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ID: 45887074 29-01-2013 Tiragem: 41360 Pág: 22 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área:

ID: 45887074

29-01-2013
29-01-2013

Tiragem: 41360

Pág: 22

País: Portugal

Cores: Cor

Period.: Diária

Área: 27,50 x 30,75 cm²

Âmbito: Informação Geral

Corte: 1 de 2

cm² Âmbito: Informação Geral Corte: 1 de 2 Se o Estado não tem dinheiro para a

Se o Estado não tem dinheiro para a Cultura, é preciso inventar saídas

Ficar à espera que o Estado seja a solução para os problemas é uma questão do passado? Falou-se de crowdfunding, marketing cultural para promover e rentabilizar museus e cidades

Financiamento das artes em Cláudia Madrid Carvalho,

Nunca se falou tanto em crise econó- mica e cortes orçamentais na Cultura mas também nunca se fez tanto com tão pouco. O número de festivais, seja de música ou artes performati- vas, de exposições e de espectáculos continua a crescer, à medida que os apoios financeiros públicos têm vin- do a diminuir. Não há dinheiro mas existem ideias, fulcrais para que se inventem novas formas de financia-

mento. É possível continuar a criar,

é possível ganhar dinheiro com a cul-

tura, só é preciso descobrir como. Às vezes das formas mais inesperadas. Não existem fórmulas, é preciso ar- riscar. Esta foi a principal conclusão dos encontros internacionais de ges- tão cultural, Pública 13, que aconte- ceram entre quinta e sexta-feira em Madrid, e que contaram com cerca de 600 profissionais do sector. Já não é possível depender apenas do Estado nem é concebível que se pare a criação artística, tão impor- tante para a cultura de um país. As estruturas artísticas sabem disso porque há muito que sentem as difi- culdades, e o Estado sabe porque há muito que não consegue dar resposta aos pedidos de apoios. Isto é verda- de em Espanha, como é em Portu- gal. Assim como é verdade que em qualquer lugar do mundo o Estado não se pode alienar de todo este pro-

cesso, devendo-se unir às estruturas na busca por alternativas. José Ma- ría Lassalle, secretário de Estado da Cultura espanhol, é um dos nomes que mais tem defendido esta ideia de colaboração entre o Estado e o sector privado, apelando ainda a uma maior participação dos cidadãos na cultura. Na quinta-feira, na abertura destes encontros internacionais que têm

como objectivo a troca de experiên- cias e ideias entre os profissionais do sector, repetiu que ficar à espera que

o Estado seja a solução para os pro-

blemas é uma questão do passado, vendo na crise uma oportunidade de transição de um “modelo obsoleto, que não funciona mais, para um mo-

delo cultural de colaboração”. Mas admitiu: “É uma mudança que não é

fácil e que não se está a fazer ao ritmo que alguns desejariam”. Para John Holden, professor de Política Cultural na City Universi- ty de Londres, a mudança tem de começar pelos líderes culturais, ou seja, pelos directores de museus e companhias, e todos responsáveis por projectos artísticos. “A cultura toca em todas as áreas da nossa vida

e por isso para os políticos é difícil de catalogar, acabando por a ver quase como um luxo, como algo que se faz ao final do dia”, disse na conferência Liderança e Cultura, explicando que

cabe a estes líderes mudar esta ideia, envolvendo mais as pessoas, criando oportunidades para elas, mostrando assim aos políticos a importância que

a cultura tem na definição do indi-

víduo. “As pessoas vão ao tribunal porque têm de ir, mas vão ao teatro ou a uma biblioteca porque querem,

é preciso chamá-las.”

O britânico destacou ainda a im-

portância da revolução tecnológica, que deve ser vista como uma oportu- nidade. “Cada vez mais surgem meios alternativos para angariar fundos. Só no ano passado, por exemplo, a Ki- ckstarter [plataforma de crowdfun- ding para projectos criativos] apoiou mais artistas nos Estados Unidos do que o Governo americano”, acres- centou, defendendo que as pessoas dão valor à cultura, “como se pode ver pelos grandes museus que estão sempre cheios e os espectáculos e

concertos tantas vezes esgotados”.

O crowdfunding, que foi uma das

propostas mais faladas ao longo dos

dois dias de conferências, perceben- do-se que de facto esta é uma das saídas mais procuradas actualmente,

é para o holandês Marc van Warmer-

dam, director da Companhia Orka- ter, não só uma forma de angariar dinheiro como também de encon- trar patrocínios. “Se um projecto foi apoiado é porque as pessoas o

querem ver concretizado e se assim

é significa que as pessoas estão lá e os patrocinadores percebem isto e querem estar onde estão as pesso- as”, explicou Van Warmerdam, que implementou na sua companhia de

explicou Van Warmerdam, que implementou na sua companhia de José María Lassalle, s ecretário de Estado

José María Lassalle, secretário de Estado da Cultura espanhol, fotografado em Lisboa

teatro um programa para novos ar-

tistas, como forma de dar resposta

à falta de emprego e oportunidades

no sector. “As grandes companhias

são muito fechadas e é difícil quando se sai da faculdade conseguir fazer alguma coisa com projecção pública. Eles candidatam-se aos apoios para novos criadores mas depois não têm

onde nem como apresentar os traba- lhos”, disse o director, explicando que com esses apoios os novos artis- tas desenvolvem os seus trabalhos na companhia. “É uma forma de apre- sentarmos mais espectáculos e assim ganharmos mais dinheiro em bilhe-

teiras, dando-lhes a eles o carimbo da companhia, o que lhes garante logo uma maior visibilidade.” Para

o holandês os cortes orçamentais são

um problema de todos e por isso têm

“É preciso renovar

e inovar, os modelos antigos não são rentáveis nem fazem mais sentido”

Björn Stenvers, Amsterdam Historical Museum

de ser assumidos por todos. “Não se pode esperar que nos resolvam os problemas, nós fazemos parte da solução. Posso garantir que com es- te programa conseguimos criar não só uma grande dinâmica com os te- atros holandeses, onde passamos regularmente com estes espectácu- los, criando relações de proximidade com o público que já conta com estas apresentações, como ganhámos uma maior audiência.”

I amsterdam

Foi para pensar em criar novas al- ternativas para a cultura que Björn Stenvers, director de marketing do Amsterdam Historical Museum, foi convidado pela Câmara de Ames- terdão. O holandês defendeu que a importância do sector, assim como a

ID: 45887074 29-01-2013 Tiragem: 41360 Pág: 23 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área:

ID: 45887074

29-01-2013
29-01-2013

Tiragem: 41360

Pág: 23

País: Portugal

Cores: Cor

Period.: Diária

Área: 11,48 x 30,32 cm²

Âmbito: Informação Geral

Corte: 2 de 2

cm² Âmbito: Informação Geral Corte: 2 de 2 237,7 600 milhões de euros foi o valor

237,7 600

milhões de euros foi o valor angariado em 2012 pela plataforma de crowdfunding Kickstarter

profissionais do sector cultural falaram durante dois dias das suas experiências e dos seus projectos

RUI GAUDÊNCIO
RUI GAUDÊNCIO

sua rentabilização, passa sobretudo pela sua promoção e para isso é pre- ciso que se aposte mais numa estraté- gia de marketing cultural. “Não é por acaso que quando se promove uma cidade a maior parte das referências sejam culturais, é isso que os turistas procuram e por isso é preciso apos- tar sem medo na promoção, que não tem de ser cara mas passa por ideias criativas. Não é tornar a cidade e os seus teatros e museus num produto mas é vender uma ideia”, explicou Stenvers, que ajudou a criar a marca I amsterdam, hoje em esculturas espa- lhadas por toda a cidade. “Com esta ideia criaram-se por exemplo cartões que dão acesso a todos os museus da cidade.” O que aumentou auto- maticamente o número de visitantes nos museus mais pequenos e menos

conhecidos. “Criaram-se épocas fes- tivas e mudaram-se outras para perto destes museus — uma forma de os dar a conhecer. O que fizemos foi pensar como é que nos dias de hoje conseguiríamos fazer dinheiro, por exemplo, nos museus”, continuou, explicando que não faz sentido proi- bir fotografar nos museus quando estamos no tempo das redes sociais. “Por que não criar mesmo sessões fotográficas nos museus? É preciso renovar e inovar, os modelos antigos não são rentáveis nem fazem mais sentido. O objectivo hoje é estarmos em todo o lado e essa deve ser a apos- ta de todas as cidades. É o caminho para crescer.”

O PÚBLICO viajou a convite do British Council