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Federação das Câmaras de Comércio Exterior Federación de las Cámaras de Comercio Exterior

La FCCE es la más antigua Asociación de Clase dedicada exclusivamente a las actividades de Comercio Exterior. Fundada en el ano 1950, por el empresario João Daudt de Oliveira (se debe a él la fundación de la Confederación Nacional de Comercio – CNC, 5 años antes), la FCCE opera, ininterrumpidamente, desde hace más de 50 años, incentivando y apoyando el trabajo de las Cámaras Bilaterales de Comercio, Consulados Extranjeros, Consejos Empresariales y Comisiones Mixtas a nivel federal. La FCCE, por fuerza de su Estatuto, tiene ámbito nacional y posee Vicepresidentes Regionales en diversos Estados de la Federación, operando también en el plano internacional, a través de “Convenios de Cooperación” firmados con diversos organismos de la más alta credibilidad y tradición, a ejemplo de la International Chamber of Commerce (Cámara de Comercio Internacional – CCI), fundada en 1919, con sede en París, y que posee más de 80 Comités Nacionales, en los 5 continentes, además de operar la más importante “Corte Internacional de Arbitraje” del mundo, fundada en el año 1923. La FEDERACIÓN DE LAS CÁMARAS DE COMERCIO EXTERIOR tiene su sede en la Avenida General Justo nº 307, Río de Janeiro, (Edifício de la Confederación Nacional de Comercio - CNC) y mantiene con esta entidad, hace casi dos décadas, “Convenio de Respaldo Administrativo y Protocolo de Cooperación Mutua”. En un pasado reciente, la FEDERACIÓN DE LAS CÁMARAS DE COMERCIO EXTERIOR – FCCE firmó Convenio con el CONSEJO DE CÁMARAS DE COMERCIO DE LAS AMÉRICAS, organismo que representa a las Cámaras Bilaterales de Comercio de los siguientes países: ARGENTINA, BOLIVIA, CANADÁ, CHILE, CUBA, ECUADOR, MÉXICO, PARAGUAY, SURINAME, URUGUAY, TRINIDAD Y TOBAGO y VENEZUELA. Además de varias decenas de Cámaras Bilaterales de Comercio afiliadas a la FCCE en todo Brasil, forman parte de la Directoria actual, los Presidentes de las Cámaras de Comercio: Brasil-Grecia, Brasil-Paraguay, BrasilRusia, Brasil-Eslovaquia, Brasil-República Checa, Brasil-México, Brasil-Belarus, Brasil-Portugal, Brasil-Líbano, Brasil-India, Brasil-China, Brasil-Tailandia, Brasil-Italia y Brasil-Indonesia, además del Presidente del Comité Brasileño de la Cámara de Comercio Internacional, el Presidente de la Asociación Brasileña de las Empresas Comerciales Exportadoras – ABECE, el Presidente de Ia Asociación Brasileña de la Industria Ferroviaria – ABIFER, el Presidente de la Asociación Brasileña de los Terminales de Contenedores, el Presidente del Sindicato de las Industrias Mecánicas y Material Eléctrico, entre otros. Súmese aun, la presencia de diversos Cónsules y diplomáticos extranjeros, entre los cuales, el Cónsul General de la República de Gabón, el Cónsul de Sri Lanka (antiguo “Ceilán”), y el Ministro Consejero Comercial de la Embajada de Portugal. La Directoria

DIRECTORIA PARA EL TRIENIO 2006/2009
Presidente

JOÃO AUGUSTO DE SOUZA LIMA

1 st V i c e p r e s i d e n t e

PAULO FERNANDO MARCONDES FERRAZ

Vicepresidentes

Vicepresidente Europa

Arlindo Catoia Varela Gilberto Ferreira Ramos Joaquim Ferreira Mângia José Augusto de Castro Ricardo Vieira Ferreira Martins

Jacinto Sebastião Rego de Almeida (Portugal)
Vicepresidente Nor te

Cláudio do Carmo Chaves
Vicepresidente Sudeste

Antonio Carlos Mourão Bonetti
Vicepresidente Sur

Arno Gleisner

Directores

Diana Vianna De Souza Marie Christiane Meyers Alexander Zhebit Alexandre Adriani Cardoso Andre Baudru Augusto Tasso Fragoso Pires Cassio José Monteiro França Cesar Moreira Charles Andrew T'Ang Daniel André Sauer Eduardo Pereira De Oliveira José Francisco Fonseca Marcondes Neto Luis Cesario Amaro da Silveira

Luiz Oswaldo Aranha Marcio Eduardo Sette Fortes de Almeida Oswaldo Trigueiros Júnior Raffaele Di Luca Ricardo Stern Roberto Nobrega Roberto Cury Roberto Habib Roberto Kattán Arita Sergio Salomão Sizínio Pontes Nogueira Sohaku Raimundo Cesar Bastos Stefan Janczukowicz

Consejo Fiscal (Titulares)

Delio Urpia de Seixas Elysio de Oliveira Belchior Walter Xavier Sarmento

EDITORIAL

Oportunidades para bens e serviços

APOIO

A

FEDERAÇÃO DAS CÂMARAS DE COMÉRCIO EXTERIOR – FCCE chegou ao seu

19º seminário bilateral, em um ano e meio de eventos concorridos que mobilizaram os principais ministros, técnicos e empresários brasileiros e estrangeiros ligados à área internacional. Os excelentes resultados produzidos a partir dos temas tratados, e a conseqüente geração de negócios levaram às mãos de João Augusto de Souza Lima, Presidente da FCCE, uma carta oficial encaminhada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC,congratulandoo pelo esforço e pelos relevantes serviços prestados em prol da diversificação de mercados e do incremento na corrente de comércio do Brasil. O Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá contou com a participação, nos painéis, de grandes empresas nacionais, como Odebrecht, Andrade Gutierrez, Embraer, entre outras, interessadas na realização de negócios com aquele país. A presença da diretora geral de promoção de investimentos do Ministério de Comércio e Indústrias do Panamá e do presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Panamá, além do embaixador plenipotenciário daquele país, que vieram exclusivamente para o seminário, no Rio de Janeiro, serviu para engrandecer o evento, que contou, ainda, com a participação de representante do Quijano & Associados, um dos mais importantes escritórios de advocacia do Panamá. O ambiente econômico e jurídico estável, propício a investimentos com um invejável rol de oportunidades, principalmente no que se refere a projetos da área de construção civil e engenharia; um centro financeiro internacional, servido por mais de 70 bancos estrangeiros; uma localização privilegiada, no centro das Américas, com portos nos Oceanos Atlântico e Pacífico, e centros logísticos avançados; uma infra-estrutura turística de excelente qualidade, com hotéis Marriott, por exemplo. Tudo isso é o Panamá. Mais do que um canal, é um país que oferece oportunidades de negócios e de lazer. Neste 2006, um ano no qual o volume de investimentos brasileiros no exterior deverá superar a entrada de recursos, nada mais natural que países como o Panamá atraiam a atenção do Brasil, que possui empresas cada vez mais internacionalizadas. Além disso, o Panamá, a despeito do fato de não possuir peso expressivo na balança comercial brasileira, oferece oportunidades de vulto com as obras de alargamento do Canal do Panamá, as quais representam possibilidade efetiva de ampliação da exportação de serviços. O canal é, hoje, bem mais do que apenas um canal; trata-se de uma empresa que gera inúmeros empregos e que executa, com segurança, a travessia de cerca de 16.000 navios/ano, contribuindo para o barateamento dos fretes e para maior agilidade no trânsito de mercadorias entre os dois oceanos. As obras de ampliação do canal que permitirão a passagem dos grandes navios post-panamax são de interesse mundial e deverão contar com a participação de empresas brasileiras. A balança comercial brasileira pode receber efetiva contribuição, também, do aumento da exportação de bens para aquele país, considerando suas vantagens como centro de distribuição de mercadorias. Exaltamos, neste número, as vantagens oferecidas pelo Panamá. Interessado? Saiba que o Panamá está ligado ao Brasil por vôos diretos, oferecidos pela Copa Airlines e que novas linhas estão sendo inauguradas, de forma a tornar o intercâmbio com aquele país ainda mais intenso. Boa leitura. O EDITOR

CONSELHO DE CÂMARAS DE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS

Expediente
Produção
Federação das Câmaras de Comércio Exterior – FCCE Av. General Justo, 307/6o andar Tel.: 55 21 3804 9289 e-mail: fcce@cnc.com.br

Editor
O coordenador da FCCE

Textos e Repor tagens
Elias Fajardo Fernanda Pereira Ferreira José Antonio Nonato

Projeto Gráfico, Edição e Ar te
Estopim Comunicação Tel.: 55 21 2518 7715 e-mail: estopim@estopim.com

Revisão
Maria Virgínia Villela de Castro

Fotografia
Christina Bocayuva

Secretaria
Maria Conceição Coelho de Souza Sérgio Rodrigo Dias Julio As opiniões emitidas nesta revista são de responsabilidade de seus autores. É permitida a reprodução dos textos, desde que citada a fonte.

SUMÁRIO

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E N T R E V I S TA
Juan Bosco Bernal

50 I N T E R C Â M B I O
“Desejamos estabelecer muitas parcerias com os brasileiros” Muitas vantagens para novos investimentos no Panamá Uma vitrine do comércio mundial

“A aproximação entre Brasil e Panamá pode beneficiar, também, o resto da América Latina”
Carlos Antonio Bettencourt

“Bons amigos fazem bons negócios”

18 A B E RT U R A
Ampliação do Canal do Panamá vai favorecer todo o continente

5 4ENGENHARIA
Andrade Gutierrez quer investir desenvolvimento panamenho no

22 P A I N E L I
Desenvolvimento e diversificação

5 6 E M PAU TA
Secretaria de Comércio Exterior elogia a realização dos seminários bilaterais da FCCE

26 P A I N E L I I
Infra-estrutura traz vantagens para investimento no Panamá

58 T E N D Ê N C I A
“Toda empresa gostaria de ter um entreposto no Panamá”

34 P A I N E L I I I
Turismo e hotelaria: duas importantes atividades

59 A V I A Ç Ã O
Nova rota Rio de Janeiro-Panamá

38 E N C E R R A M E N T O
Turismo e integração bilateral

24 P A R C E R I A
Brasil: um país estratégico para todos os panamenhos

42 T U R I S M O
Panamá, portal do Caribe “Em 2010, o turismo deverá ser um dos principais itens de exportação do Brasil” “O intercâmbio comercial desperta a curiosidade pelo conhecimento do país” Hotelaria: negócio de luxo e qualidade

61 D E S E N VO LV I M E N T O
Odebrecht realiza projeto de irrigação na província de Chiriquí

62 H I S T Ó R I A
Os índios cunas

65 R E L A Ç Õ E S B I L AT E R A I S 70 C U RTA S

ENTREVISTA

“A aproximação entre Brasil e Panamá pode beneficiar, também, o resto da América Latina”
O Embaixador Plenipotenciário do Panamá, Juan Bosco Bernal, é um entusiasta do potencial humano, natural e comercial de seu país, que, segundo ele, tem muitas oportunidades de negócios a oferecer aos brasileiros, pois fica no centro das Américas e dispõe de um canal e um sistema logístico que inclui portos no Pacífico e no Atlântico. Nesta entrevista à revista da FCCE, ele mostra também seu entusiasmo pela integração com o Brasil. Segundo o embaixador, para seu país, o mais importante seria a instalação, em território panamenho, de indústrias que gerem renda para ajudar a melhorar o nível de vida do povo. “Essa associação estreita entre Brasil e Panamá permitiria, também, o progresso de outros países da área e uma maior integração da América Latina”.
Quais são as suas expectativas em relção a este seminário? JBB – Em primeiro lugar, quero agradecer à FCCE por esta oportunidade de mostrar o que podemosa oferecer ao Brasil, à América Latina e ao mundo. Nossa expectativa fundamental é divulgar o Panamá no âmbito do comércio internacional, enfatizando sua posição geográfica privilegiada, seus múltiplos atrativos turísticos e, ao mesmo tempo, suas possibilidades acadêmicas, científicas e tecnológicas. Mais que um canal, somos um país com oportunidades para a realização de bons negócios, para o investimento e, também, para o divertimento saudável, já que temos boas praias, excelentes locais para compras e santuários de turismo ecológico. Somos um país amável, seguro e que
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acolhe muito bem, com carinho e afeto, todas as pessoas que o visitam. Em termos de produtos e de serviços, o que seria importante para o Panamá importar do Brasil e vice-versa? JBB – O Panamá é um grande centro de comércio internacional. A maior oportunidade que vislumbramos é que o Brasil possa aproveitar a nossa posição geográfica para reexportar e distribuir seus produtos a outras regiões, como o Caribe, a América Central, o Oeste e o Norte dos Estados Unidos, o Canadá, os países da Ásia e todos os que se situam à beira do Pacífico. Esse é, provavelmente, o produto mais importante de que dispomos. Obviamente, temos, também, produtos agropecuários, como frutas tropicais, ca-

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ENTREVISTA
marões e pescado. O fundamental, porém, é estarmos no centro das Américas, com um canal e um sistema logístico que inclui portos no Pacífico e no Atlântico, que inclui a Zona de Livre Comércio de Colón para a exportação e reexportação de produtos, assim como um sistema especial, no Pacífico, para instalação de fábricas servidas por uma ferrovia. De nossa parte, o que o Brasil pode oferecer ao Panamá? JBB – O Brasil pode nos oferecer a instalação de suas empresas em nosso território: indústrias que gerem empregos e que tenham um valor agregado para o povo panamenho. O Brasil é quase um continente, produz a maior parte do que necessita, mas seria importante que pudesse, também, receber produtos de boa qualidade que possam estimular a competição interna. O mais importante, volto a frisar, seria a instalação, no Panamá, de indústrias que gerem renda para ajudar a melhorar o nível de vida do povo panamenho. Essa associação estreita entre os dois países permitiria, também, o progresso de outros países da área e uma maior integração da América Latina. O petróleo brasileiro é um produto cuja exportação interessa ao Panamá? JBB – Para o Panamá, o petróleo brasileiro é muito importante. Se conseguíssemos firmar um acordo com a Petrobras, para instalar no Panamá uma usina de refinação de petróleo, e para vendê-lo na região, isso seria importantíssimo. Além de se constituir em uma alternativa energética, seria uma empresa geradora de empregos e renda para o desenvolvimento nacional. A vantagem é que já dispomos de um oleoduto com 150 quilômetros, que vai do Atlântico ao Pacífico, com portos em ambas as extremidades, permitindo que o petróleo trafegue de um oceano a outro.Temos, ainda, tanques para armazenar o produto refinado e seus subprodutos. Ninguém oferecerá melhores condições do que o Panamá. O Brasil oferece veículos em geral e, particularmente, os automóveis.
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O Panamá tem uma produção própria, ou estaria interessado em importá-los? JBB – O Panamá não produz veículos, apenas os consome e redistribui. Temos uma grande zona de livre comércio que os importa e distribui. Queríamos, contudo, chegar a um acordo com os produtores de automóveis: talvez um só produtor que quisesse se instalar no Panamá, iniciando o seu processo industrial no Brasil e complementando-o em meu país, podendo, então, exportá-los. Fale um pouco das características mais típicas desse país tão pequeno, mas servido por dois oceanos. JBB – O Panamá é um istmo muito estreito que possui, na zona do canal, 80 quilômetros de largura de um oceano ao outro e, em sua parte mais estreita, 51 quilômetros. Pode-se fazer uma expedição, de um lado a outro, ida e volta, a pé, em um fimde-semana. Historicamente, é multiétnico e pluricultural . Em razão de sua posição de trânsito, em meados do século XIX construiu uma estrada de ferro para transportar, do Atlântico ao Pacífico, as pessoas interessadas no ouro da Califórnia. Antes disso, o Panamá já recebia visitantes e imigrantes de diferentes países e culturas. Hoje, o país é uma mescla de descendentes de espanhóis, americanos, negros vindos da África e índios – temos cinco povos indígenas no Panamá. Convivem, também, em nosso território, hebreus, árabes e chineses, em plena paz, sem problemas. O processo de separação do Panamá da Colômbia foi pacífico? JBB – Foi uma transição, obviamente vigiada pelos americanos, que tinham interesse na construção do canal. A idéia de construí-lo havia sido rechaçada pelo congresso colombiano, ao denunciar um tratado que permitiria construir o canal sob administração do país. Essa separação, que ocorreu em 3 de novembro de 1903, no entanto, não foi violenta. Há descendentes de colombianos por lá, ainda? Como são as relações entre os dois países?

JBB – Há muitos descendentes e as relações são boas. Sempre houve uma espécie de muro natural separando a Colômbia do núcleo mais habitado do Panamá, a floresta tropical, não devassada. Até hoje, não há rodovias que atravessem a fronteira entre os dois países. Toda a comunicação se fazia por navios e, a partir do século XX, também por aviões. Nossas relações com todos os países do mundo são boas, até mesmo com os Estados Unidos, de quem obtivemos o canal em uma negociação que envolveu um gigante e um país pequenino. Muitos nos perguntavam: “Com que armas vocês vão reivindicar o canal dos Estados Unidos?” Naquele momento, OmarTorrijos Herrera, o presidente panamenho, respondeu: “Com as armas da razão, que são as mais fortes que temos.” E logrou conquistá-lo, dando um exemplo para a América e para o mundo, por meio da assinatura dos Tratados Torrijos-Carter, com um calendário de 23 anos. Os tratados foram firmados em 1977 e o canal foi revertido ao Panamá em 31 de dezembro de 1999. Os panamenhos têm o presidente Jimmy Carter na conta de um estadista? JBB – Claro. Foi um homem de grande visão, que deve ter sofrido pressões fortíssimas de muitos setores da sociedade americana e resistiu, optando por fazer o que era justo. Muitos americanos diziam que o canal era um patrimônio do país e que não se poderia cedê-lo. Só que o canal pertencia ao Panamá, havia sido construído em suas entranhas e pertencia aos panamenhos. O Presidente Carter soube reconhecer esse nosso direito. Quando o canal foi devolvido aos panamenhos, em 1999, muitas pessoas previram que não iria funcionar bem sem a assistência dos americanos, argumentando que os latino-americanos, em geral, e os panamenhos, particularmente, não tinham capacidade para operá-lo com eficiência. Que aconteceu? Seis anos depois, o canal funciona de maneira mais eficiente, segura e transparente do que no tempo em que era administrado pelos americanos. Isso quem lhe diz não é o embaixador,

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mas os proprietários de empresas marítimas de todo o mundo, que utilizam o canal diariamente. O canal é uma fonte de renda muito importante para o Panamá? JBB – Sim, muito importante. Agora, temos um projeto para ampliá-lo. Vai ser construído um outro, ou o canal atual será alargado? JBB – Ao lado das duas rotas que já existem, pretendemos construir uma terceira, e um terceiro jogo de eclusas, para ampliar, aprofundar e alargar uma parte do canal, permitindo que os maiores barcos possam transitar por ele. Atualmente, os barcos grandes têm de procurar outras rotas e isto redunda em prejuízo para as companhias de navegação. Eis porque o Panamá resolveu impulsionar o projeto da ampliação do canal. No próximo mês de outubro será realizado um referendo no país, para consultar a opinião dos cidadãos a respeito dessa ampliação, como determina a nossa constituição. Já existem uma lei e uma decisão governamental, agora vamos esperar os resultados dessa consulta popular, pois, sem a aprovação da maioria dos panamenhos, não podemos ampliar o canal. Aprovada a ampliação, as obras começarão em 2007. Em sua opinião, o povo panamenho vai referendar a ampliação do canal? JBB – As oportunidades e vantagens da ampliação são óbvias e infinitas. Existem, no entanto, alguns setores que não pensam dessa maneira. Por quê? JBB – Acham que o dinheiro não vai ser bem utilizado, que é mais ou menos o que se dizia quando da devolução do canal. E o senhor acha que a renda obtida com o canal reverte mesmo para a melhoria das condições de vida dos panamenhos? JBB – Reverte em educação, em saúde e em infra-estrutura. Quais são os índices de analfabetis-

cursos aos mais pobres, de acordo com seus rendimentos. Isso permitirá equilibrar a distribuição de renda, mas é um programa de longo prazo, que não vai resolver o problema da noite para o dia. O importante é que se invista em saúde e em educação. Nunca houve, no Panamá, tendências à adoção de regimes ditos igualitários, como o de Cuba? JBB – Nunca. O povo panamenho sempre entendeu que o regime de mercado é o que melhor convém à economia do país, que a participação da empresa privada no desenvolvimento é fundamental, que a segurança jurídica dos que investem no país tem que ser garantida.Talvez, por isso, a renda mais expressiva do Panamá tenha origem no setor de serviços. Sete de cada dez dólares obtidos pela arrecadação do governo provêm do setor de serviços, constituído, principalmente, pelo canal, pelos setores de comunicações e telecomunicações, pelo setor financeiro, pelo setor de transportes e pela Zona de Livre Comércio de Colón. À exceção do canal, que pertence ao governo por causa de sua posição estratégica, todos os demais setores que mencionei são privados. Que palavras o senhor gostaria de dirigir aos nossos leitores, ao fim desta entrevista? JBB – Gostaria de agradecer e de dizer que o Panamá e o Brasil são povos irmãos, que têm boas relações desde o princípio do século XX. É verdade que não nos conhecemos muito. Os brasileiros sabem que nós existimos, mas quase sempre não sabem onde fica nosso país. Quanto aos panamenhos, por sua vez, é muito difícil que conheçam bem um país tão grande e múltiplo como o Brasil. Em compensação, temos dois mil estudantes panamenhos que se profissionalizaram em cursos administrados no Brasil. A amizade e o reconhecimento devem continuar, portanto, nesta nova etapa da globalização, na qual um gigante como o Brasil pode ter como parceiro um país de economia menor, obtendo as vantagens comparativas que o Panamá pode oferecer.
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Somos uma mescla de descendentes de espanhóis, americanos, negros da África e índios
JUAN BOSCO BERNALN

mo e de escolaridade do povo panamenho? JBB – Temos bons índices, no momento. Todas as crianças que estão em idade de freqüentar a escola primária, ou seja, de 6 a 11 anos, estão na escola. E a saúde, como vai? JBB – Bastante bem. É verdade que ainda temos comunidades de alguma forma marginalizadas, como os indígenas, por exemplo, que representam 10% da população, assim como algumas comunidades rurais do interior e outras urbanas. Elas têm requerido maior atenção do governo, ultimamente. A ampliação do canal deverá gerar mais renda para ser investida na melhoria das condições de vida dessas camadas de nossa população. O Brasil sofre com a concentração de renda. No Panamá ocorre algo parecido? JBB – O Panamá e o Brasil são dois países em que a renda é grande, mas mal distribuída. No Panamá, o governo tem desenvolvido uma ação, por intermédio de uma rede de proteção social, que direciona re-

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ENTREVISTA

“Bons amigos fazem bons negócios”
O Embaixador Carlos Antonio Bettencourt Bueno é um homem experiente, tendo ocupado postos nos mais diversos continentes. Uma de suas paixões é o Panamá, país onde serviu de 1983 a 1986, e com o qual mantém, ainda hoje, uma relação bastante próxima. Nesta entrevista à revista da FCCE, ele comenta os vários aspectos do relacionamento bilateral entre o Brasil e o Panamá e realça a importância que o comércio desempenha ao aproximar povos e nações. Revela, igualmente, o desejo de que a ampliação do Canal do Panamá possa beneficiar o maior número possível de panamenhos.

O senhor foi embaixador do Brasil no Panamá. Qual a importância do canal para os panamenhos? CB – Como se sabe, o Panamá fica numa região que pertencia à Colômbia. Houve uma guerra de independência, com o apoio dos Estados Unidos, e ele tornouse um país independente, em 1903. A partir de então, todos os olhos voltaram-se para a perspectiva de construção do Canal do Panamá, uma iniciativa muito importante por razões estratégicas, sobretudo para os Estados Unidos e, também, uma via de acesso significativa para o comércio internacional, no sentido Leste-Oeste e vice-versa. O canal é a grande fonte de renda do Panamá e, hoje, os panamenhos estão vivendo um grande desafio e um momento de decisão. Em outubro de 2006, haverá um plebiscito sobre a ampliação do canal, o que permitirá, praticamente, duplicar a maior fonte de renda que beneficia aquele país. Que razões levam uma parte da opinião pública panamenha a manifestar-se contra a ampliação do canal? Quais são os argumentos apresentados?
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CB – Acabo de chegar do Panamá, onde moram meu filho e minhas duas netas panamenhas.Todo ano eu visito aquele país e tenho a oportunidade de conversar com alguns de seus cidadãos, desde autoridades, até amigos meus da época em que servi lá. Nesta última visita, pude trocar muitas idéias sobre a ampliação do canal. Existe uma oposição bastante significativa, que gira em torno de 40%, segundo as pesquisa feitas até agosto de 2006. A oposição argumenta que o crescimento dos proventos gerados pelo Canal do Panamá deveria ser destinado a iniciativas sociais que resultem em benefícios para a comunidade local e não a folhas de pagamentos de pessoal e a gastos supérfluos. A população panamenha deve, segundo eles, beneficiar-se desse enorme aumento de renda que será propiciado pelo alargamento do canal. Como o senhor disse, o canal é estratégico para o Panamá e importantíssimo para o comércio mundial. Para o Brasil, que significação tem o Panamá em termos comerciais? CB – Na balança comercial com o Brasil, o Panamá pesa pouco, mas há muitas possibilidades de se ampliar esse comércio,

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ENTREVISTA
CB – Não tenho a menor dúvida quanto a isso. O comércio exterior tem sido um dos grandes sucessos do Brasil nos últimos anos e a tendência é continuar no mesmo ritmo. Esperamos, também, que isso possa trazer benefícios, não só para o país, como também para todos os brasileiros. O senhor acha que no comércio internacional, um setor em que existe uma competitividade grande, é possível haver parcerias e ajudas mútuas, por exemplo, entre blocos de países? CB – Acredito que sim. A união faz a força. Se nós conseguirmos fortalecer associações como o Mercosul, que até agora tem sido, basicamente, uma união aduaneira, nós iremos conseguir, sem sombra de dúvida, uma presença maior de produtos nossos não só nas nações ligadas ao Mercosul, mas também nos países da União Européia, nos Estados Unidos, no Japão e na China, que são, hoje, os grandes parceiros comerciais do Brasil. O chapéu panamá não é do Panamá. Ao que parece, teria nascido na Colômbia ou em outros países da região. O que os panamenhos podem oferecer, em matéria de produtos típicos, que poderiam agradar aos brasileiros? CB – Não estou muito atualizado sobre as exportações panamenhas para o Brasil, mas creio que elas se constituem, em grande parte, de produtos primários, além de pequenos artigos de artesanato local. Do ponto de vista do interesse brasileiro, nós temos que focalizar mais o Canal do Panamá. Precisamos nos esforçar para conseguir, nas licitações das obras, uma presença e uma participação significativas, porque nós temos uma tecnologia de ponta expressiva e uma organização empresarial extraordinária, capazes de nos fazer mais atuantes no cenário internacional. Como os senhores sabem, participar de licitações desse vulto é enfrentar uma luta com adversários e competidores de grande porte.

Juan Bosco Bernal, Ivan Ramalho, Glorisabel Garrido Thompson-Flôres e Carlos Antonio Bettencourt Bueno.

sobretudo, se pensarmos nas obras de alargamento do canal. Neste caso, já estão surgindo, e surgirão, novas possibilidades, em forma de uma participação maior de empresas brasileiras de construção, do porte da Camargo Correa e da Odebrecht, que, certamente, deverão participar das licitações que já estão sendo feitas para esta obra. Aí, sim, vai ocorrer uma grande oportunidade para a ampliação do comércio bilateral entre os dois países, além de uma presença do Brasil cada vez maior naquela região. As obras de ampliação do canal, que deverão ser realizadas em consórcio com a presença de empresas dos mais variados países, já têm um organograma e uma data previstos para o seu término? CB – Se o projeto aprovado for levado adiante, a previsão estimada para a duração da obra gira em torno de cinco anos. Com isto, a capacidade atual – que é de 40 navios por dia – poderá alcançar mais que o dobro e chegar a, pelo menos, 90 navios atravessando o canal, a cada dia. Isto representará uma fonte de renda extraordinária para os panamenhos. Daí, a
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importância da utilização desses recursos e a preocupação de alguns setores políticos do Panamá, que querem ter a certeza de que tal volume de recursos financeiros não será desperdiçado com gastos supérfluos.

A ampliação do canal significa novas possibilidades de negócios para grandes construtoras brasileiras
CARLOS ANTONIO BETTENCOURT BUENOI

O comércio é uma atividade que aproxima bastante os seres humanos. Os estudiosos de antropologia dizem que ele é uma das principais formas de comunicação entre comunidades diferentes: tudo começa com uma troca de objetos ou de moedas. No caso do Brasil, que está se destacando em matéria de comércio exterior, estes bons resultados se constituem numa tendência duradoura ou podem ser considerados um fenômeno passageiro?

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Como o senhor acabou de dizer, o Brasil está diante de um desafio. Nosso país tem um lastro bastante significativo, pois empresas brasileiras têm exportado serviços, principalmente de engenharia, para muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Isto nos capacitaria a participar de grandes concorrências, como a do Canal do Panamá? CB – Eu creio que sim. A autoridade panamenha de administração do canal tem sido bastante criteriosa. Ela é presidida por um homem extremamente habilitado para a função que exerce. Trata-se de Humberto Alemana, que tem presidido a companhia que controla o canal com muita habilidade, e se cercando de pessoas do mais alto gabarito.

Uma trajetória diplomática

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Se conseguirmos fortalecer associações como o Mercosul, conseguiremos uma presença maior de produtos nossos junto aos grande parceiros comerciais do Brasil

CARLOS ANTONIO BETTENCOURT BUENOI

Numa determinada época, pouco antes de o controle total do canal ter sido transferido, pelos americanos, para os panamenhos, muitos especialistas em política internacional duvidavam da capacidade local de administrá-lo. Temia-se que houvesse corrupção e tráfico de influência. Nada disso aconteceu: o canal funciona, hoje, até melhor do que funcionava sob controle americano. O senhor acha que a cultura – em todos os seus ramos e desdobramentos, como a música e o cinema – poderia ser considerada uma moeda de troca entre os povos? CB – Sim. Eu acho que o comércio e a cultura podem caminhar de mãos dadas. Uma coisa puxa a outra. O cinema, a música, as artes visuais e outras manifestações culturais aproximam muito os povos. Como diz o ditado, bons amigos fazem bons negócios.

Embaixador Carlos Antonio Bettencourt Bueno nasceu no Uruguai em 1934, sendo brasileiro nato, segundo a Constituição de 1891. Estudou nos colégios Santo Inácio e São José e formouse em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1957. Fez os cursos de Preparação à Carreira de Diplomata e de Aperfeiçoamento de Diplomatas no Instituto Rio Branco, no qual viria a ser, também, professor. Fez, ainda, o Curso da Escola Superior de Guerra. Ingressou na carreira diplomática como terceiro secretário de embaixada, em 1958, e tornou-se segundo secretário de embaixada, por merecimento, em 1961. Foi promovido a primeiro secretário de embaixada, em 1967; conselheiro, em 1973; e ministro de segunda classe, em 1975. Entre as inúmeras funções técnicas que desempenhou, está a de Membro do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio. Finalmente, tornou-se Ministro de Primeira Classe (Embaixador) por merecimento em 1982. Ocupou postos de relevância no Brasil e no exterior, entre eles os de membro da Delegação do Brasil em Genebra, de 1960 a 62, e da Missão do Brasil junto à ONU, Nova York, de 1962 a 67. Trabalhou nas embaixadas de Buenos Aires, de 1967 a 69, e de Varsóvia, Polônia, de 1969 a 71. Entre 1983 e 1986, foi embaixador plenipotenciário no Panamá. Destacouse, também, como Embaixador Plenipotenciário no Japão, de 1986 a 91; Embaixador Plenipotenciário na República Tcheca, de 1991 a 96; Embaixador Plenipotenciário na República da Irlanda, de 1996 a 98. Em 2000, requereu aposentadoria por tempo de serviço. Foi delegado do Brasil em inúmeras assembléias gerais da ONU; assessor do Conselho de Segurança da ONU; delegado do Brasil na Conferência para a Desnuclearização da América Latina, no México, de l964 a 67; chefe da Divisão

da Ásia do Ministério das Relações Exteriores, de 1973 a 76. Atuou, ainda, como vice-pPresidente do Comitê Especial da ONU para operações de manutenção da paz, em NovaYork, de 1976 a 80; como delegado do Brasil na sessão especial da Assembléia Geral para o Desarmamento, em Nova Iorque, em 1978; como chefe da Delegação do Brasil na Conferência da ONU para o Uso Pacífico do Espaço Ultra-Terrestre, em Nova Iorque, entre 1976 e 82, e como presidente do Comitê Preparatório para a Primeira Conferência da ONU sobre o Uso Pacífico do Espaço Ultra-Terrestre, em Nova Iorque e Genebra, nos anos de 1981 e 82. Foi, também, um dos iniciadores das conversações para o estabelecimento de relações diplomáticas com o Governo da República Popular da China, em Pequim, 1974, tendo, ainda, negociado e assinado as notas reversais com Cuba, formalizando o restabelecimento de relações diplomáticas com aquele país, em 1985. Entre suas condecorações, estão a Ordem do Rio-Branco, Grã-Cruz, (Brasil); a Ordem de Mayo, Grã-Cruz, (Argentina); a Ordem do Sol Nascente, Grande Cordão, (Japão); a Ordem Vasco Nuñez de Balboa, Grã-Cruz, (Panamá); a Ordem do Libertador San Martin, Oficial, (Argentina), e a Ordem do Mérito Nacional do Mérito, Oficial, (Itália).
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Pesquisa por produto, país de de s ou nome do exportador

Disponível em 4 idio m inglês,espanhol e f r

Relação d atu a

e stino

o mas: português, f rancês

o de exportadores u alizada mensalmente

Seminário Bilateral de

Comércio Exterior e Investimentos BRASIL
Progr Programa do Seminário : 21 de agosto de 2006
14:00h Sessão Solene de Abertura
Presidente da Sessão: Carlos Bueno – Ex-Embaixador Plenipotenciário do Brasil no Panamá Pronunciamentos Especiais: Juan Bosco Bernal – Embaixador Plenipotenciário do Panamá Ivan Ramalho – Ministro, interino, do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior Componentes da Mesa: Glorisabel Garrido Thompson-Flôres – Cônsul-Geral do Panamá no Rio de Janeiro Arthur Pimentel – Diretor de Comércio Exterior do MDIC Lucia Maldonado – Vice-Presidente Executiva da AEB Oswaldo Trigueiros – Presidente do Conselho de Turismo da CNC Carlos Thadeu de Freitas Gomes – Chefe do Departamento Econômico da CNC Fábio Martins Faria – Diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior do MDIC Rafael Fernandez Pita – Cônsul-Geral da Espanha no Rio de Janeiro

PANAMÁ

Av. General Justo nº 307 – Centro, Rio de Janeiro – RJ – Sede da Confederação Nacional do Comércio – CNC

Moderador: Carlos Thadeu de Freitas Gomes – Chefe do Departamento Econômico da CNC e Ex-Diretor do Banco Central do Brasil Pronunciamento Especial: Fernando Arango Morrice – Presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Panamá Exibição de filme sobre a EXPOCOMER Expositores: Fabio Martins Faria – Diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Comércio Exterior – MDIC Sergio Kuczynski – Gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios – América Latina – EMBRAER Alexandre Camargo – Diretor Internacional da COPA Airlines

Debates com o Plenário 15:30h PAINEL II: Os projetos de infra-estrutura e vantagens para investimentos no Panamá
Presidente do Painel: Lucia Maldonado – Vice-Presidente Executiva da Associação de Comércio Exterior do Brasil- AEB Pronunciamento Especial: Gloria de la Espriella – Diretora Geral de Promoção de Investimentos do Ministério de Comércio e Indústrias do Panamá

14:30h PAINEL I: O estado atual das relações comerciais Brasil-Panamá: Desenvolvimento e diversificação
Presidente do Painel: Glorisabel Garrido Thompson-Flôres – Cônsul-Geral do Panamá no Rio de Janeiro

Expositores: Gustavo Assad – Diretor Adjunto da Área Internacional da Construtora Norberto ODEBRECHT Ricardo Antonio Mello Castanheira -Diretor da Área Internacional da Construtora ANDRADE GUTIERREZ Lic. Oliver Muñoz – Diretor do Escritório de Advocacia QUIJANO & Associados – Panamá

Debates com o Plenário 18:00h Sessão Solene de Encerramento
Presidente da Sessão: Juan Bosco Bernal – Embaixador Plenipotenciário do Panamá Pronunciamento Especial: Marcio Favilla Lucca de Paula – Ministro de Estado, interino, do Turismo Componentes da Mesa: João Augusto de Souza Lima – Presidente da FCCE Glorisabel Garrido Thompson-Flôres – Consul-Geral do Panamá Gustavo Assad – Diretor Adjunto da Área Internacional da Construtora Norberto ODEBRECHT Diana de Macedo Soares – Cônsul-geral da Finlândia no Rio de Janeiro Rafael Fernandez Pita – Cônsul-geral da Espanha no Rio de Janeiro Lic. Oliver Muñoz – Diretor do Escritório de Advocacia Quijano & Associados Jorge Berrio – Gerente Geral do Grupo Marriott Carlos Bueno – Ex-Embaixador plenipotenciário do Brasil no Panamá Embaixador Frank Thompson-Flôres Mario Gugliemelli Vera – Cônsul-Geral da Venezuela no Rio de Janeiro

Debates com o Plenário 17:00h Painel III: O setor de serviços: Turismo, e Energia
Presidente do Painel: Marcio Favilla Lucca de Paula – Ministro de Estado, interino, do Turismo Pronunciamento Especial: Nilo Sérgio Felix – Subsecretário de Estado de Turismo do Rio de Janeiro Exibição de filme sobre o Rio de Janeiro Participação Oficial: Glorisabel Garrido Thompson-Flôres Exibição do filme “O Turismo no Panamá” Expositores: Jorge Berrio – Gerente-Geral do Grupo Marriott Nestor Cerveró – Diretor da Área Internacional da Petrobras Arthur Pimentel – Diretor de Comércio Exterior do MDIC

COQUETEL: Em homenagem Embaixador Plenipotenciário da República do Panamá JUAN BOSCO BERNAL

ABERTURA

Rafael Fernández Pita, Lúcia Maldonado, Juan Bosco Bernal, Carlos Bueno, João Augusto de Souza Lima, Ivan Ramalho e Glorisabel Garrido.

Ampliação do Canal do Panamá vai favorecer todo o continente
O Presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior, João Augusto de Souza Lima, ao iniciar os trabalhos do Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá, agradeceu o apoio recebido do Presidente da Confederação Nacional do Comércio – CNC, Antonio Oliveira Santos; do Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil – AEB, Benedicto Fonseca Moreira; do Presidente da Câmara Nacional de Comércio, Professor Theóphilo de Azeredo Santos; e do Presidente do Conselho de Câma18

ras de Comércio das Américas, Marcondes Neto. Em seguida, chamou para compor a mesa de abertura, respectivamente: Arthur Pimentel, Diretor de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC; Fábio Martins Faria, Diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do MDIC; Oswaldo Trigueiros Júnior, Presidente do Conselho de Turismo da CNC; Glorisabel Garrido Thompson-Flôres, CônsulGeral do Panamá no Rio de Janeiro; Lúcia Maldonado, Vice-Presidente

Executiva da AEB; Rafael Fernández Pita, Cônsul-Geral da Espanha no Rio de Janeiro; Carlos Thadeu de Freitas Gimes, Ex-Diretor do Banco Central e Chefe do Departamento Econômico da CNC, para presidi-la; e Carlos Bueno, Ex-Embaixador do Brasil no Panamá, a quem concedeu a palavra. Para Proferir o pronunciamento especial na sessão solene de abertura, foram convidados Juan Bosco Bernal, Embaixador Plenipotenciário do Panamá e Ivan Ramalho, Ministro de Estado interino, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

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arlos Bueno, inicialmente, declarou-se honrado em presidir a sessão de abertura do seminário e deu boas vindas a todos os que dele participavam. A seguir, confessou que o Panamá é um país cuja lembrança tem guardada no fundo de seu coração por razões profissionais e pessoais, já que ali residem um de seus filhos, brasileiro, e duas netas, de nacionalidade panamenha, a quem visita anualmente. Esclareceu que o Panamá caminha decididamente para o desenvolvimento: na sua época de embaixador, o país enfrentou momentos políticos difíceis e soube ultrapassá-los, vivendo, hoje, na plenitude democrática, com eleições a cada cinco anos, e com um grande presidente, devotado a elevar o país ao lugar que ele merece no cenário internacional. “Gostaria de referir-me, e estou certo de que alguns dos palestrantes a mencionará, à importância que a opinião pública panamenha tem conferido ao referendo em que o povo se pronunciará a respeito da ampliação do Canal do Panamá. As atividades ali desenvolvidas constituem a maior fonte de renda do país e o canal é um reduto que os panamenhos lutaram muito para recuperar. Lutaram para exercer sobre ele a plena autonomia de que hoje desfrutam. No próximo dia 22 de outubro, eles decidirão quanto à ampliação – ou não – do canal, que exigirá uma grande soma de re-

C

cursos, cuja realização, portanto, é uma decisão que deve ser tomada com extremo cuidado, mas que, certamente, fará com que os olhos do mundo se voltem para esse pequeno, mas importante país”. Em seguida, Carlos Bueno passou a palavra a Juan Bosco Bernal, Embaixador Plenipotenciário do Panamá no Brasil, e encarregado do um pronunciamento especial, na abertura do seminário.

Conhecer o Panamá
O embaixador começou expressando sua gratidão ao presidente da FCCE pela realização do seminário. A seu ver, esse encontro serve para demonstrar que, nos últimos anos, o Panamá tem dado passos importantes em direção ao desenvolvimento pleno de sua capacidade econômica, comercial, política e social. Em seguida, declarou que desejava concentrar-se, fundamentalmente, no tema ‘conhecer o Panamá’, enquanto a maioria dos participantes do seminário, certamente, iria abordar os aspectos concretos referentes ao comércio exterior e às nossas relações bilaterais. “O Panamá fica na América Central e faz fronteira com a Colômbia, com a Costa Rica e com os oceanos Pacífico e Atlântico. Tem a forma de um ‘s’ e abriga uma população de mais de 3 milhões de pessoas em seus 75 mil km2. Do ponto de vista político, é estável, seguro para os seus

cidadãos, para suas empresas e para os que nele investem. Tornou-se independente em 1903, portanto tem pouco mais de cem anos como república soberana, após separar-se da Colômbia. Atualmente, tem um governo republicano unitário e representativo. Sua divisão administrativa compreende as províncias, cinco comarcas indígenas que representam cerca de 10% da população, 75 municípios e 620 distritos. Tem uma projeção social importante, embora persista um certo grau de desigualdade. Segundo a Organização das Nações Unidas, o país ocupa a 56ª posição entre os 190 com maior grau de desenvolvimento humano.” Segundo o embaixador, seu país tem um PIB de US$ 16 bilhões, que vem crescendo a uma taxa de 6 a 7%, sendo que, no último trimestre, cresceu 7,5%. Com uma inflação anual de menos de 2%, tem uma grande dívida pública e apresenta algumas dificuldades, do ponto de vista do emprego e do subemprego, embora possua uma economia atípica em relação às economias dos outros países da América Latina, já que 75% do seu PIB provém do setor de serviços. Nesse sentido, as atividades mais dinâmicas estão vinculadas à Zona de Livre Comércio de Colón, à intermediação financeira, ao comércio, ao transporte, à comunicação e ao Canal do Panamá. Possui, também, um setor primário e agropecuário
Colón

Panamá

Na cidade de Colón (foto à esquerda), às margens do Oceano Atlântico, localizase a Zona de Livre Comércio, um dos principais pilares da economia panamenha.
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ABERTURA

Perfil do canal
O Canal do Panamá é uma empresa na qual trabalham 9.000 pessoas, 24 horas por dia, 12 meses por ano, e, que, portanto, não pára nunca. Em 2005, realizou o trânsito de 14.011 navios, número bem próximo de sua capacidade máxima atual, de 16.000 navios, com uma média aproximada de 43 passagens por dia. Os barcos que o atravessam são, essencialmente, transportadores de contêineres, petroleiros e navios de cruzeiro. Ele serve a 120 rotas marítimas de 80 países; um deles, o Brasil, que está em 19º lugar entre os maiores usuários.

Para cruzar o canal é preciso atravessar o Lago

O Panamá caminha para seu pleno desenvolvimento, com instituições democráticas e um comércio livre
CARLOS BUENOI

que possibilita a exportação de produtos como melão, mamão, banana, abacaxi, açúcar e camarões, sendo que, nos últimos dez anos, vem-se destacando, com muita força, o turismo ecológico.

boas taxas, não estamos satisfeitos ainda e esperamos melhorar o ensino, especialmente as oportunidades educativas proporcionadas às camadas da população que não alcançam o segundo grau e a universidade. O país investe 5% do seu PIB em educação, pois reconhece que, sem ela, é difícil obter maior produtividade e desenvolvimento nos negócios internacionais.”

O canal
A seguir, o embaixador traçou breve histórico sobre o Canal do Panamá. “Ele foi construído, inicialmente, por franceses. As obras foram retomadas por americanos. Sua inauguração ocorreu no ano de 1914 e, em 1999, foi definitivamente entregue à administração dos panamenhos. No momento da transferência, muitos duvidaram da capacidade do povo do Panamá para administrar um patrimônio dessa envergadura, mas, desde então, demonstramos mais eficiência, segurança e transparência no uso dos recursos por ele gerados. Hoje, o Panamá e os Estados Unidos têm uma relação amistosa, de sócios comerciais.” Segundo o embaixador, o que seu país pode oferecer ao Brasil é uma rota ágil, oportuna e econômica. Localiza-se em posição estratégica entre dois oceanos, no meio do continente americano, e é detentora de uma logística eficiente, pois o canal é integrado, por um sistema de ferrovias e rodovias, a dois portos internacionais: um no

Comércio bilateral
Apresentadas as características econômicas do Panamá, o embaixador falou sobre a importância da educação no desenvolvimento dos negócios internacionais. “Nossa balança comercial é bastante desproporcional em relação ao Brasil, e não fazemos questão de reverter esse quadro, mas queremos exercitar uma relação mais justa nos próximos anos. Quando se decide investir em um país, é sempre importante conhecer o seu nível de educação e de cultura. O Panamá, neste momento, tem uma taxa de escolaridade primária de 99%, ou seja, aproximadamente todas as crianças entre seis e onze anos estão na escola primária, tanto no campo quanto nas áreas urbanas. No segundo grau, a taxa é de 65% de adolescentes e a taxa de escolaridade universitária para a população entre 18 e 25 anos de idade está em torno de 30%. Apesar de serem
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Atlântico e outro no Pacífico, e a uma zona de livre comércio. O Panamá oferece, ainda, um centro financeiro com 70 bancos estrangeiros e internacionais, que usa o dólar como moeda corrente há mais de cem anos. “É pouco conhecido o fato de que nosso país tem, também, há 74 anos, a ‘Cidade do Saber’. Trata-se de um complexo de conhecimento e de investigação tecnológica, com 32 organismos internacionais – fundamentalmente de atuação social – que asseguram a existência de 26 programas de universidades de excelência, principalmente dos Estados Unidos e da Europa, com cursos de mestrado e doutorado. Além disso, mantemos ali, em funcionamento, um parque tecnológico com 42 empresas associadas a avançados setores de pesquisas, com o objetivo de gerar inovações de diferentes gêneros e graus.”

Ampliação
Tendo apresentado esse panorama, o expositor dedicou a parte seguinte do seu pronunciamento ao projeto que, em sua opinião, terá grande impacto sobre o mundo e, especialmente, sobre a América Latina: a ampliação do Canal do Panamá. A origem desse projeto está nas mudanças verificadas ultimamente no comércio, com o incremento na demanda de carga e, por conseguinte, o aumento do tamanho dos navios. Atualmente, alguns cargueiros não podem passar pelo canal, em virtude de suas grandes dimensões.

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Gatún e...

...passar por várias eclusas.

“A ampliação está sustentada por mais de 120 estudos e trata, fundamentalmente, da construção de dois complexos de comportas, um no Pacífico, outro no Atlântico, com três câmaras em cada comporta e três bacias que permitam a reutilização da água. A água doce faz mover o canal, mas grande parte de seu contingente se perde no sistema atual. A obra possibilitará, também, a ampliação dos leitos de acesso, o aprofundamento dos leitos de navegação e, assim, a duplicação da capacidade de trânsito do canal. A obra está prevista para sete ou oito anos, com custo aproximado de US$ 5,85 milhões, devendo ser auto-financiada, o que permitirá manter os níveis de nossa estabilidade financeira, pois é o canal que está investindo seus lucros na modernização. Estudos ecológicos mostram que não haverá danos fundamentais ao meio ambiente.” Ao concluir, o embaixador discorreu sobre a política externa de seu país e os esforços para inseri-lo na comunidade mundial. “O presidente do Panamá revitalizou a diplomacia para assegurar nossa presença efetiva no cenário internacional. Vem trabalhando por uma ordem mundial mais justa, respeitadora dos princípios do Direito Internacional, mediante a prática de uma política pluralista, tendente à neutralidade e à solução pacífica de controvérsias. Internamente, estamos empenhadíssimos em obter o desenvolvimento humano de nossa população. Queremos fortalecer nossas

relações bilaterais com o Brasil, que datam de 1904, quando o Brasil reconheceu nossa independência. Em 1908 já tínhamos o primeiro embaixador brasileiro no Panamá e, hoje, temos, também, três consulados gerais brasileiros. O Ministro Luiz Fernando Furlan visitou-nos em maio e demonstrou interesse em valer-se de nossa posição estratégica para incrementar o comércio bilateral. Ele pretende estabelecer no Panamá um centro comercial de redistribuição de produtos do Brasil, como já ocorre em Miami e em Frankfurt.” O embaixador disse esperar, também, dos brasileiros uma contribuição na área de energia, especificamente em relação ao petróleo. Por fim cncluiu: “aguardamos, ainda, o interesse do Brasil em associar-se aos projetos de ampliação do canal e da construção de um porto no Pacífico. O futuro é bastante promissor para o desenvolvimento de nossas economias e eu quero terminar com o seguinte pensamento: o capitão pessimista se queixa dos ventos; o otimista espera que o vento mude; o realista ajusta as velas para navegar com qualquer vento. Estamos no melhor momento para ajustar nossas velas para a cooperação, que poderá gerar resultados frutíferos para os nossos povos.”

Queremos fortalecer as relações com o Brasil, que datam de 1904, quando o país reconheceu nossa independência
JUAN BOSCO BERNALI

Comércio brasileiro
O presidente da mesa passou, em seguida, a palavra ao Ministro de Estado, interi-

no, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, para um breve pronunciamento sobre o relacionamento do Brasil com o Panamá. Ele mencionou os resultados do comércio exterior brasileiro nos últimos anos e lembrou que o incremento de nossas exportações – embora tenha sido registrado em relação aos EUA e à União Européia – ocorreu muito mais em função de novos mercados da África, da Ásia e da América Central. Ele ressaltou que esse incremento ocorreu não só na venda de bens, como na de serviços, e externou a opinião de que o Panamá representa uma grande oportunidade de participação na ampliação do comércio exterior mundial. Segundo Ivan Ramalho, a corrente de comércio atual entre os dois países alcança valores pequenos – cerca de US$ 300 milhões – mas aumentou, este ano, em 20%, e continua a crescer no mesmo ritmo, com a comercialização de produtos manufaturados de alto valor agregado. Manifestando esperança na continuidade desse crescimento, o ministro encerrou seu pronunciamento e concluiu os trabalhos de abertura do seminário.
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PAINEL I

Desenvolvimento e diversificação
Corrente comercial Brasil-Panamá tem crescido em faixa superior ao aumento do comércio brasileiro com o resto do mundo

Fernando Arango Morrice, Presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Panamá realizou um pronunciamento sobre a Expocomer.

“O estado atual das relações comerciais entre o Brasil e o Panamá – Desenvolvimento e diversificação” foi o tema do painel I. A CônsulGeral do Panamá no Rio de Janeiro, Glorisabel Garrido ThompsonFlôres, presidente do painel, convocou como moderador o Chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio — CNC e ex-Diretor do Banco Central do Brasil, Carlos Thadeu de Freitas Gomes. Para realizar um pronunciamento especial, foi convida22

do o Presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Panamá, Fernando Arango Morrice. O painel teve, como expositores, o Diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior — MDIC, Fábio Martins Faria; o Gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios na América Latina da Embraer, Sergio Kuczynski; e o Diretor Internacional da Copa Airlines, Alexandre Camargo.

Presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Panamá, Fernando Arango Morrice, exibiu um filme sobre a Expocomer e, em seguida, analisou este evento, que ocorre anualmente no Panamá, e seus benefícios para o setor. Em seu 25º ano, a Expocomer 2007 terá lugar em março, no Centro de Convenções Atlapa. “A feira é uma vitrine para o comércio exterior e possui uma impressionante mostra de produtos e serviços. São mais de 30 países, cerca de 500 expositores e mais de 20 mil visitantes. É uma excelente oportunidade para contatos na área de comércio e para fechar negócios.”

O

Comércio brasileiro
O Diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Comércio Exterior do MDIC, Fábio Martins Fa-

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ria, expôs, a seguir, sobre o intercâmbio comercial Brasil-Panamá. “Até agosto de 2006, o Brasil alcançou um crescimento de 24% nas exportações e de 16% nas importações; um total acumulado de US$ 83 bilhões em exportações e US$ 54,7 bilhões em importações, o que nos deixa bastante otimistas em relação ao resultado previsto para o final do ano. A pauta brasileira tem ganhado cada vez mais relevância, com produtos de maior valor agregado. A presença expressiva é dos manufaturados que têm crescido 55% na pauta de exportação – liderada por materiais de transportes, produtos siderúrgicos, petróleo e combustíveis, soja, minérios, produtos químicos, carnes, máquinas e equipamentos, açúcar e álcool, equipamentos elétricos, papel, celulose e calçados de couro.Temos um plantel bastante diversificado e cada vez mais expressivo de produtos industrializados de maior conteúdo tecnológico, substituindo os produtos de baixa tecnologia.” Segundo Fábio Martins Faria, o comércio brasileiro com a América Latina tem aumentado bastante. Este ano tivemos crescimento em torno de 22% nas exportações para países da Associação Latino-Americana de Integração – ALADI (um bloco que reúne 12 países). Isto significa um percentual superior ao crescimento global das exportações brasileiras. No cenário internacional, verifica-se, também, intensa busca dos exportadores brasileiros por novos mercados e, com isso, o nosso comércio com regiões nada tradicionais, como a Ásia, por exemplo, tem se expandido com taxas muito superiores ao crescimento dos demais mercados. “Essas mudanças fazem com que o Brasil reverta um quadro de perda em relação ao crescimento mundial e, atualmente, vamos rompendo a barreira dos 1% de participação neste comércio – estamos em 1,15%. Além disso, esse ano devemos continuar crescendo acima do nível global.” Quanto às nossas importações, Fábio Martins Farias relatou que, em 2006, verificou-se um crescimento de 23%. Isto significa, entre outras coisas, que o mercado brasileiro vem se tornando muito

atrativo para os nossos parceiros comerciais no exterior. “Compramos, sobretudo, matériasprimas, bens de capitais e combustíveis. Outro ponto a se destacar são as nossas compras junto a países da América Latina, que vêm aumentando de maneira significativa, em torno de 34%, sendo que os países fora do Mercosul tiveram um crescimento de 60% nos primeiros sete meses do ano, ou seja, o nosso comércio com os países da América Latina vem crescendo nas duas vias.”

Relação bilateral
Segundo Fábio Martins Faria, a corrente de comércio Brasil-Panamá vem crescendo, sobretudo, para as exportações brasileiras. “A partir de 1998, a relação bilateral passou a ascender significativamente. O Panamá desempenha hoje, no continente, um papel significativo como centro de comércio e área de redistribuição. Este país possui uma expressiva experiência na área de logística e apresenta-se como um grande entreposto de comércio. Os nossos intercâmbios mantiveram-se na faixa de 31% de crescimento. É um comércio bastante desequilibrado em favor do Brasil, apesar de o nosso país estar aumentando bastante as suas compras na América Latina. O comércio Brasil-Panamá tem crescido ano a ano em faixa superior ao crescimento do comércio brasileiro com o resto do mundo, sobretudo no quesito dos bens manufaturados.” Neste cenário, é possível destacar que as exportações brasileiras tiveram um grande impulso com as vendas de aviões e, além disso, tivemos uma participação expressiva de outros produtos de grande valor agregado, como os do setor siderúrgico e os da indústria automobilística, em 2005 e 2006. “Os principais produtos que nós importamos do Panamá, são também, itens de alto valor agregado, grande parte proveniente de outros países, que têm no Panamá um ponto de reexportação. Dentre os principais produtos importados pelo Brasil, temos máquinas para processamento de dados, alumínio, rolamento

O Panamá desempenha um papel significativo como centro de comércio e área de redistribuição
FÁBIO MARTINS FARIAN

para engrenagens, vacinas, componentes para aparelhos de transmissão, e tecidos. Diferentemente do que aconteceu com o comércio brasileiro, em que houve um declínio do número de empresas exportadoras, dentro do Panamá isto não está acontecendo. Em termos de comércio de bens, o Panamá apresenta um déficit: importa muito mais do que exporta, e isso está associado à sua opção de ser um grande prestador de serviços.” Segundo Fábio Martins Faria, os principais compradores do Panamá são os Estados Unidos, os países centro-americanos e várias nações asiáticas. Os países que mais exportam para o Panamá são os Estados Unidos, a Espanha e a Suécia. “Tudo isso demonstra que os exportadores brasileiros têm, no Panamá, uma posição estratégica para fazer chegar os seus produtos aos países da América Central, Caribe e América do Norte,” concluiu o Diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Comércio Exterior do MDIC.

Parceria na aviação
O Gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios na América Latina da
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PAINEL I
terísticas do avião contribuíram: sua performance, sua economia e o conforto que oferece aos passageiros.”

A Embraer sente-se honrada por participar do desenvolvimento da Copa Airlines e do desenvolvimento econômico do Panamá
SERGIO KUCZYNSKIN

Sergio Kuczynski, Gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios da Embraer para a América Latina.

Embraer, Sergio Kuczynski, falou sobre a aviação e o mercado do Panamá. Ele destacou que o Canal do Panamá representa esta vocação do país de integração entre duas rotas de navegação: a do Atlântico e a do Pacífico, ajudando a realizar a interação das principais economias do mundo. “A Companhia Aérea Panamenha – Copa Airlines, corresponde a esta vocação, pois vem desenvolvendo uma rede de vôos e serviços regulares de integração entre as Américas. Por intermédio dessas rotas, a empresa muito contribui para as economias dos países servidos por elas. A aviação comercial é um vetor de desenvolvimento de economias e, dentro da dinâmica do Panamá e seu desafiante futuro, a Copa tem um papel que vem sendo cumprido com uma administração dinâmica e eficiente.”

Dentro desta realidade, ele destacou o Embraer 190, uma aeronave da nova geração de jatos da empresa, no segmento de 100 assentos, como um modelo compatível com os objetivos de integração e de oferecimento de linhas de alimentação para o resto das operações da Copa. “A Embraer sente-se honrada pelo fato de a Copa ter escolhido o modelo Embraer 190 como um elemento de integração, desenvolvimento e modernização da sua frota. Naturalmente, as carac-

Copa Airlines no Brasil
A • 24Copa Airlines realiza, hoje, vôos por semana no Brasil. A quase • noempresa cresceude dois 250% país em menos anos. Os vôos do Janeiro • e São PauloRio de operados pelos serão novos Boeings 737-700 NG (Next Generation). Os cinco vôos de Manaus • permanecerão operados pelo Embraer 190.

Para a construção desta aeronave foi adotado, também, um perfil de dupla bolha, um equipamento que permite maior conforto na cabine dos passageiros. Foi acrescentado mais espaço para bagagens e cargas. A carga é um fator econômico importante, pois representa de 15 a 20% do faturamento de uma companhia aérea. O Embraer 190 tem uma configuração de assento chamada de 2+2, criada com base em pesquisas sobre os assentos preferenciais, que são sempre os da janela ou os do corredor. Além disso, as pesquisas indicaram que o corredor deve ter uma largura tal que o trânsito do serviço de bordo não seja interrompido quando algum passageiro deseja ir ao toalete. O desenho da cabine da aeronave procura garantir ao passageiro o seu espaço individual. Esses fatores de conforto resultam num bom índice de qualidade de serviço. Sergio Kuczynski disse, ainda, que até 2009 a Copa terá 50 aeronaves em sua frota, das quais 40% serão fornecidas pela Embraer. “Já entregamos quatro dos seis aviões encomendados para dezembro deste ano. A Embraer sente-se envaidecida e honrada por participar do desenvolvimento da Copa e, também, do desenvolvimento econômico do Panamá”.

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Marco na aviação
Em seguida, foi a vez da exposição do Diretor Internacional da Copa Airlines, Alexandre Camargo, que anunciou oficialmente, em primeira mão, um novo vôo realizado pela Copa, que fará a rota Rio de Janeiro-Panamá, a partir do dia 15 de novembro de 2006. “Num primeiro momento, serão cinco vôos semanais que irão propiciar uma grande economia de tempo e uma grande economia de escala para todos os passageiros residentes na cidade e no Estado do Rio de Janeiro.” A Copa Airlines pertence à Copa Holdings, que agrega duas empresas – a Copa e a Aéro República, que tem a sua sede na Colômbia, e, hoje, é a segunda maior empresa aérea daquele país. “A Continental, hoje, possui 10% das ações da Copa Holding, e nós temos um acordo comercial recíproco com a Continental na área de operações e vendas; acordo este renovado por mais dez anos. No Brasil, estamos operando desde 2000. Iniciamos com três vôos semanais unindo São Paulo ao Panamá, até chegarmos, em 2004, a sete vôos semanais. A partir daí, com o crescimento do comércio entre o Brasil e outros países da América Latina, e, também, com a estabilidade econômica e a baixa do dólar, nós experimentamos dobrar a oferta, passando de sete para 14 vôos semanais. Foi com grata surpresa que observamos a boa receptividade para esses vôos, o que nos permitiu inaugurar, a partir de julho deste ano, nova rota conectando Manaus e Panamá. Este vôo, aliás, é um marco na nossa aviação civil, pois é o primeiro, de caráter comercial e internacional, realizado no Brasil por uma aeronave brasileira.” Alexandre Camargo realçou o fato de que, até então, a Embraer fabricava os aviões, exportava-os e nunca os via voar no Brasil, apesar de ser uma das mais respeitadas produtoras de aeronaves do mundo. A Embraer tem colocado nestas rotas panamenhas um modelo revolucionário, no que se refere ao conforto. “Com todos estes sucessos, nós decidimos antecipar o vôo Rio de Janeiro-Panamá, que originalmente estava previsto para junho de 2007 e coincidiria com os

Alexandre Camargo, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, Glorisabel Garrido Thompson-Flôres, Fernando Arango Morrice e Fábio Martins Farias.

Jogos Pan Americanos. Com este novo lançamento, a Copa chegará a 24 vôos semanais no Brasil, sendo 14 em São Paulo, cinco em Manaus e cinco no Rio de Janeiro. Com essas 24 operações, a Copa chega a um percentual de 250% de crescimento em menos de dois anos – talvez seja a empresa aérea internacional que mais cresceu no Brasil neste período. Os vôos no

Com o crescimento do comércio entre o Brasil e a América Latina, com a estabilidade econômica e a baixa do dólar, dobramos a oferta de vôos
ALEXANDRE CAMARGON

Rio de Janeiro serão operados, assim como os de São Paulo, com o Boeing 737, com capacidade para 124 pessoas. Manteremos, também, os cinco vôos de Manaus operados pelo Embraer 190.” Segundo Alexandre Camargo, as previsões para 2007 também são expressivas. “Com base nas encomendas que temos, deveremos chegar a um total de 37 aviões, e isso manterá a Copa como a empresa aérea com a frota mais moderna da

América Latina. Hoje, nossos aviões têm uma idade média de três anos. Os vôos do Rio de Janeiro vão decolar às seis da manhã, com horário de chegada previsto para 9h50min. Um horário estratégico, pois o Panamá serve como um centro de redistribuição, e a Copa tem por finalidade manter conexões curtas, o que favorece a pontualidade. Esses vôos possibilitarão, ainda, aos passageiros que se dirigem aos Estados Unidos, não só àqueles que estão embarcando aqui, no Rio de Janeiro, mas também àqueles de Vitória e Belo Horizonte, que passem a usar o Panamá como conexão, evitando translados no aeroporto de Miami, extremamente congestionado e burocrático. Quanto aos passageiros que saem do Rio de Janeiro, terão uma economia de até quatro horas de viagem.” Para concluir, o representante da Copa demonstrou, em números, a movimentação de passageiros entre Brasil e Panamá: em 2004, a empresa transportou cerca de 11,3 mil passageiros com destino ao Panamá. Em 2005, houve um crescimento de 18%, chegando a pouco mais de 13 mil passageiros. Para 2006, deve-se atingir 20 mil passageiros, ou seja, em dois anos, a empresa apresentou um crescimento de quase 100% no número de passageiros com destino ao Panamá.
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P A I N E L II

Infra-estrutura traz vantagens para investimento no Panamá
O painel apresentou um panorama das oportunidades oferecidas pelo país
Ao abrir os trabalhos do painel II, o Presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior – FCCE, João Augusto de Souza Lima, chamou para presidi-lo aVice-Presidente Executiva da Associação de Comércio Exterior do Brasil – AEB, Lúcia Maldonado. Ao assumir a presidência, convidou para o pronunciamento especial a Diretora Geral de Promoção de Investimentos do Ministério de Comércio e Indústrias do Panamá, Gloria de la Espriella. Como expositores, foram convidados à mesa o Diretor Adjunto da Área Internacional da Construtora Norberto Odebrecht, Gustavo Assad; o Diretor da Área Internacional da Construtora Andrade Gutierrez, Ricardo Antonio Mello Castanheira; e o Diretor do Escritório de Advocacia Quijano & Associados, Oliver Muñoz.
loria de la Espriella iniciou seu pronunciamento especial infor mando sua condição de representante do Ministério de Comércio e Indústrias do Panamá, e esclarecendo seu objetivo de fornecer aos interessados um panorama das possibilidades de investimento em seu país.
João Augusto de Souza Lima e Ricardo Antonio Mello Castanheira durante o painel II.

G
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“Antes de mais nada, menciono o mais importante, que é a base de qualquer investimento: a nossa estabilidade econômica e financeira. Nossa moeda legal é o dólar, o que faz com que sejam muito baixos os nossos níveis de inflação: menos de 2% nos últimos cinco anos. Nosso centro financeiro tem mais de 70 bancos nacionais e estrangeiros, com um ativo de mais de US$ 34 bilhões. Nosso sistema financeiro e bancário é regido pelos padrões internacionais mais estritos, o que faz dele um sistema estável e moderno. Ano passado, nosso PIB cresceu 6,4% e temos a expectativa de que, neste ano, cresça 6,5%. Os investimentos estrangeiros, em 2005, mobilizaram aproximadamente US$ 1 bilhão e estamos esperando que, neste ano, cheguem a alcan-

çar cifras da ordem de US$ 3 bilhões. No Panamá, parte do que é investido destinase à coletividade e ao desenvolvimento.”

Logística
A representante panamenha informou, ainda, que uma parte importante da plataforma logística do país é, obviamente, o canal, que provê o acesso a 120 rotas marítimas, com destino a mais de 80 países diferentes. O comércio do Canal do Panamá representa 5% do comércio mundial e, anualmente, transporta cerca de 300 milhões de toneladas de carga. A plataforma logística é complementada pela infra-estrutura portuária, pela estrada de ferro interoceânica, pelo aeroporto internacional e pela Zona de Livre Comércio de Colón.

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“Nosso sistema portuário proporciona um movimento muito grande e por isto estamos negociando uma expansão do canal. Este sistema é composto por sete portos, todos privados. A estrada de ferro interoceânica não apenas transporta passageiros, como também cargas. Nosso aeroporto internacional acha-se em fase de expansão e nossa malha rodoviária conecta Norte, Sul, Leste e Oeste do país. A Zona de Livre Comércio de Colón é a mais importante do hemisfério e a segunda mais importante do mundo, depois de Hong Kong. Ali instalaramse mais de mil companhias que geram emprego para 19.000 pessoas. Em termos de infra-estrutura de telecomunicações, o Panamá conta com cinco fibras óticas que atravessam o canal e que nos dão uma conectividade maior do que muitas cidades européias importantes.”

O Canal do Panamá em números
Participa diretamente de 5% do comércio mundial. Oferece acesso para 140 rotas marítimas tendo como destino mais de 80 países. Mais de 14 mil embarcações atravessam o canal todo ano, das quais 350 são dedicadas a cruzeiros. Movimenta 300 mil toneladas de carga por ano. 700 mil pessoas por ano, entre passageiros e tripulação, cruzam o canal.

Comparação entre a administração americana e a panamenha
21% a mais do que o total arrecadado durante a administração americana
85 anos 1,877 2,277

A expansão
Em prosseguimento, Gloria de la Espriella passou a tratar da expansão do Canal do Panamá, que será submetida a referendo em 22 de outubro de 2006. “A construção deverá ser iniciada em 2007 e durar oito anos, estando previsto o início das operações para 2015. O impacto econômico será visível, pois as contribuições e aportes econômicos trazidos pelo canal, já muito importantes e expressivos, deverão triplicar a partir de 2015 e, em 2025, serão oito vezes maiores. No ano passado, o canal aportou ao Tesouro Nacional a cifra de US$ 489 milhões. A duplicação das eclusas permitirá o tráfego de navios “Post-Panamax”, ou seja, aqueles que superam a dimensão permitida para a travessia do canal, nos dias de hoje. Embarcações de 366 metros de largura e 15 metros de profundidade poderão cruzar o canal. As eclusas utilizarão um sistema novo, de tinas, ainda não empregado no Panamá, mas já testado nos Países Baixos e na Alemanha. Essas tinas utilizarão uma quantidade menor de água – 7% menos para cada travessia.”
6 anos

Administração americana

Administração panamenha

Energia
A representante do Ministério de Comércio e Indústrias do Panamá falou, em

seguida, das oportunidades no setor energético de seu país. “O governo transformou a política nacional de hidrocarbonetos e energias alternativas em um plano de ação para incentivar o desenvolvimento do setor e evitar a dependência absoluta dos derivados de petróleo. Não possuímos esta matéria prima, mas queremos desenvolver o projeto de uma refinaria. O Panamá conta com uma série de facilidades de infra-estrutura: na província de Chiriqui, nas proximidades de nossa fronteira com a Costa Rica, existe um oleoduto transístmico que transporta óleo cru. Com 131 quilômetros, esse oleoduto tem, em cada uma das extremidades, tanques de armazenamento para 16,9 milhões de barris. A sustentação legal para uma refinaria no Panamá está contemplada nas leis das Zonas Livres de Petróleo e estão mapeadas duas localidades ideais para sua instalação.” A expositora mencionou, ainda, outras

oportunidades de negócios a serem explorados entre os dois países, como a instalação de uma planta regasificadora e outros produtos derivados de petróleo. “O setor energético é uma área interessante, sendo que parte desse investimento poderá se dar pelas refinarias. Com o coque que elas produzirem se poderá gerar eletricidade. Projetos como os da expansão do canal, de mineração, do desenvolvimento portuário e imobiliário vão requerer uma produção energética que, atualmente, não possuímos.” A seguir, Gloria de la Espriella abordou a possibilidade de conectar-se com os países vizinhos, o que já ocorre, em termos energéticos, por meio do Sistema de Interação Para Geração Elétrica – SIPAG, que permitirá ao Panamá exportar energia para Guatemala, Honduras, El Salvador, Costa Rica e Nicarágua. “Outro projeto energético que temos é o de um gasoduto para gás natural a par27

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tir da Venezuela, passando pela Colômbia, e chegando à nossa costa atlântica, na cidade de Colón. Outro projeto é o da limpeza da Baía do Panamá, à beira da qual situa-se a capital do país. Estamos investindo, na primeira etapa, cerca de US$ 220 milhões, de um total de US$ 340 milhões. A primeira fase será de instalação da rede coletora de detritos, e a segunda de instalação do sistema interceptor, assim como de introdução das estações de tratamento. Ao encaminhar-se para o final de seu pronunciamento, Gloria de la Espriella declarou que desejava também explicar o que se passa na Área Econômica Especial, antiga Base Aérea de Howard. “Acabamos de firmar um acordo de investimentos com uma empresa de Singapura, chamada East Air Space, para reconverter aviões, aproveitando as facilidades oferecidas pela antiga base e gerando mais de mil empregos permanentes. Nas áreas revertidas, existem, ainda, muitas terras e imóveis para serem utilizados. Calcula-se que existam mais de sete mil edifícios dotados de infra-estrutura na área do canal, inteiramente disponíveis. Existem, também, oportunidades de negócio em tecnologia de informação, telecomunicações e informática, biociência e biotecnologia na Cidade do Saber. Uma outra iniciativa, atualmente em processo de licitação, é o Projeto de Transporte Urbano. Ele demandará um investimento estimado entre US$ 60 e 90 milhões. O Ministério de Comércio e Indústrias também tem incentivado o setor de mineração, com o Projeto Cerro Colorado que tem uma concessão de dois mil hectares”. Ao concluir, Gloria de la Espriella agradeceu a todos e colocou-se à disposição para prestar outras informações sobre investimentos no Panamá.

O governo panamenho tem projetos na área de infra-estrutura e de energia e está aberto a novas parcerias
GLORIA
DE LA

ESPRIELLAN

Odebrecht
Em seguida, Lúcia Maldonado, presidente do painel, passou a palavra a

O projeto de ampliação do Canal do Panamá
A obra está orçada em US$ 5,2 bilhões e será paga com a arrecadação de tarifas no canal. Será construído um novo conjunto de eclusas que permitirão a passagem de navios de grande porte. O novo sistema permite uma economia significativa de água doce usada nas grandes tinas.

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Aprofundamento e alargamento da entrada do Atlântico alargamento Eclusas e leitos de acesso ao Atlântico Aprofundamento e alargamento do leito do Lago Gatún alargamento Lago Aumento do nível do Lago Gatún Lago Aprofundamento do leito do Cor te Corte Eclusas e leitos de acesso ao Pacífico Pacífico Aprofundamento e alargamento do acesso ao Pacífico alargamento Pacífico

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Gustavo Assad, Diretor Adjunto da Área Internacional da Construtora Norberto Odebrecht, que iniciou sua exposição falando das atividades do grupo e da recente atuação no Panamá. Num breve histórico, frisou que desde sua fundação, em 1944, o grupo Odebrecht tem tido uma trajetória ascendente, enfrentando desafios e procurando adaptar-se às exigências de cada momento. “Nossa área de atuação é bem ampla. A Odebrecht é a maior empresa de construção da América Latina e a maior empresa brasileira exportadora de serviços de engenharia e construção. Temos, também, importante atuação na área social. Nosso compromisso é atender não só às solicitações dos projetos para os quais somos contratados, mas, sobretudo, atender à comunidade afetada por eles, pois achamos que temos obrigações com as necessidades da população. Em função disso, trabalhamos com cinco vertentes: educação, profissionalização, inserção profissional, apoio

cultural e saúde. No campo internacional, iniciamos nossas atividades em 1979, na central hidrelétrica de Charcani, no Peru, e, desde então, já trabalhamos em 30 países, onde desenvolvemos mais de 500 projetos. Atualmente, estamos atuando em 18, com uma força de trabalho de 27.000 colaboradores. Essa atuação nos colocou como a maior empresa do setor na América Latina e entre as 25 maiores do mundo em receita.” Gustavo Assad passou, então, a abordar as condições atuais de investimento no Panamá. “No final do ano passado, obtivemos nosso primeiro projeto no país. A área de infra-estrutura requer uma gestão política muito grande, porque suas prioridades são definidas pelo Estado. Só se consegue desenvolver um projeto quando ele é identi-

ficado com o Estado, possuindo uma necessidade e uma demanda que não vão mudar quando mudarem os governos. Ao longo desses 27 anos em que atuamos no exterior, a nossa média de permanência em cada país está entre 14 e 15 anos, e nunca tivemos um projeto interrompido, graças a essa identificação do mercado”. Em seguida, Gustavo Assad apresentou de modo sucinto a economia panamenha, que, segundo ele, cresceu 7,9% no primeiro trimestre de 2006, bem acima da média da América Latina. Outro aspecto por ele destacado é o da garantia do controle macroeconômico da estabilidade do país. “Aos olhos da comunidade internacional, isso faz diminuir o risco do país e aumenta as possibilidades de novos investimentos. O desafio é a redução de um

Futuras eclusas

O novo sistema de eclusas Largura: 55 metros (180 pés) Comprimento: 427 metros (1.400 pés) Profundidade: 18,3 metros (60 pés)

Eclusas existentes

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ção de infra-estrutura. É um sistema de irrigação para 3.200 hectares, que contará, numa das regiões, com o emprego de equipamentos e, em outras, apenas com a gravidade ou a coleta simples. O contrato tem o valor de US$ 54,2 milhões, e temos, acoplado a ele, um programa agrícola que deve gerar recursos para a região. Estamos na fase de prospecção, quando se materializa o que foi planejado, compatibilizando o projeto com aquilo que, de fato, foi encontrado na região. O projeto inicial prevê a utilização de canais revestidos de concreto, mas existe uma alternativa, que estamos estudando junto ao cliente, com a ajuda de uma projetista brasileira: transformar esses canais em tubulações de PVC.” Segundo Gustavo Assad, isso não mudaria muito o sistema, só proporcionaria um pouco mais de derivação aos canais. “Além disso, estaríamos usando tecnologia brasileira que permitiria a redução do tempo da obra e aumentaria em cerca de 30% a participação de produtos brasileiros no projeto. A engenharia contribui para a exportação brasileira. Nesse sentido, a Odebrecht, por meio de sua base no Rio de Janeiro, ao longo desses 27 anos, tem contratado cerca de 1700 fornecedores, em sua maioria médias e pequenas empresas. Um estudo indica que, para cada US$ 100 milhões exportados, são gerados, no Brasil, cerca de 20 mil empregos.”

Charcani V, no Peru.

Ponte Vasco da Gama, em Portugal.

A Odebrecht, que já desenvolveu mais de 500 projetos em 30 países que mobilizaram 27 mil colaboradores, assume, também, o compromisso de atender às solicitações das comunidades afetadas por eles, apoiando projetos educacionais e patrocinando iniciativas culturais locais.
déficit fiscal de 2,5%, mas há bons indícios de que esse objetivo será alcançado com o aumento da arrecadação que, em setembro de 2005, por exemplo, alcançou um recorde de US$ 370 milhões.”

Estamos desenvolvendo um projeto de irrigação na região de Chiriqui. O uso de tecnologia brasileira vai reduzir o tempo da obra
G U S TAVO A S S A D N

Andrade Gutierrez
Lúcia Maldonado, presidente do painel, a seguir, passou a palavra ao Diretor da Área Internacional da Construtora Andrade Gutierrez, Ricardo Antonio Mello Castanheira. Ele começou afirmando que, pelo que já ouvira até ali, reconhecia no Panamá uma plataforma logística para a realização de grandes empreendimentos. Lembrou que a empresa já atuou, com sucesso, no Panamá, na duplicação da Ponte das Américas e que voltava a oferecer sua experiência em infraestrutura. “A Andrade Gutierrez possui capacidade de atuação na construção propriamente dita, em telecomunicações e na área

Irrigação
O expositor comentou, em seguida, o projeto de irrigação iniciado em 2006, na região de Chiriqui, próxima à fronteira da
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Costa Rica, com término previsto para 2008. “Ele situa-se em uma área bastante sensível, onde existem um parque nacional marítimo e um refúgio de vida selvagem, que favorecem o ecoturismo. Nesse projeto, além de obras de captação, construção de canais e vias de acesso e drenagem, temos planejamento, desenho e constru-

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A Andrade Gutiérrez trabalhou na duplicação da Ponte das Américas, no Panamá.

de concessões. A construtora já executou, na América Latina, 55 projetos de engenharia – atualmente executa 10 – do México à Argentina. Na Europa, temos uma empresa em Portugal, a Zagop que realiza empreendimentos naquele continente, na Ásia e na África, num total, atualmente, de 210 projetos.” Quanto às comunicações, lembrou que seu grupo participa do controle da Telemar e da firma de telefonia celular OI. “Na área de concessões, atuamos em meio ambiente, em rodovias como a Via Dutra, a Via Lagos, a Rodovia Anhangüera, a Estrada dos Bandeirantes e a Rodonorte. Somos participantes da Sanepar, a empresa de saneamento do Estado do Paraná e, para dar um exemplo de atuação na América Latina, estamos iniciando as obras do novo aeroporto de Quito, no Equador, do qual temos a concessão de operação por 30 anos.” Do ponto de vista do faturamento, a empresa trabalha com uma expectativa de aumento de 30% de receita no ano de 2006. Na área da construção, novos negócios continuam acontecendo. “Recentemente, ao executarmos a obra do aeroporto da Ilha da Madeira, fomos agraciados com o Prêmio da Engenharia

Jalousie Resort, em Santa Lúcia, no Caribe, construído pela Andrade Gutierrez.

A Andrade Gutierrez, cujo escritório do Panamá gerencia todos os negócios da empresa na América Central e no Caribe, já executou 55 projetos de engenharia na América Latina, além de estar presente na Europa, África e Ásia. Em 2006, sua receita deve aumentar em cerca de 30%.
Internacional Mundial, que corresponde a um Oscar em nossa atividade. Tivemos inúmeros projetos na área imobiliária e, no que diz respeito a hidrelétricas, somos parceiros de grandes empresas constru-

Estamos presentes no México e na República Dominicana. Atuamos, ainda, na Venezuela, Equador, Peru e Argentina

R ICARDO A NTONIO M ELLO C ASTANHEIRAN

toras no Brasil e fora dele, desde que começamos nosso primeiro projeto no exterior, no Congo, em 1983. A partir de nosso escritório no Panamá, que gerencia toda a América Central e o Caribe, estamos
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presentes no México e na República Dominicana. Atuamos, ainda, naVenezuela, no Equador, no Peru e na Argentina. Estamos aptos a levar nosso conhecimento até os nossos parceiros do Panamá e esperançosos de que possamos nos integrar à sua comunidade empresarial, de forma a realizar a transferência tecnológica desse conhecimento às empresas locais, pois essa é a tônica de nossas atividades no comércio exterior. Muito obrigado”. elaboração e assinaturas de contratos. A partir de 2008, começarão as obras de construção do terceiro jogo de eclusas, nos dois oceanos, simultaneamente. A obra, orçada em US$ 5,2 bilhões, vai ser paga pelo incremento nos pedágios. Atualmente, a administração do Canal do Panamá tem a possibilidade de aumentar seus custos, porque temos uma vantagem competitiva em relação ao Canal de Suez e a outros meios alternativos, logísticos e multimodais de transporte. Ou seja, existe, ainda, uma grande vantagem em transportar mercadorias através do canal. Estima-se que a tonelagem que passa por ali aumentará em cerca de 80% e que os aportes diretos feitos ao país crescerão oito vezes.” O expositor passou a falar, então, do boom imobiliário por que passa o seu país. “Foi publicado no ‘U.S. Today’ um artigo que comenta esse boom, segundo o qual o Panamá está suplantando a Costa Rica como o país da América Central mais procurado pelos norte-americanos em busca de alternativas para sua aposentadoria, graças, principalmente, ao grande oferecimento de bens de raízes e de projetos imobiliários. É tão importante o desenvolvimento dessa área que o americano Donald Trump vai construir, para esse público, o Trump Ocean Club Hotel, um edifício de 62 andares, que será erguido na Cidade do Panamá.” O advogado panamenho citou, também, entre outros incentivos para investir em seu país, a Lei 58, de 1998, que oferece uma estabilidade jurídica aos investidores internacionais, consubstanciada na garantia de que, aos que investirem montante superior a US$ 2 milhões, serão mantidas, pelo período de dez anos, as condições legais vigentes, em matéria fiscal e trabalhista. A última vantagem mencionada pelo expositor foi a paz social que reina no país e a segurança de que gozam os cidadãos panamenhos e os investidores internacionais. Com esta imagem, Oliver Muñoz finalizou sua exposição. Em seguida, Lúcia Maldonado agradeceu a presença de todos e encerrou as atividades do painel.

Advocacia
Dando prosseguimento aos trabalhos do painel, Lúcia Maldonado passou a palavra a Oliver Muñoz, Diretor do Escritório Quijano & Associados, do Panamá. O advogado declarou que faria uma intervenção estritamente de ordem jurídica, abordando, sobretudo, as relações comerciais entre os dois países. “A ampliação do Canal do Panamá é, no momento, o projeto mais importante do país, porque a Constituição estabelece que essa decisão deve ser tomada por todos os panamenhos, em referendo. As pesquisas estão mostrando que o ‘sim’, ou seja, a aprovação da ampliação, tem uma vantagem sobre o ‘não’. O mais interessante é que a porcentagem mais importante de panamenhos a favor do ‘sim’ é a de jovens entre 20 e 35 anos, que estão vendo no projeto a possibilidade de obter empregos. A ampliação contempla a expansão do número de contêineres que vão passar pelo canal. Cada um desses transportadores de contêineres, sobre os quais estamos falando, pode carregar, aproximadamente, o mesmo que transportariam 5.800 caminhões, 18 trens ou 570 Boeings 747.” Ainda enfocando os desdobramentos comerciais da ampliação do Canal do Panamá, Oliver Muñoz continuou seu pronunciamento. “Atualmente, tanto do lado do Pacífico, quanto do Atlântico, embarcações que desejam atravessá-lo têm que esperar, pois esta operação demora um longo período de tempo, provocando filas de espera. Com a ampliação, isto não vai mais ocorrer. Em apenas seis anos de administração panamenha, o canal rendeu ao governo
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Oferecemos estabilidade jurídica aos investidores. Nosso país é muito procurado por americanos aposentados
OLIVER MUÑOZN

US$ 2,2 bilhões. Esses números demonstram não só a eficiência, mas o compromisso que temos com o canal, pois representa nossa principal fonte de renda e gera negócios para o mundo inteiro.” Os estudos que respaldam tecnicamente a ampliação do canal foram realizados por inúmeras empresas. Atualmente, ele tem duas vias, e deverá ser construída uma terceira, do lado direito das atuais, em cuja entrada existe uma área que foi dragada pelos norte-americanos nos anos de 1930 e 40. Isto demonstra que, desde então, já se fazia sentir a necessidade da ampliação, cujos trabalhos foram interrompidos por causa do esforço econômico demandado pela entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Nessa área, será construído um novo jogo de eclusas no Pacífico, o mesmo acontecendo no Atlântico. “A estimativa é de que o projeto esteja terminado no ano de 2014. O governo atual tem mandato até 2009, portanto o projeto seguirá pelo período do próximo governo. Os primeiros tempos da obra serão dedicados a concursos, licitações e

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P A I N E L III

Turismo e hotelaria: duas importantes atividades
Panamenhos e brasileiros mostram as atrações de seus países
O painel III foi dedicado ao setor de serviços e teve a presidi-lo o Ministro de Estado, interino, do Turismo, Márcio Favilla Lucca de Paula. O Subsecretário de Estado de Turismo do Rio de Janeiro, Nilo Sérgio Felix, foi convidado para um pronunciamento especial. A Cônsul-Geral do Panamá no Rio de Janeiro, Glorisabel Garrido Thompson-Flôres, exibiu um filme sobre o turismo em seu país. Como expositor, foi convidado o Gerente-Geral do Grupo Marriott, Jorge Berrio. Estiveram, também, presentes à mesa o Embaixador do Panamá no Brasil, Juan Bosco Bernal; o ex-Embaixador do Brasil no Panamá, Carlos Bueno; e o Diretor de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Arthur Pimentel.
Juan Bosco Bernal, Jorge Berrio e Glorisabel Garrido Thompson-Flôres.

N
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ilo Sérgio Felix começou agradecendo o convite para participar do seminário e afirmou que o Ministério do Turismo tem dado especial atenção ao estado e à cidade do Rio de Janeiro, os locais mais visitados por estrangeiros de passagem pelo Brasil. “A Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro foi criada em 2004, em fun-

ção, da formação do Ministério deTurismo. Nós fizemos para o território fluminense um macro programa com infra-estrutura profissional, infra-estrutura de apoio, sistema de informações, qualificação e fomento da atividade turística, tudo isto buscando a consolidação deste produto. Entre nossas principais iniciativas está a criação de uma instituição muito importante: o Conselho Estadual de Turismo. É por meio deste conselho que discutimos e traçamos diretrizes para nossas ações. É ele que recebe, diretamente do Ministério do Turismo, a verba descentralizada, que hoje nos permite realizar as ações de marketing em eventos como feiras nacionais e internacionais.” O Subsecretário de Estado de Turismo do Rio de Janeiro destacou, também, a criação de um batalhão policial especialmente dedicado a atender aos turistas, além da implantação de uma sinalização turística no Rio de Janeiro, para melhor orientar quem vem visitar o estado e a cidade.

“Entre nossas preocupações encontrase, ainda, a capacitação de mão-de-obra para atendimento no setor, o que estamos realizando, também, com recursos do Ministério do Turismo. Hoje, o território fluminense, em função até da proximidade da cidade do Rio de Janeiro, é o que mais recebe o turista internacional e doméstico. Tudo isto nos deu oportunidade de criar mais de 70 roteiros em todo o estado, valorizando, assim, belezas e atrações do interior e do litoral.”

Eventos
Nilo Sérgio Felix informou que sua secretaria organiza um calendário de eventos chamado “O Rio de vocês”, voltado para o mercado nacional. “Nós levamos para estes eventos um total de 40 a 50 empresas e órgãos oficiais do Rio de Janeiro, que promovem os nossos produtos junto ao agente de viagem local. Assim, temos a oportunidade de

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encontrar pessoalmente com o nosso público alvo, que é o agente de viagem. Realizamos, ainda, campanhas publicitárias chamadas “Descubra o Rio de Janeiro”, em São Paulo e Belo Horizonte, dentro de shoppings centers, entrando em contato direto com o público, que pode agendar viagens e fazer reservas.” Na área de pesquisa, são realizados convênios com as universidades. No período 2004/2005, a Embratur apontou algumas das cidades mais visitadas pelos estrangeiros. A primeira é o Rio de Janeiro, Búzios fica em 7o lugar e Paraty em 19o. Uma curiosidade: Paraty é, hoje, a quinta cidade do Brasil que mais recebe franceses e ingleses. “Tudo isto mostra o trabalho que vem sendo desenvolvido. Nós cadastramos mais de 400 eventos no território fluminense. Criamos um site dedicado ao setor e um mapa com as 12 principais regiões.” Entre as regiões citadas pelo subsecretário, está a Costa Verde, ao Sul do Estado do Rio de Janeiro, que se destaca no turismo marítimo e náutico e conta com excelentes resorts, além de possuir alguns trechos de Mata Atlântica preservada, e mais de 300 ilhas. Outro destaque é a Região de Itatiaia, com o turismo ecológico e de aventura, nas proximidades do Pico das Agulhas Negras, santuário ecológico, que oferece passeios maravilhosos, com muitas trilhas e cachoeiras. A Serra Verde Imperial tem como atrações principais o turismo histórico, cultural e gastronômico, e o ecoturismo. Nela, fica Petrópolis, a única cidade imperial das Américas. A Costa do Sol, ou Região dos Lagos, oferece praias, lagoas, mergulhos, turis-

Praia de Copacabana, com o morro do Pão de Açúcar ao fundo.

Turismo no Rio de Janeiro
Dados econômicos
PIB do Brasil em 2004 US$ 693 bilhões PIB do RJ em 2004 US$ 86,6 bilhões Parcela do turismo no PIB do RJ 3,9% (US$ 3,37 bilhões) 2 milhões de turistas estrangeiros em 2005 4 milhões de turistas nacionais em 2005

Parque Nacional da Tijuca

Oferta turística
2.791 meios de hospedagem 1.487 agências de viagem 465 transportadoras turísticas 164 organizadoras de eventos 5.627 guias de turismo

O Estado do Rio de Janeiro é o que mais recebe turistas internacionais e domésticos e conta com 70 roteiros em todo o seu território. O Conselho Estadual de Turismo tem recebido apoio do Ministério do Turismo para realizar ações de marketing e eventos ligados ao setor.

Praias na Baía de Angra dos Reis

Pico das Agulhas Negras

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P A I N E L III

Sítio arqueológico de Panamá Viejo.

Crepúsculo no Caribe panamenho.

mo sofisticado, vida noturna, gastronomia, pousadas maravilhosas, principalmente em Búzios. Já o Vale do Café atrai visitantes que se interessam, sobretudo, pelo turismo rural, com hotéis fazendas, cenários bucólicos e delicados. Finalmente, o subsecretário mencionou a Costa Doce, com Campos dos Goitacazes que, além de um acervo histórico e arquitetônico, reúne reminiscências do ciclo do açúcar, fazendas históricas e a maior bacia petrolífera do país. “Se analisarmos o setor, veremos que ele tem crescido muito. Segundo a Embratur, em 2005, o Brasil recebeu 5,38 milhões de turistas estrangeiros, e o Rio de Janeiro ficou com 37% deste total. Hoje, nós temos 2.791 meios de hospedagens, 1.487 agências de viagens registradas, 465 transportadoras turísticas, 164 organizadoras de eventos e 5.627 guias, tudo isso cadastrado. Estamos incentivando os empresários a se cadastrarem, e estamos trabalhando no sentido de promover a consciência desta classe em relação à importância de sua atividade, e todo esse investimento tem dado certo. Entre 2002 e 2007, o Rio de Janeiro criou 17 novos hotéis com 6.345 novos quartos, gerando 17,4 mil novos empregos diretos e indiretos. A ampliação no interior do estado, entre 2002 e 2005, foi bastante significativa, com novos hotéis e pousadas, somando um total de 167.”
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Nilo Sérgio Felix

Nilo Sérgio Felix terminou seu pronunciamento agradecendo, mais uma vez, o convite para participar do seminário.

Turismo panamenho
Em seguida, a Cônsul-Geral do Panamá no Rio de Janeiro, Glorisabel Garrido Thompson-Flôres, fez breve pronunciamento. “Posso dizer que no Panamá o turista poderá encontrar o que deseja, já que é um país cosmopolita e de agradáveis surpresas. Quem visita nosso país descobre coisas que desafiam a mais prodigiosa imaginação. De cassinos a montanhas, é possível conhecer

as paisagens do Atlântico e do Pacífico, a selva, a vida noturna, a pesca submarina e, também, o Canal do Panamá. Naturalmente, o canal ocupa um lugar proeminente na lista dos interesses turísticos, devido à magnitude de sua obra, o que pode servir de base para compreender a enorme expectativa quanto à sua modernização.” Segundo a cônsul-geral, seu país oferece paisagens tão variadas quanto a sua própria gente. “O relativo isolamento da capital durante a era colonial contribuiu para o fortalecimento da cultura hispânica. A região também é conhecida pelo seu espírito festivo que atrai, a cada ano, milhares de pessoas durante o carnaval. Relativamente perto da capital, temos Porto Belo, o porto mais rico entre a Espanha e as Américas, durante os séculos XVI e XVII”. O Panamá moderno, com mais de 70 representações bancárias, é o centro de compras das Américas. O fato de ser o caminho mais curto entre o Atlântico e o Pacífico faz do país uma rota obrigatória do comércio mundial. “Os numerosos centros comerciais e a Zona de Livre Comércio de Colón surgem como frutos desta importante atividade que é o comércio. O Panamá está fazendo-se popular entre os novos imigrantes, os aposentados. O custo de vida é razoável e menos elevado do que o dos Estados Unidos ou o da Europa. Como

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O mar cavou uma fenda na rocha no Oceano Pacífico.

A noite na capital panamenha.

resultado do esforço em investir e promover o turismo, esta atividade tem crescido muito. Em 2005, tivemos 1,76 milhão de visitantes (um aumento de 6%) que geraram recursos expressivos para o país, o que faz do turismo uma atividade muito importante para a nossa economia.” Segundo Glorisabel Garrido ThompsonFlôres, o Panamá oferece, ainda, um ambiente favorável ao investimento estrangeiro, com segurança física, legal e financeira. “Finalmente, não posso concluir sem afirmar, mais uma vez, que o Panamá tem como atrações não só a natureza, mas a nossa gente. Nosso país tem beleza, atrativos naturais, uma diversidade física e biológica que cativa turistas do mundo inteiro.” Em seguida foi exibido um filme apresentando as belezas turísticas do Panamá.

Jorge Berrio

Cachoeira na região de Chiriqui.

Grupo Marriott
Jorge Berrio, Gerente-Geral do Grupo Marriott, iniciou seu pronunciamento definindo-se como um panamenho aventureiro, que viaja pelo mundo há 15 anos, e que ama com paixão a sua terra. Aproveitou para agradecer o “calor” do Rio de Janeiro, que o acolheu nos últimos cinco anos. “Eu represento, aqui, no Rio de Janeiro, a cadeia mais antiga da rede hoteleira, a Marriott Hotels, com 80 anos de história. No Brasil, ela está representada por seis hotéis, sendo que um deles veio coroar a

“Princesinha do Mar”. No coração da Praia de Copacabana, a 24 km do Aeroporto Internacional do Galeão, e a apenas 10 minutos do Santos Dumont, encontra-se o J.W.Marriott, um oásis de luxo.” Em seguida, Jorge Berrio descreveu todos os luxuosos serviços que o hotel oferece. “Nossa especialidade é a cozinha mediterrânea, com três refeições: café da manhã, almoço e jantar.Temos, ainda, um restaurante especializado em comidas japonesas, com toques tropicais, e festivais de sushi em cada almoço. O representante do Grupo Marriott finalizou sua fala agradecendo a opor-

O Panamá impressiona pela diversidade de paisagens entre o mar, a selva e a montanha. Há, no país, várias áreas protegidas e sítios classificados pela UNESCO como patrimônios mundiais da humanidade
tunidade de participar do seminário. Após seu pronunciamento, Márcio Favilla Lucca de Paula encerrou os trabalhos do painel.
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ENCERRAMENTO

Turismo e integração bilateral
Ministro interino do Turismo afirma que este setor foi o quinto item de exportação brasileiro no ano de 2005
João Augusto de Souza Lima, presidente da FCCE, convidou, para presidir a mesa da sessão solene de encerramento, o Embaixador Plenipotenciário do Panamá, Juan Bosco Bernal. Para o pronunciamento especial, foi convidado o Ministro de Estado, interino, doTurismo, Márcio Favilla Lucca de Paula. Compuseram, ainda, a mesa, o Embaixador Carlos Bueno; a Cônsul-Geral do Panamá no Rio de Janeiro, Glorisabel Garrido Thompson-Flôres; o Embaixador Frank Thompson-Flôres; a CônsulGeral da Finlândia, Diana de Macedo Soares; o Cônsul-Geral da Espanha no Rio de Janeiro, Rafael Fernández Pita; o Cônsul-Geral daVenezuela no Rio de Janeiro, Mario Guglielmelli; o Diretor-Adjunto da Área Internacional da Construtora Norberto Odebrecht, Gustavo Assad; o Diretor do Escritório de Advocacia Quijano & Associados, o licenciado Oliver Muñoz, e o Gerente Geral do Grupo Marriott, Jorge Berrio.

Márcio Favilla Lucca de Paula ao lado de Rafael Fernández Pita.

M
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árcio Favilla Lucca de Paula, Ministro de Estado, interino, do Turismo, situou as perspectivas do setor brasileiro no cenário internacional.

“Segundo a Organização das Nações Unidas – ONU, o turismo responde por 10% do PIB mundial. No Brasil, nossa participação no PIB está em 4,5%. Tratase de uma atividade econômica que gera empregos, renda e divisas. Quando falamos neste tema, temos que pensar sempre na vertente do lazer e na vertente de negócios. Por isso, é com grande satisfação que o Ministério de Turismo vê a ampliação dos vôos da Copa Airlines para o Brasil. Eu quero, também, aproveitar para dizer que os nossos vizinhos são os nossos principais fornecedores de turistas, e é com alegria que vejo, aqui, amigos de ou-

tros países da América Latina e da Espanha, um dos principais países no turismo mundial.” Em seguida, o ministro passou a descrever a estrutura do Ministério do Turismo. Ele revelou, ainda, que uma das metas do Plano Nacional de Turismo é trazer ao país 9 milhões de visitantes estrangeiros por ano, para que eles possam gerar US$ 8 bilhões em receita cambial. “Nós temos avançado nessa direção. O importante, no entanto, é dizer que nossa participação de 1,25% no turismo internacional ainda é pequena. Nós temos um espaço muito grande para crescer. Para

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alcançar nossos objetivos, temos, nos últimos três anos, aumentado enormemente o nosso orçamento de promoção internacional.” Segundo cálculos da OMT, para atrair um turista que gaste US$ 100, cada país precisa investir US$ 2 em promoção. “Em 2005, desenvolvemos o Plano Aquarela para incentivo ao turismo externo, no qual identificamos 18 mercados prioritários e calculamos quanto investiríamos em cada um. Neste contexto, foi criada a Marca Brasil, de promoção do turismo brasileiro. Ela acabou sendo utilizada por vários empresários para a exportação de seus produtos, o que gerou um resultado muito positivo para nós.” Márcio Favilla Lucca de Paula informou, também, que o país mostrou, nos últimos anos, um desempenho muito expressivo no que diz respeito ao desembarque de passageiros de vôos internacionais. “A tendência de crescimento foi retomada em 2003, 2004 e 2005 e, até junho de 2006, considerando os últimos 12 meses, tivemos 7,5 milhões de desembarques de vôos internacionais. Neste primeiro semestre, no entanto, comparado com o primeiro semestre do ano passado, o crescimento foi muito pequeno: pouco mais de 1%. Para este resultado, contribuiu o impacto da questão da Varig, que retirou do mercado cerca de 400 mil assentos em vôos internacionais.” No que se refere à entrada de turistas no Brasil, seja para lazer, seja para negócios, houve um aumento recorde em 2000, com 5,33 milhões de turistas. Dentro desse grupo, os principais foram os argentinos, com 1,9 milhão de turistas, mas com a crise naquele país, houve acentuada queda neste movimento, entretanto, em 2003, 2004 e 2005 ele voltou a crescer. No ano passado, mais de 900 mil argentinos visitaram o Brasil. “Estamos discutindo, no âmbito do Conselho Nacional do Turismo, com a participação da Fundação Getúlio Vargas – FGV, e da Universidade Nacional de Brasília – UNB, algumas possibilidades para os próximos anos. Concluímos que, se continuarmos a investir mais na promoção internacional, e se tivermos um

crescimento nesse orçamento de 20% ao ano, por volta de 2010 poderemos ter 10 milhões de turistas estrangeiros no nosso território, contra 5,8 milhões do ano passado. Isso significaria, praticamente, dobrar o número de visitantes. Existe, ainda, um cenário mais otimista: de alcançarmos 15 milhões já no ano de 2010.”

Despesa e receita
O ministro explicou, ainda, que se registrou um valor muito grande com despesas de brasileiros no exterior. “As despesas vinham caindo acentuadamente até o final da década de 90. Depois desse período, voltaram a crescer novamente, aliás, não só as despesas (porque temos aí a combinação da valorização do real com um crescimento da renda), mas também as receitas aumentaram de forma significativa. O fluxo do turismo internacional cresceu bastante do ponto de vista cambial. De 2004 para 2005, houve um crescimento de aproximadamente 20% e, neste ano, no primeiro semestre, ainda tivemos um crescimento de 17,3% nas re-

A Marca Brasil foi criada para promover produtos brasileiros no exterior. Ela tem sido adotada pelos mais diferentes exportadores de bens e serviços brasileiros. Sua difusão e uso constante geraram resultados positivos.

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ENCERRAMENTO
ceitas em comparação com o primeiro semestre do ano passado. Quero, também, chamar a atenção de todos para o fato de que, só no primeiro semestre de 2006, a entrada de dólares foi superior a qualquer outro ano anterior a 2003.” curso superior e pós-graduação. Dois terços estão entre 25 e 50 anos e têm uma renda média de quase US$ 3 mil. “No conjunto, a média ponderada da renda do turista que visita o Brasil, por qualquer motivo, é de US$ 3,2 mil. Durante todo o ano de 2005, o turismo foi o quinto item da nossa pauta de exportações.” do Ministério do Trabalho e também da UNB, para cada emprego formal no turismo, são gerados dois empregos informais. “Os 263 mil novos empregos com carteira assinada criados em três anos, na verdade geraram 798 mil postos de trabalho. Essa é uma característica importante do turismo e vale muito a pena investir nessa atividade.”

Esforço coletivo
Para o ministro o esforço conjunto da Receita Federal, dos estados, dos municípios e da iniciativa privada está trazendo resultados muito expressivos, e acredita que novos patamares poderão ser atingidos. Segundo ele, dentro de alguns anos, estes números já serão considerados pequenos. “Quero destacar que em 2004 tivemos um número de europeus superior ao de sul-americanos, e isso se repetiu em 2005. O primeiro país emissor de turistas para o Brasil é a Argentina, seguida pelos Estados Unidos. Depois vêm Portugal e Uruguai. Em quinto lugar fica a Alemanha. O gasto médio de viagem dos turistas tem crescido substancialmente. No ano 2000 foi de US$ 341 e, no ano passado, foi de US$ 721. Isto significa que, em cinco anos, conseguimos dobrar o gasto médio nas viagens para o Brasil. Neste mesmo estudo de cenários que o Conselho Nacional de Turismo realizou, ficou claro que poderíamos vir a receber de 9 a 17 milhões de visitantes por ano em 2010, que vão deixar aqui, no mínimo, US$ 10 bilhões.”

A Argentina é o país que mais manda turistas ao Brasil. Depois vêm Estados Unidos, Portugal, Uruguai e Alemanha
M Á R C I O F AV I L L A L U C C A
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Agradecimentos
Após o pronunciamento do Ministro de Estado, interino, do Turismo, o presidente da sessão de encerramento, Embaixador Juan Bosco Bernal, passou aos agradecimentos finais. Ele mencionou a presença significativa de público no seminário e os esforços de todos os seus participantes no sentido de produzir um trabalho que privilegiasse o estreitamento de laços entre brasileiros e panamenhos.. “Em primeiro lugar, não pairam dúvidas sobre a capacidade produtiva de serviços do Rio de Janeiro e do Brasil. Pudemos, também, promover um maior conhecimento sobre o Panamá, que ocupa uma posição geográfica estratégica e pode servir aos interesses da projeção comercial do Brasil. Vimos o Panamá como um centro logístico para recrutamento e redistribuição de bens e serviços de empresas do Brasil. Meu país é atraente para os investimentos de brasileiros em diversos aspectos, e encontramos possibilidades para realizar grandes parcerias com empresas nacionais. Existe uma coincidência de posições, pois o Panamá é um bom cenário para investimentos, por causa de sua grande estabilidade política, pela segurança do cidadão e pela segurança jurídica e dos recursos alocados nele. Neste sentido, conseguimos, nesta tarde dedicada à integração de nossos países, uma fórmula fundamental para o progresso.A integração é a única saída para o sucesso frente aos desafios da globalização econômica. Para seu melhor funcionamento, é preciso criar novos mecanismos de negócios e um clima de confiança que favoreçam nossa aproximação, como fizemos hoje.” O embaixador terminou sua intervenção, desejando que todos os presentes possam amar o Panamá como os panamenhos o amam.

P AU L A I

Pesquisa
Um estudo feito pela Universidade de São Paulo – USP sobre o perfil do turista estrangeiro entrevistou mais de 32 mil pessoas nos portões de saída do Brasil e dividiu as viagens em várias categorias: lazer, negócios, eventos e congressos e outros motivos. O lazer responde por 44,4% dos objetivos de viagem. Dois terços destes turistas têm graduação e pósgraduação e idade entre 25 e 50 anos. Entre os que vieram para negócios, congressos e eventos, 86% têm curso superior e pós-graduação. Quase 80% têm idade entre 25 e 50 anos e uma renda individual média de US$ 4,5 mil por mês. Entre os que vieram por outros motivos, sobretudo para visitar amigos e parentes, 55% têm
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“Em primeiro lugar, esteve o minério de ferro, item do qual o Brasil é o primeiro produtor e o primeiro exportador do mundo. O segundo lugar ficou com a soja, da qual nosso país é o primeiro produtor mundial e o segundo exportador. O petróleo bruto está em terceiro lugar. Em quarto ficam os carros, e, finalmente, em quinto lugar, o turismo. O Brasil é o 28o do mundo em termos de receita cambial com o turismo.” “O importante é continuarmos nesta trajetória de crescimento para que o turismo possa ser um dos dois principais itens da nossa balança de pagamentos. Creio que este é um indicativo muito importante do potencial que temos.” Em seguida, Márcio Favilla Lucca de Paula passou a discorrer sobre vários motivos de viagens. Segundo ele, é preciso dar mais atenção ao chamado turismo de saúde, que leva muitas pessoas de um país a outro para realizar tratamentos e operações. “Muitas nações já se organizaram bem nesta área, e creio que temos uma grande potencialidade para explorar a medicina e a odontologia. Uma outra área é a educacional. Recebemos, no ano passado, 70 mil estudantes de todos os níveis. Nesse sentido, o Rio de Janeiro tem uma posição de destaque pelo número e qualidade de suas entidades educacionais, seja do setor público, seja do setor privado.” Como conclusão, Márcio Favilla Lucca de Paula informou que, com base em dados

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TURISMO

Panamá, portal do Caribe
Visitantes se deslumbram com um dos países mais lindos das Américas

Área turística de Bocas Del Toro, na divisa com a Costa Rica, no Norte do Panamá

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Segundo o Financial Times, o Panamá é o país em que os americanos estão preferindo gozar suas aposentadorias. A razão dessa preferência costuma ser creditada à proximidade geográfica, às históricas ligações com os Estados Unidos (a abertura do canal foi, também, obra dos americanos, que o administraram até 1999) e ao fato de que fica fácil comprar, vender e administrar as finanças, pois o dólar circula nos dois países. Pode ser, também, apontado o boom imobiliário panamenho, que facilita o aluguel ou a aquisição de imóveis para morar ou veranear. A segurança do país, que desde 1989 nem dispõe de Forças Armadas, também é um atrativo.

De qualquer modo, ninguém escolhe o seu local de retiro levando em conta somente condições econômico-sociais, tabelas de câmbio ou índices de crescimento da construção civil. O Panamá tem sido um destino atraente para aposentadoria ou turismo porque oferece sol permanente, praias, paraísos ecológicos e belezas naturais. Oferece, também, além de jogo liberado, compras sem impostos, arquitetura colonial espanhola e arranhacéus pós-modernos.

Encantos locais
O Panamá é um istmo situado no ponto mais estreito das Américas, mais ou menos eqüidistante dos pólos, quase no meio do continente. Tem 77.082 km² e mais de 3 milhões de habitantes. Os espanhóis chegaram à região em 1501 e, até 1903, o país esteve unido à Colômbia, de quem se libertou com a ajuda dos americanos, interessados em construir o canal. O país recebe muito bem os visitantes e a viagem pode começar por uma breve vi-

sita às ruínas da Cidade de Panamá Viejo, nas proximidades do Aeroporto de Paitilla. Bem perto fica a atual capital, que também se chama Cidade do Panamá e está situada na costa do Oceano Pacífico. Panamá Viejo foi saqueada e destruída pelo corsário Henry Morgan, em 1671. Na capital, é preciso visitar o chamado Casco Viejo, a parte mais antiga da cidade, onde estão a catedral, o palácio do governo, a Praça Bolívar e o antigo presídio de Bovedas, hoje transformado numa sucessão de galerias de arte. É aí que se pode apreciar construções coloniais espanholas pintadas em cores pastéis e com sacadas que exibem elaboradas grades de ferro batido. O jogo é liberado e é possível divertirse com pouco dinheiro, pois há máquinas caça-níqueis que aceitam apostas a partir de US$ 0,05. Os cassinos apresentam música ao vivo e oferecem refrigerantes e cerveja grátis para os jogadores. Comprar é outro divertimento prazeroso. Aceitam-se todos os cartões de crédito, cultivam-se pechinchas e os turistas não pagam impostos pelas suas compras. O principal centro de consumo é o Paseo Central,

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TURISMO

um calçadão onde se encontram aparelhos eletrônicos, roupas, sapatos e acessórios simples e de griffes, tecidos, cosméticos e lojas das multinacionais de fast food.

Visitando o canal
Um bom programa é conhecer o canal, uma expressiva obra de engenharia. Para construí-lo, entre 1908 e 1914, Panamá e Estados Unidos assinaram o Tratado de HayBunau-Varilla, que deu aos americanos o controle perpétuo do canal. Em 1974, eles renunciaram a essa soberania perpétua e, em 1977, prometeram devolvê-lo aos panamenhos, o que ocorreu em 31 de dezembro de 1999. Até então, a área do canal e suas margens eram território americano e a presença deles conferiu ao Panamá peculiaridades culturais como, por exemplo, o emprego corrente da língua inglesa nas maiores cidades. O país, aliás, é hoje considerado o mais internacionalizado da América Latina. O Canal do Panamá mede 80 km de comprimento e transporta navios de um oceano ao outro. Entre o Pacífico e o Atlântico há uma diferença de altura de 26 metros e para superá-la os navios são elevados ou baixados em três grandes eclusas. Verdadeiros “elevadores”, que movimentam cerca de 52 milhões de galões de água doce, pois parte do canal foi traçada através das águas de um lago. Um navio costuma demorar entre oito e dez horas para cruzar todo o canal e a
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Índios embera mostram suas danças aos visitantes no Parque Nacional de Darien. As praias de Bastimentos (centro) estão entre as mais procuradas do Caribe. O Arquipélago de San Blas (à direita) tem 365 ilhas e lindos cenários naturais.
travessia custa, em média, cerca de US$ 42 mil por embarcação. Há navios de turismo que demoram um dia inteiro para atravessá-lo, ao preço de US$ 100. Um passeio de meio dia custa a metade e, para quem quiser dar uma olhada, é só pegar, ao preço de US$ 1, um ônibus, com arrefrigerado, que passe por Miraflores – a última eclusa antes do Pacífico – e assistir ao espetáculo de um mirante. Atualmente, o povo panamenho prepara-se para, em referendo, aprovar, ou não, a ampliação do canal. A votação ocorrerá em outubro de 2006 e os prognósticos são de que a ampliação será aprovada.

O Caribe paradisíaco
É na costa atlântica, voltada para o Mar do Caribe, que estão situados os mais belos sítios naturais e a melhor infra-estrutura turística. A Costa do Pacífico, onde situa-se

a capital, tem praias que sofrem com os efeitos das marés e não são muito boas para o banho de mar, embora suas águas revoltas façam a alegria dos surfistas. Uma visita aos paraísos naturais da costa caribenha, de águas azuis, areias brancas e bancos de corais, começa por El Darién, província ao Sul do país, próxima à fronteira com a Colômbia. Fica ali o arquipélago de San Blás, com 365 ilhas, onde vivem os índios Cunas. No arquipélago e na costa é possível alugar, a bons preços, cabanas rústicas, sem telefones e sem eletricidade, ideais para quem quer desligar-se do mundo. Elas convivem com a presença, mais ao Norte, nas regiões de Colón e Bocas Del Toro, de resorts e hotéis de categoria internacional. Porto Bello, Isla Grande (a pouco mais de 50 km da capital), Miramar e Bastimentos são os pontos mais procurados nas praias do Caribe, de águas mornas e transparentes, paraíso dos mergulhadores, cruzeiros e esportes aquáticos. O Panamá pôs à disposição dos visitantes a infra-estrutura que herdou dos 85 anos de presença americana no país e transformou vilas militares em hotéis. É o caso da antiga Escola das Américas, que, hoje, abriga o Meliá de Colón. O mesmo acontece no Hotel Gamboa Rain Forest, situado no Parque Nacional de Soberania, com 5.500 hectares: em meio à floresta tropical. Ali, os turistas podem assistir a demonstrações de rituais de tribos indígenas.

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TURISMO

“Em 2010, o turismo deverá ser um dos principais itens de exportação do Brasil”
Ministro interino do Turismo aponta potencial do setor e diz que ao viajar a pessoa quer levar de volta para casa uma experiência única e inesquecível
Para o Ministro interino do Turismo, Márcio Favilla Lucca de Paula, as viagens vão alavancar cada vez mais a economia do Brasil. Nesta entrevista, fala de gastronomia, economia e do desejo de ser feliz conhecendo outras terras e outras gentes.
De que forma o turismo se destaca dentro da política de comércio exterior do Brasil? MFLP – No ano passado, a atividade turística tornou-se o quinto item da nossa pauta de exportações, ao registrar, segundo o Banco Central, um volume de divisas de US$ 3,9 bilhões. Trata-se de uma grande força econômica global. A Organização Mundial de Turismo informa que 10% do Produto Interno Bruto – PIB da economia mundial estão vinculados a esse setor. Um em cada nove empregos gerados no mundo também está relacionado a ele. Temos tido, nos últimos anos, um grande crescimento da geração de renda nesta área. Em apenas três anos, ou seja, de 2002 a 2005, houve um acréscimo de 93%, em dólares, gerados pelo turismo no Brasil. No primeiro semestre deste ano, em comparação com o do ano passado, tivemos um crescimento de 17% desta atividade.A nossa expectativa é de que, com o esforço continuado na promoção internacional, realizado pelo Governo Federal em articulação e parceria com estados, municípios e o setor privado brasileiro, a geração de divisas continue crescendo de forma bastante rápida. Em torno de 2010, poderemos atingir US$ 10 bilhões de divisas geradas pelo turismo, tornando esta atividade um dos principais itens da nossa pauta de exportações.

Em 2005, o turismo foi o quinto item da nossa pauta de exportação e gerou US$ 3,9 bilhões
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P AU L A N

O Ministério do Turismo tem uma política específica para a América Central e para o Panamá? MFLP – Temos trabalhado com os principais mercados emissores de turistas para o Brasil. Não temos uma política específica para os países centro-americanos e para o Panamá. O Panamá, no
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TURISMO
entanto, – pela sua posição geográfica, por ser a sede da Copa Airlines, e pelo fato de o aeroporto da cidade do Panamá ser o hub das Américas — ganha bastante importância. Para os viajantes que atravessam a América Central, e, também, para os americanos, passar pelo Panamá é uma alternativa muito viável e interessante. A Copa Airlines mantém vôos do Panamá para São Paulo e Manaus e, dentro de algum tempo, oferecerá vôs para o Rio de Janeiro. O Panamá tem ganhado importância na nossa estratégia de atração de

O setor gera empregos tanto para pessoas pouco qualificadas quanto para profissionais altamente especializados
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turistas estrangeiros para o Brasil e de geração de divisas para o país. O que podemos oferecer aos panamenhos, na medida em que o Brasil tem uma natureza tropical que eles

também têm? MFLP – Nossa natureza está disponível não somente para os panamenhos, mas para todos os visitantes estrangeiros. Além disso, o Panamá coloca-se como um país com experiência em logística, pois ele tem um porto na Zona de Colón que é muito importante como local de recebimento ou reexportação e distribuição de produtos. O vôo Panamá-Manaus é, pois, significativo para nós, não somente por causa do turismo, mas também porque liga a Amazônia a esse centro de distribuição, e passa a ser uma alternativa interessante para

“O intercâmbio comercial desperta a curiosidade pelo conhecimento do país”
Brasil, não só vindos do exterior, mas também das diferentes regiões brasileiras. Nosso interesse principal é divulgar e promover o território fluminense para que receba ainda mais visitantes. Esse é o objetivo principal da Secretaria de Turismo.” O subsecretário se disse satisfeito com o aumento da importância do intercâmbio Brasil-Panamá. Segundo ele, atestam este fato o número de vôos Brasil-Panamá e a venda de novos modelos de aeronaves da Embraer para os panamenhos. “Todo esse trabalho de intercâmbio, que pode ser observado com a realização deste seminário pela FCCE, e na aproximação do Brasil com o Panamá, por meio da nova rota de aviação trazida pela Copa Airlines, tende a incrementar a atividade turística. Num futuro próximo, prevemos o aumento do número de turistas de toda a América Latina em direção ao Rio de Janeiro. Nós, da Secretaria de Turismo, trabalhamos para receber bem estes visitantes. A nossa missão é trazer turistas para cá. Temos que divulgar e promover o nosso destino frente ao mercado, e o intercâmbio comercial é muito importante, pois ele desperta a curiosidade pelo conhecimento do país.”

Paraty: a preferida de franceses e ingleses.

Nilo Sérgio Felix

Subsecretário de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, Nilo Sérgio Felix, trouxe ao Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá números e dados sobre o setor no Brasil e no Rio de Janeiro e falou da importância desta atividade para os negócios internacionais. “O estado e a cidade do Rio de Janeiro são os que mais recebem turistas no

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Segundo Nilo Sérgio Felix, o Brasil recebeu, em 2005, 5,3 milhões de turistas estrangeiros e o Rio de Janeiro foi a cidade mais visitada, recebendo 37% dessa demanda. “Outro ponto interessante é que duas cidades do Estado do Rio estão entre as dez mais visitadas pelo mercado turístico internacional: Rio de Janeiro, em primeiro, e Búzios, em sétimo lugar. Podemos destacar, ainda, a cidade histórica de Paraty, a décima oitava cidade brasileira que mais recebe turistas estrangeiros, e a quinta cidade que mais recebe ingleses e franceses. Localiza-se a uma hora e meia da capital, temos regiões maravilhosas como a Costa Verde, a Costa do Sol, a Região Serrana, a Região do Vale do Paraíba e a do Ciclo do Café. O estado se completa.”

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as exportações advindas do Pólo Industrial de Manaus. O turismo, chamado por alguns setores de indústria verde, porque gera empregos sem criar poluição, é visto, como uma atividade que pode impactar a cultura regional. O que em sua origem prometem uma elevada oferta de emprego local e depois não conseguem realizá-la. Como o senhor vê essa possibilidade de o turismo não ser tão positivo como se diz?

MFLP – Como toda intervenção humana, o turismo está sujeito a problemas. Afirmar que ele é uma indústria não poluente, sem chaminés, não é muito adequado, porque se o destino turístico não for bem administrado, pode provocar um impacto ambiental tão danoso como o de uma indústria mal resolvida ambientalmente. Existem, vários exemplos bem resolvidos. Trata-se dos locais em que o turismo gera benefícios para a população local. Há até um número maior de casos desses do que o contrário. Um exemplo é a região de Bonito, em Mato Grosso do Sul, onde há uma situação excepcional, mas é delicada do ponto de vista ambiental. Foi feita, então, uma definição da carga, quer dizer, do número de pessoas que podem visitar os balneários e em que condições fazê-lo. Desta forma, o turismo e a preservação ecológica de Bonito tendem a perdurar por muito tempo. A distribuição da renda gerada em Bonito é bem equacionada: o dono do atrativo (que investiu para montá-lo) fica com uma parte significativa, a prefeitura fica com outra, os guias turísticos locais com outra. Ou seja, o turismo é bem realizado também como negócio. MFLP – Isso mesmo. O setor gera empregos em todos os níveis de remuneração. Ele beneficia desde pessoas com baixo nível de qualificação até profissionais altamente qualificados. Ou seja, desde carregadores de mala ou camareiras dos hotéis, até o gerente-geral de uma cadeia hoteleira ou de uma empresa aérea. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, de 2003 a 2005, esta atividade gerou cerca de 798 mil empregos formais e informais. Esse é um total bastante expressivo. Esse ano, temos a meta de geração de 300 mil empregos e ocupações (quer dizer, postos de trabalho formais e informais) e poderemos chegar a índices bastante satisfatórios. O setor tem um potencial de empregos e ocupações muito elevado em todas as

partes do país e em todos os níveis de remuneração

Se o destino turístico não for bem administrado, pode provocar um impacto ambiental muito grande
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P AU L A N

Búzios é a sétima cidade mais procurada.

Os números citados são expressivos, mas Nilo Sérgio Felix ainda não se declara satisfeito, pois acha que o Rio de Janeiro pode receber muito mais. “Estamos trabalhando neste sentido, participando de feiras e eventos. A secretaria promove um workshop internacional chamado ‘O Rio é de vocês’, cujo público alvo é o agente de viagem das localidades estrangeiras. Colocamos nosso produto na prateleira do agente de viagem para que ele possa divulgar, vender e trazer o turista estrangeiro. Com isso, estreitamos as relações comerciais, melhoramos a receita, diminuímos as divergências socias, estimulamos a renda e o trabalho. A indústria dos negócios e dos serviços está cada vez mais presente em toda a economia do país”.

Agora vamos tratar de outro aspecto. A pessoa que viaja busca uma cor local. Quanto mais globalizada se torna a atividade, mais esta cor local pode se perder. É o caso do viajante que vai para o interior de Minas, querendo comer frango com quiabo, e, lá, lhe oferecem camarões da Malásia. Como o senhor vê esta situação? MFLP – Eu vejo da seguinte forma: os empresários desta área já perceberam que o turista quer ver a cultura local. Para ter, pois, sustentabilidade, o turismo tem de valorizar a diversidade cultural. Mesmo quem viaja para um descanso de sol e praia, quer, cada vez mais, conhecer a cultura local, os monumentos, as festas típicas. O visitante quer ter a certeza de que, estando em Minas Gerais, vai encontrar o frango com quiabo e o pão de queijo; ao chegar ao Pará ou à Bahia, vai querer provar a gastronomia do Norte e do Nordeste. Quem trabalha com turismo tem isso cada vez mais claro e acha importante oferecer o colorido local, o gosto típico e a experiência regional. Ao viajar, a pessoa quer ser feliz e, ao ir embora, quer levar para casa uma experiência única e ter histórias para contar. Aquilo que vai contar para seus amigos e familiares ao voltar é que vai dar o colorido daquela viagem e torná-la inesquecível. O nosso objetivo é que todo turista, ao deixar o Brasil, ou todo brasileiro que visitar uma outra parte do seu país, ao voltar goste tanto daquela viagem que coloque uma fotografia emoldurada na sala de sua casa. O dia em que fizer isto, ele estará achando que a experiência foi magnífica, única.
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TURISMO

Hotelaria

Negócio de luxo e qualidade
Grupo americano busca novas oportunidades de negócios no Brasil
SpringHill Suites e Bvlgari. Além disso, desenvolve e opera resorts de férias das bandeiras Marriott Vacation Club, Horizons, The RitzCarlton Club e Marriott Grand Residence Club. Opera, ainda, a Marriott Executive Apartments e oferece moradia corporativa mobiliada por meio de sua divisão ExecuStay by Marriott, além de operar centros de conferências em vários países. A companhia está sediada em Washington D.C. e tem aproximadamente 133 mil funcionários.

No Brasil
A Marriott International iniciou suas operações no Brasil com a inauguração do Renaissance São Paulo Hotel, com 445 apartamentos, em 5 de março de 1997. Atualmente, a cadeia se faz presente, no país, com seis hotéis, que oferecem um total de 1.613 apartamentos em quatro bandeiras distintas: JW Marriott; Marriott Hotels; Renaissance; e Marriott Executive Apartments. Na categoria luxo: JW Marriott Hotel Rio de Janeiro; Marriott Hotels, Resorts & Suítes; e Renaissance Hotels, Resorts & Suítes. Na categoria qualidade: Renaissance São Paulo Hotel; Marriott Airport Hotel São Paulo; Costa do Sauípe Marriott Resort & Spa; e Renaissance Costa do Sauípe Resort. Na categoria estada prolongada: Marriott Executive Apartments São Paulo. Segundo Jorge Berrio, o Brasile a América Latina, constitnuem-se em um mercado muito importante para o grupo Marriott. “A rede acreditou na potencialidade do país e tem a visão de um crescimento contínuo por aqui, como já vem acontecendo. Nosso primeiro hotel brasileiro foi inaugurado em 1997 e, hoje, já temos seis propriedades no país, com bandeiras distintas.” Jorge Berrio explica, ainda, que, em matéria de qualidade do serviço oferecido aos visitantes, os hotéis da rede não costumam

No coração da Praia de Copacabana, destaca-se o prédio do JW Marriott Hotel Rio de Janeiro.

omo ele próprio costuma dizer com um sorriso, Jorge Berrio é um panamenho aventureiro. Em suas andanças profissionais, já atuou como gerente geral no Renaissance Jaraguá Hotel & Casino, na República Dominicana, e no Guatemala City Marriott, na Guatemala. Trabalhou também como gerente de eventos, diretor de banquetes e eventos, diretor de restaurantes, diretor de marketing e diretor de alimentos & bebidas do Hotel Marriott, no Panamá. Além disso, foi diretor de alimentos & bebidas e, posteriormente, gerente residente do Marriott Casa Magna Cancun Hotel, no México. Atualmente, é gerente geral do JW Marriott Hotel Rio de Janeiro, um esta-

C

belecimento que já se incorporou harmoniosamente à beleza da praia de Copacabana. Em entrevista a revista da FCCE, contou um pouco da experiência do grupo hoteleiro no Brasil.

Tradição
A cadeia Marriott nasceu em Washington, em 1927, quando Willard e Allice S. Marriott abriram o primeiro hotel do grupo – hoje, uma das maiores redes hoteleiras mundiais. Atualmente, a empresa administra cerca de três mil hotéis, em 67 países. A Marriott International opera e franqueia hotéis sob as bandeiras Marriott, JW Marriott, The Ritz-Carlton, Renaissance, Residence Inn, Courtyard, Towne Place Suites, Fairfield Inn,

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O panamenho gosta muito de viver em vários países e, por isto, afirma não ver diferenças entre atuar no Brasil e no Panamá. “O negócio é o mesmo e a forma de gerenciar um hotel no Brasil ou no Panamá é muito semelhante. Isso se deve, principalmente, às características humanas desses dois países, bem como de toda a América Latina. Temos todos a mesma raiz. A equipe de desenvolvimento da Marriott, baseada em Washington D.C., busca constantemente novas oportunidades de ne-

gócios no Brasil. O objetivo estratégico da companhia é estar representada nas principais cidades da região, centros comerciais e destinos de resorts.”

O JW Marriott Hotel do Rio de Janeiro tem interiores confortáveis e bem decorados e uma piscina que encanta os visitantes.

A Rede acreditou na potencialidade do país e tem a visão de um crescimento contínuo por aqui, como já vem acontecendo
JORGE BERRION

fazer distinção entre público interno ou externo, mas, de modo geral, no Brasil os hóspedes estrangeiros têm sido uma presença mais expressiva. “Entre nossos hóspedes, cerca de 70% têm procedência estrangeira, vindo, sobretudo, dos Estados Unidos (60%) e Europa (25%). Vale acrescentar, ainda, que o JW Marriott Rio de Janeiro é um estabelecimento com perfil corporativo, pois 60% dos hóspedes são da área de negócios, 25% são grupos e 15% são hóspedes de lazer.

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INTERCÂMBIO

“Desejamos estabelecer muitas parcerias com os brasileiros”
Gloria de la Espriella, Diretora Geral de Promoção de Investimentos do Ministério de Comércio e Indústrias do Panamá, mostrou-se empenhada, em sua primeira visita ao Brasil, em obter investimentos brasileiros na área energética do seu país. Em troca, quer fazer da Zona de Livre Comércio de Colón, um centro mundial de distribuição de produtos brasileiros.

Como avalia sua primeira visita ao Brasil? GE – Estou encantada. O Brasil é sumamente importante para o Panamá, e estar aqui é um prazer para mim. Quais são as suas expectativas em relação a este seminário? GE – Primeiramente, que se conheçam melhor as oportunidades de investimento oferecidas pelo Panamá. Essas oportunidades, é claro, estão abertas ao Brasil, que para nós, como já disse, é um país muito importante e com o qual desejamos estabelecer parcerias, no campo energético, no campo portuário, no campo da Zona de Livre Comércio de Colón, e outros. Temos muito interesse na participação mais intensa dos brasileiros em nosso país. Em sua opinião, que produtos brasileiros podem ser objeto de incremento do nosso comércio com o Panamá? GE – Mais do que produtos específicos, eu diria que nos interessam o conheci50
Segundo Gloria de la Espriella, o Panamá está interessado na experiência energética brasileira.

mento e a experiência que possuem os brasileiros no campo energético. Por exemplo, posso citar, na área do petróleo, todo o know-how adquirido pela Petrobras, além de toda a experiência brasileira no trato com o etanol e com o biocombustível. São setores que estamos continuamente explorando no Panamá e para os quais, acredito, o Brasil poderá contribuir, ajudando o desenvolvimento de nossa indústria energética. Em contrapartida, que pode o Panamá oferecer ao comércio exterior brasileiro? GE – O que o Panamá pode oferecer ao Brasil, graças a seu posicionamento geográfico estratégico, é a possibilidade de

tornar-se um centro de distribuição mundial de produtos brasileiros. Para isso, os dois governos estão em processo de firmar um acordo para transformar a Zona Livre de Colón em um centro que atenda a esse objetivo. Esse centro pretende reproduzir, para os produtos brasileiros, o que já ocorre em outras latitudes, como, por exemplo, em Miami. Apesar de suas dimensões continentais, o Brasil faz limite apenas com o Oceano Atlântico. No Panamá, que é banhado pelo Atlântico e pelo Pacífico, existem diferenças entre os habitantes e as cidades das duas costas? GE – Não, não existem marcantes diferenças culturais, pois o país é muito pe-

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queno e, em menos de uma hora pode-se ir de um oceano ao outro. O que posso dizer é que o litoral atlântico é bastante marcado pela influência do Caribe, e que o Panamá, em geral, em toda a sua pequena extensão, é um país que acolheu etnias e culturas de várias partes do mundo, o que o torna multicultural. Nossa população conta com descendentes dos indígenas locais, dos antilhanos, dos colonizadores espanhóis, de chineses, todos em perfeita convivência. Durante a realização dos painéis, um dado estatístico fornecido pelos próprios panamenhos informou que, apesar de o país constituir-se em um centro do comércio e da navegação mundiais, ainda existem 37% da população na faixa de pobreza. Lá, como aqui, é grande a concentração de renda? Que tem sido feito para atenuar esse problema? GE – Essas cifras têm variado e acredito que esse dado não está atualizado. O problema é uma conseqüência de pertencermos ao chamado Terceiro Mundo, mas posso lhe garantir que tem diminuído bastante a pobreza extrema no Panamá, que cada vez mais pessoas têm tido acesso ao mundo do trabalho e que esta questão não é tão grave como parece. Além de nossos próprios programas de incentivo à criação de empregos, contamos com os investimentos estrangeiros que têm resultado na abertura crescente de frentes de trabalho para a população do país. Um tema mencionado neste seminário foi o do alargamento do Canal do Panamá, que será objeto de consulta à população do país. Levando-se em conta a necessidade de possibilitar a passagem de navios de maior calado – hoje impossibilitados de atravessá-lo – e considerando as vantagens econômicas dessa ampliação, é difícil imaginar quem é que poderá se posicionar contra a medida e sob que argumentos. Baseada em que pressupostos parte da população é con-

tra esse alargamento? Essa oposição é muito representativa? GE – A pergunta é muito interessante. Esse referendo é uma imposição constitucional, e estamos, portanto, obrigados a fazêlo. Acredito que não haja nenhuma razão de ordem técnica para que alguém se oponha ao alargamento do canal. Trata-se, basicamente, de uma atitude política, motivada ou por uma visão curta e logística, ou por interesses particulares. Os opositores não perceberam, ainda, que a ampliação não é um projeto político desse ou daquele governo, mas uma medida vital, que vai possibilitar ao Panamá posicionar-se positivamente em relação a sua sobrevivência no futuro. Espero que vençam os que acreditam nesse futuro. Quando, no Brasil, menciona-se o Panamá, além do canal, pensa-se, também, na intensa presença do país na navegação comercial. Essa per-

manência da bandeira panamenha em navios do mundo inteiro ainda é uma prática em pleno uso no país? GE – O embandeiramento de navios, no Panamá, vem crescendo continuamente, e somos o país que mais cultiva essa prática em todo o mundo. É uma fonte de renda e um procedimento comercial que foi sempre incentivado pelos diferentes governos panamenhos. Que mensagem final sobre o Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá a senhora gostaria de deixar para os leitores de nossa revista? GE – Gostaria de expressar minha satisfação em participar deste encontro que, com certeza, reforçará nossos laços de amizade e cooperação, e de reforçar o convite aos empresários e homens de negócios deste grande país para que invistam no Panamá. Muito obrigada.

Muitas vantagens para novos investimentos no Panamá
Diretor do Quijano & Associados, do Panamá, alinha as possibilidades de investimento naquele país e comenta a participação da bandeira panamenha na marinha mercante mundial

“E

spero que este seminário possa mostrar à sociedade do Rio de Janeiro e às empresas brasileiras as vantagens de investir no Panamá, que oferece grande variedade de aspectos e de áreas, relativos a importantes projetos que estão sendo levados a cabo no país. Menciono, por exemplo, iniciativas como a ampliação do canal, além de projetos imobiliários e de irrigação, dos quais poderão participar empresas brasileiras de amplo reconhecimento e competência, como a Odebrecht, que já está investindo no território panamenho, e como a Andrade Gutierrez, que possui um enorme potencial para participar de nossos futuros empreendimentos.” A opinião é de Oliver Muñoz, Diretor do Escritório de Advocacia Quijano & As-

sociados, do Panamá. Ao participar do Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá, ele nos concedeu esta entrevista na qual falou livremente sobre diversos assuntos referentes ao seu país.

Bandeira
Um dos temas abordados por Oliver Muñoz foi a participação da bandeira panamenha na marinha mercante mundial, uma prática muito difundida na cultura comercial local. “O Panamá é, hoje, o país que lidera mundialmente a marinha mercante, em termos de embandeiramento. Temos, historicamente, uma política muito aberta de registro de navios e de cargueiros de nações do mundo inteiro, sob nossa bandei51

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exemplo, temos uma estabilidade muito importante; do ponto de vista jurídico, os investidores sentem-se cada vez mais atraídos e seguros em relação ao país; e, do ponto de vista econômico, o Panamá desenvolve, cada dia mais, seu potencial de crescimento.”

Escritório
O Escritório de Advocacia Quijano & Associados é uma firma fundada em 1959, no Panamá. O foco principal de suas atividades concentra-se na área marítima. Segundo Oliver Muñoz, ele presta serviços a, aproximadamente, 10% dos barcos que ostentam bandeira panamenha, o que constitui uma grande quantidade deles, em todo o mundo. “Temos clientes da importância da Mitsubishi Logistics, no Japão, e muitos outras companhias de navegação de grande porte na Coréia e em Formosa. Atendemos a empresários do mundo inteiro, não apenas na Ásia, mas também na Europa, na América do Norte, e na nossa América do Sul, onde temos muitos clientes, especialmente na Colômbia, na Venezuela e no Equador. Estamos, também, empenhados em nos estabelecer no Brasil e, por isso, estamos comparecendo a este seminário, com a intenção de demonstrar aos investidores brasileiros que há um grande potencial de crescimento no Panamá e que poderá haver uma relação muito mais estreita entre os dois países.” Oliver Muñoz se disse ainda muito impressionado com o Brasil, que visita pela primeira vez. “A natureza é esplendorosa, mas me impressionaram, sobretudo, os brasileiros, uma gente muito calorosa e agradável, com um temperamento bastante parecido com o dos panamenhos, sempre de braços abertos! Ao viajar, fiquei um pouco preocupado com o idioma, mas, agora que estou aqui, convivendo com os brasileiros, compreendo muito bem o que me dizem e penso que, se for necessário, em cerca de dois meses poderei dominar o português. A mensagem que eu gostaria de deixar para os leitores da revista é que conheçam o Panamá e desfrutem das excelentes oportunidades de investimento que existem em meu país.”

Oliver Muñoz garante que o sistema jurídico do Panamá oferece segurança aos investidores.

ra. Desde há muito tempo, quando se criou essa política, estabeleceu-se, também, a outorga de recursos adequados à diretoria de marinha mercante por parte do nosso governo, para poder proporcionar segurança e confiança às empresas que, confiando, registram seus navios no Panamá. O Panamá oferece tarifas muito baixas para o registro de naves, e as empresas costumam aproveitar-se disso. O Panamá, por sua vez, tem que mostrar e garantir ao mundo que é capaz de exercer uma supervisão dequada dos cargueiros que navegam sob a sua bandeira, e esse trabalho é realizado, na medida do possível, graças aos recursos disponibilizados anualmente pelo governo. Nossas autoridades têm plena consciência do quanto essa área de negócios é importante para o país, e que sua imagem não pode ser afetada ou arranhada por falta de uma supervisão adequada dos navios que portam sua bandeira.”

vado para território americano, foi julgado e condenado a 40 anos de prisão por tráfico de drogas, em 1992. Alguns anos depois, sua pena foi diminuída para 30 anos. Segundo Oliver Muñoz, os panamenhos viveram sob uma prolongada ditadura, cujo desenlace ocorreu quando da invasão americana.

O Panamá oferece tarifas econômicas para registrar navios e deve supervisionar os barcos que navegam com a sua bandeira
OLIVER MUÑOZI

Noriega
Sobre a estabilidade do país, um dos fatos a chamar a atenção do mundo foi o episódio da deposição do General Manoel Antonio Noriega, o homem forte local. Antigo aliado dos americanos, ele foi deposto no fim dos anos 80, quando forças dos Estados Unidos invadiram o país. Le52

“Essa invasão foi realizada com o propósito de prender o General Noriega, extraditá-lo e submetê-lo a julgamento nos Estados Unidos, por delitos relacionados à corrupção internacional e ao narcotráfico. Ele foi julgado e condenado segundo as leis americanas e, atualmente, cumpre pena em Miami. O episódio, na época, foi muito forte, muito traumático, pois os panamenhos não aprovaram a invasão americana. Apesar disso, o fato deste episódio não constar mais da pauta de preocupações cotidianas do nosso povo tem sido um fator que facilita e propicia o desenvolvimento cada vez maior do país. Do ponto de vista político, por

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Uma vitrine do comércio mundial
Presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Panamá realça a importância de feira comercial
Em entrevista à revista da FCCE, o Presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Panamá, Fernando Arango Morrice, revelou detalhes sobre a Expocomer, a exposição comercial que ocorre há 25 anos naquele país, e falou sobre os produtos e serviços que se destacam no comércio panamenho.
“A Expocomer é uma vitrine do comércio mundial onde se apresentam cerca de 30 países, entre eles Brasil, Taiwan, China, Estados Unidos, Espanha, Rússia, Costa Rica, México e Argentina. Temos visitantes de todos os continentes. A idéia é a criação de uma vitrine, uma janela para o comércio mundial. Com a posição geográfica que temos no Panamá, o que fazemos é expor os produtos a compradores profissionais que os distribuem. Nosso país é um centro geográfico e logístico, já que contamos com o Canal do Panamá.” Segundo Fernando Arango Morrice, a Expocomer é uma iniciativa da Câmara de

Comércio do Panamá, uma instituição que trabalha apoiando empresas privadas. “O governo nos acompanha e, também, nos envia expositores, como o Ministério do Comércio e as autoridades do Canal do Panamá. A feira é uma iniciativa privada que procura trazer benefício aos compradores e expositores que queiram distribuir seus produtos. O nosso país tem uma posição geográfica privilegiada com portos, tanto no Oceano Atlântico, quanto no Pacífico. Podemos ir do Pacífico ao Atlântico, de carro, em apenas uma hora.” Sobre os maiores destaques da exposição, ele ressaltou os produtos alimentícios, têxteis e de construção, além de automóveis e de serviços. Na realidade, há cerca de 14 categorias de produtos. Com relação aos investimentos realizados em seu país, Fernando Arango apontou a importância e o crescimento nas áreas imobiliária e de construção. “Há muitas empresas brasileiras construindo no Panamá. Foram firmados acordos comerciais com empresas processadoras na última missão comercial realizada pelo Ministro Luiz Fernando Furlan no meu país. Além disso, os investimentos turísticos são muito importantes, pois têm crescido o número de hotéis, restaurantes, discotecas e bares turísticos. O Panamá conta, ainda, com pequenas empresas que se destacam na área artesanal. Exporta, também, muitas frutas, inclusive para o Brasil. A área fincanceira, com seus serviços bancários, é uma das mais importantes. O país conta, hoje, com 70 instituições bancárias de nível internacional e, com o dólar americano como moeda, os investimentos, tanto do Brasil quanto de outros países, são facilitados.”

Podemos ir do Pacífico ao Atlântico, de carro, em apenas uma hora

FERNANDO ARANGO MORRICEN

Trinta países garantem a diversidade ...

...de produtos comercializados na Expocomer,...

...que se realiza anualmente.

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ENGENHARIA

Andrade Gutierrez quer investir no desenvolvimento panamenho
A Construtora brasileira mantém no Panamá um escritório que centraliza a gestão de seus negócios em toda a América Central e no Caribe
O Diretor da Área Internacional da Construtora Andrade Gutierrez, Ricardo Antonio Mello Castanheira, fala sobre a experiêncai internacional da empresa e das expectativas em participar das obras de ampliação do Canal do Panamá. Quais são as suas expectativas em relação a este Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá? RC – Nós temos o maior interesse no Panamá, não apenas como país, mas como centro de relações com a América Central e o Caribe. Mantemos um escritório em território panamenho e estamos estabelecendo negociações na área de irrigação e de saneamento, via Panamá, com a República Dominicana. Ao participarmos deste seminário, nossos objetivos são os de entender melhor o país e de mostrar o que lhe podemos oferecer, inclusive em termos de parcerias. Um seminário como este é sempre uma boa oportunidade, também, para estreitar os relacionamentos entre os dois países e suas empresas. O senhor esteve no Panamá. Poderia nos dizer que obras foram ali executadas por sua empresa? RC – Nós fizemos a duplicação da Ponte das Américas, que passa pelo Canal do Panamá e une as duas partes do continente. É uma ponte metálica muito alta, para não atrapalhar a navegação, situada bem à entrada do canal. Nós fizemos o seu segundo tabuleiro e o reforço do primeiro. Hoje, estamos procurando desenvolver negócios na área de energia elétrica, em hidrelétricas, e temos o maior interesse em participar da ampliação do canal. Nosso escritório central para aquela região é o
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Ricardo Antonio Mello Castanheira

do Panamá, que toma parte muito ativa na administração da obra de um aqueduto que estamos construindo na República Dominicana. Nós vamos, também, iniciar a obra de uma hidrelétrica neste país. Além disso, ainda por meio do nosso escritório no Panamá, mantemos contatos de negócios em El Salvador. O Panamá é um grande centro financeiro e, por isso, mantemos lá nossa base. Temos, também, um escritório no México e um outro, menor, na República Dominicana. Esses três escritórios interagem para atender aos nossos interesses na grande área formada pelo México, América Central e Caribe. No México, estamos construindo uma barragem. Esperamos crescer muito em toda aquela região, onde o potencial de desenvolvimento e a demanda de construção são muito grandes.

A Andrade Gutierrez tem sido bem recebida fora do Brasil? Em que outros países ela atua? RC – Começamos a trabalhar no exterior em 1983. Nosso primeiro projeto fora do Brasil foi no Congo, na África. Na América Latina, além daqueles países que eu já mencionei, estamos presentes na Venezuela, no Equador, no Peru e na Argentina.Temos, também, uma empresa que atua há 36 anos no mercado português e que nos possibilita trabalhar na Europa, na Ásia e na África. Ela se chama Zagop e é inteiramente, cem por cento, Andrade Gutierrez. Eu mesmo trabalhei lá durante seis anos, na sede, em Lisboa. Atualmente, estamos trabalhando na Grécia, na Espanha, em Portugal, na Mauritânia, em Angola, na Guiné Equatorial e na Argélia. Estamos desenvolvendo alguns negócios na Líbia. Executamos um importante trabalho de saneamento no Irã e temos, ainda, alguns negócios em desenvolvimento na Arábia Saudita. Nesses empreendimentos, a mãode-obra é recrutada no país ou é majoritariamente brasileira? RC – A mão-de-obra executora é recrutada no país. O que vai daqui é a parte gerencial, a equipe que executa a gestão do empreendimento. Essa equipe precisa ser muito bem preparada, dadas as diferenças culturais e de idiomas. Há treinamento para isso? RC – Como nós atuamos no exterior há 23 anos, temos um pessoal já muito bem preparado. Para tarefas mais difíceis, contamos, também, com a ajuda do pessoal local. Como as coisas ficam mais fáceis,

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A Andrade Gutierrez é especializada na construção de grandes hidrelétricas (como Itaipu), pontes (como a RioNiterói) e auto-estradas (como a Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo).
em qualquer lugar do mundo, para quem fala inglês, é nesse idioma que realizamos a maior parte dos nossos contatos. A Andrade Gutierrez não está presente na Europa Oriental? RC – Temos trabalhado na Alemanha, mas ainda não atuamos no Leste Europeu. Isso é questão de tempo, a meu ver. Essa intensa atividade no exterior, de algum modo, faz com que o trabalho no Brasil fique num segundo plano? RC – De modo algum. O Brasil é a nossa prioridade, é o nosso mercado natural. Nossa atividade aqui é maior do que a realizada lá fora. Que grande obra a Andrade Gutierrez está fazendo, atualmente, no Brasil?

RC – Estamos executando, na capital de São Paulo, a Linha 4 do metrô; estamos, também, concorrendo à concessão para operação dessa linha. Aliás, fomos nós que construímos o último trecho do metrô entregue aqui, no Rio de Janeiro, da Praça Cardeal Arcoverde à Rua Siqueira Campos, em Copacabana. Temos o contrato para executar a Linha 3, que vai ligar o Rio de Janeiro a Niterói, bastando apenas que sejam viabilizados os recursos. Somos os responsáveis pela construção dos metrôs de superfície de Brasília e de Salvador. Em Macaé, no Norte Fluminense, acabamos de concluir uma usina termelétrica. No Rio Grande do Sul, estamos fazendo a Refab, a refinaria da Petrobrás neste estado, e, também, estamos em vias de concluir a hidrelétrica de Peixes. Já construímos a de Lajeado e estamos interessados na construção de muitas outras que vierem por aí. Nossa expectativa é a de que o Brasil cresça também. Em sua opinião, a gestão e as condições da economia brasileira têm ajudado nesse crescimento de sua empresa? RC – Nós estamos, como é notório, numa fase de muito pouco investimento em infra-estrutura no Brasil. Isso, na verdade, diminui bastante as nossas oportunidades aqui no país. Daí, a atratividade do mercado latino-americano, onde a situação é diversa da nossa. Temos, contudo, a confiança de que, nos próximos anos, possa ocorrer uma reversão, quem sabe mesmo graças a essa nova legislação das Parcerias Público-Privadas – PPPs e das conces-

sões. Nós temos ido em frente: participamos da compra da Light – e agora temos 25% da empresa – e estamos participando da concessão da água no Porto de Santos, que é toda administrada pela nossa empresa. O senhor não acha que há um período de tempo longo demais entre o anúncio das PPPs e a sua entrada em vigor? RC – É verdade. Resta, porém, o consolo de que, na Inglaterra, onde elas nasceram, o primeiro projeto só saiu três anos depois da concepção. No Brasil, elas vão fazer dois anos. Estou certo de que a concessão da linha 4 do metrô de São Paulo já vai sair em PPP. A Sabesp também está se preparando para adotar este modelo para o tratamento da água. Temos que confiar na tendência de crescimento. É preciso que essa parceria evolua, pois não se pode esperar muito dos recursos do governo, pois, como sabemos, 97% do que ele arrecada já tem destino certo, que são as áreas da educação, da saúde, da previdência, setores que não podem prescindir de recursos, e para os quais não existem tantos atrativos que mobilizem as PPPs. Uma palavra final aos leitores da revista da FCCE. RC – Gostaria de repetir os votos de parabéns pela iniciativa de um seminário tão útil para o comércio exterior brasileiro e de reiterar a disposição da Andrade Gutierrez em tomar parte no esforço pelo desenvolvimento desse país amigo que é o Panamá.
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EM PAUTA

Secretaria de Comércio Exterior elogia a realização dos seminários bilaterais da FCCE
Armando Meziat, Secretário de Comércio Exterior; Arthur Pimentel, Diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior e Fábio Martins Faria, Diretor de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, enviaram ofício a João Augusto de Souza Lima, presidente da FCCE, cumprimentando pela realização dos Seminários Bilaterais de Comércio Exterior e Investimentos. Segundo eles, estes eventos têm contribuído de forma consistente para consolidar a importância do comércio exterior e da atração de investimentos estrangeiros para o crescimento econômico do país. Por meio do ofício aqui reproduzido, a equipe do MDIC ratifica seu apoio aos seminários.

O ofício destaca a qualidade das publicações geradas pelos seminários, que incluem revistas e manuais, destinados tanto aos empresários quanto aos funcionários das áreas diplomática e de comércio exterior do Brasil e dos seus parceiros.
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Crescimento do comércio bilateral com o Brasil
A equipe do MDIC enviou, também, o gráfico e o quadro de acompanhamento do desempenho do comércio do Brasil com os países que participaram dos 13 primeiros seminários. Houve um expressivo crescimento da corrente de comércio com esses países.

200 160
Var. %

120 80 40 0,0
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PAÍS
PORTUGAL 04/05 A 08/06 04/03 A 08/04 MARROCOS 05/05 A 08/06 05/03 A 08/04 BÉLGICA 05/05 A 08/06 05/03 A 08/04 LUXEMBURGO 05/05 A 08/06 05/03 A 08/04 SUÍÇA 06/05 A 08/06 06/03 A 08/04 ARGENTINA 07/05 A 08/06 07/03 A 08/04 VENEZUELA 08/05 A 08/06 08/03 A 08/04 MÉXICO 08/05 A 08/06 08/03 A 08/04 CHILE 10/05 A 08/06 10/03 A 08/04 PAÍSES BAIXOS 11/05 A 08/06 11/03 A 08/04 ITÁLIA 11/05 A 08/06 11/03 A 08/04 POLÓNIA 11/05 A 08/06 11/03 A 08/04 CANADÁ 12/05 A 08/06 12/03 A 08/04

EXPORTAÇÕES

VAR.% P1/P2
66,79

IMPORTAÇÕES

Lux

VAR.% P1/P2
59,76

CORRENTE COMÉRCIO
2.272.732.675 1.372.159.472 991.398.169 710.885.945 4.631.951.222 3.175.785.188 86.236.573 27.171.414 2.502.700.301 1.693.296.945 21.164.340.182 13.232.639.600 3.809.025.095 1.457.082.939 5.927.356.418 4.500.527.875 5.835.414.366 3.240.794.941 5.096.191.922 4.359.938.474 5.076.854.901 3.948.094.683 426.358.973 352.306.717 2.487.584.742 1.462.537.466

VAR.% P1/P2
65,63

SALDO

1.911.664.364 1.146.159.614 553.505.883 403.438.001 3.512.857.622 2.449.678.487 27.195.326 9.668.212 905.403.175 460.170.090 12.935.329.361 7.408.716.031 3.237.518.811 1.210.584.595 4.724.803.466 3.796.694.465 3.523.318.382 2.131.452.020 4.487.336.963 3.909.539.806 3.048.798.946 2.347.252.167 250.302.428 253.927.406 1.705.792.799 809.870.297

361.068.244 225.999.858 437.892.249 307.447.944 1.119.093.557 726.106.701 59.041.066 17.503.202 1.597.297.029 1.233.126.855 8.229.010.746 5.823.923.569 571.506.117 246.498.344 1.202.552.928 703.833.410 2.312.095.919 1.109.342.921 608.854.944 450.398.668 2.028.055.925 1.600.842.516 176.056.546 98.379.311 781.791.832 652.667.169

1.550.596.120 920.159.756 115.613.634 95.990.057 2.393.764.065 1.723.571.786 -31.845.740 -7.834.990 -691.893.854 -772.956.765 4.706.318.615 1.584.792.462 2.666.012.694 964.086.251 3.522.250.538 3.092.861.055 1.211.222.463 1.022.109.099 3.878.482.019 3.459.141.138 1.020.743.021 746.409.651 155.548.095 74.245.882 924.000.967 157.203.128

37,20

42,43

39,46

43,40

54,12

45,85

181,29

237,32

217,38

96,75

29,53

47,80

74,60

41,30

59,94

167,43

131,85

161,41

24,45

70,86

31,70

65,30

108,42

80,06

14,78

35,18

16,89

29,89

26,69

28,59

(1,43)

78,96

21,02

110,63

19,78

70,09

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á

57

TENDÊNCIA

“Toda empresa gostaria de ter um entreposto no Panamá”
Em entrevista à revista da FCCE, o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, Chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio – CNC e exDiretor do Banco Central, falou sobre o setor de investimentos e negócios, e sobre a importância do Panamá como entreposto comercial da América Latina.
Como o senhor analisa os investimentos Brasil-Panamá? CT – Os investimentos se realizam com base no fato de o Panamá ser uma área de entreposto comercial e de serviços – tudo passa por aquele país mais facilmente. Os investimentos diretos do Brasil no Panamá poderão ser feitos em torno da obra de ampliação do canal. Acho que o espaço não é tão forte para investimentos diretos em outras áreas, tendo em conta o tamanho do país. Evidentemente, à medida em que aumentam as negociações, que fazem do Panamá fonte para outros negócios, toda empresa gostaria de ter um entreposto naquele país para distribuir seus produtos. Acredito que os investimentos em distribuição serão os mais importantes no Panamá. Trata-se de uma possibilidade importante, pois, a partir deste território, o Brasil pode colocar seus produtos em outros mercados. Esta operação torna-se estratégica para o nosso comércio exterior, tanto pela proximidade física que temos do Panamá, quanto pelo fato de o país ter uma zona de livre comércio. Há três bancos brasileiros, hoje, no Panamá. Fale um pouco sobre o pa58

Exportar para o Panamá significa exportar para outros países
DE

CARLOS THADEU

F R E I TA S G O M E S N

nômicos como o Mercosul e a Alca? CT – Acho que a Alca é um projeto ambicioso que ainda não saiu do papel e vai demorar um pouco mais. O Brasil tem vendido muito para a América Latina, e nosso comércio aumentou substancialmente, mesmo sem a Alca. Isso mostra que, por enquanto, devemos lidar com a Alca de forma cautelosa, sem precipitações. O Panamá é muito importante pelo fato de ser um entreposto comercial. Nosso comércio com a América Latina tem crescido muito, principalmente com os países do Mercosul, com o México, que é bem próximo do Panamá, e com outros países da América Central. O Panamá facilita a distribuição dos nossos produtos para o resto da América Latina. Quando tivermos a Alca funcionando, poderemos manter, com os Estados Unidos e com o Canadá, um comércio mais volumoso, e o fluxo desses produtos vai passar pelo Panamá. O comércio Brasil-Panamá não é muito expressivo. Como o senhor vê as perspectivas da nossa corrente comercial? Ela estará sempre ligada ao canal ou há outras possibilidades? CT – As nossas exportações para o Panamá cresceram muito em relação ao ano passado. As importações do Panamá não, pois não temos muito o quê importar de lá. Os Estados Unidos exportam para o Panamá, hoje, US$ 2 bilhões e o Brasil exporta US$ 217 milhões, o que significa que há mercado. Podemos exportar mais e podemos ocupar o espaço de alguns países que exportam para o Panamá. Isso não significa que teremos um crescimento monumental, porque trata-se de um país pequeno. Repito: exportar para o Panamá significa exportar para outros países, pois trata-se de um grande entreposto comercial.

pel dos bancos para dar incentivo e facilitar esses investimentos. CT – Os bancos brasileiros estão lá porque o Panamá é um off shore; um centro que permite o acúmulo de moeda estrangeira para outros lugares. Não acredito que o Brasil fará, necessariamente, grandes investimentos na área financeira do Panamá, pois o país funciona mais como paraíso fiscal. Muitos bancos internacionais e brasileiros usam o território panamenho para transacionar com outros países. Em termos de serviços, realmente não há muita demanda, devido ao fato de ser um país pequeno, mas, como meio para chegar a outro país, ele pode ser muito útil. Que análise o senhor faz do comércio exterior do nosso continente a partir da formação de blocos eco-

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AVIAÇÃO

Nova rota Rio de Janeiro-Panamá
Vôos facilitarão o surgimento de novos negócios entre os dois países
O Diretor Internacional da Copa Airlines,Alexandre Camargo, relatou a importância do crescimento da aviação no fortalecimento da ligação entre os dois países. A empresa atua, hoje, no Brasil, com os vôos São Paulo-Panamá e Manaus-Panamá. Em novembro de 2006 inaugurará uma nova rota: Rio de Janeiro-Panamá, conectando mais uma importante cidade à capital do Panamá.
A perspectiva em relação aos vôos do Rio de Janeiro é de que se mantenha no mesmo nível de São Paulo, com cinco vôos por semana? AC – Acho que o Rio de Janeiro será um destino mais fácil de se promover do que São Paulo, porque é mais conhecido mundialmente. A nossa expectativa é de que o vôo esteja cheio todos os dias e que possamos continuar com planos de crescimento, passando de cinco para sete vôos semanais e, depois, de um para dois vôos diários, como já acontece hoje em São Paulo. Isto porque o Rio de Janeiro é um destino mais procurado no exterior. A maior parte dos vôos da empresa, com destino ou origem em São Paulo, é de negócios? AC – São Paulo é uma cidade de negócios. É um pouco mais difícil falar de turismo em São Paulo, e como os negócios entre o Brasil e a América Central têm crescido muito nos últimos anos, é natural que este seja o caráter dos vôos. A Copa também trabalha com serviço de cargas? AC – A Copa Airlines tem um serviço de
Novos vôos da Copa Airlines vão agilizar o transporte e as ligações entre Brasil e Panamá.

AC – A aviação, hoje, é o principal foco de transporte, de intercomunicação e de ligação entre os países. Sem dúvida, um vôo Rio de Janeiro-Panamá vai possibilitar que negócios surjam com mais facilidade. Um passageiro poderá ir direto do Rio de Janeiro para o Panamá sem fazer escala e conexão. Atualmente, ele tem que ir para São Paulo ou até aos Estados Unidos para chegar ao Panamá. O vôo direto vai facilitar muito a relação comercial. Qual o maior destino dos passageiros do Brasil que vão para o Panamá? A maior parte fica no Panamá ou faz escala para outros países? AC – O Panamá responde por grande parte dos passageiros que voam pela Copa Airlines, cerca de 30%. Existem, ainda, outros destinos impor tantes como Cuba, República Dominicana, Costa Rica, Guatemala, El Salvador, além dos Estados Unidos. Hoje, não temos vôos saindo do Rio de Janeiro direto para Orlando ou Los Angeles e a Copa, por intermédio do Panamá, possibilitará essas conexões.
59

Alexandre Camargo

cargas que é complementar ao serviço de passageiros, mas o negócio principal da empresa é o transporte de passageiros. O senhor acha que a aviação pode incrementar a relação comercial bilateral a partir do momento em que transporta os empresários?

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P ARCERIA

Brasil: um país estratégico para todos os panamenhos
Cônsul-Geral do Panamá no Rio de Janeiro analisa as perspectivas de incremento da relação bilateral nas áreas de comércio e investimentos
A panamenha Glorisabel Garrido Thompson-Flôres, há um ano e meio no Brasil, representa seu país como cônsul-geral do Panamá no Rio de Janeiro. Bastante entusiasmada com as tarefas que executa aqui, falou à revista da FCCE sobre as relações bilaterais entre os dois países.
esde que cheguei, tenho tentado promover o Panamá, seja por meio de revistas, programas de TV e Internet, o que tem dado alguns resultados. Isto porque, na maioria das vezes que se fala do Panamá, a referência é apenas o canal, e pouco se conhece sobre outros atrativos que o país oferece.Temos, também, feito contato com empresas, trabalhando na divulgação de informações para facilitar e agilizar o processo de intercâmbio comercial.” Segundo Glorisabel Garrido ThompsonFlôres, o consulado geral do seu país, no Rio de Janeiro, oferece serviços gerais que envolvem tanto a legalização de documentos e vistos, como o suporte na promoção e divulgação de informações que facilitem e proporcionem um aumento do comércio entre os dois países. “O consulado oferece, ainda, serviços na área de marinha mercante, apoiando as embarcações e agilizando o processo de documentação no qual se incluem o abandeiramento, os contratos de compra e venda de navios, e a expedição de certificado transitório para carteira definitiva da marinha panamenha.Trabalhamos, também, com patentes, licenças e câmbio.”

“D

Glorisabel Garrido Thompson-Flôres: investimentos brasileiros no Panamá vão crescer.

Ao abordar o tema da balança comercial entre os dois países, a cônsul-geral afirmou que o Brasil tem exportado produtos de alto valor ao seu país, como os aviões da Embraer, o que contribui para tornar a balança comercial favorável ao Brasil. Ela destaca, no entanto, grandes potencialidades na área de investimentos. “O Panamá tem a oferecer ao Brasil boas oportunidades de investimento, como é o caso da área de construção civil, principalmente com a ampliação do Canal do Panamá para comportar navegações de grande porte”. Quanto à administração do canal, a cônsul-geral afirmou que, mesmo sendo panamenho, há, em torno dele, alguns por-

tos privados administrados por outros países, como, por exemplo, a China, que controla dois portos. Quanto ao futuro das relações bilaterais, Glorisabel Garrido Thompson-Flôres acredita que os investimentos brasileiros no seu país vão continuar a crescer, aumentando as perspectivas de que mais empresários panamenhos venham para o Brasil. “Estamos, também, muito interessados no etanol e queremos aprender a produzi-lo com o Brasil. Constitui-se numa importante fonte de energia para o transporte, pois não é tão agressivo ao meio ambiente. Por tudo isso, o Brasil é muito importante para o Panamá”.

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D ESENVOLVIMENTO

Odebrecht realiza projeto de irrigação na província de Chiriquí
Empresa brasileira conquista seu primeiro contrato no Panamá
ma grande empresa, que trabalha exportando tecnologia e serviços de engenharia, está sempre em busca de novos negócios no exterior. A Construtora Norberto Odebrecht não foge à regra e, em 26 de março de 2006, conseguiu a sua primeira obra no Panamá. Será a responsável pelas obras do Projeto de Irrigação Remijio Rojas, na cidade de David, na Província de Chiriquí. Contratada pelo Ministério de Desenvolvimento Agropecuário do Panamá, a obra vai contribuir para o desenvolvimento agrícola de uma área de 3.200 hectares, na qual serão produzidas commodities para exportação. Com valor superior a US$ 54,2 milhões, o empreendimento será entregue em 60 meses, contados a partir do início da obra. O contrato está dentro da política do governo local de incrementar a produção de alimentos e de colocar novos itens no mercado internacional. Segundo Gustavo Assad, Diretor Adjunto da Área Internacional da Construtora Norberto Odebrecht, esta atuação no Panamá foi o resultado de uma investigação de mercado que vem sendo discutida há mais de um ano. “Nós sempre tivemos interesse no Panamá, mantendo-nos atualizados sobre sua realidade; prática, aliás, que conservamos em relação a todos os países onde há potencial para desenvolvermos algum trabalho. Inclusive, a nossa presença no Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá certamente vai nos ajudar a conhecer melhor esta nação.” Gustavo Assad afirmou, ainda, que o Panamá tem demonstrado boa disposição, pois está realizando um esforço coletivo de redução de gastos públicos. Esta

U

Projeto de irrigação Remijio Rojas
Província de Chiriquí COSTA RICA
Divala Concepción

Área a ser beneficiada pelo projeto de irrigação

David

PANAMÁ

Golfo de Chiriquí

OCEANO
MARGEM ESQUERDA DO DIQUE

PACÍFICO
MARGEM DIREITA DO DIQUE

ESTRUTURA DA

S COMPORTAS

RIO CHICO

A obra permitirá a implantação de um programa agrícola que vai beneficiar 3.200 hectares de terra. Serão realizados trabalhos de captação de aguá, construção de canais, vias de acesso e de drenagem e construção de infra-estrutura.

política local está resultando, entre outras coisas, num crescimento econômico que, segundo ele, tem girado em torno de 6% ao ano. “Todos sabem da importância fundamental que tem para o país o Canal do Panamá e, nesse momento, sua duplicação é um projeto em andamento. Não se pode negar, no entanto, que em torno do canal existe um país com seus anseios, desejos e realidades a serem modificadas.” O representante da Odebrecht assegurou, também, que no mercado inter-

nacional de engenharia, quando uma empresa de porte realiza uma obra, sempre existem possibilidades e condições de conquistar outros clientes locais, ampliando a rede de atuação da empresa no país. “Hoje, após décadas de atuação no exterior, a Odebrecht trabalha em vários contextos internacionais. Nossos principais interesses são dois: nos tornarmos úteis à população do país, e atendermos aos anseios das comunidades. Por isso, para nós, o Panamá é um mercado bastante atraente.”
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HISTÓRIA

Os índios cunas
A plena consciência da dignidade cultural
calizam-se, sobretudo, na Reserva de São Brás, na costa atlântica do país, embora existam grupamentos próximos aos leitos dos rios Baiano, Chucunaque e Tuíra, que correm para o Pacífico.

História
Em 1787, foi assinado um tratado de paz em que os espanhóis concordaram em retirar fortificações existentes na área em que viviam os indígenas, deixando apenas uma. A partir de então, e no decorrer de todo o século XIX, quando a região já pertencia ao território colombiano, os Cunas passaram a gozar de relativa tranqüilidade. Em 1903, o Panamá tornou-se independente da Colômbia e começou a tomar medidas para intensificar o controle sobre os Cunas. Foi criada uma Polícia Colonial para exercer esse controle. Em vez de protegêlos contra os invasores do seu território – panamenhos e colombianos extratores de borracha, plantadores de bananas e caçadores de tartarugas – a polícia começou a executar um programa de aculturação forçada, o que levou os Cunas da região de São Brás a uma revolta, em 1925. Dissuadidos pelos americanos de retaliar os revoltosos, os panamenhos aceitaram concluir um tratado de paz com os indígenas, que, por sua vez, se comprometeram a serem leais ao país. O caminho em direção

ntre os dez por cento de indígenas que compõem a população panamenha, destacam-se os Cunas, objetos de estudos na literatura antropológica. Os Cunas panamenhos também se notabilizaram, pelo seu sistema de notação gráfica, elaborado para permitir a memorização das narrativas e cânticos.Tornaramse, também, conhecidas e apreciadas as “molas” (foto acima), painéis elaborados pelas mulheres para guarnecer o peito e as costas de suas blusas. Além disso, no campo biológico, esse grupo indígena tem sido considerado, por alguns pesquisadores, como a etnia que possui o maior número de albinos no mundo. Atualmente, favorecidos por uma legislação que protege seus direitos, os Cunas gozam de relativa autonomia, vivem e trabalham em paz. Suas aldeias lo-

E

à garantia dos direitos desta etnia deu um grande passo em 1938, quando o governo reconheceu São Brás como reserva Cuna. Esta situação evoluiu ainda mais, em 1945, ano em que representantes do governo panamenho e lideranças cunas elaboraram uma constituição a vigorar na reserva. Conhecida como Carta Orgânica, ela foi complementada por uma lei elaborada pelo legislativo do país em 1953, para regulamentar a administração da reserva. A criação de escolas resultou, em longo prazo, na inclusão de inúmeros indígenas na Universidade do Panamá e em outros estabelecimentos educativos. A Carta Orgânica criou, ainda, um Congresso Geral, formado por chefes e representantes de aldeias, e reconheceu as atribuições de determinadas autoridades panamenhas sediadas junto à reserva. Desde finais do século XIX, os cunas que viviam próximo ao litoral atlântico passaram a ocupar as Ilhas Mulatas. Esse arquipélago e a faixa costeira que lhe é paralela constituem a Reserva de São Brás, enquanto na Província de Darién estão as comarcas Cuna-Iala e Cuna de Vargandi.

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HISTÓRIA

FCCE
Federação das Câmaras de Comércio Exterior Foreign Trade Chambers Federation

Seminários Bilaterais de Comércio Exterior e Investimentos

Calendário 2006
20 de fevereiro RÚSSIA

20 de março

ÁFRICA DO SUL

24 de abril

FRANÇA

22 de maio

PERU

19 de junho

PORTUGAL

17 de julho

CHINA

21 de agosto

PANAMÁ

18 de setembro

SUÉCIA

23 de outubro

ESPANHA

13 de novembro

FINLÂNDIA

11 de dezembro

ALEMANHA

64

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RELAÇÕES BILATERAIS

O crescimento das importações, em 2005, provocou um aumento significativo do déficit do comércio exterior panamenho que atingiu, naquele ano, um record histórico

Comércio Exterior do Panamá
ARTIGO ELABORADO PELA EQUIPE DO DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DO C OMÉRCIO EXTERIOR DA SECRETARIA DE COMÉRCIO E XTERIOR DO MDIC

Evolução da corrente de comércio do Panamá
1990 a 2005 – US$ bilhões
5.500 5.000 4.500

4.000 Em 2005, a corrente de comércio panamenha atingiu o seu 3.500 maior nível histórico, de US$ 5,26 bilhões, o que representou 3.000 um crescimento de 15,9% em relação ao ano anterior, quando 2.500 havia sido de US$ 4,54 blhões. A partir de 1990, ano em que o 2.000 País contou com um fluxo comercial externo de apenas US$ 1.500 1,88 bilhão, a corrente de comércio apresentou crescimento 1.000 praticamente constante, a exceção do triênio de 2000 a 2002. 500 Ao analisar o comércio externo panamenho destaca-se o 0 montante das importações. Em 2005, o Panamá comprou do mundo o equivalente US$ 4,18 bilhões, significando um aumento de 16,3% em relação a 2004. As importações representaram 27,5% do PIB de 2005, que foi de US$ 15,2 bilhões, de acordo com dados do FMI. Já as exportações do País estão em um Evolução da balança comercial do Panamá nível muito abaixo das importações. No 1990 – 2005 – US$ bilhões ano de 2005, esse montante foi de US$ 4.500 1,08 bilhão, com um aumento de 14,4% Exportação Importação em relação ao ano anterior. 3.500 Portanto, o País apresenta um déficit histórico em seu comércio externo, que 2.500 vem se ampliando em virtude de um crescimento maior das importações em rela1.500 ção ao das exportações. No ano de 2005, o déficit comercial panamenho foi de US$ 500 3,10 bilhões, com um aumento de 17,0% sobre o ano de 2004, atingindo o maior -500 nível histórico. As importações panamenhas são com-1.500 postas principalmente por combustíveis minerais, um total de US$ 737 milhões -2.500 em 2005, representando 17,9% da pauta total. Os demais destaques na pauta im-3.500 portadora do País são: automóveis (US$ 424 milhões, representando 10,3% da pauta), máquinas e equipamentos mecâ-

1991

2001

1992

1999

2002

1993

2003

1995

1997

1990

1998

2000

1994

1996

Saldo

1991

2001

1992

1999

2002

1993

2003

2004

Fonte: OMC

1995

1997

1990

1998

2000

1994

1996

2004

Fonte: OMC

2005

2005

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á

65

RELAÇÕES BILATERAIS

Importações do Panamá
Principais produtos – 2005 – participação %
17,9
Fonte: Global Trade Atlas

Exportações do Panamá
Principais produtos – 2005 – participação %
44,1
Fonte: Global Trade Atlas

10,3

9,6

24,5 8,9

4,1 3,3 2,9 2,8 2,0 1,8 2,7 2,5 2,3 2,2 2,2 1,9 1,8 1,6

Máquinas e Equipamentos Mecânicos Máquinas e Equipamentos Elétricos

Produtos Farmacêuticos

Plásticos e Obras

Produtos Siderúrgicos

Combustíveis Minerais

Papel e Cartão

Automóveis

Artigos de Vestuário

Cereais

Importações do Panamá
Principais países fornecedores – 2005 – participação %
30,0 27,2

Fonte: Global Trade Atlas

25,0

20,0

15,0 11,4 10,0 6,6 5,0 4,7 4,5 3,7 3,5 2,5 2,4

2,0

0,0

nicos (US$ 396 milhões, participação de 9,6%), máquinas e equipamentos elétricos (US$ 368 milhões, 8,9%), produtos farmacêuticos (US$ 170 milhões, 4,1%), plásticos e obras (US$ 135 milhões, 3,3%), produtos siderúrgicos (US$ 121 milhões, 2,9%), papel e cartão (US$ 114 milhões, 2,8%), cereais (US$ 80 milhões, 2,0%) e artigos de vestuário (US$ 74 milhões, 1,8%). A pauta exportadora do Panamá é fortemente concentrada em dois produtos. Em 2005, o País exportou US$ 422 milhões em pescado, representando 44,1% da pauta total, e US$ 234 milhões em frutas, participação de 24,5% no total. Os demais principais produtos exportados pelo Panamá foram: produtos hortícolas (US$ 26 milhões, 2,7% da pauta), açúcar (US$ 24 milhões, 2,5%), carne bovina (US$ 22 milhões, 2,3%), produtos siderúrgicos (US$ 21 milhões, 2,2%), bovinos vivos (US$ 21 milhões, 2,2%), bebidas alcoólicas (US$ 18 milhões 1,9%), papel e cartão (US$ 17 milhões, 1,8%) e produtos farmacêuticos (US$ 15 milhões, 1,6%).
Participação do Brasil no comércio exterior do Panamá
2000 – 2005
Fonte: MDIC/SECEX e OMC

E Uni stados dos Ilha s Cu raça o

ica

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Jap

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Chin

Bra

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Exportações do Panamá
Principais países de destino – 2005 – participação %
50,0 43,5 40,0
Fonte: Global Trade Atlas

Cor

Gua

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do

ala

2,5% 0,7%

Papel e Cartão

1,3%

30,0

2,6%
20,0

1,4% 6,0% 6,6%

1,9%
10,0 8,9 5,6 4,9 4,0 2,6 2,2 2,2 2,1 1,9

5,9% 3,5% 4,2%

2,4%

0,0

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2000

2001

2002

2003

2004
Exportação de Panamá

2005

Cos

Nic

Gua

66

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País

Importação de Panamá

Produtos Farmacêuticos

Produtos Siderúrgicos

Frutas e Castanhas

Produtos Hortícolas

Animais Vivos

Carne Bovina

Bebidas Alcoólicas

Pescado

Açúcar

O mais destacado país de origem das importações panamenhas, em 2005, foram os Estados Unidos com uma participação de 27,2%, totalizando US$ 1,12 bilhão. Em seguida, os principais fornecedores são: Ilhas Curaçao (US$ 470 milhões, participação de 11,4%), Brasil (US$ 277 milhões, 6,6%), Costa Rica (US$ 193 milhões, 4,7%), Japão (US$ 186 milhões, 4,5%), México (US$ 153 milhões, 3,7%), Colômbia (US$ 142 milhões, 3,5%), Coréia do Sul (US$ 102 milhões, 2,5%), China (US$ 98 milhões, 2,4%) e Guatemala (US$ 83 milhões, 2,0%). Quanto aos países compradores de produtos panamenhos, os principais destinos, em 2005, foram: Estados Unidos (total de US$ 416 milhões, o equivalente a 43,5% do total), Espanha

(US$ 85 milhões, 8,9%), Suécia (US$ 54 milhões, 5,6%), Países Baixos (US$ 47 milhões, 4,9%), Costa Rica (US$ 38 milhões, 4,0%), Bélgica (US$ 25 milhões, 2,6%), NIcarágua (US$ 21 milhões, 2,2%), Guatemala (US$ 21 milhões, 2,2%),Taiwan (US$ 20 milhões, 2,1%) e Reino Unido (US$ 18 milhões, 1,9%) Cabe ressaltar que o Brasil foi a terceira maior origem das importações do Panamá em 2005. No ano, as vendas brasileiras ao mercado panamenho representaram 6,6% das compras totais do País, um montante de US$ 277 milhões. Do lado das exportações panamenhas, o Brasil já foi destino de 2,6% do total em 2001. Em 2005, participou com 1,3% das exportações do País, total de US$ 14 milhões, sendo o 16º maior destino.

Intercâmbio comercial entre Brasil e Panamá – 2005
No ano de 2005, as exportações brasileiras para o Panamá totalizaram US$ 277 milhões, valor 29,4% acima do registrado no ano anterior, de US$ 214 milhões, representando o segundo melhor resultado no comércio bilateral, inferior apenas ao resultado do ano de 1997 quando foi de US$ 279 milhões. A taxa de crescimento foi superior a das exportações brasileiras globais, de 22,6%. Assinale-se que exportação brasileira para o Panamá, em 1997, apresentou valor recorde devido ao envio de um navio plataforma no valor de US$ 176 milhões. Excluindo-se essa operação, as vendas de produtos brasileiros ao país somaram US$ 103 milhões. Em 2005, as importações brasileiras de produtos panamenhos foram de apenas US$ 14 milhões, significando uma redução de 42,8% em relação a 2004, cujo montante foi de US$ 24 milhões. Devido ao valor reduzido das compras brasileiras de produtos do Panamá, a corrente de comércio e o saldo comercial apresentaram valores e comportamento muito semelhantes ao das exportações brasileiras ao país. Em 2005, a corrente de comércio somou US$ 291 milhões e cresceu 22,3% em relação ao ano anterior. O saldo comercial bilateral foi de US$ 263 milhões. Registre-se que o Brasil é historicamente superavitário no comércio bilateral com o Panamá. No ranking de mercados compradores de mercadorias brasileiras, o Panamá ocupou a 55ª posição em 2005, uma acima da que ocupava em 2004. No ano, o Panamá foi responsável por 0,2% da pauta exportadora brasileira. Relativamente às exportações nacionais destinadas a América Latina, o Panamá foi o 14º maior país de destino, com uma participação de 1,0% do total de US$ 27,2 bilhões. Quanto às importações brasilerias, o Panamá foi o 78º maior fornecedor. A participação panamenha no total da pauta importadora foi de apenas 0,02%. O País foi responsável por 0,1% das compras brasileiras na América Latina, que alcançaram US$ 11,7 bilhões.
Intercâmbio comercial Brasil/Panamá
2005/2004 – US$ milhões FOB
Fonte: MDIC/SECEX

277

Variação % 2004/2005: Exportação: 29,4% Importação: - 42,8% Corrente de comércio: 22,3% 190

291 263 238

214

24

14 Saldo Corrente de Comércio

Exportação

Importação

2004

2005

Evolução do intercâmbio comercial Brasil/Panamá
1996/2005 – US$ milhões FOB
300
Exportação Importação Saldo Comercial

250

200

150

100

50

0

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004 2005 Fonte: MDIC/SECEX

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RELAÇÕES BILATERAIS

Ranking do Panamá nas exportações brasileiras
2005/2004 – US$ milhões FOB

Ranking do Panamá nas importações brasileiras
2005/2004 – US$ milhões FOB

Ordem
2004 2005 1 2 4 3 5 6 9 8 7 56 1 2 3 4 5 6 7 8 9 55

País

Valor

%
2005/04

Part%

Ordem
2004 2005

País

Valor

%
2005/04

Part%

Estados Unidos Argentina China Países Baixos Alemanha México Chile Japão Itália Panamá

22.741 9.915 6.834 5.283 5.023 4.064 3.612 3.476 3.224 277

11,8 34,5 25,6 -10,7 24,5 2,9 41,9 25,6 11,0 29,4

19,2 8,4 5,8 4,5 4,2 3,4 3,1 2,9 2,7 0,2

1 2 3 4 6 9 7 5 10 70

1 2 3 4 5 6 7 8 9 78

Estados Unidos Argentina Alemanha China Japão Argélia França Nigéria Coréia do Sul Panamá

12.851 6.239 6.144 5.353 3.407 2.838 2.700 2.652 2.327 14

11,6 12,0 21,1 44,3 18,8 45,9 18,0 -24,3 34,5 -42,8

17,5 8,5 8,4 7,3 4,6 3,9 3,7 3,6 3,2 0,02

Fonte: MDIC/SECEX

Relativamente à composição da pauta brasileira de exportação ao Panamá, 97,2% são de produtos manufaturados, 1,6% são básicos e 0,4% são semimanufaturados. No comparativo 2005/ 2004, a categoria que mais cresceu foi a de semimanufaturados, +189,3%, seguida de manufaturados, +29,6%. Os produtos básicos apresentaram retração de 8,0%. Em 2005, os principais produtos que compuseram as vendas brasileiras ao mercado panamenho foram: aviões (participação de 19,5% no total exportado), embarcações (11,1%), fio-máquina de ferro/aço (7,0%), aparelhos transmissores ou receptores (6,2%), automóveis (4,8%), perfis e fios de ferro/aço (4,5%), calçados (4,2%), máquinas e aparelhos para terraplanagem (4,1%), móveis (2,6%) e medicamentos (2,1%). O produto de destaque nas exportações ao Panamá é avião. Em 2004, o Brasil não exportou esse item ao país, no ano de 2005, foi exportado o equivalente a US$ 54,1 milhões. Outros itens com crescimento significativo foram: ferramentas eletromecânicas (aumento de 298,6%, totalizando US$ 1,4 milhão em 2005), rolhas, tampas e acessórios para embalagens (+112,7%, US$ 3,0 milhões), automóveis (+108,6%, US$ 13,2 milhões), fio-máquina (+67,1%, US$ 19,3 milhões), perfis e fios de ferro/aço (66,8%, US$ 12,5 milhões), medicamentos (+55,4%, US$ 5,7 milhões) e embarcações (+38,9%, US$ 30,8 milhões). As importações brasileiras de produtos originários do Panamá, também, são formadas preponderantemente por produtos manufaturados, 93,4%, seguido por básicos, 5,7% e semimanufaturados , 0,9%. Os principais itens que compuseram as compras nacionais originárias desse mercado foram: rolamentos e engrenagens (com participação de 13,0% da pauta total, somando US$ 1,7 milhão), correia transportadora/transmissão de borracha (10,4%), máquinas automáticas para processamento de dados (9,2%), soda cáustica (8,3%) vacinas (5,9%), compostos heterocíclicos (5,3%), calçados (3,9%), antibióticos (2,6%), enzimas (1,7%) e aparelhos de rádio (1,7%).
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Exportações brasileiras para o Panamá por fator agregado
2005/2004 – US$ milhões FOB
Variação % 2004/2005: Básicos: - 8,0% Semimanfaturados: 189,3% Manufaturados: 29,6%

269,3

207,8

4,9

4,5

0,4

1,0 Manufaturados 2005
Fonte: MDIC/SECEX

Básicos

Semimanufaturados 2004

Entre os produtos que apresentaram maiores crescimentos relativos nas compras oriundas do Panamá, destacam-se: soda cáustica (de zero para US$ 1,1 milhão em 2005), antibióticos (de zero para US$ 359 mil), enzimas (de zero para US$ 227 mil), máquinas automáticas para processamento de dados (de US$ 1 mil para US$ 1,3 milhão), correia transportadora/transmissão, de borracha (de US$ 2 mil para US$ 1,4 milhão), calçados (+429,9%, totalizando US$ 532 mil) e instrumentos e aparelhos de medida e verificação (de US$ 6 mil para US$ 86 mil). O Estado de São Paulo foi responsável por US$ 146,5 milhões em exportações para o Panamá, respondendo por 52,9% das vendas nacionais ao País. As demais principais unidades da federação que realizaram exportações ao Panamá foram: Rio de Janeiro (US$ 46,4 milhões, respondendo por 16,7% da pauta total), Rio Grande do Sul (US$ 22,0 milhões, 7,9%), Minas Gerais (US$ 20,7 milhões, 7,5%), Amazonas (US$ 13,8 milhões, 5,0%),

Paraná (US$ 6,1 milhões, 2,2%), Santa Catarina (US$ 5,8 milhões, 2,1%), Pernambuco (US$ 4,2 milhões, 1,5%), Ceará (US$ 3,5 milhões, 1,3%), Espírito Santo (US$ 2,6 milhões, 0,9%). A importação brasileira de produtos panamenhos também é concentrada em São Paulo. Em 2005, a unidade da federação foi responsável por 54,6% da pauta brasileira de exportação ao País, totalizando US$ 7,4 milhões. Os demais principais estados que importaram do Panamá foram: Minas Gerais (US$ 1,2 milhão, participando com 8,6% do total), Pará (US$ 1,1 milhão, 7,8%), Alagoas (US$ 933 mil, 6,9%), Espírito Santo (US$ 647 mil, 4,8%), Bahia (US$ 566 mil, 4,2%), Santa Catarina (US$ 408 mil, 3,0%), Rio de Janeiro (US$ 392 mil, 2,9%), Maranhão (US$ 374 mil, 2,7%) e Amazonas (US$ 168 mil, 1,2%). Em 2005, o número de empresas que exportaram para o Panamá cresceu em 2,7% relativamente ao ano anterior, passando de 1.178 para 1.210 empresas, 32 empresas a mais. Quanto às empresas que efetuaram importações do Panamá, o número se manteve estável em 115 empresas.
Estados brasileiros que mais exportaram para o Panamá
2005 – US$ milhões FOB
146,5
Fonte: MDIC/SECEX

Principais produtos exportados pelo Brasil para o Panamá
2005 – US$ milhões FOB
54,1
Fonte: MDIC/SECEX

30,8

19,3 17,1 13,2 12,5 11,5 11,3 7,1 5,7

Aparelhos Transmissores e Receptores

Máquinas e Aparelhos para Terraplanagem

Fio-máquinas de Ferro/Aço

Perfis e Fios de Ferro/Aço

Calçados

Automóveis

Móveis

Principais produtos importados pelo Brasil do Panamá
2005 – US$ milhões FOB
1,77
Fonte: MDIC/SECEX

1,41 1,25 1,13 0,80 46,4 22,0 20,7 13,8 6,1 5,8 4,2 3,5 2,6
Enzimas Compostos Heterocíclicos Rolamentos e Engrenagens Correia Transportadora de Borracha Máqs. Automáts. para Processamento de Dados Soda Cáustica Antibióticos

0,72 0,53 0,36 0,23 0,23

Rio Grande do Sul

Amazonas

São Paulo

Estados brasileiros que mais importaram do Panamá
2005 – US$ milhões FOB
7,4
Fonte: MDIC/SECEX

Pernambuco

Santa Catarina

Espírito Santo

Paraná

Rio de Janeiro

Número de empresas brasileiras exportadoras e importadoras no comércio com o Panamá
Fonte: MDIC/SECEX

1.210

1.178

1,2

1,1

0,9 0,6 0,6 0,4
Santa Catarina

115
0,4
Rio de Janeiro

115

0,4
Maranhão

0,2
Amazonas

São Paulo

Alagoas

Espírito Santo

Minas Gerais

Bahia

Pará

2004
Exportadores

2005
Importadores

Aparelhos de Rádio

Minas Gerais

Calçados

Ceará

Vacinas

Medicamentos

Embarcações

Aviões

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CURTAS Prêmio Propostas

Paulo Fernando Costa e Silva, estudante do segundo período da Faculdade de Relações Internacionais do Instituto Bennett do Rio de Janeiro, foi sorteado durante o Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá com duas passagens aéreas Rio de Janeiro-Panamá, além de estada no confortável e luxuoso Hotel Marriott. As passagens foram uma cortesia da Copa Airlines, a principal companhia aérea que opera naquele país. Ao receber a confirmação do prêmio, Paulo Fernando Costa e Silva não escondeu seu contentamento e sua emoção.

• Na Assembléia Geral da

Organização dos Estados Americanos – OEA, realizada em junho de 2006, na República Dominicana, o Primeiro Vice-Presidente e Ministro das Relações Exteriores do Panamá, Samuel Lewis Navarro, proferiu um discurso que resume as propostas do seu país em relação ao desenvolvimento e à integração com a América Latina. Tratando do tema “governabilidade e desenvolvimento na sociedade do conhecimento”, Samuel Lewis Navarro afirmou que a tecnologia da informação merece um interesse especial. Segundo o

Paulo Fernando Costa e Silva recebe o prêmio. Na foto, Alexandre Camargo, da Copa Airlines; o Presidente da FCCE João Augusto de Souza Lima; a Cônsul-Geral Glorisabel Thompson-Flôres, o Embaixador Carlos Bueno e Jorge Berrio, do grupo Marriott.

A Revista dos Seminários Bilaterais de Comércio Exterior e Investimento, organizados pela FCCE, é distribuída entre as mais destacadas personalidades, do Brasil e do exterior, que atuam no comércio internacional. Anunciar aqui é fazer chegar o seu produto a quem realmente interessa, a quem decide. Procure-nos. Tel.: 55 21 2221 9638 eduardo.teixeira@abrapress.com.br
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chanceler, para que a sociedade do conhecimento se desenvolva, é preciso uma comunidade altamente conectada, nacional e internacionalmente, que troque informações e realize transações comerciais, por intermédio dos modernos meios digitais de comunicação. O Panamá está disponibilizando os portais “Panamá compra” e “Panamá tramita” que permitem a qualquer cidadão, ou empresa, oferecer seus serviços ao governo e fazer negociações e tramitações de forma digital. “Estamos, também, cumprindo nosso compromisso de promover pesquisas na área de educação e ciências, e agradeço o apoio de especialistas de vários países, especialmente do Chile, Colômbia, México, Brasil e Estados Unidos”, concluiu Samuel Lewis Navarro.

Expocomer 2007

• A XXV Exposição

Comercial Internacional –

Expocomer 2007, a maior feira de negócios do Panamá, vai ser realizada entre 7 e 10 de março de 2007 na capital deste país. Ela é organizada pela Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura do Panamá e acontece no Centro de Convenções Atlapa. A feira comtempla a realização de negócios nos seguintes setores: • alimentos, bebidas, e tabaco • roupas, tecidos, calçados, bolsas, artefatos de couro • joalheria, relojoaria, perfumaria e cosméticos • mobiliário e equipamentos para marcenaria • artes gráficas e material didático • tecnologia de computação e de comunicações • objetos de ferro, equipamentos e material de construção • maquinaria, peças sobressalentes e equipamentos de transportes • produtos e equipamentos médicos, farmacêuticos e de laboratório • produtos de

entretenimento e lazer • serviços Os interessados em maiores informações e em expor na feira devem acessar o site www.expocomer.com. A agência Conceito Brasil oferece uma excursão à Expocomer de oito dias, que inclui visita à Zona de Livre Comércio de Colón, considerada a segunda maior do mundo. O custo é de US$ 1,45 mil por pessoa.

Perfil do Canal

• Um dos “personagens”

mais mencionados durante o Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá foi justamente o Canal do Panamá. Este canal interoceânico que atravessa o Istmo do Panamá, tem 79,6 km de comprimento e dispõe de seis comportas. Sua construção começou em 1881, por iniciativa de Ferdinand de Lesseps, mas foi interrompida em 1888 com a liquidação da Compagnie Universelle du Canal Interocéanique, que provocou grave escândalo financeiro e político na França em 1892. Após a independência da República do Panamá, que ocorreu em 1903, e da cessão de uma faixa do território panamenho que foi arrendada aos Estados Unidos, os trabalhos de construção prosseguiram e foram concluídos em 1914. O canal encurtou sensivelmente o trajeto marítimo entre o Atlântico e o Pacífico. A Zona do Canal tem 1.676 km2. Depois de um acordo concluído em 1977, o arrendamento aos

Estados Unidos findou e, em 1999, o canal passou a funcionar sob administração panamenha. Uma curiosidade: a empresa Panama Ports Company – que administra os portos de Balboa, no Pacífico, e Cristobal, no Atlântico, na entrada e na saída do Canal do Panamá – é uma subsidiaria do Hutchison Port Holding, um grupo chinês, de Hong Kong. O chanceler panamenho Samuel Lewis Navarro assim se pronunciou sobre a atual ampliação do canal, uma obra que está orçada em cerca de US$ 5,25 bilhões: “Quando o Panamá recebeu o apoio continental por seu esforço para conseguir a soberania integral sobre seu território e a administração do canal interoceânico, sabia que iria assumir um compromisso de grande significado. Nosso país sempre esteve consciente da importância do canal para o comércio marítimo internacional e para a economia contemporânea. As atuais estruturas físicas do canal começaram a operar em 1914 e é necessário tomar medidas para aumentar sua capacidade. Assim, o canal vai poder manter-se em consonância com as novas condições do mundo marítimo e, ao mesmo tempo, vai consolidar sua importância. Realizando a obra, o Panamá está ratificando seu compromisso histórico com o continente e com o mundo, enquanto centro vital para o intercâmbio e a comunicação entre diferentes povos e regiões.”

Acordo diplomático
Brasil e Panamá mantêm, desde novembro de 2005, um acordo de cooperação entre as academias diplomáticas de ambos os países. O Instituto Rio Branco e a Academia Diplomática do Panamá realizam intercâmbio de informação sobre seus programas de estudos, cursos, seminários e outras atividades acadêmicas. Isto inclui, ainda, troca de informações detalhadas sobre matérias e especialidades necessárias à formação e capacitação de pessoal diplomático, de ambos os países, no contexto da globalização e de suas repercussões na política e no Estado. As partes se comprometem, também, a facilitar o intercâmbio de professores, conferencistas, peritos, pesquisadores e alunos nas áreas de interesse de ambas as instituições. O intercâmbio deve materializar -se por meio de cursos e seminários, realizados alternadamente, em Brasília e no Panamá. O comércio exterior, tema estratégico para ambos os países, deve ocupar parte importante deste intercâmbio.

Serviço
A Embaixada do Brasil no Panamá mantém um site com informações úteis sobre comércio exterior. O site informa que, em 2004, o Brasil realizou exportações diretas para aquele país no valor de cerca de US$ 117,2 milhões. Os principais itens que exportamos foram

máquinas e insumos, material de cutelaria, incluindo utensílios de cozinha, móveis modulados, sapatos, confecções e produtos alimentícios. No mesmo período, as importações brasileiras de produtos panamenhos foram praticamente inexistentes. Estes valores do comércio bilateral são substancialmente alterados quando neles são incluídas as transações realizadas na Zona de Livre Comércio de Colón. Tendo Colón como base, o Panamá reexportou ao Brasil, em 2004, cerca de US$ 128,4 milhões, enquanto o Brasil exportou ao Panamá em torno de US$ 66,4 milhões. Entre os produtos importados do Brasil destacam-se televisores, fármacos e calçados. O Panamá promove tributação ad valorem sobre suas importações, usando o valor CIF declarado como base para os cálculos. Qualquer empresa estabelecida no país que tenha licença comercial pode importar livremente. A documentação básica requerida pela Dirección Nacional de Aduanas do Panamá inclui uma declaração de importação (preparada por um profissional da área de alfândega), fatura comercial (em inglês ou espanhol), guia aérea, conhecimento de embarque em três cópias, número da licença comercial, certificado fitossanitário para produtos de carne, e certificado de venda livre. O site da embaixada brasileira é http://www.embrasil.org.pa/.
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