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Carta da IP SOLUTIONSTM aos Eurodeputados Portugueses a respeito da Proposta de Alteração do

Termo de Duração dos Direitos Conexos de 50 para 95 anos

Exmos. Senhores Eurodeputados,

No momento em que o Parlamento Europeu, tal como é do V/ conhecimento, se prepara para no próximo dia 12 de
Fevereiro votar a adopção da Proposta de legislativa em matéria de Direitos Conexos dos Direitos de Autor, a IP
SOLUTIONSTM enquanto empresa de consultoria estratégica especializada em Propriedade Intelectual, concretamente
Direitos de Autor, para a Indústria do Entretenimento (Criativas, Conteúdos e Culturais), aproveita a oportunidade para
este contacto, no qual vos expõe a sua posição relativamente a este assunto.

Sucintamente, como é do V/ conhecimento, a proposta de Directiva em discussão, pretende ampliar a duração dos
Direitos Conexos dos Artistas, Intérpretes e Executantes, assim como dos Produtores de Fonogramas, dos actuais 50
anos para 95 anos, o que representa quase uma duplicação do mesmo.

Tal proposta baseia-se na alegação de pretender “melhorar a situação social dos artistas intérpretes ou
executantes e, em particular, dos músicos contratados, tendo em conta que o tempo de vida desses artistas
ultrapassa cada vez com maior frequência o período de protecção das suas execuções, actualmente fixado em
50 anos”.

Para mais, argumenta-se que sendo a produção de fonogramas em larga escala essencialmente um fenómeno
que teve início na década de 1950, pelo que nos próximos 10 anos um número crescente das execuções
gravadas e publicadas entre 1957 e 1967 deixará de usufruir de protecção. Quando as suas execuções gravadas
em fonograma já não estiverem protegidas, cerca de 7000 artistas intérpretes ou executantes nos grandes
Estados-Membros e um número correspondentemente menor nos Estados-Membros de menor dimensão
perderão todos os seus rendimentos provenientes de direitos de utilização contratuais e de direitos de
remuneração legais devidos pela radiodifusão e comunicação ao público das suas execuções em bares e
discotecas.

Não deixa de ser curiosa a conhecida oposição a esta medida por parte dos Comissários Antonio Tajani (Transportes) e
Viviane Reding (Telecomunicações), com os fundamentos de que esta aproximação aos EUA apenas irá beneficiar os
artistas de top e as discográficas, cuja situação actualmente se sabe complicada devido à ineficácia da sua adaptação
ao digital e à partilha ilegal de ficheiros.

É igualmente interessante a decisão de avançar com esta Proposta de Directiva num momento em que o Gowers
Review of Intellectual Property, realizado e pago pelo Governo Britânico, desaconselha esta medida, mantendo-se
pelos actuais 50 anos.

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Carta da IP SOLUTIONSTM aos Eurodeputados Portugueses a respeito da Proposta de Alteração do
Termo de Duração dos Direitos Conexos de 50 para 95 anos

Existem inúmeros estudos imparciais, opiniões de peritos e de aquilo que foi dito por alguns dos mais respeitados
economistas a nível mundial, sublinhando todos que a extensão do prazo não trará mais royalties para os Artistas,
Interpretes e Executantes, mas pelo contrário, criará desvantagens para a um mundo criativo que ficará desprovido
de uma longa promessa de valor em domínio público, além de não ajudar os mais pobres, mas pelo contrário, ser a
abertura de uma janela para os titulares de direitos sobre os catálogos mais amplos e para com os Artistas,
Interpretes e Executantes mais bem pagos.

Em termos práticos, quem sai beneficiado? Apenas as produtoras discográficas, uma vez que a maioria dos artistas,
interpretes e Executantes (80%) receberá, nos cálculos do Open Rights Group entre €0,50 / €26,00 por ano. Aliás, o
gráfico abaixo é bem ilustrativo, como podem ver.

Exmos. Senhores Eurodeputados,

O Direito de Autor é um Direito Fundamental que atribui um monopólio aos seus titulares, monopólio
temporalmente limitado pelo tempo de vida do seu titular e mais 70 anos após a sua morte, posto o qual a Obra cai
no chamado Domínio Público.

A ideia é devolver à Comunidade a Obra e torná-la de facto parte do acervo global, de todos. Não significa isso que o
seu uso seja realizado de qualquer forma, ou que não se respeitem os Direitos Morais, pelo contrário.

Os Direitos Conexos, ou Vizinhos, são direitos que derivam da existência prévia de um Direito de Autor, o qual é
autorizado pelo seu titular a ser utilizado para originar esse Direito Conexo. O seu reconhecimento legislativo e a
dignificação legal advém no caso dos Artistas, Interpretes e Executantes do reconhecimento do carácter de criação

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Carta da IP SOLUTIONSTM aos Eurodeputados Portugueses a respeito da Proposta de Alteração do
Termo de Duração dos Direitos Conexos de 50 para 95 anos

criativa que o seu trabalho implica e origina. No caso dos produtores fonográficos, do reconhecimento de que o
investimento deveria ser protegido.

É nossa opinião, enquanto especialistas e empresa altamente especializada nesta matéria, que encara os Direitos de
Autor de um ponto de vista estratégico, procurando a criação de Valor e Mais-Valias para os nossos Clientes, que as
consequências decorrentes no caso de esta alteração se efectuar, é que apenas permitirá às produtoras discográficas
manter o seu controle sobre um conjunto demasiado vasto de gravações, que lhes permitirá tão só continuar a realizar
um lucro marginal daquelas e ainda poucas gravações que possam ter e ser comercialmente viáveis 50 anos depois,
criando assim um vácuo comercial por mais 45 anos.

Estas consequências reflectir-se-ão nos mais variados sectores:


Artistas individuais, bibliotecas, estudos académicos, negócios, o público e parecendo que não, a própria
industria como um todo.

Numa altura em que a Europa busca nas Indústrias Criativas, Culturais e de Conteúdos como um dos seus Caminhos
de Futuro, esta extensão apenas vai beneficiar as majors, e a Europa deve decidir se assim é, ou, pelo contrário,
permitirá a entrada em Domínio Público ao fim dos actuais 50 anos permitindo que todos nós, enquanto
comunidade beneficiemos, permitindo a inovação, o aumento da prosperidade da Europa.

Esta alteração impedirá que novos Criadores reutilizem essas Obras, acrescentando-lhes mais valor, novos usos, seja
pela sua possibilidade de remixagem, reconstrução, recriação, incorporação, etc.

Com essa impossibilidade perde a Europa, perdem as Indústrias, perde o nosso Património, perdemos todos Nós.
Ficaremos mais pobres sem dúvida para parco beneficio real de quase nenhuns.

Em especial os países mais pequenos e periféricos como Portugal, onde a Indústria Musical não tem uma força tão
grande, vê a possibilidade da cada vez maior quantidade de Talentos nacionais, que criam música e conteúdos, não
poderem dar nova vida à nossa ainda recente herança cultural reinventando a mesma e trazendo-a de volta pela sua
capacidade criativa de recriação e inspiração.

A nós, portugueses, afecta-nos mais dramaticamente.

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Carta da IP SOLUTIONSTM aos Eurodeputados Portugueses a respeito da Proposta de Alteração do
Termo de Duração dos Direitos Conexos de 50 para 95 anos

O Direito de Autor e os Direitos Conexos são uma mais-valia incrível para a Europa, para o Mundo.
Mas, é importante que estes Direitos (entre os quais o Direito de Autor que é um Direito Fundamental
constitucionalmente previsto), existam para que cumpram a sua função:
1. Proteger para incentivar,
2. Remunerar para incentivar.

Exmos. Senhores Eurodeputados,

Somos profissionais do sector. Ganhamos a vida a pensar e a viver o Direito de Autor e a tratar de o valorizar e
rentabilizar.

Fazemos o apelo para que V. Exas. tenham presentes nas vossas consciências as consequências e os propósitos que de
facto conduzem esta proposta, e que votem contra esta alteração que nos prejudica a todos.

Com os nossos melhores cumprimentos

Marco Alexandre Saias


André Guerreiro Rodrigues

Av.Conselheiro Barjona de Freitas, 7, 7ºB


1500-203 Lisboa – Portugal
+351 91 323 9483 | +351 96 637 3880

geral@ipsconsultoria.com

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