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VIEIRA, Alberto (2005),

Açúcar, Melaço, álcool e aguardente.


Notas e Experiências de João Higino
Ferraz(1884-1946),

COMO REFERENCIAR ESTE TEXTO:

VIEIRA, Alberto (2005), Açúcar, Melaço, álcool e aguardente. Notas e Experiências de João Higino
Ferraz(1884-1946), Funchal, CEHA-Biblioteca Digital, disponível em: http://www.madeira-
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Açúcar, Melaço,
Álcool e Aguardente
Notas e Experiências
de João Higino Ferraz (1884-1946)

Go v e r n o R eg io n al d a M a d eira
Açúcar, Melaço,
Álcool e Aguardente
Notas e Experiências
de João Higino Ferraz (1884-1946)

COORDENAÇÃO, PREFÁCIO E NOTAS


ALBERTO VIEIRA

LEITURA, TRANSCRIÇÃO E NOTAS


FILIPE DOS SANTOS

Go v e r n o R eg io n al d a M a d eira
TÍTULO Açúcar, Melaço, Álcool e Aguardente. Notas e Experiências de João Higino Ferraz (1884-1946)

COLECÇÃO DOCUMENTOS Nº. 11

1ª EDIÇÃO Dezembro de 2005

AUTOR ©ALBERTO VIEIRA


FILIPE dos SANTOS

EDIÇÃO CENTRO DE ESTUDOS DE HISTÓRIA DO ATLÂNTICO


RUA DOS FERREIROS, 165, 9004-520 FUNCHAL
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TIRAGEM 2000 exemplares

IMPRESSÃO

DEPÓSITO LEGAL

ISBN 972-8263-50-3

6
ÍNDICE

INTRODUÇÃO........................................................................................................................................................................9
AS NOTAS DE JOÃO HIGINO FERRAZ E A HISTÓRIA DO AÇÚCAR ...................................................................13
A DOCUMENTAÇÃO ..........................................................................................................................................................15
NORMAS DE TRANSCRIÇÃO ..........................................................................................................................................16

LIVROS DE NOTAS
– Livro do armazem de conhecimentos uteis do assucar e melaços – cereaes –
e Explicações sobre a Maltagem .............................................................................................................................................23
– Livro de notas sobre fabricação d’assucar e alcool, e tabellas de calculos de João Higino Ferraz ........................................51
– [Livro de Notas 1904-1905, açúcar e álcool] ........................................................................................................................161
– 3.º Livro de notas de Fabricação de 1910..............................................................................................................................193
– Livro da Quinta do Seiceiro – S.to da Serra e Cidreria 1913 a 1914 .....................................................................................235
– Livro de Notas de fabricação assucar de 1915 N.º 2 .............................................................................................................239
– Livro de Notas 1915-1916 Assucar, alcool e diversos Nº 2 – 1 de 1916 ..............................................................................263
– Livro de Notas 1917 Assucar, alcool e diversos Nº 1 Composição dosphosphatos e do aluminato baryta..........................315
– Livro de Notas 1918-1919 Sobre vinhos e xaropes d’uvas Nº 1...........................................................................................327
– Livro de Notas 1919 Assucar, alcool e diversos Nº 1............................................................................................................331
– Livro de Notas 1919 Sobre assucar alcool e diversos Nº 2 ...................................................................................................367
– Livro de notas 1920-1921 assucar, alcool e diversos Nº 3 Especialmente sobre a saccharificação
do milho – cubas fechadas e fermentação Laboração de 1921 ............................................................................................395
– Livro de Notas Vinharia Nº 2 1922 .......................................................................................................................................433
– [Livro de Notas 1922-1923, açúcar, vinho e álcool] .............................................................................................................437
– Livro de Notas Vinharia e outros 1923 N.º 2.........................................................................................................................447
– Livro de Notas assucar vinhos e diversos N.º 5 1923 ...........................................................................................................487
– Livro de despezas na construção da Vinharia fabrico. 1923-1924 ........................................................................................505
– Livro de Notas 1924 assucar, alcool e diversos Nº 1.............................................................................................................509
– Livro de Notas 1924 Fabricação etc. Nº 2 .............................................................................................................................537
– Livro de Notas Vinharia 1924 Nº 3........................................................................................................................................567
– AGENDA PORTUGUESA 1928...........................................................................................................................................583
– AGENDA PORTUGUESA 1929...........................................................................................................................................681
– Livro de Notas Nº 3 – 1931-1932 Vinhos e outros Vinho-Maltine e cidrovinho-maltine.....................................................779
– AGENDA GABINETE 1932 .................................................................................................................................................783
– Livro de Notas Nº 2 1937 assucar, alcool e diversos Laboração de 1937 Vinhos no fim do livro........................................789

DOCUMENTAÇÃO AVULSA DE JOÃO HIGINO FERRAZ.......................................................................................831


DOCUMENTAÇÃO AVULSA DE OUTROS AUTORES...............................................................................................845
ÍNDICE ANALÍTICO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS .....................................................................................853

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8
INTRODUÇÃO

Noutro volume publicou-se a correspondência de João Higino Ferraz, que compreende o período de 1898 a 1937, aqui
daremos conta dos diversos livros de notas que conseguimos reunir sobre a actividade relacionada com o açúcar, melaço, álcool
e aguardente, reservando os idênticos sobre o vinho para um terceiro volume. Enquanto as cartas revelaram a dimensão externa
e interna do relacionamento de João Higino Ferraz com o seu entorno, já os apontamentos e cadernos de notas assumem um
carácter mais privado e tinham apenas como objectivo auxiliá-lo no labor de director técnico do engenho do Hinton.
Os apontamentos e notas que ora se publicam são um dado precioso para entender, primeiro a História do engenho, e depois
da evolução da tecnologia e química relacionadas com o açúcar, num período crucial como este de finais do século XIX e
princípios do século XX. Os documentos, que abarcam os anos de 1884 a 1946, não abarcam todo o âmbito de intervenção de
João Higino Ferraz no Hinton mas são suficientemente elucidativos sobre a realidade da indústria açucareira.
Nos últimos anos a aposta na História do Açúcar tem revelado espólios documentais de excepcional valor, mas ainda não
vimos um igual ao que tivemos a felicidade de encontrar. Aqui, quase de forma diária documenta-se o dia à dia do engenho nas
suas componentes técnica e química, dando-se soluções, a propósito, que depois acabarão por ser usadas localmente e adoptadas
como solução para outras situações semelhantes na Europa, África, América e Austrália.

A Europa sempre se prontificou a apelidar as ilhas de acordo com a oferta de produtos ao seu mercado. Deste modo,
sucedem-se as designações de ilhas do pastel, do açúcar e do vinho. O açúcar ficou como epíteto da Madeira e de algumas das
ilhas Canárias, onde a cultura foi a varinha de condão que transformou a economia e vivência das populações. Também do outro
lado do oceano elas se identificam com o açúcar, uma vez que serviram de ponte à passagem do Mediterrâneo para o Atlântico.
Daqui resulta a relevância que assume o estudo do caso particular das ilhas, quando se pretende fazer a reconstituição da rota
do açúcar. A Madeira é o ponto de partida, por dois tipos de razões. Primeiro, porque foi pioneira na exploração da cultura e,
depois, porque jogou papel fundamental na expansão ao espaço exterior próximo ou longínquo, incluídas as Canárias.
A rota do açúcar, na transmigração do Mediterrâneo para o Atlântico, tem na Madeira a principal escala. Foi na ilha que a
planta se adaptou ao novo ecossistema e deu mostras da elevada qualidade e rendibilidade. Deste modo, a quem quer que seja
que se abalance a uma descoberta dos canaviais e do açúcar, na mais vetusta origem no século XV, tem obrigatoriamente que
passar pela ilha. Foi aqui que se definiram os primeiros contornos da realidade, que teve plena afirmação nas Antilhas e Brasil.
A cana-de-açúcar iniciou a diáspora atlântica na Madeira. Aqui surgiram os primeiros contornos sociais (a escravatura),
técnicos (engenho de água) e político-económicos (trilogia rural) que materializaram a civilização do açúcar. Por tudo isto
torna-se imprescindível uma análise da situação madeirense, caso estejamos interessados em definir, exaustivamente, a
civilização do açúcar no mundo atlântico.
A história do açúcar na Madeira confunde-se com a conjuntura de expansão europeia e dos momentos de fulgor do
arquipélago. A presença é multissecular e deixou rastros evidentes na sociedade madeirense. Dos séculos XV e XVI ficaram os

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imponentes monumentos, pintura e a ourivesaria que os embelezou e que hoje jaz quase toda no Museu de Arte Sacra. Do século
XIX e do primeiro quartel do século XX perduram ainda a maioria dos engenhos da nova vaga de cultura dos canaviais. A cana
diversificou-se no uso industrial, sendo geradora do álcool, aguardente e, raras vezes, do açúcar.
O açúcar é de todos os produtos que acompanharam a expansão europeia aquele que moldou, com maior relevo, a
mundividência quotidiana das novas sociedades e economias que, em muitos casos, se afirmaram como resultado dele. A cana
sacarina, pelas especificidades de cultivo, especialização e morosidade do processo de transformação da garapa em açúcar,
implicou uma vivência particular, assente num específico complexo sócio-cultural de vida e convivência humana.
A cana-de-açúcar é entre todas as plantas domesticadas pelo Homem a que mais implicações teve na História da
Humanidade. Até hoje são evidentes as transformações operadas na agricultura, técnica, química e siderurgia, por força da
cultura da cana sacarina, beterraba e da produção de açúcar, mel, aguardente, álcool e rum1. A chegada ao Atlântico, no século
XV, provocou o maior fenómeno migratório, que foi a escravatura de milhões de africanos, e teve repercussões evidentes na
cultura literária, musical e lúdica. Foi no Atlântico que a cultura atingiu a plena afirmação económica, assumindo uma posição
dominante no sistema de trocas. Fernand Braudel define de modo claro a forma de intervenção do açúcar no capitalismo:
“Devastadora do antigo equilíbrio, a cana é tanto mais perigosa quanto é apoiada por um capitalismo poderoso, que, no século
XVI, provem tanto de Itália, como de Lisboa ou de Antuérpia, e ao qual ninguém consegue resistir“2. A isto Vitorino Magalhães
Godinho acrescenta que “a génese do mundo atlântico está pois, em grande parte, ligada àquilo a que Fernand Braudel chama
muito apropriadamente dinâmica do açúcar.” 3

De verdade a cana sacarina começou por ser uma cultura do mundo insular, e em toda a expansão nos diversos espaços as
ilhas foram importantes áreas de aclimatação, mas foi nos continentes que a cultura terá adquirido maior dimensão e pujança.
De uma forma clara podemos afirmar que as grandes inovações relacionadas com a cultura e tecnologia do açúcar aconteceram
nas ilhas. A primitiva muda de cana é originária das ilhas, pois foi na ilha Papua da Nova Guiné que o homem iniciou o processo
de domesticação, mas hoje a cultura é conhecida mais pelos espaços continentais do que pelo mundo insular. Acresce ainda que
no processo de transmigração para Ocidente as ilhas mediterrânicas, de Chipre e Sicília, foram destacados entrepostos de
alargamento da cultura ao mundo ocidental e que, segundo a tradição, terá sido a partir da Sicília que as primeiras mudas de
cana chegaram à Madeira. Depois foi a expansão no Atlântico com as ilhas a serviram de novo como anteparo. Da Madeira
passou aos Açores, Canárias, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe e, depois destas às ilhas do Caribe e à ilha de S. Vicente, na
actual Baía de Santos, para depois dar o salto até ao vasto espaço continental brasileiro. Não fica por aqui o protagonismo das
ilhas, pois para além da dimensão divulgadora da cultura aos insulares foi atribuída a tarefa de inventar novas formas de
transformação do produto adequadas à dimensão da área cultivada.
O açúcar é, entre todos os produtos que no Ocidente se atribuiu valor comercial, o que foi alvo de maiores inovações no seu
fabrico. No caso do fabrico do vinho a tecnologia pouco ou nada mudou desde o tempo dos Romanos. Várias condicionantes
favoreceram a necessidade de permanente actualização, situação que se tornou mais clara no século XVIII com a concorrência
da beterraba. Mesmo assim ainda hoje persiste em alguns recantos do Mundo, na China, Índia ou Brasil, onde a tecnologia da
revolução industrial ainda não entrou.
O fabrico do açúcar está limitado pela situação e ciclo vegetativo da planta. A cana sacarina tem um período útil de vida em
que a percentagem de sacarose era mais elevada. A cana estava pronta para ser colhida e a partir daqui um dia que passasse era
uma perda para o produto. Acresce que a cana depois de cortada tem pouco mais de 48 horas para ser moída e cozida, pois caso
contrário começa a perder sacarose e inicia o processo de fermentação. Daqui resulta a necessidade de acelerar o processo de
fabrico do açúcar através de constantes inovações tecnológicas que cobrem o processo de corte, esmagamento e cozedura. A
isto junta-se o aumento da mão-de-obra, que se faz à custa de escravos africanos. A cana-de-açúcar não está na origem da
escravidão africana mas sim no processo de afirmação da mão de obra escrava, que acontece a partir da Madeira. Enquanto a
cultura se fazia em pequenas parcelas a maior parte das questões não se colocavam, mas quando se avançou para uma produção

1 Existe um conjunto variado de textos que valoriza o papel da cana como motor do progresso em vários sectores: Luiz del Castilho, A Fabricação do
Assucar de Canna. Notas e formulas…, Rio de Janeiro, 1893, p.5; P. Horsin-Déon, Le Sucre et L’Industrie sucrière, Paris, 1894, p.5; D. Sidersky, Manuel
du Chimiste de Sucrerie, Paris, 1909; IDEM, Aide-Mémoire de Sucrerie, Paris, 1936, pp.3; F. A. Lopez Ferrer, Fabricación de Azúcar de Caña Mieles
y Siropes Invertidos com su Control Técnico-Quimico, Habana, 1948, p.V; IDEM, Maquinaria y aparatos en los Ingenios de Azucar de Caña, La
Habana, 1949; A. C. Barnes, Agriculture of the Sugar-Cane, Londres, 1954, p. IX; Andrew Van Hook, Sugar its Production, Technology and uses, N.
York, 1969, p. III.
2 O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico, Lisboa, 1983 [1ª edição em 1966], p. 178.
3 Mito e Mercadoria Utopia e Prática de Navegar. Séculos XIII-XVIII, Lisboa, 1990, p. 478.

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em larga escala houve necessidade de encontrar soluções capazes de debelar a situação. A viragem aconteceu a partir de meados
do século XV na Madeira e deverá ter implicado mudanças radicais na tecnologia usada e na afirmação da escravatura dos
indígenas das Canárias e dos negros da Costa da Guiné. É por isso que se assinala a partir da Madeira importantes inovações
tecnológicas no sistema de moenda da cana com a generalização do sistema de cilindros.
A história tecnológica evidencia que a expansão europeia condicionou a divulgação de técnicas e permitiu a invenção de
novas que contribuíram para revolucionar a economia mundial. Os homens que circularam no espaço atlântico foram portadores
de uma cultura tecnológica que divulgaram nos quatro cantos e adaptaram às condições dos espaços de povoamento agrícola.
Aos madeirenses foi atribuída uma missão especial nos primórdios do processo.
Na Madeira, um dos aspectos mais evidentes, da revolução tecnológica iniciada no século XV prende-se com a capacidade
do europeu em adaptar as técnicas de transformação conhecidas a circunstâncias e às exigências de culturas e produtos tão
exigentes como a cana e o açúcar. O tributo foi evidente. Ao vinho foi-se buscar a prensa, ao azeite e aos cereais a mó de pedra.
Por outro lado estamos perante uma permuta constante de processos tecnológicos e formas de aproveitamento das diversas
fontes de energia. A tracção animal, a força motriz do vento e da água foram usadas em simultâneo com os cereais e cana
sacarina.
As mudanças ocorridas a partir de finais do século XVIII, com a plena afirmação da máquina a vapor, conduziram a uma
transformação radical do complexo açucareiro que assume a dimensão espacial de uma fábrica, onde todas as operações se
executam em série apenas numa planta. A revolução industrial legou-nos a fábrica, fez aparecer o laboratório, uma peça chave
no fabrico do açúcar, e obrigou a uma especialização dos técnicos envolvidos. O mestre de engenho dá lugar ao engenheiro
químico. Paulatinamente o processo de transformação da cana sacarina em açúcar retirou espaço à presença de mão-de-obra
escrava, fazendo-a substituir por emigrantes europeus, indianos e chineses.
Até ao advento do açúcar de beterraba em princípios do século XIX a tecnologia de moenda e fabrico do açúcar não sofreu
muitas modificações. Ao nível da moagem da cana houve necessidade de compatibilizar as estruturas com a expansão da área
e o volume de cana moída, avançando-se assim dos ancestrais sistemas para a adaptação dos cilindros. Entre os séculos XV e
XVII as inovações mais significativas ocorrem aqui. Os cilindros passam a dominar todos os sistemas, de tracção animal,
humana, vento e água, destronando o pilão, o almofariz e a mó. Do simples mecanismo de cilindros duplos horizontais, evolui-
se para os verticais, que no século XVII passam a ser de três, o que permite uma maior capacidade de moenda e aproveitamento
do suco da cana. Com os dois cilindros poder-se-á aproveitar apenas 20% do suco da cana, enquanto com três até 35%. As
técnicas experimentadas na moenda vão no sentido de um maior aproveitamento do suco disponível no bagaço da cana. A
situação de Cuba na década de setenta do século XIX pode ser elucidativa da realidade4.
Uma maior capacidade na moenda implica maior disponibilidade de garapa a ser processada para se poder dispor do melado
ou do açúcar. Uma situação empurra a outra conduzindo a soluções cada vez mais avançadas. As dificuldades com a obtenção
de lenhas ou os elevados custos do transporte até ao local do engenho conduzem a soluções que paulatinamente vão sendo
adoptadas por todos. Primeiro reaproveita-se o bagaço da cana e depois através de um mecanismo de fornalha única consegue-
se alimentar as cinco caldeiras de cozimento. O sistema ficou conhecido por trem jamaicano, por, segundo alguns, terá tido aí
origem, mas na verdade temos informação do seu uso, não tão apurado, na Madeira e Canárias, no século XVI. Em 1530 Giulio
Landi descreve o sistema de fabrico de açúcar com cinco caldeiras agrupadas.
Jamaica esteve na frente das inovações da tecnologia açucareira a partir da segunda metade do século XVIII. São os ingleses
que dão o passo definitivo para a mudança radical através da introdução da máquina a vapor. O primeiro engenho horizontal de
tipo moderno foi desenhado em 1754 por John Smeaton na Jamaica, recebendo a partir de 1770 o impulso da máquina a vapor.
A nova tecnologia, que se aperfeiçoou com o andar dos tempos, poderá acoplar até 18 cilindros em sistema de tambor, tornando
mais rápida e útil a moenda. Com cinco cilindros o aproveitamento do suco pode ir até 90%, enquanto que com os tambores de
18 cilindros quase se atinge a exaustão com 98%. Por outro lado nos engenhos tradicionais a média de moenda por 24 horas
não ultrapassava as 125 toneladas, enquanto que com o novo sistema a vapor começa por atingir mais de três mil toneladas de
cana.
Outro factor significativo da safra prendia-se com a velocidade a que o processo da moenda da cana deveria ocorrer, mais
uma vez no sentido de se retirar o maior rendimento da cana através da sacarose. A cana tem um momento ideal para ser moída
e depois de cortada os prazos para a moenda são curtos, caso queira evitar-se a fermentação, que é sinónimo de perda de
sacarose5. Nos avanços tecnológicos tem-se em conta esta corrida contra o tempo, criando-se mecanismos capazes de moer cana

4 João José Carneiro da Silva, Estudos Agrícolas, Rio de Janeiro, 1872, p. 94.
5 Cf. J. de Laguarrique de Survilliers, Manuel de Sucrerie de Cannes, Paris, 1932, pp. 29.

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como maior rapidez6.
Segue-se o processo de fabrico do açúcar que se distribui por quatro momentos: purificação da garapa, evaporação da água
e, finalmente, a clarificação e cristalização. Até aos inícios do século XIX o processo poderia durar de 50 a 60 dias, mas as
aportações tecnológicas conduziram a que o mesmo se passasse a fazer em apenas um mês em 1830 e apenas 16 horas em 1860,
através do novo sistema de centrifugação. As primeiras mudanças ocorrem ao nível do processo de clarificação. Em 1805
Guillon, refinador do açúcar em New Orleans preconiza o uso do carvão para purgar, em 1812 Edward Charles Howard constrói
a primeira caldeira de vacuum, conhecida como “howard saccharine evaporator”, que veio revolucionar o sistema de fabrico
do açúcar. Três anos depois surge em Inglaterra o sistema de filtros de Taylor. O evaporador de múltiplo efeito foi inventado
em 1830 por Norbert Rillius [1806-1894] de New Orleans, sendo usada nos primeiros engenhos desde 1834. Deste modo torna-
se mais fácil a retirada de cerca de 85% de água que existe no suco da cana e um maior aproveitamento do açúcar. As novidades
na clarificação e cristalização ocorrem num segundo momento. Assim, em 1844 o alemão Schottler aplicou pela primeira vez
a força centrífuga na separação do melaço do açúcar branco, mas foi Soyrig quem construiu em 1849 a primeira máquina de
centrifugação, que abriu o caminho para o fabrico do primeiro açúcar granulado, em 1859. Este sistema vinha sendo utilizado
desde 1843 na indústria têxtil. Os equipamentos contribuíram para acelerar o processo de purga do açúcar permitindo que se
passasse do moroso processo de quase dois meses para apenas 16 horas e hoje em apenas alguns segundos.
A segunda metade do século XIX foi o momento da aposta definitiva na engenharia açucareira, contribuindo para
importantes inovações. O mercado ocidental foi inundado de açúcar de cana e beterraba. O desenvolvimento da indústria de
construção de equipamentos para o fabrico de açúcar, seja de cana ou de beterraba, aconteceu em países onde esta assumia uma
posição significativa na economia. Deste modo a França e a Inglaterra assumiram a posição pioneira no desenvolvimento da
tecnologia açúcareira. À sua posição no início da indústria do açúcar de beterraba temos a colonial. Os Franceses detinham
importantes colónias açucareiras nas Antilhas, enquanto os Alemães apostavam forte em Java. Os ingleses surgem por força das
colonias nas Antilhas e Índia e os Estados Unidos da América com New Orleans e, depois o Havai. Cuba foi um dos espaços
açucareiros onde mais se inovou em termos tecnológicos. As primeiras décadas do século XIX foram de plena afirmação da
ilha, que se transformou em modelo para a indústria açucareira.
Em França tudo começou com o químico Charles Derosne [1779-1846] que montou em 1812 uma fábrica de construção de
aparelhos de destilação continua. Nesta empresa passou a trabalhar em 1824 J. F. Cail na qualidade de operário de carvão, que
em 4 de Março de 1836 passa à condição de associado. A sociedade Derosne et Cail manteve-se até 1850, altura em que passou
a chamar-se J. F. Cail et Cie, que em 1861 passou a cooperar com a nova Cie Fives-Lille, especializada no fabrico de
equipamentos para fábricas de açúcar e caminhos-de-ferro. Os equipamentos, saídos da empresa Cail, chegaram às colónias
holandesas, espanholas, inglesas e francesas, México, Rússia, Áustria, Holanda, Bélgica e Egipto. À indústria francesa
juntaram-se outros complexos industriais na Europa: Inglaterra (Glasgow, Birmingham, Nottingham, London, Manchester,
Derby), Holanda (Breda, Roterdão, Schiedam, Utrecht, Delft, Hengelo, Amsterdam), Estados Unidos da América (Oil City,
Ohio, Denver, New Jersey), Alemanha (Magdeburgo, Zweibruecken, Halle, Dusseldorf, Sangerhausen, Ratingen, Halle),
Bélgica (Bruxelas, Tirlemont).
A Inglaterra foi desde meados do século XVII um dos mais importantes centros de refinação de açúcar na Europa. As
refinarias proliferam nas cidades de Bristol, Essex, Greenock, Lancaster, Liverpool e Southampton7. Isto justifica o
desenvolvimento tecnológico. Aqui, merece destaque a iniciativa de Mirless Watson. A abertura às inovações tecnológicas,
como forma de tornar concorrencial o produto, acarreta algumas consequências para a indústria ao nível nacional. Os
investimentos são vultuosos e, por isso mesmo só se tornam possíveis mediante incentivos do Estado. A inovação e recuperação
da capacidade concorrencial só se tornaram possíveis à custa da concentração. Tanto em Cuba como no Brasil a década de
oitenta foi marcada pelos grandes engenhos centrais.

6 Cf. Nilo Cairo, O Livro da Canna de Assucar, Curitiba, 1924, pp. 85-86, 109; A. Bernard, “A Evolução das Moendas de Canas”, in Brasil Açucareiro,
XXXVIII, 2, 1951, pp. 73, 76.
7 John M. Hutcheson, Notes on the Sugar Industry of the United Kingdon, Greenock, 1901; Frank Lewis, Essex and sugar, 1976.

12
AS NOTAS DE JOÃO HIGINO FERRAZ E A HISTÓRIA DO AÇÚCAR

Os diversos livros de notas contemplam um período amplo e significativo da História do Açúcar no Ocidente, sendo a
concorrência entre a beterraba e cana sacarina o factor principal dos avanços evidentes na técnica e química laboratorial. Em
muitos situações relatadas estamos perante os principais problemas com que se debatia a indústria açucareira na época, como
poderemos ver adiante.
No conjunto de documentos destacam-se os relatórios anuais8 do punho do próprio João Higino Ferraz, que serviam tanto
de memória do funcionamento da empresa, como resultado e reflexão das inovações entretanto postas em marcha.
Assiduamente refere-se ao processo de fabrico do açúcar no engenho do Hinton e às mudanças que foram sendo estabelecidas9.
É de notar o especial destaque atribuído ao sistema definido nesta fábrica, numa junção das inovações de Naudet e do próprio
João Higino Ferraz, que ficou conhecido como o sistema Hinton-Naudet10. A tudo isto acrescem pormenores sobre experiências
ou soluções ao nível da mecânica e da química11. Ainda podemos assinalar o facto de o mesmo estar ao corrente sobre as
informações concernentes aos avanços na tecnologia e química, através da assinatura de revistas e compra de livros,
maioritariamente de língua francesa. As notas espelham a preocupação de alargamento e actualização de conhecimentos. A
seguir se enumeram algumas publicações referenciadas nos livros de notas aqui transcritos.

PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS REFERENCIADAS

441 A.B.C. de Sampaio12


299 Bolletin13 Tomo XXX pag 894
55 Bulletin – de Nº 3 setembro 1903
149 Bulletin – Tomo XXIV (1906-1907) paginas 1660
297 Bulletin 1903 pg 749 e tomo XXI – p.59
298 Bulletin Association des Chimistes Tomo XXI pg 59
126 Bulletin Association des Chimistes Nº 6 de Dezembro de 1906 pag. 803
290 Bulletin Association do Cimiste[sic] Julho e Agosto 1914
149 Bulletin da Associação dos Chimicos – Tomo XXV (1907-1908) paginas 733
149 Bulletin da Association des Chimichs Tomo XIX (1902) pag. 1316.
785 Bulletin de Association des Chimistes de março 1931 pag. 108, e de Dezembro 1929 pag. 540.

8 Para os anos de 1903, 1905, 1906, 1907, 1908.


9 Sucede assim: [Livro de Notas 1904-1905, açúcar e álcool], Livro de Notas 1917 Assucar, alcool e diversos Nº 1 Composição dos phosphatos e do
aluminato baryta, Livro de Notas 1919 Sobre assucar alcool e diversos Nº 2.
10 Cf.. [Livro de Notas 1904-1905, açúcar e álcool], 3.º Livro de notas de Fabricação de 1910.
11 Cf. 3.º Livro de notas de Fabricação de 1910, [Livro de Notas 1922-1923, açúcar, vinho e álcool].
12 MELO, Manuel Jacinto de Sampaio e, 1774, Novo methodo de fazer o açucar ou reforma geral economica dos engenhos do Brazil, em utilidade
particular e publica: offerecido a sua magestade... D. João VI, Bahia: Na Typog. de Manoel Antonio da Silva Serva, 1816.
13 Era editado pela Association des Chimistes de Sucrerie de Distillerie et des Industries Agricoles de France et des Colonies e tinha o título de Bulletin de
l’Association des Chimistes de Sucrerie, de Distillerie et des Industries Agricoles de France et des Colonies. O primeiro volume foi publicado em 1883.

13
317 Bulletin de l’Association des Chimistes Nº 10 a 12 – 1915 – 1916 – Pag. 227. Etudes sur la sucrerie de Cannes Por.
Charles Fribourg. Vêr o Bulletin notas completas
56 Bulletin de l’Association des Chimistes Nº 3 setembro 1903 paginas 253
81 bulletin Nº 4 outubro 1900 pag. 200
275 Bulletin XXI – pag 59 sobre aluminato de baryta
546 Bulletin Association des Chimistes Nº 9 – 1923-1924
96 Do livro de Castilho14 (Brazilleiro)
309 Estudo de Maurus Deutsch15 18-2-903
555 Guide pratique de l’Experte Chimiste16 Pg. 283
444 Jornal dés Fabricant de Sucre Nº 52
837 Jornal des fabricantes de Sucre De 10 de março 1928
144 Jornal des Fabricants de Sucre de 4 de Novembro 1908 Nº 45
516 Journal des Fabricant de Sucre 12 Janeiro 1924 – Nº 2
120 Jurnal des Fabricants de Sucre de 23 de stembro[sic] 1908
102 livro Brazilleiro de Luiz de Castilho
355 Livro d’Effront17 (Les Catalyseurs Biochimiques) pg 734
766 livro de Fribourg18 (analyses chimiques) pg. 238
343 livro de Gimel19
504 livro de Siderky20
751 livro de Vasseux21, Fabrication de l’alcool pg. 452
101 M. D. Sidersky – Bulletin de outubro 1905 Nº4
140 No Bulletin da Associação dos Chimicos – Tomo XXV – 1097[sic]-1908 – pag 221, tem a explicação do processo feito
por Monsieur L. Levy e 1908-1909 – Tomo XXVI pg 69
89 Bulletin de Dezembro 1909
380 Por Monsieur Vasseux Bulletin Association des Chimistes Nº 10 a 12 – 1917-1918
101 Sucrerie Indigene22 Nº 19 – 7 Novembro 1905
96 Sucrerie Indigene Nº 9 – 29 agosto 1905
95 Sucrerie Indigéne et colonial nº 17 – outubro 24 – 1905, 95
72 tabua de calculo de l’Inversão optica de Monsieur Buisson. Extrait – do Bulletin da Associação dos chimicos
693 The International Sugar Journal23 de abril 1929
83 tratado de E. Legier24 de fabricação do alcool tomo 2º pag. 410 e seguintes.
266 tratado de fabricação d’alcool de Bucheler e Légier Tomo I folhas 335
298 tratado de fabricação de assucar de beterraba e de canna de M. Grobert – 1º Volume pag. 420).
36 tratado de Saccharificação do malt ou Caldeação do malt para o fabrico da cerveja
297 tratado Fabricação assucar beterraba e canna de Crobert 1º volume
80 tratado sobre alcool de Legier Tomo I pag. 696.

14 CASTILHO, Luis Alves de, ?-1898. A fabricação do assucar de canna: notas e formulas para uso dos fabricantes de assucar, refinadores e distilladores,
precedidas de uma ligeira noticia sobre experiencias culturaes na Luizianna, Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1893.
15 O que conhecemos é a tradução de um texto: Stift, Antonin: Les Maladies de la betterave, par A. Stift,... : Paris : M. Deutsch, 1900. Traduction et
édition française par Maurus Deutsch.
16 Pellerin, Georges (pharmacien-major), Guide pratique de l’expert-chimiste en denrées alimentaires, Préface de E. Jacquemin,... Malzéville (Meurthe-
et-Moselle) : Institut de recherches scientifiques et industrielles, 1906.
17 Effront, Jean, 1850-1931. Les catalyseurs biochimiques dans la vie et dans l’industrie,... Ferments protéolytiques, Paris, H. Dunod et E. Pinat, 1914.
18 Fribourg, Charles, L’Analyse chimique en sucreries et raffineries de cannes et betteraves, Préface de Henri Pellet,... Paris : H. Dunod et E. Pinat, 1907.
19 Gimel, Gilbert. Guide de l’emploi de l’acide sulfureux en vinification; applications diverses en œnologie, Malzéville, près. Nancy, Institut Jacquemin,
1923.
20 David Sidersky (1858/-), estudioso do tema com várias publicações em Bulletin de l’Association des chimistes e livros como: Analyse physico-chimique
des masses-cuites, Paris : Association des chimistes, (1929); Manuel du chimiste de sucrerie, de raffinerie et de glucoserie. Paris, J.-B. Bailliere, 1909.
21 Traité théorique et pratique de la fabrication de l’alcool et de produits accessoires : éther sulfurique, acéton par fermentation, alcool synthétique / par
J. Fritsch et A. Vasseux. Paris : Amédée Legrand, 1927.
22 Ou Sucrerie indigène et coloniale, é uma publicação do Comité central des fabricants de sucre de France et des colonies françaises desde 1866.
23 Publicação da especialidade desde 1899 em Chicago.
24 Reporta-se a Légier, Émile, Traité de la fabrication de l’alcool, par le Dr Max Bucheler,... et Émile Légier,..., Paris : J. Fritsch, 1899. Trata-se de Émile
Légier, editor de La Sucrerie indigène et coloniale entre 1894 e 1914, com vários estudos sobre o tema: Économie dans la filtration par l’emploi du
filtre-presse Kelly, nouvelle invention américaine, Constructeurs... Wegelin et Hübner... Halle a. d. Saale, Allemagne, Paris: impr. de A. Davy, 1914;
Manuel de fabrication du sucre, Paris: aux bureaux de La Sucrerie indigène et coloniale, 1900.

14
Para além de tudo isto temos ainda a destacar que a documentação em apreço vem evidenciar um novo protagonismo para
a Madeira, certamente desconhecido de todos nós. O resultado do confronto entre a beterraba e a cana sacarina ao nível
tecnológico tem na Madeira o principal fruidor da situação. A proximidade da Madeira à Europa, o empenho e dedicação de
proprietários e pessoal técnico, nomeadamente João Higino Ferraz, mas também o engenheiro Henri Marsden, conduziram a
que a Madeira fosse um centro importante de avanço nas tecnologias açucareiras. A inovação francesa para a beterraba chegava
rapidamente à ilha e as fábricas de maquinaria estavam interessadas nesta situação uma vez que se abriam novas possibilidades
de mercado fora da Europa. Assim, as inovações para o fabrico de açúcar de beterraba foram primeiro adaptadas na Madeira ao
fabrico de açúcar a partir da cana sacarina. Deste modo há um contacto permanente entre o engenho do Hinton e algumas das
principais e mais destacadas fábricas de maquinaria e de engenhos para fabrico de açúcar de beterraba em França. O próprio
João Higino Ferraz deslocou-se a França em 1929 para visitar engenhos de fabrico de açúcar a partir da beterraba. Por outro
lado a Madeira recebeu pessoal especializado de diversas origens que vinha à procura de soluções tecnológicas mais eficientes.
Sucedeu assim com Charles Roussel, director químico em Concepcion Tucuman25.
A situação descrita revela de novo o pioneirismo e protagonismo madeirense na indústria durante a primeira metade do
século XX. O grande obreiro foi João Higino Ferraz, mas foi o promotor industrial, Harry Hinton, quem lhe deu todas as
possibilidades para que isso pudesse acontecer.

A DOCUMENTAÇÃO

O corpo documental que agora sai do prelo provém do arquivo privado pessoal de João Higino Ferraz – director técnico da
Fábrica do Torreão, da firma William Hinton & Sons – e pode ser seccionado em três partes fundamentais: uma primeira
constituída por nove Copiadores de Cartas; uma segunda por vários volumes a que damos o nome de Livros de Notas; e, por
fim, documentação avulsa. Esta organização do arquivo pessoal de J. Higino Ferraz é, de certa forma, artificial, dado que foi
feita por nós e não pelo autor. De facto, se quisermos, é já uma elaboração arquivística que decorre da análise do conteúdo e da
tipologia dos vários documentos que compõem tal espólio.
A primeira parte, composta por nove livros onde Higino Ferraz conservou, em cópia, muita da correspondência por si
remetida, e não só, cobre o período de 1898 até 1937, com um hiato temporal existente de finais de 1913 a inícios de 1917 e
outro, possivelmente, de Janeiro a Outubro de 1919. Julgamos que estas lacunas deveriam estar contempladas em dois volume
autónomos (temos uma leve certeza para o primeiro períoso, mas o mesmo já não podemos garantir relativamente ao segundo);
contudo, se existiram, não chegaram esses livros até nós. A designação de Copiador de Cartas foi por nós tomada, pois os dois
primeiros livros, que cobrem o período de 1898-1913, evidenciavam este título na capa – não aposto por João Higino Ferraz,
mas como denominação da finalidade dos volumes. Entendemos por bem atribuir a mesma designação a todos os livros26,
seguida da referência aos lapsos de tempo que abarcam.
Uma segunda secção deste espólio documental transcrito é constituída por anotações e apontamentos vários – inscritos em
livros autónomos –, versando nomeadamente sobre produtos, processos, aparelhos e técnicas industriais de produção e
transformação de açúcar, álcool e aguardente; quase todos estes volumes têm título atribuído por João Higino Ferraz, que é
respeitado e aceite por nós. Ainda que algo artificial, a denominação por nós dada a este conjunto, Livros de Notas, advém dos
próprios títulos atribuídos pelo autor.
Hoje dispomos apenas de uma parte dos Livros de Notas27 conexados com a actividade de Higino Ferraz enquanto industrial
e director técnico da Fábrica do Torreão (e concernentes à indústria da cana-de-açúcar e derivados). Quando o autor remete para

25 Cf.. [Livro de Notas 1904-1905, açúcar e álcool]


26 Um copiador é, entre outras coisas, um «Livro em que se copiam cartas ou outros documentos» (FARIA, Maria Isabel, PERICÃO, Maria da Graça –
Dicionário de Livro, s.l., Guimarães Editores, s.d.), designação que vai perfeitamente de encontro às características dos livros transcritos. Considerando
assim que os Copiadores de Cartas envergam títulos que, em parte apenas ou na sua totalidade, foram por nós atribuídos, os mesmos são por isso
inscritos entre parêntesis rectos: [ ]. Algo idêntico acontece, diga-se desde já, com dois Livros de Notas.
27 João Higino Ferraz remete por vezes, especialmente nos Livros de Notas, para manuais e livros técnicos, concernentes a química, métodos de fabrico
de derivados de cana-de-açúcar, periódicos científicos, etc. Muitos desses livros técnicos que estavam na posse do mesmo João Higino Ferraz estão a
ser digitalizados e disponibilizados na biblioteca digital www.nesos.net.

15
outros Livros de Notas, a que não tivemos acesso, percebemos que muitos mais houve28 que se perderam.
A última secção, enfim, é constituída por documentação avulsa, e abarca: documentos epistolares, saídos do punho de
Higino Ferraz (particularmente cópias de cartas) ou tendo-o como destinatário (sendo seus autores, por exemplo, Harry Hinton,
Marinho de Nóbrega, Antoine Germain, etc.); documentos referentes a aparelhos, processos e técnicas de fabrico e
transformação de açúcar, álcool e aguardente (à imagem da informação exarada nos Livros de Notas); anotações manuscritas
que João Higino Ferraz lançou nos forros da capa ou folhas de guarda de alguns livros ou manuais por si usados, que versavam
sobre a cultura e produção de cana sacarina e seus derivados29; e, ainda, apontamentos auto-biográficos.
Refira-se que no espólio de Ferraz existem outros Livros de Notas e documentação avulsa que respeitam especialmente a
vinhos, pelo que a sua transcrição e edição fica remetida para um volume separado30.
A sequência documental dada por nós aos Livros de Notas e documentação avulsa agora transcritos é de cariz cronológico.

NORMAS DE TRANSCRIÇÃO

Os Livros de Notas e os documentos avulsos não epistolares existentes no arquivo pessoal de João Higino Ferraz – aqueles
com que pudemos contactar – formam, sem dúvida, o conjunto da documentação cuja transcrição se apresentou mais complexa,
difícil e até arriscada. Atendendo a que a informação veiculada, assim como a sua linguagem, eminentemente técnica, é de teor
especial e específico; considerando que a documentação cobre um período temporal relativamente recente; lembrando, ainda,
que é um conjunto apreciável de volumes (25 Livros de Notas, completos ou parciais, ao que acresce a referida documentação
avulsa), exigindo assim normas de transcrição uniformes; observando, enfim, que ao procedermos a esta transcrição, tivemos
de estabelecer de certo modo um compromisso entre a informação exarada nos vários livros e documentação avulsa – a sua
linguagem, configuração ou disposição gráfica – e as ferramentas facilitadas pelo programa informático usado neste labor (o
Microsoft Word), entendemos seguir as seguintes normas:
– Respeito integral pela grafia e pontuação do original, com as seguintes alterações:
– Desdobramento, de um modo geral, de abreviaturas e siglas, sem a indicação dos segmentos desdobrados,
consoante a forma desenvolvida da palavra encontrada na fonte (na ocorrência de variantes, optar-se-á por aquela
mais vezes presente nos originais). Devido à especificidade da documentação transcrita, temos de considerar, a
este respeito, os seguintes matizes e pormenorizações31:
– são desdobradas todas as abreviaturas e siglas referentes a unidades de medida, entendidas aqui num sentido
lato:
- atm ou ath.a: “athmosfera”
- alm.de: “almude”
- B, Be: “Baumé”
- c.c.: “centimetro cubico” ou “centimètre cubique”
- C ou cent. ou centi.: “Centigrados”
- Cart., Carti: “Cartier”
- cent.: “centimetro”

28 Os Livros de Notas com os quais não contactámos e que são nomeados pelo seu autor (grafamos os seus títulos da mesma maneira que Higino Ferraz)
são: Livro de Notas Nº 3 – 1922; Livro Notas 1922 Nº 2; Livro Notas Nº 1 – 1915; Livro Nota Nº 2 – 1914; Livro Notas de 1913 Nº 2; Livro Nota –
1914 – Nº2; Livro de Notas de 1912; Livro Nº 2 – 1916; Livro Notas 1918-1919 Nº 3; Livro Notas Nº 4 – 1917; Livro de Notas Nº 3 – 1917; Livro de
Notas Nº 8 – 1917; Livro de Notas Nº 2 – 1918; Livro de Notas Nº 1 – 1920; Livro de Notas Nº 2 – 1918; Livro de Notas Nº 4 – 1917; Notas Livro Nº
1 – 1921; Livro Notas Nº 2 – 1916; Livro Nº 3 – 1916-1917; Livro de Notas Nº 1 – 1937; Livro Notas Nº 4 – 1923; Livro de Notas Nº 2 – 1922; Livro
de Notas Nº 1 – 1921; Livro de Notas Nº 1 – 1922; Livro de Notas Nº 3 – 1922-1923; Livro de Notas de 1923 – Nº 6; Livro de Notas Nº 4 – 1932.
29 Apesar de estas informações não caberem, em termos técnicos, na categoria de documentação avulsa, a sua especificidade obriga a que só nesta secção
as possamos incluir.
30 Higino Ferraz dedicou-se, a título particular, a empreendimentos relacionados com produção, transformação e comercialização de vinhos.
31 Posto que temos também, neste espólio documental, inscrições por parte de outros autores (vide, em especial, a documentação avulsa), ainda que em
ínfima quantidade relativamente à informação de que é autor Higino Ferraz, advirta-se que as siglas e abreviaturas nomeadas são apenas as deste último.

16
- centeci.: “centecimais”
- centigr.: “centigrama”
- decimt: “decimetro”
- frig., frigos: “frigories”
- gram., gr. ou grm.: “grama”
- H, HL, hect.: “hectolitro” ou “hectolitre”
- hectos: “hectolitros” ou “hectolitres”
- H. P.: “Horse Power”
- k: “kilowtts”
- k, kilog.: “kilograma”
- kos: “killos”
- klos: “kavalos”
- l, lit.: “litro”
- m: “metro”
- m/m, mm, m/gr.: “miligrama”
- m2, m3: “metro quadrado”; “metro cubico”
- s: “sacos”, “sacas”
- ton: “tonelada” ou “tonne”
– desdobramos siglas e abreviaturas de teor técnico, que se referem, mormente, a processos, aparelhos e matérias
industriais:
- agte: “aguardente”
- alcooli.: “alcoolisado”
- amo.: “amoniaco”
- applho: “apparelho”
- ass: : “assucar”
- barbo. e barb.: “barbotagem”, “barbotado”
- bat.: “bateria”
- cant.: “canteiro”
- carb.: “carbonato”
- chlory.: “chlorydrico”
- clarifi.: “clarificado”
- Coeffte: “Coefficiente”
- cristaliel: “cristalisavel”
- D.: “Densidade ou Densité”
- diff.: “diffusor” ou “diffusão”
- engarraf.: “engarrafamento”
- est.: “estufa”
- ext., extra.: “extrahido”
- fluor:: “fluorure” ou “fluorydrico”
- frigo.: “frigorifero”
- frigo., frigoco: “frigorifico”
- F. P.: “Filtro-Presse”
- F. F.: “Filtro Filippe”
- F. M.: “Filtração Mechanica” ou “Filtro Mechanico”
- F. S.: “Filtro Suchar”
- gluco: “glucosico”
- inferment, infermenti: “infermenticiveis”
- Lab.: “Laboração”
- malax.: “malaxeur”
- M. C.: “Melasse Cuite” ou “Masse Cuite”

17
- M. S.: “Materia Secca”, “Materias Seccas” ou “Matière Sèche”
- oxyg.: “oxygenação”
- pasteuroxy: “pasteuroxyfrigo”
- P. E.: “Petits eaux”
- pol., pola., polar: : “polarisação”
- refi.: “refinação”
- refrig.: “refrigeração”
- retifi.: “retificação”
- sacc: : “saccharificador”, “saccharificação”, “saccharificado”, “saccarose”
- saccha: : “saccharificação”, “saccharose”
- S. E. O.: “Salvo Erro ou Omissão”
- sou: : “soutiragem”
- s. chf: “surface chauffe”
- s. ref: “superficie refrigeração”
- sulfi.: “sulfitador”
- sup.: “superficie”
- surf.: “surface”
- T. E.: “Triple-Effet”
- T. G.: “Tanque Grande”
- T. P.: “Tanque Pequeno”
- tourt.: “tourteaux” ou “tourteau”
- turb., turbi.: “turbina”, “turbinado”, “turbinagem”, “turbinar”
- V. C. M.: “Vinho Canteiro Madeira”
– desenvolvemos, por uma maior inteligibilidade dos textos transcritos, muitos outros sinais convencionais usados por
João Higino Ferraz:
- ad. V., ad. val.: “ad. Valorem”
- Alf.ga: “Alfandega”
- Amº: Amigo
- Anto: “Antonio”
- aproxi., aproxido: “aproximado”
- Attº: “Attencioso”
- B. A. des C.: “Bulletin Association des Chimistes”
- C/.: “Casa”
- c/ e c/a: “conta”
- cap.: “capacidade”
- cap.tal: “capital”
- C. H.: “Casa Hinton”
- C. N.: “Comp.ª Nova”
- C. de L.: “Camara de Lobos”
- C. F.: “Caminhos Ferro”
- Com.al: “Commercial”
- comção: “comição”
- completate: “completamente”
- corres.: “correspondente”
- ct., crt.: “courant”
- d: “dia”
- D.: “Diario”
- desp.: “despeza”
- D. G.: “Despezas Geraes”
- D. M.: “Diario da Madeira”

18
- D. N.: “Diario de Noticias”
- E.U.: “Estados Unidos”
- fict.: “ficticio”
- F: “Fabrica”
- F: “Funchal”
- Franco: “Francisco”
- frs: “francos” ou “francs”
- G.: “Grande”
- h: “hora” ou “horas”
- indeter.das: “indeterminadas”
- J. A.: “Junta Agricula”
- J.or: “Junior”
- liq., liqo: “liquido”
- m.: “manhã”
- M., Mr, Mr.: “Monsieur”
- M.M., Messrs.: “Messieurs”
- Mel: “Manuel”
- m/: “meu”, “minha”
- n/: “nosso”
- n/c: “nossa conta”
- m/c: “minha conta”, “mon compte”
- M.to: “Muito”
- m.tre: “mestre”
- n.: “nuite”
- N.: “Norte”
- Ob.do: “Obrigado”
- P.: “Pequena”
- p. m. m.: “pouco mais ou menos”
- quali.: “qualidade”
- R.: “Rua”
- rend.to: “rendimento”
- RS, rs: “Reis” ou “reis”
- s/: “sobre”, “seu” ou “sua”
- S. A., S.de A.: “Sociedade Agricula”
- S. F.: “São Filipe”
- S. Mag.: “Sua Magestade”
- Snr: “Senhor”
- sub.me: “subscrevo-me”
- t.: “tarde”
- T, Temp., Tempa: “Temperatura”
- trata.to: “tratamento”
- Wm: “William”
– mantivemos apenas algumas abreviaturas sobejamente conhecidas e utilizadas actualmente: Ex.mo (Excelentíssimo),
L.da (Limitada), C.ª ou Comp.ª (Companhia), Succ.or e Succs (Sucessor e Sucessores), pag., p.g. (página), ex. (exemplo).
– não desenvolvemos dois grafemas, de cariz comercial e abundantemente usados nestas fontes, que são alvo aqui de
cabal elucidação:
- cif ou c.i.f.: siglas de cost, insurance, freight, isto é, custo, seguro e frete;
- fob.: siglas de free on board, ou seja, designação de cláusula de um contrato de compra e venda que determina
que as despesas do vendedor vão, somente, até à entrega da mercadoria no navio.
– não desdobramos N. B., “Note Bem”; assim como P. S., “Post-Scriptum”, ou P. E., que julgamos ser “Post-Escriptum”

19
(corruptela do anterior) ou “Pós-Escrito”.
– Procedemos à manutenção, na medida do possível, de algumas das disposições gráficas do original, assim como
parágrafos, esquemas, tabelas, arrolamentos, com a excepção, por motivos que se prendem com a exequibilidade da edição das
mesmas fontes, das mudanças de linha e de página. Não considerámos pertinente nem viável assinalar a mudança de linha; já
a de página é indicada com a colocação de // seguida do número de página entre [ ] (exceptuando, apenas, quando uma página
não encerra qualquer informação ou quando tiver imagens, pelo que o uso de // é dispensável e até pouco aconselhável). No
caso específico de três agendas aqui transcritas, e cuja numeração tem por base os dias do ano, colocámos à esquerda da
informação reproduzida a referência à página.
– Tendo em conta que Higino Ferraz usa, por vezes, várias cores (em especial o vermelho) para além do azul e preto com
que usualmente escreve, escolhemos transcrever em itálico todos os vocábulos escritos a tinta vermelha ou a lápis da mesma
cor. Em relação a outras cores, cuja presença é verdadeiramente residual, quer em palavras, quer em números, sublinhados,
traços de separação entre matérias e outros sinais diversos (chavetas, setas, etc.), julgámos desnecessário, após análise de toda
a documentação, a menção, em nota de rodapé, ao seu uso. Poderia, possivelmente, ser possível reproduzir as várias cores
usadas por João Higino Ferraz; os custos, todavia, de uma edição desta mesma documentação nesses moldes seriam
insuportavelmente onerosos.
– Transcrevemos, desenvolvendo algumas siglas e abreviaturas e levando a cabo uma certa modernização, os numerais
grafados, por exemplo, assim: 4cc2, 14k43, 16l74, 8º,5, etc., desta forma: 4,2 “centimetros cubicos”, 14,43 “kilogramas”, 16,74
litros, 8,5º, e outros.
– Adicionamos [sic] quando a verificação de erros ortográficos, de sintaxe ou morfologia, ou em caso de repetição de uma
mesma palavra. Colocado o [sic] logo a seguir a uma palavra, referir-se-á a um erro nesse mesmo vocábulo (casos, mormente
de ortografia); quando após um espaço em branco, referir-se-á a erro constituído por vários vocábulos (repetição, faltas de
concordância no género ou em número, frases truncadas, omissão de palavras, etc). Refira-se que nos Livros de Notas e na
documentação avulsa referente a processos industriais, são recorrentes os erros de concordância de género e número em muitas
frases (fruto, com certeza, da não necessidade de manter um português polido), pelo que apenas assinalaremos os mais visíveis
deste tipo de erros, um pouco, também, para ilibar o transcritor de possíveis suspeitas de transcrição dolosa.
– Acrescentamos sinais de pontuação, inseridos entre [ ], quando considerámos que o autor os omitiu involuntariamente.
– Acresentamos [Ass:] antes de qualquer assinatura ou rubrica de João Higino Ferraz, ou ainda de qualquer outro escriba
que teve a oportunidade de escrever nos Livros de Notas ou seja autor de documentação avulsa.
– Colocamos entre < > todos os vocábulos que surgem entrelinhados nos textos originais.
– Modernizamos o uso do hífen nos verbos, no caso da sua omissão.
– Adicionamos [?] a propósito de dúvidas em relação à leitura de uma palavra (colocado imediatamente a seguir à mesma)
ou de um conjunto de palavras ou expressões (após espaço em branco), e, raramente, aquando a existência de uma palavra ou
expressão cuja leitura não oferece irresoluções, mas cujo sentido ou significado é por nós desconhecido.
– Acrescentamos [...] quando a leitura se revelou impossível.
– Anexamos notas de rodapé, nomeadamente nas seguintes situações:
- veiculação de informações acerca dos livros e documentos avulsos transcritos: numeração, medidas, páginas anexadas
ou retiradas e outras informações;
- impossibilidade (ou extrema dificuldade) em reproduzir no corpo de texto algumas das informações transmitidas nas
fontes documentais – notas nas margens32; sinais gráficos, etc.
- elucidação da presença de outras caligrafias que não a de João Higino Ferraz;
- esclarecimento de espaços deliberadamente deixados pelo autor;
- menção a textos rasurados que, pela sua quantidade e / ou significância (um arrolamento, um parágrafo, um cálculo...),
demandem a sua transcrição, ao contrário de meras rasuras a palavras e segmentos de palavras ou de frases, que serão
completamente desprezadas.
- fornecimento, quando possível, do nome completo dos indivíduos que Higino Ferraz nomeia, a mais das vezes, através
de um só nome, o próprio ou o apelido, ou ainda por meio de siglas. Tal procedimento, pela sua constância, poderá
32 Seguindo a nomenclatura veiculada numa obra de consulta já citada (FARIA, Maria Isabel, PERICÃO, Maria da Graça – Dicionário de Livro, s.l.,
Guimarães Editores, s.d.), quando nos referimos às margens das páginas (falamos particularmente dos Livros de Notas), usamos mormente as seguintes
palavras ou expressões: cabeça («a parte superior de qualquer forma ou página», p. 49); pé («margem inferior de um livro, oposta à cabeça e à goteira»,
p. 264); margem dianteira («margem lateral correspondente à abertura do volume na parte oposta à lombada», p. 218); e margem interior («aquela que
se encontra junto ao festo», p. 218) ou medianiz («margem interna da página de um livro», p. 221).

20
parecer pueril ou desnecessário, mas é decerto útil para situar e identificar certas pessoas num corpo documental que
poderá ser de mera consulta. De igual forma, acrescente-se, mas em menor medida, providenciamos em nota de rodapé
a designação completa de outras firmas, unidades de produção industrial33 e até literatura científica e técnica a que se
referia sumariamente o autor.
Não podemos deixar de ajuntar a tudo isto que, algumas das páginas da documentação transcrita contêm desenhos, feitos
por Higino Ferraz, de esquemas de produção industrial, de esboços e plantas de aparelhos ou máquinas industriais, etc. As
gravuras foram fotografadas e incluídas, nos locais devidos, no texto da transcrição, de forma a facilitar a leitura e interpretação.
Muita da informação escrita relativa a estas figuras, (indicações, explicitações, medidas, etc.) não foi transcrita porque, a mais
das vezes, está de tal forma entrosada nos traços dos desenhos, que seria uma tarefa inglória e escusada. O Leitor não terá
dificuldades em ler estes informes que acompanham as imagens e, quando confrontado com alguma sigla ou abreviatura, poderá
consultar as listagens acima. Procurámos transcrever, relativamente às ditas imagens, tão só o título ou designação do que é
representado, notas substanciais, a escala e a legenda.

LIVROS DE NOTAS

Título do livro Datas Nº páginas Observações


limites / fólios (páginas com desenhos)
Livro do armazem de conhecimentos uteis do assucar e melaços – cereaes
– e Explicações sobre a Maltagem 1884-1887 77 pp. 9, 11, 57
Livro de notas sobre fabricação d’assucar e alcool, e tabellas folha de guarda início, 87, 115, 130, 131, 133, 148
de calculos de João Higino Ferraz 1900-1911 207 pp. Bis, 156, 157, 160, 162, 163, 164, 166, 168, 173,
174, 176, 206 Bis, 207, forro da capa do livro
[Livro de Notas 1904-1905, açúcar e álcool] 1904-1905 121 pp. 67, 68, 69, 72, 73, 74, 75, 76, 94, 108, 112, 118, 119
3.º Livro de notas de Fabricação de 1910 1909-1912 196 pp. 55, 59, 147, 150, 151, 154, 156, 161, 164,
169, 170, 172, 174, 178, 179
Livro da Quinta do Seiceiro – S.to da Serra e Cidreria 1913 a 1914 1912-1921 100 pp.
Livro de Notas de fabricação assucar de 1915 N.º 2 1914-1915 96 pp. 57
Livro de Notas 1915-1916 Assucar, alcool e diversos Nº 2 – 1 de 1916 1913-1916 196 pp. 29, 47, 57, 58, 64, 79, 82, 83, 85, 87, 88,
89, 90, 91, 106, 107, 137
Livro de Notas 1917 Assucar, alcool e diversos Nº 1
Composição dos phosphatos e do aluminato baryta 1916-1917 44 pp. 28, 39
Livro de Notas 1918-1919 Sobre vinhos e xaropes d’uvas Nº 1 1917-1919 276 pp. 223, 244, 272
Livro de Notas 1919 Assucar, alcool e diversos Nº 1 1917-1920 132 pp. 23, 24, 52, 53, 55, 62, 65, 67, 69, 71, 73,
77, 118, 125, 126, 129, 131
Livro de Notas 1919 Sobre assucar alcool e diversos Nº 2 1918-1920 92 pp. 21, 25, 27, 28, 49, 50, 92
Livro de notas 1920-1921 assucar, alcool e diversos Nº 3 Especialmente
sobre a saccharificação do milho – cubas fechadas e fermentação
Laboração de 1921 1919-1922 244 pp. 87, 131, 142, 220, 240, forro capa fim
Livro de Notas Vinharia Nº 2 1922 1920-1924 136 pp. 25, 26, 27, 28, 29, 79, 80, 86, 87, 91, 99, 100, 121
[Livro de Notas 1922-1923, açúcar, vinho e álcool] 1922-1923 132 pp. 14
Livro de Notas Vinharia e outros 1923 N.º 2 1900-1924 272 pp. 78,82
Livro de Notas assucar vinhos e diversos N.º 5 1923 1922-1924 68 pp.
Livro de despezas na construção da Vinharia fabrico. 1923-1924 1923-1924 204 pp. forro capa início, 186, 198, 201, forro capa fim
Livro de Notas 1924 assucar, alcool e diversos Nº 1 1919-1924 196 pp. 159, 171, 172
Livro de Notas 1924 Fabricação etc. Nº 2 1922-1925 197 pp. 20, 21, 48

33 João Higino Ferraz dá-nos informações de valor acerca de fábricas que existiam na Madeira (a Companhia Nova, de José Júlio de Lemos, Sucessores;
a fábrica de São Filipe de Henrique Figueira da Silva, entre outras) e, ainda, sobre unidades de produção industrial do continente português, da África
colonial (merecendo especial destaque uma nova fábrica implantada pela Sociedade Agrícola do Cassequel, Angola, onde Higino Ferraz tem acção
directa), e ainda de outros espaços geográficos.

21
Livro de Notas Vinharia 1924 Nº 3 1923-1925 195 pp. 17, 64, 67, 69, 73, 89, 93, 96, 107, 144
AGENDA PORTUGUESA 1928 1915-1930 400 pp. 5 Janeiro, 3 Março, 26 Agosto, 27 Agosto,
11 Setembro, 12 Setembro, 14 Setembro,
15 Setembro, 16 Setembro, 1 Outubro, 7 Outubro,
10 Outubro, 16 Outubro, 29 Outubro, 2 Novembro,
4 Novembro, 15 Novembro, 18 Novembro,
19 Novembro, 20 Novembro, 21 Novembro,
24 Novembro, 25 Novembro, 26 Novembro,
28 Novembro, 30 Novembro, 8 Dezembro,
30 Dezembro
AGENDA PORTUGUESA 1929 1914-1930 401 pp. 5 Janeiro, forro capa fim
Livro de Notas Nº 3 – 1931-1932 Vinhos e outros Vinho-Maltine
e cidrovinho-maltine 1931-1932 360 pp. 145, 261, 264, 265, 308, 329,
AGENDA GABINETE 1932 1932-1933 385 pp.
Livro de Notas Nº 2 1937 assucar, alcool e diversos
Laboração de 1937 Vinhos no fim do livro 1935-1938 200 pp. forro da capa início

22
Livro do armazem de conhecimentos uteis do assucar e melaços –
cereaes – e Explicações sobre a Maltagem

DESCRIÇÃO: Estamos na presença de um livro, em papel, 30 cm x 20,8 cm, em bom estado de conservação. As primeiras
19 páginas deste volume não foram numeradas pelo seu autor, pelo que a enumeração foi atribuída por nós, e consiste nas letras
do alfabeto: a, b, c, d, e… Fazemo-lo desta forma para não permitir eventuais confusões relativamente à enumeração feita por
Higino Ferraz a partir daquelas primeiras páginas. Acrescente-se que a informação presente na primeira parte deste volume,
inserida nas páginas sem numeração de origem, deverá ter sido considerada por Higino Ferraz como despicienda. De facto, o
âmbito temporal desta informação é anterior ao início de funções de Higino Ferraz no Torreão e poderá a mesma inserir-se nas
actividades industriais que alguns membros da família de Higino Ferraz, incluindo ele mesmo, desenvolveram na segunda
metade do século XIX, ou melhor, no último quartel de Oitocentos; além disto, os informes das primeiras 4 páginas, sobre
vinho, e reproduzidas num volume separado a editar posteriormente, não saíram seguramente do punho do técnico da Fabrica
do Hinton. Será um pouco difícil, porventura, a contextualização de alguma desta informação, mas transcrevemo-la ainda assim
deixando aos potenciais leitores e investigadores o ajuizar da sua importância (tal como procedemos em mais alguns casos no
decorrente desta transcrição).

23
24
Mais adiante há 3 páginas não numeradas, cuja enumeração foi por nós aposta.
[pp. a a d: informação sobre vinho publicada em volume separado]
[e]34
[f] Entrada Assucar
1884 Sacos kilos Total de killos
março 19 12 75 d’assucar da 1ª sorte .900
“ “ 14 75 Dito dito 1.125
20 26 75 Dito dito 1.950
“ –“– 23 dito dito 023
26 10 75 dito da 2ª sorte 750
“ 15 75 dito dito 1.125
“ –“– 71 dito dito 071
27 27 75 dito da 1ª sorte 2.025
28 23 75 dito dito 1.725
29 25 75 dito dito 1.875
30 16 75 dito dito 1.200
“ –“– 48 dito dito 048
“ 6 75 dito da 2ª sorte 450
31 23 75 dito da 1ª sorte 1.725
“ 8 75 dito da 2ª sorte 600
abril 1 8 75 dito da 3ª sorte 600
“ –“– 35 dito dito 035
2 24 75 dito da 1ª sorte 1.800
3 33 75 dito dito 2.475
“ 31 75 dito da 2ª sorte 2.325
4 23 75 dito da 1ª sorte 1.725
6 37 75 dito dito 2.775
“ 25 75 dito da 2ª sorte 1.875
“ –“– 74 dito dito 074
8 23 75 dito da lettra B 1.725
“ 24 75 dito da 1ª sorte 1.800
“ 29 75 dito da 2ª sorte 2.175
10 –“– 33 dito dito 033
“ 14 75 dito da 3ª sorte 1.050
“ 25 75 dito da 1ª sorte 1.875
“ 1 87 dito dito .087
//
[g] Saida
1884 Sacos kilos Total de killos
março 19 12 75 d’assucar da 1.ª sorte para o Armazem de venda 900
“ 20 15 75 dito dito “ “ 1.125
21 13 75 dito dito “ “ 975
“ –“– 73 dito dito “ “ 073
22 1 75 dito dito “ “ 075
26 10 75 dito da 2ª sorte “ “ 750
27 11 75 dito branco seco “ “ 862
abril 1 8 75 dito da 3ª sorte “ “ 600
“ –“– 35 dito dito “ “ 035

34 A página e não contém qualquer informação.

25
“ 9 75 dito da 2ª sorte “ “ 675
3 150 90 dito da 1ª sorte – para Lisboa 13.500
7 10 75 dito da 2ª sorte – para o armazem de venda 750
9 10 75 dito dito “ “ 750
“ 4 75 dito da 1ª sorte “ “ 300
“ –“– 56 dito dito “ “ 056
abril 12 10 75 dito da 2ª sorte “ “ 750
15 6 75 dito da 2ª sorte “ “ 450
18 10 75 dito da dito “ “ 750
“ –“– 20 dito dito “ “ 020
“ 5 75 dito da 1ª sorte “ “ 375
“ –“– 14 dito dito “ “ 014
19 10 75 dito dito “ “ 750
“ 1 75 dito da 2ª sorte “ “ 075 //

[h] Entrada Assucar


1884 Sacos kilos Total de killos
Transporte
Abril 19 79 75 d’assucar da 1ª sorte 5.925
“ 21 64 75 dito dito 4.800
22 22 75 dito dito 1.650
“ –“– 67 dito dito 067
“ 12 75 dito da 2ª sorte 900
24 56 75 dito da 1ª sorte 4.200
“ 10 75 dito da 2ª sorte 750
29 44 75 dito da 1ª sorte 3.300
“ 20 75 dito da 2ª sorte 1.500
27 67 75 dito da 1ª sorte 5.025
“ 20 75 dito da 2ª sorte 1.500
30 8 75 dito da 1ª sorte 600
Maio 2 68 75 dito dito 5.100
“ 3 75 dito da 2ª sorte 225
4 36 75 dito dito 2700
“ 55 75 dito da 1ª sorte 4.125
7 75 75 dito dito 5.625
“ 19 75 dito da 2ª sorte 1.425
10 37 75 dito dito 2.775
“ 72 75 dito da 1ª sorte 5.400
12 63 75 dito dito 4.725
“ 45 75 dito da 2ª sorte 3.375
15 33 75, dito da 1ª sorte 2.475
“ 90 75, dito da 2ª sorte 6.750
16 37 75 dito dito 2.775
“ 8 75 dito da 3ª sorte 600
“ 4 75 dito dito 300
25 88 75 dito da 1ª sorte 6.600
27 63 75 dito dito 4.725
“ 29 75 dito da 2ª sorte 2.175 //

26
[i] Saida

1884 Sacos kilos Total de killos


Transporte //

[j] Entrada Aassucar[sic]


1884 Sacos kilos Total de killos
Transporte
maio 28 48 75 d’assucar da 2ª sorte 3.600
29 46 75 d’assucar da 2ª sorte 3.450
30 50 75 dito dito 3.750
31 51 75 dito dito 3.825
“ 9 75 dito da 3ª sorte 675
4 45 75 dito da 1ª sorte 3.375
“ –“– 55 dito dito 055
“ 24 75 dito da 2ª sorte 1800
5 36 75 dito dito 2.700
6 43 75 dito dito 3.225
“ 20 75 dito da 3ª sorte 1.500
7 13 75 dito dito 975
10 10 75 dito dito 750
“ 32 75 dito da 2ª sorte 2.400
“ –“– 75 dito dito 038
abril 14 55 38 dito da 3ª sorte 4.125
11 20 75 dito dito 1.500
17 47 75 dito dito 3.525
19 63 75 dito dito 4.725
“ –“– 20 dito dito 020 //

[k]35
[l]36
[m]37
[pp. n a q: informação sobre vinho publicada em volume separado]

[r] Vendas d’assucar e aguardente


–– Assucar ––
1886 –– Killos ––
Abril 3 A 2,7 sacos da 1ª sorte a –– 75, Killos –– 7302,
“ “ A 2 restos do dito a –– 115,
“ “ A 11 sacos da 2ª sorte a –– 75, dito –– 825,
“ “ A 2 restos dito a –– 133,
“ 5 A 4 sacos d’assucar da 2ª sorte a –– 75, dito –– 300,
“ 6 A 27 sacos dito dito a –– 75 dito –– 2.025,
“ 8 A 22 sacos dito da 1ª sote[sic] a –– 75 dito –– 1.650,
“ 9 A 14 sacos dito dito a –– 75 dito –– 1.050,
“ 10 A 23 sacos dito dito a –– 75 dito –– 1.725,
“ 13 A 14 sacos B dito dito a –– 75 dito –– 1.050,

35 Esta página encontra-se em branco


36 Esta página encontra-se em branco
37 Esta página encontra-se em branco

27
“ 14 A 2 sacos dito da 2ª sorte a –– 75 dito –– 150,
“ 16 A 7 sacos dito dito a –– 75 dito –– 525,
“ A 3 sacos dito 3ª dito a –– 75 dito –– 225,
“ 20 A 19 sacos dito 2ª dito a –– 75 dito –– 1.425,
“ 21 A 8 sacos dito dito a –– 75 dito –– 600,
“ 27 A 40 sacos dito dito a –– 75 dito –– 3.000,
“ 29 A 12 sacos e 40 killos dito dito a –– 75 dito –– 940,5 //

[s] Leivro[sic] d’Armazem


–– Aguardende[sic] ––
1886 – Galões –
Abril 3 A aguardente de cannas em 26. 1/2º –––– 180,
“ “ A dito dito em 27.º –––– 170,
“ “ A dito dito em 27 1/2 .º 205,
“ 5 A dito dito B em 26.º –––– 175,
“ “ A dito dito B en 25 1/2 .º –––– 155,
“ 7 A dito dito B em 22.º –––– 155,
“ 8 A dito dito E em –––– 100,
“ 9 A dito dito B em 26 –––– 165,
“ “ A vinho de estufa ––– 530,
“ “ A 5 caxas de marca coração –––– –– “ ––
“ “ A 9 dito dito Lião –––– –– “ ––
“ “ A 15 dito dito Chaves –––– –– “ ––
“ “ A 3 dito dito coração pequenas –––– –– “ ––
“ “ A 13 frascos dito Lião –––– –– “ ––
“ 16 A aguardende[sic] de cannas em 28.º –––– 165
“ “ A dito dito em 26 1/2 –––– 157
“ “ A dito dito em 23 –––– 175 //

[1]38 –– Guia do fabricante d’alcooles –– por N. Brasset. ––Grelagem da cevada


A Grelagem da cevada comprende o amolecimento, a germinação, arijação, dessécação, a limpeza.
Limitam-se o mais das vezes a cevada cerminada; os outros grãos são ordinariamente empregados no estado cru, pela rasão
de que este modo de empregal’os não modifica sensivelmente o sabor do producto, em quanto que a cevada crua dá um gosto
are[sic] e acerbo. É pois conveniente grelar toda a cevada ainda que a germinação não é necessaria para os outros grãos.
Observação Geral –– Como é importante, para o sucesso da germinação, que todos os grãos sejam imbebidos
uniformemente pelo umedecimento, tomão-se as percauções as mais minusiosas para operar por sua vez sobre a mesma sorte
de grãos, d’uma mesma idade, d’uma mesma espessura de pelicula, que tenhão sido colhidos na mesma variedade de solo que
seja da ultima colheita. Uma excelente medida a tomar consiste em fazer passar pela machina de limpar trigo os grãos que se
destinão á grelagem.
Amolecimento –– Os balceiros de amolecimento devem ser avantajosamente colucados por cima dos armazens e dos
germinadores afim de econumisar a mão de obra. Elles são de madeira ou de pedra e cal cimentada. Os melhores são os furrados
de chumbo [.] Calcula-se a capacidade de estes vasos na rasão de 120 litros por sem litros de cevada a empregar.
Enche-se a cuba com agua bem clara e bem fresca, na propurção necessaria para que os grãos sejam cobertos de alguns
centimetros de liquido. Uns querem que o excesso d’agua acima dos grãos seja de 5 a 6 centimetros, outros exigem que ella
atinja 20 centimetros. Um termo medio de 10 a 12 centimetros paresse-nos muito conveniente para facilitar a manobra
<mexensa> // [2] e elevamento dos grãos a <avariados>. Faz-se então cahir o grão lentamente na cuba e durante este tempo,
mex-se[sic] e agita-se com cuidado, por meio d’um roudo. Logo que todo o grão está na cuba, eleva-se <(por si mesmo)> os

38 Principia aqui a porção do livro numerada pelo seu autor.

28
grãos leves depois ao cabo de duas horas, faz-se escorrer esta primeira cana que traz em si as imporidades e as materias acres
provenientes da pelicula. Sustitui-se em seguida este primeiro liquido por nova agua, tão fresca e tão pura quanto possivel.
Duração do amolecimento –– A duração do amoleciemento varia segundo a edade e a espece do grão, sgundo[sic] a natureza
da agua, a temperatura de este liquido e a do ar ambiente, segundo a estação da operação. Pode-se adoptar como meio termo o
tempo seguinte 59 a 60 horas no inverno, 40 a 50 na primavera e outono e 30 a 40 no vrão[sic]. Convem não exceder o ponto
de amolecimento conveniente do grão; logo que o olho está oprimido, o grão está condenado a apodrecer ainda que, elle não
estaja de todo amulecido, pode-se supprir este defeito por regas cumplementares no cerminador.
Temperatura da agua –– A experiencia tem demonstrado que a agua do amolecimento não deve passar de uma temperatura
media de 10.º graus centigrados.
Renovação da agua –– É persiso renovar a agua do amolecimento ao menos uma vez em cada 24 horas no inverno e de 12
em 12 horas no verão [.] É persiso renovar a agua mais frequentemente, se se observar um desprendimento gazouso, a superfice,
o qual é sempre um indicio de começo de decompusição que é persiso evitar o mais depressa possivel.
Quantidade d’agua absorvida –– A cevada absorve, termo medio, 30 a 45 por 100 d’agua, segundo // [3] a sua idade, sua
espece, e seu grau de scura[sic]. Os grãos grossos absorvem menos que os pequenos.
Escorrimento –– Logo que a cevada absorveu toda a quantidade d’agua necessaria e que ella está suffisientemente
amollecida, faz-se escorrer a agua do amolecimento, depois lava-se energicamente o grão por um jacto abondante d’agua fresca
e limpida que se faz escorrer logo em seguida, para arrastar todas as materias gomosas da superfice. A abertura ou torneira do
fundo daxa-se em seguida aberta até que o grão estaja bem esgotado, o que acontesse ao cabo de 6 horas. O trabalhadores [sic]
que daxam a cevada nos amolecedores durante mais de 10 horas no verão, ou mais de 20 horas no inverno, expoêm o grão a
tomar as alterações nusivas á germinação, e que, por conseginte nos são um influencia [sic] sobre a qualidade dos productos.
É melhor não prolongar a estada nos amolecedores ou na esgotagem, mais de 6 a 8 horas, e fazer passar o grão para o
germinador ou tanque. Para lá, deita-se á pá n’uma calha, que desce directamente no local onde se deve fazer a germinação.
Amolecimento do trigo –– O amolecimento do trigo conduz-se como o da cevada, no ponto de vista da manipulação. Em
geral, elle dura um pouco menos de tempo; 24 horas é o sufficiente para os trigos tenros; mas é preciso o dobro do tempo para
os trigos duros. Este tempo deve ser augmentado um terço no inverno. A agua de amolecimento deve ser modade[sic]
frequentemente todas as 18 horas no inverno e 3 vezes por dia no verão. O esgotamento faz-se como na cevada. // [4] O senteio
amolece-se mais depressa, e é perssiso para elle algumas horas de menos que o trigo para amolecer ao ponto conveniente [.] O
milho tem necessidade de estar a amolecer durante 39 a 40 horas no inverno e 48 a 50 horas no verão; mas a agua do
amolecimento deve ser renovada mais a miudo, porque este grão altera-se mais facilmente.
Observação –– Segundo o senhor Balling, é melhor fazer um amolecimento mais curto, no intento de levantar a materia acre,
extraida da pelicula, sem penetrar a amendoa
Para isso uma estada de 6 a 8 horas na primeira agua, a cevada recebe uma segunda agua a 12 ou 16 horas, depois esgata-
se[sic] a 18 ou 24 horas. O amolecimento ficá[sic] completo pela regadura no germinador. Nos preferimos esta maneira de
proseder como o mais conforme aos verdadeiros principios, n’este caso occasiona uma perda menor das parte [sic] soluveis do
grão e elle se expoêm menos ás alterações.
Germinação –– O germinador deve ser <em forma escuante> o mais possivel, e a temperatura deve-se <manter> constante
e uniforme. Deve-se escolher um local sobre o solo ou uma cova, em que o solo seja bitumado, ou coberto de lajas, bem
cimentadas; a limpeza deve ser facil e a ventillação deve ser tal que se possa expolsar o acido carbonico e renovar o ar a vontade
sem abaxar a temperatura. Pode-se facilmente obter este resultado por uma chaminé-tirante, establecida nas condisões que nos
temos indicado para o arejamento e aquesimento das salas de fermentação.
N. B. A germinação é em melhores condições desde o momento que se pratica ao abrigo da luz, isto é ás escuras –
Convem dar ao germinador a superfice necessaria para a propurção do grão que se quer tratar: esta superfice deve ser inferior
a 1,25 metros quadrado por 100 litros de cevada; mas convem levar estas cifras até 2,20 metros para proceder mais lentamente
e obter um producto mais satisfatorios //
[5] Logo que o grão está no germinador espalha-se este cuja altura ou espessura varia segundo a estação [.] No inverno, para
um tempo frio, esta altura é de 70 centimetros a 1 metro e no verão de 35 a 55 centimetros. Daxa-se em seguida o grão em
reposo durante 20 horas no inverno e 10 a 12 no verão, antes de se occupar de revolver o monte de cevada. É muito conveniente

39 Espaço deixado em branco.


40 Espaço deixado em branco.

29
cobrir <o monte da> cevada com um pano durante os grantes[sic] frios. Au[sic] cabo de 10 ou 20 horas segundo a estação, abre-
se a massa á pá, voltando-a e estende-se um pouco, abaxando tanto mais a altura da cevada, quanto a estação é mais quente e
a temperatura do monte de cevada mais elevada. Au cabo de 9 a 12 horas, recommeça-se esta padejação, arejando o grão e
diminuindo a espessura da camada de cevada tanto mais quanto o aquecimento do grão é meior. Estas padejações repetem-se
diminuindo a espessura da <camada de> grão á medida que a germinação avansa mais.
Em geral a temperatura do germinador deve ser mantida a 10 graus centigrados, e a temperatura das camadas de cevada não
deve transpassar de 20 a 22 graus. Estes limites de temperatura são dados theoricos e praticos, e é persiso resgordar-se, ou da
daxar [sic] gelar o grão, o que destroi o germinação [sic] ou de expor a uma temperatura muito elevada, que faz perder ao grão
um porção notavel de seus principios uteis.
Cerca de 30 horas depois de <o> por em germinação e algumas vezes mais rapidamente ou mais lentamente segundo a epoca do
anno e a temperatura, começa a <se> produzir uma <espece> resudação, depois ve-se apparecer uns pontos brancos que são a
extremidade dos rebentos ou <radiculos>. 24 horas depois o gumo começa a ser visivel na <casca da> cevada, o monte d’ella commeça
a desenvolver um cheiro vinhoso e o grão amolece cada vez mais. Os trabalhadores // [6] devem tomar cuidado em não esmagalos...
O trabalho acaba logo que os rebentos tenham atingido uma vez e um quarto ou uma vez e meia o comprimento do grão, o
olho é pouco mais do comprimento do grão.
O modo que nos acabamos de descrever é o methodo ordinario, Ha praticas que querem dar á altura da camada do grão, uma
altura primitiva de mais de 15 centimetros e que, depois de um reposo de 15 horas pouco mais ou menos formam o monte a 20
ou 25 centimetros d’elevação.
Com uma temperatura exterior media de 10 graus, elles operão a padejação e a arejação de 12 em 12 horas; mas elles
<augmentão> esta operação, repetindo-a de 6 em 6 ou de 8 em 8 horas, se a temperatura é mais elevada.
É persiso notar que a padejação tem por fim fazer passar o grão da parte inferior do germinador para a parte superior e assim
sucessivamente
Arejação –– Logo que a cevada chegou a uma germinação sufficiente, e depois de a ter bubmetido[sic] a uma ultima
padejação, que tem por fim diminuir a especura[sic] da cama e de parar o trabalho, quando está bem esfriado, transporta-se para
os germinadores d’arejação para fazel-os pasar por um commeço de arejação sobre a influencia do ar atmospherico.
Comprende-se que o germinador <d’arejação> deve ter um bom solho, bem junto, que deve ter bastantes aberturas para
haver uma boa ventillação e que as aberturas devem ser tapadas com uma rede metalica para proteger os grãos contra os ataques
de passaros. //
[7]41

[8] –– Technologia Rural – por – João Ignacio Ferreira Lapa42. –– Distillação das substancias farinaceas ––
Todos os grãos e tuberculos farinaceos podem ser distillados e produzir alcool de melhor ou peior qualidade, e em meior ou
menos abundancia.
Esta pratica porém tem sido, quasi por toda a parte restringida á distillação do grão dos cereaes e das batatas.
–– Destruidas as partes amilaceas dos farinaceos, ficam as partes cellulosas, gordas, albuminosas e salinas, intactas ou pouco
menos, e em estado de poderem ser aceitas e utilisadas pelos gados. ––
Distillação das raizes e tuberculos farinaceos. –– A distillação das raizes, tuberculos, ou hastes farinaceas, teve em vista
desde o seu começo resolver simultaniamente o problema agricola e industrial, formulando a questão n’estes termos: fabricar
o alcool mais puro de maneira que as polpas, fundagens ou residuos das distillação [sic] conservassem os outros principios
alimentares dos productos vegetaes.
Desta maneira a industria e a cultura associavam-se para um fim, pois que a primeira (industria) pedindo um producto
puramente carbonado, deixava em troca uma massa avultada de alimento phosphoro-azotado, cuja quantidade havia sollicitado,
e que prestava um immenso recurso á producção dos gados, isto é, á produção directa da carne e outros productos animaes, e
indirectamente á producção do pão pelo augmento dos estrumes.
Muitos foram os artificios para resolver a questão por ambos os lados; e como vamos ver no exposto dos diversos processos
tem-se sempre sacrificado um dos fins, quando se tem querido attender como condição essencial á economia do processo.
Distillação das batatas <cemilha> –– A. Processo allemão. –– Na Allema-//[9]nha tiveram nascimento as primeiras
distillações de tuberculos e raizes.
41 A página 7 não apresenta qualquer escrito.
42 Artes Chimicas, Agricolas e Florestaes ou Technologia Rural. Lisboa. 1865. 2 Vols.

30
Reduz-se este processo a lavar as raizes ou tuberculos a cozel-os a vapor, a fazel-os em papa, a saccharificar esta papa ou
caldo, a fazer fermentar o mosto, e a distillar o vinho resultante.
Lavagem. –– Pratica-se, usando de um lava-raizes tocado, conforme a tarefa, por homens, por um manejo de cavallos, ou
por uma machina de vapor.
Cosedura ou raladura. –– Ao principio eram as raizes e tuberculos cosidos a vapor dentro de uma dorna e d’ahi passados á
machina, aonde eram ralados ou esmagados até ficarem em calda. Esta machina era formada, ou por dois cylindros endentados,
muito parecida com a que se faz a pisa mechanica da uva, ou por uma prensa de martello. Ideou-se depois como mais simples,
operar a cosedura e raladura em um mesmo apparelho, o o [sic] qual se compõe de uma grande cuba de madeira fechada
hermeticamente fig. II.

Esta dorna tem no centro um diaphragma P, P, crivado de buracos mantido a um terço de altura do fundo por uma haste
movel L susceptivel de movimento de rotação communicado pela engrenagem do angulo O’, J, J! A esta haste girante, estão
encavados duas ordens de braços: uns rentes ao fundo do Balceiro remexem e misturam a calda; outros rentes á face superior
do diaphragma, espapaçam as raizes e as fazem cair desfeitas pelos buracos do diaphragma no repartimento H, I, O. O
movimento do batedor começa uma hora depois da entrada do vapor [.] // [10] A torneira G serve para deixar sahir o ar, a
torneira V dá despejo á calda depois de feita, tem uma porta S para o carregamento da dita cuba e limpega[sic], e tem
bambem[sic] um tubo F que traz o vapor á cuba
Saccharificação, ou formação do mosto. ––– Na distillação das batatas, e outros tuberculos farinaceos, executam os allemães
a operação da saccharificação da calda quasi como se pratica, e <vamos> descrever, a caldiação da farinha do malt para preparar
a cerveja. A calda grossa é passada da machina em que foi batida para as dornas <balceiros> de maceração. Aqui é deslassada
com agua <quente> até ficar na temperatura de 40º a 45º; é envolvida e bracejada com a farinha de malt de cevada na proporção
de 7 por 100. Assim fica em descanço por meia hora, no fim da qual se caldêa novamente com agua quente, que a poe a 64º ou
70º. Novo descanço de 3 horas, passadas as quaes se caldeia com nova dose de agua á temperatura de 25º a 30º. No fim d’este
terceiro trabalho o mosto deve achar-se na proporção de 300 litros por cada 100 kilos de tubercules ralados.
Fermentação –– Nas mesmas dornas (balceiros) em que se caldeou o mosto se establece a fermentação misturou-lhe[sic] o
fermento da cerveja (ou outro) na propurção de 1/4 de litro por cada 100 kilos de tuberculos empregados. Em 48 horas a
fermentação completa-se e socega, passando-se as coisas exactamente como na fermentação do mosto de malt.

31
Distillação. –– Na distillação dos tuberculos e raizes empregam-se, ou os apparelhos aprefeiçoados de Lavalle ou os nossos
alambiques ordinarios de coluna um pouco modificados Fig. II (do folhete) em attenção á natureza pastosa do vinho dos
tuberculos. //

[11] –– Dispersos –– Saccharificação do «malt» –––


As operações que entram n’este grupo teem por fim reduzir ao estado de mostos fermentavel [sic] todas as partes do malt
que são susceptiveis de solubilisação.
São em numero de trez, a empapagem, a cosedura, e o resfriamento do mosto. Trataremos aqui só da empapagem ou
caldiação do mosto que é o que presisamos saber para a fermentação da batata e do cerias[sic].
Empapagem. –– Consiste esta operação em desmanchar, ou caldear a farinha do malt em agua quente, para transformar o
amido em dextrina, e a dextrina em assucar debaixo da acção fermentante da diastase. ––
Esta acção da agua quente e da diastase é ajudada pelo movimento, em que se põe toda a massa, o qual era ao principio
executado a braços de homem e por isso esta operação teve, e tem ainda o nome de braçagem.
Actualmente desmacha-se, empapa-se ou caldeia-se a farinha do malt por meio do movimento de um sarilho susptido
verticalmente dentro de uma dorna (balceiro) e posto em acção por uma granzagem exterior jogada pelo vapor. Fig. 2

Espécies de farinha que entram na dorna. –– Pode entrar na dorna unicamente a farinha de grãos germinados. Pode preparar-
se uma mistura em diversas propurções de malt de cevada, e de malt de outro grão. Finalmente a mistura que se empapa pode
ser constituida de malt de cevada, com farinha de grãos não germinados, ou com féculas de tuberculos, como por exemplo, com
a fécula de batata. //
[12] Methodos de empapagem. –– Quando a agua quente em que se caldêa a farinha não chega á temperatura da ebulição,
diz-se que a empapagem é feita por infusão. Mas se toda a calda ou parte d’ella, depois da infusão, é levada ao ponto de fervura,
diz-se que a empapagem é feita pelo methodo de decocção. Estes dois methodos de caldear a farinha tem uma influencia grande
nas propriedades da cerveja.
Para comprehender a acção differente que tem estes dois methodos, e chegar a distinguir os casos em que convêm um ou
outro, é preciso explicar a theoria dos phenomenos que se passam na farinha empapada pela agua quente.
Logo que a farinha de malt é imbebida pela agua quente, a 35º ou 40º, a diastase é disolvida, e distribuindo-se

32
uniformemente pela massa, começa a produzir o seu effeito saccharificador sobre o amido, convertendo-o em dextrina. Se a
agua é mais quente ainda, se vai na temperatura de 75º a 80º, o amido que tem já soffrido uma hydratação que o converteu em
gomma (empois), ou em amylo-dextrina, mais facilmente passa então pela acção da diastase ao estado de assucar. Um calor
superior a este amolleceria muito mais o amido e facilitaria muito melhor a sua conversão ultima, se este calor não fizesse perder
á diastase parte do seu poder, e se ao mesmo tempo o amido, muito hydratado e gommoso, não formasse caroços ou grumos
difficeis de penetrar pela diastase. Desta maneira não convêm exceder aquella temperatura de 75º, quando a farinha não tem
diastase em abundancia, como é o caso de ser a farinha de grãos germinados e de grãos não germinados, porque então a diastase
dos primeiros tem de servir para // [13] saccharificar o amido proprio e alheio.
Em tal caso prefere o methodo por infusão ao methodo por decocção. Mas no caso contrario, quando a farinha é toda de
malt, e se pretende fazer uma cerveja encorpada, mais nutritiva que alcoolica, então convem levar a temperatura da calda ao
termo da ebulição.
Processos práticos de empapagem por qualquer dos methodos: –– Methodo por infusão. –– Traparemos[sic] os d’este
methodo por ser o osado para as fermentacoes[sic] dos tuberculos farinacios, por ex. da batata. Depois de encher a dorna de
farinha, faz-se chegar a agua pelo tubo inferior A com a temperatura de 40º a 60º.
Como a farinha está a temperatura do ambiente a mistura ficará com uma temperatura inferior a 35º. Mexe-se a massa até
á empapagem perfeita, e se deixa em reposo por espaço de meia hora.
Este primeiro trabalho tem o nome de caldeação preparatoria, porque o seu fim é de imbeber a massa, e operar a conversão
do amido em dextrina, a qual n’esta temperatura inferior a 35º se opera com exclusão da formação do assucar, porque esta exige
temperatura mais alta. N’este primeiro trabalho a diastase exerce só a primeira parate[sic] da sua acção, isto é, sobre o amido.
Passado aquelle tempo, faz-se chegar nova porção de agua mais quente que a primeira, de forma que a temperatura da massa
se deve a 60º ou 70º. Bate-se e agita-se fortemente a massa, deixando-a outra vez em descanço por tempo de uma hora. Este
segundo trabalho é caldeação definitiva. Pela acção da da [sic] temperatura mais elevada, a diastase converte a destrina em
assucar. Abre-se então a torneira B fig 2 // [14] e extrai-se da dorna o primeiro mosto. Extraido o mosto convém lavar a massa
com outra agua para extrair os restos de dextrina e do assucar que ainda contém. A agua que para este fim se empregar deve
pôr a massa na temperatura de 75º, porque a esta temperatura toda a dextrina se converte em assucar. Faz-se uma ou duas
lavagens sendo os mostos d’estas lavagens separados á parte.

Continuação da distillação – das batatas –– (cemilha)


O processo allemão, explicado mais atraz, da distillação das batatas, dito tambem por cozedura, produz por cada 100
kilogramas de batatas, 16 litros de aguartente[sic] de 46º centensimaes, que pela refinação se reduzem a 7,4 litros de alcool puro.
As fundagens, que restam depois da distillação representam com pequena differença a massa nutritiva das batatas cruas; são
appetecidas pelos gados misturadas aos farellos, palhas e grãos mas de fifficil[sic] conserva de sorte que este processo não pode
dar todo o proveito de que é susceptivel em relação economica do gado, senão sendo praticado á medida do consumo dos
residuos.
Processo francez, ou de Dubrunfaut, da distillação da batata. –– A difficuldade que ha em obter alcool puro de mostos
pastosos, quando não se trabalha com um apparelho distillatorio aprefeicoado[sic], suscitou a Dubrunfaut a idéa de substituir
os caldos grossos da batata cozida, e esfarellada, por liquidos claros d’este tuberculo, que depois de fermentados podessem ser
distillados em qualquer dos apparelhos ordinarios de menos preço. //
[15] Manda para im ralar [sic] a batata crua, deitar esta massa n’uma dorna, provida de um falso fundo crivado de buracos,
sobre o qual se estende uma camada de ciscalho de palha. Assim fica a massa a escorrer a agua de vegetação por tempo de 1/2
hora, agua que se retira pela torneira da dorna metida a pouca distancia do <fundo da> dorna. –– Logo se deita na dorna agua
a ferver na quantidade de 1000 a 1200 litros por 1000 kilos de batatas raladas, ajuntando ao mesmo tempo 70 kilos de farinha
de malt.
Depois de envolver e remexer bem toda a massa, deixa-se em repouzo por 3 a 4 horas. Ao fim d’este tempo pela torneira se
despaja o liquido, que se conduz á dorna de fermentação; e se lixivia a massa com uma nova quantidade de agua quente, metade
da que se empregou na primeira operação. Despejada esta primeira lixivia, faz-se outra com egual quantidade de agua, mas na
temperatura ordinaria. Os liquidos d’estas duas lixivias ajuntam-se ao primeiro na mesma dorna de fermentação. –– A
fermentação estabelece-se então ajuntando dois por mil de levura fresca de cerveja (ou outro fermento).
Este processo não é tão rendoso em alcool, porque a lixivação das pôlpas não lhes extrae todas as partes alcoolisaveis, mas
em troca d’isso, saem aquellas mais avultadas, alimentosas, e saborosas aos gados. Á[sic] sua grande vantagem porém é do

33
fabrico não necessitar apparelhos custosos.
A este processo da distillação por meio de raladura da batata crua, substitue-se muitas vezes o processo de distillação
por saccharificação da fécula. Inventou-se este processo, porque, se é pouco economico, distillar de uma vez uma grande
massa de batatas, perdendo // [16] a meior parte dos residuos por falta de gado que os aproveite, maior prejuizo traz a
distillação dividida por todas as epocas do anno; porque a batata grela e estraga-se, passando um certo periodo de
arrancada. Convertendo as batatas todas em fecula tem-se a materia prima sempre em bom estado, e pode-se distillar em
qualquer tempo.
A preparação da fecula das batatas para distillar não carece dos apuros e perfeição que demanda o fabrico da fécula
industrial. Depois de raladas e lixiviadas as batatas sobre largos sedaços, as aguas de lavagem depositam uma fecula parda
sufficiente pura para a distillação. Esta fécula se enxuga e sécca.
Na occasião em que se quer distillar, a fecula secca das batatas pode ser saccharificada, ou pela diastase, ou pelos acidos.
Pela diastase, o processo regula muito proximamente pelo que exposemos no systema da distillação por meio da raladura.
Unicamente não ha lixivações a fazer, porque toda a massa envolvida na agua se converte em liquido saccharino.
Por cada 10 kilos de fecula, ajunta-se um hectolitro de agua á temperatura de 75º a 80º e 2,5 kilos de farinha de malt; braceja-
se e junta-se mais 4 decalitros de agua fria até a temperatura descer a 50º [.] Descanço por 2 a 3 horas, em seguida ao qual pode
começar a fermentação, addiccionando o fermento da cerveja. Por este processo retirou-se 46 a 48 litros de alcool puro por 100
kilos de fécula, contando 20/100 de agua //

[17] Processo inglez da distillação da batata.


A seccharificação do tuberculo da batata por meio dos acidos é hoje muito pouco usada, porque não só é mais dispendiosa,
mas porque as pôlpas acidificadas ficam inutilisadas para os gados [.] Mas a saccharificação da fécula da batata pelos acidos
especialmente pelo acido chlorhydrico, é ainda usada na Inglaterra e em outras partes.
Reduz-se este processo a tratar á temperatura da ebullição, determinada por uma corrente de vapor, o liquido em que se
desmachou a fecula, e que se acidulou com o acido chlorhydrico na dóse de 4 kilos por 200 litros de agua.
O vapor deve passar no liquido todo o tempo que dura a saccharificação, a qual se tem por terminada, quando umas pingas
do liquido lançadas n’uma capsula não azularem com a tintura de iodo.
Procede-se então á neutralisação do acido, lançando no liquido o carbonato de soda, geralmente na dose de 1 1/2 a 2 kilos
por cada 4 kilos de acido empregado. ––
Em seguida establece-se a fermentação ao modo ordinario com o fermento de cerveja.
Fermento para mel
Consiste em saccharificar o centeio com o malt explicado na alcoolisação dos grãos farinacio [sic]: Para uma cuba de 6000
litros é na seguinte propurção: Depois de saccharificado o centeio com o mal[sic] na dose de 60 kilos de Centeio por 6 kilos de
malt seguindo o processo B methodo inglez moderno, é cusido 1/2 kilo de lupulo e mesturado com esta massa e deixado
fermentar e depois empregado. O custo de este fermento para uma cuba de 6000 litros e o seguinte (isto é juntando-lhe 1/2 galão
de fermento de cerveja.)
30 kilos de Centeio a 35 reis ao kilo ...................................2100 reis
6 kilos de malt (cevada cerminada) a 200 reis ao kilo........1200 reis
1
/2 killo de lupulo a 1000 reis ao kilo .................................. 500 reis
1
/2 galão de fermento de cerveja a 500 reis ao galão........... 259 reis
Total............4050 //

[18] –– Segundo Ferreira Lapa43 –– Alcool de grãos farinaceos ––


Ainde[sic] que todas as cementes farinacias possam ser alcoolisadas, a industria da distillação dá a preferencia ás cementes
dos cereaes, não so porque são as mais ricas em amido, mas porque, menos cheias de substancias gordas, extractivas e resinosas,
produzem alcooes de mais fino gasto e pureza.
Nem todos os grão cereaes [sic] fornecem egual quantidade de alcool, e da mesma qualidade. –– A quantidade e pureza do
alcool estão dependentes da quantidade que o grão contém de amido e dextrina.
A seguinte tabella, que extraimos das analyses do senhor Payen, demostra quaes os cereaes que estão no caso de melhor
servirem á distillação pela sua riqueza n’aquelles dois principios alcoolisaveis.
43 ob.cit.

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Amido Dixtrina Total
Arroz ..................................... 89 ..................... 1 .................... 90
Trigo molar branco ............... 75...................... 6 .................... 81
Centeio ................................. 65 ..................... 12 .................. 77
Cevada .................................. 65 ..................... 10 .................. 75
Milho .................................... 67 ..................... 4 .................... 71
Avêa ..................................... 60 ..................... 9 .................... 68
Trigo duro de Venezuela ...... 58 ..................... 9 .................... 67
Deduz-se d’estes numeros que o arroz, é de todos os ceriaes o que produz mais rendimento de alcool, o qual é de boa
qualidade.
Succede-lhe o trigo molle, o qual produz tambem bom alcool, mas de um preço mais elevado, por causa do maior valor
d’este cereal.
Vem depois o centeio, cujo alcool sae mais barato, mas de qualidade inferior aos precedentes, se não é bem depurado.
O milho a avea e a cevada produzem bons alcooes mas a sua diminuta quatidade[sic] so poderá ser compensada pela
excessiva barateza d’estes grãos. //
[19] O trigo duro, porque produz pouco alcool, e pelo seu elevado preço, não deixa lucro que convide a distillal-o [.] Esta
ultima deducção é veridica á vista da extrema differença nas qualidades das materias amylaceas que apresentam os trigos da
precedente tabella; trigos que representam dois typos muitos opostos; um de trigo de paiz humido, outro de paiz quente e sêcco.
–– Mas comparando os trigos duros e molles do novo paiz, que nem é humido bastante para fazer todo o trigo molle farinaceo,
nem bastante quente para dar ao trigo rijo a maxima dureza, acha-se muito menor differença na quantidade de suas materias
alcoolisaveis.
Entretanto havendo bons apparelhos, preferirá a este trigo o centeio, que é o grão mais empregado em todas as partes da
Europa, em que se destillam cereaes pela sua maior baratesa.
Assim como já vimos na distillação dos tuberculos farinaceos, ha na distillação dos grãos differentes methodos a seguir,
segundo se querem mostos claros ou pastosos, segundo saccharificação é feita com o malt ou com os acidos.
II.º Methodo do francez. –– Este methodo é ensaiado por dois modos um tanto differentes, postos em pratica, um por
Dombaste, o outro por Dubrunfaut.
A. Processo de Dombaste, ou antigo. –– O grão de que se quer fazer alcool é reduzido a farinha, e lançado n’uma dorna com
25 por 100 do seu pezo de farinha de malt. ––
Deita-se-lhe agua a 50º de temperatura e desmacham-se bem aquellas farinhas, ficando a calda com 31º a 33º de calor em
reposo por meia hora. No fim d’este tempo deita-se nova porção de agua a ferver, revolvendo e desfazendo a massa, de sorte
que esta fique na temperatura de 62º. –– Outro reposo de duas horas, tres ou quatro // [20] conforme a quantidade da calda:
depois do que se passa o liquido á dorna <ou balceiro> de fermentação, aonde pela addição de agua fria se põe na temperatura
de 20º a 25º, a mais conveniente para se verificar a fermentação. Esta é excitada pela mistura do fermento de cerveja, como já
se explicou na distillação dos tuberculos.
B. Processo Dubrunfaut44. –– Os pontos de differença entre este processo e o precedente consiste: 1º em misturar e embrulhar
a massa logo na primeira calda com 2 a 3 por 100 do seu pezo de ciscalho (casca do trigo) ou cas-cabulho de trigo com o fim
de dividir a massa e ajuntar a acção saccharificante da diastase; 2º empregar na previa caldeação agua a 43º, e não 50º; 3º fazer
fermentar o mosto dentro da mesma dorna em que se faz a caldeação, pratica geralmente seguida pelos destilladores, o que exige
que a dorna seja de grande capacidade para admittir a agua fria necessaria para por o liquido na temperatura de 20º a 25º.
2º Methodo inglez. –– Pratica-se tambem como o methodo francez por duas maneiras.
A. Processo Inglez antigo. –– Com pequena differença nos promenores da manobra é o processo de Dubrunfaut. –– Differe
com tudo do de Dombasle, em se usar de uma dorna de braçagem semelhante á que usam os cervejeiros; isto é, com um falso
fundo crivado de buracos, por onde o liquido se escoa limpido no fundo da dorna, e d’onde é retirado para a dorna de
fermentação. – No mais ha perfeita semelhança. –– Mestura da massa com o ciscalho de trigo; primeira calda a 45º; e segunda
calda a 50º ou 55º; fermentação a 20º ou 25º.
B. Processo inglez moderno. –– Actualmente, em vez de se deitar 20 por 100 de malt nas farinhas a saccharificar, deita-se

44 Dubrunfaut, Auguste-Pierre (1797-1881): Mémoire sur la saccharification des fécules / présenté à la Société royale et centrale d’agriculture de Paris,
pour le concours qu’elle a ouvert sur la culture de la pomme de terre et l’emploi de ses produits, Extr. de: “Mémoires de la Société royale et centrale
d’agriculture”, 1823.

35
// [21] apenas 10 por 100. Mas este malt tem sido pouco carbonisado na estufa, ficando de côr clara, e por consequencia com
toda a força da diastase. –– No resto, este processo segue a marcha do precedente.
3º Methodo allemão. –– Os allemães conduzem a saccharificação das farinhas, como fazem para fabricar cerveja com grãos
todos germinados. –– Este methodo se tem o acrescimo do trabalho da maltagem sobre toda a massa de grão, que se pretende
distillar, tem tambem vantagens, que o podem em certos casos fazer preferir a qualquer dos methodos antecedentes. A primeira
vantagem é que a parte amylacea toda se converte em glucose, porque a diastase que aqui opera sae sae [sic] de toda a massa
do grão empregado. É verdade que as funtagens[sic] ficam menos nutritivas para o gado; e ha necessidade de as lavar
repedidas[sic] vezes com agua fria, para acabar de lhes tirar as partes alcoolisaveis, o que augmenta consideravelmente o
volume do liquido fermentado. Mas tambem este liquido, assim diluido e apesar d’isto bastante saccharino, fermenta
facilmente, correndo menos risco de passar á fermentação viscosa, sendo que as vinhaças pela sua liquidez e limpeza podem
muito bem utilisar-se para caldas de tarefas seguintes.
4º Methodo belga. –– Na sua essencia, o methodo de distillar cereaes geralmente hoje seguido na Belgica não differe do
methodo francez. A mesma quantidade de malt e de farinha, que commumente é de centeio [.] Primeira calda á temperatura de
35º a 40º; a segunda á temperatura <de> 55º; fermentação a 20º ou 25º; a mesma quantidade de fermento; fermentação nas
dornas da caldeação; distillação dos mostos na estada pastoso.
Apreciação critica dos processos expostos. –– Os methodos // [22] francez, allemão, e belga, reduzem-se afinal a um
methodo unico, dito por mostos pastosos; o methodo inglez é o unico que prepara o mosto claro em estado de poder ser
distillado nos apparelhos mais usuaes. O alcool obtido de mostos claros sae de melhor qualidade, mas é menos rendoso; o alcool
dos mostos pastosos é mais abundante, mas para sair tão fino como o primeiro exige apparelhos especiaes, para que as materias
pastosas larguem todas as partes alcoolicas e não sejam queimadas.
Os inglezes usam de apparelhos de proporções enormes. Estão elles convencido [sic] de que n’isto consiste a facilidade que
tem em tirar excellentes alcooes de cereaes, o que até certo ponto é exacto; porque um grande apparelho distillatorio admitte
muito meior numero de sandojas[?] rectificadoras, e permitte trabalhar com liquidos muito destemperados, que se requeimam
menos. Estamos porem convencidos de que a excellencia dos alcooes inglezes procede tambem em grande parte da natureza do
mosto que se distilla. Porque na verdade, qualquer que seja a perfeição do apparelho e o cuidado da distillação, nunca um mosto
pode produzir o mesmo alcool que sae de um mosto limpido e delgado. Como em todas as coisas da industria, a quantidade do
producto anda na razão inversa da sua qualidade.
Sob o ponto de vista da marcha da saccharificação, qualquer dos processos nos parece satisfazer ás condições da theoria
chimica que regula este phenomeno de transformação, comtanto que a temperatura da primeira calda não exceda 45º e a segunda
70º. Porque não deve esquecer, segundo o que expoeem no tratado de Saccharificação do malt ou Caldeação do malt para o
fabrico da cerveja, que a temperatura dos caldos é a primeira condição para a saccharificação correr regularmente. // [23] É
preciso que na primeira toda a fécula se converta em amylo-dextrina, e na segunda se opere a transformação d’este em glucose;
aquellas temperaturas, como já vimos, são as mais accomodadas á[sic] cada um d’estes periodos da conversão do amido.
Quanto á fermentação, é preciso regular a quantidade do fermento ajustado pela densidade de mosto.
Esta quantidade varia de 1 a 4 por 100 em peso da farinha saccharificada.
O emprego das vinhaças de distillação anteriores nas caldeações seguintes, tem a vantagem de economisar o combustivel
que se gasta em fazer ferver a agua para a caldeação: tem ainda a vatagem[sic] de se poder diminuir a quantidade de fermento
que se deve ajuntar ao mosto, mas o alcool nunca sae tão puro, como empregando-se agua limpa.
5º Methodo da distillação dos cereaes saccharificados pelos acidos, –– O que dissemos da saccharificação da batata pelos
acidos tem inteira applicação aos cereaes. Desmanchar a farinha cereal em agua, na dose de 200 litros por 100 kilos de farinha.
Esta agua deve ser acidulada com acido chlorhydrico na proporção de 4/100 de pezo da farinha empregado. –– Ebulição do
liquido por meio do vapor, até que não azule com a tintura de iodo. Neutralisação com o carbonato de soda, fermentação com
a levadura de cerveja e distillação.
Este processo é o que produz alcool de maior pureza mas as fundagens muito carregadas de chlorureto de sodio, sal marinho,
só podem ser empregadas pelos gados, sendo encorpadas com grandes massas de outras forragens.
Vem a proposito aqui fallar de um fermento artificial inventado por Dubrunfaut para sustituir o fermento da Cerveja,
invenção facilima, porque não é facil // [24] haver sempre á mão a levadura de cerveja, nem preparal-a bem, quando se não
exerce a industria de cervejeiro.
Reduz-se a preparação d’este fermento a saccharificar a farinha de cereaes, preferindo sempre o centeio, pela agua acidulada
com o acido sulphurico na dóse de 5 por 100 do peso da farinha, segundo o processo acima descripto

36
O liquido resultante de consistencia xaroposa mistura-se á calda que se quer fazer fermentar na dose de 10 kilos de farinha
saccharificada por cada 1 kilo de levura que houvesse de se empregar.
Distillação da raizes [sic] saccharinas
Debaixo d’esta denominação comprehende-se principalmente a distillação da beterraba, da batata doce e do
tupinambo; d’estas raizes é a beterraba a mais importante; não porque contenha uma quantidade de materia alcolisavel
muito superior ás das duas outras raizes indicadas, mas porque sendo a que contem maior dose de saccharose, d’ella se
tem feito na Europa a base da industria do assucar indigena; (Das trez qualidades de beterrabas mais conhecidas, é a
variedade branca da Silesia de collo verde ou rosado, a mesma que prefere para a extração do assucar, a que mais alcool
fornece.
Aconselha-se, como meio mais prompto para conhecer a sua riqueza saccharina, é cortar em rodellas um kilo de beterrabas,
bem lavadas e limpas seccal-as na estufa até partirem á pressão das mãos, e pesal-as. Descontar d’este pezo 80 gramas; e resto
representará o peso do assucar que dará o alcool puro // [25] praticamente correspondente, sabendo-se que cada 9 killos de
assucar encontrada [sic] nas beterrabas produzem 3,5 litros de alcool puro, porque as beterrabas não dão praticamente senão os
4/5 do alcool, calculado sobre o assucar que se lhes reconhece.
Mas este ensaio está sujeito a grandes erros, porque o numero 80 das partes celulosas, albuminosas e sallinas que se desconta
do peso da beterraba sêcca, está sugeito a grandes variações. –– A exessiva estrumação das terras, por exemplo, influi
particularmente na proporção das materias albuminosas e do assucar, fazendo acrescer aquellas á custa d’este.
Diversos processos tem sido empregados na distillação da beterraba.
Iº Processo de distillação da beterraba pela raladura e espressão do sumo. –– Lavam-se primeiramente as raizes e
submettem-se á acção de um ralador mechanico. A massa resultante é ensacada e espremida em uma presa hydraulica; o sumo
que escorre chega a 80 ou 85 por 100 de pezo das raizes empregadas e tanto pode servir para a extracção do alcool, como para
a do assucar.
O sumo obtido da prensa é aquecido a vapor dentro de caldeiras, a 26º ou 28º, e logo depois transportado por uma bomba
ao tanque ou dorna de fermentação
Aqui é o sumo da beterraba acidulado antes de começar a fermentar com o acido sulfhurico, ou melhor com o acido
chlorhydrico o qual se emprega no dóse de 4 a 6 kilos por cada 1000 litros de sumo.
A acidulação tem differentes fins. –– Faz desaparecer a alcalinidade do liquido, sacharifica a parte // [26] amylacea da raiz;
inverte e torna directamente fermentascivel o assucar crystallisado que existe naturalmente na beterraba. Auxilia a precipitação
das materias albuminosas, tornando assim o liquido mais claro e limpo.
Bem que o sumo da betterraba contenha em si o fermento sufficiente, que a acidulação, alêm d’isso esperta e activa, não se
daxa por esse motivo de empregar o fermento de 50 a 60 gramas de fermento de cerveja por cada 100 litros de sumo
A fermentação dura ordinariamente de 18 a 24, e tem-se a certeza que todo o assucar foi desdubrado quando o ariometro de
Baumé desce a 0º.
Este processo dá de 3 a 5 litros de alcool puro por 100 kilos de beterraba.
2º Processo de distillação da beterraba por maceração. –– Maceração pela agua. –– Emprega-se a agua quente ou fria,
acidulada com o acido sulphurico ou chlorhydrico na dose de 2 do primeiro ou de 4 do segundo por 1000 de beterraba.
Tres dornas são persisas para fazer esta maceração [.] Todas trez se enchem de beterrabas, ou cortadas em rodellas, ou
raladas em poulpa.
Faz-se chegar a agua <acidulada> á primeira dorna de maceração de maneira a cubrir as rudellas que a enchem, e ahi demora
o tempo de uma hora depois despaja-se o liquido que se faz passar a 2ª dorna em que as cousas se verificar da sucessiva forma
para passar a 3ª dorna. O liquido depejado da 3ª dorna vem carregado com o assucar retirado das 3 dornas, é conduzido ao
balceiro de fermentação. Por uma maneira de trabalhar com estas dornas as rodellas de beterraba são lavadas // [27] 3 vezes
para lhe extrahir todo o assucar.
Reparando bem para a marcha que deve levar o trabalho, ve-se que cada liquido passa a segunda hora do seu trabalho pela
massa de beterraba que foi já uma vez lixiviada; e na terceira hora pela massa que já o foi duas vezes. Vê-se mais que cada
liquido, á medida que se carrega de assucar, vae passando por massas mais ricas d’elle; e os liquidos novos entrom[sic] primeiro
na dorna mais esgotada. Em fim cada liquido antes de ser despejado passa em tres dornas differentes; e cada dorna antes de ser
substituida recebe tres cargas differentes de liquido.
Recebe depois este liquido o mesmo trabalho que no processo anterior: a fermentação dura 24 a 36 horas e rende por cada
1000 kilos de beterraba 35 litros de alcool puro.

37
3º Distillação directa da beterraba. –– Processo Laplay. Uma feição inteiramente nova deu este industrial ál[sic] alcoolisação
e á distillação das raizes e hastes saccarinas.
O novo processo de que vamos fallar consiste em cortar em talhadas a raiz ou haste saccharina [;] na immersão e
fermentação directa d’estas talhadas em um vinhaço fermentado de virtude duradoura; distillação das talhadas fermentadas pelo
seu aquecimento e deslocação do alcool operados por uma corrente de vapor
Desta sorte despensa este processo o trabalho e utensilios da expressão e da raladura; conduz a fermentação sem o risco de
se gerarem os acidos lacticos e acetico, e sem o inconveniente de se formarem as espumas que os liquidos em fermentação
levantam e que embaracom[sic] // [28] e encommodom[sic] a operação; realisa a distilação com a menor acção nociva do
calorico, sem esperdicar alcool algum; e finalmente deixa ficar as polpas cosidas, mas com todas as suas partes nutritivas, e
debaixo de um pequeno peso, que é apenas 50 por 100 do peso da beterraba crua.
Lavada e cortada em tiras, ou rodellas delgadas é a beterraba ensacada em sacos de estopa, e estes immergidos em dornas
que contêm sumo de betterraba já fermentado e acidulado com o acido sulphurico. //
[29]45

[30] Fermentação ou alcoolisação dos melaços ––


Melaço da terra (Funchal <Madeira>) –– Estes contuem[sic] muito menos materias estranhas ao assucar (cal e etc) que os
melaços estrangeiros de Demerará e outras precedencias, por isso a alcoolisação de se [sic] faz mais facilmente que a dos outros
melaços, dando tambem um rendimento mais favoravel.
Alcoolisação –– O primeiro trabalho consiste em preparar o fermento para a fermentação: Este fermento pode-se fazer de
differentes formas, as quaes se devem levar á experiencia e escolher a melhor de todas, por que é do fermento e da boa maneira
de conduzir a fermentação que se obtem meiores productos, e não fazendo como muitos alcoolisadores que para pouparem no
fermento perdem em alcool, quando verdadeiramente não há perca nenhuma em augementar o fermento porque esse mesmo
fermento deve dar alcool suficiente para o seu costeio sendo bem preparado.
1º fermento –– Garapa –– Este fermento havendo-o é o melhor porque depois de preparado é o que contem meior porção
de materias proprias á fermentação.
Maneira de preparar –– Consiste este processo ém clarificar a garapa como se faz para o assucar, para lhe coagular a
albominia que o sumo da cana contem; esta calda é tirada clara dos clarificadores e levada a um balceiro aonde se deita agua
fria até que o grau do peza charopes baxe a 6 Baumé e o calor saje[sic] de 26º centigrados depois deita-se-lhe o acido sulfurico
desfeito em agua na proporção de 1 de acido por 8 de agua, até que o papel azul de tornesol fique cor de sebolla seca; deve-se-
lhe juntar tambem um pouco de infusão de tannino ou casca de carvalho (que é um restringente). Daxa-se depois fermentar, e
logo que a fermentação estaja // [31] bem desenvolvida é então empregado. *
2º fermento –– Bagaço d’uva –– Trataremos primeiro da maneira de conservar este bagaço, que é muito simples: O bagaço
é deitado muito fresco (é preciso tomar cuidado em que estaja bem fresco) em tanques de ferro ou madeira, e depois cobril-o
com melaço até que fique bem embebido no mel o qual se consegue deitando por camadas o bagaço e o melaço. Pode-se
conservar por esta forma o bagaço durante 6 ou 12 mezes conforme o melaço está menos ou mais concentrado.
Querendo empregal-o não tem mais do que deixa-lo escorrer do melaço e deital-o na cuba de fermentação tendo porem o
quidado de fazer com que o dito bagaço se conserve coberto com a fermentação o que seria melhor se se conserva-se no fundo.
A fermentação para este fermento deve ser desfeita com agua até que o peza charope marque 4 1/2 a 5 Baumé conforme o mel
empregado <no bagaço> é mais ou menos denso, porque o bagaço traz em si muita parte de melaço o que faz augmentar o grau.
A quantidade varia segundo se quer e tambem conforme a qualidade do melaço e bagaço; mas esta quantidade não deve ser
menos de 3 cargas ou custos de vindima ou ______ 46 kilos de’este[sic] mesmo bagaço por 6000 litros de mel desfeito em 5º
Baumé.
É persiso notar que este bagaço dá alcool e melhora muito o producto o que tem uma grande vatagem[sic].
3º fermento –– Este fermento consiste em saccharificar a farinha de centeio por duas formas; ou pela diastase isto é pelo
malt ou pelos acidos (sulfurico ou chloridryco)

* Nota – Esquecia-me dizer a quantidade de garapa que se deve empregar por cada 100 litros de melaço desfeito: A

45 A página 29 não apresenta qualquer escrito.


46 Espaço deixado em branco.

38
quantidade deve ser pelo menos 10 litros de garapa por 100 de melaço desfeitos. //
[32] 471º modo = Pela diastase com o malte de cevada –– Fermento para uma cuba de 6000 litros == A farinha de centeio
depois de moida é deitada n’uma cuba de maceração; 40 kilos de farinha e 4 kilos de malt estresuado, deita-se-lhe agua a 45º
de temperatura desmaxa-se bem aquellas farinhas ficando a calda com 31º a 33º de calor em reposo por meia hora. No fim d’este
tempo deita-se nova porção de agua a 70º <ou 80º> revolvendo e desfazendo a massa de sorte que esta fique na temperatura de
62º. –– Outro reposo de duas horas, trez ou quatro conforme a quantidade de calda. Este liquido assim preparado <daxa-se
esfriar até 30º de calor e> é-lhe <pedois[sic]> adecionado 1/2 kilo de lupulo bem sosido[sic] 1/2 galão de fermento de cerveja, 25
kilos de melaço desfeito em agua quente e convenientemente acidolado na temperatura de 30º e no grau de 6º Baumé. Daxa-se
fermentar, e logo que a fermentação estaja bem desenvolvida é então empregado.
2º modo = Pelos acidos (sulfurico ou chloridryco) –– Fermento para uma cuba de 6000 litros == A farinha de Centeio
convenientemente moida é deitada na cuba onde se procede á preparação cuja cuba deve ser construida de forma que se possa
ferver o liquido com o vapor. Antes porem de se deitar na dita cuba a farinha deve-se primeiro deitar a agua acidolada, na
proporção de agua de 80 litros e de acido sulphurico 2 kilos; desma-se[sic] depois <40 kilos de> farinha, e procede-se á ebulição
do liquido por meio de vapor, até que uma gota do liquido deitada n’uma pequena tassa não azul com umas gotas de tintura de
iodo que se lhe deita. Logo que chegou a este ponto procede-se a neutralisação pelo carbonato de cal na dose de 750 gramas a
1 kilo. Este liquido assim preparado adeciona-se-lhe como no precedente <e depois de estriado até 30º de calor> 1/2 kilo de
lupulo 1/2 galão de fermento de cerveja e 25 kilos de melaço desperto e acidolado, na temperatura de 30º e no grau de 6º Baumé.
Daxa-se começar a fermentação e é depois empregado. –– //
[33] 4 fermento [sic] – De sevada germinada e centeio == Faz-se mecerar 13,5 kilos de malt de cevada com 27 kilos de
centeio e 162 litros de agua a 75º de temperatura; mantem-se a 60º ou 65º durante 3 ou 4 horas, depois daxa-se arrefecer até 34º
ou 36º de temperatura. Ajunta-se-lhe então á massa um volume egual de melaço em plena fermentação e daxa-se fermentar
durante 24 horas á temperatura de 20º a 25º. Emprega-se depois ((na dose de 3 a 4 por 100 do melaço.)) ––
Apreciando estes 3 ultimos fermentos parece-nos todos elles estão nas condições proprias para uma boa fermentação; o que
temos então a atender é ao seu preço e vamos por isso fazer esse calculo pela seguinte forma:
1º modo –– Emprega-se o malt, o centeio, o lupulo e o fermento de ceveja[sic]
40 kilos de farinha de centeio a 35 reis ao kilo 1.400 reis
4 kilos de malt de cevada a 200 ao kilo 800 –“–
1
/2 kilo de lupulo a 1000 reis ao kilo 500 –“–
1
/2 galão de fermento de ceveja[sic] a 500 reis ao galão 250 –“–
Custo total do fermento 2.950 –“–
2º modo –– Emprega-se o centeio, o acido sulphurico, e o carbonato de soda, o lupulo, e o fermento de cerveja
48
40 kilos de farinha de centeio a 35 reis ao kilo 1.400 reis
2 kilos de acido sulphurico a 170 ao kilo 340 –“–
1 kilo de carbonato de soda a 500 reis ao kilo 500 –“–
1
/2 kilo de lupulo a 1000 reis ao kilo 500 –“–
1
/2 galão de fermento de ceveja a 500 reis ao galão 250 –“–
Custo total do fermento 2.990 –“–
3º modo – Emprega-se o malt de cevada e o centeio
13,5 kilos de malt a 200 reis ao kilo 2.700
27 kilos de centeio a 35 reis ao kilo 945
Custo total do fermento —— 3.645 //
[34] Fermentação = Estando o fermento pronto ou mesmo antes de o estar, deve-se proceder á preparação do vinho de
melaço para a fermentação, o qual se pratica pela seguinte forma: O melaço é deitado na cuba de desmaxe, ajutando-se-lhe uma
pouca de agua quente <a 60º> para o desfazer bem, depois junta-se-lhe agua fria ou morna até que marque no peza charope 6º
Baumé aquesse-se até á temperatura de 28º centigrados na primeira calda que cai no balceiro de fermentação para ativar melhor
a fermentação, acidolada com o acido sulphurico até que o papel azul de tornisol tome a cor de casca de cebola seca, depois as
outras caldas se faram ir á temperatura de 25º centigrados.

47 Sobre o seguinte parágrafo escreveu o autor, na diagonal, em letras de corpo maior do que as do restante texto, a seguinte frase: «É melhor empregar o
fermento com a dose de 15 por 100 de malt».
48 Na margem dianteira, escritas na vertical, temos estas expressões: «Agua 80 litros [;] Agua 22,2 galões».

39
Logo que o fermento está em estado de ser empregado, deita-se na cuba de fermentação uma porção de vinho de mel a 28º
de temperatura e em seguida o fermento agitando bem até desfazel-o completamente [.] Daxa-se que a fermentação se
desenvolva bem, e acaba-se então de completar a cuba com mais vinho em 25º de temperatura, tendo o quidade de fechar as
tampas dos balceiros para não haver perda de alcool pela evaporação nem se oxidar o mesmo alcool em razão do ár
athemospherico e da elevação de temperatura do liquido. É conveniente juntar á fermentação uma infuzão de casca de
carvalho ou tambem o sulfato de soda na dose de 1 a 2 por 100 kilos de melaço [.] Deve haver todo o quidado em que a
temperatura não passe de 35º ou mesmo 30º centigrados para não haver perda de alcool pela evaporação nem se transformar
o mesmo alcool em acido acetico; o qual se consegue transvasando uma parte do liquido para outra cuba e juntando-lhe nova
porção quasi fria.
Logue que a fermentação chegou ao seu termo, isto é quando parou o desprendimento de acido carbonico e o grau do peza-
charopes desceu a 1º ou mesmo a 0º // [35] procede-se á neutralisação do acidos [sic] juntando-lhe agua de cal até á reação
neutra, se for conveniente osar este prosseco[sic], o qual aconselho a que se verifique se há perda de alcool n’esta neutralisação,
transvasando logo o liquido neutralisado ou não neutralisado para as vazilas, para hai então clariar e arrefecer e ser então
destilado. Não é conveniente daxar a fermentação sobre as borras porque se altera muito facilmente, muito mais quando se
emprega o bagaço d’uva, nem se deve daxar tambem por muito tempo o vinho por distilar, ou então para não haver
transformação do alcool para o acido acetico como acontece quando o alcool está dissolvido em muita agua, satura-lo com outra
aguardentes [sic] mais baxas porque assim evita mais a transformação.
Melaços Estrangeiros == A alcoolisação de estes melaços fazem-se pela mesma forma que os antcedentes[sic], observando
as mesmas regras, com a differença porem que se deve carregar mais nos fermentos e o grau do pesa-charopes não deve
passa[sic] de 5 1/2 e o grau de calor para a primeira calda é de 30º centigrados e as outras de 26º a 28º segundo é de verão ou de
irverno[sic] que se faz a fermentação.
Proporçãos[sic] empregadas nos fermentos para o mel estrangeiro. == O melaço de Demerara e outras procedencias contem
muitas mais materias estranhas <ao assucar, e> a fermentação que os melaços da terra por isso a sua fermentação é muito mais
dificil de conduzir, e está muito mais sujeita ás degenerescencias: Evita-se até serto ponto esses males augmentando os
fermentos e diminuindo no grau do peza charopes até 5 1/2 o menos e o mais caregando tambem a dose de infuzão de acido
tannico e do sulfato de soda. As proporções de fermento para uma cuba de 6000 litros são as seguintes: //

[36] Proporções a empregar para uma cuba de 6000 litros == 1º fermento


60 kilos de farinha de centeio a 35 reis ao kilo 2.110 reis
6 kilos de malt de cevada a 200 reis ao kilo 1.200 reis
1
/2 kilo de lupulo 500 –“–
1
/2 galão de fermento de cerveja 250 –“–
Custo total do fermento 4.050 –“–
2º fermento = 60 kilos de farinha de centeio 2.100 reis
49
3 kilos de acido sulphurico a 170 reis ao kilo 510 –“–
1
/2 kilos de carbonato de soda a 500 reis ao kilo 750 –“–
1
/2 kilo de lupulo 500 –“–
1
/2 galão de fermento de ceveja[sic] 250 –“–
Custo total do fermento 4.110 –“–
3º fermento = 20 kilos de malt de cevada a 200 reis ao kilo 4.000 –“–
40 kilos de farinha de centeio 1.400 –“–
Custo total do fermento 5.400 –“–
Segundo a fermentação dos cereaes saccharificados tanto pela diastase como pelos acidos dão o rendimento seguinte:
centeio os 60 kilos dão 7 galões de restilo em 30º cartier a 650 reis ao galão dá por conseguinte
o 1º fermento – Centeio ..........................................................4.550 reis
Cevada .......................................................... 429 reis
Rendimento total .......................................... 4.979 –“–
O 2º fermento dá o rendimento total de...........................................4.550 –“–
O 3º fermento dá o rendimento seguinte
49 Na margem interior, escritas na vertical, temos estas palavras: «Agua 120 litros [;] Agua 33,3 galões».

40
Malt de cevada – 2 galões d’aguenta[sic] ....1.300 reis
Centeio – 4 galões a 650 reis .......................2.600 –“–
Rendimento total ..........................................3.900
Onde se vé que nos dois primeiros fermentos o augmento que se faz não prejudica o custeio do fermento porque o alcool
que elle rende dá dá [sic] para elle e ainda fica o balanço a favor. //

[37] –– Outro fermento para mel ––


De cevada germinada e centeio. == Para uma cuba de 6000 litros. ==
Consiste este fermento como os precedentes na saccharificação do centeio pelo malt da cevada, preparação como a do Iº
fermento e Iº modo pela diastase, com a differença porem de que a quantidade de malt é meior e a de centeio menor, o deve
trazer ao fermento mais força e desenvolver melhor a fermentação – As doses são as seguintes =
Proporção a empregar para uma cuba de 6000 litros ==
50
Centeio – 50 kilos a 35 reis ao kilo .............................1750 reis
Malt – 12 kilos a 200 reis ao kilo ..................................2400 –“–
Lupulo – 1/2 kilo a 1000 reis ao kilo ................................500 –“–
Fermento de Cerveja – e 1/2 galão ................................ 250 –“–
Custo total do fermento .................................................4.900 –“–
Rendimento de este fermento em alcool é o seguinte
Centeio – 6 galois de vestillo[sic] em 30º a 650 reis por 3,6 litros........... 3900 reis
Malt de cevada – 1,3 galãos[sic] a 650 reis a 3,6 litros ............................ 845 –“–
Rendimento em alcool 4.745
Alcoolisação da garapa (sumo da canna)
O que todo o destillador deve ter em vista, é não olhar só ás despezas do fabrico, e por de parte a questão do rendimento
em alcool dos productos que quer alcoolisar, porque vamos demonstrar aqui que as despezas estão não razão directa [sic]
dos rendimentos em alcool: Queremos por exemplo alcoolisar a garapa, liquido que contem em si grande parte de materia
estranhas ao fermento e que por isso dificulta a sua ação. Vede como se pratica mais commudamente a operação da
defecação que é a mesma empregada para o assucar. Eleva-se a temperatura do liquido até 70º ou 80º Centigrados, afim de
coagular a Albuminia, e de fazer passar ao estado insoluvel: Logo que a albuminia está cuagulada, entroduz-se na garapa,
agitando-a, uma porção variavel de cal virgem desfeita em agua até ao grau 10º do pesa 51 // [38] charopes de Baumé, até
que o papel azul de tornesol chegue á reação neutra; depois eleva-se a temperatura até 100º isto até á fervura do liquido
que é para cugular[sic] a albuminia toda, e despaja-se em seguida para os balceiros de fermentação onde se lhe deita agua
fria até que marque o grau de 6º Baumé 25º de calor, acidulando este liquido com o acido sulfhurico até que o papel azul
de tornesol volte á cor de casca de ceboula seca, ao qual se junta depois o fermento seguinte: preparado como os
precedentes
Centeio – 20 kilos –– Malt – 5 kilos, lupulo
1
/2 kilo –– É bom juntar á fermentação um infuzam [sic] de casca de carvalho porque a casca d’esta arvores
[sic] contem muito tannino, o qual é o melhor restringente para a fermentação: Continuando com as fermentações, recolhe-se
d’esta primeira, as escumas que se formam á superfice, os quaes são um magnifico fermento para a fermentações [sic] seguintes;
se essas escumas forem altiando muito e que possa a fermentação transbordar por fora das cubas, é bom juntar ao liqui[sic] uma
dissolução de sabão dissolvido em agua quente para as fazer abater e internar na massa, porque esta escuma é toda composta
de <do> [sic] fermento do mesmo liquido.
É de grande conveniencia que, logo que o liquido baxou a 1/2º ou 0º do peza charopes de Baumé, <seja> despejalo das cubas
para pipas e entos[sic] ahi acabar de clariar.
É presiso notar que o fermento de senteio e malt só se deita na primeira cuba que se faz a fermentação porque nas outras
deita-se as escumas que a primeira formar a superfice. Se for conveniente, o que é bom experimentar se faz perder o alcool, é
deitar no vinho agua de cal para lhe neutralisar o acido que se lhe deitou, para não estragar os aparelhos destilatorios.

50 Na margem dianteira da página, temos as seguintes palavras escritas na vertical: «Estas são as doses empregadas na alcoolisação dos cereaes pelo
systema Frances antigo, e são as doses que mais convem».
51 No pé da página 37: «N. B Na defecação da garapa é de grande conveniencia que, depois de elle estar clarificada pela cal, juntar-lhe o tannino, com[sic]
mais adiante explico no o tratamento dos melaços para assucar.».

41
Maneira de trabalhar com as cubas
Logo que qualque[sic] cuba de fermentar tenha servido serão lavadas a cada operação com agua acidulada // [39] com o
acido sulphurico <disolvido> na Dose de 8 de’água[sic] por 1 de acido depois com agua ordinaria. –– Desde o momento em
que se deite o fermento no balceiro é conveniente fechar as tampas para não abaxar a temperatura do liquido
Alcoolisação dos peros e peras
As degenerescencias de que temos fallado seram muito menos de temer se se tiver o cuidade de não daxar o sumo fermentar
com a polpa ou residos solidos, e ainda menos, se se tiver o cuidado de cuagular a albuminia suluvel pela a ação do calor.
Vede pois como nos emprehendemos a marcha a seguir, logo que temos a obter o maximo em quantidade e em qualidade
pela alcoolisação dos frutos de pevide:
Iº Submete-se os frutos inteiros á ação do vapor durante vinte ou vinte e cinco minutos, afim de lhe fazer soffrer uma espece
cusimento parcial, durante o qual a sua albominia se cuagula e torna o estado insoluvel.
2º Moei-se em seguida em moinhos especiaes, ou por outro qualquer ingenho especial, depois estrai-se o sumo por pressão,
ou melhor por maceração rapida.
3º Faz-se fermentar o sumo obtido, segundo as regras habituaes, por meio da addição conveniente de fermento, o que é
perferivel ao emprego das polpas como fermento; estimamos contudo o fermento globular do pero e pera, porque é muito activo,
mas occasiona uma perda de alcool pela sua tendencia á degenerescencia latica. Vale muito mais que qualquer outro se está no
estado insulado; mas é justamente ahi que se encontra a defficuldade pratica.
4º O mosto deve ser mantido entre 18º e 20º centigrados rigorosamente, se se quer obter um pronto resultado e uma
fermentação conveniente; é á temperatura // [40] muito baxa que convem atribuir a maior parte das mas qualidades dos peros.
O vinho d’uvas que fermenta muito bem e sobre tudo muito alcoolico entre 12º e 16º centigrados não se pode comparar ao
mosto de peros e peras, cuja composição chimica é inteiramente differente.
5º Impede-se a fermentação do mosto dos peros e peras, logo que a densidade desceu a 0º ou 0,5º pouco mais ou menos, e
que o desprendimento e acido carbonico cessou. – Para fabricar o vinho de pero, emprega-se o mesmo systema.
Fermentação dupla –– com mel e milho –– em 1887 – Dezembro ––
Prosseco[sic] de João Ferraz = Alcoolisação dos melaços adejunto ao cereal milho etc. A alcoolisação dos melaços fazem-
se presentemente por um systhema deploravel para os rendimentos em alcool, o qual systhema não traz vantagens quasi
nenhumas para o fabricante, proponho-me por isso a remediar esse perca por o processo que vou descrever, o qual alem da
alcoolisação do malaço juntei-lhe a dos cereas[sic], trazendo duas vantagens, a saber: 1ª: O augmento de rendimento em alcool,
do melaço, porque os cereas[sic] que emprego são um verdadeiro fermento 2º Que o mesmo cereal dá alcool sufficiente para o
seu costeio dando alem d’isso algum lucro, ainda que pequeno, mas como o <alcool de> cereal é em muita pequena escala não
se pode esperar mais rendimento.
O meu prossesso consiste por conseguinte em augmentar o rendimento do melaço por meio do cereal, tratado pelo systhema
seguinte: Para uma cuba de 6000 litros.
Numa cuba de dois fundos cujo segundo fundo é cravejado pequenos boracos, Desfaz-se 100 kilos de fazinha[sic] de milho
bem moido, mas não peneirado com 400 litros d’agua que se eleva // [41]52 á temperatura 75º centigrados por uma corrente de
vapor. Ajunta-se então o malt de cevada ou do mesmo grão cerminado, na propurção 15 kilogramas, e meche-se energicamente
a massa. Continua-se a bracejar durante 4 horas, mantendo a temperatura a 70º, depois daxa-se repousar. Trasfega-se depois o
liquido claro, e deita-se na cuba de fermentação.
Uma segunda empapagem, a 70º de calor pelo menos, feita com 200 litros d’agua sobre os residos, com uma brassagem de
2 horas, acaba de transformar o resto do amido, e deita(-se tudo sobre um apparelho filtrante.) Este segundo liquido é reonido
ao primeiro á cuba de fermentação. É de grande conveniencia acidular o liquido com 200 a 250 gramas d’acido sulphurico, bem
intendido, por cada 100 kilos de farinha.
A agua de lavagens dos residos servem para uma outra opperação, ou tambem para desfazer o melaço.
Desde o momento em que sabemos obter a saccharificação do milho vamos agora tratar de toda a opperação da fermentação
do melaço e milho: Devediremos este trabalho em series, isto a ordem que o trabalho do fermento, saccharificação do milho, e
fermentação do mel que seguir a saber:
Iª serie == O primeiro trabalho que temos a fazer é preparar o fermento para toda a fermentação, cujo fermento é o mesmo
que já tratamos mais atraz <Iº fermento> para a fermentação do melaço estrangeiro, com a differença porem que em logar de
52 Na cabeça desta página temos a seguinte inscrição: «* centeio do Estreito peza 10 kilos e ás vezes mais os outros pezam 9,5 killos um alquere». Diga-
se que este asterisco não tem correspondência com qualquer outro na mesma página ou nas anterior e posterior.

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deitar só 6 kilos de malt de cevada se deitão 9 kilos do mesmo malt.
2º == 53Logo depois de preparado o fermento trataremos da saccharificação do milho pelo malt conforme explicamos n’esta
mesma página, O liquido obtido, d’esta opperação, de consistencia charoposa, é deitado na cuba de fermentação cuja cuba é da
capacidade de 6000 litros, sendo // [42] 54logo depois acidulado com 200 gramas de acido sulphurico, mexendo bem o liquido
com um roudo. Extrahida toda a agua de lavagem da massa do milho que <se> contem na cuba de maceração, são esses resido-
os[sic] extrahidos da dita cuba e metidos em saccos de lona para sofrerem uma preção por <meio da> prença até escorerem todo
o liquido que contem e serem depois vendidas ou empregadas para o sustento do gado.
3º == Feita a saccharificação passaremos agora á preparação do vinho de melaço, como já explicamos mais atraz, na
fermentação do mel estrangeiro o qual depois de preparada, se deita termo medio 400 a 450 litros de’estro[sic] da cuba de
fermentação, que é isto o que se chama formar o pé de fermento, esperando depois que o fermento estaja capaz de servir.
4º == Passado o tempo conveniente que o fermento estaja bom para ser empregado, deita-se esse fermento d’estro da mesma
cuba de fermentação em que se acha o pé de fermento, mexe-se bem, fexando as tampas da cuba.
5º == Logo que esse pé de fermento está com toda a sua força de fermentação, e que sai pelas pequenas portas da cuba
bastante acido carbonico, é que a fermentação esta pronta para receber mais vinho de melaço preparado pela mesma forma, é
então conveniente por metade da cuba com liquido daxar esse liquido desenvolver bem, e acabar então de completar o
enchimento da cuba.
6º == O trabalho da fermentação deve dorar pelo menos 2 1/2 a 3 dias mas nunca passar de 5 dias porque pode perder o alcool,
a fermentação baxa a 0,5 grau ou mesmo a 0º no peza charopes. Logo que a fermentação parou de todo, isto é que chegou a 0º
é de grau de conveniencia trasfegal-a para pipas ou outras vasilhas // [43] para que não se dê o caso de se formar a fermentação
acida logo depois da fermentação alcoolica, como sempre acontece desde o momento em que se deixa o vinho em cima das
borras do fermento. O vinho é então n’essas vazilhas neutralisado pela agua de cal se for conveniente, daxal-o clariar e depois
destilal-o nos alambiques ordinarios de columna.
Temos por conseguinte dada a explicação do tratamento e trabalho que temos a fazer para obter bons resultados: Passaremos
agora a demonstrar esses resultados por meio de experiencias praticas dos rendimentos d’esses generos, <e> custo d’elles.
Temos por conseguinte que uma cuba de 6000 litros comportam 1260 kilos de melaço de estrangeiro, e que o rendimento de
esse melaço é de 72 galois de restillo em 30º por cada 630 kilos. –– Temos o seguinte:
Custo das materias primas ==
1260 kilos de melaço a 160 reis por cada 5 kilos ....................................................40.320 reis
Direitos e mais despezas dos 1260 kilos de melaço a 27 reis ao kilo .....................34.020 –“–
Custo de 100 kilos de milho a 300 reis por cada 10 kilos .........................................3.000 –“–
dito de 15 kilos de malt de cevada a 200 reis ao kilo ................................................3.000 –“–
Fermento = 60 kilos de centeio a 35 reis ao kilos [sic] ............................................2.100 –“–
–“– = 9 ditos de malt de cevada a 200 reis ao kilo ...........................................1.800 –“–
–“– = Lupulo 1/2 kilo .............................................................................................500 –“–
–“– = Fermento de ceveja 1/2 galão .......................................................................250 –“–
Muagem do milho e centeio .........................................................................................200 –“–
Acido sulphurico ...................................................................................................... 200 –“–
Total do custo das materias primas...........................................................................85.390
Rendimento em alcool == Vendendo o galão 600 reis por 3,6 litros a 600 reis por 3,6 litros
1260 kilos de melaço rendem na pratica 144 galões em 30º ........................86.400 reis
100 kilos de milho rendem 11 galões de restilo em 30º a 600 reis 3,6 litros .6.600 “
24 kilos de malt de cevada rendem em alcool a 30º 2,5 galões .....................1.500 “
60 kilos de centeio rendem 7 galões de restilo en 30º ....................................4.200 “
Producto da venda dos residos...................................................................... 1.000
Rendimento total ——————————————————— ..............99.700 //

53 Sobre as palavras que compõem o seguinte parágrafo, até ao fim da página, escreveu o autor, com letras de corpo maior do que as do restante texto, a
seguinte frase: «A meior saccarificação é pelos acidos».
54 Sobre as palavras que preenchem este início de página e fim de parágrafo – vindo da página anterior –, escreveu o autor, com letras de corpo maior, o
seguinte vocábulo: «dito».

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[44]55 Onde se ve pelo que fica explicado atraz que há uma diferenca para lucro de 14.310 reis que dá perfeitamente para as
despezas de fabricação ficando um balanço para o lucro do fabricante. –– A differença que há entre o custo do milho, malt,
centeio, pupulo[sic], etc. é para os productos em alcool de 30º a 600 reis por cada 3,6 litros, de 2.300 reis, vendo-se por isso
que há vantagem em empregar este pocesso[sic] porque faz augmentar o producto do mel, sem perca, e ainda com ganho dos
outros productos. – [Ass:] João Ferraz
Saccharificação do milho pelo acido sulphurico
Como no processo que acabo de descrever, a saccharificação do milho se faz pelo malt acho-lhe a desvantagem de que custa
mais cara que pelo acido, tendo o emprego do acido a vantagem de não o neutralisando servir para neutralisar a cal dos melaços
não se empregando por isso o acido no melaços [sic].
Modo de trabalhar = Despoim-se uma cuba de madeira ou de metal para esta saccharificação, cubrindo o interior de
chumbo, afim de evitar a acção do acido sobre a madeira ou metal. Introduz-se na cuba 600 a 800 litros de agua por cada
100 kilos de milho, e mestura-se com esta agua 2 kilos de acido a 66º pela mesma proporção de milho isto 2%. Este acido
é disolvido em 3 vezes o seu peso de agua e introduzido na cuba. A farinha é então dissolvida no seu pezo d’agua, entre tanto
que, o liquido é levado a ebulição; introduz-se a farinha porção por porção, na cuba, sem parar de fazer ferver o liquido, e é
presiso prestar atenção para que não se introduza mais farinha sem que a que se lhe deitou estaja bem disolvida, o que se faz
por meio de um roudo. 45 minutos depois da ultima adição de farinha, pode-se estar seguro que a saccharificação ficou
completa, se se trabalhou com cuidado e se se manteve sempre a ebulição. Contudo é bom acegurar-se pela tintura de iode
como mais atraz explico. Chegado a este ponto retira-se o liquido claro e é junto ao vinho de melaço para pelo[sic] em
fermento. //

[45] –– Extração do assucar do –– melaça[sic] Estrangeiro –– Dezembro 24 de 1887


Trataremos aqui dos melaços estrageiros que são os mais carregados de materias estranhas ao assucar. Algumas vezes os
charopes d’uma certa natureza, taes como os melaços, não cosem, logo que chegam a uma certa concentração, e a fervura cessa
inteiramente e não se pode produzir senão por um aquecimento exagerado, e algumas vezes, mesmo é impossivel. A sua causa
é a grande quantidade de materias estranhas ao assucar e á crystalisação <taes como alcalis> que contem os melaços. Chama-
se a estes cosimentos, imoveis.
Soube-se mais tarde que uma certa adição de acido sulphurico, ou chlorhydrico podia remediar este inconveniente;
reconheceu-se depois que estes charopes de melaços contem sempre quantidades muito grandes de bases, que exatamente
neutralisados, perdem a sua influencia nusivel, podem depois coser-se.
Devediremos este tratamento dos melaços para a extração do assucar em series de trabalhos, seguindo a ordem que os
trabalhos exigem para esta fabricação:
1º Trabalho == Primeira cousa que temos a fazer é desfazer esse melaço no grau sofficiente para a sua filtração no carvão
animal. O melaço é levado aos clarificadores, ahi é dissolvido com agua <quente> até que marque 27º <28 ou 29 ou 30 ou 31
ou mais> mais ou menos graus Baumé. Chegado a este grau de fluidade adeciona-se o acido sulphurico suficiente para que o
papel cor de rosa de Tornesol mostre uma pequena alcalinidade (mas é bom experimentar com o mesmo papel, se o melaço está
alcalino, porque se não estiver n’esse caso o pepel[sic] de Tornesol não pode servir) no caso // [46]56 de não mostrar alcalinidade
os melaços, pode-se juntar uma pouca de cal a 80º de temperatura (do charope) e depois daxar chegar a 100º <ponto da
ebulição> como na clarificação da garapa juntando-lhe depois o acido sulphurico <para a neutralisação da cal> até ao grau
acima dito. Feito isto daxa-se repousar por espaço de 15 minutos e depois despaja-se <para> o filtro. É bom fazer o trabalho
com dois clarificadores para que não haja demora no filtro de carvão animal.
2º Trabalho == Antes de fazer qualquer trabalho com relação ao melaço é presiso prepara[sic] 1, 2, ou 3 <ou mais> filtros
conforme o trabalho que há a fazer, porque um filtro de carvão animal não deve servir senão para trez cosimentos e depois
moda-lo para outro novo.
Feito isso e que o charope estaja capaz de ser tirado dos clarificadores, é conveniente pripeiro[sic] fazer passar no filtro de
carvão uma porção de agua fervendo para aquecer o dito carvão e tornar por isso a filtração mais facil; feito esse trabalho daxa-
se escorrer <a agua quente> e depois o charope bem quente até completar o seu enchimento estrai-se depois <o charope um

55 Na cabeça desta página temos a seguinte inscrição: «N. B. Empregando o acido para a saccharificação do milho em logar do malt é melhor levar com
farinha e todo misturado no balceiro da fermentação».
56 Na cabeça desta página encontra-se esta nota: «N. B. é persiso notar que não se deve aquecer o charope a mais de 50º ou 60º antes de lhe neutralisar a
cal com o acido sulfurico, depois pode-se então enlevar a temperatura».

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pouco diluido até que o mesmo xaropo[sic] marde[sic]> marque 10º de peza charopes Baumé daxando, depois de chegar a este
ponto correr para a taxa dos charopes da caldeira dos cosimentos; a agua que se estrahio com algum douca[?] é levada aos
clarificadores para desfazer o outro melaço ou então zervir[sic] para a fermentação. Na filtração dos melaços não há grande
conveniencia de demorar por muito tempo o despajo dos filtros como se faz para as garapas naturaes, porque tem o grande
inconveniente de arrefecer a massa do filtro e costar depois a filtrar. Deve-se regolar os cosimentos e a <dissulução do melaço>
de forma que nunca o filtro estaja muito tempo sem estar filtrando.
3º Trabalho == Depois de filtrado o charope e que a taxa da // [47] caldeira de cozer tenha o sufficiente de chrope[sic] para
o principio do trabalho, pode-se comecar[sic] no cosimento o qual é feito pela seguinte forma: Introduz-se o charope <por
aspiração> na caldeira até que a serpentina do vapor estaja completamente tapada, o que se facha em seguida a intrudução do
charope: Feito isto, passa-se a habrir a torneira da introdução do vapor na cerpentina até que o manometro marque 5
atmospheras; daxe-se que o liquido ferva, e depois tira-se-lhe vapor até que o manometro marque 2 athmospheras, tendo o
quidado tambem que o manometro da preção atmospherica não suba de mais <conservando-os sempre assim até ao fim da
opperação> para que a fervura do charope se fassa lentamente; intruduz-se continuadamente mais charope na caldeira tendo
sempre o cuidado de nunca daxar que o cosimento chegue a filet, antes de estar a caldeira convenientemente carregada <isto é
que apareça o charope nos vidros> a qual em estando n’esse ponto pode-se estão[sic] levar o cosimento até ao ponto de filet
ligueiro, o qual é o seguinte: Para tirar a prova au filet, toma-se entre o polgar e <o> index uma pequena porção de charope a
enseiar; espera-se que arrefeça; então separa-se os dedos, colocando-os entre os olhos e a luz, e tendo o cuidade de evitar o
contacto do vapor que ha sempre ao peé das caldeiras, as duas goutas [sic] de charope separam-se; a inferior e meior que a
superior. Chegado o cosimento a este ponto para-se o movimento das bombas pneumathicas daxando depois entrar o ar
atmospherico na caldeira pela torneira da clumna e não pela da caldeira; daxa-se o vapor com a mesma pressão dentro da
serpentina até que a massa chegue a 80º ou mesmo a 90º de temperatura, a qual depois de chegar a este ponte se transvasa para
grandes depositos // [48]57 de ferro, que levem pelo menos mais de 4 cosimentos, onde o calor do ar hambiente saja de 30º a 35º
graus para que a crystalisação se fassa lentamente.
4º Trabalho = Logo que a massa arrefeceu convenientemente o qual nunca se deve dar senão passados mais de 15 a 20 dias,
passa-se a turbinagem ou cecagem da massa nas centrifugas: Antes disso é conveniente desligar a massa dos crystaes,
mesturando-se um pouco de charope do mesmo que sai das centrifugas ou tambem com agua dissolvida em melaço, n’uma
machina que ha, feita de perposito para essa mestura, sendo depois de bem mesturada levada ás centrifugas.
|| N. B. Estes melaços que saêm das centrifugas vão muito caregados de acido sulphurico, por isso é bom antes de leval-os
á fermentação neutralisar-lhe um tanto a acidez, porque sendo demasiada por alterar a fermentação
* N. B. É talvez melhor não encher completamente os depositos de ferro, mas hir deitando-lhe os cosimentos pela seguinte
forma: Deita-se no primeiro dia 2 cosimentos n’um caldeiro (se por acaso houver cosimentos para 2 ou 3 dias) no outro dia
deita-se mais 2 cosimentos e no 3º dia mais outros 2 ou 1 conforme o que levar o caldeiro [.] Mas se se vê que ha cosimentos
para 5 ou 6 dias depois pode-se então que é melhor nos dois primeiros dias de trabalho pelos meios e passados 5 ou 6 dias
acabalos de completar com os cosimentos. Esta maneira de proceder é de grande conveniencia para a boa crystalisação do
melaço. //

[49] –– Extração do assucar dos melaços


Tendo ja feito a explicação do tratamento dos melaços pela forma atraz indicada, quero porem desenvolver mais essas
explicações para elucidar mais o tratamento dos ditos melaços e outros pontos que se enserram no mesmo tratamento.
Começaremos pelo dissulução dos melaços a qual já atraz expliquei mas não prensei[sic] bem o grau em que se deve por o
charopo[sic] porque a experiencia a que vou sujeitar este processo me endicaram [sic] o melhor grau em que devem ser
dissolvidos. A dissulução deve ser feita no grau 50º de calor para não alterar xaropes por que a Cal que elles contêem o calor a
mais de 60º pode alterar ainda mais o assucar; pode-se então depois neutralisal-os pelo acido sulphurico. Falaremos do tanino
mas primeiro do acido sulphurico. ––
É priciso porem que a experiencia mostre se se deve primeiro empregar o acido sulphurico ou o tannino ––
Do acido sulphurico = Quando a cal se acha em grande quantidade nos charopes, e que os empede de coser, ella lhe faz
nascer um verdadeiro inconveniente na fabricação, é presiso tratar de se desembarassar d’ella. Para isso tenho empregado o
acido sulphurico com successo. O Emprego de este acido passa por ser muito perigoso, mas na realidade elle é quasi nulo,

57 Na cabeça desta página existe uma chamada de atenção para uma anotação: «N. B *», que está adiante na página.

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quando se seve[sic] d’elle convenientemente. O charopes [sic] que se recusão de coser por excesso de cal são sempre muito
alcalinos, e por conseguinte elles tornam o papel cor de rosa de tournesol, azul.
Tem-se enseiado neutralisar exatamente estes xaropes, e resulta por um graves [sic] inconvenientes, é bom por isso e mesmo
para os cosimentos nunca neutralisar-lhe a cal toda mas sim daxal-os um pouco alcalinos; o carvão <animal> depois se
encarregará // [50] de lhe tirar o resto de cal.
O mau effito[sic] do acido sulphurico empregado em excesso vem de que a alcalinidade dos charopes é em parte devida
(mais na beterraba) a amoniaco, que o sulfato d’amoniaco se produz decompondo-se ao coser, o acido sulfurico reage
rapidamente sobre o assucar e o destroe.
Para estar seguro do emprego do acido sulphurico (no caso dito acima) sem inconveniente é presiso neutralisar
completamente os charopes <(com a cal)>. É presiso sempre conserver-lhe um grande exceso de alcalinidade e não ajuntar o
acido senão o presiso para que possa premittir ao xarope de attingir o grau do cosimento. O que se obtem facilmente ás
apalpadelas e com quidado; mas antes de ajuntar o acido ao xarope, é indespensavel de o mesturar com 8 ou 10 vezes o seu
volume d’agua. O que acima digo com relação á neutralisação dos charopes pela cal é com relação a certos melaços, que quando
se experimentão com o papel de tornesol azul tornam esse mesmo papel vermelho, o que indica que o charope contem em si
acidos que são nuciveis aos cosimentos e que por isso é presiso neutralisar por meio da cal mas com algum exceso sendo depois
neutralisado esse excesso de cal por meio do acido sulfurico como acima se explica, atendendo porem a que o grau do calor
<do charope> antes de ser neutralisado pelo acido não deve subir de 50º a 60º para não alterar o assucar dos melaços.
Trataremos tambem aqui do tannio que me paresse ser de grande otilidade para o tratamento dos melaços, o qual deve ser
experimentado sô para a neutralisação da cal, e se então se vir que tem pouco effeito sobre a cal, empregal-o junto com o acido
sulphurico //
[51] O tannio ou acido tannico tam[sic] a propriedade de precipitar a meior parte das materias albuminosas, grande numero
de saes metalicos, a cal <etc.>, offerese mesmo a vantagem de formar com os alcalis tannatos muito pouco suluveis, que seriam
em grande numero diminados[sic] pela concentração, e não apresentam nenhuma acão[sic] nusivel sobre o assucar.
Ora as materia [sic] vegeraes[sic] que enserram em si o acido tannico estão espalhadas com extrema abundancia no mundo
inteiro.
O emprego das soluções do tannino devem contudo ser feitas com discernimento (escolha) se se quer obter os bons
resultados que elle comporta.
O tanino daxa nos licoures um astringente desagradavel logo que se acham em excesso, não se deve empregar senão depois
de se ter introduzido a cal nos mostos, e daxar aquelles uma ligeira alcalinidade.
Em todo o caso, o cosimento e a cristalisação fazem-se perfeitamente com os charopes que téem sido submetidos á acção
do tannino depois da defecação pela cal. É de desejar que este agente tome, nas fabricas d’assucar o favor que elle meresse;
mas convem primeiro que tudo estudar profundamente o seu emprego, e as propriedades uteis ou seus inconvenientes.
Trataremos tambem agora da filtração no carvão animal e do tratamento que se deve dar ao mesmo
Como já mais atraz disse, é de grande conveniencia que antes de se por o charope em filtração fazer passar no filtro agua
fervendo, a qual tem dois fins; primeiro fazer deslucar as bolhas de ar, que hajam entre o carvão; a segunda, é aquecer o dito
carvão para tornar a filtração mais facil, // [52] porque como se sabe, o primeiro charope que chegar ao filtro, encontrando o
carvão frio tende a se tornar tambem frio, o que resulta d’ahi um grande inconveniente, e muitas vezes com perigo de não poder
filtrar, quando os charopes são muito consistosos[sic]. Aquecido o filtro com agua fervendo, tensse primeiro que tudo fazer sahir
toda a agua do filtro e daxal-o até escorrer por um pequeno espaço de tempo mas nunca demasiado para se não tornar frio o
carvão, <*> daxando depois correr o charope até que o filtro estaja completamente cheio, o que estando n’este estado se passa
a lhe extrahir as aguas fracas que vem sempre no principio da filtração quando se aquece o filtro, com a agua fervendo, extrai-
se essas aguas ate que o grau saccarino marque 15º Baumé e nunca menos para não enfraquecer muito os outros charopes; essas
aguas podem servir depois para desfazer mais melaços nos clarificadores. É persiso regular de forma o trabalho para que o filtro
nunca sece de correr (despejar) por muito tempo nem daxar que o carvão do filtro daxe de estar coberto com charope e ter
sempre o filtro coberto com uma tampa de madeira. Seria tambem de grande conveniencia que os filtros fossem revestidos de
uma capa de madeira, para conservar melhor o calor do charope.
Em fim, ainda ha uma questão que meresse de estar bem em vista, é o emprego ulterior das derradeiras aguas de levagens,
de 15º para baxa[sic] pelo menos. Podem servir para diversos effeitos em logar de as cozer.
* N. B. É de grande conveniencia, que os filtros tenham uma torneira rente ao fundo para se poder escorrer toda a agua que
elles contenham. //

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[53] Assim, por exemplo, pode-se empregar em logar da agua pura para diluir os melaços; ou podem-se empregar para as
fermentações dos mesmos melaços, quer dizer deve-se juntar a um charope não filtrado. Como estas aguas vem muitas
carregadas de saes e outras materias que os melaços filtrados daxaram no carvão, a agua fervendo trazlos comsigo, dando causa
por isso a augmentar os saes nos melaços que se desfazem com essas aguas o que não é conveniente; pode-se porem evitar esse
inconveniente, extrahindo a agua até 5º Baumé para desfazer os melaços, e toda a outra agua servir então para as fermentações
dos melaços o que traz tambem a vantagem de se poder lavar os filtros com mais agua para esporgal-o de todo o douce que
possa conter, sendo porem de toda a conveniencia que as ultimas aguas que se addicionarem ao filtro para o lavar sejam frias.
Dos Cosimentos = é deste ponto <(22 a 23)> que depende muito, a boa crystalisação dos melaços, o que deve ser feito com
o maximo cuidado.
Logo que a taxa dos xaropes tenha o sufficiente para uma carga completa na caldeira poem-se o apparelho em movimento,
pelo modo ja sabido, e procede-se então ao carregamento com os xaropes, abrindo-se a torneira do vapor da serpentina até que
o manometro marque 5 atmospheras; logo que o liquido desenvolveu a fervura, deve-se reduzir a pressão conforme o grau em
que está de densidade o xarope; se for muito fraco, por ex: de 26º a 27º daxa-se nas 3 <a 4> atmospheras se for meis[sic] baxa-
se a 2 1/2 a 3. Logo que o xarope tomou uma serta densida-//[54]de (o que deve haver muito cuidado em não daxar chegar a filet
porque ficaria o cosimento perdido se se junta-se mais xarope, a esse já cosido) addiciona-se mais xarope até que a caldeira
fique com um caregamento completo o se baxa a pressão de vapor dentro da fixa a 2 a 1 1/2 atmospheras tendo porem o cuidade
de fazer que o vaco chegue a 22 a 23 polgadas. O cosimento deve ser como se ve muito vagaroso sendo pressiso para isso
grandes cuidados do cosedor para não perder os cosimentos. Logo que se ve que o cosimento vai engrossando principião-se
desde logo a tomar provas muitas vezes a miudo para não se dar o caso que o cosimento passe de filet ligeiro, o qual deve ser
mais ou menos forte conforme o melaço é melhor ou peor. Deve-se completar a carga da caldeira o mais depressa possivel, e
desde o momento em que o ponto chegue a filet muito ligeiro <ou mesmo melhor antes> não se deve carregar mais nada e daxar
chegar depois ao ponto conveniente.
Chegado a esse ponto, faz-se parar o jogo das bonbas de vacuo, daxando entrar o ar pela torneira da coluna conservando
vapor na mesma persão até que o cosimento marque 180º a 190º se o xarope for mais ou menos bom. São deitados esses
cosimentos em caldeiros de ferro ou mesmo em poços que levem pelo menos para mais de 4 cosimentos de 1.900 kilos de
melaço cada um, pela forma ja mais atraz explicada. É de grande conveniencia este ajuntamento de cosimentos porque faz
aguentar mais o calor ajudando por isso a crystalisação: E sendo possivel como mais atraz se disse, carregando os caldeiros
como mais atraz se explicou, não completamente mas sim de 2 em 2 cosimentos ou dois differentes // [55] ainda melhor seria,
porque, o esfriamento e dopois[sic] os resqentamentos que a massa sufria é de grande conveniencia para a boa crystalisação da
massa dos charopes cosidos. Logo que a massa chegou ao arrefecimento completo, procede-se então á secagem do assucar
contido na massa por meio das machinas centrifugas, tendo porem observado que a massa foi bem mesturada com os mesmo
[sic] xarope sahido das centrifugas ou com mel desfeito em agua quente, ficando a massa perfeitamente mel e sem ser
encarossada.
Á casos em que o cosimento fica de tal forma que os crystaes não podem ser separados, dos melaços que os rodeam, por
mei[sic] da força centrifuga, é por isso muitas vezes praticavel, extrahir esse melaço por meio da pressão, feita da seguinte
forma:
Essas massas são bem desfeitas com melaço desfeito em metade do seu volume com agua quente, sendo depois de bem
mexido metido em sacos de lona e levados a uma prensa que lhe faça sahir quasi todo o mel que ellas contêem; essas massas
muito carregadas de melaços não podem ser vendidas nem expostas á consumasão, são por isso refinadas pelos systemas já
sabidos, por clarificação, filtração e cosimento, o que dá um assucar de muito boa qualidade.
Do tratamento do carvão animal
Sabemos que o carvão perde sua atividade absorvendo diverssas substancias do charope que se faz passar nos filtros, donde
se ve que é persiso eliminar essas substancias pela revivificação que deve consistir, na lavagem, fermentação, acidulação,
lavagem e calcinação. //
[56]58 O carvão, por conseguinte, perde a sua actividade por seu emprego continuado e reconheça-se que este estado é devido
á cal absorvida durante cada filtração, e muito imcompletamente deminada[sic] pela revivificação nos fornos, sendo por isso de
grande conveniencia o emprego do acido chlorhydrico para eliminar essa mesma cal.
A quantidade de acido a empregar é por exemplo o seguinte pouco mais ou menos: Se se quer descaldiar o carvão dos filtros

58 Na cabeça temos a seguinte anotação: «Acido chlorhydrico ou meriatico ordinario do commercio de 20 a 21º Baumé».

47
por meio d’um acido de 20º Baumé, e que a quantidade de cal a dissolver representa 2% do peso do carvão, sabe-se que por
cada 2 kilos de cal (carbonisada), é presiso empregar 4,5 kilos d’acido, quer dizer que é presiso esta quantidade por cada 100
kilos de carvão a tratar. Por fim na pratica a quantidade dissolvida é um pouco menos que a que exige a theoria.
Começaremos pela lavagem = A lavagem do carvão á sahida do filtro é de grande conveniencia para o bom tratamento do
dito porque dissolve as outras substancias estranhas ao carvão tendo por isso a vantagem de se empregar menos acido no seu
tratamento.
Da fermentação –– O carvão depois de Cavado e deitado em poços de pedra e cal ou mesmo em balceiros de madeira,
juntando-lhe agua quente ate que o carvão fique completamente emergido na agua; a fermentação commeça em pouco tempo
exalando um mau cheiro; logo de terminou a fermentação faz-se passar uma porção de agua frésca no carvão para lhe extrahir
parte da cal dissolvida (se é em balceiro) ou lavando o carvão tambem com agua fresca //

[56a]59 Datas Assucar Assucar 2ª sorte Assucar 1ª sorte – 1ª sorte –


do mez 1ª sorte 3ª sorte Refundição Fino Refinado
Abril 14 24 sacos Lavado Não lavado
“ “ 11 sacos
e 51 kilos
“ 15 90 sacos
“ 16
“ “ 1 saco 2 sacos
“ 19 1 saco
“ “ 84 sacos
“ 20 50 sacos 9 sacos
“ “ 11 sacos B 6 sacos
“ “ 64 sacos
“ 21 30 sacos
“ 22 16 sacos B
“ 23 21 sacos
“ “ 16 sacos
“ 25 13 B
“ 26 93 sacos
“ 29 13 sacos 60 sacos
“ “ 24 sacos //

[56b] assucar para refundir Sacos Kilogramas


Assucar 1ª sote[sic] sujo – 18 1350, //

[57] 60nos poços das lavagens (si[sic] é em poços). N. B.61


Da acidulação = Mestura-se o acido na agua quente n’uma cuba colucada mais alta, para que o liquido possa correr em todas
as cubas de fermentação por mei[sic] de calha de madeira como mostra a figura Nº I:

59 Entre as páginas 56 e 57 existem duas não paginadas, pelo que atribuímos-lhes a numeração de 56a e 56b. A informação destas últimas interrompe o
encadeamento do texto das páginas 56 e 57. Este facto parece indiciar que o texto nelas incluso terá sido considerado desprezível por João Higino Ferraz.
Esta premissa é reforçada pelas características dos informes presentes – soltos e descontextualizados – nas mesmas páginas; ainda assim, devolvemos
ao leitor a capacidade de discernimento, e achámos por bem transcrevê-los.
60 Retoma-se a sequência de texto vinda da página 56 e interrompida pelas páginas 56a e 56b.
61 Temos uma nota na margem da cabeça desta página que corresponderá a esta chamada de atenção «N. B.»: «Pode-se tambem o que é melor[sic] passar
o carvão depois de lavado á fermentação pelo acido e não á fermentação com agua so quente.».

48
–– A cuba onde se desfaz o acido com a agua quente. B, B’, B”, cubas onde se acha o carvão animal a, b. c. tubos com suas
torneiras <de chumbo> que fazem passar o liquido da parte de baxo da cuba para a parte superior passando de uma para outra
como a figura mostra; d, torneira de despajo ao resto do trabalho. Como se ve por esta despusição o mesmo acido serve para
lavar differentes cubas mas é bom notar que não é bom empregar sempre o mesmo acido sem ver se tem a sua força necessaria
para o effeito que sequer. É sempre bom tirar depois de algumas horas o liquido das cubas, e de as encher de novo com o mesmo
liquido para produzir uma boa mestura e uma ação egual sobre todas as partes do carvão. Depois de algum tempo desenvolve-
se gazes de mau cheiro e continua durante alguns dias; antes do termo da decompusição, é bom escorrer o liquido, acido, e de
62
// [58] substituil-o por agua pura aquecida.
A quantidade de acido varia de 1 a 1/2 % do pezo do carvão. Este processo acima d’escrito com cubas e systema continuo,
tem vantagens mas tambem tem desvantagens, por conseguinte é melhor empregar o systema de cubas todas no mesmo
paralello, isto é em que a fermentação pelo acido se faz em cada cuba especial com uma so quantidade de acido desfeito,
servindo esse acido para 1 ou 2 vezes so; quanto ao mais segue o mesmo systema que o predecente.
Em geral procede-se á lavagem do carvão immediatamente depois da fermentação, é melhor contudo fazerl-o ferver ainda
com uma quantidade d’agua pura, o que se pode executar mesmo nas cubas de fermentação que para este effeito, devem ser
munidas cada uma d’um conductor de vapor directo. Se se que[sic] extrair o gypse pelo tratamento da soda, é n’esta occasião
que se deve fazer. Mas tambem, no caso onde o tratamento não pareça ser necessario, é sempre bom fazer suffrer ao carvão
chegado a este ponto um cosimento com uma lixiva (barrela) diluida de soda ordinarea; não há duvida nenhuma que a
revivificação é muito mais perfeita, e que a ação do carvão revificado será refurçado por este meio. Então é persiso fazer seguir

62 Anotação no fim da página:


« N. B. Não se emprega o acido senão de tempos a tempos e não todas as vezes que se revifica o carvão; Quando se não emprega o acido passa-se
logo depois da fermentação e lavagem com agua e o vapor, aos fornos de revificação.».

49
ainda um tratamento pelo acido chlorhydrico, fervendo antes da lavagem. Quanto á quantidade de soda e acido que se emprega
n’este caso é o papel de curcuma que dá a indicação necessaria. Deve ficar francamente pardo
segue para as folhas separadas 63 //

[59]64 1881
Janeiro 13 Mouão-se 860 kilos de canna que deião 27 almudes em 9 grãos; o bagaço
desta canna pezou 305 kilos, que forão regados com água e depois passado
ao moinho, produzirão 13 almudes em 4 1/2 grãos.

1884 23 Experiencia feita no dito anno com o bagaço de 2.259 1/2 almudes de
Maio garapa que rendeu em aguardente 188 galões em 20º.
Mel em fermentação
1ª fermentação ––– 200 Galões
2ª dita 200 – “ –
3ª dita 150 – “ –
4ª dita 135 – “ –
5ª dita 150 – “ –
6ª dita 165 – “ –
7ª dita meia fermentação 75 – “ –
8ª dita 150 – “ –
9ª dita 160 – “ –
Junho 18 – 10ª dita 125 – “ –
11ª dita 125 – “ –
19 12ª dita 120 – “ –
26 13ª dita 165 – “ –
27 14ª dita 150 – “ –
“ 15ª dita 125 – “ –
28 16ª dita 130 – “ –
“ 17ª dita 125 – “ –
Julho 9 18ª dita 150 – “ –

63 Como se vê, o texto seria continuado em folhas avulsas; no entanto, não tivemos acesso a elas.
64 A última página deste livro não está numerada; atribuímos-lhe um número dando seguimento à paginação atribuída pelo autor.
Há ainda a notar o seguinte: os informes desta página, 59, encontram-se numa configuração inversa em relação às outras do restante livro, isto é, a cabeça
e o pé daquela correspondem à cabeça e pé destas. Entre os escritos da página 59 encontram-se, espalhados, numerais posicionados em forma de
operações matemáticas (divisões, adições, etc.), grafados a lápis de cor e tinta, (mas já segundo o sentido do restante livro); devido a isto (além da
disposição da informação, como vimos), estamos tentados a conceber que o grosso do conhecimento veiculado nesta página tornou-se despiciendo para
João Higino Ferraz. Acresce que o texto inicial não parece ser da lavra do director técnico do Torreão (até à expressão «Mel em fermentação», não
incluída). Mesmo assim procedemos á transcrição da informação desta página 59, ignorando os algarismos de que falámos anteriormente, por razões
que têm que ver com a sua descontextualização e posição desordenada.

50
Livro de notas sobre fabricação d’assucar
e alcool, e tabellas de calculos de João Higino Ferraz

DESCRIÇÃO: Livro, papel, 31,5 cm x 21,5 cm, numeração pelo autor, bom estado de conservação. Algumas páginas deste
volume não fazem parte, em termos físicos, do mesmo, isto é, foram inseridas – coladas à margem dianteira ou interior de
algumas folhas; estas páginas são de tamanho diverso relativamente àquelas que compõem, de facto, o volume, e na sua maior
parte foram numeradas pelo autor, e assim, em lugar próprio daremos notícia da sua existência e configuração. Acrescente-se
que na página 205 temos um índice, elaborado por Higino Ferraz, das principais matérias ou assuntos tratados neste volume.

51
52
[forro da capa início] 1904 Esperiencia para a finagem do assucar bruto em dissolução na garapa de canna (xarope)
Defequei garapa de canna que depois de defecada mostrou a Densidade de 7 (= 9 1/2 Baumé). Evaporei a 20º Baumé
Tomei 200 centimetros cubicos d’este xarope a 20º Baumé frio e juntei-lhe assucar bruto amarello (Demerára) 40 gramas
que depois de dissolvido a frio mostrou 25º Baumé – Calculo:
200 centimetros cubicos: 40 : 1000 : x = 200 gramas assucar em 1 litro = 100 litros de xarope a 20 Baumé deve levar 20
kilogramas assucar para ficar com 25º Baumé. Neste caso para ficar em 30º Baumé deve levar 40 kilogramas d’assucar bruto.
(Em 63º centigrados de temperatura o xarope a 25º Baumé baixa a 23º Baumé) //
[folha de guarda início] Medir a capacidade de um cylindro reto –
Formula v [Pi] = 3.1416 x raio Circunferencia quadrado x altura = Metros cubicos
1 metro cubico = 1000 litros
Achar o volume ou capacidade de uma pyramide conica truncada (cubo):
Eleva-se ao cubo o diametro da base, e o corte ou secção; toma-se a differença, e devide-se esta por aquella que se achou
terem os dois diametros antes de elevados ao cubo; este quociente multiplica-se pelo numero fixo 0,7854 e o producto por um
terço da altura entre a base e o corte, dará o volume requerido. (0,7854 = 1/2 de v [Pi] 3,1416)
Medidas agrarias:
Um Are são 100 metros quadrados – Hectare = 100 ares ou 10000 metros quadrados
Media agraria da Madeira:
Um alqueire são 756,250 metros quadrados ou 3,8 de 5 do hectare
Calculo para ver qual diametro que deve ter a pulé para dár umas tantas voltas por minuto, sabendo o diametro e as voltas
da polé do motor: exemplo:
Diametro da polé do motor 500 milimetros
Voltas por minuto – 55
Queremos que uma certa polé dê 30 voltas por minuto.
Qual o diametro = Calculo:

A polé motor
B polé de transmissão
x = 55 x 500 = B = 916 milimetros de diametro
30 //

53
[folha de guarda início v]65

[1] Maneira de trabalhar com o melaxeur no vaco Offerta de M. Buisson66 Engineur Chimiste Gonesse
1º – No cosimento natural ou virgem: – A granulação deve ser produzida o mais baixa possivel (o vaco), de outra forma, é
necessario produzir bastante grão de maneira a evitar de produzir mais tarde grão fino.
O cosimento deve ser mantido sempre liquido até a entrada do egoût riche. Logo que elle entre, pode-se deixar serrar
legeiramente.
2º67 – Melaxeur no vaco: – Os egoût-riches tendo entrado, tira-se o vaco no apparelho de coser depois de ter feito o vaco no
malaxeur fermé, e retira-se da caldeira de vaco uma quantidade de massa cosida para o melaxeur correspondente á sua
capacidade (para uma caldeira de 60 hectolitros tira-se 25 a 30 hectolitros de massa cosida). Logo que ella tenha entrado deixa-
se serrar um pouco e principia-se a alimentação com o egout pauvre que tem sido aquecido antes a uma temperatura de 8 a 10
graus superior ao da massa cosida. É necessario ter sempre o cosimento bem liquido afim de evitar a formação de grão fino.
L’eau mere não estando ainda exausta o grão fino produz-se á menor serragem.
3º – O cosimento continua com todo o vapor e todo o vaco que se pode despor, contudo este ultimo não deve ser inferior a
0,65 kilogramas de mercurio; se o vapor é em excesso regula-se facilmente a perção por meio da valvula que traz o vapor á
conducta geral das cerpentinas, a 5 ou 6 athmosferas.
Quando o apparelho está cheio o cosimento é serrado parando a alimentação e o vapor de maneira a obter uma massa tendo
uma quantidade em agua real de 9 a 10% e uma temperatura de 65 a 70º.
[2] 4º – Arrefecimento no melaxeur aberto: – Antes de correr para o melaxeur aberto a massa cosida, é util aquecel’o fazendo
passar agua quente durante alguns minutos no fundo falso ( no caso de o ter). Despeja-se em seguida o cosimento n’elle, para-
se com o aquecimento com a agua quente, e deixa-se arrefeçer naturalmente durante 3 ou 4 horas. Abre-se em seguida
moderádamente a torneira da agua fria para acelerar o arrefecimento e levar a massa a uma temperatura de 45º.
Se a massa cosida no melaxeur aberto se torna muito espeça dá-se-lhe a fluidez requerida addecionando-lhe melaço não
deluido (na fabrica Hinton era dissolvido a 35º Baumé e aquecido a 75º) e aquecido á temperatura da massa contida no
apparelho.
5º – Turbinagem: – Não é necessario deitar nem clairce nem metter vapor antes de ter feito a separação do egout pauvre. É
necessario exerçer uma fiscalisação rigorosa para evitar o enriquecimento mesmo acidental dos egouts pauvres. A separação do
egoût pauvre e riche deve ser feito de tal maneira que o egout riche não tenha senão 5 a 6 de pureza a mais que o egout pauvre.
No caso em que a massa cosida no nocher das turbinas se torne muito espeça, desfaz-se com melaço aquecido a 45 a 50º
pelo menos dá assim á massa uma fluidez, o que accelera consideravelmente a turbinagem e facilita a clairsage.
Nota: – Para a confeção do pé de cosimento, pode-se proceder de duas maneiras: Oou[sic] bem se faz um cosimento de
incitamento (amorce) contendo uma grande quantidade de grão, com xaropes bastante puros; este cosimento é devidido em 2
ou 3 partes que servem de pé de cosimento para os productos baixos (bas produits).
Oou[sic] se faz o pé de cosimento com xaropes bastante puros no mesmo apparelho onde se vai fazer o cosimento
systematico, fazer bastante grão, e continuar o cosimento com os egouts pauvres.
O segundo methodo é evidentemente preferivel quando se pode ter um grande numero de grãos, mas pode ser um pouco
mais delicada [sic]. Nos dois casos para ter uma cristallisação nervosa e regular e por conseguinte grão denso; é necessario
que os xaropes que vão á caldeira de coser sejam desfeitos a 25º a 30º Baumé pouco mais ou menos. //

[3] Notas sobre o melaxeur fermé (Ferraz) Fabricação de 1903


Deu-se casos em que a massa cosida do mlaxeur[sic] fermé era dificil de turbinar, formando uma camada de melaço que
continha assucar em farinha o que não deixava passar o melaço, sendo quasi impossivel a turbinagem. A causa d’isso pareceia
ser devido a terem introduzido egoût riche sem ser bem aquecido o qual entrando no melaxeur formava um percipitado de
assucar em farinha que empedia a turbinagem.
Como continua-se a dar alguns casos em que a turbinagem do dito melaxeur era dificil, não sendo a causa o não aquecimento
do melaço ou egoût introduzido, verifiquei que, como se mesturava o egoût riche com o egoût pauvre da massa virgem, poderia

65 O verso da folha de guarda não contém informação.


66 Maxim Buisson.
67 Na margem interior da página, dispostas na vertical, temos as seguintes palavras: «O egout pauvre se for muito concentrado deve ser desfeito a 40 Baumé
e aquecido sempre a 75º ou 73º para não formar grão fino, que é dificil de torbinar.».

54
dar-se o caso de se fazer no fim do cosimento do melaxeur introducção do egout riche que em vista da sua pureza crystalisaria
rapidamente em grão fino dando em resultado a má turbinagem: Passei por isso a fazer uma separação dos egoûts, fazendo
alimentar primeiro o melaxeur com os egout riches, depois com os egoût pauvres da massa virgem e sô no fim, no caso de ter
capacidade para levar, com os egoût pauvres (melaços) do melaxeur.
D’esta forma os egouts riches que são mais puros, encontram uma massa em principios de crystalisação, os quaes egoûts
vão alimentar os crystaes já formados não se produzindo essa farinha de assucar que tanto prejudica a turbinagem.
Fazendo tambem o trabalho da crystalisação mais lentamente, isto é, mettendo-lhe menos vapor no fundo falso (a 0,7
kilogramas) e cerrando o ponto mais no fim, deu todas estas transformações o resultado desejado de se fazer bem a turbinagem
do melaxeur.
Uma vez obtido o numero de grãos requerido, vê-se que ha interesse de os engrossar o mais possivel, e para isto é
necessario conduzir o cosimento muito lentamente, e não andar com elle muito serrado, sobretudo no começo. Isto evita que o
cosimento se forme grasse impedindo o crescimento do grão. No fim deve-se cerrar bem antes de o retirar da Caldeira.
Vede: Considerações sobre a Cristallisação em movimento Bulletin68 – de Nº 3 setembro 1903 //

[4] Notas sobre a diffusão da canna e sua defecação na bateria de diffusão. Conselhos de Monsieur L. Naudet69 Inventor do
systema de diffusão forçada
Começo do trabalho: – Principia-se por encher 5 diffusores com agua, por ex: sendo a bateria de 8 diffusores enche-
se os Nº 4, 5, 6, 7, 8, depois faz-se a comonicação para os epulpeures, bomba e compensador enchendo tambem estes e
depois o rechaufeur que se vai metter a trabalho. Faz-se a abertura das torneiras de forma a que se produza a circulação
em todos estes diffusores e os outros apparelhos já citados, pôe-se em marcha a bomba centrifuga, e abre-se o vapor no
rechaufeur. D’esta formas [sic] toda a agua dos diffusores citados é obrigada a passar no rechaufeur aqueçendo-se
gradualmente.
Logo que a agua estaja a 85º centigrados enche-se o primeiro diffusor com bagaço assim como o segundo e terceiro.
Feito isto, procede-se ao meichage do primeiro diffusor com agua já aquecida a 85º por meio do ar comprimido que se mette
no diffusor Nº 4 fechando as respectivas torneiras de circulação do rechaufeur do Nº 4 e a da aspiração da bomba do Nº 1
abrindo ao mesmo tempo a circulação do deposito de meichage para não parar a bomba centrifuga, tendo o deposito de
meichage (como sempre tem) agua (5 a 6 hectolitros) do compensador devido á dilatação durante o aquecimento. É necessario
notar que devemos abrir sempre durante o aquecimento da agua, a torneira d’ar do compensador que vem ter ao deposito de
meichage.
Logo que este primeiro diffusor está completamente meichado faz-se passar a circulação para elle, tirando em seguida agua
quente suficiente para a meichagem do segundo, o qual feito, se procede á sua meichagem. Esta agua é sempre tirada com ar
comprimido passando-o de um para outro conforme se for despejando. Meichado o 2º diffusor mette-se em circulação e tira-se
do 1º diffusor a quantidade de liquido um quasi nada assucarado para a meichagem do 3º. //
[5] A este tempo já devemos ter garapa sulfitada soficiente para a meichagem do 4º diffusor que se faz com ella enchendo
o deposito de meichage com 9 ou 10 hectolitros de garapa juntando-lhe o leite de cal a 20º Baumé necessario (em 1903 deitava-
se 2 1/2 cangirões de 2 litros, isto é 5 litros de cal para 9 hectolitros). Faz-se a circulação do deposito para fazer a defecação da
dita garapa elavando[sic] a esta temperatura faz-se a meichagem do diffusor com essa garapa e o restante de jus de diffusão do
diffusor antecedente, e assim sucessivamente. Logo que toda a agua quente está liquidada, o que se dá quasi sempre quando
pretende-mos meichar o Nº 6, mete-se agua do deposito da diffusão que deve marcar uma perção de 1 atmosphera (or[sic] ar
comprimido 1 1/4 atmospheras.) Do primeiro diffusor que se meichou com garapa devemos tirar 11 hectolitros para enviar a
trabalho do assucar esperando sempre com paciencia que a bateria se fassa, isto é, que a densidade suba gradualmente de
deffusor a deffusor e tirar de 11 a 12 hectolitros conforme a percentagem saccarina da cana. O petit jus do bagaço da diffusão
deve mostrar (para assucar) 0,45 a 0,50 d’assucar. No deposito de soutiragem deita-se 4 a 5 litros de baryte a 10% de solução
e é enviado ao deposito onde se junta 150 gramas de Carbonato de soda por cada 30 a 33 hectolitros de jus de diffusão: faz-se
ferver e filtra-se em filtro mechanico tendo o cuidade de que o filtrado seja claro; esta garapa clara é enviada o Quadruple effet.
Deve-se ver duas ou trez vezes por dia o estado da garapa depois da filtração se ella é neutra ao papel sensivel de torneçol: Se
ella é acida ou alcalina assim se deve augmentar ou diminuir a quantidade de cal no deposito de meichage. O manometro da
sahida da bomba centrifuga deve mostrar 1 1/2 athmospheras o maximo e o da entrada dos epulpeures 1 athmosphera o maximo.
68 Bulletin de la Association des Chimistes.
69 León Naudet.

55
Quando no deposito de meichagem se faz a circulação e que o liquido contido n’elle tende a subir no vidro de nivel alem da
medida a que ficou é porque o cpeulpeur[sic] não está funcionando bem devido a estar obstruidos os furos com bagaço, deve-
se fazer modar emediatamente. // [6] O bagaco[sic] para a deffusão deve ser o mais devidido possivel, em pequenos pedaços,
porque com bagaço mal devidido a deffusão é quasi empossivel mostrando o petit jus assucar mais que o normal: Devemos
empregar um defibreur para a devisão da canna antes de ser moida que dá bom resultado. Não ha n’esse caso necessidade de
passar o bagaço duas vezes.
A bateria deve-se conservar bastante quente até ao primeiro diffusor em que se mette a agua fria. Para isso basta ter um
rechaufeur entre o 8º e 1º diffusor. Os injectores não dão resultado.
Deve haver todo o cuidado em que o trabalho da bateria seja continuo, as paragens prejudicão muito a diffusão tornando a
bateria acida, e a diffusão má. É conveniente ver de tempos a tempos o estado da bateria com relação à sua acidez ao papel de
tornesol sensivel; no caso de estar acida devemos deitar na cauda da bateria 15 a 20 litros de baryte desolvido a 10% de 5 em
5 horas.
Com uma bateria de 8 diffuzores de 25 hectolitros cada um não podem fazer mais, no estado actual das cousas como acima,
de 150 a 160 mil kilogramas de canna: Para fazer 180 a 200 mil kilogramas por 24 horas com uma bateria de 8 diffuzores,
devem ter a capacidade de 30 hectolitros por diffusor.
A agua deve ser mais que suficiente para o trabalho da bateria de forma a que o trop-pleine deite sempre alguma agua fora
mesmo quando ella está sendo empregada.
Liquidação da bateria: Para fazer a liquidação da bateria temos que tirar para os depositos de medida o jus mais denso
contido nos dois ultimos diffusores, rechaufeurs, compensador e epoulpures, para isso isolamos toda a bateria, isto é, tiramos
a comonicação de uns diffusores aos outros fechando todas as torneiras de circulação. Abre-se depois o ar comprimido no //
[7] penultimo diffuzor (antes do de cabeça) e abre-se aspiração da bomba no diffuzor de cabeça (fechando antes a torneira do
ar do compensador) e a de refulement (circulação da bomba) do mesmo, e soutiragem do 1º diffusor vazio (a seguir ao de
cabeça) e retira-se assim todo o jus para os depositos de medida. Retirado todo este liquido fecha-se a aspiração do penultimo
e o refulement do ultimo e abre-se a circulação de todos os diffusores em trabalho, mettendo agua no de cauda, enche-se
novamente os dois ultimos diffusores com o jus fraco dos outros e continuamos a tirar até que a densidade desca[sic] a 2 do
densimetro.
Nota sobre a sulfitação ––
As garapas são sulfitadas a frio até 0,60 gramas d’acidez por litro, na media. Deve haver o cuidado no trabalhar do forno
do gaz sulfuroso de maneira a evitar as paragens e a pouca producção de gaz, o que é facil de praticar quando se usa o systema
“Quarez” introduzindo regularmente o enxofaro pela porta do forno, em plena marcha, sem nenhuma defficuldade.
É esta segurança na marcha que, para um trabalho continuo, faz ver as qualidades e as vantagens do systema “Quarez”.
Quando se sulfita a garapa até 1 grama d’acidez por litro em logar de 0,60 gramas, forma-se nas garapas sulfitadas um
precipitado floconoso que percipita emediatamente, e a garapa clareia em seguida e descora. Nesse caso é necessario filtrar
primeiro as garapas antes de lhes juntar a cal; mas como este trabalho requer uma despesa em material feltrante, contentamos-
nos em juntar a cal até á reação alcalina muito legueira, ainda que n’esta maneira de proceder, uma parte das materias
percipitadas, se redissolvem de novo: As garapas clarificão perfeitamente. [Ass:] Ferraz
Nota importante: Para que a sulfitação faça toda a sua acção benefica é necessario que as garapas sejam bem filtradas
(tamisée) isto é, livre de quasi toda a polpa da canna, de forma a que o gáz sulfuroso fassa sô acção sobre as garapas.
[Ass:] Ferraz //

[8] Uma boa forma de trabalho para a sulfitação das garapas é como explica no Bulletin de l’Association des Chimistes Nº
3 setembro 1903 paginas 253, feito na fabrica “La Corona” (Republica Argentina).
Calculo para o gasto de combustivel (carvão de pedra) n’uma – Destilleria – Por Monsieur E. Barbet70 –
Contando o mosto do melaço desfeito a uma densidade 1.075 (ou 7,5º) que será 25,500 kilogramas de melaço (beterraba)
por hectolitro de jus, ao rendimento de 27 litros d’alcool a 100º (7,4 gallões de 3,65 litros)
Consideremos primeiro o programma mais corrente; destillação do mosto fermentado em uma columna de destillação
produzindo flegmas a 50º. Para retificação d’estes flegmas em apparelho continuo. Denitragem do melaço, e força motora para
as bombas etc.
70. Barbet, Emile (1851-1948), Manuel théorique et pratique des fabricants d’alcools et d’eaux-de-vie / par E. Barbet et G. Arachesquene, 1995; Rôle du
noir animal en sucrerie, Paris: A. Quantin, 1879.

56
1º Columna de destillação com chauffe-vin: – Despende pouco mais ou menos 18 kilogramas de vapor por hectolitro de
vinho.
2º Retificador continuo: – Despende 200 kilogramas de vapor por hectolitro de flegmas brutos a 100º.
3º Denitragem continua: – Melaço deluido a 1,25 de densidade: Denitragem continua com recuperador de calor – cada
hectolitro de mosto a 1,25 Densidade absorve 5040 calorias, teremos : 5040 calorias = 9,42 kilogramas de vapor por Hectolitro.
535
4º Força motora: Por cada Cavallo-vapor podemos contar 2 kilogramas de vapor por hora.
Resumindo teremos: ..............................kilogramas vapor Fabrica Hinton 1905
Columna de destillação ......................... “ “ 8640 kilogramas vapor
Retificador ............................................ “ “ 4896 “ “
Denitragem ........................................... “ “ 1036 “ “
Machinas, bombas, etc .......................... “ “ 400 “ “
Ajuntamos pouco mais ou menos
15 por 100 para os fermentos,
perdas diversas e paragens .................... “ “ 2245 “ “
Total por 24 horas . 17217 kilos vapor =
............................................................... 2152 kilogramas carvão
Nota: Um kilograma de vapor = 535 calorias
: 8 kilogramas vapor = 1 kilograma carvão (caldeiras multitubulares) //
[9]71

[10] Table donnant les corrections á effectuer pour ramener a 20º les indication do densimètre Par Monsieur Maxim Buisson

1000 1020 1030 1040 1050 1060 1070


Temperature a a a a a a a
1030 1030 1040 1050 1060 1070 1080
á soustraire:
15 0,09 0,10 0,11 0,12 0,12 0,13 0,13
16 0,07 0,08 0,08 0,10 0,10 0,10 0,11
17 0,05 0,06 0,06 0,08 0,08 0,08 0,08
18 0,03 0,04 0,04 0,05 0,05 0,05 0,05
19 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02
á ajouter:
21 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02 0,03 0,03
22 0,04 0,04 0,05 0,05 0,05 0,06 0,06
23 0,06 0,07 0,07 0,08 0,08 0,09 0,09
24 0,09 0,10 0,10 0,10 0,11 0,12 0,12
25 0,12 0,12 0,13 0,14 0,14 0,15 0,15
26 0,15 0,15 0,16 0,17 0,17 0,18 0,18
27 0,18 0,18 0,19 0,20 0,20 0,21 0,22
28 0,20 0,21 0,22 0,23 0,23 0,25 0,25
29 0,23 0,24 0,25 0,26 0,26 0,28 0,29
30 0,26 0,27 0,28 0,29 0,30 0,31 0,32
31 0,29 0,30 0,31 0,32 0,33 0,34 0,35 //

71 A página 9 não apresenta qualquer informação.

57
[11] 72Table de corrélation des densités des solution sucrées Par Monsieur Maxim Buisson
Densité a Sucre pour Densité a Sucre pour
15 15/4 20/4 100 100 15 15/4 20/4 100 100
15 vide vide grammes centimètres 15 vide vide grammes centimètres
de soluction cubiques de soluction cubiques
10000 9991 9982 0 00 0 73
00 10031 10022 10013 0 80 0 74
80
1 2 3 0 03 0 03 2 3 4 0 82 0 82
2 3 4 0 05 0 05 3 4 5 0 85 0 85
3 4 5 0 08 0 08 4 5 6 0 87 0 87
4 5 6 0 10 0 10 5 6 7 0 90 0 90
5 6 7 0 13 0 13 6 7 8 0 93 0 93
6 7 8 0 15 0 15 7 8 9 0 95 0 95
7 8 9 0 18 0 18 8 9 10020 0 98 0 98
8 9 9990 0 21 0 21 9 10030 1 1 00 1 00
9 10000 1 0 23 0 23 10040 1 2 1 03 1 03
10010 1 2 0 26 0 26 1 2 3 1 05 1 05
1 2 3 0 28 0 28 2 3 4 1 08 1 08
2 3 4 0 31 0 31 3 4 5 1 11 1 11
3 4 5 0 34 0 34 4 5 6 1 13 1 13
4 5 6 0 36 0 36 5 6 7 1 16 1 16
5 6 7 0 39 0 39 6 7 8 1 18 1 18
6 7 8 0 41 0 41 7 8 9 1 21 1 21
7 8 9 0 44 0 44 8 9 10030 1 23 1 24
8 9 10000 0 46 0 46 9 10040 1 1 26 1 26
9 10010 1 0 49 0 49 10050 1 2 1 28 1 29
10020 1 2 0 52 0 52 1 2 3 1 31 1 32
1 2 3 0 54 0 54 2 3 4 1 34 1 34
2 3 4 0 57 0 57 3 4 5 1 36 1 37
3 4 5 0 59 0 59 4 5 6 1 39 1 39
4 5 6 0 62 0 62 5 6 7 1 41 1 41
5 6 7 0 64 0 64 6 7 8 1 44 1 45
6 7 8 0 67 0 67 7 8 9 1 46 1 47
7 8 9 0 69 0 69 8 9 10040 1 49 1 50
8 9 10010 0 72 0 72 9 10050 1 1 52 1 52
9 10020 1 0 75 0 75 10060 1 2 1 54 1 56
10030 1 2 0 77 0 77 1 2 3 1 57 1 57 //

[12] Matière Sèche Matière Sèche


Densité a Sucre pour Densité a Sucre pour
15/15 15/4 20/4 100 100 15/15 15/4 20/4 100 100
vide vide grammes centimètres vide vide grammes centimètres
de soluction cubiques de soluction cubiques

10062 10053 10044 1 59 1 75 60 10093 10084 10075 2 38 2 40


3 4 5 1 62 1 63 4 5 6 2 41 2 43
4 5 6 1 64 1 65 5 6 7 2 43 2 45

72 Os números que preenchem este quadro e os seguintes (até à página 27) não são da lavra de João Higino Ferraz.
73 Entre os dois números de cada uma das linhas desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
74 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
75 Entre os dois números de cada linha desta coluna, até à décima sétima linha, foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».

58
5 6 7 1 65 1 68 6 7 8 2 46 2 48
6 7 8 1 69 1 70 7 8 9 2 48 2 50
7 8 9 1 72 1 73 8 9 10080 2 51 2 53
8 9 10050 1 75 1 76 9 10090 1 2 53 2 56
9 10060 1 1 77 1 78 10100 1 2 2 56 2 58
10070 1 2 1 80 1 81 1 2 3 2 58 2 61
1 2 3 1 82 1 82 2 3 4 2 61 2 63
2 3 4 1 85 1 86 3 4 5 2 64 2 66
3 4 5 1 87 1 88 4 5 6 2 66 2 69
4 5 6 1 90 1 91 5 6 7 2 69 2 71
5 6 7 1 92 1 94 6 7 8 2 71 2 74
6 7 8 1 95 1 96 7 8 9 2 74 2 76
7 8 0 1 97 1 99 8 9 10090 2 75 2 79
8 9 10060 2 00 2 01 9 10100 1 2 79 2 82
9 10070 1 2 03 2 04 10110 1 2 2 81 2 84
10080 1 2 2 05 2 07 1 2 3 2 84 2 87
1 2 3 2 08 2 09 2 3 4 2 86 2 89
2 3 4 2 10 2 12 3 4 5 2 89 2 92
3 4 5 2 13 2 14 4 5 6 2 91 2 94
4 5 6 2 15 2 17 5 6 7 2 94 2 97
5 6 7 2 18 2 19 6 7 8 2 96 3 00
6 7 8 2 20 2 22 7 8 9 2 99 3 02
7 8 9 2 23 2 25 8 9 10100 3 02 3 05
8 9 10070 2 25 2 27 9 10110 1 3 04 3 07
9 10080 1 2 28 2 30 10120 1 2 3 07 3 10
10090 1 2 2 31 2 32 1 2 3 3 09 3 12
1 2 3 2 33 2 35 2 3 4 3 12 3 15
2 3 4 2 36 2 38 3 4 5 3 14 3 18 //

[13] Matière Sèche Matière Sèche


Densité a Sucre pour Densité a Sucre pour
15/15 15/4 20/4 100 100 15/15 15/4 20/4 100 100
vide vide grammes centimètres vide vide grammes centimètres
de soluction cubiques de soluction cubiques
10124 10115 10106 3 17 3 20 10155 10146 10137 3 95 4 00
5 6 7 3 19 3 23 6 7 8 3 97 4 03
6 7 8 3 22 3 26 7 8 9 4 00 4 06
7 8 9 3 24 3 28 8 9 10140 4 02 4 08
8 9 10110 3 27 3 31 9 10150 1 4 05 4 11
9 10120 1 3 29 3 33 10160 1 2 4 07 4 13
10130 1 2 3 32 3 36 1 2 3 4 10 4 16
1 2 3 3 34 3 38 2 3 4 4 12 4 19
2 3 4 3 37 3 41 3 4 5 4 15 4 21
3 4 5 3 39 3 43 4 5 6 4 17 4 24
4 5 6 3 42 3 46 5 6 7 4 20 4 26
5 6 7 3 44 3 49 6 7 8 4 22 4 29
6 7 8 3 47 3 51 7 8 9 4 25 4 31
7 8 9 3 49 3 54 8 9 10150 4 27 4 34
8 9 10120 3 52 3 56 9 10160 1 4 30 4 37
9 10130 1 3 54 3 59 10170 1 2 4 32 4 39

59
10140 1 2 3 57 3 62 1 2 3 4 35 4 42
1 2 3 3 59 3 64 2 3 4 4 37 4 44
2 3 4 3 62 3 67 3 4 5 4 40 4 47
3 4 5 3 65 3 69 4 5 6 4 42 4 50
4 5 6 3 67 3 72 5 6 7 4 45 4 52
5 6 7 3 70 3 75 6 7 8 4 47 4 55
6 7 8 3 72 3 77 7 8 9 4 50 4 57
7 8 9 3 75 3 80 8 9 10160 4 52 4 60
8 9 10130 3 77 3 82 9 10170 1 4 55 4 63
9 10140 1 3 80 3 85 10180 1 2 4 57 4 65
10150 1 2 3 82 3 87 1 2 3 4 60 4 68
1 2 3 3 85 3 90 2 3 4 4 62 4 70
2 3 4 3 87 3 93 3 4 5 4 65 4 73
3 4 5 3 90 3 95 4 5 6 4 67 4 75
4 5 6 3 92 3 98 5 6 7 4 70 4 78 //

[14] Matière Sèche Matière Sèche


Densité a Sucre pour Densité a Sucre pour
15/15 15/4 20/4 100 100 15/15 15/4 20/4 100 100
vide vide grammes centimètres vide vide grammes centimètres
de soluction cubiques de soluction cubiques
10186 10177 10168 4 72 4 81 10217 10208 10198 5 50 5 61
7 8 9 4 75 4 83 8 9 9 5 52 5 64
8 9 10170 4 77 4 86 9 10210 10200 5 55 5 66
9 10180 1 4 80 4 88 10220 1 1 5 57 5 69
10190 1 2 4 82 4 91 1 2 2 5 60 5 71
1 2 3 4 85 4 94 2 3 3 5 62 5 74
2 3 4 4 87 4 96 3 4 4 5 65 5 77
3 4 5 4 90 4 99 4 5 5 5 67 5 79
4 5 6 4 92 5 01 5 6 6 5 70 5 82
5 6 7 4 95 5 04 6 7 7 5 72 5 85
6 7 8 4 97 5 06 7 8 8 5 74 5 87
7 8 9 5 00 5 09 8 9 9 5 77 5 89
8 9 10180 5 02 5 11 9 10220 10210 5 79 5 92
9 10190 1 5 05 5 14 10230 1 1 5 82 5 94
10200 1 1 5 07 5 17 1 2 2 5 84 5 97
1 2 2 5 10 5 19 2 3 3 5 87 6 00
2 3 3 5 12 5 22 3 4 4 5 89 6 02
3 4 4 5 15 5 25 4 5 5 5 91 6 05
4 5 5 5 17 5 27 5 6 6 5 94 6 07
5 6 6 5 20 5 30 6 7 7 5 96 6 10
6 7 7 5 22 5 32 7 8 8 5 99 6 12
7 8 8 5 25 5 35 8 9 9 6 01 6 15
8 9 9 5 27 5 38 9 10230 10220 6 04 6 18
9 10200 10190 5 30 5 40
10210 1 1 5 32 5 43
1 2 2 5 35 5 45
2 3 3 5 37 5 48
3 4 4 5 40 5 51
4 5 5 5 42 5 53
5 6 6 5 45 5 56
6 7 7 5 47 5 58 //

60
[15] Matière Sèche Matière Sèche
Densité á Sucre pour Solution a 20% Densite a Sucre pour Solution 20%
15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres 15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres
vide vide grammes centimètres seches vide vide grammes centimètres seches
de soluction cubiques por 100 de soluction cubiques por 100
grammes grammes
10240 10231 10221 6 06 6 20 31 76
00 10271 10262 10251 6 83 7 01 3577 05
1 2 2 6 09 6 23 31 15 2 3 2 6 85 7 03 35 15
2 3 3 6 11 6 25 31 25 3 4 3 6 88 7 06 35 30
3 4 4 6 14 6 28 31 40 4 5 4 6 90 7 08 35 40
4 5 5 6 16 6 31 31 55 5 6 5 6 92 7 11 35 55
5 6 6 6 19 6 33 31 65 6 7 6 6 95 7 13 35 65
6 7 7 6 21 6 36 31 80 7 8 7 6 97 7 16 35 80
7 8 8 6 24 6 38 31 90 8 9 8 7 00 7 19 35 95
8 9 9 6 26 6 41 32 05 9 10270 9 7 02 7 21 36 05
9 10240 10230 6 29 6 44 32 20 10280 1 10260 7 05 7 24 36 20
10250 1 1 6 31 6 46 32 30 1 2 1 7 07 7 26 36 30
1 2 2 6 33 6 49 32 45 2 3 2 7 10 7 28 36 45
2 3 3 6 36 6 51 32 55 3 4 3 7 12 7 32 36 60
3 4 4 6 38 6 54 32 70 4 5 4 7 15 7 34 36 70
4 5 5 6 41 6 56 32 80 5 6 5 7 17 7 37 36 85
5 6 6 6 43 6 59 32 95 6 7 6 7 20 7 39 36 95
6 7 7 6 46 6 62 33 10 7 8 7 7 22 7 42 37 10
7 8 8 6 48 6 64 33 20 8 9 8 7 24 7 45 37 25
8 9 9 6 51 6 67 33 35 9 10280 9 7 27 7 47 37 35
9 10250 10240 6 53 6 70 33 50 10290 1 10270 7 29 7 50 37 50
10260 1 0 6 56 6 72 33 60 1 2 1 7 32 7 52 37 60
1 2 1 6 58 6 75 33 75 2 3 2 7 34 7 55 37 75
2 3 2 6 60 6 77 33 85 3 4 3 7 37 7 58 37 90
3 4 3 6 63 6 80 34 00 4 5 4 7 39 7 60 38 00
4 5 4 6 65 6 82 34 10 5 6 5 7 41 7 63 38 15
5 6 5 6 68 6 85 34 25 6 7 6 7 44 7 65 38 25
6 7 6 6 70 6 88 34 49 7 8 7 7 46 7 68 38 40
7 8 7 6 73 6 90 34 50 8 9 8 7 49 7 70 38 50
8 9 8 6 75 6 93 34 65 9 10290 9 7 51 7 73 38 65
9 10260 9 6 78 6 95 34 75 10300 1 10280 7 54 7 76 38 80
10270 1 10250 6 80 6 98 34 90 1 2 1 7 56 7 78 38 90 //

[16] Matière Sèche Matière Sèche


Densité á Sucre pour Solution a 20% Densite a Sucre pour Solution 20%
15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres 15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres
vide vide grammes centimètres seches vide vide grammes centimètres seches
de soluction cubiques por 100 de soluction cubiques por 100
grammes grammes
10302 10293 10282 7 59 7 81 39 78
05 10333 10324 10313 8 34 8 61 4379 05
3 4 3 7 61 7 83 39 15 4 5 4 8 37 8 64 43 20
4 5 4 7 64 7 86 39 30 5 6 5 8 39 8 66 43 30
76 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
77 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
78 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
79 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».

61
5 6 5 7 66 7 89 39 45 6 7 6 8 41 8 69 43 45
6 7 6 7 69 7 91 39 55 7 8 7 8 44 8 72 43 60
7 8 7 7 71 7 94 39 70 8 9 8 8 46 8 74 43 70
8 9 8 7 73 7 97 39 85 9 10330 9 8 49 8 77 43 85
9 10300 9 7 76 7 99 39 95 10340 1 10320 8 51 8 79 43 95
10310 1 10290 7 78 8 02 40 10 1 2 1 8 54 8 82 44 10
1 2 1 7 81 8 04 40 20 2 3 2 8 56 8 85 44 25
2 3 2 7 83 8 07 40 35 3 4 3 8 59 8 87 44 35
3 4 3 7 85 8 09 40 45 4 5 4 8 61 8 90 44 50
4 5 4 7 88 8 12 40 60 5 6 5 8 63 8 92 44 60
5 6 5 7 90 8 14 40 70 6 7 6 8 66 8 95 44 75
6 7 6 7 93 8 17 40 85 7 8 7 8 68 8 97 44 85
7 8 7 7 95 8 20 41 00 8 9 8 8 71 9 00 45 00
8 9 8 7 98 8 22 41 10 9 10340 9 8 73 9 03 45 15
9 10310 9 8 00 8 25 41 25 10350 1 10330 8 75 9 05 45 25
10320 1 10300 8 02 8 27 41 35 1 2 1 8 78 9 08 45 40
1 2 1 8 05 8 30 41 50 2 3 2 8 80 9 10 45 50
2 3 2 8 07 8 33 41 65 3 4 3 8 83 9 13 45 65
3 4 3 8 10 8 35 41 75 4 5 4 8 85 9 16 45 80
4 5 4 8 12 8 38 41 90 5 6 5 8 88 9 18 45 90
5 6 5 8 15 8 40 42 00 6 7 6 8 90 9 21 46 05
6 7 6 8 17 8 43 42 15 7 8 7 8 92 9 23 46 15
7 8 7 8 20 8 46 42 30 8 9 8 8 95 9 26 46 30
8 9 8 8 22 8 48 42 40 9 10350 9 8 97 9 29 46 45
9 10320 9 8 24 8 51 42 55 10360 1 10340 9 00 9 31 46 55
10330 1 10310 8 27 8 53 42 65 1 2 1 9 02 9 34 46 70
1 2 1 8 29 8 56 42 80 2 3 2 9 04 9 36 46 80
2 3 2 8 32 8 59 42 95 3 4 3 9 07 9 39 46 95 //

[17] Matière Sèche Matière Sèche


Densité á Sucre pour Solution a 20% Densite a Sucre pour Solution 20%
15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres 15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres
vide vide grammes centimètres seches vide vide grammes centimètres seches
de soluction cubiques por 100 de soluction cubiques por 100
grammes grammes
10364 10355 10344 9 09 9 42 4780 10 10395 10386 10375 9 84 10 22 5181 10
5 6 5 9 12 9 44 47 20 6 7 6 9 86 10 25 51 25
6 7 6 9 14 9 47 47 35 7 8 7 9 89 10 27 51 35
7 8 7 9 17 9 49 47 45 8 9 8 9 91 10 30 51 50
8 9 8 9 19 9 52 47 60 9 10390 9 9 94 10 32 51 60
9 10360 9 9 21 9 55 47 75 10400 1 10380 9 96 10 35 51 75
10370 1 10350 9 24 9 57 47 85 1 2 1 9 98 10 37 51 85
1 2 1 9 26 9 60 48 00 2 3 2 10 01 10 40 52 00
2 3 2 9 29 9 62 48 10 3 4 3 10 03 10 43 52 15
3 4 3 9 31 9 65 48 25 4 5 4 10 06 10 45 52 25
4 5 4 9 33 9 68 48 40 5 6 5 10 08 10 48 52 40
5 6 5 9 36 9 70 48 50 6 7 6 10 10 10 51 52 55
6 7 6 9 38 9 73 48 65 7 8 7 10 13 10 53 52 65

80 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
81 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».

62
7 8 7 9 41 9 75 48 75 8 9 8 10 15 10 56 52 80
8 9 8 9 43 9 78 48 90 9 10400 9 10 18 10 58 52 90
9 10370 9 9 45 9 80 49 00 10410 1 10390 10 20 10 61 53 05
10380 1 10360 9 48 9 83 49 15 1 2 1 10 22 10 63 53 15
1 2 1 9 50 9 86 49 30 2 3 2 10 25 10 66 53 30
2 3 2 9 53 9 88 49 40 3 4 3 10 27 10 69 53 45
3 4 3 9 55 9 91 49 55 4 5 4 10 30 10 71 53 55
4 5 4 9 58 9 93 49 65 5 6 5 10 32 10 74 53 70
5 6 5 9 60 9 96 49 80 6 7 6 10 34 10 76 53 80
6 7 6 9 62 9 99 49 95 7 8 7 10 37 10 79 53 95
7 8 7 9 65 9 01 50 05 8 9 8 10 39 10 82 54 10
8 9 8 9 67 9 04 50 20 9 10410 9 10 42 10 84 54 20
9 10380 9 9 70 9 06 50 30 10420 1 10400 10 44 10 87 54 35
10390 1 10370 9 72 9 09 50 45 1 2 1 10 46 10 90 54 50
1 2 1 9 74 9 11 50 55 2 3 2 10 49 10 92 54 60
2 3 2 9 77 9 14 50 70 3 4 3 10 51 10 95 54 75
3 4 3 9 79 9 17 50 85 4 5 4 10 54 10 97 54 85
4 5 4 9 82 9 19 50 95 5 6 5 10 56 11 00 55 00 //

[18] Matière Sèche Matière Sèche


Densité á Sucre pour Solution a 20% Densite a Sucre pour Solution 20%
15 15/4 20/4 100 100 Matieres 15 15/4 20/4 100 100 Matieres
15 vide vide grammes centimètres seches 15 vide vide grammes centimètres seches
de soluction cubiques por 100 de soluction cubiques por 100
grammes grammes
10426 10417 10406 10 58 11 03 5582 15 10457 10448 10437 11 32 11 83 5983 15
7 8 7 10 61 11 05 55 24 8 9 8 11 35 11 86 59 30
8 9 8 10 63 11 08 55 40 9 10450 9 11 37 11 88 59 40
9 10420 9 10 65 11 10 55 50 10460 1 10440 11 40 11 91 59 55
10430 1 10410 10 68 11 13 55 65 1 2 1 11 42 11 94 59 70
1 2 1 10 70 11 15 55 75 2 3 2 11 44 11 96 59 80
2 3 2 10 73 11 18 55 90 3 4 3 11 47 11 99 59 95
3 4 3 10 75 11 21 56 05 4 5 4 11 49 12 01 60 05
4 5 4 10 77 11 23 56 15 5 6 5 11 51 12 04 60 20
5 6 5 10 80 11 26 56 30 6 7 6 11 54 12 06 60 30
6 7 6 10 82 11 28 56 40 7 8 7 11 56 12 09 60 45
7 8 7 10 85 11 31 56 55 8 9 8 11 58 12 12 60 60
8 9 8 10 87 11 34 56 70 9 10460 9 11 61 12 14 60 70
9 10430 9 10 90 11 36 56 80 10470 1 10450 11 63 12 17 60 85
10440 1 10420 10 92 11 39 56 95 1 2 1 11 65 12 19 60 95
1 2 1 10 94 11 42 57 10 2 3 2 11 68 12 22 61 10
2 3 2 10 97 11 44 57 20 3 4 3 11 70 12 25 61 25
3 4 3 10 99 11 47 57 35 4 5 4 11 73 12 27 61 35
4 5 4 11 01 11 49 57 45 5 6 5 11 75 12 30 61 50
5 6 5 11 04 11 52 57 60 6 7 6 11 77 12 32 61 60
6 7 6 11 06 11 55 57 75 7 8 7 11 80 12 35 61 75
7 8 7 11 09 11 57 57 85 8 9 8 11 82 12 38 61 90
8 9 8 11 11 11 60 58 00 9 10470 9 11 85 12 40 62 00

82 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
83 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».

63
9 10440 9 11 13 11 62 58 10 10480 1 10460 11 87 12 43 62 15
10450 1 10430 11 16 11 65 58 25 1 2 1 11 89 12 45 62 25
1 2 1 11 18 11 68 55 40 2 3 2 11 92 12 48 62 40
2 3 2 11 20 11 70 58 50 3 4 3 11 94 12 51 62 55
3 4 3 11 23 11 73 58 65 4 5 4 11 96 12 53 62 65
4 5 4 11 25 11 75 58 75 5 6 5 11 99 12 56 62 80
5 6 5 11 28 11 78 58 90 6 7 6 12 01 12 58 62 90
1284 02 12 59 62 9785
6 7 6 11 30 11 81 59 05 7 8 7 12 03 12 61 63 05 //

[19] Matière Sèche Matière Sèche


Densité á Sucre pour Solution a 20% Densite a Sucre pour Solution 20%
15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres 15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres
vide vide grammes centimètres seches vide vide grammes centimètres seches
de soluction cubiques por 100 de soluction cubiques por 100
grammes grammes
10488 10479 10467 12 06 12 64 6386 20 10519 10510 10498 12 79 13 40 6787 20
9 10480 8 12 08 12 66 63 30 10520 1 9 12 81 13 47 67 35
10490 1 9 12 10 12 69 63 45 1 2 10500 12 84 13 49 67 45
1 2 10470 12 13 12 71 63 55 2 3 1 12 86 13 52 67 60
2 3 1 12 15 12 74 63 70 3 4 2 12 88 13 55 67 75
3 4 2 12 18 12 77 63 85 4 5 3 12 91 13 57 67 85
4 5 3 12 20 12 79 63 95 5 6 4 12 93 13 60 68 00
5 6 4 12 22 12 82 64 10 6 7 5 12 95 13 62 68 10
6 7 5 12 25 12 84 64 20 7 8 6 12 98 13 65 68 25
7 8 6 12 27 12 87 64 35 8 9 7 13 00 13 68 68 40
8 9 7 12 30 12 90 64 50 9 10520 8 13 03 13 70 68 50
9 10490 8 12 32 12 92 64 60 10530 1 9 13 05 13 73 68 65
10500 1 9 12 34 12 95 64 75 1 2 10510 13 07 13 75 68 75
1 2 10480 12 37 12 97 64 85 2 3 1 13 10 13 78 68 90
2 3 1 12 39 13 00 65 00 3 4 2 13 12 13 80 69 00
3 4 2 12 41 13 03 65 15 4 5 3 13 14 13 83 69 15
4 5 3 12 44 13 05 65 25 5 6 4 13 17 13 86 69 30
5 6 4 12 46 13 08 65 40 6 7 5 13 19 13 89 69 45
6 7 5 12 48 13 10 65 50 7 8 6 13 21 13 91 69 55
7 8 6 12 51 13 13 65 65 8 9 7 13 24 13 94 69 70
8 9 7 12 53 13 15 65 75 9 10530 8 13 26 13 96 69 80
9 10500 8 12 55 13 18 65 90 10540 1 9 13 28 13 99 69 95
10510 1 9 12 58 13 21 66 05 1 2 10520 13 31 14 01 70 05
1 2 10490 12 60 13 23 66 15 2 3 1 13 33 14 04 70 20
2 3 1 12 63 13 26 66 30 3 4 2 13 35 14 07 70 35
3 4 2 12 65 13 29 66 45 4 5 3 13 38 14 09 70 45
4 5 3 12 67 13 31 66 55 5 6 4 13 40 14 12 70 60
5 6 4 12 70 13 34 66 70 6 7 5 13 42 14 14 70 70
6 7 5 12 72 13 36 66 80 7 8 6 13 45 14 17 70 85
7 8 6 12 74 13 39 66 95 8 9 7 13 47 14 20 71 00
8 9 7 12 77 13 42 67 10 9 10540 8 13 50 14 22 71 10 //
84 Os algarismos desta linha foram grafados a lápis, e um pouco entrelinhados entre os numerais das linhas inferior e superior.
85 À direita deste numeral foi grafado um sinal de Visto, a lápis: «v».
86 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
87 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».

64
[20] Matière Sèche Matière Sèche
Densité á Sucre pour Solution a 20% Densite a Sucre pour Solution 20%
15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres 15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres
vide vide grammes centimètres seches vide vide grammes centimètres seches
de soluction cubiques por 100 de soluction cubiques por 100
grammes grammes
10550 10541 10529 13 52 14 25 71 88
25 10581 10572 10560 14 24 15 06 7589 20
1 2 10530 13 54 14 28 71 40 2 3 1 14 27 15 08 75 40
2 3 1 13 57 14 30 71 50 3 4 2 14 29 15 11 75 55
3 4 2 13 59 14 33 71 65 4 5 3 14 31 15 14 75 70
4 5 3 13 61 14 35 71 95 5 6 4 14 34 15 16 75 80
5 6 4 13 63 14 38 71 90 6 7 5 14 36 15 19 75 95
6 7 5 13 66 14 41 72 05 7 8 6 14 38 15 22 76 10
7 8 6 13 68 14 43 72 15 8 9 7 14 41 15 24 76 20
8 9 7 13 70 14 46 72 30 9 10580 8 14 43 15 27 76 35
9 10550 8 13 73 14 48 72 40 10590 1 9 14 45 15 29 76 45
10560 1 9 13 75 14 51 72 55 1 2 10570 14 48 15 32 76 60
1 2 10540 13 78 14 54 72 70 2 3 1 14 50 15 35 76 75
2 3 1 13 80 14 56 72 80 3 4 2 14 52 15 37 76 85
3 4 2 13 82 14 59 72 95 4 5 3 14 55 15 40 77 00
4 5 3 13 85 14 61 73 05 5 6 4 14 57 15 42 77 10
5 6 4 13 87 14 64 73 20 6 7 5 14 59 15 45 77 25
6 7 5 13 89 14 67 73 35 7 8 6 14 62 15 48 77 40
7 8 6 13 92 14 69 73 45 8 9 7 14 64 15 50 77 50
8 9 7 13 94 14 72 73 60 9 10590 8 14 66 15 53 77 65
9 10560 8 13 96 14 74 73 70 10600 1 9 14 69 15 55 77 75
10570 1 9 13 99 14 77 73 85 1 2 10580 14 71 15 58 77 90
1 2 10550 14 01 14 80 74 00 2 3 1 14 73 15 61 78 05
2 3 1 14 03 14 87 74 10 3 4 2 14 76 15 63 78 15
3 4 2 14 06 14 85 74 25 4 5 3 14 78 15 66 78 30
4 5 3 14 08 14 87 74 35 5 6 4 14 80 15 68 78 40
5 6 4 14 10 14 90 74 50 6 7 5 14 83 15 71 78 55
6 7 5 14 13 14 93 74 65 7 8 6 14 85 15 74 78 70
7 8 6 14 15 14 95 74 75 8 9 7 14 87 15 76 78 80
8 9 7 14 17 14 98 74 90 9 10600 8 14 89 15 79 78 95
9 10570 8 14 20 15 00 75 00 10610 1 9 14 92 15 81 79 05
10580 1 9 14 22 15 03 75 15 1 2 10590 14 94 15 84 79 20 //

[21] Matière Sèche Matière Sèche


Densité á Sucre pour Solution a 20% Densite a Sucre pour Solution 20%
15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres 15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres
vide vide grammes centimètres seches vide vide grammes centimètres seches
de soluction cubiques por 100 de soluction cubiques por 100
grammes grammes
10612 10603 10591 14 96 15 87 79 90
35 10643 10634 10622 15 68 16 68 8391 40
3 4 2 14 99 15 89 79 45 4 5 3 15 70 16 70 83 50
4 5 3 15 01 15 92 79 60 5 6 4 15 73 16 73 83 65

88 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
89 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
90 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
91 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».

65
5 6 4 15 03 15 94 79 70 6 7 5 15 75 16 75 83 75
6 7 5 15 06 15 97 79 85 7 8 6 15 77 16 78 83 90
7 8 6 15 08 16 00 80 00 8 9 7 15 80 16 80 84 00
8 9 7 15 10 16 02 80 10 9 10640 8 15 82 16 83 84 15
9 10610 8 15 13 16 04 80 20 10650 1 9 15 84 16 86 84 30
10620 1 9 15 15 16 07 80 35 1 2 10630 15 87 16 88 84 40
1 2 10600 15 17 16 10 80 50 2 3 0 15 89 16 91 84 55
2 3 1 15 20 16 13 80 65 3 4 1 15 91 16 94 84 70
3 4 2 15 22 16 15 80 75 4 5 2 15 93 16 96 84 80
4 5 3 15 24 16 18 80 90 5 6 3 15 96 16 99 84 95
5 6 4 15 27 16 21 81 05 6 7 4 15 98 17 01 85 05
6 7 5 15 29 16 23 81 15 7 8 5 16 00 17 04 85 20
7 8 6 15 31 16 26 81 30 8 9 6 16 03 17 07 85 35
8 9 7 15 33 16 28 81 40 9 10650 7 16 05 17 09 85 45
9 10620 8 15 36 16 31 81 55 10660 1 8 16 07 17 12 85 60
10630 1 9 15 38 16 33 81 65 1 2 9 16 10 17 14 85 70
1 2 10610 15 40 16 36 81 80 2 3 10640 16 12 17 17 85 85
2 3 1 15 43 16 39 81 95 3 4 1 16 14 17 20 86 00
3 4 2 15 45 16 41 82 05 4 5 2 16 16 17 22 86 10
4 5 3 15 47 16 44 82 20 5 6 3 16 19 17 25 86 25
5 6 4 15 50 16 47 82 35 6 7 4 16 21 17 27 86 35
6 7 5 15 52 16 49 82 45 7 8 5 16 23 17 30 86 50
7 8 6 15 54 16 52 82 60 8 9 6 16 26 17 33 86 65
8 9 7 15 57 16 54 82 70 9 10660 7 16 28 17 35 86 75
9 10630 8 15 59 16 57 82 85 10670 1 8 16 30 17 38 86 90
10640 1 9 15 61 16 60 83 00 1 2 9 16 33 17 41 87 05
1 2 10620 15 63 16 62 83 10 2 3 10650 16 35 17 43 87 15
2 3 1 15 66 16 65 83 25 3 4 1 16 37 17 46 87 30 //

[22] Matière Sèche Matière Sèche


Densité á Sucre pour Solution a 20% Densite a Sucre pour Solution 20%
15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres 15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres
vide vide grammes centimètres seches vide vide grammes centimètres seches
de soluction cubiques por 100 de soluction cubiques por 100
grammes grammes
10674 10665 10652 16 39 17 48 8792 40 10705 10696 10683 17 10 18 30 9193 50
5 6 3 16 42 17 51 87 55 6 7 4 17 13 18 32 91 60
6 7 4 16 44 17 54 87 75 7 8 5 17 15 18 35 91 75
7 8 5 16 46 17 56 87 80 8 9 6 17 17 18 37 91 85
8 9 6 16 49 17 59 87 95 9 10700 7 17 20 18 40 92 00
9 10670 7 16 51 17 62 88 10 10710 1 8 17 22 18 43 92 15
10680 1 8 16 53 17 64 88 20 1 2 9 17 24 18 45 92 25
1 2 9 16 55 17 67 88 35 2 3 10690 17 26 18 48 92 40
2 3 10660 16 58 17 69 88 45 3 4 1 17 29 18 50 92 50
3 4 1 16 60 17 72 88 60 4 5 2 17 31 18 53 92 65
4 5 2 16 62 17 75 88 75 5 6 3 17 33 18 56 92 80
5 6 3 16 65 17 77 88 85 6 7 4 17 35 18 58 92 90
6 7 4 16 67 17 80 89 00 7 8 5 17 38 18 61 93 05

92 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
93 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».

66
7 8 5 16 69 17 83 89 15 8 9 6 17 40 18 63 93 15
8 9 6 16 72 17 85 89 25 9 10710 7 17 42 18 66 93 30
9 10680 7 16 74 17 88 89 40 10720 1 8 17 45 18 69 93 45
10690 1 8 16 76 17 90 89 50 1 2 9 17 47 18 71 93 55
1 2 9 16 78 17 93 89 65 2 3 10700 17 49 18 74 93 70
2 3 10670 16 81 17 95 89 75 3 4 1 17 51 18 76 93 80
3 4 1 16 83 17 98 89 90 4 5 2 17 54 18 79 93 95
4 5 2 16 85 18 01 90 05 5 6 3 17 56 18 82 94 10
5 6 3 16 88 18 03 90 15 6 7 4 17 58 18 84 94 20
6 7 4 16 90 18 06 90 30 7 8 5 17 61 18 87 94 35
7 8 5 16 92 18 08 90 40 8 9 6 17 63 18 90 94 50
8 9 6 16 94 18 11 90 55 9 10720 7 17 66 18 92 94 60
9 10690 7 16 97 18 14 90 70 10730 1 8 17 68 18 95 94 75
10700 1 8 16 99 18 16 90 80 1 2 9 17 70 18 97 94 85
1 2 9 17 01 18 19 90 95 2 3 10710 17 72 19 00 95 00
2 3 10680 17 03 18 22 91 10 3 4 1 17 74 19 03 95 15
3 4 1 17 06 18 24 91 20 4 5 2 17 76 19 05 95 25
4 5 2 17 08 18 27 91 35 5 6 3 17 79 19 08 95 40 //

[23] Matière Sèche Matière Sèche


Densité á Sucre pour Solution a 20% Densite a Sucre pour Solution 20%
15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres 15/15 15/4 20/4 100 100 Matieres
vide vide grammes centimètres seches vide vide grammes centimètres seches
de soluction cubiques por 100 de soluction cubiques por 100
grammes grammes
10736 10727 10714 17 81 19 10 9594 50 10767 10758 10744 18 51 19 92 9995 60
7 8 5 17 83 19 13 95 65 8 9 5 18 54 19 94 99 70
8 9 6 17 85 19 16 95 80 9 10760 6 18 56 19 97 99 85
9 10730 7 17 88 19 18 95 90 10770 1 7 18 58 20 00 100 00
10740 1 8 17 90 19 21 96 05 1 2 8 18 60 20 0296
1 2 9 17 92 19 23 96 15 2 3 9 18 63 20 05
2 3 10720 17 95 19 26 96 30 3 4 10750 18 65 20 07
3 4 1 17 97 19 29 96 45 4 5 1 18 67 20 10
4 5 2 17 99 19 31 96 55 5 6 2 18 69 20 12
5 6 2 18 01 19 34 96 70 6 7 3 18 72 20 15
6 7 3 18 04 19 37 96 85 7 8 4 18 74 20 18
7 8 4 18 06 19 39 96 95 8 9 5 18 76 20 20
8 9 5 18 08 19 42 97 10 9 10770 6 18 78 20 23
9 10740 6 18 10 19 44 97 20 10780 1 7 18 81 20 26
10750 1 7 18 13 19 47 97 35 1 2 8 18 83 20 28
1 2 8 18 15 19 50 97 50 2 3 9 18 85 20 31
2 3 9 18 17 19 52 97 60 3 4 10760 18 88 20 34
3 4 10730 18 20 19 55 97 75 4 5 1 18 90 20 36
4 5 1 18 22 19 58 97 90 5 6 2 18 92 20 39
5 6 2 18 24 19 60 98 00 6 7 3 18 94 20 41

94 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v».
95 Entre os dois números das 4 primeiras linhas desta coluna foi colocado a lápis um sinal de Visto: «v». Um traço vertical e ondulado, também a vermelho,
percorre as restantes linhas da coluna, decerto com a finalidade de tornar impossível – ou de mostrar ser desnecessário – a colocação de mais informação
numérica.
96 Principia aqui a colocação de um sinal de Visto, «v»., a lápis, junto aos algarismos da direita desta coluna. Este procedimento continua até à ultima linha
desta coluna.

67
6 7 3 18 26 19 63 98 15 7 8 4 18 97 20 44
7 8 4 18 29 19 65 98 25 8 9 5 18 99 20 47
8 9 5 18 31 19 68 98 40 9 10770 6 19 01 20 49
9 10750 6 18 33 19 71 98 55 10790 1 7 19 03 20 52
10760 1 7 18 35 19 73 98 65 1 2 8 19 06 20 55
1 2 8 18 38 19 76 98 80 2 3 9 19 08 20 57
2 3 9 18 40 19 79 98 95 3 4 10770 19 10 20 60
3 4 10740 18 42 19 81 99 05 4 5 1 19 12 20 62
4 5 1 18 45 19 84 99 20 5 6 2 19 15 20 65
5 6 2 18 47 19 86 99 30 6 7 3 19 17 20 68
6 7 3 18 49 19 89 99 45 7 8 4 19 19 20 70

[24] Matière Sèche Matière Sèche


Densité a Sucre pour Densité a Sucre pour
15/15 15/4 20/4 100 100 15/15 15/4 20/4 100 100
vide vide grammes centimètres vide vide grammes centimètres
de soluction cubiques de soluction cubiques
10798 10789 10775 19 21 2097 73 10829 10820 10806 19 91 2198 54
9 10790 6 19 24 20 75 10830 1 7 19 93 21 57
10800 1 7 19 26 20 75 1 2 8 19 95 21 59
1 2 8 19 28 20 81 2 3 9 19 98 21 62
2 3 9 19 30 20 83 3 4 10810 20 00 21 65
3 4 10780 19 33 20 86 4 5 1 20 02 21 67
4 5 1 19 35 20 89 5 6 2 20 04 21 70
5 6 2 19 37 20 91 6 7 3 20 07 21 73
6 7 3 19 39 20 94 7 8 4 20 09 21 75
7 8 4 19 42 20 96 8 9 5 20 11 21 78
8 9 5 19 44 20 99 9 10830 6 20 13 21 80
9 10800 6 19 46 21 02 10840 1 7 20 16 21 83
10810 1 7 19 48 21 04 1 2 8 20 18 21 86
1 2 8 19 50 21 07 2 3 9 20 20 21 88
2 3 9 19 53 21 10 3 4 10820 20 22 21 91
3 4 10790 19 55 21 12 4 5 1 20 25 21 94
4 5 1 19 57 21 15 5 6 2 20 27 21 96
5 6 2 19 60 21 17 6 7 3 20 29 21 99
6 7 3 19 62 21 20 7 8 4 20 31 22 02
7 8 4 19 64 21 23 8 9 5 20 34 22 04
8 9 5 19 66 21 25 9 10840 6 20 36 22 07
9 10810 6 19 68 21 28 10850 1 7 20 38 22 09
10820 1 7 19 71 21 31 1 2 8 20 40 22 12
1 2 8 19 73 21 33 2 3 9 20 42 22 15
2 3 9 19 75 21 36 3 4 10830 20 45 22 17
3 4 10800 19 78 21 38 4 5 1 20 47 22 20
4 5 1 19 80 21 41 5 6 2 20 49 22 22
5 6 2 19 82 21 44 6 7 3 20 51 22 25
6 7 3 19 84 21 46 7 8 4 20 54 22 28
7 8 4 19 86 21 49 8 9 5 20 56 22 30
8 9 5 19 89 21 52 9 10850 6 20 58 22 33 //

97 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado, a lápis, um sinal de Visto: «v».
98 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado, a lápis, um sinal de Visto: «v».

68
[25] Matière Sèche Matière Sèche
Densité a Sucre pour Densité a Sucre pour
15 15/4 20/4 100 100 15 15/4 20/4 100 100
15 vide vide grammes centimètres 15 vide vide grammes centimètres
de soluction cubiques de soluction cubiques
10860 10851 10837 20 60 2299 36 10891 10882 10868 21 29 23 100 17
1 2 8 20 63 22 38 2 3 9 21 32 23 20
2 3 9 20 65 22 41 3 4 10870 21 34 23 22
3 4 10840 20 67 22 43 4 5 1 21 36 23 25
4 5 1 20 69 22 46 5 6 2 21 38 23 28
5 6 2 20 72 22 49 6 7 3 21 40 23 30
6 7 3 20 74 22 51 7 8 4 21 43 23 33
7 8 4 20 76 22 54 8 9 5 21 45 23 35
8 9 5 20 78 22 57 9 10890 6 21 47 23 38
9 10860 6 20 80 22 59 10900 1 7 21 49 23 41
10870 1 7 20 83 22 62 1 2 8 21 52 23 43
1 2 8 20 85 22 65 2 3 9 21 54 23 46
2 3 9 20 87 22 67 3 4 10880 21 56 23 49
3 4 10850 20 89 22 70 4 5 1 21 58 23 50
4 5 1 20 92 22 72 5 6 2 21 60 23 54
5 6 2 20 94 22 75 6 7 3 21 63 23 57
6 7 3 20 96 22 78 7 8 4 21 65 23 59
7 8 4 20 98 22 80 8 9 5 21 67 23 62
8 9 5 21 00 22 83 9 10900 6 21 69 23 65
9 10870 6 21 03 22 86 10910 1 7 21 72 23 67
10880 1 7 21 05 22 88 1 2 8 21 74 23 70
1 2 8 21 07 22 91 2 3 9 21 76 23 72
2 3 9 21 09 22 93 3 4 10890 21 78 23 75
3 4 10860 21 12 22 96 4 5 1 21 80 23 77
4 5 1 21 14 22 99 5 6 2 21 82 23 80
5 6 2 21 16 23 01 6 7 3 21 85 23 83
6 7 3 21 18 23 04 7 8 4 21 87 23 85
7 8 4 21 20 23 07 8 9 5 21 89 23 88
8 9 5 21 23 23 09 9 10910 6 21 91 23 91
9 10880 6 21 25 23 12 10920 1 7 21 94 23 93
10890 1 7 21 27 23 14 1 2 8 21 96 23 96 //

[26] Matière Sèche Matière Sèche


Densité a Sucre pour Densité a Sucre pour
15/15 15/4 20/4 100 100 15/15 15/4 20/4 100 100
vide vide grammes centimètres vide vide grammes centimètres
de soluction cubiques de soluction cubiques
10922 10913 10899 21 98 23101 99 10953 10944 10929 22 66 24102 80
3 4 9 22 00 24 01 4 5 10930 22 68 24 83
4 5 10900 22 02 24 04 5 6 1 22 71 24 85
5 6 1 22 05 24 07 6 7 2 22 73 24 88
6 7 2 22 07 24 09 7 8 3 22 75 24 91
99 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado, a lápis, um sinal de Visto: «v».
100 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado, a lápis, um sinal de Visto: «v».
101 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado, a lápis, um sinal de Visto: «v».
102 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado, a lápis, um sinal de Visto: «v».

69
7 8 3 22 09 24 12 8 9 4 22 77 24 93
8 9 4 22 11 24 14 9 10950 5 22 80 24 96
9 10920 5 22 13 24 17 10960 1 6 22 82 24 99
10930 1 6 22 16 24 20 1 2 7 22 84 25 01
1 2 7 22 18 24 22 2 3 8 22 86 25 04
2 3 8 22 20 24 25 3 4 9 22 88 25 07
3 4 9 22 22 24 27 4 5 10940 22 90 25 09
4 5 10910 22 24 24 30 5 6 1 22 93 25 12
5 6 1 22 27 24 33 6 7 2 22 95 25 14
6 7 2 22 29 24 35 7 8 3 22 97 25 17
7 8 3 22 31 24 38 8 9 4 22 99 25 20
8 9 4 22 33 24 41 9 10960 5 23 01 25 22
9 10930 5 22 36 24 43 10970 1 6 23 04 25 25
10940 1 6 22 38 24 46 1 2 7 23 06 25 28
1 2 7 22 40 24 49 2 3 8 23 08 25 30
2 3 8 22 42 24 51 3 4 9 23 10 25 33
3 4 9 22 44 24 54 4 5 10950 23 12 25 36
4 5 10920 22 47 24 57 5 6 1 23 15 25 38
5 6 1 22 49 24 59 6 7 2 23 17 25 41
6 7 2 22 51 24 62 7 8 3 23 19 25 43
7 8 3 22 53 24 64 8 9 4 23 21 25 46
8 9 4 22 55 24 67 9 10970 5 23 22 25 49
9 10940 5 22 58 24 70 10980 1 6 23 25 25 51
10950 1 6 22 60 24 72 1 2 7 23 28 25 54
1 2 7 22 62 24 75 2 3 8 23 30 25 56
2 3 8 22 64 24 78 3 4 9 23 32 25 59 //

[27] Matière Sèche Matière Sèche


Densité a Sucre pour Densité a Sucre pour
15/15 15/4 20/4 100 100 15/15 15/4 20/4 100 100
vide vide grammes centimètres vide vide grammes centimètres
de soluction cubiques de soluction cubiques
10984 10975 10960 23 34 25103 62 11015 11006 10990 24 02 26104 43
5 6 1 23 36 25 64 6 7 1 24 04 26 46
6 7 2 23 39 25 69 7 8 2 24 06 26 49
7 8 3 23 41 25 70 8 9 3 24 08 26 51
8 9 4 23 43 25 72 9 11010 4 24 10 26 54
9 10980 5 23 45 25 75 11020 1 5 24 13 26 56
10990 1 6 23 47 25 78 1 2 6 24 15 26 59
1 2 7 23 50 25 80 2 3 7 24 17 26 62
2 3 8 23 52 25 83 3 4 8 24 19 26 64
3 4 9 23 54 25 85 4 5 9 24 21 26 67
4 5 10970 23 56 25 88 5 6 11000 24 23 26 70
5 6 1 23 58 25 91
6 7 2 23 60 25 93
7 8 3 23 63 25 96
8 9 4 23 65 25 99
9 10990 5 23 67 26 01

103 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado, a lápis, um sinal de Visto: «v».
104 Entre os dois números de cada linha desta coluna foi colocado, a lápis, um sinal de Visto: «v».

70
11000 1 6 23 69 26 04
1 2 7 23 71 26 06
2 3 8 23 73 26 09
3 4 9 23 76 26 12
4 5 10980 23 78 26 14
5 6 1 23 80 26 17
6 7 2 23 82 26 20
7 8 3 23 84 26 22
8 9 4 23 87 26 25
9 11000 5 23 89 26 27
11010 1 6 23 91 26 30
1 2 7 23 93 26 33
2 3 8 23 95 26 35
3 4 9 23 97 26 38
4 5 9 24 00 26 41 //

[28] Analyse das garapa [sic] ou jus de diffusão – e petit jus –


Densidade: Toma-se a densidade pelo densimetro controlado de todas estas materias
Temperatura: Toma-se a temperatura em graus e decimos de grau e faz-se passar á temperatura de 20º pela tabella de
Monsieur Buisson105.
Polarisação: Para a polarisação toma-se (100 centimetros cubicos-110 centimetros cubicos) uma garrafa de 100 centimetros
cubicos que se enche até ao traço 100 centimetros cubicos com o liquido a analyar[sic] e junta-se-lhe o sub-acetato de chumbo
neutralisado até ao traço 110 centimetros cubicos agita-se e filtra-se em uma proveta. (Para o petit jus sô se deita 5 centimetros
cubicos de subacetato e completa-se com agua até ao traço 110 centimetros cubicos).
Do liquido claro enche-se um tubo de analyse do saccarometro Laurent de 200 milimetros que se analysa, tomando os graus
lidos e vendo pela tabella de Monsieur Buisson qual a relação em assucar % ou no caso de não a ter á mão multiplica-se o
numero lido por 1.7919 dá o assucar por 100 centimetros cubicos [.] Para o petit jus o liquido contem tão pequena quantidade
de assucar que sô se deve analysar no tubo de 500 milimetros e vendo a correspondencia pela tabua como acima explica.
Materias seccas (M. S.): Ve-se a densidade a 20º e pela tabua de Monsieur Buisson a correspondencia a Materias Seccas por
100 centimetros cubicos
Pureza –: Devide-se o assucar % centimetros cubicos pela Materia Secca por 100 centimetros cubicos dá a pureza.
Glucose: Para a analyse da glucose ou reductores, toma-se o liquido defecado que servio para a analyse saccarometrica
que se deita em uma burêta graduada em centimetros cubicos e 1/10 centimetros cubicos: Toma-se 10 centimetros cubicos
de licor cuprico de Violette que se deita n’um tubo de ensaio onde se junta o liqcor saccarino centimetro cubico por
centimetro cubico até á completa percipitação do cobre. Lê-se os centimetros cubicos empregados e vê-se na tabella de
Violette – Tabua IV o numero correspondente aos centimetros cubicos empregados, junta-se 1/10 do subacetato e temos a
glucose %.
Nota: É conveniente fazer a verificação do Licor de Violette de tempos a tempos: para isso toma-se assucar candi bem puro
que se reduz a pô n’um almufaris e se faz seccar à estufa a 100-110 centigrados. Este assucar polarisado deve mostrar 99,8%.
Deste assucar peza-se n’uma balança sencivel 1 grama que dissolve em agua quente n’uma garrafa de 200 centimetros cubicos
com 100 centimetros cubicos d’agua, junta-se-lhe 2 gramas d’acido sulfurico puro (66%) e faz-se ferver à temperatura de 100º
em banho-Maria por 1/2 hora deixa-se arrefecer á temperatura de 15º e junta-se agua até ao // [29] traço 200 centimetros cubicos
– Para que o licor cuprico seja bom deve-se empregar exactamente 10 centimetros cubicos para percipitar o cobre de 10
centimetros cubicos do licor cuprico.
Analyse dos melaços – ou Massa cosida –
Toma-se 100 gramas de melaço ou Melasse Cuite dissolve-se com agua destillada para fazer 500 centimetros cubicos á
temperatura de 20º pouco mais ou menos.
Densidade: Toma-se a densidade pelo densimetro e temperatura.

105 Maxim Buisson.

71
Defecação pelo permanganato: Toma-se 100 centimetros cubicos do licor (20 gramas melaço em 100 centimetros cubicos)
com uma pepet deita-se n’um ballão de 200-220 centimetros cubicos e junta-se 50 a 80 centimetros cubicos de permanganato
saturado a frio, agita-se bem para não tornar a massa espeça e depois deixa-se arrefecer a 20º, junta-se-lhe agua até o traço 200
centimetros cubicos e subacetato de chumbo neutralisado até 220 centimetros cubicos e filtra-se. Se o filtrado ficou incolor é
porque a quantidade de permanganato foi muita, temos n’esse caso de recommeçar a experiencia: o liquido deve ficar com uma
cor de palha.
Polarisação: D’este liquido filtrado enche-se um tubo de saccarometro de 200 milimetros e lê-se o graus[sic] e pela tabella
de Monsieur Buisson106 a correspondencia que multiplicado por 10 dá o assucar %. No caso de não termos a tabella multiplica-
se o numero lido por 1,7919 dá o assucar por 100 gramas.
Reductores: – A analyse dos reductores faz-se com o liquido filtrado que servio para o saccarometro, pelo methodo Violette,
vendo na tabua III a correspondencia juntando-lhe 1/10 dá agua %
Inversão “Clerget”: – A analyse faz-se com 50 centimetros cubicos do liquido feltrado ao qual se junta 5 centimetros cubicos
de acido chlorhydrico puro fumante: aquece-se a banho-maria durante 10 minutos a +68º, deixa-se arrefecer e polarisa-se no
tubo proprio:
Para o calculo vede tabua de calculo de l’Inversão optica de Monsieur Buisson. Extrait – do Bulletin da Associação dos
chimicos
Pureza: Para o calculo da pureza vede tabua de Monsieur Buisson sobre de solucção a 20% de Materias Seccas por 100
gramas encarnado.
Nota – Inversão Clerget: – Para elevar a temperatura a +68 em 10 minutos devemos ter o banho-maria, na occasião de
metter n’elle a garrafa, à temperatura de +40º a +45º aquecendo sempre com a lampada até que monte a 67º, apagando-a
depois. //
[30] Analyse dos assucares
Methodo ordinario: – Agua: – Faz-se a dosagem da agua sobre 5 gramas que se seccou na estufa á temperatura de 100-110.
Ex: Perda de pezo = 0,10 gramas.
D’onde: Agua % = 0.10 x 100 = 2 ou 0,10 x 20 =2.
5
Ordinariamente servimo-nos, para seccar esta agua da estufa de ar quente, mas é melhor fazer a dissecação no vaco.
Cinzas: – Os 5 gramas de assucar que serviram á dosagem da agua são empregados a fazer a dusagem das cinzas.
107
Faz-se embeber a assucar [sic] em acido sulfurico concentrado puro [.] Evapora-se lentamente na estufa ou no banho de
areia. Quando a dessiccação é completa, aquece-se gradualmente a capsula sobre a chama de uma lampada de Bunsen havendo
o cuidado de evitar as prujecções. Quando a massa carbonisada não desprende vapores, a capsula é mettida no moufle do forno
de incinerar. A inceneração terminada, peza-se depois do arrefecimento.
Ex: seja 0,070 gramas, o pezo das cinzas: nos temos 0,07 x 0,9 = 0,063
Donde cinzas % = 0,063 x 100 = 1,26 ou 0,063 x 20 = 1,26
5
Assucar cristallisavel. – Peza-se exactamente 16,29 gramas <Leaurent> de assucar que se deita em um funil de vidro sobre
uma garrafa de medida de 100 centimetros cubicos. Deita-se agua quente sobre o assucar que se dissolve e cahi na garrafa; lava-
se cuidadosamente a capsula da pesagem e o funil com a pissette da agua quente. Espera-se a dissolução dos crytaes[sic]
agitando a garrafa. Quando a dissolução é terminada, arrefece-se a garrafa n’uma corrente de agua fria, e clarifica-se com 2 ou
3 centimetros cubicos de subacetato de chumbo neutralisado; completa-se o volume de 100 centimetros cubicos, filtra-se, e
polarisa-se. O numero lido no saccarometro indica immediatamente a riqueza em assucar.
Ex: – seja 95,5% de assucar
Incristalisavel: – Methodo Viollette; –– Introduz-se em um tubo de ensaio 1,2 ou 5 ou 100 centimetros cubicos do licor
Viollette, segundo a // [31] riqueza do assucar cristalisavel, que é facil de perceber pelo aspecto d’elle, e dissolve-se com uma
pequena quantidade de agua destillada; aquece-se a mestura até á ebulição depois faz-se cahir sobre esse licor cuprico gota a
gota a solucção assucarada que servio á polarisação até á completa percipitação do cobre. Ex: seja 13,2 centimetros cubicos a
quantidade de licor assucarado (16,29 em 100 centimetros cubicos) que foi necessario empregar para percipitar todo o cobre de
0,5 centimetros cubicos de licor Violette

106 Maxim Buisson.


107 Nota na margem dianteira da página, escrita na vertical: «0,9 é 9/10 de 100 devido a se retirar 1/10 do acido sulfurico».

72
Incristalisavel = 10.000 t n formula na qual t representa o titulo do licor cuprico, n
12.29 c.
o numero de centimetros cubicos de este licor empregado, e c o numero de centimetros cubicos do licor assucarado
empregado para a completa percipitação do cobre:
Ex: Incristalisavel % = 0,5 x 0,0052 x 100 x 100 = 0,120 gramas
13,2 x 16,29
Nota – 0,0052 gramas é por centimetro cubico = 0,052 gramas glucose por 10 centimetros cubicos Viollete
Materias organicas e desconhecidos: – Obtem-se pela differença das somas das substancias analysadas.
Titulagem bruta. – A titulagem obtem-se retirando-se do assucar crystalisavel: 1º 4 vezes pezo das cinzas; 2º; 2 vezes o do
incristalisavel.
No nosso ex: nos temos:
assucar crystalisavel .................................95,500
cinzas 1,26 x 4 = .....................5,040
Incristalisavel 0,120 x 2 = ......0,240 } 5,280

Titulagem...................................................90,220
Nota: Para os assucares brutos de 1º jet, o commercio ou as refinarias conservam o queficiente 5 para as cinzas
Titulagem liquida: – Para avaliar a titulagem liquida, não se faz conta das fracções: nos temos pois 90º. De estas cifras retira-
se 1 1/2 %, seja titulagem liquida =
90 – 90 x 1,5 = 88,65 (Todas estas condicções que nada teem de centificas são impostas pelas refinarias) //
100

[32] Calculo de rendimento: – Chama-se rendimento de um assucar, a quantidade de assucar refinado que se presume dever
ser fornecido pelo assucar bruto. É para chegar ao conhecimento o mais exacto possivel de este rendimento que se emaginou
os methodos de analyse que acabamos de descrever e o coefficientes [sic] de que temos fallado. Em França, depois dos trabalhos
dos sabios, admite-se que logo que se refina um assucar bruto, as cinzas immobilisão nos melaços 5 vezes o seu pezo em assucar
e a glucose 2 vezes o seu pezo.
Reconhece-se depois que o coefficiente 5 para as cinzas era muito elevado, e substituio-se pelo coefficiente 4: Mas os
refinadores continuam a conservar o coefficente 5 como acima disse.
Vede como se libella ordinariamente o bulletin d’analyse:
Polarisação (assucar cristallisavel) ................................................................. 95,500
Incristallisavel .....................................................................................................0,120
Cinzas .................................................................................................................1,260
Agua ...................................................................................................................2,000
Desconhecidos ou indeterminados .................................................................. 1,120
100.000
Titulagem ao queficiente de 4 e 2 ................................................................... 90,220
Por censeguinte[sic] calculo de rendimento: (para as refinarias)
assucar cristalisavel ..................................................95,500
cinzas 1,26 x 5 = 6,300
}
Incristalisavel 0,120 x 2 = 0,240
6,540

88,960
88. – 88 x 15 = 86,68 d’assucar refinado.
100
Nota – 1,5% é a quebra provavel e mais ou menos regular do trabalho da refinação. //
[33] Densidade dos melaços
Para os liquidos muito densos e viscosos as indicações do areometro não são muito seguras. A melhor forma de se proceder
é a aconselhada pelo methodo devido a D. Sidersky108:
Em um ballão de medida exacta a 50 centimetros cubicos e tarado introduz-se por meio de um funil cujo tubo deve prolongar

108 SIDERSKY, David [1858/—], Les densités des solutions sucrées à différentes températures calculées, Brunswick, F. Vieweg et fils, Paris, H. Dunod et
E. Pinat, 1908.

73
até abaixo do traço 50 centimetros cubicos, o melaço aquecido; para-se a introdução do liquido antes que elle attinja a
estremidade do tubo do funil que se retira, tendo o cuidado de não ficar melaço ao longo da parede interior do colo do ballão.
Deixa-se arrefecer a 15º Centigrados e depois pesa-se [.] Seja P o pezo do melaço introduzido no ballão. Por meio de uma
burette graduada completa-se com agua o volume de 50 centimetros cubicos.; seja a o volume da agua necessaria para perfazer
o volume de 50 centimetros cubicos; 50 – a = o volume V occupado pelo melaço. A densidade d’este melaço será pois
representada pela formula P
V
Ex: Seja 67,20 gramas o peso do melaço; 4,3 centimetros cubicos o volume a da agua junta para perfazer os 50 centimetros
cubicos; 50 – 4,3 = 45,7 centimetros cubicos o volume ocupado pelos 67,20 gramas de melaço. A densidade = 67,20 = 147,05
45,7
Este methodo, muito reguroso, permitte operar sobre muito pequena quantidade de materia.
Nota = Para calcular a Pureza do melaço ve-se a densidade a solução a 20º temperatura e pela tabua de Monsieur Buisson109
a correspondencia a Materia Secca da solução a 20% (encarnado) por conseguinte Pureza = ao assucar % Clerget devidido pela
matier seche (M. S.)
Em todas as analyses consernentes a assucar ou liquidos assucarados que contem glucoses, é importante conhecer o
coefficiente glucosico, quer dizer a proporção de glucose ao assucar cristalisavel; esta relação obtem-se pela formula seguinte:
Coefficiente glucosico = Glucose x 100
assucar //

[34] Analyse da acidez do azeite do A. B. C. da Agricultura


Para a avaliação do grau de acidez do azeite, deita-se n’um copo 10 gramas de azeite juntando-se-lhe 30 ou 40 centimetros
cubicos de alcool a 90º, agita-se deitando-se 3 ou 4 gottas de phenolphtaleina. Feito isto, deita-se gotta a gotta o licor
acedimetrico na mestura até que ella tome uma coloração rosada persistente. Feito o calculo pelo licor acedimetrico normal dá
a percentagem de acido oleico por 100 gramas multiplicando por 10.
Instrucções para o reconhecimento da Saccharina.
As substancias ou productos suspeitos de conterem saccharina, e deverão sel’o todos os vinhos, licores, xaropes e doces de
origem allemã serão pela verificação sujeitos ao seguinte exame:
Em tubo de ensaio acidula-se com algumas gotas de acido sulfurico uma porção da mercadoria suspeita, previamente
reduzida a pô, se solida; trata-se em seguida em tubo de ensaio pelo ether sulfurico, virando repetidas vezes o tubo debaixo para
cima. Collocado este na posição vertical, sobrenada um liquido distincto do resto do contido no tubo, liquido que é formado
pelo dissolvente e facilmente separavel por simples decantação. Uma porção d’este liquido evapora-se n’um vidro de relogio:
prova-se o sesiduo[sic], se tiver sabor doce é certo que a mercaduria contem, como substancia edulcorante, a saccharina: os
assucares propriamente ditos são todos insoluveis no ether.
Toma-se 25 a 30 centimetros cubicos do liquido a analysar e deita-se em um tubo de ensaio não muito largo, addeciona-se-
lhe 3 a 4 gottas d’acido sulfurico, agita-se: Feito isto junta-se-lhe 10 centimetros cubicos de ether sulfurico agitando bem de
tempos a tempos durante 3/4 de hora deixando depois repousar por 1/4 de hora. Retira-se por meio de uma pequena pipette (5
centimetros cubicos) o liquido que sobrenada e evapora-se n’uma capsula de platina.
segue mais adiante //

[35] Laboração de 1903. Forma de trabalho para uma Fabrica de assucar de canna, usando a diffusão do bagaço e a
defecação da garapa na bateria. Para 150 toneladas em 24 horas
110
1º Moagem da canna: Para que a diffusão seja boa é necessario usar ou um corta cannas ou um defibreur (que é melhor)
para que o bagaço seja o mais devidido possivel em pequenos pedaços [.] A garapa sahida dos moinhos deve ser o mais bem
filtrada (tamisée) possivel, de forma que fique com a menor quantidade de polpa possivel.
2º Sulfitação: A garapa filtrada vai a um sulfitador continuo onde se põe em acção o gaz sulfuroso de forma a que a garapa
seja bem sulfitada. Neste estado, sendo o gaz livre de acido sulfurico, pode a garapa sofrer uma sulfitação bem porfunda que
não a prejudica. A garapa sahida do sulfitador vai a um ou dois depositos de medida. Devemos sulfitar a frio até 0,60 d’acidez

109 Maxim Buisson.


110 Na margem interior da página, grafadas na vertical, temos as seguintes palavras: «• As garapas dos deposito [sic] de medida pode levar ahi a cal
necessaria para a sua alcalinidade ligeira, e passar depois a um esquentador antes de hir ao deposito de meichage.».

74
por litro, na media. O melhor apparelho de sulfitação é, o do systema “Quarez”
3º Diffusão: O bagaço sahido dos moinhos vai aos diffusores para a extracção total do assucar n’elle contido e a garapa das
cannas do dito bagaço que foi sulfitada é defeçada[sic] na bateria como n’este mesmo livro explica.
A capacidade dos diffuzores e depositos para o tratamento de 120 a 150 mil kilogramas de canna em 24 horas é a seguinte
8 – Diffusores = 25 hectolitros (25)
1 – Deposito de Meichagem = 30 hectolitros
1 Deposito de medida ou soutiragem 32 hectolitros devidido ao meio.
1 Deposito da agua = 35 hectolitros
2 rechaufeurs de 20 metros quadrados de superfice de aquecimento cada um
2 épulpeurs
1 compensador de 30 hectolitros
1 bomba centrifuga para a circulação Nº 3
4º Filtração: O jus de diffusão vindo dos depositos de medida dos // [36] diffusores, cai em 2 ou 3 depositos de 35 a 40
hectolitros munidos com cerpentinas de vapor. Ahi junta-se 150 gramas de carbonato de soda e faz-se ferver para percipitar em
carbonato de baryte o sulfato de baryte que foi junto ao jus nos depositos de medida.
5º Filtração mechanica: Para a filtração do jus emprega-se filtros mecanicos de Filippe ou outros de 20 quadros Serie: são
necessarios 3, sendo 2 em trabalho e um em limpeza. O jus sahido dos filtros mechanicos deve ser o mais puro possivel,
brilhante e claro. O seu estado deve ser neutro ao papel de tornesol sensivel, devendo deminuir-se ou augmentar-se a cal na
bateria, no caso de mostrar alcalino ou acido.
6º Evaporação: O jus sahido dos filtros mechanicos cai directamente n’um pequeno deposito que está em commonicação
com a bomba de alimentação do Multiplo-effecte a qual injecta-o directamente n’elle. A evaporação é levada até á
densidade de 23º a 25º Baumé [.] Esta densidade não deve ser excedida em vista da sulfitação que se tem de fazer no
xarope, que sendo muito denso é difficil de sulfitar. Um Quadruple-effect para a evaporação do jus de diffusão
correspondente a 130 a 150 mil kilogramas de canna deve ter a superfice minima de evaporação de 200 metros quadrados.
A quantidade de jus de diffusão de 150 mil kilogramas da canna é pouco mais ou menos de 1400 hectolitros a 5,8 densidade
(= 8º Baumé) em 24 horas.
7º Sulfitação do xarope: O xarope sahido do Multiplo-effecto vai ao sulfitador para ser sulfitado até que a reação pelo papel
do tournesol sensivel mostre uma acidez bem determinada [.] O xarope depois de sulfitado é levado á temperatura de ebulição
fazendo-o ferver por alguns instantes.
8º Filtração mechanica dos xaropes: Para a filtração dos xaropes emprega-se tambem filtros mechanico [sic] eguaes aos da
garapa que para a quantidade acima de canna devem ser de 14 quadros; 2 filtros um em trabalho e outro em limpeza são
sufficientes, desde o momento que o xarope estaja bem quente. //
[37] 9º Cosimento dos xaropes e formação da massa cosida 1º jet:
Os xaropes são tratados n’uma caldeira de coser no vaco cuja capacidade para 150 mil kilogramas de canna deve ser de 100
hectolitros uteis, para poder fazer a introducção do egoût riche na caldeira. Feito o primeiro cosimento virgem (sô em xarope)
é passado uns 30 a 35 hectolitros d’esta massa cosida para o Melaxeur fermée e continua-se depois a alimentação com o xarope
da massa cosida virgem como o do melaxeur fermé.
10º Melaxeur fermé: O melaxeur no vaco que recebeu os 30 a 35 hectolitros de massa virgem é alimentado primeiro com o
egoût pauvre da massa virgem e depois com o egout pauvre do melaxeur no caso de poder levar. A capacidade d’este melaxeur
para 150 mil kilogramas de canna deve ser de 150 hectolitros de capacidade total.
111
11º Arrefecimento das massas cosidas: Para o arrefecimento das massas cosidas emprega-se 2 melaxeurs ouverts com a
capacidade util de 120 hectolitros. Devemos ter um deposito superior a estes melaxeurs com melaço ou egout pauvre do
melaxeur fermé aquecido a 70º centigrados e com uma densidade de 35º Baumé.
Este melaço serve para deitar nos melaxeur [sic] para tornar a massa cosida bem fluida, de forma a ser facil a turbinagem.
Esta massa pode ser turbinada 7 a 8 horas depois de cahir, mas sempre de forma a não atrapalhar o trabalho dos cosimentos.
12º Turbinagem: As massas cosidas são turbinadas em qualquer turbina, mas as turbinas systema Weston com movimento
a agua são as melhores sendo 3 o sofficiente para o trabalho de 150 a 200 mil kilogramas de canna. Deve haver todo o cuidado
com a separação dos egoûts.

111 Na margem interior, grafadas na vertical, temos as seguintes palavras: «Podemos ter 3 melaxeurs de 75 hectolitros uteis.».

75
13º Cosimentos de 2º jet: Todos os egoûts pauvres do melaxeur, que não é empregado na fabricação, são cosidos como 2º
jet e deitados em pocos[sic] uns sobre os outros para mais tarde serem turbinados. Devemos fazer uma lequidação de todos os
egouts de 8 em 8 dias fazendo cosimentos de 2º jet. A capacidade d’esta caldeira para o trabalho de 150 a 200 mil kilogramas
de canna pode ser de 50 a 60 hectolitros uteis. //

[38] – Analyse do bagaço de canna


Toma-se dos moinhos uma quantidade de bagaço em diversos periodos tomando bagaço e pequeno até 5 kilogramas
pouco mais ou menos corta-se em pequenos pedaços, mestura-se bem, e de uma parte de esse bagaço (1 kilograma) corta-
se muito bem em pequenos pedaços de forma a reduzil-o a polpa. D’esse bagaço cortado peza-se 112 exactamente 200
gramas que se deita em uma capsula bastante grande de forma a poder comportar agua bastante. Junta-se-lhe agua destillada
de forma a que o bagaço fique bem embebido, e junta-se 10 centigramas d’uma solução de cal, aquese-se a fogo brando
durante 1 1/2 hora de forma a n’unca passar a temperatura a mais de 80º. Deixa-se arrefecer, neutralisa-se a cal ou não,
conforme a sua alcalinidade, e junta-se agua fria até que o pezo estaja a 1200 gramas d’onde agua junta 1000 gramas ou
1000 centimetros cubicos. Espreme-se o bagaço umido e d’este liquido enche-se uma garrafa de 100-110 centimetros
cubicos até ao traço 100, junta-se 5 centimetros cubicos de subacetato neutro e completa-se os 110 centimetros cubicos com
agua destillada. Filtra-se e pularisa-se n’um tubo de 500 milimetros, e vê-se na Tabela de M. Buisson113 a correspondencia
em assucar
Ex: Os 110 centimetros cubicos de liquido mostrou 0,34 gramas d’assucar seja para os 1200 gramas 0,34 x 12 = 4,08 gramas
para 200 gramas de bagaço, para 100 gramas será 2,04 d’assucar: – 100 de cannas dá 35 de bagaço o que dá 2,04 x 0,35 =
0,714% assucar por 100 de cannas ou assucar no bagaço //

[39] – Analyse exacta da cal cosida


Fazer um licor com 10 gramas d’acido sulfurico puro a 66º em 100 centimetros cubicos [.] Tomar 10 gramas de cal a
analysar e reduzir a pô n’um almofaris; pezar exactamente 1 grama da mestura, deita-se em agua destillada (50 centimetros
cubicos pouco mais ou menos) para a desolver bem. Deita-se n’uma burette graduada em 1/10 centimetros cubicos o licor
alcalimetro dos 100 centimetros cubicos. Sobre os 50 centimetros cubicos onde está dissolvido o grama de cal, deita-se gota a
gota o licor alcalimetrico até á reação neutra do papel do tornesol sensivel.
1 centimetro cubico do licor acido contem 0,10 gramas d’acido sulfurico monohydratado SO3HO 49 é o equivalente ao acido
monohydratado e 28 é o equivalente da cal, 1 grama d’acido corresponde a 28 = 0,572 de cal o que dá: Ex.
49
Em um grama de cal juntou-se 16 centimetros cubicos do licor acido, para ver quanto contem em cal pura o grama: 0,572
x 1,6 gramas = 0,915 gramas de cal em 1 grama = Cal pura 91,5% (ou carbonato de cal)
Analyse da pedra de cal crua –
Piza-se em um almufaris uns 50 gramas pouco mais ou menos de pedra da cal a analysar até ficar reduzida a pô. D’esta cal
pisada peza-se exactamente 10 gramas que se deita em um copo de ensaio junta-se-lhe acido acetico concentrado até que se
fassa toda a reação do acido sobre a cal que dura bastante tempo e é completa quando não ha mais desprendimento de gaz acido
carbonico.
Depois filtra-se em um filtro de papel que se tem feito a tara o mais exacta possivel: Depois de bem lavado os residos no
filtro secca-se em um forno a 110º centigrados ou sobre uma chapa de ferro que se aquece pouco sobre uma lampada. Depois
de bem seçco[sic] peza-se novamente e toma-se nota do seu pezo.
Calculo do gaz acido carbonico; – equivalente 22: 10 gramas cal – resido secco = pezo liquido
Ex: O pezo liquido x 10 x 22 = acido carbonico ou Pezo liquido x 10 x 28 = cal
50 pezo liquido x 10 – cal = 50
acido carbonico Differença entre cal e acido carbonico são as emporezas
Nota: 50 = 22 equivalente carbonico + 28 equivalente a cal
cal % = imporezas – 100 //

112 Na margem dianteira da página temos as seguintes palavras: «bagaço e capsula pezados juntos».
113 Maxim Buisson.

76
[40] Analyse para determinar a alcalinidade no leite de cal e nas garapas ou jus alcalinos
1º Licor alcalimetrico: Peza-se exactamente 35 gramas d’acido sulfurico monohydratado puro (66º Baumé) e deita-se em
uma garrafa de 1000 centimetros cubicos e completa-se com agua destillada até ao traço á temperatura de 15º.
O licor assim preparado não é perfeitamente exacto mas pode servir para controlar. Pode-se deitar no licor antes de
completar os 1000 centimetros cubicos uma solucção de acido rosalico, o que evita de o deitar este indicador ou outro qualquer
no liquido que se quer controlar.
Este licor dá exactamente pelos centimetros cubicos empregados a quantidade de grammas em cal por litro: Por ex: se
empregamos 9 centimetros cubicos quer dizer que o liquido analysado contem 9 gramas de cal por litro.
2º Licor para determinar a alcalinidade nas garapas alcalinas e nos xaropes: Toma-se exactamente 100 centimetros cubicos
do licor precedente, introduz-se em um balão de 1000 centimetros cubicos, e completa-se com agua destillada até ao traço.
Pode-se tambem juntar antes de completar os 1000 centimetros cubicos e o acido rozalico. Para as garapas emprega-se sempre
o segundo licor [.] Toma-se 20 centimetros cubicos do liquido a analysar deita-se em um copo de ensaio. Deita-se na burette o
licor acido e junta-se pouco a pouco; com o licor a acido rozalico o liquido torna-se corado primeiro, e volta pouco a pouco á
cor enecial; para-se a addição do licor a este tempo:
Com o 1º licor; se se empregou por ex: 1,5 centimetros cubicos de licor diz-se que a alcalinidade é de 0,15 gramas. Com
effeito 0,1 centimetros cubicos de licor corresponde a 0,002 de cal, por conseguinte;
Com o 2º licor; se se empregou 1,5 centimetros cubicos quer dizer que a garapa ou xarope contem 0,015 gramas de cal. //

[41] Dosagem dos Assucares reductores pelo Methodo iodometrico Por Monsieur Maxime Buisson
1º – Tomar com uma pipetta 50 centimetros cubicos da solucção defecada, para a analyse da saccarose.
2º – Deitar em um balão de medida de 100 centimetros cubicos
3º – Juntar-lhe 30 centimetros cubicos pouco mais ou menos de solucção saturada de sulfato de soda.
4º – Completar com agua destillada o volume de 100 centimetros cubicos
5º – Juntar-lhe uma pequena quantidade de Kieslghur, agitar vigorosamente o contiudo do balão.
6º – Deitar o liquido sobre um filtro secco e recolher o liquido claro em um vaso secco.
7º – Em um balão de 100 centimetros cubicos deitar 20 centimetros cubicos de licor de Violette.
8º – Juntar-lhe 5, 10, 20 do liquido assucarado obtido em 6º (a quantidade de liquido a tomar varia com a riqueza presumida
em reductores)
9º – Juntar agua destillada para ter 50 centimetros cubicos de liquido pouco mais ou menos
10º – Meter o ballão em um banho-maria fervendo durante 10 minutos.
11º – Este tempo obtido retirar do banho-maria, e juntar-lhe agua destillada fria á pouco tempo fervida até ao traço e
arrefecer durante 10 minutos.
12º – Completar o volume de 100 centimetros cubicos
13º – Mesturar por retournement e deitar em um dublo filtro secco.
14º – Receber o liquido em um vaso secco.
15º – Tomar 25 centimetros cubicos do licor azul deitar em uma garrafa de pouco mais ou menos 150 centimetros cubicos.
16º Juntar pouco mais ou menos 3 centimetros cubicos d’acido chlorhydrico desfeito ao meio, mesturar com um movimento
giratorio o liquido o qual toma uma cor verde esmeralda. segue //
[42] 17º – Juntar 5 centimetros cubicos de solucção d’ioduro de zinco a 20% e mesturar.
18º – No liquido colurido em amarello vermelho juntar a solucção titulada de hyposulfito de soda até que a coluração tenha
quasi desaparecido
19º Juntar 1 a 2 centimetros cubicos de solucção de amido, o liquido toma uma coloração de azul escuro.
20º Continuar a addição d’hyposulfito de soda em pequenas quantidades (gota a gota) mantendo o liquido em continua
agitação.
Logo que a coloração tem desaparecido fecha-se a garrafa, agita-se vivamente. Se a coloração azul reaparesse é que a
addição do hyposulfito foi feita com cuidado[.] Junta-se novamente uma ou duas gotas do hyposulfito e mestura-se fortemente;
a coloração deve desaparecer.
21º – Fazer a leitura da bureta
22º – A decoloração do liquido deve presistir pelo menos dois minutos

77
Para aplicar o methodo iodometrico á dosagem dos assucares reductores é necessario o seguinte:
1º Uma solucção d’hyposulfito de soda puro em agua destillada recentemente fervida.
= N prepara-se dessolvendo 12,382 gramas d’hyposulfito de soda na dita
20
agua. Assim preparada conserva-se ao abrigo de um luz [sic] viva; conserva-se por muito tempo o seu titulo.
2º Uma solucção de ioduro de potassium contendo 10 gramas de sal em 100 centimetros cubicos d’agua.
O ioduro de potassium empregado deve ser exempto d’iodato e de carbonato.
3º Acido chlorhydrico desolvido contendo 100 centimetros cubicos d’acido ouro fumante por litro de solucção
4º – Uma solucção d’empois d’amido, obtido fazendo ferver durante 25 minutos 3 a 4 gramas de bella fecula de cemilha
(batata), 0,5 gramas d’acido salycilico e 150 centimetros cubicos d’agua destillada. A solucção operada desolve-se até 300
centimetros cubicos, filtra-se depois de arrefeçer. Esta solucção conserva-se muito tempo sem // [43] alteração
5º Licor de Violette preparado com cuidado – 20 centimetros cubicos enserra por conseguinte 0,23194 gramas d’oxydo de
cobre
Deve-se principiar por establecer o titulo da solucção d’hyposulfito de soda em comparação á solucção do sulfato de cobre
(licor de Violette), chega-se a esse resultado deitando em um ballão de 100 centimetros cubicos, 20 centimetros cubicos do licor
de Violette e completar o volume com agua destillada.
Em uma garrafa de boca larga com tampa esmerilada de 200 centimetros cubicos pouco mais ou menos, deita-se 20
centimetros cubicos da solucção cuprica dessolvida que se satura em seguida com o acido chlorhydrico disolvido, tomando a
percucção[sic] de o deitar gota a gota de maneira a não passar senão legeiramente o ponto exacto da saturação. (É-nos presiso
para chegar a este resultado 3 centimetros cubicos d’acido dessolvido). Junta-se em seguida 10 centimetros cubicos d’ioduro
de potassium; fecha-se a garrafa, mestura-se, e deixa-se em reposo durante 10 minutos. Percipita-se o ioduro cuprico e o iode
posto em liberdade fica em solucção. = 2 CuO SOº[sic] + 2K4[?] = 2 KO, SO3 x Cu21 + 1 [?] [.] Junta-se 1 ou 2 centimetros
cubicos da solucção d’amido, e com uma buretta estreita graduada em 1/10 centimetro cubico a solucção d’hyposulfito de soda
até á decoloração. Perto do fim da opperação é necessario deitar o hyposulfito gouta a gouta e depois de cada addição sacudir
vigurosamente a garrafa, de maneira que a derradeira gouta junta, fassa desaparecer a côr azul do ioduro d’amido.
O numero de centimetros cubicos d’hyposulfato de soda deitados seja 11,65 centimetros cubicos correspondentes a 20
centimetros cubicos e por 100 representando 20 centimetros cubicos de lecor de Violitte tem:
11.65 x 5 = 58,25 centimetros cubicos
Os quaes são equivalentes a 0.23194 d’oxido de cobre d’onde 1 centimetro cubico NaO S2 O2 = 0,23194 = 0,0039818
d’oxido de // [44] cobre. 58,25
A cellulose do pepel do feltro tem a propriadade de se combinar com o oxydo de cobre formando um composto insoluvel,
e necessario determinar a quantedade de CuO ahi retido a cada ensaio. Temos achado em um caso 28 centimetros cubicos de
hyposulfito, seja para os 100 centimetros cubicos.
28,02 x 2 = 56,0 centimetros cubicos
Empregamos ...................................................0,23194 gramas de CuO
Nos achamos 0,0039818 CuO x 56,0.............0.22298
O papel de filtrar tem pois retido ...................0.00896
Esta quantidade será pois necessario juntar em todos os ensaios ao peso do oxydo de cobre achado depois da reducção para
obter o oxydo de cobre ficado em solucção.
Dosagem dos assucares reductores nos productos coloridos:
Como exemplo damos uma analyse d’um melaço:
Tatamos[sic] 10 centimetros cubicos d’uma solucção de melaço a 20 por 100 por 20 centimetros cubicos de licôr de Violette
(= 0,23194 CuO) e 20 centimetros cubicos d’agua ao banho maria aquecido a 85-88 durante 10 minutos, depois do
arrefecimento completar 100 centimetros cubicos.
A titulagem foi operada sobre 50 centimetros cubicos e emplegou-se[sic] 22 centimetros cubicos. 2 de hyposulfito de soda
para obter a decoloração do ioduro d’amido e por 100 centimetros cubicos era necessario:
22,2 centimetros cubicos x 2 = 44,4 centimetros cubicos que representa 44,4 x 0,0039818 CuO = 0,17679 CuO
Os 20 centimetros cubicos de licor cuprico representão.............0,23194 CuO
Nos achamos no licor .................................................................0,17679
O filtro reteve ..............................................................................0,00896

78
Percipitou n’esse caso 0,18575
0,04619
Os reductores contados em assucar invertido corresponde a
0,04619 x 0,4538 = 0,02096
Como nos operamos sobre 10 centimetros cubicos de solucção representando 2 gramas de melaço,
este conterá por 100 0,02096 x 100 = 1,048
2 //

[45] Calculo de acidez dos vinhos e mostos


Faz-se primeiro a solucção alcalina de soda caustica pura a 20 gramas por litro d’agua destillada: Vide mais adiante outra
forma
Titulagem do licor alcalino: Peza-se exactamente 1 grama de acido sulfurico a 66º puro, ou toma-se 10 centimetros cubicos
de solucção de acido sulfurico a 100 gramas por litro, deita-se em uma garrafa de 1000 centimetros cubicos completa-se com
agua pura. Toma-se 100 centimetros cubicos de esta solucção acida a 1 grama por litro e junta-se-lhe o licor de soda até a
completa neutralisação. Os centimetros cubicos empregados para essa neutralisação representa a titulagem do licor de soda.
Para fazer a analyse de um vinho fermentado que contem alem dos acidos formados, bolhas de gaz acido carbonico que faz
erro no calculo, devemos expolsar esse gaz, o qual se faz pela seguinte forma: toma-se 100 centimetros cubicos de vinho que
se deita em uma garrafa cujo volume seja meior que 100 centimetros cubicos, agita-se tapando com o dedo polgar e deixando
sahir o gaz de tempos a tempos; procede-se d’esta forma por mais 3 a 4 vezes, nunca de mais para não haver evaporação do
alcool.
Para destacar qual a quantidade de acidos vulateis ou não vulateis temos de fazer duas analyses:
Pela primeira analyse como acima, ficamos conhecendo a totalidade dos acidos vulateis e não vulateis:
Faz-se uma segunda analyse tomando 100 centimetros cubicos do vinho a analysar que se deita em uma garrafa de 200
centimetros cubicos pouco mais ou menos e se evapora até ao terço, deixa-se arrefecer e completa-se os 100 centimetros
cubicos com agua destillada, faz-se a analyse, e a quantidade de gramas de acidez achadas representa os acides não vulateis
taes como; acido sulfurico, lactico e succinico, e os gramas restantes os acidos vulateis taes como butyrico, nitroso propinico
e acetico.
A Acidoz[sic] é principalmente formada pelos acidos laticos ao lado do acido succinico, ambos elles não volateis. //

[46] Analyse dos assucares infermenticiveis nos vinhos ou vinhaças dos melaços ou outros.
Não temos nada de particular a assignalar para a analyse de estes productos e á determinação da glucose ou dos reductores
restantes. Deve-se considerar estes productos como liquidos fracos mas deve-se sempre executar a duzagem do reductor sobre
o producto defecado pelo subacetato de chumbo.
Este producto defecado examinado ao saccarometro não deve mostrar grau á direita a que quereria dizer que continha
saccarose por inverter.
Dosagem de glucose ou invertidos contido no licor: Introdus-se por meio de uma pipeta de medida, duas vezes 50
centimetros cubicos do liquido a analysar, na garrafa de 200 centimetros cubicos, depois 10 centimetros cubicos pouco mais ou
menos de subacetato de chumbo, e completa-se o volume de 200 centimetros cubicos, pela agua destillada. Agita-se, e filtra-se
em uma garrafa secca. Introduz-se 50 centimetros cubicos de este liquido claro em uma garrafa de 100 centimetros cubicos, e
precipita-se o chumbo em excesso por meio da solucção de sulfato de soda junta em quantidade suficiente. O volume será
levado a 100 centimetros cubicos pela addição d’agua. Faz-se a analyse sobre o licor cuprico, e ter-se-ha o cuidado de
quadruplicar o resultado obtido em rasão de diluição do licor primitivo.
Como é necessario n’estes casos quantidades consideraveis de liquido assucarado para effectuar a reducção de 10
centimetros cubicos de licor cuprico, os liquidos serão tão diluidos que não será possivel nem apreciar as differenças de
modança de côr, nem destinguir se se forma ou não percipitado a superfice.
É preferivel opperar sobre 5 centimetros cubicos de licor cuprico, ou sobre 2 centimetros cubicos ou sobre 1 centimetro
cubico. N’este caso tomar-se-ha a metade ou 1/5 ou 1/10 das indicações fornecidas pela tabua IV de Violette.
Para o calculo da quantidade de invertidos não fermentados, como devemos saber cada hectolitro de vinho quanto contem
em melaço podemos deduzir d’ahi a quantidade de assucar que foi transformado em acidos pelas bactiras[sic] e do alcool pela
evaporação, do liquido em fermentação. //

79
[47] Tabua indicando a quantidade de melaço <de beterraba> a 1400 densidade (41,4 Baumé) contido em um hectolitro de
mestura preparada para destillação. Esta tabua é feita sem contar a contração nem a influencia de temperatura
Densidade Baumé Quantidade de Quantidade de
melaço por 100 Densidade Baumé melaço por 100
litros de mestura litros de mestura
1028 4º 9,800 kilogramas 1048 6 3/4 16,800 kilogramas
1029 4,1 10,150 1049 6,85 17,800
1030 4,3 10,500 1050 7 17,150
1031 4,5 10,850 1051 7,1 17,500
1032 4,6 11,200 1052 71/4 18,200
1033 4 3/4 11,550 1053 7,35 18,550
1034 4,85 11,900 1054 7,5 18,900
1035 5 12,250 1055 7,65 19,250
1036 5,1 12,600 1056 7,85 19,600
1037 5 1/4 12,950 1057 7,9 19,950
1038 5,4 13,300 1058 8 20,300
1039 5,6 13,650 1059 8,2 20,650
1040 5 3/4 14,000 1060 8,3 21,000
1041 5,8 14,350 1061 8,5 21,350
1042 6 14,700 1062 8,6 21,700
1043 6,1 15,050 1063 8,7 22,050
1044 6 1/4 15,400 1064 8,8 22,400
1045 6,35 15,750 1065 9, 22,750
1046 6,5 16,100 1066 9,1 23,100
1047 6,65 16,450 1067 9,2 23,450
Vede tabella completa no tratado sobre alcool de Legier Tomo I pag. 696.
Para o melaço de canna cuja densidade seja 1370 <a 1735> deu uma defferença a menos na media no Lote Nº 21 de 1903
conforme o pezo do melaço empregado 300 gramas por hectolitro
Como regra empirica e como o grau Beaumé do melaço de canna não se afasta muito de 40º Baumé pode-se sem
inconveniente servir-se do coefficiente devedindo o grau fraço[sic] Baumé do mosto por 40 Baumé dá x 100, o pezo do melaço
por Hectolitro. //

[48] Tábua Para o calculo dos rendimentos em alcool dos mostos de melaço Beterraba segundo a baixa de grau

Grau Atenuação apparente em graus saccarometricos (Brix-Dupont assucar % grau)


saccorometrico
inecial do mosto 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19
(Brix-Dupont)
Alcool em litros em 100 litros de mosto fermentado
Baumé 41/2 = 8 2,768 3,321 3,875 4,429
“ 5 = 9 2,780 3,336 3,892 4,448 5,004
“ 51/2 = 10 2,792 3,350 3,909 4,467 5,026 5,584
“ 6,1 = 11 2,804 3,365 3,926 4,487 5,048 5,608 6,169
“ 63/4 = 12 2,816 3,379 3,942 4,506 5,069 5,633 6,196 6,759
“ 71/4 = 13 2,829 3,395 3,961 4,526 5,092 5,658 6,224 6,790 7,356
“ 73/4 = 14 2,842 3,410 3,978 4,547 5,115 5,684 6,252 6,820 7,389 7,957
“ 81/4 = 15 2,854 3,425 3,996 4,567 5,138 5,709 6,280 6,851 7,424 7,993 8,564
“ 9 = 16 3,441 4,014 4,588 5,161 5,735 6,308 6,882 7,455 8,029 8,602 9,176
“ 91/2 = 17 4,032 4,608 5,184 5,760 6,336 6,912 7,488 8,064 8,640 9,216 9,792
“ 10 = 18 4,629 5,208 5,787 6,365 6,944 7,523 8,102 8,680 9,259 9,838 10,416
“ 101/2 = 19 5,232 5,813 6,395 6,976 7,558 8,139 8,720 9,302 9,883 10,465 11,046//

80
[49] Analyse da saccarose não invertida contida no mosto e nos vinhos fermentados de melaço ou outros liquidosturvos:
Toma-se 100 centimetros cubicos do liquido que se deita em uma garrafa de 200 centimetros cubicos junta-se-lhe 25 a 50
centimetros cubicos de permanganato saturado conforme a cor mais ou menos escura do liquido. Depois de feita a reação junta-
se 10 centimetros cubicos pouco mais ou menos de subacetato de chumbo neutralisado, completa-se os 200 centimetros cubicos
até ao traço com agua destillada. Filtra-se, e o liquido claro enche-se um tubo de 200 milimetros. Polarisa-se o mais exactamente
possivel, e o numero lido visto na tabella de M. Buisson114, bulletin115 Nº 4 outubro 1900 pag. 200, multiplicado por 2 dá a
saccarose por 100 centimetros cubicos ou 100 litros.
Este mesmo liquido filtrado pode servir para a analyse da glucose, como mais atrás esplica. [Ass:] Ferraz
Conciderações sobre a esterilisação do melaço no apparelho Barbet, e rendimento de um melaço de Demerára,e analyses
do melaço, mosto, e vinho fermentado.
Analyse do melaço – saccarose – 36,73%

– glucose – 19,96%
} soma total = 56,69%

Vê-se pela analyse que se segue do mosto de melaço a 6º Baumé, que a esterelisação (denitragem) inverteu uma grande
porção da saccarose, dando o resultado de mostrar pouca saccarose e grande quantidade de glucose:
Analyse do mosto de melaço a 6º Baumé esterelisado no apparelho Barbet com uma acidez de 0,88 gramas por litro:
saccarose ——————1,954 kilogramas por hectolitro
glucose———————-6,380 “ “ = total 8,334 kilogramas por hectolitro
Fazendo o calculo pela percentagem do melaço acima vê-se que o trabalho da fermentação foi bom. Sabe-se que melaço
dissolvido a 6º Baumé representa 14,700 kilogramas de melaço normal; ora a soma da saccarose e glucose d’este melaço % é
56,69 que em 14,700 kilogramas = 8,333 kilogramas, e a soma das duas analyses de saccarose e glucose do mosto é
exactamente 8,334 kilogramas:
O rendimento provavel d’este pelaço[sic] por hectolitro será:
1,954 kilogramas de saccarose ao rendimento
de 60 litros d’alcool por 100 kilogramas = 1,17 litro
6,030 kilogramas de glucose dito
de 57 dito dito 3,42
Infermenticiveis deixados no vinho 0,350
Kilogramas por 100 litros 4,59 = 1,257 gallão
segue //
[50] Conforme os resultados praticos obtidos com este mesmo melaço no Inventario Nº 21 de 1903 o rendimento real por
hectolitro de mosto de melaço com uma paragem media de 1º Baumé foi de 1,357 gallões a 100º; este mosto mostrou na media
6,17º Baumé
Varias analyses do vinho de melaço com paragem de 1º a 1 1/4º Baumé mostrou sempre 0, de saccarose e 0,350 kilogramas
a 0,443 kilogramas de glucose por hectolitro.
D’este mesmo melaco[sic] –
Iª Fiz uma analyse qualitativa do vinho ainda com fermentação de uma cuba cuja densidade inecial foi de 6 1/2 Baumé e
com uma acidez inecial de 0,8 gramas por litro completa no dia 15 janeiro 1904 e e [sic] analysada no dia 18 (Inventario Nº
1 – 1904) que mostrou o seguinte:
Densidade –– 1 1/4º Baumé – acidez 1,93 gramas por litro
Saccarose —————— 0,422 kilogramas por 100 litros de vinho
Glucose ——————— 0,516 dito dito
2ª Fiz outra analyse qualitativa do vinho ainda com fermentação de uma cuba densidade inecial foi de 6 3/8 Baumé e com
uma acidez inecial de 1 grama por litro completa no dia 17 de Janeiro 1904 e analysada no dia 19 (Inventario Nº – 1 – 1904)
que mostrou o seguinte:
Densidade –– 1 3/8 Baumé – acidez 1,75 gramas por litro
saccarose ——————- 0,422 kilogramas por 100 litros de vinho
Glucose ———————- 0,516 dito dito

114 Maxim Buisson.


115 Bulletin de la Association des Chimistes.

81
Nota: Estas fermentações foram feitos com fermento Alemão secco, abituado ao acido fluorhydrico sendo a 1ª analyse da
2ª cuba depois de pronto o fermento e a 2ª analyse da 8 [sic] cubas, isto é, dois dias depois.
Iª Fiz a analyse qualitativa e quantitativa do vinho com fermentação completa d’este mesmo numero acima cujo grau de
paragem foi 1 Baumé acidez, 1,85 gramas por litro destillado no dia 20 e analysado que mostrou:
saccarose ———————— 0,
Glucose ————————- 0,420 kilogramas por 100 litros vinho
2ª Fiz a analyse qualitativa e quantitativa do vinho com fermentação completa d’este mesmo numero acima cujo grau de
paragem foi 1 Baumé acidez 1,5 gramas por litro destillada no dia 22 e analysada que mostrou
saccarose ..................... 0,032 kilograma por 100 litros de vinho
Glucose ....................... 0,420 “ “ “ //

[51] – Destillaria – Notas sobre levaduras e fermentações –– Preparação dos fermentos


As levaduras ou fermentos para a fermentação das materias que conteem assucar são constituidos de forma diferente,
conforme a substancia ou materia prima a que se querem applicar para produzir a fermentação pura dos mostos d’essas
substancias.
Canna de Assucar: –– A levadura ou fermento que se applica ao mosto de canna de assucar difere um pouco na sua forma
de proceder; quando se quer obter aguardente de canna propria para consumo (aguardente de mesa); a levadura pura deve ser
obtida da mesma canna, por meio de selecção dos fermentos, de forma a obter uma levadura que não vá prejudicar o gosto
espicial[sic] da aguardente de canna. Esta levadura pode-se obter de duas formas diferentes:
1º – Fazer seleccionar as levaduras: – Quando uma cuba fermentou bem, que o mosto ou garapa parou em boas condicções,
é suficiente tomar uma amostra da levadura que se precipitou no fundo da cuba e de a enviar ao bacteriologista que, pelo mesmo
meio, poderá sempre fornecer a levadura original ao seu cliente.
Para retirar esta amostra (echantillon), o meio mais simples é de tomar um tubo de vidro fusivel de 4 a 5 millimetros de
diametro que se estiva em ponta n’uma das estremidades. Alguns centimetros mais acima produz-se sobre o mesmo tubo uma
cintura que se tapa com uma pequena tampon de algudão, e esterelisa-se o todo sobre uma lampada de alcool que servio a afilar
ou a indelgaçar o tubo. Estes tubos podem ser assim preparados sem inconveniente alguns dias antes.
Para tirar a amostra, prolonga-se a ponta afilada do tubo no liquido do fundo da cuba rico em levadura, n’elle quebra-se //
[52] essa ponta, e pela outra extremidade aspira-se atravez do tampon de algudão até encher pouco mais ou menos o terço da
capacidade comprehendida entre a ponta e o estreitamento do tubo. Retira-se este, tapando com o dedo como uma pipette.
Inclina-se ligeiramente para despejar o liquido da ponta, fecha-se á[sic] lampada d’alcool, e depois de alguns minutos de espera
do arrefecimento, volta-se o tubo e põe-se sobre a lampada d’alcool a parte estreitada que se fecha egualmente pela estiragem
do tubo.
As levaduras assim aprisionadas n’uma parte do tubo de vidro, pode viver muitos annos, e expedir-se pelo corrêo de ida e
volta. Este processo é muito simples; contudo é sempre prodente preparar mais tubos eguaes para uma mesma remessa, porque
muitas vezes acontece que um sô tubo, se quebra em viagem, ou seja por acidente ou por explosão produzida pelo gaz acido
carbonico das levaduras, que continuam a viver sobre o seu proprio protoplasma.
Para evitar esta causa de perda é mais prodente preparar mais tubos eguaes da mesma amostra de levadura, e encher a caixa
que os transportar com serradura de madeira
Devemos porem expôr um processo menos preciso, menos exacto, mas que dá muitas vezes exselentes resultados, com a
condição de termos á nossa desposição, alguns ballões de vidro:
Selecção pelos antisepticos: –– De todos os anticepticos o mais pratico para este trabalho é o acido fluorhydrico ou, se se
preferir, os fluoruros mais facilmente transportaveis; Ou seja com o xarope desfeito, ou seja com a garapa da canna, prepara-se
um litro de mosto que se faz ferver em um ballão de 2 litros depois de lhe ter junto 1 gramma d’acido tartarico e 4 a 5
milligrammas de fluoruro de potassium ou de sodium. Faz-se arrefecer e cultiva-se o fermento retirado do fundo da cuba em
bom estado, tendo o cuidado de // [53] tapar a colo da Garrafa com algodão.
Fez-se a fermentação bem a fundo em local que se possa conservar a temperatura optima de 30 a 35º centigrados e quando
a fermentação parou e que o fermento se precipitou ao fundo da garrafa, decanta-se o liquido e deita-se sobre a levadura que
está no fundo do ballão um novo litro do mesmo mosto preparado como acima mas com 6 a 7 milligrammas de fluoruro. Faz-
se esta opperação por mais vezes augmentando sempre a dose de fluoruro na mesma propurção até que elle chegue a uma dose
correspondende[sic] a 5 milligramas d’acido fluorhydrico por litro (HFI)

82
Este costume progressivo da levadura ao acido fluorhydrico demanda pouco mais ou menos 15 dias; mas é bem raro que
um microbio, um fermento acetico ou um microbio putrido resista a este tratamento que não mata a levadura se se guarda bem
as doses de acido empregadas.
Procedendo-se em seguida á operação inversa, quer dizer á fermentação em mostos de menos a menos ricos em fluoruros,
e arejando as fermentação [sic] com ar esterelisado, provoca-se a reproducção de esta levadura primitiva.
Com este processo e quasi sem laboratorio especial, é raro não tirar bons resultados em aporar essas levaduras, não
sentificamente, mas de modo mais que soficiente para a pratica das fermentações.
Tendo o cuidado de não reduzir a quantidade de fluoruro a zero, pode-se facilmente gordar por muito tempo estas levaduras
assim preparadas e apuradas, e servir-se d’ellas para pés de cuba.
Para melhor explicação d’este processo de fermentação vide o tratado de E. Legier de fabricação do alcool tomo 2º pag.
410 e seguintes. segue //
[54] Com o acido fluorhydrico do commercio a 18º Baumé dessolvendo 9 kilogramas d’acido em 400 litros d’agua temos
uma proporção de 22 gramas por litro d’esta solucção. Ora para a selecção por meio dos anticepticos (fluorhydrico) deveremos
principiar pela dose minima de 5 miligramma [sic] por litro, será melhor n’esse caso, dissolver a solucção acima no dobro, isto
é de um litro fazer 2 litros ficando com 11 gramas por litro; n’esse caso para se retirar 5 milligrammas, temos que tomar somente
1
/2 centimetro cubico de solucção de 11 gramas por litro, e ir augmentando gradualmente 2 milligrammas por cada operação até
á dose de 10 milligrammas por litro
Calculo do combustivel gasto em 1907 – Rehentrado dos petit eaux, ficando o bagaço com a media de 1,7 kilogramas
assucar % bagaço Data das esperiencias (semanas)
Semana 2 a 8 abril – Carvão 50758 – Assucar 101520 = Carvão por 500 kilogramas
kilogramas 1 jet
er
kilogramas tonelada assucar
Dito 8 a 16 “ – dito 64677 – dito 103093 = dito 627 “
Dito 16 a 22 “ – dito 48427 – dito 98852 = dito 490 “
Dito 22 a 30 “ – dito 70848 – dito 105800 = dito 669 “
Dito 1 a 6 maio – dito 62910 – dito 88690 = dito 709 “
Com bagaço de 50 a 55% d’agua é egual a 4,17 kilogramas de bagaço para 1 kilograma de carvão
“ “ 30 a 35% “ “ a 2,82 “ “ “ “
Ora 100 kilogramas de canna (com 12% de fibra) dá com 50 a 55% d’agua 30 kilogramas de bagaço
“ “ “ “ “ 30 a 35% “ 24 kilogramas “ //
[55] Calculo do combustivel gasto (carvão) em 1905 com a fabricação d’assucar de canna pela diffusão do bagaço
Fabricando-se por dia 150 toneladas de canna em 24 horas: Carvão gasto por tonelada d’assucar 1er jet –– 808 kilogramas. Em
1907 431 kilogramas Comparado com:
Em Cuba em 1892 com uma esperiencia da diffusão directa da canna em cossetes, trabalhando por dia 500 toneladas de
canna em 24 horas o gasto de carvão foi de 740 kilogramas por tonelada d’assucar 1er jet.
Novembro 1905 Capacidade do Quadruple-effet da Fabrica do Torreão, em superfice de evaporação em metros quadrados.
metros quadrados
116
1ª caixa evaporadora – 171 tubos = 28,899 Reunidos em uma sô com
2ª “ “ – 265 “ = 44,785 73,684 metros quadrados = 27%
3ª “ “ – 316 “ = 53,444 mais que o Nº 3
4ª “ “ – 387 “ = 65,403
Totaes 1139 192,491 metros quadrados
Num Quadruple-effet com prelevement a theoria dá 15 hectolitros de jus de deffusão evaporado por metro quadrado de
surface de chaufe, mas na pratica sô contamos com 10 hectolitros por metro quadrado em 24 horas
canna a 12% assucar
Rendimento da canna em alcool pela diffusão no anno 1904 por 100 kilogramas canna = 1,874 gallões a 100 a 15
temperatura = 1,950 gallões em 40º = 2,734 gallões em 26º = e 2,544 gallões em 28º
Em 1903 o rendimento real foi de 1,83 gallão a 100 a 15 temperatura por 100 kilogramas canna
Um bom alimentador <de carvão> de caldeiras de vapor esperimentado na Fabrica Hinton em 11-12-1905 é o alimentador
de carvão de Bennis-Bolton, mas somente quando essa caldeira seja empregada para o trabalho regular de uma machina de
vapor, porque pela experiencias [sic] feitas vê-se que a superfice da grelha não está em relação á capacidade da caldeira, isto é,
116 Nota na medianiz da página, escrita na vertical: «Em um Quadruple effet com prelevement na 1ª, a defferença de superfice de evaporação a mais na
primeira com relação à 2ª é de 70%».

83
a caldeira deve produzir mais vapor com uma grelha ordinaria com superfice em relação a superfice de evaporação117 //

[56] – Saccharina –– continuação –


Para o fim, este exame é sufficiente. Querendo, porem, fazer-se mais completa analyse do producto, deverá tambem
procurar-se o acido salycilico. –– (O acido salycilico é o acido ortho-oxybenzoico. Pode transformar-se a saccharina em acido
salicylico. Para isso trata-se o resido da evaporação da dissolução etherea da saccharina por algumas gottas, em excesso, de soda
caustica, evapora-se, funde-se o residuo na tampa de um cadinho de prata, acidula-se com o acido sulfurico ou chlorhydrico e
agita-se com ether para dissolver o acido salicylico formado) –– Para isso separa-se em duas fracções a solução etherea do
producto suspeito; uma das fracções evapora-se para se procurar a saccharina, indaga-se na outra da existencia do acido
salycico, lançando-lhe cautelosamente uma solução diluida de perchloreto de ferro. Se houver este acido, apparecerá quasi
instantaneamente uma faxa violeta na linha de separação dos dois liquidos; esta côr crescerá de intensidade ao passo que o ether
se evaporar. –– (É ainda um meio, quando houver duvidas de reconhecer a existencia da saccharina: basta procurar pelo
perchloreto de ferro, se no residuo deixado pela evaporação do ether empregado na ultima phase da operação existe o acido
salicylico.) ––
Se o resultado d’este exame confirmar a existencia do acido salicylico, pode separar-se d’elle a saccharina, redissolvendo o
residuo ethereo no alcool e ajuntando-lhe uma solução alcoolica de potassa, a qual precipitará parcialmente a saccharina sob a
forma de saccharinato de potassa.
O gosto assucarado da saccharina, gosto que ainda é sensivel na diluição em agua de 1 , e o qual se calcula em
duzentas e oitenta veses o poder edulcorante do 70.000
assucar de canna, justifica o nome de sombra de assucar que se lhe tem dado. //

[57] –– Alcool
O quadro seguinte resume os caracteres por que se pode conhecer qual a proveniencia do alcool, pelo que respeita ás
materias primas mais habitualmente empregadas.
Reagentes Côr alcool de
Ammoniaco, baryta e
estronciana, a frio -------- Amarello Vinho, bagaço de uva, melaço
Potassa, a quente e a frio Dito Vinho, melaço
a frio Nada Vinho
Carbonato de potassio
{ a quente e frio Amarello Melaço
Sulfureto d’ammonio, a frio Leitoso Bagaço de uva
Azotato mercurioso, o
percipitado branco torna-se, a frio Azul Dito dito
a quente e frio Amarello Vinho, melaço
Azotato mercurioso
{ a frio
a quente
Azul
Amarello
Milho
Milho
Azotato mercurioso, a frio Esbranquiçado Dito
“ “ “ Turvo Vinho
Amarello Dito

Acido chromico, a frio { Percipitado amarello


Azul
Dito, percipitado amarello
Bagaço de uva, melaço
Beterraba
Minlho[sic]

Sulfato de cobre anhydro { Azul escuro


Dito pallido
Vinho, bagaço de uva
Beterraba, milho, melaço
Amarello Vinho, bagaço

Sulfato ferrico secco, a frio


{ Nada ou amarello
Amarelo claro
Dito turvo
Beterraba
Milho
Melaço //

117 Sobre as palavras deste último período escreveu o autor, ligeiramente na diagonal, em letra de corpo maior do que a do restante texto e usando lápis de
cor vermelha, a seguinte frase: «Reprovado para Fabrica de assucar».

84
[58] 1904 para 1905 Carta de Monsieur Naudet118 a João Higino Ferraz.
Notas sobre a nova forma de Trabalho da diffusão Systema “Naudet”
––– º –––
Modificações a fazer para a laboração de 1905:
1º O jus do forçage á sua sahida do diffusor, em logar de hir ao deposito compensador, deve hir ao fundo do depozito de
meichagem (um tubo a modar).
2º O jus, que vai a bomba, é tomado do deposito de meichagem, por consequencia o fundo do deposito de meichagem deve
ser comunicado aos tamis que são unidos á bomba, o compensador supprimido.
3º O tubo, que sai dos rechaufeurs, vai aos deffusores em forçage, mas é necessario tambem que os jus quentes tornem ao
deposito de meichagem: N’esse caso, á sahida dos rechauffeurs, um tubo especial (não o antigo que commonica com a entrada
da garapa) traz o liquido para o deposito de meichagem, este tubo é monido d’uma torneira I, da qual veremos o emprego a seu
tempo
4º Os rechauffeurs são aquecidos com o vapor do 1º corpo do triple-effet em logar do vapor exausto das machinas.
5º Um thermometro deve ser colocado no tubo de retour de forçage, antes da sua entrada no deposito de meichagem.
6º Uma torneira X reguladora deve ser colocada no tubo de soutirage, antes da entrada para os depositos de medida e de
meichagem.
7º A garapa entra no deffusor, vindo da sulfitação, e não no deposito de meichagem.
8º O deposito de meichagem está sempre com 15 hectolitros a fim de meichar.
A meichagem não commeça a ser effectuada, depois da entrada da garapa, senão quando o depozito contem 21 ou 22
hectolitros, de maneira que o nivel no deposito de meichagem, não desça a menos de 14 hectolitros e que elle tenha que esperar
pouco para a modança de deffusor.
Emquanto que o diffusor 4, por exemplo, está em circula-//[59]ção forçada, o diffusor 3, que contem o jus perfeitamente
trabalhado, é soutirado alternativamente para os depositos de medida e de meichagem.
No anno passado, em vista da montagem, a circulação forçada e a circulação no depozito de meichagem eram feitas
successivamente; este anno, graças á torneira I e á montagem nova, são feitas simultaniamente, a circulação forçada é feita
lentamente, de maneira que no fim o jus, vá ao deposito de meichagem, e passando pelo novo thermometro, indique 95º pouco
mais ou menos. Com effeito, durante a circulação forçada, o jus quente são [sic] os primeiros, depois o jus frio, vindo da garapa
fria, depois emfim o jus se reaquece progressivamente, devendo chegar ao seu maximo de temperatura quer dizer entre 92 a 95º
a fim de souterar.
Se nos fazemos 5 diffusores <por> hora, cada operação durará pois 12 minutos, é necessario pois que a circulação estaja
terminada somente depois de 12 minutos. Ora se o thermometro novo sobre[sic] a 92 a 95º antes do fim dos 12 minutos, é
porque há muita circulação; nesse caso abre-se I; se, ao contrario, esta temperatura não é attingida n’este tempo, é porque I está
muito aberta. O habrir e o fechar de esta torneira deve ser feita muito pouco a cada operação; assim, ao fim de alguns deffusores,
ella estará regulada; se, alem d’isso, a temperatura não é attingida, é inutil de modar a posição da torneira, a circulação é
demorada porque os tamis estão cheios de bagaço, é suficiente modar o tamis. O thermometro novo é uma preciosa indicação
para a modança de tamis, deve ser consultado de tempos a tempos.
Esta circulação, muito quente, feita mais devagar, dá jus muito mais claros; é suficiente pois habrir para o deposito de
meichagem os 2 ou 3 primeiros hectolitros, que são os unicos que não poderam estar muito perfeitos. //
[60] Em seguida tirar-se-ha, os 12 1/2 Hectolitros para o deposito de medida, depois no deposito de meichagem para retirar
o resto do jus necessario á meichagem do diffusor 5.
É necessario uma torneira X; para que os chefes de bateria não tenham de regular as torneiras dos medidores e do deposito
de meichagem para tirar mais ou menos rapidamente; regolar-se-ha X e abrir-se-ha as outras torneiras da forma que se quiser,
d’esta forma a soutiragem será mais ou menos a mesma volucidade.
Fazendo assim; o jus, que corre no deposito de medida e que é o todo do liquido contido no diffusor que acabou de circular,
está perfeitamente apurado, defecado, e filtrado; esta ultima qualidade é devido á velocidade muito lenta do jus sobre o bagaço.
Com efeito, um diffusor de 25 Hectolitros é meichado com 8 1/2 Hectolitros de garapa e 10 1/2 Hectolitros pouco mais ou
menos de jus de meichagem, seja 19 Hectolitros, elle não contem senão 19 Hectolitros de jus muito puro, e ainda, não se pode
extrahir pela perção da agua senão 14 a 15 Hectolitros de jus real, a mestura faz-se muito depressa; ora, se nos retiramos para
deposito de meichagem os 10 primeiros hectolitros de jus, nos retiramos para o deposito de medida, sobretudo indo depressa e
118 León Naudet.

85
inrregularmente, jus mesturado e contendo uma parte de jus puro e uma outra parte de jus da bateria muito denso mas não
defecado, em uma palavra, sobre os 12 1/2 Hectolitros a soutirar, d’onde 8 1/2 somente provem da garapa e os 4 da bateria, tirava-
se sempre, no ultimo anno (1904), estes 4 hectolitros sem os ter circulado nem defecado antes no deposito de meichagem.
Au[sic] contrario, se nos enviamos os 2 primeiros hectolitros ao deposito de meichagem, por causa dos depositos de borras
ou jus turvo nos tubos, (se estes 2 primeiros hectolitros são turvos, ao contrario não val a pena); em seguida, os 12 hectolitros
seguintes aos depositos de medida e o resto do de meichagem; nos não fornecemos ao deposito de medida que sobre os 14
Hectolitros // [61] sobre os 19 que contem o diffusor, e marchando sem acoup, é quasi certo que nenhuma parte do jus de
diffusão precedente será mesturado com o bom jus; ao contrario, os 8 Hectolitros, enviados ao deposito de meichagem, seram
uma mestura de jus puro e de jus não defecado; sendo enviados ao deposito de meichagem, elle será defecado com a garapa,
mesme[sic] ressentirá em parte a acção da sulfitação por contacto com a garapa acida, empregada na meichagem.
Tenho a certeza que a marcha não será tão boa pelo antigo processo como com este novo. E pois util de suprimil’o.
Vamos ver contudo o que se passa durante a forçagem do diffusor; o diffusor é cheio de bagaço frio e a garapa sulfitada
proveniente, seja de 1200 kilogramas de canna; depois, ajunta-se 11 a 12 Hectolitros de jus quente; esta entrada do derradeiro
jus faz-se abrindo a torneira azul A depois que a torneira da garapa esta fechada; a meichagem faz se muito rapidamente, e fica
acabada em alguns segundos; como causa de esta velocidade, o bagaço e a garapa são levantados e um legeira mestura se faz.
Quando a forçagem começa, o deposito de meichage contem 15 Hectolitros minimum; o mais que se possa ter no minimo
d’este deposito será melhor; mas não é persiso ter mais 15 para o mise en route. Então o jus sahindo do diffusor mestura-se ao
jus quente do deposito de meichagem e ao jus que vem dos rechaufeurs; quando o jus frio chega, seja depois de 3 ou 4 minutos,
deitar a quantidade de cal necessaria á defecação; este jus frio é em seguida mesturado ao jus quente e a temperatura do jus no
deposito de meichagem varia extremamente pouco; como é n’este deposito que a bomba de circulação aspira, o jus chega aos
rechaufeurs, quasi sempre á mesma temperatura entre 80 a 85º.
Como o vapor empregado n’estes rechaufeurs é de 102 a 103º, como a velocidade do jus é muito grande n’estes // [62]
rechaufeurs e sempre regular, o jus sahi dos rechaufeurs quasi sempre no mesmo ponto, a um ou dois graus de diferença; não
é pois necessario marchando regularmente abrir ou fechar as torneiras de vapor, que seram simplesmente tocadas[sic] de tempos
a tempos.
Segundo a minha explicação, o jus frio não succede ao jus quente no Rechaufeurs [sic], e resulta d’isto, que no anno passado,
abria-se bruscamente as torneiras de vapor, tomando muito vapor d’uma sô vez, e o apparelho d’evaporação faltava-lhe vapor,
dois minutos depois, havia de mais, e o vapor era deitado para fora (teto).
Este modo de trabalhar, bem seguido, terá pois a vantagem de regularisar o apparelho de evaporação, que trabalhará assim
muito melhor e muito mais depressa.
Nos temos visto que a garapa fria acida, emporrada pelo jus quente, vai ao deposito de meichagem receber a cal para a
defecação; a preção de entrada de jus quente é regular, o jus filtrará antes de sofrer a acção da cal, o que será uma seria
vantagem.
Não temos a temer por esta forma as inregularidades do compensador, que se despejava quando os tamis se tapavam, o que
resultava que se tirava mais de um diffusor que d’um outro, o que fazia vir o jus legeiro no principio, dando causa n’esse caso,
a um mau exaustamento do assucar, por isso não é methodico.
Tenho a certeza, que o trabalho assim conduzido é perfeito no seu todo, tudo foi bem pesado exactamente no seu valor, cada
modificação foi seriamente pensada, e deve resultar entre outras cousas:
Uma enorme regularidade de marcha
Um exaustamento (epuisement) excelente
Um aquecimento constante influenciando sobre a evaporação
Uma marcha muito mais rapida
Jus bem trabalhados, muito puros, e muitos claros. //
[63] Processo Barbet da apperciação da pureza do alcool ou aguardente pelo permanganato de potassa
O processo reposa sobre o emprego do permanganato de potassa pela decoloração do alcool durante um certo tempo nas
condições seguintes:
Faz-se uma dissolução de 0,100 gramas de permanganato puro cristallisado em um meio litro d’agua destillada bem pura
ou agua potavel perfeitamente pura. É a solução typo para os alcooes retificados do commercio.
Por outro lado toma-se uma garrafa cylindrica de vidro bem incolor, de forma um pouco alta e de bouca pouco larga d’uma
capacidade de 100 centimetros cubicos pouco mais ou menos. Um traço circular gravado no vidro marca o nivel que

86
corresponde a 50 centimetros cubicos
Deita-se o alcool na garrafa, a tomar a prova até ao traço de 50 centimetros cubicos, introduz-se um pequeno thermometro
graduado no vidro, e faz-se chegar a temperatura a 18º centigrados. Por outro lado com uma pipeta sensivel marcando 2
centimetros cubicos somente, deita-se rapidamente 2 centimetros cubicos da solução de permanganato titulado no alcool,
anutando ao mesmo tempo a hora exacta sobre um relogio com segundos. Em seguida a coloração rosa-violeta desaparece
pouco a pouco para dar logar a uma cor de salmão muito mais palida; depois a cor passa a 119
e em fim ao amarello
palha. É a transformação á côr de salmão que se observa; as outras cores, com alcooes puros, são muito longas a se produzirem
[.] No necessario Barbet tem uma garrafa com licor typo salmão. Nota-se exactamente os minutos empregados para essa
decoloração.
As qualidades de alcooes ethylicos os mais puros gastão até 43 minutos para chegar a esta decoloração salmão á temperatura
de 18º
As qualidades commerciaes ditas superiores gastão de 18 a 30 minutos
As qualidades extra finas gastão de 2 a 10 minutos. //
[64] Quanto aos 3/6 do Norte (França) gastão muitas vezes menos de um minuto e em particular para typo official d’alcool
de melaço de Beterraba da bolsa de Paris chega a gastar sô segundos!
Para bem observar as cores, é persiso que as garrafas sejam de vidro bem incolor e de dimenções identicas; colocam-se sobre
uma folha de papel branco não muito longe de uma janella. É bom ter uma cor typo em uma garrafa para ter a certeza do exame
sempre ao mesmo ponto.
Este processo de analyse applica-se egualmente aos alcooes impuros ou aos flegmas; O methodo é o mesmo mas com as
modificações seguintes:
O licôr de prova é feito em milecimas (1 gramma de permanganato por litro); por outro lado o alcool impuro deve ser posto
a um mesmo grau alcoolico, a fim de que os resultados sejam comparaveis entre si. O grau escolhido é de 42,5º a 15º
(alcoometro de Gay-Lussac); assim como para os alcooles retificados é persiso operar á temperatura de 18º.
Deita-se nos 50 centimetros cubicos do liquido alcoolico 2 centimetros cubicos de solução de permanganato em millecima,
e nota-se a duração da decoloração.
Se o alcool é muito impuro que possa decolurir instantaniamente, recommeçarse-há deitando-se 5 centimetros cubicos da
solução forte de permanganato em logar de 2 centimetros cubicos
Pode-se ainda empregar um outro modo de exame sobretudo para os muitos maus productos. Deita-se na garrafa de ensaio,
não o alcool, mas sim 10 centimetros cubicos de permanganato fraco (a 1/5000 centimetros[?]) ou então 2 centimetros cubicos
de permanganato forte que é exactamente o mesmo. Enche-se uma proveta graduada com o alcool (50 centimetros cubicos a
18º temperatura) a enseiar e deita-se rapidamente este alcool no permanganato agitando sem cessar. Bem depressa a côr muda
e passa a côr de cobre vermelho. Marca-se esta côr.
Este modo de opperar é menos rigoroso, porque se pode ou não deitar rapidamente, mas como é muito pratico pode-se
entregar a qualquer operario destillador. //
[65]120 A agua empregada em todo este processo deve ser ou destillada ou então agua potavel perfeitamente pura.
Chama-se methodo A ao primeiro methodo directo, quer dizer analyse directa sobre 50 centimetros cubicos de alcool em
grau alto com 2 centimetros cubicos de permanganato fraco.
Methodo B – 50 centimetros cubicos d’alcool de grau alto com 2 centimetros cubicos de permanganato forte.
Methodo C, 50 centimetros cubicos d’alcool desfeito em 42,5º com 2 centimetros cubicos de permanganato fraco
+121 Methodo D, 50 centimetros cubicos d’alcool desfeito a 42,5º com 2 centimetros cubicos de permanganato forte
Methodo F, 50 centimetros cubicos d’alcool desfeito a 52,5º em 5 centimetros cubicos de permanganato forte.
Em fim methodo G, ao centimetro cubico de permanganato fraco no qual se deita uma proveta graduada d’alcool ou seja
em grau alto ou a 42,5º.
São sempre os dois methodos A e G que servem muitas vezes, são os mais praticos e os mais simples.
Os utensilios necessarios ao processo do permanganato são os seguintes:
Uma garrafa graduada de 500 centimetros cubicos
Uma pipeta de gottas de 2 centimetros cubicos devidida em decimos de centimetros cubicos

119 Espaço vazio deixado por Higino Ferraz.


120 Anotação na cabeça da página: «Nota: 42,5º centigrados = 17 1/2 Cartier».
121 Sinal a vermelho, que pretenderá, porventura, evidenciar este método face aos outros.

87
Uma pipeta de 5 centimetros cubicos e uma de 10 centimetros cubicos
Uma coleção de garrafas de prova de 100 centimetros cubicos com traço gravado a 50 centimetros cubicos (Deametro das
garrafas 36 a 37 milimetros externamente)
Uma proveta ingleza de 50 centimetros cubicos graduada.
Thermometros de mercurio graduados no vidro de 0 a 30.
Uma garrafa contendo a côr thypo para os methodos A e G, e uma outra para os outros methodos.
O reactivo de permanganato mesmo preparado com agua destillada o mais pura possivel, acaba em pouco tempo por se
detriorar instantaniamente, é bom por isso renoval’o ferquentemente. //
[66] Vede como se constitui a côr typo d’uma maneira arteficial e bastante duravel: D’uma parte dissolve-se 0,100 gramas
de fucshine em um litro de agua destillada; toma-se 100 centimetros cubicos de esta solução e forma-se novamente um litro.
Em suma é uma solução contendo 0,01 gramas de fucshine por litro.
Por outro lado dissolve-se 0,500 gramas de chromato neutro de potassa em um litro de agua destillada.
Toma-se um frasco de ensaio, e deita-se alguns centimetros cubicos de agua destillada, depois mede-se o mais exactamente
possivel 2 centimetros cubicos do liquido vermelho de fucshina e 3 centimetros cubicos de chromato de potassa completa-se o
volume até ao traço 50 centimetros cubicos com agua destillada, cobre-se bem a cera e no dia seguinte é que o typo está bom.
Para os outros methodos em que se emprega o permanganato forte, e[sic] necessario um typo tambem com uma côr mais
forte; obtem-se este typo com os mesmos liquidos mesturando 30 centimetros cubicos de chromato e 12 centimetros cubicos
fucshina, e completando o volume de 50 centimetros cubicos com agua destillada. //

[67]122 Essai d’urines diabétiques 1º Recherche et das-age du Sucre diabétique (glucose)


Prendre 100 centilitres[?] urine, y ajouter 10 centilitres[?] acétate de Plomb
Filtrer et polariser (comme pour un jus) (observation au tube de 200)
Chaque degré lu au saccharimetre x 0,2054 et le resultat augmenté de 1/10eme pour tenir compte de la dilution par le acétate
de Plomb correspond à la teneur en glucose pour 100 centilitres[?].
2º Recherche de d’albumine
Prendre quelques centimètres cubes de l’usine à essayer dans un tube à essai y ajouter quelques goutts d’acide acétique et
chauffer légèrement. S’il se forme un proprieté[?] floconneux: présence d’albumine
2º On peut remplacer l’acide acétique par l’acide azotique, mais l’essai se fait alors à froid.
Lorsque les urines contiennent une trés grande quantité d’albumine le simple chauffage <sans adiction de reactif> suffit pour
faire apparaître le proprieté floconneux. Le dosage de l’albumine est assez long et compliqué et nécessite des appareils
especiaux qu’on ne posséde generalement pas dans les laboratoires industriels. La simple constatation qualitative suffit
genéralement.
Recherche du Sucre dans les Eaux de Condensation – Cette recherche se fait au moyen du reáctif alpha naphtol qui posséde
la proprieté de donner une coloration violacée en présence du sucre, n’en existât-il même que des traces.
Réactifs Nécessaires: 1º De l’acide sulphurique pur et concentré
2º Une solution alcoolique à 5% de alpha naphtol. Cette solution doit être préparée avec de l’alcool à 95º bien rectifié et
autant que possible avec de l’alpha naphtol de fabrication recente. Il est bon de dire que la solution alcoolique de alpha naphtol
doit être aussi toujours de préparation récente.
Pratique de l’Essai. – Ou introduit 5 centigrammes[?] de acide sulphurique pur dans un sube a essai, puis, sans agiter on fait
arriver 1 ou 2 de l’eau à essayer <en faisant couler la paroi du tube>, puis enfin <on ajoute> quelques goutts <(3 à 4)> de la
solution alcoolique de alpha naphtol. On agité alors douvement et en presence de sucre il apparaît una magnifique coloration
violacée
[68] Cette manière de faire est <de> beaucoup <la> plus sensible et donne une coloration bien plus intense que n’importe
quelle autre maniere de procéder, nous la recommandous doue tout particulièrement.
Avec cette méthode on peut reconnaître facilement de 2 á 3 milligrammes de Sucre dans un litre d’eau.
123
Preparação de um licor de soda (Liquide acedimetrique) para a dosagem da acidez dos mostos e vinhos de melaço ou
outros, onde 10 centimetros cubicos de licor representa 1 grama d’acido por litro, ou 1 centimetro cubico = 0,1 grama d’acidez

122 Os escritos desta página, e de parte da subsequente, não foram fruto da lavra de João H. Ferraz.
123 Palavras em português escritas por João Higino Ferraz.

88
Monsieur Bouchet124 ––
Faz-se um licor de soda dessolvendo 9 <pouco mais ou menos> gramas de soda caustica pura em um litro d’agua destillada:
Verificação do lecor: Toma-se 10 centimetros cubicos de licor normal acido de 49 gramas por litro acido sulfurico puro, e faz-
se 100 centimetros cubicos com agua destillada ou bem toma-se o acido oxalico puro a 6,3 gramas por litro e toma-se 100
centimetros cubicos ou 50 centimetros cubicos e verifica-se se são necessarios 49 <ou 24,5 centimetros cubicos> centimetros
cubicos de licor de soda para neutralisar exactamente os 100 centimetros cubicos do licor acido.
Se por exemplo empregamos 42 centimetros cubicos quer dizer que o licor é forte, temos n’esse caso de dessolvel’o fazemos
a seguinte proporção:
1000 x 49 = 1166 centimetros cubicos mas como ja temos 1000 centimetros
42
cubicos devemos juntar n’esse caso 166 centimetros cubicos d’agua destillada. Devemos tambem n’esse caso tomar conta
do licor de soda já retirado para a primeira verificação: Poderemos tirar por ex: 100 centimetros cubicos e n’esse caso sô temos
900 centimetros cubicos em logar de 1000 centimetros cubicos. //

[69] Analyse do assucar total nos melaços


Peza-se 10 gramas de melaço a analysar, desfaz-se com agua quente destillada e deita-se na garrafa 500 centimetros cubicos
até ao traco[sic] de 500 centimetros cubicos. Agita-se bem e toma-se 50 centimetros cubicos (=1 grama) que se deita n’uma
pequena garrafa propria para hir ao lume; junta-se-lhe 10 centimetros cubicos de licor normal d’acido sulfurico (100 gramas
por litro) isto é um grama, e faz-se ferver uns 15 minutos a fogo nu ou 25 a banho maria. Deixa-se arrefecer o liquido, deitando-
o depois em um garrafa [sic] de 100 centimetros cubicos que se completa com agua destillada até ao traço 100 centimetros
cubicos. Filtra-se. Faz-se a analyse com 10 centimetros cubicos de licor de Violette e o numero de centimetros cubicos licor
junto visto na tabua II Violette da o assucar ou a glucose %.
Acido fluorydrico ––
O acido fluorydrico do commercio contem 30% d’acido, mas hoje expoêm no mercado acido a 70%, de forma que a
densidade é inrregular: Para bem empregar nas fermentações este acido devemos preparal’o a uma densidade sempre certa, por
ex: 18º Baumé desfazendo-o com agua. Este acido assim na densidade de 18º Baumé é ainda forte para bem regular a quantidade
a juntar ás fermentações, por isso devemos desfazel’o com mais agua n’uma quantidade determinada, por ex: para cada
Hectolitro d’agua pezamos 2,250 kilogramas, isto é cada litro contem 22,5 gramas d’acido fluorydrico a 18º Baumé. No caso
de termos uma quantidade grande de esta agua com acido e o tempo de a gastar seja grande devemos ter o cuidade de deminuir
nas gramas por litro de tempos a tempos, isto é, d’esde 22,5 gramas a 20 gramas por litro. [Ass:] Ferraz
Preço do acido fluorydrico <a 70%> em 1908 = Marcos 60,4 por 100 kilogramas em barricas de ferro de 270 kilogramas //

[70] Analyses dos melaços pelo Clerget


Modo de decloração do liquido: Quando o liquido acido (do Clerget) é muito escuro, sendo n’esse caso deficil de ler no tubo
sacharometrico faz-se a decloração do liquido juntando-lhe um pouco de zinco em pô, e carvão animal chimico puro e secco.
A ação do zinco no acido forma o hydrogenio que se desprende declorando o liquido. É depois filtrado e usado.
Fazendo a solução pelo methodo de Buisson125, isto é, solução a 20% (100 gramas em 500 centimetros cubicos) e tomando
centimetros cubicos para fazer 200 a 220 centimetros cubicos para a decloração pelo permanganato, o calculo para o assucar
Clerget é feito pela seguinte forma:
Polarisação directa = D
“ inversa – I – Temperatura t
Formula de Clerget 100 = x1
144 – 1/2 t
Desenvolvimento: D + I = X Xl XX = Xll x 16,29 = Xlll + 1/10 = assucar real
Nota: 16,29 pezo normal do saccarometro
Ex: Polarisação directa 21,1
“ Inversa 11,5 21,1 + 11,5 = 32,6
Temperatura 23,8
Formula Clerget = 100 = 0,757 x 32,6 = 24,67 x 16,29 = 40,08 + 1/2 = 44,08 assucar real Clerget
144 – 11,9
Nota: – Segundo Pellet (Bulletin de Dezembro 1909) para termos a certeza de que a inversão é completa, principalmente
com melaço de canna, o tempo da inversão deve hir alem dos 10 minutos, até 15 minutos á temperatura de 68 a 70º. //
124 Henri Bochet.
125 Maxim Buisson.

89
[71] Laboração da Fabrica d’assucar no anno 1905
Relatorio
Moagem da canna: O trabalho da mogem[sic] da canna foi mais regular que a do anno transacto, moendo-se na media
143.000 kilogramas por 24 horas, devido isto em grande parte á nova caldeira de vapor Babcock de queimar sô bagaço. A perção
dos moinhos foi talvez um pouco peôr por isso que o petit-jus era um pouco mais ellevado em assucar
Sulfitação continua da garafa: Neste anno montamos um sulfitador continuo “Quarez” que deu muito bom resultado. A
garapa vinda dos moinhos cahia n’um pequeno deposito de onde sahia continuadamente para dois tamiseurs com largura de
malha differente, sendo o primeiro mais largo e o seguinte mais fechado, o que dava o resultado de a garapa sahir para o
sulfitador quasi sem poulpa alguma. A garapa era sulfitada até uma acidez de 1 grama por litro, que para um trabalho que
produzia 40 hectolitros de garapa por hora a bomba do sulfitador devia trabalhar com uma perção de 15” a 16”.
O forno era sempre carregado com enxofaro sem ser necessario parar.
Diffusão e defecação da garapa na bateria: O processo usado este anno foi conforme a descripção mais atraz (anno 1904 a
1905 de Monsieur Naudet126), havendo somente a diferença que, quando a circulação se passava ao diffusor, depois de cheio de
garapa e bagaço, e que o thermometro do deposito de meichagem descra[sic] a 50º ou 45º juntava-se-lhe a cal e o baryte, e
quando elle subia novamente a 60º fechava-se a torneira de aspiração azul do diffusor e abria-se emediatamente a torneira I
encarnada do deposito de meichagem, para fazer a defecação segue //[72] separada da bateria, de forma a não fazer a cal acção
sobre o bagaço. Só depois de a temperatura de rechaufeur subir a 92º a 93º é que se fazia o trabalho inverso isto é, fechava-se
I e abria-se a da haspiração azul do diffusor a circular, e quando a temperatura do thermometro do deposito de meichagem
chegava a 85º a 87º é que de fazia a modança para a soutiragem.
Neste anno a media da carga por diffusor foi correspondente a 1340 kilogramas de canna, levando cada diffusor 9 hectolitros
de garapa.
O trabalho da bateria comportou-se bem, a não ser o petit-jus que foi um pouco mais elevado que o do anno transacto devido
ao bagaço sahir dos moinhos mal devidido, como se provou pela analyse feita ao bagaço epuissée sahido dos diffusores,
analysando-se bagaço grande e pequeno, o que deu uma diferença muito grande entre os dois (para mais no grande).
No principio da laboração deixava-se o jus de diffusão ligueiramente alcalino, mas como se visse que o apparelho de
evaporação encrustava muito rapidamente sendo necessario limpal’o de 8 em 8 dias, empregamos o Carbonato de soda para
transformar os sulfatos em carbonatos insoluveis dando bom resultado.
A quantidade de cal baryte e carbonato de soda empregado foi o seguinte:
Cal a 20º Baumé por diffusor ——— 4,25 litros
Solucção de baryte a 10% ————— 3 litros
Carbonato de soda, em cada deposito de soutiragem de 12 1/2 hectolitros – 0,500 kilogramas deitado logo que se principiava
a tirar para o deposito.
Os jus que sahiam dos despositos de medida da diffusão vinham a um sulfitador antigo onde estava sempre em pequena
ebulição sahindo depois sempre de continuo para os filtros mechanicos. Os filtros eram modados a // [73] miudo devido á
grande quantidade de borras que ficava no filtro de forma a impedir a filtração; Verifiquei que passado um certo tempo, as
serpentinas de vapor do sulfitador antigo estavam muito incrustadas, sendo necessario limpar, porque a ebulição já não se
fazia bem, dando em resultado que se formava menos percipitado no filtro o que daria causa a incrustar mais rapidamente o
Triple-effet. Vi-me na necessidade de montar outro sulfitador antigo de forma a ter um sempre limpo a trabalhar no caso de
necessidade. Para que a percipitação dos carbonatos se fação bem e[sic] necessario ter sempre o liquido em ebulição, porque
no caso contrario fazer-se-ha a redissolução dos carbonatos que passando nos filtros vão ao triple – e o encrustão
rapidamente.
Os sacos dos filtros impregnavam-se de sulfitos, de forma a ficarem duros, eram sempre lavados com acido chlorydrico –
1 de cido[sic] por 3 d’agua, ficando os sacos perfeitamente flexiveis e limpos.
Triple effet –– O apparelho de evaporação trabalhando em triple effet deu bom resultado, que quando limpo dava aviamento
para o trabalho de 120 diffusores em 24 horas.
A soutiragem para o monte jus do xarope como antigamente, é que transtornava um pouco o trabalho tanto do triple-effet
como da columna barometrica fazendo influencia os cosimentos. O arranjo novo nas agua <amoniacaes> [sic] condensadas
tambem trabalhou bem; mas devido á perda da agua que se mestura com a agua da bomba de vacuo, é melhor modificar a

126 León Naudet.

90
tiragem das aguas amoniacaes por meio de uma bomba, sendo essas aguas empregadas nas caldeiras de vapor.
Xarope – Os xaropes sahidos do triple-effet não sofriam trato nenhum, eram simplesmente aquecidos antes // [74] de hirem
aos filtros mechanicos, sendo a forma de aquecimento um rechaufeur, aquecido pelo vapor do triple até á temperatura de 80 a
85º Centigrados.
Caldeira de coser no vacuo: A caldeira de vacuo foi augmentada com mais uma cerpentina de vapor, dando bom resultado
no tempo a fazer um cosimetro. N’este anno tevemos um bom cuiseur que nos fazia um cosimento completo em passagem ao
malaxeur no vaco, em 12 horas, e com um rendimento % da massa cosida de 70 e algumas vezes chegou a 80. d’assucar
turbinado.
O cosimentos [sic] eram feitos sempre com todo o vacuo desponivel, formando no principio bastante grão. A temperatura
da massa era de 75º centigrados e no maximo 80º e a perção nas cerpentinas de vapor conservadas a 20 a 30 libras de vapor.
Malaxeur no vacuo: Os cosimentos feitos no melaxeur deram bom resultado sahindo os egoûts pauvres bem epoussée, e
estou certo que montando mais dois melaxeurs abertos, onde a massa cosida possa estar mais tempo em melaxagem
alimentando com egouts quasi épuissé não é necessario fazer cosimentos de 2º jet, porque este anno já alguns cosimentos de 2º
jet eram tão fracos, que bem pouco assucar rendeu.
Estes melaços bem epuissé nos melaxeurs abertos devem ser muito melhores para a fermentação do que os tirados do 2º jet.
Turbinagem da masse cuite: A masse cuite da caldeira Franceza feita somente com o xarope virgem era turbinado em assucar
BB e algum em B e B2 claro.
A masse cuite do melaxeur feita com o pé de cuite do xarope virgem cristalisado na Franceza e completo com os egoût riches
primeiro e depois com os egoût // [75] pauvres da <turbinagem da> Franceza foi feito quasi todo em BT. (bruto da terra) e
alguma em B2 (amarello) deu em resultado que os melaços retirados (egoût pauvres) tinham uma pureza muito baixa, dando um
2º jet de pouco rendimento.
Rendimento em assucar: O rendimento em assucar de 1er jet foi n’este anno superior em 1,475 kilogramas por 100
kilogramas de canna, e o de 2º jet inferior em 0,634 kilogramas do que em 1904. O que deu causa a este differença de
rendimento foram diversas, segundo o meu modo de ver: 1º Trabalho mais regular na moagem da canna e na bateria de diffusão:
2º evaporação rapida tirando xaropes mais puros: 3º um bom operario cosedor (cuiseur): 4ª transformar em assucar BT a meior
parte da masse cuite do melaxeur, produzindo n’esse caso menor quantidade de egoûts riches, e sendo menos vezes recosido:
5ª melhor epuissement dos egoûts no melaxeur. Funchal 30 de Julho 1905 [Ass:] João Higino Ferraz //

[76] 127Campagne 1905 – Résultats Généraux au 26 april 1905


Poids de Cannes travallés pour la Sucrerie 7.702.448
Richesse en Sucre du Vesou par hectolitre 14,27 kilogrammes
Volume total du Vesou Extrait 52.270 Hectolitres
Volume du Vesou extrait % kilogrammes de Cannes 67,86 litres soit 72.4 Kilogrammes
Volume total (mesuré à chaud) du Jus extrait à la diffusion 72.860 Hectolitres
Volume (mesuré à chaud) de Jus de Diffusion extrait % kilogrammes de cannes 94,59 litres
On compte
sur une Volume total (mesuré à froid) du Jus de Diffusion 70.684 Hectolitres
contracts Volume (mesuré à froid) du Jus de Diffusion % kilogrammes de cannes 91,76 litres Poids 97
de 3% Kilogrammes

Richesse en Sucre du Jus de Diffusion (par hectolitre) 12%


Sucre entré en fabrication par le Jus de Diffusion 12 x 70.684 = 848.208 kilogrammes soit – 11,01 % de canne
Sucre turbine en magasin: 614.838 kilogrammes
Desquels il y a lieu de deduire:
1º Sucre provenant des mélasses de Demerara: Rendiment x poids
7 x 103.818 = 17650 47.838
2º Sucre provenant de la refonte 0,90 x 33542 = ——————- 30.188
Reste Sucre turbiné provenant de la Canne 567.000 –– 567.000 soit 7.36

127 Toda a informação desta folha, ressalvando uma excepção adiante assinalada, não saiu do punho de João Higino Ferraz.

91
Melasse Cuite Ou a coulé 54 Cuites de 27 Hectolitres à 148 de densité. Par consequent le Poides de
II Jet la Melasse Cuite est de 27 x 54 x 148 = 215.784.
Ces Melasses Cuites contenaient à l’analyse 45.57 de Sucre (Clerget
Cette evaluation
n’est Poids total de sucre contenu dans les Melasses Cuites II Jet 45.57 x 215.784 = 98.338 soit 128
q’approximative
em assucar = 31.750 128
608
Poids total de Mélasse sortie de la Fabrique 239.704 kilogrammes
Mélasse Dont la Richesse moyenne était (clerget) 43.45
Sucre total contenu dans ces egouts 43.45 x 2397.04 = 104.150
Duquel il faut dediure le sucre provenant des Melasses de Demerara soit 27.900
Reste comme Sucre provenant de la Canne 76.900 76.900 soit 100
Egouts en Il y a actuellement dans les diffusores[?] baes 118.58 Hectolitres Egouts de 144 de densité Soit en Poids
Cours 17.064 kilogrammes dont l’analyse moyenne a eté de Sucre Clerget 47,90 //
Par conséquent le Poids total de Sucre est de 47.90 x 17.064 = 8175
[77] Egouts en
129
Desquels il y a lieu de dediure
Cours (suilé) Sucre provenant de Sucre refondu soit 1852
Reste Sucre provenant de la canne 6323 soit 0.09
130
Ganhos e Perdas de Fabricação – Resultado Geral
Assucar total na canna (garapa 80 litros % kilogramas canna)
será % kilogramas canna 11,41 kilogramas assucar 879.311 kilogramas
Pertes Assucar entrado em fabricação pelo jus de diffusão 848.208 kilogramas
Perda na diffusão 31.103
Será % kilogramas canna 0,403 kilograma assucar
Perdas em assucar alem da diffusão – Assucar total entrado em fabricação = 848208 kilogramas
Assucar puro turbinado 1er e 2er jet = 592155
Assucar no melaço (puro) Total = 202266 794421
Perda de Fabricação = 53787
será % kilogramas canna 0,698 kilogramas assucar
Compte du Sucre transformé en Glucose (ce compte est sommaires, pour être exait il faut que le turbinage des Melasses
Cuites II Jet soit terminé)
Glucose entré en fabrication par le jus de diffusion 70.684 x 0.79 = 55.840
Glucose contenu dans les Sucres turbinés (envions[?] 0.10%)
soit 567.000 x 0.10 = 5.670
Glucose dans les Melasses Cuites II Jet 215.784 x 20.87 = 45.034
Glucose dans les Melasses de l’Usine 23.838
Glucose dans les Egouts en Cours 9.26 x 1.7064 1.590
Poids total de Glucose sorti 76.132
Poids du Glucose entré (Jus de Diffusion 55.840
Il s’est done formé pendant la fabrication 20.292 kilogrammes
de glucose ce qui represent 19.277 kilogrammes de saccharose soit % kilogrammes de cannes 0,25 //

128 Informação escrita a lápis por João H. Ferraz.


129 A maior parte dos registos desta página, escritos em língua francesa, não foram escritos por João H. Ferraz.
130 Informação em português registada por João H. Ferraz.

92
[78] Rendimento da Fabrica do Torreão nos differentes annos

Anno 1900 1901 1902 1903 1904 1905 1906 1907 1908 1909 1910 1911 Observações
Systema de Antigo Manoury Manoury Naudet 8 diffusores 8 diffusores Diffusão 4 Dito dito 12 diffu- Dito Dito Duas bate- 2 baterias de No anno de 1906 montou-se
131
sores Dito Sulfitação e rias de 6 8 diffusores
trabalho Naudet 4 8 diffusores melaxeurs Reentrado mais 2 melaxeurs abertos de
Fabrica au- filtração diffusores e Kestner sulfi-
diffusores 2 novos Petit eaux gmentada dos égoûts Kestner tação alcalina 100 Hectolitros cada um
assucar % 15 14,9 14,76 15,03 14,42 14,27 14,71 16,22 15,38 15,99 17,44 16,69 No anno de 1908 a Fabrica
na garapa foi montada para fazer 300
toneladas canna
em 24 horas. Trabalhou-se
Pureza –– –– 80,51 80,95 80,64 79,93 80,03 80,95 80,77 80,08 80,83 81,14 cana bastante estragada.
assucar 1er 4,938 5,631 6,770 6,630 5,885 7,360 8.55 8.695 8,312 8,730 9,734 7,982 Polarisação do assucar 99,3%
jet % kilogramas kilogramas kilogramas kilogramas kilogramas kilogramas kilogramas kilogramas kilogramas kilogramas kilogramas kilogramas
assucar 2er 1,852 1,499 0,413 0,960 1,045 0,411 0,200 0,050 0,118 0,102 0,023 0,250 dito dito 92%
jet %
assucar 3er 0,326 0,504 ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- ---- Em 1910 não se fez a reentra-
jet % 7,116 7,634 7,183 7,590 6,930 7,771 8,750 8,745 8,430 8,832 9,757 8,232 da dos petits eaux
assucar no O calculo do assucar no melaço
melaço 1,373 1,375 2,472 2,640 3,108 2,626 2,033 3,112 2,811 2,836 2,705 3,256 é pelo rendimento em alcool
assucar Coefficiente de garapa %
total 8,489 9,009 9,655 10,230 10,038 10,397 10,783 11,857 11,241 11,668 12,462 11,488 0,80
kilogramas Em 1906 fez-se da Melasse Cui-
melaço % 3,374 3,369 5,329 6,040 6,404 5,878 4.641 6.831 6.082 6,002 5,280 6,512 te dos Melaxeurs assucar BT
Nome do Ferraz Ferraz Buisson 132 Buisson Lebugle Bochet 133 Bochet Milan E. Gaulet A. Dubaele Em 1910 com o trabalho em
E. Gaulet E. Gaulet
despedido morto Marlier Schak duas baterias de diffusão de 6
chimico e Asguire Frederique morto P. Hénot134 P. Henot Marlier e deffusores cada a perda %
Michou Wenachter Henot
cosedor Asguire morto Michou Michou despedido morto N. Venachter Fulon Fulon Marliere135 despensado de cuiseur cana foi de 1,216 assucar
Analyse do
melaço Polarisação directa
O melaço de 1902 foi quasi
saccarose % 38,3 38 38,8 31,77 33,79 24,3 28.02 36,40 37,73 37,82 37,26 35,18
todo de 1er jet
Glucose % 15,48 16 13,13 15,16 15,2 21,8 18.59 11,57 14,89 14,72 20,00 21,00
rendimento 53,78 54 51,93 46,93 48,99 46,1 46,61 47,97 52,62 52,54 57,26 56,18 Feito um gallão d’alcool a
em alcool 100 á 15 temperatura = 3,65
do melaço% 6,66 6,92 7,72 7,16 7,52 7,21 7,2 7,49 7,6 7,75 8,10 8,45 litros

Notas: – O calculo do assucar total no melaço é feito pelo rendimento em alcool contando que 100 kilogramas d’assucar puro dá na pratica 60 litros d’alcool a 100º a 15 temperatura
Nos annos de 1900 e 1901 o rendimento do bagaço e lavagens em alcool transformado em assucar puro ao rendimento de 60% deu 1,539 kilogramas d’assucar puro por 100 kilogramas de canna.
131 León Naudet.
132 Maxim Buisson.
133 Henri Bochet.
134 Paul Henôt.

93
135 Joseph Marliere.
[79] 1905 Agosto 21 ––
Segundo os dados apresentados por Benchimol, gerente das rocas[sic] de Sousa Lara em Benguella elles tiram na sua
Fabrica de aguardente de canna o seguinte:
40.000 kilogramas de canna com 8º Baumé tiram por preção simples 20.000 litros de garapa = Extração 50%
Estes 20000 litros de garapa em 8º Baumé rende em aguardente de 22º Cartier 2300 litros. = 1783 litros em 28º que é egual a
gallões de 3,65 = 488 1/2 gallões [.] Rendimento por 20 litros de garapa 4,885 quartilhos ou por 30 kilogramas da canna 3,66 quartilhos.
Systema Manoury – Sucre et melasse
Capacidade dos apparelhos de cristalisação (caldeiras de vacuo) melaxeurs no vacuo e melaxeurs simples. por tonelada de
canna: Pela deffusão:
Caldeira de vacuo 1ar[sic] jet –– Um Hectolitro
Melaxeurs no vacuo

“ “
–– 0,75
Melaxeurs simples 4; sendo 2 de 0,67 Hectolitros
“ 2 de 0,95
} Aproximadamente por
tonelada de canna

Os melaxeurs simples devem ser com arrefecimento rapido, isto é, com fundo falso, para agua ou vapor.
Triple effet deve ter a capacidade de evaporação de 220 metros quadrados a 250 metros quadrados para 150 toneladas de canna,
isto é, 1,5 metros quadrados a 1,65 metros quadrados por tonelada de canna em 24 horas (Para calculo do triple, meio incrustado)
Diffusores 10 – Capacidade de cada diffusor por tonelada de canna em 24 horas 0,12,5 Hectolitro com 3 rechaufeurs de 20
metros quadrados de superfice de aquecimento , trabalhando dois e um em limpeza
Caldeiras de vapor: – Para as caldeiras de vapor com fornos de bagaço verde de Babcock a capacidade de evaporação deve
ser 210 a 219 metros quadrados por cada 100 toneladas de canna trabalhada em 24 horas, isto é, 2,1 metros quadrados a 2,2
metros quadrados por tonelada (A da Fabrica do Torreão tem 302 metros quadrados de superfice de aquecimento) //

[80] Outubro de 1905[.] Refinação d’assucar


Fez-se a refinação d’assucar bruto de Barbados e assucar bruto da Africa Portugueza pela seguinte forma:
Desfez-se o assucar com agua a 30º Baumé quente e juntou-se 1/2 caneco 10 litros de Baryte desolvido a 10%:
Aqueceu-se a 80º centigrados e filtrou-se nos filtros mechanicos sendo a filtração boa e facil o assucar produzido deu branco bom.
As analyses mostrarãom[sic] o seguinte:
Assucar de Barbados saccarose –.......................................96,1%
Glucose ..............................................0,94%
Assucar de’Africa saccarose –.......................................96,2%
Glucose – ....................................... 0,94%
Masse Cuite 1er jet – saccarose ..........................................87,15%
Pureza .............................................94,8
Glucose ............................................1,21%
Coefficiente Glucosico – ................. 1,38
Xarope com assucar d’Africa –saccarose................................55,19%
Pureza .............................................96,4
Glucose .............................................0,52%
Coefficiente Glucosico –.............. 0,94
Egoût pauvre do 1er jet saccarose .........................................64,5%
Pureza .............................................86,7
Glucose .............................................3,04%
Coefficiente Glucosico .................... 4,7
Fiz depois a refinação do assucar de 2º jet tirado na fabrica do melaço de Barbados pela seguinte forma:
Empreguei os mesmos processos como acima, mas deitando-lhe 1 caneco (20 litros) de Baryte.
Aquecio tambem a 80º e filtrou-se; mas a filtração era dificil e o cosimento não se fez tambem como no primeiro. O assucar
produzido era pouco brilhante ainda que branco não muito claro. segue //

94
[81] As analyses mostraram o seguinte:
Assucar 2º jet de Barbados saccarose ..............................92%
glucose ...................................2,39%
Masse Cuite 1er jet saccarose ..............................83,86%
Pureza ...................................92,3
Glucose ...................................2,76%
Coefficiente Glucosico ..........3,2
Xarope saccarose ..............................51,42%
Pureza ...................................92
Glucose ..................................0,98%
Coefficiente Glucosico ..........1,9
Masse Cuite 2er jet no Melaxeur - saccarose - ..............................83,86%
Pureza ...................................90
Glucose ..................................3,85%
Coefficiente Glucosico ..........4,6
Egout pauvre do 2º jet M saccarose ...............................60,38
Pureza ...................................81
Glucose ..................................5,51%
Coefficiente Glucosico ..........4,1
Extracção do assucar do melaço de Barbados, fazendo um pé de cuite d’assucar bruto de Demerara na caldeira Franceza e
passando uma parte (31 Hectolitros de masse cuite) ao melaxeur fermée no vaco, e deixando na Franceza 28 Hectolitros, e
alimentando as duas com melaço de Barbados desfeito a 32º Baumé e aquecido. Os égoûts riches da turbinagem entra
novamente no melaxeur no vacuo.
Resultados obtidos:
O assucar produzido era do typo B2 da fabrica isto é abaixo do typo 20 da escalla Holandeza.
Os rendimentos por cosimento foi de:
Na Franceza 3400 kilogramas assucar com 60 Hectolitros Masse Cuite = 56 1/2 kilogramas Hectolitro Masse Cuite
No Melaxeur 4600 kilogramas assucar com 70 Hectolitros Masse Cuite = 65,7 kilogramas Hectolitro Masse Cuite //

[82] – Malaxeurs refroidisseurs – 26-4-1910


Os Malaxeurs para fazerem um bom trabalho devem remoer bem a Masse Cuite. Os melhores malaxeurs são os Ragot da
capacidade maxima de 250 Hectolitros. Os malaxeurs ordinarios não devem ser nunca de uma capacidade superior a 150 Hectolitros
e os braços que removem a Melasse Cuite devem ser construhidas de forma a bem mexer a Massa em todo o centido. //

[pp. 83 a 88: informação sobre vinhos publicada em volume separado]

[89] Refinagem do assucar bruto Da Sucrerie Indigéne et Colonial Nº 17 – outubro 24 – 1905


Methodo de apuração do assucar bruto por percipitação: –– A apuração do assucar bruto Nº 3 (20º da escalla Holandeza),
por este methodo, consiste em submetter ao derretimento, este assucar em um mexidor e a levar rapidamente a densidades muito
fortes, elevando gradualmente a temperatura á medida gradual do derretimento; ate temperaturas elevadas variando entre 115º
a 120º centigrados, e a percipitar o assucar fazendo correr a massa em um melaxeur do genero Regot ou outro com
arrefecimento a agua. Desde que o apparelho está em marcha, abre-se a torneira da agua fria, de maneira a abaixar a temperatura
ao ponto mais baixo, para obter o maximo de assucar percipitado; quando o rendimento tem atingido 90% do pezo de assucar,
pára-se a entrada da agua fria, e mantem-se a malaxagem durante algum tempo entre 50º a 60º centigrados.
Turbina-se a massa cristalisada. O assucar é claircé por uma pulvorisação d’agua fria emquanto que o melaço é enviado á
destilleria depois do epuisemente feito como o ordinario. – Para esperiencia = [Ass:] João Higino Ferraz Aplicação
Aplicando este processo aos melaços cuja pureza não seja inferior a 70 cosendo os melaços até ao ponto de filet deitando
depois no melaxeur e arrefecendo a massa gradualmente. //
137 CASTILHO, Luis Alves de, ?-1898. A fabricação do assucar de canna: notas e formulas para uso dos fabricantes de assucar, refinadores e distilladores,
precedidas de uma ligeira noticia sobre experiencias culturaes na Luizianna, Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1893

95
[90] Material para um pequeno laboratorio de analyses em uma fabrica de assucar de canna. Do livro de Castilho137.
(Brazilleiro) Vidros communs
12 copos de precipitação com bico, sortidos
24 cylindros de ensaio de glucose
12 Funis para feltração
3 Ditos meiores
24 provetes (12 pequenos e 12 grandes)
12 Balões não graduados, sortidos
3 garrafas de Wolf, de 2 orificios
3 Ditos de Erlenmeyr sortidos
48 vidros para amostras
1 Kilograma de bastões de vidro
1 Kilograma de tubos sortidos.
Pipetas
Vidros graduados
12 Cylindros de ensaio, graduados, sortidos.
16 <Balões> graduados / sendos, 4 de 1000 centimetros cubicos, 4 de 500 centimetros cubicos, 8 de 200 centimetros
cubicos a 220 centimetros cubicos
6 Ditos dito marcados 100 a 110 centimetros cubicos
6 pipetas graduadas, sortidas
12 Buretas dito dito
Objectos de porcellana
12 capsulas sortidas
6 cadinhos
2 gráes com pistillos
3 capsulas de platina, 1 capsula de nikel para Melasse Cuite Pellet
Apparelhos
1 polarimetro Laurent, semi-sombra, trabalhando com luz ordinaria (de petrolio) com tubos e todos os accessorios
1 balança de precisão, sensivel a 0,001 grama e colleção de pesos
1 Dito para pezar até 5 kilogramas sensivel a 0,1 grama ditos
2 apparelhos analysadores de Scheibler (bagacos[sic]) para contar até 30 gramas materia
1 Banho-maria de cobre
1 forno de muflas
1 Estufa com thermometro
1 apparelho Salleron, modelo grande (2 litros ou 1 litro)
6 densimetros – 6 Baumés – 3 thermometros centigrados 2 lampadas a alcool
segue //

[91] Conferencia sobre os differentes estudos technicos feitos em 1904 Por Monsieur Saillard138.
Tradução (Extrahido da Sucrerie Indigene Nº 9 – 29 agosto 1905) [Ass:] Ferraz Trabalho dos bas-produits.
Vamos continuar a seguir o trabalho dos bas-produits e, em geral, o trabalho das masses cuites de todos os jets em trez
Fabricas, onde duas chegão ao melaço em dois jets, e da Marle e a de Beauchamps, e na terceira, a de Nassandres, faz trez jets.
A Marle, o trabalho foi o mesmo que no ultimo anno; mas melhoraram certos pontos do detache.
Augmentaram o poder refrigerante dos melaxeurs de 1er jet, o que permitio obter um égout pauvre de primeiro jet mais
épuisé. Têem tambem, durante a malaxagem das masses cuites em grão de 2em jet, introduzido melaço diluido a differentes
alturas dos bacs verticaes.
A marcha do trabalho, para os 2em jets, foram sensivelmente a seguinte: resulta das analyses que fizemos ao Laboratorio
syndical sobre as amostras retiradas da fabrica.

138 Conférences sur la sucrerie, par M. Émile Saillard,... Saint-Quentin : Impr. du Guetteur de l’Aisne, 1927.

96
Pureza real salinos
Masse cuite na coccasiao[sic] da descarga ............–– 72,2.............–– 7,1
Dito dito dito na turbinagem .............–– 73,6.............–– 7,6
Egout-mére Dito da descarga...................–– 71,7........... –– 6,95
Dito dito na turbinagem.............–– 60,7.............–– 4,2
Melaço ...................................................................–– 61,2.............–– 4,4
Assucar de 2º jet 2,55 % de cinzas
Na descarga, o coefficiente de sursaturação[sic] era de 1,14; e foi de 1,04 no momento de turbinar.
O contiudo em cinzas dos assucares de 2ar jet diminuiram e os assucares de 1ar jet continuaram a ser de bella qualidade, e
a ser vendidos com premio.
Na fabrica de Beauchamps, o trabalho de 2em jet foi sensivelmente conduzido da mesma maneira; mas a fabrica possoe[sic]
mais apparelhos de coser, e o trabalho do 2er jet é // [92] n’esse caso facilitado.
A fabrica possoe, com effeito, de:
0,58 Hectolitros de capacidade de cuite por tonelada de beterraba
0,65 Hectolitros de melaxeurs simples dito
0,65 Hectolitros ditos Regots e Tourneur dito
A marcha do trabalho é a seguinte:
Pureza real salinos
Egout pauvre de 1er jet ———————————— –– 74,2 –– 6,70
Melaços —————————————————— –– 62,1 –– 4,13
assucares de 2º jet —————————————————————–– 55,3 cinzas 1,73%.
A turbinagem não apresenta nenhuma defficuldade //
[93]139 Appareils, instruments et réactifs les plus nécessaires pour un laboratoire de Sucrerie de cannes.
1 Moulin à cannes ou mieux 1 presse et 1 râpe à disque de Pellet.
1 Appareil Zamaron140 e ballons Zamaron
Verrerie ordinaire ––
12 eprouvettes ordinaires de 500 centimètres cubiques
6 –––––––– dito ––– de 300 centimètres
2 Mortiers en verre avec leurs pilons
3 Ballons en verre ordinaires de 2 litres
2 dito dito de 1 litre
2 dito dito de 500 centimètres cubiques
12 verres à expérience de 187 centimètres cubiques
12 entonnoirs de 100 centimètres
6 Vases à proprietés[?] de 200 centimètres141
6 Vases d’Erlenmeyer de 200 centimètres
3 Pissettes montés dont 2 pour l’eau chaude
2 Kilogrammes tubes de verre assortis
1 Kilograma baguettes de verre assorties
Verrerie graduée –
1 Epouvette graduée de 1000 centimètres
2 Ballons jaugés de 1000 centimètres cubiques
6 dito dito de 500 centimètres cubiques
3 dito dito de 250 centimètres
8 dito dito de 200-220 centimètres
12 dito dito de 100-110 centimètres
139 As páginas 93 até à 100 não fazem parte, em termos físicos, do livro. Constituem um conjunto de folhas, mais pequenas (26,9 cm x 21 cm) que as páginas
do presente volume, anexadas, isto é, coladas à margem interior da página 92. A caligrafia, salvo raras excepções, não é a de João Higino Ferraz; as
páginas 99 e 100 não são manuscritas, mas sim dactilografadas; e a língua usada em todas é o francês.
140 Sébastian Félicien Zamaron [1858/—], professor e engenheiro agrónomo.
141 Nota na margem interior da página: «24 tubes à glucose».

97
6 dito dito de 50-55 centimètres
3 dito dito de 100 centimètres
3 dito dito de 50 centimètres //
[94] Verrerie graduée (Suite)
2 Pipettes à 2 traits de 100 centimètres cubiques
2 dito de 50 centimètres cubiques
2 dito de 25
2 dito de 20
3 dito de 10
3 dito de 5
3 Burettes de Mohr de 35 centimètres divisés par 1/10 centimètre de centimètres cubiques
1 Burettes de Mohr à robinet de 35 centimètres densee par 1/10 centimètre de centimètres cubiques
3 Flacons-burettes Gallois
2 Burettes hydrotunétriques
2 Flacons hydrotunétriques
Densimetres, dréomètres e Thermomètre
1 trousse alcométrique
3 Densimétres 0-3
3 dito 3-6
3 dito 6-9
3 dito 8-11
3 Pese-Sirops 15-30 Baumé
2 Aréom ètres Baumé de 0 à 10º pour fermentations
2 dito dito de 30 à 40º por 1/10eme de degre
6 Thermomètres eprouvettes
6 Thermomètres de –10 à +130 gradées sur tige
1 Thermomètre por 1/5em de degré de +10 à +30 gradee sur tige //
[95] –– Porcelaines ––
1 Mortier en agate avec son pilon
Capsules rondes à bee et à fond rond:
1 de 200 millimètres de diamètre
2 de 100 millimètres de diamètre
2 de 80 millimètres de diamètre
Capsules rondes à bee à fond plat
1 de 200 millimètres de diamètre
2 de 100 millimètres de diamètre
2 de 80 millimètres de diamètre
6 de 60 millimètres de diamètre de forme trés plate
1 capsul à nikel pour Melasse Cuite (Pellet)
Appareils de chauffage
4 Lamps à alcool en verre, moyen modêle
3 Bees “Berthel” ou autres
3 Rechauds[?] à alcool
1 Etune Wésneg et son appareil de chauffage à alcool
1 Mouffle à incinerations chauffé à l’alcool
1 Bain-Marie
1 Bain de Sable
1 Apparelhe Aubin
Divers
Assortiment complet de bouchons de caoutchouc à 1, 2 et de trois

98
2 kilos de bouchons de liège assortis //
[96] 12 mètres tuyaux caoutchouc rouge de 6 millimètres
6 metres dito gris dito
10 mètres tuyaux caoutchouc rouge de 12 millimètres
5 Poires caoutchouc
12 Pinces de Mohr
4 Supports pour burettes de Mohr
6 Pinces à machoins pour burettes de Mohr
1 Support de tubes à essais
1 Capsule sauhaumétrique en nickel pur contenant 60 grammes[?]
1 dito dito en nickel contenant 120 grammes[?]
8 Capsules en tôle emaillée pour echantillons
30 Paquets de filtres “Laurent”
1 Main de papier à filtre ordinaire
1 dito dito de papier Berzélius
2 Capsules en Platine pour minerations
Instruments de Precison
1 Balance de précision au 1/2 milligramme avec chaine système Serun[?], construction Démichel avec ses poids et ses
accessoirs
1 trébuchet saccharimétrique de 100 gramme aves ses poids
1 Balance Roberral de 5 kilogrammes avec ses poids
1 Saccharimètre Laurent à lumiere blanche grand modèle avec sa lamp
6 tubes de 200 millimètres 1 quartz
2uves de 500 millimètres
3 tubes à uversin[?] de 200 millimètres //
[97] Produits Chimiques.
4 kilogrammes acide sulfurique pur
4 dito acide chlorhydrique pur
2 dito acide azotique pur
3 dito acide acétique
0,500 dito acide oxalique chimiquement pur
1 kilogramme acide citrique
1 kilogramme acide tartrique
3 kilogrammes Potasse caustique pure
5 dito Soude caustique pure
2 dito chaux du Marbre
1 dito Baryte cristallisée
1 dito Magnésie calcinée
3 dito Sulfate de Soude
1 dito chlorydrate d’ammoniaque
1 dito Oxalate d’Ammonique
5 dito Sel de Signette
3 dito Sulfate de Cuine pur
8 dito Acétate neutre de Plomb
2 dito Sous-acétate de Plomb cristallise
0,5 dito chlorure de Baryum
1 kilogramme Carbonate de Sodium pur et anhydre
1 dito Carbonate de Soude ordinaire
1 kilogramme Permanganate de potasse
0,500 Bichlorure de Mercure //

99
[98]142

[99] VISCOSIMETRE D’ENGLER


Cette appareil se compose de deux récipients métalliques M placés l’un dans l’autre. Le premier este le réservoir à huile et
le second est le réservoir pour bain d’eau.
Le réservoir intérieur se ferme par un couvercle D, traversé par le thermomètre T qu’il maintient et qui sert à mesurer la
température de l’huile. Le thermomètre pour le bain d’eau est adapté à l’enveloppe par une pince avec douille. Le récipient
intérieur est fixé dans l’autre au moyen de trois supports latéraux. Un autre élément intervient encore, le petit tube à évacuation
e qui est fermé par la tige V émergeant en haut à travers le couvercle qui lui sert de support.
Dans le récipient intérieur sont placées 3 marques à égale distance du fond; d’une part pour mesurer l’échantillon d’huile,
d’autre part, pour seassurer exactement si l’appareil est placé dans la position horizontale. Rempli jusqu’aux 3 marques (3
pointes) le récipient è l’huile doit contenir exactement 240 centimètres cubiques [.] Un trépied sert de support à l’appareil, au
dessous duquel est placé pendant le service un ballon jaugé K portant au col deux marques correspondant à 200-240 centimètres
cubiques, et qui est posé exactement sous le milieu du tube d’evacuation e.
Afin de vérifier l’appareil, on détermine en secondes le temps que mettent 200 centimètres cubiques d’eau à 20º Centigrades
pour s’écouler du récipient intérieur rempli jusqu’aux marques de niveaux. Dans ce but, on rince d’abord ce récipient avec un
peu d’éther, ensuite avec de l’alcool et finalement avec de l’eau, en même temps qu’on nettoie le tube d’evacuation au moyen
d’une plume et d’un petit bouchon en papier et qu’on pose la tige faisant office de soupape.
Ensuite, on mêt dans le ballon jaugé exactement 240 centimètres cubiques d’eau que l’on verse dans le récipient qui doit
s’emplir ainsi exactement jusqu’aux aux pointes indicatrices de niveau,
L’eau doit être à 20º de température. (Le ballon (qu’on ne doit pas sécher, mais que l’on doit seulement débarasser de la
masse principale de l’eau qui y adhère à l’interieur, ce qu’on obtient en la laissant s’égoutter environ pendant une minute) //
[100] est placé sous le tube d’evacuation. On tire la tige soupape et on observe exactement en secondes le temps qui est
nécéssaire pour que le ballon s’emplisse jusqu’à la marque inférieure de 200 centimètres cubiques [.] Avant de laisser s’écouler
le liquide c’est à dire avant de soulever la tige soupape, il convient d’avoir soin de lui donner le temps nécéssaire pour se mettre
complètement en repos, il ne doit surtout plus être en rotation par suite de l’agitation qu’on lui a imprimée précédemment au
moyen du thermomètre. Quand l’appareil est ajusté exactement, le temps de l’écoulement atteind de 51 à 52 seconds. Le temps
exact doit être determiné par la moyenne d’au moins 3 épreuves dont les résultats ne s’écartent pas plus d’une demi seconde et
ce temps sera pris par unité.
Il faut que l’on fasse ces déterminations très exactement dans un local dont la température est voisine de 20º Centigrades.
Quando on vérifie les huiles, il faut avor le plus grand soin d’éliminer de l’appareil toute humidité, ce qu’on obtient en le
séchant et en le rinçant à différentes reprises avec de l’alcool, de l’éther et du pétrole. Ensuite, on rince l’appareil encore une
fois avec l’huile qu’il s’agit d’essayer. Après cela, on l’emplit jusqu’aux marques de niveau, d’huile que l’on maintient tout en
la remuant, à 20º Centigrades au moins, pendant trois minutes.
Enfin, on détermine en secondes le temps nécéssaire à son écoulement en procédant tout à fait comme avec l’eau.
Le chiffre ainsi obtenu par exemple 130 secondes, divisé par le temps mis à l’ecoulement de l’eau, donne le degré, dit de
viscosité:
130 : 52 = 2.50
Les huiles qui contiennent des corps étrangers en suspension doivent être soigneusement epurées (filtrées) avant leur essai.
S’il s’agit de déterminer la viscosité des huiles à des températures plus élevés soit 100 à 150º, on mettra bien entendu dans le
récipient extérieur de l’huile minérale lourde à la place de l’eau, et on chauffera au moyen de la couronne à gaz. //

[101] Apparelhos para um pequeno laboratório de um Fabrica [sic] de assucar de canna


Apparelhos deversos
1 mufla de platina
1 furador de relhas
1
/2 kilogramas de relhas de cortiça, sortida, 1ª qualidade
1
/2 dito dito de borracha dito com 1 e 2 furos
1 colher de osso
142 A página 98 não contém informação.

100
2 pinças de metal
2 etageres furados (supportes) para funis
2 supportes para buretas e 2 para tubos de ensaio
6 pinças para tubos de borracha
6 biqueiras para os ditos tubos
1 apparelho Auber
Diversas lampadas Barthel e outros fornos a petrolio
Reactivos –
3 Kilogramas de acetato de chumbo
2 “ de acido sulphurico (66º)
2 “ “ chlorhydrico
1 litro de tournesol (tintura)
1 “ de chlorureto de calcio
100 gramas de alpha-naphtol
2 Kilogramas de sulphato cobre puro
2 dito de Sal de Seignette
2 dito de soda Caustica pura
500 gramas de Carbonato de soda
500 ditos de potassa caustica
1
/2 Kilograma de de [sic] pedra-pomes, calcinada em grão
15 pacotes de filtros Laurent.
1 litro de tintura de Rhenol-phetalina //

[102] Fabricação dos jus assucarados Systema F. Dobler Traduzido da Sucrerie Indigene Bº 19 – 7 Novembro 1905 [Ass:]
Ferraz
A presente invenção consiste em utilisar as propriadades desinfectantes e antisepticas dos chloretos e hypochloretos
decolorantes, no tratamento das cossettes ou dos jus assucarados, nos apparelhos de deffusão e de assegurar assim a conservação
dos jus e das polpas exaustas. Pode-se utilisar para este effeito os chloretos e hypo-chloretos de cal no estado solido ou no estado
de lexiva ou de dissolução, ou ainda os hypochloretos de soda, de potassa etc. etc. (Agua de Javel, agua de Labarraque, etc.).
O chloreto de cal commercial pode ser junto tal qual na proporção de 100 a 1000 grammas ou mais por tonelada de
betterraba, ás cossettes introduzidas nos diffusores; mas emprega-se de preferencia no estado de lexiva ou de dissolução que se
introduz em um dos diffusores da bateria.
O chloreto de cal pode ser substituido por um chloreto ou hypo-chloreto alcalino. Graças a esta addição, toda a fermentação
anormal é suspendida, na bateria; os jus são mais puros e d’uma conservação facil; depois do aquecimento e carbonatados ficão
menos coloridos e mais puros do que os jus ordinarios; as cossetes exaustas conservam-se comestiveis para os animaes, e
conservam-se melhor que as polpas ordinarias.
Resumo:
Um processo de desinfecção e de antiseptisia das polpas e dos lequidos (jus) assucarados, basiado sobre a extracção dos jus
assucarados em presença de chloretos ou de hypochloretos decolorantes no estado solido ou no estado de lexiva ou de
dissolução, addicionados aos cossettes ou aos jus em courso de deffusão. (Brevet Nº 349,930) segue //
[103] Proposição: – Empregar este processo na garapa da canna de assucar depois da sulfitação e na occasião da meichagem
do diffusor, em dose determinada em estado de lexiva ou dissolução. [Ass:] Ferraz

Novo methodo de dosagem dos assucares reductores: Por M. D. Sidersky (Bulletin de outubro 1905 Nº4)
De todos os methodos de dosagem da glucoses [sic], o mais empregado em França é certamente o methodo volumetrico de
Violette, operando sobre um volume medido de licor Fehling que se reduz com o licor assucarado contido em uma bureta
graduada, e observando-se o fim da redução pela decoloração do liquido que subernada a percipitação do vermelho-vinhoso de
protoxydo de cobre. Todos os nossos collegas conhessem os inconvenientes de este methodo, o qual necessita bastantes
percauções e artificios variados para facilitar o deposito do percipitado cuprico.
Para evitar estes diversos inconvenientes, e para tornar a dosagem da glucose mais facil e mais segura, uma modificação de

101
este methodo acaba de ser proposto por Monsieur E. P. Lavalle. Crêmos render algum serviço aos nossos Collegas da
Associação, dando-lhes esta interessante communicação.
Este chimico observou que um excesso de potassa caustica dissolve quasi totalmente o protoxyco de cobre, <e> que a
solução conserva-se incolor quando todo o cobre está reduzido: Vede como elle opera: 5 ou 10 centimetros cubicos de licor de
Fehling, deitado em uma capsula de porcelana são addicionados de 30 centimetros cubicos de lexiva concentrada de potassa
caustica (1 por [?] KHO + 3 p. H2O) e 50 a 60 centimetros cubicos d’agua destillada. segue //
[104] Aqueçe-se, e desde o principio da ebulição, junta-se pouco a pouco a solução assucarada sahindo d’uma bureta
graduada, até ao momento onde uma gouta de este liquido assucarado faz desaparecer o derradeiro traço azul do licôr de
Fehling.
Por uma série de ensaios de contrôle com soluções de glucose de concentração variada, o autor constatou e axactidão[sic]
d’este methodo facil e rapido, o qual se recommenda não sô para o dosagem [sic] da glucose como tambem para os assucares
reductores em geral.
A forma de conhecer se os xaropes ou jus conteem saes de cal, é juntar-lhe uma solucção de oxalato d’amoniaco, que
formará um percipitado branco de saes de cal.
O Bichlorure de mercurio para a conservação das amostras é feito em alcool a 90º a 2/1000.
No emprego dos petit eaux na rehentrada no trabalho é o unico anticeptico que se deve empregar nas amostras.
1909 Limpeza do triple na Fabrica do Torreão
Superfice de evaporação = 460 metros quadrados
1ª caixa 819 tubos Duração de limpeza comprehendendo
2ª caixa 641 “
143
3ª caixa 400 “
} passagem a soda e acido e gretage
é de 15 horas prompto a trabalhar.
Fazendo na media por 24 horas 10450 almudes de 30 kilogramas, nas 15 horas será uma perda de trabalho de 6500 almudes,
ora fazendo uma limpeza todas as semanas (7 dias) será n’um mez 26000 almudes, em 3 mezes de fabricação 78000 almudes,
isto é, uma semana de perda por Fabricação.
Custo aproximado de uma limpeza:
Soda Caustica a <£> 10-10-300 kilogramas a 65 reis = ..........19500
acido 4 garrafões a 5000 reis ...................................................20000
15 homens a 400 reis ............................................................... 6000
Total 45500
Em 3 mezes ou 12 limpezas será 546$000 reis //

[105] Analyse do leite de cal tirado do livro Brazilleiro de Luiz de Castilho144


Toma-se 10 centimetros cubicos de leite de cal (cuja densidade tenha sido previamente determinada) em um copo de bico.
Diluem-se estes 10 centimetros cubicos de leite de cal juntando 30 a 40 centimetros cubicos de agua destillada.
Faz-se, á parte, uma solução de assucar refinado, 200 gramas em um litro de agua (ou 100 gramas em 500).
Deita-se uma porção qualquer desta solução de assucar em um balão de 250 centimetros cubicos, mas não completando o
volume.
Por meio de uma pipeta introduz-se o leite de cal diluido e vascoleja-se bem.
Espera-se a reacção por um quarto de hora, vascolejando diversas vezes. Ao fim deste espaço de tempo completa-se o
volume de 250 centimetros cubicos, vascoleja-se e filtra-se.
Tomam-se 25 centimetros cubicos d’este preparado e ensaia-se com um acido cujo titulo seja: 10 centimetros cubicos = 0,1
gramas de cal.
Esta operação executa-se pondo os 25 centimetros cubicos em uma capsula e tingindo-os com algumas gottas de tintura de
tournesol.
Com uma bureta de acido titulado vai-se introduzindo este gotta a gotta até a côr azul mude para vermelha.
Lê-se, então, na graduação da bureta o numero de centimetros cubicos de acido que se gastou.
Supponhamos que esta leitura dá 15 centimetros cubicos. Ora, se 10 centimetros cubicos de acido correspondem a 0,1 de
cal 15 centimetros cubicos correspondem a 0,15 gramas.

143 Nota na margem dianteira da página, disposta na vertical: «Em 1910 4ª caixa 387 tubos = 65 metros quadrados».
144 Ob.cit.

102
Mas, se em 25 centimetros cubicos temos 0,15 gramas de cal, nos 250 centimetros cubicos teremos 1,5 gramas.
Finalmente, como nos 250 centimetros cubicos temos 10 centimetros cubicos de leite de cal, segue-se que nestes 10
centimetros cubicos havia 1,5 grama de cal, ou 0,15 grama por centimetro cubico ou, emfim, 150,0 gramas por litro. //
[106] Solução de tournesol
Dissolvam-se 60 gramas de crystaes de tournesol em 600 gramas de agua quente.
Filtra-se a solução e juntam-se-lhe 200 centimetros cubicos de alcool fino (40º Cartier).
Guarde-se este preparado em frasco levemente fechado.
O uso d’este licor é, como se sabe, muito frequente na fabricação d’assucar, para a verificação da acidez ou alcalinidade do
[sic] caldos ou xaropes.
Solução de phenaphtalina
Em 500 volumes de alcool fino, a 40º Cartier, deita-se 1 volume de phenaphtalina.
Esta solução substitue o tournesol: em um liquido acido produz uma coloração amarella forte; em um liquido alcalino
produz côr de rosa.
(A phenaphtalina é amarello-clara.).
Licor de Iode para determinar a acidez exprimida em acido sulfurozo nas garapas ou xaropes sulfitados
1907 Nota dada por Monsieur Milan – Chimiste –
1ª solução – Licor de Iode: Peza-se exactamente 3,968 gramas de Iode bi-sublimé e dissolve-se em 1 litro de alcool puro a
97º (o mais forte possivel). Formula será 1 centimetro cubico = 0,10 SO2 por litros (em 10 centimetros cubicos de garapa)
2ª – Empois d’amidon: Trata-se a agua fervendo 10 gramas d’amidon para formar um litro de empois
Este empois pode servir sempre mesmo que tome mau cheiro; não altera a analyse.
Para proceder á analyse deita-se em um tubo de ensaio que se tem marcado 10 centimetros cubicos com um traço, 10
centimetros cubicos de garapa ou xarope a analysar; junta-se-lhe uma pequena quantidade de empois; deita-se no tubo tantos
centimetros cubicos de solução de Iode ate tomar uma côr roxa escura, agitando sempre o tubo. Feita a reação completa, le-se
os centimetros cubicos empregados //
[107] Acido normal
Em um balão com a capacidade de 2 litros introduzem-se 1000 centimetros cubicos de agua destillada e 200 centimetros
cubicos de acido sulfurico.
Esta mestura desenvolve calor, devendo-se, por isso, deixal’a em reposo para esfriar.
Para se saber se esta solução é perfeitamente normal deve-se titulal’a com uma solução de carbonato de soda ou de
ammoniaco que, por sua vez, deve ser tambem rigorosamente normal.
Verifica-se a soda-normal por meio do oxalico-normal, o qual prepara-se dissolvendo 63 gramas de acido-oxalico em um
litro de agua.
A soda-normal prepara-se dissolvendo 30,98 gramas de carbonato de soda em um litro de agua destillada (soda caustica).
Para se verificar a sua exactidão pelo oxalico-normal enchem-se duas buretas com os dois liquidos.
Deitam-se 10 centimetros cubicos (exactos), com a bureta de oxalico, em uma capsula, e tinge-se com algumas gottas de
licor de tournesol (o qual fica vermelho).
Sobre este preparado deixam-se sahir, da bureta de soda, tantas gottas quantas sejam precisas para que o liquido da capsula
mude, repentinamente, de vermelho para azul.
Se a solução de soda for normal, a boreta deve marcar tambem 10 centimetros cubicos de soda despendida.
No caso contrario é preciso tornal’a normal procedendo-se da seguinte forma:
Supponhamos que se gastaram somente 6,4 centimetros cubicos de soda para obter a mudança de côr. Para os 10 centimetros
cubicos que se deviam gastar faltam 3,6 centimetros cubicos; logo devem-se juntar 3,6 centimetros cubicos de agua destillada
a cada 6,4 centimetros cubicos da solução de soda, para que sejam exactamente 10 centimetros cubicos que determinem a
mudança de côr // [108] do tornesol na solução de oxalico-normal.
Obtida a soda-normal verifica-se o sulfurico-normal por methodo identico: enchem-se duas buretas, uma com soda-normal
e outra com a solução de acido sulphurico.
Deita-se na capsula 10 centimetros cubicos de soda-normal e tinge-se com tournesol, que fica com côr asul. Addiciona-se
então o acido sulphurico (solução acima) até que o liquido da capsula mude rapidamente para vermelho.
Se a leitura da bureta der 10 centimetros cubicos é que a solução de acido sulfurico é rigorosamente normal. No caso
contrario é preciso corrigil’a.

103
Supponhamos que a leitura da bureta deu apenas 8,6 centimetros cubicos faltando portanto 1,4 centimetros cubicos para os
10 centimetros cubicos. Logo, por cada 8,6 centimetros cubicos da solução de acido sulphurico devem-se juntar 1,4 centimetros
cubicos de agua destillada, para que a dita solução seja perfeitamente normal.
Finalmente, para ter-se a solução a 1 normal lilue-se-a[sic] em 10 vezes o seu volume de agua destillada.
10
Nota: As pessoas que estão bastante exercitadas trabalham bem com o acido a 1
10
e mesmo a 1 normal, mas os que não teem a verdadeira pratica devem trabalhar, de
100
preferencia com o proprio acido-normal, para bem apreciarem a troca de cores.
A seguinte tabella, mostra a relação centesimal de cal (CaO%) no caldo, xarope, etc., indicado pelo acido normal:
acido CaO Acido CaO
centimetros cubicos % centimetros cubicos %
1 ———————— 0,28 6 ———————- 1,68 Nota:
2 ———————— 0,56 7 ———————- 1,96 Fiz esta formula em 8 Dezembro
3 ———————— 0,84 8 ———————- 2,24 1906 mas não me deu certa.
4 ———————— 1,12 9 ———————- 2,52 [Ass:] Ferraz //
5 ———————— 1,40 10 ——————- 2,80

[109] Solução de a-naphotl


Dissolvam-se, a-naphtol 16 gramas, em alcool fino 40º Cartier 100 centimetros cubicos. Guarda-se se a solução em vidro
escuro e bem resguardado da luz.
Serve para exame das quantidades minimas de saccharose.
Para este fim procede-se da forma seguinte:
Em um provete deitam-se 10 gottas de solução de a-naphtol sobre este deitam-se 6 gottas de lequido que se pretende
examinar: finalmente junta-se, com extremo cuidado, 1 centimetro cubico de acido sulphurico concentrado, fazendo-se correr
o acido pela parede do vidro para não mesturar os liquidos que ahi se acham.
Se o liquido submettido a exame contiver saccharose formar-se-ha, na zona de contacto do acido com o a-naphtol, uma linha
escura ou roxa, segundo a meior ou menor dose do assucar que o liquido encerrar.
A forma melhor deve ser: 2 centimetros cubicos de acido sulphurico n’um pequeno tubo de ensaio, depois o liquido a
analysar algumas gotas e no final umas gotas do a-naphtol.
Maneira de conhecer os saes de cal (sel de cheau) nos xaropes e garapas;
Faz-se uma solucção de oxalato d’amoniaco que juntando ao liquido forma um percipitado branco de saes de cal.
O Bichroleto de mercurio para a conservação das amostras é feito em alcool a 90º a 2 por 1000 centimetros cubicos //

[110] Fabrica da Republica Argentina em Concption[sic] á Tucuman


Em 23 março de 1906 recebemos a visita de M. Charlos Roussel – Director Chimico, á Conception á Tucuman (Republica
Argentina), de uma fabrica de assucar de canna trabalhando 1000 toneladas!! de canna em 24 horas?? com perção dobrada e
um defibrador; systema de defecação sobre perção, sendo a garapa sulfitada á sahida dos moinhos n’um apparelho Quarez a
uma acidez de 0,6 gramas por litro. Garapa trabalhada acida
O trabalho dos cosimentos, é da forma ordinaria produzindo assucar de 1º, 2º e 3 jacto. Extração 71% litros garapa %
kilogramas canna
Segundo elle; a canna contem 12% de fibra, tendo n’esse caso 88% de garapa. A percentagem em assucar na garapa por 100
litros é de 14,5 e a glucose % 0,9.
O rendimento em assucar é respectivamente de:
1º jet ....................5,8 kilogramas a 6 kilogramas % de canna .....99% assucar = 5,75 assucar puro
2º “ .....................1,8 ........................................................“ .........92% “ = 1,65
3º “ .....................0,4......................................................... “ ........90% “ 0,36 7,76
Nos melaços ......1,05....................................................... “ ........3,5 kilogramas melaço 30% assucar .
9,05 Clerget

104
Total assucar puro extrahido 8,81 kilogramas %
Nota: Contendo a canna 88 kilogramas % de garapa á densidade de 1067 = 9,35 Baumé é egual a = 82,4 litros a 14,5%
assucar = 11,95% assucar + 0,74% glucose = 12,69 assucar total
Por conseguinte perda em assucar
No bagaço –2 kilogramas assucar %? Assucar extrahido 8,81 %

Perda de Fabricação 1,14 “


} Perda total
% assucar
3,14
% canna 11,95 //

[111] Companhia Uzina Consanção de Sinimbú Descripção do trabalho da Fabrica de assucar de canna de Sinimbû – Norte
do Brazil Director Monsieur[?] Williams Pelo chimico da mesma Monsieur Maurice Lauglet
Quantidade de canna trabalhada 15.397,8 toneladas por 64 dias, o que faz por 24 horas 240,59 toneladas
Fibra por % de canna 10,88
Pezo total da garapa extrahida por toda a fabricação 10.553810 kilogramas = 97766 Hectolitros com uma densidade media
de 1079.49
Extracão [sic] media % 10553810 = 68.54 kilogramas
15397810
Analyse media da garapa da canna:
Densidade .................................1079.49 = 11º Baumé
Assucar % centimetros cubicos .........................18.623
Dito % gramas .....................17.250
Pureza .........................................88.526
cinzas ............................................0.308
Quoficiente Salino ......................60.464
Glucose .........................................0.632
Acidez natural ...............................0.236
Perda nos moinhos
O esmagamento da canna é feito em dois pares de moinhos de 3 cylindros um a seguir ao outro, isto é, perção dobrada.
Quantidade de canna trabalhado – 15.397810 kilogramas
Dito de garapa extrahivel – 13.721.725 “
Dito dito extrahida – 10.553.810 “
assucar % centimetros cubicos = 18.623
“ % gramas = 17.25
Assucar extrahivel 13.721725 x 17,25 = 2367.001
Dito extrahido 10.553810 x 17,25 = 1820.532
Será differença ou perda 546.469
segue //
[112] ou % kilos de canna 546.469 = 3.548
15.3978
1º periodo de moagem 5.135.490 kilogramas canna – Rendimento –
Quantidade d’assucar trabalhado em 1er jet branco e 2º jet e 3º jet
Assucar produzido em 1er jet = 266.240 kilos será % canna 5.184
dito 2er jet = 124.640 “ “ “ 2.467
Dito 3er jet = 64.720 “ “ “ 1.281
Total 8.932

Mas como refundiram assucar de 3º jet para fazer branco de Demerára o rendimento real será em branco
1º jet – 5,1824
2º jet – 2,4670
3º jet – 0,9580
2º periodo de moagem 10,262320 kilogramas canna– Rendimento –

105
Assucar 1er jet demerara[sic] a 96% produzido 947.680 kilogramas ou % 9,234
Dito 3er jet “ “ “ 115.600 “ 1,126
Total 10,360
Analyse media da masse cuite e melaços Trabalhado em branco
Densidade – Assucar – Pureza – cinzas – Quoficiente – Glucose
Salino masse cuite
1er jet = 1508 – 81,30 – 86,69 – 1,527 – 53,12 – 5,719
2er jet = 1512 – 75,12 – 79,59 – 2,670 – 28,24 – 7,820
3 jet =
er
1491 – 57,43 – 62, 40 – 4,107 – 14,25 – 12,090
Trabalho em “demerára”[sic]
1er jet =1510 – 76,03 – 80,85 – 2,03 – 37,45 – 5,965
2er jet =1493 – 58,21 – 63,70 – 3,80 – 15,31 – 10,534
Melaços
1438 – 41,76 – 49,76 – 4,686 – 8,911 – 12,539
O volume da melasse cuite % de canna é pouco mais ou menos de 11,77 litros
segue //

[113] Melaço enviado á Destilleria


A quantidade de melaços para destillação foi pouco mais ou menos 2277 Hectolitros será % de canna 1,478 litros – A
densidade media d’este melaço é de 1440, o pezo total será 327,274 kilogramas será por % de canna 2,125 kilogramas.
A quantidade media de assucar % litros de melaço é de 60 kilogramas, por todo o melaço ou 227.700 litros nos temos um
pezo total em assucar de 136,620 kilos ou % de cannas 0,887
Calculo do rendimento e das perdas
Teremos:
assucar % Kilogramas de cannas 15,45
Rendimento medio total 9,750 kilogramas
Perda no bagaço (moinhos) 3,570
Dito no melaço Destillaria 0,887
14,207
A defferença será 15,45 – 14,207 = 1,243 kilogramas representando as perdas no trabalho e perdas desconhecidas.
28/3/906 //
[114] Esperiencia com o feltro a Asbestos (amianto) de Seitz para vinhos, xaropes e cervejas Theo Seitz – Asbestos Works
– Krenznach (Rhineland)Unicos agentes em Londres – Mr. Paul Rothbarth 45 Borough Kighstreet – London S. E.
Maio 9-1906
Fez-se a esperiencia com este feltro Modello Grande pertencente a Cossart Gordon & C.ª, com xarope de canna em 20º
Baumé, empregando um kilograma de asbestos Nº 2, mas apena[sic] poude filtrar umas duas pipas, tapando depois de tal forma
o filtro que não havia forma de filtrar. Vi que este filtro não é pratico, em fabricação de assucar de canna, pelo menos para
xarope ainda um pouco turvo. Para vinhos dá um resultado magnifico. [Ass:] Ferraz145
Esperiencia da força fermentativa do fermento puro do Instituto de fermentações de Berlin (Alemanha) Baça II, feito em 28
de maio 1906 abituado ao acido fluorydrico, fermentação em melaço da Fabrica e de Cuba:
Liquido de solucção assucarada:
Assucar puro de canna ..........100 gramas
Acido tartarico...........................1,5 “
Phosphato de potassa ................0,5
}
Sulfato d’amonia .......................0,5
Sulfato de magnesio ..................0,25 “


saes notritivos

Malto-Peptona ...........................1 “
Desfeito em um litro d’agua pura
Levou 50 centimetros cubicos de fermento do apparelho Barbet
145 Rubrica a lápis.

106
Principio da fermentação em 7 de Junho 1906 – terminou a 11 do dito
Pezagem para ver a perda em acido carbonico – pezo normal 1,606 kilogramas
1ª pezagem – 1,581 kilogramas – segunda pezagem 1,565 kilogramas
Acidez do vinho —— 2,15 gramas por litro – Densidade Baumé 0,25 – assucar cristalisavel não fermentado por litro 1,122
gramas – alcool por % Destillado 500 centimetros cubicos = 11,6 em 20 = 10,9 = 5,45 % a 15º temperatura
Ora como não foi transformado 1,122 gramas d’assucar daria se a transformação fosse completa 6,12% //

[115]146 Epuration des Eaux Residuaires de la Diffusion. Notas de Monsieur Henri Bochet – Chimiste
Cette épuration peut se daire très facilment soit au moyen du perchlorure de fer soit au moyen du sulfate de fer et de la chaux.
Le principe de la méthode est trés simple: il est basé sur ce fait que la chaux en réagissant sur le sel de fer produit un précipité
d’hydrate fenique extrèmement volumineux qui forme comme une laque entrâuraut dans sa precipitation la plus grande partie
des matières organiques. Ce précipité se forme trés rapidement et se faire separer facilment de liquide dans lequel il a ché formé.
L’application de ce procédé aux eaux du moulins de repression fermettrait de rentrer <sans mouvement> presque toutes ces eaux
à la diffusores et ou aurait l’avantage de gagnes la sucre qu’elles contennent.
L’installation purrait se faire très facilment et la quantité de réactifs à employer serait bien minime. Il suffisait de 10 à 15
grammes de Sulfate de fer en solution et de 1/2 à 3/4 de litre de lait de chaux a 20º Baumé pour épurer un hecolitre d’eau.

Abril 22 de 1906 –– Esperiencias de laboratorio ––


Fazendo a percipitação das materias organicas contidas nas aguas gastas dos diffusores (Molen de repression) vê-se que a
quantidade de percipitado representa um [sic] terça parte do liquido depois de decantado – Pratica a usar no processo:
Industrialmente:
Para tratar as aguas dos diffusores correspondente a 200 toneladas da canna em 24 horas, são necessarios 3 tanques com
uma capacidade de 35 a 40 Hectolitros, sendo um enchendo, um em percipitação e o outro em decantação e feltragem das borras
no filtros presses. O schema é o seguinte:

segue //

146 Página com informação proveniente de 2 autores. Os informes em língua francesa não pertencem a João Higino Ferraz, mas sim, como se constata, a
Henri Bochet, químico que exerceu funções na fábrica do Torreão.

107
[116] Considerações sobre o emprego das aguas de deffusão na rehentrada no trabalho.
As vatagens[sic] que podem addevir da rehentrada das aguas perdidas da diffusão são varias:
1º Quasi todo o assucar que era perdido nos moinhos de repreção do bagaço e nos petit eaux torna a entrar na diffusão é
n’esse caso aproveitado.
2º Estas aguas sendo apuradas pelo sulfato de ferro e cal tornam-se acepticas, livres de microbios diversos, e n’esse caso a
bateria conserva-se em estado puro influindo sobre o jus de diffusão.
3º Como o assucar não é perdido nas aguas dos moinhos de repreção, podemos soutirar de cada diffusor menos um ou 1 1/2
Hectolitros de jus puro, dando isso o resultado de augmentar a densidade do jus de diffusão e a sua pureza.
4º O triple terá um liquido mais denso a evaporar e em menor quantidade, tornando-se o trabalho mais rapido e xaropes mais
densos.
Teremos que empregar sempre um certa [sic] quantidade de agua pura para repor que se tira na soutiragem aos depositos de
medida:
Ex: Fazendo 200 toneladas de canna em 24 – serão 153 deffusores carregados à rasão de 1300 kilogramas de canna cada
um; tirando somente 12 1/2 Hectolitros de jus de diffusão, e como se mettem 9 Hectolitros de garapa ficará para a agua 4
Hectolitros pouco mais ou menos ou sejão 6120 Hectolitros em 24 horas
A quantidade de agua a menos a evaporar, tirando jus mais densos será: se tiravamos 14 Hectolitros por diffusor e se
passarmos a tirar somente 12 1/2 Hectolitros tiramos menos 1 1/2 Hectolitros em 1300 kilogramas canna o que será para as 200
toneladas 229 Hectolitros d’agua que teremos de evaporar a menos. //
[117] Laboração da Fabrica de Assucar no anno de 1906 – Relatorio –
Moagem da canna: A moagem da canna foi feita da mesma forma que em 1905, somente, devido ao vapor ser mais regular
que nos annos transactos a moagem foi mais regular e por isso a quantidade de canna moida por 24 horas foi um pouco mais,
regulando entre 60 a 62 diffusores por 12 horas com uma carga media de 1300 kilogramas de canna, ou sejam 156000
kilogramas a 160.000 kilogramas em 24 horas. A causa da regularidade do vapor foi devido a um esquentador d’ar colucado na
caldeira de queimar bagaço, cujo ar quente é que servia á combustão do dito bagaço (ar a 120º Centigrados)
A canna n’este anno foi de melhor qualidade, sendo o seu cueficiente em garapa meior do que no anno de 1905, regulando
talvez 83% em logar de 80% como no anno 1905. É minha opinião que a causa é a canna Yuba conter meior coefficiente de
garapa do que qualquer outra casta de canna, e como n’este anno tivemos 2/3 d’esta qualidade de canna é por isso que o
coeficiente de garapa augmentou.
Sulfitação da garapa: Apparelho Quarez: N’este anno o trabalho da sulfitação seguio a mesmo forma do anno transacto.
Diffusão do bagaço e defecação da garapa na bateria:
O processo usado no corrente anno foi perfeitamente o que manda Monsieur Naudet147 na sua explicação do processo feita
em 1904 e 1905, por carta. A quantidade de garapa por diffusor foi de 9 Hectolitros, mas depois da Semana Santa como a
quantidade de garapa na canna diminuiu e o bagaço aumentasse, metia-se sô 8 1/2 Hectolitros para evitar de fazer o tassement
do bagaço o que não dava bom // [118] resultado no epuissement. A extração media por diffusor foi de 99,57 litros por 100
kilogramas de canna, mas sendo o jus de diffusão n’esse caso menos denso, mas a pureza a mesmo do que no anno 1905. (Em
1905 – 12% assucar em 1906 – 11,43%)
Esta extração meior é na meior parte devido á canna conter mais garapa do que 1905. A quantidade de canna por diffusore
foi na media de 1309 kilogramas (em 1905 foi de 1340 kilogramas)
A quantidade de cal (leite) por diffusor foi um pouco menos que em 1905, mas a quantidade de baryte foi meior [.] Em todos
os depositos de medida levou Carbonato de Soda e o jus ficava legueiramente[sic] alcalino, mas esta legeira alcalinidade era
devido ao Carbonato de Soda.
A quantidade de Carbonato de Soda foi no principio de 0,500 kilogramas por diffusor, sendo depois diminuida a 0,400
kilogramas
A quantidade de leite de cal a 20º Baumé foi na media de 2 litros a 2,5 litros por diffusor.
O baryte empregou-se 6 litros a 10% por diffusor.
No corrente anno tivemos dois sulfitadores antigos para fazer a percipitação dos carbonatos alcalinos, tendo um em trabalho,
e o outro sempre limpo, para fazer-se a modança quando a ebulição se não fazia bem: Montei um thermometro registrador á
sahida do jus para os feltros de forma a ver se o trabalho hia regular. O resto do trabalho foi feito da mesma forma que em 1905.

147 León Naudet.

108
Triple-effet: – O trabalho do triple, foi muito bom, sendo sempre limpo de 8 em 8 a 10 em 10 dias. A prova está na
quantidade de garapa (jus de deffusão) evaporada por 24 horas ser meior em 240 Hectolitros do que no anno 1905, e em uma
densidade um pouco inferior.
Neste anno montou-se uma bomba para a extração do xaropes do triple-effet que deu magnifico resultado fazendo com que
a evaporação fosse sempre regular visto não haver introdução d’ar na columna barometrica como nos transactos quando se //
[119] formava o vacuo no monte-jus do xarope.
O vapor exausto conservava tambem uma perção mais regular entre 0,5 kilogramas a 0,6 kilogramas, o que dava causa a
uma ebulição constante na primeira caixa do triple. Todas estas regularidades dava causa a um trabalho rapido do triple effet e
que devia influir muitissimo na qualidade do xarope.
Xaropes: – O tratamento do xarope foi o mesmo do de 1905, simplesmente o aquecimento foi sempre regular de 80º
Centigrados, por isso que tinhamos uma serpentina de vapor sempre limpa e trompta[sic] a ser modada. Não empregamos n’este
anno o vapor do triple da primeira caixa no aquecimento dos xaropes, por isso que todo o vapor era absorvido pelas outras
caixas do triple.
Cosimento de 1er jet: Tivemos este anno um novo cuiseur cujo trabalho foi regular, contudo o grão de assucar era um pouco
mais pequeno, mas deu causa a que o epuissement dos egoûts foram melhores, ainda que o rendimento em 1er jet da Franceza
foi um pouco menos, regulando entre 67 kilogramas a 70 kilogramas em assucar turbinado por Hectolitro de massa cosida. É
verdade porem, que n’este anno, em quasi todos os cosimentos de 1er jet da Franceza, e no fim o cosimento, os egoûts riches
d’esta mesma massa cosida de 1er jet eram introduzidos na caldeira para completar o cosimento, e que devia no rendimento em
assucar. Mas esta forma de proceder é bastante racional, por isso que esses egoûts riches eram bastante puros e ricos em assucar,
e quasi comparaveis ao xarope.
Melaxeur no vacuo: – Este apparelho trabalhou regularmente bem, fazendo o épuissemente perfeito dos egoûts pauvres //
[120]148 da massa cuzida de 1er jet, egoûts riches e pauvres d’este mesmo melaxeur. Neste anno como mais atraz explico quasi
nunca se introduzio os egoûts riches da Franceza no melaxeur. A differença do anno de 1905 é que na turbinagem da massa
cosida do melaxeur no vacuo se separava os egoûts riches, que eram introduzidos primeiro juntamente com os egoûts pauvres
da Franceza de 1er jet cuja pureza era mais ou menos egual, e sô depois é que introduziamos os egoûts pauvres do melaxeur para
complemento do cosimento.
Melaxeurs abertos: – N’este anno montamos mais dois d’estes melaxeurs de 100 Hectolitros com fundo falso para
aquecimento e arrefecimento da massa cosida do melaxeur no vacuo, sendo ahi alimentado com os egoûts pauvres do melaxeur
no vacuo por espaço de 20 a 22 horas. Os melaxeurs eram sempre aquecidos antes de fazer a descarga da massa d’entro delles,
e sô depois de 3 horas e que se principiava o arrefecimento lento da massa. Desta forma o épuissement era perfeito tanto no 1er
jet como nos cosimentos do melaxeur no vacuo.
Os egoûts como clerce para os melaxeurs abertos eram clasificados pela seguinte forma
Clerce paras[sic] os dois melaxeurs do 1er jet da Franceza eram os egoûts pauvres d’esta mesma Franceza.
Clerce para os dois Melaxeurs da massa cosida do melaxeurs no vacuo, eram os egouts pauvres d’este mesmo melaxeur.
Desta forma os egoûts pauvres sahidos do melaxeur no vacuo eram bastante épuissés que não valeria a pena fazel’os em 2º jet
se não fosse uma forma de concentrar esses egoûts para gordal’os visto os não poder empregar na occasião. //
[121] Turbinagem da masse cuite: – A turbinagem da Masse Cuite da Franceza foi feito em assucar BB de boa qualidade [.]
A Masse Cuite do Melaxeur foi feito [sic] em assucar BT a meior parte e algum em B2, fazendo-se a separação, em qualquer
das duas turbinagem [sic], dos egoûts riche e pauvre.
Rendimentos em assucar: – O rendimento em assucar de 1er jet foi superior ao de 1905 em 1,190 kilogramas por 100
kilogramas de canna, e o de 2º jet inferior em 0,200 kilogramas do que em 1905
Masse Cuite virgem por % de canna 11,60 litros.
O meior rendimento da canna do corrente anno é devido na meior parte á canna conter mais sumo (garapa) (em 1905 = 80
litros % em 1906 = 82 litros %) do que usualmente, e tambem em parte devido ao bom trabalho das garapas, melhor
epuissement dos egoûts devido aos dois novos melaxeurs, e trabalho mais rapido. Funchal 1 de Setembro 1906 [Ass:] João
Higino Ferraz //

148 Anotação colocada na cabeça da página: «Nota: N’este anno para fazer a desinfeção da bateria empreguei o chloreto de cal em dissolução a 10% na
cauda da bateria, empregando 20 a 40 litros por 12 horas, o que deu bom resultado.».

109
[122] Fabricação de 1906 –– Resultados geraes Em 26 de maio 1906 [Ass:] Ferraz
Pezo da canna trabalhada 11.888.161 kilogramas
Requeza em assucar da garapa por hectolitro 14,71 kilogramas
Volume total da garapa extrahida 80.375 Hectolitros
Volume da garapa extrahida % kilogramas de canna = 67,6 litros seja 72,17 kilogramas
Volume total (medido a quente) do jus extrahido da diffusão = 121.924 Hectolitros
Volume (medido a quente) do jus de diffusão extrahido % kilogramas canna 102,5 litros
Contando uma Volume total (medido a frio) do jus de diffusão 118.266 Hectolitros
concentração
de 3%
{
Volume (a frio) do jus de diffusão % kilogramas canna 99,57 litros
Riqueza em assucar do jus de deffusão (a 20 temperatura) por hectolitro 11,43 kilogramas
Densidade da garapa media 1067.5
Assucar entrado em fabricação pelo jus de deffusão 11.43 x 118.266 = 1.351.780 kilogramas seja 11,37 % canna
8,53 kilogramas % Assucar turbinado (armazenado) 1er jet em BB e B2 e BT = 1.014060 kilogramas
0,200 kilogramas Dito dito ( “ ) 2 jet ————————- = 23790
Melaços: 551.493 kilogramas assucar % <Clerget % 34,74> pela fermentação a 60 % kilogramas assucar = 241.700
kilogramas será por % kilogramas canna 4,641 kilogramas
149
Ganhos e Perdas de fabricação: assucar total na canna = 1520.495 kilogramas
assucar puro entrado em fabricação – assucar puro = 1351.780 kilogramas
assucar puro turbinado em 1er jet e 2º jet =
assucar puro no melaço —————————- = _______________150
Total do assucar extrahido = ___________________ __________________
Perda de fabricação –– –– =
Por % kilogramas de canna será = kilogramas assucar na canna 12,79 kilogramas
Destribuição de perdas por % kilogramas canna: Perdas total:
Moinhos de repressão do bagaço epuissé = 0,47 kilogramas
Assucar no bagaço épuissé (55% agua) = 0,06
Transformação em glucose infermenticivel = 0,25
Perda desconhecidas ————— = _______
Perda total % kilogramas canna
Nota: Bagaço % de canna 25 kilogramas
garapa na canna 87 litros % kilogramas canna.
O Director. [Ass:] João Higino Ferraz151 //

[123] Ganhos e perdas de fabricação – Resultado Geral


Assucar total na canna (garapa 82 litros
% kilogramas de canna <87,5 kilogramas %>) = 1,436090 kilogramas
Será por % kilogramas canna 12,08 kilogramas assucar
Assucar entrado em fabricação pelo jus de diffusão ——— = 1351.780 kilogramas
Perdas na diffusão ——————— 84.310 kilogramas
Será por % kilogramas canna 0,71 kilogramas assucar
Destribuição de perdas de deffusão por % kilogramas de canna
Na agua contida no bagaço (Aguas de repreção) = 0,47 kilogramas assucar puro
No bagaço depois da reprecão (55% agua) ——— = 0,06 “
Nas aguas restantes dos diffusores ———————- = 0,18 “
Total 0,71 “

149 A partir desta linha de texto, e até ao fim da página 122, toda a informação registada foi “inutilizada”, rasurada se quisermos, através de dois traços
oblíquos (à imagem de um X), feitos com lápis de cor vermelha.
150 Espaços vazios deixados por Higino Ferraz.
151 A designação do cargo e a assinatura de João Higino Ferraz foram rasurados com lápis de cor vermelha.

110
Perdas de fabricação alem da diffusão:
Assucar total entrado em fabricação ——— = 1351780 kilogramas
Assucar puro turbinado de 1er e 2em jet = 1.010.987 kilogramas
Assucar puro no melaço Clerget= 191.588 = 1202575
Perda de fabricação ———— = 149205
Será por % kilogramas canna 1,255 kilogramas
Perdas totaes por % kilogramas de canna:
Perda na diffusão = 0,710
Perda na fabricação = 1,255
1,965
Conta do assucar transformado em glucose –
Glucose entrada em fabricação pelo jus de diffusão 118,266 Hectolitros x 0,68 = 80.420 kilogramas
Glucose entrada em fabricação pela canna 97553 Hectolitros x 0,83 = 80.958 kilogramas
Glucose contida nos assucares Turbinados:
Assucar BB e B2 2.717
Dito BT 3.118
Dito de 2em jet 554
Glucose nos melaços destillados 101.022
Pezo total da glucose sahida 107.411
Pezo da glucose entrada (Diffusão) 80.420
Por conseguinte glucose formada pela fabricação 26.991
Será por % kilogramas canna 0,227 kilogramas = 0,215 kilogramas de saccarose
segue //

[124] Fabricação de 1906.Typos de assucar e sua analyse, de 1906


Typo BBR e BB – 4439 sacos de 75 kilogramas = 332925 kilogramas = 329928 kilogramas assucar puro
Analyse152:
Cristallisavel .........................99,100
Glucose ...................................0,280
Agua........................................0,140
Cinzas .....................................0,430
Indeterminados .................. 0,050
100,000
Typo B2 – 5221 sacos de 75 kilogramas = 391.575 kilogramas = 385701 kilogramas assucar puro
Analyse:
Cristallisavel .........................98,500
Glucose ...................................0,456
Agua........................................0,260
Cinzas .....................................0,440
Indeterminados ................... 0,344
100,000
Typo BT – 3050 sacos = 283.500 kilogramas = 269.325
Analyse:
Cristallisavel .........................95,000
Glucose ...................................1,000
Agua........................................1,140
Cinzas .....................................0,960
Indeterminados ................... 1,800
100,000
152 Na margem dianteira, na vertical e percorrendo quase todo o comprimento da página, temos redigida a vermelho e lápis esta nota: «Nota: Há acrescimos
devido ao bom pezo que se calcula no typos [sic] BB e B2 em 6060 kilogramas com 99% assucar = Total 990,956 kilogramas assucar puro».

111
Typo Mascavado 2º jet = 23790 kilogramas = 20.031 kilogramas assucar puro
Analyse:
Cristallisavel .........................84,200
Glucose ...................................2,770
Agua........................................2,840
Cinzas......................................4,240
Indeterminados ................... 5,950
100,000 //

[125] Estudos praticos de Monsieur Effront153 sobre o emprego do acido fluorhrydrico nas fermentações.
Effront concluio de seus ensaios que as levaduras, depois de um tratamento com quantidades gradualmente mais elevadas
de fluoruro adquire um poder fermentativo consideravel que se pode calcular como decupto[sic] em comparação ao que era
antes do tratamento fluorado
Este tratamento teve egualmente por effeito enriquecer as levaduras de propriadades que certos physiologistas consideram
como preveligiados contidos em sertas raças, previlegios que lhe parecem pertencer exclusivamente.
Como tal as levaduras, incapazes permitivamente de viver em um meio assucarado contendo 300 milligramas de fluoruro
d’ammonium (= 160 milligramas Acido Fluorhydrico) por litro, pode chegar, por uma serie de culturas, em meios de mais em
mais ricos em fluoruro, de se desenvolver n’este meio em apparencia mortal e de adequerir o poder de prolificar
abondantemente, e de fazer fermentar relativamente mais assucar pelo mesmo pezo.
Monsieur Lorel refazendo as esperiencias de’Effront, e chegou egualmente á conclusão que a levadura abituada a viver em
um meio rico em acido fluorhydrico, dá <transportados> em um meio mais fracamente fluorado, cellulas tanto mais activas
quanto o meio primitivo estava mais carregado de materia antisepticas [sic].
Indo mais longe em suas esperiencias, Monsieur Lorel chegou a fazer vegetar a levadura em um meio enserrando 1 grama
d’acido fluorhydrico por litro, seja 6 vezes mais antiseptico que o indicado por Monsieur Effront.
Cultivando as levaduras de cerveja em um meio contendo compostos de fluor, chegamos pois finalmente as aclimatar a esses
anticepticos, e as levar a um tal estado de accoutumance que as suas // [126] cellulas podem resistir a doses de fluor que não
supportariam as levaduras não abituadas: estas perderiam immediatamente o seu poder fermentante. A accoutumance das
levaduras ao anticeptico produz uma grande modança na vida physiologica da levadura. Constata-se que ellas se tornam menos
aptas a se reproduzir, a sua multiplicação deminui, mas ao mesmo tempo ella adequire uma exaltação muito mais prononciada
no seu poder fermentante: a energia fermentativa é fortemente augmentada.
Monsieur Effront tratou de ver se esta accoutumance aos antisepticos não tem por consequencia modificar o seu trabalho
chimico; os seus ensaios lhe demonstraram que a cccoutumance[sic] das levaduras aos compostos fluorados, tem por
consequencia modificar notavelmente o trabalho chimico das cellulas; produz-se mais alcool, e menos acido succinico e
glycerina.
O methodo empregado para chegar á accoutumance consiste em cultivar as levaduras em doses crescentes de compostos
fluorados; principia-se com 1 a 2 gramas d’acido fluorhydrico por hectolitro de mosto, e augmenta-se successivamente estas
doses, á medida que as levaduras se vão habituando. Para chegar a esta accoutumance, Effront aconselha o methodo seguinte;
procede-se a uma primeira fermentação, em presença de 2 gramas por hectolitro.
Depois da transformação de um quarto do assucar contido no liquido, junta-se de novo ao mosto 1 grama d’acido por
hectolitro, e deixa-se a fermentação continuar, até ao momento em que a metade do assucar desapareceu. A este tempo, toma-
se um hectolitro de mosto em fermentação, e introduz-se em 9 hectolitros de mosto fresco addicionado de 4 gramas d’acido
fluorhydrico por hectolitro. // [127] Depois da transformação do quarto da proporção do assucar contido no novo mosto,
continua-se a operar como acima. A terceira passagem da levadura, 7 gramas por hectolitro, faz-se com 7 gramas d’acido no
principio.
Depois de uma serie d’operações analogas, e juntando a dose supplementar de fluor somente no momento em que se
constatou uma fraca sporutação[sic] (momento que corresponde ao desaparecimento do quarto do assucar do mosto), as
levaduras acabam por fermentar em presença de 30 gramas d’acido por hectolitro.
Ellas se acostumam por assim dizer a esta dose antiseptica, e ellas adequirem vis-á-vis uma certa immunidade que não

153 Effront, Jean, Les Catalyseurs biochimiques dans la vie et dans l’industrie, Ferments protéolytiques, Paris, H. Dunod et E. Pinat, 1914.

112
possuiam anteriormente.
Examinando as causas de esta differença d’acção, Monsieur Effront pensa que residem evidentemente no estado de vigor
especial adequerido pelas levaduras acostumadas.
Resultados praticos feitos por João Higino Ferraz em Junho 1906 com fermentação de melaço da Fabricação d’assucar da
Madeira (?) e Melaço de Cuba (?), com fermento pure race Nº II do Instituto de Berlin.
Fermento feito com meceração de malte e centeio e melaço a uma densidade de 6º Baumé, levando saes nutritivos (sulfato
de amonio 0,5 gramas por litro e sulfato de magnesio 0,5 gramas por litro) e uma dose de 0,03 gramas de H.FL. (acido
fluorhydrico a 18º Baumé) por litro, acido sulfurico 1 grama por litro.
Fermentação geral do melaço em 6º Baumé acidulado a 1 grama d’acido sulfurico po litro e 0,03 gramas de fluorhydrico.
Depois de 3 dias de fermentação e soutiragens regulares de metade do fermento do apparelho Barbet; juntei-lhe + 1/2 litro de
fluorhydrico (dissolvido na proporção de 9 kilogramas para 400 litros = 20 gramas Acido Fluorhydrico por litro) em cada 600
litros de mosto de melaço esterelisado, juntando-lhe sempre o saes [sic] nutritivos na dose acima para juntar ao restante no
apparelho em plena fermentação. Depois de 3 dias em fermentação n’esta dose de Acido Fluorhydrico (0,046) juntei-lhe nos
mesmos 600 litros de mosto de melaço esterelisado, o qual // [128] éra sempre tirado do mosto geral para fermentações, mas
que era sempre muito bem esterelisado a vapor durante 1/2 hora, mais 1/2 litro de Acido Fluorhydrico cuja dose ficou em 0,062
gramas por litro.
Assim continuou a fermentação durante 13 dias conscutivos[sic] com as doses acima.
A 14 de junho, como vi que o fermento principiava a mostrar algumas bacterias e a sua força fermentativa deminuia um
pouco, principiei a usar o Maltopeptona na dose de 1/2 kilograma por fermento (1100 litros) e principiei a augmentar
progressivamente o acido Fluorhydrico nas doses abaixo:
Doses de acido fluorhydrico por 600 litros de mosto esterelisado, e com já 0,062 gramas por litro de Acido Fluorhydrico [.]
Sais nutritivos na dose acima:
No dia 15 de junho – 3 litros de Acido Fluorhydrico = 0,162 gramas por litro
Dito 16 “ – 5 “ “ = 0,228 “
Dito 17 “ – 7 “ “ = 0,294 “
Do dia 16 em diante a fermentação geral era acidulada pelo fluorhydrico na dose de 0,07 gramas por litro.
O maltopeptona era empregado de 2 em 2 dias (1/2 kilograma) deitado directamente no apparelho Barbet depois de dissolvido
com agua esterelisada com 3 ou 4 gotas de fluorhydrico
Estado da fermentação: A fermentação geral tomou uma actividade bastante desenvolvida, assim como o fermento, sendo o
estado d’elle quasi puro.
A 25 de junho principiei a diminuir o Acido Fluorhydrico no fermento do apparelho Barbet da seguinte forma:
Dia 25 – 6 litros de Acido
Fluorhydrico por 600 litros = 0,253 gramas por litro – Fermentação geral 0,053 gramas
Dia 26 – 5 litros de Acido
Fluorhydrico por 600 litros = 0,219 “ – “ “
Dia 27 – 4 litros de Acido
Fluorhydrico por 600 litros = 0,186 “ – “ “
Primeiro desenvolvimento do fermento puro Raça II do Instituto de Berlin
Agua pura ——————— 12 litros
Assucar branco ———— um kilograma Para um Kilograma
Acido sulfurico a 66º - 12 gramas
Acido fluorhydrico —- 6 centimetros cubicos = 0,01 gramas por litro (Solução a 20 gramas por litro)
Sel nourricier ————— 30 gramas
Esterelisar – arrefecer a 35º – juntar o fermento puro desolvendo-o bem, e deixar fermentar. Empregar depois no cosimento
de malte e centeio [?] //

[129] Para calculo de redução de álcool Tabella dos graus de aguardente Feita por Severianno A. de Freitas Ferraz

113
Graus Partes d’aguardente Graus Partes d’aguardente Graus Partes d’aguardente
Cartier correspondentes Cartier correspondentes Cartier correspondentes
a 100 alcool a 100 alcool a 100 alcool
10 1/4 8000 17 245, 7 38 107, 4
10 1/2 4000 17 1/4 242, 7 39 105, 8
10 3/4 2720, 7 17 1/2 236, 9 40 104, 3
11 2040, 8 17 3/4 232 41 103
11 1/4 1612, 9 18 227, 2 42 101, 9
11 1/2 1315, 6 18 1/4 222, 2 43 100, 9
11 3/4 1086, 7 18 1/2 218, 8 44 100154
12 917, 4 18 3/4 214, 1
12 1/4 793, 6 19 210, 5
12 1/2 699, 3 20 196, 8
12 3/4 621, 1 21 185, 1
13 558, 6 22 175, 1 Cartier Gay Lussack
13 1/4 505, 23 166, 3
13 1/2 469, 5 24 158, 7 42º = 97, 8
13 3/4 432, 9 25 151, 9 41º = 96, 5
14 401, 6 26 145, 9 40º = 95, 3
14 1/4 375, 9 27 140, 6 39º = 94
14 1/2 355, 8 28 135, 8 38º = 92, 7
14 3/4 338, 9 29 131, 5 37º = 91, 2
15 323, 6 30 127, 7 36º = 89, 7
15 1/4 310, 5 31 124, 2 29º = 76, 2
15 1/2 298, 5 32 121 28º = 74
15 3/4 288, 1 33 118, 2 27º = 71, 7
16 278, 5 34 115, 6 26º = 69, 3
16 1/4 269, 5 35 113, 2 25º = 66, 8
16 1/2 261, 7 36 111, 1 24º = 64
16 3/4 255, 1 37 109, 1 23º = 61, 5
50 centesimal[?] = 19 1/4 Cartier//

[130] Proposição para a montagem do apparelho


– Patent Filma Evaporateur de Meyer and
Arbuckle’s.– Consecionario –
Messieurs George Fletcher & C.ª – Enginheiros
de Derby – Englande ou (21, Mincing Lane,
London).
no apparalhe[sic] tripl-effet da Fabrica Hinton,
para augmentar a evaporação do jus de diffusão.
– Crockis do apparelho –155 //

154 Na margem dianteira: «Alcool puro».


155 Na margem interior da página, e decerto referente ao desenho, temos, grafada em letras de corpo maior que as usuais e a lápis de cor vermelha, a
expressão «Trés bien», seguida de uma rubrica indecifrável.

114
[131] Processo para a rehentrada do petit jus e aguas de deffusão no trabalho da mesma deffusão
As aguas vindas da deffusão carregadas de materias organica [sic] e assucar são apuradas no tanques [sic] AA’ pela forma
como mais atraz se explica, e seram todas passadas pelos filtros presses, indo ao tanque D para alimentar o tanque da agua de
deffusão F que terá um trop plaine para não haver perda alguma de agua.
Pelo Sechema abaixo se vê bem a forma do trabalho de apuração.

AA’ Tanques de apuração das aguas da diffusão


B Bomba dos feltros presses
CC’ Filtros presses
D Tanque da agua apurada e filtrada para a diffusão
E Bomba de alimentação da agua da diffusão
F Tanques da agua da diffusão e tropleine //
[132]156

[133]157 Novo systema para o trabalho das masses cuites e epuissement dos egoûts para um Fabrica [sic] que trabalhe por
dia 200 toneladas de canna pela diffusão.
Cosimento completo no Cuite 1er jet. – Passagem ao melaxeur dans le vide de 30 Hectolitros de Melasse Cuite continuar o
cosimento 1er jet e no fim metter algum ou todo o egoût riche
Alimentar primeiro o melaxeur com os egouts de 1er jet e depois com os egouts pauvres do melaxeur
156 A página 132 não contém qualquer informação.
157 Os informes da página 133 estão dispostos na vertical em relação à mesma (principiando na margem do pé), mas o texto nela escrito é aqui reproduzido
na horizontal.

115
Descarregar a Melasse Cuite do melaxeur no melaxeur refoidisseur no vaco e alimentar ahi com os egouts pauvre do
melaxeur, continuando o aquecimento até complemento do melaxeur, arrefecer

//
[134]158
[135] Considerandos sobre o apuramento das aguas da diffusão, para a sua rehentrada no trabalho da mesma diffusão
A quasi totalidade do assucar perdido nos petit eaux e moulin de repression é aproveitado, que calculando em 0,50 d’assucar
% de canna as perdas nas aguas, e aproveitando uns 80% d’esse assucar em 15000 toneladas será aproximadamente 60
toneladas d’assucar total ou 54 toneladas contando a 90% o rendimento em assucar cristalisavel o resto será em melaço.
Qualquer perda na diffusão por derrames ou outro, será tudo aproveitado. As lavagens dos sacos dos filtros mechanicos ou
outros, cujas aguas douces ou são perdidas ou são aproveitadas para a fermentação, podem ser utilisadas nas aguas de diffusão
evitando n’esse caso um prejuizo na differença do valor do alcool para o assucar.
As aguas empregadas na diffusão por este processo serão perfeitamente esterelisadas e anticepticas evitando as fermentações
na bateria e evitando a formação de gazes na mesma.
Não usando este processo e querendo trabalhar 200 toneladas de canna em 24 horas, seremos obrigados a montar mais dois
diffusores, ficando n’esse caso com 10, para que se fassa bem o épuissement dos bagaços, e com isso a despeza será muito meior
para a sua montagem e custo dos dois diffusores, e a perda em assucar será sempre a mesma nas aguas (0,50).
Com o aproveitamento das aguas podemos tirar jus de diffusão mais densos, por isso que podemos levar a extracção do jus
de diffusão ao minimo, isto é, 92 a 95% em logar de 99,5% como n’este anno
Os jus de diffusão serão mais puros, mais densos // [136] e em menos quantidade para a evaporação (em 200 toneladas 80
hectolitros menos). O triple terá menos trabalho a fazer proporcionalmente, o que é uma grande vantagem. Com jus de diffusão

158 A página 134 não contém qualquer informação.

116
mais puros o coefficiente de pureza da Melasse Cuite de 1er jet será meior dando resultado de mais rendimento em 1er jet e
teremos n’esse caso menos melaço.
Porem:
Se empregarmos a rehentrada das aguas da diffusão seremos obrigados a ter um conductor de bagaço exausto dos diffusores
aos moulin de repression, por isso que com essa rehentrada as aguas aqueceram progressivamente e não é possivel fazer o
trabalho do bagaço dos diffusores por homens. Essa despeza de montagem com o conductor será bem compensada pela
economia do pessoal empregado n’esse trabalho, como se pode ver:
4 homens a 900 reis por 24 horas para 200 toneladas de canna 3600 em 15000 toneladas será 270$000 reis. O apparelho
com a sua montagem pouco mais poderá costar.
Empregando as aguas será tambem necessario uma nova bomba centrifuga propria para liquidos borrentos, para substituir
a que existe que está muito detriorada e é pequena.
Por tudo isto vejo que teremos o meior proveito em usar o aproveitamento das aguas, sendo a despeza tão pequena e tão
bem compensada que não exito em a aconselhar. Funchal 11 setembro 1906 [Ass:] João Higino Ferraz //

[137] 159Quantidade d’agua empregada na diffusão do bagaço:


Quantidade de bagaço por diffusor é de – 350 kilogramas
Que este bagaço absorva 120% d’agua será ————— 420 litros
Cada diffusor deixa correr um excesso d’agua de 200 “
Quantidade d’agua total que tem de ________
ser apurada e passada aos filtros presses 620 litros
Trabalhando-se 200 toneladas de canna em 24 horas, fazer-se-ham 152 diffusores que será n’esse caso um total em agua a
apurar e filtrar de 95000 litros por 24 horas ou 4000 litros por hora, ou 66 litros por minuto:
Por conseguinte: (Em 200 toneladas de canna)
Agua apurada e filtrada ......................................95.000 litros
Agua que sai no jus de diffusão, isto é agua
pura junta á agua apurada.................................. 46.000 litros
Total da agua empregada ...................................141.000 litros
Nota:
Empregando na diffusão as aguas de reprecção do bagaço, deveremos notar bem quanto contem de assucar essas aguas, e
logo que ellas atingam[sic] uma certa percentagem em assucar deve-se fazer uma liquidação d’essas aguas levando-as á
destillaria para serem fermentadas com os melaços.
Calculo que logo que ellas atingem <o maximo> de 2% em assucar a liquidação deve ser feitas [sic], cuja razão é a seguinte:
Cada 100 kilogramas de canna dá 26 kilogramas de bagaço deffusado com 55% d’agua; será egual a 14,3 litros que a 2%
em assucar será uma perda de 0,28 kilogramas d’assucar por 100 kilogramas canna, o que é menos do que agora se perde.//

[138] Considerações sobre cosimentos d’amorçage:


Fez-se cosimentos de melaço de Barbados cuja analyse era a seguinte:
Assucar cristalisavel .........................................51,60 %
Glucose .............................................................14,83
Clerget assucar real ...........................................52,82
Pureza apparente 69,87 – real .......................71,52
Densidade 1349 Coefficiente glucosico “ 28,71 – real .........28,07
Foram feitos no Melaxeur no vacuo juntando-lhe assucar cristalisado BT como amorçe juntamente com o melaço acima,
formando um pé de cuite de 30 Hectolitros pouco mais ou menos. A quantidade de assucar junto variou de 36 sacos a 50 de 100
kilogramas. Depois de metter vapor no fundo falso e formado a vacuo, a concentração principiava, hia-se-lhe juntando novo
melaço até o complemento do cosimento no melaxeur. O grão do assucar era em parte dissolvido no melaço até formar um xarope
saturado, mas no fim do cosimento o grão tinha pouco mais ou menos o mesmo tamanho que o grão inecial, isto devido ao
grocissement do grão durante o cosimento. O rendimento em assucar turbinado do typo B2 (cristaes amarellos claros) variava entre:

159 Nota na margem interior, escrita na vertical (principiando no pé da página e espraiada ao longo da página): «Nota: É necessario tambem de tempos a
tempos verificar a alcalinidade das aguas apuradas de forma a não subir muito esta alcalinidade.».

117
Com 36 sacos assucar 100 kilogramas e melaço de Barbados — 4300 kilogramas
Dito dito e egoûts da turbinagem ——— 3600 kilogramas
Com 50 sacos assucar (100 kilogramas) e melaço de Barbados - 5300 kilogramas
Dito dito e egoûts da turbinagem ——— 5000 kilogramas
Os egoûts riches eram sempre cosidos novamente e os egoûts pauvres da turbinagem eram repassados sô uma vez, sendo
depois cosidos em 2º jet. //
[139] Analyses dos egoûts pauvres depois da segunda pasagem e para 2º jet:
Brix apparente ....................................................79,70

outra
A
{ Saccarose ............................................................40,31
Glucose ...............................................................23,15
Pureza apparente .................................................50,57
Coefficiente glucosico apparente .......................57,42

Brix apparente ....................................................73,85

B
{ Saccarose ............................................................35,83
Glucose ...............................................................22,26
Pureza apparente .................................................48,65
Coefficiente glucosico apparente .......................48,12
Analyse da Melasse Cuite 2º jet dos egouts pauvres: (media de 7 1/2 cosimentos)
Brix apparente ....................................................91,60
Saccarose ............................................................49,63
Glucose ...............................................................25,16
Pureza apparente .................................................54,18
Coefficiente glucosico apparente .......................50,70
outra (1 cosimento)
Brix apparente ....................................................91,35

A
{
outra (1 cosimento)
Saccarose ............................................................46,59
Glucose ...............................................................27,56
Pureza apparente .................................................51,00
Coefficiente glucosico apparente .......................59,15

Brix apparente ....................................................90,95

B
{ Saccarose ............................................................44,43
Glucose ...............................................................26,31
Pureza apparente .................................................48,85
Coefficiente glucosico apparente .......................59,21
Como se vê pelas analyses acima os egouts pauvres baixaram de pureza, isto é, algum assucar do melaço foi cristalisado ou
servio para o grossissement do grão d’amorce.
Poderemos naturalmente empregar muito menos // [140] assucar e talvez um minimo de 500 kilogramas, mas n’esse caso
deveremos concentrar o melaço rico até ao ponto de filet fraco de forma a formar um xarope quasi saturado, que, para quando
se junte o assucar para amorce não seja elle dessolvido no dito melaço. Desta forma gastar-se-ha muito menos assucar e meior
quantidade de melaço.
O grão não ficará naturalmente tão grande, mas o melaço ficará desde já um pouco épuissee que sendo cosido depois em 2º
jet ficará perfeitamente épuissee.
Os melaços ou egoûts do 2º jet d’este processo deram o seguinte resultado na analyse:
Brix apparente ................................................77,65
Saccarose .......................................................31,89
Glucose ..........................................................25,16
Clerget real .....................................................36,36
Pureza real .....................................................46,82 apparente 41.06
Densidade – 1382 Coefficiente glucosico rial .............................69,21 “ 78.89 //

118
[141] Forma de empregar o processo da apuração das aguas perdidas da diffusão e sua rehentrada no trabalho da mesma
bateria.
Considerando um trabalho de 180 toneladas de canna em 24 horas (6000 almudes) teremos que apurar as aguas de repressão
do bagaço e as aguas restantes (petit eaux) que correspondem para esta quantidade de canna a 84950 litros d’agua pertencente
a 137 diffuzores (1310 kilogramas cannas) que será por hora 3540 litros de 5,7 diffusores.
As aguas enviadas pela bomba centrifuga aos tanques de apuração seram tamissée: A capacidade de cada tanque é de 53
Hectolitros mas sô se encheram até á capacidade de 40 a 45 Hectolitros. A quantidade de sulfato de ferro a juntar será de 15
gramas por Hectolitro e 3/4 litros de cal a 20º Baumé por Hectolitro. O sulfato de ferro será dessolvido em agua quente na
propurção de 10% (isto é 10 kilogramas para 100 litros) o que dará 100 gramas de sulfato de ferro por litro. Para os 45
Hectolitros serão necessarios 675 gramas de sulfato de ferro ou 6 3/4 litros de solução ferrica a 10% –– A cal a 20º Baumé para
45 Hectolitros será 33 3/4 litros. Deitar-se-ha primeiro o sulfato de ferro, mexendo bem o liquido a apurar e depois se juntará a
cal mexendo-o da mesma forma; espera-se a reação por 1/4 ou 1/2 hora, e depois será passado aos feltros presses.
Trabalhando como acima se explica 180 toneladas de canna em 24 horas, um tanque de apuração será cheio em 1 1/4 hora e
fazer-se há 19 tanques em 24 horas.
Seremos naturalmente obrigados a fazer uma liquidação de 8 em 8 horas de um tanque a fim de épuisser o bagaço que
progressivamente enriquererá[sic] em assucar. Ora um tanque de agua apurada corresponde a 7,2 diffusores, seja 8 diffusores
que corresponde a uma volta completa da bateria feita com agua ordinaria todas as 8 horas. Estas aguas iram
segue //

[142] a fermentar com melaço ou outro liquido assucarado mais denso de forma a ter uma densidade propria para a
fermentação. Por conseguinte em 24 horas teremos 135 Hectolitros de aguas para fermentar, e seram necessarios 2000
kilogramas de melaço por 24 horas para estas aguas ficarem com uma densidade de 6 a 7º Beaumé //

[143] Trabalhos dos petit eaux e molen de repression na rehentrada na bateria em 1907
Trabalhando 160 toneladas canna
Pelos calculos anteriormente feitos, contava-se que cada 100 kilogramas de canna dariam 48 litros de petit eaux, mas
procedendo-se á esperiencia vio-se que a quantidade de aguas eram mais que o dobro:
1ª esperiencia – 55 diffusores com tassement deu 17 tanques de 45 Hectolitros
2ª dita – 52 “ “ “ 15 “
3ª dita – 62 “ “ “ 20 “
A media será 56 diffusores produzindo 17 tamques de 45 Hectolitros, o que dará por diffusor 1366 litros, ou por 100
kilogramas de canna 105 litros. Um tanque era cheio n’este caso em 1 hora e 25 minutos.
Como se desejasse fazer a filtração em filtros presses d’estas aguas, e como as quantidades fossem meiores do que calculava,
não a pude fazer, como desejava. Alem d’isso vi que a feltração era deficil e não formava turtou. Por todas estas rasões,
empreguei as aguas directamente sem filtração, alcalinisando-as com leite de cal a 20º Beaumé até á reação alcalina no papel
tornesol sensivel bem pernunciada, e quando o lequido pelas rehentradas successivas perdia a alcalinidade, juntava-lhe meior
quantidade até que tornasse ao mesmo estado de alcalinidade. Vi que era conveniente conservar as aguas bem alcalinas e que
isso não prejudicava em nada o jus de diffusão como receava. Juntar-lhe tambem, como desinfectante o chloreto de cal
desolvido a 10%.
No principio da Fabricação quando a canna continha somente 14% assucar na garapa, fazia dua[sic] liquidações de 2
depositos de 45 Hectolitros em 24 horas, isto é, 180 Hectolitros, mas quando a canna subio em assucar a 16 a 17% na garapa
foi necessario fazer uma liquidação de 2 depositos de 8 em 8 horas, isto é, 270 Hectolitros em 24 horas com a canna a 14,
tambem se faziam de 2 en[sic] 2 dia [sic] uma // [144] liquidação de 3 depositos de 45 Hectolitros.
Deve haver o cuidado de não subir o assucar nos petit eaux do molin de repression a mais de 1,8 a 2% assucar nem tambem
descer a menos 1% de forma a conservar a pureza do jus de diffusão e não perder muito no bagaço que vai ás Caldeiras de
vapor. Deveremos fazer sempre a analyse da glucose nos petit eaux, para prevenir qualquer fermentação que se dê no liquido,
conservando o petit eaux alcalinos, mas não de mais.
Calculo da perda no bagaço, mostrando os petit eaux 2% assucar – O bagaço contem na media 56% d’agua,
n’esse caso = 56 x 2 = 1,12; a canna contem em
100

119
bagaco[sic] (umido) 26 %, n’esse caso: – 1,12 x 26 = 0,299 assucar por 100 de canna:
100
A 1% assucar nos petit eaux: 56 x 1 0,56% bagaco[sic] = 0,56 x 26 = 0,145 assucar por 100 de canna.
100 100
Deve haver o maximo cuidado na limpeza e desinfecção nos moinhos de repressão e em todos os depositos que contenham
ou passem os petit eaux.
A fermentação d’estes petit eaux fazia-se perfeitamente, depois de se lhes neutralizar a alcalinidade pelo sulfurico e
fluorhydrico, juntando-lhe melaços para o por na densidade propria de fermentação.
Segundo as nota [sic] das liquidações feitas em 12 dias, vio-se que a media por dia era de 7 tanques em 24 horas que a 45
Hectolitros cada um dava 315 Hectolitros de petit eaux. Como se juntavam a estas aguas para a fermentação todas as lavagens
dos sacos dos filtros e outros e alem d’isso os melaço [sic] para elevar a densidade a 6º Beaumé, vi, pela media de 15 dias, ser
de 577 Hectolitros por 24 horas total.
Por 100 de canna (315 Hectolitros) será 20 litros de petits eaux de liquidação em 1907
Dito será 10 litros dito dito em 1908 //
[145]160
[146] Modo de empregar os saes nutritivos (sels nourriciers)
O modo de empregar é extremamente silples[sic]. Faz-se dissolver os saes em agua fervendo, e junta-se ao mosto de cultura
na dose de 0.5 gramas a 1 grama por litro segundo a riqueza do mosto. Não nos devemos preocopar do legeiro residuo insoluvel,
que se solublisa em seguida favorecido pelos acidos durante o curso da fermentação.
Malto-Peptone
O melhor alimento nutritivo para os fermentos sejam quaes forem os seus empregos.
Direção dos Fabricantes em França: O. Bataille & C.ie. Usine à Puiseux –– Par Villers – Cotterets (Aisne) Françe
Dose = 500 gramas por 1000 litros de fermento = 0,5 gramas por litro
Calculo, segundo uma carta ao “Jurnal des Fabricants de Sucre” de
23 de stembro[sic] 1908, do consumo em assucar de Portugal:
“Até ao presente, sobre 30.000 tonneladas de assucar importado em Portugal, vem dos differentes payzes o seguinte:”
Brazil .......................................................................... 97 toneladas
Colonias portuguezas (Madeira incluido) .............. 7900 toneladas
França .......................................................................6000 toneladas
Allemanha e Austria ...............................................16000 toneladas
Total.....................29997
Grattes-Tubes – á lames amovibles et extensibles pour le nettoy-age des tubes de triple-effet – Breveté – E. Lagrelle-à
Louvres (Seine-et-Oise) //

[147] Analyse directa da canna e bagaços pelo apparelho Zamaron


Maneira de operar: Corta-se a canna ou bagaço em pequeninhos pedaços. Esta operação faz-se o mais rapidamente possivel
para evitar a evaporação da agua. Procede-se á analyse como se segue:
Peza-se 100 gramas de canna ou bagaço e deita-se no cezto metalico do apparelho, e arma-se.
Verte-se 200 centimetros cubicos d’agua no recipiente, cobre-se com o transfurado vulante. Faz-se aquecer e deixa-se ferver
por espaço de 10 a 12 minutos. Deita-se no balão de 1000 centimetros cubicos 10 a 15 centimetros cubicos acetato de chumbo
neutralisado.
Passado o tempo de fervura despeja-se o lequido no balão de 1000 centimetros cubicos junta-se novamente mais 200
centimetros cubicos d’agua quente, e faz-se outra vez ferver durante o mesmo tempo, e despeja-se novamente
Repete-se esta mesma operação 4 vezes, isto é, 800 centimetros cubicos, e depois mais uma mas com 150 centimetros
cubicos d’agua quente. Deixa-se depois arrefecer, agita-se, feltra-se e polarisa-se no tubo de 500 centimetros
Quando terminamos a operação se queremos dosar o linhoso na canna deveremos espremer bem antes de levar á estufa.

160 A página 145 é uma folha – com informação, em letra redonda, no seu retro e verso, mas sendo apenas numerada no verso – anexada à margem interior
da página 146. Esta folha (cujas medidas são 21 cm x 16,7 cm) será proveniente, talvez, de um folheto publicitário (nas suas margens superior e inferior,
quer no retro e verso, temos escrito, «Drysdale & Co., Limited», «Bon-Accord Works, Glasgow»), com a conversão do sistema de medidas anglo-
saxónico (polegada, pé e outros) para o sistema métrico. Pelas suas características, achámos desnecessário reproduzir aqui esta informação.

120
Note B. = A cada operação em que se junta agua deve-se, na occasião de despejar prensar com o transforado vulante para
poder sahir a meior parte da agua.
Maneira de fazer o calculo da analyse pelo Saccarometro Laurent (16,29):
Como a analyse é feita no tubo 500 milimetros equival a 2,5 dos 200 milimetros [.] Como pezamos 100 gramas de bagaço
para fazer 1000 centimetros cubicos = 10 gramas por 100 centimetros cubicos [.] Achamos pela leitura no saccarometro por ex:
2,9 faremos o seguinte calculo: 2,9 x 0,1629 x 10 = 1,889 % assucar de bagaço ou canna
2,5 //
[148] Nota: Na analyse directa da canna, faz-se um echantilon bem medio de 4 ou 5 canna [sic] cortadas a deversas alturas
e peza-se da mesma forma 100 gramas de cossetes. Deve-se notar que antes de principiar a maceração pela agua quente
devemos juntar um pouco (1 grama) de carbonato de soda de forma a tomar o liquido bem alcalino, para prevenir qualquer
transformação em glucose. É preferivel o carbonato de cal. //
[148 Bis]161

[149] Carta de Monsieur Naudet162 de 14 junho 1907 sobre o novo apparelho triple-effet a montar para 1908
Examinei seriamente a carta que me enviaste escrita por Monsieur Milan, e eu possovos assegurar com relação ao Triple
effet; Elle vos dará uma grande economia de carvão com a condição que elle seja montado como vos indico, quer dizer com
prélévement:
1º Do cuite Freitag e dos rechauffeurs da deffusão sobre a 1ª caixa.
2º Dum rechauffeur de garapa e de um d’agua sobre a 2ª caixa.

161 À página 148 foi anexada uma folha (com retro e verso, mas numerada por J. Higino Ferraz apenas no retro com «148 Bis») proveniente certamente de
um folhetim publicitário; entre outras informações despiciendas, temos a visualização e explicação técnica do aparelho Zamaron de que fala o director
técnico da fábrica do Torreão nas páginas 147 e 148; esse aparelho é aqui reproduzido.
162 León Naudet.

121
Assim montado elle fará todo o trabalho que desejaes, mas sem contudo fazer mais de 300 toneladas.
Com efeito em um apparelho de evaporação tudo depende da ultima caixa, e esta é muito pequena e não pedirá senão 90
metros quadrados á segunda e 70 metros quadrados á primeira para fornecer os vapores que lhe são necessarios; este triple effet
não corresponderá pois que a 270 metros quadrados sem prelevement. Resta-nos pois muitos metros quadrados desponiveis em
1ª caixa e em 2ª, que devem ser utilisados por os prelevements, e como estes não são constantes, e[sic] necessario pois ter uma
superfice de aquecimento sufficiente para todo o trabalho não comprehendido aqui.
Eu seria de opinião de ter um triple mais pequeno, mas quando eu vi este e a sua desposição e vi seu preço, nada me restou
senão aconselhar-vos de o tomar, porque podeis sem grande despeza juntar-lhe uma caixa de 100 metros quadrados e fazer um
magnifico quadruple effet, que não fará mais trabalho (ao contrario) mas que dará ainda uma legeira economia. Pelo contrario
no dia em que desejeis fazer mais trabalho, será facil sendo sô sufficiente modar a ordem das caixas e metter 200, 110, 150 e
assim podeis aproximar de 400 toneladas; mas 200, 150, 110, não vos dará mais de 300 toneladas não ha pois nada a temer;
mas mettei bem os prélévement que eu indico para evitar as contra preções. //
[150] Com o vapor a 110º no corpo tutelar da 1ª caixa, tereis 106º na 1ª caixa para aquecer Cuite e deffusão e 95º na segunda
caixa, o que como vedes vos premitir ainda um chute com uma 4ª caixa.
Nota: Calculo do Triple effet sem prelevement:
300 toneladas de canna em 24 horas dão 231 diffusores (25 Hectolitros) a 14 Hectolitros de jus cada um = 3234 Hectolitros
seja = 3500 Hectolitros que transformado em xarope de 30º Beaumé será aproximadamente 685 Hectolitros.
Para evaporar (theoricamente) um Hectolitro de jus de diffusão de uma densidade 1054, ao estado de xarope a 30º Beaumé
em uma hora, será necessario 2 metros quadrados, 10 de superfice de evaporação no triple.
Como são necessarios evaporar 3500 Hectolitros em 24 horas = 145,8 Hectolitros por horas será: 145,8 x 2,1 = 306,18
metros quadrados de triple [Ass:] Ferraz
Calculo da agua evaporada do jus %:
Densidade do jus 105,5 <1055> = 7,9 Baumé – Densidade do xarope 125,6 <1256> = 30 Baumé
Equação = 100 (125,6 – 105,5) = 2010 = 78,51 % d’agua do volume do liquido
125,6 – 100 25,6
evaporado, será 785 centimetros cubicos por litro.
Fazendo 14 Hectolitros de jus de diffusão por 1300 kilogramas de canna será em 300 toneladas por 24 horas 3230
Hectolitros de jus, que produzirá:
Xarope a 30º Beaumé a frio –– 69,445 litros
Aguas amoniacaes evaporadas –– 253,587 litros
Total 3230,32 Hectolitros
Capacidade das caldeiras de vapor em 1908 – Caldeiras Babcock – 5 – multitubulares; sendo duas para bagaço e 3 para carvão.
Superfice de evaporação = 970 metros quadrados ––– Força em cavallo vapor 1050
Para a Fabrica de assucar, destillaria, e serragem. //

[151] Fabricação do assucar areado pelo systema Portuguel[sic], pelo processo do apparelho de Ollier et Roux –
Consecionarios Comp.ª de Fives – Lille – Lille – Nord – France
O apparelho compoe-se somente de uma melaxeur onde se faz a transformação em farinha do cosimento especial feito em
uma qualquer caldeira de vacuo, ao ponto muito serrado, e descarregado a uma temperatura elevada.
Melhor Casa Franceza (mas cara) para construcção de apparelhos de fabricas de assucar ou outras:
Compagnie de Fives – Lille – Societé Anonyme
Ateliers: = Fives – Lille (Nord) – Liege social et Administration = Rue Caumartin, 64, Paris.
Consecionarios dos Secheurs Huillard Alph.– Suresnes (Seine) Françe)
Melhor casa constructora (Ingleza) para engenhos de canna de assucar:
Harvey Eng.er Coy L.ed – 224 West Street
Glasgow. (Écosse)
Turbinas de motor a agua do systema “Weston”
Watson, Laidlaw & C.ª L.º
98 Dundos Street (south) Glasgow (Écosse)
Green’s Economiser (Economisador pelos gazes de combustão para aquecer agua das caldeiras de vapor)

122
E. Green & Son Limited – Economiser Works, Wakefield
Por cada metro quadrado de superfice de gralha das caldeiras de vapor e por hora não se deve queimar mais de 100
kilogramas de carvão de pedra //

[152] Laboração da Fabrica de assucar no anno de 1907 – Relatorio –


Moagem da canna: Neste anno a moagem da canna foi feita como no anno anterior, tendo sô a diferença que, como o pessoal
foi pago por diffusor, á rasão de 7 reis cada um, instigou bastante o trabalho dando em resultado de se fazer medias de (em 125
dias de trabalho) 128 a 130 diffusores por 24 horas (a media em 125 dias foi de 117 diffusores em 24 horas). A carga media por
diffusor foi de 1293 kilogramas de cannas. A canna n’este anno baixou bastante no seu coefficiente de sumo, regulando
aproximadamente 78 litros %. A meior parte da canna era Yuba, e de Junho em diante, a canna que tinha passado o seu periodo
de Maturação, tinha a casca muito dura e deficil de moer. Contudo a canna era de boa qualidade e o assucar na canna devia ter
regulado a 12,5%.
O assucar na garapa foi de 16,22% litros media.
Sulfitação: – A sulfitação foi feita como no anno transacto regulando a acidez entre 0,6 a 0,9 gramas por litro.
Diffusão: O processo de deffusão foi seguido a forma como aconselhava Monsieur Naudet163, isto é, meichagem pela bateria,
e não pelo deposito de meichagem como em 1906. Foi feito sempre o tassement do bagaço dando bom resultado, o que deu
cauza a que a quantidade de garapa por diffusor regulasse a 9 Hectolitros por diffusor. A cal empregada foi variavel, mas um
pouco superior á do anno transacto, por isso que se deixava o jus de diffusão um pouco mais alcalino do que nos outros annos.
N’este anno não se empregou o Carbonato de Soda, mas simplesmente o baryte, e sempre no deposito de soutiragem antes de
hir aos filtros mechanicos. //
[153] Esta maneira de proceder deu bom resultado: O baryte empregado no jus soutirado dava em resultado percipitar os
saes de cal transformados em carbonatos de baryte insoluveis que ficavão nos filtros, deixando algum baryte livre que não
prejudicava a evaporação e evitava a formação de materias melassigenicas, o que nos annos 1905 e 1906 acontecia com o
carbonato de soda, que é melassigenico. Por esta forma o Triple – conservava-se mais tempo limpo.
A borras [sic] nos filtros eram em abundancia.
Siltração[sic] Mechanica: A filtração foi sempre bôa, e como acima digo, havia bastante deposito nos filtros. Nos fins da
Laboração a filtração foi mais dificil, mas talvez devido ao estado adeantado de maturação da canna, que tendo muitas materias
gomosas, prejudicava a filtração. Vi-me na necessidade de empregar tambem no final os filtros do xarope para a feltração do
jus de diffusão, deixando n’esse caso de filtros os xaropes mas a qualidade do assucar turbinado pouco sufreu, porque fazendo
para esperiencia uns trez cosimentos sem egoûts riches, o assucar deu um BB de boa qualidade.
Triple-effet: O triple trabalhou muito bem, não sô devido aos jus de diffusão terem menos saes percipitaveis, mas
principalmente devido á modificação feita na tiragem das aguas condençadas das caixas serem feitas por meios de bomba, o
que era muito mais regular, como tambem pela introdução das aguas amoniacais da 2ª caixa (3ª) passarem á 3ª (4ª) e serem
todas extrahidas pela mesma bomba. //
[154] Xaropes: Os xaropes não sofreram tratamento algum especial sendo tão somente aquecidos e filtrados como no anno transacto.
Cosimentos: Os cosimentos n’este anno foram sempre bons, empregando-se quasi sempre no fim do cosimento os egoûts
ricos, mas feitos de forma especial isto é; lavado nas turbinas, primeiro com muito pequena quantidade d’agua, e depois com a
agua suficiente para a lavagem do assucar sendo sô n’essa occasião que eram modados para egoûts muito ricos, esses egoûts
entravão então no cosimento de 1ª no final.
O rendimento medio da Melasse Cuite % de 1er jet foi de 69,48 kilogramas d’assucar, e do Melaxeur de 2º jet foi de 48,1
kilogramas % [.] O trabalho do melaxeur foi como o ordinario.
No principio fez-se alguns cosimentos de 2º jet (30) para os poços mas deixei de os fazer por não valer a pena, sendo os
egouts enviados á destilleria, depois do épuissement. A quantidade Melasse Cuite % canna foi de 15 litros
Turbinagem: A turbinagem foi feita como nos anno [sic] anteriores, simplesmente nos cosimentos do melaxeur, para dar
mais aviamento, dava-se vapor logo que se deitava a Melasse Cuite na turbina, clariando o assucar muito mais rapidamente.
Rendimento em assucar –– A Melasse Cuite de 1er jet por % de canna foi de 10,7%. O rendimento em assucar de 1er jet foi
n’este anno superior em 0,145 kilogramas d’assucar % canna, e o de 2º jet foi menos 0,150 kilogramas % canna ao de 1906.
Funchal 28 dezembro 1907 [Ass:] João Higino Ferraz //

163 León Naudet.

123
[155] Ensaio de Cannas feito por Dr. Klein 7 junho 1908 Santa Cruz e Machico
Pezo das cannas ..............................................30991 kilogramas
Volume da garapa ...........................................179,50 Hectolitros
Densidade a 20º ...........................107,48
Assucar % centimetros cubicos......15,82
Analyse da garapa Pureza apparente ...........................79,02
Reductores .......................................0,74
Coefficiente glucosico .....................4,67
Beaumé ..........................................10,48
Analyse do bagaço {Assucar % gramas de bagaço —————-7,82
Pezo da garapa 1,0748 x 17950 = —— 19292,66 kilogramas
Pezo da bagaço [sic] por differença – 30991 kilogramas – 19292,66 kilogramas = 11698,34 kilogramas
Extracção ou litros de garapa % kilogramas de canna 17950 litros = 57,92 litros
309,91
Pezo da garapa extrahida % kilogramas de
canna 10748 x 57,92 = 62,25 kilogramas
Pezo do bagaço obtido % kilogramas
de cannas 11698,34 kilogramas = 37,74 kilogramas
309,91
Assucar na garapa por % kilogramas
de canna 15,82 x 57,92 = 9,162
100
Assucar no bagaço por % kilogramas
de canna 7,82 x 37,75 = 2,952
100
Assucar por % kilogramas na canna 12,114
Funchal 8 de Junho 1908. [Ass:] João Higino Ferraz
Xarope concentrado de canna:
30 kilogramas de canna com uma extração de 60º % dá 2,5 litros de xarope em 38º Beaumé = (1350 gramas por litro) 3,370
kilogramas –– 100 kilogramas de canna dá na proporção 11,230 kilogramas de xarope a 38º Beaumé, ou 11 kilogramas em 40º
Beaumé = 7,500 kilogramas assucar n’este xarope
Restará no bagaço assucar correspondente (a 12,5% assucar na canna) 5 kilogramas assucar % de canna. Que pela
diffusão se extraia 4,500 kilogramas <assucar> corresponderá a 6,600 kilogramas de xarope em 40º Beaumé.
Total extrahivel pela diffusão em xarope a 40º = 17,600 kilogramas % kilogramas canna
Vide mais adiante uma analyse. //

[156] Novo processo de destillação directa da canna de assucar, imaginado por mim (João Higino Ferraz) em 1907 – Agosto 1 –
O processo consiste em reduzir a canna a polpa fina, por meio de um apparelho ou desintegrador, e essa polpa depois de
obtida, é deitada <juntamente com agua> em uma espece de melaxeur com jaqueta onde é introduzido o vapor exausto das
machinas e ahi levado a uma temperatura suficientemente elevada (90º a 95º) para fazer a dissolução e a exosmose do assucar
contido nas celulas ou fibras da canna, durante um certo espaço de tempo e de continuo, sendo depois essa massa liquida
arrefecida á temperatura da fermentação, e deitada nas cubas de fermentação, onde toda a massa é sujeita á transformação do
seu assucar em alcool, sendo então, depois de fermentada, destillada em apparelhos apropriados.
Vantagens – Por esta forma de proceder, todo o assucar contido na canna é transformado em alcool, havendo sô as perdas
inherentes á fermentação e destillação.
O gasto de combustivel é muito menor por isso que se emprega somente um apparelho desintegrador, e todo o resto do
trabalho de maceração é feito pelo vapor exausto d’essa mesma machina.
O rendimento em alcool % de canna é o maximo que se pode obter.

124
Projecto d’apparelho: Nota: O apparelho desintegrador Warmoth-Hyatt – da Birmingham Machine and Foundry C.ª,
servirá?
Direcção – Frank S. Warmouth
New Orleans Luisiana
7th Floor Morris Building

Funchal 1 agosto 1907. [Ass:] João Hygino Ferraz //

[157] Considerações sobre a reentrada das aguas de diffusão para 1908, segundo Monsieur Naudet164
Segundo o conselho de Naudet165, os petit eaux e moulin de repression devem ser tratados separadamente, em vista de serem
introduzidos separadamente na bateria de diffusão pela seguinte forma: Supunhamos uma bateria de 12 diffusores:

164 León Naudet.


165 Cf. L. Naudet. La Diffusion ordinaire ne pourrait-elle donner de meilleurs résultats... Paris, 156, Boulevard de Magenta, (1944). Extrait du Bulletin
de l’Association des Chimistes, juillet-août 1942.

125
O Nº 6 será o deffusor em circulação.
O Nº 7 em meichagem.
O Nº 8 Despejado.
O Nº 9 Deffusor <de> cúe[?].
O Nº 5 dito de tete em soutiragem.
Durante a soutiragem abrir V, abrir agua do Nº 11
fechar V fechar agua do Nº 9
Ao fim de 8 ou 9 hectolitros de soutiragem, fechar V, fechar agua do Nº 11
abrir V’, abrir agua do Nº 9
No presente caso, não empregando o ar comprimido para o despejo do diffusour (soutiragem de 8 Hectolitros) de cauda,
teremos muito meior quantidade de petit eaux do que de moulin de repression, por isso que com ar comprimido tiramos 8
Hectolitros, e corre do diffusor (petit eaux) uns 3 Hectolitros aproximados o que faz um total de 11 Hectolitros de petit eaux
Do moulin de repression, contando que um diffusor contenha 350 kilogramas de bagaço, e não empregando o ar
comprimido, este bagaço deve absorver 150% d’agua: temos 525 litros do moulin de repression: será:
Petit eaux –– 1100 litros
Moulin de repression 525 “
dará um total 1625 litros
Procedendo de forma como aconcelha Monsieur Naudet, deveremos metter os moulin de repression no 3º diffusor a contar
do de cauda, na occasião da tiragem do jus ao medidor, mas tirando (como pelo // [158] calculo acima) somente 5 a 5 1/2
hectolitros com o moulin de repression e os restantes com os petit eaux no diffusor de cauda.
Todo o suplemento de agua fresca necessaria é mettida por V’ obrigando de tempos a tempos a uma liquidação forçando os
liquidos assucarados a seguirem a bateria.
Mas segundo o Dr. Claassen (Bulletin Association des Chimistes Nº 6 de Dezembro de 1906 pag. 803) Tabalho[sic] da
beterraba; elle diz:
Convem reentrar as aguas de despejo (petit eaux) dos diffusores e as das presses-cossetes separadamente na diffusão, ou
depois de as ter mesturado, e ter agua fresca como complemento?
Suponhamos que temos estas aguas separadas de maneira a fazer reentrar, durante a meichagem, primeiro a agua das prensas
(moulin de repression), que é a mais rica em assucar, depois uma parte das aguas de despejo dos diffusores (petit eaux) e em
seguida, emquanto o jus de diffusão sai da bateria, (soutiragem) primeiro o resto da agua dos diffusores (petit eaux) e em
seguida agua fresca. Que acontecerá?
Depois da meichagem, a agua das prensas encherá a parte inferior do ultimo diffusor e uma parte da tuboladura, em quanto
que a agua de despejo dos diffusores encherá a parte superior do ultimo diffusor. Depois durante a soutiragem do jus, a agua
das prensas passará á parte inferior do penultimo diffusor e mesmo á parte superior do diffusor seguinte, emquanto que a agua
de despejo dos diffusores encherá o penultimo diffusor.
Procede-se depois ao despejo do ultimo diffusor, e introduz-se as agua [sic] das prensas no penultimo diffusor. Esta agua
seguirá a agua de despejo dos diffusores que é menos rica; há pois paragem no epuisement das cossettes.
Por conseguinte, é mais logico e mais simples mesturar as trez aguas, e reentrar a mestura uniformemente na diffusão. Julho
– 1907. [Ass:] João Higino Ferraz //
[159] Temperatura da bateria de diffusão em 1908 (março 30 a 31)
Quando a Fabrica estava em marcha regular acontecia muitas vezes que tanto a soutiragem como a maixagem pela verde
era lenta; depois de se procurar as causas de esta lentidão viemos ao conhecimento que a verdadeira causa era a temperatura
alta da bateria, que, formando vapores na tuboladura verde impedia a sahida do lequido. Montamos umas pequenas torneiras
na parte superior de cada tubo de soutiragem quasi junto á valvula:
Com as temperaturas, altas ou baixas tiramos o resultado seguinte:

126
Em 30 de março, bateria muito quente: –– Em 31 de março, bateria mais fria:
Trabalhando os dois pequenos calorizadores –– Não trabalhando os calorizadores
No fim da soutiragem dos 8 Hectolitros com ar –– No fim da soutiragem dos 8 Hectolitros com ar:
Diffusor em circulação 92º a 97º == O corespondente ————————- 89º a 93º
“ Nº 1 —————————- 92º == “ ————————- 87º
“ Nº 2 —————————- 89º == “ ————————- 80º
“ Nº 3 —————————- 87º == “ ————————- 75º
“ Nº 4 —————————- 85º == “ ————————- 70º
“ Nº 5 —————————- 84º == “ ————————- 66º
“ Nº 6 —————————- 83º == “ ————————- 63º
“ Nº 7 —————————- 81º == “ ————————- 61º
“ Nº 8 —————————- 76º == “ ————————- 60º
“ Nº 9 —————————- 71º == “ ————————- 58º
Temperatura petits eaux 64º reentregação = ——————— - 57º
Analyse dos petits eaux das duas esperiencias:
Pela forma acima – Moulin de repression assucar % 0,73 = Moulin repression – 1,18%
Petits eaux – “ – 0,32 = Petites eaux – 0,89%
Como bem se vê o aquecimento é de grande vantagem no epuissement do bagaço que vão aos moinhos de repressão.
Nota: A temperatura da agua ou petit eaux que entram na bateria, quando aquecidas por rechaufeurs, devem ser
conservadas n’uma temperatura de 50 a 60º mas n’unca superior a 65º, para não enpedir a circulação. //

[160] Processo de diffusão ou maceração continua directa da canna em cossetes ou do bagaço de João Higino Ferraz
A questão principal para a economia e regularidade de trabalho com epuissement maximo é o emprego da diffusão ou
maceração continua: Parece-me se poder obter este desideractum com o apparelho abaixo descripto:
Sechema do apparelho

127
O apparelho é composto de elementos impares A, B, C, D, E, em meior ou menor quantidade conforme a materia a tratar
for mais ou menos rica em assucar. Estes elementos tem envelope para vapor para dar o aquecimento necessario e teem todos
um elice elycoidal cujo movimento é dado pela rodas [sic] de ingrenagem K1 a K5 em movimento contrario como mostra a figura
O. A materia a tratar (canna em cossetes, bagaços ou beterraba) cai no tremis (muega) G a qual é forçada a seguir o sentido da
flecha em virtudo do elycuidal até chegar ao elemento F com a inclinação de 45º, e de ahi ás prensas para extração da agua.
A agua para a deffusão ou maceração segue um movimento contrario entrando em I e sahindo em J a um tremis e depois á
Fabrica. Os elices elycoidales são transforados de forma a deixar passar o liquido sem contudo deixar passar as cossetes ou
bagaços.Funchal 26 dezembro 1907 [Ass:] João Higino Ferraz //

[161] Aquecimento ou temperatura da bateria em comparação de 1907 e 1908


sem rechaufeurs com rechaufeurs
1907 = 8 diffusores –– Nº 1 agua ———- 30 = 1908 = 12 diffusores – Nº 1 agua 57º

{ }
“ “ Nº 2 ——————- 45º = “ “ Nº 3 ——— 69º
Antes da soutiragem

Durante a soutiragem de 8
“ “ Nº 3 ——————- 59º = “ “ Nº 4 ——— 77º
com o ar

Hectolitros com ar
“ “ Nº 4 ——————- 68º = “ “ Nº 5 ——— 82º
“ “ Nº 5 ——————- 74º = “ “ Nº 6 ——— 82 1/2º
“ “ Nº 6 antes de Nº 7 ——— 82º
soutiragem ——- 80º = “ “ Nº 8 ——— 83º
“ “ Nº 7 em circulação 95º = “ “ Nº 9 ——— 87º
Nº 10 durante
soutiragem 93º
Nº 11 em circulação 98º
Tinhamos em 1908 dois rechaufeurs, aquecidos pelo vapor da 2ª caixa do triple um para os petits eaux e outro para o moulin
de repression, e quasi toda as [sic] aguas amoniacais do triple entravão no pequeno tanque dos petits eaux para complemento
da agua necessaria e ainda ás vezes alguma agua fria. A temperatura da agua ao sahir dos rechaufeurs num trabalho corrente era
de 55º a 57º centigrados.
Vi que seria ainda de grande conveniencia ter mais um tanque pequeno para ser n’elle deitada sô aguas amoniacas do triple
e a agua pura necessaria e os petits eaux num tanque tambem separado, mas ambos elles ligados á mesma bomba centrifuga.
Em 1908 empregou-se os tanques seguintes:
3 de 80 Hectolitros para os moulin de repression fazendo somente as liquidações do fundo dos tanques que representavem
aproximadamente 18 Hectolitros
cada uma
1 pequeno tanque de 35
Hectolitros para os petites eaux e
aguas amoniacas ou fresca.
Tanto a primeira sere de tanques
de 80 Hectolitros como o pequeno
de 35 Hectolitros heram com bomba
centrifuga “Vauquier” separada.
Em cada tanque de moulin de
repression fazia-se uma liquidação
dos pés que representava 18
Hectolitros. Pelo calculo feito
regulava a 2 Hectolitros por
deffusor (1470 kilogramas canna).
//

[162] Sechema da diffusão


Naudit[sic] para canna de assucar
com 12 diffusores

128
Diffusores de 30 Hectolitros podem fazer bem
Com perção 1 1/2 kilogramas, 300 toneladas de canna em 24 horas
Com perção de 1 1/2 kilogramas fazia-se 225 toneladas 24 horas
Diffusores de 25 Hectolitros { Dito de 2 kilogramas fazia-se 300 toneladas 24 horas
12 Diffusores de 25 Hectolitros
Montagem como está feita na Fabrica
de William Hinton & Sons – Funchal
em 1908 com 12 diffusores de 25 Hectolitros
Funchal 25 Fevereiro 1908. [Ass:] João Higino Ferraz

[163] Notas sobre a diffusão de 1908


Perção da bateria: Os petits eaux e moulin de repression eram deitados em tanques separados, e para o servisso d’elles
tinhamos duas bombas centrifugas “Wauquier” que podião fazer uma perção sobre a bateria de 2 kilogramas dando 1200 voltas
por minuto.
Fazia-se primeiro a soutiragem de 8 Hectolitros com ar comprimido, e os restantes com os petits eaux ou moulin de
repression alternadamente.
Soutiragem: A soutiragem tanto para o tanque de medida como para a meichagem pelo tubo verde, era algumas vezes dificil,
devido naturalmente aos vapores ou gazes que se formavam no tubo. Liguei-os nas duas extremidades pondo-lhe uma torneira
de sahida d’ar, como no desenho abaixo:

Em trabalho regular tinhamos 8 diffusores em bateria, um em soutiragem, um em circulação, um meichando e um


despejando, pela forma abaixo:

129
Nota: Quando se trabalhe com a bateria bastante quente (o que deve ser sempre) deve haver em todos os tubos de
soutiragem, junto a valvula uma pequena torneira de descarga de vapor ou ar. //

[164]166 Entreneur de bagaço montado na Fabrica do Torreão em 1908

[Ass:] Ferraz //
[165]167

[166] Triple-effet com prelevement: Fabrica do Torreão 1908

166 As páginas 164 e 165 constituem o retro e o verso de uma folha (31,3 cm x 21,5 cm) que foi anexada (colada) à margem interior da página 166.
167 A página 165 não contém qualquer escrito.

130
Trabalho de 300 toneladas de canna em 24 horas
Com o apparelho limpo podia-se fazer perto de 400 toneladas canna
Cuites da Fabrica do Torreão em 1908.
Os melaxeurs no vacuo para trabalharem bem devem ter sempre um vacuo de 27” a 28”
Nota: Os malaxeurs do systema J. Bragot e (abertos) H. Tourneur são melhores que os que pessoimos:
Vantagens: – Arrefecimento mais rapido (7 a 8 horas).
Melasse Cuite homogenia e uniformemente arrefecida.
Redução do numero de malaxeurs
Economia do preço da instalação

131
Os pés de cuit[sic] tanto para a Freitag como para os melaxeurs eram ao principio sempre feitos no cuite de 64 Hectolitros
para ter um grão pouco nutrido.
Verificamos depois que se podia greiner no cuite Freitag, e passar d’essa aos malaxeurs.
Malaxeurs abertos: 2 de 250 Hectolitros
2 de 100 Hectolitros
2 de 75 Hectolitros
Seis turbinas Weston.
Separação dos egouts, entrando os egouts riches na Caldeira Freitag de cuite vierge. Algumas vezes no pé de cuite dos
Melaxeurs
Querendo sô fazer typo B2 pode entrar no cuite vierge do Freitag uns 50 Hectolitros d’egoût pauvre de F
Trabalho de 300 toneladas de canna 24 horas //

[167] Agua de condensação para uma columna barometrica central


O Calculo para a quantidade d’agua necessaria á condensação dos vapores do triple e caldeiras de vacuo, n’um condensador
barometrico central (agua a 18º Centigrados temperatura, vapor a 72º Centigrados) é feito na seguinte proporção:
Para cada tonelada (1000 kilogramas) de canna e por segundo 0,16 litros
Ex: Para uma Fabrica de 300 toneladas em 24 horas = 0,16 x 300 = 48 litros por segundo
Dito dito de 400 dito = 0,16 x 400 = 64 litros dito
20-Junho 1908 [Ass:] João Higino Ferraz
Fabrica do Torreão – 1908
Engenho fornecido em 1907 por Harvey Eng.ng C.oy Glasgow de 8 cylindros (rolos) com um sô motor de 240 cavallos força
<O.P.[sic]> (224 West Street)
0,61 metros x 1,42 metros composto de: 2 rolos defibradores de 24” x 56”
0,71 metros x 1,52 metros 1º engenho 3 rolos vincados de
“ “ 2º “ “
28” x 56” 168
28” x 56”
}
para 350 toneladas em 24 horas com
Conductor de canna 5000 libras
Cylindro de vapor 25” x 48”
Fabrica do Torreão – 1908
6 turbinas do systema “Weston” de motor a agua
Diametro interior 0,76 metros (panier)
Segundo o Cuiseur-Chimiste Paul Henôt (1908) era melhor ter em logar dos melaxeurs no vacuo, uma caldeira de vacuo
de 150 Hectolitros com caixa tubular para vapor exausto, e com parafuso d’Archimedes central para a malaxagem da masse
cuite, sendo ahi alimentados todos os egouts a impobrecer sobre um pé de cuite virgem
O calculo para as caldeiras de vapor empregando o bagaço e carvão de pedra, em caldeiras separadas, é de 2,5 a 3 metros
quadrados de superfice de aquecimento por tonelada de canna:
Na fabrica do Torreão em 1908 tinha-mos a superfice de 970 metros quadrados para um trabalho de 320 toneladas em 24
horas o que será 3,03 metros quadrados por tonelada, mas contando com a destilleria e serragem de madeira //

[168]169 Circulação forçada e defecação, na diffusão de canna.

168 Entre estes algarismos («56”») e a chaveta, nesta linha, grafou o autor, em números e letras de corpo menor: «0,71 metros x 1,42 metros».
169 As páginas 168 e 169 constituem uma folha (com as mesmas medidas daquelas que pertencem de facto ao livro) que foi anexada à página 170.

132
Nota: Abril 1908: Esta forma de Montagem deu bom resultado, desde o momento que a bomba centrifuga de forçagem dê
1200 voltas por minuto.
Nota: Para que a defecação da garapa de canna se faça bem é necessario que a temperatura atinja pelo menos 95º a 98º graus
de temperatura: Como na circulação forçada todo o liquido a defecar era obrigado a passar no diffusor, succedia que a perção
feita sobre o bagaço acompanhado das borras de defecação impedia depois a circulação da bateria. Para evitar essa
contrariedade, pensei em colucar uma valvula A entre o ultimo rechaufeur e o diffusor, ligando depois essa valvula ao
compensador, de forma que, diminuindo a secção de sahida da valula B o excesso de liquido sahindo pela valvula de segurança
A passaria novamente ao compensador e assim a deffecação seria feita mais entre os rechaufeurs e o compensador, e o deffusor
serviria sô como filtro para as borras da defecação. //
[169]170

170 A página 169 não encerra qualquer informação.

133
[170] Fabricação de 1908. Má Sutiragem da bateria em 13 a 16 abril: suas causas:
A 13 de abril de 1908, depois de termos feito anteriormente uma soutiragem regular, principiamos a dificuldade na
soutiragem e meichagem dos jus e diffusores. Procurámos por todas as formas saber a causa: 1º se seria de qualquer tubo ou
turneira obstruida com bagaço. 2º se siria[sic] da alta densidade do jus de diffusão que chegou a marcar 6,8 de densidade! 3º se
seria dos petits eaux ou moulin de repression, por estarem muito carregados de borras. Nenhuma d’estas era a causa da má
soutiragem
Depois de muito pensar, experimentei trabalhar sô com 9 diffusores em logar de 12. Cousa estopenda! a bateria principeou
a trabalhar bem, soutirando e meichando rapidamente:
Qual a causa d’isto? A meu ver a unica causa é a canna ter sido apanhada há muitos dias, por isso que tinhamos um stock
bastante grande d’ellas e naturalmente tambem apanhadas já alguns dias antes. O principal é, e que prova bem este minha
maneira de vêr, que de dia para dia (13 a 16) as defficuldades de soutiragem e meichagem hiam augmentando successivamente.
Por que é que a canna cortada á muitos dias produz esta má cerculação na bateria? Parece-me que será devido a gomas que
se formem na canna, da mesma forma que quando ella passa do seu estado de maturação, a filtração do jus de diffusão é dificil
de se fazer bem nos filtros mechanicos. Funchal 16 abril 1908 [Ass:] João Higino Ferraz
Vide a nota seguinte:
A quantidade de diffusores maxima por 12 horas n’uma media de 3 dias foi de 110 com carga de 1350 kilogramas de canna
(Deffusores de 25 Hectolitros) = 220 deffusores em 24 horas = 297 toneladas de canna (bagaço não miudo). //

[171] Fabricação de 1908 Diffusão. Outra causa de má soutiragem em 25 abril


A bateria que tinhamos era de 12 diffusores de 25 Hectolitros e como mais atraz se vê sô brabalhamos[sic] com 8 durante
um serto tempo (emquanto durou a canna estragada), depois com canna fresca mettemos em bateria 10 diffusores, trabalhando
os moinhos bem e sahindo o bagaço bem miudo: A este tempo a bateria principiou a tirar mal; vendo que a causa era o bagaço
muito miudo, tratei logo de alargal’os um pouco, sahindo o bagaço em pedaços um pouco meiores, mas ainda em bom estado
de defibração. A bateria principiou a trabalhar perfeitamente, tirando de 8 a 10 e algumas vezes 11 diffusores por hora. Quiz
depois experimentar metter 11 diffusores; durante umas 18 horas trabalhou bem, mas depois principiou novamente a tirar mal.
Eliminei um diffusor novamente (ficando com 10); a bateria principiou emediatamente a trabalhar bem como dantes. Contudo,
o bagaço foi sempre normal. Qual a causa de esta má soutiragem? É isso que não pude bem determinar.
O que vejo é que, para bem trabalhar a bateria não deve ter em trabalho mais que 10 diffusores, ainda que ella seja de 12
como há vantagem, desde o momento que a soutiragem se faça bem, para podermos metter em bateria mais um ou dois, para
que se faça bem o épuissement do bagaço.
Acho porem que, para fazer 300 toneladas de canna em 24 horas, os diffusores devem ser de 30 Hectolitros, para que o
trabalho se faça bem feito e com bom épuissement, e defecação. Funchal 28 abril 1908 [Ass:] João Higino Ferraz
Nota importante: Como empregava sempre o baryte nos tanques de medição, o jus de diffusão mesmo depois de filtrado
continha sempre em grande quantidade de percipitados barytiques, que prejudicava o xarope tornando-o turvo e o assucar
parecendo sujo; passei a deital’o no compensador logo que o liquido n’elle contido estava defecado, dando bom resultado,
sahindo o jus de diffusão muito mais brilhante, e depois de filtrado com muito melhor aspecto, assim como o xarope tambem.
Não prejudicava a circulação da bateria. //

[172] Fabricação de 1908 Diffusão – Defecação na bateria:


Com o trabalho rapido da bateria (9 a 10 deffusores por hora) a defecação não era tão perfeita como quando se fazião
somente 6 a 7 deffusores por hora, e isto ficou bem provado por isso que no principio da Fabricação quando se faziam somente
6 a 7 diffusores o assucar de 1er jet era mais branco, e ainda em 1907 quando somente se fazião 5 e muitas vezes 4, o assucar
n’este anno foi muito mais claro do que em 1908. O trabalho, tanto da sulfitação como todo o outro era o mesmo nos dois annos.
O que é de grande conveniencia, era aquecer a garapa fulfitado[sic] e alcalinisada a frio antes de entrar na bateria, e isto com
um ou dois rechaufeures aquecidos pelo vapor de prelevement da 1ª caixa do triple, obetendo temperaturas de 60º a 70º. Isto
faria com que o trabalho dos rechaufeurs da bateria seria mais rapido tendo naturalmente temperaturas sempre superiores a 95º
e por conseginte defecação mais perfeita.
Nota: Fez-se esta montagem, aquecendo a Funchal 6 maio 1908
garapa em 2 rechaufeurs e deu o resultado previsto. [Ass:] João Higino Ferraz
– 24-5-908

134
Rehentrada dos Petits eaux e moulin de repression Em 1908
N’este anno principiei por fazer a reentrada dos petits eaux (eaux de vidange des diffuseurs) e mulin de repression
separadamente, entrando 1º os mulin de repression logo a seguir ao ar comprimido na occasião da soutiragem até terminal’a, e os
petits eaux quando se fazia a meichagem com o jus de diffusão. Em 8 de maio, Monsieur Naudet171 proponha uma modificação de
marcha devidindu-o em 2 sous batteries, onde uma das modificações era metter os petits eaux e mulin de repression 2 diffusores
antes da soutiragem ao compensador. Querendo experimentar somente esta forma de trabalho, fiz metter os petites eaux e mulin
mesturados 3 diffusores acima do diffusor de cauda e sô mettendo agua puro no diffusor de cauda que se fazia a meichagem de
um diffusor. O resultado foi a batteria principiar a tirar mal e chegou a tal ponto que mal se percebia a sahida ao medidor, e a
meichagem tambem bastante deficil. Cortei o mal trabalhando como d’antes. 19 maio 1908 [Ass:] João Higino Ferraz//

[173] Fabricação de 1908. Diffusão. Rehentrada dos petits eaux e agua continuadamente. 25 maio 1908
Monsieur L. Naudet propoz a introducção dos petits eaux e agua continuadamente, isto é, depois de tirar os 8 ou 9
Hectolitros com o ar (n’esta occasião os petits eaux <e agua> estão fechados) no diffusor de cauda mette-se a agua no seguinte
e os petits eaux logo no outro seguinte, e assim sucessivamente. Esta forma de trabalho deu bom resultado.
Experimentamos tambem despresar as aguas de despeijo do deffusor: O resultado da analyse foi a seguinte:
Trabalhando a bateria completa de 12 diffusores, e fazendo 10 a 11 deffusores por hora: Analyse da 11 horas a 4 horas
(Principio do trabalho
Moulin Vidange
Zamaron Densitee Sucre –– Densite Sucre
Media de 12 horas
Sucre % de bagasse 1,89 –– 1,32 = 2,12 –– 0,71 = 0,96
Eaux des moulin = 1,72 %
“ “ 1,43 –– 1,17 = 1,88 –– 0,44 = 0,72
centimetros cubicos assucar
“ “ 1,43 –– 1,20 = 1,89 –– 0,62 = 0,80
Eaux de vidange = 0,45 %
“ “ 1,49 –– 1,17 = 1,95 –– 0,55 = 0,87
centimetros cubicos assucar
“ “ 1,17 –– 1, 01 = 1,59 –– 0,54 = 0,70
28/5/908
“ “ 1,30 –– 1,23 = 1,86 –– 0,73 = 1,18
No proximo anno de 1909 deveremos montar mais um tubo na bateria para a agua pura, deixando o da agua que actualmente
existe para os petits eaux pela forma do crokis abaixo:
Forma da caixa das torneiras:

171 León Naudet.

135
[174]172 Decantação dos petits eaux:
Calculando que 100 kilogramas de canna dá 100 litros de petits eaux, fazendo 300 toneladas de canna em 24 horas seram
3000 Hectolitros de petits eaux
Se para a decantação são necessarios 1 1/2 hora, nas 24 horas serão 16 vezes 1 1/2 hora.
Em cada 1 1/2 hora teremos 187 Hectolitros de petits eaux
Em cada hora 125 Hectolitros. Sendo a capacidade total dos decantadores 320 Hectolitros teremos 320 = 2,5 horas (Duração
da passagem.) 125

A passagem dos petits eaux (de 300 toneladas de canna) n’este decantadores [sic] prefaz o tempo de 2 1/2 horas.
Devem ser decantadores dobrados, isto é, em duas series para se lavar um emquanto passa no outro. Funchal 10 maio 1908
[Ass:] João Higino Ferraz //
[175]173

[176]174 Sichema a montar em 1909. Reglage de la baterie à Vitesse Uniforme de meichagem com jus. L. Naudet175 e Ferraz

172 As páginas 174 e 175 constituem uma folha (com medidas semelhantes àquelas que compõem de facto o livro) anexada à margem interior da página
173. Nesta situação estão também as páginas 176 a 178.
173 Esta página encontra-se em branco.
174 As páginas 176 e 177 constituem uma folha (26,3 cm x 19,7 cm) anexada à página 173. A informação da página 176 está disposta na horizontal.
175 León Naudet.

136
Meichagem pela forçagem com jus, circulação, introdução da garapa e soutiragem do jus ao compensador, soutiragem da
garapa e jus restante aos medidores
Tanto de Vesou como a meichagem é feito pelo tubo control[sic] (Antiga entrado[sic] o Vesou. A valvula reguladora serve
para regular a tiragem de deffusores por hora que se queira fazer. Tanto o petits eaux como a agua entrão constantes [.] O Bac
compensador ou de meichagem é fechado tendo um tubo de 8 metros de altura e recurvado aos tanques de medida, no caso de
encher de mais [.] A meichagem é feita com a Forçagem. Funchal 26 maio 1908 [Ass:] João Higino Ferraz //

[177] – Considerações –
Pelas esperiencias feitas em 1908, vi que os dois rechaufeurs da bateria, quando se queria limpar um rechaufeur e n’esse
caso trabalhava-se sô com um o aquecimento era um pouco demorado, dando como causa a lentidão do trabalho da bateria, mas
aquecendo bem o vesou nos dois rechaufeurs, ainda assim o trabalho corria regularmente, e como o tempo de limpeza n’unca
é superior a 2 horas, pouca diferença pode fazer; alem d’isso os rechaufeurs sô são limpos de 2 em 2 dias.
31-5-908
Com a introdução da garapa no Compensador, e meichagem pelo dito Compensador, o tassement do bagaço, não era
possivel fazer-se, de forma que a carga por diffusor regulou a 1253 kilogramas de canna a sua correspondencia em bagasso, e
os Hectolitros de vsou[sic] a 8 por diffusor. Fazião-se na media 244 diffusores em 24 horas o que correspondia a 305 a 310
toneladas de canna.
A soutiragem era de 13 Hectolitros de jus de diffusão por diffusor.
– Eaux de Vidange – 1-6-908
A 1 de Junho tornei a empregar as aguas de despejo dos deffusores para reehentrada na bateria, por isso que pelas analyses
feitas vi que a media em assucar era de 0,55% centimetros cubicos, ora como a quantidade de agua por diffusor (tirando com
ar 9 Hectolitros) era aproximadamente 2 Hectolitros representava por % de canna 0,09 kilogramas cuja perda não é muito
grande mas que em 300 toneladas de canna sera no fim das 24 horas será 300 kilogramas assucar //

137
[178]176 Fabrica do Torreão COMPTE DE FABRICATION

138
Du 7 de mars (16) au 24 juin 1908.

á ce jour ............................. 21527003 Volume total du jus de canne ..........................132887. . . . Hectolitres


CANNES TRAVAILLES anterieurment __________. .......“...... Id. Id. de diffusion..........................................213918. . . . »
semaine .............................
{ .......“...... Jus dans la canne ............................. . . . . . . . . . »
á ce jour ............................. 15836 Litre de jus de canne obtenue por 100 k. de canne . . . . . . 61l,57 (66K,03)
NOMBRE DE DIFFUSEURS anterieurment ________.... .......“...... Id. de jus de diffusion id. ..............................id. . . . . . . . 99l,37
{
semaine ............................. .......“...... Canne employee par Hect. de jus à une degré . . . . . . . . . Kilog.
Charge moyenne par diffuseur ................................................ 15836K Densité moyenne do jus de canne a 20º. 7,25 sucre % 15,88 Pureté 79,19
Id. id. hect. de capacité du diffuseur ...................... 54,36 Id. “ do jus de canne a 20º. 5,63 id. 12,31 id. 81,30

Hect. masse cuite 1.er jet donnant Kilog. de sucre à 1 Hect


SUCRE TURBINÉ Cristallisé 1.er jet 1.149.146 Kilog soit 5,337 % .............. cannes á ........................... . % ................
(1) Melaxeur { 640279 » » 2,975 % 8,312 » ........................... .. % ................
}
500. Hect. Masse cuite 2.e jet á 33711 » » 0,156 % .............. cannes á .......................... .. % ................
(2) Sucre dans les melasses ..............543046 » » 2,522 % .............. cannes á ......................... ... % ................
Total sucre 2366181 Kilog soit 10,990 % .............. cannes á o Coefficiente.0,80 % 12,304
Prise en charge á .................... » » 12,232 % .............. » ............................ . % ................
Difference 1,242
Bagasse a 30K % 0 6458.000 Kilog soit 4K,17 - 1K carvão 1548 toneladas carvão Kilog de canne en 24 heurs (moyenne) 234 toneladas

CONSOMMATION DE:
Total Par % K de canne Par % K sucre Par 24 heures
Turbinado
Charbons 1491090 Kilog 6K,92 !!! 83K,32 16207 Kilog
K
Chaux 10920 Kilog 0 ,0507 = 1,5 reis 0K,610 118,700
Soufre 3822 Kilog 0K,0177 = 1,7 reis 0K,213 41,500
Baryte 8219 Kilog 0K,0381 = 7,6 0K,459 89K,300
10,8
Serviettes Kroog. =1
{ Phileppe
Huiles = 2
13,8
Custo do carvão a 8000 reis a ton. = N. 11:928$000 reis 55,4 reis 666 reis 129$652 reis
Pessoal N. 20:000$000 reis 92,9 reis 118 reis 217$390 reis
13,8
Total 162,1
C/. Fabrico % K canna – 200 reis
Le chimiste Le directeur technique
[Ass:] A. Gaulet [Ass:] João Hygino Ferraz
176 Anexada às páginas 173 e 179, temos uma folha (34,6 cm x 29,2 cm, em papel), que foi dobrada e assim colada às referidas páginas. Como se constata, por se tratar de um formulário da «Fabrica do Torreão» onde eram usadas
abreviaturas de unidades de medida, e por se tornar quase impossível, desdobrando todas as abreviaturas e siglas, reproduzir aqui esse mesmo formulário dactilografado, bem como as palavras manuscritas que o acompanham,
optámos por, de forma excepcional, manter quase todos os sinais convencionais nele usados. O leitor será capaz, com certeza, a partir das abreviaturas e respectivos desenvolvimentos fornecidos na Introdução, percepcionar de
forma plena a informação veiculada. Os numerais inscritos na primeira parte do formulário, na sua maior parte, não foram grafados por Higino Ferraz. O mesmo já não se passa com a informação presente na tabela encimada
pelo título «CONSOMMATION DE:». Por sua vez, quase todos os informes grafados após as «Observations», que são manuscritos, estão, como se vê, em francês e não saíram do punho de Higino Ferraz.
Observations
(1) deduction faite su sucre rentré dans la batterie et evalué en raffiné
(2) Melasses envoyés a la Distillerie 977168K contenant 399163K de sucre
Egouts à recuire 212100K “ 143883K “ “
1189268 543046
Moyenne des essais de bagasse em Zamaron 0,47
Glucose dans le Vesou 0,77
Sucre Clerget des melasses envoyées a la Dissilerie 44,58
Nota: Nesta conta de combustivel e pessoal está incluida a destillação 738 toneladas de melaço da Fabricação.
Em 30 kilogramas de canna
Despezas de fabrico = 49 reis
resta = 11
Conta do assucar pelo Escriptorio = 1.810.379K 92 dias de Laboração 60 reis por 30K
O gasto total de combustivel (bagaço e carvão) foi de 141 kilogramas carvão por tonelada de cana (calculo de 4,17
kilogramas bagaço = 1 kilograma carvão) //

[178 b]177 1909 = 30500 toneladas Para 27000 toneladas canna


23750K Cal ..............................................20000 kilogramas = ———— 600$000 –– 30 reis kilograma
5900 Enxofaro .......................................5000 kilogramas = ———— 500$000 –– 100 reis “
11540 Baryte ........................................10,000 kilogramas = ———— 2000$000 –– 200 reis “
Acido suffurico ligeiro....................700 kilogramas = ———— 245$000 –– 350 reis “
Pô de aliminium .............................100 kilogramas = ———— 100$000 –– 1000 reis “
Blankite...........................................450 kilogramas = ———— 610$000 –– 1350 reis “
Kieselguhr.....................................6500 kilogramas = ———— 504$000 –– 80 reis “
Formol a 40% ........................................1200 litros = ———— 360$000 –– 300 reis “
Total 4919$000
sai a 218 reis por 100 kilogramasassucar
“ 18,53 reis por 100 kilogramas canna }
Pessoal por 100 kilogramas canna – 93 reis
carvão “ “ – 55,4
Limpeza do Triple-effet – Soda Caustica 3000 kilogramas = 240.000 reis Productos chimicos “ – 18,6
“ acido chlorhydrico 35 garrafas = 140.000 Total 167,0
380.000 1,4
sai a 16 reis por 100 kilogramas assucar Total 100 kilogramas canna 168,4 reis
“ 1,4 reis por 100 kilogramas canna } Fabrico de 200 reis por 100 kilogramas canna dá

[179] Emprego do Formol na Fabricação 1908 Durante 2 mezes (Março e Abril)


O Emprego da solucção de formol a 5% foi feita á sahida da canna de defibrador em pequenas gotas sobre a canna esmagada
n’um tubo transfurado, sendo o tanque reservatorio colucado 6 metros acima dos moinhos.
– Considerações –
1º – O formol deve ser empregado em solução de 5% (Formol a 40%)
2º – A solução de formol deve empregar-se d’esde o começo da fabricação, isto é, logo á sahida do bagaço do primeiro
moinho, por meio de um tubo transforado com pequenos furos, que será regulada a sua sahida por meio de uma pequena
torneira, deforma que em cada 5000 litros de garapa extrahida corra sobre o bagaço 5 litros de solução de formol.
Fazendo um trabalho diario de 300 toneladas de canna em 23 horas com uma extracção media de 67 litros de garapa % serão
201000 litros de garapa que se empregam 201 litros de solução de formol (ou 10 litros de formol a 40%). Isto representará 0,15
litros por minuto que deve correr no tubo transforado.
3º A solução de formol deve ser feita ao principio com agua bem pura exempta de pequenos matos (agua de fonte) que
177 Dissemos na nota anterior que a folha 178 foi dobrada e inserida, por colagem no livro. O seu verso contém informação; não foi, porém, numerado por
Higino Ferraz, pelo que apomos a numeração de 178 bis, à imagem do que fez em ocasião anterior o próprio Higino Ferraz.

139
possão obstruir os furos do tubo, (em 1908 empregamos sempre agua de fonte visto as aguas amoniacais do triple entrarem
todas na diffusão) e quando haja aguas amoniacaes do triple deve ser dessolvido n’essa agua, que deve conter algum formol (?)
devido á evaporação.
Fazendo n’um anno 21000 toneladas de canna são necessarios 720 litros de Formol a 40%
Resultados praticos –
Os resultados do emprego do Formol não pude apercial’os nos seus effeitos geraes, mas vejo perfeitamente que algum
beneficio fez com relação á conservação dos jus e egoûts, por isso que n’este anno a quantidade de espumas dos égoûts
(fermentações anormaes) foi em muito menor quantidade, com[sic] se vê:
21000 toneladas canna Na laboração de 1907 –
Espumas contadas em Melaço 106.123 kilogramas
23000 toneladas canna Na laboração de 1908
Espumas contadas em Melaço 25.865 kilogramas
Onde o formol fez tambem muito effeito foi na conservação da pureza da canna, polverisando as estremidades da canna
com a solução de formol [Ass:] Ferraz //

[180] Emprego da resinose na fermentação do melaço da canna da Madeira em 26 novembro 1908.Resultados praticos
Maneira como operei: O fermento era feito no apparelho Barbet sendo esterelisado o mosto e acidulado a 1 grama por litro
em acido sulfurico – e 0,05 de fluorydrico por litros, mas com resinose.
O mosto geral desfeito a 7,5º Baumée acidulado a 1 grama por litro d’acido sulfurico e 0,02 gramas de fluorhydrico por
litro. No desfazedor ou preparador do mosto juntei 1,400 kilogramas de resinose por 55 Hectolitros [.] O fermento depois de
bem desenvolvido no desenvolvedor apropriado (Vede mais adiante) onde ze[sic] lhe juntou mosto resinado. As cubas foram
cheias como da maneira ordinaria. (Vede Nota)
Resultados da analyse do vinho:
Aparencia da fermentação: A fermentação tomou um desenvolvimento bem determinado, formando contudo á superfice
menos espumas; a temperatura na actividade da fermentação chegou a 35º centigrados
Estado microbiologico da fermentação geral: Analysada ao microscopio a fermentação de uma cuba depois de 24 horas de
fermentação mas ainda com bastante desenvolvimento, mostrou um estado quasi puro podendo-se considerar puro. Menos
duração de fermentação, sendo necessario trabalhar sô com metade das Cubas.
Comparação de resultados:
Cubas não resinadas cubas resinadas:
Melaço não esterelisado
Densidade Beaumé inecial 7,5º ––– 7,75º
Melaço esterelisado:
Acidez inecial ———————— 1,40 gramas por litro ––– 1,30 gramas por litro
Densidade final ——————— 2,27º Beaumé ––– 1,99º Beaumé
Acidez final ————————— 1,90 gramas por litro ––– 1,60 gramas por litro
Alcool % litros vinho ———- 4,5 litros % a 100º a 15º ––– 4,9 litros % a 100 a 15º (Na proporção
<da densidade> devia dar 4,65 litros)
Infermenticiveis ——————- 0,920 kilogramas por Hectolitro ––– 0,674 por Hectolitro
Rendimento real por Hectolitro 4,520 litros alcool a 100º ––– 5,110 litros alcool a 100º a 15
A qualidade do alcool bruto era muito melhor das cubas resinadas do que o das outras, não mostrando gosto algum de resina.
O Vinho muito mais leve para a destillação, e essa mais regular. Os fundos de cuba (borras) eram mais duros e em menos
quantidade, sahindo o vinho sempre claro até ao fim. Analyse do alcool bruto a 41 1/2 Cartier pelo processo Barbet – Methodo
A – 21 1/2 minutos
Nota: No Bulletin da Associação dos Chimicos – Tomo XXV – 1097[sic]-1908 – pag 221, tem a explicação do processo feito
por Monsieur L. Levy e 1908-1909 – Tomo XXVI pg 69
Nota: O melaço para a fermentação geral não foi esterelisado: Os resultados praticos são concordes, como diz L. Levey. //
[180 b]178 Esperiencia de laboratorio com mosto de (2 litros) melaço resinado, em fermentação ao abrigo do contacto do ar
com mosto de fermentação geral e fermento (50 centimetros cubicos) do apparelho Barbet, conservada a temperatura a 32º
centigrados.

140
27 Novembro 1908 (destillado a 1 Dezembro)
Densidade inecial ––– 7,75 Beaumé

Laboratorio
{
Acidez “ ––– 1,40 gramas por litro; fluorydrico 0,02 por litro
Densidade final – 1014 = 2º Beaumé
Acidez final ––– 1,16 gramas por litro
Alcool 5 litros % a 100º a 15 temperatura
Densidade inecial 7,75 Baumé

Fermentação em cubas

[180 b v] ––– Considerações:


{
Acidez “ 1,34 gramas por litro; fluorydrico 0,02 gramas por litros
Densidade final 2º Beaumé
Acidez “ 1,65 gramas por litro
Alcool 4,9 litros % a 100º a 15 temperatura //

Conclui-se que a fermentação em cubas fechadas ao abrigo do contacto do ar, e conservando uma temperatura regular de
32º centigrados o rendimento em alcool é meior, visto não haver evaporação d’alcool e não se formando acidos durante a
fermentação alcoolica. As duas analyses atraz prova [sic] á evidencia estes resultados, por isso que o mosto é identico, sendo
tirado do desfazedor-preparador do mosto geral.
Como se vê a diferença é de 0,1 litros d’alcool por 100 litros de mosto de melaço a 7,75º Beaumé que equival 17 kilogramas
de melaço por Hectolitro
Em 100 kilogramas de melaço será 0,5 litros. N’uma fabricação de 1.300.000 kilogramas de melaço fará uma diferença para
mais de 6500 litros = 1780 gallões de 3,65 litros em alcool puro:
Esperiencia com a Cuba Nº 2 – 1 Dezembro 1908
Fermentação em Cuba aberta Fermentação no Laboratorio
(mosto fermentado tirado da Cuba)
a 4 de dezembro

Densidade inecial – 8,25 Beaumé Densidade inecial – 8,25 Beaumé


Destillado

Acidez “ –– 0,80 fluorhydrico 0,03 Acidez “ –– 0,80 fluorhydrico 0,03


Densidade final – 1018 = 2,58º Beaumé Densidade final – 1019 = 2,73º Beaumé
Acidez “ –– 1,31 gramas por litro Acidez “ –– 0,94 gramas por litro
Alcool ——————- 5,05 litros % litros a 100 a 15 Alcool ——————- 5,30 litros % litros a 100 a 15
Infermenticiveis – 1,052 kilogramas % litros vinho Infermenticiveis – 1,012 kilogramas % litros vinho //

[181]179 C.ie des Sucreries de Porto-Rico – Controle Chimique Por – Milan. Situation de la Campagne 1904-1905 Résultats
Moulins Diffusion Total général
Cannes travaillées 24.471.370 30.453.608 54.924.728
Sucre dans la canne 13.25 _12.78_ 13.93 _13.38_ 13.63 _13.07_
Densité du vesou 107.4 107.8 107.6
Sucre % centimètres cubiques du vesou 16.16 16.98 16.54
Sucre % grames du vesou 15.04 15.75 15.37
Pureté 83.7 83.2 83.4
Poids du sucre extrait 2.026.780 2.923.738 4.950.518
Mélasse Produite 1.003.690 1.196.310 2.200.000
“ “ % de cannes 4.1 kilogrammes 3.9 kilogrammes 4.0 kilogrammes
Sucre % grames de melasse 40.26 38.5 39.04
Rendiment en 1er jet 8.28 9.60 9.01
Sucre extrait en raffiné 8.00 9.23 8.68
“ dans la mélasse 1.65 1.50 1.56

178 Folha (17 cm x 21,7 cm) anexada à página 180, não numerada, com informação disposta no seu retro e no verso. A numeração que tem foi por nós
atribuída.
179 Folha anexada à página 180 (com as mesmas medidas que esta), cujo retro e verso foram por nós numerados (181 e 182). A letra desta página – 181 –,
salvo poucas excepções, não saiu do punho de João Higino Ferraz nem de um outro escriba que, de vez em quando, tem tido a oportunidade de, neste
volume, e em língua francesa, escrever. Higino Ferraz dá-nos a indicação de que teria sido o químico Milan, como se vê logo adiante numa referência
de Ferraz: «Por – Milan».

141
Pertes: dans la bagasse et petites eaux 3.20

Indeterminés
} 3.60 _3.13_
13,93180
3.20 _2.65_ 3.39 _2.83_
Sucre pur extrait % de sucre de la canne 60.3 _62.5_ 66.2 _68.9_ 63.6 _66.4_
Polarisation moyenne du Sucre 96.66 96.17 96.36

Centrale Fortunale 4 Juillet 1905 –– Observations –


Il n’a été diffusé que les 2 de bagasse, et la batterie de diffusion n’avait que 9 diffuseurs en usage, le 10e ayant été isolé
3
a la suite d’un accident du début –
Pour le sucre dans la canne, les chiffres en gros caractéres sont ceux adoptés par l’usine; ceux en rouges proviennent de
coefficient 85, habituellement adopté pour passer de la richesse du vesou en poids à celle de la canne – //

[182] Sucrerie Central de Meaux – (1908) França


Capacidade de trabalho por 24 horas – maximo 2300 toneladas de beterraba
comparação com a Fabrica do Torreão (1908-1909) 320 toneladas canna
Torreão tem: Deveria ter proporção
Cuites de 1er jet – 4 com a
capacidade total de 2250 Hectolitros – 1 de 230 Hectolitros – 313 Hectolitros
Cuites de 2e jet – 1 para o pé de cuite de 225 Hectolitros – 1 “ 60 “ – 32 “
e
Cuites de 2 jet – 2 de epuissement com total de 900 Hectolitros – 2 “ 175 “ – 125 “
Malaxeurs: Total 465 470
De 1er jet – 10 da capacidade total de 2250 Hectolitros – 2 de 500 Hectolitros – 350 Hectolitros
De 2º jet – 10 da capacidade total de 2500 Hectolitros – 4 de 350 “ – 350 “
Total 850 700
Custo aproximado da montagem da Fabrica do Lemos181 em raperie segundo devis do Naudet182 (maio 1909)

Diffusores de 15 Hectolitros completos (10 diffusor [sic]) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32.000 francos


Colorisadores da deffusão dois . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.450 “
Elevador dos engenhos ao destribuidor do bagaço nos diffusores (de ferro) . . . . . 6.200 “
Destribuidor de bagaço nos deffusores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.400 “
Conductor do bagaço epuissé aos engenhos (debaixo da bateria) . . . . . . . . . . . . . . 6.800 “
Compresor d’ar Westingham . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.100 “
Ballão para o ar comprimido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 900 “
Compensador fechado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 900 “
medidores de jus – 1 devidido ao meio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 900 “
Dito do vesou “ “ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 800 “
Rechaufeurs de diffusão (2 de jus – 1 de vesou) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7.200 “
2 tamis antes da bomba de circulação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.500 “
Bombas centrifugas de circulação, agua, petits eaux, jus, xarope . . . . . . . . . . . . 5.200 “
Sulfitação Quarez . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.500 “
Machina de 50 cavallos effectivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9.500 “
Transmissões deversas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.500 “
Suportes da diffusão vigamentos etc. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12.000 “
Total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101.850 francos
101850 francos = (a 200 reis, o franco) = 20:370$000 reis
Nota importante: As aguas amoniacaes do triple em fabricas de assucar de canna não deve ser empregado nas caldeiras

180 Algarismos a lápis e escritos por João Higino Ferraz.


181 Fabrica de destilação de álcool, chamada Companhia Nova, da firma José Júlio de Lemos, Sucessores, de José Júlio de Lemos.
182 León Naudet.

142
de vapor por isso que são acidas e atacam o ferro das caldeiras. Somente se se osar a carbonatação poderam ser empregadas.
Composição dos adubos chimicos mais empregados na Madeira em 1909 para 1910
Sulfato d’amonia .....................25% o mais caro devido á
Adubo M (Marcus) { }
Superphosphato de cal...............5%
Potassa ....................................20%
potassa

Adubo C. C. Sulfato d’amonia .....................34%


Emitação Leacock
{ Superphosphato de Cal.........56,6%
}
Potassa ....................................9,4%
mais barato por ter
menos potassa
Sulfato d’amonia contem 20% de azote
Superphosphato de cal
Potassa contem
}
12% de agua
48,5% pura
Composição chimica dos adubos
//
[183] Laboração da Fabrica de Assucar no anno de 1908 – Relatorio –
Moagem da canna: – N’este anno a Fabrica foi augmentada na a [sic] sua capacidade productora, de forma a se poder fazer
300 toneladas de canna em 24 horas, sendo montado um novo engenho da capacidade de 350 toneladas de 6 cylindros e dois
rolos defibradores.
No primeiro mez o trabalho não foi regular, devido na meior parte ao pouco vapor produzido pelas caldeiras geradores; sô
depois é que se montou uma das caldeiras de bagaço a carvão, e de ahi em diante o trabalho foi mais regular, dando 270
toneladas em 24 horas na media, e se se não fez a media de 300 toneladas foi devido na meior parte á falta de agua para a
columna barometrica. Contudo a media de 270 toneladas é já bastante animadora para uma Fabrica que sendo o primeiro anno
de trabalho com esta quantidade de canna e com apparelhos e systemas novos deu resultado tão vantajoso. A canna no corrente
anno foi mais fraca em assucar que a de 1907, ainda que a glucose era menos, mas a sua pureza (79º) inferior em 1º á de 1907.
O trabalho dos engenhos foi regular, ainda que a extracção foi menor do que em 1907. Tinhamos que fazer um bagaço medio,
isto é, um bagaço que fosse facil a circulação da bateria de deffusão, e muitas vezes o bagaço sahia em pedaços grandes, o que
prejudicava a extracção. Como o nosso fim não era a extração mas tão somente a preparação do bagaço para a diffusão pouco
cuidade nos deu essa parte. O defibrador é que pouco trabalho fez, e isso devido a não passar por elle a quantidade de canna
necessaria (350 toneladas). Deve-se montal’o de forma a que os cylindros defibradores fiquem um pouco mais unidos de forma
a prepar[sic] bem a canna para a preção seguinte nos dois engenhos.
Sulfitação: Como no anno transacto (1907)
Diffusão: – Sobre esta parte do trabalho da canna, muito teria que dizer, mas vendo as notas d’este livro sobre a diffusão de
1908, ahi se vê os embaraços que tivemos; // [184] contudo algumas considerações <resumidas> vou fazer de forma elucidar o
trabalho para 1909.
A nossa maior difficuldade foi a circulação da bateria, que muitas vezes era de tal forma lenta que em logar de se fazer 10
a 11 diffusores por hora, n’um momento dado passava a se fazer somente 6 e 7 diffusores. Viu-se contudo que a unica causa
era a má circulação na bateria, na <meior> parte devido ás borras de defecação, e tambem como causa secundaria o bagaço
muito miudo. Como porem não se poude evitar as borras, vimo-nos obrigados a produzir um bagaço um pouco meior, e a
trabalhar com a bateria mais pequena, isto é, com 9 diffusores em logar de 12. D’esta forma o trabalho era regular chegando-
se a fazer 220 a 230 diffusores em 24 horas. Como porem, com as modificações propostas por Monsieur Naudet183, não se fazia
o tassement do bagaço a carga por diffusore era baixa, regulando a 1330 kilogramas e algumas vezes 1250 kilogramas de canna,
quando que com o tassement do bagaço chega-mos a fazer com cargas de 1450 Kilogramas; ora esta diferença de 150
kilogramas por diffusor dava um resultado de em 24 horas se fazerem menos 30 toneladas de canna, visto isto, como faziamos
270 + 30 = 300 toneladas, trabalho como se vê, o desejado.
O trabalho da alcalinisação da garapa sofreu uma feliz modificação, que foi juntar-se a cal nos depositos de medida da
garapa a frio, sendo depois aquecida no rechaufeurs antes de entrar na bateria, o que deu muito bom resultado. O baryte deitou-
se no deposito de Meichagem, em vez nos de soutiragem; resultado foi bom.
Por conselho de Monsieur Naudet, que nos vesitou em Maio, fizemos d’esta êpoca em diante, pequena soutiragem, isto é,
em logar de tirar 15 a 14 hectolitros por diffusor tiravamos 13 e algumas vezes 12 Hectolitros e os jus de deffusão sahiam n’esse
caso mais densos; verdade é que os petits eaux resentiam-se um pouco.
Como o trabalho da bateria tinha que ser rapido, e como a circulação se resentia quando os petits eaux engrossavam // [185]

183 León Naudet.

143
tivemos, de quasi de meio da laboração em diante <conselho de Naudet> despresar as aguas de despejo dos diffusores, e d’esta
forma liquidar uma parte das borras. D’esta forma tinhamos uma perda em assucar.
Os moinhos de repressão do bagaço davam para o trabalho das 300 toneladas, mas o bagaço sahia com uma percentagem
de humidade mais elevada, visto termos de alargar um pouco os engenhos. Os moulin de repression (aguas) subiram em
percentagem d’assucar mais do que em 1907, mas isso devido ao estado do bagaço, como mais atraz explico; mas ainda assim
a quantidade 184 de assucar deixada no bagaço % de canna regulou mais ou menos a do anno 1907 e isto devido a se ter
empregado a agua quente na bateria de diffusão.
Filtração Mechanica: – No primeiro mez, quando o trabalho era mais lento os 4 filtros mechanicos do jus de diffusão davam
para o trabalho, mas logo que se fizeram os 220 a 230 deffusores em 24 horas foi necessario por em trabalho da filtração do jus
todos os filtros isto é, 7 (3 do xarope), e deixamos n’esse caso de filtrar os xaropes. O assucar pouco se resentio com esta não
filtração dos xaropes. Parece-me contudo que a dificuldade de feltração seria tambem em parte devido ao estado adiantado de
maturação da canna como nos aconteceu em 1907.
Evaporação: – A evaporação no Triple differencial com prelevement deu bom resultado dando perfeitamente para as 300
toneladas de canna. Quando limpo daria talvez para 400 toneladas, mas o apparelho sujava <incrustava> depressa, isto é, em 8
ou 10 dias tinha que ser limpo. O edial seria a feltração entre as caixas, entre a 1ª e 2 e a 2ª e 3ª e não feltrar n’esse caso os
xaropes. D’esta forma o apparelho poderia trabalhar 15 a 20 dias sem limpeza e os xaropes como evaporavam em estado de
pureza mais elevada os assucares seram mais puros e brilhantes, e rendimento em assucar melhor.
Cosimentos: Os cosimentos feitos na Freitag no principio da laboração quando somente se faziam 220 toneladas, tinhão
muitas paragens o que prejudicava a cristalisação, mas quando chegamos a fazer as 270 toneladas o trabalho dos cosimentos
hia mais regular. O que nos prejudicou bastante foi a falta d’agua para o condensador // [186] barometrico, onde muitas vezes
ou quasi sempre tinhamos um vacuo muito baixo (25”) chegando algumas vezes a 23”, e quando a agua era suficiente o vacuo
era de 28” a 29” e trabalhando todos os apparelhos. Esta differença no vacuo fazia-nos atrazar o trabalho do triple –, caldeira
de vacuo Freitag, e os melaxeurs, principalmente os melaxeurs <que necessitão um vacuo maximo> onde muitas veses não era
possivel trabalhar, vendo-nos obrigados a gordar os egoûts no poço e em ponches para trabalhar depois da Laboração; mas os
égoûts perderam muito da sua pureza e os cosimentos de 2º jet nunca poderiam dar um rendimento em assucar, como se fossem
tratados emediatamente.
Turbinagem da Melasse Cuite: – As 6 turbinas “Watson” deram perfeitamente para o trabalho das masses-cuites, ainda
mesmo que se fizessem as 300 toneladas por 24 horas. Apena[sic] tivemos 1 ou 2 cosimentos dos melaxeurs maus de turbinar,
os outros turbinaram sempre bem. O systema de turbinagem foi o mesmo de 1907.
Rendimento em assucar: – O rendimento em assucar de 1er foi inferior ao de 1907 em 383 gramas % de canna, mas isto
devido na meior parte á pouca percentagem de assucar na canna que foi de 15,38 % centimetros cubicos garapa com uma pureza
de 79º emquanto que em 1907 foi de 16,22 % centimetros cubicos garapa com uma pureza de 80º, o que na proporção de 1907
deveria dar pela equação seguinte 8,695 x 15,38 = 8,244 % de canna, e deu 8,312. Como se vê o trabalho, mesmo com todas
16,22 as contrariedades havidas não foi inferior ao de 1907. O rendimento
em assucar de 2º jet foi de 0,118 kilogramas % de canna superior em 0,068 kilogramas % ao rendimento de 1907. Este excesso
de rendimento vê-se a cauza acima. Funchal 17 de Julho 1908 [Ass:] João Higino Ferraz

No Jornal des Fabricants de Sucre de 4 de Novembro 1908 Nº 45 traz a descripção do trabalho da Fabrica de assucar central
de Meaux, á Villenoy (S. Marne) onde os égoûts de 1ª são tratados e cristallisados á parte, e na filtração dos égoûts empregam
o Kieselguhr com bom resultado.
Fabricantes de Kieselguhr – Vereinigte Deutsche Kieselguhr – Werke – Hanover
J.h Th. Iven Fils –– Representante geral em Paris – Rue Albouy, 24. //

184 Na margem interior: «Zamaron».

144
[187] Schema Trabalho da canna de assucar na Fabrica do Torreão em 1908
Schema

Moagem da canna

Rehentrada Sulfitação da garapa


dos petits eaux
Diffusão a circulação forçada
do bagaço e defecação na bateria
Processo Naudet
Moagem do bagaço Jus soutirado
epuissée á filtração mechanica

Petits eaux de liquidação Evaporação em triple deferencial com prelevement


Bagaço ás á destilleria
caldeiras de vapor
Filtração mechanica do xarope ou entre caixas
Alcool

Cosimento virgem com entrada de egouts riche


Egouts riches
Pé de cuite melaxeurs no vacuo Melaxeurs refroidisseurs

Egout riche e pobre Melaxeurs refroidisseurs Egouts pauvres Turbinagem em branco


dos melaxeurs
melaxeurs no vacuo Turbinagem

Egouts riches a
sulfitar Assucar branco ao cosimento
virgem, ou cosi-
mento em grão
Sulfitação dos égoûts em
Caldeira de
Assucar roux ou branco vacuo separada
Melaços epuissée que serviria como
Filtração em area pé de de cuite
para os melaxeur
Destilleria

A Nota a encarnado deveria ser a


Alcool puro marcha dos egouts de 1ª
A preto é a marche seguida em 1908 //

Caldeira de vacuo
separada

145
[188] Notas sobre a trabalho [sic] da Fabricação do assucar de canna
Pelo Schema atraz descripto vê-se que os egouts pauvres de 1ª, isto é, os egoûts do cosimento vigem[sic] entram no
melaxeur para nutrir os crystaes do pé de cuite virgem. Desta forma é mais dificil o épuissement dos égoûts como bem se
comprehende.
A meu ver os égoûts pauvres de 1ª deveriam ser desfeitos a 32º Beaumé, sulfitados em sulfitador continuo a frio, aquecidos
e depois feltrados em filtros de arêa. Estes égoûts depois d’este tratamento poderiam entrar no cosimento virgem para a
producção de assucar branco; mas seria melhor cosel’os em grão em caldeira de vacuo separada, e d’essa caldeira se tiraria os
pés de cuites para os melaxeurs no vacuo, para o empobrecimento dos égoûts de 2ª, isto é, égoûts dos melaxeur [sic]
D’esta forma não teriamos de passar aos melaxeurs o pé de cuite virgem, mas somente o cuite feito com os égoûts de 1ª,
dando em resultado um empobrecimento muito mais rapido e mais completo dos égoûts de 2ª.
Alem d’isso os égoûts ricos do cuite virgem entrariam no cuite de 1er: E todos os égoûts ricos dos melaxeurs seriam
sulfitados na diffusão, fazendo d’esta forma uma apuração e feltração muito vantajosa.
No caso de se poder empregar a hydrosulfitação, a vantagem seria ainda meior, porque não somente purificava os égoûts
mas tambem lhe percipitava uma grande parte das materias organicas e gomosas tornando os égoûts mais proprios á
cristalisação, e o assucar produzido, sendo empregado na refinação, não teria a deficuldade de filtração que o refinadores [sic]
encontram actualmente.
Para o emprego do Hydrosulfito talvez se podesse usar o Acido sulfuroso liquido, em logar do gaz sulfuroso produzido por
apparelho especial.
Empregar-se-hia para a produção do hydrosulfito ou o estanho em maça ou o Zinco em pô, depois de ter uma dose de 0,5
gramas d’acido sulfuroso por litro, na proporção 8 gramas de estanho ou 40 gramas de Zinco <por Hectolitro> aquecido depois
a 80º ou 85º temperatura e filtrado em filtros de area. //

146
[189] Schema de Trabalho que deve ser usado na Fabrica do Torreão Para a produção de assucar de consumo directo
e melaço épuissée, para 1909
Moagem da cana

Sulfitação da garapa
Rehentrada dos
Diffusão Naudet petits eaux
Á sulfitação com a rarapa[sic]

Filtração mechanica do jus Represão do


bagaço exausto
Rechaufage do jus

Evaporação e filtração entre caixas

Filtração mechanica dos xaropes


Bagaço a 55%
Forno Huillard
Cosimento 1er jet (com Blankite)

Malaxeur refrigerante Bagaço a 30%


Égoûts rico
Turbinagem a vapor Caldeiras de
vapor
Égoûts pauvres
(Enot) egoûts riche pé

a 30º ou 32º Baumé


de riche

Sulfitação a frio ou hydrosulfitação Assucar Branco


BB
Filtração sobre ârea (Reinecken) ou assucar BBR
Excedente

Cosimento em grão
Égoûts rico Pé de cuite Pé de cuite

malaxeur de 100 Hectolitros malaxeur de 75 Hectolitros

malaxeur refrigerante malaxeur refrigerante

Turbinagem a vapor ou não Turbinagem a vapor

Égoûts ricos
Égoûts pauvre
Assucar B2
ou assucar Nº3 Francez
Assucar BT
Melaço épuissé ou B de exportação
2
Nota: Os traços a encarnado
Assucar roux Correspondem ao trabalho conforme
Os dizeres tambem encarnados

Pode-se tambem empregar o Hydrosulfito cristalisado tal como o de Calcium. Mestura-se o Hydrosulfito no melaxeur com
os égoûts na dose de 30 a 50 gramas po[sic] Hectolitro, aquece-se e depois filtra-se. //

147
[190] Schema de Trabalho para uma Fabrica de assucar de canna por 500 toneladas por 24 horas
Moagem da canna por dupla perção E defibreur Krajewski
Nota: Esta Fabrica pode fazer 800 toneladas, augmentando a instalação com mais uma bateria de 10 diffusores de 50 Hectolitros, um novo
jogo de engenhos, modificar o triple para essa quantidade, mais duas caldeiras de vapor, mais um cuite Freitag de 250 Hectolitros, dois malaxeurs

Sulfitação continua da garapa (Quarez) ou anhydrico do sulfuroso liquido

Deffusão Naudet (12 diffusores de 50 Hectolitros)

Filtração Mechanica do jus (Fillippe) 10 de 30 quadros Moinhos


represssores

Rechaufeurs de jus (2) Rehentrada dos


petits eaux

Evaporação em Quadruple effet ou “Kestner” <como pre evaporador> Bagaço


Differencial, Forno Huillard
para o relevement, e filtração Mechanica entre Caixas sem Kestner
Anhydrico do sulfuroso liquido
5 caldeiras para
Égoûts riches á sulfitação

Filtração do Xarope (Fillippe) 5 de 20 quadros bagaço e carvão


1500 centimetros quadrados
de surface de chaufe
Cuite de 1er jet (Freitag) 500 Hectolitros a 520 Hectolitros ou duas de 250 Hectolitros (com cerpentina)
Depende da riqueza da canna em assucar

Malaxeur refroidisseur (4) 500 Hectolitros cada a 550 Hectolitros ou 8 de 300 Hectolitros

Egout riche Turbinagem Watson – (5)


refroisdisseurs de 250 Hectolitros, mais 4 turbinas Watson.

Egoûts pauvre

Dissolução a 30º Baumé

Hydrofulfitação[sic] com anhydrico sulfuroso liquido Assucar de 1er jet


Branco
Filtração mechanica sobre area (4)

Cuite cristalisador Karlik-Czapikowski (2) 250 Hecolitros cada ou 2 cuites Freitag de 200
Hectolitros cada

Refrigerante Karlik – Czapikowski (6) 280 Hectolitros cada

Turbinagem Watson (4)


Egoûts riche

Assucar 2º jet
Melaço Typo Nº 2 Francez
Nota: As duas series de 5 e 4 turbinas épuissée //
devem ser montadas separadamente

148
[191] Sobre a apuração e filtração dos égoûts de turbinagem – Bulletin da Association des Chimichs Tomo XIX (1902) pag.
1316.
Emprego do acido sulfuroso liquido <(Anhydrido sulfuroso)> descripto no Bulletin da Associação dos Chimicos – Tomo
XXV (1907-1908) paginas 733 (tem os precos[sic])
Apparelho de dosagem do acido sulfuroso liquido de Pacottet no Bulletin – Tomo XXIV (1906-1907) paginas 1660
Considerações sobre o emprego do SO2 produzido pelos sulfitadores continuos (Quarez), do acido sulfuroso (SO2) liquido
e da hydrofulfitação[sic].
O emprego do Enxofaro para a produção de SO2 em sulfitadores contenuos, tem algumas vantagens, mas tem tambem
grandes desvantagens: 1º o seu preço é mais barato do que outro qualquer producto de SO2, uma das vantagens, mas a
quantidade de SO2 produzido não é totalmente aproveitado, isto é, 100 kilogramas de enxofre produz 200 kilogramas de SO2, e
está provado por varias esperiencias que sô se emprega utilmente 140 kilogramas de SO2 havendo n’esse caso uma perda de
30% na athmosfera. Outra desvantagem é a producção de acido sulfurico mesmo que seja em pequena quantidade, que prejudica
o estado puro do liquido assucarado pela transformação em glucose. Outra, é dificil de regular a dosagem exacta do SO2 % nos
liquidos a sulfitar, e temos alem d’isso o ser necessario uma bomba para a circulação do liquido no sulfitador e n’esse caso
despendio de vapor. Com o SO2 liquido, o seu preço é mais elevado, mas tem todas as vantagens quantas são as desvantagens
acima.
Para o emprego da hydrofulfitação[sic] o SO2 liquido tem todas as vantagens, e pode-se empregar a alliage d’aluminium B
de Besson para o desprendimento do hydrogenio nascente
A dose a empregar nos égoûts será naturalmente a seguinte:
SO2 até a acidez de 0,3 gramas por litro
Alliage d’aluminium – 4 gramas por hectolitro
Preços aproximados: 100 kilogramas de SO2 liquido em barricas de 100 kilogramas = 35$000 reis <Barricas facturadas>
– frete pago (recebem as barricas)
apparelho – Sulfitometro Pacottet para 1,500 kilogramas aproximadamente 35$000 reis de uma sô vez //

[192] Calculos para uma Fabrica trabalhando por 24 horas 300 toneladas de canna como a da Madeira em bagaço e carvão
Se temos um bagaço de 50 a 55% de humidade nas 300 toneladas de canna
tendo essa canna 12% de fibra dará 30% de bagaço = 90000 kilogramas
Dito dito a 30 a 35% de humidade a 24% “ = 72000 “
Como bagaço de 50 a 55% = 4,17 kilogramas de bagaço para 1 kilograma de carvão:
Dito de 30 a 35% = 2,82 dito dito :
Val n’este caso – 90000 kilogramas de bagaço a 50-55% = 21582 kilogramas de carvão
Dito – 72000 Dito a 30-35% = 25532 kilogramas dito
Differença a favor da Seccagem 3950 kilogramas carvão em 24 horas
Trabalhando 90 dias (isto é, 27000 toneladas de canna) temos um gasto menos em carvão de 355 toneladas a 8000 reis a
tonelada ————— 2:840$000 reis:
Isto não contando: 1º o maximo de trabalho das caldeiras de vapor, isto é, uma perção sempre regular e alta.
2º Sujar menos as caldeiras devido á combustão rapida e completa do bagaço e supreção de cinzas.
Se as caldeiras de bagaço não trabalhão regularmente o que acontece? As caldeiras a carvão teem que ser forçadas a produzir
o vapor necessario a essa falta, e n’esse caso a alimentação é forçada n’estas caldeiras e o resultado será perda de calorias nos
gazes da chaminé por combustão incompleta e por isso augmento inutil de gasto de carvão: ou temos que ter um meior numero
de caldeiras para carvão o que ocasionará o mesmo gasto, ainda que um pouco menor, o que se evita seccando o bagaço no
forno Huillard.
O gasto maximo de combustivel (bagaço correspondente a carvão e carvão [sic]) por tonelada de canna n’unca deve exceder
a 100 kilogramas e n’este caso teremos para as 300 toneladas de canna em 24 horas:
(Com bagaço de 30 a 35%) Bagaço 72000 kilogramas e egual a carvão ...........25000 kilogramas
Carvão suplementar para os 100 kilogramas por tonelada ..................5000 “
10% para perdas de condensação e indeterminadas.............................3000 “
Para a Destillaria ou outros ................................................................ 2500 “
Total =.................................................................................................35500 “

149
Por tonelada canna 37 kilogramas carvão
menos carvão correspondente a bagaço = ..........................................25000 “
Gosto suplementar de carvão = ..........................................................10500 “ //

[193] Emprego racional do Fermento puro secco Raça II do Instituto de Berlin. ou outro. Novembro 1908
1º – Desenvolvimento do Fermento puro: (Acostomar ao fluorydrico)
Agua pura ......................................12 litros
Assucar branco ..............................um kilograma
Acido sulfurico a 66º ....................12 gramas = 1 grama por litro
185
Acido fluorydrico .......................6 centimetros cubicos = 0,01 gramas por litro
Seles nourricieres ..........................30 gramas. Malto-pepetone 20 gramas
Esterelisar n’um pequeno apparelho apropriado – Arrefecer a 35º – Juntar o fermento puro dessolvendo-o bem e deixar
fermentar bem.
2º – Fazer um liquido nutritivo de saccarificação de 10 a 15 kilogramas de centeio e 3 a 5 kilogramas de malte: depois de
saccarificado juntar melaço de boa qualidade a ficar na densidade de 6º a 7º Beaumé;
Juntar o seguinte: (Completar a 220 litros)
Acido sulfurico a 66º 1 grama por litro (em 220 litros volume normal 220 gramas)
186
Acido fluorydrico – 0,02 gramas por litro ( “ “ “ 220 centimetros cubicos)
187
Sel nourricier ——- 1,5 gramas por litro ( “ “ “ 330 gramas)
Esterelisar no apparelho desenvolvedor de fermento “Fernebache” – Arrefecer a 35º e juntar-lhe o fermento da 1ª parte
dando-lhe uma pequena injecção d’ar esterelisado e feltrado de continuo, havendo porem em todas estas operações o cuidado
necessario á boa conservação da pureza do Fermento. Daxa-se fermentar bem.
3º – Quando o fermento (2º) tiver tomado todo o desenvolvimento fermentativo e que 1/4 do assucar esteja fransformado
[sic], faz-se 600 litros de zolucção[sic] de melaço de boa qualidade a 6º ou 7º Baumé, esterelisa-se deixando-o ferver durante
1
/2 hora juntando-lhe o seguinte:
Acido sulfurico ........600 gramas
Acido fluorydrico ....900 centimetros cubicos = 0,03 gramas por litro
Sel nourricier ...........500 gramas ou 250 gramas de sel e 250 gramas malto peptone
Durante este tempo devemos esterelisar o apparelho Barbet de producção de fermentos puros com aerobiose, tomando todos
os cuidados necessarios á boa antisepsia. O liquido acima depois de esterelisado faz-se correr no apparelho Barbet sem
arrefecimento. Faz-se novamente ferver durante alguns minutos e arrefece-se depois a 35º
4º – Faz-se depois correr no apparelho Barbet o fermento da 2ª parte // [194] deixando-o depois fermentar tendo sempre uma
pequena injecção d’ar purificado, até que perca 1/4 do assucar.
5º – Quando o fermento tiver tomado todo o desenvolvimento fermentativo, isto é, que 1/4 do assucar estaja transformado,
faz-se nova preparação de liquido de melaço a 6º ou 7º Baumé como acima seguindo as mesmas regras já descriptas juntando
lhe o seguinte:
Acido sulfurico – 600 gramas
Acido fluorydrico – um litro
Faz-se correr no apparelho Barbet sobre o fermento ahi contido arrefecendo-o a 30º.
Quando o desenvolvimento do fermento se principiar a fazer novamente, o que se reconhece pelo gaz acido carbonico que
sai pelo tubo de sahida do gaz, faz-se trabalhar o emolsor para fazer chegar o mosto fermentante aos pratos de aerobiose. A este
tempo fecha-se a introdução do ar do fundo do apparelho.
7º – Logo que o liquido fermentante tenha atingido o maximo de fermentação e que tenha perdido 1/2 do assucar, tira-se
metade d’esse fermento para uma cuba em que se tenha deitado mosto de melaço desfeito a 6º ou 7º Baumé com 1 grama de
acidez sulfurico por litro e acido fluorydrico na proporção de 0,02 gramas por litro.
8º – Prepara-se entretanto mais 600 litros de mosto de melaço segundo as mesmas regras acima, juntando-lhe acido sulfurico
600 gramas – Acido fluorydrico 1200 centimetros cubicos. Este mosto depois de esterelisado é arrefecido a 30 e corre sobre o

185 Na margem interior: «acido a 70% (solucção a 20 gramas por litro)».


186 Na margem interior da página, a vermelho: «ou sel nourricier 300 grammes)».
187 Na margem interior, a vermelho: «malto-pepetone 200 grammes)».

150
fermento existente no apparelho Barbet:
As opperações seguintes seguem sempre como no Nº 7 e 8º com a condição porem que a dose de acido fluorydrico é
augmentada gradualmente como vou dizer:
O fermento em actividade fermentativa foi acidulado pelo fluorydrico na dose de 0,04 gramas por litro: As preparações
seguintes, isto é, por cada introducção de 600 litros; serão como segue: seguindo os numeros acima
5º – a 0,05 gramas de fluorydrico por litro: em 600 litros será – 1 1/2 litro
6º – 0,07 “ “ “ “ 2 litros
7º – 0,09 “ “ “ “ 2,7 litros //
[195] Deixa-se n’esta dose de fluorydrico para o fermento:
Quanto ao mosto de melaço na Fermentação geral será o seguinte:
O mosto está acidulado pelo fluorydrico a 0,02 gramas por litro e o fermento a 0,04 gr: seguirá:
2º – a 0,05 gramas no fermento será no mosto geral – 0,03 gramas fluorydrico por litro
3º – a 0,07 “ “ “ “ – 0,05 “ “
Assim se conservará o mosto geral durante todo o tempo.
Os saes nourricieres serão deitados 500 gramas em cada 600 litros para o apparelho Barbet de 2 em 2 dias; e o
maltopepton[sic] nos entrevalos d’estes dias, na dose de 700 gramas para 600 litros
Nota importante: – É de toda a necessidade que os apparelhos honde se prepára o fermento, sendo de cobre, sejam muito
bem estanhados, por que o acetato de cobre que sempre existe n’esses apparelhos, quando se trabalha liquidos acidos,
desprendendo-se prejudica completamente o fermento, e muitas vezes perde-se todo o trabalho. Quando se tenha appelhos[sic]
de cobre não estanhados, é conveniente fazer ferver com agua acidulada a 1 grama por litro em todos elles durante alguns
minutos, fazendo-o passar por todos os orgãos pertencentes ao apparelho. Mesmo acho conveniente proceder assim, mesmo
que sejam estanhados. Por esta forma qualquer particula de acetato de cobre é desolvida pelo acido é[sic] não vai prejudicar
o fermento. Depois d’este tratamento pela agua acidulada, deve-se fazer ferver novamente com agua pura, passando por todos
os orgãos do apparelho. Finalizando o trabalho deita-se agua de cal fraço[sic] enchendo a apparelho [sic].
Nota: Quando se tira o fermento do apparelho Barbet para empregal’o na fermentação geral, não deve ser deitado
directamente na cuba, mas sim passal’o a um desenvolvedor de fermento com uma capacidade de 2 vezes o apparelho de
fermento, cujo desenvolvedor deve ser de ferro com tampa hydraulica, e com serpentina transfurada para vapor e ar.
O 1/2 fermento do apparelho Barbet deitado ahi, completa-se o desenvolvedor com mosto de melaço geral e deixa-se
fermentar bem, e é esse fermento que se deita nas cubas de fermentação. Durante a fermentação no desenvolvedor deixa-se uma
pequena injecção d’ar mas não é necessario que seja esterelisado.
O preço do Maltopepton em 1909 foi de 50 reis o kilograma //

[196] Novembro 1908


Esperiencia de Laboratorio da hydrosulfitação dos égoûts de 2ª os melhores (Egoûts de 1ª cosidos em grão = égoûts de 2ª
Égoûts diluidos a 32º Baumé
Normal – Analyse Densidade a ..............................4,64

{
Brix..........................................62,65
Polarisação ................................16,5
Dissolução dos égoûts Assucar % gramas...................26,87
normaes a 32º Pureza......................................42,88
Reductores...............................10,96
Coefficiente glucosico ...........40,80
Hydrosulfitados – Analyse Densidade a 20º.........................4,63

{ }
Brix..........................................62,55 1
/2 grama
Polarisação ................................15,9 aluminium
Os mesmos égoûts acima Assucar % gramas...................25,90 1
/2 grama zinco
hydrosulfitados e aquecidos Pureza......................................41,40 em pô em
a 87º temperatura Reductores...............................10,32 2 litros
Coefficiente glucosico ...........39,84

151
Estado phisico das solucções:
A solucção normal dos égoûts a 32º Baumé tinha uma côr amarello escuro, depois da hydrosulfitação os mesmos égoûts
ficaram com uma cor amarello Claro. Na solucção a 20% da analyse a diferença ainda era mais visivel. A solucção
hydrosulfitada tornou-se menos viscosa que a normal.
Pelas analyses acima vê-se que houve uma baixa de pureza, mas o coefficiente glucosico não haugmentou, o que bem se vê
não haver inverção de saccarose pelo tratamento da hydrosulfitação.
Analyse viscosimetrica:
Agua pura de fonte –50 segundos – Grau de viscosidade
Á temperatura de 20º
{ Solucção normal –160
Dito hydrosulfidada[sic] – 142


– 3,20º
– 2,84º
Diferenças 18 “ 0,36º
Nota: Como a sulfitação pelo gaz sulfuroso foi feita n’um pequeno apparelho e a densidade do melaço era elevada, não me
foi possivel ver a acidez dos égoûts em acido sulfuroso, mas pelo papel de tornesol vi que a acidez era elevada. //

[197] Forma racional do tratamento dos melaços exoticos com o fim da extraccão[sic] do assucar:
Os melaços exoticos com 49 a 50% assucar cristallisavel com o fim da extracção do assucar ahinda cristalisavel, devem ser
tratados previamente pela hydrosulfitação e filtração sobre area, afim de poderem cristallisar em grão, sem fazer o 2º jet ao filet.
Para isso os melaços são diluidos a 30 a 32º Baumé, hydrosulfitados, aquecidos a 80 a 85º e filtrados em filtros de area.
Os egouts assim apurados são cosidos em grão para a formação de um pé de cuite que se passam aos malaxeurs no vacuo,
e esses malaxeurs são alimentados com os mesmos égoûts apurados.
No caso de na primeira turbinagem (1er jet) os égoûts d’elle provenientes não estarem completamente épuisseés, são
passados novamente a um dos malaxeurs que contenha um pé de cuite dos égoûts apurados (égoûts de 1ª) para o fim do
épuissement: Procedendo d’esta forma não haverá naturalmente necessidade de coser ao filet para 2º jet.
Os assucares provenientes d’estes melaços assim apurados daram[sic] um assucar bruto muito mais facil de refinar e talvez
possa dar um assucar B2 de consumo directo.
Emprego do Kieselguhr em fabricas de assucar de canna com o fim de facilitar a filtração mechanica dos jus, xarope e
égoûts.
Para 1909
Quando por uma causa qualquer os jus de diffusão sejam dificeis de filtrar, junta-se-lhes antes da filtração nos depositos de
medida 300 a 400 gramas de Kieselguhr (Diffusore de 25 Hectolitros) e mechendo bem. Para os xaropes ou égoûts procede-se
da mesma forma juntando 30 gramas por Hectolitro para os xaropes e 40 gramas para os égoûts. Quando se faz uma
encommenda de Kieselguhr é necessario dizer «para filtração». Não deve conter sulfato de ferro – mas sim sulfato d’aluminium
Pela pratica do corrente anno (1909) juntando a cada tanque de medida (13 Hectolitros de jus de diffusão) 300 gramas de
Kieselguhr deu resultados magnificos, sendo facil a filtração, o jus muito mais brilhante, o xarope sem filtração muito mais
limpo, assucar de muito boa qualidade e de facil cristallisação, e a filtração das borras boa de fazer.
Fornecedore de Kieselguhr – Vereinigten Deutschen Kieselguhrwerke, á Hanover, Hansahaus. –– Em França J. Th. Iven Fils
– 24 Rue Albouy Paris
O preço do Kieselgohr para filtração regulou em 1909 a 30 a 35 francos os 100 kilos //

[198] Filtração das borras dos filtros Mechanicos em filtro-presse, com o fim de evitar a rehentrada de estas borras na
bateria, para 1909 Considerações:
Em 1908 todas as borras dos filtros mechanicos tanto do jus de diffusão como do xarope eram deitadas no compensador da
bateria. Estas borras que contem um percipitado muito fino, e como entram no jus de circulação, formava uma camada
impermiavel sobre o bagaço que impedia a circulação da bateria e naturalmente incrustava os tubos dos rechaufeurs assim como
os tubos de comunicação dos diffusores. Como em 1909 se vai empregar o Kieselguhr na filtração mechanica, a passagem das
borras nos filtros presses deve ser facil.
O resultado d’este novo trabalho será uma melhor circulação da bateria e os jus de soutiragem muito mais claros.
As borras que restaram no bagaço seram somente as borras de defecação dos 9 Hectolitros de garapa correspondente a cada
diffusor meichado e circulado, e que sendo em muito menos quantidade que a soma das duas borras filtros de jus e filtros de
xarope mais borras de defecação, o liquido em circulação será naturalmente muito mais claro e menos gomoso.

152
Deu o resultado previsto (1909)
Como os melaços da Fabricação mostraram na analyse feita em Lisboa por Kelein baryte soluvel, é necessario tornal’o em
sulfato de Baryte insoluvel, e para isso Monsieur Leon Naudet aconcelha o emprego do sulfato de soda depois da filtração do
jus, de forma a percipitar o Baryte em sulfato de Baryte insoluvel (Paris – Novembro 1909)
Analyse de um xorope[sic] de canna de Cabo Verde concentrado a 37,8 Beaumé pezando um litro 1347 gramas
Assucar cristallisavel .............................57,34%
Glucose ....................................................6,18% 26/2/910
Pureza ....................................................79,74
Coefficiente glucosico ...........................10,77
Agua apparente ......................................28,10
Aspecto do xarope amarello claro; gosto franco a melado puro de canna. //

[199] Calculo dos productos, assucar e alcool de 200 toneladas de melaço typo Barbados (52% saccarose 10% glucose)
2000 toneladas de melaço dá 538490 kilogramas de assucar bruto de 2º jet:
Os égoûts d’esta turbinagem dão 104, 710
gallões d’alcool a 8% rendimento = 1308870 kilogramas melaço
Teremos que:
538490 kilogramas assucar de 2º jet dará
417840 kilogramas assucar refinado typo B2
Os egouts d’esta refinação daram 8280
gallões d’alcool a 8 1/2 % rendimento = 97410 kilogramas melaço
Total do melaço 1406280 kilogramas
Total do alcool d’este trabalho 112.990 gallões a 100º
Calculando que se fabricam 30000 toneladas de canna com um rendimento de 8,900 kilogramas % em assucar e 4,5
kilogramas de melaço: teremos:
Assucar ———————————————— 2670 toneladas
melaço ————————————————- 1350 toneladas
Como pela lei das deducções, ou desconto, sendo o consumo da Madeira 1000 toneladas teremos:
Assucar extrahido da canna — 2670 toneladas 418 x 2 = 836 + 164
Dito dito do melaço - }
418 toneladas = 1000 toneladas consumo Madeira
Livre para exportação 2252 toneladas
Mas como temos de completar o consumo da Madeira com 164 toneladas de assucar restam-nos para exportação livre de
direitos 2088 toneladas de assucar de canna.
Melaço e alcool:
Consumo do alcool em vinhos 150.000 gallões = 1818180 kilos melaço
Que se gaste em mestura com aguardente de canna 50.000 “ = 606000 “ “
Total do melaço empregado Madeira 2424180 kilograma “
Mas como temos uma producção total de 2756 toneladas de melaço ficará para a exportação em melaço de canna da Madeira
332 toneladas
Funchal 13 março 1909
Contas em Reis:
Venda na Madeira de 1000 toneladas de assucar a 230$ reis a tonelada = ...................230:000$000
Venda em Lisboa e Porto de 2088 toneladas de assucar a 180$ reis a tonelada ...........375:840$000
Venda de 150:000 gallões d’alcool a 890 reis o gallão .................................................133:500$000
Venda ao Lemos188 de 600 toneladas de melaço a 37000 reis a tonelada ........................22:200$000
Venda em Lisboa de 332 toneladas melaço a 40000 reis a tonelada ............................. 13:280$000
774:820$000
Custo das materia primas, fabricos, juros, amortisação, empregados etc = ...................682:000$000
Lucro real ........................ 92:820$000 //
188 José Júlio de Lemos.

153
[200] Superfice de filtração mechanica (Filtros Philippe)
em 1909 (cada poche filtrante = 1 metro quadrado)
1 Filtro de 30 poches filtrantes = 30 metros quadrados
3 “ de 20 “ “ = 60 “
3 “ de 14 “ “ = 42 “
Total 132 metros quadrados isto para o maximo de 320 toneladas de canna
em 24 horas.
Para 1910 querendo-se fazer no minimo 450 toneladas de canna serão na proporção 185 metros quadrados. Devem vir n’esse
caso 3 filtros de 30 metros quadrados cada um = 90 metros quadrados, será total de 222 metros quadrados
Como desejo fazer em 1910 a filtração entre a 2ª e 3ª + 4ª caixa do triple do xarope a 18º Beaumé no maximo são necessarios
mais 3 filtros de 30 poches = 90 metros quadrados, ficando n’este caso da seguinte forma:
Filtração do jus evaporado no Kestner que terá aproximadamente 12º Beaumé:
4 filtros de 30 poches = 120 metros quadrados
3 “ de 20 “ 60 “
Total = 180 metros quadrados
Filtração do xarope a 18º Beaumé entre a 2ª e 3ª + 4ª
3 filtros de 14 poches = 42 metros quadrados
Um metro quadrado deve filtrar com xarope a 18º Beaumé 30 hectolitros por 24 horas n’este caso os 42 metros quadrados
devem filtrar 1260 hectolitros de xarope
Mas como queremos fazer 450 toneladas de canna que daram 4500 hectolitros de jus de deffusão, e esse jus transformado
em xarope a 18º Beaumé representa aproximadamente 1772 Hectolitros seram necessarios 60 metros quadrados, o que fará a
necessidade de vir mais um filtro de 20 poches, ou de 14 poches para prehencher o tempo da lempeza de um filtro.
Em 1910 ficaremos establecidos da seguinte forma:
Filtração do jus
evaporado no Kestner – 3 filtros de 20 poches = 60 metros quadrados
4 “ de 30 “ = 120 metros quadrados
Total 7 180 metros quadrados
Filtração do xarope da 2ª caixa – 5 filtros de 14 poches = 70 metros quadrados
Nota: Com um tubo de 3” de diametro perção de um metro n’um comprimento aproximado de 7 metros, debita por minuto
740 litros. //

154
[201] Schema de Trabalho que deve ser usado na Fabrica do Torreão em 1910
Para o minimo de 450 toneladas em 24 horas

Moagem da canna

Alcalinisação da garapa

Sulficarbonatação Wesberg (Sulfitação alcalina)


Os petits eaux da diffusão reentrão no
trabalho da bateria de diffusão

deffusores de 25 Hectolitros Deffusão Naudet (Em duas baterias conjugadas de 6 cada)

1ª Evaporação no preevaporador Kestner (com Kieselgouhr.)

Filtração mechanica do jus de 1ª evaporação

2º Evaporação no Triple-effet na 1ª e 2ª caixa (sulfitação?)

Filtração mechanica entre a 2ª e 3ª + 4ª caixa (2 caixas como 3ª)

3ª Evaporação do xarope feltrado da 2ª na 3ª e 4ª caixa

Cosimento em grão de 1er jet

Malaxeurs refrigerantes

Turbinagem a agua e vapor


Egoût riche

Egoûts pauvres

Pé de cuite Dessolução a 32º Beaumé e hydrosulfitação

Filtração sobre arêa Assucar 1er jet


Branco BB
Cuite de 2º jet em grão

Malaxeur de 100 Hectolitros Malaxeur de 75 Hectolitros

Malaxeurs refrigerantes Malaxeur refrigerante

Turbinagem a vapor Turbinagem a agua e vapor


Egout riche pé de cuite

Egout pauvre para complemento


Assucar 3º jet assucar 2er jet
2
Melaço epuisée Amarello BT Branco B Distilleria
Distilleria
Capacidade de evaporação total: Kestner preevaporador – ............................................106 metros quadrados
Cuites – Para pé de cuite 1 de 125 Hectolitros Triple - 1ª caixa ...........................200 metros quadrados
Cuite geral 1 de 240 Hectolitros “ - 2ª caixa ...........................150 metros quadrados
Pequeno cuite 2º jet 1 de 100 Hectolitros “ - 3ª e 4ª “ ..........................170 metros quadrados
Filtração mechanica: Fillippe para jus do Kestner 180 metros quadrados de superfice filtrante.
“ para o xarope 2ª caixa 70 metros quadrados “ “
2 filtros de area de Reimbert e seu lavador para os égoûts de 1ª //

155
[202] Abril 2 – 1910 Monsieur Leon Naudet Esperiencia de laboratorio
Fez-se uma esperiencia de laboratorio para ver o resultado do sulfato de aluminio na garapa defecada pela cal que deu bom
resultado empregando 50 gramas de sulfato por Hectolitro de garapa, e sem sulfitação, empregando contudo o Kieselgouhr
como abitualmente.
Com uma garapa de 18,5% assucar 86º de pureza a decoloração foi de 100/100 em comparação a uma outra sem sulfato.
(glucose traços)
Evaporado esta ao estado de xarope a fogo nu, conservou quasi a mesma decoloração, dando contudo um pequeno
percipitado.
Esta garapa esteve 2 dias (48 horas) sem sofrer alteração, o que prova que o sulfato de aluminio é anticeptico em alto grau.
5 abril 1910
Fez-se tambem a esperiencia da sulfitação alcalina e defecando depois a garapa, com muito bom resultado. Esta garapa
filtrada depois da defecação e evaporada ao estado de xarope a 22º deu um xarope explendido como cor clara e como brilante.
Monsieur Naudet vê que qualquer das duas esperiencias o resultado é quasi egual e talvez um pouco a favor da sulfitação
alcalina.
Outra esperiencia feita com a garapa por sulfitação alcalina, juntando-lhe contudo depois o sulfato d’aluminio e defecando,
deu um jus um pouco tinto em verde e dava pela solução de sulfato d’amoniaco um percipitado, o que com a esperiencia acima
não dava.
Vê-se que não se pode empregar o sulfato d’aluminio desde o momento que se sulfite a garapa [.] Monsieur Naudet acha a
sulfitação alcalina de um resultado maravilhoso, tendo porem o mal de ser deficil controlar a sulfitação de forma a deixar a
garapa ligueiramente alcalina para a defecação subsequente. //

[203] 12 abril 1910 João Higino Ferraz e Monsieur Gaulet. Esperiencia de Laboratorio.
Depois da sahida de Monsieur Naudet da Madeira, fiz outras duas esperiencias de sulfitação alcalina pela forma seguinte:
1ª A garapa (4 litros) foi alcalinisada a 0,65 gramas por litro, de cal (Leite de cal a 20 Beaumé). Tomaram-se 2 litros de esta
garapa alcalinisada e foi sulfitada até á reação legeiramente alcalina. Defecada a garapa e decantada fez-se evaporar
tumultuosamente durante 4 minutos juntando-lhe o Kisielgouhr[sic] (uma pitada). Este jus assim evaporado foi filtrado sobre
papel, dando uma filtração facil. O jus filtrado foi evaporado no vacuo até á densidade de 24º Beaumé. O estado phisico do
xarope era magnifico, tendo contudo uma pequena cor esverdiada, mas este xarope não colurio quasi nada sendo egual ao nosso
jus normal de diffusão. Este xarope filtrava tambem, que em 3 minutos passou toudo o xarope em filtro de papel.
2ª Do resto da garapa alcalinisada acima, tomou-se os restantes 2 litros que se sulfitaram a uma reação acentuadamente
acida. A esta garapa juntou-se baryte em dissolução a 10% até que a reação fosse legeiramente alcalina. Evaporada 4 minutos
como acima com o Kiesergouhr e decantada, foi deitada em filtros de papel eguaes á 1ª esperiencia. A filtração era de tal forma
dificil que não houve meio de filtrar o jus, sendo abandonada o resto da esperiencia. Este jus em comparação com a esperiencia
1ª quanto á sua côr e limpidez eram edenticas. Vê-se por esta esperiencia que o baryte forma um percipitado tão fino que
prejudica a filtração em alto grau. Vejo que é de grande vantagem suprimir o baryte na fabricação do assucar de canna, porque
não se viu vantagem alguma do seu emprego, e tendo a grande desvantagem de deficultar a feltração em alto grau. 13 abril
1910[Ass:] João Higino Ferraz //

[204] 14 abril 1910 João Higino Ferraz e Monsieur Gaulet Esperiencias de Laboratorio
Repetio-se as mesmas esperiencias acima dando quasi o mesmo resultado sendo contudo esta esperiencia, quanto á
sulfitação alcalina ao estado de acidez muito menos acida que a do dia 12, levando por isso menos baryte para lhe dár a
alcalinidade requerida para a defecação. A filtração d’este jus barytado foi um pouco melhor mas ainda alguma cousa dificil.
Nos dois jus defecados guardados 24 horas houve uma diferença sensivel no seu estado de limpidez. No que se fez a
sulfitação a deixal’a no estado alcalino conservou a sua limpidez mesmo alem das 24 horas. No outro jus barytado principiou
a turvar com um percipitado no mesmo dia, e no dia seguinte estava completamente turvo.
As analyses deram uma baixa de 4 graus no jus barytado no estado de xarope e o queficiente glucose 6% assucar emquanto
que no jus sulfitado ate á legeira alcalinidade o queficiente foi de 1,4% assucar e a pureza menos 0,3 graus. A causa da formação
de glucose é devido a que o jus mesmo que evaporado no vacuo levou 4 horas para ficar no estado de xarope. //

156
[205] Index

Maneira de trabalhar com os malaxeurs no vacuo, por Buisson189 pg. 1


Notas sobre o malaxeur fechados [sic], por Ferraz “ 3
Notas sobre a diffusão da canna, por Naudet190 “ 4
Nota sobre a sulfitação “ 7
Calculo de gasto de combustivel em Destillaria – por Barbet “ 8
Tabuas de densidades por Monsieur Buisson “ 10
Analyse da garapa, jus de deffusão e petits eaux “ 28
Dita dos melaços ou Masses Cuites “ 29
Dita dos assucares “ 30
Densidade dos melaços por Sidersky “ 33
Analyse do azeite “ 34
Instruções para o reconhecimento da Saccharina “ 34
Laboração de 1903 “ 35
Analyse do Bagaço de canna “ 38
Analyse da cal cosida e crua “ 39
Determinação de alcalinidade no leite de cal e jus “ 40
Reductores pelo methodo iodometrico por Buisson “ 41
Calculo da acidez dos mostos e vinhos “ 45
Analyses dos assucares infermenticiveis “ 46
Pezos de melaço de beterraba por Hectolitro de mosto. “ 47
Calculo por tabella do rendimento em alcool por Hectolitro de vinho melaço “ 48
Considerações sobre a esterelisação dos melaços “ 49
Notas sobre levaduras e fermentos “ 51
Calculo de gasto em combustivel em 1907 “ 54
Capacidade do Triple antigo “ 55
Rendimento da canna em alcool pela deffusão em 1904 “ 55
Saccharina “ 56
Analyse do alcool, reagentes “ 57
Carta de Naudet sobre a deffusão em 1904-1905 “ 58
Processo Barbet para a analyse da pureza do alcool “ 63
Ensaio das uzinas diabeticas “ 67
Analyse de doses minimas de assucar “ 67
Praparação do Licor de soda para as acidez “ 68
Analyse do assucar total dos melaços “ 69 //

[206] Instrucções para a desposição das bombas centrifugas


As bombas centrifugas tem que carregar-se com agua (quando o liquido a aspirar não esteja superior a ellas) antes de
principiar o trabalho, pois não podem expolsar o ar que esta nas tubuladuras de aspiração e na caixa da bomba, sem machinismo
especial.
As bombas de deametro muito grande podem ser cheias por meio de um injector de vapor.
Na desposição a dar aos tubos deve-se evitar sempre que seja possivel, as curvas muito rapidas. Se é necessario que haja
uma curva deve-se dar o meior vaio possivel.
A carga de aspiração maxima não deve passar de vinte pés. Os tubos de aspiração devem ser colucados tão direitos quanto
seja possivel e ser egualmente tão curtos quanto possivel
Na occasião de colucar um tubo de aspiração deve haver cuidado que a sua direção, desde o liquido as[sic] aspirar até á
bomba, tenha sempre uma inclinação ascendente.
189 Maxim Buisson.
190 León Naudet.

157
É de toda a necessidade que todas as juntas dos tubos ou outras da aspiração estejam hermeticamente fechadas
Quando o liquido que se tem que elevar é quente deve ser a bomba colucada ao mesmo nivel. E sendo proximo da ebulição,
alguns pés acima da bomba //

[206 bis]191 Regulador automatico de sahida do jus do Kestner Construção aleman

191 Esta folha (31,5 cm x 22,6 cm) está dobrada e foi inserida entre as páginas 206 e 207. Não está numerada – atribuímos-lhe assim o número ordinal de
206 bis.

158
[207]192– Typo de torneira valvula – Torneiras de valvula de Caoutchouc <Vulcanisada> C da diffusão Naudet

192 A folha cujo retro é a página 207 foi inserida, ou melhor, colada ao forro da capa do livro.

159
[forro da capa do livro] Marca nas latas do fermento secco Raça pura II do Instituto de Berlin

160
[Livro de Notas 1904-1905, açúcar e álcool]

DESCRIÇÃO: Livro, papel, 13,9 cm x 9 cm, em razoável estado de conservação. Este volume encontra-se sem título, pelo
que o mesmo é atribuído por nós, de acordo com os temas nele tratados – seguindo assim, de alguma forma, a prática mormente
usada por Higino Ferraz (atribuição da denominação “Livro de Notas”, seguida da referência ao contexto temporal ou datas
limites, mencionando por fim os materiais ou processos industriais tratados). A numeração é nossa e foi acrescentada a lápis.
Note-se que a informação de algumas das páginas deste livro não foi objecto de transcrição porque a mesma consiste em
informes e cálculos matemáticos descontextualizados, e cuja disposição é caótica. Acresce que, transcrevemos o livro até à
página 106 e apercebemo-nos, então, que a informação das restantes folhas deste volume tinha uma diferente configuração (o
seu pé e cabeça encontravam-se invertidos relativamente àquelas 106 páginas). No entanto, muitos desses manuscritos por
transcrever (nas primeiras 38 páginas, principiando pela outra extremidade do livro) caíam naquela tipologia acima enunciada,
pelo que optámos por deixar aqui transcritos apenas os dados informativos relevantes, continuando assim a numeração (da
página 107, inclusive, em diante).

161
162
[1] Laboração de 1904 em 6 de fevereiro
Diffusão – Enche-se com agua 5 diffusores N. 4, 5, 6, 7 e 8, bomba esquentador e compensador. Faz-se circular e aquecer
a agua até 85º.
Enche-se o primeiro diffusor de bagaço assim como o 2º e o 3º
Principiou o aquecimento da agua ás 3 1/2 da manhã do dia 8 fevereiro
Ás 6 horas manhã[?] 80º com 3 engenhos
Assucar diffundido total 2612 kilogramas //
[2] O melaxeur para dissolver o assucar no xarope gasta 25 minutos para elevar a temperatura de 50º a 80º
Diffusão de 1904
Garapa para o diffusor meichage
9 hectolitros – 5/3 – 4 minutos
Sutiragem dos 8 hectolitros
para o diffusor de meichagem 2 minutos
Sutiragem dos 11 1/2 hectolitros 13 ?/4
Para o deposito de medida[?]
1 meichagem 6 1/2
11 1/2
Medida do barrill com + = 13 /4 gallões 50 litros
3

Medida do barril novo = 48 1/2 litros

[3] 1904 – Diffusão


Como se tivesse feito uma modificação na forma de trabalho da bateria por Monsieur Naudet193 que é soutirar os primeiros
8 hectolitros com o ar para o deposito de meichagem e depois os 11 1/2 a 12 para os depositos de medida, e alem d’isso na
occasião da meichagem de um diffuzor abrir tambem a sua aspiração correspondente deu em resultado uma diminuição de
tempo que se fez no seguinte:
Encher de <com 9 hectolitros de>
garapa o deposito de meichagem 4 minutos
soutiragem dos 8 hectolitros com ar de meichagem 2
soutiragem dos 11 1/2 “ para deposito
medida e meichagem do diffusor seguinte 6 1/2
Total 12 1/2
Em 24 horas devia fazer-se 114 difusores = 146000 kilogramas canna //
[4] 1904
Nº de monte-jus de xarope feitos por 24 horas. – Fevereiro
Dia 15 de 6 manhã a 16 ás 6 da manhã
De dia –8
até ás 12 Nuite
ate ás 6 Manhã
–4
}
6
18
em 23 1/2º Baumé
Dia 16 ás 6 manhã a 17 as 6 manhã
De dia –9
ate ás 12 Nuite
ate ás 6 Manhã
–5
–5
} 19
em 23 1/2º Baumé
Dia 17 ás 6 3/4 manhã as 18 as 6 3/4 manhã
Dia – 10
ate ás 12 Nuite
ate ás 6 Manhã
–5
–6
} 21
24º Baumé
Dia 18 a 19 hora a 19 as 6
De dia –8
ate ás 12 Nuite
ate 6 Manhã
–4
–5
} 17
26º Baumé //
193 León Naudet.

163
[5] Na moenda da 1ª semana em 602 diffusores moendo – 1904
194
858379 kilogramas de canna foi de 1420 kilogramas por diffusor (fez-se 8 diffusores com tassement do bagaço )
Extracão[sic] 64,4 litros por 100 kilogramas 758379 kilogramas de canne em 602 diffusores sai a 1254 kilogramas por
diffusor (descontando o bagaço a mais nos 8 diffusores com tassement)
Extração 73,2% (litro
A garapa contem 13,7% assucar
Da garapa retira-se – 10 kilogramas assucar % kilogramas canna
O jus de diffusão 12,19% assucar
Do bagaço 2,43 assucar % kilogramas
12,43
Dos 1254 kilogramas tira-se 11 1/2
hectolitros a 12,19% assucar = por
100 kilogramas cana a 11,1
perda 1,33 //

[6] 1904. Quadruple-effet


O quadruple deve trabalhar em triple quando o vapor exausto seja sufficiente, isto é quando haja sahida pelo tubo de
descarga do balão
No caso de falta de vapor deve trabalhar em quadruple.
Com vapor no ballão a 0,4 kilogramas a 0,45 kilogramas d’athmosfinra[sic] o manometro de percão[sic] da 1ª caixa marca
0,15 kilogramas d’athmosphera a 0,5 kilogramas marca 0,3 kilogramas // [7] a 0,55 kilogramas marca 0,4 kilogramas
Deve trabalhar com a menor quantidade de liquido possivel, isto é, não deve senão mostrar uma polgada de liquido nos tubos
de nivel.
Para trabalhar em triple basta habrir toda a torneira dos gazes da 4ª e habrir a valvula do vapor exausto da 2ª toda. //
[8] Fermento: abitual’o ao acido fluorhydrico
10 litros de mosto leva 10 gramas d’acido sulfurico e acido fluorhydrico 5 centimetros cubicos (0,01 por litro)
Fermento secco alemão; abitual’o ao acido fluorydrico
Dia 24 acido a 22 gramas por litro
1ª dose em 240 litros a 6º Baumé = 100 centimetros cubicos
2ª “
3ª “
“ Dia 25 “
“ “ 26 “
= 150
= 200
}
Apparelho cheio

4ª “ “ “ = 250
5ª “
6ª “




= 300
= 350
}
A seguir na mesma dose

7ª “ “ “ = 400
8ª “ “ “ = 500
9ª “ “ “ = 600
10ª “ “ “ = 700
11ª “ “ “ = 1000 centimetros cubicos
ao dia 27
O mosto geral deve conter 0,06 gramas por litro no maximo //
[9] Monte jus xarope
Fevereiro
Dia 19 a 20 ás 6 Manhã
De dia –9
12 Nuite
6 Manhã
–6
–5
}
20
a 25º Baumé frio

194 Higino Ferraz rasurou o parágrafo que se segue, e sobre a mancha manuscrita que o compõe escreveu: «Errado»

164
Dia 20 a 21 ás 6 Manhã
De dia –8
12 Nuite
6 Manhã
–5
–5
18 }
a 25º Baumé
Dia 21 a 22 ás 6 Manhã
De dia –8
12 Nuite
6 Manhã
–5
–4
17 }
a 26 1/2 Baumé
Dia 22 a 23 ás 6 Manhã
De dia –9
12 Nuite
6 Manhã
–4
–4
17 }
a 23º Baumé //
[10] Refundição d’assucar
O deposito que recebo do mexidor leva 2800 litros
O deposito do xarope do sulfitador com serpentina leva liquido – 4000 litros
Nota: Deitando jus de diffusão no mexidor até que a serpentina de vapor estaja coberta com 2 a 3 polgada de jus leva 20
saccos d’assucar de 113 kilogramas para ficar em 30º Baumé em 90º temperatura que são pouco mais ou menos 30 hectolitros
de xarope
Capacidade do deposito do xarope da caldeira de vaco Franceza 46 hectolitros //
[11] Fevereiro 20 de 1904
Refundição d’assucar
Total 1816 sacos
1ª – 20 sacos de 113 = 2260
2ª – 10 sacos “ = 1130
Total 3390
195
Dia 21
3ª – 30 sacos de 112 = 3360
4º diffusor 2 “ “ = 224
3“ “ = 336
Total 3920
Dia 22
6ª – 20 sacos
10 sacos
5 sacos
} =3920

7ª – 35 sacos = 3920
Dia 23 = 15150
8ª 35 sacos = 3920
Dia 24
9ª 35 sacos 3920 //
[12] Refundição do assucar
196
Dia 24 ás 5 da tarde
10ª – 35 sacos – 3920
11ª – Dia 25 – 35 sacos = 3920
12ª – Dia 26 – 35 sacos = 3920
13ª – Dia 27 – 35 sacos – 3920
14ª – Dia 27 – 35 sacos – 3920
15ª – Dia 28 – 35 sacos = 3920
195 Sobre as várias manchas manuscritas que enunciam a quantidade de açúcar refundido em cada um dos dias (21, 22, 23, 24), escreveu o autor, em letras
de corpo maior: «Lançado».
196 Nesta página procedeu João Higino Ferraz da mesma forma que na anterior: sobre a informação relativa ao açúcar refundido em cada dia, grafou-se
«Lançado».

165
16ª – Dia 29 – 35 sacos = 3920
17ª – Dia 29 – 35 sacos = 3920
18ª – Dia 1 março – 35 sacos – 3920
19ª – Dia 2 – 35 sacos – 3920
20ª – Dia 2 – 35 sacos – 3920 //

[13] Monte jus xarope