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SEGUNDA A CÂMARA CÍVEL

APELAÇÃO CÍVEL Nº 222-1/2007


APELANTE: ALZIRA FLORES DANTAS
ADVOGADO: ATILA CARVALHO FERREIRA DOS SANTOS
APELADO: MARIA DALVA ANDRADE DANTAS E OUTROS
ADVOGADO: ERACTON SERGIO PINTO MELO
RELATOR: JUIZ SUBSTITUTO JATAHY FONSECA JÚNIOR

RELATÓRIO.

Irresignada, Alzira Flores Dantas interpôs o presente recurso de apelação contra a sentença, à
fl. 91 e ss., proferida pela Excelentíssima Senhora Juíza de Direito da 1ª Vara Cível da Comarca de Vitória da
Conquista, Doutora Ana Karena Nobre, que julgou procedentes em parte os pedidos formulados nos autos da
ação anulatória de partilha, ajuizada por Maria Dalva Andrade Dantas e Outros.

A magistrada de primeiro grau rejeitou as preliminares de prescrição, ilegitimidade de parte e


de falta de interesse processual. Quanto ao mérito, entendeu que as autoras eram co-proprietárias de um bem
imóvel objeto de partilha amigável dos bens de José Carlos Andrade Dantas, bem como entendeu que as rés
deixaram de noticiar tal fato quando da apresentação do plano de partilha amigável, a qual foi homologada
por sentença proferida nos autos da ação de arrolamento sumário, processo nº 97000313-3. Finalmente, a
magistrada de primeiro grau anulou a referida sentença, unicamente em relação ao item 3A da partilha
amigável, de modo que, após o trânsito em julgado, o cartório de registro de imóveis deverá procedera à
alteração do registro de modo a restabelecer o “status quo ante”, no sentido de constar como proprietários do
bem imóvel o de cujus e as autoras, a fim de que, posteriormente, querendo, os herdeiros realizem a
sobrepartilha da parte deixada pelo autor da herança.

Em suas razões, à fl. 98 e ss., a apelante argüiu as preliminares: a) de prescrição, em virtude


de a ação anulatória ter sido ajuizada após 4 (quatro) anos da realização da partilha; b) ilegitimidade de parte,
porque somente os herdeiros é que poderiam promover a ação anulatória de partilha; c) nulidade da sentença,
em virtude de o processo estar suspenso aguardando o julgamento do recurso de agravo de instrumento; d)
nulidade processual por inexistência de citação dos demais herdeiros; e) nulidade processual por cerceamento
de defesa, uma vez que o julgamento antecipado da lide não deveria ter sido realizado, diante da existência de
questões fáticas a serem dirimidas quanto ao bem imóvel de propriedade das autoras, ora apeladas, que seria
diverso daquele efetivamente partilhado na anterior ação de arrolamento sumário. Quanto ao mérito, a
apelante aduziu que no terreno havia uma casa de adobes que foi derrubada pelo falecido, o qual teria
construído uma nova casa diferente daquela pleiteada pelas autoras, ora apeladas. Finalmente, pleiteou
provimento para o presente recurso, para que sejam acolhidas as preliminares para a anulação da sentença e
as autoras condenadas ao pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios.

Em sede de contra-razões, à fl. 114 e ss. as apeladas pugnaram pela manutenção integral da
sentença.

Desta maneira, pelas razões expostas, nego seguimento ao apelo.

Salvador, de de 2007.

Jatahy Fonseca Júnior.


Relator.
SEGUNDA A CÂMARA CÍVEL
APELAÇÃO CÍVEL Nº 222-1/2007
APELANTE: ALZIRA FLORES DANTAS
ADVOGADO: ATILA CARVALHO FERREIRA DOS SANTOS
APELADO: MARIA DALVA ANDRADE DANTAS E OUTROS
ADVOGADO: ERACTON SERGIO PINTO MELO
RELATOR: JUIZ SUBSTITUTO JATAHY FONSECA JÚNIOR

EMENTA.

DIREITO CIVIL E DIREITO PROCESSUAL CIVIL.


AÇÃO ANULATÓRIA DE SENTENÇA PROFERIDA EM
ARROLAMENTO SUMÁRIO. NOS AUTOS DO
ARROLAMENTO SUMÁRIO HOUVE A INCLUSÃO DE
BEM IMÓVEL DO QUAL AS AUTORAS, ORA
APELANTES, ERAM CO-PROPRIETÁRIAS
JUNTAMENTE COM FALECIDO E O BEM IMÓVEL FOI
ARROLADO COMO SE O FALECIDO FOSSE O ÚNICO
PROPRIETÁRIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÕES DO
CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS DANDO
CONTA DA SITUAÇÃO ANTES E DEPOIS DO
ARROLAMENTO.

A UTILIZAÇÃO DO PROCESSO DE ARROLAMENTO


PARA OBTER FIM PROIBIDO POR LEI, A TEOR DO
ART. 129 DO CPC, QUAL SEJA, A TRANSMISSÃO DA
PROPRIEDADE DO BEM IMÓVEL SEM A
AQUIESCÊNCIA DAS CO-PROPRIETÁRIAS
PRESCREVE EM 10 ANOS, CONFORME ART. 205 C/C
ART. 2.028 DO NCC. AÇÃO ANULATÓRIA AJUIZADA
ANTES DO DECURSO DO REFERIDO PRAZO.
REJEITADA A PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO.

AS CERTIDÕES DO CARTÓRIO DE REGISTRO DE


IMÓVEIS DEMONSTRANDO A SITUAÇÃO DO BEM
ANTES E DEPOIS DO ARROLAMENTO,
DEMONSTRAM QUE AS AUTORAS, ORA APELADAS,
CONSTAM COMO CO-PROPRIETÁRIAS DO
FALECIDO. REJEITADA A PRELIMINAR DE
ILEGITIMIDADE DE PARTE.

A REVOGAÇÃO, PELA MAGISTRADA DE PRIMEIRO


GRAU, DA DECISÃO INTERLOCUTÓRIA QUE
ENSEJOU O RECURSO DE AGRAVO DE
INSTRUMENTO TORNOU-O PREJUDICADO,
CONFORME ART. 529 DO CPC. REJEITADA A
PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA.

O VÍNCULO JURÍDICO ENTRE OS HERDEIROS


ENSEJA A FORMAÇÃO DE LITISCONSÓRCIO
FACULTATIVO E UNITÁRIO, UMA VEZ QUE NÃO É
OBRIGATÓRIA A PRESENÇA DE TODOS OS
HERDEIROS, EMBORA O EFEITO DA DECISÃO SEJA
UNIFORME EM RELAÇÃO A TODOS ELES, POIS OS
ARTS. 1.791 E 1.825 DO NCC ESTABELECEM QUE O
DIREITO DOS CO-HERDEIROS QUANTO À
PROPRIEDADE E POSSE DA HERANÇA, ATÉ A
PARTILHA, SÃO REGULADOS PELAS NORMAS
RELATIVAS AO CONDOMÍNIO E, OS DIREITOS E
DEVERES DOS CONDÔMINOS, CONFORME O ART.
1.314 DO NCC REGEM-SE PELA REGRA DA
SOLIDARIEDADE DAS OBRIGAÇÕES, DE MODO QUE
A DEFESA E O RECURSO APRESENTADOS POR UM
DOS HERDEIROS APROVEITA AOS DEMAIS, COMO
SE OBSERVA NO PRESENTE PROCESSO. ALÉM
DISSO, A MAGISTRADA DE PRIMEIRO GRAU
EXPRESSAMENTE RESSALVOU OS DIREITOS DOS
DEMAIS CO-HERDEIROS. A CITAÇÃO FOI
REALIZADA MAS OS OUTROS HERDEIROS NÃO
FORAM ENCONTRADOS. REJEITADA A PRELIMINAR
DE INEXISTÊNCIA DE CITAÇÃO.

O BEM IMÓVEL QUE FOI INDEVIDAMENTE


INCLUÍDO NO ARROLAMENTO SUMÁRIO É O
MESMO PLEITADO PELAS AUTORAS, ORA
APELANES, CONFORME CERTIDÕES DO CARTÓRIO
DE REGISTRO DE IMÓVEIS DA COMARCA DE
VITÓRIA DA CONQUISTA. INEXISTÊNCIA DE
NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE OUTRAS PROVAS
EM AUDIÊNCIA, UMA VEZ QUE A CERTIDÃO DE
TRANSCRIÇÃO NO REGISTRO IMOBILIÁRIO FAZ
PROVA PLENA DA TITULARIDADE DAS AUTORAS,
ORA APELANTES E, AINDA, DA INDEVIDA
INCLUSÃO DO BEM IMÓVEL NO ARROLAMENTO.
CORRETA A REALIZAÇÃO DO JULGAMENTO
ANTECIPADO DA LIDE. REJEITADA A PRELIMINAR
DE CERCEAMENTO DE DEFESA.

QUANTO AO MÉRITO, A RÉ NÃO SE DESINCUMBIU


DO ÔNUS DE PROVAR QUE O IMÓVEL OBJETO DO
ARROLAMENTO É DIFERENTE DAQUELE
PLEITEADO PELAS AUTORAS, ORA APELANTES NA
AÇÃO ANULATÓRIA.

RECURSO CONHECIDO E NEGADO PROVIMENTO A


FIM DE MANTER INTEGRALMENTE A SENTENÇA.

ACÓRDÃO.

Vistos, relatados e discutidos os autos do presente recurso de apelação, em que figuram como
apelantes Alzira Flores Dantas e, como apeladas, Maria Dalva Andrade Dantas e Outros.

Acórdão os Desembargadores da Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado da


Bahia, à unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso para

Trata-se de recurso de apelação interposto por Alzira Flores Dantas contra a sentença, à fl. 91
e ss., proferida pela Excelentíssima Senhora Juíza de Direito da 1ª Vara Cível da Comarca de Vitória da
Conquista, Doutora Ana Karena Nobre, que julgou procedentes em parte os pedidos formulados nos autos da
ação anulatória de partilha, ajuizada por Maria Dalva Andrade Dantas e Outros.

A apelante argüiu a preliminar de prescrição quanto ao alegado direito das autoras, ora
apeladas. Tal argumento não merece amparo. Isto porque, tratam os autos de anulação de parte da sentença
proferida em ação de arrolamento sumário, em que bem imóvel de terceiros (as autoras, ora apeladas) que foi
indevidamente incluído em formal de partilha homologado pela referida sentença. Portanto, encontra-se
caracterizada a hipótese descrita no art. 129 do CPC, segundo o qual o processo não deve ser utilizado para a
obtenção de fim proibido por lei. No caso em análise, a ilegalidade consistiu na ação de arrolamento sumário,
processo nº 97000313-3, ter sido utilizada para conseguir a transmissão da propriedade de bem imóvel de que
as autoras, ora apeladas, eram co-proprietárias juntamente com o falecido José Carlos Andrade Dantas, como
se este fosse o único proprietário. Além disso, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme previsão do
caput do art. 205 c/c o art. 2.028 ambos do Novo Código Civil (saliente-se que o prazo prescricional previsto
no Antigo Código Civil era de 20 anos – art. 177 do CC/1916), uma vez que para esta hipótese, de utilização
do processo para a obtenção de fim proibido por lei, não existe prazo menor. Assim, tendo a sentença que
homologou a partilha sido publicada em 1º de outubro de 1997 e a presente ação anulatória sido ajuizada em
agosto de 2001, tem-se que a prescrição não está caracterizada. Desta maneira, rejeito a preliminar.

A apelante evocou a preliminar de ilegitimidade de parte alegando que somente os herdeiros


é que poderiam promover a ação anulatória de partilha. Tal argumento não merece guarida. Isto porque,
conforme as cópias das certidões do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Vitória da Conquista, à
fl. 23 e 23 verso., as autoras, ora apeladas, figuram, juntamente com o falecido José Carlos Andrade Dantas,
como co-proprietárias do bem imóvel situado à Rua Santos Dumont, com 4m de frente e igual largura ao
fundo e, com 25m da frente ao fundo, contendo uma casa (Livro 3-J, fl. 214, nº 12.033) e, ainda, que o
mesmo imóvel foi transferido ao herdeiro Flávio Antônio Flores Dantas, por força do formal de partilha
homologado em juízo, cópia da certidão à fl. 24, que faz expressa referência ao Livro 3-J, fl. 214, nº 12.033.
Desta maneira, tem-se que as autoras, na qualidade de co-proprietárias do imóvel, têm legitimidade ativa para
postular a nulidade da homologação da sentença proferida nos autos da ação de arrolamento sumário que,
com base em dados incompletos, equivocadamente, considerou o referido imóvel como sendo de propriedade
exclusiva do falecido José Carlos Andrade Dantas. Assim, tendo sido demonstrada a titularidade do direito
material das autoras, rejeito a preliminar de ilegitimidade de parte.

A apelante argüiu a preliminar de nulidade da sentença, alegando que esta não poderia ter
sido proferida em virtude de o processo estar suspenso aguardando o julgamento do recurso de agravo de
instrumento. Tal argumento não merece prevalecer. Isto porque, o art. 529 do CPC admite a hipótese de o
recurso de agravo de instrumento ser declarado prejudicado quando o juiz de primeiro grau reformar a
decisão interlocutória atacada. Nos autos em análise, a juíza de direito à fl. 92 in fine, revogou a decisão
interlocutória agravada. Desta maneira, tem-se por prejudicado o recurso de agravo de instrumento. Rejeito a
preliminar de nulidade da sentença.

A apelante argüiu a preliminar de nulidade processual por inexistência de citação dos demais
herdeiros. Tal argumento não merece prosperar. Isto porque, o vínculo jurídico entre os herdeiros enseja a
formação de litisconsórcio facultativo e unitário, uma vez que não é obrigatória a presença de todos os
herdeiros mas, mas o efeito da decisão é uniforme em relação a todos eles. É que os arts. 1.791 e 1.825 do
NCC estabelecem que o direito dos co-herdeiros quanto à propriedade e posse da herança, até a partilha, são
regulados pelas normas relativas ao condomínio e, ainda, a petição de herança pode ser exercida até mesmo
por apenas um dos herdeiros e compreender todos os bens hereditários. E os direitos e deveres dos
condôminos, conforme o art. 1.314 do NCC regem-se pela regra da solidariedade das obrigações enquanto
indivisa a coisa, de modo que a defesa e o recurso apresentados por um dos herdeiros aproveita aos demais,
como se observa no presente processo. Além disso, às fls. 95 in fine e 96 da sentença, a juíza de direito
expressamente ressalvou os direitos dos demais herdeiros que não compareceram:

“... posto que devem ser preservados os direitos


legitimamente consolidados pelos herdeiros sobre suas
quotas parte. Qualquer diferença patrimonial que decorra
da presente decisão, com relação à partilha empreendida
pelos herdeiros do arrolamento em apenso, ora réus,
poderão facilmente ser resolvidas por compensação
pecuniária.”

Ressalte-se que a citação foi tentada, mas os herdeiros não foram encontrados, como se
observa à fl. 24 verso. Assim, estando caracterizada a solidariedade entre os herdeiros e tendo sido tal
circunstância expressamente resguardada na sentença, rejeito a preliminar de nulidade processual por
inexistência de citação.

A apelante argüiu a preliminar de nulidade processual por cerceamento de defesa, alegando


que o julgamento antecipado da lide não deveria ter sido realizado, diante da existência de questões fáticas a
serem dirimidas quanto ao bem imóvel de propriedade das autoras, ora apeladas, que seria diverso daquele
efetivamente partilhado na anterior ação de arrolamento sumário. Tal argumento não merece amparo. Isto
porque, conforme já salientado quando da apreciação da preliminar de ilegitimidade de parte, existe nos autos
prova documental de que o bem imóvel que foi indevidamente incluído no arrolamento sumário de cuja
sentença de homologação se pleiteou a nulidade, é o mesmo indicado pelas autoras, ora apeladas, conforme
se observa através das certidões emitidas pelo Cartório do Registro de Imóveis da Comarca de Vitória da
Conquista, às fls. 23 e 24, em que as autoras, ora apeladas, figuram, juntamente com o falecido José Carlos
Andrade Dantas, como co-proprietárias do bem imóvel situado à Rua Santos Dumont, com 4m de frente e
igual largura ao fundo e, com 25m da frente ao fundo, contendo uma casa (Livro 3-J, fl. 214, nº 12.033) e,
ainda, que o mesmo imóvel foi transferido ao herdeiro Flávio Antônio Flores Dantas, por força do formal de
partilha homologado em juízo, cópia da certidão à fl. 24, que faz expressa referência ao Livro 3-J, fl. 214, nº
12.033. Além disso, é necessário esclarecer que em se tratando de propriedade ou titularidade de direito
material sobre bem imóvel, a prova que o ordenamento jurídico civil exige é a certidão de transcrição no
registro público de imóveis, que é questão unicamente de direito, sendo desnecessária a produção de qualquer
outra prova em audiência, estando, portanto, correto o julgamento antecipado da lide realizado pela
magistrada de primeiro grau. Desta maneira, rejeito a preliminar de nulidade processual por cerceamento de
defesa.

Quanto ao mérito, as apelantes aduziram que a casa atualmente existente no terreno, e que foi
objeto do arrolamento sumário, não é a mesma a que as apeladas se referiram na petição inicial. Todavia, tal
afirmação, porque versa sobre direitos reais imobiliários, deveria ter sido demonstrada através de escritura
pública emitida pelo Cartório de Registros de Imóveis da Comarca de Vitória da Conquista, o único meio de
prova adequado para a demonstração do fato alegado. No entanto, as rés, ora apelantes, não se
desincumbiram do ônus de provar tal fato, de modo que, em relação a este ponto, a sentença não merece
qualquer reparo.

Desta maneira, pelas razões expostas, o voto é no sentido de conhecer o presente recurso para
rejeitar as preliminares aventadas e, em relação ao mérito, negar-lhe provimento a fim de manter
integralmente a sentença.

Publique-se.

Sala das Sessões, de de 2007.

Presidente.

Relator.

Procurador de Justiça.