êxito no treinamento.é fundamental e deve obedecer às seguintes etapas: ♦ preparo do aluno. havendo consequentemente a necessidade de novo treinamento para aperfeiçoá-lo. definição do objetivo do treinamento. cooperação e interesse do pessoal. ♦ apresentação do trabalho. grau de habilidade. Nesse mesmo contexto. b) Fase de execução . interesse e capacidade. o processo de treinamento compreende duas fases fundamentais: o planejamento e a execução. ♦ execução do trabalho pelo empregado. qualidade e preparo dos instrutores. Envolve os seguintes aspectos: abordagem de uma só necessidade específica de cada vez. qualidade do material de treinamento. as seguintes perguntas deverão ser respondidas: Quem deve ser treinado? O quê? Quando? Onde? Como? Por quem? Qual o custo desse processo? Genericamente. alguns métodos devem ser utilizados. determinação das pessoas a serem treinadas: número. cálculo do tempo gasto em sua execução. determinação dos recursos humanos e materiais. A aprendizagem é um processo contínuo. São os seguintes: .possa ser estabelecido. gerentes e dirigentes. a) Fase de planejamento. O indivíduo está sujeito a modificações oriundas das novas situações que exigirão novas atitudes. divisão do trabalho. de preferência hierarquizada. alguns fatores merecem ser considerados: adequação do programa às necessidades da empresa. estudo do controle de execução e do acompanhamento. ♦ acompanhamento. características dos aprendizes. como? onde? quando? por quem treiná-los? determinação da seqüência de operações. para auxiliarem no bom desempenho do treinamento. técnicas. de acordo com a necessidade.

instrução individual ou de grupo. nesse caso. Um reexame do curso poderá ser feito em três etapas: logo após o curso. Entende-se por avaliação o processo que atinge o empregado quanto ao seu nível de aproveitamento e ao treinamento como todo. pelo supervisor ou ainda. discutir sua reaplicação. propor soluções. podem-se investigar quais das informações recebidas no treinamento provaram ser mais úteis e se ocorreram modificações de comportamento. Essa função visa escolher as melhores alternativas na solução dos problemas que possibilitem o aperfeiçoamento do desempenho individual e organizacional. projeções. passados seis meses. após um ano. para posteriormente observar a realização e comparar os resultados. é bom que se tenha um registro da situação e necessidades antes de iniciar o curso. O treinamento deve ser ministrado pelo chefe imediato. De qualquer forma. AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO . em seguida. Daí a necessidade de verificar se os objetivos e os conteúdos correspondem às necessidades do serviço. é preciso investigar e realizar um diagnóstico da situação. por um indivíduo especialmente designado. estágio supervisionado. c) Função de pesquisa Trata-se. A última etapa do processo de desenvolvimento é uma decorrência da etapa anterior que consiste na avaliação do treinamento. aprendizagem por observação. Ou seja.demonstração. a fim de confirmar sua validade ou ainda. método do caso. palestras e aulas. cursos internos e externos. 8. após o retorno ao trabalho. Assim. de procurar conhecer problemas e.

McCormick citado por Gonçalves2: “a avaliação de desempenho é uma avaliação sistemática de empregados feita por seus supervisores ou outros que estão familiarizados com seu desempenho de trabalho”. O treinamento é importante para se obter o melhor desempenho no trabalho. visando medir a capacidade de desempenho do funcionário nas funções exercidas e as responsabilidades que caracterizam o cargo que ele ocupa. sistemática. aproveitar melhor o potencial humano. se foi bom. É importante ressaltar a afirmativa de Tiffin. Aliás. a avaliação é direcionada mais para os resultados do que para as causas comportamentais do empregado. estar treinado para avaliar. O principal objetivo da avaliação de desempenho é conhecer. então. Deve ser acompanhado de uma constante avaliação do trabalho. não é fácil avaliar. objetiva e profunda. formando um tríplice papel no processo avaliativo: a) O avaliador deverá: conhecer seu subordinado. readaptar o profissional. b) O avaliado deverá: ter pleno conhecimento dos critérios adotados. verificar resultados. avaliar? A avaliação não deve ser superficial. manter a administração informada sobre fatos importantes. a fim de: melhorar o desempenho. manter objetivos prefixados bem definidos. esporádica e subjetiva. Além desse objetivo elementar e prático. . falta sistematização. porém. regular ou deficiente. mas sim. porque falta o preparo adequado para quem avalia. isso por si só não basta. a avaliação de desempenho abrange três aspectos básicos. desenvolver o pessoal.Quem gerencia recursos humanos deve ter uma preocupação constante com o desenvolvimento dos seus funcionários. facilitar o progresso do funcionário na instituição. Além disso. muitas pessoas sentem necessidade de conhecer seu desempenho. fornecer bases para o futuro planejamento. Como. objetividade e comunicação. fornecer subsídios que determinem a necessidade de treinamento. melhorar as relações humanas no trabalho. caracterizar o grau de dedicação do empregado. No entanto.

postura física. de acordo com as características de cada tarefa. capacidade de relacionamento com o paciente e/ou familiares. criatividade. características da personalidade. esforço exigido). Além de tudo o que foi apresentado. propõe quatro fatores de avaliação a serem utilizados: quantidade de trabalho. deverão ser considerados os seguintes aspectos: iniciativa. Quanto às características de personalidade. que podem ser: . resta ainda mencionar os muitos sistemas de avaliação. ter respeito pela pessoa humana. a quantidade de trabalho que poderá ser apreciado segundo o seu volume (produtividade. aceitação de orientação. evitar julgamentos estereotipados. organização no serviço e disponibilidade para o trabalho. as características da função exercida. uma significação para cada fator considerado. quando houver relação com alguma unidade de tempo. rapidez. responsabilidade. comunicação oral e escrita. conforme a situação exercida pelo funcionário no cargo que ocupa na organização. hora. pontualidade. dia. evitar os erros.aceitar a avaliação. conduta formal. portanto. quando possível. assiduidade. não pensar em termos de “tudo ou nada”. conhecimento de procedimentos. tanto da “compaixão” quanto do “meio termo”. participar ativamente do processo. Naturalmente cada um desses fatores deverá ser considerado de maneira adequada. c) O trabalho feito naquele momento. evitar a “generalização”. Há. semana. cujos critérios serão diferenciados. por último. mês. lembrar alguns princípios que devem ser seguidos na avaliação. O avaliador deve analisar como ponto de partida. avaliar o desempenho. o perfil do ocupante. fazer a avaliação comparativa. de acordo com Mezomo5: ter clareza a respeito dos fatores com relação aos quais o empregado será avaliado. além de outros. capacidade de liderança. segundo o nível hierárquico do cargo. qualidade do trabalho. Procurando sistematizar o processo. Importa. Serson citado por Gonçalves2. Em seguida. capacidade de trabalhar em equipe. avaliará a qualidade do trabalho.

Antes de iniciar a entrevista. d) Auto-avaliação do funcionário. solicitando esclarecimentos. esclarecendoos com exemplos concretos. propriamente dita. b) Instruções: são todas as informações necessárias ao preenchimento da ficha de avaliação. Outro momento importante no processo de avaliação é a entrevista. um programa de auto-aperfeiçoamento. e) estar atento a detalhes importantes. devem ser observados alguns critérios. De acordo com Maudonnet4. A ficha. os pontos negativos. o entrevistador deve reunir todos os elementos necessários a respeito do funcionário e estudar sua ficha individual. que deverá conter. c) Conceitos que serão assinalados. colocar-se à sua disposição para ajudá-lo em seu autodesenvolvimento. c) Observação direta do supervisor. no decorrer da entrevista. g) registrar todas as informações. poderá ser montada de várias formas. É interessante observar a confecção de um instrumento de avaliação. cujos objetivos principais são: estabelecer melhores relações de trabalho. b) apresentar primeiramente as boas qualidades. basicamente: a) Identificação: trata-se de identificar a pessoa avaliada. planejar. c) apresentar. discutir as áreas em que o desempenho pode melhorar. reconhecer o bom desempenho dos funcionários e incentivá-los a melhorar ainda mais. tais como: a) Perguntas em aberto. em clima favorável e de forma objetiva. d) estar pronto para ouvir todos os esclarecimentos do avaliado. cumprimentando-o pelo esforço. tais como: a) esperar que o funcionário estivesse pronto para conhecer seu desempenho. Para a entrevista atingir seus objetivos. f) dar atenção às reações do avaliado. b) Frases relativas ao desempenho. desenvolvê-lo para funções mais elevadas. b) Preenchimento da ficha de avaliação. deve ser planejada e preparada cuidadosamente.a) Entrevista. a fim de orientar e esclarecer acerca dos objetivos do processo. com o avaliado. definindo-se um roteiro com as principais perguntas que se pretende fazer e as questões que serão discutidas. .

Por exemplo. 2. muitas dificuldades.Não se pode dizer. Em conclusão. a fim de melhorar a qualidade do trabalho. o entrevistador é o responsável pela condução do processo. Quando o gerente age de modo construtivo. . A avaliação do desempenho de pessoal deve ser uma preocupação constante da administração do serviço de enfermagem. RESUMO 1. a entrevista é considerada o ponto chave para provocar mudança de comportamento e encorajar o desejo do auto-aperfeiçoamento. no sentido de realizar os maiores esclarecimentos possíveis. A Lei n. 4. regulamenta o exercício da profissão de Enfermagem. A Resolução COFEN-293 estabelece parâmetros para dimensionamento do quadro de profissionais de Enfermagem nas instituições de saúde.º 7. determinando as funções e atribuições de cada categoria profissional. A escala de serviço é a representação tabular do escalonamento programado de períodos em que o servidor estará desenvolvendo suas atividades e de períodos de folgas no decurso de um mês. emociona-se com facilidade ou é muito sensível a críticas. que a entrevista se desenvolve num clima de tranqüilidade e harmonia. todavia. Por esse motivo. de 25 de junho de 1986. havendo às vezes. 3. pode-se afirmar que o êxito da entrevista resulta numa mudança de atitudes no avaliado. o funcionário aceita sua orientação e busca apoio para o seu desenvolvimento. o funcionário discorda de tudo. baseados na legislação trabalhista e nas normas institucionais. Sua elaboração obedece a alguns princípios legais. No entanto.498.

2. J. CHIAVENATO. 1971. 1981. São Paulo: CEDAS. 4º Bimestre. Ago. 1977. Administração de recursos humanos nas instituições de saúde. 22 – 31. p. 9.º 7. n. Explique a necessidade de treinamento como função de desenvolvimento. 2. 11. Rio de Janeiro: Cultura Médica. EL. São Paulo: LTR. Cálculo de pessoal de enfermagem: estudo de dois métodos. v. São Paulo: CEDAS.. 4. 5. p. O que é avaliação de desempenho? 12. O que compete ao enfermeiro. MARTINS. de acordo com a Lei n. Quais as qualidades que o administrador deve possuir na gerência de pessoal? 7. 10. 9. n. 105 – 114. Enf. 1983. A lei do exercício da enfermagem. ABC. Esc. 8. Quais os principais objetivos da avaliação de desempenho? 13. . 1987. Rev. 10. p. MEZOMO. BIBLIOGRAFIA 1. R. I. SERSON. 10. Explique a função de procura. Administração de recursos humanos no hospital.137 – 54. Administração de pessoal nos hospitais. O serviço de enfermagem: organização e administração. 3. 112-3. Quais as atribuições do enfermeiro na gerência do pessoal de enfermagem? 8. Que princípios o administrador deve observar na gerência de pessoal? 3.498/86? 2. s/d. Quais os direitos e deveres do profissional de Enfermagem? 6. 293. Resolução COFEN-293/2004. v. São Paulo: Pioneira. JC. p. 6. 7. 1986. SANTOS. Cite e explique as categorias de pacientes por complexidade assistencial? 5. 26. USP. Curso básico de administração de pessoal. Administração hospitalar. MLR. RIBEIRO. Mencione os critérios que devem ser observados no transcorrer de uma entrevista. O que é Sistema de Classificação de Pacientes – SCP? 4.QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO 1. 1988. Administração de pessoal. GONÇALVES. 40. SR. 1992. São Paulo: FENAME. Apostila do curso de administração hospitalar para graduados. Revista Hospital – Administração e Saúde. MAUDONNET. p. Explique a função de pesquisa.

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encontros e seminários de enfermagem. Todavia. menor serão os custos de produção”. Os manuais de administração também têm contribuído para uma ampla divulgação do termo qualidade. durante todo o processo de trabalho. Deming pregava uma teoria estranha: “quanto maior for a qualidade. Na verdade. Ou seja. Em 1950. sobretudo. simpósios. Foi durante a 2ª Guerra Mundial que teve oportunidade de aplicar. a convite de um grupo de cientistas e engenheiros. Em 1947. para realizar o que foi prometida ao cliente. Nesse sentido. É aqui onde a qualidade pode caracterizar-se como um elemento importante. Mas. Sua busca deve ser feita através das pessoas. pensar no cliente. as pessoas podem produzir melhor quando não se sentirem coagidos a .Administração aplicada à enfermagem 1. acabem com a administração por objetivo (APO). voltou ao Japão com a missão de “reconstruir” o país. ensinar e desenvolver suas teorias. o conceito de qualidade é muito subjetivo e depende particularmente da mentalidade das pessoas e da sua percepção de qualidade. A busca dessa qualidade deve ser feita passo a passo. afirma que qualidade é “satisfação (do cliente) e ausência de defeitos”. Por isso. num quadro-negro. Pode-se afirmar que a cultura da organização é capaz de influenciar tanto na teoria quanto na prática da qualidade do serviço ou da produção. nascido nos Estados Unidos em 1900. CONCEITOS DE QUALIDADE Sérgio Ribeiro dos Santos O tema qualidade é hoje um dos assuntos mais comentado nos congressos.consumidor). viajou ao Japão para planejar o Censo Japonês. “é sentir orgulho do que se faz”. Edwards Deming. A qualidade tem sua origem nos ensinamentos do professor W. Segundo Deming. e não apenas na inspeção final. como a parte mais importante do processo de produção13. Finalmente. Desenhou. o que vem a ser “qualidade”? Juran citado por Mezomo9. qualidade significa conformidade e adequação com relação ao que o usuário ou cliente espera. A qualidade exige uma mobilização interna organizada e sistemática. deve haver uma recíproca satisfação (organização . com menor margem de desvio e com maior eficácia5. para Chiavenato5. Deming não foi reconhecido no seu país. O trabalho seguinte foi feito com 21 dos maiores empresários japoneses. as avaliações individuais de desempenho são instrumentos desagregadores dos grupos nas empresas. é “conformidade com as exigências (e expectativas) do cliente”. São suas as seguintes idéias: é preferível o trabalho em equipe ao individual. é necessário criar uma nova mentalidade de trabalho que atenda as necessidades do cliente. o usuário ou cliente é o elemento que mantém a relação de interdependência com a organização e representa a resposta afirmativa ou negativa da qualidade do produto ou do serviço que recebe. Para Crosby. um fluxo que ligava o fornecedor ao consumidor e convenceu-os de que sua responsabilidade era agregar qualidade à matéria-prima e.

9. ele ainda pode ser aperfeiçoado 13. uma interdependência de tarefas. 10. cada funcionário executa uma etapa do trabalho que se complementa existindo. Entende-se por cliente todas as pessoas de dentro e de fora da organização. ao invés de chefes. Instituir um sólido programa de educação e aperfeiçoamento. 3. 14. 2. b) A administração da qualidade está centrada no cliente. O Japão hoje é um país com avançada tecnologia e economicamente forte. Cessar a prática de avaliar as transações com base nos preços. na conjuntura japonesa que floresceu e produziu resultados. 7. persigam o aperfeiçoamento constante. Adotar a nova filosofia: qualidade. Instituir a liderança. Instituir o treinamento em serviço. por melhor que esteja um processo. Ou seja. Remover as barreiras ao orgulho da execução. onde o paciente é assistido por uma equipe multiprofissional. além dos médicos. Estabelecer a constância de finalidades para melhorar o produto e o serviço. fomentem o orgulho pelo trabalho bem feito. eliminem o medo no trabalho: o medo de se acidentar. enfermeiros e demais funcionários (clientes internos). precisa-se de líderes. através de medidas que atendam as necessidades dos clientes. por exemplo. 6. são clientes os pacientes e seus familiares (clientes externos). tanto no nível externo quanto no interno. Assim. exortações e metas para os empregados. 2. Aqui estão os 14 pontos do Método Deming de administração: 1. de forma permanente. 12. 5. . se cada elemento do processo produtivo melhorar a qualidade do seu trabalho. sem armas ou bombas. Eliminar as barreiras entre as áreas e o meio. No hospital. Afastar o medo. 11. 8. Agir no sentido de concretizar a transformação. será obtido a qualidade desejada. Isso se aplica também aos serviços de saúde. Melhorar constantemente o sistema de produção de serviço. Acabar com a dependência da inspeção em massa. portanto. quebrem as barreiras entre os escalões hierárquicos e paredes que separam as pessoas. Eliminar slogans. 4. o medo de errar e o medo de ser demitido. Daí a necessidade de se trabalhar com qualidade. As teorias de Deming provocaram uma verdadeira revolução. 13. Eliminar as cotas numéricas. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA QUALIDADE a) O trabalho produtivo realiza-se através de processos.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos alcançar metas.

Todavia. O envolvimento é um processo de transformação da cultura organizacional para utilizar a energia criativa de todos os funcionários na solução dos problemas e na obtenção de melhorias. em termos de qualidade. Trata-se de um processo demorado. Nem se quer percebem a diferença de cuidados prestados entre o . (e) Os clientes nem sempre são informados sobre as distinções do pessoal de enfermagem. O envolvimento das pessoas precisa ser bem entendido. (d) A enfermagem é uma profissão eminentemente feminina. Se algum membro da equipe de enfermagem não se envolver com a busca da qualidade. 3. o cliente é assistido por fragmentos da enfermagem que precisam estar em consonância com a visão de qualidade na assistência de enfermagem. Assim. Se cada indivíduo estiver consciente da importância da qualidade do seu trabalho para o bem – estar do cliente. (c) A enfermagem está presente. mas por dezenas de pessoas que vão constituir o sistema de saúde. (b) A enfermagem é uma das profissões da área de saúde que apresenta uma variedade de categorias no seu quadro funcional: auxiliar de enfermagem. o processo de trabalho estará comprometido. por exemplo.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos c) O envolvimento das pessoas na execução do trabalho com qualidade. QUALIDADE EM SERVIÇO DE ENFERMAGEM O serviço de enfermagem tem características próprias que o distinguem dos outros serviços no hospital. em plena atividade no hospital. durante 24 horas. onde as pessoas precisam ser treinadas e encorajadas a adotar a nova cultura de melhoria continuada11. o paciente não é assistido apenas por um profissional. O processo de melhoria da qualidade exige participação integral de todos os componentes da organização. Dentre estas características próprias. Cada nível de função tem sua competência estabelecida na lei do exercício profissional. Esta característica favorece as taxas de absenteísmo e de rotatividade. No hospital. qualidade não se faz isoladamente. Todavia. pode-se ter a melhoria da qualidade de um hospital. o que torna o trabalho da enfermagem bastante complexo e singular. embora seja uma prática comum nos serviços de saúde. técnico de enfermagem e o enfermeiro. devem ser levadas em consideração as especialidades da equipe de enfermagem. Portanto. podem ser citadas as seguintes: (a) O objetivo da enfermagem é cuidar do paciente na sua dimensão biopsicossocial em todos os níveis de cuidados. deve ser pensado e tratado de forma diferenciada.

essa mudança de atitude não se consegue em curto prazo. por que eles são o maior patrimônio da organização. qualidade é uma melhoria contínua do trabalho e não tem limites nem fronteiras para o aprimoramento das ações. com ou sem touca. Para a maioria deles. 4. É um trabalho essencialmente educacional. qualidade faz parte da ética. “qualidade é um ato educativo”. ou seja. é uma “enfermeira”. qualidade faz o profissional sentir orgulho de superar-se a cada dia. qualidade é trabalho bem feito e satisfação do paciente. deve valorizar a criatividade e a inovação em todos os níveis. segundo sua função. IMPLANTAÇÃO DA QUALIDADE TOTAL NO SERVIÇO DE ENFERMAGEM A implantação do programa de qualidade total em qualquer serviço de uma organização exige uma imediata aceitação e compromisso da administração superior. percebe-se que é preciso trabalhar o pessoal de enfermagem com habilidade e liderança. voltada para a participação e a responsabilidade coletiva. potencializando os recursos humanos existentes.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos pessoal da equipe de enfermagem. As razões são simples: qualidade é um compromisso profissional. qualidade é um ato de sensibilidade e respeito pelo paciente. Todavia. . a fim de ser seguida por todos os subordinados. para a busca de um aperfeiçoamento contínuo dos integrantes da organização. flexibilidade nos planos e objetivos. A administração deve focalizar o aprimoramento nos processos e no cliente ou usuário do serviço – a luz da qualidade está focalizada no binômio processo/cliente. qualquer mulher de branco. priorizando as ações que efetivamente contribuam para o desenvolvimento da qualidade. A mudança de mentalidade deve iniciar-se no nível mais elevado da organização. Todos os profissionais da saúde precisam se engajar nessa nova mentalidade de fazer saúde com qualidade. Logo. Nesse sentido são necessárias algumas estratégias: promover cursos de aperfeiçoamento em todos os níveis e envolver cada servidor da organização. a enfermagem não está isolada do sistema hospitalar. Aliás. No serviço de enfermagem o paciente é o objetivo de ser da profissão. Essa perspectiva exige uma nova administração. a fim de que cada etapa contribua para a qualidade final. Diante do exposto. é a razão de ser da qualidade e a essência do trabalho da enfermagem e da organização. redesenhar o processo de trabalho.

Por isso. desenvolver nas pessoas a idéia de que elas são capazes de melhorar o trabalho diariamente. capacidade de mudança. 5. liderança. antes de qualquer coisa. redefinir o papel do enfermeiro na assistência e na gerência dos serviços de saúde. providência que contribuiria para elevar a produção da organização. Portanto. o paciente não é atendido apenas pelo médico. capacidade de ouvir. fortalecimento dos empregados. a qualidade total é o novo paradigma da administração. deve-se pensar num trabalho de parceria e cultivar o espírito de equipe. um desafio para a categoria. Sérgio Ribeiro dos Santos promover estímulos e recompensas às descobertas de erros e problemas que comprometem a qualidade final do trabalho. humildade. tem causado constrangimentos e frustrações.Administração aplicada à enfermagem controlar o desperdício. busca de novos padrões. conhecimento do pensamento estatístico e das ferramentas de controle. criatividade e inovação permanentes. a busca da produtividade em enfermagem é. Todavia. BUSCA DA PRODUTIVIDADE COM QUALIDADE A produtividade é hoje tema obrigatório nos eventos de enfermagem. o administrador de cuidados ou serviços de saúde precisa possuir algumas características: conhecimento claro do significado de qualidade e da importância dos clientes. É importante esclarecer que a implantação do processo de qualidade total em qualquer organização exige tempo. Afinal. Mezomo10. persistência e dedicação. paciência. mas por toda uma equipe multiprofissional. Por outro lado. Segundo. Em se tratando de serviço de saúde. . apoio ao desenvolvimento da qualidade e conhecimento dos instrumentos de sua monitoração. no tocante ao redesenho do processo e à busca continuada da melhoria do trabalho. a resistência da administração superior em remunerar o enfermeiro nas atividades de atendimento e cuidados de enfermagem. a grande polêmica está na definição de instrumentos que meçam quantitativamente o trabalho da enfermagem. Essas características associadas com algumas estratégias são fundamentais para os preparativos da mudança organizacional.

o programa de produtividade deve utilizar um conceito mais . gerar satisfação no trabalho15. Essa questão. não pode por si só tomar medidas isoladas. O programa de produtividade com qualidade somente alcançará resultados satisfatórios se for implantado num clima de mútua confiança e reciprocidade. b) Desenvolver um ambiente de ampla participação. Uma ação conjunta é vital para o envolvimento das pessoas e a criação de um clima organizacional que possibilite a remoção de vícios e elimine a resistência às mudanças. a fim de interagir o trabalhador com a empresa no propósito de melhorar a qualidade da prestação do serviço de saúde e. Nas organizações hospitalares. Assim. d) Desenvolver a criatividade e o espírito de inovação. A produtividade deve ser avaliada e mensurada por indicadores numéricos. as relações de trabalho precisam ser gerenciadas sob a perspectiva dos fatores produtores de motivação. a) Desenvolver uma ação conjunta com todo o hospital ou serviço de saúde e todo o pessoal de enfermagem. apesar de ser muito importante para a enfermagem. c) Desenvolver um clima de confiabilidade e reciprocidade. É a busca contínua da melhoria do trabalho e isso implica muitas vezes em fazer as coisas de maneira diferente. Isso significa produzir com qualidade. algumas considerações podem ser feitas. e) Desenvolver indicadores para a avaliação dos resultados. é indispensável à descentralização da autoridade. o paciente é o núcleo das atenções. Todavia. enquanto a eficácia com os resultados alcançados.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos O incentivo da produtividade é uma forma de remunerar o trabalho do profissional que consegue fazer mais e melhor com cada vez menos. através da consulta às pessoas envolvidas nas formulações de objetivos e metas a atingir. se eficiência é a relação entre a produção e os resultados alcançados. A parceria entre a alta administração da organização com o corpo clínico e técnico é fundamental para legitimar o programa de qualidade. Segundo Chiavenato5. no desenho do cargo e tarefas e na própria formulação do programa de melhoria da produtividade. Segundo Chiavenato5. Daí a necessidade de elaborar-se um instrumento que seja aceito por todos de maneira participativa e consensual. A produtividade com qualidade depende muitas vezes de soluções novas. Porém. no sentido de se desenvolver um programa de produtividade com qualidade. f) Desenvolver o processo produtivo com eficiência e eficácia. da criatividade e da inovação. A busca da produtividade com qualidade não deve ser uma preocupação apenas da enfermagem. na participação. A enfermagem é um componente muito importante no sistema. é pouco discutida no Brasil. mas de toda organização. portanto. pois corre o risco do insucesso e do não reconhecimento. As decisões devem ser tomadas no ponto mais próximo da ação. A eficiência está relacionada diretamente à atividade.

delicadeza. o que proporciona satisfação ao cliente hospitalizado. a continuidade dos cuidados intra/extra – hospitalares. uma adequada comunicação “enfermeiro – paciente”. A busca de uma maior produtividade no serviço deve vir acompanhada da qualidade. a qualidade dos serviços de apoio clínico. com a menor margem de desvios ou erros e com a maior eficácia. Nos cuidados de saúde. a periodicidade das visitas. os cuidados de enfermagem (em termos de competência. . pode-se afirmar que qualidade é uma questão de mentalidade e de cultura. a preocupação com a qualidade visa melhorar a assistência ao paciente e as condições técnicas de tratamento com menor índice de permanência hospitalar. A busca deve ser feita através das pessoas e em todos os níveis e interdependências. cada pessoa dentro da organização é responsável direto pela satisfação do usuário ou cliente. A efetividade relaciona os recursos inicialmente aplicados com os resultados finalmente alcançados. as expectativas atendidas (em termos de atenção. pois exige uma mobilização geral e sistemática das pessoas para realizar o que foi prometida ao cliente. segurança. podem ser destacados os seguintes: o nível dos resultados obtidos com o tratamento. O gerente deve investir pesado no seu ativo fixo – os recursos humanos. Nesse sentido. a competência técnica da equipe de saúde. organização e disciplina). clareza nas informações). um ambiente limpo e higiênico. além da qualidade dos cuidados recebidos pela equipe de saúde? Dentre outros aspectos. A qualidade deve ser considerada como a adequação e a conformidade na relação com o usuário ou cliente e suas expectativas. a utilização de tecnologia avançada (como auxiliar no diagnóstico e tratamento das enfermidades). É aqui onde a qualidade tem sua importância. A qualidade é um compromisso de todos em benefício do cliente.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos abrangente – o da efetividade – que constitui o somatório da eficiência e da eficácia. Portanto. alimentação variada e de boa qualidade. Mas. pronto atendimento. resultando em satisfação do usuário.

que é a prestação de uma assistência à saúde realmente com qualidade. o número de ocorrências adversas. a maior satisfação dos funcionários e da equipe de saúde. o nível de comprometimento das pessoas com o trabalho e sua qualidade. médicos. a maior rentabilidade e participação no mercado. COMO MEDIR A QUALIDADE? A preocupação com a qualidade provoca algumas questões que permitem uma resposta definitiva: a instituição está ou não oferecendo qualidade? A resposta a essa questão não suscita apenas uma mera formulação teórica do tipo sim ou não. enfim a sociedade). fornecedores. Pode-se citar por exemplo: a eficiência nos resultados para o paciente. Na verdade. a taxa de mortalidade. 6. a qualidade pode e deve ser medida e mensurada. O esforço em melhorar a qualidade nos cuidados de saúde traz uma série de benefícios para o usuário. a taxa de infecção hospitalar. Assim. o nível de preenchimento do prontuário do paciente. a maior produtividade com menor custo operacional. o resultado da revisão de óbitos. comprometida com a qualidade e a satisfação do usuário e do seu pessoal. . familiares. podem-se mencionar alguns indicadores que irão auxiliar na busca da qualidade: a média de permanência. funcionários e para a própria organização. funcionários. ou seja. a fim de selecionar e priorizar elementos que sejam expressivos para o objetivo final.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos uma administração competente. a eficiência nos processos de trabalho. a satisfação do cliente. a confiabilidade no manuseio de dados para avaliação e monitoria do processo de trabalho. É importante lembrar que esses indicadores devem ser considerados sempre em termos de resultados final desejado. o tempo de espera do paciente para ser atendido. é necessária a participação de todas as pessoas que fazem parte do sistema de saúde (usuários. a qualificação do quadro profissional. Assim.

em virtude da necessidade de se melhorar continuamente a qualidade dos cuidados de saúde e reduzir os custos dos serviços. traz muitas vantagens: elimina a mentalidade dos nós contra eles. Aliás. permite a solução dos problemas logo que surgem. fato que possibilita superar o medo e encorajar a experimentação e a cooperação. desenvolve a capacidade de autogerência e as habilidades de liderança. incentiva a criatividade e a inovação. criando um sentido de missão e fortalecendo a confiança. pela cooperação e pelos objetivos comuns. segundo Mezomo11. Isso só é possível quando se cria um ambiente democrático. ajuda as pessoas a entender os princípios da qualidade. aumenta o ânimo e o compromisso dos funcionários. através de um comportamento de liderança que possibilite o envolvimento e comprometimento da sua equipe com a melhoria continuada do trabalho. o enfermeiro deve estar aberto para enfrentar o que é bom e o que é mau. O envolvimento dos funcionários é o modelo organizacional dominante nas empresas líderes mundiais em qualidade. Portanto. são evidentes a necessidade de serem tomadas medidas capazes de motivar as pessoas a trabalharem com qualidade e eficiência. o envolvimento das pessoas pode transformá-las em elementos capazes de identificar problemas e de assumir responsabilidades que antes eram atribuídas apenas ao gerente do serviço de enfermagem. Assim. Uma atitude democrática gera confiança entre as pessoas. onde o funcionário possa expressar abertamente. Trata-se da vontade e do desejo dos integrantes da organização de se engajarem entusiasticamente nas mudanças comportamentais exigidas para melhorar a qualidade dos serviços. democratiza a solução dos problemas. inserindo-as na cultura corporativa. O papel do enfermeiro na função de gerente de serviço é o de harmonizar as necessidades individuais e organizacionais. O envolvimento das pessoas.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Portanto. substituindo-a pela confiança. aumenta a qualidade e a produtividade. . as soluções para os problemas que vêm ocorrendo. e sem medo de represália. que são a fonte da competitividade. é certamente mais fácil mudar a cultura organizacional pelo envolvimento das pessoas do que através de palestras e exortações de um líder.

Edição comemorativa dos 25 anos do Coren . Neste pensar. o sentido filosófico do processo de melhoria contínua da qualidade na assistência à saúde está relegado a um plano indefinido de prioridade pelas autoridades competentes. qualidade na área de saúde tem uma conotação diferente que vai além da mera satisfação do cliente. Criaram-se modismo e propaganda com o programa de qualidade nos hospitais. para o respeito e para a valorização do outro. Todos os profissionais de saúde são responsáveis direta ou indiretamente por oferecer ao paciente uma assistência com dignidade e humanidade e que lhe garanta o direito constitucional à saúde e à vida. Na concepção de Mezomo9. com a finalidade de se mensurar o potencial do trabalhador em todos os serviços. As mudanças e os avanços tecnológicos que vêm ocorrendo na área de saúde estão exigindo de cada profissional ação cada vez mais firmes e sintonizadas com o despontar do novo milênio. Isso significa cuidados globais e polarizados no paciente. ou seja. Todavia. graças a um trabalho de equipe. Participação dos autores Iolanda Beserra da Costa Santos. Eduardo Sérgio S. Todavia. pois seu significado é variável de acordo com a visão do observador. com o propósito de transformar e/ou mudar suas organizações. mas de definição complexa.Administração aplicada à enfermagem 7. a fim de conduzir a questão saúde de forma integrada numa visão holística do homem. O que se tem observado é que o princípio da satisfação do cliente para se conceituar a qualidade encontra-se cada vez mais distante da realidade. Souza e Solange Fátima Geraldo da Costa. Assim. procurando torná-los mais eficientes no atendimento à população e preocupados em oferecer um serviço digno ao cidadão cada vez mais exigente de seus direitos. Trabalhar a qualidade implica proporcionar satisfação ao cliente interno e externo. Artigo publicado na Revista Temas em Saúde. humanizar o hospital é fazer progredir a “qualidade de ser” e a “qualidade de vida” dos que ali trabalham ou ali permanecem. a concepção de qualidade nos serviços de saúde foi maciçamente empregada. Entende-se que a interligação qualidade e humanização da assistência em saúde são de tal ordem. que não se podem dissociar esses termos. a equipe de saúde tem o compromisso de implementar ações para uma assistência de qualidade. Malik4 destacam qualidade do atendimento como um conceito simples. significa o ato de cuidar o ser paciente holisticamente. o propósito desse artigo é pontuar algumas reflexões teóricas sobre a participação dos profissionais de saúde. no que concerne à humanização da qualidade dos cuidados do ser paciente no cenário hospitalar. HUMANIZAÇÃO DA QUALIDADE NO HOSPITAL∗ Sérgio Ribeiro dos Santos Nos últimos anos. A “qualidade de ser” significa disposição para escuta. através da busca contínua do conhecimento e do aperfeiçoamento disponibilizado pela tecnologia. com sua colaboração.PB. Burmester. ∗ .

ao ingressar no hospital para internação. gerando conflito. humanização implica uma política administrativa integrada e permanentemente centrada na assistência personalizada e sistemática. um silêncio. de maneira a obter eficiência e maior benefício para saúde de seu paciente4. Assim pode ser vista como prática efetiva da qualidade. garantem um cuidado profissional com sentimento e emoção. que passa a envolver o novo ambiente em que o indivíduo irá conviver. qualidade e humanização caminham juntas. tecnológica. em geral. com uma mão estendida. de incertezas e de insegurança. o processo de adaptação à nova realidade pode ser difícil. precipita reações de medo do desconhecido e.1 Humanização no hospital e sua equipe de saúde Humanização. a orientação na despedida. no momento oportuno e de acordo com os recursos disponíveis. Dependendo do nível sócio-cultural e experiência de vida de cada pessoa. reduzir a existência de culpados e oferecer ao doente um tratamento apropriado a cada caso. as dúvidas e as informações esclarecedoras. para que possa aferir resultados satisfatórios e significativos ao atendimento individual e coletivo.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Cada pessoa possui expectativas diferentes e por vezes conflitantes em relação ao desconhecido. um sorriso de apoio e otimismo. o “profissional ideal” combinaria toda a seqüência no serviço. Para isso. A humanização da assistência à saúde não deve ser confundida como um marketing para mostrar que se faz qualidade no hospital. em sua estrutura física. um olhar de amizade e de confiança na assistência à saúde. Em todos os casos é uma experiência difícil. tendo como objetivos diminuir a oportunidade de erros. promovendo o indivíduo enfermo como sua figura mais importante. mas sim. uma lágrima que enxuga na face do paciente. Há uma ruptura brusca dos laços sociais. o ser humano precisa voltar-se sobre si mesmo e descobrir seu modo-de-ser-cuidado3. Hospital humanizado é aquele que. todo indivíduo doente. numa filosofia de ação solidária que deve estar sempre presente em qualquer empresa. garantindolhe um atendimento de elevada qualidade. sente um grande choque pela mudança de seu estilo de vida. o compartilhamento e a solidariedade. em que se procura superar as expectativas e necessidades do cliente. significa “tudo quanto seja necessário para tornar a instituição adequada à pessoa humana e à salvaguarda de seus direitos fundamentais”. e isso reflete . familiares e até espirituais. Na realidade. Além do mais. Dessa forma. mediante uma forma diferente de entendê-lo e de realizá-lo. possibilitando ao profissional adaptar-se às transformações concernentes ao mercado de trabalho. envolvendo toda a equipe de saúde. colocando-se a serviço da mesma. humana e administrativa. 7. O resgate do cuidado não se faz à custa do trabalho. Portanto. valoriza e respeita a pessoa. inclusive no hospital. A atitude do trabalhador. segundo Mezomo9.

explicar-lhe o horário de visitas. A equipe de profissionais que presta assistência ao doente pode ajudá-lo direcionando suas ações para um cuidado personalizado. na perspectiva humanística do hospital. apresentando-se. em geral. necessita de cuidado especial quanto ao atendimento e acolhimento. A família. Pensa que o caso do seu doente é o único e. é tão importante quanto o tratamento técnico que se oferece ao paciente. de forma calorosa e amigável. sobretudo em determinadas especialidades que estão mais presentes no ato de cuidar. confortar. sem demonstrar pessimismo em relação ao seu estado e tratamento. servir as refeições. reação natural de qualquer pessoa. a fim de se esclarecer possíveis dúvidas que provoquem insegurança no decorrer da hospitalização. enfim. Promover um ambiente terapêutico que mantenha o equilíbrio motivacional da pessoa. até o setor de internação e de alta. conversando. . Garantir-lhe apoio moral. informando acerca dos cuidados com a saúde. Tomar a iniciativa de se aproximar do paciente.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos nos profissionais de saúde. demonstra temor para enfrentar um resultado negativo em relação ao prognóstico de seu parente. por exemplo: Estar atento às preocupações do paciente ou familiar em qualquer eventualidade. A internação traz muita insegurança. usando as habilidades técnicas do ato de cuidar. os profissionais de saúde devem estar conscientes de que o serviço existe em função dos seres humanos. A beneficência precisa ser resgatada nesse terceiro milênio na equipe de saúde. o ser paciente deve merecer uma orientação personalizada da equipe que o assiste e deve ser iniciado. Mostrar suas acomodações. por essa razão. como escrever uma carta para alguém necessitado. numa dimensão humanística. executando atividades simples. A qualidade. Nesse sentido. a equipe de saúde deve. pois eles estão no âmago de todas essas circunstâncias. compreensão e explicações detalhadas. abordando aspectos. Nesse contexto. direitos e deveres do acompanhante e recomendações peculiares. animar e assim por diante. desde o primeiro contato na recepção. prestar-lhe todas as informações e esclarecimentos necessários. Ou seja. como: normas hospitalares. Manter um clima harmonioso entre todos os componentes da equipe. Nessa perspectiva. nos familiares e na sua recuperação. de acordo com a necessidade de cada pessoa. o paciente e sua família.

As pessoas que estão doentes são muito vulneráveis e atentas ao que os profissionais de saúde falam. Além disso. um aceno de mão. procedimentos básicos como um simples olhar. de forma horizontal. a qualidade da assistência não depende apenas da execução de ações e técnicas bem planejadas. Assim. intenções. mas pensamentos. emoções. Na concepção de Silva16. uma palavra. Se o paciente perceber que está incomodando muita gente e sentir a sensação de medo ou insegurança quando o profissional de saúde se aproxima dele. rejeição ou alheamento. considerando a comunicação verbal apenas um terço do que está acontecendo nas relações interpessoais. olhares. Todas as outras formas de comunicação não verbal: cinética. expressões.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Nessa perspectiva. também. não só palavras. é preciso entender de que forma vamos abordar o cliente. de um sentimento de empatia. não possam estar permanentemente ao seu lado. Ferreira7 acrescenta que é a capacidade de trocar ou discutir idéias. persuadir. de dialogar. com vista ao bom entendimento entre pessoas. quando pensamos em comunicação e qualidade. mas. Em outras palavras. fatos que dificultam a sua recuperação e comprometem a qualidade do serviço.2 A comunicação como estratégia para a humanização da qualidade na assistência à saúde A comunicação é um ato intrínseco ao existir humano. porque implica a troca que nós fazemos com as pessoas e isso envolve. territoriedade também . Antes do nascimento já transmitimos e recebemos mensagens do mundo. de forma que. prestarem bastante atenção ao comportamento de quem transmite a comunicação. A atitude e atuação dos profissionais de saúde em relação ao paciente são fundamentais para ele superar a situação em que se encontra. Sua função consiste em informar. a comunicação é fundamental no processo de humanização da qualidade. um gesto e o respeito são ferramentas valiosas no processo terapêutico. o paciente possa sentir-se acolhido e não abandonado. É esse um momento muito propício para assimilarem qualquer recomendação. posturas corporais. toque. porque o entendimento é muito complexo entre um e outro e não porque estamos falando algo diferente. 7. é válido ressaltar que o indivíduo deve estar consciente de que seus familiares também estão participando do tratamento. para o alcance dos nossos objetivos. de conversar. Estamos comunicando alguma coisa. isso pode levá-lo a expressar sentimentos de negação. Etmologicamente a palavra comunicação vem do latim comunicare que significa “por em comum”. para a busca de soluções2. tão eficaz quanto os medicamentos. Com a nova abordagem a comunicação passa a ter a função de promover o relacionamento entre as pessoas. embora. ensinar ou discutir. da mesma maneira.

a desabafar suas ansiedades e seus problemas. . abaixo relacionada. Seja um bom ouvinte. incentivando o paciente a falar sobre ele mesmo. habilidade e sensibilidade no trato com o doente. deixar claro que ele se sinta errado. influência de mecanismos inconscientes e limitações do emissor-receptor. procure amenizar o seu estado. A humanização do tratamento passa pela comunicação. Deixe-o expressar suas emoções de acordo com suas necessidades. estando relacionados com a falta de capacidade de concentração. Dirija-se ao paciente sempre pelo nome. pois. explicando seu ponto de vista. com a voz calma e mansa. Faça com que se sinta importante. Não o trate pelo número da enfermaria ou pelo leito tal. Na sua conversa. pois isso pode ocasionar-lhe interpretações errôneas ou deturpadas. respeitando a opinião dele e nunca dizendo "o(a) senhor(a) está errado(a)". O nome da pessoa é o som mais importante que existe em qualquer idioma. Para isso. causando frustração aos interlocutores. Então. Não se preocupe com o que você deve dizer. Deixe-o falar durante a maior parte da conversa. alguns princípios elementares de comunicação e humanização da qualidade. atitudes e sentimentos. pressuposição de entendimento. assim. e. aumentar sua preocupação e seu medo. Demonstre conhecimento técnico-científico. Faça um elogio sincero sobre a sua recuperação. palavras animadoras. sinceramente. Bittes Júnior & Matheus2 enfatizam diversas barreiras que podem ser interpretadas de forma errônea. Dentre esses aspectos. Fale com o paciente sobre assuntos que sejam do interesse dele. idéias. Interesse-se. otimistas. Lembre-se de que o seu serviço está voltado para pessoas. a comunicação na qualidade para a humanização do cuidado em saúde depende de se voltar à atenção para as pessoas. sem.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos emitem mensagens sobre o significado ou interesse que nós temos em relação àquela interação. porque é assim que gostaríamos de ser tratados. Se ele estiver exaltado. principalmente quando estamos fragilizados pela doença. Um ditado popular afirma que "a palavra tem poder". como também. contudo. permitindo-lhe a liberdade de compartilhar seus pensamentos. elogiosas. poderão fazer a diferença no hospital: Comece o dia diante do paciente com um genuíno sorriso e um "Bom Dia". podem provocar mudanças significativas na melhoria da saúde. de uma forma integral. evite discussões. pelo paciente em querer ajudá-lo a vencer esse momento difícil de sua vida. Evite comentários impróprios na presença do paciente. mas procure fazê-lo com sinceridade. Isso tem fundo de verdade. ausência de significação comum.

Seja caloroso ao incentivá-lo a continuar no tratamento durante e após a alta hospitalar. pode causar ressentimentos e ser interpretada como falta de respeito. à defesa dos valores do paciente e ao atendimento de suas expectativas e necessidades. um cuidado de saúde humanizado começa com a identificação personalizada do ser paciente. A equipe de saúde deve estar atenta e planejar mudanças que garantam a integridade e privacidade do cliente no decorrer da hospitalização. Situações dessa natureza são comuns nos hospitais públicos e nas enfermarias de hospitais privados que atendem pessoas do SUS (Sistema Único de Saúde). Diante do que descrevemos. muitas vezes.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Elogie o menor progresso e também cada novo progresso alcançado na recuperação do paciente. o que não significa tratar com liberdade. favorecendo um clima desagradável e quebrando a privacidade do doente. tornando-o consciente de todos os passos terapêuticos que serão adotados. idade ou até mesmo pela gravidade da doença.é preciso compreender e aceitar a individualidade de cada pessoa e não expô-la a situações que o constranja. O indivíduo necessita ser reconhecido como um ser humano que possui um nome próprio. no que diz respeito a seu estado de saúde (gravidade do seu quadro clínico. sob a liderança do médico ou do enfermeiro assistencial. sócio-econômico. como por exemplo: colocá-lo no leito exposto num ambiente separado por divisórias improvisadas que. Portanto. também não estaremos preparados para trocas significativas de experiência.3 Estratégias para valorização do ser paciente no contexto hospitalar É preciso lembrar que a humanização diz respeito. tia. não o separa por sexo. tornando-se isso frustrante para o interlocutor e vice-versa. 7. no sentido pejorativo. Esse conhecimento torna o doente mais seguro em relação à equipe de saúde. se não estivermos atentos a todos os imprevistos ocorridos no processo de comunicação. c) Envolvimento ativo do paciente em seu tratamento – considerando as características individuais de cada um. A equipe de saúde. como se dirigir à pessoa como tio. também. b) Cuidado de saúde personalizado – o principal objetivo da qualidade humanizada no serviço de saúde é o paciente (cliente) que deve ser tratado com dignidade e respeito. deve elaborar um plano de cuidado que envolva as necessidades do paciente para seu tratamento. lucidez e consciência). Seu Zé ou Dona Maria. e outras. mas. . É importante ressaltar que essa forma de tratamento pode ser interpretada como uma maneira carinhosa. podemos perceber que. devendo ser considerado alguns aspectos relevantes para se assegurar a qualidade do cuidado humanizado: a) Respeito à privacidade do paciente . ao nível de escolaridade. também.

Oliveira & Santos14. revistas. nem tentar converter o doente a sua fé. mas. Cabem a esses profissionais respeitá-lo e compreendê-lo. porém fundamental no tratamento humanizado. O profissional deve explicar aos familiares os riscos que o paciente tem de apresentar depressão ou solidão. embora se reconheça que tratar da esfera espiritual ou religiosa é procurar compreender a liberdade que as pessoas têm de praticar a sua religião. Relógio e materiais de seu interesse devem estar disponíveis. quando bem orientados. Os familiares. aumentando sua estimulação física – e. fazem algumas recomendações. é uma experiência gratificante. na realidade. Muitas vezes o simples fato de ouvir é. de se apoiar em algo que lhe dê força e motivação para continuar lutando pela vida. massagens). proporcionando-lhe uma assistência que satisfaça as suas necessidades. d) Apoio psico-espiritual prestado pela equipe de saúde – esse aspecto é muito complexo. ajudá-lo a alcançar forças na sua própria fé. o profissional deve adotar medidas para melhorar o estímulo sensorial do doente através de livros. rádio ou televisão. abordando a necessidade de humanização hospitalar. a pele. se constituem num forte aliado na recuperação do paciente. durante o período de hospitalização e nos cuidados que lhe são dispensados. tocar não só o corpo. entre as quais se destacam: O profissional deve ouvir o paciente no que se refere aos seus interesses e preocupações. apenas. o coração. também. . para que ele não se senta rejeitado e ainda mais isolado. dando-lhe atenção adequada ou demonstrando interesse quanto a suas necessidades. a única ajuda que podemos efetivamente oferecer-lhe. os cuidadores devem esclarecer e orientar os familiares sobre as rotinas do serviço. se a sua condição permitir. de professar sua crença. Não se deve discutir religião.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos a fim de que colabore em sua recuperação. As visitas dos familiares devem ser estimuladas para se evitar manifestações intempestivas ou de revolta. as normas que regulamentam o horário das visitas e dar informações gerais sobre a evolução de seu tratamento. e) Visita dos familiares – esse aspecto tem grande relevância porque os familiares constituem parceiros da equipe de saúde nos cuidados e serve de rede de suporte. mas. os procedimentos que estão sendo desenvolvidos junto ao paciente e como ele está respondendo ao mesmo. A equipe deve aconselhar os familiares sobre os modos de fornecerem ao doente estímulo significativo. fazer-se presente. Assim. incentivá-lo a andar ou sentar-se em uma cadeira. Nesse sentido. Antes da hora da refeição é particularmente uma boa oportunidade para conversar com o paciente – propiciar-lhe medidas de conforto (banho. Estar junto.

apesar da enfermidade e de suas conseqüências. a fim de se evitar que o paciente as tenha incompletas e mal interpretadas. Assim. desejos e crenças? Todas as informações básicas poderão ajudar na elaboração do plano de cuidados. reafirmamos a tese da assistência personalizada. algumas atitudes podem ser praticadas para melhorar o ânimo do doente durante a internação que vão desde um sorriso até uma postura amável dos profissionais no momento de assisti-lo. É imprescindível o trabalho educativo na prestação de informações. como a duração da internação. É preciso que a equipe tenha sensibilidade e percepção necessárias para identificar a capacidade de compreensão das pessoas. o processo educativo e de comunicação empregado pela equipe de saúde para explicar algo ao paciente nem sempre é fácil. Todavia. geralmente. Cada pessoa deve ser tratada com eqüidade e qualidade. O fato é que não se podem negar ao indivíduo informações da parte de quem às pode e deve dar. mas será que as pessoas da equipe do cuidado têm tempo para escutar? Para conhecer hábitos. Ela pode ser a chave para se alcançar a satisfação e a excelência no serviço hospitalar. que engloba questões que. porque envolve todo um sistema conceitual próprio e . não seja capaz de compreendê-la e não tenha condições de encarar a verdade sobre a sua situação. dois aspectos devem ser observados pela equipe de saúde: • O direito do paciente à informação. porém respeitando-se as diferenças individuais. • As informações. Na realidade. na prestação dessas informações. não se concebe a idéia de que o doente não conheça nada sobre sua doença. que começa na recepção.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos 7. todo indivíduo tem muito a dizer de si mesmo. Como a equipe de saúde pode tornar agradável a estada do paciente no hospital? Não existem princípios estabelecidos para esse fim. no consultório e deve acolher a pessoa de forma a familiarizá-la com o novo ambiente. são uma incógnita para a pessoa. pode-se afirmar que é o profissional de saúde quem deve estar mais envolvido e comprometido com a prestação do cuidado direto ou indireto ao paciente. Nos dias de hoje. quando não deformadas. nem podem deixá-lo desinformado a respeito do seu tratamento. Assim. acarretando até o comprometimento do seu estado de saúde. mais agradável. suas condições físicas e morais.4 A multidisciplinaridade no processo de recuperação da saúde do paciente O trabalho em equipe se constitui em uma grande responsabilidade com todos os que procuram o serviço de saúde para atendimento e. às quais o paciente tem direito. Logo. Surge daí a necessidade desses trabalhadores desenvolverem atitudes que favoreçam a humanização do atendimento em grupo. tornando a permanência de qualquer pessoa. devem estar condicionadas ao seu estado. Os cuidadores não podem situar-se longe do paciente. o diagnóstico e tratamento indicado pelo médico.

Falta de recursos humanos: Qualitativos Quantitativos Indiferença ao sofrimento humano Fragmentação da assistência médico-hospitalar Figura 11 – Fatores que dificultam a operacionalização da humanização da qualidade . todavia existem alguns obstáculos de ordem administrativa aliada a outros fatores que fogem à competência dos profissionais que dificultam a sua operacionalização na labuta do dia-a-dia. um litro ou mais. de forma que expressões como: “beba bastante líquido”. Portanto. um dia ou até mesmo um mês. mas não se diz. em termos de dor. isso pode dificultar a continuidade do tratamento. sem se estabelecer o tempo. “trabalhe menos”. quando ele demonstra ser carente de entendimento. expor-lhe idéias e esclarecer suas dúvidas ou incertezas. Como explicar isso tudo ao paciente? É preciso dialogar com ele.5 Considerações finais A humanização da qualidade é o caminho para se melhorar a assistência hospitalar e traz vantagens para a equipe de saúde. que poderá ser uma hora. Pode ser perfeitamente possível que a informação transmitida a ele tenha sido mal recebida ou mal interpretada.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos complexo. Para isso. “descanse”. tudo o que for argumentado pelo paciente deve ser registrado para. a equipe de saúde pode fazer uso de um plano de informações previamente programado e detalhado para ajudar na elucidação das dúvidas. demonstrar-lhe segurança. do medo ou da ansiedade. sensações desagradáveis e outros problemas. para o paciente e para o hospital. orientá-lo quanto às necessidades apresentadas. como os acontecimentos vividos no momento da internação. redução de trabalho indefinida que será em termos de duração ou de intensidade?. conforme mostra a figura 1. principalmente quando não é empregada na mesma linguagem. que pode ser um copo. o quanto. “perca peso” também não determina quantos quilos é preciso se perder. 7. durante ou após o tratamento. Quando as recomendações feitas pelos membros da equipe de saúde se tornam confusas à compreensão do paciente. É preciso fazer o paciente falar e saber escutá-lo. não ousando nem fazer qualquer questionamento. O diálogo se torna ainda mais difícil. posteriormente.

às vezes. assim como. mas. qualidade humanizada implica no atendimento das necessidades materiais e aspirações do paciente. através de abordagens gradativas do seu estado de saúde e de palavras animadoras. Infelizmente. O relacionamento doente-pessoal. é criado pela elaboração e realização conjunta de um verdadeiro "programa-saúde". o hospital mais humano é aquele em que o paciente se vê rodeado por um pessoal dedicado ao trabalho e disponível para compreender seus desejos e para responder às suas necessidades. Mezomo9 diz que. não possuímos protocolos administrativos potencialmente poderosos para serem usados de forma adequadas. através de informações precisas. o paciente não deseja pessoas mecânicas ou robóticas que cuidam mais a doença do que a ele próprio. respeitá-lo e valorizá-lo como um ser humano. graças a um trabalho de equipe. tornando-se difícil uma aferição fidedigna nesse caso. Segundo Garrafa8. ali. Na realidade. . Por outro lado. passando a impressão de que o hospital é feito para as doenças e não para cuidar do doente. fato que naturalmente deprime e preocupa. falando a mesma linguagem para o paciente e família. é difícil para o paciente compreender a razão pela qual está passando por um momento tão difícil. É preciso deixar claro que os profissionais de saúde não devem ser responsabilizados pela dor e pelo sofrimento de todos os que procuram o serviço para tratamento ou cura. promovendo um encontro do doente com a realidade que ora está vivenciando. se tem trabalhado pouco sobre a ética da responsabilidade individual dos profissionais e auxiliares que atuam nos serviços de saúde. no contexto geral da hospitalização. de incerteza. Por essa razão. a equipe multiprofissional deve estar junta. Assim.Administração aplicada à enfermagem Sérgio Ribeiro dos Santos Continuando essa linha de pensamento. Qualidade em relação ao paciente significa disposição para escutá-lo. Entende-se que. que possam tornar-se úteis para avaliar a qualidade do serviço e do atendimento que se presta no hospital. Ressalta o autor que humanizar o hospital é fazer progredir a "qualidade de ser" e a "qualidade de vida" dos que ali trabalham ou ali permanecem. Essa concepção de qualidade exige preparo técnico científico e ético indispensáveis ao profissional nas diversas fases do cuidado em saúde. No entanto. com o propósito de conquistar a confiança. na fronteira entre a vida e a morte. não deixa de ser um compromisso a participação destes no ato de cuidar. pois cada pessoa apresenta-se diferenciada de outra. a equipe de saúde pode ajudá-lo a vencer os obstáculos que dificultam sua cura. a equipe de saúde deve estar preparada para desenvolver a necessária compreensão e tentar ir além das expectativas do doente e familiar. de toda a equipe de saúde. É preciso que se quebrem as barreiras e se permita que o doente expresse seus pensamentos e participe do processo terapêutico com mais dinamismo. Isto quer dizer cuidados globais e polarizados no paciente.

Quais os benefícios trazidos com a implantação da qualidade total no serviço de enfermagem? 12. Origem das teorias de qualidade: toma por base os ensinamentos do Professor W. Cite as estratégias para se desenvolver um programa de produtividade com qualidade. Cite algumas estratégias para se implantar a qualidade total no serviço de enfermagem. Qualidade é a satisfação do cliente e ausência de defeitos. Edwards Deming. nível de comprometimento das pessoas. taxa de infecção hospitalar. 5. tempo de espera do paciente. Estratégias para implantação da qualidade total no serviço de enfermagem: promover cursos. Explique os princípios básicos da qualidade. o cliente e o envolvimento das pessoas.Administração aplicada à enfermagem RESUMO Sérgio Ribeiro dos Santos 1. desenvolver um clima de confiabilidade e reciprocidade. 5. 10. Por que os profissionais da área de saúde precisam desenvolver suas atividades com qualidade? 7. taxa de mortalidade. Princípios básicos da qualidade: o processo. promover estímulos. 2. Cite os indicadores de qualidade no hospital. 4. 6. desenvolver a criatividade e o espírito de inovação. Quais os requisitos necessários para o administrador do serviço de saúde? 9. Quem foi o idealizador dos princípios da qualidade total? 3. desenvolver indicadores de avaliação. 6. entre outros. Cite as características próprias da enfermagem que interferem na qualidade do serviço. O que você entende por qualidade? 2. desenvolver um ambiente de ampla participação. Qual o papel do gerente do serviço de enfermagem? . 3. desenvolver a idéia de melhorar continuamente. 8. 11. Cite os quatorze pontos do método Deming? 4. redefinir o papel do enfermeiro. Para medir a qualidade hospitalar devem-se levar em consideração os indicadores de qualidade: média de permanência. Para desenvolver um programa de produtividade com qualidade devemos: desenvolver uma ação conjunta com todo hospital. desenvolver o processo produtivo. QUESTÕES PARA REVISÃO E DISCUSSÃO 1. redesenhar processos.

Infecções hospitalares: prevenção e controle. MCC.. 6. 6.18. . 1996. 130 – 4. 9. ARAÚJO.. FERREIRA. p. 1997. João Pessoa. Comunicação. 1991. 2. jan. RR. 12. Motivação no trabalho do enfermeiro – fatores de satisfação e v.. São Paulo: Atheneu. Porto Alegre. equidade e responsabilidade. Versão 3. L. 3. CHOMPRÉ. In. V. v. Questionamentos judiciais e a proteção contra o paciente: um sofisma ser corrigido pelo gerenciamento de risco. p. 1993. TI. JC. n. v. parceira. CHIAVENATO. p. e Saúde. recomendações segundo os 14 pontos de Deming.0. In. OLM. BURMESTER. Revista – MEZOMO. 11 . 3. O administrador hospitalar..Século XXI. maio/1997. 7. GARRAFA. MRN. 13. 17. Revista de Saúde do Distrito Federal. Revista Bioética. JC. São Paulo. Instrumentos básicos para o cuidar: um desafio para a qualidade da assistência. p. EAC. MATHEUS. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Revista Gaúcha de Enfermagem. São Paulo: Savier. 17. 61-73. 5. JC. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. FERRAZ. v. MEZOMO. v. BOFF. SANTOS./1984..: Cianciarullo. 16. SR. Gerenciando pessoas – o passo decisivo para a administração participativa. Envolvendo as pessoas no processo da qualidade. A qualidade da assistência à saúde e o ensino médico. 5. H. 1. I. 14. n. 4. p.. p. 15. 4. 1996. 1999. Humanização no atendimento de enfermagem– problemas das doenças transmissíveis. n. OLIVEIRA. Revista – Adm.Administração aplicada à enfermagem BIBLIOGRAFIA Sérgio Ribeiro dos Santos 1. São Paulo. Brasília: QA&T consultores associados. 1992. nº 1. 1997.. AM. e Saúde. SANTOS. Petrópolis-RJ: Vozes./dez. Ética e humanização ao atendimento à saúde – ética. (mimeografado). Dicionário Aurélio Eletrônico . v. 46-54. n. 1993. 7. 5. nov. e Saúde. EF. ABH. São Paulo. 1999. 10. 229 – 31.: Rodrigues. JA. Adm. 194 – 7. Qualidade total no serviço público: questionamento e Adm. BITTES JÚNIOR. Controle de qualidade no atendimento médico hospitalar. 8. 11. 7 – 12. 4. Prevenção e controle de infecção hospitalar. 1992. MONTEIRO. A. n. IBC. Revista – MEZOMO. JC. MALIK. 1991. São Paulo: Makron Books. São Paulo: CEDAS. MEZOMO. p. Serviço de saúde com qualidade total.

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