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EDSON POUJEUX GONÇALVES

AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS:

ORIGENS, DESENVOLVIMENTO E INFLUÊNCIAS NO BRASIL E NO SERTÃO

PARAIBANO

Monografia apresentada ao SEP - Seminário Evangélico de Patos, como instrumento parcial para a obtenção do título de “Bacharel em Teologia”.

ORIENTADOR: Prof. Pr. Irinaldo Caetano Marques

PATOS – PB

2007

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À minha esposa, Adalmira Leandro da Cruz Gonçalves, como gratidão por seu amor e incansável apoio, incentivo, compreensão e, principalmente, tanta paciência e tolerância para comigo nos momentos em que enfrentei as maiores dificuldades, até conseguir chegar até aqui.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, por ter me alcançado com sua graça infinita e tido misericórdia de

mim, libertando-me das trevas em que me encontrava em mais de trinta anos

servindo ao espiritismo, trazendo-me para a maravilhosa luz do Seu amor;

A minha esposa, Adalmira, e filhas Edna e Evila, pelo apoio, estímulo,

compreensão, tolerância e, principalmente, por seu amor sempre presente;

Aos pastores e professores do SEP pelos ensinamentos que me repassaram

e, principalmente, pelo maravilhoso convívio proporcionado ao longo desses cinco

anos de Seminário.

Aos amados colegas de classe, pelo carinho, amizade, zelo, preocupação,

apoio, incentivo, troca de experiências e, principalmente, pela paciência que sempre

tiveram para comigo;

A todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram comigo, seja por

orações, seja por palavras de apoio e incentivo e que me fizeram conseguir chegar

até este degrau em minha escalada cristã. Meu MUITO OBRIGADO e que Deus

esteja abençoando a todos, em nome de Jesus!

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“Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; 11 nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos;12 pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti. (Deuteronômio 18:10-12)

“ e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (João

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RESUMO Este trabalho investiga as origens e desenvolvimento do que hoje denominamos de “Religiões Afro-brasileiras”. Como surgiram, em que são fundamentadas, qual o percentual - em relação às demais religiões - de pessoas que fazem parte dessas religiões, como influenciaram e foram influenciadas pelas demais culturas que compõem a diversidade cultural do povo brasileiro, e, em conclusão, como a prática desse credo religioso influencia a religiosidade do sertão paraibano-brasileiro.

Palavras-Chave: CANDOMBLÉ - UMBANDA - QUIMBANDA - CATIMBÓ - XANGÔ - BABACUÊ - CULTO VODU - ORIXÁS - ENTIDADES.

ABSTRACT This study investigates the origins and development of what we denominate today as "Afro-Brazilian Religions". How did they commence, what are they based upon, how do their statistics compare with other religions, how have the diverse Brazilian cultures affected them and how have they affected these cultures, and finally, how has the practice of this religious crede influenced the religiosity of the Brazilian Paraiban backlands.

Key Words: Candomblé - Umbanda - Quimbanda - Catimbó - Xangô - Babacuê - Voodoo - Orixás - Entities

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INTRODUÇÃO

O que são, na verdade, as religiões denominadas de “Afro-brasileiras”? Como surgiram? Em que são fundamentadas? Qual o percentual em nossa sociedade, em relação às demais religiões, de pessoas que fazem parte das religiões denominadas “afro-brasileiras”? Qual o reflexo na sociedade brasileira e, em paralelo, em nossa realidade local, da prática desse credo religioso? Como o sincretismo religioso influencia a economia em algumas regiões de nosso país? Quais as diferenças entre sincretismo e ecumenismo? Como tem se comportado a população sertaneja no tocante à religiosidade? Nosso objetivo ao longo deste trabalho é apresentar respostas às perguntas acima formuladas e a outras que certamente surgirão. Justificamos a realização deste trabalho percebendo a necessidade de, enquanto alunos do curso Bacharel em Teologia, do Seminário Evangélico de Patos - SEP, conhecermos e entendermos a influência dessas religiões em nossa sociedade, como forma até mesmo de melhor nos prepararmos para receber, em nossa atividade pastoral, pessoas oriundas dessas religiões e estarmos capacitados para entendê-las e bem orientá-las na sã doutrina. Utilizamos, para a coleta de dados em geral, vários livros de diversos autores, bem como diversos textos recolhidos na Internet, conforme explicitado ao final deste trabalho, na seção bibliografia. E, para a coleta de dados locais, realizamos visitas e entrevistas aos líderes de templos de umbanda.

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1 ORIGENS DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

1.1 HISTÓRICO

No início do século XV, período da colonização brasileira, mais de quatro milhões de negros africanos cruzaram o Atlântico para tornarem-se escravos na colônia portuguesa. Oriundos de diferentes regiões da África, entravam no país, através de navios negreiros, principalmente pelos portos do Rio de Janeiro, de Salvador, do Recife e de São Luís do Maranhão, trazendo na bagagem a cultura africana. A maior parte desses negros era proveniente da costa Oeste da África, onde predominavam dois grandes grupos: os Sudaneses e os Bantos. Os sudaneses vêm da região do Golfo da Guiné, onde se situam hoje a Nigéria e o Benin. Pertenciam às nações Haussais, Jeje, Keto e Nagô, e foram os principais precursores do Candomblé. Os bantos agregam as nações de Angola, Benguela, Cabinda e Congo. Dessas nações, herdamos, entre outros elementos culturais, a capoeira e a congada. O negro foi arrancado de sua terra e vendido como uma mercadoria, escravizado. Aqui ele chegou escravo, objeto; de sua terra ele partiu livre, homem. Na viagem, no tráfico, ele perdeu personalidade, representatividade, mas sua cultura, sua história, suas paisagens, suas vivências vieram com ele. Estas sementes, estes conhecimentos encontraram um solo, uma terra parecida com a África, embora estranhamente povoada. O medo se impunha, mas a fé, a crença - o que se sabia - exigia ser expresso. Surgiram os cultos (onilé – confundidos mais tarde com o culto do Caboclo, uma das primeiras versões do sincretismo), surgiu a raiva e a necessidade de ser livre. Apareceram os feitiços (ebós), e os quilombos. Para evitar que houvesse rebeliões, os senhores brancos agrupavam os escravos em senzalas, sempre evitando juntar os originários de mesma nação. Por esse motivo, houve uma mistura de povos e costumes, que foram concentrados de forma diferente nos diversos estados do país. Os escravos possuíam suas próprias danças, cantos, santos e festas religiosas. Aos poucos, eles foram misturando os ritos católicos presentes com os elementos dos cultos africanos, na tentativa de resgatar a atmosfera mística da pátria distante. O contato direto com a natureza fazia com que atribuíssem todos os tipos de poder a ela e que ligassem seus deuses

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aos elementos nela presentes. Diversas divindades africanas foram tomando força na terra dos brasileiros. Nesse contexto histórico-cultural, surgem, então, as chamadas religiões afro- brasileiras, que eram, na verdade, novas religiões, diferentes das que praticavam na África, pois, aqui no Brasil, foram misturadas as tradições de diversas culturas africanas com os ingredientes do catolicismo romano. Os trezentos anos da história da escravidão do negro no Brasil, atestam acima de tudo, a resistência, a organização dos negros. A cultura africana sobreviveu para o negro através de sua crença, de sua religião. O que se acredita, se deseja, é mais forte do que o que se vive, sempre que há uma situação limite. A religião, sua organização em terreiros (roças), foi como muito já se escreveu, a resistência negra. Resistiu-se por haver organização. A organização consigo mesmo. Cada negro tinha, ou sabia que seu avô teve, um farol, um guia, um orixá protetor. No meio dos objetos traficados (os escravos) haviam “jóias” raras:

Babalorixás e Iyalorixás. Estes sacerdotes, inteiros nas suas crenças, criaram a África no Brasil. Esta mágica, esta organização reestruturante só é possível de ser entendida se pensarmos no que é a iniciação , todo processo que implica e estabelece. A cana de açúcar do Senhor de Engenho era plantada por Iaôs recém saídos das camarinhas, dos roncós. A força se espalhou, o axé cresceu e apareceu na sociedade sob a forma dos terreiros de candomblé. Era coisa de negros, portanto escusa, ignorante, desprezível e rapidamente traduzida como coisa ruim, coisa do diabo, bem e mal, certo e errado, branco e preto. Antagonismos opressores, sem possibilidades alternativas. Havia, de parte dos senhores, das autoridades e da Igreja, um zelo natural pela conversão dos africanos ao catolicismo, sendo considerado um dever cristão receberem os mesmos a doutrina, serem batizados e levados à prática da religião católica. O negro resolveu tentar agir como se fora branco, para ser aceito. Ele dizia:” - meu Senhor, a gente tá tocando para Senhor do Bonfim, seu Santo, nhô! Não é para Oxalá, quer dizer, Oxalá é o Pai Nosso, é o mesmo que Senhor do Bomfim”. Assim se estabeleceu o Sincretismo no Brasil. Com o objetivo de evitar choques com as autoridades, sem deixar de preservar na prática do seu culto, os africanos dissimulavam seus otás colocando sempre à frente deles a imagem de um santo católico que mais se aproximasse - segundo interpretações individuais - das características do Orixá cultuado. Nasceu,

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com isto, um grande sincretismo dos Orixás com os santos da Igreja. A falta de sistematização com que se realizou esse ajustamento muito concorreu para que surgissem as discrepâncias hoje constatáveis. Assim é que diferentes santos da Igreja são sincretizados num mesmo Orixá. Muito se perdeu, a terra africana reduziu-se a pequenos torrões, porém o candomblé era eficaz: o senhor procurava a negra velha para fazer um feitiço, para que lhe desse um banho de folha, lhe desse um “patuá”.

Em tupi, “patuá” quer dizer caixa, caixão, designando-se com essa palavra todas as modalidades de magia que dão sorte. Patuás são igualmente os amuletos "de santos ou do diabo", os primeiros, na maioria, trabalhados pelos italianos, assim os de Santa Lúcia contra a vista fraca, coração de Jesus, os do Espírito Santo contra todos os males, e a "figa" contra o mau- olhado. (CASCUDO, Luís da Câmara. Antologia do folclore brasileiro, p.106-

109).

Assim, de geração para geração, seus rituais vêm sendo adaptados à nossa cultura, na medida da necessidade. E, ao longo do tempo, ganharam adeptos dentre os brasileiros de outras raças, conquistando parcela, de certa forma, até expressiva em nossa população. O fetiche, marca registrada de muitos cultos praticados na época, associado à luta dos negros pela libertação e sobrevivência, à formação dos quilombos e à toda a realidade da época acabaram impulsionando a assimilação e a formação de religiões muito praticadas atualmente - a Umbanda, a Quimbanda e o Candomblé, as quais têm forte penetração no país, especialmente em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e na Bahia.

1.2 A COMPLEXIDADE DO SINCRETISMO

Compreende-se sincretismo numa visão complexa, como analisa Sergio

Ferretti . Ele localiza cinco tendências ou fases nos debates sobre o sincretismo religioso afro-brasileiro.

A primeira foi a teoria evolucionista, sistematizada por Nina Rodrigues, que a

denominou "a ilusão da catequese".

A segunda, de Arthur Ramos e Herskovitz, é a culturalista - o sincretismo

como aculturação incluindo conflitos, acomodação e assimilação.

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A terceira, de Roger Bastide e seguidores. Um deles, Juana Elbein dos

Santos, acredita na capacidade do negro de "digerir" diversos elementos ou africanizar as contribuições sem "embranquecer". Uma quarta tendência (anos 70-80 até hoje), da qual Peter Fry é um dos conceptores, analisa a "nagocracia" (predomínio do modelo nagô-ketu) entre os terreiros e o sincretismo é uma construção que nasce da disputa de poder e prestígio. A quinta, mais atual, elaborada principalmente a partir da década de 80 critica a idéia de sincretismo como "máscara colonial para escapar a dominação ou estratégia de resistência"; também não aceita a justaposição ou a "colcha de retalhos". Em síntese, Ferretti propõe a complexidade do termo sincretismo, seus múltiplos sentidos que se aplicam às religiões afro-brasileiras, e as variadas

combinações de significados que pode apresentar conforme o contexto estudado (FERRETI, 1995).

É esta complexidade que consideramos como pressuposto, como assinala

BRAGA (1995, p.18):

Certo é que o negro soube criar e soube valer-se de situações sociais e culturais que lhe permitiram, de alguma maneira, alcançar resultados práticos, necessários à consolidação de alguns de seus interesses

Toda vez que interessou aos propósitos de suas

reivindicações sociais o negro soube, com extrema competência aproveitar- se da situação social em que vivia. Conduziu seu projeto maior de ascensão social com habilidade, sabendo negociar, aproveitando das raras ocasiões favoráveis, para sedimentar bases sólidas que ainda servem de substrato às

diferentes frentes de lutas

fundamentais

Por outro lado, outros autores assim interpretam e entendem o SINCRETISMO:

O processo sincrético, observado do ponto de vista do negro escravizado, se

aproxima muito daquilo que L. Maldonado chama, positivamente, de sincretização: a releitura dos significantes originários enriquecendo-os de outros novos, para que o significado não seja perdido. Se não fosse assim, como explicar a presença em seus cultos de somente alguns símbolos católicos? Por que existem estátuas de alguns santos nos templos de vodu e nos terreiros de candomblé, e faltam, em vez, outros símbolos diretamente ligados à missa católica, por exemplo? Para R. Bastide (1971), o chamado sincretismo resulta de três modalidades de relação: estrutural, cultural e sociológica. O africano lê o panteão católico, transbordante de santos e virgens-marias, a partir da relação entre os orixás intercessores e Olorum, deixando de lado, no entanto, a ideologia católica do "sofre

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aqui para gozar no além". Portanto, sincretismo significa a religião africana a purificar o catolicismo quando aceita o culto aos santos. Bastide não vê o cristianismo como compensação para a desgraça dos escravos, ou sublimação de seus sofrimentos. Explicar dessa forma o complexo fenômeno do sincretismo afro-brasileiro "só tem cabimento para a mentalidade dos brancos e somente é possível aos negros alienados". A leitura (cultural) dos santos como aqueles que presidem diversas atividades humanas facilita a aproximação com os orixás, também esses dirigentes de um determinado setor da natureza (Xangô, os relâmpagos e trovões; Oiá-Iansã, os ventos e tempestades; Oxum, a água doce) ou protetores das profissões (como Ogum, que protege todos aqueles que trabalham o ferro). Enfim, a prática católica das irmandades, com as suas disputas e rivalidades, propicia um espaço adequado a fim de que se mantenha certa emulação dentre as diversas etnias africanas, contribuindo indiretamente com sua sobrevivência. Assim, conforme P. Verger, um angolano ou um congolês residentes no Brasil se inscreve na Ordem Terceira de Nossa Senhora do Rosário dos Homens de cor do Pelourinho; um daomeano jeje, na Irmandade de Bom Jesus dos Necessitados e da Redenção dos Homens Negros; um nagô-iorubá, na Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, e assim por diante. Portanto, não há tão-somente uma aproximação entre orixás e santos, mas antes a participação dos membros do candomblé na vida da igreja católica. E isso a tal ponto que, se alguém não for católico, não poderá tomar parte num terreiro. Assim, e com um leve toque de imaginação, os escravos encontram nos santos católicos algo que os remete a seu panteão. Por exemplo, para a analogia entre Oxalá e Jesus Cristo basta a aproximação externa entre a bengala de Oxalá velho e a figura do Bom Pastor com seu cajado. Com procedimentos desse gênero, os negros reinterpretam inúmeras festas católicas: Exu é festejado no dia de São Bartolomeu; Xangô, no dia de São João; Ogum divide as comemorações com São Jorge; Omolu, com São Sebastião; os Ibejis (orixás da infância), na festa de Cosme e Damião; Oxalá brilha nos festejos do ano novo (na Bahia, na festa do Senhor do Bonfim); e Iansã, no dia de Santa Bárbara. Mas, as datas e as correspondências santo-orixá não são iguais para todas as regiões do Brasil. Xangô é São Jerônimo na Bahia, o Arcanjo São Miguel no Rio de Janeiro, e São João em Alagoas. Exu é o diabo na Bahia (talvez, por causa de

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seu caráter trickster), Santo Antônio no Rio de Janeiro, São Pedro no Rio Grande do Sul (aqui entendido como porteiro e mensageiro dos deuses). Proliferação de terreiros. Massificação, turismo, folclore. Dinheiro.Sincretismo. Tudo isso, reunidos, formam interessantes “Fenômenos SOCIOLÓGICOS”, que influenciam, direta ou indiretamente, na vida do povo brasileiro.

1.3 O CENSO DO IBGE E AS RELIGIÕES DOS BRASILEIROS

1.3.1 A decadência da hegemonia católica

Há algumas décadas, Ribeiro de Oliveira constatava o fenômeno da mistura religiosa sincrônica, verificada nas diversas camadas da população brasileira. Para ilustrar a singularidade do fenômeno, o autor apresentava os resultados dos recenseamentos oficiais em relação à religião declarada. Ali se percebia, de fato, que, em 1950, 93,48% dos brasileiros se professa católico; vinte anos mais tarde, a cifra mantém-se em 91,77%. Durante o mesmo período, o número daqueles que se declaravam espíritas chegou até a baixar: de 1,59% em 1950 cai para 1,27% em

1970.

Tais dados maravilhavam o referido pesquisador, uma vez que o crescimento dos movimentos religiosos autônomos e do assim chamado "baixo espiritismo" é claríssimo. É o que já indicava, por exemplo, o seguinte quadro, tirado de uma pesquisa realizada há mais de três décadas numa favela carioca:

Tabela 1 - A DECADÊNCIA DA HEGEMONIA CATÓLICA

1937

1500

habitantes

1

capela

 

2

centros

 

católica

espíritas

1952

4513

habitantes

1

capela

1 Igreja protestante

4

centros

 

católica

espíritas

1967

30702

1

capela

9 igrejas

18 centros

habitantes

católica

protestantes

espíritas.

Fonte: http://www.pucsp.br/rever/rv3_2002/t_soares.htm - acessado em 07.10.07, às 07h09m

Sem dúvida, a agressividade apologética dos decênios anteriores ao Concílio Vaticano II sofreu um grave revés. Nada mais fez senão apavorar as pessoas e inibi- las socialmente – o que explicaria porque existe a tendência difusa de se esconder a segunda religião. Segundo Ribeiro de Oliveira, os fatores da ortodoxia tiveram,

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então, de se render à mistura ritual, a fim de não perder a hegemonia na sociedade civil.

Todavia, como foi possível este “revival” explícito, sobretudo após a década de sessenta, de heranças simbólico-religiosas consideradas praticamente desaparecidas? M. C. Azevedo, 1986, sugere quatro fatores que poderiam explicar o recente "fenômeno espírita": (Comunidades Eclesiais de Base e Inculturação da fé, p. 140-144):

Nas últimas décadas verificou-se uma notável reaproximação de populações

de origem africana dos cultos e elementos subjacentes à sua cultura. Os

portões foram escancarados após a perda da estrutura rural que sustentava

a religiosidade popular católica. Contemporaneamente, foi intensificado o processo de descriminalização das expressões culturais afro-brasileiras.

O espiritismo responde, além do mais, à necessidade popular do

maravilhoso, que uma vez impregnara o catolicismo rural, e que provinha basicamente de determinadas fontes africanas e indígenas. A paróquia católica urbana - CEBs incluídas - não vinha satisfazendo mais esse aspecto.

Segundo M. C. Azevedo, 1986, com exceção da linha kardecista, os demais espiritismos não têm uma grande bagagem de conteúdos mentais que promovam a pessoa mediante novos conhecimentos - como, por exemplo, faz a Bíblia. Oferecem, em vez, um novo espaço à sensibilidade e à afetividade que supre suficientemente a dimensão lúdica do catolicismo festivo. O caso é que nem todos os clientes do que Azevedo chama, genericamente, de espiritismo estão dispostos a enfrentar o longo e exigente caminho iniciático. Por fim, o espiritismo, nesse sentido lato usado por Azevedo, representaria uma verdadeira ruptura contra dois elementos decididamente caros à igreja: a palavra (Bíblia) e os sacramentos. Todavia, isso não requer - como fazem, em geral, os movimentos religiosos pentecostais - um distanciamento institucional. O católico que o freqüenta não se sente no dever de abandonar a igreja, e procura manter as duas pertenças, uma vez que ambos se complementam na resposta a suas necessidades religiosas. A alternativa espírita atrai sempre mais o apelo religioso das pessoas. Os ritos católicos de integração da biografia individual já vêm sendo repetidos sem muita clareza e convicção, deixando progressivamente o espaço ao espiritismo. Uma tendência que, no parecer de M. C. Azevedo, poderá reduzir ou eliminar a ambigüidade da prática religiosa das pessoas. O Autor vislumbra a lenta passagem de um catolicismo popular festivo para um espiritismo popular festivo. O espiritismo ritual já deve ter ultrapassado o catolicismo ritual (velas, despachos, devoções a São

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Jorge, Cosme e Damião, Iemanjá). "Talvez, a própria missa católica - 7º dia, etc. - já esteja situando-se, de modo impreciso, entre a 'convenção social' pura e um confuso 'ritual' passivo e não compreendido". Não se deve esquecer, porém, de que tanto as igrejas pentecostais quanto o espiritismo têm a vantagem de contar com estruturas acentuadamente aliviadas do peso hierárquico-piramidal, com a conseqüente homogeneização das classes. Daí resulta a crescente aproximação entre membros e lideranças. Soma-se a isso a efetiva rede assistencial que tais organizações têm em mãos, e que fazem estrepitoso sucesso em meio aos milhões de doentes, abandonados pelos órgãos públicos (ir-)responsáveis. Por isso, ser católico e ser brasileiro, apesar do anticlericalismo explícito da República Velha (1889-1930), praticamente permaneceu como sinônimo. E, com exceção de solitárias vozes no deserto, a sociedade religiosa instaurada perdeu a oportunidade de ser “Evangelion”. Não foi uma Boa Notícia para os povos cujos cuidados assumiram. Não foi, portanto, igreja para eles.

A seguir, fomos buscar dados estatísticos e encontramos o seguinte:

1.3.2 Os dados do censo brasileiro

Conforme mostra a Tabela 1, abaixo, o pequeno contingente de afro- brasileiros declarados representava em 1980 apenas 0,6% da população brasileira residente. Em 1991 eles eram 0,4% e agora, em 2000, são 0,3%. De 1980 a 1991 os afro-brasileiros perderam 30 mil seguidores declarados, perda que na década seguinte subiu para 71 mil. Ou seja, o segmento das religiões afro-brasileiras está em declínio. Principalmente se levarmos em conta que, nesse interregno, a população do país aumentou consideravelmente.Vejamos os dados comparativos:

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Tabela 2 - religiões declaradas nos censos do Brasil em 1980, 1991 e 2000 (população não residente)

Religião

1980

1991

2000

Católicos

89,2

83,3

73,8

Evangélicos

6,6

9,0

15,4

Espíritas

0,7

1,1

1,4

Afro-brasileiros

0,6

0,4

0,3

Outras religiões

1,3

1,4

1,8

Sem religião

1,6

4,8

7,3

TOTAL (*)

100,0%

100,0%

100,0%

(*) Não inclui religião não declarada e não determinada. Fontes: IBGE, Censos demográficos.

http://revistaseletronicas.pucrs.br/civitas/ojs/index.php/civitas/article/viewFile/108/104, acessado em 08.10.2007, às 11h27m

Tabela 3 - As religiões afro-brasileiras nos censos de 1980, 1991 e 2000

Religião

1980

1991

2000

Incremento em %

 

1980-1991

1991-2000

Religiões afro-

678.714

648.475

571.329

- 4,5%

- 11,9%

brasileiras

0,57%

0,44%

0,34%

(candomblé +

umbanda)

 

+ 31,3%

Candomblé

(*)

106.957

139.328

(*)

 

0,07%

0,08%

Umbanda

(*)

541.518

432.001

(*)

- 20,2%

 

0,37%

0,26%

População total

119.011.052

146.815.788

169.799.170

+ 23,4%

+ 15,7

do Brasil

100%

100%

100%

Candomblé sobre o total de afro-brasileiros em %

(*)

16,5%

24,4%

Fonte: IBGE, Censos Demográficos, 2003. (*) Dado não disponível.

http://www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/seguidor.doc., acessado em 08.10.2007, às 11h29s

Conforme o censo realizado em 2000, vemos que 73,8% dos brasileiros são

católicos, 15,4% são evangélicos e logo a seguir vêm os sem religião, com 7,3% de

auto-declaração. Somando-se estas três principais religiões, chegamos a um total de

96,5%. Com isso, concluímos que as demais religiões ocupam apenas 3,5% da

população brasileira.

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Todas as outras modalidades religiosas que não as católicas e evangélicas se acotovelam nessa faixa, que é estreitíssima. Claro que são muitas as outras religiões citadas pelos entrevistados, e o Censo as discerne nominalmente, mas nelas se congregam populações muito pequenas, para não dizer ínfimas. Os espíritas kardecistas comparecem com apenas 2.337.432 adeptos, ou 1,38% da população. Mas estão crescendo. Todavia, é importante avaliarmos os resultados obtidos no Censo do IBGE: recentemente, quando Chico Xavier morreu, (ícone brasileiro do kardecismo) seus seguidores afirmavam que existiam 10 milhões de espíritas no Brasil. Porém, de acordo com o censo, como vimos acima, são 2,3 milhões. Mas, ao contrário dos kardecistas, as religiões afro-brasileiras -- objeto deste trabalho -- estão diminuindo: no Censo 2000 seus seguidores são apenas 571.329, ou apenas 0,34% dos brasileiros. Nesse número, os umbandistas são pouco mais de 430 mil e os candomblecistas não chegam a 140 mil em todo o país. Podem ser muitas as razões do descenso afro-brasileiro, mas certamente elas estão associadas às novas condições da expansão das religiões no Brasil no contexto do mercado religioso. A oferta de serviços que a religião é capaz de propiciar aos consumidores religiosos e as estratégias de acessar os consumidores e criar novas necessidades religiosas impõem mudanças que nem sempre religiões mais ajustadas à tradição conseguem assumir. É preciso, sobretudo, enfrentar-se com os concorrentes, atualizar-se. Para religiões antigas, podem ocorrer mudanças que mobilizam apenas um setor dos líderes e devotos, como, por exemplo, ontem, a fração das Comunidades Eclesiais de Base e, hoje, a parcela da Renovação Carismática do catolicismo (Prandi, 1997). Isso vale para os grandes grupos de religiões congêneres. No caso dos evangélicos, avançam os renovados pentecostais, mas declinam algumas das denominações históricas, tradicionais. Certamente, o sincretismo católico, que por quase um século serviu de guarida aos afro-brasileiros, não deve mais lhes ser tão confortável. Quando o próprio catolicismo está em declínio, a âncora sincrética católica pode estar pesando desfavoravelmente para os afro-brasileiros, fazendo-os naufragar. Por outro lado, é sabido como muitas igrejas neo-pentecostais têm crescido à custa das religiões afro- brasileiras, sendo que para uma de suas mais bem sucedidas versões, a Igreja Universal do Reino de Deus, o ataque sem trégua ao candomblé e a umbanda e a seus deuses e entidades é constitutivo de sua própria identidade (Mariano, 1999).

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No interior das religiões afro-brasileiras, o pequeno candomblé foi crescendo. Mostra a Tabela 2 acima, que, em 1991, o candomblé já tinha conquistado 16,5% dos seguidores das diferentes denominações de origem africana. Em 2000, esse número passou a 24,4%. O candomblé cresceu para dentro e para fora do universo afro-brasileiro. Seus seguidores declarados eram cerca de 107 mil em 1991 e quase 140 mil em 2000, o que representa um crescimento de 31,3% num período em que a população brasileira cresceu 15,7%. Por outro lado, a umbanda, que contava com aproximadamente 542 mil devotos declarados em 1991, viu seu contingente reduzido para 432 mil em 2000. Uma perda enorme, de 20,2%. E porque o peso da umbanda é maior que o do candomblé na composição das religiões afro-brasileiras, registrou-se para este conjunto nada mais nada menos que um declínio de 11,9% numa só década. Na década anterior, as religiões afro-brasileiras já tinham sofrido uma perda de 4,5%, declínio que não somente se confirmou como se agravou na década seguinte. Em suma, o conjunto encolheu, mas o candomblé cresceu.

2 AS PRINCIPAIS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

2.1 O CANDOMBLÉ

Religião afro-brasileira que cultua os orixás, deuses das nações africanas de língua Yorubá dotados de sentimentos humanos como ciúme e vaidade, e que tem suas origens no Bantu, Nagô e Yorubá. O candomblé chegou ao Brasil entre os séculos XVI e XIX com o tráfico de escravos negros da África Ocidental. Sofreu grande repressão dos colonizadores portugueses, que o consideravam feitiçaria. É a religião que mais conservou as fontes do panteão africano, servindo como base para o assentamento das divindades que regeriam os aspectos religiosos da Umbanda. É conhecido e praticado, não só no Brasil, como também em outras partes da América Latina onde ocorreu a escravidão negra - a Santería -- similar cubana, por exemplo, é muito famosa. Em seu culto, para cada Orixá há um toque, um tipo de canto, um ritmo, uma dança, um modo de oferenda, uma forma de incorporação, um local próprio e uma saudação diferente. A autoridade suprema no Candomblé, o mestre, guia e chefe de

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um terreiro, encarregado de dirigir o culto aos orixás, é chamado Babalorixá, pai-de- santo, babá ou babalaô. A palavra candomblé é sinônimo de religião africana. Sempre foi e é usada ainda neste sentido. O Candomblé propriamente dito, é uma dança religiosa, de origem africana, na qual os iniciados reverenciam ou rezam para seus Orixás. A dança é, portanto, uma invocação. É praticada principalmente por pessoas do sexo feminino, chamadas “sambas”. Homens também podem participar da dança, mas o bailado das “sambas” tem maior efeito invocador.

As reuniões são realizadas em barracões rústicos e erguidos de acordo com

certos preceitos: o feitio do barracão é retangular, com telhado coberto de palmas e

ao seu redor são construídas casinholas para assentos dos santos. Os deuses do Candomblé têm origem nos ancestrais africanos divinizados há mais de 5000 anos. Muitos acreditam que esses deuses eram capazes de manipular as forças naturais, por isso, cada orixá tem sua personalidade relacionada a um elemento da natureza. As cerimônias são realizadas com cânticos, em geral, em língua nagô ou yorubá. Os cânticos em português são em menor número e refletem o linguajar do povo. Há sacrifícios de animais (galo, bode, pomba) ao som de cânticos e danças. A percussão dos atabaques constitui a base da música. O despacho exige azeite de dendê, farofa, cachaça e outras oferendas, variando conforme a necessidade. Os filhos de santo são os sacerdotes dos orixás e nem todos são preparados para receber os santos. Existem os que sacrificam animais, os que cuidam dos guias quando os espíritos baixam e ainda os que tocam o atabaque e os que preparam a comida a ser oferecida. A síntese de todo o processo seria a busca de um equilíbrio energético entre os homens e a energia dos seres que habitam o orum, o suprareal

(que tanto poderia localizar-se no céu - como na tradição cristã - como no interior da Terra, ou ainda numa dimensão estranha a essas duas). No Brasil, existem diferentes tipos de Candomblé, o Queto, na Bahia, o Xangô, em Pernambuco, o Batuque, no Rio Grande do Sul e o Angola, em São Paulo e Rio de Janeiro. Eles se diferenciam pela maneira de tocar os atabaques, pela língua do culto, e pelo nome dos orixás. A zona de maior propagação dessa religião encontra-se nos arredores de Salvador, Bahia.

O mais antigo terreiro de Candomblé da Bahia nasceu há 450 anos. É

conhecido como Engenho Velho ou Casa Branca, e fica na avenida Vasco da Gama, em Salvador. Por volta de 1830 três mulheres negras conseguiram fundar o primeiro

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templo de sua religião na Bahia, conhecida como Ylê Yá Nassó, casa da mãe Nassó. (Nassó seria o título de princesa de uma cidade natal da costa da África). Seria o primeiro terreiro resistindo às opressões católicas. Da casa da mãe Nassó se originam outros que sobrevivem até hoje, e que fazem parte do grande CANDOMBLÉ DA BAHIA: o Gantóis, cuja ilustre dirigente foi mãe menininha do gantóis (falecida em 1986), e o Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, que, por sua vez, deram origem a muitas outras, em cada canto de Salvador, das principais cidades do interior e de outros estados brasileiros.

2.1.1 Generalidades do Candomblé

Caboclo - Existem os chamados "Candomblés de Caboclo", típicos dos cultos trazidos pelos negros de Angola. Nessas cerimônias, as filhas e os filhos de santo incorporam não apenas os orixás (que jamais conversam com os presentes), mas também os espíritos de "caboclos", que seriam entidades de luz da corrente indígena. No Candomblé, “o caboclo” é o dono da terra. Em Salvador há uma festa anual que dura três dias em sua homenagem. Os caboclos, na sua maioria, são espíritos de índios, exceto o Boiadeiro, que é vaqueiro; o Martin Pescador, que como o nome já diz, é pescador; o Marujo que é marinheiro e alguns outros. Os caboclos de maior popularidade são: Oxossí, Tupinambá, Tupiniquim, Sete flechas, Pena Branca, Sultão das Matas, Sete Serras, Serra Negra, Pedra Preta (este ultimo teria sido o espirito do famoso pai de santo Joãozinho da Gomeia), Erú, Rompe Mato, Raio do Sol, Rompe Nuvem e outros. Na Bahia os Candomblés são em maioria caboclos, são um misto de Keto e Angola. Vodum - A religião dos orixás entre os Iorubás-nagôs (Nigéria/Benin) e dos voduns entre evê-fon (Togo/Benin), no Brasil conhecido como Jejes ou Minas, está ligada à nação de família numerosa originária de um mesmo antepassado que engloba os vivos e os mortos. Em principio seria um ancestral divinizado que em vida estabelecera vínculos que lhe garantiam um controle sobre as forças da natureza, como o trovão, as águas, o vento ou a possibilidade de exercer atividades como a caça, trabalho com metais e o conhecimento de propriedades das plantas e sua utilização.

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Mavu Lissa - A mais importante divindade dos voduns. Lissa simboliza o principio masculino, o sol e é representado pelo camaleão. Mavu simboliza o principio feminino, a lua, considerada mãe de todos os sexos. São representados por duas metades de uma cabeça embranquecida. Mavu e Lissa exprime a unidade do mundo concebido em termos de qualidade, na nação Keto é Olorum. Xapanã/Sapatá - Divindade da varíola e das doenças contagiosas. Xapanã é chamado Obaluaê ou Omolu, e o vodum Sapatá é o dono da terra e rei das pérolas. Seu dia é segunda-feira. Egun - Alma dos mortos cultuada nas famílias. Os Eguns recebem as peças e oferendas dos seus descendentes e proferem em reciprocidade, benção e votos de felicidades. Tambor - Tambor das Minas ou tambor de Mina. Um dos nomes do culto Jeje de Candomblé no Maranhão, já que as cerimônias eram marcadas pelo toque de tambores. Terreiro - Uma casa de santo pode existir em qualquer espaço, desde que tenha ligação com a terra, neste espaço existem pontos, instalados pelo pai ou mãe de santo, que todo terreiro deve ter. Sendo uma religião iniciática, o acesso a certos espaços do terreiro, como por exemplo, pejis, roncó, cozinha, está vinculado ao conhecimento da religião que o indivíduo tem. Apenas os ebomis transitam livremente por todos estes espaços. O candomblé ainda necessita de outros espaços para realização de seus rituais e por ser também uma religião tribal, originária de sociedades agrárias, sua relação com a natureza, do ponto de vista dos rituais se encontra bastante prejudicada em grandes cidades como São Paulo, por exemplo.Tornam –se necessárias adaptações, substituições, muito lamentadas pelos sacerdotes.

Cerimônias Públicas - Festa ou Toque é o nome que se dá, genericamente, à cerimônia pública de candomblé. O objetivo principal é a presença dos orixás entre os mortais. Sendo a música uma linguagem privilegiada no diálogo dos orixás, a festa pode ser entendida como um chamado ou uma prece, pedindo aos deuses que venham estar junto a seus filhos, seja por motivo de alegria ou necessidade. Tratando-se de uma festa,todo o terreiro é enfeitado com folhas na parede e no chão e os três atabaques (RUM, RUMPI, LÉ), considerados aqueles que chamam os orixás juntamente com EXÚ, recebem comidas e são enfeitados com laços na cor do orixá ao qual foram consagrados. Todas as festas acontecem no espaço do

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terreiro denominado barracão, onde se encontram os atabaques, à frente dos quais canta e dança o povo- de- santo, separado ( ainda que dentro de um mesmo ambiente ) da assistência. Um toque comum começa, geralmente, pelo ritmo dos atabaques chamando a roda - de- santo (filhos de santo organizados em círculo), respeitando a hierarquia do terreiro. As roupas costumam ser muito bonitas, fazendo alusão ao orixá individual do adepto. São usadas as contas dos orixás, os brajás (colar de contas feito em gomos , símbolo do conhecimento e poder) e as faixas na cintura, símbolos de ebomis e tudo o que identifique o status religioso. A roda entra dançando e estando no barracão, os atabaques param, o pai- de-santo saúda EXÚ e tem início o padê, que tem por finalidade “despachar” EXÚ (através da oferenda de farinha com dendê e gim), seja porque se acredite que ele possa causar perturbações ao toque, seja porque se acredite que é ele o principal mensageiro,que abrirá os caminhos para vinda os orixás. Fim do padê, prossegue o xirê que é uma estrutura seqüencial de cantigas para todos os orixás cultuados na casa ou mesmo pela Nação começando por EXÚ e indo até OXALÁ. A palavra xirê significa brincar, dançar, e mostra o tom alegre da festa onde os Orixás vêm à terra para dançar e brincar com seus filhos. Seja qual for a seqüência, privilegiando os vínculos de parentesco e de nação, ela costuma ser fixa para cada casa, dirigindo os acontecimentos da festa, fazendo com que os filhos-de-santo identifiquem, através das cantigas e ritmos, os momentos apropriados ao cumprimento da etiqueta religiosa. Durante os rituais, são entoados cânticos de louvor aos orixás. Geralmente, as letras dessas cantigas ressaltam as características de cada divindade, e destina- se a invocá-las. Costuma-se entoar de três a sete cânticos para cada uma delas. Quando a entidade finalmente "desce", incorpora-se nas filhas-de-santo a elas consagradas. Assim, as filhas de Iansã "recebem" Iansã, as de Oxalá, incorporam o próprio, e assim por diante. Depois de todas as filhas (e filhos) de santo estarem incorporadas e devidamente paramentadas, elas dançam em roda no barracão, ao som as cantigas e dos atabaques, e dessa maneira os orixás asseguram sua proteção a seus descendentes.

2.2 A UMBANDA

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Religião afro-brasileira que mistura crenças e rituais africanos com europeus. As raízes umbandistas encontram-se em duas religiões trazidas da África pelos escravos: a cabula, dos bantos, e o candomblé, da nação nagô. Cavalcante Bandeira reporta-se aos mestres do idioma africano, citando o vocábulo umbanda como: “Arte de curar”, “Magia”, “Faculdade de curar por meio da medicina natural ou sobrenatural”; ou ainda “Os sortilégios que, segundo se presume, estabelecem e determinam a ligação entre os espíritos e o mundo físico”. O vocábulo “Umbanda” só pode ser identificado dentro das qualificadas línguas mortas. Assim, a palavra "UMBANDA" é oriunda do Sânscrito, que se pode traduzir por “DEUS AO NOSSO LADO” ou “AO LADO DE DEUS”. Uma das religiões afro-brasileiras mais praticadas no Brasil, com maior propagação na Bahia e no Rio de Janeiro, a Umbanda brasileira começou a ser formada por volta de 1530, com a mistura de concepções religiosas trazidas pelos negros da África, na época da escravidão. Todavia, o primeiro terreiro foi fundado somente em 15 de novembro de 1908, através de Zélio Fernandino de Moraes. Na época com 17 anos, Zélio, que fazia parte de uma família tradicional de Niterói, RJ, incorporava o chamado “Caboclo das Sete Encruzilhadas” e foi o responsável pela formação de sete tendas que acabaram difundindo a Umbanda. Todas as tendas funcionavam sob o lema: "manifestação do espírito para a caridade" e usavam rituais simples com cânticos baixos e harmoniosos.

2.2.1 Aspectos Característicos da Umbanda

A Umbanda é uma doutrina espiritualista como o Espiritismo, o Catolicismo, o

o que não impede de haver entre elas diferenças essenciais que

lhe dão características próprias. É resultante natural da fusão espiritual das raças branca, índia e negra. A Umbanda incorpora os adeptos dos deuses africanos como caboclos, pretos velhos, crianças, boiadeiros, espíritos das águas, eguns, Exús, e outras entidades desencarnadas na Terra, sincretizando geralmente as religiões católica e espírita.

Esoterismo, etc

Fundamento básico – É a crença ou culto aos espíritos evoluídos. Sua lei principal é resumida numa só palavra: CARIDADE – no sentido do amor fraterno em

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benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social, não podendo haver ambicioso, vaidoso, mistificadores, pois estes, mais cedo ou mais tarde, são afastados da Umbanda pelos espíritos de luz. Por tais razões, os “atendimentos” na Umbanda são totalmente gratuitos.

O sacrifício de animais (oferenda de sangue) nunca foi, não é e nem será

ritual de Umbanda. Não cobrar, não matar, usar o branco, evangelizar e utilizar as

forças da natureza são rituais de Umbanda.

O chefe da casa é conhecido como Pai de Santo e seus filiados são os filhos

ou filhas de santo. O Pai de Santo principia a cerimônia com o encruzamento e a defumação dos presentes e do local. Seguem-se os pontos, cânticos sagrados para

formar a corrente e fazer “baixar o santo”. Muitos são os orixás invocados na cerimônia de Umbanda, entre eles Ogun, Oxóssi, Iemanjá, Exú, entre outros. Também se invocam pretos velhos, índios, caboclos, ciganos. A Umbanda absorveu das religiões africanas o culto aos Orixás e o adaptou à nossa sociedade pluralista, aberta e moderna, pois só assim um culto ancestral poderia renovar-se no meio humano, sem que a identidade básica dos seus deuses fosse perdida. A Umbanda é definida pelos umbandistas como “um movimento

mágico religioso”, genuinamente brasileiro, e a sua finalidade primordial como religião é a de “despertar anseios de espiritualidade na criatura humana”. Para que esse despertamento se faça, torna-se necessário “um permanente estado de religiosidade, onde toda vivência é baseada na compreensão e plena sensibilidade (não sentimentalismo), para com tudo e todos que nos cercam e compõem a humanidade”.

A umbanda considera o universo povoado de entidades espirituais, que são

chamados de “guias”, os quais entram em contato com os homens por intermédio de um iniciado (o médium), que os incorpora. Tais guias se apresentam por meio de figuras como o caboclo, o preto-velho e a pomba-gira. Os elementos africanos misturam-se ao catolicismo, através do que conhecemos como “sincretismo religioso”, criando a identificação de orixás com santos. Outra influência sofrida pela umbanda é do espiritismo kardecista, que acredita na possibilidade de contato entre vivos e mortos e na evolução espiritual após sucessivas vidas na Terra. Incorpora ainda, a umbanda, ritos indígenas e práticas mágicas européias. Na Umbanda o Exú é uma Entidade (alma) que cuida da Segurança da casa e de seus médiuns.A reunião de Exú ou Gira de Exú tem como finalidade

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descarregar os médiuns e os consulentes. Unindo suas energias eles são capazes de entrar em contato e orientar mais facilmente com almas que ainda não encontraram um caminho. Estas almas vivem entre os encarnados, prejudicando- os, obsedando e até mesmo trazendo-lhes um desequilíbrio tão grande que estes são considerados loucos. Os Exús são almas que riem, fazem troça, mas não brincam em serviço,

segundo os entendidos da umbanda. Cada pessoa que entra em uma casa de Umbanda traz consigo seu “saco de lixo” cheio (são seus pensamentos, suas raivas,

e são os Exús os trabalhadores encarregados de juntarem todos

estes sacos para descarregar, dando a cada um a oportunidade de diminuir o seu lixo e facilitando as próximas limpezas. Os Exús são considerados pelos umbandistas como “a polícia espiritual das casas de Umbanda” e trabalham ligados às falanges das Sete Linhas de Umbanda, que trabalham nos Templos. Os Exú e a Pomba Gira são tidas pelos umbandistas como aquela polícia que guarda e toma conta das ruas, obedecendo sempre uma hierarquia de comando, que é o Exú chefe do Terreiro, e acima dele os guias chefes da Casa. Os Exús são vistos, também, na umbanda, como aqueles lixeiros alegres que passam pelas ruas recolhendo toda a “sujeira”. Vêm com brincadeiras e algazarras, mas fazem um trabalho enorme em benefício da sociedade. E as Pombas-gira seriam as “margaridas” -- mulheres que trabalham também na limpeza das ruas e da cidade, exercendo a sua profissão com presteza e determinação. Os Exús e Pomba-gira prestam obediência ao Chefe da Casa. Outra curiosidade na Umbanda diz respeito, hoje, ao uso generalizado de atabaques nessa religião. Quando o “Pai Zélio Fernandino de Moraes” registrou em cartório a primeira tenda Umbandista em 1908, sua própria casa, a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade não tocava atabaques, mas estes instrumentos do Candomblé foram incorporados a religião e hoje é difícil encontrar um terreiro de Umbanda que não os possua em seus rituais. As práticas existentes dentro dos terreiros de Umbanda variam muito. Alguns demonstram uma ligação mais forte com o Espiritismo, outros se aproximam mais do Candomblé. Em comum, têm a força dos rituais, denominados “giras”, em que os filhos e filhas-de-santo entoam cânticos e dançam ao som dos atabaques. As cerimônias geralmente acontecem à noite e se estendem madrugada adentro. Os espíritos que "descem" incorporam-se nos fiéis que estão participando da gira.

suas desilusões

)

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Aqueles que "recebem" os espíritos são chamados de “cavalos”. Durante a incorporação, o "cavalo" permanece inconsciente, e quem fala através dele é seu "guia", ou seja, a entidade espiritual a ele associada. Para auxiliar os “cavalos”, existem os “cambonos”, que ocupam papel relevante na hierarquia do terreiro. Mas a posição mais elevada cabe à mãe ou ao pai-de-santo, que é a pessoa responsável pelos trabalhos espirituais. Nos terreiros umbandistas, o ponto focal é o “congá”, altar profusamente enfeitado com flores, velas acesas e colares de contas coloridas, que simbolizam os diferentes santos e orixás. No congá, imagens de Jesus, Nossa Senhora e santos católicos dividem espaço com estatuetas de preto-velhos, caboclos, ciganos, marinheiros e outras entidades espirituais. Para a umbanda, seu Mestre Supremo é Jesus, considerado como o Filho de

Deus.

Eles acreditam que “Os mentores da Umbanda, sediados na “Aruanda” (cidade localizada no plano astral), já determinaram sabiamente o procedimento normativo, religioso para os setenta anos vindouros, 1979/2049, como sendo o período de Afirmação Doutrinária. Obviamente, a doutrina de Umbanda ficará como ponto essencial para a estabilidade e perpetuação desse movimento, na forma digna, ensejada pelo estudo constante, a par do esforço sincero de cada devoto, no sentido de conduzir a Umbanda, no plano físico, a um merecido status de religião organizada, a serviço da comunidade religiosa nacional”. Vejamos, a seguir, algumas outras características da Umbanda:

Jogo de Búzios - Oráculo usado como canal de comunicação entre os homens e os deuses. É comandado por Ifá, o orixá da adivinhação. Quizilas - Coisas que desagradam aos orixás. Nesse grupo, se incluem certos tipos de alimentos, além de cores, perfumes e uma infinidade de elementos. Por exemplo: O sangue é a quizila de Xangô. Obrigações - De tempos em tempos, o adepto do Candomblé tem o dever de prestar certas homenagens e de fazer oferendas para seus orixás, de modo que possa contar sempre com seus favores e sua proteção. Oferendas - Quando as entidades que compõem as diferentes falanges estão incorporadas, elas se prestam a aconselhar seus consulentes e a realizar alguns rituais. Nestas ocasiões, utilizam-se dos quatro elementos básicos da Natureza - ou seja, AR, TERRA, FOGO e ÁGUA.

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É por isso que, muitas vezes, essas entidades solicitam cigarros, bebidas, alimentos. Cada item pedido corresponde a determinados elementos naturais. Veja os exemplos:

Água e bebidas não-alcoólicas: Servem para a cura, pois simbolizam a força, o remédio e o poder gerador. Bebidas alcoólicas: Pertencem ao elemento Fogo e permitem transmutar as energias. Cachimbo, charuto ou cigarro: Une o Fogo, a Água, a Terra e o Ar, sintetizando, assim, os elementos de todas as linhas. Sacrifícios – Os sacrifícios de aves e animais é totalmente alheio à Umbanda. Agogô - Sineta de ferro dupla, que é acionada pelo alabê para dar início à cerimônia. Atabaques (rum, rumpi e lé) - Instrumentos musicais tocados durante as cerimônias por filhos de santo designados especificamente para essa função. Barracão - Grande sala, onde ocorrem os rituais, inclusive as cerimônias abertas ao público. Camarinha - Pequenos "quartinhos" espalhados pelo terreiro, dentro dos quais os filhos e filhas de santo se recolhem por ocasião de sua iniciação. Peji - Altares das Divindades. Nos pejis são depositadas as oferendas. Alabê - Responsável pelos atabaques e pelo toque do agogô, que marca o início dos trabalhos. Axoguns - São os filhos-de-santo encarregados de executar os serviços sacrificiais. Trabalham sempre sob a supervisão do babalorixá ou da ialorixá responsável pela casa. Babalorixá - Chamado também de zelador do terreiro ou pai-de-santo, é o dirigente dos trabalhos. É sobre ele que recai a responsabilidade pelos trabalhos espirituais realizados na casa. Aplica-se essa expressão somente para o sexo masculino. Ekede - É uma espécie de "monitora". Durante os rituais, ela conduz as iaôs incorporadas até seus respectivos pejis, e as paramenta com as roupas e as armas correspondentes ao orixá incorporado. Ialorixá - Exatamente a mesma coisa que babalorixá, só que neste caso, trata-se de alguém do sexo feminino. Também é chamada de "mãe-de-santo" ou zeladora.

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Laôs - Filhas-de-santo, que entoam os cânticos de louvor aos orixás e dançam em roda, durante os trabalhos. Em geral, são entoadas de três a sete cantigas para cada orixá. Quando este "desce", incorpora-se nas iaôs correspondentes. Vale ressaltar que as iaôs dividem todas as atividades realizadas no terreiro, inclusive limpeza, preparação das oferendas, etc. Ogans - Filhos-de-santo encarregados de garantir a manutenção do terreiro, por meio de contribuição financeira ou de algum benefício obtido por meio de seu prestígio pessoal. São sempre designados pelo responsável da casa. Cabe ao Conselho de Ogans garantir a subsistência material do terreiro. Pai-pequeno (ou mãe-pequena) - Assistente direto do babalorixá ou da ialorixá.

2.2.2 MANTRAS DE UMBANDA Um mantra ou ponto cantado, é uma série de sílabas que invocam a energia dos Orixás ou de Entidades espirituais durante as sessões através da energia mental. A relação entre a fala, a respiração e o mantra podem ser mais bem demonstrados através do método pelo qual o mantra funciona. Como vimos, um mantra é uma série de sílabas cujo poder reside em seu som; através da pronunciação repetida, pode-se obter controle sobre uma determinada forma de energia. A energia do indivíduo está fortemente ligada à energia externa, e uma pode influenciar a outra. É possível influenciar a energia externa, efetuando os assim chamados "milagres". Tal atividade é realmente o resultado de se ter controle sobre a própria energia, através do qual se obtém a capacidade de comando sobre fenômenos externos.

2.2.3 O sincretismo da umbanda com outras religiões

Além do sincretismo clássico entre a herança religiosa africana e o Catolicismo, a Umbanda absorveu elementos do Espiritismo kardecista, de modo que, no decorrer dos rituais, o fiel se comunica com espíritos desencarnados. O sincretismo entre orixás e santos católicos é muito forte. Vejamos as principais correspondências:

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Euá - Nossa Senhora das Neves. Iansã - Santa Bárbara. Ibejis - Cosme e Damião. Iemanjá - Virgem Maria, principalmente Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora dos Navegantes. Logum - São Miguel Arcanjo e Santo Expedito. Nanã - Santa Ana, mãe de Maria. Obá - Santa Catarina, Santa Joana D´Arc e Santa Marta. Obaluaiê - São Lázaro e São Roque. Ogum - Santo Antonio e São Jorge. Oxalá - Jesus. Oxóssi - São Jorge e São Sebastião. Oxum - Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora Aparecida. Oxumaré - São Bartolomeu. Xangô - São Francisco de Assis, São Jerônimo, São João Batista e São

Pedro.

2.3 A QUIMBANDA

Terceira maior religião afro-brasileira, a Quimbanda, por sua vez, diferencia- se das outras acima citadas, pois suas influências não são somente Bantu, Nagô e Yorubá. Também abrangem em larga escala vários aspectos da Religião Indígena, Católica, o Espiritismo moderno (kardecismo), a alquimia, o estudo da natureza fundamental da realidade e Correntes Orientais.

A formação da Quimbanda teve uma forte influência dos escravos e índios que sincretizaram Exú com o Diabo, por este ser “inimigo dos brancos” e por não aceitarem os Santos Católicos, identificando-se assim mais uma vez com o Diabo. Com o advento da Umbanda começou o trabalho de Quimbanda em Terreiros de Umbanda, o que deu sustentação firme aos trabalhos com os “Compadres” e Exús e assim formatou-se o atual culto da Quimbanda. Na verdade pode-se dizer que a Quimbanda, como a conhecemos atualmente, nasceu juntamente com a Umbanda, em 15 de novembro de 1908, pois uma Linha completa a outra.

A Quimbanda, também conhecida pelos leigos como macumba, é uma ramificação da umbanda que pratica a magia negra. Embora cultuem os mesmos

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Orixás e as mesmas entidades, se sirvam das mesmas indumentárias, e tenham em seus terreiros semelhanças muito marcantes, tais como a presença de um congá (altar) repleto de imagens dos santos católicos simbolizando os orixás, caboclos e pretos velhos, existem entre as duas religiões diferenças fundamentais e decisivas. Uma delas é que na Quimbanda são realizados despachos com animais como galos e galinhas pretas por exemplo, pólvora, objetos da pessoa a quem se quer prejudicar, dentes, unhas ou cabelo de pessoas ou animais. Estes despachos costumam-se realizar a meia-noite em locais como encruzilhadas e cemitérios.

Outra prática bastante freqüente da quimbanda e que também se encontra presente no vodu haitiano sob o nome de “paket”, é o envultamento. Este, diz respeito à construção de um boneco de pano ou qualquer outro material, desde que pertencente à pessoa a quem quer se prejudicar, e a seguir alfinetes ou pregos são utilizados para transpassar o corpo da imagem. Uma das práticas mais conhecidas da Quimbanda é a Gira dos Exús, ou Enjira dos Exús, cerimônia realizada, via de regra à meia noite, na qual diversos Exus incorporam nos médiuns e passam a dançar, beber, fumar, utilizando-se de uma linguagem bastante grosseira.

A Quimbanda está organizada hierarquicamente em sete grandes reinos, que compõem as Sete Linhas da Quimbanda, sendo que na Quimbanda também é Oxalá quem manda. O “Sr. Omolu” é o Rei, coroado por Oxalá, e este delega os poderes aos Exús Chefes de Falange.

Assim como há as sete linhas que regem e organizam as forças existentes dentro da Umbanda, dentro da Quimbanda o mesmo acontece e processa, pois conforme eles definem, "tudo que há em cima, há em baixo".

Um dado muito interessante, colhido na realização deste trabalho, foi a seguinte informação, prestada pelo “Xangô Damião Preto - Trabalho 33 - Grau 01, no dia 07/11/2005:

O Reino de Exu é composto em sua totalidade por um povo de 18.672.577 Exus, divididos em 7 linhas, onde estas linhas compreende 1.111 legiões, o que se entende que há 2401 Exus distribuídos nas falanges, sem contar os Kiumbas existentes e transitórios na Linha

Mista. (Extraído do site http://www.umbandavirtual.byhost.com.br/consulta.php?id=375, acessado em 23.11.2006).,

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De se perguntar, como curiosidade, como foi que chegaram a esse número existente de Exus!

Por outro lado, encontramos esta explicação também assaz interessante, do Sr. Ronald Sanson Stresser Junior, o qual se diz entendido na quimbanda, e reside em Salvador - BA:

É importante lembrar que quando o Exú, qualquer um deles, estiver incorporado no Pai de Santo, no dirigente dos trabalhos, ele está trabalhando com a Coroa e por este motivo é o Chefe dos trabalhos da Gira de Quimbanda, tendo liberdade de movimento entre os Reinos através do contato com os outros Exús presentes no trabalho. Trabalhar com os "compadres" Exús requer muito respeito e consideração por parte dos dirigentes, médiuns e consulentes pois são entidades muito poderosas, de muito Axé.

(Extraído de http://www.ruadasflores.com/quimbanda/ , acessado em 07.10.2007, às 8h25s).

As entidades que constituem a Quimbanda são denominadas Exús, Pombas- gira e Exús-mirins. Têm missão cármica definida e trabalham no sentido de evoluir no plano espiritual, exatamente como os integrantes de todas as outras falanges. Os Exús são responsáveis pelos trabalhos de proteção, além de terem energia vitalizadora e promoverem a desagregação de energias maléficas. Existe ainda um outro papel, muito delicado, que cabe aos integrantes desta hierarquia: é o de liberar o consciente e o inconsciente do fiel que estiver se preparando para desenvolver um trabalho mais ativo no terreiro. As entidades de Quimbanda podem trazer à tona os traumas e os segredos reprimidos - conscientemente ou não - pelo "filho de fé". Sendo assim, pode acontecer de os "cavalos" que estejam incorporando essas entidades de Esquerda usar linguajar torpe ou adotarem comportamentos duvidosos. Nestes casos, deve-se entender que aquele não é o procedimento da entidade em si - na verdade, pode tratar-se de uma "faxina" no inconsciente do próprio médium. Seus adeptos entendem que “a natureza complexa da missão confiada aos espíritos da Quimbanda os torna bem mais difíceis do que as demais entidades. Sendo assim, é necessário ter muito CONHECIMENTO e, principalmente, DISCERNIMENTO, para lidar com essas forças”.

2.4 O CATIMBÓ

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Culto estudado como uma das manifestações afro-brasileiras que começou sob forma de um ritual de origem indígena, com o tempo foi assimilando elementos do Candomblé, tornando-se uma manifestação cultural independente, cultuado ate hoje. Entretanto é mais conhecido por ser uma das correntes formadoras do sincretismo umbandista brasileiro. O culto básico é simples, resume-se no transe mediúnico do pajé, que atende as consultas dando orientação médica, prevendo o futuro, e resolvendo questões práticas. Aqui sua função se aproxima a do Babalorixá, já que ambos são pessoas que conhecem as folhas que curam ou provocam doenças, bem como aqueles que exercem ou orientam a nação para através do astral conseguirem o que lhes é negado pelo mundo material. O termo Catimbó originalmente se refere ao cipó que o indígena utilizava para entontecer os peixes e apanhá-los com maior facilidade. No catimbó, não são os deuses que se incorporam, mas os espíritos dos antepassados, o que influenciou claramente as linhas mestras do ritual umbandista.

2.5 O XANGÔ

Cultos de origem nagô ou cultos sincréticos por eles fortemente influenciados, na região nordestina, especialmente em Pernambuco e Alagoas. Também pode ser encontrado o termo, designando um culto semelhante ao Candomblé de caboclo. Essa extensão do nome de um orixá à totalidade do culto é originada no grande numero de devotos de Xangô entre os escravos que se fixaram na área.

2.6 O BABACUÊ

Culto brasileiro da Amazônia, especialmente de Belém do Pará. Tem muito da Umbanda em seus ritos, sendo formado pelo sincretismo entre o Candomblé, cultos indígenas nativos e informações cristãs em geral.

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Tem sua origem entre os negros do Daomé (atual Benin) e se baseia em dois pilares principais: a incorporação dos próprios deuses pelos fiéis e a invocação dos espíritos dos antepassados, com o objetivo de se fazer consultas oraculares.Essa crença se disseminou largamente no Haiti, onde ganhou os contornos de uma religião afro-cristã repleta de mitos supersticiosos e demonstrações exageradas de força e poder. No Brasil, esse culto não é tão popular quanto o Candomblé e a Umbanda, mas conta com um bom número de adeptos, sobretudo na região de São Luis do Maranhão. Foi lá que, em 1796, foi fundado o culto Mina Jeje, pelos negros fons, originários de Abomey (à época, capital do Daomé). A família real Fon trouxe consigo o culto às divindades (voduns, equivalentes aos orixás) e à Serpente Sagrada, denominada Dan (correspondente ao orixá Oxumaré). No Maranhão, a sacerdotisa - que equivaleria à mãe-de-santo do Candomblé - é chamada de “Noche”. Quando o homem ocupa este cargo, recebe a denominação de “Toivoduno”.

A mais famosa “Noche” da História do culto vodu maranhense foi Mãe

Andresa. Acredita-se que tenha sido a última princesa de linhagem direta da família real Fon. Morreu em 1954, aos 104 anos de idade.

2.8 O TERMO “MACUMBA”

É a gíria popular para freqüentadores dos terreiros, independente da sua

função - que são chamados de “macumbeiros”.É originalmente o nome africano de um instrumento musical. O termo é usado genericamente pelos leigos para designar a totalidade dos cultos afro-brasileiros, num sentido pejorativo como sinônimo de feitiçaria primitiva. Serve também para indicar os diversos alquidares e despachos encontrados na rua. Geralmente denota uma postura no mínimo mal informada e preconceituosa que joga na mesma vala manifestações culturais e teológicas bastante distintas reduzindo os cultos a meras manifestações.

3 AS RELIGIÕES E SUAS LITURGIAS

Em resumo, o Candomblé, a Umbanda, a Quimbanda, o Catimbó, etc., são práticas espíritas, vinculadas ao espiritismo pagão, ou baixo espiritismo.

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Mas quem são os orixás? Que são essas entidades a quem os candomblecistas prestam culto e adoram? Vejamos alguns conceitos:

A liturgia do candomblé reverencia a memória dos orixás, praticada por aqueles que se acreditam seus descendentes, como forma de trazer seus espíritos de volta ao convívio dos vivos pela reencarnação durante o culto. O nome orixá se aplica às divindades trazidas ao Brasil pelos negros escravizados da África ocidental. Entre os escravos, orixá foi traduzido por santo, em analogia com os santos católicos, expediente destinado a proteger culto contra a intolerância oficial. As cerimônias de invocação aos orixás se realizam nos terreiros. Cada orixá é reverenciado com suas cores, insígnias e comidas características, danças e gritos de saudação. Reginaldo Prandi, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e que estuda há 15 anos as religiões afro-brasileiras, autor do livro "Mitologia dos Orixás", assim se refere:

A mitologia dos orixás fala do cotidiano dos deuses e de sua interação com os homens, de uma época em que havia trânsito entre homens e deuses, como, aliás, em todas as mitologias. Os orixás são as divindades predominantes nas religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda, e serviram de modelo para deuses de outras nações negras. (

http://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v16n46/a13v1646.pdf, acessado em 08.10.07, às 11h20m)

3.1 QUEM SÃO OS ORIXÁS

De acordo com o Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros de Olga Cacciatore, os orixás são divindades intermediárias entre Olorum (o deus supremo) e os homens. Na África eram cerca de 600. Para o Brasil vieram talvez uns 50, que estão reduzidos a 16 no Candomblé, dos quais só 8 passaram para à Umbanda. Muitos deles são antigos reis, rainhas ou heróis divinizados, os quais representam as vibrações das forças elementares da natureza: raios, trovões, tempestades, água; atividades econômicas, como caça e agricultura; e ainda os grandes ceifadores de vidas, as doenças epidêmicas, como a varíola, etc Orixá, portanto, é uma força de criação divina e uma manifestação de Olorum. Olorum, o Criador, é tudo: não tem

representação nem fetiches. É infinito. É o Pai da criação universal. Corresponde,

pois, à idéia de Deus

Todos os seres humanos nascem da natureza, num determinado lugar, dia e hora, sob o comando de um Orixá. Assim, claro está que receberam a influência desse Orixá e, portanto, cada um terá em toda a sua vida as vibrações e proteção

A palavra Orixá significa “Ministro de Olorum”.

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do Pai Orixá a que está vinculado, de origem natural, o qual rege seu destino. Os Orixás incorporam nos médiuns (iaôs) sob a condição vibratória. Chama-se esse

transe “virar para o santo”. A primeira vez que ocorre com uma pessoa, denomina-se “bolar para o santo”.

A incorporação do Orixá, sendo vibratória, não transmite mensagens orais,

como sucede com a incorporação de espíritos desencarnados (chamados, no

Candomblé, de eguns) e com os encantados.

O culto, no Candomblé, é feito exclusivamente aos Orixás.

3.2 ORIGEM MITOLÓGICA DOS ORIXÁS

Quanto à origem dos orixás, uma das lendas mais populares diz que Obatalá (o céu) uniu-se a Odudua (a terra), e desta união nasceram Aganju (a rocha) e Iemanjá (as águas). Iemanjá casou-se com seu irmão Aganju, de quem teve um filho, chamado Orungã. Orungã apaixonou-se loucamente pela mãe, procurando sempre uma oportunidade para possuí-la, até que um dia, aproveitando- se da ausência do pai, violentou-a. Iemanjá pôs-se a fugir, perseguida pôr Orungã. Na fuga Iemanjá caiu de costas, e ao pedir socorro a Obatalá, seu corpo começou a dilatar-se grandemente, até que de seus seios começaram a jorrar dois rios que formaram um lago, e quando o seu ventre se rompeu, saíram a maioria dos orixás . Por isto Iemanjá é chamada “a mãe dos orixás”. Mas há controvérsias. Em outra versão encontramos que Iemanjá teve três filhos: Ogum, Exú, Oxóssi. Como os três abandonaram o seu reino, ela foi ficando sozinha e cada vez mais sozinha e resolveu percorrer o mundo. Chegando em Okerê, foi admirada por todos do reino por sua beleza e meiguice. Até que o rei se apaixonou por ela e a quis como sua esposa. Iemanjá negou e fugiu do rei. O rei colocou seu exército para persegui-la. Na corrida, já estando exausta, Iemanjá cai e corta os seios criando assim os mares e rios.

3.3 A QUESTÃO HISTÓRICA: VERDADE OU MITO?

Enfim, ao analisarmos os cultos afros, uma das primeiras coisas que observamos é a impossibilidade de se fazer uma avaliação objetiva sobre a origem

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dos orixás. Existem muitas lendas que tentam explicar o surgimento dos deuses do panteão africano, e estas histórias variam de um terreiro para o outro e até de um pai-de-santo para o outro. Não há possibilidade de se fazer uma verificação científica ou arqueológica; não há uma fonte autoritativa que leve a concluir se os fatos aconteceram mesmo ou se trata somente de mitologia, sendo difícil uma avaliação histórica dos eventos relatados.

3.4 PRINCIPAIS ENTIDADES DOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS

Ogum é a divindade dos que trabalham ou utilizam o ferro. Manifesta-se como um guerreiro que dança com a espada. Conhecido no Brasil como deus guerreiro, foi uma das primeiras figuras do candomblé a ser incorporada por outros cultos. Quando irado é vingativo e, quando apaixonado, é sensual. Seu dia da semana é terça-feira, e suas contas são azul-escuras. Recebe sacrifícios de bodes e galos e gosta de inhame assado com azeite. É sincretizado com santo Antônio, na Bahia, e com são Jorge, no Rio de Janeiro. Seu grito de saudação é "Ogum iê! Oxóssi é o deus dos caçadores, muito popular na Bahia. Recebe sacrifícios de porcos e bodes. Sua comida é axoxô (milho branco cozido com lascas de coco). Corresponde na Bahia a são Jorge e no Rio de Janeiro a são Sebastião. Seu grito de saudação é "Okê arô! O elemento principal de apetrecho de Ogum é o ferro, que lembra sua condição de ferreiro e metalúrgico, fazendo dele uma divindade da defesa e do ataque, que luta com prazer e que tem sede de conquista do poder. Dono da espada e da faca, está presente com sua simbologia em todas as cerimônias e no cotidiano da vida. Omolu, ou Obaluaiê, é a divindade das doenças contagiosas. Recebe sacrifícios de bodes e porcos. Gosta de pipoca e aberém (massa de milho branco assado em folhas de bananeira). Identifica-se, no catolicismo romano, com São Lázaro e São Roque. Sua saudação é "Atotô!" Oxumaré é a cobra e o arco-íris, e simboliza a riqueza e o dinamismo dos movimentos. É sincretizado em São Bartolomeu. Recebe homenagens especiais no dia 24 de Agosto, o seu dia. Usa colares de búzios enfiados em forma de escamas de cobra, e come guguru (mistura de feijão fradinho com milho, cebola, azeite e camarão) e caruru sem caroços de quiabo. Recebe sacrifícios de galos. Quando dança, leva na mão uma cobra de ferro. Sua saudação é "Aô boboi!"

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Iemanjá é a divindade associada à água salgada no Brasil, mas na África apenas ao rio Ogum (que não tem nenhuma relação com o orixá Ogum). Originária do rio Ogun, na Nigéria, tem seus domínios nas profundezas das águas, de onde emerge para atender seus devotos, principalmente as mulheres que atribuem a ela poderes que favorecem a fertilidade e a fecundidade. É maternal, sempre pronta para amamentar as crianças sob seu domínio, mas também sabe ser belicosa, mantendo-se de espada em punho para defender seus filhos e seus direitos.É a mãe dos outros orixás. Seu nome significa mãe dos filhos-peixes. Geralmente é representada sob a forma de sereia: cabeça, tronco e busto femininos e apêndice caudal de peixe. Sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, das Candeias, do Carmo ou da Piedade, recebe oferendas rituais levadas ao mar por embarcações. Seus alimentos sagrados são o pombo, a canjica, o galo e o bode castrado, e o seu dia da semana é sábado. Dança vestida de azul, imitando o movimento das ondas do mar. Festejada na Bahia em 2 de fevereiro, e em 31 de dezembro, no Rio de Janeiro. Sua saudação é "Odô-iá!". Xangô é a divindade que domina trovões, raios e tempestades, simbolizada por machados de pedra num alguidar de madeira. É sincretizado em São Jerônimo. Recebe sacrifícios de carneiros, galos e cágados. Come amalá (quiabo com camarão ou carne) e begiri (quiabo com azeite, camarão, inhame, sal e cebola). É o representante da justiça espiritual e o mais solicitado nas pendências judiciais. Tido como herói divinizado, Xangô é ambicioso e tem obsessão pelo poder. Seu alvo é castigar os mentirosos e os malfeitores, não admitindo a contestação de suas atividades. A saudação que se dirige a ele é "Kawô kabiecilê!". Iansã, uma das esposas de Xangô, é o orixá dos ventos e das tempestades. É sincretizada com Santa Bárbara. Recebe sacrifícios de cabras, dança com mímica guerreira, e come acarajé. Sua saudação é "Epa hei!". Oxum, também mulher de xangô, representa na Bahia a água doce. Oxum era a mais bela e desejada. A todos encantava por sua meiguice e inteligência. Certa vez, quis aprender a ler o futuro e pediu a Orunmilá que a ensinasse. Mas o cargo de Oluô (dono dos segredos) só era ocupado por homens. Então, Oxum seduz Exú e pede que este peça a Orunmilá para ensiná-lo e depois repassar para ela. Este assim o faz, e mais tarde aprendendo, se vê obrigado a ensinar a Oxum e entregar os 16 búzios (tornando assim as mulheres capazes de jogar os búzios e dando a qualidade de bons videntes a todos os seus filhos).

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É sincretizada com Nossa Senhora das Candeias e também com Nossa Senhora de Aparecida e Nossa Senhora da Conceição. Come mulucu (feijão fradinho com cebola, sal e camarão) e adum (fubá de milho com mel e aceite). Sua dança é faceira, mas ocasionalmente também belicosa. É saudada com o grito "Ora Iêiê ô!". Oxalá, ou Obatalá, é a divindade que preside a procriação. Aceita sacrifícios de pombas, cabras e galinhas. Criador dos homens, obstinado e independente, é identificado, no Brasil, como Jesus Cristo mas sincretizado na Bahia, com o Senhor do Bonfim, sendo cultuado como o senhor de todas as coisas e do universo. Oxalá, que é visto como o senhor do silêncio, do vácuo frio e calmo, no qual as palavras não podem ser ouvidas, está ligado a todas as etapas da vida, desde a criação até a morte. Lento como caramujo, todo de branco, como seu ritual exige, é conhecido como Oxalufan. Enérgico e guerreiro, de colar branco com azul real, é Oxaguian. Em todas as versões é Orixanlá e em todas as situações é Obatalá, rei do pano branco.

É saudada com o grito "Êpa-babá".

Erê é um orixá filho de Xangô. Manifesta-se por meio de linguagem infantil e se comporta como criança". Exú - De personalidade considerada atrevida e agressiva, o Exú, é o senhor dos caminhos que levam e trazem, fazendo as pessoas se aproximarem ou se distanciarem. Cada um tem seu próprio Exú, assim como todo o terreiro, que usa essa figura para proteger e zelar pela segurança da casa, do pai de santo e dos freqüentadores da entidade. O Exú não deve ser subestimado, pois se presta ao papel de servo em nome de uma recompensa que pode ser dinheiro, bebida

alcoólica ou animais sacrificados. Ele representa o símbolo máximo da sensualidade

e da voluptuosidade desenfreada. Com muito senso de humor, brinca e possibilita

prazeres aos seres humanos, quebrando com suas próprias normas, os tabus de nossa sociedade. Tudo isso faz com que ele seja tanto amado quanto odiado. A lenda diz que Exú era insaciável, e que ele conseguiu comer todos os animais de sua aldeia. Começou então a comer árvores, pedras e tudo o que estava em sua frente. Orunmilá chegou a previsão de que se Exú continuasse dessa forma iria comer os homens, o mar e até o céu. Solicitou então que, Ogum (irmão de Exú) impedisse o seu irmão de continuar dessa forma. Ogum tentou de várias formas e só conseguiu depois de matar Exú. Mesmo com a morte de Exú, tudo começou a ressecar, a morrer, perdendo vida. Então um Babalaô disse que era o espírito de Exú que estava insaciável e pedia para ser saciado e que se isso não acontecesse

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ele iria provocar a discórdia, a doença e a morte em geral. Orunmilá determinou que toda obrigação feita pelos homens a algum orixá, seja dedicada uma parte à Exú e que esta deve ser servida antes para ele não se irar e causar a discórdia.

3.5 UMA CURIOSIDADE - O SÍMBOLO DE EXÚ

O símbolo de Exu é o Ogó (um falo, um pênis), representando a fertilidade e virilidade deste orixá, que caminha levando as preces dos homens aos Orixás e trazendo as dádivas dos Orixás aos homens, já que Exú é dono do movimento, do som, conhecido como o Mensageiro. SINCRETISMO: Geralmente é assemelhado ao diabo ou a imagens na umbanda vermelhas, com chifres e corpo descoberto. No candomblé simbolizado por carrancas ou falos.

4 AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS E SEU RELACIONAMENTO COM DEUS

Um fato que devemos considerar é a posição tradicionalmente dada aos orixás nos cultos afros como intermediários entre o deus supremo (Olorum) e os homens. (Note-se que no Catolicismo Romano, Maria também recebe o título de intermediária). Além disso, os filhos-de-santo, uma vez comprometidos com os orixás, vivem em constante medo de suas represálias e punições. Note um trecho de uma entrevista no livro de Reginaldo Prandi, citado no artigo “Desvendando os Segredos do Candomblé, de Joaquim de Andrade e Dr. Paulo Romeiro:

O Pesquisador - Gostaria de perguntar só o seguinte: desde que há

regras, quando a regra é quebrada, quem pune essa ação?

Mãe Juju - O próprio santo, ou a mãe-de-santo : Olha você não venha mais aqui, não venha fazer isto aqui que esta errado, quando você estiver bêbado, ou quando você estiver bebendo, não venha mais dar santo aqui, não venha desrespeitar a casa. O Pesquisador - Como é a punição do orixá? Será que eu poderia resumir assim: doença, morte, perda de emprego, perder a família, ficar sem nada de repente e sem motivo aparente, enlouquecer, dar tudo errado, a própria casa-de-santo desabar, isto é, todo mundo ir embora ? Todos - Isso.

Extraído de http://www.agirbrasil.org/Seitas/Candomble/Candombl%E9.html, acessado em 07.10.2007, às15h42m.

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Assim, além do constante medo de punições em que vive o devoto do orixá, ele deve ainda submeter-se a rituais e sacrifícios nada agradáveis a fim de satisfazer os seus deuses.

4.1 O SACRIFÍCIO ACEITÁVEL

De acordo com Cacciatore, ebó é a oferenda ou sacrifício animal feito a qualquer orixá. Às vezes é chamado vulgarmente de “despacho”, um termo mais comumente empregado para as oferendas a Exú (um dos orixás, sincretizado com o diabo da teologia cristã), pedindo o bem ou o mal de/para alguém.

Extraído de http://www.agirbrasil.org/Seitas/Candomble/Candombl%E9.html, acessado em 07.10.2007, às15h42m.

4.2 ENCARANDO A MORTE

Basta dialogar com os adeptos dos cultos-afros - principalmente do Candomblé - para alguém se cientificar de que os orixás têm medo da morte (quem menos tem medo da morte é Iansã). Então, quando um filho ou filha-de-santo está próximo da morte, seu orixá praticamente o abandona. Esta pessoa já não fica mais possessa, pois seu orixá procura evitá-la.

4.3 A SALVAÇÃO E A VIDA APÓS A MORTE

Nestas religiões o assunto de vida após a morte não é bem definido. Na Umbanda , devida à influência kardecista, é ensinada a reencarnação. Já o Candomblé não oferece qualquer esperança depois da morte, pois é uma religião para ser praticada somente em vida, segundo os seus defensores. Outros pais-de- santo apresentam idéias confusas, tais como: “quando morre, a pessoa vai para a mesa de Santo Agostinho ” ou “vai para a balança de São Miguel.”

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4.4 - A AUSÊNCIA DA LIBERDADE: O MEDO DAS CONSEQÜÊNCIAS

Freqüentemente, as pessoas têm medo de deixar os cultos afros para buscar uma alternativa. Foi-lhes dito que se abandonarem seus orixás (ou outros “guias”) e não cumprirem com suas obrigações, terão conseqüências desastrosas em suas vidas.

5 AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS E SUA INFLUÊNCIA NO COMPORTAMENTO

Nem precisa ser adepto do Candomblé para vestir roupas brancas na sexta- feira. Esta já é uma tradição na Bahia, em homenagem ao deus Oxalá que, no sincretismo, representa Jesus Cristo. A visita ao candomblé, como a qualquer outro templo religioso deve ser feita com seriedade e respeito, seguindo-se algumas regras básicas: não trajar bermuda ou roupa de banho; não tirar fotos, gravar ou filmar os cultos. E muitos outros costumes, trazidos com essa religião afro, já se incorporaram ao dia-a-dia dos baianos, de todas as raças e classes sociais. A seguir, destacamos alguns desses exemplos.

5.1 A INFLUÊNCIA NA CULINÁRIA

5.1.1 A Baiana do acarajé

Ser baiana de acarajé significa muito mais do que ser uma vendedora ambulante, com seu tabuleiro, oferecendo os deliciosos quitutes da culinária afro- baiana. A maioria delas faz esse trabalho como “obrigação de santo”, reverenciando os orixás que guiam suas cabeças – inicialmente apenas Iansã – e, em troca, tiram daí o seu sustento e o de suas famílias. A cada dia, ela está vestida com as cores do santo daquele dia e exibe no pescoço as guias de contas na cor do santo de sua cabeça e outros orixás dos quais gosta (ou os quais precisa) reverenciar. A roupa, de origem africana, já se transformou em marca registrada: a roupa de baiana, com saia rodada, blusa rendada, pano da costa, turbante, sandália fechada na frente e aberta atrás.

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5.1.2 Menos pimenta, mais dinheiro

A comida de Iansã era, antigamente, preparada só por filhas-de-santo, seguindo um ritual religioso. Os tempos mudaram, mas a aura continua. A forma como se faz a massa, o tamanho dos bolinhos, a variedade de recheios, tudo isso conta. A disputa alimenta a briga por pontos de venda e enche as baianas de dinheiro, hoje não contando mais se são ou não adeptas do candomblé. Na onda do acarajé, toda a comida baiana se populariza. Com menos pimenta e contida no dendê, é bem verdade. Um outro atestado de que existe reverência religiosa aos orixás do candomblé, na atividade de baiana de acarajé, são os pequenos acarajés fritos antes da primeira fritura comercial, dedicados aos orixás meninos, os ibêje.

5.2 DOMINGO É DIA DOS ORIXÁS

Para os baianos, domingo é dia de todos os Orixás. Circulam na Internet, em folhetos, em mensagens de rádio, enfim, orientações para que as pessoas procurem identificar-se com um dos orixás e, tão logo identificados, rezem para ele, pedindo proteção, saúde e paz acima de tudo.

5.3 AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS E A MÍDIA

Destacamos a relevância que a mídia, em geral, dá para as religiões afro- brasileiras. Estão tão impregnadas no dia-a-dia do brasileiro, que dificilmente se abre uma revista, jornal (principalmente baiano), programas televisivos e radiofônicos, sites na Internet, que não tragam alguma notícia ou referência a acontecimentos que envolvem tal cultura. Como ilustração, mostramos, abaixo, duas reportagens estampadas na Revista Época, colhidas em seu site na Internet, que nos exemplificam muito bem a relevância dada pela mídia a tudo que envolve tais religiões. Como podemos ver, vários aspectos são mostrados nas reportagens ou artigos: as opiniões de “personalidades” daquele meio, o envolvimento de políticos famosos, artistas idem,

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perseguição religiosa, idolatria a mães-de-santo, migração para outras religiões, etc. Vejamos:

A filha de Oxóssi

Crítica do sincretismo, Mãe Stella prega a fidelidade ao rito e se consolida como a mãe-de-santo mais influente do país

No início do século, uma jovem freqüentadora do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador, caminhava em direção a um culto de candomblé quando percebeu que a polícia a perseguia. Apesar de conhecer bem o caminho, a moça fingiu estar perdida e rodou a noite inteira a esmo. Despistou os policiais e evitou que entrassem no terreiro para destruí-lo. Isso aconteceu com Cantulina Pacheco, mais conhecida pelos baianos como Tia Cantu. Cantulina nasceu em 1900 e viveu boa parte de sua vida professando o candomblé às escondidas. Os tempos agora são outros: há duas semanas,

o terreiro que a polícia queria destruir foi tombado como patrimônio nacional,

e sua principal autoridade, uma filha de Oxóssi, é reverenciada como a mãe- de-santo mais influente do país. Mãe Stella, desde 1976 a ialorixá suprema no Ilê Axé Opô Afonjá, é apontada hoje como uma liderança espiritual da estatura de Mãe Menininha do Gantois. Todos se curvam para beijar as mãos da velha senhora. Enfermeira aposentada, Maria Stella de Azevedo Santos, 74 anos, é a quinta matriarca do terreiro. Sob seu comando, o Axé cresceu, ganhou uma escola onde se ensina a língua iorubá e um museu religioso. "Majestade" - é assim que os filhos da casa se referem a Mãe Stella. "Desde a morte da Menininha do Gantois, a importância dessa ialorixá só fez crescer", reconhece o escritor baiano Ildásio Tavares, autor do livro Nossos Colonizadores Africanos. É também um dos seguidores do Ilê Axé. No final de novembro, Mãe Stella comemorou 60 anos de "iniciação" - a introdução nos ritos do candomblé. O aniversário foi comemorado com o tombamento do terreiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os festejos não pararam por aí. Na semana passada, sua "Majestade" foi homenageada com o lançamento do livro Faraimará - O Caçador Traz Alegria - Mãe Stella 60 Anos de Iniciação. É uma coletânea de textos sobre a religião e a mulher que fez do Axé uma das casas-de-santo mais concorridas do país. Entre os freqüentadores, constam o compositor Gilberto Gil e o escritor Jorge Amado. Entre os simpatizantes, a atriz Sônia Braga e a cantora Elza Soares. O terreiro já alcançou fama internacional. Mãe Stella advoga idéias polêmicas, que contrastam com a linha de conduta de outros terreiros famosos da Bahia, como o Gantois. Ela é contra o sincretismo religioso - associação entre santos católicos e santos do candomblé. "O sincretismo enfraquece os dois lados", adverte. A ortodoxia de Mãe Stella tenta reverter uma tendência detectada a partir dos anos 80: a diminuição do contingente de seguidores. Entre 1980 e 1991, segundo o IBGE, os cultos afro-brasileiros não só deixaram de acompanhar o aumento populacional como perderam cerca de 30mil adeptos. Uma parte daqueles que freqüentavam terreiros migrou para as igrejas

evangélicas.(grifamos) O fluxo foi medido em

pesquisa realizada pelo

Instituto de Estudos da Religião: na primeira metade dos anos 90, 16% dos adeptos das igrejas pentecostais no Rio de Janeiro haviam migrado dos terreiros. Segundo Ricardo Mariano, doutorando na Universidade de São Paulo e estudioso do pentecostalismo, esses números refletem as pregações constantes de pastores evangélicos contra o candomblé, nas rádios e TVs. "Os pentecostais acreditam que os orixás são forças demoníacas. Eles não negam sua existência, mas os combatem", diz Ricardo Mariano. Evaldo Miranda, um baiano de 27 anos, vive a condição de neo-convertido. "Meu tio é pai-de-santo e eu era o segundo na hierarquia do terreiro", conta. Desde 1993, freqüenta a Igreja Batista Lírio dos Vales. "Encontrei a verdade", acredita. Mãe Stella ainda espera uma ofensiva do candomblé. Para ela, foi-se o tempo em que os filhos-de-santo deveriam ficar confinados em terreiros. "Para que a tradição não morra, é preciso viagens, palestras, estudos e

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entrosamentos", afirma. Enquanto viver, brigará por isso. Filha de Oxóssi, o santo da caça, não medirá esforços para trazer de volta o rebanho desgarrado.

(http://epoca.globo.com/edic/19991213/soci2.htm- acessado em 25.11.2006, 8h10m)

O Gantois aguarda o veredicto dos orixás

Processo sucessório no terreiro já dura mais de ano

Ainda o centro de candomblé mais conhecido do país, o terreiro do Gantois continua de luto. Desde agosto do ano passado seus integrantes choram a perda da ialorixá Cleusa Millet, aos 67 anos. Cleusa era filha da lendária Maria Escolástica Conceição Nazaré, a Mãe Menininha, que reinou no Gantois por mais de 60 anos. O processo sucessório está em curso. Mãe Menininha foi a mais venerada ialorixá de todos os tempos. Filha de Oxum, uma deusa das águas do rio, ela soube como ninguém popularizar o terreiro. Figura forte, Mãe Menininha foi cantada em verso e prosa pelo compositor Dorival Caymmi, cativou admiradores famosos, como Caetano Veloso, e não poupou conselhos a políticos, entre eles o senador Antonio Carlos Magalhães. Faleceu aos 92 anos, em agosto de 1986, e desde então o terreiro não teve outra mãe-de-santo à altura de seu magnetismo. Mãe Cleusa, também

respeitada pelos baianos, reinou de maneira discreta e silenciosa. Agora, é

tempo de aguardar

por sua sucessora.

Como numa monarquia, a alternância do poder se dá por laços sanguíneos. Hoje o terreiro vive em compasso de espera. Seus "filhos" esperam o veredicto dos orixás. As candidatas mais cotadas seriam Carmem, irmã de

Cleusa, ou sua filha, Monica. O processo é lento e admite adiamentos. Quando Cleusa morreu, os santos disseram que em um ano a sucessão estaria consumada. Não aconteceu. É bem provável que as divindades não tenham chegado a um consenso.

(http://epoca.globo.com/edic/19991213/soci2.htm- acessado em 25.11.2006, 8h10m)

5.4 ALGUNS ARTISTAS DE EXPRESSÃO NACIONAL, IDENTIFICADOS COM AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

5.4.1 Dorival Caymmi

Nasceu em Salvador, Bahia, em 30 de abril de 1914, filho de Durval Henrique Caymmi e Aurelina Soares Caymmi - cantor, compositor brasileiro e pintor. Adepto do candomblé, em 1968 foi consagrado Obá de Xangô no Axé Apó Afonjá. Foi filho de santo de Mãe Menininha do Gantois, para quem escreveu em 1972 a canção em sua homenagem: "Oração de Mãe Menininha", gravado por grandes nomes como Gal Costa e Maria Bethânia. Caymmi é filho de Xangô e Iemanjá, e vive intensamente o sincretismo religioso baiano.

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Jorge Amado, um dos mais afamados escritores do Brasil, em muitas de suas obras focalizou o culto afro-brasileiro do candomblé e sua prática na Bahia. Pode-se mesmo dizer que, em grande medida, as idéias mais generalizadas a respeito do candomblé da Bahia devem-se às obras de Jorge Amado, transformadas algumas em novelas televisivas, e sua ampla difusão por todo o mundo. Evidentemente a apresentação que Jorge Amado faz desse culto em suas novelas não equivale a um documentário, a uma etnografia. Sua interpretação do sistema simbólico do candomblé merece consideração antropológica, e em particular o seu envolvimento pessoal com este mundo religioso é um dado a ser ponderado antropologicamente. Embora Jorge Amado se definisse como um ateu, ele tomou posição de modo firme como defensor do sincretismo entre o culto afro-brasileiro e o católico, especialmente em duas de suas novelas: Tenda dos milagres e O sumiço da santa.

5.5 EXTREMOS DO SINCRETISMO: UM MONGE CRISTÃO E ZEN

O monge beneditino Marcelo Barros é um monge polêmico, carismático e que exerce o ecumenismo e o sincretismo diariamente. No seu mosteiro, em Goiás Velho, as celebrações católicas ganham tons indígenas e afro-brasileiros. Conhecedor da Umbanda e freqüentador do Candomblé, ele debruça seu olhar sobre as pessoas com generosidade e compreensão. Em tempos de "guerra santa", busca a paz santa, assumindo por missão o diálogo entre as diversas religiões.

O monge Marcelo Barros é um dos coordenadores do Mosteiro da Anunciação. O Mosteiro da Anunciação é uma comunidade de monjas, monges e leigos que seguem a Regra de São Bento. Foi fundada em Curitiba, Paraná (Brasil) em 1960, pela Abadia de Tournay, mosteiro da província francesa da Congregação de Subiaco da Ordem de São Bento. Em 1977 transferiu-se para a cidade de Goiás- GO, onde está inserida na periferia urbana. Diferentemente de muitas comunidades beneditinas, o mosteiro não enfatiza o Canto Gregoriano.

No Mosteiro da Anunciação do Senhor não há clausura: as portas ficam todas abertas, das cinco da manhã às dez e meia da noite, para quem quiser entrar. E a participação dos leigos é intensa. Na missa de domingo, celebrada na igreja onde

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todos os bancos se dirigem para o centro, em forma de mandala, são as leigas que dão a comunhão aos monges. A comunidade também é atípica: duas mulheres hoje convivem com os monges e, entre esses, há nada menos do que um ex-abade de Tournay, o irmão Guido de la Chappelle, todos vivendo com total simplicidade.

Disse o Monge Marcelo Barros, em entrevista a Rede Vida (TV):

"Cada dia oramos especialmente em comunhão com uma religião diferente. Oramos como cristãos, mas em comunhão com os outros. Na segunda é com as religiões orientais (Budismo, Bramanismo), a gente canta mantras, ouve textos sagrados, faz as orações que eles nos ensinam. Esses ensinamentos entram também na nossa vida, como na postura da não-violência. Na terça, a comunhão é com as religiões afro-brasileiras; na quarta, com grupos espiritualistas. Procuramos aprender o que Deus nos diz através das outras religiões. No começo de setembro, um grupo de Dança Sagrada ficou hospedado no mosteiro. A Mãe Estela, de Oxossi passou uma semana conosco. E temos por teologia que, na hora de celebrar, não existe discriminação entre padre e leigo: todos podem falar, propor cantos, tudo muito livremente. Quem vem aqui deve se sentir em casa". - Você já teve experiências místicas? (pergunta feita pelo entrevistador) A resposta do Monge Marcelo Barros foi a seguinte:

"No final de um encontro sobre Candomblé, na Bahia, uma pessoa sugeriu fazer uma invocação a Oxossi, para homenagear o Dia das Mães. O pessoal afastou as cadeiras, buscaram os atabaques; ali nem era um ambiente de culto, mas deu uma energia diferente, tão diferente que emendaram com o chamamento a Iansã. Foi quando uma senhora recebeu a divindade. Aquilo me tocou de uma maneira muito

especial. Foi uma experiência fora do comum".

(Fonte: Mosteiro da Paz http://empaz.org/index.html,

conforme

http://www.sinaisdostempos.org/novaera/conspiracao_aquariana_nova_era.htm,

acessado

em

08.10.2007,

às

10h57m)

5.6 FESTAS POPULARES QUE ENVOLVEM AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

5.6.1 - A “Lavagem” do Senhor do Bonfim na Bahia A Lavagem do Bonfim, praticada pelas baianas adeptas do candomblé, deixou de ser apenas uma festa religiosa de grande apelo popular local para ser manchete nos principais telejornais do Brasil e um atrativo freqüente nos pacotes turísticos. E como o caráter da cidade de Salvador é turístico, tem uma estruturada

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indústria de captação de recursos e difusão da sua imagem, não é de bom grado mostrar manifestações onde prevaleçam uma idéia de desordem e desconforto. Este pensamento é atestado pela própria BAHIATURSA (Empresa de Turismo da Bahia), um órgão oficial de âmbito estadual, ao declarar a sua arquivista fotográfica, Rita Barreto, que "não é interessante passar uma imagem de povão. Isso assusta o turista", seja ele regional, nacional ou estrangeiro. Chega-se a ponto de criar cordões de isolamento (supervisionados pela Polícia de Choque!) para conter a multidão que não só deseja se aproximar da imagem sagrada do Senhor do Bonfim e se molhar da sua água de cheiro, mas cumprimentar os políticos que acompanham orgulhosamente o cortejo, sob um sol de quase 35o C.

Historicamente, a Festa do Bonfim é uma das mais autenticas manifestações da religiosidade e da expressão popular do povo baiano. Um fato muito curioso e que só enfatiza a importância da "imagem" (a superficial, decerto) desta grandiosa manifestação popular é a "representação" da lavagem da escadaria da Igreja para câmeras de TV locais, com difusão nacional. É como se para o observador do outro lado do país bastasse essa "impressão" de lavagem. Chega a ser excessivamente asséptica a disposição das baianas, suas indumentárias impecáveis e um sorriso que está muito mais para o cênico.

Fotografias de Pierre Verger, tomadas entre as décadas de 1940 e 1950,

mostram o adro da Igreja quase vazio. Isso se deve, em parte pelo fato da realização da Lavagem naquela época se dar ainda dentro da Igreja (por parte das tradicionais baianas), sendo o adro ocupado por pessoas comuns que literalmente lavavam com vassouras e água de cheiro o pátio da Basílica. O que se verifica hoje é a concentração do grande público nas áreas mais

externas ao templo (sendo muito bem guardados pela Policia de Choque

escadarias são ocupadas por profissionais da imprensa e o adro tomado por autoridades, seus assessores, baianas e outros "turistas" de ocasião. Às pessoas comuns é vedado o acesso às proximidades da grande festa. A Festa do Bonfim sempre teve um certo cunho político-partidário. A recepção às autoridades do Governo é sempre um termômetro de sua aceitação, desde a saída na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Na festa do ano de 2000, mais uma vez, o governo de situação foi ovacionado pelo povo. Membros da oposição também participaram da caminhada, a exemplo do então Presidente de

as

),

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Honra do Partido dos Trabalhadores (PT) e hoje Presidente eleito da República, Luiz Inácio LULA da Silva e do então declarado candidato à Prefeitura Nélson Pellegrino. Paralelo aos festejos religiosos, há ainda a festa "profana", marcada pela presença de barracas de comidas típicas e bebidas, desde o alto da Colina Sagrada. A partir de 1998 a parte carnavalesca da festa sofreu uma intervenção imposta pela Prefeitura Municipal e pela Arquidiocese de Salvador que, numa tentativa de defender as tradições históricas da comemoração, promoveram um afastamento dos trios elétricos e caminhões de blocos alternativos que acompanhavam o cortejo desde a Avenida Contorno, muitas vezes sequer chegando à metade do percurso e de uma certa forma desviando e desvirtuando o caráter religioso do dia, promovendo um mini-carnaval com direito a todos os excessos que lhe são peculiares. Mesmo com as restrições determinadas pela organização da festa, no ano de 2000 a EMTURSA estimou a presença de 300 mil pessoas nas ruas, acompanhando os festejos. Ao contrário do que se pode pensar, a Festa do Bonfim historicamente sempre teve um cunho profano escandaloso. Assim escreveu Pierre Verger em seu livro “Noticias da Bahia - 1850, p.30: "O caráter expansivo e alegre dos habitantes da Bahia, brancos e pretos, se revela nesta lavagem, provocando muitas vezes excessos de entusiasmo que são às vezes objeto de vivas censuras por parte do clero". E VERGER cita, na obra, Wanderley Pinho: "Gritos de estimulo surgem entre os assistentes e o entusiasmo cresce tanto que - o álcool ajudando a combater os efeitos nocivos da umidade - ao cabo de pouco tempo é uma verdadeira bacanal, da qual, no dia seguinte, os jornais se queixam e as altas autoridades se indignam". Por ocasião dessa intervenção, em 1998, falou-se muito que a motivação para a separação das partes religiosa e profana da festa era devido à postura conservadora e intransigente de Dom Lucas Moreira Neves, na época Cardeal e Arcebispo Primaz do Brasil, muito pouco tolerante com os excessos e desvirtudes que transformavam a tradicional comemoração religiosa num grito de carnaval, num evento plenamente lucrativo para as empresas do ramo festivo. Muito se comentou também que era justamente devido a este lucro, que muito pouco capitalizava, efetivamente, para a evangelização e o comprometimento religioso, que a Igreja se voltara. Aos poucos a festa perdia o seu caráter religioso, sobretudo para os jovens da classe média, e esse poderia se tornar um processo irreversível

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Enquanto isso, a festa cada vez mais envolve a sociedade, atraindo turistas para Salvador. Por oportuno, vejamos como o jornal CORREIO DA BAHIA, em sua edição de 13.01.2005, noticiou o evento:

Igreja do Bonfim passa por últimos retoques para receber hoje devotos e turistas Dentro do coração do Senhor do Bonfim e de Oxalá não cabem apenas católicos e adeptos do candomblé. Os braços do Senhor da Colina, hoje, vão abrigar representantes do islamismo, do judaísmo e das igrejas evangélicas num ato inter-religioso pela vida e pela paz. A celebração, que começa às 8h, no adro da Igreja da Conceição da Praia, dá a largada para o

cortejo que reúne milhares de fiéis até o alto da Colina Sagrada, para lavar a escadaria da igreja erguida há 250 anos.

A programação começa às 7h30, quando cerca de 400 atletas percorrem os

8km que separam a Conceição do Bonfim, na Corrida Sagrada. Logo após o início da corrida, tem o culto inter-religioso, presidido pelo pároco da Conceição da Praia, Gilson Magno dos Santos. "A idéia é aproveitar esta

data para orar pela paz. É importante ressaltar que não se trata de um culto ecumênico, que só reuniria religiões cristãs, mas sim de um ato inter- religioso", destaca o coordenador da arquidiocese de Salvador, padre Manoel Filho. Depois da celebração, os fiéis serão saudados por uma queima de fogos na rampa do Mercado Modelo. É quando começa a procissão, que reúne 400 baianas, autoridades estaduais e municipais, e o afoxé Filhos de Gandhy. Uma hora após o início do cortejo, outras bandas e carroças, além de grupos, como o Grupo Folcórico do Sesc, passam a integrar o percurso, ao lado dos baianos e visitantes que cultuam o Senhor do Bonfim como um verdadeiro pai. Este ano, os pacientes com distúrbios mentais, funcionários e colaboradores do Centro de Atenção Psico-Social do Subúrbio (Caps Nzinga) vão integrar

o cortejo. São mais de 400 participantes, que desfilarão usando batas

bordadas com motivos afro-brasileiro, confeccionadas pelos próprios pacientes. Uma banda de sopro e percussão também acompanha o grupo, numa iniciativa de promover a socialização dos pacientes com transtornos mentais. Por volta do meio-dia, quando a multidão chega à Colina Sagrada, é hora de tomar banho de alfazema e lavar, com a água-de-cheiro preparada pelas mães e filhas de santo, a escadaria do templo, que fica fechado durante toda a quinta-feira. Também é hora de agradecer as graças alcançadas e pedir os mais variados favores ao Jesus Crucificado e a Oxalá.

(http://www.correiodabahia.com.br/2005/01/13/noticia.asp?link=not000104298.xml

25.11.2006, 9h30m)

-

acessado

em

Em 1999, no dia seguinte, após a festa daquele ano, assim noticiou o renomado site UOL - UNIVERSO ON LINE:

Bahia arrasta 1 milhão para lavagem do Bonfim

SALVADOR - Mesmo sem a presença de trios elétricos, cerca de um milhão de pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, participaram ontem, em Salvador, da lavagem do Bonfim, segunda maior festa popular da Bahia, depois do Carnaval. Até 1996, quando a Prefeitura de Salvador proibiu a participação dos trios a pedido da Igreja Católica, pelo menos 30 entidades carnavalescas acompanhavam os fiéis durante o cortejo.

O cortejo saiu às 10h da igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia,

uma das mais famosas da cidade, para percorrer oito quilômetros até a colina sagrada, no bairro do Bonfim. No adro da igreja do Bonfim, filhos e filhas de santo aguardavam a chegada do cortejo para iniciar o ritual de

lavagem da escadaria. Vestidas de baianas, as filhas de santo levaram jarros com água perfumada na cabeça e cantaram o hino do Senhor do Bonfim durante todo o cortejo.

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O ministro dos Esportes e Turismo, Rafael Greca, o governador da Bahia, César Borges (PFL), e o prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy (PFL), acompanharam o cortejo a pé. Também estiveram presentes a cantora Baby do Brasil e o compositor Carlinhos Brown, acompanhado de 50 timbaleiros vestidos de muçulmanos. Freqüentador assíduo da festa em anos anteriores, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL/BA), presenciou o evento pela TV. ACM permaneceu em Brasília para acompanhar o desenrolar das medidas econômicas adotadas, anteontem, pelo presidente Fernando Henrique.

(http://www2.uol.com.br/JC/_1999/1501/br1501h.htm, acessado em 25.11.2006, 10h10m)

5.6.2 Festa de Iemanjá - Uma manifestação de fé unindo dois mundos

A festa de Iemanjá é uma oferenda prestada a mãe dos orixás no culto da Umbanda. A sua comemoração atrai pessoas de toda a parte e mensageiros do mundo espiritual que incorporam em seres humanos como forma de prestigiar a homenageada. A festa é realizada na cidade de Salvador- Bahia na praia do Rio vermelho e é símbolo da cultura deste. As homenagens à mãe das águas ocorrem em duas datas: 31 de dezembro (último dia do ano) e no dia 02 de fevereiro. No dia 31 de dezembro (reveillon) Iemanjá junto com seus filhos orixás recebem presentes de seus devotos que lhes agradecem as conquistas do ano que findou e fazem novos pedidos para o ano vindouro. No dia 02 de fevereiro, data oficial de Iemanjá, os presentes e os pedidos são direcionados somente a ela. Os presentes são colocados em cestos de palha junto com pedidos escritos em forma de bilhete para que sejam entregues no mar. Em Salvador, a festa foi criada por volta de 1920 por uma iniciativa da colônia de pescadores Z-1 do Rio Vermelho. Diz a lenda que devido a um ano de fraca pescaria resolveu recorrer à tradição da Umbanda pedindo ajuda aos santos africanos trazidos à Bahia pelos escravos negros. Na época, com o auxílio da mãe de santo Júlia do Bogun, organizaram a lista do material necessário para a sua execução e aprenderam como realizar o preceito. No primeiro momento, a festa foi batizada como “Presentes da Mãe d’água” e a partir do ano de 1960 passou a ser conhecida como “Festa de Iemanjá”. A Casa do Peso (1919) - onde se pesa o pescado e se guarda as ferramentas de trabalho dos pescadores - serve até hoje de local para recebimento dos presentes dos devotos. Estes se organizam em filas para entregar os seus presentes que são arrumados em cestos de palha, transportados para os barcos de pesca para que, em determinado horário, sejam levados para o mar em oferenda a a Iemanjá.

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Tudo começou na praia do rio vermelho, passando a ocupar o largo de Santana e, atualmente, todo o bairro do Rio Vermelho - tomado por moradores, comerciantes e visitantes - ocupa-se da festa que passou a constar do calendário oficial de comemorações de Salvador atraindo visitantes de toda parte do mundo. Na areia da praia os espíritos africanos manifestam-se em plena multidão mostrando respeito e subordinação a sua mãe. São mensageiros espirituais trazendo paz e transmitindo força e coragem aos devotos na sua caminhada de vida. Os orixás incorporam em filhos de santo presentes a festa e que servem de ponte entre o mundo terreno e o espiritual. Uma vez materializados os santos participam da festividade dançando, cantando e transmitindo energia através do toque das mãos e abraços calorosos. Os terreiros de Santo (local onde se pratica a umbanda durante o ano)

prestigiam o evento comparecendo com sua comunidade formada de Pais de Santo (Babalorixás), Mães de Santo (Ialorixás), dentre outros, assim como freqüentadores dos terreiros. Seus integrantes comparecem vestidos com toda a indumentária necessária ao culto dos santos. Cada santo é conhecido por determinada cor, assim como pelos objetos sagrados que carregam.

A festa tem início na alvorada, mas é por volta das 10:00hs que o público

apresenta-se em maior quantidade, onde todos dançam, cantam e colocam seus presentes na água do mar ao som dos atabaques e cantos afro. As homenagens não se resumem a entrega de presentes. Diversos grupos culturais comparecem e se misturam à festa tornando-a um grande espetáculo

cultural ao ar livre. São capoeiristas que comemoram através da prática da capoeira e da expressão sonora de seus berimbaus. A participação de grupos carnavalescos tradicionais a exemplo dos Afoxés filhos de Gandhi é notória.

A cada ano novos grupos artísticos e culturais comparecem formando um

verdadeiro cordão artístico no meio do povo que os acompanham dançando e

mostrando que a festa de Iemanjá, além de ser tradicional no respeito aos seus preceitos, é também democrática encontrando-se aberta às diversas manifestações deste criativo povo baiano.

A festa de Iemanjá é, portanto, uma manifestação de fé e esperança que

reúne milhares de pessoas, negros e brancos, ricos e pobres, locais e estrangeiros em um mesmo local onde todos, curvando-se em reverência a mãe dos orixás, buscam o mesmo propósito: crescimento e proteção espiritual.

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5.6.3 Outras festas populares

No item manifestações populares e cultos, as festas populares de Salvador merecem um destaque especial, já que incrementam o calendário turístico da Bahia e levam milhares de pessoas às ruas todos os anos. Dentre elas, destacam-se:

Boa Viagem e Procissão do Bom Jesus dos Navegantes: 1° de janeiro. Tradição que remonta a meados do século XVIII, a festa é uma das mais bonitas manifestações populares de Salvador e acontece na virada do ano, quando o povo dá continuidade às comemorações do Ano Novo na praia da Boa Viagem. A diversão é garantida a partir da meia-noite por músicas e danças nas barracas que servem comidas e bebidas típicas, indo até a chegada da Procissão do Bom Jesus dos Navegantes na praia de mesmo nome. A procissão marítima que segue a Galeota Gratidão do Povo com a imagem do Bom Jesus dos Navegantes sai na manhã do dia 1 º de janeiro do cais do Comando do 2 º Distrito Naval, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, passa pelas proximidades do Farol da Barra e termina na praia da Boa Viagem, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem. Normalmente, o cortejo é acompanhado por centenas de embarcações dos mais diversos tipos.

Festa da Lapinha ou de Reis: 6 de janeiro. Tradição de origem católica, simboliza a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. Em Salvador, à meia-noite do dia 5 de janeiro, os ternos, ranchos e pastores de reis percorrem as ruas do Centro Histórico, com suas roupas de tecidos vistosos ornamentados com miçangas, e seguem os Reis Magos até um presépio ornamentado pelos fiéis na Igreja da Lapinha, no largo de mesmo nome. Lá chegando, eles se apresentam em um palco durante a festa, que ocorre simultaneamente com música nas barracas que servem comidas e bebidas típicas no largo em frente à igreja.

Festa da Ribeira: primeira segunda-feira depois da Lavagem do Bonfim. Uma típica manifestação popular realizada no bairro da Ribeira, na Cidade Baixa, que é promovida pelos comerciantes que trabalharam na Lavagem do Bonfim. A festa acontece com música, barracas que servem comidas e bebidas típicas e atrações folclóricas.

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Festa de São Lázaro: 25 de janeiro. Além de ser uma festa popular, é uma manifestação de origem católica que acontece na Igreja de São Lázaro e no largo em frente à igreja. A festa une o sincretismo do catolicismo que realiza missa, tríduo e procissão em louvor ao santo e o candomblé, que homenageia o Orixá Omolú – deus protetor das doenças de pele no candomblé -, com lavagem da escadaria da igreja, oferta de velas acesas em torno do cruzeiro no Largo de São Gonçalo da Federação, banhos de pipoca no povo e a animação profana nas barracas de comidas e bebidas.

Como ilustração, reproduzimos, abaixo, na íntegra, matéria do jornal Correio da Bahia, edição de 30.01.2005, relatando a festa daquele ano:

Devotos renovam as promessas de fé em São Lázaro Fiéis participam de procissão em reverência ao santo sincretizado como Omolu no candomblé Julia Lima

Ele era pobre, doente, solitário e vivia nas ruas, como tantos mendigos das grandes cidades. Símbolo do sofrimento e da humildade, São Lázaro perambulou pelas ruas à procura de ajuda, e só encontrou consolo na amizade dos cachorros abandonados. Hoje, sua triste história é retratada no evangelho segundo Lucas, transformando-o em santo curador das chagas e dos males da alma. Alguns dos seus devotos são católicos, outros são membros do candomblé, mas todos prestigiaram ontem a crença no santo sofredor, percorrendo as ruas do bairro da Federação durante a XXI Lavagem da igreja de São Lázaro. Sincretizado no candomblé como Omolu, o santo foi reverenciado por baianas vestidas a caráter, que carregaram pipocas, flores, vassouras e água-de-cheiro, saindo da estrada de São Lázaro com destino ao largo da igreja, por volta das 13h. Acompanhando o cortejo, um grupo de oficiais da polícia Militar (PM) e duas carroças com palhas de coqueiro e algumas baianas devidamente paramentadas. Próximo a elas, o som dos pandeiros e atabaques do grupo Primeira Linha animavam os membros da Associação de Moradores da Colina de São Lázaro, comunidade pertencente ao bairro da Federação. "É um apoio que a gente dá às pessoas que são devotas", conta a moradora Jesuína Santana, 51 anos, uma das poucas pessoas que eram devotas do santo.

A fé em São Lázaro, cuja imagem é a de um homem cheio de feridas com

cães aos seus pés, fez com que muitos fossem agradecer às graças concedidas por ele. Por causa de uma promessa, dona Aída Conceição, 73

anos, faz o trajeto desde o início, embora já esteja andando com a ajuda de muletas há quatro anos. Amparada pela amiga, a velha senhora carregava muitas camadas de panos, colares e turbantes que compõem as roupas de baiana, e com uma pequena toalha enxugava o suor do rosto. "Só vou deixar o cortejo quando morrer", conta ela, devota de Omolu e Obaluaê, o São Roque dos católicos. De fato, as muletas e outros aparelhos não foram obstáculos para a devoção; contrariando a máxima de que "quem tem fé, vai a pé", eles mostraram que também é possível percorrer o caminho da crença sobre rodas. Devota do "orixá" São Lázaro, Ione Paixão da Silva, 44 anos, recebeu

a ajuda de um menino para empurrar sua cadeira de rodas, seguindo o

cortejo graças à solidariedade tão pregada pelo santo. "Eu venho muito aqui", conta ela, diante do santuário. Próximo à igreja, o cortejo recebeu uma chuva de pipocas das baianas na carroça, acompanhada pelos batuques de músicas africanas. Ao redor, alguns turistas acompanhavam a caminhada com os olhos e as lentes de

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máquina fotográfica. Chegando ao Santuário de São Lázaro, as baianas e moradores subiram a escadaria da igreja, equilibrando vasos brancos com água-de-cheiro e flores, enquanto os homens traziam baldes cheios de água, com os quais eles refrescavam os marchadores num dia quente de sol. Os vasos foram derramados nas cabeças, na escada, e as vassouras terminaram por lavar a escadaria da igreja. Hoje o Santuário de São Lázaro realiza missas com o tema Da eucaristia brota a cultura da paz e solidariedade, às 7, 9, 11 e 16h. Após a última missa festiva, acontecerá uma procissão carregando a imagem do santo pelas ruas do bairro da Federação.

(Fonte: http://www.correiodabahia.com.br/2005/01/30/noticia.asp?link=not000105284.xml, acessado em 25.11.2006 , às 10h25m)

Ainda mais interessante foi a matéria veiculada pelo jornal O estado de S.Paulo, que nos relata a participação de um padre católico na Festa de São Lázaro, em 2000:

Padre participa de rito do candomblé Salvador - Um padre católico se juntou a centenas de adeptos do candomblé e tomou "banho de pipoca" em frente à Igreja de São Lázaro, um dos símbolos do sincretismo baiano. Na tradição dos adeptos de Omolu, o orixá que representa São Lázaro, o "banho de pipoca" serve para "limpar o corpo" de mau olhado e todo tipo de problema. "É preciso fazer, na religião da Bahia, o resgate da cultura da fé desse povo, unindo padres e baianas em sinal de adoração a Deus e Oxalá", disse o padre Marcos Lázaro, da Paróquia da Piedade, centro de Salvador. Ele aproveitou o dia de São Roque - cujo correspondente no candomblé é Obaluaê - para visitar a Igreja de São Lázaro (onde também se cultua São Roque) e, nas suas próprias palavras, "inaugurar um novo sincretismo" na cidade. "Como diz o compositor Gerônimo, em Salvador todo mundo é de Oxum e o padre Marcos Lázaro também", disse, sendo aplaudido por várias pessoas que presenciavam a cena, transmitida ao vivo para todo o Estado pelo noticiário de meio-dia da TV Bahia. Padre Marcos, da ala carismática da Igreja Católica de Salvador, disse que, a partir de agora, estará na Igreja de São Lázaro toda semana, para cantar com sua banda "Dom de Deus" nessa cruzada pela união das duas religiões. "Há um documento do papa que reconhece o monoteísmo do candomblé e a Igreja Católica da Bahia não pode negar os fatos: o sincretismo daqui está na raiz da cultura do povo dessa terra", repetiu padre Marcos, conhecido por posições que lhe renderam várias advertências. Ele tentou, no inicio do ano, lançar um bloco carnavalesco formado só com paroquianos, mas foi impedido pela Arquidiocese. Na hierarquia da Igreja na Bahia, ninguém quis comentar essa nova investida do religioso, alegando que ele não é subordinado à Cúria e sim à ordem dos frades capuchinhos da Piedade.

(fonte:

http://www.estadao.com.br/agestado/nacional/2000/ago/16/148.htm,

26.11.2006, 11h15m)

acessado

em

Lavagem da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã: data móvel, entre

a Festa de Iemanjá e o Carnaval. Manifestação religiosa do candomblé, onde Nossa

Senhora da Conceição é sincretizada como Iemanjá, com as baianas, os

pescadores e o povo participando de missa, procissão e da lavagem com água

perfumada da escadaria da igreja de mesmo nome, na praia de Itapuã.

Festa da Pituba: data móvel, costuma ser a última festa de largo antes do Carnaval.

Apresenta duas versões quanto à sua origem: para alguns, a devoção à Nossa

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Senhora da Luz começou em 1580 e, para outros, em 1889, ano em que foi construída uma capela em seu louvor. A festa tem duração de dez dias, terminando na segunda-feira que antecede o Carnaval. Durante os festejos, celebram-se novenas, missas e duas procissões, sendo uma terrestre no domingo e uma marítima organizada pelos pescadores, na segunda-feira. A maior atração é a lavagem da escadaria da igreja na quinta-feira, precedida de cortejo que parte do Largo da Amaralina em direção à Igreja de Nossa Senhora da Luz. Durante as comemorações, realiza-se a festa de largo.

Carnaval: data móvel, é a maior profusão de alegria dos baianos. A festa, que envolve na sua organização a participação direta de 25 mil pessoas, tem dimensões gigantescas e acontece com uma média de 2 milhões de pessoas em 25 quilômetros de ruas, avenidas e praças. O Carnaval é realizado em três circuitos oficiais (Dodô, Osmar e Batatinha), com a presença de mais de 200 entidades, divididas entre blocos de trio, afros, índios, infantis e alternativos, afoxés, e trios independentes. A festa acontece também no Pelourinho - com a apresentação de diversas bandas e grupos - e em bairros da cidade, onde são montados palcos para apresentações musicais. Salvador recebe, em média, 800 mil visitantes vindos de municípios localizados a menos de 150 quilômetros de distância e de diversos Estados brasileiros e países do mundo. O evento começa na noite de quarta-feira (circuito Dodô, antigo Barra-Ondina) e só termina no final da manhã de quarta-feira de Cinzas, com o encontro de trios elétricos na Praça Castro Alves e os famosos arrastões iniciados por Carlinhos Brown na Barra. Os maiores blocos carnavalescos de Salvador são Camaleão, Cheiro de Amor, Crocodilo, Eva, Pinel, Olodum, Internacionais, Araketu, Ilê Aiyê, Timbalada, Filhos de Ghandy, Nana Banana, Cocobambu, Bizú e Acadêmicas. "Com tudo isso, Salvador se tornou uma cidade maníaca onde todo mundo tem de ser alegre para alimentar a economia do simbólico", analisa o escritor Antonio Risério. Para ele, o que se faz não é arte, e sim diversão. "Mas não há dúvida que rende muito dinheiro e emprega muita gente."

Enquanto a Bahia for sinônimo de alegria vai-se enchendo o cofre. Daniela Mercury, Ivete Sangalo e outras estrelas transformam o ano inteiro em Carnaval. Os blocos se tornaram grandes organizações. O Olodum tem hoje uma linha de produtos que vai de roupas a cosméticos. Seus cursos de percussão, teatro e dança criam uma nova geração de artistas. O mesmo acontece com a banda feminina Didá, que também tem oficinas para preparar novos componentes. Com um

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ambiente tão propício, os adolescentes na Bahia sonham com o estrelato como se fosse uma vocação natural, uma herança que receberam só por nascerem onde nasceram. O que Dorival Caymmi dizia, e que hoje é repetido pelo publicitário Nizan Guanaes, continua mais válido do que nunca: "Baiano não nasce, estréia."

Para se ter uma idéia, no Carnaval de 2005 foram gerados cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos e gerados negócios da ordem de R$ 1.400 milhões.

A força do mercado não consegue, porém, padronizar tudo. Blocos de afoxé como os Filhos de Gandhy e o Ilê Aiyê não se afastam do conceito que os norteou no início. Nascidos em terreiros de candomblé, ambos surgiram como um enclave da cultura africana. "Nós surgimos como bloco carnavalesco, mas a idéia é que o Carnaval se torne só o alicerce para nosso trabalho pedagógico e de formação profissional da comunidade negra", explica Antônio Carlos Vovô, fundador do Ilê.

Presente de Iemanjá: 8 de março. Manifestação religiosa do candomblé em que as baianas e o povo levam suas oferendas, presentes e pedidos à rainha das águas salgadas na Ponta do Humaitá, no Mont Serrat – um dos lugares mais bonitos, tranqüilos e bucólicos da capital baiana.

Festa de São Roque: 16 de agosto. Manifestação católica de origem portuguesa, é uma festa de forte participação do candomblé, em que São Roque é sincretizado como o Orixá Omolú e tem os seus festejos na porta da Igreja de São Lázaro, no bairro da Federação, com banhos de pipoca e festa nos terreiros.

Festa de São Cosme e São Damião: 27 de setembro. Manifestação católica de origem portuguesa, acontece com missas nas igrejas e com a oferta de caruru pelos adeptos do candomblé. A comida é feita com quiabo cortado e cozido no azeite de dendê, sendo acompanhada de iguarias típicas da culinária baiana e servida inicialmente a sete crianças.

Dia da Baiana: 25 de novembro. Festa que homenageia a baiana do acarajé – símbolo da simpatia e hospitalidade do povo baiano – e acontece com missa católica na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, manifestações culturais em outros pontos do Centro Histórico e uma programação de comemorações que abrem oficialmente o ciclo de festas em Salvador.

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Festa dos Pescadores: 27 a 30 de novembro. Manifestação religiosa do candomblé realizada pela Colônia de Pescadores da Boca do Rio, que acontece com a lavagem da Pedra de Iemanjá, na praia da Boca do Rio, e procissão para a entrega de presentes no mar em agradecimento ou em devoção à princesa do mar. A primeira parte da festa ocorre durante à tarde; à noite, a animação acontece com música e nas barracas que servem comidas e bebidas típicas.

Celebração da Herança Africana: data móvel, geralmente acontece no final do mês de novembro. O evento é uma mostra internacional de arte e cultura das manifestações regionais de origem africana espalhadas pelo mundo, incluindo palestras, exposições literárias e artísticas, feiras, shows musicais, espetáculos cênicos, danças, culinária e artesanato. A festa – organizada inicialmente na segunda maior cidade do mundo em população negra, Salvador, onde 85% dos habitantes têm descendência africana – acontece nas ruas e praças do Centro Histórico.

Festa de Santa Bárbara: 4 de dezembro. A santa é madrinha do Corpo de Bombeiros e padroeira dos mercados. No candomblé, é Iansã, santa guerreira, senhora dos raios, dos ventos e trovões. As homenagens duram três dias e iniciam- se com uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, onde está a imagem da santa, sendo seguida de uma procissão que percorre as ruas do Centro Histórico, passando em frente ao quartel do Corpo de Bombeiros. Durante a procissão, as imagens de N. Sra. da Guia, São Lázaro e São Nicodemus acompanham a imagem de Santa Bárbara. Com o encerramento da festa religiosa, ocorre a distribuição do tradicional caruru, preparado por voluntários e servido gratuitamente, acompanhado de muita bebida e animação.

5.7 A UTILIZAÇÃO DA BÍBLIA

Em nossa pesquisa, encontramos orientações aos adeptos daquelas religiões, quanto à utilização de alguns salmos bíblicos e sua utilidade, no site http://www.magiadosmagos.hpg.ig.com.br/rituais_e_pequenas_magias.html., acessado em 06.10.2007, às 09h40m.

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Salmos e suas utilizações

Os Salmos são muito úteis para vários tipos de situação em nossa vida. Veja a sua situação e reze por 07 dias ou com urgência do seu pedido, reze 07 vezes em 01 dia:

Salmos:

06 e 07 - Para socorro rápido

12 - Para pessoa que pensa em suicídio

17 - Para vitória 25 - Para pessoa que desapareceu

30 - Para afastar calúnias e espíritos negativos

33 - Para aprender facilmente

102 - Para se adaptar em uma nova situação ou ambiente 113 - Para pedir prosperidade 118 - Para arrumar emprego e progresso 120 - Para fazer uma viagem segura 91 - Serve para TUDO 97 - Para reconciliação conjugal

6 A PERSEGUIÇÃO ÀS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

6.1 A PERSEGUIÇÃO DO ESTADO

A perseguição ou a discriminação da religião afro-brasileira não é e nunca foi uniforme, e geralmente foi maior na cidade do que nas periferias e na área rural. Em alguns períodos foi mais forte e mais abrangente. Em outros foi mais leve, mais localizada e mais específica. Entre 1876 e 1886, por exemplo, essa repressão foi bastante forte em São Luís e seus arredores (FERRETTI, 2000, p. 272), pois várias foram as prisões de curadores e chefes de culto noticiadas em jornais e citadas por diversos pesquisadores (FREITAS, 1884; SANTOS e SANTOS NETO, 1989, conforme FERRETI, 2000, p.272).

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Em 1876 a imprensa maranhense, noticiando a prisão de uma "curadeira", anunciou o surgimento em São Luís de uma nova religião, denominada Pajé, o que foi retransmitido em Jornal de São Paulo localizado pela pesquisadora Liana Trindade (USP). Em 1934, quando foi realizado em Recife o primeiro "Congresso Afro- Brasileiro", era obrigatório o registro dos terreiros na polícia e, como foi denunciado naquele evento, as "macumbas" e "catimbós" eram perseguidas como crime e anomalia. Embora essa obrigatoriedade tenha caído há mais tempo na Bahia e em outros Estados, no Maranhão vigorou até mais ou menos 1988. Os terreiros de São Luís e de outros Estados eram obrigados a pedir licença à Polícia para realizar suas festas, pois eram cadastrados não como "casas de culto" e sim como "casas de diversão", não só porque costumam fazer várias festas de santo durante o ano, mas também porque a religião afro-brasileira não tem o mesmo "status" do catolicismo e do protestantismo, cujos templos, certamente, não eram cadastrados na mesma categoria. Embora a acusação de feitiçaria, quando não substituída por "magia negra", esteja caindo em desuso e haja atualmente uma certa valorização de práticas terapêuticas de terreiros como "sabedoria popular na área de saúde", elas tendem a ser encaradas pela classe dominante e seus representantes mais como "crendice" do que como "medicina alternativa". Embora existisse uma tendência a se poupar os terreiros fundados por africanos da acusação de curandeirismo e magia, apresentado-os como uma espécie de "reserva cultural africana" ou como religião africana pura ou autêntica - pois alguns, como a Casa das Minas, de São Luís (MA), conseguiram chegar aos nossos dias continuando muitas tradições africanas e preservando muitos aspectos da língua, culto, mitologia, música, dança e tantos outros elementos da cultura de seus ancestrais africanos -, eles também enfrentaram problemas com a Polícia (FERRETTI, S.,1996). A liberdade de culto, afirmada na Constituição brasileira de 1891, não garantiu a liberdade dos terreiros de religião afro-brasileira e de lá para cá, embora muita coisa tenha mudado, a religião afro-brasileira continua encarada com desconfiança por muitos. Basta haver um crime com mutilação de cadáver ou o desaparecimento do corpo de um morto para eclodir uma onda de suspeitas direcionadas para o "povo de santo". Mesmo quando o criminoso é considerado "louco", os elementos de seu depoimento que sugerem uma possível ligação com a religião afro-brasileira é logo

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destacado e encarado como prova de realização de ritual de "magia negra" que, na concepção de muitos jornalistas, é praticada pelas diversas denominações religiosas afro-brasileiras. E, como existe hoje maior consciência dessa discriminação e maior organização dos afro-brasileiros, as ações judiciais contra os agressores têm se multiplicado e muitas delas têm sido estimuladas ou encorajadas por redes de discussão sobre Umbanda e religião afro-brasileira na INTERNET.

6.2 A PERSEGUIÇÃO DO NEO-PENTECOSTALISMO

Tratado durante muito tempo com discrição e segredo, o culto dos exus e pombagiras, identificados erroneamente como figuras diabólicas, veio recentemente

a ocupar na umbanda lugar aberto e de realce. Era tudo de que precisava o

neopentecostalismo, capitaneado pela IURD: agora o diabo estava ali bem à mão, nos terreiros adversários, visível e palpável, pronto para ser humilhado e vencido. O neopentecostalismo leva ao pé da letra a idéia de que o diabo está entre

nós, incitando seus seguidores a divisá-lo nos transes rituais dos terreiros. Pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, em cerimônias fartamente veiculadas pela televisão, submetem desertores da umbanda e do candomblé, em estado de transe,

a rituais de exorcismo, que têm por fim humilhar e escorraçar as entidades

espirituais afro-brasileiras incorporadas, que eles consideram manifestações do demônio (Almeida, 1995; Mariano, 1999). A umbanda e o candomblé, cada qual a seu modo, são bastante valorizados no mercado de serviços mágicos e sempre foi grande — e não necessariamente religiosa — a sua clientela, mas ambos enfrentam hoje a concorrência de incontáveis agências de serviços mágicos e esotéricos de todo tipo e origem, sem falar de outras religiões, que inclusive se apropriam de suas técnicas, sobretudo as oraculares. Concorrem entre si e concorrem com os outros. Por fim foram deixados em paz pela polícia (quase sempre), mas ganharam inimigos muito mais decididos e dispostos a expulsá-los do cenário religioso, contendores que fazem da perseguição às crenças afro-brasileiras um ato de fé, no recinto fechado dos templos como no ilimitado e público espaço da televisão e do rádio.

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Não foi um ato isolado e gratuito o discurso do pastor fluminense Samuel Gonçalves, da Assembléia de Deus, um dos apoiadores do candidato evangélico Anthony Garotinho à presidência da república, em que afirmou que “uma das “três maldições” do Brasil é a religião africana” (Folha de S. Paulo, 30/07/2002, p. A6). Pouco antes do primeiro turno das penúltimas eleições presidenciais, o Painel da Folha de S. Paulo deu a seguinte notícia, com o intertítulo de “Guerra santa:

Panfletos distribuídos por evangélicos reclama que Brasília ‘está se transformando em um terreiro de candomblé’, pois estátuas de orixás foram colocadas em um parque. Para mudar isso, diz o documento, só há uma solução: (eleger) Garotinho para presidente e Benedito Domingos (PPB-DF) para governador” (Folha de S. Paulo, 24/09/2002, p. A4). Na opinião de PRANDI,

Se se confirma esse novo horizonte político-partidário, em que os evangélicos se fazem presentes até mesmo numa candidatura como a de Lula à presidência da república, na espantosa coligação entre o PT e o PL, em parte controlado pela Igreja Universal do Reino de Deus, não há de ser muito alvissareiro o futuro das religiões afro-brasileiras. Nos tempos atuais, a perseguição sofrida pelas religiões afro-brasileiras passou de órgãos do Estado para instituições da sociedade civil.

(Fonte: www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/seguidor.doc, acessado em 06.10.2007, às 17h31m)

6.4 ORGANIZAÇÃO E CONCORRÊNCIA DAS PRINCIPAIS RELIGIÕES AFRO- BRASILEIRAS COM AS DEMAIS RELIGIÕES

Candomblé e umbanda são religiões de pequenos grupos que se congregam em torno de uma mãe ou pai-de-santo, denominando-se terreiro cada um desses grupos. Embora se cultivem relações protocolares de parentesco iniciático entre terreiros, cada um deles é autônomo e auto-suficiente, e não há nenhuma organização institucional eficaz que os unifique ou que permita uma ordenação mínima capaz de estabelecer planos e estratégias comuns na relação da religião afro-brasileira com as outras religiões e o resto da sociedade. As federações de umbanda e candomblé, que supostamente uniriam os terreiros, não funcionam, pois não há autoridade acima do pai ou da mãe-de-santo. Além disso, os terreiros competem fortemente entre si e os laços de solidariedade entre os diferentes grupos são frágeis e circunstanciais. Não há organização empresarial e não se dispõe de canais eletrônicos de comunicação. Sobretudo, nem o candomblé em suas diferentes denominações nem a umbanda têm quem fale por eles, muito menos quem os defenda.

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Muito diferente das modernas organizações empresariais das igrejas evangélicas neopentecostais (IURD, IGREJA INTERNACIONAL DA GRAÇA DE DEUS,etc.) que usam de técnicas modernas de marketing, que treinam seus pastores-executivos para a expansão e prosperidade material das igrejas, que contam com canais próprios e alugados de televisão e rádio, e com representação aguerrida nos legislativos municipais, estaduais e federal. Mais que isso, a derrota das religiões afro-brasileiras é item explícito do planejamento expansionista pentecostal: há igrejas evangélicas neo-pentecostais em que o ataque às religiões afro-brasileiras e a conquista de seus seguidores são práticas exercidas com regularidade e justificadas teologicamente. Por exemplo, na prática expansiva da IURD, fazer fechar o maior número de terreiros de umbanda e candomblé existentes na área em que se instala um novo templo é meta que o pastor tem que cumprir. Grande parte da fraqueza das religiões afro-brasileiras advém de sua própria constituição como reunião não organizada e dispersa de grupos pequenos e quase domésticos, que são os terreiros. Num passado recente, entre as décadas de 1950 e 1970, as religiões de conversão se caracterizavam pela formação de pequenas comunidades, em que todos se conheciam e se relacionavam. A religião recriava simbolicamente relações sociais comunitárias que o avanço da industrialização e da urbanização ia deixando de lado. Tanto no terreiro afro-brasileiro como na igreja evangélica, o adepto se sentia parte de um pequeno e bem definido grupo. Ao contrário disso, a religião típica da década de 1980 em diante é uma religião de massa. Hoje, as reuniões religiosas são realizadas em grandes templos, situados preferencialmente nos lugares de maior fluxo de pessoas, com grande visibilidade, que funcionam o tempo todo — algumas 24 horas — e que reúnem adeptos vindos de todos os lugares da cidade, adeptos que podem freqüentar a cada dia um templo localizado em lugar diferente. Os crentes seguem a religião, mas já não necessariamente se conhecem. O culto também é oferecido dia e noite no rádio e na televisão e o acesso ao discurso religioso é sempre imediato, fácil. Os pastores são treinados para um mesmo tipo de pregação uniforme e imediatista. No catolicismo carismático, por sua vez, a constituição dos pequenos grupos de oração teve que se calçar na criação dos grandes espetáculos de massa das missas dançantes celebradas pelos padres cantores (Souza, 2001).

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Em síntese, nesses vinte anos, mudou muito a forma como a religião é oferecida pelos mais bem-sucedidos grupos religiosos. São mudanças a que o candomblé e a umbanda não estão afeitos. Não são capazes de se massificar, mesmo porque a vida religiosa de um afro-brasileiro se pauta principalmente pelo desempenho de papéis sacerdotais dentro de um grupo de características eminentemente familiares. Não é à toa que o grupo de culto é chamado de família- de-santo. Mais que isso: as cerimônias secretas das obrigações e sacrifícios não são abertas sequer a todos os membros de um terreiro, havendo sempre uma seleção baseada nos níveis iniciáticos, não sendo concebível a sua exposição a todos, muito menos sua divulgação por meio televisivo. Além de se constituírem em pequenas unidades autônomas, reunindo em geral não mais que 50 membros, os terreiros de candomblé e umbanda usualmente desaparecem com o falecimento da mãe ou pai-de-santo, tanto pelas disputas de sucessão como pelo fato bastante recorrente de que os herdeiros civis da propriedade e demais bens materiais do terreiro, tudo propriedade particular do finado chefe, não se interessam pela continuidade da comunidade religiosa. A não ser em uma dúzia de casas que se transformaram em emblemas de importância regional ou mesmo nacionais para a religião, dificilmente um terreiro sobrevive a seu fundador. Tudo sempre começa de novo, pouco se acumula. Fragmentada em pequenos grupos, fragilizada pela ausência de algum tipo de organização ampla, tendo que carregar o peso do preconceito racial que se transfere do negro para a cultura negra, a religião dos orixás tem poucas chances de se sair melhor na competição — desigual — com outras religiões. A realidade é que, hoje, a base social do candomblé, por exemplo, mudou, e mudou muito. Grande parte, talvez a maioria ainda, é de gente pobre, com muitas dificuldades para arcar com os gastos financeiros impostos pela exuberância e complexidade dos ritos, tendo que, além de se responsabilizar pelas despesas com as oferendas votivas, paramentos, objetos rituais e sua manutenção no terreiro nos períodos de clausura, pagar a “mão de chão”, o pagamento feito ao pai ou mãe-de- santo pelo serviço religioso por ocasião das obrigações iniciáticas. Mas a classe média, branca e escolarizada, já está no terreiro, muitas vezes competindo com os negros pobres, que evidentemente, pela sua condição de afros- descendentes, se sentem com freqüência os legítimos donos das tradições dos orixás. Disputam cargos, regalias e posições de mando e de prestígio no intrincado jogo de poder dos terreiros. Levam consigo valores, costumes e aspirações próprios

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de sua condição social. O hábito de leitura, o gosto pelo estudo, o prazer do consumo descortinam um mundo de novidades a serem buscadas nos livros, nas revistas, na internet, nas atividades universitárias, no mercado de artigos religiosos. No terreiro aprendem o quanto é valorizado o saber religioso. Há tesouros a descobrir em termos da mitologia e dos ritos, segredos perdidos a recuperar. Todavia, freqüentemente vem a decepção: os segredos são de polichinelo, acrescentam pouco ou quase nada ao que se sabia e praticava antes. Pior que isso:

mais saber religioso não confere necessariamente mais poder, seja o poder de mando seja o de manipulação mágica. Diante de tudo isso é que hoje assistimos a um verdadeiro massacre das religiões afro-brasileiras. Sem um projeto novo de expansão e de reorientação num quadro religioso que se tornou extremamente complexo e competitivo, a umbanda talvez tenha menos recursos que o candomblé para enfrentar a nova conjuntura. Os dados dos censos mostram que é da umbanda que vem o encolhimento demográfico do segmento religioso afro-brasileiro, e o vigor do novo candomblé não tem sido suficiente para compensar as perdas. Nem seus líderes, em grande parte pouco escolarizados, têm sabido como reagir ou como se organizar, mais preocupados que estão em garantir o funcionamento de seus terreiros. Por sua vez, a umbanda tem menos de cem anos de idade e parece não conseguir se adaptar às novas demandas que a sociedade apresenta. Já o candomblé, que é pelo menos um século mais antigo que a umbanda, porém renovado pelas mutações que vem sofrendo em sua expansão, tem se mostrado mais ágil para se adequar aos novos tempos. Enfim, na avaliação dos escritores adeptos de tais religiões, entendem que tudo isso “é mais uma demonstração de que a religião que não muda, morre”.

(Expressão de PRANDI, em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000300015, acessado em 06.10.2007, às 17h38m).

7 O SINCRETISMO E O ECUMENISMO

7.1 AS CONSEQUÊNCIAS DO SINCRETISMO NO BRASIL

Conforme o dicionário Aurélio, sincretismo significa:

1. Tendências à unificação de idéias ou de doutrinas diversificadas e, por vezes, até mesmo inconciliáveis.

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2. Amálgama de doutrinas ou concepções heterogêneas.

3. Fusão de elementos culturais diferentes, ou até antagônicos, em um

só elemento, continuando perceptíveis alguns sinais originários.

7.1.1 Limites

“Apesar de o sincretismo religioso ter se mostrado como fonte de sobrevivência da religião afro, parte dos católicos e dos praticantes do candomblé acreditam que deva existir um limite na relação entre as duas religiões. Fato que pode ser visto na Lavagem da Igreja do Senhor do Bonfim, onde o ritual foi modificado e somente as escadarias passaram a ser lavadas enquanto a igreja se mantém de portas fechadas abrindo-se somente na realização da missa por considerar a festa um ato profano. Membros da Renovação Carismática, movimento eclesial dentro da Igreja Católica que procura resgatar os valores da igreja, costumam ser mais radicais quando se trata do sincretismo religioso. Maria de Lucia Ferreira, 35 anos, há 12 fazendo parte da Renovação Carismática, acha que deve existir uma separação entre as religiões, pois se tratam de práticas diferentes e os católicos não devem freqüentar outras práticas religiosas que não sejam as da igreja católica. “Cada qual é cada qual. E a Renovação Carismática é fechada à prática de outras seitas

religiosas, disse Maria Lucia. (Fonte: soteropolitanosdocentrohistorico.wordpress.com/2007/08/31/por-tras-do-

veu-do-sincretismo/ - 24k, acessado em 08.10.2007, às 09h06s)

De acordo com o padre Arnaldo Lima, essa relação acontece de forma tensa

para alguns e de forma libertadora para outros: Outras pessoas abjuram o passado, tentam esquecer uma religião que foi socialmente desprezada e teologicamente,

“demonizada”, escondem suas crenças maiores”, afirma o padre.

(Fonte: soteropolitanosdocentrohistorico.wordpress.com/2007/08/31/por-tras-do-veu-do-sincretismo/ - 24k, acessado em 08.10.2007, às 09h06s)

O líder em evidência atualmente na Igreja Católica, conhecido por Pe.

Zezinho, assim se manifesta quanto ao sincretismo religioso:

Suco de frutas é coisa boa, mas depende das frutas e até da saúde da pessoa. Nem todo suco de frutas faz bem para todas as pessoas. Algumas, por exemplo, não toleram abacaxi. Sincretismo é uma expressão, a princípio, bonita. O suco pode ser muito gostoso, e com sabor bem diferente do sabor original de cada fruta. Se você quiser utilizar todas as cores na pintura de uma parede, pode ser que o resultado seja uma cor totalmente diferente de qualquer cor conhecida. Se misturar várias bebidas, de repente vai descobrir um novo licor. Com religião, a coisa é bem diferente. Quando você mistura todas as crenças, o que vai ter é uma tremenda confusão. Quando mistura doutrinas,

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vai ter uma confusão de conceitos. Em termos de fé, é preciso haver clareza

e definições. Daí porque é impossível ser ao mesmo tempo católico e

espírita, católico e evangélico, católico e mulçumano. Pode-se respeitar um

evangélico e ter muitas idéias semelhantes. Pode-se respeitar um espírita e ter muitas idéias semelhantes. Pode-se discordar totalmente noutras, mas, daí a viver o catolicismo de maneira espírita é impossível. Não vemos a morte e a vida do mesmo jeito.

O sincretismo é uma atitude errada de quem acha que a religião é como

fruta. Se misturar vai dar um suco gostoso. Que cada religião preserve a pureza da sua fé, e que cada seguidor respeite profundamente a fé do outro. Porque é possível juntar várias flores no mesmo jardim - e até no mesmo canteiro - e o jardim será bonito. O difícil será pedir que a rosa se comporte como lírio e o lírio se comporte como açucena. Juntos podem fazer um belo buquê, mas que cada um conserve a pureza do que é. (Artigo: Ecumenismo e

Sincretismo, Pe.Zezinho, em http://www.casadehon.org/especiais/ecumenismo_02.htm, acessado em 08.10.07, às 09h18m).

Razão assiste ao Pe. Zezinho. Ele demonstra entender, corretamente, o significado não só da palavra sincretismo, como também das implicações que tal envolvimento que mistura religiões e culturas tão diferentes causa na vida das pessoas. Todavia, o sincretismo religioso é um fato histórico, presente na vida do povo brasileiro e que hoje, inobstante os brados de revolta de ambos os lados, torna-se praticamente impossível erradicar de seu convívio esses remanescentes culturais sincretistas. O sincretismo entre o candomblé e a religião católica foi uma forma de defesa visando a preservação da religião proibida pelos escravocratas. A religião católica foi impregnada, ao longo da história de nosso país, com os costumes afro-brasileiros. E a recíproca é verdadeira. Permitiram, conviveram, aceitaram-se mutuamente, valeram-se disso por longo tempo, mas hoje percebem que foi um erro. Tentam consertar, mas parece-nos uma missão “quase” impossível. Nesse interregno, surge nova palavra, nova filosofia, chamada “ecumenismo” e que vem sendo implementada pelo catolicismo romano, provavelmente como uma tentativa de neutralizar o sincretismo. E tal idéia vem sendo absorvida por outros segmentos religiosos, incluindo aí os representantes das religiões afro-brasileiras e até mesmo líderes evangélicos de nosso país. Vejamos como o acima citado, Pe. Zezinho, aborda esta questão, do sincretismo x ecumenismo:

O

sincretismo não é uma boa idéia quando se fala de sincretismo religioso.

O

ecumenismo é uma bela idéia. Até porque, uma coisa é sincretismo e

outra coisa é ecumenismo. Sincretista foi o gesto daquele padre que, tentando agradar a comunidade

negra, celebrou uma missa inteira copiando todos os ritos do grupo negro que foi lá. De repente, o padre quis mostrar boa vontade e deturpou a missa católica. Praticou sincretismo e, com isto, não agradou nem a sua Igreja, nem ao grupo que foi à festa.

A missa não pode ser nunca uma cópia do candomblé, da mesma forma de

que um ritual de candomblé não pode copiar uma missa católica. Se um babalaô ou babalorixá copia a missa católica, ele está praticando sincretismo. Ou se um padre copia os ritos de terreiro, ele está praticando sincretismo. Seria diferente se aquele padre, ao celebrar a missa,

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convidando os irmãos africanos ou afro-brasileiros, - que praticam o candomblé - para o encontro, tivessem feito um culto ecumênico, onde o padre orasse como católico pelos irmãos de outros grupos religiosos, e seus irmãos da sua maneira, falassem com Deus em favor dos católicos, teríamos ali um encontro e até um culto ecumênico. Mas, pegar a missa e celebrá-la como se estivéssemos fazendo um momento de umbanda ou de candomblé, é sincretismo. A Igreja condena o sincretismo. Seria como celebrar a missa com cachaça e charuto, para agradar algum pai de santo que, às vezes, utiliza isso no seu culto. Tudo tem jeito, mas tudo tem o seu limite!. (grifo nosso)

(Artigo:

http://www.casadehon.org/especiais/ecumenismo_02.htm, acessado em 08.10.07, às 09h18m).

Ecumenismo

e

Sincretismo,

Pe.Zezinho,

em

Concordamos com o entendimento de Pe.Zezinho sobre as diferenças entre sincretismo e ecumenismo. E destacamos sua afirmativa de que “A Igreja condena o sincretismo”. Curioso é que o sincretismo igualmente também não é bem visto por líderes do candomblé, umbanda, etc. O candomblé Ilé Axé Opó Afonjá, conduzido por Mãe Stella, localizada no bairro de São Gonçalo, também não é adepto do sincretismo religioso, apesar de respeitar todas as religiões e dar liberdade aos seus praticantes de exercer a prática. A mãe de santo deixou claro sua posição contra o sincretismo religioso em um documento de 1983, assinado por várias outras Yalorixá (nome também utilizado para mãe de santo), que tenta promover a separação total das práticas do candomblé com as católicas, por acreditar que o sincretismo leva ao consumo e a profanação da religião africana. Vejamos, abaixo, a opinião da “famosa” “Mãe” Stella, de Salvador-BA, a respeito do sincretismo religioso:

Mãe Stella advoga idéias polêmicas, que contrastam com a linha de conduta de outros terreiros famosos da Bahia, como o Gantois. Ela é contra o sincretismo religioso - associação entre santos católicos e santos do candomblé. "O sincretismo enfraquece os dois lados", adverte.

(http://epoca.globo.com/edic/19991213/soci2.htm - Acessado em 06.08.2007, 9h32m)

Maria Thereza Lemos de Arruda Camargo, em seu trabalho “MITO, RITO E TRADIÇÃO E O CANTAR DAS FOLHAS: UM ESTUDO DE CASO” , diz que:

Atualmente, os terreiros de candomblé estão procurando impetrar um processo de reafricanização, os quais buscam na África suas raízes para aqui se organizarem tal como lá ocorre. Se em períodos anteriores a reafricanização conviveu ao lado do sincretismo, o mesmo não ocorreu em épocas mais recentes, quando algumas das principais lideranças do candomblé se engajaram num movimento concentrado em afastar as influências católicas e ameríndias do culto dos orixás, entendendo que a tradição africana é a tradição africana no Brasil, como se, apagando no presente as marcas da dominação católica e de outras misturas no candomblé, surgisse a África aqui em seu estado puro, tal qual teria sido trazida pelos escravos no passado."A dessicretização acompanha a reafricanização visando uma volta a um africanismo primitivo que

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atualmente se expande pelo Brasil, ocorrendo muitas vezes uma verdadeira guerra santa de combate ao sincretismo.

(http://www.aguaforte.com/herbarium/mitos.html, acessado em 08.10.07, às 11h41m)

PRANDI, 1999,p.106, já citado neste trabalho, diz que:

A africanização é também uma invenção de tradições, não sendo, pois uma volta ao original primitivo, mas a ampliação do espectro de possibilidades religiosas para uma sociedade moderna, em que a religião é também serviço e, como serviço, se apresenta no mercado religioso, de múltiplas ofertas, como dotada de originalidade, competência e eficiência”.

(http://www.aguaforte.com/herbarium/mitos.html, acessado em 08.10.07, às 11h41m)

Hoje, tanto os líderes da Igreja católica quanto os das demais religiões

envolvidas, talvez, em suas cúpulas, podem até condenar o sincretismo. Entretanto,

impossível deixar de concluir que, ao longo da história, “criaram uma cobra para

serem picados por ela”.

7.2 POR TRÁS DO SINCRETISMO

Ao caminhar no Pelourinho, quem passa em frente à Igreja do Rosário dos

Pretos e escuta batuques de atabaques, ritmos africanos e vê a batina do padre

incrementada com desenhos afros pode duvidar que trata-se realmente de uma

missa católica. Mas é o que acontece todas as terças-feiras, às 18h, na realização

de uma missa que une o catolicismo com elementos da cultura africana. Essa missa

é

um exemplo do sincretismo que uniu duas das religiões mais praticadas no Brasil:

o

candomblé e o catolicismo. Evidentemente, existindo pessoas que o apóie e que o

recrimine.

A Igreja do Rosário dos Pretos lota as terças-feiras. Muitos fiéis assistem a

missa de pé e são vários os que vão especificamente a essa celebração por seus

diferenciais. O sincretismo pode ser visualizado desde a homilia do padre que faz

referências aos povos afros, até as músicas religiosas, que são acompanhadas

pelos batuques dos atabaques, entre outros instrumentos africanos.

A freqüentadora da igreja a cerca de dois anos, Jacir Macedo, 33 anos, acha a missa interessante por gostar e se identificar com os elementos do candomblé:

“Me sinto muito bem aqui, essa missa me transmite uma paz, tranqüilidade e muita

fé”. (http://soteropolitanosdocentrohistorico.wordpress.com/2007/08/31/por-tras-do-veu-do-sincretismo/ - Acessado em 08.10.07, às 9h6m).

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Para o padre Arnaldo Lima, 60 anos, professor da Universidade Católica do Salvador (UCSAL), a relação sincrética do catolicismo com a religião afro baiana acontece de forma diversificada. “Para algumas pessoas essa relação é de forma suave, como o nadar no rio da cidade onde nascemos. E Salvador teve a felicidade de acolher a religião dos africanos, na grande infelicidade da escravidão”.

(http://soteropolitanosdocentrohistorico.wordpress.com/2007/08/31/por-tras-do-veu-do-sincretismo/ - Acessado em 08.10.07, às

9h6m).

O hibridismo religioso existente entre os católicos e os praticantes do candomblé é explicitado entre os que freqüentam as duas religiões de forma harmônica e aqueles que são praticantes de uma delas e em alguns momentos dirige-se a outra, seja numa missa ou num ritual do candomblé. A equede (nome dado no candomblé a aqueles que cuidam dos orixás) Sandra, do terreiro Ilé Axé Opó Afonjá, diz ser batizada numa igreja. Atualmente não se considera católica, mas vai à missa em certas ocasiões: “Aprendi muitas coisas freqüentando a igreja, cada um tem a sua cabeça e aqui existe liberdade para cada um segui-la”.

(http://soteropolitanosdocentrohistorico.wordpress.com/2007/08/31/por-tras-do-veu-do-sincretismo/ - Acessado em 08.10.07, às

9h6m).

O Babalorixá Bel do Oxum, nome também utilizado para pai de santo, considera que “devido ao sincretismo todos nós devemos ser batizados na igreja católica” . De acordo com o pai de santo, a relação existente entre as duas religiões é quase que perfeita, existindo muitos padres que celebram missas nos terreiros e que vão até lá para comer o caruru de São Cosme.“Nunca houve uma discriminação grande, sempre existiu o misticismo”, declara Bel. De acordo com as convicções do padre Arnaldo Dias, “o sincretismo é uma benção na cidade de Salvador”.

(http://soteropolitanosdocentrohistorico.wordpress.com/2007/08/31/por-tras-do-veu-do-sincretismo/ - Acessado em 08.10.07, às

9h6m).

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8 AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS E SUAS INFLUÊNCIAS NO SERTÃO DA PARAIBA

8.1 A PESQUISA EM PATOS (PB)

Com o propósito de observar, conhecer e comparar a realidade brasileira, amplamente demonstrada ao longo deste trabalho, no tocante às religiões afro- brasileiras, com a realidade em nossa região, realizamos entrevistas com os dirigentes de 09 (nove) templos umbandistas na cidade de Patos (PB). Inicialmente, identificamos que praticamente todos os templos umbandistas atuam de duas maneiras:

a) Atendendo as pessoas que os procuram diariamente para consultas ditas espirituais, pelas quais cobram certa importância em dinheiro além da solicitação de ingredientes para complementarem os “trabalhos” (aguardente, charutos, velas, galinhas, bodes, etc). b) Realizando reuniões, chamadas de “GIRA”, em determinados dias da semana, os quais variam de templo para templo. Nas “giras”, há o “toque” de atabaques, a ingestão de bebidas, a realização de sacrifícios de animais, a “incorporação” dos espíritos e o relacionamento com estes, onde as entidades espirituais, incorporadas nas pessoas apresentam suas exigências, dão orientações, exigem pactos, etc. Em TODOS os templos visitados, seus dirigentes afirmam fazerem parte da Umbanda e negam, veementemente, serem adeptos da Quimbanda. Todavia, vimos mais acima, nas definições e diferenças entre um ramo e o outro do ocultismo, que:

a) Os “atendimentos” na Umbanda são totalmente gratuitos. b) O sacrifício de animais (oferenda de sangue) nunca foi, não é e nem será ritual de Umbanda. Com apenas uma exceção, dos nove templos visitados, oito COBRAM pelos atendimentos e oito realizam sacrifícios de animais. Assim, podemos concluir, logo de início, que em Patos, ou existe um desvio dos preceitos da Umbanda ou os dirigentes visitados adaptaram uma corrente à outra, criando uma simbiose entre elas; ou ocultaram a verdade para não assumir que praticam a Quimbanda -- pois todos sabem que a Quimbanda é voltada para o

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MAL e, evidentemente, não querem ter seus nomes e templos vinculados abertamente a essa situação. Despertou-nos a atenção um fato comum entre os entrevistados:

praticamente todos foram atraídos para o espiritismo em função de alguma doença tida por incurável pelos médicos. E que, ao serem “curados” no espiritismo, sempre lhes foi colocada a questão de que teriam mediunidade a ser desenvolvida, pois tinham uma missão aqui na terra, que seria a de servir às entidades espirituais sob pena de coisas mais graves lhes acontecer ao longo da vida. Outro aspecto deveras marcante foi o fato de que TODOS os entrevistados admitiram que são CATÓLICOS. Tal fato confirma o que já comentamos acima, no tocante a “segunda religião” sincretizada.

9 TEMPLOS DE UMBANDA VISITADOS

9.1 TEMPLO DE “IANSÃ NITA”

Fundado em 1980. Localizado à Rua Lima Campos, s/nr., bairro das Placas, Patos (PB). Mãe-de-Santo: Maria do Carmo (Neta). Enfermidade aparente: feridas que nunca cicatrizam na perna. Como ingressou na Umbanda: enfermidade que ninguém conseguia curar. Obteve a “cura” daquela doença com a condição de passar a servir às entidades espirituais. Religião oficial: católica não praticante. Acredita que serve a quem: a Deus. Entende seu trabalho como uma “missão”. Trabalhos: quartas e sextas feiras (“gira”) Freqüência: média de 15 a 20 pessoas por “gira”. Consultas de atendimento pessoal: média de 3 a 5 pessoas por dia. Valor da consulta: R$ 15,00 (quinze reais). Observações: Dona Neta, a dirigente, não freqüenta outra igreja, porém considera-se católica. Afirmou trabalhar exclusivamente para o BEM. Mostrou-nos as dependências do templo, onde pudemos constatar que existe um salão maior onde as giras são realizadas e o atendimento pessoal também é feito ali. Porém, mostrou-

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nos alguns quartos da casa, os quais, segundo Da.Neta, seriam os “quartos dos santos”. Ela crê que o “santo” passou a residir ali, em sua casa, e habita naquele quarto. Quando amanhece o dia, ela sai batendo de porta em porta, cumprimentando respeitosamente os “santos”, os quais ela acredita que dormiram ali, naqueles quartos. Relatou, com um misto de orgulho e satisfação pessoal, que após muitos anos de lutas, havia conquistado, finalmente, o direito de ter “seu” “santo” habitando permanentemente no templo. Deu a entender, com isso, que em outros templos há a possibilidade de que o “santo” ainda não habite em definitivo, como acontece com o templo dirigido por ela. Acreditamos, portanto, que tal situação é encarada como uma espécie de status no meio umbandista: os que tem e os que não tem um santo habitando permanentemente no local. Foi questionada com relação ao MAL, ou seja, se fosse procurada por alguém para fazer o mal para outro, se ela faria. Categoricamente afirmou que NÃO. Que só trabalhava para o bem. Todavia, mostrando as dependências do templo, mostrou- nos um quarto que ela disse pertencer à entidade conhecida pelo nome de “Zé Pelintra”. Neste quarto, vimos vestígios de sangue em uma panela, imagens de entidades com aspecto demoníaco, espadas, facas de vários tipos e tamanhos,

navalha, uma garrafa de bebida suporte montado em cascos de boi

Enfim, um

ambiente diferente do outro quarto, que possuía imagens de aparência normal. Novamente foi questionada com relação a QUIMBANDA e, percebendo que não éramos totalmente leigos sobre o assunto, admitiu finalmente que, se necessário, recorreria a Quimbanda (ou seja, magia negra) para resolver algum problema mais grave, como dependência de drogas ou bebidas.

9.2 TEMPLO “CABOCLO PENA VERDE”

Fundado em 2001. Localizado à Rua José Francisco da Silva, bairro Dona Milindra, Patos (PB). Mãe-de-Santo: Maria das Neves (Nevinha). Enfermidade aparente: notamos que sofre de alguma enfermidade que a deixa com dificuldade para respirar e até mesmo falar, como alguém asmático.

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Como ingressou na Umbanda: enfermidade que ninguém conseguia curar. Obteve a “cura” daquela doença com a condição de passar a servir às entidades espirituais. Religião oficial: católica praticante. Vai sempre a missa, confessa-se e recebe

a hóstia. Acredita que serve a quem: a Deus. Entende seu trabalho como uma “missão”. Trabalhos: segundas e quartas feiras (“gira”). Freqüência: média de 20 a 22 pessoas por “gira”. Consultas de atendimento pessoal: média de 5 pessoas por dia. Valor da consulta: R$ 10,00 (dez reais). Observações: Não nos mostrou as dependências do templo. Questionada sobre a questão da Quimbanda, declarou que trabalha para o bem, mas se for PARA DEFESA pode recorrer ao mal. Afirma que nunca usaria suas atividades para fazer o mal para quem quer que seja. Perguntamos se ela, uma vez que é católica praticante, teria relatado ao padre, no confessionário, as suas atividades espirituais. Disse que sim, mas que o padre teria lhe dito que não tinha problema algum, que aquilo era uma missão que ela teria trazido para a terra e a aconselhou a sempre praticar o bem, pois, assim, estaria agradando a Deus.

9.3 TEMPLO “OXUM TALADEMIM”

Fundado em junho de 2006. Localizado à Rua José Francisco da Silva, bairro Dona Milindra, Patos (PB). Pai-de-Santo: Rondinaldo Morais - (Jovem, com apenas 18 anos de idade) Enfermidade aparente: não notamos nenhuma enfermidade aparente. Como ingressou na Umbanda: enfermidade que ninguém conseguia curar. Obteve a “cura” daquela doença com a condição de passar a servir às entidades espirituais. Religião oficial: católico praticante. Vai sempre a missa, confessa-se e recebe

a hóstia. Acredita que serve a quem: a Deus. Entende seu trabalho como uma “missão”.

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Trabalhos: terças feiras (“gira”). Freqüência: média de 20 pessoas por “gira”. Consultas de atendimento pessoal: média de 5 pessoas por dia. Valor da consulta: R$ 20,00 (vinte reais). Observações: Foi iniciado em outro centro de umbanda, porém entendeu que teria que abrir o seu próprio templo, razão pela qual o templo é de fundação recente, junho deste ano. Não pudemos entrar na área do templo, porém avistamos espadas que estavam colocadas ao lado de uma espécie de móvel encoberto por uma lona plástica, o qual acreditamos tratar-se do “altar”, que contém as imagens e outros objetos. Despertou-nos a atenção o fato de o dirigente ser muito jovem (apenas 18 anos). Atendeu-nos com ares de mistério. Calado, disposto a ouvir, só falava o mínimo necessário, limitando-se apenas a responder às nossas perguntas. Comunicava-se com as outras pessoas lá presentes com gestos que nos pareceram estar determinando certas providências que deveriam ser tomadas pelos demais. Apesar de jovem, era tratado com muita reverência e respeito pelos demais, demonstrando claramente que era ele realmente quem detinha o controle do local. Na saída, convidou-nos a voltar lá outras vezes

9.4 TEMPLO “ALIXÊ DE IANSÔ

Fundado em 1988. Localizado à Rua Pedro Firmino, bairro das Placas, Patos

(PB).

Mãe-de-Santo: Alcenira (conhecida por “Sena”). Enfermidade aparente: notamos que sofre de alguma enfermidade que a deixa com dificuldade para respirar e até mesmo falar, como alguém asmático. Como ingressou na Umbanda: enfermidade que ninguém conseguia curar. Obteve a “cura” daquela doença com a condição de passar a servir às entidades espirituais. Religião oficial: Afirma ser hoje católica praticante. Vai sempre a missa, confessa-se e recebe a hóstia. Acredita que serve a quem: a Deus. Entende seu trabalho como uma “missão”. Trabalhos: quintas-feiras (“gira”).

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Freqüência: média de 25 pessoas por “gira”. Consultas de atendimento pessoal: média de 2 a 3 pessoas por dia. Valor da consulta: R$ 20,00 (vinte reais). Observações: Em sua juventude, era evangélica em Brasília (DF), onde participou ATIVAMENTE da IPB - Igreja Presbiteriana do Brasil, por cerca de 5 (cinco) anos. Relatou, emocionada, que pregava a Palavra de Deus por onde quer que andasse -- nas ruas, em cultos campais, hospitais, etc. Gostava muito de evangelizar e disse conhecer a Bíblia. A esta altura de seu relato, quando falou na Bíblia, desatou em um choro convulsivo, demorando a voltar a falar. Até o final de nossa visita interrompeu diversas vezes a entrevista, voltando a chorar, muito emocionada. Todavia, teria sido acometida por uma enfermidade (não especificou qual) que ninguém conseguia curar. Então, acabou procurando ajuda na umbanda, onde imediatamente obteve a “cura” daquela doença, soa a condição de ter que passar a servir às entidades espirituais até o fim de sua vida, sob pena de lhe acontecer algo mais grave. Declarou que, então, nunca mais teve coragem de entrar em uma igreja evangélica, passando a buscar a religião católica. Porém, ficou muito claro para nós que aquela mulher ficou traumatizada por ter abandonado o Evangelho. Ela afirmou categoricamente, até com muita ênfase, que “por conhecer a Bíblia, SÓ REALIZA “TRABALHOS” PARA O BEM”. Disse que já a teriam procurado diversas vezes, oferecendo altas somas em dinheiro, para “fazer o mal” para outras pessoas:

desmanchar casamentos, prejudicar financeiramente alguém e até mesmo ocasionar algum acidente que vitimasse alguém. Todavia, afirmou que SEMPRE rejeitou tais ofertas e que só pratica, mesmo, o bem, como reatar casamentos, livrar pessoas de vícios e promover a cura de alguma doença. Saímos daquela entrevista muito impressionados com o que vimos e ouvimos, pois ficou muito patente a ação demoníaca na vida de uma pessoa, da forma como aquela mulher aparenta estar escravizada. Disse que cura outras pessoas, mas não consegue obter a cura de suas próprias doenças. Vive em uma casa extremamente modesta e deixou-nos a impressão de estar até enfrentando necessidades materiais.

9.5 TEMPLO “AXÊ MARÉ” (deusa das águas)

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Fundado em (?) . Localizado em um beco no bairro das Placas, Patos (PB). Mãe-de-Santo: Francisca Coelho (conhecida por “Pituca”). Enfermidade aparente: notamos que sofre de alguma enfermidade que a deixa com dificuldade para respirar e até mesmo falar, como alguém asmático. Tossia muito. Como ingressou na Umbanda: enfermidade que ninguém conseguia curar. Obteve a “cura” daquela doença com a condição de passar a servir às entidades espirituais. Religião oficial: Afirma ser hoje católica praticante. Vai sempre a missa, confessa-se e recebe a hóstia. Acredita que serve a quem: a Deus. Entende seu trabalho como uma “missão”. Trabalhos: quintas-feiras (“gira”). Freqüência: média de 20 pessoas por “gira”. Consultas de atendimento pessoal: média de 5 pessoas por dia. Trabalha com cartas (baralho), búzios e tarô. Valor da consulta: R$ 20,00 (vinte reais). Observações: Realiza, anualmente, uma festa para as crianças (alusiva aos “santos” Cosme e Damião) que reúne cerca de 1.000 (mil) crianças dos bairros vizinhos ao bairro das Placas, e que isso tem atraído para si muita inveja dos demais dirigentes umbandistas, com os quais não consegue ter bom relacionamento. É uma senhora que já é até avó. Chama a atenção o fato de ser excessivamente magra, com praticamente a pele sobre os ossos. Tossia muito durante a entrevista e aparentou ser uma pessoa perturbada emocionalmente, pois chorou em vários momentos enquanto conversávamos, sem nenhuma razão aparente para chorar. Reside e trabalha em uma casa extremamente humilde, inserida em um beco dentro de um dos bairros mais pobres da cidade, o bairro das Placas. Ao que pudemos perceber, aparenta enfrentar, também, dificuldades financeiras e materiais.

9.6 TEMPLO DE “IEMANJÁ DODÊ”

Fundado em 1986. Localizado à Rua Antonio Félix, bairro da Vitória, Patos

(PB).

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Pai-de-Santo: Gilvan Araújo. Enfermidade aparente: não notamos nenhuma enfermidade aparente. Como ingressou na Umbanda: enfermidade que ninguém conseguia curar. Obteve a “cura” daquela doença com a condição de passar a servir às entidades espirituais. Religião oficial: católico praticante. Vai sempre a missa, confessa-se e recebe a hóstia. Acredita que serve a quem: a Deus. Entende seu trabalho como uma “missão”. Trabalhos: sábados e domingos (“gira”). Freqüência: média de 20 a 25 pessoas por “gira”. Consultas de atendimento pessoal: média de 5 pessoas por dia. Búzios. Valor da consulta: R$ 15,00 (quinze reais). Observações: O Sr. Gilvan é o presidente da “Federação dos Umbandistas” local, a qual, por sua vez, é ligada a Federação de João Pessoa (PB). Em seu templo, pudemos constatar apenas a realização de trabalhos de umbanda. Ausência total de objetos característicos da quimbanda, tais como espadas, navalhas, facas, etc. Apenas um altar, com imagens características do “bem” (Iemanjá, preto-velho, São Jorge, Cosme e Damião, etc.) Nas paredes, fotos de festas realizadas, com os participantes vestidos em trajes típicos (roupas brancas, colares, turbantes, etc.) Questionado sobre trabalhos de quimbanda, negou veemente que realizasse tais trabalhos. Disse que em suas consultas trata apenas de casos como reconciliação nos relacionamentos, cura de enfermidades, problemas de emprego, etc.

Todavia, ao ser questionado sobre os motivos que o levavam a permanecer realizando tais trabalhos, deixou transparecer que teme ameaças recebidas do “mundo espiritual”, de que, se porventura abandonasse aqueles trabalhos, algo grave lhe aconteceria. Nas suas atitudes e hesitações, passava a sensação de que, se tivesse a certeza de que nada de mal lhe aconteceria, abandonaria aquela vida. Não se mostrou muito feliz com o tipo de vida que leva há tantos anos.

9.7 TEMPLO “CIDADE DE BOIADEIRO”

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Fundado em 2000. Localizado à Rua Projetada, s/nr, bairro Monte Castelo, Patos (PB). Pai-de-Santo: Gilberlândio. Enfermidade aparente: traços de homossexualidade. Como ingressou na Umbanda: enfermidade que ninguém conseguia curar. Obteve a “cura” daquela doença com a condição de passar a servir às entidades espirituais. Religião oficial: católico praticante. Vai sempre a missa, confessa-se e recebe a hóstia. Acredita que serve a quem: a Deus. Entende seu trabalho como uma “missão”. Trabalhos: sábados (“gira”). Freqüência: média de 60 a 70 pessoas por “gira”. Consultas de atendimento pessoal: média de 3 pessoas por dia. Valor da consulta: R$ 25,00 (vinte e cinco reais). Observações: Trata-se de um rapaz, aparentando cerca de 30 anos de idade. Solteiro, possui uma fábrica de produtos de limpeza, localizada em frente ao templo. Afirmou que sobrevive da fábrica e não do templo, pois o dinheiro que consegue arrecadar com as “consultas” gasta integralmente com bebidas, pois “as entidades bebem muito durante a noite”, nada sobrando para ele. Informou que já conta com 28 “filhos de santo”, ou seja, pessoas que foram “preparadas” e desenvolvidas por ele. Diferentemente dos demais, afirmou que só atende as consultas “incorporado”, razão pela qual só consegue atender cerca de três pessoas ao dia. Declarou orgulhosamente que resolve cerca de 80% dos casos que lhe são trazidos. Não demonstrou estar muito realizado com o trabalho que faz, muito ao contrário, demonstrou estar infeliz, sentindo-se prisioneiro de algum pacto que teria feito, sem coragem de romper por temer as conseqüências. Ao concluirmos a entrevista, ele encerrou com um desabafo esclarecedor:

Não se sentia satisfeito, pelo fato de estar ali diariamente resolvendo os problemas dos outros mas sem conseguir resolver os seus próprios problemas pessoais.

9.8 TEMPLO “RELIGIÃO MATRIZ AFRICANA ILÊ-AXÊ OYA-GBALE”

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Fundado em 1990. Localizado no Bairro do Jatobá, em Patos (PB). Pai-de-Santo: Luiz Gonzaga.

Religião oficial: católico praticante. Vai sempre a missa, confessa-se e recebe a hóstia. Acredita que serve a quem: a Deus. Entende seu trabalho como uma “missão”. Trabalhos: segundas-feiras (“gira”). Freqüência: média de 100 a 120 pessoas por “gira”. Consultas de atendimento pessoal: média de 2 a 3 pessoas por dia. Búzios. Valor da consulta: (Existe uma tabela de preços)

a) Búzios - RS 20,00

b) Cartas - R$ 20,00

c) Incorporação: R$ 40,00 + material necessário

Observações: O Sr. Luis Gonzaga estava ausente e fomos atendidos por sua esposa. Eles residem em uma casa em frente ao templo, que, olhando de fora, pareceu-nos ser o maior dentre os visitados.

9.9 TEMPLO “IARI AXÊ OXUM APARÁ”

Fundado em 1992. Localizado no Loteamento Santa Clara, rua projetada, s/nr., Patos (PB). Pai-de-Santo: Joselito Medeiros. Enfermidade aparente: traços de homossexualidade. Como ingressou na Umbanda: cursava um seminário católico em Recife (PE), mas tinha a influência de sua mãe, que era umbandista e a mesma tinha visões a seu respeito, onde ele aparecia servindo às entidades espirituais. Começou, durante viagem de férias, a freqüentar centros de umbanda em Campina Grande (PB) e acabou sendo desligado do seminário católico. Passou a residir em Patos (PB), como auxiliar do Pe. Jair, na Paróquia de N.S. de Fátima. Paralelamente, freqüentava centros de umbanda, até que foi dispensado pelo Pe. Jair e ficou perambulando pelas ruas, pois seu pai não aceitava sua inclinação para a umbanda.

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Foi auxiliado por amigos e acabou se firmando, tendo conseguido abrir seu próprio templo, onde permanece até o presente. Religião oficial: católico praticante. Continua “amigo” de alguns padres locais. Acredita que serve a quem: a Deus. Entende seu trabalho como uma “missão”. Trabalhos: quartas-feiras (“gira”). Freqüência: média de 60 pessoas por “gira”. Consultas de atendimento pessoal: média de 5 pessoas por dia. Valor da consulta: GRÁTIS. As pessoas, entretanto, deixam suas ofertas aos pés de uma imagem de Iemanjá. Observações: Dentre todos os entrevistados, concluímos ser, provavelmente, o mais culto. Tem avançado em conhecimento, estando preparado para viajar para Recife, (PE), em janeiro/2007, onde deverá participar da última etapa de um treinamento que o fará graduado no último grau existente para pais-de-santo. Tal treinamento tem um custo de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Ele declarou que o dinheiro já está preparado, apesar de não cobrar nada pelas consultas. Como se

depreende, as pessoas que o procuram são bastante generosas em suas ofertas. Apesar de estar localizado em um bairro considerado distante na cidade, demonstra sinais de progresso em seu trabalho. Comprou um terreno ao lado e está planejando

a expansão do tempo, que deverá ser duplicado de tamanho. Ao nos mostrar o templo, bateu na porta de um quarto que se encontrava fechado, e cumprimentou com muita reverência o “santo” que estaria lá habitando. Contou que já tem 6 templos filiais e já preparou 93 filhos-de-santo. Afirmou trabalhar apenas com curas através de ervas medicinais. Para tanto, vive se atualizando através de pesquisas constantes na Internet e deverá realizar no próximo ano uma viagem ao exterior com o fim de se atualizar ainda mais. Aparentemente, vive bem, sua casa é bem arrumada e conta com móveis novos e eletrodomésticos sofisticados. Possui uma motoneta BIZ nova e, de todos os visitados, foi o único que se mostra satisfeito com o que faz. No templo, não constatamos a presença de objetos de quimbanda. Nas paredes, fotos de festas realizadas e, dentre elas, uma chamou a nossa atenção: o

pai-de-santo foi retratado travestido de mulher, em trajes de baiana, todo maquiado

e alegre. A foto, na verdade, esclareceu os trejeitos afeminados do rapaz.

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9.10 FEDERAÇÃO PARAIBANA DE UMBANDA

Constatamos a existência de uma entidade que tenta congregar e normatizar todos os templos de umbanda locais: a Federação Paraibana de Umbanda.

Tem como presidente o Sr. Gilvan Araújo (acima citado) e os demais membros da atual diretoria, estranhamente, são todos integrantes de seu próprio templo umbandista. Ou seja, na verdade, não significam uma representação dos demais templos.

O Sr. Gilvan declarou que não tem ao certo o número de templos federados,

girando em torno de 60 a 70 templos, dentre os 80 a 100 (número estimado) que

existem em nossa cidade.

O valor para a inscrição é de R$ 50,00 (cinqüenta reais) e a mensalidade para

funcionamento é de R$ 10,00 (dez reais). Esse dinheiro, pelo que entendemos, destina-se ao próprio Sr. Gilvan. Ele declarou que o dinheiro arrecadado serve para despesas de deslocamento quando tem que resolver algum problema em um templo. Perguntamos que tipo de problemas a federação resolve. Ele respondeu que, praticamente, os problemas são de reclamações por parte dos vizinhos dos templos quanto ao horário de encerramento das “giras”. Como as “giras” envolvem o uso de atabaques (causando o chamado “batuque”), evidentemente fazem barulho e muitas vezes os vizinhos reclamam junto às autoridades competentes e aí o Sr. Gilvan é chamado para intervir e moralizar o templo infrator. Todavia, ao conversarmos com os dirigentes por nós entrevistados, eles não vêem a necessidade de pagarem tais importâncias para a Federação, pois, na prática, a mesma em nada os auxilia. Perguntamos ao Sr. Gilvan se a Federação teria poderes para fiscalizar os templos quanto ao correto uso e aplicação das normas doutrinárias da umbanda, a exemplo do que sabemos que a Federação Espírita Paraibana atua junto aos centros kardecistas. Ele respondeu que, na prática, não consegue exercer tal controle, pois cada pai-de-santo atua conforme deseja. E isto tem provocado, segundo o Sr. Gilvan, a divisão de muitos templos e a abertura de novos templos a cada dia, gerando graves problemas, brigas, dissensões e fazendo com que o umbandismo caia no descrédito.

9.11 CONSOLIDAÇÃO DE DADOS

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Considerando a freqüência máxima por “gira” e a média de consultas diárias dos centros pesquisados, temos o seguinte quadro:

Quadro 1 - Consolidação de Dados

 

“Gira”

Consultas

Templo 1

-

20

4

Templo 2

-

22

5

Templo 3

-

20

5

Templo 4

-

25

3

Templo 5

-

20

5

Templo 6

-

25

5

Templo 7

-

70

3

Templo 8

-

120

3

Templo 9

-

60

5

Totais

-

382

38

Contatamos que temos, acima, os dados de 9 centros, ou seja, cerca de 10% do total de templos umbandistas existentes nesta cidade. Em termos estatísticos, este percentual é um bom percentual para se avaliar a amostragem obtida, gerando números provavelmente próximos à realidade. Principalmente se considerarmos, na amostragem, que dos 9 templos visitados, 6 apresentam números próximos (cerca de 20 a 25 freqüentadores por “gira”) e 3 templos destacam-se, variando de 60 a 120 freqüentadores, ou seja, nossa amostragem revela uma realidade, pois contempla tanto templos pequenos quanto templos médios e grandes. Por outro lado, ficamos com uma incógnita quanto às consultas. Teoricamente, quem busca tais consultas? Os freqüentadores das giras?Se forem estes, já estão computados entre os freqüentadores. Ou seriam curiosos eventuais, membros de outras religiões -- em especial a católica, pelo que nos foi revelado pelos entrevistados? Baseados na informação, então, dos entrevistados, queremos considerar os que “consultam” apenas como visitantes e não como freqüentadores habituais. Nossa proposta, então, é que se exclua da projeção o número de visitantes de

83

consultas e se considere, nos freqüentadores das “giras”, uma margem de 20%, a exemplo do que fizemos no kardecismo.

Assim, teríamos o seguinte quadro:

Total de freqüentadores das “giras”

= 382

Margem de 20% de acréscimo

=

76

Total

= 458

Portanto, se nossa amostragem revela 10% do total existente, temos:

458 x 10 = 4.580 freqüentadores da umbanda em Patos (PB)

No cenário nacional, os freqüentadores dessas religiões alcançavam, no censo de 2000, apenas 0,34% da população brasileira. Todavia, conforme nossa pesquisa, constatamos que, para uma população em Patos (PB) estimada segundo o IBGE local, em torno de 100.000 habitantes, temos, portanto, 4,58% da população patoense, hoje, adepta do umbandismo.

10 CONCLUSÃO

Se a igreja católica, ao longo da história do Brasil - e independentemente da boa vontade dos indivíduos - foi pouco evangélica e/ou evangelizadora, como se confrontar hoje com o povo "católico-de-candomblé" que a circunda? Como reapresentar hoje, num contexto de mixagem religiosa, a sua "necessária função salvífica" ? Admitindo que seja a igreja local o agente evangelizador do povo sincrético, quem seriam os parceiros concretos neste diálogo: os teóricos de tais religiões, os testemunhos do fiel comum (católicandomblezeiro) ou os arrazoados dos teólogos cristãos? Ou todos os três? De fato, não é o mesmo pedir explicações aos intelectuais da emergente umbanda e depois escutar a palavra de seus adeptos. Existe continuidade e descontinuidade entre os dois níveis - e ainda um terceiro nível abrange os clientes ocasionais. E é justamente esse fenômeno que permite o tráfego de um sistema religioso a outro. Tanto as respostas umbandistas quanto as católicas - em princípio descontínuas entre si – acomodam-se a certo esquema mental e o reforçam. Na

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prática, porém, este não é substancialmente modificado (ao menos, não a ponto de tornar plausível uma conversão propriamente dita). Se alguém continua a freqüentar a missa e os sacramentos sem abdicar dos passes contra malefícios e dos despachos nas encruzilhadas, isso pode significar que a sua leitura pragmática reconhece a eficácia de ambos os rituais, o católico e o do candomblé, por exemplo. Tal atitude deixa perplexos os próprios mestres- dirigentes do candomblé. A percepção instrumental da religião, freqüente nos clientes e, às vezes, notada mesmo entre os abiyan (os futuros filhos de santo), é reiteradamente censurada pelas mães e pais-de-santo. "Isso não é problema de santo", dizem, assim "indicando que o filho tem uma perspectiva equivocada da religião, quando a imagina capaz de preservá-lo de todos os dissabores cotidianos. Ainda mais, quando imagina 'o santo' como 'algo' que lhe seja exterior ou estranho". Portanto, a mixagem e a busca mágica do sobrenatural desconcerta ambos os sistemas religiosos. Parece que, tanto para o cristianismo católico quanto para o candomblé, a separação entre o mágico e o mí(s)tico seja feita por um fio demasiadamente tênue. Em suma, uma constante antropológica que certamente alimentará, ainda por longo tempo, muitas discussões teológicas vindouras.

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ANEXO A - ÉTICA NAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

(Palestra apresentada no 1º Congresso de Cultura Afro-Brasileira, Uberlândia, MG, - Set./1999 - por

Toy Vódunnon Francelino de Shapanan) Fonte: http://wara_olode.vilabol.uol.com.br/comp.htm#006, acessado em 06.10.2007, às 15h57m

“Temos que ter muito claro que para falarmos de ética dentro de uma determinada religião o primeiro impulso que devemos ter é de fazermos uma separação entre o que se entende por bem e mal. Ao falarmos da religião de Umbanda e das religiões Afro-brasileiras ou afro-descendentes como preferem alguns, não podemos nos envolver com conceitos cristãos de pecado, haja visto não fazer parte de nosso universo religioso.

Estas religiões, desde que existem, têm normas que lhes norteiam mas que nem sempre são do conhecimento e observância de seus sacerdotes, pois cada Babalorixá /Iyalorixá ou Dirigente Espiritual cuida de colocar suas próprias normas dentro de suas Casas. Isto ocorre até porque não temos um único Mandatário Supremo, todos são supremos em seus Axés. Porém, isto não impossibilita que todos se unam para zelar pelos "Códigos de Ética" que sempre existiram, muito embora a idéia é que só agora estamos criando essas normas. Ocorre que para isto todos somos chamados a observar e cumprir com essas posturas, passarmos para nossos filhos e simpatizantes aí já estaremos ajudando e muito para que a religião tenha seu lugar de respeito e credibilidade. Como disse, tenta-se por no papel aquilo que na prática já existe e só precisa ser observado. Vejamos pois que normas, que códigos devemos observar:

1. É imperativo que dentro da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros, todos estejam

preocupados em manter a tradição religiosa e cultural de seu grupo, sem misturas e enxertos, sem junções e adições absurdas e desastrosas e que estas mesmas religiões deixem de se preocupar apenas com a parte litúrgica, para também se dedicarem ao bem-estar das pessoas, da comunidade como um todo, do país, do mundo, e também que esteja sempre presente a preocupação na preservação do meio ambiente, lembrando que somos uma religião ecológica por excelência.

2. Precisamos aprender a respeitar a nação do outro, pois todos os segmentos têm

origem em comum na Mãe África, cultuam Orixá, Vodun, Nkissi, Bacuro, Encantados e Guias que são muito queridos e amados por seus adeptos. O desrespeito à liturgia e ao ritual de cada um incorre num grande mal para toda a comunidade afro- brasileira. 3. Precisamos ter respeito com os mais velhos, com os Agba da religião, com nossos ancestrais. Vê-se hoje em dia pessoas novas chamando a atenção e querendo ensinar os mais antigos. Se os mais velhos não souberem nada, o que diremos dos novos? Pensamos que se precisa de entendimento e muito diálogo entre as gerações a fim de se tirar o melhor proveito. Mas tudo com seriedade e dignidade.

4. Em todos os grandes eventos (Congressos, Seminários, Encontros etc.), deve-se

ter um Cerimonial adequado para se ver "quem é quem", dando-se as devidas precedências e evitando-se constrangimentos ao se destacar, por exemplo, um filho em detrimento de seu pai. É anti ético.

5. Nas festas religiosas (Toques), devemos nos preocupar com nossos convidados e

dar-lhes a atenção devida, também fazendo com que todo o Egbé saiba se portar e

respeitar. É desagradável chegarmos a lugares onde muitos torcem a cara e ignoram aqueles que com carinho ali estão para prestigiar e participar. Urge que conversemos com nossos Sacerdotes e adeptos para que não confundam religião com "questões sexuais". Graças à Avievodum, Olodumare,

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Zambiapongo, temos uma religião liberal que não nos castra. Entretanto, muitos se aproveitam de seus cargos e postos para desfilarem frustrações sexuais e travestirem nossa Religião colocando-nos em descrédito perante às autoridades e à própria sociedade. Devemos lutar pela união sincera e verdadeira das pessoas interessadas na preservação dos nossos segmentos religiosos. A discórdia, a desunião, a intriga só enfraquece a própria religião. Cada um deve fazer sua parte, com critérios, com seriedade, com dignidade. Não devemos nos ver como concorrentes mas como membros unidos de um mesmo corpo. Precisamos acabar com a idéia de que um é melhor que o outro. Para nossos Deuses somos todos iguais. Será, por exemplo, que meu Vodum Toy Azonce só gosta de mim e não gostará de outros seus filhos? Será que Odé, Oxósse, Águè só ama um filho e esquece os outros? Não, certamente que não, o problema é individual, é pessoal, é falta de boa formação, de bom berço. Vamos lutar para que os Congressos sejam fórum de grandes decisões, de momentos de verdadeiras reflexões, de congraçamentos, de bons e felizes reencontros e não que deixemos nossos lares para nos virmos nos digladiar. Não devemos confundir pontos de vista diferentes com geração de ódio. Isso não é ético; Vamos valorizar com toda sinceridade as diferentes formas tradicionais dos cultos afros. Lutemos por uma união e não por uma unidade. Daí o lema da INTECAB que é a "união na diversidade". Resgatemos a língua de cada culto e devemos usar nossos títulos corretamente. Jamais se deve estimular o absurdo, a invencionice, títulos inadequados. Por exemplo: não é ético chamarmos uma Sacerdotisa de Umbanda de Iyalorixá pois esta não foi iniciada e nem inicia ninguém. Seu grande valor está em ser uma Dirigente Espiritual, uma digna Babá de Umbanda sem nenhum demérito de seu potencial espiritual e material; Todos temos o dever de recusar a efetivação de rituais religiosos que firam sua tradição de origem e sejam contrários aos ditames de sua consciência; É de suma importância zelar pela dignidade da tradição e cultura Afro-brasileira em todos os seus níveis de desdobramentos, sendo este o papel preponderante de todos os verdadeiros Sacerdotes; Somos todos tradicionalistas: da Umbanda, do Kêtú, do Mina Jêje, do Ifon, da Angola, do Jêje Mahi, do Omolocô, do Nagô Egbá, do Alakêtú, do Mina Nagô, da Encantaria, da Tradição de Orixá ou do Fanti-Ashanti, desde que sigamos nossos rituais e costumes legados por nossos antepassados. Esta é uma postura ética que precisa ser levada em conta. A exploração que alguns sacerdotes fazem com seus filhos é imoral, antes de ser ética, e precisa de grandes reflexões. Tenta-se criar a idéia de que quanto mais dinheiro, mais axé, e assim torna-se comércio. Cobrar "salva" ou chão" é entendido como axé, mas exploração é caso de polícia. Outro tema polêmico e delicado diz respeito a quebra de tabus religiosos, incluindo-se nestes os relacionamentos sexuais entre pais e filhos de uma mesma casa. Comete-se o incesto. Finalizamos abordando a questão do "Jogo de Búzios" antes exercido somente por grandes e sábios sacerdotes e sacerdotisas, de forma extremamente sagrada, e hoje feito em praças públicas, viadutos, feiras esotéricas, shoppings, sem falar no "disque búzios" e "0900", que tanto entristecem os tradicionalistas”.

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Anexo B - RITUAIS E ALGUMAS MAGIAS UTILIZADAS NAS RELIGIÕES AFRO- BRASILEIRAS

Por considerarmos

curioso, anexamos, pelo

presente, este interessante

material, utilizado pelos adeptos das religiões afro-brasileiras:

Banho de Oxalá - 08 folhas de caju, 08 folhas de alecrim, 08 folhas de saião, 08 rosas brancas, 08 gotas de seu perfume, 02 colheres de sopa de mel (ou açúcar). Tome este banho pedido purificação, limpeza astral em uma sexta-feira ou domingo. Também é recomendado para limpar a energia de um lugar, passando um pano pelo local com esta água. Pedido de Misericórdia, Paz e Prosperidade à Oxalá - Passar um pombo branco no corpo, colocar mel na boca do pombo e soltar o pombo fazendo assim o pedido à Oxalá. Ganhar causa judicial com as forças de Ogum - Escrever o número do processo num papel, enterrar na praia, colocar em cima 03 espadas de São Jorge cruzadas, entorne cerveja branca rodeando as "espadas" e acenda 01 vela branca ao Sr. Ogum Beira-Mar.

Pedido a Santo Expedito - Ogum de Oxum para proteção nos negócios - Ofereça 01 batata doce cozida, 01 prato branco, 04 velas brancas e faça seu pedido. Aipô de Iemanjá - Canjica com dendê, camarão refogado. Coloque em 01 tigela e faça junto com isso (02 manjares, 01 doce e 01 salgado). Coloque dentro de uma vasilha (INOX) e ofereça com uma vela azul à Iemanjá. Agrado a Oxossi - Cozinhe 07 espigas de milho e depois arrume em uma bandeja, jogando azeite doce sobre as espigas. Acenda uma vela verde e agradeça. Mesa para Oxóssi e Caboclos - Vá em uma mata e sobre os pés de uma árvore bem frondosa, coloque uma toalha verde (+- 1,5m) no pé da árvore o arrume sobre esta toalha: 04 velas brancas, 04 velas verdes, 01 charuto (com uma fita verde amarrada), 01 abóbora de gomo vermelho, 01 vinho tinto doce, 01 pedaço de fumo de rolo, 07 moedas correntes, 06 bananas prata, 02 maçãs, 03 laranjas, 03 pêras, 01 Kg de milho de galinha cozido, 02 goiabas, 01 coité (para colocar o vinho). Depois de acessa as velas, faça o pedido e derrame o mel (lembrando que deve fazer isso em pé) sobre toda a obrigação. Agradeça pelo pedido já ouvido por Oxóssi. Pedido de Justiça a Xangô - Numa Quarta-Feira às 12:00 horas, vá a uma pedreira

e abra uma cerveja preta e rode-a sobre a cabeça 07 vezes pedindo Justiça a Xangô

e na última rodada quebre a garrafa na pedreira. Saia do local sem olhar para trás. Ibeté de Oxum - 01 Kg de inhame cozido, amassar e misturar com dendê, cebola ralada, 05 gemas de ovo cru, enfeite com galinhos de avenca. OBSERVAÇÃO: Quando estiver fazendo esta obrigação não se deve falar com ninguém. Pedir a Oxum que olhe por seu pedido - Acenda uma vela branca (ou azul), coloque em um prato branco açúcar e sobre o açúcar coloque 02 gemas de ovos no prato como se fossem olhos sobre o prato. Peça a Oxum que olhe pelo seu pedido.

Logun-Edé (pedido ou agrado) - São 02 pratos: 01 com feijão fradinho, camarão e 03 ovos cozidos e outro com milho de galinha cozido com rodelas de coco por cima. Obrigação a Ossãe - Corte 01 abacate no meio, encha as cavidades com amendoim descascado e fumo de rolo desfarelado ou coloque dentro fumo de rolo desfarelado com cachaça. Obrigação a Oxumaré - Cozinhe 01 batata doce, espere esfriar. Amasse a banana

e em 01 alguidar de barro pequeno, coloque o seu pedido e faça com a banana

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pequenas cobrinhas e enfeite os corpos das cobrinhas com moedas (separe 14 moedas correntes) e coloque por cima do pedido. Jogue por cima mel e azeite doce. Faça a saudação à Oxumarê (ARROBOBOI) e acenda 06 velas (sendo de 02 em 02 formando um triângulo ao redor da obrigação). Agrado a Nanã - Cozinhe feijão preto com camarão salgado e coloque 01 ovo no meio. Ofereça a Nanã e faça seu pedido. Invocação e Agrado a Obaluaê, Omulu e todo o Povo do Cemitério - Na entrada do cemitério, entre arrastando os pés (o peito dos pés) no chão e pronuncie pausadamente e alto IKÚ BALÉ e vá andando pelo cemitério. Quando tiver certeza

(através de um sinal) que você foi ouvido, coloque sobre a cruz do Cruzeiro 01 L de água mineral, 07 velas brancas, 07 velas pretas, 07 moedas correntes, 07 pães, 01 peixe com escama em 01 prato de papelão, 01 punhado de pipoca, 01 punhado de sal grosso. Faça seu pedido e peça proteção ao povo do cemitério. Agrado a Cosme e Damião (Ibejis - Crianças) - Em 01 prato grande de papelão, arrume 03 maria-moles, 03 suspiros, 21 balas sortidas, 03 batons de chocolate, 03 bombons, 03 guaranás pequenos, 03 copos plásticos (com guaraná). Acenda 01 vela branca, 01 vela azul, 01 vela rosa e derrame 01 Kg de açúcar fino em todo o prato. Pedido a Pombagira dos Amantes para abrir o caminho no Amor - Numa Segunda-Feira, as 23:00 horas, em 01 encruzilhada coloque (com a mão esquerda)

01 garrafa de champanhe e 03 rosas vermelhas. Peça que ela abra o seu caminho

no amor. Agrado a Exú-Rei - Leve em 01 encruzilhada 01 garrafa de cachaça, 01 charuto e

01 folha de mamona com 03 bifes de fígado cru com cebola por cima.

Óleo de Lua Cheia - 1/2 L de óleo mineral (ou óleo de azeite), 02 colheres de sopa de pétalas de rosas (de jardim), 01 colher de sopa de pétalas de jasmim. Guarde em um local seco e escuro. Se der bolor jogue fora sem utilizar. Passe no corpo para uma melhor sintonia com a energia lunar. Óleo a Deusa Hécate - 1/2 L de óleo minera (ou óleo de azeite), 02 colheres de sopa de pétalas de rosas (de jardim), 01 colher de chá de casca de limão (ralada),

01 colher de chá de semente de erva-doce. Passe na nuca, testa e mãos quando for

realizar um ritual a grande deusa Hécate. Incenso para consultar Oráculos (bola de cristal, búzios, baralho, etc

-

Coloque para queimar em 01 incensário a mistura de: 10 g de folhas de patchouli, 10 g de canela em pó, 10 g de sândalo em pó. Trazer segurança em uma casa - Enterre em 01 canto da casa, uma quartinha com água e mel e jogue dentro 03 dentes de alho, 03 pregos virgens, 01 azougue, 01 obí roxo. Se for apartamento, coloque em 01 canto escondido da casa e sempre coloque água quando secar. Magia Astrológica para prosperidade - Esta magia Cigana Oriental é feita da seguinte forma: Coloque em 01 bandeja grande redonda sal grosso ao redor, em seguida coloque 09 velas brancas ao redor, em seguida coloque 06 velas azuis ao redor e no centro 01 vela dourada. Cada vela que acender diga: "Trindade do sol, Júpiter em órbita, trazendo dinheiro para mim". Aguarde o resultado. Magia do Tarô para obter Sucesso - Na lua crescente, colocar as cartas do Tarô nº 10, 19 e 21 em forma de triângulo. No meio delas colocar 01 vela amarela acesa dentro de um prato. Em seguida acenda um incenso na carta 10, um copo d'água na carta 19 e 01 pirita dourada ou citrino amarelo sobre a carta 21. Pegue uma casinha de cera e esfregue-a bastante com a mão. Coloque-a junto com a vela no prato para ambas derreterem e misturarem. Fale em voz alta: "Peço aos elementais da água, do fogo e do ar que me ajudem a atingir meus objetivos, dentro do meu merecimento, sem prejudicar o meu semelhante". No outro dia, enterre num jardim

)

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as cinzas do incenso e lave o prato para usá-lo só para rituais. Por fim, guarde a pedra no seu local de trabalho ou consigo. Amuleto do Jogador (Ju-Ju) - Este é um amuleto Wanga que possui bastante força e atrai a riqueza. Tome uma noz-moscada e faça um pequeno furo na região onde ficava o talo, até atingir a profundidade de meia noz. Coloque no orifício uma gota de mercúrio, feche a noz com cera de uma vela vermelha (que deve ser acessa no início da operação). Unte a noz com óleo de sândalo (emanando pensamento de riqueza para você ou para quem for o Ju-Ju), coloque-o em um saquinho de tecido vermelho. Guarde-o dentro da bolsa ou carteira. OBSERVAÇÃO: O resultado é no prazo de no máximo 01 mês. Se o Ju-Ju cair no chão por algum motivo (ou a bolsa e carteira que esta com ele dentro), você deve abrir o saquinho e despachar tudo em um jardim e confeccionar outro Ju-Ju. Nunca deixe que o Ju-Ju encoste o chão.