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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF Centro de Estudos Gerais - CEG Instituto de Ciências Humanas

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF Centro de Estudos Gerais - CEG Instituto de Ciências Humanas e Filosofia - ICHF Departamento de Antropologia

EDITAL PIBIC / CNPq/ UFF 2011/2012

PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

TÍTULO DO PROJETO: ANTROPOLOGIA DA CULTURA NOS “PONTOS DE CULTURA” DOS MUNICÍPIOS DE NITERÓI E SÃO GONÇALO

DOCENTE PROPONENTE: ANA CLAUDIA CRUZ DA SILVA – MAT. SIAPE

16.333-6

DISCENTE: MARCOS TAVARES PRATES – MAT. 30805122

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO: MUNICÍPIOS DE NITERÓI E SÃO GONÇALO/RJ.

PALAVRAS-CHAVE: CULTURA, POLÍTICAS PÚBLICAS, POLÍTICA

GRANDE ÁREA: HUMANAS

ÁREA DE CONHECIMENTO: ANTROPOLOGIA (7.03.00.00-3)

MARÇO DE 2011

RESUMO:

O conceito de cultura é central para a Antropologia e tem se tornado cada vez mais central também para a sociedade ocidental. Seu uso tem se intensificado em diferentes domínios da sociedade em que ele possuía uma participação marginal, como a economia e a política. E se o conceito nunca foi de uso restrito da Antropologia, é certo que essa intensificação de seu uso lhe coloca uma dificuldade epistemológica a mais, obrigada que é a lidar com o conceito tanto em termos analíticos quanto como objeto de investigação, situação em que lhe são atribuídos significados muito diversos. A proposta deste projeto de pesquisa é mapear alguns desses significados a partir das experiências de “pontos de cultura” dos municípios de Niterói e São Gonçalo, buscando identificar o que os atores sociais envolvidos nessas experiências estão chamando de cultura. Trata-se de fazer uma antropologia da cultura junto aos proponentes de projetos financiados pelos diferentes níveis de governo, além dos elaboradores dos editais e responsáveis pela implementação de políticas públicas de cultura no Estado do Rio de Janeiro e nos municípios citados, buscando conhecer o que é ‘a’ cultura que se deseja realizar.

Introdução:

O uso da noção de cultura tem sido intensificado nas últimas décadas: cada vez

mais as pessoas têm, preservam, assumem, financiam, fazem cultura

proliferação de grupos que têm na noção de cultura a sua razão de existir. E, junto à

emergência de tantos grupos, seja como consequência ou como causa, surge uma série

de outros fenômenos a ela relacionados, como novas formas de organização, tais como

diversos tipos de redes e associações de grupos culturais, e uma variedade de políticas públicas voltadas para a ‘cultura’. Os chamados “pontos de cultura” – projeto do governo federal de financiamento de grupos e/ou ações concebidos como ‘culturais’ executado ao longo do mandato do ex-presidente Lula – constituem, provavelmente, a experiência de política pública mais abrangente e de maior impacto nesse campo. Além da injeção de recursos oriundos desse projeto, os quais vêm atingindo um número bastante expressivo de grupos e instituições, pode-se imaginar que seu impacto venha sendo ainda maior em função de muitos outros editais promovidos também por estados e prefeituras seguindo o mesmo formato a partir de sua experiência. Assim, são muitos e variados os grupos e ações

beneficiados por esses recursos e, consequentemente, também os são os significados atribuídos ao termo cultura aí presentes, os quais se encontram vinculados, sobretudo, a aspectos políticos e econômicos da vida social. Dessa maneira, o conceito de cultura, antes entendido em seu significado antropológico ou como definidor de práticas consideradas próprias da classe social dominante – a chamada cultura erudita, ou a cultura como “civilização” – passa a designar e dar sentido a novas práticas. A proposta deste projeto de pesquisa é, então, mapear, a partir das experiências de pontos de cultura dos municípios de Niterói e São Gonçalo, o que está sendo chamado de cultura aí. Trata-se de fazer uma antropologia da cultura junto aos proponentes de projetos financiados, buscando conhecer em cada um deles o que é ‘a’ cultura que se deseja realizar. ‘Cultura’, assim como ‘sociedade’, ‘identidade’, entre outras, são palavras que, apesar de extremamente centrais para a antropologia, apresentam uma dificuldade para

o trabalho antropológico: elas são usadas como conceitos (definem práticas que

estudamos) ou objetos (designam o que estudamos: a cultura ou sociedade tal; a identidade y) no interior da disciplina, mas, são também utilizadas pelas pessoas que estudamos para definir o que elas fazem ou o que outras fazem. Neste último sentido,

Tem havido uma

elas são conceitos nativos e, como tais, devem ser traduzidos pela antropologia a fim de tornar mais inteligíveis as experiências sociais que nos propomos a compreender. Assim, a contribuição que a antropologia pode dar para a compreensão desses fenômenos, como diz Goldman (2008, pp. 10-11), é a “perspectiva etnográfica que caracteriza a disciplina”, a qual permite que categorias como “cultura, identidade, política” possam “ser apreendidas em seu significado “nativo” e, mais importante que

possam “ser apreendidas “em ato”, ou seja, no contexto em que aparecem e

isso, (

segundo as modalidades concretas de sua atualização e utilização.”. A perspectiva etnográfica sobre o conceito de cultura e, a partir dela, novas reflexões sobre o seu uso, principalmente pela própria antropologia, é a contribuição que este projeto pretende trazer.

)”

Justificativa:

O conceito de cultura é um dos mais importantes da antropologia. Uma parte bastante considerável dos autores e debates que constituem a história da disciplina gira em torno de sua definição. Nas primeiras elaborações antropológicas nas teses evolucionistas, o conceito de cultura referia-se às ideias de “progresso” e de “civilização”; o termo era usado no singular e dizia respeito à capacidade dos seres humanos de se desenvolverem tecnológica e mentalmente (RAPPORT e OVERING 2000, p. 92). Mas logo a abordagem boasiana, a partir do conceito herderiano de kultur 1 como forma de designar o que seria exclusivo de um determinado grupo social e que, portanto, o diferenciaria de outros, instaurou o significado que se tornaria dominante na disciplina, definindo que as culturas, agora no plural, são “sistemas coerentes distintos” (idem, p. 94). Sem dúvida alguma, tal definição não significou o encerramento dos debates e eles permanecem bem atuais, inclusive com reflexões a respeito do uso ou do abandono do conceito pela disciplina (idem, p. 97). Seja como for, até para a sua crítica, também é certo que quando nos referimos ao significado chamado de propriamente antropológico de cultura é à definição boasiana que nos remetemos, ainda que com ressalvas e mudanças originadas em mais de um século de discussões em torno do tema.

E se a Antropologia, desde as suas primeiras formulações, se apropriou da palavra cultura e lhe atribuiu novos significados, estes nunca estiveram restritos à

1 Ver, entre outros, Sahlins 1997 e Kuper 2002

disciplina, sendo ela mesma bastante responsável pela difusão do conceito e por seu uso

por diferentes atores sociais, os quais “descobrem que ‘fazem cultura’ (

isso sobretudo no momento em que pessoas vêm lhes tomar a produção para expô-la em

museus ou para vendê-la no mercado de arte ou para inseri-la nas teorias antropológicas científicas em circulação.” (GUATTARI, 1996, p. 18).

A questão não é, então, definir se o conceito de cultura traz efeitos benéficos ou

maléficos para as pessoas que se utilizam dele. Uma antropologia da cultura objetiva saber como elas o utilizam, sendo uma de suas conseqüências refletir sobre como a antropologia deve utilizá-lo. O estudo pela antropologia dos significados que são atribuídos ao conceito de cultura por diferentes grupos sociais, assim como suas formas de emprego, deve produzir o que Herzfeld denomina de “reflexividade sócio-cultural”, que “permita-nos ver nossas próprias práticas culturais em um contexto comparativo, estando a antropologia proeminentemente incluída” (2001, p. 46). Tal como argumenta Strathern (2006) a partir de sua proposta de antropologia reflexiva, conceitos são produzidos em contextos sociais específicos, “num modo cultural particular”, inclusive aqueles das ciências sociais ocidentais. Como o antropólogo pertence a esse contexto, não é possível que se exclua de suas práticas, mas deve tornar visível, explícito seu

) E descobrem

funcionamento (pp. 32-3). E isso se dá através da contextualização dos conceitos nativos e da contextualização dos constructos analíticos do observador (p. 33). Trata-se de produzir uma perspectiva diferenciada entre os interesses daqueles que estudamos e os interesses da antropologia (p. 28). Questão que se torna mais difícil e delicada na medida em que observados e observadores fazem uso das mesmas palavras: os primeiros para nomear suas ações; os segundos para descrever as ações nomeadas pelos primeiros 2 . Assim, o entendimento da forma como vários coletivos humanos se apropriam e se relacionam uns com os outros em torno do conceito de cultura deve fazer com que a própria antropologia repense a forma como ela o tem utilizado.

É preciso observar ainda que o conceito de cultura não é apenas central para a

antropologia, mas também, e cada vez mais, para a sociedade que o gerou. Pelo menos desde o século XVIII ele tem designado o que é considerado mais importante para esta sociedade em seu sentido de progresso, de espírito cultivado (OVERING e RAPPORT 2000, p. 92) ou “cultura-valor”, como define Guattari (1996, p. 18); e desde o nascimento da antropologia, no século XIX, por nomear a diferença para fora e no

2 Assim como o conceito de cultura, identidade, sociedade, política, gênero, entre muitos outros, sofrem do mesmo ‘problema’.

interior desta mesma sociedade, no sentido antropológico ou “cultura-alma coletiva”, para o mesmo autor (Ibidem). E também não é novidade que a cultura participe do que

se

considera o domínio mais característico dessa sociedade, o mercado. Há tempos que

se

pode falar da existência de “cultura-mercadoria”, ou seja, os bens culturais (Ibidem).

O

que talvez apareça como uma característica da nossa visão de mundo atual é a difusão

da palavra cultura e sua presença, ou mais propriamente, seu embrenhamento, em domínios da vida social em que sua entrada ocorria sempre por vias marginais, como a política e a economia 3 . No campo que se costuma denominar de político, pode-se dizer que se, há algumas décadas, a cultura era principalmente entendida pelos movimentos políticos como forma de promover a política, produzindo ‘conscientização’ ou forma de se ter acesso ao ‘povo’ através da ‘cultura popular’ (ORTIZ 2006), especialmente a partir dos anos 1970, diferentes processos provocaram mudanças nessa visão. Para colocar a questão de maneira extremamente sintética: o alargamento da concepção do político – que o retirou dos campos exclusivamente partidários ou da luta de classes – tornou-o mais próximo da cultura, sendo esta pensada não apenas como forma de intervenção, mas também como base para a mobilização, tal como ocorreu com os movimentos indígenas, negros, de mulheres, entre outros, os chamados novos movimentos sociais 4 . Contudo, também se pode dizer que a cultura tem assumido uma posição ainda mais central para a mobilização de diversos grupos, cujo objetivo último é tanto ou mais fazer cultura do que política, ainda que esta não esteja ausente de suas formulações e/ou relações. É o que temos chamado de novos movimentos culturais (GOLDMAN 2009) 5 . Concomitantemente à mobilização de grupos sociais a partir de diferentes concepções de cultura, temos visto, especialmente no Brasil 6 a partir do primeiro

3 O uso do termo “domínios sociais” visa tornar mais clara a ideia, contudo, não é um bom termo, pois a posição teórico-metodológica em que este projeto se encontra apoiado recusa ver a vida como separada

em esferas ou domínios.

4 Ver Alvarez, Dagnino e Escobar 2000. 5 A título de ilustração quanto ao reconhecimento da importância desses grupos, o I Seminário Internacional e III Seminário Nacional “Movimentos Sociais, Participação e Democracia”, a ser realizado em agosto próximo e que é promovido pelo Núcleo de Pesquisa em Movimentos Sociais (NPMS) da Universidade Federal de Santa Catarina prevê, em um de seus GTs (GT 1: Movimentos sociais face às desigualdades e diferenças), a abordagem sobre movimentos culturais, o que não havia em 2007, quando houve a edição anterior do evento em que apresentei um trabalho sobre o tema (SILVA 2007). Para as ementas dos GTs do evento deste ano, ver http://seminarionpms2010.blogspot.com/2010/02/i-seminario-

ver

internacional-e-iii.html;

http://www.sociologia.ufsc.br/pdf/seminarioNPMS.pdf. Ambos os acessos em 31/05/2010.

6 O investimento público em políticas culturais não é exclusividade brasileira. O país é signatário da

Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais “aprovada em 20 de outubro de 2005, na Conferência Geral da UNESCO, que reforça o conceito incluído, em 2001, na

para

as

do

Seminário

de

2007,

mandato do Governo Lula, a promoção de políticas dirigidas a uma variedade de práticas culturais, desde aquelas consideradas dominantes e que já possuem um público consumidor nos grandes centros urbanos, até as que buscam fazer um grupo existir, como os chamados grupos ‘folclóricos’, ‘populares’, ‘periféricos’ ou aqueles relacionados a uma forma de existência concebida como étnica. A quantidade de recursos financeiros e de editais para a distribuição desses recursos ganhou proporções nunca antes vistas e sua origem é variada: além dos três níveis de governo, também empresas estatais e privadas, organizações não-governamentais e até mesmo instituições de ensino 7 que, por outras vias, também contribuem com esses grupos. E, especialmente entre eles, a economia e a política estão fortemente entrelaçadas com as práticas culturais. Não que isso também não ocorra nas práticas culturais chamadas dominantes – é claro que há aí uma economia e uma política, as quais, inclusive, fazem com que outras práticas sejam chamadas ‘folclóricas’, ‘populares’, ‘alternativas’ ou ‘periféricas’, mas este projeto pretende tratar mais diretamente dessas últimas, pois elas têm sido alvo de políticas públicas como os “pontos de cultura”. E, para esses grupos, a articulação entre economia e política com cultura tem sido obrigada – por editais, pela mídia, por agências de financiamento, entre outros atores – a passar pela noção de ‘sustentabilidade’, a qual envolve outras noções, como ‘autonomia’, ‘cidadania’, ‘inclusão social’, ‘desenvolvimento’ e fins semelhantes que devem, necessariamente, ser o resultado das práticas culturais e dos recursos investidos nelas 8 . Contudo, é de se esperar que aqui também se encontrem outras políticas e outras economias, as quais dizem respeito a relações com políticos e a outras formas de ganho e/ou uso de recursos financeiros, como é o caso do ‘turismo cultural’, cada vez mais importante para o turismo como atividade econômica 9 . Assim, a centralidade do termo cultura faz de seu estudo um caminho privilegiado para aumentar a inteligibilidade tanto sobre a nossa própria forma de viver quanto sobre outros grupos que interagem com a nossa sociedade com base nesse

Declaração Universal sobre Diversidade Cultural que passa a considerar a diversidade cultural como Patrimônio da Humanidade.” (RAMOS 2008).

7 Os NEABs (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros) presentes em universidades e escolas técnicas, entre outras, são um exemplo desse tipo de colaboração junto a grupos culturais e religiosos afro-brasileiros. As instituições de ensino costumam contribuir através de recursos humanos e de infraestrutura, pagamentos de pequenos cachês para sua participação em eventos acadêmicos etc.

8 Ver, entre vários outros, Bayardo 2007 e Burity 2007.

9 Sobre definições e interações entre cultura e turismo, ver, entre outros, Banducci e Barreto 2001, Grunewald 2001, Moesch 2002, Anjos 2008, Neves 2007 e Ramos 2008, sendo os três últimos trabalhos orientados por mim.

conceito, o qual deve ser pensado como uma categoria nativa usada para explicar o mundo. E, tal como a antropologia se propõe a fazer em relação a outras sociedades, é sua tarefa entender os processos de objetivação dessas categorias que, se funcionam e produzem efeitos, elas não podem, como diz Latour em relação a palavras como “ciência, técnica, organização, economia, abstração, formalismo, universalidade”, ser consideradas “as próprias causas desses efeitos” (LATOUR 1994, p. 114).

OBJETIVOS:

Objetivo geral: Mapear os significados do conceito de cultura no âmbito de projetos beneficiados por editais de “pontos de cultura”, promovidos pelos diferentes níveis de governo, nos municípios de Niterói e São Gonçalo, nos anos de 2009 e 2010.

Objetivos específicos:

1- Fazer um levantamento dos editais promotores de “pontos de cultura” nos municípios de Niterói e São Gonçalo nos anos de 2009 e 2010, caracterizando-os conforme seus objetivos e exigências quanto aos grupos e suas propostas. 2- Caracterizar os projetos vencedores dos editais segundo suas propostas de atuação, buscando compreender como o conceito de cultura encontra-se inserido neles. 3- Produzir etnografias de atividades de alguns desses projetos, buscando compreender o conceito de cultura a partir dos discursos e práticas de seus proponentes, assim como de seus participantes – ou “público alvo”. 4- Realizar um levantamento bibliográfico da produção acadêmica (em diferentes áreas de conhecimento) sobre as experiências dos “pontos de cultura” e de projetos de grupos culturais.

METODOLOGIA E FORMA DE ANÁLISE DOS RESULTADOS:

Além da pesquisa bibliográfica necessária, conforme o item 4 dos objetivos específicos, junto às fontes disponíveis (especialmente bibliotecas e a web), esta pesquisa realizar-se-á a partir de pesquisa documental, incluindo a web como fonte, de entrevistas e de observação participante. Os editais de “pontos de cultura” e os projetos vencedores podem ser encontrados na internet e nas secretarias estadual e municipais de cultura de Niterói e São Gonçalo. A escolha desses municípios se deve tanto por uma questão de conveniência – facilidade de acesso – quanto por terem um número não muito grande de pontos de cultura, sendo possível conhecer a todos num curto espaço de tempo. A leitura e posterior análise de editais e projetos deverá fornecer um perfil quanto a objetivos e significados atribuídos às práticas dos proponentes dos projetos vencedores por parte dos elaboradores dos editais e dos próprios proponentes. A partir desse perfil, deverão ser realizadas entrevistas com funcionários participantes da formulação dos editais, assim como da eleição dos projetos vencedores e da implementação de políticas públicas de cultura nesses níveis de governo, a fim de obter formulações mais explícitas sobre os objetivos e objetos de tais políticas. Apesar do curto tempo de execução do projeto, um número representativo – senão todos – de projetos deverá ser visitado e, na medida do possível, acompanhado em suas atividades, a fim de que seja produzida uma descrição etnográfica delas visando à compreensão do conceito de cultura. Eventualmente, entrevistas também deverão ser realizadas, ainda que seja privilegiada a observação e as conversas informais, muito mais ‘eficazes’ para o entendimento do ‘ponto de vista nativo’. Todo esse material – dados da observação participante, dos textos de projetos e editais e entrevistas, além de outros possíveis materiais como panfletos de propaganda das atividades dos grupos, jornais e outras publicações – será analisado à luz da bibliografia sobre o tema e apresentado, através de artigos e/ou comunicações em encontros da área, assim como no Seminário de Iniciação Científica da PROPPI/UFF, com foco nos significados atribuídos ao conceito de cultura, objetivo deste projeto.

PLANO DE TRABALHO DO BOLSISTA E CRONOGRAMA DE ATIVIDADES:

Inicialmente, como deve ocorrer em toda pesquisa, o bolsista reunirá referências

bibliográficas sobre o tema, classificando-as segundo o enfoque e a área de conhecimento. Em seguida, as obras consideradas mais importantes e pertinentes para a pesquisa deverão ser lidas e fichadas. É claro que a coleta e leitura da bibliografia pertinente não se encerra na primeira etapa da pesquisa, pois a todo momento novas referências podem ser encontradas. Trata-se apenas de um primeiro momento de maior dedicação a essa atividade.

O passo seguinte consistirá na busca pelos editais e pelos projetos vencedores. A

princípio, tratar-se-á de uma pesquisa na internet, mas é possível que seja necessário

visitar as secretarias de cultura estadual e municipais e, talvez, até mesmo os grupos/instituições beneficiados para obter seus projetos. Este material deverá ser

analisado e classificado, produzindo, assim, um perfil referente aos editais ou a tipos de editais, montante de recursos, público alvo, exigências etc. Pretende-se que a conclusão desta etapa permita a redação de um primeiro relatório com os resultados parciais da pesquisa ao final do sexto mês de.

A terceira etapa da pesquisa consistirá da etnografia em alguns desses pontos de

cultura nos municípios de Niterói e São Gonçalo. A escolha dos pontos de cultura a serem etnografados dar-se-á posteriormente, a partir da acessibilidade desses grupos, mas também em função de suas características e da análise dos projetos realizada

anteriormente. Esta etapa deverá estar concluída no décimo primeiro mês de pesquisa, ficando o décimo segundo reservado para a redação do relatório final.

Cronograma:

Atividades/mês

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

Levantamento

                       

bibliográfico

X

X

X

leitura

e

sistematização

     

Coleta

de

dados

                       

(editais

e

projetos);

X

X

X

classificação

e

análise; entrevistas

Redação

de

                       

relatório parcial

X

Trabalho

de

           

X

X

X

X

X

 

campo; entrevistas

Redação

do

                     

X

relatório final

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALVAREZ, S. E.; DAGNINO, E.; ESCOBAR, A. (org.) Cultura e Política nos Movimentos Sociais Latino-Americanos. Novas Leituras. UFMG, Belo Horizonte, 2000. ANJOS, Edwaldo Sérgio dos. Um olhar antropológico sobre a relação cultura-turismo em Porto Seguro/BA: reflexões sobre a baianidade. Dissertação de Mestrado. Mestrado em Cultura e Turismo, UESC, Ilhéus, 2008. BANDUCCI Jr., Álvaro; BARRETO, Margarita (orgs.). Turismo e identidade local:

Uma visão antropológica. Campinas, SP: Papirus, 2001. BAYARDO, R. Cultura y desarrollo: ¿Nuevos rumbos y más de lo mismo? In G. M. Nussbaumer (org.). Teorias e políticas da cultura: visões multidisciplinares. Salvador, Edufba, 2007 (pp. 67-94). BURITY, J. Cultura e desenvolvimento In G. M. Nussbaumer (org.). Teorias e políticas da cultura: visões multidisciplinares. Salvador, Edufba, 2007 (pp. 51-65). GOLDMAN, Marcio. Duas ou Três Coisas que Podemos Aprender com os Outros. Heterogênese e Multiplicidade nos Novos Movimentos Culturais. Comunicação apresentada no Seminário Cidadania e Direitos Humanos: o papel das Ciências Sociais. Ilhéus: UESC, 19 e 20 de maio de 2008 (Mimeo), 2008. Introdução: Políticas e Subjetividades nos “Novos Movimentos Culturais”. Ilha – Revista de Antropologia 9 (1 e 2), 2009.

GRUNEWALD, Rodrigo de Azeredo. Turismo e o “resgate” da Cultura Pataxó. In:

Álvaro Banducci Jr.; Margarita Barreto (orgs.). Turismo e identidade local: Uma visão antropológica. Campinas, SP: Papirus, 2001. GUATTARI, Félix e ROLNIK, Sueli. 1996. Cultura: um Conceito Reacionário?. Micropolítica. Cartografias do Desejo. Petrópolis: Vozes (pp. 15-24). HERZFELD, Michael. Epistemologies. In: Anthropology. Theoritical Practice in Culture and Society. Blackwell Publishers / Unesco, Massachussets e Oxford, 2001 (pp.

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KUPER, Adam. Cultura: a visão dos antropólogos. Bauru/SP: Edusc, 2002. LATOUR, Bruno. Jamais Fomos Modernos. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994. MOESCH, Marutschka. A produção do saber turístico. São Paulo: Contexto, 2002. NEVES, Sandro Campos. Discursos sobre cultura negra e turismo em Ilhéus a partir da experiência do Grupo Cultural Dilazenze. Dissertação de Mestrado. Mestrado em Cultura e Turismo, UESC, Ilhéus, 2007. ORTIZ, Renato. Cultura Brasileira e Identidade Nacional. 5ª Ed. São Paulo: Ed. Brasiliense, 2006. RAMOS, Karen Vieira. A construção do espaço turístico: trocas simbólicas entre turistas e comunidade Tupinambá de Olivença – BA. Dissertação de Mestrado. Mestrado em Cultura e Turismo, UESC, Ilhéus, 2008. RAPPORT, Nigel e OVERING, Joanna. Social and Cultural Anthropology: the key concepts. London/New York: Routledge, 2000. SAHLINS, Marshall. O ‘pessimismo sentimental’ e a experiência etnográfica: por que a cultura não é um ‘objeto’ em via de extinção. Mana 3:1-2, 1997. STRATHERN, Marilyn. O Gênero da Dádiva. Problemas com as mulheres e problemas com a sociedade na Melanésia. Campinas: Editora da Unicamp, 2006.