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LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof.

Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009

ORGANIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO

Antes de falarmos especificamente sobre organização do Estado brasileiro, é importante estabelecer algumas distinções entre formas de Estado, formas de governo e sistemas de governo. 1. FORMAS DE GOVERNO

Atualmente, existem, na maioria dos Estados, duas formas de governo. Quais são as formas de governo tradicionais:
 

Monarquia República

Muitos confundem com parlamentarismo, presidencialismo que, como veremos, são sistemas de governo. 1.1. a) b) c) 1.2. a) b) Monarquia: Governo de POUCOS – Características principais da monarquia: Irresponsabilidade política do governante; Vitaliciedade – o monarca, o rei, são vitalícios, o poder é vitalício; Hereditariedade – o poder é hereditário, a pessoa o recebe de acordo com a sua ascendência. República – Características principais da república (opostas às da monarquia): Responsabilidade política do governante – responde por crimes de responsabilidade; Temporário – Uma das características da república é, exatamente, a alternância de poder.

Aí surge uma questão importante, levantada na época da reeleição, e que, certamente vai ser levantada novamente, caso uma emenda à Constituição, para uma terceira eleição seguida, seja aprovada, que é a possibilidade de eleições repetidas. Vários doutrinadores sustentaram que a reeleição não poderia ser aprovada através de emenda porque violava os princípios republicanos. Um dos princípios republicanos que seria violado e que, caracteriza a república, é justamente essa alternância de poder. Mas república é cláusula pétrea? Está prevista expressamente como cláusula pétrea? Não há qualquer previsão de que a República seja cláusula pétrea expressa. República não é cláusula pétrea expressa. No art. 60, § 4º, a república não consta. Há autores, contudo, que sustentam que república seria cláusula pétrea por conta do plebiscito que tivemos em setembro de 1993 para escolher sistema de governo e forma de governo. Então, como teve o plebiscito, a república quanto o presidencialismo teriam se tornado cláusulas pétreas, segundo alguns autores. Eu compartilho da opinião do Pedro Taques. Ele faz uma distinção interessante e eu acho que é correta. A república em si, não deve ser considerada como cláusula pétrea, mas existem alguns princípios republicanos que, sem dúvida, seriam cláusulas pétreas e, um deles, seria 249

modificados. Ela só vale para o Presidente. o Presidente da República exerce também função de chefe de governo. as funções de chefe de Estado e de chefe de governo se encontram reunidas na mesma pessoa. por exemplo. perante outros Estados. Não é matéria do Intensivo I. É o caso da Alemanha. É adquirido através de eleições. Ele não apenas representa o país na ordem internacional. eles têm que praticar ou um crime comum. da Inglaterra. 86. Nem a Constituição Estadual e nem a Lei Orgânica podem prever essa hipótese para governador e prefeito. no Presidente da República. Durante o mandato. aqui é eletivo. para que o chefe de Estado e o chefe de Governo. Quando visita outros países. SISTEMAS DE GOVERNO Como sistemas de governo temos:   Presidencialismo Parlamentarismo No presidencialismo. responder por crime comum. Quem exerce a função de chefe de Estado no parlamentarismo? Depende. sim. que acumula essas duas funções. Se for um crime que não tem nada a ver com a função de Presidente da República. mas também cuida da política interna. percam seu cargo. ele só responde após o término do mandato. Se for um parlamentarismo republicano. desde que aquele crime praticado seja em razão da função que ele exerce. que são a mesma pessoa. Chefe de Estado é quando ele representa o País na ordem internacional. essas duas funções são exercidas por pessoas diferentes. Alguns princípios republicanos previstos na Constituição. Aqui há uma distinção interessante que é a seguinte: No presidencialismo. na monarquia. mas o Monarca. Se for um parlamentarismo monárquico. Não vale para o Governador. Só que. c) Eletividade – Enquanto. 2. mas no art. quem cuida das políticas internas. ou um crime de responsabilidade. Isso é só para o Presidente da República. Já no parlamentarismo. Esses respondem por crime comum. além dessa função. Parlamentarismo Republicano: Parlamentarismo Monárquico: Chefe de Estado: Presidente Chefe de Governo: Primeiro-Ministro Chefe de Estado: Rei Chefe de Governo: Primeiro-Ministro Ao lado do Presidente e do Monarca. 250 . o poder é hereditário. mesmo que não tenham relação com o mandato.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. estaria ali como Chefe de Estado. No parlamentarismo. quem vai ser o chefe de Estado é o Presidente da República. ele pode. É o caso da Espanha. não poderiam ser retirados. É a chamada irresponsabilidade penal relativa do Presidente da República. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 justamente esse: a necessidade de alternância de poder. § 4º. ele só responde por crimes que têm relação com a função de Presidente da República. cuida da política interna do país. na defesa dos interesses brasileiros. o chefe de estado não será o Presidente da República. existe uma outra pessoa que exerce a função de chefe de governo. não vale para o Prefeito. é o Primeiro-Ministro. ainda que pudéssemos passar de república para monarquia.

o Brasil adotou uma forma de Estado unitário. com o advento da República. é diferente. Enquanto o Presidente só pode ser destituído do cargo por crime comum ou de responsabilidade. Então.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. 251 . uma federação. colocando a confederação como se fosse uma delas. realmente. Então.Colônia e o Brasil – Império. O primeiro-ministro pode ser destituído do cargo através de uma moção de desconfiança. Da mesma maneira que este ente central pode delegar suas competências político administrativas. 15/15/1889. Tivemos um Estado unitário que foi de 1500. já que nela há Estados independentes. Mas a classificação mais correta é aquela que não inclui a confederação. pacto. Havia o poder central e as províncias que não tinham as mesmas autonomias que um estadomembro possui hoje. Para que haja. mas a primeira constituição que consagrou essa a forma de Estado Federal foi a Constituição Republicana de 1891. já que é possível a existência de um Estado Unitário em que há essa delegação de decisões político-administrativas. Imaginemos um estado unitário que delega a certas províncias a realização de certos negócios específicos. aliança. é necessário que esta descentralização seja fixada pela Constituição porque aí a União não pode retirar. FORMAS DE ESTADO Tem autores que falam em três formas de Estado. só a descentralização político-administrativa não caracteriza uma federação. através dessa moção de desconfiança. É isso. 4. e também o fato de essa descentralização estar fixada em um texto constitucional. a qualquer momento também pode revogar aquela delegação. Se o Primeiro-Ministro não estiver correspondendo às expectativas do parlamento pode ser destituído. 3. Isso significa união. com o descobrimento do Brasil. Desde 1889. 4. que são os estados-membros. A mais correta é a que divide as formas de Estado em duas espécies:  Estado UNITÁRIO  Estado FEDERAL O Estado unitário já foi alguma vez adotado no Brasil? Sim. o primeiro-ministro pode perder o cargo via moção de desconfiança do parlamento. a federação é formada pela união de vários entes. FEDERAÇÃO A palavra federação vem do latim foedus ou foederis. até o advento da República. Durante o Brasil .1. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 No caso do parlamentarismo. Essa moção de desconfiança é dada pelo parlamento. o Brasil já tinha passado a ser uma federação. Características essenciais da federação O que é necessário para que um estado possa ser caracterizado como Estado Federal? a) Descentralização político-administrativa fixada pela Constituição Vejam que para caracterizar uma federação não basta a descentralização.

se não 252 . Requisitos para a manutenção da federação È diferente das características essenciais. Esses entes têm capacidade de autogoverno. não são características essenciais. que são imprescindíveis para a manutenção de um estado federativo.” Aqui no Brasil. como ocorre na Argentina. Através do Senado. no Executivo. Aqui. O DF e os municípios se autoorganizam por leis orgânicas. mas são importantes para que aquela federação possa continuar. uma província. Cláusula Pétrea – é importante que a forma federativa seja consagrada como clausula pétrea. como existe no Brasil.” A União se autoorganiza pela Constituição.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. os Estados participam da formação da vontade nacional. Cada país usa o nome que quiser. os Estados possuem suas constituições próprias. não influencia em nada na natureza do ente federativo. como tínhamos no Brasil (na época do Império. Isso não faz com que deixem de ter essa natureza de estado. da Colônia). nada mais é do que a capacidade de autoorganização dos entes federativos. Eles não têm constituições. Então. através da criação de leis. Poderia ser constituição. Vamos falar deles. Quais são os requisitos para a manutenção de uma federação? a) b) c) Rigidez Constitucional – A Constituição tem que ser rígida (processo mais solene. Eles têm seus próprios representantes no parlamento. O constituinte optou por tratar por lei orgânica. além da capacidade legislativa. Você pode ter em um Estado unitário. Esses requisitos que vou mencionar. são requisitos para a manutenção da forma federativa. em si. poderia deixar de ser uma federação e passaria a ser um Estado unitário? Esses fatores que eu mencionei. para que não seja substituída por outra forma de Estado. Controle de Constitucionalidade – Isso segura tanto a rigidez. não caracterizam uma federação. b) Princípio da Participação “È a possibilidade das vontades parciais participarem da formação da vontade nacional. o autogoverno também está dentro dessa descentralização política. O nome não tem relevância. que é o órgão de representantes dos Estados. um detalhe importante: a nomenclatura. Orgânica de organização. Mas não é necessário que a federação seja cláusula pétrea? Se a Constituição for flexível e a federação não for cláusula pétrea. onde encontramos essa característica da federação? Através do Senado. Se não houver fiscalização. mais difícil de alteração da Constituição). como você pode ter um Estado-membro chamado de província. quanto a observância dessa cláusula pétrea. c) Princípio da Autonomia “O princípio da autonomia. 4.2. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 O que é descentralização política? È a possibilidade de inovar no ordenamento jurídico.

Se tínhamos um estado unitário que foi dividido em vários domínios parcelares. que foram federações que surgiram a partir de movimentos contrários. na questão do fortalecimento da União. Quando se fala em centrípeto. cedendo uma parcela de sua soberania. Aqui são três espécies: a) Federalismo clássico. Esse movimento que deu origem ao federalismo norteamericano é centrípeto ou centrífugo? Para não errar: Quando se fala em centrífugo. Quanto ao SURGIMENTO: Quanto ao surgimento podemos ter duas espécies de federalismo: a) Federalismo por AGREGAÇAO “São estados soberanos que se unem. 5. surgido nos EUA. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 houver um órgão que exerça esse controle. havia várias colônias. Havia poderes espalhados (nas colônias) que foram para o centro. é como as competências foram distribuídas entre os entes federalismos. como que essa origem influencia na questão das competências atribuídas. Vocês podem associar o termo dual a uma distribuição de competências muito parecida entre a União e os Estados-membros. O poder central é distribuído em vários domínios parcelares. o movimento foi centrípeto. mas do centro para a periferia. não adianta a Constituição ser rígida. Ele é repartido de um ente central para outros domínios parcelares. Quanto à REPARTIÇÃO DE COMPETÊNICAS: O critério agora.2.” NO federalismo por segregação. O ente central distribuiu poder para os Estado. cada uma delas cedeu parte de sua soberania para formar um ente único. independentes. dual ou dualista Surgiu nos EUA. nosso federalismo surgiu por segregação. A federação brasileira surgiu por segregação. 5. No caso do norteamericano. os Estados Unidos da América. Há um equilíbrio nessa repartição de 253 . o movimento é inverso. se agregaram. CLASSIFICAÇÕES DO FEDERALISMO Como toda classificação. no fortalecimento dos Estados. Na época da formação norteamericana. O poder sai do centro e vai para os entes periféricos. soberanas.1. As 13 Colônias se uniram. que se uniram.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. vamos escolher determinadas espécies de acordo com certos critérios: 5. o poder não vai da periferia para o centro. lembrar de fuga do centro. b) Federalismo por SEGREGAÇÃO “Na segregação. Você começa a entender essa diferenciação de podres entre o federalismo brasileiro e o norteamericano exatamente a partir do surgimento. vocês podem associar a perto do centro. Vocês vão perceber depois.” É o federalismo clássico.

Faz um estudo bastante aprofundado. são bastante cometidos. quando vai repartir o que possui. a repartição de competências é uma repartição vertical. Emerson Garcia (MP/RJ).LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. Aqui. Os Estados são submetidos à União e. ou se é repartido de forma equilibrada. sobre MP. Estão no mesmo plano. neste caso. o possuidor inicial são os Estados soberanos. Estado e União com suas competências específicas. É o que acontece nos EUA. Quais são os países que adotam hoje o federalismo cooperativo além do Brasil? A Alemanha e. No federalismo por integração. Quanto à CONCENTRAÇÃO DO PODER: Aqui são duas espécies. Ele diz o seguinte: da mesma forma que a experiência nos mostra que todo possuidor. a relação vai ser de subordinação entre os Estados e a União. Existe uma repartição constitucional de competências em que a Constituição fala claramente: Isso é competência da União. os EUA passaram a adotar. mas quem estabelece as normas gerais é a União. após a crise da bolsa de 1929. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 competências. Quando vão distribuir esse poder. cada um com a sua própria. b) Federalismo por integração Aqui. onde os Estados têm um poder muito maior do que no Brasil porque eles é que tinham o poder inicialmente e concederam parte desse poder à União. tem várias obras e uma que comenta essa questão e o livro dele. aquela competência fica tutelada pela União. ocorre exatamente o oposto do federalismo dual. há uma reação à concentração de poder. mas há também uma repartição vertical porque há algumas competências que ficam sob a tutela da União. falamos sobre concentração de poder: Se o poder se concentra num ente central. a) Federalismo CENTRÍPETO No federalismo centrípeto há o fortalecimento excessivo do poder central. No federalismo por agregação. O livro dele é fantástico. no caso da federação. ele comenta sobre essa história do poder estar concentrado ou estar diluído e ele faz uma analogia que eu achei bem interessante. Mas existe um dispositivo em que a repartição é vertical: tanto a União quanto os Estados podem legislar sobre esses assuntos. se não for o melhor. é de coordenação. Vale a pena conferir. No caso do Brasil foi exatamente o inverso. adotavam o federalismo dual. No caso do Brasil isso é visto claramente. Não há diferença de hierarquia entre a União e os Estados.3. Em outro livro. A repartição de competências aqui é horizontal. Foi o estado brasileiro unitário que repartiu essas 254 . essa experiência também se aplica. cujos nomes não tem nada a ver com aqueles movimentos de surgimento do federalismo que vimos anteriormente. Ele recebe este nome porque prega uma cooperação entre os entes federativos. é um dos melhores livros do Brasil sobre o tema. Então. Aqui. é extremamente cometido. b) Federalismo CENTRÍFUGO No federalismo centrífugo. Até a crise. Há um autor. No federalismo cooperativo há uma repartição horizontal de competências. c) Federalismo cooperativo É o federalismo que vem sendo adotado pela maior parte dos países atualmente. é do Estado e isso é do Município. 5. a relação entre os Estados e a União.

no centro. Essas são características comuns encontradas em vários Estados Federais. para manter a integridade nacional. é exercido pelo Congresso Nacional. O outro federalismo. Há uma simetria. 5. extremamente concentrada na União. mas se analisarmos. são todo os outros tribunais. por isso. o Judiciário estadual são os TJ’s. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 competências e foi extremamente cometido. mas em nome de todos os outros Estados-membros da federação. Ele tem uma ordem específica sobre Federalismo Brasileiro. Alguns exemplos de características comuns. pode surgiu um federalismo centrípeto ou centrífugo. Então. Como ele chegou a isso? Ele analisou diversas Constituições de todo o mundo e concluiu que a maioria dos Estados que adotam a federação. Judiciário dual. o Judiciário é exercido em duas esferas: Estadual e Federal. quando o federalismo é por agregação. que as várias Constituições que adotam o federalismo trazem em seu texto:  Possibilidade de intervenção federal nos Estados (seja para restabelecer a ordem. por Raul Machado Horta de: 255 . o Poder Legislativo. Quando é um federalismo por segregação. a periferia.  Existência de um poder constituinte originário (que vai elaborar a Constituição Federal) e de um poder constituinte decorrente (que vai elaborar as Constituições dos Estados). representativa dos Estados é característica comum. de forma clara. que se contrapõe ao simétrico. os Estados que adotam essas características em suas constituições adotam o federalismo simétrico. não significa que é superior aos Estados. Essa é uma característica homogênea do federalismo  Poder Legislativo Bicameral – No federalismo. não concentram o poder na União. E ele é bicameral: tem duas Casas: a Câmara dos Deputados (representantes do povo) e o Senado Federal (representantes dos Estados). geralmente. Quanto às CARACTERÍSTICAS DOMINANTES: Foi uma classificação trazia por um dos maiores estudiosos da federação no Brasil de todos os tempos. Neste caso. guardam para si parcela grande de poder. a) Federalismo SIMÉTRICO ou HOMOGÊNEO O federalismo simétrico é aquele vai adotar as características comuns que ele identificou nas várias constituições. dependendo da forma que como surge o Estado. seja para manter a integridade nacional) – Quando a União intervém nos Estados. geralmente. Raul Machado Horta. poderíamos falar que a classificação que ele faz é com base nesse critério. consagram na Constituição características comuns a todos os Estados. Ele não enuncia esse critério (características dominantes) expressamente. ela não intervém como União. Isso mostra que. intervenção federal não significa hierarquia da União. No Brasil hoje.4. Ele guardou para si a maior parte dessas competências e atribuiu outras aos Estados.  Poder Judiciário Dual – Em uma federação. Ele não distribui tantas competências. os domínios parcelares. Essa casa. temos um federalismo centrípeto. Normalmente. uma homogeneidade entre esses vários Estados (intervenção federal. poder constituinte originário e derivado). ou seja. ele é centrífugo. é chamado. principalmente a parcela financeira.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. A classificação é feita a partir dessa identificação de algumas características comuns às várias Constituições. os Estados-membros. Legislativo bicameral. vamos usar o exemplo do Brasil. Na esfera federal.

há outros critérios que serão levados em consideração. Outra característica que rompe com a simetria é aquela contida no art. Nosso federalismo (e o Cespe pergunta muito isso).erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. mas faz concessões ao federalismo assimétrico. Então. por exemplo. Eu estou dizendo predominância. III: Art. 256 . Isso não há em outras constituições (arts. adotamos o federalismo simétrico. Quando a Constituição estabelece que um dos objetivos da república é reduzir as desigualdades regionais. 3º . exatamente para tentar reduzir essa desigualdade.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. mais precárias e que não são utilizadas em regiões mais abastadas. rompe com o federalismo simétrico porque é uma característica que não é encontrada em outras constituições. porque o interesse pode ser comum a vários entes. especialmente em provas de primeira etapa): 6. SUDENE.1. o Estado brasileiro é extremamente grande e com muitas desigualdades regionais. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 a) Federalismo ASSIMÉTRICO ou HETEROGÊNEO “O federalismo assimétrico rompe com as características tradicionais do federalismo simétrico. 6. 3º. O princípio da predominância do interesse Qual é o princípio que informa toda a repartição de competências na nossa Constituição de 1988? Qual é o princípio diretor? Princípio da predominância do interesse. Zona Franca de Manaus. Para que essas diferenças sejam reduzidas.Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: III . 1º e 18 – para serem analisados depois). Através de incentivos fiscais. Superintendências. a exemplo da SUDAM. são outros exemplos. existem vários mecanismos de favorecimento de regiões mais pobres. é simétrico.” Aqui. Veja que não estou dizendo exclusividade do interesse. na hora de estudar. Isso é característica específica da Constituição brasileira. há vários mecanismos de favorecimento de uma parte da federação em detrimento de outras. Isso. portanto. isso é buscado. Vamos agora entrar no ponto mais importante e mais cobrado sobre Organização do Estado (atenção especial a isso. mas com algumas concessões ao federalismo assimétrico. Eu poderia dar dois exemplos principais que demonstram esse rompimento: Característica que só há no Estado brasileiro: Município como ente federativo. É claro que nem todas as competências vão ser distribuídas com base nisso. O Brasil adota o simétrico. mas pode ser predominante de um relação a outro. Este princípio vai informar a repartição de competências na CF/88. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS Há um material no site sobre algumas decisões do Supremo e dois slides que eu vou passar daqui a pouco.

foram atribuídos à União. Lá vocês vão encontrar vários dispositivos enumerando as competências (são poderes enumerados). § 1º. como foi feita a repartição de competência na CF?  Os assuntos de interesse geral. A partir desses princípios. Vocês vão encontrar em algumas provas o examinador dizendo que o Estado tem competências reservadas. Esses critérios que veremos aqui. Esta afirmativa está correta: “O Estado tem competências reservadas. § 1º . que são mais próximos dos indivíduos. Critérios básicos de atribuição de competências Isso foi questão de prova do Cespe. Estão previstos no art. ela atribui poderes enumerados.  Os outros interesses (regionais. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 Com base nesse princípio. A CF/88 voltou a adotar a mesma fórmula que adotava na Constituição de 1946. 21. neste dispositivo. no art. elencados pela Constituição? Eu vou citar alguns artigos (há outros). há uma incorreção. que trata da competência administrativa da União e no art. que são os utilizados pela Constituição de 1988. 6. Para outros. § 1º. são só mesmos quatro critérios básicos utilizados por outros países.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. por exemplo. além de outros.  Assuntos de interesse predominantemente local foram atribuídos aos municípios. Ela disse quais são os poderes que o município possui. Os poderes residuais ou remanescentes são atribuídos aos Estados. Para alguns entes.” Por que isso está errado? (Fim da 1ª parte da aula) E quais são as competências reservadas ao DF? O DF recebe quase as mesmas competências atribuídas aos municípios e aos estados. que perguntou o seguinte: “Quais são os critérios utilizados para repartição de competência geralmente usados nos Estados modernos?” Ela não se referiu ao Estado brasileiro especificamente. Isso está previsto no art. em regra. Observe que.São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. Por que não são as mesmas? O que tem de diferente no DF em relação a Municípios e Estados? Se vocês 257 . Quais foram os entes da nossa federação que receberam poderes enumerados. Além da União. Isso está no art. 32. mas isso fica bem claro. Não são critérios exclusivos do Estado brasileiro. Essa é uma divisão básica de competência. ela atribui poderes residuais ou remanescentes.2. 22. a) 1º Critério: Estabelecimento de campos específicos Nossa Constituição atribui campos específicos de competências para os entes federativos. a Constituição atribui também aos municípios poderes enumerados. Vejam o que ela diz em relação aos Estados: Art. foram estabelecidos quatro critérios de repartição de competência. 25. não atribuídos nem à União e nem aos Estados) foram atribuídos aos Estados-membros. 30. que trata da competência legislativa da União. 25.

A repartição de competências é vertical ou horizontal? Essa repartição é horizontal. O DF é a sede da União. É dizer. Vou dar um exemplo: Art. No caso do Brasil. Não pode ser delegada) significa que aquela competência não pode ser objeto de delegação e nem pode ser tratada através de legislação suplementar. Essa lei municipal pode ser objeto de controle de constitucionalidade. mas poderia ser de controle difuso. mesmo que chame de exclusiva. aqui poderá haver um controle de constitucionalidade dessa lei da União. por exemplo. por exemplo. todas elas submetidas à Constituição. a Constituição prevê a possibilidade de delegação de algumas dessas competências a outros entes federativos. a União pode delegar a quais entes? Existe previsão de delegação de competência privativa da União para o Município?  Competência PRIVATIVA – É atribuída a um determinado ente. Aí você precisa analisar se a competência em questão pode ser delegada. Essa parte fica a cargo da União. aqui. Se. Então. É uma forma de a União recompensar o DF pela utilização que faz dele.  Competência EXCLUSIVA – Quando uma competência é atribuída com exclusividade a um determinado ente (para conseguir guardar a diferença: exclui a possibilidade de delegação. Semelhante àquela do federalismo dualista. quanto administrativo. há determinadas competências que são atribuídas aos Estados e que a Constituição não atribuiu ao DF. estará agindo de forma inconstitucional. mas pode ser objeto de delegação ou de competência suplementar. Não concentrado. já que usa o DF como sede. A Constituição estabelece campos específicos de competência. a União faz uma lei tratando de interesse local.Compete privativamente ao Senado Federal: I processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade. Se puder ser delegada. bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles. Polícia Militar. 32. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 observarem. na verdade. a parte de organização do Poder Judiciário.Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios. b) 2º Critério: Possibilidade de Delegação Geralmente. 258 . mesmo que ele chame de privativa. será exclusiva. § 1º . tanto legislativo. Bombeiros. o ente pode delegar a competência que é dele ou aquela competência pode ser tratada supletivamente por outro ente federativo. do MP. porque concentrado só através de ADPF. são exclusivas. Art. Se alguns desses entes tratar de matéria que é de competência de outro ente. como a maior parte das competências é atribuída à União. Por exemplo. Se o Município trata de matéria da União. eles estarão violando o quê? A Constituição. Não é o DF que arca com essas despesas. o controle vai ser de constitucionalidade destas leis. Essa é uma distinção doutrinária. ele está violando a Constituição nessa repartição de competência. Então. Há muitas competências que a Constituição fala que são privativas mas que. Se não puder ser delegada. 52 .LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof.

24. apesar de ela não dizer isso expressamente. Determinadas matérias. Se a Constituição atribuiu a competência para executar essas tarefas a esses entes. significam que são matérias de competência privativa da União. Ela não pode delegar aos municípios. 22 . como o DF tem as competências que o Estado tem. Apesar de a Constituição falar apenas que pode delegar aos “Estados”. A União não pode delegar aos Municípios essas matérias de competência privativa. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 Essa não é uma competência privativa. então. ela está. Outro aspecto importante e muito comum em provas de primeira etapa: “Através de que ato normativo essa delegação pode ser feita?” através de lei complementar. Essa parte de organização do Estado tem muita coisa que tem que ficar decorando.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. está errado. Vocês têm que ter atenção aí com esses dois aspectos: Lei complementar e Estados (e DF).Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo. Art. Essa delegação só pode ser feita através de lei complementar. O artigo que elenca de forma sistemática quais são as competências comuns é o art. É muito comum cair em prova que “a União pode delegar através de lei suas competências privativas. 23 e o que elenca de forma sistemática as competências concorrentes é o art. vai legislar. O Senado não pode delegá-la a outro órgão. Se não.Compete privativamente à União legislar sobre: Por que aqui o constituinte acertou ao falar em competência privativa? Olha o que diz o parágrafo único: Parágrafo único . c) d) 3º Critério: 4º Critério: Competências comuns Competências concorrentes Prestem bastante atenção em duas diferenças principais entre as competências comuns e as competências concorrentes. Se vier só lei. Mas quando ela atribui essas competências administrativas. Qual é a primeira diferença que observamos entre as competências comuns e as competências concorrentes? Quando a Constituição fala: “Compete legislar sobre” significa que se trata de uma competência administrativa. Provas de primeira etapa é fundamental que vocês prestem atenção nessas questões. mas tem dois dispositivos que elencam de forma sistemática quais são as competências comuns e quais são as competências concorrentes. As competências comuns são competências administrativas. DF. o que tem 259 . podem ser delegadas pela União a outros entes. Tem que vir na questão: lei complementar. atribuindo também competências para legislar sobre aquele assunto. implicitamente. significa que a competência para legislar sobre aqueles assuntos também foi atribuída a estes entes.” Isso está errado! Quando fala só lei. E para qual ente ela pode delegar certas competências privativas? Ela pode delegar aos Estados. mesmo não estando expresso. ele poderia acrescentar aqui. A não ser que haja alguma ressalva expressa na Constituição. Se a União pode delegar através de lei complementar essas matérias. Essas competências estão espalhadas pelo texto constitucional. é lei ordinária.

do Distrito Federal e dos Municípios: Observe que não fala em competência para legislar sobre (então é competência administrativa) e ela se refere a todos os entes federativos. Vejam o art. A competência concorrente. Este interesse local tem que ser exclusivamente local ou pode ser predominantemente local? Não é exclusivo. fala em “legislar concorrentemente sobre”.suplementar a legislação federal e a estadual no que couber. 24. mas administrativas. 24.” Certo. 23) a todos os entes federativos. Sendo uma competência legislativa. A segunda diferença é bastante importante. E pode.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. mas ele pode legislar sobre essas matérias. Este ‘no que couber’. quem vai legislar são esses mesmos entes. Art. se é concorrente. Reparem que a pergunta que eu fiz não foi se o município tinha competência legislativa concorrente (e município não tem competência legislativa concorrente!). esta é a primeira distinção que não implica em grande diferença prática. aos Estados-membros. significa o quê? Significa naqueles assuntos de interesse local. Então.Compete à União. Este “no que couber” seriam os assuntos de interesse local. eles terão. estes mesmos entes também vão exercer as competências de execução. Se eles têm competência para legislar. por consequência. Já a competência concorrente é diferente. 23 . Ele não tem competência concorrente. II: Art.É competência comum da União. que está logo no inciso I. 24. competências para administrar. mas ela também não foi atribuída a todos os entes federativos. aqueles assuntos que estão lá no art. 24). E por que é assim? Apesar de o município não estar previsto no art. 24.Compete aos Municípios:I . A competência comum é atribuída a todos os entes federativos. É o inverso do que acontece lá em cima. também. 24. Art.legislar sobre assuntos de interesse local. aos Estados-membros e ao DF (art. já que para legislar é preciso administrar e para administrar é preciso legislar. 24 . “Os municípios podem legislar sobre as matérias do art. significa que não foi atribuída apenas a um ente com exclusividade. salvo ressalva expressa. essa competência é comum (art.” Errado. dos Estados. para executar aquelas normas. 30. aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: Se vier questão de prova: “O município tem competência legislativa concorrente estabelecida pelo art. apesar de ser uma competência administrativa. sem exceção: À União. Quando a CF fala em competência comum. Princípio da predominância do interesse. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 competência para administrar. Eu perguntei se ele pode legislar sobre algumas matérias do art. se não tiver nenhum dispositivo específico. É predominantemente local. 24. 260 . 30 . ao DF e aos Municípios. que trata da competência legislativa concorrente ele pode legislar sobre as matérias do art. 24. È uma competência precipuamente legislativa. no seu art. mas que tenham reflexo no interesse local. II . A Constituição. Então. A competência concorrente só foi atribuída à União.

Ele pode fazer. Até que ponto uma norma geral ou não? André Ramos. norma geral é aquela que tem uma aplicação uniforme em todo o território nacional. a competência é cumulativa ou nãocumulativa? Não cumulativa porque a União estabelece normas gerais e o Estado vai exercer a competência suplementar. A União estabelece as diretrizes. tanto a norma que ele teria que fazer normalmente. Supletiva porque ele vai suprir a omissão da União. seriam normas gerais e eles têm uma maior abstratividade do que as regras. São dois os critérios para identificar o que seria uma norma geral. cada um dos entes vai tratar de um aspecto específico da matéria.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. André Ramos Tavares.   Carlos Velloso – Norma geral é aquela que tem o maior grau de abstratividade. O segundo aspecto: O que é norma geral? É difícil definir o que é norma geral e o que é norma específica. regionais. Podem tratar da matéria sem qualquer diferença. que deveria ter sido feita pela União. Que tipo de norma tem o maior grau de abstratividade? Os princípios. quanto a norma complementar. para que o Estado não fique impedido de legislar. Uma outra distinção importante: Existem alguns autores no Brasil que fazem uma diferença entre dois tipos de competência suplementar. ele pode exercer a competência legislativa plena. Carlos Ayres Brito – Segundo ele. que caberia à União. não teria mais sentido. As competências concorrentes são cumulativas ou não-cumulativas? Quando se fala em cumulativa significa que existe a competência prevista para determinada matéria e tanto a União quanto os Estados podem tratar dos mesmos aspectos dessa matéria. um constitucionalista da PUC/SP. as normas gerais. segundo Carlos Velloso. Competência suplementar supletiva – Aqui é a forma como o Estado exerce a competência legislativa plena. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 Regrinhas importantes sobre a competência concorrente A primeira questão importante sobre essas competências legislativas concorrentes é com relação ao tipo de competência concorrente. Então. identificou no STF duas corrente que. No caso da constituição brasileira. Cada um trata de um aspecto diferente. Ele faz tanto a norma geral. fazer essa distinção que o André Ramos Tavares e o 261 . indistintamente. Apesar de ser a mesma matéria. dentro do Supremo. na Constituição de 1988. A Constituição só fala em competência suplementar. Presta bastante atenção aqui: Quando a União se omite e não estabelece normas gerais. É uma competência cumulativa. Os princípios. e o Estadomembro estabelece a norma suplementar. existem esses dois posicionamentos. a União vai estabelecer a norma geral e o Estado vai complementar esta norma gera. geralmente são adotadas a respeito de normas gerais. Eles diferenciam (Alexandre de Moraes. Acumulação de duas leis diferentes sobre o mesmo tema. Quando se fala em não-cumulativa. entre outros) em: Competência suplementar complementar – Aqui. Para José Afonso da Silva. Existe a norma geral feita pela União e o Estado vai complementar aquela legislação da União no que tange a aspectos mais específicos. a União só pode tratar de um aspecto da matéria e o Estado de outro aspecto. Eles não podem tratar dos mesmos aspectos. quanto a norma geral.

Como a competência concorrente é tratada pela constituição? Os §§ 1º a 4º. A primeira questão importante que se coloca é a seguinte: Uma lei federal pode revogar uma lei estadual? Quer dizer. já que a competência é da União? Não. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 Alexandre de Moraes fazem. apesar de não ser unânime na doutrina este entendimento. essa competência suplementar seria supletiva ou seria complementar? Aqui seria uma competência supletiva complementar (vai complementar as normas gerais que a União fez). O que significa o Estado exercer a competência legislativa plena? Significa que ele vai fazer. mas ela irá suspender a eficácia desta norma do Estado. o Estado exercerá a competência legislativa plena. Esses quatro parágrafos além do § único do art. trata-se de uma competência suplementar supletiva. Se esta norma geral da União for incompatível com a norma geral do Estado. a União resolveu fazer a norma geral que o Estado havia feito. os Estados exercerão a competência legislativa plena. O Supremo faz o quê com a lei? Suspende a eficácia.A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual. quanto exercer a competência suplementar. de um poder que não foi o mesmo que a elaborou.Inexistindo lei federal sobre normas gerais. Suspende a eficácia só naquilo que for incompatível. no que lhe for contrário. vocês já sabem qual é a diferença. no que for compatível. tanto a norma geral. 262 . Se a União não faz a norma geral que deveria fazer. no § 3º é supletiva. Mas. como ele está fazendo uma norma que a União deveria ter feito.A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. o que vai acontecer. do art. ela não pode revogar. que deveria ser feita pela União. para atender a suas peculiaridades.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. como é uma questão que pode cair. Esta norma geral pode revogar essa norma geral feita pelo Estado. E aí surge a seguinte questão: O Estado fez a norma suplementar porque a União se omitiu. § 4º . sendo as duas compatíveis e considerando que uma lei federal não pode revogar uma lei estadual? Acontece a mesma coisa que nós vimos no controle de constitucionalidade. Neste caso. Esta competência suplementar aqui é complementar ou supletiva? Neste caso. Se fôssemos adotar o entendimento do Alexandre de Moraes e do André Ramos Tavares. o Estado exercerá a competência legislativa plena. vocês têm que saber na ponta da língua. ela permanece. 22.No âmbito da legislação concorrente. No § 2º é complementar. Aqui é supletiva. § 2º . 24 trazem essas regras. § 1º . Uma norma não pode ser revogada por outra de poder diferente. quando eu falei para vocês que uma decisão do Supremo não pode revogar uma lei. Aqui é a mesma coisa. Havendo omissão da União. em relação à elaboração de normas gerais. mas e se a União resolver exercer a sua competência depois? O que vai acontecer? O § 4º vem resolver essa questão. a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 3º .

§ 1º . outras. se o Estado pudesse contrariar uma norma geral. Eu tenho que ficar decorando todas essas competências dos arts. tem que deixar pra lá mesmo. Normalmente. Então. Não dá para decorar tudo. mas o termo técnico mais correto é efeito repristinatório tácito. eles perguntam de uma dessas duas. § 2º . É o mesmo efeito que ocorre com lei e medida provisória. o Presidente da República edita uma outra MP revogando a anterior. Aqui se está complementando o que já existe. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 O termo técnico é suspensão da eficácia.A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. ela volta a produzir efeitos novamente. 263 . Mas há duas que são muito cobradas e quanto a essas duas. como a norma estadual não foi revogada. como a lei em questão não havia sido revogada. Lei estadual pode contrariar norma geral da União? Não. que alguns até chamam de repristinação tácita. o que a MP faz com a lei? Suspende a eficácia da lei. Estados e Municípios. mas estava apenas suspensa. como vimos.A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual. tem? Tem diferença! Suponhamos que amanhã a União resolve fazer outra norma geral revogando a norma geral anterior. como não há repristinação tácita no direito brasileiro.No âmbito da legislação concorrente. numa relação custobenefício não se deve perde tempo decorando isso. § 4º . Mas.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. essa lei estadual volta a ser aplicada novamente. È a competência complementar supletiva. sendo que essa nova norma é compatível com aquela norma geral que o Estado havia feito. eu vou ensinar uma técnica para vocês poderem guardar com mais facilidade. lendo o informativo você também aprende. Se amanhã. Então. mas há umas que você intuitivamente já sabe de quem é a competência. Se é feita uma medida provisória incompatível com a lei. e outras. Coloquem numa balança o tempo que vocês vão gastar para decorar todas essas competências e o tempo que você poderia estudar outras coisas que são muito mais importantes do que isso. a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. os Estados exercerão a competência legislativa plena. Se fosse o caso de revogação. § 3º . tirando essas. ela não poderia voltar a produzir efeitos. ela pode revogar a lei porque lei emana do Congresso e Medida Provisória do Presidente. Essas duas. 23 e 24? São dispositivos que sempre caem. perguntam só uma questão. Também aqui ocorre o efeito repristinatório tácito. mas se eu falar revogação não tem diferença nenhuma. no que lhe for contrário. dêem uma lida geral. Como é que chama esse fenômeno? Efeito repristinatório tácito. Por isso é não cumulativa. mas eu nunca vi perguntarem duas questões de competência na mesma prova. 21. senão não teria sentido a União estabelecer uma norma geral. Eu acho que. eu acho que vale a pena guardar porque quando eles perguntam de competência da União. o Estado vai suplementar aquilo que a União já tratou. porque a União só estabelece normas gerais e o Estado trata da outra parte. por mais inteligente e estudioso que seja. se uma nova lei da União for compatível com ela.Inexistindo lei federal sobre normas gerais. para atender a suas peculiaridades. Mas neste caso. 22. teve apenas a sua eficácia suspensa.

22. Então. São eles que trazem os entes da federação. I. 1º e o art. 6. Em ambos estão elencados como entes federativos:  A União  Os Estados 264 . vamos falar agora sobre o Distrito Federal e os Municípios. O pessoal desenvolveu um método aí. essas matérias são as matérias de competência privativa da União. Além desses. vamos começar com aquelas matérias que são as mais conhecidas. que é o seguinte: você vai lembrar. Lembrar PUFET:      Previdenciário Urbanístico Financeiro Econômico Tributário Para finalizarmos. que são competências concorrentes. basta lembrar:     Terra – Direito Agrário Água . São de competência da união tratar sobre:      Direito Civil Direito Penal Direito Comercial Direito do Trabalho Direito Processual – lembrar que para “procedimento” a competência é concorrente. direito processual. I. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 Vejam que a Constituição aqui usou o termo correto: “suspende” e suspende no que lhe for contrário. capacete de PM.Direto Marítimo Ar – Direito Aeronáutico Espaço – Direito Espacial  Eleitoral – Imagine se Estados e Municípios pudessem legislar sobre direito eleitoral. seria um verdadeiro caos. 24. são as do art. Então. chamado de “capacete de PM”. Além dessas. Quais são as duas competências que eu acho que vale a pena você memorizar. São eles: O art.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. 18. até porque são bastante fáceis e são muito cobradas? Primeiro é uma competência privativa da União do art. O DISTRITO FEDERAL O Distrito Federal é um ente federativo? Faz parte da organização político-administrativa do Estado brasileiro? Tem dois dispositivos que vocês devem levar em consideração na hora de analisar quais são os entes da federação brasileira. um outro grupo de competências que eles gostam de perguntar e que às vezes as pessoas se confundem. a competência é privativa da União. com esse termo. agora. das matérias que são de competência privativa da União.

o Supremo entendeu o seguinte: STF: “O Distrito Federal não é Estado. todos autônomos. dos dois ou não é nenhum dos dois. I. A União não tem soberania. Outro aspecto importante deste dispositivo. para manter a integridade nacional. etc. MP. No art. o termo união não se está se referindo à pessoa jurídica de direito público interno. 18. 34. 34. fala da organização político-administrativa. o Distrito Federal e os Municípios.A República Federativa do Brasil. 18 estar com letra maiúscula.2. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: E fala em união com letra minúscula.A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União. Natureza Jurídica do Distrito Federal Para que eu quero saber isso? Vejam a importância que isso teve no STF: Distrito Federal tem natureza de Estado. Essa união acaba formando a União com letra maiúscula. Art. Teve uma questão de prova que perguntou o porquê de essa união com letra minúscula e a do art. nos termos desta Constituição. Aqui tem uma questão interessante: A quem pertence a soberania? A Constituição. que é o ente federativo. nem município. que é composta pela União. à República Federativa do Brasil. fala em autonomia. Soberania esta que pertence ao Estado. Quando a Constituição diz “formada pela união indissolúvel”. Art.” E aqui. 6. esse é exatamente o entendimento que ele adota no livro dele e o Supremo simplesmente reproduziu o entendimento do JAS. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009  O Distrito Federal  Os Municípios Art. O Distrito Federal é uma unidade federada com competência parcialmente tutelada (como é o caso do Judiciário. ela tem autonomia. I. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. DF e Município. poderá ocorrer a intervenção federal com base no art. qual o nome desse princípio? Princípio da indissolubilidade do pacto federativo ou só princípio do pacto federativo. Finalidade do Distrito Federal 265 . Se o Estado quiser fazer isso. Isso foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal. É o Estado brasileiro. Mas quem detém soberania? É a República Federativa do Brasil. 1º. Estado. Então. A soberania pertence ao Estado brasileiro.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. se houver a pretensão de integridade num Estado. a medida cabível é a intervenção federal. que veremos adiante.). Porque no art.1. 1º . fazendo justiça ao José Afonso da Silva. Esse princípio veda qual direito aos Estados e aos Municípios? Veda o direito de secessão dos Estados. Mas a União exerce a soberania em nome do Estado brasileiro. mas diz que a República é formada pela união dos entes federativos. que não podem querer se separar do restante da federação. no art. de Município. os Estados. inclusive a decisão está no material de vocês. 18. 6. Quem exerce a soberania em nome do Estado brasileiro? A União. 18 .

na verdade. ser a sede do Governo Federal. aos Estados e ao Distrito Federal. Marcelo Novelino – Intensivo I – 10/07/2009 O Distrito Federal veio para substituir o que. foi criado o DF. já que não existe federação de município. não é o entendimento majoritário. FIM 266 . Para que a União não tivesse sua sede em determinado Estado. Não existe federação de municípios – Se é assim. O segundo argumento é de que os Municípios possuem as mesmas autonomias atribuídas à União. o Estado da Guanabara. Aquele amplamente majoritário hoje no Brasil é o seguinte: 2º Entendimento: O município é. sim. como era. que era sede da União.LFG – CONSTITUCIONAL – Aula 15 – Prof. ele vai ter a mesma natureza de um Estado. citado por quase todos os autores. ente federativo. geralmente. Então. como têm os Estados. São dois entendimentos: 1º Entendimento: José Afonso da Silva – Ele aponta dois motivos pelos quais não considera Município como ente federativo: α) β) O Município não participa da formação da vontade nacional – ele não tem representantes no Congresso. essa é a finalidade do Distrito Federal. Se fosse ente federativo teria natureza de Estado. 1º e 18 que. Quais são essas autonomias? Basicamente quatro:     a a Autoorganização Autolegislação Autogoverno – Elege seus representantes. Autoadministração – Administra os seus próprios negócios. são os arts. antigamente. se considerarmos que município é ente federativo. O MUNICÍPIO Município é ente federativo? Essa questão é também discutida na doutrina e não tem um posicionamento pacífico. São dois os principais argumentos: a a O primeiro argumento. Este entendimento de José Afonso da Silva. e principal. independentemente de qualquer ingerência da União e dos Estados. se chamava de território neutro. 6. claramente elencam os Municípios como entes federativos.