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Faculdade de Ciências da Universidade do Porto – Departamento de Física

Actividades Laboratoriais do novo programa de Física para o 10º ano:

algumas sugestões práticas

A realização das actividades numa perspectiva investigativa inclui uma fase pré-interactiva de reflexão e discussão e uma fase pós-interactiva de análise e crítica de resultados. As actividades implicarão certamente mais do que um tempo lectivo (2 a 3 tempos de 45 ou 50 min).

AL 1.1 Rendimento no aquecimento

Esta actividade pretende assegurar pré-requisitos, relativamente a conteúdos de energia e corrente eléctrica, leccionados no Ensino Básico. Atendendo à reduzida preparação com que a maioria dos alunos chega ao 10º ano, em especial no que se refere à componente experimental, não deve ser desvalorizada.

No que respeita a equipamento:

1. Pode ser usada uma resistência de imersão de 12 V muito barata, que facilmente se encontra em hipermercados ou casas de acessórios para automóveis (liga-se ao isqueiro para aquecer bebidas). Como a respectiva potência é de cerca de 60 W, a fonte de alimentação deve poder debitar uma intensidade de corrente da ordem dos 5 a 6 A. Note-se que os valores de potência inscritos em todos os aparelhos (incluindo as resistências) são apenas aproximados e não servem para calcular eficiências de aquecimento (ou rendimentos), pois corre-se o risco de obter valores superiores a 100 % !

2. Podem igualmente usar-se resistências de potência muito mais baixa, que existem em algumas escolas, associadas aos calorímetros de Joule; estas têm a vantagem de não exigir um débito de corrente tão alto.

A resistência não pode ficar ligada sem estar mergulhada em água, caso contrário, deteriora-se rapidamente.

Podem explorar-se diferentes massas de água e diferentes tempos de aquecimento. O valor do rendimento melhora para massas pequenas de água (150 g) e tempos de aquecimento reduzidos. Quanto maior for a diferença de temperatura entre a água e o ambiente, mais rápida se torna a dissipação de energia. Podem ainda comparar-se recipientes com diferentes isolamentos térmicos.

Uma técnica que produz bons resultados é medir a variação da temperatura ao longo de um certo intervalo de tempo e traçar o gráfico θ = f (t). O declive do mesmo fornece com mais precisão a variação de temperatura por unidade de tempo, que multiplicada pela massa e pela capacidade térmica mássica da água fornece imediatamente a potência útil.

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AL 2.1 Absorção de radiação

Esta actividade pode ser implementada com o cubo de Leslie, que permite comparar a absorção de radiação pelas faces branca e preta, respondendo à primeira questão-problema; a comparação das faces espelhada e baça permitirá responder à segunda questão-problema. Contudo, o uso do cubo de Leslie tem alguns inconvenientes: entre cada dois ensaios é necessário esperar que arrefeça, o que implica tempos mortos no Laboratório – isto é sempre má ideia.

Sugere-se, em alternativa o uso de três latas, uma delas pintada de preto baço, outra de branco baço e a terceira espelhada. Ao mudar de ensaio muda-se também de recipiente, não havendo qualquer tempo de espera. É conveniente pelo menos mostrar aos alunos um vaso de Dewar (garrafa térmica) que se compra por poucos euros e pode ser desmontada, mostrando a sua estrutura.

O uso de termómetros de mercúrio é desaconselhado, sugerindo-se sensores

de temperatura, por exemplo termopares: estes permitem observar a variação de temperatura em tempo real e em simultâneo em mais do que um recipiente.

interessante, nesta última hipótese, interromper o fluxo de radiação e

observar também as curvas de arrefecimento (ao contrário do que os alunos normalmente pensam, as latas preta e branca demoram o mesmo tempo a atingir a temperatura ambiente, sendo o arrefecimento mais rápido no caso da lata preta, que atingiu uma temperatura mais elevada durante a absorção).

É

AL 2.2 Energia eléctrica fornecida por uma célula fotovoltaica

Em termos práticos é necessário ter em atenção as características do reóstato a utilizar. Verifica-se que a resistência interna de uma pequena célula fotovoltaica obtida comercialmente é de cerca de 10 a 15 . Assim, o reóstato deve ter um valor máximo de resistência de cerca de 20 .

Para obter um gráfico de P = f (R) razoável, é necessário dispor de bastantes pontos, já que se trata de uma curva em que se pretende identificar um máximo; recomendam-se cerca de doze pontos equidistantes.

Deve-se ter ainda em consideração que a célula fotovoltaica é formada por um material semicondutor, cuja resistência diminui com o aumento de temperatura. Assim, para que os resultados a obter sejam reprodutíveis, deve aguardar-se algum tempo com a lâmpada acesa (cerca de 5 min) antes de iniciar as medições, a fim de estabilizar a temperatura da célula.

Ao comparar a incidência oblíqua com a incidência normal da radiação, deve manter-se rigorosamente a mesma distância entre o candeeiro e o “centro” da célula, caso contrário, os resultados serão deturpados, já que a iluminação varia com o inverso do quadrado da distância.

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AL 2.3 Capacidade térmica mássica

A resposta às questões-problema é feita indirectamente, por comparação do comportamento térmico de dois materiais diferentes; no final faz-se uma transferência para o caso da água e do solo. Recomenda-se o uso de dois

blocos, de alumínio e latão, de massa aproximadamente igual a 1 kg, dotados

de orifícios onde pode ser introduzida uma resistência de aquecimento e um

termómetro.

Algumas recomendações do ponto de vista de realização experimental:

- Deve ser colocado um pouco de glicerina no interior dos dois orifícios de cada bloco, para melhorar o contacto térmico, quer da resistência, quer do termómetro.

- Os termómetros devem apresentar uma resposta rápida, pelo que talvez o uso de termopares como sensores de temperatura produza melhores resultados.

- Tal como na actividade 1.1, um aquecimento prolongado leva a um aumento rápido da rapidez de transferência de energia para a vizinhança do sistema; obtêm-se muito melhores resultados para tempos de aquecimento curtos.

- Sugere-se também a técnica de representar graficamente θ = f (t) para determinar a variação de temperatura por unidade de tempo, tal como em 1.1, de modo a minimizar o erro do cálculo.

Uma dificuldade prática ao nível do laboratório é ter de esperar pelo arrefecimento, quer da resistência, quer dos blocos, quer até do termómetro, para realizar novos ensaios; embora este não seja um factor crítico, somos de opinião que deveria haver vários exemplares disponíveis.

A resistência não pode ficar ligada fora dos cilindros, caso contrário, deteriora-se rapidamente.

AL 2.4 Balanço energético num sistema termodinâmico

A água que vai ser considerada “à temperatura ambiente” deve ser

previamente colocada num recipiente grande no início da aula e daí transferida

para o calorímetro durante a execução da actividade, de modo a que a sua temperatura seja uniformizada.

Os cubos de gelo que se tiram do congelador podem estar a temperaturas bastante baixas (cerca de -20 a -30 ºC). Algum tempo antes de se iniciar a aula devem colocar-se os cubos de gelo necessários dentro de um recipiente térmico com um pouco de água (para diminuir o gradiente térmico entre a superfície e o núcleo dos cubos de gelo) e assumir, no início da experiência, uma temperatura única de 0 º C para o gelo e para a “água de arrefecimento”.

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De facto, se a temperatura na interface água-gelo se encontra a 0 ºC, no interior do cubo na realidade não está. Contudo o elevado valor de H f (gelo) = = 3,35X10 5 J kg -1 face ao valor de c (gelo) = 2,1x10 3 J kg -1 ºC -1 leva a que o termo de "aquecimento" do gelo até 0 ºC possa ser desprezado no balanço energético sem introduzir um erro muito grande (pelo menos para os objectivos didácticos da experiência).

Alguns aspectos práticos importantes:

- A experiência resulta melhor se o gobelé for envolvido por um isolador térmico, como esferovite; o único inconveniente é a dificuldade em visualizar o momento em que todo o gelo fundiu.

- A experiência deve ser realizada colocando o recipiente sobre o prato de uma balança e tarando-a. Todas as medições de massa podem assim ser feitas por diferença.

- Um aspecto muito importante é a relação entre a massa de água à temperatura ambiente e a massa de gelo; verificou-se experimentalmente que esta relação deve ser de 6:1, caso contrário o gelo não funde ou a sua fusão é muito demorada, impossibilitando a realização da experiência em tempo útil. Recomenda-se cerca de 120 g de água para um cubo de gelo (20 g).

- Começar pelo ensaio com gelo; caso contrário é muito difícil “acertar” a mesma massa de água fria e gelo.

Para responder à questão-problema bastaria comparar as temperaturas finais atingidas nos dois ensaios.

Contudo, o Programa sugere a realização de balanços termodinâmicos. Recomenda-se que os alunos comecem pelo mais simples, só com água; poderão facilmente calcular o termo de energia “dissipada para a vizinhança”. Em seguida farão o segundo balanço; se o conceito de calor latente de fusão não tiver sido ainda introduzido, podemos deixar que os alunos errem, não incluindo este termo; constatarão que o valor da energia dissipada seria, neste caso, de uma ordem de grandeza muito superior ao verificado no primeiro balanço, o que não é possível – introduzir-se-ia então o conceito e o balanço seria corrigido, recalculando-se o valor da energia dissipada (que daria um valor da mesma ordem de grandeza do primeiro caso).

Chama-se a atenção que, nesta actividade é o meio ambiente que fornece energia ao sistema e não o contrário, como provavelmente muitos alunos poderão prever, dado que a temperatura ambiente é superior à temperatura de equilíbrio da água.

AL 3.1 Energia cinética ao longo de um plano inclinado

Recomenda-se a utilização de um carrinho com reduzido atrito nos eixos e rodas muito leves, para minimizar a energia cinética associada à rotação, já

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que apenas iremos medir a energia cinética de translação. Para a medição das velocidades instantâneas é adequado um marcador electromagnético (dois sensores de passagem ou um sensor de movimento também podem ser utilizados). Existem no mercado marcadores de melhor qualidade que dispensam o uso de papel químico e funcionam muito bem.

Com o marcador electromagnético obtém-se, para cada ensaio, uma fita com pontos cada vez mais distanciados. Normalmente, entre cada dois pontos o tempo é de 1/50 Hz = 0,02 s; confirmar este valor nas instruções do fabricante, pois há modelos em que é diferente.

Quando lidamos com movimentos uniformemente variados, para calcular a velocidade instantânea num ponto, basta calcular a velocidade média num intervalo de tempo centrado nesse ponto. Considerar, por exemplo, um ponto para cada lado do ponto escolhido.

Experimentar diferentes massas do carrinho e diferentes inclinações do plano. Explorar não apenas o gráfico da energia cinética em função da distância, mas também o gráfico da velocidade em função da distância e estabelecer a diferença.

AL 3.2 Bola saltitona

A componente experimental desta actividade é de realização fácil e rápida, mas

não a subsequente análise de resultados, pela vastidão de conceitos envolvidos. Verificou-se que os resultados melhoram substancialmente utilizando um sensor de movimento (ultra-sons) e software adequado. A

solução mais simples e económica é o CBR associado a uma calculadora gráfica TI, embora possa também ser usada uma câmara de vídeo.

O gráfico da altura do primeiro ressalto em função da altura inicial só pode ser

interpretado em função do conceito de coeficiente de restituição. Para uma colisão de um móvel com um corpo em repouso (solo) ele é definido como a razão entre os módulos das velocidades de afastamento e aproximação.

O declive do referido gráfico é o quadrado do coeficiente de restituição, como facilmente se compreende (a razão entre as duas distâncias é equivalente à razão entre as energias cinéticas após a colisão e antes da colisão).

A realização da experiência com um sensor de posição permitiria ainda obter

gráficos da energia potencial gravítica, da energia cinética e da própria energia

mecânica do sistema em função do tempo que, depois de analisados com software adequado, permitem tirar conclusões relevantes do ponto de vista energético, ao longo dos sucessivos ressaltos. Contudo, dada a complexidade dos gráficos obtidos e dos conceitos físicos envolvidos, tal actividade é apenas passível de uma análise comparativa de índole mais qualitativa.

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AL 3.3 O atrito e a variação de energia mecânica

Esta actividade aparece bem posicionada no final desta unidade, já que permite relacionar e aplicar um grande número de conceitos introduzidos até ao momento. No sentido de evidenciar diferentes técnicas, sugere-se que seja realizada com recurso a um par de sensores de passagem (light-gates).

Recomenda-se o uso de blocos de madeira com diferentes revestimentos nas suas faces. A medição da variação de energia potencial entre dois pontos do plano inclinado pode ser feita com uma simples régua; os sensores de passagem permitem medir as velocidades instantâneas nesses pontos, com vista ao cálculo da variação de energia cinética; a velocidade instantânea quando o ponto médio do bloco atravessa o sensor é igual à velocidade média de atravessamento do mesmo pelo comprimento total do bloco.

Calcular a variação de energia mecânica do bloco entre aqueles pontos: não esquecer que a variação de energia potencial é negativa. Esta variação de energia mecânica é igual ao trabalho realizado pelas forças dissipativas (o atrito de escorregamento na interface bloco-plano, desprezando a resistência do ar).

Se não for variada a massa do bloco, nem a inclinação do plano, é possível comparar valores de forças de atrito, já que a força compressora se manterá constante. Caso contrário, terá de ser definido o coeficiente de atrito, e usado para estas comparações. Comparar coeficientes de atrito não é sempre equivalente a comparar forças de atrito, mas os alunos poderão ser induzidos a pensar o contrário.