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PAZELLO, Ricardo Prestes.

O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC

O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONCEITUAL DO FENÔMENO BACHARELÍSTICO

The "Brazilian thought" and bachelorism: a conceptual review of the bacheloristic phenomenon

Ricardo Prestes Pazello - Professor de Antropologia Jurídica na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Doutorando em Direito das Relações Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Paraná (PPGD/UFPR). Mestre em Filosofia e Teoria do Direito pelo Curso de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina (CPGD/UFSC). Pesquisador do Núcleo de Estudos Filosóficos (NEFIL/UFPR) e do grupo de pesquisa Direito, Sociedade e Cultura (FDV/ES). Integrante do Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS), do Centro de Formação Milton Santos-Lorenzo Milani (Santos-Milani) e do Instituto de Filosofia da Libertação (IFiL). Colunista do blogue assessoriajuridicapopular.blogspot . com

E-mail: ricardo2p@ufpr.br

Resumo: O presente ensaio insere-se na tentativa de buscar uma revisão conceitual do

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PAZELLO, Ricardo Prestes. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC

fenômeno do bacharelismo. Tal análise vincula-se ao que se propôs chamar de “pensamento brasileiro”, expressão que tem por fito dimensionar uma dada parcela da literatura brasileira que é tida como intérprete de sua realidade. Repisando áreas transdisciplinares do conhecimento, o que se chamou de “pensamento brasileiro” recorre à história, à sociologia, à filosofia e, entre outros, ao direito. Entrementes, o trabalho caracterizou-se primordialmente pela análise do que se costumou chamar na literatura historiográfica, mesmo a jurídica, de fenômeno do “bacharelismo”, buscando articular as suas análises com a intenção de realizar a crítica de sua formulação como estereótipo ou fetiche.

Sumário: 1. Prolegômenos; 2. “Pensamento brasileiro”: contexto e pressuposto; 2.1. Um Brasil pela raiz; 2.2. A voz dos donos e os donos do poder; 3. O bacharelismo: entre o fetiche e o estereótipo; 4. Fontes bibliográficas

Palavras-chave: Pensamento Brasileiro; Bacharelismo; Pensamento Jurídico Brasileiro; Crítica Jurídica.

Abstract: This essay is part of an attempt to find a conceptual review of the bacheloristic phenomenon. This analysis is linked to what is proposed to call "Brazilian thought” which aim is to scale a given parcel of Brazilian literature that is taken as an interpreter of its reality. Returning disciplinary areas of knowledge, that is called "Brazilian thought" refers to the History, Sociology, Philosophy and, among others, Law. Thus, this paper was characterized primarily by the analysis of what is named, in historiographical literature, even legal, bacheloristic phenomenon, seeking to articulate their analysis with the intention to make the criticism of its formulation as a stereotype or fetish.

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PAZELLO, Ricardo Prestes. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC

Key-words: Brazilian Thought; Bachelorism; Brazilian Legal Thought; Critic of Law.

1. PROLEGÔMENOS

O direito brasileiro não pode se ressentir de seu passado. A história o constitui e como tal não deve ser olvidada. Assim como para um povo é fulcral o conhecimento de sua origem e caminho pelos tempos, para o direito – igualmente integrante da história de um povo – o desvelar contínuo e corajoso do que se passou tem de significar um desiderato sempre a se promover. Não totalmente desprovido de razão, Caio Prado Júnior diria que “todo povo tem na sua evolução, vista à distância, um certo ‘sentido’”. [1] Assim introduz ele sua obra principal, ainda que possa ser alvo de críticas quanto a sua concepção de projeto histórico. No entanto, parece que, à distância, sim, há um certo “sentido” na história. E pode haver não como um projeto objetivamente lapidado, mas como algo que flui e ao fazê-lo provoca conseqüências, experimentos, quotidianidades.

Sendo assim, como ignorar o fato de que em terras brasileiras, “em que se plantando tudo dá”, germinou-se um direito desligado das aspirações populares e voltado para as elites políticas e econômicas? É inegável a constatação de que “a trajetória de nossas instituições jurídicas fundadas numa cultura liberal-individualista e numa tradição patrimonialista, estatal e formalista” determinou o tolhimento de múltiplas formas de se conhecer o direito, de se resolver os problemas de acordo com a diversidade inerente às populações que aqui viveram e que aqui chegaram, de tal modo a sacralizar “o modelo unitário, restritivo e alienígena”. [2]

Há, contudo, de se verificar que a despeito de o Brasil – e sem dúvida toda a América Latina – ter nascido a fórceps para a civilização ocidental moderna, [3] sua história não foi unívoca, dicotômica, homogênea. Tampouco se pode crer que, pelo fato de ter havido uma violência originária em sua constituição, é necessário riscá-la dos antecedentes históricos do hoje. Não. O mister contemporâneo é superar as limitações, as agonias, as opressões que soem vicejar, e

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a fim de que ele não se perca em um acriticismo contumaz. Em outras palavras (. em um primeiro momento. ainda hoje. Representam-no. precisa admoestar o “jurista atual”. É nessa perspectiva que este trabalho pretende se construir.. se se fizer aquele banho epistemológico que o jurista mais desperto sem dúvida começou a fazer. já não mais meramente acadêmico. mas será igualmente preciso imiscuir na discussão contextualização histórica que permita antever os aspectos relevantes que condicionam seu exame. a 4 / 33 . desde uma revisão conceitual inserida na história. pois o resgate que se impõe ao direito passa por “um resgate. Seu objeto é analisar o fenômeno jurídico do bacharelismo. do bacharelismo brasileiro. reduzido à interpretação de textos legais e de uma história institucionalizada. cuja função mais premente é auscultar o inaudível para apropriadamente transformá-lo. Tal abordagem se preocupará. consegue-se entender o quão importante se mostra verificar o comportamento do “jurista do passado”. Ricardo Prestes. não bastará uma análise dos textos nacionais clássicos acerca do tema. Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro.). [4] Eis então o propósito de se enfrentar o problema. em abordar a existência do que aqui se denominou “pensamento brasileiro”. o qual ganha relevância ao se observar que a inovação epistemológica ou a postura crítica não se fazem meramente a partir dos discursos. para os fins cá postos. em vista desse enrobustecimento. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC uma das ferramentas mais versáteis para tanto é o conhecimento histórico. Assim. todavia. mas que deve se estender à sonolenta maioria silenciosa ainda imersa numa cômoda preguiça”. notadamente as obras de Alberto Venâncio Filho e Sérgio Adorno.. vez que suas práticas se encontram sobejamente arraigadas nas velhas maneiras de se manejar o direito.PAZELLO. que se poderá conseguir plenamente somente se se enrobustecer a nossa consciência crítica e. Ao se ver que há quem. consigamos colocarmo-nos num observatório liberado de crenças indiscutíveis e das liturgias culturais que desembocam naqueles lugares comuns que são o pântano asfixiante de todo homem de cultura. em um nefando modo de encarar a realidade. Contudo.

publicado quando estávamos na escola superior. a pesquisa partirá de um referencial próprio. para sua problematização. Já Antônio Cândido referira-se à tríade histórica que. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC suprassunção dialética de um novo momento para os bacharéis de hoje não cabe na visão estereotipada do bacharelismo imperial e tampouco logrará êxito com a percepção enviesada pela fetichização da atividade dos juristas de ontem.PAZELLO. com seu “Os donos do poder”. “Pensamento brasileiro”: contexto e pressuposto Como já se ressaltou. São palavras do historiador e crítico literário: “Os homens que estão hoje um pouco para cá ou um pouco para lá dos cinqüenta anos aprenderam a refletir e a se interessar pelo Brasil sobretudo em termos de passado e em função de três livros: Casa-grande e senzala . publicado quando estávamos no ginásio. “Existe um pensamento político brasileiro?”. Elegeu-se. de Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil . Sérgio Buarque de Holanda. abafado pelo Estado Novo”. publicado quando estávamos no curso complementar. Formação do Brasil Contemporâneo . qual seja. de Gilberto Freyre. com seu “Raízes do Brasil” e Raymundo Faoro. serve de parâmetro para se refletir acerca de um “pensamento brasileiro”. 2. devendo-se a este acrescentar uma obra de cunho metodológico. apesar de tudo. de Caio Prado Júnior. os que parecem exprimir a mentalidade ligada ao sopro de radicalismo intelectual e análise social que eclodiu depois da Revolução de 1930 e não foi. [5] 5 / 33 . o “pensamento brasileiro”. juntamente com Faoro. São estes os livros que poderemos considerar chaves. Ricardo Prestes.

2. modelo que não se deve repetir) e apresente-se como conhecimento de si mesmo. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Hoje. e seguindo o título de seu livro. mais de quarenta anos depois do que disse Cândido (o texto é de 1967). mas como símbolo de coesão e convergência para um futuro que seja capaz de unir na diversidade. os integrantes da tríade servem como exemplo e apontam para a necessidade de contínua interpretação do nacional para que o passado reste como modelo (muitas das vezes. A experiência no ensino superior. na faculdade de direito. sendo. Ricardo Prestes. alterado pela proficiência científica do autor no decurso dos anos. Apesar de já não tão radicais. Brasil latino-americano que precisa se voltar para os seus. O livro 6 / 33 . talvez a maior parte delas. constitui tarefa crítica cuja maior exigência é a de não se amesquinhar nos tradicionais padrões científicos. A busca pela interpretação do atual. o que iria desembocar naquela década de trinta.  O livro de 1936. muito próprio de um país em que a educação de nível superior medrou como privilégio das classes sociais dominantes.PAZELLO. o curso de direito o único e principal para a formação da burocracia estatal.1. Em um capítulo denominado “Novos Tempos”. Antes. Um Brasil pela raiz O primeiro dos intérpretes nacionais a aqui figurar de forma protagonista é Sérgio Buarque de Holanda. mas sobretudo viver no Brasil. e mesmo criticáveis. Faz-se referência ao “bacharelismo”. leva à preocupação no tocante ao que significa ser bacharel causídico. porém. acorreu a Sérgio Buarque e aos outros partindo-se do passado. Sérgio Buarque examinou a questão do bacharel. considera-se como iniludíveis suas palavras. muito mais que formação de identidade nacional. inclusive e por muito tempo. aproveita-se como exegese consolidadora de uma temática que seria reincidente na esfera da história do direito. procurou a gênese da formação do brasileiro. à qual já se referiu.

de acordo com Sérgio Buarque. por um tempo. da gramática e do direito formal. a desprezar a política nacional. presunção. [8] Por trás deste cenário se encontra. Negavam. [6] Sendo este o contexto. mais pertinente com a idéia de conquista. de uma colonização exploradora. foram das minorias. uma característica peculiar do brasileiro. enquistada que esteve no latifúndio. serviu para aniquilar uma autoridade incômoda. Os movimentos pretensamente reformistas se deram de cima para baixo (independência. nada dizendo ao povo. de todo. então. erudição formal. as panacéias brasileiras. representam um desencanto com a nação. Ricardo Prestes. da retórica. aqui. elites. na monocultura e na escravidão. das grandes senhorias às citações livrescas.PAZELLO. Segundo alguns. Esqueceu-se a quotidianidade e passou-se à dedicação da escrita. na visão do aristocrata intelectual tupiniquim. de um suposto achamento. é que haveria solução. leituras francesas. a realidade brasileira. a aristocracia do pensamento brasileiro. É o caso da miragem da alfabetização em massa. no fundo. Só se construindo um país. o Brasil se tornaria das maiores potências do mundo. para sustentar privilégios. “fundador” de nossa república e de sugestivo nome. cordial ao ponto de se fazer eclético e conciliador ao extremo. É de lá que a herança portuguesa logra se fixar nas terras do além-mar brasileiro. de fato. chegando Benjamin Constant. muito mais voltado para os setores sociais bastante próximos às esferas de poder. nos moldes dos Estados Unidos da América do Norte. o que. república). o tema do bacharelismo aparecerá como estertor de uma sociedade já patrimonialista e altamente concentrada de rendas e saberes. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC “Raízes do Brasil” parte das fronteiras com a Europa. no entanto. Eis o exemplo da democracia que. Dom Pedro II foi um exemplo disso. e fazendo crer de nosso imo um tanto quanto cordial. por si só. deixando como espólio uma sociedade rural voltada para a dicotomização do trabalho manual ante o intelectual. A análise quase que weberiana de Sérgio Buarque leva a compreender a índole “aventureira” e “semeadora” do colonizador português. [9] O brasileiro. no Brasil o positivismo – dogmático – obteve grande sucesso. suas condições reais. o cultivo do individualismo: “ainda no vício do bacharelismo ostenta-se também nossa tendência para exaltar acima de tudo a personalidade individual como valor próprio. é visto de uma forma generalizada. Estariam imbuídos. porém. nos moldes do que foi pensado fora. sua preguiça de pensar. No Brasil. Foram. superior às contingências”. [7] O aristocratismo foi preservado por meio da imaginação cultivada. Há. alheamento do mundo. 7 / 33 . teorias estrangeiras e concepções simplistas da vida (que não exigissem grande esforço mental). o ressaltar de uma das características do intelectual brasileiro: seu pensamento simplista. novo. no máximo. Assim. costumou-se sempre importar preceitos e os fazer adequar a uma realidade que não lhes era cabível. A aristocracia nacional passou de agrária para citadina. De acordo com Sérgio Buarque. seria a redenção nacional. não quer dizer nada mais que alfabetização em massa. qual seja. Os seguidores de Comte criam no triunfo das novas idéias.

Aqui ele reinou como soeu ocorrer com os Estados Unidos. bem como à disciplina. Daí as atividades liberais comprazerem-nos.PAZELLO. por exemplo. jornalistas. no culto à personalidade. um poema ressaltando que a Estupidez.. pois. exorta: 8 / 33 . escreveu um panegírico às avessas a Portugal. [10] O bacharelismo. [11] Ou com Portugal: “em quase todas as épocas da história portuguesa uma carta de bacharel valeu quase tanto como uma carta de recomendação nas pretensões a altos cargos públicos”. Ricardo Prestes. parecem ter sido tão infestadas pela ‘praga do bacharelismo’ quanto o foram os Estados Unidos. funcionários que se limitem a ser homens de sua profissão”. durante os anos que se seguiram à guerra da independência: é notória a importância que tiveram os graduates na Nova Inglaterra. (. cabe ressaltar o fato de que um jovem brasileiro do século 18 que. engenheiros. indo graduar-se em terras lusitanas. advogados. expulsa do continente europeu onde reinava. [12] A respeito de Portugal. raramente se dedicando a objetos exteriores.) advogados de profissão foram em sua maioria os membros da Convenção de Filadélfia”.. apesar de todas as prevenções do puritanismo contra os legistas. na tradicional Universidade de Coimbra. como uma carreira a ser seguida. procurava nova sede e a encontrou nas plagas lusas. inclusive. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC entrementes. Avessos à morosidade. e não um fim. Nesse sentido. os médicos. Ao poema. professores. serve ao culto da personalidade. no Brasil. vocativo do poeta. afirma Sérgio Buarque de Holanda: “ainda hoje são raros. por serem um acidente ao indivíduo. que à lei do Senhor pareciam querer sobrepor as simples leis humanas. à monotonia. no curso de medicina. degringolando o horror ao fatigante. à Independência: “poucas terras.

nem o Público. Enfarinhados unicamente em quatro petas de Direito Romano. nem Comércio. o de “Os donos do poder”. premiado em 1959 pela Academia Brasileira de Letras por sua primeira versão de “Os donos do poder”. a torto e a direito. Que os Canonistas saem daqui com o cérebro entumecido (sic) com tanto Direito de Graciano.PAZELLO. em prol da manutenção das fronteiras. encontra-se como base a obra de Raymundo Faoro. vale a pena a citação por sua ferina graça. tendo sido.2. onde reina a desordem. nem Política. a vaidade e a indisposição de jamais saberem. pode-se situar a problemática do pensamento político brasileiro. 2. todavia. nada útil. dando ao Papa. Em rápidas linhas. sem método. nem o das Gentes. engolindo. poderes que lhe não competem por título nenhum e desbulhando os Reis dos que por Direito da Monarquia lhes são devidos. Primeiramente. com alguns verdadeiros. Já não mais um autor da clássica tríade. Ricardo Prestes. A voz dos donos e os donos do poder Na outra ponta da lança. e acrescenta só que é melhor morar em uma casa vazia do que em uma cheia de trastes velhos e desconcertados. finalmente. o qual perpassa o tema do bacharelismo. imensos Cânones apócrifos. a confusão e a imundície”. Não à-toa a existência de movimentos separatistas por todo o período colonial desembocar numa pacificação. Com estes não te abras mais. O 9 / 33 . o de “Existe um pensamento político brasileiro?”. não sabem nem o Direito Pátrio. Faoro possibilitará a ponte para se pensar o invólucro sócio-histórico brasileiro. sem crítica. [13] Apesar de longa. em seguida. Do legado português. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC “dize somente que o fruto que daqui levam os legistas é a pedanteria. ter-se-ía constituído uma forma bastante própria de se pensar o nacional: a partir do estado. na versão de Faoro.

de um país como Nação. e a conseqüente abertura dos portos. Reduzindo um tanto a problematização de Faoro em “Existe um pensamento político brasileiro?”. estamental e virtualmente de classe. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC estado. 10 / 33 . [14] Com a chegada da família real. ente além-continental. sem que se possa configurar uma situação revolucionária. pode-se encontrá-la no cerne do que ele chamou de “duas rotas”. (. muito afeitas ao modo escravista de produção. concernente às elites. No entanto.. ter espoliado o negro de sua terra. Os interesses econômicos suspendem-se e falam mais alto. Ricardo Prestes. entretanto. pela ausência de projeto”. O próprio período imperial revelaria isso. Trata-se do liberalismo ante uma possível visão democrática. As circunstâncias – a dissolução do sistema colonial – teriam configurado as bases de uma consciência histórica. a causa liberal se desliga da nacional. “O elemento nacional compõe a corrente emancipacionista. Não se trataria de democracia e sim de burocracia. a não bastar ter destroçado os habitantes originais de nosso território. a despeito de economicamente manter-se o país agrilhoado aos grandes centros europeus. vinculou uma forma burocratizada de se pensar a nação. com um projeto – apenas como projeto – nacional.) O elemento nacional está no sentido certo: não se trata de um pensamento nacional. com as incursões de Duque de Caxias para a manutenção das bordas brasileiras. A estrutura colonial totalmente abalada faria surgir um estado com propensões ao absolutismo. diga-se de passagem. em 1808. preso à crise colonial.PAZELLO. pelo menos no seu momento inicial. larvarmente nativista. a conclusão a que se poderia chegar é a de que o liberalismo foi muito mais uma tática para o absolutismo do que uma transição para o modelo que hoje se conhece como social-democrata. mas como núcleos não homogêneos. mas com um liberalismo de fachada. Por fim.. a emancipação política teria de ser corolário lógico.

O ciclo se fecha: o absolutismo reformista assume. o absolutismo mascarado de D. serve à burocracia: “o bacharel. João VI e de D. mas são seu filho legítimo. A escola. teóricos e metafísicos”. com o rótulo. Os liberais do ciclo emancipador foram banidos da história das liberdades. O estado é maior que a nação. percebe-se que em sua visão aplaina o estado brasileiro uma camada político-social: o estamento burocrático. O sistema prepara escolas para gerar letrados e bacharéis. Por mais meta-discursiva que se apresente a argumentação – ao se tratar de um pensamento brasileiro que pensou o pensamento brasileiro – enfrenta-se o risco das redundâncias para chegar. não criam a ordem social e política. oficial. o pré-empregado. necessários à burocracia. particularmente na Carta outorgada de 1824. o pré-juiz. O constitucionalismo. O povo só o pode ver quando de circunstanciais eleições e quotidianos impostos.PAZELLO. [16] 11 / 33 . o pré-promotor. o liberalismo vigente. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC “A ossificação do modelo liberal. por sua vez. o qual. senador e ministro. em nome do liberalismo. mostra-se interessante resgatar tais visões. soldado ao liberalismo restaurados. [15] Apesar de não ser essa a temática do trabalho. Pedro I. regulando a educação de acordo com suas exigências sociais”. Ricardo Prestes. desclassificou todas as concepções liberais autenticamente liberais. de quiméricos. para que as épocas das quais se trata não se esvaiam em inconcretudes diversas. seguiu rumo específico. pela voz de seus intérpretes. as de “Os donos do poder”. de extremados. ao escopo maior da compreensão histórico-jurídica do bacharelismo. desqualificou os liberais. qualificados de exaltados. que se apresentou como o sinônimo do liberalismo. Adentrando em outras sendas faorianas. a véspera do deputado. com suficiente arcabouço.

Gladstone e Disraeli bem decorada. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Segundo Faoro. ridículos. hábeis no latim. a matéria-prima do parlamento. fascinados pelos argumentos de Guizot e Thiers. educados. Continua Faoro.  Assim. com a perspectiva neoliberal que lhe subjaz. bem falantes. demonstrando que o serviço público é a caça maior do bacharel. Falta-lhes a voz áspera. “o caminho da nobilitação passava pela escola. atentos às novidades das livrarias de Paris e Londres. os jesuítas. [17] A longa descrição tem seu sentido. Ricardo Prestes.PAZELLO. o qual significa aparelhamento para expansão e sustentação da aristocracia 12 / 33 . chave do governo e da administração. Vistos à distância do tempo os bacharéis de outrora parecem. a carruagem do estamento burocrático. argutos para o sofisma. com os “bacharéis” de outrora. pelos casarões dos jesuítas. sim. São Paulo e Recife. Olhados à distância terão o ar ridículo dos velhos retratos. Mostra o autor uma caricatura que ficaria para a posteridade. com a frase de Pitt. mais homens. regurgitando profusamente a “doutrina” européia mais em moda. o tom rude. polidos. Educação inútil para a agricultura. num processo de valorização social decorrente do prestígio do mando político. menos obedientes ao estilo europeu. em dia com os financistas europeus. a energia nativa dos colonos norte-americanos e dos políticos platinos. talvez nociva ao infundir ao titular o desdém pela enxada e pelas mãos sujas da terra. um patronato. Os jovens retóricos. pela solene Coimbra ou pelos acanhados edifícios de Olinda. mas não menos ridículos apresentam-se os que se “bacharelizaram” hodiernamente. por via dele. Destarte. O alvo seria o emprego e. com os versos finos dedicados a musas e damas mal alfabetizadas. menos artistas e mais dotados do encanto poético”. fazem. tímidos na imaginação criadora e vergados ao peso das lições sem crítica. prontos a dar seu tom cultista e conceptista a sua catequese. bem vestidos. mas adequadas ao cargo. desde colonização isto já se dera.

dentro do contexto do que se denominou “pensamento brasileiro”. E por quê? Porque o sistema não lhe permite a participação. afiguram-se referidos autores como o conjunto embasador de uma interpretação própria. analisam a questão do bacharelismo sob uma angulação que tende a desvalorizar o ensino jurídico nacional. a partir da que buscaremos re-conceituar. em seus primeiros arroubos institucionais. enfim. na compra das graças. já esboçada nas perspectivas de Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro. impedido. sente que o estado não é ele. de 1988. Os cofres públicos devem estar cheios para servir aos interesses pessoais. na câmara eleita. decretando-se um inexpugnável círculo vicioso. definir de modo mais sereno o que se quer dizer com o fenômeno do bacharelismo tupiniquim. É por isso que se trará à discussão opinião diversa. “Das arcadas ao bacharelismo”. uma interpretação do Brasil. como fontes indispensáveis desta análise os livros de Alberto Venâncio Filho. Este é. seu conteúdo é patrimonialista. o povo. em especial o discutido da década de 1970 para cá. a forma estamental. assim. com proficiência. O bacharelismo: entre o fetiche e o estereótipo A partir de agora. O povo. soando como contraponto a uma tal perspectiva. pois a elite diz não ter o povo capacidade de autogovernar-se ou governar-se democraticamente. 13 / 33 . uma confraria de pedintes. a partir do qual se visualizará a temática do bacharelismo. inibido. e de Sérgio Adorno.PAZELLO. Ricardo Prestes. ou melhor – para fugirmos da pedanteria que envolve uma conceituação deste porte –. é claro. preconceitução da qual se pretende afastar. “Os aprendizes do poder”. o objetivo será o de enveredar-se pelos caminhos que se fizeram ao longo da discussão do bacharelismo [19] jurídico brasileiro. o comando. A despeito de imperar em suas perspectivas tom um tanto quanto negativista e caricaturizador da figura do bacharel. de 1977. 3. na qual o “poder é o poder. como Jeová é o que é” [18] . Ambos. Aristocracia burocratizada. Sendo. tendo em vista os lineamentos previamente estipulados. o panorama que se nos apresenta. Constituem-se. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC nacional. No senado vitalício. bem como de sua adoção como pressuposto metodológico. então.

na literatura. [20] Assim sendo. sociais. Fagundes Varela. a política. foram os seus problemas: desde as instalações até os quadros docente e discente. a música e os novos ideários permeavam-lhes o quotidiano. é preciso filiar-se ao entendimento que considera o fenômeno jurídico brasileiro como “o conjunto de padrões e significados que circulavam e prevaleciam nas instituições jurídicas brasileiras do Império (faculdades. o teatro. objetar pela índole imitadora do direito brasileiro em sua história não pode representar a desfaçatez de esquecê-la e dizer que história jurídica só há no prelo do direito europeu continental ou insular. porém. entre outros. por assim dizer. soa incompatível uma análise que procure desqualificar o pensamento jurídico brasileiro por sua índole macaqueadora que. A cultura jurídica brasileira é um fato histórico antropológico que se dá a partir dos elementos (humanos. tais como Álvares de Azevedo. de Recife. a qual não deixa de ser menos população brasileira por conta do importacionismo jurídico daqueles tempos. Em especial. as sociedades secretas. que fez parir das mais importantes personagens das letras nacionais. Muitos. Castro Alves. o foro. Tobias Barreto.PAZELLO. A vida acadêmica dos estudantes teria servido grandemente como ante-sala para o parlamento.) presentes na sociedade brasileira desta época e dentro de aparatos institucionais localizáveis dentro das vicissitudes históricas brasileiras”. afigura-se como fato histórico digno de reflexão. etc. genético do que hoje se proclama no âmbito das letras jurídicas nacionais. tanto por ser constituinte. Partindo-se de Alberto Venâncio Filho. O jornalismo. tem-se a influência enorme do Romantismo. posteriormente. José de Alencar. e. porém. em alguns casos. Ricardo Prestes. É interessante a este respeito mencionar a 14 / 33 . quanto por ter possuído influência sobre a população brasileira da época imperial. mesmo que assim se apresente. no parlamento). econômicos. doutrinais. Desse modo. institutos profissionais de advogados e magistrados. tem-se que o Império do Brasil só conheceu duas faculdades de direito: a de São Paulo e a de Olinda. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Em primeiro lugar. e que atribuíam uma tipicidade ao direito brasileiro. a literatura.

cultural por excelência para aqueles jovens recém-saídos do lar paterno. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC “predestinação que levou mais tarde a Faculdade de Direito de São Paulo a inscrever no frontispício de suas arcadas não o nome de três jurisconsultos. tinha como temática contínua de sua poesia a boemia. Como o Papa Alexandre ou como um Turco. o que demonstra que o novo clima. que o papel da literatura foi fulcral para a formação do bacharel à época do Império. Castro Alves e Fagundes Varela. Ricardo Prestes. Faço o quilo. envolvia-lhes numa nova atmosfera. da qual a pueril ciência do direito tupiniquim não dava conta: “PUFF Ceei à farta Na taverna do Sapo e das Três-Cobras. 15 / 33 .PAZELLO. [21] Pode-se observar. É também uma singular coincidência que nenhum dos três poetas consiga completar o curso jurídico. poeta paradigmático do mal-do-século. mas o nome de três poetas: Álvares de Azevedo. Me entrego ao far niente e bem a gosto Descanso na calçada imaginando. Álvares de Azevedo. O primeiro dos três nomes inscritos nas arcadas de São Francisco. ao repouso me abandono. talvez o maior baironiano brasileiro. morrendo com os estudos ainda incompletos”. inclusive.

Ricardo Prestes. Na minha mente Fermenta um mundo novo que desperta.. Hei de escrevê-lo. Puff: eu sinto no meu crânio Como em seio de mãe um feto vivo. Os bons poetas Para ser imortais beberam muito. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC NÍNI Embalde quis dormir. Escuta.PAZELLO..” [22] 16 / 33 . Quanto a mim tenho fé que a poesia Dorme dentro do vinho. É certa a glória minha! PUFF A idéia é boa: Toma dez bebedeiras – são dez cantos. Os poetas passados e futuros Vou todos ofuscar. Na minha insônia vela o pensamento. Aqui no cérebro Tenho um grande poema.

conhecido pelo seu tristíssimo “Cântico do Calvário”. Nini formosa! por que assim fugiste? Embalde o tempo à tua espera conto. demonstra satiricamente seu descontentamento pelo conhecimento manualesco.” [23] Outro gênio literário da época.. Ricardo Prestes. também poeta romântico. com relação ao jornalismo.) Pego o compêndio. inquietações tamanhas. A passos largos eu percorro a sala Fumo um cigarro.. inspiração sublime P'ra adormecer... sendo cognominado de “O Poeta dos Escravos”. Densa garoa faz fumar a lua.. Tudo no quarto de Nini me fala Embalde fumo... O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Por seu turno. de aranhas.. e seu deslumbre pela vida boêmia na qual eram inseridos os estudantes da faculdade de direito: ”Que noite fria! Na deserta rua Tremem de medo os lampiões sombrios. Fagundes Varela.. mas já da geração conhecida pela grandiloqüência condoreirista e pelo engajamento político. que filei na escola . [24] Declamava o poeta. o que já denota uma forma de ensino. em louvor a seu filho morto em tragédia pessoal.... (. Meu coração é triste Como um calouro quando leva ponto . Castro Alves.PAZELLO. atividade a qual é sobejamente citada pelos intérpretes do bacharelismo como das funções que mais formavam o estudante de direito.. Violei à noite o domicílio . também pode bem demonstrar os afazeres múltiplos da época. não vês?.. devido a sua luta abolicionista.. Não vês. em ode à imprensa: 17 / 33 . tudo aqui me amola . Ladram de tédio vinte cães vadios... ó crime! Onde dormia uma nação..

Combates no terreno da verdade. Não derramas o sangue nas pelejas.. não manejas A pesada espingarda.) Respeitam-te as nações. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC “Não impunhas a espada. (.PAZELLO.. Ricardo Prestes. Mas então peito a peito. o povo opresso 18 / 33 . Não vestes uma farda. Plantas o pavilhão da liberdade Nas raias do direito.

De quanto sente e pensa! Da humanidade eterna consciência.) Protetora do gênio e da ciência.PAZELLO. Filha de Gutemberg! Se os mandões o erro e a cobiça Procuram te abafar. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC A ti os olhos ergue.. 19 / 33 . Triunfas sem lutar! (. Ergues o gládio heróico da justiça.. Ricardo Prestes. Santa imagem da glória e do progresso.

PAZELLO. Tobias Barreto foi das maiores figuras do direito pátrio. De cariz liberal. assevera que inconsistências há. um dos ícones da prosa romântica brasileira. na qual discorre o autor de “O Guarani” acerca dos direitos reais em geral. De balde tenta ella assumir alguma vez a eminencia que lhe compete. intitulada “A Propriedade”. não o conseguirá emquanto tiver a base de argilla como a estatua de Minos”. uma entrada de novos ares e. libertada do exclusivismo da cultura portuguesa”. inúmeras. sobretudo. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Salve. nas demasiadas classificações e ficções jurídicas. Contra o positivismo e o evolucionismo spenceriano. [27] Abertura esta. [26] Nome que não pode restar esquecido é o de Tobias Barreto. ele praticamente inicia uma tradição filosófica que dá vazão a “uma abertura de horizontes. divina Imprensa!” [25] Ainda na seara dos grandes nomes da literatura nacional. a atualização da cultura do país com as grandes correntes do pensamento moderno. Ahi forçada pela força irresistivel da verdade. mas nem por isso deixa de possuir um tom inegavelmente literário. parece impossível não mencionar José de Alencar. após discorrer longamente sobre a divisão entre direitos reais e obrigacionais (matéria mui pertinente até hoje entre os civilistas). Em uma das passagens. Deveras interessante é uma de suas obras jurídicas. 20 / 33 . Ricardo Prestes. É um manual. compellida pelos interesses rebeldes que á sombra della se foram gerando é arrastada á um dedalo inextricavel de contradicções e absurdos onde se perdem os mais vigorosos e possantes engenhos. mas que teve sua formação em direito e boa parte de sua vida dedicada à política. “Nessa escala vai a lei civil e a sciencia descendo de degráo em degráo até a extrema baixeza.

separar o conhecimento do jurista do século XIX do conteúdo de oralidade de que ele se revestia. que seria rídicula. cujo ligeiro esboço acabo de fazer. [30] 21 / 33 . Enfim. enfim.. que constituía a própria identidade do homem das letras jurídicas do século XIX. por isso. em que o entusiasmo também tem o direito de resolver questões. perdendo de vista que a cultura jurídica no século XIX tinha outro matiz”. Igualmente não parece adequado o procedimento de Adorno em separar o saber do jurista deste período do saber literário e retórico (sobretudo da cultura clássica). sem porém ter se esvaído sua concepção originária. “não parece um procedimento adequado. conforme a crítica a Sérgio Adorno . não parece adequado separar a prática do jurista da sua atividade política e jornalística. E há momento. de pronto. de vir levantar um dique de resistência contra a corrente de tantos males.. Para demonstrar sua insatisfação com as condições sociais brasileiras. já disse com razão alguém. que. Adorno parece buscar no século XIX algo que lá não existe: um cientista do direito. procurando-se. sendo que a Escola do Recife. de despertar-lhe a indignação contra os opressores e o entusiasmo pelos oprimidos. obviamente em vão. [28] tentou fundar um Clube Popular cujo destino foi ter fracassado. também foi ironicamente chamada de Escola teuto-sergipana ou Escola de Tobias. condicionada à demasiada influência alemã. há momentos. imerso numa academia com padrões germânicos.” [29] Percebe-se. Tudo isso formava uma unidade. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC porém. Ricardo Prestes. não nutre a pretensão. a ‘produção de conhecimento’ do jurista como se ele fosse um cientista acadêmico do século XX. como ficou conhecido seu movimento. como se relata a seguir: “O Clube Popular Escadense . mas tem o intuito de incutir no povo desta localidade um mais vivo sentimento do seu valor.PAZELLO. meus senhores. como também.

criteriosamente profissionalizado para concretizar o funcionamento e o controle do aparato administrativo. entendida e valorada desta ou daquela forma. Significativo é. e habilmente convencido senão da legitimidade. Nesse contexto político-cultural. legado lusitano e dos áridos tempos coloniais. [31] Percorra-se. então. passa o autor a discorrer acerca da fundação dos cursos jurídicos. uma vez busca demonstrar que “a cultura jurídica no Império produziu um tipo específico de intelectual: politicamente disciplinado conforme os fundamentos ideológicos do Estado. pouco afeito à democracia e muito mais ligado a um aristocratismo. Ricardo Prestes. O terceiro momento porém do desenvolvimento de seu pensamento apresenta-se como o mais interessante aqui.PAZELLO. pelo menos da legalidade da forma de governo instaurada. a Academia de São Paulo constitui-se no espaço par excellence do bacharelismo liberal”. em consonância com a construção do Estado Nacional. consistente a idéia de que a interpretação do bacharelismo não deva passar pelo restritivo veio da consideração de uma “melhor cultura jurídica”. ressaltar o subtítulo de seu livro ora analisado: “O bacharelismo liberal na política brasileira”. em breves linhas. [32] 22 / 33 . pois. pois esta é diferente da “cultura jurídica”. sua discussão em parlamento já independente e pós-constituição de 1824. o caminho tomado por Sérgio Adorno ao analisar a questão do bacharelismo. Num segundo momento. Parte o referido autor da contradição originária – aquela já esboçada a partir de Raymundo Faoro – entre o liberalismo e a democracia. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Aparenta-se. Parece ser escopo próprio de sua reflexão a tentativa de mostrar que a elite dos quadros estatais formados pelas faculdades imperiais de direito estava atrelada a uma forma própria de pensar. o pensamento liberal.

a partir de 1856. egressos da Academia de Direito de São Paulo. Ricardo Prestes. Chama-se. aqui. como o quer Ricardo Marcelo Fonseca: 23 / 33 . a estar associada à iniciação em outras carreiras. não só aqui mas sempre que tal profissional desempenhe papel salutar. são exemplos pensamentos como este: “Paradoxalmente. não foram – nenhum deles – membros do corpo docente desse estabelecimento de ensino.. numa imputação meramente palavresca do profissional do direito. acadêmico que egressaria da faculdade e apto estaria para as funções causídicas. enquanto prática acadêmica.) A titulação de doutor passa.. introduzindo-o na idéia de bacharel. uma vez que sua não explicitação pode fazer cair em erros recorrentes na explicação da prática pedagógica do direito. tinha outro significado simbólico. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Daí por diante incorrerá o texto numa conceituação confusa do que seja o ensino jurídico. [34] No entanto. estando muito mais associada ao processo de apropriação de prestígio de fomento pelas elites políticas. Essa observação sugere não apenas a pouca importância conferida à docência universitária quanto ao fato de que a titulação. outros grandes jurisconsultos que o Império conheceu. de discurso estereotipado do bacharelismo a prática de sua visualização em desconformidade com o seu contexto histórico.PAZELLO. que não o aprimoramento intelectual de futuros professores. não se faz uma tal ressalva para consignar que à época imperial existia sim um ensino acadêmico intramuros capaz de habilitar o jurista. [33] Assim. como se isso não constituísse seu próprio quefazer. durante quase todo o curso da sociedade brasileira sob a vigência do regime monárquico”. Revela-se pouco apropriada (para não dizer acientífica) a qualificação que Adorno buscou dar ao profissional do direito no Império. (.

é ao jornalismo que deve ser imputada a responsabilidade pela formação jurídico-política e. trazer à luz é o fato. em quem se pode entender que a “fascinação pelo cidadão bem falante conduziu à desgraça (e à graça) algumas carreiras de políticos e professores – e gerou o triunfo do bacharel. Nomes como Tobias Barreto. [35] De fato. isto sim. entretanto. Francisco Paula Batista. não puramente “jurídicas”. Assim sendo. [36] O que não se perfilha. indubitavelmente foram responsáveis pela circulação de idéias jurídicas (embora não só) que marcaram a atuação das faculdades de direito em suas épocas. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC “sobretudo a partir da segunda metade do século os testemunhos são eloqüentes quanto à existência de alguns grandes mestres nas academias. não é disso que se está a tratar. teve marcado significado no processo de homogeneização da elite”. demonstrando também seu azo no que concerne ao que distinguimos como interpretação crítica do fetiche do bacharel – ou seja. realmente. 24 / 33 . Ricardo Prestes. ou melhor. No entanto. que marcaram as gerações subseqüentes. ainda que mitigadas pelo aparelhamento da burocracia imperial. porém. constituíam quase que as únicas instituições de ensino superior no Brasil da época e as únicas faculdades de direito – fossem absolutamente desconsiderados pelo corpo discente que estaria mais preocupado em atividades políticas e jornalísticas”. precário e que a assertiva de Sérgio Adorno não está de todo equivocada: “nesse sentido. a de um jurista versado em método interdisciplinar de ensino. Ah. feita por Roberto Gomes. é de se lembrar. quase que radicalizando: como estudantes de direito – e com isso assumindo todas as conseqüências que as paixões de quem está por dentro de parcela desta história do ensino jurídico nacional provocam – deve-se lobrigar na figura do bacharel não a de um notável jurisconsulto. tenta-se ir um pouco além. O que se quer evidenciar. [37] Contundente e aceitável também é a crítica à razão ornamental. nessa condição. Aprígio Guimarães no Recife e em Olinda e Duarte de Azevedo e João Monteiro em São Paulo. de que o conceito de bacharel abarca atividades adjacentes. Não se quer dizer que houve um ensino jurídico que qualificou o bacharel e por isso a visão do fenômeno bacharelístico estaria mitigada. Não seria crível que estes (entre vários outros) professores da faculdade de direito – que. sua postura ideológica. se pode perceber que ao lado da razão ornamental há as profissões sendo exercidas.PAZELLO. questão muito própria daquele momento histórico. parece que o ensino jurídico no Império foi. é que isto tenha sido o único fator de formação acadêmico-jurídica. as delícias da Razão Ornamental!” [38] Nesta crítica. tampouco.

a não ser escravo dos dogmatismos e atuar com um quê de liberdade em sua sociedade. que pode ser encontrada até nos dias presentes. pouco aprende sobre a prática jurídica nos bancos escolares. AZEVEDO. profissional do direito. Ricardo Prestes. 2004. Sérgio.PAZELLO. No entanto. A cultura brasileira : introdução ao estudo da cultura no Brasil. 1957. Fontes bibliográficas ADORNO. vê-se nisso um pouco da necessária formação humanista. pois “a presença do bacharel em Direito é uma constante na vida brasileira”. 25 / 33 . sim. 1883). Rio de Janeiro: Tecnoprint. Poesias Completas de Castro Alves . Poesias Completas . d. s. A Propriedade . pois. 4 ed. Brasília: Senado Federal. Garnier. 4. José de. Fernando. Rio de Janeiro: Paz e Terra. L. não se apreende o conhecimento estritamente jurídico no quotidiano do ensino superior em direito. Castro. AZEVEDO. e não só mendigar cargos públicos. (Edição fac-símile de Rio de Janeiro: B. o bacharel é formado na altura das abstrações e. Álvares de. ALENCAR. Os aprendizes do poder : o bacharelismo liberal na política brasileira. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Pode-se. ALVES. 1998. em geral. [39] De fato. como faziam os antigos bacharéis. que amanhã pretenderá transformar a torpe realidade social que o rodeia e que em parte ajuda a conservar. denotar de toda esta incursão pelo mundo do bacharelismo brasileiro que. São Paulo: Saraiva. mas é isto que qualifica o jurista.

Porto Alegre: Globo. 26 ed.e aum. Os juristas e a cultura jurídica brasileira na segunda metade do século XIX. Existe um pensamento político brasileiro? São Paulo: Ática. Quaderni fiorentini per la storia del pensiero giuridico moderno . 2 ed. 339-369. Um discurso em mangas de camisa. Pedro. Raymundo. In: _____. p. 1977. FONSECA. 173-184. 1994. Tobias. 2 ed. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Brasília: UnB. São Paulo: USP. Enrique Domingo. Ricardo Marcelo. p. DUSSEL. 1975. p. Alves. Sérgio Buarque. 1.PAZELLO. rev. Tradução de Ephraim F. Rio de Janeiro: Padma. v. São Paulo: Companhia das Letras. 1963. 2002. p. Madrid: Universidad Carlos III de Madrid. Jaime A. CÂNDIDO. 2 ed. Petrópolis: Vozes. Brasília: INL. _____. 8. O significado de “Raízes do Brasil”. 9-21. _____. Clasen e Lúcia M. vol. E. Antônio. 97-116. In: HOLANDA. Literatura Jurídica no Império . 26 / 33 . Ética da Libertação na idade da globalização e da exclusão . FAORO. A Questão do Poder Moderador e outros ensaios brasileiros . 2006. Orth. BARRETO. 1995. 2004. Raíze s do Brasil . 35. Cuadernos del Instituto Antonio de Nebrija . DUTRA. Editorial Dykinson. Ricardo Prestes. A formação da cultura jurídica nacional e os cursos jurídicos no Brasil: uma análise preliminar (1854-1879) . vol. Os donos do poder : formação do patronato político brasileiro. 2005. Petrópolis: Vozes.

São Paulo: Perspectiva. 2004. Instituições e pluralismo na formação do direito brasileiro. 27 / 33 . História geral da civilização brasileira . 1957. Américo Jacobina. In: HOLANDA. 2. Sério Buarque (org. Sérgio Buarque. Teoria do direito e do estado . WOLKMER. VARELA. 1999. SCHWARCZ. Lilia Moritz. 2000. Reino da Estupidez . Pedro II. GOMES. Caio. Formação do Brasil Contemporâneo : colônia. 85-121.). In: ROCHA. um monarca dos trópicos. 1979. Antonio Carlos. 2 ed. Raízes do Brasil . Ricardo Prestes. Alberto.PAZELLO. História da propriedade e outros ensaios . 2 ed. São Paulo: Giordano. 1995. Leonel Severo (org. 2006.). Publifolha. 26 ed. São Paulo: Brasiliense. 1995. In: _____. Crítica da Razão Tupiniquim . A formação do jurista e a exigência de uma reflexão epistemológica inovadora. vol. Tradução de Luiz Ernani Fritoli e Ricardo Marcelo Fonseca. PRADO JUNIOR. Poesias Completas de Fagundes Varela . São Paulo: Companhia das Letras. vol. VENÂNCIO FILHO. GROSSI. Porto Alegre: Movimento/ URGS. Rio de Janeiro: Renovar. São Paulo: Companhia Editora Nacional. Fagundes. HOLANDA. Paolo. 3. As barbas do imperador : D. Das Arcadas do Bacharelismo . 1982. 3 ed. Roberto. Francisco Melo. São Paulo: Companhia das Letras. LACOMBE. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC FRANCO. A cultura jurídica. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. p.

Tradução de Ephraim F. [2] WOLKMER. Jaime A. Tradução de Luiz Ernani Fritoli e Ricardo Marcelo Fonseca. 57. Orth. Publifolha. 1994. Em: _____. de forma que “o acontecimento fundante”. Teoria do direito e do estado. [1] PRADO JUNIOR. In: ROCHA. História da propriedade e outros ensaios. 2006. Ética da Libertação na idade da globalização e da exclusão. Enrique Domingo. p. Alves. 16. Leonel Severo (org. p. [3] A este respeito. 28 / 33 . E. inaugura-se a primeira “hegemonia mundial”. Paolo. 2000. 99.). “foi o descobrimento da Ameríndia em 1492”. 2002. [4] GROSSI. ao se conquistar o que hoje se chama América. 7. p. 1994. São Paulo: Brasiliense. p. 9-16. Formação do Brasil Contemporâneo: colônia. A formação do jurista e a exigência de uma reflexão epistemológica inovadora. Rio de Janeiro: Renovar. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor.PAZELLO. Enrique Dussel justapõe que. 2 ed. para a origem da modernidade. Caio. Antonio Carlos. Ricardo Prestes. Clasen e Lúcia M. Petrópolis: Vozes. DUSSEL. p. Instituições e pluralismo na formação do direito brasileiro. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor.

1995. É manifestação de alguns traços básicos de nosso caráter intelectual e de nossa condição política. Porto Alegre: Movimento/ URGS. Roberto Gomes se referiu ao ecletismo como não só “entre-nós apenas um movimento. Em: HOLANDA. p. creio que no ecletismo tenhamos revelado muito mais do que normalmente se supõe. São Paulo: Companhia das Letras. Sérgio Buarque. Pedro II.. Pedro II. Sérgio Buarque. ainda encontradiço. 165. 9. Raízes do Brasil . Pedro II. que por sua vez é produto da dependência cultural que até hoje perdura. GOMES. [8] HOLANDA. assíduo correspondente e sócio de várias instituições internacionais mesmo antes de sair do país. para ele. um monarca dos trópicos. mudar os espíritos.PAZELLO. mineralogia e geologia faziam parte do elenco de paixões de d. 150. 29 / 33 . astronomia. [6] Mais contemporaneamente. Produto direito da indiferenciação intelectual brasileira. As barbas do imperador : D.. [7] “D. ou o simples reflexo de uma determinada situação política e social. Roberto. Raízes do Brasil.. um museu. d. Pedro II tinha junto ao trono uma biblioteca. 1995 . Crítica da Razão Tupiniquim .) Poliglota. 32-33. 26 ed. (. e continua vivo. prezado e vigente entre-nós. 26 ed. 1999 . e a palavra progresso. p. o primeiro a se estruturar. além de um laboratório e seu famoso observatório astronômico”. 1979.. p. Antônio.) Antes de mudar as estruturas econômicas parecia mais urgente. Pedro era dado a novidades. 2 ed. vinculava-se à ciência e ao intelecto. gostava de estudar línguas e ciências exóticas. e nesses sentido o imperador nunca escondeu quão enfadonha lhe parecia a política. 3 ed.. Ricardo Prestes.. para d. (. (. Línguas. Lilia Moritz. O significado de “Raízes do Brasil”. São Paulo: Companhia das Letras. p.) Compõe o que chamo de um mito brasileiro: o espírito da imparcialidade”. SCHWARCZ. São Paulo: Companhia das Letras. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC [5] CÂNDIDO.

durante o Segundo Reinado. Raízes do Brasil. Existe um pensamento político brasileiro? São Paulo: Ática. R. [12] HOLANDA. B. S. 388. [13] FRANCO. São Paulo: Giordano. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC [9] HOLANDA. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. além de uma qualificação.e aum. 389. S. p. [18] FAORO. S. 49. [14] FAORO. p.PAZELLO. 157. B. 391. R. p. [15] FAORO. B. Os donos do poder. aos poucos transformou-se em um termo que carregava. Francisco Melo. Raízes do Brasil. Raízes do Brasil. p. de. 156. p. 156. [17] FAORO. São Paulo: USP. 82-83. 1995. 2 ed. Os donos do poder. p. Na prática o bacharel era alguém com 30 / 33 . p. [10] HOLANDA. apesar de ela ser a mais significativa: “bacharel. 53. rev. Ricardo Prestes. 1994. 1975. R. de. de. R. vol. de. Raymundo. não se reduz à formação em direito. [11] HOLANDA. B. Raízes do Brasil. Reino da Estupidez. Existe um pensamento político brasileiro? p. [16] FAORO. p. p. [19] Há de se ressalvar que o bacharelismo. como se pode observar em Sérgio Buarque de Holanda. um capital simbólico fundamental. 157. Porto Alegre: Globo. S. 1.

Poesias Completas. s. para quem “o jornalismo foi tanto o espaço que possibilitou a inserção do acadêmico/bacharel em loci diversos daqueles exclusivamente ditados pela ciência do Direito. L. Rio de Janeiro: Tecnoprint. Os aprendizes do poder : o bacharelismo liberal na política brasileira. v. Sérgio. Castro. seja na sua feição política. Rio de Janeiro: Paz e Terra. A. quanto o espaço destinado à criação de uma intelligentzia . Castro. transformou-se em guardiã da ordem pública e em tribuna livre para a defesa de direitos civis e políticos”. 182. 341 (grifamos). [22] AZEVEDO. SCHWARCZ. 142. 2006. Similar é o posicionamento de Adorno. [21] VENÂNCIO FILHO. essa imprensa. [23] ALVES. p. Quaderni fiorentini per la storia del pensiero giuridico moderno. pouco a pouco. parlamentares. da qual se recrutaram os intelectuais da sociedade brasileira oitocentista – administradores públicos. 35. burocratas. M. AZEVEDO. [24] Venâncio Filho ressalta que “o jornalismo acadêmico. Alberto. Canção do Boêmio. p. d. 1998. 1982 . 1957. 31 / 33 . 144 e nota 117. ALVES. 2 ed. Todavia.PAZELLO. p. p. magistrados. Álvares de. Boêmios (ato de uma comédia não escrita). São Paulo: Perspectiva. Das Arcadas do Bacharelismo. In: _____. Álvares. despertou sempre o maior interesse entre os estudantes dos cursos jurídicos”. Os juristas e a cultura jurídica brasileira na segunda metade do século XIX. [20] FONSECA. 136. professores. São Paulo: Saraiva. homens de letras. 163. As barbas do imperador. Ricardo Marcelo. jovens formados em matemática ou letras também podiam portar o título e disputar as cada vez mais escassas vagas de emprego público”. ADORNO. Ricardo Prestes. Das arcadas ao bacharelismo. 119. Poesias Completas de Castro Alves . p. p. VENÂNCIO FILHO. seja na sua feição literária. Originalmente concebida como porta-voz do acadêmico. p. In: _____. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC diploma em direito – dentro ou fora do país.

8. Poesias Completas de Fagundes Varela . [31] Para tanto. VARELA. 363. In: _____. (Edição fac-símile de Rio de Janeiro: B. São Paulo: Companhia Editora Nacional. 299. 95. A Propriedade. p. Ricardo Prestes.. M. p. p. A. 91. p. 2004. p. [29] BARRETO. S. p. Fernando. 114. letras e profissões. Um discurso em mangas de camisa. Petrópolis: Vozes. 1883). Brasília: INL. 1963. [26] ALENCAR. p. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC [25] VARELA. A Questão do Poder Moderador e outros ensaios brasileiros . In: _____. 371-372. [27] VENÂNCIO FILHO. 2. [32] ADORNO. A Imprensa. 1977. vol. Garnier.PAZELLO. R. Madrid: Universidad Carlos III de Madrid. assegura que o bacharelismo teve por intuito criar a “preponderância que teve o jurídico sobre o econômico. Fagundes. vol. Os aprendizes do poder. vide FONSECA. que dedica várias páginas ao tratamento da cultura nacional e seus desdobramentos nas ciências. A formação da cultura jurídica nacional e os cursos jurídicos no Brasil: uma análise preliminar (1854-1879). 32 / 33 . Das arcadas ao bacharelismo. Brasília: Senado Federal. Editorial Dykinson. 1957. Tobias. Brasília: UnB. Cuadernos del Instituto Antonio de Nebrija . p. o cuidado de dar à sociedade uma estrutura jurídica e política sobre a preocupação de enfrentar e resolver os seus problemas técnicos”. L. A cultura brasileira: introdução ao estudo da cultura no Brasil. 2005. R. M. Fernando Azevedo. 184. [28] A este respeito. José de. 4 ed. Os juristas e a cultura jurídica brasileira na segunda metade do século XIX. Fagundes. 44 (conservamos a grafia original da edição fac-símile). [30] FONSECA. AZEVEDO.

S. Crítica da Razão Tupiniquim. Rio de Janeiro: Padma. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 33 / 33 . Das arcadas ao bacharelismo . p. R. O “PENSAMENTO BRASILEIRO” E O BACHARELISMO: UMA REVISÃO CONC [33] Mostra-se relevante. R. Ricardo Prestes. História geral da civilização brasileira . A este respeito ver também LACOMBE. 2004. Sério Buarque (org. 2004. e o já citado VENÂNCIO FILHO. dos quatro momentos assinalados. M. [38] GOMES. Vide DUTRA. p. Em: HOLANDA. A. p. em seu item 5 (“Relendo os traços do ‘bacharelismo’ no Brasil”). 143. Os aprendizes do poder. [39] VENÂNCIO FILHO.). 64-65. Das arcadas ao bacharelismo. 133 e 139. Os juristas e a cultura jurídica brasileira na segunda metade do século XIX. 271. Literatura Jurídica no Império. só os dois últimos apresentem maior consistência jurídica. [37] FONSECA. que há um trabalho recente mostrando não só que tal produção científica houve. 107-108. nos capítulos 3 (“Os primeiros anos”). Américo Jacobina. R. 5 (“A Escola do Recife”) e 6 (“O ensino jurídico no Império”). [35] FONSECA. p. 2 ed. no pertinente à idéia de Sérgio de Adorno de que não teria havido produção teórica entre os juristas do Império. ainda que. Pedro. p. vol. A formação da cultura jurídica nacional e os cursos jurídicos no Brasil: uma análise preliminar (1854-1879). mas que ela pode ser inclusive periodizada. 3. M. Os aprendizes do poder. A cultura jurídica. A. S.PAZELLO. [36] ADORNO. [34] ADORNO.