Sie sind auf Seite 1von 93

11

SSUUMMÁÁRRIIOO

1

SUMÁRIO

1

2

APRESENTAÇÃO

4

3

DEFINIÇÕES PRELIMINARES

5

3.1

DEFINIÇÕES E OBJETIVOS DA MECÂNICA DOS SOLOS

5

3.2

DEFINIÇÃO DE SOLOS

6

3.2.1

FASE SÓLIDA

7

3.2.2

FASE LÍQUIDA

7

3.2.3

FASE GASOSA

10

3.3

EMPREGO DO CONHECIMENTO DE SOLOS NA ENGENHARIA CIVIL

11

3.4

ORIGEM E EVOLUÇÃO DA MECÂNICA DOS SOLOS

11

3.5

DEFINIÇÕES GERAIS

12

4

FORMAÇÃO DOS SOLOS, FORMA DAS PARTÍCULAS E ESTRUTURA

14

4.1

CONTEXTUALIZAÇÃO

14

4.2

PROCESSO DE ALTERAÇÃO

15

4.3

FATORES QUE CONTROLAM OS PROCESSOS DE ALTERAÇÃO

18

4.3.1

ROCHA MÃE

18

4.3.2

CLIMA

18

4.3.3

TOPOGRAFIA

19

4.3.4

VEGETAÇÃO

19

4.3.5

TEMPO

19

4.3.6

PERFIL DO SOLO

19

4.4

CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS QUANTO A ORIGEM

21

4.4.1

SOLOS RESIDUAIS

21

4.4.2

SOLOS SEDIMENTARES

22

4.4.3

SOLOS ORGÂNICOS

24

4.5

ALTERAÇÃO DOS SOLOS APÓS A SUA FORMAÇÃO

24

4.5.1

TENSÃO

25

4.5.2

TEMPO

25

4.5.3

ÁGUA

25

4.5.4

AMBIENTE

26

4.5.5

PERTURBAÇÃO

26

4.6

FORMA DAS PARTÍCULAS

27

4.7

ESTRUTURA DOS SOLOS

29

4.7.1

ESTRUTURA SIMPLES

29

4.7.2

ESTRUTURA ALVEOLAR

31

4.7.3

ESTRUTURA FLOCULADA

31

4.7.4

ESTRUTURAS COMPOSTAS

32

4.7.5

ESTRUTURA EM “CASTELO DE CARTAS

34

4.7.6

ESTRUTURA DISPERSA

35

4.7.7

COMPOSIÇÃO DAS PARTÍCULAS

36

5

FASES CONSTITUINTES DO SOLO

38

5.1

CONTEXTUALIZAÇÃO

38

5.2

RELAÇÃO DE FASES

39

5.2.1

RELAÇÃO ENTRE PESOS

40

5.2.2

RELAÇÃO ENTRE VOLUMES

40

5.2.3

RELAÇÃO ENTRE PESOS E VOLUMES

42

5.2.4

FÓRMULAS DE CORRELAÇÃO

44

5.3

DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DOS ÍNDICES FÍSICOS

44

5.3.1

DETERMINAÇÃO DO PESO E VOLUME DE UMA AMOSTRA

44

5.3.2

DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE (W)

45

5.3.3

DETERMINAÇÃO DO PESO ESPECÍFICO REAL DOS GRÃOS (S )

47

5.3.4

RETIRADA DE AMOSTRAS

48

6

GRANULOMETRIA DOS SOLOS

55

6.1

INTRODUÇÃO

55

6.2

CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS BASEADOS EM CRITÉRIOS GRANULOMÉTRICOS

56

6.3

PROPRIEDADES QUE AUXILIAM NA IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS

58

6.3.1

TEXTURA

58

6.3.2

COMPACIDADE

61

6.3.3

FORMA DOS GRÃOS

62

6.4

USO DA GRANULOMETRIA

63

7

PLASTICIDADE E CONSISTÊNCIA DOS SOLOS

65

7.1

INTRODUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO

65

7.2

COMPOSIÇÃO MINERALÓGICA DAS ARGILAS

65

7.2.1

ARGILO-MINERAIS

66

7.2.2

ESTRUTURA DOS ARGILO-MINERAIS

66

7.3

RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO

69

7.4

COESÃO

71

7.5

TIXOTROPIA

72

7.6

CONSISTÊNCIA DOS SOLOS

73

7.6.1

ESTADOS DE CONSISTÊNCIA

73

7.7

DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DOS LIMITES DE CONSISTÊNCIA

75

7.7.1

LIMITE DE LIQUIDEZ (LL)

75

7.7.2

LIMITE DE PLASTICIDADE

77

7.8

LIMITE DE CONTRAÇÃO (LC)

78

7.9

ÍNDICE DE PLASTICIDADE (IP)

78

7.10

ÍNDICE DE CONSISTÊNCIA (IC)

79

7.11

ÍNDICE DE LIQUIDEZ (IL)

80

7.12

ATIVIDADE COLOIDAL (AC)

80

7.13

GRAU DE CONTRAÇÃO (C)

80

7.14

GRÁFICO DE PLASTICIDADE

81

8

CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS

82

8.1

CONTEXTUALIZAÇÃO

82

8.2

SISTEMA UNIFICADO DE CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS

82

8.2.1

SOLOS GROSSOS

83

8.2.2

SOLOS FINOS

85

8.3

SISTEMA H.R.B.

89

9

BIBLIOGRAFIA

92

22

AAPPRREESSEENNTTAAÇÇÃÃOO

O presente volume intitulado “Notas de Aula de Solos I”, tem por objetivo reunir os tópicos de maior relevância na área de mecânica dos solos, essenciais a formação do Técnico Nível Médio em Estradas.

As informações à seguir relacionas constituem um apanhado geral das notas de aula que me acompanham desde o período que cursei a Faculdade de Engenharia, bem como um garimpo das informações atualmente disponibilizadas na internet.

A organização e estrutura atuais, são dinâmicas e sistematicamente são atualizadas no processo de troca que constitui o elo Ensino x Aprendizagem.

No desenvolvimento deste documento estão organizadas informações acerca dos seguintes assuntos:

Definições preliminares;

Formação dos solos, forma das partículas e estrutura;

Fases constituintes dos solos;

Granulometria dos solos;

Plasticidade e consistência dos solos;

Classificação de solos.

Professor Célio Antônio DAvilla

Agosto de 2008

“Nada deveria ser capaz de causar dano a qualquer pessoa, a não ser ela mesma. Deveria ser impossível roubar uma pessoa. Afinal, o que ela realmente possui é o que traz dentro de si; o que está fora não deveria ter importância alguma”

Oscar Wilde

33

DDEEFFIINNIIÇÇÕÕEESS PPRREELLIIMMIINNAARREESS

33 11

DDEEFFIINNIIÇÇÕÕEESS EE OOBBJJEETTIIVVOOSS DDAA MMEECCÂÂNNIICCAA DDOOSS SSOOLLOOSS

A mecânica dos solos estuda as características físicas dos solos e as suas propriedades mecânicas (equilíbrio e deformação) quando submetido a acréscimos ou alívio de tensões.

O objetivo principal da mecânica dos solos é substituir por métodos científicos os métodos empíricos aplicados no passado. Neste contexto, destaca-se que o grande problema a resolver esta ligado a própria natureza do solo.

Problemas comuns que necessitam o conhecimento de Mecânica dos Solos:

Recalque em fundações;

Ruptura de taludes;

Escolha de material para aterro ou barragem de terra;

Percolação de água e rebaixamento do nível freático;

Escolha de material para aterro ou barragem de terra;  Percolação de água e rebaixamento do
Escolha de material para aterro ou barragem de terra;  Percolação de água e rebaixamento do
Escolha de material para aterro ou barragem de terra;  Percolação de água e rebaixamento do

33

22

DDEEFFIINNIIÇÇÃÃOO DDEE SSOOLLOOSS

De forma sistêmica solo é a camada mais superficial da crosta e é composto por sais minerais dissolvidos na água intersticial e seres vivos e rochas em decomposição.

Apesar da grande heterogeneidade usualmente os solos agrupam-se em:

O primeiro grupo é rico em húmus e detritos de origem orgânica. Esse grupo constitui a camada fértil, propicia ao plantio;

O segundo grupo constitui-se de sais minerais, composto por:

Calcário que corresponde de 7% a 10% do grupo.

Argilas e siltes que correspondem de 20% a 30% do grupo.

Areia que corresponde de 60% a 70% do grupo.

O terceiro grupo é o das rochas parcialmente decompostas.

E o quarto grupo é o das rochas que estão começando a se decompor. Denominadas de rocha mãe.

estão começando a se decompor. Denominadas de rocha mãe. Sob o ponto de vista da engenharia,

Sob o ponto de vista da engenharia, Solo é a denominação que se dá a todo material de construção ou mineração da crosta terrestre escavável por meio de pá, picareta, escavadeira, etc., sem necessidade de explosivos.

Conforme destacado anteriormente, os problemas estão ligados a natureza do solo que de uma forma mais sucinta pode ser definido como: Material natural, não concrecionado, resultante do intemperismo físico e químico das rochas e constituído por 03 (três) fases, ou seja; sólida, líquida e gasosa.

33

22 11

FFAASSEE SSÓÓLLIIDDAA

Consiste dos grãos propriamente ditos, ou seja, as partículas sólidas que diferem-se em relação ao tipo de solo analisado. Podem variar em formato, natureza ou composição mineralógica. As diferenciações decorrem da sua origem de formação, onde os agentes e a rocha mãe, irão caracterizar futuramente os grãos.

O conhecimento pleno da fase sólida, bem como as relações entre as diversas fases

constituintes é materializado mediante ensaios geotécnicos. Antecedendo à efetivação do ensaio é necessário preparar previamente as amostras. As rotinas a serem observadas nesta

etapa constam do fluxograma apresentado à seguir:

Amostra Secagem da amostra ao ar Almofariz Repartidor de amostras Pesagem # 2,00mm > 2,00mm
Amostra Secagem da amostra ao ar Almofariz Repartidor de amostras Pesagem # 2,00mm > 2,00mm
Amostra
Secagem da
amostra ao ar
Almofariz
Repartidor de
amostras
Pesagem
# 2,00mm
> 2,00mm
< 2,00mm
Granulometria
Granulometria
Ø>2,00mm
Ø<2,00mm (120g)
Densidade real
(10g)
Umidade
higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
Granulometria Granulometria Ø>2,00mm Ø<2,00mm (120g) Densidade real (10g) Umidade higroscópica(10g)
1500g solos finos e 2000g de solos grossos # 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada <
1500g solos finos e 2000g de solos grossos # 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada <
1500g solos finos e 2000g de solos grossos # 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada <
1500g solos finos e 2000g de solos grossos # 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada <
1500g solos finos e 2000g de solos grossos # 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada <
1500g solos finos e 2000g de solos grossos
1500g solos finos e 2000g
de solos grossos
1500g solos finos e 2000g de solos grossos # 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada < 0,42mm
# 0,42mm
# 0,42mm
> 0,42mm Fração desprezada
> 0,42mm
Fração desprezada
< 0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g)
< 0,42mm
LL (70g)
LP (50g)
Fatores de
contração (50g)
# 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada < 0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g)
# 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada < 0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g)
# 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada < 0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g)
# 0,42mm > 0,42mm Fração desprezada < 0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g)
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F
0,42mm LL (70g) LP (50g) Fatores de contração (50g) 3 3 2 2 2 2 F

33

22 22

FFAASSEE LLÍÍQQUUIIDDAA

A água contida em uma porção de solo, por incrível que pareça, tem várias

denominações. Esta diferenciação decorre de como a água é encontrada ou influencia no comportamento de uma massa em análise. A fase líquida pode estar expressa das seguintes formas:

Água livre ou Gravimétrica;

Água Capilar;

Água Higroscópica;

Água Adesiva;

Água de Constituição.

 Água Adesiva;  Água de Constituição. 3.2.2.1 Água Livre ou Gravimétrica Trata-se da água, que

3.2.2.1 Água Livre ou Gravimétrica

Trata-se da água, que preenchidos todos os vazios de um maciço de solo, tem seu comportamento regido pelas leis da hidráulica .É a água que circula livremente pelo solo, po-dendo entrar ou sair .através dos poros. De forma genérica podemos assegurar que a água livre é:

A água que retiramos do solo nos poços, ou seja, é a água do lençol freático;

A água que circula sendo absorvida pela infiltração ou emergindo através das nascentes;

Denominação da água do lençol artesiano quando a pressão.

água está sob

3.2.2.2 Água Capilar

Para se compreender como a água capilar é observada na massa de solo, torna-se necessário observar o que acontece próximo ao NA em um poço que foi escavado. Pelas paredes do poço, verifica-se que a água sobe acima do NA por efeito de capilaridade, formando franjas de saturação capilar. A região totalmente saturada do solo, denomina-se franja de saturação capilar total; no restante, a franja de saturação parcial. Nesta região, a

água que ocupa os poros ou interstícios do solo está sob pressão negativa, ou seja, inferior à atmosférica.

As franjas capilares têm uma importância primordial para os agrônomos, pois daí as plantas retiram água e outras substâncias que necessitam. Para os engenheiros geotécnicos, o maior interesse está no que acontece abaixo do NA, onde as pressões intersticiais da água, ou poropressões ( u0 ), são positivas e calculadas pela expressão:

uo = Zw x W

peso específico da água, tomado igual a 1,00 g/cm³

gw

profundidade em relação ao NA (cm)

Zw

Os fenômenos capilares podem ser facilmente observados, quando colocamos face a face duas placas de vidro e tentamos afastá-las. Neste caso, observaremos uma força resistente denominada coesão. De forma análoga podemos afirmar que a água capilar que apresenta pressões intersticiais negativas tendem à aproximar os grãos aumentando a resistência dos solos.

3.2.2.3

Água Higroscópica

Trata-se daquela que é encontrada em um solo seco ao ar livre.

Assim sendo é função do grau de saturação momentânea da atmosfera (umidade relativa do ar ) e da natureza Podemos evaporá-la totalmente em estufa, pelo efeito do calor, a temperatura superior a 100 C.

Um mesmo solo poderá ter diferentes umidades higroscópicas ao longo das estações do ano.

3.2.2.4 Água Adesiva

Trata-se de um "filme" ou "película" de água que está fortemente ligada à partícula sólida, envolvendo-a completamente.

Esta água só pode ser libertada em estufa, quando em temperaturas elevadíssimas, isto é, normalmente acima de 5000 C.

A formação desta película é resultado da polarização das moléculas de água.

Caracteriza-se por apresentar propriedades diferentes da água comum, pois manifesta-se no estado semi-sólido, devido a grande pressão eletrostática de adsorsão, cujo valor estimado é em torno de 20.000 Kg/cm², possuindo espessura média aproximada de 0,005

mm

3.2.2.5

Água de Constituição

A água de constituição pode ser apreciada a partir da análise da composição molecular do solo. Ela faz parte da estrutura dos grãos. A sua remoção implica no surgimento de material com características diferentes, alterados mineralogicamente.

33

22 33

FFAASSEE GGAASSOOSSAA

Consiste simplesmente de bolsões de ar ou vapor d'água, dispersos em uma massa de solo.

33

33

EEMMPPRREEGGOO DDOO CCOONNHHEECCIIMMEENNTTOO DDEE SSOOLLOOSS NNAA EENNGGEENNHHAARRIIAA CCIIVVIILL

E E N N G G E E N N H H A A R R

O solo, sob o ponto de vista da engenharia geotécnica, poderá ser utilizado tanto em suas condições naturais quanto como material de construção. Em sua condição natural, será usado como elemento de suporte de uma estrutura ou como a própria estrutura, nem sempre sendo possível melhorar suas propriedades de uma forma econômica.

Como material de construção poderá ser usado, principalmente, na construção de aterros para finalidades as mais diversas, como sub-bases e bases de pavimentos sendo nestes casos, possível dar ao solo as características necessárias e desejadas em cada projeto (Nogueira, 1988). Na tabela a seguir estão indicados, resumidamente, alguns aspectos de utilização do solo em sua condição natural e como material de construção.

em sua condição natural e como material de construção. 3 3 4 4 O O R

33 44

OORRIIGGEEMM EE EEVVOOLLUUÇÇÃÃOO DDAA MMEECCÂÂNNIICCAA DDOOSS SSOOLLOOSS

Os primeiros trabalhos sobre o comportamento dos solos datam do século XVII. COULOMB, 1773, RANKINE, 1856 e DARCY 1856 publicaram importantes trabalho sobre o comportamento dos solos. O acúmulo de insucessos em obras de Engenharia observados no início do século XX como:

O escorregamento de solo durante a construção do canal do Panamá,

1913;

Rompimento de grandes Barragens de Terra e Recalque em Grandes edifícios, 1913;

Escorregamento de Muro de Cais na Suécia, 1914. O Levou em 1922 a publicação pelos suecos de uma nova teoria para o cálculo e Estabilidade de taludes;

Deslocamento do Muro de cais e escorregamento de solo na construção do canal de Kiev na Alemanha,1915.

Em 1925 o professor Karl Terzaghi publicou seu primeiro livro de Mecânica dos solos, baseado em estudos realizados em vários países, depois do início dos grandes acidentes.

A mecânica dos solos nasceu em 1925 e foi batizada em 1936 durante a realização

do primeiro Congresso Internacional de Mecânica dos Solos.

Em meados de 1938 foi instalado o primeiro Laboratório de Mecânica dos solos em São Paulo. Em novembro de 1938 foi instalado o Laboratório de Solos e Concreto da Inspetoria Nacional de Obras Contra a Seca em Curemas Paraíba.

33 55

DDEEFFIINNIIÇÇÕÕEESS GGEERRAAIISS

A litosfera (do grego "lithos" = pedra) é a camada sólida mais externa do planeta

Terra, constituída por rochas e solo. É também denominada como crosta terrestre.

É um dos três principais grandes ambientes físicos da Terra, ao lado da hidrosfera e

da atmosfera, que, na sua relação enquanto suportes de vida, constituem a biosfera.

A crosta terrestre é constituída principalmente por basalto e granito e fisicamente é

menos rígida e mais fria do que o manto e o núcleo da Terra.

Composta de minerais a litosfera cobre toda a superfície da terra, desde o topo do Monte Everest até as profundezas das Fossas Marianas.

A crosta terrestre é subdividida em crosta oceânica, de constituição máfica (com o

nome de SiMa - minerais de sílica e magnésio) e crosta continental de constituição félsica (com o nome de SiAl - minerais de sílica e alumínio).

O Manto é a camada da estrutura da Terra que fica abaixo da crosta prolongando-

se em profundidade até ao limite exterior do núcleo, estende-se desde cerca de 30 km de profundidade (podendo ser menor nas zonas oceânicas) até 2 900km.

A diferenciação do manto iniciou-se há cerca de 3.800 milhões de anos, quando a

segregação gravimétrica dos componentes do proto-planeta Terra produziram a atual estratificação. A pressão na parte inferior do manto atinge mais de 140GPa (1.400.000 atmosferas).

A astenosfera é uma zona do manto externo, menos rígida, com comportamento

plástico devido, talvez, à fusão parcial de uma porção mínima de material do manto é

sobre essa camada que se assentam as placas tectônicas.

A existência da astenosfera foi evidenciada através do estudo do comportamento das ondas sísmicas. Na astenosfera, a velocidade de propagação das ondas sísmicas diminui. Como há um abaixamento da velocidade de propagação das ondas, admite-se que o material deve ser menos rígido, menos elástico e mais plástico que nas regiões acima e abaixo dela.

Uma hipótese a considerar é que nesta zona a temperatura seja suficientemente elevada para provocar a fusão parcial de alguns constituintes dos peridotitos, rochas existentes na astenosfera. A quantidade de material fundido deve ser muito pequena, uma vez que as ondas S propagam-se através desta zona do manto (as ondas S são ondas sísmicas que se propagam apenas em meios sólidos).

44

FFOORRMMAAÇÇÃÃOO DDOOSS SSOOLLOOSS,, FFOORRMMAA DDAASS PPAARRTTÍÍCCUULLAASS EE EESSTTRRUUTTUURRAA

44 11

CCOONNTTEEXXTTUUAALLIIZZAAÇÇÃÃOO

A Mecânica dos Solos lida com várias propriedades e características dos solos

avaliadas por meio de exames e ensaios laboratoriais executados sobre amostras de solos.

Nos problemas ideais, as grandes massas de solo são consideradas homogêneas de forma que as propriedades físicas em qualquer ponto dessa massa sejam idênticas àquelas determinadas em laboratório com algumas amostras representativas do terreno.

Mas como infelizmente os solos resultam de processos naturais complexos esse processo não pode ser considerado verdadeiro, pois a situação raramente corresponde à realidade, porque a maioria dos solos naturais é heterogênea.

Assim, para avaliar conscientemente as propriedades de uma extensa massa de solo a partir de ensaios laboratoriais executados com um número limitado de amostras é fundamental compreender os processos responsáveis pela formação dos solos e como estes influenciam nas respectivas propriedades.

É uma crença comum que o solo é um agregado de partículas orgânicas e

inorgânicas sujeita a uma desorganização total. Na realidade se trata de um conjunto apresentando propriedades que variam segundo uma organização definida.

Geralmente as propriedades na direção vertical variam muito mais rapidamente que na horizontal.

Conforme já comentado anteriormente, o solo é uma complexa mistura de matéria inorgânica que pode ou não conter resíduos orgânicos decompostos e outras substâncias que cobrem a crosta terrestre. É formado por processos climáticos, representados pela desintegração e decomposição das rochas e minerais na/ou próxima à superfície em partículas cada vez menores sob a ação de agentes naturais físicos (ou mecânicos) e químicos. Os dois últimos tipos de fatores sempre agem simultaneamente.

As rochas sofrem alterações devidas a ações climáticas como oscilações de temperatura, do vento e da água, ações químicas (oxidação, hidratação, hidrólise, carbonatação, plantas e animais) que são provocadas pela água ou microorganismos, especialmente quando contém ácidos carbônicos, agindo ao longo do tempo. Todas as rochas que se encontram na litosfera (parte sólida da Terra) estão sujeitas a estas ações.

As alterações isoladas ou simultâneas modificam e fragmentam as rochas existentes,

transportam e reúnem estes fragmentos para originar novos sedimentos. Os processos que atuam na superfície da crosta terrestre são da maior importância porque não só permitem interpretar e compreender a formação de um determinado tipo de rochas (rochas sedimentares), mas são também responsáveis pelas imposições naturais das formas da

superfície terrestre.

Utilizando o princípio da uniformização, um dos conceitos fundamentais em Geologia, ou seja, rochas semelhantes se formaram no passado por processos semelhantes aos atuais, pode-se interpretar a história da evolução da amostra da rocha sedimentar em

estudo e reproduzir a evolução das formas terrestres.

Embora as rochas sedimentares representem uma pequena porcentagem em relação ao volume, cerca de 5%, o seu estudo reverte-se da maior importância para a Engenharia Civil, pelo fato de cobrirem cerca de 70% da Crosta Terrestre.

A superfície da litosfera adquire a sua topografia em função de dois processos: a

erosão e a deposição. Os agentes da erosão são as chuvas, rios, oceanos, ondas e gelos que atuando sob a ação da gravidade removem os fragmentos das superfícies das rochas que os originaram expondo-as continuamente ao ataque. Quando estes agentes cessam

de atuar ou diminuem de intensidade dão origem a um processo de deposição denominado sedimentação.

Cada agente de transporte produz diferentes efeitos erosivos e de deposição de sedimentos. As propriedades destes sedimentos transportados refletem bem os agentes de transporte e de deposição.

Os processos de formação dos solos são, pois complexos na medida em que os fatores de erosão e transporte se combinam nas mais diferentes normas, mas aqui serão apenas encarados do ponto de vista dos seus efeitos sobre as propriedades de interesse à Engenharia dos Solos.

A forma das partículas minerais é também uma das características muito importantes

que regem o comportamento mecânico do solo. Nas seções onde que serão apresentadas este tema discutem-se de uma maneira simples e objetiva as diferentes formas das partículas dos solos, e também das suas estruturas acompanhadas de seus respectivos mecanismos.

44 22

PPRROOCCEESSSSOO DDEE AALLTTEERRAAÇÇÃÃOO

A alteração ou fragmentação das rochas pode ocorrer através de processos físicos

ou químicos.

Nos processos físicos não há em geral alteração da composição química ou mineralógica. O processo envolve apenas a fragmentação da rocha em frações menores. No outro processo, a alteração química, ou seja, decomposição da rocha ocorre por meio de reações químicas com possíveis alterações dos minerais da rocha.

A alteração mecânica ou física se refere a intemperização das rochas por agentes

físicos, tais como variação cíclica da temperatura, ação do congelamento da água que se infiltram nas juntas e fraturas das rochas, ação dos organismos, plantas, etc. Através desses processos chegam a formar areias ou, em alguns siltes, podendo até mesmo a formar argilas em situações muito especiais.

A fragmentação da rocha é produzida pelas tensões que se desenvolvem por meio

das variações de temperatura, formação de gelo, crescimento de cristais, e crescimento de

raízes.

A primeira delas resulta das variações diárias de temperatura na superfície provocam

o ciclo de expansão e contração do maciço rochoso levando-o ao fraturamento. Se a água penetrar nessas fendas e for levada a uma temperatura de congelamento, a

expansão conseqüente da sua massa aumenta a extensão das fendas e pode produzir uma escamação. A continuação desses processos vai levando os fragmentos a dimensões cada vez menores.

As plantas ou animais dão também origem a alteração mecânica: as raízes crescendo através das fendas e aumentando-as; os animais incluindo o homem fazendo escavações. A cristalização de sais dá, pela sua expansão, origem ao alargamento e propagação de fendas.

Nos climas secos, o impacto de grãos de areia transportados pelo vento provoca uma erosão muito rápida da superfície das rochas.

Por outro lado, os produtos de alteração química resultam de ataque dos minerais das rochas pela água do solo. O anidrido carbônico do ar e materiais orgânicos do solo superficial são as fontes comuns para a formação de ácidos que se dissolvem na água e atacam as rochas.

Resumindo, os processos de alteração das rochas, representam a resposta a uma mudança de ambiente que ocorre na interface atmosfera-litosfera. Com efeito, os minerais

e textura de muitas rochas podem se originar sob temperaturas muito elevadas e ou a

grandes profundidades, não se encontrando, portanto em equilíbrio sob as condições de ambiente que prevalecem na superfície. Os processos de alteração tendem então a

restabelecer o equilíbrio sob o novo ambiente físico-químico e assim podem até formar novos minerais com diferentes formas de agrupamento.

Na maioria das condições climáticas atuais os processos de alteração física e química se completam. A desagregação é maior na superfície do material exposto ao ar ambiente e assim permitindo a aceleração do processo de alteração química. As reações químicas produzem freqüentemente novos minerais cujo desenvolvimento ajuda a fragmentar ainda mais as rochas podendo chegar a dimensões que os processos mecânicos não conseguiriam alcançar.

Mas há climas em que um processo é dominante e as características dos produtos de alteração são conseqüentemente dependentes das condições climáticas. Como a matéria prima dos sedimentos deriva quase sempre de rochas ígneas é fundamental compreender como estas rochas estão sujeitas aos processos de alteração.

Os minerais constituintes das rochas ígneas pertencem a três grupos: quartzo, feldspatos e minerais ferromagnesianos (micas, anfibólios, piroxenas e olivinas), que reagem diferentemente aos processos de alteração.

O quartzo, apresentando uma estrutura compacta e composição estável, suporta bem as alterações químicas e quando se fragmenta mecanicamente se torna a principal constituinte das areias.

Os feldspatos, silicato de alumina, álcalis e cálcio, são quimicamente mais complexos

e desagregam com relativa facilidade. As bases fortes, soda, potássio e cal convertem-se

em carbonatos e dissolvem-se, enquanto que a alumina e a sílica se combinam com a água para formarem os silicatos hidratados de alumina. Estes novos minerais sãos estáveis sob as novas condições de alteração e constituem os minerais das argilas.

Os

minerais

ferromagnesianos

são

os

menos

resistentes

à

alteração

química.

Converte-se em minerais de argila, sílica coloidal e carbonatos de magnésio, cálcio de ferro. O carbonato de ferro oxidado dá origem à hematita vermelha que hidratada forma a limonita.

Em resumo: da alteração das rochas ígneas resulta na permanência do quartzo resistente, a formação de sílica coloidal, mineral argila e hidróxidos de ferro em associação com carbonatos de álcalis e terras alcalinas que são dissolvidas.

Geralmente as alterações das rochas não ocorrem de forma regular de cima para baixo. A existência de fraturas e juntas permitem a penetração dos agentes de alteração pelas descontinuidades atingindo-se assim maiores profundidades. A partir das descontinuidades processa-se o ataque químico que é mais intenso nas arestas produzindo blocos arredondados, cujo processo se denomina alteração esferoidal.

A decomposição química significa ação de agentes que atacam as rochas modificando sua composição mineralógica ou química. O principal agente é a água, e os mecanismos de ataque mais importantes são a oxidação, a hidratação e a carbonatação. Os efeitos químicos da vegetação têm também um papel de destaque. Estes mecanismos geralmente produzem argilas como produto final da decomposição. Todos os efeitos anteriores se acentuam com a mudança de temperatura, donde se torna freqüente encontrar formações argilosas em zona úmidas e quentes, enquanto que são formações arenosas e siltosas são típicas em zonas mais frias.

Nos desertos quentes, a falta de água faz com que o fenômeno de decomposição não se desenvolva, e neste caso predominam a formação de areias; ali os efeitos de alternância entre tração e compressão sobre as rochas, produzidos pela elevação e queda periódica e contínua de temperatura são os mecanismos de ataque determinantes.

PROCESSO

FÍSICO

QUÍMICO

BIOLÓGICO

EXEMPLO

 

TIPO E IMPORTÂNCIA DOS EFEITOS

Decomposição

Efeitos secundários

Dilatação térmica

Redução das dimensões dos fragmentos e

Ação do gelo

aumento da área das superfícies de ataque

Expansão coloidal

• Permitem-se a composição química

Oxidação

Carbonatação

• Alteração quase completa das propriedades

Hidrólise

físicas e químicas com aumento sensível de

Hidratação

volume

Dissolução

Reconstituição química

Ação de cunha das raízes

Ação dos ácidos orgânicos

• Efeitos secundários

Ação de animais

• Combinação de efeitos físicos e químicos

referidas

carbonatação, hidrólise, hidratação, e ação de vegetais e microorganismos.

As

alterações

químicas

incluem

os

seguintes

processos:

oxidação,

OXIDAÇÃO: Mudança

que

sofre

um

penetração de oxigênio na rocha.

mineral

em

decorrência

da

CARBONATAÇÃO: O carbonato de cálcio em contato com a água carregada de ácido carbônico se transforma em bicarbonato de

cálcio.

HIDRÓLISE: Resulta na destruição dos silicatos.

HIDRATAÇÃO: Penetração da água nos minerais, através de fissuras. A hidratação ocasiona nos Granitos e Gnaisses a transformação de feldspato em argila.

44 33

FFAATTOORREESS QQUUEE CCOONNTTRROOLLAAMM OOSS PPRROOCCEESSSSOOSS DDEE AALLTTEERRAAÇÇÃÃOO

Os fatores que controlam os processos de alteração das rochas estão continuamente

relacionados e a sua importância relativa depende de certas condições específicas. A classificação pedológica (Pedologia é definida, no Soil Survey Manual do U.S. of Department of Agriculture, como a ciência que se ocupa dos solos, incluindo a sua natureza, propriedades, formação, comportamento e reação, do seu uso e aproveitamento) se baseia na premissa de que a estrutura, forma, e as propriedades dos solos são controladas por cinco fatores agindo simultaneamente: material parente (rocha mãe); clima; topografia; vegetação e idade.

44

33 11

RROOCCHHAA MMÃÃEE

A composição e textura da rocha mãe é importante nos estados iniciais do processo de alteração. A duração de influência da rocha mãe é muito curta nas zonas onde prevalecem condições extremamente úmidas e altas temperaturas. Em regiões áridas a influência da composição da rocha mãe dura indefinidamente. Sob condições diferentes de clima, topografia e tempo podem-se formar solos cauliníticos e montemoriloníticos a partir da mesma rocha mãe. Por outro lado, rochas com composições e textura muito diferentes podem dar origem ao mesmo tipo de solo com uma composição característica dos minerais argilas.

Os álcalis e o cátion alcalino e a sua percentagem na rocha mãe é um fator importante para os produtos de alteração que se formam. Assim rochas sem álcalis só podem originar caulinitas ou produtos lateríticos. As rochas ígneas e xistos pelas suas porcentagens de álcalis, cátions alcalinos e alumina, sílica, etc, dão origem a grande variedade de produtos de alteração.

44

33 22

CCLLIIMMAA

O clima através dos seus principais fatores climáticos, temperatura e chuva, têm

grande importância no desenvolvimento da alteração das rochas.

Climas quentes úmidos promovem rapidamente a alteração dos minerais da rocha mãe. Num clima continuamente úmido, a percolação da água remove os produtos decompostos permitindo a evolução da decomposição, enquanto numa região seca estes produtos podem permanecer in situ.

O clima afeta a vegetação e os produtos produzidos pela decomposição da

matéria orgânica. Os ácidos orgânicos ativos reagem com os elementos da rocha mãe nos climas temperados úmidos, enquanto que a matéria orgânica é rapidamente destruída por oxidação em climas quentes úmidos.

Resumindo: a ação do clima traduz-se por alterações químicas que ocorrem mais facilmente em climas quentes úmidos, pois são atenuadas por baixas temperaturas e praticamente interrompidas com a falta de água; e por alterações mecânicas favorecidas em regiões de variações rápidas de temperatura ou com ação do gelo e predominam, portanto nas regiões subpolares, em desertos e em áreas montanhosas.

Assim, as regiões atuais de alteração podem diferenciar-se do seguinte modo:

 

Subpolar: alteração mecânica, principalmente devido à ação da fragmentação produzida pelo gelo;

Temperada: alterações físicas e químicas atuando conjuntamente;

Desértica: alteração mecânica, principalmente devida variação de temperatura;

Tropical: alterações químicas profunda, favorecidas por chuvas intensas e temperaturas altas.

44

33 33

TTOOPPOOGGRRAAFFIIAA

A percolação e infiltração da água através de material alterado são controladas

pela topografia. A topografia influencia no grau de erosão na superfície. Áreas planas baixas estão normalmente completamente saturadas em água em regiões muito chuvosas,

o

que retarda a alteração.

44

33 44

VVEEGGEETTAAÇÇÃÃOO

A quantidade e qualidade dos produtos resultantes da decomposição da vegetação são fatores significativos. Onde a vegetação é escassa ou rapidamente oxidável, poucos ácidos orgânicos se formam para atacar as rochas, e pelo contrário em condições frescas e úmidas com vegetação de folhas pequenas, os produtos de decomposição orgânica atacam os silicatos minerais.

44

33 55

TTEEMMPPOO

O fator tempo é muito importante quando a alteração é moderada e a composição

da rocha mãe permite a formação de produto de alteração. Com uma ação prolongada

a lixiviação (ação da água passando através do material de alteração) e outros processos

de alteração acabam por tornar sensíveis os seus lentos efeitos.

44 33 66

PPEERRFFIILL DDOO SSOOLLOO

Uma seção vertical das camadas de um solo desde a superfície até a rocha mãe constitui um perfil do solo, que se divide em horizontes.

O horizonte A situa-se na superfície e nele os minerais e colóides vão sendo removidos

por lixiviação. Tem espessura média de duas a três dezenas de centímetros.

O horizonte B forma uma bolsa de acumulação para os materiais lavados do horizonte A. A espessura média é da ordem de grandeza do horizonte A, mas pode atingir metros.

O horizonte C é muito menos alterado e é a partir dele que se formam os horizontes A

e B.

O horizonte D constitui a base.

os horizontes A e B. O horizonte D constitui a base. O perfil de um solo

O perfil de um solo descrito acima é utilizado pelos geólogos e foi aqui muito enfatizado porque em muitas regiões dispõe-se de mapas ou cartas de solos para fins agrícolas com as respectivas classificações pedológicas que podem constituir um instrumento muito útil de estudo. Mas para evitar confusões de nomenclatura e de critérios de classificação adotados em engenharias de solos, mostra-se no esquema seguinte a relação entre solo pedológico e o solo do ponto de vista da engenharia de solos.

Da associação dos fatores que controlam os processos de alteração resultam dois tipos de solos nos climas temperados e um no clima tropical.

Denomina-se de podzolização o processo que se desenvolve em climas temperados úmidos com cobertura de floresta dando origem a solos com concentração de Al e Fe no horizonte B e lixiviação de Ca, Na e Mg (caulinita é a principal forma)

Denomina-se de calcificação o processo que se desenvolve em climas temperados secos com cobertura de prado dando origem a solos com concentração de Ca e Mg no horizonte B usualmente sob a forma de carbonatos (montmorilonita é a principal forma).

Denomina-se laterização o processo que se desenvolve em climas tropicais e subtropicais dando origem a solos lateríticos que se formam com concentração de Fe e Al no horizonte B; sendo a sílica lixiviada, se a argila é instável, concentrando-se a alumina para se formar uma argila contendo alumina. Em solos lateríticos a alteração é rápida e o caulim é o seu produto final.

Por vezes á confusão de terminologia chamando-se erroneamente aos solos lateríticos apenas lateritas. Apresentando-se em seguida as definições que constam do vocabulário de estradas e aeroportos:

Solo laterítico: solo cuja fração argilosa tem uma relação molecular SiO2/R2O3<2 e apresenta baixa expansibilidade

Terreno laterítico: Terreno com quantidade significativa de lateritas e (ou) de solo laterítico. Considera-se quantidade significativa àquela que confere ao terreno um comportamento laterítico.

Laterita: Material de estrutura alveolar, muitas vezes matizado, com cores variando do amarelo ao vermelho mais ou menos escuro e mesmo negro, constituindo cascões contínuos de espessura e dureza variáveis tendo muitas vezes o aspecto de uma escória, ou ainda concreções podzolíticas isoladas de maior ou menor resistência.

44

44

CCLLAASSSSIIFFIICCAAÇÇÃÃOO DDOOSS SSOOLLOOSS QQUUAANNTTOO AA OORRIIGGEEMM

 

Os solos classificam-se quanto a origem em solos residuais e sedimentares.

44

44 11

SSOOLLOOSS RREESSIIDDUUAAIISS

Solos residuais são os solos que permanecem no local de decomposição rocha que lhes deu origem. Para a sua ocorrência é necessário que a velocidade de remoção do solo seja menor que a velocidade de decomposição da rocha.

solo seja menor que a velocidade de decomposição da rocha. A rocha que mantém as características

A rocha que mantém as características originais, ou seja, a rocha sã é a que ocorre em profundidade. Quanto mais próximo da superfície do terreno, maior é o efeito do intemperismo. Sobre a rocha sã encontra-se a rocha alterada, em geral muito fraturada e permitindo grande fluxo de água através das descontinuidades. A rocha alterada é sobreposta pelo solo residual jovem, ou saprólito, que é um material arenoso. O material mais intemperizado ocorre acima do saprólito e é denominado solo residual maduro, que contém maior percentagem de argila.

Os solos residuais revestem-se de particular interesse para os engenheiros pois são abundantes nas províncias ultramarinas da Guiné, Angola e Moçambique. A espessura que os solos residuais podem atingir é um condicionamento muito importante, pois normalmente

afeta sensivelmente a concepção, projeto e execução das grandes obras de Engenharia Civil. Soares (1963) indica as seguintes profundidades típicas para solos residuais.

Os perfis típicos de solo residual dividem-se em 3 zonas mais ou menos diferenciadas:

Camada superficial de solo residual com porosidade e grau de saturação baixos (denominada por vezes de zona porosa);

Camada de solo residual jovem que por vezes tem aparente a estrutura original da rocha mãe; 3. Camada desintegrada que só pode ser retirada com meios vigorosos.

É o horizonte B onde se dá a concentração de Fe e Al que se pode formar a couraça laterítica, que por vezes aflora à superfície em conseqüência da erosão superficial.

à superfície em conseqüência da erosão superficial. 4 4 4 4 2 2 S S O

44 44 22

SSOOLLOOSS SSEEDDIIMMEENNTTAARREESS

Os solos sedimentares ou transportados são aqueles que foram levados de seu local de origem por algum agente de transporte e lá depositados.

Os agentes de transporte são:

Vento (solos eólicos);

Água (solos aluvionares);

Água dos Oceanos e Mares (Solos Marinhos)

Água dos Rios (Solos Fluviais)

Água das Chuvas (Solos Pluviais)

Geleiras (Solos Glaciais);

Gravidade (Solos Coluvionares)

4.4.2.1 Solos eólicos

Transporte pelo vento. Devido ao atrito os grãos dos solos transportados possuem forma arredondada. A ação do vento se restringe ao caso das areias e dos siltes. São exemplos de solos eólicos as DUNAS e os solos LOÉSSICOS.

Dunas Barreira.

Loéssicos Vegetais.

4.4.2.2 Solos aluvionres

O agente de transporte é a água, os solos sedimentares. A sua textura depende da velocidade de transporte da água. podem ser classificados como de origem PLUVIAL, FLUVIAL ou

Grãos de diversos tamanhos;

Mais grossos que os eólicos;

Sem coesão.

 Mais grossos que os eólicos;  Sem coesão. 4.4.2.3 Solos glaciais Formados pelas geleiras. São

4.4.2.3 Solos glaciais

Formados pelas geleiras. São formados de maneira análoga aos fluviais.

4.4.2.4

Solos coluvionares

Formados pela ação da gravidade. Grande variedade de tamanhos. Dentre os solos podemos destacar o TALUS, que é solo formado pelo deslizamento de solo do topo das encostas.

formado pelo deslizamento de solo do topo das encostas. 4 4 4 4 3 3 S

44 44 33

SSOOLLOOSS OORRGGÂÂNNIICCOOSS

A Impregnação do solo por sedimentos orgânicos preexistentes, em geral misturados de restos de animais e vegetais com cor escura e cheiro forte.

As TURFAS são solos que encorporam florestas soterradas em estado avençado de decomposição. Não se aplicam as teorias da mecânica dos solos.

44 55

AALLTTEERRAAÇÇÃÃOO DDOOSS SSOOLLOOSS AAPPÓÓSS AA SSUUAA FFOORRMMAAÇÇÃÃOO

O engenheiro civil quando projetam as suas obras têm que ter em atenção não só as condições e propriedades que estão presentes no início dos trabalhos, mas também saber como evoluirão essas propriedades ao longo da vida das obras.

Quer as dimensões que as formas de um determinado depósito e de e as respectivas propriedades podem alterar-se de maneira significativa. Essas alterações podem ocorrer independentemente da atividade do homem enquanto que outras são conseqüências da própria construção. Com a prática o engenheiro aprende que o solo não é inerte e que é bastante sensível ao ambiente, o que se por um lado dificulta a resolução de muitos problemas, por outro os torna bastante interessantes.

Os principais fatores que influenciam o comportamento dos solos são:

44

55 11

TTEENNSSÃÃOO

Em geral o aumento de tensões sobre um elemento de solo produz um aumento da sua resistência ao cisalhamento, uma redução da compressibilidade e uma diminuição da permeabilidade; pelo contrário uma diminuição de tensões produz efeitos contrários, que são, no entanto, bastante menos sensíveis para a mesma variação do valor da tensão.

Durante a formação de um depósito as tensões totais impostas às várias camadas vão aumentando à medida que cresce a altura do solo sobre as camadas; e assim as propriedades das camadas de solo vão evoluindo com a formação do depósito. A remoção do solo por erosão faz, pelo contrário, diminuir as tensões aplicadas às camadas de solo subjacentes.

Destes fatos resultam duas importantíssimas situações para os solos finos (argilas), e que muito condicionam o seu comportamento. Assim, se um solo está em equilíbrio sob a mínima tensão a que á foi sujeito na sua história geológica é denominada de normalmente adensado, enquanto que quando em equilíbrio sob tensões inferiores aquelas em que tenha sido anteriormente adensado se denominam de pré-adensado.

Na engenharia civil há atividades de construção que conduzem a um aumento de tensões no solo e outras que resultam em redução das tensões. O primeiro caso verifica-se, por exemplo, na fundação de uma barragem de terra, e o solo atingido o equilíbrio, ou seja, depois de expulsar parte da água dos seus poros ganham maior resistência, diminuindo a compressibilidade e a permeabilidade. O segundo caso ocorre, por exemplo, na abertura de canais, em que a escavação de materiais reduz as tensões aplicadas no solo diminuindo-se por vezes a resistência o que combinado com o surgimento de outros fatores que provocam a instabilidade, pode conduzir a rupturas do solo.

44

55 22

TTEEMMPPOO

O tempo é uma variável dependente para os outros fatores intervenientes na modificação do comportamento dos solos. Com efeito, para que os efeitos das variações de tensões, se façam sentir é necessário dar-se tempo a que a água dos poros do solo seja expulsa ou introduzida o que é fortemente condicionado pela permeabilidade baixa dos solos finos. O tempo como já se referiu é importante para os fenômenos de alteração, quer para os processos químicos quer físicos.

44

55 33

ÁÁGGUUAA

Este fator é também muito principalmente nos solos argilosos onde a simples presença da água faz com que as forças atrativas existentes entre partículas de argila reduzam. A água existente nos poros recebe parte das cargas aplicadas ao solo, influenciando assim o seu comportamento. Uma argila que quando seca apresenta resistência apreciável, quando bem misturado com a água, transforma-se num lodo com comportamento fluido. Assim, o aumento do conteúdo de água num solo fino geralmente reduz a resistência.

A natureza ou a atividade do homem, produzem variações na quantidade de água nos poros dos solos. Em muitas regiões com épocas secas e chuvosas, o solo é submetido a diferentes condições de umidade. Na época seca, o nível freático baixa e o solo acima dele perde água quer por evaporação, quer por ação da gravidade, ao passo que as

camadas inferiores ficam embebidas de água.

Estas variações sazonais conduzem a uma sensível variação das propriedades mecânicas do solo. Infelizmente estes fatos são por vezes esquecidos, pois nem sempre os estudos, ensaios e amostragem são feitos na época mais desfavorável.

A atividade do homem conduz também a alterações significativas de água no solo.

A criação de grandes ou pequenas barragens imerge solos aumentando-lhes a pressão da água nos poros; as estruturas enterradas exigem por vezes o rebaixamento de níveis freáticos e estes são fatores que não podem ser esquecidos e há que ponderar

cuidadosamente em que medida a conseqüente alteração de comportamento do solo pode vir a afetar as obras previstas.

44

55 44

AAMMBBIIEENNTTEE

As características básicas dos ambientes de formação de solos, bem como aquelas

a que fica sujeito depois da sua formação podem influenciar sensivelmente o seu

comportamento. Dois fatores que podem influenciar o comportamento do solo depois da sua formação, a natureza do fluido dos poros e a temperatura.

Uma argila sedimentar ou compactada pode formar-se com um fluido nos poros com ma determinada composição que pode evoluir ao longo da vida do depósito. Como é o caso das argilas marinhas depositadas em água salgada. Por movimentos epirogênicos de levantamento pode a formação argilosa atingir níveis superiores ao do mar e ficar assim sujeita à percolação de águas com teores de sal muito mais baixo do que os da água da mar.

Este efeito da lixiviação atuando durante séculos removerá os sais da água dos poros alterando significativamente a composição do fluido dos poros. Como se verá a redução do teor eletrolítico da água entre partículas de argila pode reduzir a atração entre elas e em conseqüência a respectiva resistência ao corte.

Quanto à temperatura é normal em solos finos (argilas) que um decréscimo provoque uma expansão do solo e que o ar dissolvido no fluido dos poros se liberte em parte. As argilas depositadas em lagos glaciais sofrem um aumento de temperatura durante

o transporte para o laboratório, o que pode por vezes ter influência nas respectivas

propriedades.

44

55 55

PPEERRTTUURRBBAAÇÇÃÃOO

A perturbação é aqui interpretada como um fenômeno mecânico adicional que

torna aparente uma desfavorável característica também mecânica do solo e que estava latente. O exemplo mais significativo é o das argilas muito sensíveis, quick clay, que ocorrem na Escandinávia e no Canadá. As partículas destas argilas por serem marinhas têm uma estrutura floculada, isto é, as partículas se agrupam umas em relação às outras segundo

“topo e face”. As forças de contato inicialmente fortes são enfraquecidas por efeito da lixiviação feita por águas de percolação menos salinas que reduzem o teor iônico da água dos poros. Como a estrutura floculada da argila marinha permite a existência de um alto teor de água nos poros, quando a perturbação ocorre rompendo as fracas ligações entre partículas a estrutura floculada passa a dispersa, perdendo a argila a sua existência e passando a comportar-se como um fluido.

44

66

FFOORRMMAA DDAASS PPAARRTTÍÍCCUULLAASS

Nos solos grossos a forma característica é eqüidimensional, o qual as três dimensões da partícula são de magnitude semelhantes. Origina-se pela ação de agentes mecânicos e químicos. Segundo a intensidade e o tempo em que estes agentes mecânicos tenham atuado, se produzem variedades na forma eqüidimensional, das quais podem ser arredondadas, subarredondadas, subangulares, ou angulares, em escala decrescente dos efeitos do ataque dos agentes mecânicos.

decrescente dos efeitos do ataque dos agentes mecânicos. A forma arredondada é praticamente esférica, enquanto que

A forma arredondada é praticamente esférica, enquanto que angulares é a que

apresenta arestas e vértices pontiagudos (por exemplo, pedra britada). Quando estas arestas e vértices estão arredondados pelo efeito de rolamento e abrasão mecânica, se tem a forma sub-angular, os quais por um processo mais intenso da erosão podem obter a forma sub-arredondada final.

As formas angulares são típicas de areias residuais, e as areias vulcânicas apresentam essa forma em partículas cristalizadas. As areias marinhas são geralmente angulares.

A forma arredondada é freqüente nas areias de rio e em algumas formações de

praia, se bem que no primeiro caso, predominam as formas sub-arredondada e sub- angular, pois as partículas que não se arrastam, não sofrem o efeito da abrasão ou rolamento; naturalmente que o anterior é mais certo em partículas de pequeno tamanho, por sua maior facilidade para manter-se em suspensão. As areias eólicas são de grão fino e arredondado.

Nos solos finos a forma das partículas tende a ser achatada, porque as minerais argilas, em sua maior parte se adotam a forma laminar; com exceção de alguns minerais que possuem forma fibrosa. Nestes materiais a influência da forma é muito importante, pois a cada um dos dois mencionados corresponde a uma diferente relação entre área e volume da partícula e, portanto, uma atividade superficial muito distinta, no que se refere à absorção.

superficial muito distinta, no que se refere à absorção. A partícula de forma laminar tem duas

A partícula de forma laminar tem duas dimensões muito maiores que a terceira; na

forma fibrosa uma dimensão da partícula é muito maior que outras duas. A forma laminar é

a mais freqüente nos minerais de argila. A forma fibrosa é muito mais rara (haloisita, e

algumas outras formas mineralógicas não muito comuns).

Durante muitos anos acreditou-se que o tamanho das partículas era o fator dominante em algumas importantes propriedades mecânicas, concretamente na compressibilidade. Hoje se estima que a forma das partículas exerce um papel muito mais preponderante nesta propriedade.

Uma experiência clássica que prova esta afirmação consiste no preenchimento de provetas de 1000 cm³, uma com areia e outra com plaquetas de mica, de tamanho análogo; aplicando uma pressão muito pequena na areia com pistão, esta compressão por ser muito pequena, que dificilmente se faz sentir; e se as mesmas pressões fossem aplicadas na mica podem produzir reduções volumétricas de até 80%.

A redução de volumes de um solo pode ser alcançada por aplicação de pressão estática, por meio de vibração ou por combinação de ambos os métodos. Mesmo que a amostra da areia não seja afetada pela pressão estática de forma apreciável, se for aplicada uma vibração se nota uma redução volumétrica da ordem de 10%. A vibração afeta também as plaquetas de mica, porém menos que a pressão estática.

Uma pequena quantidade de plaquetas de mica misturada na areia dá a esta uma característica de compressibilidade abaixo são cargas estáticas notavelmente incrementadas. Terzaghi foi o primeiro a emitir uma opinião de que a proporção de partículas laminares contidas no solo é a causa fundamental da variação tão acentuada observada no comportamento dos mesmos, em relação à compressibilidade.

As partículas maiores designados por pedregulho, areia e silte, podem ter formas arredondadas ou angulosas. As formas das partículas refletem a origem e a história geológica de material. Muitas das partículas dos solos são provenientes dos processos de alteração de rochas tem inicialmente formas angulosas. A subseqüente abrasão durante a seu transporte (pela ação da água, vento ou gelo) reduz as irregularidades.

A forma das partículas na mistura com dimensões de “argila” (< 2μ) depende da sua composição química e da sua estrutura cristalina. Quando as partículas de argila, dado que

a sua estrutura cristalina, consiste de uma sucessão de lâminas contendo sílica, alumina,

oxigênio e hidrogênio a sua forma corrente é de placas. É o caso das argilas pertencentes aos grupos da caulinita, ilita e montmorilonita. A haloisita é uma exceção, pois as suas

partículas têm forma alongada.

A espessura das partículas de argila é da ordem de 10-6 mm, mas sua largura é muitas vezes superior. Nas Figuras seguintes mostram-se aproximadamente as formas das partículas da caulinita e de ilita.

4 4 7 7 E E S S T T R R U U T

44 77

EESSTTRRUUTTUURRAA DDOOSS SSOOLLOOSS

Serão estudadas agora as disposições adotadas pelas partículas minerais para dar lugar ao conjunto chamado solo. Primeiramente convém insistir na afirmação de que o solo nunca é um mero agregado desprovido de organização; antes ao contrário, suas partículas se dispõem sempre na forma organizada, seguindo algumas leis fixas e segundo a ação de forças naturais susceptíveis a analises.

Nos solos formados por partículas relativamente grandes (pedregulhos e areias) as forças que intervém na formação de estruturas são muitas bem conhecidas e seus efeitos são relativamente simples de qualificar; por isso, praticamente não existe discussão em relação ao mecanismo de estruturação que, por sua vez, pode ser verificada visualmente.

Por outro lado, nos solos formados por partículas muito pequenas (siltes e argilas), as forças que intervém nos processos de estruturação são de caráter muito mais complexo e as estruturas resultantes só podem ser parcialmente verificadas por métodos indiretos, relativamente complexos e ainda em pleno desenvolvimento. Tudo isso faz que os mecanismos de estruturação e ainda as mesmas estruturas resultantes são em relação aos solos, matéria de hipótese.

Tradicionalmente se tem considerado como básicas para os solos reais as estruturas simples, alveolar e floculenta. Em épocas atuais tem-se procurado superar aquele quadro tradicional introduzindo modificações à luz de alguns resultados obtidos em experimentos realizados com técnicas mais modernas. Assim, no solo, estão variando as idéias muitas investigações a respeito dos mecanismos de estruturação dos solos, sem que, inclusive tenha surgido estruturas que, como a dispersa, não estavam incluídas no quadro tradicional.

44 77 11

EESSTTRRUUTTUURRAA SSIIMMPPLLEESS

É aquela produzida quando as forças devidas ao campo gravitacional terrestre são claramente predominantes na disposição das partículas; é, portanto, solos típicos de grãos grossos (pedregulhos e areias) de massas comparativamente importantes. As partículas se dispõem apoiando-se diretamente umas sobre as outras e cada partícula possuem vários pontos de apoio.

Como um ponto de vista da engenharia, o comportamento mecânico e hidráulico de um solo de estrutura simples, é definido principalmente por suas características; a compacidade do manto e a orientação das partículas.

O termo compacidade se refere ao grau de acomodação alcançada pelas

partículas do solo, deixando mais ou menos vazios entre elas. Num solo muito compacto, as

partículassólidas que o constituem tem um alto grau de acomodação e a capacidade de deformação sob carga do conjunto será pequena. Em solos pouco compactos o grau de acomodação é menor; em solos com volumes de vazios e, por conseqüência as capacidades de deformação, serão maiores. Uma base de comparação para ter uma idéia da compacidade alcançável por uma estrutura simples, se tem estudado a disposição de um conjunto de esferas iguais.

Na figura mostra-se, perfil ou planta, os estados mais soltos e mais compacto possível

de tal conjunto. Os valores da porosidade (n) e índice de vazios (e) correspondentes a

ambos os casos podem ser calculadas facilmente.

a ambos os casos podem ser calculadas facilmente. As areias naturais muito uniformes em tamanho possuem

As areias naturais muito uniformes em tamanho possuem valores da porosidade e

índice de vazios muito próximos do acima descrito. Mas nas areias comuns, os valores podem diminuir apreciavelmente e uma pequena porcentagem de partículas laminares

aumenta sensivelmente o volume de vazios no estado mais solto; em areias bem graduadas, com ampla gama de tamanhos, os estados mais fofos e mais compactos tem valos da porosidade e índice de vazios muito menores que os que correspondem a acumulação de esferas iguais.

Para medir a compacidade de uma camada de estrutura simples, Terzaghi introduziu uma relação empírica, determinável em laboratório, chamada Compacidade Relativa (Cr):

Onde:

em laboratório, chamada Compacidade Relativa (Cr): Onde:  emax = relação de vazios correspondente ao estado

emax = relação de vazios correspondente ao estado mais fofo;

emin = relação de vazios correspondente ao estado mais compacto;

enat = relação de vazios da amostra no estado natural.

As determinações do emax, emin e enat do solo são feitas em laboratório segundo

procedimentos padronizados. Para o caso de areias grossas e puras, os valores de e nas

condições mais compactas e mais fofas podem ser determinadas no estado seco ou no

estado

primeira condição.

completamente

saturado,

devendo

ser

determinadas

preferencialmente

na

Nas areias finas deve haver grande diferença nos resultados segundo se tenha determinado num ou outro estado; além disso, quando se fazem determinações no estado seco, os resultados dependem do tempo transcorrido a partir do momento da extração da amostra da estufa ou secador, pois o ar pode transmitir umidade. Também influem o tamanho do recipiente de onde se compacta a amostra (para a determinação do emin) e

o método de compactação; têm-se propostos vários métodos, porém até hoje, nenhum é

considerado perfeito. Por exemplo, em um solo bem graduado, com 10% de partículas de tamanho menor que 0,04 mm de diâmetro foi encontrados em uma prova que sua relação de vazios variava entre 0,57 e 0,62 no estado mais fofo e entre 0,28 e 0,30 no mais compacto; estas flutuações foram atribuídas à umidade higroscópica, pois se tem encontrado variações de 0,01 na relação de vazios ao se retirar a amostra do secador e expô-la ao ar durante 10 ou 15 minutos.

Em outra amostra do mesmo solo se obtiveram valores de 0,32 e 0,6 para as relações correspondentes aos estados mais compactos e mais fofos, respectivamente. As variações anteriores são suficientes para produzir uma diferença na compacidade relativa na ordem de 10%. Para tanto, dita compacidade relativa não pode se considerar como uma quantidade fixa e, em cada caso, deve ser descrito detalhadamente o método de determinação empregado.

As orientações das partículas de areia sedimentar e na água são mais pronunciadas quanto mais se afasta da sua forma esférica; esta orientação produz, como efeito principal, uma permeabilidade do solo muito distinta; o efeito aumenta profundamente se o solo contém uma porcentagem apreciável de partículas laminares. Ainda em areias naturais com formas praticamente eqüidimensionais o efeito da orientação sobre a permeabilidade

é

apreciável.

44

77 22

EESSTTRRUUTTUURRAA AALLVVEEOOLLAARR

Esta estrutura se considera típica e grãos de pequeno tamanho (0,02 mm de diâmetro ou algo menores), que se depositam em um meio contínuo, normalmente água e, algumas vezes, ar.

Nestas partículas, a gravidade exerce um efeito que faz com que tendam a se sedimentar, mas dada sua pequena massa, outras forças naturais podem ter uma magnitude significativa. A partícula, antes de chegar ao fundo do depósito, toca a outra

partícula já depositada, a força de aderência desenvolvida entre ambas, pode neutralizar

o peso, fazendo com que a partícula seja detida antes de completar seu percurso: outra

partícula pode agora ter o mesmo comportamento e assim elas poderão chegar a formar

uma tela, com quantidade importante de vazios, a modo de um painel.

As forças de aderência, causadoras destas estruturas são forças superficiais.

44 77 33

EESSTTRRUUTTUURRAA FFLLOOCCUULLAADDAA

Quando no processo de sedimentação, duas partículas de diâmetros menores que 0,02 mm chegam a se tocar, se aderem com força e se sedimentam juntas; assim, outras partículas podem unir-se ao grupo, formando um grumo, com estrutura similar a um painel.

Este mecanismo produz uma estrutura muito frágil e solta, com grande volume de vazios, chamada floculenta, ou algumas vezes, alveolar de ordem superior.

As partículas menores que 0,0002 mm (0,2 micra) já são consideradas colóides; estas partículas podem permanecer em suspensão indefinidamente, pois nelas o peso exerce pouca influência em comparação com as forças elétricas desenvolvidas entre as partículas carregadas negativamente, segundo já foi dito e com as forças moleculares exercidas pela própria água; quando duas destas partículas tendem a se aproximar, suas cargas exercem uma repulsão que as afasta novamente; as vibrações moleculares da água impedem que as partículas se precipitem; o resultado é um movimento característico em rápido zig-zag, conhecido como movimento browniano (observado pela primeira vez pelo botânico inglês Brown ao estudar suspensões de clorofila no microscópio). Por esse mecanismo, as partículas coloidais do solo em suspensão não se sedimentam jamais. As cargas elétricas das partículas coloidais podem, sem dúvida, neutralizar-se sob a influência da adição de íons de carga positiva oposta: um eletrólito, por exemplo, os ácidos clorídricos, quando se dissocia em água origina íons positivos e negativos (Cl- e H+). Pelo efeito dos íons H- em solução, os colóides neutralizam suas cargas e chocam entre si, mantendo unidos pelas forças de aderência que se desenvolvem. Desta maneira podem começar a formar flocos de massa maior, que tendem a se depositar.

Na água do mar, os sais contidos atuam como eletrólito, fazendo possível a geração de mecanismo antes descrito: nas águas naturais a dissociação normal de algumas moléculas (H+, OH-) que sempre são geradas, as presenças de sais, etc, levam ao mesmo efeito.

Os flocos se unem entre si para formar painéis, que se depositam conjuntamente, formando novos painéis ao tocar o fundo e dando lugar a uma forma extraordinariamente difusa de estrutura floculenta, no qual o volume sólido pode não representar mais de 5 a

10%.

Conforme aumenta o peso devido a sedimentação contínua, as capas inferiores expulsam a água aumentado a consolidação. Durante esse processo, as partículas e grumos se aproximam entre si e é possível que esta estruturação tão pouco firme no princípio, alcance resistências de importância.

firme no princípio, alcance resistências de importância. 4 4 7 7 4 4 E E S

44 77 44

EESSTTRRUUTTUURRAASS CCOOMMPPOOSSTTAASS

Considera-se que as estruturas anteriores raramente se apresentam “puras” na natureza, pois a sedimentação compreende partículas de todos os tamanhos e tipos, para as que regem as leis da natureza de modo diferente. Segundo as idéias até aqui expostas

sobre estruturação, seria comum encontrar nos solos reais estruturas como a ilustrada abaixo. Nestas formações define-se um esqueleto constituído por grãos grossos e massas coloidais de flocos que proporcionam união entre elas.

coloidais de flocos que proporcionam união entre elas. A estrutura é formada em condições que permitem

A estrutura é formada em condições que permitem a sedimentação de partículas grossas e finas simultaneamente; isto ocorre freqüentemente na água do mar ou lagos, com conteúdo apreciável de sais, donde o efeito floculante dos sais coexiste com o arraste de ventos, correntes de água, etc.

O processo de acúmulo de sedimentos acima de um certo nível faz com que as camadas inferiores se consolidem sob o peso das sobrejacentes; as partículas mais grossas se aproximam fazendo com que a argila floculada ao tocar o fundo diminua de volume; a compressão resultante da argila é maior nas zonas onde se encontre mais confinada, isto é, nas regiões de aproximação entre os grãos mais grossos, sempre que não haja fluxo lateral da massa nestas regiões. Se o incremento da carga é rápido, existirá um fluxo lateral e, conseqüentemente, a massa coloidal sofrerá um decréscimo de volume mais uniforme; mas na natureza a carga cresce muito lentamente, pelo que o fluxo lateral tende a se produzir em escala muito menor e as propriedades tixotrópicas da matéria coloidal podem ajudar eficazmente no impedimento quase por completo.

Assim se produz nas regiões de aproximação entre os grãos grossos uma liga argilosa coloidal altamente consolidada, que define fundamentalmente a capacidade do esqueleto para suportar cargas. Estas ligas argilosas estão sujeitas a pressões muito maiores que o meio da massa do solo, mesmo que a argila preencha os vazios do esqueleto se mantenha branda e solta, sujeito a pressões comparativamente muito menores.

Com as idéias anteriores é fácil entender a diferença que apresentam as argilas nas propriedades mecânicas quando se encontram nos estados indeformado e deformado. O amolgamento destrói a liga de argila altamente consolidada entre as partículas grossas e permite que a argila a cubra em volta, atuando como lubrificante entre elas; como resultado, a consistência no estado amolgado será muito fraca. Embora não sejam destruídas as ligações consolidadas, a argila se comporta elasticamente e possui resistência à ação das cargas, que depende principalmente da pressão a que foi consolidada na natureza; a deformação da massa decresce a uma maior consolidação prévia e a uma maior diferença entre a pressão nas zonas argilosas de envolvimento e a pressão média em

toda a massa: esta diferença é tanto maior quanto mais complexa for a estrutura (argila marinha, por exemplo).

Alguns autores têm atribuído exclusivamente a diferença de comportamento mecânico das argilas, entre o estado inalterado e amolgado, às propriedades tixotrópicas destes materiais.

Com efeito, a tixotropia produz certa rigidez reversível na massa plástica, aumentando a aderência nos pontos de contato: como este aumento depende da posição elativa das partículas, existe uma deformação crítica que rompe a aderência e devolve a fraqueza ao material. É muito provável como dito anteriormente, que a tixotropia coopere com a formação da estrutura composta e a coerência de seu esqueleto, impedindo o fluxo lateral da massa coloidal nas regiões de predominância de grãos grossos:

assim quanto maior grau a propriedade se apresente nas massas coloidais, é maior a possibilidade de manter-se no depósito muito solto sob grandes cargas. Sem dúvida, a resistência do material da liga de argila, não é função da tixotropia, senão da intensa concentração da carga daquelas ligas, a qual, por sua vez, depende da estrutura adotada e da carga máxima do extrato já tenha suportado ao longo da sua história geológica.

44 77 55

EESSTTRRUUTTUURRAA EEMM CCAASSTTEELLOO DDEE CCAARRTTAASS

Alguns investigadores como Goldschmidt e Lambe tem sugerido uma interpretação diferente sobre a gênese de uma estrutura floculenta e a estrutura resultante entre si. Segundo estas idéias a forma lamelar típica dos minerais de argila é fundamental no resultado da estruturação dos solos finos.

As investigações realizadas em partículas de caulinitas, ilitas e montmorilonitas demonstram que os seus comprimentos são da mesma ordem das suas larguras e que as espessuras variam de 1/100 destas dimensões, nas montmorilonitas, a 1/10 nas caulinitas, ocupando as ilitas uma posição intermediária. Com estes dados é possível estimar a superfície específica destas partículas (metro quadrado de área superficial por grama de peso) é da ordem de 10 em caulinitas, 80 nas ilitas e 800 nas montmorilonitas; estes valores cobrem toda sua importância ao considerar a ação das forças superficiais como fator que intervém na estruturação, não sendo difícil conceber que tal fator chegue a ser determinante.

Além disso, nas investigações de referência permitiu notar que, embora a partícula do solo tenha carga negativa parece certo que nas suas arestas exista uma concentração de carga positiva que faz com que essa zona localizada se atraia com outra superfície qualquer de uma partícula vizinha. Tomando isto como consideração, os investigadores mencionados propuseram para as argilas uma estrutura tal como a quemostra a figura abaixo, na qual se denominou “castelo de cartas”.

Deve ser notado que, segundo esta hipótese de estruturação, também corresponde ao solo um importante

Deve ser notado que, segundo esta hipótese de estruturação, também corresponde ao solo um importante volume de vazios e que os reflexos anteriores sobre consolidação das zonas baixas sob o peso das sobrejacentes conservam a sua validez.

44 77 66

EESSTTRRUUTTUURRAA DDIISSPPEERRSSAA

Algumas investigações posteriores têm indicado que uma hipótese estrutural do tipo de “castelo de cartas”, na qual as partículas têm contatos mútuos, embora se possa aceitar como real em muitos casos, talvez não seja a mais estável no que poderia se pensar. Qualquer perturbação que possa existir, como deformação por esforço cisalhante, tende em geral a diminuir os ângulos entre as diferentes lamelas do material.

Conforme isso esteja ocorrendo, atuam entre a partícula pressões osmótica inversamente proporcional ao espaçamento entre elas. As pressões osmóticas tendem a fazer com que as partículas se separem e assumam uma posição tal como mostrado esquematicamente na figura a seguir.

tal como mostrado esquematicamente na figura a seguir. Em (a) e (b) mostra-se o mecanismo pelo

Em (a) e (b) mostra-se o mecanismo pelo qual a pressão osmótica tende a atuar, para chegar a uma condição mais uniforme, que as partículas se separem. Mostra-se em (c) a estrutura na condição final.

Deve-se notar que o conjunto de estruturas antes descrito sumariamente não constitui uma série de reais possibilidades na natureza, senão, simplesmente algumas das hipóteses de estruturação de que se comenta atualmente.

Muitos investigadores, que aceitam alguma das explicações anteriores, rechaçam outras e não existe um pleno acordo a esse respeito.

Também há de ser observado que com as estruturas em “castelo de cartas” ou dispersa podem gerar estruturas compostas análogas às já tratadas com as formas estruturais mais clássicas.

44 77 77

CCOOMMPPOOSSIIÇÇÃÃOO DDAASS PPAARRTTÍÍCCUULLAASS

Pode parecer à primeira vista que a composição das partículas de um solo é uma característica muito importante deste. No entanto, não existem correlações práticas entre a composição das partículas de um solo e os seus comportamentos. O que é importante é que ajuda na interpretação e a compreensão desse comportamento.

A natureza e arranjo dos átomos em uma partícula de solo, isto é, a sua composição química, influencia de forma significativa na permeabilidade, compressibilidade, resistência ao cisalhamento e na propagação de tensões nos solos, especialmente aqueles de natureza mais fina.

Existem, com efeito, certos minerais que conferem propriedades especiais. Já se referiu anteriormente que a montmorilonita dá grande expansibilidade ao solo. Também a haloisita, com as suas formas alongadas, dá origem a solos com pesos específicos muito baixos. Estas e muitas outras razões que serão referidas mais tarde justificam que a base indispensável na compreensão dos fundamentos do comportamento das argilas e em particular como evolui no tempo, é afetado pela pressão e “ambiente”.

As partículas de solo podem ser orgânicas ou inorgânicas. As partículas inorgânicas são minerais. Um mineral é um elemento ou um composto químico natural (tem composição química que pode ser expressa por uma fórmula) formado por processos naturais.

Os minerais classificam-se de acordo com a natureza e arranjo dos seus átomos. Os mais importantes são os silicatos, pois que mais de 90% do peso dos solos existentes na terra são minerais de silicatos.

37

55

FFAASSEESS CCOONNSSTTIITTUUIINNTTEESS DDOO SSOOLLOO

55 11

CCOONNTTEEXXTTUUAALLIIZZAAÇÇÃÃOO

Na Natureza, o solo como o conhecemos compreende as partículas sólidas de minerais ou de outros materiais que são acumuladas nos chamados depósitos de solo, mas também os espaços que existem entre essas partículas. Tais “vazios” estão parcial ou totalmente preenchidos por água ou outros líquidos (soluções1). Os espaços vazios não ocupados por nenhum fluido estão cheios de ar ou outra mistura de gases.

Uma vez que o volume ocupado por um pedaço de solo deverá, de uma maneira geral, incluir materiais nos três estados da matéria sólido, líquido e gasoso - os depósitos de solos são considerados sistemas trifásicos.

Propriedades importantes de qualquer depósito de solo, nomeadamente as referentes à sua utilização no âmbito da construção, tais como a tensão e a compressibilidade do mesmo, estão relacionadas com condições tão simples como quanto do volume ou do peso do solo em questão é constituído por partículas sólidas, por água ou por ar. Algumas características de tais solos, como por exemplo a sua densidade, o teor de umidade (ou teor em água), o índice de vazios ou o grau de saturação (termos a definir mais à frente neste texto) são utilizadas em cálculos realizados para determinar a capacidade de carga para efeitos de fundações, para calcular assentamentos de fundações e para avaliar da estabilidade de taludes (como por exemplo em encostas ou junto a estradas e caminhos).

Por outras palavras, tais cálculos ajudam a estabelecer em que estado se encontra um depósito de solo, nomeadamente no que se pretende com a sua aptidão para servir de fundação ou para ser utilizado como material de construção. Por este motivo, conhecer a terminologia e as definições relacionadas com a composição do solo, é um fator fundamental para o estudo da Mecânica dos Solos e, portanto da Geotecnia.

O solo, tal como existe na Natureza, constitui uma acumulação, mais ou menos ao acaso, de partículas sólidas (minerais e/ou orgânicas), de água e de ar, tal como mostra a Figura a seguir.

Para efeitos de estudo e de análise do solo, torna-se conveniente representar esta massa de solo por meio de um diagrama de fases (ou de blocos), com uma parte deste diagrama a representar as partículas sólidas, parte representando a água ou outros líquidos outra parte fazendo a representação do ar ou outros gases como também ilustra a figura a seguir.

As partículas sólidas do solo são pequenos grãos de diferentes minerais, cujos vazios podem ser

As partículas sólidas do solo são pequenos grãos de diferentes minerais, cujos vazios podem ser preenchidos por água, ar, ou parcialmente por ambos (ar e água). Define-se mineral como uma substância inorgânica e natural, com uma estrutura interna definida (átomos e íons) e com composição química e propriedades físicas fixas ou variam dentro de limites definidos.

As partículas sólidas dos solos grossos são constituídas por silicatos (feldspatos, micas, olivinas, etc.), óxidos (quartzo), carbonatos (calcita, dolomita), sulfatos (limonita, magnetita). Já os solos finos são constituídos por silicatos de alumínio hidratado (argilo-minerais).

Em outras palavras, o volume total da massa de solo (V) consiste do volume de partículas sólidas (Vs) e do volume de vazios (Vv). O volume de vazios é geralmente formado pelo volume de água (Vw) e pelo volume de ar (Va).

Como o peso específico do ar é muito pequeno quando comparada aos pesos específicos da água e dos sólidos, o peso da fase gasosa (Wa) será sempre desprezado no cálculo do peso do solo.