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Federação das Câmaras de Comércio Exterior

Federación de las Cámaras de Comercio Exterior

La FCCE es la más antigua Asociación de Clase de- En un pasado reciente, la FEDERACIÓN DE LAS CÁ-
dicada exclusivamente a las actividades de Comercio MARAS DE COMERCIO EXTERIOR – FCCE firmó Con-
Exterior. venio con el CONSEJO DE CÁMARAS DE COMERCIO
Fundada en el ano 1950, por el empresario João DE LAS AMÉRICAS, organismo que representa a las Cá-
Daudt de Oliveira (se debe a él la fundación de la Con- maras Bilaterales de Comercio de los siguientes países:
federación Nacional de Comercio – CNC, 5 años an- ARGENTINA, BOLIVIA, CANADÁ, CHILE, CUBA,
tes), la FCCE opera, ininterrumpidamente, desde hace ECUADOR, MÉXICO, PARAGUAY, SURINAME, URU-
más de 50 años, incentivando y apoyando el trabajo de GUAY, TRINIDAD Y TOBAGO y VENEZUELA.
las Cámaras Bilaterales de Comercio, Consulados Ex- Además de varias decenas de Cámaras Bilaterales de
tranjeros, Consejos Empresariales y Comisiones Mixtas Comercio afiliadas a la FCCE en todo Brasil, forman
a nivel federal. parte de la Directoria actual, los Presidentes de las Cá-
La FCCE, por fuerza de su Estatuto, tiene ámbito na- maras de Comercio: Brasil-Grecia, Brasil-Paraguay, Brasil-
cional y posee Vicepresidentes Regionales en diversos Rusia, Brasil-Eslovaquia, Brasil-República Checa, Bra-
Estados de la Federación, operando también en el plano sil-México, Brasil-Belarus, Brasil-Portugal, Brasil-Líba-
internacional, a través de “Convenios de Cooperación” no, Brasil-India, Brasil-China, Brasil-Tailandia, Brasil-Italia
firmados con diversos organismos de la más alta credibi- y Brasil-Indonesia, además del Presidente del Comité
lidad y tradición, a ejemplo de la International Chamber Brasileño de la Cámara de Comercio Internacional, el
of Commerce (Cámara de Comercio Internacional – Presidente de la Asociación Brasileña de las Empresas
CCI), fundada en 1919, con sede en París, y que posee Comerciales Exportadoras – ABECE, el Presidente de
más de 80 Comités Nacionales, en los 5 continentes, ade- Ia Asociación Brasileña de la Industria Ferroviaria –
más de operar la más importante “Corte Internacional de ABIFER, el Presidente de la Asociación Brasileña de los
Arbitraje” del mundo, fundada en el año 1923. Terminales de Contenedores, el Presidente del Sindi-
La FEDERACIÓN DE LAS CÁMARAS DE COMER- cato de las Industrias Mecánicas y Material Eléctrico,
CIO EXTERIOR tiene su sede en la Avenida General Jus- entre otros. Súmese aun, la presencia de diversos Cón-
to nº 307, Río de Janeiro, (Edifício de la Confederación sules y diplomáticos extranjeros, entre los cuales, el
Nacional de Comercio - CNC) y mantiene con esta enti- Cónsul General de la República de Gabón, el Cónsul de
dad, hace casi dos décadas, “Convenio de Respaldo Admi- Sri Lanka (antiguo “Ceilán”), y el Ministro Consejero
nistrativo y Protocolo de Cooperación Mutua”. Comercial de la Embajada de Portugal.
La Directoria
DIRECTORIA PARA EL TRIENIO 2006/2009
Presidente

JOÃO AUGUSTO DE SOUZA LIMA

1 st V i c e p r e s i d e n t e

PAULO FERNANDO MARCONDES FERRAZ

Vicepresidentes Vicepresidente Europa


Arlindo Catoia Varela Jacinto Sebastião Rego de Almeida (Portugal)
Gilberto Ferreira Ramos Vicepresidente Nor te
Joaquim Ferreira Mângia Cláudio do Carmo Chaves
José Augusto de Castro
Vicepresidente Sudeste
Ricardo Vieira Ferreira Martins
Antonio Carlos Mourão Bonetti
Vicepresidente Sur
Arno Gleisner

Directores

Diana Vianna De Souza Luiz Oswaldo Aranha


Marie Christiane Meyers Marcio Eduardo Sette Fortes de Almeida
Alexander Zhebit Oswaldo Trigueiros Júnior
Alexandre Adriani Cardoso Raffaele Di Luca
Andre Baudru Ricardo Stern
Augusto Tasso Fragoso Pires Roberto Nobrega
Cassio José Monteiro França Roberto Cury
Cesar Moreira Roberto Habib
Charles Andrew T'Ang Roberto Kattán Arita
Daniel André Sauer Sergio Salomão
Eduardo Pereira De Oliveira Sizínio Pontes Nogueira
José Francisco Fonseca Marcondes Neto Sohaku Raimundo Cesar Bastos
Luis Cesario Amaro da Silveira Stefan Janczukowicz

Consejo Fiscal (Titulares)

Delio Urpia de Seixas


Elysio de Oliveira Belchior
Walter Xavier Sarmento
EDITORIAL

APOIO
Oportunidades para
bens e serviços
FEDERAÇÃO DAS CÂMARAS DE COMÉRCIO EXTERIOR – FCCE chegou ao seu

A 19º seminário bilateral, em um ano e meio de eventos concorridos que


mobilizaram os principais ministros, técnicos e empresários brasileiros e
estrangeiros ligados à área internacional. Os excelentes resultados produzidos a partir
dos temas tratados, e a conseqüente geração de negócios levaram às mãos de João
Augusto de Souza Lima, Presidente da FCCE, uma carta oficial encaminhada pelo
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC,congratulando-
o pelo esforço e pelos relevantes serviços prestados em prol da diversificação de
mercados e do incremento na corrente de comércio do Brasil.
O Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil-Panamá contou
com a participação, nos painéis, de grandes empresas nacionais, como Odebrecht,
Andrade Gutierrez, Embraer, entre outras, interessadas na realização de negócios com
aquele país. A presença da diretora geral de promoção de investimentos do Ministério
de Comércio e Indústrias do Panamá e do presidente da Câmara de Comércio e Indústria
do Panamá, além do embaixador plenipotenciário daquele país, que vieram
exclusivamente para o seminário, no Rio de Janeiro, serviu para engrandecer o evento,
que contou, ainda, com a participação de representante do Quijano & Associados, um CONSELHO DE
dos mais importantes escritórios de advocacia do Panamá. CÂMARAS DE COMÉRCIO
O ambiente econômico e jurídico estável, propício a investimentos com um invejável DAS AMÉRICAS
rol de oportunidades, principalmente no que se refere a projetos da área de construção
civil e engenharia; um centro financeiro internacional, servido por mais de 70 bancos
estrangeiros; uma localização privilegiada, no centro das Américas, com portos nos
Oceanos Atlântico e Pacífico, e centros logísticos avançados; uma infra-estrutura turística
de excelente qualidade, com hotéis Marriott, por exemplo. Tudo isso é o Panamá. Mais
do que um canal, é um país que oferece oportunidades de negócios e de lazer. Neste Expediente
2006, um ano no qual o volume de investimentos brasileiros no exterior deverá superar
a entrada de recursos, nada mais natural que países como o Panamá atraiam a atenção do Produção
Federação das Câmaras de Comércio Exterior – FCCE
Brasil, que possui empresas cada vez mais internacionalizadas. Av. General Justo, 307/6o andar
Além disso, o Panamá, a despeito do fato de não possuir peso expressivo na balança Tel.: 55 21 3804 9289
e-mail: fcce@cnc.com.br
comercial brasileira, oferece oportunidades de vulto com as obras de alargamento do
Editor
Canal do Panamá, as quais representam possibilidade efetiva de ampliação da exportação O coordenador da FCCE
de serviços. O canal é, hoje, bem mais do que apenas um canal; trata-se de uma empresa Textos e Repor tagens
que gera inúmeros empregos e que executa, com segurança, a travessia de cerca de Elias Fajardo
Fernanda Pereira Ferreira
16.000 navios/ano, contribuindo para o barateamento dos fretes e para maior agilidade José Antonio Nonato
no trânsito de mercadorias entre os dois oceanos. As obras de ampliação do canal que Projeto Gráfico, Edição e Ar te
permitirão a passagem dos grandes navios post-panamax são de interesse mundial e Estopim Comunicação
Tel.: 55 21 2518 7715
deverão contar com a participação de empresas brasileiras. A balança comercial brasileira e-mail: estopim@estopim.com
pode receber efetiva contribuição, também, do aumento da exportação de bens para Revisão
aquele país, considerando suas vantagens como centro de distribuição de mercadorias. Maria Virgínia Villela de Castro
Exaltamos, neste número, as vantagens oferecidas pelo Panamá. Interessado? Saiba Fotografia
que o Panamá está ligado ao Brasil por vôos diretos, oferecidos pela Copa Airlines e que Christina Bocayuva

novas linhas estão sendo inauguradas, de forma a tornar o intercâmbio com aquele país Secretaria
Maria Conceição Coelho de Souza
ainda mais intenso. Sérgio Rodrigo Dias Julio

Boa leitura. As opiniões emitidas nesta revista são de


responsabilidade de seus autores. É permitida a
O EDITOR reprodução dos textos, desde que citada a fonte.
SUMÁRIO

6 E N T R E V I S TA 50 I N T E R C Â M B I O
Juan Bosco Bernal “Desejamos
“A aproximação entre estabelecer muitas
Brasil e Panamá pode parcerias com os brasileiros”
beneficiar, também, o
resto da América Latina” Muitas vantagens para
novos investimentos no Panamá
Carlos Antonio Bettencourt
“Bons amigos fazem Uma vitrine do comércio mundial
bons negócios”

18 A B E RT U R A 5 4ENGENHARIA
Andrade Gutierrez quer investir no
Ampliação do Canal do desenvolvimento panamenho
Panamá vai favorecer
todo o continente
5 6 E M PAU TA
22 P A I N E L I Secretaria de Comércio Exterior
elogia a realização dos seminários
Desenvolvimento e diversificação bilaterais da FCCE

26 P A I N E L I I 58 T E N D Ê N C I A
Infra-estrutura traz “Toda empresa
vantagens para gostaria de ter um
investimento no Panamá entreposto no
Panamá”
34 P A I N E L I I I
Turismo e hotelaria: duas importantes 59 A V I A Ç Ã O
atividades Nova rota Rio de Janeiro-Panamá

38 E N C E R R A M E N T O 24 P A R C E R I A
Turismo e integração bilateral Brasil: um país estratégico para todos
os panamenhos
42 T U R I S M O
Panamá, portal do 61 D E S E N VO LV I M E N T O
Caribe Odebrecht realiza projeto de irrigação
na província de Chiriquí
“Em 2010, o turismo
deverá ser um dos
principais itens de 62 H I S T Ó R I A
exportação do Brasil” Os índios cunas

“O intercâmbio comercial desperta a


curiosidade pelo conhecimento
do país”
65 R E L A Ç Õ E S B I L AT E R A I S
Hotelaria: negócio de luxo
e qualidade 70 C U RTA S
ENTREVISTA

“A aproximação entre
Brasil e Panamá
pode beneficiar,
também, o resto da
América Latina”
O Embaixador Plenipotenciário do Panamá, Juan Bosco Bernal, é um en-
tusiasta do potencial humano, natural e comercial de seu país, que, segundo
ele, tem muitas oportunidades de negócios a oferecer aos brasileiros, pois
fica no centro das Américas e dispõe de um canal e um sistema logístico que
inclui portos no Pacífico e no Atlântico. Nesta entrevista à revista da FCCE,
ele mostra também seu entusiasmo pela integração com o Brasil. Segundo o
embaixador, para seu país, o mais importante seria a instalação, em territó-
rio panamenho, de indústrias que gerem renda para ajudar a melhorar o
nível de vida do povo. “Essa associação estreita entre Brasil e Panamá per-
mitiria, também, o progresso de outros países da área e uma maior integra-
ção da América Latina”.

Quais são as suas expectativas em acolhe muito bem, com carinho e afeto,
relção a este seminário? todas as pessoas que o visitam.
JBB – Em primeiro lugar, quero agrade-
cer à FCCE por esta oportunidade de Em termos de produtos e de serviços,
mostrar o que podemosa oferecer ao Bra- o que seria importante para o Pana-
sil, à América Latina e ao mundo. Nossa má importar do Brasil e vice-versa?
expectativa fundamental é divulgar o Pa- JBB – O Panamá é um grande centro de
namá no âmbito do comércio internacio- comércio internacional. A maior oportu-
nal, enfatizando sua posição geográfica pri- nidade que vislumbramos é que o Brasil
vilegiada, seus múltiplos atrativos turísti- possa aproveitar a nossa posição geográfi-
cos e, ao mesmo tempo, suas possibilida- ca para reexportar e distribuir seus pro-
des acadêmicas, científicas e tecnológicas. dutos a outras regiões, como o Caribe, a
Mais que um canal, somos um país com América Central, o Oeste e o Norte dos
oportunidades para a realização de bons Estados Unidos, o Canadá, os países da
negócios, para o investimento e, também, Ásia e todos os que se situam à beira do
para o divertimento saudável, já que te- Pacífico. Esse é, provavelmente, o produ-
mos boas praias, excelentes locais para to mais importante de que dispomos.
compras e santuários de turismo ecológi- Obviamente, temos, também, produtos
co. Somos um país amável, seguro e que agropecuários, como frutas tropicais, ca-

6 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 7
ENTREVISTA

marões e pescado. O fundamental, porém, O Panamá tem uma produção pró- JBB – Há muitos descendentes e as rela-
é estarmos no centro das Américas, com pria, ou estaria interessado em ções são boas. Sempre houve uma espé-
um canal e um sistema logístico que in- importá-los? cie de muro natural separando a Colôm-
clui portos no Pacífico e no Atlântico, que JBB – O Panamá não produz veículos, bia do núcleo mais habitado do Panamá, a
inclui a Zona de Livre Comércio de Colón apenas os consome e redistribui. Temos floresta tropical, não devassada. Até hoje,
para a exportação e reexportação de pro- uma grande zona de livre comércio que não há rodovias que atravessem a frontei-
dutos, assim como um sistema especial, os importa e distribui. Queríamos, con- ra entre os dois países. Toda a comunica-
no Pacífico, para instalação de fábricas ser- tudo, chegar a um acordo com os produ- ção se fazia por navios e, a partir do século
vidas por uma ferrovia. tores de automóveis: talvez um só produ- XX, também por aviões.
tor que quisesse se instalar no Panamá, Nossas relações com todos os países do
De nossa parte, o que o Brasil pode iniciando o seu processo industrial no Bra- mundo são boas, até mesmo com os Esta-
oferecer ao Panamá? sil e complementando-o em meu país, dos Unidos, de quem obtivemos o canal
JBB – O Brasil pode nos oferecer a insta- podendo, então, exportá-los. em uma negociação que envolveu um gi-
lação de suas empresas em nosso territó- gante e um país pequenino. Muitos nos
rio: indústrias que gerem empregos e que Fale um pouco das características perguntavam: “Com que armas vocês vão
tenham um valor agregado para o povo pa- mais típicas desse país tão peque- reivindicar o canal dos Estados Unidos?”
namenho. O Brasil é quase um continente, no, mas servido por dois oceanos. Naquele momento, OmarTorrijos Herrera,
produz a maior parte do que necessita, mas JBB – O Panamá é um istmo muito estrei- o presidente panamenho, respondeu:
seria importante que pudesse, também, re- to que possui, na zona do canal, 80 quilô- “Com as armas da razão, que são as mais
ceber produtos de boa qualidade que pos- metros de largura de um oceano ao outro fortes que temos.” E logrou conquistá-lo,
sam estimular a competição interna. e, em sua parte mais estreita, 51 quilôme- dando um exemplo para a América e para o
O mais importante, volto a frisar, seria tros. Pode-se fazer uma expedição, de um mundo, por meio da assinatura dos Trata-
a instalação, no Panamá, de indústrias que lado a outro, ida e volta, a pé, em um fim- dos Torrijos-Carter, com um calendário de
gerem renda para ajudar a melhorar o ní- de-semana. Historicamente, é multiétnico 23 anos. Os tratados foram firmados em
vel de vida do povo panamenho. Essa as- e pluricultural . Em razão de sua posição de 1977 e o canal foi revertido ao Panamá em
sociação estreita entre os dois países per- trânsito, em meados do século XIX cons- 31 de dezembro de 1999.
mitiria, também, o progresso de outros truiu uma estrada de ferro para transportar,
países da área e uma maior integração da do Atlântico ao Pacífico, as pessoas interes- Os panamenhos têm o presidente
América Latina. sadas no ouro da Califórnia. Antes disso, o Jimmy Carter na conta de um esta-
Panamá já recebia visitantes e imigrantes de dista?
O petróleo brasileiro é um produto diferentes países e culturas. Hoje, o país é JBB – Claro. Foi um homem de grande
cuja exportação interessa ao Panamá? uma mescla de descendentes de espanhóis, visão, que deve ter sofrido pressões
JBB – Para o Panamá, o petróleo brasi- americanos, negros vindos da África e índi- fortíssimas de muitos setores da socieda-
leiro é muito importante. Se conseguís- os – temos cinco povos indígenas no Pana- de americana e resistiu, optando por fazer
semos firmar um acordo com a Petrobras, má. Convivem, também, em nosso territó- o que era justo. Muitos americanos diziam
para instalar no Panamá uma usina de refi- rio, hebreus, árabes e chineses, em plena que o canal era um patrimônio do país e
nação de petróleo, e para vendê-lo na re- paz, sem problemas. que não se poderia cedê-lo. Só que o ca-
gião, isso seria importantíssimo. Além de nal pertencia ao Panamá, havia sido
se constituir em uma alternativa ener- O processo de separação do Pana- construído em suas entranhas e pertencia
gética, seria uma empresa geradora de má da Colômbia foi pacífico? aos panamenhos. O Presidente Carter
empregos e renda para o desenvolvimen- JBB – Foi uma transição, obviamente vi- soube reconhecer esse nosso direito.
to nacional. A vantagem é que já dispo- giada pelos americanos, que tinham inte- Quando o canal foi devolvido aos pana-
mos de um oleoduto com 150 quilôme- resse na construção do canal. A idéia de menhos, em 1999, muitas pessoas previ-
tros, que vai do Atlântico ao Pacífico, com construí-lo havia sido rechaçada pelo con- ram que não iria funcionar bem sem a as-
portos em ambas as extremidades, per- gresso colombiano, ao denunciar um tra- sistência dos americanos, argumentando
mitindo que o petróleo trafegue de um tado que permitiria construir o canal sob que os latino-americanos, em geral, e os
oceano a outro.Temos, ainda, tanques para administração do país. Essa separação, que panamenhos, particularmente, não tinham
armazenar o produto refinado e seus ocorreu em 3 de novembro de 1903, no capacidade para operá-lo com eficiência.
subprodutos. Ninguém oferecerá melho- entanto, não foi violenta. Que aconteceu? Seis anos depois, o canal
res condições do que o Panamá. funciona de maneira mais eficiente, segu-
Há descendentes de colombianos ra e transparente do que no tempo em
O Brasil oferece veículos em geral por lá, ainda? Como são as relações que era administrado pelos americanos.
e, particularmente, os automóveis. entre os dois países? Isso quem lhe diz não é o embaixador,

8 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


mas os proprietários de empresas maríti- cursos aos mais pobres, de acordo com
mas de todo o mundo, que utilizam o ca- seus rendimentos. Isso permitirá equili-
nal diariamente. brar a distribuição de renda, mas é um
programa de longo prazo, que não vai re-
O canal é uma fonte de renda muito solver o problema da noite para o dia. O
importante para o Panamá? importante é que se invista em saúde e
JBB – Sim, muito importante. Agora, te- em educação.
mos um projeto para ampliá-lo.
Nunca houve, no Panamá, tendên-
Vai ser construído um outro, ou o cias à adoção de regimes ditos igua-
canal atual será alargado? litários, como o de Cuba?
JBB – Ao lado das duas rotas que já exis- JBB – Nunca. O povo panamenho sem-
tem, pretendemos construir uma tercei- pre entendeu que o regime de mercado é
ra, e um terceiro jogo de eclusas, para o que melhor convém à economia do país,
ampliar, aprofundar e alargar uma parte que a participação da empresa privada no
do canal, permitindo que os maiores bar- desenvolvimento é fundamental, que a
cos possam transitar por ele. Atualmente, segurança jurídica dos que investem no


os barcos grandes têm de procurar outras país tem que ser garantida.Talvez, por isso,
rotas e isto redunda em prejuízo para as Somos uma mescla a renda mais expressiva do Panamá tenha
companhias de navegação. Eis porque o de descendentes de espanhóis, origem no setor de serviços. Sete de cada
Panamá resolveu impulsionar o projeto americanos, negros da África dez dólares obtidos pela arrecadação do


da ampliação do canal. governo provêm do setor de serviços,
No próximo mês de outubro será rea-
e índios constituído, principalmente, pelo canal,
lizado um referendo no país, para consul- JUAN BOSCO BERNALN pelos setores de comunicações e teleco-
tar a opinião dos cidadãos a respeito dessa municações, pelo setor financeiro, pelo
ampliação, como determina a nossa cons- mo e de escolaridade do povo pa- setor de transportes e pela Zona de Livre
tituição. Já existem uma lei e uma decisão namenho? Comércio de Colón. À exceção do canal,
governamental, agora vamos esperar os re- JBB – Temos bons índices, no momento. que pertence ao governo por causa de sua
sultados dessa consulta popular, pois, sem Todas as crianças que estão em idade de posição estratégica, todos os demais seto-
a aprovação da maioria dos panamenhos, freqüentar a escola primária, ou seja, de 6 res que mencionei são privados.
não podemos ampliar o canal. Aprovada a a 11 anos, estão na escola.
ampliação, as obras começarão em 2007. Que palavras o senhor gostaria de
E a saúde, como vai? dirigir aos nossos leitores, ao fim
Em sua opinião, o povo panamenho JBB – Bastante bem. É verdade que ainda desta entrevista?
vai referendar a ampliação do canal? temos comunidades de alguma forma JBB – Gostaria de agradecer e de dizer
JBB – As oportunidades e vantagens da marginalizadas, como os indígenas, por que o Panamá e o Brasil são povos irmãos,
ampliação são óbvias e infinitas. Existem, exemplo, que representam 10% da po- que têm boas relações desde o princípio
no entanto, alguns setores que não pen- pulação, assim como algumas comunida- do século XX. É verdade que não nos co-
sam dessa maneira. des rurais do interior e outras urbanas. Elas nhecemos muito. Os brasileiros sabem
têm requerido maior atenção do gover- que nós existimos, mas quase sempre não
Por quê? no, ultimamente. A ampliação do canal sabem onde fica nosso país. Quanto aos
JBB – Acham que o dinheiro não vai ser deverá gerar mais renda para ser investida panamenhos, por sua vez, é muito difícil
bem utilizado, que é mais ou menos o que na melhoria das condições de vida dessas que conheçam bem um país tão grande e
se dizia quando da devolução do canal. camadas de nossa população. múltiplo como o Brasil. Em compensa-
ção, temos dois mil estudantes paname-
E o senhor acha que a renda obtida O Brasil sofre com a concentração nhos que se profissionalizaram em cursos
com o canal reverte mesmo para a de renda. No Panamá ocorre algo administrados no Brasil. A amizade e o re-
melhoria das condições de vida dos parecido? conhecimento devem continuar, portan-
panamenhos? JBB – O Panamá e o Brasil são dois países to, nesta nova etapa da globalização, na
JBB – Reverte em educação, em saúde e em que a renda é grande, mas mal distri- qual um gigante como o Brasil pode ter
em infra-estrutura. buída. No Panamá, o governo tem desen- como parceiro um país de economia me-
volvido uma ação, por intermédio de uma nor, obtendo as vantagens comparativas
Quais são os índices de analfabetis- rede de proteção social, que direciona re- que o Panamá pode oferecer.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 9


ENTREVISTA

“Bons amigos fazem


bons negócios”
O Embaixador Carlos Antonio Bettencourt Bueno é um homem experi-
ente, tendo ocupado postos nos mais diversos continentes. Uma de suas
paixões é o Panamá, país onde serviu de 1983 a 1986, e com o qual
mantém, ainda hoje, uma relação bastante próxima. Nesta entrevista à
revista da FCCE, ele comenta os vários aspectos do relacionamento bila-
teral entre o Brasil e o Panamá e realça a importância que o comércio
desempenha ao aproximar povos e nações. Revela, igualmente, o desejo
de que a ampliação do Canal do Panamá possa beneficiar o maior número
possível de panamenhos.

O senhor foi embaixador do Brasil CB – Acabo de chegar do Panamá, onde


no Panamá. Qual a importância do moram meu filho e minhas duas netas pa-
canal para os panamenhos? namenhas.Todo ano eu visito aquele país e
CB – Como se sabe, o Panamá fica numa tenho a oportunidade de conversar com
região que pertencia à Colômbia. Houve alguns de seus cidadãos, desde autorida-
uma guerra de independência, com o des, até amigos meus da época em que
apoio dos Estados Unidos, e ele tornou- servi lá. Nesta última visita, pude trocar
se um país independente, em 1903. A par- muitas idéias sobre a ampliação do canal.
tir de então, todos os olhos voltaram-se Existe uma oposição bastante significati-
para a perspectiva de construção do Canal va, que gira em torno de 40%, segundo as
do Panamá, uma iniciativa muito impor- pesquisa feitas até agosto de 2006. A opo-
tante por razões estratégicas, sobretudo sição argumenta que o crescimento dos
para os Estados Unidos e, também, uma proventos gerados pelo Canal do Panamá
via de acesso significativa para o comércio deveria ser destinado a iniciativas sociais
internacional, no sentido Leste-Oeste e que resultem em benefícios para a comu-
vice-versa. nidade local e não a folhas de pagamentos
O canal é a grande fonte de renda do de pessoal e a gastos supérfluos. A popu-
Panamá e, hoje, os panamenhos estão vi- lação panamenha deve, segundo eles, be-
vendo um grande desafio e um momen- neficiar-se desse enorme aumento de ren-
to de decisão. Em outubro de 2006, ha- da que será propiciado pelo alargamento
verá um plebiscito sobre a ampliação do do canal.
canal, o que permitirá, praticamente,
duplicar a maior fonte de renda que be- Como o senhor disse, o canal é es-
neficia aquele país. tratégico para o Panamá e impor-
tantíssimo para o comércio mundi-
Que razões levam uma parte da al. Para o Brasil, que significação tem
opinião pública panamenha a ma- o Panamá em termos comerciais?
nifestar-se contra a ampliação do CB – Na balança comercial com o Brasil,
canal? Quais são os argumentos o Panamá pesa pouco, mas há muitas pos-
apresentados? sibilidades de se ampliar esse comércio,

10 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 11
ENTREVISTA

CB – Não tenho a menor dúvida quanto


a isso. O comércio exterior tem sido um
dos grandes sucessos do Brasil nos últi-
mos anos e a tendência é continuar no
mesmo ritmo. Esperamos, também, que
isso possa trazer benefícios, não só para
o país, como também para todos os bra-
sileiros.

O senhor acha que no comércio in-


ternacional, um setor em que exis-
te uma competitividade grande, é
possível haver parcerias e ajudas
mútuas, por exemplo, entre blocos
de países?
CB – Acredito que sim. A união faz a
força. Se nós conseguirmos fortalecer
associações como o Mercosul, que até
agora tem sido, basicamente, uma união
aduaneira, nós iremos conseguir, sem
sombra de dúvida, uma presença maior
Juan Bosco Bernal, Ivan Ramalho, Glorisabel Garrido Thompson-Flôres e Carlos Antonio de produtos nossos não só nas nações
Bettencourt Bueno. ligadas ao Mercosul, mas também nos
países da União Européia, nos Estados
sobretudo, se pensarmos nas obras de alar- importância da utilização desses recur- Unidos, no Japão e na China, que são,
gamento do canal. Neste caso, já estão sur- sos e a preocupação de alguns setores hoje, os grandes parceiros comerciais
gindo, e surgirão, novas possibilidades, em políticos do Panamá, que querem ter a do Brasil.
forma de uma participação maior de em- certeza de que tal volume de recursos
presas brasileiras de construção, do porte financeiros não será desperdiçado com O chapéu panamá não é do Pana-
da Camargo Correa e da Odebrecht, que, gastos supérfluos. má. Ao que parece, teria nascido na
certamente, deverão participar das lici- Colômbia ou em outros países da re-
tações que já estão sendo feitas para esta
obra. Aí, sim, vai ocorrer uma grande
oportunidade para a ampliação do co-
mércio bilateral entre os dois países, além
“ A ampliação do canal
significa novas possibilidades
de negócios para grandes
gião. O que os panamenhos podem
oferecer, em matéria de produtos
típicos, que poderiam agradar aos
brasileiros?
de uma presença do Brasil cada vez mai-
or naquela região. ”
construtoras brasileiras
CARLOS ANTONIO BETTENCOURT BUENOI
CB – Não estou muito atualizado sobre
as exportações panamenhas para o Bra-
sil, mas creio que elas se constituem, em
As obras de ampliação do canal, que grande parte, de produtos primários,
deverão ser realizadas em consór- O comércio é uma atividade que além de pequenos artigos de artesanato
cio com a presença de empresas dos aproxima bastante os seres huma- local. Do ponto de vista do interesse bra-
mais variados países, já têm um nos. Os estudiosos de antropolo- sileiro, nós temos que focalizar mais o
organograma e uma data previstos gia dizem que ele é uma das prin- Canal do Panamá. Precisamos nos esfor-
para o seu término? cipais formas de comunicação en- çar para conseguir, nas licitações das
CB – Se o projeto aprovado for levado tre comunidades diferentes: tudo obras, uma presença e uma participação
adiante, a previsão estimada para a dura- começa com uma troca de obje- significativas, porque nós temos uma tec-
ção da obra gira em torno de cinco anos. tos ou de moedas. No caso do Bra- nologia de ponta expressiva e uma orga-
Com isto, a capacidade atual – que é de sil, que está se destacando em ma- nização empresarial extraordinária, capa-
40 navios por dia – poderá alcançar mais téria de comércio exterior, estes zes de nos fazer mais atuantes no cenário
que o dobro e chegar a, pelo menos, 90 bons resultados se constituem internacional. Como os senhores sabem,
navios atravessando o canal, a cada dia. numa tendência duradoura ou participar de licitações desse vulto é en-
Isto representará uma fonte de renda ex- podem ser considerados um fenô- frentar uma luta com adversários e com-
traordinária para os panamenhos. Daí, a meno passageiro? petidores de grande porte.

12 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Como o senhor acabou de dizer, o
Brasil está diante de um desafio. Uma trajetória diplomática
Nosso país tem um lastro bastante
significativo, pois empresas brasilei- Embaixador Carlos Antonio Betten-
ras têm exportado serviços, princi-
palmente de engenharia, para mui-
O court Bueno nasceu no Uruguai em
1934, sendo brasileiro nato, segundo a
tos países desenvolvidos e em de- Constituição de 1891. Estudou nos co-
senvolvimento. Isto nos capacitaria légios Santo Inácio e São José e formou-
a participar de grandes concorrên- se em Direito pela Universidade Federal
cias, como a do Canal do Panamá? do Rio de Janeiro, em 1957.
CB – Eu creio que sim. A autoridade pa- Fez os cursos de Preparação à Car-
namenha de administração do canal tem reira de Diplomata e de Aperfeiçoamen-
sido bastante criteriosa. Ela é presidida por to de Diplomatas no Instituto Rio Bran-
um homem extremamente habilitado para co, no qual viria a ser, também, profes-
a função que exerce. Trata-se de Hum- sor. Fez, ainda, o Curso da Escola Supe-
berto Alemana, que tem presidido a com- rior de Guerra.
panhia que controla o canal com muita Ingressou na carreira diplomática
habilidade, e se cercando de pessoas do como terceiro secretário de embaixada,
mais alto gabarito. em 1958, e tornou-se segundo secretá- da Ásia do Ministério das Relações Ex-
rio de embaixada, por merecimento, em teriores, de 1973 a 76. Atuou, ainda,

“ Se conseguirmos fortalecer
associações como o Mercosul,
conseguiremos uma presença
1961. Foi promovido a primeiro secre-
tário de embaixada, em 1967; conselhei-
ro, em 1973; e ministro de segunda clas-
se, em 1975. Entre as inúmeras funções
como vice-pPresidente do Comitê Es-
pecial da ONU para operações de ma-
nutenção da paz, em NovaYork, de 1976
a 80; como delegado do Brasil na sessão
maior de produtos nossos técnicas que desempenhou, está a de especial da Assembléia Geral para o De-
Membro do Conselho Técnico da Con- sarmamento, em Nova Iorque, em
junto aos grande parceiros
federação Nacional do Comércio. Final-


1978; como chefe da Delegação do Bra-
comerciais do Brasil mente, tornou-se Ministro de Primeira sil na Conferência da ONU para o Uso
CARLOS ANTONIO BETTENCOURT BUENOI Classe (Embaixador) por merecimen- Pacífico do Espaço Ultra-Terrestre, em
to em 1982. Nova Iorque, entre 1976 e 82, e como
Numa determinada época, pouco an- Ocupou postos de relevância no Bra- presidente do Comitê Preparatório para
tes de o controle total do canal ter sido sil e no exterior, entre eles os de mem- a Primeira Conferência da ONU sobre
transferido, pelos americanos, para os pa- bro da Delegação do Brasil em Gene- o Uso Pacífico do Espaço Ultra-Terres-
namenhos, muitos especialistas em polí- bra, de 1960 a 62, e da Missão do Brasil tre, em Nova Iorque e Genebra, nos anos
tica internacional duvidavam da capacida- junto à ONU, Nova York, de 1962 a 67. de 1981 e 82.
de local de administrá-lo. Temia-se que Trabalhou nas embaixadas de Buenos Foi, também, um dos iniciadores das
houvesse corrupção e tráfico de influên- Aires, de 1967 a 69, e de Varsóvia, conversações para o estabelecimento de
cia. Nada disso aconteceu: o canal funcio- Polônia, de 1969 a 71. relações diplomáticas com o Governo
na, hoje, até melhor do que funcionava Entre 1983 e 1986, foi embaixador da República Popular da China, em Pe-
sob controle americano. plenipotenciário no Panamá. Destacou- quim, 1974, tendo, ainda, negociado e
se, também, como Embaixador Pleni- assinado as notas reversais com Cuba,
O senhor acha que a cultura – em potenciário no Japão, de 1986 a 91; Em- formalizando o restabelecimento de
todos os seus ramos e desdobramen- baixador Plenipotenciário na Repúbli- relações diplomáticas com aquele país,
tos, como a música e o cinema – po- ca Tcheca, de 1991 a 96; Embaixador em 1985.
deria ser considerada uma moeda Plenipotenciário na República da Irlan- Entre suas condecorações, estão a
de troca entre os povos? da, de 1996 a 98. Em 2000, requereu Ordem do Rio-Branco, Grã-Cruz, (Bra-
CB – Sim. Eu acho que o comércio e a aposentadoria por tempo de serviço. sil); a Ordem de Mayo, Grã-Cruz, (Ar-
cultura podem caminhar de mãos dadas. Foi delegado do Brasil em inúmeras gentina); a Ordem do Sol Nascente,
Uma coisa puxa a outra. O cinema, a mú- assembléias gerais da ONU; assessor do Grande Cordão, (Japão); a Ordem Vasco
sica, as artes visuais e outras manifesta- Conselho de Segurança da ONU; dele- Nuñez de Balboa, Grã-Cruz, (Panamá);
ções culturais aproximam muito os po- gado do Brasil na Conferência para a a Ordem do Libertador San Martin, Ofi-
vos. Como diz o ditado, bons amigos fa- Desnuclearização da América Latina, no cial, (Argentina), e a Ordem do Mérito
zem bons negócios. México, de l964 a 67; chefe da Divisão Nacional do Mérito, Oficial, (Itália).

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 13


Pesquisa por produto, país de de s
ou nome do exportador

Disponível em 4 idio m
inglês,espanhol e f r

Relação d
atu a
e stino

o mas: português,
f rancês

o de exportadores
u alizada mensalmente
Seminário Bilateral de
Comércio Exterior e Investimentos BRASIL PANAMÁ
Av. General Justo nº 307 – Centro, Rio de Janeiro – RJ – Sede da Confederação Nacional do Comércio – CNC

Progrrama do Seminário : 21 de agosto de 2006


Prog
14:00h Sessão Solene de Abertura Moderador:
Carlos Thadeu de Freitas Gomes – Chefe do Departamento Econômico da CNC
Presidente da Sessão: e Ex-Diretor do Banco Central do Brasil
Carlos Bueno – Ex-Embaixador Plenipotenciário do Brasil no Panamá Pronunciamento Especial:
Pronunciamentos Especiais: Fernando Arango Morrice – Presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Panamá
Juan Bosco Bernal – Embaixador Plenipotenciário do Panamá Exibição de filme sobre a EXPOCOMER
Ivan Ramalho – Ministro, interino, do Desenvolvimento Indústria e
Comércio Exterior Expositores:
Fabio Martins Faria – Diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento
Componentes da Mesa: de Comércio Exterior – MDIC
Glorisabel Garrido Thompson-Flôres – Cônsul-Geral do Panamá no Sergio Kuczynski – Gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios – América
Rio de Janeiro Latina – EMBRAER
Arthur Pimentel – Diretor de Comércio Exterior do MDIC Alexandre Camargo – Diretor Internacional da COPA Airlines
Lucia Maldonado – Vice-Presidente Executiva da AEB
Oswaldo Trigueiros – Presidente do Conselho de Turismo da CNC Debates com o Plenário
Carlos Thadeu de Freitas Gomes – Chefe do Departamento Econômico da CNC
Fábio Martins Faria – Diretor do Departamento de Planejamento e 15:30h PAINEL II: Os projetos de infra-estrutura e vantagens para
Desenvolvimento do Comércio Exterior do MDIC investimentos no Panamá
Rafael Fernandez Pita – Cônsul-Geral da Espanha no Rio de Janeiro Presidente do Painel:
Lucia Maldonado – Vice-Presidente Executiva da Associação de Comércio Exterior do
14:30h PAINEL I: O estado atual das relações comerciais Brasil-Panamá: Brasil- AEB
Desenvolvimento e diversificação Pronunciamento Especial:
Presidente do Painel: Gloria de la Espriella – Diretora Geral de Promoção de Investimentos do Ministério
Glorisabel Garrido Thompson-Flôres – Cônsul-Geral do Panamá no Rio de Janeiro de Comércio e Indústrias do Panamá
Expositores: Debates com o Plenário
Gustavo Assad – Diretor Adjunto da Área Internacional da Construtora Norberto
ODEBRECHT 18:00h Sessão Solene de Encerramento
Ricardo Antonio Mello Castanheira -Diretor da Área Internacional da Construtora Presidente da Sessão:
ANDRADE GUTIERREZ Juan Bosco Bernal – Embaixador Plenipotenciário do Panamá
Lic. Oliver Muñoz – Diretor do Escritório de Advocacia QUIJANO & Associados –
Panamá Pronunciamento Especial:
Marcio Favilla Lucca de Paula – Ministro de Estado, interino, do Turismo
Debates com o Plenário Componentes da Mesa:
João Augusto de Souza Lima – Presidente da FCCE
17:00h Painel III: O setor de serviços: Turismo, e Energia
Glorisabel Garrido Thompson-Flôres – Consul-Geral do Panamá
Presidente do Painel: Gustavo Assad – Diretor Adjunto da Área Internacional da Construtora
Marcio Favilla Lucca de Paula – Ministro de Estado, interino, do Turismo Norberto ODEBRECHT
Pronunciamento Especial: Diana de Macedo Soares – Cônsul-geral da Finlândia no Rio de Janeiro
Nilo Sérgio Felix – Subsecretário de Estado de Turismo do Rio de Janeiro Rafael Fernandez Pita – Cônsul-geral da Espanha no Rio de Janeiro
Exibição de filme sobre o Rio de Janeiro Lic. Oliver Muñoz – Diretor do Escritório de Advocacia Quijano & Associados
Participação Oficial: Jorge Berrio – Gerente Geral do Grupo Marriott
Glorisabel Garrido Thompson-Flôres Carlos Bueno – Ex-Embaixador plenipotenciário do Brasil no Panamá
Exibição do filme “O Turismo no Panamá” Embaixador Frank Thompson-Flôres
Mario Gugliemelli Vera – Cônsul-Geral da Venezuela no Rio de Janeiro
Expositores:
Jorge Berrio – Gerente-Geral do Grupo Marriott
Nestor Cerveró – Diretor da Área Internacional da Petrobras COQUETEL: Em homenagem Embaixador Plenipotenciário da República do Panamá
Arthur Pimentel – Diretor de Comércio Exterior do MDIC JUAN BOSCO BERNAL
ABERTURA

Rafael Fernández Pita, Lúcia Maldonado, Juan Bosco Bernal, Carlos Bueno, João Augusto de Souza Lima, Ivan Ramalho e Glorisabel Garrido.

Ampliação do Canal do Panamá


vai favorecer todo o continente
O Presidente da Federação das Câ- ras de Comércio das Américas, Executiva da AEB; Rafael Fernández
maras de Comércio Exterior, João Marcondes Neto. Em seguida, chamou Pita, Cônsul-Geral da Espanha no Rio
Augusto de Souza Lima, ao iniciar os para compor a mesa de abertura, res- de Janeiro; Carlos Thadeu de Freitas
trabalhos do Seminário Bilateral de pectivamente: Arthur Pimentel, Di- Gimes, Ex-Diretor do Banco Central
Comércio Exterior e Investimentos retor de Comércio Exterior do Mi- e Chefe do Departamento Econômi-
Brasil-Panamá, agradeceu o apoio re- nistério do Desenvolvimento, Indús- co da CNC, para presidi-la; e Carlos
cebido do Presidente da Confedera- tria e Comércio Exterior – MDIC; Bueno, Ex-Embaixador do Brasil no
ção Nacional do Comércio – CNC, Fábio Martins Faria, Diretor do De- Panamá, a quem concedeu a palavra.
Antonio Oliveira Santos; do Presiden- partamento de Planejamento e De- Para Proferir o pronunciamento es-
te da Associação de Comércio Exte- senvolvimento do MDIC; Oswaldo pecial na sessão solene de abertura,
rior do Brasil – AEB, Benedicto Fon- Trigueiros Júnior, Presidente do Con- foram convidados Juan Bosco Bernal,
seca Moreira; do Presidente da Câ- selho de Turismo da CNC; Glorisabel Embaixador Plenipotenciário do Pa-
mara Nacional de Comércio, Profes- Garrido Thompson-Flôres, Cônsul- namá e Ivan Ramalho, Ministro de
sor Theóphilo de Azeredo Santos; e Geral do Panamá no Rio de Janeiro; Estado interino, do Desenvolvimen-
do Presidente do Conselho de Câma- Lúcia Maldonado, Vice-Presidente to, Indústria e Comércio Exterior.

18 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


arlos Bueno, inicialmente, decla- cursos, cuja realização, portanto, é uma cidadãos, para suas empresas e para os que

C rou-se honrado em presidir a ses-


são de abertura do seminário e deu
boas vindas a todos os que dele participa-
decisão que deve ser tomada com extremo
cuidado, mas que, certamente, fará com que
os olhos do mundo se voltem para esse
nele investem. Tornou-se independente
em 1903, portanto tem pouco mais de
cem anos como república soberana, após
vam. A seguir, confessou que o Panamá é pequeno, mas importante país”. separar-se da Colômbia. Atualmente, tem
um país cuja lembrança tem guardada no Em seguida, Carlos Bueno passou a pala- um governo republicano unitário e repre-
fundo de seu coração por razões profissi- vra a Juan Bosco Bernal, Embaixador Pleni- sentativo. Sua divisão administrativa com-
onais e pessoais, já que ali residem um de potenciário do Panamá no Brasil, e encarre- preende as províncias, cinco comarcas in-
seus filhos, brasileiro, e duas netas, de na- gado do um pronunciamento especial, na dígenas que representam cerca de 10%
cionalidade panamenha, a quem visita anu- abertura do seminário. da população, 75 municípios e 620 distri-
almente. Esclareceu que o Panamá cami- tos. Tem uma projeção social importante,
nha decididamente para o desenvolvimen- Conhecer o Panamá embora persista um certo grau de desi-
to: na sua época de embaixador, o país en- O embaixador começou expressando gualdade. Segundo a Organização das Na-
frentou momentos políticos difíceis e sou- sua gratidão ao presidente da FCCE pela ções Unidas, o país ocupa a 56ª posição
be ultrapassá-los, vivendo, hoje, na pleni- realização do seminário. A seu ver, esse en- entre os 190 com maior grau de desen-
tude democrática, com eleições a cada cin- contro serve para demonstrar que, nos úl- volvimento humano.”
co anos, e com um grande presidente, de- timos anos, o Panamá tem dado passos im- Segundo o embaixador, seu país tem um
votado a elevar o país ao lugar que ele me- portantes em direção ao desenvolvimento PIB de US$ 16 bilhões, que vem crescen-
rece no cenário internacional. pleno de sua capacidade econômica, co- do a uma taxa de 6 a 7%, sendo que, no
“Gostaria de referir-me, e estou certo mercial, política e social. Em seguida, de- último trimestre, cresceu 7,5%. Com uma
de que alguns dos palestrantes a mencio- clarou que desejava concentrar-se, funda- inflação anual de menos de 2%, tem uma
nará, à importância que a opinião pública mentalmente, no tema ‘conhecer o Pana- grande dívida pública e apresenta algumas
panamenha tem conferido ao referendo má’, enquanto a maioria dos participantes dificuldades, do ponto de vista do empre-
em que o povo se pronunciará a respeito do seminário, certamente, iria abordar os go e do subemprego, embora possua uma
da ampliação do Canal do Panamá. As ativi- aspectos concretos referentes ao comér- economia atípica em relação às economias
dades ali desenvolvidas constituem a maior cio exterior e às nossas relações bilaterais. dos outros países da América Latina, já que
fonte de renda do país e o canal é um redu- “O Panamá fica na América Central e 75% do seu PIB provém do setor de servi-
to que os panamenhos lutaram muito para faz fronteira com a Colômbia, com a Cos- ços. Nesse sentido, as atividades mais dinâ-
recuperar. Lutaram para exercer sobre ele ta Rica e com os oceanos Pacífico e Atlân- micas estão vinculadas à Zona de Livre
a plena autonomia de que hoje desfrutam. tico. Tem a forma de um ‘s’ e abriga uma Comércio de Colón, à intermediação fi-
No próximo dia 22 de outubro, eles deci- população de mais de 3 milhões de pes- nanceira, ao comércio, ao transporte, à co-
dirão quanto à ampliação – ou não – do soas em seus 75 mil km2. Do ponto de municação e ao Canal do Panamá. Possui,
canal, que exigirá uma grande soma de re- vista político, é estável, seguro para os seus também, um setor primário e agropecuário

Colón

Panamá

Na cidade de Colón
(foto à esquerda), às margens
do Oceano Atlântico, localiza-
se a Zona de Livre Comércio,
um dos principais pilares da
economia panamenha.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 19


ABERTURA

Perfil do canal
O Canal do Panamá é uma empresa na
qual trabalham 9.000 pessoas, 24 horas
por dia, 12 meses por ano, e, que, por-
tanto, não pára nunca. Em 2005, reali-
zou o trânsito de 14.011 navios, núme-
ro bem próximo de sua capacidade má-
xima atual, de 16.000 navios, com uma
média aproximada de 43 passagens por
dia. Os barcos que o atravessam são, es-
sencialmente, transportadores de con-
têineres, petroleiros e navios de cruzei-
ro. Ele serve a 120 rotas marítimas de
80 países; um deles, o Brasil, que está
em 19º lugar entre os maiores usuários. Para cruzar o canal é preciso atravessar o Lago


boas taxas, não estamos satisfeitos ainda e Atlântico e outro no Pacífico, e a uma zona
O Panamá caminha para esperamos melhorar o ensino, especial- de livre comércio. O Panamá oferece, ain-
seu pleno desenvolvimento, mente as oportunidades educativas pro- da, um centro financeiro com 70 bancos
com instituições democráticas porcionadas às camadas da população que estrangeiros e internacionais, que usa o dólar
e um comércio livre
CARLOS BUENOI
que possibilita a exportação de produtos
” não alcançam o segundo grau e a universi-
dade. O país investe 5% do seu PIB em
educação, pois reconhece que, sem ela, é
difícil obter maior produtividade e desen-
como moeda corrente há mais de cem anos.
“É pouco conhecido o fato de que nos-
so país tem, também, há 74 anos, a ‘Cidade
do Saber’. Trata-se de um complexo de co-
como melão, mamão, banana, abacaxi, açú- volvimento nos negócios internacionais.” nhecimento e de investigação tecnológica,
car e camarões, sendo que, nos últimos dez com 32 organismos internacionais – fun-
anos, vem-se destacando, com muita for- O canal damentalmente de atuação social – que as-
ça, o turismo ecológico. A seguir, o embaixador traçou breve seguram a existência de 26 programas de
histórico sobre o Canal do Panamá. universidades de excelência, principalmen-
Comércio bilateral “Ele foi construído, inicialmente, por te dos Estados Unidos e da Europa, com
Apresentadas as características econô- franceses. As obras foram retomadas por cursos de mestrado e doutorado. Além dis-
micas do Panamá, o embaixador falou so- americanos. Sua inauguração ocorreu no so, mantemos ali, em funcionamento, um
bre a importância da educação no desen- ano de 1914 e, em 1999, foi definitiva- parque tecnológico com 42 empresas as-
volvimento dos negócios internacionais. mente entregue à administração dos pa- sociadas a avançados setores de pesquisas,
“Nossa balança comercial é bastante namenhos. No momento da transferên- com o objetivo de gerar inovações de dife-
desproporcional em relação ao Brasil, e cia, muitos duvidaram da capacidade do rentes gêneros e graus.”
não fazemos questão de reverter esse qua- povo do Panamá para administrar um
dro, mas queremos exercitar uma relação patrimônio dessa envergadura, mas, des- Ampliação
mais justa nos próximos anos. Quando se de então, demonstramos mais eficiência, Tendo apresentado esse panorama, o
decide investir em um país, é sempre im- segurança e transparência no uso dos re- expositor dedicou a parte seguinte do seu
portante conhecer o seu nível de educa- cursos por ele gerados. Hoje, o Panamá e pronunciamento ao projeto que, em sua
ção e de cultura. O Panamá, neste mo- os Estados Unidos têm uma relação amis- opinião, terá grande impacto sobre o mun-
mento, tem uma taxa de escolaridade pri- tosa, de sócios comerciais.” do e, especialmente, sobre a América La-
mária de 99%, ou seja, aproximadamente Segundo o embaixador, o que seu país tina: a ampliação do Canal do Panamá. A
todas as crianças entre seis e onze anos pode oferecer ao Brasil é uma rota ágil, origem desse projeto está nas mudanças
estão na escola primária, tanto no campo oportuna e econômica. Localiza-se em po- verificadas ultimamente no comércio,
quanto nas áreas urbanas. No segundo sição estratégica entre dois oceanos, no meio com o incremento na demanda de carga
grau, a taxa é de 65% de adolescentes e a do continente americano, e é detentora de e, por conseguinte, o aumento do tama-
taxa de escolaridade universitária para a uma logística eficiente, pois o canal é inte- nho dos navios. Atualmente, alguns car-
população entre 18 e 25 anos de idade grado, por um sistema de ferrovias e rodo- gueiros não podem passar pelo canal, em
está em torno de 30%. Apesar de serem vias, a dois portos internacionais: um no virtude de suas grandes dimensões.

20 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Gatún e... ...passar por várias eclusas.


“A ampliação está sustentada por mais de relações bilaterais com o Brasil, que datam
120 estudos e trata, fundamentalmente, da de 1904, quando o Brasil reconheceu nos-
Queremos fortalecer as relações
construção de dois complexos de compor- sa independência. Em 1908 já tínhamos o com o Brasil, que datam
tas, um no Pacífico, outro no Atlântico, com primeiro embaixador brasileiro no Pana- de 1904, quando o país
três câmaras em cada comporta e três bacias
que permitam a reutilização da água. A água
doce faz mover o canal, mas grande parte de
seu contingente se perde no sistema atual. A
má e, hoje, temos, também, três consula-
dos gerais brasileiros. O Ministro Luiz
Fernando Furlan visitou-nos em maio e de-
monstrou interesse em valer-se de nossa
reconheceu nossa independência
JUAN BOSCO BERNALI
no, do Desenvolvimento, Indústria e Co-

obra possibilitará, também, a ampliação dos posição estratégica para incrementar o co- mércio Exterior, Ivan Ramalho, para um
leitos de acesso, o aprofundamento dos lei- mércio bilateral. Ele pretende estabelecer breve pronunciamento sobre o relaciona-
tos de navegação e, assim, a duplicação da no Panamá um centro comercial de mento do Brasil com o Panamá. Ele men-
capacidade de trânsito do canal. A obra está redistribuição de produtos do Brasil, como cionou os resultados do comércio exteri-
prevista para sete ou oito anos, com custo já ocorre em Miami e em Frankfurt.” or brasileiro nos últimos anos e lembrou
aproximado de US$ 5,85 milhões, devendo O embaixador disse esperar, também, que o incremento de nossas exportações
ser auto-financiada, o que permitirá manter dos brasileiros uma contribuição na área – embora tenha sido registrado em relação
os níveis de nossa estabilidade financeira, pois de energia, especificamente em relação ao aos EUA e à União Européia – ocorreu
é o canal que está investindo seus lucros na petróleo. muito mais em função de novos mercados
modernização. Estudos ecológicos mostram Por fim cncluiu: “aguardamos, ainda, o da África, da Ásia e da América Central. Ele
que não haverá danos fundamentais ao meio interesse do Brasil em associar-se aos pro- ressaltou que esse incremento ocorreu não
ambiente.” jetos de ampliação do canal e da constru- só na venda de bens, como na de serviços,
Ao concluir, o embaixador discorreu ção de um porto no Pacífico. O futuro é e externou a opinião de que o Panamá re-
sobre a política externa de seu país e os bastante promissor para o desenvolvimen- presenta uma grande oportunidade de par-
esforços para inseri-lo na comunidade to de nossas economias e eu quero termi- ticipação na ampliação do comércio exte-
mundial. nar com o seguinte pensamento: o capitão rior mundial.
“O presidente do Panamá revitalizou a pessimista se queixa dos ventos; o otimis- Segundo Ivan Ramalho, a corrente de
diplomacia para assegurar nossa presença ta espera que o vento mude; o realista ajus- comércio atual entre os dois países alcan-
efetiva no cenário internacional. Vem tra- ta as velas para navegar com qualquer ven- ça valores pequenos – cerca de US$ 300
balhando por uma ordem mundial mais to. Estamos no melhor momento para milhões – mas aumentou, este ano, em
justa, respeitadora dos princípios do Direi- ajustar nossas velas para a cooperação, que 20%, e continua a crescer no mesmo rit-
to Internacional, mediante a prática de uma poderá gerar resultados frutíferos para os mo, com a comercialização de produtos
política pluralista, tendente à neutralidade nossos povos.” manufaturados de alto valor agregado.
e à solução pacífica de controvérsias. Inter- Manifestando esperança na continuidade
namente, estamos empenhadíssimos em Comércio brasileiro desse crescimento, o ministro encerrou
obter o desenvolvimento humano de nos- O presidente da mesa passou, em segui- seu pronunciamento e concluiu os traba-
sa população. Queremos fortalecer nossas da, a palavra ao Ministro de Estado, interi- lhos de abertura do seminário.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 21


PAINEL I

Desenvolvimento e diversificação
Corrente comercial Brasil-Panamá tem crescido em faixa superior ao
aumento do comércio brasileiro com o resto do mundo

Fernando Arango Morrice, Presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Panamá realizou um pronunciamento sobre a Expocomer.

Presidente da Câmara de Comér-


“O estado atual das relações comer-
ciais entre o Brasil e o Panamá –
Desenvolvimento e diversificação”
do o Presidente da Câmara de Co-
mércio e Indústria do Panamá, Fer-
nando Arango Morrice. O painel
O cio e Indústria do Panamá, Fer-
nando Arango Morrice, exibiu um
filme sobre a Expocomer e, em seguida,
analisou este evento, que ocorre anual-
foi o tema do painel I. A Cônsul- teve, como expositores, o Diretor mente no Panamá, e seus benefícios para
Geral do Panamá no Rio de Janei- do Departamento de Planejamento o setor. Em seu 25º ano, a Expocomer
2007 terá lugar em março, no Centro de
ro, Glorisabel Garrido Thompson- e Desenvolvimento de Comércio Convenções Atlapa.
Flôres, presidente do painel, con- Exterior do Ministério do Desen- “A feira é uma vitrine para o comércio
exterior e possui uma impressionante
vocou como moderador o Chefe do volvimento, Indústria e Comércio mostra de produtos e serviços. São mais
Departamento Econômico da Con- Exterior — MDIC, Fábio Martins de 30 países, cerca de 500 expositores e
mais de 20 mil visitantes. É uma excelen-
federação Nacional do Comércio — Faria; o Gerente de Desenvolvimen- te oportunidade para contatos na área de
CNC e ex-Diretor do Banco Cen- to de Novos Negócios na América comércio e para fechar negócios.”

tral do Brasil, Carlos Thadeu de Latina da Embraer, Sergio Kuczynski; Comércio brasileiro
Freitas Gomes. Para realizar um pro- e o Diretor Internacional da Copa O Diretor do Departamento de Pla-
nejamento e Desenvolvimento de Comér-
nunciamento especial, foi convida- Airlines, Alexandre Camargo. cio Exterior do MDIC, Fábio Martins Fa-

22 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


ria, expôs, a seguir, sobre o intercâmbio atrativo para os nossos parceiros comer-
comercial Brasil-Panamá. ciais no exterior.
“Até agosto de 2006, o Brasil alcançou “Compramos, sobretudo, matérias-
um crescimento de 24% nas exportações primas, bens de capitais e combustíveis.
e de 16% nas importações; um total acu- Outro ponto a se destacar são as nossas
mulado de US$ 83 bilhões em exporta- compras junto a países da América Latina,
ções e US$ 54,7 bilhões em importações, que vêm aumentando de maneira signifi-
o que nos deixa bastante otimistas em re- cativa, em torno de 34%, sendo que os
lação ao resultado previsto para o final do países fora do Mercosul tiveram um cres-
ano. A pauta brasileira tem ganhado cada cimento de 60% nos primeiros sete me-
vez mais relevância, com produtos de mai- ses do ano, ou seja, o nosso comércio com
or valor agregado. A presença expressiva os países da América Latina vem crescen-
é dos manufaturados que têm crescido do nas duas vias.”
55% na pauta de exportação – liderada
por materiais de transportes, produtos si- Relação bilateral
derúrgicos, petróleo e combustíveis, soja, Segundo Fábio Martins Faria, a cor-
minérios, produtos químicos, carnes, rente de comércio Brasil-Panamá vem
máquinas e equipamentos, açúcar e álco-
ol, equipamentos elétricos, papel, celu-
lose e calçados de couro.Temos um plantel
crescendo, sobretudo, para as exporta-
ções brasileiras.
“A partir de 1998, a relação bilateral
“ O Panamá desempenha
um papel significativo
como centro de comércio
bastante diversificado e cada vez mais ex- passou a ascender significativamente. O
pressivo de produtos industrializados de
maior conteúdo tecnológico, substituin-
do os produtos de baixa tecnologia.”
Panamá desempenha hoje, no continente,
um papel significativo como centro de
comércio e área de redistribuição. Este país
e área de redistribuição
FÁBIO MARTINS FARIAN ”
Segundo Fábio Martins Faria, o comér- possui uma expressiva experiência na área para engrenagens, vacinas, componentes
cio brasileiro com a América Latina tem de logística e apresenta-se como um gran- para aparelhos de transmissão, e tecidos.
aumentado bastante. Este ano tivemos de entreposto de comércio. Os nossos in- Diferentemente do que aconteceu com o
crescimento em torno de 22% nas ex- tercâmbios mantiveram-se na faixa de 31% comércio brasileiro, em que houve um
portações para países da Associação Lati- de crescimento. É um comércio bastante declínio do número de empresas expor-
no-Americana de Integração – ALADI desequilibrado em favor do Brasil, apesar tadoras, dentro do Panamá isto não está
(um bloco que reúne 12 países). Isto sig- de o nosso país estar aumentando bastan- acontecendo. Em termos de comércio de
nifica um percentual superior ao cresci- te as suas compras na América Latina. O bens, o Panamá apresenta um déficit: im-
mento global das exportações brasileiras. comércio Brasil-Panamá tem crescido ano porta muito mais do que exporta, e isso
No cenário internacional, verifica-se, tam- a ano em faixa superior ao crescimento do está associado à sua opção de ser um gran-
bém, intensa busca dos exportadores bra- comércio brasileiro com o resto do mun- de prestador de serviços.”
sileiros por novos mercados e, com isso, do, sobretudo no quesito dos bens manu- Segundo Fábio Martins Faria, os prin-
o nosso comércio com regiões nada tra- faturados.” cipais compradores do Panamá são os Es-
dicionais, como a Ásia, por exemplo, tem Neste cenário, é possível destacar que tados Unidos, os países centro-america-
se expandido com taxas muito superiores as exportações brasileiras tiveram um gran- nos e várias nações asiáticas. Os países que
ao crescimento dos demais mercados. de impulso com as vendas de aviões e, mais exportam para o Panamá são os Es-
“Essas mudanças fazem com que o além disso, tivemos uma participação ex- tados Unidos, a Espanha e a Suécia.
Brasil reverta um quadro de perda em pressiva de outros produtos de grande “Tudo isso demonstra que os exporta-
relação ao crescimento mundial e, atual- valor agregado, como os do setor siderúr- dores brasileiros têm, no Panamá, uma
mente, vamos rompendo a barreira dos gico e os da indústria automobilística, em posição estratégica para fazer chegar os seus
1% de participação neste comércio – 2005 e 2006. produtos aos países da América Central,
estamos em 1,15%. Além disso, esse ano “Os principais produtos que nós im- Caribe e América do Norte,” concluiu o
devemos continuar crescendo acima do portamos do Panamá, são também, itens Diretor do Departamento de Planejamen-
nível global.” de alto valor agregado, grande parte pro- to e Desenvolvimento de Comércio Ex-
Quanto às nossas importações, Fábio veniente de outros países, que têm no Pa- terior do MDIC.
Martins Farias relatou que, em 2006, ve- namá um ponto de reexportação. Dentre
rificou-se um crescimento de 23%. Isto os principais produtos importados pelo Parceria na aviação
significa, entre outras coisas, que o mer- Brasil, temos máquinas para proces- O Gerente de Desenvolvimento de
cado brasileiro vem se tornando muito samento de dados, alumínio, rolamento Novos Negócios na América Latina da

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 23


PAINEL I

terísticas do avião contribuíram: sua


performance, sua economia e o conforto
que oferece aos passageiros.”

“ A Embraer sente-se
honrada por participar
do desenvolvimento da
Copa Airlines e do
desenvolvimento econômico
do Panamá

SERGIO KUCZYNSKIN

Para a construção desta aeronave foi


adotado, também, um perfil de dupla bo-
lha, um equipamento que permite maior
conforto na cabine dos passageiros. Foi
acrescentado mais espaço para bagagens e
Sergio Kuczynski, Gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios da Embraer para a América Latina.
cargas. A carga é um fator econômico im-
portante, pois representa de 15 a 20% do
Embraer, Sergio Kuczynski, falou sobre Dentro desta realidade, ele destacou o faturamento de uma companhia aérea. O
a aviação e o mercado do Panamá. Ele Embraer 190, uma aeronave da nova ge- Embraer 190 tem uma configuração de
destacou que o Canal do Panamá repre- ração de jatos da empresa, no segmento assento chamada de 2+2, criada com base
senta esta vocação do país de integração de 100 assentos, como um modelo com- em pesquisas sobre os assentos preferen-
entre duas rotas de navegação: a do Atlân- patível com os objetivos de integração e ciais, que são sempre os da janela ou os do
tico e a do Pacífico, ajudando a realizar a de oferecimento de linhas de alimentação corredor. Além disso, as pesquisas indica-
interação das principais economias do para o resto das operações da Copa. ram que o corredor deve ter uma largura
mundo. “A Embraer sente-se honrada pelo fato tal que o trânsito do serviço de bordo não
“A Companhia Aérea Panamenha – de a Copa ter escolhido o modelo seja interrompido quando algum passa-
Copa Airlines, corresponde a esta voca- Embraer 190 como um elemento de geiro deseja ir ao toalete. O desenho da
ção, pois vem desenvolvendo uma rede integração, desenvolvimento e moderni- cabine da aeronave procura garantir ao
de vôos e serviços regulares de integração zação da sua frota. Naturalmente, as carac- passageiro o seu espaço individual. Esses
entre as Américas. Por intermédio dessas fatores de conforto resultam num bom
rotas, a empresa muito contribui para as Copa Airlines no Brasil índice de qualidade de serviço.
economias dos países servidos por elas. A • 24
A Copa Airlines realiza, hoje, Sergio Kuczynski disse, ainda, que até
aviação comercial é um vetor de desen- vôos por semana no Brasil. 2009 a Copa terá 50 aeronaves em sua
volvimento de economias e, dentro da di- frota, das quais 40% serão fornecidas pela
nâmica do Panamá e seu desafiante fu- • no
A empresa cresceu quase 250%
país em menos de dois anos. Embraer. “Já entregamos quatro dos seis
turo, a Copa tem um papel que vem sen- aviões encomendados para dezembro des-
do cumprido com uma administração di- • eOsSãovôosPaulo
do Rio de Janeiro
serão operados pelos
te ano. A Embraer sente-se envaidecida e
nâmica e eficiente.” honrada por participar do desenvolvimen-
novos Boeings 737-700 NG
(Next Generation). to da Copa e, também, do desenvolvimen-
to econômico do Panamá”.
• permanecerão
Os cinco vôos de Manaus
operados
pelo Embraer 190.

24 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Marco na aviação
Em seguida, foi a vez da exposição do
Diretor Internacional da Copa Airlines,
Alexandre Camargo, que anunciou ofici-
almente, em primeira mão, um novo vôo
realizado pela Copa, que fará a rota Rio de
Janeiro-Panamá, a partir do dia 15 de no-
vembro de 2006.
“Num primeiro momento, serão cin-
co vôos semanais que irão propiciar uma
grande economia de tempo e uma grande
economia de escala para todos os passa-
geiros residentes na cidade e no Estado
do Rio de Janeiro.”
A Copa Airlines pertence à Copa
Holdings, que agrega duas empresas – a
Copa e a Aéro República, que tem a sua
sede na Colômbia, e, hoje, é a segunda
maior empresa aérea daquele país.
“A Continental, hoje, possui 10% das Alexandre Camargo, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, Glorisabel Garrido Thompson-Flôres,
ações da Copa Holding, e nós temos um Fernando Arango Morrice e Fábio Martins Farias.
acordo comercial recíproco com a Conti-
nental na área de operações e vendas; acor- Jogos Pan Americanos. Com este novo América Latina. Hoje, nossos aviões têm
do este renovado por mais dez anos. No Bra- lançamento, a Copa chegará a 24 vôos se- uma idade média de três anos. Os vôos do
sil, estamos operando desde 2000. Inicia- manais no Brasil, sendo 14 em São Paulo, Rio de Janeiro vão decolar às seis da ma-
mos com três vôos semanais unindo São cinco em Manaus e cinco no Rio de Janei- nhã, com horário de chegada previsto para
Paulo ao Panamá, até chegarmos, em 2004, ro. Com essas 24 operações, a Copa chega 9h50min. Um horário estratégico, pois o
a sete vôos semanais. A partir daí, com o a um percentual de 250% de crescimento Panamá serve como um centro de redis-
crescimento do comércio entre o Brasil e em menos de dois anos – talvez seja a tribuição, e a Copa tem por finalidade
outros países da América Latina, e, também, empresa aérea internacional que mais cres- manter conexões curtas, o que favorece a
com a estabilidade econômica e a baixa do ceu no Brasil neste período. Os vôos no pontualidade. Esses vôos possibilitarão,


dólar, nós experimentamos dobrar a oferta, ainda, aos passageiros que se dirigem aos
passando de sete para 14 vôos semanais. Foi Com o crescimento do Estados Unidos, não só àqueles que estão
com grata surpresa que observamos a boa comércio entre o Brasil e a embarcando aqui, no Rio de Janeiro, mas
receptividade para esses vôos, o que nos per- América Latina, com a também àqueles de Vitória e Belo Hori-
mitiu inaugurar, a partir de julho deste ano, zonte, que passem a usar o Panamá como
nova rota conectando Manaus e Panamá. estabilidade econômica e a conexão, evitando translados no aeropor-
Este vôo, aliás, é um marco na nossa aviação baixa do dólar, dobramos to de Miami, extremamente congestiona-
civil, pois é o primeiro, de caráter comercial
e internacional, realizado no Brasil por uma
aeronave brasileira.”
Alexandre Camargo realçou o fato de
a oferta de vôos
ALEXANDRE CAMARGON ” do e burocrático. Quanto aos passageiros
que saem do Rio de Janeiro, terão uma
economia de até quatro horas de viagem.”
Para concluir, o representante da Copa
que, até então, a Embraer fabricava os avi- Rio de Janeiro serão operados, assim demonstrou, em números, a movimenta-
ões, exportava-os e nunca os via voar no como os de São Paulo, com o Boeing 737, ção de passageiros entre Brasil e Panamá:
Brasil, apesar de ser uma das mais respei- com capacidade para 124 pessoas. Mante- em 2004, a empresa transportou cerca de
tadas produtoras de aeronaves do mundo. remos, também, os cinco vôos de Manaus 11,3 mil passageiros com destino ao Pa-
A Embraer tem colocado nestas rotas pa- operados pelo Embraer 190.” namá. Em 2005, houve um crescimento
namenhas um modelo revolucionário, no Segundo Alexandre Camargo, as previ- de 18%, chegando a pouco mais de 13
que se refere ao conforto. sões para 2007 também são expressivas. mil passageiros. Para 2006, deve-se atin-
“Com todos estes sucessos, nós deci- “Com base nas encomendas que temos, gir 20 mil passageiros, ou seja, em dois
dimos antecipar o vôo Rio de Janeiro-Pa- deveremos chegar a um total de 37 avi- anos, a empresa apresentou um cresci-
namá, que originalmente estava previsto ões, e isso manterá a Copa como a empre- mento de quase 100% no número de pas-
para junho de 2007 e coincidiria com os sa aérea com a frota mais moderna da sageiros com destino ao Panamá.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 25


P A I N E L II

Infra-estrutura traz vantagens


para investimento no Panamá
O painel apresentou um panorama das oportunidades oferecidas pelo país
Ao abrir os trabalhos do painel II, o
Presidente da Federação das Câma-
ras de Comércio Exterior – FCCE,
João Augusto de Souza Lima, chamou
para presidi-lo aVice-Presidente Exe-
cutiva da Associação de Comércio
Exterior do Brasil – AEB, Lúcia Mal-
donado. Ao assumir a presidência,
convidou para o pronunciamento
especial a Diretora Geral de Promo-
ção de Investimentos do Ministério
de Comércio e Indústrias do Pana-
má, Gloria de la Espriella. Como ex-
positores, foram convidados à mesa
o Diretor Adjunto da Área Internaci-
onal da Construtora Norberto Ode-
João Augusto de Souza Lima e Ricardo Antonio Mello Castanheira durante o painel II.
brecht, Gustavo Assad; o Diretor da
Área Internacional da Construtora “Antes de mais nada, menciono o mais çar cifras da ordem de US$ 3 bilhões. No
importante, que é a base de qualquer in- Panamá, parte do que é investido destina-
Andrade Gutierrez, Ricardo Antonio vestimento: a nossa estabilidade econômi- se à coletividade e ao desenvolvimento.”
Mello Castanheira; e o Diretor do Es- ca e financeira. Nossa moeda legal é o dólar,
o que faz com que sejam muito baixos os Logística
critório de Advocacia Quijano & As- nossos níveis de inflação: menos de 2% nos A representante panamenha informou,
sociados, Oliver Muñoz. últimos cinco anos. Nosso centro financei- ainda, que uma parte importante da plata-
ro tem mais de 70 bancos nacionais e es- forma logística do país é, obviamente, o ca-
trangeiros, com um ativo de mais de US$ nal, que provê o acesso a 120 rotas maríti-
34 bilhões. Nosso sistema financeiro e ban- mas, com destino a mais de 80 países dife-
loria de la Espriella iniciou seu

G pronunciamento especial infor


mando sua condição de represen-
tante do Ministério de Comércio e Indús-
cário é regido pelos padrões internacionais
mais estritos, o que faz dele um sistema
estável e moderno. Ano passado, nosso PIB
cresceu 6,4% e temos a expectativa de que,
rentes. O comércio do Canal do Panamá
representa 5% do comércio mundial e, anu-
almente, transporta cerca de 300 milhões
de toneladas de carga. A plataforma logística
trias do Panamá, e esclarecendo seu obje- neste ano, cresça 6,5%. Os investimentos é complementada pela infra-estrutura por-
tivo de fornecer aos interessados um pa- estrangeiros, em 2005, mobilizaram apro- tuária, pela estrada de ferro interoceânica,
norama das possibilidades de investimen- ximadamente US$ 1 bilhão e estamos es- pelo aeroporto internacional e pela Zona de
to em seu país. perando que, neste ano, cheguem a alcan- Livre Comércio de Colón.

26 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


“Nosso sistema portuário proporcio- O Canal do Panamá em números
na um movimento muito grande e por
isto estamos negociando uma expansão Participa diretamente de 5% do comércio mundial.
do canal. Este sistema é composto por Oferece acesso para 140 rotas marítimas tendo como destino mais de 80 países.
sete portos, todos privados. A estrada de
ferro interoceânica não apenas transpor- Mais de 14 mil embarcações atravessam o canal todo ano, das quais 350 são
dedicadas a cruzeiros.
ta passageiros, como também cargas.
Nosso aeroporto internacional acha-se Movimenta 300 mil toneladas de carga por ano.
em fase de expansão e nossa malha ro-
doviária conecta Norte, Sul, Leste e Oes- 700 mil pessoas por ano, entre passageiros e tripulação, cruzam o canal.
te do país. A Zona de Livre Comércio de
Colón é a mais importante do hemisfé- Comparação entre a administração americana e a panamenha
rio e a segunda mais importante do mun-
do, depois de Hong Kong. Ali instalaram-
se mais de mil companhias que geram 21% a mais do que o total arrecadado durante a administração americana
emprego para 19.000 pessoas. Em ter-
mos de infra-estrutura de telecomuni- 85 anos 2,277
cações, o Panamá conta com cinco fibras
óticas que atravessam o canal e que nos 1,877
dão uma conectividade maior do que
muitas cidades européias importantes.”

A expansão
Em prosseguimento, Gloria de la 6 anos
Espriella passou a tratar da expansão do
Canal do Panamá, que será submetida a
referendo em 22 de outubro de 2006.
“A construção deverá ser iniciada em Administração americana Administração panamenha
2007 e durar oito anos, estando previsto
o início das operações para 2015. O im-
pacto econômico será visível, pois as con- seguida, das oportunidades no setor oportunidades de negócios a serem ex-
tribuições e aportes econômicos trazidos energético de seu país. plorados entre os dois países, como a ins-
pelo canal, já muito importantes e expres- “O governo transformou a política na- talação de uma planta regasificadora e ou-
sivos, deverão triplicar a partir de 2015 e, cional de hidrocarbonetos e energias al- tros produtos derivados de petróleo.
em 2025, serão oito vezes maiores. No ternativas em um plano de ação para in- “O setor energético é uma área inte-
ano passado, o canal aportou ao Tesouro centivar o desenvolvimento do setor e ressante, sendo que parte desse investi-
Nacional a cifra de US$ 489 milhões. A evitar a dependência absoluta dos deriva- mento poderá se dar pelas refinarias. Com
duplicação das eclusas permitirá o tráfego dos de petróleo. Não possuímos esta ma- o coque que elas produzirem se poderá
de navios “Post-Panamax”, ou seja, aqueles téria prima, mas queremos desenvolver o gerar eletricidade. Projetos como os da
que superam a dimensão permitida para a projeto de uma refinaria. O Panamá conta expansão do canal, de mineração, do de-
travessia do canal, nos dias de hoje. Em- com uma série de facilidades de infra-es- senvolvimento portuário e imobiliário vão
barcações de 366 metros de largura e 15 trutura: na província de Chiriqui, nas pro- requerer uma produção energética que,
metros de profundidade poderão cruzar ximidades de nossa fronteira com a Costa atualmente, não possuímos.”
o canal. As eclusas utilizarão um sistema Rica, existe um oleoduto transístmico que A seguir, Gloria de la Espriella abor-
novo, de tinas, ainda não empregado no transporta óleo cru. Com 131 quilôme- dou a possibilidade de conectar-se com
Panamá, mas já testado nos Países Baixos tros, esse oleoduto tem, em cada uma das os países vizinhos, o que já ocorre, em ter-
e na Alemanha. Essas tinas utilizarão uma extremidades, tanques de armazenamento mos energéticos, por meio do Sistema de
quantidade menor de água – 7% menos para 16,9 milhões de barris. A sustenta- Interação Para Geração Elétrica – SIPAG,
para cada travessia.” ção legal para uma refinaria no Panamá que permitirá ao Panamá exportar ener-
está contemplada nas leis das Zonas Li- gia para Guatemala, Honduras, El Salva-
Energia vres de Petróleo e estão mapeadas duas dor, Costa Rica e Nicarágua.
A representante do Ministério de Co- localidades ideais para sua instalação.” “Outro projeto energético que temos
mércio e Indústrias do Panamá falou, em A expositora mencionou, ainda, outras é o de um gasoduto para gás natural a par-

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 27


P A I N E L II

tir da Venezuela, passando pela Colômbia, tas terras e imóveis para serem utilizados.
e chegando à nossa costa atlântica, na cida- Calcula-se que existam mais de sete mil
de de Colón. edifícios dotados de infra-estrutura na área
Outro projeto é o da limpeza da Baía do canal, inteiramente disponíveis. Exis-
do Panamá, à beira da qual situa-se a capi- tem, também, oportunidades de negócio
tal do país. Estamos investindo, na primei- em tecnologia de informação, telecomu-
ra etapa, cerca de US$ 220 milhões, de nicações e informática, biociência e
um total de US$ 340 milhões. A primeira biotecnologia na Cidade do Saber. Uma
fase será de instalação da rede coletora de outra iniciativa, atualmente em processo
detritos, e a segunda de instalação do sis- de licitação, é o Projeto de Transporte
tema interceptor, assim como de introdu- Urbano. Ele demandará um investimento
ção das estações de tratamento. estimado entre US$ 60 e 90 milhões. O
Ao encaminhar-se para o final de seu Ministério de Comércio e Indústrias tam-
pronunciamento, Gloria de la Espriella bém tem incentivado o setor de minera-
declarou que desejava também explicar o ção, com o Projeto Cerro Colorado que
que se passa na Área Econômica Especial, tem uma concessão de dois mil hectares”.
antiga Base Aérea de Howard. Ao concluir, Gloria de la Espriella agra-
“Acabamos de firmar um acordo de deceu a todos e colocou-se à disposição

“ O governo panamenho
tem projetos na área de
infra-estrutura e de energia
investimentos com uma empresa de
Singapura, chamada East Air Space, para
reconverter aviões, aproveitando as facili-
para prestar outras informações sobre
investimentos no Panamá.

Odebrecht


dades oferecidas pela antiga base e geran-
e está aberto a novas parcerias do mais de mil empregos permanentes. Em seguida, Lúcia Maldonado, presi-
GLORIA DE LA ESPRIELLAN Nas áreas revertidas, existem, ainda, mui- dente do painel, passou a palavra a

O projeto de ampliação do Canal do Panamá

A obra está orçada em US$ 5,2 bilhões e será paga com a arrecadação de
tarifas no canal. Será construído um novo conjunto de eclusas que
permitirão a passagem de navios de grande porte. O novo sistema permite
uma economia significativa de água doce usada nas grandes tinas.

1 Aprofundamento e alargamento
alargamento da entrada do Atlântico
2 Eclusas e leitos de acesso ao Atlântico
3 Aprofundamento e alargamento
alargamento do leito do Lago
Lago Gatún
4 Aumento do nível do Lago
Lago Gatún
5 Aprofundamento do leito do Corte
Cor te
6 Eclusas e leitos de acesso ao Pacífico
Pacífico
7 Aprofundamento e alargamento
alargamento do acesso ao Pacífico
Pacífico

28 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Gustavo Assad, Diretor Adjunto da Área cultural e saúde. No campo internacional, ficado com o Estado, possuindo uma ne-
Internacional da Construtora Norberto iniciamos nossas atividades em 1979, na cessidade e uma demanda que não vão
Odebrecht, que iniciou sua exposição fa- central hidrelétrica de Charcani, no Peru, mudar quando mudarem os governos. Ao
lando das atividades do grupo e da recen- e, desde então, já trabalhamos em 30 paí- longo desses 27 anos em que atuamos no
te atuação no Panamá. Num breve histó- ses, onde desenvolvemos mais de 500 pro- exterior, a nossa média de permanência em
rico, frisou que desde sua fundação, em jetos. Atualmente, estamos atuando em 18, cada país está entre 14 e 15 anos, e nunca
1944, o grupo Odebrecht tem tido uma com uma força de trabalho de 27.000 co- tivemos um projeto interrompido, graças a
trajetória ascendente, enfrentando desafi- laboradores. Essa atuação nos colocou essa identificação do mercado”.
os e procurando adaptar-se às exigências como a maior empresa do setor na Amé- Em seguida, Gustavo Assad apresen-
de cada momento. rica Latina e entre as 25 maiores do mun- tou de modo sucinto a economia pana-
“Nossa área de atuação é bem ampla. A do em receita.” menha, que, segundo ele, cresceu 7,9%
Odebrecht é a maior empresa de constru- Gustavo Assad passou, então, a abor- no primeiro trimestre de 2006, bem aci-
ção da América Latina e a maior empresa dar as condições atuais de investimento ma da média da América Latina. Outro as-
brasileira exportadora de serviços de en- no Panamá. pecto por ele destacado é o da garantia do
genharia e construção. Temos, também, “No final do ano passado, obtivemos controle macroeconômico da estabilida-
importante atuação na área social. Nosso nosso primeiro projeto no país. A área de de do país.
compromisso é atender não só às solicita- infra-estrutura requer uma gestão política “Aos olhos da comunidade internaci-
ções dos projetos para os quais somos con- muito grande, porque suas prioridades são onal, isso faz diminuir o risco do país e
tratados, mas, sobretudo, atender à comu- definidas pelo Estado. Só se consegue de- aumenta as possibilidades de novos inves-
nidade afetada por eles, pois achamos que senvolver um projeto quando ele é identi- timentos. O desafio é a redução de um
temos obrigações com as necessidades da
população. Em função disso, trabalhamos
com cinco vertentes: educação, profis-
sionalização, inserção profissional, apoio Futuras eclusas

O novo sistema de eclusas


Largura: 55 metros (180 pés)
Comprimento: 427 metros (1.400 pés)
Profundidade: 18,3 metros (60 pés)

Eclusas existentes

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 29


P A I N E L II

ção de infra-estrutura. É um sistema de


irrigação para 3.200 hectares, que conta-
rá, numa das regiões, com o emprego de
equipamentos e, em outras, apenas com a
gravidade ou a coleta simples. O contrato
tem o valor de US$ 54,2 milhões, e te-
mos, acoplado a ele, um programa agrí-
cola que deve gerar recursos para a região.
Estamos na fase de prospecção, quando
se materializa o que foi planejado, compa-
tibilizando o projeto com aquilo que, de
fato, foi encontrado na região. O projeto
inicial prevê a utilização de canais revesti-
dos de concreto, mas existe uma alterna-
tiva, que estamos estudando junto ao cli-
ente, com a ajuda de uma projetista brasi-
Charcani V, no Peru. leira: transformar esses canais em tubula-
ções de PVC.”
Segundo Gustavo Assad, isso não mu-
daria muito o sistema, só proporcionaria
um pouco mais de derivação aos canais.
“Além disso, estaríamos usando tecno-
logia brasileira que permitiria a redução
do tempo da obra e aumentaria em cerca
de 30% a participação de produtos brasi-
leiros no projeto. A engenharia contribui
Ponte Vasco da Gama, em Portugal. para a exportação brasileira. Nesse senti-
do, a Odebrecht, por meio de sua base no
Rio de Janeiro, ao longo desses 27 anos,
A Odebrecht, que já
tem contratado cerca de 1700 fornece-
desenvolveu mais de 500 dores, em sua maioria médias e pequenas
projetos em 30 países que empresas. Um estudo indica que, para
mobilizaram 27 mil cada US$ 100 milhões exportados, são
colaboradores, assume, gerados, no Brasil, cerca de 20 mil em-
pregos.”
também, o compromisso de
atender às solicitações das
comunidades afetadas por
eles, apoiando projetos
“ Estamos desenvolvendo
um projeto de irrigação na
região de Chiriqui. O uso
Andrade Gutierrez
Lúcia Maldonado, presidente do pai-
nel, a seguir, passou a palavra ao Diretor
da Área Internacional da Construtora
educacionais e patrocinando de tecnologia brasileira vai Andrade Gutierrez, Ricardo Antonio
iniciativas culturais locais.

déficit fiscal de 2,5%, mas há bons indíci-


reduzir o tempo da obra
G U S TAVO A S S A D N ” Mello Castanheira. Ele começou afirman-
do que, pelo que já ouvira até ali, reco-
nhecia no Panamá uma plataforma logís-
os de que esse objetivo será alcançado Costa Rica, com término previsto para tica para a realização de grandes empreen-
com o aumento da arrecadação que, em 2008. dimentos. Lembrou que a empresa já
setembro de 2005, por exemplo, alcan- “Ele situa-se em uma área bastante sen- atuou, com sucesso, no Panamá, na du-
çou um recorde de US$ 370 milhões.” sível, onde existem um parque nacional plicação da Ponte das Américas e que vol-
marítimo e um refúgio de vida selvagem, tava a oferecer sua experiência em infra-
Irrigação que favorecem o ecoturismo. Nesse pro- estrutura.
O expositor comentou, em seguida, o jeto, além de obras de captação, constru- “A Andrade Gutierrez possui capaci-
projeto de irrigação iniciado em 2006, na ção de canais e vias de acesso e drenagem, dade de atuação na construção propria-
região de Chiriqui, próxima à fronteira da temos planejamento, desenho e constru- mente dita, em telecomunicações e na área

30 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


A Andrade Gutiérrez trabalhou na duplicação da Ponte das Américas, no Panamá.

de concessões. A construtora já execu-


tou, na América Latina, 55 projetos de
engenharia – atualmente executa 10 – do
México à Argentina. Na Europa, temos
uma empresa em Portugal, a Zagop que
realiza empreendimentos naquele conti-
nente, na Ásia e na África, num total, atu-
almente, de 210 projetos.” Jalousie Resort, em Santa Lúcia, no Caribe,
Quanto às comunicações, lembrou construído pela Andrade Gutierrez.
que seu grupo participa do controle da
Telemar e da firma de telefonia celular OI.
“Na área de concessões, atuamos em
A Andrade Gutierrez, cujo
meio ambiente, em rodovias como a Via escritório do Panamá
Dutra, a Via Lagos, a Rodovia Anhangüera, gerencia todos os negócios
a Estrada dos Bandeirantes e a Rodonorte. da empresa na América
Somos participantes da Sanepar, a empre-
Central e no Caribe, já
sa de saneamento do Estado do Paraná e,
para dar um exemplo de atuação na Amé- executou 55 projetos de
rica Latina, estamos iniciando as obras do
novo aeroporto de Quito, no Equador,
do qual temos a concessão de operação
engenharia na América Latina,
além de estar presente na
Europa, África e Ásia.
“ Estamos presentes no México
e na República Dominicana.
Atuamos, ainda, na Venezuela,


por 30 anos.”
Do ponto de vista do faturamento, a Em 2006, sua receita deve Equador, Peru e Argentina
empresa trabalha com uma expectativa de aumentar em cerca de 30%. R ICARDO A NTONIO M ELLO C ASTANHEIRAN
aumento de 30% de receita no ano de
2006. Na área da construção, novos ne- Internacional Mundial, que corresponde toras no Brasil e fora dele, desde que co-
gócios continuam acontecendo. a um Oscar em nossa atividade. Tivemos meçamos nosso primeiro projeto no ex-
“Recentemente, ao executarmos a obra inúmeros projetos na área imobiliária e, terior, no Congo, em 1983. A partir de
do aeroporto da Ilha da Madeira, fomos no que diz respeito a hidrelétricas, somos nosso escritório no Panamá, que gerencia
agraciados com o Prêmio da Engenharia parceiros de grandes empresas constru- toda a América Central e o Caribe, estamos

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 31


P A I N E L II

presentes no México e na República elaboração e assinaturas de contratos. A


Dominicana. Atuamos, ainda, naVenezuela, partir de 2008, começarão as obras de
no Equador, no Peru e na Argentina. construção do terceiro jogo de eclusas,
Estamos aptos a levar nosso conhecimen- nos dois oceanos, simultaneamente. A
to até os nossos parceiros do Panamá e obra, orçada em US$ 5,2 bilhões, vai ser
esperançosos de que possamos nos inte- paga pelo incremento nos pedágios. Atu-
grar à sua comunidade empresarial, de for- almente, a administração do Canal do Pa-
ma a realizar a transferência tecnológica namá tem a possibilidade de aumentar seus
desse conhecimento às empresas locais, custos, porque temos uma vantagem com-
pois essa é a tônica de nossas atividades no petitiva em relação ao Canal de Suez e
comércio exterior. Muito obrigado”. a outros meios alternativos, logísticos e
multimodais de transporte. Ou seja, exis-
Advocacia te, ainda, uma grande vantagem em trans-
Dando prosseguimento aos trabalhos portar mercadorias através do canal. Esti-
do painel, Lúcia Maldonado passou a pa- ma-se que a tonelagem que passa por ali
lavra a Oliver Muñoz, Diretor do Escritó- aumentará em cerca de 80% e que os
rio Quijano & Associados, do Panamá. aportes diretos feitos ao país crescerão oito
O advogado declarou que faria uma vezes.”


intervenção estritamente de ordem jurí- O expositor passou a falar, então, do
Oferecemos estabilidade
dica, abordando, sobretudo, as relações boom imobiliário por que passa o seu país.
comerciais entre os dois países. jurídica aos investidores. “Foi publicado no ‘U.S. Today’ um arti-
“A ampliação do Canal do Panamá é, Nosso país é muito procurado go que comenta esse boom, segundo o qual
no momento, o projeto mais importante
do país, porque a Constituição estabelece
que essa decisão deve ser tomada por to-
dos os panamenhos, em referendo. As
por americanos aposentados
OLIVER MUÑOZN ” o Panamá está suplantando a Costa Rica
como o país da América Central mais pro-
curado pelos norte-americanos em bus-
ca de alternativas para sua aposentadoria,
pesquisas estão mostrando que o ‘sim’, ou US$ 2,2 bilhões. Esses números demons- graças, principalmente, ao grande ofere-
seja, a aprovação da ampliação, tem uma tram não só a eficiência, mas o compro- cimento de bens de raízes e de projetos
vantagem sobre o ‘não’. O mais interes- misso que temos com o canal, pois repre- imobiliários. É tão importante o desen-
sante é que a porcentagem mais impor- senta nossa principal fonte de renda e gera volvimento dessa área que o americano
tante de panamenhos a favor do ‘sim’ é a negócios para o mundo inteiro.” Donald Trump vai construir, para esse
de jovens entre 20 e 35 anos, que estão Os estudos que respaldam tecnicamen- público, o Trump Ocean Club Hotel, um edi-
vendo no projeto a possibilidade de obter te a ampliação do canal foram realizados fício de 62 andares, que será erguido na
empregos. A ampliação contempla a ex- por inúmeras empresas. Atualmente, ele Cidade do Panamá.”
pansão do número de contêineres que vão tem duas vias, e deverá ser construída uma O advogado panamenho citou, tam-
passar pelo canal. Cada um desses trans- terceira, do lado direito das atuais, em bém, entre outros incentivos para inves-
portadores de contêineres, sobre os quais cuja entrada existe uma área que foi tir em seu país, a Lei 58, de 1998, que
estamos falando, pode carregar, aproxi- dragada pelos norte-americanos nos anos oferece uma estabilidade jurídica aos in-
madamente, o mesmo que transportari- de 1930 e 40. Isto demonstra que, desde vestidores internacionais, consubstancia-
am 5.800 caminhões, 18 trens ou 570 então, já se fazia sentir a necessidade da da na garantia de que, aos que investirem
Boeings 747.” ampliação, cujos trabalhos foram inter- montante superior a US$ 2 milhões, se-
Ainda enfocando os desdobramentos rompidos por causa do esforço econô- rão mantidas, pelo período de dez anos,
comerciais da ampliação do Canal do Pa- mico demandado pela entrada dos Esta- as condições legais vigentes, em matéria
namá, Oliver Muñoz continuou seu pro- dos Unidos na Segunda Guerra Mundial. fiscal e trabalhista. A última vantagem
nunciamento. Nessa área, será construído um novo jogo mencionada pelo expositor foi a paz so-
“Atualmente, tanto do lado do Pacífi- de eclusas no Pacífico, o mesmo aconte- cial que reina no país e a segurança de
co, quanto do Atlântico, embarcações que cendo no Atlântico. que gozam os cidadãos panamenhos e os
desejam atravessá-lo têm que esperar, pois “A estimativa é de que o projeto esteja investidores internacionais. Com esta
esta operação demora um longo período terminado no ano de 2014. O governo imagem, Oliver Muñoz finalizou sua ex-
de tempo, provocando filas de espera. atual tem mandato até 2009, portanto o posição.
Com a ampliação, isto não vai mais ocor- projeto seguirá pelo período do próximo Em seguida, Lúcia Maldonado agrade-
rer. Em apenas seis anos de administração governo. Os primeiros tempos da obra ceu a presença de todos e encerrou as ati-
panamenha, o canal rendeu ao governo serão dedicados a concursos, licitações e vidades do painel.

32 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 33
P A I N E L III

Turismo e hotelaria: duas


importantes atividades
Panamenhos e brasileiros mostram as atrações de seus países
O painel III foi dedicado ao setor de
serviços e teve a presidi-lo o Minis-
tro de Estado, interino, do Turismo,
Márcio Favilla Lucca de Paula. O Sub-
secretário de Estado de Turismo do
Rio de Janeiro, Nilo Sérgio Felix, foi
convidado para um pronunciamen-
to especial. A Cônsul-Geral do Pana-
má no Rio de Janeiro, Glorisabel
Garrido Thompson-Flôres, exibiu
um filme sobre o turismo em seu
país. Como expositor, foi convida-
do o Gerente-Geral do Grupo
Juan Bosco Bernal, Jorge Berrio e Glorisabel Garrido Thompson-Flôres.
Marriott, Jorge Berrio. Estiveram,
também, presentes à mesa o Embai- ção, da formação do Ministério deTurismo. “Entre nossas preocupações encontra-
Nós fizemos para o território fluminense se, ainda, a capacitação de mão-de-obra
xador do Panamá no Brasil, Juan um macro programa com infra-estrutura para atendimento no setor, o que estamos
Bosco Bernal; o ex-Embaixador do profissional, infra-estrutura de apoio, siste- realizando, também, com recursos do Mi-
ma de informações, qualificação e fomento nistério do Turismo. Hoje, o território
Brasil no Panamá, Carlos Bueno; e o da atividade turística, tudo isto buscando a fluminense, em função até da proximida-
Diretor de Comércio Exterior do consolidação deste produto. Entre nossas de da cidade do Rio de Janeiro, é o que
principais iniciativas está a criação de uma mais recebe o turista internacional e do-
Ministério do Desenvolvimento, In- instituição muito importante: o Conselho méstico. Tudo isto nos deu oportunidade
dústria e Comércio Exterior, Arthur Estadual de Turismo. É por meio deste con- de criar mais de 70 roteiros em todo o
selho que discutimos e traçamos diretrizes estado, valorizando, assim, belezas e atra-
Pimentel. para nossas ações. É ele que recebe, direta- ções do interior e do litoral.”
mente do Ministério do Turismo, a verba
descentralizada, que hoje nos permite rea- Eventos
ilo Sérgio Felix começou agrade- lizar as ações de marketing em eventos Nilo Sérgio Felix informou que sua

N cendo o convite para participar do


seminário e afirmou que o Minis-
tério do Turismo tem dado especial aten-
como feiras nacionais e internacionais.”
O Subsecretário de Estado de Turismo
do Rio de Janeiro destacou, também, a cri-
secretaria organiza um calendário de even-
tos chamado “O Rio de vocês”, voltado
para o mercado nacional.
ção ao estado e à cidade do Rio de Janeiro, ação de um batalhão policial especialmen- “Nós levamos para estes eventos um
os locais mais visitados por estrangeiros te dedicado a atender aos turistas, além da total de 40 a 50 empresas e órgãos oficiais
de passagem pelo Brasil. implantação de uma sinalização turística no do Rio de Janeiro, que promovem os nos-
“A Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro, para melhor orientar quem sos produtos junto ao agente de viagem
Rio de Janeiro foi criada em 2004, em fun- vem visitar o estado e a cidade. local. Assim, temos a oportunidade de

34 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


encontrar pessoalmente com o nosso pú-
blico alvo, que é o agente de viagem. Re-
alizamos, ainda, campanhas publicitárias
chamadas “Descubra o Rio de Janeiro”,
em São Paulo e Belo Horizonte, dentro
de shoppings centers, entrando em contato
direto com o público, que pode agendar
viagens e fazer reservas.”
Na área de pesquisa, são realizados
convênios com as universidades. No pe-
ríodo 2004/2005, a Embratur apontou
algumas das cidades mais visitadas pelos
estrangeiros. A primeira é o Rio de Ja-
neiro, Búzios fica em 7o lugar e Paraty
em 19o. Uma curiosidade: Paraty é, hoje,
a quinta cidade do Brasil que mais rece-
be franceses e ingleses.
“Tudo isto mostra o trabalho que vem
sendo desenvolvido. Nós cadastramos
mais de 400 eventos no território flumi- Praia de Copacabana, com o morro do Pão de Açúcar ao fundo.
nense. Criamos um site dedicado ao setor
e um mapa com as 12 principais regiões.”
Entre as regiões citadas pelo subsecre-
Turismo no Rio de Janeiro
tário, está a Costa Verde, ao Sul do Estado Dados econômicos
do Rio de Janeiro, que se destaca no turis- PIB do Brasil em 2004
mo marítimo e náutico e conta com exce- US$ 693 bilhões
lentes resorts, além de possuir alguns tre- PIB do RJ em 2004
chos de Mata Atlântica preservada, e mais US$ 86,6 bilhões
de 300 ilhas. Outro destaque é a Região Parcela do turismo no PIB do RJ
de Itatiaia, com o turismo ecológico e de 3,9% (US$ 3,37 bilhões)
2 milhões de turistas estrangeiros
aventura, nas proximidades do Pico das
em 2005
Agulhas Negras, santuário ecológico, que Parque Nacional da Tijuca
4 milhões de turistas nacionais
oferece passeios maravilhosos, com mui- em 2005
tas trilhas e cachoeiras. A Serra Verde Im-
perial tem como atrações principais o tu- Oferta turística
rismo histórico, cultural e gastronômico, 2.791 meios de hospedagem
e o ecoturismo. Nela, fica Petrópolis, a 1.487 agências de viagem
única cidade imperial das Américas. 465 transportadoras turísticas
A Costa do Sol, ou Região dos Lagos, 164 organizadoras de eventos
oferece praias, lagoas, mergulhos, turis- 5.627 guias de turismo

O Estado do Rio de Janeiro é


o que mais recebe turistas
internacionais e domésticos
e conta com 70 roteiros em
todo o seu território.
O Conselho Estadual de
Turismo tem recebido apoio
do Ministério do Turismo para
realizar ações de marketing e
eventos ligados ao setor. Praias na Baía de Angra dos Reis Pico das Agulhas Negras

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 35


P A I N E L III

Sítio arqueológico de Panamá Viejo. Crepúsculo no Caribe panamenho.

mo sofisticado, vida noturna, gastronomia, as paisagens do Atlântico e do Pacífico, a


pousadas maravilhosas, principalmente selva, a vida noturna, a pesca submarina e,
em Búzios. Já o Vale do Café atrai visitan- também, o Canal do Panamá. Naturalmen-
tes que se interessam, sobretudo, pelo tu- te, o canal ocupa um lugar proeminente na
rismo rural, com hotéis fazendas, cenári- lista dos interesses turísticos, devido à mag-
os bucólicos e delicados. Finalmente, o nitude de sua obra, o que pode servir de
subsecretário mencionou a Costa Doce, base para compreender a enorme expecta-
com Campos dos Goitacazes que, além tiva quanto à sua modernização.”
de um acervo histórico e arquitetônico, Segundo a cônsul-geral, seu país ofe-
reúne reminiscências do ciclo do açúcar, rece paisagens tão variadas quanto a sua
fazendas históricas e a maior bacia petrolí- própria gente. “O relativo isolamento da
fera do país. capital durante a era colonial contribuiu
“Se analisarmos o setor, veremos que para o fortalecimento da cultura hispâ-
ele tem crescido muito. Segundo a Em- nica. A região também é conhecida pelo
bratur, em 2005, o Brasil recebeu 5,38 seu espírito festivo que atrai, a cada ano,
milhões de turistas estrangeiros, e o Rio milhares de pessoas durante o carnaval.
de Janeiro ficou com 37% deste total. Relativamente perto da capital, temos
Hoje, nós temos 2.791 meios de hospe- Nilo Sérgio Felix Porto Belo, o porto mais rico entre a
dagens, 1.487 agências de viagens regis- Espanha e as Américas, durante os sécu-
tradas, 465 transportadoras turísticas, 164 Nilo Sérgio Felix terminou seu pro- los XVI e XVII”.
organizadoras de eventos e 5.627 guias, nunciamento agradecendo, mais uma vez, O Panamá moderno, com mais de 70
tudo isso cadastrado. Estamos incentivan- o convite para participar do seminário. representações bancárias, é o centro de
do os empresários a se cadastrarem, e compras das Américas. O fato de ser o
estamos trabalhando no sentido de pro- Turismo panamenho caminho mais curto entre o Atlântico e o
mover a consciência desta classe em rela- Em seguida, a Cônsul-Geral do Pana- Pacífico faz do país uma rota obrigatória
ção à importância de sua atividade, e todo má no Rio de Janeiro, Glorisabel Garrido do comércio mundial.
esse investimento tem dado certo. Entre Thompson-Flôres, fez breve pronuncia- “Os numerosos centros comerciais e a
2002 e 2007, o Rio de Janeiro criou 17 mento. Zona de Livre Comércio de Colón sur-
novos hotéis com 6.345 novos quartos, “Posso dizer que no Panamá o turista gem como frutos desta importante ativi-
gerando 17,4 mil novos empregos dire- poderá encontrar o que deseja, já que é um dade que é o comércio. O Panamá está
tos e indiretos. A ampliação no interior do país cosmopolita e de agradáveis surpresas. fazendo-se popular entre os novos imi-
estado, entre 2002 e 2005, foi bastante Quem visita nosso país descobre coisas que grantes, os aposentados. O custo de vida é
significativa, com novos hotéis e pousa- desafiam a mais prodigiosa imaginação. De razoável e menos elevado do que o dos
das, somando um total de 167.” cassinos a montanhas, é possível conhecer Estados Unidos ou o da Europa. Como

36 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


O mar cavou uma fenda na rocha no Oceano Pacífico. A noite na capital panamenha.

resultado do esforço em investir e pro-


mover o turismo, esta atividade tem cres-
cido muito. Em 2005, tivemos 1,76 mi-
lhão de visitantes (um aumento de 6%)
que geraram recursos expressivos para o
país, o que faz do turismo uma atividade
muito importante para a nossa economia.”
Segundo Glorisabel Garrido Thompson-
Flôres, o Panamá oferece, ainda, um ambi-
ente favorável ao investimento estrangeiro,
com segurança física, legal e financeira.
“Finalmente, não posso concluir sem
afirmar, mais uma vez, que o Panamá tem
como atrações não só a natureza, mas a nossa
gente. Nosso país tem beleza, atrativos na-
turais, uma diversidade física e biológica que
cativa turistas do mundo inteiro.”
Em seguida foi exibido um filme apre- Jorge Berrio Cachoeira na região de Chiriqui.
sentando as belezas turísticas do Panamá.
“Princesinha do Mar”. No coração da Praia
Grupo Marriott de Copacabana, a 24 km do Aeroporto O Panamá impressiona pela
Jorge Berrio, Gerente-Geral do Gru- Internacional do Galeão, e a apenas 10 mi- diversidade de paisagens
po Marriott, iniciou seu pronunciamen- nutos do Santos Dumont, encontra-se o entre o mar, a selva e a
to definindo-se como um panamenho J.W.Marriott, um oásis de luxo.” montanha. Há, no país, várias
aventureiro, que viaja pelo mundo há 15 Em seguida, Jorge Berrio descreveu todos
anos, e que ama com paixão a sua terra. os luxuosos serviços que o hotel oferece.
áreas protegidas e sítios
Aproveitou para agradecer o “calor” do “Nossa especialidade é a cozinha me- classificados pela UNESCO
Rio de Janeiro, que o acolheu nos últi- diterrânea, com três refeições: café da ma- como patrimônios mundiais
mos cinco anos. nhã, almoço e jantar.Temos, ainda, um res- da humanidade
“Eu represento, aqui, no Rio de Janei- taurante especializado em comidas japo-
ro, a cadeia mais antiga da rede hoteleira, a nesas, com toques tropicais, e festivais de tunidade de participar do seminário.
Marriott Hotels, com 80 anos de história. sushi em cada almoço. Após seu pronunciamento, Márcio
No Brasil, ela está representada por seis O representante do Grupo Marriott Favilla Lucca de Paula encerrou os tra-
hotéis, sendo que um deles veio coroar a finalizou sua fala agradecendo a opor- balhos do painel.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 37


ENCERRAMENTO

Turismo e integração bilateral


Ministro interino do Turismo afirma que este setor foi o quinto item
de exportação brasileiro no ano de 2005
João Augusto de Souza Lima, presi-
dente da FCCE, convidou, para pre-
sidir a mesa da sessão solene de en-
cerramento, o Embaixador Plenipo-
tenciário do Panamá, Juan Bosco
Bernal. Para o pronunciamento es-
pecial, foi convidado o Ministro de
Estado, interino, doTurismo, Márcio
Favilla Lucca de Paula. Compuseram,
ainda, a mesa, o Embaixador Carlos
Bueno; a Cônsul-Geral do Panamá no
Rio de Janeiro, Glorisabel Garrido
Thompson-Flôres; o Embaixador
Frank Thompson-Flôres; a Cônsul-
Geral da Finlândia, Diana de Macedo
Soares; o Cônsul-Geral da Espanha no
Rio de Janeiro, Rafael Fernández
Pita; o Cônsul-Geral daVenezuela no
Rio de Janeiro, Mario Guglielmelli;
Márcio Favilla Lucca de Paula ao lado de Rafael Fernández Pita.
o Diretor-Adjunto da Área Interna-
“Segundo a Organização das Nações tros países da América Latina e da Espanha,
cional da Construtora Norberto Unidas – ONU, o turismo responde por um dos principais países no turismo mun-
Odebrecht, Gustavo Assad; o Dire- 10% do PIB mundial. No Brasil, nossa dial.”
participação no PIB está em 4,5%. Trata- Em seguida, o ministro passou a des-
tor do Escritório de Advocacia
se de uma atividade econômica que gera crever a estrutura do Ministério do Turis-
Quijano & Associados, o licenciado empregos, renda e divisas. Quando fala- mo. Ele revelou, ainda, que uma das metas
Oliver Muñoz, e o Gerente Geral do mos neste tema, temos que pensar sem- do Plano Nacional de Turismo é trazer ao
pre na vertente do lazer e na vertente de país 9 milhões de visitantes estrangeiros por
Grupo Marriott, Jorge Berrio. negócios. Por isso, é com grande satisfa- ano, para que eles possam gerar US$ 8 bi-
ção que o Ministério de Turismo vê a am- lhões em receita cambial.
pliação dos vôos da Copa Airlines para o “Nós temos avançado nessa direção. O
árcio Favilla Lucca de Paula, Mi- Brasil. Eu quero, também, aproveitar para importante, no entanto, é dizer que nossa

M nistro de Estado, interino, do Tu-


rismo, situou as perspectivas do
setor brasileiro no cenário internacional.
dizer que os nossos vizinhos são os nossos
principais fornecedores de turistas, e é
com alegria que vejo, aqui, amigos de ou-
participação de 1,25% no turismo inter-
nacional ainda é pequena. Nós temos um
espaço muito grande para crescer. Para

38 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


alcançar nossos objetivos, temos, nos úl- crescimento nesse orçamento
timos três anos, aumentado enormemen- de 20% ao ano, por volta
te o nosso orçamento de promoção in- de 2010 poderemos ter
ternacional.” 10 milhões de turistas
Segundo cálculos da OMT, para atrair estrangeiros no nosso
um turista que gaste US$ 100, cada país território, contra 5,8 mi-
precisa investir US$ 2 em promoção. lhões do ano passado. Isso
“Em 2005, desenvolvemos o Plano significaria, praticamente,
Aquarela para incentivo ao turismo exter- dobrar o número de visi-
no, no qual identificamos 18 mercados tantes. Existe, ainda, um
prioritários e calculamos quanto investirí- cenário mais otimista: de
amos em cada um. Neste contexto, foi cri- alcançarmos 15 milhões já no
ada a Marca Brasil, de promoção do turis- ano de 2010.”
mo brasileiro. Ela acabou sendo utilizada
por vários empresários para a exportação
de seus produtos, o que gerou um resulta-
do muito positivo para nós.”
Márcio Favilla Lucca de Paula infor-
mou, também, que o país mostrou, nos
últimos anos, um desempenho muito ex-
pressivo no que diz respeito ao desembar-
que de passageiros de vôos internacionais.
“A tendência de crescimento foi reto-
mada em 2003, 2004 e 2005 e, até junho
de 2006, considerando os últimos 12
meses, tivemos 7,5 milhões de desem-
barques de vôos internacionais. Neste pri-
meiro semestre, no entanto, comparado
com o primeiro semestre do ano passado,
o crescimento foi muito pequeno: pouco
mais de 1%. Para este resultado, contri-
buiu o impacto da questão da Varig, que
retirou do mercado cerca de 400 mil as-
sentos em vôos internacionais.”
No que se refere à entrada de turistas
no Brasil, seja para lazer, seja para negóci-
os, houve um aumento recorde em 2000, Despesa e receita
com 5,33 milhões de turistas. Dentro O ministro explicou, ainda, que se re-
desse grupo, os principais foram os ar- gistrou um valor muito grande com despe-
gentinos, com 1,9 milhão de turistas, mas sas de brasileiros no exterior.
com a crise naquele país, houve acentua- “As despesas vinham caindo acentua-
da queda neste movimento, entretanto, em damente até o final da década de 90. De-
2003, 2004 e 2005 ele voltou a crescer. pois desse período, voltaram a crescer A Marca Brasil foi criada
No ano passado, mais de 900 mil argenti- novamente, aliás, não só as despesas (por- para promover produtos
nos visitaram o Brasil. que temos aí a combinação da valorização
“Estamos discutindo, no âmbito do do real com um crescimento da renda),
brasileiros no exterior. Ela tem
Conselho Nacional do Turismo, com a mas também as receitas aumentaram de sido adotada pelos mais
participação da Fundação Getúlio Vargas forma significativa. O fluxo do turismo in- diferentes exportadores de
– FGV, e da Universidade Nacional de ternacional cresceu bastante do ponto de
bens e serviços brasileiros.
Brasília – UNB, algumas possibilidades vista cambial. De 2004 para 2005, houve
para os próximos anos. Concluímos que, um crescimento de aproximadamente 20% Sua difusão e uso constante
se continuarmos a investir mais na pro- e, neste ano, no primeiro semestre, ainda geraram resultados positivos.
moção internacional, e se tivermos um tivemos um crescimento de 17,3% nas re-

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 39


ENCERRAMENTO

ceitas em comparação com o primeiro se- curso superior e pós-graduação. Dois ter- do Ministério do Trabalho e também da
mestre do ano passado. Quero, também, ços estão entre 25 e 50 anos e têm uma UNB, para cada emprego formal no turis-
chamar a atenção de todos para o fato de renda média de quase US$ 3 mil. mo, são gerados dois empregos informais.
que, só no primeiro semestre de 2006, a “No conjunto, a média ponderada da “Os 263 mil novos empregos com car-
entrada de dólares foi superior a qualquer renda do turista que visita o Brasil, por qual- teira assinada criados em três anos, na ver-
outro ano anterior a 2003.” quer motivo, é de US$ 3,2 mil. Durante dade geraram 798 mil postos de trabalho.
todo o ano de 2005, o turismo foi o quinto Essa é uma característica importante do
Esforço coletivo item da nossa pauta de exportações.” turismo e vale muito a pena investir nessa
Para o ministro o esforço conjunto da atividade.”
Receita Federal, dos estados, dos municí-
pios e da iniciativa privada está trazendo
resultados muito expressivos, e acredita
que novos patamares poderão ser atingi-
“A Argentina é o país
que mais manda turistas
ao Brasil. Depois vêm
Agradecimentos
Após o pronunciamento do Ministro
de Estado, interino, do Turismo, o presi-
dos. Segundo ele, dentro de alguns anos, Estados Unidos, Portugal, dente da sessão de encerramento, Embai-


estes números já serão considerados pe- xador Juan Bosco Bernal, passou aos agra-
quenos. Uruguai e Alemanha decimentos finais. Ele mencionou a pre-
“Quero destacar que em 2004 tivemos M Á R C I O F AV I L L A L U C C A DE P AU L A I sença significativa de público no seminá-
um número de europeus superior ao de rio e os esforços de todos os seus partici-
sul-americanos, e isso se repetiu em 2005. “Em primeiro lugar, esteve o minério pantes no sentido de produzir um traba-
O primeiro país emissor de turistas para o de ferro, item do qual o Brasil é o primei- lho que privilegiasse o estreitamento de
Brasil é a Argentina, seguida pelos Estados ro produtor e o primeiro exportador do laços entre brasileiros e panamenhos..
Unidos. Depois vêm Portugal e Uruguai. mundo. O segundo lugar ficou com a soja, “Em primeiro lugar, não pairam dúvidas
Em quinto lugar fica a Alemanha. O gasto da qual nosso país é o primeiro produtor sobre a capacidade produtiva de serviços do
médio de viagem dos turistas tem crescido mundial e o segundo exportador. O pe- Rio de Janeiro e do Brasil. Pudemos, tam-
substancialmente. No ano 2000 foi de US$ tróleo bruto está em terceiro lugar. Em bém, promover um maior conhecimento
341 e, no ano passado, foi de US$ 721. Isto quarto ficam os carros, e, finalmente, em sobre o Panamá, que ocupa uma posição
significa que, em cinco anos, conseguimos quinto lugar, o turismo. O Brasil é o 28o geográfica estratégica e pode servir aos inte-
dobrar o gasto médio nas viagens para o do mundo em termos de receita cambial resses da projeção comercial do Brasil. Vi-
Brasil. Neste mesmo estudo de cenários com o turismo.” mos o Panamá como um centro logístico
que o Conselho Nacional de Turismo reali- “O importante é continuarmos nesta para recrutamento e redistribuição de bens
zou, ficou claro que poderíamos vir a rece- trajetória de crescimento para que o tu- e serviços de empresas do Brasil. Meu país é
ber de 9 a 17 milhões de visitantes por ano rismo possa ser um dos dois principais atraente para os investimentos de brasileiros
em 2010, que vão deixar aqui, no mínimo, itens da nossa balança de pagamentos. em diversos aspectos, e encontramos possi-
US$ 10 bilhões.” Creio que este é um indicativo muito im- bilidades para realizar grandes parcerias com
portante do potencial que temos.” empresas nacionais. Existe uma coincidên-
Pesquisa Em seguida, Márcio Favilla Lucca de cia de posições, pois o Panamá é um bom
Um estudo feito pela Universidade de Paula passou a discorrer sobre vários moti- cenário para investimentos, por causa de sua
São Paulo – USP sobre o perfil do turista vos de viagens. Segundo ele, é preciso dar grande estabilidade política, pela segurança
estrangeiro entrevistou mais de 32 mil mais atenção ao chamado turismo de saú- do cidadão e pela segurança jurídica e dos
pessoas nos portões de saída do Brasil e de, que leva muitas pessoas de um país a recursos alocados nele. Neste sentido, con-
dividiu as viagens em várias categorias: outro para realizar tratamentos e operações. seguimos, nesta tarde dedicada à integração
lazer, negócios, eventos e congressos e “Muitas nações já se organizaram bem de nossos países, uma fórmula fundamental
outros motivos. O lazer responde por nesta área, e creio que temos uma grande para o progresso.A integração é a única saída
44,4% dos objetivos de viagem. Dois ter- potencialidade para explorar a medicina e para o sucesso frente aos desafios da
ços destes turistas têm graduação e pós- a odontologia. Uma outra área é a educaci- globalização econômica. Para seu melhor
graduação e idade entre 25 e 50 anos. onal. Recebemos, no ano passado, 70 mil funcionamento, é preciso criar novos me-
Entre os que vieram para negócios, con- estudantes de todos os níveis. Nesse senti- canismos de negócios e um clima de confi-
gressos e eventos, 86% têm curso superi- do, o Rio de Janeiro tem uma posição de ança que favoreçam nossa aproximação,
or e pós-graduação. Quase 80% têm idade destaque pelo número e qualidade de suas como fizemos hoje.”
entre 25 e 50 anos e uma renda individual entidades educacionais, seja do setor públi- O embaixador terminou sua interven-
média de US$ 4,5 mil por mês. Entre os co, seja do setor privado.” ção, desejando que todos os presentes
que vieram por outros motivos, sobretu- Como conclusão, Márcio Favilla Lucca possam amar o Panamá como os paname-
do para visitar amigos e parentes, 55% têm de Paula informou que, com base em dados nhos o amam.

40 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 41
TURISMO

Panamá, portal do Caribe


Visitantes se deslumbram com um dos países mais lindos das Américas

Área turística de Bocas Del Toro,


na divisa com a Costa Rica, no
Norte do Panamá

42 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Segundo o Financial Times, o Panamá é De qualquer modo, ninguém escolhe sita às ruínas da Cidade de Panamá Viejo,
o país em que os americanos estão prefe- o seu local de retiro levando em conta nas proximidades do Aeroporto de Paitilla.
rindo gozar suas aposentadorias. A razão somente condições econômico-sociais, Bem perto fica a atual capital, que também
dessa preferência costuma ser creditada à tabelas de câmbio ou índices de cresci- se chama Cidade do Panamá e está situada
proximidade geográfica, às históricas liga- mento da construção civil. O Panamá tem na costa do Oceano Pacífico. Panamá Viejo
ções com os Estados Unidos (a abertura sido um destino atraente para aposenta- foi saqueada e destruída pelo corsário
do canal foi, também, obra dos america- doria ou turismo porque oferece sol per- Henry Morgan, em 1671. Na capital, é pre-
nos, que o administraram até 1999) e ao manente, praias, paraísos ecológicos e be- ciso visitar o chamado Casco Viejo, a parte
fato de que fica fácil comprar, vender e lezas naturais. Oferece, também, além de mais antiga da cidade, onde estão a catedral,
administrar as finanças, pois o dólar cir- jogo liberado, compras sem impostos, ar- o palácio do governo, a Praça Bolívar e o
cula nos dois países. Pode ser, também, quitetura colonial espanhola e arranha- antigo presídio de Bovedas, hoje transfor-
apontado o boom imobiliário panamenho, céus pós-modernos. mado numa sucessão de galerias de arte. É
que facilita o aluguel ou a aquisição de aí que se pode apreciar construções colo-
imóveis para morar ou veranear. A segu- Encantos locais niais espanholas pintadas em cores pastéis
rança do país, que desde 1989 nem dis- O Panamá é um istmo situado no pon- e com sacadas que exibem elaboradas gra-
põe de Forças Armadas, também é um to mais estreito das Américas, mais ou des de ferro batido.
atrativo. menos eqüidistante dos pólos, quase no O jogo é liberado e é possível divertir-
meio do continente. Tem 77.082 km² e se com pouco dinheiro, pois há máquinas
mais de 3 milhões de habitantes. Os espa- caça-níqueis que aceitam apostas a partir
nhóis chegaram à região em 1501 e, até de US$ 0,05. Os cassinos apresentam
1903, o país esteve unido à Colômbia, de música ao vivo e oferecem refrigerantes e
quem se libertou com a ajuda dos ameri- cerveja grátis para os jogadores.
canos, interessados em construir o canal. Comprar é outro divertimento praze-
O país recebe muito bem os visitantes e roso. Aceitam-se todos os cartões de crédi-
a viagem pode começar por uma breve vi- to, cultivam-se pechinchas e os turistas não
pagam impostos pelas suas compras. O prin-
cipal centro de consumo é o Paseo Central,

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 43


TURISMO

um calçadão onde se encontram aparelhos a capital, tem praias que sofrem com os
eletrônicos, roupas, sapatos e acessórios sim- Índios embera mostram suas efeitos das marés e não são muito boas para
ples e de griffes, tecidos, cosméticos e lojas danças aos visitantes no o banho de mar, embora suas águas revol-
das multinacionais de fast food. Parque Nacional de Darien. tas façam a alegria dos surfistas.
Uma visita aos paraísos naturais da costa
Visitando o canal As praias de Bastimentos
caribenha, de águas azuis, areias brancas e
Um bom programa é conhecer o canal, (centro) estão entre as mais bancos de corais, começa por El Darién,
uma expressiva obra de engenharia. Para procuradas do Caribe. O província ao Sul do país, próxima à frontei-
construí-lo, entre 1908 e 1914, Panamá e Arquipélago de San Blas (à ra com a Colômbia. Fica ali o arquipélago
Estados Unidos assinaram o Tratado de Hay- direita) tem 365 ilhas e de San Blás, com 365 ilhas, onde vivem os
Bunau-Varilla, que deu aos americanos o índios Cunas. No arquipélago e na costa é
controle perpétuo do canal. Em 1974, eles lindos cenários naturais. possível alugar, a bons preços, cabanas rús-
renunciaram a essa soberania perpétua e, em ticas, sem telefones e sem eletricidade, ide-
1977, prometeram devolvê-lo aos paname- travessia custa, em média, cerca de US$ ais para quem quer desligar-se do mundo.
nhos, o que ocorreu em 31 de dezembro de 42 mil por embarcação. Há navios de tu- Elas convivem com a presença, mais ao
1999. Até então, a área do canal e suas mar- rismo que demoram um dia inteiro para Norte, nas regiões de Colón e Bocas Del
gens eram território americano e a presença atravessá-lo, ao preço de US$ 100. Um Toro, de resorts e hotéis de categoria inter-
deles conferiu ao Panamá peculiaridades cul- passeio de meio dia custa a metade e, para nacional. Porto Bello, Isla Grande (a pou-
turais como, por exemplo, o emprego cor- quem quiser dar uma olhada, é só pegar, co mais de 50 km da capital), Miramar e
rente da língua inglesa nas maiores cidades. ao preço de US$ 1, um ônibus, com ar- Bastimentos são os pontos mais procura-
O país, aliás, é hoje considerado o mais in- refrigerado, que passe por Miraflores – a dos nas praias do Caribe, de águas mornas e
ternacionalizado da América Latina. última eclusa antes do Pacífico – e assistir transparentes, paraíso dos mergulhadores,
O Canal do Panamá mede 80 km de ao espetáculo de um mirante. Atualmen- cruzeiros e esportes aquáticos.
comprimento e transporta navios de um te, o povo panamenho prepara-se para, em O Panamá pôs à disposição dos visitan-
oceano ao outro. Entre o Pacífico e o Atlân- referendo, aprovar, ou não, a ampliação tes a infra-estrutura que herdou dos 85
tico há uma diferença de altura de 26 do canal. A votação ocorrerá em outubro anos de presença americana no país e trans-
metros e para superá-la os navios são ele- de 2006 e os prognósticos são de que a formou vilas militares em hotéis. É o caso
vados ou baixados em três grandes eclu- ampliação será aprovada. da antiga Escola das Américas, que, hoje,
sas. Verdadeiros “elevadores”, que movi- abriga o Meliá de Colón. O mesmo acon-
mentam cerca de 52 milhões de galões de O Caribe paradisíaco tece no Hotel Gamboa Rain Forest, situa-
água doce, pois parte do canal foi traçada É na costa atlântica, voltada para o Mar do no Parque Nacional de Soberania, com
através das águas de um lago. do Caribe, que estão situados os mais belos 5.500 hectares: em meio à floresta tropi-
Um navio costuma demorar entre oito sítios naturais e a melhor infra-estrutura cal. Ali, os turistas podem assistir a demons-
e dez horas para cruzar todo o canal e a turística. A Costa do Pacífico, onde situa-se trações de rituais de tribos indígenas.

44 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


TURISMO

“Em 2010, o turismo deverá ser


um dos principais itens de
exportação do Brasil”
Ministro interino do Turismo aponta potencial do setor e diz que
ao viajar a pessoa quer levar de volta para casa uma experiência
única e inesquecível

Para o Ministro interino do Turis- Produto Interno Bruto – PIB da economia


mundial estão vinculados a esse setor. Um
mo, Márcio Favilla Lucca de Paula, em cada nove empregos gerados no mun-
as viagens vão alavancar cada vez mais do também está relacionado a ele. Temos
tido, nos últimos anos, um grande cresci-
a economia do Brasil. Nesta entre- mento da geração de renda nesta área.
vista, fala de gastronomia, economia
e do desejo de ser feliz conhecendo
Em apenas três anos, ou seja, de 2002 a
2005, houve um acréscimo de 93%, em
dólares, gerados pelo turismo no Brasil. No
“ Em 2005, o turismo foi
o quinto item da nossa pauta
de exportação e
outras terras e outras gentes. primeiro semestre deste ano, em compa-

De que forma o turismo se destaca


ração com o do ano passado, tivemos um
crescimento de 17% desta atividade.A nossa
expectativa é de que, com o esforço conti-
gerou US$ 3,9 bilhões
M Á R C I O F AV I L L A L U C C A DE ”P AU L A N

dentro da política de comércio ex- nuado na promoção internacional, realiza-


terior do Brasil? do pelo Governo Federal em articulação e O Ministério do Turismo tem uma
MFLP – No ano passado, a atividade turís- parceria com estados, municípios e o setor política específica para a América
tica tornou-se o quinto item da nossa pauta privado brasileiro, a geração de divisas con- Central e para o Panamá?
de exportações, ao registrar, segundo o tinue crescendo de forma bastante rápida. MFLP – Temos trabalhado com os prin-
Banco Central, um volume de divisas de Em torno de 2010, poderemos atingir US$ cipais mercados emissores de turistas
US$ 3,9 bilhões. Trata-se de uma grande 10 bilhões de divisas geradas pelo turismo, para o Brasil. Não temos uma política
força econômica global. A Organização tornando esta atividade um dos principais específica para os países centro-ameri-
Mundial de Turismo informa que 10% do itens da nossa pauta de exportações. canos e para o Panamá. O Panamá, no

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 45


TURISMO


entanto, – pela sua posição geográfica, também têm?
O setor gera empregos tanto
por ser a sede da Copa Airlines, e pelo MFLP – Nossa natureza está disponível
fato de o aeroporto da cidade do Pana- para pessoas pouco qualificadas não somente para os panamenhos, mas
má ser o hub das Américas — ganha bas- quanto para profissionais para todos os visitantes estrangeiros. Além
tante importância. Para os viajantes que
atravessam a América Central, e, tam-
bém, para os americanos, passar pelo
Panamá é uma alternativa muito viável e
altamente especializados
M Á R C I O F AV I L L A L U C C A DE ”
P AU L A N
disso, o Panamá coloca-se como um país
com experiência em logística, pois ele tem
um porto na Zona de Colón que é muito
importante como local de recebimento
interessante. turistas estrangeiros para o Brasil e de ge- ou reexportação e distribuição de produ-
A Copa Airlines mantém vôos do Pa- ração de divisas para o país. tos. O vôo Panamá-Manaus é, pois, signi-
namá para São Paulo e Manaus e, dentro ficativo para nós, não somente por causa
de algum tempo, oferecerá vôs para o Rio O que podemos oferecer aos pana- do turismo, mas também porque liga a
de Janeiro. O Panamá tem ganhado im- menhos, na medida em que o Brasil Amazônia a esse centro de distribuição, e
portância na nossa estratégia de atração de tem uma natureza tropical que eles passa a ser uma alternativa interessante para

“O intercâmbio comercial
desperta a curiosidade pelo
conhecimento do país”
Brasil, não só vindos do exterior, mas
também das diferentes regiões brasilei-
ras. Nosso interesse principal é divulgar
e promover o território fluminense para
que receba ainda mais visitantes. Esse é o
objetivo principal da Secretaria de Turis-
mo.”
O subsecretário se disse satisfeito com
o aumento da importância do intercâm-
bio Brasil-Panamá. Segundo ele, atestam
este fato o número de vôos Brasil-Pana- Paraty: a preferida de franceses e ingleses.
má e a venda de novos modelos de aero-
naves da Embraer para os panamenhos. Segundo Nilo Sérgio Felix, o Brasil rece-
“Todo esse trabalho de intercâmbio, beu, em 2005, 5,3 milhões de turistas estran-
que pode ser observado com a realização geiros e o Rio de Janeiro foi a cidade mais
deste seminário pela FCCE, e na aproxi- visitada, recebendo 37% dessa demanda.
mação do Brasil com o Panamá, por meio “Outro ponto interessante é que duas
da nova rota de aviação trazida pela Copa cidades do Estado do Rio estão entre as
Nilo Sérgio Felix Airlines, tende a incrementar a atividade dez mais visitadas pelo mercado turístico
turística. Num futuro próximo, prevemos internacional: Rio de Janeiro, em primei-
Subsecretário de Turismo do Es- o aumento do número de turistas de toda ro, e Búzios, em sétimo lugar. Podemos

O tado do Rio de Janeiro, Nilo Sér-


gio Felix, trouxe ao Seminário
Bilateral de Comércio Exterior e Investi-
a América Latina em direção ao Rio de
Janeiro. Nós, da Secretaria de Turismo, tra-
balhamos para receber bem estes visitan-
destacar, ainda, a cidade histórica de Paraty,
a décima oitava cidade brasileira que mais
recebe turistas estrangeiros, e a quinta ci-
mentos Brasil-Panamá números e dados tes. A nossa missão é trazer turistas para dade que mais recebe ingleses e france-
sobre o setor no Brasil e no Rio de Janei- cá. Temos que divulgar e promover o nos- ses. Localiza-se a uma hora e meia da capi-
ro e falou da importância desta atividade so destino frente ao mercado, e o inter- tal, temos regiões maravilhosas como a
para os negócios internacionais. câmbio comercial é muito importante, Costa Verde, a Costa do Sol, a Região Ser-
“O estado e a cidade do Rio de Janei- pois ele desperta a curiosidade pelo co- rana, a Região do Vale do Paraíba e a do
ro são os que mais recebem turistas no nhecimento do país.” Ciclo do Café. O estado se completa.”

46 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


as exportações advindas do Pólo Indus- MFLP – Como toda intervenção huma- partes do país e em todos os níveis de
trial de Manaus. na, o turismo está sujeito a problemas. remuneração
Afirmar que ele é uma indústria não
O turismo, chamado por alguns se-
tores de indústria verde, porque
gera empregos sem criar poluição,
poluente, sem chaminés, não é muito ade-
quado, porque se o destino turístico não
for bem administrado, pode provocar um
“ Se o destino turístico
não for bem administrado,
pode provocar um impacto
é visto, como uma atividade que impacto ambiental tão danoso como o de
pode impactar a cultura regional.
O que em sua origem prometem
uma elevada oferta de emprego
uma indústria mal resolvida ambien-
talmente.
Existem, vários exemplos bem re-
ambiental muito grande
M Á R C I O F AV I L L A L U C C A DE ”
P AU L A N

local e depois não conseguem solvidos. Trata-se dos locais em que o


realizá-la. Como o senhor vê essa turismo gera benefícios para a popula- Agora vamos tratar de outro aspec-
possibilidade de o turismo não ser ção local. Há até um número maior de to. A pessoa que viaja busca uma cor
tão positivo como se diz? casos desses do que o contrário. Um local. Quanto mais globalizada se
exemplo é a região de Bonito, em Mato torna a atividade, mais esta cor lo-
Grosso do Sul, onde há uma situação cal pode se perder. É o caso do via-
excepcional, mas é delicada do ponto jante que vai para o interior de Mi-
de vista ambiental. Foi feita, então, uma nas, querendo comer frango com
definição da carga, quer dizer, do nú- quiabo, e, lá, lhe oferecem camarões
mero de pessoas que podem visitar os da Malásia. Como o senhor vê esta
balneários e em que condições fazê-lo. situação?
Desta forma, o turismo e a preservação MFLP – Eu vejo da seguinte forma: os
ecológica de Bonito tendem a perdurar empresários desta área já perceberam
por muito tempo. que o turista quer ver a cultura local.
Para ter, pois, sustentabilidade, o turis-
A distribuição da renda gerada mo tem de valorizar a diversidade cul-
em Bonito é bem equacionada: o tural. Mesmo quem viaja para um des-
dono do atrativo (que investiu canso de sol e praia, quer, cada vez mais,
para montá-lo) fica com uma par- conhecer a cultura local, os monumen-
te significativa, a prefeitura fica tos, as festas típicas. O visitante quer ter
com outra, os guias turísticos lo- a certeza de que, estando em Minas
cais com outra. Ou seja, o turismo Gerais, vai encontrar o frango com qui-
é bem realizado também como abo e o pão de queijo; ao chegar ao Pará
Búzios é a sétima cidade mais procurada. negócio. ou à Bahia, vai querer provar a gastro-
MFLP – Isso mesmo. O setor gera em- nomia do Norte e do Nordeste. Quem
Os números citados são expressivos, pregos em todos os níveis de remunera- trabalha com turismo tem isso cada vez
mas Nilo Sérgio Felix ainda não se declara ção. Ele beneficia desde pessoas com bai- mais claro e acha importante oferecer o
satisfeito, pois acha que o Rio de Janeiro xo nível de qualificação até profissionais colorido local, o gosto típico e a expe-
pode receber muito mais. “Estamos tra- altamente qualificados. Ou seja, desde car- riência regional. Ao viajar, a pessoa quer
balhando neste sentido, participando de regadores de mala ou camareiras dos ho- ser feliz e, ao ir embora, quer levar para
feiras e eventos. A secretaria promove um téis, até o gerente-geral de uma cadeia ho- casa uma experiência única e ter histó-
workshop internacional chamado ‘O Rio é teleira ou de uma empresa aérea. rias para contar. Aquilo que vai contar
de vocês’, cujo público alvo é o agente de De acordo com dados do Ministério para seus amigos e familiares ao voltar
viagem das localidades estrangeiras. Co- do Trabalho, de 2003 a 2005, esta ativi- é que vai dar o colorido daquela via-
locamos nosso produto na prateleira do dade gerou cerca de 798 mil empregos gem e torná-la inesquecível. O nosso
agente de viagem para que ele possa di- formais e informais. Esse é um total bas- objetivo é que todo turista, ao deixar o
vulgar, vender e trazer o turista estrangei- tante expressivo. Esse ano, temos a meta Brasil, ou todo brasileiro que visitar
ro. Com isso, estreitamos as relações co- de geração de 300 mil empregos e ocu- uma outra parte do seu país, ao voltar
merciais, melhoramos a receita, diminuí- pações (quer dizer, postos de trabalho goste tanto daquela viagem que colo-
mos as divergências socias, estimulamos a formais e informais) e poderemos che- que uma fotografia emoldurada na sala
renda e o trabalho. A indústria dos negó- gar a índices bastante satisfatórios. O se- de sua casa. O dia em que fizer isto, ele
cios e dos serviços está cada vez mais pre- tor tem um potencial de empregos e estará achando que a experiência foi
sente em toda a economia do país”. ocupações muito elevado em todas as magnífica, única.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 47


TURISMO

Hotelaria

Negócio de luxo e qualidade


Grupo americano busca novas oportunidades de negócios no Brasil
SpringHill Suites e Bvlgari. Além disso, de-
senvolve e opera resorts de férias das bandeiras
Marriott Vacation Club, Horizons, The Ritz-
Carlton Club e Marriott Grand Residence
Club. Opera, ainda, a Marriott Executive
Apartments e oferece moradia corporativa
mobiliada por meio de sua divisão ExecuStay
by Marriott, além de operar centros de con-
ferências em vários países. A companhia está
sediada em Washington D.C. e tem aproxi-
madamente 133 mil funcionários.

No Brasil
A Marriott International iniciou suas ope-
rações no Brasil com a inauguração do
Renaissance São Paulo Hotel, com 445 apar-
tamentos, em 5 de março de 1997. Atual-
mente, a cadeia se faz presente, no país, com
seis hotéis, que oferecem um total de 1.613
apartamentos em quatro bandeiras distintas:
JW Marriott; Marriott Hotels; Renais-
sance; e Marriott Executive Apartments.
Na categoria luxo: JW Marriott Hotel
Rio de Janeiro; Marriott Hotels, Resorts
& Suítes; e Renaissance Hotels, Resorts
& Suítes. Na categoria qualidade: Renais-
No coração da Praia de Copacabana, destaca-se o prédio do JW Marriott Hotel Rio de Janeiro. sance São Paulo Hotel; Marriott Airport
Hotel São Paulo; Costa do Sauípe
omo ele próprio costuma dizer belecimento que já se incorporou harmo- Marriott Resort & Spa; e Renaissance

C com um sorriso, Jorge Berrio é


um panamenho aventureiro. Em
suas andanças profissionais, já atuou
como gerente geral no Renaissance Jaraguá
Hotel & Casino, na República Dominicana,
niosamente à beleza da praia de Copa-
cabana. Em entrevista a revista da FCCE,
contou um pouco da experiência do gru-
po hoteleiro no Brasil.
Costa do Sauípe Resort. Na categoria es-
tada prolongada: Marriott Executive
Apartments São Paulo.
Segundo Jorge Berrio, o Brasile a Amé-
rica Latina, constitnuem-se em um mer-
e no Guatemala City Marriott, na Guatemala. Tradição cado muito importante para o grupo
Trabalhou também como gerente de even- A cadeia Marriott nasceu em Washing- Marriott.
tos, diretor de banquetes e eventos, diretor ton, em 1927, quando Willard e Allice S. “A rede acreditou na potencialidade do
de restaurantes, diretor de marketing e di- Marriott abriram o primeiro hotel do grupo país e tem a visão de um crescimento con-
retor de alimentos & bebidas do Hotel – hoje, uma das maiores redes hoteleiras tínuo por aqui, como já vem acontecendo.
Marriott, no Panamá. Além disso, foi diretor mundiais. Atualmente, a empresa adminis- Nosso primeiro hotel brasileiro foi inau-
de alimentos & bebidas e, posteriormente, tra cerca de três mil hotéis, em 67 países. gurado em 1997 e, hoje, já temos seis pro-
gerente residente do Marriott Casa Magna A Marriott International opera e franqueia priedades no país, com bandeiras distintas.”
Cancun Hotel, no México. hotéis sob as bandeiras Marriott, JW Marriott, Jorge Berrio explica, ainda, que, em ma-
Atualmente, é gerente geral do JW The Ritz-Carlton, Renaissance, Residence Inn, téria de qualidade do serviço oferecido aos
Marriott Hotel Rio de Janeiro, um esta- Courtyard, Towne Place Suites, Fairfield Inn, visitantes, os hotéis da rede não costumam

48 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


O panamenho gosta muito de viver em gócios no Brasil. O objetivo estratégico
vários países e, por isto, afirma não ver dife- da companhia é estar representada nas
renças entre atuar no Brasil e no Panamá. principais cidades da região, centros co-
“O negócio é o mesmo e a forma de merciais e destinos de resorts.”
gerenciar um hotel no Brasil ou no Pana-
má é muito semelhante. Isso se deve, prin-
cipalmente, às características humanas des- O JW Marriott Hotel do Rio de
ses dois países, bem como de toda a Amé- Janeiro tem interiores
rica Latina. Temos todos a mesma raiz. A confortáveis e bem decorados
equipe de desenvolvimento da Marriott, e uma piscina que encanta os
baseada em Washington D.C., busca cons-
tantemente novas oportunidades de ne-
visitantes.

“ A Rede acreditou
na potencialidade do país
e tem a visão de um crescimento
contínuo por aqui,
como já vem acontecendo
JORGE BERRION ”
fazer distinção entre público interno ou
externo, mas, de modo geral, no Brasil os
hóspedes estrangeiros têm sido uma pre-
sença mais expressiva.
“Entre nossos hóspedes, cerca de 70%
têm procedência estrangeira, vindo, sobre-
tudo, dos Estados Unidos (60%) e Europa
(25%). Vale acrescentar, ainda, que o JW
Marriott Rio de Janeiro é um estabeleci-
mento com perfil corporativo, pois 60%
dos hóspedes são da área de negócios, 25%
são grupos e 15% são hóspedes de lazer.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 49


INTERCÂMBIO

“Desejamos estabelecer muitas


parcerias com os brasileiros”
Gloria de la Espriella, Diretora Ge-
ral de Promoção de Investimentos
do Ministério de Comércio e Indús-
trias do Panamá, mostrou-se empe-
nhada, em sua primeira visita ao Bra-
sil, em obter investimentos brasilei-
ros na área energética do seu país.
Em troca, quer fazer da Zona de Li-
vre Comércio de Colón, um centro
mundial de distribuição de produ-
tos brasileiros.

Como avalia sua primeira visita ao


Brasil?
GE – Estou encantada. O Brasil é suma-
mente importante para o Panamá, e estar
aqui é um prazer para mim.

Quais são as suas expectativas em Segundo Gloria de la Espriella, o Panamá está interessado na experiência energética brasileira.
relação a este seminário?
GE – Primeiramente, que se conheçam mento e a experiência que possuem os tornar-se um centro de distribuição mun-
melhor as oportunidades de investimento brasileiros no campo energético. Por dial de produtos brasileiros. Para isso, os
oferecidas pelo Panamá. Essas oportuni- exemplo, posso citar, na área do petróleo, dois governos estão em processo de fir-
dades, é claro, estão abertas ao Brasil, que todo o know-how adquirido pela Petrobras, mar um acordo para transformar a Zona
para nós, como já disse, é um país muito além de toda a experiência brasileira no Livre de Colón em um centro que atenda
importante e com o qual desejamos esta- trato com o etanol e com o biocom- a esse objetivo. Esse centro pretende re-
belecer parcerias, no campo energético, no bustível. São setores que estamos conti- produzir, para os produtos brasileiros, o
campo portuário, no campo da Zona de nuamente explorando no Panamá e para que já ocorre em outras latitudes, como,
Livre Comércio de Colón, e outros. Temos os quais, acredito, o Brasil poderá contri- por exemplo, em Miami.
muito interesse na participação mais inten- buir, ajudando o desenvolvimento de nos-
sa dos brasileiros em nosso país. sa indústria energética. Apesar de suas dimensões continen-
tais, o Brasil faz limite apenas com o
Em sua opinião, que produtos bra- Em contrapartida, que pode o Pa- Oceano Atlântico. No Panamá, que é
sileiros podem ser objeto de incre- namá oferecer ao comércio exteri- banhado pelo Atlântico e pelo Pací-
mento do nosso comércio com o Pa- or brasileiro? fico, existem diferenças entre os ha-
namá? GE – O que o Panamá pode oferecer ao bitantes e as cidades das duas costas?
GE – Mais do que produtos específicos, Brasil, graças a seu posicionamento geo- GE – Não, não existem marcantes dife-
eu diria que nos interessam o conheci- gráfico estratégico, é a possibilidade de renças culturais, pois o país é muito pe-

50 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


queno e, em menos de uma hora pode-se tra esse alargamento? Essa oposição manência da bandeira panamenha
ir de um oceano ao outro. O que posso é muito representativa? em navios do mundo inteiro ainda
dizer é que o litoral atlântico é bastante GE – A pergunta é muito interessante. Esse é uma prática em pleno uso no país?
marcado pela influência do Caribe, e que referendo é uma imposição constitucio- GE – O embandeiramento de navios, no
o Panamá, em geral, em toda a sua peque- nal, e estamos, portanto, obrigados a fazê- Panamá, vem crescendo continuamente,
na extensão, é um país que acolheu etnias lo. Acredito que não haja nenhuma razão e somos o país que mais cultiva essa práti-
e culturas de várias partes do mundo, o de ordem técnica para que alguém se opo- ca em todo o mundo. É uma fonte de ren-
que o torna multicultural. Nossa popula- nha ao alargamento do canal. Trata-se, ba- da e um procedimento comercial que foi
ção conta com descendentes dos indíge- sicamente, de uma atitude política, moti- sempre incentivado pelos diferentes go-
nas locais, dos antilhanos, dos coloniza- vada ou por uma visão curta e logística, ou vernos panamenhos.
dores espanhóis, de chineses, todos em por interesses particulares. Os opositores
perfeita convivência. não perceberam, ainda, que a ampliação Que mensagem final sobre o Semi-
não é um projeto político desse ou da- nário Bilateral de Comércio Exteri-
Durante a realização dos painéis, quele governo, mas uma medida vital, que or e Investimentos Brasil-Panamá a
um dado estatístico fornecido pe- vai possibilitar ao Panamá posicionar-se senhora gostaria de deixar para os
los próprios panamenhos infor- positivamente em relação a sua sobrevi- leitores de nossa revista?
mou que, apesar de o país consti- vência no futuro. Espero que vençam os GE – Gostaria de expressar minha satisfa-
tuir-se em um centro do comércio que acreditam nesse futuro. ção em participar deste encontro que, com
e da navegação mundiais, ainda certeza, reforçará nossos laços de amiza-
existem 37% da população na fai- Quando, no Brasil, menciona-se o de e cooperação, e de reforçar o convite
xa de pobreza. Lá, como aqui, é Panamá, além do canal, pensa-se, aos empresários e homens de negócios
grande a concentração de renda? também, na intensa presença do país deste grande país para que invistam no
Que tem sido feito para atenuar na navegação comercial. Essa per- Panamá. Muito obrigada.
esse problema?
GE – Essas cifras têm variado e acredito
que esse dado não está atualizado. O pro-
blema é uma conseqüência de pertencer- Muitas vantagens para novos
mos ao chamado Terceiro Mundo, mas
posso lhe garantir que tem diminuído bas- investimentos no Panamá
tante a pobreza extrema no Panamá, que Diretor do Quijano & Associados, do Panamá, alinha as possibilidades de
cada vez mais pessoas têm tido acesso ao
mundo do trabalho e que esta questão não investimento naquele país e comenta a participação da bandeira
é tão grave como parece. Além de nossos panamenha na marinha mercante mundial
próprios programas de incentivo à cria-
ção de empregos, contamos com os in- spero que este seminário possa sociados, do Panamá. Ao participar do Se-
vestimentos estrangeiros que têm resul-
tado na abertura crescente de frentes de
“E mostrar à sociedade do Rio de Ja-
neiro e às empresas brasileiras as vanta-
minário Bilateral de Comércio Exterior e
Investimentos Brasil-Panamá, ele nos
trabalho para a população do país. gens de investir no Panamá, que oferece concedeu esta entrevista na qual falou li-
grande variedade de aspectos e de áreas, vremente sobre diversos assuntos refe-
Um tema mencionado neste semi- relativos a importantes projetos que estão rentes ao seu país.
nário foi o do alargamento do Ca- sendo levados a cabo no país. Menciono,
nal do Panamá, que será objeto de por exemplo, iniciativas como a amplia- Bandeira
consulta à população do país. Le- ção do canal, além de projetos imobiliári- Um dos temas abordados por Oliver
vando-se em conta a necessidade os e de irrigação, dos quais poderão parti- Muñoz foi a participação da bandeira pa-
de possibilitar a passagem de navi- cipar empresas brasileiras de amplo reco- namenha na marinha mercante mundial,
os de maior calado – hoje impossi- nhecimento e competência, como a uma prática muito difundida na cultura co-
bilitados de atravessá-lo – e consi- Odebrecht, que já está investindo no ter- mercial local.
derando as vantagens econômicas ritório panamenho, e como a Andrade “O Panamá é, hoje, o país que lidera
dessa ampliação, é difícil imaginar Gutierrez, que possui um enorme poten- mundialmente a marinha mercante, em
quem é que poderá se posicionar cial para participar de nossos futuros em- termos de embandeiramento. Temos, his-
contra a medida e sob que argu- preendimentos.” toricamente, uma política muito aberta de
mentos. Baseada em que pressu- A opinião é de Oliver Muñoz, Diretor registro de navios e de cargueiros de na-
postos parte da população é con- do Escritório de Advocacia Quijano & As- ções do mundo inteiro, sob nossa bandei-

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 51


INTERCÂMBIO

exemplo, temos uma estabilidade muito


importante; do ponto de vista jurídico, os
investidores sentem-se cada vez mais atraí-
dos e seguros em relação ao país; e, do pon-
to de vista econômico, o Panamá desen-
volve, cada dia mais, seu potencial de cres-
cimento.”

Escritório
O Escritório de Advocacia Quijano &
Associados é uma firma fundada em 1959,
no Panamá. O foco principal de suas ativi-
dades concentra-se na área marítima. Se-
gundo Oliver Muñoz, ele presta serviços
a, aproximadamente, 10% dos barcos que
ostentam bandeira panamenha, o que cons-
titui uma grande quantidade deles, em
todo o mundo. “Temos clientes da impor-
tância da Mitsubishi Logistics, no Japão, e
Oliver Muñoz garante que o sistema jurídico do Panamá oferece segurança aos investidores. muitos outras companhias de navegação
de grande porte na Coréia e em Formosa.
ra. Desde há muito tempo, quando se vado para território americano, foi julgado Atendemos a empresários do mundo in-
criou essa política, estabeleceu-se, tam- e condenado a 40 anos de prisão por tráfi- teiro, não apenas na Ásia, mas também na
bém, a outorga de recursos adequados à co de drogas, em 1992. Alguns anos de- Europa, na América do Norte, e na nossa
diretoria de marinha mercante por parte pois, sua pena foi diminuída para 30 anos. América do Sul, onde temos muitos cli-
do nosso governo, para poder proporcio- Segundo Oliver Muñoz, os paname- entes, especialmente na Colômbia, na Ve-
nar segurança e confiança às empresas que, nhos viveram sob uma prolongada dita- nezuela e no Equador. Estamos, também,
confiando, registram seus navios no Pa- dura, cujo desenlace ocorreu quando da empenhados em nos estabelecer no Bra-
namá. O Panamá oferece tarifas muito invasão americana. sil e, por isso, estamos comparecendo a


baixas para o registro de naves, e as em- este seminário, com a intenção de demons-
presas costumam aproveitar-se disso. O O Panamá oferece tarifas trar aos investidores brasileiros que há um
Panamá, por sua vez, tem que mostrar e econômicas para registrar grande potencial de crescimento no Pa-
garantir ao mundo que é capaz de exercer navios e deve supervisionar namá e que poderá haver uma relação
uma supervisão dequada dos cargueiros muito mais estreita entre os dois países.”
que navegam sob a sua bandeira, e esse
os barcos que navegam


Oliver Muñoz se disse ainda muito
trabalho é realizado, na medida do possí- com a sua bandeira impressionado com o Brasil, que visita pela
vel, graças aos recursos disponibilizados OLIVER MUÑOZI primeira vez.
anualmente pelo governo. Nossas autori- “A natureza é esplendorosa, mas me
dades têm plena consciência do quanto “Essa invasão foi realizada com o propó- impressionaram, sobretudo, os brasilei-
essa área de negócios é importante para o sito de prender o General Noriega, extra- ros, uma gente muito calorosa e agradá-
país, e que sua imagem não pode ser afeta- ditá-lo e submetê-lo a julgamento nos Es- vel, com um temperamento bastante pa-
da ou arranhada por falta de uma supervi- tados Unidos, por delitos relacionados à recido com o dos panamenhos, sempre
são adequada dos navios que portam sua corrupção internacional e ao narcotráfico. de braços abertos! Ao viajar, fiquei um
bandeira.” Ele foi julgado e condenado segundo as leis pouco preocupado com o idioma, mas,
americanas e, atualmente, cumpre pena em agora que estou aqui, convivendo com os
Noriega Miami. O episódio, na época, foi muito for- brasileiros, compreendo muito bem o que
Sobre a estabilidade do país, um dos te, muito traumático, pois os panamenhos me dizem e penso que, se for necessário,
fatos a chamar a atenção do mundo foi o não aprovaram a invasão americana. Apesar em cerca de dois meses poderei dominar
episódio da deposição do General Manoel disso, o fato deste episódio não constar mais o português. A mensagem que eu gostaria
Antonio Noriega, o homem forte local. da pauta de preocupações cotidianas do de deixar para os leitores da revista é que
Antigo aliado dos americanos, ele foi de- nosso povo tem sido um fator que facilita e conheçam o Panamá e desfrutem das ex-
posto no fim dos anos 80, quando forças propicia o desenvolvimento cada vez mai- celentes oportunidades de investimento
dos Estados Unidos invadiram o país. Le- or do país. Do ponto de vista político, por que existem em meu país.”

52 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Comércio do Panamá, uma instituição que
Uma vitrine do trabalha apoiando empresas privadas.
comércio “O governo nos acompanha e, também,
nos envia expositores, como o Ministério
mundial do Comércio e as autoridades do Canal
do Panamá. A feira é uma iniciativa privada
Presidente da Câmara de Comércio que procura trazer benefício aos compra-
e Indústria do Panamá realça a dores e expositores que queiram distri-
importância de feira comercial buir seus produtos. O nosso país tem uma
posição geográfica privilegiada com por-
Em entrevista à revista da FCCE, o tos, tanto no Oceano Atlântico, quanto no
Pacífico. Podemos ir do Pacífico ao Atlân-
Presidente da Câmara de Comércio tico, de carro, em apenas uma hora.”
e Indústria do Panamá, Fernando Sobre os maiores destaques da exposi-
ção, ele ressaltou os produtos alimentíci-
Arango Morrice, revelou detalhes os, têxteis e de construção, além de auto-
sobre a Expocomer, a exposição co- móveis e de serviços. Na realidade, há cerca
de 14 categorias de produtos.
mercial que ocorre há 25 anos na- Com relação aos investimentos reali-
quele país, e falou sobre os produ-
tos e serviços que se destacam no
zados em seu país, Fernando Arango apon-
tou a importância e o crescimento nas áreas
imobiliária e de construção.
“ Podemos ir do Pacífico
ao Atlântico, de carro,
comércio panamenho. “Há muitas empresas brasileiras cons-
truindo no Panamá. Foram firmados acor-
dos comerciais com empresas proces-
em apenas uma hora
FERNANDO ARANGO MORRICEN ”
“A Expocomer é uma vitrine do co- sadoras na última missão comercial reali-
mércio mundial onde se apresentam cer- zada pelo Ministro Luiz Fernando Furlan
ca de 30 países, entre eles Brasil, Taiwan, no meu país. Além disso, os investimen-
China, Estados Unidos, Espanha, Rússia, tos turísticos são muito importantes, pois
Costa Rica, México e Argentina. Temos têm crescido o número de hotéis, restau-
visitantes de todos os continentes. A idéia rantes, discotecas e bares turísticos. O
é a criação de uma vitrine, uma janela para Panamá conta, ainda, com pequenas em-
o comércio mundial. Com a posição ge- presas que se destacam na área artesanal.
ográfica que temos no Panamá, o que fa- Exporta, também, muitas frutas, inclusi-
zemos é expor os produtos a comprado- ve para o Brasil. A área fincanceira, com
res profissionais que os distribuem. Nos- seus serviços bancários, é uma das mais
so país é um centro geográfico e logísti- importantes. O país conta, hoje, com 70
co, já que contamos com o Canal do Pa- instituições bancárias de nível internacio-
namá.” nal e, com o dólar americano como moe-
Segundo Fernando Arango Morrice, a da, os investimentos, tanto do Brasil quanto
Expocomer é uma iniciativa da Câmara de de outros países, são facilitados.”

Trinta países garantem a diversidade ... ...de produtos comercializados na Expocomer,... ...que se realiza anualmente.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 53


ENGENHARIA

Andrade Gutierrez quer investir


no desenvolvimento panamenho
A Construtora brasileira mantém no Panamá um escritório que centraliza
a gestão de seus negócios em toda a América Central e no Caribe
O Diretor da Área Internacional da Cons- A Andrade Gutierrez tem sido bem
trutora Andrade Gutierrez, Ricardo An- recebida fora do Brasil? Em que ou-
tonio Mello Castanheira, fala sobre a tros países ela atua?
experiêncai internacional da empresa e das RC – Começamos a trabalhar no exterior
expectativas em participar das obras de em 1983. Nosso primeiro projeto fora do
ampliação do Canal do Panamá. Brasil foi no Congo, na África. Na Améri-
ca Latina, além daqueles países que eu já
Quais são as suas expectativas em mencionei, estamos presentes na Vene-
relação a este Seminário Bilateral de zuela, no Equador, no Peru e na Argenti-
Comércio Exterior e Investimentos na.Temos, também, uma empresa que atua
Brasil-Panamá? há 36 anos no mercado português e que
RC – Nós temos o maior interesse no nos possibilita trabalhar na Europa, na Ásia
Panamá, não apenas como país, mas como e na África. Ela se chama Zagop e é intei-
centro de relações com a América Cen- ramente, cem por cento, Andrade Gutier-
tral e o Caribe. Mantemos um escritório rez. Eu mesmo trabalhei lá durante seis
em território panamenho e estamos esta- anos, na sede, em Lisboa.
belecendo negociações na área de irriga- Atualmente, estamos trabalhando na
ção e de saneamento, via Panamá, com a Grécia, na Espanha, em Portugal, na
República Dominicana. Ao participarmos Mauritânia, em Angola, na Guiné Equato-
deste seminário, nossos objetivos são os Ricardo Antonio Mello Castanheira rial e na Argélia. Estamos desenvolvendo
de entender melhor o país e de mostrar o alguns negócios na Líbia. Executamos um
que lhe podemos oferecer, inclusive em do Panamá, que toma parte muito ativa na importante trabalho de saneamento no Irã
termos de parcerias. Um seminário como administração da obra de um aqueduto e temos, ainda, alguns negócios em de-
este é sempre uma boa oportunidade, tam- que estamos construindo na República senvolvimento na Arábia Saudita.
bém, para estreitar os relacionamentos Dominicana. Nós vamos, também, iniciar
entre os dois países e suas empresas. a obra de uma hidrelétrica neste país. Além Nesses empreendimentos, a mão-
disso, ainda por meio do nosso escritório de-obra é recrutada no país ou é
O senhor esteve no Panamá. Pode- no Panamá, mantemos contatos de negó- majoritariamente brasileira?
ria nos dizer que obras foram ali cios em El Salvador. RC – A mão-de-obra executora é recru-
executadas por sua empresa? O Panamá é um grande centro finan- tada no país. O que vai daqui é a parte
RC – Nós fizemos a duplicação da Ponte ceiro e, por isso, mantemos lá nossa base. gerencial, a equipe que executa a gestão
das Américas, que passa pelo Canal do Temos, também, um escritório no Méxi- do empreendimento.
Panamá e une as duas partes do continen- co e um outro, menor, na República
te. É uma ponte metálica muito alta, para Dominicana. Esses três escritórios Essa equipe precisa ser muito bem
não atrapalhar a navegação, situada bem à interagem para atender aos nossos inte- preparada, dadas as diferenças cul-
entrada do canal. Nós fizemos o seu se- resses na grande área formada pelo Mé- turais e de idiomas. Há treinamen-
gundo tabuleiro e o reforço do primeiro. xico, América Central e Caribe. No Mé- to para isso?
Hoje, estamos procurando desenvolver xico, estamos construindo uma barra- RC – Como nós atuamos no exterior há
negócios na área de energia elétrica, em gem. Esperamos crescer muito em toda 23 anos, temos um pessoal já muito bem
hidrelétricas, e temos o maior interesse aquela região, onde o potencial de de- preparado. Para tarefas mais difíceis, con-
em participar da ampliação do canal. Nos- senvolvimento e a demanda de constru- tamos, também, com a ajuda do pessoal
so escritório central para aquela região é o ção são muito grandes. local. Como as coisas ficam mais fáceis,

54 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


RC – Estamos executando, na capital de sões. Nós temos ido em frente: participa-
São Paulo, a Linha 4 do metrô; estamos, mos da compra da Light – e agora temos
também, concorrendo à concessão para 25% da empresa – e estamos participan-
operação dessa linha. Aliás, fomos nós que do da concessão da água no Porto de San-
construímos o último trecho do metrô tos, que é toda administrada pela nossa
entregue aqui, no Rio de Janeiro, da Praça empresa.
Cardeal Arcoverde à Rua Siqueira Cam-
pos, em Copacabana. Temos o contrato O senhor não acha que há um perí-
para executar a Linha 3, que vai ligar o Rio odo de tempo longo demais entre o
de Janeiro a Niterói, bastando apenas que anúncio das PPPs e a sua entrada em
A Andrade Gutierrez é sejam viabilizados os recursos. vigor?
especializada na construção de Somos os responsáveis pela construção RC – É verdade. Resta, porém, o consolo
grandes hidrelétricas (como dos metrôs de superfície de Brasília e de de que, na Inglaterra, onde elas nasceram,
Itaipu), pontes (como a Rio- Salvador. Em Macaé, no Norte Fluminense, o primeiro projeto só saiu três anos de-
Niterói) e auto-estradas (como a acabamos de concluir uma usina terme- pois da concepção. No Brasil, elas vão fa-
Rodovia dos Bandeirantes, em létrica. No Rio Grande do Sul, estamos fa- zer dois anos. Estou certo de que a con-
São Paulo). zendo a Refab, a refinaria da Petrobrás neste cessão da linha 4 do metrô de São Paulo já
estado, e, também, estamos em vias de con- vai sair em PPP. A Sabesp também está se
em qualquer lugar do mundo, para quem cluir a hidrelétrica de Peixes. Já construí- preparando para adotar este modelo para
fala inglês, é nesse idioma que realizamos mos a de Lajeado e estamos interessados na o tratamento da água. Temos que confiar
a maior parte dos nossos contatos. construção de muitas outras que vierem na tendência de crescimento. É preciso
por aí. Nossa expectativa é a de que o Brasil que essa parceria evolua, pois não se pode
A Andrade Gutierrez não está pre- cresça também. esperar muito dos recursos do governo,
sente na Europa Oriental? pois, como sabemos, 97% do que ele ar-
RC – Temos trabalhado na Alemanha, mas Em sua opinião, a gestão e as con- recada já tem destino certo, que são as
ainda não atuamos no Leste Europeu. Isso dições da economia brasileira têm áreas da educação, da saúde, da previdên-
é questão de tempo, a meu ver. ajudado nesse crescimento de sua cia, setores que não podem prescindir de
empresa? recursos, e para os quais não existem tan-
Essa intensa atividade no exterior, de RC – Nós estamos, como é notório, numa tos atrativos que mobilizem as PPPs.
algum modo, faz com que o trabalho fase de muito pouco investimento em
no Brasil fique num segundo plano? infra-estrutura no Brasil. Isso, na verdade, Uma palavra final aos leitores da
RC – De modo algum. O Brasil é a nossa diminui bastante as nossas oportunidades revista da FCCE.
prioridade, é o nosso mercado natural. aqui no país. Daí, a atratividade do merca- RC – Gostaria de repetir os votos de pa-
Nossa atividade aqui é maior do que a re- do latino-americano, onde a situação é di- rabéns pela iniciativa de um seminário tão
alizada lá fora. versa da nossa. Temos, contudo, a confian- útil para o comércio exterior brasileiro e
ça de que, nos próximos anos, possa ocor- de reiterar a disposição da Andrade
Que grande obra a Andrade Gu- rer uma reversão, quem sabe mesmo gra- Gutierrez em tomar parte no esforço pelo
tierrez está fazendo, atualmente, no ças a essa nova legislação das Parcerias desenvolvimento desse país amigo que é
Brasil? Público-Privadas – PPPs e das conces- o Panamá.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 55


EM PAUTA

Secretaria de Comércio Exterior


elogia a realização dos
seminários bilaterais da FCCE
Armando Meziat, Secretário de Comércio Exterior;
Arthur Pimentel, Diretor do Departamento de Opera-
ções de Comércio Exterior e Fábio Martins Faria, Diretor
de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exte-
rior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Co-
mércio Exterior – MDIC, enviaram ofício a João Augusto
de Souza Lima, presidente da FCCE, cumprimentando pela
realização dos Seminários Bilaterais de Comércio Exteri-
or e Investimentos. Segundo eles, estes eventos têm con-
tribuído de forma consistente para consolidar a impor-
tância do comércio exterior e da atração de investimentos
estrangeiros para o crescimento econômico do país. Por
meio do ofício aqui reproduzido, a equipe do MDIC rati-
fica seu apoio aos seminários.

O ofício destaca a qualidade das publica-


ções geradas pelos seminários, que inclu-
em revistas e manuais, destinados tanto
aos empresários quanto aos funcionários
das áreas diplomática e de comércio exte-
rior do Brasil e dos seus parceiros.

56 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Crescimento do comércio
bilateral com o Brasil 200

A equipe do MDIC enviou, tam- 160


bém, o gráfico e o quadro de acom-
panhamento do desempenho do

Var. %
120
comércio do Brasil com os países
que participaram dos 13 primei- 80
ros seminários. Houve um expres-
40
sivo crescimento da corrente de
comércio com esses países. 0,0

ca

urgo

la

ico

ia

adá
l
tuga

roco

Chil
Suíç

ntin

and

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Itál
i
Bélg

Méx

Polô

Can
emb

Hol
Arge

e
Por

Mar

Ven
Lux
PAÍS EXPORTAÇÕES VAR.% IMPORTAÇÕES VAR.% CORRENTE VAR.% SALDO
P1/P2 P1/P2 COMÉRCIO P1/P2
PORTUGAL
04/05 A 08/06 1.911.664.364 66,79 361.068.244 59,76 2.272.732.675 65,63 1.550.596.120
04/03 A 08/04 1.146.159.614 225.999.858 1.372.159.472 920.159.756
MARROCOS
05/05 A 08/06 553.505.883 37,20 437.892.249 42,43 991.398.169 39,46 115.613.634
05/03 A 08/04 403.438.001 307.447.944 710.885.945 95.990.057
BÉLGICA
05/05 A 08/06 3.512.857.622 43,40 1.119.093.557 54,12 4.631.951.222 45,85 2.393.764.065
05/03 A 08/04 2.449.678.487 726.106.701 3.175.785.188 1.723.571.786
LUXEMBURGO
05/05 A 08/06 27.195.326 181,29 59.041.066 237,32 86.236.573 217,38 -31.845.740
05/03 A 08/04 9.668.212 17.503.202 27.171.414 -7.834.990
SUÍÇA
06/05 A 08/06 905.403.175 96,75 1.597.297.029 29,53 2.502.700.301 47,80 -691.893.854
06/03 A 08/04 460.170.090 1.233.126.855 1.693.296.945 -772.956.765
ARGENTINA
07/05 A 08/06 12.935.329.361 74,60 8.229.010.746 41,30 21.164.340.182 59,94 4.706.318.615
07/03 A 08/04 7.408.716.031 5.823.923.569 13.232.639.600 1.584.792.462
VENEZUELA
08/05 A 08/06 3.237.518.811 167,43 571.506.117 131,85 3.809.025.095 161,41 2.666.012.694
08/03 A 08/04 1.210.584.595 246.498.344 1.457.082.939 964.086.251
MÉXICO
08/05 A 08/06 4.724.803.466 24,45 1.202.552.928 70,86 5.927.356.418 31,70 3.522.250.538
08/03 A 08/04 3.796.694.465 703.833.410 4.500.527.875 3.092.861.055
CHILE
10/05 A 08/06 3.523.318.382 65,30 2.312.095.919 108,42 5.835.414.366 80,06 1.211.222.463
10/03 A 08/04 2.131.452.020 1.109.342.921 3.240.794.941 1.022.109.099
PAÍSES BAIXOS
11/05 A 08/06 4.487.336.963 14,78 608.854.944 35,18 5.096.191.922 16,89 3.878.482.019
11/03 A 08/04 3.909.539.806 450.398.668 4.359.938.474 3.459.141.138
ITÁLIA
11/05 A 08/06 3.048.798.946 29,89 2.028.055.925 26,69 5.076.854.901 28,59 1.020.743.021
11/03 A 08/04 2.347.252.167 1.600.842.516 3.948.094.683 746.409.651
POLÓNIA
11/05 A 08/06 250.302.428 (1,43) 176.056.546 78,96 426.358.973 21,02 155.548.095
11/03 A 08/04 253.927.406 98.379.311 352.306.717 74.245.882
CANADÁ
12/05 A 08/06 1.705.792.799 110,63 781.791.832 19,78 2.487.584.742 70,09 924.000.967
12/03 A 08/04 809.870.297 652.667.169 1.462.537.466 157.203.128

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 57


TENDÊNCIA

“Toda empresa gostaria de ter


um entreposto no Panamá”
Em entrevista à revista da FCCE, o nômicos como o Mercosul e a Alca?
CT – Acho que a Alca é um projeto am-
economista Carlos Thadeu de Frei- bicioso que ainda não saiu do papel e vai
tas Gomes, Chefe do Departamen- demorar um pouco mais. O Brasil tem
vendido muito para a América Latina, e
to Econômico da Confederação Na- nosso comércio aumentou substancial-
cional do Comércio – CNC e ex- mente, mesmo sem a Alca. Isso mostra
que, por enquanto, devemos lidar com a
Diretor do Banco Central, falou so- Alca de forma cautelosa, sem precipita-
bre o setor de investimentos e ne- ções. O Panamá é muito importante pelo
fato de ser um entreposto comercial.
gócios, e sobre a importância do Pa- Nosso comércio com a América Latina
namá como entreposto comercial da tem crescido muito, principalmente com
os países do Mercosul, com o México,
América Latina. que é bem próximo do Panamá, e com
outros países da América Central. O Pa-
Como o senhor analisa os investimen- namá facilita a distribuição dos nossos
tos Brasil-Panamá? produtos para o resto da América Latina.
CT – Os investimentos se realizam com Quando tivermos a Alca funcionando,
base no fato de o Panamá ser uma área de
entreposto comercial e de serviços –
tudo passa por aquele país mais facilmen-
“ Exportar para o Panamá
significa exportar para
poderemos manter, com os Estados Uni-
dos e com o Canadá, um comércio mais
volumoso, e o fluxo desses produtos vai
te. Os investimentos diretos do Brasil no
Panamá poderão ser feitos em torno da
obra de ampliação do canal. Acho que o
CARLOS THADEU
outros países
DE ”
F R E I TA S G O M E S N
passar pelo Panamá.

O comércio Brasil-Panamá não é


espaço não é tão forte para investimen- muito expressivo. Como o senhor vê
tos diretos em outras áreas, tendo em pel dos bancos para dar incentivo e as perspectivas da nossa corrente
conta o tamanho do país. Evidentemen- facilitar esses investimentos. comercial? Ela estará sempre liga-
te, à medida em que aumentam as nego- CT – Os bancos brasileiros estão lá por- da ao canal ou há outras possibili-
ciações, que fazem do Panamá fonte para que o Panamá é um off shore; um centro dades?
outros negócios, toda empresa gostaria que permite o acúmulo de moeda estran- CT – As nossas exportações para o Pana-
de ter um entreposto naquele país para geira para outros lugares. Não acredito que má cresceram muito em relação ao ano
distribuir seus produtos. Acredito que o Brasil fará, necessariamente, grandes in- passado. As importações do Panamá não,
os investimentos em distribuição serão vestimentos na área financeira do Panamá, pois não temos muito o quê importar de
os mais importantes no Panamá. Trata-se pois o país funciona mais como paraíso lá. Os Estados Unidos exportam para o
de uma possibilidade importante, pois, a fiscal. Muitos bancos internacionais e bra- Panamá, hoje, US$ 2 bilhões e o Brasil
partir deste território, o Brasil pode co- sileiros usam o território panamenho para exporta US$ 217 milhões, o que significa
locar seus produtos em outros merca- transacionar com outros países. Em ter- que há mercado. Podemos exportar mais
dos. Esta operação torna-se estratégica mos de serviços, realmente não há muita e podemos ocupar o espaço de alguns pa-
para o nosso comércio exterior, tanto pela demanda, devido ao fato de ser um país íses que exportam para o Panamá. Isso
proximidade física que temos do Pana- pequeno, mas, como meio para chegar a não significa que teremos um crescimen-
má, quanto pelo fato de o país ter uma outro país, ele pode ser muito útil. to monumental, porque trata-se de um
zona de livre comércio. país pequeno. Repito: exportar para o Pa-
Que análise o senhor faz do comér- namá significa exportar para outros paí-
Há três bancos brasileiros, hoje, no cio exterior do nosso continente a ses, pois trata-se de um grande entreposto
Panamá. Fale um pouco sobre o pa- partir da formação de blocos eco- comercial.

58 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


AVIAÇÃO

Nova rota Rio de Janeiro-Panamá


Vôos facilitarão o surgimento de novos negócios entre os dois países
O Diretor Internacional da Copa
Airlines,Alexandre Camargo, relatou
a importância do crescimento da avi-
ação no fortalecimento da ligação
entre os dois países. A empresa atua,
hoje, no Brasil, com os vôos São Pau-
lo-Panamá e Manaus-Panamá. Em
novembro de 2006 inaugurará uma
nova rota: Rio de Janeiro-Panamá,
conectando mais uma importante ci-
dade à capital do Panamá.

A perspectiva em relação aos vôos Novos vôos da Copa Airlines vão agilizar o transporte e as ligações entre Brasil e Panamá.
do Rio de Janeiro é de que se man-
tenha no mesmo nível de São Paulo, AC – A aviação, hoje, é o principal foco de
com cinco vôos por semana? transporte, de intercomunicação e de li-
AC – Acho que o Rio de Janeiro será um gação entre os países. Sem dúvida, um vôo
destino mais fácil de se promover do que Rio de Janeiro-Panamá vai possibilitar que
São Paulo, porque é mais conhecido mun- negócios surjam com mais facilidade. Um
dialmente. A nossa expectativa é de que o passageiro poderá ir direto do Rio de Ja-
vôo esteja cheio todos os dias e que pos- neiro para o Panamá sem fazer escala e
samos continuar com planos de cresci- conexão. Atualmente, ele tem que ir para
mento, passando de cinco para sete vôos São Paulo ou até aos Estados Unidos para
semanais e, depois, de um para dois vôos chegar ao Panamá. O vôo direto vai facili-
diários, como já acontece hoje em São tar muito a relação comercial.
Paulo. Isto porque o Rio de Janeiro é um
destino mais procurado no exterior. Qual o maior destino dos passagei-
ros do Brasil que vão para o Pana-
A maior parte dos vôos da empre- má? A maior parte fica no Panamá
sa, com destino ou origem em São ou faz escala para outros países?
Paulo, é de negócios? AC – O Panamá responde por grande
AC – São Paulo é uma cidade de negóci- Alexandre Camargo
parte dos passageiros que voam pela
os. É um pouco mais difícil falar de turis- Copa Airlines, cerca de 30%. Existem,
mo em São Paulo, e como os negócios cargas que é complementar ao serviço de ainda, outros destinos impor tantes
entre o Brasil e a América Central têm passageiros, mas o negócio principal da como Cuba, República Dominicana,
crescido muito nos últimos anos, é natu- empresa é o transporte de passageiros. Costa Rica, Guatemala, El Salvador,
ral que este seja o caráter dos vôos. além dos Estados Unidos. Hoje, não te-
O senhor acha que a aviação pode mos vôos saindo do Rio de Janeiro di-
A Copa também trabalha com ser- incrementar a relação comercial bi- reto para Orlando ou Los Angeles e a
viço de cargas? lateral a partir do momento em que Copa, por intermédio do Panamá, pos-
AC – A Copa Airlines tem um serviço de transporta os empresários? sibilitará essas conexões.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 59


P ARCERIA

Brasil: um país estratégico para


todos os panamenhos
Cônsul-Geral do Panamá no Rio de Janeiro analisa as perspectivas de
incremento da relação bilateral nas áreas de comércio e investimentos
A panamenha Glorisabel Garrido
Thompson-Flôres, há um ano e meio
no Brasil, representa seu país como
cônsul-geral do Panamá no Rio de
Janeiro. Bastante entusiasmada com
as tarefas que executa aqui, falou à
revista da FCCE sobre as relações
bilaterais entre os dois países.

esde que cheguei, tenho tenta-


“D do promover o Panamá, seja
por meio de revistas, progra-
mas de TV e Internet, o que tem dado al-
guns resultados. Isto porque, na maioria
das vezes que se fala do Panamá, a refe-
rência é apenas o canal, e pouco se conhe-
ce sobre outros atrativos que o país ofere-
ce.Temos, também, feito contato com em-
presas, trabalhando na divulgação de in-
formações para facilitar e agilizar o pro- Glorisabel Garrido Thompson-Flôres: investimentos brasileiros no Panamá vão crescer.
cesso de intercâmbio comercial.”
Segundo Glorisabel Garrido Thompson- Ao abordar o tema da balança comer- tos privados administrados por outros pa-
Flôres, o consulado geral do seu país, no cial entre os dois países, a cônsul-geral íses, como, por exemplo, a China, que
Rio de Janeiro, oferece serviços gerais que afirmou que o Brasil tem exportado pro- controla dois portos.
envolvem tanto a legalização de documen- dutos de alto valor ao seu país, como os Quanto ao futuro das relações bilate-
tos e vistos, como o suporte na promo- aviões da Embraer, o que contribui para rais, Glorisabel Garrido Thompson-Flôres
ção e divulgação de informações que faci- tornar a balança comercial favorável ao acredita que os investimentos brasileiros
litem e proporcionem um aumento do Brasil. Ela destaca, no entanto, grandes no seu país vão continuar a crescer, au-
comércio entre os dois países. potencialidades na área de investimentos. mentando as perspectivas de que mais
“O consulado oferece, ainda, serviços “O Panamá tem a oferecer ao Brasil empresários panamenhos venham para o
na área de marinha mercante, apoiando as boas oportunidades de investimento, Brasil.
embarcações e agilizando o processo de como é o caso da área de construção civil, “Estamos, também, muito interessados
documentação no qual se incluem o principalmente com a ampliação do Ca- no etanol e queremos aprender a produ-
abandeiramento, os contratos de compra nal do Panamá para comportar navega- zi-lo com o Brasil. Constitui-se numa im-
e venda de navios, e a expedição de certi- ções de grande porte”. portante fonte de energia para o transpor-
ficado transitório para carteira definitiva Quanto à administração do canal, a côn- te, pois não é tão agressivo ao meio ambi-
da marinha panamenha.Trabalhamos, tam- sul-geral afirmou que, mesmo sendo pa- ente. Por tudo isso, o Brasil é muito im-
bém, com patentes, licenças e câmbio.” namenho, há, em torno dele, alguns por- portante para o Panamá”.

60 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


D ESENVOLVIMENTO

Odebrecht realiza projeto de


irrigação na província de Chiriquí
Empresa brasileira conquista seu primeiro contrato no Panamá
ma grande empresa, que trabalha

U exportando tecnologia e serviços


de engenharia, está sempre em
busca de novos negócios no exterior. A
Projeto de irrigação Remijio Rojas

Província
de Chiriquí Área a ser beneficiada
Construtora Norberto Odebrecht não COSTA pelo projeto de irrigação
foge à regra e, em 26 de março de 2006, RICA
Concepción
conseguiu a sua primeira obra no Panamá.
Será a responsável pelas obras do Pro- Divala David
PANAMÁ
jeto de Irrigação Remijio Rojas, na cida-
de de David, na Província de Chiriquí.
Contratada pelo Ministério de Desenvol-
vimento Agropecuário do Panamá, a obra Golfo de
vai contribuir para o desenvolvimento Chiriquí
OCEANO
agrícola de uma área de 3.200 hectares, PACÍFICO
na qual serão produzidas commodities para
MARGEM
exportação. Com valor superior a US$ ESQUERDA MARGEM
54,2 milhões, o empreendimento será DO DIQUE DIREITA
entregue em 60 meses, contados a partir ESTRUTURA DA
S COMPORTAS DO DIQUE
do início da obra. O contrato está dentro
da política do governo local de incre-
mentar a produção de alimentos e de RIO CHICO
colocar novos itens no mercado inter-
nacional.
Segundo Gustavo Assad, Diretor Ad-
A obra permitirá a implantação de um programa agrícola que vai
junto da Área Internacional da Constru- beneficiar 3.200 hectares de terra.
tora Norberto Odebrecht, esta atuação no Serão realizados trabalhos de captação de aguá, construção de
Panamá foi o resultado de uma investiga- canais, vias de acesso e de drenagem e construção de infra-estrutura.
ção de mercado que vem sendo discutida
há mais de um ano.
“Nós sempre tivemos interesse no Pa- política local está resultando, entre ou- nacional de engenharia, quando uma
namá, mantendo-nos atualizados sobre tras coisas, num crescimento econômi- empresa de porte realiza uma obra, sem-
sua realidade; prática, aliás, que conser- co que, segundo ele, tem girado em tor- pre existem possibilidades e condições
vamos em relação a todos os países onde no de 6% ao ano. de conquistar outros clientes locais, am-
há potencial para desenvolvermos algum “Todos sabem da importância funda- pliando a rede de atuação da empresa
trabalho. Inclusive, a nossa presença no mental que tem para o país o Canal do no país.
Seminário Bilateral de Comércio Exte- Panamá e, nesse momento, sua dupli- “Hoje, após décadas de atuação no ex-
rior e Investimentos Brasil-Panamá cer- cação é um projeto em andamento. Não terior, a Odebrecht trabalha em vários
tamente vai nos ajudar a conhecer me- se pode negar, no entanto, que em tor- contextos internacionais. Nossos princi-
lhor esta nação.” no do canal existe um país com seus pais interesses são dois: nos tornarmos
Gustavo Assad afirmou, ainda, que o anseios, desejos e realidades a serem úteis à população do país, e atendermos
Panamá tem demonstrado boa disposi- modificadas.” aos anseios das comunidades. Por isso,
ção, pois está realizando um esforço co- O representante da Odebrecht asse- para nós, o Panamá é um mercado bastan-
letivo de redução de gastos públicos. Esta gurou, também, que no mercado inter- te atraente.”

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 61


HISTÓRIA

Os índios cunas
A plena consciência da dignidade cultural
calizam-se, sobretudo, na Reserva de São
Brás, na costa atlântica do país, embora
existam grupamentos próximos aos lei-
tos dos rios Baiano, Chucunaque e Tuíra,
que correm para o Pacífico.

História
Em 1787, foi assinado um tratado de
paz em que os espanhóis concordaram em
retirar fortificações existentes na área em
que viviam os indígenas, deixando apenas
ntre os dez por cento de indígenas uma. A partir de então, e no decorrer de

E que compõem a população pana-


menha, destacam-se os Cunas,
objetos de estudos na literatura antro-
todo o século XIX, quando a região já per-
tencia ao território colombiano, os Cunas
passaram a gozar de relativa tranqüilidade.
pológica. Em 1903, o Panamá tornou-se indepen-
Os Cunas panamenhos também se no- dente da Colômbia e começou a tomar me-
tabilizaram, pelo seu sistema de notação didas para intensificar o controle sobre os
gráfica, elaborado para permitir a memo- Cunas. Foi criada uma Polícia Colonial para
rização das narrativas e cânticos.Tornaram- exercer esse controle. Em vez de protegê-
se, também, conhecidas e apreciadas as los contra os invasores do seu território – à garantia dos direitos desta etnia deu um
“molas” (foto acima), painéis elaborados panamenhos e colombianos extratores de grande passo em 1938, quando o governo
pelas mulheres para guarnecer o peito e borracha, plantadores de bananas e caça- reconheceu São Brás como reserva Cuna.
as costas de suas blusas. Além disso, no dores de tartarugas – a polícia começou a Esta situação evoluiu ainda mais, em 1945,
campo biológico, esse grupo indígena tem executar um programa de aculturação for- ano em que representantes do governo pa-
sido considerado, por alguns pesquisado- çada, o que levou os Cunas da região de São namenho e lideranças cunas elaboraram
res, como a etnia que possui o maior nú- Brás a uma revolta, em 1925. uma constituição a vigorar na reserva. Co-
mero de albinos no mundo. Dissuadidos pelos americanos de retali- nhecida como Carta Orgânica, ela foi
Atualmente, favorecidos por uma le- ar os revoltosos, os panamenhos aceitaram complementada por uma lei elaborada pelo
gislação que protege seus direitos, os concluir um tratado de paz com os indíge- legislativo do país em 1953, para regula-
Cunas gozam de relativa autonomia, vi- nas, que, por sua vez, se comprometeram a mentar a administração da reserva.
vem e trabalham em paz. Suas aldeias lo- serem leais ao país. O caminho em direção A criação de escolas resultou, em lon-
go prazo, na inclusão de inúmeros indíge-
nas na Universidade do Panamá e em ou-
tros estabelecimentos educativos. A Car-
ta Orgânica criou, ainda, um Congresso
Geral, formado por chefes e representan-
tes de aldeias, e reconheceu as atribuições
de determinadas autoridades panamenhas
sediadas junto à reserva.
Desde finais do século XIX, os cunas
que viviam próximo ao litoral atlântico pas-
saram a ocupar as Ilhas Mulatas. Esse ar-
quipélago e a faixa costeira que lhe é para-
lela constituem a Reserva de São Brás, en-
quanto na Província de Darién estão as
comarcas Cuna-Iala e Cuna de Vargandi.

62 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 63
HISTÓRIA

FCCE
Federação das Câmaras de Comércio Exterior
Foreign Trade Chambers Federation

Seminários Bilaterais de Comércio Exterior e Investimentos


Calendário 2006

20 de fevereiro RÚSSIA

20 de março ÁFRICA DO SUL

24 de abril FRANÇA

22 de maio PERU

19 de junho PORTUGAL

17 de julho CHINA

21 de agosto PANAMÁ

18 de setembro SUÉCIA

23 de outubro ESPANHA

13 de novembro FINLÂNDIA

11 de dezembro ALEMANHA

64 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


RELAÇÕES BILATERAIS

O crescimento das importações, em 2005, provocou um aumento


significativo do déficit do comércio exterior panamenho que
atingiu, naquele ano, um record histórico

Comércio Exterior do Panamá


ARTIGO ELABORADO PELA EQUIPE DO DEPARTAMENTO
Evolução da corrente de comércio do Panamá
1990 a 2005 – US$ bilhões
DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DO C OMÉRCIO EXTERIOR DA SECRETARIA 5.500

DE COMÉRCIO E XTERIOR DO MDIC 5.000

4.500

4.000
Em 2005, a corrente de comércio panamenha atingiu o seu
maior nível histórico, de US$ 5,26 bilhões, o que representou 3.500

um crescimento de 15,9% em relação ao ano anterior, quando 3.000

havia sido de US$ 4,54 blhões. A partir de 1990, ano em que o 2.500

País contou com um fluxo comercial externo de apenas US$ 2.000

1,88 bilhão, a corrente de comércio apresentou crescimento 1.500

praticamente constante, a exceção do triênio de 2000 a 2002. 1.000

Ao analisar o comércio externo panamenho destaca-se o 500

montante das importações. Em 2005, o Panamá comprou do 0


1991

2001
1992

2002
1993

1999

2003
1995

1997

2005
1990

2000
1994

1996

1998

2004
mundo o equivalente US$ 4,18 bilhões, significando um aumen-
Fonte: OMC
to de 16,3% em relação a 2004. As importações representaram
27,5% do PIB de 2005, que foi de US$ 15,2 bilhões, de acordo
com dados do FMI.
Já as exportações do País estão em um Evolução da balança comercial do Panamá
nível muito abaixo das importações. No 1990 – 2005 – US$ bilhões
ano de 2005, esse montante foi de US$
1,08 bilhão, com um aumento de 14,4% 4.500
Exportação Importação Saldo
em relação ao ano anterior.
3.500
Portanto, o País apresenta um déficit
histórico em seu comércio externo, que
2.500
vem se ampliando em virtude de um cres-
cimento maior das importações em rela-
1.500
ção ao das exportações. No ano de 2005,
o déficit comercial panamenho foi de US$
500
3,10 bilhões, com um aumento de 17,0%
sobre o ano de 2004, atingindo o maior
-500
nível histórico.
As importações panamenhas são com-
-1.500
postas principalmente por combustíveis
minerais, um total de US$ 737 milhões
-2.500
em 2005, representando 17,9% da pauta
total. Os demais destaques na pauta im-
-3.500
portadora do País são: automóveis (US$
1991

2001
1992

2002
1993

1999

2003
1995

1997

2005
1990

2000
1998
1994

1996

2004

424 milhões, representando 10,3% da Fonte: OMC


pauta), máquinas e equipamentos mecâ-

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 65


RELAÇÕES BILATERAIS

Importações do Panamá Exportações do Panamá


Principais produtos – 2005 – participação % Principais produtos – 2005 – participação %

17,9 Fonte: Global Trade Atlas 44,1 Fonte: Global Trade Atlas

10,3 24,5
9,6
8,9

4,1
3,3 2,9 2,8
2,0 1,8 2,7 2,5 2,3 2,2 2,2 1,9 1,8 1,6
Máquinas e
Equipamentos
Mecânicos
Máquinas e
Equipamentos
Elétricos
Combustíveis
Minerais

Produtos
Farmacêuticos

Plásticos
e Obras

Produtos
Siderúrgicos

Artigos de
Vestuário
Automóveis

Papel e Cartão

Cereais

Frutas e
Castanhas

Produtos
Hortícolas

Produtos
Siderúrgicos

Bebidas
Alcoólicas

Produtos
Farmacêuticos
Pescado

Açúcar

Carne Bovina

Animais Vivos

Papel e Cartão
Importações do Panamá nicos (US$ 396 milhões, participação de 9,6%), máquinas e equi-
Principais países fornecedores – 2005 – participação % pamentos elétricos (US$ 368 milhões, 8,9%), produtos farma-
cêuticos (US$ 170 milhões, 4,1%), plásticos e obras (US$ 135
30,0
27,2 Fonte: Global Trade Atlas milhões, 3,3%), produtos siderúrgicos (US$ 121 milhões, 2,9%),
25,0
papel e cartão (US$ 114 milhões, 2,8%), cereais (US$ 80 mi-
lhões, 2,0%) e artigos de vestuário (US$ 74 milhões, 1,8%).
20,0 A pauta exportadora do Panamá é fortemente concentrada
em dois produtos. Em 2005, o País exportou US$ 422 milhões
15,0 em pescado, representando 44,1% da pauta total, e US$ 234
11,4 milhões em frutas, participação de 24,5% no total. Os demais
10,0
6,6
principais produtos exportados pelo Panamá foram: produtos
4,7 4,5
hortícolas (US$ 26 milhões, 2,7% da pauta), açúcar (US$ 24
5,0 3,7 3,5
2,5 2,4 2,0 milhões, 2,5%), carne bovina (US$ 22 milhões, 2,3%), produ-
tos siderúrgicos (US$ 21 milhões, 2,2%), bovinos vivos (US$ 21
0,0
milhões, 2,2%), bebidas alcoólicas (US$ 18 milhões 1,9%), pa-
o

sil

ica

ão

ia

Sul
ico
Uni stados

ala
raça

Chin
mb
Bra

Jap
ta R

Méx

tem
do
dos

Colô

pel e cartão (US$ 17 milhões, 1,8%) e produtos farmacêuticos


s Cu
E

Cos

éia

Gua
Ilha

Cor

(US$ 15 milhões, 1,6%).

Exportações do Panamá Participação do Brasil no comércio exterior do Panamá


Principais países de destino – 2005 – participação % 2000 – 2005

50,0 Fonte: MDIC/SECEX e OMC


Fonte: Global Trade Atlas
43,5

40,0 2,5% 1,3%

0,7%
30,0
2,6% 1,4%

20,0
1,9% 6,6%
6,0%
5,9%
8,9 4,2%
10,0 3,5%
5,6 4,9 4,0 2,6 2,2 2,2 2,1 2,4%
1,9
0,0
a

ia

ica

ica

an
Uni stados

nido
gua

ala
aixo
anh

2000 2001 2002 2003 2004 2005


Taiw
Sué

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dos

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Esp

es B
E

Cos

Nic

Gua

Rein

Importação de Panamá Exportação de Panamá


País

66 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


O mais destacado país de origem das importações pana- (US$ 85 milhões, 8,9%), Suécia (US$ 54 milhões, 5,6%), Países
menhas, em 2005, foram os Estados Unidos com uma parti- Baixos (US$ 47 milhões, 4,9%), Costa Rica (US$ 38 milhões,
cipação de 27,2%, totalizando US$ 1,12 bilhão. Em seguida, 4,0%), Bélgica (US$ 25 milhões, 2,6%), NIcarágua (US$ 21
os principais fornecedores são: Ilhas Curaçao (US$ 470 mi- milhões, 2,2%), Guatemala (US$ 21 milhões, 2,2%),Taiwan (US$
lhões, participação de 11,4%), Brasil (US$ 277 milhões, 20 milhões, 2,1%) e Reino Unido (US$ 18 milhões, 1,9%)
6,6%), Costa Rica (US$ 193 milhões, 4,7%), Japão (US$ 186 Cabe ressaltar que o Brasil foi a terceira maior origem das
milhões, 4,5%), México (US$ 153 milhões, 3,7%), Colôm- importações do Panamá em 2005. No ano, as vendas brasileiras
bia (US$ 142 milhões, 3,5%), Coréia do Sul (US$ 102 mi- ao mercado panamenho representaram 6,6% das compras totais
lhões, 2,5%), China (US$ 98 milhões, 2,4%) e Guatemala do País, um montante de US$ 277 milhões.
(US$ 83 milhões, 2,0%). Do lado das exportações panamenhas, o Brasil já foi destino
Quanto aos países compradores de produtos panamenhos, de 2,6% do total em 2001. Em 2005, participou com 1,3% das
os principais destinos, em 2005, foram: Estados Unidos (total exportações do País, total de US$ 14 milhões, sendo o 16º
de US$ 416 milhões, o equivalente a 43,5% do total), Espanha maior destino.

Intercâmbio comercial entre Brasil e Panamá – 2005


No ano de 2005, as exportações brasileiras para o Panamá Intercâmbio comercial Brasil/Panamá
totalizaram US$ 277 milhões, valor 29,4% acima do registrado 2005/2004 – US$ milhões FOB
no ano anterior, de US$ 214 milhões, representando o segundo
melhor resultado no comércio bilateral, inferior apenas ao re- Fonte: MDIC/SECEX
Variação % 2004/2005: 291
277 Exportação: 29,4%
sultado do ano de 1997 quando foi de US$ 279 milhões. A taxa Importação: - 42,8%
263

de crescimento foi superior a das exportações brasileiras glo- Corrente de comércio: 22,3% 238
214
bais, de 22,6%.
190
Assinale-se que exportação brasileira para o Panamá, em
1997, apresentou valor recorde devido ao envio de um navio
plataforma no valor de US$ 176 milhões. Excluindo-se essa
operação, as vendas de produtos brasileiros ao país somaram
US$ 103 milhões.
Em 2005, as importações brasileiras de produtos panamenhos 24 14
foram de apenas US$ 14 milhões, significando uma redução de
42,8% em relação a 2004, cujo montante foi de US$ 24 milhões. Exportação Importação Saldo Corrente de
Devido ao valor reduzido das compras brasileiras de produ- 2004 2005
Comércio

tos do Panamá, a corrente de comércio e o saldo comercial


apresentaram valores e comportamento muito semelhantes ao
das exportações brasileiras ao país. Em 2005, a corrente de co- Evolução do intercâmbio comercial Brasil/Panamá
mércio somou US$ 291 milhões e cresceu 22,3% em relação ao 1996/2005 – US$ milhões FOB
ano anterior. O saldo comercial bilateral foi de US$ 263 mi-
300
lhões. Registre-se que o Brasil é historicamente superavitário no
Exportação Importação Saldo Comercial
comércio bilateral com o Panamá.
250
No ranking de mercados compradores de mercadorias brasi-
leiras, o Panamá ocupou a 55ª posição em 2005, uma acima da
200
que ocupava em 2004. No ano, o Panamá foi responsável por
0,2% da pauta exportadora brasileira. Relativamente às expor-
tações nacionais destinadas a América Latina, o Panamá foi o 14º 150

maior país de destino, com uma participação de 1,0% do total de


US$ 27,2 bilhões. 100

Quanto às importações brasilerias, o Panamá foi o 78º mai-


or fornecedor. A participação panamenha no total da pauta im- 50

portadora foi de apenas 0,02%. O País foi responsável por


0,1% das compras brasileiras na América Latina, que alcança- 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005
Fonte: MDIC/SECEX
ram US$ 11,7 bilhões.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 67


RELAÇÕES BILATERAIS

Ranking do Panamá nas exportações brasileiras Ranking do Panamá nas importações brasileiras
2005/2004 – US$ milhões FOB 2005/2004 – US$ milhões FOB

Ordem País Valor '% Part% Ordem País Valor '% Part%

2004 2005 2005/04 2004 2005 2005/04


1 1 Estados Unidos 22.741 11,8 19,2 1 1 Estados Unidos 12.851 11,6 17,5
2 2 Argentina 9.915 34,5 8,4 2 2 Argentina 6.239 12,0 8,5
4 3 China 6.834 25,6 5,8 3 3 Alemanha 6.144 21,1 8,4
3 4 Países Baixos 5.283 -10,7 4,5 4 4 China 5.353 44,3 7,3
5 5 Alemanha 5.023 24,5 4,2 6 5 Japão 3.407 18,8 4,6
6 6 México 4.064 2,9 3,4 9 6 Argélia 2.838 45,9 3,9
9 7 Chile 3.612 41,9 3,1 7 7 França 2.700 18,0 3,7
8 8 Japão 3.476 25,6 2,9 5 8 Nigéria 2.652 -24,3 3,6
7 9 Itália 3.224 11,0 2,7 10 9 Coréia do Sul 2.327 34,5 3,2
56 55 Panamá 277 29,4 0,2 70 78 Panamá 14 -42,8 0,02
Fonte: MDIC/SECEX

Relativamente à composição da pauta brasileira de exporta- Exportações brasileiras para o Panamá por fator agregado
ção ao Panamá, 97,2% são de produtos manufaturados, 1,6% são 2005/2004 – US$ milhões FOB
básicos e 0,4% são semimanufaturados. No comparativo 2005/
2004, a categoria que mais cresceu foi a de semimanufaturados, Variação % 2004/2005: 269,3
Básicos: - 8,0%
+189,3%, seguida de manufaturados, +29,6%. Os produtos Semimanfaturados: 189,3%
básicos apresentaram retração de 8,0%. Manufaturados: 29,6%
207,8
Em 2005, os principais produtos que compuseram as vendas
brasileiras ao mercado panamenho foram: aviões (participação
de 19,5% no total exportado), embarcações (11,1%), fio-má-
quina de ferro/aço (7,0%), aparelhos transmissores ou recepto-
res (6,2%), automóveis (4,8%), perfis e fios de ferro/aço (4,5%),
calçados (4,2%), máquinas e aparelhos para terraplanagem
(4,1%), móveis (2,6%) e medicamentos (2,1%). 4,9 4,5 0,4 1,0
O produto de destaque nas exportações ao Panamá é avião. Em
2004, o Brasil não exportou esse item ao país, no ano de 2005, foi Básicos Semimanufaturados Manufaturados
exportado o equivalente a US$ 54,1 milhões. Outros itens com 2004 2005 Fonte: MDIC/SECEX
crescimento significativo foram: ferramentas eletromecânicas (au-
mento de 298,6%, totalizando US$ 1,4 milhão em 2005), rolhas,
tampas e acessórios para embalagens (+112,7%, US$ 3,0 milhões), Entre os produtos que apresentaram maiores crescimentos
automóveis (+108,6%, US$ 13,2 milhões), fio-máquina (+67,1%, relativos nas compras oriundas do Panamá, destacam-se: soda
US$ 19,3 milhões), perfis e fios de ferro/aço (66,8%, US$ 12,5 cáustica (de zero para US$ 1,1 milhão em 2005), antibióticos (de
milhões), medicamentos (+55,4%, US$ 5,7 milhões) e embarca- zero para US$ 359 mil), enzimas (de zero para US$ 227 mil),
ções (+38,9%, US$ 30,8 milhões). máquinas automáticas para processamento de dados (de US$ 1
As importações brasileiras de produtos originários do Pana- mil para US$ 1,3 milhão), correia transportadora/transmissão,
má, também, são formadas preponderantemente por produtos de borracha (de US$ 2 mil para US$ 1,4 milhão), calçados
manufaturados, 93,4%, seguido por básicos, 5,7% e semimanu- (+429,9%, totalizando US$ 532 mil) e instrumentos e apare-
faturados , 0,9%. Os principais itens que compuseram as com- lhos de medida e verificação (de US$ 6 mil para US$ 86 mil).
pras nacionais originárias desse mercado foram: rolamentos e O Estado de São Paulo foi responsável por US$ 146,5 mi-
engrenagens (com participação de 13,0% da pauta total, soman- lhões em exportações para o Panamá, respondendo por 52,9%
do US$ 1,7 milhão), correia transportadora/transmissão de bor- das vendas nacionais ao País. As demais principais unidades da
racha (10,4%), máquinas automáticas para processamento de federação que realizaram exportações ao Panamá foram: Rio de
dados (9,2%), soda cáustica (8,3%) vacinas (5,9%), compostos Janeiro (US$ 46,4 milhões, respondendo por 16,7% da pauta
heterocíclicos (5,3%), calçados (3,9%), antibióticos (2,6%), total), Rio Grande do Sul (US$ 22,0 milhões, 7,9%), Minas Gerais
enzimas (1,7%) e aparelhos de rádio (1,7%). (US$ 20,7 milhões, 7,5%), Amazonas (US$ 13,8 milhões, 5,0%),

68 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


Paraná (US$ 6,1 milhões, 2,2%), Santa Catarina (US$ 5,8 mi- Principais produtos exportados pelo Brasil para o Panamá
lhões, 2,1%), Pernambuco (US$ 4,2 milhões, 1,5%), Ceará (US$ 2005 – US$ milhões FOB
3,5 milhões, 1,3%), Espírito Santo (US$ 2,6 milhões, 0,9%).
Fonte: MDIC/SECEX
A importação brasileira de produtos panamenhos também é con- 54,1

centrada em São Paulo. Em 2005, a unidade da federação foi responsá-


vel por 54,6% da pauta brasileira de exportação ao País, totalizando
US$ 7,4 milhões. Os demais principais estados que importaram do
Panamá foram: Minas Gerais (US$ 1,2 milhão, participando com 8,6% 30,8

do total), Pará (US$ 1,1 milhão, 7,8%), Alagoas (US$ 933 mil, 6,9%),
Espírito Santo (US$ 647 mil, 4,8%), Bahia (US$ 566 mil, 4,2%), Santa 19,3
17,1
Catarina (US$ 408 mil, 3,0%), Rio de Janeiro (US$ 392 mil, 2,9%), 13,2 12,5 11,5 11,3
Maranhão (US$ 374 mil, 2,7%) e Amazonas (US$ 168 mil, 1,2%). 7,1
5,7
Em 2005, o número de empresas que exportaram para o
Panamá cresceu em 2,7% relativamente ao ano anterior, passan-

Aparelhos
Transmissores
e Receptores

Máquinas e
Aparelhos para
Terraplanagem
Fio-máquinas
de Ferro/Aço

Perfis e Fios
de Ferro/Aço
Aviões

Embarcações

Automóveis

Calçados

Móveis

Medicamentos
do de 1.178 para 1.210 empresas, 32 empresas a mais. Quanto às
empresas que efetuaram importações do Panamá, o número se
manteve estável em 115 empresas.

Estados brasileiros que mais exportaram para o Panamá Principais produtos importados pelo Brasil do Panamá
2005 – US$ milhões FOB 2005 – US$ milhões FOB

Fonte: MDIC/SECEX 1,77 Fonte: MDIC/SECEX


146,5

1,41
1,25
1,13

0,80
0,72
46,4 0,53
0,36
22,0 20,7
13,8 0,23 0,23
6,1 5,8 4,2 3,5 2,6

Enzimas
Rolamentos e
Engrenagens

Soda Cáustica

Vacinas

Compostos
Heterocíclicos

Calçados

Antibióticos

Aparelhos
de Rádio
Correia
Transportadora
de Borracha
Máqs. Automáts.
para Processa-
mento de Dados
Rio Grande
do Sul

Paraná

Espírito
Santo
São Paulo

Amazonas

Ceará
Rio de
Janeiro

Minas
Gerais

Santa
Catarina

Pernambuco

Estados brasileiros que mais importaram do Panamá Número de empresas brasileiras exportadoras e
2005 – US$ milhões FOB importadoras no comércio com o Panamá
Fonte: MDIC/SECEX Fonte: MDIC/SECEX
7,4
1.210 1.178

1,2 1,1 0,9 115 115


0,6 0,6
0,4 0,4 0,4 0,2
Espírito
Santo

Bahia
São Paulo

Alagoas

Maranhão
Rio de
Janeiro
Minas
Gerais

Pará

Santa
Catarina

Amazonas

2004 2005
Exportadores Importadores

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 69


CURTAS

Prêmio Propostas
• Paulo Fernando Costa e • Na Assembléia Geral da
Silva, estudante do segundo Organização dos Estados
período da Faculdade de Americanos – OEA, realizada
Relações Internacionais do em junho de 2006, na
Instituto Bennett do Rio de República Dominicana, o
Janeiro, foi sorteado durante Primeiro Vice-Presidente e
o Seminário Bilateral de Ministro das Relações
Comércio Exterior e Exteriores do Panamá,
Investimentos Brasil-Panamá Samuel Lewis Navarro,
com duas passagens aéreas proferiu um discurso que
Rio de Janeiro-Panamá, além resume as propostas do seu
de estada no confortável e país em relação ao
luxuoso Hotel Marriott. As desenvolvimento e à
passagens foram uma integração com a América
cortesia da Copa Airlines, a Latina. Tratando do tema Paulo Fernando Costa e Silva recebe o prêmio. Na foto, Alexandre
principal companhia aérea “governabilidade e Camargo, da Copa Airlines; o Presidente da FCCE João Augusto de
Souza Lima; a Cônsul-Geral Glorisabel Thompson-Flôres, o Embaixador
que opera naquele país. Ao desenvolvimento na
Carlos Bueno e Jorge Berrio, do grupo Marriott.
receber a confirmação do sociedade do conhecimento”,
prêmio, Paulo Fernando Samuel Lewis Navarro
Costa e Silva não escondeu afirmou que a tecnologia da chanceler, para que a Expocomer 2007, a maior
seu contentamento e sua informação merece um sociedade do conhecimento feira de negócios do Panamá,
emoção. interesse especial. Segundo o se desenvolva, é preciso uma vai ser realizada entre 7 e 10
comunidade altamente de março de 2007 na capital
conectada, nacional e deste país. Ela é organizada
internacionalmente, que pela Câmara de Comércio,
troque informações e realize Indústria e Agricultura do
transações comerciais, por Panamá e acontece no
intermédio dos modernos Centro de Convenções
meios digitais de Atlapa. A feira comtempla a
comunicação. O Panamá está realização de negócios nos
disponibilizando os portais seguintes setores:
“Panamá compra” e “Panamá • alimentos, bebidas, e tabaco
tramita” que permitem a • roupas, tecidos, calçados,
A Revista dos Seminários Bilaterais de qualquer cidadão, ou bolsas, artefatos de couro
empresa, oferecer seus • joalheria, relojoaria,
Comércio Exterior e Investimento, serviços ao governo e fazer perfumaria e cosméticos
organizados pela FCCE, é distribuída entre negociações e tramitações de • mobiliário e equipamentos
as mais destacadas personalidades, do forma digital. para marcenaria
“Estamos, também, • artes gráficas e material
Brasil e do exterior, que atuam no cumprindo nosso didático
comércio internacional. compromisso de promover • tecnologia de computação e
pesquisas na área de educação de comunicações
e ciências, e agradeço o apoio • objetos de ferro,
Anunciar aqui é fazer chegar o seu de especialistas de vários equipamentos e material de
produto a quem realmente interessa, a países, especialmente do Chile, construção
Colômbia, México, Brasil e • maquinaria, peças
quem decide.
Estados Unidos”, concluiu sobressalentes e
Procure-nos. Samuel Lewis Navarro. equipamentos de transportes
• produtos e equipamentos
Tel.: 55 21 2221 9638 Expocomer 2007 médicos, farmacêuticos e de
eduardo.teixeira@abrapress.com.br • A XXV Exposição laboratório
Comercial Internacional – • produtos de

70 Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á


entretenimento e lazer Estados Unidos findou e, em Acordo diplomático máquinas e insumos, material
• serviços 1999, o canal passou a • Brasil e Panamá mantêm, de cutelaria, incluindo
Os interessados em funcionar sob administração desde novembro de 2005, utensílios de cozinha, móveis
maiores informações e em panamenha. Uma um acordo de cooperação modulados, sapatos,
expor na feira devem acessar curiosidade: a empresa entre as academias confecções e produtos
o site www.expocomer.com. Panama Ports Company – diplomáticas de ambos os alimentícios. No mesmo
A agência Conceito Brasil que administra os portos de países. O Instituto Rio período, as importações
oferece uma excursão à Balboa, no Pacífico, e Branco e a Academia brasileiras de produtos
Expocomer de oito dias, que Cristobal, no Atlântico, na Diplomática do Panamá panamenhos foram
inclui visita à Zona de Livre entrada e na saída do Canal realizam intercâmbio de praticamente inexistentes.
Comércio de Colón, do Panamá – é uma informação sobre seus Estes valores do comércio
considerada a segunda maior subsidiaria do Hutchison programas de estudos, bilateral são
do mundo. O custo é de Port Holding, um grupo cursos, seminários e outras substancialmente alterados
US$ 1,45 mil por pessoa. chinês, de Hong Kong. atividades acadêmicas. Isto quando neles são incluídas as
O chanceler panamenho inclui, ainda, troca de transações realizadas na Zona
Perfil do Canal Samuel Lewis Navarro assim informações detalhadas de Livre Comércio de
• Um dos “personagens” se pronunciou sobre a atual sobre matérias e Colón. Tendo Colón como
mais mencionados durante o ampliação do canal, uma obra especialidades necessárias à base, o Panamá reexportou
Seminário Bilateral de que está orçada em cerca de formação e capacitação de ao Brasil, em 2004, cerca de
Comércio Exterior e US$ 5,25 bilhões: pessoal diplomático, de US$ 128,4 milhões,
Investimentos Brasil-Panamá “Quando o Panamá ambos os países, no enquanto o Brasil exportou
foi justamente o Canal do recebeu o apoio continental contexto da globalização e ao Panamá em torno de US$
Panamá. Este canal por seu esforço para de suas repercussões na 66,4 milhões. Entre os
interoceânico que atravessa o conseguir a soberania integral política e no Estado. As produtos importados do
Istmo do Panamá, tem 79,6 sobre seu território e a partes se comprometem, Brasil destacam-se
km de comprimento e administração do canal também, a facilitar o televisores, fármacos e
dispõe de seis comportas. interoceânico, sabia que iria intercâmbio de professores, calçados.
Sua construção começou em assumir um compromisso de conferencistas, peritos, O Panamá promove
1881, por iniciativa de grande significado. Nosso pesquisadores e alunos nas tributação ad valorem sobre
Ferdinand de Lesseps, mas país sempre esteve áreas de interesse de ambas suas importações, usando o
foi interrompida em 1888 consciente da importância do as instituições. O valor CIF declarado como
com a liquidação da canal para o comércio intercâmbio deve base para os cálculos.
Compagnie Universelle du marítimo internacional e para materializar -se por meio de Qualquer empresa
Canal Interocéanique, que a economia contemporânea. cursos e seminários, estabelecida no país que
provocou grave escândalo As atuais estruturas físicas do realizados alternadamente, tenha licença comercial pode
financeiro e político na canal começaram a operar em Brasília e no Panamá. O importar livremente. A
França em 1892. Após a em 1914 e é necessário comércio exterior, tema documentação básica
independência da República tomar medidas para estratégico para ambos os requerida pela Dirección
do Panamá, que ocorreu em aumentar sua capacidade. países, deve ocupar parte Nacional de Aduanas do
1903, e da cessão de uma Assim, o canal vai poder importante deste Panamá inclui uma declaração
faixa do território manter-se em consonância intercâmbio. de importação (preparada
panamenho que foi com as novas condições do por um profissional da área
arrendada aos Estados mundo marítimo e, ao Serviço de alfândega), fatura
Unidos, os trabalhos de mesmo tempo, vai • A Embaixada do Brasil no comercial (em inglês ou
construção prosseguiram e consolidar sua importância. Panamá mantém um site com espanhol), guia aérea,
foram concluídos em 1914. Realizando a obra, o Panamá informações úteis sobre conhecimento de embarque
O canal encurtou está ratificando seu comércio exterior. O site em três cópias, número da
sensivelmente o trajeto compromisso histórico com informa que, em 2004, o licença comercial, certificado
marítimo entre o Atlântico e o continente e com o Brasil realizou exportações fitossanitário para produtos
o Pacífico. A Zona do Canal mundo, enquanto centro diretas para aquele país no de carne, e certificado de
tem 1.676 km2. Depois de vital para o intercâmbio e a valor de cerca de US$ 117,2 venda livre.
um acordo concluído em comunicação entre milhões. Os principais itens O site da embaixada brasileira é
1977, o arrendamento aos diferentes povos e regiões.” que exportamos foram http://www.embrasil.org.pa/.

Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos B R A S I L • P A N A M Á 71