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DIREITO PENAL - PARTE GERAL I cundários das normas que definem os “Crimes contra o Patrimônio”,

DIREITO PENAL - PARTE GERAL I

cundários das normas que definem os “Crimes contra o Patrimônio”, Introdução comina sanções àqueles que atentam
cundários das normas que definem os “Crimes contra o Patrimônio”,
Introdução
comina sanções àqueles que atentam contra a propriedade alheia.
É, pois, o Direito Penal, um conjunto complementar e sancionador
de normas jurídicas.
isto é, pela extensão da lesão produzida.
A insignificância da ofensa afasta a tipicidade. Mas essa in-
signi ficância só pode ser valorada por meio da consideração
glo bal da ordem jurídica, como afirma Zaffaroni.
1.
Noções fundamentais: o fato social é sempre o ponto de
partida na formação da noção do Direito. O Direito surge das
necessidades fundamentais das sociedades humanas, que
são reguladas por ele como condição essencial à sua própria
sobrevivência. É no Direito que encontramos a segurança
das condições inerentes à vida humana, determinada pelas
nor mas que formam a ordem jurídica. O fato social que se
mostra contrário à norma de direito forja o ilícito jurídico, cuja
forma mais séria é o ilícito penal, que atenta contra os bens
mais importantes da vida social. Contra a prática desses fatos
o Estado estabelece sanções, procurando tornar invioláveis
5.
Conteúdo do Direito Penal: o conteúdo do Direito Penal abarca
5.
Fragmentariedade: significa que o Direito Penal não deve,
o estudo do crime, da pena e do delinquente, que são os seus
elementos fundamentais, precedidos de uma parte introdutiva. Na
por conta desse caráter fragmentário, sancionar todas as
condutas lesivas aos bens jurídicos, mas tão somente aquelas
parte introdutória são estudadas a propedêu tica jurídico-penal e a
norma penal. É tratada da sua aplicação no tempo e no espaço,
como também da sua exegese. Acres centam-se partes referentes
à ação penal, punibilidade e medidas de segurança.
condutas mais graves e mais perigosas praticadas contra bens
mais relevantes.
6.
Culpabilidade: não há pena sem culpabilidade, decorren-
Princípios do
do daí três consequências materiais: não há responsabilidade
objetiva pelo simples resultado; a responsabilidade penal é pelo
fato e não pelo autor; a culpabilidade é a medida da pena.
os bens que protege. As idéias modernas sobre a natureza
do crime e as suas causas e a exigência prática de uma luta
Direito Penal
7.
Humanidade: o poder punitivo estatal não pode aplicar
eficaz contra a criminalidade foram desenvolvendo, ao lado da
1.
Legalidade ou da reserva legal: constitui uma efetiva limitação
sanções que atinjam a dignidade da pessoa humana ou que
velha reação punitiva, uma série de medidas que se dirigem
não a punir o criminoso, mas a promover a sua recuperação
social ou a segregá-lo do meio nos casos de desajustamento
irredutível. São as chamadas medidas de segurança, com o
objetivo de prevenir ou reprimir a ocorrência de fatos lesivos
aos bens jurídicos dos cidadãos. A mais severa das sanções
é a pena, estabelecida para o caso de inobservância de um
imperativo. Dentre as providências de repressão ou preven ção
encontramos as medidas de segurança.
ao poder punitivo estatal. Embora seja hoje um princípio fundamental
lesionem a constituição físico-psíquica dos condena dos.
do Direito Penal, seu reconhecimento constituiu um longo processo,
com avanços e recuos, não passando, muitas vezes, de simples
8.
Irretroatividade da lei penal: durante o período compreen-
“fachada formal” de determinados Estados Feuerbach, no início
do século XIX, consagrou o princípio da reserva legal por meio da
fórmula latina nullum crimen, nulla poena sine lege. O princípio da
reserva legal é um imperativo que não admite desvios nem exceções
e representa uma conquista da consciência jurídica que obedece a
exigências de justiça.
Em termos bem esquemáticos, pode-se dizer que, pelo princípio
dido entre a entrada em vigor de uma lei e a cessação de sua
vigência todos os atos então praticados são por ela regulados.
Não serão alcançados, portanto, os fatos ocorridos antes ou
depois do mencionado período: não retroage tampouco tem
ultratividade. É o princípio “tempus regit actum”. Contudo, vige
somente em relação à lei mais severa. Admite-se, no direito
intertemporal, a aplicação do princípio da retroatividade da lei
2.
Função de tutela jurídica: já dizia Carrara que a função
específica do Direito Penal é a tutela jurídica. Visa o Direito
Penal a proteger os bens jurídicos. Bem é tudo aquilo que pode
satisfazer as necessidades humanas. Todo valor re conhecido
pelo Direito torna-se um bem jurídico. O Direito Pe nal visa
proteger os bens jurídicos mais importantes, intervindo somente
nos casos de lesão a bens jurídicos re putados fundamentais
para a vida em sociedade, impondo sanções aos sujeitos que
praticam delitos.
da legalidade, a elaboração de normas incriminadoras é função
exclusiva da lei, isto é, nenhum fato pode ser considerado crimi-
noso e nenhuma pena criminal pode ser aplicada sem que antes
mais favorável - art. 5º, inc. XL, da CF, pois, segundo esse
princípio, a lei nova que for mais favorável ao réu sempre
retroage.
da ocorrência desse fato exista uma lei definindo-o como crime
e cominando-lhe a sanção correspondente. A lei deve definir com
precisão e de forma cristalina a conduta proibida.
A Constituição brasileira de 1988, ao proteger os direitos e garan-
tias fundamentais, em seu art. 5º, inc. XXXIX, determina que “não
haverá crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia
cominação legal”.
Link Acadêmico 1
Lei Penal e Fontes
da Norma Penal
1.
Fonte é o lugar de onde o direito provém.
3.
Definição: direito Penal é o conjunto de normas jurídicas que
regulam o exercício do poder punitivo do Estado, ligando o deli-
2.
Intervenção mínima: o princípio da intervenção mínima, também
2.
Classificação das Fontes
to, como pressuposto, à pena, como consequência jurí dica.
conhecido como “ultima ratio”, orienta e limita o poder incriminador
do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta só
4.
Características do Direito Penal: o Direito Penal regula as
se legitima se constituir meio necessário para a proteção de deter-
2.1. De produção, material ou substancial: refere-se ao
órgão incumbido de sua elaboração. Compete à União (CF,
art. 22, I).
relações do indivíduo com a sociedade. Por isso, não per tence
ao Direito Privado, mas, sim, ao Público.
minado bem jurídico. Se outras formas de sanção ou outros meios
de controle social revelarem-se suficientes para a tutela desse bem,
O Direito Penal regula relações jurídicas em que de um lado
surge o Estado com o jus puniendi, o que lhe confere o caráter
de Direito Público. Mesmo nos casos em que a ação penal se
a sua criminalização é inadequada e não recomendável. Se para o
restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas
civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e não
movimenta por iniciativa da parte ofendida (crimes de ação
privada), não se outorga o jus puniendi ao particular. Este
exerce apenas o jus persequendi in juditio, não gozando do
direito de punir o sujeito ativo do crime.
Segundo Magalhães Noronha, o Direito Penal é ciência cultu-
as de natureza penal.
2.2. Formal, de cognição: refere-se ao modo pelo qual o
Direito Penal se exterioriza. Subdivide-se em: imediata: a
lei, composta de preceito primário (descrição da conduta) e
secundário (sanção); mediata: costume, princípios gerais do
direito, jurisprudência e doutrina, LICC, art. 4º.
3.
Adequação social: segundo Welzel, o Direito Penal somen-te
3.
Classificação da lei penal
tipifica condutas que tenham uma certa relevância social; caso
a)
leis incriminadoras: são as que descrevem crimes e
contrário, não poderiam ser deli tos. Deduz-se, consequentemente,
cominam penas.
ral porque pertence à classe das ciências do “dever ser”, e
não à do “ser”. É ciência normativa porque tem a finalidade
de estudar a norma. O objeto da Ciência do Direito Penal é
o conjunto de preceitos legais que se refere à conduta dos
cidadãos, bem como às consequências jurídicas advindas do
não-cumprimento de suas determinações. É também ciência
valorativa. O direito não empresta às normas o mesmo valor;
esse, porém, varia, de conformidade com o fato que lhe dá
que há condutas que, por sua “adequação social”, não podem ser
consideradas criminosas. Em outros termos, segundo esta teoria,
as condutas “socialmente adequadas” não podem constituir delitos
e, por isso, não se revestem de tipicidade.
b)
leis não incriminadoras: não descrevem crimes, nem
cominam penas.
c)
leis não incriminadoras permissivas: tornam lícitas
determinadas condutas tipificadas em leis incriminadoras.
Exemplo: legítima defesa.
4.
Insignificância: o princípio da insignificância foi cunhado pela
d)
leis não incriminadoras finais, complementares ou expli-
primeira vez por Claus Roxin em 1964, que voltou a repeti-lo em
conteúdo. Nesse sentido, o Direito valoriza suas normas, que
são dispostas em escala hierárquica. Incumbe ao Direito Pe-
sua obra Política Criminal y Sistema dei Derecho Penal, partindo do
velho adágio latino minima non curat praetor.
cativas: esclarecem o conteúdo de outras normas e delimitam
o âmbito de sua aplicação. Exemplo: arts. 12, 22 e todos os
demais da Parte Geral do CP, à exceção dos que tratam das
nal, em regra, tutelar os valores mais elevados ou preciosos,
ou, querendo, ele atua somente onde há transgressão de
valores mais importantes ou fundamentais para a sociedade.
E, ainda, ciência finalista, porque atua em defesa da socie-
dade na proteção de bens jurídicos fundamentais, como a
vida humana, a integridade corporal dos cidadãos, a honra,
o patrimônio etc. A consciência social eleva esses interesses,
A tipicidade penal exige uma ofensa de alguma gravidade aos bens
jurídicos protegidos, pois nem sempre qualquer ofensa a esses bens
ou interesses é suficiente para configurar o injusto típico. Segundo
esse princípio, que Klaus Tiedemann chamou de princípio da baga-
tela, é imperativa uma efetiva proporcionalidade entre a gravidade
da conduta que se pretende punir e a drasticidade da intervenção
estatal. Amiúde, condutas que se amoldam a determinado tipo penal,
causas de exclusão da ilicitude.
4.
Características das normas penais
a)
exclusividade: só elas definem crimes e cominam penas;
b)
anterioridade: as que descrevem crimes somente têm inci-
dência se já estavam em vigor na data do seu cometimento;
c)
imperatividade: impõem-se coativamente a todos, sendo
tendo em vista o seu valor, à categoria de bens jurídicos que
necessitam de proteção do Direito Penal para a sobrevivência
da ordem jurídica. O Direito Penal é, por fim, sancionador,
pois, por meio da cominação da sanção, protege outra norma
jurídica de natureza extrapenal. Assim, o Direito Civil regula o
direito de propriedade, ao passo que o CP, nos preceitos se-
sob o ponto de vista formal, não apresentam nenhuma relevância
material. Nessas circunstâncias, pode-se afastar liminarmente a
tipicidade penal porque em verdade o bem jurídico não chegou
a ser lesado.
A irrelevância ou insignificância de determinada conduta deve ser
aferida não apenas em relação à importância do bem juridicamente
atingido, mas especialmente em relação ao grau de sua intensidade,
obrigatória sua observância;
d)
generalidade: têm eficácia erga omnes, dirigindo-se a todos,
inclusive inimputáveis;
e)
impessoalidade: dirigem-se impessoal e indistintamente a
todos. Não se concebe a elaboração de uma norma para punir
especificamente uma pessoa.
DIREITO PENAL - PARTE GERAL I cundários das normas que definem os “Crimes contra o Patrimônio”,

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5. Normas penais em branco (cegas ou abertas): são nor- 2. Leis temporárias: a vigência vem
5.
Normas penais em branco (cegas ou abertas): são nor-
2.
Leis temporárias: a vigência vem previamente fixada pelo
3.
O conceito no finalismo: a teoria final da ação tem o mérito
mas nas quais o preceito secundário (cominação da pena)
legislador.
de eliminar a injustificável separação dos aspectos objetivos e
está completo, permanecendo indeterminado o seu conteúdo.
Trata -se, portanto, de uma norma cuja descrição da conduta
está incompleta, necessitando de complementação por outra
disposição legal ou regulamentar.
subjetivos da ação e do próprio injusto, transformando, assim,
3.
Leis excepcionais: são as que vigem durante situações de
o injusto naturalístico em injusto pessoal.
emergência.
Link Acadêmico 2
A contribuição mais marcante do finalismo foi a retirada de
to dos os elementos subjetivos que integravam a culpabili dade,
nascendo, assim, uma concepção puramente norma tiva.
6.
Fontes formais mediatas
O finalismo deslocou o dolo e a culpa para o injusto, retirando-
Lei Penal
6.1.
Costume: consiste no complexo de regras não escritas,
os de sua tradicional localização — a culpabilidade, levando,
no Espaço
considera das juridicamente obrigatórias e seguidas de modo
reiterado e uniforme pela coletividade . Os costumes são
obedecidos com tamanha frequência que acabam se tornan-
dessa forma, a finalidade para o centro do injusto. Concentrou
na culpabilidade somente aquelas circunstâncias que condi-
1.
Princípios adotados pelo Código Penal: adotou-se, como re gra,
do praticamente regras imperativas, ante a sincera convicção
social da necessidade de sua observância. Diferente é o hábito,
onde inexiste a convicção da obrigatoriedade jurídica do ato.
Há três espécies de costume:
o princípio da territorialidade temperada; como exce ção, foram ado-
tados os seguintes princípios: real ou de pro teção, art. 7º, I, e par. 3º
do CP; universal ou cosmopolita, art. 7º, II, “a” do CP; nacionalidade
ativa, art. 7º, II, “b” do CP; nacionalidade passiva, art. 7º, par. 3º do
cionam a reprovabilidade da conduta contrária ao Direito, e o
objeto da reprovação situa-se no injusto.
4.
Conceito de crime: dos quatro sistemas de conceituação do
crime - formal, material, formal e material, e formal, material e
a)
“contra legem”: inaplicabilidade da norma jurídica em face
CP; e representação, art. 7º, II, “c” do CP.
sintomático, dois predominam: o formal e o material. O pri meiro
do desuso, da inobservância constante e uniforme da lei.
apreende o elemento dogmático da conduta qualificada como
b)
“secundum legem”: traça regras sobre a aplicação da
2.
Lugar do crime: o CP, no que concerne ao lugar do crime, adotou
lei penal.
a teoria da ubiquidade: reputa-se lugar do crime tanto onde houve a
crime por uma norma penal. O segundo vai além, lançando
olhar às profundezas das quais o legislador extrai os elementos
c)
“praeter legem”: preenche lacunas e especifica o conteú-
conduta, quanto o local onde se deu o resultado (art. 6º, CP).
do da norma.
O costume não cria delitos, tampouco comina penas (princípio
que dão conteúdo e razão de ser ao esquema legal.
Sob o aspecto formal, bipartido, crime é um fato típico e anti-
3.
Extraterritorialidade: as situações de aplicação extraterri torial
da reserva legal). O costume contra legem não revoga a lei,
em face do que dispõe o art. 2º, § 1º, da Lei de Introdução ao
Código Civil (Dec.-Lei 4.657/42), segundo o qual uma lei só
pode ser revogada por outra lei. O sistema jurídico brasileiro
não admite que possa uma lei perecer pelo desuso, porquanto,
assentado no princípio da supremacia da lei escrita (fonte
principal do direito), sua obrigatoriedade só termina com sua
da lei penal brasileira estão previstas no art. 7º do CP e constituem
exceções ao princípio geral da territorialidade, este no art. 5º do CP.
As hipóteses são as seguintes:
jurídico. A culpabilidade constitui pressuposto da pena (Capez,
Damásio). Sustentam esses que a culpabilidade não pode ser
um elemento externo de valoração exercido sobre o autor do
crime e, ao mesmo tempo, estar dentro dele. Não existe crime
3.1. Extraterritorialidade incondicionada: aplica-se a lei brasileira
culpado, mas autor de crime culpado.
sem qualquer condicionante (art. 7º, I, CP) na hipóteses de crimes
Nosso Código Penal diz:
revogação por outra lei. Noutros termos, significa que não pode
ter existência jurídica o costume contra legem.
praticados fora do território nacional, ainda que o agente tenha sido
julgado no estrangeiro (art. 7º, I, CP), com fundamento nos princípios
da defesa e da universalidade.
Os casos de extraterritorialidade incondicional referem-se a crimes:
Quando o fato é atípico, não existe crime (art. 1º do CP).
Quando a ilicitude é excluída, não existe crime (art. 23 do
CP) – “não há crime”.
Quando a culpabilidade é excluída, o Código diz “é isento de
6.2.
Princípios gerais do direito: tratam-se de princípios
pena” (art. 26 do CP).
que se fundam em premissas éticas extraídas de material
legislativo.
contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; contra o
patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado,
Território, Município, empresa pública, sociedade de economia
Fato
6.3.
A analogia não é fonte formal mediata do Direito Penal,
Típico
mas método pelo qual se aplica a fonte formal imediata, isto
é, a lei do caso semelhante. De acordo com o art. 4º da LICC,
na lacuna do ordenamento jurídico, aplica-se em primeiro
lugar outra lei (a do caso análogo), por meio da atividade
conhecida como analogia; na sua ausência, recorrem-se então
às fontes formais mediatas, que são o costume e os princípios
gerais do direito.
mista, autarquia ou fundação instituída pelo poder público; contra a
administração pública, por quem está a seu serviço; de genocídio,
quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil.
3.2. Extraterritorialidade condicionada: aplica-se a lei brasileira
1.
Elementos: conduta (ação ou omissão); resultado; nexo
quando satisfeitos certos requisitos, art. 7º, II e parágrafos 2º e 3º,
causal (crimes materiais) e tipicidade.
CP, com base nos princípios da universidade, da personalidade, da
bandeira e da defesa.
2.
Elementos da conduta: vontade, finalidade, exteriorização
e consciência.
3.
Formas de conduta
Interpretação
da Lei Penal
Lei Penal
em Relação às Pessoas
3.1.
Ação: para o finalismo, é todo comportamento humano,
positivo ou negativo, consciente e voluntário, dirigido a uma
As imunidades diplomáticas e parlamentares não estão vinculadas
1.
Formas de procedimento interpretativo: equidade, dou-
à pessoa-autora de infração penal, mas às funções eventualmente
trina e jurisprudência.
por ela exercidas, não violando, assim, o preceito constitucional da
igualdade de todos perante a lei.
2.
Conceito: é a atividade que consiste em extrair da norma
A imunidade parlamentar, por não constituir um direito do par-
penal seu exato alcance e real significado. A interpretação deve
buscar a vontade da lei, desconsiderando a de quem a fez. A
lei terminada independe de seu passado, importando apenas
o que está contido em seus preceitos.
lamentar, mas do próprio Parlamento, é irrenunciável, de cunho
finalidade, tendo os seguintes momentos: representação men-
tal do resultado querido; escolha dos meios para alcançar o
resultado; aceitação dos resultados concomitantes, também
chamados de efeitos colaterais; realização do projeto, ou seja,
emprego dos meios escolhidos em busca dos resultados tidos
como necessários ou prováveis.
personalíssimo, podendo ser de duas espécies:
3.2.
Omissão: comportamento negativo, abstenção de
1.
Imunidade material ou absoluta: refere-se à inviolabilidade
movimento.
dos parlamentares no exercício do mandato, por suas palavras e
votos - arts. 53, caput; 27, par. 1º; e 29, VIII, da CF.
4.
Relevância da omissão: os crimes podem ser:
3.
Espécies de interpretação quanto ao resultado
2.
Imunidade formal, relativa ou processual: refere-se à prisão, ao
4.1.
Comissivos: quando a ação proibida é positiva, ou seja,
a)
declarativa: há perfeita correspondência entre a palavra
processo, a prerrogativas de foro – arts. 53, par. 4º; e 102, I, b, do CF.
quando a norma pretende que o sujeito se abstenha de agir de
da lei e a sua vontade.
Ao processo e julgamento – art. 53, pará grafos 1º e 3º, do CF.
forma lesiva a bens jurídicos: “não furte” (art. 155 do CP).
b)
restritiva: quando a letra escrita da lei foi além da sua
4.2.
Omissivos: quando a norma impõe um dever jurídico de
vontade (a lei disse mais do que queria, e, por isso, a interpre-
Contagem
tação vai restringir o seu significado).
c)
extensiva: a letra escrita da lei ficou aquém da sua vontade
de Prazo
(a lei disse menos do que queria, e, por isso, a interpretação
vai ampliar o seu significado).
O art. 10 do CP determina que o dia do começo inclui-se no cômputo
agir, ou seja, quando a norma ordena que o sujeito impeça um
determinado risco ou resultado lesivo ao bem jurídico: socorra
a criança extraviada (art. 135 do CP).
Quanto aos crimes omissivos, eles podem ser classificados
em:
do prazo. Qualquer que seja a fração do primeiro dia, dia do começo,
4.2.1. Omissivos próprios: crimes referidos por tipos da parte
4.
O princípio “in dubio pro reo”: para alguns, só se aplica
é computada como um dia inteiro.
no campo da apreciação das provas; para outros, esgotada a
atividade interpretativa sem que se tenha conseguido extrair
especial de forma direta (a omissão é narrada expressamente
no tipo), nos quais há simplesmente o dever jurídico de agir.
São crimes de mera conduta, pois não contêm previsão de
Teoria Geral
o significado da norma, esta deverá ser interpretada de modo
resultado naturalístico a ser evitado. No instante em que o su-
mais favorável ao acusado.
do Delito
jeito não age como o legislador espera e a norma determina,
já está consumado o delito (omissão de socorro).
Aplicação
da Lei Penal
1.
O conceito clássico de delito: fundamentava-se num conceito
4.2.2. Omissivos impróprios: também chamados de omissi-
de ação eminentemente naturalístico, que vinculava a conduta ao
resultado através do nexo de causalidade e man tinha em partes
absolutamente distintas o aspecto obje tivo, representado pela
1.
Lei penal no tempo: o CP adotou a teoria da atividade,
considerando-se praticado o crime no momento da ação ou
tipicidade e antijuridicidade, e o aspecto subjetivo, representado
pela culpabilidade.
vos espúrios, impuros ou comissivos por omissão. Aqueles nos
quais a omissão não é narrada de forma direta. São crimes,
em princípio, comissivos. Exs.: homicídio e lesão cor poral,
nos quais há previsão da produção de resultado natu ralístico.
Percebe-se que, em tais casos, o sujeito não tem sim plesmente
omissão, ainda que seja outro o momento do resultado (art.
4º, CP). É o princípio “tempus regit actum”.
o dever jurídico de agir, mas, sim, o dever jurí dico de agir para
2.
O conceito neoclássico de delito: conceito de ação, com
impedir um resultado.
1.1.
Hipóteses de conflito de leis penais no tempo: o Código
concepção puramente naturalística. O tipo, até então pura mente
descritivo de um processo exterior, passou a ser um instituto pleno
de sentido, convertendo-se em tipo de injus to, contendo, muitas
vezes, elementos normativos, e, outras ve zes, elementos subjetivos.
A antijuridicidade deixou de ser concebida apenas como a simples
e lógica contradição da conduta com a norma jurídica, num puro
conceito formal, começando-se a trabalhar um conceito material de
Podemos dizer que tem o dever de agir para impedir o resultado
Penal procura resolver as situações de conflitos temporais que
a lei penal apresenta no seu art 2º: a) “abolitio criminis”: a
lei nova deixa de considerar crime fato anteriormente tipi ficado
como ilícito penal; b) “novatio legis” incriminadora: con sidera
o sujeito que assume a posição de “garante” (art. 13, § 2º, CP:
crime fato anteriormente não incriminado . É irretroativa,
tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância); de
outra forma, assumiu a obrigação de impedir o resultado ou,
com seu comportamento anterior, criou o risco da produção
do resultado.
consoante rezam os arts. 5º, inc. XXXIX, da CF, e 1º, do CP;
c)
“novatio legis in pejus”: a lei posterior que de qualquer
antijuri dicidade, representado pela danosidade social.
A culpabilidade também foi objeto de transformações nesta fase
teleológica, recebendo de Frank a “repro vabilidade”, pela formação
da vontade contrária ao dever.
5.
Objeto jurídico do crime: é o bem jurídico protegido pela
modo agravar a situação do sujeito não retroagirá (art. 5º, inc.
norma penal. A vida, o patrimônio, por exemplo.
XL, da CF); d) “novatio legis in mellius”: lei nova, mesmo
sem descriminalizar, dá tratamento mais favorável ao sujeito
6.
Objeto material do crime: é a pessoa ou a coisa sobre a
(parágrafo único do art. 2º do CP).
qual recai a conduta.
5. Normas penais em branco (cegas ou abertas): são nor- 2. Leis temporárias: a vigência vem

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2

  • 7. Corpo de delito: é o conjunto de todos os elementos

sensíveis do fato criminoso, como instrumentos, objetos, a

própria pessoa etc.

  • 8. Do Resultado

    • 8.1. Resultado jurídico: é a afronta à norma penal.

    • 8.2. Resultado naturalístico: é a alteração do mundo físico,

diversa da própria conduta, mas causada por ela. Os crimes,

quanto ao resultado, podem ser classificados em:

  • 8.2.1. Materiais: o tipo traz a descrição do resultado e o exige

para a consumação;

  • 8.2.2. Formais: o tipo traz a descrição do resultado, mas não

o exige para a consumação. O resultado naturalístico, embora

conduta infungível): só pode ser cometido pelo sujeito em pessoa,

como o delito de falso testemunho (art. 342).

  • 11.4. Crime de dano: exige uma efetiva lesão ao bem jurídico

protegido para a sua consumação (art. 121, CP).

  • 11.5. Crime de perigo: para a consumação, basta a possi bilidade

do dano, ou seja, a exposição do bem a perigo de dano (art. 132 do

CP). Subdivide-se em:

ocasião da prática de outro. Ex.: subtração de jóias da vítima estuprada. O furto é praticado por ocasião do cometimento do

estupro, não havendo entre eles relação de meio e fim.

7. Corpo de delito: é o conjunto de todos os elementos sensíveis do fato criminoso, como

Link Acadêmico 3

Da Tipicidade

  • 11.6. Crime material: só se consuma com a produção do resultado

naturalístico, como a morte, para o homicídio; a subtração, para o furto; a destruição, no caso do dano.

  • 11.7. Crime formal: o tipo não exige a produção do resultado para a

consumação do crime, embora seja possível a sua ocorrência. Assim,

o resultado naturalístico, embora possível, é irrelevante para que a infração penal seja consumada.

Tipicidade penal é a perfeita adequação entre o fato concreto

e o tipo incriminador (modelo abstrato). Adotamos atualmente

a teoria de um tipo penal complexo, com parte objetiva e sub- jetiva. O juízo de tipicidade comporta, assim, análise objetiva e subjetiva. Subjetiva quando se refere ao aspecto interno do sujeito (previsão do resultado, consciência da conduta, vontade,

possível, é irrelevante para a consumação do crime. Como não

  • 11.8. Crime de mera conduta: o resultado naturalístico não é apenas

objetivos etc.). Objetiva quando externo ao sujeito, perceptível

há coincidência entre o que o tipo exige para a consumação

irrelevante, mas impossível. É o caso do crime de desobediência ou

diretamente pelo observador (o movimento corpóreo, o lugar

(conduta) e o que o agente quer (resultado), também são

de violação de domicílio, em que não existe absolutamente nenhum

da conduta, o resultado naturalístico etc.).

chamados de tipos incongruentes; poderíamos ainda dizer

resultado que provoque modificação no mundo concreto.

A tipicidade penal pode ser dolosa, quando presente no tipo

que no caso dos crimes formais não há perfeita sintonia entre

  • 11.9. Crime comissivo: é o praticado por meio de ação. Homicídio,

o elemento subjetivo do tipo dolo. Pode também ser culposa,

a tipicidade objetiva e a subjetiva;

 

por exemplo.

quando necessário tão somente o elemento normativo culpa.

  • 8.2.3. Mera conduta: o tipo sequer traz descrição de resultado.

11.10.

Crime omissivo: é o praticado por meio de uma omissão

Sem dolo ou culpa, não há crime, conforme o já estudado prin-

Exs.: arts. 158 e 330, CP.

(abstenção de comportamento). Exemplo: art. 135 do CP (dei-xar

cípio da culpabilidade, que rege o Direito Penal brasileiro.

de prestar assistência).

A adequação típica pode ser: imediata, nos casos em que o fato

9.

Nexo de Causalidade: é o liame entre a conduta e o resul-

11.11.

Crime omissivo próprio: não existe o dever jurídico de

concreto se adapta diretamente à hipótese típica, ou seja, o tipo

tado, necessário (mas não suficiente) para que se possa atri buir

agir; o omitente não responde pelo resultado, mas ape nas por sua

espelha a conduta realizada no mundo exterior; e mediata ou

a responsabilidade pelo resultado ao agente.

conduta omissiva (arts. 135 e 269, do CP). Dentro dessa modalidade

indireta, nos casos em que o fato não encontra correspondente

É adotada no Brasil a teoria da equivalência dos antecedentes,

de delito omissivo tem-se o crime de conduta mista, em que o tipo

direto na narrativa típica. Exemplo: não há um tipo que narre

considerando causa tudo aquilo que contribui para a geração

legal descreve uma fase inicial ativa e uma fase final omissiva - por

“tentar matar alguém”. A adequação típica apenas ocorrerá

do resultado. Para descobrir se um evento é ou não causa de determinado resultado, basta excluí-lo hipoteticamente da ca-

exemplo, apropriação de coisa achada, art. 169, parágrafo único, II do CP. Trata-se de crime omissivo próprio porque só se consuma

de forma mediata, ou seja, será preciso recorrer a uma norma de ampliação da adequação típica da tentativa para que o

deia causal e verificar se, idealmente, o resultado persistiria nas

mesmas circunstâncias. Se o resultado persiste, não é causa, pois sem ele o mesmo resultado foi gerado. Se o resultado deixa

exceção: a causa superveniente relativamente indepen-

no mo mento em que o agente deixa de restituir a coisa. A fase inicial da ação, isto é, de apossamento da coisa, não é sequer ato executório do crime.

homicídio na forma tentada seja considerado típico. O mesmo acontece com o concurso de agentes.

de ocorrer, é causa (critério da eliminação hipotética). O Brasil não adota tal teoria de forma absoluta, havendo uma

11.12.

Crime omissivo impróprio ou espúrio ou comissivo por

omissão: o omitente tinha o dever jurídico de evitar o resultado e, portanto, por este responderá, cf. art. 13, § 2º, do CP. É o caso da

1.

O tipo penal: o vocábulo tipo é utilizado com o sentido de

modelo. O tipo penal incriminador seria o modelo de conduta proibida, em princípio. Ao invés de descrever a própria proibição

dente rompe o nexo causal, ou melhor, entende-se que na

mãe que descumpre o dever legal de ama mentar o filho, fazendo

da conduta (“não matar, sob pena de ...

“),

o sistema de modelos

superveniência de causa relativamente independente não há nexo entre a conduta e o resultado. Assim, quando incide a

com que ele morra de inanição, ou do salva-vidas que, na posição de garantidor, deixa, por negligência, o banhista morrer afogado:

(tipos) traz a descrição da conduta proibida no preceito primário, e no secundário, a sanção.

são os dados essenciais da figura típica, sem os quais ocorre

exceção, uma conduta que pelo critério da eliminação hipo- tética seria considerada causa deixa de ser assim considerada

ambos res pon dem por homicídio culposo, e não por simples omissão de socorro.

Nos tipos penais podem ser discriminadas: a) elementares:

 

para fins penais.

11.13.

Crime doloso: quando o agente quer ou assume o risco de

atipicidade absoluta ou relativa. Há atipicidade absoluta quan-

As causas podem ser:

produzir o resultado (art. 18, I, CP).

do, com a eliminação hipotética do dado, a conduta deixa de

9.1.

Dependentes: são aquelas que se encontram na linha

11.14.

Crime culposo: quando o agente dá causa ao resul tado por

ser relevante penal (retire hipoteticamente o termo “outrem” do

de desdobramento previsível e esperada da conduta. É o que

imprudência, negligência ou imperícia (art. 18, II, CP).

crime de lesão corporal e o fato deixa de ter relevância penal,

costuma acontecer.

11.15.

Crime instantâneo: consuma-se em um dado instante, sem

pois a autolesão não é, em princípio, punível). Consideramos

9.2.

Independentes: são aquelas que não se encontram na

continuidade no tempo, como, por exemplo, o homicídio.

que houve atipicidade relativa quando a exclusão hipotética

linha de desdobramento previsível e esperada da conduta.

11.16.

Crime permanente: o momento consumativo se protrai no

do dado resulta na alteração da classificação típica, ou seja,

 

Divididas em:

tempo, e o bem jurídico é continuamente agredido. A sua caracterís-

o fato passa a ser capitulado em outro tipo (elimine a violência

  • 9.2.1. Relativamente independentes: quando precisam da as-

tica reside no fato de a cessação da situação ilícita depender apenas

ou grave ameaça do roubo e o fato passa a constituir furto);

sociação da conduta para que venham a gerar o resultado.

da vontade do agente. Exemplo: sequestro - art. 148 do CP.

b)

circunstâncias: são todos os dados acessórios da figura

  • 9.2.2. Absolutamente independentes: quando não precisam

11.17.

Crime complexo: resulta da fusão de dois ou mais tipos

típica que orbitam as elementares e têm como função influir na

da associação da conduta para que venham a gerar o resulta-

penais (latrocínio = roubo + homicídio; estupro qualificado pelo

dosagem da pena. São objetivas quando se referem a aspectos

  • 2. Tipicidade conglobante: fórmula corretiva da tipicidade

do. Geram o resultado ainda que isoladas. Se houver causa absolutamente independente, não há nexo causal entre a conduta e o resultado, pois, ainda que a conduta

resultado morte = estupro + homicídio; extorsão mediante sequestro = extorsão + sequestro etc.). Não constituem crime complexo os delitos formados por um crime acrescido de elementos que isoladamente

externos ao sujeito e subjetivas quando tratam do agente.

venha a ser eliminada, o resultado permaneceria (aplicação do

são penalmente indiferentes, por exemplo, o delito de denunciação

formal desenvolvida por Eugenio Raúl Zaffaroni, para que se

critério da eliminação hipotética).

caluniosa, CP, art. 339, que é formado pelo crime de calúnia e por

alcance a verdadeira tipicidade penal. Assim, a tipicidade penal

Cada uma das categorias enumeradas ainda pode ser classi-

outros elementos que não constituem crimes.

seria a soma da tipicidade formal com a tipicidade conglobante.

ficada quanto ao momento em que atua, como: preexistente

11.18.

Crime monoofensivo e pluriofensivo: monoofensivo é o

Se o juízo de tipicidade implica proibição a priori da conduta,

sim, fomentadas ou determinadas pelo ordenamento, sendo,

(quando anterior à conduta), concomitante (quando coincide no tempo com a conduta) e superveniente (quando posterior à conduta).

que atinge apenas um bem jurídico. O homicídio, por exemplo, no qual se tutela tão somente a vida; pluriofensivo é o que ofende mais de um bem jurídico, como o latrocínio, que lesa a vida e o

patrimônio.

não podem ser consideradas sequer proibidas aquelas con- dutas que não são apenas toleradas (descriminantes), mas,

assim, importante considerar o que a norma queria atingir, o

10. Imputação objetiva: surgiu para conter os excessos

11.19.

Crime unissubsistente: é o que se perfaz com um úni co ato,

que ela quer proibir. Por outro lado, se as excludentes de anti-

da teoria da conditio sine qua non, evitando-se, com isso,

como a injúria verbal. Não admite a tentativa.

juridicidade permitem excepcionalmente o que é em princípio

o chamado regressus ad infinitus. O nexo causal não pode

11.20.

Crime plurissubsistente: é aquele que exige mais de um ato

proibido, não teria sentido, excepcionalmente, permitir o que em

ser estabelecido, exclusivamente, de acordo com a relação

para sua realização, como no caso do estelionato - art. 171, CP.

tese não era proibido, ou seja, torna-se desnecessário apelar

de causa e efeito.

11.21.

Crime de ação múltipla ou conteúdo variado: é aquele em

para as descriminantes quando a questão deve ser resolvida

Assim, além do elo naturalístico de causa e efeito, são neces-

que o tipo penal descreve várias modalidades de realização do crime

no âmbito da tipicidade.

sários os seguintes requisitos:

(tráfico de drogas, art. 33 da Lei 11.343/06; instigação, induzimento

Assim, as práticas esportivas e as intervenções cirúrgicas não

  • 10.1. Criação de um risco proibido e relevante. Ex.: uma mulher

ou auxilio ao suicídio, art. 122 do CP).

seriam sequer fatos típicos a serem desconsiderados pelas

leva o marido para passear, esperando que ele venha a sofrer

11.22.

Crime habitual: é o composto pela reiteração de atos que

descriminantes do exercício regular de direito, tampouco

um acidente e morrer, o que acaba acontecendo. Passear é

revelam um estilo de vida do agente, p. ex.: rufianismo (art. 230, CP);

a invasão sob mandado do oficial de justiça poderia ser

um risco normal, irrelevante;

exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica (art. 282,

considerada típica, mas não injusta pelo estrito cumprimento

  • 10.2. Que o resultado esteja na mesma linha de desdobramento

CP). Só se consuma com a habituali dade na conduta. Enquanto no

do dever legal.

causal da conduta, ou seja, dentro do seu âmbito de risco.

crime habitual cada ato isolado constitui fato atípico, pois a tipicidade

Tais condutas deveriam ser compreendidas como penalmente

Ex.: um traficante vende droga para alguém, que, por impru-

depende da reiteração de um número de atos, no crime continuado

atípicas, pois o ordenamento desde logo não as proíbe. Estão

dência, morre por overdose. A morte não pode ser, de forma

cada ato isolado, por si só, já constitui crime.

fora do âmbito de alcance da tipicidade conglobante, ainda,

causal, imputada ao vendedor, por se tratar de uma ação de

11.23.

Crimes conexos: pode ocorrer de o agente praticar vários

as lesões insignificantes. Acrescentamos aqui, também, as

risco próprio, fora do âmbito normal de perigo provocado pela

crimes sem que entre eles haja qualquer ligação. Ao contrário, pode

criações de risco permitido.

 

ação do traficante;

haver entre eles um liame, uma ligação, um nexo entre os delitos.

 
  • 10.3. Que o agente atue fora do sentido de proteção da

norma.

11. Classificação dos delitos

  • 11.1. Crime comum: pode ser cometido por qualquer pessoa.

A lei não exige nenhum requisito especial. Exemplo: homicídio,

furto etc.

  • 11.2. Crime próprio: só pode ser cometido por determinada

pessoa ou categoria de pessoas, como o infanticídio, no qual

só a mãe pode ser autora (art. 123, CP).

  • 11.3. Crime de mão própria (de atuação pessoal ou de

Nesse caso, fala-se em crimes conexos. Assim, o sujeito pode cometer uma infração para ocultar outra. Então, temos delitos inde- pendentes, pois estão ligados por um liame subjetivo. A conexão pode ser: a) teleológica: um crime é praticado para assegurar a execução

de outro. Ex.: o sujeito mata o marido para estuprar a esposa. Há dois crimes: homicídio e estupro. O primeiro é denominado crime-meio; o segundo, crime-fim; b) consequencial: (ou causal) quando um crime

é cometido para assegurar a ocultação, a impunida de ou vantagem de outro. Ex.: o sujeito, após furtar, incendeia a casa para fazer desaparecer qualquer vestígio. O incêndio é cometido para assegurar

a ocultação do furto; c) ocasional: quando um crime é cometido por

  • 3. Tipicidade dolosa: costuma-se designar dolo como

intenção, vontade. Há duas importantes teorias acerca dos

elementos constitutivos do dolo: a) teoria normativa do dolo: dolo é consciência, vontade e consciência da ilicitude;

  • b) teoria psicológica do dolo: dolo é consciência e vontade

de estar concretizando/concretizar os elementos do tipo . Aliás, a consciência é o dado essencial, mormente para que

se compreenda, logo mais, o erro de tipo.

Do Crime

Doloso

7. Corpo de delito: é o conjunto de todos os elementos sensíveis do fato criminoso, como

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3

Dolo é o elemento psicológico da conduta. Conduta é um dos elementos do fato típico. Logo,
Dolo é o elemento psicológico da conduta. Conduta é um dos
elementos do fato típico. Logo, o dolo é um dos elementos
do fato típico.
inaptidão técnica em profissão ou atividade. Consiste na incapaci-
dade, na falta de conheci mento ou habilidade para o exercício de
determinado mister.
Crime
Consumado
Os tipos que definem os crimes culposos são, em geral, abertos;
1.
Conceito de dolo: é a vontade e a consciência de realizar
os elementos constantes do tipo legal. Mais amplamente é
a vontade manifestada pela pessoa humana de realizar a
conduta.
neles, portanto, não se descreve em que consiste o comportamento
culposo. O tipo limita-se a dizer: “se o crime é culposo, a pena será
de
...
”,
não descrevendo como seria a conduta culposa.
A culpa, portanto, não está descrita, nem especificada, mas ape-
nas prevista genericamente no tipo. Isso acontece porque seria
Restará consumado o crime quando o tipo estiver inteiramente
realizado, ou seja, quando o fato concreto se subsumir ao tipo
abstrato descrito na lei penal. Preenchidos todos os elemen-
tos do tipo objetivo pelo fato natural, opera a consumação.
Segundo o art. 14, inciso I do CP, diz-se o crime consumado
2.
Elementos do dolo: consciência (conhecimento do fato
que constitui a ação típica) e vontade (elemento volitivo de
impossível o legislador elencar todas as maneiras de se praticar
conduta culposa.
“quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição
legal”. Consumam-se, assim, o homicídio e o infanticídio com
realizar esse fato). Aníbal Bruno inclui dentre os componentes
a morte da vítima (arts. 121 e 123, respectivamente, ambos
do conceito de dolo a consciência da ilicitude do comporta-
mento do agente.
2.
Elementos
do CP); a lesão corporal, com a ofensa à integridade corporal
a)
conduta (sempre voluntária);
ou à saúde (art. 129, CP).
3.
Teorias adotadas pelo Código Penal: da análise do
b)
resultado involuntário;
disposto no art. 18, I, do Código Penal, conclui-se que foram
c)
nexo causal;
adotadas as teorias da vontade e do assentimento. Dolo é
a vontade de realizar o resultado ou a aceitação dos riscos
de produzi-lo. A teoria da representação, que confunde culpa
consciente (ou com previsão) com dolo, não foi adotada.
d)
tipicidade;
Crime
e)
previsibilidade objetiva. É a possibilidade de qualquer pessoa
Tentado
dota da de prudência mediana prever o resultado. Anota Mirabete:
“a rigor, porém, quase todos os fatos naturais podem ser previstos
As fases do crime costumam ser classificadas em quatro:
3.1.
Abrangência: a consciência do autor deve se referir a
pelo homem, inclusive de uma pessoa poder atirar-se sob as rodas
todos os componentes do tipo, prevendo ele os dados essen-
ciais dos elementos típicos futuros, em especial o resultado e
o processo causal. A vontade consiste em resolver executar
a ação típica, estendendo-se a todos os elementos objetivos
conhecidos pelo autor que servem de base à sua decisão
de praticá-la. Ressalte-se que o dolo abrange também os
meios empregados e as consequências secundárias de sua
atu ação.
do automóvel que está dirigindo. Não se pode confundir o dever de
prever, fundado na diligência ordinária de um homem qualquer, com
o poder de previsão”;
cogitação, atos preparatórios, execução e consumação.
Dentre as várias teorias acerca do início da execução, ado-
tamos a conexão de duas: inicia-se a execução no momento
f)
ausência de previsão (cuidado: na culpa consciente inexiste
esse elemento);
da primeira ação idônea e inequívoca a atingir o bem jurídico.
A ação será idônea quando provocar risco relevante para o
g)
quebra do dever de cuidado objetivo, manifestada por meio da
imprudência, imperícia ou negligência.
bem, o que normalmente ocorre com o início da realização do
verbo típico (sub trair, matar, constranger). Será inequívoca
quando for possível perceber que se dirige a realizar a con-
duta descrita na norma.
3.
Espécies
4.
Espécies de dolo
3.1.
Culpa inconsciente: é a culpa sem previsão, em que o agente
Existe o crime tentado quando, iniciada a execução, o sujeito
não atinge a consumação por circunstâncias alheias à sua
4.1.
Dolo natural: é o dolo concebido como um elemento pu-
não prevê o que era previsível.
vontade, art. 14, II, do CP.
ramente psicológico, desprovido de qualquer juízo de valor.
3.2.
Culpa consciente ou com previsão: é aquela em que o
Trata-se de um simples querer, independentemente de o objeto
da vontade ser lícito ou ilícito, certo ou errado. Compõe-se
apenas de consciência e vontade, sem a necessidade de
haver também a consciência de que o fato praticado é ilícito,
injusto ou errado. Dessa forma, qualquer vontade é conside-
agente prevê o resultado, embora não o aceite. Há no agente a
representação da possibilidade do resultado, mas ele a afasta, de
pronto, por entender que o evitará e que sua habilidade impedirá o
evento lesivo previsto.
Desistência Voluntária e
Arrependimento Eficaz
3.3.
Culpa imprópria, também conhecida como culpa por
rada dolo, tanto a de beber água, andar, estudar, quanto a de
praticar um crime.
extensão, por equiparação ou por assimilação: é aquela em
que o agente, por erro de tipo inescusável, supõe estar diante de
Se o sujeito inicia o processo executório , mas desiste de
prosseguir, evitando a consumação, não há que se falar em
4.2.
Dolo direto ou determinado: é a vontade de realizar a
uma causa de justificação que lhe permita praticar, licitamente, um
conduta e produzir o resultado (teoria da vontade). Ocorre
quando o agente quer diretamente o resultado.
fato típico. Há uma errônea apreciação da realidade fática, fazendo
o autor supor que está acobertado por uma causa de exclusão da
tentativa, pois não foi preenchido o requisito circunstâncias
alheias à sua vontade (o que evitou o resultado foi a própria
vontade do agente). Nesse caso, também não há se falar em
punição pelo crime consumado, pois este não foi alcançado,
4.3.
Dolo indireto ou indeterminado: o agente não quer
ilicitude. Entretanto, como esse erro poderia ter sido evitado pelo
emprego de diligência mediana, subsiste o comportamento culposo.
Exemplo: “A” está em sua casa quando seu irmão entra pela porta
art. 15 do CP. A medida é não punir, pela ausência de previsão
diretamente o resultado, mas aceita a possibilidade de produzi-
lo (dolo eventual), ou não se importa em produzir este ou
legal, além dos limites já alcançados.
aquele resultado (dolo alternativo). Comporta duas formas: a)
alternativo: quando o agente deseja qualquer um dos eventos
possíveis. Por exemplo: pessoa com raiva joga bomba caseira
entre pessoas, querendo matá-las ou feri-las. Ele quer produzir
um resultado e não ‘o’ resultado; b) dolo eventual: o sujeito
prevê o resultado e, embora não o queira propriamente atingi-lo,
pouco se importa com a sua ocorrência (‘eu não quero, mas,
se acontecer, para mim tudo bem, não é por causa deste risco
que vou parar de praticar minha conduta — não quero, mas
também não me importo com a sua ocorrência’). É o caso do
motorista que conduz veículo em velocidade incompatível com
o local e realizando manobras arriscadas.
dos fundos. Pensando tratar-se de um assalto, “A” efetua disparos
de arma de fogo contra o infortunado parente, certo de que está
praticando uma ação perfeitamente lícita, amparada pela legítima
defesa. A ação, em si, é dolosa, mas o agente incorre em erro de tipo
essencial (pensa estar presentes elementares do tipo permissivo da
legítima defesa), o que exclui o dolo de sua conduta, subsistindo a
culpa, em face da evitabilidade do erro.
O mesmo raciocínio se aplica ao arrependimento eficaz, com a
diferença de que, nesta figura, o sujeito já esgotou o processo
executório, apenas não tendo ainda atingido a consumação.
Toma, então, providências para evitar a referida consumação,
com sucesso.
A voluntariedade do sujeito é compreendida pelo fato de ele
figurar como dono da situação, tendo a liberdade em optar
3.4.
Culpa mediata ou indireta: ocorre quando o agente produz
indiretamente um resultado a título de culpa.
entre continuar ou não a sua conduta.
Famosa a distinção “quero, mas não posso (tentativa); posso,
mas não quero (desistência voluntária)”, atribuída a Frank.
Nos dois casos, apesar da desistência ou do arrependimento
4.
Graus de culpa: grave, leve e levíssima.
para evitar a consumação, se esta ocorre, o sujeito responde
normalmente pelo crime consumado.
Nélson Hungria lembra a fórmula de Frank para explicar o
5.
Compensação de culpas: não existe no Direito Penal. Desse
dolo eventual: “Seja como for, dê no que der, em qualquer
caso não deixo de agir”.
modo, a imprudência do pedestre que cruza a via pública em local
São também casos de dolo eventual: praticar roleta-russa,
inadequado não afasta a do motorista que, trafegando na contra-
mão, vem a atropelá-lo. A culpa recíproca apenas produz efeitos
Arrependimento
Posterior
acionando por vezes o revólver carregado com um só cartucho
e apontando-o sucessivamente contra outras pessoas, para
testar sua sorte, e participar de inaceitável disputa automobilísti-
quanto à fixação da pena, pois o art. 59 faz alusão ao “comportamento
ca realizada em via pública (“racha”), ocasionando morte.
da vítima” como uma das circunstâncias a serem consideradas. A
culpa exclusiva da vítima, contudo, exclui a do agente (ora, se ela foi
exclusiva de um, é porque não houve culpa alguma do outro; logo, se
4.4.
Dolo de dano: vontade de produzir uma lesão efetiva a
não há culpa do agente, não se pode falar em compensação).
Art. 16, CP: “Nos crimes cometidos sem violência ou grave
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até
o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário
do agente, a pena será reduzida de um a dois terços”.
um bem jurídico (CP, arts. 121, 155 etc.).
4.5.
Dolo de perigo: mera vontade de expor o bem a um perigo
6.
Concorrência de culpas: ocorre quando dois ou mais agen tes,
Não há nenhuma relação estrutural com o arrependimento
eficaz. Tratamos aqui de uma causa de diminuição de pena para
de lesão (CP, arts. 132, 133 etc.).
em atuação independente uma da outra, causam resultado lesivo
4.6.
Dolo genérico: vontade de realizar a conduta sem um fim
especial, ou seja, a mera vontade de praticar o núcleo da ação
por imprudência, negligência ou imperícia. Todos respondem pelos
eventos lesivos.
os crimes praticados sem violência ou grave ameaça dolosa
à pessoa, nos quais o prejuízo é reparado até o momento do
recebimento da denúncia ou queixa. Para ter eficácia, deve
típica (o verbo do tipo), sem qualquer finalidade específica.
ser pessoal, voluntário e completo.
4.7.
Dolo específico: vontade de realizar a conduta visando
7.
Excepcionalidade do crime culposo: um cri me só pode ser
a um fim especial previsto no tipo. Nos tipos anormais, que
punido como culposo quando houver expressa previsão legal (CP,
são aqueles que contêm elementos subjetivos (finalidade es-
É possível tanto nos crimes dolosos como nos culposos e,
na sua ocorrência, é uma causa obrigatória de diminuição da
pena de um a dois terços.
pecial do agente), o dolo, ou seja, a consciência e a vontade a
art. 18, parágrafo único). No silêncio da lei, o crime só é punido
como doloso.
respeito dos elementos objetivos, não basta, pois o tipo exige,
além da vontade de praticar a conduta, uma finalidade especial
do agente. Nos tipos penais vemos as frases “a fim de”, “com
o fim de”, “para” etc.
Erro
Crime
Jurídico-Penal
Preterdoloso
Do Crime
Culposo
É aquele em que a ação causa um resultado mais grave que o
pretendido pelo agente . É um crime misto, cuja conduta é dolosa
e culposa. Dolosa por dirigir-se a um fim típico; culposa, por causar
Erro de tipo: é o que incide sobre as elementares ou circuns-
tâncias da figura típica, sobre os pressupostos de fato de uma
causa de justificação ou dados secundários da norma penal
in criminadora.
outro resultado que não era objeto do crime fundamental, pela
1.
Culpa: é o elemento normativo da conduta. É a quebra
inobservância do cuidado objetivo. O agente quer um minus e a sua
conduta produz um majus, de forma que se conjugam a ação dolosa
(antecedente) e a culpa no resultado (conse quente).
1. Erro essencial sobre elementar de tipo incriminador: é
o que faz o sujeito supor a ausência de elemento ou circuns-
do dever de cuidado objetivo decorrente da imprudência, da
negligência ou da imperícia. Imprudência: ação des cuidada.
Implica sempre um comportamento positivo; negli gência:
tância da figura típica incriminadora ou a presença de requisi-
tos da norma permissiva.
é a inação, inércia e passividade. Decorre de ina tividade
Consoante reza o art. 19 do Código Penal, o agente somente
responderá pelo crime qualificado pelo resultado quando atuar ao
Pode ser escusável (inevitável) ou inescusável (evitável). Se
escusável, significa que não foi quebrado qualquer dever geral
material (corpórea) ou subjetiva (psíquica). Re duz-se a um
comportamento negativo; imperícia: é a de monstração de
menos com culpa em sentido estrito com relação ao evento acrescido
ao tipo fundamental.
de cuidado na conduta do sujeito, ou seja, não é possível a
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Dolo é o elemento psicológico da conduta. Conduta é um dos elementos do fato típico. Logo,

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Espécies Inescusável Sobre elementares Essencial Conseqüências Exclui só o dolo Exclui o dolo e a culpa
Espécies
Inescusável
Sobre elementares
Essencial
Conseqüências
Exclui só o dolo
Exclui o dolo e a culpa
Exclui a circunstância
criminalidade, causas excludentes da antijuridicidade, causas
justificativas, causas excludentes da ilicitude, eximen tes ou
descriminantes). São normas permissivas, também cha madas
tipos permissivos, que excluem a antijuridicidade por permitirem
Erro
de tipo
Não traz qualquer conseqüência jurídica e
Acidental
Escusável
Sobre circunstâncias
Sobre o objeto material do crime
(error in persona e error in objeto)
Sobre o modo de execução do crime
(aberratio criminis e aberratio ictus)
Sobre o nexo causal
(aberratio causae ou dolo geral)
a prática de um fato típico.
A lei penal brasileira dispõe que “não há crime” quando o agente
pratica o fato em estado de necessidade, em legítima defesa,
em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular
o sujeito responde pelo fato normalmente
de direito (art. 23 do CP). Além das normas permissivas da
Parte Geral, existem algumas na Parte Especial, como, por
Exclui a culpabilidade
Erro de
Não exclui a culpabilidade,
Proibição
Inevitável (ou escusável).
Evitável (ou inescusável)
exemplo, a possibilidade de o médico praticar aborto se não
hou ver outro meio de salvar a vida da gestante ou se a gravi dez
mas reduz a pena (1/6 a 1/3)
resultar de estupro (art. 128, I e II, do CP); a ofensa irrogada em
juízo na discussão da causa, pela parte ou por seu procura dor;
punição a título de culpa.
Afastados o dolo e a culpa, não há tipicidade (princípio da
culpabilidade).
e ofende outro, de espécie diversa.
Se o sujeito quer produzir um resultado criminoso, mas vem a pro-
a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou cien tífica
e o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em
apreciação ou informação que preste no cumprimento de de ver
duzir outro, pela redação do art. 74 do CP, é possível que responda
de oficio (art. 142, I, II e III, do CP) etc.
Se o erro for inescusável, significa que o agente rompeu com
o cuidado devido, e a tomada das cautelas exigíveis ordina-
riamente teria evitado o resultado. A quebra de dever geral de
apenas pelo resultado produzido, na forma culposa, se previsível
(resta excluída a punição pela tentativa do crime querido).
Se os resultados forem múltiplos, o sujeito responderá por todos
cuidado é a essência do tipo culposo, o que significa que em
Estado de Necessidade -
art. 24, CP
tal hipótese será possível a incriminação do agente na forma
culposa, se prevista.
1.
Conceito: “Considera-se em estado de necessidade quem
É o clássico exemplo do caçador que, pensando tratar-se de
um urso, desfere um tiro que vem a atingir e matar seu amigo
de caça, que carregava uma pele de urso. O caçador tem a
equivocada percepção acerca da elementar matar alguém, pois
pensa que mata algo. Se a consciência é elemento do dolo,
não há, no caso, dolo, daí a conclusão: o erro sobre elementar
de tipo incriminador sempre exclui o dolo.
em concurso formal.
4.5. Erro quanto ao nexo causal (aberratio causae): quando há
divergência entre os meios e modos que o sujeito queria aperfeiçoar
para alcançar o resultado e aqueles que realmente provocaram a
lesão.
Quando a alteração do curso causal é importante, mas o re-sultado
é causado pelo sujeito em um “segundo ato”, chama-mos de erro
sucessivo, tratado na matéria “dolo geral”. É o caso de alguém
que é alvejado por um tiro, cai na água e morre afogado, e não em
pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por
sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio
ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável
exigir-se.” Segundo o art. 23, I, do CP, não há, nessa hipótese,
crime; há uma causa excludente da antijuridicidade.
decorrência dos ferimentos.
2.
Requisitos: a) ameaça a direito próprio ou alheio; b) exis-
2.
Erro sobre circunstância (art. 20, CP): pode também recair
sobre uma circunstância qualificadora ou agravante genérica,
Erro determinado por terceiro - art. 20, § 2º, CP: o erro po de ser
espontâneo ou provocado por terceiro. No caso de erro determinado
que é o dado acessório da figura típica que orbita o tipo penal
e tem como função influir na dosagem da pena. Pode recair
sobre os pressupostos de fato de uma excluden te da ilicitude,
como, por exemplo, a legítima defesa putativa, em que o sujeito,
diante das circunstâncias de fato, supõe a existência de uma
agressão injusta.
por terceiro, aquele que determina o agente em erro responderá
pelo resultado atingido. Se a provocação se deu a título de dolo,
responderá na forma dolosa; se a título de culpa, na forma culposa.
tência de um perigo atual e inevitável; c) inexigibilidade do
sacrifício do bem ameaçado; d) uma situação não provocada
voluntariamente pelo agente; e) inexistência do dever legal
de enfrentar o perigo; f) conhecimento da situação de fato
justificante.
Se o erro é ine vitável, o provocado por nada responderá, pois o
erro ine vitável afasta o dolo e a culpa. Se o erro for evitável, po derá
responder por crime culposo, se houver previsão. Se o provocado
percebe a realidade da situação, deixa de ha ver erro provocado.
3.
Excesso: excedendo-se o agente na conduta de preservar
o bem jurídico, responderá por ilícito penal se atuou dolosa
ou culposamente.
3.
Erro sobre descriminante: também chamado de erro sobre
Link Acadêmico 5
pressuposto fático de causa excludente de antijuridicidade ,
descriminante putativa por erro de tipo ou, enfim, erro de tipo
permissivo.
Exemplo clássico de erro de tipo permissivo inevitável: João,
exímio atirador, jura de morte José, acusando-o de traição.
José compra uma arma para se defender e, tarde da noite,
depara-se com João em rua isolada. João coloca a mão na
cintura rapidamente, mas não antes de José, assustado, dispara
com a certeza de que se defende. Errando sobre a presença
dos elementos do tipo permissivo, fica excluído o dolo. Consi-
derando que não era exigida a cautela de aguardar a provável
agressão para reagir, concluindo que o erro é inevitável, resta
excluída também a culpa.
Conforme a teoria limitada da culpabilidade, que, para a dou-
trina brasileira, é a corrente seguida pela legislação pátria, o
erro sobre tipo permissivo tem a mesma consequên cia do erro
sobre elementar de tipo incriminador, ou seja: sempre exclui o
dolo. Se inevitável, exclui também a punição por crime culposo;
se evitável, permite a punição por crime culposo, se houver
previsão nesse sentido. Observação: quan do o crime é punido a
título de culpa em razão de erro de tipo permissivo inescusável,
classifica-se tal modalidade de culpa como im própria.
4.
Exclusão do estado de necessidade: certas pessoas, por
estarem encarregadas de funções que, normalmente, as co-
Crime Impossível
locam em perigo, não podem eximir-se da responsabilidade
pela conduta típica que praticarem numa dessas situações.
Prevê o § 1º do art. 24 do CP: “Não pode alegar estado de
Apesar de buscar determinado resultado, o sujeito não é punido
quando o meio escolhido ou o objeto material selecionado não
permite concluir que houve lesão ou risco de lesão ao bem jurídico
protegido pela norma penal. É chamado de quase-crime ou tentativa
inidônea.
ne ces sidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo”.
Dever legal é aquele previsto em uma norma jurídica (lei, de-
creto, regulamento etc.), o que inclui a obrigação funcional do
policial, do soldado, do bombeiro, do médico sanitarista, do
capitão de navio ou aeronave etc. Responderão eles pelo cri me
praticado para salvar direito próprio, embora presentes os re-
1.
Inidoneidade absoluta do meio: quando o meio escolhido não
tiver qualquer possibilidade razoável de lesar o bem jurídico. É o caso
do agente que quer matar terceiro com o poder da mente. Por mais
quisitos do estado de necessidade já assinalados, se esti verem
enfrentando o perigo em decorrência de disposição legal.
que se concentre, faça força e acredite em seu poder, não poderá ser
punido por homicídio tentado, simplesmente porque não há qualquer
chance de atingir o resultado. Como a vida do terceiro não correu
nenhum risco, não há relevância penal no fato.
Legítima Defesa
1.
Conceito: causa de exclusão da ilicitude que consiste em
2.
Impropriedade absoluta do objeto: quando o objeto material não
reveste o bem jurídico protegido pela norma penal. Ex.: sujeito quer
matar o vizinho; ao entrar em sua casa, este já está morto. Sem tal
repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito próprio ou
alheio, usando moderadamente os meios necessários. Não há,
consciência, desfere vários tiros no corpo. Notem: o objeto material
aqui, uma situação de perigo pondo em conflito dois ou mais
bens, na qual um deles deverá ser sacrificado. Ao contrário,
4.
Erro de tipo acidental: o erro acidental pode ser dividido
em: a) erro sobre o objeto; b) erro sobre a pessoa; c) erro na
exe cução (aberratio ictus); d) erro sobre o resultado (aberratio
delicti); e e) erro sobre o nexo causal (aberratio causae).
(corpo) não reveste o bem jurídico protegido pela norma (vida). Daí
a inviabilidade da punição, uma vez que o bem jurídico sequer foi
ocorre um efetivo ataque ilícito contra o agente ou terceiro,
legitimando a repulsa.
colocado em risco.
2.
Requisitos: a) agressão injusta; b) atual ou iminente; c)
4.1.
Erro sobre o objeto (error in re): o agente se equivoca
3.
Por obra do agente provocador, também chamado de delito
a direito próprio ou de terceiro (no caso, teremos: legítima
quanto ao objeto material do crime, que é a própria coisa.
Exemplo: sujeito furta CD do Led Zepellin em vez do CD do
de ensaio: quando o agente estatal estimula o mecanismo causal
do fato, após ter tomado as providências que tornem impossível a
defesa própria: defesa de direito próprio; legítima defesa de terceiro:
Queen, ou vice-versa. Consequência: nenhuma. Não há qual-
quer repercussão típica. Assim, o sujeito responde da mesma
forma pelo crime praticado.
consumação. Se forem tomadas providências para que o bem não
seja sequer colocado em risco, não há como se falar em crime. É o
defesa de direito alheio); d) repulsa com meios necessários; e)
uso moderado de tais meios; f) conhecimento da situação
justificante.
flagrante preparado ou provocado.
4.2.
Erro sobre a pessoa (error in persona) – art. 20, § 3º,
CP: Sujeito atinge pessoa diversa da pretendida, confun-
A Súmula 145 do Supremo Tribunal Federal assinala que: “Não há
crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível
3.
Legítima defesa sucessiva: é a repulsa contra o ex -
cesso.
dindo-a com a vítima. Responderá como se tivesse acertado
quem queria.
a sua consumação”.
4.
Legítima defesa putativa: é a errônea suposição da existên-
4.3.
Erro na execução (aberratio ictus) – art. 73, CP: por
cia da legítima defesa por erro de tipo ou de proibição. Só existe
Antijuridicidade
falha na execução (falha de mira, equívoco na seleção dos
meios), o sujeito vem a acertar pessoa diversa da que queria.
na imaginação do agente, pois o fato é objetivamente ilícito.
É a aberração no ataque ou o desvio do golpe. Não exclui
a tipicidade do fato. A consequência varia de acordo com o
número de lesões produzidas: se há resultados múltiplos,
1.
Conceito: é a contradição entre uma conduta e o ordena-
5.
Legítima defesa subjetiva: é o excesso derivado de erro
mento jurídico. O fato típico, até prova em contrário, é um fato que,
de tipo escusável, que exclui o dolo e a culpa.
responde pelos resultados produzidos em concurso formal.
ajustando-se ao tipo penal, é antijurídico. Existem, entretanto, na lei
penal ou no ordenamento jurídico em geral, causas que excluem a
6.
Legítima defesa e tentativa: é perfeitamente possível,
Pela regra do art. 70 do CP, remetida pelo art. 73, 2ª parte do
antijuridicidade do fato típico. Por essa razão, diz-se que a tipicidade
pois, se é aplicável aos crimes consumados, incompatibilidade
CP, se forem desígnios autônomos, aplicar-se-á a regra do
cúmulo material do art. 69 do CP.
é o indício da antijuridicidade, que será excluída se houver uma causa
que elimine sua ilicitude. É um juízo de desvalor que recai sobre a
alguma haveria com os tentados.
4.4.
Erro quanto ao resultado – resultado diverso do pretendi-
conduta típica. É a contradição do fato, eventualmente adequado
7.
Excesso: doloso ou consciente: ocorre quando o agente,
do (aberratio criminis) – art. 74, CP: significa desvio do crime.
Na aberratio ictus – erro de execução -, está presente a figura
persona in personan: quer atingir uma pessoa e ofende outra,
ou ambas. Na aberratio criminis, há erro na execução do tipo
persona in rem ou a re in personan: quer atingir um bem jurídico
ao modelo legal, com a ordem jurídica, constituindo uma lesão a
um interesse protegido.
ao se defender de uma injusta agressão, emprega meio que
sabe ser desnecessário ou, mesmo tendo consciência de sua
desproporcionalidade, atua com imoderação. Ex.: após o pri-
2.
Exclusão da antijuridicidade: o Direito prevê causas que
excluem a antijuridicidade do fato típico (causas excludentes da
meiro tiro, que fere e imobiliza o agressor, prossegue na reação
até a sua morte. Em tal hipótese, resta caracterizado o excesso
Espécies Inescusável Sobre elementares Essencial Conseqüências Exclui só o dolo Exclui o dolo e a culpa

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doloso em virtude de o agente consciente e deliberadamente muro, pontas de lança, grades etc., que
doloso em virtude de o agente consciente e deliberadamente
muro, pontas de lança, grades etc., que representam uma resistência
normal, natural, prevenindo uma violação ao direito protegido.
As defesas mecânicas predispostas, por sua vez, encontrar-se-iam
ocultas, ignoradas pelo suposto agressor, como, por exemplo, armas
automáticas predispostas ou qualquer tipo de armadilha pronta para
disparar no momento da agressão.
As offendiculas, segundo Aníbal Bruno, incluem-se na excludente do
dispositivos legais distintos. Exs.: aborto (a gestante estará
valer-se da situação vantajosa de defesa em que se encontra
incursa no art. 124 do CP e o terceiro, no art. 126 do CP);
para, desnecessariamente, infligir ao agressor uma lesão mais
grave do que a exigida e possível, impelido por motivos alheios
corrupção (o corrupto pratica corrupção passiva e o corruptor,
corrupção ativa).
à legítima defesa.
7.1. Consequência: constatado o excesso doloso, o agente
res ponde pelo resultado dolosamente.
3.
Autor: aquele que realiza a conduta nuclear (conceito restrito
exercício regular de direito. Para Assis Toledo, seguindo a orientação
8.
Hipóteses de cabimento: a) legítima defesa contra agres-
de Hungria e Magalhães Noronha, as offendiculas localizam-se
de autor). Partícipe: quem concorre para a conduta do autor,
auxiliando-o material ou moralmente (mediante induzimento
ou instigação). Para a teoria do domínio do fato, autor é
são injusta de inimputável; b) legítima defesa contra agressão
acobertada por qualquer outra causa de exclusão da culpa-
bilidade; c) legítima defesa real contra legítima defesa putativa;
d) legítima defesa putativa contra legítima defesa putativa; e)
legítima defesa real contra legítima defesa subjetiva; f) legítima
defesa putativa contra legítima defesa real; g) legítima defesa
real contra legítima defesa culposa.
melhor no instituto da legítima defesa, onde a potencialidade lesiva
de certos recursos, cães ou engenhos será tolerada quando atingir
o agressor e censu-rada quando o atingido for inocente.
A decisão de instalar os ofendículos constitui exercício regular de
quem tem o controle final do fato (poder de decisão quanto
direito, isto é, exercício do direito de se autoproteger. No entanto,
ao cometimento do crime), ainda que não pratique a conduta
nuclear. Aplica-se, sobretudo, aos casos de autoria mediata,
considerando autor a pessoa que se utiliza de terceiro como
mero instrumento de sua vontade.
quando reage ao ataque esperado, inegavelmente estará constituída
a legítima defesa preordenada.
Link Acadêmico 6
4.
Participação de menor importância: aquele que prestar
colaboração de pouca relevância causal no resultado terá a
9.
Hipóteses de não-cabimento da legítima defesa: a) legí-
pena reduzida de um sexto a um terço (art. 29, § 1º, do CP).
tima defesa real contra legítima defesa real; b) legítima defesa
real contra estado de necessidade real; c) legítima defesa real
contra exercício regular de direito; d) legítima defesa real contra
estrito cumprimento do dever legal. É que, em nenhuma dessas
hipóteses, havia agressão injusta.
Culpabilidade
5.
Participação dolosamente distinta: se um dos concorren-
tes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á imposta
1.
Conceito: é o juízo de censurabilidade e reprovação exercido
essa pena, aumentada até metade, se o resultado era previsível
sobre alguém que praticou um crime. A possibilidade de se considerar
(art. 29, § 2.°, do CP).
alguém culpado pela prática de ação infracional.
Estrito Cumprimento
de Dever Legal
Comunicabilidade e Inco-
2.
Elementos
2.1.
Imputabilidade: capacidade de entender o caráter ilícito do fato
e de ter controle sobre sua vontade. Dois momentos, portanto: de
municabilidade de Elemen-
tares e Circunstâncias
Quem pratica uma ação em cumprimento de um dever imposto
por lei não comete crime. Ocorrem situações em que a lei
im põe determinada conduta, que, embora típica, não será ilí-
cita, ainda que cause lesão a um bem juridicamente tutelado.
Nessas circunstâncias, isto é, no estrito cumprimento de
intelecção e de vontade.
2.2.
Potencial consciência da ilicitude: trata-se do conhecimento
de que o fato é proibido. Tem consciência da ilicitude quem pratica
1.
As circunstâncias subjetivas ou de caráter pessoal jamais
o fato sabendo que faz coisa errada (proibida). Não se confunde
com o desconhecimento da lei, que corresponde à noção do que
diz o texto legal.
se comunicam. Exemplo: reincidência.
dever legal, não constituem crime a ação do carcereiro que
encarcera o criminoso, do policial que prende o infrator em
2.
As circunstâncias objetivas comunicam-se, desde que o
2.3.
Exigibilidade de conduta diversa: a imposição de pena requer
co-autor ou partícipe delas tenha conhecimento.
flagrante delito etc.
Reforçando a licitude de comportamentos semelhantes, o Có-
que o agente tenha tido condições de atuar de modo diverso. Isso
não ocorre quando ele é obrigado a praticar o fato sob coação moral
3.
As elementares, objetivas ou subjetivas, se comu-
digo de Processo Penal estabelece que, se houver resistência,
poderão os executores usar dos meios necessários para se
irresistível ou obediência hierárquica, i.e., em cumprimento de ordem
de autoridade superior não manifestamente ilegal.
nicam, desde que o co-autor ou partícipe delas tenha
conhecimento.
defenderem ou para vencerem a resistência (art. 292 do CPP).
Link Acadêmico 7
No entanto, dois requisitos devem ser estritamente observados
para configurar a excludente:
3.
Excludentes de imputabilidade
a) doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado: gera aplicação de medida de segurança (absol vição
1.
Estrito cumprimento: somente os atos rigorosamente ne-
cessários justificam o comportamento permitido;
imprópria). Exige-se que o sujeito, ao tempo do fato e por influência
da doença mental ou do desenvolvimento men tal incompleto/retar-
dado, tenha suprimida a capacidade de entender o caráter ilícito da
2.
De dever legal: é indispensável que o dever seja legal, isto
é, decorra de lei, não o caracterizando obrigações de natureza
social, moral ou religiosa.
A nor ma da qual emana o dever tem de ser jurídica, e de cará-
ter geral: lei, decreto, regulamento etc. Se a norma tiver caráter
particular, de cunho administrativo, poderá configurar a obediência
hierárquica, art. 22, 2ª parte, do CP, mas não o dever legal.
Esta norma permissiva não autoriza, contudo, os agentes do
Esta do a matar ou ferir pessoas apenas porque são marginais
ou estão delinquindo ou estão sendo legitimamente perse-
guidas. A própria resistência do eventual infrator não autoriza
conduta ou de se controlar. Se tais capacidades forem reduzidas, o
agente será considerado semi-imputável; b) menoridade: aplica-se
o ECA (Lei 8.069/90). A idade deve ser aferida ao tempo da conduta
e não do re sultado; c) embriaguez completa e involuntária, em
caso for tuito ou força maior: o agente será absolvido (absolvição
pró pria). Será preciso supressão das capacidades de enten di mento e
autodeterminação. Se houver redução dessas capa cidades, o agente
será considerado semi-imputável. Quando a embriaguez for voluntá-
ria, o agente responderá pelo crime, desde que o resultado produzido
seja considerado previsível (teoria da “actio libera in causae”).
A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida dos es-
tudos das disciplinas dos cursos de graduação, devendo
ser complementada com o material disponível nos Links
e com a leitura de livros didáticos.
Processo de conhecimento – 2ª edição - 2009
Coordenador:
Carlos Eduardo Brocanella Witter, Professor universitário
essa excepcional violência oficial.
4.
Critérios de aferição da imputabilidade
e de cursos preparatórios há mais de 10 anos, Especia-
Se a resistência — ilegítima — constituir-se de violência ou
grave ameaça ao exercício legal da atividade de autoridades
a) sistema biológico: interessa saber se o agente é portador
públicas, configurada estará uma situação de legítima defesa,
de alguma doença mental ou se tem o desenvolvimento mental
incompleto, caso em que será considerado inimputável, inde-
permitindo a reação dessas autoridades, desde que empre-
guem moderadamente os meios necessários para impedir
pendentemente de qualquer verificação concreta de essa anomalia
lista em Direito Educacional; Mestre em Educação e Se-
miótica Jurídica; Membro da Associação Brasileira para
o Progresso da Ciência; Palestrante; Advogado e Autor
ter retirado a capacidade de entendimento ou autodeterminação; b)
sistema psicológico: não se verifica com a existência de doença
mental, mas apenas se, no momento da infração, ele tinha ou não
condições de entender o caráter ilícito do fato e de ter controle sobre
sua vontade; c) sistema biopsicológico: é uma combinação dos
dois sistemas anteriores, exigindo que a causa geradora (doença
mental ou desenvolvimento mental incompleto) esteja prevista em lei
e que atue efetivamente no momento do crime, retirando do agente a
de obras jurídicas.
ou repelir a agressão. Mas, repita-se, a atividade tem de ser
legal e a resistência com violência tem de ser injusta, além da
Autor:
necessidade da presença dos demais requisitos da legítima
defesa. Será uma excludente dentro de outra.
Antônio Carlos Lorenzetti, Promotor de Justiça e Profes-
sor de Direito Penal
Exercício Regular
de Direito
A coleção Guia Acadêmico é uma publicação da Memes
Tecnologia Educacional Ltda. São Paulo-SP.
condição de entender o caráter ilícito do fato e de ter controle sobre
sua vontade, tornando-o inimputável. Esse foi o sistema adotado
O exercício de um direito, desde que regular, não pode ser, ao
mesmo tempo, proibido pelo Direito. Regular será o exercício
que se contiver nos limites objetivos e subjetivos, formais e
materiais impostos pelos próprios fins do Direito.
Fora desses limites, haverá o abuso de direito e estará, portan-
pelo Código Penal no art. 26, “caput”.
Endereço eletrônico: www.memesjuridico.com.br
Todos os direitos reservados. É terminantemente proibida
a reprodução total ou parcial desta publicação, por qual-
quer meio ou processo, sem a expressa autorização do
autor e da editora. A violação dos direitos autorais carac-
teriza crime, sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
to, excluída essa causa de justificação. O exercício regular de um
direito jamais poderá ser antijurídico. Deve-se ter pre sen te, no
Os requisitos da inimputabilidade, segundo o sistema biopsicológico,
são causal (doença mental ou desenvolvimento mental incompleto),
cronológico (atuação ao tempo do crime) e consequencial (perda
total da capacidade de entender e desejar o crime), havendo inim-
putabilidade se somente os três elementos estiverem presentes,
com exceção do sistema biológico, quando o agente tem menos
entanto, que a ninguém é permitido fazer justiça pe las próprias
de 18 anos de idade.
mãos, salvo quando a lei o permite, art. 345 do CP.
Constituem exercício regular de direito as intervenções
cirúrgicas e médicas, a violência esportiva, quando o esporte
Concurso de Pessoas
é exercido dentro dos limites da disciplina que o regulamenta,
a defesa da posse pelo desforço imediato.
1.
Requisitos: a) pluralidade de agentes; b) relevância causal da
1.
Ofendículos: são as defesas predispostas, que, em regra,
conduta; c) vínculo subjetivo ou concurso de propósitos; d) unidade
constituem dispositivos ou instrumentos cujo objetivo é impedir
de infração.
ou dificultar a ofensa ao bem jurídico protegido (patrimônio,
domicílio ou qualquer outro bem jurídico).
Há, no entanto, autores que distinguem os ofendículos da de-
fesa mecânica predisposta. Os ofendículos seriam perce bidos
com facilidade pelo agressor, como fragmentos de vidro sobre o
2.
Regra: todo aquele que concorre para o crime incide nas penas
a ele cominadas, na medida de sua culpabilidade (art. 29, caput,
do CP) - teoria monista ou unitária. Há casos de adoção da teoria
pluralista, em que cada um dos concorrentes é enquadrado em
doloso em virtude de o agente consciente e deliberadamente muro, pontas de lança, grades etc., que

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