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ANOTAÇÕES SOBRE A DESISTÊNCIA DA AÇÃO

Leonardo José Carneiro da Cunha

Mestre em Direito pela UFPE Doutorando em Direito pela PUC/SP Procurador do Estado de Pernambuco Advogado

SUMÁRIO: 1. Atos das partes no processo. 2. A desistência da ação como ato unilateral no processo. 3. A desistência da ação como ato bilateral no processo. A revelia como ressalva. 4. Necessidade de ser fundamentada a recusa do réu. 5. Impossibilidade de o réu condicionar sua concordância à transmudação da desistência em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação. 6. A desistência da ação depois de proferida sentença de mérito. 7. O abandono da causa como desistência indireta. 8. A desistência da ação como fato impeditivo do poder de recorrer. 9. A desistência do mandado de segurança. 10. Desistência da ação de desapropriação. 11. A desistência da ação de execução. 12. A desistência da ação cautelar. 13. A desistência da ação e os honorários de sucumbência. 14. A desistência da ação e a distribuição por dependência (CPC, art. 253, II). Bibliografia.

1. Atos das partes no processo

Advindo do latim procedere, o termo processo significa caminhar avante, para frente, pondo-se como antônimo de retrocesso, cujo sentido aponta para caminhar para trás. Daí se percebe que a idéia de processo está relacionada com o tempo, justamente porque seu resultado depende da prática de vários atos.

Sendo certo que o processo, grosso modo, consiste num conjunto de atos destinados à obtenção de provimento judicial que ponha termo ao conflito de interesses resistido, é curial que se impõe a prática de vários atos até se chegar à sentença final, extinguindo-se o processo com ou sem julgamento do mérito.

Nesse contexto, são praticados no processo atos pelas partes, pelo juiz, pelo membro do Ministério Público e pelos demais agentes que nele funcionam.

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Os atos processuais, independentemente de quem os pratique, consistem numa espécie de atos jurídicos, qualificados pelo caráter processual da mudança jurídica, a implicar uma constituição, modificação ou substituição no processo 1 . São processuais os atos que têm importância jurídica no tocante à relação processual, ou seja, “os atos que têm por conseqüência imediata a constituição, a conservação, o desenvolvimento, a modificação ou a definição de uma relação processual” 2 . O que caracteriza o ato como processual não é sua prática no processo, mas o seu valor ou a sua repercussão para o processo 3 .

Os atos praticados pelas partes podem ser unilaterais ou bilaterais, consoante se depreende da dicção do art. 158 do Código de Processo Civil. São unilaterais os atos da parte que independem da concordância da parte contrária. Já os bilaterais assim se identificam, quando, para serem praticados pela parte, dependem da confluência da manifestação de vontade da parte contrária, a exemplo do que sucede com a transação (CPC, art. 269, III).

Os atos das partes, uma vez praticados, produzem efeitos imediatos no processo, gerando a pronta e instante modificação, constituição ou extinção de direitos processuais (CPC, art. 158). O único ato das partes que não produz efeitos imediatos é a desistência da ação, a qual deve ser requerida por advogado que detenha poderes especiais para tanto (CPC, art. 38). Sua eficácia somente se opera depois de homologada por sentença (CPC, art. 158, parágrafo único), que irá extinguir o processo sem julgamento do mérito (CPC, art. 267, VIII).

2. A desistência da ação como ato unilateral no processo

Enquanto não apresentada a resposta do réu, o autor poderá, unilateralmente, desistir da ação (CPC, art. 267, § 4º). A partir de tal momento, ou seja, depois da resposta do réu, o autor somente poderá desistir da ação, se contar com a concordância daquele.

CARNELUTTI, Francesco. Instituições do processo civil. Trad. Adrián Sotero De Witt Batista. Campinas: Servanda, 1999, vol. 1, p. 477. 2 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de Direito Processual Civil. Trad. Paolo Capitanio. Campinas: Bookseller, 1998, vol. 3, p. 20. 3 CARNELUTTI, Francesco. Ob. cit., p. 477. www.abdpc.org.br

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César Asfor Rocha. 21/02/2002. o marco ou divisor d’águas para que o ato do autor seja unilateral é até a fluência final do prazo de resposta do réu (ou até a contestação. que era unilateral.abdpc. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.022/SC. RSTJ 59/219. 153. Da preclusão processual civil. conferir: Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ.044/SP. Min. até que se escoe o prazo de resposta do réu. Garcia Vieira. depois desse momento. na desistência da ação. REsp 380. Após o saneamento do processo. p. pp. REsp 293. 3. Min. 5 Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ. 3. ofertada a contestação. www. DJ de 13/08/2001. sob pena de não poder ser homologada pelo juiz 5 . 208. rel. p. vide o item 3 infra). Nancy Andrigui. art. 27/03/2001. exigindo a confluência das manifestações de vontade do autor e do réu. Antônio Alberto Alves. DJ de 25/03/2002. desistir da ação 4 . Min. 6 BARBOSA. caso esta seja apresentada antes do escoamento do prazo de resposta. 264). ante a estabilização definitiva da demanda (CPC. rel. a propósito. rel. Na hipótese de ainda não ter escoado todo o prazo para resposta. a desistência da ação deverá contar com a concordância do réu. É que. j. diferenciando-se da modificação do pedido ou da causa petendi. 264. art. sobressai a consumação do interesse.br 4 . o autor poderá. o autor poderá fazê-lo unilateralmente até a citação do réu. 1994. o autor somente poderá desistir da ação. 2ª edição atualizada por Antonio Cezar Peluso. No mesmo sentido: Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ. mas já havendo ajuizamento de contestação. com o exercício da faculdade que conduz ao alcance do objetivo e caracteriza a chamada preclusão consumativa 6 . Então. livremente. REsp 14. Vale dizer que. parágrafo único). 34-35.626. passa a ser bilateral. o ato. DJ de 07/03/1994. A revelia como ressalva Uma vez apresentada contestação. que tem como marco a citação do réu. j. Significa que.Para alterar o pedido ou a causa de pedir. a alteração do pedido ou da causa petendi depende de concordância do réu (CPC. A propósito. j. A desistência da ação como ato bilateral no processo. A partir da citação.org. nem com a concordância do réu poderá haver a alteração do pedido ou da causa de pedir.600/SP. de forma unilateral. 15/12/1993. caso o réu com ela manifeste sua concordância. p.

rel. REsp 61. exsurgindo a impossibilidade de ser intimado para manifestar concordância ou não com a desistência da ação. 578. peca por conferir ação também ao réu. só poderá o autor desistir da ação com o consentimento do promovido” 8 . Ora. porquanto sua contumácia indica a falta de pretensão em obter uma sentença de improcedência. não sendo o réu revel. j. 8 Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ. apresentada contestação pelo réu. na eventualidade de haver revelia.004/SP. II. 356. o réu já manifesta falta de interesse numa sentença de mérito que lhe venha a ser favorável.org. Min. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. E. 7 www. 15/03/1995. é desnecessário intimar o réu revel para se pronunciar acerca do pedido de desistência da ação.Ainda que o prazo para a resposta tenha escoado. nº 532. apreciada a lide ou o pedido formulado pelo autor em sua petição inicial. É por isso que. sendo revel. Sua discordância decorre da intenção de que reste.567. haverá de ser intimado para manifestar concordância com o pedido de desistência da ação. 1991. 3. caso já tenha ofertado sua contestação. efetivamente. Comentários ao Código de Processo Civil. Moniz de. do direito a uma sentença de mérito. 2000. Comentários ao Código de Processo Civil. a desistência da ação depende de concordância deste. p. Ora. pois a ele também é conferido o direito a uma sentença de mérito. César Asfor Rocha. D. DJ de 17/04/1995. Apenas se exige a aquiescência do réu quanto à desistência da ação. sendo-lhe indiferente a análise pelo juiz do pedido formulado pelo autor na petição inicial. caracterizando-se como ato ARAGÃO. É que a revelia induz a falta de interesse em ver o mérito apreciado. caso ele tenha efetivamente ajuizado contestação no prazo legal 7 . segundo alguns 9 . 7ª edição. GOMES. p. se o réu dispõe de direito a uma sentença de mérito – o que revela a bilateralidade da relação processual –.abdpc. exatamente porque ele dispõe. p. 9. demonstrando não despontar interesse seu concernente ao recebimento de uma sentença de mérito. Rio de Janeiro: Forense. de igual modo. “decorrido o prazo para resposta. Com efeito. não é necessário contar com a concordância do réu para a desistência da ação. Daí por que.br . vol. Tal conceito. O conceito de ação cunhado por Liebman – e encampado pelo CPC brasileiro – consiste no direito a uma sentença de mérito. vol. Fábio.

pp. www. 2000. art. um error in procedendo. sendo irrelevante o erro de procedimento. sendo. não deverá ser intimado para manifestar-se sobre o pedido de desistência da ação formulado pelo autor. a despeito da desnecessidade de intimação do réu revel. sendo o réu revel. edição. tal erro poderá gerar a anulação da decisão. 9 GOMES. poderá o autor desistir da ação. 1999. REsp 172. este interpor um agravo de instrumento. poderá. o juiz estará cometendo.br . não poderá o réu discordar da desistência da ação no intuito de pretender um julgamento da lide. edição. em caso de revelia.779/SP. todavia.incompatível com o desejo de se obter uma sentença de mérito. Caso. conduzindo o processo de forma contrária ao modelo legal. a apresentação de contestação ocorre na audiência inaugural. Em outras palavras. pois. vindo o juiz a rejeitá-la. p. E se o juiz. 2ª. então. vindo este último a proferir a sentença homologatória. Min. antes de se alcançar esse momento de oferta da contestação. Nesse caso. 26/09/2000. postulando a anulação da decisão para que. Por essa razão. após a tentativa de conciliação (CPC. reste por homologar a desistência. 324. não haverá prejuízo para o autor. portanto. p. a desistência da ação. desnecessária sua intimação. 3ª. então. 278). Luiz Guilherme. determinar a intimação deste último para que manifeste concordância com a desistência requerida pelo autor? Na verdade. WATANABE. Jorge Scartezzini. Da Cognição no Processo Civil. j. São Paulo: Malheiros. 1999. em hipóteses como essa. DJ de 16/10/2000. Kazuo. Campinas: Bookseller. Novas Linhas do Processo Civil. rel. MARINONI. não precisa contar com a concordância do réu. proferida outra sem considerar a discordância do réu. 210-211.abdpc. Estratifica-se. 45-46. na audiência. seja determinada a intimação do réu rever e este venha a discordar com a desistência. após a fase inicial de conciliação. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Então. Fábio. pp. 79. a chamada preclusão lógica. sem que precise contar com a concordância do réu 10 . Na eventualidade de o réu não discordar da desistência ou sua discordância não ser aceita pelo juiz. que ocorre.org. Carência de ação. a desautorizar a anulação da aludida sentença. No procedimento sumário. 10 Acórdão unânime da 5ª Turma do STJ. praticado um ato incompatível com o desejo de ver apreciado o mérito. deixando de homologar o pedido do autor.

se a diligência veio a ser efetuada e contestada a lide.2001. 4. Min. é se o pedido de desistência ocorreu antes de apresentada a contestação. dependendo. Formulado o pedido de desistência da ação antes da oferta da contestação. REsp 293. o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que a discordância do réu quanto ao pedido de desistência da ação deve ser fundamentada. que. 153. contudo. Ocorre. mesmo assim. rendendo ensejo à homologação da desistência.03. a desistência da ação somente poderá ser levada a efeito. Em hipóteses assim. rel. e não aos autores. sob pena de não ser aceita.abdpc. 27. o juiz somente deverá homologá-la.br . Em suma. mesmo que a petição de desistência só seja juntada aos autos depois ou somente levada ao conhecimento do juiz quando já ajuizada a contestação pelo réu. j. sem qualquer motivo. p. haverá de existir sua concordância para que se homologue a desistência da ação. Para evitar situações como essa. que tempestivamente resolveram não dar continuidade à demanda” 12 . Significa.600/SP.08. então. De fato. para se verificar ser necessária ou não a concordância do réu. que “formulado o pedido de desistência pela parte autora antes mesmo da expedição do mandado citatório. postulada a desistência da ação quando já apresentada contestação. 11 www. a contestação do réu é destituída de fundamento e. não se deverá exigir a manifestação de aquiescência por parte do réu.2001. Necessidade de ser fundamentada a recusa do réu Apresentada a contestação. DJ de 13. se houver concordância expressa por parte do réu. o equívoco deve-se ao processamento cartorário. não raras vezes.org.O que importa. Nancy Andrigui. que juntou tardiamente aquela petição. de mero capricho do réu. caso haja concordância do réu. que fica impossibilitado de exercer a faculdade legítima de requerer a desistência da ação. “somente é necessária a anuência do réu em relação ao pedido de desistência da ação quando este é formulado após decorrido o prazo para oferecimento de resposta” 11 . a Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ. o réu termina aprisionando o autor.

Assim. pois a não aceitação da desistência. REsp 241. Essa. Fernando Gonçalves. 5. DJ de 05/03/2001. A discordância do réu há de ser motivada. é assente a orientação no sentido de que “a recusa do réu ao pedido de desistência deve ser fundamentada e justificada. Impossibilidade de o réu condicionar sua concordância à transmudação da desistência em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação 12 Acórdão unânime da 4ª Turma do STJ. caberá ao réu. 157. 14/12/2000. não bastando a simples alegação de discordância.780/PR. DJ de 03/04/2000. j. 13 Acórdão unânime da 4ª Turma do STJ. sem a indicação de motivo relevante” 13 . Min. inclusive. sendo provável que venha a lograr êxito. rel. como mero capricho ou simples recalcitrância imotivada. REsp 115. fundamentar sua discordância no direito a uma sentença de mérito que julgue improcedente o pedido do autor. Sálvio de Figueiredo Teixeira. 166. homologando-se a desistência pretendida. renovasse a demanda. p. De fato.br . em muitos casos.660. 22/09/1997. A desistência da ação permitiria – em manifesto prejuízo ao réu – que o autor. que ficaria condicionado ao alvedrio injustificado do réu que se revela. desprezar tal discordância. j.fim de evitar prejuízo ao autor. Caso o réu discorde da desistência sem indicação de um motivo relevante. demonstrando ser razoável sua defesa ou que ela está fundada em provas robustas. é basicamente a motivação do réu para discordar da desistência. quando já havia a probabilidade de o réu restar vitorioso. rel. DJ de 13/10/1997. sem que haja esse motivo ou sem demonstrar essa situação processual que lhe seja favorável. Aldir Passarinho Júnior.abdpc. JBCC 189/227. por exemplo. O que não pode é o réu simplesmente discordar. acobertada pelo pálio da coisa julgada material. p. que será.871/RJ.642/SP. rel. Min. na realidade. RT 782/224. 51. sem qualquer justificativa plausível. j. cumpre. p. 17/02/2000. deixando de fundamentar sua oposição. Min. REsp 94. constitui inaceitável abuso de direito. No mesmo sentido: Acórdão unânime da 6ª Turma do STJ. www. precavendo-se contra os argumentos trazidos na contestação e reunindo novos elementos ou provas.org. então.

art. 142. A desistência da ação depois de proferida sentença de mérito Questiona-se se. Adocas de 10. de cujo teor se extrai a seguinte dicção: “São lícitas. o autor poderia ainda requerer a desistência da ação. Revela-se.É comum.01. Ora. o que. impossível ao réu condicionar sua concordância quanto ao pedido de desistência da ação a uma transmudação em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação. todas as condições não contrárias à lei. como se sabe. rel. já foi repudiada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 6. a Juízo responder nova demanda.1994. verificar que alguns réus somente concordam com a desistência. é vedado pelo art. nos seguintes termos: “O réu não pode. Tal postura de concordar quanto à desistência. à ordem pública ou aos bons costumes. na praxe do foro. depois de proferida a sentença de mérito. 269. eventualmente. opor-se ao pedido de desistência formulado pelo autor. com isso. cria-se. segunda parte. ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes”. 269. sem motivo legítimo. portanto. do Código Civil. com idêntico objetivo. gerando a extinção prematura do feito. V). 122. simplesmente requerendo a desistência da ação? Acórdão unânime da 3ª Turma do TRF da 1ª Região.abdpc. caso o autor a transmude em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação (CPC.org. poderia o autor pretender reverter essa decisão. O receio de ter que vir.01. não se configura como legítimo a ponto de impor o prosseguimento da lide contra a vontade do autor” 14 . em geral.br 14 . V). Juiz Fernando Gonçalves. uma vez apreciado o mérito. É que a desistência da ação inviabiliza a análise do mérito. www. desde que a parte renuncie ao direito sobre o qual se funda a ação (CPC. art. uma condição arbitrária que priva o ato do seu efeito próprio.405.15586-9-GO. n. entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico. Ag 93. condicionando-o à renúncia ao direito em que se funda a ação.

Juiz Amir José Finocchiaro Sarti. 03/08/1995. Quanto a esse óbice. REsp 61004/SP. www.br 15 . desde que a sentença ainda não tenha passado em julgado e haja concordância da parte contrária.04. quedou encerrada a prestação jurisdicional. 16 Acórdão unânime da 1ª. apenas. rel. Min. rel. mesmo já decidida em primeiro grau. DESISTÊNCIA DA AÇÃO POSTULADA APÓS PROFERIDA A SENTENÇA DE MÉRITO. 15/03/1995. só poderá o autor desistir da ação com o consentimento do promovido. art. desde que não tenha se operado o trânsito em julgado e haja concordância da parte adversa.abdpc. Acórdão unânime da 5ª. ART.” 16 Como se vê. IMPRESCINDIBILIDADE DA CONCORDÂNCIA DO RÉU. GRAU DE RECURSO. é a dicção do seguinte precedente: “EMENTA – DESISTÊNCIA. não podendo mais praticar quaisquer atos (CPC. PAR. tendo o juiz cumprido e acabado seu ofício.É perfeitamente possível a desistência da ação. 463). caso em que o recurso pendente fica sem objeto. Lex JSTJ e TRF 76/400. j. não sendo o réu revel. DJ de 17/04/1995. Nesse sentido. AGRT 94. 267. Recurso provido. Turma do TRF da 4ª. . restando condicionada. segundo o qual não seria possível a apreciação do pedido de desistência por já ter sido proferida sentença de mérito.” 15 De tal entendimento não diverge a orientação que dimana do seguinte julgado da lavra do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. à concordância da parte adversa. j. CPC. p. 09567. mesmo depois de proferida sentença de mérito. César Asfor Rocha. o entendimento jurisprudencial denota ser possível a formulação do pedido de desistência.org. e desde que não operado ainda o trânsito em julgado.58460-6-SC. Região.. sobressai um óbice legal: já tendo proferido sentença de mérito. Decorrido o prazo para resposta. 4.À primeira vista. despontam decisões que concluem pela possibilidade de a desistência ser requerida mesmo após a prolação do ato sentencial. Turma do STJ.

será examinado o mérito. Cumpre. pp. não se deve permitir mais ao autor desistir da ação. no tocante à primeira pretensão. ainda que haja concordância do réu. A satisfação daquela. n. O autor poderá desistir do recurso já Na verdade. perfilhar o entendimento segundo o qual “estando o processo em fase recursal. Não parece ser possível ao autor. encerrando aí seu ofício jurisdicional 17 . somente deve reformar a sentença. Acolhida que seja a primeira pretensão. caso se preencham as condições da ação e se tenha direito ao julgamento do mérito. 18 Essa sistemática é denominada por Cândido Rangel Dinamarco de teoria da pretensão bifronte (Instituições de direito processual civil. uma vez proferida a sentença de mérito. objetivando o bem da vida perseguido. 2001. com a apreciação da segunda pretensão. Se este concluir pela ausência de direito ao julgamento do mérito da causa. é bem de ver que. ainda mais havendo discordância do réu-vencedor. Quando já proferida a sentença de mérito. 434. v. a parte autora. apresenta duas pretensões: (a) uma formulada contra o juiz. A satisfação desta última cabe ao réu. ao que parece. serão reexaminadas tanto a primeira como a segunda pretensão.Sabe-se que. o autor-derrotado não pode desistir da ação. 17 www. pela sistemática do CPC brasileiro. acolhendo-se ou rejeitandose a segunda pretensão 18 . que almeja o julgamento do mérito e (b) outra voltada contra o réu. razão pela qual se possibilita a renovação da demanda (CPC. cabe ao Estado-juiz. não irá avançar na análise da segunda pretensão.br . como forma de desfazer a sentença de mérito.org. rejeitando a primeira das pretensões. II. requerer a desistência da ação depois de ultimada a providência jurisdicional. ainda que instado pelos meios coativos da ação material exercida pelo juiz. podendo o tribunal reformar a sentença por entender não ser possível acolher. 268). viabilizando-se a análise da segunda. restou acolhida a primeira pretensão.abdpc. ou a primeira. de um pressuposto processual ou de algum outro impediente do julgamento do mérito. ou a segunda das citadas pretensões. 108-110). caso não se verifique a presença de uma condição da ação. ao propor uma demanda. pela sistemática do processo civil brasileiro. Sem embargo disso. a extinção do processo sem julgamento do mérito não encerra uma atividade jurisdicional. O tribunal. São Paulo: Malheiros. no particular. Interposto o recurso e encaminhados os autos ao tribunal. Só o recurso pode ser alvo da desistência unilateral e incondicionada” 19 . art.

a atribuição de homologar a desistência da ação. § 4º). caso haja a concordância expressa deste último (CPC. j. ainda que haja concordância expressa do réu. 463). transformá-la em sentença terminativa. www. 08/09/1998. 463 do CPC. estar-se-ia a autorizar o desfazimento de sentença definitiva pela parte autora. com o devido respeito aos que se posicionem nesse sentido. Francisco Peçanha Martins. A se permitir a desistência depois de proferida a sentença de mérito. caso haja concordância do réu.abdpc.br 19 . certo da discordância do réu quanto ao seu pedido de desistência. a partir da qual se produzirão os efeitos da coisa julgada material (CPC. art. art. com a concordância do réu. 468). do direito a uma sentença de mérito. mas a ação não poderá mais ser objeto de desistência.474/SP. estar-se-ia conferindo ao autor um poder que ele não tem: o de desfazer uma sentença de mérito para que seja transformada em sentença terminativa. 267. restando impossível modificar a sentença de mérito para. p. rendendo ensejo à Acórdão não unânime da 2ª Turma do STJ. rel. Min. Demais disso. e não obstante sobressaírem decisões jurisprudenciais demonstrando ser possível a desistência da ação depois de proferida a sentença de mérito. Por essas razões. A praxe forense vinha revelando que. o réu passa a dispor. dada a vedação do art. parece. Adhemar Maciel. o autor resolvia abandonar a causa. formalizada a relação processual. somente pode desistir da ação. porquanto já apreciado o mérito. avulta recomendável não aceitar a desistência da ação depois de proferida a sentença de mérito. que se impõe adotar orientação diversa. DJ de 24/05/1999. pelas seguintes razões: a) proferida a decisão final. Isso porque. rel. b) ainda que se cometa ao tribunal.interposto. O abandono da causa como desistência indireta Já se viu que o autor.org. p/ acórdão Min. REsp 89. homologada a desistência da ação. 118. após escoado o prazo de resposta do réu. estimulando eventuais conluios ou a consumação de situações em que o autor detenha ascendência jurídica ou econômica sobre o réu. a exemplo do autor. não poderá mais o juiz inovar no processo (CPC. art. 7.

depende de requerimento do réu”. Isso tudo serve para demonstrar que não somente o autor. www. 267. E tal homologação se perfaz com a sentença terminativa prevista no art. III.br 20 . 267. em vista da regra encartada no art. mas também o réu detêm o direito a uma sentença de mérito. o Superior Tribunal de Justiça. ressalvada a desistência da ação. sobreleva destacar a hipótese inscrita no inciso VIII do referido art. Na verdade. sem a concordância do réu. por abandono de causa. frustrando a expectativa do réu de ver apreciado o pedido do autor.abdpc. segundo a qual se proferirá sentença terminativa. parágrafo único). do CPC. VIII. verificando a ofensa ao referido § 4º do art. com fulcro no art. Somente com o silêncio do autor em tal prazo. 158. em 48 (quarenta e oito) horas. não restava ao juiz outra alternativa senão extinguir o processo sem julgamento do mérito. aí sim se possibilita a extinção do feito. o autor abandonava a causa. 267. Mantendo-se quedo o autor durante as 48 (quarenta e oito) horas seguintes à referida intimação. em manifesta burla ao § 4º do art. deverá o juiz determinar a intimação do autor para que. 267 do CPC. 267 do CPC. todos os atos processuais praticados pelas partes produzem efeitos imediatamente (CPC. exigindo que a extinção sem julgamento do mérito. Consoante já se pôde antecipar em linhas transatas. quando o autor desistir da ação. art.extinção prematura do feito. resolveu editar a Súmula 240 20 . com a obtenção de uma decisão que resolvesse a lide. o abandono da causa vinha funcionando como inquestionável desistência indireta. 8. 267 do CPC. 158). Com efeito. manifeste interesse na causa. A desistência da ação como fato impeditivo do poder de recorrer Dentre os casos de extinção do processo sem julgamento do mérito. uma vez requerida a extinção pelo réu. Assim. cujo efeito somente será produzido depois de homologada por sentença (CPC. do CPC. 267. Para evitar expedientes da espécie. Súmula 240 do STJ: “A extinção do processo. art. dependesse de requerimento expresso e prévio do réu. por abandono da causa pelo autor. III do CPC.org. daí se seguindo a intimação prevista no § 1º do art.

Deferimento da liminar e desistência. não disporá de interesse em recorrer da sentença terminativa que cuidar de homologá-la. decorrido o prazo de resposta do réu. e vindo esta a ser homologada pelo juiz. a desistência somente poderá ser homologada. caso o réu venha a concordar com a desistência. Apelação cível: teoria geral e admissibilidade. 180-182. Recurso de terceiro.br . SOUZA. p. tendo o réu já concordado com a desistência e com a extinção do processo sem julgamento do mérito. Ora. 213. ao concordar com a desistência. Gleydson Kleber Lopes. a partir daí. Fredie. nota 3 ao art. contudo. visto que o réu. § 4º). com evidência. A desistência da ação não constitui fato impeditivo do poder de recorrer em relação ao terceiro interessado. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. p. não pode recorrer para reformar a sentença e. “Preclusão lógica é a que extingue a possibilidade de praticar-se ato processual. enquanto não escoado o prazo de resposta do réu. Isso porque haverá preclusão lógica.org. com o encerramento terminativo do feito. assim já decidiu o Superior Tribunal de Justiça: “MANDADO DE SEGURANÇA. 183. Código de Processo Civil Comentado. 74. 2ª edição. a não ser que ele tenha participado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. tendo pedido a desistência da ação. 173-174). é cediço que a desistência da ação. não poderá insurgir-se contra a correspondente sentença terminativa. Logo. extraprocessualmente. Deferimento de ordem para o fim de reabrir o prazo para o 21 www.abdpc.Ora. 483. É que. pp. pela prática de outro ato com ele incompatível” 21 . Recurso especial. Na verdade. 22 JORGE. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Flávio Cheim. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. p. é curial que o autor não disporá de poderes para recorrer da sentença homologatória. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Demais disso. 2001. mercê da ocorrência de preclusão lógica. ver o mérito apreciado. este tem o direito de recorrer da sentença que extinguiu o processo pela desistência da autora da ação. a preclusão lógica. Sobre o conceito de preclusão lógica. de algum ato tendente à extinção do processo (DIDIER JR. em havendo a concordância deste último (CPC. OLIVEIRA. impende colher insumo da lição de Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery. Tendo. a desistência da ação constitui um fato impeditivo do poder de recorrer 22 . pp. ao requerer a desistência. Deferida a cautelar atingindo interesse de terceiro. art. Desse modo. pondo termo ao processo. 1997. 2002. o autor praticou ato incompatível com o desejo de ver apreciado o mérito. Interesse manifestado através de mandado de segurança. Bernardo Pimentel. Ação cautelar. 1999.. 2002. por ter se operado. poderá ser feita incondicionalmente. 267. Belo Horizonte: Mazza Edições. Recurso. pratica ato incompatível com a intenção de ver apreciado o mérito. Em abono a esse entendimento.

Quanto ao réu. tendo ele concordado. haja vista a existência de manifesto error in procedendo. preferindo ver a lide apreciada com posterior produção dos efeitos da coisa julgada material. DJ de 25/10/1999. caso se homologue a desistência sem que se colha a concordância do réu. Exatamente por isso. pp. Daí por que a autoridade. ou seja.org. César Asfor Rocha. 267. Ruy Rosado de Aguiar. 369-370). JSTJ 12/161).br . § 4º do CPC. não contendo um litígio.abdpc. rel. este poderá interpor apelação para anular a sentença terminativa. não disporá de interesse em recorrer da sentença terminativa. j. não é considerada como réu no sentido estrito do termo 23 . p.” (Acórdão não unânime da 4ª Turma do STJ. Cassio Scarpinella Bueno. o autor pode requerer desistência do mandado de segurança de forma unilateral e incondicionada. eis que não atendido o disposto no § 4º do art. exatamente por não ter se obedecido a uma regra procedimental fixada no art. 9. Escoado o prazo de resposta. rel. interesse deste em recorrer da sentença terminativa. ROMS 7. no caso. 82. entende que a autoridade coatora não é a parte ré no mandado de segurança. Não tendo havido a anuência do réu. recurso. 267 do CPC. haverá.649/DF. não está claro que ele concorde com a extinção do processo sem análise do mérito. então. não dispondo de direito a uma sentença de mérito.). Min. 17/03/1998. 23 Fredie Didier Jr. não precisando contar com a concordância da autoridade impetrada. p/ acórdão Min. recorrer da sentença homologatória do seu pedido de desistência da ação. www. na exata medida em que nele não há um confronto entre direitos das partes que preenchem os pólos opostos da demanda. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.Do contrário. Somente nesta última hipótese é que poderá haver recurso contra a sentença homologatória da desistência da ação. o autor não dispõe de poderes para. que é a pessoa jurídica de direito público. Eduardo Arruda Alvim e Teresa Arruda Alvim Wambier (coords. no mandado de segurança. Enfim. Aspectos polêmicos e atuais do mandado de segurança. de cujos quadros faz parte (Natureza jurídica das informações da autoridade coatora no mandado de segurança. sendo notificada para prestar informações e cientificar o verdadeiro réu. e não obtida a concordância do réu. A desistência do mandado de segurança É ponto incontroverso na doutrina e na jurisprudência que o mandado de segurança reveste matiz especialíssimo. mesmo escoado seu prazo de resposta.

19/11/2002.org. ALEGADA OFENSA AOS ARTS. Recurso não conhecido. Precedentes. 2º. DESNECESSIDADE. o mandado de segurança “. www. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. e 458. IV. TODOS DO CPC. 267. já se viu que a necessidade de se obter a concordância do réu quanto ao pedido de desistência da ação decorre da bilateralidade do processo e.Com efeito. § 4º do CPC. fazendo-se referência a vários precedentes do STF e do STJ. 278. 267 do CPC. quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida’. o impetrante pode desistir da impetração. nem dispõe de direito a uma sentença de mérito. não ostenta a condição de réu. admite desistência a qualquer tempo. Realmente. no mandado de segurança. 211/STJ. Súmula 211-STJ. Ora. DJ de 24/02/2003. a partir do momento em que se considera que a autoridade. ou porque se convenceu da 24 Acórdão unânime da 5ª Turma do STJ. SÚM. AQUIESCÊNCIA AUTORIDADE IMPETRADA. visando unicamente à invalidação de ato de autoridade. é a dicção que se extrai do seguinte julgado: “PROCESSUAL CIVIL. Felix Fiscer. 85/STJ. II. MANDADO DE SEGURANÇA. mesmo após a notificação da autoridade impetrada e independentemente da concordância desta. Súm.. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL.” 24 À evidência. de resto. Tribunal a quo. rel. II – O impetrante pode desistir do mandado de segurança. 83/STJ. não se confundindo com as outras ações em que há direitos das partes em confronto. SÚM. REsp 440. Nesse sentido. afigura-se desnecessário colher sua aquiescência em relação à desistência da ação. não foram apreciadas pelo e. RECURSO ESPECIAL. j. III – ‘Não se conhece do recurso especial pela divergência.br . I – Inadmissível o recurso especial quanto às questões que. a despeito da oposição de embargos declaratórios.abdpc.. não incidindo na espécie a regra do art. do direito do réu em obter uma sentença de mérito.. Min. não se aplicando ao processo de mandado de segurança a regra encartada no § 4º do art. DA DESISTÊNCIA DA AÇÃO MANDAMENTAL.019/RS. independentemente de consentimento do impetrado. 267.

o autor do mandado de segurança pode pedir a desistência da ação de forma incondicionada. 2001. 182. 267 do CPC para a extinção do processo por desistência” 25 . Como se percebe. j. rel. a jurisprudência já assentou a possibilidade de aceitar a desistência depois do trânsito em julgado da sentença na ação de desapropriação. 267 do CPC. 26/03/2002. p. ou por qualquer conveniência pessoal. até a tradição e. 507. 10. ação direta de inconstitucionalidade. p. 1998. sem precisar contar com a concordância da autoridade coatora. ação civil pública. ‘habeas data’. 23ª edição atualizada por Eurico de Andrade Azevedo.abdpc. não havendo símile com as outras causas. A desistência da desapropriação somente poderá MEIRELLES. 26 MEIRELLES. 16/11/2000. 28 Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ. Desistência da ação de desapropriação O autor pode requerer a desistência da ação de desapropriação. Para que se consolide a desistência da desapropriação. Mandado de segurança. 23ª edição atualizada por Arnoldo Wald e Gilmar Ferreira Mendes. RSTJ 140/149. 202. para o imóvel. até o trânsito em julgado da sentença ou o registro do título resultante do acordo 26 . 110-111. Portanto.br 25 . 27 Acórdão unânime da 2ª Turma do STJ. Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle Filho. a qualquer momento. unilateralmente. se ainda não tiver sido pago o preço 27 . p. de forma unilateral. poderá haver a desistência da ação de desapropriação 28 . gerando a invalidação do acordo ou a extinção do processo. enquanto não se ultimar a incorporação do bem ao patrimônio do expropriante: no caso de bem móvel. deve haver a revogação do ato expropriatório (lei ou decreto) e devolução do bem expropriado. que não precisa ser indicada nem depende de aquiescência do impetrado. ação popular. rel. Hely Lopes. Min. REsp 402. não se aplicando o § 4º do art. São Paulo: Malheiros. não se aplica o disposto no § 4º do art. Min. www. enquanto não ocorrer o pagamento do preço. DJ de 12/08/2002. j. pp. Hely Lopes. mesmo que já tenha se operado o trânsito em julgado da sentença desapropriatória. Garcia Vieira. Embora o trânsito em julgado sobressaia como o marco para que o ente expropriante possa desistir da ação de desapropriação.482/RJ. Então. ação declaratória de constitucionalidade e argüição de descumprimento de preceito fundamental. mandado de injunção. Direito administrativo brasileiro. REsp 280. São Paulo: Malheiros.392/SP. Eliana Calmon.org. DJ de 11/12/2000.legitimidade do ato impugnado.

daí se seguindo a adoção de atos concretos e materiais voltados à satisfação ou ao cumprimento forçado do direito. Cit.br . p. se for possível devolver o bem expropriado nas mesmas condições em que o expropriante o recebeu do proprietário. o crédito) já está reconhecido em um título que irá lastrear a execução. DJ de 22/04/2002. “antes de efetuado o pagamento pela desapropriação e se encontrando o imóvel em condição de devolução. e não derivada.825/SP. rel. já não se viabiliza mais a desistência da ação de desapropriação. Eis por que tanto o autor como o réu dispõem de direito a uma sentença de mérito. de tal sorte que. que uma delas está com a razão. sob pena de ofensa à coisa julgada 31 . Min. é admissível a desistência da ação” 30 . A desistência da ação de execução O processo de conhecimento caracteriza-se pela disputa entre as partes acerca do direito discutido. Não havendo. que é a obrigação de o expropriante oferecer o bem ao expropriado. nem se objetiva reconhecer o direito de uma das partes. j. Direito administrativo brasileiro. porquanto a incorporação do bem ao patrimônio público ocorre de forma originária. DJ de 28/05/2001. 29 30 MEIRELLES. 11. por parte do expropriante. não há disputa. pp. rel.abdpc. Castro Filho. 35). art.org. Min. por sua vez. REsp 187. não cabe mais a desistência da desapropriação. Hely Lopes. 18/06/2001.concretizar-se. 15/02/2001.. De fato. p. Uma vez operado o trânsito em julgado da sentença e efetuado o pagamento do preço correlato. destinando-se. 158. ao final. 177. art. o cumprimento da retrocessão. A partir desse momento. 519 do novo Código Civil). No processo de execução. o direito do expropriado resolve-se em perdas e danos. j. não sendo objeto de reivindicação (Decreto-lei nº 3. sendo possível a retrocessão. Acórdão não unânime da 1ª Seção do STJ. mediante a devolução por parte deste último do valor da indenização (Código Civil/1916. bem por isso. quando não lhe for dado o destino declarado no ato expropriatório.365/41. Havendo alteração no bem. 507-508. 31 Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ. não se admite a desistência da desapropriação 29 . correspondente ao art. O direito (rectius. a eliminar a incerteza e reconhecer. 1. REsp 93.416/MG.150. www. havendo desistência da ação depois de apresentada a contestação. Milton Luiz Pereira. exsurge indispensável colher a concordância do réu.

É relevante observar que. Fora dessas hipóteses. arts. em sua redação originária 33 . 267 do CPC. 612). não há como se extinguir a execução.org. pois a execução jamais é julgada improcedente. Requerida pelo exeqüente a desistência da ação. haver a concordância do executado. MEDINA. sendo equivocada a terminologia adotada no inciso III do art. art. pp. na demanda executória. analogicamente. Aspectos polêmicos e atuais dos recursos. o réu (rectius. mediante a prolação de uma sentença (CPC. pois. “A sentença que extingue a execução”. o processo é extinto por meio de sentença (CPC. “Recursos no processo de execução – notas sobre alguns aspectos controvertidos”. Não há. Por essa razão. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. José Miguel Garcia.358/2001). sendo equivocado referir-se à improcedência da execução 32 . 52.352 e 10. 795) em razão da satisfação do crédito. art. Nelson Nery Jr e Teresa Arruda Alvim Wambier (Coord. tampouco disputa. o exeqüente pode requerer desistência da ação de execução.br 32 .abdpc. De par com isso. 395-403. A execução – já se viu – extingue-se por uma das hipóteses previstas no art. para que o exeqüente peça desistência da ação. Eduardo Pellegrini de Arruda Alvim. a execução pode ser extinta pelos mesmos motivos que põem termo ao processo de conhecimento sem julgamento do mérito (CPC. art. 475 do CPC. parágrafo único. 267 e 598). e uma vez proferida a sentença homologatória. da transação ou da renúncia ao crédito (CPC. 268 do CPC. 795). executado) não dispõe de direito a uma sentença de mérito. A exemplo do que sucede no processo de conhecimento. Inovações no processo civil (comentários às leis 10. o disposto no art. 38). 158. Teresa Arruda Alvim. poderá haver a renovação posterior da demanda executória. aplicando-se. sendo-lhe benéfica a extinção da execução. cujo pedido será homologado por sentença (CPC. não se aplica à ação de execução o disposto contido no § 4º do art. art. Processo de execução e assuntos afins. 794). Leonardo José Carneiro da. 794 do CPC. 2002. Até porque a execução realiza-se no interesse do credor (CPC. p. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Dialética.). 1998. análise de mérito. 33 CUNHA.). na execução. 402-404. não precisando. www. art. improcedência da execução. art. 2000. Não há. Teresa Arruda Alvim Wambier (Coord. c/c art. Como não há improcedência na execução. nem existe discussão. devendo o advogado estar munido de poderes especiais para tanto (CPC. a quem se confere plena disponibilidade sobre o processo de WAMBIER. 795). pp.

caso corrija o vício que rendeu ensejo à extinção do feito. 2000. novamente. Alberto Camiña. 2000. 16 e seguintes da Lei nº 6. Execução forçada: controle de admissibilidade. art. permitindo-se ao exeqüente propor. desde que a matéria pudesse ser apreciada de ofício pelo juiz 37 . 569 do CPC incorpora ao direito positivo o princípio da disponibilidade. todavia. equivalentes.abdpc. 146-158. Marcelo Lima. 193194. a demanda executória. que podem ser apreciadas de ofício pelo juiz. que deve ser conhecida de ofício pelo juiz. 2000. É cediço que o processo de execução. 1995. devem ser suscitadas mediante objeção. atentar para uma distinção destacada por Liebman quanto à oposição de forma e à oposição de mérito. restará extinta a própria execução e. não comporta defesa. art. parece mais correto adotar a expressão objeção.org. Editora e Distribuidora. Campinas: M. é natural que. facultado desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas executivas (CPC. p. vol.830/80. Se os embargos tratarem apenas de matéria processual. Enrico Tullio. apresentar as impugnações que tiver contra o crédito de que o exeqüente se diz titular. 2000. Cumpre. 569) 34 . ter ajuizado objeção 36 de pré-executividade. 267). Teori Albino. sendo notório que se trata dos embargos do devedor. uma vez homologada. A defesa do executado e dos terceiros na execução forçada. aos embargos que abordam matérias processuais e aos embargos que versam sobre matérias relativas ao crédito propriamente dito ou à relação jurídica de direito material havida entre as partes 35 . 78).br 34 . tais embargos têm previsão expressa nos arts. sendo-lhe. 37 GUERRA. 8. cabendo ao executado valer-se de ação cognitiva autônoma para desconstituir o título executivo e. de modo que sua razão de ser está relacionada exclusivamente ao interesse e ao proveito do credor. pp. As questões dispositivas. inclusive. a intenção do executado é obter a extinção do processo de execução.execução. que tem o seguinte significado: “a execução tem por única finalidade a satisfação do crédito. Embargos do executado. Comentários ao Código de Processo Civil. Na execução fiscal. 736 e seguintes do CPC. que exigem provocação da parte. enquanto as matérias de ordem pública. Postulada a desistência da ação de execução. são alegadas por meio de exceção. OLIVEIRA NETO. os embargos do devedor eventualmente opostos no momento próprio. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. respectivamente. Defesa sem embargos do executado: exceção de pré-executividade. pp. de resto. 99-128. www.” (ZAVASCKI. por uma das causas equivalentes à extinção do processo de conhecimento sem julgamento do mérito (CPC. MOREIRA. 2ª edição. 36 Embora seja corrente o uso do termo exceção. Olavo de. que dela pode dispor. Tal ação cognitiva autônoma. deve ser aforada incidentalmente à contenda executiva. por sua própria natureza. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. São Paulo: Saraiva. 35 LIEBMAN. previstos que estão nos arts. conseqüentemente. O art. o executado poderia. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. como é curial. Nesses casos.E. pp. eis que o incidente de pré-executividade destina-se a alegar matéria de ordem pública. inclusive.

1996. p. cabível a condenação em honorários advocatícios a favor do executado (nesse sentido. não sendo necessária a concordância do executado/embargante. Em hipóteses assim. 15. pois. não há interesse de agir 40 . pp. faltando utilidade. 58:7-33. www.org. Enfim. 22:11-17. A objeção de pré-executividade é um incidente e. condenação em sucumbência (CPC. mesmo na rejeição da exceção de pré-executividade. o juiz. já fixa a verba honorária. os honorários. São Paulo: Saraiva. porém. art. Sendo. novamente.abdpc. incondicionalmente e de forma unilateral. porquanto. exatamente. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. atendendo-se ao objetivo do executado que. há necessidade de condenação em honorários: CAHALI. 22:63-71. § 1º). não caberia fixar. 218-219. haverá a extinção da execução. Caso seja oposta objeção de pré-executividade. Yussef Said. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. no sentido de assegurar-lhe uma posição jurídica mais vantajosa do que a anterior” 39 . pp. em embargos do devedor ou em objeção de pré-executividade 38 . “Extinção do processo e mérito da causa”. Honorários advocatícios. 1990. os honorários já estão fixados. À evidência. Defesa do executado antes da penhora. Leonardo José Carneiro da. art. Revista Dialética de Direito Tributário. o exeqüente terá possibilidade de. São Paulo: Dialética. 39 FABRÍCIO. 2002. 20. acolhida a objeção de pré-executividade. § 1º). É que a sentença que homologa o pedido de desistência traz para o executado ou embargante uma vantagem.830/80. São Paulo: Dialética. 6. Interesse de agir na ação declaratória. quando os embargos do devedor versarem exclusivamente matéria processual. 69-71). pp. § 4º). 20. sendo. 2000. 2ª edição. desistir da ação de execução. ABRÃO. devendo o incidente ser rejeitado com a simples condenação nas despesas (CPC. 3ª edição. Adroaldo Furtado. ao receber a execução. art. Alberto Camiña. p.O pedido de desistência da ação de execução irá justamente gerar a extinção do processo. com indicação de jurisprudência do STJ: MACHADO. supõe-se que a sentença almejada represente um proveito efetivo para o autor. pretendia ver alcançado tal desiderato. Carlos Henrique. 40 CUNHA. E. Assim. não gera. p. 92101. pondo termo a um processo de execução que conduziria à concretização de atos materiais voltados à satisfação ou cumprimento do direito reconhecido em favor do exeqüente. não sendo opostos embargos do devedor (CPC. não haveria utilidade em eventual discordância do executado/embargante quanto à desistência da ação de execução. Na verdade. Curitiba: Juruá. em princípio. como tal.br 38 . Shubert de Farias. o executado ou embargante não disporá de interesse processual em se insurgir contra o pedido de desistência da ação. 20. não se legitimando a eventual recusa do executado/embargante. rejeitada a objeção. Defesa sem embargos do executado: exceção de pré-executividade. Entendendo que. Revista de Processo. Revista Dialética de Direito Tributário. julho-1997. não haverá condenação em honorários (nesse sentido: MOREIRA. 20. Exceção de pré-executividade na Lei n. 992). a pretensão veiculada nos embargos do devedor ou na objeção de pré-executividade. A sentença homologatória da desistência atende. “na perspectiva da utilidade. então.

como é curial. 569. impedindo que o executado/embargante seja novamente acionado em relação àquele título ou crédito. sob pena de se comprometer direitos do arrematante. é a dicção que se extrai da regra hospedada no art. a. p. Ob. A mesma 41 42 DINAMARCO. rende ensejo ao retorno ao status quo ante. a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas executivas (CPC. São Paulo: Malheiros. a quem se confere. o embargante dispõe de direito a uma sentença de mérito. pois é o maior beneficiado com a extinção da execução. Já se viu que a execução se realiza no interesse do credor. 694). o executado/embargante pretende obter provimento judicial que reconheça a ilegitimidade do crédito ou a inexistência de relação jurídica entre ele e o exeqüente/embargado. 235. caso o pedido de desistência da execução não tornar viável o retorno ao status quo ante. nem mesmo ao executado. 569. Nesse caso. caso haja oposição de embargos de mérito. não podendo tal direito ser afastado ante um pedido de desistência da ação de execução 41 . Isso porque. cit. a não ser que haja concordância do executado ou do terceiro42 . a desistência da ação de execução depende da concordância do executado/embargante. ou caso tal retorno redundar prejudicial ao executado ou a terceiro. A desistência. acabada e irretratável do bem penhorado (CPC. Por essa razão. 1995. opostos os embargos. Cândido Rangel. A reforma do Código de Processo Civil. a teor do que estabelece o art. aliás. Assim. parágrafo único. www. A situação difere quando os embargos tratarem de matéria relativa ao crédito ou à relação jurídica de direito material mantida entre as partes.. Significa dizer que. pelo princípio da disponibilidade. do CPC. 83. daí resultando que a ninguém prejudica. não deverá ser homologado pelo juiz. Teori Albino.abdpc. arts. do CPC. não se permite a desistência unilateral da execução após a assinatura do auto de arrematação.br . 569 e 612). A sentença que vier a ser proferida em tais embargos irá produzir coisa julgada material. parágrafo único. b. ZAVASCKI. art.Essa.org. decorrentes da alienação perfeita. p.

art. nesses casos. Min. 634) ou já tiver sido cumprida pela executado.situação ocorre em relação à adjudicação. Ibidem. p. p. nas demandas cautelares. O exeqüente somente pode requerer a desistência unilateral da execução até a sentença declaratória da insolvência (CPC. independentemente do consentimento do réu” 46 . de maneira que a desistência depende do assentimento de todos eles. Depois da contestação. De igual modo. rel. 197. estando limitada sua disponibilidade à fase anterior à instalação do concurso universal. a ação passa a ser de interesse de todos os credores do insolvente. a partir daí. Min. 83. pode o autor desistir da ação. 751. 107.152/SP. art. Assim. 43 44 Exemplos ministrados por Teori Albino Zavascki. art. rel. poderá o requerente postular a desistência da ação cautelar. sendo fungível.org. enquanto não apresentada a contestação. DJ de 12/06/2000. a desistência depende de concordância do requerido 45 . 612). 07/02/2002. Carlos Alberto Menezes Direito. obedecidos os termos da proposta já aceita (CPC. art. não se permite a desistência unilateral da execução quando a prestação de fazer.. aplicando-se o disposto no § 4º do art. É que. O princípio da disponibilidade e a possibilidade de o exeqüente desistir unilateralmente da execução não se aplicam ao caso de insolvência do devedor (CPC. cit. 18/04/2000. a desistência há de preservar direitos do executado de terminar de cumprir sua obrigação e de terceiros. Garcia Vieira. j. pois. 46 Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ. 761). que se revela irretratável após a assinatura do auto 43 . 12. III). 45 Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ. Afora o regime próprio aplicável ao processo de conhecimento. A desistência da ação cautelar A desistência da ação cautelar segue a mesma disciplina das ações que instauram o processo de conhecimento. 83. Ob. DJ de 25/03/2002. p. “não tendo sido cumprida integralmente a medida liminar. www. Idem. houver sido cometida a terceiro (CPC. 267 do CPC. j. REsp 358.br . art. § 3º) 44 .311/PR. p. em que tem lugar o concurso universal (CPC.abdpc. 634. REsp 203.

2000. cuja esfera jurídica e/ou patrimonial já fora atingida com a efetivação da aludida medida.org.Vale dizer que. ainda que não apresentada contestação. 20 do CPC. p. Ovídio A. 20 daquele diploma processual. Tome-se como exemplo o caso em que.br 47 . 26 do CPC que. 20 do CPC. não poderá mais o requerente.abdpc. vol. aplicando-se. 1. o devedor resta por requerer a desistência dos embargos à execução fiscal. as despesas e honorários serão pagos pela parte que desistiu. Comentários ao Código de Processo Civil. deverá arcar com as despesas processuais e os honorários advocatícios a parte que deu causa à extinção do processo. aplica-se o art. se o processo terminar por desistência da ação. art. porque obteve a satisfação de sua pretensão por algum meio extrajudicial. no caso de desistência. Em outras palavras. 26 do CPC. 26. Havendo desistência da ação. Sendo parcial a desistência. pp. havendo acordo para parcelamento do débito. Quanto à outra parte que não foi objeto da desistência. 148-149. a responsabilidade pelas despesas e honorários será proporcional à parte de que se desistiu (CPC. Celso Agrícola. será julgada normalmente. ou seja. Em tal BARBI. devendo contar com a anuência do requerido. Baptista da. 8ª edição. deverá o réu arcar com os ônus do sucumbimento 48 . 1993. Comentários ao Código de Processo Civil. nº 210. o disposto no aludido art. Então. o requerente não poderá desistir da ação cautelar sem que haja a concordância expressa do requerido. que a sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou e os honorários advocatícios. mas já tendo sido cumprida integralmente a medida liminar. 13. cumprida integralmente a medida liminar. Assim. se bem que o processo se extinga 47 . 48 SILVA. denominados de ônus da sucumbência. Os ônus da sucumbência decorrem do princípio da causalidade. eis que na desistência da ação não há renúncia do direito. não incide o art. e não o art. a partir desse momento. Rio de Janeiro: Forense. no particular. vol. desistir da ação cautelar de forma unilateral. não havendo vencedor nem vencido no tocante ao mérito. I. 20 do CPC. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 125. § 1º). A desistência da ação e os honorários de sucumbência Dispõe o art. tendo o autor requerido a desistência da ação. www. Daí estabelecer o art.

no mesmo sentido: Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ. RDDT 81/238. DJ de 25/11/2002. sendo indevida.865/RS. Com efeito. cabe. a condenação do embargante nos ônus da sucumbência 49 . o objetivo dos embargos foi alcançado na via administrativa.hipótese. 26 do CPC. desistiu dos embargos à execução fiscal deve arcar com os ônus da sucumbência: acórdão unânime da 2ª Turma do STJ. em princípio. condenar o autor nos ônus da sucumbência. 48. pelo princípio da causalidade. Min.org. DJ de 26/04/1999. parágrafo único). j. rel.750/DF. 01/10/1998.718/RS. Min. REsp 433. Min. 267. art. rel. p. j. p. a condenação do embargos nos ônus da sucumbência 51 . ainda que anterior ao exaurimento do prazo para a contestação. sem qualquer ressalva quanto à desistência dos embargos. p. REsp 433. A desistência da ação e a distribuição por dependência (CPC. Nesse sentido: acórdão não unânime da 1ª Turma do STJ. Min. AGA 462. Min. 26 do CPC.818/RS. José Delgado. A desistência de embargos à execução fiscal em virtude da adesão ao REFIS já foi tida pelo STJ como equiparável à renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação. Min. que irá permitir ao autor propor novamente a demanda (CPC. DJ de 10/03/2003. art. 38). II) Requerida a desistência da ação por advogado com poderes específicos (CPC. DJ de 24/03/2003. 06/03/2003. j. 248. DJ de 28/10/2002. entendeu-se que se aplicaria o art. cabendo ao devedor que desistiu dos embargos à execução arcar com os ônus do sucumbimento: acórdão unânime da 1ª Turma do STJ. sendo descabida. p. 50 Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ. a desonerar o embargante dos ônus do sucumbimento. entendendo que o embargante que aderiu ao REFIS e. Nesse caso. p. Postulada a desistência antes da citação. a adesão ao REFIS gera a extinção dos embargos à execução fiscal.br 49 .627/RS. 27/08/2002. portanto. 286. art. ou seja. REsp 475. 226. 253. RSTJ 124/116. independentemente se tal extinção é com ou sem julgamento do mérito. Havendo.593/RS. DJ de 23/09/2002. 17/12/2002. Demócrito Reinaldo. acarretando a extinção do processo com julgamento do mérito 50 . 158. sujeitando-se igualmente ao princípio da causalidade. Luiz Fux. a condenação na verba honorária segue a mesma regra contida no art. art. RT 768/174. 01/10/2002. j. desistência após a citação do réu. o autor somente pagará as custas. Luiz Fux. Eliana Calmon. não devendo ser responsabilizado pelo pagamento de honorários ao advogado da parte adversa. VIII). 14. por meio de sentença terminativa (CPC. p. Em sentido contrário. rel. com vistas a cobrir os gastos do réu com o advogado eventualmente contratado 52 . j. 268). contudo. j.abdpc. www. rel. rel. 22/10/2002. Luiz Fux. rel. esta somente irá produzir efeitos depois de homologada pelo juiz (CPC. art. REsp 436. 136. 151. Tendo do acordo de parcelamento constado cláusula responsabilizando o embargante pelos honorários. REsp 114. 51 Nesse sentido: acórdão unânime da 1ª Turma do STJ.

segundo a determinação contida no art. julho-1997. 2ª edição. 86. Assim. 54 CUNHA. devendo ser controlada de ofício pelo juiz. Leonardo José Carneiro da. p. Carlos Henrique. II. CARNELUTTI. 33-34. vol. 7ª edição. 253. 75. Comentários. 75-91. 22:11-17. 2003. cit. pp. Bibliografia ABRÃO.. p. Trad. Fredie. cuja desobediência desaguará na nulidade dos atos decisórios. 1999. 2002.org. Nova reforma processual civil – comentada. 1991. TUCCI. A reforma da reforma. eis que o julgamento será proferido por juízo absolutamente incompetente 55 . Assumpção. Assumpção Neves sugere a adoção do termo atribuição em vez do termo distribuição por dependência. art. a quem se confere poderes para. nesse caso.. D. 6.. ARAGÃO. pp.. cit. Daniel A. 37-38. 2ª edição.830/80. Comentários ao Código de Processo Civil.. cit. 1. não cumprida a exigência. 37-40. pp. NEVES. Exceção de pré-executividade na Lei n.358/2001. pp. São Paulo: Dialética.352 e 10. do CPC. Nova reforma processual civil – comentada. 74. sendo desnecessário o ajuizamento de exceção de incompetência (CPC. 55 CUNHA. Campinas: Servanda. 2ª edição. Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Método. podendo o réu suscitar a questão em preliminar de sua contestação ou por qualquer outro meio. Ovídio A. 2002.A repropositura da demanda deverá ser atribuída 53 ao mesmo juízo que homologara a desistência da ação. 113) 56 . NEVES. ainda que a parte renove a demanda em litisconsórcio com outros autores..abdpc. E. 87). Cândido Rangel. São Paulo: Malheiros. p. cit. DINAMARCO. vol. O objetivo da regra foi evitar a escolha do juízo para processar e julgar a causa 54 . 2003. A reforma da reforma.br . reconhecer sua incompetência e determinar a remessa dos autos ao juízo competente. 149.. Daniel A. Instituições do processo civil. Moniz de. conferindo maior extensão à regra da perpetuatio jurisdictionis (CPC. 53 52 www. Adrián Sotero De Witt Batista. Daniel A. Inovações no processo civil. Leonardo José Carneiro da. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Lineamentos da nova reforma do CPC. 2003. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Forense. pp. a distribuição por dependência ou atribuição da causa ao juízo que homologara a desistência encerra nova hipótese de competência absoluta. DIDIER JR.358/2001). 2002. Baptista da. 71-72). A nova reforma processual. independentemente de distribuição (Nova reforma processual civil – comentada.. pp. Cândido Rangel. São Paulo: Método. p. Francesco. São Paulo: Dialética. SILVA. pois. na redação conferida pela Lei nº 10. 56 DINAMARCO. José Rogério Cruz e. art. 2ª edição. Inovações no processo civil (comentários às leis 10. II. não há distribuição. Assumpção. uma vez que a causa já é encaminhada a um juízo determinado. 32-33.

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