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ca r nav a liz a da e, n ã o de uma int e r t e x tu a lid a d e

_ m o n o l óg i ca

da , c o m a qu a l se rep r e s e nt a

lo s . E c om i s to o i ndi v ídu o

a

- interdi sc ipli n a rid a d e to ta lid a d e cO , e r . e nt e e a , ca b a -

qu e vê o t ec ido co mo um a

a verda d e, i g n o r a n do

~ vo l ú pi a dos s í mb o -

s e p e rd e, n ão no t ec i do , m as n o p r o dut o

nal óg ico .

. É c laro que , uma ciê ncia do d e vir d e v e c ome ça r p or c n a r um lu .ga r

d

e a uto-v a l o r açã o

d e s u as e nun ciaçõ e s .

Pa r a i sso , deve m os p es qui sa -

d

o r es de sco b rir os a bu sos d e s u as r egras

met o do l ó g i cas .

S o b a

e

ças, p a r a não f a z e r d e su a t eo ri a um lu ga r nul o, um lu ~a r d e pur a r e ~ re-

s ent a ç ã o ,

a hi s t ó ri a e os ab u so s d e s u as cre n -

pi s temol og i a, pr e ci sa m d esc obri r

m as s im um lu ga r vazio, que é o lu ga ~ d ~ n t u a l d a p es qui sa.

Enfim , c rei o qu e esta pro posta p o d e co ntri b ui r

d as r e l a ç ões soci a i s , e n tre d o i s ge n ocí d ios ,

n a h is t ó ria

para l e mbra r qu e , resp l a n de c e como

alt e rnativ a o s emi oc ídio.

Outubro ,

1 98 3 .

C

APÍTULO I V

A TEORIA CRÍTICA D O DIREITO E AS CO NDIÇÕES DE POSSIBILIDADE DA CIÊNCIA JURÍDICA

O ponto de pa r ti d a des t e e n saio dec o r r e d o me u int eresse e m d i s -

c

ut ir as c o ndi ções de p oss ibilid a d e de e x i s t ê n c i a da T eor ia Cr í ti ca I , c omo

c

i ê n c ia d o Dir e ito" . E s t e trab a lho é , em vário s sentido s ,

e x p . loratório ;

em prim e iro

lu ga r p or qu e exi s t e uma crise d e refl exã o ,

qu e a tr av e ss a

pr o f u n d ame nt e o horizo nt e a tu a l d a S e miolog i a e d a T e ori a d o Conh e -

à t eo ri a c ríti ca d eve enco nt rar de recep çã o; em seguid a , porque

cim e nt o , t er rit ór i os

co ndições d e pr o du ç ão d e s eu s efeito s

a pr ó pria t e oria c rítica s ofre o s e feitos de um a crise em rel açã o a s e us

e f e ito s d e se ntid o e s u as f un ç õe s s o c iai s; d e poi s, porque a pr á tic a d e ci-

siva do saber c r íti c o , inc l usive

a cultu ra d o f utu r o : o se u p a p e l a ti vo

se ria

in s tituída , se m blind á -I a co m

e l a m es m a a tar efa d e pr efig u rar

n os quai s a crí ti ca

as

ao n íve l d e s u a a ut oc r í tic a ,

n ão p oss ui

o d e d es truir a m ito l o gi a di sc iplin a r

um a t u tel a m o r a l ; e , f in a lm e n te ,

p o rque n o ca mp o d o co nh ec im e nto

A co rr ente cr íti ca é u m m ov ime n to

'

h

á d e efe tu ar , a pr e s e nt a

e l emen t os

t eó r ico qu e , a p es a r d as di s tin ções

q ue int e rn a m e n te

co mun s qu e pr ess u põe m

a a d esão à m es m a v i sã o do

c

on h ecim e n to

e um a c ordo

t ác it o sob r e

o m odo em qu e d e v e m

s e r qu e s t i o n a do s

os

e

n f oq u es id e o l óg i c o s e o n to l óg i c o s d o p en s a mento j u rídi co i d ea li s t a .

 

P o r i ss o é que nã o se deve e s tr a nhar

co nt a o e s q u e l e t o

d a s id é i a s c a p i ta i s

2

c o nt rário , e l a dev e s e r u m n ív e l d e s u a s i g ni f i cação.

que p r ete n da enc a r á -I a g l o b a l ment e ,

que e xprimem

a dire ç ão ext e ri o r

le v ando e m

g e r a l d a t e n d ê n c ia .

à c i ê n c i a

P e n s o qu e a T eo ri a Cr í t i ca n ão p o d e s e r um d i sc u r s o

do direito , pe l o

345

n

e nhuma s ubver s ão

est á is e nta de um lon g o períod o

d e c o ntra di ções

e

m se u próprio di sc ur s o .

I

. Al g un s jurist a s

crítico s com eç am

a sentir qu e se u p e nsa~ e nto

co r r e o p e ri g o de se to r n a r o apanágio? de uma

p

de um a c r i s e . O s s int o m as d esta c r i se

c re s cente inconformi s mo ,

n ova . c:s ta mand a r:;al.

~

a rtir d esse s entim e nto, reuniram -s e toda s as condlç o e s d e eme roencla

m

a nife s tam- s e

s o? a fonn ~ de um

em rel aç ão a os e feito s t e xtu ~ l s conqul s tad~s .

As p a lavras

fe it a num a lin guage m f ec h a d a, m o nol óg i ca, ~u e fundame nta um a gra -

m

sa ber jurídic o que pr e tend e co nt estar.

da t eo ria crític a n ão t ê m s i g nifi câ ncia' .

t ão tot a lit á ri a

E uma s ub ve r s ao

c omo as f ormas d o

.

á ti ca d e r ece pç ã o

e ester e otipada

,

uma vi a de s aída p a r ~ e . s t a c rise, . h a

P e n s o qu e , par a e ncontr a r- se

inici a lm e nt e

pera c o m o o f e ix e d as

crítico. O s pe ri g o s do m a nd a rin a to da teon a c r í uca p r o ~e m d o d ese n-

v olvimento de determin a d as c o ndiçõe s de s ua produ ça o ,. f a t a lment e

pri s i o n e ir as

um a co nc ep ção di s ciplin ar d a s o c i e dade . Not e m qu e o di scur s o crítico e s t á lig a d o a um

c

que ~ ~ s ten -

t

id eali s mo c i e ntifici s ta é epiteli a l , defl a grando efeltos . d e l e. ltura que g uar- dam um a r e lação d e f a miliaridade totalitária com o Ide a lis mo c ontes t a -

an a -

log ia _

qu e se t or n a r v i s í ve l o im ag in á ri o

g

n ?seo lo g lco ,

q . u e I m-

co ndi ções qu e t o rn a ~ p ~s.slv e l o c, onh ec lme n to

d e um a p s i co logi a d a . unid a de e, porta nt o , C O \1lve nt es co m

e

, s p aço de ~n a h ses

.

_ r ea lidade , verdad e , l e gibilidad e , r e p rese nt aç a o ,

n os eol ó z ica s

~u e t ê m a m esm a f ilia ç ã o d a s crenças e pi~tê mic as

a m a pr o du ção do saber jurídi c o socialment e dO~11l1 a nt e'. Sua cr í tic a ao

do .

2 . A teoria crítica que s ti o na

o

s efeito s de poder da c i ê ncia }u:!di-

c a " p e qu e no-I e g a lista ", qu e no-gn ose ol óg ica s " .

m as tom a d e la su as c ? ndiçÕe ~ d e p ro ~ , u çao

p e -

D esta forma constroi um di s cu rso

p e qu e no-

'

Atr i bu to d ado p e l o so b e r a n o a se u s fil h o s seg und o s . N o tr aba lh o q u e r o pn v Ile g l a r pr e-

c i s a m e nt e essa d u p li c i dade d e s en tid o .

' Sig n o s d e gra u com p l exo onde o sen tid o é p lur a l e nun ca s e f ec ha .

E s ta expressão p o d e s er e m p r ega d a e m d o i s se ntid os : a) Pr opr i e d a de c arac t e rí s . t ic a ; b )

3

4 6

mat e ria lista" .As c o ndições d e produção " pequeno-gnoseoló gica s " m a r-

do ideológico, dos

discur s os o u enun cia dos

n á rio da pr ó p r i a l i n g u a gem cientí f ica, dando a suas p a lavras e a seus enunc iado s atr i buiç õ es impos sí veis : e s tabelecer, pelo mito da denota-

c am a pr es en ç a do nível e s pe c ífico de manifestação

que em nome d a c iência constituem o imagi-

çã o pura, o domínio da analogia na l i ngu a g e m; suprimir a s plural idades

do r ea l , p e l a ilu sã o de um a palavra sem a mbigüidades

(o ' ideológico se

m

a nifes ta, aqui , com neg a ç ã o do ca r á ter irrem e dia v elmente

plur a l da

pr

áx i s e d o sa b e r ); pr o por

o arti f í c io de d a r um sentido final a o qu e é

e nunciad o; es t a bel e cer a possibilidade de uma gramática de produç ã o

se

p a ra repres en ta r a hi s t ó ria, s ituar o erro como polifonia e a verd a de corno

m compon e nte s

míti c o s ; i s ol a r a lingua g em

de s e u t e mpo hi s tórico ,

univocid a d e; i mp o r a mirag em

do si s tema de língua in v ent a da como

s

istem a do mund o. É a t r av és d a id e ologia p e queno-gno se ol ó gica que se define, ante-

c

ip a da e implicit a m e nt e , o se ntido d o conh ec imento pel as s u as r ea liz a -

ç

õ es imagin á ri as

d a lingüística.

A ss im , torn a -se mític a a gram á tic a

de

produç ã o d o conheciment o ci e ntífico. No pl a no da gr a mática de recep-

ção, o imag in á rio gn o se ológi c o é condição de produção

pod e r do s di sc urs os d a ci ê nci a jurídica. Principalmente porque impõe

mecanismos

perd e m no di sc ur so produzido ,

fe tic hizada s . É a g r a m á tica de produ ç ão condicionando a r e cep ç ão .

d os efeito s de

d e l e itura do s quais os indivíduos

em v ez d e consistir, se

se perdem no jo g o da s equivalências

3 . O sa b e r ci e ntífic o , em suas formas monológicas de enunciação,

se in s cr eve n a

b é m um sig ni f i ca do,

vi gi l â n c ia e unid a d e. Então as significaç õ es aparecem c omo discipl i na

d os c orpo s e r eg ul aç ão de va lore s , dentro de uma política de moraliza ç ão

do s h á bito s cotidia nos , fetichizando-os.

O ima g inár io g noseoló g i c o determina os disposit i vos de poder do conhecimento , af a s t a ndo de no ss a inteli g ibilidade a con s ub s tancialidade

hi s tóri ca da s ações e s i g ni f icações.

e s t e di s t a ncia ment o , a p e lou- s e ao mito da dupl a r a cional i dade: a c o tidi-

an a, s em condi çõ e s pa ra a preender limpidament e a realidade ; e a cientí-

socie dade como um dispositivo de poder . O poder é t a m-

e por isto m a nifesta- s e

no saber como silêncio ,

Pode se dizer que, para provocar

347

fic a , qu e pr e t e nd e a tr avés d e pr oce dim e nt os a ut ocorre tiv os, a~ce nd e r

a

di

forn ec id as a pa rtir d e um a co n sci ê n c i a

( l ogo, u m m é t o d o), co m p o d e r es

o c onh e c i m e nt o

sc u ssão

im a culad o d o r ea l. Assim co me ça, n a m o d e rnida d e,

d e p ossibil i d a d e

d o co nh ec ime nt o ,

so br e as condi ções

a

à pe r da d a lib e r dade d os s u jei t os . O dir e i to bur g u ês se a pr op ri a d a r azão

a

l eg al

a ut o n o rniza d o e i d e nti f i ca nd o, ass i m , a r azão d o E s t a d o co m as fo rm a s

d a r ac i o n a lid a d e a dult a .

dulta ( di s tin g uind o

se r e d ever - ser)

par a imp o r

um d esejo

A teoria c rítica n ão p o d e a t aca r o t ota lita ri s m o

d essa id e nti da d e,

p

a

r a pr essentir

a essên c i a d o rea l , d a soci eda d e e da s u a p ró pria ~ atur e-

pr o pond o - se ,

p o r s u a

vez, co m o a f o r m a não fa l sif ic a d a

dessa r a z ão.

z

a

. C o m o um g rande p a r a d oxo, a n a ture za d o pr ó prio conheCime nt o

E

l a pr ec i sa

d es lo car

o lu ga r

d a ver da d e,

r e introduz i ndo- a

ri a

n

ã

o t er ia nenhuma r e laç ã o com

o soc i a l e co m a hi s t ó ria.

r

ac ion a l i d a d e d o co tidi a n o,

c omo r otei r o p a r a a recup e r a ç ão

d o va l o r

A p a rtir de Pl a t ão o lu ga r d a ve r da de fi co u , d e um m o d o ou d e

outr o , for a da hist ó r ia e d a s oc i e d a d e,

m e nto o r d e n a d o da con sci ê nci a

P e r a nt e

po

di ze r, t a mb é m , e limi n ar s u a s a mbi va l ê n cias

car, a partir do " cogito "

p o r um efe ito de cao s na superfície.

co m o co nt e mpl ação e d es d o b ra -

s

obr e o r ea l.

o u d o di scurs o m e t ód i co

a r ealid a de ,

a co n sci ê n c i a

o u o di scur so f o ra m se mpre

e c ontr ad i ç õ e s,

s ici o n a dos,

c omo d ev end o - a

c ap t a r em s u as f o rm as .p ~r as. Ist o qu e r

p a r a bu s - ap a~ a d a

ou do mét o d o, um a o rd e m uní v o ca,

Então , o lu ga r d a v erdade fiC O U

marcado com o lu c rar da razão adult a . A t e oria crítica não escap a

mito da razão adulta , pois pretende denunciar as contradições do direito

burguês , pr o du z indo uma ord e m monológic a

0~· ·

a e s te

e coer e nte de significa-

.

.

O espaço da v erdade é ass im glo r ifi c ado , miti f ic~do auton~ana- mente. Desta forma temos na so c iedade um gr a nde paradig rna de se jante, que funciona com a ordem sancionad a de no ssos de s ejos e como um

co .m p l ex? d e

gr a nde di s p os itivo

s

de p o d er . A r azão a dult a é, a~si~ ', um

i g nific a ç ões " mito-l óg i c a s",

qu e int e rp e l a os i ndi ví duo s, imp edindo

p o lít ico d a pr á t ica cot idi a n a . Na gra m á t ica d e pr o du ção p e q ue n o -

gn

n o di sc ur so e d a vi o l ê n c i a s im bó lic a qu e e l e e xe rce s obr e os indivídu os.

A t a r efa p o lític a d a t eo ri a c r í tica é a d e d es truir a f orç a d essa vi o l ê n c i a

s

fun

simb ó lica . Sua c rise é provocada,

de consegui-lo , op e ra de um modo finalmente cúmplice.

oseo l óg ica,

e n c ontr a m os a r a i z últim a d a ex plora ç ã o d o s i g ni fica nt e

i g nifica tiv a,

p a r a lib e r a r a no ssa p ró pri a fo rç a . A t e or i a crític a t e m a

em c ondi ç õ es

de def e nd e r- s e d a v io l ê nci a

em grand e m e dida, p o rque ela , lon g e

çã o d e pô r o indivíduo

entre o i ma-

ginári o g nos e oló g i c o instituído e o cotidi a no. Isto leva a um i s olam e nto

simulado da gr a mática de produ ç ão d a s signifi c açõe s c ientíficas , d a rede

d e d e termina ç õe s s ociais que condicionam a gr a mática de circulaç ã o

recepção das m e n s a g e ns científicas .

ex c lusã o da id é ia

p o d e-se

um

ceptivo s . Porque unic a ment e

do car á ter interte x tual dos proces s os produtivos e r e -

d e

4

. Ev ident e mente ,

e x iste uma rela ç ão c ulpabilizad a

e

O que a es se re s peito o c orr e , é a

f a l a r , s em a p e l os ide ali stas,

a

g r a m á tica d e pr o du ç ão , mo s tr a nd o-a co m o um fei xe de s igni f i ca -

qu e s u a s id e ntid a de s, seu s va l o r es, seu s de sej os fiquem c om um a p o -

d

os,

o nd e c e rtos e feit os

de r ec ep ç ão s i g nificati va ( g n ose ol óg i c a s

e s o-

t

ê

n c ia n ô made.

cia

i s), fun c ion a m

co mo

uma d as c o n d i çõ e s

de produ ção.

Mas,

Pr

ess upõe-se ,

ent ã o ,

a id e ntid a d e

da razão logic a ment e

am a dure cid a ,

D aí ocorr e que , cotidi a n a m e nt e,

s e j a r o que a raz ão a dulta va l o ra o u

com o bom d ese j o, c o m o b o m va l o r.

est a mo s for ç ad os a valo r a r e d e -

d

em o utr os tr a b a lh os, os C i e ntis tas,

ese j a.

:

.

C u r i os amente, c o m o indiqu ei

e m n o m e d a e pi s t e m o l og i a,

v a l o r a tiv as do cotid ia no , a cu sand o-as

an a l óg i cas, m as d e t e rmin a nd o

v a l o r a r. P o r i sso é qu e a liberd a d e d a c i ê n c i a

o qu e e m

r

e b e l a m- se

co ntr a as d e termin ações

d e p ô r e m p er i go s u as ilu sões

n osso co tidi a no d e v ~ m os é d ire t a m e nt e p ro p orc I O n a l

inv e r sa m e nte, p od e-se di z er que um a gram á ti ca de r e cep çã o unic a m e n -

t e p ro du z e f e ito s d e se ntido , se o per a co m o

ç ã o 5. Quand o

um . nov o e s paço d e produ - nun ca s e deix a d e vo lt a r a

s e rece be um a m e n s a gem ,

5A rec e p ç ão p r odu tiv a pod e e s t a r d e t e rmin a d a

m onocên tri ca o u p l ur i ce n trada . A e sc o l ha de um o u o ut ro r e f ere nt e g r a m at i ca l in c i d ir á

n o cará t e r ati v o o u pa s s iv o d a rece p ção . Ne s te t ra ba lh o r e s e rv o a expre s são pr o du t i va

pa r a o s proces s os recept i vos qu e pr e se r ve m s e u ca r á t e r a ti vo.

po r um a g r a m á ti ca de p r o du ç ão

349

alavras, cada momento , seja este pr~dut.ivo

inário gnoseoló gico institu-

. .

produzi-Ia. dito em outras p

.

' I e a tera

histó

d

ou receptivo,

í

s

l ó gico, sem Istona

.

O Imagl .

ivadas de um lugar

en epção são apresentados como

lusar "a-histórico" . Kelsen vai con-

do pelo outro .

E e os pro momentos uça,

d

o

condiçõe s que tomam pos-

d

do nega estas influências, apresentan d

,. í v e is a grarnatica

o as d

- o como sen o

d

e rec

inv a ri a velmente provenientes desse

od

seus detalhes

a diferença

-

t b Ihando em to os os

 

,

sagrar essa soluçao, ra . ~

.' ,

d valor Inventando

assim uma

entre enunciado s descn~lvos e Ju~z::er ~er qu~ deixa reservado, par a o

lógica do dever e um ~n . lverso do .

c ampo da opinião cotidiana (o um~erso

e

do ser) o lusar da ideologi a

' _0

dos valores . Ele~ seriam for~a~al~~na~a!i~e(~~~f~:~~e

Temos a s sim uma noçao

a I eo 0 0

.

no ima gin á rio d

do

da s ciências sociais) que permite a preservação dos efeitos de po er

conhecimento

_

oção de ideologi a

ligada às

Na s ciências SOCIaIS, s e propoe uma n

-

idi

e simultaneamente

I

' d

exc UI a

como força

mitificaço . es do .COtl iano

intertextual dos discursos da ciencia.

mente a ideologia, ocultando.com s~a ~rot~gua <r em que é a de eliminar traI do ideológico, como manifestação ~ I

uma visão crítica da s ociedad~: es~ereotl~a . ~d: sS:an~ . :emaá~~C~e;:~~OdU_

'A

Definem,

desta forma, ideologica-

sta de s entido a função cen-

o'

_

Daí que o discurso das cienctas SOCial

o

iti dez

-

.

.

'<rica s na medida

em que,

sua aparente

n t I

çao seJa~

ideológ

I amento das mitificações cotidianas que atra-

sintagmática produz o oc~ t

vessam seu díscurso,

itif ações derivad a s

a s s im como as rm I ic

de seu pró-

prio discurso. Na zramática de produçao, as slgm

I

se operando doi~ ~ível: de Id~o. ogia; ~ o conhecimento

cepção das Sigmfl~aç~es S~~~IS e (~~~e mitifica o reconhecimento

pressente como efelt.~

,

ificações científicas en c ontram-

.

.

.

de re-

que mitifica o processo

científico se

da

rodutiva pura, sem influ-

o

'.

~ po

ramática

. metalinguage~ ências ideológicas

da ciencia nem con , cdo.m icionam . og ento p~ovenientes dos dispositi-

vo s de poder .

"

A teoria kelseniana

duplicidade

Teoria Pura do Direito.

ideológica

b

e um

emplo para notar como .

_

que tomam

om ex

sustent a as condições

a referida

ossível

p

a

350

j

I

l

I

I

A teoria crítica mostra com basranre eficiência, os efeitos de poder (as incidências na sociedade) da ciência jurídica que questiona, mas

seus fundamentos gnoseológicos

continuam sendo ideológicos.

5. Desta forma , o senso comum teórico dos juristas críticos é par- cionais. cialmente coincidente com o que podemos adjudicar aos juristas tradi-

Na história da teoria crítica, noto a influência de concepções sobre a ciência (noção de corte epi s temológico) e da ideologia (como sistema de representações) . Penso que desta maneira se perde a possibilidade de discutir o ideológico como sistema de produção de sentido, para passar a vê-lo como uma proposta de redução da questão ideológica, com vis- tas à construção de uma teoria solidamente edificada. O ideológico no sistema de produção de sentido, deve ser visto como intertextualidade monológica. Ne s se ponto o ideológico deixa de estar nos discursos e

nos sujeitos , para ser situado como intertextualidade

entre eles. Entre-

tanto como fenômeno intertextual, deixa marcas nos sujeitos e nos dis - cursos . Nestes últimos, com um nível de significação. A questão decisiv a

é a seguinte : para fazer a crítica à ideologia, necessita-se incidir no pro -

cesso produtivo de significações, que chamarei crítico .

gerando um outro nível de sentid o

O nível crítico de significação representa a distância máxima qu e pode ser discursivamente conquistada entre as condições ideológic a s de produção e recepção. O nível crítico de significação compromet e

dialogicamente

ção de corte , a teoria crítica nos propõe uma visão ideológica da ideolo -

gia, na medida em que ela impõe uma diferença radical entre ciênci a e

o s istema de produção

de sentido . Com respeito à no -

ideologia,

sem explicar como seria possível produzir

um saber de v e r -

dade a partir de uma prática de conhecimento

erro",

até então viciada p e j o

6A esse respeito v er Eli s eo Veron A produção do s entido. Neste mesmo livro Ver o n f a z um a inter e s sant e an á li s e das relações entre a gramática de produção e consumo d a s significaç õ es, oqu e c omplementa intertextualm e nte 9 afirmado neste trabalho.

3 5 1

. .

os t a d e cort e epis temol óg i co

Sob e s ta p e rsp e ctiva ,

d

que S itua: P: o p . a ci ê nci a d a i deologia,

I

s tl~ g u~fr' caç o-e s

rodu ça o d as s i g ru I

d det e rmin a ntes

e

n o

como o nív e l d e

como um fal s o problem a, pod e ~ os

interior do pr o :~ ss o

sianificação

e p f e i

, qu e c ompõe o nív e l

crí tica sobre o e ix e

o

ideológico.

d

6 . As idéias anteriormente esboç . a _ as, perm

item-me aaora de se n- ibilid a d~ da teori a

volver minh a hipótese

crítica com o um a nova Penso , tr a indo

. posltlvlsmo , q Portanto, privile g i a ndo o lu ga r s a c ia

obre as condl ç o ~s d ção da ci ê nci a

s

f

un a tr a dl ça o

e

o ló

~ e ?~SS 7 Jundlca

. ica d o k a ntis mo

e d o

gno s d sgc omo in tertex tu a lid a d e .

a

u

e ela s dev e m ser rep e n sa

.

.

. I d f I a so bre a quilo que se f a l a e

a

a

,

.

o sujeito da f a l a .

o f a t o d e . déia fic a

ende do s ocial. Ocorre que a I te I'mpreciso Pode-se as s im "

d

o .

Dir e ito n ã o des c onh e ce

.

, Por cert o, a corrente cr í tica

d

.

d

,

I d

que toda produçao de senti o ep

e genera - afirmar que nao oram

analíticas . Por exemplo , em re açao

ficações.

f

em um ruve

lização extremamen

idé

extraídas

I

as devidas conseqüen c las

das s igni-

as incid ê n c i as

do

desta I ela - ao car á ter pré-discur s ivo

f

or a m

f oc alizad as

_ Dito em outros term o s , n a o

hi

I

" s ~ona e ,

desta n o discur s o. . a ni f ic aç õ es que impregnam a ação

d os

discurso n a

'.

Isto p e rmite ver que exi s tem si g I '

.

d

d

um m o do

nt e ind e pendente

r e an va rn e

ocial fun c i o n a n

s

srgm icante s, m as

orgamzaç a o -

if

.

.

,

o

e

el de p es o na escolh a e n a

ao

que de sempenham um . p a p íficações c o rre s pondem

t

Es s a s SIam c > , el I do imaa inário

. '

a ci ê nci a juridica

o ,.

8

.

d e sses sigru isnifi ic a n e s.

neces s ita .

I d ima a inário

o

o

soci a l. Por certo e sse mv

d

ser Visto como con dição I d e possibilidade

mve .

-

E li s eo Veron op d e . cit end . e de um c a m p o m ai s va s t o, o d a

-

d

P

. a se a ce i t a r esta idéia d e B art h e s :

Ne ss e se nti o p r e c r s L - ' 0 esta id é i a da s e g ui n te f o rm a:

.

d

e

l

e p r

-

o du ção d a s s i g m fIcaç oes que

e n co ntrar- se s e m p r e

d s s i o n ifi cações

c? n

d a

" 'm a aç ã o so c ia l . P o r i s t o é que a

oc iedad e .

su b s tancl a a s d c o

' Sobre. a i d é ia d e f und açao , ver

RA produ ção s o c i a l d os di sc u r sos c l en t l f i c o ~ d

pr o du ção s oc i a l da s s i . g rn r ca ç oes .

a lin o ua o em e .' m f ' irut . a e co

.

' "

'

fi

if

m eça a nt e s d a li n g u ag em .

b e o s pr o c e s sos

'"

Exi s t e um e ni g m a n ão d ec i r a o so r

no s obri ga a ace itar o f a t o d e n ossa v i sao

. crítica ao co nhecimento s ó é po ssfv e l como t eo ri a a s

prefigurad a p o r s l .' g mfic açoes - ' j a .

352

As di v er sas pr á tic a s so ciais , incluindo a ci e ntífic a, de se nvolv e m

s i g ni fic a çõ es im ag in á ri a s qu e j oga m um p a pel central na or ga ni zaç ão

d

o s di sc ur s o s, com o a interte x tu a lid a de

e x tra-di s cur s iv a .

Quando um es cravo, diz C as toriadi s, é lingüisticamente definid o

como um " anim a l vocal" , a r e laç ão de sint a gmas

cria ç ão imaginária que nenhum a lei discursiva

explic a por suas con s eqüências sociais, como condição de existência do ag i r s o c ial ", p e lo funcioname nto social do imaginário . Trata-s e de uma atmosfera de s ignifica ç ões s ociais que p e rmitem

qu

ao di sc ur s o . As s i g ni f i caç õ es im ag in á ri as não pod e m s er di s cur s iv a m e nte

ca p tad as . El as pr e ci sa m d e um di ag n ós tic o deriv a do e oblíquo , que tra n s - cen d a s ua s m arcas di s cur s iv a s .

ao s uj e ito e

s e produ z p o r um a pode explicar. Ela se

e um a realid a de e uma hi s tória con s tru í da s obrev e nham

N a semiologia cl á ssica, existe a tend ê ncia a identificar as s i g nifi-

c a ções imaginári as como meros estereótipos, vendo- as como

s ignificantes que se significam a si mesmos, uma vez que . não remetem

a nenhuma

s i g n a r. Não s e l e v a e m con s ideração, assim , que as significações imagi-

n á rias s ó podem t e r , com a a ção , uma relação

co njunto intertextu a l

A hi s t ória n ão e x i s te sem s eu s fantasmas r a dicais. Antes de qu a l-

q

um univ e r s o d e s i g ni f icaçõe s , m a ni f estado por um além d a m e n s a g em .

N o j ogo de sse alé m c o m o di s cur s o, s ituam-se as condiçõ es

lid a d e do discur s o científico.

realidade nem a nenhuma forma de razão que se possa de-

de s eu s efeito s sociai s .

m

á gica,

ao nível do

ex plícita , exi s te o fazer hi s tórico determinado

por

de po ss ibi-

ue r r a cio nalid a d e

7 . Em termos b a stante ger a i s , a teoria crítica do Direito encarou o

p

ro bl e ma d a d e p e nd ê ncia

s o c ial da produção do sentido , bu s c a ndo

s u-

p

e r ar a ra c ion a l id a d e ideali s ta do pensamento jurídico domin a nte.

Ou

se j a , d e nun c i a nd o

e ntre o Dir e ito , o Es t a d o e a soc ied a de ;

do s e s tud os jurídicos e d a m e nt a lid a d e juridicist a pre se nt e n a a pli caç ão

as s im como o car á te r ima g in á rio

o ca r á ter im ag in á r io da s rel a çõe s qu e se a pre s ent a m

9 Co rn e liu s Cas t o ri ad i s A Instituiçã o I m a g in ár ia d a S oc i e dad e P az e T e rr a . Ri o d e Jan e i-

r o, 1982, p. 121.

353

d o Di reit o. D a me s m a m a n e ir a a t aca a n oção d e Di re it o ce n t r a d a n as

n

p

m

d

I o à id éia da norm a f und a m e nt a l ,

d

escald a n tes,

o rm as posit i vas, p a r a mo s tr a r o f unci ona m e nt o d a l e i n a soci eda d ~ , o

a

p e l in te rdi sc ur s i v o d as d o utrin as , co m o in s t â n cia - n ão r eco nh e~ ld a

a nif es t a ment e p e l o p e n sa m e nto id ea l is t a - , p ro dut o r a d os sentid os

a l e i e co m o pro cesso d e ex er c í c i o d o po d er . Qu esti o n a t a m bé m o a p e -

e t e rmin a nt es

m ostran d o co m o e l a esco n de

soc i a i s. E stas d e núnci as, n ão p ass am d e um a indi cação

sem e mb a r go ,

não são

sem r e du c i o ni s m os

eco n o mi c i s t as, d a necessá r ia a rt ic ul açã o d a in s t â n c i a jur ~ di ca, e m seu s

di ve r s o s ' ní ve i s , c om as d e m a i s in s t â n cias d a soci e d a d e . As vezes n ota -

se n a corre nt e c ríti ca, um a i nc lin ação a p ress up o r o u nit ar i s m o d o so -

i l l d ' ec~rre nt e d a d o m i n ação d o t o d o p o r um a c l asse. Pr efi r o a hi pótese

~

do c a r á t e r co n f l i tiv o d o p roce s s o d e produ ção d as s i g ni f i caçõe s 1 0 .

8 . A s uper ação d as c o ndi ções d e p oss ibilid a d e d os di scu rso s, c i .e n -

o va ! o r

tífi cos, f und a d a num a g r a m át i ca d e r ecep ção p e qu e n o - gnoseo lo g 1ca ,

pr ess up õe a ex ist ê n c ia de um discur s o reb e lde qu e, re c up e r ~ n d?

p

c

o lítico d a p o li f oni a, defina o s i s t e ma d e pr od u ç ão d a s s l g m f tc aço e s

i e ntífi cas co mo um pro c e ss o e n ã o como um pr o duto .

O di sc ur s o rebelde é um es t a do muit o sutil d e de s trui çã o d o lu ga r

a b s t ra t o e p e lo

mitifica d o da v erd a de, impo s t o p e l o obj e ti v i s mo

p o sitivi s mo jurídico

l

l .

O

discu rs o mon o lógico é um a fa l a já h a bit a d a, h e rm é ti c a , qu e pre -

c i sa se r d es l oc ad a, a brindo- a p a r a um a g r a máti c a livre. E i s t o d eve ser feito de modo tal, qu e não s e t o rne o di sc u rs o inin te ligí v el . T o m a ~d o

e mpre s t ada d a lit e r a tu ra u ma d e s u as f i g ur as , dir e i qu e p ara pro du z i r o

n í v e l críti co da s s i gn i f i cações ci e ntíf icas,

carn avali zação do di sc urs o .

OSo br e es t a hi pó t e s e ,

I

"A ci ê n c i a

a ss umi - t o.

t em sem p re

ve r El i seo Ve r o n o p . c i t . u m v a l o r met a fó ri co ;

a di f er e n ça

é p r ec i so p rovoca r

a

do di s c u rso r ebeld e

, es t a em

O ro m a n ce c a rn ava liza do m a r ca a pr es en ç a de um diálogo iguali -

as vozes d o p e r so n ag em e a do n a rra dor . É um romance

t

d i a l óg i co. O r o m a n ce c l ássico pelo c ontrá rio , é m o nol ó gico ; todas as

vozes são n e utra l i z a d as p e l a v o z d o nar ra do r . E le é o único que f a la d o mund o. No roma nce c a rn ava liz a d o tod as a s v o ze s dizem o mundo em pé d e i g u a ld a d e .

. Em out ras p a l av r as , n ossa po s ição é a de f a z e r ' surgir , n a teoria

.

,

a n o

12

e ntre

Jur íd ic a variaçõ e s e nunci a t i v as que s irv a m a funcionamento produti v o

d a pa l avra n o inte r io r d as r e l a çõe s soc i a i s , d e mo c ratiz a ndo - as . A

ca rn av~ li zaçã o d a teo ria jurídic a coloc a ria o s s ignificantes em perma-

n

e nt e situação d e pr o du ção . D es lo c a r ia o lug a r d a ve rdad e, con s a g r a d o

p

ara o t e r r itór i o o nd e se r ea l iza s imb o lica m e nte a produção s ocia l : no s -

so co tidi a n o .

.

O di sc ur so m o n o l óg i c o t e m e fe ito s totalit á rio s de poder , na medi -

d a e m qu e p õe e m aç ão c re nç as que foram socializada s a partir de um a

id é i a d a r a z ã o a n a lític a , supo s tam e nte capaz de s alvar o Eu - Social da

indeterm i n aç ões e ambiva l ê ncia s 13 d os efeitos míticos de sentido . O di s -

c ur so di a l ó g ico , pelo c o ntrá r i o, r epresenta um ato de e s vaziamento o u de quebra d e line a rid a de da s relaçõe s ideológic as; é um ato de d e s v i o

d a verd a d e qu e pro v o c a um efeito crítico sobre a ideologia.

A id e olo g ia pode tamb é m ser definida como uma relação de po d e r

e n t r e as s i g ni f ica çõe s. O disc urso dialógico estimularia os anta go ni -

. Na soc ied a d e feudal, s e g undo Ba k htin , er a o c a rna v al qu e a b r i a

m

os da s s i g n i fica ç õe s , a ss egurando s eu desenvolvimento .

ca mi n h o po pul a r p a r a um a e x p e r iência n ã o hi e r á rquica da vid a, c o n tru os có di gos ríg i dos d a o rdem medi e v a l . Diante da s ociedade feud a l , o

ca rn a v a l t orna - s e um a p oss ibilid a de

d e exis t ê ncia p ara lela para s egm n -

12 0 dialo g i s mo ,

s cri tu ra- l eitura

p a r a Julia Kr is t eva,

qu e cam inh a ca rn ava l esca .

do s i g n i f i c a do.

v ê a lin g ua ge m

c om o um a r e l aç ã o d e te xto s , COIIIO

n ão a ri s tot é li ca ,

s int agm ã ti c

\ , 1 9 ( .

S ão P a ul o,

e

co r re l ac i o n a l ,

p . 89. - O di a l og i s m o impli ca se mpr e um a id éia d e de s c o ntinuid a d e co m o m od o d

tr

p a ral e l a

a um a l ó gi c a

I n tr od u ção à S e mi oaná li se , P e r s p ec tiv a,

a n s fo r m a ção

" O termo a rnbi v a l ê n c i a

r e fere- s e a u ma coex i s t ê n c i a

dup la d o se ntid o,

c om o r e v e l ndt I

do p e n s amen t o

s em p r et e n s õe s r e a l is t a s.

tos popul a res . A s v erd a de s oficiai s ser i a m d esl oca d as pe l a paró di a car - nav a lesca . Trabalho s recentes d e a ntr o p o lo g i a s u s t e nt am o po n to de v i s t a de B a k h t in . Tum e r, por e xe mpl o, e n te nd e esse s desl ocame n tos co m o r i tos de inversão de es tatut os, p rese nt es e m t odas as soc i e d a d es . A n o rma invertida t eri a co mo fun ção r e l axa r a r i g id ez e s tru t u ra l d o g rup o, reinjetando-Ih e v a lores igu a lit á rios de " co rnrnunit as"!". É o sentido d a transgressã o hi e r á rqui ca qu e é im por t a nt e r esga t ar

S ó o d is cur s o di a ló g ico

pode lev a nt a r uma quest ã o e d eixá - Ia em

s u s pe n so. O s e ntido s u s p e nso i nc o m o d a, força qu e p e rm it e tr ans forma r o impuls o

a l . Po r i sto Bart h e s fa l a d a n ecess id a de

e por i s to carr ega con sigo u ma vi ta ! e m objeti vos d e lut a s o c i - d e um es pa ço lúdico de l e i t ur a .

P ara N i e t zsc h e a ci ê nci a n as c e do medo . É este med o qu e d e i xa o

indiv íduo f ra gi l iz ado , tão inde fe s o

present ea r - s e . à pri - de ordem na ciênci a

muita s . Contra o m e do s e le v anta a le it ura lúd i c a , que de v e

que necessita

m e ira p a l a vra de ordem qu e e ncon t r a , e as palavras

jurídica s ã o

d

es ta pr o po s t a d e a n á li s e lit e r ár i a.

se

r fe ita e m p r oc es so s de c o le tiv iz a ção molecular .

 

Enfim , a carn aval ização

é um a m e t áfo r a a n a l ít i ca que po d e se r v i r

 

E

nfim qu er o l e mbra r que o a u t oritar is mo

é s e mpre a a u sê ncia de

p

ara nos l e mb rarm os qu e , e m n ossa hi stó ri a,

e n t r e u m geno c í dio

e o u-

teat r o. Q u a n do n os r e c o n hece mo s socialmente a tr av é s de o rd e m , de i de n -

tr o, r es pl a nd ece co m o a l te rn ativa o semi ocíd i o.

tidades auto rit á ri as,

de atmosfera de festa qu e é a d emo c r acia

está falta n d o o p a lco , o espaço p ú blico p a r a a gra n -

como proces s o p a r t i c ip a ti vo .

9. O di sc u rso c i entí f i c o ,

t a l co m o o est o u a p resen t a nd o

a qui , se r-

D

aí qu e n ã o se possa pe nsar em d esl oca r a o rdem

imaginária e d is cur s iv a

vc bem com o

um a metá f or a d a cultura . Ass im a so cied a d e é e ncen a d a

d

o pro cesso

a ut ori t á rio de r e conhecimento d a s identidades s ociais, sem

pela c i ência como um esp e t á culo de signific aç õe s. O di sc urso científic o

não des c reve , nem explica - a partir de uma ord e m can ô nica vel - o real . Ele o dramatiza, ma s não é tod o o dram a.

indiscutí -

Quand o di g o isto , r e fir o -me

dica em que,

co m o na s encen aç õe s

ao s g r a nd es m o del os d a c i ê n c ia j urí- do t e at r o c l áss i co, a f r ase t o rn a - se

fazer do l u ga r o n d e s e fala , mas do que é falado, uma festa

prefig ur a o a ces so a utôno m o do indiv í duo como ator político .

coletiva qu e

nã o t e m d e man e i ra nenhum a um sent i-

do de mil itâ n cia. O s indivíduo s, e m seu p r oc ess o de forma ç ão como

10. O di s c u r so dia l óg ico

b

.e r á rquica , d esenvol v e- s e nel a a diferen ça d os p a p é i s e d os plano s.

a

tores pol í tic o s , e nc on trari a m a s r es p os ta s, a s qu es tões q ue o di s c u r so

Imper a um a t á tica da s p ro posiçõ es s e m co mp rom i ssos. A co r ren t e

lh

es p r opuse sse

( o qu e Brecht cha mava a sa íd a). O s enti d o de um di s -

crítica do dir e it o c on s egu e mo s trar o s ef e it os p o l í ti cos qu e n as s oc i ed a -

d

e n ca rn ada no unive r s o s oc i a l .

Deste modo , pr e t e nde-se e laborar

um discurso a ltern a tivo de verd a de.

entre a Teor ia C rí ti c a e um di sc u rso c i e nt í-

fic o bas e ad o e m co ndi ções d ia l óg i cas d e pro du ção, c irc ul ação e rece p - çã o . E s te último é u ma a rt e d e l eva nt a r as qu estões e não de respo nd ê -Ias ou r es olv ê -I as .

es c apit a li s t as

a hier a rqui a

d o saber pr ovoca ,

m as o qu e es t á d e m as i a -

do present e em s ua críti ca é a id eo logi a

re s p ost as c ríti ca s , co n v id a ndo-n os

H á gr a nd es diferen ças

a

" Turner, Vict o r , T her itu a l process o st ru c tur e and an t is t ructure. C hi cago, 1 968 .

3 56

curso cien t ífico dial óg ico

s

entido su s penso.

é sempre u ma pe rg unt a .

É u m a es c ri t u r a d o

O sentido s usp e n s o n ã o imp l i c a a v ari a ç ã o do s e nti do . A va ri ação

impõe um sentido cad a vez mai s f o rte, mais impo s itiv o ,

sentido que não serve para o e s t a belecimento crática .

E este é u m

de uma s oci eda de d e m o -

11 . Penso qu e a ci ê nci a jur íd ic a

p ar a a d em o -

c ruc ia l : se r á qu e a s c i ência s soci -

d

eve or g anizar- se

cra c i a, l e v a nt a ndo u m a in te r r o gaçã o

ais nos tend e m a um a c ilad a pr oc ur a ndo a v er d ad e ?

A demo c rac i a

é uma i nvenç ã o constant e s em es ta r a po ia d a n a ver -

d

a d e como pala vra d e o rdem . Ela s e reinventa num a c o m preens ã o

p o l í -

tic a do ind ete r minado.

A consciência

lógica do saber é ent ã o m a is

q u e

 

357

um problema lógico, uma necessidade psicológica de seguranç a e iden- tidade. É uma necessidade autoritária. Uma sociedade democrática tam- bém pressupõe a constituição de um lugar comunitário para a

descentralização

tro s de produção semiológica. Uma sociedade democrática encontra-se fundamentalmente comprometida com a necess idade de prover a s con - dições de possibilidade de um desenvolvimento pleno, autônomo, de todos os membros da sociedade. É dizer, comprometida com a demo- cratização s emiológica. Não se pode construir uma sociedade democr á - tica como indivíduos semiologizados pelo autoritarismo, que vivam um imaginário fascista. Na s lutas sociais não se podem inocentar as signifi- cações".

semiológica, para que se produza um traslado dos cen-

12. Os juristas críticos denunciaram

os efeitos de poder do s di s -

cursos jurídicos como uma máquina normalizadora. Pen s o que s e preci- sa questionar, também, a racionalidade do discurso da ciência jurídica , para determinar a maneira em que esses discursos estão impre s sos de crenças e de mitos. Precisamente através desse território mitológico es- pecífico é que o discurso jurídico adquire sua coerência. Sua lógica específica revela-se do mito, de certas condições imaginárias que a pos- sibilitam 16. Precisamente quando se nega esta relação, situando a racionalidade jurídica como uma superação adulta de nossa infância mitológica, se está introduzindo um princípio ideológico na gramática de produção dos discursos jurídicos que nega uma inerência da ordem imaginária. A lógica imaginária, que impregna as significações jurídic as , per- mite o ancoramento do discurso jurídico na história, de maneira "a- histórica", fetichizado como fenômeno natural; depois porque permite absorver as transformações históricas, preservando o efeito de coerên-

"Falta portanto uma teoria política da s linguagens

"Cf. Dominique

e dos textos.

Manai, Noti c e Bibli og r a phiqu e : Droit, m y th e e rai so n , essa i S U l ' Ia

d e rive mythologique d e Ia rationa l ité juridiqu e . 111 Noti ce O'inf o rm a tio n

novembro, 1981 .

n ° 17 , C E TEL ,

cia interna . As formas mitológicas são as que permitem identificar as novas associações significativas à miragem de unidade. Nesse sentido interessa muito mais analisar o imaginário compro- metido com o positivismo jurídico, que os efeitos lógicos de superfície que nos propõe.

É o caráter intertextual dos componentes lógicos e mitológicos da

racionalidade jurídica o que permite os efeitos normativos, disciplina-

dores e hermenêuticos dos textos jurídicos.

;

As correntes críticas do Direito ensaiam uma desmistificação dos

efeitos mitológicos comprometidos com o referente imaginário do le-

gislador racional. logia, na medida

a partir de um

em que sua leitura desmistificadora

outro referente fantasmático: o cientista racional.

Porém não incomodam em profundidade a dita mito-

de uma ordem jurídica es-

sencialmente boa e infalível seja substituída pela glorificação de um a

como ordem das coisas. Por certo é na

própria noção de sistema que se deve encontrar o ponto de relação entr e a lógica e o mito.

Dominique Manai coloca uma questão que me seduz: "le legislateur rationnel assure Ia clôture du discours juridique"!'. De certa maneira ela está levantando a questão do imaginário com - prometido com o discurso monológico. A figura do legislador racion a l evoca o narrador do romance monológico, unicamente ele pode diz e r mundo jurídico.

Por outro lado , no momento da exegese, pode-se encontrar

certa semelhança com o leitor passivo. Exatamente a mesma semelh an -

ça que encontramos no pensamento crítico que efetiva a exeges e c I (

urn u

Inquieta-me muito que a glorificação

ordem de verdade apresentada

tecido significativo autoritária do saber.

do social em nome da verdade . Nova mistificaçí O

Penso que a teoria crítica

deveria focalizar,

como um de S UN

interrogantes provocativos,

gislador racional e os efeitos da coerência e segurança provocado s identificação do pai com a lei.

a questão das relações entre o mito d o I -

p 111

1

7 Id e m.

1 3. Es t o u p r opo nd o , certa m e n te, um desloca m e nto do lu ga r

ep i s t e m o l óg i co pa r a u ma s em i o l og i a t a mb é m d eslocad a . Vi s ta como

a n á li se i n ter t ext u a l e não como tática interdi s ciplin a r . Es t as a proxim a -

ções são a rti c ul adas co m o co nd ições de po s s ib i li d a d e

co mpree n são d o s di s c ur sos jurídi cos

r

sos jurídi cos,

perce p ção d a s d e t e rm i n ações

int e rdis c ipl i n a -rid a d e

co ntrá ri o, as faz fo r tes . B art h es estav a car r e ga do d e r a z ões q u a ndo pro -

q

u e p e rmitem

i

m ag in á -

a

a p a r t ir d a s d im e n sõ es

i as qu e o atrav ess am .

U m a s emio l og i a

q u e t e n t e interp r etar o s disc u r -

a bortaria a

A p e l o

a p a rt i r do modelo

da lí n gua s i stemáti ca,

im a g inári a s

d as s i g ni f i caçõe s .

nã o s uprim e o p ro bl e m a das m e t a l i n g u age n s ,

a t r avé s d a t e n tat i v a c o n ce itu a l d e d a r um a r es p os t a ao i nt e rro ga nt e

c o -

l oc a do . A r ac ion a l i d ade da r e s pos t a se m ede pe l o se u va l or inf ere n cia l e

est a r logic a men t e f u n d a d a e ser a o

c o n s i s t e n te . É o portun o di ze r qu e a p e r -

unt a , e m t o rn o do q ua l g r avi t a um di s cu rso t eór i co m o n ocê ntrico, nun ca

fo rmu l a d a . Ela t e m um a tes t a de fe rr o: a noção d o s i s -

é exp ressame n te

tem a.

g

m e s m o t e mp o s e m a n tica m e nt e

pr o p os i c i o n a l . A re s p os ta t e m que

A t eo r ia ke l se nia n a, p o r exe mplo, p o d e ser v i s t a c om o a r espost a à

D e fa t o e s t a per g unt a é o

p

c e ntro de g ra v i d a de teór i co, o ele m e n to d e coo rd e n ação d o sis t e m a

e r g u n t a : q u e s i gn i f i c a p e n sa r j ur id i ca m e nt e ?

p

unh a

um a c rít ic a lit erá ri a na li terat u ra , p a ra a b olir o s e fe i t o s a u t or i t á r i -

kelse n i ano . É u ma p erg u nta que s e r á re s po n dida ka n t i ana m e n te

d e um

o

s d a m eta lin g u age m.

I g u a lm e nt e

d eve - se p r op i c i a r a crítica do Di re i to

m

odo l ogocê ntri co .

Mas o s di s cur sos qu e se o r ga ni za m

so bre a b ase da

se m as fro ntei ras ab e rt as d a m eta lin g u a ge m , abo lind o -as pe l a l e itu ra

P a r a s up e ra r

o m ito d a ex pli c a ção

pectiva m e talin g üí s ti ca e int e rdi s ciplin ar . P ara mi m é a mesma po s i ção

do g m á t i c a. Pre s ent e m e nte

idéi a de intert ex tu a lid ad e

qu e p e rmiti r ia q u e os pr ó p r i os

no seu int e rior.

a p a i xo n ada, p el a te n t a t i va de u ma elu c id a ç ã o c omp a rtid a .

do Dir ei t o p or ele pró pr io , n ã o bast a a p e l a r à p ers-

p en so qu e a a n á li se di scur s i va ,

e na i d éia d e u m a sem i o l ogia

b ase a da n a

é o

pol i fô n ica ,

a tor es p ol í t i cos pudessem sub ve rte r-s e

14. De s d e um a propost a ep is tem ológica

q u e p ri v ileg i a ,

a p arti r

da in s titui ç ão d e um a met a lin g u age m , a p r áx i s

do co nheciment o torn a-se m o no cê ntri ca . P or o ut ro l a d o , l e v a nd o - se e m

a dquire um

car á t er p o li cênt rico . Co m

Di-

co d e p e nd e d e ind icações r e l a ti va s a sua o ri e n taç ã o a r g ume nt ativ a .

tos indic a dore s f un c i o nam co m o c e ntr o gra vit ac i o n a l d o se ntid o do

disc ur s o , d e te r min am s u a coe r ê n cia . D ec i fran d o o ce nt ro de grav ita ç ão

d

d o di s -

con s idera çã o a i n ter t ex tu a l i d a d e ,

d o mét odo, a produ ção

o espaço e pi s t e m o l ógico

efe it o, a i n te l ig i bi l idade

d e u m d i s c u rso teó r i-

e um di s c ur so, pode m os d iag n o s t i c a r

os fa t ore s con s trut i vo s

inte rtextu a l i d ade

l eva nt a nd o s i mult a n ea me nt e vá ri as p erg unt as que d eixa m em s u spe n s o

pa r a p r o v o c a r a r ec epção a t i va . S ão p erg unt a s pr o voca ti vas, d es tin adas

a tran sfo rma r alg um a "c idad e fart a de autorit a ri s mo ,

ce ito de o b ra acabada é d es ta f o rm a a t a cad o, desl o c a nd o -se p a ra o s momentos de recepção a int e r c o necção d os d iversos n ívei s do di sc ur so .

A r a c io n al i d a d e do di s c ur s o se m e d e aqui p e l o qu e, n a p ró pri a soc i e d a -

d e, é e ntendido co mo r a cionalidad e . De s t a forma de s loca- se a hipostaç ã o

c i e n tificis t a qu e faz d a raz ã o l o gi ca m e nt e tóri a .

d e

r e pr e se nt a ç ões

de u m a di d á t ica ana r q ui s t a. Quando se e s cr ev e ou s e e n u n c i a um di s c u rso po l icentr a d o ,

se t eatra liz a nd o as s i g ni f i cações,

p ação , na p ró pria pr á ti ca d e enun ciação . Ni n gu é m pod e dizer o q u e é , n as ciê n c i a s soc i a i s , um res ult a d o. O

que o cient i s t a crít i co po de oferecer é um a a b er tur a a essa prá t ica qu e é

pro c u ra m p rovoca r a o rd e m d a s u a coerê n c i a int e rn a ,

em p a lco " . O con-

a m a dur e c i d a o s u j eit o da hi s-

um s i s t e m a a nal óg i c o

No d isc u rso p o l ice nt ra do

sub s titu i - s e

do mund o p o r um es p aço a le gó rico que a dquir e o sabor

e c om i s to es t á co n v id a ndo

est á -

à p a rtici -

c

ur so , que sã o s e mpr e a l g u mas qu estõe s , t eses e co nc e i tos.

o c o n hec ime nt o .

Pa r a i s to é pr ec i so j oga r t o do s o s di sc u rsos

qu e se

O di s curso mon ocê ntri c o rec onh e c e um úni co ce ntr o g r av itac i o n a l

a p re s e nt a m c o m o c i e nt íf i c o s, p e rm ane nt e m e n te

un os co nt ra o utr os , l e -

e

m t o rno a um a p e r g unt a c a pit a l , c u ja r e s pos t a pretend e e n con t rar a

v

a nt a n do qu es tõ e s contr a a c ultu ra d e m assas e os i mp erat i vo s

d e s u a s

p a rt i r d e a l g un s co n cei t os . Ass im o d isc ur s o é r eg ul a d o ( deter m inando -

s

e a intercon exão

d e s u as p a r t e s e os limi tes d a ex p a n são

d o co njunto)

pr

ó prias lin g u a ge n s.

D e s ta fo r ma não se e n co nt ra r á

o di sc u rso d a ver -

d

d o c omo s i g no que esc r av iz a . Acre dito que a pr á tic a mai s r e volucion á ria

ze rn n ão es t á n o d isc ur so e m qu e oco rr e um a ilu são d e t o t a l o b jetivid a -
b

d e, m as num a pr á ti ca

in co munic á vel .

tido . Por i s t o é preci so mud a r a g r a m á tic a d e p ro du ção s e m c o n v er ter em es c â nd a l o o s s entido s, s em um a c on s tru ção incompree n s í ve l .

i n s t a l a -

a d e, m as se d etect a r á o qu e n esses d iscu rsos está imo b i liza d o,

n o d o míni o d a lin g u a -

.

.

I

qu e n ã o se j a p ra tica

de di scur so m e t a f ó ri c o ,

A lin g ua ge m

prev ê um l ug a r inó c u o p a ra a falta d e se n-

a

que , a o

m es m o t e mp o, pr ovo qu e m , estimul e m e, e m m ui tos casos, irr i tem. To -

m a ndo s empre o infinit o c uid a do d e n ão impor o di sc urso co m o um a

e nun c i ação. D a í o ap e lo às t á tic as d e enunci ação interrog ati v a s

P e nso que o êxito d e um a re f l e xão críti ca d e pend e d a s ur p r esa

d

a l a d e verd a de .

f

15. A s surp r esas es t ilístico , mas tamb é m

l óg ic a. É preciso, na enu n ci a ç ã o de s c e ntr a liz a d a,

zã o adu l ta , lev a nta n do suspeit a s sobre os e stereótipo s

c onsa g r a m

indivíduo particular é s acri f ic a do à totalidade de uma hi s tóri a m i tif ica d a. Quando f a l o d e deslocamento insinuante d a l inguagem, n ã o e s tou

exc l uind o o requint e da s pal av ra s. P a r a Barthe s , uma pal~ vra é r ? quin-

d e o ut ra. E um a l iber t a-

d

o s i g nifi ca nte

; ,ão t ê m uni ca m e nt e

um va l o r

um va l or insin u ante que e s timu l a à crítica ideo-

diluir as v irtud es d a r a -

com os quais s e

de um a hi s t ó ria o nd e o

i déi as que no s f a l a m d o pr og re sso ,

tad a qu a nd o f az d esapa r ece r um a

ç ão d a l in g u age m

direç ã o , a da int e rt ex tualidad e c o n s t a nt e. Enfim , o v a lor cnu co d o di s -

cu rso p o l ice ntr a d o

co n-

propri e d a d e

qu e a p e la à p o li ssernia,

da~d o ao se ntid ? .um a o u~ra

est á e m d esp er t ar os sent i d os para a po l issemi a,

e z uind o com i s to um p o nto d e p a r t id a d e um a p rá tica de s ub ve r s ã o

s

int e rt ex tu a l qu e o tr a n sg r e di a,

.

do

e m um a pratica

b

v el ideo l ó gi c o

d as m e n sag en s,

mergulhand o -o

qu e o d esv ia va d e se ntid o do es t e r eo tip a -

.

do, s eduzindo -o.

 
 

1

6 . Fi ca ev id e nt e qu e esto u ass umind o

a l ing u age m

c o m o um es -

 

p

aç o de d e b a t e e d e c onflit o. C o m efe it o, t e nt e i m ostr á -Io

como ~ m

e

s p aç o dialético,

ond e o s sentid os se f aze m e d esf aze m

se gund o distân-

36 2

cias e vo lumes d i fere nt e s . Ne l e d ese n vo lvem-se a s rel aç õe s simb ó lica s

d e p o d e r .

O disc ur so monológico pretende colocar a s rel aç õ es s imbó li c a s

do p ode r ao a bri go de t o d a contr a diç ão.

a lie n açã o d o s entid o pelo

d o de uma tra ns g r essã o . Su r ge, assim, um campo de estereotipação, u ma

g r a m á tica d e es tere ót ipo produtora dos efeito s de signific açã o tota l it á -

r i os: s ubmi ss ã o, o b ed i ê n ci a

fund a do no d es centramento do sentido favorece o de -

senvo l vime nt o

favor da div i são do co n fl it o e d a d esco nt i nu i d a d e,

unific aç ão e homog e neidade

pria d a p a r a a c o n s ti t uição s imb ó li ca

de d e po d er n ã o es t á a poi a da e efeitos de s i g nificaç ã o

liga d a à perman ê nci a do conflito. Para isto o l ugar do poder apresenta -

s e como um lu g ar s imbo l icamente vazio, sujeito a metáforas an t agôni -

cas se mpre que s tion a da s, s empre a bert as par a o regre ss o do novo. A

a

De s ta forma s e c onqui s ta

s entido e ond e o c o nf l ito adquir e o si g nifica-

e a to s d e verdad e .

O

di sc ur s o

d o co nflit o ,

n a m e dida e m que ass um e a lingu a gem

a

ma s t a mb é m c ontr a a

social . Trata- s e de uma ling u agem apro-

d a democracia. Nela a l eg i timi da-

t o talit á ria , sen ã o

soc ied a de e ntão n ã o pod e s er definida como u ma unidade substancial,

m a ntendo- se, a s s i m, indeter m inad a

c i e dade d e mocr á ti ca e x ig e um a perman e nte reinvenção s i m b ólica, ba- sea d a num trab a lho de interrog a ç ã o s obre as s ignificações inter-

tex tualmente dadas . A i n te r text u a l idade refere-se, assim, ao es p aço pú-

D e p e nder á da con s ti-

tuição d esse espaço públ ic o, q u e a c i ê n c i a e o pod e r n ã o s e ja m s ituado s num e s pa ço im a gin ár io, conceitu a d o como um lugar fora da sociedade .

S

co

blic o de cir c ul açã o produtiv a da s s i g nificaçõ es.

a natureza da sociedade . U ma so -

o b esse p o nto de v i s t a, na s soc iedade s

n f lit o es t á n a própria s o c i e d a d e

dem o crátic ~ s

o e s petáculo

d e

e n ão mais o E s t a d o.

17 . A l e i e o sa ber do D i reito con s tituem

um n í vel de rel a çõe s

s i m b ó licas d o poder. A tualm e nt e, e s ta dim e n s ão simb ó lic a manifesta-

se a través d e discu rsos monoló g icos que

d o d e um a tran sg r ess ão . co n f l i t o .

outorgam ao conflito o s enti-

do

Eles cont ê m o prin c ípi o da e s tabil i z a ção

Ass

im, n a l e i e n o sa b e r d o Di re ito en c ontr a mo s

o mito d e um a

soc i e d a d e

se m f r a turas . Certame nte ,

desse

modo s e simbo li za

a

 

36

3

p e tr i fi caçã o d as rel ações soc i a i s e a di ssolu ção jurid ici s t a d os co n f lit o s . O mit o de um a socie d a d e coesa p ermi t e , a tra v é s d o Di reito , a s u p r e ss ão

s imb ó lic a d a au t o n o mi a d os s uj e i tos, co n s t ru in d o - se u m ima g in á r io

coe rcitiv o

c e s sita- s e ent ão um tr a b a lh o d e

utilizando um lu g ar

trans g ressor, m as o p ro t ago ni s t a

d e mocr acia . In s inuar s imb o li ca m e n te

é o p a p e l qu e i m ag in o p a r a a t e o r ia cr í tica d o D ireito .

o s u rgim e nt o desse g r a n de t r a n sg r es s or

qu e c ol oca o p o líti co co m o um a in stânc i a

d o un i v e r sa l. N e -

int e r rogação sob r e o di sc u r s o j u rídi co,

a l e i e o sa b e r d o Dir e i t o co ntr a e l es m e s m o s , fazend o d e l e s

vazi o,

ond e

o hom e m a u tô n o m o

n ão seja

um g r a nd e

qu e asseg u ra a i n ven ç ão qu e l eg itima a

o co n f li to do s j uris tas está e m q ue

su a r a cion a l id a d e é um a téc nic a d a ap lic ação dessa p az bur g u esa , e o s juri s t as críti cos a combat e m em n o m e d e um a r ac i o n a l id a d e g n oseo l óg i ca

A p az b u rg u esa est á e m

cr i se,

que anima e s sa m es m a paz bur g u esa.

Uma d as a rm as pr e dil e t as

d o pod e r in s tituí d o

co n s i s t e n a utiliza -

ç

ã o

de uma

doutrin a pre s t e s a n os p ers u a dir

d a rea lid a d e

d o di sc ur so .

 

O pen sa ment o jurí d ic o é tot a lit ár i o , f a l a e m nome

d a l e i. A teo ria

c

rític a é t a mb é m to t a l i t á ria ,

fa l a e m n o m e d e um a verda d e socia l.

In ver no ,

(Mon t pelli e r , Fra n ça)

1 983 .

APÊNDICE DIDÁT I CO

C iê n ci a e D i re ito