editorial
Maranhão/ Edição nº. IX
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editorial
Vanessa Ferreira Editora-chefe
Felipe Perez
Diagramador
Alexandra Veloso Editora de Texto
Beatriz Oliveira Editora de Texto
Simone Nunes Editora de Arte
Angelo Miguel
Arte
Emanuella Soares Editora de Texto
Patrícia Silvino
Revisora
Paulo Nascimento Revisor
Renata Trenahi
Repórter
Agraene Esteves Repórter
Giseli Andrade
Repórter
2
Profª Elizabeth
Fantauzzi
Maranhão/ Edição nº. IX
Prof.Márcio
Rodrigo
A Edição IX da Revista Maranhão é um projeto laboratorial do sex-
to semestre do curso de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro, Unisa, sob orientação dos professores Elizabeth Fantauzzi e Márcio Rodrigo.
S ão Paulo da garoa, São Paulo terra boa Será que ela não tem mais a famosa ga- roa porque está com 459 anos? Garoa não
tem, mas chuva
o trânsito, já caótico, ainda pior. Mas nós temos por ela um amor de mãe e este amor aguenta tudo, pode acre- ditar! Envelhecemos nela e com ela e a cada dia a amamos mais. Fotografias, culinárias, festas, esportes e esportistas, parques, mu- seus, ruas e avenidas, os mais diferentes personagens, eventos, feiras e feirantes. São Paulo é considerada polo cul- tural no Brasil, tendo-se consolidado como local de origem de toda uma série de mo- vimentos artísticos e estéticos ao longo da história. É uma cidade versátil, pois nos ofe- rece variadas opções de lazer. Em sua nona edição, a Revista Ma- ranhão se dedica a mostrar a “Vertigem Cultural”, caracterizada por diferentes ex- pressões de cultura existentes na cidade, ilustrada em sua foto de capa que tem como autor o aluno Vitor Souza Nascimen- to, e contracapa produzida por Bruno Bor- ges, ambos do quarto semestre do curso de Jornalismo. Quem é da geração que não vive sem internet, certamente já ouviu falar sobre os curtas-metragens brasileiros de maior sucesso no Youtube. O destaque deste número é uma interessante entre- vista realizada com Daniel Ribeiro, um dos principais nomes entre os jovens cineastas do País. Ele conta como conseguiu conquis- tar milhares de fãs na internet.
e como chove, tornando
Quem nunca sentiu aquele nervo-
sismo em frente a situações de “risco” como liderar equipe, falar com o chefe, “chegar” numa paquera, dar uma palestra, ou, sim- plesmente, apresentar um trabalho escolar ou acadêmico? Mostraremos como driblar
a timidez e a fobia de falar em público, com
a ajuda do Teatro. Além disso, vamos conhecer o uni- verso cultural que existe no extremo sul de São Paulo, mais precisamente, na Estrada do M’ Boi Mirim, onde encontramos diver-
sas iniciativas para o incentivo da cultura. Excepcionalmente nesta edição, contamos com a participação da aluna Adla Charanek, do quarto semestre de Jornalis- mo, que teve sua Fotorreportagem esco- lhida para enriquecer as páginas de nossa revista. Em sua produção fotográfica, Adla nos leva ao universo do Islamismo e mostra um olhar atento acerca de valores que aju- dam a entender, de forma mais clara, a fé e
a crença dos muçulmanos. Vamos conferir também, um espor- te que vem crescendo muito na cidade, o Aeromodelismo. A matéria nos mostra a arte de voar com os pés no chão de uma maneira segura e divertida! Vamos enten- der, ainda, como a Era Digital pode contri- buir para disseminar a cultura. Você, leitor, encontrará nas próxi- mas páginas, um mundo que nos é apre- sentado todos os dias, mas que nunca pa- ramos para ver e apreender mais de perto.
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índice
índice
Perfil
13 A nova cara do cinema
Daniel Ribeiro fala sobre os caminhos que o levaram a conquistar milhões de fãs na internet
Fotorreportagem
25 O Islamismo de cada dia
Um olhar atento acerca de valores que ajudam a entender, de forma mais clara, a fé e a crença dos muçulmanos
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Crianças
20 Sopa de letrinhas
Curiosidades e descobertas envolvem as crianças no cenário do jornalismo infantil
Lazer
27 Tem cultura sobrando no M’ Boi Mirim
No extremo sul de São Paulo, CEUs têm dificuldades para encurtar distâncias artísticas entre os eventos e a comunidade
31 As mil e uma artes de São Paulo
Artistas de todas as áreas tornam a cidade mais colorida e alegre, atraindo turismo brasileiro e estrangeiro
34 Voando
com os pés no
chão
Hobby para uns e esporte para outros, no aeromodelismo o que mais importa é sensação de liberdade
Política
Tecnologia
47A Convergência no processo cultural
Na Era Digital, os meios de comunicação percebem oportunidades para disseminar a cultura
44 Acesso à
cultura se faz
necessário
O Brasil caminha para igualdade social, o vale-cultura promete diminuir todas as barreiras entre o trabalhador de carteira assinada e os bens culturais
Música
39 Uma turnê na história
Com seis décadas de estrada, as Irmãs Galvão contam o que fizeram para que se tornassem ícones do gênero no Brasil
42 Beatlemania, 50 anos de um fenômeno
Primeiro álbum dos Beatles completa meio século e a admiração pela banda resiste ao tempo
Teatro
07 Você é o ator da sua vida
Definida como um dom ou uma técnica, a comunicação é também uma arte cada vez mais exigida para se sobreviver em sociedade
11 O palco como
alimento para a alma Cia Mascárate ensina a arte de criar Caras e bocas
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editorial
teatro
6 Maranhão/ Edição nº. IX
“Você é o ator e o diretor da sua vida”
Definida como um dom ou uma técnica; a comunicação é também uma arte cada vez mais exigida para se sobreviver em sociedade
Por Patrícia Silvino
A palavra teatro vem do grego the- aomai – olhar com atenção, per-
ceber, contemplar. Esta arte sempre esteve presente na história da huma- nidade e, por meio dela, o indivíduo expressava sentimentos, contava histórias e louvava seus deuses. O teatro é pura comunica- ção. É onde e quando as emoções se
revelam. E isso é o que tem tornado essa arte cada vez mais procurada
para vencer a fobia de falar em públi-
|
co |
e também o bloqueio na hora de |
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se |
expressar. Quem nunca sentiu aque- |
|
le |
frio na barriga, rosto queimando, |
palpitações ou mãos suando quan-
do se vê diante de situações de “ris- co” como liderar equipes, falar com
o chefe, “chegar” numa paquera,
dar uma palestra, ou simplesmente, apresentar um trabalho escolar ou acadêmico. Para o professor de teatro e diretor do Alma D´Alma – Espaço
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de |
Artes e Atitudes, Vinicius Rastrello, |
|
o |
teatro interior (técnica que tem |
como objetivo o autoconhecimento dos alunos, com aulas de prepara- ção e interpretação) leva a pessoa a ter contato com o seu íntimo, se co- nhecer por inteiro, ter consciência de suas atitudes perante os outros e ela mesmo, fazendo com que se aceite. “No teatro nada é feio, nada é errado e isso é uma das grandes facilidades que a gente encontra em fazer a pes- soa se aceitar”, explica Rastrello. E essa aceitação de si mes- mo, é resultado de um trabalho fo- cado na superação de bloqueios psi- cológicos, sempre estando atento de que maneira a expressão corporal e vocal são usadas a seu favor. Para o consultor em gestão comercial Maurício Ferreira, que co-
meçou a fazer teatro na adolescência
por conta da timidez e ficou durante nove anos com um grupo criado na escola, as aulas teatrais abriram por- tas para ele tanto na universidade quanto no mercado de trabalho. “Quando eu fui para a facul- dade me tornei líder estudantil, tudo com base numa liderança que o tea- tro desenvolve. Você passa a liderar você mesmo, seus limites e passa a influenciar pessoas”, ressalta Ferreira. Indiscutivelmente, a grande vilã quando se fala em comunicação é a timidez. Na escola ou no traba- lho, na vida social ou numa simples
paquera, se exige que as pessoas tenham iniciativa, mostrem a cara, apareçam. Segundo o psiquiatra e psi- codramatista Rodrigo de Almeida Ramos, a timidez nada mais é, do que o medo do que o outro pode pensar de você. “Ela (timidez) causa uma re- tração social, que leva o indivíduo a evitar situações de exposição e, por- tanto, a um julgamento dos outros”, define o psiquiatra. Para Rastrello, vencer o aca- nhamento é algo que necessita de
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muita dedicação e, principalmente, vontade do indivíduo. “O tímido é
a pessoa que tem problema de co-
municação e, antes de se comunicar,
ele quer aprender a se comunicar. E
a comunicação é uma grande arte”,
destaca o professor. O teatro não promete aca- bar com a dificuldade de se expres- sar, mas sim, fazer com que a pessoa aprenda a lidar com cada ocasião em
que se sinta desconfortável. “As pes- soas aprendem a construir persona- lidades. Uma personalidade é a pos- tura que ‘eu’ adoto perante a vida, perante aquele momento, à uma si- tuação”, esclarece Rastrello. É certo que em diversas si- tuações as pessoas possam se sentir incapazes, inseguras e retraídas. As aulas de teatro trabalham na criação de personagens que cabem na índo-
le do indivíduo, não permitindo que
a pessoa adote uma atitude que fuja
à sua essência, como explica Ferrei-
ra, que afirma só ter se beneficiado dessa prática. “São papéis em fun-
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Maranhão/ Edição nº. IX
ção de uma adaptação que você tem que ter para poder se relacionar bem com as pessoas, é natural não é que seja uma coisa falsa. Você passa a
identificar esses papéis e trabalhá-los de uma maneira adequada. É bom para você e para quem se relaciona com você”, garante o consultor. O psicodrama (criado pelo psiquiatra romeno Jacob Levy Mo- reno, nos Estados Unidos em 1925),
é uma técnica de análise psicológica
que nasceu no palco, estuda profun- damente os efeitos benéficos que a arte dramática causa no psicológico da pessoa, como afirma Ramos. “Eu indicaria um curso de teatro para qualquer inibição interna. É uma ati- vidade exercida em um ambiente de maior tolerância, onde se questiona
a interpretação, nunca o caráter”. Ainda, de acordo com o psicólogo, o teatro pode trazer des- cargas de tensões internas e liberar angústias que não encontram via de saída no dia a dia. “Isso se torna uma fonte de extrema segurança para
quem está muito carente dela”. A aceitação é o primeiro pas- so a ser dado para alcançar a trans- formação. A pessoa tem de querer a mudança, para assim, viver melhor em sociedade. “O não se permitir a mudar, engessa, bloqueia, inibe e machuca. Você vai perder no mínimo, uma bela experiência na sua vida”, assegura Rastrello. O professor fala da sensa- ção, como profissional e amigo, ao ver a superação de seus alunos. “É a
vitória, é o gol, cada dia a gente tem que fazer um”. Mas a arte teatral é também uma forma de socialização entre pes- soas de várias idades e perfis. As au- las são procuradas, inclusive, como uma atividade de entretenimento, um passatempo. E foi pensando nisso, que
o funcionário público, Nelson Trau-
zola, 66, procurou o curso do Alma D´Alma. “A cada peça chegam pes- soas novas e a gente vai aumentan- do esse ciclo de amizade.” E no que diz respeito à idade, Trauzola só vê vantagem para o seu lado. “A convivência com as pes- soas mais jovens me influencia po- sitivamente e eu acabo esquecendo quantos anos eu tenho. Eles até me chamam de Benjamin Button (risos)”, orgulha-se. Como afirmou certa vez Pro-
cópio Ferreira: “a vida cria o conflito;
o teatro resolve.” Só subindo no pal-
co para descobrir se ele está certo.
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Escolas em São Paulo que oferecem cursos de teatro para auxiliar a comunicação
Teatro Escola Macunaíma www.macunaima.com.br
Emílio Fontana www.emiliofontana.com.br
Teatrês
www.teatres.com.br
Teatro Tuca www.teatrotuca.com.br
C.E.A.R - Centro de Expressão Antonio Ravan www.ceantonioravan.com
Escola Superior de Artes Célia Helena www.celiahelena.com.br
E.N.T - Escola Nacional de Teatro escolanacionaldeteatro.com.br
Ator - Curso de Teatro www.cursoator.com
Alma D’ Alma - Espaço de Artes e Atitudes www.almadalma.com.br
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editorial
teatro
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O palco como alimento para a alma
inspirando jovens, Cia Mascárate ensina a arte de criar caras e bocas
Por Renata Trenahi
O grupo de Teatro Caras, hoje co- nhecido como Companhia Mas-
cárate de teatro, foi criado em 2005 na cidade de Embu Guaçu, por Vag- ner Araújo ator e diretor, junto com Douglas Pinheiro, ator e bailarino da Cia Mascárate de Teatro. Residentes na cidade de Embu Guaçu, na grande São Paulo, os atores decidiram fundar no inicio um pequeno grupo de teatro, pelo
fato da cidade ficar à 52 quilômetros da capital paulista e todo movimen-
to teatral, cinemas, exposições e ou-
tros movimentos artísticos ficarem distantes, necessitando sempre a locomoção dos Embuguaçuences. No começo o grupo conta- va com alguns protagonistas jovens
que se interessavam com o teatro,’’
O grupo era pequeno, foi então que
começamos a participar de festivais de teatros como Mapa Cultural Pau- lista, festivais regionais e em cima das avaliações íamos melhorando nossa busca incessante no fazer te- atral,” afirma Araújo. Depois de alguns anos, veio
a necessidade de estabelecer um
ponto fixo de referencia do grupo de teatro, até então conhecido por Caras.” Foi ai que aproveitamos a mudança de gestão politica de 2008 para 2009 e nos aproximamos da Se- cretaria da Cultura de Embu Guaçu, ’’ afirma Pinheiro. Foram apresentados pro- jetos para a produção de um dos espetáculos, a prefeitura de Embu Guaçu, financiava um espaço para sede do grupo e em troca, o grupo ofereceria gratuitamente oficinas de
iniciação teatral e balé clássico para
a comunidade. O grupo de Teatro
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perfil
Caras, agora tinha uma casa, uma re- ferencia física segundo Vagner Araú- jo, resolveram chamar a casa de Paço Caras.
A casa ficava em um salão alugado, foram oficinas e mais ofici- nas de iniciação à arte para crianças e jovens realizando mostras destas ofi- cinas. O espaço logo ficou pequeno fi- sicamente e novamente o grupo tro- cou de lugar, indo agora para o Centro Cultural 28 de Março, onde o espaço é maior e a população tem mais acesso por ficar na praça central da cidade, e junto com a troca de casam resolve- ram alterar o nome denominando-se Cia Mascárate de Teatro, Segundo Douglas “ a mudança do nome foi por diversas razões entre elas, pensar em uma nova proposta de fazer tea- tro e abarcar novos integrantes para a jornada, além de ter um nome mais original pois há muitas companhias e movimentos teatrais com o mesmo nome.
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Os números de vagas foram ampliadas e a prefeitura dá um valor estímulo através da Secretaria Muni- cipal de Cultura. Hoje a Companhia beneficia 280 alunos no teatro e 200 alunos no balé, realizam diversos es- petáculos de teatro e dança e por meio deles participam de festivais pelo Brasil. Recentemente eles integra- ram o Festival de Curitiba, um dos mais importantes do gênero no país, onde apresentaram o espetáculo Quarto de Empregada, de 2013, “Es- tou encantada e muito feliz em poder fazer parte desse espetáculo, Tenho muito a agradecer pelo ensino e ca- rinho recebido”, afirma aluna e atriz Laura Franco. Segundo Vagner, “ Temos o ideário que viver de arte é possível e concreto, desde que com muita rea- lidade e força de vontade.” O grupo continua se expandindo e pretendem abrir mais vagas até o final deste ano.
A nova cara do cinema
Daniel Ribeiro, um dos principais nomes entre os jovens cineastas no Brasil, fala sobre os caminhos que levaram seus filmes a conquistar milhões de fãs no YouTube
Por Angelo Miguel
P or volta das 14h50, em uma traves- sa da Consoloção, na rua Antônio
Carlos, no centro de São Paulo, o jo- vem cineasta Daniel Ribeiro esperava para conceder uma entrevista. Foi no número 404, mais precisamente no Urbe Café, bar frequentado pelos jo- vens descolados do circuito Paulista- -Augusta, que a conversa durou por pouco mais de uma hora. Entre pare- des grafitadas, poltronas de couro e luminárias pretas no estilo pendente, damos início a um longo bate-papo. Pessoalmente, o rapaz de apenas trinta anos, parece ainda mais jovem do que pelas fotos postadas em suas redes sociais. Quem é da geração que não vive sem internet, certamente já ou- viu falar sobre os curtas-metragens brasileiros de maior sucesso no You- tube: “Café com Leite” e “Eu Não Que- ro Voltar Sozinho” que juntos, somam cerca 6 milhões de visualizações, sem contar as postagens não oficiais. Enquanto agradece ao co- mentário em relação a sua pouca idade, é enfático. “Às vezes, parecer um pouco mais velho pode ser bom, as pessoas te respeitam mais”, afir- ma. O rapaz franzino, formado pela ECA-USP em 2006, é detentor de in- contáveis prêmios nacionais e inter- nacionais. Indagado, ele mesmo não se lembra de todos, afinal são alguma dezenas. Fato é que, o Urso de Cristal no Festival de Berlim por “Café com Leite”, aproximou-o de nomes como Walter Salles e José Padilha, até então únicos brasileiros ganhadores do prê- mio de melhor filme com Central do Brasil (1998) e Tropa de Elite (2008), respectivamente. Seus dois curtas levaram o
( “Nós somos de uma geração que cresceu com a internet, então a leitura do que é cinema é diferente”
(
Para o cineasta, o Youtube foi o grande responsável por projetar seu trabalho para o grande público.
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Reprodução
perfil
perfil
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nome do Brasil para países como Suécia, Esta- dos Unidos, Ucrânia, Canadá, México, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Equador, Romênia, Hong Kong, Polônia, Itália, Espanha e França, tornan- do-o uma das maiores promessas do cinema nacional. Quando recém-formado, em seu filme de estreia, ele decidiu dar vida àquilo que ha- via sido a sua monografia de conclusão de cur- so em 2006. Na obra, ele toca em um assunto
amor aguardada ansiosamente por seus milha- res de seguidores. Com previsão de lançamento nacional para 2014, as páginas e comunidades no Facebook, demonstram que as expectativas dos fãs são as melhores. Daniel Ribeiro nos recebeu para falar sobre sua carreira, suas impressões, sua relação com o sucesso e os desafios pessoais e sociais que o norteiam pelo mundo do cinema.
Com mais de 3,5 milhões de vizualizações no Youtube, Café com Leite ganhou o Urso de Cristal, no Festival de Berlim em 2008, como melhor curta-metragem. A his- tória se desenvolve a partir de um acidente que que deixa dois irmão órfãos. O mais velho, que é gay, ao cuidar do irmão mais novo se enxerga em uma situação compulsória de adoção homofoafetiva. A leveza com que o assunto é tratado conquistou o reconhecimento
Em Eu não Quero Voltar Sozinho, Daniel
questiona o fato de um garoto cego
definir a sua sexualidade mesmo sem
nunca ter visto ou tido contato com
nenhum dos dois gêneros
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Reprodução/Instagram
Maranhão: Quando se deu o seu envolvimento com a causa gay?
M: Fazer cinema gay é mais difícil?
D.R: Eu acho que não. Eu acho que é a mesma coisa do que fazer filmes menos comerciais. Dificilmente, dá pra conseguir patrocínio de grandes empresas. E outra, no Brasil é tão difícil uma empresa patroci- nar um filme diretamente, que não me sinto menos favorecido. Não es- tou dizendo que é uma maravilha, mas também não vou ser injusto. Os meus filmes foram feitos por editais governamentais e não tive muito problemas. A dificuldade aparece em coisas menores como conseguir locação para gravações, entre ou- tros. O meu segundo filme se passa em um colégio e nem todos estão muito receptivos a essa temática.
Daniel Ribeiro: Foi na faculdade. No meu TCC, co- mecei a estudar sobre como os personagens gays eram retratados no cinema brasileiro. Nesse tra- balho, eu dividi a pesquisa em três partes. A primeira, era o gay estere- otipado. Depois uma fase em que começamos a discutir a sexualidade dos personagens, como descobri- mento e convivência em sociedade. E, finalmente, os personagens gays inseridos em outros contextos, ou seja, a sexualidade como uma coisa secundária, que foi a parte
que mais me atraiu. Inclusive, é o que faço nos meu filmes.
M: Você ficou conhecido com um diretor de cinema gay. O que você pensa sobre isso?
D.R: É um rótulo que não me in- comoda em nada, então eu não questiono muito. As pessoas sempre segmentam,
ainda mais no cinema. São filmes românticos, poli-
ciais, dramas
não faz muito sentido eu ficar brigan-
do por isso. As pessoas têm o direito de me colocar na “caixinha” que elas quiserem
M: Quais foram as suas referências, quem são os seus ídolos?
D.R: É tão difícil falar sobre isso, por- que quando eu olho as referências que eu tenho, eu sempre acho que não tem nada a ver com os meus filmes (risos). Mas enfim, Wong Kar Wai com “Felizes Juntos” eu adoro; Michel Gondry com o “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembran- ças” é incrível; e muito outros.
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M: O “Café com Leite” foi, oficialmente, o seu primeiro filme e a recepção do pú- blico foi muito positiva. A que se deve esse sucesso?
D.R: Como eu disse, eu sempre me atraí por filmes que trouxessem a questão da sexualidade, mas fora dos “guetos”, fora do nicho. E o Café com Leite discute isso extamente da forma que eu queria. Eu acho bacana fazer filmes em que os gays estejam inseridos em outros contextos, pois eles permitem que pessoas que não sejam gays se identifiquem. Quando você faz um filme muito ligado à descober- ta, dúvidas e problemas da sexualidade, você fica muito restrito. Não que isso seja um problema, mas até o momento não é muito a minha cara.
M: Como foi a experiência de ganhar um Urso de Cristal já no seu primeiro filme?
D.R: Ah foi legal, mas não pude deixar que
isso me subisse à cabeça. Juri é juri, neh!?! Eles têm uma lógica própria e não dá pra entender sempre. Uma coisa que eu aprendi é que não se deve esperar nada para não se decepcionar. Você também não deve achar que é a melhor coisa do mundo só porque ganhou um prêmio. Até porque é um pequeno grupo de sete, oito pessoas que julgam a sua obra como
a melhor. Um prêmio desse porte é im-
portante, mas você tem que se lembrar que ele não representa o mundo (risos).
M: Em “Eu não quero voltar sozinho”, você mais uma vez coloca a sexualidade em segundo plano
D.R: Isso. Na verdade, esse filme é basica- mente uma história de amor. É assim que eu quero que o vejam. As pessoas costu- mam reduzir a imagem dos gays a sexo. Tudo é sexo e você é depravado. Então se você fala que é gay, as pessoas já imagi- nam você transando com outra pessoa. E nesse filme, eu queria que houvesse uma pureza ali pelo fato de serem dois adoles- centes. Quando você está nessa idade, a questão da descoberta pode ser muito dolorida. Aí você se apaixona pela primei-
ra vez, o que também não é nada fácil e,
ainda tem que se preocupar com o julga- mento externo. É bem complicado. Por isso, eu quis ser bem claro: nós estamos aqui para falar de amor. aqui para falar de
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perfil
( “As pessoas costumam reduzir a imagem dos gays a sexo, tudo é sexo e você é depravado. Mas não é bem assim”
(
amor. Na trama, o Léo é um garoto cego que se apaixo- na pelo Gabriel, o seu novo colega da escola. Eu ouvi muitas vezes a pergunta: “Por que um garoto cego?”. Porque na minha concepção, a sexualidade é muito visual e até o preconceito é extremamente visual. Você saber que dois homens se beijam, tudo bem. Mas VER dois homens se beijando, se torna um problema que incomoda as pessoas. Então, o meu questionamento foi: Como um garoto que nunca viu ou nunca teve contato com nenhum dos dois sexos, pode ter nascido gay? Eu acho que as pessoas entenderam isso.
M: Houve algum cuidado ou tratamento especial na hora de trabalhar com atores tão jovens?
D.R: Na verdade não. O Guilherme Lobo (Léo) é mui- to natural. Na hora do teste, eu fiquei impressionado com o desempenho dele. A Tess Amorin (Giovanna) tem bastante do jeitinho carismático da persona-
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gem, é o tipo de menina que a gente gosta de pri- meira. E o Fábio Audi (Gabriel) tem um pouco da timidez e do jeito de interior. Os ensaios foram bem rápidos e eles tiveram a liberdade de mudar uma fala aqui, uma entonação acolá e também de tirar aquilo que eles não se sentiam muito à vontade.
M: O “Eu não quero voltar sozinho” passou por um episódio de censura no Acre. O que aconteceu exa- tamente?
D.R: Existia um projeto do governo que, estava exi- bindo nas salas de aula, filmes que poderiam servir para discussão dos conteúdos educativos. Tudo era escolhido por um conselho de professores das ins- tituições e o meu filme foi um dos escolhidos. Al- gumas crianças assistiram e contaram para os pais. Alguns pais religiosos o confundiram com o kit Anti- -homofobia do Governo Federal, que estava sendo discutido na época e por isso o filme foi censurado, o que é um absurdo. Primeiro, eles cancelaram o projeto inteiro e depois tiraram apenas o nosso e continuaram a exibir os outros.
M: Depois de participar de alguns festivais, você decidiu colocar os seus filmes completos no You- tube. Qual é a importância dessa ferramenta para você?
D.R: Quando você exibe em um festival,
quem assiste é aquele cara que realmen-
te gosta de cinema e também a crítica es-
pecializada. O festival cumpre esse papel de trazer filmes que as pessoas não vão ver na televisão e acaba sendo bom pra suprir a falta de cinema que nós temos.
O número de salas de cinema no Brasil é
ridículo. Existem cidadezinhas por aí que nunca tiveram uma. No Youtube, é outra coisa. Há uma popularização, chega por outros caminhos. Às vezes, você está as- sistindo algum vídeo e, de repente, você vê lá uma miniatura, clica por curiosi- dade e acaba gostando. Nós somos de uma geração que cresceu com a inter- net, então a leitura é diferente. A gente está vendo o filme sozinho, enquanto está fuçando no Facebook e, ao mesmo tempo, passando um e-mail. Eu percebo que o meu público é bem jovem e por isso ele tem uma relação diferente com o cinema.
M: Você terminou as gravações do seu primeiro longa-metragem, “Todas as Coisas mais Simples”. O que se pode es- perar dele?
D.R: Então, esse longa é uma versão es- tendida do “Eu não Quero Voltar Sozi- nho”, começa um pouco antes e termina um pouco depois. A história também é contada por outros ângulos. O curta foi uma espécie de ensaio para esse longa. Enquanto no curta eu falo de amor, no longa eu falo de adolescência, sexualida- de e independência. Esse tipo de adap- tação precisou de muito mais conflito. O Gabriel, por exemplo, não é mais tão sim- ples quanto parece no curta. Ele é mais misterioso, a gente não sabe exatamente qual é a dele. O Léo, que é deficiente vi-
sual, que fazer intercâmbio, quer ficar so- zinho, mas a mãe é superprotetora. Não há, por exemplo, uma discussão dos pais sobre a sexualidade, eles ficam mais no âmbito do deixar livre ou o proteger do mundo. Assim como fiz nos anteriores, não vou dramatizar o “ser gay”, não é o meu perfil. Para ele, continua sendo uma
o Ga-
coisa normal. O problema agora é briel gosta do Léo ou não ?
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crianças
Sopa de Letrinhas
Curiosidades e descobertas envolvem as crianças no cenário do jornalismo infantil, presente no País desde 1905
Por Beatriz de Oliveira
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O jornalismo infantil vem assu- mindo um importante papel na
aquisição de conhecimento, assim compreende a educação como uma
das principais funções jornalísticas. Sendo importante na evolução do conhecimento da criança. Além de satisfazê-las, as informações deixam- -nas ainda mais curiosas, alimentan- do uma carência de conhecimento que às vezes a escola e os pais não conseguem suprir, e trilhando o ca- minho para que elas aprofundem ainda mais o interesse por assuntos
e pelo hábito da leitura. No Brasil, por muitos anos as primeiras publicações neste segui- mento não eram consideradas como
jornalística e sim como literatura in- fantil. A relação do jornalismo com o público infantil abrange muitos ca- minhos, ganhando espaço nas pra- teleiras das livrarias, nas bancas de jornais e até mesmo no cenário de TV. Assim, o jornalismo infantil pode perceber o quanto é necessário que
a interatividade faça parte desse ter-
ritório de manifestação. “A visão que eles têm da Recreio é de um amigo do seu irmão mais velho: um garoto descolado, que sabe muita coisa le-
gal”, afirma a repórter da revista , Lu- dmilla Alvarenga. No Brasil, o jornalismo infan-
til surge em 1898 com a circulação
do jornal “O Jornal da Infância” que
é considerado a primeira revista in-
fantil. Sua primeira edição foi em 14 de abril. Entretanto no jornalismo
a grande transformação ocorreria
com a ascensão da Revista semanal
O Tico-Tico que circulou de 1905 até
1962, era uma revista em quadrinhos com o perfil recreativo que trazia po- esia, jogos e contos. No Século XX, na década de 60, surgem dois novos produtos, a Folhinha em setembro de 1963 que foi o principal nome do jornalismo infantil, e, atualmente comemora 50
anos de publicação e a Revista Re- creio cuja primeira publicação foi em maio de 1969, circulando até 1981. Mais tarde a Recreio voltara ás ban- cas com uma nova filosofia. Além de enriquecer o co-
nhecimento, a leitura permite aos pequenos, um comportamento leal diante de alguns acontecimentos. “Eles me ensinam a cuidar dos ani- mais, não cortar as árvores, ser uma pessoa melhor no futuro”, diz a pe- quena, Yasmin Gomes, de sete anos. O jornalismo tem papel fun- damental no processo de desenvol- vimento infantil. Compreender a fun- ção neste universo é primordial para que as publicações sejam mais expli- cativas e coerentes. “Nosso texto não trata a criança como bobinha. Um adulto, por exemplo, leria a Recreio normalmente e de um jeito prazero-
so”, afirma Ludmilla. É fundamental que haja um preparo específico para escrever para esse público. “Na escola, e eu digo começando pela educação infantil, existe o contato com vários porta- dores de texto incluindo, os jorna- lísticos e com fins informativos”, diz a Pedagoga Janaína da Silva. “Existe também uma constante preocupa- ção com a qualidade desse material.” Muitas crianças descobrem o ato de ler por simples curiosidade, vontade de folhear livros, revistas e gibs.
Maranhão/ Maranhão/ Edição Edição nº. nº. IX IX
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Fotorreportagem
crianças
Esse universo de faz de conta os leva a ampliar seu imaginário. “Eu gosto de ler livros de princesas e aventuras e também gosto de gibi, eu adoro o Cascão”, afirma Yasmin. No Brasil, os veículos de comunicação não investem muito neste segmento, mesmo acreditan- do que esta formação seja voltada à primeira fase do desenvolvimento humano. O Exemplo disso é o suple- mento Estadinho que após 25 anos de existência, se tornou impressa em Março de 2013, mantendo-se ape-
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nas na internet. “Essa é uma questão econômica: os jornais estão cada vez mais restringindo suas publicações infantis” afirma Ludmilla Alvarenga. Nesta busca, há motivos elementares para garantir uma boa leitura. Para Janaína, a criança aprende pela ob- servação e imitação, e o contato com as diversas mídias jornalísticas vai fa- vorecer o seu aprendizado agregan- do a ela experiência possibilitando a formação de um comportamento leitor, ela completa “Mais tarde será fundamental para sua compreensão
1. Uma Girafa um menino e
uma régua, essa foi a ideia apli- cada para esclarecer de forma didática a diferença entre o alto e o baixo. Dessa forma o Suple- mento ensinava as diferenças. Assim nascia a Folhinha em 8 de Setembro de 1963, classidfi- cadas como um dos principais nome no jornalismo Infantil
2. Revista Recreio, primeira pu-
blicação em maio de 1969 , cir- culou até 1981 e 19 anos depois volta ás bancas com uma nova filosofia. Capa de 2005 trazendo tudo sobre o ireverente astro infantil , o personagem do Bob Esponja.
3. O Estadinho estava em festa:
capa da primeira edição. Tudo começou em 1987,uma equipe se reuniu para desenvolver um suplemento infantil, e foi deci- dido que a turma da Mônica fi- zesse parte dessa equipe. Assim foi apresentado e o 1º Estadinho chegou as bancas.
4. O Tico- Tico foi pioneiro nas publicações infantis e também foi o primeiro a publicar histó- rias em quadrinhos no Brasil. Sua primeira edição foi em 11 de Outubro de 1905 e trazia po- esia , jogos e contos. Encerrando as tividades em 1962
de mundo e irá influenciar na sua postura perante a sociedade na qual está inserida”. Para Ludmilla, as pautas são elaboradas de acordo com o que percebemos no contato diá- rio com crianças, ou seja, através das nossas redes sociais. A criança está desenvolvida o suficiente para dis- cernir realidade de ficção. O jornalis- mo infantil é praticado com assuntos interessantes, para aqueles que es- tão descobrindo o mundo.
O Islamismo de cada dia
Um olhar atento desvenda os valores e ajuda a entender, de forma mais clara, a fé e a crença dos muçulmanos
Por Adla Charanek
O Islamismo é uma religião mono- teísta, ou seja, acredita na exis-
tência de um único Deus, Allah. Ela é fundamentada nos ensinamentos do profeta, o último deles enviado por Deus, Mohamed ou Maomé como é mais conhecido. Segundo os ensina- mentos dessa crença, a Palavra ‘’ Islã’’ significa submeter-se e ser obediente a Allah.
O livro sagrado dos muçul- manos é o Alcorão. As pessoas que tem curiosidade e querem saber um pouco sobre a religião encontram facilmente um exemplar traduzido, dentro da própria Mesquita ou pela internet. Dentre os vários princípios
do Islamismo, cinco são os principais deveres de cada muçulmano. Ele deve crer em Allah, fazer as cinco orações
diárias, fazer caridade aos que neces- sitam, jejuar no mês do Ramadan que
é o nono mês do calendário islâmico,e
por fim, fazer a peregrinação à Mecca pelo menos uma vez durante a vida. Os muçulmanos frequentam as mesquitas, é lá que eles realizam suas orações diárias. Sua Arquitetura
segue os padrões dos templos mu-
çulmanos e encanta por suas formas
e pela riqueza de detalhes no acaba-
mento do seu interior. A mulher no Islamismo tem
o seu valor. Ela se preserva, o véu é
entendido como algo que dignifica e impõe respeito. O Alcorão aconse- lha que a mulher use o véu, cubra-se nas orações e na presença de homens que não sejam seus parentes. As meninas aprendem desde peque- nas a usar o véu, ao contrário do que dizem, elas não são obrigadas, quan- do prontas, tomam sua decisão, e acabam colocando por livre e espon- tânea vontade. O Islamismo é a segunda maior reli- gião do mundo depois do Cristianis- mo, e vem crescendo a cada dia, com fiéis que se mobilizam e querem se aproximar de Allah e seus ensinamen- tos sagrados.
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Vista da parte interna de uma Mesquita, trechos do Alcorão fazem parte da Arquitetura
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AlláhuAkbar ou Deus é o Maior,é assim que se dá início ao momento da Oração de Sexta
Relógio que marca as cinco orações que o muçulmano deve praticar, começando pela SalatFajr ou Oração da Alvorada
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Fotorreportagem
As crianças aprendem desde cedo a ler e decorar os versículos do Alcorão
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lão das Artes, localizado no Parque Santo Antônio, nasceu da iniciativa de lideranças comunitárias e cole- tivos culturais, que ocuparam o es- paço onde, no passado, havia um sacolão hortifruti. Inaugurado em 2007, o Sacolão das Artes atende crianças, jovens e adultos em diver- sas atividades como teatro, cinema, dança, música, artes visuais, rodas de leitura, atividades esportivas, poesia, grupos de estudo. Tudo isso, com a finalidade de garantir a população da periferia o acesso a bens culturais e a produção artística. O estudante Marlon Rodri- gues diz que as opções culturais da região ainda são poucas. “Aqui perto não tem cinema, teatro, então, eu acabo indo a lugares mais distan- tes”, ressalta. Outro fator que reflete no comportamento do garoto é o índice de violência. Rodrigues afirma que sua mãe fica menos preocupada quando ele prefere frequentar locais mais afastados da periferia. De acordo com lista de 28 bibliotecas, situadas na região sul de São Paulo, cedida pelo chefe de gabinete da subprefeitura do M’Boi Mirim, Marcio Luiz Costa, o Ponto de Leitura Bambuzal é a única biblio- teca pública localizada na região, no Jardim São Manoel. No local, há sempre contação de histórias para as crianças. Esses eventos prendem a atenção dos pequeninos e também dos pais que os acompanham. Mas, a população conta com alter- nativas para driblar essa deficiência,
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é disponibilizado o acervo bibliográ-
fico de três CEUs, destes, dois estão localizados no Jardim Ângela, o Gua- rapiranga, o Vila do Sol. E o CEU Casa Blanca, situado na Vila das Belezas. Segundo o coordenador de cultura do CEU Guarapiranga Rodri- go Santos, “as bibliotecas de todos os CEUs são consideradas bibliotecas públicas”, sendo assim, elas fazem parte do sistema de redes de biblio- tecas públicas e é possível consultar o sistema e saber onde o livro dese- jado se encontra. Daniel Vieira, que também faz parte da equipe coorde- nadora do CEU Guarapiranga afirma que o acervo está em torno de seis mil exemplares. O público desses aparelhos
é bem diversificado, segundo expli-
ca a coordenadora de cultura do CEU Vila do Sol, Juciele Nobre. O espaço atende diariamente cerca de 3.500 usuários em modalidades esportivas, culturais e educacionais. Para aqueles que desejam participar de atividades artísticas, no espaço é disponibilizado
o Programa Vocacional, destinado a qualquer pessoa, com idade acima de 14 anos. O curso possibilita formação artística cultural em dança, música e teatro, com aulas monitoradas. Além do Programa Vocacio- nal há também o Programa de Ini- ciação Artística (PIÁ), projeto voltado para crianças de cinco a 13 anos, a fim de desenvolver as habilidades artís- ticas dos pequenos. Neste núcleo, as crianças são separadas em turmas, de acordo com a idade, e são acom- panhadas por dois profissionais que, trabalham simultaneamente duas modalidades artísticas, passando pela música, teatro, dança e artes visuais. O Teatro do CEU Vila do Sol comporta cerca de 170 pessoas e segundo a coordenadora, quando há apresentação de grande porte, é exibido duas ou três vezes para aten- der um número maior de pessoas. O evento destacado por Juciele foi o espetáculo infantil “Gigantes de Ar” da Cia. Pia Fraus, devido a procura, teve de ser transferida para fora do
teatro para que cerca de 400 pesso- as pudessem ter a oportunidade de
assistir. Diante desse cenário, a coor- denadora afirma, “o que é oferecido
à comunidade ainda é pouco diante da demanda de moradores”.
O trabalho para fidelizar o público
Mas esses espaços, pode-
riam ser melhor aproveitados pela população. O coordenador do CEU Guarapiranga Santos explica que
a comunidade vê o CEU como um
lugar para quem estuda, quando na verdade é um polo comunitário, um local para reunir todos os perfis de moradores. “É um trabalho de for- miguinha”, completa. Ator de forma- ção, ele enfatiza que o maior desafio dos coordenadores de cultura é pro-
mover o espaço como lugar de ativi- dades artísticas da comunidade. Realidade semelhante é vi- venciada pela coordenadora do CEU
Vila do Sol. Ela afirma que o trabalho na formação de público é árduo. “A comunidade da periferia é resistente
a aquilo que está fora da sua rotina”,
explica. E afirma, quando tem aulas de hip hop, em média, matriculam-se 30 alunos, já quando as aulas são de danças populares, a turma é de cinco alunos. “Eu falo com propriedade: os CEUs não estão com todas as vagas preenchidas”, diz Juciele. Situação, muitas vezes, com- partilhada pelos coordenadores do CEU Guarapiranga, quando o assun-
to é a participação nos eventos tea- trais. “Não são raras as vezes que tem dez ou 15 pessoas na plateia ou que não vem ninguém”, lembra Santos. Mas ele afirma que a maior preocu- pação do núcleo coordenador é com
a qualidade do público. “O importan-
te é que haja um na plateia, que esse um assista e na próxima semana tra- ga mais dois ou três”. Mesmo com o forte traba-
lho de divulgação nas redes sociais, blogs, rádios comunitárias, cartazes fixados em escolas do entorno e par- cerias com associações, Juciele lem- bra. “Os meios de comunicação ain-
da são um problema, eles alcançam um grande número de pessoas, mas 100% é uma dificuldade”. Mas não é somente a falta de informação que afasta a comunida- de das atividades culturais. “O nosso
( “A formação cultural de um povo é a sua alma”
(
concorrente é o trânsito, é a única li- nha de ônibus que passa em frente, é o futebol, é o dia que choveu um pouquinho”, completa Vieira. Já para Juciele, há também outros motivos que acabam refletindo na integração ao CEU. “As pessoas não têm o cos- tume de encarar a cultura como algo essencial” declara. Segundo ela, os moradores da região saem de casa às 4h da ma- nhã e chegam entre 21h e 22h. En-
tão manter os filhos em um período maior na escola é ótimo, mas sair no final de semana para uma atividade
cultural, quando é o único dia de fol- ga para pôr em ordem os afazeres domésticos, é um desafio. Por isso, muitas vezes, essas pessoas optam em ficar em casa. Contudo, é impossível não observar a maneira como esses pro- fissionais cuidam desses espaços com tanta dedicação. É nítido o ca- rinho e o interesse deles em pro- porcionar à comunidade da região do M’Boi Mirim o encurtamento das distâncias culturais. “A formação cul- tural de um povo é a sua alma, é a sua identidade. Eu gostaria muito de
ir até lá e dizer, vem aqui, o CEU é um
espaço que pertence a todos”, com- plementa Juciele. Então, o primeiro
passo já foi dado, basta criar em cada indivíduo o desejo de experimentar
o novo.
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As mil e uma artes da cidade de São Paulo
Artistas de todas as áreas tornam a cidade mais colorida e alegre, atraindo turistas brasileiros e estrangeiros
Por Giseli Andrade
A arte de rua é uma das principais atrações culturais da cidade de
São Paulo. Estas manifestações ar- tísticas desenvolvidas nos espaços públicos são também chamadas de
Street art. Segundo os dados do site visitesaopaulo.com, a capital paulista conta com aproximadamente 280 salas de cinemas, 160 teatros, 110 museus e 39 centros culturais. Embora a cidade possua toda essa infraestrutura cultural, os paulistanos, na maioria das vezes sem tempo, não têm o hábito de frequentar esses ambientes de lazer
e entretenimento. No entanto, não
é difícil se deparar com inúmeras
formas de arte pelas ruas da cidade sem precisar gastar ou sair do trajeto por onde se costuma passar: são te-
atros de rua, estátuas vivas, grafites, malabaristas, músicos, performances
e muito mais. Até mesmo o famoso
“orelhão”, colorido e enfeitado, tor- na-se alvo dos olhares curiosos que passam pelas ruas.
O artista de rua Marcos Hen- rique disse que sempre adorou ir ao
circo e que sua paixão partiu do dia em, que um palhaço o convidou a
participar de uma das apresentações da noite. “Foi um dos melhores momentos da minha vida. Me senti (sic) uma crian- ça especial. E o mais curioso é que não foi em rir com o que fize-
ram comigo que me chamou a aten- ção, mas sim, de ter podido partici-
par do espetáculo que trazia o sorriso
a todas aquelas pessoas”, afirma ele.
Os artistas de rua têm em comum o objetivo de levar arte às pessoas que estão em seu cotidiano, apressadas e estressadas com o corre-corre da ci- dade. Uma das atrações da Avenida Paulista são as estátuas vivas. “Parar na rua para assistir uma performance artística faz com que o dia fique mais
sille que andava pela avenida. Essa mobilização dos artistas de rua começou em 2010, quando eles realizaram uma manifestação
contra a agressão policial sofrida pelo músico Rafael Pio na Avenida Paulis- ta. O guitarrista foi preso e teve seus instrumentos musicais apreendidos. Rafael Pio foi liberado no mesmo dia.
A partir daí, a Fundação Artistas na Rua
conseguiu a aprovação de um decreto que regula- menta a atuação dos artis- tas nas ruas da capital. O grupo tem como objetivo arrecadar dinheiro para a criação formal da enti- dade. Esses artistas não necessariamente, tratam
a arte de rua como profissão. Muitas
vezes, as gratificações que recebem
(
(
“É um trabalho como qualquer outro. Devemos gostar daquilo que fazemos e fazer com paixão, ou você se torna apenas um parasita do esforço alheio”
bonito e as pessoas mais felizes”, diz
a estudante de medicina, Renata Ba-
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lazer
pagam apenas a manutenção de seus instrumentos de trabalho, como expli- ca o músico Fernando Loko. “É um tra- balho como qualquer outro. Devemos gostar daquilo que fazemos e fazer com paixão, ou você se torna apenas um parasita do esforço alheio”, diz ele. Eventos como o Teatro no Parque têm como objetivo difundir o teatro para toda a população, descentralizando o acesso e valorizando os parques da capital espalhando cultura para o pú- blico de todas as idades. Em todas as peças de teatro realizadas, a rua é fundamental para o contato entre o público e os artistas, onde eles incorporam seus ídolos ou criam seu próprio repertório. “O es- petáculo só está completo quando o publico participa”, afirma Edson Go- mes, ator. Essa aproximação permite não só que a peça se torne mais inte- ressante, mas também que a emoção esteja mais presente. Pensando na expansão da arte os artistas de rua criaram o site www.artistasnarua.com.br e fize- ram uma comunidade na rede social www.facebook.com/artistasnarua, com o intuito de deixar o público por dentro dos eventos. A intervenção artística não
se resume apenas aos grandes even- tos culturais realizados na capital paulista, mas também as inúmeras apresentações independentes que podem ser vistas aos finais de sema- na nos parques da capital. Afora isso, há também a riqueza nos estabele- cimentos: restaurantes, bares, e de seus arranha céus. São Paulo é considerado o centro financeiro do País atraindo os passeios turísticos e o comércio. “São Paulo é maravilhosa. Tem uma abun- dante riqueza, e uma grande varieda- des de pessoas, fazendo essa mistura de etnias e cultura. São diferentes povos e deferentes regiões”, diz o en- genheiro civil José Roberto Peccora. “Esse colorido dá um ar mais descon- traído, o paulistano é muito sério”. A cidade de São Paulo vem ganhando mais vida a cada evento cultural. Os grafites coloridos nos mu- ros da capital chamam a atenção do paulistano, já acostumado com o an- tigo cinza desbotado das ruas. Agora, passear pela cidade ou até mesmo fa- zer o velho trajeto de casa para o tra- balho pode ser também considerado um passeio cultural. Apesar de chamar a atenção, nem sempre as atrações da cidade
são bem vistas. Muitas vezes, um grafite, por exemplo, pode ser con- fundido com uma pichação. Desta forma também, os artistas de rua, que muitas vezes sofrem preconcei- to, confundidos com arruaceiros ou sem-tetos. “As vezes passam por nós
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como se não fôssemos nada. Como
se não existíssemos”, fala a saxofonis-
ta independente Vanessa Alves. “Fico
triste quando as pessoas deixam al- guma gratificação por compaixão
e não por admirar o meu trabalho”,
comenta ela. Para incentivar ainda mais
a apreciação artística, a Secretaria de Cultura do estado de São Paulo
anunciou que 17 museus estarão com suas entradas gratuitas durante to- dos os sábados de maio. “É realmen- te muito bom ter uma opção cultural para os fins de semana”, diz a nutricio- nista Paloma Aparecida “venho pas- sear com as minhas filhas na praça da luz e além de já ser um ponto cultural, posso agora, trazê-las ao museu sem gastar muito” fala a nutricionista.
Entretenimento é o que não vai faltar para os paulistanos, e o tempo escas- so já não é mais desculpa. Um passeio rápido ou até mesmo cinco minuti- nhos da sua atenção aos que procu- ram brilhar nas ruas da cidade já serão o suficiente para suavizar e alegrar o dia a dia do paulistano.
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A arte de voar com os pés no chão
Hobby para uns e esporte para outros, no aeromodelismo o que mais importa é sensação de liberdade
Por Alexandra Veloso
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V oar aeromodelos é uma prática antiga com um passado pouco conhecido. O site da
Confederação Brasileira de Aeromodelismo (Co-
bra) dá os créditos de principiante ao francês Al- phonse Penaud que, no início de 1871 construiu
o primeiro modelo a elástico. Em 1943, Shoji
Ueno abre em São Paulo, na Rua Sete de Abril, a Casa AeroBras. Uma loja onde se podia encon-
trar tudo que era neces- sário para a construção das pequenas máquinas voadoras. “Atualmente,
a loja atrai um público
mais saudosista”, conta
o aeromodelista há 36
anos, Milton Papa, apon-
tando que hoje é mais barato comprar os aviões
no exterior, pela internet.
O homem sempre almejou voar, mas chegar perto da sensação de levantar voo era privilégio de poucos. O esporte era coisa da eli- te. “Era um hobby caríssimo! Um avião, nos dias
de hoje, custaria no mínimo de R$ 3 mil a R$ 4 mil”, afirma Papa ao contar que não conheceu ninguém de classe média baixa no aeromode-
lismo. “Hoje, o custo caiu bastante, tem avião desde R$ 500 até R$ 20 mil ou R$ 30 mil”. No início, era necessário fabricar o próprio avião. “A gente pegava a planta e ia cortando a madeira balsa (produzida pelo pau-
-de-balsa, também cha- mado pau-de-jangada ou pata-de-lebre, a mais leve madeira de uso co- mercial que existe) até chegar ao produto final”, explica o aeromodelista
Maurício Lopes. Ele tam- bém conta que nem todos tinham habilidade para construir e voar um modelo. Por isto, havia aqueles que só voavam e outros que só constru- íam. “Levava-se tanto tempo para construir um avião que, geralmente, a pessoa que montava não voava por receio de quebrá-lo”, recorda.
(
(
“Hoje, o custo caiu bastante. Tem avião
desde R$ 500 até R$ 20 mil ou R$ 30 mil”
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Foto 1 - A esquerda, um rádio controle da década de 70 e, a direita, um rádio controle da década de 80
Foto 2 - O novo rádio controle ao lado com visor LCD retroilu- minado
Foto 3 - Um aeromodelo, que acabou de sofrer uma queda, sendo carregado com o trem de pouso danificado
Atualmente, para a facilidade dos adeptos ao hobby, existem kits que trazem os aviões quase prontos. Com isto, o tempo da montagem foi reduzido de aproximadamente um mês para duas horas. “Até os aeromo- delistas mais antigos se renderam aos kits”, explica Wagner Luzzi, aeromo- delista há 25 anos. “Só constrói quem quer um avião que ainda não tem no mercado.” Os avanços tecnológicos têm
dado a esses esportistas a oportunida- de de melhor realizar suas manobras. Papa ouviu histórias dizendo que nos primeiros aeromodelos, sem motor, era colocado um pavio no leme. Este seguia queimando e chegando ao fim
o avião virava e retornava ao dono.
Depois, tudo evoluiu. Che- garam os motores a combustão, que ainda são bem usados, e depois os elétricos, que funcionam à bateria como a dos celulares. Há também os modelos com GPs que, ao serem programados, fazem todo o voo sozi- nhos. Para Luzzi e Papa são equipa- mentos de uso profissional, que dei- xam o voo sem emoção. Outra novidade é First Person View (FPV) - (visão em primeira pes- soa). Uma câmera instalada no aero modelo leva a transmissão das ima- gens para duas telas embutidas em óculos. “É como se estivesse dentro do avião”, exclama Papa emocionado. Nesta modalidade, é aconselhável
que outro piloto auxilie com o rádio
controle, pois a visão da câmera pode confundir o senso de direção. Para Papa uma das mudanças positivas no esporte foi a queda dos custos. “Até o Governo Collor não era permitido importar, mas hoje é pos- sível comprar pela internet. E chega rápido”. Ele também conta que, devi- do ao alto custo, só tinha um avião e quando este quebrava era um proble- ma. Papa lembra que, certa vez, pre- cisou aguardar um mês para chegar uma peça de reposição. No entanto,
o aeromodelista lamenta a perda da
arte de montar. “O pessoal hoje já quer
o equipamento funcionando. Eu ten-
to explicar como se monta o kit, mas nem isto eles não querem aprender
e perdem um lado legal do hobby”, completa com indignação.
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O aeromodelismo é um es- porte vasto, há modalidade para to-
dos os gostos. O sócio da União Ban- deirante de Aeromodelismo (UBA), Maurício Anazetti, é atraído pelos aviões acrobáticos movidos a gaso- lina. “Gosto de aviões grandes e im- ponentes”, comenta eufórico e diz ser dos poucos sócios da UBA a voar aviões Giant Scale – modelos acima de 30% de escala. Atualmente, ele monta um Extra 330s, um acrobático com 40% de escala – 3 métros de asa
e equipado com um motor d,0e 160 cilindradas.
Helicópteros também podem
Embora menores, os helicóp- teros apresentam um grau de dificul- dade cinco vezes maior e são poucos os que praticam o helimodelismo. Luzzi explica que é preciso trabalhar com todos os comandos do rádio controle. “Helicóptero não admite erros, se piscar os olhos é chão”. Os modelos movidos a combustão voam em média 10 minutos, já os movidos
a bateria voam aproximadamente 7 minutos.
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Maranhão/ Edição nº. IX
Cuidados necessários
Para praticar este esporte que, além de encantador é perigoso, deve-se tirar o brevê do aeromodelis- ta (BRA). Para isto, é preciso se afiliar a um clube homologado pela Cobra. Os paulistanos podem contar com a União Bandeirante de Aeromodelis-
mo (UBA), situada no Parque Nove de Julho, a margem da Represa Guarapi- ranga, ou com o Aerosampa Clube de Aeromodelismo que fica no Jaraguá, local frequentado por Papa. “É preci- so respeitar as normas de segurança e ter responsabilidade para voar qual- quer equipamento. Quem não gosta de regras não pode viver em comuni- dade”, afirma Luzzi, sócio da UBA.
Na pista da UBA
Fotos 01 e 02: Na pista todos estão dis- postos a se ajudarem na hora de preparar
o avião para a decolagem
Foto 03: Dando partida no modelo Stin- son Realiant: enquanto um segura o avião pela cauda com as pernas e maneja o rá- dio o outro gira a hélice
Foto 4: Aeromodelista de itapira - SP - visi- tam os amigos da UBA
Foto 5: Fixida ao alto do mastro, a biruta indica a atual direção do vento para que
o piloto possa definir o sentido de deco- lagem e pouso
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Com 25 anos no esporte, o instrutor André Luis Palomba, além
de dar aulas de voo, ensina segurança
e preservação do equipamento. Para o instrutor, o grau de di- ficuldade na aprendizagem varia de
pessoa para pessoa. “A maior barreira
é a coordenação motora”. Papa, que
também é instrutor, além de ter prazer em auxiliar novos adeptos ao esporte, dá aula para ajudar a sustentar o hobby e ri ao revelar que “assim a esposa não briga tanto”. Ele fala da importância do simulador, um programa de computador que cria várias coi- sas como vento, queda e parada de motor. “Os alunos que prati- cam o simulador costumam fa-
me o controle”, explica. Antigamen- te, o iniciante contava apenas com a indicação de que comando usar e uns toques nos ombros: direita, esquerda, cabra (subir) e pica (descer). Outros que encontram difi- culdade nos primeiros voos são os pilotos de aviões e helicópteros de
Praticar este esporte é fazer parte de um sólido grupo de ami- gos. Os clubes são pontos de encon- tros onde eles podem compartilhar a emoção de voar. É criado entre eles um elo de amizade tão sólido que
nos finais de ano é possível organizar confraternizações com todas as famí-
lias. Um fato curioso é que não é comum mulheres na pista, em todos seus 36 anos de voo, Papa só viu uma mulher voando he- licóptero e duas voando avião. “Não sei o porquê, mas na pista é praticamente 100% homens.
Tentei ensinar minhas filhas, mas elas não tiveram paciência”. “Voar com os pés no chão é uma sensação única e maravilho-
( “Não sei o porquê, mas na pista é pratica- mente 100% homens. Tentei ensinar minhas filhas, mas elas não tiveram paciência”
(
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Uma turnê na história
Com seis décadas de estrada, cantando e tocando moda caipira, as Irmãs Galvão contam o que fizeram para que se tornassem ícones do gênero no Brasil
Por Agraene Esteves
Maranhão/ Edição nº. IX
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Porta voz de uma geração,
a dupla caipira formada pelas Irmãs
Meire e Marilene Galvão, são tidas no mundo caipira, como as vozes do sé- culo. A dupla conhecida como Irmãs Galvão completa 66 anos de carreira em 2013 e ganha um acervo na cidade onde nasceram, um peque na cidade do interior de São Paulo, Sapezal. Morando na capital desde o início da carreira, em 1940, as irmãs disseram que nunca esqueceram a pequena cidade e sempre se sentiram cidadãs sapeenses, e ficaram muito honradas com a organização do acer- vo dedicado a elas. As artistas tiveram uma infân- cia humilde, mas sempre sonharam em um dia encantar o Brasil com a suas vozes. Aprenderam a tocar instru- mentos ainda crianças, Marilene gaita
e Meire viola. Meire conta que na época em que chegou à capital, não foi fácil
( “A fusão musical sempre vai existir como sempre existiu, a lambada com o arrocha o sertanejo e o axé, samba com outros estilos, é até necessário que exista para que os jovens conheçam melhor sua cultura”
(
começar a vida artística, porque elas ainda eram crianças, e crianças não faziam sucesso naquela época. Além do mais, elas eram mulheres, outro fato que dificultou o sucesso. Sem apoio em sua cidade, São Paulo se transformou na cidade dos sonhos das irmãs, que contaram com o incentivo dos pais. Para apoiar as filhas eles venderam tudo e par- tiram para a cidade grande, apenas com uma carta de Dr.Miguel Leuzi,
proprietário de uma emissora de rá- dio em Sapezal, as recomendou para a Rádio de Piratininga, as irmãs tive- ram suas primeiras apresentações como calouras. A oportunidade quais as ir- mãs tanto queriam finalmente che- gou quando elas participaram do concurso “Torre de Babel”, foi a partir deste show de calouros que a dupla de ganhou visibilidade nas rádios e mundo caipira e começaram de fato
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a vida artística. Meire e Marilene mesmo com toda experiências artística se emo- cionam diante de uma estante com inúmeros troféus que colecionam ao longo da carreira. As Galvão cantaram com duplas como Tonico e Tinoco, Del Monte e Deraí e Viera e Vierinha, entre outros inúmeros artistas da música caipira de raiz. Mesmo com décadas de su- cesso, a dupla fala que ainda tem que trabalhar muito para fazer um pro- duto bem feito, porque o povo quer qualidade. “Os artistas de hoje optam pelo barulho, pelos carros de sons e esquecem que as pessoas querem ou- vir canções boas e que tenham letras”, Meire.
As irmãs também disseram não se incomodarem com os novos ritmos, como o sertanejo e o serta- nejo universitário e ainda brinca. “É preciso que venham as novas duplas, porque a fila anda e nada pode ficar parado”, concorda as irmãs. Os novos estilos para elas nunca foi “bicho de sete cabeças”, elas falam que a qualidade sempre irá predominar e que a música de raiz estará sempre na cabeça do povo bra-
sileiro porque é original. “Fusão mu- sical sempre vai existir como sempre existiu. A lambada com o arrocha o sertanejo e o axé, samba com outros estilos, é até necessário que exista para que os jovens conheçam melhor
sua cultura”, comenta Marilene. A dupla reconhece que o tempo passou e que elas fizeram par- te de uma história que ficou na me- mória dos fãs que as seguiam. “Nós fomos uma época, e os jovens gos- tam de outras coisas, gosta de agito, mas o que é importante é que eles sempre vão aos nossos shows para conhecer a gente, e fala ‘ minha vó é fã do trabalho de vocês”, diz Meire. Em um cenário em que o a música caipira simplesmente está apagada,
as irmãs ainda fazem shows e dizem que é o trabalho, é que traz sorte e sucesso e que elas ainda estão co- lhendo os frutos que plantaram ao longo da carreira. A para completar dupla dis- se que a música caipira sempre será base dos subestilos que se desenca- dearam e que está dentro do coração do povo brasileiro. “Para levantar o público eles irão voltar lá na catira, porque é nossa cultura.”
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música
Beatlemania, 50 anos de um fenômeno
Primeiro álbum dos Beatles completa meio século e prova que a admiração pelos quatro rapazes de Liverpool resiste ao tempo
Por Paulo Henrique Vicente do Nascimento
M uitos são os rótulos, varia- das são as nomenclaturas,
diversas são as vertentes que com- põem o rock. Mas quando se fala das bases, do caminho para o rock se tornar mais que apenas um ritmo musical, um nome, um único nome, salta da mente e da ponta da língua:
The Beatles. A banda formada no iní- cio dos anos de 1960 na cidade de Li- verpool pavimentou o caminho para que o rock, ritmo musical importado da América, passasse a ser conheci- do e celebrado por todo o planeta. John Lennon era o líder de uma banda de colégio chamada The Quarrymen, tocava em festinhas pela cidade e em uma delas conhe- ceu Paul McCartney. Os gostos mu- sicais semelhantes os aproximaram e John, ao notar que Paul tinha o ta- lento e a atitude do rock, chamou-o para entrar em sua banda. Iniciava- -se a mais lendária dupla do rock. McCartney passou a tocar guitar- ra, logo trouxe ao grupo um novo guitarrista: George Harrisson. John torceu o nariz para o rapaz, mas Harrisson sabia mais acordes que ele e Paul juntos, então o aceitou. Ainda contavam com Stuart Sutcli- ffe no baixo e muitos bateristas, já que nenhum durava tanto. Ao lon- go dos anos, a banda experimentou muitos nomes até que com o genial trocadilho entre beat (batida em in- glês) e beetle (besouro em inglês) surgiu o nome definitivo, que logo se tornaria sinônimo de rock’n roll. No início contavam em sua formação com John, Paul e George nas guitar- ras, Stuart no baixo e o baterista do momento chamado Pete Best, que após uma turnê na Alemanha desli- gou-se da banda.
Sem Stuart o posto de baixista fi-
cara vago e Paul, que já era o melhor amigo de John, passou a tocar baixo. Eles ainda tocavam no Cavern Club, bar de jazz em Liverpool que aca- bou se tornando um tipo de templo dos roqueiros, quando chamaram
a atenção do empresário Brian Eps-
tein. Nas mãos dele os Beatles foram alçados ao estrelato. Foi então que saiu o visual bad boy e entraram os terninhos, grava- tas e cabelos lisos bem cortados, que logo se tornariam a marca da banda. ComEpstein os Beatles conseguiram
sua primeira audição bem sucedida na Parlophone, subsidiária da gra- vadora inglesa EMI, que teve como produtor ninguém menos que o pro-
dutor e compositor George Martin. Com sua veia artística apurada Mar- tin viu futuro naqueles rapazes, a banda tinha tudo: um nome criativo
e marcante, músicos talentosos, um
visual que agradava a muitos, só fal- tava um bom baterista. A solução foi
a entrada de Richard Starkey, mais
conhecido como Ringo Starr. Com-
pletava-se a fórmula do sucesso.
primeiro
compacto com as músicas “Love me do” e “P. S, I Love you”, que teve boa
Começou
com
um
aceitação local, mas não no resto do país. Em seguida veio “Please please
me”, primeiro lugar na Inglaterra que deu a garantia de um álbum que con- solidou o sucesso dos Beatles. Mas ainda faltava a América, até lançarem
o segundo álbum, With the Beatles.
Era o caminho para a Beatlemania.
O fenômeno e seus efeitos
As participações no programa
do apresentador Ed Sullivan fizeram
a América se render ao jeitão simpá-
tico e o bom humor dos quatro rapa zes de Liverpool. Também foi lança- do o filme “A Hard Day’s Night” (no
Brasil “Os reis do Iê-iê-iê”), que deu início ao consumismo em torno dos Beatles que logo tornou-se mundial. Mas ao mesmo tempo eles não perderam o foco, os álbuns Rubber Soul e Revolver, lançados entre 1965
e 1966, marco da carreira dos Beatles,
davam mostras da evolução e da re- volução que os Beatles desejavam causar na música e também no com- portamento de seus fãs. A polêmica declaração de John de que os Beatles seriam mais famosos que Jesus Cris- to indicava claramente que a banda
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Para alguns, no entanto, a influ- ência vai bem além do ouvir Beatles, que o digam aqueles perseguidos pelos conservadores da época por causa de seus cabelos cortados no estilo escovinha da banda.
Há até quem viva Beatles, como
a banda cover BeetlesOne, conside-
rada a melhor banda na última edi- ção do Beatle Week, festival tributo organizado em Liverpool. No Brasil ganha destaque o All You Need Is Love. Considerada o maior tributo aos quatro rapazes de Liverpool no mundo, é a única autorizada a co- mercializar as canções dos Beatles
no Brasil. A dedicação é tanta que do figurino impecável, à execução per- feita nenhum detalhe é esquecido, tanto que há várias semelhanças com
a banda original. Prova de que ainda
hoje Beatles mais que uma banda é um estilo de vida, trata-se de um es- tado de espírito.
estava a caminho da História, apesar de a crítica da época alardear uma queda. Em meio a tudo isso lança- ram aquele que é considerado por muitos o melhor álbum da história do rock, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. O experimentalismo e a psicodelia, marcas do som da banda naquele período, atingiram o auge e o álbum até hoje figura nas listas dos melhores de muitos órgãos da im- prensa musical. Porém, a morte do empresário
Brian Epstein já sinalizava o fim. Após
o lançamento do álbum homônimo,
criado depois de um retiro na Índia, Ringo Starr deixou a banda alegando tensão com os outros membros. Vol- tou pouco depois, quando Yoko Ono já se impunha na vida dos Beatles. Além de ser presença constante nos ensaios, ela começava a dar palpi- tes nas composições de John, o que causou ainda mais atritos. Os últimos suspiros da banda foram o álbum
“Abbey Road”, considerado uma
obra-prima e o lançamento do ante- riormente arquivado “Get Back” sob
o título “Let It Be”.
Paul McCartney anunciou sua saída em 10 de abril de 1970, mas um mês antes Lennon já havia dito que deixaria a banda. Os Beatles não existiam mais, porém já era um nome gravado na história do rock’n roll. Talvez por isso nem o mais ardo- roso fã de Beatles acreditou quando John disse em sua polêmica canção “God”: “O sonho acabou”. Todas as vertentes do rock so- freram de alguma forma, em maior ou menor grau, a influência dos quatro rapazes de Liverpool. A ban- da provocava a mesma histeria que hoje causam artistas como Justin Bieber e Beyouncé.
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política
Acesso à cultura se faz necessário
O Brasil caminha para igualdade social, o vale-cultura promete diminuir as barreiras entre o trabalhador de carteira-assinada e os bens culturais
Por Simone Nunes
A partir do segundo semestre deste ano, população brasilei-
ra poderá contar com uma nova lei
que beneficia o acesso de todos os trabalhadores com carteira assinada à cultura com a disponibilização de
um valor fixo de R$ 50 reais mensais.
O beneficio será acumulativo, o tra-
balhador poderá usar os valores re- manescentes no mês seguinte. Em 2008, o Instituto Brasilei- ro de Opinião e Estatística (Ibope), fez uma pesquisa sobre os indicado- res da grande maioria da população que não tem acesso o consumo dos produtos culturais: 87% da popu lação não frequenta cinemas, 92%
nunca foi a um museu.
Outro contraponto polêmico que rodeia este benefício é utilizar o valor no pagamento de TV a cabo, na opinião do motorista de ônibus Sebastião Morais, que estudou até a quarta serie do ensino fundamental, nunca foi a uma peça teatral, cinema ou conseguiu ler um livro. Hoje o se- nhor Tião como é conhecido, trabalha mais de 12 horas por dia seis dias por semana não tendo tempo para fins de eventos culturais. Após seis dias tra- balhados, o única veiculo cultural que ele consegue acessar é a TV a cabo que conseguiu assinar há seis meses. Já o dono da empresa Bem Estar Saúde, Adriano Vitor acredita que o vale cultura será desnecessário
para incentivar o socialismo de todos os trabalhadores de carteira assinada, afirma que “o vale cultura não será vá- lido, pois quem aprecia a cultura não depende de vale”. Para Tião, a afirmativa é outra, para ele que só tem acesso a cultura por meio da TV por assinatura “consi- go assistir filmes, primeira mão, e me- lhor, sem sair de casa”. Registrado há 10 anos, ele não tinha conhecimento que este benefí- cio, pode ser descontado até 10% do seu salário e os outros 90% ficariam aos encargos da empresa, que pode reduzir no Imposto de Renda devido. “Não é certo, o Governo quer fazer benefícios com o dinheiro das empresas. É como pagar uma refeição
para morador de rua com a esmola do mendi- go”. Afirma Adriano Vitor. Segundo a autora do projeto de lei, a
deputada federal, ( do partido do PCdoB, Manue-
la D’Ávila, “cerca de 17 milhões de bra- sileiros potencial- mente serão bene- ficiados pela nova lei”, que terá o uso restrito ao acesso exclusivo para bens culturais. Q u a n d o questionado sobre
a utilização do valor para assinar TV a cabo, a parlamentar afirma que “o ministério da cultura reavaliou a situação, e que o vale-cultura não poderá mais ser utilizado na assinatura de TV a cabo”.
“Não é certo, o Governo quer fazer benefícios com o dinheiro das empresas. É como pagar uma refeição para morador de rua com a esmola do mendigo”
(
O grande número de assinantes das
operadoras de televisão por assinatura fez com que, em meado dos anos 90, o grande número de cabos instalados nas ruas fosse usado para
oferecer outros tipos de serviço, como, in- ternet de banda larga, nascendo assim a in- ternet a cabo. Segundo a Agência Nacional de Te l e c o m u n i c a ç õ e s (Anatel), a televisão por assinatura no Bra- sil tinha, até o mês
de Agosto do ano de 2011, cerca de 11,6 milhões de clientes, sen- do que o Brasil, segundo estimativa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicada em julho de 2012, aponta que
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o Pais tem uma população de 194 milhões de habitantes.
O valor das TV por assinatura tem sido acessível para grande maioria da po-
pulação, o crescimento das assinaturas é devido ao maior acesso a todas as regiões, do centro
a periferias urbanas, sem distinção do acesso a
comunicação cultural. O setor era praticamente monopolizado pelas empresas NET que distri- buem praticamente os mesmos canais de tele- visões, hoje temos a Claro TV, Oi TV, Vivo TV e GVT.
O vale-cultura está previsto para entrar em vigor, no segundo semestre de 2013, a po- lêmica que rodeia é a forma de utilização deste beneficio, não considerando a TV, uma forma de disseminação cultural. A deputada Federal, Manuela D’Ávila afirma que o vale-cultura terá acesso a bens culturais como, “ teatro, cinema, DVDs, livros e show”, e ressalta que “o Brasil fortalecerá a cultura em to- dos os níveis”. Contrario ao pensamento da parlamen-
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tar, Tião afirma que “não tenho como usar este valor, por que não tenho tempo para cinema, teatro e descansar no mesmo dia. Tião não é único nesta situação, à carga horária de um trabalhar brasileiro segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, sua duração deverá ser de
até 8 horas diárias, e 44 horas semanais, 6 dias por semana. Este tempo é delimitado como o espaço de tempo durante o qual o empregado deverá prestar serviço ou permanecer à dispo- sição do empregador. Na visão de empresário, Adriano Vitor,
o vale cultura ira delimitar o empregado a uti-
lizar o valor do benefício em algo imposto, não delimitando a liberdade do mesmo. “O traba- lhador que quiser dá um jeitinho e vende o cré- dito no mercado negro” afirma Adriano. O projeto de lei, como todos os outros segue por varias avaliação até chegar a sanção
da Presidenta Dilma Rousseff, que ocorreu em
dezembro de 2012, o vale-cultura será prioritá- rio passaporte da população carente ao acesso
a bens culturais.
A Convergência no processo cultural
Em uma época em que os consumidores experimentam uma série de contatos com multiplataformas midiáticas, os meios de comunicação percebem oportunidades para disseminar a cultura
Por Vanessa Ferreira
A Comunicação Social passou por uma considerável mudança nos
últimos anos. Agora, a informação pode circular de forma intensa por diferentes canais midiáticos. Na atualidade, os conteúdos de novas e velhas mídias se tornam híbridos, reconfigurando a relação entre produtores e consumidores. Um exemplo, é o site “Catraca livre”. Apoiado por pesquisadores do Media Lab do MIT e de Harvard, o projeto possui uma das maiores pá-
ginas do Facebook do mundo, com
mais de um 1.000.700 fãs. Segundo
o Jornalista Gilberto Dimenstein,
coordenador do projeto, o sucesso
nunca foi esperado, pois surgiu com
a finalidade de ser uma experiência
de jornalismo cidadão e publicar te-
mas que fortalecessem a relação do paulistano com a cidade. “Criamos o Catraca para ser um laboratório de comunicação. Não imaginava essa
repercussão.”, ressaltou Dimenstein. Esse é só um exemplo, den-
tre milhares que vemos diariamente,
o que nos faz questionar se a nossa
cultura está mudando as tecnologias ou os avanços tecnológicos que es- tão moldando a nossa cultura. Henry Jenkins, coordenador do Programa de Estudos de Mídia Comparada do Massachusets Insti- tuct of Tecnology (MIT) e autor de diversos trabalhos que investigam a relação entre as mídias e a cultu- ra popular, responde essa e outras questões em seu livro “Cultura da Convergência” (2009), onde inves- tiga as importantes transformações culturais que ocorrem à medida que
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esses meios convergem. A cultura da convergência
é um fenômeno que está revolucio-
nando o modo de se encarar a produ- ção de conteúdo em todo o mundo. Todos os modelos de negócios a ela relacionados estão sendo revistos. Considerado o “papa da con-
vergência”, Jenkins, um entusiasta da cultura pop e o primeiro acadêmico
a fazer uma ponte saudável entre
quem pensa e quem faz cultura, em
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sua obra, traz um debate bastante atual e importante para o Brasil: o desafio de se criar experiências de envolvimento, participação e intera- ção entre conteúdos e fãs, marcas e consumidores. A cultura da convergência atualiza dois personagens, os produ- tores e os consumidores. Segundo o autor, antes da convergência os con- sumidores eram passivos, previsíveis, submissos, isolados, silenciosos e in-
visíveis, mas esse papel mudou: hoje eles são ativos, migratórios, leais, co- nectados socialmente, barulhentos e públicos. “Na cultura da convergên- cia em vez de falar sobre produtores e consumidores de mídia como ocu- pantes de papéis separados podem agora considerá-los como partici- pantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras, que ne- nhum de nós entende por completo, pois a convergência envolve uma
transformação tanto na forma de produzir quanto
na forma de consumir os meios de comunicação”.
Em pouco mais de 20 anos o mundo do jor- nalismo mudou. Os suportes para as ferramentas que produzem informação deram um salto. As no-
vas tecnologias a serviço do jornalismo são im-
prescindíveis. Com a con- vergência midiática a TV, o Rádio e o Jornal Impres-
so foram parar em apenas
um suporte: a internet.
E todas essas ferramen-
tas que utilizam uma ou mais mídias exigem novos procedimentos e narrati-
vas para conseguir elabo- rar e disseminar conteúdo. Isso traz novas oportuni- dades de negócios. Foi isso que Dimenstein, percebeu ao ide- alizar, junto com estudantes universitários, o site
“Catraca livre”. Criado em 2009, o projeto tem a fina- lidade de divulgar atividades socioeducativas, dicas culturais, bem-estar e serviços para que o cidadão
de São Paulo consiga usar a cidade melhor, sem gas-
tar um centavo.
O Catraca Livre foi escolhido, recentemen- te, como o melhor blog do mundo em português, em premiação promovida pela Deustche Welle, emissora de TV pública da Alemanha. Segundo Dimenstein, o site tem como dife-
rencial, o objetivo de ser um espaço socioeducativo
e função de engajamento social. “Trabalhamos com um olhar diferente em re- lação à comunicação. Ve- mos a cidade como grande incubadora de serviços, apesar de termos notícias de outros lugares além de São Paulo. E, além de tudo
isso, o Catraca passou a ser sinônimo de eventos gratuitos. Tornou-se comum ouvir alguém falar: ‘vamos, é um evento catraca livre’”, afirma. Apesar de ser um projeto de su- cesso, Dimentein, preocupa-se com sua continua- ção e o risco de acabar, devido à dependência de patrocínios. “O que nos ajuda muito é a audiência, alavancada pelas redes sociais e o nosso público, que em boa parte, são universitários e formadores
de opinião e isso interessa os patrocinadores”.
( “Nós não queremos que a pessoa fique online, nós queremos que ela use o online para sair e descobrir a cidade”
(
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editorial
A cidade de São Paulo é co- nhecida como “A capital da cultura”, mas existem muitos paulistanos, principalmente jovens, que não co- nhecem ou não se interessam em fazer passeios culturais. Embora o público do site seja, jovem é possível perceber que ainda existe falta de in- teresse desse público em conhecer a cidade fora do âmbito digital. “Nós não queremos que a pessoa fique online, nós queremos que ela use online para sair e descobrir a cidade. O Catraca é uma ferramenta digital que te ajuda a usar melhor a cidade.”, explica o Jornalista.pode educar.
Com apenas quatro anos no ar, o “Catraca livre”, se tornou exem- plo de como usar a rede de forma efi- caz e tornou-se referência em site de serviços e isso se deve a consciência de que a cidade também Museus, es- colas, universidades, praças, parques, bibliotecas, cinemas, teatros, salas de concertos. Aprende-se em qualquer lugar e a qualquer hora. “O espaço público não ameaça, congrega. Não violenta, ensina. Não afasta, aproxi- ma. Não produz muros, produz jar- dins.”, completa Dimenstein.
DADOS:
O número de inter-
nautas no Brasil vem aumentando ano após ano. De 2008 a 2012, o
crescimento foi de qua-
|
se 70%. |
|
|
No |
final do ano passa- |
|
do, |
O Brasil ultrapassou |
a marca de 96 milhões
de pessoas conectadas,
o que fez com que o
país se tornasse o quin-
to mais conectado do
mundo. A expansão
da banda larga no país, aliada ao aumento no número de vendas de computadores, ajuda- ram a impulsionar o número de internautas.
De setembro de 2011
a setembro de 2012, o
acesso à internet em domicílios brasileiros
cresceu 11%. No final
de 2011, mais de 38%
dos domicílios já pos- suiam acesso à rede.
Fonte: Socialbakers- Social Media
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