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DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
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DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

© 2008 – IESDE Brasil S.A.

É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais. Todos os direitos reservados.

S729

Sousa, Otávio Augusto Reis de.; Carneiro, Ricardo José das Mer- cês.

Direito Processual do Trabalho / Otávio Augusto Reis de Sousa; Ri- cardo José das Mercês Carneiro — Curitiba: IESDE Brasil S.A.,

2008.

200 p.

ISBN: 978-85-7638-957-6

1. Direito Processual do Trabalho. 2. Direito do Trabalho. I. Tí- tulo. II. Carneiro, Ricardo José das Mercês.

CDD 331.16

Atualizado até abril de 2008.

das Mercês. CDD 331.16 Atualizado até abril de 2008. IESDE Brasil S.A. Al. Dr. Carlos de

IESDE Brasil S.A.

Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 – Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br

SUMÁRIO

Estrutura e organização da Justiça do Trabalho

9

Breve histórico da Justiça do Trabalho no Brasil

11

Organização da Justiça do Trabalho – composição de seus órgãos

18

Garantias e proibições do juiz do Trabalho (garantias funcionais da magistratura de independência e de imparcialidade)

19

Órgãos auxiliares da Justiça do Trabalho

20

Ministério Público do Trabalho

Jurisdição e competência

27

Noções gerais de jurisdição

27

Jurisdição graciosa (voluntária) e contenciosa

28

Outras noções de jurisdição, seus princípios e características

28

Princípios fundamentais da jurisdição

29

Características da jurisdição

30

Conflito de competência (CLT, art. 803 a 811 c/c CPC, art. 115)

32

Competência

33

Competência em razão da matéria

36

Competência em razão das pessoas

39

Competência em razão do lugar

41

Competência funcional

43

Competência absoluta e relativa

SUMÁRIO

Princípios do processo, atos, termos e prazos

47

Autonomia do Processo do Trabalho

47

Visão geral dos princípios do Processo do Trabalho

48

Princípios em espécie

54

Atos, termos e prazos processuais

59

Decadência

60

Comunicação dos atos processuais

62

Defeitos dos atos processuais

63

Princípios relacionados com as nulidades no Processo do Trabalho

63

Espécies de defeitos dos atos processuais e suas conseqüências

Teoria geral da ação trabalhista

67

Conceito de ação

68

Elementos da ação

68

Condições da ação

70

Processo, procedimento e pressupostos processuais; partes, representação e substituição; procuradores e terceiros

Dissídios individuais I

85 Petição inicial

SUMÁRIO

Dissídios individuais II

97

Antecipação da tutela no Processo do Trabalho

98

Roteiro esquemático da audiência trabalhista

99

Resposta do réu

111

Litiscontestação

Prova

113

Teoria geral das provas aplicáveis ao Processo do Trabalho

115

Ônus da prova

Ritos procedimentais especiais:

sumaríssimo e de alçada

141

Rito sumaríssimo

144

Rito de alçada

Sentença, coisa julgada e recursos

147

São atos do juiz as sentenças, as decisões interlocutórias e os despachos

156

Coisa julgada

159

Teoria geral dos recursos

167

Modalidades de recursos no Processo do Trabalho

SUMÁRIO

Execução trabalhista e ações especiais

183

Introdução

183

Liquidação de sentença (CLT, art. 879; CPC, arts. 475-A a 475-H)

184

Processo de execução trabalhista (CLT, art. 876 a 893; Lei 6.830/80; CPC)

190

Ação rescisória na Justiça do Trabalho

192

Ações civis admissíveis no Processo Trabalhista

Referências

197

Anotações

199

Princípios do processo, atos, termos e prazos

Autonomia do Processo do Trabalho

Para que um determinado ramo do Direito tenha autonomia, pode-se afirmar sinteticamente que é necessário:

possuir domínio suficientemente vasto;

possuir doutrinas homogêneas com conceitos gerais comuns;

possuir método próprio.

Pode-se dizer que o Direito Processual do Trabalho constitui ramo autônomo, pois, na feliz dicção de Tostes Malta (1992), possui campo, fundamento e princípios que não se confundem com a matiz do Direito Processual Comum.

A atuação positiva e inquisitorial do magistrado trabalhista, se comparada à atu- ação do juiz no processo comum, e o tratamento diverso dispensado a vários institutos previstos no Processo Civil que, no Processo do Trabalho, ganham vida própria, sendo interpretados de forma diversa e consentânea com as regras que o orientam, são alguns exemplos de situações que justificam a existência de um ramo específico processual trabalhista, para reger as relações processuais entre trabalhadores e empregadores em controvérsias laborais. Entretanto, é a existência de uma principiologia própria o maior trunfo do Processo do Trabalho enquanto ramo autônomo.

Visão geral dos princípios do Processo do Trabalho

Princípios são os elementos fundamentais do ordenamento jurídico. 1

Na doutrina processual trabalhista, há uma aparente disparidade de tratamento em relação aos princípios do processo laboral. Alguns autores chegam a apontar mais de uma dezena deles, ao passo que outros apontam a existência de apenas um princípio processual trabalhista.

1 O conceito proposto encontra-se albergado em obra de um dos autores, a saber: SOUSA, Otávio Augusto Reis de. Nova Teoria Geral do Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2002.

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Vários doutrinadores distinguem os princípios gerais dos especiais ou peculiari- dades, que dariam ao Processo do Trabalho a forma e o caráter que particularizam um sistema processual autônomo.

Princípios em espécie

Não sendo o objetivo dessa obra esgotar o tema quanto aos princípios do processo

laboral, foram destacados alguns dos mais recorrentes, necessários e indispensáveis para

a compreensão dos institutos a seguir propostos.

Princípio dispositivo

O princípio dispositivo, também denominado princípio da iniciativa processual das

partes, da inércia do órgão jurisdicional ou da incoação, é para muitos expressão processual do individualismo liberal. Importa-se, em síntese, em fazer prevalecer a iniciativa das partes na delimitação dos pontos controvertidos, e na produção das provas necessárias à solução da demanda.

Esse princípio consagra que a parte interessada é quem deve ir em busca da pres- tação jurisdicional. Nesse diapasão, como decorrência, deverá o juiz do Trabalho julgar no limite da lide proposta, da litiscontestação, sob pena de reforma ou nulidade de sua decisão final.

Essa regra é excepcionada em algumas situações, como as que são descritas nos artigos 484 e 496 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), hipóteses em que o juiz do Trabalho tem autorização legal para julgar fora do pedido.

Princípio inquisitivo

O princípio inquisitivo também é chamado de impulso oficial. Por meio dele é que

se confere ao juiz a função de impulsionar o processo, em determinados casos até mesmo

à revelia das partes, evitando assim a sua procrastinação.

É equivocada, entretanto, a conclusão de que no processo laboral o inquisitivo

prevalece sobre o dispositivo, visto que a profissionalização da Justiça do Trabalho e o incremento da atividade assistencial sindical (ainda que seja incisiva a atuação do ma- gistrado na produção de provas), por exemplo, têm levado – salvo os casos em que a intervenção do juiz se der por força de lei – a um certo distanciamento do juiz do Traba- lho dessa atividade comissiva, traduzido na representação técnica por ambas as partes, especialmente quando se verifica o equilíbrio de forças.

49

A atuação do juiz do Trabalho, conforme esse princípio, pode ser exemplificada

nos artigos 765 e 878 da CLT, e artigo 4.º da Lei 5.584/70, bem como em faculdades pro- cessuais que lhe são concedidas, como abrir a instrução, determinar a busca de testemu- nhas referidas, determinar realização de provas, ouvir as partes em interrogatórios etc.

Princípio da eventualidade

Consiste na noção de que as partes (autor e réu) devem alegar de uma só vez (em um único evento), todos os meios de ataque e de defesa como medida de prevenção, para o caso de, se não der resultado o primeiro, ser examinado o segundo, e assim sucessivamen- te, sob pena de preclusão; salvo pelas matérias que, por razões de ordem pública, geram nulidade processual ou rescindibilidade do julgado, e podem ser reconhecidas de ofício.

Resulta na adoção de prazos de preclusão ao longo do processo.

Princípios da concentração, oralidade, imediatidade e celeridade processual

Esses quatro princípios são tratados em conjunto, por constituirem a espinha dorsal do processo trabalhista, funcionando os três primeiros para atender o último.

Princípio da concentração

O princípio da concentração, trazido de forma quase literal no artigo 849 da CLT,

traduz-se na idéia de que os atos processuais concentram-se em uma só audiência, que será contínua. Aconselha a proximidade dos atos processuais, suprimindo fases e forma- lidades inúteis.

Princípio da oralidade

Traduz-se na prevalência da comunicação oral sobre a forma escrita. Entretanto, isso não significa que os atos processuais não devem formar registro escrito; apenas que, com a verbalização dos atos processuais, ganha-se em tempo (v.g., razões finais), evitan- do protocolos, prazos em cartórios e outros percalços ao bom andamento processual.

Deve-se frisar que a prática, todavia, tem dispensado a leitura da reclamatória e, em atenção à mesma celeridade, embora a defesa deva ser apresentada em 20 minutos na audiência (CLT, art. 847), na prática, estas vêm sendo apresentadas, via de regra, sob a forma escrita, sendo utilizado cada dia mais o interstício mínimo de cinco dias para sua elaboração. Hoje são raras as defesas orais.

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No que tange à oralidade, observe-se que a petição inicial pode ser escrita ou oral reduzida a termo, salvo o inquérito judicial para apuração de falta grave de empregado estável, no qual a exordial será sempre escrita, o que se justifica pela gravidade da maté- ria envolvida, e pelo fato de ser ação constitutiva ajuizada apenas pelo empregador.

Princípio da imediatidade

Consiste na imediação entre o juiz e a prova. O juiz que colher as provas deve ser o prolator da sentença (identidade física do juiz). Não se aplicava nas Juntas de Conci- liação e Julgamento (o juiz só desempatava), hoje aplica-se com temperamentos doutri- nários e jurisprudências. A matéria enseja controvérsia com arautos a favor e contra a preconizada identidade física.

Princípio da celeridade

Todos os três princípios anteriormente dispostos buscam a efetividade na presta- ção jurisdicional, um dos maiores desafios da Justiça atualmente. Mas, para que isso seja possível, necessário se faz que sejam fixados para o exercício das faculdades processuais, ou para o cumprimento de deveres da mesma ordem, prazos bastante exíguos (CLT, art. 765), em virtude da índole social do Direito Material, acrescido do caráter das verbas em discussão, que muitas vezes têm natureza alimentar.

A Emenda 45/2004 inclui a efetividade enquanto novel decorrência do devido processo legal, sob alcunha de duração razoável do processo, e diretamente na Consti- tuição Federal (CF, art. 5.º, LXXVIII).

Princípio do jus postulandi

Esse princípio consagra que empregado e empregador poderão agir em juízo em todas as instâncias trabalhistas (até o TST), sem a representação por advogado habili- tado.

Primeiramente, vale pontuar que é concedido como faculdade ao empregado ou ao empregador, e não ao reclamante ou reclamado, sendo tal ponto controvertido.

Outro dado relevante é que o jus postulandi é restrito à Justiça do Trabalho, ou seja, só vai até o Tribunal Superior do Trabalho (TST), passando pelas demais instâncias laborais. Assim, se no processo for interposto recurso extraordinário ao Supremo Tribu- nal Federal (STF), na forma de controle difuso de constitucionalidade, será necessária a representação por advogado.

51

Por fim, pondere-se que não se deve confundir capacidade postulatória com jus postulandi. Capacidade postulatória é atributo privativo do advogado; é vinculado ao su- jeito, independentemente da Justiça em que se exerce. Jus postulandi, por sua vez, está vinculado ao objeto, somente tendo validade na esfera trabalhista se a demanda se der na condição empregado (em tese) ou empregador.

Princípio da conciliação (CLT, arts. 764, 847 e 850)

Os conflitos trabalhistas têm merecido atenção especial do legislador pátrio. No campo do direito individual, por meio da Lei 9.958, de 13 de janeiro de 2000, foram cria- das as Comissões de Conciliação Prévia, meio autônomo de solução, que tem por escopo desobstruir a Justiça do Trabalho, além de representar a possibilidade de se ter uma res- posta ainda mais célere e efetiva para potenciais demandas, o que, sem qualquer dúvida, atende ao caráter das verbas que comumente são postuladas nessa Justiça especializada.

Se no campo extrajudicial a preocupação com respostas céleres e, preferencial- mente conciliadas, já sensibilizou o legislador, com mais razão e há mais tempo, pode- mos observar esse fenômeno no campo judicial.

É sabido que o Processo do Trabalho se reveste de uma série de peculiaridades,

que se justificam por sua necessidade imperiosa de conciliar rapidamente interesses.

É notório que o impacto social embutido nas lides trabalhistas é expressivo, em

razão do caráter alimentar de boa parte das verbas pleiteadas em ações na Justiça do Trabalho, onde regularmente as demandas têm origem em reclamações promovidas por hipossuficientes, desempregados, o que justifica uma ênfase maior à rapidez no anda- mento dos processos, transformando e agilizando o rito em que correm essas ações, o que os aproxima, cada vez mais, de uma espécie de tutela de urgência, como se pode inferir da recente Lei 9.957, de 12 de janeiro de 2000, que instituiu o rito sumaríssimo para demandas individuais, cujo valor da causa não supere 40 salários mínimos.

Em virtude dessa característica, é significativa a persuasão das normas proces- suais trabalhistas no afrouxamento da tensão social, no interesse de obter uma solução espontaneamente aceita pelas partes.

A Emenda 45/2004 e a nova redação do artigo 114 da CF, em flagrante deslize técnico, omitiu a competência histórica da Justiça do Trabalho para conciliar. Evidente que o fato deve ser imputado à falta de técnica do legislador, e não a inimaginável ideal de vedar a conciliação judicial.

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Note-se que a CLT, em vários dispositivos (arts. 764 2 , 847 3 e 850 4 ) eleva a conci- liação das partes, tornando obrigatória sua proposição em audiência, e contaminando o processo de nulidade pela ausência da segunda proposta conciliatória.

Conciliar representa, fundamentalmente, harmonizar interesses subjetivos em conflito.

Princípio da instrumentalidade das formas

O princípio da instrumentalidade das formas, também identificado como princí-

pio da finalidade 5 , informa que não é nulo o ato processual que não resulta em prejuízo para os interessados, se atingido o fim a que se destinava, apesar de praticado da forma processual inadequada.

Essa consagração de que a forma é veículo, e não um fim em si mesma, encontra- se registrada na CLT, artigos 794 a 798, e no Código de Processo Civil (CPC), artigos 154 e 244.

O ato que se deseje declarar nulo não o será, se a nulidade for declarada por quem

lhe der causa. Assim, em regra, só a parte prejudicada pode argüir a nulidade, a qual deverá fazê-lo na primeira oportunidade em que falar nos autos (seja em cartório ou em audiência), salvo se comprovar impedimento legítimo.

As nulidades, entretanto, nem sempre possuem caráter relativo, podendo tam- bém ter natureza absoluta. Nesses casos, sendo previstas em norma de ordem pública, se não observado, resultará em prejuízo, devendo ser decretadas irremediavelmente pelo juiz do Trabalho. Quando for relativa, poderá ser convalidado o ato irregular sempre que puder ser aproveitado ou repetido.

Desde já, observe-se que as nulidades relativas ou absolutas somente prejudicarão os atos posteriores que dependam, ou que sejam conseqüência do ato indigitado nulo. Assim, o juiz do Trabalho ou tribunal que decretou a nulidade deve indicar quais os atos ulteriores serão considerados nulos.

2 Art. 764. Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conci-

liação.

3 Art. 847. Não havendo acordo, o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta

não for dispensada por ambas as partes.

4 Art. 850. Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente a 10 (dez) minutos para cada uma.

Em seguida, o juiz renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão.

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Princípio da preclusão e da perempção

A marcha procedimental deve ser sempre movimentada para a frente, de modo

que as diversas fases deverão ser superadas paulatinamente, ficando, uma vez ultra- passadas, preclusa a prática de atos que nelas se incluíam; salvo força maior, obstáculo judicial, nulidades processuais ou em razão do poder diretivo do juiz que poderá reabrir a fase, desde que não ofenda a coisa julgada, o ato jurídico perfeito e não cause prejuízo às partes.

A essa perda da faculdade de se praticar um ato, pela transposição de um momen-

to processual, ou de um prazo determinado, ou pela incompatibilidade entre um ato e outro ou, por fim, porque o ato já foi realizado, dá-se o nome de preclusão, cujos efeitos são distintos da coisa julgada, posto que, em nenhuma hipótese, estendem-se para além do processo em que ocorreu.

A perempção ocorrerá quando o autor der causa à extinção do processo por três

vezes, caso em que perderá o direito de ação (CPC, art. 268, parágrafo único, c/c art. 267, III).

No Processo do Trabalho, entretanto, sem fugir muito à índole do instituto, a perempção manifesta-se de outra forma. Ou seja, ocorrerá quando o reclamante deixar arquivar por duas vezes sua reclamação contra a mesma reclamada, com o mesmo obje- to, ou quando deixar de tomar por termo reclamação verbal no prazo estipulado (CLT, arts. 731 e 732).

O que se vê é que ambos os institutos são formas de expressão da celeridade pro-

cessual e da tentativa de fazer o Processo do Trabalho, pela carga de tensão embutida na relação de trabalho, mais efetivo, evitando idas e vindas que apenas procrastinam o feito.

Princípio da publicidade dos atos processuais

Os atos processuais são, em regra, públicos, salvo quando o contrário for determi- nado pelo interesse social, sendo essa a idéia original da doutrina.

Nesse sentido, poderão, embora não constitua regra, haver processos que sigam em segredo de Justiça (aplicação subsidiária do CPC, art. 155), mas apenas nas hipóteses em que não haja prejuízo ao direito público de informação (Emenda 45/2004). O Consti- tuinte, ao cotizar valores entre as situações constrangedoras para as partes e o direito de informação, preferiu esse último, embora seja equivocada a revisão de rumos.

O princípio da publicidade permite a maior transparência dos atos processuais,

viabilizando uma melhor possibilidade de fiscalização pela sociedade, o que poderá de-

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volver, em caso de bons préstimos no desempenho da função, a confiança nas institui- ções jurídicas.

Atos, termos e prazos processuais

Noções gerais dos atos processuais

Fatos jurídicos, em sentido amplo, são todos os eventos provindos da atividade humana ou decorrentes de fatos naturais, capazes de ter influência na órbita do Direito, por criarem, transferirem, conservarem, modificarem ou extinguirem relações jurídicas. Como já dito, podem ser naturais (acidentais) ou voluntários (provocados).

São subdivididos em fatos jurídicos em sentido estrito e em atos jurídicos.

Os primeiros são os atos da natureza capazes de gerar relações jurídicas. São ordi- nários (morte, maioridade) ou extraordinários (caso fortuito ou força maior).

Já os atos jurídicos lato sensu são os fatos geradores de direito decorrentes da von- tade humana. Dividem-se em atos jurídicos stricto sensu e em negócios jurídicos. Naque- les, a vontade humana limita-se à prática do ato, cujos efeitos jurídicos estejam previstos em lei. Nestes, negócios jurídicos, a vontade humana busca um resultado determinado, a que o Direito empresta eficácia.

Com base nessas noções prefaciais, poder-se-ia conceituar os atos processuais como as condutas (atos) que tenham por efeito imediato a criação, a modificação ou a extinção de situações jurídicas processuais. É um ato jurídico com efeitos processuais.

Análise dos atos processuais trabalhistas

Os atos processuais trabalhistas oferecem uma série de nuances que podem ser apreciadas sobre diversos enfoques, abaixo relacionados.

Quanto aos sujeitos

Observa-se que os atos processuais podem ser praticados pelas partes (preferen- cialmente o serão, em virtude do princípio do dispositivo), pelos órgãos jurisdicionais ou pelos órgãos auxiliares.

Quanto à forma

Predominam no processo laboral os atos processuais orais (princípio da oralida- de), os quais, via de regra, deverão ser reduzidos a termo (conversão à forma escrita),

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de forma a viabilizar o reexame em duplo grau de jurisdição, seja por força de remessa oficial, seja por meio da interposição de recursos.

Quanto ao modo

Os atos processuais trabalhistas deverão ser públicos, salvo as exceções indicadas pela nova redação da Emenda 45/2004 (CF, art. 93, IX), que implica modificação na idéia de segredo de Justiça.

Quanto ao tempo

Devem os atos processuais ser praticados nos dias úteis, das 6 às 20 horas (CLT, art. 770), regra que é excepcionada pela penhora, que pode realizar-se em domingo ou feriado mediante autorização judicial expressa (CLT, art. 770, parágrafo único) e ativida- des desenvolvidas necessariamente após as 20 horas, como inspeção judicial ou perícia em boates ou casas noturnas.

Termos processuais

Consiste na redução à forma escrita de um ato processual nos autos de um pro- cesso (vide CLT, art. 840, §2.°).

Forma

Os atos e termos processuais podem ser escritos à tinta, datilografados ou a carim- bo (CLT, art. 771). É aplicável, de forma subsidiária, o estabelecido no artigo 170 do CPC.

Os termos relativos ao movimento dos processos constarão de simples notas, datadas e rubricadas pelos chefes de secretaria ou escrivães (CLT, art. 773).

Os atos e termos processuais que devam ser assinados pelas partes, quando, por motivo justificado, estas não puderem fazê-lo, serão firmados a rogo, na presença de duas testemunhas, sempre que não houver procurador constituído (CLT, art. 772). É aplicável, igualmente de forma subsidiária, o artigo 169 do CPC.

Prazos processuais

Prazos processuais são os lapsos de tempo para a prática de um ato processual.

Classificação

Quanto aos sujeitos: prazos judiciais (determinados pelo juiz); prazos legais (determinados por lei) e prazos convencionais (acordado pelas partes);

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Quanto à possibilidade de prorrogação: prazos peremptórios (fatais, im- prorrogável pelas partes) e prazos dilatórios (prorrogáveis, com possibilidade de dilatação pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes). São aplicáveis os artigos 182 e 183, e parágrafos, do CPC.

Considerações relevantes quanto aos prazos processuais

Os juízes deverão despachar e praticar atos nos prazos legais (CLT, art. 658, “d”);

Os funcionários têm 48 horas para remeter a cópia da petição inicial ao recla- mado, e o juiz tem o mesmo prazo para a juntada da sentença aos autos (CLT, art. 851, §2.°);

Diante da inexistência de prazo legal ou judicial, o prazo será de cinco dias (CPC, art. 185).

Contagem do prazo

Os prazos processuais trabalhistas são contínuos e irreleváveis, podendo ser pror- rogáveis pelo órgão jurisdicional pelo tempo estritamente necessário ou em virtude de força maior, devidamente comprovada (CLT, art. 775).

Deverão ser contados com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do venci- mento (CLT, art. 775). Se terminarem em sábado, domingo ou feriado, são prorrogados até o primeiro dia útil seguinte (art. 775, parágrafo único).

Aplicável, no particular, o artigo 184, parágrafo 1.º, do CPC, que determina a prorrogação para o primeiro dia útil quando for determinado o fechamento do fórum ou o expediente forense for encerrado antes da hora normal.

Início da contagem do prazo

A contagem do prazo se dá a partir da intimação feita pessoalmente, do rece- bimento da notificação, da publicação do edital no jornal oficial ou no que publicar o expediente da Justiça do Trabalho, ou da data em que for afixado o edital na sede da Vara do Trabalho (CLT, art. 774).

Enquanto no Direito Processual Civil, a teor do que dispõe o artigo 241, I e II, do CPC, a contagem apenas se inicia a partir da data da juntada aos autos do aviso de recebi- mento (AR) ou do mandato cumprido, no Processo do Trabalho, conforme dicção do arti- go 774 da CLT, os prazos correm a partir do momento da notificação, seja pessoalmente, seja por aviso postal, seja por oficial de justiça.

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No processo laboral foi criada a figura da notificação presumida. Nesse sentido, a Súmula 16 do TST, segundo a qual presume-se (presunção juris tantum) notificada a parte 48 horas após a expedição do AR.

A contagem dos prazos apresenta algumas particularidades. Caso a notificação

ocorra em uma sexta-feira, o início da contagem do prazo judicial ocorrerá na segunda- feira imediatamente subseqüente, salvo se não houver expediente, hipótese em que o início da contagem dar-se-á no primeiro dia útil subseqüente, nesse sentido, as Súmulas 310 do STF e 1 do TST. O TST, todavia, na Súmula 262, entende que o recesso suspende os prazos recursais, diversamente do entendimento acima exposto.

Se, entretanto, a notificação se dá em um sábado, o início do prazo se dá no pri- meiro dia útil imediatamente subseqüente, e o início da contagem se dá no dia imediata- mente posterior (TST, Súmula 262).

O vencimento dos prazos será certificado nos autos pelos escrivães ou pelo chefe

da secretaria (CLT, art. 776).

Recesso forense

O recesso forense na Justiça do Trabalho se dá entre os dias 20 de dezembro e

6 de janeiro de cada ano. A matéria encontra-se regulada nos artigos 183 e 184, I, do Regimento Interno do TST, que foram interpretados por meio da Súmula 262 do TST, no sentido de que haverá durante esse período suspensão dos prazos, em interpretação flagrantemente contra legem.

A aplicação do artigo 173, I e II, do CPC, no tocante à prática de atos processuais

no recesso forense é matéria controvertida, parecendo primeiro que a Lei 5.010/66, ao declarar que os dias compreendidos entre 20 de dezembro e 6 de janeiro são feriados, afasta a incidência de qualquer suspensão do prazo; e segundo que, sendo feriados, não foram os dias em questão atingidos pela dicção da Emenda 45/2004, que põe fim às fé- rias forenses (janeiro e julho) em primeiro e segundo graus de jurisdição.

Prerrogativas quanto aos prazos

Conforme se entende do Decreto-Lei 779/69, a União, Estados, Municípios e Distrito Federal, e suas autarquias e fundações públicas, terão o quádruplo do prazo legal (CLT, art. 841) como interstício que antecede a audiência inaugural, e o dobro do prazo legal para recorrer. Trata-se de adaptação do artigo 188 do CPC ao Processo do Trabalho.

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O Ministério Público do Trabalho (MPT) também é beneficiário de idêntica prer-

rogativa, por força de norma prevista na Lei Complementar 75/93.

É, por outro lado, inaplicável ao Processo do Trabalho a dobra prevista no artigo

191 do CPC, quando se tratar de litisconsortes com diferentes procuradores, posto que se trata de regra incompatível com o princípio do jus postulandi.

Prazos prescricionais e decadenciais no Processo do Trabalho

A palavra prescrição provém do vocábulo latino praescriptio, derivado do verbo pra-

escribere, formado de prae e scribere, com a significação de escrever antes ou no começo.

Prescrição é a extinção de uma ação ajuizável, e de toda a sua capacidade defensiva, por inércia de seu titular, no prazo fixado em lei, na ausência de causas preclusivas de seu curso.

Quatro são os elementos integrantes da prescrição:

ação ajuizável;

inércia do titular da ação pelo seu não-exercício;

continuidade dessa inércia durante um certo lapso de tempo, fixado em lei;

ausência de fato ou ato a que a lei atribua eficácia impeditiva, suspensiva ou interruptiva do curso prescricional.

Segundo estudiosos, os fundamentos jurídicos da prescrição constam do próprio Direito Romano (Gaius e Cícero):

necessidade de se fixar as relações jurídicas incertas, evitando controvérsias;

castigo à negligência;

interesse público.

A prescrição é de ordem pública. Hoje, é possível reconhecimento da prescrição

de ofício, no Direito Comum, regra cuja aplicabilidade ao Processo do Trabalho ainda se mostra controvertida, mas que entendemos aplicável.

Na interrupção, o prazo da prescrição recomeça por inteiro, após cessada a causa da interrupção; na suspensão, ele não recomeça por inteiro, mas prossegue, computando- se o prazo já decorrido antes da suspensão.

Observe-se que:

o prazo de prescrição da reclamação de anotação de Carteira de Trabalho e Pre- vidência Social (CTPS) corre a contar do término da relação de emprego;

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o prazo de prescrição do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é de 30 anos, mas a ação deve ser proposta nos dois anos contados do término do contrato;

com o principal prescrevem os acessórios (CC, art. 190).

Segundo o artigo 193 do Código Civil (CC), a prescrição pode ser alegada em qual- quer instância. Instância procede de instantia, substantivo do verbo instare, que é formado do prefixo in (que denota permanência) e o verbo stare, que significa estar, esperar. Ins- tância designa o estado de subordinação das partes ao juízo, enquanto esperam a senten- ça definitiva da causa. Como o juízo divide-se em graus de jurisdição, e essa subordinação permanece em qualquer dos graus até ser proferida decisão final, há tantas instâncias quantos forem os graus de jurisdição (primeira instância, segunda instância etc.).

Não há prescrição intercorrente no Processo do Trabalho (TST, Súmula 114).

A prescrição argüível na execução é apenas a superveniente, isto é, aquela que

se opera depois da sentença, ou depois da penhora, ou seja, a prescrição do julgado, ou

a prescrição da penhora; a prescrição decidida pela sentença ou por ela desprezada não pode ser novamente alegada, porque a sentença faz coisa julgada.

A prescrição dos direitos trabalhistas continua a ser de dois anos (CLT, art. 11). O

artigo 7.º, XXIX, da CF, ao assegurar ao trabalhador ação, quanto a créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para o trabalhador urba- no, até o limite de dois anos após a extinção do contrato, tem levado muita gente a supor, erradamente, que o prazo prescricional foi aumentado de dois para cinco anos, o que não ocorreu. Se o empregado demandar em face do patrão, nos dois anos seguintes à extinção da relação de emprego, a prescrição retroage até o limite de cinco anos, incluindo o lapso escoado após o término da relação de emprego; se a ação só for proposta depois de dois anos da extinção do contrato de trabalho, estará irremediavelmente prescrita.

Decadência

Decadência (do latim de – de cima de + cadere – cair + o sufixo entia – que denota ação) significa ação de cair, ou estado daquilo que caiu. Em sentido jurídico, é a queda ou o perecimento do direito pelo decurso do prazo fixado para seu exercício, sem que o titular o tenha exercido.

Prescrição e decadência são matéria de mérito e devem, pois, ser alegadas pela parte a quem aproveitam (CPC, art. 269, IV). Há muitos pontos em comum entre a pres- crição e a decadência, daí a imensa dificuldade de diferençar uma da outra. Em linhas gerais, apenas três traços ajudam a diferençar os dois institutos:

DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

a decadência extingue diretamente o direito, e com ele a ação que o protege;

a prescrição extingue diretamente a ação, e com ela o direito que a protege. A

decadência tem por objeto o direito, e tem por função imediata extingui-lo; a

prescrição tem por objeto a ação, e tem por função imediata extingui-la;

a

decadência começa a correr, como prazo extintivo, desde o momento em

que nasce o direito; a prescrição não nasce com o direito, mas no momento em que esse direito é violado, ameaçado ou desrespeitado, porque é nesse momento que nasce a ação;

a

decadência supõe um direito que, embora nascido, não se tornou efetivo pela

falta de exercício; a prescrição supõe um direito nascido e efetivo, mas que pe- receu pela falta de proteção pela ação, contra a violação sofrida.

São efeitos da decadência:

extinguir diretamente o direito a ela subordinado;

extinguir ou impedir indiretamente a ação correspondente.

Prazos recursais

Vigora em regra a unificação dos prazos recursais em oito dias, merecendo refe- rência breve algumas peculiaridades laborais.

O prazo para recurso da parte que, intimada, não comparecer à audiência de pros-

seguimento para a prolação da sentença, conta-se da sua publicação (CLT, art. 851, §2.º

e TST, Súmula 197).

Observe-se que, quando não juntada a ata ao processo no prazo de 48 horas a partir da audiência de julgamento (CLT, art. 851, §2.º), o prazo para recurso será contado da data em que a parte receber a intimação da sentença (TST, Súmula 30).

Comunicação dos atos processuais

Introduzidas as noções de atos, termos e prazos processuais, passemos à análise da comunicação dos atos processuais e seus reflexos, especialmente na contagem dos prazos.

A comunicação dos atos processuais possui três principais veículos: citação, intima-

ção e notificação.

Noções gerais

Citação, conforme dicção do artigo 213 do CPC, é o ato pelo qual se chama a juízo

o réu ou o interessado, a fim de se defender.

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Diferentemente do Processo Civil, no Processo do Trabalho não há necessidade de o reclamante requerer, na petição inicial, a citação do reclamado, visto que se trata de ato meramente ordinatório, de impulsão, automático, pela secretaria da Vara do Trabalho (CLT, art. 841).

A falta de citação é suprida pelo comparecimento espontâneo do reclamado em juí-

zo (CPC, art. 214, §1.º), salvo se o comparecimento for exclusivamente para argüir o vício. Nessa última hipótese, sendo decretada a nulidade, considera-se a citação realizada na data em que o réu-reclamado ou seu advogado for intimado da decisão (CPC, art. 214, §2.º).

Não será admitida citação por edital em rito sumaríssimo (CLT, art. 852-B, II).

Já a intimação, na perfeita expressão do artigo 234 do CPC, é ato pelo qual se dá ciên-

cia a alguém dos atos e termos do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa.

Por fim, a notificação é o ato pelo qual se dá conhecimento a uma pessoa de algu- ma coisa ou fato, podendo ser tanto judicial, quanto extrajudicial, como soe ocorrer nas notificações expedidas pelo MPT no curso de seus inquéritos civis públicos.

A CLT, por herança histórica do tempo em que a Justiça obreira tinha índole ad-

ministrativa, usa indiscriminadamente o termo “notificação” para denominar todos os atos de comunicação de ato processual.

Formas de notificação

A notificação no Processo do Trabalho pode se dar por registro postal com AR

(correio), por oficial de justiça ou por edital.

Não cabe, para muitos autores, notificação por hora certa na Justiça do Trabalho, pois a CLT estipula procedimento específico no artigo 880, parágrafo 3.º.

Em regra, a notificação no Processo do Trabalho se dá por registro postal com AR. No caso de a parte não ser encontrada, ou no de recusa de recebimento, a notificação será feita por edital.

Comunicação processual por cartas

A notificação por carta é feita quando a pessoa que deva ser notificada se encontra

em local fora da jurisdição territorial da Vara ou do Juízo de Direito.

Características: as cartas têm caráter itinerante (CPC, art. 204), de modo que se o juízo deprecado não for o competente para cumprir a providência, remete- rá a carta ao juízo que o for.

DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

Espécies:

carta de ordem – forma de comunicação de atos entre um tribunal e juiz a ele vinculado;

carta rogatória – forma de comunicação processual dirigida a autoridade ju- diciária estrangeira;

carta precatória – modo de comunicação processual entre juízes, de igual hierarquia, pertencentes a comarcas (Varas do Trabalho no Processo Labo- ral) diversas.

Nas Varas do Trabalho contíguas, de fácil comunicação, e nas que se situem na mesma região metropolitana, o oficial de justiça poderá efetuar citações ou intimações em qualquer delas (aplicação subsidiária do CPC, art. 230, ao Processo do Trabalho).

Contagem de prazo: também no caso de comunicação por cartas, não se conta o prazo a partir de sua juntada aos autos, mas da data em que a comunicação foi efetivamente realizada (CLT, art. 774).

Defeitos dos atos processuais

Sendo os atos processuais espécie do gênero ato jurídico, têm sua validade con- dicionada aos mesmos requisitos de validade deste: capacidade das partes, licitude do objeto e forma prescrita ou não defesa em lei.

Por capacidade das partes entende-se a aptidão intrínseca da pessoa para dar vida a negócios jurídicos. Sua plenitude se dá quando se atinge um certo grau de maturidade, ou quando não é portador de moléstia ou limitação pessoal que impeça a gerência de seus próprios interesses.

A exigência de objeto lícito guarda relação com a tentativa de vedar a prática de atos que atentem contra a lei, contra a moral ou contra os bons costumes, evitando, as- sim, que sejam alcançados escopos que colidam com os interesses da sociedade.

No que concerne à forma prescrita ou não defesa em lei, observe-se que a liberda- de é a regra, salvo quando a lei exigir o contrário.

Quaisquer desses requisitos, se não atendidos, tornam os atos defeituosos ou viciados, sendo que, no caso concreto, a intensidade variará conforme a norma jurídica que for infringida.

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Princípios relacionados com as nulidades no Processo do Trabalho

Na análise processual trabalhista, quanto à relevância do vício, há de se analisar alguns princípios orientadores, e que servem de critério interpretativo para a identifica- ção das conseqüências processuais geradas:

celeridade;

interesse processual da parte;

prejuízo;

causalidade;

finalidade ou instrumentalidade das formas;

preclusão.

Espécies de defeitos dos atos processuais e suas conseqüências

Os defeitos dos atos processuais podem gerar os mais diversos efeitos, que podem ser classificados como irregularidades, anulabilidades, nulidades e inexistência, confor- me a seguir disposto.

Irregularidades: são vícios ou defeitos destituídos de força invalidante, pois consistem em leve deformação do ato processual. Podem ser ignoradas, ou mo- tivar simples correção de ofício ou a requerimento da parte interessada. É o que ocorre com as inexatidões de cálculo e demais erros materiais, ou com a omissão quanto à numeração de folhas ou rubricas no processo, ou, ainda, no uso excessivo de prazo para a prática de atos processuais pelo juiz, órgãos auxiliares ou MPT, quando se tratar de prazo impróprio.

Inexistência: vício decorrente da ausência de elementos constitutivos míni- mos do ato processual. O ato inexistente não pode jamais ser convalidado. É o que se dá com sentenças não subscritas por magistrado trabalhista, por exem- plo, ou, ainda, sentença sem dispositivo.

Nulidades: é vício decorrente da desconformidade do ato processual pratica- do com o esquema abstrato predisposto pelo legislador. Pode ser absoluta ou relativa.

DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

Absoluta: decorre da violação de uma norma cogente de interesse públi- co. Insanável, pode ser reconhecida de ofício ou mediante requerimento de quaisquer das partes processuais, a qualquer tempo, durante o processo. Exemplifica-se essa situação com as decisões proferidas por juízo absoluta- mente incompetente, e a falta de intervenção obrigatória do MPT.

Relativa: dá-se quando o vício existente é decorrente de violação de uma norma cogente de interesse privado. É sanável, podendo ser conhecida de ofício ou argüida mediante requerimento das partes. Serve como exemplo a falta de representação ou assistência da parte (CLT, art. 793).

Anulabilidade: vício decorrente da violação de uma norma dispositiva. É sa- nável, dependendo de provocação da parte interessada. Exemplifica-se com a incompetência relativa que, se não argüida na primeira oportunidade, sua ar- güição restará preclusa.

primeira oportunidade, sua ar- güição restará preclusa. MARTINS, Sergio Pinto. Direito Processual do Trabalho .

MARTINS, Sergio Pinto. Direito Processual do Trabalho. São Paulo: Atlas, 2005.

SOUSA, Otávio Augusto Reis de. Direito e Processo do Trabalho. Rio de Janeiro: Fo- rense, 2007.