Sie sind auf Seite 1von 148

O PRIMEIRO CONGRESSO DA III

INTERNACIONAL (março de 1919)


O PRIMEIRO CONGRESSO
Carta de Convite ao Partido Comunista Alemão (Spartakusbund) ao 1º Congresso da Internacional Comunista
Caros camaradas! Os partidos e organizações abaixo assinados consideraram que a convocação do primeiro Congresso da nova
Internacional revolucionária é de uma necessidade urgente. Durante a guerra e a revolução, manifestou-se não apenas a falência
completa dos antigos partidos socialistas e social-democratas e ao mesmo tempo da Segunda Internacional, não apenas a
incapacidade dos elementos intermediários da antiga social-democracia (dita "Centro") para a ação revolucionária efetiva, mas
atualmente vêem-se desenhar contornos da verdadeira Internacional revolucionária. O movimento ascendente extremamente rápido
da revolução mundial propondo constantemente novos problemas, o perigo de sufocação desta revolução pela aliança dos países
capitalistas contra a revolução se unindo sob a bandeira hipócrita da "Sociedade das Nações", as tentativas dos partidos social-
traidores de se unir e ajudar seus governos a trair a classe operária pela negociação de uma "anistia" recíproca; enfim, a experiência
revolucionária extremamente rica já adquirida e a internacionalização de todo o movimento revolucionário – todas essas
circunstâncias nos obrigam a tomar a iniciativa de colocar na pauta da discussão a questão da convocação de um Congresso
internacional dos partidos proletários revolucionários.

I – OBJETIVOS E A TÁTICA
O reconhecimento dos parágrafos seguintes, instituídos aqui como programa e elaborados com base nos programas do
Spartakusbund da Alemanha e do Partido Comunista (bolchevique) da Rússia deve, a nosso ver, servir de base para a nova
Internacional.
1 – O período atual é de decomposição e ruína de todo o sistema capitalista mundial e ele será a destruição da civilização
européia em geral, se não destruir o capitalismo com suas contradições insolúveis.
2 – A tarefa do proletariado consiste, presentemente, em tomar o poder de Estado. A tomada do poder de Estado significa a
destruição do aparelho de Estado da burguesia e a organização de um novo aparelho de poder proletário.
3 – O novo aparelho de poder deve representar a ditadura da classe operária e em alguns lugares também a dos pequenos
agricultores e trabalhadores agrícolas, isto é, ela deve ser o instrumento de substituição sistemática da classe exploradora por aquela
que é hoje alvo de sua exploração. Não a falsa democracia burguesa – esta forma hipócrita de dominação da oligarquia financeira –
com sua igualdade puramente formal, mas a democracia proletária, com a possibilidade de realizar a liberdade das massas
trabalhadoras; não o parlamentarismo, mas auto-administração dessas massas por seus organismos eleitos; não a burocracia
capitalista, mas órgãos de administração criados pelas próprias massas com a participação real dessas massas na administração do
país e no trabalho de edificação socialista – eis como deve ser o Estado proletário. O poder dos conselhos operários ou das
organizações operárias é a sua forma concreta.
4 – A ditadura do proletariado deve ser a alavanca da expropriação imediata do capital, da abolição da propriedade privada sobre
os meios de produção e da transformação dessa propriedade em propriedade popular.
A socialização (por socialização entende-se aqui a abolição da propriedade privada que é remetida ao Estado proletário e à
administração socialista da classe operária) da grande indústria e dos bancos, seus centros de organização; o confisco das terras dos
grandes proprietários e a socialização da produção agrícola capitalista; a monopolização do comércio; a socialização dos grandes
imóveis nas cidades e no campo; a introdução da administração operária e a centralização das funções econômicas nas mãos de
organismos emanados da ditadura do proletariado – eis os problemas essenciais de hoje.
5 – Para a segurança da revolução socialista, para sua defesa contra os inimigos internos e externos, para a ajuda às outras frações
nacionais do proletariado em luta, etc... o desarmamento completo da burguesia e seus agentes, e o armamento geral do proletariado
são necessários.
6 – A situação mundial exige atualmente o contato mais estreito entre os diferentes partidos do proletariado revolucionário e a
união completa dos países nos quais a revolução socialista triunfou.
7 – O método fundamental da luta é a ação de massa do proletariado e compreende a luta aberta e armada contra o poder de
Estado do capital.

II – RELAÇÕES COM OS PARTIDOS "SOCIALISTAS"


8 – A II Internacional se dividiu em três grupos principais: os social-patriotas declarados que, durante toda a guerra imperialista
dos anos de 1914-1918, sustentaram sua própria burguesia e transformaram a classe operária em carrasco da revolução internacional;
o "centro" cujo dirigente teórico atualmente é Kautsky, que representa uma organização de elementos constantemente oscilantes,
incapazes de seguir uma linha determinada, constituindo-se, muitas vezes em verdadeiros traidores; e, enfim, a ala esquerda
revolucionária.
9 – Com relação aos social-patriotas que, por toda parte, nos momentos críticos, se recusaram a pegar em armas para a revolução
proletária, só a luta implacável é possível. Com relação ao "centro" – a tática de esgotamento dos elementos revolucionários, crítica
implacável e desmascaramento dos chefes. Em certa etapa do desenvolvimento, a separação organizativa dos elementos do centro é
absolutamente necessária.
10 – Por outro lado, é necessário a formação de um bloco com esses elementos do movimento revolucionário que, não tendo
pertencido outrora ao partido socialista, se colocam agora no conjunto sobre o terreno da ditadura do proletariado sob a forma do
poder soviético. Estes são em primeira linha os sindicalistas do movimento operário.
11 – Enfim, é necessário atrair todos os grupos e organizações proletárias que, não estando abertamente vinculados à corrente
revolucionária de esquerda, manifestam muitas vezes em seu desenvolvimento uma tendência nessa direção.
12 – Concretamente, nós propomos que participem do Congresso os representantes dos seguintes partidos, tendências e grupos
(os membros com plenos direitos da Terceira Internacional serão outros e se colocarão inteiramente sobre seu terreno):
1 – Spartakusbund (Alemanha); 2 – Partido Comunista (Bolcheviques) (Rússia); 3 – Partido Comunista da Áustria alemão; 4 –
Partido Comunista da Hungria; 5 – Partido Comunista da Finlândia; 6 – Partido Comunista Operário polonês; 7 – Partido Comunista
da Estônia; 8 – Partido Comunista da Letônia; 9 – Partido Comunista da Lituânia; 10 – Partido Comunista da Rússia Branca; 11 –
Partido Comunista da Ucrânia; 12 – Os elementos revolucionários do Partido social-democrata tcheco; 13 – Partido social-democrata
búlgaro (restrito); 14 – P.s.-d. romeno; 15 – A ala esquerda do p.s.-d. sérvio; 16 – A esquerda do Partido s.-d. sueco; 17 – Partido s.-d.
norueguês; 18 – Pela Dinamarca o grupo Klassemkampen; 19 – Partido Comunista holandês; 20 – Os elementos revolucionários do
partido operário belga; 21 e 22 – Os grupos e organizações no interior do movimento socialista e sindicalista francês, que, no
conjunto, se solidarizam com Loriot; 23 – A esquerda s.-d. da Suíça; 24 – o Partido Socialista italiano; 25 – Os elementos
revolucionários do P.S. espanhol; 26 – Os elementos de esquerda do Partido Socialista português; 27 – Os partidos socialistas
britânicos (sobretudo a corrente representada por Mac Lean); 28 – S.L.P. (Inglaterra); 29 – I.W.W. (Inglaterra); 30 – I.W. (Grã-
Bretanha); 31 – Os elementos revolucionários da organizações operárias da Irlanda; 32 – Os elementos revolucionários dos shop
stewards (Grã-Bretanha); 33 – S.L.P. (América); 34 – Os elementos de esquerda do P.S. da América (a tendência representada por
Debs e a Liga de Propaganda Socialista); 35 – I.W.W. (América); 36 – I.W.W. (Austrália); 37 – Workers International Industrial
Union (América); 38 – Grupos socialistas de Tóquio e Yokohama (representado pelo camarada Katayama); 39 – A Internacional
Socialista dos Jovens (representada pelo camarada Muzenberg).

III – A QUESTÃO DA ORGANIZAÇÃO E O NOME DO PARTIDO


13 – A base da Terceira Internacional é dada pelo fato de que nas diferentes regiões da Europa já estão formados grupos e
organizações de camaradas de idéias, colocando-se sobre uma plataforma comum e empregando no geral os mesmos métodos táticos.
Trata-se em primeiro lugar dos espartaquistas na Alemanha e dos partidos comunistas em muitos outros países.
14 – O Congresso deve criar, pela necessidade de uma ligação permanente e de uma direção metódica do movimento, um órgão
de luta conjunta, centro da Internacional Comunista, subordinando os interesses do movimento de cada país aos interesses comuns da
revolução em escala internacional. As formas concretas da organização, da representação, etc. serão elaboradas pelo Congresso.
15 – O Congresso deverá tomar o nome de "Primeiro Congresso da Internacional Comunista", os diferentes partidos deverão ser
seções desta. Teoricamente Marx e Engels já achavam equivocado o nome "social-democrata". O desmoronamento vergonhoso da
Internacional Social-democrata exige aqui também uma separação. Enfim, o núcleo fundamental do grande movimento já está
formado por uma série de partidos que tomaram este nome.
Considerando o que foi dito, propomos a todas as organizações e partidos irmãos colocar na ordem do dia a convocação do
congresso Comunista Internacional.

Saudações socialistas.

Comitê Central do Partido Comunista Russo (Lênin, Trotsky).


Bureau Estrangeiro do Partido Operário Comunista da Polônia (Karsky).
Bureau Estrangeiro do Partido Operário Comunista da Hungria (Rudniansky).
Bureau Estrangeiro do Partido Operário Comunista da Áustria alemã (Duda).
Bureau russo do Comitê Central do Partido Comunista da Letônia (Rosing).
Comitê Central do Partido Comunista da Finlândia (Sirola).
Comitê Executivo da Federação social-democrata Revolucionária Balcânica (Ravovsky).
Pelo S.L.P. (América) (Reinstein)

O convite acima convocou os comunistas de todos os países para a conferência que deveria se iniciar em Moscou, a 15 de
fevereiro de 1919. As grandes dificuldades de circulação retardaram a inauguração. Ela só pôde acontecer no dia 2 de março. A
conferência foi aberta por Lênin, às dezoito horas. Adotou-se a língua alemã para os debates, em outras circunstâncias falava-se
russo, francês e inglês.
Como presidentes do Congresso foram eleitos por unanimidade os seguintes camaradas: Lênin (Rússia), Albert (Alemanha),
Platten (Suíça), o quarto presidente foi eleito pela ordem de inscrição pelos diversos países. O Congresso elegeu como secretário o
camarada Klinger.
A Comissão de mandatos constatou a participação dos seguintes partidos e dividiu os votos:

PARTICIPANTES DO CONGRESSO DA INTERNACIONAL COMUNISTA DE MOSCOU


(2 a 6 de março de 1919)
País e Partido Número de votos
1 – Partido Comunista Alemão 5
2 – Partido Comunista Russo 5
3 – Partido Comunista da Áustria alemã 3
4 – Partido Comunista Húngaro 3
5 – S.-D. de esquerda Sueca 3
6 – P.S.-D. norueguês 3
7 – P.S.-D. suíço 3
8 – S.L.P. americano 5
9 – Federação Revolucionária Balcânica
(Tchecoslováquia e PC romeno) 3
10 – Partido Comunista polonês 3
11 – Partido Comunista da Finlândia 3
12 – Partido Comunista ucraniano 3
13 – Partido Comunista da Letônia 1
14 – Partido Comunista branco-russo e lituano 1
15 – Partido Comunista da Estônia 1
16 – Partido Comunista armênio 1
17 – Partido Comunista da Volga alemã 1
18 – Grupo Unificado dos Povos da Rússia Oriental 1
19 – Esquerda Zimmerwaldense francesa 5

VOTOS DELIBERATIVOS
20 – Partido Comunista tcheco
21 – Partido Comunista búlgaro
22 – Partido Comunista dos países eslavos meridionais
23 – Partido Comunista inglês
24 – Partido Comunista francês
25 – P.S.-D. holandês
26 – Liga da Propaganda Socialista da América

SEÇÕES DO BUREAU CENTRAL DOS PAÍSES ORIENTAIS


27 – Comunistas suíços
28 – Comunistas do Turquestão
29 – Turco
30 – Georgiano
31 – Adzerbaidjano
32 – Persa
33 – Partido Operário Socialista chinês
34 – União Operária da Coréia
35 – Comissão de Zimmerwald

DISCURSO DE ABERTURA DE LÊNIN


Por solicitação do Comitê Central do Partido Comunista russo, inauguro o primeiro Congresso Internacional. Antes de mais nada,
pelo que honrem a memória dos melhores representantes da III Internacional, Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo.
Camaradas, nosso Congresso reveste-se de uma grande importância na história mundial. Ele demonstra o fim de todas as ilusões
da democracia burguesa. A guerra civil se transformou num fato, não só na Rússia, mas nos países capitalistas mais desenvolvidos,
por exemplo a Alemanha.
O povo percebeu a grandeza e a importância desta luta. Tratava-se de encontrar a forma prática quer permitisse ao proletariado
exercer sua dominação. Esta forma é o regime dos Sovietes com a ditadura do proletariado. A ditadura do proletariado; essas palavras
eram "latim" para as massas até nossos dias. Agora, graças ao sistema dos Sovietes, esse latim se traduziu para todas as línguas
modernas; a forma prática da ditadura foi encontrada pelas massas populares. Ela se tornou inteligível para a grande massa de
operários graças ao poder dos Sovietes na Rússia, aos espartaquistas da Alemanha, às organizações análogas nos outros países, como
Shop Stewards Committes na Inglaterra. Tudo isso prova que a forma revolucionária da ditadura do proletariado foi encontrada e que
o proletariado está em ação para exercer de fato sua dominação.
Camaradas! Penso que depois do que aconteceu na Rússia, depois dos combates de janeiro na Alemanha, importa sobretudo
observar que a nova forma do movimento do proletariado se manifesta e se amplia também nos outros países. Hoje, li num jornal
inglês anti-socialista um telegrama anunciando que o governo inglês recebeu o soviete de delegados operários de Birmingham e
prometeu-lhe reconhecer os Sovietes como organizações econômicas. O sistema soviético conseguiu a vitória não apenas na Rússia
atrasada, mas também no país mais civilizado da Europa: a Alemanha, e no mais antigo país capitalista: a Inglaterra.
A burguesia pode maltratar; pode também assassinar milhares de operários – mas a vitória é nossa, a vitória da revolução
comunista mundial está assegurada.
Camaradas! Em nome do Comitê Central desejo cordialmente que sejam bem-vindos.

TESES DE LÊNIN SOBRE A DEMOCRACIA BURGUESA E A DITADURA DO PROLETARIADO


1 – O crescimento do movimento revolucionários proletário em todos os países suscita os esforços convulsivos da burguesia e dos
agentes que ela possui nas organizações operárias para descobrir os argumentos filosófico-políticos capazes de servir à defesa da
dominação dos exploradores. A condenação da ditadura e a defesa da democracia figuram entre esses argumentos. A mentira e a
hipocrisia de tal argumentação repetida à saciedade na imprensa capitalista e na conferência da Internacional Amarela de Berna em
fevereiro de 1919 são evidentes para todos os que procuram não trair os princípios fundamentais do socialismo.
2 – Em primeiro lugar, este argumento se apóia nas concepções de "democracia geral" e de "ditadura em geral", sem precisar a
questão da classe. Colocar assim o problema, fora da questão das classes, pretendendo considerar o conjunto da nação, é zombar da
doutrina fundamental do socialismo, a saber a doutrina da luta de classes, aceita nas palavras, mas esquecida na prática pelos
socialistas que passaram para o campo da burguesia. Pois em nenhum país civilizado, em nenhum país capitalista, existe democracia
em geral: existe apenas democracia burguesa. Não se trata mais da ditadura exercida pela classe oprimida, isto é, pelo proletariado,
sobre os opressores e os exploradores, sobre a classe burguesa, com o objetivo de triunfar sobre a resistência dos exploradores, sobre
a classe burguesa, com o objetivo de triunfar sobre a resistência dos exploradores lutando por seu poder.
3 – A história ensina que nenhuma classe oprimida jamais chegou ao poder, e não pode fazê-lo sem passar um período de ditadura
durante o qual se ampara no poder político e abate pela força a resistência desesperada, exasperada, que não se detém diante de
nenhum crime, que sempre opuseram os exploradores. A burguesia, cuja dominação é sustentada hoje pelos socialistas que peroram
sobre a ditadura em geral e que se debatem a favor da democracia em geral, conquistou o poder nos países civilizados ao preço de
uma série de insurreições, guerras civis, aniquilação pela força – de reis, nobres, proprietários de escravos -, e pela repressão das
tentativas de restauração.
Milhares de vezes os socialistas de todos os países explicaram ao povo o caráter de classe dessas revoluções burguesas em seus
livros, brochuras, resoluções de seus congressos, discursos de propaganda. Eis porque esta defesa atual da democracia burguesa em
meio a discursos sobre a "ditadura em geral", são uma verdadeira traição ao socialismo, uma deserção caracterizada em proveito da
burguesia, uma negação do direito do proletariado à sua revolução proletária. É defender o reformismo burguês, precisamente no
momento em que ele fracassou no mundo inteiro, quando a guerra criou um estado de coisas revolucionário.
4 – Todos os socialistas, demonstrando o caráter de classe da civilização burguesa, da democracia burguesa, do parlamento
burguês, expressaram a idéia já formulada com o máximo de exatidão científica por Marx e Engels que a mais democrática das
repúblicas burguesas não sabe ser outra coisa que uma máquina de oprimir a classe operária à mercê da burguesia, a massa de
trabalhadores à mercê de um punhado de capitalistas. Não um único revolucionários, um único marxista, entre os que gritam hoje
contra a ditadura e pela democracia que não tenha jurado por seus deuses diante dos operários que aceitou essa verdade fundamental
do socialismo; e agora que o proletariado revolucionário está em fermentação e em movimento, que se encaminha para destruir esta
máquina de opressão e para conquistar a ditadura do proletariado, esses traidores socialistas desejam fazer crer que a burguesia deu
aos trabalhadores a "democracia pura", como se a burguesia tivesse renunciado a toda resistência e estivesse prestes a obedecer à
maioria dos trabalhadores, como se, numa república democrática, não houvesse uma máquina governamental feita para operar o
esmagamento do trabalho pelo capital.
5 – A Comuna de Paris, que todos os que desejam passar por socialistas honram em palavras, porque sabem que as massas
operárias têm uma viva e sincera simpatia por ela, mostrou com particular nitidez a relatividade histórica, o valor limitado do
parlamentarismo burguês e da democracia burguesa, instituição que significaram um grande progresso em relação à Idade Média,
mas que exigem necessariamente uma reforma fundamental à época da revolução proletária. Marx, que apreciou melhor que ninguém
a importância histórica da Comuna, provou, analisando o caráter de exploração da democracia e do parlamentarismo burguês, que
este é o regime sob o qual as classes oprimidas ganham o direito de decidir num único dia para um período de vários anos quem será
o representante das classes possuidoras que representará e oprimirá o povo no Parlamento. E esta é a hora em que o movimento
sovietista, abarcando o mundo inteiro, continua aos olhos de todos a obra da Comuna, que os traidores do socialismo esquecem
repetindo as velhas futilidades burguesas sobre a "democracia em geral". A Comuna não foi portanto uma instituição parlamentar.
6 – O valor da Comuna consiste em que ela tentou desarticular, destruir completamente o aparelho governamental burguês na
administração, na justiça, no exército, na polícia, substituindo-o pela organização autônoma das massas operárias, sem reconhecer
qualquer distinção entre os poderes legislativo e executivo.
Todas as democracias burguesas contemporâneas, sem excetuar a República alemã que os traidores do socialismo chamam
proletária apesar da verdade, conservam o velho aparelho governamental. Assim, se confirma mais uma vez, de forma absolutamente
evidente, que todos esses clamores em favor da democracia não servem, na realidade, senão para defender a burguesia e seus
privilégios de classe exploradora.
7 – A liberdade de reunião pode ser tomada como exemplo dos princípios da democracia pura. Todo operário consciente que não
rompeu com sua classe compreenderá de imediato que seria insensato permitir a liberdade de reunião aos exploradores, no momento
e nas circunstâncias em que os exploradores se opõem à sua desgraça e defendem seus privilégios. A burguesia, quando era
revolucionária, na Inglaterra em 1649 ou na França em 1793, jamais concedeu a liberdade de reunião aos monarquistas ou aos nobres
que chamaram tropas estrangeiras e se "reuniram" para organizar as tentativas de restauração. Se a burguesia de hoje, que há muito
tempo se tornou reacionária, exige do proletariado que ele garanta por antecipação, apesar de toda resistência que farão os capitalistas
à sua expropriação, a liberdade de reunião para os exploradores, os operários só poderão rir da hipocrisia dessa burguesia.
De outra parte, os operários sabem muito bem que a liberdade de reunião, mesmo na república burguesa mais democrática, é uma
frase vazia de sentido, pois os ricos possuem os melhores prédios públicos e privados, assim como o ócio necessário, para se
reunirem sob a proteção deste aparelho governamental burguês. Os proletários da cidade e do campo e os pequenos agricultores, isto
é, a imensa maioria da população, não possuem nem um nem outro. Longe disso, a igualdade, isto é, a democracia pura, é um
engodo. Para conquistar a verdadeira legalidade, para realizar verdadeiramente a democracia em proveito dos trabalhadores, é
necessário, preliminarmente, dar tempo livre aos trabalhadores; é necessário que a sua liberdade de reunião seja protegida por
operários armados e não por oficiais provincianos ou capitalistas com soldados postados para sua devoção.
Só então se pode, sem zombar dos operários, dos trabalhadores, falar de liberdade de reunião e igualdade. Ora, quem pode
executar essa mudança, a não ser a vanguarda dos trabalhadores, o proletariado, pela derrubada dos exploradores e da burguesia?
8 – A liberdade de imprensa é igualmente uma das grandes divisas da democracia pura. Mais uma vez, os operários sabem que os
socialistas de todos os países reconheceram milhões de vezes que esta liberdade é uma mentira, tanto que as melhores impressores e
os maiores estoques de papel são açambarcados pelos capitalistas, tanto mais subsiste o poder do capital no mundo inteiro com muito
mais clareza, nitidez e cinismo quanto mais desenvolvido é o regime democrático e republicano, como por exemplo na América. A
fim de conquistar a verdadeira igualdade e a verdadeira democracia no interesse dos trabalhadores, dos operários e dos camponeses, é
preciso começar por tirar do capital a possibilidade de alugar todos os escritores, de comprar e corromper os jornais e as editoras, e
por isso é necessário destruir o jugo do capital, destruir os exploradores, quebrar sua resistência. Os capitalistas chamam liberdade de
imprensa à faculdade dos ricos corromperem a imprensa, à faculdade de utilizar sua riqueza para fabricar e sustentar uma suposta
opinião pública. Os defensores da "democracia pura" são na realidade os defensores do sistema vil e corrompido da dominação dos
ricos sobre a instrução das massas; eles são os que enganam, o povo e o desviam com belas frases mentirosas desta necessidade
histórica de libertar a imprensa de sua submissão ao capital.
Verdadeira liberdade ou igualdade só existirá no regime edificado pelos comunistas, no qual será materialmente impossível
submeter a imprensa direta ou indiretamente ao poder do dinheiro, no qual nada impedirá cada trabalhador, ou cada grupo de
trabalhadores, de possuir ou usar, em total igualdade, o direito de se servir das máquinas e do papel do Estado.
A história do século XIX e do século XX nos mostrou, mesmo antes da guerra, o que era a famosa democracia pura sob o regime
capitalista. Os marxistas sempre repetiram que quanto mais desenvolvida era a democracia pura, quanto mais pura era ela, tanto mais
devia estar viva, encarniçada e impiedosa a luta de classes e mais nítido o domínio do capital e a ditadura da burguesia. O caso
Dreyfus na França republicana, as violências sangrentas dos destacamentos assalariados e armados pelos capitalistas contra os
grevistas na república livre e democrática da América, estes milhares de outros fatos que em vão a burguesia tenta esconder
demonstram que é precisamente nas repúblicas mais democráticas que reina na realidade o terror e a ditadura da burguesia, terror e
ditadura que aparecem abertamente toda vez que os exploradores supõem que o poder do capital começa a ser abalado.
9 – A guerra imperialista de 1914-1918 demonstrou definitivamente, mesmo aos olhos dos operários não esclarecidos, o
verdadeiro caráter da democracia burguesa, mesmo nas repúblicas mais livres – como característica da ditadura burguesa. Para
enriquecer um grupo alemão ou inglês de milionários ou de miliardários foram massacrados dezenas de milhares de homens e foi
instituída a ditadura militar da burguesia nas repúblicas mais livres. Esta ditadura militar persiste, mesmo após a derrota da
Alemanha, nos países da Entente. A guerra abriu os olhos dos trabalhadores, arrancou os falsos atrativos da democracia burguesa,
mostrou ao povo inteiro o abismo da especulação e do lucro durante a guerra. Em nome da liberdade e da igualdade, a burguesia fez
esta guerra; em nome da liberdade e da igualdade os fornecedores de armas acumularam riquezas inauditas. Todos os esforços da
Internacional amarela de Berna não conseguiram esconder das massas o caráter de exploração atualmente manifesto da liberdade
burguesa, da democracia burguesa.
10 – No país capitalista mais desenvolvido da Europa, a Alemanha, os primeiros meses desta completa liberdade republicana,
ocasionada pela derrota da Alemanha imperialista, revelou aos operários alemães e ao mundo inteiro o caráter de classe da república
democrática burguesa. O assassinato de Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo é um fato de importância histórica universal, não só
pela morte trágica de homens e dos melhores dirigentes da verdadeira internacional proletária e comunista, mas também porque ele
desnudou no Estado mais avançado da Europa e, pode-se dizer, do mundo inteiro, a verdadeira essência do regime burguês. Se
pessoas em estado de prisão, isto é, presas pelo poder governamental dos social-patriotas, sob sua guarda, puderam ser mortas
impunemente por oficiais e capitalistas, é porque a república democrática na qual tal fato foi possível é apenas a ditadura da
burguesia. Os que expressam sua indignação pelo assassinato de Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo, mas não compreendem esta
verdade, mostram com isso sua ignorância ou sua hipocrisia. A liberdade, numa das mais livres e avançadas repúblicas do mundo, na
república alemão, é a liberdade de matar impunemente os dirigentes do proletariado em estado de prisão, e não pode ser de outra
forma, pois o desenvolvimento do princípio democrático, longe de enfraquecer, superexcita a luta de classes que, por causa das
repercussões e influências da guerra, chegou a seu ponto de ebulição.
Em todo o mundo civilizado, os bolcheviques são hoje expulsos, perseguidos e aprisionados. Na Suíça, uma da repúblicas mais
livres, massacram os bolcheviques. Na América também acontece a mesma coisa. Do ponto de vista da democracia em geral ou da
democracia pura, é de fato ridículo que os Estados civilizados e avançados, democráticos, armados até os dentes, temam a presença
de algumas dezenas de homens vindos da Rússia atrasada, faminta, arruinada, desta Rússia que, em suas dezenas de milhões de
exemplares, os jornais burgueses chama de selvagem, criminosa, etc. É claro que as condições sociais nas quais uma contradição tão
gritante pôde nascer realizam na realidade a ditadura da burguesia.
11 – Neste estado de coisas, a ditadura do proletariado não é apenas absolutamente legítima, enquanto instrumento adequado à
destruição dos exploradores e ao esmagamento de sua resistência, mas também absolutamente indispensável para toda a massa
trabalhadora, como o único meio de defesa contra a ditadura da burguesia que causou a guerra e prepara novas guerras.
O ponto mais importante, que os socialistas não compreendem e que constitui sua miopia teórica, seu apego aos preceitos
burgueses e traição política para com o proletariado, é que na sociedade burguesa, quando se acentua a luta de classes, não há meio-
termo entre a ditadura da burguesia e a ditadura do proletariado. Todos os sonhos de uma solução intermediária são apenas
lamentações reacionárias de pequeno-burgueses.
A prova disso é apresentada pela experiência do desenvolvimento da democracia burguesa e do movimento operário há mais de
um século em todos os países civilizados e em particular pela experiência dos últimos cinco anos. É também verdade que ensina toda
a ciência da economia política, todo o conteúdo do marxismo que explica por qual necessidade econômica nasce a ditadura da
burguesia e como ela só pode ser substituída por uma classe desenvolvida, multiplicada, fortalecida e tornada coerente com o
desenvolvimento do próprio capitalismo, isto é, a classe dos proletários.
12 – Um outro erro teórico e político dos socialistas consiste em não compreenderem que as formas da democracia mudaram
constantemente ao longo dos séculos, desde seus primeiros germes na Antiguidade, à medida que uma classe dominante era
substituída por outra. Nas antigas repúblicas da Grécia, nas cidades da Idade Média, nos países capitalistas civilizados, a democracia
assume formas diversas e um grau de adaptação diferente. Seria a maior tolice crer que a revolução mais profunda da história da
humanidade, a passagem do poder, pela primeira vez no mundo, de uma minoria de exploradores para maioria dos explorados, possa
se produzir nos velhos marcos da democracia burguesa e parlamentar, sem rupturas claras, sem que se criem novas instituições
encarnando as novas condições de vida, etc.
13 – A ditadura do proletariado assemelha-se à ditadura das outras classes, porque ela é provocada, como toda espécie de
ditadura, pela necessidade de reprimir violentamente a resistência da classe que perde o poder político. O ponto fundamental que
separa a ditadura do proletariado da de outras classes, da ditadura de elementos feudais na Idade Média, da ditadura da burguesia em
todos os países civilizados, consiste em que a ditadura dos elementos feudais e da burguesia era o esmagamento violente da
resistência da imensa maioria da população, da classe trabalhadora, enquanto que a ditadura do proletariado é o esmagamento pela
força da resistência dos exploradores, isto é, de uma ínfima minoria da população: os proprietários dos meios de produção e os
capitalistas.
Acrescente-se ainda que a ditadura do proletariado acarreta não apenas uma modificação das formas e instituições democráticas
em geral, mas também uma modificação tal que atinge toda uma extensão até então desconhecida do princípio democrático em favor
das classes oprimidas pelo capitalismo, em favor das classes trabalhadoras.
Com efeito, a forma da ditadura do proletariado, já elaborada de fato, isto é, o poder dos Sovietes na Rússia, o "Raete" Sistema na
Alemanha, os "Shop Stewards Committes" e outras instituições análogas em outros países, significa precisamente e realiza para
classe trabalhadora, vale dizer, para a imensa maioria da população, um rápido aproveitamento dos direitos e liberdades democráticas
como jamais houve, mesmo nas melhores e mais democráticas repúblicas burguesas.
A essência do poder dos Sovietes consiste em que a base constante e única de todo o poder governamental é a organização das
massas antes oprimidas pelos capitalistas, isto é, os operários e os semiproletários (pequenos proprietários de terras que não exploram
o trabalho de outrem e que constantemente têm necessidade de vender parte de sua força de trabalho). Essas são as massas que,
mesmo nas repúblicas burguesas mais democráticas, gozando da igualdade segundo a lei, estão isoladas na prática pela tradição e
pelas manobras de toda participação na vida política, do uso de direitos e liberdades democráticas e que agora são chamadas a tomar
parte, de forma decisiva, na gestão democrática do Estado.
14 – A igualdade de todos os cidadãos, independentemente de sexo, religião, raça, nacionalidade, que a democracia burguesa
sempre e em todos os lugares promete mas não executa, dada a dominação do capitalismo, o poder dos Sovietes ou a ditadura do
proletariado realiza imediata e completamente, pois só ela tem condições de realizar o poder dos operários que não estão interessados
na propriedade privada dos meios de produção, mas na luta por sua divisão e distribuição.
15 – a velha democracia, vale dizer, a democracia burguesa e o parlamentarismo, está organizada de tal maneira que as massas
operárias estão cada vez mais distantes do aparelho governamental. O poder dos Sovietes, isto é, a ditadura do proletariado, é, ao
contrário, constituída de forma a aproximar as massas trabalhadoras do aparelho governamental. A reunião dos poderes legislativo e
executivo atendem a este objetivo na organização sovietista do Estado, assim com a substituição das circunscrições territoriais pelas
unidades de trabalho, como nas usinas e fábricas.
17 – Não é somente sob a monarquia que o exército é um instrumento de opressão. Ele o é também em todas as repúblicas
burguesas, mesmo as mais democráticas. Assim, o poder dos Sovietes, organização permanente das classes oprimidas pelo
capitalismo, é capaz de suprimir a submissão do exército ao comando burguês e fundir realmente o proletariado com o exército,
realizando o armamento do proletariado e o desarmamento da burguesia, sem o que é impossível o triunfo do socialismo.
18 – Só a organização sovietista do Estado pode realmente quebrar de imediato e destruir definitivamente o velho aparelho
administrativo e judiciário burguês que é conservado, e deve inevitavelmente ser conservado sob o capitalismo, mesmo nas
repúblicas mais democráticas, uma vez que ele é de fato o maior empecilho à prática dos princípios democráticos em favor dos
operários e dos trabalhadores. A Comuna de Paris deu, nesse sentido, primeiro passo de uma importância histórica universal; o poder
dos Sovietes deu o segundo.
19 – O aniquilamento do poder governamental é o objetivo a que se propõem todos os socialistas. Sem a realização desse
objetivo, a verdadeira democracia, isto é, a igualdade e a liberdade, é irrealizável. Ora, o único meio de chegar a isso é a democracia
sovietista ou proletária, pois chamando as organizações das massas trabalhadoras a tomar uma parte real e obrigatória no governo, ela
começa a preparar o desaparecimento completo de todo governo.
20 – A completa bancarrota dos socialistas reunidos em Berna, sua incompreensão absoluta da nova democracia proletária,
aparecem particularmente no que segue: em 10 de fevereiro de 1919, Bratin encerrava em Berna a Conferência Internacional da
Internacional amarela. Em 11 de fevereiro, em Berlim, era publicada no jornal de seus correligionários Die Freheit uma proclamação
do partido dos Independentes ao proletariado. Nesta proclamação é reconhecido o caráter burguês do governo de Scheidemann, que é
reprovado por seu desejo de abolir os Sovietes, chamados de mensageiros e defensores da Revolução, é exigida a sua legalização e a
concessão de direitos políticos, o direito de voto contra s decisões da Assembléia Constituinte, servindo o referendum de julgamento
em última instância.
Esta proclamação denota a completa falência dos teóricos que defendiam a democracia sem compreender seu caráter burguês.
Esta tentativa ridícula de combinar o sistema dos Sovietes, isto é, a ditadura do proletariado, com a Assembléia Constituinte, isto é, a
ditadura da burguesia, desvela até a raiz, ao mesmo tempo, a pobreza de pensamento dos socialistas amarelos e dos social-
democratas, seu caráter reacionário de pequeno-burgueses e suas frouxas concessões diante da força irresistivelmente crescente da
nova democracia proletária.
21 – Condenando o bolchevismo, a maioria da Internacional de Berna, que não ousou votar formalmente uma ordem do dia
correspondente ao seu pensamento por medo das massas operárias, agiu justamente segundo seu ponto de vista de classe. Esta
maioria é totalmente solidária aos mencheviques e socialistas revolucionários russos, assim como aos Scheidemann na Alemanha.
Os mencheviques e socialistas revolucionários russos, queixando-se de serem perseguidos pelos bolcheviques, tentam esconder o
fato de que essas perseguições são causadas pela posição assumida pelos mencheviques e os socialistas revolucionários na guerra
civil ao lado da burguesia contra os operários.
É, portanto, perfeitamente natural que a maioria dos participantes da Internacional de Berna tenha se pronunciado contra os
bolcheviques; aqui e ali é evidente não tanto o desejo de defender a democracia pura, mas o desejo de se defenderem perante os que
sentem e sabem que na guerra civil eles estão ao lado da burguesia e contra o proletariado.
Eis porque, do ponto de vista da luta de classes, é impossível não reconhecer a justeza da decisão da maioria da Internacional
amarela. O proletariado não deve temer a verdade, mas olhá-la de frente e tirar as conclusões que dela decorrem.
Com base nessas teses, e considerando os relatos dos delegados dos diferentes países, o Congresso da Internacional Comunista
declara que a tarefa principal dos partidos comunistas, nas diversas regiões onde o poder dos Sovietes ainda não está constituído,
consiste em:
1º - Esclarecer amplamente as massas operárias sobre a significação histórica e a necessidade política e prática de uma nova
democracia proletária, que deve ocupar o lugar da democracia burguesa no parlamento;
2º - Ampliar e organizar Sovietes em todos os setores da indústria, exército, marinha, entre os operários agrícolas e os pequenos
camponeses;
3º - Conquistar, no interior dos Sovietes, uma maioria comunista segura e consciente.

DISCURSO DE LÊNIN SOBRE SUAS TESES


Camaradas,
Gostaria de acrescentar algumas palavras aos dois últimos pontos. Penso que os camaradas que nos devem fazer relato sobre a
Conferência de Berna nos darão mais detalhes.
Nenhuma palavra foi dita sobre a significação do poder soviético durante toda a Conferência de Berna. Há dois anos nós
discutíamos esta questão na Rússia. Já em abril de 1917, no congresso do partido, colocamos esta questão do ponto de vista teórico e
político: "O que é o poder soviético, qual é sua substância, qual é sua significação histórica?" Durante 2 anos estudamos esta questão
e no congresso do partido adotamos uma resolução a esse respeito.
A Freheit, de Berlim, publicou em 11 de fevereiro um chamado ao proletariado alemão assinado não só pelos dirigentes social-
democratas independentes da Alemanha, mas por todos os membros da fração dos independentes. Em agosto de 1918, Kautsky o
maior teórico dos independentes, escreveu em sua brochura, A Ditadura do Proletariado, que ele era partidário da democracia e dos
órgãos soviéticos, mas que os Sovietes deveriam ter apenas um caráter econômico e não deveriam ser reconhecidos como
organizações do Estado. Kautsky repete essa afirmação nos números da Freheit de 11 de novembro de 12 de janeiro. Em 9 de
fevereiro aparece um artigo de Rudolph Hilferding, que é igualmente considerado um dos teóricos mais autorizados da II
Internacional. Ele propõe fundir juridicamente, isto é, pela via legislativa, os dois sistemas – o dos Sovietes e o da Assembléia
Nacional. Era 9 de fevereiro. Esta segunda proposição foi adotada por todo o Partido dos Independentes e publicada sob a forma de
conclamação.
Apesar da Assembléia Nacional já existir de fato, mesmo depois da "democracia pura" tomar corpo e realidade, depois que os
maiores teóricos social-democratas independentes explicaram que as organizações soviéticas não saberiam ser organizações do
Estado, depois e apesar de tudo isso, há ainda hesitações. Isso prova que esses senhores realmente não compreenderam nada do novo
movimento e de suas condições de luta. Mas isso prova, além do mais, outra coisa, a saber que deve haver circunstância, motivos
determinando tais hesitações. Quando depois de todos esses fatos, depois de dois anos de revolução vitoriosa na Rússia, nos propõem
semelhantes resoluções como tendo sido adotadas na Conferência de Berna, resoluções nas quais nada é dito dos Sovietes e sua
significação, Conferência na qual nenhum delegado sequer balbuciou uma palavra dentro de um discurso qualquer sobre essas
questões, nós temos o direito de afirmar que todos esses senhores estão mortos para nós como socialistas e como teóricos.
Mas, de fato, do ponto de vista político, isso prova, camaradas, que um grande progresso se realiza nas massas, pois esses
independentes,, teoricamente e por princípio adversários dessas organizações do Estado, nos propõem subitamente tamanha tolice
como a fusão "pacífica" da Assembléia Nacional com o sistema dos Sovietes, isto é, a fusão da ditadura da burguesia com a ditadura
do proletariado. Vê-se a que ponto essas pessoas caíram política e teoricamente e que enorme transformação se produziu nas massas.
As massas atrasadas do proletariado alemão vêm a nós, digo, elas vieram a nós. Assim, a significação do partido independente social-
democrata alemão, a melhor parte do ponto de vista teórico e socialista é igual a zero; entretanto ela conserva uma certa importância
no sentido em que esses elementos nos servem como indicação do estado de espírito do setor mais atrasado do proletariado. Segundo
meu ponto de vista, esta é a enorme importância histórica desta conferência. Vimos alguma coisa análoga durante nossa revolução:
nossos mencheviques seguiram passo a passo, por assim dizer, a mesma evolução que os teóricos dos independentes da Alemanha.
Quando eles tinham a maioria nos Sovietes, eles eram pelos Sovietes. Ouviam-se somente os gritos de "Viva os Sovietes!" "Para os
Sovietes!", "Os Sovietes e a democracia revolucionária!". Mas quando nós tivemos a maioria nos Sovietes, nós bolcheviques, eles
entoaram outros cantos: "Os Sovietes, declararam eles, não devem existir ao mesmo tempo que a Assembléia Constituinte": e
inclusive certos teóricos mencheviques propuseram qualquer coisa análoga à fusão do sistema dos Sovietes com a Assembléia
Constituinte e sua inclusão nas organizações do Estado. Uma vez mais surgiu que o curso geral da revolução proletária é idêntico no
mundo inteiro. Primeiro constituição espontânea, elementar, dos Sovietes, depois sua ampliação e desenvolvimento, em seguida
surgimento na prática da questão: Sovietes ou Assembléia Nacional Constituinte ou então parlamentarismo burguês, confusão
absoluta entre os dirigentes e enfim revolução proletária. Parece-me, entretanto, que depois de dois anos de revolução nós não
devemos colocar a questão de tal maneira, mas tomar resoluções concretas dado que a propagação do sistema dos Sovietes é para
nós, e particularmente para a maioria dos países da Europa Ocidental, a mais essencial das tarefas. O estrangeiro que nunca ouviu
falar do bolchevismo dificilmente terá uma opinião própria sobre nossas discussões. Tudo o que os bolcheviques afirmam, os
mencheviques contradizem e vice-versa. Certamente não será de outra forma ao longo da luta, pois é extremamente importante que a
última conferência do partido menchevique, realizada em dezembro de 1.918, tenha adotado uma longa e detalhada resolução
inteiramente publicada no Jornal dos Tipógrafos, órgão menchevique. Nesta resolução os próprios mencheviques expõem brevemente
o histórico da luta de classes e da guerra civil. A resolução diz que os mencheviques condenam os grupos do partido aliado das classe
possuidoras do Ural e no Midi, na Criméia e na Geórgia e indicam com precisão todas essas regiões. Os grupos do partido
menchevique que, aliados às classes possuidoras, combateram contra o poder soviético são agora condenados nesta resolução, mas o
último ponto condena igualmente aqueles que passaram para o lado dos comunistas. Mais adiante dizem que os mencheviques são
obrigados a reconhecer que não ponto de unidade em seu partido e que se jogam ou para o lado da burguesia ou para o lado do
proletariado. Uma grande parte dos mencheviques passou para o lado da burguesia e lutou contra nós durante a guerra civil.
Naturalmente nós perseguimos os mencheviques, inclusive os fuzilamos, pois na guerra contra nós, eles combatem nosso exército
vermelho e fuzilam nossos oficiais vermelhos. À burguesia que nos declarou guerra, nós respondemos com a guerra proletária: não
pode haver outra saída. Então, do ponto de vista político, tudo isso é apenas hipocrisia menchevique. Historicamente é
incompreensível que, na Conferência de Berna, pessoas que não são oficialmente reconhecidas como loucas, pudessem, sob a ordem
dos mencheviques e dos socialistas revolucionários, falar da luta dos bolcheviques contra eles calando sobre sua luta em comum com
a burguesia contra o proletariado.
Todos eles nos atacam com obstinação porque nós os perseguimos; isto é exato, mas eles se reservam de falar um palavra que seja
sobre a posição que tomaram na guerra civil. Penso que é conveniente retomar, para que conste em ata, o texto completo da resolução
e peço aos camaradas estrangeiros que prestem toda a atenção, pois é um documento histórico no qual a questão está perfeitamente
colocada e que fornece a melhor documentação para a apreciação da discussão entre as diversas tendências "socialistas" na Rússia.
Entre o proletariado e a burguesia existe uma classe de pessoas que se inclinam ora para um lado, ora para outro. Sempre foi assim
em todas as revoluções, e é absolutamente impossível que na sociedade capitalista, em que o proletariado e a burguesia constituem
dois campos inimigos e opostos não existem entre eles camadas sociais intermediárias. Historicamente a existência desses elementos
flutuantes é inevitável; infelizmente esses elementos que não sabem de que lado combaterão amanhã existirão por um tempo ainda
relativamente grande.
Desejo fazer uma proposição concreta no sentido de se adotar uma resolução na qual três pontos devem ser especialmente
sublinhados:
1 – Uma das tarefas mais importantes para os camaradas dos países da Europa Ocidental consiste em explicar às massas a
significação, a importância e a necessidade dos Sovietes. Constata-se sobre esta questão uma compreensão ainda insuficiente. Se é
verdade que Kautsky e Hilferding faliram como teóricos, os últimos artigos da Freiheit provam entretanto que eles souberam
expressar exatamente o estado de espírito dos partidos atrasados do proletariado alemão. Aconteceu o mesmo entre nós: durante os
oito primeiros anos da revolução russa a questão da organização soviética foi muito discutida, e os operários não viam muito
claramente em que consistia o novo sistema; nem se se podia constituir aparelho de Estado com os sovietes. Em nossa revolução
progredimos não pela via teórica, mas pela via prática. Assim, por exemplo, jamais antes tínhamos colocado teoricamente a questão
da Assembléia Constituinte e jamais dissemos que não a reconhecíamos. Somente mais tarde, depois que as instituições soviéticas se
espalharam por todo o país conquistaram o poder político, decidimos dispersar a Assembléia Constituinte. Vemos atualmente que a
questão se coloca com muito mais agudeza na Hungria e na Suíça. De um lado é excelente que seja assim; quanto a isso temos a
convicção absoluta de que a revolução avança mais rapidamente nos países da Europa Ocidental e que ela nos dará grandes vitórias.
Mas, por outro lado, há um certo perigo e esse é saber que a luta será de tal forma encarniçada e longa que a consciência das massas
operárias poderá não estar em condições de seguir esse ritmo. Ainda hoje a significação do sistema dos Sovietes não está clara para
as grandes massas operárias alemãs politicamente instruídas, porque eles foram conduzidos dentro do espírito parlamentar e de
precedentes burgueses.
2 – Ponto relativo à propagação dos sistema dos Sovietes. Quando nós vemos quão rapidamente a idéia dos Sovietes se espalha na
Alemanha e mesmo na Inglaterra, podemos dizer que esta é uma prova essencial de que a revolução proletária vencerá. Só se poderá
deter seu curso por pouco tempo. Mas isso é outro caso quando os camaradas Albert e Platten vêm-nos declarar que não há nada de
Sovietes entre eles, no campo, entre os trabalhadores rurais e os pequenos proprietários. Li, na Rote Fahne, um artigo contra os
sovietes de pequenos proprietários, mas (e isso é absolutamente certo) favorável aos Sovietes de trabalhadores rurais e de
camponeses pobres. A burguesia e seus lacaios , como Scheidemann e companhia, já deram a palavra de ordem dos Sovietes
camponeses. Mas nós queremos apenas os Sovietes de trabalhadores rurais e camponeses pobres. Resulta, infelizmente, dos relatos
dos camaradas Albert e Platten e outros que, à exceção da Hungria, muito pouco foi feito para a expansão do sistema soviético. Isso
talvez seja porque lá há um perigo bastante considerável para a obtenção da vitória pelo proletariado alemão. Com efeito, a vitória só
será considerada segura quando estiverem organizados não só os trabalhadores da cidade, mas também os proletários do campo e
organizados não mais como antes, dentro dos sindicatos e cooperativas, mas nos Sovietes. Obtivemos a vitória com mais facilidade
porque em outubro de 1917 nós caminhamos junto com todo o campesinato. Nesse sentido, nossa revolução era ainda burguesa. O
primeiro passo de nosso governos proletário consistiu em que as velhas reivindicações do campesinato, expressas ainda no governo
de Kerenski pelos Sovietes e assembléias de camponeses, foram atendidas pela lei editada por nosso governo em 26 de outubro
(antigo calendário) de 1917, dia imediato ao da revolução. Nisso consistia nossa força e por isso foi fácil conquistar a simpatia da
ampla maioria. Para o campo, nossa revolução continua a ser burguesa, mas, mais tarde, fomos forçados a começar, nos planos da
organização do Estado, a luta de classes no campo, a instituir em cada povoado comitês da pobreza, de semiproletários, e a lutar
sistematicamente contra a burguesia rural. Isso era inevitável entre nós, pois a Rússia é um país atrasado. Isso será totalmente
diferente na Europa Ocidental e é por isso que devemos sublinhar a necessidade absoluta da expansão do sistema dos Sovietes
também entre a população rural em formas correspondentes e talvez novas.
3 – Devemos dizer que a conquista da maioria comunista nos Sovietes constitui a principal tarefa em todos os países onde o poder
soviético ainda não triunfou. Nossa comissão de resoluções estudou ontem esta questão. Talvez outros camaradas também queiram
dar sua opinião, mas eu gostaria de propor que se adote este terceiro ponto sob a forma de resolução especial. Ele vai sem dizer que
nós não sabemos como prescrever sua via de desenvolvimento. É de fato provável que em muitos países da Europa Ocidental a
revolução eclodirá rapidamente; em todo caso, nós, na qualidade de fração organizada dos operários e do Partido, tendemos e
devemos tender a obter a maioria nos Sovietes. Então nossa vitória estará assegurada e não haverá mais nenhuma força em condições
de interpor o que quer que seja contra a revolução comunista. De outro lado, a vitória não será tão fácil e não será duradoura.

RESOLUÇÃO SOBRE A POSIÇÃO EM RELAÇÃO ÀS CORRENTES SOCIALISTAS E À


CONFERÊNCIA DE BERNA
Já em 1907, no Congresso Internacional Socialista de Stuttgart, quando a Segunda Internacional abordou a questão da política
colonial e das guerras imperialistas, se constatou que mais da metade da Segunda Internacional e a maior parte dos seus dirigentes
estavam, nessas questões, mais próximos do ponto de vista da burguesia do que do ponto de vista comunista de Marx e Engels.
Apesar disso, o Congresso de Stuttgart, adotou uma emenda proposta pelos representantes da ala revolucionária, N. Lênin e Rosa
Luxemburgo, que começava nos seguintes termos:
"Se todavia inicia-se uma guerra, os socialistas têm o dever de agir para seu fim imediato e utilizar de todos os modos a crise
econômica e política provocada pela guerra para despertar o povo e apressar com isso o fim da dominação capitalista."
No Congresso de Bâle, em novembro de 1912, convocado na época da guerra dos Bálcãs, a Segunda Internacional declarou:
"Que os governos burgueses não esqueçam como a guerra franco-alemã deu origem à insurreição revolucionária da Comuna, e
que a guerra russo-japonesa colocou em movimento as forças revolucionários da Rússia. Aos olhos dos proletários é um crime se
entrematar para aumentar o lucro dos capitalistas, em proveito da –rivalidade dinástica e da proliferação dos tratados
diplomáticos."

No final de julho e começo de agosto de 1914, 24 horas antes de iniciar a guerra mundial, os organismos e instituições
competentes da Segunda Internacional ainda continuavam a condenar a guerra que se aproximava como o maior crime da burguesia.
As declarações concordavam nesses dias e emanando dos partidos dirigentes da
Segunda Internacional constituem o ato de acusação mais eloquente contra os dirigentes da Segunda Internacional.
Com o primeiro tiro de canhão disparado sobre os campos de batalha, os principais partidos da Segunda Internacional traíram a
classe operária e passaram, sob o disfarce da "defesa nacional", cada um para o lado da "sua" burguesia. Scheidemann e Ebert na
Alemanha, Thomas e Renaudel na França, Henderson e Hyndman na Inglaterra, Vandervelde e De Brockère na Bélgica, Renner e
Pernestorfer na Áustria, Plékhanov e Roubanovitch na Rússia, Branting e seu partido na Suécia, Compers e seus camaradas de idéias
na América, Mussolini e Cie na Itália, exortaram o proletariado a uma "trégua" com a burguesia de "seu" país, a renunciar à guerra
contra a guerra e servir de carne de canhão para os imperialistas.
Foi neste momento que a Segunda Internacional faliu definitivamente e pereceu.
Graças ao desenvolvimento econômico geral, a burguesia dos países mais ricos, através de pequenas esmolas tiradas de seus
ganhos enormes, teve a possibilidade de corromper e seduzir a camada mais alta da classe operária, a aristocracia operária. Os
"companheiros de luta" pequeno-burgueses do socialismo afluíram às fileiras dos partidos social-democratas oficiais e orientaram
pouco a pouco o seu curso no sentido da burguesia. Os dirigentes do movimento operário parlamentar e pacífico, os dirigentes
sindicais, secretários, redatores e empregados da social-democracia, formaram uma casta de uma burocracia operária, tendo seus
próprios interesses de grupo, e que foi na verdade hostil ao socialismo.
Devido a todas essas circunstâncias, a social-democracia degenerou em um partido anti-socialista e chauvinista.
No seio da Segunda Internacional já se revelavam três tendência fundamentais. Durante a guerra e no início da revolução
proletária na Europa, os contornos dessas três tendência se desenhavam já com toda nitidez:
1 – A tendência social-chauvinista (tendência da "maioria"), em que os representantes mais típicos são os social-democratas
alemães, que hoje dividem o poder com a burguesia alemã e que se tornaram os assassinos dos dirigentes da Internacional
Comunista, Karl Liebkencht e Rosa Luxemburgo.
Os social-chauvinistas se revelam hoje completamente como os inimigos do proletariado e seguem o programa de "liquidação" da
guerra que a burguesia lhes ditou: fazer recair a maior parte dos impostos sobre as massas trabalhadores, inviolabilidade da
propriedade privada, manutenção do exército nas mãos da burguesia, dissolução dos conselhos operários formados em todos os
lugares, manutenção do poder político nas mãos da burguesia – a democracia burguesa contra o socialismo.
Apesar da aspereza com a qual os comunistas lutaram até aqui contra os "social-democratas da maioria", os operários
reconheceram entretanto o perigo com o qual esses traidores ameaçavam o proletariado internacional. Abrir os olhos de todos os
trabalhadores para o trabalho de traição dos social-chauvnistas e colocar pela força das armas esse partido contra-revolucionário fora
desse quadro confuso, eis uma das tarefas mais importantes da revolução proletária internacional.
2 – A tendência centrista (social-pacifistas, kautskystas, independentes). Esta tendência começou a se formar desde antes da
guerra, principalmente na Alemanha. No começo da guerra, os princípios gerais do "Centro" coincidiam quase sempre com os dos
social-chauvinistas. Kautsky, o chefe teórico do "Centro", defendia a política seguida pelos social-chauvinistas alemães e franceses. A
Internacional era apenas um "instrumento em tempo de paz", "luta de classes em tempo de paz", tais eram as palavras de ordem de
Kautsky.
Desde o início da guerra, o "Centro" (Kautsky, Victor Adler, Turatia, MacDonald) se puseram a pregar a "anistia recíproca", com
relação aos chefes dos partidos social-chauvinistas da Alemanha e da Áustria, por um lado, da França e da Inglaterra por outro. O
"Centro" preconiza essa anistia até hoje, depois da guerra, impedindo assim os operários de fazerem uma idéia clara sobre as causas
do desmoronamento da Segunda Internacional.
O "Centro" enviou seus representantes a Berna para a conferência internacional dos socialistas comprometidos, facilitando assim
aos Scheidemann e as Renaudel sua tarefa de enganar os operários.
É absolutamente necessários separar do "Centro" os elementos mais revolucionários, e só se pode chegar a isso através da crítica
implacável e comprometendo os dirigentes do "Centro". A ruptura organizativa com o "Centro" é uma necessidade histórica absoluta.
A tarefa dos comunistas de cada país é determinar o momento desta ruptura segundo a etapa que o movimento atingiu em cada um.
3 – Os comunistas. No interior da Segunda Internacional onde esta tendência defendeu as concepções comunistas-marxistas sobre
a guerra e as tarefas do proletariado (Stuttgart 1907, resolução Lênin-Luxemburgo) essa corrente estavam minoria. O gruo da
"esquerda radical" (o futuro Spartakusbund) na Alemanha, o partido dos bolcheviques na Rússia, os "tribunistas" na Holanda, o grupo
de Jovens numa série de países, formaram o primeiro núcleo da nova Internacional.
Fiel aos interesses da classe operária, esta tendência proclamou desde o início da guerra a palavra de ordem de transformação da
guerra imperialista em guerra civil. Esta tendência se constitui hoje na Terceira Internacional.
A conferência socialista de Berna, em fevereiro de 1919, foi uma tentativa de galvanizar o que restava da Segunda Internacional.
A composição da Conferência de Berna demonstrou que o proletariado revolucionário de todo o mundo nada tem em comum com
esta conferência.
O proletariado vitorioso da Rússia, o proletariado heróico da Alemanha, o proletariado italiano, o partido comunista do
proletariado austríaco e húngaro, o proletariado suíço, a classe operária da Bulgária, Romênia, Sérvia, os partidos operários de
esquerda suecos, noruegueses, finlandeses, o proletariado ucraniano, letão, polonês, a Juventude Internacional, a Internacional de
Mulheres, recusaram-se ostensivamente a participar da Conferência de Berna dos social-patriotas.
Os participantes da Conferência de Berna, que têm ainda algum contato com o verdadeiro movimento operário de nossa época,
formaram um grupo de oposição que, na questão essencial, pelo menos, "apreciação da Revolução russa", estão em oposição à
astúcia dos social-patriotas. A declaração do camarada francês Loriot, que estigmatizou a maioria da Conferência de Berna como
suporte da burguesia, reflete a verdadeira opinião de todos os operários conscientes do mundo inteiro.
Na pretendida "questão das responsabilidades", a Conferência de Berna se moveu sempre nos limites da ideologia burguesa. Os
social-patriotas alemães e franceses fizeram-se mutuamente as mesmas censuras que se lançaram reciprocamente os burgueses
alemães e franceses. A Conferência de Berna se perdeu em detalhes mesquinhos sobre tal ou qual diligência de tal ou qual ministro
burguês antes da guerra, não querendo reconhecer que o capitalismo, o capital financeiro dos dois grupos de poder e seus vassalos
social-patriotas eram os principais responsáveis pela guerra. Uma olhadela no espelho seria suficiente para que todos eles se
reconhecessem como os responsáveis.
As declarações da Conferência de Berna sobre a questão territorial estão cheias de equívocos. É precisamente desses equívocos
que a burguesia precisa. O senhor Clemenceau, o representante mais reacionário da burguesia imperialista, reconheceu os méritos da
conferência social-patriota de Berna e lhe propôs participar de todas as comissões da conferência imperialista de Paris.
A questão colonial revelou claramente que a Conferência de Berna estava a reboque desses políticos liberais-burgueses da
colonização que justificam a exploração e a escravização das colônias pela burguesia imperialista e procuram apenas mascara-las
com frases filantrópico-humanitárias. Os social-patriotas alemães exigiram que o domínio das colônias alemãs pelo Reich fosse
mantido, isto é, a manutenção da exploração dessas colônias pelo capital alemão. As divergências que se manifestaram sobre esse
assunto demonstram que os social-patriotas da Entente têm o mesmo ponto de vista dos negreiros, e considera natural a escravização
das colônias francesas e inglesas pelo capital metropolitano. Assim a Conferência de Berna mostra que esqueceu completamente a
palavra de ordem de "Abaixo o política colonial".
Na avaliação da "Sociedade das Nações", a Conferência de Berna mostra que segue a linha desses elementos burgueses que, pela
aparência enganadora da pretensa "Liga das Nações", desejam banir a revolução proletária que cresce no mundo inteiro. Em vez de
desmascarar os estratagemas da conferência dos aliados em Paris, como os de um bando que espolia as colônias e os domínios
econômicos, a Conferência de Berna a secunda, servindo-lhe de instrumento.
A atitude servil da conferência, que entregou a uma conferência governamental burguesa de Paris o trabalho de resolver a questão
da legislação de proteção ao trabalho, mostra que os social-democratas estão conscientemente a favor da conservação da escravidão
do trabalho assalariado pelo capitalismo e estão prontos a enganar a classe operária com vagas reformas.
As tentativas inspiradas pela política burguesa de fazer a Conferência de Berna adotar uma resolução segundo a qual uma
intervenção armada na Rússia teria cobertura da Segunda Internacional não frutificaram graças aos esforços da oposição. Esta vitória
da oposição de Berna sobre os elementos chauvinistas declarados é para nós a prova indireta de que o proletariado da Europa
Ocidental simpatiza com a revolução proletária da Rússia e de que está pronto para lutar contra a burguesia imperialista.
Em seu temor de se ocupar deste fenômeno de importância histórica mundial se reconhece o medo que toma conta desses
vassalos da burguesia diante da extensão dos conselhos operários.
Os conselhos operários constituem o fenômeno mais importante depois da Comuna de Paris. A Conferência de Berna, ignorando
esta questão, manifestou sua indigência espiritual e sua falência teórica.
O congresso da Internacional Comunista considera a "Internacional" que a Conferência de Berna tenta construir como uma
Internacional amarela de fura-greves, como um instrumento da burguesia.
O Congresso conclama os operários de todos os países a empreenderem uma luta enérgica contra a Internacional amarela e a
preservar as massas mais amplas do povo desta Internacional de mentira e traição.

DECLARAÇÃO FEITA PELOS PARTICIPANTES DA CONFERÊNCIA DE ZIMMERWALD AO CONGRESSO DA


INTERNACIONAL COMUNISTA
As Conferência de Zimmerwald e de Kiethal tiveram sua importância numa época em que era necessário unir todos os elementos
proletários dispostos de uma forma ou outra a protestar contra a carnificina imperialista. No grupamento de Zimmerwald entraram,
ao lado de elementos nitidamente comunistas, elementos "centristas", pacifistas e hesitantes. Esses elementos centristas, como
mostrou a Conferência de Berna, estão atualmente unidos aos social-patriotas para lutar contra o proletariado revolucionário,
utilizando assim Zimmerwald em proveito da reação.
Ao mesmo tempo, o movimento comunista crescia em vários países, e a luta contra os elementos centristas que obstaculizavam o
desenvolvimento da revolução social se tornava a tarefa principal do proletariado revolucionário. O grupamento de Zimmerwald teve
sua época. Tudo o que havia de verdadeiramente revolucionário no grupamento de Zimmerwald passa e adere à Internacional
Comunista.
Os participantes abaixo de Zimmerwald declaram que consideram dissolvido o –grupamento de Zimmerwald e solicitam ao
Bureau da Conferência de Zimmerwald que remeta todos os seus documentos ao Comitê Executivo da 3ª Internacional.
Rakovsky, Lênin, Trotsky, Platten
Decisão Referente ao Grupamento de Zimmerwald
Depois de escutar o relato do camarada Balabanov, secretário do Comitê Socialista Internacional, e dos camaradas Rakovsky,
Lênin, Trotsky e Zinoviev, membros do grupamento de Zimmerwald, o primeiro Congresso de Zimmerwald comunistas decide:
considerar dissolvido o grupamento de Zimmerwald.

Decisão Referente à Questão da Organização


A fim de poder começar sem demora seu trabalho ativo, o Congresso designa imediatamente os órgãos necessários, dentro da
idéia de que a constituição definitiva da Internacional Comunista deverá ser dada pelo próximo congresso sob proposição do Bureau.
A direção da Internacional Comunista é confiada a um Comitê Executivo. Este se compõe de um representante de cada um dos
partidos comunistas dos países mais importantes. Os partidos da Rússia, Alemanha, Áustria alemão, Hungria, Federação dos Bálcãs,
Suíça e Escandinávia devem enviar imediatamente seus representantes ao primeiro Comitê Executivo.
Os partidos dos países que declararam aderir à Internacional Comunista antes do segundo congresso obterão um lugar no Comitê
Executivo.
Até a chegada dos representantes estrangeiros, os camaradas dos países que têm lugar no Comitê Executivo se encarregam de
assegurar os trabalhos. O Comitê Executivo elege um bureau de cinco pessoas.

RESOLUÇÃO SOBRE A FUNDAÇÃO DA INTERNACIONAL COMUNISTA


PLATTEN – presidente - ...Agora, levo ao seu conhecimento uma proposição apresentada pelos delegados Rakovsky, Gruber,
Grimland, Rudniansky.
Ela está apresentada assim:
"Os representantes do Partido Comunista da Áustria alemã, do Partido social-democrata dos Bálcãs, do Partido Comunista da
Hungria, propõem a fundação da Internacional Comunista.
1 – A necessidade da luta pela ditadura do proletariado exige a organização unificada, comum e internacional de todos os
elementos comunistas que se colocam neste terreno.
2 – Esta fundação é um dever tanto mais imperioso quando atualmente tenta-se em Berna e talvez se tente mais tarde em algum
outro lugar restabelecer a antiga Internacional oportunista e reunir todos os elementos confusos e hesitantes do proletariado. Por
isso é necessário estabelecer uma separação nítida entre os elementos revolucionários proletários e os elementos social-traidores.
3 – Se a III Internacional não for fundada pela Conferência a realizar-se em Moscou, isto dará a impressão de que os partidos
comunistas estão em desacordo, o que enfraquecerá nossa posição e aumentará a confusão entre os elementos indecisos do
proletariado de todos os países.

4 – A constituição da III Internacional é portanto um dever histórico absoluto, e a Conferência comunista internacional a
realizar-se em Moscou deve torná-la uma realidade."
Esta proposição supõe que nós nos debruçamos sobre uma resolução para sabermos se éramos uma conferência ou um congresso.
A proposição visa à constituição da III Internacional. A discussão é aberta.
Após a discussão, o camarada Platten apresenta a proposição assinada por Rakovsky, Gruber, Grimland, Rudniansky.
"Esta proposição, diz ele, é feita a fim de conduzir a uma decisão sobre a fundação da III Internacional."
A resolução foi adotada por unanimidade menos 5 abstenções (delegação alemã).

Decisão (04 de Março de 1919)


A conferência Comunista Internacional decide constituir-se como III Internacional e adotar o nome de Internacional Comunista.
As proporções dos votos acordados não sofreram alteração. Todos os partidos, organizações e grupos conservam o direito, durante
um período de 8 meses, de aderir definitivamente à III Internacional.

PLATAFORMA DA INTERNACIONAL COMUNISTA


As contradições do sistema mundial, antes escondidas, revelaram-se com uma força inaudita numa formidável explosão: a grande
guerra imperialista mundial.
O capitalismo tentou superar sua própria anarquia pela organização da produção. Em vez de numerosas empresas concorrentes,
organizaram-se vastas associações capitalistas (sindicatos, cartéis, trustes), o capital bancário se uniu ao capital industrial, toda uma
vida econômica caiu sob o poder uma oligarquia financeira capitalista, que, numa organização baseada neste poder, adquiriu um
domínio exclusivo. O monopólio suplanta a livre concorrência. O capitalista isolado se transforma em membro de uma associação
capitalista. A organização substitui a anarquia insensata.
Mas na mesma medida em que, nos países, tomados separadamente, os procedimentos anárquicos da produção capitalista são
substituídos pela organização capitalista, as contradições, a concorrência, a anarquia, atingem na economia capitalista uma agudeza
maior. A luta entre os maiores países concorrentes conduz, com uma inflexível necessidade, à monstruosa guerra imperialista. A sede
de lucros levou o capitalismo mundial à luta pela conquista de novos mercados, novas fontes de matérias-primas, mão de obra barata
dos escravos coloniais. Os países imperialistas que dividiram o mundo inteiro entre si, que transformaram milhões de operários e
camponeses da África, Ásia, América e Austrália em bestas de carga, devem revelar, mais cedo ou mais tarde, num grande conflito, a
natureza anárquica do capital. Assim foi cometido o maior de todos os crimes – a guerra mundial.
O capitalismo tentou disfarçar as contradições de sua estrutura social. A sociedade burguesa é uma sociedade de classes. Mas o
capital dos grandes países "civilizados" se esforçou para ocultar as contradições sociais. A expensa dos povos coloniais que destruiu,
o capital comprou seus escravos assalariados, criando uma comunidade de interesses entre os exploradores e os explorados –
comunidade de interesses dirigida contra as colônias oprimidas e os povos coloniais amarelos, negros e vermelhos; ele aprisionou o
operário europeu ou americano à "pátria" imperialista.
Mas este mesmo método de corrupção contínua, que criou o patriotismo da classe operária e sua sujeição moral, produziu, graças
à guerra, sua própria antítese. O extermínio, a sujeição total do proletariado, um domínio monstruoso, o empobrecimento, a
degeneração, a fome no mundo inteiro – tal foi o preço último da paz social. E esta paz faliu. A guerra imperialista transformou-se em
guerra civil.
Uma nova época nasceu. Época de desagregação do capitalismo, de sua derrocada interior. Época da revolução comunista do
proletariado.
O sistema imperialista desaba. Problemas nas colônias, fermentação entre as pequenas nacionalidades até o momento privadas de
independência revoltas do proletariado, revoluções proletárias vitoriosas em vários países, decomposição dos exércitos imperialistas,
incapacidade absoluta das classes dirigentes de conduzir doravante os destinos dos povos – tal é o quadro da situação atual no mundo
inteiro.
A humanidade, cuja cultura foi totalmente devastada, está ameaçada de destruição. Apenas uma força é capaz de salvá-la, e esta
força é o proletariado. A antiga "ordem capitalista" morreu. Não pode mais existir. O resultado final dos processos capitalistas de
produção é o caos, - e este caos só pode ser vencido pela maior classe produtora, a classe operária. Ela é que deve instituir a ordem
verdadeira, a ordem comunista. Ela deve vencer a dominação do capital, tornar as guerras impossível, anular a fronteiras entre os
países, transformar o mundo numa vasta comunidade que trabalha para si mesma, realizar a solidariedade fraternal e a libertação dos
povos.
Enquanto isso, o capital mundial se arma para o último combate contra o proletariado. Sob o disfarce da Liga das Nações e das
tagarelices pacíficas, o capital envida seus últimos esforços para arrumar as partes desconjuntadas dos sistema capitalista e dirigir
suas forças contra a revolução proletária irresistivelmente desencadeada.
A este novo e imenso complô das classes capitalistas, o proletariado deve responder com a conquista do poder político, dirigir seu
poder contra seus inimigos, servir-se dele como alavanca para a transformação econômica da sociedade. A vitória definitiva do
proletariado marcará o início da história da humanidade libertada.

A Conquista do Poder Político


A conquista do poder político pelo proletariado significa o aniquilamento do poder político da burguesia. O aparelho
governamental com seu exército capitalista, comandado por um corpo de oficiais burgueses e de "junkers", com sua polícia e sua
gendarmaria, seus carcereiros e seus juízes, seus padres, seus funcionários, etc, constitui, nas mãos da burguesia, o mais poderoso
instrumento de governo. A conquista do poder governamental não pode se reduzir a um troca de pessoas na constituição de
ministérios, mas deve significar o aniquilamento de um aparelho de estado estranho, colocado nas mãos da força real, o
desarmamento da burguesia, do corpo de oficiais contra-revolucionários, das guardas brancas, o armamento do proletariado, dos
soldados revolucionários e da guarda vermelha operária; a destituição de todos os juízes burgueses e a organização de tribunais
proletários, a destruição do funcionalismo reacionário e a criação de novos órgãos proletários de administração. A vitória proletária é
assegurada pela desorganização do poder inimigo e a organização do poder proletário, ela deve significar a ruína do aparelho estatal
burguês e a criação do aparelho estatal proletário. Somente com a vitória completa, quando o proletariado tiver quebrado
definitivamente a resistência da burguesia, ele poderá obrigar seus antigos adversários a lhes serem úteis, conduzindo-os
progressivamente, sob seu controle, à obra de construção comunista.

Democracia e Ditadura
Como todo Estado, o Estado proletário representa um aparelho de coação e este aparelho é hoje dirigido contra os inimigos da
classe operária. Sua missão é quebrar a resistência dos exploradores, que empregam em sua luta desesperada, todos os meios para
afogar a revolução com sangue. Por outro lado, a ditadura do proletariado fazendo oficialmente esta classe a classe governante cria
uma situação transitória.
Na medida em que for destruída a resistência da burguesia, ela será expropriada e se transformará em uma massa trabalhadora; a
ditadura do proletariado desaparecerá, o Estado morrerá e as classes sociais desaparecerão com eles.
A pretensa democracia, isto é, a democracia burguesa, não é outra coisa que a ditadura burguesa disfarçada. A "vontade popular"
tão enaltecida é uma ficção, bem como a unidade do povo. De fato, as classes existem porque os interesses contrários são
irredutíveis. E como a burguesia é apenas uma minoria insignificante, ela utiliza esta ficção, esta pretensa "vontade popular" a fim de
afirmar, com belas frases, seu domínio sobre a classe operária, para impor-lhe a vontade de sua classe. Ao contrário, o proletariado,
constituindo a imensa maioria da população, usa abertamente o poder de suas organizações de massa, de seus sovietes, para
encaminhar a transição em direção a uma sociedade comunista sem classes.
A essência da democracia burguesa reside no reconhecimento meramente formal dos direitos e das liberdades, completamente
inacessíveis ao proletariado e aos elementos semiproletários, por causa da falta de recursos materiais enquanto a burguesia tem todas
as possibilidades de tirar partido desses recursos materiais, de sua imprensa e de sua organização, para mentir e enganar o povo. Ao
contrário, a essência do sistema dos Sovietes, - deste novo tipo de poder – consiste em que o proletariado tenha a possibilidade de
assegurar de fato seus direitos e sua liberdade. O poder dos Sovietes entrega ao povo os mais belos palácios, as casas, as tipografias,
as reservas de papel, etc, para sua imprensa, para suas reuniões, seus sindicatos. Só então se torna verdadeiramente possível a
democracia proletária.
Com seu sistema parlamentar, a democracia burguesa dá o poder às massas apenas com palavras, e suas organizações estão
completamente isoladas do poder verdadeiro e da verdadeira administração do Estado. No sistema dos Sovietes, as organizações das
massas governam por si e para si, os Sovietes chamam à administração do Estado um número sempre maior de operários; apenas
desta maneira todo o povo trabalhador é chamado a fazer parte efetivamente do Estado. O sistema dos Sovietes se apóia nas
organizações das massas proletárias representadas pelos próprios Sovietes, as uniões profissionais revolucionárias, as cooperativas,
etc.
A democracia burguesa e o parlamento, pela divisão dos poderes legislativo e executivo e com a ausência do direito de
interpelação dos deputados, acaba por separar as massas do Estado. O sistema dos Sovietes, ao contrário, por garantir o direito de
interpelação, pela reunião dos poderes executivo e legislativo e, consequentemente, pela sua capacidade de constituir coletivos de
trabalho, liga as massas aos órgãos de administração. Esta ligação é ainda assegurada pelo fato de que, no sistema dos Sovietes, as
eleições não se dão de acordo com divisões territoriais artificiais, mas coincidem com as unidades locais de produção.
O sistema dos Sovietes assegura a possibilidade de uma verdadeira democracia proletária, a democracia para o proletariado e no
proletariado, dirigida contra a burguesia. Neste sistema, uma posição de destaque é assegurada ao proletariado industrial, ao qual
pertence, por sua melhor organização e seu maior desenvolvimento político, o papel de classe dirigente, cuja hegemonia permitirá ao
semiproletariado e aos camponeses pobres elevarem-se progressivamente. Essa superioridade momentânea do proletariado industrial
deve ser utilizada para afastar as massas não possuidoras da pequena burguesia rural da influência dos grandes proprietários rurais e
da burguesia, para organizá-las e chamá-las a colaborar na construção comunista.

A Expropriação da Burguesia e a Socialização dos Meios de Produção


A decomposição do sistema capitalista e da disciplina capitalista do trabalho tornam impossível, dadas as relações entre classes, a
reconstituição da produção sobre as antigas bases. A luta dos operários por aumento de salários, mesmo em caso de vitória, não leva à
esperada melhoria das condições de vida, o aumento dos preços dos produtos anula cada vitória. A luta enérgica dos operários por
aumento de salários nos países em que a situação é evidentemente sem saída, por seu caráter impetuoso e apaixonado, por sua
tendência à generalização, torna impossível de agora em diante o progresso da produção capitalista. A melhoria da condição dos
operários não poderá ser atendida sem que o proletariado se adone da produção. Para desenvolver as forças produtivas da economia,
para vencer mais rapidamente a resistência da burguesia, que prolonga a agonia da velha sociedade criando o perigo de uma completa
ruína da vida econômica, a ditadura do proletariado deve realizar a expropriação da grande burguesia e da nobreza e fazer dos meios
de produção e de transporte propriedade coletiva do Estado proletário.
O comunismo nasce agora sob os escombros da sociedade capitalista; a história não deixou outra escolha à humanidade. Os
oportunistas, em seu desejo de retardar a socialização por sua utópica reivindicação de restabelecimento da economia capitalista, não
fazem senão adiar a solução da crise e criar a ameaça de uma ruína total, enquanto a revolução comunista aparece para verdadeira
força produtiva da sociedade, para o proletariado – e com ele, para toda sociedade – como o melhor, o mais seguro meio de salvação.
A ditadura do proletariado não ocasiona nenhuma dispersão dos meios de produção e transporte. Ao contrário, sua tarefa é
realizar uma grande centralização dos meios e a direção de toda a produção segundo um plano único.
O primeiro passo em direção à socialização de toda a economia acarreta, necessariamente, as seguintes medidas: socialização dos
grandes bancos que hoje dirigem a produção; tomada pelo poder proletário de todos os órgãos de poder do Estado capitalista que
regem a vida econômica; tomada de todas as empresa comunais; socialização dos ramos da indústria em que o grau de concentração
tende à socialização tecnicamente possível; socialização das propriedades agrícolas e sua transformação em empresas agrícolas
dirigidas pela sociedade.
Quanto às empresas de menor importância, o proletariado deve, lavando em consideração seu tamanho, socializá-las aos poucos.
É importante sublinhar aqui que a pequena propriedade não deve ser expropriada e que os pequenos proprietários que não
exploram o trabalho de outrem não devem sofrer qualquer violência. Esta classe será aos poucos atraída para a nova organização
social; o exemplo e a prática deverão demonstrar a superioridade da nova estrutura que liberta os pequenos proprietários e a pequena
burguesia do jugo dos capitalistas, de toda a nobreza, dos impostos excessivos (principalmente pela anulação imediata dos débitos
para com o Estado, etc.).
A tarefa da ditadura do proletariado no domínio econômico só se realiza na medida em que o proletariado souber criar os órgãos
de direção da produção centralizada e realizar a gestão pelos próprios operários. Para esse fim será obrigado a aproveitar-se dessas
organizações de massa que são mais estreitamente ligadas com o processo de produção.
No domínio da distribuição, a ditadura do proletariado deve realizar a substituição do comércio por uma justa repartição dos
produtos. Através de medidas indispensáveis para atingir este fim, é necessário indicar: a socialização das grandes empresas
comerciais, a transmissão ao proletariado de todos os órgãos de distribuição do Estado e das municipalidades burguesas; o controle
das grandes uniões de cooperativas em que o aparelho organizado tenha ainda, durante o período de transição, uma importância
econômica considerável, a centralização progressiva de todos esses órgãos e sua transformação num todo único para a distribuição
racional dos produtos.
Assim como no terreno da produção, no da distribuição é importante utilizar todos os técnicos e especialistas qualificados – tão
logo sua resistência no terreno político seja vencida, e quando estiverem em condições de servir, em vez do capitalismo, ao novo
sistema de produção.
O proletariado não tem a intenção de oprimi-lo; ao contrário, eles lhes dará a possibilidade de desenvolverem plenamente a
atividade criadora. A ditadura do proletariado substituirá a divisão do trabalho físico e intelectual, própria do capitalismo, pela união,
reunindo assim o trabalho e a ciência.
Ao mesmo tempo em que expropriará as fábricas, as minas, as propriedades, etc., o proletariado deverá pôr fim à exploração da
população pelos capitalistas proprietários de imóveis, transferir as grandes habitações para os Sovietes operários locais, instalara a
população operária nos apartamentos burgueses, etc.
Durante esta imensa transformação, o poder dos Sovietes deve, de uma parte, construir um grande aparelho de governo, mais
centralizado em sua forma, e, de outra parte, deve chamar para um trabalho imediato de direção às camadas mais amplas do povo
trabalhador.

O Caminho da Vitória
O período revolucionário exige que o proletariado use um método de luta que concentre toda a sua energia, a saber a ação direta
das massas ate, e incluindo sua continuação lógica, o choque direto, a guerra declarada com a máquina governamental burguesa. A
esses objetivos devem estar subordinados todos os outros meios, tais como a utilização revolucionária do parlamento burguês.
As condições preliminares indispensáveis a esta luta vitoriosa são: a ruptura, não apenas com os lacaios diretos do capital e os
verdugos da revolução comunista – cujo papel é hoje assumido pelos social-democratas de direita, - mas também com o "Centro"
(grupo Kautsky), que no momento crítico, abandonam o proletariado e fazem aliança com seus inimigos declarados.
Por outro lado, é necessário constituir um bloco com esses elementos do movimento operário revolucionário que, ainda que antes
não tenham pertencido ao partido socialista, se colocam agora em tudo e por tudo sobre o terreno da ditadura do proletariado sob a
forma sovietista, isto é, com os elementos correspondentes do sindicalismo.
O crescimento do movimento revolucionário em todos os países, o perigo deste revolução ser abafada pela liga dos Estados
burgueses, as tentativas de união dos partidos traidores do socialismo (formação da Internacional amarela de Berna), com o objetivo
de servir ignobilmente à liga Wilson, - e enfim a necessidade absoluta para o proletariado de coordenar seus esforços -, tudo isso nos
conduz, inevitavelmente, à fundação da Internacional Comunista, verdadeiramente revolucionária e verdadeiramente proletária.
A Internacional, que se revelará capaz de subordinar os interesses ditos nacionais aos interesses da revolução mundial, realizará
assim a ajuda mútua dos proletários dos diferentes países, pois sem esta ajuda mútua, econômica e outra, o proletariado não tem
condições de edificar uma sociedade nova. De outra parte, em oposição à Internacional socialista amarela, a Internacional proletária e
comunista sustentará os povos explorados das colônias em sua luta contra o imperialismo, a fim de acelerar a derrocada final do
sistema imperialista mundial.
Os malfeitores do capitalismo afirmavam no começo da guerra mundial que eles apenas defendiam sua pátria. Mas o
imperialismo alemão revelou sua natureza bestial numa série de crimes sangrentos cometidos na Rússia, na Ucrânia, na Finlândia.
Hoje as potências da Entente revelam-se, mesmo para as camadas mais atrasadas da população, como potências que pilham o mundo
inteiro e assassinam o proletariado. Em conluio com a burguesia alemã e os social-patriotas, a palavra paz nos lábios, eles se
esforçam por esmagar, com a ajuda de tanques e tropas coloniais incompreensíveis e bárbaras, a revolução do proletariado europeu.
O terror branco dos burgueses-canibais foi indescritivelmente feroz. As vítimas das fileiras da classe operária são incontáveis, ela
perdeu seus melhores combatentes: Liebknecht e Rosa Luxemburgo.
O proletariado deve se defender em qualquer situação. A Internacional Comunista chama o proletariado mundial para esta luta
decisiva. Arma contra arma! Força contra força! Abaixo a conspiração imperialista do capital! Viva a República Internacional dos
Sovietes Proletários!

TESES SOBRE A SITUAÇÃO INTERNACIONAL E A POLÍTICA DA ENTENTE


As experiências da guerra mundial desmascararam a política imperialista das "democracias" burguesas como sendo a política de
luta das grandes potências, tendente à divisão do mundo e ao endurecimento da ditadura econômica e política do capital financeiro
sobre as massas exploradas e oprimidas. O massacre de milhões de vidas humanas, o empobrecimento do proletariado caído na
escravidão, o enriquecimento inaudito das camadas superiores da burguesia graças aos fornecimentos de guerra, aos empréstimos,
etc., o triunfo da reação militar em todos os países – tudo isso não tarda a destruir as ilusões sobre a defesa da pátria, a trégua e a
"democracia". A "política de paz" desmascara as verdadeiras aspirações dos imperialistas de todos os países e leva até o fim esse
desmascaramento.

A Paz de Brest-Litovsky e o Compromisso do Imperialismo Alemão


A paz de Brest-Litovsky e em seguida aquela de Bucarest revelaram a rapacidade e o reacionarismo das potências centrais. Os
vencedores isolaram a Rússia indefesa, sem contribuições e anexações. Utilizaram o direito de livre determinação dos povos como
pretexto para uma política de anexações, criando Estados vassalos, onde os governos reacionários favoreciam a política de rapina e
repressão das massas trabalhadoras. O imperialismo alemão que, no combate internacional, não tinha obtido a vitória completa, não
teve nesse momento a possibilidade de mostrar completamente suas verdadeiras intenções; ele deveria se resignar a viver sob uma
aparência de paz com a Rússia dos Sovietes e cobrir sua política rapace e reacionária com frases hipócritas.
Ao mesmo tempo as potências da Entente, ainda que tivessem obtido a vitória mundial, deixaram cair as máscaras e revelaram
aos olhos de todo o mundo o verdadeiro rosto do imperialismo mundial.

A Vitória da Entente e o Reagrupamento dos Países


A vitória da Entente dividiu em diferentes grupos os países pretensamente civilizados do mundo. O primeiro grupo é constituído
pelas potências do mundo capitalista, as grandes potências imperialistas vitoriosas (Inglaterra, América, França, Japão, Itália). Diante
delas se colocam os países do imperialismo vencido, arruinados pela guerra e abalados em sua estrutura pelo início da revolução
proletária (Alemanha, Áustria-Hungria com seus vassalos de antes). O terceiro grupo é formado pelos países vassalos das potências
da Entente. Ele se compõe de pequenos países capitalistas, que participaram da guerra às custas da Entente (Bélgica, Sérvia, Portugal,
etc) e das pequenas Repúblicas "nacionais" e Estados tampões criados recentemente (República Tcheco-Eslovaca, Polônia,
Repúblicas Russas contra-revolucionárias, etc). Os países neutros se aproximam, segundo sua situação, dos países vassalos, mas
sofrem uma forte pressão política e econômica, que, às vezes, torna sua situação semelhante àquela dos países derrotados. A
República socialistas russa é um estado operário e camponês colocando-se fora do mundo capitalista e representando para o
imperialismo vitorioso um grande perigo social, o perigo de que todos os resultados da vitória desmoronem sob o assalta da
revolução mundial.

A "Política de Paz" da Entente ou o Imperialismo se Desmascara


A "política de paz" das cinco potências mundiais, quando consideradas em seu conjunto, era e é uma política que se desmascara
constantemente.
Apesar de todas as frases sobre sua "política externa democrática", ela constitui o triunfo completo da diplomacia secreta que, por
trás e às custas de milhões de operários de todos os países, decide os destinos do mundo através de arranjos entre os detentores de
poder dos trustes financeiros. Todas as questões essenciais são tratadas sem exceção a portas fechadas pelo comitê parisiense das
cinco grandes potências, sem a presença dos países vencidos, neutros e dos próprios países vassalos.
Os discursos de Lloyd George, de Clemenceau, de Sonnino, etc, proclamam e tentam motivar abertamente a necessidade das
anexações e das contribuições.
Apesar das frases mentirosas sobre a "guerra pelo desarmamento geral", proclamam a necessidade de ser armar ainda e antes de
tudo de manter o poderio marítimo britânico por causa de uma pretensa necessidade de "proteção à liberdade de navegação".
O direito de livre determinação dos povos, proclamado pela Entente é manifestamente violado e substituído pela divisão dos
domínios contestados entre os países poderosos e seus vassalos.
Sem consultar a população, a Alsácia-Lorena foi incorporada à França; Irlanda, Egito, Índia, não têm o direito de dispor sobre
seus próprios destinos; o Estado eslavo meridional e a República Tchecoslovaca foram criados pela força das armas. Negocia-se sem
vergonha sobre a divisão da Turquia, da Europa e da Ásia, a divisão das colônias alemãs já começou, etc.
A política de contribuições chegou a um grau de completa pilhagem dos vencidos. Não se apresentam aos vencidos contas que
atingem milhões e milhões, não só se lhes arrebatam todos os meios de guerra – mas também suas locomotivas, estradas de ferro,
navios, instrumentos agrícolas, provisões em ouro, etc, etc... Além de tudo, os prisioneiros de guerra devem se tornar escravos dos
vencedores. Discutem proposições que devem levar os operários alemães aos trabalhos forçados. As potências aliadas têm a intenção
de fazê-los escravos miseráveis e famintos do capital da Entente.
A política de emulação nacional conduzida ao máximo de sua expressão pela excitação constante contra as nações vencidas
através da imprensa da Entente e das administrações de ocupação, assim como os bloqueios de fome, condenam os povos da
Alemanha e da Áustria ao extermínio. Esta política leva aos progroms contra os alemães, organizados pelos que sustentam a Entente
– os elementos chauvinistas tchecos e poloneses, e aos progroms contra os judeus, que ultrapassam todos os desmandos do czarismo
russo.
Os Estados "democráticos" da Entente seguem uma política de reação extrema.
A reação triunfa também no interior dos países da própria Entente. Entre eles, a França voltou aos piores momentos de Napoleão
III, que em todo o mundo capitalista se encontra sob a influência da Entente. Os aliados estrangulam a revolução nos países
ocupados, Alemanha, Hungria, Bulgária, etc, emulam os governos oportunistas-burgueses dos países vencidos contra os operários
revolucionários ameaçando-os de suprimir o fornecimento de víveres. Os aliados declaram que afundarão todos os navios que
ousarem hastear a bandeira vermelha da revolução; eles se recusam a reconhecer os conselhos alemães; nas regiões alemãs ocupadas,
eles aboliram a jornada de oito horas. Abstraindo o fato de sustentarem a política reacionária nos países neutros, e o favorecimento
desses nos países vassalos (o regime Paderevsky na Polônia), os aliados excitaram os elementos reacionários desses países (na
Finlândia, Polônia e Suécia, etc.) contra a Rússia revolucionária e pedem a intervenção das forças armadas alemãs.

Contradições entre os Países da Entente


Apesar da identidade de linhas fundamentais de sua política imperialista, uma série de contradições profundas se manifestam no
seio das grandes potências que dominam o mundo.
Essas contradições se concentram sobretudo em torno do programa de paz do capital financeiro americano (o dito programa
Wilson). Os pontos mais importantes deste programa são os seguintes: "Liberdade de navegação", "Sociedade das Nações" e
"Internacionalização das colônias". A palavra de ordem "liberdade de navegação" – desembaraçada de sua máscara hipócrita –
significa na realidade a abolição do predomínio militar naval de algumas grandes potências (em primeiro lugar, a Inglaterra), e a
abertura de todos os –caminhos marítimos ao comércio americano. A "Sociedade das Nações" significa que o direito à anexação
imediata dos Estados e povos fracos será recusado às grandes potências européias (em primeiro lugar à França). A
"internacionalização das colônias" fixa a mesma regra para os domínios coloniais.
Este programa está condicionado pelos seguintes fatos: o capital americano não possui a maior frota do mundo; não tem
possibilidade de proceder as anexações diretamente na Europa, e por isso ele visa à exploração dos países e povos fracos através de
relações comerciais e investimentos de capitais. Por isso deseja constranger as outras grandes potências a formar um sindicato dos
trustes dos países, a repartir "honestamente" entre eles as partes da exploração mundial e a transformar a luta entre os trustes de
países em uma luta puramente econômica. No domínio da exploração econômica, o capital financeiro americano altamente
desenvolvido obterá uma hegemonia efetiva que lhe assegurará o predomínio econômico e político do mundo.
A "liberdade de navegação" está em contradição aguda com os interesses da Inglaterra, do Japão, em parte também com os da
Itália (no Adriático). A "Sociedade das Nações" e "Internacionalização das colônias". A palavra de tradição decisiva com os interesses
da França e do Japão – em menor medida com os interesses de todas as outras potências imperialistas. A política dos imperialistas da
França, onde o capital financeiro tem uma forma particularmente usurária, onde a indústria é pouco desenvolvida e onde a guerra
arruinou as forças produtivas, visa por meios desesperados à manutenção do regime capitalista; esses meios são: a pilhagem bárbara
da Alemanha, a submissão direta e a exploração rapace dos países vassalos (projetos de uma União Danubiana, dos Estados eslavos
meridionais) e extorsão pela violência das dívidas contraídas pelo czarismo russo próxima do Shylock francês. França e Itália (e de
uma forma alterada isto vale também para o Japão), na condição de países continentais, são também capazes de seguir uma política
de anexações diretas.
Além de estarem em contradição com os interesses da América, as grandes potências têm interesses que se opõem reciprocamente
entre elas. A Inglaterra teme o fortalecimento da França sobre o continente, ela tem interesses na Ásia Menor e na África, interesses
que se opõem aos da França. O Japão disputa com a Austrália inglesa as ilhas situadas no Oceano Pacífico.

Grupos e Tendências no Interior da Entente


Essas contradições entre as grandes potências tornam possíveis diferentes grupos no interior da Entente. Até agora duas
combinações principais estão delineadas: a combinação franco-anglo-japonesa, que está dirigida contra a América e a Itália, e a
combinação anglo-americana que se opõe às outras grandes potências.
A primeira dessas combinações prevalece até o início de janeiro de 1919, quando o Presidente Wilson não tinha ainda desistido de
exigir a abolição da dominação marítima inglesa. O desenvolvimento do movimento revolucionário dos operários e soldados na
Inglaterra, que conduz a uma entente entre os imperialistas de diferente países para liquidar a aventura russa e para apressar a
conclusão da paz, reforça a inclinação da Inglaterra em direção a esta combinação. Ela se torna predominante a partir de janeiro de
1919. O bloco anglo-americano se opõe à prioridade da França na pilhagem da Alemanha e à intensidade exagerada desta pilhagem.
Ele coloca alguns limites às exigências anexionistas exageradas da França, da Itália e do Japão. Ele impede que os Estados vassalos
recentemente fundados lhes seja diretamente submissos. No que concerne à questão russa, a combinação anglo-americana tem
disposições pacíficas: deseja ter as mãos livres para completar a divisão do mundo, sufocar a revolução européia e em seguida
também a revolução russa.
A essas duas combinações de potências correspondem duas tendências no interior das grandes potências, uma ultra-anexionista e
outra moderada, sendo que segunda sustenta a combinação Wilson-Lloyd George.

A Sociedade das Nações


Vistas as contradições irreconciliáveis existentes no interior da Entente, a Sociedade das Nações – mesmo que ela exista só no
papel – desempenhará enquanto isso o papel de uma santa aliança entre os capitalistas para repressão da revolução operária. A
propagação da "Sociedade das Nações" é o melhor meio para confundir a consciência revolucionária da classe operária. Em vez da
palavra de ordem de uma Internacional das repúblicas operárias revolucionárias, lançam a de uma associação internacional de
pretensas democracias, devendo estar atenta para uma coalizão do proletariado e das classes burguesas.
A "Sociedade das Nações" é a palavra de ordem mentirosa em meio à qual os social-traidores sob a ordem do capitalismo
internacional dividem as forças proletárias e favorecem a contra-revolução imperialista.
Os proletários revolucionários de todos os países devem levar uma luta implacável contra as idéias da Sociedade das Nações de
Wilson e protestar contra a entrada neste sociedade de roubo, exploração e contra-revolução imperialista.

A Política Externa e Interna dos Países Vencidos


A derrota militar e o desmoronamento interior do imperialismo austríaco e alemão causaram, nos países centrais e durante o
primeiro período da revolução, a dominação do regime burguês social-oportunista. Sob a cor da democracia e do socialismo, os
social-traidores alemães protegem e restauram a dominação econômica e a ditadura política da burguesia. Em sua política exterior
visam ao restabelecimento do imperialismo alemão exigindo a restituição das colônias e a admissão da Alemanha na Sociedade de
rapinas. Na medida em que se fortalecem na Alemanha os bandos de guardas brancas e avança o processo de decomposição no
campo da Entente, as veleidades da burguesia e dos social-traidores de se tornarem uma grande potência crescem também. Ao mesmo
tempo o governo burguês social-oportunista mina a solidariedade internacional do proletariado e separa os operários alemães de seus
irmãos de classe, executando as ordens contra-revolucionárias dos aliados e sobretudo emulando os operários alemães contra a
revolução russa proletária para agradar a Entente. A Política da burguesia e dos social-oportunistas na Áustria e na Hungria é a
repetição da política do bloco burguês-oportunista da Alemanha de forma atenuada.

Os Países Vassalos da Entente


Nos países vassalos e nas Repúblicas que a Entente acaba de criar (Tchecoslováquia, países eslavos meridionais; é necessário
também contar a Polônia e a Finlândia, etc.) a política da Entente, apoiada pelas classes dominantes e os social-nacionalistas, visa a
criar centros de um movimento nacional contra-revolucionário. Esse movimento deve ser dirigido aos países vencidos, deve manter
em equilíbrio as forças dos novos Estados e sujeitá-los à Entente, deve frear os movimento revoluconários que nascem no seio das
novas repúblicas "nacionais" e fornecer, afinal de contas, guardas brancas para a luta contra a revolução internacional e
principalmente contra a revolução russa.
No que concerne à Bélgica, a Portugal, à Grécia e a outros pequenos países aliados à Entente, sua política é inteiramente
determinada pela dos grandes bandidos, aos quais estão completamente submetidos e aos quais solicitam ajuda para obter pequenas
anexações e indenizações de guerra.

Os Países Neutros
Os países neutros estão na situação de vassalos não favorecidos pelo imperialismo da Entente. Tal como faz com os demais, a
Entente emprega, de forma atenuada, os mesmos métodos que emprega com os países vencidos. Os países neutros favorecidos
formulam diferentes reivindicações aos inimigos da Entente (as pretensões da Dinamarca sobre Flensburg, a proposta suíça da
internacionalização do Reno, etc.). Ao mesmo tempo, eles executam as ordens contra-revolucionárias da Entente (expulsão do
embaixador russo, recrutamento das guardas brancas nos países escandinavos, etc). Outros ainda estão expostos ao perigo do
desmembramento territorial (projeto da incorporação da província de Limbourg à Bélgica e a internacionalização da embocadura do
rio Escault).

A Entente e a Rússia Soviética


O caráter rapace, anti-humanitário e reacionário do imperialismo da Entente, se manifesta mais nitidamente diante da Rússia
soviética. Desde o início da Revolução de Outubro, as potências da Entente se colocaram aos lado dos partidos e governos contra-
revolucionários da Rússia. Com a ajuda dos contra-revolucionários burgueses, eles anexaram a Sibéria, o Ural, as costas da Rússia na
Europa, o Cáucaso e uma parte do Turquestão. Eles tiram matérias-primas desses países anexados (madeira, nafta, manganês, etc.).
Com a ajuda dos bandos tchecoslovacos a seu soldo, eles roubam a provisão de ouro da Rússia. Sob a direção do diplomata inglês
Lockhart e os espiões ingleses e franceses explodiram pontes e estradas de ferro e tentaram prejudicar o armazenamento de
alimentos. A Entente forneceu armas e ajuda militar aos generais reacionários Denikine, Koltchak e Krasnov, que fuzilaram e
enforcaram milhares de operários e camponeses em Rostov, Jousovka, Novorssijsk, Omsk, et... Pelos discursos de Clemenceau e
Pichon, a Entente proclama abertamente o princípio do "isolamento econômico", isto é, desejam levar fome e destruição à República
dos operários e camponeses revolucionários; prometendo "apoio técnico" aos bandos de Denikine, Koltchak e Krasnov. A Entente
recusou em diferentes oportunidades as propostas de paz da potência soviética.
Em 23 de janeiro de 1919 as potências da Entente, no interior das quais as tendências moderadas estão momentaneamente
fortalecidas, remeteram a todos os governos russo a proposta de enviar delegados à Ilha dos Príncipes. Certamente esta proposta não
está desprovida de uma intenção provocadora em relação ao governo soviético. Ainda que a 4 de fevereiro a Entente tenha recebido
uma resposta afirmativa do governo soviético, resposta na qual este se declarava pronto a examinar a questão das anexações, as
contribuições e as concessões, a fim de livrar os operários e os camponeses russos da guerra que lhes foi imposta pela Entente – esta
não respondeu a esta proposta de paz da mesma forma que às outras.
Isto confirma que as tendências anexionistas-reacionárias dos imperialistas da Entente se fundam sobre um terreno sólido.
Ameaçam a república socialista com novas anexações e novos assaltos contra-revolucionários.
A "política de paz" da Entente desvela aqui definitivamente aos olhos do proletariado internacional a natureza do imperialismo da
Entente e do imperialismo em geral. Ela prova ao mesmo tempo que os governos imperialistas são incapazes de estabelecer uma paz
"justa e duradoura", e que o capital financeiro é incapaz de recuperar a economia destruída. A manutenção da dominação do capital
financeiro conduzirá ou à destruição completa da sociedade ou ao aumento da exploração, da escravidão, da reação política, do
armamento e finalmente a novas guerras destruidoras.

RESOLUÇÃO SOBRE O TERROR BRANCO


O sistema capitalista foi, desde o seu início, um sistema de rapina e de assassinatos massivos. Os horrores da acumulação
primitiva, a política colonial que, com a ajuda da Bíblia, da sífilis e do álcool, levou ao extermínio impiedoso de raças e povos
inteiros; a miséria, a fome, o esgotamento e a morte prematuros de incontáveis milhões de proletários explorados, a repressão
sangrenta da classe operária quando ela se insurgia contra seus exploradores, e enfim a carnificina imensa e inaudita que transformou
a produção mundial numa produção de cadáveres humanos – eis a imagem da ordem capitalista.
Desde o início da guerra as classes dominantes que, sobre os campos de batalha mataram mais de dez milhões de homens e
feriram muitos mais, erigiram no interior de seus países também o regime da ditadura sangrenta. O governo czarista russo fuzilou e
enforcou operários, organizou progroms contra os judeus, exterminou tudo o que vivia no país. A monarquia austríaca afogou em
sangue a insurreição dos camponeses e dos operários ucranianos e tchecos. A burguesia inglesa assassinou os melhores representantes
do povo irlandês. O imperialismo alemão ficou enraivecido no interior de seu país e os marinheiros revolucionários foram as
primeiras vítimas desta brutalidade. Na França abateram os soldados russos que não estavam prontos para defender os interesses dos
banqueiros franceses. Na América a burguesia linchou os internacionalistas, condenou centenas entre os melhores proletários a vinte
anos de trabalhos forçados, abateu operários por causa das greves.
Quando a guerra imperialista começou a se transformar em guerra civil, e as classes dominantes, os maiores malfeitores que a
história jamais conheceu, foram ameaçadas com o perigo imediato de desmoronamento do seu regime sangrento, sua bestialidade se
tornou ainda mais cruel.
Em sua luta pela manutenção da ordem capitalista, a burguesia emprega os métodos mais inusitados, diante dos quais são quase
nada as crueldades da Idade Média, da Inquisição e da colonização.
A classe burguesa, diante de sua queda, destrói hoje fisicamente a força produtiva mais importante da sociedade humana – o
proletariado, e é desmascarada presentemente por este terror branco em toda sua hedionda nudez.
Os generais russos, personificação viva do regime czarista, mataram e ainda matam em massa os operários com apoio direto ou
indireto dos social-traidores. Durante a dominação dos socialistas-revolucionários e dos mencheviques na Rússia, milhares de
operários e de camponeses lotaram as prisões e os generais exterminavam regimentos inteiros por causa da desobediência.
Atualmente, os Krasnov e os Denikine, contando com a colaboração benevolente da Entente, mataram e enforcaram dezenas de
milhares de operários; para aterrorizar os que ainda restavam deixaram os cadáveres expostos durante três dias. No Ural e na região
do Volga, enterraram-nos vivos. Na Sibéria, os generais abateram milhares de comunistas, um número incontável de operários e
camponeses.
A burguesia alemã e austríaca assim como os social-traidores mostraram sua natureza de canibais, quando na Ucrânia eles
enforcaram em forcas transportáveis por ferrovia os operários e camponeses que eles haviam saqueado, assim como os comunistas,
seus próprios compatriotas, camaradas alemães e austríacos. Na Finlândia, país da democracia burguesa, eles ajudaram a burguesia
finlandesa a fuzilar entre treze e quatorze mil proletários e a torturar e matar mais de quinze mil nas prisões.
Em Helsinque eles colocaram diante deles mulheres e crianças para proteger das metralhadoras. Com seu apoio, as guardas
brancas finlandesas e as forças auxiliares suecas puderam entregar-se a orgias sangrentas contra o proletariado finlandês derrotado.
Em Tammefors forçaram as mulheres condenadas à morte a cavar suas próprias sepulturas; em Viborg abateram centenas de homens,
mulheres e crianças finlandesas e russas.
No interior de seu país, a burguesia e a social-democracia alemã pela repressão sangrenta da insurreição operária comunista, pelo
assassinato de Karl Liebknecht e Luxemburgo, matando e exterminando os operários espartaquistas, chegaram ao último degrau da
fúria reacionária. O terror massivo e individual dos brancos – eis a bandeira que guia a burguesia.

Em outras países é idêntico o quadro que se nos oferece.


Na democrática Suíça está tudo pronto para a execução dos operários caso eles ousem violar a lei capitalista. Na América, a
prisão com trabalhos forçados, a lei do linchamento e a cadeira elétrica aparecem como símbolos destacados da democracia e da
liberdade.
Na Hungria e na Inglaterra, na Boêmia e na Polônia – em todos os lugares, a mesma coisa. Os assassinos burgueses não recuam
diante de nenhuma infâmia. Para consolidar sua dominação, eles desencadeiam o chauvinismo e organizam, por exemplo, a
democracia burguesa ucraniana, com o menchevique Petlyura à frente; a da Polônia com o social patriota Pilsudsky e imediatamente
imensos progroms contra os judeus que superam de longe os que organizaram os policiais do Czar. E se a canalha reacionária
polonesa e "socialista" assassinou os representantes da Cruz Vermelha russa, isto é apenas uma gota d’água no mar de crimes e
horrores do canibalismo burguês decadente.
A "Liga das Nações" que, segundo as declarações de seus fundadores, deve conduzir à paz, vai em direção a uma guerra
sangrenta contra o proletariado de todos os países. As potências da Entente querem salvar sua dominação traçando com exércitos
mercenários o caminho em direção a um terror de uma brutalidade inacreditável.
Maldizendo os assassinos capitalistas e seus criados social-democratas, o primeiro Congresso da Internacional Comunista
conclama os operários todos os países para reunir todas as suas forças para pôr fim, definitivamente, ao sistema de assassinato e
rapina destruindo o poder do regime capitalista.

DISCURSO DO CAMARADA TROTSKY


Camarada L. Trotsky (Rússia). – O camarada Albert disse que o exército vermelho é freqüentemente, na Alemanha, objeto de
discussão, e se bem compreendi ele inquieta também os senhores Ebert e Scheidemann em sua noites de insônia, isto é, eles temem a
irrupção ameaçadora do Exército Vermelho na Prússia Oriental. Quanto a irrupção, o camarada Albert pode tranqüilizar os atuais
senhores da Alemanha: felizmente ou infelizmente – isso depende do ponto de vista – nós ainda não estamos lá. Em todo caso, no
que concerne às invasões que nos ameaçam, nossa situação é hoje bem melhor que à época da paz de Brest-Litovsk. Isto é certo.
Naquela época éramos ainda crianças quanto ao desenvolvimento geral do governo soviético bem como quanto ao do Exército
Vermelho. Naquela época, o seu nome era ainda Guarda Vermelha era composta pelas primeiras tropas de camponeses, pelas seções
improvisadas de operários revolucionários, que, imbuídos de espírito revolucionário, levaram a revolução proletária de Petrogrado e
Moscou para todo o território russo. Este período durou até o primeiro choque desta Guarda Vermelha com os regimentos regulares
alemães, quando se viu claramente que esses grupos improvisados não eram capazes de fornecer à República socialista
revolucionária uma verdade proteção uma vez que não se tratava apenas de vencer a contra-revolução russa, mas de repelir um
exército disciplinado.
Depois disso é que começa a mudança no estado de espírito da classe operária em relação ao exército, e também a mudança de
seus métodos de organização. Pressionados pela situação, procedemos à construção de um exército bem organizado, com consciência
de classe. Pois em nosso programa há a milícia popular. Mas falar de milícia popular, desta reivindicação política da democracia num
país governado pela ditadura do proletariado, é uma coisa impossível, pois o exército é sempre estreitamente ligado ao caráter da
força que detém o poder. A guerra, como dizia o velho Clausewitz, é a continuação da política, mas por outros meios. E o exército é o
instrumento da guerra e deve corresponder à política. O governo é proletário e, em sua composição social, o exército deve
corresponder a ele.
Assim nós introduzimos o senso na composição do exército. Desde o mês de maio do último ano, passamos de exército de
voluntários da Guarda Vermelha ao exército que repousa sobre o serviço militar obrigatório, mas nós não admitimos aí que os
proletários ou os camponeses explorem mão de obra externa.
É impossível falar seriamente de uma milícia popular na Rússia, quando se tem em conta o fato de que tivemos, e ainda temos,
vários exércitos de classe inimigos sobre o território do Dom, um exército monárquico, dirigido por oficiais cossacos. Pois tínhamos
na região do Volga e do Ural o exército da Constituinte, que era também, segundo sua concepção, o exército "popular", como se
chamava. Este exército se dissolveu rapidamente. Esses senhores da Constituinte ficaram em desvantagem, deixaram o terreno da
democracia do Volga e do Ural de uma maneira totalmente involuntária e procuraram-nos para desfrutar a hospitalidade do governo
soviético. O almirante Koltchak simplesmente pôs em estado de prisão o governo da Constituinte e o exército se transformou em um
exército monárquico. Em um país que se encontra em estado de guerra civil, só se pode constituir um exército segundo o princípio da
classe. Foi assim que fizemos – e com sucesso aliás.
A questão dos chefes militares tem levantado grandes dificuldades para nós. Evidentemente, o primeiro cuidado era educar os
oficiais vermelhos, recrutados nas fileiras da classe operária e entre os filhos de camponeses ricos. Desde o início executamos este
trabalho, e mesmo aqui, diante da porta desta sala, vocês podem ver bem os "sargentos" vermelhos que, em pouco tempo, entrarão
como oficiais vermelhos no exército soviético. Nós temos muitos deles. Não quero dizer quantos, pois um segredo de guerra é
sempre um segredo de guerra. O número – digo – é grande, mas não podemos esperar que jovens sargentos vermelhos se tornem
generais vermelhos, pois o inimigo não gostaria de nos deixar tempo para tão longo descanso. Para aproveitar com sucesso esta
reserva e torná-los homens capazes, nós devemos recorrer também aos antigos chefes militares. Não vamos, evidentemente, procurar
nossos oficiais nas camadas superiores da carreira militar, mas entre os elementos mais simples recrutamos forças todavia capazes,
que nos ajudam hoje a combater seus antigos colegas. De uma parte, bons e leais elementos compondo o antigo corpo de oficiais, aos
quais nós juntamos bons comunistas como comissários, e de outra parte, os melhores elementos entre os soldados, os operários, os
camponeses, para os postos de comando inferiores. Desta maneira, formamos um corpo de oficiais vermelhos.
Desde que a República soviética existe na Rússia, ela tem sido sempre forçada a fazer a guerra e ela a faz ainda hoje. Temos um
front de mais de 8.000 quilômetros. No sul e no norte, no leste e no oeste, por todos os lugares, de armas na mão, nos combatem e
somos obrigados a nos defender. Kautsky chegou a nos acusar de cultivarmos o militarismo. Ora, eu penso que se nós desejamos
conservar o poder dos operários, devemos nos defender seriamente. Para nos defendermos, devemos aprender com os operários a
fazer uso das armas que eles forjam. Começamos por desarmar a burguesia e a armar os operários. Se isso é militarismo, muito bem,
então nós criamos nosso militarismo socialista e perseveramos firmemente apoiando-nos sobre ele.
Segundo esta visão, nossa situação em agosto último era bem má: não apenas estávamos cercados, mas o cerco contornava
Moscou. Desde esta época alargamos mais e mais o cerco e, nos últimos seis meses, o Exército Vermelho reconquistou para a União
Soviética pelo menos 700.000 quilômetros quadrados, com uma população de aproximadamente 42 milhões de habitantes, 16
governos com 16 grandes cidades nas quais a classe operária tinha e tem o costume de levar uma luta áspera. Ainda hoje, se de
Moscou vocês traçarem sobre o mapa uma linha numa direção qualquer prolongando-a, vocês encontrarão por todos os lugares um
camponês russo, um operário russo no front que, nessa noite fria, se posta com seu fuzil na fronteira da República para defendê-la.
E posso assegurar a vocês que os operários comunistas que formam verdadeiramente o núcleo deste exército se conduzem não
apenas como o exército de proteção da República Socialista russa, mas também como o Exército Vermelho da III Internacional. E se
nós temos hoje a possibilidade de dar hospitalidade a esta conferência comunista para agradecer a nossos irmãos da Europa Ocidental
a hospitalidade que eles nos deram durante dezenas de anos, nós o devemos, de nossa parte, aos esforços e aos sacrifícios do Exército
Vermelho, no interior do qual os melhores camaradas da classe operária comunista agem como simples soldados, como oficiais
vermelhos ou como comissários, isto é, como os representantes diretos de nosso partido, do governo soviético, e que, em cada
regimento, em cada divisão, dão o tom político e moral, isto é, ensinam com seu exemplo os soldados vermelhos como se luta e se
morre pelo socialismo. Entre esses homens, essas não são palavras vazias, pois elas são seguidas de atos, e nessa luta nós perdemos
centenas e milhares dos melhores operários socialistas. Penso que eles não tombaram apenas pela República soviética, mas também
pela III Internacional.
E se hoje nós não pensamos também em invadir a Prússia Oriental – ao contrário, ficaríamos felizes se os senhores Ebert e
Scheidemann nos deixassem em paz – isto é exato por enquanto, quando chegar o momento em que os irmãos do Ocidente nos
chamarem em seu auxílio, nos responderemos: "Eis-nos aqui, durante este tempo nós aprendemos a manejar as armas, estamos
prontos para lutar e morrer pela causa da Revolução mundial!"

DISCURSO DE ENCERRAMENTO DE LÊNIN


(7 de março de 1919)
Assim terminamos nosso trabalho.
Se pudemos nos reunir apesar de todas as dificuldades e da repressão policial, se conseguimos, sem divergências essenciais,
tomar, em curto espaço de tempo, decisões importantes sobre todas as questões candentes da época revolucionária atual, é porque as
massas proletárias do mundo inteiro colocaram todas essas questões praticamente na ordem do dia por seus atos e começaram a
resolvê-los na prática.
Resumimos aqui o que as massas já conseguiram conquistar em sua luta revolucionária.
O movimento em favor dos Sovietes se estende sempre para mais longe, não só nos países da Europa Ocidental, mas também nos
países vitoriosos como a Inglaterra, por exemplo; e esse movimento não é nada mais que um movimento que tem como objetivo a
criação de uma nova democracia proletária: ele é o progresso mais considerável em direção à ditadura do proletariado, em direção à
vitória completa do comunismo.
Que a burguesia do mundo inteiro continue a seviciar, que ela persiga, aprisione e inclusive assassine espartaquistas e
bolcheviques, isso de nada lhe servirá. Isso só poderá esclarecer as massas e determinar que elas se livrem de seus velhos precedentes
burgueses democráticos e se retemperem na luta. A vitória da revolução proletária está assegurada no mundo inteiro: A constituição
da República Soviética Internacional está em andamento.

MANIFESTO DA INTERNACIONAL COMUNISTA AOS PROLETÁRIOS DO MUNDO INTEIRO!


Há setenta e dois anos o Partido Comunista apresentou ao mundo seu programa sob a forma de um manifesto escrito pelos
maiores profetas da Revolução proletária, Karl Marx e Friedrich Engels. Já nessa época, o comunismo recém entrado em sua luta,
era oprimido pelas perseguições e mentiras, pela ira das classes possuidoras que divisavam nele seu inimigo mortal. Durante esses
três quartos de século, o desenvolvimento do comunismo seguiu vias complexas, conhecendo alternadamente as tempestades do
entusiasmo e os períodos de desencorajamento, as vitórias e as duras derrotas. Mas no fundo o movimento seguiu a rota traçada
pelo Manifesto do Partido Comunista. A hora da luta final e decisiva chegou mais tarde do que esperavam os apóstolos da
Revolução social. Mas ela chegou. Nós, comunistas, representantes do proletariado revolucionário dos diferentes países da Europa,
América e Ásia, reunidos em Moscou, capital da Rússia sovietista, nós nos sentimos herdeiros e os continuadores da obra cujo
programa foi anunciado a 72 anos.
Nossa tarefa é de generalizar a experiência revolucionária da classe operária, de desvencilhar o movimento das mentiras
impuras do oportunismo e do social-patriotismo, de unir forças de todos os partidos verdadeiramente revolucionários do
proletariado mundial e com isso facilitar e acelerar a vitória da Revolução comunista no mundo inteiro.
Hoje, quando a Europa está coberta de ruínas fumegantes, os maiores culpados pelos incêndios se ocupam em procurar os
responsáveis pela guerra. Eles são seguidos por seus lacaios, professores, parlamentares, jornalistas, social-patriotas e outros
apoiadores políticos da burguesia.
Durante muitos anos o socialismo predisse a inelutabilidade da guerra imperialista; ele viu suas causas n o desejo insaciável de
lucro e de propriedade das classes possuidoras dos dois principais concorrentes e em geral de todos os países capitalistas. Dois
anos antes da explosão, no congresso de Bâle, os dirigentes socialistas responsáveis de todos os países denunciaram o imperialismo
como fator de guerra futura. Eles ameaçaram a burguesia de desencadear sobre sua cabeça a Revolução social, vingança do
proletariado contra os crimes do capitalismo.
Hoje, após uma experiência de 5 anos, quando a história, pondo em dia os apetites rapaces da Alemanha, desvela os
procedimentos não menos criminosos dos Aliados, os socialistas oficiais dos países da Entente, junto com seus governos, não
cessam de denunciar no kaiser alemão deposto o grande culpado pela guerra. E mais, no seu abjeto servilismo, os social-patriotas
alemães, que, em agosto de 1914, fazendo do livro branco diplomático de Hohenzollern o evangelho sagrado das nações, acusam
agora por seu turno esta monarquia alemã abatida, da qual foram fiéis servidores, de ser a causa principal da guerra. Eles esperam
assim a vez de esquecer o papel que desempanharam e ganhar a indulgência dos vencedores. Mas ao lado do papel desempenhado
pelas dinastias derrotadas dos Romanov, Hohenzollern, dos Habsburgos e da súcia capitalista de seus países, o papel das classes
dirigentes da França, da Inglaterra, da Itália e dos Estados Unidos aparece em toda sua amplitude criminosa à luz dos fatos
ocorridos e das revelações diplomáticas.
Até a explosão da própria guerra, a diplomacia inglesa não levantou um milímetro de sua máscara misteriosa. O governo da
City acreditava que se ele declarasse categoricamente seu desejo de participar da guerra às custas da Entente, o governo de Berlim
não recuaria e não haveria a guerra. Por isso, tudo se conduziu de modo a fazer esperar, de uma parte, em Berlim e em Viena, a
neutralidade da Inglaterra e a permitir, de outra parte, em Paris e Petrogrado, que contassem firmemente com sua intervenção.
Preparada pela marcha da história durante várias dezenas de anos, a guerra foi desencadeada por uma provocação direta e
consciente da Grã-Bretanha. O governo deste país tinha feito o cálculo de sustentar a Rússia e a França apenas na medida
necessária para esgotá-las esgotando a Alemanha, seu inimigo mortal. Mas o –poderio do sistema militar alemão surgiu mais
perigoso e impôs uma intervenção não mais aparente, mas real da Inglaterra.
O papel de espectador sorridente, ao qual a Grã-Bretanha aspirava por tradição, coube aos Estados Unidos. O governo de
Wilson aceitou tanto mais facilmente o bloqueio inglês, quanto diminuíam as possibilidades de especulação da Bolsa americana
sobre o sangue europeu com que as potências da Entente indenizaram com grandes recursos a burguesia americana por esta
violação do "direito internacional". Enquanto a enorme superioridade militar da Alemanha obrigou por seu turno o governo de
Washington a sair do estado de neutralidade fictícia em relação à Europa, os Estados Unidos se encarregaram da missão que a
Inglaterra havia cumprido em guerras passadas e que ela tinha tentado cumprir na última guerra em relação ao continente:
enfraquecer um dos campos servindo-se do outro, e se envolver em operações militares apenas na medida indispensável para
assegurar todas as vantagens da situação. A aposta da loteria americana não era grande, mas foi a última e assim lhe assegurou o
prêmio.
As contradições do regime capitalista se revelaram à humanidade com a guerra, sob a forma de sofrimentos físicos: a fome, o
frio, as doenças epidêmicas e um recrudescimento da barbárie. Assim é jogada sem apelação a velha disputa acadêmica dos
socialistas sobre a teoria da pauperização e da passagem progressiva do capitalismo ao socialismo. Os estatísticos e os pontífices
da teorias do arredondamento dos ângulos procuraram, durante dezenas de anos, em todos os cantos do mundo, fatos reais ou
imaginários capazes de demonstrar o progresso do bem-estar de certos grupos ou categorias da classe operária. A teoria da
pauperização das massas era vista como enterrada sob os apupos desdenhosos dos eunucos que ocupavam as tribunas da burguesia
e dos mandarins do oportunismo socialista. Agora não se trata apenas da pauperização social, mas de um empobrecimento
fisiológico, biológico, que apresenta diante de nós toda a sua realidade hedionda.
A catástrofe da guerra imperialista varreu completamente todas as conquistas das batalhas sindicalistas e parlamentares. E por
isso esta guerra nasceu das tendências internas do capitalismo da mesma forma que os negócios econômicos ou os compromissos
parlamentares que ela afogou no sangue e na abjeção.
O capital financeiro, depois de ter precipitado a humanidade no abismo da guerra, sofreu também durante esta guerra uma
modificação catastrófica. O estado de dependência em que estava colocado o papel-moeda diante do fundamente material da
produção foi definitivamente rompido. Perdendo mais e mais o seu valor de meio e regulador da troca de produtos no regime
capitalista, o papel-moeda se transformou em instrumento de requisição, de conquista e em geral de opressão militar e econômica.
A depreciação total das cédulas bancárias marcou a crise mortal geral que afeta a circulação dos produtos no regime
capitalista. Se a livre concorrência, como reguladora da produção e da repartição, foi substituída nos principais campos da
economia pelo sistema de trustes e de monopólios, várias dezenas de anos antes da guerra, o curso da própria guerra tirou o papel
regulador e diretor dos grupamentos econômicos para passá-lo diretamente ao poder militar e governamental. A repartição das
matérias-primas, a exploração da nafta de Bakou ou da Romênia, do óleo de Donetz, do trigo da Ucrânia, a utilização das
locomotivas, dos vagões e automóveis da Alemanha, as provisões de pão e carne da Europa faminta, todas essas questões
fundamentais da vida econômica do mundo não são reguladas pela livre concorrência, nem mesmo por combinações de trustes e
consórcios nacionais e internacionais. Eles caem sob o jugo da tirania militar para lhe servir de salvaguarda a partir de hoje. Se a
absoluta sujeição do poder político ao capital financeiro conduziu a humanidade à carnificina imperialista, esta carnificina permitiu
ao capital financeiro não apenas militarizar totalmente o Estado, mas militarizar-se a si mesmo, de maneira que pode apenas
cumprir suas funções econômicas essenciais a ferro e sangue.
Os oportunistas que antes da guerra convidavam os operários a moderar suas reivindicações sob o pretexto de passar
lentamente ao socialismo, que, durante a guerra, foram obrigados a renunciar à luta de classes em nome da união sagrada e da
defesa nacional, exigem do proletariado um novo sacrifício, desta vez a fim de triunfar sobre as consequências assustadoras da
guerra. Se com tais pregações pudessem influenciar as massas operárias, o desenvolvimento do capital se daria sacrificando
inúmeras gerações, com formas novas, ainda mais concentradas e mais monstruosas, com a perspectiva fatal de nova guerra
mundial. Felizmente para a humanidade isso não é mais possível
A estatização da vida econômica, contra a qual protestou tanto o liberalismo capitalista, é um fato consumado. Voltar, não de
todo, à livre concorrência, mas apenas à dominação dos trustes, sindicatos e outros polvos capitalistas, é de agora em diante
impossível. A questão é unicamente saber qual será, a partir de agora, aquele que adotará a produção estatizada: o Estado
imperialista ou o Estado do proletariado vitorioso.
Em outros termos, a humanidade trabalhadora em sua totalidade se tornará a escrava tributária de uma corja mundial
triunfante, que, sob a insígnia da Liga das Nações, em meio a um exército "internacional" saqueará e estrangulará uns, preservará
outros, mas sempre e em todos os lugares aprisionará o proletariado, com o fim único de manter sua dominação? Ou a classe
operária da Europa e dos países mais avançados das outras partes do mundo se apoderará da vida econômica, mesmo
desorganizada e destruída, a fim de assegurar sua reconstrução em bases socialistas?
Abreviar o período de crise que atravessamos só é possível pelos métodos da ditadura do proletariado, que não olha para o
passado, que não conta com os privilégios hereditários ou com o direito de propriedade, que, considerando apenas a necessidade de
salvar as massas famintas, mobiliza para isso todas as forças, decreta para todo mundo a obrigação do trabalho, institui o regime
da disciplina operária, a fim de sanar, em alguns anos, as chagas vivas provocadas pela guerra e conduzir a humanidade a uma
altura nova e insuspeitada.
O Estado nacional, depois de ter dado um impulso vigoroso ao desenvolvimento capitalista, se tornou mais estreito para a
expansão das forças produtivas. Este fenômeno tornou mais difícil a situação dos pequenos Estados incrustados no meio das
grandes potências da Europa e do Mundo. Esses pequenos Estados nasceram em diferentes épocas a partir de fragmentos dos
grandes, como a miúda moeda destinada a pagar diversos tributos, com tampões estratégicos, possuindo suas dinastias, suas castas
dirigentes, suas pretensões imperialistas, suas patifarias diplomáticas. Sua independência ilusória baseou-se, até a guerra,
exatamente como estava baseado o equilíbrio europeu, sobre o antagonismo dos dois campos imperialistas. A guerra destruiu este
equilíbrio. Dado de início uma imensa vantagem à Alemanha, a guerra obrigou os pequenos países a procurarem sua salvação na
magnanimidade do militarismo alemão. Vencida a Alemanha, a burguesia dos países pequenos, em combinação com seus
"socialistas" patriotas, se voltou para saudar o imperialismo triunfante dos Aliados, e nos artigos hipócritas do programa de Wilson
empenhou-se em procurar as garantias para manutenção de sua existência independente. Ao mesmo tempo, o número de pequenos
países aumentou: da monarquia austro-húngara, do império dos czares destacam-se novos Estados que, recém-nascidos, puseram-se
imediatamente a pegar uns nas gargantas dos outros por questões fronteiriças. Os imperialistas Aliados, durante esse tempo,
preparam combinações de pequenas potências, antigas e novas, a fim de prender uns aos outros por uma raiva mútua e uma
fragilidade geral.
Arrasando e violentando os povos pequenos e frágeis, condenando-os à fome e à humilhação, mesmo que pouco tempo antes os
imperialistas dos impérios centrais, os imperialistas aliados não parassem de falar do direito das nacionalidades, direitos que eles
pisoteiam com seus pés na Europa e no mundo inteiro.
Só a Revolução proletária pode garantir aos pequenos povos sua existência livre, pois ela libertará as forças produtivas de todos
os países dos tentáculos movidos pelos Estados nacionais, unindo os povos numa estreita colaboração econômica, conforme um
plano econômico comum. Só ela dará aos povos mais fracos e menos populosos a possibilidade de administrar com liberdade e
independência absoluta sua cultura nacional, sem impor o menor dano à vida econômica unificada e centralizada da Europa e do
mundo.
A última guerra, foi em larga medida uma guerra pela conquista das colônias, foi ao mesmo tempo uma guerra feita com a ajuda
das colônias. Em proporções até então desconhecidas, os povos coloniais foram arrastados para a guerra européia. Os hindus, os
negros, os árabes, os malgaches, foram batidos em solo europeu, em nome de quê? Em nome de seu direito de permanecerem mais
tempo como escravos da Inglaterra e da França. Jamais o espetáculo da desonestidade do Estado capitalista nas colônias foi tão
edificante; jamais o problema do escravismo colonial foi posto com tamanha acuidade.
Desde então uma série de revoltas ou movimentos revolucionários em todas as colônias. Na Europa, a Irlanda lembrou com
sangrentos combates de rua que era ainda, e que tinha consciência de ser uma país escravizado. Em Madagáscar, em Annam, em
outros lugares, as tropas da república burguesa tiveram mais de uma vez, ao longo da guerra, de abafar insurreições de escravos
das colônias. Na Índia, o movimento revolucionário não cessou um só dia. Ele chegou nesses últimos tempos a greves operárias
grandiosas, às quais o governo britânico respondeu com a intervenção de carros blindados em Bombaim.
Assim a questão colonial está colocada em toda sua amplitude não somente sobre o tapete verde do congresso de diplomatas de
Paris, mas nas próprias colônias. O programa de Wilson tem por objetivo, na melhor das interpretações, mudar a etiqueta da
escravidão colonial. A libertação das colônias não se dará ao mesmo tempo que a libertação da classe operária das metrópoles. Os
operários e os camponeses não somente de Annam, Argélia ou Bengala, mas também da Pérsia e da Armênia, não poderão desfrutar
de uma existência independente antes que os operários da Inglaterra e da França, depois de terem derrubado Lloyd George e
Clemenceau, tomem em suas mãos o poder governamental. Até o presente, nas colônias mais desenvolvidas, a luta não se dá mais
sob a bandeira da libertação nacional, ela assume de imediato um caráter social mais ou menos evidente. Se a Europa capitalista
arrastou apesar delas os partidos mais atrasados do mundo no turbilhão das relações capitalistas, a Europa socialista, por seu
turno, virá socorrer as colônias libertadas com sua técnica, sua organização, sua influência moral, a fim de abrir passagem à vida
econômica regularmente organizada pelo socialismo.
Escravos coloniais da África e da Ásia: a hora da ditadura proletária na Europa soará para vós como a hora da vossa
libertação.
Todo mundo burguês acusa os comunistas de abolirem a liberdade e a democracia política. Isso é falso. Tomando o poder, o
proletariado apenas manifesta a completa impossibilidade de aplicar os métodos da democracia burguesa e cria as condições e as
formas de uma democracia operária nova e mais elevada. Todo o curso do desenvolvimento capitalista, em particular na última
época imperialista, solapou as bases da democracia política, não apenas dividindo as nações em duas classes inimigas e
irreconciliáveis, mas também condenando ao enfraquecimento econômico e à impotência política múltiplas camadas da pequena
burguesia e do proletariado da mesma forma que os elementos mais deserdados desse mesmo proletariado.
A classe operária dos países onde o desenvolvimento histórico permitiu, utilizou o regime da democracia política para se
organizar contra o capitalismo. Esses será o mesmo futuro nos países onde não estão realizadas as condições preliminares de uma
revolução operária. Mas as massas da população intermediária, nas vilas e nas cidades são mantidas pelo capitalismo em completo
atraso, várias épocas atrasadas em relação ao desenvolvimento histórico.
O camponês da Baviera ou de Bade, ainda estreitamente vinculado ao campanário de sua vida, o pequeno vinhateiro francês
arruinado pela falsificação de vinhos pelos grandes capitalistas, o pequeno fazendeiro americano endividado e enganado pelos
banqueiros e deputados, todas essas camadas sociais rejeitadas pelo capitalismo, distantes da grande rota do desenvolvimento
histórico, estão convidadas no papel pelo regime da democracia política a participar do governo do Estado. Na realidade, nas
questões fundamentais das quais depende o destino das nações, é uma oligarquia financeira que governa nos bastidores da
democracia parlamentar. Assim foi recentemente na questão da guerra. É assim hoje na questão da paz.
Na medida em que a oligarquia financeira se dá ao trabalho de fazer sancionar seus atos de tirania pelos votos parlamentares, o
Estado burguês se serve, para chegar aos resultados desejados, de todas as armas da mentida, da demagogia, da perseguição da
calúnia, da corrupção, do terror, que os séculos passados de escravidão colocaram à sua disposição e que multiplicaram os
prodígios da técnica capitalista.
Exigir do proletariado, em sua última luta de morte contra o capital, que observe piedosamente os princípios da democracia
política equivaleria a exigir de um homem que defende a sua existência e sua vida dos bandidos que observa as regras artificiais e
convencionais do boxe francês, instituídas por seu inimigo e que seu inimigo não observa.
Em meio à devastação, aonde não apenas os meios de produção e de transporte, mas também as instituição da democracia
política não são mais que um amontoado de fragmentos ensanguentados, o proletariado é obrigado a criar um aparato para ele, que
serve antes de tudo para conservar a coesão interna da própria classe operária e que lhe dá a faculdade de intervir
revolucionariamente no desenvolvimento ulterior da humanidade. Este aparelho, são os Sovietes.
Os antigos partidos, as antigas organizações sindicais se manifestam na pessoa de seus dirigentes, incapazes não só de decidir,
mas também de compreender os problemas colocados pela nova época. O proletariado criou um novo tipo de organização ampla,
englobando as massas operárias independentemente da profissão ou do grau de desenvolvimento político; um aparelho flexível,
capaz de perpétua renovação, de perpétuo alargamento, podendo sempre arrastar para sua órbita as novas categorias e abranger as
camadas de trabalhadores vizinhos do proletariado da cidade e do campo. Esta organização insubstituível da classe operária
governando-se a si mesmo, lutando e conquistando finalmente o poder político, fez em vários países a prova prática; ela constitui a
conquista e a arma mais poderosa do proletariado de nossa época.
Em todos os países onde as massas trabalhadoras vivem uma vida consciente se formam hoje e se formarão os sovietes de
deputados operários, soldados e camponeses. Fortalecer os sovietes, elevar sua autoridade, opô-los ao aparelho governamental da
burguesia, eis qual é atualmente o objetivo essencial dos operários conscientes e leais de todos os países. Através dos Sovietes, a
classe operária pode escapar dos elementos de dissolução que levam em seu interior os sofrimentos infernais da guerra, da fome, da
tirania dos ricos com a traição de seus antigos chefes. Através dos Sovietes, a classe operária, da maneira mais segura e mais fácil,
pode chegar ao poder em todos os países onde os Sovietes reúnam a maioria dos trabalhadores. Através dos Sovietes, a classe
operária, senhora do poder, governará todos os domínios da vida econômica e moral do país, como acontece hoje na Rússia. A
ruína do Estado imperialista, desde suas formas czaristas até as mais democráticas, dá-se com a ruína dos sistema militar
imperialista. Os exércitos de vários milhões de homens mobilizados pelo imperialismo podem manter-se apenas durante o tempo que
o proletariado aceitar o jugo da burguesia. A destruição da unidade nacional significa a destruição inevitável dos exércitos. Foi isso
que aconteceu primeiramente na Rússia, depois na Alemanha e na Áustria. É também o que se deve esperar que aconteça em outros
países imperialistas. A revolta do camponês contra a burocracia monarquista ou "democrática" conduz inevitavelmente à revolta
dos soldados contra os oficiais, e em seguida a uma cisão caracterizada entre os elementos proletários e burgueses do próprio
exército. A guerra imperialista, opondo as nações, se transformou e se transforma cada vez mais em guerra civil opondo as classes.
As lamentações do mundo burguês sobre a guerra civil e o terror vermelho constituem a mais monstruosa hipocrisia que jamais
registrou a história das lutas políticas. Não haveria guerra civil se a concorrência dos exploradores que levaram a humanidade à
beira do abismo não se opusessem a todo progresso dos trabalhadores, se não se organizassem os complôs e os homicídios e não
solicitassem o auxílio armado estrangeiro para conservar ou restaurar seus privilégios expropriados.
A guerra civil é imposta à classe operária por seus inimigos mortais. Se ela não quer se suicidar e renunciar a seu futuro que é o
futuro de toda a humanidade, a classe operária não pode deixar de responder aos golpes de seus agressores. Os partidos comunistas
não suscitam nunca artificialmente a guerra civil, se esforçam por diminuir-lhe tanto quanto possível sua duração todas as vezes
que ela surge como uma necessidade inelutável, de reduzir ao mínimo o número de vítimas, mas acima de tudo assegurar a vitória
do proletariado. Disso decorre a necessidade de desarmar a tempo a burguesia, armar os operários, criar um exército comunista
para defender o poder do proletariado e a inviolabilidade de sua construção socialista. Tal é o exército vermelho da Rússia
sovietista que surgiu e se desenvolveu como a muralha protetora das conquistas da classe operária contra todos os ataques de
dentro o de fora. Um exército sovietista é inseparável de um Estado sovietista.
Conscientes do caráter universal de sua causa, os operários mais avançados foram, desde os primeiros passas do movimento
socialista organizado, em direção de uma união internacional deste movimento. As bases foram, lançadas em 1864 em Londres, pela
Primeira Internacional. A guerra franco-alemã, da qual nasceu a Alemanha dos Hohenzollern, destruiu a Primeira Internacional e
ao mesmo tempo deu a ela os partidos operários nacionais. Desde 1889, esses partidos se reuniram em Congresso em Paris e
criaram a organização da III Internacional. Mas o centro de gravidade do movimento operário estava inteiramente colocado nesta
época sobre o terreno do nacional no quadro dos Estados nacionais, sob a base da indústria nacional. Várias dezenas de anos de
trabalho de organização e reformas criaram uma geração de dirigentes cuja maioria aceitava em palavras o programa da revolução
social, mas a ele renunciaram na prática, afundados no reformismo, numa adaptação servil à dominação burguesa. O caráter
oportunista dos partidos dirigentes da II Internacional se revelou claramente e conduziu à maior falência da história mundial no
momento em que o curso dos fatos históricos reclamava dos partidos da classe operária métodos revolucionários de luta. Se a
guerra de 1.870 trouxe consigo um golpe para a Primeira Internacional, revelando que por trás de seu programa social e
revolucionário não havia ainda nenhuma força organizada de massas, a guerra de 1.914 matou a Segunda Internacional mostrando
que por baixo das organizações poderosas das massas operárias mantinham-se partidos convertidos em instrumentos dóceis da
dominação burguesa.
Essas observação não se aplicam apenas aos social-patriotas que passaram nítida e abertamente para o campo da burguesia,
que se tornaram seus delegados preferidos e seus agentes de confiança, os verdugos mais seguros da classe operária, elas se
aplicam também à tendência centrista, indeterminada e inconsciente, que tenta restaurar a II Internacional, isto é, perpetuar o
estreitamente das visões, o oportunismo, a impotência revolucionária de seus círculos dirigentes. O Partido Independente da
Alemanha, a maioria atual do Partido Operário Independente da Inglaterra e todos os outros grupos semelhantes tentaram de fato
tomar os lugares que ocupavam antes da guerra os antigos partidos oficiais da II Internacional. Eles se apresentam como outrora
com idéias de compromisso e unidade, paralisando por todos os meios a energia do proletariado, prolongando a crise e
multiplicando assim as infelicidades da Europa. A luta contra o centro socialista é a conclusão indispensável da vitória da luta
contra o imperialismo.
Afastando para longe de nós as meias-medidas, as mentiras e a preguiça dos partidos socialistas oficiais, caducos, nós,
comunistas, unidos na III Internacional, nós nos reconhecemos como continuadores diretos dos esforços do martírio heróico aceito
por várias gerações de revolucionários, da Babeuf a Karl Liebkenecht e Rosa Luxemburgo.
Se a Primeira Internacional previu o desenvolvimento para o futuro e preparou os caminhos, se a Segunda Internacional reuniu
e organizou milhões de proletários, a Terceira Internacional é a Internacional da ação das massas, a Internacional da realização
revolucionária.
A crítica socialista flagelou suficientemente a ordem burguesa. A tarefa do partido comunista internacional é reverter este estado
de coisas e edificar em seu lugar o regime socialista. Convocamos os operários e operárias de todos os países a se unirem sob a
bandeira do comunismo que é desde já a bandeira das primeiras grandes vitórias proletárias de todos os países! Na luta contra a
barbárie imperialista, contra a monarquia e as classes privilegiadas, contra os Estado burguês e a propriedade burguesa, contra
todas as manifestações e todas as formas de opressão das classes e das nações, uní-vos!
Sob a bandeira dos Sovietes operários, da luta revolucionária pelo poder e a ditadura do proletariado, sob a bandeira da III
Internacional, proletários de todos os países, uní-vos!
O SEGUNDO CONGRESSO DA III
INTERNACIONAL (JULHO de 1920)
ESTATUTOS DA INTERNACIONAL COMUNISTA
SEGUNDO CONGRESSO

Em 1.864, foi fundada, em Londres, a primeira Associação Internacional dos Trabalhadores: a Primeira Associação
Internacional. Os estatutos desta Associação diziam:
“Considerando:
Que a emancipação da classe operária será obtida apenas pela classe operária;
Que a luta por esta emancipação não significa de forma alguma, uma luta pela criação de novos privilégios de classe mas pelo
estabelecimento da igualdade de direitos e deveres e pela supressão de toda dominação de classe;
Que a submissão econômica do homem ao trabalho sob o regime da propriedade privada dos meios de produção (isto é, de todas
as fontes da vida) e a escravidão sob todas as suas formas – são causas principais da miséria social, da degradação moral e da
dependência política;
Que a emancipação econômica da classe operária é em todos os lugares o objetivo essencial ao qual todo movimento político
deve estar subordinado;
Que todos os esforços para atingir esse grande objetivo fracassaram pela falta de solidariedade entre os trabalhadores dos
diferentes ramos de trabalho em cada país e pela falta de uma aliança fraterna entre os trabalhadores de diferentes países;
Que a emancipação não é um problema local ou nacional, mas um problema social, envolvendo todos os países onde o regime
social moderno existe, cuja solução depende da colaboração teórica e prática dos países mais avançados, que a renovação atual
simultânea do movimento operário nos países industriais da Europa desperta em nos, de um lado, novas esperanças, mas por outro
lado nos adverte solenemente para não incorrermos nos antigos erros, e nos chama à coordenação imediata do movimento que até
agora não teve ponto de coerência."
A 2ª Internacional, fundada em 1889, em Paris, estava engajada na continuação da obra da lª Internacional. Mas em 1914, no
início da guerra mundial, ela sofreu uma derrota completa. A 2ª Internacional pereceu, minada pelo oportunismo e derrubada pela
traição de seus chefes, que passaram para o campo da burguesia.
A 3ª Internacional Comunista, fundada em março de 1919, na capital da República Socialista Federativa dos Sovietes, em
Moscou, declarou solenemente diante do mundo inteiro que se encarregaria de prosseguir e terminar a grande obra iniciada pela 1ª
Internacional dos Trabalhadores.
A 3ª Internacional Comunista se constituiu no final do massacre imperialista de 1914-1918, durante o qual a burguesia dos
diferentes países sacrificou 20 milhões de vidas.
Lembre-se da guerra imperialista! Eis a primeira palavra que a Internacional Comunista dirige a cada trabalhador, quaisquer que
sejam sua origem e a língua que ele fala. Lembre-se que, pelo fato de existir o regime capitalista, um punhado de imperialistas teve,
durante quatro longos anos, a possibilidade de forçar os trabalhadores a se matarem mutuamente! lembre-se que a guerra burguesa
jogou a Europa e o mundo inteiro na fome e na miséria! Lembre-se que sem a derrota do capitalismo a repetição dessas guerras
criminosas não é apenas possível, mas inevitável!
A Internacional Comunista assume como objetivo a luta armada pela derrubada da burguesia internacional e a criação da
república internacional do sovietes, primeira etapa no caminho da supressão completa de todo governo. A Internacional Comunista
considera a ditadura do proletariado como o único meio disponível para libertar a humanidade dos horrores do capitalismo. E a
Internacional Comunista considera o poder dos sovietes como a força da ditadura do proletariado que impõe a história.
A guerra imperialista criou um elo particularmente estreito entre os destinos dos trabalhadores de um país e os do proletariado de
todos os outros países.
A guerra imperialista confirmou mais uma vez a veracidade do que se pode ler nos estatutos da lª Internacional: a emancipação
dos trabalhadores não ê uma tarefa local, nem nacional, mas uma tarefa social e internacional.
A Internacional Comunista rompe para sempre com a tradição da 2ª Internacional, para a qual existiam apenas os povos de raça
branca. A Internacional Comunista confraterniza com os homens de raça branca, amarela, negra, os trabalhadores de toda a terra.
A Internacional Comunista sustenta, integralmente e sem reservas, as conquistas da grande revolução proletária na Rússia, a
primeira revolução socialista da história que foi vitoriosa e convida os proletários do mundo inteiro para trilharem o mesmo caminho.
A Internacional Comunista se compromete a dar sustentação, através de todos os meios que estiverem ao seu alcance, a toda
república socialista que seja criada em qualquer lugar que isso aconteça.
A Internacional Comunista não ignora que para chegar à vitória, a Associação Internacional dos Trabalhadores, que luta pela
abolição do capitalismo e pela instauração do comunismo, deve ter uma organização fortemente centralizada. O mecanismo
organizado da Internacional Comunista deve assegurar aos trabalhadores dc cada país a possibilidade de receberem, a qualquer
momento, por parte dos trabalhadores organizados de outros países, toda a ajuda possível.
Feitas estas considerações, a Internacional Comunista adota os estatutos que seguem.
Art. 1º - A Nova Associação Internacional dos Trabalhadores foi fundada com o objetivo de organizar uma ação conjunta do
proletariado de diferentes países, atendendo a um único e mesmo fim, a saber: a derrubada do capitalismo e o estabelecimento da
ditadura do proletariado e de uma república internacional de sovietes que permitirão abolir totalmente as classes e realizar o
socialismo, primeira etapa da sociedade comunista.
Art. 2º - A Nova Associação Internacional dos Trabalhadores adota o nome de Internacional Comunista.
Art. 3º - Todos os partidos e organizações filiadas à Internacional Comunista levam o nome de: Partido Comunista de tal ou qual
país (seção da Internacional Comunista).
Art. 4º - A instância suprema da Internacional Comunista é o Congresso mundial de todos os partidos e organizações que a ela
sito filiados. O Congresso mundial sanciona os programas dos diferentes partidos que aderem à Internacional Comunista. Ele
examina e resolve as questões essenciais de programa e de tática que devem ter relação com a atividade da Internacional Comunista.
O número de votos deliberativos que, no Congresso mundial, correspondem a cada partido ou organização será fixado por uma
decisão especial do Congresso; por outro lado é indispensável fixar, o mais cedo possível, as normas de representação, tomando
como base o número eletivo de membros de cada organização e levando em conta a influência real do Partido.
Art. 5º - O Congresso internacional elege um Comitê Executivo da Internacional Comunista, que se torna a instância suprema da
Internacional Comunista durante os intervalos que separam as sessões do Congresso mundial.
Art. 6º - A sede do Comitê Executivo da Internacional Comunista é designada, a cada nova sessão, pelo Congresso mundial.
Art. 7º - Um Congresso mundial extraordinário da Internacional Comunista pode ser convocado por decisão do Comitê Executivo
ou por solicitação da metade do número total de Partidos filiados à época do último Congresso mundial.
Art. 8º - O trabalho principal e a grande responsabilidade, no interior do Comitê Executivo da Internacional Comunista, cabem
principalmente ao Partido Comunista do país onde o Congresso mundial fixou a sede do Comitê Executivo. O Partido Comunista
deste país faz entrar no Comitê Executivo ao menos cinco representantes com voto deliberativo. Além disso, cada um dos 12 partidos
comunistas mais importantes faz entrar no Comitê Executivo um representante, com voto deliberativo. A lista desses partidos é
sancionada pelo Congresso mundial. Os outros partidos ou organizações tem o direito de manter junto ao Comitê representantes (a
razão de um por organização) com voto consultivo.
Art. 9º - O Comitê Executivo da Internacional Comunista dirige, durante o intervalo que separa as sessões do Congresso, todos os
trabalhos da Internacional Comunista; publica, em pelo menos quatro idiomas, um órgão central (a revista: A internacional
Comunista); publica os manifestos que julgar indispensáveis em nome da Internacional Comunista e dá a todos os Partidos e
organizações filiadas instruções que têm força de lei. O Comitê Executivo da Internacional Comunista tem o direito de exigir dos
Partidos filiados que sejam excluídos grupos ou indivíduos que tenham abandonado a disciplina proletária; pode exigir a exclusão
dos Partidos que tenham violado as decisões do Congresso mundial. Esses Partidos têm o direito de apelar ao Congresso mundial.
Em caso de necessidade, o Comitê Executivo organiza, em diferentes países, bureaux auxiliares técnicos e outros que lhe são
inteiramente subordinados.
Art. 10º- O Comitê Executivo da Internacional Comunista tem o direito de cooptar, com a concordância dos votos consultivos,
representantes de organizações e Partidos não admitidos no interior da Internacional Comunista, mas simpatizantes do comunismo.
Art. 11º - Os órgão da imprensa de todos os Partidos e organizações filiadas à Internacional Comunista, ou simpatizantes, devem
publicar todos os documentos oficiais na Internacional Comunista e de seu Comitê Executivo.
Art. 12º - A situação geral na Europa e na América impõe aos comunistas e a obrigação de criar, paralelamente a seus organismos
legais, organizações secretas. O Comitê Executivo da Internacional Comunista tem o dever de zelar pela observância deste artigo dos
Estatutos.
Art. 13º - É de praxe que todas as relações políticas que apresentem certa importância entre os Partidos filiados à Internacional
Comunista tenham por intermediário o Comitê Executivo da Internacional Comunista. Em caso de necessidade urgente, essas
relações podem ser diretas, com a condição de que o Comitê Executivo da Internacional Comunista seja informado a respeito.
Art. 14º - Os Sindicatos que se colocam sobre o terreno do comunismo e que integram grupos internacionais sob o controle do
Comitê Executivo da Internacional Comunista constituem uma seção sindical da Internacional Comunista. Os Sindicatos comunistas
enviam seus representantes ao Congresso mundial da Internacional Comunista, por intermédio do Partido Comunista de seu país. A
seção sindical da Internacional Comunista indica um de seus membros para o Comitê Executivo da Internacional Comunista, no qual
ele tem direito a voto deliberativo. O Comitê Executivo tem o direito de indicar, para a seção sindical da Internacional Comunista,
uni representante com direito a voto deliberativo.
Art. 15º - A União Internacional da Juventude Comunista está subordinada à Internacional Comunista e ao seu Comitê Executivo.
Ela indica um representante de seu Comitê Executivo ao Comitê Executivo da Internacional Comunista, no qual tem direito a voto
deliberativo. O Comitê Executivo da Internacional Comunista tem a faculdade de indicar ao Comitê Executivo da União da
Juventude um representante com direito a voto deliberativo. As relações existentes entre a União da Juventude e o Partido
Comunista, enquanto organizações, em cada país, estão baseadas no mesmo princípio.
Art. 16º O Comitê Executivo da Internacional Comunista sanciona a nomeação de um secretario do movimento feminista
internacional e organiza uma seção das mulheres Comunistas da Internacional.
Art. 17º - Todo membro da Internacional Comunista que se desloca de um país para outro e acolhido fraternalmente pelos
membros da 3ª Internacional.
CONDIÇÕES DE ADMISSÃO DOS PARTIDOS NA INTERNACIONAL COMUNISTA
O primeiro Congresso (constituinte) da Internacional Comunista não elaborou as condições precisas de admissão dos Partidos na
31 internacional. No momento em que aconteceu seu primeiro Congresso, na maioria dos países havia apenas tendências e grupos
comunistas.
O segundo Congresso da Internacional Comunista se reuniu em outras condições. Na maioria dos países havia, então, em vez de
tendências e grupos, Partidos e organizações comunistas.
Cada vez mais, os Partidos e grupos que até recentemente pertenciam à 2ª Internacional desejam agora aderir à Internacional
Comunista e se dirigem a ela, sem por isso serem verdadeiramente comunistas. A II Internacional está irremediavelmente desfeita. Os
Partidos intermediários e os grupos do "centro", vendo sua situação desesperadora, se esforçam para se apoiarem sobre a
Internacional Comunista, cada dia mais forte, esperando conservar, enquanto isso, uma "autonomia" que lhes permita prosseguir em
sua antiga política oportunista ou "centrista". A Internacional Comunista, de certa forma, está na moda.
O desejo de certos grupos dirigentes do "centro", de aderir à 3ª Internacional, nos confirma indiretamente que a Internacional
Comunista conquistou as simpatias da grande maioria dos trabalhadores conscientes do mundo inteiro e constitui uma força que
cresce dia a dia.
A Internacional Comunista esta ameaçada de ser invadida por grupos indecisos e hesitantes que até agora não conseguiram
romper com a ideologia da 2ª Internacional.
Além disso, alguns Partidos importantes (italiano, sueco), cuja maioria se coloca no plano comunista, conservam ainda em seu
seio numerosos elementos reformistas e social-pacifistas que só esperam pelo momento de erguer a cabeça para sabotar ativamente a
revolução proletária, indo em auxílio à burguesia e à 2ª Internacional.
Nenhum comunista deve esquecer as lições da República dos Sovietes húngara. A união dos comunistas húngaros com os
reformistas custou caro ao proletariado húngaro.
Por isso o 2º Congresso internacional acredita que deve fixar de maneira bastante precisa as condições de admissão de novos
Partidos e indicar na mesma ocasião aos Partidos já filiados as obrigações que lhes cabem.
O 2º Congresso da Internacional Comunista decide que as condições de admissão na Internacional são as seguintes:
1º) A propaganda e a agitação cotidianas devem ter um caráter efetivamente comunista e estar conformes com as decisões da 3ª
Internacional. Todos os órgãos de imprensa do Partido devem ser redigidos por comunistas reconhecidos como tais, tendo provado
seu devotamento à causa do proletariado. Não convém falar de ditadura do proletariado como de uma fórmula perfeitamente
apreendida e corrente: a propaganda deve ser feita de maneira tal que resulte para todo trabalhador, para todo operário, para todo
soldado, para todo camponês, nos fatos da vida cotidiana, sistematicamente abordados por nossa imprensa. A imprensa periódica ou
outra e todos os serviços editoriais devem estar inteiramente submetidos ao Comitê Central do Partido, seja este legal ou ilegal. É
inadmissível que os órgãos de publicidade utilizem mal a autonomia para levar uma política que não esteja de acordo com a política
do Partido. Nas colunas da imprensa, nas reuniões públicas, nos sindicatos, nas cooperativas, em todos os lugares a que os partidários
da 3ª Internacional tenham acesso, eles deverão atacar sistematicamente e impiedosamente não apenas a burguesia, mas também seus
cúmplices, reformistas de todas as nuances;
2º) Toda organização desejosa de aderir à Internacional Comunista deve regularmente e sistematicamente deslocar dos cargos que
impliquem responsabilidade no movimento operário (organizações do Partido, redações, sindicatos, frações parlamentares,
cooperativas, municipalidades) os reformistas e os "centristas" e substitui-los por comunistas provados - sem temer ter que substituir,
sobretudo no início, militantes experimentados por trabalhadores saídos do seu próprio meio;
3º) Em quase todos os países da Europa e da América, a luta de classes entra no período da guerra civil. Os comunistas não
podem, nessas condições, confiar na legalidade burguesa. É seu dever criar em todos os lugares, paralelamente à organização legal,
um organismo clandestino, capaz de cumprir, no momento decisivo, seu dever para com a revolução. Em todos os países onde, por
causa do estado de Sítio ou lei de exceção, os comunistas não têm a possibilidade de desenvolver legalmente toda a sua ação, a
concomitância da ação legal e da ação ilegal é, sem dúvida, necessária;
4º) O dever de propagar as idéias comunistas implica na necessidade absoluta de conduzir uma propaganda e uma agitação
sistemática e perseverante entre as tropas. Nos locais onde a propaganda aberta é difícil por causa das leis de exceção, ela deve ser
levada ilegalmente; recusar-se a isso será uma traição ao dever revolucionário e, consequentemente, incompatível com a filiação à 3ª
Internacional.
5º) Uma agitação racional e sistemática no campo é necessária. A classe operária não poderá vencer se não for sustentada pelo
menos por uma parte dos trabalhadores do campo jornaleiros agrícolas e camponeses pobres) e se não conseguir neutralizar com sua
política ao menos uma parte do campesinato atrasado. A ação comunista nos campos adquire nesse momento uma importância
capital. Ela deve, principalmente, colocar os operários comunistas em contato com o campo. Recusar-se a fazê-lo ou confiá-lo a
semi-reformistas duvidosos renunciar à revolução proletária.
6º) Todo Partido desejoso de pertencer à 3ª Internacional tem por dever denunciar sempre o social-patriotismo e o social-
pacifismo hipócrita e falso; trata-se de demonstrar sistematicamente aos trabalhadores que, sem a derrubada revolucionária do
capitalismo, nenhum tribunal arbitra internacional, nenhum debate sobre a redução de armamentos, nenhuma reorganização
"democrática" da Liga da Nações pode preservar a humanidade das guerras imperialistas.
7º) Os Partidos desejosos de pertencer à Internacional Comunista tem por dever reconhecer a necessidade de uma ruptura
completa e definitiva com o reformismo e a política de centro e de preconizar esta ruptura entre os membros das organizações. A ação
comunista conseqüente só é possível a este custo.
A Internacional Comunista exige imperativamente e sem discussão esta ruptura, que deve ser consumada dentro do mais breve
prazo. A Internacional Comunista não pode admitir que reconhecidos reformistas como Turati, Kautsky, Hilferding, Ionguet,
Macdonald, Modigliani e outros, tenham o direito de se considerarem membros da 3ª Internacional e que nela estejam representados.
Semelhante estado de coisas fará a 3ª Internacional parecer-se à 2ª.
8º) Na questão das colônias e das nacionalidades oprimidas, os Partidos dos países cuja burguesia possui colônias ou oprime
nações devem ter uma linha de conduta particularmente clara e transparente.
Todo Partido pertencente à 3ª Internacional tem o dever de denunciar impiedosamente as proezas de "seus" imperialistas contra as
colônias, de sustentar não em palavras, mas na ação, iodo movimento de emancipação nas colônias, de exigir a expulsão dos
imperialistas das colônias, de cultivar no coração dos trabalhadores do país sentimentos verdadeiramente fraternais para com a
população trabalhadora das colônias e das nacionalidades oprimidas e de levar entre as tropas da metrópole uma agitação contínua
contra toda opressão dos povos coloniais.
9º) Todo Partido desejoso de pertencer à Internacional Comunista deve conduzir uma campanha perseverante e sistemática no
interior dos sindicatos, cooperativas e outras organizações das massas operárias. Núcleos comunistas devem ser formados onde o
trabalho tenaz e constante conquistou os sindicatos para o comunismo. Seu dever será denunciar a todo instante a traição dos social-
patriotas e as hesitações do "centro". Esses núcleos comunistas devem estar completamente subordinados ao conjunto do Partido.
10º) Todo Partido pertencente à Internacional Comunista tem o dever de combater com energia e tenacidade a "Internacional" dos
sindicatos amarelos fundada em Amsterdã. Eles devem propagar com tenacidade no interior dos sindicatos operários a idéia da
necessidade da ruptura com a Internacional Amarela de Amsterdã. Por outro lado, devem usar de todo o seu poder para promover a
união internacional dos sindicatos vermelhos adeptos da Internacional Comunista.
11º) Os Partidos desejosos de pertencer à Internacional Comunista têm o dever de revisar a composição de suas (frações
parlamentares, delas excluindo os elementos duvidosos, submetendo-as não em palavras mas de fato ao Comitê Central do Partido;
de exigir de todo deputado comunista a subordinação de toda sua atividade aos verdadeiros interesses da propaganda revolucionária e
da agitação.
12º) Os Partidos pertencentes à Internacional Comunista devem ser edificados segundo o princípio da centralização democrática.
Na época atual, de guerra civil obstinada, o Partido Comunista não poderá cumprir seu papel se não estiver organizado da forma mais
centralizada, se uma disciplina de ferro avizinhando a disciplina militar não for adotada e se seu organismo central não estiver
munido de amplos poderes, se não exercer uma autoridade incontestada, se não for beneficiado pela confiança unânime dos
militantes;
13º) Os Partidos Comunistas dos países onde os comunistas militam legalmente devem proceder a apurações periódicas de suas
organizações, a fim de excluir os elementos interesseiros e pequeno-burgueses;
14º) Os Partidos desejosos de pertencer à Internacional Comunista devem sustentar sem reservas todas as repúblicas soviéticas
em suas lutas com a contra-revolução. Devem preconizar incansavelmente a recusa dos trabalhadores em transportar munições e
equipamentos destinados aos inimigos das repúblicas soviéticas, e prosseguir, legalmente ou ilegalmente, a propaganda entre as
tropas enviadas contra as repúblicas soviéticas;
15º) Os Partidos que conservam até hoje os antigos programas social-democratas têm o dever de revisá-los sem demora e elaborar
um novo programa comunista adaptado às condições especiais de seu país e concebido segundo o espírito da Internacional
Comunista. É regra que os programas dos Partidos filiados à Internacional Comunista sejam confirmados pelo Congresso
Internacional ou pelo Comitê Executivo. No caso deste último recusar sua sanção a um Partido, este terá direito de apelar ao
Congresso da Internacional Comunista;
16º) Todas as decisões dos Congressos da Internacional Comunista, bem como as do Comitê Executivo, são obrigatórias para
todos os Partidos filiados à Internacional Comunista. Em caso de guerra civil prolongada, a Internacional Comunista e seu Comitê
Executivo devem levar em conta as condições de luta que são variáveis nos diferentes países e adotar resoluções gerais e obrigatórias
nas questões em que elas são possíveis;
17º) De conformidade com tudo o que precede, todos os Partidos que venham a aderir à Internacional Comunista devem
modificar sua denominação. Todo Partido desejoso de aderir à Internacional Comunista deve se chamar: Partido Comunista de...
(seção da 3ª Internacional Comunista). A questão da denominação não é uma simples formalidade; ela tem também uma importância
política considerável. A Internacional Comunista declarou uma guerra sem tréguas ao velho mundo burguês e aos velhos Partidos
social-democratas amarelos. É importante que a diferença entre os Partidos Comunistas e os velhos Partidos "social-democratas" ou
"socialistas" oficiais que venderam a bandeira da classe operária apareça claramente aos olhos de todo trabalhador;
18º) Todos os órgãos dirigentes da imprensa dos Partidos de todos os países estão obrigados a imprimir todos os documentos
oficiais importantes do Comitê Executivo da Internacional Comunista;
19º) Todos os Partidos pertencentes à Internacional Comunista ou que estão solicitando sua adesão estão obrigados a convocar -
(o mais rápido possível), dentro de um prazo de 4 meses após o 2º Congresso da Internacional Comunista, o mais tardar - um
Congresso extraordinário a fim de se pronunciar sobre essas condições. Os Comitês Centrais devem velar para que as decisões do 2º
Congresso da Internacional Comunista sejam conhecidas de todas as organizações locais;
20º) Os Partidos que desejarem agora aderir à 3º Internacional, mas que ainda não modificaram radicalmente sua antiga tática,
devem preliminarmente providenciar para que 2,3 dos membros de seu Comitê Central e das Instituições centrais mais importantes
sejam compostos de camaradas que já antes do 2º Congresso tenham se pronunciado abertamente pela adesão do Partido à 3º
Internacional. As exceções podem ser aceitas com a aprovação do Comitê Executivo da Internacional Comunista. O Comitê
Executivo se reserva o direito de fazer exceções para os representantes da tendência centrista mencionada no parágrafo 7.
21º) Os integrantes do Partido que rejeitam as condições e as teses estabelecidas pela Internacional Comunista devem ser
excluídos do Partido. O mesmo vale para os delegados ao Congresso extraordinário.

AS PRINCIPAIS TAREFAS DA INTERNACIONAL COMUNISTA


1.O momento atual do desenvolvimento do movimento comunista internacional é caracterizado pelo fato de que, em todos os
países capitalistas, os melhores representantes do movimento proletário compreenderam perfeitamente os princípios fundamentais da
Internacional Comunista, isto é, a ditadura do proletariado e o governo dos Sovietes, e se conduzem com um entusiasmado
devotamento. Mais importante ainda é o fato de que as mais amplas massas do proletariado das cidades e os trabalhadores avançados
do campo manifestam sua simpatia sem reservas a esses princípios essenciais. Este é um grande passo à frente.
De outra parte, dois erros e duas debilidades do movimento comunista internacional, que cresce com uma rapidez extraordinária,
devem ser observados. Um, mais grave, e que representa um grande e imediato perigo para a causa da libertação do proletariado,
consiste em que certos antigos líderes, certos velhos partidos da 2ª Internacional, em parte inconscientemente sob a pressão das
massas, em parte conscientemente - e ainda enganando-as para conservar sua antiga situação de agentes e auxiliares da burguesia no
seio do movimento operário -, anunciam sua adesão condicional ou sem reservas à 3ª Internacional, continuando, na prática, seu
trabalho cotidiano no nível da 2ª Internacional. Esse estado de coisas é absolutamente inadmissível. Ele introduz no seio das massas
um elemento de corrupção, impede a formação ou o desenvolvimento de um Partido Comunista forte, coloca em causa o respeito
devido à 3ª Internacional ameaçando-a de traições semelhantes àquelas dos social-democratas húngaros prematuramente travestidos
de Comunistas. Um outro erro, bem menos importante e que é uma doença do crescimento do movimento, é a tendência "à esquerda"
que conduz a uma apreciação errônea do papel e da missão do Partido em relação à classe operária e à massa, e da obrigação para os
revolucionários comunistas de militar nos parlamentos burgueses e nos sindicatos reacionários.
O dever dos Comunistas não é esconder as debilidades de seu movimento, mas fazer a crítica abertamente a fim de se
desembaraçarem pronta e radicalmente. Com esta finalidade, importa definir desde logo, segundo nossa experiência prática, o
conteúdo das noções de ditadura do proletariado e de poder dos Sovietes; em segundo lugar, em que pode e deve consistir em todos
os países o trabalho preparatório, imediato e sistemático, para a realização dessas palavras de ordem; e em terceiro lugar que vias e
meios nos permitem livrar nosso movimento de suas debilidades.

I - A Essência da Ditadura do Proletariado e todo Poder dos Sovietes.


2. A vitória do socialismo (primeira etapa do Comunismo) sobre o capitalismo exige o cumprimento pelo proletariado, única
classe realmente revolucionária, das três tarefas que seguem:
A primeira consiste em derrotar os exploradores e, em primeiro lugar, a burguesia, sua principal representante econômica e
política; trata-se de infligir-lhe uma derrota total de quebrar sua resistência, de tornar impossível qualquer tentativa de restauração do
capital e do escravismo assalariado. A segunda consiste em preparar além da vanguarda do proletariado revolucionário, de seu
Partido Comunista, não somente todo o proletariado, mas também toda a massa dos trabalhadores explorados pelo capital, esclarecê-
los, organizá-los, educá-los, discipliná-los no curso da luta impiedosa e temerária contra os exploradores, - arrancar em todos os
países capitalisstas, esta esmagadora maioria da população à burguesia, inspirar-lhe confiança no papel dirigente do proletariado e de
sua vanguarda revolucionária. A terceira, de neutralizar ou reduzir à impotência os inevitáveis hesitantes entre o proletariado e a
burguesia, entre a democracia burguesa e o poder dos Sovietes, ou seja, a classe de pequenos proprietários rurais, industriais e
negociantes bastante numerosos, ainda que formando apenas uma minoria da população e as categorias de intelectuais, empregados
etc., que gravitam em torno desta classe.
A primeira e a segunda tarefas exigem cada uma métodos de ação particulares, considerando explorados e exploradores. A
terceira vem das duas primeiras; exige apenas uma aplicação hábil, flexível e oportuna dos métodos aplicados às primeiras e traia-se
de adaptá-las às circunstâncias concretas.
3. Na conjuntura atual, criada no mundo inteiro e sobretudo nos países capitalistas mais avançados, mais poderosos, mais
esclarecidos, mais livres, caracterizados pelo militarismo, pelo imperialismo, pela opressão das colônias e dos países fracos, a
matança imperialista mundial e a "paz" de Versalhes, o pensamento de uma passiva submissão da maioria dos explorados aos
capitalistas e de uma evolução pacífica em direção ao socialismo não é apenas um sinal de mediocridade pequeno-burguesa: é
também um equívoco, a dissimulação do escravismo assalariado, a deformação da verdade aos olhos dos trabalhadores. A verdade é
que a burguesia mais esclarecida, mais democrática, não recua diante do massacre de milhões de operários e camponeses com o fim
único de salvar a propriedade privada dos meios de produção. A derrubada da burguesia pela violência, o confisco de suas
propriedades, a destruição, de seu mecanismo de Estado, parlamentar, judiciário, militar, burocrático, administrativo, municipal etc.,
o exílio ou a prisão de todos os exploradores mais perigosos e mais obstinados, sem exceção, o exercido, sobre esses criminosos, de
uma estrita vigilância para a repressão das tentativas que eles não deixarão de fazer na esperança de restaurar o escravismo
capitalista, tais são as medidas que podem assegurar a submissão real de toda a classe dos exploradores.
De outra parte, a idéia costumeira aos velhos partidos e aos velhos líderes da 2ª Internacional, de que a maioria dos trabalhadores
e dos exploradores pode, no regime capitalista, sob o jugo escravista da burguesia - que se reveste de formas infinitamente variadas,
cada vez mais refinadas e cada vez mais cruéis e impiedosas nos países capitalistas mais avançados - adquirir uma plena consciência
socialista, adquirir a firmeza socialista das convicções e do caráter, esta idéia, dizemos nos, engana também os trabalhadores. De fato,
apenas a vanguarda proletária, sustentada pela única classe revolucionária ou por sua maioria, derrotará os exploradores, libertará os
explorados de sua servidão e imediatamente melhorará suas condições de vida em detrimento dos capitalistas expropriados - só
então, e ao preço da mais áspera guerra civil, a educação, a instrução, e organização das maiores massas exploradas poderá se fazer
em torno do proletariado sob sua influência e sua direção, só assim será possível vencer seu egoísmo seus vícios, suas fraquezas, sua
falta de coesão, mantidos pelo regime da propriedade privada, e transformá-los numa vasta associação de trabalhadores livres.
4. O sucesso da luta contra o capitalismo exige uma justa correlação de forças entre o Partido Comunista como guia, o
proletariado, a classe revolucionária e a massa, isto é, o conjunto dos trabalhadores e explorados. O Partido Comunista, se ele é
verdadeiramente a vanguarda da classe revolucionária, se ele assimila todos os seus melhores representantes, se ele é composto de
Comunistas conscientes e devotados, esclarecidos e provados pela experiência de uma longa luta revolucionária, se ele sabe se ligar
indissoluvelmente a toda a existência da classe operária e por seu intermédio a toda a massa explorada e inspirar uma plena
confiança, só este Partido é capaz de dirigir o proletariado na luta final, a mais obstinada, contra todas as forças do capitalismo. É
apenas sob a direção de semelhante Partido que o proletariado pode anular a apatia e a resistência da pequena aristocracia operária,
composta de líderes do movimento sindical e corporativo corrompido pelo capitalismo, e desenvolver todas as suas energias
infinitamente maiores que sua força numérica entre a população, anulando em seguida a estrutura econômica do próprio capitalismo.
Enfim, é apenas se libertando efetivamente do jugo do capital e do aparelho governamental do Estado, apenas depois de obter a
possibilidade de agir livremente, a massa, isto é, a totalidade dos trabalhadores e dos explorados organizados nos Sovietes, poderá
desenvolver, pela primeira vez na história, a iniciativa e a energia de dezenas de milhões de homens sufocados pelo capitalismo.
Somente quando os Sovietes vierem a ser o único mecanismo de Estado poderá ser assegurada a participação efetiva das massas
outrora exploradas na administração do país, participação que nas democracias burguesas mais esclarecidas e mais livres está vedada
a 95% da população. Nos Sovietes, a massa dos explorados começa a aprender, não nos livros, mas com sua experiência prática, o
que é a edificação socialista, a criar uma nova disciplina social e a estabelecer a livre associação dos trabalhadores livres.
II - Em que Deve Constituir a Preparação Imediata da Ditadura do Proletariado
5.O desenvolvimento atual do movimento comunista internacional é caracterizado pelo fato que em grande número de países
capitalistas o trabalho de preparação do proletariado para o exercício da ditadura não acabou e em muitos deles sequer começou de
forma sistemática. Disso não decorre que a revolução proletária seja impossível num futuro próximo; ela é, ao contrário, tudo o que
há de mais possível, a situação política e econômica apresenta-se extraordinariamente rica em materiais inflamáveis e em causas
suscetíveis de provocar sua agitação inopinada; um outro fator da revolução, fora do estado de preparação do proletariado, é
notadamente a crise geral em que se encontram todos os partidos governantes e todos os partidos burgueses. Mas resulta do que foi
dito que a tarefa atual dos Partidos Comunistas consiste em acelerar a revolução, sem todavia provocá-la artificialmente, sem haver
antes uma preparação suficiente; a preparação do proletariado para a revolução deve ser intensificada pela ação. De outra parte, os
casos acima assinalados na história de muitos partidos socialistas obrigam a velar para que o reconhecimento da ditadura do
proletariado não seja puramente verbal.
Por essas razões, a tarefa principal do Partido Comunista, do ponto de vista do movimento proletário internacional, é,
presentemente, o agrupamento de todas as forças comunistas dispersas; a formação, em cada país, de um Partido Comunista único ou
o fortalecimento e renovação dos partidos já existentes a fim de decuplicar o trabalho de preparação do proletariado para a conquista
do poder sob a forma da ditadura do proletariado. A ação socialista habitual dos grupos e partidos que reconhecem a ditadura do
proletariado está longe de ter sofrido alguma modificação fundamental; essa renovação radical é necessária, porque nela se reconhece
a ação como sendo comunista e como correspondendo às tarefas da ditadura do proletariado.
6. A conquista do poder político pelo proletariado não interrompe a luta de classe deste contra a burguesia, mas, ao contrário,
torna-a mais ampla, mais severa, mais impiedosa. Todos os grupos, partidos, militantes do movimento operário que adotam na
totalidade ou em parte o ponto de vista do reformismo, do "centro" etc., se colocarão inevitavelmente, em conseqüência da extrema
exacerbação da luta, ou do lado da burguesia, ou do lado dos hesitantes ou (o que é mais perigoso) cairão entre os amigos
indesejáveis do proletariado vitorioso. Eis porque a preparação da ditadura do proletariado exige não apenas o fortalecimento da luta
contra a tendência dos reformistas e dos "centristas", mas também a modificação do caráter desta luta. Esta não pode se limitar à
demonstração do caráter equivocado dessas tendências, mas deve também desmascarar incansavelmente e impiedosamente todo
militante do movimento operário que manifestar estas tendências; sem isso, o proletariado não poderá saber com quem caminha para
a luta final contra a burguesia. Esta luta é tal, que pode mudar a todo instante e transformar - como já demonstrou a experiência - a
arma da crítica em crítica das armas. Toda falta de espírito, ou toda debilidade na luta contra os que se comportam como reformistas
ou "centristas" têm por conseqüência um crescimento direto do perigo de derrota do poder proletário pela burguesia, que utilizará
amanhã, para a contra-revolução, o que hoje parece aos espíritos limitados apenas um "desacordo teórico".
7. É impossível se limitar à negação habitual do princípio de toda colaboração com a burguesia, de todo "coalizionismo". Uma
simples defesa da "liberdade" e da "igualdade" com o defensor da propriedade privada dos meios de produção se transforma nas
condições da ditadura do proletariado, que não estará jamais em condições de abolir de um golpe a propriedade privada por inteiro,
em "colaboração" com a burguesia que sabota diretamente o poder da classe operária. Pois a ditadura do proletariado significaria o
endurecimento governamental e a defesa, por todo o sistema do Estado, não só da "liberdade" para os exploradores continuarem sua
obra de opressão e exploração, não só da "igualdade" do proprietário (isto é, daquele que conserva para seu desfrute pessoal certos
meios de produção criados pelo trabalho da coletividade) e do pobre. Isso que nos parece ser, até vitória do proletariado, apenas um
desacordo sobre a questão da "democracia" deverá ser inevitavelmente amanhã, depois da vitória, uma questão a ser resolvida pelas
armas. Sem a transformação radical do caráter da luta contra os "centristas" e os "defensores da democracia", a própria preparação
preliminar das massas à realização da ditadura do proletariado é, pois, impossível.
8. A ditadura do proletariado é a forma mais decisiva e mais revolucionária da luta de classes do proletariado e da burguesia. Esta
luta só pode ser vitoriosa quando a vanguarda mais revolucionária do proletariado leva consigo a esmagadora maioria operária. A
preparação da ditadura do proletariado exige, por essas razões, não apenas a divulgação do caráter burguês do reformismo e de toda
defesa da democracia que implique a manutenção da propriedade privada sobre os meios de produção; não apenas a divulgação das
manifestações de tendências, que significam de fato a defesa da burguesia no seio do movimento operário; mas ela exige também a
substituição dos antigos líderes por Comunistas em todas as formas de organização proletária, políticas, sindicais, cooperativas,
educação etc...
Quanto mais longa e firme a dominação da democracia burguesa num dado país, mais a burguesia consegue conduzir aos postos
importantes do movimento operário. Os homens educados por ela, por suas concepções, por seus preconceitos, muito
freqüentemente, direta ou indiretamente, comprados por ela. É indispensável, e é necessário fazê-lo com cem vezes mais atrevimento
do que ela teve até aqui, substituir esses representantes da aristocracia operária pelos trabalhadores, mesmo inexperientes, próximos
da massa explorada e gozando de sua confiança na luta contra os exploradores. A ditadura do proletariado exigirá a designação de tais
trabalhadores inexperientes aos postos mais importantes do governo, sem o que o poder da classe operária será impotente e não será
sustentado pela massa.
9. A ditadura do proletariado é a realização mais completa da dominação de todos os explorados, oprimidos, embrutecidos,
amedrontados, dispersos, enganados pela classe capitalista, mas conduzidos pela única classe social preparada para esta missão
dirigente por toda a história do capitalismo. Por isso, a preparação da ditadura do proletariado deve ser iniciada imediatamente e em
todos os lugares, entre outros pelos meios que seguem:
Em todas as organizações sem exceção - sindicatos, uniões, etc. -, proletários primeiro e depois não-proletários, massas laboriosas
exploradas (sendo elas políticas, sindicais, militares, cooperativas, escolares, esportivas etc.), grupos ou núcleos comunistas devem
ser formados, de preferência abertamente, mas, se for necessário, clandestinamente - o que se torna obrigatório todas as vezes que
sejam colocados fora da lei e seus membros ameaçados de prisão; esses grupos, unidos entre si e unidos ao centro do Partido, trocam
experiências, ocupando-se da agitação, propaganda e organização, adaptando-se a todos os domínios da vida social, a todos os
aspectos e a todas as categorias da massa laboriosa, devem proceder por seu trabalho múltiplo a sua própria educação, a do Partido,
da classe operária e da massa.
É, portanto, da mais alta importância elaborar praticamente-segundo seu desenvolvimento necessário -, os métodos de ação, de
uma parte, com relação aos líderes ou representantes autorizados das organizações, completamente corrompidos pelos preconceitos
imperialistas e pequeno-burgueses (esses líderes, é necessário desmascarar impiedosamente e exclui-los do movimento operário) e,
de outra parte, com relação às massas que, sobretudo depois da matança imperialista, estão dispostas a escutar os ensinamentos da
necessidade de seguir o proletariado, pois só ele é capaz de tirá-las do escravismo capitalista. Convém saber abordar as massas com
paciência e circunspecção, a fim de compreender as particularidades psicológicas de cada profissão, de cada grupo no interior desta
massa.
1º. Um grupo ou fração de Comunistas merece particular atenção e vigilância do Partido: é a fração parlamentar, ou melhor dito,
o grupo dos membros do Partido eleitos. para o Parlamento (ou para as municipalidades etc.). De uma parte, essas tribunas são, aos
olhos das camadas mais atrasadas da classe laboriosa ou tomada de preconceitos pequeno-burgueses, de uma importância capital;
essa é então a razão pela qual os Comunistas devem, do alto dessas tribunas, levar uma ação de propaganda, de agitação, de
organização, e explicar às massas porque foi necessário na Rússia (como será o caso em todos os países) a dissolução do Parlamento
burguês pelo congresso panrusso de Sovietes. De outra parte, toda a história da democracia burguesa fez da tribuna parlamentar,
notadamente nos países avançados, a principal ou uma das principais arenas de trapaças financeiras e políticas, do arrivismo, da
hipocrisia, da opressão dos trabalhadores. Por isso a viva repugnância nutrida em relação aos parlamentos pelos melhores
representantes do proletariado é plenamente justificada. Por esse motivo, os Partidos Comunistas e todos os partidos ligados à 3ª
Internacional (sobretudo nos casos em que esses partidos não foram criados a partir de uma cisão dos antigos partidos depois de uma
luta longa e obstinada, mas se formaram pela adoção freqüentemente nominal de uma nova posição pelos antigos partidos) devem
observar uma atitude mais rigorosa em relação às suas frações parlamentares, isto é, exigir: sua subordinação completa ao Comitê
Central do Partido; a introdução de preferência em sua composição de operários revolucionários; a análise mais atenta possível na
imprensa do Partido e, nas reuniões deste, dos discursos dos parlamentares do ponto de vista de sua atitude comunista; a designação
dos parlamentares para a ação de propaganda entre as massas, a exclusão imediata de todos os que manifestarem uma tendência em
direção à 2ª Internacional etc.
11. Um dos obstáculos mais graves ao movimento operário revolucionário nos países capitalistas desenvolvidos deriva do fato
que graças às possessões coloniais e à mais-valia do capital financeiro etc., o capital conseguiu criar ali uma pequena aristocracia
operária relativamente respeitada e estável. Ela é beneficiária das melhores condições de salário; está impregnada de um estreito
espírito corporativo e de preconceitos pequeno-burgueses e capitalistas. Ela constitui o verdadeiro "ponto de apoio" social da 2ª
Internacional dos reformistas e dos "centristas", e está bem próxima, atualmente, de ser o ponto de apoio principal da burguesia.
Nenhuma preparação, mesmo preliminar, do proletariado para a derrota da burguesia é possível sem uma luta direta, sistemática,
longa, declarada, com esta pequena minoria, que sem qualquer dúvida (como provou plenamente a experiência) emprestará seus
homens às guardas brancas da burguesia depois da vitória do proletariado. Todos os partidos que vierem a aderir à 3ª Internacional
devem, custe o que custar, dar corpo e vida a esta palavra de ordem, "maior aprofundamento nas massas", compreendendo por massa
todo o conjunto dos trabalhadores e explorados pelo capital, sobretudo os menos organizados e menos esclarecidos, os mais
oprimidos e os menos acessíveis à organização.
O proletariado não se torna revolucionário enquanto não se livra dos limites de um corporativismo estreito já que se trata de
atingir todas as manifestações e todos os domínios da vida social, como o chefe de toda a massa laboriosa e explorada. A realização
de sua ditadura é impossível sem preparação e sem a resolução de impor as maiores perdas à burguesia em nome da vitória. Nesse
sentido, a experiência da Rússia tem uma importância prática de princípio. O proletariado russo não poderia realizar sua ditadura, não
poderia conquistar a simpatia e a confiança geral de toda a massa operária, se não tivesse provado seu espírito de sacrifício e se não
tivesse mais profundamente suportado a fome que todas as outras camadas dessa massa nas horas mais difíceis dos ataques, das
guerras, do bloqueio da burguesia mundial.
O apoio mais completo e mais devotado do Partido Comunista e do proletariado de vanguarda é particularmente necessário a todo
movimento grevista longo, violento, considerável, que, sob a opressão do capital, é capaz de despertar verdadeiramente, de agitar e
organizar as massas, de inspirar-lhe uma confiança plena e inteira no papel dirigente do proletariado revolucionário. Sem semelhante
preparação, a ditadura do proletariado não é possível, e os homens capazes de tomar posição contra as greves, como fizeram Kautsky
na Alemanha e Turati, na Itália, não devem ser tolerados no seio dos partidos que se ligam à 3ª Internacional. Isso refere-se
especialmente aos líderes parlamentares e "trade-unionistas" que, a todo momento, traem os operários, ensinando-lhes pela greve o
reformismo e não a revolução (exemplos: Jouhaux na França, Gompers na América, G.H. Thomas na Inglaterra).
12. Para todos os países, mesmo os mais "livres", os mais "legais", os mais "pacíficos" no sentido da mais débil exacerbação da
luta de classes, é chegado o momento em que é absolutamente necessário para todo partido comunista unir a ação legal e a ilegal, a
organização legal e a organização clandestina. Pois nos países mais cultos e mais livres, nos países de regime burguês-democrático
mais "estável", os governos, a despeito de suas declarações mentirosas e cínicas, elaboram desde já secretas listas negras de
comunistas, violentam a todo instante sua própria constituição, sustentam mais ou menos secretamente as guardas-brancas e o
assassinato de comunistas, em todos os países, preparam na sombra a prisão de comunistas, introduzindo provocadores entre eles
etc...
Só o mais reacionário espírito pequeno-burguês, qualquer que seja a beleza das frases "democráticas" e pacificas que pronuncie,
pode negar este fato e a conclusão que dele decorre: a formação imediata, em todos os partidos comunistas legais, de organizações
clandestinas, tendo em vista a ação ilegal, organizações que estarão preparadas para o dia em que a burguesia se colocar a perseguir e
a prender os comunistas. Uma ação ilegal no exército, na marinha, na polícia é da mais alta importância; desde a grande guerra
imperialista todos os governos do mundo ficaram com medo do exército popular e recorreram a todos os procedimentos Imagináveis
para constituir unidades militares com elementos especialmente preparados pela burguesia e armados dos engenhos mais sofisticados.
De outra parte, é igualmente necessário em todos os casos, sem exceção, não se limitar a uma ação ilegal, mas prosseguir na ação
legal enfrentando todas as dificuldades, fundando jornais e organizações legais sob as designações mais diferentes e, conforme o
caso, mudando freqüentemente suas denominações. Assim agem os partidos comunistas ilegais na Finlândia, na Hungria, na
Alemanha e em certa medida na Polônia, Lituânia etc. Assim devem agir os Trabalhadores Industriais do Mundo (I.W.W.) na
América, e assim deverão agir todos os outros partidos comunistas legais, pois agradaria aos mandatários empreender uma
perseguição pela simples aceitação das resoluções dos Congressos da Internacional Comunista ele...
A absoluta necessidade de unir a ação legal e a ilegal não é determinada a princípio pelo conjunto das condições da época que
atravessamos, período que antecede a ditadura do proletariado, mas pela necessidade de mostrar á burguesia que não há mais e que
não pode haver domínios e campos de ação que não estejam nas mãos dos comunistas, e também porque existe, nas mais fundas
camadas do proletariado, e em proporções mais vastas ainda, uma massa laboriosa e explorada não-proletária, que sempre manifesta
confiança na legalidade burguesa democrática, e que é muito importante para nós dissuadir.
13. O estado da imprensa operária nos países capitalistas mais avançados mostra de maneira gritante a mentira da liberdade e da
igualdade na democracia burguesa, bem como a necessidade de unir sistematicamente a ação legal e ilegal. Tanto na Alemanha
vencida como na América vitoriosa, todas as forças do aparelho governamental da burguesia e toda a astúcia dos reis do ouro estão
em movimento para despojar os operários de sua imprensa: processos judiciais e prisões (ou assassinatos cometidos por capangas)
dos redatores, confisco de correspondência, confisco do papel etc. Tudo o que é necessário a um jornal cotidiano para proceder a
informação se encontra nas mãos das agências telegráficas burguesas; os anúncios, sem os quais um grande jornal não pode cobrir
suas despesas, estão à "livre" disposição dos capitalistas. Em resumo, a burguesia, pela mentira, pela pressão do capital e do Estado
burguês despoja o proletariado revolucionário de sua imprensa.
Para lutar contra esse estado de coisas, os Partidos Comunistas devem criar um novo tipo de imprensa periódica destinada à
difusão em massa entre os operários, comportando: 1º) As publicações legais que informem, sem se declarar comunistas e sem falar
de sua dependência em relação ao Partido, tirando partido das mínimas possibilidades legais, como os bolcheviques fizeram sob o
czarismo depois de 1905; 2º) os panfletos ilegais, num formato mínimo, aparecendo irregularmente, mas impressos pelos operários
num grande número de tipografias (clandestinamente, ou se o movimento se fortalecer, pela tomada das tipografias) dando ao
proletariado uma informação livre, revolucionária, e palavras de ordem revolucionárias.
Sem uma batalha revolucionária, que educar as massas, pela liberdade da imprensa comunista, a preparação da ditadura do
proletariado é impossível.
III - Modificação da Linha de Conduta e, Paarcialmente, da Composição Social dos Partidos que Aderiram ou que desejam
Aderir à Internacional Comunista
14. O grau de preparação do proletariado dos países mais importantes do ponto de vista da economia e da política mundiais, para
a realização da ditadura operária se caracteriza com a maior objetividade e exatidão pelo fato de que os partidos mais influentes da II
Internacional, Como o Partido Socialista Francês, o Partido social-democrata Independente Alemão, o Partido Operário Independente
Inglês, o Partido Socialista Americano saíram desta Internacional amarela e decidiram, sob condição, aderir á 3ª Internacional. Está
provado assim que a vanguarda não está sozinha, que a maioria do proletariado revolucionário começou, persuadida pelo andamento
dos acontecimentos, a passar para o nosso lado. O essencial agora é saber completar esse percurso e solidamente afirmar pela
organização o que foi obtido, a fim de que seja possível ir adiante com essa linha sem a menor hesitação.
15. Toda a atividade dos partidos acima citados (aos quais é necessário acrescentar o Partido Socialista Suíço se o telegrama nos
informando sua adesão à 2ª Internacional é exato) prova (e não importa qual publicação desses partidos o confirma indubitavelmente)
que ela não é ainda comunista e vai freqüentemente de encontro aos princípios fundamentais da 3ª Internacional, reconhecendo a
democracia burguesa em lugar da ditadura do proletariado e do poder sovietista.
Por essas razões, o 2º Congresso da Internacional Comunista declara que não considera possível reconhecer imediatamente esses
partidos: que ele confirma a resposta dada pelo Comitê Executivo da Internacional Comunista aos independentes alemães; que ele
confirma seu consentimento de entrar em conversações com todo partido que sair da 2ª Internacional e expressar o desejo de se
aproximar da 3ª Internacional; que concede voto consultivo aos delegados desses partidos em todos os seus Congressos e
Conferências; que coloca as seguintes condições para a união completa desses partidos (e partidos similares) com a Internacional
Comunista.
1º) Publicação de todas as decisões do Congresso da Internacional Comunista e do Comitê Executivo em todas as edições
periódicas do Partido;
2º) Exame desses últimos nas reuniões especiais de todas as organizações locais do Partido;
3º) Convocação, após esse exame, de um congresso especial do Partido a fim de excluir os elementos que continuam a agir
segundo o espírito da 2ª Internacional. Este Congresso deverá ser convocado o mais rápido possível, num prazo máximo de quatro
meses após o 2º Congresso da Internacional Comunista;
4º) Expulsão do Partido de todos os elementos que continuam a agir segundo o espírito da 2º Internacional;
5º) Passagem de todos os órgãos periódicos do Partido às mãos de redatores exclusivamente comunistas;
6º) Os partidos que desejarem então aderir à 3ª Internacional, mas que ainda não modificaram radicalmente sua antiga tática,
devem preliminarmente providenciar para que dois terços dos membros de seu comitê central e das instituições centrais mais
importantes sejam compostas de camaradas que, antes do 2º Congresso, tenham se pronunciado abertamente pela adesão do Partido à
3ª Internacional. Exceções podem ser feitas com aprovação do Comitê Executivo da Internacional Comunista. O Comitê Executivo
se reserva também o direito de fazer exceções no que concerne aos representantes da tendência centrista mencionados no parágrafo 7;
7º) Os membros do Partido que rejeitam as condições e as teses estabelecidas pela Internacional Comunista devem ser excluídos
do Partido. O mesmo vale para os delegados ao Congresso Extraordinário.
16. No que concerne á atitude dos comunistas que formam a minoria atual entre os militantes dos Partidos antes citados e
similares o 2º Congresso da Internacional Comunista decide que devido do rápido andamento do desenvolvimento atual do espirito
revolucionário das massas, a saída dos comunistas desses Partidos não é desejável ali eles teriam a possibilidade de conduzir uma
ação no sentido do reconhecimento da ditadura do proletariado e do poder sovietista de criticar os oportunistas e os centristas que
ainda permanecem ali.
Todavia, quando a ala esquerda de um partido centrista tiver adquirido força suficiente, ela poderá, se julgar útil ao
desenvolvimento do comunismo, deixar o Partido em bloco e formar um partido comunista.
Ao mesmo tempo, o 2º Congresso da 3ª Internacional aprova igualmente a adesão dos grupos e organizações comunistas ou
simpatizantes do comunismo ao Labour Party inglês, embora este último ainda não tenha saído da 2ª Internacional. Durante muito
tempo, esse Partido deu ás suas organizações liberdade de crítica, de ação, de propaganda, de agitação e organização para a ditadura
do proletariado e para o poder sovietista, durante muito tempo ele conservou seu caráter de união de todas as organizações sindicais
da classe operária; os comunistas devem fazer todas as tentativas e assumir alguns compromissos a fim de ter a possibilidade de
exercer influência sobre as grandes massas de trabalhadores, de denunciar seus chefes oportunistas do alto das tribunas para as
massas, de fazer a passagem do poder político das mãos dos representantes diretos da burguesia para as mãos dos representantes
operários da classe operária, para livrar o mais rápido possível as massas das últimas ilusões a esse respeito.
17. No que concerne ao Partido Socialista Italiano, o 2º Congresso da 3ª Internacional, reconhecendo que a revisão do programa
votado no ano passado por esse Partido em seu Congresso de Bolonha marca uma etapa muito importante em sua transformação em
direção ao comunismo, e que as proposições apresentadas pela Seção de Turim ao conselho geral do Partido publicadas no jornal
'Ordine Nuovo' de 20 de maio de 1920 correspondem a todos os princípios fundamentais da 3ª Internacional, pede ao Partido
Socialista Italiano examinar, no próximo Congresso que deve ser convocado em virtude dos estatutos do Partido e das disposições
gerais sobre a admissão à 3ª Internacional, as referidas proposições e todas as decisões dos dois Congressos da Internacional
Comunista, particularmente a respeito da fração parlamentar, dos Sindicatos e dos elementos não comunistas do Partido.
18. O 2º Congresso da 3ª Internacional considera como inadequadas as concepções sobre as relações do Partido com a classe
operária e com a massa, sobre a participação facultativa dos Partidos Comunistas na ação parlamentar e na ação dos sindicatos
reacionários, que foram amplamente refutadas nas resoluções especiais do presente Congresso, depois de terem sido defendidas
principalmente pelo" Partido Operário Comunista Alemão", e também pelo "Partido Comunista Suíço", pelo órgão do bureau
vienense da Internacional Comunista para a Europa oriental, Kommunismus, por alguns camaradas holandeses, por certas
organizações comunistas da Inglaterra - ou seja, a "Federação operária Socialista" etc.-, também pelos "I.W.W." da América e pelos.
"Shop Stewards Committees" da Inglaterra etc. etc.
De forma alguma o 2º Congresso da 2ª Internacional acredita possível e desejável a união à 3ª Internacional de tais organizações
que a ela não estão oficialmente ligadas, pois no caso presente, e sobretudo com relação aos "Shop Stewards Committees" ingleses,
nós nos encontramos diante de um profundo movimento proletário, que se desenvolve de fato sobre o terreno dos princípios
fundamentais da Internacional Comunista. Em tais organizações as concepções errôneas sobre a participação na ação dos
Parlamentos burgueses se explicam menos pelo papel dos elementos saídos da burguesia, que levam consigo suas concepções, de uni
espírito no fundo pequeno-burguês, de tal forma que freqüentemente são anarquistas, que pela inexperiência política dos proletários
verdadeiramente revolucionários e ligados à massa.
O 2º Congresso da 3ª Internacional pede, por essas razões, a todas as organizações e a todos os grupos comunistas dos países
anglo-saxões de seguir, mesmo no caso dos "I.W.W." e dos "Shop Stewards Committes" não se ligarem imediatamente à 3ª
Internacional, uma política de relações mais amistosas com essas organizações, de aproximação com elas e com as massas que com
elas simpatizam, fazendo-lhes compreender amigavelmente do ponto de vista da experiência das revoluções russas do século XX, o
caráter equivocado de suas concepções, e reiterando as tentativas de fusão com essas organizações dentro de um Partido Comunista
único.
19. O ingresso pede a atenção de todos os camaradas, sobretudo dos países latinos e anglo-saxões, para o seguinte fato: desde a
guerra unia profunda divisão de idéias se produziu entre os anarquistas do mundo inteiro com relação à atitude a tomar diante da
ditadura do proletariado e do poder sovietista. Nessas condições, entre os elementos proletários que frequentemente se aproximam do
anarquismo pela repulsa plenamente justificada ao oportunismo e ao reformismo da 2e Internacional, observa-se unia compreensão
particularmente exata desses princípios e que apenas faz aumentar gradativamente a experiência da Rússia, da Finlândia, da Hungria,
da Lituânia, da Polônia e da Alemanha.
Por essas razões, o Congresso acredita que é dever de todos os camaradas sustentar por todos os meios a passagem de todos os
elementos proletários de massas do anarquismo à 3ª Internacional.
O Congresso considera que o sucesso da ação dos Partidos verdadeiramente comunistas deve ser apreciado, entre outros, na
medida em que eles conseguirem atrair para si todos os elementos verdadeiramente proletários do anarquismo.

RESOLUÇÃO SOBRE O PAPEL DO PARTIDO COMUNISTA NA REVOLUÇÃO PROLETÁRIA


O proletariado mundial está às vésperas de unia luta decisiva. A época que vivemos é uma época de ação direta contra a
burguesia. A hora decisiva se aproxima. Logo, em todos os países onde existe um movimento operário consciente, a classe operária
se entregará a uma série de combates obstinados, de armas na mão. Mais do que nunca, nesse momento, a classe operária tem
necessidade de uma sólida organização. Infatigavelmente a classe operária deve, doravante, se preparar para esta luta, sem perder
uma única hora de um tempo precioso.
Se a classe operária, durante a Comuna de Paris (em 1871), tivesse um Partido Comunista solidamente organizado, ainda que
pouco numeroso, a primeira insurreição do heróico proletariado francês teria sido mais forte e teria evitado erros e debilidades. As
batalhas que o proletariado terá que manter agora, em conjuntura histórica completamente diferente, terão resultados mais graves do
que os de 1871.
O 2º Congresso Mundial da Internacional Comunista assinala aos operários revolucionários do mundo inteira a importância do
que segue:
1. O Partido Comunista é uma fração da classe operária e, entenda-se bem, é a sua fração mais avançada, mais consciente e,
portanto, a mais revolucionária. Ele se cria pela seleção espontânea dos trabalhadores mais conscientes, mais devotados, mais
clarividentes. O Partido Comunista não tem interesses diferentes dos da classe operária. O Partido Comunista não difere da grande
massa de trabalhadores naquilo que considera a missão histórica do conjunto da classe operária e se esforça, em todas as alterações
do caminho, para defender não os interesses de alguns grupos ou algumas profissões, mas os de toda a classe operária. O Partido
Comunista constitui a força organizativa e política que, com a ajuda da fração mais avançada da classe operária, dirige, no caminho
correto, as massas do proletariado e do semi-proletariado.
2. Enquanto o poder governamental não for conquistado pelo proletariado e enquanto este último não destruir, de uma vez por
todas, sua dominação e se prevenir contra toda tentativa de restauração burguesa, o Partido Comunista terá em suas fileiras apenas
uma minoria operária. Até a tomada do poder e na fase de transição, o Partido Comunista pode, graças às circunstâncias favoráveis,
exercer uma influência ideológica e política incontestável sobre todas as camadas proletárias e semi-proletárias da população, mas
ele não pode reuni-las organizadas em suas fileiras. Somente quando a ditadura do proletariado tiver privado a burguesia de meios de
ação poderosos como a imprensa, a escola, o Parlamento, a Igreja, a administração etc., a derrubada definitiva do regime burguês se
tornará evidente aos olhos de todos - então todos os operários, ou pelo menos a maioria, começarão a entrar para as fileiras do Partido
Comunista.
3. As noções de partido e de classe devem ser distinguidos com a maior atenção. Os membros dos sindicatos "cristãos" e liberais
da Alemanha, Inglaterra e outros países, pertencem, indubitavelmente, à classe operária. Os grupamentos operários mais ou menos
consideráveis que se colocam ainda no séquito de Scheidemann, de Gompers e seus comparsas também pertencem a ela. Nessas
condições históricas, é bem possível que numerosas tendências reacionárias se formem na classe operária. A tareia do comunismo
não é se adaptar a esses elementos atrasados da classe operária, mas conduzir toda a classe operária ao nível da vanguarda comunista.
A confusão entre essas duas noções de partido e de classe pode conduzir a erros e mal-entendidos muito graves. E evidente, por
exemplo, que os Partidos operários devem, a despeito dos preconceitos e do estado de espírito de uma parcela da classe operária
durante a guerra imperialista, se insurgir a todo custo contra esses preconceitos e esse estado de espírito, cm nome dos interesses
históricos do proletariado que colocaram o Partido na obrigação de declarar guerra à guerra.
Assim, por exemplo, no começo da guerra imperialista de 1914, os partidos socialistas de todos os países, sustentando suas
respectivas burguesias, não esqueceram de justificar sua conduta invocando a vontade da classe operária. Fazendo isso, eles
esqueceram que a tarefa do partido proletário deveria ser reagir contra a mentalidade operária geral e defender, apesar disso, todos os
interesses históricos do proletariado. Assim, no começo do século XX, os mencheviques russos (que se denominavam então
economistas) repudiaram a luta aberta contra o czarismo porque, diziam eles, a classe operária em seu conjunto ainda não estava em
condições de compreender a necessidade da luta política.
Assim os independentes de direita na Alemanha justificaram sempre suas meias-medidas, dizendo que era necessário, antes de
tudo, compreender os desejos das massas, e não compreenderam eles mesmos que o Partido está destinado a caminhar adiante das
massas e mostrar-lhes o caminho.
4. A Internacional Comunista está absolutamente convencida dc que a fragilidade dos antigos Partidos "social-democratas" da 2ª
Internacional não pode, em nenhum caso, ser considerada a fragilidade dos Partidos proletários em geral.
A época da luta direta em direção à ditadura do proletariado exige um novo Partido proletário mundial - o Partido Comunista.
5. A Internacional Comunista repudia da forma mais categórica a opinião segundo a qual o proletariado pode fazer sua revolução
sem ter um Partido político. Toda luta de classes é uma luta política. O objetivo dessa luta, que tende a se transformar,
inevitavelmente, em guerra civil, é a conquista do poder político. Por isso, o poder político não pode ser tomado, organizado e
dirigido por qualquer Partido político. Somente no caso do proletariado ser guiado por um Partido organizado e provado, com
objetivos claramente definidos, e possuindo um programa de ação suscetível de ser aplicado, tanto na política interior como na
política exterior, 50mente neste caso, a conquista do poder político pode ser considerada não como um episódio, mas como o ponto
de partida de um trabalho duradouro de edificação comunista da sociedade pelo proletariado.
A própria luta de classes exige também a centralização e a direção única das diversas formas do movimento proletário (sindicatos,
cooperativas, comitês de fábrica, ensino, eleições etc.) O centro organizador e dirigente só pode ser um Partido político. Recusar-se a
crer e a afirmar, recusar-se a aceitar isso, equivale a repudiar o comando único dos contingentes do proletariado agindo em pontos
diferentes. A luta da classe proletária exige uma agitação concentrada, esclarecendo as diferentes etapas da luta de um ponto de vista
único e atraindo a todo momento a atenção do proletariado para as tarefas que lhe interessam inteiramente. Isso não pode ser
realizado sem um aparelho político centralizado, isto é, sem um Partido político.
A propaganda de alguns sindicatos revolucionários e dos integrantes do movimento industrialista do mundo inteiro (I.W.W.)
contra a necessidade de um Partido político auto-suficiente ajuda apenas, falando objetivamente, a burguesia e os "social-
democratas" contra-revolucionários. Em sua propaganda contra um Partido Comunista que eles desejam substituir pelos sindicatos ou
por uniões operárias de formas pouco definidas muito vastas, os sindicalistas e os industrialistas têm pontos de contato com os
oportunistas reconhecidos.
Depois da derrota da revolução de 1905, os mencheviques russos difundiram durante alguns anos a idéia de um Congresso
operário (assim denominavam) que deveria substituir o Partido revolucionário da classe operária; os "trabalhadores amarelos" de
todos os matizes na Inglaterra e na América desejam substituir o Partido político por informes uniões operárias, e inventam ao
mesmo tempo uma tática política absolutamente burguesa. Os sindicalistas revolucionários e industrialistas desejam combater a
ditadura da burguesia, mas não sabem como fazê-lo. Eles não observam que uma classe operária sem Partido político é um corpo sem
cabeça. O sindicalismo revolucionário e o industrialismo não dão um passo adiante em relação à antiga ideologia inerte e contra-
revolucionária da 2ª Internacional. Em relação ao marxismo revolucionário, isto é, ao comunismo, o sindicalismo e o industrialismo
dão um passo atrás. A declaração dos comunistas da "esquerda alemã K.A.P.D." (programa elaborado por seu Congresso constituinte
de abril último), dizendo que eles formam um Partido, "mas não um Partido no sentido corrente da palavra" (Keinw Partei in
Uberlieferten Sinne) é uma capitulação para a opinião sindicalista e industrialista, o que é uma postura reacionária.
Mas não é pela greve geral, pela tática dos braços cruzados, que a classe operária pode obter a vitória sobre a burguesia. O
proletariado deve se insurgir de armas na mão. Quem compreende isso, compreende também que um Partido político organizado é
necessário e que informes uniões operarias não podem ter lugar na insurreição.
Os sindicalistas revolucionários falam frequentemente do grande papel que deve desempenhar uma minoria revolucionária
resoluta. ora, de fato, esta minoria resoluta da classe operária que se exige, esta minoria que é comunista e que tem um programa, que
deseja organizar a luta das massas, é exatamente o Partido Comunista.
6. A tarefa mas importante de um Partido realmente comunista é estar em contato permanente com as organizações proletárias
mais amplas. Para chegar a isso, os comunistas podem e devem lazer parte dos grupos que, sem ser os grupos do Partido, englobam
grandes massas proletárias. Tais são por exemplo aqueles que se conhece sob a denominação de organizações de inválidos em
diversos países, sociedades "Não toquem na Rússia" (Hands off Russia) na Inglaterra, as uniões proletárias de inquilinos etc. Temos
aqui o exemplo russo das conferências de operários e camponeses que se declaram "estranhos" aos Partidos (bezpartinii).
Associações desse tipo logo serão organizadas em cada cidade, em cada bairro operário e também no campo. Fazem parte dessas
associações as mais amplas massas compreendendo também os trabalhadores atrasados. Na ordem do dia se colocarão as questões
mais interessantes: alimentação, habitação, questões militares, ensino, tarefa política do momento presente etc... Os comunistas
devem ter influência nessas associações e isso trará os resultados mais importantes para o Partido.
Os comunistas consideram como sua tarefa principal um trabalho sistemático de educação e organização no seio dessas
organizações. Mais precisamente para que esse trabalho seja fecundo, para que os inimigos do proletariado revolucionário não
possam se amparar nessas organizações, os trabalhadores avançados, comunistas, devem ter uma ação organizada em seu Partido,
sabendo defender o comunismo em todas as conjunturas e em presença de qualquer eventualidade.
7. Os comunistas não se afastam nunca das organizações operárias politicamente neutras, mesmo quando elas se revestem de um
caráter evidentemente reacionário (uniões amarelas, associações cristãs etc.). No seio dessas organizações, o Partido Comunista
prossegue constantemente em seu trabalho, demonstrando infatigavelmente aos operários que a neutralidade política é repetidamente
cultivada entre eles pela burguesia e seus agentes, a fim de desviar o proletariado da luta organizada pelo socialismo.
8. A antiga divisão clássica do movimento operário em três formas (Partidos, sindicatos, cooperativas) já teve sua época. A
revolução proletária na Rússia suscitou a forma essencial da ditadura do proletariado, os Sovietes. A nova divisão que fazemos valer
é a seguinte: 1º - O Partido, 2º - O Soviete, 3º - O Sindicato.
Mas o trabalho nos Sovietes, bem como nos sindicatos da indústria tornados revolucionários, deve ser invariavelmente e
sistematicamente dirigido pelo Partido do proletariado, isto é, pelo Partido Comunista. Vanguarda organizada da classe operária, o
Partido Comunista responde igualmente aos desejos econômicos, políticos e espirituais da classe operária como um todo. Ele deve
ser a alma dos sindicatos e dos Sovietes, assim como de todas as formas de organização proletária.
O surgimento dos Sovietes, forma histórica principal da ditadura do proletariado, não diminui de forma alguma o papel dirigente
do Partido Comunista na revolução proletária. Quando os comunistas alemães de "esquerda" (ver seu Manifesto ao proletariado
alemão de 14 de abril de 1920, assinado pelo "Partido Operário Comunista alemão) declararam que "o Partido deve, também ele, se
adaptar mais e mais à idéia sovietista e se proletarizar" (Kommunistische Arbeiterzeitung, Nº 54), vimos nisso apenas uma expressão
insinuante da idéia de que o Partido Comunista deve se fundir nos Sovietes e que os Sovietes podem substitui-lo.
Esta idéia é profundamente errônea e reacionária.
A história da revolução russa nos mostra em certo momento os Sovietes indo contra o Partido proletário e sustentando os agentes
da burguesia. Pôde-se observar a mesma coisa na Alemanha. E isto é possível também em outros países.
Para que os Sovietes possam cumprir sua missão histórica, a existência de um Partido Comunista suficientemente forte para não
"se adaptar" aos Sovietes, mas para exercer sobre eles uma influência decisiva, constrangendo-os a não "se adaptarem" à burguesia e
à social-democracia oficial, conduzi-los através dessa fração comunista, é, ao contrário, necessário.
9. O Partido Comunista não é apenas necessário à classe operária antes e durante a conquista do poder, mas também depois disso.
A história do Partido Comunista russo, que está no poder há três anos, mostra que o papel do Partido Comunista, longe de diminuir
depois da conquista do poder, está consideravelmente aumentado.
10. Quando da conquista do poder pelo proletariado, o Partido do proletariado constitui apenas uma fração da classe trabalhadora.
Mas é a fração que organizou a vitória. Durante vinte anos, como vimos na Rússia, depois de vários anos, como vimos na Alemanha,
o Partido Comunista luta não somente contra a burguesia, mas também contra aqueles que, entre os socialistas, só fazem, na
realidade, exercer a influência das idéias burguesas sobre o proletariado; o Partido Comunista está assimilado pelos militantes mais
estóicos, mais clarividentes, mais avançados da classe operária. E a existência de semelhante organização proletária permite suportar
todas as dificuldades que se abatem sobre o Partido Comunista até o dia de sua vitória. A organização de um novo exército vermelho
proletário, a abolição efetiva do mecanismo governamental burguês e a criação dos primeiros traços do aparelho governamental
proletário, a luta contra as tendências corporativistas de alguns grupamentos operários, a luta contra o patriotismo regional e o
espírito de seita, os esforços para suscitar unia nova disciplina do trabalho tanto no domínio do Partido Comunista, cujos membros
por seu exemplo vivo conduzem as massas operárias -, deve dizer a palavra decisiva.
11. A necessidade de um Partido político do proletariado desaparecerá apenas com as classes sociais. Na caminhada do
comunismo rumo à vitória definitiva é possível que a relação específica que existe entre as três formas essenciais da organização
proletária contemporânea (Partidos, Sovietes, Sindicatos da indústria) seja modificada e que um tipo único, sintético, de organização
operária se cristalize pouco a pouco. Mas o Partido Comunista não se dissolverá completamente no seio da classe operária quando o
comunismo deixar de ser o desafio da luta social, quando a classe operária for, toda ela, comunista.
12. O 2º Congresso da Internacional Comunista deve não apenas confirmar o Partido em sua missão histórica, mas também
indicar ao proletariado internacional as linhas essenciais do Partido que é necessário para nós.
13. A Internacional Comunista é da opinião que principalmente à época da ditadura do proletariado o Partido Comunista deve
estar baseado sobre uma inquebrantável centralização proletária. Para dirigir eficazmente a classe operária na guerra civil longa e
tenaz, tornada iminente, o Partido Comunista deve estabelecer em seu interior uma disciplina de ferro, uma disciplina militar. A
experiência do Partido Comunista russo que durante três anos dirigiu com sucesso a classe operária em meio às peripécias da guerra
civil mostrou que sem a mais forte disciplina, sem uma centralização acabada, sem uma confiança absoluta de seus integrantes no
centro dirigente do Partido, a vitória dos trabalhadores é impossível.
14. O Partido Comunista deve estar baseado sobre uma centralização democrática. A constituição através de eleição dos comitês
secundários, a submissão obrigatória de todos os comitês ao comitê que lhe é superior e a existência de um centro munido de plenos
poderes, cuja autoridade não pode, no intervalo entre os Congressos do Partido, ser contestada por ninguém, tais são os princípios
essenciais da centralização democrática.
15. Toda uma série de Partidos Comunistas na Europa e na América estão jogados na ilegalidade pelo estado de sítio. É
conveniente lembrar que o princípio eletivo pode sofrer, em certas condições, alguns prejuízos e que pode ser necessário acordar com
os órgãos diretores do Partido o direito de cooptar membros novos. Foi assim na guerra na Rússia. Durante o estado de sítio, o
Partido Comunista não pode, evidentemente, recorrer ao referendum democrático todas as vezes que uma questão grave se apresente
(como gostaria um grupo de comunistas americanos); ele deve, ao contrário, dar a seu centro dirigente a possibilidade e o direito de
decidir prontamente, no momento oportuno, por todos os membros do Partido.
16. A reivindicação de uma ampla "autonomia" para os grupos locais do Partido nesse momento só pode enfraquecer as fileiras do
Partido Comunista, diminuir sua capacidade de ação e favorecer o desenvolvimento de tendências anarquistas e pequeno-burguesas
contrárias à centralização.
17. Nos países onde o poder ainda está nas mãos da burguesia ou da social-democracia contra-revolucionária, (os Partidos
Comunistas devem aprender a justapor sistematicamente a ação legal e a ação clandestina.
Esta última deve sempre controlar efetivamente a primeira. Os grupos parlamentares comunistas, da mesma forma que as frações
comunistas que atuam no interior das diversas instituições do Estado, centrais ou locais, devem estar inteiramente subordinadas ao
Partido Comunista - qualquer que seja a situação, legal ou não, do Partido. Os mandatários que de uma turma ou de outra não se
submetem ao Partido devem ser excluídos. A imprensa legal (jornais, edições diversas) deve depender com tudo e por tudo do
conjunto do Partido e de seu comitê central.
18. Em toda ação organizativa do Partido e dos Comunistas a pedra angular deve ser posta pela organização de um núcleo
comunista em todos os lugares onde haja proletários e semi-proletários. Em cada Soviete, em cada sindicato, cooperativa, oficina,
comitê de inquilinos, em cada instituição onde três pessoas simpatizem com o comunismo, um núcleo comunista deve ser
imediatamente organizado. A organização comunista é a única alternativa que permite à vanguarda da classe operária se educar,
levando consigo toda a classe operária. Todos os núcleos comunistas, agindo entre as organizações politicamente neutras, estão
absolutamente subordinados ao Partido em seu conjunto, seja a ação do Partido legal ou clandestina. Os núcleos comunistas devem
ser arranjados segundo uma estrita dependência recíproca, estando por estabelecer a forma mais precisa.
19. O Partido Comunista nasce quase sempre nos grandes centros, entre os trabalhadores da indústria urbana. Para assegurar à
classe operária a vitória mais fácil e mais rápida, é indispensável que o Partido Comunista não seja um partido exclusivamente
urbano. Ele deve se estender também ao campo e, para este fim, se consagrar à propaganda e à organização dos trabalhadores
agrícolas. O Partido Comunista deve proceder com unia atenção particular à organização de núcleos comunistas nas pequenas
cidades.
A organização internacional do proletariado só pode ser forte se esta forma de encarar o papel do Partido Comunista for admitida
em todos os países onde vivem e lutam OS comunistas. A Internacional Comunista convida todos os sindicatos que aceitam os
princípios da 3ª Internacional a romper com a Internacional Amarela. A Internacional organizará uma seção internacional de
sindicatos vermelhos que se colocam sobre o terreno do comunismo. A Internacional Comunista não recusará a contribuição de toda
organização politicamente neutra desejosa de combater a burguesia. Mas a Internacional Comunista não cessará, fazendo isso, de
provar aos proletários do mundo:
1) que o Partido Comunista é a principal arma, essencial, da emancipação do proletariado; nós devemos ter agora em todos os
países não mus grupos ou tendências, mas uni Partido Comunista;
2) que em cada país deve haver apenas um Partido Comunista;
3) que o Partido Comunista deve ser fundado sobre o princípio da mais estrita centralização e deve instituir em seu seio, à época
da guerra civil, uma disciplina militar;
4) que em todos (os lugares onde haja nem que seja uma dezena de proletários ou semi-proletários o Partido Comunista deve ter
seu núcleo organizado;
5) que em toda organização apolítica deve haver um núcleo subordinado ao Partido como um todo;
6) que defendendo inquebrantavelmente e com absoluto devotamento o programa e a tática revolucionária do Comunismo, o
Partido deve manter sempre estreitas relações com as organizações das grandes massas operárias e deve se guardar do sectarismo e
da falta de princípios.
O MOVIMENTO SINDICAL,OS COMITÊS DE FÁBRICA E DE USINAS
1. Os sindicatos criados pela classe operária durante o período do desenvolvimento pacífico do capitalismo representavam
organizações operárias destinadas a lutar pelo aumento dos salários dos operários pela redução da jornada de trabalho e pela melhoria
das condições do trabalho assalariado. Os marxistas revolucionários foram obrigados a entrar em contato com o Partido político do
proletariado, o Partido social-democrata, a fim de entabular uma luta comum pelo Socialismo. As mesmas razões que, com raras
exceções, tinham feito da democracia socialista não uma arma da luta revolucionária do proletariado pela derrubada do capitalismo,
mas uma organização conduzindo o esforço revolucionário do proletariado no interesse da burguesia, fizeram com que, durante a
guerra, os Sindicatos se apresentassem, na maioria das vezes, na qualidade de elementos do aparelho militar da burguesia; eles
ajudaram esta última a explorar a classe operária com maior intensidade e a conduzir a guerra da maneira mais enérgica, Cm nome
dos interesses do capitalismo. Englobando apenas os operários especializados melhor pagos pelos patrões, agindo apenas nos mais
estreitos limites corporativos, acorrentados por uni aparelho burocrático, completamente estranhos às massas enganadas por seus
líderes oportunistas, os Sindicatos não só traíram a causa da Revolução social, mas também a da luta pela melhoria das condições de
vida dos operários que eles haviam organizado. Eles abandonaram o terreno da luta profissional contra os patrões e a substituíram por
um programa de negociações amigáveis com os capitalistas. Esta política foi adotada não só pelas "Trade-Unions” liberais na
Inglaterra e na América, pelos Sindicatos livres, pretensamente socialistas da Alemanha e da Áustria, mas também pelas Uniões
sindicais da França.
2. As consequências econômicas da guerra, a desorganização completa do sistema econômico do mundo inteiro, a carestia
desenfreada, a exploração mais intensa do trabalho feminino e infantil, a questão habitação, que vão progressivamente de mal a pior,
tudo isso coloca as massas proletárias no caminho da lula contra o capitalismo. Por seu caráter e por sua envergadura se desenhando
mais nitidamente dia a dia, esse combate se transforma numa grande batalha revolucionária destruindo as bases gerais do capitalismo.
O aumento dos salários de uma categoria qualquer de operários, obtido ao custo de unia luta econômica obstinada, amanhã estará
reduzido a zero pela alta do custo de vida. Ora, a alta dos preços deve continuar, pois a classe capitalista dos países vencedores,
arruinando por sua política de exploração a Europa oriental e central, não está em condições de organizar o sistema econômico do
mundo inteiro; ela o desorganiza cada vez mais. Para se assegurar do sucesso na luta econômica, as amplas massas operárias, que
estavam até agora fora dos Sindicatos, passam a correr a eles. Constata-se em todos os países capitalistas um crescimento prodigioso
dos Sindicatos que não representam mais apenas a organização dos elementos avançados do proletariado, mas a de toda a sua massa.
Entretanto, nos Sindicatos, as massas procuram lazer deles sua arma de combate.
O antagonismo das classes, tornando-se cada vez mais agudo, força os Sindicatos a organizarem greves cuja repercussão se faz
sentir cm todo o mundo capitalista, interrompendo o processo da produção e da troca capitalista. Aumentando suas exigências à
medida que aumenta o custo de vida e que elas mesmas se esgotam, as massas operárias destroem todo cálculo capitalista que
representa o fundamento de uma economia organizada. Os Sindicatos, que durante a guerra foram transformados em órgãos de
escravização das massas operárias aos interesses da burguesia, representam agora os órgãos da destruição do capitalismo.
3. Mas a velha burocracia profissional e as antigas formas de organização sindical entravam de todas as maneiras esta
transformação do caráter dos Sindicatos. A velha burocracia profissional procura, em todos os lugares, manter os sindicatos com as
características de organizações da aristocracia operária; procura manter cm vigor as regras que tornam impossível o ingresso das
massas operárias mal-remuneradas nos Sindicatos. A velha burocracia sindical se esforça ainda para substituir o movimento grevista
que a cada dia assume o caráter de um conflito revolucionário entre a burguesia e o proletariado por uma política de acordos a longo
prazo que perdem toda significação diante das fantásticas variações dos preços. Ela procura impor aos operários a política das
comunas operárias, dos Conselhos reunidos da indústria (Joint Industrial Councils) e entravar pela via legal, graças à ajuda do Estado
capitalista, a expansão do movimento grevista. Nos momentos críticos da luta, a burguesia semeia a discórdia entre as massas
operárias militantes e opõe as ações isoladas de diferentes categorias operárias à fusão de uma ação geral de classe; em suas
tentativas ela é sustentada pelo trabalho das antigas organizações sindicais, separando os trabalhadores de um ramo da indústria em
grupos profissionais artificialmente isolados, ainda que saibam ligar uns aos outros para fazer o mesmo que a exploração capitalista.
Ela se apóia sobre o poder da tradição ideológica da antiga aristocracia operária, ainda que esta última esteja enfraquecida pela
abolição dos privilégios de diversos grupos do proletariado; esta abolição se explica pela decomposição geral do capitalismo, o
nivelamento da situação de diversos elementos da classe operária, a igualdade de suas necessidades e sua falta de segurança.
É desta maneira que a burocracia sindical substitui frágeis riachos pela possante corrente do movimento operário, substitui as
reivindicações parciais reformistas por objetivos revolucionários gerais do movimento e entrava de uma maneira geral a
transformação dos esforços isolados do proletariado numa luta revolucionaria única tendente à destruição do capitalismo.
4. Dada a tendência pronunciada das amplas massas operárias a se incorporarem aos Sindicatos, e considerando o caráter e o
objetivo revolucionário da luta que essas massas sustentam a despeito da burocracia profissional, é importante que os comunistas de
todos os países façam parte dos Sindicatos e trabalhem para fazer deles órgãos conscientes da luta pela derrubada do regime
capitalista e o triunfo do Comunismo. Eles devem tomar a iniciativa da criação de Sindicatos em todos os lugares onde eles ainda não
existam.
Toda deserção voluntária do movimento profissional, toda tentativa de criação artificial de Sindicatos que não seja determinada
pelas violências excessivas da burocracia profissional (dissolução de filiais sindicais locais revolucionárias pelos centros
oportunistas) ou por sua estreita política aristocrática fechando às grandes massas de trabalhadores pouco qualificados a entrada nos
órgãos sindicais, representa um perigo enorme para o movimento comunista. Ela tira da massa os operários mais avançados, mais
conscientes, e os empurra na direção dos chefes oportunistas trabalhando pelos interesses da burguesia...
As hesitações das massas operárias, sua indecisão política e a influência que possuem sobre seus líderes oportunistas só poderão
ser vencidas por uma luta cada vez mais áspera na medida em que as camadas profundas do proletariado aprenderem com sua
experiência, com as lições de suas vitórias e suas derrotas, que jamais o sistema econômico capitalista lhes permitirá obter condições
de vida humanas e suportáveis, na medida em que os trabalhadores comunistas avançados aprenderem, pela experiência de sua luta
econômica, a ser não apenas propagandistas teóricos da idéia do comunismo, mas também condutores resolutos da ação econômica e
sindical. Apenas dessa maneira será possível livrar os Sindicatos dos líderes oportunistas, ao colocar os comunistas a sua frente e
fazer deles órgãos da luta revolucionária pelo Comunismo. Apenas dessa maneira será possível deter a desagregação dos Sindicatos,
de substituí-los pelas Uniões industriais, de afastar a burocracia estranha às massas e substituí-la por um órgão formado pelos
representantes dos operários industriais (Betriebsvertreter) deixando às instituições centrais apenas as funções estritamente
necessárias.
5. Como os comunistas atribuem um alto peso ao objetivo e à substância dos Sindicatos, não devem hesitar diante das cisões que
poderão se produzir no seio das organizações sindicais se, para evitá-las, for necessário abandonar o trabalho revolucionário, se for
necessário se recusar a organizar a parcela mais explorada do proletariado. Se acontecer de uma cisão se impor como unia
necessidade absoluta, os comunistas não deverão temê-la; os comunistas conseguirão, por sua participação na luta econômica,
convencer as amplas massas operárias de que a cisão se justifica não por considerações ditadas por um objetivo revolucionário ainda
distante e vago, mas pelos interesses concretos imediatos da classe operária correspondendo às necessidades da ação econômica. No
caso de uma cisão se tornar inevitável, os comunistas deverão prestar atenção para que esta cisão não os isole da massa operária.
6. Nos locais onde a cisão entre as tendências sindicais oportunistas e revolucionárias já se produziu, ou existem, como na
América, Sindicatos de tendências revolucionárias, ainda que não comunistas, ao lado dos Sindicatos oportunistas, os comunistas têm
a obrigação de prestar ajuda a esses Sindicatos revolucionários, de sustentá-los, de ajudá-los a se livrar dos preconceitos sindicalistas
e se colocar no terreno do Comunismo, pois esse último é a única bússola fiel e segura em todas as complicadas questões da luta
econômica. Nos lugares onde se constituem organizações industriais (seja sobre a base dos Sindicatos, seja fora deles), tais como os
Shop Stewards, os Betriebsraete (Conselhos de Produção), organizações que têm por objetivo lutar contra as tendências contra-
revolucionárias da burocracia sindical, os comunistas têm que lhes dar sustentação com toda a energia possível. Mas o auxílio
prestado aos Sindicatos revolucionários não deve significar a saída dos comunistas dos Sindicatos oportunistas em estado de
efervescência política e em evolução em direção à luta de classes. Ao contrário, é se esforçando para apressar essa revolução da
massa dos Sindicatos que se encontram já sobre a via da luta revolucionária que os comunistas poderão unir moral e praticamente os
operários organizados para uma luta comum no sentido da destruição do regime capitalista.
7. Na época em que o capitalismo desfaz-se em ruínas, a luta econômica do proletariado se transforma em luta política muito
mais rapidamente que à época do desenvolvimento pacífico do capitalismo. Todo conflito econômico importante pode suscitar para
os operários a questão da Revolução. É então dever dos comunistas fazer sobressair diante dos operários, em todas as fases da luta
econômica, que esta luta não será coroada de sucesso enquanto a classe operária não tiver vencido a classe capitalista numa batalha
organizada e se encarregar, uma vez estável sua ditadura, da organização socialista do país. Partindo disso, os comunistas devem
tentar realizar, na medida do possível, a união perfeita entre os Sindicatos e o Partido Comunista, subordinando-os a esse último,
vanguarda da Revolução. Com esse objetivo, os comunistas devem organizar em todos os Sindicatos e Conselhos de Produção
(Betriebsraete) frações comunistas, que os ajudarão a se amparar no movimento sindical e dirigi-lo.
II
1. A luta econômica do proletariado por melhorias salariais e pela melhoria geral das condições de vida das massas acentua todos
os dias seu caráter de luta sem saída. A desorganização econômica que assola um país após outro, numa proporção sempre crescente,
demonstra, mesmo aos operários mais atrasados, que não é suficiente lutar por melhorias salariais e pela redução da jornada de
trabalho, que a classe capitalista perde cada vez mais a capacidade de restabelecer a vida econômica e de garantir aos operários ao
menos as condições de vida que eles tinham antes da guerra. A consciência sempre crescente das massas operárias faz nascer entre
elas uma tendência a criar organizações capazes de iniciar a luta pelo renascimento econômico sob controle operário na indústria
pelos Conselhos de Produção. Esta tendência a criar Conselhos industriais operários, que ganha os operários de todos os países, tem
sua origem em fatores diferentes e múltiplos (luta contra a burocracia reacionária, fadiga causada pelas derrotas sofridas pelos
Sindicatos, tendência à criação de organizações que abarquem todos os trabalhadores) e se inspira no esforço feito para realizar o
controle da indústria, tarefa histórica especial dos Conselhos industriais operários. Por isso seria um erro tentar formar esses
Conselhos apenas de (operários partidários da ditadura do proletariado). A tarefa do Partido Comunista consiste, ao contrário, em
aproveitar a desorganização econômica para organizar os operários e colocar-lhes a necessidade de combater pela ditadura do
proletariado, ampliando a idéia da lula pelo controle operário que todos compreendem atualmente.
2. O Partido Comunista não poderá se esquivar da tarefa de consolidar na consciência das massas a firme certeza de que a
restauração da vida econômica sobre a base capitalista é atualmente impossível; ela significaria, além de tudo, um novo serviço á
classe capitalista. A organização econômica que corresponde aos interesses das massas operárias só será possível se o Estado for
governado pela classe operária e se a mão firme da ditadura do proletariado se encarregar da abolição do capitalismo e da nova
organização socialista.
3. A luta dos Comitês de fábrica e de usinas contra o capitalismo tem por objetivo imediato a introdução do controle operário
sobre todos os ramos da indústria. Os operários de cada empresa, independentemente de suas profissões, sofrem a sabotagem dos
capitalistas que estimam muito frequentemente que a suspensão das atividades de tal ou qual indústria lhes será vantajosa; a fome
deve constranger os operários a aceitar as condições mais duras para evitar aos capitalistas o crescimento do desemprego. A luta
contra este tipo de sabotagem une a maioria dos operários independentemente de suas idéias políticas, e faz dos Comitês de usinas e
de fábricas, eleitos por todos os trabalhadores de uma empresa, verdadeiras organizações de massa do proletariado. Mas a
desorganização da economia capitalista é não apenas consequência da vontade consciente dos capitalistas, mas também, e muito
mais, da decadência inevitável de seu regime. Também Os Comitês operários serão forçados, em sua ação contra as consequências
desta decadência, a passar dos limites do controle das fábricas e das usinas isoladas e se encontrarão bem cedo diante da questão do
controle a exercer sobre ramos inteiros da indústria e sobre seu conjunto. As tentativas dos operários de exercer seu controle não
apenas sobre o aprovisionamento de matérias-primas para as fábricas e as usinas, mas também sobre as operações financeiras das
empresas industriais, provocarão, então, da parte da burguesia e do governo capitalista, medidas rigorosas contra a classe operária, o
que transformará a luta operária pelo controle da indústria em uma luta pela conquista do poder pela classe operária.
4. A propaganda a favor dos Conselhos industriais deve ser conduzida de maneira a convencer as grandes massas operárias,
inclusive aquelas que não pertencem diretamente ao proletariado industrial, de que a responsabilidade pela desorganização
econômica cabe à burguesia, e que o proletariado, exigindo o controle operário, luta pela organização da indústria, pela supressão da
especulação e da carestia. A tarefa dos Partidos Comunistas é lutar pelo controle da indústria, aproveitando, para atingir esse objetivo,
todas as circunstâncias que se apresentem, a escassez de combustível e a desorganização dos transportes, fundindo no mesmo
objetivo os elementos isolados do proletariado e chamando para o seu lado largas faixas da pequena burguesia que se proletariza dia a
dia e sofre cruelmente as consequências da desorganização econômica.
5. Os Conselhos industriais operários não substituirão os Sindicatos. Eles só podem se organizar no decorrer da ação nos diversos
ramos da indústria e criar, pouco a pouco, um aparelho geral capaz de dirigir toda a luta. Já, no momento presente, os Sindicatos
representam órgãos de combate centralizados, ainda que eles não englobem massas operárias tão amplas que possam abarcar os
Conselhos industriais operários em sua qualidade de organizações acessíveis a todas as empresas operárias. A divisão de todas as
tarefas da classe operária entre os Comitês industriais e os Sindicatos é o resultado do desenvolvimento histórico da Revolução
social. Os Sindicatos organizaram as massas operárias com o objetivo de uma luta pelo aumento dos salários e pela redução das
jornadas de trabalho e o fizeram em larga escala. Os Conselhos operários industriais se organizam para o controle operário da
indústria e para a luta contra a desorganização econômica; eles englobam todas as empresas operárias, mas a luta que eles sustentam
só muito lentamente pode assumir um caráter político geral. Apenas na medida em que os Sindicatos conseguirem vencer as
tendências contra-revolucionárias de sua burocracia, transformando-se em órgãos conscientes da Revolução, os comunistas terão o
dever de sustentar os Conselhos industriais operários em suas tendências no sentido de se tornarem grupos industriais sindicalistas.
6. A tarefa dos comunistas se reduz aos esforços que eles devem fazer para que os Sindicatos e os Conselhos industriais operários
sejam tomados do mesmo espírito de resolução combativa, de consciência e de compreensão dos melhores métodos de combate, isto
é, do espírito comunista. Para cumprirem isso os comunistas devem submeter, de fato, os Sindicatos e os Comitês operários ao
Partido Comunista e criar assim grupos proletários de massas que servirá de base a um poderoso Partido proletário centralizado,
englobando todas as organizações proletárias e fazendo-lhes caminhar pela via que conduz á vitória da classe operária e à ditadura do
proletariado - ao Comunismo.
7. Enquanto os comunistas fazem dos Sindicatos e dos Conselhos industriais uma arma poderosa para a Revolução, essas
organizações de massas se preparam para o grande papel que lhes caberá com o estabelecimento da ditadura do proletariado. Será,
com efeito, seu dever transformar a base socialista da nova organização da vida econômica. Os Sindicatos organizados, na qualidade
de pilares da indústria, apoiando-se sobre os Conselhos industriais operários que representarão as organizações das fábricas e das
usinas, ensinarão às massas operárias seu dever industrial, formarão os operários mais avançados para a direção das empresas,
organizarão o controle técnico dos especialistas; estudarão e executarão, de acordo com os representantes do poder operário, o plano
da política econômica socialista.
III
Os Sindicatos manifestam em tempos de paz a tendência de formar uma União internacional. Durante as greves, os capitalistas
recorrem à mão-de-obra dos países vizinhos e aos serviços das "raposas" estrangeiras. Mas antes da guerra a Internacional sindical
tinha apenas uma importância secundária. Ela se ocupava da organização de auxílios financeiros recíprocos e de um serviço de
estatística referente à vida operária, mas ela não procurou unificar a vida operária porque os Sindicatos dirigidos pelos oportunistas
fizeram o possível para se subtrairem a toda luta revolucionária internacional. Os líderes oportunistas dos Sindicatos que, durante a
guerra, foram os servidores fiéis da burguesia em seus respectivos países, procuram agora restaurar a Internacional sindical, fazendo-
a uma arma do capitalismo universal internacional dirigida contra o proletariado. Eles criam, com Jouhaux, Gompers, Legien etc., um
"Bureau de Trabalho" próximo da "Liga das Nações" que não é outra coisa que uma organização de banditismo capitalista
internacional. Eles querem derrotar em todos os países o movimento grevista fazendo decretar a arbitragem obrigatória dos
representantes do Estado capitalista. Eles procuram obter, pela força de compromissos com os capitalistas, toda a espécie de favores
para os operários capitalistas, a fim de quebrar a união cada dia mais estreita da classe operária. A Internacional sindical de Amsterdã
é então a substituta da falida 2ª Internacional de Bruxelas. Os operários comunistas que fazem parte dos Sindicatos de todos (os
países devem, ao contrário, trabalhar pela criação de uma frente sindicalista internacional. Não se trata mais de auxílios pecuniários
cm caso de greve; é preciso, doravante, sempre que o perigo ameaçar a classe operária de um pais, que os Sindicatos dos outros
países, na qualidade de organizações de massas, tomem sua defesa e façam tudo para impedir a burguesia de seu país de auxiliar
àquela que está em apuros com a classe operária. Em todos os Estados, a luta econômica do proletariado se torna revolucionária.
Também os Sindicatos devem empregar conscientemente toda sua energia para apoiar toda ação revolucionaria, tanto em seu próprio
pais como nos outros. Eles devem se orientar para esse objetivo com uma grande centralização da ação, não apenas em cada país,
mas também na Internacional; eles o farão aderindo à Internacional Comunista e fundindo num só exército os diversos elementos
engajados no combate, a fim de que eles tenham uma ação em comum e se auxiliem mutuamente.

TESES E ACRÉSCIMOS SOBRE AS QUESTÕES NACIONAL E COLONIAL


A - Teses
1º) A posição abstrata e formal da questão da igualdade - a igualdade das nacionalidades inclui-se aí - é própria da democracia
burguesa sob a forma da igualdade das pessoas em geral; a democracia burguesa proclama a igualdade formal ou jurídica do
proletário, do explorador e do explorado, induzindo assim as classes oprimidas ao mais profundo erro. A idéia da igualdade, que não
é outra coisa que o reflexo das relações criadas pela produção para o comércio, torna-se, nas mãos da burguesia, uma arma contra a
abolição das classes em nome da igualdade absoluta das pessoas humanas. Quanto à significação verdadeira da reivindicação
igualitária, ela reside apenas na vontade de abolir as classes;
2º) Em conformidade com seu objetivo essencial - a luta contra a democracia burguesa, na qual se trata de desmascarar a
hipocrisia - o Partido comunista, intérprete consciente do proletariado em luta contra o jogo da burguesia, deve considerar como
formando a chave de abóbada da (1uestão nacional, não os princípios abstratos e formais, mas: 1º - uma noção clara das
circunstâncias históricas e econômicas; 2º - a dissociação precisa dos interesses das classes oprimidas, dos trabalhadores, dos
explorados, com rejeição à concepção geral dos pretensos interesses nacionais, que significam, na realidade, os interesses das classes
dominantes; 3º - a divisão mais clara e precisa das nações oprimidas, dependentes, protegidas, e opressoras e exploradoras, gozando
de todos os direitos, contrariamente a hipocrisia burguesa e democrática que dissimula a submissão (própria da época do capital
financeiro e do imperialismo), pelo poder financeiro e colonialista, da imensa maioria das populações do globo a uma minoria de
ricos países capitalistas.
3º) A guerra imperialista de 1914-1918 colocou em evidência diante de todas as nações e todas as classes oprimidas do mundo a
falsidade dos fraseados democráticos e burgueses - o tratado de Versalhes, ditado pelas famosas democracias ocidentais, sancionou,
em relação ás nações fracas, as violências mais covardes e mais cínicas do que aquelas dos junkers e do kaiser em Brest-Litowsk. A
Liga das Nações e a política da Entente em seu conjunto apenas confirmam este fato e põem em andamento a ação revolucionária do
proletariado dos países avançados e das massas laboriosas dos países coloniais ou dominados, levando assim à bancarrota as ilusões
nacionais da pequena burguesia quanto à possibilidade de uma vizinhança pacífica de uma igualdade verdadeira das nações sob o
regime capitalista;
4º) Resulta do que precede que a pedra angular da política da Internacional Comunista, nas questões colonial e nacional, deve ser
a reaproximaçao dos proletários e trabalhadores de todas as nações e de todos os países para a luta comum contra os proprietários e a
burguesia. Pois essa reaproximação é a única garantia de nossa vitória sobre o capitalismo, sem a qual não podem ser abolidas nem a
opressão nacional, nem a desigualdade;
5º) A atual conjuntura política mundial coloca na ordem do dia a ditadura do proletariado; e todos os eventos da política mundial
se concentram inevitavelmente em torno de um centro de gravidade: a luta da burguesia internacional contra a República dos
Sovietes, que deve agrupar ao redor de si, de uma parte, os movimentos sovietistas dos trabalhadores avançados de todos os países e,
de outro lado, todos os movimentos de emancipação nacional das colônias e das nacionalidades oprimidas que uma dura experiência
convenceu que não é saudável para elas ficarem fora de uma aliança com o proletariado revolucionário e com o poder sovietista
vitorioso sobre o imperialismo mundial;
6º) Não se pode mais deixar de reconhecer ou proclamar a aproximação dos trabalhadores de todos os países. Doravante é
necessário perseguir a realização da união mais estreita de todos os movimentos emancipatórios nacionais e coloniais com a Rússia
dos Sovietes, dando a esta união as formas correspondentes ao grau de evolução do movimento proletário de cada pus, OU do
movimento de emancipição democrático-burguês entre os operários e os camponeses dos países atrasados ou das nacionalidades
atrasadas;
7º) O princípio federativo aparece para nós como uma forma transitória em direção á unidade completa dos trabalhadores de
todos os países. O princípio federativo já mostrou praticamente sua conformidade com o objetivo perseguido, tanto no curso das
relações entre a República Socialista Federativa dos Sovietes russos e as outras repúblicas dos Sovietes (Hungria, Finlândia, Letônia,
no passado; Azerbaidjão e Ucrânia, atualmente), como no próprio seio da República russa, em relação à nacionalidade que não
tinham antes nem Estado, nem existência autônoma (exemplo: as repúblicas autônomas dos Bashkirs e dos Tártaros, criadas na
Rússia soviética em 1919 e 1920);
8º) A tarefa da Internacional Comunista é estudar e verificar a experiência (e o desenvolvimento ulterior) dessas novas federações
baseadas na forma sovietista e sobre o movimento sovietista. Considerando a federação como uma forma transitória em direção à
unidade completa, é necessário para nós buscar uma união federativa cada vez mais estreita, levando em conta: 1º - a impossibilidade
de defender, sem a mais estreita união entre elas, as repúblicas soviéticas cercadas de inimigos imperialistas infinitamente superiores
por seu poderio militar; 2º - a necessidade de uma estreita união econômica das repúblicas soviéticas, sem a qual a reedificação das
forças produtivas destruídas pelo imperialismo, a segurança e o bem-estar dos trabalhadores não podem ser assegurados; 3º - a
tendência à realização de um plano econômico universal cuja aplicação regular será controlada pelo proletariado de todos os países,
tendência que se manifestou com evidência sob o regime capitalista e certamente deve continuar seu desenvolvimento e chegar à
perfeição no regime socialista;
9º) No domínio das relações sociais no interior dos Estados constituídos, a Internacional Comunista não pode fazer o
reconhecimento formal, puramente oficial e sem consequências práticas, da igualdade das nações, com o que se contentam os
democratas burgueses que se intitulam socialistas.
Não é suficiente denunciar incansavelmente em toda propaganda a agitação dos Partidos Comunistas - e do alto da tribuna
parlamentar e fora dela -, as violações constantes do princípio da igualdade das nacionalidades e dos direitos das minorias nacionais,
em todos os Estados capitalistas (a despeito de suas "constituições democráticas) e necessário também demonstrar incessantemente
que o governo dos Sovietes só pode realizar a igualdade das nacionalidades, primeiro unindo os proletários depois, o conjunto dos
trabalhadores na luta contra a burguesia é necessário também demonstrar que o regime dos sovietes assegura uma colaboração direta,
por intermédio do Partido Comunista a todos os movimentos revolucionários dos países dependentes ou lesados em seus direitos (por
exemplo, a Irlanda, os negros da América etc...) e as colônias.
Sem esta condição particularmente importante da luta contra a opressão dos países escravizados ou colonizados, o
reconhecimento oficial de seu direito á autonomia é apenas uma mentira, como vimos na 2ª Internacional.
10º) É a prática habitual não apenas dos partidos do centro da 2ª Internacional, mas também dos que abandonaram esta
Internacional para reconhecer o internacionalismo em palavras e para substitui-lo, na realidade, na propaganda, na agitação e na
prática, pelo nacionalismo e pelo pacifismo pequeno-burgueses. Isto se verifica também entre os partidos que hoje se intitulam
comunistas. A luta contra este mal e contra os preconceitos pequeno-burgueses mais profundamente consolidados (que se manifestam
sob formas variadas, tais como a diferença entre as raças, o antagonismo nacional e o anti-semitismo) adquire uma importância cada
vez maior no problema da transformação da ditadura proletária nacional que não existe apenas num país e que, por consequência, é
incapaz de exercer uma influência sobre a política mundial) em ditadura proletária internacional (aquela que realizarão vários países
avançados e que serão capazes de exercer unia influência decisiva sobre a política mundial) se torna cada vez mais atual. O
nacionalismo pequeno-burguês restringe o internacionalismo ao reconhecimento do princípio da igualdade das nações e (sem insistir
sobre seu caráter puramente verbal conserva intacto o egoísmo nacional, ao passo que o internacionalismo proletário exige:
1º - A subordinação dos interesses da luta proletária em um pais ao interesse desta luta no mundo inteiro;
2º - Da parte das nações que venceram a burguesia, o consentimento para os maiores sacrifícios nacionais em função da
derrubada do capital internacional. No país onde o capitalismo já se desenvolveu completamente, onde existem partidos operários
formando a vanguarda do proletariado, a luta contra as deformações oportunistas e pacifistas do internacionalismo, pela pequena
burguesia, é também um dever imediato dos mais importantes;
11º) Com relação aos Estados e países mais atrasados onde predominam instituições feudais ou patriarcais-rurais, convém ter em
vista:
1º - A necessidade da colaboração de todos os partidos comunistas com os movimentos revolucionários de emancipação nesses
países, colaboração que deve ser verdadeiramente ativa e cuja forma deve ser determinada pelo partido comunista do país, se ele
existe no país em questão. A obrigação de sustentar ativamente esse movimento cabe naturalmente, em primeiro lugar, aos
trabalhadores da metrópole ou do país em cuja dependência financeira se encontra o povo em questão;
2º - A necessidade de combater a influência reacionária e medieval do clero, das missões Cristãs e outros elementos;
3º - É também necessário combater o paan-islamismo, o pan-asiatismo e outros movimentos similares que tratam de utilizar a luta
de emancipação contra o imperialismo europeu e americano para tornar mais forte o poder dos imperialistas turcos e japoneses, da
nobreza, dos grandes proprietários de terras, do clero etc...;
4º - E de uma importância toda especial sustentar o movimento camponês nos países atrasados contra os proprietários rurais,
contra os resquícios OU manifestações do espírito feudal; deve-se, antes de tudo, fazer um esforço para dar ao movimento camponês
um caráter revolucionário, para organizar, em todos os lugares onde seja possível, os camponeses, e todos os oprimidos, em Sovietes
e assim criar uma ligação bastante estreita do proletariado comunista europeu com o movimento revolucionário camponês do
Oriente, das colônias e dos países atrasados em geral;
5º - É necessário combater energicamennte as tentativas feitas pelos movimentos emancipatórios que não são na realidade
comunistas, nem revolucionários, para agitar as bandeiras comunistas a Internacional Comunista deve sustentar os movimentos
revolucionários nas colônias e países atrasados apenas com a condição de que os elementos mais puros dos partidos comunistas –
comunistas de fato – sejam agrupados e instruídos sobre suas tarefas particulares, isto é, sobre sua missão de combater o movimento
burguês e democrático. A Internacional Comunista deve estabelecer relações temporárias e formar também uniões com os
movimentos revolucionários nas colônias e países atrasados, Sem todavia fundir-se com eles, e conservando sempre o caráter
independente de movimento proletário ainda que em sua forma embrionária;
6º - É necessário desmascarar-se para as massas laboriosas todos os países, e sobretudo dos países e nações atrasadas a mentira
organizada pelas potências imperialistas, com a ajuda das classes privilegiadas - nos países oprimidos as quais sempre apelam para a
existência dos Estados politicamente independentes que, na realidade, são vassalos -, do ponto de vista econômico, financeiro e
militar. Como exemplo gritante das mentiras praticadas com relação a classe trabalhadora nos países subjugados pelos esforços
combinados do imperialismo dos aliados e da burguesia desta ou daquela nação, podemos citar o caso dos sionistas na Palestina,
onde sob pretexto de criar um Estado judeu, num país onde os judeus são em número insignificante, o sionismo abandonou a
população de trabalhadores árabes à exploração da Inglaterra. Na conjuntura internacional atual não há saída possível para os povos
fracos e subjugados fora da federação das repúblicas soviéticas.
12º) A oposição secular das pequenas nações e das colônias às potências imperialistas fez nascer, entre as massas trabalhadoras
dos países oprimidos, não somente um sentimento de rancor para com as nações opressoras cm geral, mas também um sentimento de
desconfiança em relação ao proletariado dos países opressores. A infame traição dos chefes oficiais da maioria socialista em 1914-
1919, quando o socialismo chauvinista qualificou de "defesa nacional" a defesa dos "direitos" de "sua burguesia", a submissão das
colônias e dos países financeiramente dependentes, só pode tornar essa desconfiança completamente legítima. Os preconceitos só
podem desaparecer com o desaparecimento do capitalismo e do imperialismo nos países avançados, e depois da transformação
radical da vida econômica dos países atrasados, sua extinção será muito lenta, de onde o dever do proletariado consciente de todos os
países de se mostrar particularmente circunspecto diante dos resíduos de sentimento nacional dos países oprimidos durante um longo
tempo, e de fazer também algumas concessões úteis a fim de promover o desaparecimento desses preconceitos e dessa desconfiança.
A vitória sobre o capitalismo está condicionada pela boa vontade de entendimento do proletariado cm primeiro lugar, e depois das
massas laboriosas de todos os países do mundo e de todas as nações.
B - Tese Suplementares
1º) A fixação exata das relações da Internacional Comunista com o movimento revolucionário nos países que são dominados pelo
imperialismo capitalista, em particular da China, é uma das questões mais importantes para o 2º Congresso da Internacional
Comunista. A revolução mundial entra num período para o qual é necessário um conhecimento exato dessas relações. A grande
guerra européia e seus resultados mostraram muito claramente que as massas dos países subjugados fora da Europa estão ligadas de
uma maneira absoluta ao movimento proletário da Europa, e isto é unia consequência inevitável do capitalismo mundial centralizado;
2º) As colônias constituem uma das principais fontes de força do capitalismo europeu.
Sem a possessão dos grandes mercados e dos grandes territórios de exploração nas colônias, as potências capitalistas da Europa
não poderão se manter por longo tempo.
A Inglaterra, fortaleza do imperialismo, sofre de superprodução há mais de um século. Apenas conquistando territórios coloniais,
mercados suplementares para a venda da superprodução e fontes de matérias-primas para sua indústria crescente, a Inglaterra
consegue manter, apesar dos problemas, seu regime capitalista.
É pela escravidão de centenas de milhões de habitantes da Ásia e da África que o imperialismo inglês chegou a manter até o
presente momento o proletariado britânico sob a dominação burguesa.
3º) A mais-valia obtida pela exploração das colônias é um dos apoios do capitalismo moderno. Durante muito tempo essa fonte de
benefícios não será suprimida, e será difícil para a classe operária vencer o capitalismo.
Graças à possibilidade de explorar intensamente a mão-de-obra e as fontes naturais de matérias-primas das colônias, as nações
capitalistas da Europa procuraram, não sem sucesso, evitar por esses meios sua bancarrota iminente.
O imperialismo europeu conseguiu em seus próprios países fazer concessões sempre maiores á aristocracia operária. Procurando
sempre, de um lado, manter as condições de vida dos operários nos países subjugados a um nível muito baixo, ele não recua diante de
nenhum sacrifício e consente em sacrificar a mais-valia em seu próprio país; os trabalhadores das colônias podem esperar.
4º) A supressão pela revolução proletária do poderio colonial da Europa derrotará o capitalismo europeu. A revolução proletária e
a revolução das colônias devem concorrer, em certa medida, para o
resultado vitorioso da luta.
A Internacional Comunista deve então estender o círculo de sua atividade. Ela deve nutrir relações com as forças revolucionárias
que lutam pela destruição do imperialismo nos países econômica e politicamente dominados;
5º) A Internacional Comunista concentra a vontade do proletariado revolucionário mundial. Sua tarefa é organizar a classe
operária do mundo inteiro para a derrubada da ordem capitalista e o estabelecimento do comunismo.
A Internacional Comunista é um instrumento de luta que tem por tarefa agrupar todas as forças revolucionárias do mundo.
A 2ª Internacional, dirigida por um grupo de políticos e penetrada de concepções burguesas, não dá nenhuma importância à
questão colonial. O mundo não existe para além dos limites da Europa. Ela não viu a necessidade de unir o movimento
revolucionário dos outros continentes. Em vez de prestar ajuda material e moral ao movimento revolucionário das colônias, os
membros da 2º Internacional se tornaram imperialistas.
6º) O imperialismo estrangeiro que pesa sobre os povos orientais impede-os de se desenvolverem social e economicamente,
simultaneamente com as classes da Europa e da América.
Graças à política imperialista que entravou o desenvolvimento industrial das colônias, uma classe proletária no sentido próprio da
palavra não pôde surgir, ainda que nos últimos tempos os teares hindus tenham destruído pela concorrência os produtos das indústrias
centralizadas dos países imperialistas.
A consequência disso foi que a grande maioria do povo retornou para o campo e foi obrigada a se consagrar ao trabalho agrícola e
à produção de matérias-primas para exportação.
Outra consequência foi uma rápida concentração da propriedade agraria nas mãos de grandes proprietários rurais ou do Estado.
Desta maneira, se criou uma massa poderosa de camponeses sem terra. E a grande massa da população se mantém na ignorância.
O resultado desta política é que, nesses países onde o espírito revolucionário se manifesta, ele encontra expressão apenas na
classe média culta.
A dominação estrangeira impede o livre desenvolvimento das forças econômicas. Por isso, sua destruição é o primeiro passo da
revolução nas colônias e, portanto, a ajuda prestada à destruição da dominação estrangeira nas colônias não é, na realidade, uma
ajuda prestada ao movimento nacionalista da burguesia hindu, mas a abertura de caminhos para o proletariado oprimido.
7º) Nos países oprimidos existem dois movimentos que, a cada dia, se separaram mais: o primeiro é o movimento burguês
democrático nacionalista que tem um programa de independência política e de ordem burguesa; o outro é aquele dos camponeses e
dos operários ignorantes e pobres por sua emancipação de toda espécie de exploração.
O primeiro tenta dirigir o segundo e nisso tem sucesso em certa medida. Mas a Internacional Comunista e os partidos que a ela
pertencem devem combater esta tendência e procurar desenvolver o sentimento de classe independente nas massas operárias das
colônias.
Uma das maiores tareias para atingir esse fim é a formação de Partidos Comunistas que organizem os operários e os camponeses
e os conduzam à revolução e ao estabelecimento da República sovietista.
8º) As forças do movimento de emancipação nas colônias não estão limitadas ao pequeno círculo do nacionalismo burguês
democrático. Na maioria das colônias já existe um movimento social-revolucionário ou dos partidos comunistas em estreita relação
com as massas operárias. As relações da Internacional Comunista com o movimento revolucionário das colônias devem servir a esses
partidos ou grupos, pois eles são a vanguarda da classe operária. Se eles 5ão frágeis hoje, eles representam, contudo, a vontade das
massas e as massas os seguirão no caminho revolucionário. Os partidos comunistas dos diferentes países imperialistas devem
trabalhar em contato com esses partidos proletários das colônias e prestar-lhes ajuda material e moral.
9º) A revolução nas colônias, em seu primeiro estágio, não pode ser uma revolução comunista, mas se desde o seu início a direção
estiver nas mãos de uma vanguarda comunista, as massas não estarão dispersas e, nos diferentes períodos do movimento, sua
experiência revolucionária só fará crescer.
Seria certamente um grande erro desejar aplicar imediatamente nos países orientais os princípios comunistas à questão agrária.
Em seu primeiro estágio, a revolução nas colônias deve ter um programa que comporte reformas pequeno-burguesas, tais como a
divisão das terras. Mas não decorre necessariamente que a direção da revolução deva ser abandonada à democracia burguesa. O
partido proletário deve, ao contrário, desenvolver unia propaganda poderosa e sistemática em favor dos Sovietes e organizar Sovietes
de camponeses e operários. Esses Sovietes deverão trabalhar em estreita colaboração com as repúblicas sovietistas dos países
capitalistas avançados para chegar à vitória final sobre o capitalismo no mundo inteiro.
Também as massas dos países atrasados, conduzidas pelo proletariado consciente dos países capitalistas desenvolvidos, chegarão
ao comunismo sem passar pelos diferentes estágios do desenvolvimento capitalista.
Teses Sobre a questão agrária
1º) O proletariado industrial das cidades, dirigido pelo Partido Comunista, pode sozinho libertar as massas trabalhadoras dos
campos do jugo dos capitalistas e dos proprietários rurais, da desorganização econômica e das guerras imperialistas, que
recomeçarão, inevitavelmente, se o regime capitalista subsistir. As massas trabalhadoras dos campos só poderão ser libertadas se
seguirem o proletariado comunista e ajudarem-no sem reservas em sua luta revolucionária para a derrubada do regime de opressão
dos grandes proprietários rurais e da burguesia.
De outro lado, o proletariado industrial não poderá cumprir sua missão histórica mundial, que é a emancipação da humanidade do
jugo do capitalismo e das guerras, se ele se conformar aos limites de seus interesses particulares e corporativos e se limitar
placidamente às tentativas e aos esforços para a melhoria de sua situação burguesa por vezes bastante satisfatória. E assim que
acontece em vários países avançados onde existe uma aristocracia operária", principalmente nos partidos pretensamente socialistas da
2ª Internacional, mas na realidade inimigos mortais do socialismo, traidores da doutrina, burgueses chauvinistas e agentes dos
capitalistas entre os trabalhadores. O proletariado não poderá jamais ser uma força revolucionária ativa, uma classe agindo no
interesse do socialismo, se não se conduzir como a vanguarda do povo trabalhador explorado, se não se comportar como o chefe de
guerra ao qual cabe a missão de conduzir o assalto contra os exploradores; mas esse assalto não terá sucesso se os camponeses não
participarem da luta de classes, se a massa dos camponeses trabalhadores não se juntar ao Partido Comunista proletário das cidades
se, enfim, esse último não se instruir.
2º) A massa dos camponeses trabalhadores explorados e que o proletariado das cidades deve conduzir ao combate, ou, pelo
menos, assumir sua causa, está representada, em todos os países capitalistas, por:
1 - O proletariado agrícola com posto de diaristas ou empregados de fazenda, arregimentados por ano, a termo ou por tarefa, e
que ganham sua vida com seu trabalho assalariado nas diversas empresas capitalistas de economia rural e industrial. A organização
desse proletariado em uma categoria distinta e independente dos outros grupos da população dos campos (do ponto de vista político,
militar, profissional, cooperativo etc...), uma propaganda intensa em seu meio, destinada a levá-los ao poder sovietista e à ditadura do
proletariado, tal é a tarefa fundamental dos partidos comunistas em todos os países;
2 - Os semi-proletârios ou os camponeses, trabalhando na qualidade de operários contratados, nas diversas empresas agrícolas,
industriais ou capitalistas, ou cultivando o pedaço de terra que possuem ou arrendam e que rende apenas o mínimo necessário para
assegurar a sobrevivência de sua família. Esta categoria de trabalhadores rurais é muito numerosa nos países capitalistas; os
representantes da burguesia e os socialistas" amarelos da 2º Internacional procuram dissimular suas reais condições dc vida,
particularmente a situação econômica, ora enganando conscientemente os operários, ora por causa de sua própria cegueira, que
provém das idéias rotineiras da burguesia; eles confundem propositadamente este grupo com a grande massa dos "camponeses". Esta
manobra essencialmente burguesa, com o propósito de enganar os operários, é praticada principalmente na Alemanha, na França, na
América, e em outros países. Organizando bem o trabalho do Partido Comunista, esse grupo social poderá se tornar um fiel
sustentador do comunismo, pois a situação desses semi-proletários é muito precária e a adesão lhes trará vantagens enormes e
imediatas.
Em alguns países, não existe distinção clara entre esses dois primeiros grupos; será lícito então, segundo as circunstâncias, dar-
lhes uma organização comum;
3 - Os pequenos proprietários, os pequenos fazendeiros que possuem ou arrendam pequenos pedaços de terra e podem satisfazer
as necessidades de sua casa e de sua família sem contratar trabalhadores assalariados. Esta categoria tem muito a ganhar com a
vitória do proletariado; o triunfo da classe operária dá imediatamente a cada representante desse grupo OS bens e as vantagens que
seguem:
a) Não-pagamento do preço do arrendamento e abolição da parceria (será assim na França, Itália etc...) que são pagos atualmente
aos grandes proprietários rurais;
b) Abolição das dívidas hipotecárias;
c) Emancipação da opressão econômica exercida pelos grandes proprietários rurais, a qual se apresenta sob os aspectos mais
diversos (direito de uso de bosques e florestas, de campos incultos etc...);
d) Auxílio agrícola especial e imediato do poder proletário, notadamente auxílio para utensílios agrícolas; concessão de
construção sobre o território dos vastos domínios capitalistas expropriados pelo proletariado, transformação imediata pelo governo
proletário de todas as cooperativas rurais e companhias agrícolas, que no regime capitalista eram vantajosas apenas para os
camponeses ricos em organizações econômicas tendo por objetivo atender, em primeiro lugar, a população pobre, isto é, os
proletários, os semi-proletários e os camponeses pobres.
O Partido Comunista deve também compreender que durante o período de transição do capitalismo ao comunismo, isto é, durante
a ditadura do proletariado, esta categoria da população rural manifestará hesitações mais ou menos sensíveis e uma certa inclinação a
liberdade de comércio e à propriedade privada; pois, o número dos que a compõem fazendo, ainda que em pequena medida, o
comércio de artigos de primeira necessidade, ficam desmoralizados pela especulação e por suas atitudes de proprietário. Se, enquanto
isso, o governo proletário realizar, nesta questão, uma política firme e inexorável, e se o proletariado vitorioso esmagar sem
complacência os grandes proprietários rurais e os camponeses ricos, essas hesitações não terão longa duração e não poderão
modificar esse lato indubitável que, no final das contas, esse grupo simpatiza com a revolução proletária.
3º) Essas três categorias da população rural, tomadas em conjunto, formam em todos os países capitalistas, a maioria da
população. O sucesso de um golpe de Estado proletário, tanto nas grandes como nas pequenas cidades, pode então ser considerado
como indiscutível e certo. A opinião oposta é nesse particular a favor da sociedade atual. Eis as razoes: ela só se mantém pela força
das atitudes enganosas da ciência:
1º - Da estatística burguesa, que procura esconder por todos os meios ao seu alcance o abismo que separa essas classes rurais de
seus exploradores, os proprietários rurais e os capitalistas, assim como os semi-proletários e os camponeses pobres dos camponeses
ricos; 2º- esta opinião persiste graças á imperícia dos heróis da 2ª Internacional amarela e da "aristocracia operária" depravada pelos
privilégios imperialistas, e â má vontade com que fazem, entre os camponeses pobres, uma propaganda proletária e revolucionária
vigorosa e uni bom trabalho de organização; os oportunistas empregaram e empregam sempre seus esforços para imaginar diversas
variedades de acordos práticos e teóricos com a burguesia, compreendendo aí os camponeses ricos, e não pensam nunca na derrubada
revolucionária do governo burguês e da própria burguesia; 3' - enfim, a opinião segundo a qual se age e se mantém, até aqui, graças a
um preconceito obstinado e, por assim dizer, inquebrantável, porque se encontra estreitamente unido a todos os outros preconceitos
do parlamentarismo e da burguesia democrática; esse preconceito consiste na não compreensão de uma verdade perfeitamente
demonstrada pelo marxismo teórico e suficientemente provada pela experiência da revolução proletária russa; esta verdade é que as
três categorias da população rural de que falamos, embrutecidas, desunidas, oprimidas e destinadas, mesmo nos países mais
civilizados, a uma existência semi-bárbara, têm, por conseqüência, um interesse econômico, social e intelectual na vitória do
socialismo, mas só podem, entretanto, apoiar vigorosamente o proletariado revolucionário após a conquista do poder político, quando
ele então fará justiça, colocando as massas rurais na obrigação de constatar que têm nele um chefe e um defensor organizado,
poderoso o suficiente para dirigi-las e mostrar-lhes o bom caminho.
4º) Os camponeses médios são, do ponto de vista econômico, pequenos proprietários rurais que possuem ou arrendam, eles
também, lotes de terra, pouco consideráveis sem dúvida, mas permitindo-lhes, mesmo assim, sob o regime capitalista, não apenas
sustentar sua família e manter em bom estado sua pequena propriedade rural, mas realizar também um excedente de receita, podendo,
com alguns anos de boa colheita, se transformar em economias relativamente importantes; esses camponeses contratam com
freqüência empregados (por exemplo, dois ou três empregados por empresa) dos quais têm necessidade para toda sorte de trabalho.
Poderíamos citar aqui o exemplo concreto dos "camponeses médios" de um país capitalista avançado: a Alemanha. Havia, na
Alemanha, após o recenseamento de 1907, uma categoria de proprietários rurais possuindo cada um de cinco a dez hectares, em
propriedades nas quais o número de operários contratados se elevava a quase um terço do total dos trabalhadores do campo. Eis
algumas cifras exatas: Alemanha: propriedades rurais de 5 a 10 hectares, empregando operários contratados - 652.798 (sobre
5.736.082), operários assalariados - 487.764; operários casados - 2.003.633. Áustria (recenseamento de 1910) - 383.351
propriedades rurais, das quais 126.136 empregando trabalhadoras contratados: operários assalariados - 146.044; operários
casados - 1.265.969. O numero total de fazendas na Áustria se eleva a 2.856.319. Na frança, onde as culturas especiais são mais
desenvolvidas, como a viticultura, e onde a terra exige mais esforço e atenção, os proprietários rurais desta categoria empregam
provavelmente um número mais importante de trabalhadores assalariados.
Para seu futuro mais próximo e para todo o primeiro período de sua ditadura, o proletariado revolucionário não pode adotar como
tarefa a conquista política desta categoria rural e deve se limitar á sua neutralização, na luta que se trava entre o proletariado e a
burguesia. A inclinação desta camada da população, seja em direção a um partido político, seja em direção a outro, é inevitável e,
provavelmente, será, no começo da nova época e nos países essencialmente capitalistas, favorável à burguesia. Tendência aliás forte e
natural, pois o espírito da propriedade privada desempenha entre elas um papel preponderante. O proletariado vitorioso melhorará
imediatamente a situação econômica desta camada da população suprimindo o sistema de arrendamento, as dívidas hipotecárias e
introduzindo na agricultura o uso de máquinas e o emprego da eletricidade. Enquanto isso, na maior parte dos países capitalistas, o
poder proletário não deverá abolir completamente no campo o direito à propriedade privada, mas deverá isentar essa classe de todas
as obrigações e imposições ás quais está sujeita por parte dos proprietários rurais; o poder sovietista assegurará aos camponeses
pobres e médios a posse de suas terras, cuja extensão ele procurará aumentar, colocando os camponeses na posse das terras que
outrora arrendavam (abolição do arrendamento).
Todas essas medidas, seguidas de uma luta sem misericórdia contra a burguesia, assegurarão o sucesso completo da política de
neutralização. É com a maior circunspecção que o poder proletário deve passar à agricultura coletivista, progressivamente, à força de
exemplos, e sem a menor medida de coerção em relação aos camponeses "médios".
5º) Os camponeses ricos são os empresários capitalistas da agricultura; eles cultivam habitualmente suas terras com o concurso
dos trabalhadores assalariados e só estão unidos à classe camponesa por seu desenvolvimento intelectual bastante restrito, por sua
vida rústica e pelo trabalho pessoal que eles fazem junto com os operários que eles contratam. Esta camada da população rural é
bastante numerosa e representa, ao mesmo tempo, o adversário mais inveterado do proletariado revolucionário. Assim, todo o
trabalho político dos partidos comunistas no campo deve se concentrar na luta contra esse elemento, para emancipar a maioria da
população rural trabalhadora e explorada da influência moral e política, também perniciosa, desses exploradores rurais.
É bem possível que, com a vitória do proletariado nas cidades, esses elementos recorram a atos de sabotagem, e mesmo às armas,
manifestamente contra-revolucionários. Assim, o proletariado revolucionário deverá começar no campo a preparação intelectual e
organizativa de todas as forças das quais terá necessidade para desarmá-los e para dar, assim que derrotar o regime capitalista e
industrial, o golpe de misericórdia. Para isso, o proletariado revolucionário das pequenas cidades deverá armar seus aliados rurais e
organizar, em todas essas cidades, sovietes nos quais nenhum explorador será admitido e onde os proletários e semiproletários serão
chamados a desempenhar o papel preponderante. Mesmo nesse caso, entretanto, a tarefa imediata do proletariado vitorioso não
deverá comportar a expropriação das grandes propriedades camponesas, porque nesse momento as próprias condições materiais e, em
parte, técnicas e sociais, necessárias à socialização das grandes propriedades, não estarão ainda realizadas. Tudo leva a crer que, em
alguns casos isolados, as terras arrendadas ou estritamente necessárias aos camponeses pobres da vizinhança serão confiscadas: se
acordará igualmente com esses últimos o uso gratuito, sob certas condições porém, de unia parte do maquinário agrícola dos
proprietários rurais ricos. Mas, como regra geral, o poder proletário deverá deixar suas terras aos camponeses ricos e se amparar
apenas no caso de uma oposição manifesta à política e às prescrições do poder dos trabalhadores. Esta linha de conduta é necessária,
a experiência da revolução proletária russa, onde a luta contra os camponeses ricos arrasta-se sob condições bastante complexas,
demonstrou que esses elementos da população rural, dolorosamente batidos em todas as suas tentativas de resistência, mesmo as
menores, são capazes de executar lealmente os trabalhos que lhe confia o Estado proletário e começam mesmo, ainda que muito
lentamente, a adquirir respeito pelo poder que defende todo trabalhador e esmaga impiedosamente o rico ocioso.
As condições especiais que complicaram e retardaram a luta do proletariado russo, vitorioso sobre a burguesia, contra os
camponeses ricos, derivam unicamente do fato de que após o evento de 25 de outubro de 1917, a revolução russa atravessara uma
fase "democrática" - isto é, no fundo, burguesa-democráticca -, de luta dos camponeses contra os proprietários rurais; devem-se ainda
essas condições especiais à fragilidade numérica e ao estado atrasado do proletariado das cidades e, enfim, à imensidão do país e ao
péssimo estado de seus meios de comunicação. Mas os países avançados da Europa e da América ignoram todas essas causas do
atraso, e por isso seu proletariado revolucionário deve quebrar, mais energicamente, mais rapidamente, com mais decisão e mais
sucesso, a resistência dos camponeses ricos e tirar, no futuro, toda possibilidade de oposição. Esta vitória da massa dos proletários,
semi proletários e camponeses, é absolutamente indispensável; enquanto ele não acontecer, o poder proletário não poderá se
considerar como unta autoridade estável e firme.
6º) o proletariado revolucionário deve confiscar imediatamente e sem reserva todas as terras pertencentes aos grandes
proprietários rurais, isto é, a todas as pessoas que exploram sistematicamente, nos países capitalistas, seja de maneira direta ou por
intermédio de seus propostos, os trabalhadores assalariados, os camponeses pobres e também, como acontece freqüentemente, os
camponeses médios da região, todos os proprietários que não participam de nenhuma forma do trabalho físico na maioria dos casos,
descendentes dos barões feudais (nobres da Rússia, da Alemanha e da Hungria, senhores restaurados da França, lordes ingleses,
antigos senhores de escravos na América), magnatas das altas finanças ou, enfim, aqueles saídos dessas duas categorias de
exploradores e ociosos.
Os partidos comunistas devem se opor energicamente à idéia de indenizar os grandes proprietários rurais expropriados e lutar
contra toda propaganda nesses sentido; os partidos comunistas não devem esquecer que a concessão de tais indenizações será uma
traição ao socialismo e um encargo novo imposto ás massas exploradas, sobrecarregadas pelo fardo da guerra que multiplicou o
número de milionários e suas fortunas.
Nos países capitalistas avançados, a 1ª Internacional Comunista estima que será bom e prático manter intactas as grandes
propriedades agrícolas e explorá-las da mesma forma que as "propriedades sovietistas" russas. Será bom favorecer a criação de
domínios administrados pelas coletividades (Comunas).
Quanto ao cultivo das terras conquistadas pelo proletariado vitorioso aos grandes proprietários rurais, na Rússia elas estavam até
o presente divididas entre os camponeses, isso porque o país é muito atrasado do ponto de vista econômico. Em alguns raros casos, o
governo proletário russo manteve em seu poder as propriedades rurais ditas "sovietistas" que o Estado proletário explora,
transformando os antigos operários assalariados em "delegados de trabalho" ou em membros de sovietes.
A conservação dos grandes domínios serve melhor aos interesses dos elementos revolucionários da população, sobretudo dos
agricultores que não possuem terras, os semi-proletários e os pequenos proprietários que vivem freqüentemente de seu trabalho nas
grandes empresas.
Também a nacionalização dos grandes domínios torna a população urbana menos dependente em relação ao campo do ponto de
vista do abastecimento.
Onde ainda subsistem vestígios do sistema feudal, onde os privilégios dos proprietários rurais engendram formas especiais de
exploração, onde se vê ainda a "servidão" e a "parceria", é necessário entregar aos camponeses unia parte do solo dos grandes
domínios.
Nos países onde os grandes domínios são em número insignificante, onde um grande número de pequenos prepostos mandam nas
terras, a distribuição dos grandes domínios em lotes pode ser um meio para ganhar os camponeses para a revolução, quando a
conservação de alguns grandes domínios não for de nenhum interesse para as cidades, do ponto de vista do abastecimento.
A primeira e a mais importante tarefa do proletariado é se assegurar de uma vitória durável. O proletariado não deve temer uma
queda da produção, se isso for necessário, para o sucesso da revolução. E somente então, com a classe média do campo neutralizada e
assegurado o apoio da maioria, se não da totalidade, que se pode garantir ao poder proletário uma existência durável.
Todas as vezes que as terras dos grandes proprietários rurais forem distribuídas, os interesses do proletariado agrícola deverão
estar acima de tudo.
Todo instrumento agrícola e técnico dos grandes proprietários deve ser confiscado e passado ao Estado, sob a condição porém de
que após a distribuição desses instrumentos, em quantidade suficiente, entre as grandes propriedades rurais do Estado, os pequenos
camponeses possam utilizá-los gratuitamente, de acordo com os regulamentos elaborados a esse respeito pelo poder proletário.
Se, logo no começo da revolução proletária, for necessário o confisco imediato das grandes propriedades, bem como a expulsão
ou prisão de seus proprietários, lideres da contra-revolução e opressores impiedosos de toda a população rural, o poder proletário
deve procurar sistematicamente, na medida da consolidação de sua posição nas cidades e no campo, utilizar as forças desta classe,
que possui uma experiência preciosa dos conhecimentos e das capacidades organizavas, para criar com sua ajuda, e sob o controle de
comunistas provados, uma vasta agricultura sovietista.
7º) O socialismo somente vencerá definitivamente o capitalismo e não se debilitará no momento em que o poder governamental
proletário, tendo reprimido toda resistência dos exploradores e assegurado sua autoridade, tiver reorganizado a indústria sobre a base
de uma nova produção coletivista e sobre uni novo fundamento técnico (aplicação geral da energia elétrica em todos os ramos da
agricultura e da economia rural). Só esta reorganização pode dar às cidades a possibilidade de oferecer ao campo atrasado uma ajuda
técnica e social, capaz de determinar uni crescimento extraordinário da produtividade agrícola e rural e engajar, através do exemplo,
os pequenos trabalhadores passando, progressivamente, em seu próprio interesse, a uma cultura coletivista mecânica.
É precisamente no campo que a possibilidade de uma luta vitoriosa para a causa socialista exige da parte de todos os partidos
comunistas um esforço para despertar, entre o proletariado industrial, o sentimento da necessidade de sacrifícios e fazer tudo para a
derrota da burguesia e para a consolidação do poder proletário; coisa absolutamente necessária porque a ditadura do proletariado
significa que ele sabe organizar e conduzir (~ trabalhadores explorados e que sua vanguarda está sempre pronta, para atingir esse
objetivo, a fazer os esforços e os sacrifícios mais heróicos; de outra parte, para chegar à vitória definitiva, o socialismo exige que as
massas trabalhadoras mais exploradas dos campos possam ver, logo após a vitória dos operários, sua situação melhorada em
detrimento dos exploradores; se não for assim, o proletariado industrial não poderá contar com o apoio do campo e não poderá, com
isso, assegurar o abastecimento das cidades.
8º) As dificuldades enormes que apresentam a organização e a preparação para a luta revolucionária da massa dos trabalhadores
rurais que o regime capitalista embruteceu, dispersou e escravizou, quase como durante a Idade Média, exigem dos partidos
comunistas a maior atenção para com o movimento grevista rural, o apoio vigoroso e o desenvolvimento intenso das greves de
massas de proletários e semi-proletários rurais. A experiência das revoluções russas de 1905 e 1917, confirmada e completada
atualmente pela experiência da revolução alemã e de outros países avançados, prova que só o movimento grevista, progredindo sem
parar (com a participação, em certas condições, dos pequenos camponeses") pode tirar as cidades de sua letargia, despertar entre os
camponeses a consciência de classe e o sentimento da necessidade de uma organização de classe das massas rurais exploradas e
mostrar claramente aos habitantes do campo a importância prática de sua união com os trabalhadores das cidades. Segundo esse
ponto de vista, a criação de sindicatos operários agrícolas e a colaboração dos comunistas nas organizações de operários agrícolas e
florestais são da mais alta importância. Os comunistas devem particularmente sustentar as organizações formadas pela população
agrícola estreitamente ligada ao movimento operário revolucionário. Uma propaganda enérgica deve ser feita entre os camponeses
proletários.
O Congresso da Internacional Comunista critica e condena severamente os socialistas hipócritas e traidores que encontramos
infelizmente não somente no seio da 2ª Internacional amarela, mas também entre os três partidos europeus mais importantes, saídos
desta Internacional; o Congresso condena à vergonha os socialistas capazes não somente de considerar diferentemente o movimento
grevista rural, mas também de resistir a ele (como K. Kautsky), com medo de que ele resulte numa redução do abastecimento. Todos
os programas e todas as declarações mais solenes não têm qualquer valor, se não for possível provar praticamente que os comunistas
e os lideres operários sabem colocar acima de todas as coisas o desenvolvimento da revolução proletária e sua vitória, fazendo por ela
os sacrifícios mais penosos, porque não há outra saída nem outros meios para vencer a carência e a desorganização econômica e para
conjurar novas guerras imperialistas.
9º) Os partidos comunistas devem fazer tudo o que depender deles para começar o mais cedo possível a organização dos sovietes
no campo e, em primeiro lugar, dos sovietes que representarão os trabalhadores assalariados e semi-proletários. Apenas em
cooperação estreita com o movimento grevista das massas e com a classe mais oprimida os sovietes serão capazes de cumprir sua
missão e se tornarão fortes o suficiente para submeter à sua influência (e incorporá-los em seguida) os "pequenos camponeses". Se,
entretanto, o movimento grevista não estiver suficientemente desenvolvido e a capacidade de organização do proletariado rural for
ainda bastante frágil, tanto por causa da opressão dos proprietários rurais e dos camponeses ricos, como pela insuficiência do apoio
dado pelos operários industriais e por seus sindicatos, a criação de sovietes nos campos exigirá uma longa preparação; ela deverá ser
feita pela criação de focos comunistas, por uma propaganda ativa, em termos claros e transparentes, das aspirações comunistas que
serão explicadas pela força dos exemplos ilustrando os diversos métodos de exploração e opressão, e enfim por meio da propaganda
sistemática dos trabalhadores industriais no campo.
O PARTIDO COMUNISTA E O PARLAMENTARISMO
I. A Nova Época e o Novo Parlamentarismo
A atitude dos partidos socialistas em relação ao parlamentarismo Consistia originariamente, à época da Primeira Internacional, em
utilizar os Parlamentos burgueses para a agitação. Considerava-se a participação da ação parlamentar do ponto de vista do
desenvolvimento da consciência de classe, isto é, de despertar a hostilidade das classes proletárias contra as classes dirigentes. Esta
atitude se modificou não sob a influência de uma teoria, mas do progresso político. Seguido do aumento incessante das forças
produtivas e do alargamento do domínio da exploração adquiriram uma estabilidade durável.
A adaptação da tática parlamentar dos partidos socialistas à ação legislativa "orgânica' dos Parlamentos burgueses e a importância
sempre crescente da lula pela introdução de reformas nos limites do capitalismo, a predominância do programa mínimo dos partidos
socialistas, a transformação do programa máximo numa plataforma destinada às discussões sobre um "objetivo final” distanciado
configuram a base sobre a qual se desenvolveram o arrivismo parlamentar, a corrupção, a traição aberta ou camuflada dos interesses
primordiais da classe operária.
A atitude da III Internacional em relação ao parlamentarismo não está determinada por uma nova doutrina, mas pela modificação
do papel do próprio parlamentarismo. À época precedente, o Parlamento, instrumento do capitalismo em vias de desenvolvimento,
tem, num certo sentido, trabalhado pelo progresso histórico. Nas condições atuais, caracterizadas pelo arrebatamento do
imperialismo, o Parlamento se transformou num instrumento de mentira, fraudes, violências e destruição, de atos de ladroagem, obras
do imperialismo, as reformas parlamentares, desprovidas de qualquer continuidade e estabilidade concebidas sem um plano de
conjunto, perderam toda importância prática para as massas trabalhadoras.
O parlamentarismo perdeu sua estabilidade, assim como a sociedade burguesa. A transição do período orgânico ao período crítico
criou uma nova base para a tática do proletariado no domínio parlamentar. E assim que o partido operário russo (o partido
bolchevique) já determinou as bases do parlamentarismo revolucionário na época anterior, quando a Rússia perdeu seu equilíbrio
político e social em 1905 e entrou então num período de tormentas e confusões.
Quando os socialistas, aspirando ao comunismo, sublinham que a hora da revolução ainda não chegou em seu pais, recusando-se
a separar-se dos oportunistas parlamentares, eles procedem, no fundo, a unia representação, consciente ou inconsciente, do período
que se abre considerado como um período de estabilidade relativa da sociedade imperialista e pensam por esta razão que uma
colaboração com os Turati e os Longuet pode dar Sobre esta base resultados práticos na luta pelas reformas.
O comunismo deve tomar como ponto de partida o estudo teórico de nossa época (apogeu do capitalismo, tendências do
imperialismo à sua própria negação e destruição, agravamento contínuo da guerra civil etc...). As formas das relações políticas e dos
agrupamentos podem diferir nos diversos países, mas no fundo das coisas ficam assim: trata-se para nós da preparação imediata,
política e técnica, da sublevação proletária que deve destruir o poder burguês e estabelecer o novo poder proletário.
Para os comunistas, o Parlamento não pode ser em nenhum caso, no momento atual, o teatro de uma luta por reformas e
melhorias da situação da classe operária, como aconteceu em certos momentos, na época anterior. O centro de gravidade da vida
política atual está no Parlamento. De outro lado a burguesia está obrigada, por suas relações com as massas trabalhadoras e também
pelas complexas relações existentes no seio das classes burguesas, de fazer aprovar de diversas maneiras algumas de suas ações no
Parlamento, onde os favorecidos disputam o poder, manifestam suas forças e suas fraquezas, comprometendo-se etc...
Também o dever histórico imediato da classe operária é arrebatar esses aparelhos á classe dominante, enfraquecê-los, destruí-los e
substituí-los pelos novos órgãos do poder proletário. O estado-maior revolucionário da classe operária está, aliás, profundamente
interessado em ter nas instituições parlamentares da burguesia os batedores que facilitarão sua obra de destruição. Vê-se claramente a
diferença essencial entre a tática dos comunistas que vão ao Parlamento com fins revolucionários e aquela do parlamentarismo-
socialista que começa por reconhecer a estabilidade relativa, a duração indefinida do regime. O parlamentarismo socialista adota
como tarefa obter reformas a todo custo; está interessado em que cada conquista seja atribuida ao parlamentarismo socialista (Turati,
Longuet e Cia.).
O velho parlamentarismo de adaptação está sendo substituído por um novo parlamentarismo, que é um dos meios de destruir o
parlamentarismo em geral. Mas as tradições nojentas da antiga tática parlamentar aproximam alguns elementos revolucionários dos
antiparlamentares por princípio (Os I.W.W., os sindicalistas revolucionários, o Partido Operário Comunista da Alemanha).
Considerando esta situação, o II Congresso da Internacional Comunista chega às seguintes conclusões:

II - O Comunismo, A Luta Pela Ditadura do Proletariado e “Pela Utilização” do Parlamento Burguês


I
1º) O parlamentarismo de governo é a forma "democrática” da dominação da burguesia, à qual é necessária, em dado momento
de seu desenvolvimento, uma ficção de representação popular, exprimindo na aparência a vontade do povo e não a das classes, mas
constituindo, na realidade, nas mãos do Capital reinante, um instrumento de coerção e de opressão;
2º) O parlamentarismo é unia forma determinada do Estado. Assim ele não convém de forma alguma á sociedade comunista, que
não conhece nem classes, nem luta de classes nem poder governamental de qualquer espécie;
3º) O parlamentarismo não pode ser a forma do governo "proletário" no período de transição da ditadura da burguesia à ditadura
do proletariado. No momento mais grave da luta de classes, quando ela se transforma em guerra civil, o proletariado deve construir,
inevitavelmente, sua própria organização governamental, considerada como uma organização de combate na qual os representantes
das antigas classes dominantes não serão admitidos; toda ficção de vontade popular é, no decorrer desta fase, nociva ao proletariado;
este não tem necessidade da separação parlamentar dos poderes, que só poderá ser-lhe nefasta; a República dos Sovietes é a forma da
ditadura do proletariado;
4º) Os Parlamentos burgueses, constituindo uni dos principais aparelhos da máquina governamental da burguesia, não podem
mais ser conquistados pelo proletariado, assim como o Estado burguês em geral.
A tarefa do proletariado consiste em mandar para os ares a máquina governamental da burguesia, destruí-la, e com ela as
instituições parlamentares, sejam elas das Repúblicas ou das monarquias constitucionais;
5º) O mesmo vale para as instituições municipais ou comunais da burguesia, às quais é teoricamente falso opor os órgãos
governamentais. Na verdade, elas também fazem parte do mecanismo governamental da burguesia: elas devem ser destruídas pelo
proletariado revolucionário e substituídas pelos Sovietes de deputados operários;
6º) O comunismo se recusa a ver no parlamentarismo uma das formas da sociedade futura; ele se recusa a ver nele a forma da
ditadura de classe do proletariado; ele nega a possibilidade da conquista duradoura dos Parlamentos; ele tem como objetivo a
abolição do parlamentarismo. Ele só pode colocar a questão da utilização das instituições governamentais tendo em vista sua
destruição. É nesse sentido, e unicamente nesse sentido, que a questão pode ser colocada;
II
7º) Toda luta de classes é uma luta política, pois ela é, afinal de contas, uma luta pelo poder. Toda greve, abrangendo um país
inteiro, se torna uma ameaça para o Estado burguês e adquire para o mesmo um caráter político. Esforçar-se para derrotar a burguesia
e destruir o Estado burguês, é sustentar uma luta política. Criar um aparelho de governo e de coerção, proletário, de classe, contra a
burguesia refratária; é, qualquer que seja este aparelho, conquistar o poder político;
8º) A luta política não se reduz apenas a uma questão de atitude diante do parlamentarismo. Ela engloba toda a luta do
proletariado; para tanto essa luta deixa de ser local e parcial e tende á derrubada do regime capitalista em geral;
9º) O método fundamental da luta do proletariado contra a burguesia, isto é, contra seu poder governamental, é antes de tudo o
das ações de massa. Essas últimas são organizadas e dirigidas pelas organizações de massa do proletariado (sindicatos, partidos,
sovietes), sob a condução geral do Partido Comunista, solidamente unido, disciplinado e centralizado. A guerra civil é uma guerra.
Nesta guerra, o proletariado deve ter bons quadros políticos e um bom estado-maior político dirigindo todas as operações em todos os
domínios da ação;
10º) A luta das massas constitui um sistema de ações em via de desenvolvimento, que se avivam por sua própria forma e
conduzem logicamente à insurreição contra o Estado capitalista. Nessa luta de massa, chamada a se transformar em guerra civil, o
partido dirigente do proletariado deve, em regra geral, fortificar todas as suas posições legais, fazendo delas pontos de apoio
secundários de sua ação revolucionária e subordinando-os ao plano da campanha principal, ou seja, a luta das massas;
11º) A tribuna do Parlamento burguês é um desses pontos de apoio secundários. Não se pode invocar contra a ação parlamentar a
qualidade burguesa da instituição mesma. O Partido Comunista entra nele não para desenvolver uma ação orgânica, mas para solapar
do interior a máquina governamental e o Parlamento (exemplos: a ação de Liebknecht na Alemanha, a dos bolcheviques na Duma do
czar, a "Conferência democrática" e a ação no "Pré-parlamento" de Kerenski, na Assembléia Constituinte, nas municipalidades;
enfim, a ação dos comunistas búlgaros);
12º) Esta ação parlamentar, que consiste sobretudo em usar a tribuna parlamentar para fins de agitação revolucionária, para
denunciar as manobras do adversário, para agrupar em torno de certas idéias as massas que, principalmente nos países atrasados,
consideram a tribuna parlamentar com grandes ilusões democráticas, deve estar totalmente subordinada aos objetivos e ás tarefas da
luta extraparlamentar das massas;
A participação em campanhas eleitorais e a propaganda revolucionária do alto da tribuna parlamentar têm uma significação
particular para a conquista política dos meios operários que, como as massas trabalhadoras do campo, permaneceram até o presente
afastados do movimento revolucionário e da política.
13º) Os comunistas, ao obterem a maioria nas municipalidades, devem: a) formar uma oposição revolucionária em relação ao
poder central da burguesia; b) se esforçar por todos os meios para servir à parcela mais pobre da população (medidas econômicas,
criação ou tentativa de criação de uma milícia operária armada etc...); c) denunciar a todo momento os obstáculos impostos pelo
Estado burguês contra toda reforma radical; d) desenvolver sobre esta base uma propaganda revolucionária enérgica, sem temer o
conflito com o poder burguês; e) substituir, em certas circunstâncias, as municipalidades por Sovietes de deputados operários. Toda a
ação dos comunistas nas municipalidades deve se integrar no trabalho geral de desagregação do sistema capitalista;
14º) A campanha eleitoral em si mesma deve ser conduzida não no sentido da obtenção do máximo de mandatos parlamentares,
mas no sentido da mobilização das massas a partir das palavras de ordem da revolução proletária. A luta eleitoral não deve ser algo
relativo apenas aos dirigentes do Partido, o conjunto dos membros do Partido deve tomar parte nela; todo movimento das massas
deve ser utilizado (greves, manifestações, efervescência no exército e na marinha etc...); se estabelecerá uma relação estreita com
esse movimento; a atividade das organizações proletárias de massa será estimulada sem cessar;
15º) Essas condições e aquelas indicadas numa instrução especial, uma vez observadas, colocarão a ação parlamentar em
completa oposição com a nauseante pequena política dos partidos socialistas de todos os países, nos quais os deputados vão ao
Parlamento para sustentar esta instituição "democrática", e, no melhor dos casos, para "conquistá-la". O Partido Comunista só pode
admitir a utilização exclusivamente revolucionária do parlamento, à maneira de Karl Liebkneeht, de Hocglund e dos bolcheviques;
NO PARLAMENTO
III
16º) O "antiparlamentarismo" de princípio, conhecido como a recusa absoluta e categórica de participar das eleições e da ação
parlamentar e revolucionária, é apenas uma doutrina infantil e ingênua, que não resiste á críticas, resultado muitas vezes de uma sadia
aversão aos políticos parlamentares, mas que não aparece, para muitos, como a possibilidade do parlamentarismo revolucionário.
Decorre, além do mais, que esta opinião se baseia numa noção de toda maneira errônea do papel do Partido considerado não como
vanguarda operária centralizada para o combate, mas como um sistema descentralizado de grupos mal ligados entre si;
17º) De outro lado, a necessidade de uma participação eletiva nas eleições e nas assembléias parlamentares não decorre do
reconhecimento em princípio da ação revolucionária no Parlamento. Tudo depende aqui de uma série de condições específicas. A
saída dos comunistas do Parlamento pode se tornar necessária em dado momento. Este foi o caso, quando os bolcheviques se
retiraram do Pré-Parlamento de Kerenski, a fim de torpedeá-lo, de torná-lo impotente e opor-lhe mais nitidamente o Soviete de
Petrogrado às vésperas de assumir o comando da insurreição; foi o caso, quando os bolcheviques deslocaram o centro de gravidade
dos acontecimentos políticos da assembléia constituinte para III Congresso dos Sovietes. Em outras ocasiões pode se impor o boicote
das eleições, ou a anulação imediata, pela força, do Estado burguês; ou ainda a participação nas eleições coincidindo com o boicote
do próprio parlamento etc...;
18º) Reconhecendo assim, em regra geral, a necessidade de participar nas eleições parlamentares e municipais e de trabalhar nos
Parlamentos e municipalidades, o Partido Comunista deve tratar a questão segundo o caso concreto, inspirando-se nas
particularidades especificas da situação. O boicote das eleições ou do Parlamento, assim como a saída do Parlamento, são
admissíveis principalmente diante de condições que permitam a passagem imediata à luta armada para a conquista do poder;
19º) É indispensável observar constantemente o caráter relativamente secundário desta questão. Se o centro de gravidade estiver
na luta extraparlamentar pelo poder político, decorre que a questão geral da ditadura do proletariado e da luta das massas por esta
ditadura não poderá se comparar à questão particular da utilização do parlamentarismo.
20º) Por isso a Internacional Comunista afirma da maneira mais categórica que considera como uma falta grave em relação ao
movimento operário toda cisão ou tentativa de cisão provocada no interior do Partido Comunista por esta questão e unicamente por
esta questão. O Congresso convida todos os partidários da luta de massas para a ditadura do proletariado, sob a direção de um partido
centralizado sobre todas as organizações do movimento operário, a realizar a unidade completa dos elementos comunistas, a despeito
das divergências de visão quanto utilização dos Parlamentos burgueses.
III – A tática revolucionária
As seguintes medidas se impõem, a fim de garantir a aplicação efetiva de uma tática revolucionária no Parlamento:
1º) O Partido Comunista em seu conjunto e seu Comitê Central se asseguram, a partir do período preparatório que precede as
eleições, da sinceridade e do valor comunista dos membros do grupo parlamentar comunista; ele tem o direito indiscutível de recusar
todo candidato designado por uma organização, se ele não tiver a convicção de que esse candidato fará uma política verdadeiramente
comunista.
Os partidos comunistas devem renunciar ao velho hábito social-democrata de fazer eleger apenas os parlamentares
“experimentados”, e, sobretudo, os advogados. De preferência, os candidatos serão tomados entre os operários: não se deve temer
designar simples membros do Partido sem grande experiência parlamentar.
Os partidos comunistas devem rebater com seu desprezo implacável os arrivistas que vêm a eles com a finalidade única de entrar
no Parlamento. Os Comitês centrais devem aprovar apenas as candidaturas de homens que, durante longos anos, tenham dado provas
indiscutíveis de seu devotamento à classe operária.
2º) Passadas as eleições, cabe exclusivamente ao Comitê central do Partido Comunista organizar o grupo parlamentar, quer o
Partido seja legal ou ilegal neste momento. A escolha do presidente e dos membros do bureau do grupo parlamentar deve ser
aprovada pelo Comitê central. O Comitê central do Partido terá no grupo parlamentar um representante permanente, gozando do
direito de veto. Sobre todas as questões políticas importantes, o grupo parlamentar estará encarregado de dar as diretrizes
preliminares ao Comitê central.
O Comitê central tem o direito e o dever de designar ou recusar os oradores do grupo chamados a intervir sobre questões
importantes e exigir que as teses ou o texto completo de seus discursos, etc, sejam submetidos à sua aprovação. Todo candidato
colocado na lista comunista firma o compromisso oficial de renunciar a seu mandato à primeira injunção do Comitê central, a fim de
que o Partido tenha sempre a possibilidade de substituí-lo;
3º) Nos países onde os reformistas, os semi-reformistas, ou simplesmente os arrivistas já tenham conseguido se introduzir no
grupo parlamentar comunista (já há casos em vários países), os Comitês centrais dos partidos comunistas devem proceder a uma
depuração radical desses grupos, inspirando-se no princípio de que um grupo parlamentar pouco numeroso, mas verdadeiramente
comunista serve muito melhor aos interesses da classe operária do que um grupo numeroso sem a firme política comunista;
4º) Todo deputado comunista é obrigado, de acordo com a decisão do Comitê central, a unir o trabalho ilegal ao trabalho legal.
Nos países onde os deputados comunistas se beneficiam ainda, em virtude das leis burguesas, de uma certa imunidade parlamentar,
esta imunidade deve servir à organização e à propaganda ilegal do Partido.
5º) Os deputados comunistas estão obrigados a subordinar toda sua atividade parlamentar à ação extraparlamentar do Partido. A
apresentação regular de projetos de lei puramente demonstrativos concebidos não em função de sua adoção pela maioria burguesa,
mas para a agitação e organização, deve ser feita segundo as indicações do Partido e de seu Comitê central;
6º) O deputado comunista está obrigado a se colocar à frente das massas proletárias, na primeira fila, bem à vista, nas
manifestações e ações revolucionárias;
7º) Os deputados comunistas estão obrigados a estabelecer por todos os meios (sob o controle do Partido) relações epistolares e
outras com os operários, os camponeses e os trabalhadores revolucionários de todas as categorias, sem imitar em nenhum caso os
deputados socialistas que se esforçam por manter com seus eleitores relações de negócios. Eles estão a todo momento à disposição
das organizações comunistas para o trabalho de propagando no país;
8º) Todo deputado comunista no Parlamento está obrigado a se lembrar de que ele não é um “legislador” procurando uma
linguagem comum com outros legisladores, mas um agitador do Partido enviado entre o inimigo para aplicar as decisões do Partido.
O deputado comunista é responsável não perante a massa anônima de eleitores, mas perante o Partido Comunista legal ou ilegal;
9º) Os deputados comunistas devem ter no Parlamento uma linguagem inteligível ao operário, ao camponês, ao tintureiro, ao
boiadeiro, de maneira que o Partido possa editar seus discursos em panfletos e reproduzí-los nas regiões mais recuadas do país;
10º) Os operários comunistas, mesmo os que cumprem seu primeiro mandato, devem, sem medo, subir à tribuna dos Parlamentos
burgueses e não ceder espaço aos oradores “mais experimentados”. Em caso de necessidade, os deputados operários simplesmente
lerão seus discursos, destinados à reprodução pela imprensa e em panfletos;
11º) Os deputados comunistas estão obrigados a utilizar a tribuna parlamentar para desmascarar não somente a burguesia e sua
criadagem oficial, mas também os reformistas, os social-patriotas, os políticos equivocados do centro e, de maneira geral, os
adversários do comunismo, e também com o objetivo de propagar amplamente as idéias da III Internacional;
12º) Os deputados comunistas, nem que eles sejam um ou dois, são obrigados a manter sempre sua atitude de desafio ao
capitalismo e jamais esquecer que ela só é digna do nome de comunismo ao se revelar não verbalmente, mas pelos atos, inimiga da
sociedade burguesa e seus servidores social-patriotas.

Manifesto do Congresso
O MUNDO CAPITALISTA E A INTERNACIONAL COMUNISTA
I – As Relações Internacionais Depois de Versalhes
É com melancolia e pesar que a burguesia do mundo inteiro se lembra dos dias passados. Todos os fundamentos da política
internacional ou interna estão transtornados ou abalados. Para o mundo dos exploradores, o amanhã está cheio de tempestades. A
guerra imperialista acabou de destruir o velho sistema de alianças e garantias mútuas sobre o qual estavam baseados o equilíbrio
internacional e a paz armada. Nenhum e(1uilil)rio novo resulta da paz de Versalhes.
Primeiro a Rússia, depois a Áustria-Hungria e a Alemanha foram jogadas fora da arena. Essas potências de primeira ordem, que
ocuparam o primeiro lugar entre os piratas do imperialismo mundial, se tornaram elas próprias vitimas da pilhagem e estão entregues
ao desmembramento. Diante do imperialismo vitorioso da Entente, está aberto um campo ilimitado de exploração colonial,
começando no Reno, abarcando toda a Europa central e oriental, para terminar no Oceano Pacífico. O Congo, a Síria, o Egito e o
México podem ser comparados com as estepes, as florestas e as montanhas da Rússia, com as forças operárias, com os operários
qualificados da Alemanha? O novo programa colonial dos vencedores era bem simples: derrotar a república proletária da Rússia,
roubar nossas matérias-primas, açambarcar a mão-de-obra alemã, o carvão alemão, impor ao empresário alemão o papel de carcereiro
e ter à sua disposição as mercadorias assim 01)1 idas para o lucro das empresas. O projeto de "Organizar a Europa", que começou
pelo imperialismo alemão à época de seus sucessos militares, foi retomado pela Entente vitoriosa. Conduzindo ao banco dos réus os
bandidos do império alemão os governos da Entende consideram-nos como seus pares.
Mesmo no campo dos vencedores há os vencidos.
Envaidecida por seu chauvinismo e por suas vitórias, a burguesia francesa já se vê como mestra da Europa. Na realidade, jamais
a França esteve numa dependência tão servil diante de seus rivais mais poderosos, a Inglaterra e a América. A França prescreve à
Bélgica um programa econômico e militar e transforma sua frágil aliada em província vassala, mas diante da Inglaterra ela
desempenha, cm ponto maior, o papel da Bélgica. Momentaneamente os imperialistas ingleses deixam aos usurários franceses o
desvelo de fazer justiça nos limites continentais que lhes estão assinalados, fazendo assim recair sobre a França a indignação dos
trabalhadores da Europa e da própria Inglaterra. O poder da França, sangrada e arruinada, é aparente e artificial; um dia, mais cedo ou
mais tarde, os social-patriotas franceses serão obrigados a perceber isso. A Itália também perdeu seu peso nas relações internacionais.
Faltando carvão, pão, matérias-primas, absolutamente desequilibrada pela guerra, a burguesia italiana, a despeito de toda sua má
vontade, não é capaz de realizar, na medida em que gostaria, os direitos que crê ter na pilhagem e na violência, mesmo nos pedaços
de colônias que a Inglaterra de bom grado lhe abandonaria.
O Japão, preso às contradições inerentes ao regime capitalista numa sociedade tardiamente feudal, está às vésperas de unia crise
revolucionária das mais profundas; apesar das circunstâncias favoráveis na política internacional, esta crise paralisou seu impulso
imperialista.
Restam apenas duas verdadeiras grandes potências mundiais: a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.
O imperialismo inglês se desembaraçou de seu rival asiático, o czarismo, e da ameaçadora concorrência alemã. O poderio da Grã-
Bretanha sobre os mares atinge seu apogeu. Ela cerca os continentes de uma cadeia de povos que lhes são submissos. Ela meteu a
mão na Finlândia, na Estônia e Lituânia; ela tira da Suécia e da Noruega os últimos vestígios de sua independência; e transforma o
mar Báltico num golfo que pertence às águas britânicas. Ninguém lhe resiste no mar do Norte. Possuindo o Cabo, o Egito, a Índia, a
Pérsia, o Afeganistão, ela faz, do oceano Índico um mar interior inteiramente submetido ao seu poder. Mestra dos oceanos, a
Inglaterra controla os continentes. Soberana do mundo, ela só encontra limites ao seu poder na república americana do dólar e na
república dos Sovietes.
A guerra mundial obrigou definitivamente os Estados Unidos a renunciar a seu conservadorismo continental. Alargando seu vôo,
o programa de seu capitalismo nacional - "América para os americanos" (doutrina Monroe) -, foi substituído pelo programa do
imperialismo: “O mundo inteiro para os Americanos . Não se contentando mais com explorar a guerra pelo comércio, indústria e
pelas operações da Bolsa, procurando outras fontes de riqueza além do sangue europeu, quando era neutra, a América entrou na
guerra, desempenhou um papel decisivo na derrota da Alemanha e enveredou-se a resolver todas as questões da política européia e
mundial.
Sob a bandeira da Sociedade das Nações, OS Estados Unidos tentaram fazer passar do outro lado do oceano a experiência que
eles já tinham feito entre eles de uma associação federativa de grandes povos pertencentes a raças diversas; eles quiseram acorrentar
a seu carro triunfante os povos da Europa e de outras partes do mundo, sujeitando-os ao governo de Washington. A Liga das Nações
deverá ser, em suma, apenas unia sociedade desfrutando de um monopólio mundial, sob a marca: "Yankee & Co.”
O Presidente dos Estados Unidos, o grande profeta dos lugares comuns, desceu de seu Sinai para conquistar a Europa,
apresentando-lhe seus quatorze mandamentos. Os corretores da Bolsa os ministros, os homens de negócio da burguesia não se
enganam um minuto sequer sobre o verdadeiro sentido da nova revelação. Em resposta, os "socialistas" europeus, trabalhados pelo
fermento de Kautsky, saíram de um êxtase religioso e se puseram a dançar como o rei Davi, levando a santa arca de Wilson.
Assim que conseguiu resolver as questões práticas, o apóstolo americano viu bem que a despeito da extraordinária alta do dólar,
a primazia sobre todas as rotas marítimas pertencia ainda e sempre à Grã-Bretanha, pois ela, dispõe da frota mais forte e tem uma
antiga experiência da pirataria mundial. De outra parte, Wilson está em choque com a república sovietista e o Comunismo.
Profundamente ferido, o Messias americano negou a Liga das Nações, na qual a Inglaterra tinha feito uma das suas chamadas
diplomáticas, e voltou as costas para a Europa.
Será, entretanto, uma infantilidade pensar que depois de ter Sofrido um primeiro fracasso da parte da Inglaterra o imperialismo
americano voltará para sua casca, queremos dizer: se conformará de novo com a doutrina Monroe. Não, usando de meios cada vez
mais violentos, o continente americano, transformando em colônias os países da América central e meridional, os Estados Unidos,
representados por seus dois partidos dirigentes, os democratas e os republicanos, se preparam para fazer parte da Liga das Nações
criada pela Inglaterra; para constituir sua própria Liga, na qual a América do Norte desempenhará o papel de um centro mundial. Para
bem conduzir as coisas, eles têm a intenção de fazer de sua frota, nos próximos três ou cinco anos, um instrumento de luta mais
poderoso que a frota britânica. Isso obriga a Inglaterra imperialista a se colocar a seguinte questão: Ser ou não ser?
À rivalidade desses dois gigantes no domínio das construções navais se acrescenta uma luta não menos furiosa pela posse do
petróleo.
A França, que contava desempenhar um papel de árbitro entre a Inglaterra e os Estados Unidos, está presa à órbita da Grã-
Bretanha como um satélite de segunda grandeza; a Liga das Nações é para ela um fardo intolerável do qual tenta se desfazer
fomentando um antagonismo entre a Inglaterra e a América do Norte.
As forças mais poderosas trabalham, assim, para preparar um novo duelo mundial.
O programa de emancipação das pequenas nações que foi levado adiante durante a guerra, levou à queda completa e à servidão
absoluta os povos dos Bálcãs, vencedores e vencidos, e à balcanização de uma parte considerável da Europa. Os interesses
imperialistas dos vencedores levaram-nos a se destacar das grandes potências que eles bateram em alguns pequenos Estados
representantes de nacionalidades distintas. Aqui a questão é apenas o que se chama de princípio das nacionalidades: o imperialismo
consiste em quebrar os quadros nacionais, mesmo os das grandes potências. Os pequenos Estados burgueses recentemente criados
são apenas produtos do imperialismo. Criando-os, para neles encontrar um eixo provisório, toda uma série de nações, abertamente
oprimidas ou oficialmente protegidas, mas na realidade vassalas - a Áustria, a Hungria, a Polônia, a Iugoslávia, a Boêmia, a
Finlândia, a Estônia, a Letônia, a Lituânia, a Armênia, a Geórgia etc... dominando-as através dos bancos, das estradas de (erro, do
monopólio do carvão do imperialismo, condena-as a sofrer dificuldades econômicas e nacionais intoleráveis, conflitos intermináveis,
disputas sangrentas.
Que monstruosa zombaria é para a história o fato de a restauração da Polônia, depois de ter feito parte do programa da
democracia revolucionária e das primeiras manifestações do proletariado internacional, ser realizada pelo imperialismo a fim de opor
um obstáculo à Revolução! A Polônia "democrática", cujos precursores morreram em barricadas, é nesse momento um instrumento
sujo e sangrento nas mãos dos bandidos anglo-franceses que atacam a primeira república proletária que o mundo conheceu.
Ao lado da Polônia, a Tchecoslováquia, "democrática", vendida ao capital francês, fornece uma guarda branca contra a Rússia
soviética, contra a Hungria soviética.
A tentativa heróica feita pelo proletariado húngaro para sair do caos político e econômico da Europa central é entrar no caminho
da federação sovietista - que é verdadeiramente a única saída -, foi abafada pela reação capitalista coligada, no momento em que,
enganado pelos partidos dirigentes, o proletariado das grandes potências européias se encontrava incapaz de cumprir seu dever para
com a Hungria socialista e consigo mesmo.
O governo sovietista de Budapeste foi derrotado com a ajuda de social-traidores que, depois de terem se mantido no poder
durante três anos e meio, foram jogados por terra pela canalha contra-revolucionária, cujos crimes sangrentos ultrapassaram os de
Koltchak, de Denikine, de Wrangel e outros agentes da Entente... Mas, mesmo abatida por um tempo, a Hungria sovietista continua a
iluminar, como um farol esplêndido, os trabalhadores da Europa central.
O povo turco não quer mais se submeter à paz mentirosa que lhe impõem os tiranos de Londres. Para fazer executar as cláusulas
do tratado, a Inglaterra armou e jogou a Grécia contra a Turquia. Dessa maneira, a península balcânica e a Ásia Menor, turcos e
gregos, estão condenados a uma devastação completa, a massacres mútuos.
Na luta da Entente contra a Turquia, a Armênia foi inscrita no programa, assim como a Bélgica na luta contra a Alemanha, assim
como a Sérvia na luta contra a Áustria-Hungria. Depois que a Armênia foi constituída, sem fronteiras definidas, sem possibilidade de
existência - Wilson recusou-se a aceitar o mandato armênio que lhe propusera a "Liga das Nações" -, pois o solo da Armênia não
contém nem petróleo nem platina. A Armênia "emancipada" está mais do que nunca sem defesa.
Quase todos os Estados "nacionais" recentemente criados são um abcesso nacional latente.
Ao mesmo tempo a luta nacional, nos domínios atravessados pelos vencedores, conhece sua mais alta tensão. A burguesia
inglesa, que gostaria de ter sob sua tutela os povos dos quatro cantos do mundo, é incapaz de resolver de maneira satisfatória a
questão irlandesa que se coloca em sua vizinhança imediata.
A questão nacional nas colônias é ainda a maior das ameaças. O Egito e a Pérsia são sacudidos por insurreições. Os proletários
avançados da Europa e da América transmitem aos trabalhadores das colônias a divisa da Federação Sovietista.
A Europa oficial, governamental, nacional, civilizada, burguesa tal como saiu da guerra e da paz dc Versalhes - sugere a imagem
de uma casa de loucos. Os pequenos Estados criados por meios artificiais, aos pedaços, estourando do ponto dc vista econômico os
limites que lhes prescreveram, se esgotam e lutam para obter portos, províncias, pequenas cidades. Eles procuram a proteção dos
Estados mais fortes, cujo antagonismo cresce dia a dia. A Itália mantém uma atitude hostil à França e estará disposta a sustentar
contra ela a Alemanha; se esta for capaz de levantar a cabeça. A França está envenenada pela inveja que tem da Inglaterra e, para ter
quem pague suas contas, ela se presta a pôr fogo nos quatro cantos da Europa. A Inglaterra mantém, com a ajuda da França, a Europa
num estado de caos e impotência que lhe deixa as mãos livres para realizar suas operações mundiais, dirigidas contra a América. Os
Estados Unidos deixam o Japão se aprofundar na Sibéria oriental, para assegurar à sua frota durante esse tempo a superioridade sobre
a da Grã-Bretanha antes de 1925, a menos que a Inglaterra não se decida a se medir com eles antes dessa data.
Para completar convenientemente este quadro, o oráculo militar da burguesia francesa, o marechal Floch nos previne de que a
guerra futura terá como ponto de partida o ponto de parada da guerra precedente: aparecerão os aviões e os tanques, o fuzil
automático e as metralhadoras no lugar do fuzil portátil, a granada no lugar da baioneta.
Operários e camponeses da Europa, da América, da Ásia, da África e da Austrália! Vocês sacrificaram dez milhões de vidas,
vinte milhões de feridos e inválidos. Agora vocês sabem o que obtiveram a esse preço!
II - A Situação Econômica
Ao mesmo tempo a humanidade continua a se arruinar.
A guerra destruiu mecanicamente os vínculos econômicos cujo desenvolvimento constituiu uma das mais importantes conquistas
do capitalismo mundial. Desde 1914, a Inglaterra, a França e a Itália estão completamente separadas da Europa Central e do Oriente
Próximo, desde 1917 - da Rússia.
Durante vários anos de uma guerra que destruiu o trabalho de várias gerações, o trabalho humano, reduzindo ao mínimo, foi
aplicado principalmente em transformar as reservas de matéria-prima para fazerem delas sobretudo armas e instrumentos de
destruição.
Nos domínios econômicos onde o homem entra imediatamente em luta com a natureza avara e inerte, tirando de suas entranhas o
combustível e as matérias-primas, o trabalho foi progressivamente reduzido a nada. A vitória da Entente e da paz de Versalhes não
acabaram com a destruição econômica e a decadência geral, apenas modificaram as vias e as formas. O bloqueio da Rússia soviética
e a guerra civil suscitada artificialmente ao longo de suas férteis fronteiras causaram e causam ainda prejuízos incalculáveis ao bem-
estar de toda a humanidade. Se a Rússia estivesse amparada, do ponto de vista técnico, numa medida bastante modesta - a
Internacional afirma isso diante do mundo inteiro -, ela poderia, graças às formas sovietistas de economia, dar duas ou três vezes
mais produtos alimentares e matérias-primas à Europa do que dava a Rússia do czar. Ao invés disso, o imperialismo anglo-francês
força a República dos trabalhadores a empregar toda a sua energia e todos os seus recursos na sua defesa. Para privar os operários
russos de combustível, a Inglaterra reteve entre suas garras o petróleo restante mais ou menos inutilizado, pois ela precisa importar
apenas uma pequena parte. O riquíssimo reservatório de óleo do Don está sendo devastado pelos bandidos brancos a soldo da
Entente, cada vez que eles conseguem tomar a ofensiva nesse setor. Os engenheiros e os batalhões de engenharia franceses mais de
uma vez se aplicaram a destruir nossas estações e nossas vias férreas; e o Japão não parou ainda de pilhar e arruinar a Sibéria
oriental.
A ciência industrial alemã e a taxa de produção elevada da mão-de-obra alemã, esses dois fatores de extrema importância para o
renascimento da vida econômica européia, estão paralisadas pelas cláusulas da paz de Versalhes. A Entente se encontra diante de um
dilema: para poder exigir o pagamento é necessário dar o meio de trabalho, para deixar trabalhar é necessário deixar viver. E dar à
Alemanha arruinada, despedaçada, exangue, o meio de se refazer e tornar possível um sobressalto dc protesto. Foch tem medo de
uma revanche alemã, e esse temor transpira em tudo o que faz, por exemplo, na maneira de apertar cada vez mais o cerco militar que
deve impedir a Alemanha de se reerguer.
Todos sentem falta de alguma coisa, todos estão na indigência. Não apenas o balanço da Alemanha, mas igualmente o da França
e da Inglaterra, se destacam exclusivamente por seu passivo. A dívida francesa se eleva a 3OO bilhões de francos, dos quais dois
terços pelo menos, segundo a asserção do senador reacionário Gaudin de Villaine, são resultado de todo tipo de depredações, abusos
e desordens.
A França precisa de ouro, precisa de carvão. A burguesia francesa recorre aos inumeráveis túmulos dos soldados tombados
durante a guerra para reclamar os interesses de seus capitais. A Alemanha deve pagar: O general Foch não tem senegaleses bastantes
para ocupar as cidades alemãs? A Rússia deve pagar! Para nos persuadir, o governo francês emprega, para devastar a Rússia, os
bilhões arrancados aos contribuintes para a reconstituição das câmaras franceses.
A Entente financeira internacional, que deverá suavizar o fardo dos impostos franceses anulando as dívidas de guerra, não existiu:
os Estados Unidos se mostram muito pouco dispostos a fazer à Europa um presente de bilhões de libras esterlinas.
A emissão de papel-moeda continua, atingindo a cada dia uma cifra mais alta. Na Rússia, onde existe uma organização
econômica unificada, uma repartição sistemática do mercado consumidor e onde o salário em moeda tende cada vez mais a ser
substituído pelo pagamento "in natura", a emissão contínua de papel-moeda e a rápida alta de sua taxa apenas confirmam o
desmoronamento do velho sistema financeiro e comercial. Mas, nos países capitalistas, a quantidade crescente de bônus do Tesouro
são o indício de uma profunda desordem econômica e de uma falência iminente.
As conferências convocadas pela Entente viajam de um lugar para outro, procuram se inspirar nesta ou naquela praia da moda.
Cada um reclama os interesses do sangue derramado durante a guerra, uma indenização proporcional ao número de seus mortos. Esta
espécie de Bolsa ambulante rebaixa a cada quinze dias a mesma questão: a saber, se é 50 ou 55% que a França deve receber, de uma
contribuição que a Alemanha não tem condições de pagar. Essas conferências fantasmagóricas São feitas para coroar a famosa
"organização" da Europa de que tanto se gabam.
A guerra submeteu o capitalismo a uma evolução. A pressão sistemática de mais-valia que antigamente foi para o empresário a
única fonte de lucro, parece hoje uma ocupação muito insípida aos senhores burgueses que adquiriram o hábito de duplicar ou
decuplicar seus dividendos no espaço de alguns dias, através de sábias especulações baseadas no banditismo internacional.
O burguês rejeitou todos os prejulgamentos que o embaraçavam e adquiriu, por outro lado, um certo manejo que lhe faltava até
aqui. A guerra acostumou-o, como se fossem os atos mais simples, a levar países inteiros à fome pelo bloqueio, a bombardear e a
incendiar cidades pacificas, a infectar as fontes e os rios com culturas de cólera, a transportar dinamite em valises diplomáticas, a
emitir falsos bilhetes de banco imitando os do inimigo, a empregar a corrupção, a espionagem e o contrabando em proporções até
agora inusitadas. Os meios de ação aplicados durante a guerra continuam em vigor no mundo comercial depois da conclusão da paz.
As operações comerciais de alguma importância se realizam sob a égide do Estado. Este último se tornou parecido a uma associação
de malfeitores armados até os dentes. O terreno de produção mundial se reduz cada vez mais e a mão forte sobre a produção se torna
cada vez mais frenética e cada vez mais cara.
Impedir: eis a última palavra da política do capitalismo, a divisa que substitui o protecionismo e o livre-cambismo! A agressão de
que foi vítima a Hungria da parte dos bandidos romenos que pilharam lã tudo o que estava ao alcance da mão, locomotivas e jóias
indiferentemente, caracteriza a filosofia econômica de Lloyd-George e de Millerand.
Em sua política econômica interior, a burguesia não sabe em que se apoiar, se num sistema de controle do Estado que poderá ser
dos mais eficazes ou, de outro lado, nos protestos que se fazem ouvir contra a mão pesada do Estado sobre os negócios econômicos.
O parlamento francês procura encontrar um compromisso que lhe permita concentrar a direção de todas as vias férreas da república
numa única mão sem com isso lesar os interesses dos capitalistas acionistas das empresas de caminhos de ferro privadas. Ao mesmo
tempo, a imprensa capitalista leva uma campanha contra o "estatismo" que é o primeiro passo da intervenção do Estado e que coloca
um freio a iniciativa privada. As estradas de ferro americanas, que durante a guerra foram dirigidas pelo Estado, foram
desorganizadas, caíram numa situação ainda mais difícil quando o controle do governo foi suprimido. Entretanto, em seu programa, o
partido republicano promete livrar a vida econômica da arbitragem governamental. O chefe das "trade-unions" americanas, Samuel
Gompers, esse velho cérebro do capital, luta contra a nacionalização dos caminhos de ferro que, por seu turno, os ingênuos e os
charlatões do reformismo propõem à França como uma panacéia universal. Na realidade, a intervenção desordenada do Estado só
será feita para secundar a atividade perniciosa dos especuladores, para acabar de introduzir a desordem mais completa na economia
do capitalismo, no momento em que esta se encontra em sua fase de decadência. Tirar dos trustes Os meios de produção e de
transporte para passá-los à "nação", isto é, ao Estado burguês, isto é, ao mais poderoso e mais ávido dos trustes capitalistas, não é
vencer o mal, mas fazer dele uma lei comum.
A baixa dos preços e a alta da taxa da moeda são apenas os indícios enganosos que não podem esconder a ruína iminente. Os
preços baixaram, mas isto não quer dizer que tenha havido um aumento de matérias-primas ou que o trabalhador tenha se tornado
mais produtivo.
Após a prova sangrenta da guerra, a massa operária não é mais capaz de trabalhar com o mesmo vigor nas mesmas condições. A
destruição, em poucas horas, de bens cuja criação demandou anos, a impudente agiotagem de unia súcia financeira com vários
bilhões em jogo e, ao lado disso, os montes de ossos e ruínas - essas lições dadas pela história estão muito presentes para sustentar na
classe operária a disciplina inerente ao trabalho assalariado. Os economistas burgueses e os fazedores dc folhetins nos falam de uma
"onda de preguiça", que se abaterá sobre a Europa ameaçando seu futuro econômico. OS administradores procuram ganhar tempo
concedendo alguns privilégios aos operários qualificados. Mas eles perdem seu trabalho. Para a reconstrução e o desenvolvimento da
produção do trabalho, é necessário que a classe operária saiba perfeitamente que cada golpe de martelo terá como resultado melhorar
sua sorte, de tornar-lhe mais fácil a instrução e aproximá-la de uma paz universal. Ora, esta certeza só pode ser dada pela revolução
social.
A alta de preços dos gêneros alimentícios semeia o descontentamento e a revolta em todos os países. A burguesia da França, da
Itália, da Alemanha e de outros países não encontra senão paliativos para opor ao flagelo do alto custo de vida e á onda ameaçadora
das greves. Para estar em condições de pagar aos agricultores é necessário apenas uma parte de suas despesas de produção; o Estado,
coberto de dívidas, se engaja na especulação, rouba a si mesmo para retardar o quarto de hora de Rabelais. Se é verdade que algumas
categorias de operários vivem atualmente em melhores condições do que antes da guerra, isso não significa nada no que concerne á
situação econômica dos países capitalistas. Obtêm-se resultados efêmeros deixando para amanhã, buscando empréstimos com
charlatães; amanhã chegará a miséria e toda sorte de calamidades.
Que dizer dos Estados Unidos? "A América é a esperança da humanidade": pela boca de Millerand, o burguês francês repete essa
sentença de Turgot, esperando que ela pague suas dívidas, ela que não paga ninguém. Mas os Estados Unidos não são capazes dc tirar
a Europa do impasse econômico em que ela está envolvida. Durante os seis últimos
anos, eles gastaram seu estoque de matérias-primas. A adaptação do capitalismo americano ás exigências da guerra mundial
restringiu sua base industrial. Os europeus pararam de emigrar para a América. Uma onda de retorno tirou da indústria americana
centenas de milhares de alemães, italianos, poloneses, sérvios, tchecos que esperam na Europa seja uma mobilização, seja a miragem
de uma pátria recuperada. A falta de matérias-primas e de forças operárias pesa fortemente sobre a República transatlântica e
engendra uma profunda crise econômica, a partir da qual o proletariado americano entrará numa nova fase de luta revolucionária. A
América se europeiza rapidamente.
Os neutros não escaparam das consequências da guerra e do bloqueio. Semelhante a um líquido em vasos comunicantes, a
economia dos Estados capitalistas, estreitamente ligadas entre si, grandes ou pequenos, beligerantes ou neutros, vencedores ou
vencidos, tende a atingir uni único e mesmo nível - o da miséria, da fome e do enfraquecimento.
A Suíça apenas sobrevive, cada eventualidade ameaça de jogá-la fora de todo equilíbrio. Na Escandinávia, uma rica importação
de ouro não conseguiria resolver o problema do abastecimento. Está obrigada a comprar carvão da Inglaterra em pequenas porções, e
isso ao custo da humilhação. A despeito da fome na Europa, a pesca na Noruega está numa crise inusitada.
A Espanha, de onde a França faz vir homens, cavalos e víveres, não pode se livrar de numerosas dificuldades, do ponto de vista
da recuperação, as quais conduzem a greves violentas e manifestações das massas que a fome obriga a ir ás ruas.
A burguesia conta firmemente o campo. Seus economistas afirmam que o bem-estar dos camponeses aumentou
extraordinariamente. Isso é uma ilusão. E verdade que os camponeses que vendem seus produtos nos mercados têm feito alguma
fortuna, sobretudo durante a guerra. Eles venderam seus produtos a preços muito altos e pagaram com unia moeda que corrigiu por
um bom preço as dívidas que eles haviam feito quando o dinheiro custava caro. Eis porque eles tiveram uma vantagem evidente.
Mas, durante a guerra, suas exportações caíram na desordem, e seu rendimento diminuiu. Eles têm necessidade de objetos fabricados.
E o preço desses objetos aumentou na medida em que o dinheiro se tornou mais barato. As exigências do fisco se tornaram
monstruosas e ameaçam engolir o camponês com seus produtos e suas terras. Assim, após um período de reabilitação momentânea do
bem-estar, os pequenos camponeses caem mais e mais em dificuldades irredutíveis. Seu descontentamento por causa dos efeitos da
guerra não fará senão crescer e, representado por um exército permanente, o camponês prepara para a burguesia uma desagradável
surpresa.
A restauração econômica da Europa, da qual falam os ministros que a governam, é uma mentira. A Europa se arruina e com ela o
mundo inteiro.
Sobre as bases do capitalismo não há saída. A política do imperialismo não conseguirá eliminar as carências, ela só poderá torná-
las mais dolorosas favorecendo a dilapidação das reservas de que ainda dispõe.
A questão do combustível e das matérias-primas é uma questão internacional que só poderá ser resolvida sobre a base de uma
produção regulada sobre um plano, elaborado em comum acordo, socializado.
É preciso anular as dívidas do Estado. É preciso emancipar o trabalho e seus frutos do tributo monstruoso que ele paga à
plutocracia. É preciso botar abaixo as barreiras governamentais que fracionam a economia mundial. É necessário substituir o
Supremo Conselho Econômico dos imperialistas da Entente por um Supremo Conselho Econômico do proletariado mundial para a
exploração centralizada de todos os recursos da humanidade.
É necessário destruir o imperialismo para que a espécie humana possa continuar a subsistir.

III – Regime burguês após a Guerra


Toda a energia das classes opulentas está concentrada em duas questões: manter-se no poder na luta internacional e não permitir
ao proletariado que ele se torne dono de seu país. De conformidade com esse programa, os antigos grupos políticos da burguesia na
Rússia onde a bandeira do partido constitucional democrata (K.D.) se transformou, durante o período decisivo da luta, na bandeira de
todos os ricos adestrados contra a revolução dos operários e dos camponeses, mas também nos países onde a cultura política é mais
antiga e tem raízes mais profundas, os programas de outrora que separavam as diversas frações da burguesia desapareceram, quase
sem deixar traços, bem antes do ataque aberto que foi desfechado pelo proletariado revolucionário.
Lloyd George se fez o herdeiro da União dos conservadores, dos unionistas e dos liberais pela luta em comum contra a
dominação ameaçadora da classe operária. Essa velha demagogia colocou na base de seu sistema a santa igreja, que ele compara a
uma estação central de eletricidade fornecendo uma corrente igual a todos os partidos das classes opulentas. Na França, a época
pouco distante ainda e tão barulhenta do anticlericalismo parece não ser mais que a visão de um outro mundo: os radicais, os
monarquistas e os católicos constituem atualmente um bloco da ordem nacional contra o proletariado que levanta a cabeça.
Estendendo a mão a todas as forças da reação, o governo francês sustenta Wrangel e renova suas relações diplomáticas com o
Vaticano.
Convencido o neutro, o germanófilo Giolitti se apodera da direção do Estado italiano na qualidade de chefe comum dos
intervencionistas, dos neutralistas, dos clericalistas, dos mazzinistas; ele está pronto para navegar nas questões secundárias da política
interna e externa para repelir com força cada vez maior a ofensiva dos proletários revolucionários nas pequenas e nas grandes
cidades. O Governo de Giolitti se considera, com razão, como o último trunfo da burguesia italiana.
A política de todos os governos alemães e dos partidos governamentais, depois da queda dos Hohenzollern, se dirigiu no sentido
de estabelecer, de comum acordo com as classes dirigentes da Entente, um terreno comum de ira contra o bolchevismo, isto é, contra
a revolução proletária.
No momento em que o Shylock anglo-francês sufoca com uma ferocidade crescente o povo alemão, a burguesia alemã, sem
distinção de partidos, pede ao inimigo para afrouxar o nó que a estrangula para poder, com suas próprias mãos, esganar a vanguarda
do proletariado alemão. Esse é, em suma, o conteúdo das conferências que acontecem periodicamente e das convenções sobre o
desarmamento e a entrega dos engenhos de guerra.
Na América, não há qualquer diferença entre republicanos e democratas. Essas poderosas organizações políticas de exploradores,
adaptadas ao círculo restrito dos interesses americanos, mostraram com toda a evidência até que ponto estão desprovidas de
consistência quando a burguesia americana entrou na arena da pilhagem mundial.
Nunca as intrigas dos chefes e seus bandos - tanto na oposição como nos ministérios -, deram tantas provas de seu cinismo; não
tinham ainda agido tão abertamente. Mas ao mesmo tempo todos os chefes, e sua corja, os partidos burgueses de todos os países,
constituem um front comum contra o proletariado revolucionário.
No momento em que os imbecis da social-democracia continuam a opor o caminho da democracia às violências da via ditatorial,
os últimos vestígios da democracia são pisoteados e anulados em todos os Estados do mundo.
Depois de uma guerra durante a qual as câmaras de representantes, ainda que não detendo poder, serviram para cobrir com seus
gritos patrióticos a ação dos bandos imperialistas dirigentes, os parlamentos estão jogados na mais completa prostração. Todas as
questões sérias se resolvem fora dos parlamentos. A ampliação ilusória das prerrogativas parlamentares, solenemente proclamada
pelos saltimbancos do imperialismo na Itália e em outros países, não muda em nada o estado de coisas. Verdadeiros senhores da
situação, dispondo da sorte do Estado Lorde Rothschild, Lorde Weir, Morgan e Rockfeller, Scchneider e Louchcur, Hugo Simnes e
Fclix Deutsch, Rizzello e Agnelli-, esses. reis do ouro, do carvão, do petrólco e do metal, agem nos bastidores enviando para os
parlamentos seus empregadinhos para executar seus trabalhos.
O parlamento francês, que ainda se diverte procedendo leituras de reprises de projetos de leis insignificantes, o parlamento
francês, mais que qualquer outro desacreditado pelo abuso da retórica, pela mentira, pelo cinismo com o qual se deixa comprar,
aprende rapidamente que os quatro bilhões destinados à recuperação das regiões devastadas da França foram destinados por
Clemenceau para outros fins, e principalmente para prosseguir a obra de devastação das províncias russas.
A esmagadora maioria dos deputados do parlamento inglês, pretensamente todo-poderoso, não está mais informada das
verdadeiras intenções de Lloyd George e de Kerson, no que se refere à Rússia Soviética e mesmo à França, que as comadres das vilas
de Bengala.
Nos Estados Unidos, o parlamento é um coro obediente ou que resmunga algumas vezes sob a batuta do presidente; que não é
mais do que o suporte da máquina eleitoral que serve de aparelho político aos trustes - agora, depois da guerra, em medida muito
maior do que antes.
O parlamentarismo tardio dos alemães, aborto da revolução burguesa, aborto da história, está sujeito, desde a infância, de todas as
doenças que afetam os velhos cachorros.
O Reichstag da República de Ebert, "o mais democrático do mundo", fica impotente não apenas diante do bastão de marechal que
Foch brande, mas também diante das maquinações dos agentes da Bolsa, de seus Stinnes assim como diante dos complôs militares de
uma súcia de oficiais. A democracia parlamentar alemã é apenas um vazio entre duas ditaduras.
Durante a guerra se produziram profundas modificações na composição da própria burguesia. Diante do empobrecimento geral do
mundo inteiro, a concentração de capital deu um grande salto à frente. Viu-se colocar em destaque as casas de comércio que antes
estavam na sombra. A solidez, o equilíbrio, a propensão aos compromissos 'razoáveis", a observação de um certo decoro na
exploração e na utilização dos produtos - tudo isso desapareceu sob a torrente do imperialismo.
Os novos ricos passaram a ocupar a boca de cena: fornecedores de armamentos, especuladores de baixo nível, parvenus,
rastaqueras, ladrões de galinha, condenados pela justiça cobertos de diamantes, canalha sem fé nem lei, ávida de luxo, pronta às
maiores atrocidades para frear a revolução proletária que pode prometer-lhes apenas um par de algemas.
O regime atual, apesar da dominação dos ricos, aparece diante das massas em toda sua impudência. Na América, na França, na
Inglaterra, o luxo do após-guerra assumiu um caráter frenético. Paris, repleta de parasitas do patriotismo internacional, parece, após a
denúncia do Temps, uma Babilônia às vésperas de uma catástrofe.
É do agrado desta burguesia que se organizem a política, a justiça, a imprensa, a Igreja. Todos os freios, todos os princípios são
deixados de lado. Wilson, Clemenceau, Millerand, Lloyd George, Churchill não se detêm diante das mais impudentes e grosseiras
mentiras, e ainda que sejam surpreendidos em atos desonestos eles prosseguem tranquilamente nas façanhas que deverão conduzi-los
ao julgamento. As regras clássicas da perversidade política, como as redigidas por Maquiavel, são apenas inocentes aforismas de um
simplório provinciano em comparação com os princípios sobre os quais se baseiam os governantes burgueses de hoje. Os tribunais
que outrora cobriam de lantejoulas democráticas sua essência burguesa se põem a achincalhar abertamente os proletários e executam
um trabalho de provocaçáo contra-revolucionário. Os juizes da III República absolvem sem pestanejar o assassino de Jaures. Os
tribunais da Alemanha, que se proclamara república socialista, encorajam os assassinos de Liebknecht, de Rosa Luxemburgo e outros
mártires dos proletários. Os tribunais das democracias burguesas servem para legalizar solenemente todos os crimes do terror branco.
A imprensa burguesa se deixa comprar abertamente, ela leva sobre a testa o carimbo de vendida, como uma marca de fábrica. Os
jornais dirigentes da burguesia mundial são fábricas de monstruosas mentiras, dc calúnias e dc cadeias espirituais.
As disposições e os sentimentos da burguesia estão sujeitos a altas e baixas nervosas, como os preços de seus mercados. Durante
os primeiros meses que se seguiram ao fim da guerra, a burguesia internacional, sobretudo a burguesia francesa, batia o queixo diante
do comunismo ameaçador. Ela percebeu a iminência do perigo por causa dos crimes sangrentos que ela cometera. Mas soube repelir
o primeiro ataque. Ligados a ela pelas correntes de uma responsabilidade comum, os partidos socialistas e os sindicatos da 1ª
Internacional lhe prestaram um último serviço, emprestando seu dorso para os primeiros golpes dados pela cólera dos trabalhadores.
Ao preço do naufrágio completo da II Internacional, a burguesia pôde ter algum repouso. Era necessário um certo número de votos
contra-revolucionários obtidos por Clemenceau nas eleições parlamentares; alguns meses de equilíbrio estável, o insucesso da greve
de maio para que a burguesia francesa examinasse com segurança a solidez inquebrantável de seu regime. O orgulho desta classe
atingiu o nível em que estavam outrora seus medos.
A ameaça se tornou o argumento único da burguesia. Ela não acredita em frases e exige ação: que parem, que se dispersem as
manifestações, que se confisque, que se fuzile! Os ministros burgueses e os parlamentares tratam de se impor à burguesia fazendo-se
de homens de fibra, homens de aço. Lloyd George aconselha secamente aos ministros alemães a fuzilar seus comuneiros, como foi
feito na França em 1871. Um funcionário de terceira categoria pode contar com os aplausos tumultuados da Câmara se ele sabe pôr
ao final de uma pobre prestação de contas algumas ameaças dirigidas aos operários.
Enquanto a administração se transforma numa organização cada vez mais desonrada, destinada a exercer repressões sangrentas
contra as classes trabalhadoras, outras organizações contra-revolucionárias privadas, formadas sob sua égide e colocadas à sua
disposição, trabalham para impedir pela força as greves, para fazer provocações, para dar falsos testemunhos, para destruir as
organizações revolucionárias, para apoderarem-se das instituições comunistas, para massacrar e incendiar, para assassinar grupos
revolucionários e tomar outras medidas para defender a propriedade privada e a democracia.
Os filhos dos grandes proprietários, dos grandes burgueses, os pequenos-burgueses, que não sabem em que se agarrar e em geral
os elementos desclassificados, em primeiro lugar os mais acima das diversas categorias emigradas da Rússia, formam os inesgotáveis
quadros de reserva para os exércitos irregulares da contra-revolução. Oficiais saídos da escola da guerra imperialista estão á sua
frente.
Os vinte mil oficiais do exército de Hohenzollern constituem, principalmente após a revolta de Kapp-Lúttwitz, um núcleo contra-
revolucionário sólido à frente da qual a burguesia alemã não será capaz de ir se o martelo da ditadura do proletariado vier quebrá-la.
Esta organização centralizada dos terroristas do antigo regime se completa pelos destacamentos formados pelos altos carrascos
prussianos.
Nos Estados Unidos, uniões como a National Security League (Liga de Segurança Nacional) ou a Knights of Liberty (Cavaleiros
da Liberdade) são os regimentos da vanguarda do capital e nos flancos agem os grupos de bandidos que são os detetives de agências
privadas de espionagem.
Na França, a Liga Cívica não é outra coisa que uma organização aperfeiçoada de 'raposas" e a Confederação do Trabalho, aliás
reformista, está fora da lei.
A máfia dos oficiais brancos da Hungria que persiste em ter uma existência clandestina, ainda que o seu governo de carrascos
contra-revolucionários subsista pelas boas graças da Inglaterra, mostrou ao proletariado do mundo inteiro como se praticam essa
civilização e esta humanidade que preconizam Wilson e Lloyd George depois de terem amaldiçoado o poder dos Sovietes e as
violências revolucionárias.
Os governos "democráticos" da Finlândia, da Geórgia, da Letônia, da Estônia suam sangue e água para atingir o nível de
perfeição de seu protótipo húngaro. Em Barcelona, a polícia tem sob suas ordens um bando de assassinos. E assim é em todos os
lugares.
Mesmo num país vencido e arruinado como a Bulgária, os oficiais sem emprego se reúnem em sociedades secretas que estão
prontas para, ao primeiro sinal, darem provas de seu patriotismo em detrimento dos operários búlgaros.
Assim está colocado em prática no regime burguês de após-guerra o programa de uma conciliação de interesses contraditórios, de
uma colaboração de classes, de um reformismo parlamentar, de uma socialização gradual e de um acordo mútuo no seio de cada
nação, tudo isso representa apenas uma sinistra palhaçada.
A burguesia recusa-se de uma vez por todas a conciliar seus interesses com os do proletariado através de simples reformas. Ela
corrompe os que aceitaram as esmolas da classe operária e submete o proletariado pelo ferro e pelo sangue a uma lei inflexível.
Nem uma questão importante se decide com a maioria dos votos. Do princípio democrático resta apenas uma lembrança nos
cérebros embotados dos reformistas. O Estado se limita cada dia mais a recrutar o que constitui o nervo essencial dos governantes,
isto é, os regimentos de soldados. A burguesia não perde seu tempo "contando as pêras nas árvores", ela conta os fuzis, as
metralhadoras e os canhões que estarão à sua disposição na hora em que se colocar a questão do poder e da propriedade.
Quem vem nos falar de colaboração ou mediação? O que é necessário para a nossa saúde é a ruína da burguesia e só a revolução
proletária pode causar essa ruína.
IV - A Rússia Soviética
O chauvinismo, a cupidez, a discórdia, se entrechocam numa desordem frenética e só o princípio do comunismo continua vivo e
criador. Apesar de o poder dos Sovietes começar a se estabelecer num país atrasado, devastado pela guerra, cercado de inimigos
poderosos, ele se mostra dotado não apenas de uma tenacidade pouco comum, mas também de uma atividade inusitada. Ele provou a
força potencial do comunismo. O desenvolvimento e o fortalecimento do poder soviético constituem o ponto culminante da história
do mundo desde a criação da Internacional Comunista.
A capacidade de formar um exército sempre foi considerada até agora como o critério de toda atividade econômica ou política. A
força ou a fraqueza do exército são o indício que serve para avaliar a força ou a fraqueza do Estado do ponto de vista econômico. O
poder dos Sovietes criou, ao som do canhão, uma força militar de primeira ordem, e graças a ele bateu como uma superioridade
indiscutível não apenas os campeões da velha Rússia monarquista e burguesa, os exércitos de Koltchak, Denikine, Youdemitch,
Wrangel e outros, mas também os exércitos nacionais das repúblicas "democráticas" que se alinham para o regalo do imperialismo
mundial (Finlândia, Estônia, Letônia, Polônia). Do ponto de vista econômico, já é uni grande milagre que a Rússia soviética tenha
ido bem nesses três primeiros anos. Ela fez melhor, ela se desenvolveu, porque, tendo energia para tirar das mãos da burguesia os
instrumentos de exploração, fez deles instrumentos de produção industrial e colocou-os metodicamente em ação. O fracasso das
peças de artilharia ao longo do front imenso que circunda a Rússia não impediu de tomar medidas para restabelecer a vida econômica
e intelectual desorganizada.
A monopolização pelo Estado socialista dos principais produtos alimentares e a lula sem trégua contra os especuladores
salvaguardaram as cidades russas de uma fome mortal e deu a possibilidade de revitalizar o exército vermelho. A reunião de todas as
usinas, fábricas, estradas de ferro e da navegação sob a égide do Estado permitiu regularizar a produção e organizar o transporte. A
concentração da indústria e do transporte nas mãos do governo conduz a uma simplificação dos métodos técnicos, criando modelos
que servem de protótipo a toda produção ulterior. Só o socialismo torna possível avaliar com precisão a quantidade de parafusos para
locomotivas, para vagões e para navios que precisam ser produzidos ou reparados.
Também pode-se prever periodicamente a produção necessária de peças das máquinas adaptadas ao protótipo, o que apresenta
vantagens incalculáveis para a intensificação da produção.
O progresso econômico, a organização científica da indústria, a colocação em prática do sistema Taylor, depurado de todas as
tendências ao "sweating", não encontram na Rússia soviética outros obstáculos que aqueles suscitados pelos imperialistas
estrangeiros.
Enquanto os interesses das nacionalidades, chocando-se com a pretensões imperialistas, são uma fonte contínua de conflitos
universais, de revoltas e guerras, a Rússia socialista mostrou que uni governo operário é capaz de conciliar as necessidades nacionais
com as necessidades econômicas, depurando as primeiras de todo chauvinismo e as segundas de todo imperialismo. O socialismo tem
por objetivo unir todas as regiões, todas as províncias, todas as nacionalidades, num sistema econômico único. O centralismo
econômico, não admitindo mais a exploração de uma classe pela outra, de uma nação pela outra, e sendo por isso mesmo igualmente
vantajoso para todos, não paralisa de forma alguma o livre desenvolvimento da economia nacional.
O exemplo da Rússia dos Sovietes permite aos povos da Europa Central, do Sudeste dos Bálcãs, às possessões coloniais da Grã-
Bretanha, a todas as nações, a todas as populações oprimidas, aos egípcios e aos turcos, aos hindus e aos persas, aos irlandeses e aos
búlgaros, se darem conta de que a solidariedade de todas as nacionalidades do mundo só é realizável por uma federação de repúblicas
soviéticas.
A revolução fez da Rússia a primeira potência proletária. Há três anos que ela existe, e suas fronteiras não cessam de se
transformar. Tornadas mais estreitas sob os golpes invectivos do imperialismo mundial, elas retomam sua extensão tão logo a cólera
diminui de intensidade. A luta pelos Sovietes se transformou na luta contra o capitalismo mundial. A questão da Rússia dos Sovietes
se tornou uma pedra-de-toque para todas as organizações operárias. A segunda e infame traição da social-democracia alemã, depois
daquele 4 de agosto de 1914, fazendo parte do governo, socorreu o imperialismo ocidental, em vez de se aliar à revolução do oriente.
A Alemanha Sovietista aliada à Rússia Sovietista, ambas teriam sido mais fortes que todos os Estados capitalistas tomados em
conjunto.
A Internacional Comunista fez sua a causa da Rússia soviética. O proletariado internacional só colocará seu gládio na bainha
quando a Rússia soviética for um dos elos de uma Federação de repúblicas soviéticas abraçando o mundo.
V - A Revolução Proletária Mundial e a Innternacional Comunista
A guerra civil está na ordem do dia no mundo inteiro. A divisa é: "O poder aos Sovietes".
O capitalismo transformou em proletariado a imensa maioria da humanidade. O imperialismo tirou as massas de sua inércia e
incitou-as ao movimento revolucionário. O que entendemos hoje pela palavra "massa" não é o mesmo que entendíamos há alguns
anos. O que era a massa à época do parlamentarismo e do "trade-unionismo" é hoje em dia a elite. Milhões e dezenas de milhões de
homens que haviam estado até aqui fora de toda política estão em vias de se transformar em uma massa revolucionária. A guerra
pisoteou todo o mundo, despertou o senso político dos meios mais atrasados, deu-lhes ilusões e expectativas e tirou-as. Estreita
disciplina corporativa e, em suma, inércia dos proletários de um lado, apatia incurável das massas, de outro essas atitudes
características das antigas formas do movimento operário, caíram no esquecimento para sempre. Milhões de novos militantes entram
em linha. As mulheres que perderam seus maridos e seus pais e tiveram que substitui-los no trabalho ocupam um grande espaço no
movimento revolucionário. Os operários da nova geração, habituados desde à infância ao crescimento e aos tiros da guerra mundial,
acolheram a revolução como seu elemento natural. A luta passa por fases diferentes segundo o país, mas esta luta é a última.
Acontece que as ondas revolucionárias, batendo contra o edifício de uma organização antiquada, dão-lhe uma nova vida. As velhas
insígnias, as divisas semi-apagadas sobrevivem na superfície das ondas. há nelas cérebros confusos, trevas, preconceitos, ilusões.
Mas o movimento em seu conjunto tem um caráter profundamente revolucionário. Não se pode apagá-lo nem detê-lo. Ele se estende,
se fortalece, se purifica, rejeita tudo o que pertence ao passado. Ele só parará quando o proletariado chegar ao poder.
A greve é o meio de ação mais habitual no movimento revolucionário. Isso porque a causa mais frequente, irresistivelmente, é a
alta dos preços dos gêneros de primeira necessidade. A greve surgiu frequentemente de conflitos regionais. Ela é o grito de protesto
das massas que perderam a paciência com a embrulhada parlamentar dos socialistas. Ela exprime a solidariedade entre os explorados
de um mesmo país ou de países diferentes. Suas divisas são de natureza muitas vezes econômica e política. Frequentemente as
migalhas do reformismo se entremisturam às palavras de ordem de revolução social. Ela se acalma, parece querer terminar, depois se
recupera mais bela, abalando a produção, ameaçando o aparelho governamental. Ela coloca em fúria a burguesia porque consegue a
todo momento expressar sua simpatia para com a Rússia soviética. Os pressentimentos dos exploradores não os enganam. Esta greve
desordenada não é outra coisa que o efeito de uma retomada das forças revolucionárias, um apelo às armas do proletariado
revolucionário.
A estreita dependência na qual se encontram os países uns em relação aos outros, e que se revelou de uma maneira tão
catastrófica durante a guerra, dá uma importância particular aos ramos de trabalho que unem os países e coloca em primeiro plano os
trabalhadores das estradas de ferro e do transporte em geral. Os proletários do transporte tiveram oportunidade de mostrar uma parte
de sua força no boicote à Hungria e à Polônia brancas. A greve e o boicote, métodos que a classe operária colocou em prática no
início de sua luta "trade-unionista", isto é, quando ela ainda não tinha começado a utilizar o parlamentarismo, revestiram-se cm
nossos dias da mesma importância e da mesma significação terrível que tem a artilharia antes do último ataque.
A impotência diante da qual se encontra o indivíduo cada vez mais apequenado diante da potência cega dos eventos históricos
obriga não somente novos grupos de operários e operárias, mas, também, os empregados, os funcionários, os intelectuais pequeno-
burgueses a entrarem nas fileiras das organizações sindicais. Antes que a marcha da revolução proletária obrigue a criar Sovietes que
planarão sobre todas as velhas organizações operárias, os trabalhadores se agrupam em sindicatos, toleram a antiga constituição
desses sindicatos, seu programa oficial, sua elite dirigente, mas levando para essas organizações a energia revolucionária crescente
das massas que estará totalmente revelada até lá.
As camadas mais baixas, os proletários do campo, os operários não especializados levantam sua cabeça. Na Itália, na Alemanha e
em outros países se observa um crescimento magnífico do movimento revolucionário dos operários agrícolas e sua aproximação com
o proletariado das cidades.
Os camponeses pobres vêem o socialismo com bons olhos. Se as intrigas dos reformistas parlamentares que procuram especular
com as idéias do mujique sobre a propriedade resultaram infrutíferas, o movimento verdadeiramente revolucionário do proletariado,
sua luta indomável contra os opressores, fazem nascer um raio de esperança no coração do trabalhador mais humilde, mais curvado
na gleba, o mais miserável.
O abismo da miséria humana e da ignorância é insondável. Toda categoria que se levanta deixa atrás dc si unia outra que tenta se
sublevar. Mas a vanguarda não deve esperar a massa compacta que está atrás para iniciar o combate. A tarefa de despertar, de
estimular e educar essas camadas mais atrasadas, a classe operária a empreenderá quando chegar ao poder.
Os trabalhadores das colônias e dos países semicoloniais se levantam. Nos espaços infinitos da Índia, do Egito, da Pérsia, sobre os
quais domina a hidra monstruosa do imperialismo inglês, sobre este mar humano sem fundo, se executa um trabalho latente
ininterrupto, sublevando as ondas que fazem tremer na "City' as ações da Bolsa e os corações.
Neste movimento dos povos coloniais, o elemento social sob todas suas formas se mistura ao elemento nacional, mas ambos estão
dirigidos contra o imperialismo. Desde as primeiras tentativas até as formas aperfeiçoadas, o caminho da luta se desenvolve nas
colônias e nos países atrasados em geral à marcha forçada, sob a pressão do imperialismo e sob a direção do proletariado
revolucionário.
A aproximação fecunda que se opera entre os povos muçulmanos e não-muçulmanos, unidos pelas correntes comuns da
dominação inglesa e da dominação estrangeira em geral, a depuração interior do movimento, a diminuição constante da influência do
clero e da reação chauvinista, a luta simultânea levada pelos hindus contra os invasores e contra seus proprietários suseranos, padres
e usurários, fazem do exército da insurreição colonial crescente uma força histórica de primeira ordem, uma reserva inesgotável para
o proletariado mundial.
Os párias se levantam. O primeiro pensamento que lhes vêm se relaciona com a Rússia dos Sovietes, com as barricadas montadas
nas ruas das cidades da Alemanha, com a luta desesperada dos operários grevistas da Inglaterra, com a Internacional Comunista.
O socialismo que, direta ou indiretamente, defende a situação privilegiada de certas nações em detrimento de outras, que se
acomoda ao escravismo colonial, que admite diferenças de direitos entre os homens de raças diferentes; que ajuda a burguesia da
metrópole a manter sua dominação sobre as colônias; o socialismo inglês que não sustenta em toda sua plenitude a insurreição da
Irlanda, Egito, e da Índia contra a plutocracia londrina - esse "socialismo”, longe de poder pretender o mandato e a confiança do
proletariado, merece se não balas, pelo menos a marca do opróbrio.
Ora, em seus esforços para conduzir a revolução mundial, o proletariado se choca não somente com arame farpado, a metade
destruído, que se coloca ainda entre os países depois da guerra, mas sobretudo com o egoísmo, o conservadorismo, a cegueira e a
traição das velhas organizações dos partidos e sindicatos que o venceram na época precedente.
A traição, que se tornou costumeira na social-democracia internacional, não tem nada de semelhante na história da luta contra a
escravidão. Na Alemanha, as consequências disso são as mais terríveis. A derrota do imperialismo alemão foi ao mesmo tempo a
derrota do sistema econômico capitalista. Fora do proletariado, não há nenhuma classe que possa pretender o poder de Estado. O
aperfeiçoamento da técnica, o número e o nível intelectual da classe operária alemã são uma garantia do sucesso da revolução
mundial. Infelizmente, a social-democracia alemã se coloca na contramão. graças as manobras complicadas em que o artifício se
mistura à bobagem, ela paralisou a energia do proletariado para desviá-lo da conquista do poder que é seu objetivo natural e
necessário.
A social-democracia se esforçou, durante dezenas de anos, para conquistar a confiança dos operários, para, em seguida, no
momento decisivo, quando está em jogo a sorte da sociedade burguesa, colocar toda sua autoridade a serviço dos exploradores.
A traição do liberalismo e a derrota da democracia burguesa são episódios insignificantes em comparação com a traição
monstruosa dos partidos socialistas. O papel da igreja, esta estação elétrica central do conservadorismo, como definiu Lloyd George,
empalidece diante do papel anti-socialista da II Internacional.
A social-democracia quis justificar sua traição da revolução durante a guerra pela fórmula da defesa nacional. Ela cobre sua
política contra-revolucionária, depois da conclusão da paz, com a fórmula da democracia. Defesa nacional e democracia, eis as
fórmulas solenes da capitulação do proletariado diante da vontade da burguesia.
Mas o fracasso não para aí. Continuando sua política de defesa do regime capitalista, a social-democracia está obrigada, a
reboque da burguesia, a pisotear a "defesa nacional" e a "democracia". Scheidemann e Ebert baixam as mãos do imperialismo francês
ao qual reclamam o apoio contra a revolução soviética. Noske encarna o terror branco e a contra-revolução burguesa.
Albert Thomas se transforma em empregadinho da Liga das Nações, esta vergonhosa agência do imperialismo. Vandervele,
eloquente imagem da fragilidade da II Internacional da qual era chefe, se torna ministro do rei, colega do carola Delacrois, defensor
dos padres católicos belgas e advogado das atrocidades capitalistas cometidas contra os negros do Congo.
Henderson arremeda os grandes homens da burguesia, figura no papel de ministro do rei e representante da oposição operária de
Sua Majestade; Tom Shaw reclama do governo soviético provas irrefutáveis de que o governo de Londres está composto de
escroques, de bandidos e de perjuros. Que são todos esses senhores, senão inimigos jurados da classe operária?
Renner e Seitz, Niemets e Tousar, Troeltra e Branting, Daszinsky e Tchkeidze, cada um deles traduz, na língua de sua pequena
burguesia desonesta, a falência da II Internacional.
Karl Kautsky enfim, ex-teórico da II Internacional e ex-marxista, torna-se o conselheiro gaguejante nas manchetes da imprensa
amarela de todos os países.
Sob o impulso das massas, os elementos mais elásticos do velho socialismo, sem por isso mudar de natureza, mudam de aspecto e
de corrompem ou se apressam a romper com a II Internacional, batendo em retirada, como sempre, diante de toda ação de massa
revolucionária e mesmo diante de todo prelúdio sério de ação.
Para caracterizar e, ao mesmo tempo, para confundir os atores desta chanchada, é suficiente dizer que o partido socialista polonês,
que tem por chefe Daszinsky e por patrão Pilsudsky, o partido do cinismo burguês e do fanatismo chauvinista, declara que se retira da
II Internacional.
A elite parlamentar dirigente do partido socialista francês, que vota atualmente contra o orçamento e contra o tratado de
Versalhes, permanece, no fundo, como um dos pilares da república burguesa. Seus gestos de oposição servem apenas para não
confundir a semi-confiança dos meios mais conservadores entre o proletariado.
Nas questões capitais da luta de classe, o socialismo parlamentar francês continua a enganar a vontade da classe operária,
sugerindo-lhe que o momento atual não é propício para a conquista do poder, porque a França está empobrecida. Antes não era
possível por causa da guerra, como às vésperas da guerra a prosperidade industrial se constituía em obstáculo, e como anteriormente
a crise industrial era o pretexto. Ao lado do socialismo parlamentar e sobre o mesmo plano está assentado o sindicalismo tagarela e
enganoso dos Jouhaux & Co.
Na França, a criação de um partido comunista forte e escorado no espírito de unidade e disciplina é uma questão de vida ou
morte para o proletariado francês.
A nova geração de operários alemães educa-se e adquire força nas greves e insurreições. Sua experiência lhe custa tanto mais
vítimas quanto mais o Partido Socialista Independente continuar a sofrer a influência dos conservadores social-democratas que
rememoram a social-democracia dos tempos de Bebei, que não compreendem nada do caráter da época revolucionária atual,
tremendo diante da guerra civil e do terror revolucionário, se deixando levar pela corrente dos acontecimentos, à espera do milagre
que deve vir em ajuda a sua incapacidade. É no fogo da luta que o partido de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht ensina aos
operários alemães qual é o bom caminho.
No momento operário inglês, a rotina é tal que não foi sentida ainda a necessidade de colocar o fuzil ao ombro: os chefes do
partido operário britânico se entontecem ao querer permanecer nos quadros da II Internacional.
Enquanto o curso dos acontecimentos dos últimos anos, rompendo a estabilidade da vida econômica na Inglaterra conservadora,
tornou as massas trabalhadoras ineptas a assimilar o programa revolucionário, a mecânica oficial da nação burguesa com seu poder
real, sua Câmara dos Lordes, sua Câmara dos Comuns, sua Igreja, suas "trade-unions", seu partido operário, George V, o arcebispo de
Canterbury e Henderson, permanece intacta como um freio potente detendo o desenvolvimento. Apenas o partido comunista livre da
rotina e do espírito de seita, intimamente ligado às grandes organizações operárias pode opor o elemento proletário a esta elite oficial.
Na Itália, onde a burguesia reconhece francamente que a sorte do país se encontra de agora em diante, no final das contas, nas
mãos do partido socialista, a política da ala direita, representada por Turati, se esforça para colocar a torrente da revolução proletária
na rota das reformas parlamentares.
Proletários da Itália, sonhem com a Hungria cujo exemplo passou à história para lembrar que, infelizmente, na luta pelo poder,
bem como durante o exercício do poder, o proletariado deve permanecer intrépido, rejeitar todos os elementos equivocados e
impiedosamente fazer justiça a todas as tentativas de traição!
As catástrofes militares, seguidas de uma crise econômica terrível, inauguram um novo capítulo no movimento operário dos
Estados Unidos e nos outros países do continente americano. A liquidação do charlatanismo e da impudência do wilsonismo, isto é a
liquidação desse socialismo americano, mistura de ilusões pacifistas e da atividade mercantil, onde o "trade-unionismo' esquerdo dos
Gompers e Cia, é o coroamento de toda ação. A união estreita dos partidos operários revolucionários do continente americano, da
península do Alasca ao Cabo Horn, numa seção americana compacta da Internacional, diante do imperialismo todo-poderoso e
ameaçador dos Estados Unidos eis o problema que deve ser resolvido na luta contra todas as forças mobilizadas pelo dólar para sua
defesa.
Os socialistas do governo e seus comparsas de todos os países tiveram muitas razões para acusar os comunistas de provocarem,
por sua tática intransigente, a atividade da contra-revolução cujas fileiras eles ajudaram a engrossar. Esta inclinação política não é
outra coisa que a reedição tardia das lamentações do liberalismo. Esse último afirmava precisamente que a luta espontânea do
proletariado coloca os privilegiados no campo da reação. Esta é uma verdade inquestionável. Se a classe operária não atacar os
fundamentos da dominação burguesa, esta não terá necessidade de repressão. A idéia da contra-revolução não existiria se a história
não conhecesse a revolução. Se as insurreições do proletariado atacam fatalmente a união da burguesia para a defesa e o contra-
ataque, isto só prova uma coisa: que a revolução é a luta de duas classes irreconciliáveis que só pode cessar com o triunfo definitivo
de uma sobre a outra.
O comunismo recusa com desprezo a política que consiste em manter as massas na estagnação fazendo-lhe temer a contra-
revolução.
À incoerência e ao caos do mundo capitalista, cujos últimos estertores ameaçam tragar toda a civilização humana, a Internacional
Comunista opõe a luta combinada do proletariado mundial pela destruição da propriedade privada dos meios de produção e pela
reconstrução de uma economia nacional e mundial fundada sobre um plano econômico único, estabelecido c realizado pela sociedade
solidária dos produtores. Agrupando sob a bandeira da ditadura do proletariado e do sistema sovietista do Estado, os milhões de
trabalhadores de todas as partes do mundo, a Internacional Comunista luta obstinadamente para organizar e purificar seus próprios
elementos.
A Internacional Comunista é o partido da insurreição do proletariado mundial revolucionado. Ela rejeita todas as organizações e
partidos que, aberta ou veladamente, iludem, desmoralizam e confundem o proletariado, exortando-o a se inclinar aos fetiches que
mantêm a ditadura da burguesia: a igualdade, a democracia, a defesa nacional etc...
A Internacional Comunista não pode mais tolerar em suas fileiras as organizações que, mesmo escrevendo em seu programa a
ditadura do proletariado, persistem em levar uma política que se entontece a procurar uma solução pacífica para a crise histórica. A
questão só se resolve pelo reconhecimento do sistema sovietista. A organização sovietista não contém uma virtude milagrosa. Esta
virtude revolucionaria reside no próprio proletariado. E necessário que este não hesite em se sublevar e conquistar o poder; somente
então a organização sovietista manifestará suas qualidades e se tornará unia arma da mais alta eficiência.
A Internacional Comunista pretende expulsar das fileiras do movimento operário todos os chefes que estão direta ou
indiretamente ligados por uma colaboração com a burguesia. O que precisamos é que esses chefes tenham um ódio mortal pela
sociedade burguesa, que organizem o proletariado para uma luta impiedosa, que estejam prontos a conduzir ao combate o exército
dos insurretos, que não se detenham a meio-caminho, aconteça o que acontecer, e não temam recorrer a medidas impiedosas de
repressão contra todos os que tentarem pela força contrariá-los.
A Internacional Comunista é o partido internacional da insurreição e da ditadura do proletariado. Para ela não existem outros
objetivos nem outros problemas que não sejam os da classe operária. As pretensões das pequenas seitas em que cada um tem a
intenção de salvar a classe operária à sua maneira São estranhas e contrárias ao espírito da Internacional Comunista. Ela não possui a
panacéia universal, o remédio infalível para todos os males; ela tira lição da experiência da classe operária no passado e no presente;
esta experiência serve-lhe para reparar seus erros e suas omissões; ela tira deles um plano geral e adota apenas as fórmulas
revolucionárias que são as da ação de massa.
Organização profissional, greve econômica e política, boicote, eleições parlamentares e municipais, tribuna parlamentar,
propaganda legal e ilegal, organizações secretas no seio do exército, trabalho cooperativo, barricadas: a Internacional Comunista não
recusa nenhuma forma de organização ou de luta criada no curso do desenvolvimento do movimento operário, mas também ela não
consagra a ele a qualidade de panacéia universal.
O sistema dos Sovietes não é um princípio abstrato que os comunistas pretendem opor ao sistema parlamentar. Os Sovietes são
um aparelho do poder proletário que, depois da luta e somente por esta luta, deve substituir o parlamentarismo. Combatendo sempre
da forma mais decidida o reformismo dos sindicatos, o carreirismo e o cristianismo dos parlamentos, a Internacional Comunista não
deixa de condenar o fanatismo dos que convidam os proletários a deixar as fileiras de organizações sindicais contando com milhões
de membros e voltar às instituições parlamentares e municipais. Os comunistas de forma alguma se desviam das massas enganadas e
vendidas pelos reformistas e pelos patriotas, mas aceitam a luta com eles, no seio das próprias organizações de massa e das
instituições criadas pela sociedade burguesa, de forma a poder derrubá-la rápida e seguramente.
Enquanto, sob a égide da II Internacional, os sistemas de organização de disse e meios de luta quase que exclusivamente legais se
encontram, afinal de contas, submetidos ao controle e à direção da burguesia e a classe revolucionária está amordaçada pelos agentes
reformistas, a Internacional Comunista faz o contrário, tira das mãos da burguesia os guias que ela monopolizara, toma para si a
organização do movimento operário, reúne-os sob um comando revolucionário e, ajudada por ele, própria ao proletariado um
objetivo único, a saber: a tomada do poder para a destruição do Estado burguês e a constituição de uma sociedade comunista.
Ao longo de toda sua atividade, seja a instigação de uma greve de protesto, chefe de uma organização clandestina, secretário de
um sindicato, propagandista nas associações ou deputado no parlamento, pioneiro da cooperação ou soldado da barricada, o
comunista deve se manter fiel, isto é, deve estar submetido à disciplina do partido, lutador infatigável, inimigo mortal da sociedade
capitalista, de suas bases econômicas, de suas formas administrativas, de sua mentira democrática, de sua religião e sua moral; ele
deve ser o defensor pleno de abnegação à revolução proletária e infatigável campeão da nova sociedade.
Operários e operárias!
Não há sobre a terra outra bandeira que mereça que se combata por ela, que se morra por ela, a não ser a bandeira da
Internacional Comunista!

ASSINADO:
Rússia: Lênin, G. Zinoviev, N. Bukharin, L. Trotsky.
Alemanha: P. Levi, E. Meyer, Y. Walcer, R. Wolfstein.
França: Rosmer, Jacques Sadoul, Henri Guilbeuax.
Inglaterra: Tom Quelch, Gallacher, E. Silvya Pankhurst, Mac Laine.
América (EUA): Fleen, A. Frayna, A. Bilan, J. Reed.
Itália: D.M. Serrati, N. Bombacci, Graziadei, A. Bordiga.
Noruega: Frys, Shaefflo, A. Madsen.
Suécia: K. Dalstroem, Samuelson, Winberg.
Dinamarca: O. Jorgenson, M. Nilsen.
Holanda: Wijncup, Jansen, Van Leuve.
Bélgica: Van Overstreten.
Espanha: Pestana.
Suíça: Herzog, I. Humbert-Droz.
Hungria: Racoczy, A. Rudniansky, Varga.
Galícia: Levitsky.
Polônia: J. Marchlevsky.
Látvia: Stoutchka
Lituânia: Mitzkévitch-Kapsukas.
Tchecoslováquia: Vanek, Gula, Zapototsky
Estônia: R. Wakman, G. Poegelman.
Finlândia: I. Rakhia, Letonmiaky, K. Manner.
Bulgária: Kabaktchiev, Maximov, Chabline.
Iugoslávia: Milkitch.
Geórgia: M. Tsakiah
Armênia: Nazaritian.
Turquia: Nichad.
Pérsia: Sultan-Zadé
Índia: Atcharia, Sheffik.
Índias Holandesas: Maring.
China: Laou-Siou-Tchéou.
Coréia: Pak Djinchoun, Him Houlin.
O TERCEIRO CONGRESSO DA III
INTERNACIONAL (junho de 1921)
TESE SOBRE A SITUAÇÃO MUNDIAL E A TAREFA DA
INTERNACIONAL COMUNISTA
I.O Fundo da Questão
1. O movimento revolucionário, ao final da guerra imperialista e desde esta guerra, se distingue por sua amplitude sem
precedentes na história. Março de 1917, derrota do czarismo. Maio de 1917, imensa luta grevista na Inglaterra. Novembro de 1917, o
proletariado russo toma o poder de Estado. Novembro de 1918, queda das monarquias alemã e austro-húngara. O movimento grevista
toma conta de uma série de países europeus e se desenvolve particularmente ao longo do ano seguinte. Em março de 1919, a
República Soviética se instala na Hungria. Ao final do mesmo ano, formidáveis greves de metalúrgicos, mineiros e ferroviários
abalam os Estados Unidos. Na Alemanha, após os combates de janeiro e março de 1919, o movimento grevista atinge seu ponto
culminante seguido da insurreição de Kapp, em março de 1920. Na França, o momento da mais alta tensão se dá no mês de maio de
1920. Na Itália, o movimento do proletariado industrial e rural cresce sem cessar e chega a setembro de 1920 conduzido pelos
operários das usinas, fábricas e propriedades rurais. O proletariado tcheco, em dezembro de 1920, usou a arma da greve geral
política. Em março de 1921, sublevação dos operários da Alemanha Central e greve dos operários mineiros na Inglaterra.
O movimento atinge proporções particularmente grandes e uma intensidade mais violenta nos países antes beligerantes e
sobretudo nos países vencidos, mas se estende também aos países neutros. Na Ásia e na África, ele suscita ou reforça a indignação
revolucionária de numerosas massas coloniais.
Esta poderosa onda não consegue, entretanto, derrotar o capitalismo mundial, nem mesmo o capitalismo europeu.
2. Durante o intervalo entre o 2º e o 3º Congresso da Internacional Comunista, uma série de sublevações e lutas da classe operária
terminam em derrota parcial (avanço do exército vermelho sobre Varsóvia em agosto de 1920, movimento do proletariado italiano em
setembro de 1920, sublevação dos operários alemães em março de 1921).
O primeiro período do movimento revolucionário após a guerra caracteriza-se por sua violência elementar, pela imprecisão muito
significativa dos objetivos e pelo extremo pânico que toma conta das classes dirigentes; ele parece estar terminado em larga medida.
O sentimento de poder de classe que tem a burguesia e a solidez exterior de seus órgãos de Estado estão indubitavelmente reforçados.
O medo do comunismo enfraqueceu, senão está totalmente desaparecido. Os dirigentes da burguesia gabam o poder de seu aparelho
de Estado e passam, em todos os países, à ofensiva contra as massas operárias, tanto no plano econômico como no plano político.
3. Em razão dessa situação, a Internacional Comunista coloca para si e para a classe operária as seguintes questões: em que
medida as novas relações entre a burguesia e o proletariado correspondem realmente às relações mais profundas de suas respectivas
forças? A burguesia tem condições de restabelecer o equilíbrio social destruído pela guerra? Existem razões para supor que após uma
época de comoção política e lutas de classes venha unia época prolongada de restabelecimento e crescimento do capitalismo? Não
decorre disso a necessidade de revisar o programa ou a tática da Internacional Comunista?

II. A Guerra, a Prosperidade Especulativa e a Crise nos Países Europeus


4. As duas dezenas de anos que precederam a guerra foram uma época de ascensão capitalista particularmente poderosa. Os
períodos de prosperidade se distinguem por sua intensidade; os períodos de depressão ou crise, ao contrário, por sua brevidade. De
uma maneira geral, a fonte se elevou bruscamente; as nações capitalistas enriqueceram.
Apertando o mercado mundial com seus truques, cartéis e consórcios, os senhores dos destinos do mundo perceberam que o
desenvolvimento enfurecido da produção deveria obedecer aos limites do poder de compra do mercado capitalista mundial; eles
zelaram sair dessa situação por meios violentos; a crise sangrenta da guerra mundial deveria substituir um longo e ameaçador período
de depressão econômica com o mesmo resultado de antes, isto é, a destruição das forças de produção. A guerra, entretanto, reuniu o
extremo poder destrutivo de seus métodos com a duração imprevisivelmente longa de seu emprego. O resultado foi que ela não
destruiu somente, no sentido econômico, a produção supérflua, mas enfraqueceu, abalou, arruinou o mecanismo fundamental da
produção na Europa. Ela contribuiu, ao mesmo tempo, para o grande desenvolvimento capitalista do Estados Unidos e para a
ascensão febril do Japão. O centro de gravidade da economia mundial passou da Europa para a América.
5. O período após a cessação do massacre que durou quatro anos, período de desmobilização de transição do estado de guerra ao
estado de paz, inevitavelmente acompanhado de uma crise econômica, conseqüência do esgotamento e do caos da guerra, apareceu
aos olhos da burguesia - com razão como o maior dos perigos. Na verdade, durante os dois anos que se seguiram à guerra. Os países
por ela devastados se tornaram palco de poderosos movimentos proletários. O fato de que não foi inevitável a crise, ao que parece,
que se produziu alguns meses após a guerra, mas um reerguimento econômico, foi uma das causas principais de a burguesia não ter
conservado sua posição dominante. Este período durou em torno de um ano e meio. A indústria ocupou a quase totalidade dos
Operários desmobilizados. Contudo, em regra geral, os salários não acompanhavam os preços dos artigos de consumo, apesar de se
elevarem o suficiente para criarem a ilusão de conquistas econômicas.
Foi exatamente esse impulso econômico de 1919-1920 que, amenizando a fase mais aguda de liquidação da guerra, resultou num
extraordinário recrudescimento da segurança burguesa e levantou a questão do advento de uma nova época de desen volvimento
orgânico do capitalismo. Entretanto, o soerguimento de 1919-1920 não marcou o início da restauração econômica capitalista após a
guerra, mas a continuação da situação artificial da indústria e do comércio criada pela guerra e que abalou a economia capitalista.
6. A guerra imperialista estourou na época em que a crise industrial e comercial, que se iniciara na América (1913), começava a
invadir a Europa.
O desenvolvimento normal do ciclo industrial foi interrompido pela guerra que se tornou o fator econômico mais poderoso. A
guerra criou para os setores fundamentais da indústria um mercado completamente livre de toda concorrência. O grande comprador
adquiria tudo o que se lhe oferecia. A fabricação dos meios de produção se transformou em fabricação dos meios de destruição. Os
artigos de consumo pessoal eram adquiridos a preços cada vez mais elevados por milhões de indivíduos que, não produzindo nada, só
faziam destruir. Era esse o processo de destruição; mas, em virtude das contradições monstruosas da sociedade capitalista, esta ruína
tomou a forma de enriquecimento. O Estado tomava empréstimo sobre empréstimo, fazia emissão sobre emissão; e o orçamento,
antes calculado em milhões, passou para a casa dos bilhões. Máquinas e construções eram usadas e não eram substituídas. A terra
estava mal cultivada. Obras essenciais na cidades e nas estradas de ferro foram interrompidas. Ao mesmo tempo, o número dos
valores do Estado, os bônus do Tesouro e os fundos cresciam sem cessar. O capital fictício inchou na mesma medida em que o capital
produtivo era destruído. O sistema de crédito, meio de circulação das mercadorias, se transformou num meio de mobilizar os bens
nacionais e comprometeu os bens que deveriam ser criados pelas gerações futuras. Com medo de uma crise que seria uma catástrofe,
o Estado capitalista agiu depois da guerra da mesma maneira que agira durante ela: novas emissões, novos empréstimos,
regulamentação dos preços de compra e venda dos artigos mais importantes, garantia dos lucros, mercadoria com preços reduzidos,
múltiplos impostos somados aos salários...e, com tudo isso, censura militar e ditadura de agaloados.
7. Ao mesmo tempo, a cessação das hostilidades e o restabelecimento das relações internacionais revelaram a demanda
considerável das mais diversas mercadorias sobre toda a superfície do globo. A guerra deixara imensos estoques de produtos,
enormes somas de dinheiro concentradas nas mãos dos fornecedores e especuladores que as empregaram onde momentaneamente o
lucro era maior. Seguiu-se uma febril atividade comercial, ainda que, com a elevação inusitada dos preços e os dividendos
fantásticos, nenhum dos ramos fundamentais da indústria européia tenha se reaproximado dos níveis anteriores à guerra.
8. Ao custo da destruição do sistema econômico, crescimento do capital fictício, baixa do câmbio, especulação em vez de
saneamento dos problemas econômicos, o governo burguês, agindo de acordo com os consórcios e com os truques da indústria,
conseguiu adiar o início da crise econômica no momento em que se acabava a crise política de desmobilização e o primeiro exame
das conseqüências da guerra.
Obtendo assim uma trégua importante, a burguesia acreditou que o perigo da crise estava descartado por tempo indeterminado.
Um otimismo extremo se apoderou dos espíritos; parecia que os desejos de reconstrução deveriam inaugurar uma época de
prosperidade industrial, comercial e, sobretudo, de especulações felizes. O ano de 1920 foi o ano das esperanças perdidas.
No início, no setor financeiro, no setor comercial em seguida e, enfim, no Setor industrial, a crise eclodiu em março de 1920 no
Japão, em abril nos Estados Unidos (uma ligeira queda nos preços havia começado em janeiro); passou para a Alemanha, França e
Itália, sempre em abril, e os países neutros da Europa; se manifestou ligeiramente na Alemanha e se espalhou por todo o mundo
capitalista na segunda metade de 1920.
9. É essencial para a compreensão da situação mundial entender que a crise de 1920 não é uma etapa do ciclo "normal",
industrial, mas uma reação mais profunda contra a prosperidade fictícia do tempo da guerra e dos dois anos seguintes, prosperidade
baseada na destruição e no esgotamento.
A alternância normal entre as crises e os períodos de prosperidade persistia anteriormente à guerra seguindo a curva do
desenvolvimento industrial. Durante os últimos sete anos, porém, as forças produtivas da Europa, longe de se elevarem, caíram
brutalmente.
A destruição das bases da economia deve manifestar-se primeiramente em toda a superestrutura. Para chegar a alguma
coordenação interior, a economia da Europa deverá se restringir e diminuir durante alguns anos. A curva das forças produtivas cairá
da sua altura fictícia atual. Períodos de prosperidade neste caso, só podem acontecer por um curto período e com um caráter de
especulação. As crises serão longas e penosas. A crise atual na Europa é uma crise de subprodução. É a reação da miséria contra os
esforços para produzir, traficar e viver em situação análoga àquela da época capitalista precedente.
10. Na Europa, a Inglaterra é o país mais forte e que menos sofreu com a guerra. Não se poderia, entretanto, mesmo em relação a
ela, falar de um restabelecimento do equilíbrio capitalista após a guerra. Graças à sua organização mundial e à sua situação de
triunfadora, a Inglaterra obteve alguns sucessos comerciais e financeiros após a guerra, melhorou sua balança comercial, elevou o
valor da libra esterlina e obteve um excedente de receitas sobre as despesas nos orçamentos, mas no setor industrial retrocedeu. O
rendimento do trabalho e as receitas nacionais são incomparavelmente menores do que antes da guerra. O ramo industrial mais
importante, o do carvão, agrava-se cada vez mais, piorando a situação dos outros setores. Os movimentos grevistas incessantes não
são a causa; são a conseqüência da ruína da economia inglesa.
11. A França, a Bélgica, a Itália, estão irreparavelmente arruinadas pela guerra: As tentativas de restaurar a economia da França às
expensas da Alemanha é uma verdadeira extorsão acompanhada da opressão diplomática que, sem salvar a França, tende apenas a
esgotar definitivamente a Alemanha (em carvão, máquinas, gado, outro). Esta medida é um sério golpe contra a economia da Europa
continental em seu conjunto. A França ganha bem menos do que perde a Alemanha, e despenca para a ruína econômica, ainda que
tenha restabelecido grande parte das culturas agrícolas e alguns setores da indústria (por exemplo, a indústria de produtos químicos)
tenham se desenvolvido consideravelmente durante a guerra. As dívidas e as despesas do Estado (por causa dos gastos militares)
atingiram dimensões incríveis. Ao final do último período de prosperidade o câmbio francês caiu 60%. O restabelecimento da
economia francesa está entravado pelas pesadas perdas de vidas humanas causadas pela guerra, perdas impossíveis de recuperar em
função do pequeno crescimento da população francesa. Assim também acontece, mais ou menos, com as economias da Bélgica e da
Itália.
12. O caráter ilusório do período de prosperidade é evidente sobretudo na Alemanha; num lapso de tempo durante o qual os
preços se elevaram ao sêxtuplo (cm uni ano e meio), a produção do país continuou a cair rapidamente. A participação da Alemanha,
triunfante na aparência, no comércio internacional no período anterior à guerra pagou um duplo preço: dissipação do capital
fundamental da nação (pela destruição do aparelho de produção, de transporte e de crédito) e rebaixamento sucessivo do nível de
vida da classe operária. Os lucros dos exportadores alemães se exprimem por uma perda do ponto de vista da economia pública. Sob
a forma de exportação, o que houve foi a venda pura e simples do próprio país. Os senhores capitalistas se asseguram de uma parte
sempre crescente da riqueza nacional que diminui sem cessar. Os operários alemães se transformam nos cules da Europa.
13. Assim como a independência política fictícia (os pequenos países neutros repousa sobre o antagonismo existente entre as
grandes potências, sua prosperidade econômica depende do mercado mundial, cujo caráter fundamental era determinado, antes da
guerra, pela Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos e França. Durante a guerra, a burguesia dos pequenos países neutros da Europa
obteve benefícios monstruosos. Mas a destruição e a ruína dos países beligerantes da Europa ocasionaram a ruína econômica dos
pequenos países neutros. Suas dívidas aumentaram, seus câmbios baixaram; a crise arrastou um a um, lance após lance.

III Os Estados Unidos, o Japão, Países Coloniais e Rússia dos Sovietes


14. O desenvolvimento dos Estados Unidos durante a guerra se deu em sentido contrário ao do desenvolvimento da Europa.
Como a participação na guerra foi sobretudo uma participação de fornecedores. Os Estados Unidos nada sentiram dos efeitos
devastadores da guerra. A influência indiretamente destruidora da guerra sobre os transportes, a economia rural etc., foi bem mais
fraca nesse país do que na Inglaterra - sem falar na França e na Alemanha. De outra parte, os Estados Unidos exploraram da maneira
mais completa a supressão ou o enfraquecimento da concorrência européia e colocaram suas indústrias mais importantes em um nível
de desenvolvimento inesperado (petróleo, construção naval, automóveis, carvão). Não são apenas o petróleo ou os cereais, mas,
também, o carvão que mantêm hoje a maior parte dos países da Europa sob a dependência americana.
Se até a guerra os Estados Unidos exportava principalmente produtos agrícolas e matérias-primas (dois terços da exportação
total), presentemente, ao contrário, ela exporta principalmente produtos industriais (60% da sua exportação). Se até a guerra a
América era devedora, atualmente ela é credora do mundo inteiro. Aproximadamente a metade da reserva mundial de ouro flui para
lá. O papel determinante no mercado mundial deixou de ser a libra esterlina para ser o dólar.
15. Enquanto isso, o capital americano também está desequilibrado. O extraordinário progresso da indústria americana foi
determinado exclusivamente pelo conjunto das condições mundiais: supressão da concorrência européia e, principalmente, demanda
do mercado militar da Europa. Se a Europa, arruinada, não pôde, mesmo após a guerra, voltar à condição de concorrente dos Estados
Unidos, isto é, à sua situação anterior cm relação ao mercado mundial, ela só pode assumir uma parte insignificante de sua
importância anterior; passou a ser mercado para os Estados Unidos. Os Estados Unidos se tornaram, em medida infinitamente maior
do que antes da guerra país exportador. O aparelho produtivo superdesenvolvido durante a guerra não pôde ser plenamente utilizado
por causa da falta de mercado. Algumas indústrias estão transformadas em indústrias sazonais que só podem dar trabalho aos
operários durante uma parte do ano. A crise, nos Estados Unidos, é o começo de uma profunda e durável ruína econômica resultante
da queda da Europa. Eis o resultado da destruição da divisão mundial do trabalho.
16. O Japão também aproveitou a guerra para ampliar seu espaço no mercado mundial. Seu desenvolvimento é
incomparavelmente mais limitado que o dos Estados Unidos e, em vários setores, reveste-se de uma característica totalmente
artificial. Se suas forças produtivas fossem suficientes para a conquista de um mercado esvaziado pela concorrência, elas seriam
insuficientes para manter esse mercado em sua luta com os países capitalistas mais poderosos. Resultou daí a crise aguda que foi
precisamente o começo de todas as outras crises.
17. Os países marítimos exportadores de matérias-primas, e entre eles os países coloniais (América do Sul, Canadá, Austrália,
Índia, Egito etc.) aproveitaram a interrupção das comunicações internacionais para desenvolver sua indústria. A crise mundial
também os atinge atualmente. O desenvolvimento da indústria nacional nesses países transformou-se numa fonte de novas
dificuldade. comerciais para a Inglaterra e toda a Europa.
18. No setor comercial e do crédito, e isto não apenas na Europa, mas também em escala mundial, não há razão para crer num
restabelecimento do equilíbrio após a guerra.
A decadência econômica da Europa continua, mas a destruição das bases da economia européia se manifestará apenas nos
próximos anos.
O mercado mundial está desorganizado. A Europa tem necessidade de produtos americanos, mas não pode dar a América algo
equivalente. A Europa está anêmica, a América está hipertrofiada O câmbio-ouro está suprimido. A depreciação do câmbio dos países
europeus (que atinge até 99%) é um obstáculo quase insuportável para o comércio internacional. As flutuações contínuas e
imprevistas do câmbio transformam a produção capitalista numa especulação desenfreada. O mercado mundial não tem mais
equivalente geral. O restabelecimento do valor ouro na Europa só poderá ser obtido pela elevação da exportação e diminuição da
importações. A Europa arruinada é incapaz dessa transformação. Por sua vez, a América se defende das importações artificiais da
Europa (dumping) elevando as tarifas aduaneiras.
A Europa é uma casa de loucos. A maioria dos países promulga interdições de suas tarifas protetoras. A Inglaterra estabelece leis
proibitivas contra a exportação alemã e toda a vida econômica exportação e importação, e multiplica da Alemanha está à mercê do
bando de especuladores da Elite, sobretudo a França. O território da Áustria - Hungria está dividido por uma dezena de barreiras
alfandegárias. A meada dos tratados de paz está cada vez mais emaranhada.
19. O desaparecimento da Rússia soviética enquanto mercado para os produtos industriais e enquanto fornecedora de matérias
primas contribuiu, em grande medida, para romper o equilíbrio da economia mundial. O retorno da Rússia ao mercado mundial não
pode ocasionar grandes alterações. O organismo capitalista da Rússia se encontrava, em relação aos meios de produção, na mais
estreita dependência da indústria mundial, e esta dependência acentuou-se ainda mais em relação aos países da Elite durante a guerra,
ainda que a indústria interior da Rússia esteja totalmente mobilizada. O bloqueio rompeu de um golpe todos esses laços vitais. Resta
saber como este país, esgotado e arruinado por três anos de guerra civil, poderá organizar os novos setores da indústria sem os quais
os antigos ficarão totalmente arruinados pelo esgotamento de seu material fundamental. Junta-se a isso a absorção pelo exército
vermelho de centenas de milhares dos melhores operários e, em medida considerável, dos mais qualificados. Nessas condições,
nenhum outro regime, cercado pelo bloqueio, reduzido por guerras incessantes, recolhendo uma herança de ruínas, poderia manter a
vida econômica e criar unia administração centralizada. Mas não se pode duvidar que a luta contra o imperialismo pagou o preço do
esgotamento prolongado das forças produtivas da Rússia em vários ramos fundamentais da economia. Somente agora, após o
relaxamento do bloqueio e o restabelecimento de algumas formas iniciais normais de relações entre a cidade e o campo, o poder
soviético teve a possibilidade de uma direção centralizada constante e inflexível tendo em vista o reerguimento do país.

IV Tensão dos Antagonismos Sociais


20. A guerra, que determinou uma destruição sem precedentes na história das forças produtivas, não parou o processo de
diferenciação social; ao contrário, a proletarização das amplas camadas intermediárias, compreendida aí a nova classe média
(empregados, funcionários etc.) e a concentração da propriedade nas mãos de uma pequena minoria (trustes, cartéis, consórcios etc.)
fizeram, durante Os últimos sete anos, progressos monstruosos nos parques que mais sofreram com a guerra. A questão Stinnes se
transformou em unia questão essencial da vida econômica alemã.
A alta dos preços em todos os mercados, concomitante à baixa catastrófica do câmbio em todos os países europeus beligerantes,
atestou, no fundo, uma nova repartição da renda nacional em detrimento da classe operária, dos funcionários, dos empregados, dos
pequenos capitalistas e, de um modo geral, de todas as categorias de indivíduos com renda mais ou menos determinada.
Assim, em relação aos seus recursos materiais, a Europa foi reconduzida a uma dúzia de anos atrás e a tensão dos antagonismos
sociais, que não pode ser comparada ao que era antes, longe de ser detida em ser curso, se acentuou com uma rapidez extraordinária.
Este fato capital já é suficiente para destruir toda esperança de um desenvolvimento prolongado e pacífico das forças democráticas; a
diferenciação progressiva - de um lado, a "stinnesação" e, de outro, a proletarização e a pauperização -, baseada na ruína econômica,
determina o caráter tenso, conclusivo e cruel da luta de classes.
O caráter atual da crise só faz prolongar nesse aspecto o trabalho da guerra e o impulso especulativo que a seguiu.
21. A alta dos preços dos produtos agrícolas, criando a ilusão de um crescimento geral da economia rural, provocou um
crescimento real das rendas e da fortuna dos proprietários Os fazendeiros puderam, com efeito, com o papel depreciado que eles
tinham acumulado em grandes quantidades, pagar as dividas contraídas no tempo normal. Apesar da alta enorme do preço da terra do
abuso desavergonhado do monopólio dos meios de subsistência apesar, enfim, do enriquecimento dos grandes proprietários e
camponeses ricos, a regressão da economia rural da Europa é indiscutível: esta é uma regressão multiforme que se traduz na
transformação de terras aráveis em campinas, na destruição da pecuária, na aplicação do sistema de alqueires. Esta regressão teve
também Como causas a insuficiência, a carestia e a alta dos preços dos artigos manufaturados, enfim - na Europa Central e Oriental -
a redução sistemática da produção é uma reação contra as tentativas do poder estatal de monopolizar o controle dos produtos
agrícolas. Os camponeses ricos, e em parte os médios, criam organizações políticas e econômicas para se proteger contra as cargas da
burguesia e para ditar ao Estado uma política de tarifas e impostos unilateral e proveitosa exclusivamente aos proprietários, unia
política que entrava a reconstrução capitalista. Cria-se assim, entre a burguesia urbana e a burguesia rural, unia oposição que
enfraquece o poder da classe burguesa como um todo. Ao mesmo tempo, unia grande parte dos camponeses pobres está proletarizada,
o interior se converte num exército de descontentes e a consciência de classe do proletariado rural cresce.
De outro lado, o empobrecimento geral da Europa, que a torna incapaz de comprar a quantidade necessária de cereais americanos,
anuncia uma pesada crise da economia rural transatlântica. Observa-se um agravamento da situação do camponês e do pequeno
fazendeiro não somente na Europa mas, também, nos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Austrália, África do Sul.
22. A situação dos funcionários e empregados, seguida da diminuição do seu poder aquisitivo, agravou-se mais duramente que a
situação geral do proletariado. As condições de vida dos funcionários subalternos e médios, completamente arruinadas,
transformaram estes elementos em fermento de descontentamento político. Eles conhecem a solidez do mecanismo de Estado a que
servem. "A nova classe média", que segundo os reformistas representava o centro das forças conservadoras, torna-se bem cedo,
durante a época da transição, fator revolucionário.
23. A Europa capitalista perdeu finalmente sua primazia econômica no mundo. De outra parte, seu relativo equilíbrio de classes
repousava sobre uma vasta dominação. Todos os esforços dos países europeus (Inglaterra e, em parte, a França), para recuperar a
condição anterior, só poderão agravar o caos e a incerteza.
24. Enquanto, na Europa, a concentração da propriedade se dá sobre ruínas, nos Estados Unidos esta concentração e os
antagonismos de classe atingiram um nível extremo sobre o fundo de um febril enriquecimento capitalista. As bruscas mudanças da
situação, além da incerteza geral sobre o mercado mundial, dão à luta de classes em solo americano um caráter extremamente tenso e
revolucionário. A um apogeu capitalista, sem precedentes na história, deve suceder um apogeu da luta revolucionária.
25. A emigração dos operários e camponeses para o outro lado do oceano serviu sempre de válvula de segurança ao regime
capitalista da Europa. Ela aumentou nas épocas de depressão prolongada e após o fracasso dos movimentos revolucionários. Mas,
atualmente a América e a Austrália tentam conter cada vez mais a imigração. A válvula de segurança não funciona mais.
26. O desenvolvimento enérgico do capitalismo no Oriente, particularmente na Índia e na China, criou novas bases sociais para a
luta revolucionária. A burguesia desses países restringiu ainda mais seus laços com o capital estrangeiro. Sua luta contra o
imperialismo estrangeiro, luta do concorrente mais fraco, tem um caráter semifictício. O desenvolvimento do proletariado indiano
paralisa as tendências revolucionárias nacionais da burguesia capitalista. Mas, ao mesmo tempo, as numerosas fileiras de camponeses
têm na vanguarda comunista consciente os verdadeiros chefes revolucionários
A união da opressão militar nacionalista combinada ao imperialismo estrangeiro, a exploração capitalista combinada à burguesia
indiana e à burguesia estrangeira, assim como a sobrevivência da servidão feudal, criam as condições nas quais o proletariado
nascente se desenvolverá rapidamente, colocando-se à frente do amplo movimento dos camponeses.
O movimento popular revolucionário na Índia e nas outras e colônias se tornou parte integrante da revolução mundial dos
trabalhadores integrando-se à sublevação do proletariado dos países capitalistas do Novo ou do Velho Mundo.

V. Relações Internacionais
27. A situação geral da economia da Europa e, antes de tudo, a ruína da Europa, determinam um largo período de pesadas
dificuldades econômicas, de agitações, crises parciais e gerais etc. As relações internacionais, tal como se estabeleceram em função
da guerra e do Tratado de Versalhes, tornam a situação sem saída.
O imperialismo foi engendrado pelo desejo das forças produtivas de suprimir as fronteiras dos Estados nacionais e criar único
território europeu e mundial de economia única. O resultado do conflito dos imperialismo inimigos foi o estabelecimento, na Europa
Central e Oriental, de novas fronteiras, novas aduanas e novos exércitos. No sentido econômico e prático, a Europa foi reconduzida à
Idade Média.
Sobre um território esgotado e arruinado mantém-se atualmente um exército uma vez e meia maior que em 1914. Eis o apogeu da
"paz armada".
28. A política dominante da França sobre o continente europeu pode ser dividida em duas partes: uma, atestando a raiva cega do
usurário pronto a esganar seu devedor insolvente e, outra representada pela cupidez da grande indústria saqueadora em vias de criar,
com a ajuda das bacias do Sarre, do Ruhr e da Alta-Silésia, as condições favoráveis a um imperialismo financeiro em falência.
Esses esforços, contudo, vão de encontro aos interesses da Inglaterra. A tarefa desta consiste em separar o carvão alemão do
minério francês, cuja reunião é, todavia, uma condição indispensável à regeneração da Europa.
29. O Império Britânico parece estar hoje no auge do poderio. Manteve suas antigas possessões e conquistou novas. O momento
atual, porém, mostra com precisão que a situação predominante da Inglaterra está em contradição com sua decadência econômica
efetiva. A Alemanha, com seu capitalismo incomparavelmente mais progressivo em relação à técnica e à organização, está esmagada
pela força armada. Mas os Estados Unidos, economicamente senhores das duas América, assumem, diante da Inglaterra, a condição
de adversário triunfante e mais ameaçador que a Alemanha. Graças a uma melhor organização e a uma técnica superior, o rendimento
do trabalho nas indústrias dos Estados Unidos é incomparavelmente superior ao da Inglaterra. Os Estados Unidos produzem 65% a
70% do petróleo consumido no mundo inteiro e do qual dependem os automóveis, os tratores e os aviões. A situação secular e
praticamente de monopólio da Inglaterra sobre o mercado do carvão está definitivamente arruinada; a América tomou o primeiro
lugar. Suas exportações para a Europa aumentam de forma ameaçadora. Sua frota comercial é quase igual a da Inglaterra. Os Estados
Unidos não querem mais se resignar ao monopólio mundial dos cabos, pertencente à Inglaterra. No domínio industrial, a Grã-
Bretanha passa à ofensiva e, sob o pretexto de lutar contra a concorrência malsã da Alemanha, se arma de medidas protecionistas
contra os Estados Unidos. Enfim, a frota militar da Inglaterra, com grande número de unidades velhas, está parada em seu
desenvolvimento. O governo Harding retomou o programa do governo Wilson relativamente às construções navais, o que dará, nos
próximos dois ou três anos, a hegemonia dos mares à bandeira dos Estados Unidos.
A situação é tal que, ou a Inglaterra será automaticamente empurrada para o último plano e, apesar de sua vitória sobre a
Alemanha, se tornará uma potência de segunda ordem, ou bem - e ela se acredita já obrigada - empenhará, num futuro muito
próximo, todas as forças adquiridas no passado numa luta de morte contra os Estados Unidos.
É nesta perspectiva que a Inglaterra mantém sua aliança com o Japão e se esforça, ao preço de concessões cada vez maiores, para
adquirir o apoio, ou pelo menos, a neutralidade da França.
O crescimento do papel internacional - nos limites do continente - da França no último ano é causado não pelo seu fortalecimento,
mas por um enfraquecimento internacional da Inglaterra.
A capitulação da Alemanha em maio último na questão das contribuições de guerra assinala uma vitória temporária da Inglaterra
e assegura a queda econômica ulterior da Europa Central, sem excluir, num futuro próximo, ai ocupação pela França da bacia do
Ruhr e da Alta-Silésia.
30. O antagonismo entre o Japão e os Estados Unidos, provisoriamente dissimulado pela participação na guerra contra a
Alemanha, desenvolve abertamente suas tendências nesse momento. O Japão está, por causa da guerra, próximo das costas
americanas, tendo recebido ilhas de grande importância localizadas no Pacífico.
A crise da indústria japonesa rapidamente desenvolvida desvelou novamente a questão da emigração. O Japão, país de população
densa e pobre de recursos naturais, está obrigado a exportar mercadorias e homens. Em ambos os casos, ele se choca com os Estados
Unidos, na Califórnia, na China, na ilha de Jap.
O Japão despende mais da metade de sua receita com o exército e com a frota. Na luta da Inglaterra com a América, o Japão
desempenhará no mar o papel que a França desempenhou em terra na guerra contra a Alemanha. O Japão se aproveita atualmente do
antagonismo contra a Grã-Bretanha e a América, mas a luta decisiva desses dois gigantes pela dominação do mundo se decidirá
finalmente em seu detrimento.
31. O grande massacre recente foi europeu por suas causas e seus participantes. O eixo da luta era o antagonismo entre a
Inglaterra e a Alemanha. A intervenção dos Estados Unidos alargou o quadro da luta, mas não o desviou de sua tendência
fundamental e o conflito europeu foi resolvido às custas do mundo inteiro. A guerra, que resolveu a sua maneira a contenda entre a
Inglaterra e a Alemanha, não só resolveu a questão das relações entre os Estados Unidos e a Inglaterra, mas colocou-a em primeiro
plano. A última guerra foi o prefácio europeu da guerra verdadeiramente mundial que decidirá sobre a dominação imperialista
excessiva.
32. Este é apenas um dos eixos da política mundial. Há outro eixo: a Federação dos Sovietes russos e a III Internacional nasceram
em conseqüência da última guerra. O grupamento das forças revolucionárias internacionais está inteiramente dirigido contra todos os
grupamentos imperialistas.
A manutenção da aliança entre a Inglaterra e a França ou, ao contrário, sua destruição, tem o mesmo preço do ponto de vista da
paz que a renovação da aliança anglo-japonesa, que a entrada (ou a recusa em entrar) dos Estados Unidos na Sociedade das Nações.
O proletariado verá uma grande garantia de paz no grupo passageiro, cúpido e desleal dos países capitalistas cuja política, evoluindo
em torno do antagonismo anglo-americano, prepara uma sangrenta explosão.
A conclusão, para alguns países capitalistas, de tratados de paz e convenções comerciais com a Rússia soviética não significa a
renúncia da burguesia mundial à destruição da República dos Sovietes, longe disso. Só se pode ver aí uma mudança talvez passageira
de formas e métodos de luta. O golpe de estado japonês no Extremo Oriente significa talvez o começo de um novo período de
intervenção armada.
É absolutamente evidente que, quanto mais o movimento revolucionário proletário mundial se abranda, mais as contradições da
situação internacional - econômica e política - estimulam a burguesia a tentar de novo um desenlace pelas armas em escala mundial.
Isso significa que o "restabelecimento do equilíbrio capitalista" após a nova guerra se baseará num esgotamento econômico e num
retrocesso da civilização de tal dimensão que, em comparação com a situação atual da Europa, esta parecerá o cúmulo do bem-estar.
33. Posto que a experiência da última guerra confirmou com uma certeza terrificante que "a guerra é um cálculo enganoso" -
verdade que contém todo pacifismo, tanto socialista como burguês - a preparação da nova guerra, preparação econômica, política,
ideológica e técnica, segue a passos largos em iodo o mundo capitalista. O pacifismo humanitário anti-revolucionário se tornou uma
força auxiliar do militarismo.
Os social-democratas de todos os matizes e os sindicalistas de Amsterdã incutem no proletariado internacional a convicção da
necessidade de se adaptar às regras econômicas e ao direito internacional dos países, tal como foram estabelecidos após a guerra, e
aparecem como os auxiliares insignes. da burguesia imperialista na preparação do novo massacre que ameaça destruir
definitivamente a civilização humana.

VI A Classe Operária Após a Guerra


34. No fundo, a questão do restabelecimento do capitalismo se resume assim: a classe operária está disposta a fazer, em condições
incomparavelmente mais difíceis, os sacrifícios indispensáveis para assegurar as condições de sua própria escravidão, mais estreita e
mais dura que antes da guerra?
Para restaurar a economia européia, substituindo o aparelho de produção destruído durante a guerra, uma nova invenção do
capitalismo será necessária. Isso só será possível se o proletariado estiver pronto para trabalhar mais em condições de vida muito
inferiores. Eis o que os capitalistas pedem, eis o que aconselham os chefes traidores da Internacional amarela: primeiro, ajudar na
restauração do capitalismo; depois, lutar pela melhoria da situação dos operários. Mas o proletariado da Europa não está disposto a
esse sacrifício, ele exige uma melhoria de suas condições de vida, o que atualmente está em contradição absoluta com as
possibilidades objetivas do capitalismo. Dai as greves e insurreições sem fim e a impossibilidade de restaurar a economia européia.
Para restabelecer o curso da mudança significa ante tudo, para os países europeus (Alemanha, França, Itália, Áustria, Hungria,
Polônia, Bálcãs), desembaraçarem-se de cargas superiores às suas forças, isto é, decretar sua falência; é também dar um poderoso
impulso á luta de todas as classes por uma nova divisão da renda nacional. Restabelecer o valor do câmbio é, no futuro, diminuir as
despesas do Estado em detrimento das massas (renunciar a fixar o salário mínimo, o preço dos artigos de consumo geral); é impedir a
circulação dos artigos de primeira necessidade em favor de artigos mais baratos, vindos do estrangeiro, aumentando a exportação,
diminuindo os custos de produção, isto é, mais uma vez reforçar a exploração sobre a massa operária. Toda medida séria no sentido
de restabelecer o equilíbrio rompido das classes dá um novo impulso à luta revolucionária. A questão de saber se o capitalismo pode
se regenerar torna-se uma questão de luta entre forças vivas: aquelas das classes e dos partidos. Se, das duas classes fundamentais, a
burguesia e o proletariado, uma, a última, renunciar à luta revolucionária, a outra, a burguesia, reencontrará, no fim das contas,
indubitavelmente, um novo equilíbrio capitalista - equilíbrio de decomposição material e moral - em meio a novas crises, novas
guerras, em meio ao empobrecimento de países inteiros e à morte de dezenas de milhões de trabalhadores.
A situação atual do proletariado internacional, porém, dá poucos motivos para prognosticar esse equilíbrio.
35. Os elementos sociais de estabilidade, conservação, tradição, perderam a maior parte de sua autoridade sobre o espírito das
massas trabalhadoras. Se a social-democracia e as tradições conservam ainda alguma influência sobre uma parte considerável do
proletariado, graças à herança do aparelho de organização, esta influência é inteiramente inconsistente. A guerra modificou não
apenas o estado de espírito, mas a própria composição do proletariado, e essas modificações são totalmente incompatíveis com a
organização anterior à guerra.
Na maioria dos países domina ainda a burocracia operária extremamente desenvolvida, estreitamente unida, que elabora seus
próprios métodos e procedimentos de dominação e se liga por milhares de laços às instituições e aos órgãos do Estado capitalista.
Há também um grupo de operários, o melhor colocado na produção, ocupando ou contando ocupar postos de administração, e que
são o apoio mais seguro da burocracia operária.
Além disso, existe a velha geração dos social-democratas e sindicalistas, na maioria operários qualificados, ligados à sua
organização por dezenas de anos de lutas e que não podem se decidir a romper com ela, apesar de suas traições e sua falência.
Todavia, no interior dos setores da produção, os operários qualificados estão misturados aos operários não qualificados, as mulheres
sobretudo.
Seguem-se milhões de operários que fizeram o aprendizado da guerra, que se familiarizaram com o manuseio de armas e estão
prontos, na sua maioria, para lutar contra o inimigo de classe, com a condição, porém, de uma preparação séria, prévia, de uma firme
direção, elementos indispensáveis ao sucesso.
Depois, milhões de novos operários, operários atraídos para a indústria durante a guerra que comunicam ao proletariado não
somente seus preconceitos pequeno-burgueses mas, também, suas aspirações impacientes por melhores condições de vida.
Há também milhares de jovens operários e operárias educados durante a tempestade revolucionária, mais acessíveis a palavra
comunista, queimando de desejo de agir.
Em último lugar, um gigantesco exército de desempregados, na maioria operários não-qualificados ou semi-qualificados, que
refletem vivamente nessas flutuações o curso da economia capitalista e mantêm a ordem burguesa sob constante ameaça.
Esses elementos do proletariado tão diversos em sua origem e caráter não foram e não estão treinados no movimento de após a
guerra ou simultâneo a ela. Daí as hesitações, as flutuações, os progressos e os recuos da luta revolucionária. Mas, em sua
esmagadora maioria, a massa proletária cerra fileiras em meio à ruína de todas as antigas ilusões, em meio à assustadora incerteza da
vida cotidiana, diante da onipotência do capital concentrado, diante dos métodos de pilhagem e extorsão do Estado militarizado. Essa
massa, que conta com milhões de homens, procura uma direção firme e clara, um nítido programa de ação; essa massa acredita no
papel decisivo que o partido comunista, coerente e centralizado, é chamado a desempenhar.
36. A situação da classe operária foi evidentemente agravada durante a guerra. Alguns grupos de operários prosperaram. As
famílias em que alguns membros puderam trabalhar nas usinas durante a guerra conseguiram manter e elevar seu nível de vida. Mas,
de um modo geral, o salário não aumentou na proporção do custo de vida.
Na Europa Central, durante a guerra, o proletariado passou por privações crescentes. Nos países continentais da Entente, a (queda
do nível de vida foi menos brutal até os últimos anos. Na Inglaterra, em meio a uma luta enérgica, durante o último período da
guerra, o proletariado parou o processo de agravamento das suas condições de vida.
Nos Estados Unidos, a situação de algumas camadas da classe operária melhorou, algumas camadas conservaram sua antiga
situação ou sofreram um rebaixamento em seu nível de vida.
A crise se abateu sobre o proletariado do mundo inteiro com uma força aterradora. A redução dos salários excedeu a queda dos
preços. O número de desempregados e semi-empregados se tornou enorme, sem precedentes na história do capitalismo. As freqüentes
mudanças nas condições de existência pessoal influem muito desfavoravelmente sobre o rendimento do trabalho, mas elas excluem a
possibilidade de estabelecer o equilíbrio das classes sobre o terreno fundamental, quer dizer, no da produção. A incerteza das
condições de vida, refletindo a inconsistência geral das condições econômicas nacionais e mundiais, constitui, presentemente, o mais
forte fator revolucionário.

VII Perspectivas e Tarefas


37. A guerra não determinou imediatamente a revolução proletária. A burguesia aponta esse fato, com certa aparência de razão,
como sua maior vitória.
Apenas um espírito pequeno-burguês e limitado pode ver a falência do programa da Internacional Comunista no fato do
proletariado europeu não ter derrotado a burguesia durante a guerra ou imediatamente após seu término. O desenvolvimento da
Internacional Comunista na revolução proletária não implica a fixação dogmática de uma data determinada no calendário da
revolução, nem a obrigação de conduzir mecanicamente a revolução à data fixada. A revolução era e continua sendo uma luta de
forças vivas sobre bases historicamente dadas. A destruição do equilíbrio capitalista pela guerra cm escala mundial criou as condições
favoráveis para as forças fundamentais da revolução, para o proletariado. Todos os esforços da Internacional Comunista foram e
continuam sendo dirigidos para a utilização completa desta situação.
As divergências entre a Internacional Comunista e os social-democratas dos dois grupos não consiste em que tenhamos
determinado unia data fixa para a revolução, ainda que os social-democratas neguem o valor da utopia e do putschismo (tentativas
insurrecionais); essas divergências residem no fato de os social-democratas reagirem contra o desenvolvimento revolucionário
efetivo, ajudando de todas as maneiras os governos, assim como na oposição contribuírem para o restabelecimento do equilíbrio do
Estado burguês, enquanto os comunistas aproveitam todas as ocasiões, meios e métodos para derrotar e esmagar o Estado burguês
com a ditadura do proletariado.
Ao longo dos dois anos e meio após a guerra, o proletariado dos diferentes países manifestou tanta energia, tanta disposição para
a luta, tanto espírito de sacrifício, que teria podido cumprir largamente sua tarefa e realizar uma revolução triunfante se à frente da
classe operária estivesse um partido comunista realmente internacional, bem preparado e fortemente centralizado. Contudo, diversas
causas históricas e as influências do passado colocaram à testa do proletariado europeu, durante e depois da guerra, a organização da
II Internacional, que se transformou e permanece sendo um instrumento político nas mãos da burguesia.
38. Na Alemanha, mais ou menos no final de 1918 e início de 1919, o poder pertencia de fato à classe operária. A social-
democracia - majoritários e independentes - e os sindicatos jogaram toda sua influência tradicional e todo o seu aparelho para repor
esse poder nas mãos da burguesia.
Na Itália, o movimento revolucionário impetuoso do proletariado tem crescido durante os últimos dezoito meses e só se ressente
do caráter pequeno-burguês de um partido socialista, da política de traição da fração parlamentar, do oportunismo descarado das
organizações sindicais que permitiram à burguesia restabelecer seu aparelho, mobilizar sua guarda branca, passar ao ataque contra o
proletariado momentaneamente desencorajado pela falência de seus antigos órgãos dirigentes.
O poderoso movimento grevista dos últimos anos na Inglaterra está em constante choque com as forças armadas do Estado, que
intimida os chefes dos sindicatos. Se esses chefes permanecessem fiéis à causa da classe operária, apesar de todas essas faltas, seria
possível colocar o mecanismo dos sindicatos a serviço dos combates revolucionários. Desde a última crise da “Tríplice Aliança"
surgiu a possibilidade de um confronto revolucionário com a burguesia que foi entravado pelo espírito conservador, a covardia e a
traição dos chefes sindicais; se o organismo dos sindicatos ingleses realizasse nesse momento, em favor do socialismo, somente a
metade do trabalho que realiza no interesse do capital, o proletariado inglês tomaria o poder e, apesar dos sacrifícios, poderia se
lançar na tarefa de reorganização sistemática do país.
O que acabamos de dizer se aplica em grande medida a todos os países capitalistas.
39. É absolutamente incontestável que a luta revolucionária do proletariado pelo poder manifesta atualmente, em escala mundial,
um certo relaxamento, um certo abrandamento. Não era permitido esperar, contudo, uma ofensiva revolucionária após a guerra, uma
vez que ela não se desenvolvia seguindo uma linha ininterrupta. O desenvolvimento político tem também seus ciclos, seus altos e
baixos. O inimigo não fica passivo; ele também combate. Se o ataque do proletariado não é coroado de sucesso, a burguesia passa
imediatamente ao contra-ataque. A perda de algumas posições conquistadas sem dificuldade pelo proletariado ocasiona uma certa
depressão em suas fileiras. Mas se é incontestável que na época em que vivemos a curva do desenvolvimento capitalista é, de modo
geral, descendente com movimentos passageiros de ascenso, a curva da revolução é ascendente com alguns baixos.
A restauração do capitalismo tem por condição sine qua non a intensificação da exploração, a perda de milhões de vidas humanas,
o rebaixamento ao mais baixo nível (Exizetenzminimum) das condições médias de vida, a insegurança perpétua do proletariado, o
que é um fator constante de guerra e revolta. E sob a pressão dessas causas e nos combates que elas engendram que cresce a vontade
das massas de destruir a sociedade capitalista.
40. A tarefa capital do Partido Comunista na crise que atravessamos é dirigir os combates ofensivos do proletariado, amplia-los,
aprofundá-los, agrupá-los e transformá-los - segundo o processo de desenvolvimento - em combates políticos voltados para o
objetivo final. Mas se os acontecimentos se desenvolverem mais lentamente e um período de ascensão suceder à crise econômica
atual, num número mais ou menos grande de países, isso não será, de forma alguma, interpretado como a chegada de uma época de
"organização". Durante o longo tempo em que o capitalismo existirá, as flutuações de desenvolvimento serão inevitáveis. Essas
flutuações acompanharão o capitalismo em sua agonia como o acompanharam em sua juventude e maturidade.
No caso do proletariado ser empurrado pelo ataque do Capital na atual crise, ele passará á ofensiva desde que venha a se
manifestar alguma melhoria de sua situação. Sua ofensiva econômica que, neste último caso, será inevitavelmente guiada, sob todas
as palavras de ordem de desforra contra as mistificações do tempo da guerra, contra a pilhagem e ultrajes sofridos durante a crise,
terá, por essa mesma razão, a mesma tendência a transformar em guerra civil aberta a luta defensiva atual.
41. Não importa que o movimento revolucionário, ao longo do próximo período, siga um curso mais animado ou mais brando, o
partido comunista, nos dois casos, deverá ser um partido de ação. Ele está à frente das massas combatentes, formula firme e
claramente palavras de ordem de combate, denuncia as palavras de ordem equivocadas da social-democracia. O partido comunista
deve se esforçar, em todas as alternativas de combate, para reforçar pelos meios de organização seus novos pontos de apoio; deve
formar as massas em manobras ativas, armá-las de novos métodos e novos procedimentos, baseados no choque direto e aberto com as
forças do inimigo. Aproveitando cada momento de descanso para assimilar a experiência da fase precedente da luta, o partido
comunista deve se esforçar para aprofundar e alargar as conquistas de classe e ligá-las em escala nacional e internacional à idéia do
objetivo e da ação prática, de maneira que no momento culminante do proletariado sejam vencidas todas as resistências à ditadura e
da revolução social.

TESE SOBRE A TÁTICA

1. Delimitação da Questão
"A nova Associação Internacional dos operários foi fundada para organizar as ações comuns dos proletários dos diferentes países,
ações cujo objetivo comum é a derrubada do capitalismo, estabelecimento da ditadura do proletariado e de uma República
Internacional dos Sovietes tendo em vista a supressão completa das classes e da realização do socialismo, primeiro degrau da
sociedade comunista."
Esta definição dos objetivos da Internacional Comunista, colocada em seus estatutos, delimita claramente todas as questões de
tática que estão por ser resolvidas.
Trata-se da tática a empregar em nossa luta pela ditadura do proletariado. Trata-se dos meios a empregar para conquistar a maior
parte da classe operária para os princípios do comunismo, dos meios a utilizar para organizar os elementos mais importantes do
proletariado na luta pela realização do comunismo, trata-se das relações com as camadas pequeno-burguesas proletarizadas, dos
meios e procedimentos a adotar para desmontar o mais rapidamente possível os órgãos do poder burguês, reduzi-los a ruínas e
encetar a luta final internacional pela ditadura do proletariado.
A questão da ditadura em si, como única via de acesso à vitória, está fora de discussão. O desenvolvimento da revolução mundial
mostrou claramente que há uma única alternativa na situação histórica atual: ditadura capitalista ou ditadura proletária.
O 3º Congresso da Internacional Comunista retoma o exame das questões da tática nas novas condições, já que em boa parte dos
países a situação objetiva assumiu uma extraordinária agudeza revolucionária e vários grandes partidos comunistas se formaram, mas
não possuem ainda a direção efetiva do grosso da classe operária na luta revolucionária real.

2. Às Vésperas de Novos Combates


A revolução mundial, isto é, a destruição do capitalismo, a concentração das energias revolucionárias do proletariado e a sua
organização em força agressiva e vitoriosa exigirá um período muito longo de combates revolucionários.
A agudeza dos antagonismos, a diferença da estrutura social e dos obstáculos a enfrentar segundo os países, o alto grau de
organização da burguesia nos países de alto desenvolvimento capitalista da Europa Ocidental e da América do Norte, são razões
suficientes para que a guerra mundial não conduza imediatamente à vitória da revolução mundial. Os comunistas tiveram, portanto,
razão ao declarar, ainda durante a guerra, que o período do imperialismo conduzirá a uma longa série de guerras civis no interior dos
diversos países capitalistas e guerras entre os Estados capitalistas de uma parte, os Estados proletários e os povos coloniais
explorados de outra parte.
A revolução mundial não é um processo que siga em linha reta; é a dissolução lenta do capitalismo e a sapa revolucionária
cotidiana, que se intensificam em certos momentos e se concentram em crises agudas.
O curso da revolução mundial tornou-se mais arrastado pelo fato de que poderosas organizações e partidos operários, a saber os
partidos e sindicatos social-democratas, fundados pelo proletariado para guiar sua luta contra a burguesia, se transformaram durante a
guerra cm instrumentos de influência contra-revolucionária e de imobilização do proletariado e assim permaneceram até o fim da
guerra. Isso permitiu à burguesia mundial suportar facilmente a crise da desmobilização, permitiu-lhe despertar na classe operária
uma esperança de melhoria de sua situação nos limites do capitalismo durante o período de prosperidade aparente de 1919-1920, o
que foi a causa da derrota das sublevações de 1919 e do abrandamento dos movimentos revolucionários de 1919-1920.
A crise econômica mundial, que surgiu em meados de 1920 e que se estende até hoje sobre todo o mundo, aumentando em todos
os lugares o desemprego, prova ao proletariado internacional que a burguesia não tem condições de reconstruir o mundo. A
exasperação de todos os antagonismos políticos mundiais, a campanha rapace da França contra a Alemanha, as rivalidades anglo-
americana e americano-japonesa com a corrida armamentista que se segue, mostram que o mundo capitalista em agonia cambaleia
novamente em direção à guerra mundial. A Sociedade das Nações, truste internacional dos países vencedores para a exploração dos
concorrentes vencidos e dos povos coloniais, esta minada pela concorrência americana. A ilusão com que a social democracia
internacional e a burguesia sindical desviaram as massas operarias da luta revolucionária, a ilusão de que poderiam obter gradual e
politicamente o poder econômico e o direito de se auto administrar renunciando à conquista do poder político pela luta revolucionaria
está morrendo.
Na Alemanha, as comédias de socialização promovidas pelo governo Scheidermann-Nolke, procurando deter o avanço decisivo
do proletariado, chegam ao fim. As frases sobre a socialização tinham lugar no sistema bem real de Stinnes, com a submissão da
indústria alemã à ditadura capitalista e sua corja. O ataque do governo prussiano sob a direção do social-democrata Severing contra
os mineiros da Alemanha central configura o início da ofensiva geral da burguesia alemã ante a possibilidade de reação à redução dos
salários do proletariado alemão.
Na Inglaterra, todos os planos de nacionalização foram por água abaixo. Em vez de realizar os projetos de nacionalização da
comissão de Sankey, o governo apoia com tropas o nocaute contra os mineiros ingleses.
O governo francês adia sua bancarrota econômica com uma expedição de rapina à Alemanha. Não pensa numa reconstrução
sistemática de sua economia nacional. Mesmo a reconstrução das costas devastadas do Norte da França, na medida em que ela é
empreendida, serve apenas para o enriquecimento dos capitalistas privados.
Na Itália, a burguesia montou o ataque contra a classe operária com a ajuda dos bandos brancos fascistas.
Em todos os lugares a democracia burguesa está desmascarada, mais completamente porém nos velhos Estados democrático-
burgueses do que nos novos, em conseqüência do desmoronamento imperialista. Guardas brancas, arbítrio ditatorial do governo
contra os mineiros grevistas na Inglaterra fascistas e Guarda Régia na Itália, Pinkertons, exclusão dos deputados socialistas dos
parlamentos, "Lei de Lynch" nos Estados Unidos, terror branco na Polônia, Iugoslávia, Romênia, Letônia, Estônia, legalização do
terror branco na Finlândia, Hungria, nos países Balcânicos, "leis comunistas" na Suíça, França etc..., em todos os lugares a burguesia
procura fazer recair sobre a classe operária as conseqüências da crescente anarquia econômica, prolongando a jornada de trabalho e
reduzindo os salários. Em todos os lugares a burguesia encontra auxiliares nos chefes da social-democracia e da Internacional
Sindical de Amsterdã. Esses últimos podem retardar o despertar das massas operárias para um novo combate e a chegada de novas
ondas revolucionárias, mas não podem impedi-los.
Já se vê o proletariado alemão se preparar para o contra-ataque, apesar da traição dos chefes "trade-unionistas", mantendo-se
heroicamente, durante longas semanas, na luta contra o capital mineiro. Vemos como a vontade de combate cresce nas fileiras
avançadas do proletariado italiano depois da experiência que ele teve com a política hesitante do grupo Serrati, vontade de combate
que se expressa na formação do Partido Comunista da Itália. Vemos como na França, após a cisão, após a separação dos social-
patriotas e dos centristas, o Partido Socialista começa a passar da agitação e da propaganda do comunismo para manifestações de
massa contra os apetites rapaces do imperialismo francês. Na Tchecoslováquia, assistimos à greve política de dezembro, envolvendo,
apesar da falia de uma direção única, um milhão de operários e tendo como conseqüência a formação de um Partido Comunista
tcheco, partido de massas. Em fevereiro tivemos na Polônia uma greve de ferroviários, dirigida pelo Partido Comunista que teve
como resultado uma greve geral e assistimos à decomposição do Partido Socialista Polonês social-patriota.
Dai é necessário esperar não o abrandamento da revolução mundial ou refluxo de suas ondas, mas o contrário: nas circunstâncias
dadas, uma exasperação imediata dos antagonismos sociais e combates sociais é o que há de mais verossímil.

3. A Tarefa Mais Importante do Momento


A conquista da influência preponderante sobre a maior parte da classe operária, a introdução no combate de frações determinantes
desta classe é, no momento atual, o problema mais importante da Internacional Comunista.
Estamos diante de uma situação econômica e política objetivamente revolucionária, na qual a crise mais aguda pode estourar de
repente (após uma grande greve, uma revolta colonial, uma nova guerra ou mesmo na grande crise parlamentar etc.). O maior número
de operários não está ainda sob a influência do comunismo, sobretudo nos países em que o poder particularmente forte do capital
financeiro deu origem a vastas camadas de operários corrompidos pelo imperialismo (por exemplo, na Inglaterra e nos Estados
Unidos) e onde a verdadeira propaganda revolucionária entre as massas recém começa.
Desde o primeiro dia de sua fundação, a Internacional Comunista repudiou as tendências sectárias, prescrevendo aos partidos
filiados, por pequenos que fossem, colaborar com os sindicatos, participar na luta contra a burocracia reacionária do interior dos
próprios sindicatos e transformá-los em organizações revolucionárias das massas proletárias, em instrumentos de combate. Desde o
seu primeiro ano de existência, a Internacional Comunista prescreveu aos Partidos Comunistas não se fecharem nos círculos de
propaganda, mas colocar a serviço da educação e da organização do proletariado todas as possibilidades que a constituição do Estado
burguês é obrigada a deixar abertas: liberdade de imprensa, liberdade de reunião e de associação e todas as instituições parlamentares
burguesas, por mais lamentáveis que sejam, para fazer delas armas, tribunas, praças de guerra do comunismo. Em seu 2° Congresso,
a Internacional Comunista, nas resoluções sobre a questão sindical e a utilização do parlamento, repudia abertamente todas as
tendências sectárias.
As experiências desses dois anos de luta dos Partidos Comunistas confirmaram em todos os pontos a justeza do ponto de vista da
Internacional Comunista. Essa, por sua política, levou os operários revolucionários a se separarem não apenas dos reformistas
declarados mas, também, dos centristas. Desde que os centristas formaram a sua Internacional 2 1/2, que se alia publicamente aos
Scheidermann, aos Jouhaux e aos Hendersons no terreno da Internacional Sindical de Amsterdã, o campo de batalha se tornou mais
claro para as massas proletárias, o que facilitará os combates que estão por vir.
O comunismo alemão, graças à tática da Internacional Comunista (ação revolucionária nos sindicatos, carta aberta etc...), de uma
simples tendência política que era nos combates de janeiro e março de 1919, se transformou em um grande partido das massa
revolucionárias. Ele adquiriu nos sindicatos uma influência tal que a burocracia sindical foi forçada a excluir numerosos comunistas
dos sindicatos com medo da influência revolucionária da sua ação sindical, e de ela provocar a odiosa cisão.
Na Tchecoslováquia, os comunistas conseguiram ganhar para sua causa a maioria dos operários organizados.
Na Polônia, o Partido Comunista, principalmente graças ao trabalho de sapa nos sindicatos, soube não apenas entrar cm contato
com as massas, mas se tornar seu guia na luta, apesar das perseguições monstruosas que obrigaram as organizações comunistas a uma
existência absolutamente clandestina.
Na França, os comunistas conquistaram a maioria no interior do Partido Socialista.
Na Inglaterra, termina o processo de consolidação dos grupos comunistas organizados segundo as diretrizes táticas da
Internacional Comunista e a influência crescente dos comunistas obriga os socialistas-traidores a tentar tornar impossível a entrada
dos comunistas no Labour Party.
Os grupos comunistas sectários; (como o K.A.P.P.D. etc.) não encontraram um único sucesso. A teoria do reforço do comunismo
pela propaganda e agitação apenas, pela fundação de sindicatos comunistas distintos, está falida. Em nenhum lugar, nenhum Partido
Comunista de qualquer influência pôde ser fundado dessa maneira.

4. A Situação no Interior da Internacional Comunista


Na via conducente à formação de partidos comunistas de massas, a Internacional Comunista não foi suficientemente longe. E
mesmo nos dois países mais importantes do capitalismo vitorioso tudo está por fazer nesse domínio.
Nos Estados Unidos da América do Norte, onde antes da guerra, por razões históricas, não existia nenhum movimento
revolucionário de alguma amplitude os comunistas têm diante de si tarefas primordiais e simples: a formação de um núcleo
comunista e sua ligação com as massas operárias. A crise econômica que deixou 5 milhões de operários sem trabalho, forneceu à
Internacional Comunista um terreno muito favorável. Consciente do perigo que o ameaça de radicalização do movimento operário e
de sua influência pelos comunistas, o capital americano tenta quebrar o jovem movimento comunista com perseguições bárbaras,
tenta anulá-lo e levá-lo à ilegalidade, na qual, pensa ele, esse movimento sem contato com as massas degenerará numa seita de
propaganda e se consumirá.
A Internacional Comunista chama a atenção do Partido Comunista Unificado da América para o fato de que a organização ilegal
deve se constituir apenas no que se refere às reuniões, no sentido de clarificar as posições para as forças comunistas mais ativas, mas
o Partido Unificado tem o dever de tentar por todos os meios e todas as vias sair de suas organizações ilegais e se reunir às grandes
massas operárias em fermentação; ele tem o dever de encontrar as formas e os meios próprios para concentrar politicamente essas
massas em sua vida pública na luta contra o capital americano.
O movimento comunista inglês ainda não conseguiu, apesar da concentração de suas forças em um Partido Comunista, se tornar
um partido de massas.
A desorganização duradoura da economia inglesa, o agravamento inusitado do movimento grevista, o descontentamento crescente
das grandes massas populares em relação ao regime de Lloyd George, a possibilidade de uma vitória do Labour Party e do Partido
Liberal nas próximas eleições parlamentares, tudo isso abre novas perspectivas para o desenvolvimento revolucionário na Inglaterra e
coloca diante dos comunistas ingleses questões de extrema importância.
A primeira e principal tarefa do Partido Comunista da Inglaterra é se tornar um partido de massas. Os comunistas ingleses devem
se colocar firmemente sobre o terreno do movimento de massas existente de fato e que se desenvolve sem cessar; eles devem é
penetrar em todas as particularidades concretas desse movimento e fazer das reivindicações isoladas ou parciais dos operários o
ponto de partida de sua própria agitação e propaganda incansável e enérgica.
O poderoso movimento grevista põe à prova, aos olhos de centenas de milhares e de milhões de operários, o grau de capacidade,
fidelidade, constância e consciência das trade-unions e seus chefes. Nessas condições, a ação dos comunistas no seio dos sindicatos
adquire uma importância decisiva. Nenhuma crítica ao Partido, vinda de fora, conseguirá mesmo em pequena medida, exercer sobre
as massas uma influência semelhante àquela que pode ser exercida pelo trabalho cotidiano e constante dos núcleos comunistas nos
sindicatos, pelo trabalho de desmascaramento e descrédito dos traidores e burgueses do trade-unionismo, que na Inglaterra, mais do
que nos outros países, faz o jogo político do capital.
Se, em outros países, a tarefa do Partido Comunista consiste em importante medida em tomar a iniciativa das ações de massa, na
Inglaterra a tarefa do Partido Comunista consiste, antes de tudo, a partir das ações de massas que se desenvolvem de fato, em mostrar
por seu próprio exemplo e provar que os comunistas são capazes de expressar justa e corajosamente os interesses, os desejos e os
sentimentos dessas massas.
Os Partidos Comunistas de massas da Europa Central e Ocidental se encontram em plena elaboração de seus métodos de agitação
e propaganda revolucionária, em plena formação de métodos de organização respondendo ao seu caráter de combate, enfim, em plena
transição da propaganda e da agitação comunista à ação. Esse processo está entravado pelo fato de que em um bom número de países
a entrada no campo do comunismo de operários que se tornaram revolucionários se deu sob a direção de líderes que ainda não
superaram suas tendências centristas e que não estão em condições de levar uma agitação eficaz e a propaganda comunista entre o
povo, temem mesmo esta propaganda, porque sabem que ela conduzirá os Partidos aos combates revolucionários.
Essas tendências centristas levaram o Partido a uma cisão na Itália. Os chefes do Partido e os sindicatos agrupados em torno de
Serrati em vez de transformarem os movimentos espontâneos da massa operária e sua atividade crescente em uma luta consciente
pelo poder, deixaram esses movimentos afundarem. O comunismo não tem por isso um meio de sacudir e concentrar as massas
operárias para o combate. Por temerem o combate esperam diluir a propaganda e a agitação comunistas e conduzi-las aos eixos cen-
tristas. Eles reforçam a influência dos centristas como Turatti e Trêves no Partido e como Aragona nos sindicatos. Como eles não se
distinguem dos reformistas nem pela palavra nem pelos atos, eles não se separam deles. Preferem se separar dos comunistas. A
política da tendência Serrati, reforçando de uma parte a influência dos reformistas, criou, de outra parte, o duplo perigo de reforçar os
anarquistas e os sindicalistas e de engendrar tendências anti-parlamentares radicais unicamente em palavras dentro do próprio
Partido.
A cisão de Livourne, a formação do Partido Comunista da Itália, a concentração de todos os elementos realmente comunistas
sobre o terreno das decisões do 20 Congresso da Internacional Comunista num Partido Comunista, farão do comunismo nesse país
uma força de massas, contanto que o Partido Comunista da Itália combata sem trégua e sem fraqueza a política oportunista do
serratismo e se dê assim a oportunidade de ficar ligado às massas do proletariado nos sindicatos, nas greves, nos enfrentamentos com
as organizações contra-revolucionárias dos fascistas, fundindo os movimentos dessas massas e transformando em combates
cuidadosamente preparados suas ações espontâneas.
Na França, onde o veneno chauvinista da "defesa nacional" e, em seguida, a embriaguez da vitória foram mais fortes que nos
outros lugares; a reação contra a guerra se desenvolveu mais lentamente que nos outros países. Graças à influência da Revolução
russa, das lutas revolucionárias nos países capitalistas e à experiências das primeiras lutas do proletariado francês traído por seus
chefes, o Partido Socialista evoluiu em sua maioria na direção do comunismo, antes mesmo de ter sido colocado pelo rumo dos
acontecimentos diante das questões decisivas da ação revolucionária. Esta situação será tanto melhor quanto mais largamente
utilizada pelo Partido Comunista Francês que liquidará categoricamente, em seu próprio seio, sobretudo nos meios dirigentes, os
resquícios da ideologia do pacifismo nacionalista e do reformismo parlamentar. O Partido deve, não somente em relação ao passado,
se reaproximar das massas e de suas camadas oprimidas e dar a expressão claras, completa e inflexível de seus sofrimentos e desejos.
Em sua luta parlamentar, o Partido deve romper categoricamente com as formas impregnadas de desprezo pelo parlamento francês,
conscientemente forjados pela burguesia para hipnotizar e intimidar os representantes da classe operária. Os parlamentares franceses
devem se esforçar, em todas as suas intervenções, para arrancar o véu nacional-democrata, republicano e tradicionalmente
revolucionário e apresentar nitidamente toda questão como uma questão de interesse para a impiedosa luta de classes.
A agitação prática deve tomar um caráter muito mais concentrado, mais tenso e mais enérgico. Ela não deve se dispersar em
situações e combinações cambiantes e variáveis da política cotidiana. De todos os acontecimentos, pequenos ou grandes, ela deve
sempre tirar as próprias conclusões fundamentais e revolucionárias e inculcá-las nas massas operárias, mesmo as mais atrasadas. Essa
é a única condição a observar numa atitude verdadeiramente revolucionária para que o Partido Comunista deixe de aparecer - e de ser
na realidade - como simples ala esquerda desse bloco radical longuettista que oferece com uma insistência e um sucesso cada vez
maior seus serviços à sociedade burguesa para protegê-la dos abalos que se anunciam na França com uma lógica inflexível.
Abstraindo a questão de saber se esses acontecimentos revolucionários decisivos chegarão mais ou menos cedo, um Partido
Comunista moralmente educado, inteiramente penetrado da vontade revolucionária, encontrará a possibilidade, mesmo na época
atual de preparação, de mobilizar as massas operárias no terreno político e econômico e dar à sua luta um caráter mais claro e mais
vasto.
As tentativas feitas pelos elementos revolucionários impacientes e politicamente inexperientes, querendo empregar nessas
questões e para objetivos isolados os métodos extremos que, por sua essência, constituem os métodos da sublevação revolucionária
decisiva do proletariado (assim a proposição de convidar a classe de 1919 a não responder à mobilização), essas tentativas podem,
em caso de aplicação, reduzir a nada por longo tempo a preparação realmente revolucionária do proletariado para a conquista do
poder. É um dever do Partido Comunista Francês, assim como de todos os partidos análogos, repudiar esses métodos extremamente
perigosos. Mas esse dever não deve, em nenhum caso, dar lugar à inatividade do Partido. Bem ao contrário.
Reforçar a ligação do Partido com as massas é antes de tudo, ligá-lo mais estritamente aos sindicatos. O objetivo não consiste em
submeter mecânica e exteriormente os sindicatos ao Partido e este renunciar à autonomia decorrente do caráter de sua ação; consiste
em que os elementos verdadeiramente revolucionários, reunidos no Partido Comunista, dêem, ainda que nos limites dos sindicatos,
uma tendência correspondente aos interesses comuns do proletariado, lutando pela conquista do poder.
Considerando esse fato, o Partido Comunista Francês deve lazer a crítica - de forma amigável, mas decisiva e clara - de todas as
tendências anarco-sindicalistas que rejeitam a ditadura do proletariado, ressaltando a necessidade de uma união de sua vanguarda em
uma organização dirigente, centralizada, isto é, em um Partido Comunista, assim como de todas as tendências sindicalistas
transitórias que, sob o manto da carta de Amiens, elaborada oito anos antes da guerra, não conseguem mais dar hoje uma resposta
clara e nítida às questões essenciais da nova época de pós-guerra.
O ódio que se manifesta no sindicalismo francês contra o espírito de certa política é antes de tudo um ódio bem justificado contra
os parlamentares "socialistas-tradicionais". Mas o caráter absolutamente revolucionário do Partido Comunista dá-lhe a possibilidade
de lazer compreender a necessidade da união política com o objetivo de a classe operária conquistar o poder.
A fusão do grupamento sindicalista revolucionário com a organização comunista em seu conjunto é uma condição necessária e
indispensável de toda luta séria do proletariado francês.
Só se conseguirá superar e descartar as tendências a uma ação prematura e vencer a imprecisão de princípios e o Separatismo da
organização dos sindicalistas-revolucionários quando o próprio Partido, como dissemos acima, se tornar, tratando de forma
verdadeiramente revolucionária toda questão da vida e da luta cotidiana das massas operárias, um centro de atração para elas.
Na Tchecoslováquia, as massas trabalhadoras, ao longo desses dois anos e meio, estão em grande parte libertas das ilusões
reformistas e nacionalistas. Em setembro último, a maioria dos operários social-democratas se separou dos chefes reformistas Em
dezembro, um milhão de operários aproximadamente dos três milhões e meio de trabalhadores industriais da Tchecoslováquia se
opôs, em uma ação revolucionária de massas, ao governo capitalista de seu país. No mês de maio desse ano, o Partido Comunista
Tchecoslovaco se constituiu com aproximadamente 350.0000 membros ao lado do Partido Comunista da Boêmia alemã já formado,
contando com aproximadamente 600.000 membros. Os comunistas constituem assim uma grande parte não só do proletariado mas de
toda a população. O Partido Comunista Tchecoslovaco está colocado hoje diante do problema de atrair, através de unia agitação
verdadeiramente comunista, as massas operárias mais vastas, de instruir os membros novos e antigos, por sua propaganda comunista
clara e sem timidez, sobre a necessidade de unir os operários de todas as nacionalidades da Tchecoslováquia para formar um front
continuo dos proletários contra o nacionalismo, essa cidadela da burguesia na Tchecoslováquia, e transformar, no futuro, essa força
assim criada do proletariado ao longo dos combates contra as tendências opressivas do capitalismo e contra o governo numa potência
invencível. O Partido Comunista da Tchecoslováquia estará tanto mais prontamente à altura dessa missão quanto mais souber com
clareza e decisão vencer todas as tradições e preconceitos centristas, levando uma política que o educará revolucionariamente.
Concentrando as maiores massas do proletariado, estará em condições de preparar ações de massas vitoriosas. O Congresso decide
que os Partidos Comunistas Tchecoslovaco e alemão-boêmio devem fundir suas organizações e formar um Partido único dentro de
um prazo a ser determinado pelo Comitê Executivo.
O Partido Comunista Unificado da Alemanha nasce da união do grupo Spartacus com as massas operárias dos Independentes de
esquerda. Ainda que já seja um grande partido de massas, tem a missão imensa de aumentar sua influência sobre as grandes massas,
de fortalecer as organizações das massas proletárias, conquistar os sindicatos, quebrar a influência do Partido social-democrata e da
burocracia sindical e descobrir, nas lutas futuras do proletariado, os líderes dos movimentos de massas. Esta tarefa principal do
Partido exige que ele aplique aí todos os seus esforços de adaptação, propaganda e organização, que conquiste as simpatias da
maioria do proletariado, sem o que, dado o poder do capital alemão, será impossível a vitória do comunismo na Alemanha.
O Partido Unificado da Alemanha ainda não se mostrou à altura dessa tarefa no que concerne à amplitude e ao conteúdo da
agitação. Ele ainda não soube seguir com lógica o rumo que tomou em sua "carta aberta", opondo os interesses práticos do
proletariado à política traidora dos partidos social-democratas e da burocracia sindical. A imprensa e a organização do Partido
carregam ainda a marca de sociedades, e não de instrumentos e organizações de luta. As tendências centristas que se expressam ainda
nesse Partido e que também não foram superadas levaram, de uma parte, o Partido a uma situação tal que, colocado diante da
necessidade de combate, teve que entrar nele sem preparo suficiente e sem conseguir manter a ligação moral com as massas não-
comunistas. As exigências de ação que brevemente serão impostas ao Partido Comunista Unificado da Alemanha pelo processo de
destruição da economia alemã, pela ofensiva do capital contra as massas operárias, só serão satisfeitas se o Partido, longe de opor a
seu objetivo de ação seus objetivos de agitação e organização, mantiver o espírito de combatividade em sua organização, se der à sua
agitação um caráter realmente popular, se colocar sua organização em condições, desenvolvendo sua ligação com as massas,
colocando da maneira mais criativa a situação da luta e prepara não menos cuidadosamente esta luta.
Os Partidos da Internacional Comunista se tornarão partidos revolucionários de massas se souberem vencer o oportunismo, seus
remanescentes e suas tradições em suas próprias fileiras, procurando ligar-se estreitamente às massas operárias combatentes,
obedecendo a seus objetivos nas lutas práticas do proletariado, rechaçando ao longo dessas lutas a política oportunista de conciliação
e redução de antagonismos insuperáveis, que impede de ver a relação real das forças e as verdadeiras dificuldades do combate. Os
Partidos Comunistas nasceram da cisão dos antigos Partidos Social-democratas. Esta cisão resultou da traição desses partidos durante
a guerra, na aliança com a burguesia e numa política hesitante que procurou evitar toda luta. Os princípios dos Partidos Comunistas
formam o único terreno sobre o qual as massas operárias poderão de novo se reunir, pois esses princípios expressam os desejos de
luta do proletariado. Portanto, atualmente os partidos e as tendências social-democratas e Centristas representam a divisão do
proletariado, enquanto os Partidos Comunistas constituem um elemento de união.
Na Alemanha são os centristas que estão separados da maioria do seu partido, pois essa seguiu a bandeira do comunismo. Com
medo da influência unificadora do comunismo, os social-democratas e os Independentes da Alemanha, assim como a burocracia
sindical social-democrata, recusaram-se a colaborar em ações comuns com os comunistas na defesa dos interesses mais elementares
do proletariado. Na Tchecoslováquia, foram os social-democratas que fizeram ir pelos ares o antigo partido logo que se deram conta
do triunfo do comunismo. Na França, foram os longuetistas que se separaram da maioria dos operários socialistas, enquanto o Partido
Comunista se esforçava para unir os operários socialistas e sindicalistas. Na Inglaterra, foram os reformistas e os centristas que
perseguiram os comunistas do Labour Party, temendo sua influência e sabotaram a concentração dos operários em sua luta contra os
capitalistas. Os Partidos Comunistas se tornaram assim os elementos de união do proletariado em sua luta por seus interesses'
conscientes do seu papel, eles acumularam novas forças.

5. Combates e Reivindicações Parciais


Os Partidos Comunistas só podem se desenvolver na luta. Mesmo os menores Partidos Comunistas não devem se limitar à mera
propaganda e agitação. Eles devem se constituir, em todas as organizações de massa do proletariado, em vanguarda das massas
atrasadas e hesitantes, formulando para elas os objetivos Concretos do combate, incitando-as a lutar por suas necessidades vitais,
indicando a maneira de conduzir a batalha, o que, por si só, revela a traição de todos os partidos não comunistas. Somente sabendo se
colocar à frente do proletariado em todos os seus combates, os Partidos Comunistas poderão ganhar efetivamente as grandes massas
proletárias para a luta pela ditadura.
Toda agitação e propaganda, toda ação do Partido Comunista, devem estar penetradas da convicção de que, sobre o terreno do
capitalismo, é impossível qualquer melhoria da situação das massas proletárias; somente a derrota da burguesia e a destruição do
Estado capitalista permitirão trabalhar para melhorar a situação da classe operária e restaurar a economia nacional arruinada pelo
capitalismo.
Essa convicção, por fim, não deve permitir que se renuncie ao combate pelas reivindicações vitais atuais e imediatas do
proletariado, esperando que ele tenha condições de defendê-las por sua ditadura. A social-democracia que hoje, no momento em que
o capitalismo não está em condições de assegurar aos operários nada mais do que uma existência de escravos contentes, apresenta o
velho programa social-democrata das reformas pacificas, reformas que devem ser realizadas pela via pacífica sobre o terreno e nos
limites do capitalismo em falência. Esta social-democracia engana conscientemente as massas operárias. O capitalismo, em sua fase
de destruição, não só é incapaz de assegurar aos operários as condições mínimas de existência, mas também os social-democratas, os
reformistas de todos os países, provam diariamente que não têm a menor intenção de levar o mais ínfimo combate pela mais modesta
das reivindicações contidas em seu programa.
Reivindicar a socialização ou a nacionalização dos mais importantes setores da indústria, como fazem os partidos centristas, é
também enganar as massas populares. Os centristas não apenas induzem as massas em erro, procurando persuadi-las de que a
sociabilização pode tirar os principais ramos da indústria das mãos do capital sem que a burguesia seja vencida, mas procuram ainda
desviar os operários da luta vital, real por necessidades mais imediatas, fazendo-os esperar uma tomada progressiva das indústrias,
uma após a outra, após o que começará a construção "sistemática" do edifício econômico. Eles retrocedem assim ao programa
mínimo da social-democracia, isto é, à reforma do capitalismo, que é hoje uma verdadeira intrujice contra-revolucionária.
Se no programa de nacionalização - por exemplo, da indústria do carvão - exerce ainda algum papel a idéia lassaliana de fixar
todas as energias do proletariado numa reivindicação única, para fazer dela uma alavanca da ação revolucionária, conduzindo por seu
desenvolvimento à luta pelo poder, nesse caso nós estaremos metidos num delírio: a classe operária sofre hoje em todos os países
capitalistas flagelos tão numerosos e tão assustadores, que é impossível combater todas essas cargas esmagadoras e seus golpes
perseguindo um objeto muito sutil e talvez imaginário. Ao contrário, é preciso tomar cada necessidade das massas como ponto de
partida das lutas revolucionárias que, em seu conjunto, poderão constituir a poderosa corrente da revolução social. Os Partidos
Comunistas não colocam à frente desse combate um programa mínimo para fortalecer e melhorar o edifício vacilante do capitalismo.
A ruína desse edifício é seu alvo, sua tarefa atual. Mas para cumprir essa tarefa, os Partidos Comunistas devem fazer reivindicações,
cuja realização constitua uma necessidade imediata e urgente para a classe operária e eles devem defender essas reivindicações na
luta das massas, sem se inquietar em saber se elas são ou não compatíveis com a exploração usurária da classe capitalista.
Os Partidos Comunistas devem levar em consideração não Só a capacidade de existência e concorrência da indústria capitalista,
não só a força de resistência das finanças capitalistas, mas a extensão da miséria que o proletariado não pode e não deve suportar. Se
essas reivindicações respondem às necessidades vitais das amplas massas proletárias, se essas massas estão convictas de que sem a
realização dessas reivindicações sua existência é impossível, então a luta por essas reivindicações se tornará o ponto de partida da
luta pelo poder. Em lugar do programa mínimo dos reformistas e dos centristas, a Internacional Comunista coloca a luta pelas
necessidades concretas do proletariado, um sistema de reivindicações que em seu conjunto destroem o poderio da burguesia,
organizam o proletariado e constituem as etapas da luta pela ditadura do proletariado. Nesse sistema nenhuma reivindicação isolada
dá sua expressão às necessidades das amplas massas, ainda que essas massas não se coloquem ainda conscientemente sobre o terreno
da ditadura do proletariado.
Na medida em que luta por essas reivindicações abrange e mobiliza massas cada vez maiores, na medida em que essa luta opõe os
interesses vitais das massas aos interesses vitais da sociedade capitalista, a classe operária toma consciência da verdade que, se ela
quiser viver, o capitalismo deverá morrer. Esta constatação fará crescer nela a vontade de combater pela ditadura. E tarefa dos
Partidos Comunistas ampliar as lutas que se desenvolvem em nome dessas reivindicações concretas, aprofundá-las e uni-las entre si.
Toda ação parcial empreendida pelas massas operarias por reivindicações parciais, toda guerra econômica séria, provoca
imediatamente a mobilização de toda a burguesia para proteger seus interesses ameaçados e para tornar impossível qualquer vitória,
ainda que parcial, do proletariado. (Auxílio técnico dos fura-greves burgueses durante a greve dos ferroviários ingleses, fascistas). A
burguesia mobiliza igualmente todo o aparato do Estado para combater os operários (militarização dos operários na Polônia, leis de
exceção durante a greve dos mineiros na Inglaterra). Os operários que lutam por suas reivindicações parciais passam a combater
automaticamente toda a burguesia e seu aparelho de Estado. Na medida em que as lutas por reivindicações parciais, em que as lutas
parciais dos diversos grupos operários crescem como luta geral da classe operária contra o capitalismo, o Partido Comunista tem o
dever de propor palavras de ordem mais elevadas e mais gerais, até atingir aquela da destruição direta do adversário.
Estabelecendo suas reivindicações parciais, os Partidos Comunistas devem velar para que essas reivindicações articuladas com os
interesses das massas, não se limitem a levar as massas á luta, mas que elas sejam de natureza tal que levem as massas a se
organizarem.
Todas as palavras de ordem concretas, com origem nos interesses econômicos das massas operárias, devem ser introduzidas no
plano da luta pelo controle operário, que não será um sistema de organização burocrático, mas a luta contra o capitalismo levada
pelos sovietes industriais e os sindicatos revolucionários. Apenas pela construção de organizações industriais deste tipo, apenas pela
união em setores da indústria em centros industriais, a luta das massas operárias poderá adquirir unidade orgânica, que se fará
oposição à social-democracia e seus líderes sindicais, que se evitará a divisão das massas. Os sovietes industriais somente cumprirão
essa tarefa se nascerem da luta pelos objetivos econômicos comuns às mais amplas massas operárias, se eles criarem a ligação entre
todos os elementos revolucionários do proletariado: o Partido Comunista, os operários revolucionários e os sindicatos em via de
desenvolvimento revolucionário.
Toda objeção às reivindicações parciais desse gênero, toda acusação de reformismo sob o pretexto dessas lutas parciais, decorrem
dessa mesma incapacidade de compreender as condições vivas da ação revolucionária que já se manifestou na oposição de certos
grupos comunistas à participação nos sindicatos e na utilização do parlamento. Não se trata de se limitar a pregar sempre ao
proletariado os objetivos finais, mas de fazer progredir uma luta concreta, que só pode conduzir à luta por esses objetivos finais.
Dizer que as reivindicações parciais estão desvinculadas da base e são estranhas às exigências revolucionárias, é resultado, sobretudo
do fato de as pequenas organizações fundadas pelos comunistas di-los de esquerda, como asilos da pura doutrina, terem sido
obrigadas a levar adiante as reivindicações parciais, quando desejaram entrar nas lutas das massas operárias que eram mais
numerosas do que aquelas agrupadas em torno de si e só tomaram parte nas lutas das grandes massas para influenciá-las.
A natureza revolucionária da época atual consiste precisamente em que as condições de vida das massas operárias são
incompatíveis com a existência da sociedade capitalista, e por esta razão a luta pelas reivindicações mais modestas assume
proporções de uma luta pelo comunismo.
Enquanto os capitalistas aproveitam o exército sempre crescente de desempregados para exercer pressão sobre o trabalho
organizado, tendo cm vista a redução dos salários, os social-democratas, os independentes e os líderes oficiais dos sindicatos
abandonam covardemente os desempregados, considerando-os simplesmente sujeitos da beneficência governamental e sindical,
caracterizando-os politicamente como lupem-proletariado. Os comunistas devem perceber claramente que, nas condições atuais, o
exército industrial de reserva constitui um fator revolucionário de valor colossal. A direção desse exército deve ser tomada pelos
comunistas. Auxiliados pela pressão exercida pelos desempregados sobre os sindicatos, os comunistas devem apressar a renovação
dos sindicatos, em primeiro lugar livrando-os da influência dos líderes traidores. O Partido Comunista, unindo os desempregados à
vanguarda do proletariado na luta pela revolução socialista, evitará que os elementos mais revolucionários e mais impacientes dos
desempregados se joguem em atos isolados e desesperados, e tornará toda a massa capaz de apoiar, em condições favoráveis, o
ataque iniciado por um grupo de proletários, de desenvolver esse conflito para além dos limites dados; em uma palavra, ele
transformará essa massa de exército industrial de reserva em exército ativo da revolução.
Assumindo com a maior energia a defesa dessa categoria de operários, descendo às profundezas da classe operária, os Partidos
Comunistas não representam os interesses de uma categoria contra os de outra, representam os interesses comuns da classe operária,
traída pelos chefes contra-revolucionários, em proveito dos interesses momentâneos da aristocracia operária: mais larga é a camada
de desempregados e de trabalhadores a tempo reduzido, mais seu interesse se transforma em interesse comum da classe operária,
mais os interesses passageiros da aristocracia operária devem se subordinar a esses interesses comuns. O ponto de vista que se apóia
sobre os interesses da aristocracia operária se volta como unia arma contra os desempregados, abandona esses últimos à sua sorte,
divide a classe operária e é contra-revolucionário. O Partido Comunista, como representante do interesse geral da classe operária, não
poderá se furtar a reconhecer e lazer valer pela propaganda este interesse comum. Ele só pode representar eficazmente este interesse
geral conduzindo, em determinadas circunstâncias, o grosso da classe operária mais oprimida e mais empobrecida no combate contra
a resistência da aristocracia operária.

6. A Preparação da Luta
O caráter do período de transição impõe aos Partidos Comunistas o dever de elevar ao mais alto ponto seu espírito de combate.
Cada combate isolado pode conduzir a um combate pelo poder. O Partido só poderá adquirir a causticidade necessária se der ao
conjunto de sua propaganda o caráter de um ataque e apaixonado contra a sociedade capitalista, se ele souber se ligar nessa agitação
às mais amplas massas do povo, se ele souber falar-lhe de maneira que elas possam adquirir a convicção de estar sob a direção de
uma vanguarda que luta efetivamente pelo poder. Os órgãos e os manifestos do Partido Comunista não devem ser publicações que
procurem provar teoricamente a justeza do comunismo; eles devem ser gritos de apelo à revolução proletária. A ação dos comunistas
não deve tender a discutir com o inimigo ou a persuadi-lo, mas desmascará-lo sem reserva e sem piedade, desmascarar os agentes da
burguesia, sacudir a vontade de combate das massas operárias e levar as camadas pequeno-burguesas e semiproletárias do povo a se
juntar ao proletariado. Nosso trabalho de organização nos sindicatos e nos partidos não deve visar a uma construção numérica de
nossas fileiras; ele deve estar penetrado do sentimento das lutas próximas. Só assim o Partido, em todas as suas manifestações de
vida, e em todas as suas forma de organização, será a vontade de combate materializada, estará em condições de cumprir sua missão
nos momentos em que as condições necessárias estiverem unidas às maiores ações combativas.
Nos locais onde o Partido Comunista representa uma força massiva, onde sua influência se estende para além das suas
organizações, atingindo amplas massas operárias, ele tem o dever de incitar pela ação, as massas ao combate. Grandes partidos de
massas não poderão se contentar em criticar a carência de outros Partidos e opor as reivindicações comunistas às deles. Sobre eles,
enquanto partidos de massas, repousa a responsabilidade do desenvolvimento toda revolução. Nos locais onde a situação das massas
operárias se torna cada vez mais intolerável, os Partidos Comunistas devem tentar tudo para levar as massas operárias a lutarem por
seus interesses. E pelo fato de que, na Europa Ocidental e na América, onde as massas operárias estão organizadas em sindicatos e
em partidos políticos, onde, consequentemente, os Partidos Comunistas só poderão contar, até nova ordem, com movimentos
espontâneos em casos muitos raros, que eles (os Partidos Comunistas) têm o dever, usando toda a sua influência nos sindicatos,
aumentando a pressão sobre os outros Partidos, de procurar desencadear o combate pelos interesses imediatos do proletariado. Se os
Partidos não-comunistas se mostrarem constrangidos em participar desse combate, a tarefa dos comunistas consistirá em preparar
antecipadamente as massas operárias para uma possível traição por parte dos Partidos não-comunistas durante uma das fases
ulteriores ao combate, estendendo e agravando o máximo possível a situação, a fim de ser capaz de continuar o combate, se for o
caso, sem os outros Partidos (ver a carta aberta do V. K. P. D., que pode servir de ponto de referência exemplar para outras ações). Se
a pressão do Partido Comunista nos sindicatos e na imprensa não for suficiente para levar o proletariado ao combate num front único,
é então dever do Partido Comunista tentar levar apenas grandes frações das massas operárias. Esta política independente consiste em
defender os interesses vitais do proletariado por sua fração mais consciente e mais ativa, e só terá êxito, só conseguirá sacudir as
massas atrasadas, se os objetivos do combate provierem da situação concreta, se forem compreensíveis às amplas massas e se essas
massas virem nesses objetivos os seus próprios, estando assim em condições de se bater por eles.
O Partido Comunista não deve, entretanto, se limitar a defender o proletariado contra os perigos que o ameaçam, a aparar os
golpes dirigidos contra as massas operárias. O Partido Comunista é, no período da revolução mundial, por sua própria essência, um
Partido de ataque, um Partido de assalto á sociedade capitalista: ele tem o dever, a partir de uma luta defensiva contra a sociedade
capitalista, de aprofundar essa luta, ampliá-la e transformá-la em ofensiva. Além disso, o Partido tem o dever de fazer tudo para
conduzir de uma só vez as massas a esta ofensiva, estando dadas as condições favoráveis.
Aquele que se opõe em princípio à política de ofensiva contra a sociedade capitalista viola as diretrizes do comunismo.
Essas condições consistem, primeiramente, na exasperação dos combates no campo da própria burguesia, nos planos nacional e
internacional. Se as lutas internas, no seio da própria burguesia assumirem uma proporção tal que se possa prever que a classe
operária terá pela frente forças adversas fracionadas e divididas, Partido deve tomar a iniciativa, após uma preparação minucioso no
domínio político, e se possível na organização interior, de conduzir as massas ao combate.
A segunda condição para as saídas, os ataques ofensivos sobre um largo front, é a grande fermentação existente em categorias
determinantes da classe operária, fermentação que permite prever que a classe operária estará pronta a lutar contra o governo
capitalista. Se é indispensável, ainda que o movimento cresça em extensão, acentuar as palavras de ordem, é igualmente um devei
para os dirigentes comunistas do combate, no caso do movimento tomar um caminho inverso, retirar da luta as massas combatentes
com o máximo de ordem e coesão.
A questão de saber se o Partido Comunista deve empregar a ofensiva ou a defensiva depende de circunstâncias concretas. O
essencial é que ele esteja penetrado por um espírito combativo, que triunfe sobre a passividade centrista, que necessariamente faça
penetrar a propaganda do Partido na rotina semi-reformista. Esta disposição constante para a luta deve ser a característica dos grandes
Partidos Comunistas não só porque sobre eles, e também sobre as massas, repousa a carga do combate, mas também em virtude do
conjunto da situação atual: desagregação do capitalismo e pauperização crescente das massas. É necessário reduzir esse período de
desagregação, se não se deseja que todas as bases materiais do comunismo sejam anuladas e que toda a energia das massas operárias
seja destruída durante esse período.

7. Os Ensinamentos da Ação de Março


A ação de março foi uma luta imposta ao Partido Comunista Unificado da Alemanha pelo ataque do governo contra o proletariado
da Alemanha Central.
Durante esse primeiro grande combate que o Partido Comunista Unificado sustentou após a sua formação, ele cometeu uma série
de erros. O principal consistiu em que, sem destacar claramente o caráter defensivo dessa luta, forneceu aos inimigos sem escrúpulos
do proletariado, à burguesia, ao Partido Social-democrata e ao Partido Independente, um pretexto para denunciar o Partido Unificado
ao proletariado como um promotor de putsch. Este erro foi ainda exagerado por um certo número de camaradas do partido,
apresentando a ofensiva como o método essencial de luta do Partido Comunista Unificado da Alemanha na situação atual. Os órgãos
oficiais do partido, bem como seu presidente, o camarada Brandler, já se levantam contra essas faltas.
O III Congresso da Internacional Comunista considera a ação de março do Partido Comunista Unificado da Alemanha como um
passo adiante. O Congresso é de opinião que o Partido Comunista Unificado estará cada vez mais em condições de executar com
sucesso suas ações de massas, que, no futuro, saberá adaptar melhor suas palavras de ordem à situação real, que estudará mais
cuidadosamente esta situação e agirá com mais unidade.
O Partido Comunista Unificado da Alemanha, no interesse de uma apreciação minuciosa das possibilidades de luta, deverá levar
em consideração os fatos e as reflexões, e pesar cuidadosamente a justeza das opiniões que indiquem as dificuldades de ação. Mas, a
partir do instante em que uma ação for decidida pelas autoridades do partido, todos os camaradas deverão se submeter às decisões do
partido e executar essas ações. A crítica a essas ações não pode começar sem que elas tenham sido executadas e só pode ser exercida
no interior do partido e através de suas instâncias, levando em consideração a situação em que se encontra o partido em relação a seus
inimigos de classe.
Desde o momento em que Levi tem menosprezado essas exigências evidentes da disciplina e as condições impostas para a crítica
do partido, o Congresso aprova a sua exclusão do partido e considera como inadmissível toda colaboração política dos membros da
Internacional Comunista para com ele.

8. Formas e Métodos de Combate Direto


As formas e métodos de combate, suas proporções, assim como a questão da ofensiva ou da defensiva, dependem de algumas
condições que não podem ser criadas arbitrariamente. As experiências anteriores da revolução mostraram diferentes formas de ações
parciais:
1) Ações parciais de setores isolados do proletariado, ação dos mineiros, dos ferroviários etc. Na Alemanha, Inglaterra, dos
operários agrícolas etc...
2) Ações parciais do conjunto dos operários com objetivos limitados (a ação durante as jornadas de Kapp, a ação dos mineiros
ingleses contra a intervenção militar do governo inglês durante a guerra russo-polonesa).
Do ponto de vista territorial, essas lutas parciais podem englobar regiões isoladas, países inteiros ou vários países.
A ação de março foi uma luta heróica levada por centenas de milhares de proletários contra a burguesia. E colocando-se
vigorosamente em defesa dos operários da Alemanha Central, o Partido Comunista Unificado da Alemanha prova que ele é realmente
o partido do proletariado revolucionário alemão.
Todas essas formas de combate estão destinadas, ao longo do processo revolucionário em cada país, a se sucederem umas às
outras por várias vezes. O Partido Comunista não pode, evidentemente, se recusar às ações parciais territorialmente limitadas, mas
seus esforços devem tender a transformar todo combate local mais importante em uma luta geral do proletariado. Também tem o
dever, para defender os operários de um setor da indústria que estejam em luta, de chamar para um novo ataque, se possível, toda a
classe operária, assim como é obrigado, para defender os operários em luta por uma questão dada, a mobilizar, sempre que possível,
os operários dos outros centros industriais. A experiência da revolução mostra que quanto maior o campo de batalha, maiores são as
perspectivas de vitória. Em sua luta contra a revolução mundial, a burguesia se desenvolve e se apóia, de uma parte, sobre as
organizações de guardas brancas, de outra parte no esmagamento efetivo da classe operária e sobre a lentidão real na formação do
front proletário. Quanto maiores são as massas do proletariado que entram na arena, maior é o campo de batalha - e mais o inimigo
deverá dividir e disseminar suas forças. Mesmo que os outros partidos da classe operária venham em auxílio de uma parte do
proletariado em apuros, não são capazes, atualmente, de engajar a totalidade de suas forças na luta para sustentá-la, sua única
intervenção obriga os capitalistas a dividir suas forças militares, pois eles não podem saber qual a extensão e qual rumo tomará a sua
participação no combate ao restante do proletariado.
Durante o ano passado, ao longo do qual nós observamos uma ofensiva cada vez mais arrogante do capital contra o trabalho,
vimos ao mesmo tempo em todos os países a burguesia, não contente com o trabalho seus organismos políticos, criar organizações de
guardas brancas, legais ou semilegais, mas sempre com a proteção do Estado e que desempenham um papel determinante em todo
grande conflito econômico e político.
Na Alemanha, é Orgesch, sustentado pelo governo e compreendendo os partidos de todos os matizes de Stinnes a Scheidermann.
Na Itália, são os fascistas, cujas proezas "heróicas" de bandidos modificaram o estado de espírito da burguesia e criaram a ilusão
de uma transformação completa das relações entre as forças políticas.
Na Inglaterra, o governo de Lloyd George, para se opor ao perigo grevista, se dirigiu aos voluntários, cuja tareia consiste em
"proteger a propriedade e a liberdade de trabalho", tanto pela substituição dos grevistas como pela destruição de suas organizações.
Na França, o jornal semi-oficial Le Temps, inspirado pela corja de Millerand, conduz uma propaganda enérgica em favor do
desenvolvimento das "ligas cívicas" já existentes e da implantação de métodos fascistas em solo francês.
As organizações de fura-greves e assassinos que o regime americano de liberdade mantém possuem um órgão dirigente sob a
forma da Legião Americana, que subsiste após a guerra.
A burguesia, que conta com sua força e que se gaba de sua solidez, sabe perfeitamente, através de seus governantes, que ela só
obtém assim um momento de repouso e que nas condições atuais toda grande greve tende a se transformar em guerra civil e em luta
imediata pelo poder.
Na luta do proletariado contra a ofensiva do capital, é dever dos comunistas não só tomar os primeiros lugares e instruir os
combatentes a compreenderem os objetivos essenciais para realizar uma revolução mas, também, se apoiar nos melhores e mais
ativos elementos nas empresas e sindicatos para criar seu próprio grupo operário e suas próprias organizações de luta para opor
resistência aos fascistas e fazer a "juventude dourada" da burguesia perder o hábito de agredir os grevistas.
Em razão da importância excepcional das tropas de ataque contra-revolucionário, o Partido Comunista e os núcleos comunistas
nos sindicatos, devem prestar a máxima atenção à questão do trabalho de união e instrução, de vigilância constante a exercer sobre os
órgãos de luta, sobre as forças das guardas brancas, Estados-maiores, seus depósitos de armas, a ligação de seus quadros com a
polícia, com a imprensa e os partidos políticos, e da preparação prévia de todas as particularidades necessárias de defesa e contra-
ataque.
O Partido Comunista deve, desta maneira, inculcar nas mais amplas camadas do proletariado, por atos e palavras, a idéia de que
todo conflito econômico ou político pode, no caso de um concurso favorável de circunstâncias, se transformar em guerra civil ao
longo da qual será tarefa do proletariado tomar o poder político.
O Partido Comunista, diante dos atos de terror branco e da raiva da ignóbil caricatura de justiça dos tribunais, manterá
constantemente no seio do proletariado a idéia de que ele não deve, no momento da sublevação, se deixar enganar pelos apelos do
adversário à doçura, mas, ao contrário, por atos de jurisdição popular organizada, dar expressão à justiça proletária e ajustar suas
contas com os carrascos de sua classe. Mas no momento em que o proletariado está apenas no início de seu trabalho, quando se trata
ainda de mobilizar para a agitação através das campanhas políticas e greves, o uso de armas e atos de sabotagem só são úteis quando
servem para impedir o avanço das tropas contra as massas proletárias combatentes ou deslocar o adversário de uma posição mais
vantajosa na luta direta. Atos de terrorismo individual, quaisquer que sejam, devem ser apreciados como prova, como sintoma da
efervescência revolucionária e, ainda que defensáveis em vista da "lei de Lynch" da burguesia e seus lacaios social-democratas, não
são capazes, de forma alguma, de elevar o nível de organização e a disposição de combate do proletariado, pois eles criam nas massas
a ilusão de que atos heróicos isolados podem suprir a luta revolucionária do conjunto do proletariado.

9. A Atitude em Relação as Camadas Médias do Proletariado


Na Europa Ocidental não existe outra classe que, fora do proletariado, possa ser um fator determinante da revolução mundial,
como foi o caso da Rússia, onde a classe camponesa estava destinada, desde o início, graças à guerra e à falta de terra, a ser fator
decisivo no combate revolucionário ao lado da classe operária.
Na Europa Ocidental há partidos de camponeses, de grandes frações da pequena burguesia urbana, uma larga camada desse novo
Terceiro Estado, compreendendo os empregados etc..., que estão em condições de vida cada vez mais intoleráveis. Sob a pressão da
elevação do custo de vida, da crise de habitação, da incerteza de sua situação, essas massas entram numa fermentação que as faz
saírem de sua inatividade política e as coloca no combate entre a revolução e a contra-revolução. A ruína do capitalismo nos países
vencidos, a bancarrota do pacifismo e das tendências social-reformistas no campo da contra-revolução declarada nos países
vitoriosos, empurram uma parte dessas camadas médias para o campo da revolução. O Partido Comunista deve conceder a essas
camadas uma atenção permanente.
Conquistar o pequeno camponês para as idéias comunistas, conquistar e organizar o trabalhador agrícola, eis uma das condições
preliminares mais essencial para vitória da ditadura do proletariado, pois ela permite transportar a revolução dos centros industriais
aos campos e criar para ela pontos de apoio os mais importantes para resolver a questão do abastecimento, que é a questão vital da
revolução.
A conquista de círculos cada vez mais vastos de empregados do comércio e da indústria, de funcionários inferiores e de círculos
intelectuais facilitará à ditadura do proletariado, durante o período de transição entre o capitalismo e o comunismo, a solução de
questões técnicas, organização da indústria, administração econômica e política. Ela levará a desordem às fileiras do inimigo e
cessará o isolamento do proletariado diante da opinião pública.
Os Partidos Comunistas devem observar atentamente a fermentação das camadas pequeno-burguesas; devem utilizar essas
camadas de maneira mais apropriada, mesmo que elas não estejam libertas das ilusões pequeno-burguesas. Elas devem incorporar as
frações dos intelectuais e empregados livres dessas ilusões ao front proletário e colocá-las a serviço do arrebatamento das massas
pequeno-burguesas em fermentação.
A ruína econômica e o abalo das finanças públicas que dela resulta compele a própria burguesia a abandonar a base de seu próprio
aparelho governamental, os funcionários inferiores e médios, a um empobrecimento crescente. Os movimentos econômicos que se
produzem nesses setores, atingem diretamente a estrutura do Estado burguês, e mesmo que ele se fortaleça ocasionalmente, fica cada
vez mais impossibilitado de assegurar a existência material do proletariado mantendo seus sistemas de exploração. Tomando a defesa
das necessidades econômicas dos funcionários médios e inferiores com toda a força de ação e sem considerar o estado das finanças
públicas, os Partidos Comunistas executam o trabalho preliminar eficaz para a destruição das instituições governamentais burguesas e
preparam os alicerces do edifício governamental proletário.

10. A Coordenação Internacional da Ação


Para que todas as forças da Internacional Comunista possam se colocar em ação, a fim de romper o front da contra-revolução
internacional e acelerar a vitória da revolução, é necessário se esforçar para dar à luta revolucionária uma direção internacional única.
A Internacional Comunista impõe a todos os Partidos Comunistas o dever de se prestar reciprocamente o apoio mais enérgico no
combate. As lutas econômicas que se desenvolvem exigem, onde quer que ocorram, a intervenção do proletariado dos Outros países.
Os comunistas devem atuar fios sindicatos para que esses últimos impeçam por todos os meios não somente a introdução dos fura-
greves, mas também boicotem a exportação para os países cm que uma parte importante do proletariado esteja em luta. No caso do
governo capitalista de um outro país tomar medidas de violência contra um outro país para pilhá-lo ou subjugá-lo, é dever dos
Partidos Comunistas não se contentar com simples protestos, mas fazer tudo para impedir a expedição de extorsão do seu governo.
O III Congresso da Internacional Comunista saúda os Comunistas franceses por suas manifestações vendo nelas o começo de sua
ação contra o papel contra-revolucionário rapace do capital francês. Ele lembra seu dever de trabalhar com todas as suas forças para
que os soldados franceses dos países ocupados compreendam seu papel de carrasco a serviço do capital francês e se sublevem contra
a missão vergonhosa que lhes é atribuída. É tarefa do Partido Comunista Francês fazer entrar na consciência do povo francês que,
tolerando a formação de um exército de ocupação francês imbuído de espírito nacionalista, nutre seu próprio inimigo. Nas regiões
ocupadas, as tropas se exercitam para logo em seguida afogar em sangue o movimento revolucionário da classe operária francesa. A
presença de tropas negras em solo francês e regiões ocupadas impõe ao Partido Comunista Francês tarefas particulares. Esta presença
dá ao Partido Francês a possibilidade de atingir esses escravos coloniais, de explicar-lhes que eles servem seus exploradores e seus
carrascos e incitá-los à luta contra o regime dos colonizadores, de estabelecer por seu intermédio relações com as populações das
colônias francesas.
O Partido Comunista Alemão, por sua ação, deve fazer o proletariado compreender que nenhuma luta contra sua exploração pelo
capital ententista é possível sem derrotar o governo capitalista alemão que, apesar de sua gritaria contra a Entente, se constitui no
serviçal e no executor da política do capital da Entente. Apenas por uma luta violenta e sem reservas contra o governo alemão, que
não encontra uma saída para o imperialismo alemão em bancarrota, mas que se aplica em desobstruir o terreno das ruínas do
imperialismo alemão, o V.K.P.D. estará em condições de aumentar nas massas proletárias da França a vontade de lutar contra o
imperialismo francês.
A Internacional Comunista, que denunciou ao proletariado internacional as intenções do capital da Entente nas indenizações de
guerra como uma campanha de pilhagem contra as massas trabalhadoras dos países vencidos, que enfraqueceu as tentativas
longuetistas e dos independentes alemães para dar uma certa forma a essa pilhagem que é muito dolorosa para as massas operárias,
que os denunciou como uma covarde capitulação diante dos tubarões da Bolsa da Entente, a Internacional Comunista mostra ao
mesmo tempo ao proletariado francês e alemão a única via capaz de conduzir à reconstrução da regiões destruídas, à indenização das
viúvas e órfãos, convidando os proletários dos dois países à luta contra seus exploradores.
A classe operária alemã só pode ajudar o proletariado russo em sua difícil luta se, por sua luta vitoriosa, acelerar a união da
Rússia agrícola com a Alemanha industrial.
É dever dos Partidos Comunistas de todos os países, cujas tropas participam da escravidão e despedaçamento da Turquia, colocar
em ação todos os meios para revolucionar essas tropas.
Os Partidos Comunistas dos países balcânicos têm o dever de empregar todas as forças das massas sob sua influência para
substituir o nacionalismo pela criação de uma confederação balcânica comunista, de não se omitir em nada para aproximar o
momento da vitória. O triunfo dos Partidos Comunistas na Bulgária e na Sérvia, que derrotará o ignóbil regime de Horty e eliminará
o caráter feudal dos "boyars" romenos estenderá à maioria dos países vizinhos desenvolvidos a base agrícola necessária à revolução
italiana.
Sustentar sem reservas a Rússia dos Sovietes permanece como o dever predominante dos comunistas de todos os países. Eles não
devem apenas se levantar a maneira mais enérgica contra qualquer ataque contra a Rússia Soviética; eles devem também se empenhar
com toda a sua energia para suprimir os obstáculos que os países capitalistas interpõem às relações da Rússia Soviética com o
mercado mundial e com todos os povos. É necessário que a Rússia Soviética consiga restabelecer sua economia, atenuar a imensa
miséria causada por três anos de guerra imperialista e três anos de guerra civil, é necessário que ela recupere a capacidade de trabalho
de suas massas populares para que possa ajudar no advento de Estados proletários do Ocidente, fornecendo-lhes víveres e matérias-
primas e protegendo-os do estrangulamento pelo capital norte-americano.
Não é apenas com manifestações por ocasião de acontecimentos particulares, mas aperfeiçoando a ligação internacional entre os
comunistas em sua luta comum constante sobre um front ininterrupto que consiste o papel da política universal da Internacional
Comunista. Sobre qual setor desse front acontecerá o levante vitorioso do proletariado - na Alemanha capitalista com seu proletariado
submetido a uma opressão extrema da burguesia alemã e ententista e colocada diante da alternativa de morrer ou vencer, será nos
países agrícolas do sudeste, ou na Itália, onde a demolição da burguesia está bastante avançada - não se pode afirmar de antemão. É
dever da Internacional Comunista intensificar ao extremo o esforço sobre todos os setores do front mundial do proletariado, e é dever
dos Partidos Comunistas fazer tudo para apoiar as lutas decisivas de cada seção da Internacional Comunista com todos os meios que
estiverem ao seu alcance. Esta ligação deve acontecer antes de tudo, tão logo uma grande crise comece num país, e os outros Partidos
Comunistas se esforçarão para aguçar e fazer extravasar todos os conflitos interiores.

11. A Ruína das Internacionais 2 e 2 e 1


O terceiro ano de existência da Internacional Comunista testemunhou uma derrota completa dos Partidos Social-democratas e dos
líderes sindicais reformistas, que foram desmascarados e postos a nu.
Mas este ano viu também sua tentativa para se agruparem em uma organização e tomar a ofensiva contra a Internacional
Comunista.
Na Inglaterra, os chefes do Labour Party e das trade-unions mostraram durante a greve dos mineiros que seu objetivo não consiste
noutra coisa que confundir conscientemente o front proletário em formação e defender os capitalistas contra os operários. A ruína da
Tríplice Aliança forneceu a prova de que os líderes sindicais reformistas não estão nem um pouco dispostos a lutar pela melhoria da
sorte do proletariado nos limites do capitalismo.
Na Alemanha, o Partido Social-democrata, saído do governo, provou que é incapaz de conduzir uma simples oposição de
propaganda, tal como fez a antiga social-democracia antes da guerra. A cada gesto de oposição, este Partido preocupava-se
unicamente em não desencadear nenhuma luta da classe operária. Encontrando-se ainda supostamente em oposição ao Reich, o
Partido Social-democrata organizou na Prússia a expedição das guardas brancas contra os mineiros da Alemanha central, a fim de
provocá-los para a luta armada, o que ele mesmo confessou, antes que as fileiras comunistas estivessem em condições de combate.
Diante da capitulação da burguesia alemã perante a Entente, diante do fato evidente de que essa burguesia só saberá executar as
condições ditadas pela Entente tornando completamente intolerável a existência do proletariado alemão, a social-democracia alemã,
voltou ao governo para ajudar a burguesia a transformar o proletariado alemão em rebanho de idiotas.
Na Tchecoslováquia, a social-democracia mobiliza o exército e a polícia para tirar dos operários comunistas a posse de seus
prédios e instituições.
O Partido Socialista Polonês, com sua tática enganosa, ajuda Pilsudski a organizar sua expedição de pilhagem contra a Rússia
Soviética. Ele ajuda seu governo a jogar nas prisões milhares de comunistas, procurando expulsá-los dos sindicatos, onde, apesar de
todas as perseguições, reúnem ao seu redor massas cada vez maiores.
Os social-democratas belgas permanecem num governo que participa da escravização completa do povo alemão.
Os partidos e os grupos centristas da Internacional 2 e 1 não se mostram menos odiosos que os partidos da contra-revolução.
Os Independentes da Alemanha repudiam brutalmente a convocação do Partido Comunista de levar em comum a luta contra o
agravamento das condições de vida da classe operária, apesar das divergências de princípios. Ao longo das jornadas de março, eles
tomaram deliberadamente o partido do governo das guardas brancas contra os operários da Alemanha central para, em seguida, após
denunciar à opinião pública burguesa as fileiras avançadas do proletariado como um bando de ladrões e salteadores, se lamentam do
hipocritamente desse mesmo terror branco. Apesar de terem assumido, no Congresso de Halle, o compromisso de sustentar a Rússia
Soviética, os Independentes empreendem uma campanha de calúnias em sua imprensa contra a República dos Sovietes da Rússia.
Eles entram para as fileiras da contra-revolução com Wrangel, Miloukov e Bourtsev, sustentando o levante de Cronstadt contra a
República dos Sovietes, levante que manifesta os fins de uma nova tática da contra-revolução internacional em relação à Rússia:
destruir o Partido Comunista da Rússia, a alma, o coração, a coluna vertebral e o sistema nervoso da República Soviética para matar
essa última e em seguida varrer seu cadáver.
Juntos aos alemães Independentes, os longuetistas franceses se associam a esta campanha e se juntam publicamente à contra-
revolução francesa, que, como se sabe, inaugurou esta nova tática em relação à Rússia.
Na Itália, a política dos grupos de centro, de Seirati e de Aragona, a política de recuo diante de toda luta deu novo alento à
burguesia e também a possibilidade em meio aos bandos brancos fascistas, de dominar a vida na Itália.
Os partidos do centro e da social-democracia diferem entre si apenas pelas frases, a união dos dois grupos numa Internacional
única só momentaneamente não está consumada.
Os partidos centristas uniram-se em fevereiro numa associação internacional separada com uma plataforma política e estatutos
especiais. Esta Internacional 2 e 1 oscila entre as palavras de ordem da democracia e da ditadura do proletariado. Na prática ela não
ajuda apenas a classe capitalista em cada país, cultivando o espírito de indecisão na classe operária, mas diante das ruínas acumuladas
pela burguesia internacional, diante da submissão de uma parte do mundo à vontade dos países capitalistas vitoriosos da Entente, ela
oferece seus conselhos à burguesia para realizar seu plano de pilhagem sem desencadear as forças revolucionárias das massas
populares. A Internacional 2 e 1 se distingue da II Internacional unicamente por juntar ao medo comum do poder do capital que une
reformistas e centristas, o medo de perder, formulando claramente seu ponto de vista, o que ainda lhe resta de influência sobre as
massas ainda indecisas, mas de sentimento revolucionário. A identidade política essencial dos reformistas e dos centristas encontra
sua expressão na defesa comum da Internacional Sindical de Amsterdã, último bastião da burguesia mundial. Unindo-se, em todos os
lugares onde exercem influência sobre os sindicatos, aos reformistas e à burocracia sindical para combater os comunistas,
respondendo às tentativas de revolucionar os sindicatos com a exclusão dos comunistas e com a cisão dos sindicatos, os centristas
provam que, tanto como os social-democratas, eles são adversários decididos da luta do proletariado e aliados da contra-revolução.
A Internacional Comunista deve, como fez até o presente, empreender a luta mais decidida não somente contra a Internacional
Sindical de Amsterdã, mas também contra a Internacional 2 e 1. Apenas essa luta sem misericórdia mostra cotidianamente às massas
que as necessidades mais simples e mais imediatas dos social-democratas e centristas estão longe da classe operária, que a
Internacional Comunista pode tirar desses agentes da burguesia sua influência sobre a classe operária, que eles não têm a menor
intenção de lutar para vencer o capitalismo, nem de lutar pela classe operária.
Para essa luta ser vitoriosa, ela deve sufocar no germe toda tendência e todo ataque centrista em suas próprias fileiras e provar por
sua ação cotidiana que ela é a Internacional da ação comunista não da frase e da teoria comunistas. A Internacional Comunista é a
única organização do proletariado internacional capaz, por seus princípios, de dirigir a luta contra o capitalismo. Ela deve fortalecer
sua coesão interna, sua direção internacional, sua ação, para que possa atender aos objetivos a que se propôs em seus estatutos: a
organização de ações comuns dos proletários de diferentes países que perseguem um objetivo comum: a destruição do capitalismo e o
estabelecimento da ditadura do proletariado e de uma República Soviética Internacional.

RESOLUÇÃO SOBRE O RELATÓRIO DO COMITÊ EXECUTIVO


É com satisfação que o Congresso toma conhecimento do relatório do Comitê Executivo e constata que a política e a atividade do
Comitê Executivo, no decorrer do ano, teve por objetivo a realização das decisões do 2° Congresso. O Congresso aprova em
particular a aplicação, pelo Comitê Executivo, nos diferentes países, das 21 condições formuladas pelo 2º Congresso. Aprova
igualmente a atividade do Comitê Executivo no sentido de favorecer a formação de grandes Partidos Comunistas de massas e a luta
decidida contra as tendências oportunistas que se manifestaram nesses partidos.
1. Na Itália, a atitude tomada pelo grupo de líderes em torno de Serrati imediatamente após o 2º Congresso Mundial mostrou que
ele não tinha vontade de realizar seriamente as decisões do Congresso Mundial e da Internacional Comunista. Esse É apenas o papel
desempenhado pelo grupo de líderes durante as lutas de setembro; sua atitude em Livourne e, mais ainda, a política adotada
posteriormente, demonstraram claramente que eles desejam se servir do comunismo, como de uma insígnia, escondendo sua política
oportunista. Nessas condições, a cisão ê inevitável. O Congresso aprova a intervenção decidida e firme do Executivo nesse caso, que
tem para a Internacional Comunista uma importância de princípio. Aprova a decisão do Comitê Executivo, reconhecendo
imediatamente o Partido Comunista da Itália como única seção comunista nesse pais.
Confirmando as decisões em virtude das quais Partido Socialista Italiano aderiu à III Internacional, aceitando sem reservas os
princípios fundamentais, o 18º Congresso protesta contra a exclusão desse partido da Internacional Comunista - exclusão que foi-lhe
notificada pelo representante do Executivo, seguida de divergências de visão sobre questões locais e detalhes que se poderia e deveria
superar através de explicações amigáveis e de um entendimento fraternal.
Confirmando sua adesão plena e inteira à III Internacional, declara remeter a questão ao próximo Congresso para solucionar o
conflito e se compromete, desde já, submeter-se à sua decisão e aplicá-la.
Após a saída dos comunistas do Congresso de Livourne, o Congresso adotou a seguinte resolução, apresentada por Bentivoglio:
O 3º Congresso Mundial da Internacional Comunista está persuadido de que esta resolução se impõe aos grupos do chefe Serrati
pelos operários revolucionários. O Congresso espera que os elementos revolucionários e proletários façam todo possível, após as
decisões do 3º Congresso Mundial, para colocar essas decisões em execução.
O Congresso Mundial, em resposta ao convite do Congresso de Livourne, declara categoricamente:
Desde longo tempo que o PSI não havia excluído aqueles que participaram da conferência, o Partido Socialista Italiano não pode
participar da Internacional Comunista.
Se esta condição preliminar e inarredável for cumprida, o Congresso Mundial encarregará o Comitê Executivo de empreender as
diligências necessárias para unir o PSI, purificado dos elementos reformistas, e o PCI numa seção unificada da Internacional
Comunista.
2. Na Alemanha, o Congresso do Partido Socialista Independente tendeu a ser em Halle a continuidade às decisões do 2º
Congresso Mundial que executou o balanço da evolução do movimento operário. A intervenção do Executivo tendia à formação de
um partido comunista na Alemanha e a experiência mostrou que esta política era justa.
O Congresso aprova inteiramente a atitude do Executivo nos acontecimentos ulteriores que se desenvolveram no interior do
Partido Comunista Unificado da Alemanha. O Congresso espera do Comitê Executivo que ele aplique também os princípios da
disciplina revolucionária internacional.
3. A admissão do Partido Comunista Operário da Alemanha, na condição de partido simpatizante da Internacional Comunista,
tinha por objetivo assegurar por esta prova o desenvolvimento do partido no sentido da Internacional Comunista. O período decorrido
é suficiente para concluir em relação a isso. É tempo de solicitar ao Partido Comunista Operário da Alemanha a filiação, num prazo
determinado, ao partido comunista ou, em caso contrário, decidir sua exclusão da Internacional Comunista no que respeita a partido
simpatizante.
4. O Congresso aprova a maneira como o Comitê Executivo aplicou as 21 condições ao Partido Francês, o que permitiu subtrair
grandes massas operárias no caminho do comunismo à influência dos oportunistas longuetistas e centristas e acelerar essa evolução.
O Congresso espera do Executivo que ele contribua assim para o desenvolvimento do Partido a fim de fortalecer a clareza de seus
princípios e sua força combativa.
5. Na Tchecoslováquia, o Comitê Executivo agiu com paciência, levando em conta a totalidade da situação do desenvolvimento
revolucionário de um proletariado que já deu provas de sua vontade e sua qualidade de combate. O Congresso aprova a resolução do
CE. Que ele vele pela aplicação integral, também no Partido Tchecoslovaco, das 21 condições e que se empenhe na formação, num
breve período, de um Partido Comunista forte. É necessário realizar o mais rápido possível a luta sistemática pela conquista dos
sindicatos e sua reunificação internacional.
"O Congresso aprova a atividade do Executivo no Oriente Próximo e no Extremo Oriente e saúda o início da propaganda enérgica
do Executivo nesses países. O Congresso estima que é necessário intensificar aí o trabalho de organização".
Enfim, o Congresso repudia os argumentos opostos pelos adversários abertos ou mascarados do comunismo contra uma forte
centralização internacional do movimento comunista. Ele, ao contrário, é de opinião que os Partidos Comunistas, indissoluvelmente
ligados, têm necessidade de uma direção política central, dotada de mais iniciativa e energia ainda, o que pode ser assegurado pelo
envio ao CE de suas melhores forças. Assim, por exemplo, a intervenção do Executivo na questão do desemprego e das indenizações
não foi nem tão rápida nem tão eficaz. O Congresso espera que o Executivo, sustentado por uma colaboração reforçada dos partidos
afiliados, melhore o sistema de ligação com os partidos. A participação reforçada dos delegados dos partidos no Executivo permitir-
lhe-á melhor cumprir as tarefas crescentes que lhe cabem.

TESES SOBRE A ESTRUTURA, OS MÉTODOS E A AÇÃO DOS PARTIDOS COMUNISTAS

I. Generalidades
1. A organização do Partido deve se adaptar às condições e aos objetivos de sua atividade. O Partido Comunista deve ser a
vanguarda, o exército dirigente do proletariado, durante todas as fases de sua luta de classes revolucionária, e durante o período de
transição em direção à realização do socialismo, primeiro degrau da sociedade comunista.
2. Não pode haver nele uma forma de organização imutável e absolutamente conveniente para todos os partidos comunistas. As
condições da luta proletária se transformam constantemente e, conforme essas transformações, as organizações da vanguarda do
proletariado devem também procurar constantemente formas novas e adequadas. As particularidades históricas de cada país
determinam também formas especiais de organização para os diferentes países.
Sobre esta base deve se desenvolver a organização dos Partidos Comunistas e não tender à formação de algum novo partido
modelo no lugar daquele já existente ou procurar uma forma de organização absolutamente correta ou com estatutos ideais.
3. A maioria dos Partidos Comunistas, assim como a Internacional Comunista e o conjunto do proletariado revolucionário do
mundo inteiro, concordam, nas condições de sua luta, que devem lutar contra a burguesia dominante. A vitória sobre ela, a conquista
do poder arrancado à burguesia, constitui para esses partidos e para sua Internacional o objetivo principal.
Portanto, o essencial para o trabalho de organização dos Partidos Comunistas nos países capitalistas, é definir uma organização
que torne possível a vitória da revolução proletária sobre as classes possuidoras e que a assegure.
4. Nas ações comuns, é indispensável para o sucesso ter uma direção, isto é necessário sobretudo em função dos grandes
combates da história mundial. A organização de Partidos Comunistas é a organização da direção comunista da revolução proletária.
Para bem guiar as massas, o Partido tem necessidade de uma boa direção. A tareia essencial de organização que se impõe a nós é
a seguinte: formação, organização e educação de um Partido Comunista puro e realmente dirigente para guiar o movimento
revolucionário proletário.
5. A direção da luta social-revolucionária supõe, nos Partidos Comunistas e em seus órgãos dirigentes, a combinação do maior
poder de ataque e da mais perfeita adaptação às condições cambiantes da luta.
Uma boa direção supõe, além do mais, a ligação da maneira mais absoluta e mais estreita com as massas proletárias. Sem essa
Ligação, o Comitê diretor não guiará jamais as massas, só poderá, no melhor dos casos, segui-las.
Essas relações orgânicas devem ser obtidas nas organizações do Partido Comunista pelo centralismo democrático.

II. O Centralismo Democrático


6. O centralismo democrático na organização do Partido Comunista deve ser uma verdadeira síntese, uma fusão da centralização e
da democracia operária. Essa fusão só pode ser obtida por uma atividade comum permanente, por uma luta igualmente comum e
permanente do conjunto do Partido.
A centralização no Partido Comunista não deve ser formal e mecânica; deve ser uma centralização da atividade comunista; isto é,
a formação de uma direção poderosa, pronta para o ataque e ao mesmo tempo capaz de adaptação.
Uma centralização formal ou mecânica será apenas a centralização do "poder" nas mãos de uma burocracia para dominar os
outros membros do partido ou as massas do proletariado revolucionário exteriores ao partido. Mas só os inimigos do comunismo
podem pretender que, por essas funções de direção da luta proletária e pela centralização dessa direção, o Partido Comunista queira
dominar o proletariado revolucionário. Isso é uma mentira e, além do mais, no interior do Partido a luta pela dominação ou um
antagonismo de autoridades é incompatível com os princípios adotados pela Internacional Comunista relativamente ao centralismo
democrático.
Nas organizações do velho movimento operário não-revolucionário, se desenvolveu um dualismo da mesma natureza que nas
organizações do Estado burguês. Falamos do dualismo entre a burocracia e o "povo". Sob a influência burguesa, as funções se
isolaram e a comunidade do trabalho foi substituída por uma democracia puramente formal, e a própria organização se dividiu em
funcionários ativos e numa massa passiva. O movimento operário revolucionário herda do meio burguês, até um certo ponto,
inevitavelmente, esta tendência ao formalismo e ao dualismo.
O Partido Comunista deve superar radicalmente esses antagonismos por um trabalho sistemático, político e de organização pelas
melhorias e revisões repetidas.
7. Um grande Partido Socialista, transformando-se em Partido Comunista, não deve se limitar a concentrar em sua direção central
a função de autoridade, deixando subsistir para o resto o antigo estado de coisas. Se a centralização não deve ser letra morta, mas se
transformar em fato real é necessário que sua realização se cumpra de maneira que ela seja, para os membros do partido, um reforço
e um desenvolvimento, realmente justificados, de sua atividade e de sua combatividade comum. De outro modo, ele aparecerá para as
massas como simples burocratização do Partido e provocará assim uma oposição a toda centralização, toda direção e toda disciplina
estrita. O anarquismo é antípoda do burocratismo.
Uma democracia puramente formal no Partido não pode descartar nem as tendências burocráticas, nem as tendências anárquicas,
pois é precisamente sobre a base desta democracia que a anarquia e a burocracia se desenvolveram no movimento operário. Por esta
razão, a centralização, isto é, o esforço para obter uma direção forte, não pode ter sucesso se se tentar obtê-la no terreno da
democracia formal. É então indispensável, antes de tudo, desenvolver e manter contato vivo e relações mútuas entre o Partido e as
massas do proletariado que lhe pertencem.

III O Dever do Trabalho dos Comunistas


8. O Partido Comunista deve ser uma escola de trabalho do marxismo revolucionário. É pelo trabalho cotidiano comum nas
organizações do Partido que se estreitarão os laços entre os diferentes grupos e os diferentes membros.
Nos Partidos Comunistas legais, falta ainda hoje a participação regular da maioria dos membros no trabalho político cotidiano. É
o seu maior defeito e a causa de uma incerteza perpétua de seu desenvolvimento.
9. O perigo que sempre ameaça um Partido operário que ensaia seus primeiros passos em direção à transformação comunista é o
de se contentar com a aceitação de um programa comunista e substituir sua propaganda e sua doutrina precedente por aquela do
comunismo e de somente substituir os funcionários hostis a esta doutrina. Mas a adoção de um programa comunista é apenas a
vontade de ser comunista. Se a isso não se acrescentarem ações comunistas e se, na organização do trabalho político, a passividade da
massa dos membros for mantida, o Partido não cumprirá a mínima parte do que promete ao proletariado pela aceitação de um
programa comunista. A primeira condição de uma realização séria desse programa é, pois, o exercício de todos os membros no
trabalho cotidiano permanente.
A arte da organização comunista consiste em utilizar tudo e todos na luta proletária de classes, em repartir racionalmente entre
todos os membros do Partido o trabalho político e, por seu intermédio, levar as grandes massas do proletariado ao movimento
revolucionário, a manter firmemente em suas mãos a direção do conjunto do movimento, não pela força do poder, mas pela força da
autoridade, isto é, aquela da energia, da experiência, da capacidade e da tolerância.
10. Todo Partido Comunista deve, então, em seus esforços para ter apenas membros verdadeiramente ativos, exigir de cada um
dos que figuram em suas fileiras que coloque à disposição de seu partido sua força e seu tempo, na medida em que possa dispor, nas
circunstâncias dadas, e sempre consagrar ao partido o melhor de si. Para ser membro do Partido Comunista, é necessário, de maneira
geral, além da convicção comunista, cumprir também as formalidades da inscrição, primeiro como candidato e, em seguida, como
membro. É necessário pagar regularmente as cotizações estabelecidas, a assinatura do jornal do Partido etc. Mas o mais importante é
a participação de cada um no trabalho político cotidiano.
11. Todo membro do Partido deve, de maneira geral, em vista do trabalho político cotidiano, ser incorporado num pequeno grupo
de trabalho: num comitê, numa comissão, grupo de estudos, fração ou núcleo. Apenas dessa maneira o trabalho político pode ser
repartido, dirigido e cumprido regularmente.
Não é preciso dizer que é necessário participar das reuniões gerais das organizações locais. É mau, nas condições legais, procurar
substituir essas reuniões periódicas por representações locais; é preciso, ao contrário, que todos os membros sejam obrigados a
assistir regularmente a essas reuniões. Mas isso não é suficiente. A preparação regular dessas reuniões impõe um trabalho feito em
pequenos grupos ou por camaradas especialmente encarregados, assim como a preparação da utilização eficaz das reuniões gerais dos
operários, manifestações e ações de massas do proletariado. As tarefas múltiplas desta atividade só podem ser tentadas e realizadas
com intensidade por pequenos grupos. Sem esse trabalho constante, ainda que medíocre, do conjunto dos membros, repartido entre os
pequenos grupos operários, os esforços mais zelosos na luta de classes do proletariado só podem tornar vãs todas as tentativas para
influenciar essas lutas; elas não podem levar à concentração necessária de todas as forças revolucionárias num Partido Comunista
unido e capaz de agir.
12. É preciso fundar células comunistas para o trabalho cotidiano nos diferentes domínios da atividade política do Partido: para a
agitação a domicílio, para os estudos do Partido, para o serviço de imprensa, distribuição de literatura, serviços dos novos, contatos
etc.
As células comunistas são grupos para o trabalho comunista cotidiano nas empresas, fábricas, sindicatos, associações proletárias,
unidades militares etc., em todos os lugares onde há alguns membros ou candidatos ao Partido Comunista. Se houver vários deles
numa mesma empresa ou sindicato, a célula se tornará uma fração cujo trabalho será dirigido pelo grupo de célula.
Se for preciso formar primeiramente uma fração mais vasta e de oposição geral, ou se for preciso simplesmente fazer parte de
uma organização já existente, os comunistas deverão se esforçar para obter a direção para sua célula.
A estruturação de uma célula comunista e a ação pública na qualidade de comunista estão subordinadas à observação escrupulosa
e à análise dos perigos e vantagens que apresenta a situação particular em foco.
13. É uma tarefa especialmente difícil para um Partido de massas comunista estabelecer o dever geral do trabalho no Partido e a
organização desses pequenos grupos de trabalho. E certamente essa tarefa não será cumprida numa noite, pois ela exige perseverança
infatigável, reflexão madura e muita energia.
O que é particularmente importante é que esta organização seja feita desde o início com a maior atenção e após madura reflexão.
Será fácil repartir o trabalho em cada organização se todos os membros seguirem um esquema formal em pequenas células e convidar
essas células a atuarem na vida cotidiana do Partido. Um tal início será pior do que a inação. Provocará logo a desconfiança e o
afastamento dos membros do Partido contra essa importante transformação.
É necessário recomendar que os dirigentes do Partido elaborem, após consulta aprofundada com os organizadores assíduos, as
primeiras linhas diretrizes dessa transformação. Os organizadores devem ser ao mesmo tempo comunistas absolutamente
convencidos e zelosos e estar extremamente esclarecidos sobre a situação do movimento nos principais centros do país. Após, os
organizadores ou os comitês de organização, que receberem as instruções necessárias, devem se dedicar a preparar regularmente o
trabalho no próprio local, devem escolher e designar os chefes de grupos e tomar as primeiras medidas para essa transformação. Em
seguida, deve-se colocar as tarefas definidas e concretas para as organizações, os grupos de operários, células e os diferentes
membros. Isso deve ser feito de tal maneira que essas tarefas apareçam para eles como úteis, desejáveis e práticas. Se necessário,
pode-se mostrar com exemplos práticos como se executam as tarefas. Assim procedendo, eles compreenderão contra quais erros
deverão se guardar de maneira especial.
14. É necessário realizar esse novo modo de organização, passo a passo, na vida. Eis porque não é necessário fundar muitos
núcleos novos ou grupos de operários nas organizações locais. Em primeiro lugar, é preciso se assegurar, com base nos resultados de
uma incursão prática, que as células formadas nas diferentes usinas e fábricas mais importantes funcionam regularmente e que os
grupos operários indispensáveis sejam criados nos outros domínios da atividade do Partido e que eles se consolidem em certo nível
(por exemplo, no serviço de informação, de ligação, na agitação a domicílio, movimento de mulheres, distribuição de panfletos,
imprensa, movimento dos desempregados etc.). Em todo caso, não se pode destruir o quadro da antiga organização antes que a nova
esteja estabelecida.
Mas durante todo esse trabalho a tarefa fundamental de organização comunista deve ser conduzida da forma mais enérgica
possível em todos os lugares. Isso exige grandes esforços não apenas da parte das organizações ilegais. Até que ela seja realidade, até
que haja uma vasta rede de células, frações e grupos operários em todos os pontos vitais da luta de classe proletária, até que cada
membro do partido poderoso e consciente de seus objetivos tome parte no trabalho revolucionário cotidiano e que este ato de
participação seja para os membros uma questão de hábito natural, até esse momento, o partido não deve permitir nenhum descanso
nesses esforços para a execução dessa tarefa.
15. Esta tarefa fundamental de organização obriga os órgãos dirigentes a guiar continuamente e a influenciar sistematicamente o
trabalho do Partido e fazê-lo de unia forma completa e sem intermediários. Resulta daí, para os camaradas que estão à frente das
organizações do partido, a obrigação de empreender os trabalhos mais diversos. O órgão central dirigente do Partido Comunista deve
não somente velar para que todos os camaradas estejam ocupados, mas também deve ir em sua ajuda, dirigir seu trabalho, segundo
um plano ordenado e com conhecimento prático, orientando-os no caminho correto em todas as condições e circunstâncias especiais.
Em sua própria atividade, o centro deve igualmente se esforçar para encontrar os erros cometidos e, baseando-se na experiência
adquirida, procurar sempre melhorar seus métodos de trabalho, não perdendo de vista o objetivo da luta.
16. Nosso trabalho político geral é a luta prática ou teórica ou a preparação dessa luta. A especialização desse trabalho foi muito
deficiente até o presente. Há domínios muito importantes sobre os quais o Partido até agora fez apenas esforços acidentais, por
exemplo, quase nada foi feito pelos Partidos legais contra a polícia política. A instrução dos camaradas do Partido se faz, de modo
geral, de maneira acidental e secundária e de uma maneira superficial, de tal modo que a maior parte das decisões mais importantes
do Partido, assim como o programa e as resoluções da Internacional Comunista são desconhecidos das grandes camadas dos
membros do Partido. O trabalho de instrução deve ser ordenado e aprofundado sem cessar por todo o Sistema das organizações do
Partido, todos os grupos de trabalho, a fim de obter por esses esforços sistemáticos um nível cada vez mais elevado de especialização.
17. A prestação de contas é um dever dos mais indispensáveis para as organizações comunistas. Ela se impõe também a todas as
organizações e órgãos do Partido, assim como a cada membro individualmente. A prestação de contas deve ser feita regularmente.
Nessas ocasiões, é preciso lazer relatórios sobre o cumprimento de missões especiais confiadas pelo Partido. É importante fazer essas
prestações de contas de forma sistemática, a ponto de esse procedimento se enraizar no movimento comunista como uma de suas
melhores tradições.
18. O Partido deve fazer regularmente um relatório à direção da Internacional Comunista. As diferentes organizações do partido
devem fazer seu relatório ao Comitê imediatamente superior (por exemplo, relatório mensal da organização local ao respectivo
Comitê do Partido).
Cada célula, fração e grupo aberto deve fazer um relatório ao órgão do Partido sob cuja direção efetiva se encontre. Os membros
individualmente, que publicam um semanário, no núcleo ou no grupo de trabalho (e mesmo a seu superior hierárquico) ao qual ele
pertence, relativamente ao cumprimento de missões especiais, devem endereçar seu relatório a quem o encarregou da tarefa.
Este tipo de prestação de contas deve acontecer na primeira oportunidade, oralmente se o Partido ou o mandante não exigirem
relatório escrito. Os relatórios devem ser concisos e conter os fatos. O órgão que o recebe assume a responsabilidade de sua
conservação e seu conteúdo só será publicado se não houver perigo. Ele é igualmente responsável pela comunicação dos relatórios
importantes ao órgão dirigente do Partido sem devolução.
19. Não é necessário dizer que esses relatórios do Partido não se devem limitar a dar conhecimento do que o relator fez, mas
também conter comunicações a respeito das circunstâncias observadas durante sua atividade e que possam ser importantes para nossa
luta. Devem mencionar particularmente as observações que possam ocasionar uma mudança ou melhoria de nossa tática futura. É
necessário também propor neles as melhorias e as necessidades que se fizerem sentir no decorrer da atividade.
Em todas os células, frações e grupos de trabalho comunistas, os relatórios recebidos por essas organizações ou a serem feitos por
elas devem se tornar um hábito.
Nas células e grupos de trabalho, deve-se velar para que os membros individualmente ou os grupos recebam regularmente a
missão especial de observar e relatar o que acontece nas organizações do adversário e particularmente nas organizações operárias
pequeno-burguesas e nos Partidos "Socialistas".

IV Propaganda e Agitação
20. Nossa tarefa mais importante antes do levante revolucionário declarado é a propaganda e a agitação revolucionária. Esta
atividade e sua organização é conduzida frequentemente ainda da antiga maneira formalista. Em manifestações ocasionais, reuniões
de massas e sem cuidado com o conteúdo revolucionário concreto dos discursos e panfletos.
A propaganda e a agitação comunista deve, antes de tudo, se enraizar nos meios mais profundos do proletariado. Elas devem ser
engendradas pela vida concreta dos operários, seus interesses comuns, particularmente por suas lutas e esforços.
O que dá mais força à propaganda comunista é seu conteúdo revolucionário. De acordo com esse ponto de vista, é preciso
considerar sempre o mais atentamente possível as palavras de ordem e a atitude a tomar nas questões concretas em situações
diversas. A fim de que o Partido possa tomar sempre uma posição justa, é necessário dar um curso de instrução prolongada não
somente aos propagandistas e agitadores, ministrado por profissionais, mas também aos outros membros.
21. As principais formas de propaganda e agitação são: conversas pessoais, participação nos combates dos movimentos operários
- sindicais e políticos, ação pela imprensa e a literatura do partido. Cada membro de um Partido legal ou ilegal deve, de uma ou de
outra forma, participar regularmente dessa atividade.
A propaganda pessoal verbal deve ser conduzida em primeiro lugar à maneira de agitação a domicílio organizada
sistematicamente e confiada a grupos constituídos especialmente para esse fim. Nenhuma casa na área de influência da organização
local do Partido deve ficar de fora dessa agitação. Nas cidades mais importantes uma agitação de rua, especialmente organizada, com
distribuição de folhetos e cartazes, pode dar bons resultados. Também nas usinas e fábricas deve-se organizar uma agitação pessoal
regular, conduzida pelos núcleos e frações do Partido e acompanhada da distribuição de literatura.
Nos países onde a população reprime as minorias nacionais, o dever do Partido é prestar toda atenção à agitação e propaganda e à
agitação nas camadas proletárias dessas minorias. A agitação e a propaganda deverão naturalmente ser conduzidas na língua das
minorias nacionais respectivas. Para atingir esse objetivo, o Partido deverá criar as organizações apropriadas.
22. Quando a propaganda comunista se faz nos países capitalistas em que a maioria do proletariado não tem ainda nenhuma
inclinação revolucionária consciente, é preciso encontrar métodos de ação cada vez mais perfeitos para ir ao encontro da
compreensão do operário ainda não-revolucionário, mas começando a sê-lo, e para abrir-lhe as portas do movimento revolucionário.
A propaganda comunista deve se servir de seus princípios nas diferentes situações para se sustentar no espírito do operário, durante
sua luta interior contra as tradições e tendências burguesas, mas que são para ele um elemento de progresso revolucionário.
Ao mesmo tempo a propaganda comunista não deve se limitar aos pedidos ou esperanças das massas proletárias tais como são
hoje, isto é, restritas e indecisas. Os germes revolucionários desses pedidos e esperanças formam apenas ponto de partida de que
precisamos para influenciá-las. Pois é somente nessa combinação que se pode explicar o comunismo ao proletariado de uma maneira
mais compreensível.
23. É preciso levar a agitação comunista entre as massas proletárias, de tal maneira que os proletários militantes reconheçam
nossa organização comunista como a que deve dirigir leal e corajosamente, com previdência e energia, seu próprio movimento em
direção a um objetivo comum.
Para isso, os comunistas devem tomar parte em todas as lutas espontâneas e movimentos da classe operária e assumir como sua a
missão de salvaguardar os interesses dos operários em todos os seus conflitos com os capitalistas a respeito da jornada de trabalho
etc. Os comunistas devem ocupar-se energicamente das questões concretas da vida dos operários, ajudá-los a se desembaraçar dessas
questões, chamar sua atenção para os casos de abusos mais importantes, ajudá-los a formular exatamente e de forma prática suas
reivindicações aos capitalistas e, ao mesmo tempo, desenvolver entre eles o espírito de solidariedade e a consciência da comunidade
de interesse dos operários de todos os países como uma classe unida que constitui parte do exército mundial do proletariado.
Apenas participando desse trabalho miúdo e cotidiano absolutamente necessário, jogando todo seu espírito de sacrifício nos
combates do proletariado, o 'Partido Comunista' pode se transformar em verdadeiro Partido Comunista. Apenas por esse trabalho os
comunistas se distinguirão desses partidos socialistas de mera propaganda e alistamento que já tiveram sua época e cuja atividade
consiste apenas em reuniões, discursos sobre as reformas e a exploração das possibilidades parlamentares. A participação consciente
e devotada de toda a massa dos membros de um partido na escola das lutas e contendas cotidianas entre os explorados e os
exploradores é a premissa indispensável não somente de conquista, mas, numa medida mais larga, da realização da ditadura do
proletariado. Somente se colocando à frente das massas operárias em suas guerrilhas constantes contra o ataque do capital o Partido
Comunista pode se tornar a vanguarda da classe operária, aprender sistematicamente a dirigir de fato o proletariado e adquirir os
meios de preparar conscientemente a derrota da burguesia.
24. Os comunistas devem estar mobilizados em grande número para participar do movimento dos operários, sobretudo durante as
greves e os locautes e reuniões de repercussão massiva.
Os comunistas cometem uma falta muito grave se acatam o programa comunista e na batalha revolucionária final assumem uma
atitude passiva e negligente ou mesmo hostil em relação às lutas cotidianas que os operários travam pelas melhorias, ainda que pouco
importantes, de suas condições de trabalho. Por miúdas e modestas que sejam as reivindicações pelas quais os operários se batem
hoje contra os capitalistas, os comunistas não devem jamais se furtar ao combate. Nessa atividade de agitação, não se deve fazer crer
que os comunistas são instigadores cegos de greves estúpidas e outras ações insensatas, mas devemos merecer dos operários
militantes a reputação de sermos os melhores companheiros de luta.
25. A prática do movimento sindical mostrou que os núcleos e frações comunistas são, muito frequentemente, confusos e só
sabem o que fazer diante das questões mais simples. É fácil, ainda que estéril, pregar sempre os princípios gerais do comunismo para
cair na via do sindicalismo vulgar nas questões concretas. Com tais ações, facilita-se o jogo dos dirigentes da Internacional Amarela
de Amsterdã.
Os comunistas devem, ao contrário, determinar sua atitude segundo os dados materiais de cada questão que se coloca. Por
exemplo, em vez de se opor por princípio a todo contrato de salário do trabalho operário, eles devem, antes de tudo, levar diretamente
a lula pelas modificações materiais do texto desses contratos, apoiados pelos chefes de Amsterdã. É verdade que é preciso condenar e
combater resolutamente todos os entraves que impedem os operários de se colocarem em luta. Não se deve esquecer que é justamente
esse o objetivo dos capitalistas e seus cúmplices de Amsterdã: amarrar as mãos dos operários através de cada contrato de salário. Por
isso é evidente que o dever comunista é expor esse objetivo aos operários. Mas, em geral, o melhor meio para que os comunistas se
contraporem a esse objetivo é propor um salário que não esmague os operários.
Essa mesma atitude é, por exemplo, muito útil em relação às caixas de assistência e às instituições de seguro dos sindicatos
operários. A coleta de fundos para a luta e a distribuição de subvenções em tempo de greve pelas caixas mutuais não são ações más
em si mesmas, e se opor, em princípio, a esse gênero de atividade será algo deslocado. Somente é preciso dizer que essas coletas de
dinheiro e esse meio de dispensá-lo, que estão de acordo com as recomendações dos chefes de Amsterdã, estão em contradição com
os interesses das classes revolucionárias. Com relação às caixas sindicais, de hospital etc., é preciso que os comunistas exijam a
supressão das cotizações especiais e, igualmente, a supressão de todas as condições de obrigação em caixas voluntárias. Mas se nós
proibirmos os membros de dar dinheiro para ajudar as organizações de assistência aos doentes, a parcela desses membros que
desejam continuar a assegurar por seus donativos a ajuda combinada com essas instituições não nos compreenderá se os proibirmos
sem qualquer explicação. É preciso livrar essas pessoas, pela propaganda pessoal intensiva, de sua tendência pequeno-burguesa.
26. Não há nada a esperar de conversas com os chefes dos sindicatos e dos diferentes partidos operários social-democratas e
pequeno-burgueses. Contra isso deve-se organizar a luta com toda a energia, mas o único meio seguro e vitorioso de combatê-los
consiste em desligar deles seus adeptos e mostrar aos operários o serviço de escravos cegos que seus chefes social-traidores prestam
ao capitalismo. Deve-se, portanto, sempre que possível, colocar primeiro esses chefes numa situação em que eles sejam obrigados a
se desmascarar e atacá-los, após esses preparativos, da forma mais enérgica.
Não é suficiente jogar no rosto dos chefes de Amsterdã a injúria de “amarelos". Seu caráter de "amarelos” deve ser mostrado
detalhadamente com exemplos práticos. Sua atividade nas uniões operárias, no Bureau Internacional de Trabalho da Liga das Nações,
nos ministérios e administrações burguesas, suas palavras mentirosas nos discursos pronunciados nas conferências e parlamentos, as
passagens essenciais de seus numerosos artigos pacificadores nas centenas de jornais e revistas, mas sobretudo na maneira hesitante e
oscilante de conduzir quando se trata de preparar e conduzir os menores movimentos salariais e as lutas operárias tudo isso oferece
ocasião de expor a conduta desleal e traidora dos chefes de Amsterdã e chamá-los de "amarelos". Pode-se fazê-lo apresentando
proposições, moções e discursos.
É preciso que os núcleos e frações do partido façam sistematicamente os ataques práticos. Os comunistas não devem se deixar
frear pelas explicações da burocracia sindical inferior que procura se defender de sua fraqueza - que aparece por vezes, apesar de toda
a sua boa vontade - rejeitando a censura sobre os estatutos, as decisões das conferências e as ordens recebidas de seus comitês
centrais. Os comunistas devem constantemente exigir dessa burocracia inferior respostas claras e indagar o que faz para afastar os
obstáculos que ela alega existir e se está pronta para lutar para sua destruição.
27. As frações e os grupos de operários devem se preparar cuidadosamente para a participação dos comunistas nas assembléias e
conferências das organizações sindicais. Devem, por exemplo, elaborar suas próprias proposições, escolher seus relatores e oradores
para sua defesa, propor como candidatos os camaradas capazes, experimentados e enérgicos etc.
As organizações comunistas devem, igualmente, através de seus grupos operários, se preparar cuidadosamente para as eleições,
demonstrações, festas políticas, operárias etc., organizadas pelos partidos inimigos. Mesmo quando se tratar de assembléias gerais
organizadas pelos próprios comunistas, os grupos operários comunistas devem, no maior número possível, agir segundo um plano
único, tanto antes como durante as assembléias, a fim de estarem seguros de aproveitar plenamente essas assembléias do ponto de
vista da organização.
28. Os comunistas devem também sempre tentar atrair para a esfera de influência do partido os operários não organizados e
inconscientes. Nossos núcleos e frações devem fazer tudo para que surja o movimento entre os operários, para fazê-los entrar nos
sindicatos e ler nosso jornal. Podemos nos servir igualmente de outras uniões operárias na qualidade de intermediários para propagar
nossa influência (por exemplo, as sociedades de ensino e os círculos de estudos, as sociedades esportivas, teatrais, uniões de
consumidores, organizações de vítimas da guerra etc.).
Nos locais onde o Partido Comunista é obrigado a agir ilegalmente, tais uniões operárias podem, com a aprovação e sob o
controle do órgão do partido dirigente, ser formadas fora do partido, pela iniciativa dos seus membros (Associações de
Simpatizantes). As organizações comunistas da Juventude e Mulheres podem também, graças a seus cursos, conferências, excursões,
festas, piqueniques de domingos etc., despertar em muitos operários, até agora indiferentes às questões políticas, o interesse por sua
organização comum e, em seguida, fazê-los participar de um trabalho útil para nosso partido (por exemplo, a distribuição de folhetos,
proclamações e outros, distribuição de jornais do partido, livros etc.). Pela participação ativa nos movimentos comuns, os operários
se livrarão mais facilmente de suas tendências pequeno-burguesas.
29. Para conquistar as camadas semiproletárias da massa operária e torná-las simpatizantes do proletariado revolucionário, os
comunistas devem se valer sobretudo da contradição de seus interesses, socialmente opostos aos dos grandes proprietários, dos
capitalistas e do Estado capitalista. Eles devem, através de conversas contínuas, desembaraçar essas camadas intermediárias de sua
desconfiança para com a revolução proletária. Para chegar a esse resultado, será preciso por vezes conduzir essa propaganda durante
um certo tempo. É preciso testemunhar um interesse sensível por suas exigências de vida, é preciso organizar bureaux de informações
gratuitas para eles e ir em sua ajuda para superar as pequenas dificuldades das quais não podem sair sozinhos. É preciso levá-los às
instituições especiais que servirão para instruí-los gratuitamente etc. Todas essas medidas poderão aumentar a confiança no
movimento comunista. Ao mesmo tempo, é preciso ser muito prudente e agir infatigavelmente contra as organizações e pessoas
hostis que têm autoridade em um dado lugar ou que possuem uma influência sobre os pequenos camponeses, artesãos e outros
elementos semiproletários. É preciso caracterizar os inimigos mais próximos, aqueles que os explorados conhecem como seus
opressores por sua própria experiência, é preciso caracterizá-los como os representantes dos crimes capitalistas em sua totalidade. Os
propagandistas e agitadores comunistas devem utilizar ao extremo, e de forma compreensível para todos, todos os elementos e fatos
cotidianos que colocam a burocracia de Estado em conflito direto com o ideal da democracia pequeno-burguesa e o "Estado de
direito".
Todas as organizações do campo devem repartir entre seus membros as tarefas de agitação a domicílio que devem desenvolver na
esfera de sua atividade em todas as cidades, cortes municipais e fazendas e casas separadas.
30. Para a propaganda no exército e na frota do Estado capitalista, será preciso procurar em cada país os métodos mais
apropriados. A agitação antimilitarista no sentido pacifista é má, pois ela não pode senão encorajar a burguesia em seu desejo de
desarmar o proletariado. O proletariado rejeita a princípio e combate da maneira mais enérgica todas as instituições militaristas do
Estado burguês e da classe burguesa em geral. Por outro lado, o proletariado aproveita-se dessas instituições (exército, sociedades de
preparação militar, milícia de defesa civil etc.) para exercitar militarmente os operários para as lutas revolucionárias. A agitação
ostensiva não deve ser dirigida contra a formação militar da juventude operária, mas contra as arbitrariedades dos oficiais. O
proletariado deve utilizar da forma mais enérgica possível todas as possibilidades de se apossar das armas.
O antagonismo de classes que se manifesta nos privilégios materiais dos oficiais e no mau tratamento dispensado aos soldados
deve tornar-se claro para esse últimos. Por outro lado, na agitação entre os soldados, é preciso esclarecer como todo seu futuro está
estreitamente ligado à sorte da classe explorada. No período avançado da fermentação revolucionária, a agitação a favor da eleição
democrática dos comandos pelos soldados e pelos marinheiros e a favor da formação de sovietes de soldados pode ser muito eficaz
para minar as bases da dominação da classe capitalista.
A máxima atenção e energia são necessárias na agitação contra as tropas especiais que a burguesia arma para a guerra civil e, em
particular, contra seus bandos de voluntários armados. A decomposição social deve ser demonstrada sistematicamente e no tempo
hábil nos locais onde essa decomposição social e seu meio corrompido o permitem. Quando esses bandos ou tropas possuem um
caráter de classe uniformemente burguês como, por exemplo, nas tropas compostas exclusivamente de oficiais, é preciso desmascará-
los para o conjunto da população, torná-los desprezíveis e odiosos, de forma a provocar sua dissolução interior seguida do isolamento
que a ação de propaganda provocará.

V Organização das Lutas Políticas


31. Para um Partido Comunista, não há momento em que a organização do Partido possa ficar inativa. A utilização orgânica de
toda situação política e econômica e de toda modificação dessa situação deve ser levada ao nível de uma estratégia e de uma tática
organizada.
Se o Partido é ainda frágil, ele tem, entretanto condições de aproveitar os eventos políticos ou grandes greves que abalam toda a
vida econômica para levar uma ação de propaganda radical sistemática e metodicamente organizada. Uma vez que um Partido tomou
sua decisão numa situação desse gênero, ele deve pôr em movimento para esta campanha, com toda a energia, todos os seus membros
e todos os setores do seu movimento.
Em primeiro lugar, será preciso utilizar todas as ligações que o Partido tenha criado para o trabalho de suas células e seus grupos
de propaganda para organizar reuniões nos principais centros políticos ou grevistas, reuniões nas quais os oradores do Partido
deverão mostrar aos assistentes que os princípios comunistas são o meio para sair das dificuldades da luta. Grupos de trabalho
especiais deverão preparar nos mínimos detalhes todas essas reuniões. Se não for possível organizar reuniões por si, os camaradas
devidamente preparados deverão se apresentar como os principais oradores nas reuniões gerais dos grevistas ou dos proletários,
levando o combate sob qualquer forma que se apresente.
Se há possibilidade de ganhar a maioria, ou pelo menos grande parte da reunião, para nossos princípios, esses deverão ser
formulados em proposições e resoluções bem redigidas e corretamente justificadas. Uma vez apresentadas, será necessário fazer com
que sejam admitidas pelo menos por fortes minorias em todas as reuniões que acontecerem com a mesma finalidade na localidade em
questão ou em outras. Assim obteremos a concentração das camadas proletárias em movimento que no momento sofrem somente
nossa influência moral, e nós as faremos aceitar a nova direção.
Após essas reuniões, os grupos de trabalho que participaram de sua preparação e sua utilização deverão se reencontrar não apenas
para fazer um relatório ao Comitê Diretor do Partido, mas também para tirar das experiências e erros eventualmente cometidos os
ensinamentos necessários à atividade ulterior.
Segundo as situações, as palavras de ordem práticas deverão ser levadas ao conhecimento das massas operárias interessadas, por
meio de cartazes e folhetos, ou panfletos detalhados, remetidos diretamente aos elementos em luta e nos quais o comunismo esteja
aclarado pelas divisas adaptadas à situação. Para distribuir os panfletos, são necessários grupos especialmente organizados; esses
grupos deverão ser unidos e escolher o momento oportuno para esta operação. A distribuição dos folhetos dentro e diante dos locais
de trabalho, nos estabelecimentos públicos, nas habitações comuns dos operários que participam do movimento, nos cruzamentos,
nas agências de emprego e nas estações, deverá ser acompanhada tanto quanto possível de uma discussão em termos francos, de
forma, a ser entendida pelas massas operárias em movimento. Os panfletos detalhados deverão ser divulgados tanto quando possível
em lugares cobertos, nas oficinas, habitações e, de modo geral, onde se possa esperar uma atenção continuada.
Esta propaganda intensa deve ser apoiada por uma ação paralela em todas as assembléias de sindicatos ou entidades do
movimento. Se os comunistas forem os organizadores dessas assembléias, deverão providenciar oradores e relatores preparados para
tanto. Os jornais do Partido devem constantemente colocar à disposição do movimento a maior porção de suas colunas e seus
melhores argumentos, o conjunto do aparelho partidário deverá, durante todo o tempo que durar o movimento, estar inteiramente, e
sem descanso, a serviço da idéia geral que o anima.
32. As manifestações e as ações demonstrativas exigem uma direção muito devotada e muito ágil, que tenha sempre em mira o
objetivo dessas ações e esteja a qualquer momento em condições de perceber se a manifestação obteve seu maior efeito ou se, na
situação dada, é possível intensificá-la, alargando-a para realizar uma ação de massas sob a forma de greves demonstrativas e em
seguida greves de massas. As manifestações pacifistas durante a guerra nos ensinaram que, mesmo após o esmagamento desse tipo de
manifestação, um verdadeiro Partido proletário de luta, mesmo ilegal, não deve hesitar nem parar quando se trata de um grande
objetivo, despertando necessariamente nas massas um interesse crescente.
As manifestações de rua encontram mais apoio nos estabelecimentos maiores. Tão logo esteja criado um certo estado de espírito
comum, por meio do trabalho preparatório metódico de nossas células e frações, seguido de uma propaganda oral ou por panfletos, os
homens de confiança do nosso Partido nas empresas, os líderes de núcleos e frações, deverão ser convocados pelo Comitê Diretor
para uma conferência ou discutirão a operação conveniente para o dia seguinte, o momento exato de realizar, o caráter das palavras
de ordem, as perspectivas da ação, sua intensificação e o momento da cessação e da sua dissolução. Um grupo de funcionários
munidos de instruções precisas e especialistas em questões de organização deverá constituir o eixo da manifestação da partida do
local de trabalho ao deslocamento do movimento de massas. A fim de que esses funcionários mantenham o contato vivo entre eles e
possam receber constantemente as diretrizes políticas necessárias a cada momento, trabalhadores responsáveis do Partido devem
participar metodicamente, entre as massas, da manifestação. Esta direção política e organizada da manifestação constitui a condição
mais favorável para a renovação e eventualmente para a intensificação da ação e sua transformação em grandes ações de massa.
33. Os Partidos Comunistas que já desfrutam de uma certa solidez interior, que dispõem de um grupo de funcionários provados e
de um número considerável de partidários nas massas, devem fazer tudo para destruir, através de grandes campanhas, a influência
dos líderes socialistas-traidores e colocar a maioria dos operários sob direção comunista. As campanhas devem ser organizadas
diferentemente segundo o que as lutas atuais permitem ao Partido Comunista agir como guia do proletariado e de se colocar à frente
do movimento onde reine uma estagnação momentânea. A composição do Partido será também um elemento determinante para os
métodos de organização das ações.
É assim que, para ganhar, mais do que isso não era possível nas diferentes circunscrições, as camadas socialmente decisivas do
proletariado, o Partido Comunista Unificado da Alemanha, como jovem Partido de massas, recorreu ao meio da "carta aberta". A fim
de desmascarar os chefes socialistas-traidores, o Partido Comunista se dirigiu, no momento em que a miséria e os antagonismos de
classe se agravavam, às outras organizações do proletariado para exigir delas uma resposta clara diante do proletariado para a questão
de saber se eles estavam dispostos, com suas organizações aparentemente tão poderosas, a empreender a luta comum cm acordo com
o Partido Comunista, pelas reivindicações mínimas, por um miserável pedaço de pão, contra a miséria evidente do proletariado.
Tão logo o Partido Comunista comece uma campanha semelhante, ele deve tomar todas as medidas para provocar um eco para
sua ação nas mais amplas camadas das massas proletárias. Todas as frações profissionais e todos os funcionários sindicais do Partido
devem, em todas as reuniões dos operários, por empresa ou sindicato, em todas as reuniões públicas em geral, colocar em discussão
as reivindicações do proletariado.
Em todos os lugares onde nossas frações e núcleos desejem obter para nossas reivindicações a aprovação das massas, folhetos,
panfletos e cartazes deverão ser distribuídos com habilidade a fim de excitar a opinião. A imprensa de nosso Partido, durante as
semanas que durar a campanha, deve esclarecer o movimento, ora brevemente, ora com mais detalhes, mas sempre sob aspectos
novos. As organizações deverão prover a imprensa de informações correntes relativas ao movimento e zelar energicamente para que
os redatores não se descuidem dessa campanha do Partido. As frações do Partido no Parlamento e instituições municipais deverão
também se colocar sistematicamente a serviço dessas lulas. Elas deverão provocar a discussão pelas proposições correspondentes nas
assembléias deliberativas, seguindo as orientações do Partido. Os deputados deverão agir e se sentir como membros das massas
combatentes, como seus porta-vozes no campo de seus inimigos de classe, como funcionários responsáveis e como trabalhadores do
Partido.
Assim que a ação concentrada organizada e coerente de todos os membros do Partido tiver provocado um número de ordens e do
dia de aprovação sempre maior e aumentando sem cessar ao longo de algumas semanas, o Partido se encontrará diante dessa grave
questão: organizar, concentrar organicamente as massas que aderem às nossas palavras de ordem.
Se o movimento tomar um caráter sindical, é preciso, antes de tudo, se aplicar em aumentar nossa influência nos sindicatos,
prescrevendo às nossas frações comunistas atacar, após boa preparação, diretamente a direção sindical local para derrotá-la ou levar a
luta organizada com base nas palavras de ordem do nosso Partido.
Onde houver comitês ou conselhos de fábrica ou outras instituições análogas, será preciso agir de maneira que essas instituições
participem da luta. Uma vez que um certo número de organizações locais sejam ganhas para essa luta sob a direção comunista em
função dos interesses vitais do proletariado, essas organizações, cujas reuniões gerais forem decididas no mesmo sentido, enviarão
seus delegados. A nova direção assim consolidada sob a influência comunista ganha, por esta concentração de grupos ativos do
proletariado organizado, uma nova forma de ataque, que deve ser utilizada para empurrar para a frente a direção dos Partidos
Socialistas e dos sindicatos, ou, pelo menos, para anulá-las a partir de agora organicamente.
Nas regiões onde nosso Partido dispõe de suas melhores organizações e onde ele encontrou as mais numerosas aprovações para
suas palavras de ordem, é preciso, com uma pressão organizada sobre os sovietes locais, concentrar todas as lutas econômicas
isoladas que acontecem nessa região e também os movimentos desenvolvidos por outros grupos e transformá-las numa ampla luta
única, ultrapassando, daí por diante, o limite dos interesses profissionais particulares e perseguindo algumas reivindicações
elementares comuns, a fim de realizar essas reivindicações com a ajuda das forças reunidas de todas as organizações da região.
Num semelhante movimento, o Partido Comunista será o verdadeiro guia do proletariado pronto para a luta, enquanto a
burocracia sindical e os Partidos Socialistas que se opuserem a um movimento organizado com um tal acordo serão batidos não
somente pela perda de toda autoridade política ou moral mas, também, pela destruição efetiva de sua organização.
34. Se o Partido Comunista for obrigado a assumir a direção das massas num momento em que os antagonismos políticos e
econômicos estiverem superexcitados e provocarem novos movimentos e novas lutas, pode-se renunciar a estabelecer reivindicações
particulares e dirigir apelos simples e concisos diretamente aos membros dos Partidos Socialistas e sindicatos, convidando-os a não
fugir da luta contra os patrões, apesar dos conselhos de seus chefes burocratas, dada a miséria e a opressão crescente, para evitar a
ruína completa. Os órgãos dos Partidos devem sempre mostrar e acentuar durante esse movimento que os comunistas estão prontos a
participar na condição de chefes das lutas atuais ou futuras dos proletários reduzidos à miséria e que acorrerão em socorro de todos os
oprimidos, desde que isso seja possível na situação. Será necessário provar cotidianamente que o proletariado não poderá subsistir
sem essas lutas e nenhuma das antigas organizações procura evitar ou impedir essa situação.
As frações sindicais e profissionais devem sempre apelar para o espírito de combate de seus camaradas comunistas nas reuniões,
fazendo-os compreender claramente que não se pode hesitar nunca. Mas o essencial, durante uma campanha desse gênero, é a
concentração e a unificação orgânica das lutas e dos movimentos. Não somente os núcleos e as frações comunistas das empresas e
sindicatos levados à luta devem constantemente manter entre eles o contato mais estreito mas, também, as direções devem
imediatamente colocar à disposição dos movimentos que se produzem os funcionários e os militantes ativos do Partido,
encarregados, de acordo com os militantes do movimento, de generalizar, ampliar e intensificar, ao mesmo tempo que dirigir, todos
esses movimentos. A principal tarefa da organização consiste em ressaltar o que há de comum entre essas diferentes lulas para poder
assim chegar, em caso de necessidade, a uma luta geral pelos meios políticos.
Durante a generalização e intensificação das lutas será necessário criar órgãos únicos de direção. Nos casos de alguns sindicatos,
em que o comitê de greve burocrático venha a faltar com sua tarefa, será preciso que os comunistas obtenham a tempo, exercendo a
pressão necessária, a substituição desses burocratas por comunistas que assumam a direção firme e decidida desta luta. Desde que se
consiga combinar várias lutas, será preciso instituir uma direção comum para o conjunto da ação, e então os comunistas deverão,
sempre que possível, assumir essa direção. Esta unidade de direção pode ser facilmente obtida se for feita uma preparação apropriada
pela fração comunista nos sindicatos ou nas empresas, pelos sovietes de usinas, pelas assembléias plenárias desses sovietes, mas mais
particularmente pelas assembléias gerais de grevistas.
Se o movimento, seguido de sua generalização e da entrada em ação dos organismos patronais e das autoridades públicas, assumir
um caráter político, será preciso começar imediatamente a propaganda e a preparação administrativa com vistas à eleição possível e
verdadeiramente necessária dos sovietes operários; ao longo desse trabalho, todos os órgãos do Partido devem ressaltar com a
máxima intensidade a idéia de que apenas por órgãos semelhantes da classe operária, saídos diretamente de suas lutas, se dará a
verdadeira libertação do proletariado com o desprezo que convém votar à burocracia sindical e seus auxiliares do Partido Socialista.
35. Os Partidos Comunistas já suficientemente fortes, e em particular os grandes partidos de massas, devem através de medidas
tomadas previamente, estar sempre prontos para grandes ações políticas. Ao longo dessas ações demonstrativas e das lutas
econômicas, bem como ao longo das ações parciais, é preciso utilizar sempre, da maneira mais enérgica, as experiências de
organização fornecidas por esses movimentos para um contato mais firme com as grandes massas. As lições de todos os novos
grandes movimentos devem ser discutidas e estudadas com cuidado nas conferências ampliadas de funcionários, dirigentes e
militantes responsáveis do Partido com os delegados das usinas, a fim de estabelecer relações cada vez mais estreitas e mais seguras,
através dos delegados de usinas). A melhor garantia que as ações políticas de massas não serão empresas prematuras e só o serão na
medida permitida pelas circunstâncias e pela influência atual do Partido, consiste nas relações de confiança entre funcionários e
militantes responsáveis do Partido e os delegados de usinas.
Sem esse contato estreito entre o Partido e as massas proletárias, trabalhando entre as grandes e médias empresas, o Partido
Comunista não conseguirá realizar grandes ações de massas e movimentos verdadeiramente revolucionários. Se, na Itália, o levante
incontestavelmente revolucionário do ano passado, que encontrou sua expressão mais forte na ocupação das usinas, fracassou foi
certamente por uma parte, por causa da traição da burocracia sindical e pela insuficiência da direção política do Partido mas, também,
porque não havia entre o Partido e as usinas uma ligação intimamente organizada por meio de delegados de usinas politicamente
informados e se interessando pela vida do Partido. O movimento dos mineiros ingleses deste ano foi, sem dúvida,
extraordinariamente, ele também, vítima desse mesmo defeito que diminuiu seu valor político.
VI A Imprensa do Partido
36. A imprensa comunista deve ser desenvolvida e melhorada pelo Partido com uma energia infatigável.
Nenhum jornal poderá ser reconhecido como órgão comunista se não estiver submetido às diretrizes do Partido. Esse princípio
deve ser aplicado também para as produções literárias como livros, brochuras, escritos periódicos etc., levando em consideração seu
caráter científico, de propaganda ou outro.
O Partido deve se esforçar para ter bons jornais antes de ter muitos. Todo Partido Comunista deve ter um órgão central, sempre
que possível diário.
37. Um jornal comunista não deve jamais se tornar uma empresa capitalista como são os jornais burgueses pretensamente
“Socialistas". Nosso jornal deve ser independente das instituições de crédito capitalistas. A organização ágil da publicidade por
anúncios, que pode melhorar consideravelmente as condições de existência do nosso jornal, não deve ficar na dependência das
grandes empresas de publicidade. Logo, uma atitude inflexível em todas as questões sociais proletárias dará aos jornais de nosso
Partido de massas uma força e uma consideração absolutas. Nosso jornal não deve servir para satisfazer o gosto sensacionalista nem
a diversão de um público variado. Ele não deve fazer concessões à crítica dos literatos pequeno-burgueses ou aos virtuoses do
jornalismo para criar uma clientela de salão.
38. Um jornal comunista deve, antes de tudo, defender Os interesses dos operários oprimidos e lutadores. Deve ser nosso melhor
propagandista e agitador, o propagandista dirigente da revolução proletária.
Nosso jornal tem por tarefa reunir as experiências adquiridas nas atividades de todos os membros do Partido e fazer disso um guia
político para revisão e melhoria dos métodos de ação comunista. Essas experiências devem ser trocadas nas reuniões de redatores de
todo o pais, reuniões que procurem criar a maior unidade de tom e tendência no conjunto da imprensa do Partido. Assim, essa
imprensa, como qualquer jornal em particular, será o melhor organizador do nosso trabalho revolucionário.
Sem esse trabalho consciente de organização e de coordenação dos jornais comunistas, e em particular do órgão central, colocar
em prática a centralização democrática e uma sadia divisão do trabalho no interior do partido e, por consequência, também o
cumprimento da missão histórica possível.
39. O jornal comunista deve tentar ser uma empresa comunista, isto é, uma organização proletária de combate, uma associação de
operários revolucionários, de todos os que escrevem regularmente para o jornal, que o compõem, imprimem, administram,
distribuem, reúnem o material de informação, discutem e elaboram nas células, enfim, que agem cotidianamente para distribuí-lo
etc...
Para fazer do jornal uma verdadeira organização de combate, uma poderosa e viva associação de trabalhadores comunistas,
impõem-se várias medidas práticas.
Todo comunista se liga estreitamente a seu jornal, trabalhando e se sacrificando por ele. Ele é sua arma cotidiana que, para servir,
deve se transformar cada vez mais forte e afiado. Somente graças aos sacrifícios financeiros e materiais, o jornal comunista
conseguirá se manter. Os membros do Partido devem constantemente fornecer os meios necessários para sua organização e para sua
melhoria, até que ele seja distribuído nos grandes partidos legais e sólido o suficiente para organização do movimento comunista.
Não é suficiente ser um agitador e um recrutador zeloso para o jornal, é preciso também se transformar em colaborador útil. É
preciso informar o mais rápido possível tudo o que mereça ser observado, do ponto de vista social e econômico, na fração sindical e
nas células, do acidente de trabalho à reunião profissional, dos maus-tratos dispensados aos jovens aprendizes até o relatório
comercial da empresa. As frações sindicais devem informar sobre as reuniões e sobre as decisões e medidas mais importantes
tomadas por essas reuniões, pelos secretariados das Uniões, assim como sobre as atividades dos nosso adversários. A vida pública das
reuniões e da rua oferece aos militantes atentos do Partido ocasião de observar com senso crítico os detalhes, cuja utilização pelos
jornais tornará clara aos mais indiferentes nossa atitude em relação às exigências da vida.
A comissão de redação deve tratar com o maior carinho e zelo essas informações sobre a vida dos operários e suas organizações e
utilizá-las como breves comunicações, dando a nosso jornal o caráter de uma verdadeira comunidade de trabalho, viva e forte, ou
para, à luz desses exemplos práticos da vida cotidiana dos operários, tornar compreensíveis os ensinamentos do comunismo, o que
constitui a via mais rápida para chegar a tornar viva e Intima a idéia do comunismo entre as grandes massas operárias. Na medida do
possível, a comissão de redação deverá estar à disposição dos operários que venham a visitar nosso jornal nas horas mais favoráveis
do dia, para acolher suas necessidades e suas queixas relativas à miséria de sua existência, para anotá-las com cuidado e servir-se
delas para dar vida ao jornal. Certamente, na sociedade capitalista, nenhum dos nossos jornais se transformará numa verdadeira
associação de trabalho comunista. Pode-se, entretanto, mesmo nas condições mais difíceis, organizar um jornal revolucionário
operário partindo desse ponto de vista. Isto está provado pelo exemplo do Pravda, de nossos camaradas russos, durante os anos de
1912-1913. Esse jornal se constitui realmente numa organização permanente e ativa dos operários revolucionários conscientes nos
centros mais importantes do Império russo. Esses camaradas redigiam, editavam e distribuíam conjuntamente o jornal; a maioria
entre eles economizando o dinheiro necessário para as despesas pelo trabalho e pelo salário de seu trabalho. O jornal, por seu turno,
pôde lhes dar o que eles desejavam, o que eles tinham necessidade nos momentos de luta e que hoje lhes serve ainda no trabalho e na
luta. Tal jornal, com efeito, pode ser para os membros do Partido e para todos os operários revolucionários o que eles chamam "nosso
jornal".
40. O elemento essencial da atividade da imprensa de combate comunista é a participação direta nas campanhas conduzidas pelo
Partido. Se, em certo momento, a atividade do Partido estiver concentrada em determinada campanha, o jornal do Partido deve
colocar a serviço dessa campanha todas as suas colunas, suas rubricas e não apenas os artigos de fundo. A redação deve encontrar, em
todos os domínios, material para empreender essa campanha e alimentá-la da forma mais conveniente.
41. O recrutamento para nosso jornal deve ser seguido conforme um sistema estabelecido. Antes de mais nada, é preciso utilizar
todas as situações nas quais os operários estejam vivamente integrados no movimento, e nas quais a vida política e social esteja mais
agitada, seguida de algum evento político e econômico. Assim, depois de cada greve ou locaute, durante os quais o jornal defendeu
franca e energicamente os interesses dos operários em luta, deve-se organizar, imediatamente após o fim da greve, um trabalho de
recrutamento homem a homem entre os que tenham participado da greve. Não apenas as frações comunistas dos sindicatos e das
profissões envolvidas no movimento grevista devem levar a propaganda do jornal em seu meio através de listas e assinaturas mas,
também, na medida do possível, deve-se procurar as listas dos operários que tenham feito a greve, bem como seus endereços, a fim
de que os grupos especiais encarregados dos interesses do jornal possam levar uma agitação a domicílio.
Do mesmo modo, após toda campanha política eleitoral pela qual seja despertado o interesse das massas operárias, deve ser
levada uma campanha de agitação a domicílio, de casa em casa, pelos grupos de trabalhadores especialmente incumbidos desta tarefa
nos diferentes bairros operários.
Durante as épocas de crise política ou econômica latentes cujos efeitos se façam sentir nas massas operárias sob a forma de
aumento de preços, de desemprego e outras misérias, deve-se tentar, após uma propaganda hábil contra essa situação, obter, se
possível, por intermédio das frações sindicais, grandes listas de operários organizados nos sindicatos, a fim de que o grupo especial
do jornal possa continuar sistematicamente a agitação a domicílio. A última semana do mês é a mais conveniente para o trabalho de
recrutamento. Toda organização local que deixe passar esta última semana do mês, ainda que isso aconteça uma vez por ano, sem
prosseguir na propaganda em favor da imprensa, comete um atraso culposo na extensão do movimento comunista. O grupo especial
encarregado dos interesses do jornal não deve deixar passar nenhuma reunião pública de operários, nenhuma grande manifestação
sem, desde o início, e também durante os intervalos e ao final, agir da maneira mais ativa para obter assinaturas para nosso jornal. As
frações sindicais devem cumprir esta tarefa também em todas as reuniões de seus sindicatos, nas células e frações sindicais nas
reuniões por categoria.
42. Nosso jornal deve ser constantemente defendido pelos membros do Partido contra todos os seus inimigos.
Todos os membros devem levar uma luta impiedosa contra a imprensa capitalista, revelar sua venalidade, suas mentiras, sua
vileza reticente e suas intrigas.
A imprensa social-democrata e socialista independente deve ser vencida e desmascarada em sua atitude traidora pelos exemplos
da vida cotidiana, através de ataques contínuos, mas sem se envolver em pequenas polêmicas de fração. As frações sindicais e outras
devem se aplicar organizadamente a subtrair à influência perturbadora e paralisante dos jornais social-democratas aos membros dos
sindicatos e de outras associações operárias. O trabalho de assinaturas para o nosso jornal, assim como a agitação a domicílio ou nas
empresas, deve igualmente ser dirigido com habilidade contra a imprensa dos socialistas traidores.

VII A Estrutura do Conjunto do Partido


43. Para a ampliação e consolidação do Partido, não se deverá estabelecer divisões segundo um esquema formal, geográfico, será
preciso, sobretudo, levar em conta a estrutura econômica e política real das regiões em questão e dos meios técnicos de comunicação.
A base desse trabalho deve ser nas capitais e nos centros proletários da grande indústria.
No momento de organização de um novo Partido, constatam-se frequentemente, desde o início, os esforços que tendem a estender
o tecido das organizações do Partido sobre todo o país. Apesar das forças muito limitadas à disposição dos organizadores, isso se
aplica, na maioria das vezes, a dispersá-lo aos quatro ventos. A força de atração e o crescimento do Partido ficam assim
enfraquecidos. Ao cabo de alguns anos chega-se, é verdade, a ter todo um sistema de bureaux muito vasto, mas o mais comum é o
Partido não conseguir se fixar firmemente em nenhuma das cidades industriais mais importantes do país.
44. Para dar ao Partido a maior centralização possível, é preciso tão somente decompor sua direção como um todo numa
hierarquia, comportando numerosos graus completamente subordinados uns aos outros. É preciso se aplicar a construir em todo
centro econômico, político ou de comunicação, uma malha que se estenda sobre a larga periferia desta cidade e sobre a região
econômica ou política dependente. O Comitê do Partido, que é nesta cidade como a cabeça de um corpo, dirige o trabalho do Partido
na região e exerce sua direção política, deve se apoiar, com o mais estreito contato, nas massas comunistas da sede.
Os organizadores nomeados pelas conferências das regiões ou pelo Congresso Regional do Partido e confirmados pela direção
central devem participar regularmente da vida do Partido na sede de sua região. O Comitê Regional do Partido deve constantemente
ser reforçado por trabalhadores escolhidos entre os membros da sede, de sorte que se estabeleça um contato vivo e estreito entre o
comitê político do Partido dirigente da região e as massas comunistas de sua sede. Logo que chegue a um certo estado de
organização, é preciso que o Comitê da região seja ao mesmo tempo a direção política da sede desta região. De sorte que os comitês
dirigentes do Partido nessas organizações regionais, de acordo com o Comitê Central, tenham o papel de órgãos verdadeiramente
dirigentes nas organizações do Partido. A extensão de uma circunscrição política do Partido não deve naturalmente ser determinada
pela extensão material da região. O que é preciso considerar, antes de tudo, é a possibilidade dos Comitês regionais do Partido
dirigirem concentricamente todas as organizações locais da região. Quando isso não for possível, é preciso repartir a região e fundar
um novo Comitê regional do Partido.
Naturalmente, nos grandes países, o Partido tem de alguns órgãos de ligação entre a direção central e as diferentes direções
regionais (direção provincial, direção departamental etc.) e entre a direção regional e as diferentes organizações locais (direção de
circunscrição e de cantão). Em algumas circunstâncias, pode ser útil dar a um ou a outro desses órgãos intermediários um papel
dirigente; por exemplo, numa grande cidade contando com um número considerável de membros. De modo geral, esse tipo de
descentralização deve ser evitado.
45. As grandes unidades do Partido (circunscrições) são constituídas pelas organizações locais do Partido: pelos "grupos locais"
do campo e das pequenas cidades e pelos "distritos" ou "raio" dos diferentes bairros das grandes cidades.
Uma organização local do Partido que, nas condições legais, não está em condições de manter reuniões gerais de seus membros,
deve ser dissolvido ou dividido.
Nas organizações locais do Partido, os membros devem ser repartidos em função do trabalho cotidiano do Partido em diferentes
grupos de trabalho. Nas organizações maiores, talvez seja útil reunir os grupos de trabalho em diferentes grupos coletivos. Num
mesmo grupo coletivo é preciso, geralmente, incluir todos os membros que, em seu local de trabalho ou na vida cotidiana, se
encontrem e mantenham contato entre si. O grupo coletivo tem por tarefa distribuir o trabalho geral do Partido entre os diferentes
grupos de trabalho, receber os relatórios, formar os candidatos para o Partido em seu meio etc.
46. O Partido, em seu conjunto, está sob a direção da Internacional Comunista. As diretrizes e as resoluções da direção
internacional nas questões que interessam aos partidos são endereçadas: 1) ou à direção central geral do Partido; ou 2) por intermédio
da direção central, ou comitê dirigente tal ou qual ação especial; ou, enfim, 3) a todas as organizações do Partido.
As diretrizes e as decisões da Internacional são obrigatórias para o Partido e, também, não é preciso dizer, para cada um de seus
membros.
47. O Comitê Central do Partido (conselho central ou comissão) é responsável perante o Congresso do Partido e perante a direção
da Internacional Comunista. O Comitê Central reduzido, bem como o Comitê completo ou ampliado, o conselho ou a comissão são
eleitos, em regra geral, pelo congresso do Partido. Se o congresso do Partido julgar necessário, poderá encarregar a direção central
para eleger unia direção limitada composta pelo Bureau político e pelo Bureau de organização. A política e os negócios correntes do
Partido são dirigidos, sob a responsabilidade da direção limitada, por esses dois Bureaux. A direção reduzida convoca regularmente
reuniões gerais do Comitê Diretor para tomar decisões de grande importância e alto porte. A fim de tomar conhecimento da situação
política geral com a seriedade necessária e conhecer exatamente a capacidade de ação do Partido, de ter sobre isso uma visão exata e
clara, é indispensável nas eleições da direção central do Partido, considerar as proposições apresentadas pelas diferentes regiões do
país. Pela mesma razão, as opiniões táticas divergentes de caráter sério não devem ser relegadas nas eleições para a direção central.
Ao contrário, é preciso agir de maneira que as opiniões divergentes estejam representadas no Comitê Diretor pelos seus melhores
defensores. A direção reduzida deve, entretanto ser coerente com essas concepções e para ser firme e segura não deve se basear
somente em sua autoridade, mas também em uma maioria sólida evidente e numerosa no conjunto do Comitê Central.
Graças a uma constituição bastante ampla de sua direção central, o grande Partido legal terá logo seu Comitê Central sobre a
melhor das bases: uma disciplina firme e a confiança absoluta dos membros; além do mais, ele poderá assim combater e sanar os
males e fraquezas que possam surgir entre os funcionários; poderá evitar igualmente a acumulação desses tipos de infecções no
Partido e a necessidade de uma operação talvez catastrófica que se imporá em seguida ao congresso.
48. Cada Comitê do Partido deve estabelecer em seu interior uma divisão do trabalho eficaz, a fim de poder conduzir
efetivamente o trabalho político nos diferentes domínios. Em relação a isso, pode ser necessário instituir, para alguns domínios,
direções especiais (por exemplo, para a propaganda, para o serviço do jornal, para a luta sindical, para a agitação nas campanhas,
para a agitação entre as mulheres, para a ligação, para a assistência revolucionária etc.). As diferentes direções especiais estão
submetidas ou à direção central, ou ao Comitê Regional do Partido. O controle da atividade, assim como a boa composição de todos
os comitês subordinados, pertencem ao Comitê Regional do Partido e, em último lugar, à direção central. Os membros empregados
no trabalho político do Partido, assim como os parlamentares, são diretamente subordinados ao Comitê Diretor. Pode ser útil alterar
de tempos em tempos as ocupações e o trabalho dos camaradas funcionários do Partido (por exemplo, os redatores, os
propagandistas, os organizadores etc.) sem dificultar muito seu funcionamento. Os redatores e os propagandistas devem participar,
durante um período prolongado, da ação política regular do Partido em um dos grupos especiais de trabalho.
49. A direção central do Partido, assim como a da Internacional Comunista, têm o direito de exigir a qualquer momento
informações completas de todas as organizações comunistas, de seus comitês e seus diferentes membros. Os representantes e os
delegados da direção central devem ser admitidos em todas as reuniões e em todas as assembléias com voz consultiva e com direito
de veto. A direção central do Partido deve constantemente ter à sua disposição delegados (comissários) a fim de poder instruir e
informar as diferentes direções regionais ou departamentais, não somente por circulares sobre a política e a organização ou por
correspondências, mas também oralmente, diretamente. Uma comissão de revisão, composta por camaradas provados e instruídos,
deve funcionar próxima a cada direção regional: esta comissão deve exercer o controle sobre o caixa e a contabilidade e fazer
relatórios regulares ao comitê ampliado (conselhos ou comissões).
Toda organização e todo órgão do Partido, assim como todo membro, tem o direito de comunicar a qualquer momento e
diretamente à direção central do Partido ou a Internacional seus desejos, iniciativas, observações ou reivindicações.
50. As diretrizes e as decisões dos órgãos dirigentes do Partido são obrigatórias para as organizações subordinadas e para os
diferentes membros.
A responsabilidade dos órgãos dirigentes e seu dever de se proteger contra os atrasos e abusos de parte das organizações
dirigentes só podem ser determinados formalmente e em parte. Quanto menor sua responsabilidade formal, por exemplo, nos Partidos
ilegais, mais devem procurar conhecer a opinião dos demais membros do Partido, procurar informações sólidas e regulares e só
tomar decisões após reflexão madura e séria.
51. Os membros do Partido devem, em sua ação pública, agir sempre como membros disciplinados de uma organização
combatente. Sempre que surgirem divergências de opinião sobre a maneira mais correia de agir, deve-se decidir sobre essas
divergências, sempre que possível, antes da ação, no interior das organizações do Partido e somente agir após ter tomado essa
decisão. A fim de que toda decisão do Partido seja aplicada com energia por todas as organizações e todos os membros é preciso,
sempre que possível, chamar as massas do Partido para a discussão e decisão das diferentes questões. As organizações e as instâncias
do Partido têm o dever de decidir de que forma e em que medida tal ou qual questão pode ser discutida pelos diferentes camaradas
diante da opinião pública do partido (na imprensa, nas brochuras). Mas, mesmo que esta decisão da organização ou da direção esteja
errada, segundo o ponto de vista de alguns camaradas, estes não devem jamais esquecer em sua ação pública que a pior infração
disciplinar e a falta mais grave que se pode cometer durante a luta é romper a unidade na luta comum ou enfraquecê-la.
É dever supremo de todo membro do Partido defender contra todos a Internacional Comunista. Aquele que esquece isso e que, ao
contrário, ataca publicamente o Partido ou a Internacional Comunista deve ser tratado como um adversário do Partido.
As decisões da Internacional Comunista devem ser aplicadas sem demora pelos Partidos afiliados, mesmo no caso de alteração
dos estatutos e decisões do Partido, conforme os próprios estatutos.

VIII A Combinação de Trabalho Legal com Trabalho Ilegal


52. As variações funcionais podem acontecer segundo as diferentes fases da revolução na vida corrente de um Partido Comunista.
Mas, no fundo, não há diferença essencial na estrutura que devem se esforçar para obter um partido legal e um partido ilegal.
O Partido deve se organizar de tal maneira que possa se adaptar prontamente às modificações das condições da luta.
O Partido Comunista deve se transformar numa organização de combate capaz, de uma parte, de evitar, em campo aberto, um
inimigo com forças superiores concentradas sobre um ponto e, de outra parte, de utilizar as dificuldades deste inimigo para atacá-lo
onde ele se encontra. Seria um grande erro preparar-se exclusivamente para os levantes e os combates de rua ou para os períodos de
maior opressão. Os comunistas devem cumprir seu trabalho revolucionário preparatório em todas as situações e estar sempre prontos
para a luta, pois é praticamente impossível prever a alternância dos períodos de ação e de calmaria; é possível aproveitar esta
previsão para reorganizar o Partido, porque a mudança muito rápida de atitude provoca surpresa.
53. Os Partidos Comunistas legais dos países capitalistas em geral ainda não compreenderam suficientemente como sua a tarefa
de preparação para os levantes revolucionários, para o combate pelas armas e, em geral, para a luta ilegal. Frequentemente se constrói
a organização do Partido tendo em mira uma ação legal prolongada e segundo as exigências das tarefas legais cotidianas.
54. Nos Partidos ilegais, ao contrário, frequentemente não se compreende que é necessário utilizar as possibilidades da ação legal
e construir o Partido de tal sorte que tenha uma ligação viva com as massas revolucionárias. Os esforços do Partido têm a tendência
de se transformar num trabalho de Sísifo ou numa conspiração impotente.
Esses dois erros, tanto aquele do Partido ilegal como o do Partido legal, são graves. Todo Partido Comunista legal deve saber se
preparar, da maneira mais enérgica, para a necessidade de uma existência clandestina e estar particularmente armado para os levantes
revolucionários. E, de outra parte, cada Partido Comunista ilegal deve saber utilizar todas as possibilidades do movimento operário
legal para se transformar, por um trabalho político intensivo, no organizador e verdadeiro guia das grandes massas revolucionárias. A
direção do trabalho legal e do trabalho ilegal deve estar constantemente nas mãos da direção central do Partido.
55. Nos Partidos legais, assim como nos ilegais, o trabalho ilegal é frequentemente conhecido como a fundação e a manutenção
de uma organização fechada, exclusivamente militar e isolada do resto da política e da organização do Partido. Esta concepção é
completamente equivocada. No período pré-revolucionário, a formação da nossa organização de combate deve ser principalmente o
resultado do conjunto da ação comunista do Partido. O Partido em seu conjunto deve se transformar numa organização de combate
para a revolução.
As organizações revolucionárias isoladas de caráter militar, nascidas prematuramente antes da revolução, mostram muito
facilmente uma tendência à dissolução e à desmoralização, pois falta no Partido um trabalho imediatamente útil.
56. Para um Partido ilegal, é evidentemente da mais alta importância evitar que seu membros e órgãos sejam descobertos; é
preciso, portanto, evitar que eles sejam fichados pelas imprudências na distribuição dos materiais e no recolhimento das cotizações.
Um Partido ilegal não deve se servir na mesma medida que um Partido legal das formas abertas de organização para seus fins
conspirativos; ele deve, entretanto, se aplicar a poder fazê-lo cada vez mais.
Todas as medidas deverão ser tomadas para impedir os elementos duvidosos e pouco seguros de penetrar no Partido. Os meios a
serem empregados com essa finalidade dependem do caráter do Partido, legal ou ilegal, perseguido ou tolerado, em via de
crescimento ou estagnado. Um meio que em algumas circunstâncias pode ser eficaz é o sistema de candidatura. As pessoas que
procuram ser admitidas no Partido o são na qualidade de candidatos, mediante apresentação de dois membros do Partido e segundo a
forma como cumpra as tarefas que lhes forem confiadas elas serão ou não admitidas.
A burguesia infiltrará inevitavelmente provocadores e agentes nas organizações ilegais. É preciso levar contra eles uma luta
constante e minuciosa: um dos melhores métodos consiste em combinar a ação legal com a ação ilegal. Um trabalho revolucionário
legal de uma certa duração é o melhor meio de perceber o grau de confiança que cada um merece, sua consciência, sua coragem,
energia, pontualidade; é possível saber assim quem pode ser encarregado de um trabalho ilegal que corresponda ao máximo de sua
capacidade.
Um Partido ilegal deve se preparar cada vez mais contra qualquer surpresa (por exemplo, colocando em segurança os endereços
dos contatos; destruindo, em regra geral, as cartas; conservando em local abrigado os documentos necessários; instruindo
conspirativamente os agentes de ligação etc.).
57. Nosso trabalho político geral deve ser repartido de maneira que mesmo antes do levante revolucionário aberto se
desenvolvam e se fortaleçam as raízes de uma organização de combate que corresponda às exigências desta fase. É particularmente
importante que em sua ação a direção do Partido Comunista tenha sempre em vista essas exigências, que tente, na medida do
possível, representá-las em primeiro lugar. Certamente não se pode fazer dela uma idéia exata e clara, mas isso não é razão para
negligenciar o ponto essencial da direção da organização comunista.
Se uma mudança funcional sobrevier no Partido Comunista no momento do levante revolucionário declarado, o Partido melhor
organizado poderá se encontrar diante de problemas extremamente difíceis e complicados. Pode acontecer de se ver obrigado, num
intervalo de alguns dias, a mobilizar o Partido para uma luta armada; mobilizar não somente o Partido, mas também as reservas,
organizar os simpatizantes e toda a retaguarda, isto é, as massas revolucionárias não organizadas. Talvez não seja a questão de formar
um exército vermelho regular. Nós devemos vencer sem exército previamente construído, somente com as massas colocadas sob a
direção do Partido. Porém, se o nosso Partido não estiver preparado previamente por sua organização, a luta mais heróica não servirá
para nada.
58. Nas situações revolucionárias, observou-se várias vezes que as direções centrais revolucionárias não se mostraram à altura de
sua tarefa. Organizado em nível inferior, o proletariado pôde mostrar qualidades magníficas durante a revolução; mas, em seu
Estado-maior, a desordem, o caos e a impotência reinam na maior parte das vezes. Chega a faltar a mais elementar divisão do
trabalho, o serviço de informação é frequentemente péssimo e apresenta mais inconvenientes que utilidade; o serviço de ligação não
merece nenhuma confiança. Quando há necessidade de correio secreto, transporte, abrigos, gráfica clandestina, eles são obtidos por
um acaso feliz. Toda provocação por parte do inimigo organizado tem chance de dar certo.
Não será de outra forma se o Partido revolucionário não estiver devidamente preparado. Assim, por exemplo, a vigilância e a
descoberta da polícia política exigem uma experiência especial; um aparelho para a ligação secreta só poderá funcionar pronta e
seguramente se existir um longo treinamento. Em todos os domínios da atividade revolucionária especial, qualquer Partido
Comunista legal deve fazer preparações secretas, por mínimas que sejam.
Em grande parte, neste domínio também, o aparelho necessário pode ser desenvolvido por uma ação legal, se se cuidar, durante o
funcionamento deste aparelho, para que ele possa imediatamente se transformar em aparelho ilegal. Assim, por exemplo, a
organização encarregada da distribuição, perfeitamente regulada, dos panfletos legais, publicações e cartas pode ser transformada em
aparelho secreto de ligação (serviço de correio secreto, alojamentos secretos, transportes conspirativos etc.).
59. O organizador comunista deve enxergar adiante todo membro do Partido e todo militante revolucionário em seu papel
histórico futuro de soldado de nossa organização de combate, durante a época da revolução. Assim ele pode se aplicar, melhor e
antecipadamente, no núcleo do qual faz parte, ao trabalho correspondente a seu posto e a seu serviço futuros. Sua ação atual deve,
todavia, constituir um serviço útil em si e necessário à luta presente, e não somente um exercício que o operário prático não
compreenderá imediatamente; mas esta atividade é em parte também um exercício, tendo em vista as exigências mais essenciais da
luta final de amanhã.

RESOLUÇÃO SOBRE A ORGANIZAÇÃO DA INTERNACIONAL COMUNISTA


O Comitê Executivo da Internacional Comunista deve ser organizado de tal maneira que possa tomar posição sobre todas as
questões da ação do proletariado. Ultrapassando os limites dos apelos gerais de forma que eles estejam lançados desde agora sobre
essa ou aquela questão em discussão, o Comitê Executivo deve, cada vez mais, procurar encontrar os meios e as vias para
desenvolver sua iniciativa prática quanto à ação comum das diferentes seções nas questões internacionais da organização e
propaganda em discussão. A Internacional Comunista deve se transformar numa Internacional de fato, numa Internacional dirigente
das lutas comuns e cotidianas do proletariado revolucionário de todos os países. As condições indispensáveis para isso são as
seguintes:
1. Os Partidos que aderirem a Internacional Comunista devem fazer tudo para manter o contato mais estreito e mais ativo com o
Comitê Executivo; eles não devem apenas enviar para o interior do Executivo os melhores representantes de seus países, mas
também fazer chegar ao Executivo de forma permanente as informações mais prudentes e mais circunspectas, a fim de que ele possa
tomar posição, apoiando-se em documentos e informações aprofundadas sobre os problemas políticos que venham a surgir. Para a
elaboração frutífera desses materiais, o Executivo deve organizar seções especiais para os diferentes setores. Além do mais, deve ser
criado um Instituto Internacional de Economia e Estatística do movimento operário e do comunismo perto do Executivo.
2. Os Partidos que aderirem devem manter as relações mais estreitas para sua informação mútua e sua ligação orgânica, em
particular quando esses Partidos são vizinhos e igualmente interessados nos conflitos políticos engendrados pelos antagonismos
capitalistas. O melhor meio de estabelecer essas relações atualmente é o envio recíproco das resoluções das mais importantes
conferências e o intercâmbio geral de militantes bem escolhidos. Esse intercâmbio deve se constituir em prática permanente e
imediata de toda seção em condições de agir.
3. O Executivo deve provocar a fusão necessária de todas as seções nacionais num Partido internacional coerente, de propaganda
e ação proletárias comuns, e para isso publicar, na Europa Ocidental, nas línguas mais importantes, uma correspondência política,
com a ajuda da qual o ideal comunista assumirá um valor cada vez mais claro e uniforme. O Executivo, por unia informação fiel e
regular, fornecerá às diferentes seções a base de uma ação enérgica e simultânea.
4. O envio de representantes autorizados às seções permitirão ao Comitê Executivo apoiar de fato a tendência a uma verdadeira
Internacional da luta cotidiana e comum do proletariado de todos os países. Esses representantes terão como tarefa informar o
Executivo das condições particulares nas quais os Partidos Comunistas deverão lutar nos países capitalistas ou coloniais. Eles
deverão velar para que esses Partidos conservem o contato mais íntimo também com o Executivo e entre si. O Executivo, assim
como os Partidos, deverão velar para que as relações mútuas entre os Partidos e os camaradas de confiança ou por correspondência,
sejam freqüentes e rápidas, de maneira a tomar uma posição unânime em todas as questões de importância.
5. Para estar em condições de desdobrar uma atividade também consideravelmente aumentada, o Executivo deve ser grande.
mente ampliado. As seções que nesse congresso obtiveram 40 votos, assim como o Comitê Executivo da Internacional da Juventude
Comunista, terão cada um dois votos no Executivo; as seções que tiveram 30 e 20 votos no congresso terão um. O Partido Comunista
da Rússia dispõe, como antes, de cinco votos. Os representantes das outras seções têm voto consultivo. O presidente do Executivo é
eleito pelo Congresso. O Executivo está encarregado de designar três secretários, que serão escolhidos tão logo seja possível nas
diferentes seções. Além disso, os membros delegados ao Comitê Executivo pelas diferentes seções estão obrigados a tomar parte
como relatores na expedição do trabalho corrente, ou seja, encarregando-se do estudo de tal ou qual tema. Os membros do Pequeno
Bureau de negócios são eleitos por um voto especial do Comitê Executivo.
6. A sede do Executivo é na Rússia, primeiro Estado proletário. O Executivo, para centralizar mais solidamente a direção política
e orgânica de toda a Internacional, deverá, todavia, procurar estender o círculo de sua influencia através de conferencias que
organizará fora da Rússia.

RESOLUÇÃO SOBRE A AÇÃO DE MARÇO E SOBRE O PARTIDO COMUNISTA UNIFICADO DA ALEMANHA


O 3º Congresso Mundial constata com satisfação que as resoluções mais importantes, e particularmente a parte da resolução sobre
tática referente à ação de março, ardentemente discutida, foram adotadas por unanimidade e que mesmo os representantes da
oposição alemã, em sua resolução sobre a ação de março, se colocaram de fato sobre um terreno idêntico àquele do Congresso.
O Congresso viu isso como uma prova de que um trabalho coerente e uma colaboração íntima sobre a base das decisões do 3º
Congresso são não apenas desejadas, mas também possíveis no interior do Partido Comunista Unificado da Alemanha. O Congresso
estima que toda divisão das forças no seio do Partido Comunista Unificado da Alemanha, toda formação de frações, sem falar de
cisão, constitui o maior perigo para o conjunto do movimento.
O Congresso espera da Direção Central e da maioria do Partido Comunista Unificado da Alemanha uma atitude tolerante para
com a antiga oposição, apelando para que ela aplique lealmente as decisões tomadas pelo 3º Congresso; este está persuadido de que a
Direção Central fará todo o possível para reunir todas as forças do Partido.
O Congresso pede à antiga oposição que dissolva imediatamente toda organização de fração, subordine absoluta e completamente
sua fração parlamentar à Direção Central, subordine inteiramente a imprensa às organizações respectivas do Partido, cesse
imediatamente qualquer colaboração (em revistas etc.) com Paul Levi, excluído do Partido e da Internacional Comunista.
O Congresso encarrega o Executivo de seguir atentamente o desenvolvimento ulterior do movimento alemão e tomar
imediatamente as medidas mais enérgicas no caso da menor infração à disciplina.

TESES SOBRE A TÁTICA DO PARTIDO COMUNISTA NA RÚSSIA


1. a Situação Internacional da República Federativa dos Sovietes Na Rússia
A situação internacional da RFSR está caracterizada atualmente por um certo equilíbrio que, extremamente instável, criou
entretanto uma conjuntura original na política universal.
Esta originalidade consiste no que segue: de uma parte, a burguesia internacional está tomada de uma ira e uma hostilidade
furiosa em relação à Rússia Soviética e está pronta para, a qualquer instante, se precipitar para esmagá-la. De outra parte, todas as
tentativas de intervenção armada, que custaram a essa burguesia centenas de milhões de francos, terminaram em completo fracasso,
apesar do Poder dos Sovietes ser então mais fraco que hoje, e de os grandes proprietários e os capitalistas russos colocarem exércitos
inteiros sobre o território da RFSR. A oposição contra a guerra com a Rússia Soviética está extremamente fortificada em todos os
países capitalistas, nutrindo o movimento revolucionário do proletariado e envolvendo as massas mais amplas da democracia
pequeno-burguesa. A diversidade de interesses existente entre os diferentes Estados imperialistas se exasperou e se exaspera a cada
dia de forma mais profunda. O movimento revolucionário, entre as centenas de milhões de pessoas oprimidas do Oriente cresce com
uma força notável. Em consequência de todas essas condições, o imperialismo internacional não tem condições para sufocar a Rússia
Soviética apesar de ser mais forte que ela e está obrigado reconhecê-la e a entrar em relações comerciais com ela.
O resultado foi um equilíbrio talvez extremamente oscilante, extremamente instável, mas um equilíbrio que permite à República
Socialista existir, por um tempo curto evidentemente, em seu círculo capitalista.

2. As Relações das Forças Sociais no Mundo


Com a base neste estado de coisas, as relações entre as forças sociais no mundo inteiro se estabelecem da seguinte maneira:
A burguesia internacional, privada de conduzir uma guerra declarada contra a Rússia Soviética, fica na expectativa, espreitando o
momento ou as circunstâncias que lhe permitirão empreender esta guerra.
O proletariado dos países capitalistas avançados, em todos os lugares, tem adiante de si uma vanguarda composta pelos Partidos
Comunistas que cresce, marchando sem descanso para a conquista da maioria do proletariado em cada país, arruinando a influência
dos antigos burocratas trade-unionistas e os privilegiados da classe operária americana e ocidental, corrompidos pelos privilégios
imperialistas.
A democracia pequeno-burguesa dos países capitalistas, representada em sua parte avançada pelas Internacionais dois e dois e
meio: é atualmente o sustentáculo principal do capitalismo, na medida em que sua influência se estende ainda sobre a maioria ou
sobre uma parte considerável dos operários e empregados da indústria e do comércio, que acreditam, no caso de uma revolução, que
perderão seu bem-estar relativo, resultante dos privilégios do imperialismo. Mas a crise econômica crescente piora em todos os
lugares a situação das massas, e esta circunstância, acrescida à fatalidade cada vez mais evidente de novas guerras imperialistas, se o
capitalismo subsistir, torna este pilar cada vez mais vacilante.
As massas laboriosas dos países coloniais e semicoloniais, massas que compõem a enorme maioria da população do globo, foram
levadas à vida política no início do século XX, graças às revoluções da Rússia, Turquia, Pérsia e China. A guerra imperialista de
1914-1918 e o Poder dos Sovietes na Rússia transformam definitivamente essas massas em um fator ativo da política universal e da
destruição revolucionária do imperialismo, ainda que se obstinem em não vê-lo os pequenos-burgueses esclarecidos da Europa e da
América, entre eles os líderes das Internacionais dois e dois e meio. A Índia britânica está à frente desses países, e a revolução cresce
tanto mais rapidamente quanto uma parte do proletariado industrial e ferroviário se torna mais considerável e outra parte se torna
mais selvagem pelo terror exercido pelos ingleses, que recorrem cada vez mais às mortes em massa (Amristar*), às flagelações
públicas etc...

*Refere-se à matança de índios da cidade Amristar, em 13 de abril de 1919, quando tropas inglesas dispararam contra as massas
inermes. O balanço foi de 400 mortos e 1200 feridos. Atos semelhantes tiveram lugar também em outras cidades da Índia.

3. As Relações de Forças Sociais na Rússia


A situação política interior da Rússia Soviética está determinada pelo fato de que nesse país nós vemos, pela primeira vez ao
longo da história universal, a existência, durante vários anos, de duas classes apenas: o proletariado educado durante várias dezenas
de anos por uma indústria mecânica muito jovem, mas nem por isso moderna e grande, e a classe dos pequenos camponeses,
compondo a enorme maioria da população.
Os grandes proprietários rurais e os grandes capitalistas não desapareceram na Rússia. Mas eles foram submetidos a uma
completa expropriação, completamente derrotados politicamente enquanto classe, e seus destroços se escondem entre os empregados
governamentais do poder dos Sovietes. Sua organização de classes conservou-se apenas no estrangeiro, sob a forma de uma
emigração que varia provavelmente de um milhão e meio a dois milhões de pessoas e que possui mais de meia centena de jornais
cotidianos em todos os partidos burgueses e "socialistas" (isto é, pequeno-burgueses), assim como os restos de um exército de
múltiplas ligações com a burguesia internacional. Essa emigração trabalha com todas as suas forças e com todos os meios para
arruinar o Poder dos Sovietes e restaurar o capitalismo na Rússia.

4. O Proletariado e a Classe Camponesa na Rússia


Dada esta situação interior, o proletariado russo, enquanto classe dominante, deve se propor principalmente agora a determinar
judiciosamente e realizar as medidas indispensáveis para dirigir o campesinato, para manter uma aliança firme com ele, para
percorrer as numerosas etapas sucessivas conducentes à coletivização total da agricultura. Esta tarefa na Rússia é particularmente
difícil, tanto em virtude do caráter atrasado de nosso país, como por sua desolação extrema após sete anos de guerra imperialista e
civil. Mas, apesar desta particularidade, esta tarefa é um dos problemas mais difíceis da organização socialista; tais problemas se
colocarão em todos os países capitalistas, com a única exceção talvez da Inglaterra. Entretanto, mesmo no que concerne à Inglaterra,
é impossível esquecer que, se a classe dos pequenos agricultores arrendatários é excepcionalmente pouco numerosa, em contrapartida
encontra-se aí uma proporção excepcionalmente elevada de operários e empregados levando uma existência pequeno-burguesa,
graças à escravidão de fato de centenas de milhões de habitantes das colônias "pertencentes" à Inglaterra.
Por isso, do ponto de vista da evolução da revolução proletária universal, enquanto processo de conjunto, a importância do
período atravessado pela Rússia consiste em que ele permite provar e verificar pela prática a política de um proletariado que tem nas
mão o poder governamental em relação a uma massa pequeno-burguesa.

5. A Aliança Militar entre o Proletariado e o Campesinato na Rússia


Os fundamentos das relações recíprocas racionais entre o proletariado e a classe camponesa foram estabelecidos na Rússia
Soviética entre 1917-1921, ainda que a invasão dos capitalistas e dos grandes proprietários, sustentados por toda a burguesia mundial
e pelos partidos da democracia pequeno-burguesa (socialistas-revolucionários e mencheviques), engendrou, fixou e precisou a
aliança militar do proletariado e da classe camponesa para a defesa do Poder dos Sovietes. A guerra civil é a forma mais aguda da
luta de classes, e quanto mais essa luta cresce, mais rapidamente e mais claramente a prática mostra às camadas, mesmo as mais
atrasadas, da classe camponesa que esta classe só pode ser salva pela ditadura do proletariado, ainda que os socialistas-
revolucionários e os mencheviques joguem o papel de valetes dos grandes proprietários e dos capitalistas.
Mas se a aliança militar do proletariado e do campesinato foi - e não poderia ser de outra forma - a primeira forma de sua aliança
sólida, isto não impede que ela se mantenha algumas semanas como uma certa aliança econômica dessas duas classes. O camponês
recebeu do Estado operário toda a terra e a proteção contra o grande proprietário e o explorador camponês; os operários receberam
dos camponeses produtos alimentícios e crédito, esperando o restabelecimento da grande indústria.

6. Como Restabelecer as Relações Econômicas Racionais entre o Proletariado e o Campesinato


Uma aliança inteiramente racional e estável do ponto de vista socialista entre os pequenos camponeses e o proletariado só pode se
estabelecer no dia em que os transportes e a grande indústria, completamente restabelecidos, permitirão ao proletariado dar aos
camponeses, em troca dos produtos alimentícios, todos os objetos que eles necessitam para seu uso e para a melhoria das condições
de exploração da terra. Dada a desolação imensa do país, foi absolutamente impossível esperar por isso. As requisições constituíram a
medida governamental mais acessível a um Estado insuficientemente organizado para lhe permitir se manter numa guerra
absolutamente difícil contra os grandes proprietários. A má colheita de 1920 piorou a miséria já por demais pesada dos camponeses,
tornando absolutamente necessária uma mudança imediata de orientação no sentido do imposto alimentar.
Este imposto moderado deu imediato alívio à situação dos camponeses e, ao mesmo tempo, o interesse em estender a área
cultivada e melhorar seus processos de cultivo.
O imposto alimentar constitui uma etapa intermediária entre a requisição de todos os excedentes de cereais do camponês e a troca
racional dos produtos entre a indústria e a agricultura que prevê o socialismo.

7. A Natureza e as Condições de Admissão pelo Poder dos Sovietes, do Capitalismo e as Concessões


O imposto alimentar, por sua própria essência, equivaleu para o camponês à liberdade de dispor dos excedentes com o pagamento
do imposto. Na medida em que o Estado não for mais capaz de oferecer aos camponeses os produtos da indústria socialista em troca
do total de seus excedentes, na mesma medida a liberdade de comércio que daí resulta equivalerá, inevitavelmente, a uma liberdade
de desenvolvimento para o capitalismo.
Entretanto, nos limites indicados, a coisa não é de modo algum temível para o socialismo, contanto que os transportes e a grande
indústria fiquem mas mãos do proletariado. Ao contrário, o desenvolvimento do capitalismo sob o controle e a regulamentação do
Estado proletário (isto é, o desenvolvimento do capitalismo "de Estado", no sentido da palavra) é vantajoso e indispensável num país
pequeno camponês extremamente arruinado e atrasado (naturalmente até um certo ponto apenas), para que isso resulte numa
aceleração imediata do progresso da cultura camponesa.Isso se refere mais ainda às concessões. Sem operar nenhuma
desnacionalização, o Estado operário entrega para arrendamento algumas minas, alguns setores florestais, explorações petrolíferas
etc... a capitalistas estrangeiros, a fim de receber deles um suplemento de utensílios e máquinas que lhe permita aumentar a
recuperação da grande indústria soviética.
A indenização acordada com os concessionários sob a forma de uma percentagem levantada em parte sobre os produtos de alto
custo é, sem qualquer dúvida, um tributo pago pelo Estado operário à burguesia internacional. Sem dissimular de forma alguma es se
fato, nós devemos compreender nitidamente que é vantajoso para nós esse tributo, se por ele obtivermos mais rapidamente a
recuperação da nossa grande indústria e a melhora séria da sorte dos operários e camponeses

8. Os Sucessos de Nossa Política Alimentar


A política alimentar da Rússia Soviética no período de 1917 a 1921 foi sem dúvida muito grosseira, imperfeita, e deu lugar a
muitos abusos. Numerosos erros foram cometidos ao colocá-la em prática, mas ela era a única possível nas condições dadas, se
considerarmos o conjunto da situação. E ela cumpriu sua missão histórica: salvou a ditadura proletária num país arruinado e atrasado.
É um fato inegável que ela vem sendo aperfeiçoada progressivamente. No primeiro ano em que nosso poder foi completo (1º de
agosto de 1918 a 1º' de agosto de 1919), o Estado colheu 110 milhões de libras de cereais. No segundo ano - 220 milhões, no terceiro
ano - mais de 285.
Munidos hoje de uma experiência prática, nós nos propusemos colher, e esperamos consegui-lo, 400 milhões de libras (o imposto
alimentar foi fixado em 240 milhões. Somente com a condição de ser efetivamente o detentor de uma reserva alimentar suficiente, o
Estado estará em condições, do ponto de vista econômico, de garantir uma recuperação, lenta mas regular, da grande indústria, e
constituir um sistema financeiro racional.

9. A Base Material do Socialismo e o Plano de Eletrificação da Rússia


A única base material que pode ter o socialismo é a grande indústria mecânica, capaz de reorganizar a agricultura. Mas não
poderemos nos limitar a esta proposição geral. É preciso concretizá-la. A grande indústria, correspondendo ao nível da técnica
moderna e capaz de reorganizar a agricultura, depende da eletrificação de todo o país. Nós temos o dever de executar os trabalhos
científicos preparatórios desse plano de eletrificação para a República Federativa dos Sovietes da Rússia, e nós os temos executado.
Com a colaboração de mais de 200 dos melhores especialistas engenheiros e agrônomos da Rússia, esse trabalho está terminado,
impresso num grosso volume e aprovado em seu conjunto pelo 8º Congresso Pan-Russo dos Sovietes, em dezembro de 1920. Hoje
estamos prontos para a convocação de um Congresso Pan-Russo de eletrotécnicos, que se reunirá no mês de agosto de 1920 e
examinará detalhadamente esse trabalho, o qual receberá então a sanção definitiva do Estado. Os trabalhos de eletrificação
considerados prioritários se estenderão por dez anos e exigirão 370 milhões de jornadas de trabalho aproximadamente.
Em 1918, nós tínhamos apenas oito estações elétricas recentemente construídas com 4557 quilowatts. Em 1919, essa cifra se
elevou a 36, com 6148 quilowatts, e em 1920 a cem com 8699 quilowatts.
Por modesto que seja esse início para nosso imenso país, os fundamentos, entretanto, estão colocados, o trabalho começou e
avança cada vez mais. O camponês russo, após a guerra imperialista, após um milhão de prisioneiros que se familiarizaram na
Alemanha com a técnica moderna e aperfeiçoada, após a dura, mas aproveitável experiência de três anos de guerra civil, já não é
mais como era antes. A cada mês ele vê com mais clareza e evidência que só a direção do proletariado é capaz de libertar a massa de
pequenos agricultores da escravidão do capital para conduzi-la ao Socialismo.

10. O Papel da “Democracia Pura” das Internacionais 2 e 2 ½, dos Socialistas Revolucionários e dos Mencheviques
enquanto Aliados do Capital
A ditadura do proletariado não significa a cessação da luta de classes, mas sua continuação sob nova forma, com armas novas.
Enquanto subsistirem as classes, enquanto a burguesia, derrotada num país, desfecha seus ataques contra o socialismo no mundo
inteiro, esta ditadura é indispensável. A classe dos pequenos proprietários não pode deixar de passar por uma série de oscilações
durante o período de transição. As dificuldades da situação transitória, a influência da burguesia, suscitam, inevitavelmente,
flutuações na mentalidade dessa massa. É ao proletariado, enfraquecido e até certo ponto deslocado pela desorganização de sua base
vital, a indústria mecânica, que cabe a tarefa, muito difícil e a maior de todas, de resistir a despeito dessas flutuações e levar a bom
termo sua obra de libertar o trabalho do jugo do capital.
As flutuações da pequena burguesia encontram sua expressão na política dos Partidos da democracia pequeno-burguesa, isto é,
nos Partidos das Internacionais dois e dois e meio, representadas na Rússia pelos "socialistas revolucionários" e os mencheviques.
Esses Partidos, que têm hoje seus Estados-maiores e seus jornais no estrangeiro, fazem bloco com a contra-revolução burguesa e são
seus fiéis servidores.
Os chefes inteligentes da grande burguesia russa, Miliukov à frente, o líder do partido cadete ("Constitucional-Democrata"),
apreciaram com uma clareza, exatidão e isenção completas o papel desempenhado pela democracia pequeno-burguesa, vale dizer, os
socialistas revolucionários e os mencheviques. A propósito do motim de Kronstadt, que manifestou a união das forças dos
mencheviques, dos socialistas-revolucionários e dos guardas-brancos, Miliukov se pronunciou a favor da divisa: "os Sovietes são os
Bolcheviques". Desenvolvendo esse pensamento, ele escreveu: "Honra e praça livre aos S-R e aos mencheviques (Pravda, 1921,
número... de Paris), pois a eles cabe a tarefa de fazer o primeiro deslocamento do poder descartando-se dos bolcheviques". Miliukov,
chefe da grande burguesia, leva judiciosamente em conta as lições fornecidas por todas as revoluções, que mostraram que a
democracia pequeno-burguesa é incapaz de manter o poder, pois ela jamais deixou de ser uma máscara para a ditadura da grande
burguesia e apenas um degrau conducente à autocracia da grande burguesia.
A revolução proletária da Rússia confirma uma vez mais esta lição das revoluções de 1789-1794 e de 1848-49, e confirma
também as palavras de F. Engels, escrevendo a Bebel: "...A democracia pura... no momento da revolução adquire por um tempo
limitado uma importância temporária... como último suspiro de saúde para todo o sistema econômico burguês e mesmo feudal... Em
1848, de março a setembro, toda a massa feudal e burocrática jamais parou de sustentar os liberais para manter a obediência das
massas revolucionárias. Em todos os casos, durante a crise e no dia seguinte à crise, nosso único adversário será toda a massa
reacionária, agrupada em torno da democracia pura, e esta verdade, segundo meu ponto de vista, não deve em nenhum caso ser
perdida de vista" (publicado em russo no jornal O Trabalho Comunista, Nº 360 de 9 de junho de 1921, no artigo de Adoratski
intitulado: Marx e Engels sobre a democracia e em alemão no livro: Friedrich Engels, Testamento Político, Berlim, 1920. Biblioteca
Internacional da Juventude n0 12, páginas 18-19.

RESOLUÇÃO SOBRE A TÁTICA DO PARTIDO COMUNISTA DA RÚSSIA


O Terceiro Congresso Mundial da Internacional Comunista, depois de ter ouvido o discurso do camarada Lênin sobre a tática do
Partido Comunista da Rússia e depois de ter tomado conhecimento das teses que a ele estão anexadas, declara:
O Terceiro Congresso Mundial da Internacional Comunista admira o proletariado russo, que lutou durante quatro anos pela
conquista do poder político. O Congresso aprova por unanimidade a política do Partido Comunista da Rússia que, desde o início,
reconheceu em todas as situações o perigo que o ameaçava, que permaneceu fiel aos princípios do marxismo revolucionário, que
soube sempre encontrar meios de aplicá-los, que hoje ainda, após o fim da guerra civil, concentra sempre, por sua política para a
classe camponesa, na questão das concessões e a reconstrução da indústria, todas as forças do proletariado, dirigido pelo Partido
Comunista da Rússia, com o objetivo de manter a ditadura do proletariado na Rússia até o momento em que o proletariado da Europa
Ocidental vier em sua ajuda.
Exprime sua convicção de que é apenas graças a essa política consciente e lógica do Partido Comunista da Rússia que a Rússia
Soviética é a primeira e a mais importante cidadela da revolução mundial; o Congresso reprova a política de traição dos partidos
mencheviques, que encabeçaram, graças à sua oposição contra a Rússia Soviética e à política do Partido Comunista da Rússia, a luta
da reação capitalista contra a Rússia, e que traiam de retardar a revolução social no mundo inteiro
O Congresso Mundial convoca o proletariado de todos os países a se perfilarem ao lado dos operários e camponeses russos para
realizar a Revolução de Outubro no mundo inteiro.
Viva a luta pela ditadura do proletariado! Viva a Revolução Socialista mundial!

A INTERNACIONAL COMUNISTA E A INTERNACIONAL SINDICAL VERMELHA


(A Luta Contra a Internacional Amarela de Amsterdã)

I
A burguesia mantém a classe operária na escravidão não só pela força bruta, mas também por suas mentiras refinadas. A escola, a
igreja, o parlamento, as artes, a literatura, a imprensa cotidiana, são poderosos instrumentos dos quais se serve a burguesia para
embrutecer as massa operárias e fazer penetrarem as idéias burguesas entre o proletariado.
Entre essas idéias burguesas que a classe dominante conseguiu insinuar entre as massas trabalhadoras, se encontra a idéia da
neutralidade dos Sindicatos, de seu caráter apolítico, estranho a todo partido.
Desde as últimas décadas da história contemporânea e, em particular, desde o fim da guerra imperialista, em toda a Europa e na
América, os sindicatos são as organizações mais numerosas do proletariado: em certos países eles envolvem toda a classe operária
sem exceção. A burguesia compreende perfeitamente que o destino do regime capitalista depende hoje da atitude desses sindicatos
com relação à influência burguesa universal e seus criados social-democratas para manter, custe o que custar, os sindicatos cativos
das idéias burguesas.
A burguesia não pode convidar abertamente os sindicatos operários para sustentarem os partidos burgueses. Eis porque ela os
convida a não sustentar nenhum partido, inclusive o partido do comunismo revolucionário.
A divisa da "neutralidade" ou do "apoliticismo" dos sindicatos já tem atrás de si um longo passado. Ao longo de uma dezena de
anos esta idéia burguesa foi inculcada nos sindicatos da Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos e outros países, tanto pelos líderes dos
sindicatos burgueses à la Hirsch-Dunker, quanto pelos dirigentes dos sindicatos clericais e cristãos, como pelos dirigentes dos
sindicatos pretensamente livres da Alemanha, como pelos líderes das velhas e pacificas trade-unions inglesas, e muitos outros
partidários do sindicalismo. Leghien, Gompers, Jouhaux, Sidney Webb, durante dezenas de anos, pregaram a neutralidade dos
sindicatos.
Na realidade, os sindicatos jamais foram neutros, jamais puderam sê-lo e nunca o serão. A neutralidade dos sindicatos só pode ser
nociva à classe operária, mas ela é irrealizável. No dualismo entre o trabalho e o capital, nenhuma grande organização pode ficar
neutra. Em consequência, os sindicatos não podem ser neutros entre os partidos burgueses e o Partido do proletariado. Os partidos
burgueses percebem isso claramente. Mas assim como a burguesia tem necessidade que as massas acreditem na vida eterna, tem
também necessidade que se creia, igualmente, que os sindicatos podem ser apolíticos e podem conservar a neutralidade em relação ao
Partido Comunista operário. Para que a burguesia possa continuar a dominar e a pressionar os operários para tirar deles a mais-valia,
ela não tem necessidade apenas do padre, do policial, do general, ela precisa também da burocracia sindical, do "líder operário" que
prega nos sindicatos operários a neutralidade e a indiferença à luta política.
Mesmo antes da guerra imperialista, a falsidade dessa idéia de neutralidade se tornava cada vez mais evidente para os proletários
conscientes da Europa e da América. Na medida em que os antagonismos sociais se exasperam, a mentira se torna mais gritante.
Quando começou a carnificina imperialista, os antigos chefes sindicais foram obrigados a tirar a máscara da neutralidade e caminhar
ao lado da "sua" burguesia.
Durante a guerra imperialista, todos os social-democratas e sindicalistas, que tinham passado anos a pregar a indiferença política,
colocaram esses sindicatos a serviço da mais sangrenta e mais vil política dos partidos burgueses. Eles, ontem campeões da
neutralidade, são vistos agora como os agentes declarados de tal partido político, salvo apenas o partido da classe operária.
Depois do fim da guerra imperialista, esses mesmos chefes social-democratas e sindicalistas tentam novamente impor aos
sindicatos a máscara da neutralidade e do apoliticismo. Passado o perigo militar, esses agentes da burguesia se adaptam às
circunstâncias novas e tentam ainda desviar os operários da via revolucionária, colocando-os numa via mais vantajosa para a
burguesia.
O econômico e o político estão sempre indissoluvelmente ligados. Esse laço é particularmente indissolúvel em épocas como a que
atravessamos. Não existe uma única questão da vida política que não deva interessar ao partido e ao sindicato operário. Inversamente,
não há uma questão econômica importante que possa interessar ao sindicato sem interessar ao partido operário.
Quando, na França, o governo imperialista decreta a mobilização de algumas classes para ocupar a bacia do Ruhr e para oprimir a
Alemanha, um sindicato francês realmente proletário pode dizer que essa é uma questão estritamente política, que não deve interessar
aos sindicatos? Um sindicato francês verdadeiramente revolucionário pode se declarar "neutro" ou "apolítico" nessa questão?
Ou então, inversamente, quando na Inglaterra, se produz um movimento puramente econômico como a última greve dos
mineiros, o Partido Comunista tem o direito de dizer que esta questão não lhe diz respeito e que interessa unicamente aos sindicatos?
Quando a luta contra miséria e a pobreza é engrossada por milhões de desempregados, quando se é obrigado a colocar politicamente
a questão da requisição dos alojamentos burgueses para aliviar as necessidades do proletariado, quando as massas cada vez mais
numerosas de operários são obrigadas, pela própria vida, a colocar na ordem do dia o armamento do proletariado, quando num ou
noutro país os operários organizam a ocupação de fábricas e usinas, - dizer que os sindicatos não devem se envolver na luta política,
ou devem se manter "neutros" entre todos os partidos, é na realidade servir à burguesia.
Apesar de toda a diversidade de suas denominações, os partidos políticos da Europa e da América podem ser divididos em três
grandes grupos: 1) partidos da burguesia; 2) partidos da pequena burguesia; 3) partido do proletariado (os comunistas). Os sindicatos
que se proclamam "apolíticos" e "neutros" não fazem senão ajudar os partidos da pequena burguesia e da burguesia.

II
A associação sindical de Amsterdã é uma organização onde se encontram e se dão as mãos as Internacionais dois e dois e meio.
Esta organização é considerada com esperança e solicitude por toda a burguesia mundial. A grande idéia da Internacional Sindical de
Amsterdã é no momento a neutralidade dos sindicatos. Não é por acaso que essa divisa serve à burguesia e seus criados social-
democratas ou sindicalistas de direita como meio para tentar reunir novamente as massas operárias do Ocidente e da América.
Enquanto a Segunda Internacional, passando abertamente para o lado da burguesia, praticamente falida, a Internacional de Amsterdã,
tentando novamente defender a idéia da neutralidade, tem ainda algum sucesso.
Sob a bandeira da "neutralidade", a Internacional Sindical de Amsterdã assume os encargos mais difíceis e mais sujos da
burguesia: estrangular a greve dos mineiros na Inglaterra (como aceitou fazê-lo I.H. Thomas que é ao mesmo tempo o presidente da
2ª. Internacional e um dos líderes em maior evidência da Internacional Sindical Amarela de Amsterdã), rebaixar os salários, organizar
a pilhagem sistemática dos operários alemães para os pecados de Guilherme e da burguesia imperialista alemã. Leipart e Grassmann,
Wisscl e Bauer, Robert Schmidt e J.H. Thomas, Alberí Thomas e Jouhaux, Daszynski e Zulavski - repartem seus papéis: uns, antigos
chefes sindicais, participam hoje dos governos burgueses na qualidade de ministros, de comissários governamentais ou de
funcionários, enquanto os outros, inteiramente solidários com os primeiros, ficam à lesta da Internacional Sindical de Amsterdã para
pregar aos operários a neutralidade política.
A Internacional Sindical de Amsterdã é atualmente o principal apoio do capital mundial. É impossível combater vitoriosamente
esta fortaleza do capitalismo sem compreender antes a necessidade de combater a idéia mentirosa do apoliticismo e da neutralidade
dos sindicatos. A fim de ter uma arma conveniente para combater a Internacional Amarela de Amsterdã, é preciso, antes de tudo,
estabelecer relações claras e precisas entre o partido e os sindicatos em cada país.

III
O Partido Comunista é a vanguarda do proletariado, a vanguarda que reconheceu perfeitamente as vias e os meios para libertar o
proletariado do jugo capitalista e que, por esta razão, aceitou conscientemente o programa comunista.
Os sindicatos são uma organização mais massiva do proletariado, que tendem cada vez mais a abranger sem exceção todos os
operários de cada setor da indústria e a fazer entrar para sua fileiras não somente os comunistas conscientes, mas também as
categorias intermediárias e mesmo setores atrasados dos trabalhadores que, aos poucos, apreendem pela experiência da vida o
comunismo.
O papel dos sindicatos, no período que precede o combate do proletariado para a tomada do poder, no período desse combate e,
depois, após a conquista do poder, difere quanto às relações, mas sempre, antes, durante e depois, os sindicatos permanecem como
uma organização mais vasta, mais massiva, mais geral que o partido, em relação a esse último eles desempenham, até um certo
ponto, o papel da circunferência em relação ao centro.
Antes da conquista do poder, os sindicatos verdadeiramente proletários organizam os operários, principalmente sobre o terreno
econômico, para a conquista de melhorias possíveis, para o completo desmoronamento do capitalismo, mas colocam no primeiro
plano de sua atividade a organização da luta das massas proletárias contra o capitalismo, tendo em vista a revolução proletária.
Durante a revolução proletária, os sindicatos verdadeiramente revolucionários, de mãos dadas com o partido, organizam as
massas para tomar de assalto as fortalezas do capital e se encarregam do primeiro trabalho de organização da produção socialista.
Após a conquista e a afirmação do poder proletário, a ação dos sindicatos se transporta sobretudo para o domínio da organização
econômica e eles consagram quase todas as suas forças à construção do edifício econômico sobre bases socialistas, tornando possível
assim uma verdadeira escola prática do comunismo.
Durante esses três estágios da luta do proletariado, os sindicatos devem sustentar sua vanguarda, o Partido Comunista, que dirige
a luta proletária em todas as suas etapas. Para isso, os comunistas e os elementos simpatizantes devem constituir no interior dos
sindicatos grupos comunistas inteiramente subordinados ao Partido Comunista em seu conjunto.
A tática que consiste em formar grupos comunistas em cada sindicato, formulada pelo 2º Congresso Universal da Internacional
Comunista, foi executada inteiramente durante o ano passado e deu resultados consideráveis na Alemanha, na Inglaterra, na França,
na Itália e em vários outros países. Se, por exemplo, grupos importantes de operários, pouco experientes e insuficientemente
provados na política, saem dos sindicatos social-democratas livres da Alemanha, porque perderam toda esperança de obter uma
vantagem imediata com sua participação nesses sindicatos livres, isso não deve, em nenhuma hipótese, mudar a atitude de princípio
da Internacional Comunista em relação à participação comunista no movimento profissional. O dever dos comunistas é explicar a
todos os proletários que a saída não é abandonar os velhos sindicatos para criar novos ou se dispersarem numa poeira de homens
desorganizados, mas revolucionar os sindicatos, expulsar deles o espírito reformista e a traição dos líderes oportunistas, para fazer
deles uma arma ativa do proletariado revolucionário.

IV
Durante o próximo período, a tarefa capital de todos os comunistas é trabalhar com energia, perseverança, obstinação, para
conquistar a maioria dos sindicatos; os comunistas não devem em nenhum caso se deixar desencorajar pelas tendências reacionárias
que se manifestam nesse momento no movimento sindical, mas se aplicar na participação mais ativa em todos os combates, na
conquista dos sindicatos para o comunismo, apesar de todos os obstáculos e todas as oposições.
A melhor medida da força de um Partido Comunista é a influência real que ela exerce sobre as massas operárias dos sindicatos. O
partido deve saber exercer a influência mais decisiva sobre os sindicatos sem submetê-los à menor tutela. O partido tem células
comunistas em tais ou quais sindicatos, mas o sindicato enquanto tal não está submetido ao partido. Apenas por um trabalho
contínuo, firme e devotado dos núcleos comunistas no seio dos sindicatos é que o Partido pode chegar a criar um estado de coisas tal
que os sindicatos seguirão voluntariamente, com prazer, os conselhos do partido.
Um excelente processo de fermentação se observa nesse momento nos sindicatos franceses. Os operários se recuperam enfim da
crise do movimento operário e aprendem hoje a condenar a traição dos socialistas e dos sindicalistas reformistas.
Os sindicalistas revolucionários estão ainda imbuídos, em certa medida, de preconceitos contra a ação política e contra a idéia do
partido político proletário. Eles professam a neutralidade política tal como ela foi expressa em 1906 na " Carta de Amiens". A posição
confusa e falsa desses elementos sindicalistas-revolucionários implica maior perigo para o movimento. Se conquistar a maioria, esta
tendência não saberá o que fazer, e ficará impotente diante dos agentes do capital, dos Jouhaux e dos Dumoulin.
Os sindicalistas-revolucionários franceses não terão linha de conduta firme enquanto o Partido Comunista não a tiver. O Partido
Comunista Francês deve se aplicar em estabelecer uma colaboração amigável com os melhores elementos do sindicalismo-
revolucionário. Ele deve contar em primeiro lugar com seus próprios militantes, deve formar núcleos em todos os lugares onde haja
três comunistas. O partido deve empreender uma campanha contra a neutralidade. Da maneira mais amigável, mas também mais
resoluta, o partido deve sublinhar os defeitos da atitude do sindicalismo-revolucionário. Apenas dessa maneira pode-se revolucionar o
movimento sindical na França e estabelecer sua colaboração estreita com o partido.
Na Itália temos uma situação semelhante: a massa dos operários sindicalizados está animada de um espírito revolucionário, mas a
direção da Confederação do Trabalho está nas mãos de reformistas e centristas declarados, que estão alinhados com Amsterdã. A
primeira tarefa dos comunistas italianos é organizar uma ação cotidiana animada e perseverante no seio dos sindicatos e se aplicar
sistemática e pacientemente a desvelar o caráter equivocado e vacilante dos dirigentes, a fim de tirar-lhes os sindicatos.
As tarefas que cabem aos comunistas italianos com relação aos elementos revolucionários sindicalistas da Itália são, em geral, as
mesmas dos comunistas franceses.
Na Espanha, temos um movimento sindical poderoso, revolucionário e também consciente de seus objetivos e temos um Partido
Comunista ainda jovem e relativamente frágil. Dada esta situação, o partido deve tentar se fortalecer nos sindicatos, o partido deve
ajudá-los com seus conselhos e sua ação, deve esclarecer o movimento sindical e ligar-se a ele através de laços amigáveis, tendo em
vista a organização comum de todos os combates.
Acontecimentos da maior importância se desenvolvem no movimento sindical inglês que se revolucionariza muito rapidamente.
O movimento de massas se desenvolve. Os antigos chefes dos sindicatos perdem rapidamente suas posições. O partido deve fazer os
maiores esforços para se afirmar nos grandes sindicatos, como a Federação dos Mineiros etc. Todo membro do partido deve militar
em algum sindicato e deve, através de um trabalho orgânico, perseverante e ativo, orientá-lo em direção ao comunismo. Nada deve
ser negligenciado para estabelecer a ligação mais estreita com as massas.
Nos Estados Unidos, observamos o mesmo desenvolvimento, mas um pouco mais lento. Em nenhum caso os comunistas devem
se limitar a deixar a Federação do Trabalho, organismo reacionário: eles devem, ao contrário, colocar mãos à obra para penetrar nos
antigos sindicatos e revolucioná-los. É importante colaborar com os melhores elementos dos IWW, mas esta colaboração não exclui a
luta contra seus preconceitos.
Um poderoso movimento sindical se desenvolve espontaneamente no Japão, mas ele se ressente da falta de uma direção clara. A
tarefa principal dos elementos comunistas do Japão é sustentar esse movimento e exercer sobre ele uma influência marxista.
Na Tchecoslováquia, nosso partido tem a maioria da classe operária, enquanto o movimento sindical permanece ainda, em grande
parte, nas mãos dos social-patriotas e dos centristas e, de outra parte, está cindido por nacionalidades. Esse é o resultado da falta de
organização e de clareza por parte dos sindicalizados, ainda que animados do espírito revolucionário. O partido deve fazer tudo para
pôr um fim a essa situação e conquistar o movimento sindical para o comunismo. Para atingir esse objetivo, é absolutamente
indispensável criar núcleos comunistas, assim como um órgão sindical comunista central para todos os países. É necessário, para
isso, trabalhar energicamente e fundir num todo único as diferentes uniões cindidas pelas nações.
Na Áustria e na Bélgica, os social-patriotas souberam tomar com habilidade e firmeza a direção do movimento sindical, que é o
principal ponto de combate. É nessa direção que os comunistas devem colocar sua atenção.
Na Noruega, o partido, que tem a maioria dos operários, deve tomar seguramente nas mãos o movimento sindical e descartar os
elementos centristas das direções.
Na Suécia o partido tem que combater resolutamente não apenas o reformismo, mas também a corrente pequeno-burguesa que
existe no socialismo e deve aplicar nessa ação toda a sua energia.
Na Alemanha, o partido tem grandes condições para conquistar gradualmente os sindicatos. Nenhuma concessão deve ser feita
àqueles que preconizam a saída dos sindicatos. Isso é fazer o jogo dos social-patriotas. Às tentativas de excluir os comunistas importa
opor uma resistência vigorosa e obstinada; os maiores esforços devem ser feitos para conquistar a maioria nos sindicatos.

V
Todas essas considerações determinam as relações que devem existir entre a Internacional Comunista e a Internacional Sindical
Vermelha.
A Internacional Comunista não deve apenas dirigir a luta política do proletariado no sentido estrito do termo mas, também, toda
sua campanha de libertação, seja qual for a forma que ela assuma. A Internacional Comunista não pode ser apenas a soma aritmética
dos Comitês Centrais dos Partidos Comunistas dos diferentes países. A Internacional Comunista deve inspirar e coordenar a ação e os
combates de todas as organizações proletárias, profissionais, cooperativas, sovietistas, educativas etc., além das estritamente
políticas.
A Internacional Sindical Vermelha, diferente da Internacional Amarela de Amsterdã, não pode, em caso algum, aceitar o ponto de
vista da neutralidade. Uma organização que desejar ser neutra, diante das Internacionais dois, dois e meio e três, será inevitavelmente
um joguete nas mãos da burguesia. O programa de ação da Internacional Sindical Vermelha, que está exposto abaixo e que o Terceiro
Congresso Universal da Internacional Comunista submete à atenção do Primeiro Congresso Universal dos Sindicatos Vermelhos, será
defendido na realidade unicamente pelos Partidos Comunistas, unicamente pela Internacional Comunista. Por esta única razão, para
insuflar o espírito revolucionário no movimento profissional de cada país, para executar lealmente sua nova tarefa revolucionária, os
sindicatos vermelhos de cada país serão obrigados a trabalhar de mãos dadas, em contato estreito, com o Partido Comunista desse
mesmo país, e a Internacional Sindical Vermelha deverá coordenar em cada país sua ação com aquela da Internacional Comunista.
Os preconceitos de neutralidade, independência, apoliticismo, de indiferença pelos partidos, que são o pecado dos sindicalistas
revolucionários legais da França, Espanha, Itália e alguns outros países, não são objetivamente outra coisa que um tributo pago aos
ideais burgueses. Os sindicatos vermelhos não podem triunfar sobre Amsterdã, não podem consequentemente, triunfar sobre o
capitalismo, sem romper de uma vez por todas com esta idéia burguesa de independência e de neutralidade.
Do ponto de vista da economia das forças e da concentração mais perfeita dos golpes, a situação ideal será a constituição de uma
Internacional proletária única, agrupando os partidos políticos e todas as outras formas de organização operária. Não há dúvida de
que o futuro pertence a esse tipo de organização. Mas, no momento atual, de transição, com a variedade e a diversidade dos
sindicatos, é preciso nos diferentes países, constituir uma união autônoma dos sindicatos vermelhos, aceitando o conjunto do
programa da Internacional Comunista, mas de uma forma mais livre que os partidos políticos pertencentes a esta Internacional.
A Internacional Sindical Vermelha que será organizada sobre essas bases, terá direito ao apoio integral do 3° Congresso Universal
da Internacional Comunista. Para estabelecer uma ligação mais estreita entre a Internacional Comunista e a Internacional Vermelha
dos Sindicatos, o Terceiro Congresso Universal da Internacional Comunista propõe uma representação mútua permanente de três
membros da Internacional Comunista no Comitê Executivo da Internacional Sindical Vermelha e vice-versa.
O programa de ação dos Sindicatos Vermelhos, segundo a opinião da Internacional Comunista, é aproximadamente o seguinte:

Programa de Ação
1. A crise aguda na economia mundial, a queda catastrófica dos preços dos principais produtos, a subprodução que coincide com a
escassez das mercadorias, a política agressiva da burguesia em relação à classe operária, uma tendência obstinada em rebaixar os
salários e conduzir a classe operária a várias dezenas de anos atrás, a irritação das massas que se desenvolve sobre esse terreno, de
uma parte, e a impotência dos velhos sindicatos operários e seus métodos, de outra parte - todos esses fatos impõem aos sindicatos
revolucionários de todos os países tarefas novas. São necessários novos métodos de luta econômica nesse período de desagregação
capitalista: é preciso que os sindicatos operários adotem uma política econômica agressiva, para repelir a ofensiva do capital,
fortificar as antigas posições e passar à ofensiva.
2. A ação direta das massas revolucionárias e suas organizações contra o capital constitui a base da tática sindical. Todas as
conquistas dos operários estão em relação direta com a ação direta e a pressão revolucionária das massas. Pela expressão "ação
direta" é preciso entender toda sorte de pressões diretas exercidas pelos operários sobre os patrões e o Estado, a saber: boicote,
greves, ações de rua, demonstrações, ocupação de usinas, oposição violenta à saída de produtos das empresas, levante armado e
outras ações revolucionárias próprias para unir a classe operária na luta pelo socialismo. A tarefa dos sindicatos revolucionários
consiste, portanto, em fazer da ação direta um meio de educar e preparar as massas operárias para a luta pela revolução social e pela
ditadura do proletariado
3. Esses últimos anos de luta mostraram com uma particular evidência toda a fraqueza das uniões estritamente profissionais. A
adesão simultânea dos operários de uma empresa a vários sindicatos enfraquece-os durante a luta. É preciso passar, e esse deve ser o
ponto inicial de uma luta incessante - da organização puramente profissional à organização por indústrias: "Uma empresa - um
sindicato", tal é a palavra de ordem no domínio da estrutura sindical. É preciso tender à fusão dos sindicatos similares pela via
revolucionária, colocando a questão diretamente para os sindicalizados das fábricas e empresas, levando mais tarde o debate até as
conferências locais e regionais e aos congressos nacionais
4. Cada fábrica, cada usina deve se transformar num bastião, numa fortaleza da revolução. A antiga forma de ligação entre os
sindicalizados e seu sindicato (delegados sindicais que recebiam as cotizações, representantes, pessoal de confiança etc.) deve ser
substituída pela criação de comitês de fábrica e usinas. Esses devem ser eleitos por todos os operários da empresa, seja qual for o seu
sindicato e suas convicções políticas. A tarefa dos partidários da Internacional Sindical Vermelha é levar os operários da empresa a
participarem da eleição de seu órgão representativo. As tentativas para eleger os comitês de fábrica e de usinas apenas pelos
comunistas têm como resultado o afastamento das massas "sem partido"; eis porque essas tentativas devem ser categoricamente
condenadas. Isso seria um núcleo e não um comitê de fábrica. A parcela revolucionária deve reagir e influir, por intermédio dos
núcleos, comitês de ação e simples membros, sobre a assembléia geral e sobre o comitê de fábrica eleito.
5. A primeira tarefa que é preciso propor aos operários e comitês de fábricas e usinas é exigir a manutenção, às expensas da
empresa, dos empregados dispensados do trabalho. Não se deve tolerar que os operários sejam postos na rua sem que o
estabelecimento se ocupe deles. O patrão deve pagar a seus desempregados seu salário completo: eis a exigência em torno da qual é
preciso organizar não apenas os desempregados, mas sobretudo os empregados que continuam trabalhando na empresa, explicando-
lhes, ao mesmo tempo, que a questão do desemprego não pode ser resolvida nos limites do capitalismo e que o melhor remédio
contra o desemprego é a revolução social e a ditadura do proletariado.
6. O fechamento das empresas é atualmente, na maior parte dos casos, um meio de depurá-las dos elementos suspeitos - a luta
deve então se fazer contra o fechamento das empresas e os empregados devem verificar as causas do fechamento. É preciso criar
Comissões especiais de controle sobre as matérias-primas, sobre os materiais necessários à produção e os recursos financeiros
disponíveis nos bancos. As Comissões de controle especialmente eleitas devem estudar da maneira mais atenta as relações financeiras
entre a empresa em questão e as outras empresas, e a supressão do segredo comercial deve ser proposta aos operários como uma
tarefa prática.
7. Um dos meios de impedir o fechamento em massa das empresas, com o fim de rebaixar os salários e agravar as condições de
trabalho, pode ser a ocupação da fábrica ou da usina e a continuação de sua produção a despeito do patrão.
Diante da atual escassez de mercadorias, é particularmente importante impedir toda parada na produção, também os operários não
devem tolerar um fechamento premeditado das fábricas e usinas. Segundo as condições locais, as condições da produção, a situação
política e a intensidade da luta social, a tomada das empresas pode e deve ser acompanhada de outros métodos de ação sobre o
capital. A gestão da empresa tomada deve ser colocada nas mãos do comitê de fábrica ou de usina e do representante especialmente
designado pelo sindicato.
8. A luta econômica deve ser levada sob a palavra de ordem de aumento dos salários e melhoria das condições de trabalho, que
devem ser levadas a um nível sensivelmente superior àquele de antes da guerra. As tentativas para reconduzir os operários às
condições de trabalho anteriores às da guerra devem ser rebatidas da forma mais decidida e mais revolucionária. A guerra teve como
resultado o esgotamento da classe operária: a melhoria das condições de trabalho é uma condição indispensável para reparar essa
perda de forças. As alegações dos capitalistas que colocam como causa a concorrência estrangeira não devem ser levadas em
consideração: os sindicatos revolucionários não devem abordar a questão dos salários e das condições do ponto de vista da
concorrência entre os aproveitadores das diferentes nações, eles devem se colocar no ponto de vista da conservação e proteção da
força de trabalho.
9. Se a tática redutora dos capitalistas coincide com uma crise econômica no país, o dever dos sindicatos é não se deixar abater
por questões separadas. A princípio, é preciso ensaiar na luta os operários dos estabelecimentos de utilidade pública (mineiros,
ferroviários, operários do gás, eletricitários etc.) para que a luta contra a ofensiva do capital toque, desde o início, os pontos
nevrálgicos do organismo econômico. Aqui, todas as formas de resistência são necessárias e, conforme o objetivo, desde a greve
parcial intermitente, até a greve geral, se estendendo à grande indústria sobre um plano nacional.
10. Os sindicatos devem se propor como uma tarefa prática a preparação e a organização de ações nacionais por indústrias. A
parada dos transportes ou da extração da hulha, realizada segundo um plano internacional, é um poderoso meio de luta contra as
tentativas reacionárias da burguesia de todos os países.
Os sindicatos devem observar atentamente a conjuntura mundial para escolher o momento mais propício para sua ofensiva
econômica; eles não devem esquecer um só instante o fato de que uma ação internacional só será possível com a criação de sindicatos
revolucionários, sindicatos que não tenham nada em comum com a Internacional Amarela de Amsterdã.
11. A crença no valor absoluto dos contratos coletivos, propagada pelos oportunistas de todos os países, deve encontrar a
resistência áspera e decidida do movimento sindical revolucionário. Os patrões violam os contratos coletivos sempre que podem. Um
respeito religioso pelos contratos coletivos testemunha a profunda penetração da ideologia burguesa entre os líderes da classe
operária. Os sindicatos revolucionários não devem renunciar aos contratos coletivos, mas devem perceber seu valor relativo, devem
sempre considerar o método a adotar para romper esses contratos sempre que isso for vantajoso para a classe operária.
12. A luta das organizações operárias contra o patrão individual e coletivo deve se adaptar às condições nacionais e locais, deve
utilizar toda a experiência da luta de libertação da classe operária. Toda greve importante não deve ser somente bem organizada, os
operários devem, desde o primeiro momento, criar quadros especiais para combater os fura-greves e fazer oposição à ofensiva
provocadora das organizações brancas de todas as nuances, apoiadas pelos Estados burgueses. Os fascistas na Itália, a ajuda técnica
na Alemanha, as guardas cívicas formadas por antigos oficiais e suboficiais na França e Inglaterra - todas essas organizações têm por
objetivo a desmoralização, a derrota das ações da classe operária, uma derrota que não se limitará a uma simples substituição dos
grevistas, mas buscará a derrocada material de sua organização e o massacre dos líderes do movimento. Nessas condições, a
organização de batalhões de greve especiais, de destacamentos especiais de defesa operária, é uma questão de vida ou morte para a
classe operária.
13. As organizações de combate assim criadas não devem se limitar a combater as organizações dos patrões e fura-greves, elas
devem se encarregar de deter todas as encomendas e mercadorias expedidas com destino à usina em greve por outras empresas e se
opor à transferência de comando a outras usinas e empresas. Os sindicatos dos operários dos transportes são chamados a
desempenhar seu papel particularmente importante: cabe a eles a tarefa de entravar o transporte das mercadorias, o que não será
possível sem a ajuda unânime de todos os operários da região.
14. Toda luta econômica da classe operária no próximo período deve se concentrar na palavra de ordem do controle operário
sobre a produção, que se deve realizar antes que o governo ou as classes dominantes inventem algum sucedâneo de controle. É
preciso combater violentamente todas as tentativas das classes dominantes e dos reformistas para criar associações paritárias,
comissões paritárias e um estrito controle sobre a produção deve ser feito: somente ele dará os resultados determinados. Os sindicatos
revolucionários devem combater resolutamente a chantagem e a extorsão exercidas em nome da socialização pelos chefes dos velhos
sindicatos com a ajuda das classes dominantes. Toda a verborréia desses senhores sobre a socialização pacifica tem a finalidade única
de desviar os operários dos atos revolucionários e da revolução social.
15. Para distrair a atenção dos operários de suas tarefas imediatas e despertar neles veleidades pequeno-burguesas, colocam-nos
diante da idéia de participação nos lucros, isto é, da restituição aos operários de uma pequena parte da mais-valia criada por eles; essa
palavra de ordem de perversão operária deve receber sua crítica severa e implacável. ("Não à participação nos lucros, destruição do
lucro capitalista", tal é a palavra de ordem dos sindicatos revolucionários.).
16. Para entravar ou quebrar a força combativa da classe operária, os Estados burgueses aproveitaram a possibilidade de
militarizar provisoriamente algumas usinas ou setores inteiros da indústria sob o pretexto de protegê-las por sua importância vital.
Alegando a necessidade de se preservar tanto quanto possível contra as perturbações econômicas, os Estados burgueses introduziram,
para proteger o Capital, cortes de arbitragem e comissões de conciliação obrigatórias. Também no interesse do Capital, e para fazer
recair inteiramente sobre os operários o peso dos custos da guerra, eles introduziram um novo sistema de percepção de impostos; eles
são retidos sobre o salário do operário pelo patrão, que desempenha assim o papel de preceptor. Os sindicatos devem levar uma luta
das mais obstinadas contra essas medidas governamentais que só servem aos interesses da classe capitalista.
17. Os sindicatos revolucionários que lutam para melhorar as condições de trabalho, elevar o nível de vida das massas e
estabelecer o controle operário devem constantemente perceber que, no quadro do capitalismo, esses problemas permanecerão sem
solução; eles também devem, arrancando passo a passo concessões das classes dominantes, obrigá-las a aplicar a legislação social,
colocar claramente as massas operárias diante do fato de que só a derrota do capitalismo e a instauração da ditadura do proletariado
são capazes de resolver a questão social. Assim, nem uma ação parcial, nem uma greve parcial nem o menor conflito devem passar
sem deixar traços em relação a isso. Os sindicatos revolucionários devem generalizar esses conflitos, elevando constantemente a
consciência das massas até a necessidade e a inevitabilidade da revolução social e da ditadura do proletariado.
18. Toda luta econômica é uma luta política, isto é, uma luta levada por toda uma classe. Nessas condições, por mais
consideráveis que sejam as camadas operárias envolvidas na luta, esta não poderá ser realmente revolucionária, não poderá ser
realizada com o máximo de utilidade para a classe operária em seu conjunto, se os sindicatos não estiverem de mãos dadas, unidos e
em colaboração estreita com o Partido Comunista do país. A teoria e a prática da divisão da ação da classe operária em duas metades
autônomas é muito perniciosa, sobretudo no momento revolucionário atual. Cada ação exige o máximo de concentração de forças,
que só é possível com a condição da mais alta tensão de toda energia revolucionária da classe operária, isto é, de todos os seus
elementos comunistas e revolucionários. As ações isoladas do Partido Comunista e dos sindicatos revolucionários estão de antemão
destinadas ao fracasso e a derrota. Por isso, a unidade de ação, a ligação orgânica entre os Partidos Comunistas e os sindicatos
operários constituem a condição preliminar do sucesso da luta contra o capitalismo.

TESES SOBRE A AÇÃO DOS COMUNISTAS NAS COOPERATIVAS


1) À época da revolução proletária, as cooperativas revolucionárias devem ter dois objetivos: a) ajudar os trabalhadores em sua
luta para a conquista do poder político; b) onde esse poder já estiver conquistado, ajudar os trabalhadores a organizar a sociedade
socialista.
2) As antigas cooperativas trilhavam a via do reformismo e evitavam por todos os meios a luta revolucionária sob todas as suas
formas. Elas pregavam a idéia de uma entrada gradual no "socialismo", sem passar pela ditadura do proletariado.
As antigas cooperativas pregam a neutralidade política, ainda que, na realidade, escondam sob esta insígnia sua subordinação à
política da burguesia imperialista.
Seu internacionalismo existe apenas nas palavras. Na verdade, elas substituem a solidariedade internacional dos trabalhadores
pela colaboração da classe operária com a burguesia de cada país.
Por toda essa política, as antigas cooperativas, longe de concorrer para o desenvolvimento da revolução, entravam-na e, longe de
ajudar o proletariado em sua luta, atrapalham-no.
3) As diversas formas de cooperativas não podem, em nenhum nível, servir aos objetivos revolucionários do proletariado. As mais
convenientes para isso são as cooperativas de consumo. Mas, mesmo entre essas últimas, são muitas as que agrupam elementos
burgueses. Essas cooperativas não estarão nunca ao lado dos operários em sua luta revolucionária. Só a cooperação operária nas
cidades e no campo pode ter esse caráter.
4) A tarefa dos comunistas no movimento cooperativo consiste no que segue: 1) propagar as idéias comunistas; 2) fazer da
cooperação um instrumento de luta da classe pela revolução, sem destacar as diversas cooperativas de seu agrupamento central.
Em todas as cooperativas, os comunistas devem estar organizados em frações, propondo-se a formar em cada país um centro da
cooperação comunista.
Esses agrupamentos e seu centro devem ter uma ligação estreita com o Partido Comunista e seus representantes na cooperativa. O
centro deve, igualmente, elaborar os princípios da tática comunista no movimento cooperativo nacional, dirigir e organizar esse
movimento.
5) Os objetivos práticos que atualmente deve se propor à cooperação revolucionária do Ocidente surgirão ao longo do trabalho.
Mas, desde agora, pode-se indicar, entre eles:
a) Propagar, por documentos e discursos, as idéias comunistas, levar uma campanha para livrar as cooperativas da direção e da
influência da burguesia e dos oportunistas.
b) Aproximar as cooperativas do Partidos Comunistas, dos sindicatos revolucionários. Fazer as cooperativas participarem da luta
política, direta e indiretamente, tomando parte nas demonstrações e campanhas políticas do proletariado. Sustentar materialmente os
Partidos Comunistas e sua imprensa. Sustentar materialmente os operários em greve ou vítimas de locaute.
c) Combater a política imperialista da burguesia, em particular a intervenção dos negócios da Rússia Soviética e outros países.
d) Criar relações não somente de pensamento, de organização, mas também de negócios, entre as cooperativas operárias dos
diferentes países.
e) Exigir a conclusão imediata dos tratados de comércio e reatamento de relações comerciais com a Rússia e as outras Repúblicas
Soviéticas.
f) Participar o mais amplamente possível nas trocas comerciais com essas Repúblicas.
g) Participar da exploração das riquezas naturais das Repúblicas Soviéticas, encarregando-se de concessões sobre seu território.
6) Após o triunfo da revolução proletária, as cooperativas devem se desenvolver plenamente.
Desde já o exemplo da Rússia Soviética permite esboçar alguns traços característicos:
a) As cooperativas de consumo deverão se encarregar da distribuição dos produtos, segundo os planos do governo proletário. Essa
função dará ás cooperativas um impulso inusitado até então.
b) As cooperativas devem servir de laço orgânico entre as explorações isoladas dos pequenos produtores (camponeses e artesãos)
e os serviços econômicos do Estado proletário. Esses últimos, por intermédio das cooperativas, dirigirão o trabalho de suas pequenas
explorações de acordo com um plano conjunto. Em particular as cooperativas de consumo recolherão os gêneros alimentícios e as
matérias-primas dos pequenos produtores para repassá-los aos consumidores e ao Estado.
c) As cooperativas de produção podem agrupar pequenos produtores nas fábricas ou grande explorações comuns permitindo o uso
de máquinas e procedimentos técnicos aperfeiçoados. Elas darão à pequena produção a base técnica que permitirá edificar sobre esse
fundamento a produção socialista, o que permitirá aos pequenos produtores se desembaraçarem de sua mentalidade individualista
para desenvolver neles o espírito coletivista.
7) Levando em conta o papel imenso que as cooperativas devem desempenhar durante a revolução proletária, o Terceiro
Congresso da Internacional Comunista lembra aos partidos, grupos e organizações comunistas, que eles devem continuar a trabalhar
energicamente para propagar o ideal da cooperação, dos grupamentos de cooperativas em um instrumento da luta de classes, e formar
um front único das cooperativas com os sindicatos revolucionários.
O Congresso encarrega o Comitê Executivo da Internacional de formar uma seção cooperativa encarregada de colocar em prática
o programa acima indicado. Na medida das necessidades, essa seção deverá convocar conferências e congressos para realizar a
missão revolucionária das cooperativas.

Resolução do III Congresso da Internacional Comunista sobre a Ação das Cooperativas


O III Congresso da Internacional encarrega o Comitê Executivo de criar uma seção cooperativa que deverá preparar, segundo as
necessidades, a convocação de consultas, conferências e congressos cooperativos internacionais, para realizar na Internacional os
objetivos determinados nas teses.
A seção deverá, por outro lado, seguir os seguintes objetivos práticos:
a) Reforçar atividade cooperativa dos trabalhadores do campo e da indústria, constituindo cooperativas de artesãos
semiproletários, levando os trabalhadores a procurarem a direção e a melhoria em comum de sua exploração.
b) Levar a luta pela remessa às cooperativas da repartição de víveres e objetos de consumo em todo o país.
c) Levar a propaganda dos princípios e dos métodos da cooperação revolucionária e dirigir a atividade da cooperação proletária
para o apoio material da classe operária combatente.
d) Favorecer o estabelecimento de relações comerciais e financeiras internacionais entre cooperativas operárias e organizar sua
produção comum.

RESOLUÇÃO SOBRE A INTERNACIONAL COMUNISTA E O MOVIMENTO DA JUVENTUDE COMUNISTA


1. O movimento da juventude socialista nasceu sob a pressão da exploração capitalista da juventude trabalhadora e do sistema
ilimitado do militarismo burguês. Ele nasceu como reação às tentativas de envenenamento da juventude trabalhadora pelas idéias
burguesas nacionalistas e contra a negligência e o esquecimento pelo qual se tornaram culpados o partido social-democrata e os
sindicatos na maioria dos países diante das exigências econômicas, políticas e espirituais da juventude.
Em quase todos os países, as organizações da juventude socialista foram criadas sem a participação dos partidos social-
democratas e dos sindicatos, que se tornaram cada vez mais oportunistas e reformistas, e em alguns países essas organizações se
formaram mesmo contra a vontade desses partidos e sindicatos. Esses viram como um grande perigo o aparecimento das juventudes
socialistas revolucionárias independentes e tentaram reprimir esse movimento mudando-lhe o caráter e impondo-lhe sua política,
exercendo sobre ele uma tutela burocrática e tentando privá-lo de sua independência.
2. De outro lado, a guerra imperialista e a atitude tomada na maior parte dos países pelos partidos social-democratas veio a
aumentar o abismo entre os partidos social-democratas e as juventudes internacionais e revolucionárias e acelerar o conflito. A
situação da juventude trabalhadora piorou durante a guerra por causa da mobilização, da exploração reforçada nas indústrias militares
e por causa da militarização no front. A melhor parte da juventude socialista tomou posição resoluta contra a guerra e o nacionalismo,
se separou do partidos social-democratas e começou uma ação política própria (Conferências Internacionais da Juventude em Berna,
em 1915, em Iéna em 1916).
Em seu combate contra a guerra, os melhores grupos revolucionários dos operários adultos sustentaram as juventudes socialistas
que se tornaram um ponto de concentração das forças revolucionárias. Elas assumiram assim as funções dos partidos revolucionários
que faltavam. Elas se tornaram a vanguarda no combate revolucionário e tomaram a forma de organizações políticas independentes.
3. Com o aparecimento da Internacional Comunista e de Partidos Comunistas nos diferentes países, o papel das juventudes
revolucionárias em todo o movimento do proletariado se modificou. Por sua situação econômica, e graças a traços psicológicos
particulares, a juventude operária é mais acessível aos ideais comunistas e apresenta um entusiasmo revolucionário maior que seus
irmão mais velhos, os operários. Todavia, são os Partidos Comunistas que assumem o papel de vanguarda que era desempenhado
pelos jovens no que se refere à ação política independente e à direção política. Se as organizações das juventudes comunistas
continuassem a existir como organizações independentes do ponto de vista político e desempenhando um papel dirigente, teríamos
dois partidos comunistas concorrentes que se distinguiriam entre si apenas pela idade de seus membros.
4. O papel atual da juventude consiste em que ela deve reunir os jovens operários, educá-los no espírito comunista para as
primeiras filas da batalha comunista. Passou o tempo em que a juventude poderia se limitar a um bom trabalho de pequenos grupos
de propaganda, compostos de poucos membros. Existe hoje, além da agitação e da propaganda, levadas com perseverança e com
novos métodos, um meio de conquistar as amplas massas de jovens operários; trata-se de provocar e dirigir os combates econômicos.
As organizações da juventude devem alargar e reforçar o trabalho de educação não se conformando com sua nova missão. O
princípio fundamental da educação comunista no movimento da juventude consiste na participação ativa em todas as lutas
revolucionárias, participação que deve estar estreitamente ligada à escola marxista.
Um outro dever importante das juventudes à época atual é destruir a ideologia centrista e social-patriota entre a juventude
operária e desembaraçá-la dos tutores e chefes social-democratas. Ao mesmo tempo, elas devem fazer tudo para ativar o processo de
rejuvenescimento resultante do movimento de massas, delegando-o rapidamente, nos Partidos Comunistas, aos seus membros mais
velhos.
A grande diferença fundamental que existe entre as juventudes comunistas e as juventudes centristas e social-patriotas se torna
aparente pela participação ativa em todos os problemas da vida política e nos combates e ações revolucionárias, e também pela
colaboração na construção dos Partidos Comunistas.
5. As relações entre as juventudes e os Partidos Comunistas diferem radicalmente daquelas que existem entre as organizações da
juventude revolucionária e os partidos social-democratas. A maior uniformidade e a centralização mais estrita são necessárias na luta
comum pela realização rápida da revolução proletária. A direção política não pode pertencer senão à Internacional. É dever das
organizações da juventude comunista se subordinar a esta direção política, ao programa, à tática e às diretrizes e se incorporar ao
front revolucionário comum. Dados os diferentes níveis de desenvolvimento revolucionário dos Partidos Comunistas, é necessário
que em casos excepcionais a aplicação desse princípio esteja subordinada a uma decisão especial do Comitê Executivo da
Internacional Comunista e da Internacional da Juventude, levando em conta as condições particulares. As juventudes comunistas, que
começaram a organizar suas fileiras segundo as regras da centralização mais estrita, deverão se submeter à disciplina de ferro da
Internacional Comunista. As juventudes devem se ocupar de todas as questões políticas e táticas nas organizações, devem tomar
posição e, no interior dos Partidos Comunistas de seu país, devem sempre agir não contra esses partidos, mas no sentido das decisões
tomadas por eles. Em caso de graves dissensões entre os Partidos Comunistas e as juventudes, elas devem fazer valer seu direito de
apelação ao Comitê Executivo da Internacional Comunista. O abandono de sua independência política não significa a abnegação total
de sua independência orgânica, que é preciso conservar por razões de educação.
Como para uma perfeita direção da luta revolucionária é necessário o máximo de centralização e unidade, nos países onde a
evolução histórica colocou a juventude na dependência do partido, essas relações devem ser mantidas a título de regra; as
divergências entre os dois órgãos são resolvidas pelo Comitê Executivo da Internacional Comunista da Juventude.
6. Uma das tarefas mais urgentes e mais importantes da juventude é se desembaraçar de todos os resquícios da idéia de seu papel
político dirigente, remanescente do período de absoluta autonomia. A imprensa e todo o aparelho da juventude devem ser utilizados
para impregnar os jovens comunistas do sentimento e da consciência de que eles são os soldados e os membros responsáveis de um
único Partido Comunista.
As organizações da juventude comunista devem dedicar atenção e tempo a esse trabalho que eles começaram, graças à conquista
de grupos cada vez mais numerosos de jovens operários, e transformá-lo em movimento de massas.
7. A colaboração política estreita entre as juventudes e os Partidos Comunistas deve encontrar sua expressão numa ligação
orgânica sólida entre as duas organizações. É absolutamente necessária uma troca permanente e recíproca de representantes entre os
órgão dirigentes das juventudes e dos partidos em todos os escalões: província, periferia, cantão e núcleos, nos grupos de usinas e nos
sindicatos, assim como a participação mútua em todas as conferências e congressos. Desta maneira, o Partido Comunista terá a
possibilidade de exercer uma influência contínua sobre a atividade da juventude e sustentá-la enquanto essa poderá, igualmente, ter
uma influência real sobre a atividade do partido.
8. As relações entre a Internacional Comunista e Internacional da Juventude são ainda mais estreitas que aquelas entre a
Internacional Comunista e os Partidos Comunistas. O papel da Internacional Comunista da Juventude consiste em centralizar e dirigir
o movimento da juventude comunista, em sustentar e encorajar moral e materialmente as diferentes uniões, em criar novas
organizações da juventude comunista onde elas não existem ainda e fazer a propaganda internacional do movimento da juventude
comunista e de seu programa. A Internacional Comunista da Juventude constitui uma parte da Internacional Comunista e nesta
condição ela está subordinada à decisões do Congresso e do Executivo da Internacional Comunista. Dentro desses limites, ela
executa seu trabalho e age como intermediária e intérprete da vontade política da Internacional Comunista em todas as seções desta
última. Pela troca constante e mútua e uma colaboração estreita e contínua, pode-se assegurar um controle constante da parte da
Internacional Comunista e o trabalho mais fecundo da Internacional Comunista da Juventude sobre todos os terrenos de sua atividade
(direção do movimento, agitação, organização, fortalecimento e sustentação das organizações da juventude comunista).

Declaração sobre Max Hoelz

Ao Proletariado Alemão
Aos dois mil anos de prisão e penas correcionais que infligiu aos combatentes de março, a burguesia alemã acrescenta a pena de
prisão perpétua para MAX HOELZ
A Internacional Comunista é contra o terror e atos de sabotagem individual que não servem aos objetivos de luta da guerra civil,
condena a guerra de franco-atiradores levada por fora da direção política do proletariado revolucionário. Mas a Internacional
Comunista vê em Max Hoelz um dos mais corajosos rebela-dos contra a sociedade capitalista, cuja fúria se expressa pelas
condenações à prisão e cuja ordem se manifesta pelo excesso da canalha que serve de base a seu regime. Os atos de Max Hoelz não
correspondem aos objetivos perseguidos; o terror branco só será aniquilado pelo levante das massas operárias, só assim o
proletariado conquistará a vitória. Seus atos, porém, foram ditados por seu amor ao proletariado, por seu ódio contra a burguesia. O
Congresso envia suas saudações fraternas a Max Hoelz, e o recomenda à proteção do proletariado alemão, expressando sua esperança
de vê-lo lutar nas fileiras do Partido Comunista pela causa da libertação dos operários, manifesta sua esperança de que chegará o dia
em que os proletários alemães abrirão as portas de sua prisão.

MANIFESTO DO CE DA INTERNACIONAL COMUNISTA

Novo Trabalho; Novas Lutas

Aos proletários, homens e mulheres de todos os países!


O III Congresso da Internacional Comunista terminou, a grande revista do proletariado comunista terminou. Ele mostrou que
durante o ano que passou o comunismo se tornou, em vários países onde ele apenas inicia, um grande movimento estimulante das
massas que ameaça o poder do Capital. A Internacional Comunista que, em seu Congresso de fundação, representava fora da Rússia,
apenas pequenos grupos de camaradas; que no II Congresso, do ano passado, ainda procurava seu caminho, dispõe hoje, não apenas
na Rússia, mas também na Alemanha, Polônia, Tchecoslováquia, Itália, França, Noruega, Iugoslávia, Bulgária, de partidos que
empunham as bandeiras das massas cada vez maiores e que se concentram sem cessar. O III Congresso se dirige aos comunistas de
todos os países para convidá-los a seguir o caminho no qual eles estão engajados e fazer tudo para reunir nas fileiras da Internacional
Comunista milhões de operários e operárias. Pois o poder do capital só será vencido se o ideal do comunismo se tornar uma força
estimulante da grande maioria do proletariado guiado pelos Partidos Comunistas de massas que devem formar um círculo de ferro em
torno da classe operária combatente. "Às massas", eis o primeiro grito de luta lançado pelo III Congresso aos comunistas de todos os
países.

A Caminho de Novas Grandes Lutas


As massas afluem para nós, pois o capitalismo mundial lhes mostra com uma evidência gritante que ele não pode prolongar sua
existência sem destruir cada vez mais a ordem social, aumentar o caos, a miséria e a escravidão das massas. Diante da crise
econômica mundial, que joga milhões de operários na rua, a gritaria dos criados social-democratas da capital são derrubadas. O
chamado que a classe burguesa dirige há anos aos operarias "Trabalharem, sem parar", esse grito cessam, pois o grito "trabalho" se
torna o grito de guerra da classe operária e ele não será atendido pelo capitalismo em ruínas, pois o proletariado se ampara nos meios
de produção criados por ele. O mundo capitalista se encontra diante do abismo terrível de novas guerras. Os antagonismos
americana-japonês, anglo-americano, anglo-francês, franco-alemão, polaco-alemão, os antagonismos no Oriente Próximo e no
Extremo Oriente empurram o capitalismo para o armamento incessante. Eles colocam a seguinte questão: “A Europa pode retomar o
caminho da guerra mundial?” O capitalismo não teme o massacre de milhões de indivíduos. Desde a fim da guerra, por sua política,
pelo bloqueio da Rússia, eles condenaram à morte milhões de seres humanos. O que eles temem é que uma nova guerra leve
definitivamente as massas para as fileiras do exército da revolução mundial, temem que uma nova guerra conduza à sublevação final
da proletariado mundial. Eles procuram então uma forma de agir antes da guerra, conduzindo uma detente cheia de intrigas e acordos
diplomáticos. Mas detente sobre um ponto é tensão sobre outros. As negociações entre a Inglaterra e a América sobre a limitação de
armamentos navais dos dois países criam um front contra o Japão. A aproximação franco-inglesa abandona a Alemanha á França e a
Turquia à Inglaterra. Os resultados dos esforços do capital mundial, que tenta pôr um pouco de ordem no caos mundial, não é a Paz,
mas a perturbação crescente e a escravidão dos povos vencidos pela capital dos vencedores. A imprensa do capital mundial fala
atualmente de calmaria e de detente na política mundial, porque a burguesia da Alemanha se submete às condições ditadas pelos
Aliados e porque, para salvar seu poder, ela joga o povo alemão aos chacais da Bolsa de Paris e de Londres. Mas, ao mesmo tempo, a
imprensa da Bolsa está cheia de novidades sobre o agravamento da ruína econômica da Alemanha, sobre os impostos enormes que
recairão como granizo sobre as massas condenadas ao desemprego, impostos que encarecerão mais e mais os artigos alimentícios e
de vestuário. A Internacional Comunista que, por sua política, parte do estudo imparcial e objetivo da situação mundial - pois o
proletariado só chegará á vitória pela observação clara e objetiva do campo de batalha - a Internacional Comunista diz ao proletariado
de todos os países: o capitalismo se mostrou até agora incapaz de assegurar a ordem. O que ele empreende nesse momento não pode
levar a uma consolidação, uma nova ordem, mas prolongar seus sofrimentos e a agonia dó capitalismo. A revolução mundial avança.
O segundo grito que o Congresso Mundial da Internacional Comunista lança aos proletários de todas as paises é esse: Vamos para
grandes lutas, armem-se para novos combates.

Construir a frente única proletária


A burguesia mundial é incapaz de assegurar aos operários a trabalha, n pão, a casa e o vestuário: mas da mostra grande
capacidade de organização da guerra contra o proletariado mundial. Desde o momento de sua primeira grande desorientação, desde
que ela conseguiu suportar sem medo os operários que regressavam da guerra, desde que da conseguiu faze-los voltar às usinas,
esmagar seu primeiros levantes, renovar sua aliança de guerra com as social-democratas e os traidores socialistas contra o
proletariado e assim dividi-los, ela empregou todas as suas forças para organizar guardas-brancas contra o proletariado c desarmar
esse último. Armada até as dentes, a burguesia mundial está pronta não apenas a se opor pelas armas a toda sublevação do
proletariado, mas também a provocar, se for necessária, sublevações prematuras do proletariado que se prepara para a luta; ela deseja
esmaga-lo antes que esteja formado o front comum invencível. A Internacional Comunista deve opor sua estratégia à estratégia da
burguesia mundial. Contra o dinheiro do capital mundial que opõe ao proletariado organizando seus bandos armados, a Internacional
Comunista dispõe de uma arma infalível: as massas do proletariado, a front único e firme do proletariado. Os estratagemas e a
violência da burguesia não terão sucesso se milhares de operários avançarem em fileiras cerradas para o combate. Os caminhos de
ferro sobre os quais a burguesia transporta suas tropas brancas estarão parado; o terror branco se apoderará então de uma parte das
próprias guardas-brancas e o proletariado tirará suas armas para a lutar contra as outras formações de guardas-brancas. se
conseguirmos levar o proletariado à luta, unido num front único, o capital e a burguesia mundial, perderão as chances de vitória, a fé
na vitória que só podem lhe dar a traição da social-democracia, a divisar da classe operária. A vitória sobre o capital mundial ou
melhor o caminho para esta vitória é a conquista dos corações da maioria da classe operária. O III Congresso Mundial da
Internacional Comunista convoca os Partidos Comunistas de todos os paises, os comunistas dos sindicatos, a fazerem esforços, todos
os esforços para livrar as maiores massas operarias da influência dos Partidos Social-democratas e da burguesia sindical traidora.
Esse objetivo só será alcançado se os comunistas de todos os países se mostrarem combatentes da vanguarda da classe operária
durante essa época difícil, na qual cada dia apresenta às massas operárias novas privações e novas misérias, que leva-as a lutarem por
um pedaço de pão a mais, que leva-as a lutarem contra a carga cada vez mais insuportável que impõe o capitalismo. É preciso
mostrar à massa trabalhadora que só os comunistas lutam pela melhoria de sua situação e que a social-democracia e a burocracia
sindical reacionária estão dispostas a deixar o proletariado na condição de presa da fome em vez de levá-lo ao combate. Poderemos
bater os traidores do proletariado, os agentes da burguesia no terreno da discussão teórica, da democracia e da ditadura; nós os
esmagaremos nas questões do pão, dos salários, do vestuário e da habitação. E o primeiro campo de batalha, o mais importante, sobre
o qual poderemos batê-los, é aquele do movimento sindical; eles serão vencidos na luta que levaremos contra a Internacional Sindical
Amarela de Amsterdã e pela Internacional Sindical Vermelha. É a luta pela conquista das posições inimigas em nosso próprio campo;
é a questão da formação de um front de combate para fazer oposição ao capital mundial. Preservem suas organizações de toda
tendência centrista, mantenham vivo o espírito de combate entre vocês.
Somente na luta pelos interesses mais simples, mais elementares das massas operárias, poderemos formar um front unido do
proletariado contra a burguesia. Apenas nessa luta poderemos pôr fim às divisões no seio do proletariado, divisões que constituem a
base sobre a qual a burguesia pode prolongar sua existência. Mas esse front do proletariado só será poderoso e apto para o combate se
for mantido pelos Partidos Comunistas, cujo espírito deve ser unido e firme; e a disciplina, sólida e severa. Por isso, o III Congresso
Mundial da Internacional Comunista, ao mesmo tempo que lançou aos comunistas de todos os países o grito de "Às massas!"
"Formem o front unido do proletariado!" recomendou: "Mantenham seus fronts livres dos elementos capazes de destruir a moral e a
disciplina de combate das tropas de ataque do proletariado mundial, dos partidos comunistas". O Congresso da Internacional
Comunista aprova e confirma a exclusão do Partido Socialista da Itália, exclusão que deve ser mantida até que esse partido rompa
com os reformistas e os expulse de suas fileiras. O Congresso expressa também sua convicção de que, se a Internacional Comunista
deseja levar milhões de operários ao combate, não deve tolerar a presença dos reformistas em suas fileiras. Os objetivos dos
reformistas não é a revolução triunfante do proletariado, mas a reconciliação com o capitalismo e a reforma desse último. Os
exércitos que toleram a presença de chefes que desejam a reconciliação com o inimigo, são traidores e estão vendidos ao inimigo por
esses mesmos chefes. A Internacional Comunista colocou sua atenção no fato de que todos os Partidos que excluíram os reformistas
mantêm ainda tendências que não podem sustentar definitivamente o espírito do reformismo; se essas tendências não trabalham pela
reconciliação com o inimigo, elas não se aplicam entretanto muito energicamente em sua agitação e em sua propaganda para preparar
a luta contra o capitalismo, elas não trabalham com suficiente energia e decisão para revolucionar as massas. Os Partidos que não
estão em condições, por seu trabalho revolucionário cotidiano, de se transformarem em insufladores revolucionários das massas, que
não estão em condições de reforçar cotidianamente com paixão e ímpeto a vontade de luta das massas, tais partidos deixarão escapar
as situações favoráveis para a luta, afundarão nas grandes lutas espontâneas do proletariado, como foi o caso da ocupação das usinas
na Itália e na greve de dezembro na Tchecoslováquia.
Os Partidos Comunistas devem formar seu espírito de combate, devem ser o Estado-maior capaz de escolher imediatamente as
situações favoráveis da luta e tirar todas as vantagens possíveis por uma direção corajosa dos movimentos espontâneos do
proletariado. "Sejam a vanguarda das massas operárias que se colocam em movimento, sejam seu coração e seu cérebro". Esse é o
grito que o III Congresso Mundial da Internacional Comunista lança aos Partidos Comunistas. Ser a vanguarda é marchar à frente das
massas, como sua parte mais valorosa, mais prudente, mais clarividente. Somente sendo a vanguarda, os Partidos Comunistas
poderão formar o front unido do proletariado, poderão dirigi-lo e triunfar sobre o inimigo.
Opor a Estratégia do Proletariado à estratégia do Capital: Preparem Suas lutas!
O inimigo é poderoso, porque tem atrás de si séculos de poder que ele criou na consciência de sua força e na vontade de manter
esse poder. O inimigo é forte, porque ele aprendeu durante séculos como dividir as massas proletárias, como oprimi-las e vencê-las.
O inimigo sabe como conduzir vitoriosamente a guerra civil e, por isso, o III Congresso da Internacional Comunista chama a atenção
dos Partidos Comunistas de todos os países para o perigo que representa a estratégia instruída da classe dominante e possuidora e
para os defeitos da estratégia da classe operária em luta pelo poder. Os acontecimentos de março na Alemanha mostraram o grande
perigo que existe em deixar o inimigo empurrar para a luta, com sua astúcia, as primeiras fileiras da classe operária, a vanguarda
comunista do proletariado, antes que as grande massas estejam em movimento. A Internacional Comunista saúda com satisfação o
fato de centenas de milhares de operários da Alemanha terem ido em auxílio aos operários da Alemanha Central ameaçado de todos
os lados. É no espírito de solidariedade, na sublevação do proletariado de todos os países para a proteção de uma parte ameaçada que
a Internacional Comunista vê o caminho da vitória. Ela saúda o fato de o Partido Comunista Unificado da Alemanha ter-se colocado
à frente das massas operárias que acorreram para defender seus irmãos ameaçados. Mas, ao mesmo tempo, a Internacional Comunista
considera como um dever dizer franca e claramente aos operários de todos os países: mesmo que a vanguarda não possa evitar o
confronto, mesmo que essas lutas levem à mobilização de toda a classe operária, esta vanguarda não poderá esquecer que ela não
deve ir sozinha e isolada para as lutas decisivas, que não pode ser constrangida a ir isolada para o combate, ela deve evitar o choque
armado com o inimigo, pois a única fonte de vitória do proletariado sobre as guardas-brancas armadas é a massa. Se a vanguarda não
avança em massa dominando o inimigo, deve evitar, minoria desarmada, de entrar em luta armada contra o inimigo. Os combates de
março forneceram uma lição sobre a qual a Internacional Comunista chama a atenção dos proletários de todos os países. É preciso
preparar as massas operárias para as lutas iminentes, para uma agitação revolucionária ininterrupta, cotidiana, intensa e vasta; é
preciso entrar no combate com as palavras de ordem claras e compreensíveis para as grandes massas proletárias. À estratégia do
inimigo é preciso opor uma estratégia prudente e refletida. A vontade de combate nas fileiras da vanguarda, sua coragem e firmeza,
não são suficientes. A luta deve ser preparada, organizada, de maneira que apareça a eles como a luta por seus interesses mais
essenciais e de maneira que os mobilize imediatamente. Quanto mais o capital mundial se sentir em perigo, mais tentará tornar
impossível a vitória da Internacional Comunista, isolando suas primeiras fileiras do restante das grandes massas e, com isso,
derrotando-a. A esse plano, a esse perigo, é preciso contrapor uma agitação vasta e intensa das massas, conduzidas pelos Partidos
Comunistas, um trabalho de organização enérgico, através do qual esses partidos assegurarão sua influência sobre as massas, uma fria
apreciação da situação do combate, uma tática refletida que deverá evitar a luta com forças superiores e desfechar o ataque nas
situações em que o inimigo estiver dividido e a massa unida.
O III Congresso da Internacional Comunista sabe que a classe operária não parará de formar Partidos Comunistas capazes de cair
como um raio sobre o inimigo no momento em que estiver mais oprimida, e evitar esse ataque quando ele estiver em situação melhor,
sabe que ela aprenderá com a experiência das lutas. É, portanto, dever dos proletários de todos os países tentar compreender e utilizar
todas as lições, todas as experiências adquiridas pela classe operária de um país às custas de grandes sacrifícios.

Manter a Disciplina de Combate!


Os Partidos Comunistas de todos os países e a classe operária não devem se preparar para um período de agitação e organização,
eles devem, ao contrário, se preparar para as grandes lutas que logo o capital imporá ao proletariado para esmagá-lo e para fazê-lo
carregar o peso de sua política. Nessa luta, os Partidos Comunistas devem forjar uma disciplina de combate severa e estrita. Os
comitês centrais desses Partidos devem considerar friamente e com reflexão todos os ensinamentos da luta, devem observar o campo
de batalha, concentrar sua maior reflexão no élan das massas. Devem forjar seu plano de combate, sua linha tática com todo o
espírito do Partido e levando em consideração as críticas dos camaradas. Mas todas as organizações do Partido devem seguir sem
hesitação a linha prescrita pelo Partido. Cada palavra, cada medida das organizações do Partido, devem estar subordinadas a esse
objetivo. As frações parlamentares, a imprensa do Partido, as organizações devem, sem hesitação, seguir a ordem da direção do
Partido.
A revisão mundial das fileiras da vanguarda comunista está terminada. Ela mostrou que o Comunismo é uma potência mundial.
Ela mostrou que a Internacional Comunista deve também formar e instruir grandes exércitos do proletariado, mostrou que grandes
lutas são iminentes para esses exércitos, ela anuncia a vitória do proletariado mundial e como se deve preparar e conquistar essa
vitória. Cabe aos Partidos Comunistas de todos os países fazer tudo para que as decisões do Congresso, ditadas pela experiência do
proletariado mundial, formem a consciência geral dos comunistas de todos os países, a fim de que os proletários comunistas, homens
e mulheres, possam agir em suas lutas futuras como os chefes de milhares de proletários não-comunistas.
Viva a Internacional Comunista! Viva a Revolução Mundial!
Ao trabalho para a preparação e organização da nossa vitória!
O Comitê Executivo da Internacional Comunista.
Alemanha: Heckert, Froelich; França: Souvarine; Tchecoslováquia: Bourian, Krcibich; Itália: Terracini, Gennari; Rússia:
Zinoviev, Bukharin, Radek, Lênin, Trotsky; Ucrânia: Choumsky; Polônia: Warski; Bulgária: Popov; Iugoslávia: Markovicz; Noruega:
Schefflo; Inglaterra: Bell; América: Baldwin; Espanha: Merino, Gracia; Finlândia: Sirola; Holanda: Jansen; Bélgica: Van
Overstraeten; Suécia: Tschilbum; Letônia: Stoutchka; Suíça: Arnhold; Áustria: Korislchoner; Hungria: Bela Kun.
Comitê Executivo da Internacional dos Jovens: Munzenberg, Lekai.
Moscou, 17 de Julho de 1921

TESES PARA A PROPAGANDA ENTRE AS MULHERES

Princípios Gerais
1. O 3º Congresso da Internacional Comunista, juntamente com a 2ª Conferência das Mulheres Comunistas, confirma a opinião
do 1º e 2º Congressos relativamente à necessidade, para todos os Partidos Comunistas do Ocidente e do Oriente, de reforçar o
trabalho entre o proletariado feminino, em particular a educação comunista das grandes massas de operárias que devem entrar na luta
pelo poder dos sovietes e pela organização da República Operária Soviética.
Para a classe operária do mundo inteiro e, consequentemente, para os operários, a questão da ditadura do proletariado é
primordial.
A economia capitalista se encontra num impasse. As forças produtivas não podem mais se desenvolver nos limites do regime
capitalista. A impotência da burguesia atrasou a indústria, aumentou a miséria das massas trabalhadoras, fez crescer a especulação,
acelerou a decomposição da produção, o desemprego, a instabilidade dos preços, o custo de vida desproporcional aos salários,
provocou um recrudescimento da luta de classes em todos os países. Nessa luta, é sobretudo a questão de saber quem deve organizar
a produção, se um punhado de burgueses e exploradores sobre as bases do capitalismo e da propriedade privada, ou a classe dos
verdadeiros produtores sobre a base comunista.
A nova classe ascendente, a classe dos verdadeiros produtores, deve, conforme as leis do desenvolvimento econômico, tomar nas
mãos o aparelho de produção e criar novas formas econômicas. Somente assim se poderá dar o máximo desenvolvimento às forças
produtivas que a anarquia da produção capitalista impede de dar a todo o rendimento de que elas são capazes.
Enquanto o poder estiver nas mãos da classe burguesa, o proletariado será impotente para restabelecer a produção. Nenhuma
reforma, nenhuma medida, proposta pelos governos democráticos ou socialistas dos países burgueses, serão capazes de salvar a
situação e minorar os sofrimentos insuportáveis dos operários, pois esses sofrimentos são um efeito natural da ruína do sistema
econômico capitalista e persistirão enquanto o poder estiver nas mãos da burguesia. Só a conquista do poder pelo proletariado
permitirá á classe operária se apoderar dos meios de produção e assegurar assim a possibilidade de restabelecimento da economia em
seu próprio interesse.
Para adiantar a hora do enfrentamento decisivo do proletariado com o mundo burguês agonizante, a classe operária deve se
conformar à tática firme e intransigente preconizada pela Terceira Internacional. A realização da ditadura do proletariado deve ser a
ordem do dia. Eis o objetivo que deve definir os métodos de ação e a linha de conduta do proletariado dos dois sexos.
Partindo do princípio de que a luta pela ditadura do proletariado está na ordem do dia e que a construção do comunismo é a tarefa
atual nos países em que a ditadura já está nas mãos dos operários, o 3° Congresso da Internacional Comunista declara, que, tanto a
conquista do poder pelo proletariado como a realização do comunismo nos países em que eles já se livraram da opressão burguesa,
não serão cumpridas sem o apoio ativo da massa feminina do proletariado e semiproletariado.
De outra parte, o Congresso chama mais uma vez a atenção das mulheres para o fato de que, sem o apoio dos Partidos
Comunistas, as iniciativas pela libertação das mulheres, o reconhecimento de sua igualdade pessoal completa e a sua libertação
verdadeira não são realizáveis.
2. O interesse da classe operária exige, nesse momento, com uma força particular, a entrada das mulheres nas fileiras organizadas
do proletariado que combate pelo comunismo; ele o exige, na medida em que a ruína econômica mundial se torna mais intensa e
intolerável para toda a população pobre das cidades e do campo, e na medida em que, para a classe operária dos países burgueses
capitalistas, a revolução social se impõe inevitavelmente, enquanto o povo trabalhador da Rússia Soviética se detém na tarefa de
reconstruir a economia nacional sobre as novas bases comunistas. Essas duas tarefas serão mais facilmente realizadas se as mulheres
participarem ativamente de forma consciente e voluntária.
3. Em todos os lugares em que a questão da conquista do poder surgir diretamente, os Partidos Comunistas deverão saber apreciar
o grande perigo que representa para a revolução as massas inertes dos operários sem experiência nos movimentos econômicos, dos
empregados, dos camponeses presos a concepções burguesas, da Igreja e dos preconceitos e sem ligação com o grande movimento de
libertação que é o comunismo. As grandes massas femininas do Oriente e do Ocidente, não experimentadas nesses movimentos,
constituem, inevitavelmente, um apoio para a burguesia e um objeto para sua propaganda contra-revolucionária. A experiência da
revolução húngara, ao longo da qual a consciência das massas femininas jogou um papel tão triste, deve servir de advertência ao
proletariado dos países atrasados que estão entrando no caminho da revolução social.
A prática da República Soviética mostrou o quanto é essencial a participação da operária e da camponesa, tanto na defesa da
República durante a guerra civil, como em todos os domínios da organização soviética. Sabe-se a importância do papel que as
operárias e as camponesas já desempenharam na República Soviética, na organização da defesa, no reforço da retaguarda, na luta
contra a deserção e contra todas as formas de contra-revolução, de sabotagem etc.
A experiência da República Operária deve ser aproveitada e utilizada nos outros países.
De tudo o que acabamos de dizer, resulta a tarefa imediata dos Partidos Comunistas: estender a influência do Partido e do
comunismo às vastas camadas da população feminina de seu país, através de um órgão especial do Partido e de métodos particulares,
permitindo abordar mais facilmente as mulheres para livrá-las da influência das concepções burguesas e da ação dos partidos
coalizacionistas, para fazer delas verdadeiros combatentes pela libertação total da mulher.
4. Impondo aos Partidos Comunistas do Ocidente e do Oriente a tarefa imediata de reforçar o trabalho do Partido entre o
proletariado feminino, o 3º Congresso da Internacional Comunista mostra, ao mesmo tempo, ás operárias do mundo inteiro, que sua
libertação da injustiça secular, da escravidão e da desigualdade, só se realizará com a vitória do comunismo.
O que o comunismo pode dar às mulheres, o movimento feminino burguês não poderá dar. Durante o tempo em que existir a
dominação do capital e a propriedade privada, a libertação da mulher é impossível.
O direito ao voto não suprime a causa primeira da submissão da mulher dentro da família e da sociedade e não lhe dá solução
para o problema das relações entre os dois sexos. A igualdade não formal, mas real, da mulher só é possível num regime em que ela
seja a dona de seus instrumentos de produção e repartição, tomando parte da administração e trabalhando em igualdade com os
homens, em outros termos, essa igualdade só será realizada com a derrota do sistema capitalista e sua substituição pelas formas
econômicas comunistas.
O comunismo criará uma situação na qual a função natural da mulher, a maternidade, não entrará em conflito com as obrigações
sociais e não impedirá seu trabalho produtivo em proveito da coletividade. Mas o comunismo é, ao mesmo tempo, o objetivo final de
todo o proletariado. Consequentemente, a luta do operário e da operária para esse fim comum deve, no interesse de ambos, ser
conduzida em comum e inseparavelmente.
5. O 3º Congresso da Internacional Comunista confirma os princípios fundamentais do marxismo revolucionário, seguindo
aqueles pontos "especialmente femininos"; toda relação da operária com o feminismo burguês, assim como todo apoio dado por ela à
tática de meias-medidas e franca traição dos social-coalizacionistas e dos oportunistas só enfraquecem as forças do proletariado,
retardando a revolução social e impedindo, ao mesmo tempo, a realização do comunismo, isto é, a libertação da mulher.
Chegaremos ao comunismo pela união na luta de todos os explorados e não pela união das forças femininas de classes opostas.
As massas proletárias femininas devem, em seu próprio interesse, sustentar a tática revolucionária do Partido Comunista e
participar ativamente das ações de massa e da guerra civil sob todas as suas formas e aspectos, tanto no plano nacional como
internacional.
6. A luta da mulher contra sua dupla opressão: o capitalismo e a dependência da família e do marido deve tomar, na fase que se
aproxima, um caráter internacional transformando-se em luta do proletariado dos dois sexos pela ditadura e o regime soviético sob a
bandeira da III Internacional.
7. Dissuadindo as operárias de todos os países a qualquer colaboração e coalizão com as feministas burguesas, o 3º Congresso da
Internacional Comunista previne, ao mesmo tempo, que todo apoio dado por elas à II Internacional ou aos elementos oportunistas
que venham a se aproximar só pode fazer grande mal ao movimento. As mulheres devem sempre se lembrar que sua escravidão tem
suas raízes no regime burguês. Para acabar com essa escravidão, é preciso passar para uma nova ordem social.
Apoiando as Internacionais 2 e 2 1 e os grupos análogos, paralisa-se o desenvolvimento da revolução, impede-se,
consequentemente, a transformação social, adiando a hora da libertação da mulher.
Quanto mais as massas feministas se afastarem com decisão e sem possibilidade de retorno da II Internacional e da Internacional
2 1, mais a vitória da revolução social estará assegurada. O dever das mulheres comunistas é condenar todos aqueles que temem a
tática revolucionária da Internacional Comunista e se aplicar firmemente em exclui-los das fileiras cerradas da Internacional
Comunista.
As mulheres devem também se lembrar que a II Internacional sequer tentou criar uma organização destinada à luta pela libertação
da mulher. A união internacional das mulheres socialistas, na medida em que existe, foi estabelecida fora dos limites da II
Internacional, pela iniciativa das próprias operárias.
A III Internacional formulou claramente, desde seu primeiro congresso, em 1919, sua atitude sobre a questão da participação das
mulheres na luta pela ditadura, por sua iniciativa e com sua participação foi convocada a primeira Conferência das Mulheres
Comunistas e, em 1920, foi fundado o Secretariado Internacional para a propaganda entre as mulheres, com representação
permanente no Comitê Executivo da Internacional Comunista. O dever das operárias conscientes é romper com a II Internacional e
com a Internacional 2 1 e sustentar firmemente a política revolucionária da Internacional Comunista.
8. O apoio que darão à Internacional Comunista as operárias e empregadas deve se manifestar primeiramente nas fileiras dos
Partidos Comunistas de seus países. Nos países e nos Partidos em que a luta entre a II e a III Internacional ainda não está terminada,
o dever das operárias é sustentar, com todas as suas forças, o partido ou grupo que segue a política da Internacional Comunista e lutar
impiedosamente contra todos os elementos hesitantes ou abertamente traidores, sem atribuir a eles a menor autoridade. As mulheres
proletárias conscientes que lutam por sua libertação não devem permanecer num partido que não esteja filiado à Internacional
Comunista.
Todo adversário da III Internacional é um inimigo da libertação da mulher.
Cada operária consciente do Ocidente e do Oriente deve se alinhar sob a bandeira revolucionária da Internacional Comunista.
Toda hesitação das mulheres no sentido de derrotar os grupos oportunistas ou as autoridades reconhecidas retarda as conquistas do
proletariado sobre o terreno da guerra civil, que assume o caráter de uma guerra civil mundial.

Métodos de Ação entre as Mulheres


Partindo dos princípios acima indicados, o 3° Congresso da Internacional Comunista estabelece que o trabalho entre as mulheres
proletárias deve ser levado pelos Partidos Comunistas de iodos os países sobre as bases seguintes:
1. Admitir as mulheres como membros iguais em direito e deveres em todos os outros Partidos e em todas as organizações
proletárias (sindicatos, cooperativas, conselhos de antigos funcionários de usinas etc.).
2. Perceber a importância que existe em fazer as mulheres participarem ativamente de todos os planos da luta do proletariado
(inclusive a defesa militar), da edificação de novas bases sociais, da organização da produção e da existência segundo os princípios
comunistas.
3. Reconhecer a maternidade como uma função social, aplicar todas as medidas necessárias à defesa da mulher na sua condição
de mãe.
Declarando-se energicamente contra toda espécie de organização em separado das mulheres no seio do Partido, sindicatos ou
outras associações operárias, o 3º Congresso da Internacional Comunista reconhece a necessidade, para o Partido Comunista, de
empregar métodos particulares de trabalho entre as mulheres e estima útil formar em todos os Partidos Comunistas órgãos especiais
encarregados desse trabalho.
Nesse aspecto, o Congresso foi guiado pelas seguintes considerações:
a) A servidão familiar da mulher não apenas nos países burgueses capitalistas, mas também nos países onde já existe o regime
soviético, na fase da transição do capitalismo ao comunismo.
b) A grande passividade e o estado de atraso político das massas femininas, defeitos explicáveis pelo distanciamento secular da
mulher da vida social e por sua escravidão na família.
c) As funções especiais impostas à mulher pela natureza, isto é, a maternidade e as particularidades que daí decorrem para a
mulher, com a necessidade de maior proteção de suas forças e sua saúde no interesse de toda a sociedade.
Esses órgãos para o trabalho entre as mulheres devem ser seções ou comissões que funcionem próximos aos Comitês do Partido,
a começar pelo distrito. Esta decisão é obrigatória para todos os partidos filiados à Internacional Comunista.
O 3º Congresso da Internacional Comunista indica como tarefa dos Partidos Comunistas a serem cumpridas através das seções
pelo trabalho entre as mulheres:
1. Educar as grande massas femininas no espírito do comunismo e levá-las às fileiras do Partido.
2. Combater os preconceitos relativos às mulheres nas massas do proletariado masculino, reforçando no seu espírito o ideal de
solidariedade dos interesses dos proletários de ambos os sexos.
3. Afirmar a vontade da operária utilizando-a na guerra civil sob todas as formas e aspectos, despertar sua atividade fazendo-a
participar das ações de massas, da luta contra a exploração capitalista nos países burgueses (contra a carestia, a crise de habitação e o
desemprego), na organização da economia comunista e da existência em geral nas repúblicas soviéticas.
4. Colocar na ordem do dia do Partido e instituições legislativas as questões relativas à igualdade da mulher e sua diferença como
mulher.
5. Lutar sistematicamente contra a influência da tradição, dos costumes burgueses e da religião, a fim de preparar o terreno para
relações mais sadias e harmoniosas entre os sexos e a saúde moral e física da humanidade trabalhadora.
Todo o trabalho das seções femininas deverá ser feito sob a responsabilidade dos comitês do Partido.
Entre os membros da comissão ou da direção das seções, deverão figurar também, na medida do possível, camaradas comunistas
homens.
Todas as medidas e todas as tarefas que se impõem às comissões e seções dos operários deverão ser realizadas por elas de uma
maneira independente, mas, no pais dos Sovietes, por intermédio dos órgãos econômicos ou políticos respectivos (seções dos
Sovietes, Comissariados, Comissões, Sindicatos etc.) e nos países capitalistas com a ajuda dos órgãos correspondentes do
proletariado (sindicatos, conselhos etc.).
Onde os Partidos Comunistas têm uma existência legal ou semi-legal, eles devem formar um aparelho legal para o trabalho entre
as mulheres. Este aparelho deve estar subordinado e adaptado ao aparelho ilegal do partido em seu conjunto. Lá, como no aparelho
legal, cada Comitê deve compreender uma camarada encarregada de dirigir a propaganda ilegal entre as mulheres.
No período atual, os sindicatos profissionais e de produção devem ser para os Partidos Comunistas o terreno fundamental do
trabalho entre as mulheres, tanto nos países onde a luta pela reversão do jugo capitalista não está ainda terminada, como nas
repúblicas operárias soviéticas.
O trabalho entre as mulheres deve ser levado segundo o seguinte espírito: Unidade na linha política e na estrutura do partido, livre
iniciativa das comissões e das seções cm tudo o que possa levar a mulher à sua completa libertação e igualdade, o que não só será
plenamente atingido pelo Partido como um todo. Não se trata de criar um paralelismo, mas complementar os esforços do Partido para
as iniciativas e atividades criativas das mulheres.

O Trabalho Político do Partido entre as Mulheres nos Países de Regime Soviético.


O papel das seções nas repúblicas soviéticas consiste em educar as massas femininas no espírito do comunismo, levando-as para
as fileiras do Partido Comunista; consiste ainda em desenvolver a atividade, a iniciativa da mulher, levando-a ao trabalho de
construção do comunismo e fazendo dela uma firme defensora da Internacional Comunista.
As seções devem, por todos os meios, permitir a participação feminina em todos os campos da organização soviética, desde a
defesa militar da República até os planos econômicos mais complicados.
Na República Soviética, as seções devem velar pela aplicação das decisões do 3º Congresso dos Sovietes concernentes à
participação das operárias e camponesas na organização e construção da economia nacional, bem como em todos os órgãos
dirigentes, administrativos, controlando e organizando a produção.
Por intermédio de seus representantes e pelos órgãos do Partido, as seções devem colaborar na elaboração de novas leis e na
modificação daquelas que devem ser transformadas, tendo em vista a libertação real da mulher. As seções devem dar prova de
iniciativa para o desenvolvimento de legislação que proteja o trabalho da mulher e dos menores.
As seções devem levar o maior número possível de operárias e camponesas para a eleição dos Sovietes e velar para que elas
sejam eleitas para os Comitês Executivos.
As seções devem favorecer o sucesso de todas as campanhas políticas e econômicas levadas pelo Partido.
É também papel das seções velar pelo aperfeiçoamento e especialização do trabalho feminino, pela expansão do ensino
profissional, facilitando às operárias e camponesas o acesso aos estabelecimentos correspondentes.
As seções observarão para que se dê a entrada das operárias fias comissões para a proteção do trabalho nas empresas, reforçando
a atividade das comissões de seguro e proteção da maternidade e da infância.
As seções facilitarão o desenvolvimento de uma rede de estabelecimentos públicos como creches, lavanderias, oficinas de
consertos, instituições de existência sobre as novas bases comunistas, que aliviarão para as mulheres o fardo da época de transição,
levarão sua independência material e farão da escrava doméstica e familiar uma colaboradora livre e criadora de novas formas de
vida.
As seções deverão facilitar a educação dos membros femininos dos sindicatos no espírito do comunismo por intermédio de
organizações para o trabalho entre as mulheres, constituídas pelas frações comunistas dos sindicatos.
As seções velarão para que as operárias assistam regularmente às reuniões dos delegados de usinas e de fábricas.
As seções repartirão sistematicamente os delegados do Partido como estagiários nos diferentes ramos de trabalho: sovietes,
economia nacional, sindicatos.

NOS PAÍSES CAPITALISTAS


As tarefas imediatas das comissões para o trabalho entre as mulheres estão determinadas por condições objetivas. De uma parte, a
ruína da economia mundial, o agravamento prodigioso do desemprego, apresentando como conseqüências particulares a diminuição
da demanda de mão-de-obra feminina e aumentando a prostituição, o custo de vida, a crise de habitação, a ameaça de novas guerras
imperialistas; de outra parte, as incessantes greves econômicas cm todos os países, as tentativas de sublevação armada do
proletariado, a atmosfera cada vez mais sufocante da guerra civil se estendendo pelo mundo inteiro, tudo isso aparece como prólogo
da inevitável revolução social mundial.
As comissões femininas devem levar adiante as tarefas de combate do proletariado, levar a luta pelas reivindicações do Partido
Comunista, devem fazer a mulher participar de todas as manifestações revolucionárias dos comunistas contra a burguesia e os
socialistas coalizacionistas.
As comissões velarão para que não somente as mulheres sejam admitidas com os mesmos direitos e deveres que os homens no
Partido, nos sindicatos e outras organizações operárias da luta de classes, combatendo toda separação e toda particularização da
operária, mas também para que os operários e operárias sejam eleitos igualmente nos órgãos dirigentes dos sindicatos e cooperativas.
As comissões ajudarão as grandes massas do proletariado feminino e das camponesas a exercerem seus direitos eleitorais não só
nas eleições parlamentares como em outras em favor do Partido Comunista, fazendo tudo para ressaltar o pouco valor que existe
nesses direitos, tanto para o enfraquecimento da exploração capitalista como para a libertação da mulher, opondo ao parlamento o
regime soviético.
As comissões deverão também velar para que as operárias, as camponesas e as empregadas participem ativa e conscientemente
das eleições dos sovietes revolucionários, econômicos e políticos de delegados operários. Elas se esforçarão para estimular a
atividade política entre as donas-de-casa e propagar a idéia dos Sovietes, particularmente entre as camponesas.
As comissões consagrarão maior atenção à aplicação do princípio de trabalho igual, salário igual.
As comissões deverão levar os operários a essa campanha por cursos gratuitos e acessíveis a todos e de forma a relevar o valor da
mulher.
As comissões devem velar para que as mulheres comunistas colaborem em todas as instituições legislativas municipais, para
preconizar nesses órgãos a política revolucionária do Partido.
Mas participando nas instituições legislativas, municipais ou outros órgãos do Estado burguês, as mulheres comunistas devem
seguir estritamente os princípios e a tática do Partido. Elas devem se preocupar não apenas em obter reformas sob o regime
capitalista, mas em transformar todas as reivindicações das mulheres trabalhadoras em palavras de ordem de maneira a despertar a
atividade das massas e dirigir essas reivindicações para a rota da luta revolucionária e da ditadura do proletariado.
As comissões devem, nos Parlamentos e nas municipalidades, permanecer em contato estreito com as frações comunistas e
deliberar em comum sobre todos os projetos etc. relativo às mulheres. As comissões deverão explicar às mulheres o caráter atrasado e
não-econômico do sistema de negociações isoladas, o defeito da educação burguesa dada às crianças, agrupando as forças dos
operários nas questões da melhoria real da existência da classe operária, questões suscitadas pelo Partido.
As comissões deverão favorecer a entrada no Partido Comunista de operárias, membros dos sindicatos, e as frações comunistas
desses últimos deverão destacar para esse objetivo organizadores para o trabalho entre as mulheres, agindo sob a direção do Partido e
as seções locais.
As comissões de agitação entre as mulheres deverão dirigir sua propaganda de maneira que as mulheres comunistas propaguem
nas cooperativas os ideais comunistas e, chegando à direção dessas cooperativas, consigam influenciar e ganhar as massas,
considerando que essas organizações terão grande importância como órgãos de distribuição durante e após a revolução. Todo o
trabalho das comissões deve atender a um objetivo único: o desenvolvimento da atividade revolucionária das massas a fim de chegar
à revolução social.

NOS PAÍSES ECONOMICAMENTE ATRASADOS (O ORIENTE)


O Partido Comunista, de acordo com as seções, deve obter nos países de fraco desenvolvimento industrial o reconhecimento da
igualdade de direitos e deveres da mulher no Partido, nos sindicatos e outras organizações da classe operária.
As seções e as comissões devem lutar contra os preconceitos, os costumes e os hábitos religiosos que pesam sobre a mulher e
levar uma propaganda também entre os homens.
O Partido Comunista e suas seções ou comissões devem aplicar os princípios da igualdade de direitos da mulher na educação das
crianças, nas relações familiares e na vida pública.
As seções procurarão apoio para o seu trabalho, antes de tudo na massa de operários que trabalham a domicilio (pequena
indústria), trabalhadores das plantações de arroz, algodão e outras, favorecendo a formação, em todos os lugares onde seja possível
(em primeiro lugar, entre os povos do Oriente que vivem nos confins da Rússia Soviética), de cooperativas de produção, cooperativas
da pequena indústria, facilitando a entrada de operários das plantações nos sindicatos.
A elevação do nível geral de cultura das massas é um dos melhores meios de lula contra a rotina e os preconceitos religiosos
existentes no país. As comissões devem também favorecer o desenvolvimento de escolas para adultos e para crianças, facilitando o
acesso das mulheres à educação. Nos países burgueses, as comissões devem fazer uma agitação direta contra a influência burguesa
nas escolas.
Em todos os lugares em que for possível, as seções e as comissões devem promover a propaganda a domicílio, organizar clubes
de operários e atrair para os clubes, os elementos femininos mais atrasados. Os clubes devem ser focos de cultura e instrução,
organizações modelo mostrando o que a mulher pode fazer por sua própria libertação e independência (organização de creches,
jardins de infância, escolas primárias para adultos etc.).
Entre os povos nômades, deve-se organizar clubes ambulantes.
As seções devem, em conjunto com os Partidos, nos países de regime soviético, contribuir para facilitar a transição da forma
econômica capitalista para a forma de produção comunista colocando o operário diante da realidade evidente de que a economia
doméstica e a família, tal como elas se apresentam, só podem escravizá-los, enquanto o trabalho coletivo é a sua libertação.
Entre os povos orientais da Rússia Soviética, as seções devem velar para que seja aplicada a legislação soviética, igualando os
direitos da mulher aos do homem e defendendo a primeira em seus interesses. Com esse objetivo, as seções devem facilitar às
mulheres o acesso às funções de jurados nos tribunais populares.
As seções devem igualmente fazer as mulheres participarem das eleições dos Sovietes e velar para que as operárias e camponesas
participem dos Sovietes e dos Comitês Executivos. O trabalho entre o proletariado feminino do Oriente deve ser conduzido segundo
a plataforma da luta de classes. As seções revelarão a impossibilidade das feministas encontrarem solução para as diferentes questões
da libertação da mulher; elas utilizarão as forças intelectuais femininas (por exemplo, as professoras) para a expansão da instrução
nos países soviéticos do Oriente. Evitando sempre ataques grosseiros e sem tato às crenças religiosas e às tradições nacionais, as
seções e as comissões que trabalham entre as mulheres do Oriente deverão lutar com clareza contra a influência do nacionalismo e da
religião sobre os espíritos.
Toda organização de operários deve se basear, no Oriente como no Ocidente, não na defesa dos interesses nacionais, mas no plano
de união do proletariado internacional de ambos os sexos nas tarefas comuns de classe.
A questão do trabalho entre as mulheres do Oriente, sendo de grande importância e, ao mesmo tempo, apresentando um novo
problema para os Partidos Comunistas, deve ser detalhado por uma instrução especial sobre os métodos de trabalho entre as mulheres
do Oriente, adequado às condições dos países orientais. A Instrução será juntada às teses.

MÉTODOS DE AGITAÇÃO E PROPAGANDA


Para cumprir a missão fundamental das seções, isto é, a educação comunista das grandes massas femininas do proletariado e o
fortalecimento dos quadros de campeões do comunismo, é indispensável que todos os Partidos Comunistas do Oriente e do Ocidente
assimilem o princípio fundamental do trabalho entre as mulheres que é o seguinte: "agitação e propaganda efetivas".
Agitação efetiva significa, antes de tudo, ação para despertar a iniciativa da operária, destruir sua falta de confiança em suas
próprias forças e, conduzindo-a ao trabalho prático de organização e luta, levá-la a compreender pela realidade que toda conquista do
Partido Comunista, toda ação contra a exploração capitalista é um progresso para a melhoria da situação da mulher. "Da prática à
ação, ao reconhecimento do ideal comunista e seus princípios teóricos", tal é o método com que os Partidos Comunistas e suas seções
femininas devem abordar as operárias.
Para serem realmente órgãos de ação e não apenas de propaganda oral, as seções femininas devem se apoiar nos núcleos
comunistas das empresas e fábricas e designar, em cada núcleo comunista, um organizador especial do trabalho entre as mulheres da
empresa ou fábrica.
As seções deverão se relacionar com os sindicatos por intermédio de seus organizadores, designados pela fração comunista do
sindicato, e realizar seu trabalho sob a direção das seções.
A propaganda efetiva dos ideais comunistas consiste, na Rússia dos Sovietes, em fazer a operária, a desempregada e a empregada
entrarem em todas as organizações soviéticas, começando pelo exército e pela milícia e em todas as instituições visando à libertação
da mulher: alimentação pública, educação social, proteção da maternidade etc. Uma tarefa particularmente importante é a restauração
econômica sob todas as suas formas, da qual é fundamental a participação da operária.
A propaganda efetiva nos países capitalistas deverá, antes de tudo, levar as operárias a participarem das greves, manifestações e
da insurreição sob todas as suas formas, que temperam e elevam a vontade e a consciência revolucionárias, em todas as formas de
trabalho ilegal (particularmente nos serviços de ligação) na organização de sábados e domingos comunistas, para os quais as
operárias simpatizantes e as empregadas aprenderão a se tornar úteis ao Partido pelo trabalho voluntário.
O princípio da participação das mulheres em todas as campanhas políticas, econômica ou morais empreendidas pelo Partido
Comunista serve igualmente aos objetivos da propaganda efetiva. Os órgãos de propaganda entre as mulheres, próximos ao Partido
Comunista, devem estender sua atividade às categorias mais numerosas de mulheres socialmente exploradas e presas nos países
capitalistas e, entre as mulheres dos Estados soviéticos, livrar seu espírito preso por superstições e resquícios da velha ordem social.
Eles deverão se prender a todas as suas necessidades e sofrimentos, a todos os seus interesses e reivindicações, pelo que as mulheres
perceberão que o capitalismo deverá ser esmagado como seu Inimigo mortal e que as vias deverão se franqueadas ao comunismo, sua
libertação.
As seções devem realizar metodicamente sua agitação e sua propaganda pela palavra, organizando reuniões nas fábricas e
reuniões públicas, seja para as empregadas de diferentes ramos da indústria, seja para as donas-de-casa e trabalhadoras de todas as
categorias, por quarteirão, bairros da cidade etc.
As seções devem velar para que as frações comunistas dos sindicatos, das associações operárias, das cooperativas, elejam
organizadores e agitadores especiais para fazer o trabalho comunista nas massas femininas dos sindicatos, cooperativas, associações.
As seções devem velar para que nos Estados Soviéticos, as operárias sejam eleitas para os conselhos de indústria e todos os órgãos
encarregados da administração, controle e direção da produção. Enfim, as operárias devem ser eleitas para todas as organizações que,
nos países capitalistas, servem às massas exploradas e oprimidas em sua luta para a conquista do poder político ou, nos Estados
Soviéticos, que servem à defesa da ditadura do proletariado e à realização do comunismo.
As seções devem delegar mulheres comunistas provadas nas indústrias, colocando-as como operárias ou como empregadas nos
locais onde um grande número de mulheres trabalhem, tal como é praticado na Rússia Soviética; instalam-se assim essas camadas
nas grandes circunscrições e centros proletários.
Seguindo o exemplo do Partido Comunista da Rússia Soviética, que organiza reuniões de delegadas e conferências de delegadas
sem partido, que sempre têm um sucesso considerável, as seções femininas dos países capitalistas devem organizar reuniões públicas
de operárias, trabalhadoras de todo tipo, camponesas, donas-de-casa, reuniões que tratem das necessidades e reivindicações das
mulheres trabalhadoras e que devem eleger comitês ad hoc, aprofundar as questões levantadas em contato permanente com seus
mandatários e as seções femininas do Partido. As seções devem enviar seus oradores para participarem das discussões nas reuniões
dos partidos hostis ao comunismo.
A propaganda e a agitação em reuniões e outras instituições similares devem ser completadas por uma agitação metódica e
prolongada nas casas. Todo comunista encarregado desta tarefa deverá visitar as mulheres em suas casas, mas deverá fazê-lo
regularmente ao menos uma vez por semana e a cada ação importante dos Partidos Comunistas e das massas proletárias.
As seções devem criar e preparar uma literatura simples, conveniente; brochuras e folhetos para exortar e agrupar as forças
femininas.
As seções devem velar para que as mulheres comunistas utilizem da maneira mais ativa todas as instituições e meios de instrução
do Partido. A fim de aprofundar a consciência e temperar a vontade das comunistas ainda atrasadas e das mulheres trabalhadoras,
levando-as à atividade, as seções devem convidá-las para os cursos e discussões do Partido. Cursos separados, sessões de leitura e
discussão, só para as operárias, podem ser organizados somente em casos excepcionais.
A fim de desenvolver o espírito de camaradagem entre operárias e operários, é desejável não criar cursos e escolas especiais para
as mulheres comunistas: em cada escola do Partido, deve, obrigatoriamente, haver um curso sobre os métodos de trabalho entre as
mulheres. As seções têm o direito de delegar um certo número de suas representantes aos cursos gerais do Partido.

ESTRUTURA DAS SEÇÕES


Serão organizadas para o trabalho entre as mulheres próximas aos comitês regionais e de distrito e, enfim, próximas ao Comitê
Central do Partido.
Cada país escolhe os membros da seção. O mesmo se aplica aos partidos dos diferentes países aos quais é dada a liberdade de
lixar, segundo as circunstâncias, o número de membros da seção apontados pelo Partido.
A direção da seção deverá ser, ao mesmo tempo, do Comitê local do Partido. No caso de não haver essa acumulação, ela deverá
caber a todas as assembléias do Comitê com voz deliberativa sobre as questões concernentes à seção das mulheres e com voz
consultiva sobre as demais questões.
Além das tarefas gerais já enumeradas, que cabem às seções e comissões locais, elas serão encarregadas das seguintes funções:
manutenção da ligação entre as diferentes seções da região e com a seção central, reuniões de informação sobre a atividade das
seções e comissões da região, intercâmbio de informações entre as diferentes seções da região e com a seção central, reuniões de
informação sobre a atividade das seções e comissões da região ou província; distribuição das forças de agitação, mobilização das
forças do Partido para o trabalho entre as mulheres, convocação de conferências regionais de mulheres comunistas no mínimo duas
vezes por ano, com representantes de seções a razão de duas por seção, enfim organização de conferências de operárias e camponesas
sem partido.
As seções regionais (de província) se compõem de cinco a sete membros, os membros do Bureau são nomeados pelo Comitê
correspondente do Partido, sob apresentação á direção da seção; esta é eleita da mesma forma que os outros membros do comitê
distrital ou provincial para a conferência correspondente do Partido.
Os membros das seções ou comissões são eleitos para a conferência geral da cidade, do distrito ou da província, ou ainda são
designados pelas seções respectivas em contato com o Comitê do Partido. A Comissão Central para o trabalho entre as mulheres se
compõe de dois a cinco membros entre os quais um ao menos e pago pelo Partido.
Além das funções enumeradas acima para as seções regionais, a Comissão Central terá ainda as seguintes tarefas: instruções a
serem dadas aos militantes da localidade, controle do trabalho das seções, repartição, em contato com os órgãos correspondentes do
Partido, das forças para o trabalho entre as mulheres, controle por intermédio de seu representante ou encarregado das condições e
desenvolvimento do trabalho feminino em torno das transformações jurídicas ou econômicas necessárias na situação das mulheres,
participação dos representantes, dos encarregados, nas comissões especiais, estudando a melhoria das condições de vida da classe
operária, da proteção do trabalho, da infância etc., publicação de uma "folha" central e redação de jornais periódicos para as
operárias, convocação ao menos uma vez por ano dos representantes de todas as seções provinciais, organização de excursões de
propaganda por todo o país, envio de instrutores do trabalho entre as mulheres, treinamento das operárias para participarem em todas
as seções das campanhas políticas e econômicas do Partido, ligação permanente com o Secretariado Internacional das Mulheres
Comunistas e celebração anual do Dia Internacional da Operária.
Se a direção da seção das mulheres ligada ao Comitê Central não é membro desse Comitê, ela tem o direito de assistir a todas as
sessões com voz deliberativa sobre as questões relativas à seção e com voz consultiva nas demais questões. Ela é, ou nomeada pelo
Comitê Central do Partido ou eleita no congresso geral desse último. As decisões e as resoluções de todas as comissões devem ser
confirmadas pelo respectivo Comitê do Partido.

O TRABALHO EM ESCALA INTERNACIONAL


A direção do trabalho dos Partidos Comunistas de todos os países, a reunião das forças operárias, a solução das tarefas impostas
pela Internacional Comunista e a participação das mulheres de todos os países e povos na luta revolucionária pelo Poder dos Sovietes
e a ditadura da classe operária em escala mundial, cabem ao Secretariado Internacional Feminino da Internacional Comunista.
O número de membros da Comissão Central e o número de membros com voz deliberativa são fixados pelo Comitê Central do
Partido.

RESOLUÇÃO REFERENTE ÀS RELAÇÕES INTERNACIONAIS DAS MULHERES E O SECRETARIADO


FEMININO DA INTERNACIONAL COMUNISTA

(Adotado na sessão de 12 de junho, após o relato da camarada Kollontai e após a emenda do camarada Zetkin)
A II Conferência Internacional das Mulheres Comunistas propõe aos Partidos Comunistas de todos os países do Ocidente e do
Oriente elegerem, através de sua Seção Central Feminina, seguindo as diretrizes da III Internacional, correspondentes internacionais.
O papel da correspondência de cada Partido Comunista é, como as "diretrizes" indicam, manter relações regulares com as
correspondentes internacionais dos outros países, assim como com o Secretariado Internacional Feminino de Moscou que é o órgão
de trabalho do Executivo da III Internacional. Os Partidos Comunistas devem fornecer às correspondentes internacionais todos os
meios técnicos e possibilidades de se comunicarem entre elas e com o Secretariado de Moscou. As correspondentes internacionais se
reunirão uma vez a cada seis meses para deliberar e trocar opiniões com as representantes do Secretariado Feminino Internacional.
Entretanto, em caso de necessidade, esse último poderá reunir esta conferência a qualquer tempo.
O Secretariado Internacional Feminino cumpre, de acordo com o Executivo, e em contato estreito com as correspondentes
internacionais dos diferentes países, as tarefas fixadas pelas "direções". E deve, principalmente, elevar, em cada país, pelo conselho e
pela ação, o desenvolvimento do movimento feminino comunista ainda frágil e dar uma direção única ao movimento feminino de
todos os países do Ocidente e do Oriente, provocar e orientar, sob a direção e com o apoio enérgico dos comunistas, ações nacionais e
internacionais de natureza a intensificar e a estender a capacidade das mulheres para a luta revolucionária do proletariado. O
Secretariado Feminino Internacional de Moscou deverá, no Ocidente, ser acrescido de um órgão auxiliar, a fim de assegurar uma
ligação mais estreita e regular com os movimentos comunistas femininos de todos os países. Este órgão terá que fazer os trabalhos
preparatórios e suplementares para o Secretariado Internacional, isto é, ele será puramente executivo e não terá o direito de decidir
qualquer questão. Ele está ligado pelas decisões e indicações do Secretariado Geral de Moscou e do Executivo da Terceira
Internacional. Com o órgão auxiliar da Europa Ocidental, deve colaborar ao menos uma representante do Secretariado Geral.
Para tanto, a constituição e o campo de atividade do Secretariado não são fixados pela direção essas questões serão reguladas pelo
Executivo da Terceira Internacional, de acordo com o Secretariado Feminino Internacional, assim como a composição, a forma e o
funcionamento do órgão auxiliar.

RESOLUÇÃO REFERENTE ÀS FORMAS E MÉTODOS DO TRABALHO COMUNISTA ENTRE AS MULHERES

(Adotado na seção de 13 de junho, após o relato da camarada Kollontai)


A II Conferência Internacional das Mulheres Comunistas declara:
A ruína da economia capitalista e da ordem burguesa repousam sobre essa economia, assim como o progresso da revolução
mundial fazem da luta revolucionária pela conquista do poder político e pelo estabelecimento da ditadura uma necessidade cada vez
mais vital e imperiosa para o proletariado de todos os países onde esse regime ainda reina, um dever que não poderá se cumprir sem
que as mulheres trabalhadoras participem dessa luta de uma maneira consciente, resoluta e devotada.
Nos países onde o proletariado já conquistou o poder de Estado e estabeleceu sua ditadura sob a forma dos sovietes, como na
Rússia e na Ucrânia, será necessário manter seu poder contra a contra-revolução nacional e internacional e começar a edificação do
regime comunista libertador, deve ser obra também das mulheres adquirir uma consciência nítida e inquebrantável da necessidade da
defesa e edificação do Estado.
A Segunda Conferência Internacional das Mulheres Comunistas propõe aos partidos de todos os países, conforme os princípios e
decisões da Terceira Internacional, colocar-se no trabalho com a maior energia, a fim de despertar as massas femininas, reuni-las,
instruí-las no espírito do comunismo e levá-las às fileiras dos Partidos Comunistas e reforçar constantemente e resolutamente sua
vontade de ação e de luta.
Para chegar a esse objetivo, todos os Partidos da III Internacional devem formar em iodos os seus órgãos e instituições, a começar
pelos mais inferiores, chegando aos mais elevados, seções femininas presididas por um membro da direção do partido, cujo objetivo
será o trabalho de agitação, organização e instrução entre as massas operárias femininas, e que terão suas representantes em todas as
formações administrativas e diretivas do partido. Essas seções femininas não formam organizações separadas; elas são órgãos de
trabalho encarregados de mobilizar e instruir as operárias para a luta e a conquista do poder político e também para a edificação do
comunismo. Elas agem em todos os domínios e durante todo o tempo sob a direção do partido, mas possuem também a liberdade de
movimento necessária para aplicar os métodos e formas de trabalho e para criar as instituições que são reclamadas pelas
características especiais da mulher e sua posição particular, sempre subsistente na sociedade e na família.
Os órgãos femininos dos Partidos Comunistas devem sempre ter consciência, em sua atividade, do objetivo de sua dupla tarefa:
1) levar as massas femininas, cada vez mais numerosas, mais conscientes e mais firmemente decididas à luta de classes
revolucionária de todos os oprimidos e explorados contra o capitalismo e pelo comunismo.
2) fazer delas, após a vitória da revolução proletária, as colaboradoras conscientes e heróicas da edificação comunista. Os órgãos
femininos do partido devem, em sua atividade, perceber que os meios de agitação e instrução não são os discursos e os escritos, mas
que é preciso, igualmente, apreciar e utilizar como os meios mais importantes: a colaboração das mulheres comunistas organizadas
em todos os domínios da atividade - luta e edificação - dos Partidos Comunistas; a participação ativa das mulheres operárias em todas
as ações e lutas do proletariado revolucionário, nas greves, insurreições gerais, demonstrações de rua e revoltas à mão armada.
O QUARTO CONGRESSO DA III
INTERNACIONAL (novembro de 1922)
RESOLUÇÃO SOBRE A TÁTICA DA INTERNACIONAL COMUNISTA

I. CONFIRMAÇÃO DAS RESOLUÇÕES DO TERCEIRO CONGRESSO


O 4º Congresso comprova perante todos que as resoluções do 3º Congresso mundial sobre:
1-As crises econômicas mundiais e as tarefas da Internacional Comunista;
2-A tática da Internacional Comunista, tem sido completamente confirmada pelo curso dos acontecimentos e o desenrolar do
movimento operário no intervalo compreendido entre os 3º e 4º Congressos.

II. O PERÍODO DA DECADÊNCIA DO CAPITALISMO


Após a análise da situação econômica e mundial, o 3º Congresso pode comprovar com absoluta precisão que o capitalismo,
depois de haver realizado sua missão de desenvolver as forças produtivas, caiu em contradição irredutível não somente com as
necessidades da evolução histórica atual, mas sim também com as condições mais elementares da existência humana. Esta
contradição fundamental se refletiu particularmente na última guerra imperialista e foi agravada por esta guerra que comoveu, de
modo mais profundo, o regime de produção e de circulação. O capitalismo, que desse modo sobreviveu em si mesmo, entrou em uma
fase em que a ação destruidora de suas forças desencadearam a ruína e a perda das conquistas econômicas criadoras e realizadas pelo
proletariado em meio as cadeias da escravidão capitalista.
O quadro geral da ruína da economia capitalista não é atenuado em absoluto pelas flutuações inevitáveis próprias do sistema
capitalista, tanto em sua decadência como em sua ascensão. As tentativas realizadas pelos economistas nacionais burgueses e sociais
democráticos por apresentar um melhoramento verificado na segunda metade de 1921 nos EUA e em menor medida no Japão e
Inglaterra, em parte também na França e outros países, como um indício do restabelecimento do equilíbrio capitalista se baseia na
vontade de alterar os feitos e na falta de perspicácia dos lacaios do capital. O 3º Congresso, bem antes do começo da expansão
industrial atual, havia previsto que no futuro mais ou menos próximo, com a precisão possível, como uma onda superficial sobre o
fundo da destruição crescente da economia capitalista. Já é possível prever claramente que se a expansão atual da indústria não é
suscetível (não pode receber modificações), a não ser em um futuro distante, restabelecendo o equilíbrio capitalista de sanar as
feridas abertas provocadas pela guerra, a próxima crise cíclica, cuja ação coincidirá com a linha principal da destruição capitalista
não fará se não agudizar todas as manifestações desta última, e em conseqüência, em grande medida elevará a uma situação
revolucionária.
Até sua morte, o capitalismo será presa de suas flutuações cíclicas. Só a tomada do poder pelo proletariado e a revolução mundial
socialista poderá salvar a humanidade desta catástrofe permanente provocada pela persistência do capitalismo moderno.
Atualmente, o capitalismo está vivendo sua agonia. Sua destruição é inevitável.

III. A SITUAÇÃO POLÍTICA INTERNACIONA


A situação política internacional reflete também a ruína progressiva do capitalismo.
As questões das reparações não estão totalmente resolvidas. Muitas se sucedem nas conferências dos Estados da Entente, a ruína
econômica da Alemanha prossegue e a ameaça a existência do capitalismo em toda a Europa Central. O catastrófico agravamento da
situação econômica da Alemanha obrigará a Entente a renunciar as reparações, o que acelerará a crise econômica e política da França
e também determinará a formação de um bloco industrial franco-alemão no continente. Já esse feito agravará a situação econômica
da Inglaterra e sua posição no mercado mundial, enfrentando politicamente a Inglaterra com o continente.
No Oriente Próximo, a política da Entente sofreu uma derrota total. O tratado de Sévrès foi rompido pelas baionetas turcas. A
guerra greco-turca e os acontecimentos subsequentes demonstraram com clareza a instabilidade do equilíbrio político atual. O
fantasma de uma nova guerra mundial imperialista aparece claramente. Apesar de haver ajudado, por motivos de rivalidade com a
Inglaterra, a organizar a obra comum da Entente no Oriente Próximo. Desse modo, a França capitalista demonstra aos povos do
Oriente Próximo que só podem levar a cabo a sua luta de defesa contra a opressão ao lado da Rússia Soviética e com apoio do
proletariado revolucionário do mundo inteiro.
No Extremo Oriente, os Estados vitoriosos da Entente trataram de revisar em Washington a Paz de Versalhes, porém desse modo
só se tem conseguido uma trégua, reduzindo durante alguns anos unicamente uma categoria de armas: o grande número de navios de
guerra. Porém não encontrou nenhuma solução para o problema. Entre EUA e Japão sempre prossegue a luta, enquanto sustenta a
guerra civil na China. A costa do Pacífico continua sendo, como antes da conferência em Washington, um palco de grandes conflitos.
Os exemplos dos movimentos de libertação nacional na Índia, Egito, Irlanda e Turquia, demonstram que os países coloniais e
semicoloniais constituem palcos de um movimento revolucionário em crescimento contra as potências imperialistas e de reservas
inesgotáveis de forças revolucionárias que, na situação atual, atuam objetivamente contra a ordem burguesa mundial.
A Paz de Versalhes está destruída nos feitos, pois não só não conseguiu um acordo geral com os Estados capitalistas, uma
supremacia do Imperialismo, como, pelo contrário, criou novos antagonismos, novos armamentos. A reconstrução da Europa é
impossível na situação dada. A América capitalista não quer fazer nenhum sacrifício pela restauração da economia capitalista
européia. Os EUA sobrevoam como um abutre sobre o capitalismo europeu em agonia, em que herdará. Os EUA reduzirá a Europa
capitalista à escravidão da classe operária européia na incorporação do poder político e não se dedica a reparar as ruínas da guerra
mundial e a começar a construção de uma República Federativa dos Soviets da Europa.
Os últimos acontecimentos que se desenrolaram na Áustria são eminentemente característicos da situação política da Europa. Sob
as ordens do imperialismo da Entente, saudado por gozo pela burguesia Austríaca, a famosa democracia – orgulhos dos líderes da
Internacional de Viena e por qual traíram constantemente os interesses do proletariado, que confiaram aos cuidados dos monarquistas
e dos sociais-cristãos e dos nacionalistas a quem ajudaram a restabelecer-se, no poder – foi liquidado de uma penada em Genebra e
repisada pela ditadura aberta de um simples governo com pleno poder da Entente. O próprio parlamento burguês foi suprimido pelos
feitos e substituído por um agente dos banqueiros da Entente. Logo de uma breve simulação de resistência, os sociais democratas
capitularam e colaboraram com a execução deste vergonhoso tratado. Também se declararam dispostos a participar novamente da
coalizão por baixo de uma forma apenas encoberta, para impedir a resistência do proletariado.
Esses acontecimentos da Áustria, assim como o último golpe de estado na Itália, demonstra de maneira definitiva a instabilidade
de toda a situação e provam suficientemente que a democracia é uma simulação, que na realidade só e a ditadura simulada da
burguesia e que esta última substituirá, quando seja necessário, por outra mais brutal das reações.
Ao mesmo tempo, a situação internacional da Rússia dos Soviets, é o único país onde o proletariado venceu a burguesia e
manteve o poder durante cinco anos, apesar dos ataques de seus inimigos, se encontra grandemente fortalecida.
Em Gênova e em Haia, os capitalistas da Entente trataram de obrigar a República dos Soviets da Rússia a renunciar a
nacionalização da indústria e a iniciar com o acúmulo de dívidas tal que transformaria os debaixo em uma colônia da Entente. Sem
ressalva, o Estado proletário da Rússia dos Soviets foi suficientemente forte como para resistir diante destas pretensões. Entre o caos
do sistema capitalista o processo de dissolução, a Rússia dos Soviets, desde Berezina a Vladivostock, desde a costa muçulmana as
montanhas de Armênia, constituem um frequente fator de poder na Europa, em torno e no Extremo Oriente. Apesar das tentativas do
mundo capitalista de oprimir a Rússia mediante o bloqueio financeiro, esta se acha em condições de encarar sua restauração
econômica. Ante este objetivo, utilizará tanto seus próprios recursos econômicos como a competência entre capitalistas que obrigará
estes a manter negociações separadas com a Rússia dos Soviets. Só a existência da República dos Soviets atua sobre a sociedade
burguesa com um elemento da Revolução mundial. Quanto mais se ergue e se consolida economicamente a Rússia soviética, em
maior medida esse fator revolucionário predominante aumentará a sua influência na política internacional.

IV. A OFENSIVA DO CAPITAL


Ao não haver aproveitado o proletariado de todos os países, exceto da Rússia, do estado de debilidade do capitalismo provocado
pela guerra para assentar-lhe o golpe decisivo, a burguesia pode, graças à ajuda dos socialistas reformistas, afastar os operários
revolucionários dispostos ao combate, consolidar seu poder político e econômico e iniciar uma nova ofensiva contra o proletariado.
Todas as tentativas da burguesia para voltar a colocar em funcionamento a produção e a reparação industrial depois da tempestade
da guerra mundial foram realizadas a expensas do proletariado. A ofensiva universal e sistemática organizada pelo capital contra as
conquistas da classe operária arrastou todos os países em seus redemoinhos. Em todos os cantos, o capital reorganizado mutila
impiedosamente o salário real dos operários, obriga os operários dos países de escassos recursos, reduzidos à indigência, a pagar os
gastos da miséria provocada na vida econômica pela desvalorização do câmbio, etc...
A ofensiva do capital, que no curso dos últimos anos vem adquirindo proporções gigantescas, obrigando os operários de todos os
países a levar a cabo lutas defensivas. Milhares e dezenas de milhares de operários têm aceitado o combate, nos setores mais
importantes da produção. Constantemente se incorporam na luta novos grupos de operários, provenientes dos setores mais decisivos
da vida econômica (ferroviários, mineiros, metalúrgicos, funcionários do Estado e empregados municipais). A maioria destas greves
não têm tido até o momento nenhum êxito imediato. Porém esta luta cria em massas cada vez maiores de operários um ódio infinito
contra os capitalistas e o poder do Estado que os protege. Esta luta imposta ao proletariado arruína a política da comunidade do
trabalho com os empresários, levado a cabo pelos sociais democratas sindicais. Esta luta demonstra também aos setores atrasados do
proletariado a vinculação evidente entre a economia e a política. Cada greve se transforma atualmente num grande acontecimento
político. Nesta ocasião, se faz evidente que os partidos da II Internacional e os chefes sindicais de Amsterdam não somente não
apontam nenhuma ajuda as massas operárias empenhadas em duros combates defensivos, mas ainda as abandonam e atraiçoam em
benefício dos empresarios, dos patrões e dos governos burgueses.
Uma das tarefas dos partidos comunistas consiste em desmascarar estas traições inauditas e permanentes nos processos das lutas
cotidianas das massas operárias. O dever dos partidos comunistas de todos os países consiste em estender e aprofundar as numerosas
greves econômicas que irrompem em todas as partes, na medida do possível, transformá-las em greves e em lutas políticas. Também
constituem um dever natural dos partidos comunistas aproveitar as lutas defensivas para fortalecer a consciência revolucionária e a
vontade de combate das massas proletárias de maneira que, quando estas são suficientemente fortes, possam passar da defensiva a
ofensiva.
O aprofundamento sistemático dos antagonismos entre o proletariado e a burguesia é consequência da existência dessas lutas são
inevitáveis. A situação vem sendo objetivamente revolucionária e a menor ocasião pode converter-se atualmente em um ponto de
partida de grandes lutas revolucionárias.

V. O FASCISMO INTERNACIONAL
A política ofensiva da burguesia contra o proletariado, tal como se manifesta de modo mais notório no fascismo internacional,
está na mais estreita relação com a ofensiva do capital na ordem econômica. Dado que a miséria acelera a evolução espiritual das
massas num rumo revolucionário, processo que engloba as classes médias, incluindo os funcionários e perturba a segurança da
burguesia que não pode considerar mais a burocracia como um instrumento dócil, os métodos de repressão legal já não bastam a essa
burguesia. Por isso se dedica a organizar em todas as partes guardas brancos especialmente destinados a combater todos os esforços
revolucionários do proletariado e que na realidade serve cada vez em maior medida as tentativas do proletariado por melhorar sua
situação.
A diferença característica do fascismo italiano, do fascismo “clássico”, que conquistou momentaneamente todo o país, está no
fato de que os fascistas não somente constituem organizações de combate estritamente contra-revolucionário e armados até os dentes,
mas também tratam, mediante uma demagogia social, de criar uma base entre as massas, na classe camponesa e na pequena burguesia
e até em certos setores do proletariado, utilizando habilmente para seus objetivos contra-revolucionários decepções provocadas pela
chamada democracia.
O perigo do fascismo existe agora em muitos países: na Checoslováquia, na Hungria, em quase todos os países balcânicos, na
Polônia, na Alemanha (Baviera), na Áustria, nos EUA e até em países como Noruega. De uma forma ou de outra, o fascismo
tampouco é impossível em países como França e Inglaterra.
Uma das tarefas mais importantes dos partidos comunistas está em organizar a resistência ao fascismo internacional, em colocar-
se a frente de todo o proletariado e na luta contra os bandos fascistas e aplicar energicamente também a este terreno a tática da frente
única. Os métodos ilegais são aqui absolutamente indispensáveis.
Porém o enlouquecido delírio fascista é a última resposta da burguesia. A dominação desempenhada pelos guardas brancos está
dirigida de maneira geral contra as bases, mesmo as de democracia burguesa. As grandes massas do povo trabalhador se convencem
cada vez mais de que a determinação da burguesia só é possível mediante uma ditadura não encoberta sobre o proletariado.

VI. A POSSIBILIDADE DE NOVAS ILUSÕES PACIFISTAS


O que caracteriza a situação política internacional no momento atual é o fascismo, o estado de sítio e a crescente onda de terror
branco desencadeada contra o proletariado. Porém isto não exclui a possibilidade de que, no futuro bastante próximo, em países
muito importantes a reação burguesa seja repensada por uma era “democrátrico-pacífica”.
Na Inglaterra (fortalecimento do partido trabalhista nas últimas eleições), na França (próximo período inevitável do bloco das
esquerdas) esta fase de transição “democrática pacifista” é provável e pode reanimar as esperanças pacifistas na Alemanha burguesa e
sociais-democratas.
Entre o período atual de dominação e de reação burguesa estabelecida e a vitória total do proletariado revolucionário sobre a
burguesia há várias etapas e são possíveis diversas fases transitórias. A Internacional Comunista e suas seções devem considerar
também estas eventualidades e devem saber defender as posições revolucionárias em todas as situações.

VII. A SITUAÇÃO DO MOVIMENTO OPERÁRIO


Mesmo que, em conseqüência da ofensiva do capital, a classe operária se veja obrigada a adotar uma atitude defensiva, se realiza
o entrosamento e finalmente a fusão dos partidos de centro (independentes) com os socialistas traidores declarados (sociais-
democratas). Na época do avanço revolucionário, até os centristas, com as pressões do estado de ânimo das massas, se declaram a
favor da ditadura do proletariado e buscaram a via que os conduzisse a III Internacional. Durante a onda descendente da revolução,
que por outro lado é só temporária, esses centristas voltam ao campo da social-democracia, de onde no fundo nunca saíram. Mesmo
os que na época de lutas revolucionárias de massas haviam adotado uma atitude constantemente vacilante, agora se negam a
participar nas lutas defensivas e retornam ao campo da II Internacional, que sempre foi, conscientemente ou não, contra-
revolucionário. Os partidos centristas e a Internacional II e ½ estão em vias de decomposição. A melhor parte dos operários
revolucionários, que se encontrava momentaneamente no campo do centrismo, passará com o tempo para a Internacional Comunista.
Em alguns lugares, essa passagem já começou (Itália). A ampla maioria dos chefes centristas vinculados atualmente a Noske, a
Mussolini, etc. se transformaram, ao contrário, em empedernidos contra-revolucionários.
Objetivamente, a fusão dos partidos da II Internacional e da Internacional II e ½ pode ser útil ao movimento operário
revolucionário. A ficção de um partido revolucionário fora do campo comunista desaparece desse modo. Na classe operária, somente
dois grupos lutaram com sucesso pela conquista da maioria: a II Internacional, que representa a influência da burguesia no seio do
proletariado e a III Internacional, que tem empunhado a bandeira da revolução socialista e da ditadura do proletariado.

VIII. A DIVISÃO DOS SINDICATOS


A fusão das Internacionais II e II e ½ tem, sem dúvida, como objetivo a preparação de uma “atmosfera favorável” para uma
campanha sistemática contra os comunistas. A metódica cisão nos sindicatos provocada pelos chefes da Internacional de Amsterdam
é uma parte desta campanha. Os homens de Amsterdam retrocedem ante toda a luta contra a ofensiva do capital e continuam muito
bem com sua política de colaboração com os patrões. Para não serem molestados pelos comunistas nesta aliança com os empresários,
tratam de suprimir total e sistematicamente sua influência nos sindicatos. Porém, como os comunistas têm conquistado perante eles a
maioria dos sindicatos e estão em vias de fazê-lo em muitos países, os homens de Amsterdam não retrocedem nem ante às expulsões
em massa nem ante à cisão formal com os sindicatos. Nada debilita tanto as forças de resistência proletária contra a ofensiva do
capital como a divisão dos sindicatos. Os chefes reformistas nos sindicatos sabem, porém como percebem que o piso se move
debaixo dos seus pés e que sua derrota é inevitável e está cercado, se apressam a dividir os sindicatos, esses instrumentos
insubstituíveis na luta de classe proletária para que os comunistas só recolham os restos das antigas organizações sindicais. Desde
Agosto de 1914 a classe operária não foi testemunha de uma ação tão desprezível.

IX. A CONQUISTA DA MAIORIA


Nessas condições, a orientação fundamental deste congresso mundial é: “conquistar uma influência comunista na maioria da
classe operária e conduzir ao combate o setor decisivo desta classe”, consiste em toda sua força.
A concepção segundo a qual, o instável equilíbrio atual da sociedade burguesa, pode instalar subitamente uma crise mais grave
dando raiz a uma greve, de uma sublevação colossal, de uma nova guerra, ou até de uma crise parlamentar, conserva toda sua
vigência, agora todavia em maior medida que na época do 3º Congresso. Porém precisamente por esse fator “subjetivo”, quer dizer
do grau de consciência, de vontade de combate e de organização de classe operária e de sua vanguarda, adquire uma grande
importância.
A maioria da classe operária dos EUA e da Europa deve ser conquistada. Essa é a tarefa essencial da Internacional comunista,
tanto agora como antes.
Nos países coloniais e semicoloniais, a Internacional comunista tem duas tarefas: 1) criar um embrião de partido comunista que
defenda os interesses gerais do proletariado e 2) apoiar com todas as forças o movimento nacional revolucionário dirigido contra o
imperialismo, converter-se em vanguarda desse movimento e fortalecer o movimento social no seio do movimento nacional.

X. O GOVERNO OPERÁRIO
O governo operário (eventualmente o governo camponês) deverá ser empunhado em todas as partes como uma bandeira de
propaganda geral. Porém como bandeira de política atual, o governo operário adquire uma maior importância nos países onde a
situação da classe burguesa é particularmente insegura, onde a relação de forças entre os partidos operários e a burguesia coloca a
solução do problema do governo operário na ordem do dia como uma necessidade política.
Nesses países, a bandeira de “governo operário” é uma consequência inevitável de toda tática de frente única.
Os partidos da II Internacional tratam de “salvar” a situação nesses países, pregando e enfatizando a coalizão dos burgueses e dos
sociais-democratas. As mais recentes tentativas realizadas por alguns partidos da II Internacional (por exemplo na Alemanha)
negando-se a participar abertamente no governo de coalizão deste tipo para uma vez fazê-lo sorrateiramente, não é senão uma
manobra objetivando acalmar as massas que protestam contra essas coalizões é um engano sutil de que se faz vítima a classe
operária. Na coalizão aberta ou sorrateira da burguesia e a social-democracia, os comunistas opõem com a frente única de todos os
operários e a coalizão política e econômica de todos os partidos operários contra o poder burguês para a derrota definitiva deste
último. Na luta comum dos operários contra a burguesia, todo o aparato do estado deverá passar para as mãos do governo operário e
as posições da classe operária serão deste modo fortalecidas.
O programa mais elementar de um governo operário deve consistir em armar o proletariado, em desarmar as organizações
burguesas contra-revolucionárias, em instaurar o controle da produção e fazer recair sobre os ricos o maior peso dos impostos e em
destruir a resistência da burguesia contra-revolucionária.
Um governo deste tipo só é possível se surge da luta das massas, se se apóia em organismos operários aptos para o combate e
criados para os mais vastos setores das massas operárias oprimidas. Um governo operário surgido de uma combinação parlamentar
também pode proporcionar a ocasião de revitalizar o movimento operário revolucionário. Porém é evidente que o surgimento de um
governo verdadeiramente operário e a existência de um governo que realize uma política revolucionária deve conduzir a uma luta
mais encarniçada e, eventualmente, a guerra civil com a burguesia. Uma só tentativa do proletariado de formar um governo operário
enfrentará desde o começo a resistência mais violenta da burguesia. Portanto, a bandeira de governo operário é possível concentrar e
desencadear lutas revolucionárias.
Em certas circunstâncias, os comunistas devem declarar-se dispostos a formar um governo com partidos e organizações operárias
não comunistas. Porém, só podem fazê-lo se contam com as suficientes garantias de que esses governos operários levarão a cabo
realmente a luta contra a burguesia no sentido indicado acima. Neste caso, as condições naturais de participação dos comunistas em
semelhantes governos seriam as seguintes:
1) A participação em tal governo operário só poderá concretizar-se com prévia aprovação da Internacional Comunista.
2) Os membros comunistas do governo operário serão submetidos ao controle direto de seu partido.
3) Os membros comunistas do governo operário continuarão mantendo um estreito contato com as organizações revolucionárias
de massas.
4) O partido comunista conservará absolutamente sua fisionomia e a total independência em sua ação agitativa.
Apesar de suas grandes vantagens, a bandeira de governo operário também tem riscos, assim como toda a tática de frente única.
Para prevenir estes riscos, os partidos comunistas sempre devem ter em conta que, se bem que todo o governo burguês é ao mesmo
tempo um governo capitalista, não é certo que todos os governos operários sejam governos verdadeiramente proletários, quer dizer,
instrumentos revolucionários de poder do proletariado.
A Internacional Comunista deve considerar as seguintes possibilidades:
1) Um governo operário liberal. Já existe um governo deste tipo na Austrália e também é possível a curto prazo na Inglaterra;
2) Um governo operário social-democrata (Alemanha);
3) Um governo de operários e camponeses. Esta eventualidade pode dar-se no Bálcãs, na Tchecoslováquia, etc.;
4) Um governo oper