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TÉCNICAS DE CONTROLE - ÁREA AUDITORIA E FISCALIZAÇÃO – CONTROLE INTERNO P/ ANALISTA DE FINANÇAS E CONTROLE DA CGU (TEORIA E EXERCÍCIOS)

Olá pessoal,

Esta é

a

aula

1

de

Técnicas de

Controle

que abordará os seguintes

assuntos, de acordo com o Edital ESAF nº 07, de 2012:

Controle Externo: conceitos; o papel do TCU, suas competências e atribuições constitucionais e legais; relacionamento do TCU com o Congresso Nacional; o exercício do controle por meio da apreciação e julgamento de contas; Tomadas e Prestações de Contas, Tomada de Contas Especial; controles prévio, concomitante e a posteriori.

CONCEITOS RELEVANTES

O controle externo, lato sensu, ocorre quando o órgão controlador não integra a estrutura do órgão controlado. É também o controle de um Poder sobre o outro.

Assim, controle externo é aquele realizado por Poder ou órgão diverso do controlado ou que não integra a sua estrutura, envolvendo o exame de legitimidade e legalidade e/ou supervisão político-administrativa, com o objetivo de verificar se houve regularidade nos atos praticados para o alcance dos objetivos de interesse coletivo.

São espécies de controles externos da Administração Pública: o controle legislativo, o controle jurisdicional e o controle financeiro praticado pelo Congresso Nacional e pelo Tribunal de Contas da União sobre a gestão de recursos públicos.

O controle legislativo ou parlamentar é exercido pelo Poder Legislativo e desdobra-se em duas vertentes: o controle político, realizado pelas Casas Legislativas, e o controle técnico, que abrange a fiscalização contábil, financeira e orçamentária, exercido com auxílio do Tribunal de Contas. O controle legislativo alcança todos os Poderes e as entidades da administração direta e indireta.

Eis alguns instrumentos dos quais dispõe o Congresso Nacional, por suas Casas ou Comissões, para levar a efeito sua função controladora:

a) pedidos escritos de informação: no âmbito Federal, podem os parlamentares solicitar informações por escrito aos Ministros de Estado, a serem encaminhados pela Mesa de cada Casa. O não

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atendimento a pedidos desta natureza, no prazo de 30 dias, importa em crime de responsabilidade;

b) convocação para comparecimento: a Constituição Federal obriga o comparecimento de ministros de Estado às Casas do Congresso ou a qualquer de suas comissões, para prestar, pessoalmente, informações previamente solicitadas;

c) comissões parlamentares de inquérito: são comissões constituídas para fiscalização e controle da Administração, podendo ser integrada por membros da Câmara, do Senado ou de ambas as Casas;

d) fiscalização direta a que se refere o inciso X do art. 49 da CF:

segundo o referido dispositivo constitucional, compete privativamente ao Congresso Nacional fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;

e) aprovações e autorizações de atos do Executivo: algumas decisões do Executivo têm sua eficácia condicionada à aprovação do Congresso Nacional;

f) sustação de atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa (Inciso V do art. 49 da CF): instrumento de controle adotado nos casos de extrapolação da competência regulamentar ou de competência legislativa delegada pelo Congresso Nacional o Poder Executivo, na forma do art. 68 da Lei Maior.

O controle jurisdicional compreende a apreciação de atos, processos e contratos administrativos, atividades ou operações materiais, ou mesmo omissão da Administração.

É essencialmente um controle de legalidade efetuado pelo Poder Judiciário sobre os poderes e órgãos da administração pública. Ocorre sempre a posteriori. A lei, como principal forma de indicação do interesse público, é tomada aqui no seu sentido genérico, abrangendo toda a forma de regramento, seja constitucional, legal ou regulamentar.

A proteção judiciária visa a assegurar o princípio da legalidade que orienta a atuação dos Poderes públicos. O Poder Judiciário pode declarar a nulidade de um ato administrativo.

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O controle externo da gestão pública está previsto nos artigos 70 e

71 da CF/88, cujo titular é o Congresso Nacional, que o exerce com o auxílio

do Tribunal de Contas, e refere-se ao controle da gestão orçamentária, financeira, patrimonial, contábil e operacional da União.

O artigo 70 da CF ressalta a necessidade e a importância do controle e

define o alcance da fiscalização a ser exercida pelo controle externo e pelos sistemas de controle interno de cada poder, como segue:

Art. 70 – A Fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada poder.

Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física, ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.

Cabe notar a abrangência conferida pelo constituinte à fiscalização dos órgãos e entidades estatais: transcende os aspectos de legalidade e não se restringe à despesa. A fiscalização da gestão pública pode ser realizada de cinco modos: contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial.

Fiscalização contábil

A fiscalização contábil está relacionada à aplicação dos recursos públicos conforme as técnicas contábeis. Tem como propósito verificar se os fatos relacionados com a gestão dos recursos públicos estão sendo escriturados de acordo com as normas contábeis aplicadas ao caso. Além da conformidade dos registros, verifica-se a adequada elaboração e divulgação dos demonstrativos contábeis – balanços.

Fiscalização financeira

A fiscalização financeira está relacionada ao fluxo de recursos (ingressos e saídas) geridos pelo administrador, independente de serem ou não recursos

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orçamentários. Constitui objeto da fiscalização financeira a verificação da legalidade e legitimidade na realização das despesas, observando se o gestor público cumpriu os princípios e as regras estabelecidas para as aquisições de bens e serviços e de liquidação da despesa pública.

Fiscalização orçamentária

A fiscalização orçamentária está relacionada à aplicação dos recursos públicos, conforme as leis orçamentárias, acompanhando a arrecadação dos recursos e a aplicação. Ou seja, o seu objetivo é verificar se as receitas e despesas públicas guardam conformidade com as peças orçamentárias: Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei do Orçamento Anual (LOA). Verifica se foram respeitados os limites e destinações estabelecidos nas leis orçamentárias.

Márcio Albuquerque e Estevão Cunha ressaltam que tal fiscalização envolve diversas fases, não acontecendo apenas posteriormente, quando da prestação de contas ao órgão de controle externo. Nesse sentido, o art. 77 da Lei 4.320/64 estabelece que a verificação da legalidade dos atos de execução orçamentária será prévia, concomitante e subseqüente.

Fiscalização operacional

A fiscalização operacional está relacionada à verificação do bom desempenho (economicidade e eficiência) e do cumprimento de metas e resultados (eficácia e efetividade) da gestão dos recursos públicos.

Márcio Albuquerque e Estevão Cunha lembram que a fiscalização operacional é novidade da Carta Política de 1988. Por meio desta modalidade de fiscalização, é feito o acompanhamento da execução de programas e projetos governamentais. É um tipo de fiscalização que tem por enfoque orientar e fornecer apoio aos gestores públicos, de modo que possam otimizar a aplicação dos recursos financeiros para atingimento das metas.

A economicidade é a minimização dos custos dos recursos utilizados na consecução de uma atividade, sem comprometimento dos padrões de qualidade. Refere-se à capacidade de uma instituição gerir adequadamente os recursos financeiros colocados à sua disposição.

A eficiência é definida como a relação entre os produtos (bens e serviços) gerados por uma atividade e os custos dos insumos empregados para produzi-los em um determinado período de tempo, mantidos os padrões de

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qualidade. Essa dimensão, portanto, relaciona-se com o conceito de economicidade e mede o esforço do processo de transformação de insumos em produtos. Pode ser examinada sob duas perspectivas: minimização do custo total ou dos meios necessários para obter a mesma quantidade e qualidade de produto; ou otimização da combinação de insumos para maximizar o produto quando o gasto total está previamente fixado. Portanto, o conceito de eficiência está relacionado ao de economicidade.

A eficácia é definida como o grau de alcance das metas programadas

(de produtos e serviços) em um determinado período de tempo, independentemente dos custos implicados. O conceito de eficácia diz respeito à capacidade da gestão de cumprir objetivos imediatos traduzidos em metas de

produção ou de atendimento, ou seja, a capacidade de prover bens ou serviços de acordo com o estabelecido no planejamento das ações.

A efetividade diz respeito ao alcance dos resultados pretendidos, a

médio e longo prazo. Refere-se à relação entre os resultados de uma intervenção ou programa, em termos de efeitos sobre a população-alvo (impactos observados), e os objetivos pretendidos (impactos esperados). Trata-se de verificar a ocorrência de mudanças na população-alvo que se poderia razoavelmente atribuir às ações do programa avaliado.

Fiscalização patrimonial

A fiscalização patrimonial está relacionada ao controle, salvaguarda,

conservação e alienação de bens públicos. Portanto, verifica-se o adequado controle e proteção dos bens públicos, incluindo-se a proteção e conservação do meio ambiente. Também constitui objeto dessa fiscalização a transferência de bens públicos para o setor privado e a concessão de uso.

No caput do artigo 70, estão especificados ainda os grandes critérios com que essas fiscalizações ou auditorias serão realizadas: legalidade, legitimidade e economicidade. Assim, a análise de gestão contábil, orçamentária, financeira, patrimonial e operacional é realizada levando-se em conta a:

a) legalidade – aderência da aplicação dos recursos ao ordenamento jurídico (Constituição, leis, decretos, normas etc.).

b) legitimidade – pressupõe a aderência, além da legalidade, à moralidade e à ética, ou seja, se atendeu ao interesse público. Nenhum ato pode ser legítimo se não for legal, porém, pode ser legal e agredir a legitimidade.

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c) economicidade – minimização dos custos incorridos com os gastos públicos. Deve-se observar se os preços dos produtos adquiridos estão de acordo com o preço de mercado.

d) aplicação de subvenções – aplicação dos recursos públicos transferidos a entidades públicas ou privadas para determinadas despesas ou fins.

e) renúncia de receitas – são benefícios tributários e fiscais para incentivo a determinado setor ou atividade, como isenção fiscal, redução de base de cálculo ou de alíquota de tributos etc.

RESUMO: ASPECTOS A SEREM FISCALIZADOS:

Legalidade: aderência da aplicação dos recursos ao ordenamento jurídico (Constituição, leis, decretos, normas etc.).

Legitimidade: pressupõe a aderência, além da legalidade, à moralidade e à ética, ou seja, se atendeu ao interesse público.

Economicidade: minimização dos custos dos recursos utilizados na consecução de uma atividade, sem comprometimento dos padrões de qualidade. Refere-se à capacidade de uma instituição gerir adequadamente os recursos financeiros colocados à sua disposição.

Eficiência: relação entre os produtos (bens e serviços) gerados por uma atividade e os custos dos insumos empregados para produzi-los em um determinado período de tempo, mantidos os padrões de qualidade.

Eficácia: grau de alcance das metas programadas (de produtos e serviços) em um determinado período de tempo, independentemente dos custos implicados. O conceito de eficácia diz respeito à capacidade da gestão de cumprir objetivos imediatos traduzidos em metas de produção ou de atendimento, ou seja, a capacidade de prover bens ou serviços de acordo com o estabelecido no planejamento das ações.

Efetividade: diz respeito ao alcance dos resultados pretendidos, a médio e longo prazo. Refere-se à relação entre os resultados de uma intervenção ou programa, em termos de efeitos sobre a população-alvo (impactos observados), e os objetivos pretendidos (impactos esperados).

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Em síntese, quanto aos aspectos objetivos, o controle abrange todas as atividades administrativas desenvolvidas pelo poder público que impliquem receitas, despesas e nascimento ou extinção de direitos ou obrigações, e os aspectos avaliados: legalidade, legitimidade, economicidade e cumprimento de resultados de programas de trabalho.

Assim, praticam os órgãos de controle interno e externo o controle de legalidade e o de gestão (de resultados ou operacional).

Cabe alertar que, em princípio, não cabe aos órgãos de controle fiscalizar os atos de gestão quanto à conveniência e oportunidade de sua realização, posto que compete exclusivamente ao próprio gestor, em um controle típico de mérito existente somente nos atos discricionários.

Contudo, vimos que a Constituição Federal confere ao controle externo competência para avaliar a legitimidade e a economicidade na aplicação de recursos e na realização de determinada despesa, admitindo, assim, um exame de mérito da despesa pública por parte do órgão de controle externo.

Por conclusão, em que pese a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, patrimonial e operacional não comportar exame de conveniência e oportunidade, pode o Tribunal de Contas, em certos casos, avaliar aspectos de discricionariedade dos atos de receita e de despesa quanto à legitimidade e economicidade, bem como quanto à razoabilidade e proporcionalidade e outros princípios.

Os aspectos subjetivos da ação fiscalizadora do controle interno e externo estão postos no parágrafo único do art. 70 da CF. São todas as pessoas físicas, ou jurídicas, públicas ou privadas, sujeitas à jurisdição ou ao alcance do TCU, desde que UTILIZEM, ARRECADEM, GUARDEM, GERENCIEM OU ADMINISTREM bens e valores públicos. Portanto, pessoas ou empresas privadas ou que não pertençam à Administração Pública também são passíveis de ser fiscalizadas pelos órgãos de controle, em certos casos.

SISTEMA DE TRIBUNAIS DE CONTAS NO BRASIL

O Tribunal de Contas é um órgão constitucional dotado de autonomia administrativa e financeira, sem qualquer relação de subordinação com os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

No âmbito federal, o controle é exercido pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União.

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Nos demais níveis federativos, o Controle Externo, por simetria constitucional, é exercido pelas Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais (no DF, Câmara Legislativa do Distrito Federal), com o auxílio dos Tribunais de Contas Estaduais, dos Tribunais ou Conselhos de Contas dos Municípios e de Tribunais de Contas municipais, conforme o caso.

No âmbito estadual, o controle externo é exercido pela Assembléia Legislativa, com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado.

No âmbito municipal, o controle externo é exercido pela Câmara Legislativa Municipal. Quanto ao Tribunal de Contas que prestará o auxílio à Câmara de Vereadores é que precisamos ter atenção.

Caso o município tenha órgão próprio de controle externo (Tribunal de Contas do Município - TCM), a fiscalização em auxílio à Câmara competirá ao TCM. Contudo, caso o estado tenha órgão destinado a fiscalizar as contas dos administradores dos municípios compreendidos em seu território, o auxílio será prestado pelo TC dos Ms. Se não tiver, significa que competirá ao Tribunal de Contas do Estado.

Quanto aos Tribunais de Contas, cabe lembrar que são organizados da seguinte maneira:

a) Um Tribunal de

Contas da União, com sede no Distrito Federal e

representação em todas as Unidades de Federação;

b) Vinte e seis Tribunais de Contas Estaduais, sendo Unidade da Federação;

um

em cada

c) Quatro Tribunais de Contas dos Municípios, localizados nos estados da

Bahia, Ceará, Pará e Goiás;

d) Dois Tribunais de Contas Municipais, localizados nos Municípios de São

Paulo e Rio de Janeiro; e

e) Um Tribunal de Contas do Distrito Federal.

O quadro abaixo resume a atuação dos órgãos de controle externo:

 

União

Estado

Município

DF

Território

Titular do

Congresso

Assembléia

Câmara Municipal

Câmara

Congresso

Controle

Nacional

Legislativa

Legislativa

Nacional

(os

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Externo

     

do DF

recursos são

federais)

     

TCE; ou

     

Órgão que

TCU

TCE

TCM

(RJ

e

SP)

TCDF

TCU

presta

órgão municipal; ou

auxílio

TC dos

Ms (PA,GO,

BA, CE)

órgão

estadual

 

Vale ressaltar que cada Tribunal de Contas possui suas próprias competências, não existindo, em nosso sistema, a possibilidade de uma Corte ser a revisora de outra.

O PAPEL DO TCU, SUAS COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS

O papel do TCU e a natureza de suas decisões

Compete aos Tribunais de Contas o julgamento de condutas funcionais, na gestão de bens, valores e dinheiros públicos. Assim os Tribunais de Contas não têm competência jurisdicional, pois somente o Poder Judiciário possui esta competência.

As deliberações do TCU fazem coisa julgada administrativa, não cabendo ao Judiciário revê-las quanto ao mérito, ou seja, não cabe ao Poder Judiciário julgar as contas substituindo o TCU. Porém, há possibilidade de revisão pelo Judiciário das decisões do TCU quanto à legalidade e formalidade, podendo desconstituí-las por irregularidade formal ou ilegalidade manifesta, sobretudo quando não são assegurados o devido processo legal e o contraditório e a ampla defesa.

As decisões do TCU possuem eficácia de título executivo

Conforme ensina Valdecir Pascoal, ter a eficácia de título executivo significa que o erário-credor do título, a partir da decisão do Tribunal de Contas, tem o direito de receber determinada quantia proveniente de dado ao erário ou multa aplicada pelo TC e caso o responsável não efetue o ressarcimento no prazo legal, não precisará ingressar no Poder Judiciário com o processo de conhecimento.

A decisão condenatória do TC (mediante Acórdão), por ter eficácia de título executivo, poderá ser diretamente executada pela Administração.

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Assim, a caracterização de título executivo torna desnecessária a inscrição do débito na Dívida Ativa da Administração.

Alertamos, no entanto, que nem os Tribunais de Contas nem o Ministério Público junto aos Tribunais possuem competência para postular junto ao Judiciário o ressarcimento de débito ou o pagamento de multa não quitada por responsáveis que tiveram contas julgadas irregulares, pois tal encargo compete a seus órgãos de defesa jurídica.

Na União, na maioria dos casos, a execução dos acórdãos do TCU compete à Advocacia Geral da União (AGU). Assim, o TCU imputa o débito ao responsável e se este não ressarcir o erário, o acórdão condenatório servirá como título executivo extrajudicial para que a AGU ajuíze ação de cobrança na Justiça Federal para reaver a quantia relativa ao débito.

Funções básicas do TCU

O TCU dispõe de diversas competências e atribuições constitucionais e legais. Essas competências podem ser sintetizadas nas seguintes funções:

Função Fiscalizadora - É exercida quando o Tribunal, no uso de suas competências constitucionais, fiscaliza a atividade dos administradores públicos. O Regimento Interno do TCU apresenta os seguintes modos de fiscalização: levantamento, auditoria, inspeção, monitoramento e acompanhamento.

Função consultiva – encontra guarida tanto na Lei Orgânica do TCU como em seu Regimento Interno e consiste na faculdade de algumas autoridades formularem consulta, em tese, à Corte de Contas.

Pode-se considerar como competências vinculadas à função consultiva a emissão de Parecer Prévio sobre contas do Presidente da República e dos Chefes dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Ministério Público e sobre contas de território federal. Isto porque, sobre essas contas, o TCU emite apenas um parecer e não as julga.

Função Informativa - com previsão constitucional, consiste no dever de o TCU, como órgão auxiliar do Congresso Nacional, informar, quando solicitado, àquele órgão o andamento de trabalhos executados no âmbito da Corte de Contas. Podem ser considerados também no âmbito da função informativa, todos os alertas previstos na LRF.

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Função Judicante - é praticada pelo TCU ao julgar as contas de gestão dos administradores públicos e dos responsáveis por prejuízos ao Erário.

OBSERVAÇÃO: Não confundir a função judicante, com a natureza jurídica das decisões do TCU. As decisões do TCU, de forma geral, têm natureza administrativa e não jurisdicional/judicial, pois podem ser revistas pelo Poder Judiciário em caso de ilegalidades ou abusos.

Função Normativa – decorre da possibilidade de a Corte de Contas editar normas para os seus jurisdicionados em matéria de sua competência.

Função Sancionadora - ocorre quando o TCU, ante a constatação de ilegalidade ou irregularidade, aplica sanções aos gestores. Essa faculdade deriva do próprio texto constitucional.

algum

descumprimento à norma legal, assina prazo para a sua correção. No âmbito desta função, o TCU pode fixar prazo para adoção de providências; sustar ato irregular, exceto de contrato (Congresso Nacional – 90 dias) e formular recomendações e determinações.

Função

Corretiva

-

ocorre

quando

o

Tribunal,

ao

constatar

Função Pedagógica – é exercida quando o Tribunal orienta os gestores acerca da forma correta de aplicação da lei, com objetivo de evitar a ocorrência de irregularidades.

Função de Ouvidoria – possibilita o TCU atender à população quanto às suas reclamações, sejam em decorrência de má utilização de recursos públicos, sejam em decorrência de conduta inadequada de seus servidores. A CF prevê o recebimento de denúncias pelo TCU feitas por cidadão, partido político, associação civil ou sindicato e de representação feita pelo controle interno.

Além dessas, o TCU dispõe ainda das seguintes funções e competências:

Controle de constitucionalidade de leis e atos:

Súmula 347 do STF: “O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público”.

Cuidado, pois somente o Supremo Tribunal Federal possui competência para declarar a constitucionalidade ou inconstitucionalidade da lei e norma em tese. Pode o TCU, ao examinar no caso concreto um processo envolvendo ato

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de gestão, considerar uma lei ou norma inconstitucional e determinar às autoridades administrativas competentes que não cumpram tal legislação.

Competência para determinar a anulação de contrato:

Mandado de Segurança 23.550: “O Tribunal de Contas da União – embora não tenha poder para anular ou sustar contratos administrativos – tem competência, conforme o art. 71, IX, para determinar à autoridade administrativa que promova a anulação do contrato e, se for o caso, da licitação de que se originou”.

Competência para prolatar decisões de natureza cautelar:

Mandado de Segurança 24.510: “O Tribunal de Contas da União tem competência para fiscalizar procedimentos de licitação, determinar a suspensão cautelar (artigos 4° e 113, § 1° e 2° da Lei n° 8.666/93), examinar editais de licitação publicados e, nos termos do art. 276 do seu Regimento Interno, possui legitimidade para a expedição de medidas cautelares para prevenir lesão ao erário e garantir a efetividade de suas decisões”.

PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS DO TCU CONFORME A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A LEI ORGÂNICA DO TRIBUNAL

Vamos estudar algumas competências do TCU, tendo por base CF e a sua Lei Orgânica:

1. Julgamento de contas de gestão

Compete ao TCU julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao Erário público

O julgamento das contas dos gestores públicos ou daqueles que causarem prejuízo ao Erário público é uma competência própria (privativa) do Tribunal de Contas, não cabendo qualquer participação ou revisão por parte do Poder Legislativo.

Contas anuais (ordinárias)

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Esse julgamento alcança toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União (bem como Estados e Municípios) responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.

Assim, compete ao TCU julgar as contas:

dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário; do Ministério Público; do próprio Tribunal de Contas; de órgãos, fundos e empresas da administração pública direta e indireta, bem como suas unidades internas (ministérios, secretarias, autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista etc); nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do respectivo tratado constitutivo; de toda pessoa física ou jurídica que administre verbas públicas, incluindo os serviços sociais autônomos (SESC, SENAC, SEBRAE etc) e as organizações sociais.

As prestações de contas dessas pessoas são elaboradas e encaminhadas anualmente ao Tribunal de Contas para julgamento, por isso, são denominadas de contas ordinárias ou anuais, destinadas a avaliar a conformidade e o desempenho da gestão das pessoas relacionadas acima, com base em um conjunto de documentos, informações e demonstrativos de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial, obtidos direta ou indiretamente.

Contas especiais (tomada de contas especial)

Enquanto as contas ordinárias são prestadas anualmente, as contas especiais são apresentadas eventualmente, isto é, sempre que for identificado dado ao Erário.

A parte final do dispositivo (art. 71, inciso II) apresenta a seguinte

redação: “(

outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário publico.”.

)

e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou

Observa-se, com isso, que a intenção do legislador constituinte foi alcançar aqueles que não estavam sujeitos à prestação de contas ordinárias,

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de modo que pudessem ter suas contas julgadas pelo TCU, em caso de ensejarem perda, extravio ou outra irregularidade resultante de prejuízo ao erário.

Conforme lembram Albuquerque e Cunha, nem todas as pessoas que trabalham na Administração Pública são responsáveis por recursos públicos. Porém, um servidor que exerça somente função de assessoria em um órgão público, em tese, não responde por nenhum recurso público, não necessitando, portanto, prestar contas ao TCU. Nada obstante, caso esse servidor extravie um microcomputador de seu ambiente de trabalho, ocasionará prejuízo ao erário, razão pela qual deverá prestar contas de sua ação.

Nesse momento, temos as chamadas contas especiais, que são aquelas instauradas quando se verificar a ocorrência de desfalque, desvio de bens, ou outra irregularidade de que resulte prejuízo para a Fazenda Pública, ou, ainda, quando se verificar que o responsável pela aplicação dos recursos públicos não prestou contas no prazo e na forma fixados nos normativos do TCU e dos órgãos de Controle Interno.

Em função de questionamentos quanto à competência fiscalizadora e de julgamento de contas por parte dos Tribunais de Contas, o STF tem se manifestado em diversas oportunidades. A seguir, apresentamos algumas decisões do STF acerca da matéria, especialmente quanto ao disposto no inciso II do art. 71 da CF.

Abrangência da competência do TCU e natureza da Tomada de Contas Especial

“A competência do Tribunal de Contas da União para julgar contas abrange todos quantos derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao erário, devendo ser aplicadas aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, lei que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado aos cofres públicos (art. 71, II, da CB/88 e art. 5º, II e VIII, da Lei n. 8.443/92). A tomada de contas especial não consubstancia procedimento administrativo disciplinar. Tem por escopo a defesa da coisa pública, buscando o ressarcimento do dano causado ao erário. Precedente [MS n. 24.961, Relator o Ministro CARLOS VELLOSO, DJ 04.03.2005].” (MS 25.880, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 7-2-07, DJ de 16-3-07).

Empresas públicas e sociedades de economia mista devem prestar contas ao TCU e sujeitam-se à fiscalização do Tribunal

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“Ao Tribunal de Contas da União compete julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas

pelo poder público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário (CF, art. 71, II; Lei 8.443, de 1992, art. , I). As empresas públicas e as sociedades de

economia mista, integrantes da administração indireta, estão sujeitas à

fiscalização do Tribunal de Contas, não obstante os seus servidores estarem sujeitos ao regime celetista.” (MS 25.092, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento

em 10-11-05, DJ de 17-3-06).

Obrigação dos Conselhos de Profissões de prestar contas ao TCU

“Natureza autárquica do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Odontologia. Obrigatoriedade de prestar contas ao Tribunal de Contas da União.” (MS 21.797, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 9-3-00, DJ de 18- 5-01). No mesmo sentido: MS 22.643, Rel. Min. Moreira Alves, julgamento em 6-8-98, DJ de 4-12-98.

Competência das Cortes de Contas de “julgar” as contas do Poder Legislativo

“Tribunal de Contas dos Estados: competência: observância compulsória do modelo federal: inconstitucionalidade de subtração ao Tribunal de Contas da competência do julgamento das contas da Mesa da Assembléia Legislativa - compreendidas na previsão do art. 71, II, da Constituição Federal, para

exclusivo da

submetê-las ao regime

prestação de contas do Chefe do Poder Executivo.” (ADI 849, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 11-2-99, DJ de 23-4-99).

do

art. 71,

c/c.

art. 49,

IX, que

é

Entidade de Direito Privado e atuação do TCU – possibilidade

“Embora a entidade seja de direito privado, sujeita-se à fiscalização do Estado, pois recebe recursos de origem estatal, e seus dirigentes hão de prestar contas dos valores recebidos; quem gere dinheiro público ou administra bens ou interesses da comunidade deve contas ao órgão competente para a fiscalização.” (MS 21.644, Rel. Min. Néri da Silveira, julgamento em 4-11-93, DJ de 8-11-96).

2. Realização de auditorias e inspeções

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realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário

Este dispositivo reconhece a autonomia do TCU, prevendo que o Tribunal realize por iniciativa própria as fiscalizações. Trata-se de dispositivo que estabelece a competência fiscalizadora do TCU e a sua natureza e extensão.

Reparem que o TCU pode fiscalizar, sob todos os aspectos já estudados, as unidades administrativas de todos os Poderes.

Outra observação refere-se aos legitimados para a solicitação. Um Deputado ou um Senador isoladamente não tem competência para solicitar ao TCU a realização de fiscalização. Para que o Tribunal atenda a solicitação é necessário que um órgão colegiado, como uma das Comissões das casas legislativas, formalize o pedido. Importante destacar que, até mesmo as comissões de inquérito, têm legitimidade para solicitar a fiscalização.

3. Apreciar e emitir parecer prévio sobre contas de governo

apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento

Inicialmente, cabe destacar que o Tribunal de Contas da União não julga as contas do Presidente da República, somente emite parecer prévio sobre elas. Segundo o art. 49, inciso IX, da CF/1988, o responsável pelo julgamento das contas é o Congresso Nacional.

Estamos tratando das contas de governo e não de contas de gestão. As contas de governo são julgadas pelo Congresso Nacional, enquanto as contas de gestão são julgadas pelo Tribunal de Contas da União, sendo que este julgamento decorre da competência prevista no inciso II do Art. 71 da CF, que abordaremos na seqüência de nosso estudo.

Assim, as contas de governo se preocupam, dentre outras coisas, com a condução políticas publicas, com a evolução dos índices econômicos e sociais, com o atingimento ou não das metas estatuídas na Lei de Responsabilidade Fiscal (despesas de pessoal, endividamento público etc.), bem como com o desempenho da arrecadação em relação à previsão, destacando as

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providências adotadas no âmbito da fiscalização das receitas e combate à sonegação.

Já as contas de gestão verificam se a aplicação dos recursos públicos federais, por parte dos órgãos em consonância com os normativos atinentes à espécie. Nesse sentido, quando a Corte de Contas julga contas de gestão observa, dentre outras coisas, se foram obedecidas as regras atinentes às etapas da despesa, previstas na Lei n. 4.320, de 1994, e se, ao realizar um contrato administrativo ou uma licitação publica, foram respeitados os ditames da Lei n. 8.666, de 1993.

Outro aspecto a ser destacado, é que o art. 56 da LRF estabelece que as contas prestadas pelos Chefes do Poder Executivo (Federal, Municipal e estadual) devem ser acompanhadas das contas dos presidentes dos órgãos dos poderes Legislativo, Judiciário e do Ministério Público respectivo. Vejamos o dispositivo:

Art. 56. As contas prestadas pelos Chefes do Poder Executivo incluirão, além das suas próprias, as dos Presidentes dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Chefe do Ministério Público, referidos no art. 20, as quais receberão parecer prévio, separadamente, do respectivo Tribunal de Contas.

§ 1º As contas do Poder Judiciário serão apresentadas no âmbito:

I – da União, pelos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e

dos Tribunais Superiores, consolidando as dos respectivos tribunais; II – dos Estados, pelos Presidentes dos Tribunais de justiça,

consolidando as dos demais tribunais

Contudo, o Supremo Tribunal Federal (STF) deferiu medida cautelar em Acão Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) ajuizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e pelo Partido dos Trabalhadores (PT), suspendendo a eficácia, dentre outros, dos artigos 56 e 57 da LRF.

No entendimento do STF, as contas referidas nos dispositivos contestados (arts. 56 e 57) dizem respeito às contas de gestão dos administradores públicos, que não estariam, assim, sujeitas, apenas à emissão de parecer prévio, mas sim ao julgamento por parte do TCU.

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Antes da liminar do STF, tínhamos que, combinando-se o art. 20 com o art. 56 da LRF e o art. 92 da CF, as contas de governo, sujeitas à apreciação do TCU, abrangiam as contas dos presidentes de diversos órgãos.

A partir da decisão do STF, o TCU decidiu, por meio do Acórdão n. 2.248/2007 – Plenário, que, para o ano de 2008, que a apreciação das contas de governo deveria englobar somente as contas do Presidente da República.

Cabe ressaltar que o Tribunal de Contas da União emite parecer prévio, uma vez que, o parecer para julgamento das contas de governo será dado pela Comissão Mista Permanente a que se refere o art. 166, § 1º da CF. Vejamos:

Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum.

§ 1º Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e

Deputados:

I – examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste

artigo e sobre as contas apresentadas manualmente pelo Presidente da República.

O parecer dado pela Comissão reveste-se na forma de projeto de decreto-legislativo, uma vez que o julgamento das contas do Presidente da República se materializa com a apreciação deste projeto de decreto legislativo.

4. Acompanhar a arrecadação da receita a cargo da União

De acordo com o inciso IV do art. 1º da LOTCU, compete ao TCU acompanhar a arrecadação da receita a cargo da União e das entidades referidas no inciso I do artigo 1º da lei, mediante inspeções e auditorias, ou por meio de demonstrativos próprios, na forma estabelecida no Regimento Interno.

5. Controle de atos de pessoal

apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das

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concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório

O TCU não julga atos sujeitos a registro, mas sim, aprecia-os, verificando a sua conformidade às normas legais. Com efeito, a apreciação dos atos sujeitos a registro não se trata de função judicante dos Tribunais de Contas, mas sim de função fiscalizadora.

Vale mencionar o entendimento do Supremo Tribunal federal acerca da natureza jurídica dos atos sujeitos a registro. O STF já se manifestou no sentido de que esses atos possuem a natureza de ato complexo. Assim, o ato de aposentadoria ou de pensão dos servidores estatutários (regidos pela Lei n. 8.112/1990) somente se aperfeiçoa após a apreciação pelo TCU.

Outro dado importante é que o TCU, ao verificar ilegalidade no ato de aposentação ou de concessão de pensão não pode, de ofício, corrigir o vício; cabendo-lhe apenas, no caso, negar o registro ao ato e informar ao órgão da recusa, para que, este providencie a emissão de novo ato escoimado do vício encontrado e o submeta novamente à apreciação da Corte.

Atos de Admissão

A constituição prevê que serão apreciadas para fins de registros as admissões de pessoal ocorridas a qualquer titulo, na administração direta e indireta. Dessa forma, serão apreciadas as admissões de empregados públicos, isto é, aqueles que são regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), bem como as admissões dos servidores públicos estatutários, regidos pela Lei n. 8.112/1990.

Como anteriormente mencionado, o Tribunal, antes de realizar o registro, deverá apreciar a legalidade do ato. Nesse sentido, entre outras peculiaridades, é verificado se foi observada a regra da obrigatoriedade do concurso público, bem como se está havendo a acumulação de cargos em desacordo com o que é permitido pela Constituição.

Ainda com relação à admissão de pessoal, é importante anotar que o dispositivo em análise apresenta uma exceção, qual seja, a apreciação, para fins de registro, de legalidade das nomeações para cargos de provimento em comissão. Estes cargos são os de livre nomeação e exoneração pela autoridade competente. Assim, pela precariedade do vínculo com a administração, estes atos são dispensados de registros na Corte de Contas.

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Contudo, embora o TCU não possua competência para apreciar a legalidade das nomeações dos cargos de provimento em comissão para fins de registro, tal fato não impede o Tribunal de fiscalizar a legalidade desses atos, por meio de fiscalizações ou por meio de julgamento das contas dos gestores. Por exemplo, o TCU pode, ao realizar uma auditoria em determinado Tribunal Judiciário, fiscalizar se as nomeações para cargos de provimento em comissão naquele Tribunal estão ou não de acordo com a lei.

Concessões de Aposentadorias, Reformas e Pensões

Compete ao TCU apreciar a legalidade dos atos de admissão de pessoal, bem como dos atos de concessão de aposentadoria, reforma e pensão.

Convém esclarecer que, diferentemente, dos atos de admissão de pessoal, o Tribunal somente se preocupa com as aposentadorias e pensões relacionadas aos servidores estatutários. Assim, todos aqueles funcionários públicos que são regidos pela CLT não terão as suas concessões apreciadas pelo TCU. O Governo Federal possui órgão específico para tratar dos benefícios dos empregados celetistas: o Instituto Nacional de Seguro Social – INSS.

Nunca é demais lembrar que na administração indireta também podemos ter servidores estatutários, como ocorre com o próprio INSS e com o Banco Central. Assim, o que importa para sabermos se o ato de aposentação será apreciado pelo Tribunal de Contas, não é o fato de o agente público pertencer à Administração Direta ou Indireta, mas sim se é regido pela CLT ou se é estatutário (regido pela Lei n. 8.112/1990), sendo que somente neste último caso é que o Tribunal irá apreciar o ato de aposentadoria, ou pensão. A reforma, como vimos, é instituto aplicável somente ao militar.

Por

fim,

o

inciso

III apresenta a seguinte

parte: “

ressalvadas

as

melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório”.

A parte final do dispositivo significa que, por exemplo, caso ocorra uma modificação em determinada aposentadoria, o Tribunal só vai precisar se manifestar novamente caso seja alterado o fundamento legal da aposentadoria.

Assim, caso determinado servidor venha a se aposentar em um cargo qualquer e depois preencha os requisitos constitucionais e legais para se aposentar em outro, o Tribunal deverá apreciar a alteração do ato concessório. No entanto, caso ocorra uma alteração apenas no vencimento da

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aposentadoria decorrente de aprovação de planos de cargos e salários, o ato não passará de novo pelo crivo do Tribunal de Contas da União.

6. Fiscalização das contas nacionais de empresas supranacionais (Inciso V do art. 71 da CF)

fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo

capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos

do tratado constitutivo

Essa

atribuição

fiscalizadora,

definida

na

CF,

não

se

encontra

expressamente estabelecida no art. 1º da LOTCU.

Empresa supranacional é uma estatal que pertence a mais de uma nação. A Itaipu-Binacional é um exemplo de empresa supranacional. Assim, a exemplo das empresas estatais, as supranacionais também devem ser fiscalizadas pelo TCU, tendo o dever de prestar contas ao poder público.

Cabe alertar que somente serão objeto de fiscalização as contas nacionais, ou seja, as contas que sejam originadas de recursos públicos federais brasileiros. Essa fiscalização ocorrerá, independentemente de o governo brasileiro possuir o controle majoritário da empresa.

Por fim, vale ressaltar que a fiscalização será efetuada na forma do tratado constitutivo. Esse tratado há de prever que a fiscalização dos recursos públicos brasileiros caberá ao Tribunal de Contas da União.

7. Fiscalização de recursos públicos transferidos por convênios (inciso VI do art. 71 da CF)

fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município

Considerando que a transferência por meio de convênio é uma transferência voluntária e que, por isso, deve haver interesse mútuo dos participantes, competirá à União (repassadora do recurso, também chamado de ente concedente) fiscalizar se os recursos foram aplicados no objeto do convênio, ou seja, no caso hipotético, na construção de uma escola. Caso o município (responsável pela aplicação dos recursos, também chamado de ente convenente) não aplique os recursos no objeto que foi avençado, pode ser compelido a devolver os recursos aos cofres da União.

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Outro significado da expressão “fiscalizar a aplicação” é a possibilidade de o concedente verificar se o convenente respeitou todos os normativos aplicados à utilização dos recursos públicos, razão pela qual poderá checar se, dentre outros normativos, a Lei de Licitações e Contratos (Lei n. 8.666/1993) foi cumprida.

Resumindo, o Tribunal de Contas da União tem competência para verificar se o objeto do convênio foi cumprido, bem como para checar se o convenente respeitou os normativos ligados ao gasto dos recursos públicos.

Interessante notar que a Constituição se refere a convênio, ajuste ou outros instrumentos congêneres, ou seja, a qualquer transferência voluntária, a exemplo de contratos de repasse (realizados pela Caixa) e outras formas de transferências.

8. Efetuar o cálculo dos fundos de participação de Estados e Municípios

Compete ao TCU efetuar, observada a legislação pertinente, o cálculo das quotas referentes aos fundos de participação a que alude o parágrafo único do art. 161 da Constituição Federal, fiscalizando a entrega dos respectivos recursos.

Portanto, muita atenção, pois esses recursos pertencem aos demais entes, não competindo ao TCU fiscalizar a sua aplicação, mas apenas até a entrega dos valores, mediante o crédito na conta dos entes.

9. Emitir parecer prévio sobre as contas do Governo de Território Federal

A LOTCU define como competência do TCU emitir, nos termos do § 2º do art. 33 da Constituição Federal, parecer prévio sobre as contas do Governo de Território Federal, no prazo de sessenta dias, a contar de seu recebimento, na forma estabelecida no Regimento Interno.

10. Prestação de informações ao Congresso Nacional (inciso VII do art. 71 da CF)

prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas

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Como já mencionado, o responsável pelo controle externo é o Congresso Nacional. Assim sendo, para o exercício de sua competência, o Congresso Nacional possui a necessidade de saber a respeito dos resultados das fiscalizações realizadas pelo Tribunal de Contas da União.

Voltamos a chamar a atenção para o fato de que as informações não podem ser prestadas a um deputado ou senador isoladamente.

11. Aplicação de sanções

Nos termos do inciso VIII do art. 71 da CF, compete exclusivamente ao TCU aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário.

Cabe notar que, somente com previsão legal, pode o TCU aplicar sanção ao responsável. Estamos diante, então, do princípio da reserva legal. Assim, não pode o Tribunal de Contas criar por meio de seu Regimento Interno uma sanção que não esteja prevista em alguma lei.

Além de sanções previstas em suas leis orgânicas, a Lei n. 10.028, de 2000, que disciplina os crimes fiscais, em seu art. 5º, estabelece que as infrações administrativas serão processadas e julgadas pelo Tribunal de Contas a que competir a fiscalização. Caso o tribunal verifique a existência de infração, poderá aplicar multa de 30% sobre os vencimentos do agente infrator.

Outra observação importante é que, ao mencionar a expressão “entre outras cominações”, o constituinte deixou claro que não pretendia apresentar um rol taxativo de sanções. Desse modo, temos que a sanção de multa prevista no inciso em análise é apenas exemplificativa. A lei poderá estabelecer outras sanções.

De acordo com a sua Lei Orgânica e Regimento Interno, o TCU pode aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as seguintes sanções, isolada ou cumulativamente:

a) a condenação ao recolhimento do débito eventualmente apurado;

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b) a aplicação ao agente público de multa proporcional ao valor de prejuízo causado ao erário, sendo o montante do dano o limite máximo da penalidade;

c) a aplicação de multa ao responsável por contas julgadas irregulares,

por ato irregular, ilegítimo ou antieconômico, por não atendimento de diligência ou determinação do Tribunal, por obstrução ao livre exercício de

inspeções ou auditorias e por sonegação de processo, documento ou informação;

d) o afastamento provisório de seu cargo, do dirigente responsável por

cerceamentos a inspeções e auditorias enquanto durarem os respectivos

trabalhos (medida cautelar);

e) a decretação, no curso de qualquer apuração de irregularidade, da

indisponibilidade, por prazo não superior a um ano, dos bens do responsável considerados bastantes para garantir o ressarcimento do prejuízo (medida cautelar);

f) a declaração de inabilitação, pelo período de cinco a oito anos, para o

exercício de

administração pública;

cargo em comissão

ou função

de

confiança no âmbito da

g) a declaração de inidoneidade do responsável por fraude em licitação

para participar, por até cinco anos, de certames licitatórios promovidos pela

administração pública;

h) a solicitação à Advocacia-Geral da União, ou ao dirigente de entidade

jurisdicionada, de adoção de providências para arresto dos bens de

responsáveis julgados em débito (medida cautelar).

Cumpre destacar, ainda, que as penalidades aplicadas pelo Tribunal de Contas não excluem a aplicação de sanções penais e de outras sanções administrativas, estas últimas pelas autoridades competentes. Ressalte-se, também, que a legislação eleitoral prevê a inelegibilidade, por um período de cinco anos, dos responsáveis por contas irregulares. Todavia, não cabe ao TCU declarar a inelegibilidade e sim ao Tribunal Eleitoral.

12. Assinar prazo para cumprimento da lei e sustação de atos e contratos (incisos IX e X, § 1º e 2º do art. 71 da CF)

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IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade; X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; ( ) § 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado

diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao

Poder Executivo as medidas cabíveis. § 2º - Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior,

o Tribunal decidirá a respeito.

O presente dispositivo assevera que compete ao TCU verificar se os administradores pautam as suas gestões em ações que se realizam em consonância com os dispositivos legais que regem a Administração Publica. Caso seja verificada qualquer ilegalidade, competirá ao TCU determinar que o responsável pela ação, em prazo estipulado pela própria Corte de Contas, adote providências no sentido de sanar a ilegalidade.

Pode ocorrer, contudo, que o responsável pela ação não cumpra a determinação do TCU. Nesse caso, o que o Tribunal poderá fazer?

A primeira providência é verificar se a legalidade ocorreu em ato ou em contrato administrativo.

Quando a legalidade decorrer de ato administrativo (por exemplo, a remoção de servidor público por interesse da administração), a própria Constituição concede competência para o TCU sustar diretamente o ato.

Reparem que a Constituição não concedeu competência para que o TCU anule o ato impugnado. De acordo com o nosso ordenamento jurídico somente pode anular o ato aquele que o praticou, ou o Poder Judiciário. Assim, o TCU não detém competência para a anulação. Pode, entretanto, sustar a execução do ato.

de

Contas retira a eficácia do ato. Dessa forma, apesar ainda estar no mundo

Assim, a exata significação de “sustar o ato” é

a

de que

a Corte

jurídico, o ato não mais produzirá efeito.

Vale notar que, ao sustar o ato, o Tribunal deve comunicar essa decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Reparem que não foi dito que a

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comunicação deve ser dirigida ao Congresso Nacional e sim às duas casas isoladamente, então tomemos cuidado com essa colocação na prova.

de

analisando-se, em conjunto os incisos IX e X do art. 71 da CF/1988:

CUIDADO!

A

sustação

ato

administrativo

deve

ser

entendida

“IX – assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da Lei, se verificada ilegalmente; X – sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;”.

Assim, a sustação do ato administrativo pelo TCU somente ocorrerá quando o gestor competente, após o prazo fixado pela Corte, deixar de cumprir a determinação para que sane o vício de ilegalidade. Nesse momento que entrará em cena o TCU e, por ato próprio, sustará a execução do ato.

E em caso de contrato, o que o Tribunal poderá fazer?

No caso de contrato (em que há a vontade de duas ou mais pessoas), o Tribunal não detém competência para sustá-lo, de imediato. Dessa forma, caso se depare com ilegalidade ocorrida no âmbito de contrato administrativo, deve comunicar a ilegalidade ao Congresso Nacional, que adotará as providências necessárias para a sua sustação.

Por fim, passemos seguinte redação:

para

o

§

do art.

71

da CF, que apresenta a

“Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de 90 dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.”.

Na forma do Regimento Interno do TCU, na hipótese do dispositivo acima, se decidir sustar o contrato, o Tribunal determinará ao responsável que, no prazo de quinze dias, adote as medidas necessárias ao cumprimento da lei.

Cabe ressaltar o posicionamento do STF por ocasião do Mandado de Segurança 23.550/DF. A decisão do STF foi no sentido de que o TCU possui competência para determinar a anulação de contrato. A Suprema Corte assim entendeu porque a CF concedeu competência para a Corte de Contas assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada a ilegalidade.

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RESUMINDO: O TCU não possui competência para sustar, de imediato, um contrato, somente podendo fazê-lo, se o Congresso Nacional, no prazo de 90 dias, não se pronunciar a respeito da sustação. No entanto, o Tribunal pode, de imediato, desde que concedida ampla defesa e contraditório ao contratado, determinar que a autoridade competente anule o contrato.

Por fim, vale destacar que o STF também reconheceu a validade do provimento cautelar do TCU no MS 26.547/DF. Mediante tal julgado, ficou assente a possibilidade de o TCU expedir medida cautelar para impedir a execução de um contrato, sem que tal fato caracterize-se em abuso de poder da Corte de Contas.

13. Dever de representação

representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados, indicando o ato inquinado e definindo responsabilidades, inclusive as de Ministro de Estado ou autoridade de nível hierárquico equivalente

Outra atribuição constitucional e legal é a que estabelece que o Tribunal de Contas tem o dever de representar aos Poderes e órgãos competentes sobre irregularidades e abusos apurados no curso dos processos administrativos da sua competência, de forma a possibilitar a adoção das medidas cabíveis que lhe são afetas.

O exemplo mais comum é a representação ao Ministério Público acerca de fatos apurados que se constituem em indícios de ilícitos penais.

14. Resposta a consultas formuladas por autoridades

De acordo com a LOTCU, compete ao TCU decidir sobre consulta que lhe seja formulada por autoridade competente, a respeito de dúvida suscitada na aplicação de dispositivos legais e regulamentares concernentes a matéria de sua competência, na forma estabelecida no Regimento Interno.

Cabe ressaltar que a resposta à consulta tem caráter normativo e constitui prejulgamento da tese, mas não do fato ou caso concreto. Se constituísse prejulgamento do caso concreto, o Tribunal não poderia apreciar ou julgar a conduta dos gestores quando do exame das respectivas contas.

15. Envio de relatório ao congresso nacional (art. 71 da CF, § 4º)

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§ 4º - O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.

Em que pese o TCU não ser subordinado ao Congresso Nacional, o Tribunal deve prestar contas de seu desempenho e resultados alcançados em sua fiscalização ao Congresso Nacional, sendo que os relatórios trimestrais e anuais enviados pelo TCU ao Legislativo constituem instrumentos que permitem esse controle.

16. Despesas não autorizadas (art. 72, CF)

Art. 72. A Comissão mista permanente a que se refere o art. 166, §1º, diante de indícios de despesas não autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou de subsídios não aprovados, poderá solicitar à autoridade governamental responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.

§ 1º - Não prestados os esclarecimentos, ou considerados estes

insuficientes, a Comissão solicitará ao Tribunal pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta dias.

§ 2º - Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão, se

julgar que o gasto possa causar dano irreparável ou grave lesão à economia pública, proporá ao Congresso Nacional sua sustação.

Esses dispositivos estabelecem uma importante competência conjunta do Congresso Nacional e do TCU. Verifica-se que, no dispositivo em tela, tanto a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional (CMO) possui obrigações específicas, como o TCU também as têm.

O pronunciamento do TCU é apenas opinativo, ou seja, não vincula nem a Comissão Mista de Orçamento nem o Congresso Nacional. Quem vai decidir se vai ou não sustar a defesa considerada irregular vai ser o próprio Congresso Nacional.

A CMO, ao se deparar com indícios de despesas não autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou de subsídios não aprovados (são só alguns exemplos de despesas não autorizadas), tem competência para solicitar esclarecimentos da autoridade governamental responsável.

O responsável disporá de cinco dias (corridos) para isso. Se os esclarecimentos forem considerados insuficientes ou não forem prestados, a

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comissão provocará o TCU, para que, em trinta dias (corridos), emita um parecer conclusivo sobre a referida despesa. No caso de o parecer do TCU concluir pela irregularidade da despesa, e entendendo a comissão que o gasto possa causar dano irreparável ou grave lesão á economia pública, esta proporá ao Congresso Nacional a sua sustação.

COMPOSIÇÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Ministros do TCU

O primeiro aspecto a ser ressaltado é que o Tribunal de Contas da União é composto por nove Ministros.

Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros (

§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados

dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos:

I – mais de trinta e cinco anos e menos de sessenta e cinco anos

de idade;

II – idoneidade moral e reputação ilibada;

III – notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e

financeiros ou de administração pública;

IV – mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva

atividade profissional que exija conhecimentos mencionados no inciso anterior.

Reparem

que

a

Constituição

não

impõe

restrição

a

brasileiro

naturalizado. Outra observação, é que não há a necessidade de curso superior

em área específica para ser Ministro do TCU.

Seguindo, vamos ver como é feita a escolha dos Ministros do Tribunal de Contas da União:

§ 2º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos:

I – um terço pelo Presidente República, com aprovação do

Senado Federal, sendo dois alternadamente dentre os auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal, indicados em lista

tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e merecimento;

II – dois terços pelo Congresso Nacional.

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Repararam que seis Ministros do TCU são escolhidos pelo Congresso Nacional? Essa escolha pode recair em qualquer pessoa que preencha os requisitos apresentados no art. 73 da CF/1988. Dessa forma, não há nenhuma necessidade de o Ministro a ser escolhido pelo Congresso Nacional ter sido deputado ou senador. Ainda com relação a esses seis Ministros, como foram escolhidos pelo próprio Congresso Nacional, não há necessidade de serem aprovados pelo Senado Federal.

Somente os escolhidos pelo Presidente da República, isto é, três Ministros, devem passar por essa aprovação do Senado Federal.

Com relação aos três escolhidos pelo Presidente da República, a Constituição prevê que somente um pode ser de sua livre escolha, uma vez que os outros dois devem ser escolhidos dentre Auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas.

Importante anotar que o art. 35 do Regimento Interno/TCU estabelece que: “em caso de vacância, a competência para a escolha de ministro do Tribunal de Contas da União será definida de modo que mantenha a composição mencionada no artigo anterior.”.

Dessa forma, a composição de Ministros deve ser sempre a seguinte:

- seis que tenham sido indicados pelo Congresso Nacional e três que tenham sido indicados pelo Presidente da República

- dos Ministros escolhidos pelo Presidente, um deve ser oriundo dos Auditores e outro dos membros do Ministério Público junto ao TCU. Assim, por exemplo, caso haja aposentadoria de um Ministro oriundo do quadro de Auditores, o novo Ministro deve, obrigatoriamente, ser escolhido dentre os Auditores da Corte de Contas.

Cuidado! Embora seis ministros sejam escolhidos pelo Congresso Nacional, TODOS os nove componentes da Corte de Contas são nomeados pelo Presidente da República (art. 84, inciso XV, a CF).

Dando prosseguimento acerca das disposições contidas no Art. 73 da CF, verifica-se que a Constituição equipara os Ministros do Tribunal de Contas da União aos Ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Art. 73 O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de pessoal e

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jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 96. ( ) § 3º Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as

mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, aplicando-se- lhes, quanto à aposentadoria e pensão, as normas constantes do art.

40.

Cuidado! A ESAF costuma tentar pegar os candidatos afirmando que a equiparação é com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros do TCU se equiparam aos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com relação às garantias, elas estão estabelecidas no próprio texto constitucional, artigo 95. São elas:

- vitaliciedade, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado;

- inamovibilidade;

- irredutivibilidade de vencimentos/subsídios.

Além dessas garantias, a LOTCU prevê ainda como garantia, a aposentadoria, com proventos integrais, compulsoriamente aos setenta anos de idade ou por invalidez comprovada, e facultativa, após trinta anos de serviço, contados na forma da lei.

Os impedimentos também estão consignados na Constituição Federal, no parágrafo único do artigo 95. É vedado aos membros dos Tribunais de Contas:

a) exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo

uma de magistério;

b) receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em

processo;

c) dedicar-se a atividade político-partidária;

d) receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de

pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções

previstas em lê;

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e) exercer

a advocacia no

tribunal do qual se afastou, antes de

decorridos

três

amos

do

afastamento do cargo por aposentadoria ou

exoneração.

Resumo com relação aos Ministros do Tribunal de Contas da União:

- TCU é composto por nove membros, isto é, são os nove Ministros;

- para uma pessoa ser Ministro do TCU, deve satisfazer os requisitos previstos no § 1º do art. 73 da CF/1988 (mais de trinta e cinco e

menos de sessenta e cinco anos de idade; idoneidade moral e

reputação ilibada; notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública e mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados);

- os Ministros do TCU são equiparados a Ministro do STJ e são

escolhidos da seguinte forma: três pelo Presidente da República, sendo

que desses, um deve vir do quadro de membros do Ministério Público

junto ao Tribunal e um do quadro de Auditores; os outros seis pelo Congresso Nacional;

- os Ministros indicados pelo Presidente da República devem ser

aprovados pelo SENADO FEDERAL; quem dá a posse para os Ministros é o Presidente do TCU, que ocorre em sessão extraordinária do Plenário; e

- independentemente do processo de escolha, todos os nove Ministros

são nomeados pelo Presidente da República (art. 84, inciso XV, da CF).

Auditores

Em número de quatro, os Auditores substituem os ministros em caso de vacância, férias, impedimentos, licenças e outros afastamentos legais. É por isso que os Auditores do TCU costumam ser chamados de MINISTROS- SUBSTITUTOS.

Diferentemente do que ocorre com os Ministros, o ingresso no cargo de Auditor se faz por meio de concurso de provas e títulos. Todavia, o art. 77 da Lei Orgânica do TCU estabelece que, para investidura no cargo de Auditor, deve-se preencher os mesmos requisitos exigidos para o cargo de Ministro do Tribunal de Contas da União, ou seja, o que está preconizado no § 1º do art. 73 da CF/1988.

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A Constituição apresenta as seguintes garantias e impedimentos aos Auditores:

Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 96. ( ) § 4º - O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as mesmas garantias e impedimentos do titular e, quando no exercício das demais atribuições da judicatura, as de juiz de Tribunal Regional Federal.

Portanto, o Auditor no curso normal de suas atividades dentro do TCU possui as mesmas garantias e impedimentos de juiz de Tribunal Regional Federal, ou seja, de juiz de 2ª instância. Contudo, quando em substituição a Ministro, possui as mesmas garantias e impedimentos de Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

RELACIONAMENTO DO TCU COM O CONGRESSO NACIONAL

No Brasil, o controle externo é exercido pelo Poder Legislativo, com o auxílio dos Tribunais de Contas. O caput do art. 70, combinado com o caput do art. 71, define que o Congresso Nacional possui a titularidade do controle externo, que será exercido com o apoio do Tribunal de Contas da União.

Porém, o TCU não é órgão subordinado ao Congresso Nacional e tampouco exerce papel secundário, por ser a titularidade do controle externo do órgão legislativo.

Como vimos, o TCU é órgão administrativo autônomo. O TCU não está subordinado ao Legislativo, mas presta auxílio ao Congresso no controle da Administração Pública, portanto, é mais correto falar-se que o TCU é órgão de colaboração aos Poderes.

A Constituição Federal estabelece em seu art. 71 competências exclusivas do TCU. Por exemplo, somente o TCU pode julgar as contas dos administradores de bens e recursos e realizar auditorias e inspeções. Assim, não pode o Congresso Nacional julgar contas dos gestores ou realizar auditorias e inspeções, mesmo em caso de omissão do TCU.

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Ademais, não cabe ao Congresso Nacional e a qualquer outro órgão rever as decisões de mérito do Tribunal, como, por exemplo, alterar o mérito do julgamento da Corte. As decisões do TCU são recorríveis ao próprio Tribunal, mediante os recursos previstos em seu Regimento Interno. Todavia, pode o Poder Judiciário pronunciar a nulidade de um julgamento do TCU, por inobservância da legalidade.

O correto é afirmar que o TC presta auxílio ao Poder Legislativo no exercício do controle externo, possuindo o Parlamento e o TCU competências privativas, sem prejuízo de outras competências e atribuições conjuntas entre os dois órgãos.

Vale ressaltar que a fiscalização dos Tribunais de Contas pode se dar por iniciativa própria (de ofício) ou exercida por iniciativa do Poder Legislativo.

O Tribunal apreciará, em caráter de urgência, os pedidos de informações e as solicitações que lhe forem endereçados pelo Congresso Nacional ou por suas Comissões Técnicas ou de Inquérito. As referidas hipóteses são:

a) auditorias e inspeções de natureza contábil, financeira, orçamentária,

operacional ou patrimonial nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e demais órgãos e entidades sujeitos a sua jurisdição;

b) solicitações de informações sobre a fiscalização contábil, financeira,

orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e

inspeções realizadas;

c) pronunciamento conclusivo sobre a matéria que seja submetida a sua

apreciação pela Comissão Mista Permanente do art. 166, § 1º, da CF;

A CF estabelece

Congresso

orçamentária:

Nacional

que

caberá à Comissão

Mista de

proceder

ao

acompanhamento

e

Orçamento do a fiscalização

Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum. § 1º - Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados:

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I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste

artigo e sobre as contas apresentadas anualmente pelo Presidente da República; II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas

nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição e exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação das demais comissões do Congresso Nacional

e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58.

d) auditoria solicitada pela comissão mista permanente de senadores e deputados ou por comissão técnica de qualquer das casas do Congresso Nacional, em projetos e programas autorizados na lei orçamentária anual, em que se avaliam os seus resultados quanto à eficácia, eficiência, efetividade e economicidade.

Como exemplo de atuação conjunta entre o Legislativo e o Tribunal de Contas, além do pronunciamento conclusivo a que se refere ao item “c” acima, tem-se o parecer prévio emitido pelo TCU sobre as contas de governo, que subsidia o julgamento por parte do órgão legislativo.

Outro aspecto relevante que envolve a relação entre o Congresso Nacional e TCU é que, embora não haja subordinação entre os dois, o TCU presta contas de sua atuação e desempenho ao Congresso Nacional, que é o titular do controle externo, encaminhando-lhe relatórios trimestrais e anuais.

O EXERCÍCIO DO CONTROLE POR MEIO DA APRECIAÇÃO E JULGAMENTO DE CONTAS

No setor privado, os diretores e gerentes dos negócios de uma empresa devem prestar contas aos acionistas e cotistas (donos da empresa) sobre os resultados conseguidos na administração dos recursos. Essa prestação de contas é feita especialmente por meio de relatórios periódicos que demonstram o desempenho e os resultados conseguidos na administração da empresa e das demonstrações financeiras, que espelham a situação patrimonial e financeira em determinada data e os resultados alcançados em determinado período.

No setor público, como ensina Domingos Poubel de Castro, em sua obra Auditoria e Controle Interno na Administração Pública, embora nem todos os gestores tenham se conscientizado que devem prestar contas à sociedade das ações desenvolvidas para solucionar os problemas da comunidade, sabem muito bem que têm que prestar contas aos Tribunais de Contas sobre a forma como administram os recursos recebidos, demonstrando que foram

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respeitados os princípios da Administração Pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência) e prestados os serviços públicos de forma eficaz.

Em verdade, a prestação de contas do administrador público é a demonstração, perante o Estado e a sociedade, de como foi a aplicação dos recursos públicos que teve sob a sua responsabilidade. Todo aquele que gerir dinheiro público ou administrar bens ou interesses da comunidade deve prestar contas ao órgão competente para a fiscalização.

Como bem lembra Valdecir Pascoal, a obrigação de prestar contas é uma conseqüência do princípio republicano. A própria Declaração dos Direitos do Homem, de 1789, estatui, em seu artigo 15, que a sociedade tem o direito de pedir conta a todo agente público de sua Administração.

A Constituição Federal, ao tratar da fiscalização exercida pelo Estado sobre a Administração Pública, no parágrafo único do seu art. 70 reza que a obrigação de prestar contas é imposta a todos que, de alguma forma, administrem recursos públicos:

Art. 70 ( ) Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.

O dispositivo estabelece que todas as pessoas, físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, que tratem com recursos de origem federal deverão prestar contas desses recursos.

A prestação de contas no âmbito federal será ao TCU, a quem cabe julgar as contas. Por simetria, aquele que utilize recursos de origem estadual ou municipal deve prestar contas ao órgão estadual ou municipal competente, conforme o caso.

Porém, cuidado, pois uma Prefeitura ou Estado que receba recursos federais mediante convênio com a União deverá prestar contas ao órgão federal que transferiu os recursos. Por sua vez, o órgão público federal que celebrou o convênio em nome da União, concedente dos recursos, deverá prestar contas anuais ao TCU. Portanto, indiretamente o tribunal receberá e julgará as contas de todos aqueles que administraram os recursos públicos, seja quem transferiu seja quem aplicou os recursos.

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O mesmo processo ocorre quando um servidor público recebe um adiantamento ou suprimento de fundos para realizar determinadas despesas e assume o dever de prestar contas ao respectivo órgão ou entidade pública.

Quanto à prestação de contas anual, o próprio Tribunal de Contas define normativamente o conteúdo das peças e informações constantes do processo de prestação de contas, tais como: relatório de gestão, balanços, demonstrativos, declarações e demais documentos.

À luz do dispositivo, fica claro que não interessa se a pessoa que está administrando recursos públicos pertença à Administração Pública. O que importa para efeito do alcance da fiscalização é que os recursos sejam públicos.

Assim, apresentamos alguns exemplos de pessoas que estão sujeitas ao dever de prestar contas e à fiscalização e ao julgamento das referidas contas por parte do Tribunal de Contas da União:

pessoas físicas que tenham recebido recursos públicos;

particulares que tenham guardado recursos públicos. Exemplo:

armazéns privados que guardam ou estocam bens públicos;

entidades privadas (ONGs, OSCIPs, fundações, etc) que tenham recebido e aplicado recursos públicos;

empresas de economia mista, em que a União detenha a maioria do capital com direito a voto;

organizações sociais que tenham gerido recursos orçamentários e bens públicos destinados ao contrato de gestão;

entidades paraestatais (SEBRAE, SESC, SENAI, etc).

Nos termos da Lei Orgânica do TCU, também estão sujeitos à jurisdição do Tribunal os sucessores dos administradores e responsáveis, até o limite do valor do patrimônio transferido.

A reparação do dano transmite-se aos sucessores e herdeiros, até o limite do patrimônio transferido, mas não se transfere o dever de prestar

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contas e a obrigação de pagar a multa, pois é personalíssima, ante o seu caráter punitivo.

ATENÇÃO: Quando falamos em julgamento das contas pelo TCU, quer dizer que essas pessoas estão sujeitas ao julgamento pelo Tribunal, seja de forma ordinária (anual) ou mediante procedimento especial denominado de tomada de contas especial - TCE, caso causem prejuízo ou dano à União.

Por exemplo, uma entidade privada que receba um recurso público ou um armazém privado que guarde bens públicos podem não ser obrigados a prestar contas anualmente ao TCU, mas estão sujeitos à obrigação de prestar contas dos recursos ao Poder Público. Em caso de algum desvio ou omissão no dever de prestar contas, serão alcançados pelo TCU em sede de tomada de contas especial.

Portanto, além do dever de prestar contas, o referido dispositivo define a jurisdição da fiscalização ou controle governamental, indicando aqueles que estão sujeitos ao alcance do controle ou auditoria governamental.

Outro aspecto a ser destacado é que o legislador quando mencionou bens, dinheiros ou valores foi com o cuidado de não deixar de fora da norma qualquer coisa que esteja na esfera patrimonial: recursos financeiros, cauções, títulos, bens móveis e imóveis, etc.

Além disso, o constituinte ainda disciplinou a obrigação de prestar contas de bens e valores públicos pelos quais a União responda, mesmo que esses recursos não lhe pertençam, como é o caso de uma caução dada por um licitante em um contrato público, devendo o gestor prestar contas do que foi recebido a título de caução e o que foi devolvido aos licitantes.

O dever de prestar contas também abrange aqueles que assumem obrigação de natureza pecuniária em nome da União. Esse é o caso de uma operação de crédito externa feita por um ente da federação com aval da União.

CONTAS DE GESTÃO E CONTAS DE GOVERNO

É preciso diferenciar CONTAS DE GESTÃO de CONTAS DE GOVERNO.

As contas de gestão são prestadas pelos administradores de bens e recursos públicos e visam a comprovar se a aplicação dos recursos públicos ocorreu em conformidade com os normativos atinentes à matéria.

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As contas de gestão são submetidas à auditoria realizada pelos órgãos de controle interno (Secretaria de Controle Interno da Câmara dos Deputados, por exemplo), que as certificam (emite certificado/parecer de auditoria). Posteriormente são enviadas para julgamento por parte dos Tribunais de Contas.

Trata-se de competência própria (privativa) do Tribunal de Contas, passível tão-somente de controle judicial, não cabendo qualquer revisão por parte do Poder Legislativo. As contas a serem julgadas pelos Tribunais de Contas podem ser anuais ou ordinárias e especiais, quando houver dano ao Erário.

As contas de governo são aquelas prestadas pelos titulares dos órgãos e poderes e se preocupam, dentre outras coisas, com a condução políticas publicas, com a evolução dos índices econômicos e sociais, com o atingimento ou não das metas estatuídas na Lei de Responsabilidade Fiscal (despesas de pessoal, endividamento público etc.), bem como com o desempenho da arrecadação em relação à previsão, destacando as providências adotadas no âmbito da fiscalização das receitas e combate à sonegação.

As contas de governo são submetidas à exame e auditoria (apreciação) realizados pelos Tribunais de Contas, que emitem parecer prévio. Posteriormente são enviadas para julgamento por parte do Poder Legislativo.

No que concerne às contas de governo, o Tribunal de Contas emite parecer prévio sobre as contas do titular do Poder Executivo.

Segue abaixo um resumo esquemático da apreciação e do julgamento das contas de governo:

CONTAS DE GOVERNO Presidente República Governador Prefeitos

CONTAS DE GOVERNO Presidente República Governador Prefeitos Contas prestadas ao Congresso Nacional Assembléia Legisl.

Contas prestadas ao Congresso Nacional Assembléia Legisl. Câmara Vereadores

ao Congresso Nacional Assembléia Legisl. Câmara Vereadores Contas remetidas aos Tribunais de Contas para emissão de

Contas remetidas aos Tribunais de Contas para emissão de PARECER PRÉVIO

aos Tribunais de Contas para emissão de PARECER PRÉVIO JULGAMENTO pelo: Congresso Nacional Assembléia

JULGAMENTO pelo:

Congresso Nacional

Assembléia Legislativa

Câmara Municipal

(emissão de decreto legislativo)

Seguem para a Comissão Parlamentar (CMO no âmbito federal) para

emissão de PARECER

(projeto de decreto legislativo)

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DE FINANÇAS E CONTROLE DA CGU (TEORIA E EXERCÍCIOS) Portanto, as contas de governo são julgadas

Portanto, as contas de governo são julgadas pelo órgão legislativo. Nesse caso, os Tribunais de Contas auxiliam o Poder Legislativo, através da emissão do parecer prévio, que não vincula o Congresso Nacional ou a Assembléia Legislativa.

Não obstante, em relação aos Municípios, o parecer prévio vincula até certo ponto o Legislativo Municipal, na medida em que só deixará de prevalecer por decisão de DOIS TERÇOS dos membros da Câmara dos Vereadores, em face do disposto no § 2º do art. 31 da Constituição Federal.

Contas de Governo Prestação de contas do Presidente da República. O TCU aprecia essas contas
Contas de Governo Prestação de contas do Presidente
da República. O TCU aprecia essas contas e emite parecer
prévio. Quem as julga é o Congresso Nacional.
Contas de Gestão Prestação de contas dos gestores de
recursos públicos. O TCU julga as contas dos gestores.

TOMADAS E PRESTAÇÕES DE CONTAS ANUAIS (ORDINÁRIAS)

O Tribunal de Contas da União possui poder regulamentar e é quem disciplina a organização dos processos de tomada e prestação de contas a serem submetidos ao Tribunal. A Instrução Normativa TCU nº 63/2010 estabelece normas de organização e de apresentação dos relatórios de gestão e das peças complementares que constituirão os processos de contas da administração pública federal, para julgamento do Tribunal de Contas da União, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.443, de 1992 (Lei Orgânica do TCU).

De acordo com o art. 1º da IN TCU nº 63/2010, processo de contas é o processo de trabalho do controle externo, destinado a avaliar e julgar o desempenho e a conformidade da gestão das pessoas abrangidas pelos incisos I, III, IV, V e VI do art. 5º da Lei nº 8.443/92, com base em documentos, informações e demonstrativos de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional ou patrimonial, obtidos direta ou indiretamente.

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Assim, o processo de desempenho, a saber:

contas permite avaliar a conformidade e o

a) exame da conformidade: análise da legalidade, legitimidade e economicidade da gestão em relação a padrões normativos e operacionais, expressos nas normas e regulamentos aplicáveis, e da capacidade dos controles internos de identificar e corrigir falhas e irregularidades;

b) exame do desempenho: análise da eficácia, eficiência, efetividade e economicidade da gestão em relação a padrões administrativos e gerenciais, expressos em metas e resultados negociados com a administração superior ou definidos nas leis orçamentárias, e da capacidade dos controles internos de minimizar riscos e evitar falhas e irregularidades;

ATENÇÃO: Os processos de prestações de contas constituem um controle a posteriori ou subsequente, de caráter mais corretivo, do que preventivo, pois visa ao julgamento pelo TCU dos atos de gestão dos administradores públicos já ocorridos.

Cabe ressaltar o que dispõe o art. 84 da lei nº 4.320, de 1964, que estabelece o papel relevante que os órgãos de contabilidade possuem na elaboração das contas, ou na orientação de seu levantamento pelos gestores responsáveis:

Art. 84. Ressalvada a competência do Tribunal de Contas ou órgão equivalente, a tomada de contas dos agentes responsáveis por bens ou dinheiros públicos será realizada ou superintendida pelos serviços de contabilidade.

Tipos de processos de contas anuais

Até a vigência da IN TCU 57/2008, conforme a natureza jurídica da Unidade Jurisdicionada - UJ, o processo de contas poderia ser mediante tomada ou prestação de contas.

A tomada de contas era o processo de contas relativo à gestão dos responsáveis por unidades jurisdicionadas da administração federal direta. Já a prestação de contas era o processo de contas relativo à gestão dos responsáveis por unidades jurisdicionadas da administração federal indireta e daquelas não classificadas como integrantes da administração direta federal.

Com a publicação da IN TCU 63/2010, houve a exclusão dos incisos do

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art. 1º da IN, que estabeleciam o conceito de tomada de contas e prestação de contas. A exclusão desses dois incisos visa à adoção de linguagem mais genérica para referência aos processos de contas, não mais os classificando de acordo com os conceitos de tomada e de prestação de contas. Esses termos foram substituídos nos normativos por “processos de contas”, quando se referir ao processo autuado no Tribunal para esse fim, ou “prestação de contas” lato sensu, representando o cumprimento da obrigação contida no art. 70 da CF e valendo para qualquer tipo de UJ, independentemente da natureza jurídica.

Assim, os processos serão autuados no TCU seguindo a nomenclatura:

Prestação de contas quando a iniciativa de apresentar contas tiver sido da unidade ou do responsável obrigado a apresentá-las. Neste caso, será autuado no TCU um Processo de Prestação de Contas Ordinárias.

Tomada de contas quando uma unidade ou responsável estiver, pelas normas, obrigada a apresentar contas, mas, não o fizer no prazo estabelecido. Assim, um órgão de controle (interno ou externo) tomará as contas dessa unidade ou responsável, sendo autuado no TCU um Processo de Tomada de Contas Ordinárias.

O processo de contas poderá ser:

Processo de contas ordinárias: processo de contas referente a exercício financeiro determinado, constituído pelo Tribunal segundo critérios de risco, materialidade e relevância;

Processo de contas extraordinárias: processo de contas constituído por ocasião da extinção, liquidação, dissolução,

transformação, fusão, incorporação ou desestatização de unidades jurisdicionadas, cujos responsáveis estejam alcançados pela obrigação prevista no art. 70, parágrafo único, da Constituição Federal, para apreciação do Tribunal nos termos do art. 15 da Lei nº 8.443, de

1992.

CRITÉRIOS PARA DEFINIÇÃO DA FORMA E CONTEÚDO DAS CONTAS:

Risco: possibilidade de algo acontecer e ter impacto nos objetivos, sendo medido em termos de consequências e probabilidades. Materialidade: volume de recursos envolvidos. Relevância: aspecto ou fato considerado importante, em geral no contexto do objetivo delineado, ainda que não seja material ou

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economicamente significativo.

Relatório de gestão x Processo de contas

O atual modelo ou sistemática de contas, no âmbito federal,

compreende a figura do RELATÓRIO DE GESTÃO, que deve ser obrigatoriamente apresentado por todas as unidades jurisdicionadas obrigadas ao dever de prestar contas.

A IN TCU 63/2010 mantém essa lógica estabelecendo que os relatórios de gestão devem ser apresentados anualmente ao Tribunal pelos responsáveis das unidades jurisdicionadas, relacionadas em decisão normativa, que lhes fixará a forma, conteúdo e prazo.

O Tribunal definirá também anualmente, em decisão normativa, as unidades jurisdicionadas cujos responsáveis terão processos de contas ordinárias constituídos para julgamento, assim como os conteúdos e a forma das peças que os comporão e os prazos de apresentação.

Os responsáveis pelas unidades jurisdicionadas não relacionadas na decisão normativa citada acima, não terão as contas do respectivo exercício julgadas pelo Tribunal nos termos do art. 6º da Lei nº 8.443, de 1992, sem prejuízo de o Tribunal determinar a constituição de processo de contas em decisão específica e da manutenção das demais formas de fiscalização exercidas pelos controles interno e externo.

Portanto, são duas decisões normativas. Uma relacionando todos os órgãos e unidades que devem apresentar relatório de gestão e outra apontando quem terá processo de contas constituído para julgamento pelo TCU.

A apresentação tempestiva do relatório de gestão, com o conteúdo e forma fixados em decisão normativa do TCU, configura o cumprimento da obrigação de prestar contas, nos termos do art. 70 da Constituição Federal.

Os relatórios de gestão devem ser apresentados ao Tribunal em meio

informatizado, conforme orientações contidas em decisão normativa. Os relatórios de gestão ficarão disponíveis para livre consulta no Portal do Tribunal na Internet, em até quinze dias da data limite para apresentação.

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O relatório de gestão de unidade jurisdicionada relacionada na decisão normativa que exigir um processo de contas deve ser submetido à auditoria de gestão e às demais providências a cargo do respectivo órgão de controle interno.

Abrangência do Relatório de Gestão

Os relatórios de gestão devem abranger a totalidade da gestão da unidade jurisdicionada, ou seja, todos os bens e recursos orçamentários e extra-orçamentários utilizados, arrecadados, guardados ou geridos pelas unidades jurisdicionadas, ou pelos quais elas respondam, incluídos os oriundos de fundos de natureza contábil recebidos de entes da administração pública federal ou descentralizados para execução indireta.

Rol de Responsáveis

De acordo com a IN TCU 63/2010, os responsáveis que terão suas contas julgadas pelo TCU e, portanto, figurarão no Rol de Responsáveis, são:

a) o dirigente máximo da unidade jurisdicionada que apresenta as contas ao TCU;

b) o membro de diretoria ou ocupante de cargo de direção no nível

de hierarquia imediatamente inferior e sucessivo ao do dirigente de que trata o inciso anterior, com base na estrutura de cargos aprovada para a unidade jurisdicionada;

c) o membro de órgão colegiado que, por definição legal, regimental

ou estatutária, seja responsável por ato de gestão que possa causar impacto na economicidade, eficiência e eficácia da gestão da unidade.

Conteúdo e peças dos Processos de Contas

Os autos iniciais dos processos de contas serão constituídos das peças a seguir relacionadas:

1. rol de responsáveis;

2. relatório de gestão;

3. relatórios e pareceres de órgãos, entidades ou instâncias que devam se pronunciar sobre as contas ou sobre a gestão dos

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responsáveis pela unidade jurisdicionada, consoante previsão em lei ou em seus atos constitutivos, observados os formatos e os conteúdos definidos em decisão normativa;

4. relatório de auditoria de gestão, emitido pelo órgão de controle interno, conforme formato e conteúdo definidos em decisão normativa;

5. certificado de auditoria, emitido pelo órgão de controle interno competente;

6. parecer conclusivo do dirigente do órgão de controle interno competente; e

7. pronunciamento expresso do ministro de estado supervisor da unidade jurisdicionada, ou da autoridade de nível hierárquico equivalente, atestando haver tomado conhecimento das conclusões contidas no parecer do dirigente do órgão de controle interno competente sobre o desempenho e a conformidade da gestão da unidade supervisionada.

Exames e relatórios do controle interno

Os processos de contas são organizados pelos gestores e encaminhados aos órgãos do sistema de controle interno de cada Poder para realização das auditorias de gestão, em apoio ao Tribunal de Contas da União.

Os exames do órgão de controle interno competente sobre a gestão dos responsáveis devem abranger todos os recursos, orçamentários e extra- orçamentários, utilizados, arrecadados, guardados ou geridos pelas unidades jurisdicionadas ou pelos quais elas respondam, incluídos os oriundos de fundos de natureza contábil recebidos de entes da administração pública federal ou descentralizados para execução indireta.

Como resultado das auditorias, os órgãos de controle interno elaboram o relatório de auditoria, acompanhado do certificado, e o parecer do dirigente de controle interno.

De acordo com a IN TCU 63/2010, os relatórios de auditoria de gestão emitidos pelos órgãos de controle interno devem ser compostos dos achados devidamente caracterizados pela indicação da situação encontrada e do critério adotado e suportados por papéis de trabalho, mantidos em

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arquivos à disposição do Tribunal.

Reparem que o TCU somente exige que os órgãos de controle interno descrevam os achados (impropriedades, ilegalidades e irregularidades) nos relatórios de auditoria de avaliação de gestão, indicando a situação encontrada e o critério (o que deveria ser encontrado de acordo com a norma ou boa prática). Não se exige outros elementos, tais como a causa, o efeito e as evidências.

Os certificados de auditoria, pareceres dos dirigentes de controle interno e pronunciamentos ministeriais, se opinarem pela regularidade com ressalvas e irregularidade das contas dos responsáveis, devem indicar os fatores motivadores para cada responsável.

TOMADA DE CONTAS ESPECIAL - TCE

Sujeitam-se ainda, à jurisdição dos tribunais de contas, aqueles que derem causa a perda, extravio ou irregularidade de que resulte prejuízo ao erário.

Portanto, no âmbito dos tribunais de contas, estão obrigados a apresentarem ou a terem as suas contas tomadas, ainda que extraordinariamente, todo aquele que, na gestão temporária da coisa pública, de alguma forma, cause prejuízo ao erário, por exemplo, na aplicação de recursos transferidos mediante convênio, a Estados, Municípios ou a outra entidade que a lei autorize.

A Tomada de Contas Especial TCE pode ser entendida como tomada de contas em circunstâncias especiais.

A TCE é um instrumento legal destinado a identificar eventuais prejuízos na guarda e aplicação de recursos públicos com vistas ao ressarcimento do Erário, nos termos do art. 70 da Constituição Federal.

TCE é definida no artigo 3° da IN/TCU n° 56/2007 da seguinte forma:

Art. 3° Tomada de contas especial é um processo devidamente formalizado, com rito próprio, para apurar responsabilidade por ocorrência de dano à administração pública federal e obtenção do devido ressarcimento.

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Objetivos da TCE

Nas definições de TCE, observamos que um procedimento de tomada de contas especial tem como objetivos básicos:

apurar os fatos que resultaram em prejuízo ao Erário (O QUÊ); identificar e qualificar os agentes causadores do dano (QUEM e COMO); quantificar o prejuízo sofrido pelos cofres públicos (QUANTO);

Tais objetivos possibilitam o alcance da finalidade maior de uma TCE que é o ressarcimento dos cofres públicos. Se não pela própria via administrativa da TCE, pela obtenção, ao fim de seu julgamento, de um título executivo para cobrança judicial da dívida, consubstanciado no acórdão condenatório proferido pelo Tribunal de Contas da União (art. 23, inciso III, alínea “b”, da Lei n°

8.443/92).

Fatos que ensejam a instauração da TCE

De acordo com o caput do artigo 8º da Lei nº 8.443/92, o Administrador deve tomar as providências necessárias à instauração da TCE nas seguintes ocorrências:

omissão no dever de prestar contas; não comprovação da aplicação dos recursos repassados pela União; desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos; qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte em dano ao Erário.

Dentro dessa abrangência, a TCE pode ser instaurada até mesmo em caso de roubo, furto ou perda de bens.

Devemos destacar ainda que tanto no caso de dolo como de culpa, a TCE será instaurada. Assim, se o agente quis praticar a conduta que gerou o dano ao erário ou se agiu com negligência, imprudência ou imperícia, haverá a instauração da TCE.

Contudo, o artigo 1º, § 3º da IN/TCU n° 56/2007, define a TCE como medida de exceção, que só deve ser instaurada depois de esgotadas as providências administrativas internas para recomposição do Erário. O procedimento evita acúmulo de processo no TCU e está em perfeita sintonia com princípio da eficiência.

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Assim, no âmbito federal, a tomada de contas especial tem caráter excepcional e só deve ser instaurada depois de esgotadas todas as medidas administrativas internas para a reparação do dano, tanto pelo próprio TCU como pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal.

Caso haja uma situação que enseja a instauração de TCE e a autoridade responsável não a providencie, o Tribunal determinará a sua instauração, fixando prazo para cumprimento da decisão. As normas definem ainda que a inércia do responsável implica na sua responsabilidade solidária, respondendo com aqueles que deram causa ao dano ao erário pelo ressarcimento do total do débito.

Conversão de Processo em TCE

Além do caso de instauração do processo administrativo de TCE, o TCU pode converter processo de outra natureza em tomada de contas especial para posterior julgamento.

Nessa hipótese, a TCE, em vez de surgir de modo externo ao Tribunal, surge da atividade fiscalizadora do TCU. Isso ocorre porque só em processos de contas – ordinárias, extraordinárias ou especiais – o Tribunal pode julgar as contas de responsável irregulares e condená-lo a ressarcir os cofres públicos pelo prejuízo. Essa conversão – processo de outra natureza em TCE – está prevista no artigo 47, caput, da Lei nº 8.443/92:

Art. 47 Ao exercer a fiscalização, se configurada a ocorrência de desfalque, desvio de bens ou outra irregularidade de que resulte dano ao erário, o Tribunal ordenará, desde logo, a conversão do processo em tomada de contas especial, salvo a hipótese prevista no art. 93 desta Lei. (grifou-se)

Casos em que não se instaura a TCE

Vimos que a principal condição para se instaurar uma TCE é a existência de um dano causado por agente público, o que inclui um particular que esteja gerindo ou aguardando bens e recursos públicos.

Outra condição é que a autoridade competente tenha esgotado as medidas administrativas para obtenção do respectivo ressarcimento.

Contudo, existem duas situações trazidas pela IN/TCU n° 56/2007 e descritas a seguir em que, mesmo presentes os pressupostos para a tomada

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de contas especial, a instauração do processo fica dispensada e, consequentemente, o seu encaminhamento ao TCU para julgamento.

Essas situações se aplicam até mesmo aos processos já eventualmente constituídos e em trâmite no TCU, no Controle Interno ou nos órgãos e entidades de origem, conforme estabelecido no art. 10 da referida norma. São elas:

Valor do Dano Atualizado Inferior ao Limite Fixado Considerando que a recomposição de dano à administração pública federal deve pautar-se pelos princípios da racionalização administrativa e da economia processual, de modo a evitar que o custo da apuração e da cobrança seja superior ao valor da importância a ser ressarcida, a IN/TCU n° 56/2007 estabeleceu, em seu artigo 5°, que a tomada de contas só deve ser instaurada e remetida ao Tribunal para julgamento quando o valor do dano, atualizado monetariamente (sem acréscimo de juros de mora), for igual ou superior à quantia fixada pelo Tribunal para esse efeito.

O art. 12 da IN/TCU n° 56/2007 fixou o valor de R$ 23.000,00 (vinte e três mil reais), como valor mínimo para instauração e remessa da tomada de contas especial para julgamento.

No caso das tomadas de contas especiais não instauradas ou não remetidas ao TCU, em virtude do valor do dano atualizado monetariamente ser inferior a R$ 23 mil, a autoridade administrativa deve providenciar a inclusão do nome do responsável no cadastro informativo de créditos não quitados do governo federal (CADIN) e em outros cadastros afins, na forma da legislação em vigor (art. 5°, §2°, da IN/TCU n° 56/2007), obviamente, se a dívida não for recolhida.

Após Decorridos 10 Anos do Fato Gerador Salvo determinação em contrário do Tribunal, fica dispensada a instauração de tomada de contas especial após transcorridos 10 (dez) anos desde o fato gerador, sem prejuízo de apuração da responsabilidade daqueles que tiverem dado causa ao atraso, conforme estabelece o art. 5º, § 4º da IN TCU nº 56/2007.

Fases da TCE

Uma das diferenciações entre a TCE e um Procedimento Administrativo Disciplinar ou uma Sindicância consiste no fato de que a TCE não é julgada pelo órgão que a instaura. O julgamento da TCE cabe ao TCU. Essa característica promove um verdadeiro “divisor de águas” no desenvolvimento

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de um processo de TCE, pois separa o processo em duas grandes fases – interna e externa.

A fase interna da TCE se dá do momento de sua instauração até seu envio ao TCU, para julgamento. Nesse momento, ainda não temos processo, temos, apenas, procedimento.

Já a fase externa – externa em relação ao órgão/entidade que a instaurou – representa todo o desenvolvimento da TCE no âmbito do TCU, até seu julgamento final. Na fase externa, o que era mero procedimento passa a ser processo, e, por conta disso, devem ser observados os princípios do contraditório e da ampla defesa.

JULGAMENTO DAS CONTAS PELO TCU

Quando as contas (anuais e especiais) dão entrada no TCU, inicia-se a fase externa dos processos, com a sua instrução e julgamento de mérito pelo TCU.

Para o concurso, importa estudarmos as deliberações adotadas pelo Tribunal em processos de contas. Nesta etapa processual, as decisões do TCU podem ser preliminares, definitivas ou terminativas, adotadas por despacho do relator ou mediante acórdão por qualquer dos colegiados – Plenário ou Câmaras.

Preliminar é a decisão adotada, antes do exame de mérito, de cunho saneador, pelo Tribunal, proferida por qualquer de seus colegiados, pelo relator ou por delegação de competência deste, pelo titular da unidade técnica (secretário), pelo qual determina, dentre outras providências, a realização de diligência e a audiência (sem dano) ou a citação (com dano) do responsável, para que apresente suas justificativas ou alegações de defesa.

Definitiva é a decisão, de mérito, pela qual o Tribunal, Plenário ou Câmara, julga as contas regulares, regulares com ressalva ou irregulares.

Contas Regulares quando expressarem, de forma clara e objetiva, a exatidão dos demonstrativos contábeis, a legalidade, a legitimidade e a economicidade dos atos de gestão do responsável. O Tribunal dará quitação plena ao responsável.

Contas Regulares com ressalva quando evidenciarem impropriedade ou qualquer outra falta de natureza formal de que não resulte dano ao erário. O Tribunal dará quitação ao responsável e lhe determinará, ou a quem lhe haja

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sucedido, a adoção de medidas necessárias à correção das impropriedades ou faltas identificadas, de modo a prevenir a ocorrência de outras semelhantes.

Contas Irregulares quando comprovada qualquer das seguintes ocorrências:

a)

omissão no dever de prestar contas;

b) prática de ato de gestão ilegal, ilegítimo, antieconômico, ou infração à norma legal ou regulamentar de natureza contábil, financeira, orçamentária,

operacional ou patrimonial;

555999

c) dano ao erário decorrente de ato de gestão ilegítimo ao antieconômico;

d) desfalque ou desvio de dinheiros, bens ou valores públicos.

 

- O Tribunal poderá julgar irregulares as contas no caso de reincidência no descumprimento de determinação de que o responsável tenha tido ciência, feita em processo de tomada ou prestarão de contas.

Terminativa é a decisão, sem julgamento de mérito, adotada exclusivamente pelos colegiados, pela qual o Tribunal ordena o trancamento das contas iliquidáveis, consideradas assim aquelas que, por motivo de força maior ou caso fortuito, comprovadamente alheio à vontade do agente, tornar impossível o julgamento de mérito, podendo ser reaberta num prazo de cinco anos, à vista de novos elementos considerados suficientes. Após esse prazo, o processo de contas será encerrado, dando-se quitação ao responsável.

Caso fortuito ou de força maior – fato que não se pode prever ou evitar, que foge às forças humanas ou às forças do devedor, impedindo e impossibilitando o cumprimento da obrigação. O artigo 393 do Código Civil equipara o caso fortuito ao de força maior, tornando insignificante a divergência de alguns autores quanto ao significado de uma ou de outra expressão. Por isso, são tomadas como expressões de mesmo significado.

Terminativa, também, é a decisão que determina o arquivamento da TCE pela ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo ou por racionalização administrativa e economia processual.

É bom lembrar que, por economia, o Tribunal arquiva a TCE de valor inferior ao fixado pelo Plenário na última sessão de cada ano, desde que não tenha sido ainda citado o responsável. Contudo, o arquivamento do processo não implica em cancelamento do débito ou quitação. Para que obtenha a quitação, o responsável terá que recolher o valor da dívida a ele atribuída, com julgamento de mérito ou não do processo.

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Efeitos do julgamento com decisão definitiva

Como visto, tanto no caso do julgamento das contas pela regularidade ou pela regularidade com ressalvas, haverá quitação pelo Tribunal.

Multa proporcional ao débito. No caso de julgamento pela irregularidade, o Tribunal aplicará ao responsável a multa de até 100% do valor do débito, prevista no art. 57 da lei nº 8.443/92. Havendo mais de um responsável, mesmo que solidário, a multa poderá ser superior ao valor do débito, pois, tendo em vista o princípio da individualização da pena, cada um dos responsáveis poderá sofrer multa equivalente a 100% do valor da condenação.

Multa sem débito. Se a tomada ou prestação de contas for julgada irregular, sem que haja condenação em débito, o Tribunal aplicará ao responsável a multa prevista no art. 58, inciso I, da lei 8.443/92, nos limites fixados no Regimento Interno.

Cabe destacar que, por se tratar de sanção de natureza pecuniária, as multas tanto podem ser aplicadas a pessoas físicas quanto jurídicas, desde que se comprove que ambas contribuíram de forma direta para a existência da irregularidade.

por

deliberação exclusiva do Plenário, no caso de contas julgadas irregulares, com ou sem débito, inabilitar o responsável para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança na Administração Pública federal por período ente cinco e oito anos, desde que a irregularidade seja considerada grave pela maioria absoluta dos Ministros.

Inabilitação

para

cargo/função.

Pode

ainda

o

Tribunal,

Declaração de inidoneidade do licitante. Existe ainda uma sanção que, apesar de não ser uma conseqüência do julgamento pela irregularidade das contas, ao contrário, poderá a pena ser aplicada em outros processos, tais como auditorias e denúncias, o Tribunal poderá, comprovada a existência de fraude à licitação, declarar a inidoneidade do licitante fraudador para participar de licitação perante a Administração Pública federal pelo prazo de até cinco anos.

Encaminhamento ao MPU. O encaminhamento da documentação pertinente ao Ministério Público da União – MPU – para ajuizamento das ações civis e penais cabíveis é prevista no artigo 16, III, § 3º, da Lei nº 8.443/92.

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Esse encaminhamento é obrigatório e imediato nos casos de contas julgadas irregulares com base nas alíneas “c” e “d” do artigo 16, III, da Lei Orgânica. Contudo, é facultativo no caso das alíneas “a” e “b”, ficando a critério do Tribunal. Segundo o artigo 202, § 6º, do Regimento Interno, tal remessa se dará na ocasião do julgamento das contas. Isso define o sentido do termo imediatamente utilizado pela Lei Orgânica.

Desconto ou Cobrança Judicial da Dívida. O artigo 28 da Lei nº 8.443/92 dispõe acerca das providências que podem ser adotadas em caso de não comprovação do recolhimento do débito e/ou multa no prazo estipulado pelo Tribunal: a) determinar o desconto integral ou parcelado da dívida nos vencimentos, salários ou proventos do responsável, observados os limites previstos na legislação pertinente; e b) autorizar a cobrança judicial da dívida por intermédio do Ministério Público junto ao Tribunal, na forma prevista no inciso III do art. 81 desta Lei.

Quando não for comprovado o recolhimento da dívida no prazo fixado, a prévia autorização do Tribunal para adoção dessas medidas deve constar da instrução, na proposta de encaminhamento.

Arresto de Bens. O Tribunal não tem o poder de, por si, executar tal medida, que se dá em âmbito judicial. A competência do Tribunal é a de requerer a medida à Advocacia-Geral da União ou a dirigentes de entidades que lhes são subordinadas via Ministério Público. Uma vez decretada a medida, a liberação dos bens arrestados depende de uma prévia autorização do Tribunal.

A matéria é tratada no artigo 61 da Lei nº 8.443/92:

Art. 61. O Tribunal poderá, por intermédio do Ministério Público, solicitar à Advocacia-Geral da União ou, conforme o caso, aos dirigentes das entidades que lhe sejam jurisdicionadas, as medidas necessárias ao arresto dos bens dos responsáveis julgados em débito, devendo ser ouvido quanto à liberação dos bens arrestados e sua restituição.

OBSERVAÇÃO: O arresto de bens é uma medida de natureza cautelar que busca garantir eficácia ao acórdão condenatório em débito de responsáveis. Somente se adotará medida cautelar tendente ao arresto dos bens dos responsáveis julgados em débito quando inequivocamente demonstrados os pressupostos de sua aplicação, em

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condutas dos responsáveis tendentes a frustrar o ressarcimento das quantias devidas ao erário.

Cabe lembrar, por fim, que o Superior Tribunal Eleitoral poderá tornar inelegível (impugnar a candidatura) de alguém que teve as contas julgadas irregulares pelo TCU. Porém, cuidado, pois a inelegibilidade não é uma sanção imposta pelo Tribunal de Contas.

Recursos cabíveis em decisão do TCU nos processos de contas

Em conformidade com o art. 32 da LOATCU (Lei 8.443/92), da decisão proferida em processo de tomada ou prestação de contas cabem recursos de:

reconsideração; embargos de declaração; e revisão.

O recurso de reconsideração, que terá efeito suspensivo, será apreciado por quem houver proferido a decisão recorrida, na forma estabelecida no Regimento Interno, e poderá ser formulado por escrito uma só vez, pelo responsável ou interessado, ou pelo Ministério Público junto ao Tribunal, dentro do prazo de quinze dias, contados na forma prevista no art. 30 desta Lei.

Os embargos de declaração podem ser opostos para corrigir obscuridade, omissão ou contradição da decisão recorrida, por escrito pelo responsável ou interessado, ou pelo Ministério Público junto ao Tribunal, dentro do prazo de dez dias, contados na forma prevista no art. 30 da lei 8.443/92. Os embargos de declaração suspendem os prazos para cumprimento

da decisão embargada e para interposição dos demais recursos.

O recurso de revisão pode ser impetrado contra decisão definitiva, ao Plenário do Tribunal, sem efeito suspensivo, interposto por escrito, uma só vez, pelo responsável, seus sucessores, ou pelo Ministério Público junto ao

Tribunal, dentro do prazo de cinco anos, contados na forma prevista no inciso

III do art. 30 da lei orgânica, e fundar-se-á:

a) em erro de cálculo nas contas; b) em falsidade ou insuficiência de documentos em que se tenha fundamentado a decisão recorrida; c) na superveniência de documentos novos com eficácia sobre a prova produzida.

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Quanto ao momento em que se realiza, o controle é classificado em prévio, concomitante e subsequente ou posterior.

1. CONTROLE PRÉVIO (A PRIORI) é o controle que antecede a conclusão ou operatividade do ato, como requisito para sua eficácia. É um controle preventivo, porque visa impedir que seja praticado ato ilegal ou contrário ao interesse púbico.

Exemplos: liquidação da despesa pelo gestor antes do seu pagamento; autorização do Senado para a contratação de empréstimo externo; exame pelo TCU da legalidade de editais de licitação antes de sua ocorrência.

2. CONTROLE CONCOMITANTE como o próprio nome diz, acompanha a atuação administrativa no momento mesmo em que ele se verifica. Trata-se de um controle durante a execução do ato.

Exemplos: realização de inspeções e de acompanhamentos pelo TCU; acompanhamento de despesas não autorizadas pela comissão mista do Congresso Nacional; realização de auditorias de acompanhamento da gestão pelos auditores da Controladoria-Geral da União - CGU.

3. CONTROLE POSTERIOR (A POSTERIORI) realizado posteriormente à edição dos atos administrativos, tendo por objetivo rever os atos já praticados, para corrigi-los, desfazê-los ou apenas confirmá-los. É denominado controle corretivo.

Exemplos: atos de anulação ou de revogação; auditorias de uma forma geral; auditorias de avaliação de gestão pelos auditores da CGU; o exame e o julgamento de prestações e tomadas de contas.

Atenção: Domingos Poubel de Castro, em Auditoria e Controle na Administração Pública, aponta quais as técnicas de controle que são utilizadas em cada tipo de controle, como segue:

prévio: tem por objetivo final dar segurança a quem pratica o ato ou por ele se responsabiliza. A técnica utilizada nesse caso é a contabilidade;

concomitante: é o controle feito no decorrer das ações praticadas. Tem por objetivo final garantir a execução da ação. A técnica utilizada nesse caso é a fiscalização;

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subsequente: Tem por objetivo final avaliar a eficiência e a eficácia das ações administrativas, certificar a veracidade dos números e comprovar o cumprimento das normas. A técnica utilizada nesse caso é a auditoria.

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Bom, pessoal, a aula ficou um pouco extensa pela amplitude dos temas Controle Externo e Tribunal de Contas da União. Vamos agora exercitar um pouco do que aprendemos, resolvendo as questões a seguir. Lembro que elas estão ao final sem os comentários.

1) (CGU/ESAF/2008) Sobre o tema ‘controle externo’, nos termos da

Constituição Federal, é correto afirmar que:

a) é exercido, no âmbito federal, pelo Congresso Nacional com o

auxílio do Tribunal de Contas da União.

b) é exercido, no âmbito federal, pelo Senado Federal com o auxílio do

sistema de controle interno dos demais Poderes.

c) é exercido, no âmbito estadual, pelo Congresso Nacional com o

auxílio do Tribunal de Contas da União.

d) é exercido, no âmbito federal, pelo Congresso Nacional e pelo

Tribunal de Contas da União e, no âmbito estadual e municipal,

exclusivamente pelas respectivas Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores.

e) é exercido, no âmbito federal, exclusivamente pelo Tribunal de

Contas da União e, no âmbito estadual e municipal, exclusivamente pelos Tribunais de Contas Estaduais e Municipais.

SOLUÇÃO: No Brasil, o controle externo é exercido pelo Poder Legislativo, com o auxílio dos Tribunais de Contas. O caput do art. 70, combinado com o caput do art. 71, define que o Congresso Nacional possui a titularidade do controle externo, que será exercida com o apoio do Tribunal de Contas da União. Vê-se, portanto, que a alternativa A é a correta.

Nos demais níveis federativos, o Controle Externo, por simetria constitucional, é exercido pelas Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais (no DF, Câmara Legislativa do Distrito Federal), com o auxílio dos Tribunais de Contas Estaduais, dos Tribunais ou Conselhos de Contas dos Municípios e de Tribunais de Contas municipais, conforme o caso.

2) (TCU/ESAF/2006) Nos termos da Constituição Federal, pode-se

afirmar que

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a) o Tribunal de Contas da União – TCU – é órgão vinculado ao Senado

da República. b) as Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas

respectivos, que serão integrados por sete conselheiros.

c) as decisões do TCU não se submetem a controle judicial.

d) os Ministros do Tribunal de Contas da União têm as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos

Ministros do Supremo Tribunal Federal.

e) a titularidade do Controle Externo, no Brasil, pertence ao Tribunal

de Contas da União.

SOLUÇÃO: O TCU não é órgão vinculado ou subordinado ao Congresso Nacional e a qualquer das casas legislativas e tampouco exerce papel secundário, por ser a titularidade do controle externo do órgão legislativo. O TCU é um órgão autônomo que presta auxílio ao Congresso Nacional no controle externo da gestão pública. A letra A está incorreta.

O art. 75 da CF dispõe que as normas estabelecidas na Seção que trata

da fiscalização contábil, financeira e orçamentária são aplicáveis, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. O parágrafo único deste mesmo artigo define que as Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão integrados por sete Conselheiros. A letra B está correta e constitui o gabarito da questão.

Compete aos Tribunais de Contas o julgamento de condutas funcionais, na gestão de recursos públicos. Os Tribunais de Contas não têm competência jurisdicional, pois somente o Judiciário possui esta competência. As deliberações do TCU fazem coisa julgada administrativa, não cabendo ao Judiciário revê-las quanto ao mérito, ou seja, não cabe ao Judiciário julgar as contas substituindo o TCU. Porém, há possibilidade de revisão pelo Judiciário quanto à legalidade e formalidade, podendo desconstituí-las por irregularidade formal ou ilegalidade manifesta. A letra C está incorreta.

Nos termos do § 3º do art. 73 da CF, os Ministros do Tribunal de Contas da União são equiparados aos Ministros do Superior Tribunal de Justiça - STJ. A letra D está incorreta.

O caput do art. 70, combinado com o caput do art. 71, define que o

Congresso Nacional possui a titularidade do controle externo, que será exercida com o apoio do Tribunal de Contas da União. A letra E está incorreta.

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3) (TCU/ESAF/1999) No exercício das suas funções de controle externo da Administração Pública Federal, compete constitucionalmente ao Tribunal de Contas da União

a) julgar as contas anuais do Presidente da República

b) realizar inspeções e auditorias contábeis nas unidades administrativas dos órgãos da União, inclusive as da Câmara dos Deputados e do Senado Federal c) examinar, em grau de recurso voluntário, as contas anuais dos Governadores dos Estados e do Distrito Federal d) apreciar, para fim de registro prévio, que é condição essencial de validade, a legalidade dos contratos administrativos

e) verificar a legalidade dos atos em geral de admissão de pessoal do

serviço público, exceto as nomeações no Poder Judiciário

SOLUÇÃO: Quem julga as contas anuais do Presidente da República é o Congresso Nacional, cabendo ao TCU apreciá-las para fins de emissão de parecer prévio. Portanto, a alternativa “a” está incorreta.

De acordo com o inciso IV do art. 71 da CF, ao TCU compete “realizar,

por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades

administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II”.

Este dispositivo reconhece a autonomia do TCU, prevendo que o Tribunal realize por iniciativa própria as fiscalizações. Trata-se de dispositivo que estabelece a competência fiscalizadora do TCU e a sua natureza e extensão. Reparem que o TCU pode fiscalizar, sob todos os aspectos (contábil, financeiro, orçamentário, operacional e patrimonial) as unidades administrativas de todos os Poderes. A alternativa “b” é a correta.

O julgamento das contas anuais dos Governadores compete ao

Legislativo Estadual, precedido do parecer prévio dos Tribunais de Contas estaduais. Não há grau de recurso para nenhuma instância, tampouco para o Tribunal de Contas da União. A alternativa “c” está incorreta.

O TCU somente aprecia para fins de registro os atos de pessoal

(admissão, aposentadoria, reforma e pensão). Os demais atos administrativos e contratos públicos não são apreciados para fins de registro pelo TCU nem previamente nem a posteriori. Vale lembrar que o controle ou o registro prévio

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de contratos administrativos pelo Tribunal de Contas deixou de existir a partir da Constituição de 1967. Assim, a alternativa “d” também está incorreta.

Por fim, tem-se a letra E relativa também ao controle exercido pelo TCU sobre os atos de pessoal, conforme competência estabelecida no inciso III do art. 71 da CF.

Compete ao TCU verificar a legalidade dos atos de admissão de pessoal do serviço público, incluindo as nomeações para o exercício de cargos e empregos públicos nos três Poderes, excetuando as nomeações para cargos comissionados. Portanto, a alternativa “e” apresenta duas incorreções, ao não excepcionar as nomeações para cargos comissionados e ao afirmar que o exercício do controle externo sobre as nomeações não se daria nos órgãos do Poder Judiciário.

4) (TCU/ESAF/1999) A competência constitucional do Tribunal de

Contas da União, para fiscalizar a aplicação de recursos públicos,

a) alcança os repassados pela União, mediante convênio e ajuste, para

os Municípios

b) alcança os repassados pela União e os próprios dos Estados, DF e

Municípios, por eles mesmos arrecadados

c) não alcança os repassados pela União, mediante convênio e ajuste,

para os Estados

d) não alcança os repassados pela União, mediante convênio e ajuste,

para os Estados e Municípios

e) não alcança os repassados pela União, mediante convênio e ajuste,

para os Estados e Municípios nem os próprios seus

SOLUÇÃO: A competência constitucional do TCU para fiscalizar a aplicação de recursos públicos alcança os recursos repassados pela União, mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município. Portanto, a alternativa “a” é a correta.

ATENÇÃO: A aplicação de recursos transferidos voluntariamente pela União para Estados e Municípios é fiscalizada pelo TCU. Já as transferências legais, em sua grande maioria, também são fiscalizadas pelo TCU. Todavia, a fiscalização da aplicação das transferências constitucionais obrigatórias a Estados e Municípios, como os fundos de participação de Estados e Municípios, não compete ao TCU, mas sim aos Tribunais de Contas respectivos.

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5) As decisões dos Tribunais de Contas, de que resulte a imputação de

débito ou multa:

a) podem ser executadas coercitivamente pelo próprio Tribunal.

b) para serem executadas judicialmente, precisam se inscritas em

dívida ativa.

c) tornam automaticamente indisponíveis os bens do responsável,

enquanto não pago o débito.

d) não estão sujeitas a recurso perante o Tribunal.

e) têm eficácia de título executivo.

SOLUÇÃO: Conforme ensina Valdecir Pascoal, ter a eficácia de título executivo significa que o erário-credor do título, a partir da decisão do Tribunal de Contas, tem o direito de receber determinada quantia proveniente de dado ao erário ou multa aplicada pelo TC e caso o responsável não efetue o ressarcimento no prazo legal, não precisará ingressar no Poder Judiciário com o processo de conhecimento.

Pelo exposto, a alternativa correta é a “e”. As demais alternativas estão incorretas. O Tribunal de Contas não tem competência para executar diretamente suas decisões. As decisões dos TC’s prescindem de inscrição em dívida ativa para serem executadas. As decisões dos TC’s não tornam automaticamente indisponíveis os bens do responsável, devendo os Tribunais adotarem medida cautelar nesse sentido, em casos específicos.

6) (CGU/ESAF/2008) Assinale a única opção incorreta relativa à

fiscalização contábil, financeira e orçamentária. a) Deve prestar contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro,

bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.

b) Comprovar a legalidade e avaliar os resultados quanto à eficácia e

eficiência da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado, são finalidades do sistema de controle interno que devem ser mantidos de forma integrada pelos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

c) O Tribunal de Contas da União possui competência para aplicar aos

responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de

contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário.

d) O Tribunal de Contas da União não possui competência para

realizar, por iniciativa própria, inspeções e auditorias de natureza

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contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. e) O ato de sustar a execução de contrato ilegal não é de competência do Tribunal de Contas da União porque deve ser adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

SOLUÇÃO:

A alternativa A está correta. A Constituição Federal, ao tratar da fiscalização exercida pelo Estado sobre a Administração Pública, no parágrafo único do seu art. 70 reza que a obrigação de prestar contas é imposta a todos que, de alguma forma, administrem recursos públicos:

Art. 70 ( ) Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

A letra B também está correta. O art. 74 da CF estabelece dentre as

finalidades dos sistemas de controle interno de cada Poder, a de comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão

orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado.

A letra C está correta. Nos termos do inciso VIII do art. 71 da CF,

compete ao TCU aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá,

entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário.

A alternativa incorreta é a letra D, pois, como já vimos, o TCU possui

competência para realizar, por iniciativa própria, inspeções e auditorias em todas as unidades administrativas dos Poderes (Inciso IV, do art. 71 da CF).

Por fim, a letra E está correta, pois reflete o disposto no § 1º do art. 71 da CF. De acordo com o inciso IX do art. 71 da CF, compete ao TCU verificar se os administradores pautam as suas gestões em ações que se realizam em consonância com os dispositivos legais que regem a Administração Publica.

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Caso seja verificada qualquer ilegalidade, competirá ao TCU determinar que o responsável pela ação, em prazo estipulado pela própria Corte de Contas, adote providências no sentido de sanar a ilegalidade.

Caso o Tribunal se depare com ilegalidade ocorrida no âmbito de um contrato administrativo, deve comunicar a ilegalidade ao Congresso Nacional, que adotará as providências necessárias para a sua sustação.

Conforme dispõe o § 2º do art. 71 da CF, “Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de 90 dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.”.

7) (TCU/ESAF/2006) Sobre o Controle Externo no Brasil, assinale a opção correta.

a) Os ministros do TCU devem ser brasileiros natos.

b) Um Tribunal de Contas Estadual não poderá julgar contas relativas a

município, mesmo que este esteja dentro do território de sua Unidade da Federação. c) Um determinado município, caso não possua Tribunal de Contas

próprio, não poderá criá-lo.

d) O auditor, ou Ministro-Substituto, do Tribunal de Contas da União é

aposentado compulsoriamente aos 75 (setenta e cinco) anos de idade.

e) Empresas de Economia Mista não se sujeitam à fiscalização do TCU.

SOLUÇÃO:

A alternativa A está incorreta. O § 1º do art. 73 da CF define que os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam determinados requisitos. Portanto, a Constituição não impõe restrição a brasileiro naturalizado.

A alternativa B está incorreta. No âmbito da gestão orçamentária, financeira e patrimonial de um município, caso não exista um Tribunal de Contas do Município ou Tribunal de Contas dos Municípios, caberá ao Tribunal de Contas do Estado julgar as contas do município caso esteja dentro do território do estado. Vale lembrar que as contas de governo do Prefeito Municipal são apreciadas pelo TC, mas julgadas pela Câmara Municipal.

A alternativa C é a correta e constitui o gabarito da questão. A CF veda a criação de um Tribunal de Contas Municipal. Todavia, cuidado, pois a constituição não veda a criação de um Tribunal de Contas dos Municípios

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(órgão estadual). Lembrando que somente existem TCM nos municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro.

A alternativa D está incorreta. Além das garantias estabelecidas na CF, a Lei Orgânica do TCU prevê ainda como garantia, a aposentadoria, com proventos integrais, compulsoriamente aos setenta anos de idade ou por invalidez comprovada, e facultativa, após trinta anos de serviço, contados na forma da lei. Portanto, pelas regras atuais, a aposentadoria compulsória é aos 70 anos.

Por fim, a alternativa E também está incorreta. As empresas de economia mista estão sujeitas à fiscalização do TCU. Logicamente que as empresas estatais que são sujeitas à fiscalização do TCU são aquelas em que a União detém o controle acionário (maioria das ações ordinárias – capital votante).

8) (Analista/CVM/ESAF/2010) De acordo com a Constituição Federal,

ao Tribunal de Contas da União compete, no exercício do Controle

Externo:

a) realizar, por determinação do Presidente da República, inspeções e

auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

b) fiscalizar a aplicação das transferências constitucionais obrigatórias

feitas pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.

c) apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de concessão

de aposentadorias, reformas e pensões, inclusive as melhorias posteriores que alterem o fundamento legal do ato concessório.

d) fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo

capital social a União participe, de forma direta ou indireta, ressalvados os casos em que a participação não implique controle do capital votante.

e) apreciar as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou

outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário.

SOLUÇÃO: A letra A contém erro, pois as inspeções e auditorias são realizadas pelo TCU por iniciativa própria (de ofício) ou por solicitação das casas e comissões do Congresso Nacional.

A letra B também apresenta erro, pois as transferências constitucionais obrigatórias feitas pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, a exemplo dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios (FPE e

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FPM), constituem recursos próprios dos demais entes, competindo aos TCs estaduais e municipais fiscalizar a aplicação desses recursos.

A letra C está correta, pois compete ao TCU apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de concessão de aposentadorias, reformas e pensões, inclusive as melhorias posteriores que alterem o fundamento legal do ato concessório.

Cabe lembrar, por exemplo, que caso ocorra uma modificação em determinada aposentadoria, o Tribunal só vai precisar se manifestar novamente se for alterado o fundamento legal da aposentadoria. Assim, caso determinado servidor venha a se aposentar em um cargo qualquer e depois preencha os requisitos constitucionais e legais para se aposentar em outro, o Tribunal deverá apreciar a alteração do ato concessório. No entanto, caso ocorra uma alteração apenas no vencimento da aposentadoria decorrente de aprovação de planos de cargos e salários, o ato não passará de novo pelo crivo do Tribunal de Contas da União.

A letra D apresenta erro quando ressalva os casos em que a participação do Brasil não implique controle do capital votante, pois a fiscalização das contas nacionais das empresas supranacionais independe do controle majoritário do Brasil.

Vale lembrar que empresa supranacional é uma estatal que pertence a mais de uma nação. A Itaipu-Binacional é um exemplo de empresa supranacional. Cabe alertar que somente serão objeto de fiscalização as contas nacionais, ou seja, as contas que sejam originadas de recursos públicos federais brasileiros.

Por fim, vale ressaltar que a fiscalização será efetuada na forma do tratado constitutivo. Esse tratado há de prever que a fiscalização dos recursos públicos brasileiros caberá ao Tribunal de Contas da União.

Na letra “e”, o correto seria julgar as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário. O TCU aprecia as contas do Presidente da República. As contas anuais dos demais gestores e as contas especiais, no caso de apuração de dano ao erário, também serão julgadas pelo Tribunal e não apreciadas.

9) (Analista/SUSEP/ESAF/2010) Segundo a Constituição Federal, tem competência para realizar a fiscalização contábil, financeira,

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orçamentária, operacional e patrimonial da União no que se refere à legalidade, legitimidade e economicidade:

a) a Comissão Mista de Orçamento e Planos e o Tribunal de Contas da

União.

b) o Congresso Nacional e o sistema de controle interno de cada Poder.

c) o Congresso Nacional e as entidades representativas da sociedade

organizada.

d) o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e as Comissões do

Congresso Nacional.

e) a Câmara dos Deputados, por intermédio de suas comissões

permanentes e o Tribunal de Contas da União.

SOLUÇÃO: O art. 70 da CF define que a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Portanto, a alternativa correta é a “B”.

10) (Analista/SUSEP/ESAF/2010) Quanto à prestação de contas de pessoas jurídicas de direito privado, é correto afirmar:

a) estão obrigadas a prestar contas quando utilizar, arrecadar,

guardar, gerenciar ou administrar dinheiros, bens e valores públicos.

b) prestam contas sempre que receber recursos provenientes da

União, sejam eles em dinheiro ou bens.

c) estão desobrigadas de prestar contas em razão de a natureza

jurídica ser de direito privado.

d) prestam contas, desde que gerenciem ou apliquem recursos

arrecadados por elas mesmas sem que tenha havido delegação para tal.

e) a apresentação de prestação de contas diretamente ao Tribunal de

Contas da União é condição essencial ao cumprimento da Constituição Federal.

SOLUÇÃO: Quanto à prestação de contas de pessoas jurídicas de direito privado, em conformidade com a CF, é correto afirmar que estão obrigadas a prestar contas quando utilizar, arrecadar, guardar, gerenciar ou administrar dinheiros, bens e valores públicos. A alternativa “A” é completa e está correta.

Cabe ressaltar que a alternativa B pode causar dúvida, mas foi considerada incorreta pela banca, provavelmente porque as entidades privadas se obrigam a prestar contas não só quando recebem recursos provenientes da União, mas também quando arrecadam e guardam dinheiros, bens e valores públicos. De todo modo, a letra A é mais completa e correta.

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Quanto à letra E, vale lembrar que uma entidade púbica ou privada que receba recursos federais mediante convênio com a União deverá prestar contas ao órgão federal que transferiu os recursos. Por sua vez, o órgão público federal que celebrou o convênio em nome da União, concedente dos recursos, deverá prestar contas anuais ao TCU. Portanto, indiretamente o tribunal receberá e julgará as contas de todos aqueles que administraram os recursos públicos, seja quem transferiu seja quem aplicou os recursos.

11) (Analista/SUSEP/ESAF/2010) Assinale a opção que, segundo a Constituição Federal, indica uma exceção às atribuições do Tribunal de Contas da União.

a) Sustar, se não atendido, a execução de ato impugnado.

b) Fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo

capital social a União participe direta ou indiretamente.

c) Apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da

República.

d) Representar ao Poder competente sobre irregularidades e abusos.

e) Fiscalizar a aplicação de recursos transferidos a qualquer título aos

Estados, Distrito Federal e Municípios.

SOLUÇÃO: Percebam que a letra “E” não faz exceção à competência do TCU de fiscalizar recursos transferidos pela União, a qualquer título, aos Estados, Distrito Federal e Municípios. Sabemos que não compete ao TCU fiscalizar a aplicação dos recursos dos fundos de Participação de Estados e Municípios transferidos pelo Tesouro Nacional a Estados e Municípios. O gabarito da questão é a letra “e”. As demais alternativas referem-se a atribuições do Tribunal de Contas da União.

12) Sobre a fiscalização contábil, financeira e orçamentária, marque a única opção correta. a) Compete ao Tribunal de Contas da União comunicar ao Congresso Nacional os casos de ilegalidade de despesas apurados, a fim de que tome as providências necessárias para a aplicação aos responsáveis das sanções previstas em lei.

d) Compete ao Tribunal de Contas da União apreciar, para fins de

registro, a legalidade dos atos de concessão de aposentadorias, reformas ou pensões e as melhorias posteriores, ainda que essas melhorias não alterem o fundamento legal do ato concessório.

c) No exercício do controle externo, ao Congresso Nacional compete

julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta,

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incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público.

d) Desde que não se refira a contrato administrativo, o Tribunal de

Contas da União (TCU) poderá sustar a execução de ato impugnado, se

o órgão, no prazo assinado pelo TCU, não adotar as providências

necessárias para a correção de ilegalidades identificadas. (Certo)

e) A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e

patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso

Nacional, mediante controle interno, e pelo sistema de controle externo de cada Poder.

SOLUÇÃO: A única alternativa Correa é a “D”, pois no caso de ato administrativo, o TCU poderá sustar a sua execução diretamente, se o órgão não adotar as providências no prazo assinado.

Na alternativa “A”,

o

poder de

aplicar as sanções previstas em lei

compete ao TCU e não Congresso Nacional.

Na alternativa “B” não compete ao TCU apreciar as melhorias posteriores nos atos de aposentadorias e pensões que não alterem o fundamento do ato concessório.

Na alternativa “C” quem julga as contas dos administradores é o TCU. Trata-se de uma competência privativa do Tribunal.

Na alternativa “E” houve inversão dos sistemas de controle, pois a fiscalização é exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo e, em cada poder, pelo respectivo Sistema de Controle Interno - SCI.

13) Assinale a alternativa incorreta.

a) O Tribunal de Contas da União (TCU) aprecia a legalidade do ato

concessivo de aposentadoria e, encontrando-se este em conformidade com a lei, procede a seu registro. Essa apreciação é competência exclusiva do TCU e visa ordenar o registro do ato, o que torna definitiva a aposentadoria, nos termos da lei. Entretanto, se, na apreciação do ato, detectar-se ilegalidade, não compete ao TCU cancelar o pagamento da aposentadoria, inclusive para respeitar o princípio da segregação.

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b) Uma das funções de competência dos TCs, como definido na CF, é a

de ouvidor, caracterizada pelo recebimento de denúncias de irregularidades ou ilegalidades formuladas tanto pelos responsáveis

pelo controle interno como por qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato.

c) A independência conferida ao TCU faz com que as suas decisões,

emanadas no exercício de sua atividade-fim, não se submetam a qualquer controle posterior. d) Conforme o STF, o TCU, no exercício de suas atribuições, pode apreciar, de forma incidental, a constitucionalidade das leis e dos atos

do poder público. e) Para o STF, a independência conferida ao TCU não exclui a competência de fiscalização de suas contas pelo Poder Legislativo.

SOLUÇÃO:

A alternativa A está correta. Quando o TCU aponta ilegalidade no ato e

nega o registro, não compete ao Tribunal cancelar o pagamento da aposentadoria, inclusive para respeitar o princípio da segregação. Nesse caso,

o TCU determinará que a auditoria administrativa corrija o ato.

A alternativa B também está correta. A função de ouvidoria possibilita o TCU atender à população quanto às suas reclamações, sejam em decorrência de má utilização de recursos públicos, sejam em decorrência de conduta inadequada de seus servidores. A CF prevê o recebimento de denúncias pelo TCU feitas por cidadão, partido político, associação civil ou sindicato e de representação feita pelo controle interno.

A alternativa C está incorreta, constituindo, portanto, o gabarito da questão. As decisões do TCU podem ser reapreciadas em grau de recurso pelo próprio TCU e apreciadas ou revistas pelo Poder Judiciário, quanto a certos aspectos.

A alternativa D está correta. Como vimos, uma das competências do

TCU, inclusive sumulada pelo STF, é apreciar no caso concreto a constitucionalidade de leis e atos normativos do poder público.

A alternativa E também está correta. Existem precedentes do STF no

sentido de que, não obstante o relevante papel do Tribunal de Contas no controle financeiro e orçamentário, como órgão eminentemente técnico, nada impede que o Poder Legislativo, exercitando o controle externo, aprecie as contas daquele que, no particular, situa-se como órgão auxiliar. Portanto, não

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obstante a independência do TCU, suas contas podem receber parecer prévio da Comissão Mista de Orçamento e Planos – CMOP, nos termos da LRF, e serem julgadas pelo CN, detentor do controle externo.

Vale lembrar que o TCU encaminha relatórios trimestrais e anuais de suas atividades ao Congresso Nacional, que avalia o desempenho do Tribunal.

14) (TCE/ES/CESPE/2009) Com referência à fiscalização e ao controle do orçamento, assinale a opção correta.

A) Compete ao TCU a fiscalização contábil, financeira, orçamentária,

operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta, quanto à legalidade e economicidade, bem como quanto à

aplicação das subvenções, ou seja, recursos destinados ao aumento do capital de empresas públicas. B) O TCU exerce função de jurisdição ao apreciar e julgar as contas do presidente da República, bem como dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público.

C) A fiscalização operacional do orçamento diz respeito à própria

execução do orçamento, pois o patrimônio compõe-se dos bens pertencentes ao Estado, sejam eles de cunho econômico ou não, e as alterações patrimoniais devem ser fiscalizadas pelas autoridades

públicas em benefício da preservação dos bens que integram o patrimônio público.

D) O controle interno incumbe aos Poderes Executivo, Legislativo e

Judiciário, cabendo a cada um manter um sistema de controle individual, de acordo com suas características próprias e, ao mesmo tempo, integrar o sistema com o dos outros poderes, a fim de que haja coordenação e uniformização de comportamentos e providências. E) Ao TCU compete realizar inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, desde que haja prévia requisição do Senado Federal. QU SOLUÇÃO:

Compete ao TCU a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta, quanto à legalidade e economicidade, bem como quanto à aplicação das subvenções. Assim, está correta a primeira parte da afirmação contida na letra A. Porém, os recursos destinados ao aumento do capital de empresas públicas

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são denominados de auxílios. Subvenções são transferências correntes. A letra

A é incorreta.

O Congresso Nacional é o juiz natural das contas do Presidente da

República. O TCU exerce função de julgamento das contas dos administradores

e demais responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos da administração

direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público. A letra B é incorreta.

A fiscalização patrimonial do orçamento é que diz respeito à própria execução do orçamento, pois o patrimônio compõe-se dos bens pertencentes ao Estado, sejam eles de cunho econômico ou não, e as alterações patrimoniais devem ser fiscalizadas pelas autoridades públicas em benefício da preservação dos bens que integram o patrimônio público. A letra C é incorreta.

O controle interno incumbe aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, cabendo a cada um manter um sistema de controle individual, de acordo com suas características próprias e, ao mesmo tempo, integrar o sistema com o dos outros poderes, a fim de que haja coordenação e uniformização de comportamentos e providências. A letra D é correta e constitui o gabarito da questão.

Por fim, ao TCU compete realizar inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Contudo, o exercício desta fiscalização por parte do Tribunal pode ser de oficio e não depende de prévia requisição da Câmara, do Senado Federal ou do Congresso Nacional. A letra E é incorreta.

15) (TCE/ES/CESPE/2009) O controle externo, a cargo do Poder Legislativo e do TC, classifica-se em político e técnico. Com relação a esse assunto, à luz das disposições constantes na CF, assinale a opção correta.

A) O controle externo, nos municípios, é exercido pelas respectivas

câmaras municipais, com o auxílio dos TCs de âmbito estadual, salvo no caso dos municípios que têm TCs próprios.

B) A fiscalização, sob o aspecto da legitimidade, é de âmbito do

controle político e, portanto, fora do alcance do TC.

C) O controle financeiro, introduzido pela CF, permite verificar se os

objetivos foram atingidos, se os meios utilizados foram os mais adequados e se foi obtido o menor custo possível.

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D) O exame da economicidade permite verificar se uma obra ou

serviço foi realizado ao menor custo possível, diferentemente da eficiência, que tem como foco o custo adequado, razoável e pertinente.

E) A avaliação da relação custo-benefício, pela sua transcendência, está circunscrita ao controle político, razão pela qual ultrapassa as competências dos TCs.

SOLUÇÃO: A alternativa A é a correta, pois, nos municípios, o controle externo é exercido pelas respectivas câmaras municipais, com o auxílio dos Tribunais de Contas. Caso o município possua TC próprio, como nos casos de São Paulo e Rio de Janeiro, este prestará o auxílio à câmara. Nos demais municípios, a câmara será apoiada pelo Tribunal de Contas dos Municípios ou do Estado, conforme o caso.

A alternativa B está incorreta, pois a fiscalização, sob o aspecto da legitimidade, é de âmbito do controle técnico de alcance do Tribunal de Contas. Vale lembrar que no caput do artigo 70 da CF, estão especificados ainda os grandes critérios com que as fiscalizações serão realizadas: legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação de subvenções e renúncia de receitas.

A alternativa C está incorreta, pois o controle financeiro permite verificar a legalidade e a legitimidade na realização das despesas, observando se o gestor público cumpriu os princípios e as regras estabelecidas para as aquisições de bens e serviços e de liquidação da despesa pública.

A alternativa D está incorreta, pois o exame da economicidade permite verificar se uma obra ou serviço foi realizado ao menor custo possível, sem prejuízo à qualidade. A eficiência é medida em termos de produção dos melhores resultados ao menor custo possível.

Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois a avaliação da relação custo-benefício não está circunscrita ao controle político. Compete aos TCs em seu controle técnico e financeiro avaliar a relação custo-benefício dos atos de gestão, medindo a economicidade, eficiência e eficácia da gestão.

16) (TCE/ES/CESPE/2009) Na CF, o controle externo foi

consideravelmente ampliado. Nesse sentido, as funções que os TCs desempenham incluem a

A) sancionatória, quando se aprovam as contas dos dirigentes e

responsáveis por bens e valores públicos. B) de julgamento, quando se emite parecer prévio sobre as contas anuais dos chefes de poder ou órgão.

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C) de ouvidor, quando se respondem e esclarecem as dúvidas de

servidores sobre a aplicação da legislação orçamentária e financeira.

D) corretiva, quando se aplicam multas e outras penalidades aos

responsáveis por irregularidades.

E) de fiscalização financeira, quando se registram os atos de admissão

do pessoal efetivo. QU SOLUÇÃO: Na letra A, o correto seria função judicante. Na letra B, o correto seria função consultiva ou opinativa. Na letra C, o correto seria consultiva. Vale destacar que o TCU não esclarece dúvidas de servidor, mas sim das autoridades legitimadas para consultar o Tribunal. Na letra D, o correto seria função sancionadora.

Por fim, a letra E é a correta. A verificação da legalidade dos atos que geram receitas e despesas faz parte da fiscalização financeira. ESTÃO 89 17) (TCE/ES/CESPE/2009) O controle externo é exercido pelo Poder Legislativo, com ou sem a colaboração do TC, ao qual cabe a execução autônoma das competências privativas que lhe foram outorgadas na CF. No caso de contratos, verificando-se ilegalidade, o TC deve A) sustar a sua execução preventivamente, comunicando sua decisão ao Poder Legislativo.

B) representar ao poder competente, já que essa matéria não é de

competência específica desse TC.

C) sustar sua execução de forma definitiva, mas só após a concessão

de prazo ao órgão contratante. D) comunicar a ilegalidade ao Poder Legislativo, a que caberá a responsabilidade exclusiva pela sua sustação ou não.

E) estabelecer prazo para sua correção, aguardar as providências dos

Poderes Legislativo e Executivo e, se necessário, sustar a execução do contrato.

SOLUÇÃO: No caso de contratos, os TCs não possuem competência para a sustação direta, devendo, portanto, assinar um prazo para que o órgão ou a entidade adote as providências corretivas e comunicar a ilegalidade ao Poder Legislativo, a quem caberá a sustação. Em caso de omissão do CN e da autoridade administrativa, caberá ao TCU a sustação. Portanto, a alternativa correta é a E. O erro da alternativa D é que a sustação não é exclusiva do Legislativo, pois o TC poderá fazê-lo em medida de exceção. ÃO 57

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18) (TCE/AC/CESPE/2008) Em conformidade com a CF, os atos relacionados a pessoal que são apreciados pelo TCU para fins de registro ou reexame não incluem

A) a admissão de pessoal nas empresas públicas.

B) a admissão de pessoal nas fundações instituídas e mantidas pelo poder público.

C) as nomeações para cargo de provimento em comissão na

administração direta.

D) a concessão inicial de pensão.

E) as melhorias posteriores em aposentadorias que tenham alterado o

fundamento legal da concessão inicial.

SOLUÇÃO: A alternativa C é a que não corresponde a uma apreciação pelo TCU, pois não cabe ao Tribunal apreciar, para fins de registro, os atos de nomeação para cargo em comissão. O gabarito é a letra C.

19) (Analista/SUSEP/2010/ESAF) Segundo a Constituição Federal, os

responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de

qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela dará ciência:

a) ao Ministério Público Federal, para que ajuíze a ação competente

junto à Justiça Federal de primeira instância.

b) à Polícia Federal, na qualidade de polícia judiciária, para abertura

de inquérito e investigação.

c) ao Tribunal de Contas da União, para que tome as providências no

seu âmbito de atuação.

d) à Comissão de Fiscalização e Controle do Congresso Nacional.

e) ao titular da entidade ou órgão para que represente ao Tribunal de

Contas da União e ao Ministério Público.

SOLUÇÃO: Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela dará ciência ao Tribunal de Contas da União, para que tome as providências no seu âmbito de atuação, sob pena de responsabilidade solidária. O gabarito é a letra C.

20) (CGU/ESAF/2008) Acerca da natureza, competência e jurisdição

do Tribunal de Contas da União (TCU), segundo sua Lei Orgânica, é correto afirmar que:

a) compete ao TCU julgar as contas do Governo de Território Federal,

no prazo de sessenta dias a contar de seu recebimento, na forma estabelecida em seu Regimento Interno.

b) compete ao TCU apreciar, para fins de registro, a arrecadação da

receita a cargo da União, mediante inspeções e auditorias, ou por meio

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de demonstrativos próprios, na forma estabelecida em seu Regimento Interno. c) a jurisdição do TCU abrange os responsáveis por entidades dotadas

de personalidade jurídica de direito privado que recebam contribuições parafiscais e prestem serviço de interesse público ou social.

d) ao Tribunal de Contas da União, no âmbito de sua competência e

jurisdição, assiste o poder de polícia, podendo, em conseqüência desse

poder, expedir atos e instruções normativas sobre matéria de suas atribuições e sobre a organização dos processos que lhe devam ser submetidos, obrigando ao seu cumprimento, sob pena de responsabilidade.

e) a resposta sobre consulta que lhe seja formulada por autoridade

competente, a respeito de dúvida suscitada na aplicação de dispositivos legais e regulamentares concernentes a matéria de sua competência, tem caráter normativo e constitui prejulgamento do fato ou caso concreto.

SOLUÇÃO:

Compete ao TCU apreciar e emitir parecer prévio sobre as contas do Governo de Território Federal, no prazo de sessenta dias a contar de seu recebimento, cabendo o julgamento ao Congresso Nacional. A alternativa A está incorreta.

De acordo com a sua Lei Orgânica, compete ao TCU acompanhar a arrecadação da receita a cargo da União e das entidades referidas no inciso I deste artigo, mediante inspeções e auditorias, ou por meio de demonstrativos próprios, na forma estabelecida no Regimento Interno. A alternativa B está incorreta.

A jurisdição do TCU abrange os responsáveis por entidades dotadas de personalidade jurídica de direito privado que recebam contribuições parafiscais e prestem serviço de interesse público ou social. A alternativa C está correta.

Nos termos art. 5° da Lei Orgânica do TCU, a jurisdição do Tribunal abrange:

a) qualquer pessoa física, órgão ou entidade a que se refere o inciso I do art. 1° desta Lei, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta assuma obrigações de natureza pecuniária;

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b) aqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao Erário;

c) os dirigentes ou liquidantes das empresas encampadas ou sob intervenção ou que de qualquer modo venham a integrar, provisória ou permanentemente, o patrimônio da União ou de outra entidade pública federal;

d) os responsáveis pelas contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo.

e) os responsáveis por entidades dotadas de personalidade jurídica de direito privado que recebam contribuições parafiscais e prestem serviço de interesse público ou social;

f) todos aqueles que lhe devam prestar contas ou cujos atos estejam sujeitos à sua fiscalização por expressa disposição de Lei;

g) os responsáveis pela aplicação de quaisquer recursos repassados pela União, mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;

h) os sucessores dos administradores e responsáveis a que se refere este artigo, até o limite do valor do patrimônio transferido;

i) os representantes da União ou do Poder Público na assembléia geral das empresas estatais e sociedades anônimas de cujo capital a União ou o Poder Público participem, solidariamente, com os membros dos conselhos fiscal e de administração, pela prática de atos de gestão ruinosa ou liberalidade à custa das respectivas sociedades.

Nos termos do art. 3º da Lei Orgânica do TCU, ao Tribunal de Contas da União, no âmbito de sua competência e jurisdição, assiste o poder regulamentar, podendo, em conseqüência, expedir atos e instruções normativas sobre matéria de suas atribuições e sobre a organização dos processos que lhe devam ser submetidos, obrigando ao seu cumprimento, sob pena de responsabilidade. A alternativa D está incorreta.

Por fim, a resposta sobre consulta que seja formulada ao Tribunal por autoridade competente, a respeito de dúvida suscitada na aplicação de dispositivos legais e regulamentares concernentes a matéria de sua competência, tem caráter normativo e constitui prejulgamento da tese, mas não do fato ou caso concreto. Caso constituísse prejulgamento do caso concreto, o TCU não teria liberdade ou independência para julgar o ato de gestão quando das contas. A alternativa D está incorreta.

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21) (CGU/ESAF/2006) Para os efeitos da Instrução Normativa TCU n. 47/2004, constituem unidades jurisdicionadas ao Tribunal de Contas da União, exceto:

a) os órgãos e entidades da administração federal direta, indireta e

fundacional, incluídas as empresas controladas direta ou indiretamente pela União.

b) o Ministério Público da União.

c) os conselhos de fiscalização das profissões liberais.

d) as entidades privadas que tenham firmado contrato de gestão com

a administração pública federal e em razão desse contrato recebam

recursos orçamentários da União.

e) as entidades privadas que tenham firmado contrato de empréstimo

junto aos órgãos oficiais de fomento.

SOLUÇÃO: Não constituem unidades jurisdicionadas ao TCU as entidades privadas que tenham firmado contrato de empréstimo junto aos órgãos oficiais de fomento.

22) (TCE/GO/Procurador/2007) Sobre o Tribunal de Contas da União, é incorreto afirmar que

a) é de sua incumbência auxiliar o Congresso Nacional no encargo

deste quanto ao exercício do controle externo referido à União.

b) é de sua competência apreciar, para fins de registro, a legalidade

dos atos de concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório, sendo dispensável, nestes casos, quando se trate do ato de concessão inicial, assegurar-se ao interessado, previamente ao ato decisório da Corte de Contas, o contraditório e a ampla defesa, mesmo quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado.

c) é de sua competência apreciar e julgar as contas prestadas

anualmente pelo Presidente da República.

d) é de sua competência fiscalizar a aplicação de recursos repassados

pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos

congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município.

e) deve ele prestar as informações solicitadas pelo Congresso

Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas, inclusive informações sigilosas ou relativas à despesa de natureza reservada.

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SOLUÇÃO:

A letra A está correta. É da incumbência do TCU auxiliar o Congresso

Nacional no encargo deste quanto ao exercício do controle externo referido à União.

A letra B está correta. Incumbe ao TCU apreciar, para fins de registro, a

legalidade dos atos de concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório.

Por outro lado, conforme Súmula Vinculante nº 3 do Supremo Tribunal Federal – STF: Nos processos perante o tribunal de contas da união asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

A letra C está incorreta e constitui o gabarito da questão. Não compete

ao TCU julgar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República.

A letra D está correta. É da competência do TCU fiscalizar a aplicação de

recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros

instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município.

Por fim, a letra E se apresenta correta. Deve o TCU prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas, inclusive informações sigilosas ou relativas à despesa de natureza reservada.

23)

constitucionalmente obrigados a prestar contas aos órgãos ou entidades de controle externo ou de controle interno de cada Poder, da União, sem prejuízo de outras formas de controle acaso previstas em legislação específica:

a) qualquer pessoa física que utilize dinheiros, bens ou valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária. b) qualquer pessoa jurídica que arrecade, guarde ou gerencie dinheiros, bens ou valores públicos federais.

estão

(TCE/GO/Procurador/2007)

É

incorreto

afirmar

que

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c) qualquer pessoa que assuma obrigações de natureza pecuniária em

nome da União.

d) qualquer pessoa jurídica que administre bens pelos quais a União

responda.

e) qualquer pessoa privada, física ou jurídica, que pague seus tributos

mediante lançamento a débito em conta corrente bancária mantida junto a instituições financeiras instituídas, mantidas ou controladas

pelo Poder Público.

SOLUÇÃO: Uma pessoa privada, física ou jurídica, que pague seus tributos mediante lançamento a débito em conta corrente bancária mantida junto a instituições financeiras instituídas, mantidas ou controladas pelo Poder Público, por óbvio, não está sujeita ao dever constitucional de prestar contas. O gabarito é a letra E.

24) (CGU/ESAF/2006) Nos termos da Lei n. 8.443/92, as contas dos administradores e responsáveis por bens e dinheiros públicos serão anualmente submetidas a julgamento do Tribunal de Contas da União sob a forma de:

a) tomada ou de prestação de contas.

b) auditoria ou de fiscalização.

c) parecer regular, regular com ressalva ou irregular.

d) parecer pleno, restritivo ou irregular.

e) processo executivo.

SOLUÇÃO: Nos termos da Lei n. 8.443/92 (Lei Orgânica do TCU), as contas dos administradores e responsáveis por bens e dinheiros públicos serão anualmente submetidas a julgamento do Tribunal de Contas da União sob a forma de tomada ou de prestação de contas. A alternativa correta é a “A”.

25) O processo de prestação de contas, organizado pelo gestor ou pessoa a quem este delegar competência, deverá conter os elementos necessários que permitam o acompanhamento e a fiscalização orçamentária e financeira por parte dos órgãos de controle interno e externo. Indique a opção falsa com relação ao conteúdo dos processos de contas anuais. a) Relatório de gestão. b) Balanços anuais da entidade, acompanhados das peças exigidas pela legislação em vigor. c) Parecer do órgão de controle interno sobre suas contas, quando houver.

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d) Parecer da auditoria interna das entidades da administração indireta sobre as contas da entidade. e) Pronunciamento expresso do ministro de estado supervisor da unidade jurisdicionada.

SOLUÇÃO: A IN TCU nº 63, de 2010, define quais as peças que comporão os processos de contas. A opção falsa é a B, pois não são exigidos os balanços anuais da entidade, acompanhados das peças exigidas pela legislação em vigor.

26) (CGU/ESAF/2008) Nos termos da Lei Orgânica do TCU, a autoridade administrativa competente, sob pena de responsabilidade

solidária, visando à apuração dos fatos, identificação dos responsáveis e quantificação do dano, deverá imediatamente adotar providências com vistas à instauração da Tomada de Contas Especial diante dos seguintes casos, exceto:

a) omissão no dever de prestar contas.

b) descumprimento de recomendações exaradas pelo Tribunal em

julgamento de contas de exercícios anteriores.

c) não comprovação da aplicação dos recursos repassados pela União, na forma prevista no art. 5º, inciso VII, da citada lei.

d) ocorrência de desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores

públicos. e) prática de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte dano ao erário.

SOLUÇÃO: O Instituto da tomada de contas especial, no âmbito federal, está disciplinado na Lei Orgânica do TCU, Lei nº 8.443/92, no seu Regimento Interno, mais especificamente na IN TCU nº 56/2007 e, subsidiariamente, nas demais normas processuais editadas pela Corte de Contas. Cite-se, ainda, o Decreto-Lei nº 200/67.

De acordo com o caput do artigo 8º da Lei nº 8.443/92, o Administrador deve tomar as providências necessárias à instauração da TCE nas seguintes ocorrências ou hipóteses:

omissão no dever de prestar contas; não comprovação da aplicação dos recursos repassados pela União; desfalque ou desvio de dinheiro, bens ou valores públicos; qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte em dano ao Erário.

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Assim sendo, o descumprimento de recomendações exaradas pelo Tribunal em julgamento de contas de exercícios anteriores constitui motivo para o TCU julgar as contas de um responsável como irregulares, mas não é hipótese ensejadora de tomada de contas especial. O gabarito é a letra B.

27) Com relação aos processos de contas, assinale a alternativa correta.

A) a partir da IN TCU n.º 47/2004, ficou evidente a necessidade de o

TCU incluir, no exame e julgamento das tomadas e prestações de contas dos gestores, o controle de conformidade, que corresponde à comparação entre os objetivos, diretrizes e metas instituídos e os resultados obtidos em termos de eficiência, eficácia e efetividade.

B) as contas dos ordenadores de despesas serão organizadas pelo órgão de contabilidade analítica e julgadas pelo controle interno. C) o controle exercido por meio do julgamento de tomadas e prestações de contas é um instrumento de controle

predominantemente a priori e concomitante, iniciado pelos órgãos de controle interno que informam e orientam o gestor sobe os procedimentos a serem tomados e as providências a serem adotadas.

D) em relação à organização e apresentação de processos de tomadas

e prestações de contas, o conceito de risco está associado, segundo o

TCU, à importância social ou econômica de um órgão ou entidade para

a administração ou a sociedade, sendo a relevância correspondente à

representatividade das dotações orçamentárias atribuídas a uma unidade ou gestor.

E) o relatório de gestão, peça relevante na composição dos processos

de contas, deverá destacar os programas de trabalho planejados e executados, apresentando-se justificativas caso não sejam alcançados

os objetivos previstos na programação.

SOLUÇÃO: Segundo Piscitelli e Timbó, a partir da IN TCU n.º 47/2004, ficou evidente a necessidade de o TCU incluir, no exame e julgamento das tomadas e prestações de contas dos gestores, o controle de conformidade e do desempenho da gestão, a fim de contribuir para o aperfeiçoamento da administração pública.

O exame do desempenho consiste na análise da eficácia, eficiência, efetividade e economicidade da gestão em relação a padrões administrativos e gerenciais, expressos em metas e resultados negociados com a administração superior ou definidos nas leis orçamentárias, e da capacidade que corresponde à comparação entre os objetivos, diretrizes e metas instituídos e os resultados

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obtidos em termos de eficiência, eficácia e efetividade. A alternativa A está incorreta.

As contas dos ordenadores de despesas serão submetidas à auditoria de avaliação da gestão pelo órgão de controle interno e ao julgamento pelo Tribunal de Contas da União. A alternativa B está incorreta.

Os processos de tomadas e prestações de contas constituem um controle a posteriori, de caráter mais corretivo, do que preventivo, pois visa ao julgamento pelo TCU dos atos de gestão dos administradores públicos já ocorridos. A alternativa C está incorreta.

De acordo com a IN TCU 63/10, a relevância está associada à importância social ou econômica de um órgão ou entidade e não o risco. A materialidade corresponde ao volume de recursos envolvidos. A alternativa D está incorreta.

Piscitelli e Timbó nos ensinam que a legislação vem dando ênfase crescente às informações sobre a execução dos programas, à compatibilização

dos aspectos físico e financeiro, à eficiência e à eficácia, enfim, ao desempenho das atividades do órgão e entidade. O relatório de gestão deverá destacar os programas de trabalho planejados e executados, apresentando-se justificativas caso não sejam alcançados os objetivos previstos na programação. Destaca-se

a importância desta peça na composição dos processos de contas em razão do

contido das informações gerais que deverão constar no citado relatório. A alternativa E está correta.

28) (CGU/ESAF/2004) Às decisões proferidas em processos de tomada ou prestação de contas, cabem recursos de:

a) reconsideração, embargos de declaração e revisão.

b) reconsideração, suspensão e anulação.

c) revisão, desconsideração e arquivamento.

d) embargos de declaração, recomendação e fiscalização.

e) anulação, embargos de declaração e retificação.

SOLUÇÃO: Em conformidade com o art. 32 da LOATCU (Lei 8.443/92), da decisão proferida em processo de tomada ou prestação de contas cabem

recursos de: reconsideração; embargos de declaração; e revisão. O gabarito é

a letra A.

29) (CGU/ESAF/2004) Em conformidade com a Lei nº 8.443/1992, o Tribunal de Contas da União poderá, a vista de novos elementos que considere suficientes, autorizar o desarquivamento do processo, após

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a publicação da decisão terminativa no Diário Oficial da União, e determinar que se ultime a respectiva tomada ou prestação de contas, desde que não tenha decorrido mais de

a) 1 ano.

b) 3 anos.

c) 5 anos.

d) 6 anos.

e) 10 anos.

SOLUÇÃO: As decisões do TCU nos processos de contas, inclusive de tomada de contas especial podem ser preliminares, definitivas ou terminativas, adotadas por despacho do relator ou mediante acórdão por qualquer dos colegiados – Plenário ou Câmaras.

Terminativa é a decisão, sem julgamento de mérito, adotada exclusivamente pelos colegiados, pela qual o Tribunal ordena o trancamento das contas iliquidáveis, considerada assim aquelas que, por motivo de força maior ou caso fortuito, comprovadamente alheio à vontade do agente, tornarem impossível o julgamento de mérito, podendo ser reaberta num prazo de cinco anos, à vista de novos elementos considerados suficientes. Após esse prazo, a tomada ou prestação de cotas será encerrada, dando-se quitação ao responsável.

Em conformidade com a Lei nº 8.443/1992, o Tribunal de Contas da União poderá, a vista de novos elementos que considere suficientes, autorizar o desarquivamento do processo, após a publicação da decisão terminativa no Diário Oficial da União, e determinar que se ultime a respectiva tomada ou prestação de contas, desde que não tenha decorrido mais de 5 anos. O gabarito é a letra C.

30) Quanto à classificação do controle em relação ao momento em que se realiza, assinale a alternativa correta. A) o controle exercido por meio do julgamento de tomadas e prestações de contas é um instrumento de controle

predominantemente a priori e concomitante, iniciado pelos órgãos de controle interno que informam e orientam o gestor sobre os procedimentos a serem tomados e as providências a serem adotadas.

B) a autorização do Senado Federal para a União contrair empréstimo

externo pode ser considerada como controle externo e corretivo.

C) o TCU não exercita controle concomitante.

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D) o controle prévio tem por objetivo final dar segurança a quem pratica o ato ou por ele se responsabiliza e a técnica utilizada nesse caso é a contabilidade. E) concomitante é o controle feito no decorrer das ações praticadas, tendo por objetivo final garantir a execução da ação; a técnica utilizada nesse caso é a auditoria.

SOLUÇÃO: A alternativa correta é a que afirma ter o controle prévio o objetivo final dar segurança a quem pratica o ato ou por ele se responsabiliza e a técnica utilizada nesse caso é a contabilidade. O gabarito é a letra D.

Na letra A, o controle exercido por meio do julgamento de tomadas e prestações de contas é um instrumento de controle predominantemente a posteriori.

Na letra B, a autorização do Senado Federal para a União contrair empréstimo externo é um controle prévio, como condição para realização do ato, razão pela qual, assume caráter preventivo. O controle corretivo é posterior ao ato realizado.

Na letra C, há previsão no Regimento Interno do TCU para realização de acompanhamentos, que se constitui em um controle concomitante.

Por fim, na letra E, a técnica utilizada no controle concomitante é a fiscalização, que visa verificar a execução da ação governamental.

Bom, pessoal, concluímos esta aula. Bons estudos e até a próxima aula.

QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA:

1) (CGU/ESAF/2008) Sobre o tema ‘controle externo’, nos termos da

Constituição Federal, é correto afirmar que:

a) é exercido, no âmbito federal, pelo Congresso Nacional com o

auxílio do Tribunal de Contas da União.

b) é exercido, no âmbito federal, pelo Senado Federal com o auxílio do

sistema de controle interno dos demais Poderes.

c) é exercido, no âmbito estadual, pelo Congresso Nacional com o

auxílio do Tribunal de Contas da União.

d) é exercido, no âmbito federal, pelo Congresso Nacional e pelo

Tribunal de Contas da União e, no âmbito estadual e municipal, exclusivamente pelas respectivas Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores.

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e) é exercido, no âmbito federal, exclusivamente pelo Tribunal de

Contas da União e, no âmbito estadual e municipal, exclusivamente

pelos Tribunais de Contas Estaduais e Municipais.

2) (TCU/ESAF/2006) Nos termos da Constituição Federal, pode-se

afirmar que

a) o Tribunal de Contas da União – TCU – é órgão vinculado ao Senado

da República.

b) as Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas

respectivos, que serão integrados por sete conselheiros.

c) as decisões do TCU não se submetem a controle judicial.

d) os Ministros do Tribunal de Contas da União têm as mesmas

garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos

Ministros do Supremo Tribunal Federal.

e) a titularidade do Controle Externo, no Brasil, pertence ao Tribunal

de Contas da União.

3) (TCU/ESAF/1999) No exercício das suas funções de controle externo da Administração Pública Federal, compete constitucionalmente ao Tribunal de Contas da União

a) julgar as contas anuais do Presidente da República

b) realizar inspeções e auditorias contábeis nas unidades administrativas dos órgãos da União, inclusive as da Câmara dos

Deputados e do Senado Federal

c) examinar, em grau de recurso voluntário, as contas anuais dos

Governadores dos Estados e do Distrito Federal

d) apreciar, para fim de registro prévio, que é condição essencial de

validade, a legalidade dos contratos administrativos

e) verificar a legalidade dos atos em geral de admissão de pessoal do

serviço público, exceto as nomeações no Poder Judiciário

4) (TCU/ESAF/1999) A competência constitucional do Tribunal de

Contas da União, para fiscalizar a aplicação de recursos públicos,

a) alcança os repassados pela União, mediante convênio e ajuste, para

os Municípios

b) alcança os repassados pela União e os próprios dos Estados, DF e