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BETH-SHALOM www.Beth-Shalom.com.

br OUTUBRO DE 2006 • Ano 28 • Nº 10 • R$ 3,50

O massacre
de Lisboa
Pág. 15
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índice
4 Prezados Amigos de Israel
Notícias de

ISRAEL
É uma publicação mensal da “Obra
Missionária Chamada da Meia-Noite” com
licença da “Verein für Bibelstudium in Israel,
Beth-Shalom” (Associação Beth-Shalom para
Estudo Bíblico em Israel), da Suíça.

Administração e Impressão:
5 Já/Ainda Não? Rua Erechim, 978 • Bairro Nonoai
90830-000 • Porto Alegre/RS • Brasil
Fone: (51) 3241-5050 Fax: (51) 3249-7385
E-mail: mail@chamada.com.br
www.chamada.com.br

Endereço Postal:
Caixa Postal, 1688
90001-970 • PORTO ALEGRE/RS • Brasil

Fundador: Dr. Wim Malgo (1922 - 1992)

Conselho Diretor: Dieter Steiger, Ingo Haake,


Markus Steiger, Reinoldo Federolf

7 As Raízes do Nazismo Editor e Diretor Responsável: Ingo Haake

Diagramação & Arte: Émerson Hoffmann

Assinatura - anual ............................ 31,50


- semestral ....................... 19,00
Exemplar Avulso ................................. 3,50
Exterior: Assin. anual (Via Aérea)... US$ 28.00

Edições Internacionais
A revista “Notícias de Israel” é publicada
também em espanhol, inglês, alemão,
holandês e francês.

12 As Origens do “Revisionismo Histórico”


As opiniões expressas nos artigos assinados
são de responsabilidade dos autores.

INPI nº 040614
Registro nº 50 do Cartório Especial

O objetivo da Associação Beth-Shalom para


Estudo Bíblico em Israel é despertar e
fomentar entre os cristãos o amor pelo Estado
de Israel e pelos judeus. Ela demonstra o
amor de Jesus pelo Seu povo de maneira
prática, através da realização de projetos
sociais e de auxílio a Israel. Além disso,
promove também Congressos sobre a Palavra
Profética em Jerusalém e viagens, com a
intenção de levar maior número possível de
15 HORIZONTE peregrinos cristãos a Israel, onde mantém a
Casa de Hóspedes “Beth-Shalom” (no monte
Carmelo, em Haifa).
• O massacre de Lisboa - 15
• A psicologia dos atentados por homens-bomba - 17
• Críticas à liderança israelense - 20
“Já há tempo demais que habito com os paz com Israel, apesar do primeiro-ministro
que odeiam a paz. Sou pela paz; quando, israelense, Ehud Olmert, ter lhe oferecido
porém, eu falo, eles teimam pela guerra” negociações de paz por diversas vezes e de
(Salmo 120.6-7). realmente não existirem empecilhos para a paz
A guerra no Líbano terminou, mas agora a entre Israel e o Líbano.
pergunta é: quem foi realmente o vencedor? A Isso mostra que o Líbano faz parte da Frente
respeito, não existe uma resposta definitiva. Sem de Rejeição a Israel liderada pelo Irã e apoiada
dúvida, porém, o Hizb’allah (Partido de Alá) levou pela Síria. Outro fenômeno também representa
um golpe bastante duro: ele ficará enfraquecido motivo de preocupação: a indisposição contra
por muito tempo e não se recuperará Israel está aumentando constantemente no
rapidamente. Mas também para Israel a guerra mundo islâmico. Até mesmo um país como a
trouxe surpresas e certa desilusão. Muitas Turquia, que até agora mantinha boas relações
fraquezas e falhas foram reveladas e agora é com o Estado judeu, mudou de tal maneira suas
necessário encontrar soluções para elas. O xeque atitudes que Israel preferiu não ter soldados
Nasrallah, líder do Hizb’allah, deu a entender que turcos participando das tropas da ONU junto à
não esperava uma reação israelense tão dura ao sua fronteira.
sequestro dos soldados judeus. Segundo ele, As palavras do Salmo 120.6-7 descrevem bem a
mesmo assim o Hizb’allah não arrefecerá em sua atual situação: “Já há tempo demais que
luta contra Israel no futuro, mas apenas adaptará habito com os que odeiam a paz. Sou pela
sua estratégia à nova situação. paz; quando, porém, eu falo, eles teimam
A guerra terá influências também sobre a pela guerra”. Jesus disse sobre os
organização terrorista palestina Hamas, que está acontecimentos que antecederiam a Sua volta:
considerando o Hizb’allah como seu exemplo. O “...não vos assusteis, porque é necessário
Hamas deve reconhecer que os constantes assim acontecer” (Mateus 24.6). Para nós,
ataques a Israel com mísseis causa mais prejuízos esses eventos são um sinal claro da Sua vinda.
do que vantagens à sua causa. Por isso, Unido com vocês nessa maravilhosa esperança,
certamente os inimigos de Israel vão procurar saúdo com um sincero
novos meios de ação contra o Estado judeu. Shalom!
r
Fredi Winkle
Na luta contra Israel, a propaganda tem
importância fundamental. Durante esse conflito
recente, Israel foi novamente apresentado como
agressor cruel através de imagens de refugiados e
ruínas. Os leitores e telespectadores já tinham DVDs e CDs do
VIII Congresso Profético - 2006
esquecido quem realmente havia iniciado o
confronto. Ao mesmo tempo, parece que ninguém
se interessava pelo fato de que o lançamento de
milhares de mísseis do Hizb’allah contra Israel só
poderia ser interrompido por meio de
bombardeios maciços. Apenas através desses
Remessa a partir de 30/11/2006.

ataques, o governo libanês, que sempre deu apoio


ao Hizb’allah, foi obrigado a agir e a concordar
com as condições para um cessar-fogo.
Entretanto, agora a pergunta decisiva é: o que
acontecerá no futuro? As tropas internacionais
serão a garantia de uma solução duradoura? Um
contingente de paz pode resolver
temporariamente a situação, mas uma solução Visite nossa LIVRARIA VIRTUAL:
genuína somente poderá ser alcançada através de www.Chamada.com.br
um acordo de paz entre Israel e o Líbano. Porém,
o primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, já deu a Pedidos: 0300 789.5152
entender que o Líbano será o último país a fazer a

4 Notícias de Israel, outubro de 2006


O Dispensacionalismo Progressi- do, o Reino de Deus, predito no Entretanto, o futuro Reino de
vo tornou-se publicamente conheci- Antigo Testamento, “já” está pre- Deus predito no Antigo Testamen-
do através do livro Dispensationa- sente aqui; contudo, noutro senti- to “ainda não” está aqui no senti-
lism, Israel and the Church (O Dis- do, “ainda não” [está]. do político. Essa forma de Reino
pensacionalismo, Israel e a Igreja), só será estabelecida quando Cristo
de Craig Blaising e Darrell Bock, voltar a este mundo, por ocasião
publicado em 1992. Dois outros li- Seu ensino fundamental de Sua Segunda Vinda, para exer-
vros, Progressive Dispensationalism Os dispensacionalistas progressivos cer o governo de Deus sobre toda
(Dispensacionalismo Progressivo) e alegam que o Reino “já” se encon- a terra.
The Case for Progressive Dispensatio- tra aqui num sentido espiritual. No O Antigo Testamento revela que
nalism (A Defesa do Dispensaciona- momento em que Cristo subiu aos o Messias se assentará no trono de
lismo Progressivo), escritos respecti- céus e se assentou à direita do Pai Davi, Seu antepassado, no momen-
vamente por Blaising/Bock e Robert no trono celestial, assumiu o gover- to em que inaugurar o futuro Reino
Saucy, foram publicados em 1993. no espiritual sobre a corporação dos de Deus. Essa revelação, associada à
O slogan que expressa a crença santos, a Igreja. Desse modo, afir- crença de que Cristo já estabeleceu
básica do Dispensacionalismo Pro- mam os dispensacionalistas progres- uma forma espiritual do futuro Rei-
gressivo é: “Já/Ainda Não”. Ele re- sivos, Ele estabeleceu uma forma es- no de Deus ao assentar-se à direita
presenta a perspectiva teológica que piritual do futuro Reino de Deus pre- do Pai no trono celestial, induz os
defende a idéia de que, num senti- dito no Antigo Testamento. dispensacionalistas progressivos à

Notícias de Israel, outubro de 2006 5


conclusão de que o trono celestial é Davi se assentaram no seu trono, 1.30 com 1 Rs 2.4) e por Salomão
o mesmo que o trono de Davi. mas apenas um descendente de Da- (Jr 33.17; compare 1 Rs 3.6 com 1
Tal perspectiva, em essência, é a vi, Jesus Cristo, está assentado para Rs 8.20). Em comparação, a Bíblia
mesma dos teólogos aliancistas que sempre no trono celestial (Hb 12.2). especifica que o trono de Deus está
se denominam pré-milenistas histó- Em segundo lugar, porque o tro- no céu (Sl 11.4; Sl 103.19).
ricos. No que diz respeito a isso, o no de Davi foi estabelecido no Em quinto lugar, porque as Es-
Dispensacionalismo Progressivo dá transcurso da vida desse rei (2 Sm crituras descrevem o trono celestial
um passo na direção da Teologia 3.9-10). Em comparação, se Deus como o trono de Deus (Lm 5.19;
Aliancista, afastando-se do Dispen- sempre tem exercido o governo so- At 7.49; Hb 8.1; 12.2; Ap 7.15;
sacionalismo tradicional (posição bre Sua criação, é evidente que Seu 12.5; 14.5). A Bíblia nunca chama
em que cremos), o qual afirma que trono celestial foi estabelecido mui- o trono de Deus, localizado no céu,
nenhum aspecto do futuro Reino to tempo antes do estabelecimento pelo designativo “trono de Davi”.
de Deus, predito no Antigo Testa- do trono de Davi (Sl 93.1-2). Em sexto lugar, porque, compa-
mento, se encontra presente agora e Em terceiro lugar, porque a de- rativamente, a descrição bíblica do
não se manifestará até que Cristo claração que Deus faz a Seu Filho, trono de Davi indica que o trono
volte à terra na Sua Segunda Vinda, “O teu trono, ó Deus, é para todo o pertence a Davi. Quando Deus fa-
após a Grande Tribulação. sempre” (Hb 1.8), parece demons- lou com Davi acerca desse trono,
trar que Deus, o Pai, identifica o referiu-se ao mesmo como “o teu
trono de Jesus como algo diferente trono” (2 Sm 7.16; Sl 89.4; 132.12).
Os problemas inerentes do Seu próprio trono no céu. Nas ocasiões em que Deus fez men-
O primeiro problema: A argu- Em quarto lugar, porque o trono ção do trono de Davi a outras pes-
mentação dos dispensacionalistas de Davi era na terra, não no céu. Da- soas, utilizou as expressões: “o seu
progressivos quanto ao lugar do tro- vi e os respectivos descendentes que [de Davi] trono” (Sl 89.29,36; Jr
no de Davi é crítica. Eles afirmam se assentaram no seu trono exerce- 33.21), e “o trono de Davi” (Jr
que este se localiza no céu. Porém, ram um governo terreno e nunca go- 17.25; Jr 22.2,4,30).
o trono de Davi não pode ser equi- vernaram no céu, nem do céu. Por Em sétimo lugar, porque o texto
parado ao trono de Deus no céu por esse motivo, o trono de Davi é tam- de Apocalipse 12.5 revela que o
várias razões. Em primeiro lugar, bém chamado de “o trono de Israel” Messias, na Sua ascensão ao céu,
porque diversos descendentes de pelo próprio Davi (compare 1 Rs foi “arrebatado para Deus até ao seu
trono”, não para o trono de Davi.
Em oitavo lugar, porque várias
décadas após assentar-se no trono
Jesus demonstrou que partiria para o céu, por um período de tempo, a fim de
receber a posse do futuro Reino de Deus predito no Antigo Testamento. Depois de de Deus, Cristo estabeleceu uma
recebê-la, Ele voltaria à terra para estabelecer o referido Reino. Portanto, o futuro distinção entre esse trono e aquele
Reino de Deus só poderia ser estabelecido na ocasião da Segunda Vinda de Cristo.
no qual se assentará no futuro, o
Seu trono (Ap 3.21).
O segundo problema: No final
do artigo que escrevi sobre a Teolo-
gia Aliancista (publicado na edição
6/06), apresento várias razões pelas
quais afirmo que nenhuma manifes-
tação ou forma do futuro Reino de
Deus, predito no Antigo Testamen-
to, foi estabelecida neste mundo a
partir do instante em que Cristo se
assentou no trono de Deus. Além
daquelas, outra razão é a parábola
que Jesus proferiu a Seus discípulos
(Lc 19.11-27), “visto... lhes parecer
que o reino de Deus havia de manifes-
tar-se imediatamente” (Lc 19.11).

6 Notícias de Israel, outubro de 2006


Por intermédio dessa parábola, Jesus demonstrou
que partiria para o céu, por um longo período de Recomendamos os livros:
tempo, a fim de receber a posse do futuro Reino de
Deus predito no Antigo Testamento. Depois de re-
cebê-la, Ele voltaria à terra para estabelecer o referi-
do Reino. Portanto, o futuro Reino de Deus só po-
deria ser estabelecido na ocasião da Segunda Vinda
de Cristo, um longo tempo depois de Sua ascensão
ao céu. (Israel My Glory)

Pedidos: 0300 789.5152


Renald E. Showers é autor, professor e conferencista internacional www.Chamada.com.br
a serviço de The Friends of Israel.

Ao reclamar, disseram-lhe que a anotação fora feita


para que a garçonete identificasse a mesa do casal.
Em julho de 2005, Elliot Stein, um jovem de 23 Mais tarde naquele mês, a mesma anotação apareceu
anos do Brooklin, Nova York, jantava com sua namo- em seu extrato do cartão de crédito. A Procuradoria
rada num restaurante à beira-mar em Nova Jersey. Geral de Nova Jersey abriu uma investigação a respeito.
Após o jantar, o senhor Stein recebeu a conta e ficou Quatro anos antes desse incidente, o embaixador da
chocado com o que viu. Na nota estavam rabiscadas as França na Grã-Bretanha, Daniel Bernard, participou
seguintes palavras: casal judeu. de um jantar festivo em Londres, durante o qual se re-

Notícias de Israel, outubro de 2006 7


feriu ao Estado de Israel como Messias, ele perdeu o direito às a viver separados dos gentios em
“aquele paisinho de m****”.1 promessas que lhe foram feitas. guetos e, se necessário, a serem ex-
Será que esses incidentes são Essa concepção originou-se em pulsos para que a ordem social fos-
meras aberrações isoladas? Se você 321 d.C. durante o reinado de se preservada.
fizer uma pesquisa pela internet em Constantino, o qual declarou o A história eclesiástica está reple-
busca da expressão anti-semitismo Cristianismo como religião oficial ta de exemplos de clérigos que ridi-
verá que não são. O mundo tem do Império Romano. Muitos criam cularizaram o povo judeu; Inácio,
testemunhado um aumento alar- que os judeus eram semelhantes a Justino Mártir, João Crisóstomo e
mante no número de incidentes an- Judas, que traiu Jesus. Judas foi Gregório de Nissa são apenas al-
ti-semitas, inclusive ataques contra amaldiçoado. Então, chegaram à guns deles. Eles criam que o peca-
cemitérios, sinagogas, empresas e conclusão de que os judeus são do dos líderes judeus de exigir a
estabelecimentos comerciais de ju- amaldiçoados e de que Deus, por- morte de Jesus passou ao povo ju-
deus. Segundo uma recente pesqui- tanto, os rejeitou e não quer mais deu para sempre.
sa feita pela Anti-Defamation League saber deles. De todos os líderes da Igreja,
(Liga Antidifamação), doze países Essa teologia alega que Deus es- verdadeiramente nascidos de novo,
europeus são fortemente anti-semi- colheu um outro povo (a Igreja) e que assumiram tal posição, nenhum
tas.2 Em agosto de 2005, o papa um outro lugar: Roma. Até a gran- causa mais tristeza do que Martim
Bento XVI ratificou tais constata- de emancipação ocorrida no século Lutero, o grande reformador nasci-
ções ao declarar que “hoje em dia, XVIII, a Igreja [Católica] chegou do na Alemanha. Embora tenha es-
lamentavelmente, estamos testemu- mesmo a incentivar os gentios a crito muitos tratados maravilhosos
nhando o surgimento de novos in- agirem contra os “assassinos de para benefício dos crentes em Cris-
dícios de anti-semitismo”.3 Cristo”. Durante anos a Igreja [Ca- to, Lutero era um anti-semita feri-
A comunidade judaica ao redor tólica] ensinou que os judeus eram no. Em seu livro intitulado On the
do mundo observa com muita preo- inimigos odiosos de Deus e rebel- Jews and Their Lies (Quanto aos Ju-
cupação esse clima que relembra a des, culpados pelo assassinato do deus e Suas Mentiras), ele retratou
Alemanha nazista antes do Holo- Filho de Deus. Esses “cristãos” ins- os judeus como “peçonhentos”,
causto. Naquela época, as ocorrên- tigaram reinos a elaborar leis que “vermes miseráveis” e “bichos no-
cias, aparentemente isoladas, eram obrigassem o povo judeu a usar em- jentos”,4 além de incentivar a vio-
apenas o prenúncio do que estava blemas distintivos em suas roupas, lência contra eles:
por vir: o anti-semitismo da pior es-
pécie que se podia imaginar – a ani-
quilação planejada de 6 milhões de
judeus. O mesmo sentimento que Uma teologia surgida em 321 d.C. alega que Deus rejeitou Israel
e escolheu um outro povo (a Igreja) e um outro lugar: Roma.
levou ao Holocausto está ressurgin-
do na atualidade.

O legado de
Martim Lutero
Dois fatos indiscutíveis per-
meiam as Escrituras Sagradas: (1)
Deus escolheu o povo judeu para
ser o Seu povo; (2) Ele decidiu dar
a esse povo um território específi-
co (a terra de Israel) por direito
perpétuo.
Infelizmente, surgiu uma certa
teologia que rejeita esses fatos. Tal
teologia segue o seguinte pensa-
mento: Em virtude do povo judeu
ter rejeitado a Jesus como seu

8 Notícias de Israel, outubro de 2006


O que nós, cristãos, devemos fa- Fichte ensinava filoso-
zer com os judeus, esse povo rejeita- fia na Universidade de
do e condenado? Incendiar suas si- Berlim. Ele considera-
nagogas ou suas escolas e [...] enter- va os judeus como
rar e cobrir de entulho tudo o que corruptos, uma amea-
não for destruído pelo fogo, para ça à riqueza da heran-
que ninguém mais veja uma pedra ça e às habilidades do
ou as cinzas deles [...]. Eu recomen- povo alemão. Caracte-
do que suas casas sejam arrasadas e rizava a comunidade
destruídas [...] que todos os seus li- judaica como “um po-
vros de oração e escritos talmúdicos deroso Estado [que]
[...] sejam confiscados, [...] que seus se estende por quase
rabinos sejam proibidos de ensinar todos os países da Eu-
[...] Recomendo a suspensão do sal- ropa, o qual tem in-
vo-conduto para os judeus nas estra- tenções hostis e se en-
das [... e] que todos os seus valores volve constantemente
em dinheiro, bem como seus tesouros em disputas com to-
em ouro e prata, sejam confiscados.5 dos os outros países”.7
O que o levou a escrever de ma- Com a morte de
neira tão desprezível? Ele cria que Fichte em 1814, o
“depois do Diabo, não há inimigo manto nacionalista
mais cruel, mais venenoso e violen- não poderia ter caído Quando Napoleão levou a França à vitória contra a
to do que um verdadeiro judeu”.6 sobre ninguém mais Alemanha no final do século XVIII, os franceses
ocuparam o território alemão por vinte e cinco anos.
As críticas violentas de Lutero con- do que Georg Wi- Durante esse tempo, eles propagaram os ideais do
tra os judeus foram muitas vezes re- lhelm Friedrich He- Iluminismo, que davam ênfase à razão, ao progresso
do conhecimento, à liberdade e à justiça
cicladas como justificativa para o gel. Para Hegel, o Es- para todos os cidadãos.
anti-semitismo. Elas ainda são usa- tado (a Alemanha) era
das até hoje. tudo e servia como
um purificador moral.
Transcendia a importância de qual- ção, o Volk personificava a alma do
A obsessão pelo quer indivíduo. Hegel ainda dizia povo alemão, seu senso de partici-
nacionalismo que todo cidadão alemão tinha a pação e seu destino comum.
Quando Napoleão levou a França responsabilidade e o dever de servir A mentalidade do Volk, associa-
à vitória contra a Alemanha no final ao Estado. da à postura religiosa de que o Po-
do século XVIII, os franceses ocupa- A partir de então, os judeus fo- vo Escolhido de Deus fora amaldi-
ram o território alemão por vinte e ram vistos como “os outros”, estra- çoado na condição de assassino de
cinco anos. Durante esse tempo, eles nhos ao Estado alemão. Os símbo- Cristo, instilou medo no povo ju-
propagaram os ideais do Iluminismo, los alemães foram usados publica- deu e fez com que ele estivesse
que davam ênfase à razão, ao pro- mente contra os judeus em sempre sob suspeita.
gresso do conhecimento, à liberdade manifestações. Em 1819 estoura- Christian Lassen (1800-1876),
e à justiça para todos os cidadãos. ram violentos distúrbios anti-semi- professor da matéria de Civilizações
Os judeus na Alemanha se tor- tas e as multidões cantavam em co- Antigas na Universidade de Bonn,
naram beneficiários do pensamento ro: “Morte e destruição a todos os afirmou categoricamente que o po-
“iluminista”. O povo alemão, com judeus!”8 vo semita é inerentemente “interes-
ódio da ocupação francesa, ofen- A barreira de separação entre ju- seiro e exclusivista”.9 O filósofo ale-
deu-se com os benefícios estendi- deus e alemães aumentou. Os ale- mão Paul Lagarde (1827-1891)
dos ao povo judeu. Entre os ale- mães foram desafiados a adotar o descreveu os judeus como uma bac-
mães surgiram dois filósofos, ambos Volk (povo), um conceito que in- téria patogênica:
ferrenhos nacionalistas: corporava a essência germânica. Uma pessoa teria que ter um cora-
Conhecido como o pai do nacio- Maior do que apenas o povo, maior ção tão duro quanto o couro de um
nalismo alemão, Johann Gottlieb do que a terra, a cultura ou a tradi- crocodilo para não sentir pena dos

Notícias de Israel, outubro de 2006 9


pobres e explorados alemães e [...] raça ariana e dizia que os judeus “se vés da substituição da palavra fran-
para não odiar os judeus e despre- alimentavam deles [dos alemães] e cês e suas correlatas, pelo termo ju-
zar aqueles que – desprovidos de sugavam – em todos os níveis so- deu e seus semelhantes. Essa obra
sentimento humano – defendem esses ciais – a sua força vital”.12 influenciou profundamente o povo
judeus ou são muito covardes para No livro Foundations of the 19th alemão, levando muitas pessoas a
pisar e esmagar essa gente usurária Century, ele escreveu que: (1) os ju- crer no engodo de que um grupo de
até a morte. Com vermes parasitas e deus eram hostis e corrompiam a judeus agia secretamente para se
bactérias não se negocia, nem de- civilização; (2) Os arianos eram os apoderar da Alemanha e do mun-
vem tais vermes e bactérias ser ins- responsáveis por todas as contribui- do. Em 1927, Henry Ford, o mag-
truídos; eles precisam ser extermina- ções importantes para a civilização; nata da indústria automobilística,
dos completamente o mais rápido (3) Jesus não tinha sido judeu, mas publicou trechos extraídos dos Pro-
possível.10 ariano. (4) A análise da fisionomia tocolos dos Sábios de Sião no jornal
Dois importantes livros também era uma ciência legítima capaz de The Dearborn Independent.
acenderam mais as chamas do sen- predizer o caráter por traços físicos. Tais pensamentos levaram à
timento antijudaico. Foundations of Esse livro vomitava jargões reli- proliferação das opiniões anti-se-
the 19th Century (Fundamentos do giosos anti-semitas que, na maioria mitas na Alemanha. Em 1879, o
Século XIX), de C. S. Chamber- das vezes, eram citações dos escri- historiador alemão Heinrich von
lain, sempre foi considerado “a Bí- tos de Martim Lutero. Publicado Treitschke publicou uma série de
blia dos racistas”.11 Chamberlain em 1895, o livro chegou à marca de artigos anti-semitas, o último de-
exercia grande fascínio sobre as 28 edições até 1942, “com mais de les intitulado: “The Jews Are Our
massas com suas “provas” falsifica- 250 mil conjuntos de dois volumes” Misfortune” (“Os Judeus São a
das a respeito da superioridade da vendidos, segundo escreveu David Nossa Desgraça”).14 O livro dele
A. Rausch em A Legacy instigou 250 mil pessoas a fazerem
of Hatred (Um Legado um abaixo-assinado exigindo que
de Ódio).13 Duas pes- os judeus fossem proibidos de as-
O Kaiser (imperador) alemão Guilherme II era soas extremamente ver- sumir cargos governamentais ou de
extremamente versado no livro de Chamberlain.
Mais tarde, o mesmo ocorreu com Adolf Hitler.
sadas no livro de ensino.15
Chamberlain foram o Os políticos locais começaram a
Kaiser (imperador) Gui- utilizar essa plataforma ideológica
lherme II e, mais tarde, anti-semita em suas campanhas, ao
Adolf Hitler. declararem que protegeriam a Ale-
A segunda obra lite- manha do perigo representado pe-
rária de maior relevân- los judeus, os quais, segundo eles,
cia foram Os Protocolos contaminavam a sociedade. Reque-
dos Sábios de Sião (veja rimentos circularam no intuito de
artigo a respeito na edi- coibir a imigração judaica. Em
ção 8/06). Essa pouca- 1890, Hermann Ahlwardt conquis-
vergonha sinistra afir- tou um assento no Reichstag (o Par-
mava que havia (e que lamento alemão) embasado na pla-
ainda há) uma conspira- taforma política-ideológica de que
ção judaica para assu- os judeus eram uma epidemia de
mir o controle do mun- cólera, bacilos patogênicos e feras
do. Originalmente escri- predadoras.
to por Maurice Joly em Em resposta, os judeus tentaram
1864 para delinear o de- demonstrar sua lealdade aos ale-
sejo de Napoleão de mães. O Judaísmo Reformado (libe-
controlar o mundo, o li- ral) tinha começado na Alemanha,
vro foi, mais tarde, frau- em parte como uma maneira dos
dulentamente forjado judeus manterem sua identidade ju-
para se transformar nos daica, aparentando, todavia, um jei-
infames Protocolos, atra- to de ser mais gentílico. Muitos ju-

10 Notícias de Israel, outubro de 2006


deus procuraram ser menos distin- madamente 100 mil pes-
tivos no seu caráter judaico e come- soas, lutou bravamente
çaram a se misturar na sociedade ao pelo seu país na guerra e
levar uma vida mais contextualiza- 12 mil deles perderam sua
da, preservando, porém, a sua iden- vida. Entretanto, a culpa
tidade. pela derrota foi colocada
nos judeus. Circularam
acusações de que os sol-
A amargura da derrota dados judeus não lutaram
Em 28 de junho de 1919, derro- pela Alemanha, mas sim
tada e humilhada depois de uma para “assumir o controle
guerra terrivelmente custosa, a Ale- da nação”.17
manha foi forçada a assinar sua ren- Em conseqüência da
dição em Versalhes, na França. As derrota, [o imperador
condições de paz impostas pelo Guilherme II abdicou] e a
Tratado de Versalhes, obrigaram a forma de governo adotada
Alemanha a abrir mão da ideologia na Alemanha passou a ser
do Volk que tão ardentemente ado- a República de Weimar.
tara, bem como levaram os alemães Enquanto alguns alemães
a admitir que foram os únicos cul- aceitaram essa nova repú-
pados por aquela que posterior- blica, outros ficaram
mente ficou conhecida como a I amargurados pela humi- A Alemanha foi preparada para dar as boas-vindas
a um líder imbuído do orgulho da mentalidade do
Guerra Mundial. A Alemanha foi lhação sofrida em Versa- Volk, que a livraria daquelas criaturas traiçoeiras
obrigada a reduzir seu exército para lhes. Um dos soldados (os judeus). Em 1933, surgiu um homem
determinado a fazer exatamente isso.
100 mil homens, teve que devolver que sobreviveram à guerra Seu nome era Adolf Hitler.
territórios e pagar indenizações. A achou o gosto da derrota
região da Alsácia-Lorena foi resti- amargo demais; o nome
tuída à França; os territórios con- dele era Adolf Hitler. com os Aliados e estabelecer medi-
quistados por Otto von Bismarck das de controle da inflação pela
foram devolvidos à Bélgica, Dina- emissão de uma nova moeda, o
marca e Polônia. Indenizações fo- O caos econômico Reichsmark. O país começou a pro-
ram fixadas no valor de 132 bilhões Em virtude das pesadas indeni- gredir. Apesar do clima anti-semita,
de marcos de ouro, “ou cerca de 33 zações que tinham de ser pagas, a os judeus também prosperavam. En-
bilhões de dólares, uma soma prati- economia alemã cambaleou. A in- tão aconteceu a quebra das bolsas de
camente impossível de ser paga por flação subiu como um foguete para valores em 1929. O incidente gerou
eles”.16 o espaço. Em 1919, nove marcos desemprego, que produziu desâni-
A sexta parte de toda a popula- alemães valiam um dólar. Por volta mo, que criou ressentimento e fez
ção de judeus da Alemanha, aproxi- de 1923, esse mesmo valor equiva- com que todos visassem os judeus.
lia à assom- Em muitos círculos religiosos,
brosa quantia sociais, políticos e acadêmicos, a
Recomendamos os livros: de 4,2 tri- própria existência do povo judeu se
lhões de tornou a desculpa para todos os
marcos. problemas da Alemanha. Os ale-
O presi- mães acreditavam que se conseguis-
dente Paul sem resolver o “problema” judeu,
von Hinden- todos os seus outros problemas de-
burg conse- sapareceriam.
guiu renego- O país foi preparado para dar as
ciar o paga- boas-vindas a um líder imbuído do
Pedidos: 0300 789.5152 mento das orgulho da mentalidade do Volk,
www.Chamada.com.br
indenizações que o livraria daquelas criaturas

Notícias de Israel, outubro de 2006 11


traiçoeiras. Esses “inimigos” do dida que o anti-semitismo aumenta, 5. Luther, Martin, On the Jews and Their Lies
Reich tinham que ser identificados, será que não é justo perguntar se o (de 1543), traduzido da obra original por
Martin H. Bertram, publicado em Luther’s
isolados e eliminados sem que a mundo contempla a linha do hori- Works, no tópico “The Christian in So-
Alemanha se sentisse culpada. Em zonte à espera de outro líder que ciety”, pelos editores Franklin Sherman e
Helmut T. Lehman, Filadélfia: Fortress
1933, surgiu um homem determi- tente fazer o mesmo novamente? Press, 1971, 47:268.
nado a fazer exatamente isso. Seu (Israel My Glory) 6. Dawidowicz, Lucy S., The War Against the
Jews, 1933-1945, Nova York: Bantam
nome era Adolf Hitler. Steve Herzig é diretor de The Friends of Books, 1975, p. 29.
Mais de meio século se passou Israel nos EUA. 7. Katz, Jacob, From Prejudice to Destruc-
desde que Hitler empreendeu esfor- tion: Anti-Semitism, 1700-1933, Cambrid-
ge, Mass: Harvard University, 1980, p. 60;
ços na tentativa de exterminar os Notas: citado por Rausch, p. 33.
judeus do mundo. No entanto, em 1. “Anti-Semitic French Envoy Under Fire”, pu- 8. Rausch, p. 34.
blicado em 20 de dezembro de 2001 no site 9. Dawidowicz, p. 41.
2001 um diplomata europeu de alto www.newsearch.bbc.co.uk/1/hi/world/euro- 10. Ibid.
escalão não teve o mínimo escrúpu- pe/1721172.stm. 11. Rausch, nota 5, p. 43.
2. “ADL Survey in 12 European Countries Finds 12. Langer, Howard J., The History of the Holo-
lo de chamar Israel de “aquele pai- caust: A Chronology of Quotations, North-
Anti-Semitic Attitudes Still Strongly Held”, pu-
sinho de m****”. Na Europa, hoje blicado em 7 de junho de 2005 no site vale, N.J.: Jason Aronson Inc., 1997, p. 20.
em dia, as sinagogas são novamente www.adl.org/PresRele/ASint–23/4726–13.htm. 13. Rausch, p. 43.
Os resultados da pesquisa também estão dis- 14. Bauer, Yehuda, A History of the Holocaust,
depredadas e os judeus espancados poníveis nesse site. Nova York: Franklin Watts, 1982, p. 47.
nas ruas. Dois jovens em Nova Jer- 3. McHugh, David, “Pope Warns of Increase 15. Ibid.
in Anti-Semitism”, publicado em 19 de 16. Lutzer, Erwin W., Hitler’s Cross, Chicago:
sey foram discriminados como “ca- agosto de 2005 no site www.apnews.- Moody Press, 1995, p. 30. Disponível em
sal judeu” e essa expressão designa- myway.com/article/2050819/D8C2T1MO0.- português: A Cruz de Hitler, Editora Vida.
html. Pedidos: www.Chamada.com.br ou 0300
tiva acabou registrada no extrato 4. Rausch, David A., A Legacy of Hatred, Chi- 789.5152.
oficial do cartão de crédito. À me- cago: Moody Press, 1984, p. 29. 17. Rausch, p. 47.

Engana-se quem associa a negação do Holocausto com a extrema-


direita. O Revisionismo nasceu entre os comunistas e é a esquerda
a sua maior propagadora nos dias de hoje.
Em dezembro de 2003, quando saiu finalmente a sentença do Supremo Tribunal Federal contra Siegfried Ell-
wanger, toda a imprensa nacional se referiu ao editor gaúcho de livros anti-semitas como “editor de extrema-direi-
ta”. Para quem não sabe, Ellwanger, também conhecido como S. E. Castan, é o proprietário da Editora Revisão,

12 Notícias de Israel, outubro de 2006


dedicada exclusivamente à publica- guerra. O Regime de Vichy foi, de conta própria. Alguns milhares de
ção de propaganda nazista e de ma- fato, cúmplice voluntário das bar- quilômetros a Leste da França,
terial que nega a matança de mi- baridades nazistas e a França tam- mais precisamente em Moscou,
lhões de judeus durante a Segunda bém foi o berço do Affaire Dreyfus nascia a “sionologia”, uma pretensa
Guerra Mundial. (1), a terra de Gobineau (2) e de ciência sócio-política (bem ao gosto
Ellwanger e sua editora são Édouard Drumont (3). marxista) e adotada como política
adeptos do Revisionismo Histórico, “Franceses nazistas”, pensará o acadêmica oficial na União Soviéti-
um movimento pretensamente aca- leitor a esta altura. Errado. Curio- ca, onde as teses negacionistas e
dêmico que se dedica a tentar pro- samente, não foram ex-colaboracio- conspiratórias eram a base para a
var que o Holocausto judeu duran- nistas os primeiros negacionistas, produção de farto material contra
te a Segunda Guerra Mundial não mas justamente o contrário. Pierre Israel.
passou de uma invenção. Alegam Guilleume, militante do grupo Em 1963, Trofim K. Kichko
que Hitler e seus asseclas na verda- trotskista SOB (“Socialismo ou (posteriormente agraciado com um
de eram umas flores de bondade e Barbárie”) e posteriormente funda- diploma pelo Partido Comunista da
que tudo o que se publica sobre o dor da dissidência Pouvoir Ouvrier, Ucrânia) publicou pela Academia
assunto é parte de uma grande ao lado de Serge Thion, proprietá- de Ciências da Ucrânia O Judaísmo
conspiração midiática de domina- rio de uma pequena casa editora sem Maquiagem, livro que parte de
ção mundial por malvados judeus. chamada La Vieille Taupe (“A Velha um trecho de Os Protocolos dos Sá-
As “descobertas” (perdoem-me pe- Toupeira”), foram os primeiros pu- bios de Sião para afirmar que “o ex-
lo excesso de aspas, mas elas são blicadores de livros anti-semitas ba- pansionismo e a crueldade israelen-
inevitáveis) seriam fruto de “revi- seados nessas teorias negacionistas. ses estão determinados no Talmu-
sões” de depoimentos e pesquisas, A estrela da “Velha Toupeira” era de”. Em 1969, Yuri Ivanov
daí eles se chamarem de “revisio- um membro da Resistência, Paul publicava Cuidado! Sionismo!, um
nistas”. Em resumo, trata-se de Rassinier, militante comunista e tosco panfleto onde o sionismo era
uma mixórdia sem nenhuma sus- que usava sua condição como sal- apresentado como “uma ideologia
tentação histórica, tratada com o vo-conduto. de organizações conectadas para a
devido desprezo por todos os pes- Rassinier alegava que ao ser cap- prática política da burguesia judaica
quisadores sérios. turado pelos nazistas fora testemu-
De fato, a associação entre neo- nha do tratamento dispensado aos
nazismo e extrema-direita é auto- seus prisioneiros. E que nunca tes-
mática e ambas as expressões são temunhara maus-tratos a nenhum Raissinier alegava que ao ser capturado
pelos nazistas fora testemunha do
encaradas como sinônimos. Até ser judeu enquanto esteve preso. Logo, tratamento dispensado aos seus
processado e condenado em todas todos os testemunhos que atesta- prisioneiros. E que nunca
as instâncias jurídicas, S. E. Castan vam a matança nos campos de ex- testemunhara maus-tratos a
nenhum judeu enquanto esteve preso.
agregou em torno de si um peque- termínio nazistas seriam falsos. O
no grupo de jovens que agiram em fato de que foram os soviéticos que
Porto Alegre em pequenos putches primeiro chegaram aos campos e
anti-semitas nos anos 80 e 90. Me- registraram a matança não afetava
rece plenamente o epíteto de nazis- Rassinier, pois como trotskista ele
ta. Mas o dito “revisionismo” (que poderia duvidar dos relatos “stali-
eu prefiro chamar de negacionis- nistas” do Holocausto. Para os
mo), por mais fraudulento e mal- trotskistas franceses, o sionismo era
intencionado, tem também a sua a consolidação dos planos explicita-
história. E vale a pena conhecê-la. dos em Os Protocolos dos Sábios de
A primeira vez em que se publi- Sião[a], velha fraude produzida pela
cou material que negava a existên- polícia secreta czarista e apresenta-
cia de campos de extermínio ergui- da como uma compilação de “pla-
dos pelos nazistas foi na França, na nos judaicos de dominação mun-
década de 50. Não por acaso, a dial”.
França foi o país que menos lutou Mas Paul Rassinier não era um
contra a ocupação alemã durante a caso isolado. Tampouco agia por

Notícias de Israel, outubro de 2006 13


e fundida com as esferas monopo- ainda antes da independência do ção do sionismo e da identidade ju-
listas nos EUA”. A partir do livro Estado de Israel, em 1948. Josef daica. Curiosamente, até os mais
de Ivanov, as obras “sionológicas” Stalin desejava desencorajar o sio- ferrenhos negacionistas citam
foram consideradas leitura obriga- nismo com a criação do Birobidjão, Chomsky e Finkelstein como fontes
tória na formação de quadros políti- uma república soviética onde os ju- para suas idéias.
cos e militares da União Soviética e deus deveriam se instalar e perma- O encontro entre negacionistas,
nos países sob sua esfera de influên- necer, sempre tutelados sob a som- comunistas e terroristas que formou
cia. Disseminados pelos formandos bra da influência de Moscou. Stalin a sionologia não impediu que mili-
da Universidade dos Povos Patrice também usou o sionismo e a recen- tantes neonazistas absorvessem o
Lumumba[b], os livros anti-semitas te fundação de Israel como pano de discurso sionológico. A verdade é
soviéticos formaram gerações de fundo de seu último grande expur- que ao se comparar o discurso neo-
militantes de esquerda que assimi- go, a “Conspiração dos Médicos”. nazista com o discurso de boa par-
laram e reproduziram a visão ex- Mesmo depois da morte de Sta- cela da esquerda não se encontra-
pressada pela terceira edição da lin, a União Soviética continuou rão muitas diferenças. O negacio-
“Grande Enciclopédia Soviética” frontalmente contra Israel, embora nismo e a sionologia fazem parte
sobre o sionismo: o movimento sionista tenha sido dos discursos tanto de esquerdistas
O sionismo é um postulado rea- majoritariamente formado por mili- ilustres, como José Saramago e os já
cionário, chauvinista, racista e anti- tantes socialistas e por pessoas de citados Chomsky e Finkelstein,
comunista. A Organização Sionista sólida formação marxista. Após a quanto de verdadeiros expoentes da
Internacional é detentora de grandes Guerra dos Seis Dias, em 1967, extrema-direita, como Lyndon La-
fundos financeiros monopolistas que quando Israel venceu uma coalizão Rouche, malgrado seu passado de
influenciam a opinião pública ociden- de oito países sob a direta influên- militante trotskista.
tal capitalista e serve como frente cia política da União Soviética, a Curiosamente, ultra-direitistas e
avançada do colonialismo. sionologia encontrou um território ultra-esquerdistas colaboram entre
O rompimento entre os soviéti- perfeito para se disseminar. si quando o objetivo é o anti-semi-
cos e o movimento sionista ocorreu Não é exagero afirmar que o tismo. Comunistas como Rassinier
surgimento dos grupos terroristas usam de sua ideologia para separar
árabes e a sionologia se retroali- seu discurso das lembranças nazis-
mentaram. Yasser Arafat foi trei- tas, enquanto os nazistas usam a
Mahmoud Abbas, ex-militante do nado pelo serviço secreto do les- colaboração de judeus comunistas
Fatah e atual presidente da Autoridade te europeu[c] e Mahmoud Abbas, como salvo-conduto para escapa-
Palestina, é formado em história pela
Escola Oriental de Moscou e autor de ex-militante do Fatah e atual presi- rem da acusação de anti-semitismo.
um livro negacionista, publicado em dente da Autoridade Palestina, é Seguidores brasileiros de Sieg-
árabe sob o patrocínio soviético
na década de 70. formado em história pela Escola fried Ellwanger mantêm várias pá-
Oriental de Moscou e autor de um ginas eletrônicas onde se encontram
livro negacionista, publicado em links, tanto para sites onde a ma-
árabe sob o patrocínio soviético na tança de judeus é exaltada quanto
década de 70. para textos acadêmicos de esquerda
Uma das táticas mais presentes onde se pode ver Norman Finkels-
entre os sionologistas para se res- tein “protestando contra o uso ca-
paldarem é a utilização de autores pitalista das indenizações de guer-
judeus. Já nos anos 60 eram esco- ra”. E no meio dessa mixórdia [há]
lhidos membros dos partidos comu- várias “provas” de que não houve
nistas de origem judaica para em- nem matança e nem expropriação
prestarem seus nomes às publica- de bens de judeus. A propósito, Ell-
ções. Essa prática perdurou e gerou wanger nunca se apresentou nem
o surgimento de intelectuais de es- como neonazista e nem como es-
querda como Noam Chomsky e querdista.
Norman Finkelstein, que sem se- Mas o maior eco da sionologia
rem negacionistas seguem a linha pode ser visto hoje nas ações e nos
mestra da sionologia de demoniza- discursos do atual líder iraniano,

14 Notícias de Israel, outubro de 2006


logia necessária que mormente se faz é inexata. A
para a constru- negação do Holocausto é criação
ção de armas dos acadêmicos comunistas e é a
de destruição esquerda a sua maior useira e vezei-
em massa. Fo- ra nos dias de hoje. (extraído de
ra do mundo www.MidiaSemMascara.com.br)
islâmico, a li- Victor Grinbaum é jornalista no Rio de Janeiro.
nha de frente
que apóia as
reivindicações
de Ahmadine- Notas:
jad tem sido – [a] http://www.midiasemmascara.com.br/arti-
go.php?sid=1548
como sempre – [b] http://www.midiasemmascara.com.br/arti-
a esquerda, ca- go.php?sid=266
[c] http://www.midiasemmascara.com.br/arti-
da vez mais en- go.php?sid=2086
O maior eco da sionologia pode ser visto hoje nas ações e nos
discursos do atual líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que cantada pelo
declarou em dezembro de 2005 que “o Holocausto é um mito”. discurso siono- Notas do Autor:
logista. (1) O Caso Dreyfus em 1894, foi a falsa acu-
sação que o oficial francês de origem judaica
No momen- Alfred Dreyfus sofreu por ser espião dos ale-
Mahmoud Ahmadinejad, que de- to em que vemos o empenho de mães. Baseado em documentos forjados por
nacionalistas franceses, um tribunal militar
clarou em dezembro de 2005 que uma boa parcela da opinião pública condenou Dreyfus ao degredo na Ilha do Dia-
“o Holocausto é um mito”: mundial em atacar Israel enquanto bo. Graças a uma campanha movida pelo es-
critor Émile Zola, Dreyfus foi novamente julga-
Fabricaram uma lenda sob o no- esse país se defende das covardes do e desta vez inocentado. Foi cobrindo o Ca-
me de “massacre dos judeus”, e dão agressões de grupos terroristas, a so Dreyfus que o jornalista austríaco Theodor
mais importância a isso do que a emergência do discurso negacionis- Herzl criou o sionismo.
(2) Joseph Arthur de Gobineau (1816 –
Deus, à religião e aos profetas. ta e sionologista demonstra o suces- 1882), escritor e diplomata francês e autor do
Ahmadinejad vem afirmando so que seus criadores obtiveram e Tratado sobre a desigualdade das raças hu-
manas, publicado em 1853 e considerado o
que “a lenda” é o que manteria como o Terror se aproveita dele. O primeiro livro de teoria racista.
uma suposta opressão do Ocidente fato do negacionismo e da sionolo- (3) Édouard Drumont (1844 – 1917), autor
de La France Juive (“A França Judia”), em
contra os países islâmicos e com is- gia não serem necessariamente uma que defendia a expulsão dos judeus do país,
so vem desafiando a comunidade criação da extrema-direita não anu- baseado na teoria de que estes seriam cons-
piradores e traidores antinacionalistas. Foi um
internacional ao fomentar o terro- la o fato de que esta também faz dos principais propagadores de libelos anti-
rismo e insistir em adquirir a tecno- uso deles. Mas a ligação automática Dreyfus.

O massacre de Lisboa 90 mil judeus tinham sido admitidos


em Portugal por D. João II. Proeminen-
tes membros da comunidade judaica
Há pouco mais de 500 anos, Os dramáticos fatos ocorreram du- castelhana haviam negociado com o
incitada por clérigos fanáticos, rante o reinado de D. Manuel I, nove rei a acolhida dos exilados em troca
uma multidão perseguiu, torturou anos após o rei ter decretado a con- de vultosos impostos de entrada.
e matou milhares de judeus con- versão forçada dos judeus em Portu- O grande abalo na vida dos ju-
versos. A matança durou três dias, gal. Após sua expulsão da Espanha, deus teve início quando o sucessor de
de 19 a 21 de abril de 1506. em 1492, pelos reis católicos, mais de D. João II, D. Manuel I, contratou ca-

Notícias de Israel, outubro de 2006 15


Horizonte

samento com Dª Isabel, princesa de do país junto com a população judai- incerteza; a peste e a fome assolavam
Espanha. Fazia parte do contrato nup- ca, publicou um novo decreto proibin- Lisboa desde outubro do ano anterior.
cial uma cláusula que exigia a ex- do a partida dos judeus de Portugal e A partir de janeiro, a situação piora-
pulsão dos “hereges” (mouros e ju- forçando-os a se converterem. Em ou- ra, mais de cento e trinta indivíduos
deus) de todo o território português. tubro de 1497, os que ainda não o morriam por dia e preces públicas pe-
O rei viu-se diante de sério dilema haviam feito, foram brutalmente arras- diam o auxílio divino. D. Manuel e sua
pois não queria perder a riqueza e tados à pia batismal. corte haviam fugido para Abrantes
os talentos judaicos, que tanto bene- A grande maioria, porém, conti- por causa da peste, deixando a cida-
fício traziam a Portugal. [Entretanto,] nuou a praticar o judaísmo em segre- de praticamente sem controle, tão
às vésperas do casamento, assinou o do. D. Manuel tentou, em vão, promo- poucas eram as autoridades remanes-
decreto que previa, em um prazo de ver a integração da massa de conver- centes na sede do governo.
dez meses, a expulsão dos “hereges” sos à população de cristãos-velhos. Os A violência explodiu em 19 de
de Portugal. cristãos-novos, como eram também abril de 1506, domingo de Pascoela,
Para os judeus, restava uma única chamados, continuavam a ser identifi- na semana seguinte à Páscoa. No
alternativa: a conversão ao cristianis- cados pelos demais como judeus. Mosteiro de São Domingos, enquanto
mo [catolicismo]. O rei tinha esperan- os fiéis rezavam pelo fim das desgra-
ças que muitos se batizassem, ainda ças, alguém jurou ter visto um clarão
que apenas “pro forma”. Mas a maio- Inicia-se a violência iluminar o altar – “fato” logo interpre-
ria dos judeus, que fugira da Espanha Respeitados cronistas da época re- tado como sinal de milagre, quiçá
justamente para não abandonar sua gistraram os trágicos acontecimentos uma mensagem de misericórdia. Entre
fé, decidiu então, abandonar Portugal. de abril de 1506. Entre eles se desta- os presentes, alguns manifestaram in-
O rei, no entanto, diante dessa possi- cam o rabino Salomão Ibn Verga; Sa- credulidade. Damião de Góis relata:
bilidade de grande evasão de capital muel Usque, erudito judeu português “Entre eles, um cristão-novo que teria
nascido pouco antes do afirmado que lhe parecia (haver) uma
massacre; Damião de candeia acesa...”. Imediatamente se
Góis, historiador, em acendeu contra ele a indignação dos
A legenda da gravura diz: “Da Contenda Cristã, que sua “Crônica de D. Ma- crentes, incitada pelos frades domini-
Recentemente Teve Lugar em Lisboa, Capital de nuel I” (Cap. II-1); Gar- canos. O converso foi calado e espan-
Portugal, Entre Cristãos e Cristãos-Novos ou Judeus,
Por Causa do Deus Crucificado”. cia de Resende e, no cado até a morte por uma massa enfu-
século XIX, os historia- recida que, em seguida, queimou o
dores portugueses Ale- que lhe restava do corpo. Um frade
xandre Herculano e excitava o povo, atraído pelo tumulto,
Oliveira Martins. O nú- com violentas declarações, enquanto
mero das vítimas é in- outros bradavam: “Herege! Herege!”
certo; sabe-se que aci- O rabino Salomão Ibn Verga, em
ma de 300 conversos sua obra Sefer Shebet Yehudah (Livro
foram queimados. Se- do Cetro de Judá), escrito em Portugal
gundo Damião de Góis, pouco depois do massacre, afirma que
mais de 1.900 morre- o suposto “milagre” nada mais fora
ram; para Herculano, além de um artifício propositalmente
tal número teria ultra- planejado pelos dominicanos. Seu ob-
passado os 2.000. Sa- jetivo único era atiçar a fúria do povo
muel Usque e Garcia contra os conversos. Escreve o rabino
de Resende afirmam Ibn Verga: “Fizeram um crucifixo oco
que as mortes chega- com uma abertura atrás, recoberto de
ram a mais de 4.000. vidro, na frente, por onde passavam
Os acontecimentos uma vela, fazendo supor e alardeando
se desenrolaram com que a chama emergia do crucifixo; en-
rapidez e violência. quanto isso, o povo se prostrava, aos
Naquele abril de 1506 brados de ‘Vede o grande milagre!”’
o ar pesava de tensão e A partir daí, três dias de massacre se

16 Notícias de Israel, outubro de 2006


Horizonte

ges”. Os judeus eram torpemente acu- dos, muitos dos quais acabaram pre-
sados de serem o motivo da profunda sos e enforcados, entre eles seus insti-
seca e da peste que assolavam o país. gadores, os frades dominicanos. Há
As cenas eram [de multidões] en- indícios de que o Convento de S. Do-
sandecidas; pelas ruas corria o san- mingos tenha ficado interditado du-
gue enquanto pairava no ar um forte rante oito anos, como punição real.
cheiro de carne queimada. Logo no O Massacre de Lisboa e, trinta
primeiro dia pereceram mais de qui- anos depois, o estabelecimento da In-
nhentas pessoas. Nada parecia acal- quisição com a entrada em vigor do
mar as massas; a violência grassava, Tribunal do Santo Ofício Inquisitorial
desenfreada. Os conversos tiveram em território luso, fizeram milhares de
suas casas invadidas e saqueadas; sua conversos abandonar o país. Alguns
D. Manuel I estava a gente, massacrada, violada, queima- foram para o Norte da Europa, onde
caminho de Beja quando da, indistintamente, quer fossem ho- fundaram comunidades sefarditas em
se iniciou o massacre.
mens, mulheres, crianças ou idosos. Amsterdã, Hamburgo, Antuérpia, en-
Alertado dos aconteci-
mentos, despachou seus Os recém-nascidos eram arrancados tre outras. Houve também os que re-
magistrados para pôr fim dos braços das mães e atirados contra tornaram ao Oriente, estabelecendo-
ao banho de sangue. a parede. Além disso, vinganças pes- se na Turquia, bem como em outros
soais e roubos corriam soltos em meio países e na Terra Santa.
ao caos que imperava na cidade. Só O Massacre de Lisboa em 1506
no terceiro dia a violência cedeu – caiu no esquecimento. Hoje são pou-
não porque a turba se tivesse acalma- cos os historiadores que lhe fazem re-
sucederam, com a violência se alas- do, mas, como escreve Góis, porque ferência. Em abril de 2006, meio milê-
trando rapidamente pela cidade. As já não tinham a quem matar, pois to- nio após os terríveis acontecimentos,
tripulações dos navios do Tejo se jun- dos os cristãos-novos, escapados da os judeus de Portugal recordaram o
taram à multidão nos saques à cidade. fúria insana, foram postos a salvo por nefasto episódio. (extraído de
Em bandos, as massas iam à caça pessoas honradas...” D. Manuel I esta- www.morasha.com.br)
dos conversos. Quando encontrados, va a caminho de Beja quando se ini-
eram espancados até a morte, arrasta- ciou o massacre. Alertado dos aconte-
dos sem piedade pelas ruas, às vezes cimentos, despachou seus magistrados
Bibliografia:
ainda vivos, até às fogueiras construí- para pôr fim ao banho de sangue. – Artigos de I a IX sobre os “500 Anos: O
das nos bairros da Ribeira e do Rossio. As tropas e os oficiais da Coroa massacre de Lisboa”, publicados no site
http://ruadajudiaria.com
E os sinos conclamavam os fiéis à ma- chegaram a Lisboa para restaurar a – Artigo de Ana Marques Gastão “Velas na
tança. Os frades incitantes prometiam ordem, com poderes especiais para Praça do Rossio pelo Pogrom de Lisboa”, pu-
blicado no jornal Diário de Noticias no dia 16
a absolvição dos pecados dos últimos castigar os envolvidos no massacre. de abril de 2006.
cem dias para quem matasse os “here- Foram confiscados os bens dos culpa- – Revista Tikvá n.º 57, 6º ano.

A psicologia dos atentados tipo de atentado. Após um debate


na rede de TV americana
MSNBC, Pierre Rehov aceitou
por homens-bomba responder algumas das minhas
perguntas.
Pergunta: O que o inspirou a
Pierre Rehov é um cineasta nos Estados Unidos no começo de produzir “Suicide Killers”, seu sé-
francês que já tinha feito seis do- 2006], é baseado em entrevistas timo filme?
cumentários sobre a intifada (rebe- com familiares de assassinos suici- Resposta: Eu comecei a trabalhar
lião) durante viagens ocultas a ter- das e com homens-bomba cujos com vítimas de ataques suicidas para
ras palestinas. Seu filme mais re- atentados fracassaram, numa ten- fazer um filme sobre PTSD (Perturba-
cente, “Suicide Killers” tativa de descobrir os motivos que ção Pós-traumática do Stress) e fiquei
[“Assassinos Suicidas”, lançado levam essas pessoas a cometer tal fascinado pela personalidade daquelas

Notícias de Israel, outubro de 2006 17


Horizonte

pessoas que perpetravam esse tipo de céu como um lugar onde tudo será fi- de toda e qualquer lei dos homens. As-
crime, considerando as descrições que nalmente permitido – e promete 72 sim, eles experimentam esse momento
as vítimas faziam repetidamente deles. virgens a esses garotos frustrados – único e ilusório de poder absoluto, em
Especialmente pelo fato de esses ho- matar outras pessoas e matar a si que nada de mau pode atingi-los pois
mens-bomba estarem sempre sorrindo mesmos para alcançar a redenção tor- eles se tornaram a espada de Alá.
um segundo antes de se explodirem. na-se a única solução. – Existe um perfil típico da
– Por que esse filme é particu- – Como foi a experiência de personalidade de um homem-
larmente importante? entrevistar os homens-bomba bomba? Descreva essa psicopato-
– As pessoas não compreendem a frustrados em seus ataques, os logia.
cultura devastadora que se esconde seus familiares e as vítimas sobre- – A maioria são jovens entre 15 e
por detrás desse fenômeno inacreditá- viventes dos atentados? 25 anos que carregam inúmeros com-
vel. Meu filme não é politicamente cor- Foi uma experiência fascinante e plexos, geralmente complexos de infe-
reto, pois ele aborda o problema real: aterradora ao mesmo tempo. Você es- rioridade. Eles certamente foram dou-
mostra a verdadeira face do Islã. Ele tá lidando com pessoas aparentemente trinados religiosamente. Geralmente
mostra e acusa uma cultura de ódio, normais, de muito boas maneiras, com não têm uma personalidade bem de-
na qual pessoas sem qualquer educa- sua lógica própria e que, até certo senvolvida. São usualmente idealistas
ção sofrem uma lavagem cerebral de ponto, pode fazer sentido – já que bastante impressionáveis. No mundo
tal ordem que sua única solução na vi- elas estão convencidas de que o que ocidental, eles facilmente se tornariam
da passa a ser matar a si mesmos e a dizem é verdade. É como lidar com a viciados em drogas – mas não crimi-
outros em nome de Alá, cuja palavra, simples loucura, entrevistando pessoas nosos. É interessante, eles não são cri-
segundo lhes disseram outros homens, num sanatório: o que elas dizem é, minosos porque eles não enxergam o
tornou-se sua única segurança. para elas, a mais absoluta verdade. bom e o mau como nós enxergamos.
– Que tipo de percepção íntima Eu ouvi uma mãe dizendo: “Graças a Se eles tivessem crescido na cultura
você adquiriu a partir do filme? O Alá, meu filho está morto”. Seu filho ocidental, eles detestariam a violência.
que você sabe agora que outros havia se tornado um shahid (mártir), o Mas eles batalham constantemente
especialistas não sabem? que para ela era uma fonte de orgulho contra a ansiedade da própria morte.
– Eu cheguei à conclusão de que maior do que se ele tivesse se tornado A única solução para essa patologia
estamos vivendo uma neurose ao nível um engenheiro, um médico ou um ga- tão profundamente arraigada é querer
de uma civilização inteira... Nesse ca- nhador do Prêmio Nobel. Esse sistema morrer e ser recompensado numa vida
so, estamos falando de crianças e jo- de valores é completamente invertido, após a morte, no paraíso.
vens que vivem suas vidas em pura sua interpretação do Islã valoriza a – Os homens-bomba são moti-
frustração... Como o Islã descreve o morte muito mais do que a vida. Você vados principalmente por convic-
está lidando com pessoas cujo único ção religiosa?
sonho, cujo único objetivo é realizar – Sim, esta é a única convicção que
Mulher-bomba com seu filho. aquilo que elas acreditam ser seu des- eles possuem. Eles não agem assim pa-
tino: ser um shahid ou parente de um ra conquistar um território, ou para en-
shahid. Eles não vêem as pessoas ino- contrar liberdade, ou mesmo dignidade.
centes que são assassinadas, eles en- Eles apenas seguem Alá, o juiz supre-
xergam apenas os “impuros” que têm mo, e aquilo que ele manda que façam.
de destruir. – Todos os muçulmanos inter-
–Você disse [no debate ante- pretam a jihad (guerra santa) e o
rior na MSNBC] que os homens- martírio da mesma maneira?
bomba experimentam um mo- Todos os muçulmanos religiosos
mento de poder absoluto, acima acreditam que, no final, o Islã prevale-
de qualquer punição. Seria a mor- cerá sobre a terra. Acreditam que a
te o poder supremo? sua é a única religião verdadeira e
– Não a morte como um fim, mas não há qualquer espaço, em suas
como uma passagem para o “além-vi- mentes, para interpretações. A princi-
da”. Eles buscam a recompensa que pal diferença entre muçulmanos mode-
Alá lhes prometeu. Eles trabalham pa- rados e extremistas é que os modera-
ra Alá, a autoridade máxima, acima dos não acreditam que irão testemu-

18 Notícias de Israel, outubro de 2006


Horizonte

nhar a vitória absoluta do Islã durante mílias sacrificariam seus filhos por di-
o tempo de suas vidas e, assim, eles nheiro. Entretanto, os próprios jovens,
respeitam as crenças dos outros. Os que são muito presos às suas famílias,
extremistas acreditam que a realiza- costumam encontrar nessa ajuda fi-
ção da profecia do Islã e seu domínio nanceira uma outra razão para se tor-
sobre todo o mundo, como descrito no narem homens-bomba. É como com-
Corão, é para os nossos dias. Cada prar uma apólice de seguro e, depois,
vitória de Bin Laden convence 20 mi- cometer suicídio.
lhões de muçulmanos moderados a se – Por que tantos homens-bom-
tornarem extremistas. ba são jovens do sexo masculino? Foto de meninos vestidos como
– Descreva-nos a cultura que – ...a sexualidade é fator sobera- combatentes no “Festival da Criança
forja os homens-bomba. no. Também o ego, pois esse é um ca- Palestina” no Iêmen (publicada
– Opressão, falta de liberdade, la- minho certo para se tornar um herói. no site do Hamas).
vagem cerebral, miséria organizada, Os shahid são os cowboys ou os bom-
entrega a Alá do comando sobre a vi- beiros do Islã. Ser um shahid é um va-
da cotidiana, completa separação en- lor positivamente reforçado nessa cul-
tre homens e mulheres, ...destituição tura. E qual criança nunca sonhou ser deploráveis. Quatrocentos milhões de
de qualquer tipo de poder às mulheres um cowboy ou um bombeiro? dólares são gastos anualmente, subsi-
e total encargo dos homens de zelar – Qual o papel desempenhado diados principalmente por impostos
pela honra familiar, o que diz respeito pela ONU nessa equação terrorista? dos EUA, para sustentar 23.000 fun-
principalmente ao comportamento de – A ONU está nas mãos dos países cionários da UNRWA, muitos dos
suas mulheres. árabes, dos países do Terceiro Mundo quais sabidamente pertencem a orga-
– Quais as forças sócio-econô- ou de antigos regimes comunistas. É nizações terroristas (sobre esse assun-
micas que sustentam a perpetua- uma instituição de mãos atadas. A to, consulte o meu filme “Hostages of
ção dos homens-bomba? ONU já condenou Israel mais vezes do Hatred” [Reféns do Ódio]).
– A caridade muçulmana é geral- que qualquer outro país do mundo, in- – Você disse anteriormente que
mente um disfarce para a assistência a cluindo os regimes de Fidel Casto, Idi um homem-bomba é, simultanea-
organizações terroristas. Mas deve-se Amin ou Kadafi. Agindo dessa forma, mente, uma “bomba estúpida” e
observar igualmente que países como o a ONU deixa sempre o caminho livre, uma “bomba inteligente”. Pode
Paquistão, a Arábia Saudita e o Irã, que já que não condena abertamente as explicar o que isso significa?
também dão apoio às mesmas organi- organizações terroristas. Além disso, – Diferentemente de um artefato
zações, utilizam-se de métodos diferen- através da UNRWA [Agência das Na- eletrônico, um homem-bomba tem, até
tes. O irônico, no caso dos terroristas ções Unidas de Assistência aos Refu- o último segundo, a capacidade de
suicidas palestinos, é que a maior parte giados da Palestina] a ONU está dire- mudar de idéia. Na verdade, ele é
do dinheiro chega através do apoio fi- tamente conectada a orga-
nanceiro fornecido pelo mundo ociden- nizações terroristas como o
tal, doado a uma cultura que, no fim das Hamas, que representa
contas, odeia e rechaça o Ocidente (sim- 65% de todo seu aparelha- Homens-bomba suicidas posando com o Corão.
bolizado principalmente por Israel). mento nos assim chama-
– Existe uma rede de incentivo dos campos de refugiados
financeiro para as famílias dos ho- palestinos. Como forma
mens-bomba? Em caso positivo, de apoiar os países ára-
quem faz os pagamentos e qual o bes, a ONU vem manten-
peso desse incentivo sobre a deci- do os palestinos nesses
são [de animar um filho a se tor- campos, na esperança do
nar um assassino suicida]? “retorno” a Israel, por
– Havia um incentivo financeiro à mais de 50 anos – fazen-
época de Saddam Hussein (US$ do, assim, com que seja
25.000 por família) e Yasser Arafat impossível assentar essa
(valores menores), mas isso já é passa- massa populacional que
do. É um erro acreditar que essas fa- ainda vive em condições

Notícias de Israel, outubro de 2006 19


Horizonte

nada mais que uma plataforma polí- – Esses homens têm viajado da Bósnia, do Afeganistão, do Paquis-
tica representando interesses alheios em grande número para fora de tão. Dentro da Europa, centenas de
a si mesmo – ele apenas não se dá suas regiões nativas? Com ba- mesquitas ilegais preparam o próximo
conta disso. se em sua pesquisa, você diria passo da lavagem cerebral em jovens
Como podemos dar um fim na per- que estamos começando a as- rapazes perdidos, que não conseguem
versidade desses ataques suicidas e do sistir a uma nova onde de ata- encontrar uma identidade satisfatória
terrorismo em geral? Parando de ser ques suicidas fora do Oriente no mundo ocidental. Israel está muito
politicamente corretos e parando de Médio? melhor preparado para lidar com essa
acreditar que essa cultura é uma vítima – Cada novo ataque terrorista bem situação do que o resto do mundo ja-
da nossa. O islamismo radical hoje é sucedido é considerado uma vitória mais estará. Sim, haverá mais ataques
simplesmente uma nova forma de nazis- pelos radicais do Islã. Em todos os lu- suicidas na Europa e nos EUA. Infeliz-
mo. Ninguém tentava justificar ou des- gares para onde o Islã se expande há mente, isso é apenas o começo. (An-
culpar Hitler na década de 1930. Nós conflitos regionais. Agora mesmo há drew Cochran, “The Antiterrorism
tivemos que destruí-lo para que fosse milhares de candidatos ao martírio fa- Blog” – extraído de www.DeOlhoNa-
possível a paz com o povo alemão. zendo fila nos campos de treinamento Midia.org.br)

Batalhas ganhas – guerra perdida? seus objetivos estratégicos antes do


cessar-fogo. Entretanto, diante das

Críticas à liderança maciças críticas que surgiram entre os


cidadãos após o fim da guerra, as

israelense opiniões a respeito parecem ser diver-


gentes. Aparentemente, a maioria dos
israelenses acredita que o país ganhou
Durante a guerra no Líbano, os batido com sucesso, Israel parece as batalhas, mas perdeu a guerra.
israelenses ficaram unidos, mas lo- ter perdido essa guerra. A opinião pública israelense contava
go depois surgiram as críticas. À primeira vista, parece que Israel com uma guerra de curta duração. De-
Mesmo que o exército tenha com- ganhou todas as batalhas e alcançou sejava-se ver as Forças de Defesa de Is-
rael (FDI) em ação, observando seu po-
tencial posto em prática e alcançando
Manifestantes israelenses exigem investigações sobre a condução da guerra no Líbano. uma vitória gloriosa. Isso corresponde à
fama do espírito lutador das FDI. A res-
peito, os israelenses recordam especial-
mente a Guerra dos Seis Dias em 1967,
mas lembram também como foram ca-
pazes de reverter a situação após o ata-
que-surpresa dos vizinhos árabes em
1973 (na Guerra do Yom Kippur).
Como nada disso aconteceu na
guerra de 2006 e logo ficou claro que
os combatentes do Hizb’allah (Partido
de Alá) eram não apenas terroristas,
mas soldados iranianos bem treinados
e equipados, a opinião pública israe-
lense mudou. O resultado: os líderes
políticos e militares sofrem pesadas
críticas e ouve-se constantemente a
acusação de que não foi Israel, e sim
o Hizb’allah, que ganhou essa guerra.
(Zwi Lidar)

20 Notícias de Israel, outubro de 2006


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