Sie sind auf Seite 1von 40

Distribuição Gratuita Ano VIII – Número 25 – setembro/2006 a maio/2007

Associação Nacional
dos Peritos Criminais Federais
Diretoria Executiva Nacional

Octavio Brandão Caldas Netto Roosevelt Alves Fernandes Leadebal Júnior


Presidente Vice-Presidente

Jorge Luiz Oliveira de Castro João Luiz Moreira de Oliveira Hélio Buchmüller Lima Adauto Zago Pralon
Secretário-Geral Suplente de Diretor Jurídico Diretor de Comunicação Suplente de Diretor Técnico-Social

Sara Lais Lenharo Renato Rodrigues Barbosa Sara Oliveira Farias Rinaldo José Prado Santos
Suplente de Secretário-Geral Diretor Financeiro Suplente de Diretor de Comunicação Diretor de Aposentados

Paulo César Pires Fortes Pedroza Luiz Carlos de Gouveia Horta Sérgio Ricardo Silva Cibreiros de Souza Sonia Regina Pereira
Diretor Jurídico Suplente de Diretor Financeiro Diretor Técnico-Social Suplente de Diretor de Aposentados

Conselho Fiscal Deliberativo

Agadeilton Gomes de Menezes Francisco José F. Braga Rolim Gladston Guimarães Naves Paulo Roberto Fagundes Marcos de Jesus Morais
Titular Titular Titular Suplente Suplente

Diretorias Regionais

ACRE ESPÍRITO SANTO PARÁ RIO GRANDE DO SUL


Diretor: Pedro Miguel de A. L. S. da Cruz Diretor: Bruno Teixeira Dantas Diretor: Antonio Carlos Figueiredo dos Santos Diretor: Eduardo Filipe Ávila Silva
Suplente: Alexandro Mangueira Lima de Assis Suplente: Cíntia Machado da Silva Suplente: Francisco Sales de Lima Suplente: Rafael Saldanha Campello
apcf.ac@apcf.org.br apcf.es@apcf.org.br apcf.pa@apcf.org.br apcf.rs@apcf.org.br

RONDÔNIA
ALAGOAS FOZ DO IGUAÇU PARAÍBA Diretor: Helder Marques Vieira da Silva
Diretor: Nivaldo do Nascimento Diretor: Eduardo Kraemer Góes Diretor: Antônio Vieira de Oliveira Suplente: Ricardo Vassoler Silva
Suplente: Alexandro Mangueira L. de Assis Suplente: Giovani Vilnei Rotta Suplente: Eduardo Aparecido Toledo apcf.ro@apcf.org.br
apcf.al@apcf.org.br apcf.foz@apcf.org.br apcf.pb@apcf.org.br
RORAIMA
Diretor: Hamilton de Oliveira Pinho Júnior
AMAZONAS GOIÁS PARANÁ
Suplente:)HUQDQGR3ÀXJ&RPSDUVL
Diretor: Daniel Pereira de Oliveira Diretor: José Walber Borges Pinheiro Diretor: Marcos de Almeida Camargo apcf.rr@apcf.org.br
Suplente: Gustavo Henrique M. Álvares da Silva Suplente: Guilherme Puech Bahia Diniz Suplente: Fábio Augusto da Silva Salvador
apcf.am@apcf.org.br apcf.go@apcf.org.br apcf.pr@apcf.org.br SANTA CATARINA
Diretor: Alexanders Tadeu das Neves Belarmino
AMAPÁ MARANHÃO PERNAMBUCO Suplente: Alexandre Bacellar Raupp
apcf.sc@apcf.org.br
Diretor: Alex Souza Sardinha Diretor: Eufrásio Bezerra de Sousa Filho Diretor: Assis Clemente da Silva Filho
Suplente: André Morum de Lima Simão Suplente: Fábio Leônidas Campos dos Santos Suplente: Rodrigo Barbosa de Almeida SANTOS
apcf.ap@apcf.org.br apcf.ma@apcf.org.br apcf.pe@apcf.org.br Diretor: Carlos Renato Perruso
Suplente: Erick Simões Câmara e Silva
BAHIA MATO GROSSO PIAUÍ apcf.@apcf.org.br
Diretor: Jair Monteiro Pontes Diretor: Roberto Wagner de Azevedo Santana Diretor: Carlos Sérgio Nunes Rodrigues
SÃO PAULO
Suplente: Adilson Carvalho Silva Suplente: Stela Regina de Paula Santiago Suplente: Leonardo de Oliveira Santana
Diretor: Alexandre Bernard Andréa
apcf.ba@apcf.org.br apcf.mt@apcf.org.br apcf.pi@apcf.org.br Suplente: Cláudio Henrique Nardy Mota
apcf.sp@apcf.org.br
CEARÁ MATO GROSSO DO SUL RIO DE JANEIRO
Diretor: João Bosco Carvalho de Almeida Diretor: Everaldo Gomes Parangaba Diretor: Luiz Carlos de Almeida Serpa SERGIPE
Suplente: José Carlos Lacerda de Souza Suplente: Silvio César Paulon Suplente: Marcos Bacha Santos Diretor: Evandro José de Alencar Paton
Suplente: Reinaldo do Couto Passos
apcf.ce@apcf.org.br apcf.ms@apcf.org.br apcf.rj@apcf.org.br
apcf.se@apcf.org.br

DISTRITO FEDERAL MINAS GERAIS RIO GRANDE DO NORTE TOCANTINS


Diretor: Acir de Oliveira Júnior Diretor: João Bosco Gomide Diretor: César de Macedo Rego Diretor: Carlos Antônio Almeida de Oliveira
Suplente: Nivaldo Dias Filho Suplente: Adriano Azeredo Coutinho Villanova Suplente: Roberto Oliveira Garcia Suplente: Daniel Gonçalves Tadim
apcf.df@apcf.org.br apcf.mg@apcf.org.br apcf.rn@apcf.org.br apcf.to@apcf.org.br

Revista Perícia Federal


ISSN 1806-8073
Planejamento e produção: Capa e artes: Ítalo Rios A revista Perícia Federal é uma Correspondências para: Revista Perícia Federal
Assessoria de Comunicação da APCF Diagramação: Marcos Antonio Pereira publicação da APCF. A revista não se SEPS 714/914 Centro Executivo Sabin, Bloco D,
comunicacao@apcf.org.br Revisão: Amândia Coêlho responsabiliza por informes publicitários salas 223/224 CEP 70390-145 – Brasília/DF
Edição e redação: CTP e Impressão: Athalaia Gráfica nem por opiniões e conceitos emitidos Telefones: (61) 3346-9481 / 3345-0882
Pedro Peduzzi (Mtb: 4811/014/083vDF) Tiragem: 15.000 exemplares em artigos assinados. e-mail: apcf@apcf.org.br - www.apcf.org.br

2 Perícia Federal
Sumário Editorial: Octavio Brandão Caldas Netto, presidente da APCF

PROPOSTAS E METAS
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) elegeu,
para o biênio 2007/2008, novos diretores executivos e regionais.
Eleito como presidente da APCF com cerca de 70% dos votos, conduzir
D$VVRFLDomR UHSUHVHQWD PDLV XP GHVD¿R HP PLQKD YLGD7HQKR SOHQD
consciência do que precisa ser feito para que
os nossos associados sintam-se prestigiados,
Arquivo APCF

CRIMES AMBIENTAIS valorizados e estimulados, sejam eles da ativa,


A Perícia Criminal Federal em defesa aposentados ou pensionistas, pois todos merecem o
dos recursos naturais brasileiros mesmo respeito e consideração.
As propostas que apresentamos durante o pleito
A Perícia Criminal de Meio Ambiente na eleitoral vão ao encontro dos interesses dos associados,
Polícia Federal que anseiam por uma associação mais forte,
PCF Emílio Lenine Carvalho Catunda da Cruz
PÁGINA 7 coesa, participativa e integrada a outras entidades.
Respeitando sempre os direitos dos associados
Exames Periciais
de serem ouvidos e de participarem das decisões


em Peças de Artesanato Indígena
PCFs Guilherme de Miranda e Daniel Ferreira Domingues consideradas fundamentais. E, claro, contemplá-los
PÁGINA 9
com maiores benefícios, como o fortalecimento das
Valoração Ambiental por meio de
As propostas que
diretorias regionais e apoio irrestrito para cumprir as
Sensoriamento Remoto apresentamos ¿QDOLGDGHVSUHYLVWDVRclipping, implementado no site e
PCFs Marcelo Garcia de Barros, Guilherme de Miranda e
Flávio Segundo Wagner durante o pleito a ser aperfeiçoado no novo site que valorizará – e muito
PÁGINA 13
eleitoral vão ao – a comunicação interna de nossa categoria, entre
Uso de Imagens de outras vantagens em estudo.
Satélites na Criminalística
encontro dos Com apenas seis meses de gestão à frente da
PCF Mauro Mendonça Magliano interesses dos APCF implementamos – apesar do tempo consumido
PÁGINA 18
associados, que na luta pela recomposição salarial – diversas medidas,
Constação de Dano Ambiental
PCF William Gomes Gripp anseiam por uma materializando propostas de campanha que, para
a atual Diretoria Executiva, representam metas.
PÁGINA 22
associação mais Algumas delas já atingidas, em curto período de
Exames Periciais no
Lixão de Campo Grande forte, coesa, tempo, nas mais distintas áreas de atuação.
PCFs Julio Coelho Ferreira de Souza e Sílvio César Paulon participativa e Aliás, o apoio e o reconhecimento por parte de
PÁGINA 25
muitos associados, de que estamos trabalhando com
integrada a outras
O Acidente da Companhia total transparência, empenho e universalidade, nos
Mineira de Metais em Vazante
PCF João Luiz Moreira de Oliveira
PÁGINA 28

entidades dá a certeza que estamos no caminho certo, muito
embora ainda haja sérios obstáculos que precisam ser
transpostos para chegarmos onde queremos – ainda
Uso da Geofísica em Perícias de Crimes
Ambientais que isto seja desconsiderado por alguns.
PCF Marcelo de Lawrence Bassay Blum Não tenham dúvidas de que todos as criticas e sugestões serão sempre
PÁGINA 30 bem-vindas, desde que formuladas observando-se os preceitos éticos,
‡,,,(QFRQWUR1DFLRQDOGRV3&)V PÁGINA 33 e que esta Diretoria Executiva tomará providências no momento certo,
‡2'LD1DFLRQDOGR3HULWR&ULPLQDO PÁGINA 34 visando reverter qualquer situação julgada inconveniente ou inoportuna por
‡$1RYD$3&) PÁGINA 36 nossos associados.
‡1RWDVH&XUWDV PÁGINA 38 Saudações periciais!
‡3/GR6XSHUIDWXUDPHQWRPÁGINA 39
Pedro Peduzzi

Perícia Federal 3
ENTREVISTA: Marina Silva, ministra do Meio Ambiente

Ícone ambientalista
Ministra do Meio Ambiente, Mari-

Foto: Jefferson Rudy / MMA


QD6LOYDVDEHGDVGL¿FXOGDGHVQDWX-
rais de se colocar em prática os ide-
ais que tanto defendeu ao longo de
sua história. Atuante, vem desenvol-
vendo um grande número de proje-
tos que nem sempre conquistam,
na mídia, visibilidade proporcional
à importância. Nesta edição da re-
vista Perícia Federal, Marina Sil-
va explicou, em detalhes, as princi-
pais ações implementadas à frente
da pasta que ocupa desde o início do
governo Lula.

Ministra Marina Silva, a senhora poderia


apontar os principais feitos do Ministério
do Meio Ambiente, sob sua batuta?
Nas últimas décadas os brasileiros vêm
conquistando importantes avanços na cons-
trução de uma base institucional que asse- rados. Essa visão tornou possível, por exem- WDLVFRPRRTXHWLSL¿FDFULPLQDOPHQWHRDWR
gure proteção ao meio ambiente. Atualmente plo, pôr em curso em 2004 o Plano de Preven- de desmatar, explorar economicamente ou
contamos com excelente legislação ambien- ção e Combate ao Desmatamento da Ama- GHJUDGDUÀRUHVWDSODQWDGDRXQDWLYDHPWHU-
tal e várias instituições voltadas à implementa- zônia. O Plano foi construído em parceria por ras de domínio público ou devolutas, sem au-
ção dessa legislação nos três níveis de gover- 13 ministérios, e reduziu o desmatamento em torização do órgão competente (art. 50), e o
no, que hoje integram o Sistema Nacional de 52%, criou 20 milhões de hectares de unida- TXHWLSL¿FDDFRQGXWDGDTXHOHVTXHHODERUDP
Meio Ambiente (Sisnama). Quando assumi- des de conservação nas regiões de expan- ou apresentam, no licenciamento, concessão
mos o Ministério, tínhamos convicção de que são da fronteira predatória, prendeu mais de ÀRUHVWDORXRXWURSURFHGLPHQWRDGPLQLVWUDWL-
RPDLRUSUREOHPDQDiUHDHUDRHQRUPHGp¿FLW 500 pessoas envolvidas em crimes ambien- vo, estudo, laudo ou relatório ambiental total
de implementação da legislação. Era neces- tais e estabeleceu o Sistema de Monitoramen- ou parcialmente falso ou enganoso, inclusive
sário ainda complementar a base institucio- to do Desmatamento da Amazônia em Tempo por omissão (art. 69). Já a recente Lei da Mata
nal e o marco regulatório, para promover, em Real, o Deter. Outra importante conquista foi Atlântica (nº 11.284, de dezembro de 2006)
larga escala, o uso sustentável dos recursos a criação do Plano BR-163 Sustentável, que YHLRWLSL¿FDUFRPRFULPHRDWRGHGHVWUXLURX
naturais e da biodiversidade. Estabelecemos está viabilizando a pavimentação dessa rodo- GDQL¿FDUYHJHWDomRSULPiULDRXVHFXQGiULDGR
quatro diretrizes para orientar nossas ações via com conservação ambiental, ordenamen- Bioma Mata Atlântica ou ainda utilizá-la ferin-
QRHQIUHQWDPHQWRGHVVHVGHVD¿RV3URPR- to fundiário e territorial e inclusão social. Po- do as normas de proteção. Ressalte-se, ain-
ção do desenvolvimento sustentável, Contro- deríamos mencionar ainda a elaboração do da, que o novo Projeto de Lei de Acesso ao
le e Participação Social, Política Ambiental In- Plano Nacional de Recursos Hídricos, a redu- Patrimônio Genético, aos Conhecimentos Tra-
tegrada e Fortalecimento do Sisnama. Enten- ção de 71% no desmatamento da Mata Atlânti- dicionais Associados e à Repartição de Bene-
demos que o desenvolvimento sustentável é ca, a aprovação da Lei de Gestão de Florestas fícios deverá conter novas condutas, buscan-
o único caminho para preservar o ambiente, Públicas e do novo modelo para o setor elétri- do outras formas para combater a biopirata-
promover inclusão social e crescimento eco- co, que estabelece o licenciamento ambiental ULD3RU¿PFDEHGHVWDFDUTXHQR~OWLPRTXD-
nômico durável. Nesse sentido, é importante a como condição para concessões públicas. driênio, várias alterações foram realizadas no
atuação do poder público, mas também da so- Decreto nº 3.179, de setembro de 1999, que
ciedade. Além disso, o governo precisa incor- Como estão os projetos de alteração das regulamenta a Lei nº 9.605, de 1998, especi-
porar variáveis socio-ambientais desde a fase Leis de Crimes Ambientais? ¿FDQGRVDQo}HVDSOLFiYHLVjVFRQGXWDVHDWL-
de planejamento de políticas setoriais, com O Ministério vem propondo alterações, vidades lesivas ao ambiente. Como exemplo,
os ministérios trabalhando de forma conjun- buscando aperfeiçoar a legislação. Como pode-se citar o aumento da penalidade para
ta. Por outro lado, o Sisnama precisa ser forta- H[HPSORSRGHVHFLWDUDVPRGL¿FDo}HVWUD]L- quem desmatar, com corte raso, área de re-
lecido e modernizado para que as instituições das pela Lei de Gestão de Florestas Públicas serva legal, passando a multa de R$ 1 mil por
que o integram se tornem mais bem estrutura- (nº 11.428, de março de 2006). Ela introduziu hectare ou fração para multa de R$ 5 mil, con-
GDVHRVFRQÀLWRVGHFRPSHWrQFLDVHMDPVXSH- dois novos artigos na Lei de Crimes Ambien- forme Decreto nº 5.523, de 2005.

4 Perícia Federal
A oposição acusou o atual governo de pri- a Operação Curupira, em junho de 2005, no vendo a renovação nos quadros técnicos do
vatizar a Amazônia. O que a senhora tem a Mato Grosso, o desmatamento caiu 95%. O órgão. As ações de moralização empreendi-
dizer sobre isso? efeito dessa operação, aliado às operações das na gestão do Dr. Marcus Barros têm es-
'HVGHRSHUtRGRGRGHVFREULPHQWRDVÀR- GH¿VFDOL]DomRGR,EDPDUHVXOWRXQDUHGX- tabelecido o difícil e necessário processo de
restas públicas vêm sendo repassadas ao se- ção de 31% do desmatamento em toda Ama- autodepuração. Todas as operações da Po-
tor privado por meio de incentivos do próprio zônia naquele ano. Acredito que a criação das lícia Federal contaram com forte protago-
Estado e pela ação de grilagem. O resultado, 27 Delegacias Especializadas em crimes am- nismo e iniciativa da direção do Ibama e de
na maioria dos casos, foi o desmatamento, a bientais, no âmbito da Polícia Federal, é uma seus servidores. O Ibama é uma das institui-
JDULPSDJHPÀRUHVWDO3DUDWHULGpLDGRWDPD- conquista fundamental para acabar com a im- ções mais respeitadas do País. Seu quadro
nho do problema, 20% das terras da Amazô- punidade que sempre existiu em todos os bio- pFRPSRVWRQDPDLRULDSRUSUR¿VVLRQDLVFRP-
nia Legal são privadas. Cerca de 40% do ter- mas. A excelência técnica e a credibilidade da petentes, compromissados eticamente com
ritório estão sob domínio público e sob inten- Polícia Federal garantem que os que buscam a proteção do ambiente. Lamentavelmen-
sa pressão da grilagem e exploração preda- lesar o patrimônio ambiental estão com dias te uma minoria operava movida por outros in-
tória. Com a Lei de Gestão de Florestas Pú- de impunidade contados. teresses, mas esses, felizmente, estão sen-


blicas, aprovada pelo Congresso em mar- GRLGHQWL¿FDGRVHSXQLGRVQDIRUPDGDOHL$Wp
ço de 2006, o Brasil passou a contar com um 2003 haviam sido demitidos do órgão cerca
instrumento legal que acaba com o processo de quatro servidores envolvidos em corrup-
GHSULYDWL]DomRGDVÀRUHVWDVS~EOLFDV$TXH- ção. Nos últimos quatro anos, já são 46 o to-
la lei foi construída a partir de intenso proces- De 2003 a 2006, a força tal de maus servidores demitidos e vários ou-
so de discussão com todos setores da socie- tros estão respondendo a processos discipli-
dade. Em dois anos ocorreram também vá- de trabalho do Ibama nares internos. O aperfeiçoamento nos siste-
rias reuniões com especialistas para a análise foi ampliada com a mas de licenciamento e monitoramento é ou-
de erros e acertos da experiência mundial na tro fator de mudança na forma como o Ibama
área. O texto legal contou com amplo apoio contratação de 1.319 atua. Por exemplo, a criação do Deter mudou
social, tendo sido apoiado no Congresso por analistas ambientais em UDGLFDOPHQWHDIRUPDFRPRVHID]LDD¿VFD-
todos os partidos. A Lei contempla quatro ele-
mentos estruturantes: estabelece regras para
dois concursos. Esses lização dos desmatamentos. Agora, as equi-
pes saem a campo sabendo a localização das
JHVWmRGDVÀRUHVWDVS~EOLFDVFULDR6HUYLoR analistas reforçaram a áreas onde há indícios de desmatamentos.
Florestal Brasileiro e o Fundo Nacional de De-
estrutura do Instituto em As operações são mais bem planejadas e sua
senvolvimento Florestal e estabelece a des- efetividade aumentou. A melhoria não foi so-
FHQWUDOL]DomRGDJHVWmRÀRUHVWDODHVWDGRVH várias áreas carentes de mente qualitativa, mas também no número e
municípios. A nova legislação é uma respos-
ta aos velhos problemas de grilagem de terras
S~EOLFDVH[SORUDomRLOHJDOGDVÀRUHVWDVGHV-
técnicos“ na amplitude das operações. No último qua-
driênio, foram realizadas cerca de 100 ope-
rações/ano, quando a média até 2002 era de
matamento. Reconhece ainda a importância 20. Foram apreendidos mais de 900 mil me-
GDVÀRUHVWDVS~EOLFDVSDUDRGHVHQYROYLPHQ- tros cúbicos de madeira extraída ilegalmente,
to sustentável do País, pois, ao criar o regime A ampliação do corpo técnico do MMA já tem aplicados cerca de R$ 2,8 bilhões em multas
de concessões públicas e criar um órgão de apresentado resultados positivos? Quais? e apreendidos centenas de veículos e equipa-
UHJXODomRHIRPHQWRÀRUHVWDOR%UDVLOSDVVD De 2003 a 2006, a força de trabalho do mentos. A substituição em 2006 do falido sis-
a ter mecanismo de promoção de nova eco- Ibama foi ampliada com a contratação de tema de Autorização para Transporte de Pro-
QRPLDEDVHDGDQRXVRVXVWHQWiYHOGDVÀR- 1.319 analistas ambientais em dois concur- dutos Florestais (ATPF) pelo Sistema Docu-
restas públicas, na geração de empregos de sos. Esses analistas reforçaram a estrutura mento de Origem Florestal (DOF), baseado
qualidade e de benefícios econômicos dura- do Instituto em várias áreas carentes de téc- no controle eletrônico e na transparência pú-
douros, assegurando conservação dos servi- nicos, principalmente no Norte e Centro-Oes- blica, permitiu, por exemplo, que fosse reali-
oRVDPELHQWDLVTXHHVVDVÀRUHVWDVSUHVWDP te. O Ministério, por sua vez, passou por lon- zada, em março deste ano, a Operação Ana-
ao País e ao planeta. A Lei de Gestão de Flo- go processo de reestruturação de seu quadro nias, que desmontou em tempo recorde uma
restas Públicas é uma conquista do povo, que técnico, formado anteriormente, quase total- quadrilha que tentava fraudar o novo sistema.
GHVHMDTXHQRVVDVÀRUHVWDVFRQWLQXHPÀRUHV- mente, por consultores contratados precaria- Estamos agora trabalhando numa integração
tas e permaneçam públicas. mente em projetos de cooperação internacio- de sistemas de informações com a PF e na
nal. Em 2003, um processo seletivo incorpo- criação de instrumentos de gestão conjunta.
Qual a colaboração da Polícia Federal no rou 652 técnicos por contratos temporários de
trabalho desenvolvido pelo MMA? DWpTXDWURDQRVHPIRLUHDOL]DGRRSUL- &RPRR00$HR,EDPD¿VFDOL]DUmRDYHUD-
Uma das ações mais importantes do Pla- meiro concurso público para analista ambien- FLGDGHGRVLQYHQWiULRVÀRUHVWDLVDSUHVHQ-
no de Prevenção e Combate ao Desmata- tal do Ministério, incorporando 150 primeiros tados como documento-chave para con-
mento da Amazônia é o trabalho de desmonte colocados. Recentemente, outros 82 foram FHVVmRGHH[SORUDomRVXVWHQWDGDGHÀR-
de quadrilhas especializadas em crimes am- LQWHUQDOL]DGRVHDWpR¿QDOGHVWHDQRHVSH- restas públicas?
bientais, por meio das operações de inteligên- ra-se substituir todos os temporários por ana- Realizamos diversos aperfeiçoamentos
cia da Polícia Federal e do Ibama. Realizamos listas concursados. no sistema de licenciamento e monitoramen-
15 grandes operações na região, prendendo to dos planos de manejo. O Ibama criou novas
cerca de 500 pessoas, 100 delas servidores O que deve mudar no Ibama após as ope- rotinas para o processo de análise e elaborou
do Ibama que praticavam fraudes e corrupção rações da PF? o primeiro manual de vistoria de campo, com
KiGpFDGDVHIUDJLOL]DYDPRVHVIRUoRVGH¿V- O Ibama está vivendo uma fase de forta- base em indicadores de boas práticas. A cria-
calização do próprio Ibama. Para ter idéia do lecimento e mudança organizacional. A che- ção do Sistema de Detecção da Exploração
impacto dessa ação, no mês em que realizou gada de analistas concursados está promo- )ORUHVWDO'HWH[TXHHVWiHPIDVH¿QDOGHHOD-

Perícia Federal 5
ENTREVISTA: Marina Silva, ministra do Meio Ambiente

boração, permitirá o monitoramento por satéli- pios da região. Diante disso, o governo anun- cia Federal no combate aos crimes ambientais
WHGDViUHDVVREH[SORUDomRÀRUHVWDO$/HLGH ciou, em 2003, que, antes da pavimentação, praticados nos domínios do bioma Mata Atlân-
Gestão de Florestas Públicas criou o Serviço implantaria o Plano de Desenvolvimento Sus- tica, como, por exemplo, a Operação Euterpe,
Florestal Brasileiro, que reforçará o monitora- WHQWiYHOGD5HJLmRGH,QÀXrQFLDGD%5 que ocorreu no Rio de Janeiro e prendeu 32
mento dos planos de manejo. Além disso, ins- O Plano foi desenvolvido por vinte ministérios SHVVRDVVHQGR¿VFDLVGR,EDPD1RVVDLQ
tituiu-se também a realização de auditorias ex- e sua implementação já traz resultados signi- tenção é aprofundar ainda mais essa parceria
WHUQDVSHULyGLFDVHPWRGDVDVFRQFHVV}HVÀR ¿FDWLYRV)RUDPFULDGRVPDLVGHPLOK}HV em todo o Brasil.
restais e alterou-se a Lei de Crimes Ambien- de hectares em unidades de conservação, ini-
tais, que passou a criminalizar a omissão de bidas cerca 66 mil propriedades irregulares O que o MMA tem feito para reduzir a emis-
informações relevantes e o fornecimento de HFULDGRVDVVHQWDPHQWRVÀRUHVWDLVVXVWHQ são de CFC na atmosfera?
informações falsas aos órgãos ambientais. táveis para 18 mil famílias. A presença insti- O Brasil vem implementando com com-
tucional do governo federal foi ampliada. Fo- petência compromissos assumidos na condi-
Qual o posicionamento do MMA diante da ram criadas delegacias da Polícia Federal e ção de País signatário do Protocolo de Montre-
WmRGHEDWLGDHVROLFLWDGDÀH[LELOL]DomRGR da Polícia Rodoviária Federal, a Superinten- al, cujo objetivo é a eliminação das emissões de
licenciamento ambiental em um governo dência Regional do INCRA, em Santarém, e CFC para a atmosfera. Tais compromissos es-
desenvolvimentista? VHLVEDVHVGR,EDPDGH¿VFDOL]DomRLQWHJUD tão consignados no Programa Brasileiro de Pro-
&RQVLGHUDPRVTXHRWHUPRÀH[LELOL]DomR da. Além disso, o Ministério está implantan- teção à Camada de Ozônio, gerenciado por co-
não é adequado, mas sim aperfeiçoamento do o Distrito Florestal Sustentável da BR-163, mitê interministerial sob coordenação do Minis-
do sistema de licenciamento. Nesse sentido, para dinamizar a economia da região, a par- tério. Todas as indústrias brasileiras que em-
estamos atuando desde 2003 para que a Di- tir do aproveitamento sustentável dos produ- pregavam CFCs converteram seus processos
retoria de Licenciamento do Ibama possua WRVPDGHLUHLURVHQmRPDGHLUHLURVGDÀRUHVWD de produção e já não usam mais esse produto.
estrutura e equipes técnicas adequadas para e inibir a exploração predatória. Produtos novos, como as geladeiras, por exem-
exercício de competências legais, e estabe- plo, são fabricadas desde 2000 com tecnologia
leça procedimentos transparentes para licen- Quais os planos do MMA para preservação que não utiliza CFC. A importação de CFC só é
ciamento concedido pelo Ibama e por órgãos da Mata Atlântica? Há possibilidade de repe- IHLWDGHVGHMDQHLURGHVWHDQRSDUD¿QVPHGLFL
ambientais estaduais, por meio de Resolu- tir a parceria de sucesso entre MMA e DPF na nais. Com relação ao CFC contido nos produtos
ções do Conselho Nacional de Meio Ambien- Amazônia, no combate ao desmatamento? velhos, foram montadas redes de recolhimento
te (Conama). Na primeira gestão do Governo O MMA tem várias metas previstas até desses equipamentos, que alimentam uma cen-
Lula, foram criadas três coordenações-gerais 2010. Entre as principais, está o estabeleci- tral de recuperação em São Paulo. Para os pró-
para a Diretoria de Licenciamento. Substituí- mento do Sistema de Unidades de Conserva- ximos anos estão previstas outras três centrais,
mos cerca de 70 técnicos com contratos pre- ção, buscando proteger 10% do bioma, con- uma no Rio de Janeiro e as demais nas regiões
cários por 120 analistas ambientais concur- siderando os diferentes tipos de vegetação Centro-Oeste e Nordeste. Em 2006, iniciamos a
VDGRVSRUPHLRGH,QVWUXo}HV1RUPDWLYDVGR e as espécies ameaçadas. Esta meta está assinatura de termos de cooperação com con-
Ibama, criamos procedimentos para licencia- em consonância com as recomendações da cessionárias de energia elétrica para que, no
mento de competência do órgão federal e re- Conferência Nacional de Meio Ambiente e kPELWRGHVHXVSURJUDPDVGHH¿FLrQFLDHQHUJp
soluções do Conama para harmonizar regras com a CDB e foi aprovada pela Conabio. Pre- tica, seja feito o recolhimento dos CFC presen-
de licenciamento de sistemas de esgotamen- tendemos elaborar e implementar um proje- tes nas geladeiras antigas, que são trocadas por
to sanitário, assentamentos de reforma agrá- to de captura de carbono para a Mata Atlân- geladeiras novas. Atualmente já foram trocadas
ria, agroindústria familiar e ferrovias de baixo tica, contribuindo para amenizar o efeito es- FLQFRPLOJHODGHLUDVHDWpR¿QDOGHVWHDQRFKH
impacto ambiental no País. Com esses aper- tufa, projeto a ser norteado pelo compromis- garemos a cerca de 100 mil.
feiçoamentos, a média anual de licenças con- so de desmatamento zero, além de um per-
cedidas pelo Ibama saltou de cerca de 150 no centual de regeneração. Atualmente há cerca Alguma mensagem para os peritos criminais
período de 1999 a 2002 para 220 no perío- GHGHFREHUWXUDÀRUHVWDOEHPFRQVHUYDGR federais?
do 2003 a 2006. Todas as informações sobre GRWRWDOGHH[LVWHQWHVLQFOXLQGRÀRUHVWDV Considero o trabalho dessa equipe de espe-
licenciamento estão disponíveis a consulta em regeneração, percentual maior que o ve- cialistas da maior importância para a consolida-
por qualquer cidadão (pela internet) no Por- UL¿FDGRHP1RVVRSURSyVLWRpGHVHQ ção do estado de direito em nosso País. Para a
tal do Licenciamento Ambiental, administrado volver um projeto nacional com recursos do área ambiental, a investigação rigorosa das di-
pelo Ministério. MDL, que alimentariam o Fundo de Restaura- versas modalidades de crime contra o patrimô-
ção e Conservação do bioma, criado pela Lei nio ambiental é, sem dúvida, uma base sólida e
Que cuidados o MMA vem tendo para a 11.428, a Lei da Mata Atlântica. Devemos re- LUUHIXWiYHOVREUHDTXDOSRGHVHHGL¿FDUDMXVWD
abertura de novas estradas? gulamentar esta Lei no curto prazo, por decre- punição daqueles que cometem tais atos contra
Além dos aperfeiçoamentos do licencia- to e resoluções do Conama e promover sua a vida e os processos que a sustentam.
mento ambiental, o Ministério e o Ibama têm aplicação. Além disso, junto com setores Flo- A redução do desmatamento da Amazônia em
tido atenção especial com estradas construí- restal e Agropecuário, queremos promover a 52%, nos dois últimos anos, fez com que 1 bilhão
das ou pavimentadas na região amazônica, regularização das Áreas de Proteção Perma- de árvores, 1 milhão de primatas e 40 milhões de
onde são conhecidos seus efeitos sobre o au- nentes e a regularização/compensação das aves fossem preservados. Além disso, evitou que
mento do desmatamento. É o caso da pavi- Reservas Legais, em acordo com a mudança 430 milhões de toneladas de CO2 fossem lança-
mentação da BR-163, que liga Cuiabá a San- ocorrida no Código Florestal, provocada pela dos na atmosfera. Costumo dizer que já temos a
tarém, cruzando o arco do desmatamento no aprovação da Lei da Mata Atlântica, e que per- técnica para fazer as coisas certas, mas muitas
Pará, região de forte pressão de expansão mite, de forma perpétua, a compensação de vezes falta apenas a ética do compromisso para
GDVDWLYLGDGHVDJURSHFXiULDVVREUHDÀRUHV passivo de Reserva Legal com a regulariza- usar nossa técnica buscando mudar a realidade.
ta. Em 2002, apenas com o anúncio da pavi- ção fundiária de unidades de conservação fe- E eu sei que é essa ética que nos une e que nos
mentação dessa estrada, o desmatamento derais, estaduais ou municipais. Nesses qua- tem feito dar nossa contribuição para a proteção
aumentou mais de 500% em alguns municí- WURDQRV¿]HPRVPXLWDVSDUFHULDVFRPD3ROt dos recursos naturais do País.

6 Perícia Federal
CRIMES AMBIENTAIS: PCF EMÍLIO LENINE CARVALHO CATUNDA DA CRUZ (DOUTOR EM GEOLOGIA)*
*COORDENADOR DO III SEMINÁRIO DE PERÍCIAS DE CRIMES AMBIENTAIS E RESPONSÁVEL PELA ÁREA DE PERÍCIAS DE CRIMES AMBIENTAIS (APMA)

A Perícia Criminal de
Meio Ambiente
na Polícia Federal
RESULTADOS DO III SEMINÁRIO DE PERÍCIAS DE CRIMES AMBIENTAIS

E
sta edição da Revista Perícia Fede- A Constituição Federal de 1988 estabe-
ral apresenta, na forma de artigos, lece em seu Art. 225 que “Todos têm direi-
uma seleção de estudos de casos to ao meio ambiente ecologicamente equi-
de perícias de crimes ambientais librado, bem de uso comum do povo e es-
realizadas pelo Sistema de Criminalística sencial à sadia qualidade de vida, impon-
do Departamento de Polícia Federal, alguns do-se ao Poder Público e à coletividade o
destes apresentados durante o III Seminário dever de defendê-lo e preservá-lo para as
de Perícias de Crimes Ambientais (III SPCA), presentes e futuras gerações”. Posterior-
que aconteceu entre os dias 18 e 22 de se- mente, a Lei de Crimes Ambientais (Lei n°
Investimento em recursos tembro de 2006 em Brasília-DF. A questão 9.605 de 12 de fevereiro de 1998) conferiu
da preservação do meio ambiente tem ga- aplicabilidade à norma constitucional, dis-
humanos, na capacitação, nhado relevância mundial. O surgimento de pondo sobre sanções penais e administra-
uma maior consciência ambiental, preocupa- tivas derivadas de condutas e atividades
e na maior integração da com a continuidade e a qualidade da vida, lesivas ao meio ambiente. Combater es-
entre equipes periciais e tem aguçado a percepção dos impactos ne- ses crimes contra bens, serviços e interes-
gativos resultantes do desenvolvimento des- ses da União relativos aos recursos natu-
de repressão aos crimes controlado e a má exploração dos recursos rais é uma das missões constitucionais do
ambientais, o III Seminário de naturais disponíveis. No Brasil, essa situa- Departamento de Polícia Federal como po-
lícia judiciária da União.
ção adquire destaque ainda maior, dada a
Perícias de Crimes Ambientais riqueza de nossos recursos naturais e a im-
portância que estes têm para o bem-estar da Prova material
discutiu o presente e o futuro nossa população. As ameaças aos nossos Nesse ponto, deve-se destacar a impor-
da perícia criminal de meio recursos naturais são diversas, envolvendo tância da perícia criminal para a apuração
DELRSLUDWDULDDGHYDVWDomRGDVÀRUHVWDVD dos crimes ambientais. Sabe-se que toda
ambiente da Polícia Federal poluição das águas, do ar e do solo, o asso- ação humana deixa marcas, rastros, vestí-
reamento de rios, a extração irregular de mi- gios. As ações contra o meio ambiente não
nérios e tantas outras. são exceção. O trabalho do perito criminal

Perícia Federal 7
CRIMES AMBIENTAIS: PCF EMÍLIO LENINE CARVALHO CATUNDA DA CRUZ (DOUTOR EM GEOLOGIA)*
*COORDENADOR DO III SEMINÁRIO DE PERÍCIAS DE CRIMES AMBIENTAIS E RESPONSÁVEL PELA ÁREA DE PERÍCIAS DE CRIMES AMBIENTAIS (APMA)

pDQDOLVDUHVVHVYHVWtJLRVD¿PGHREWHUD ¿VVLRQDOQHFHVViULDSDUDRERPGHVHPSH- contou com o patrocínio da Petrobrás e do


prova material da existência do crime am- QKRGRWUDEDOKRSROLFLDOHHVSHFL¿FDPHQ- Banco Real e o apoio da APCF.
biental. A prova material é, sem dúvida, ele- te, do trabalho da perícia criminal no meio
mento fundamental para toda a persecução ambiente. O III SPCA fez parte do esforço APMA
penal, desde o inquérito policial até a sen- continuado do Instituto Nacional de Crimi- A perícia criminal do DPF tem se desen-
WHQoD MXGLFLDO e SURYD REMHWLYD FLHQWt¿FD QDOtVWLFD H GD 'LUHWRULD 7pFQLFR&LHQWt¿FD volvido vertiginosamente nos últimos anos,
Por isso, o perito criminal federal tem cons- do DPF na realização de eventos de capa- principalmente com a realização de concur-
ciência de sua responsabilidade e, conse- citação executados em parceria com a Aca- sos públicos que permitiram a entrada de
qüentemente, sabe que deve estar sempre demia Nacional de Polícia. Participaram pessoal especializado, incluindo diversos
atualizado com o que há de mais avança- do III SPCA 107 policiais federais e convi- mestres e doutores, com a aquisição de no-
do na ciência e na tecnologia para que pos- dados de outros órgãos, sendo: 59 peritos vos equipamentos e laboratórios que possi-
sa contribuir para a solução de crimes am- criminais federais, 20 delegados de polí- bilitam a realização de exames mais preci-
bientais, mensurar a extensão do dano am- cia federal, 12 agentes e escrivães de polí- sos. Embora esse desenvolvimento esteja
biental, no espaço e no tempo, bem como cia federal, e 16 técnicos de órgãos parcei- ocorrendo em todas as áreas da perícia cri-
o seu potencial de impacto à saúde da po- ros, incluindo IBAMA, SIPAM, TCU, CGU, PLQDOpQDiUHDDPELHQWDOTXHVHYHUL¿FD
pulação, além de avaliar economicamen- SENASP, CNEN e PGR. A programação um dos maiores crescimentos. Os peritos
te tanto a recuperação da área degradada do III SPCA envolveu palestras técnicas e criminais federais com atuação em crimes
quanto o valor do recurso natural subtraído. mesas-redondas sobre os temas diversos ambientais são biólogos, geólogos, médi-
O III SPCA realizado no auditório do Ins- relacionados a crimes ambientais, seções cos veterinários, engenheiros agrônomos,
tituto Nacional de Criminalística da Direto- de estudos de caso de perícias de crimes FDUWyJUDIRVFLYLVÀRUHVWDLVHGHPLQDVRV
ULD7pFQLFR&LHQWt¿FD ,1&',7(& GR'H- ambientais e seção de estudos de caso de quais também contam com o apoio de ou-
partamento de Polícia Federal permitiu a operações de repressão aos crimes am- tras especialidades da perícia criminal, tais
troca de experiências, a atualização pro- bientais executadas pelo DPF. O III SPCA como químicos, engenheiros químicos e
farmacêuticos. O desenvolvimento da perí-
cia criminal de meio ambiente foi tamanho
que, hoje, o Instituto Nacional de Crimina-
lística/DITEC conta com a Área de Perícias
de Crimes Ambientais (APMA), especiali-
zada na realização desse tipo de exame.
O crescimento das atividades de perí-
cias de meio ambiente é, sem dúvida, re-
ÀH[R GD LPSODQWDomR GDV 'HOHJDFLDV GH
Repressão a Crimes Contra o Meio Am-
biente e o Patrimônio Histórico nas Supe-
rintendências Regionais do DPF. Somente
no ano de 2006 foram realizadas 20 opera-
ções de repressão aos crimes ambientais,
operações: Araripe, Carbono, TM, Cerrado,
Rosa dos Ventos III, Novo Empate, Tibagi,
Geralda Toco Preto, Aroeira, Isaías, Euter-
pe, Daniel, Defeso do Camarão, Silvestre,
Kayabi, Drake, Crivo, Passagem, Maçaran-
duba e Pinóquio. O Sistema de Criminalísti-
ca do DPF conta atualmente com 82 peritos
criminais para atender às solicitações de
perícias criminais de meio ambiente resul-
tantes dessas operações, distribuídos por
todos os estados e Distrito Federal, e com
previsão de atingir o quantitativo de 144 até
R¿QDOGH
O III SPCA atingiu seus objetivos cien-
Wt¿FRV GH DWXDOL]DomR H FDSDFLWDomR 3UR-
porcionou ainda uma maior integração en-
tre equipes periciais e equipes de repres-
são contra os crimes ambientais do DPF,
bem como contribuiu para uma maior apro-
ximação com outros órgãos governamen-
tais incumbidos da proteção dos recursos
naturais brasileiros.

8 Perícia Federal
CRIMES AMBIENTAIS: PCFs GUILHERME DE MIRANDA (GEÓLOGO, BIÓLOGO, MESTRE E DOUTOR EM ECOLOGIA) E
DANIEL FERREIRA DOMINGUES (BIÓLOGO, MESTRE EM SAÚDE AMBIENTAL)

Exames Periciais em
Peças de
Artesanato
Indígena
Uma das novas vertentes de
atuação ambiental da Polícia
Federal é a repressão à
exploração irregular da
fauna silvestre brasileira.
A caracterização Figura 1 – Colar
pericial adequada dos confeccionado
com caninos de
componentes biológicos das onça-pintada

peças de artesanato indígena é


fundamental para o sucesso

fotos: APMA/INC
Figura 2
dessa empreitada – Diadema
confeccionado
com penas de
Introdução papagaios e
araras de cores

C
variadas
omo uma das formas de manifes-
tação cultural, os povos indígenas
brasileiros tradicionalmente con- Figura 3 – Adorno
feccionam objetos de adorno e utensílios confeccionado
domésticos, usando materiais coletados na com armação de
natureza (ossos, dentes, penas, sementes, madeira e capim,
madeira, por exemplo). Essa atividade, en- barbante e penas de
quanto restrita à comunidade indígena, é espécies variadas
permitida por lei, tendo em vista seu caráter em diversas cores
cultural. Contudo, alguns desses artefatos
possuem grande beleza e valor artístico,
sendo irregularmente comercializados. A partir de 2004, foram processadas $UWHVDQDWR,QGtJHQD /DXGRGH([DPH
O presente trabalho tem como objetivos: cerca de 2,5 mil peças, gerando mais de HP $QLPDO 3HQDV H 3rORV  /DXGR GH
caracterizar os aspectos biológicos e mor- ODXGRV ')±SHoDVODXGRV55 Exame em Material (Peças Artesanais).
IROyJLFRVUHOHYDQWHVSDUDDLGHQWL¿FDomRH ±  SHoDVODXGR51SHoDV Tendo em vista a necessidade de padro-
FODVVL¿FDomRGHSDUWHVGHDQLPDLVHSODQWDV ODXGRV63±SHoDVODXGRV06 QL]DomRDUHFRPHQGDomRR¿FLDOGR,1&
HPSHoDVGHDUWHVDQDWRLQGtJHQDHGHVFUH – 3 peças/1 laudo). Nesse período, os quanto ao título para este tipo de laudos é
ver os procedimentos adotados para a exe- laudos foram emitidos com diferentes tí- simplesmente Laudo de Exame de Animal,
cução dos exames com esse material. tulos, como: Laudo de Exame em Animal destituído de subtítulo.

Perícia Federal 9
CRIMES AMBIENTAIS: PCFs GUILHERME DE MIRANDA (GEÓLOGO, BIÓLOGO, MESTRE E DOUTOR EM ECOLOGIA) E DANIEL FERREIRA DOMINGUES (BIÓLOGO, MESTRE EM SAÚDE AMBIENTAL)

QUESITOS FORMULADOS NAS Distribuição atual de Peritos Criminais Federais Biólogos e Veterinários
SOLICITAÇÕES DE EXAME EM
PEÇAS DE ARTESANATO INDÍGENA

ƒ Quais as características e natureza


das peças encaminhadas a exame?
ƒ De que animais provêm tais peças?
ƒ Podem ser assinaladas a ordem,
família, gênero e espécie dos
mesmos?
ƒ Seriam as peças oriundas de ani-
mais silvestres da fauna nacional?
ƒ Estariam estes espécimes na lista
R¿FLDOGHDQLPDLVHPSHULJRGHH[WLQ
ção do IBAMA, bem como constan-
do em algum dos anexos do CITES?

&RQVLGHUDQGRRFDUiWHUHVSHFt¿FRGDV
análises, a atuação pericial neste tipo de
exame deve ser prerrogativa de biólogos e
veterinários, sendo importante registrar a
GLVWULEXLomRDWXDOGRVSUR¿VVLRQDLVGHVWDV
áreas no âmbito do DPF (Figura 4).
Figura 4
Procedimentos Periciais
Os exames periciais em peças de arte- dos exames. O uso de iluminação natural de forma organizada sobre fundo adequa-
sanato indígena devem ser compostos por uniforme é recomendável. Peças emoldura- do (em geral branco, de papel ou cartolina).
cinco etapas: recebimento do material, fo- GDVFRPYLGURGL¿FXOWDPDWRPDGDGHIRWRV Alguns detalhes podem ser evidenciados por
WRJUD¿DGHVFULomRLGHQWL¿FDomRWD[RQ{PL com ÀDVK. Os objetos devem ser dispostos fotos em perspectiva.
ca e enquadramento legal.

Recebimento
O recebimento do material consiste
na primeira etapa dos exames. Envolve
a conferência da integridade dos itens a
serem examinados, incluindo sua embala-
gem, existência de lacres e a preservação
da cadeia de custódia. É preciso atentar
para a correspondência entre os itens
recebidos e as descrições de caracterís-
ticas e quantidades contidas no auto de
apreensão (com cópia anexa ao expedien-
te de solicitação de perícia).
Finalizando essa primeira etapa, deve
ser feita uma triagem preliminar do material
recebido, agrupando-se peças de aspecto
e composição semelhantes.

)RWRJUD¿D
Na seqüência, as peças devem ser fo-
tografadas individualmente ou por grupos
(dependendo da quantidade e diversidade
de itens). Deve ser usada uma escala grá-
¿FDSUHIHUHQFLDOPHQWHLPSUHVVDHPSDSHO Figura 5 – Adorno para cabeça
FDUWmRFRPLGHQWL¿FDomRGDXQLGDGHGR6LV confeccionado com penas e plumas
de araras em diversas cores
tema Nacional de Criminalística executora

10 Perícia Federal
Descrição
Esta é uma das mais importantes eta-
pas dos exames, devendo ser detalhada,
incluindo medidas e caracterização dos di-
ferentes componentes da peça, com aten-
ção especial ao material de origem animal
(foco do laudo). É preciso descrever minu-
ciosamente quantidades, disposição, cores,
formas e outros aspectos dos componentes
GDVSHoDVD¿PGHSHUPLWLUIDFLOLWDURUHFR
nhecimento do material nas fotos e na ma-
nipulação direta do mesmo. Deve ser citada
DQRPHQFODWXUDFLHQWt¿FDSDGUmR HPLWiOLFR
e entre parênteses) para cada espécie iden-
WL¿FDGD FXMRQRPHFRPXPWDPEpPGHYH
ser escrito). Por exemplo, pena retriz azul e
amarela de arara-canindé (Ara ararauna).
Convém atentar para a numeração dos
itens que deve ser correspondente às fotos
e tabelas do laudo e registrar a existência de
HWLTXHWDVD¿[DGDVFLWDQGRRWH[WRFRQWLGR
QDVPHVPDV6HSRVVtYHOLGHQWL¿FDUDHWQLD
indígena que confeccionou a peça examina-
da (para tal, consultar especialistas, páginas
na internet e livros especializados).

,GHQWL¿FDomRWD[RQ{PLFD
$LGHQWL¿FDomRWD[RQ{PLFDGDVSDUWHVGH
animais deve ser feita, se possível, até o ní-
vel de espécie, mediante comparação com
PDWHULDOGHFROHo}HVFLHQWt¿FDVLPDJHQV
e fotos disponíveis, bem como, consulta a
especialistas. É importante caracterizar o
grau de endemismo e ameaça, bem como
Figura 7 – Máscara confeccionada com penas de araras, fragmentos de ossos e pedaços de conchas VHDHVSpFLHLGHQWL¿FDGDpQDWLYD

Figura 6 - Colar confeccionado com dentes de macaco

Figura 9 – Máscaras decorativas confeccionadas com madeira, sisal,


Figura 8 – Peça decorativa confeccionada com bico de tucanuçu e escamas de pirarucu, sementes, conchas de bivalves, opérculos e
penas de diversas aves vértebras de peixes

Perícia Federal 11
CRIMES AMBIENTAIS: PCFs GUILHERME DE MIRANDA (GEÓLOGO, BIÓLOGO, MESTRE E DOUTOR EM ECOLOGIA) E DANIEL FERREIRA DOMINGUES (BIÓLOGO, MESTRE EM SAÚDE AMBIENTAL)

Figura 10 – Touca emplumada confecciona- Figura 11 – Leque de occipício, peça decorativa confec- Figura 12 – Diadema emplumado con-
da com penas de diversas espécies de aves cionada com penas de araras, tucanos feccionado com penas de arara e garça

Enquadramento legal blicada na Instrução Normativa nº 03, de de setembro de


)LQDOPHQWHRVSHULWRVGHYHPYHUL¿FDU 27 de maio de 2003 do Ministério do Meio 2000. É impor-
DFLWDomRGHFDGDHVSpFLHLGHQWL¿FDGDQDV Ambiente e Convenção sobre o Comércio tante registrar
OLVWDVR¿FLDLVGHHVSpFLHVDPHDoDGDVRX Internacional de Espécies da Flora e Fauna em que apên-
seja: Lista Nacional das Espécies da Fau- Selvagem em Perigo de Extinção – CITES, dice a espécie
na Brasileira Ameaçadas de Extinção, pu- implementada pelo Decreto nº 3.607, de 21 está citada.
Lembrando que
o Apêndice I do
CITES lista as
espécies mais
ameaçadas
de extinção,
cujo comércio
internacional
p SURLELGR R Figura 13 – Quadro con-
feccionado com penas co-
Apêndice II, as loridas de diversas aves
espécies cujo
comércio deve ser fortemente limitado para
HYLWDUDDPHDoDGHH[WLQomRHR$SrQGLFH
III, que contém as espécies com restrições
parciais ou localizadas de comercialização
em alguns países.
Alguns estados possuem suas próprias
listas de espécies ameaçadas, que tam-
EpPGHYHPVHUYHUL¿FDGDV

Conclusões
A metodologia apresentada vem sendo
utilizada para atender à demanda surgida
DSDUWLUGD2SHUDomR3LQGRUDPDGHÀDJUD
da em 2004, a qual gerou a apreensão de
grande quantidade de artesanato indígena.
Por se tratar de tarefa pericial típica, mi-
nuciosa e detalhista, exige conhecimento
especializado, conseguido por meio de for-
mação acadêmica e consultas a bibliogra-
CBERS/ INPE – DIVULGAÇÃO

¿DHDFROHo}HVFLHQWt¿FDV(VWHWUDEDOKR
dependendo da quantidade de material,
pode se tornar repetitivo, demandando per-
sistência e boa dose de organização para
Figura 14 – Peça decorativa confeccionada com penas de araras e garças, além de pêlo de mico TXHVHMDFRQFOXtGRFRPH¿FLrQFLD

12 Perícia Federal
CRIMES AMBIENTAIS: PCFS MARCELO GARCIA DE BARROS (ENGENHEIRO FLORESTAL, MESTRE EM CIÊNCIAS FLORESTAIS), GUILHERME DE MIRANDA (GEÓLOGO,BIÓLOGO, MESTRE E DOUTOR EM
ECOLOGIA) E FLÁVIO SEGUNDO WAGNER (ENGENHEIRO CIVIL, MESTRE EM CONSTRUÇÃO CIVIL)

Valoração Ambiental
por meio de Sensoriamento Remoto
e Inventários Florestais

O uso de imagens obtidas por sensores


remotos como ferramentas para exames periciais
envolvendo questões de uso da terra é cada vez
mais freqüente e necessário à Criminalística

E
m muitas perícias realizadas em das, bem como sua mensuração utilizando- Em exames que envolvem desmata-
terras, principalmente na Amazô- se bandas do visível e do infravermelho pró- PHQWRVRXWUDGL¿FXOGDGHpDDIHULomRin
nia Legal, o extenso tamanho das ximo, que possibilitam a diferenciação de ti- loco das características quantitativas (vo-
propriedades e a exigüidade de SRV¿WR¿VLRQ{PLFRVHGDFRQGLomRGHFREHU lume, densidade) e qualitativas (florísti-
WHPSRVmRIDWRUHVTXHGL¿FXOWDPDUHDOL]D tura do solo. As imagens têm resolução tem- cas) da vegetação, mesmo através de exa-
ção dos exames necessários. Como possí- poral de 26 dias, permitindo uma análise di- PHVHPSRYRDPHQWRVÀRUHVWDLVDGMDFHQ
vel solução para problemas como este, sur- nâmica das alterações dos alvos naturais. tes, seja pela ausência de vegetação pró-
ge a possibilidade do confronto de alguns Outro fator que está altamente associa- xima ao local, seja pelo demasiado tempo
pontos da realidade observada a campo, do ao desmatamento é a distribuição dos e custo envolvido no referido exame. Toda-
com informações das imagens obtidas por focos de calor, que indicam a ocorrência de via, estas informações são fundamentais
satélites ou outros sensores remotos. Des- queimadas. Informações sobre localização, na constatação de supressão de indivíduos
ta forma, é possível estabelecer associa- data e hora de ocorrência estão facilmente GDÀRUDFRQVLGHUDGRVUDURVYXOQHUiYHLVRX
ções entre observações nas imagens e ob- disponíveis no site www.dpi.inpe.br/proar- ameaçados de extinção, ou mesmo outros
servações in loco com informações sobre co/bdqueimadas/. Essas informações são indivíduos considerados imunes ao corte
a cobertura do solo naquele determinado bastante úteis, visto que o uso do fogo em em razão de normas administrativas ou leis
local. Posteriormente, podem-se estabele- PDWDRXÀRUHVWDDOpPGHHVWDUDVVRFLDGRj federais, estaduais ou municipais.
cer extrapolações para outras áreas seme- ação do desmatamento, é considerado cri- (PUD]mRGDGL¿FXOGDGHVXSUDFLWDGDD
lhantes no restante da imagem. me (Art. 40º da Lei 9.605/1998). O proces- utilização de dados secundários de inven-
CBERS/ INPE – DIVULGAÇÃO

As imagens dos satélites CBERS 2 so de desmatamento ilegal é, em diversos WiULRVÀRUHVWDLVSURGX]LGRVQDUHJLmRSRGH


(www.inpe.br) e dos satélites Landsat 5 e 7 casos, precedido pelo uso ilegal do fogo, ser uma alternativa, desde que estes te-
disponibilizadas pelo SIPAM têm permitido que facilita o processo de supressão da ve- QKDP VLGR UHDOL]DGRV HP ¿WR¿VLRQRPLDV
a constatação de grandes áreas desmata- getação e conversão do uso do solo. semelhantes. Desta maneira, procura-se

Perícia Federal 13
CRIMES AMBIENTAIS: PCFS MARCELO GARCIA DE BARROS (ENGENHEIRO FLORESTAL, MESTRE EM CIÊNCIAS FLORESTAIS), GUILHERME DE MIRANDA (GEÓLOGO,BIÓLOGO, MESTRE E DOUTOR EM ECOLOGIA) E

descrever, da maneira mais próxima à rea-


OLGDGHDVFDUDFWHUtVWLFDVYROXPpWULFDVÀR-
UtVWLFDVHSURGXWLYDVGDVÀRUHVWDVVXSULPL-
das. Tais informações também são úteis, à
medida que servem de base para uma pos-
terior recuperação do ambiente degrada-
do, bem como para uma valoração parcial
do bem ambiental retirado.

Reserva Legal -
8VRVHOHJLVODomRHVSHFt¿FD
Os desmatamentos na Amazônia Legal
só podem ocorrer se devidamente autoriza-
dos pelo órgão ambiental competente e de-
YHPHVWDUSUHFHGLGRVGHLQYHQWiULRÀRUHVWDO
a 100% de todos os indivíduos com Diâme-
tro à Altura do Peito (DAP) maior que 20cm
(Instrução Normativa IBAMA nº 003, de 10
de maio de 2001). Nestas áreas, guarda-
das as ressalvas de preservação de árvo-
res imunes ao corte, protegidas em área de
reserva legal e em áreas de preservação
permanente, a vegetação nativa de cerrado
pode ser suprimida para conversão ao uso
alternativo do solo. No entanto, tais áreas
vêm sendo desmatadas sem qualquer au-
torização de órgãos competentes.
Quanto às reservas legais, estas são
áreas localizadas no interior de uma proprie-
dade ou posse rural, excetuada a Área de
Preservação Permanente (APP), necessá-
ria ao uso sustentável dos recursos naturais,
à conservação e reabilitação dos processos
ecológicos, à conservação da biodiversi-
GDGHHDRDEULJRHSURWHomRGHIDXQDHÀR-
ra nativas (MP 2166-67, Art. 1º, § 2º, Inciso
III). A vegetação da reserva legal não pode

Foto 01 – Local desmatado onde ocorreu plantio de soja e indivíduo Foto 02 – Aspectos da vegetação que ocorria no local em momento
testemunha do estágio em que se encontrava a vegetação suprimida anterior ao desmatamento

14 Perícia Federal
IA) E FLÁVIO SEGUNDO WAGNER (ENGENHEIRO CIVIL, MESTRE EM CONSTRUÇÃO CIVIL)

Figura 01 - Avaliação multitemporal entre ima-


gens de março e setembro de 2004. Note-se
que na imagem de março/2004 a vegetação
nativa encontra-se um pouco mais escura,
enquanto áreas com solo exposto e vegeta-
ção mais esparsa apresentam um padrão mais
FODURGHUHÀHFWkQFLD1DLPDJHPGHVHWHP-
bro/2004, as áreas circunscritas à fazenda se
tornam claras e são detectados vários focos
de calor entre setembro e outubro do mesmo
ano, indicando a ocorrência de desmatamen-
to seguido de queimada continuada

PHQWRDPELHQWDOH9DSUR[LPLGDGHFRP
outra reserva legal, área de preservação
permanente, unidade de conservação ou
outra área legalmente protegida (MP 2166-
67 , Art. 16º, § 4º, Incisos I a V).

Imagens de sensores remotos


e dados de queimadas na constatação
dos desmatamentos
A mensuração das áreas desmatadas,
constatadas neste trabalho, foi realizada a
partir da interpretação de imagem do saté-
lite Landsat 5, de maio de 2005, composi-
ção (RGB): 4 (visível), 5 (infravermelho mé-
dio) e 3 (vísível), sensor TM 7KHPDWLFPD-
pper) e imagens do satélite CBERS 2, data-
das de março e setembro de 2004, e junho
de 2006, composição (RGB) 4 (infraverme-
lho próximo), 3 (visível) e 2 (visível), sensor
CCD, disponibilizadas pelo Instituto Nacio-
nal de Pesquisa Espacial - INPE no sítio da
internet http://www.inpe.br. As imagens fo-
ram realçadas por contraste linear, recor-
tadas e projetadas no sistema de coorde-
nadas UTM, GDWXP SAD 69 Brasil, através
ser suprimida, podendo apenas ser utilizada no mínimo, vinte por cento na propriedade do programa (UGDV,PDJLQH, versão 9.0, no
VREUHJLPHGHPDQHMRÀRUHVWDOVXVWHQWiYHO e quinze por cento na forma de compensa- VHQWLGRGHHYLGHQFLDUDVPRGL¿FDo}HVWHP-
de acordo com princípios e critérios técnicos ção em outra área, desde que localizada na porais nos alvos naturais (solos, vegeta-
HFLHQWt¿FRVHVWDEHOHFLGRVHPUHJXODPHQWR mesma microbacia (MP 2166-67, Art. 16º, ção, áreas agrícolas, etc).
(MP 2166-67, Art. 16º, § 2º). caput, Inciso III). As Áreas de Preservação A fazenda examinada está localizada
Apesar de sua importância, a inobser- Permanente somente poderão ser contabi- no município de Darcinópolis, ao norte do
vância das leis que as protegem vem per- lizadas se o somatório da reserva legal e da estado do Tocantins. Totaliza uma área de
mitindo que estas áreas sejam atingidas área de preservação permanente exceder aproximadamente 435 ha, dos quais 318 ha
freqüentemente. É importante ressaltar a 80% do total da área da propriedade agrí- (73% do total da área da fazenda examina-
que em razão de seus objetivos e funcio- cola (MP 2166-67, Art. 16º, § 6º, Inciso I). da) foram ocupados por plantio de soja após
nalidades, as reservas legais também po- A localização da reserva legal deve ser o desmatamento (Foto 01 e Figura 01). Por
dem ser consideradas áreas de especial aprovada pelo órgão ambiental estadual estar inserida na Amazônia Legal o desma-
preservação, sendo considerado crime sua competente ou, mediante convênio, pelo ór- tamento autorizado só poderia abranger
GHVWUXLomRHGDQL¿FDomR $UWžGD/HL gão ambiental municipal ou outra instituição uma área equivalente a 65% do total da área
9.605/1998). devidamente habilitada, devendo ser consi- da fazenda. Os solos observados no local
No caso do cerrado localizado na re- derados, no processo de aprovação, a fun- são da classe Neossolo quartzarênico, apre-
gião da Amazônia Legal, o Código Florestal ção social da propriedade e os seguintes cri- VHQWDQGRDOWDUHÀHFWkQFLDTXDQGRH[SRVWRV
Brasileiro exige a manutenção de uma área térios e instrumentos, quando houver: I - o (Figura 02). A vegetação adjacente é típica
de reserva legal com vegetação nativa, que SODQRGHEDFLDKLGURJUi¿FD,,RSODQRGLUH- de cerrado VWULFWRVHQVXcom presença de
corresponda a trinta e cinco por cento da WRUPXQLFLSDO,,,R]RQHDPHQWRHFROyJLFR H[HPSODUHVQDWLYRVGHVWD¿WR¿VLRQRPLDWDLV
área total da propriedade, sendo permitido, HFRQ{PLFR,9RXWUDVFDWHJRULDVGH]RQHD como$QDGHQDQWKHUDsp. (angico)'LPRU-

Perícia Federal 15
CRIMES AMBIENTAIS: PCFS MARCELO GARCIA DE BARROS (ENGENHEIRO FLORESTAL, MESTRE EM CIÊNCIAS FLORESTAIS), GUILHERME DE MIRANDA (GEÓLOGO,BIÓLOGO, MESTRE E DOUTOR EM ECOLOGIA) E

Figura 02 $OWDUHÀHFWkQFLDQDVLPDJHQV
dos anos de 2005 e 2006, na área circuns-
crita à Fazenda Itaguaçu, indicando a pre-
sença de solo arenoso exposto após a su-
pressão de vegetação ocorrida entre mar-
ço e setembro de 2004. Ao lado direito da
área desmatada constata-se a presença de
remanescente de cerrado stricto sensu

SKDQGUDPROOLV(faveira),'DOEHUJLDPLVFROR-
ELXP(jacarandá-do-cerrado)6WU\SKQRGHQ-
GURQDGVWULQJHQV(barbatimão)4XDOHDSDU-
YLÀRUD(pau-terra)&DU\RFDUEUDVLOLHQVH(pe-
qui)entre outros (Foto 02). Também ocor-
rem remanescentes de mata de galeria, que
pYHJHWDomRÀRUHVWDOTXHDFRPSDQKDQDWX-
ralmente os cursos d’água.
Os indícios de queimadas foram anali-
sados por meio das informações sobre fo-
cos de calor disponibilizadas pelo sítio da
internet www.inpe.br/queimadas, que apre-
senta continuamente a localização dos fo-
cos evidenciados pela banda termal de vá-
rios satélites meteorológicos e de monito-
ramento. Foram analisadas informações
da localização e data de ocorrência dos fo-
cos de calor no município de Darcinópolis,
entre 2004 e 2006. Os mapas com imagens
e vetores foram elaborados com auxílio do
programa ArcGIS, versão 9.1 e o memorial
descritivo da fazenda foi digitalizado com
ajuda do programa GPS Trackmaker Pro-
fessional, v. 4.0.

Estimativa do valor econômico


em razão do desmatamento
$TXDQWL¿FDomRGRYDORUGHXVRGLUHWR
dos produtos do desmatamento baseou-
se nos valores da publicação: Produção da que representaria o custo parcial de repara- A estimativa do custo de revegetação
Extração Vegetal e da Silvicultura (IBGE, omRGRGDQR3DUDDTXDQWL¿FDomRGRYDORU de 1 hectare de Cerrado, stricto sensu, le-
2004), com informações sobre o valor de de uso indireto da vegetação, foi utilizado o vou em consideração: 1) a densidade das
FRPHUFLDOL]DomRGHSURGXWRVÀRUHVWDLVSDUD Modelo de Valoração Econômica em Uni- iUYRUHVHPXPDFRQGLomRQDWXUDO RSUH-
RPXQLFtSLRGH'DUFLQySROLV,QYHQWiULRVÀR- dades de Conservação (IBAMA, 2002), que oR GH PXGDV QDWLYDV HP YLYHLURV ÀRUHV-
restais da região norte do Tocantins foram valora parte dos serviços ambientais indire- WDLV DPmRGHREUD DEHUWXUDGHFRYDV
utilizados, com objetivo de possibilitar com- tos prestados anualmente pela vegetação DGXEDJHPFRUUHomRSODQWLR  RFRQ-
SDUDo}HV¿WR¿VLRQ{PLFDVEHPFRPRSRV- de cerrado, por unidade de área. Este valor WUROHGHIRUPLJDVFRUWDGHLUDVH DFRP-
sibilitar a estimação indireta do volume de foi extrapolado para as áreas de reserva le- panhamento técnico (coroamento, aduba-
madeira suprimido/retirado. Informações gal onde ocorreram os desmatamentos. ção de cobertura, replantio, visitas técni-
como a ocorrência de possíveis espécies Para o cálculo do valor do bem ambien- cas por 3 anos. Chegou-se a um valor de
proibidas de corte ou ameaçadas de extin- tal, optou-se por calcular parte do valor de R$ 3.633,85 para recuperação de um hec-
ção (Portaria IBAMA Nº 37-N, de 3 de abril uso direto (lenha + toras), do valor de uso tares de Cerrado stricto sensu.
de 1992) também foram analisadas a partir indireto (serviços ambientais prestados No Modelo de Valoração Econômi-
GRVLQYHQWiULRVÀRUHVWDLV pelo bem ambiental) e do valor de reposi- ca em Unidades de Conservação, a es-
Também foram calculados os custos de ção (custo de reposição do bem retirado), timativa parcial do valor das Funções
UHSRVLomRÀRUHVWDOSDUDD¿WR¿VLRQRPLDFHU- bem como a soma destes valores, que re- Ambientais para o Cerrado, no período
rado stricto sensu, nos casos onde ocorreu presentaria, ainda assim, somente parte do de um ano, para uma área de 1 hecta-
a supressão de vegetação em área de re- valor do bem ambiental. A síntese de todos re de cerrado stricto sensu, contabilizou
serva legal para conversão do uso do solo, os valores está disponível na Tabela 01. serviços que deixaram de ser prestados

16 Perícia Federal
IA) E FLÁVIO SEGUNDO WAGNER (ENGENHEIRO CIVIL, MESTRE EM CONSTRUÇÃO CIVIL)

do para a região de Darcinópolis, no ano


de 2004. Através destes valores, foi possí-
vel estimar o valor de mercado dos produ-
WRVÀRUHVWDLVRULXQGRVGRVGHVPDWDPHQ-
tos das fazendas examinadas, tanto para
a área da reserva legal quanto das de-
mais áreas desmatadas, conforme dispos-
to a seguir: 1) média do volume da catego-
ria tora: 2,9% do volume total da madeira
VXSULPLGD PpGLDGRYROXPHGDFDWHJR-
ULDOHQKDGRYROXPHWRWDO PpGLD
do volume da categoria lapidados/lascas:
3,8% do volume total. Os preços constata-
GRVSDUDRVSURGXWRVÀRUHVWDLVIRUDPD OH-
nha: R$ 2,94/m3E WRUD5P3HF 
lascas/lapidados: sem valor de mercado. A
estimativa de erro do valor calculado se dá
em razão dos erros estatísticos inerentes
DRVLQYHQWiULRVÀRUHVWDLVTXHVHUYLUDPGH
base para estimativa do volume retirado na
Fazenda Itaguaçu.

Conclusões
A interpretação das imagens de satéli-
tes em diferentes momentos, aliada à ver-
dade de campo, constatada in loco, de-
monstraram que os exames diretos e indi-
retos na constatação de desmatamentos
são fundamentais e complementam-se. A
gama de informações prontamente dispo-
níveis e gratuitas, tais como as imagens de
satélite e informações georeferenciadas
dos focos de calor, ambas disponibilizadas
pelo INPE, são facilitadores da elaboração
de exames que envolvam desmatamentos
na Amazônia Legal, bem como em outras
regiões do país. A utilização de dados se-
FXQGiULRVGHLQYHQWiULRVÀRUHVWDLVUHDOL]D-
com o desmatamento, sejam eles: a re- tes serviços totalizaram uma quantia de dos em regiões limítrofes, que apresentem
gulação da atmosfera, a regulação das R$ 663,12 /ha.ano. VHPHOKDQoDV¿WR¿VLRQ{PLFDVGHPRQVWURX
águas, o controle de erosão, a formação $WUDYpVGRVGDGRVGRVLQYHQWiULRVÀR- ser uma alternativa para avaliar o grau de
do solo, a reciclagem de nutrientes, o tra- restais também foi estimada a média dos intensidade do dano, como também no au-
tamento de rejeitos, a polinização, o con- volumes dos produtos oriundos da extra- xílio da estimativa do valor parcial do bem
trole biológico e a recreação. Todos es- ção vegetal, bem como o valor de merca- ambiental suprimido.

Valor de uso
Área Valor de uso direto Custo de
Fazenda indireto (serviços Total (R $)
(categoria) (lenha + tora) Reposição
ambientais)
Reserva
1.844,00 ± 318,66 23.083,20 126.494,3 151.421,50 ± 318,66
legal
Itaguaçu
Área
15.007,87 ± 2.593,53 ___ ___ 15.007,87 ± 2.593,53
agrícola
Total 166.429,37 ± 2.912,19

Tabela 01 9DORUHVGHXVRGLUHWRLQGLUHWRFXVWRGHUHSRVLomRHYDORUWRWDOGRVEHQVDPELHQWDLVVXSULPLGRVSHORVGHVPDWDPHQWRVYHUL¿FDGRV
em 34,8 ha em reserva legal e 283,3 ha em área agrícola

Perícia Federal 17
CRIMES AMBIENTAIS: PCF MAURO MENDONÇA MAGLIANO (ENGENHEIRO FLORESTAL E ESPECIALISTA EM GEOPROCESSAMENTO)

Uso de imagens
de satélites
na Criminalística
Diariamente divulgadas nas previsões
meteorológicas, as imagens de satélite
ganharam grande popularização entre os
usuários de Internet, a partir do lançamento
do aplicativo Google Earth. Entretanto,
diferentemente dos peritos criminais, a
grande maioria dos usuários não tem a
missão de compreender o processo de
aquisição, as potencialidades e as limitações
da tecnologia de Sensoriamento Remoto

18 Perícia Federal
O
termo “imagens de satélites” tem WDDLGHQWL¿FDomRGHDOYRVQDVXSHUItFLHWHU- PHQWRGD'LUHWRULDGR6HUYLoR*HRJUi¿FR
sido amplamente difundido, em restre, baseada no comportamento espec- do Exército Brasileiro e IBGE), e as atuali-
razão de sua utilização pela mí- tral dos alvos. Encontram-se nesta cate- zações são encontradas nos órgãos esta-
dia e por pessoas leigas em sen- goria as imagens produzidas por câmeras duais e municipais de planejamento.
soriamento remoto, expressão esta mais IRWRJUi¿FDVGHDHUROHYDQWDPHQWRVHLPD-
DGHTXDGDHXWLOL]DGDQRPHLRFLHQWt¿FR gens multiespectrais ou hiperespectrais de Imagens multiespectrais
O sensoriamento remoto é o conjunto de sensores a bordo de satélites comerciais Produzidas por sensores com capaci-
técnicas que possibilitam a extração de in- (LANDSAT, CBERS, IKONOS, ASTER). dade de registrar imagens em mais de um
formações de determinado objeto, sem que intervalo de comprimento de onda (banda
haja o contato físico entre o sensor e o alvo Imagens Termais HVSHFWUDO $VVLPFRPRDVIRWRJUD¿DVDpUH-
(objeto), não necessariamente utilizando- Utilizam a radiação emitida pelos obje- as, apresentam limitações de imageamen-
se de um satélite, sendo também bastante tos terrestres com comprimento de onda to quando ocorre cobertura de nuvens na
comum o uso de aeronaves. entre 8,0 a 14,0 μm (infravermelho termal), área a ser imageada. A característica mais
2VVDWpOLWHVDUWL¿FLDLVVmRSODWDIRUPDV cuja intensidade é função da sua tempe- importante é a resolução espacial, que dá
lançadas na órbita terrestre que, no caso ratura de superfície. Na região do infraver- uma idéia da escala possível para as análi-
de satélites de imageamento, podem trans- melho médio (3,0 a 5,0 μm), somente alvos ses criminalísticas. Dividem-se em:
portar sensores. Há diversos outros usos com elevadas temperaturas, como vulcões
  Baixa resolução espacial
para as plataformas de satélites, tais como ou incêndios, podem ser detectados, pois
(dimensões do pixel: 50 a 1.000 metros)
missões exploratórias espaciais, estudos HPLWHPHQHUJLDVX¿FLHQWHSDUDHVWLPXODUR
Ex. MODIS/TERRA, LANDSAT 3, NOAA
meteorológicos, telecomunicação, geopo- sensor. O sensor (QKDQFHG7KHPDWLF0D-
  Média resolução espacial
sicionamento e, também, as de uso militar, pper – ETM, a bordo do satélite LANDSAT
(dimensões do pixel: 10 a 30 metros)
que não serão abordados neste trabalho. e o sensor MODIS, a bordo do satélite Ter-
Ex. LANDSAT 5, LANDSAT 7, SPOT4,
As informações de elementos ou fenô- ra/Acqua, por exemplo, possuem bandas
CBERS-2, ASTER
menos terrestres são obtidas a partir de ca- HVSHFt¿FDVSDUDSURGX]LULPDJHQVWHUPDLV
  Alta resolução espacial
racterísticas físicas, tais como forma, volu-
(dimensões do pixel: 0,5 a 5 metros)
PHWHPSHUDWXUDPRYLPHQWRUHÀHFWkQFLD Imagens por Microondas
Ex. IRS, SPOT5, IKONOS, QUICKBIRD
ou composição química das substâncias Conhecidas genericamente como ima-
ou elementos formadores do alvo. A inter- gens de radar, as imagens por microondas Em razão de sua maior disponibilidade,
pretação das informações é normalmente XWLOL]DPIRQWHVDUWL¿FLDLVGHUDGLDomRHOHWUR- as imagens multiespectrais são as mais uti-
feita a partir de uma imagem produzida pe- magnética com comprimento de onda que lizadas na Criminalística. Como alternativas
los registros do sensor. varia de 1 mm a 100 cm. Em razão do com- de obtenção dessas imagens, o SIPAM tem
A observação de fenômenos naturais, primento de onda e da baixa energia eletro- VLGRXPH¿FLHQWHSDUFHLURSDUDDUHJLmRGD
alterações ou fatos ligados à atividade hu- magnética, os radares privilegiam o estudo Amazônia Legal. O IBAMA e o INCRA tam-
PDQDWDLVFRPRHGL¿FDo}HVPRGL¿FDo}HV da forma dos alvos em detrimento de seu bém possuem acervos de imagens em áre-
do ambiente natural ou disposição de al- comportamento espectral. Por outro lado, as de competência comum às da Polícia Fe-
vos, em dado momento, são comumente são capazes de operar em condições at- deral. Os satélites do programa LANDSAT
de interesse da Criminalística. O sensoria- mosféricas adversas, com ou sem luz solar. geraram o maior acervo mundial de ima-
mento remoto por satélites possibilita o re- O RADARSAT é um satélite comercial que gens multiespectrais, que são distribuídas
gistro de imagens com precisão, periodici- produz imagens radar orbitais, e o Sistema no Brasil pelo Instituto Nacional de Pesqui-
dade e comportamento espectral (radiomé- de Proteção da Amazônia (SIPAM) opera o sas Espaciais – INPE, que também é res-
WULFR GLYHUVL¿FDGRVFDUDFWHUtVWLFDVTXHSR- sensor SAR aerotransportado. ponsável pela disponibilização on-line e
dem auxiliar estudos criminalísticos. gratuita das imagens do satélite sino-bra-
IMAGENS MAIS COMUNS sileiro de recursos terrestres – CBERS-2
OS TIPOS DE IMAGENS USADAS NA CRIMINALÍSTICA (http://www.dgi.inpe.br/CDSR/). Alguns VL-
WHV da Internet também disponibilizam gra-
Imagens Óticas )RWRJUD¿DV$pUHDV tuitamente imagens LANDSAT, tais como
São produzidas no campo do sensoria- Utilizam como plataforma uma aeronave o http://glcf.umiacs.umd.edu/index.shtml,
mento remoto passivo, em que as varia- DGDSWDGDFRPFkPHUDVIRWRJUi¿FDVHVWDEL- http://www.landsat.org/ortho/index.htm, ht-
ções da radiação eletromagnética refle- lizadas e captam imagens em toda a ban- tps://zulu.ssc.nasa.gov/mrsid/. Estas ima-
tida do sol são convertidas nos diferentes da visível (0,38 a 0,76 μm), podendo ain- gens possuem larga aplicação nas investi-
SL[HOV de uma imagem. As imagens óticas da alcançar uma parte da banda do infra- gações periciais.
são produzidas na região do espectro ele- vermelho próximo (0,76 a 0,9 μm). Com a
tromagnético com comprimentos de onda sobreposição de imagens e com auxílio de Sensores Hiperespectrais
da faixa do visível (0,38 a 0,76 μm) e em al- um estereoscópio é possível reproduzir ar- A evolução do imageamento multiespec-
gumas regiões da faixa do infravermelho WL¿FLDOPHQWHDYLVmRELQRFXODUQDWXUDOGRWD- tral culminou com o desenvolvimento de sen-
(0,77 a 14 μm), em que a atmosfera não im- da de percepção em 3 dimensões. sores hiperespectrais, contendo várias de-
SHGHDPHQVXUDomRGDUHÀHFWkQFLDGRVDO- Para utilização no Sistema Nacional de zenas de estreitas bandas no espectro do vi-
vos pelo sensor. A visualização simultânea Criminalística, a obtenção destes produtos sível e do infravermelho. Esta alta resolução
de um alvo com sensores calibrados em di- pIHLWDSULQFLSDOPHQWHMXQWRDRVyUJmRVR¿- espectral possibilita reproduzir feições ca-
ferentes comprimentos de onda possibili- FLDLVGHFDUWRJUD¿D 'LYLV}HVGH/HYDQWD- UDFWHUtVWLFDVGDUHÀHFWkQFLDGHDOYRVWHUUHV-

Perícia Federal 19
CRIMES AMBIENTAIS: PCF MAURO MENDONÇA MAGLIANO (ENGENHEIRO FLORESTAL E ESPECIALISTA EM GEOPROCESSAMENTO)

WUHVSDUDDLGHQWL¿FDomRGHVHXVPDWHULDLV riência visual, deve


constituintes, à semelhança do que se pode ser baseada em co-
fazer com espectrômetros de laboratório. QKHFLPHQWRFLHQWt¿FR
Suas aplicações na Criminalística são e com a cautela pró-
extremamente promissoras, no entanto a pria da atividade pe-
baixa disponibilidade de imagens hiperes- ricial. Ferramentas
pectrais ainda limita sua utilização. O SI- como o Google Ear-
PAM recentemente iniciou a utilização de WK apresentam ex-
um sensor hiperespectral aerotransportado celentes aplicações
com 50 bandas. no planejamento e
no reconhecimen-
Imagens Termais to de áreas já visita-
Utilizadas principalmente para avaliar das em perícias, po-
as oscilações de temperatura no oceano, e rém não podem ser
LGHQWL¿FDUDOYRVFRPDOWDWHPSHUDWXUDFRPR utilizadas como ex-
vulcões e incêndios. Há serviços gratuitos clusivo meio de prova
GHLGHQWL¿FDomRJHRUHIHUHQFLDGDGHIRFRV pericial devido à in-
de calor extraídos das imagens, úteis em pe- certeza das datas de
UtFLDVGHLQFrQGLRVÀRUHVWDLVQRVtWLRhttp:// aquisição e em razão
www.dpi.inpe.br/proarco/bdqueimadas. Al- de restrições da sua Figura 1 – Exemplo de imagem SAR obtida pela aeronave do SIPAM
guns satélites multiespectrais também pos- licença de uso. nos municípios de Apuí e Novo Aripuanã
suem uma banda termal, útil na estimativa
de temperatura radiante e temperatura ab- Perícias de crimes ambientais A possibilidade de avaliação da mesma
soluta de alvos terrestres ou oceânicos. A maior disponibilidade de imagens de área em diferentes épocas (imagens mul-
baixa e média resolução incentivou mun- titemporais) auxilia a perícia na apresenta-
Imagens por Microondas dialmente as pesquisas e aplicações so- ção da dinâmica dos fatos e ainda possibili-
Utilizadas especialmente quando as bre reconhecimento de recursos natu- ta exames indiretos em locais onde se veri-
condições atmosféricas não permitem o re- rais e fenômenos ambientais. Para a Cri- ¿FDORQJRGHFXUVRGHWHPSRHQWUHRIDWRLQ-
conhecimento das feições por meio de ima- minalística, a aplicação de sensoriamen- vestigado e os exames periciais.
gens óticas, nas ocasiões onde não impor- to remoto também se desenvolve prio- Pode-se, por meio da utilização adequa-
ta o comportamento espectral dos alvos e ritariamente na área de crimes contra da de dados dos sensores, caracterizar e
sim a sua distinção pela forma. Muito úteis o meio ambiente. TXDQWL¿FDUDGHJUDGDomRDPELHQWDOGHFRU-
para imageamento na bacia amazônica, Com auxílio de tecnologias de senso- rente de desmatamento, extração mineral,
com grande ocorrência de nuvens. riamento remoto, de Sistemas de Infor- poluição, ocupação de áreas protegidas,
mações Geográficas e posicionamento bem como avaliar o efeito do dano ambien-
PRINCIPAIS APLICAÇÕES via GPS, largo espectro de perícias am- tal sobre áreas limítrofes.
EM CRIMINALÍSTICA bientais pode ser realizado, diminuindo o
tempo dos exames de local e ampliando a Perícias de Engenharia
A utilização das imagens de sensoria- compreensão de fenômenos associados As perícias de crimes relacionados a
mento remoto, além dos limites da expe- ao crime ambiental. obras de engenharia podem servir-se do

Figura 2±,GHQWL¿FDomRGHFDVFDOKHLUDV OLQKDVDPDUHODV HP$33GH Figura 3 – Exemplo de imagem Multiespectral do satélite LANDSAT
bordas de chapada (linha violeta) utilizando imagem pancromática de ETM 7. A imagem ilustra o fenômeno da insularização do Parque Na-
aerofotogrametria (ortofotocarta) no Distrito Federal cional de Brasília, devido à ocupação urbana de seu entorno

20 Perícia Federal
Figura 4 – Detecção de alterações em área minerada no Distrito Federal Figura 6 – Imagem IKONOS PSM 1m da hidrelétrica de Itaipu Binacio-
entre 1988 e 1999, utilizando LANDSAT TM na banda 5 nal. Cortesia ENGESAT/Space Imaging

Figura 7 – Exemplo de imagem QuickBird, com 0,6 metros de resolução


espacial. É possível registrar, por exemplo, a presença de material are-
noso no asfalto, o número de caminhões e a disposição de elementos
Figura 5±,GHQWL¿FDomRGHGHVPDWDPHQWRV SROtJRQRVDPDUHORV QR no canteiro de obra, e outros detalhes que podem ser obtidos por meio
interior de área indígena em Rondônia, utilizando o LANDSAT 5 de softwares apropriados. Cortesia Digital Globe

sensoriamento remoto para medições de dos satélites IKONOS e QUICKBIRD que de local e ampliando a compreensão de fe-
estradas, barragens e reservatórios, ava- disponibilizam comercialmente imagens nômenos associados ao crime ambiental.
liação de empreendimentos agropecuários, com 1 metro e 0,6 metro de resolução es- A consolidação destas ferramentas no
implantação de indústrias, entre outras. Na pacial, respectivamente. Estas imagens Sistema Nacional de Criminalística con-
maior parte dos casos, imagens de alta re- SRVVLELOLWDPDLGHQWL¿FDomRGHIHLo}HVRX tribuiu para a realização de perícias com
solução espacial (menor que 1 metro) são HVWUXWXUDVFXMRFRPSRUWDPHQWR¿FDSHUHQL- maior riqueza de informações, especial-
necessárias para auxiliar a adequada ca- zado na imagem registrada em uma deter- mente na análise de crimes ambientais,
racterização e distribuição espacial de edi- minada data. uma vez que a maioria dos sensores está
¿FDo}HVHQTXDQWRLPDJHQVGHPpGLDUHVR- calibrada para este tipo de aplicação.
OXomR HQWUHHPHWURV VmRVX¿FLHQWHV Conclusões
para grandes empreendimentos agrope- As imagens obtidas por meio do senso-
cuários, mensuração de estradas e barra- riamento remoto orbital, além daquelas tra- %LEOLRJUD¿DFRQVXOWDGD
gens. Estas aplicações foram objeto de ar- dicionalmente obtidas na aerofotograme-
WLJRHVSHFt¿FRGHDXWRULDGRV3&)V:LOOLDP tria, são importantes ferramentas para a 1. Menezes, P.R. Fundamentos de Senso-
riamento Remoto. Texto Universitário do
Gripp e Clayton Couto, publicado na revista perícia criminal, podendo ser utilizadas em Curso de Extensão em Geoprocessamen-
Perícia Federal nº23. perícias de crimes ambientais, crimes en- to. 114p. UnB, Brasília, 2005.
volvendo obras de engenharia e exames 2. RESTEC – Remote Sensing Technology
Perícias de Local de Crime em locais de crimes. Center of Japan. Teaching material of
Os exames de local que exigem descri- Com auxílio de tecnologias de sensoria- Remote Sensing Technology Course
III. Tokyo, 2005.
ção detalhada dos componentes da cena mento remoto, de Sistemas de Informações 3. www.inpe.br acessada em setembro de
do crime podem ser auxiliados pelas ima- *HRJUi¿FDVHSRVLFLRQDPHQWRYLD*36ODU- 2005.
gens com resolução espacial menor que go espectro de perícias ambientais tem sido 4. www.engesat.com.br acessada em se-
1 metro. Atualmente, há sensores a bordo realizado, diminuindo o tempo dos exames tembro de 2005.

Perícia Federal 21
CRIMES AMBIENTAIS: PCF WILLIAM GOMES GRIPP (ENGENHEIRO CIVIL, MESTRE EM HIDRÁULICA E SANEAMENTO E DOUTOR EM ENGENHARIA AMBIENTAL)

Constatação
de dano ambiental
na disposição de resíduos sólidos domiciliares
Aspectos relevantes do exame de local
Apenas 12,8% dos municípios brasileiros possuem aterro sanitário e,
nestes, muitos são mantidos em condições operacionais insatisfatórias

A
situação dos resíduos sólidos
no Brasil é considerada bas-
tante precária, especialmen-
te do ponto de vista ambien-
tal. Geram-se cerca de 200.000 ton/dia
somente de resíduos sólidos domicilia-
res (RSD) que deveriam estar sendo
dispostos em aterros sanitários*
construídos e operados den-
tro das normas vigentes
(YHU¿JXUD).
Há vários siste-
mas construtivos (ver
quadro explicativo)
que podem ser utiliza-
dos na concepção de um
aterro sanitário adequa-
do à comunidade a ser aten-
dida e com os dispositivos ne-
cessários para minimizar seu im-
pacto no ambiente. Tais impactos
abrangem, por exemplo, a conta-
PLQDomRGDViJXDVVXSHU¿FLDLVH
subterrâneas causada pelo lixivia-
do e chorume produzido na decom-
SRVLomRGROL[RDHPLVVmRGHJDVHV
SROXHQWHVHDSUROLIHUDomRGHYHWRUHV
(ratos, insetos, etc) de doenças prejudi-
ciais à saúde humana.

* Aterro sanitário – Técnica de desti-


Figura 01 QDomR¿QDOGHUHVtGXRVVyOLGRVQRVRORSRU
Distribuição PHLRGHFRQ¿QDPHQWRHPFDPDGDVFREHU-
espacial das tas com material inerte, segundo normas
formas de HVSHFt¿FDVGHPRGRDHYLWDUGDQRVRXULV-
disposição de cos à saúde e à segurança, minimizando os
RSD no Brasil, impactos ambientais. (Anvisa)
por município

22 Perícia Federal
Sistemas construtivos mais comuns de aterros sanitários
Sistema de Valas: indicado para pequenas comunidades, pois necessita de pouco equi-
pamento na implantação e, esporadicamente, na sua operação.

Sistema de Trincheiras: técnica mais apropriada para terrenos que sejam planos ou
pouco inclinados e onde o lençol freático esteja situado a uma profundidade adequada
em relação à superfície. É mais usado em cidades de médio porte, pois necessita de
maquinário pesado na implantação e de equipamentos leves, mas de uso contínuo, na
sua operação. (Foto 2)

Sistema de Rampas: indicado quando a área a ser aterrada possui encostas, vales ou
depressões naturais. Técnica utilizada em cidades de grande porte, pois maximiza a
utilização da área. Necessita de maquinário pesado tanto na implantação como na sua
operação. (Foto 3)

Foto 02 – Construção de um aterro sanitário


do tipo trincheira

Foto 03 – Vista de um aterro tipo rampa

Poluição hídrica
No que se refere à poluição hídrica por
metais e compostos orgânicos (aromáti-
cos, halogenados, pesticidas, etc...) cau-
sada pela disposição incorreta de RSD,
esta acontece em razão da existência des-
ses contaminantes nos mais variados ti-
pos de resíduos gerados nos imóveis re-
sidenciais e comerciais (medicamentos,
biocidas, detergentes, limpadores, tintas,
embalagens diversas, pilhas e bateriais,
etc.). A água de chuva, bem como aquela
gerada pela própria degradação anaeróbi-
ca da matéria orgânica (chamada de cho-
rume), potencializa a solubilização e lixi-
viação desses compostos, que percolam
SHODPDVVDGRDWHUURSRGHQGRLQ¿OWUDUQR
solo e contaminar o lençol freático ou se-
rem carreados para um corpo d’água da
bacia de drenagem do local.
A carga orgânica (demanda bioquími-
ca de oxigênio – DBO5) do líquido percola-
do de aterros também é fonte de poluição
hídrica, podendo chegar a 70.000 mg/l, ou
Foto 01 – Além do dano aos recursos naturais, a disposição irregular de resíduos potencializa seja, cerca de 50 vezes maior que a DBO5
a exposição do ser humano a situações degradantes e potencialmente danosas à saúde do esgoto doméstico.

Perícia Federal 23
CRIMES AMBIENTAIS: PCF WILLIAM GOMES GRIPP (ENGENHEIRO CIVIL, MESTRE EM HIDRÁULICA E SANEAMENTO E DOUTOR EM ENGENHARIA AMBIENTAL)

Em vários estados brasileiros, os ór- FpOXODGHOL[RGL¿FXOWDQGRDDomRGHPDFUR te nos níveis de background do corpo re-
gãos de controle ambiental exigem o pré- HPLFURYHWRUHVRFRQWUROHGHDFHVVRSDUD ceptor, o que pode induzir a erros na avalia-
YLRWUDWDPHQWRGRVHÀXHQWHVLQGXVWULDLVDQ- HYLWDUDDomRGHFDWDGRUHVDPDQXWHQomR ção de uma eventual contaminação ou não.
tes do seu lançamento nos corpos d’água das trilhas internas com cascalho, viabili- Análises quantitativas, segundo técni-
ou na rede coletora de esgotos, inclusive zando a operação do aterro mesmo em pe- FDVHVSHFt¿FDVWDPEpPSRGHPVHUUHD-
com a necessidade de se atender aos Pa- UtRGRVFKXYRVRVRXWURVGHWDOKHVRSHUDFLR- lizadas em águas subterrâneas, no solo,
drões de Emissão (nível máximo permitido nais (execução de drenos, taludes, imper- HPVHGLPHQWRVGDViJXDVVXSHU¿FLDLVH
de concentração ou de características físi- meabilização, etc). na biota aquática impactada. No entanto,
cas) de dezenas de compostos e indicado- c. Infra-estrutura: cercamento da área DDXVrQFLDGHQRUPDVTXHGH¿QHPRVOL-
UHVGRHÀXHQWHDRORQJRGRWHPSRRXVHMD FRPWHODRXRXWURGLVSRVLWLYRVLPLODUVLVWH- mites máximos legais admissíveis para
considerando os aspectos sazonais do re- ma de impermeabilização de fundo, poden- os contaminantes do solo, dos sedimen-
gime de vazão do despejo, não sendo per- do ser de solo argiloso compactado com ou tos, das águas subterrâneas, etc., fragi-
mitida a sua diluição antes do lançamento. sem manta sintética, a depender do siste- liza as conclusões quanto aos danos po-
(QWUHWDQWRPHVPRWUDWDGRRHÀXHQWH PDFRQVWUXWLYRVLVWHPDGHGUHQDJHPGH tenciais à saúde humana ou aos recur-
só pode ser lançado em córregos ou rios se águas pluviais, que visa desviar a água de sos naturais que uma área de disposição
a alteração das diversas propriedades físi- FKXYDGDVFpOXODVGHOL[RVLVWHPDGHGUH- irregular de resíduos sólidos domiciliares
co-químicas do corpo receptor, causadas nagem de líquidos percolados coletando e estaria provocando.
SRUHVVHGHVSHMRQmRPRGL¿FDUDVXD&ODV- HQYLDQGRRFKRUXPHSDUDWUDWDPHQWRVLV- Portanto, dada a sua complexidade, su-
VH GH¿QLGDSDUD¿QVGHXVRGRUHFXUVRKt- tema de tratamento de líquidos percolados, gere-se que a análise laboratorial de cará-
drico) conforme os Padrões de Qualidade observando-se a existência ou não da téc- ter quantitativo para constatação de dano
para águas doces indicados na Resolução QLFDGHUHFLUFXODomRVLVWHPDGHGUHQDJHP ambiental em áreas de disposição irregular
CONAMA nº 20. vertical de gases de maneira a minimizar de RSD - que pode abranger a análise de
O atendimento a tais requisitos impli- os riscos de combustão espontânea e que dezenas de compostos com propriedades
ca efetuar uma análise temporal no regime poderão ser queimados ou reaproveitados, físico-químicas avaliadas em diversos perí-
de vazão e na qualidade da água do cor- conforme o porte do aterro, como forma de odos do ano, em múltiplos elementos como
po receptor (vazões e propriedades físico- PLQLPL]DomRGDSROXLomRDWPRVIpULFDH[LV- o solo, sedimentos, água, biota aquática,
químicas em períodos chuvosos, em pe- tência de poços de monitoramento, a mon- etc. - deve ser realizada apenas em casos
UtRGRVVHFRVHLQWHUSHUtRGRV YHUL¿FDQGR tante e a jusante da bacia de drenagem. que, reconhecidamente, tenham a necessi-
as características sazonais das concentra- d. Monitoramento: as normas ambien- dade de uma abordagem minuciosa e pre-
ções de background dos seus compostos e tais prevêem o monitoramento periódico cisa, ou ainda onde ocorra dano ambien-
DLQÀXrQFLDTXHRODQoDPHQWRGRHÀXHQWH de caráter qualitativo (propriedades físico- tal com claros indícios dos crimes previstos
terá nesta qualidade, analisando, em deze- químicas) e quantitativo (vazão) das águas nos artigos 33 ou 54 da Lei 9.605/98.
nas de compostos, os efeitos da diluição do subterrâneas, do líquido percolado e do Na grande maioria dos exames em lo-
HÀXHQWHQRFRUSRUHFHSWRUFRQVLGHUDQGRR HYHQWXDOFRUSRUHFHSWRUGRHÀXHQWH(VVDV cais de disposição irregular de RSD, a ob-
regime de vazão de ambos. informações devem ser avaliadas e con- servação atenta e criteriosa dos aspectos
frontadas com os aspectos operacionais e relevantes supramencionados, permite
O exame de local de infra-estrutura do local. concluir de maneira objetiva sobre a exis-
A técnica de disposição de resíduos só- tência ou não de dano ambiental na área.
lidos domiciliares por meio de aterros sani- &RQVLGHUDo}HV¿QDLV Ressalte-se que à luz das normativas
tários, nos diversos sistemas construtivos, A constatação quantitativa, em águas existentes em diversas unidades da federa-
prevê dispositivos de prevenção e contro- VXSHU¿FLDLVGDLQWHQVLGDGHGHXPGDQR ção, o não-tratamento do líquido percolado
le da poluição, bem como procedimentos ambiental que esteja ocorrendo em áreas produzido em local de disposição de resí-
RSHUDFLRQDLVHVSHFt¿FRVTXHSRGHPVHU de disposição de RSD, demanda diversas duos, sejam vazadouros (lixões) ou aterros
constatados no exame de local de manei- DQiOLVHVItVLFRTXtPLFDVGRHÀXHQWH OtTXL- controlados, implica em dano aos recursos
ra direta. Sugere-se que sejam observados do percolado) e do corpo receptor (curso naturais e pode ser considerado um não-
os seguintes aspectos do local, considera- d’água), que devem ser realizadas para atendimento às exigências estabelecidas
dos relevantes para os exames: YHUL¿FDomRGRQmRDWHQGLPHQWRGDVQRU- em leis ou regulamentos o que, em tese, já
mativas referentes ao padrão de emissão pWLSL¿FDGRFULPLQDOPHQWHQRDUWLJRGDOHL
a. Área de disposição:LGHQWL¿FDomR GRHÀXHQWHHRXDRSDGUmRGHTXDOLGDGH de crimes ambientais.
do solo e geologia do local, conhecimen- do curso d’água. Portanto, a observação do local e a
WRGDWRSRJUD¿DHGUHQDJHPGDiUHDDYD- Neste procedimento, as análises devem análise dos aspectos técnicos e operacio-
liação do nível do lençol freático, observa- ser realizadas tanto a montante como a ju- nais de vazadouros (lixões) e aterros con-
omRGDIDXQDHÀRUDHRXWURVDVSHFWRVTXH sante do ponto de lançamento, bem como trolados, juntamente com algumas infor-
contribuam para a caracterização do am- em intervalos temporais previamente es- mações complementares, especialmente
biente natural. tabelecidos, visando abranger as diversas de permeabilidade do solo e nível freáti-
b. Operacionais: a compactação dos variações no regime de vazão de ambos co, podem apontar, de forma qualitativa,
resíduos aterrados de maneira a minimizar HÀXHQWHHFXUVRG¶iJXD VRESHQDGHQmR o grau de intensidade do dano ambiental
DiUHDGHGLVSRVLomRDFREHUWXUDGLiULDGD VHGHWHFWDURVHIHLWRVGDGLOXLomRGRHÀXHQ- que se quer constatar.

24 Perícia Federal
CRIMES AMBIENTAIS: PCFS JULIO COELHO FERREIRA DE SOUZA (MESTRE EM GEOCIÊNCIAS) E SÍLVIO CÉSAR PAULON (BACHAREL EM AGRONOMIA)

Exames Periciais
no lixão de
Campo Grande
,UUHJXODULGDGHVLGHQWL¿FDGDVHPOL[mRDPHDoDPFRQWDPLQDURPDLRUDTtIHUR
GRPXQGR3ROXLomRMiDIHWRXR&yUUHJR$QKDQGXL]LQKR

A
abertura de um inquérito policial,
no âmbito Superintendência Re-
gional do Departamento de Po-
lícia Federal no Estado de Mato
Grosso do Sul (SR/MS), acerca do impac-
to ambiental causado pelo lixão de Cam-
po Grande/MS, ensejou a requisição de
um exame de local, a cargo do Setor Téc-
QLFR&LHQWt¿FRGD65062VH[DPHVWLYH
UDPSRU¿QDOLGDGHFDUDFWHUL]DUHGHVFUHYHU
DiUHDHPTXHVWmRFRPRLQWXLWRGHYHUL¿
car a existência de contaminação hídrica a
partir de exame de local e da documenta-
ção recebida para análise.
Trata-se de uma área localizada no mu-
nicípio de Campo Grande, distante cerca
de 13 km do centro da cidade, situada na
UHJLmRGHFRQÀXrQFLDGRFyUUHJR$QKDQ
duizinho, com o córrego Formiga e próxima
ao novo Presídio Federal (foto 1).
Com o objetivo de implantar o aterro sa-
nitário com ampliação e recuperação am- Foto 1 – Visão, por meio de imagem de satélite, da região do lixão da cidade de Campo Grande/
biental do lixão, a Prefeitura providenciou MS (fonte: Google Earth – http://earth.google.com)
um Estudo de Impacto Ambiental 1, com
fundamentação técnica em estudos ante- das águas subterrâneas do local a ser peri- dagem a percussão e implantados 8 poços
riores elaborados pela empresa Proema ciado a partir de poços de monitoramento. de monitoramento da água subterrânea, no
Engenharia e Serviços S/C Ltda2. Em bus- De acordo com os levantamentos técni- período entre 28 de dezembro de 1999 e 4
ca das informações sobre um possível pla- cos realizados durante os estudos ambien- de janeiro de 2000. Dado o levantamento
no de automonitoramento de águas subter- tais exigidos para a instalação do aterro sa- feito pela sondagem no local examinado,
UkQHDVHVXSHU¿FLDLVGRORFDODVHUSHULFLD nitário e recuperação do lixão de Campo tem-se que, com relação ao tipo de solo:
do, os peritos criminais federais reuniram- Grande/MS, foram realizadas sondagens 1 – Ocorrência de uma camada de solo
se com representantes da Secretaria Muni- na área, visando detalhar as características superior composta por areia siltosa e/ou sil-
cipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento geotécnicas do solo/subsolo e o comporta- te arenoso, com a espessura variando de 5
6XVWHQWiYHO±6(0$'(6TXHD¿UPDUDP mento hidrogeológico das águas subterrâ- a 19 metros. Este solo é proveniente da de-
desconhecer o monitoramento contínuo neas. Foram executados 11 furos de son- FRPSRVLomRGHDUHQLWRV

Perícia Federal 25
CRIMES AMBIENTAIS: PCFS JULIO COELHO FERREIRA DE SOUZA (MESTRE EM GEOCIÊNCIAS) E SÍLVIO CÉSAR PAULON (BACHAREL EM AGRONOMIA)

Constante escoamento de chorume em direção ao córrego Anhanduizinho. Ao fundo da primeira foto (no alto, à esquerda), o novo presídio federal

2 – Ocorrência de uma camada de solo dá-se por meio de uma zona de rocha par- variando de 4,4 metros próximo ao córre-
subjacente composta por argila siltosa, cialmente alterada. go Anhanduizinho a 8,2 metros nos locais
derivada da decomposição das rochas ba- Quando da realização das sondagens, mais distantes.
sálticas, com espessura média de 5 me- de dezembro de 1999 a janeiro de 2000, o O lixão possui base retangular, com uma
tros. A transição entre a camada de argila lençol freático situava-se, de modo geral, área de aproximadamente 14,7 ha. Uma
siltosa com a camada de rocha basáltica com profundidade média de 6,8 metros, vez depositado no local, o material perma-

26 Perícia Federal
De posse das coordenadas dos poços
de monitoramento de água subterrânea,
REWLGDVSRUPHLRGRPDSDWRSRJUi¿FRGR
local, os peritos constataram que os poços
de monitoramento, apresentados nos estu-
dos ambientais, encontravam-se abando-
nados, não-localizados ou destruídos.
No que tange ao confronto do proje-
to apresentado pela Prefeitura Municipal
de Campo Grande com a situação atual da
área periciada, os signatários consideram
que não houve progresso na adoção das
medidas propostas pelos estudos ambien-
tais para a recuperação da atual área de de-
posição de lixo e na implantação do aterro
sanitário na cidade de Campo Grande/MS.
Dada a atual situação da área periciada,
os peritos constataram “poluição ao meio
ambiente em discordância com a legislação
ambiental em vigor”, agravada pelo constan-
WHÀX[RGHFKRUXPHTXHWHPFRPRSULQFLSDO
corpo receptor o córrego Anhanduizinho.
O contexto geológico da região faz com
que o local seja susceptível à contamina-
ção de substrato rochoso e do lençol freá-
Localização e Geologia do Aqüífero Botucatu (Fonte: Rocha, G.A, Mega Reservatório de Água Sub- tico pela percolação de chorume. As cama-
terrânea do Cone Sul, Seminário “Aqüífero Gigante do Mercosul”, Maio/1996.) das de solo são passíveis de contamina-
ção, devido à natureza da matriz mineral.
nece sujeito à ação de catadores de lixo, dissolvidos ou suspensos, oriunda da de- A ocorrência de fraturas no substrato rocho-
sendo posteriormente recoberto por uma composição do lixo e potencializada pelo so pode permitir a contaminação das ro-
camada de solo areno-argiloso espalhada aporte de água de chuva. Trata-se de um lí- chas sedimentares subjacentes que com-
por meio de um trator de esteira. Na oca- quido fétido e de coloração escura com alto portam o Aqüífero Guarani.
sião da vistoria foi observada a presença potencial de contaminação, pois caracte- Contribuem para o agravamento da si-
de veículos destinados ao transporte do risticamente apresenta altos valores de De- tuação as atuais condições dos poços de
lixo selecionado, caracterizado por mate- manda Bioquímica de Oxigênio (DBO), De- monitoração abertos nas proximidades do
riais recicláveis e de várias pessoas ocupa- manda Química de Oxigênio(DQO) e altas depósito de lixo a céu aberto, que não per-
das com o manuseio do lixo selecionado. concentrações de nitrogênio amoniacal, mitem a avaliação constante da qualidade
A área de deposição do lixo hospitalar metais pesados (Fe, Pb, Cu, Cd), fósforo e das águas subterrâneas e a tomada de de-
localiza-se no canto inferior direito do de- íons Cl-, SO4-2, K+ e Na+, além do pH ácido. FLV}HVHPFDVRGHLQ¿OWUDo}HV
pósito, sendo depositado da mesma ma- No local vistoriado foi constatado que a
neira que o lixo domiciliar e sujeito também ODJRDGHFKRUXPHORFDOL]DGDQRÀDQFRRHV- Notas e Referências:
à ação de catadores. Foi observada a pre- te do depósito de lixo, alimentada por um
sença de materiais relacionados ao uso ÀX[R FRQVWDQWH GH FKRUXPH SURYHQLHQWH 1. Arrimo Engenharia e Consultoria Ltda.:
hospitalar, como garrafas de soro, serin- de uma calha que bordejava a borda norte, ,QVWDODomRGH$WHUUR6DQLWiULRHGH8QLGD-
gas, luvas cirúrgicas, embalagens de pa- apresentava um constante vazamento de GHGH7UDWDPHQWRGH5HVtGXRV6yOLGRVGH
pelão e sacos para acomodação de resí- chorume, sendo descarregado diretamen- 6HUYLoRVGH6D~GHGR0XQLFtSLRGH&DP-
SR*UDQGH±06QRYHPEUR
duo hospitalar, bem como corpos de ani- te no córrego Anhanduizinho. Inicialmen-
2. Proema Engenharia e Serviços S/C Ltda:
mais. Posteriormente, o lixo hospitalar de- te o chorume escorria pela área de pasta-
(VWXGRGH6HOHomRGHÈUHDVSDUD$WHU-
positado é recoberto por uma camada de gem, caindo na calha da ferrovia e passan- UR 6DQLWiULR H GH 7HFQRORJLDV 'LVSRQt-
solo areno-argiloso da mesma maneira do em frente ao novo presídio federal, vol- YHLVSDUD7UDWDPHQWRH'LVSRVLomR)LQDO
que o lixo doméstico. tando a cair na área de pastagem, para en- GRV568, janeiro/2000 e $QWHSURMHWRGH
O chorume, também denominado de tão formar uma pequena lagoa às margens 5HFXSHUDomRGR/L[mRGR0XQLFtSLRGH
SHUFRODGRSRGHVHUGH¿QLGRFRPRDIDVH do córrego e, a seguir, cair diretamente no &DPSR*UDQGHHGH,PSODQWDomRH2SH-
líquida da massa de lixo aterrada, que per- córrego, perfazendo um trecho de aproxi- UDomRGR)XWXUR$WHUUR6DQLWiULRGD&LGD-
cola através desta removendo materiais madamente 870 metros (fotos pág. 26). de, fevereiro/2000.

Perícia Federal 27
CRIMES AMBIENTAIS: PCF JOÃO LUIZ MOREIRA DE OLIVEIRA (GEÓLOGO)

O acidente da
Companhia Mineira de Metais
em Vazante
8PDFLGHQWHQDVHJXQGDPDLRUMD]LGDGH]LQFRGRPXQGRHVWDYDSDUDFDXVDUXPSUHMXt]R
GHFHUFDGH86PLOK}HVHP3DUDFRPSOLFDUR0LQLVWpULR3~EOLFRDEDOL]DGRSRU
XPSDUHFHUWpFQLFRTXHVWLRQRXSRQWRVGRODXGRSURGX]LGRSRUSHULWRVFULPLQDLVGD3ROtFLD
)HGHUDO0DVDVLQYHVWLJDo}HVFRPSURYDUDPRODXGRSHULFLDOHVWDYDFHUWR

D
urante a escavação de uma galeria e grande quantidade de sólidos em suspensão, SURYHQLHQWHGDVXUJrQFLDGDPLQDHGDDEUDQ-
no nível 345 da mina (345 metros de ocasionaram o assoreamento da bacia de sedi- JrQFLDWHUULWRULDOEHPFRPRGHRXWURVIDWRUHVD
profundidade), ocorre uma surgência mentação, bem como o aparecimento de trincas FULWpULRGRV6HQKRUHV3HULWRV´
inesperada de água em conseqüên- e subsidências em toda a área da empresa, re- Os trabalhos periciais na mina da Companhia
cia da interceptação de uma fratura do maci- sultando no lançamento direto das águas, sem Mineira de Metais (CMM), em Vazante (MG), fo-
ço rochoso que se interligava com diversas ou- tratamento e com grande quantidade de sólidos ram realizados no período de 11 a 13 de dezem-
tras fraturas portadoras de água e conectadas em suspensão, no Córrego Barroquinha, que bro de 2000. Consistiram numa vistoria de toda a
ao maciço cárstico alterado (intemperizado). por sua vez desemboca no Rio Santa Catarina. área da empresa de mineração, numa detalhada
Essa surgência evoluiu rapidamente a uma va- O rebaixamento extremamente rápido do len- análise e avaliação dos resultados das análises
zão de 5.000m3/h, chegando a uma vazão de çol freático causou o lançamento de um enor- químicas de água e do meio biótipo do Rio San-
pico de 7.500m3/h. me volume de água carregada de sólidos em ta Catarina, produzidas pela UFMG, SANEAR e
Essa vazão inesperada e muito elevada suspensão e, possivelmente, outros contami- SETE - Soluções e Tecnologia Ambiental, bem
(uma das maiores do mundo em mina dessa nantes no Rio Santa Catarina, além do aumen- como em consultas e discussões com hidrogeó-
espécie), exigiu a implementação de um fortís- to do volume das águas do rio. O grande volu- ORJRVHRXWURVSUR¿VVLRQDLVHVSHFLDOLVWDVGRVH-
simo esquema de bombeamento da água de me de sólidos em suspensão, a maior parte ar- tor. Assim, os peritos efetivaram minuciosa análi-
modo a impedir a inundação da mina. O gran- JLODPXLWR¿QDRFDVLRQRXDWXUELGH]GDViJXDV se geoambiental da área, avaliando de modo crí-
de volume de água bombeada, e conseqüen- do rio e, possivelmente, a intoxicação e morte tico a repercussão da atividade de extração mine-
tes alta velocidade de rebaixamento do lençol de peixes e animais que se utilizavam do rio. ral, do rebaixamento do lençol freático e do lança-
A Polícia Federal foi PHQWRGHHÀXHQWHVQR5LR6DQWD&DWDULQDQDIDX-
acionada por solicitação QDÀRUDHVRORGRORFDOHGDUHJLmR
do Ministério Público Fede- O relevo da área é predominantemente cárs-
ral de Uberlândia, em Minas tico, com rochas de composição argilo carboná-
Gerais, tendo sido instaura- tica, especialmente calcários, calcários dolomí-
do o competente Inquérito ticos, folhelhos carbonáticos e ardósias, seqü-
Policial na Delegacia daque- ências essas que vêm sendo incorporadas ao
la cidade. Em 28 de abril de Grupo Bambuí.
2000, foi solicitada a realiza- A CMM é a maior produtora de zinco do País
ção de uma Perícia no local e detentora de 65% do mercado interno, além de
nos seguintes termos: líder mundial na produção de zinco a partir de mi-
³VROLFLWRVHMDIRUPD- nério silicatado. A CMM gera um total de 1.200
GD XPD HTXLSH PXOWLGLVFL- empregos diretos, distribuídos entre as Minera-
SOLQDUFRP3HULWRVGR'3) ções de Vazante e Morro Agudo, a planta siderúr-
H7pFQLFRVGR,%$0$HVSH- gica em Três Marias e o escritório em São Paulo.
FLDOL]DGRVQDiUHDGH48Ë- Em Vazante a CMM desenvolve suas ativi-
0,&$%,2/2*,$*(2/2- dades de mineração em uma mina a céu aberto
*,$(*(2*5$),$FRP¿- e uma mina subterrânea para a lavra de minério
nalidade de elaborar acura- GH]LQFRHVHXVXEVHTHQWHEHQH¿FLDPHQWR
GRH[DPHFRPYLVWDVDIRU- Para o desenvolvimento da lavra subterrânea
QHFHUDR¿QDO/DXGR3HUL- era necessário o contínuo rebaixamento do len-
Figura 1 – Vista da área da mineração e planta de tratamento do miné- FLDOGHPRQVWUDWLYRGRTXD- çol freático (bombeamento de um volume de água
rio. Fonte: Google Earth (www.googleearth.com) acesso em 15.09.2006 GURYHUL¿FDGRQDTXHOHORFDO VX¿FLHQWHSDUDTXHDHVFDYDomRSXGHVVHVHULP-

28 Perícia Federal
plementada sem a inunda- contravam parcialmente impossibilitadas para
ção da mina). A água, que DGLVSRVLomRGHHÀXHQWHVHPYLUWXGHGRVGROL-
é retirada do aqüífero na- namentos e recalques causados tanto pela so-
tural, é lançada em segui- brecarga advinda do peso da água ali armazena-
GDHPDPELHQWHVXSHU¿FLDO GDTXDQWRSHORVULVFRVGHLQ¿OWUDomRGDPHVPD
(tanques de decantação e, nas fraturas, ocasionando a inundação da mina.
após, no Córrego Barroqui- A perícia salienta ainda DFRPSOH[LGDGHHRVULV-
nha e Rio Santa Catarina). FRVUHSUHVHQWDGRVSHORVGROLQDPHQWRVHUHFDO-
Os peritos percorre- TXHVREVHUYDGRVQmRVyDOLPDVFRQIRUPHLQ-
ram toda a área da Com- IRUPDo}HVHPWRGDDiUHDGDHPSUHVDHDWp
panhia, com atenção es- GHVHXHQWRUQRo que seria, então, no entender
pecial ao sistema de bom- dos peritos, o maior problema ambiental obser-
beamento e drenagem. Foi vado no local.
constatado que a infra-es- Os peritos consideram apropriada a solução
trutura instalada pela em- da nova Barragem de Rejeitos, especialmente
presa para o controle e porque a mesma está incluída em área cujas ro-
execução do rebaixamen- FKDVVmR¿OLWRVURFKDVTXHQmRDSUHVHQWDPRV
Figura 2±3HU¿OYHUWLFDOHVTXHPiWLFRGDPLQDGD&00HP9D]DQWH 0* to era satisfatória, e o tam- mesmos riscos de dolinamentos, recalques e
pão construído em concre- permeabilidade, observados nas áreas cársticas
to vinha cumprindo o objetivo de controlar (de composição carbonática-calcárea).
a vazão da surgência do nível 345 – que Entretanto, o Ministério Público Federal havia
deu origem ao problema. solicitado um segundo laudo à Universidade Fede-
4XDQWRjTXDOLGDGHGRVHÀXHQWHVODQ- ral de Uberlândia (UFU), o qual apresentou algu-
çados no Córrego Barroquinha e Rio Santa mas divergências em relação ao Laudo da Polícia
Catarina, os resultados das análises quí- Federal, repercutindo em uma nova solicitação:
micas de água solicitadas pela empresa ³'HYHUmRDLQGDRVLOXVWUHVYLVWRUHVGD6H-
e realizadas pela SANEAR e UFMG mos- omRGH&ULPLQDOtVWLFDGD3ROtFLD)HGHUDOHVFODUH-
WUDUDPXPDXPHQWRVLJQL¿FDWLYRGRFDUUH- FHUSRQWRVFRQÀLWDQWHVGRODXGRSRUHOHVHODERUD-
amento de sólidos e da turbidez. Quanto GRHPIDFHGRTXHDJRUDVHMXQWDDRVDXWRVGD
à disponibilidade de oxigênio e elementos ODYUDGHµ3URIHVVRUHV3HULWRV¶GRV'HSDUWDPHQ-
metálicos e/ou íons nocivos, as alterações WRVGH(QJHQKDULD&LYLO4XtPLFDH*HRJUD¿DGD
IRUDPPHQRVVLJQL¿FDWLYDV 8QLYHUVLGDGH)HGHUDOGH8EHUOkQGLD´
Figura 3±&RQVWUXomRGDQRYDEDUUDJHPGHHÀXHQWHVGD Naquela ocasião, os peritos observa- Após novos exames nas análises químicas
companhia ram que as bacias de decantação se en- disponíveis, cotejando-as com aquelas realiza-
das e apresentadas no trabalho realizado pelos
Chumbo Quadro 1 mestres da UFU, concluiu-se que os valores en-
contrados para alguns metais, nas análises de
UFMG-28/08/00*
PONTO SANEAR27/09/99- SANEAR14/10/99- UFU-09/05/00-mg/l água de pontos no Rio Santa Catarina realizadas
(eqUFMG/CMM)
COLETA mg/l-total/solúvel mg/l-total/solúvel (total) pela UFU, destoavam em muito, isto é, são ex-
mg/l*)
tremamente mais elevados do que aqueles ob-
P1 0,05/< 0,03 <0,03/< 0,03 <0,020 < 0,05/<0,05
tidos nas demais análises. Tal fato ocorre espe-
P2 0,50/< 0,03 0,49/<0,03 <0,020 < 0,05/<0,05 cialmente com relação ao chumbo, manganês,
P3 0,15< 0,03 0,13/<0,03 1,45 < 0,05/<0,05 zinco e ferro, tal como visto abaixo, tendo como
P4 <0,03/< 0,03 0,04/<0,03 4,10 - exemplos os valores obtidos para o chumbo e o
zinco (quadro 1).
Zinco Além disso, dentre os próprios valores obti-
dos nas análises realizadas pela universidade,
PONTO SANEAR27/09/99-mg/ SANEAR14/10/99-mg/ UFU-09/05/00-mg/l UFMG-28/08/00* foram observadas incoerências. Em P3-Rio San-
COLETA l-total/solúvel l-total/solúvel (total) (eqUFMG/CMM) mg/l*
ta Catarina, 50 metros à jusante do local de lan-
P1 <0,05/<0,05 <0,05/<0,05 0,012 0,095/0,019 oDPHQWRGHHÀXHQWHVGDHPSUHVDH3NPj
P2 2,84/<0,05 2,20/<0,05 0,059 <0,066/0,024
jusante do mesmo ponto, foram obtidos valores
muito mais altos para os elementos metálicos do
P3 1,39/<0,05 1,20/<0,05 7,94 0,044/0,020
TXHQRSUySULRFDQDOGHHVFRDPHQWRGHHÀXHQ-
P4 0,28/<0,05 0,32/<0,05 8,98 --- WHV 3 TXHpSRURQGHHVFRHWRGRRHÀXHQ-
Pontos de Coleta: te da CMM, em coletas realizadas nos mesmos
35LR6DQWD&DWDULQDDPRQWDQWHGRFDQDOGHODQoDPHQWRGHHÀXHQWHV &yUUHJR%DUURTXLQKDRX7XUEXOHQWR  dia e horário, como pode ser visto no quadro
3&DQDOGHODQoDPHQWRGHHÀXHQWHV &yUUHJR%DUURTXLQKD  abaixo (quadro 2).
P3- Rio Santa Catarina a jusante do Córrego Barroquinha. Após detalhados exames, concluiu-se que os
35LR6DQWD&DWDULQDNPjMXVDQWHGRFDQDOGHODQoDPHQWRGHHÀXHQWHV SRQWRVFRQÀLWDQWHVVHGHYLDPSURYDYHOPHQWHD
Quadro 2
uma troca de unidades (mcg/l por mg/l) ou a uma
troca de amostras (recolhidas no ponto P2, respec-
Ponto de UFU-09/05/00-Zn UFU-09/05/00-Fe UFU-09/05/00-Mn UFU-09/05/00-Pb tivamente pelas recolhidas no ponto P4), quando
Coleta mg/l (total) mg/l (total) mg/l (total) mg/l (total) da realização das análises pela UFU. Além disso,
FRQ¿UPRXVHWDPEpPDDVVHUWLYDFRQWLGDQRODXGR
P1 0,012 0,22 0,015 <0,020
pericial da Polícia Federal de Minas Gerais de que
P2 0,059 0,11 0,020 <0,020 os maiores riscos envolviam os recalques e doli-
P3 7,94 2,61 6,79 1,45 namentos decorrentes do intenso rebaixamento
P4 8,98 2,48 14,85 4,10 do lençol freático, sendo de menor relevância os
níveis de contaminação química.

Perícia Federal 29
CRIMES AMBIENTAIS: PCF MARCELO DE LAWRENCE BASSAY BLUM (DOUTOR EM GEOLOGIA/GEOFÍSICA)

Uso da
em Perícias de Crimes Ambientais
Uma Introdução
2SHULWRFULPLQDOSRGHVH amostragem de solo em casos de contamina- em uma ou duas dimensões, podendo ser ge-
ção. Levantamentos geofísicos também po- radas interpretações em três dimensões.
GHSDUDUFRPSUREOHPDVTXH dem ser úteis na escolha dos locais de amos-
tragem, além de auxiliar na segurança do Pe- Métodos Geofísicos
HQYROYHPRUHFRQKHFLPHQWR rito em caso de situações perigosas e possí- As técnicas de investigação geofísica po-
vel contaminação (amostra e Perito). dem ser agrupadas em três categorias: (1)
GHPDWHULDLVHPVXEVXSHUItFLH A grande vantagem dos métodos geofí- DHURWUDQVSRUWDGD  GHVXSHUItFLHH  GH
sicos é a preservação dos vestígios no local poço. Cada uma dessas três categorias com-
8WLOL]DQGRFRPRIHUUDPHQWD do crime – condição elementar no exame pe- preende uma variedade de métodos, que por
DYDULDomRGDVSURSULHGDGHV ricial. São métodos não-destrutivos e de bai- VXDYH]DSUHVHQWDXPVLJQL¿FDWLYRQ~PHURGH
xíssimo risco. variantes. Como a grande maioria dos méto-
ItVLFDVGRVPDWHULDLVD dos aplicáveis a exames periciais é de super-
fície, procurou-se centrar na descrição sucin-
JHRItVLFDVXUJHFRPR Geofísica aplicada ta de alguns deles.
DOWHUQDWLYDQmRGHVWUXWLYD ao meio ambiente
 Método de Indução Eletromagnética: Os
GLPLQXLQGRULVFRVH Muitos métodos geofísicos podem ser
usados em constatações de contaminação de
métodos eletromagnéticos (EM) têm sido de-
senvolvidos desde o início do século 20. Um
SUHVHUYDQGRRVYHVWtJLRV lençol freático, monitoramento de plumas de deles funciona como um detector de metais
contaminação no solo, materiais enterrados, no domínio do tempo que detecta tanto metais
QRORFDOGRFULPH vazamento de dutos, tubulações rompidas em ferrosos quanto não-ferrosos. Um transmissor
subsuperfície e a extensão de seu dano, va- poderoso (bobina transmissora) gera um cam-
zamento radioativo, entre outras aplicações. po magnético preliminar introduzido no solo,

A
*HRItVLFDpGH¿QLGDFRPRDDSOLFD- Geralmente, os métodos geofísicos rasos, que induz um turbilhão de corrente em obje-
ção de princípios, métodos e proce- métodos que investigam os primeiros metros tos metálicos próximos. A degradação do tur-
dimentos da Física no estudo da Ter- ou dezenas de metros, fornecem informações bilhão produz um campo magnético secundá-
ra (bem como da Lua e dos plane-
tas), tendo como alvo suas partes sólida, líqui-
da e gasosa, medindo seus campos físicos e
os contrastes das propriedades físicas e quími-
cas dos materiais geológicos.
Para acessar as propriedades físicas e
químicas de solos, rochas e água subterrâ- Figura 01 – Princípio
nea, são utilizados diversos métodos geofísi- básico da indução
cos: (1) alguns métodos se baseiam na res- eletromagnética
posta de várias partes do espectro eletromag- EM. Uma onda EM é
gerada pela passa-
nético, incluindo raios gama, luz visível, ra-
gem de uma corrente
GDUPLFURRQGDVHRQGDVGHUiGLR  RXWURV
alternada por uma
têm como base o comportamento acústico e/ bobina (transmissor),
RXVtVPLFRGRPHLR  HRXWURVEDVHLDPVH campo primário. Um
em campos potenciais, como a gravidade e o corpo condutor sofre
campo magnético terrestre. a ação da corrente,
Os métodos geofísicos fornecem infor- campo secundário.
mações mais rápidas, econômicas e seguras Essa ação é “perce-
quando comparadas às técnicas de amostra- bida” por uma outra
gem direta como, por exemplo, a instalação bobina (receptor)
de poços ou trincheiras na caracterização e

30 Perícia Federal
 Radar de Penetração no Solo (GPR –
Ground Penetrating RADAR): O GPR é um
método geofísico eletromagnético cujo desen-
volvimento nas últimas décadas foi tão gran-
de que hoje é tratado separadamente dos ou-
tros métodos eletromagnéticos. Desenvolvido
para investigações de alta resolução em pro-
IXQGLGDGHGHDWpPHWURVR*35 ¿JXUD 
usa pulsos de ondas eletromagnéticas de di-
versas freqüências (geralmente entre 5 MHz
e 2 GHz) para adquirir informações de subsu-
perfície. Essa energia é propagada pelo solo e
UHÀHWLGDSRUTXDOTXHUPXGDQoDQDSURSULHGD-
de elétrica do meio sondado.
Os constituintes básicos de um sistema de
radar envolvem um aparelho gerador de sinal,
Figura 02b – Exemplo de condutivímetro eletro- antenas transmissora e receptora e um apa-
Figura 02a – Exemplo de condutivímetro eletro- magnético: detector de minas explosivas e de relho receptor. O princípio de funcionamento
magnético metais do Instituto Nacional de Criminalística
ocorre na seguinte seqüência:

rio, que é medido por uma bobina receptora. ria de Lakeside, Kalama-
A corrente induzida no solo dissipa-se intei- zoo, Missouri, EUA.
ramente com o decorrer do tempo e somen-
te a corrente no metal estará produzindo, ain-  Método da Resistivi-
GDXPFDPSRVHFXQGiULR ¿JXUD $JUDQ- dade Elétrica: Este mé-
deza medida nesse método é a condutividade todo mede a resistivida-
e os equipamentos utilizados para tanto são de dos materiais em sub-
RVFRQGXWLYtPHWURV ¿JXUD 'HQWUHDVDSOL- superfície pela injeção
cações ambientais, destaca-se o mapeamen- de uma corrente elétri-
WR GH IHLo}HV VXEVXSHU¿FLDLV LQFOXLQGR FRQGL- ca por um par de eletro-
ções hidrogeológicas naturais, delineamen- dos cravados no solo e
to de plumas de contaminação, deslocamen- medindo a voltagem re-
to da pluma, lixões, aterros controlados e sani- sultante em um segundo
tários e outras feições enterradas como tubu- par de eletrodos. Suas
lações, tambores e tanques. A profundidade aplicações são seme-
geralmente atingida pelo método é de 60 me- lhantes às do método de
tros, mas profundidades superiores a 200 me- Indução Eletromagnéti-
WURVSRGHPVHUDOFDQoDGDV$¿JXUDPRV- ca (IEM), exceto na de-
tra exemplo de mapeamento de anomalias de tecção de objetos metáli- Figura 04 – Exemplo de radar de penetração do solo (GPR). Equipa-
condutividade devidas a derramamento e va- cos que são melhor son- mento do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília
]DPHQWRVGHGHULYDGRVGHSHWUyOHRQD5H¿QD- dados pelo IEM.

 O gerador induz a antena transmissora


Figura 03 – Anomalias a originar um pulso de ondas de rádio numa
de condutividade determinada freqüência.
devidas a  O pulso se propaga pelo meio a uma ve-
derramamento e locidade que depende das propriedades físi-
vazamentos de cas (permeabilidade magnética, condutivida-
derivados de petróleo
de elétrica, permissividade) do material: a ve-
QD5H¿QDULDGH
Lakeside, Kalamazoo, locidade no ar é de aprox. 0,3 m/ns (três decí-
Missouri, EUA. Os metros por nanossegundo ou 300.000 km/s),
derramamentos na água de ~0,03 m/ns, no gelo ~0,2m/ns, em
e vazamentos solo arenoso seco ~0,12 m/ns, em solo areno-
ocorreram por mais so úmido ~0,06 m/ns, em solo siltoso ~0,07 m/
de 50 anos. Somente
ns e em solo argiloso ~0,06 m/ns..
em 1997, todas as
estruturas e tanques  O pulso é parcialmente refletido por
foram removidos. qualquer mudança no padrão das proprieda-
Furos de trado feitos des físicas/químicas do solo.
no local, em 2000,  2SXOVRUHÀHWLGRpUHFHELGRSHODDQWHQD
ainda constatavam a receptora, que possui a mesma freqüência da
presença do derivado
transmissora.
de petróleo
 O pulso é, então, transmitido a um apa-
relho receptor sob a forma de sinal elétrico. O

Perícia Federal 31
CRIMES AMBIENTAIS: PCF MARCELO DE LAWRENCE BASSAY BLUM (DOUTOR EM GEOLOGIA/GEOFÍSICA)

gem da bateria, parâmetros de software, cali-


E bração, etc.).
W Figura 05 – Anomalias  Informação auxiliar anotada em cader-
0
10 30 50 70 90 110 130 150 170 190 210 m
de condutividade devi- neta ou o próprio manual de operação pode
T em po das a derramamento e
( ns) ser muito útil.
40 vazamentos de petróleo
e seus derivados em
 Via de regra, a localização das anoma-
80 NF
DQWLJDUH¿QDULDHP lias detectadas durante o levantamento de-
120 Carlson City, Michigan, vem ser localizadas e documentadas crono-
EUA. A zona de sombra logicamente.
160
trunca o nível freático  Rever os dados quantas vezes forem ne-
Zona de S om br a (NF) revelando o local cessárias para se evitar leituras erradas. Reo-
da contaminação FXSDUSRQWRVRXSHU¿VMiIHLWRVSDUDFRUULJLORV
Além dessas recomendações, os exames
devem ser precedidos pelas seguintes etapas:
receptor enviará o sinal para um equipamento para posterior correção da variação diur-   Georeferenciamento do local (GPS,
de gravação e/ou um monitor para apresenta- QDQRFDPSRHQRPtQLPRXPJUDGL{PHWUR FDUWDVWRSRJUi¿FDVSRQWRVGHUHIHUrQFLD±
ção. Nesse caminho, o sinal gerado pode ser ¿JXUD TXHVHUiOHYDGRDRORFDOGHH[DPH LJUHMDVHVFRODVSRQWRVGHLGHQWL¿FDomRSRX-
pré-processado para melhorar a visualização co mutáveis).
preliminar. Muitas vezes essa apresentação  Observação das condições do terre-
visual não permite interpretação adequada QR WRSRJUD¿DJHRORJLDYHJHWDomRSHGROR-
imediata, então, o sinal gravado será usado gia, obstáculos, tipo de piso). Dependendo das
para posterior processamento e realce. condições do local do exame, alguns métodos
Dentre as aplicações ambientais estão o geofísicos, como o GPR, podem exigir a limpe-
mapeamento de camadas de solo, lixo enter- za, mesmo que parcial, do local.
rado, aterros, tubulações enterradas, contami-  'H¿QLomRGDiUHDDVHUH[DPLQDGD VH
nação do lençol freático e canais de drenagem todo o local ou parte dele).
DQWLJRV$¿JXUDPRVWUDDQRPDOLDVGHFRQ-  Delimitação (isolamento) da área esco-
dutividade devidas a derramamento e vaza- lhida.
mentos de petróleo e seus derivados em anti-  'H¿QLomRGRVSHUFXUVRVDVHUHPVHJXL-
JDUH¿QDULDHP&DUOVRQ&LW\0LFKLJDQ(8$ dos pelo equipamento e operadores: geral-
mente em linhas paralelas espaçadas igual-
 Método de Refração Sísmica: Utiliza-se mente em, no máximo, a metade da menor di-
de uma fonte de ondas sísmicas (geralmente mensão do objeto ou entidade a ser procura-
uma marreta), um arranjo de geofones para GD2VSHU¿VSRGHPVHUPDUFDGRVFRPHV-
medir a velocidade de propagação das ondas tacas nas extremidades e barbante ou corda
VtVPLFDVUHÀHWLGDVUHIUDWDGDVHXPVLVPyJUD- ¿QD EHPYLVtYHLV TXDQGRH[WHUQRV4XDQ-
fo que integra os dados dos diversos geofo- Figura 06 – Gradiômetro em operação
do internos, marcações com giz são bem-vin-
nes. Dentre as aplicações ambientais estão GDV,03257$17($ORFDOL]DomRGRVSHU¿V
DGH¿QLomRGHHVSHVVXUDHSURIXQGLGDGHGR  Método Gravimétrico: Mede a intensidade no local examinado deve ser bem conhecida
embasamento ou do nível freático, espessu- do campo gravimétrico da Terra e as diferenças (GPS, amarração a pontos conhecidos por
ra de solos e rochas, bem como suas proprie- de densidade dos diversos materiais. Pode ser azimute e distância, etc.).
dades físicas. Pode detectar feições irregula- usado para estimar profundidades de material Seguidos esses procedimentos, uma boa
res em subsuperfície. inconsolidado e, com equipamento adequa- perícia geofísica poderá ser concretizada.
GR SRGH GHWHFWDU FDYLGDGHV VXEVXSHU¿FLDLV
 Método Magnético: O método magnéti-
co se baseia na variação da intensidade do  Método Radiométrico: Utilizado na detec- Perspectivas da Perícia
campo magnético terrestre. Este campo, ge- omRGHIRQWHUDGLRDWLYDHRXLGHQWL¿FDomRGH Geofísica Ambiental na Polícia Federal
rado no núcleo do planeta, pode induzir cam- isótopo radioativo. Para uso em inspeções
pos secundários nos diferentes materiais que em áreas de estocagem, esconderijos e sus- O Instituto Nacional de Criminalística está
compõem a crosta terrestre (camada mais ex- peitas de vazamento de material radioativo. em vias de aquisição de um GPR, um condu-
terna do planeta) e em objetos metálicos en- tivímetro eletromagnético e dois detectores de
terrados. Esses campos podem ser mensura- Execução dos Exames UDGLDomRPHGLDQWHR&RQYrQLRQž¿U-
dos através de equipamentos como magnetô- PDGRHQWUHD'LUHWRULD7pFQLFR&LHQWt¿FDHR
metro e gradiômetro. O magnetômetro mede Na hora de efetuar levantamentos geofísi- Fundo Nacional de Direitos Difusos. O PRO-
a intensidade total do campo magnético e de cos, alguns conselhos são bastante úteis: MOTEC também prevê para a perícia ambien-
suas componentes. O gradiômetro, compos-  Comumente, o exame geofísico deve tal GPR, condutivímetros, magnetômetro e
to de dois ou mais magnetômetros, mede o ser efetuado com duas ou mais pessoas es- JUDGL{PHWURJUDYtPHWURHGHWHFWRUHLGHQWL¿FD-
gradiente magnético ou a(s) diferença(s) en- pecializadas e/ou bem treinadas. dor de radiação. Está em fase de planejamen-
tre os dois (ou mais) sensores, sendo o mais  A familiarização com o equipamento e to e negociação um terreno para a construção
indicado para levantamentos de detalhe. Em seu princípio de operação é muito importante. de um campo de provas controlado. Esse cam-
um levantamento magnético de detalhe é re- Sugere-se o teste em locais conhecidos (cam- po será dotado, além de objetos diversos en-
comendável o uso de pelo menos dois apare- pos de prova controlados). terrados, de local controlado e isolado para es-
lhos: um magnetômetro, que medirá a inten-  Antes do uso, inspecionar o equipamen- tudo da dispersão de líquidos em subsuperfície
VLGDGHGRFDPSRHPXPDHVWDomR¿[D EDVH  to para assegurar a sua boa operação (volta- e em diversos tipos de material.

32 Perícia Federal
III ENCONTRO NACIONAL: PEDRO PEDUZZI

III Encontro Nacional dos


Peritos Criminais Federais
Quase uma centena de peritos criminais federais participou do
III Encontro Nacional dos Peritos Criminais Federais, realizado conjuntamente à
IX Reunião de Diretores da APCF e ao III Encontro dos Peritos Federais Aposentados

C
om o objetivo de pensar a Criminalística
de uma forma conjunta, buscando solu-
ções para problemas e a definição das
políticas ligadas à Perícia Federal, foi realizado
entre os dias 2 e 5 de outubro, em Caldas Novas/
GO, o III Encontro Nacional dos Peritos Criminais
Federais. Durante o evento foram discutidas as
principais questões da perícia nacional.
A abertura do evento foi feita pelo chefe de
gabinete do diretor-Geral do DPF, delegado Ivo
Valério dos Santos, que ao lado do então presi-
dente da APCF, Antônio Carlos Mesquita, com-
pôs a mesa com o superintendente Regional
da Polícia Federal no Estado de Goiás, DPF
Luiz Adalberto Philippsen e o diretor Regional
da APCF em Goiás, PCF José Walber Borges
Pinheiro. 5HXQLGRVHP&DOGDV1RYDV*2SHULWRVGLVFXWLUDPDVTXHVW}HVPDLVUHOHYDQWHVSDUDD&ULPLQDOtVWLFD
Ivo Valério ressaltou, em discurso, o valor do
Encontro e da Polícia Científica nos dias atuais. A manhã do segundo dia de atividades var uma ajuda de custo para os casos onde o presi-
“Provas tradicionais, como a testemunhal, per- começou com a apresentação do Projeto da dente eleito da APCF seja um perito aposentado. O
dem, a cada dia, sua importância dentro do pro- Campanha de Valorização da Perícia Criminal valor aprovado foi de 12,5% do subsídio da classe
cesso criminal. E ganha cada vez mais importân- Federal e a definição de pauta das reuniões. especial para residentes em Brasília, e de 25% para
cia a Perícia Criminal”, destacou o delegado, que Duas deliberações foram tomadas: fixação do os residentes em outras unidades federativas.
se disse impressionado, com a qualidade humana valor da mensalidade em 0,8% do subsídio, e o
e material do Instituto Nacional de Criminalística, cancelamento da contribuição extraordinária A atuação do INC
visitado recentemente. aprovada no II Encontro, realizado ano passado Depois de participar das reuniões do
Depois de fazer uma breve análise do momen- em Fortaleza. Encontro, a então diretora do Instituto Nacional
to histórico brasileiro, o PCF Antônio Carlos Tendo como público alvo jornalistas e auto- de Criminalística (INC), PCF Zaíra Hellowell –
Mesquita falou do papel desempenhado pela ridades dos Três Poderes, e por conseqüência a que em novembro seguinte foi substituída pelo
Polícia Federal, em especial o da Perícia Criminal, sociedade, o projeto da Campanha de Valorização PCF Clênio Belluco – explanou sobre as ativi-
para a consolidação das conquistas democráti- da Perícia Criminal Federal, apresentado pelo dades que o órgão vinha desenvolvendo duran-
cas no país. “A Criminalística tem consolidado seu assessor de Comunicação da APCF, Pedro te a sua gestão. Dados atualizados sobre o
papel de parceira e de peça indispensável ao exer- Peduzzi, prevê a criação de três produtos que Promotec foram apresentados pelo PCF Acir
cício da atividade de polícia judiciária, com uma objetivam dar mais visibilidade e reconhecimento de Oliveira Júnior: “Está prevista a compra de
atuação independente e autônoma”, argumentou. à categoria, estreitando laços com mídia e poder materiais para as áreas de informática, áudiovi-
público. São eles: placas e certificados para auto- sual, engenharia e meio ambiente”, adiantou.
Valorização ULGDGHVGRV7UrV3RGHUHVR/LYURGD$3&)FRQ No último dia de atividades, o PCF Emílio
“Como categoria organizada e conscien- tendo artigos e sugestões dos peritos para proje- Lenine fez a prestação de contas da APCF. Em
te, os peritos, por meio da APCF, têm consegui- WRVGHOHLDVHUHPDSUHVHQWDGRVQR/HJLVODWLYRH seguida, o PCF Eduardo Siqueira ministrou
do oferecer sua contribuição ao DPF. Essa contri- o Prêmio Perícia Jornalística, um instrumento de palestra sobre os principais projetos de lei em
buição torna-se maior e mais importante quanto aproximação da APCF com a imprensa nacional, tramitação no Congresso Nacional que podem,
maior e mais consistentes forem as conquistas da dirigido aos jornalistas que publicarem as melho- de alguma forma, influenciar na atividade peri-
Criminalística”, afirmou o ex-presidente, que com- res matérias sobre “D&ULPLQDOtVWLFDVXDViUHDVGH cial. Depois de três dias de intenso trabalho,
pletou: “A evolução técnica e administrativa do sis- FRQKHFLPHQWRHRSDSHOGR3HULWR&ULPLQDO)HGHUDO o III Encontro Nacional de Peritos Criminais
tema de Criminalística tem exigido uma atenção SDUDDVRFLHGDGH´ Federais foi encerrado com a aprovação da
especial para a criação de novas normas, novas Uma importante decisão tomada de forma ini- Carta de Caldas Novas pela Assembléia. O
estruturas, novos formatos de criação e dissemi- cial durante o Encontro –e depois confirmada na documento está disponível no site da APCF
nação de conhecimento”. forma de Assembléia Distribuída – foi a de apro- (www.apcf.org.br).

Perícia Federal 33
DIA DO PERITO: PEDRO PEDUZZI

O Dia Nacional
do Perito Criminal
Em comemoração ao Dia Nacional do Perito Criminal, peritos do INC
apresentaram, a um seleto grupo de convidados, a qualidade dos trabalhos
periciais desenvolvidos pela Criminalística da Polícia Federal

A
utoridades dos Três Poderes e do De- ardo Siqueira Costa Neto, Pedro de Sousa, Adriano Malda-
partamento de Polícia Federal (DPF), ner, Guilherme Jacques e Mauro Magliano falaram sobre
jornalistas e estudantes convidados co- DVSHUtFLDVGHiXGLRYLVXDOFULPHV¿QDQFHLURVHQJHQKD
memoraram, juntos, o 4 de dezembro, Dia ria, laboratórios, DNA e meio ambiente, respectivamente.
Nacional do Perito Criminal, na sede do Instituto A parte da tarde foi destinada a homenagens. A mesa
Nacional de Criminalística (INC). Na oportunidade foi composta pelo então presidente da APCF, Antônio Car-
foram ministradas palestras sobre as áreas peri- ORV0HVTXLWDRGLUHWRU7pFQLFR&LHQWt¿FRGR'3)*HUDOGR
ciais, feitas homenagens a autoridades, jornalis- %HUWRORDSURFXUDGRUDFKHIHVXEVWLWXWDGD3URFXUDGRULD
tas e peritos que se destacaram por valorizar a GD5HS~EOLFDQR')/tYLD1DVFLPHQWR7LQRFRRGLUHWRUGH
Criminalística nacional e realizada uma visitação /RJtVWLFD3ROLFLDOGHOHJDGR$OFLRPDU*RHUFKWRGLUHWRU
aos modernos laboratórios do instituto. Os visitan- GR,1&&OrQLR*XLPDUmHV%HOOXFRRGLUHWRUGR,QVWLWXWR
tes puderam entender o porquê de a Criminalís- de Criminalística da Polícia Civil do DF, José Alberto de
tica ser cada vez mais reconhecida &DUYDOKR&RXWLQKRRSURFXUDGRUJHUDOGH-XVWLoDGR')
pela sociedade. /HRQDUGR$]HUHGR%DQGDUUDHRGHSXWDGRIHGHUDO&DUORV
Apresentada pelo Mota (PSB-MG).
PCF Sérgio Fava, a pri- Geraldo Bertolo leu, para os presentes, a mensagem
meira palestra do dia foi encaminhada por ele a todos os peritos criminais fede-
sobre perícias em infor- rais em comemoração à data. Nela, o diretor ressaltou a
mática. Em seguida, evolução material e humana da Criminalística no âmbito
os PCFs Charles Ro- GR'3)HFODVVL¿FRXRDWXDOPRPHQWRGD3HUtFLD)HGHUDO
drigues Valente, Edu- como “muito especial”. “Os equipamentos que usamos

3&)&OD\WRQ7DGHX
DSUHVHQWRXXP
SDQRUDPDVREUHD
SHUtFLDFULPLQDOQR
%UDVLOHQRPXQGR

0HQH]HV
ao receber o
3UrPLR3HUtFLD
-RUQDOtVWLFD

34 Perícia Federal
são o que há de melhor em termos de Crimina- Foi o caso do PL 6.735/06, acolhido pelo
lística no mundo, e a nossa visibilidade hoje, deputado Carlos Mota (PSB-MG), outro ho-
tanto no âmbito do DPF como no da socieda- menageado durante a cerimônia. O referido
GHpFDGDYH]PDLRU´D¿UPRX PL foi, inclusive, citado no relatório da CPI das
O segundo a falar foi o deputado Carlos Ambulâncias. Segundo o documento, se a ma-
Mota, que discorreu sobre a importância da téria já tivesse sido convertida em lei seria pos-
categoria dos PCFs para a Justiça. Mota disse sível punir muitos sanguessugas. A cerimônia
VHQWLUVHKRQUDGRSRUWHUUHFHELGRVLJQL¿FDWLYDV terminou com um reconhecimento a três peri-
vezes os representantes da APCF que, sem tos criminais federais, homenageados pelas
perder o papel de defender a categoria e man- contribuições que deram à Criminalística: Za-
tendo foco nas instituições da perícia e da polí- íra Hellowell, Paulo Roberto Fagundes e Paulo
cia, deram tantas contribuições ao Legislativo. Martins Beltrão Filho.
Procuradora-chefe substituta da Procura-
doria da República no DF, Lívia Nascimento Visitação
Tinoco saudou a todos os peritos presentes, 3URFXUDGRUD/tYLD1DVFLPHQWRH3&)0HVTXLWD Por último, Mesquita destacou o trabalho
em nome do Ministério Público Federal (MPF). dos PCFs Eduardo Siqueira Costa Neto, Fre-
³2VSUR¿VVLRQDLVSHULWRVID]HPWUDEDOKRVTXH derico Quadros D’Almeida, Roberto Bicudo
na maioria das vezes, são anônimos, mas que Larrubia e Acir de Oliveira Lopes, responsá-
trazem ao MP algo de grande valor, que é a veis pelo sucesso do evento em comemoração
materialidade do ilícito”, declarou. ao Dia Nacional dos Peritos Criminais para, em
seguida, oferecer um coquetel aos convidados
História da Perícia durante a visitação às instalações do INC.
Foi citando trechos históricos – bíblicos e O laboratório de Balística foi o primeiro a
da época de Nero, em Roma – que o diretor do ser visitado. Entre os visitantes estavam au-
INC, Clênio Guimarães Belluco, iniciou a fala, toridades do Judiciário e do Legislativo, além
para demonstrar que desde essas épocas já de jornalistas convidados e estudantes. O PCF
VHLGHQWL¿FDPUHIHUrQFLDVDRWUDEDOKRSHULFLDO Carlos Magno apresentou as instalações do la-
Em seguida, Belluco apontou casos mais re- boratório e uma das grandes estrelas do INC:
centes, citando alguns depoimentos em CPIs o Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV).
que foram desmentidos pelas provas cientí- /DERUDWyULRGHEDOtVWLFDSULPHLURDVHUYLVLWDGR Responsável por apresentar o laboratório de
¿FDV 2XWUR SRQWR LPSRUWDQWH DERUGDGR SRU Análises Físico-Químicas, o PCF Adriano Mal-
Belluco foi a necessidade de serem feitas pes- daner mostrou aos visitantes os diversos tipos
quisas para averiguar se os laudos têm atingi- de testes para reconhecimento de substâncias
do seus objetivos com aqueles que lidam com apreendidas durante investigações, como dro-
o trabalho do perito. JDVHEHELGDVIDOVL¿FDGDV³9DPRVWHVWDUHQWmR
A história da Criminalística foi também abor- se o whisky oferecido pela APCF aos nossos
dada durante a palestra do PCF Clayton Tadeu FRQYLGDGRVpIDOVL¿FDGR´EULQFRXR3&)(GX-
Mota Damasceno, que apresentou um panora- ardo Siqueira. “É legítimo”, garantiu Maldaner,
ma sobre a Criminalística no mundo e no Bra- após examiná-lo no Cromatógrafo.
sil. A evolução da perícia nacional, segundo o A visita seguiu para o laboratório de DNA,
palestrante, foi excepcional. Principalmente onde o PCF Guilherme Jacques explanou sobre
nas últimas décadas. “Se em 1962 não tínha- os testes comuns de DNA e uma das técnicas
mos nada e a PF inaugurava um instituto com mais modernas existentes, capaz de reconhe-
paredes de madeira, hoje possuímos equipa- cer DNA Mitocondrial em pequenas amostras,
mentos de ponta e conversamos de igual para FRPRR¿RGHFDEHORGHXPVXVSHLWR)HFKDQ-
igual com os melhores laboratórios do mundo”, 3&)0DOGDQHU do a visita, o laboratório de Documentoscopia
comemorou. “Nós temos a tarefa de levar essa 3&)0DOGDQHUUHDOL]RXWHVWHVItVLFRVHTXtPLFRV foi apresentado pelo PCF Marcos de Jesus
PHQVDJHPSDUDDVRFLHGDGH´¿QDOL]RXSRXFR Moraes, que demonstrou algumas técnicas uti-
antes de apresentar uma visão jornalística do jornalistas Guilherme Menezes e Ana Paula OL]DGDVSHORVSHULWRVSDUDLGHQWL¿FDUPRHGDV
INC – a matéria vencedora do I Prêmio Perícia Padrão, do jornal SBT Brasil. Guilherme fez SDVVDSRUWHVHGHPDLVGRFXPHQWRVIDOVL¿FDGRV
Jornalística, veiculada pelo jornal SBT Brasil – e questão de dividir o prêmio com toda a equipe Estudante de Direito da Universidade Pau-
o vídeo institucional produzido pela APCF. que o ajudou a preparar a matéria. “Foi muito lista (UNIP), Patrícia Solino de Carvalho Inácio,
bacana poder contar isso que vocês fazem às 31, avalia que as palestras ministradas duran-
Homenagens pessoas”, declarou. te a parte da manhã a ajudaram a entender, de
O presidente da APCF, Antônio Carlos Mesquita falou sobre os sucessos das ativi- forma mais aprofundada do que a apresentada
MHVTXLWD¿FRXUHVSRQViYHOSRUHQWUHJDUDV dades periciais, mas não deixou de lembrar que no meio acadêmico, o valor da prova pericial.
placas aos convidados homenageados. “Foi há, também, insucessos na rotina de trabalho Outra estudante que participou de praticamen-
durante a gestão de nosso primeiro homena- dos peritos. Mas que essas frustrações podem te todas as atividades em comemoração ao Dia
geado, o diretor-Geral do DPF, Paulo Lacerda, ser canalizadas de forma a criar novas vitórias. do Perito foi Ylmara Paul Marques, 30, colega
que a Perícia Criminal Federal tomou pulso”, “É o que aconteceu com o Caso Sudam/Sude- de faculdade de Patrícia. “Vim com o objetivo
D¿UPRXGXUDQWHDHQWUHJDGDSODFDFRPHPRUD- ne, que não puniu adequadamente várias pes- de obter conhecimentos que me auxiliem nos
tiva ao PCF Geraldo Bertolo, que representou soas que desviaram dinheiro público, apesar do casos onde informações relativas à perícia são
Paulo Lacerda. excelente trabalho realizado pelos peritos. Des- solicitadas pelos juízes. Nossos cursos abor-
“Nosso trabalho tem ganhado cada vez sa frustração nasceram boas idéias, materiali- dam esses temas de forma bastante limitada”,
mais espaço na mídia”, lembrou antes de zadas na forma de projetos de lei apresentados D¿UPRXDHVWXGDQWHGH'LUHLWR´'HYHULDKDYHU
oferecer o I Prêmio Perícia Jornalística aos junto ao Legislativo”, argumentou. mais eventos desse tipo”, sugeriu.

Perícia Federal 35
NOVAS DIRETORIAS: PEDRO PEDUZZI

A nova APCF
Com cerca de 70% dos votos, o PCF Octavio Brandão Caldas Netto foi
eleito, em dezembro, presidente da Associação Nacional dos Peritos
Criminais Federais para o biênio 2007/2008

F
ortalecer as diretorias regionais, sempre à disposição para uma conversa direta realização de assembléias por meio dessas
apoiando de forma irrestrita as ativida- com todo e qualquer associado”, completa. enquetes”, completa Brandão.
GHVSRUHODVGHVHQYROYLGDVUHIRUPD Enquanto esse espaço virtual não fica pron-
ampla do estatuto da APCF e criação Reunião de Diretores to, Brandão vem usando os e-mails para deixar
de um canal de comunicação interna com asso- Além da Diretoria Executiva, os peritos cri- os associados a par de tudo o que a Associação
ciados e diretores. A campanha vitoriosa para a minais federais elegeram também 29 diretorias vem realizando. Esses e-mails são enviados
Diretoria Executiva da APCF teve, como carro regionais em todas as unidades federativas. diretamente aos associados e aos diretores
chefe, essas três propostas. À frente da equi- Com o objetivo de proporcionar maior integra- regionais. Uma lista contendo os títulos desses
pe, no cargo de presidente, está o ex-diretor ção entre todas as lideranças e de apresentar e-mails foi disponibilizada no menu principal do
do Instituto Nacional de Criminalística, Octavio as propostas da Diretoria Executiva, a APCF site da APCF. Aqueles que porventura não rece-
Brandão Caldas Netto. convocou uma Reunião de Diretores em Brasília, beram qualquer e-mail listado poderão solicitá-
“Não assumi este novo desafio por ambi- entre os dias 14 e 16 de março. Temas como a los junto à secretaria da Associação.
ções pessoais, mas sim pela necessidade de situação administrativo-financeira da APCF, IV
tentar reverter situações que desagradavam Encontro Nacional de Peritos Criminais Federais, Encontrão
a maioria dos associados e realizar um traba- Lei Orgânica, e reforma do estatuto – por exigên- A escolha da data para a Reunião de
lho que possa priorizá-los e, ao mesmo tempo, cia legal, e pela necessidade de uma reforma Diretores levou em conta um outro evento
promover o fortalecimento das diretorias regio- mais ampla visando instituir aos associados que estava sendo organizado pelo Grupo das
nais, a valorização da perícia federal e maior benefícios que eles hoje não possuem e regu- Entidades Representativas de Classe da Polícia
integração com outras entidades de classe”, lamentando alguns pontos obscuros do atual Federal (GERC), com o objetivo de cobrar, do
ressaltou Brandão logo nos primeiros dias na estatuto –, além de assuntos gerais de interesse governo, a segunda parcela do reajuste sala-
presidência da APCF. da Criminalística e do Departamento de Polícia rial acertada com o então ministro da Justiça,
Experiente, Brandão sabe por onde come- Federal, foram amplamente discutidos. Márcio Thomaz Bastos. O Encontrão, como
çar. “A grande maioria dos nossos associados Brandão deixou claro que pretende aper- ficou conhecida a manifestação pública de pro-
estão nas regionais, e é por meio delas que feiçoar o site e colocar em prática um projeto testo realizada em 15 de março no MJ, reuniu,
chegaremos a eles”, argumenta. Ao assumir a antigo da APCF: a área restrita, onde, por pela primeira vez na história do Departamento
APCF, deixou claro que, para ele, promessa de meio de fóruns, serão discutidas as principais de Polícia Federal (DPF), dirigentes nacionais
campanha é meta. Freqüentando diariamente questões de interesse da categoria. Com isso e regionais de todas as entidades associati-
a sede da APCF, vem mantendo contato fre- os problemas de comunicação interna serão vas, sindicais e federativas ligadas ao órgão.
qüente com todos os estados por meio de tele- definitivamente solucionados. Mas não é só. “Foi uma data para ficar na memória”, declarou
fonemas e e-mails. “Há temas que precisam ser Enquetes farão sondagens constantes das Brandão durante a manifestação que pedia o
dialogados. Se apenas informamos, corremos opiniões da categoria em relação aos mais cumprimento do acordo relativo à segunda par-
o risco de produzir apenas monólogos. Estarei diversos temas. “Nossos planos incluem a cela de reajuste salarial dos policiais federais.

Para os PCFs Renato Barbosa, Roosevelt


Leadebal Júnior, Octavio Brandão e Paulo
César Pedroza, promessas de campanha
são as metas da nova Diretoria Executiva

36 Perícia Federal
peritos criminais federais já trabalham no limi-
te. E que se a greve acontecer, o acúmulo de
laudos pendentes poderá comprometer defi-
nitivamente o andamento dos inquéritos que
dependem da materialidade da prova, con-
seguida exclusivamente por meio dos laudos
periciais”, alertou Brandão.
Recém-empossado ministro da Justiça,
Tarso Genro vinha manifestando publicamen-
te seu apoio em favor das reivindicações dos
policiais federais, com quem já havia, inclusive,
se reunido. A atitude de Genro foi largamen-
te elogiada por todas as lideranças do GERC.
“As entidades classistas representam a própria
racionalidade e o sentido da estrutura pública.
Vejo legitimidade no movimento de vocês. Por
isso estou aqui, fazendo essa visita de cortesia,
respeito e reconhecimento”, declarou o minis-
tro ao se encontrar com as lideranças. Mas a
mesma boa-vontade ainda não era comparti-
lhada pelas autoridades do MPOG.

MPOG
)RUDPPXLWDVDVPDQLIHVWDo}HVS~EOLFDVFREUDQGRGRJRYHUQRRVFRPSURPLVVRVDVVXPLGRV
No dia 26 de abril a situação começou a
mudar, quando o MPOG reconheceu que o
“O presidente Lula declarou em diversos do resultados. Em Brasília, na manifestação
compromisso assumido pelo ex-ministro da
momentos que o que for acertado em uma do 18 de abril, todas as categorias de policiais
Justiça é oficial e será cumprido. Com isso, a
mesa de negociação deve ser cumprido. O federais e civis se reuniram em frente ao edifí-
possibilidade de greve ficou mais remota. “Eles
tratamento dado à Polícia Federal não poderia cio-sede do DPF e fizeram uma caminhada
nos pediram para substituir o calendário de gre-
seguir outro caminho, em nome do reconheci- de protesto até o Ministério do Planejamento,
ves por um calendário de negociações”, infor-
mento que, graças à qualidade de nosso tra- Orçamento e Gestão (MPOG). Sensibilizado
mou o presidente da APCF, Octavio Brandão,
balho, obtivemos junto a toda a sociedade”, pelas manifestações e pelos parlamentares que
representante dos peritos criminais federais na
declarou Brandão em meio aos protestos. participaram do ato, o ministro Paulo Bernardo
reunião. Foi então agendada uma nova reunião,
Até então sem obter nenhum retorno con- abriu nova mesa de negociações, e recebeu, no
para o dia 8 de maio – a primeira a definir, num
creto por parte do governo, as entidades progra- dia seguinte, as lideranças classistas do DPF e
prazo de 30 dias, a forma como a segunda par-
maram uma série de ações posteriores. Entre da Polícia Civil do DF.
cela de recomposição será implementada.
elas, duas paralisações de 24 horas, nos dias A possibilidade de greve e a conseqüente
“A atitude sensata e justa do governo, em
28 de março – data comemorativa aos 44 anos paralisação chamaram a atenção da mídia.
reconhecer o acordo de recomposição salarial
do DPF – e 18 de abril. Em meio a isso, foi pro- Os problemas que seriam decorrentes de
já firmado, e o empenho por eles manifesta-
tocolada, no dia 5 de abril, junto ao Palácio do uma paralisação ou, na pior das hipóteses, de
do no sentido de cumpri-lo restabeleceram a
Planalto, uma carta endereçada ao presidente uma greve, foram largamente noticiados. Em
confiança que deve existir entre os membros
Lula, cobrando a ratificação dos compromissos nota, a APCF alertou sobre o histórico pro-
da instituição e os chefes do atual governo. A
assumidos pelo governo federal. blema de defasagem de peritos no quadro da
greve era tudo que nós policiais federais não
Polícia Federal, e que qualquer tipo de para-
queríamos, pois sabemos da importância do
Apoio do MJ lisação poderia prejudicar o andamento dos
nosso papel junto à sociedade, principalmente
E as manifestações acabaram apresentan- laudos. “O governo precisa entender que os
em um momento como o atual, de grave crise
na área de segurança pública. A sociedade já
reconhecia a nossa causa. E o governo não
poderia seguir outro caminho. ”, declarou, em
nota à Imprensa, Brandão.

Final feliz
Depois de muita negociação, a proposta
do governo em dividir a segunda parcela de
reajuste foi aceita pelos peritos, após convoca-
ção de uma Assembléia Geral Extraordinária
Distribuída. Segundo a proposta, o reajuste
será dividido em três parcelas a serem pagas
em setembro/2007, fevereiro/2008 e feverei-
ro/2009. “Parabéns a todos os que entende-
ram os nossos esforços e dos demais integran-
tes do GERC, e pelo discernimento e lucidez
que tiveram na tomada de decisões”, declarou
O grande número de peritos criminais
Brandão, após assinar o termo de compro-
federais que aderiram às manifesta-
misso entre a APCF, demais entidades clas-
ções e paralisações de 24 horas
demonstraram a força da categoria sistas ligadas ao GERC e os ministros Paulo
Bernardo e Tarso Genro.

Perícia Federal 37
NOTAS E CURTAS: PEDRO PEDUZZI

Comunicação interna

CSPCCO convida
APCF para parceria
O presidente da Comissão de Segurança Pública
A área restrita do site, proposta apresentada durante a campanha
e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO), depu-
da atual Diretoria Executiva, está prestes a se tornar realidade. Uma das
tado João Campos (PSDB-GO), convidou a APCF
primeiras ações do presidente da APCF, Octavio Brandão Caldas Netto,
para uma parceria visando discutir, elaborar e execu-
após assumir o cargo, foi a de contratar um programador para desenvol-
tar propostas voltadas para enfrentar e solucionar os
ver esta que será a ferramenta ideal para que os peritos criminais federais
inúmeros problemas na área da segurança pública.
discutam as questões mais relevantes para a categoria. “A área restri-
“Estamos certos do grande potencial de contribuição
ta criará um canal de comunicação interna sem igual para nós”, garante
que temos para com a comissão, graças aos conhe-
Brandão. Outra forma de comunicação adotada é por e-mails. Para tanto
cimentos adquiridos ao longo de nossas atuações
está disponibilizada no site da APCF uma lista de e-mails enviados por
enquanto Polícia Judiciária, principalmente no campo
Brandão aos diretores regionais e demais associados. Agora só não se
forense e no combate às mais modernas e tecnoló-
informa quem não quer.
gicas práticas criminosas”, declarou, em resposta, o
presidente da APCF, Octavio Brandão Caldas Netto.

Curso de línguas
Livro para Uma parceria entre a APCF e o curso
a estante de línguas Fisk possibilitará que os peri-
tos associados e seus dependentes
obtenham descontos especiais para os
O livro Perícia e Investigação de cursos de inglês e espanhol em todas
Fraude (AB-Editora), escrito pelo PCF as escolas Fisk do Brasil. Os descontos
Fernando de Jesus Souza, já tem lançada são de 10% para os cursos promocio-
sua 3ª edição, que, além de ser atualiza- nais e de 20% para os cursos normais.
da conforme o Novo Codigo Civil e apre- É necessária a apresentação de decla-
sentar casos atuais sobre fraudes, traz ração fornecida pela APCF para as
um novo capítulo, relativo à construção e matrículas dos conveniados. Mais infor-
redação de pareceres e laudos periciais. mações nos telefones (61) 3346 9481,
Este livro busca auxiliar no caminho de para ligações feitas a partir de Brasília,
preparação para investigação e elabora- 0800 703 2723, para as feitas a partir de
ção de prova para a tomada de decisão outras localidades, e pelo telefone geral
judicial, preenchendo uma lacuna na lite- das escolas Fisk (0800 773 3475).
ratura nacional no oferecimento de méto-
dos e técnicas disponíveis para aplicação
no processo de investigação de crimes de
fraudes financeiras e contábeis.
English - Español

38 Perícia Federal
PL do Superfaturamento

Aprovado e apoiado
Depois de aprovado na CCJC, o PL 6.735/06 foi citado
no relatório da CPMI das Ambulâncias e recebeu apoio
de membros de todos os tribunais de contas do país

As dificuldades identificadas por peritos criminais fede- A Fenastc manifestou publicamente apoio público ao
rais para tipificar algumas práticas criminosas resultaram na PL após conhecê-lo durante o XI Simpósio Nacional de
sugestão de projetos de lei a parlamentares interessados em Auditoria de Obras Públicas (XI SINAOP) – evento que
modernizar e aperfeiçoar as leis brasileiras. A exemplo do PL reuniu, em Foz do Iguaçu, membros de todos os Tribunais
do Superfaturamento – PL 6.735/06, que tipifica crimes de de Contas do país.
malversação de recursos públicos –, outros projetos estão “Com a aprovação do referido PL na CCJC esperamos
sendo preparados e, pela receptividade dos parlamentares, que o mesmo tenha uma rápida tramitação nas demais
estarão, em breve, tramitando no Congresso Nacional. fases legais. Assim sendo, solicitaremos apoio aos envol-
Aprovado por unanimidade na Comissão de Constituição vidos para que a matéria seja apreciada pela mesa da
e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, Casa com a máxima urgência possível”, declarou o presi-
o PL do Superfaturamento conquistou lugar de honra, ao ser dente da entidade, Amilson Carneiro.
citado no relatório da CPMI das Ambulâncias pelo então
senador Amir Lando (PMDB-RO). Durante a preparação do Livro da APCF
documento, os assessores do senador tiveram dificuldades “Diante da importância dessa brilhante iniciativa para
em tipificar alguns crimes praticados pelos envolvidos. Foi o aperfeiçoamento da Administração Pública em todas as
quando se deram conta de que estava em tramitação, na suas esferas governamentais, urge a sua imediata apro-
Câmara, um PL que, se já tivesse sido convertido em lei, vação. Dessa forma, esperamos que tenha o referido pro-
contribuiria – e muito – para punição dos culpados. jeto uma rápida tramitação nas demais fases do processo
“O senador sempre pede nosso auxílio para ajudá-lo a legislativo”, declarou o presidente do CEAPE, Roberto
preparar relatórios que vão além do aspecto investigativo, Moraes Sanchotene, que também solicitará o apoio dos
e apresentem soluções ou, pelo menos, sugestões para parlamentares visando uma rápida tramitação da matéria.
diminuir os problemas identificados. Ao longo da nossa “Infelizmente é impossível dar, à tramitação das leis,
pesquisa nos deparamos com o PL preparado pela APCF, velocidade similar à criatividade da mente criminosa.
que a nosso ver facilitaria bastante a constatação das prá- Mas podemos, pelo menos, ajudar o Legislativo a dimi-
ticas criminosas adotadas pelos Sanguessugas”, avalia o nuir essa diferença por meio dos nossos conhecimentos,
assessor Técnico do senador, José Rodrigues. apresentando propostas mais eficientes e embasadas, e,
conseqüentemente, tramitações mais céleres”, argumen-
Mais apoios ta o presidente da APCF, Octavio Brandão Caldas Netto.
Além da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil Sugestões como as citadas por Octavio Brandão
(CNBB), e do Departamento Nacional de Infra-Estrutura serão apresentadas na forma de livro. “A atual Diretoria
de Transportes (DNIT), outras entidades engrossaram o Executiva dará seqüência à idéia de nossos antecessores
caldo de apoio ao PL do Superfaturamento. É o caso do no que se refere à preparação de um livro contendo, de
Departamento de Polícia Federal (DPF), do Instituto forma embasada, as sugestões de projetos de lei para o
Nacional de Criminalística (INC), do Centro de Auditores Legislativo”, informa Brandão.
Públicos do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande No livro serão apresentadas, na forma de artigos
do Sul (CEAPE/TCE/RS), do Sindicato dos Servidores do autorais, descrições sobre práticas criminosas, ações
Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União periciais e, por fim, sugestões para que a sociedade se
(Sindilegis), e da Federação Nacional das Entidades dos previna de crimes similares aos já investigados pela
Servidores dos Tribunais de Contas do Brasil (Fenastc). Polícia Federal.