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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE UM DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS DA COMARCA DE MOSSORÓ RN

MAYARA CRISTINY PINHEIRO DE OLIVEIRA, brasileira, solteira, estudante, inscrita no CPF nº 026.916.224-01 e no RG nº 1674340, residente e domiciliada na Rua 2 de Maio, nº. 54, Alto de São Manoel, CEP 59.631200, Mossoró- RN, por seu procurador que esta subscreve (anexo), vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência propor a presente

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS

Contra ASSOCIAÇÃO PARAIBANA DE ENSINO RENOVADO- ASPER, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº. 118888490001-60, com sede à Rua Prof. Joaquim, Francisco Veloso Galvão, nº. 1860, Estados, CEP 58.031- 130, João Pessoa- PB, o que faz pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

DOS FATOS

Em setembro deste ano a requerente foi até a caixa Econômica Federal- CEF a fim de financiar um imóvel residencial, sua casa própria, mas no momento em que precisou efetuar o financiamento foi informada pelo bancário que, por meio de uma consulta no SERASA, serviço de proteção ao crédito, constatou que o nome da autora constava no cadastro de inadimplentes, inviabilizando a aquisição almejada.

Surpresa com a notícia e convicta de não possuir qualquer dívida que justificasse tal restrição de crédito, o requerente dirigiu-se até o SERASA para retirar um extrato que indicasse seu nome no cadastro, pois estava certa de que não possuía divida alguma.

Quando retirou o extrato, verificando de que se tratava, não entendeu o porquê de seu nome constar no referido cadastro, haja vista que este apontamento refere-se à uma antiga MENSALIDADE DA FACULDADE ONDE ESTUDOU que deveria estar quitada e excluída de qualquer objeto de cobrança por parte da ASSOCIAÇÃO PARAIBANA DE ENSINO RENOVADO- ASPER desde julho do corrente ano, nos termos da sentença exarada pelo Juízo de Direito do 2º Juizado Especial cível desta comarca, processo nº. 0011554-

53.2012.820.0106.

Entretanto, apesar de a sentença em se desfavor, a empresa requerida não retirou o nome da autora do cadastro do SERASA, fazendo a requerente passar por situação vexatória sem motivo.

O atualizado extrato atualizado demonstra que o nome da requerente permanece negativado, mesmo semanas após o trânsito em julgado da sentença referida.

E

por

se

tratar de

uma relação de consumo, o requerente vem à

presença de Vossa Excelência requerer a aplicação de danos morais.

DO FUNDAMENTO JURÍDICO

Em decorrência deste incidente, a requerente experimentou situação

constrangedora, angustiante, tendo sua moral abalada, face à indevida

inscrição de seu nome no cadastro de inadimplentes com seus reflexos

prejudiciais, sendo suficiente a ensejar danos morais, até porque, ela provou

em juízo, nos autos acima referidos, a inexistência do débito.

O certo é que até o presente momento, a requerente permanece com

seu nome registrado no cadastro do SERASA, por conta de um débito

inexistente declarado em juízo, e precisa que seja retirado para continuar sua

vida.

A empresa requerida atualmente está agindo com manifesta negligência

e evidente descaso com a requerente, pois jamais poderia ter mantido o nome

da autora no cadastro dos serviços de proteção ao crédito. Não bastasse a

negativação, a autora sofre ainda com as cobranças via email ou telefone fietas

pela empresa há aproximadamente 2 meses.

Sua conduta, sem dúvida, causou danos à imagem, à honra e ao bom

nome da requerente que permanece nos cadastros do SERASA, de modo que

encontra-se com uma imagem de mau pagador, de forma absolutamente

indevida, eis que nada deve.

Desta forma, não tendo providenciado a retirada do nome da autora do

cadastros dos serviços de proteção ao crédito, não pode a empresa requerida

se eximir da responsabilidade pela reparação do dano causado, pelo qual

responde.

Sobre o tema, assim já decidiram os egrégios Tribunais de Justiça, in

verbis:

- INDENIZATÓRIA POR ATO ILÍCITO - INÉPCIA DA INICIAL - FALTA DE PEDIDO E CAUSA DE PEDIR -

AÇÃO

“RECURSO

DE

APELAÇÃO

CÍVEL

INOCORRÊNCIA - PRELIMINAR REJEITADA - DANO

MORAL -REMESSA INDEVIDA DE NOME DE CPF DA REQUERENTE AOS ÓRGÃOS DE RESTRIÇÃO AO CRÉDITO SERASA E SPC - DÍVIDA ADIMPLIDA - NEGLIGÊNCIA DO RÉU - CULPA CARACTERIZADA - OBRIGAÇÃO INDENIZATÓRIA - QUANTUM DEBEATUR FIXADO COM OBSERVÂNCIA DA RAZOABILIDADE - CUSTAS PROCESSUAIS E HONRÁRIOS ADVOCATÍCIOS - VERBAS DEVIDAS PELO REQUERIDO - AUTORA VENCIDA EM PARTE ÍNFIMA DO PEDIDO - RECURSO IMPROVIDO. Não há falar-se em extinção do processo sem julgamento do mérito em razão de ser inepta a inicial, se esta, em seu bojo, atende as exigências do artigo 282, III do CPC, permitindo à parte adversa que apresente sua defesa de forma integral ou satisfatória. Uma vez comprovada a remessa indevida do nome e CPF do requerente no Banco de dados de negativados, em razão de débito já adimplido pelo devedor, aflora-se a obrigação de indenizar do causador do dano, a título de dano moral, como forma de compensar os transtornos e humilhação sofridos perante a sociedade. Nesse caso desnecessária é a demonstração da ocorrência do dano sofrido uma vez que, caracteriza pela simples comprovação da remessa indevida. Indenização fixada na r.sentença que se afigura, in casu justa e razoável, não está sujeita à redução. Ainda que a requerente tenha sido vencida, embora em parte ínfima do pedido, as custas processuais e os honorários advocatícios devem ser suportados apenas pela requerida”. (RAC n. 2198/2004 – Des. Jurandir Florêncio de Castilho). “APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DANOS MORAIS - PROCEDÊNCIA - DECISÃO CORRETA - NOME INSCRITO NO SPC INDEVIDAMENTE - ANTECIPAÇÃO CONCEDIDA - PROVA DO PREJUÍZO - DESNECESSIDADE - ART. 159 CC DE 1916 - VALOR FIXADO COMPATÍVEL COM

A LESÃO - RECURSO IMPROVIDO. A indevida

inscrição do nome do ofendido no SPC autoriza a antecipação da tutela para sua exclusão e motiva a

indenização por dano moral, independentemente da prova objetiva do prejuízo. A fixação do valor indenizatório deve servir para amenizar o sofrimento

do ofendido e também desestimular a repetição do

ato lesivo. Sentença mantida”. (RAC n. 44349/2003 –

Dr. Gerson Ferreira Paes).

“INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - INJUSTA NEGATIVAÇÃO NO SPC - DEVER DE INDENIZAR - DESNECESSIDADE DE PROVA DO PREJUÍZO - VALOR DA INDENIZAÇÃO - RECURSOS IMPROVIDOS. A permanência da inscrição em órgão de restrição ao crédito, depois de quitada a dívida, acarreta a responsabilidade pela indenização, independente da prova objetiva do dano. Na fixação da indenização há que se atentar para a não configuração do enriquecimento seu causa da vítima”. (RAC n. 18301/2004 – Des. Evandro Estáblie).

Caio Mário da Silva PEREIRA ensina que "o indivíduo é titular de direitos

integrantes de sua personalidade, o bom conceito que desfruta na sociedade,

os sentimentos que estornam a sua consciência, os valores afetivos,

merecedores todos de igual proteção da ordem jurídica" (PEREIRA, Caio Mário

da Silva. Responsabilidade Civil. 9ª ed. Rio de Janeiro: Forense. 1998. p. 59).

A Constituição Federal de 1988 preceitua em seu artigo 5º, inciso X, que:

“Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem

distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos

brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a

inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à

igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos

seguintes:

( )

X - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a

honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito

à indenização pelo dano material ou moral

decorrente de sua violação;"

Dessa forma, claro é que a empresa requerida, ao cometer imprudente

ato, afrontou confessada e conscientemente o texto constitucional acima

transcrito, devendo, por isso, ser condenada à respectiva indenização pelo dano

moral sofrido pelo requerente.

Diante do narrado, fica claramente demonstrado o absurdo descaso e

negligência por parte da requerida, que permaneceu com o nome da requerente até o presente momento inserido no cadastro do SERASA, fazendo-

a passar por um constrangimento lastimável.

O ilustre jurista Rui Stoco, em sua obra Responsabilidade Civil e sua

Interpretação Judicial, 4 ed. Ver. Atual. E ampl

nos traz

que:

“a noção de responsabilidade é a necessidade que existe de responsabilizar alguém por seus atos danosos”.

Editora RT, p

59,

A única conclusão a que se pode chegar é a de que a reparabilidade do dano

moral puro não mais se questiona no direito brasileiro, porquanto uma série de

dispositivos, constitucionais e infraconstitucionais, garantem sua tutela legal.

À luz do artigo 186 do Código Civil, aquele que, por ação ou omissão voluntária,

negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Para que se caracterize o dano moral, é imprescindível que haja: a) ato ilícito, causado pelo agente, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência; b) ocorrência de um dano, seja ele de ordem patrimonial ou moral; c) nexo de causalidade entre o dano e o comportamento do agente.

A presença do nexo de causalidade entre os litigantes está patente, sendo indiscutível o liame jurídico existente entre eles, pois se não fosse a manutenção do nome do requerente no rol de protestados a mesma não teria sofrido os danos morais pleiteados, objeto desta ação. Evidente, pois, que devem ser acolhidos os danos morais suportados, visto que, em razão de tal fato, decorrente da culpa única e exclusiva da empresa requerida, esta teve a sua moral afligida, foi exposta ao ridículo e sofreu constrangimentos de ordem moral, o que inegavelmente consiste em meio vexatório.

Dano moral, frise-se, é o dano causado injustamente a outrem, que não atinja ou diminua o seu patrimônio; é a dor, a mágoa, a tristeza infligida injustamente a outrem com reflexo perante a sociedade. Neste sentido, pronunciou-se o E. Tribunal de Justiça do Paraná:

“O dano simplesmente moral, sem repercussão no patrimônio, não há como ser provado. Ele existe tão- somente pela ofensa, e dela é presumido, sendo bastante para justificar a indenização” (TJPR - Rel. Wilson Reback – RT 681/163).

A respeito, o doutrinador Yussef Said Cahali aduz:

“O dano moral é presumido e, desde que verificado ou pressuposto da culpabilidade, impõe-se a reparação em favor do ofendido” (Yussef Said Cahali, in Dano e sua indenização, p. 90).

Preconiza o Art. 927 do Código Civil:

“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”.

Não se pode deixar de favorecer compensações psicológicas ao ofendido moral que, obtendo a legítima reparação satisfatória, poderá, porventura, ter os meios ao seu alcance de encontrar substitutivos, ou alívios, ainda que incompletos, para o sofrimento. Já que, dentro da natureza das coisas, não pode o que sofreu lesão moral recompor o "status quo ante" restaurando o bem jurídico imaterial da honra, da moral, da auto estima agredidos, por que o deixar desprotegido, enquanto o agressor se quedaria na imunidade, na sanção? No sistema capitalista a consecução de recursos pecuniários sempre é motivo de satisfação pelas coisas que podem propiciar ao homem.

Harmonizando os dispositivos legais feridos é de inferir-se que a reparação satisfatória por dano moral é abrangente a toda e qualquer agressão às emanações personalíssimas do ser humano, tais como a honra, dignidade, reputação, liberdade individual, vida privada, recato, abuso de direito, enfim, o patrimônio moral que resguarda a personalidade no mais lato sentido.

Indubitavelmente, feriu fundo à honra da autora ver seu nome protestado por um título inexistente, espalhando por todo e qualquer lugar que fosse, a falsa informação de que é inadimplente.

MARIA HELENA DINIZ (Curso de Direito Civil Brasileiro, 7º vol., 9ª ed., Saraiva), ao tratar do dano moral, ressalva que a reparação tem sua dupla função, a penal "constituindo uma sanção imposta ao ofensor, visando à diminuição de seu patrimônio, pela indenização paga ao ofendido, visto que o bem jurídico da pessoa (integridade física, moral e intelectual) não poderá ser violado impunemente", e a função satisfatória ou compensatória, pois "como o dano moral constitui um menoscabo a interesses jurídicos extrapatrimoniais, provocando sentimentos que não têm preço, a reparação pecuniária visa a proporcionar ao prejudicado uma satisfação que atenue a ofensa causada." Daí, a necessidade de observar-se as condições de ambas as partes.

Em que pese o grau de subjetivismo que envolve o tema da fixação da reparação, vez que não existem critérios determinados e fixos para a quantificação do dano moral, a reparação do dano há de ser fixada em montante que desestimule o ofensor a repetir o cometimento do ilícito.

E na aferição do quantum indenizatório, CLAYTON REIS (Avaliação do Dano Moral, 1998, Forense), em suas conclusões, assevera que deve ser levado em conta o grau de compreensão das pessoas sobre os seus direitos e obrigações, pois "quanto maior, maior será a sua responsabilidade no cometimento de atos ilícitos e, por dedução lógica, maior será o grau de apenamento quando ele romper com o equilíbrio necessário na condução de

sua vida social". Continua, dizendo que "dentro do preceito do 'in dubio pro creditori' consubstanciada na norma do art. 948 do Código Civil Brasileiro, o importante é que o lesado, a principal parte do processo indenizatório seja integralmente satisfeito, de forma que a compensação corresponda ao seu direito maculado pela ação lesiva."

Bem se vê, à saciedade, ser indiscutível a prática de ato ilícito por parte do requerido, configurador da responsabilidade de reparação dos danos morais suportados pela autora.

DO PEDIDO

Em razão do exposto, requer:

a) seja notificada a empresa reclamada para, querendo, contestar a presente,

devendo comparecer nas audiências de conciliação e instrução/julgamento, sob pena de revelia e confissão quanto à matéria de fato, e no final a condenação

da empresa no pagamento dos valores pleiteados, acrescidos de correção monetária, juros de mora.

b) seja ao final, julgado procedente o pedido ora formulado, condenando a

reclamada ao pagamento de 40 (quarenta) salários mínimos à guisa de dano moral.

c) e, finalmente, o benefício da Justiça Gratuita, de acordo com a Lei 1.060/50.

Protesta-se provar o alegado, por todos os meios de provas em direito admitidos, especialmente pelo depoimento pessoal do representante legal da reclamada, oitiva das testemunhas, juntada de documentos.

Atribui à causa o valor de R$ 678,00 (seiscentos e setenta e oito reais).

Termos em que, Pede e espera deferimento.

Mossoró- RN, 07 de novembro de 2013.

JULLEMBERG MENDES PINHEIRO OAB- RN 8461