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PUC-SP

Direito

A eficácia preclusiva da coisa julgada e o princípio do deduzido e do dedutível

Stefano Pelosof

São Paulo

2012

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

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2 CONCEITOS

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2.1 Coisa Julgada

3

2.2 Eficácia Preclusiva da Coisa Julgada Material

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2.3 Príncipio do Deduzido e do Dedútivel

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3 JURISPRUDÊNCIA

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3.1

Eficácia Preclusiva da Coisa Julgada Material

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3.1.1 Superior Tribunal de Justiça (STJ)

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3.1.2 Supremo Tribunal Federal (STF)

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3.2

Do Princípio do Deduzido e do Dedutível

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1 INTRODUÇÃO

O trabalho a seguir é uma obra realizada com intuito didático de explorar, à partir de um método linear de pensamento, os conceitos da eficácia preclusiva da coisa julgada e o princípio do deduzido e do dedutível, estabelecendo entre esses conceitos uma relação, sendo ambos tão fundamentais para o entendimento do desenvolvimento do processo na esfera cível e sua conclusão, consagrando a ‘’coisa julgada’’.Para atingir a finalidade do trabalho, ocorrerá a exposição dos conceitos fundamentais de coisa julgada, eficácia preclusiva da coisa julgada material e o principio do deduzido e do dedutivo.Após essa exposição, a relação entre esses conceitos será formalizada, envolvendo inclusive análise jurisprudencial correspondente.

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2 CONCEITOS

2.1 Coisa Julgada

A coisa julgada é uma qualidade dos efeitos da sentença, ou acórdão, que a ã partir dessa característica tornam- se imutáveis por não caber recursos contra a mesma. O princípio que acarreta a imutabilidade da sentença obviamente refere-se ao da segurança jurídica, pois somente com essa imutabilidade as partes que surtirão efeitos modificativos, extintivos ou constitutivos em relação aos seus direitos, e assim prosseguirão sua vida com a certeza de que as discussão a respeito de seus direitos ou de outrem, já foram solucionados de forma favorável ou não. Sobre o princípio da segurança jurídica e a coisa julgada, enfatiza Scarpinella Bueno:

“não se pode cogitar, com efeito, da imutabilidade de uma decisão se fosse possível levar ao judiciário, a cada novo instante, novos argumentos das questões já soberanamente julgadas, iniciativa que, em última instância, teria o condão de desestabilizar o que, por definição, não pode ser atacado ‘’

Ressalte-se ainda que não é sempre que a imutabilidade coincide com a produção dos efeitos da sentença, como bem explica Marcus Vinicius Rios Gonçalves no trecho a seguir:

‘’ A imutabilidade não coincide sempre com os efeitos da sentença.Há casos em que ela os produz ainda antes de ter-se tornado definitiva, quando os recursos pendentes não tem efeito suspensivo’’

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Importante expor a diferença entre dois aspectos da coisa julgada:Formal e Material.O primeiro aspecto trata-se de forma simples da imutabilidade das sentenças, sejam elas de mérito ou não, quando não cabe mais recurso.Trata-se de um aspecto essencialmente processual.O segundo aspecto é o material que refere- se ao impedimento de que a mesma pretensão seja discutida em outro processo posteriormente.Este aspecto recai apenas em sentenças com mérito.

2.2 Eficácia Preclusiva da Coisa Julgada Material

Após uma breve análise a respeito do conceito de coisa julgada e seus aspectos principais (coisa julgada material e coisa julgada formal), iremos estudar a eficácia preclusiva da coisa julgada material.

A eficácia preclusiva é uma consequência da coisa julgada material e basicamente consiste na impossibilidade de rediscutir aquilo que já foi decidido. Sendo assim, trata-se de um pressuposto (nesse caso negativo) para o devido prosseguimento do processo.

Não pode assim, propositura de nova ação com mesmas partes, causas de pedir e pedido. Além disso, a eficácia preclusiva não apenas impossibilita nova demanda, como também impede a discussão daquilo que já foi decidido anteriormente.

Sobre este tema, surge uma discussão a respeito do limite da eficácia preclusiva:

Se houver mudança de um dos elementos (partes, causa de pedir, pedido) já é possível o ingresso em nova demanda mesmo que o assunto já foi discutido?

Sendo assim, existe uma corrente que engloba inclusive a opinião de Barbosa Moreira, que estabelece:

‘’O limite restritivo à eficácia preclusiva da coisa julgada material’’.

Portanto, para essa corrente de pensamento a simples troca de um dos

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elementos do processo (como partes, causa de pedir, e pedido) já configura a possibilidade de ingressar em juízo novamente.

Sérgio Gilberto Porto, com base na corrente de pensamento acima exposta, exemplifica claramente sua posição:

“Consideram-se deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas pertinentes,

e por pertinentes à demanda entendam-se aquelas que contribuem para a fixação

nos limites da causa. Assim, na ação de separação judicial proposta e na

insuportabilidade da vida em comum, em face da embriaguez habitual de um dos cônjuges, tudo em torno do conteúdo fático da causa é considerado deduzido, mesmo que não o tenha sido. Todavia, em caso de improcedência da demanda, nada obsta que seja proposta nova ação, agora com base no adultério, ainda que este já tivesse sido consumado à época do ajuizamento da primeira demanda, eis que – por se tratar de ação diversa, em razão da mudança da causa – não há que se falar em coisa julgada e, muito menos, em eficácia preclusiva desta”

da lide (

)

Concordaremos com os doutrinadores acima citados, por entendermos que é a posição que condiz de forma significante e expressiva com o princípio da razoabilidade e da Inafastabilidade da Jurisdição(Art.5 , XXXV, CF).

2.3 Principio do Deduzido e do Dedutível

Acerca desse principio, seguiremos a linha de raciocínio da eficácia preclusiva da coisa julgada.Assim, transcrevemos o artigo 474 do Código de Processo Civil:

‘’Passada em julgado a sentença de mérito, reputar-se-ão deduzidas e repelidas

todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como

à rejeição do pedido’’.

Assim, consiste no principio do deduzido e do dedutível, não somente o

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impedimento em relação a discussão de questões que tenham sido expressamente alegadas mas também daquelas que poderiam ser alegadas, mas não foram.

Ressalte-se que não se pode confundir esse principio com nova demanda com causa de pedir diferente, matéria já superada por esse trabalho.

Dito isso, o réu não pode vir a alegar em uma segunda demanda matéria que deveria ser alegado na demanda original.

Como explica Dinamarco:

‘’ novos argumentos, novos argumentos, novas circunstancias de fato, que talvez pudessem ser úteis quando trazidos antes do julgamento da causa, agora já não poderão ser utilizados’’.

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3 JURISPRUDÊNCIA

Superada a fase de explanação de conceitos, apresentaremos a seguir a comprovação na esfera prática, da aplicabilidade dos conceitos estudados. Lembrando que transcrevemos abaixo apenas a ementa, levando em consideração sempre a relevância dos tribunais.

3.1 Eficácia Preclusiva da Coisa Julgada Material

3.1.1 Superior Tribunal de Justiça (STJ)

1) RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE COBRANÇA DE TAXA DE CONDOMÍNIO DE SHOPPING CENTER. MATÉRIA RELATIVA À FORMA DE CÁLCULO DA TAXA DEFINIDA EM DEMANDA ANTERIOR ENTRE AS MESMAS PARTES.EFICÁCIA PRECLUSIVA DA COISA JULGADA.1. Pretensão de condomínio de shopping center de cobrar diferenças de taxas condominiais, em face de modificação operada na respectiva convenção.2. Critério de cálculo da taxa condominial, considerando a fração ideal do imóvel, definido em ação declaratória cumulada com consignatória movida pela condômina. 3. Alteração na forma de cálculo da taxa condominial operada no curso da demanda anterior, para o coeficiente de rateio das despesas (CRD), que não foi comunicada ao juízo. 4. Inaplicabilidade da regra contida no artigo 471, I, do Código de Processo Civil, referente às relações jurídicas continuativas, que somente tem incidência nas alterações posteriores ao trânsito em julgado da ação anterior, em face do disposto no artigo 474 do mesmo diploma legal. 5. Interpretação sistemática e teleológica da legislação processual.6. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.

2) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO EM MANDADO

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DE SEGURANÇA. EMBARGOS À EXECUÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. POSTERIOR EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE PARA DISCUTIR TEMA JÁ AFASTADO.DESCABIMENTO. EFICÁCIA PRECLUSIVA DA COISA JULGADA.1. A União alegou nos embargos à execução o tema da inexistência de título executivo, que não foi examinado porque tratado apenas no agravo regimental.2. Essa decisão, certa ou errada, transitou em julgado, não podendo agora ser renovada em exceção de pré-executividade, sob pena eterniza a lide.3. Agravo regimental não provido.

(6315

DF

2005/0166255-8,

Relator:

Ministro

CASTRO

MEIRA,

Data

de

Julgamento:

14/09/2011,

S1

-

PRIMEIRA

SEÇÃO,

Data

de

Publicação:

DJe

28/09/2011)

 

3.1.2 Supremo Tribunal Federal (STF)

3) RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTO INFRACONSTITUCIONAL SUFICIENTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO: SÚMULA N. 283 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base na alínea a do inc. III do art. 102 da Constituição da República contra julgado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que decidiu: "NOMEAÇÃO E POSSE DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. REALIZAÇÃO DE NOVO EXAME PSICOLÓGICO EM JUÍZO. PEDIDO DE CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE VENCIMENTOS PRETÉRITOS À POSSE. EFICÁCIA PRECLUSIVA DA COISA JULGADA. Tendo o autor tomado posse no cargo para o qual prestou concurso público em razão de decisão judicial que veio a considerá-lo, em face de exame psicológico realizado em juízo, apto para o exercício do cargo, decidindo, ainda, pela percepção de vencimentos somente após a posse efetiva, descabe a rediscussão da questão atinente aos vencimentos desde a data que realmente deveria ter direito a tomar posse, uma vez que abrangida pela eficácia preclusiva da coisa julgada. Questão que foi objeto dos pedidos formulados na demanda anterior. A modificação da fundamentação, no sentido de que, agora, o pedido seria indenizatório, não conduz à modificação da demanda, nem da causa de pedir, uma vez que tais fundamentos

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poderiam ter sido deduzidos na primeira ação. Ainda que fosse possível superar a coisa julgada na espécie, não teria o autor direito ao pagamento dos valores

pretéritos, inclusive porque, na primeira ação, ficou assentada a possibilidade de não estar em condições psicológicas de tomar posse quando da realização do primeiro exame psicológico. Precedentes desta Corte que afastam a tese do autor. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DE APELAÇÃO" (fl. 149). 2. O Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o § 6º do art. 37 da Constituição. Argumenta que:

"Equivocadamente alega o acórdão, que o autor deixou de tomar posse por força de um teste psicológico que o declarava impossibilitado. Mas ignora que o teste foi declarado ilegal pela sua subjetividade, violando por consequência os princípios da administração pública, previstos no art. 37 da CF, de legalidade, publicidade e impessoalidade. Teste subjetivo fere diretamente o princípio da impessoalidade conforme ficou declarado na sentença. Diante da declaração da ilegalidade do teste aplicado,retardando a posse e diante do dano causado, busca-se, na presente ação indenizatória, o simples ressarcimento do dano. Sobre isso não há sentença que transitou em julgado, conforme alega o acórdão. A sentença refere-se a posse

retroativa, com pagamento de vencimentos. (

Público verificar a conveniência e a oportunidade de convocar os candidatos classificados e aprovados em certame público. Ocorre que o autor foi convocado, nomeado, mas impedido de tomar posse, tendo no seu lugar outro candidato tomado posse, por força do ato ilegal, declarado pelo próprio acórdão. Portanto, não se trata de mera expectativa de ser nomeado. O candidato foi nomeado, mas ato ilegal subsequente o impediu de tomar posse e no seu lugar o município nomeou e deu posse a outro candidato, de menor classificação" (fl. 167). Apreciada a matéria trazida na espécie, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste ao Recorrente. O Desembargador Relator afirmou: "No recurso de apelação, o autor postulou o pagamento das parcelas anteriores à posse, porém, dessa vez, argumentou no sentido de que tal decorreria do direito a ser indenizado. O acórdão que julgou o apelo, substituindo-o, valeu-se da fundamentação do parecer do Ministério Público, que, efetivamente, considerou estar-se diante de inovação recursal. No entanto, na própria do acórdão constou a impossibilidade da percepção de vencimentos antes da posse e exercício do cargo, conforme determinação sentencial (fl. 81). E mais, o próprio parecer do Ministério Público considerou que não tendo, pois, exercido as funções atinentes ao cargo, por não ter sido empossado, não tem o autor direito à

Efetivamente, compete ao Poder

)

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pretendida percepção dos vencimentos (fl.91). Dessa maneira, imprescindível observar o que ficou definido no processo anterior, em respeito ao art. 5º, XXXVI, da CF/88. Presentes, in casu , os efeitos da coisa julgada material, inviabilizada a rediscussão da matéria já decidida anteriormente com cunho de definitividade. ( ) Nesse sentido, o artigo 474 do CPC dispõe: passada em julgado a sentença de mérito, reputar-se-ão deduzidas e repelidas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido . Note-se que na petição inicial da ação anterior foi postulado expressamente o pagamento dos

valores anteriores à efetiva posse do autor, nos seguintes termos: (

).

Ora, o autor,

na presente demanda, segue formulando o mesmo pedido, porém, a fim de tentar escapar da coisa julgada operada na presente demanda, alega que o fundamento seria diverso, pois, agora, o pedido estaria lastreado no direito à indenização.Todavia, trata-se de fundamento que poderia ter sido deduzido na ação anterior e que, portanto, encontra-se coberto pela eficácia preclusiva da coisa julgada" (fls. 150 v.-151). O Tribunal a quo decidiu a controvérsia com base em dois fundamentos, um infraconstitucional (art. 474 do Código de Processo Civil) e outro constitucional (inc. XXXVI do art. 5º da Constituição da República). Subsiste o fundamento infraconstitucional, autônomo e suficiente para manutenção do julgado recorrido, em razão da não interposição de recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. Incide na espécie a Súmula n. 283 deste Supremo Tribunal. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. ESCOLA AGROTÉCNICA. COBRANÇA DE TAXA DE ALIMENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO APENAS POR RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTO INFRACONSTITUCIONAL SUFICIENTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 283 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO" (RE 597.842-AgR, de minha relatoria, Primeira Turma, DJe 4.6.2010 -grifei). Nada há a prover quanto às alegações do Recorrente. 4. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil, e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 1º de fevereiro de 2012.Ministra CÁRMEN

LÚCIARelatoraaIII102Constituição§

6º37Constituição37CF5ºXXXVICF/88474CPC474Código de Processo Civil5ºConstituição557Código de Processo Civil

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(668726 RS , Relator: Min. CÁRMEN LÚCIA, Data de Julgamento: 01/02/2012, Data de Publicação: DJe-028 DIVULG 08/02/2012 PUBLIC 09/02/2012)

3.2 Do Princípio do Deduzido e do Dedutível

1) PROCESSUAL CIVIL. COISA JULGADA. IDENTIDADE DE PEDIDOS. PRINCÍPIO DO DEDUTÍVEL E DO DEDUZIDO.1. Ainda que não haja identidade textual entre os pedidos imediatos, depreende-se que o pedido mediato, ou seja, o bem jurídico que o autor pretende obter, é exatamente o mesmo nas duas ações.2. Segundo o princípio do dedutível e do deduzido, albergado pelo art. 474 do CPC, considera-se que tudo o que as partes poderiam ter deduzido como argumentação em torno do pedido ou da defesa, reputam-se feitos, ainda que não o tenham sido. No caso vertente, o autor reproduz a mesma lide, com base nos mesmos fatos e na mesma causa de pedir, embora com argumentos diferentes.474CPC

DE

ALMEIDA, Data de Julgamento: 17/12/2003, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 04/02/2004 PÁGINA: 313)

(24515

RS

2002.71.00.024515-0,

Relator:

WELLINGTON

MENDES

2) AGRA VO DE INSTRUMENTO - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVJDADE - Alegação de inexistência de direito à remuneração deferida pela sentença, em razão das datas-base das contas de titularidade do autor se situarem na 2a quinzena do mês, de modo a não fazer ele jus às diferenças reclamadas na inicial - Matéria não deduzida em contestação ou mesmo na fase recursal - Matéria de defesa que se reputa deduzida e repelida por parte do Juízo - Princípio do deduzido e dedutível - Sentença transitada em julgado - Coisa julgada material inalterável - Recurso

(20926

SP

Relator:

Carlos

Vieira

Von

Adamek,

, 28/11/2008, 2ª Turma Cível, Data de Publicação: 16/12/2008)

Data

de

Julgamento:

12

3) AGRAVO DE INSTRUMENTO - TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL - EXECUÇÃO FISCAL - PRETENSÃO DE EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE PEDIDO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO - PRECLUSÃO - PEDIDO QUE JÁ FOI APRECIADO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO CONTRA A DECISÃO QUE JULGOU A EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE - AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA AGRAVANTE PARA SE MANIFESTAR SOBRE A IMPUGNAÇÃO À EXECUÇÃO DE PRÉ- EXECUTIVIDADE - PRECLUSÃO (ART. 474 DO CPC)- PRINCÍPIO DO DEDUZIDO E DO DEDUTÍVEL - NULIDADE DA DECISÃO QUE DETERMINOU O BLOQUEIO ON-LINE, DIANTE DA AUSÊNCIA INTIMAÇÃO PRÉVIA DA AGRAVANTE - INOCORRÊNCIA - ART. 655-A, § 2º, DO CPC - CONTRADITÓRIO QUE DEVERÁ OCORRER APÓS EFETIVADO O BLOQUEIO JUDICIAL - NOMEAÇÃO DE PRECATÓRIO JUDICIAL À PENHORA - RECUSA DA FAZENDA PÚBLICA - DECISÃO QUE DETERMINOU O BLOQUEIO ONLINE DE ATIVOS FINANCEIROS EXISTENTES EM CONTAS BANCÁRIAS DE TITULARIDADE DA EXECUTADA - PRECATÓRIO EQUIPARADO A DIREITO DE CRÉDITO E NÃO A DINHEIRO - ADVENTO DA EC 62/2009 - DIFICULDADE DE ALIENAÇÃO DOS PRECATÓRIOS - OBEDIÊNCIA À ORDEM DE NOMEAÇÃO DE BENS ESTABELECIDA PELO ART. 11 DA LEF - AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA MENOR ONEROSIDADE - PENHORA DE DINHEIRO QUE NÃO CORRESPONDE À PENHORA SOBRE FATURAMENTO - PRECEDENTES DO STJ E DESTA CORTE. RECURSO EM PARTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO.474CPC655-A§

2ºCPC6211LEF

(8421210

PR

842121-0 (Acórdão), Relator: Josély Dittrich Ribas, Data de

Julgamento: 22/05/2012, 2ª Câmara Cível)

4) DIREITO AMBIENTAL AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL PRETENSÃO DE DESCONSTRUIR, POR ALEGAÇÃO DE NULIDADE, AUTO DE INFRAÇÃO AMBIENTAL TODAVIA, A EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA JÁ HAVIA SIDO EMBARGADA E A SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA DOS EMBARGOS

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TRANSITADA EM JULGADO IMPOSSIBILIDADE DE MANEJAR A AÇÃO DECLARATÓRIA FRENTE À COISA JULGADA ARTIGO 474 DO CPC PRINCÍPIO DO DEDUZIDO E DO DEDUTÍVEL - NEGADO PROVIMENTO.474CPCNão se pode

a cada vez, a pretexto de uma nova causa de pedir jurídica (leia-se: remota), pleitear para os mesmos fatos narrados, nova decisão de mérito. O artigo 474 do CPC tem como fundamento evidente impedir a perenização da lide sociológica, coisa que, em tempos de grita pela otimização do Poder Judiciário, ganha ainda mais

relevo.474CPC

(43510920098260452 SP 0004351-09.2009.8.26.0452, Relator: Ruy Alberto Leme Cavalheiro, Data de Julgamento: 15/09/2011, Câmara Reservada ao Meio Ambiente, Data de Publicação: 16/09/2011)

5) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. AUSÊNCIA DE EXPRESSA REFERÊNCIA, NO ACÓRDÃO, A DISPOSITIVOS LEGAIS INVOCADOS PELA PARTE. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. EMBARGOS REJEITADOS.1. A motivação das decisões judiciais não precisa ser exaustiva, bastando que seja suficiente para justificar a conclusão a que se chegou. Não é, pois, necessário o expresso exame de cada um dos dispositivos legais invocados

pela parte.2. Efeito preclusivo da coisa julgada, traduzido pelo princípio do "deduzido

e do dedutível", ou seja, a imutabilidade da sentença alcança não apenas aquilo que efetivamente foi deduzido como também aquilo que poderia ter sido e não foi.3. Embargos de declaração e pedido de homologação rejeitados.

(4269 SP 1999.61.00.004269-6, Relator: JUIZ CONVOCADO VALDECI DOS SANTOS, Data de Julgamento: 17/03/2009

Diante do exposto, percebemos a clara tendência dos órgãos do poder judiciário quanto a eficácia preclusiva da coisa material, muitas vezes condicionada ao principio do deduzido e dedutível.