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ESTADO FEDERAL – FEDERAÇÃO Na Federação há a união de dois ou mais Estados que formam um novo ser estatal, onde este

é soberano e aqueles possuem somente autonomia política. A autonomia, dos Estados membros, é aquele conjunto de competências atribuídas a uma pessoa, que pode exercê-las dentro de certos limites. Uma unidade autônoma não é soberana, porque ela é limitada pelo Direito. Ela exerce os seus poderes dentro de uma moldura cujos limites são definidos pela Constituição de um Estado. Origem da Federação A origem da formação do Estado federal deita suas raízes na história da concepção dos Estados Unidos da América. Em 1776, as antigas treze colônias da Inglaterra na América do Norte, ao tornarem-se independentes, resolveram unir esforços para a criação de uma abrangente entidade central que pudesse representá-las e defendê-las em assuntos de interesse comum de todas as colônias, criando assim, em 1778, uma espécie de Confederação de Estados independentes. Esta união foi firmada por um documento denominado de Artigos da Confederação, que entrou em vigor a partir de 1781, cujo texto guardava semelhança com as Constituições dos Estados, as quais já dispunham sobre: separação de poderes, Congresso Bicameral e Declaração de Direitos (Bill of Rights). No entanto, a Confederação não teve vida longa. Isto porque o liame que unia os Estados, independentes e soberanos, era muito vulnerável, e o poder central que fora criado não se mostrou capaz de atender os anseios das unidades confederadas, pois a unidade central existente era apenas uma assembléia de representantes dos Estados, sem autoridade sobre os indivíduos de cada Estado e desprovida de soberania. Assim, em 14 de Maio de 1787, na cidade de Filadélfia, reunidos em uma convenção, para rever o pacto formado entre as antigas colônias, os Estados decidiram aprovar uma nova carta, a Constituição dos Estados Unidos da América. A Constituição Federal do EUA, então, fixou as bases sobre a qual se assentaria o novo Estado federativo norte-americano, estabelecendo um novo pacto entre os Estados antes soberanos e independentes que, agora, abdicavam desses poderes em prol do novo poder central. Dentro dessa nova união, a Federação, os Estados gozavam somente de autonomia. As entidades que comporiam a Federação norte-americana, portanto, seriam o poder central (a União) e as unidades federadas (os Estados). “ A supremacia do poder federal veio com a aceitação pelos Estados da Constituição Federal, impondo a superioridade da União, em face da legislação dos Estados, como também da legislação federal”. Traços comuns das federações Embora cada Federação, atualmente, tenha as suas próprias características, todas elas, para que assim sejam classificadas, possuem alguns traços comuns, sem os quais o Estado se afastaria do conceito básico de Federação. São características comuns do Estado federal (confirmando as que vimos em sala de aula): (1) a existência de pelo menos duas ordens jurídicas distintas, a central e a regional; (2) autonomia das unidades federadas, revelada pela repartição constitucional de competências; (3) rigidez da Constituição Federal; (4) indissolubilidade do pacto federativo; (5) possibilidade de manifestação de vontade das unidades parciais, de maneira isonômica, por meio de representantes no Senado Federal; (6) a existência de um órgão guardião da Constituição; (7) possibilidade de intervenção federal nos Estados para a manutenção do pacto federativo.

há autores que defendem que esta rigidez deve estar alçada à condição de cláusula pétrea. Por isto. (6) Para controlar toda a distribuição de competências federativas e de modo a manter funcionando harmoniosamente a federação. A Federação reconhece e pressupõe a convivência dessas distintas esferas de poderes. ela tem que ser rígida. Seria impensável uma Federação em que qualquer um dos seus integrantes pudesse deixá-la a qualquer tempo. deve contar com representantes do povo (Câmara do Deputados) e com representantes dos Estados (Senado). implícita e integrante do pacto federativo. obrigatoriamente. também abdicam do poder de se afastar da Federação. Esta característica irá. deixam de ter soberania e. necessariamente. que se perfaz com a eleição de representantes perante o Senado Federal. ou seja. E esta é imprescindível. assim conceituada como aquele documento que exige um processo mais solene e dificultoso para a sua alteração do que aquele previsto para as leis infraconstitucionais. necessariamente. contrato escrito. os Estados federados devem possuir para seja caracterizada a Federação. para que as . de realizar. a rigidez constitucional. Por isto. para que haja harmonia e equilíbrio no pacto federativo. o que não se verifica na federação. uma vez que ela é que determina as bases em que se assenta a Federação. portanto. (4) A indissolubilidade seria outro elemento importantíssimo da Federação. (5) A possibilidade dos Estados membros de participar na formação da vontade central é ínsita ao pacto federal. nesta última os Estados ainda reservam para si o direito de secessão. os seus membros já exercem esta vontade ao criar o órgão central. o que quebraria a estabilidade do pacto federativo. pois aí estaríamos diante de outra forma de Estado. de se manifestar livremente sobre certos assuntos. (3) O Estado Federal. Este age em nome de todos os componentes da federação e. quando da aquiescência ao pacto federativo. sem que realmente haja um forte desejo da sociedade nesse sentido. sem a interferência da vontade central. E esta participação das unidades federadas deve contar com número igual de representantes. para que não possam ser suprimidas ou modificadas ao talante do poder federal. Nenhum Estado pode ser privilegiado com mais representantes eleitos do que os outros e nenhum Estado pode ser prejudicado com um menor número deles. as vontades parciais devem ter o poder de se auto-organizar. Este órgão exercerá função das mais relevantes e por isso deve ser neutro. permear todas as manifestações do governo central. mister se faz a existência de um órgão que dirimirá os conflitos que possam surgir neste relacionamento entre os membros do Estado Federal. As unidades federadas. Nisto reside a diferença nuclear entre esta e a Confederação. Desta premissa surge a outra característica comum a todas as federações. Quando do nascimento do Estado federativo. a sua manifestação se dá com a participação ou aprovação dos Estados membros. É o acordo de vontades. por isto. de distribuição de competências pelo poder central. para que não haja interferência de uma esfera de poder sobre a outra. mas sim de competências concedidas pela Constituição Federal. ou seja. por via de conseqüência. Não se trata. E esta autonomia se verifica pela repartição de competências atribuídas pela Constituição Federal. não podendo a Federação ser abolida em nenhuma hipótese. variando somente o grau ou o critério de descentralização. Esta é a parcela de autonomia que. possui como documento que o institui e o organiza a Constituição Federal. Inclusive. é o objeto do acordo federalista. portanto. que regerá a vida de todas as partes envolvidas no pacto federativo. Esta rigidez se constitui em garantia do pacto federal. sem as quais não haveria sentido em se falar em Estado federal. de modo que este restará protegido de uma tentativa de alteração. não basta a existência da Constituição. (2) As unidades federadas devem ter a possibilidade de exercer certas competências com autonomia. pois a proibição dirigida aos seus membros de dela se retirar é parte intangível. qual seja.Examinaremos características: agora cada uma dessas (1) A co-existência do poder central com vontades parciais autônomas é o cerne do pacto federativo. tampouco estas competências podem advir de leis ordinárias. ainda. O órgão legislativo federal.

Nesta hipótese. dando lugar à manifestação de poder da vontade central. Este órgão deve pertencer ao Poder Judiciário. instrumento de defesa do próprio pacto federal em situações de maior gravidade: é o instituto jurídico-constitucional da intervenção federal. Assim. que é o documento onde se encontram as diretrizes para a solução de todo e qualquer conflito federativo. (7) Por derradeiro.ordens jurídicas. para que sejam combatidas certas condutas ou omissões atentatórias ao pacto federativo. a União recebe poderes explícitos para agir em nome dos demais Estados e decreta a intervenção federal em um Estado. Por meio desta ao órgão central federal é permitido intervir em determinado Estado federado. . rara e sujeita a verificação da ocorrência de diversos requisitos. Importante dizer que a atuação do órgão do Judiciário que exercerá esta função deverá basear suas decisões na Constituição Federal. É bom dizer que se trata de situação anormal. tudo lastreado nos comandos previstos no Texto Constitucional que disciplinam a matéria. a autonomia do Estado membro fica temporariamente afastada. objetivando fazer cessar uma situação que esteja ameaçando a Federação. até que cesse a situação que ensejou a intervenção. possam receber uma solução jurídica imparcial. eventualmente em litígio. posto que este é que enfeixa em suas mãos todas estas propriedades. temos outro importante característico comum da Federação. capazes de estabelecer o equilíbrio desejado para o bom funcionamento do acordo de vontades das entidades federadas.