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© 2013, Elsevier Editora Ltda.

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei n o 9.610, de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros.

Revisão: Gabriel Pereira Editoração Eletrônica: SBNigri Artes e Textos Ltda. Epub: SBNigri Artes e Textos Ltda.

Coordenador da Série: Sylvio Motta

Elsevier Editora Ltda. Conhecimento sem Fronteiras Rua Sete de Setembro, 111 – 16 o andar 20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ – Brasil

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ISBN: 978-85-352-6882-9 ISBN (Versão Eletrônica): 978-85-352-6883-6

Nota: Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a comunicação ao nosso Serviço de Atendimento ao Cliente, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão. Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoas ou bens, originados do uso desta publicação.

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

Brito, Claudenir Auditoria privada e governamental : teoria de forma objetiva e questões comentadas / Claudenir Brito & Rodrigo Fontenelle. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2013. 512 p. : 24 cm (Provas e concursos)

B875a

ISBN 978-85-352-6882-9

1. Auditoria. I. Fontenelle, Rodrigo. II. Título. III. Série.

13-

CDD: 657.45

2129.

CDU: 657.6

“Para se ter sucesso, é necessário amar de verdade o que se faz. Caso contrário, levando em conta apenas o lado racional, você simplesmente desiste. É o que acontece com a maioria das pessoas.”

Steve Jobs, em 2007, Wall Street Journal

“Se você quer ser bem-sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo.” Ayrton Senna

Dedicatórias

À Susana, minha linda esposa, pelo constante incentivo e exemplo pessoal de como deve se dedicar um professor; Aos meus filhos, Maria Luisa e João Rodrigo, pelo amor do tamanho do mundo, sem nunca exigirem qualquer coisa em troca; Aos meus pais, Anélio e Janina, pelo esforço desmedido na minha formação; Aos incansáveis integrantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT, pelo constante aprendizado.

Claudenir Brito

À minha mãe (in memoriam), pelo amor incondicional, e ao meu pai, por nunca desistir; À Letícia, pelo apoio, compreensão e carinho; Aos meus alunos, com quem tanto tenho aprendido nos últimos anos.

Rodrigo Fontenelle

Os Autores

Claudenir Brito Pereira é o Auditor-Chefe da Auditoria Interna do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT. Analista de Finanças e Controle da Controladoria- Geral da União – CGU, aprovado no concurso de 2008, promovido pela Esaf. Oficial da reserva do Exército Brasileiro, pós-graduado em operações militares, lecionou Auditoria Financeira no Setor Público, no curso de MBA em “Gestão financeira do setor público”, do Centro Universitário do Distrito Federal – UDF. É professor de Auditoria Governamental, Auditoria Privada e Controle Externo em cursos preparatórios para concursos em Brasília, no Rio de Janeiro e em Salvador, além de professor do site Estratégia Concursos. Colaborador de sites especializados para concursos. Membro efetivo do Instituto de Auditores Internos do Brasil – IIA Brasil –, filial do The Institute of Internal Auditors. Membro da Comissão de Coordenação de Controle Interno – CCCI – do Poder Executivo Federal.

Rodrigo Fontenelle de Araújo Miranda é Mestre em Contabilidade pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Finanças pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) e graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente é Analista de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU), exercendo o cargo de Coordenador-Geral de Auditoria da Área Fazendária. Aprovado em diversos concursos no país, entre eles Consultor Legislativo da Assembleia de Minas Gerais, EPPGG do Estado do Espírito Santo e 1º lugar no concurso da Controladoria- Geral do Estado de Minas Gerais, é Professor de Auditoria Privada, Governamental e Técnicas de Controle em cursos online e presenciais em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, São Paulo, e Distrito Federal, dentre eles o Cathedra, Cepegg e Estratégia. Lecionou em Instituições como a Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e Universidade de Brasília (UnB), além de diversos cursos preparatórios para concursos públicos. É autor do livro Auditoria – 219 questões comentadas, da Editora Elsevier/Campus.

Sumário

Capa Cadastro Folha de Rosto Créditos Sumário Epígrafe Dedicatórias Os Autores Capítulo 1 – Origem, Conceitos, Trabalhos de Asseguração e Tipos de Auditoria

  • 1.1. Introdução

    • 1.2. Conceito de Auditoria

    • 1.3. Evolução da Auditoria

    • 1.4. Trabalhos de Asseguração

  • 1.5. Tipos de Auditoria

    • 1.5.1. Auditoria de Gestão

    • 1.5.2. Auditoria de Programas

    • 1.5.3. Auditoria Operacional

    • 1.5.4. Auditoria Contábil

    • 1.5.5. Auditoria de Sistemas

    • 1.5.6. Auditoria Especial

    • 1.5.7. Auditoria da Qualidade

    • 1.5.8. Auditoria Integral

  • Exercícios

    Capítulo 2 – Auditoria Independente: Responsabilidade Legal, Objetivos Gerais, Normas de Auditoria Independente, Ética Profissional e Controle de Qualidade

    2.1.

    Aspectos Gerais da Auditoria Independente

    • 2.2. Normas de Auditoria Independente

    • 2.3. Ética Profissional

      • 2.3.1. Integridade

      • 2.3.2. Eficiência

      • 2.3.3. Confidencialidade

  • 2.4. Requisitos do Auditor

  • 2.5. Independência

  • 2.6. Responsabilidade do Auditor

    • 2.6.1. Responsabilidade perante os Conselhos de Classe

    • 2.6.2. Responsabilidade Civil

    • 2.6.3. Responsabilidade com clientes

  • 2.7. Objetivo da Auditoria Independente

  • 2.8. Controle de Qualidade

    • 2.8.1. Sistema de controle de qualidade

    • 2.8.2. Definições

    • 2.8.3. Aceitação e continuidade de relacionamento com clientes e trabalhos de auditoria

    • 2.8.4. Execução do trabalho

    • 2.8.5. Revisões

    • 2.8.6. Monitoramento

  • 2.9. Concordância com os Termos do Trabalho de Auditoria

    • 2.9.1. Objetivo

    • 2.9.2. Condições prévias para uma auditoria

    • 2.9.3. Acordo sobre termos do trabalho de auditoria

    • 2.9.4. Aceitação de mudança nos termos do trabalho

    • 2.9.5. Outros assuntos que afetam a aceitação

  • 2.10. Rotação dos responsáveis técnicos da Equipe de Auditoria 2.11. Rotação da Firma de Auditoria Exercícios

    Capítulo

    3

    Independente

    Auditoria

    Interna

    e

    Principais

    • 3.1. Auditoria Interna versus Auditoria Externa

      • 3.1.1. Conceitos

    Diferenças

    com

    a

    Auditoria

    • 3.2. Semelhanças e diferenças entre a Auditoria Interna e Externa

    • 3.3. Funções da Auditoria Interna

    • 3.4. Funções da Auditoria Externa (Independente)

    Exercícios

    Capítulo 4 – Controle Interno: Princípios, Controle Interno Contábil, Controle Interno Administrativo, Avaliação do Sistema de Controle, COSO I

    • 4.1. Controle Interno

      • 4.1.1. Controle interno da entidade

    • 4.2. Natureza e extensão do entendimento dos controles relevantes

    • 4.3. Divisões do Controle Interno

      • 4.3.1. Controles Contábeis

      • 4.3.2. Controles Administrativos

      • 4.3.3. Controles Preventivos

      • 4.3.4. Controles Detectivos

  • 4.4. Princípios do Controle Interno

    • 4.4.1. Atribuição de responsabilidades

    • 4.4.2. Segregação de funções

    • 4.4.3. Custo x Benefício do controle

    • 4.4.4. Definição de rotinas internas

    • 4.4.5. Limitação do acesso aos ativos

    • 4.4.6. Auditoria Interna

  • 4.5. Componentes do controle interno

    • 4.5.1. Ambiente de controle

    • 4.5.2. Processo de avaliação de risco da entidade

    • 4.5.3. Sistema de informação, incluindo processos de negócio relacionados, relevantes para

  • as demonstrações contábeis e sua comunicação

    • 4.5.4. Atividades de controle relevantes para a auditoria

    • 4.5.5. Monitoramento dos controles

    • 4.6. Limitações do controle interno

    • 4.7. COSO

      • 4.7.1. Ambiente de Controle

      • 4.7.2. Avaliação de Risco

      • 4.7.3. Atividades de Controle

      • 4.7.4. Informação e Comunicação

      • 4.7.5. Monitoramento

    Exercícios

    Capítulo 5 – Planejamento de Auditoria: Plano e Programa de Auditoria, Relevância, Materialidade, Fraude e Erro

    • 5.1. Planejamento de Auditoria

      • 5.1.1. Atividades preliminares

    5.1.3.

    Programa de Auditoria

    • 5.2. NBC TA 300

      • 5.2.1. Atividades preliminares do trabalho de auditoria

      • 5.2.2. Atividades de planejamento

      • 5.2.3. Estratégia global de auditoria

      • 5.2.4. Considerações específicas para entidades de pequeno porte

      • 5.2.5. Plano de auditoria

    5.2.5.1. Mudança nas decisões de planejamento durante o processo de auditoria

    5.2.5.2. Direcionamento, supervisão e revisão

    • 5.2.6. Documentação

    • 5.2.7. Considerações adicionais em auditoria inicial

    • 5.3. Materialidade no Planejamento e na Execução da Auditoria

      • 5.3.1. Determinação da materialidade no planejamento e para execução da auditoria

      • 5.3.2. Revisão no decorrer da auditoria

      • 5.3.3. Documentação

  • 5.4. Fraude e erro

  • Exercícios

    Capítulo 6 – Planejamento de Auditoria: Plano e Programa de Auditoria, Relevância, Materialidade, Fraude e Erro

    • 6.1. Risco de Distorção Relevante (Risco Inerente e Risco de Controle) e Risco de Detecção

    • 6.2. Tipos de Risco

      • 6.2.1. Risco de detecção

      • 6.2.2. Risco de distorção relevante

  • 6.3. Plano de Auditoria baseado no risco

  • 6.4. Risco que exige consideração especial da auditoria

  • 6.5. Revisão da avaliação de risco

  • Exercícios

    Capítulo 7 – Evidência, Testes e Procedimentos de Auditoria

    • 7.1. Evidência de Auditoria

      • 7.1.1. Tipos de evidências

    • 7.2. Testes e procedimentos de auditoria

      • 7.2.1. Análise Documental (Inspeção de registros e documentos)

      • 7.2.2. Inspeção física

      • 7.2.3. Recálculo (Cálculo)

      • 7.2.4. Observação

    7.2.6.

    Circularização (confirmação externa)

    • 7.2.7. Conciliações

    • 7.2.8. Análise de contas contábeis

    • 7.2.9. Revisão analítica (procedimentos analíticos)

      • 7.2.10. Reexecução

      • 7.2.11. Confirmação e Investigação

    Exercícios

    Capítulo 8 – Amostragem: Conceitos, Risco, Tipos, De nição da Amostra, Projeções de Distorções e Avaliação dos Resultados

    8.1.

    Introdução

    8.2.

    NBC TA 530

    8.2.1.

    Definições

    8.2.2.

    Requisitos

    8.2.3.

    Execução de procedimentos de auditoria

    8.2.4.

    Natureza e causa de desvios e distorções

    8.2.5.

    Projeção de distorções

    8.2.6.

    Avaliação do resultado da amostragem em auditoria

    8.2.6.1.

    Limite Superior de Desvios – LSD (Testes de Controle)

    8.6.2.2.

    Limite Superior de Erros – LSE (Testes Substantivos)

    8.2.7.

    Estratificação e seleção com base em valor

    8.2.7.1.

    Estratificação

    8.2.8.

    Seleção com base em valor

    8.2.9.

    Exemplos de fatores que in uenciam o

    tamanho da amostra para os testes de

    controles

    8.2.9.

    Exemplos de fatores que in uenciam o

    tamanho da amostra para os testes de

    detalhes

    8.2.10.

    Métodos de seleção da amostra

    Exercícios

    Capítulo 9 – Documentação de Auditoria (Papéis de Trabalho): Natureza, Finalidade, Tipos e Técnicas de Elaboração

    9.1.

    Documentação de auditoria

    9.2.

    Objetivo do auditor

    9.3.

    Forma, conteúdo e extensão da documentação de auditoria

    9.4.

    Montagem do arquivo final de auditoria

    9.5.

    Assuntos surgidos após a data do relatório do auditor

    Exercícios

    Capítulo 10 – Formas de Opinião do Auditor: Modi cação de Opinião, Parágrafo de Ênfase e Outros Parágrafos Adicionais

    • 10.1. Relatórios (Parecer) de Auditoria Independente

      • 10.1.1. Tipos de Relatório

      • 10.1.2. Estrutura/Elementos do Relatório

      • 10.1.3. Informações suplementares apresentadas com as demonstrações contábeis

      • 10.1.4. Parágrafo de Ênfase e Parágrafo de Outros Assuntos

    Exercícios

    Capítulo 11 – Utilização de Outros Trabalhos: Auditor Interno, Especialistas e Outros Auditores Independentes

    • 11.1. Introdução

    • 11.2. Trabalho de outro auditor independente

    • 11.3. Trabalho do Auditor Interno

    • 11.4. Trabalho de especialista de outra área

    Exercícios

    Capítulo 12 – Representações Formais, Transações e Eventos Subsequentes, Continuidade Operacional, Partes Relacionadas, Estimativas Contábeis, Contingências

    • 12.1. Continuidade Operacional

    • 12.2. Contingências

      • 12.2.1. Passivo contingente

      • 12.2.2. Ativo contingente

  • 12.3. Estimativas contábeis

  • 12.4. Eventos Subsequentes

  • 12.5. Transações com partes relacionadas

  • 12.6. Representações formais (Carta de Responsabilidade da Administração)

    • 12.6.1. Objetivos do auditor

    • 12.6.2. Membros da administração aos quais são solicitadas representações formais

    • 12.6.3. Representações formais sobre a responsabilidade da administração

    • 12.6.4. Representações formais como evidência de auditoria

    • 12.6.5. Data e período abrangido pelas representações

    • 12.6.6. Dúvida quanto à confiabilidade das representações

    • 12.6.7. Representações solicitadas e não fornecidas

    • 12.6.8. Outras representações formais

  • Exercícios

    Capítulo 13 – Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal

    13.1.

    O Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal

    • 13.1.1. Finalidades do SCI-PEF

    • 13.1.2. Competências do SCI-PEF

    • 13.1.3. Atividades Complementares do SCI-PEF

    • 13.1.4. Disposições Gerais

    • 13.2. Auditoria no setor público federal

    • 13.3. Normas relativas ao controle interno administrativo

    • 13.4. Planejamento das ações de controle interno.

      • 13.4.1. Orçamento Global do Ministério

      • 13.4.2. Hierarquização

      • 13.4.3. Programas e Programações sob Controle

      • 13.4.4. Ações sob Controle

  • 13.5. Finalidades e objetivos da auditoria governamental

  • 13.6. Abrangência de atuação

  • 13.7. Estrutura conceitual básica das técnicas de controle

    • 13.7.1. Procedimentos e Técnicas de Auditoria

    • 13.7.2. Procedimentos e Técnicas de Fiscalização

  • 13.8. Formas e tipos

    • 13.8.1. Tipos de Auditoria Governamental

    • 13.8.2. Formas de Execução

    • 13.8.3. Áreas de Atuação

  • 13.9. Normas relativas à execução dos trabalhos

    • 13.9.1. Planejamento dos Trabalhos

    • 13.9.2. Avaliação dos controles internos administrativos

    • 13.9.3. Prevenção de impropriedades e irregularidades

    • 13.9.4. Supervisão das atividades do SCI do Poder Executivo Federal

    • 13.9.5. Obtenção de evidências de acordo com a IN 01/01

    • 13.9.6. Impropriedades e irregularidades

  • 13.10. Normas Relativas à Opinião do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal

    • 13.10.1. Nota

    • 13.10.2. Relatório

    • 13.10.3. Certificado

    • 13.10.4. Os tipos de Certificado são:

    • 13.10.5. Parecer do Dirigente do Órgão de Controle Interno

    13.11. Normas relativas à audiência do auditado

    13.12. Normas Relativas à Forma de Comunicação

    13.13. Variáveis Básicas Exercícios

    Capítulo 14 – Controle Externo e Tribunal de Contas da União

    • 14.1. Classificação do controle quanto à origem (extensão)

    • 14.2. Controle Externo no Brasil

    • 14.3. Principais regras Constitucionais sobre Controle Externo

    Exercícios

    Capítulo 15 – Normas de Auditoria do TCU e Manual de Auditoria Operacional

    • 15.1. Normas de Auditoria do TCU

      • 15.1.1. Bases conceituais

        • 15.1.1.2. Auditoria Governamental

      • 15.1.2. Classificação das Auditorias

      • 15.1.3. Objetivo das NAT

      • 15.1.4. Aplicabilidade das NAT

      • 15.1.5. Aplicação conjunta com outras normas

      • 15.1.6. Capítulo 1 – Preceitos Básicos do Controle Externo

        • 15.1.6.1. Independência dos Membros

        • 15.6.1.2. Relações com o Parlamento, com a Administração e com o Controle Interno

        • 15.6.1.3. Natureza do Controle e seus Requisitos Básicos

  • 15.1.7. Capítulo 2 – Normas Gerais

    • 15.1.7.1. Princípios Éticos

    • 15.1.7.2. Interesse Público, Preservação e Defesa do Patrimônio Público

    • 15.1.7.3. Integridade

    • 15.1.7.4. Independência, Objetividade e Imparcialidade

    • 15.1.7.5. Uso do cargo, de informações e de recursos públicos

    • 15.1.7.6. Normas Gerais relativas ao Tribunal

  • 15.1.8. Capítulo 3 – Normas relativas ao Planejamento e à Execução

    • 15.1.8.1. Planejamento geral das auditorias do TCU

    • 15.1.8.2. Proposição de auditorias

    • 15.1.8.3. Objetivos da auditoria

    • 15.1.8.4. Alocação de recursos ao trabalho de auditoria

    • 15.1.8.5. Identificação e avaliação de objetivos, riscos e controles

    • 15.1.8.6. Supervisão, revisão e comunicação de acordo com as NAT

    • 15.1.8.7. Planejamento e Execução de auditorias

  • 15.1.9. Cap. 4 – Normas relativas à Comunicação de Resultados

    • 15.1.9.1. Relatório de Auditoria

    • 15.1.9.2. Estrutura e conteúdo dos relatórios

    • 15.1.9.3. Requisitos de qualidade dos relatórios

    • 15.1.9.4. Declaração de conformidade com as NAT

    • 15.1.9.5. Objetivos da auditoria, escopo, metodologia e limitações

    • 15.1.9.6. Descrição da visão geral do objeto

    • 15.1.9.7. Apresentação dos achados

    • 15.1.9.8. Esclarecimentos de responsáveis

    • 15.1.9.9. Comentários dos gestores

      • 15.1.9.10. Conclusões

      • 15.1.9.11. Propostas de encaminhamento

      • 15.1.9.12. Monitoramento de deliberações

      • 15.1.9.13. Critérios para divulgação de resultados de auditorias

    • 15.2. Manual de Auditoria Operacional

      • 15.2.1. Características da Auditoria Operacional

      • 15.2.2. Caracterização de achados de auditoria

      • 15.2.3. Atributos dos achados de auditoria

      • 15.2.4. Monitoramento

      • 15.2.5. Plano de ação

      • 15.2.6. Sistemática de monitoramento

      • 15.2.7. Relatório de monitoramento

      • 15.2.8. Situação das deliberações

      • 15.2.9. Supervisão e Controle de Qualidade

    15.2.10. Modalidades de controle de qualidade

    Exercícios

    Capítulo 16 – Governança Corporativa: Governança no Setor Público, Governança e Análise de Risco, COSO I e COSO II

    • 16.1. Governança no Setor Público

      • 16.1.1. Conceitos de Governança Corporativa

        • 16.1.1.1. Mas o que seriam esses conflitos de interesses?

      • 16.1.2. Princípios de Governança Corporativa

      • 16.1.3. Lei Sarbanes-Oxley

      • 16.1.4. Governança no Setor Público

      • 16.1.5. O papel da Auditoria na estrutura de Governança

  • 16.2. Estrutura conceitual de análise de risco – COSO II

    • 16.2.1. Fixação de objetivos

    • 16.2.2. Identificação de eventos

  • 16.2.4. Abrangência do Controle Interno segundo o COSO II

    Exercícios

    Gabarito Resumão em 120 Itens Anexos

    Anexo I – Principais NBC TA e PA Anexo II – Dicionário de Auditoria

    Referências

    Capítulo 1

    Origem, Conceitos, Trabalhos de Asseguração e Tipos de Auditoria

    Principais legislações correlacionadas ao capítulo:

    NBC TA 01, NBC TA 200.

    • 1.1. Introdução

    Para atingir suas finalidades, a Contabilidade se utiliza das seguintes técnicas contábeis:

    • Escrituração (registro dos fenômenos patrimoniais);

    • Demonstrações (balanços e outras demonstrações); • Auditoria; • Análise de balanços.

    Assim, podemos concluir que a Auditoria tem a natureza de técnica contábil utilizada pela Contabilidade para atingir seus objetivos, sendo a Auditoria Contábil a técnica contábil cujo objetivo é emitir uma opinião sobre as demonstrações contábeis (também denominadas financeiras). A evolução da auditoria como técnica contábil sempre esteve ligada ao atendimento de seu principal objetivo, que seria a citada emissão de opinião independente sobre a adequação das demonstrações contábeis/financeiras aos Princípios de Contabilidade, às Normas Brasileiras d e Contabilidade, à legislação específica e, mais recentemente, à estrutura de Relatório Financeiro Aplicável. Os conceitos utilizados na Auditoria Independente são bastante similares aos da Auditoria Governamental e aos da Auditoria Interna. O foco acaba sendo, em regra, o mesmo: a emissão de uma opinião independente (lembrando que a opinião da Auditoria Interna também deve ser independente – autônoma). O que difere, basicamente, é o ambiente ou a área em que estamos atuando.

    • 1.2. Conceito de Auditoria

    Escolher um conceito universal para Auditoria não é uma tarefa simples. A maioria dos autores escreve sobre uma das diversas especializações da matéria, e, no momento da definição, acaba se concentrando na Auditoria Interna ou na Externa. Não se preocupem com essa diferença, trataremos dela mais à frente. Crepaldi (2012) afirma que se pode definir Auditoria, de forma bastante simples, como o

    “levantamento, estudo e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações, rotinas e das demonstrações financeiras de uma entidade”. Aprofundando a definição, podemos dizer que se trata de testar a eficiência e a eficácia do controle patrimonial, sem nos limitarmos aos aspectos contábeis do conceito. Por ser uma atividade crítica, em essência, traduz-se na emissão de uma opinião sobre as atividades verificadas. Quanto ao termo auditor, a doutrina se divide em citar sua origem latina – audire, audição, ouvinte – e a expressão inglesa to audit – examinar, certificar. De forma mais direta, auditar é ouvir o gestor – aquele que detém a responsabilidade pela administração do patrimônio alheio – para saber como está agindo na condução de suas atividades, e se essa conduta está alinhada com o que o proprietário dos recursos espera dele. Em linhas gerais, vamos nos remeter à obra de Franco e Marra (2011) para definir o objeto da auditoria (em sentido amplo):

    “conjunto de todos os elementos de controle do patrimônio administrado, os quais compreendem registros contábeis, papéis, documentos, fichas, arquivos e anotações que comprovem a veracidade dos registros e a legitimidade dos atos da administração, bem como sua sinceridade na defesa dos interesses patrimoniais”. (grifo nosso)

    Neste ponto, vamos dividir a Auditoria em dois grandes grupos. De acordo com o ambiente em que será aplicada, a Auditoria poderá ser Governamental ou Privada. A Auditoria Governamental – ou Pública, do Setor Público, conforme disposto na Instrução Normativa SFC/MF 01/2001, da Secretaria Federal de Controle Interno da Controladoria- Geral da União (anteriormente do Ministério da Fazenda, por isso o SFC/MF), é o “conjunto d e técnicas que visa avaliar a gestão pública, pelos processos e resultados gerenciais, e a aplicação de recursos públicos por entidades de direito público e privado, mediante a confrontação entre uma situação encontrada com um determinado critério técnico, operacional ou legal” e tem por objetivo primordial garantir resultados operacionais na gerência da coisa pública. A Auditoria Governamental engloba todas as esferas de governo – federal, distrital, estadual e municipal – e níveis de poder – Executivo, Legislativo e Judiciário –, e alcança as pessoas jurídicas de direito privado que se utilizem de recursos públicos. A Auditoria Privada – ou Empresarial, das Demonstrações Contábeis, das Demonstrações Financeiras – é o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre as demonstrações contábeis das empresas privadas em relação a sua adequação aos princípios de Contabilidade e à legislação específica. Nesse sentido, a NBC TA 200 define como objetivo da Auditoria das Demonstrações Contábeis (Auditoria Independente):

    “aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável.” (grifo nosso)

    Aqui já podemos lembrar o seguinte. Se a questão tratar de objetivo do auditor independente, temos de pensar logo em emissão de uma opinião sobre as demonstrações contábeis, ok? Não dá para errar esse conceito, e algumas questões cobram apenas esse conhecimento, como veremos nos exercícios comentados nos próximos capítulos.

    1.3.

    Evolução da Auditoria

    Este tema não é cobrado com frequência nos certames, apesar de constar em alguns editais. De qualquer modo, entendemos que é importante conhecê-lo, para um entendimento mais abrangente do assunto, e essa visão vai auxiliá-lo na resolução de algumas questões, por meio de um raciocínio sistemático sobre os conceitos apresentados. A doutrina não é pacífica quando trata da evolução da auditoria. Assim, vamos nos pautar pela obra de William Attie (2010) para traçar uma sequência lógica da evolução da auditoria, nos remetendo a outros autores, quando necessário. A Contabilidade foi a primeira disciplina desenvolvida para auxiliar e informar o administrador, e já vimos que a auditoria, como uma técnica contábil, é uma especialização da Contabilidade, destinada a ser usada como ferramenta de confirmação dessa própria ciência. O surgimento da Auditoria está ancorado na necessidade de confirmação por parte dos investidores e proprietários quanto à realidade econômico-financeira espelhada no patrimônio das empresas investidas. Tudo como fruto da evolução do sistema capitalista. Attie afirma ser desconhecida a data de início da atividade de auditoria, mas cita alguns momentos marcantes para o desenvolvimento do assunto, sendo o primeiro a criação do cargo de auditor do Tesouro, na Inglaterra, em 1314. Em 1880, foi criada a Associação dos Contadores Públicos Certificados, na Inglaterra, e em 1886, sua congênere nos Estados Unidos. A partir daí, o ponto principal da evolução da auditoria foi a criação da SEC – Security and Exchange Comission (algo como a CVM aqui no Brasil), em 1934, nos Estados Unidos, quando a profissão de auditor assume sua importância, tendo em vista que as empresas listadas em Bolsa de Valores foram obrigadas a se utilizar dos serviços de auditoria para dar mais credibilidade a suas demonstrações financeiras. No Brasil, a evolução da auditoria esteve primariamente relacionada com a instalação de filiais e subsidiárias de firmas estrangeiras, e a consequente obrigatoriedade de se auditarem suas demonstrações contábeis. Como resultado, tivemos a chegada ao país de empresas internacionais de auditoria independente. Com a evolução do mercado de capitais, a criação da Comissão de Valores Mobiliários – CVM – e da Lei das Sociedades por Ações, em 1976, a atividade de auditoria tomou grande impulso, mas ainda atrelada às empresas integrantes do mercado de capitais e do Sistema Financeiro.

    • 1.4. Trabalhos de Asseguração

    A NBC TA 01 – Estrutura conceitual para trabalhos de asseguração – define esse tipo de trabalho como sendo “um trabalho no qual o auditor independente expressa uma conclusão com a finalidade de aumentar o grau de confiança dos outros usuários previstos, que não seja a parte responsável, acerca do resultado da avaliação ou mensuração de determinado objeto de acordo com os critérios aplicáveis”. Para as provas de auditoria, temos de saber que os trabalhos de asseguração envolvem três

    partes distintas:

    • o auditor independente; • a parte responsável (área objeto da asseguração); • os usuários (pessoas a quem o auditor submete o relatório de asseguração).

    Além disso, nas raras vezes em que o tema é explorado em concursos, busca-se a compreensão das diferenças entre os dois tipos de trabalhos de asseguração cuja execução é permitida ao auditor independente, a saber, trabalho de asseguração razoável e trabalho de asseguração limitada.

    partes distintas: • o auditor independente; • a parte responsável (área objeto da asseguração); • os
    partes distintas: • o auditor independente; • a parte responsável (área objeto da asseguração); • os
    partes distintas: • o auditor independente; • a parte responsável (área objeto da asseguração); • os
    partes distintas: • o auditor independente; • a parte responsável (área objeto da asseguração); • os

    Figura 1.1 – Tipo de Asseguração e seus objetivos

    Dessa forma, em relação aos trabalhos de asseguração, estaremos interessados no de asseguração razoável, visto que nosso objeto de estudo é a Auditoria. Desse item, além do que já foi falado, temos de entender que Auditoria é espécie do gênero Asseguração. Além disso, é necessário lembrar que o auditor independente não faz apenas trabalhos de asseguração, mas também trabalhos que não se encaixam nesse conceito, como serviços de consultoria, por exemplo.

    partes distintas: • o auditor independente; • a parte responsável (área objeto da asseguração); • os

    ATENÇÃO! A Auditoria é espécie do gênero Asseguração.

    1.5. Tipos de Auditoria

    Cada autor e cada órgão público podem definir uma classificação de auditoria própria, independente, e não se pode esperar que o candidato a um cargo público conheça cada uma delas e adivinhe sobre qual classificação a banca está se referindo. Assim, o primeiro cuidado é analisar bem o edital.

    Outro detalhe importante é que devemos ler com atenção o enunciado da questão, para tentarmos identificar sobre qual classificação estamos sendo questionados, por exemplo, “segundo a IN 01/01”, “segundo a doutrina”, “segundo o TCU”, e assim por diante. Infelizmente, nem sempre é tão simples. No último concurso para o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, a banca não estipulou em edital e tampouco na questão, vindo a cobrar uma classificação utilizada pelo Senado Federal, o que foi objeto de intensa discussão, inclusive judicial, quanto à regularidade de tal procedimento. Chegamos a elaborar, inclusive, alguns pareceres nesse sentido, para serem utilizados em processos judiciais. Aqui, vamos incluir as definições de tipos de Auditoria Governamental encontradas na obra de Peter e Machado (2008), que o Cespe/Unb já tomou como referência para a elaboração de questões.

    • 1.5.1. Auditoria de Gestão

    Objetiva emitir opinião com vistas a certificar a regularidade das contas, verificar a execução de contratos, convênios, acordos ou ajustes, a probidade na aplicação dos dinheiros públicos e guarda ou administração de valores e outros bens da União ou a ela confiados.

    • 1.5.2. Auditoria de Programas

    Objetiva

    acompanhar,

    examinar

    e

    avaliar

    a execução

    de

    programas

    e

    projetos

    governamentais específicos, bem como a aplicação de recursos descentralizados.

    • 1.5.3. Auditoria Operacional

    Consiste em avaliar as ações gerenciais e os procedimentos relacionados ao processo operacional, procurando auxiliar a administração na gerência e nos resultados, por meio de recomendações que visem aprimorar procedimentos.

    • 1.5.4. Auditoria Contábil

    Objetiva obter elementos comprobatórios suficientes que permitam opinar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade e se as demonstrações contábeis refletem, adequadamente, a situação econômico-financeira do patrimônio.

    • 1.5.5. Auditoria de Sistemas

    Objetiva assegurar a adequação, a privacidade dos dados e informações oriundas dos sistemas eletrônicos de processamento de dados.

    • 1.5.6. Auditoria Especial

    Objetiva o exame de fatos ou situações consideradas relevantes, de natureza incomum ou extraordinárias, sendo realizadas para atender a determinação de autoridade competente.

    1.5.7. Auditoria da Qualidade

    Tem por objetivo permitir a formação de uma opinião mais concreta sobre o desempenho gerencial dos administradores públicos, servindo como estímulo a adoção de uma cultura gerencial voltada para o atingimento de resultados dentro dos princípios da qualidade, identificando os pontos fortes e fracos da organização.

    1.5.8. Auditoria Integral

    Envolve o exame dos controles, processos e sistemas utilizados para gerenciar os recursos da organização. Vamos à classificação da CGU, que será discutida de forma mais ampla no Capítulo 13. A norma que disciplina as atividades de auditoria no Poder Executivo Federal é a Instrução

    Normativa SFC/MF n o 01, de 06 de abril de 2001, que define “diretrizes, princípios, conceitos e aprova normas técnicas para a atuação do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal”. Segundo a IN 01, a auditoria classifica-se em:

    “I. Auditoria de Avaliação da Gestão: esse tipo de auditoria objetiva emitir opinião com vistas a certificar a regularidade das contas, verificar a execução de contratos, acordos, convênios ou ajustes, a probidade na aplicação dos dinheiros públicos e na guarda ou administração de valores e outros bens da União ou a ela confiados.

    II. Auditoria de Acompanhamento da Gestão: realizada ao longo dos processos de gestão, com o objetivo de se atuar em tempo real sobre os atos efetivos e os efeitos potenciais positivos e negativos de uma unidade ou entidade federal, evidenciando melhorias e economias existentes no processo ou prevenindo gargalos ao desempenho da sua missão institucional.

    III. Auditoria Contábil: compreende o exame dos registros e documentos e na coleta de informações e confirmações, mediante procedimentos específicos, pertinentes ao controle do patrimônio de uma unidade, entidade ou projeto.

    IV. Auditoria Operacional: consiste em avaliar as ações gerenciais e os procedimentos relacionados ao processo operacional, ou parte dele, das unidades ou entidades da administração pública federal, programas de governo, projetos, atividades, ou segmentos destes, com a finalidade de emitir uma opinião sobre a gestão quanto aos aspectos da eficiência, eficácia e economicidade, procurando auxiliar a administração na gerência e nos resultados, por meio de recomendações, que visem aprimorar os procedimentos, melhorar os controles e aumentar a responsabilidade gerencial.

    V. Auditoria Especial: objetiva o exame de fatos ou situações consideradas relevantes, de natureza incomum ou extraordinária, sendo realizadas para atender determinação expressa de autoridade competente. Classifica-se nesse tipo os demais trabalhos de auditoria não inseridos em outras classes de atividades.” (grifo nosso)

    No TCU, as atividades de auditoria se dividem em:

    • auditoria de conformidade;

    • auditoria operacional; • auditoria das demonstrações contábeis; • auditoria de sistemas financeiros; • atividades de estudo e consultoria; • atividades de detecção de fraudes.

    Como podemos perceber, não existe classificação mais correta. Cada autor, estudioso do assunto, propõe a classificação que mais entende adequada ao momento. As classificações apresentadas são apenas algumas delas, sendo o mais importante entendermos esses

    conceitos iniciais, que nos darão uma boa base para quando entrarmos nos aspectos mais específicos da Auditoria. Esta parte da disciplina, conforme foi dito, raramente é abordada nos concursos, mas é fundamental para o bom entendimento do que vem pela frente. A seguir, quatro questões que cobraram o conhecimento já estudado até agora.

    Exercícios

    1. (FCC/Copergás/2011) De acordo com as disposições constantes da NBC TA Estrutura Conceitual – Estrutura Conceitual para Trabalhos de Asseguração, é correto afirmar que:

    • a) os trabalhos de asseguração envolvem três partes distintas: o auditor independente, a parte responsável e os usuários previstos;

    • b) o trabalho de asseguração limitada de demonstrações contábeis é denominado auditoria;

    • c) os trabalhos de consultoria representam uma das espécies dos trabalhos de asseguração;

    • d) o trabalho de asseguração razoável de demonstrações contábeis é denominado revisão;

    • e) a parte responsável, nos trabalhos de asseguração, é a usuária das informações a serem fornecidas pelo auditor em seu relatório.

    Comentários:

    A letra A é o gabarito, conforme visto na parte teórica. O trabalho de asseguração razoável é denominado auditoria, e o de asseguração limitada denominado revisão. Dessa forma, as alternativas B e D estão incorretas. A letra C também está errada, pois o trabalho de consultoria não é considerado um trabalho de asseguração, embora também possa ser realizado pelo auditor independente. Por fim, a parte responsável é a parte objeto da asseguração, sendo diferente do usuário das informações, que é a parte que recebe o relatório de asseguração. Portanto, a alternativa E está incorreta. Resposta: A.

    2. (Cespe-UnB/CGE-PB/2008) Com relação às origens da auditoria e seus tipos, assinale a opção correta.

    • a) O surgimento da auditoria externa está associado à necessidade das empresas de captarem recursos de terceiros.

    • b) Os sócios-gerentes e acionistas fundadores são os que têm maior necessidade de recorrer aos auditores independentes para aferir a segurança, liquidez e rentabilidade de seus investimentos na empresa.

    • c) A auditoria externa surgiu como decorrência da necessidade de um acompanhamento sistemático e mais aprofundado da situação da empresa.

    • d) A auditoria interna é uma resposta à necessidade de independência do exame das transações da empresa em relação aos seus dirigentes.

    • e) Os auditores internos direcionam o foco de seu trabalho para as demonstrações contábeis que a empresa é obrigada a publicar.

    Comentários:

    A necessidade de captação de recursos fez com que as empresas buscassem uma maior credibilidade dos dados apresentados em suas demonstrações contábeis, fazendo com que surgisse a auditoria externa, para atestar sua confiabilidade. Dessa forma, a letra A é o gabarito da questão. A alternativa B está incorreta, pois essa maior necessidade é dos usuários externos à empresa. Já a letra C também está errada, pois foi a auditoria interna que surgiu a partir da necessidade de um aprofundamento da situação da empresa. As alternativas D e E

    ficariam corretas se substituíssemos os termos auditoria interna / auditores internos por auditoria independente / auditores independentes, respectivamente. Resposta: A.

    3. (Cespe-UnB/MC/2008)A auditoria especial examina de maneira tempestiva e não prevista fatos ou situações consideradas relevantes, de natureza incomum ou extraordinária atendendo à solicitação expressa de autoridade competente.

    Comentários:

    A afirmação está contida na parte teórica do capítulo. De forma complementar, gostaríamos de esclarecer que os órgãos de Auditoria realizam anualmente um planejamento de trabalhos para o ano seguinte, com vistas a identificar sua real capacidade de “produção”, conforme os meios disponíveis. Entretanto, é bastante comum que alguns órgãos competentes, como o Poder Judiciário ou o Ministério Público, solicitem auditorias para instruir procedimentos judiciais ou administrativos. Esses trabalhos são denominados Auditorias Especiais. Resposta: Certo.

    4. (Cespe-UnB/AUGE-MG/2009) A auditoria da gestão pública é a vertente da auditoria governamental realizada pelo Estado visando ao controle de sua gestão. Assinale a opção correta acerca dos tipos de auditoria governamental.

    • a) A verificação do cumprimento da legislação pertinente é objeto da auditoria contábil.

    • b) A auditoria de sistemas tem, entre outros, o objetivo de identificar as áreas críticas e riscos potenciais, proporcionando as bases para a sua eliminação ou redução.

    • c) A análise da realização físico-financeira, em face dos objetivos e metas estabelecidos, é um aspecto contemplado pela auditoria de gestão.

    • d) A auditoria integral utiliza-se de critérios sob a ótica dos quais busca avaliar a organização, como, por exemplo, a gestão e o desenvolvimento de pessoas.

    • e) Constitui objetivo da auditoria operacional aferir a confiabilidade, a segurança, a fidedignidade e a consistência dos sistemas administrativos, gerenciais e de informações.

    Comentários:

    Questão extraída da classificação encontrada na obra de Peter e Machado (2008), acerca dos tipos de auditoria governamental. Como podemos observar, a única alternativa correta é a letra E. As demais trazem conceitos equivocados. Procurem, no estudo das classificações, identificar palavras ou expressões-chave, que normalmente não faltariam na definição do assunto, como por exemplo:

    • auditoria de sistemas: sistemas eletrônicos de processamento de dados;

    • auditoria especial: natureza incomum ou extraordinária – autoridade. Resposta: E.

    Capítulo 2

    Auditoria Independente: Responsabilidade Legal, Objetivos Gerais, Normas de Auditoria Independente, Ética Profissional e Controle de Qualidade

    Principais legislações correlacionadas ao capítulo:

    NBC TA 200, NBC TA 210, NBC TA 220, NBC PA 01, Resolução CFC n o 803/1996.

    2.1. Aspectos Gerais da Auditoria Independente

    Para iniciarmos os estudos acerca da Auditoria Independente, trouxemos alguns conceitos encontrados na doutrina e que muitas vezes são cobrados em sua literalidade. Crepaldi (2012):

    “levantamento, estudo e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações, rotinas e das demonstrações financeiras de uma entidade. A auditoria das demonstrações contábeis constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre sua adequação, consoante os princípios Fundamentais de Contabilidade e pertinente à legislação específica.” (grifo nosso)

    Franco e Marra (2011):

    “A auditoria compreende o exame de documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas, relacionadas com o controle do patrimônio, objetivando mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis deles decorrentes”. (grifo nosso)

    Apesar da importância das definições encontradas na doutrina, as bancas preferem explorar os conceitos apresentados pelas normas de auditoria. Dessa forma, como o foco desta obra é a prova de Auditoria, a definição mais importante se encontra na NBC TA 200, que trata dos objetivos gerais do auditor independente e a condução da auditoria em conformidade com normas de auditoria. Segundo a norma, o objetivo da Auditoria das Demonstrações Contábeis é:

    “aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável.” (grifo nosso)

    Como podemos observar, a emissão de uma opinião independente é o principal objetivo da auditoria, passando pelo exame do objeto auditado, particularmente as demonstrações contábeis. A auditoria independente surgiu (ou pelo menos ganhou força) a partir da necessidade de captação de recursos por parte das empresas que estavam deixando de ser familiares, fruto

    da evolução do capitalismo. Nesse sentido, a finalidade da emissão dessa opinião é dar a maior credibilidade possível às demonstrações contábeis elaboradas pelo setor de contabilidade e divulgadas aos interessados no conhecimento da “saúde financeira” da companhia. Assim, uma auditoria independente envolve a aplicação de técnicas e procedimentos especializados, em busca de evidências que digam respeito aos valores divulgados nas demonstrações contábeis, incluindo a avaliação das práticas contábeis utilizadas e da razoabilidade das estimativas apresentadas pela administração (mensuração de itens que não podem ser definidos com precisão).

    da evolução do capitalismo. Nesse sentido, a finalidade da emissão dessa opinião é dar a maior

    ATENÇÃO!

    O objetivo principal da auditoria independente é a emissão de uma opinião sobre a adequação das demonstrações contábeis à estrutura de Relatório Financeiro Aplicável.

    De acordo com Franco e Marra (2011), essa fiscalização dá maior consistência e veracidade aos registros e demonstrações contábeis, pelas seguintes razões, dentre outras:

    • O profissional que executa os registros contábeis o faz com maior atenção e rigor, pelo simples fato de saber que seu trabalho será examinado e seus erros apontados.

    • Empregados e administradores temem erros e fraudes, na certeza de que estes poderão ser apontados aos poderes superiores.

    • Os titulares do patrimônio, por sua vez, prestam contas, através da auditoria, a seus credores e ao fisco.

    Complementarmente, ainda segundo os autores, a auditoria independente apresenta as seguintes vantagens aos usuários das demonstrações contábeis:

    • Contribui para maior exatidão das demonstrações contábeis.

    Possibilita melhores informações

    sobre a real situação econômica, patrimonial e

    financeira das empresas. • Assegura maior exatidão dos resultados apurados.

    Entretanto, a auditoria independente, como qualquer outra atividade, apresenta algumas limitações que devem ser conhecidas pelo auditor, a fim de que possa reduzi-las a um nível coerente com o cumprimento de seus objetivos. Essas limitações dizem respeito, principalmente, ao fato de que a auditoria não pode ser interpretada como substituta da administração no cumprimento de seus objetivos de gestão. A auditoria independente, por sua vez, não dispõe de meios suficientes (pessoal, tempo, recursos) para uma análise aprofundada de todos os aspectos das demonstrações financeiras, limitando-se aos mais relevantes, que são aqueles com possibilidade de influenciar a opinião do usuário quanto às demonstrações. O auditor trabalha por amostragem, dessa forma, irregularidades podem passar desapercebidas, o que não quer dizer que seu trabalho não tenha sido bem conduzido. O profissional responsável pelo trabalho de auditoria é denominado auditor independente, normalmente integrante de uma firma de auditoria contratada pela empresa

    a ser auditada para a emissão da opinião sobre as demonstrações contábeis. Mas vamos a um questionamento: se o objetivo principal do auditor independente é a emissão de sua opinião, qual seria um dos objetivos secundários mais importantes? Coloquem-se na condição de um profissional que deva emitir uma opinião, e que, para isso, é contratado anualmente. Imaginem ainda que há uma concorrência entre as empresas de auditoria, e que sua opinião servirá de base para centenas, até milhares de pessoas decidirem os rumos de seus investimentos para o próximo ano. Qual seria o atributo essencial a ser perseguido pelo auditor, no intuito de se manter no mercado? Acertou quem pensou em credibilidade. O auditor que não tem credibilidade é incapaz de emitir um relatório que cumpra o papel de atestar as condições da situação econômico- financeira de uma empresa, apresentada nas demonstrações contábeis. E provavelmente não seria novamente contratado para novos trabalhos. Para que a opinião emitida pelo auditor possua credibilidade, além da qualidade indispensável a qualquer trabalho profissional, faz-se necessária uma padronização de técnicas e procedimentos utilizados, assim como da elaboração de relatórios. Para tanto, foram elaboradas as normas de auditoria. Atualmente, no Brasil, as mais importantes são as Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas de Auditoria (NBC TA) e Normas Brasileiras de Contabilidade – Profissionais de Auditoria (NBC PA), que serão a base da presente obra. Como veremos em outro momento, a administração conta com uma Auditoria Interna para executar um trabalho de assessoramento, auxiliando no cumprimento dos objetivos operacionais da empresa.

    2.2. Normas de Auditoria Independente

    Normas de auditoria são as regras estabelecidas pelos órgãos reguladores da profissão contábil, em todos os países, com o objetivo de regulação e apresentação de diretrizes a serem seguidas por esses profissionais no exercício de suas funções. Elas estabelecem os conceitos básicos sobre as exigências em relação à pessoa do auditor, à execução de seu trabalho e ao parecer que deverá por ele ser emitido (Franco e Marra, 2011). Embora na maioria das vezes tenham um caráter de guia profissional, acabam fixando limites nítidos de responsabilidades, além de orientar o comportamento do auditor em relação a sua capacitação e controle de qualidade dos trabalhos realizados. No Brasil, desde 1972 temos normas de auditoria relacionadas a esses objetivos, sendo que, atualmente, estão em vigor normas elaboradas pelo Conselho Federal de Contabilidade – CFC – em conjunto com o Instituto de Auditores Independentes do Brasil – Ibracon –, além da Comissão de Valores Mobiliários – CVM –, do Banco Central do Brasil – Bacen – e da Superintendência de Seguros Privados – Susep. Vamos apresentar algumas características das normas do CFC, por serem as mais exigidas nos concursos. Vimos na Introdução que, até o ano de 2009, não havia dúvida sobre quais normas seriam

    cobradas nas provas, em relação à auditoria independente, pois estava em vigor a NBC T-11 (Resolução 820/97, Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis) e suas derivadas. Entretanto, no final daquele ano houve a convergência dessas normas brasileiras aos padrões internacionais de auditoria definidos pela IFAC – International Federation of Accounting (Federação Internacional de Contadores). O IFAC é uma organização global da profissão contábil, que possui a missão, segundo consta em sua página na Internet, de contribuir para o desenvolvimento, adoção e aplicação de normas internacionais de alta qualidade e orientação; além de contribuir para o desenvolvimento de organizações e profissionais de contabilidade e para a utilização de práticas de alta qualidade por contadores profissionais, dentre outras (www.ifac.org – tradução livre). As Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC – editadas pelo CFC devem seguir os padrões internacionais e compreendem as normas propriamente ditas, as interpretações técnicas e os comunicados técnicos. As normas de auditoria independente são aprovadas pelo CFC por meio de Resoluções, e classificadas em normas profissionais (NBC PA) e normas técnicas (NBC TA). Enquanto as NBC PA estabelecem regras e procedimentos de conduta a serem observados como requisitos para o exercício profissional contábil, as NBC TA descrevem conceitos doutrinários, princípios e procedimentos a serem aplicados quando da realização dos trabalhos.

    A Resolução CFC n o 1.328/11, de 18/03/11, que dispõe sobre a Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade, estabelece que as Normas Brasileiras de Contabilidade se estruturam conforme se segue:

    Normas Profissionais:

    I – Geral – NBC PG – aplicadas indistintamente a todos os profissionais de Contabilidade;

    II

    do Auditor Independente – NBC PA– aplicadas, especificamente, aos contadores que atuam como auditores independentes;

    III – do Auditor Interno – NBC PI – aplicadas especificamente aos contadores que atuam como auditores internos;

    IV – do Perito – NBC PP – aplicadas especificamente aos contadores que atuam como peritos contábeis.

    Normas Técnicas:

    I – Geral – NBC TG – são as Normas Brasileiras de Contabilidade convergentes com as normas internacionais emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB); e as Normas Brasileiras de Contabilidade editadas por necessidades locais, sem equivalentes internacionais;

    II – do Setor Público – NBC TSP – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público, convergentes com as Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor

    Público, emitidas pela International Federation of Accountants (IFAC); e as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público editadas por necessidades locais, sem equivalentes internacionais;

    III – de Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica – NBC TA – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Auditoria convergentes com as Normas Internacionais de Auditoria Independente emitidas pelo IFAC;

    IV – de Revisão de Informação Contábil Histórica – NBC TR – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Revisão convergentes com as Normas Internacionais de Revisão emitidas pela IFAC;

    V – de Asseguração de Informação Não Histórica – NBC TO – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Asseguração convergentes com as Normas Internacionais de Asseguração emitidas pela IFAC;

    VI – de Serviço Correlato – NBC TSC – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas aos Serviços Correlatos convergentes com as Normas Internacionais para Serviços Correlatos emitidas pela IFAC;

    VII – de Auditoria Interna – NBC TI – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Auditoria Interna;

    VIII

    de Perícia – NBC TP – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Perícia;

    IX – de Auditoria Governamental – NBC TAG – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Auditoria Governamental convergentes com as Normas Internacionais de Auditoria Governamental emitidas pela Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores (INTOSAI).

    Para tentar ilustrar melhor, apresentamos a seguir um quadro-resumo das normas. As principais para as provas de auditoria são as NBC TA, NBC PA, NBC TI e NBC PI.

    Público, emitidas pela International Federation of Accountants (IFAC); e as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao

    Figura 2.1 – Código de ética. Fonte: IBRACON

    Mas surge a seguinte dúvida: a adoção dessas normas é obrigatória? Sim. De acordo com a própria Resolução CFC n o 1.328/2011, a inobservância às NBC constitui infração disciplinar

    sujeita às penalidades previstas no Decreto-Lei n o 9.295/46, alterado pela Lei n o 12.249/10, e ao Código de Ética Profissional do Contador. De forma simplificada, podemos dizer que as Normas Brasileiras de Contabilidade são classificadas em Normas Técnicas e Profissionais, e compreendem:

    • Código de Ética Profissional do Contabilista;

    • Normas de Contabilidade; • Normas de Auditoria Independente e de Asseguração; • Normas de Auditoria Interna; • Normas de Perícia.

    Em 27 de novembro de 2009, o CFC publicou a Resolução n o 1.203/09, que aprovou a NBC

    TA

    200

    Objetivos

    Gerais

    do

    Auditor

    Independente e a Condução da Auditoria em

    Conformidade com Normas de Auditoria –, revogando NBC T-11 e suas derivadas. Essa NBC

    TA é chamada de “mãe” de todas as outras normas. Por isso, se querem se aprofundar no tema, sugerimos começar por ela. As principais normas estão relacionadas no Anexo I ao final deste livro. A íntegra pode ser

    pesquisada no

    site

    do

    CFC,

    no

    seguinte

    link:

    Figura 2.1 – Código de ética. Fonte: IBRACON Mas surge a seguinte dúvida: a adoção dessashttp://www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx > seguinte link: ATENÇÃO ! As práticas adotadas pelas entidades em assuntos não regulados , desde que atendam à NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL, emitida pelo CFC e, por conseguinte, em consonância com as normas contábeis internacionais, podem ser utilizadas pelo auditor, visto que fazem parte das práticas contábeis brasileiras. As práticas não necessitam estar formalizadas, desde que atendam a essa norma. 2.3. Ética Profissional De acordo com o dicionário online Michaelis, ética é o conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão. Ou seja, não estamos falando em conceitos técnicos, nem do cumprimento de leis e normas, mas de princípios morais. Dessa forma, determinada atitude profissional pode até cumprir todos os requisitos legais, mas não ser aceitável do ponto de vista ético (moral). Para entendermos esse conceito, vamos voltar no tempo. No início dos anos 2000, foram descobertas manipulações contábeis em uma das empresas mais importantes dos Estados Unidos, a operadora de commodities de gás natural ENRON. De acordo com Borgerth (2007), a empresa admitiu, sob a intervenção da SEC (Securities and Exchange Comission), ter inflado seus lucros em aproximadamente US$600 milhões nos últimos quatro anos (naquela época). Não vamos nos aprofundar no mecanismo utilizado para a manipulação, mas o que importa é que ficou evidenciado que o comportamento dos advogados, dos analistas de mercado e dos auditores independentes da empresa indicava falta de ética. " id="pdf-obj-30-75" src="pdf-obj-30-75.jpg">

    ATENÇÃO!

    As práticas adotadas pelas entidades em assuntos não regulados, desde que atendam à NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL, emitida pelo CFC e, por conseguinte, em consonância com as normas contábeis internacionais, podem ser utilizadas pelo auditor, visto que fazem parte das práticas contábeis brasileiras. As práticas não necessitam estar formalizadas, desde que atendam a essa norma.

    2.3. Ética Profissional

    De acordo com o dicionário online Michaelis, ética é o conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão. Ou seja, não estamos falando em conceitos técnicos, nem do cumprimento de leis e normas, mas de princípios morais. Dessa forma, determinada atitude profissional pode até cumprir todos os requisitos legais, mas não ser aceitável do ponto de vista ético (moral). Para entendermos esse conceito, vamos voltar no tempo. No início dos anos 2000, foram descobertas manipulações contábeis em uma das empresas mais importantes dos Estados Unidos, a operadora de commodities de gás natural ENRON. De acordo com Borgerth (2007), a empresa admitiu, sob a intervenção da SEC (Securities and Exchange Comission), ter inflado seus lucros em aproximadamente US$600 milhões nos últimos quatro anos (naquela época). Não vamos nos aprofundar no mecanismo utilizado para a manipulação, mas o que importa é que ficou evidenciado que o comportamento dos advogados, dos analistas de mercado e dos auditores independentes da empresa indicava falta de ética.

    Para termos uma ideia do estrago, na época, a indicação de “compra” de ações da empresa era quase unânime. Com o escândalo, ocorreu o desequilíbrio do mercado, com os acionistas buscando vender as ações o mais rápido possível, os preços caindo, e o desespero se instalando. A empresa de auditoria independente – Arthur Andersen, uma das big five na época – não se recuperou mais. No Brasil, por exemplo, era a segunda em volume de negócios. Hoje em dia, consideramos apenas as big four (PWC, Deloitte, KPMG e Ernst & Young). Os escândalos não pararam na ENRON. Foram descobertos indícios de manipulações na Worldcom, Xerox, Bristol-Myers Squibb, Merck, Tyco, Imclone systems, Parmalat (Itália). Grande parte das alterações promovidas para “mascarar” as demonstrações contábeis foi realizada dentro de princípios legais, por meio de brechas na legislação. Ações em conformidade com a lei, mas eticamente criticáveis. Nesse ponto, cabe destacar que tanto faz o objetivo da realização de uma ação contrária à ética: não importa se em proveito pessoal ou da empresa (a chamada “boa intenção”). A ética deve ser seguida de forma inflexível, e deve permear todas as relações internas e externas. É uma postura essencial. Como já dissemos, nem sempre a atitude do gestor é ilegal, mas pode ser pouco ética, o que vai prejudicar a imagem da companhia frente ao mercado.

    A Resolução CFC n o 803/96 aprovou o Código de Ética Profissional do Contador – CEPC –, que tem por objetivo fixar a forma pela qual se devem conduzir os profissionais da Contabilidade, quando no exercício profissional e nos assuntos relacionados à profissão e à classe. De acordo com o referido Código, são deveres do Profissional da Contabilidade, e consequentemente do auditor independente, dentre outros:

    • exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade e capacidade técnica, observada toda a legislação vigente, em especial aos Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade, e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profissionais; (ZELO, INTEGRIDADE E COMPETÊNCIA)

    • guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício profissional lícito, inclusive no âmbito do serviço público, ressalvados os casos previstos em lei ou quando solicitado por autoridades competentes, entre estas os Conselhos Regionais de Contabilidade;

    (CONFIDENCIALIDADE)

    • inteirar-se de todas as circunstâncias, antes de emitir opinião sobre qualquer caso;

    (EFICIÊNCIA)

    • renunciar às funções que exerce, logo que se positive falta de confiança por parte do cliente ou empregador, a quem deverá notificar com 30 dias de antecedência, zelando, contudo, para que os interesses dos mesmos não sejam prejudicados, evitando declarações públicas sobre os motivos da renúncia; (CREDIBILIDADE)

    • cumprir os Programas Obrigatórios de Educação Continuada estabelecidos pelo CFC;

    (QUALIDADE)

    Segundo o Código de Ética, o Contador na função de perito, assistente técnico, auditor ou árbitro, deverá:

    • recusar sua indicação quando reconheça não se achar capacitado em face da especialização requerida;

    • abster-se de interpretações tendenciosas sobre a matéria que constitui objeto de perícia, mantendo absoluta independência moral e técnica na elaboração do respectivo laudo;

    • abster-se de expender argumentos ou dar a conhecer sua convicção pessoal sobre os direitos de quaisquer das partes interessadas, ou da justiça da causa em que estiver servindo, mantendo seu laudo no âmbito técnico e limitado aos quesitos propostos;

    considerar

    com imparcialidade o pensamento exposto em laudo submetido à sua

    apreciação;

    • mencionar obrigatoriamente fatos que conheça e repute em condições de exercer efeito sobre peças contábeis objeto de seu trabalho;

    • abster-se de dar parecer ou emitir opinião sem estar suficientemente informado e munido de documentos;

    • assinalar equívocos ou divergências que encontrar no que concerne à aplicação dos Princípios de Contabilidade e NBC editadas pelo CFC;

    • considerar-se impedido para emitir parecer ou elaborar laudos sobre peças contábeis, observando as restrições das NBC editadas pelo CFC;

    • atender à Fiscalização dos Conselhos Regionais de Contabilidade e Conselho Federal de Contabilidade no sentido de colocar à disposição destes, sempre que solicitado, papéis de trabalho, relatórios e outros documentos que deram origem e orientaram a execução do seu trabalho.

    De acordo com Attie (2010), a função da auditoria deve ser exercida em caráter de entendimento, e o trabalho executado deve merecer toda a credibilidade possível, não podendo existir qualquer sombra de dúvida quanto à honestidade e aos padrões morais do auditor. Para o autor, a profissão de auditoria exige a obediência aos princípios éticos profissionais, que fundamentalmente se apoiam em independência, integridade, eficiência e confidencialidade. Já a NBC TA 200 informa que os princípios fundamentais de ética profissional relevantes para o auditor, quando da condução de auditoria de demonstrações contábeis, estão implícitos no Código de Ética Profissional do Contabilista e na NBC PA 01, que trata do controle de qualidade. Esses princípios estão em linha com os princípios do Código de Ética do IFAC, cujo cumprimento é exigido dos auditores, e são os seguintes:

    Figura 2.2 – princípios do Código de Ética do IFAC 2.3.1. Integridade De acordo com Attie
    Figura 2.2 – princípios do Código de Ética do IFAC 2.3.1. Integridade De acordo com Attie
    Figura 2.2 – princípios do Código de Ética do IFAC 2.3.1. Integridade De acordo com Attie
    Figura 2.2 – princípios do Código de Ética do IFAC 2.3.1. Integridade De acordo com Attie
    Figura 2.2 – princípios do Código de Ética do IFAC 2.3.1. Integridade De acordo com Attie

    Figura 2.2 – princípios do Código de Ética do IFAC

    • 2.3.1. Integridade

    De acordo com Attie (2010), o auditor deve ser íntegro em todos os seus compromissos, que envolvam:

    a empresa auditada quanto às suas exposições e opiniões, exercício de seu trabalho e os serviços e honorários profissionais;

    o público em geral e pessoas interessadas na opinião emitida pelo auditor independente, transmitindo validade e certificando a veracidade das informações contidas nas demonstrações contábeis ou de exposições quando não refletida a realidade em tais demonstrações;

    a entidade de classe a qual pertença, sendo leal quanto à concorrência dos serviços junto a terceiros, não concessão de benefícios financeiros ou aviltando honorários, colocando em risco os objetivos do trabalho.

    A integridade constitui o valor central da ética do auditor, obrigado a cumprir normas elevadas de conduta de honestidade e imparcialidade durante seu trabalho e em suas relações com o pessoal das entidades auditadas. A percepção dessa integridade dos auditores é que faz com que a confiança da sociedade seja preservada, e possa ser medida em função do que é correto e justo, exigindo que os auditores se ajustem tanto à forma quanto ao espírito das normas de auditoria e de ética. Exige também que os auditores observem os princípios de objetividade (ou imparcialidade) e independência, mantendo normas acertadas de conduta profissional e tomando decisões de acordo com o Interesse Público, com critérios de honestidade absoluta na realização de seu trabalho.

    • 2.3.2. Eficiência

    Em relação à ética profissional, a eficiência é considerada como o atributo segundo o qual o serviço de auditoria independente precisa ser estabelecido conforme padrões técnicos adequados. O auditor deve se inteirar de todas as circunstâncias que envolvam seu trabalho, antes de emitir opinião sobre qualquer caso, visando principalmente à manutenção da credibilidade por parte dos usuários da informação produzida. Seus relatórios e pareceres devem atender aos objetivos da auditoria.

    2.3.3. Confidencialidade

    De acordo com a NBC P1 – IT 02, é relevante que todos os auditores observem procedimentos de proteção de informações sigilosas, obtidas durante o relacionamento com o cliente, quer por meio eletrônico ou por meios tradicionais, sendo de especial atenção o uso de redes de computador internas ou externas (Internet). Em decorrência da sofisticação do mercado em que atuam os auditores e seus clientes, são requeridas dos auditores contínua pesquisa e constante atualização quanto aos assuntos técnicos relacionados com as operações e os negócios dos clientes. Durante a fase de obtenção de dados sobre o cliente em potencial, os auditores devem verificar se a sua contratação não violaria quaisquer normas profissionais e internas, especialmente aquelas sobre independência e conflito de interesses, bem como as relacionadas ao Código de Ética Profissional do Contabilista. Segundo a NBC P 1.6, o sigilo profissional do Auditor Independente deve ser observado nas seguintes circunstâncias:

    • a) na relação entre o Auditor Independente e a entidade auditada;

    • b) na relação entre os Auditores Independentes;

    • c) na relação entre o Auditor Independente e os organismos reguladores e fiscalizadores;

    • d) na relação entre o Auditor Independente e demais terceiros.

    O Auditor Independente, quando previamente autorizado por escrito pela entidade auditada, deve fornecer as informações julgadas necessárias ao trabalho do Auditor Independente que o suceder, e que serviram de base para emissão do último Relatório de Auditoria. Além disso, quando solicitado, por escrito e fundamentadamente, pelo Conselho Federal de Contabilidade ou pelos Conselhos Regionais de Contabilidade, deve exibir as informações obtidas durante o seu trabalho, de modo a demonstrar que foi realizado de acordo com as normas legais aplicáveis.

    Resumindo... Como regra, o auditor não pode divulgar as informações obtidas durante o seu trabalho na entidade auditada, a não ser que:

    Tenha autorização expressa da entidade auditada. Haja obrigações legais que o obriguem a fazê-lo, incluindo o atendimento ao CFC e CRC.

    2.4. Requisitos do Auditor

    Além dos requisitos éticos relacionados à auditoria de demonstrações contábeis, a NBC TA 200 estabelece outros quatro, quais sejam:

    • a) Ceticismo Profissional

    O auditor deve planejar e executar a auditoria com ceticismo profissional, reconhecendo que podem existir circunstâncias que causam distorção relevante nas demonstrações contábeis (diferenças entre o padrão estabelecido e a situação apresentada, que possam

    influenciar na tomada de decisão do usuário da informação contábil). O ceticismo profissional inclui postura questionadora e também estar alerta, por exemplo, a:

    • evidências de auditoria que contradigam outras evidências obtidas;

    • informações que coloquem em dúvida a confiabilidade dos documentos e respostas a indagações a serem usadas como evidências de auditoria;

    • condições que possam indicar possível fraude;

    • circunstâncias que sugiram a necessidade de procedimentos de auditoria além dos exigidos pelas NBC TAs.

    O ceticismo profissional deve ser observado ao longo de toda a auditoria, por exemplo, para que o auditor reduza os riscos de:

    • ignorar circunstâncias não usuais;

    • generalização excessiva ao tirar conclusões das observações de auditoria;

    • uso inadequado de premissas ao determinar

    a

    natureza, a época e a extensão

    dos

    procedimentos de auditoria e ao avaliar os resultados destes.

    • b) Julgamento Profissional

    Boa parte das decisões tomadas que envolvam um trabalho de auditoria, em todas as suas fases, tem por base o julgamento profissional do auditor, tendo em vista que não seria razoável padronizar todas as condutas possíveis de serem observadas no caso prático. Esse julgamento profissional está relacionado à soberania do auditor e é necessário, em particular, nas decisões sobre:

    • materialidade e risco de auditoria;

    natureza,

    época

    e

    extensão

    dos

    procedimentos

    de

    auditoria

    aplicados

    para

    o

    cumprimento das exigências das normas e a coleta de evidências;

    • avaliar se foi obtida evidência de auditoria suficiente e apropriada e se algo mais precisa ser feito para que sejam cumpridos os objetivos gerais do auditor;

    • avaliar as opiniões da administração na aplicação da estrutura de relatório financeiro aplicável da entidade;

    • extrair conclusões baseadas nas evidências obtidas, por exemplo, pela avaliação da

    razoabilidade

    das

    estimativas

    feitas

    demonstrações contábeis.

    pela

    administração

    na

    elaboração

    das

    • c) Evidência de auditoria apropriada e suficiente e risco de auditoria Para obter segurança razoável, o auditor deve obter evidência de auditoria apropriada e

    suficiente para reduzir o risco de auditoria a um nível baixo aceitável e, com isso, possibilitar a ele obter conclusões razoáveis e nelas basear a sua opinião.

    • d) Condução da auditoria em conformidade com NBC TAs

    Normas guiam o auditor na condução dos trabalhos. O auditor deve cumprir exigências legais e regulatórias, além das NBC TAs. Conformidade com as NBC TAs relevantes + procedimentos adicionais.

    2.5. Independência

    A Resolução CFC n o 1.311/10 aprovou a NBC PA 290, que trata da Independência, estabelecendo condições e procedimentos para cumprimento dos requisitos de independência profissional nos trabalhos de auditoria. Segundo a referida norma, os conceitos sobre a independência devem ser aplicados por auditores para:

    2.5. Independência A Resolução CFC n 1.311/10 aprovou a NBC PA 290, que trata da Independência,

    Figura 2.3 – Objetivos dos conceitos sobre a independência.

    Quando o auditor avalia que salvaguardas apropriadas não estão disponíveis ou não podem ser aplicadas para eliminar as ameaças ou reduzi-las a um nível aceitável, deve procurar eliminar a circunstância ou relacionamento que cria essas ameaças, declinar ou descontinuar o trabalho de auditoria – julgamento profissional. Em suma, independência é a capacidade que a entidade de auditoria tem de julgar e atuar com integridade e objetividade, permitindo a emissão de relatórios imparciais em relação à entidade auditada, aos acionistas, aos sócios, aos quotistas, aos cooperados e a todas as demais partes que possam estar relacionadas com o seu trabalho. Um aspecto interessante quanto à independência, que é tratado na norma, é que não basta ser independente, sendo necessário parecer ser independente, já que a independência compreende:

    a ) independência de pensamento – postura que permite a apresentação de conclusão que não sofra efeitos de influências que comprometam o julgamento profissional, permitindo que a pessoa atue com integridade, objetividade e ceticismo profissional.

    b) aparência de independência – evitar fatos e circunstâncias significativos a ponto de um terceiro bem informado concluir que a integridade, a objetividade ou o ceticismo profissional da entidade de auditoria ou de membro da equipe de auditoria ficaram comprometidos.

    ATENÇÃO! Não basta ser independente, é necessário parecer ser independente, já que a independência exige:

    a) Independência de pensamento; b) Aparência de independência.

    Outra norma do CFC que ainda está em vigor e que trata da independência do auditor externo é a NBC P1 – IT 02, que define situações que podem caracterizar a perda de independência da entidade de auditoria em relação à entidade auditada, exemplificando:

    Interesses financeiros: propriedade de títulos e valores mobiliários e quaisquer outros tipos de investimentos adquiridos ou mantidos pela entidade de auditoria. Empréstimos e garantias: a Entidade de auditoria, sócios, membros da equipe e membros imediatos da família destas pessoas não podem ter empréstimos com Bancos/Instituições Financeiras que sejam entidades auditadas. Relacionamentos comerciais com a entidade auditada: as transações comerciais do auditor independente, de sócios e membros da equipe de auditoria com uma entidade auditada devem ser feitas dentro do curso normal de negócios e na mesma condição com terceiros. Relacionamentos familiares e pessoais: a perda de independência está sujeita a uma série de fatores; dentre eles, as responsabilidades do membro da equipe de auditoria no trabalho, a proximidade do relacionamento e o papel do membro da família ou de relacionamento pessoal na entidade auditada. Vínculos empregatícios ou similares por administradores, executivos ou empregados da entidade auditada, mantidos anteriormente com a entidade de auditoria: nesse ponto, a NBC PA 290 estabelece que:

    “a independência em relação ao cliente de auditoria é requerida durante o período de contratação e o período coberto pelas demonstrações contábeis. O período de contratação começa quando a equipe de auditoria começa a executar serviços de auditoria. O período de contratação termina quando o relatório de auditoria é emitido”.

    Membros da entidade de auditoria que, anteriormente, eram administradores, executivos ou empregados da entidade auditada.

    Manutenção dos líderes de equipe de auditoria: autilização dos mesmos profissionais de liderança (sócio, diretor e gerente) na equipe de auditoria, numa mesma entidade auditada, por um longo período, pode criar a perda da objetividade e do ceticismo necessários na auditoria. Prestação de outros serviços: as entidades de auditoria prestam, usualmente, outros serviços para as entidades auditadas, compatíveis com seu nível de conhecimento e capacitação, que não podem criar ameaças à independência. Presentes e brindes: quando uma entidade de auditoria ou membro de equipe aceita presentes, brindes ou outros benefícios cujo valor não seja claramente insignificante, a perda de independência é caracterizada. Litígios em curso ou iminentes: quando há litígio entre a entidade de auditoria ou um membro da sua equipe e a entidade auditada. Incompatibilidade ou inconsistência do valor dos honorários: os honorários dos serviços de auditoria devem ser compatíveis com os investimentos em formação e com a remuneração profissional. O estabelecimento de honorários substancialmente inferiores do poderia ser considerado razoável será caracterizado como perda de independência. Essas situações, consideradas ameaças à independência, se enquadram em uma ou mais de

    uma das categorias a seguir:

    Ameaça de interesse próprio

    É a ameaça de que interesse financeiro ou outro interesse influenciará o julgamento ou o comportamento do auditor.

    Ameaça de autorrevisão

    É a ameaça de que o auditor não avaliará apropriadamente os resultados de julgamento dado ou serviço prestado anteriormente por ele nos quais o auditor confiará para formar um julgamento como parte da prestação do serviço atual.

    Ameaça de defesa de interesse do cliente

    É a ameaça de que o auditor promoverá ou defenderá a posição de seu cliente a ponto em que a sua objetividade fique comprometida.

    Ameaça de familiaridade

    É a ameaça de que, devido ao relacionamento longo ou próximo com o cliente, o auditor tornar-se-á solidário aos interesses dele ou aceitará seu trabalho sem muito questionamento.

    Ameaça de intimidação

    É a ameaça de que o auditor será dissuadido de agir objetivamente em decorrência de pressões reais ou aparentes, incluindo tentativas de exercer influência indevida sobre o auditor.

    Figura 2.4 – Ameaças à independência.

    Quando são identificadas ameaças, exceto aquelas claramente insignificantes, devem ser definidas e aplicadas salvaguardas adequadas para eliminar a ameaça ou reduzi-la a um nível aceitável. Já o Código de Ética do Contabilista prescreve que, no desempenho de suas funções, é vedado ao Profissional da Contabilidade renunciar à liberdade profissional, devendo evitar quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficácia e correção de seu trabalho. A NBC PA 01, que trata do Controle de Qualidade para Firmas (Pessoas Jurídicas e Físicas) de Auditores Independentes, determina a necessidade de implementação e a manutenção de políticas e procedimentos de supervisão e controle interno de qualidade que forneçam segurança razoável do cumprimento das normas profissionais, regulatórias e legais, quanto à necessária independência do auditor, exigindo uma declaração individual dos profissionais da entidade de auditoria da existência, ou não, das seguintes questões relacionadas a entidades auditadas:

    • interesses financeiros;

    • operações de créditos e garantias; • relacionamentos comerciais relevantes estreitos com a entidade auditada; • relacionamentos familiares e pessoais; e

    • membros

    da

    entidade de auditoria

    empregados da entidade auditada.

    que já

    foram

    administradores, executivos

    ou

    Assim, podemos concluir que a independência do auditor está intimamente ligada não apenas à ética profissional, mas também à qualidade das auditorias realizadas.

    2.6. Responsabilidade do Auditor

    A responsabilidade do trabalho do auditor para com a sociedade em geral (auditor externo) e com dirigentes da empresa (auditor interno e externo) é indiscutível, e, no desempenho de suas funções, pode ser responsabilizado por danos eventualmente causados a terceiros. Podemos dividir a responsabilidade do auditor da seguinte forma:

    2.6.1.

    Responsabilidade perante os Conselhos de Classe

    Auditor independente, no Brasil, deve ser o contador com registro no Conselho Regional de Contabilidade – CRC. Não há uma regulamentação específica para a profissão do auditor, visto que seu trabalho é considerado como uma das técnicas contábeis utilizadas pela Contabilidade, como já vimos. Como em relação a qualquer outro profissional, vamos encontrar referências acerca de sua atuação na legislação como um todo, mas o que temos de entender como mais importante é que, em vista de contrato assumido com a empresa auditada, o auditor torna-se o responsável pelo conteúdo de seu relatório sobre as demonstrações contábeis. Entretanto, para que o auditor possa se resguardar que eventuais problemas futuros em relação à responsabilização, não basta que o contrato seja cumprido, sendo essencial que realize suas atividades com zelo, na observância das normas de auditoria pertinentes. A inobservância de qualquer princípio profissional obrigatório o sujeita a denúncia ao órgão fiscalizador da profissão contábil, o CRC, responsável por eventual aplicação de penalidade, que pode variar de advertência à suspensão do exercício profissional.

    Para finalizarmos este item, é importante ressaltar que, segundo a Resolução CFC n o 560/1983, as atividades de auditoria são privativas de contadores, não sendo permitido aos técnicos em contabilidade o exercício de auditoria.

    • 2.6.2. Responsabilidade Civil

    Não vamos nos aprofundar em conceitos jurídicos, por não ser o objetivo da presente obra, mas devemos entender que a responsabilidade civil de todo profissional de contabilidade está condicionada à obrigação de meio e não de resultado, ou seja, o auditor não se compromete a emitir um relatório com determinada conclusão, mas tão somente a realizar seu trabalho de acordo com as normas e apresentar seu relatório, cujo resultado vai depender da situação observada.

    • 2.6.3. Responsabilidade com clientes

    O trabalho de auditoria independente é caracterizado pela assinatura de um contrato, fruto de acordo entre auditor e auditado (cliente). É claro que esse contrato deve ser seguido pelas partes, motivo pelo qual o auditor deve se tornar legalmente responsável perante o cliente. Essa responsabilidade profissional está

    regulada no Decreto-lei n o 9.295, que trata da formação dos conselhos de contabilidade. O auditor precisa desenvolver capacidades em diversas áreas de conhecimento, transformando a sua função em prática altamente especializada. Diante disso, a tarefa de auditoria pode ser prestada por:

    • Profissional Liberal, individualmente;

    • Sociedade de Profissionais Liberais; • Associações de Classes de Contadores;

    • A modalidade mais difundida e frequente é a prestação de serviços de auditoria por sociedades de profissionais constituídas para tal fim (as firmas de auditoria).

    A prática de Auditoria Contábil, seja ela interna (exceto para áreas operacionais onde não estejam em análise as contas contábeis), seja externa, é de exercício exclusivo do Contador e está assim regulamentada:

    Dispositivo Legal Registro
    Dispositivo Legal
    Registro

    Resolução CFC n o 821/97

    Registro CRC – Auditores Externos

    Resolução CFC n o 781/95

    Registro CRC – Auditores Internos

    Instrução CVM n o 308/99

    Resolução BACEN n o 3.198/04

    Registro CVM – Auditores Externos que atuem no âmbito do mercado de valores mobiliários

    Registro BACEN – Auditores Independentes para Instituições Financeiras

    Resumindo... O sócio encarregado do trabalho (auditor) é o sócio ou outra pessoa na firma, responsável pelo trabalho e sua execução e pelo relatório de auditoria ou outros relatórios emitidos em nome da firma, e quem, quando necessário, tem a autoridade apropriada de um órgão profissional, legal ou regulador. Assume a responsabilidade exclusiva pela condução e resultado dos trabalhos.

    2.7. Objetivo da Auditoria Independente

    Este tema tem sido cobrado de forma literal nas novas questões de auditoria. De acordo com a NBC TA 200 – Objetivos Gerais do Auditor Independente e a Condução da Auditoria em Conformidade com Normas de Auditoria –, os objetivos gerais do auditor independente, ao conduzir a auditoria de demonstrações contábeis, são:

    a) obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis como um todo estão livres de distorção relevante, independentemente se causadas por fraude ou erro, possibilitando, assim, que o auditor expresse sua opinião sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável;

    b) apresentar relatório sobre as demonstrações contábeis e comunicar-se como exigido pelas NBC TAs, em conformidade com as constatações do auditor.

    Em todos os casos em que não for possível obter segurança razoável e a opinião com ressalva no relatório do auditor for insuficiente para atender aos usuários das demonstrações contábeis, as NBC TAs requerem que o auditor se abstenha de emitir sua opinião ou renuncie ao trabalho (isso quando a renúncia for possível de acordo com lei ou regulamentação aplicável).

    2.8. Controle de Qualidade

    A norma do CFC que trata do controle de qualidade da auditoria de demonstrações contábeis é a NBC TA 220. Ela trata das responsabilidades específicas do auditor em relação aos procedimentos de controle de qualidade da auditoria de demonstrações contábeis, e

    trata também das responsabilidades do revisor do controle de qualidade do trabalho. Deve ser lida juntamente com as exigências éticas relevantes.

    • 2.8.1. Sistema de controle de qualidade

    Os sistemas, as políticas e os procedimentos de controle de qualidade são de responsabilidade da firma de auditoria. De acordo com a NBC PA 01 – Controle de Qualidade para Firmas (Pessoas Jurídicas e Físicas) de Auditores Independentes que executam exames de auditoria e revisões de informação contábil histórica e outros trabalhos de asseguração e de serviços correlatos, a firma tem por obrigação estabelecer e manter sistema de controle de qualidade para obter segurança razoável de que:

    • a firma e seu pessoal cumprem com as normas profissionais e técnicas e as exigências legais e regulatórias aplicáveis; e

    os relatórios circunstâncias.

    emitidos pela firma ou pelos sócios do trabalho são apropriados nas

    No contexto do sistema de controle de qualidade da firma, as equipes de trabalho têm a responsabilidade de implementar procedimentos de controle de qualidade que são aplicáveis ao trabalho de auditoria e fornecer informações relevantes que permitam o funcionamento da parte do sistema de controle de qualidade relacionado com a independência do auditor. Esse sistema de controle de qualidade inclui políticas e procedimentos que tratam dos seguintes elementos:

    • responsabilidades da liderança pela qualidade na firma;

    • exigências éticas relevantes; • aceitação e continuidade de relacionamentos com clientes e trabalhos específicos; • recursos humanos; • execução do trabalho; • monitoramento.

    • 2.8.2. Definições

    Frequentemente, as bancas examinadoras retiram questões literais que tratam de conceitos, geralmente apresentados no início das normas de auditoria. Nesse sentido, os termos a seguir possuem os significados a eles atribuídos:

    Revisão de controle de qualidade do trabalho

    É um processo estabelecido para fornecer uma avaliação objetiva, na data ou antes da data do relatório, dos julgamentos relevantes feitos pela equipe de trabalho e das conclusões atingidas ao elaborar o relatório. O processo de revisão de controle de qualidade do trabalho é somente para auditoria de demonstrações contábeis de companhias abertas e de outros trabalhos de auditoria, se houver, para os quais a firma determinou a necessidade de revisão de controle de qualidade do trabalho.

    Revisor de controle de qualidade do trabalho

    É um sócio ou outro profissional da firma, uma pessoa externa adequadamente qualificada, ou uma equipe composta por essas pessoas, nenhuma delas fazendo parte da equipe de trabalho, com experiência e autoridade suficientes e apropriadas para avaliar objetivamente os julgamentos relevantes feitos pela equipe de trabalho e as conclusões atingidas para elaboração do relatório de auditoria.

    concluídos, projetado para fornecer à firma segurança razoável de que seu sistema de controle de qualidade está operando de maneira efetiva.

    Figura 2.5 – Definições.

    O sócio encarregado do trabalho deve assumir a responsabilidade pela qualidade de todos os trabalhos de auditoria para os quais foi designado.

    • 2.8.3. Aceitação e continuidade de relacionamento com clientes e trabalhos de auditoria

    O sócio encarregado do trabalho deve estar convencido de que foram seguidos os procedimentos apropriados em relação à aceitação e continuidade de relacionamentos com clientes e trabalhos de auditoria, e deve determinar se as conclusões obtidas sobre esse aspecto são apropriadas. Entretanto, se obtém informações que teriam levado a firma a declinar do trabalho se fossem de seu conhecimento no momento da aceitação, deve comunicar essas informações prontamente à firma, de modo que possam tomar as medidas necessárias.

    • 2.8.4. Execução do trabalho

    O sócio encarregado do trabalho deve assumir a responsabilidade pela:

    a ) direção, supervisão e execução do trabalho de auditoria de acordo com as normas técnicas e exigências legais e regulatórias aplicáveis;

    b) emissão do relatório apropriado nas circunstâncias.

    • 2.8.5. Revisões

    O sócio deve também assumir a responsabilidade de realizar as revisões de acordo com as políticas e os procedimentos da firma, e deve, por meio de uma revisão da documentação da auditoria e de discussão com a equipe de trabalho, estar convencido de que foi obtida evidência de auditoria apropriada e suficiente para suportar as conclusões obtidas e o relatório a ser emitido. As políticas e os procedimentos da firma sobre responsabilidades pela revisão são determinados com base no fato de que o trabalho de membros menos experientes da equipe é revisado por membros mais experientes da equipe. Uma revisão consiste em considerar se, por exemplo:

    • o trabalho foi realizado de acordo com as normas técnicas, profissionais e exigências legais e regulamentares aplicáveis;

    • foram levantados assuntos significativos para consideração adicional; • foram feitas as consultas apropriadas, documentadas e implementadas as conclusões resultantes; • há necessidade de revisar a natureza, época e extensão do trabalho realizado; • o trabalho realizado suporta as conclusões obtidas e está adequadamente documentado; • as evidências obtidas são suficientes e apropriadas para suportar o relatório;

    • os objetivos dos procedimentos do trabalho foram alcançados.

    Revisões tempestivas dos seguintes itens pelo sócio encarregado do trabalho permitem que assuntos significativos sejam prontamente resolvidos:

    • áreas críticas de julgamento, especialmente aquelas relacionadas com assuntos complexos ou controversos identificados no curso do trabalho;

    • riscos significativos; • outras áreas que o sócio encarregado do trabalho considera importante. O sócio pode revisar toda a documentação de auditoria, se entender necessário.

    • 2.8.6. Monitoramento

    Um sistema de controle de qualidade efetivo inclui um processo de monitoramento projetado para fornecer segurança razoável de que as políticas e os procedimentos relacionados com o sistema de controle de qualidade são relevantes, adequados e estão operando de maneira efetiva. O sócio encarregado deve considerar os resultados do processo de monitoramento da firma, conforme evidenciado em informações recentes e se as deficiências observadas nessas informações podem afetar o trabalho de auditoria.

    2.9. Concordância com os Termos do Trabalho de Auditoria

    A NBC TA 210 trata da responsabilidade do auditor independente em estabelecer os termos de um trabalho de auditoria com a administração e, quando apropriado, com os responsáveis pela governança, considerando que existem certas condições prévias de responsabilidade desses atores.

    • 2.9.1. Objetivo

    Em relação ao assunto, o objetivo do auditor independente é aceitar ou continuar um trabalho de auditoria somente quando as condições em que esse trabalho deve ser realizado forem estabelecidas por meio de:

    a) determinação da existência das condições prévias;

    b) confirmação de que há um entendimento comum entre o auditor independente e a administração sobre os termos do trabalho.

    Para fins das normas de auditoria, condições prévias a um trabalho de auditoria correspondem ao uso pela administração de uma estrutura de relatório financeiro aceitável na elaboração das demonstrações e a concordância da administração em relação ao pressuposto em que a auditoria é conduzida. Trabalhos de asseguração, que incluem trabalhos de auditoria, podem ser aceitos somente se o auditor independente considera que as exigências éticas relevantes, como independência e competência profissional, serão satisfeitas, e quando o trabalho apresenta certas características.

    2.9.2. Condições prévias para uma auditoria

    Para determinar se existem as condições prévias a um trabalho de auditoria, o auditor independente deve:

    a) determinar se a estrutura de relatório financeiro a ser aplicada na elaboração das demonstrações é aceitável.

    Para fins das normas de auditoria, a estrutura de relatório financeiro aplicável fornece os critérios que o auditor utiliza para examinar as demonstrações, incluindo, quando relevante, sua adequada apresentação. Os fatores relevantes para a aceitação pelo auditor da estrutura a ser aplicada na elaboração das demonstrações incluem:

    • a natureza da entidade;

    • o objetivo das demonstrações contábeis; • a natureza das demonstrações contábeis.

    2.9.2. Condições prévias para uma auditoria Para determinar se existem as condições prévias a um trabalho

    ATENÇÃO!

    As deficiências na estrutura de relatório financeiro aplicável que indicam que a estrutura não é aceitável podem ser encontradas após a aceitação do trabalho de auditoria. Quando o uso dessa estrutura não for previsto em lei ou regulamento, a administração pode decidir adotar outra estrutura que seja aceitável, sendo estabelecidos novos termos para o trabalho de auditoria.

    b)

    obter

    a

    concordância

    responsabilidade:

    da

    administração

    de

    que

    (i) pela elaboração das demonstrações contábeis; (ii) pelo controle interno; (iii) fornecer ao auditor:

    ela

    reconhece

    e

    entende

    sua

    a. acesso a todas as informações relevantes; b. informações adicionais que o auditor pode solicitar da administração para fins da auditoria; c. acesso irrestrito a pessoas da entidade que o auditor determina ser necessário.

    Alguns aspectos relevantes:

    1 – O conceito de auditoria independente requer que o papel do auditor não envolva assumir a responsabilidade pela elaboração das demonstrações contábeis ou pelo respectivo controle interno da entidade.

    2

    – Na maioria dos casos, a administração

    é

    responsável

    pela execução, enquanto os

    responsáveis pela governança, pela supervisão geral da administração.

    3

    Um

    dos objetivos de se estabelecer os termos do trabalho de auditoria é evitar mal-

    entendidos sobre as responsabilidades da administração e do auditor.

    Se a administração ou os responsáveis pela governança impõem uma limitação no alcance do trabalho do auditor, de modo que o auditor entenda que essa limitação resultará na emissão de relatório com abstenção de opinião, o auditor não deve aceitar esse trabalho de natureza limitada, a menos que exigido por lei ou regulamento.

    2.9.3.

    Acordo sobre termos do trabalho de auditoria

    Os termos do trabalho de auditoria devem ser formalizados na carta de contratação de auditoria ou outra forma adequada de acordo por escrito (contrato, por exemplo), que devem incluir:

    • a) o objetivo e o alcance da auditoria;

    • b) as responsabilidades do auditor;

    • c) as responsabilidades da administração;

    • d) a identificação da estrutura de relatório financeiro aplicável para a elaboração das demonstrações contábeis;

    • e) referência à forma e ao conteúdo esperados dos relatórios do auditor e declaração de que podem ter forma e conteúdo diferentes do esperado.

      • 2.9.4. Aceitação de mudança nos termos do trabalho

    Se os termos do trabalho de auditoria forem alterados, o auditor e a administração devem concordar com os novos termos e formalizá-los na carta de contratação ou outra forma adequada de acordo por escrito. Mas e se o auditor não concordar com a mudança? Bom, se o auditor não concordar com a mudança dos termos e a administração não permitir que ele continue o trabalho, o auditor deve:

    • a) retirar-se do trabalho, quando permitido por lei ou regulamento;

    b ) determinar se há alguma obrigação, contratual ou não, de relatar as circunstâncias a outras partes, como os responsáveis pela governança, proprietários ou reguladores.

    Um exemplo de mudança que pode ser considerada base razoável para solicitar uma alteração no trabalho de auditoria seria um mal-entendido sobre a natureza do serviço originalmente solicitado, ou seja, o tipo de trabalho a ser executado pelo auditor na empresa contratante.

    • 2.9.5. Outros assuntos que afetam a aceitação

    Se o auditor determinou que a estrutura de relatório financeiro prevista em lei ou

    regulamento não seria aceitável, exceto pelo fato de ser prevista em lei ou regulamento, deve aceitar o trabalho somente nas seguintes condições:

    • a) a administração concorda em fornecer divulgações adicionais;

    • b) nos termos do trabalho reconhecer que:

    (i) o relatório do auditor incluirá um parágrafo de ênfase;

    (ii) o auditor deva expressar a sua opinião sobre as demonstrações contábeis usando as frases “apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes”, como é o caso no Brasil, ou “apresentam uma visão verdadeira e justa” de acordo com a estrutura de relatório financeiro aplicável, a sua opinião sobre as demonstrações contábeis não incluirá essas frases.

    Se as condições descritas não existem e o auditor, por exigência de lei ou regulamento, deve assumir o trabalho de auditoria, ele deve:

    a) avaliar o efeito, no seu relatório de auditoria, da natureza enganosa das demonstrações contábeis;

    b) incluir referência apropriada sobre esse assunto nos termos do trabalho.

    Para quem quiser ver um exemplo de carta de contratação de auditoria é só procurar no apêndice da NBC TA 210.

    2.10. Rotação dos responsáveis técnicos da Equipe de Auditoria

    Segundo a NBC PA 290, de forma geral, objetivando impedir o risco de perda da objetividade (imparcialidade) e do ceticismo do auditor, é necessária a aplicação das seguintes ações, no caso de entidade de interesse do público:

    a) rotação do sócio encarregado do trabalho e do revisor de controle de qualidade a intervalos menores ou iguais a cinco anos consecutivos;

    b) intervalo mínimo de dois anos para o retorno desses responsáveis técnicos à equipe de auditoria.

    Entretanto, pode ser necessário certo grau de flexibilidade em relação ao momento de rotação, como:

    • Situações em que a continuidade de um dos responsáveis técnicos é especialmente importante para a entidade auditada.

    • Situações em que as entidades de auditoria são de pequeno porte e/ou no caso auditores pessoas físicas. Nesse caso, haverá a chamada “revisão por pares”.

    de

    2.11. Rotação da Firma de Auditoria

    De acordo com o Art. 31 da Instrução CVM n o 308/99, que dispõe sobre o registro e o exercício da atividade de auditoria independente no âmbito do mercado de valores mobiliários, o Auditor Independente – Pessoa Física ou Jurídica –, não pode prestar serviços para um mesmo cliente por prazo superior a cinco anos consecutivos, contados a partir da data da Instrução, exigindo-se um intervalo mínimo de três anos para a sua recontratação.

    Mas ATENÇÃO! Segundo a Instrução CVM n o 509/2011, a nova redação desse artigo passou a ser:

    “O prazo estabelecido no art. 31 desta Instrução é de até 10 (dez) anos consecutivos caso:

    I – a companhia auditada possua Comitê de Auditoria Estatutário – CAE em funcionamento permanente; e II – o auditor seja pessoa jurídica.

    § 1 o Para a utilização da prerrogativa prevista no caput, o CAE deverá estar instalado no exercício social anterior à contratação do auditor independente.

    § 2 o Adotada a prerrogativa prevista no caput, o auditor independente deve proceder à rotação do responsável técnico, diretor, gerente e de qualquer outro integrante da equipe de auditoria com função de gerência, em período não superior a 5 (cinco) anos consecutivos, com intervalo mínimo de 3 (três) anos para seu retorno.” (grifo nosso)

    Portanto, não se deve confundir a rotação do responsável técnico com a rotação da

    empresa de auditoria. Resumindo, em regra, temos o seguinte:

    Rotação do responsável técnico pela Auditoria

    Rotação em intervalos menores ou iguais a cinco anos consecutivos. Dois anos para retornar à empresa auditada

    Rotação da Firma de Auditoria

    Empresa auditada tem CAE e auditor é PJ, pode ficar até 10 anos consecutivos na mesma empresa auditada. De qualquer forma, na situação anterior, os responsáveis técnicos não podem ficar mais que cinco anos, podendo retornar depois de três anos.

    Figura 2.6 – Resumo.

    Exercícios

    5. (FCC/TRT 6 a Região/2012) A empresa Jaú S.A. de capital aberto, por problemas administrativos e financeiros, não efetuou a auditoria externa de suas demonstrações financeiras nos anos de 2009, 2010 e 2011. Em 2012, por

    determinação da CVM, foi solicitada a apresentar as auditorias de todo o período, senão teria seu registro cancelado. A empresa precisando manter essa forma de capitação de recursos, contratou auditoria para emitir:

    • a) parecer de auditoria para o ano de 2009 e relatório de auditoria para os anos de 2010 e 2011, mediante aplicação das normas de auditoria vigentes a partir de 2010;

    • b) parecer de auditoria para os anos de 2009, 2010 e 2011, mediante a aplicação das normas de auditoria vigentes a partir de 2010;

    • c) parecer de auditoria para o ano de 2009, aplicando as normas de auditoria vigentes para o período até 2009, e relatório de auditoria para os anos de 2010 e 2011, mediante aplicação das normas de auditoria vigentes a partir de 2010;

    • d) relatório de auditoria para os anos de 2009, 2010 e 2011, mediante a aplicação das normas de auditoria vigentes até

    2009;

    • e) relatório de auditoria para o ano de 2009, aplicando as normas de auditoria vigentes para o período até 2009 e parecer de auditoria, para os anos de 2010 e 2011, mediante a aplicação das normas de auditoria vigentes a partir de 2010.

    Comentários:

    Questão que cobrou o entendimento de dois aspectos da aplicação das novas normas de auditoria: A partir de quando elas entraram em vigor e qual a nova denominação do produto entregue pelo auditor independente. Dessa forma, o candidato deveria saber que as normas atualmente vigentes devem ser aplicadas para exercícios iniciados em 01/01/2010, e que, por essas normas, o produto final do auditor independente chama-se Relatório. Assim, o auditor contratado deveria aplicar a legislação vigente em 2009 ao auditar aquele período, e emitir um Parecer de Auditoria. A partir de 2010, deveria utilizar as novas normas e emitir um Relatório de Auditoria. Atenção! Mesmo em 2012 houve questões utilizando a nomenclatura Parecer para se referir ao Relatório de Auditor Independente. Resposta: C.

    6. (FCC/TRT 6 a Região/2012) De acordo com as normas de auditoria externa, quando o auditor desenvolve seus trabalhos com uma postura que inclui questionamento e avaliação crítica e detalhada, e desempenha os trabalhos com alerta para condições que possam indicar possível distorção, devido a erro ou fraude nas demonstrações financeiras, o auditor está aplicando:

    • a) julgamento profissional;

    • b) ceticismo profissional;

    • c) equidade profissional;

    • d) diligência profissional;

    • e) neutralidade profissional.

    Comentários:

    Embora as outras características sejam observadas na postura e no exercício da profissão do auditor independente, quando se trata de característica questionadora, detalhista e crítica, estamos nos referindo ao ceticismo profissional do auditor, conforme visto na parte teórica do capítulo. Resposta: B.

    7. (FCC/TRE-CE/2012) Um auditor externo, ao proceder a auditoria da empresa Grãos e Cia, constata no ano de 2010, na fase pré-operacional da unidade construída em Palmas, o custo de R$18.000.000,00 relativos à terraplanagem do terreno da fábrica. Foram feitos os testes, que evidenciaram que o contrato de serviços de terraplanagem foi realizado com empresa devidamente constituída juridicamente e em atividade normal. O pagamento do serviço contratado foi efetuado à empresa de terraplanagem e comprovado por pagamento eletrônico constante do extrato bancário. O auditor em procedimento complementar e diante da expressividade dos valores foi até a unidade verificar os serviços. Ao indagar alguns funcionários foi informado de que o serviço de terraplanagem havia sido feito pela prefeitura da cidade, a qual também doou o terreno a empresa Grãos e Cia. Os funcionários também informaram que nunca esteve na empresa Grãos e Cia qualquer funcionário da empresa de terraplanagem contratada. O procedimento do auditor mostra uma postura de:

    • a) falta de ética profissional por desconfiar da administração;

    • b) investigação, atitude não pertinente às atividades do auditor;

    • c) julgamento profissional avaliando a licitude dos atos da equipe de auditores;

    • d) representante da Governança no processo de identificação de todas as fraudes;

    • e) ceticismo profissional adequada às normas de auditoria.

    Comentários:

    De forma resumida, observa-se pelo caput da questão que o auditor havia aplicado diversos testes para verificação da idoneidade do pagamento à empresa que teria prestado serviços de terraplanagem, mas, mesmo assim, entendeu ser necessária a verificação in loco para comprovação daqueles serviços. Essa postura questionadora, conforme visto na questão anterior, é uma característica do ceticismo profissional exigido pelas normas de auditoria. Não se trata de falta de ética (letra A). É uma investigação, mas essa atitude é pertinente às atividades do auditor (letra B). Com essa postura o auditor não está avaliando a equipe de auditores, mas sim o objeto auditado (letra C). O auditor independente não é um representante da Governança e nem está preocupado com todas as fraudes, apenas as relevantes (letra D). Resposta: E.

    8. (FCC/TRT-20 a Região/2011) Dentre outros, são princípios fundamentais de ética profissional relevantes para o Auditor quando da condução de auditoria de demonstrações contábeis:

    • a) formalismo e confiabilidade;

    • b) integridade e pessoalidade;

    • c) confidencialidade e motivação;

    • d) formalismo e objetividade;

    • e) integridade e objetividade.

    Comentários:

    Questão bastante literal. Conforme visto na parte teórica, os cinco princípios fundamentais de ética profissional, constantes na NBC TA 200 são: integridade; objetividade; competência e zelo profissional; confidencialidade e comportamento (conduta) profissional. Resposta: E.

    9. (FCC/Infraero/2011) De acordo com as Normas Técnicas de Auditoria Independente, é princípio fundamental de ética profissional a:

    • a) interação com o auditado;

    • b) objetividade;

    • c) parcialidade;

    • d) integralidade;

    • e) subjetividade.

    Comentários:

    Em relação à ética, as bancas exploram

    bastante este tipo de questão, e tendem

    a

    ser

    literais. As explicações estão na questão anterior. Apenas cuidado com armadilhas como a letra D. O princípio é integridade e não integralidade. Resposta: B.

    10. (FCC/TRF – 1 a Região/2011)Considere as assertivas a seguir:

    I. A auditoria é uma investigação oficial de suposto delito. Portanto, o auditor não recebe poderes legais específicos, tais como o poder de busca, que podem ser necessários para tal investigação. II. Desde que o auditor assine declaração de independência, não é mais necessário que decline de trabalhos nos quais existam, na administração da empresa auditada, parentes em nível de segundo grau. III. Em decorrência das limitações inerentes de uma auditoria, há um risco inevitável de que algumas distorções relevantes das demonstrações contábeis não sejam detectadas, embora a auditoria seja adequadamente planejada e executada em conformidade com as normas legais de auditoria. Está correto o que se afirma SOMENTE em:

    • a) II e III;

    • b) I e II;

    • c) I;

    • d) II;

    • e) III.

    Comentários:

    Para o item I ficar correto, basta inserir a palavra não após “A auditoria”. Sabemos que a auditoria não é uma investigação de suposto delito, e por isso mesmo o auditor não tem poder de busca. Embora a nova legislação (NBC PA 290) não fale mais em grau de parentesco para questões de independência, as provas ainda continuam cobrando esse conhecimento. A NBC P 1 (revogada) determinava que estava impedido de aceitar o trabalho o auditor que tivesse vínculo conjugal ou de parentesco consanguíneo em linha reta, sem limites de grau, em linha colateral até o terceiro grau e por afinidade até o segundo grau, com administradores, acionistas, sócios ou com empregados que tenham ingerência na sua administração ou nos negócios ou sejam responsáveis por sua contabilidade. Portanto, o item II está incorreto.

    Atualmente, o auditor tem de verificar a posição do familiar imediato ou próximo na empresa auditada (se é conselheiro, diretor etc.), assim como relacionamento próximo com essas pessoas, independentemente de parentesco e também o papel do próprio auditor naquela firma de auditoria (sócio encarregado do trabalho etc.). O item III está correto, como veremos no capítulo relacionado a Riscos de Auditoria. Resposta: E.

    11. (FCC/TRF – 1 a Região/2011) É prática ética do auditor:

    • a) guardar sigilo das informações que obteve para realização da auditoria das demonstrações contábeis, dando divulgações dessas informações somente nas situações em que a lei ou as normas de auditoria permitam;

    • b) auditar empresa na qual sua prima de segundo grau é diretora financeira e administrativa, desde que declare no relatório de auditoria a existência dessa parte relacionada;

    • c) realizar auditoria de demonstrações contábeis de companhia aberta, desde que tenha no mínimo o registro no CRC, como contador;

    • d) conduzir os trabalhos de auditoria de forma a não repetir os procedimentos aplicados no ano anterior, para contas nas quais não foram encontradas irregularidades, reduzindo, assim, o número de contas a serem auditadas;

    • e) aviltar honorários com a justificativa de manutenção do cliente, do quadro de funcionários da firma e da sua estrutura administrativa.

    Comentários:

    Mais uma questão que ainda cobrou a questão de grau de parentesco, quando relacionado à independência do auditor. Conforme visto no exercício anterior, a letra B está incorreta. Para realizar auditoria independente em companhia aberta, além de registro no CRC, o contador tem de ser registrado também na CVM. Portanto, a alternativa C está errada. A letra D não faz sentido, uma vez que não é porque não encontrou distorções relevantes em uma conta no exercício anterior que o auditor não poderá encontrar na atual. Por fim, o auditor tem de estabelecer seus honorários de acordo com a complexidade da empresa auditada, número de horas que precisará para terminar o trabalho etc. Não poderá diminuir seus honorários apenas porque deseja manter seu cliente. Dessa forma, a letra E está incorreta. Resposta: A.

    12. (Esaf/RFB/2012) A empresa Betume S.A. é uma empresa de interesse público que vem sendo auditada pela empresa

    Justos Auditores Independentes, pelo mesmo sócio principal há sete anos. Considerando a NBC PA 290, deve a firma de auditoria externa:

    • a) ser substituída por outra, não podendo retornar a fazer a auditoria da empresa no prazo de dez anos;

    • b) fazer a substituição desse sócio principal, podendo o mesmo retornar a fazer trabalhos de auditoria nessa companhia somente após cinco anos;

    • c) substituir toda a equipe de auditoria, podendo retornar aos trabalhos nessa companhia, decorridos no mínimo três anos;

    • d) trocar o sócio principal e demais sócios-chave do trabalho, podendo retornar a fazer auditoria após decorrido o prazo de dois anos;

    • e) comunicar ao cliente a manutenção do sócio principal, ficando a cargo do órgão regulador a determinação ou não da substituição.

    Comentários:

    Embora a NBC PA 290, que trata do tema, estabeleça em seu texto algumas situações em

    que o rodízio do sócio principal pudesse ser exigido em prazo diferente, a regra é que essa alternância ocorra em cinco anos. Da mesma forma, em regra, o prazo para o retorno desse sócio e dos sócios-chave para o trabalho é de dois anos. Nesse contexto, como o caput da questão deixa claro que já se passaram mais de cinco anos, a única alternativa é a expressa na opção D. Resposta: D.

    13. (Esaf/RFB/2012) Pode-se afirmar que, para a aceitação do risco de um trabalho de auditoria externa, deve o auditor avaliar:

    I. se os sócios e equipe são, ou podem razoavelmente tornar-se, suficientemente competentes para assumir o

    trabalho; II. qual a atitude dos colaboradores e dos grupos de colaboradores em relação ao ambiente de controle interno e seus pontos de vista sobre interpretações agressivas ou inadequadas de normas contábeis; III. se terá acesso aos especialistas necessários para a realização do trabalho.

    • a) Todas estão corretas.

    • b) Apenas I e II estão corretas.

    • c) Apenas II e III estão erradas.

    • d) Somente a III está correta.

    • e) Todas estão erradas

    Comentários:

    Embora esta questão tenha sido controversa, o item I pode ser considerado correto a partir dos requisitos básicos para aceitação do trabalho do auditor. Ele deverá avaliar essa competência dos sócios e equipe para assumir o trabalho. Da mesma forma, deverá avaliar o ambiente de controle da empresa (item II) e se poderá contar com o uso de especialistas, conforme orienta a NBC TA 620 (item III). Portanto, todos os itens estão corretos. Resposta: A.

    14. (FCC/TRT-4 a Região/2011) Não corresponde a um princípio fundamental da conduta ética do auditor a:

    • a) integridade dos trabalhos executados;

    • b) competência técnica nas análises e avaliações;

    • c) postura mental independente;

    • d) subjetividade na aplicação dos procedimentos;

    • e) confidencialidade das informações.

    Comentários:

    Conforme verificado na parte teórica, o auditor deve ter objetividade na aplicação dos procedimentos de auditoria – e não subjetividade. Portanto, a letra D é o gabarito da questão. Confidencialidade (letra E), independência de pensamento (letra C), competência profissional (letra B) e integridade (letra A) são princípios exigidos do auditor. Resposta: D.

    15. (FCC/ISS-SP/2012) A independência do auditor externo da empresa Aquisição S.A. é comprometida pelas seguintes situações:

    I. A empresa Aquisição S.A. comprou a empresa Ágile

    S.A..

    A firma de auditoria da adquirente é a mesma que realizou

    os trabalhos de duedilligence da empresa Aquisição S.A. e de consultoria tributária no ano da aquisição para a

    empresa Ágile. II. O diretor financeiro da empresa Ágile S.A é primo em segundo grau do diretor presidente da empresa Aquisição S.A. III. A firma de auditoria indica escritórios de advocacia para a empresa Aquisição S.A. em suas contingências tributárias. Afeta a independência do auditor externo o que consta em:

    • a) III, apenas;

    • b) II, apenas;

    • c) I, II e III;

    • d) I, apenas;

    • e) II e III, apenas.

    Comentários:

    Em relação ao item I, conforme determina a NBC PA 290, serviços complementares, fiscais (consultoria tributária) ou judiciais (due diligence) não necessariamente causariam perda de independência. Depende da forma como esses serviços afetariam as demonstrações contábeis e sua materialidade, dentre outros fatores. De qualquer forma, a questão não deu essas informações e considerou que, em regra, há perda de independência no cenário demonstrado. No item II não há a figura do auditor. Repare que estamos falando das duas empresas (adquirente e adquirida). Portanto, entendemos que não há que se falar em perda de independência. Por fim, o item III não afeta, necessariamente, a independência. Resumindo, foi uma questão um pouco confusa, mas a FCC manteve o gabarito como D. Resposta: D.

    16. (FCC/MPE-PE/2012) Não representa um requisito necessário para que o auditor possa conduzir adequadamente os trabalhos de asseguração das demonstrações contábeis:

    • a) ceticismo profissional;

    • b) acesso irrestrito a todas as informações necessárias para fundamentar seu parecer;

    • c) julgamento profissional;

    • d) corresponsabilidade pela elaboração das demonstrações contábeis da entidade auditada;

    • e) obtenção de evidência de auditoria apropriada e suficiente.

    Comentários:

    Não há corresponsabilidade do auditor em relação às demonstrações contábeis. Estas são de responsabilidade da administração da entidade auditada. O auditor, em seu trabalho de asseguração (auditoria ou revisão), é contratado para emitir uma opinião acerca dessas demonstrações (ou parte delas, no caso de asseguração limitada). As alternativas A e C já foram amplamente explicadas até o momento. Já a letra B está correta, pois é uma prerrogativa do auditor ter acesso a todas as informações necessárias para conseguir dar uma opinião acerca das demonstrações contábeis. Por fim, ele tem de se embasar em obtenção de evidência apropriada e suficiente para emitir essa opinião (letra E). Resposta: D.

    17. (Esaf/CVM/2010) Assinale a opção que indica uma exceção aos princípios fundamentais de ética profissional relevantes

    para o auditor na condução de trabalhos de auditoria das demonstrações contábeis.

    • a) Independência técnica.

    • b) Confidencialidade.

    • c) Competência e zelo profissional.

    • d) Comportamento e conduta profissional.

    • e) Objetividade.

    Comentários:

    O Código de Ética Profissional do Contador (Resolução n o 803/1996), a NBC TA 200 e a NBC PA 01, que trata do controle de qualidade para firmas de auditoria, estabelecem como princípios fundamentais de ética profissional: integridade; objetividade; competência profissional e devido zelo; confidencialidade e comportamento profissional. Dessa forma, para responder esta questão, bastava ficar atento para a letra A, que não corresponde a um desses princípios fundamentais da ética profissional. A Esaf tentou confundir o candidato, trocando “integridade” por “independência técnica”. Resposta: A.

    18. (Esaf/Receita Federal/2009) O auditor da empresa Negócios S.A. estabeleceu três procedimentos obrigatórios para emissão do parecer. O primeiro, que a empresa renovasse o contrato de auditoria para o próximo ano, o segundo, que a empresa emitisse a carta de responsabilidade da administração e o terceiro, que o parecer seria assinado por sócio do escritório de contabilidade, cuja única formação é administração de empresas. Pode-se afirmar, com relação aos procedimentos, respectivamente, que:

    • a) são éticos, não são procedimento de auditoria e atendem as normas de auditoria e da pessoa do auditor;

    • b) não são éticos, não são procedimento de auditoria e não atendem as normas de auditoria e da pessoa do auditor;

    • c) são éticos, não devem ser considerados para emissão do parecer e atendem as normas de auditoria e da pessoa do auditor;

    • d) são éticos, considera-se apenas em alguns casos para emissão do parecer e não atendem as normas de auditoria e pessoa do auditor;

    • e) não são éticos, são procedimento de auditoria e não atendem as normas de auditoria e da pessoa do auditor.

    Comentários:

    O primeiro procedimento (que a empresa renovasse o contrato de auditoria para o próximo ano) não é ético, uma vez que o Código de Ética proíbe que o auditor relacione a emissão de sua opinião ao tipo de cliente ou vantagem que venha a ser obtida deste. O segundo procedimento (que a empresa emitisse a carta de responsabilidade da administração) é uma obrigação do auditor, conforme determina a NBC TA 580, que estabelece que as representações formais são informações necessárias que o auditor exige relativamente à auditoria das demonstrações contábeis da entidade. Neste ponto, deve-se ressaltar que a nova norma chama de “Representações Formais” o que a revogada NBC T 11 denominava de “Carta de Responsabilidade da Administração”. Ressalta-se que há outras representações formais além dessa Carta de Responsabilidade. Veremos isso em um capítulo específico. Por fim, o terceiro procedimento (o parecer seria assinado por sócio do escritório de contabilidade, cuja única formação é administração de empresas) vai de encontro à legislação, que estabelece que apenas contadores podem assinar um relatório acerca das

    demonstrações contábeis de uma empresa. Resposta: E.

    19. (Esaf/CVM/2010) Assinale a opção que indica uma ação capaz de eliminar a perda de independência da entidade de auditoria por interesse financeiro direto.

    • a) Fazer constar nos relatórios produzidos o tipo de interesse financeiro, a extensão desse interesse.

    • b) Encerrar o trabalho de auditoria ou transferi-lo a outra entidade.

    • c) Alienar o interesse financeiro direto antes de a pessoa física tornar-se membro da equipe de auditoria.

    • d) Alienar o interesse financeiro ou transferi-lo temporariamente até a conclusão dos trabalhos.

    • e) Comunicar às entidades de supervisão e controle a existência desse interesse e aguardar pronunciamento.

    Comentários:

    Segundo a NBC PA 02, vigente à época e que tratava da independência do auditor, interesses financeiros são a propriedade de títulos ou qualquer outro tipo de investimento adquirido ou mantido pela entidade de auditoria, seus sócios, membros da equipe de auditoria ou membros imediatos da família dessas pessoas, relativamente à entidade auditada, suas controladas ou integrantes de um mesmo grupo econômico. A mesma norma estabelece que as únicas ações disponíveis para eliminar a perda de independência são:

    • alienar o interesse financeiro direto antes de a pessoa física tornar-se membro da equipe de auditoria;

    • alienar o interesse financeiro indireto relevante em sua totalidade ou alienar uma quantidade suficiente dele para que o interesse remanescente deixe de ser relevante antes de a pessoa tornar-se membro da equipe de auditoria; ou • afastar o membro da equipe de auditoria do trabalho da entidade auditada.

    Dessa forma, a única alternativa que se enquadra nos itens previstos pela norma é a letra C. A nova norma que trata do assunto – NBC PA 290 – estabelece que

    “a importância de qualquer ameaça deve ser avaliada e salvaguardas devem ser aplicadas quando necessário para eliminar a ameaça ou reduzi-la a um nível aceitável. Exemplos dessas salvaguardas incluem a retirada do membro da equipe de auditoria que tem o interesse financeiro e a revisão, por outro auditor, do trabalho do membro da equipe de auditoria.”

    Resposta: C.

    20. (Esaf/CVM/2010) O responsável pela revisão da qualidade dos trabalhos de auditoria deve realizar uma avaliação objetiva dos julgamentos significativos levando em conta os seguintes aspectos, exceto:

    • a) avaliação das conclusões atingidas ao elaborar o relatório e considerar se o relatório é apropriado;

    • b) discussão de assuntos significativos com o encarregado do trabalho;

    • c) revisão da documentação selecionada de auditoria relativa aos julgamentos significativos feitos pela equipe de trabalho e das conclusões obtidas;

    • d) revisão das demonstrações contábeis e do relatório proposto;

    • e) discussão do julgamento e relatório com a direção da entidade auditada.

    Comentários:

    A NBC PA 01, que trata do controle de qualidade para firmas de auditores independentes, estabelece, em seu item 37, que a firma deve estabelecer políticas e procedimentos para requerer que a revisão de controle de qualidade do trabalho inclua:

    • a) discussão de assuntos significativos com o sócio encarregado do trabalho;

    • b) revisão das demonstrações contábeis ou outras informações sobre objeto e o relatório proposto;

    • c) revisão da documentação do trabalho selecionada relativa a julgamentos significativos feitos pela equipe de trabalho e das conclusões obtidas;

    • d) avaliação das conclusões obtidas para elaboração do relatório e consideração se esse relatório proposto é apropriado.

    Trata-se, dessa forma, de uma questão literal elaborada pela Esaf, sendo que a letra E não é um aspecto que deve ser levado em conta pelo responsável pela revisão da qualidade dos trabalhos de auditoria, segundo a NBC PA 01. Não faria sentido discutir o relatório com a empresa auditada, concordam? Resposta: E.

    21. (Esaf/RFB/2003) É evidência de independência do auditor externo:

    • a) parentesco com administrador, acionistas ou sócios da empresa auditada;

    • b) participação direta ou indireta como sócio ou acionista da empresa auditada;

    • c) ser representante comercial da empresa auditada sem vínculo empregatício;

    • d) ter sido empregado há mais de três anos da empresa auditada;

    • e) fixar honorários condicionados ao tipo de parecer a ser emitido.

    Comentários:

    Trouxemos esta questão mais antiga para explicar uma mudança que ocorreu a partir da

    NBC PA 290 (norma vigente atualmente). De acordo com a NBC PA 02, vigente à época da questão, se, durante o período imediatamente anterior ao período coberto pela auditoria, um membro da equipe tenha atuado como administrador ou como executivo da entidade auditada ou tenha sido empregado, ocupando posição que lhe permitisse exercer influência direta e significativa no objeto da auditoria, isso pode criar ameaças de interesse próprio, de autorrevisão ou de familiaridade. Entretanto, a significância dessas ameaças depende de fatores como:

    • a) a posição que o indivíduo ocupava na entidade auditada;

    • b) o lapso de tempo decorrido de, no mínimo, dois anos desde que o indivíduo desvinculou- se da entidade auditada e venha exercer função de responsabilidade, como encarregado, supervisor ou gerente de equipe ou sócio da entidade de auditoria na condução dos trabalhos na entidade auditada;

    • c) a função que o indivíduo ocupa na equipe de auditoria.

    Assim, podemos

    considerar

    correta

    a

    alternativa

    D,

    pois

    nesse

    caso

    o

    auditor

    foi

    empregado há mais de três anos da empresa auditada.

    Resposta: D.

    ATENÇÃO! A NBC PA 290, atualmente vigente, retirou esse prazo. A nova redação é a seguinte:

    “A existência e a importância de quaisquer ameaças dependem de fatores como:

    • função da pessoa no cliente; • período de tempo desde que a pessoa desligou-se do

    • função da pessoa no cliente; • período de tempo desde que a pessoa desligou-se do cliente; • função do profissional na equipe de auditoria.” (grifo nosso)

    • 22. (Esaf/Pref. Natal/AFTM/2008) Na execução dos trabalhos de auditoria externa, normalmente são utilizadas equipes técnicas para o desempenho do trabalho. Pode-se afirmar que a responsabilidade técnica do trabalho é:

      • a) de toda a equipe técnica, desde que supervisionada pelo auditor;

      • b) dos gerentes do projeto e do sócio-auditor, por possuírem formação pertinente;

      • c) da firma de auditoria, que assume os riscos mediante contrato;

      • d) do auditor, que assumirá total responsabilidade pelos trabalhos executados;

      • e) de todos os sócios da firma de auditoria, por responderem solidariamente e ilimitadamente.

    Comentários:

    De acordo com a NBC TA 220, sócio encarregado do trabalho (auditor) é o sócio ou outra pessoa na firma, responsável pelo trabalho, sua execução e pelo relatório de auditoria ou outros relatórios emitidos em nome da firma, e quem, quando necessário, tem a autoridade apropriada de um órgão profissional, legal ou regulador. Assume a responsabilidade exclusiva pela condução e resultado dos trabalhos. Resposta: D.

    • 23. (FCC/ Sefaz-SP – APOFP/2010) As normas brasileiras que estabelecem os preceitos de conduta para o exercício profissional, especificamente para aqueles que atuam como auditores independentes, são estruturadas como:

      • a) NBC TI;

      • b) NBC PI;

      • c) NBC TA;

      • d) NBC PA;

      • e) NBC TP.

    Comentários:

    Este tipo de questão só foi cobrada dessa forma uma única vez. Bastava ter o conhecimento das principais normas de auditoria vistas na parte teórica. Como vimos, as normas profissionais dos auditores independentes são as NBC PA e as técnicas NBC TA. Resposta: D.

    • 24. (FCC/TRT-4/Analista Contábil/2011) Em conformidade com as normas de auditoria vigentes a partir de 2010, em relação aos documentos apresentados pela empresa, o auditor deverá:

      • a) considerá-los sempre genuínos, não sendo sua a responsabilidade de questionar a veracidade dos documentos, mesmo que tenha razão para crer no contrário;

      • b) confirmar sempre, quando os documentos forem emitidos eletronicamente, a veracidade do documento eletrônico, nos meios disponibilizados pela empresa emissora;

      • c) considerar exclusivamente os contratos registrados em cartório e os documentos com firmas reconhecidas;

      • d) suspender os trabalhos ao identificar uma fraude e considerar a auditoria limitada;

      • e) fazer obrigatoriamente investigações adicionais na dúvida a respeito da confiabilidade das informações.

    Comentários:

    Esta questão poderia ter sido resolvida com uma leitura atenta e bom senso. Vamos comentar cada alternativa.

    A alternativa A está incorreta, pois considerar os documentos sempre genuínos contraria uma das características mais marcantes do profissional de auditoria, que é o ceticismo profissional. O auditor tem o dever de questionar, sempre que houver dúvida. A letra B está incorreta, pois a confirmação irrestrita de documentos emitidos eletronicamente seria inviável, pois a maioria dos documentos é emitida eletronicamente. Da mesma forma, considerar apenas os documentos com firma reconhecida contraria a economia processual e geraria um gasto relevante para a empresa, além de ser desnecessário. Isso torna a alternativa C incorreta. A letra D está incorreta, pois, de acordo com a NBC TA 240 – Responsabilidade do Auditor em Relação à Fraude – se, como resultado de uma distorção decorrente de fraude ou suspeita de fraude, o auditor encontrar circunstâncias excepcionais que coloquem em dúvida sua capacidade de continuar a realizar a auditoria, este deve determinar as responsabilidades profissionais e legais aplicáveis à situação e considerar se seria apropriado o auditor retirar-se do trabalho, quando essa saída for possível conforme a lei ou regulamentação aplicável. Ou seja, não se trata de suspender o trabalho. Por fim, a alternativa E está correta, pois, em caso de dúvida a respeito de alguma informação, o auditor deve realizar investigações adicionais. Resposta: E.

    25. (Esaf/Sefaz-SP – APOFP/2009) Sobre a auditoria independente, é correto afirmar que tem por objetivo:

    • a) auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos;

    • b) apresentar subsídios para o aperfeiçoamento da gestão e dos controles internos;

    • c) emitir parecer sobre a adequação das demonstrações contábeis;

    • d) levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução do litígio;

    • e) recomendar soluções para as não conformidades apontadas nos relatórios.

    Comentários:

    Para finalizar os exercícios deste capítulo, apresentamos uma questão bastante comum em provas de auditoria. Para respondê-la, basta saber o objetivo de uma auditoria independente, que é, segundo a NBC TA 200,

    “aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável”. (grifo nosso)

    Deve-se ressaltar que a questão ainda traz a opinião do auditor independente com a nomenclatura antiga (“Parecer”), pois foi elaborada antes da nova normatização. A partir da edição da NBC TA 700, o produto do auditor independente, por meio do qual ele manifesta sua opinião, passou a chamar Relatório do Auditor Independente. As letras A, B, D e E são características e/ou objetivos da Auditoria Interna, conforme veremos no próximo capítulo. Resposta: C.

    Capítulo 3

    Auditoria Interna e Principais Diferenças com a Auditoria Independente

    Principais legislações correlacionadas ao capítulo:

    NBC PI 01, NBC TI 01.

    3.1. Auditoria Interna versus Auditoria Externa

    3.1.1. Conceitos

    Já vimos que a Auditoria surgiu pela necessidade de formação de opinião independente quanto à forma pela qual determinado patrimônio estava sendo gerenciado. Pois bem. Essa opinião pode vir de dentro da própria empresa, desde que independente, ou de fora da mesma, por profissionais que não fazem parte da organização. Assim, podemos definir Auditoria Interna como uma atividade de avaliação independente dentro da empresa, para verificar as operações e emitir uma opinião sobre elas, sendo considerada como um serviço prestado à administração. De acordo com Crepaldi (2012), é executada por profissional ligado à empresa, ou por uma seção própria para esse fim, sempre em linha de dependência da direção empresarial. Para entendermos melhor, vamos ilustrar com esse organograma da empresa EBX. Observem que a Auditoria Interna está ligada ao Conselho de Administração, não estando subordinada a nenhuma Diretoria específica:

    Figura 3.1 Organograma da empresa EBX Fonte: <a href=www.ebx.com.br Essa ligação com a Alta Administração da empresa é que dá a necessária autonomia aos trabalhos da Auditoria Interna, pois não é dependente de qualquer setor da entidade. Essa autonomia é exigida, inclusive, pela NBC PI 01, norma profissional do auditor interno, emitida pelo CFC, que em seu item 3.2.1 estabelece que “O auditor interno, não obstante sua posição funcional , deve preservar sua autonomia profissional”. Nesse ponto, é comum a seguinte pergunta: como uma opinião independente seria emitida por alguém que está em linha de dependência da direção? Simples: se a Auditoria Interna presta um serviço à própria administração, com que objetivo o auditor iria “alterar” um resultado, modificar uma opinião para encobrir alguma irregularidade? O fato é que a Auditoria Interna tem como objetivo auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos . A Auditoria Interna não tem por objetivo principal a identificação de fraudes e erros, tampouco a punição de gestores que cometam impropriedades ou irregularidades. Ou seja, se a Auditoria Interna não puder emitir uma opinião independente, autônoma, não cumprirá seu papel na estrutura organizacional. ATENÇÃO ! Se houver uma comparação entre a independência da auditoria interna e da auditoria externa, não resta dúvida de que a auditoria externa é mais independente que a interna. Outra norma muito importante quando o assunto é a Auditoria Interna é a NBC T-12 – Da Auditoria Interna – aprovada pela Resolução n 986/2003, do Conselho Federal de Contabilidade. Na verdade, a Resolução CFC n 1.329/2011 alterou a sigla e a numeração desta Norma NBC TI 01. Assim, a nomenclatura correta é NBC TI 01 . " id="pdf-obj-59-4" src="pdf-obj-59-4.jpg">
    Figura 3.1 Organograma da empresa EBX Fonte: <a href=www.ebx.com.br Essa ligação com a Alta Administração da empresa é que dá a necessária autonomia aos trabalhos da Auditoria Interna, pois não é dependente de qualquer setor da entidade. Essa autonomia é exigida, inclusive, pela NBC PI 01, norma profissional do auditor interno, emitida pelo CFC, que em seu item 3.2.1 estabelece que “O auditor interno, não obstante sua posição funcional , deve preservar sua autonomia profissional”. Nesse ponto, é comum a seguinte pergunta: como uma opinião independente seria emitida por alguém que está em linha de dependência da direção? Simples: se a Auditoria Interna presta um serviço à própria administração, com que objetivo o auditor iria “alterar” um resultado, modificar uma opinião para encobrir alguma irregularidade? O fato é que a Auditoria Interna tem como objetivo auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos . A Auditoria Interna não tem por objetivo principal a identificação de fraudes e erros, tampouco a punição de gestores que cometam impropriedades ou irregularidades. Ou seja, se a Auditoria Interna não puder emitir uma opinião independente, autônoma, não cumprirá seu papel na estrutura organizacional. ATENÇÃO ! Se houver uma comparação entre a independência da auditoria interna e da auditoria externa, não resta dúvida de que a auditoria externa é mais independente que a interna. Outra norma muito importante quando o assunto é a Auditoria Interna é a NBC T-12 – Da Auditoria Interna – aprovada pela Resolução n 986/2003, do Conselho Federal de Contabilidade. Na verdade, a Resolução CFC n 1.329/2011 alterou a sigla e a numeração desta Norma NBC TI 01. Assim, a nomenclatura correta é NBC TI 01 . " id="pdf-obj-59-6" src="pdf-obj-59-6.jpg">
    Figura 3.1 Organograma da empresa EBX Fonte: <a href=www.ebx.com.br Essa ligação com a Alta Administração da empresa é que dá a necessária autonomia aos trabalhos da Auditoria Interna, pois não é dependente de qualquer setor da entidade. Essa autonomia é exigida, inclusive, pela NBC PI 01, norma profissional do auditor interno, emitida pelo CFC, que em seu item 3.2.1 estabelece que “O auditor interno, não obstante sua posição funcional , deve preservar sua autonomia profissional”. Nesse ponto, é comum a seguinte pergunta: como uma opinião independente seria emitida por alguém que está em linha de dependência da direção? Simples: se a Auditoria Interna presta um serviço à própria administração, com que objetivo o auditor iria “alterar” um resultado, modificar uma opinião para encobrir alguma irregularidade? O fato é que a Auditoria Interna tem como objetivo auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos . A Auditoria Interna não tem por objetivo principal a identificação de fraudes e erros, tampouco a punição de gestores que cometam impropriedades ou irregularidades. Ou seja, se a Auditoria Interna não puder emitir uma opinião independente, autônoma, não cumprirá seu papel na estrutura organizacional. ATENÇÃO ! Se houver uma comparação entre a independência da auditoria interna e da auditoria externa, não resta dúvida de que a auditoria externa é mais independente que a interna. Outra norma muito importante quando o assunto é a Auditoria Interna é a NBC T-12 – Da Auditoria Interna – aprovada pela Resolução n 986/2003, do Conselho Federal de Contabilidade. Na verdade, a Resolução CFC n 1.329/2011 alterou a sigla e a numeração desta Norma NBC TI 01. Assim, a nomenclatura correta é NBC TI 01 . " id="pdf-obj-59-8" src="pdf-obj-59-8.jpg">
    Figura 3.1 Organograma da empresa EBX Fonte: <a href=www.ebx.com.br Essa ligação com a Alta Administração da empresa é que dá a necessária autonomia aos trabalhos da Auditoria Interna, pois não é dependente de qualquer setor da entidade. Essa autonomia é exigida, inclusive, pela NBC PI 01, norma profissional do auditor interno, emitida pelo CFC, que em seu item 3.2.1 estabelece que “O auditor interno, não obstante sua posição funcional , deve preservar sua autonomia profissional”. Nesse ponto, é comum a seguinte pergunta: como uma opinião independente seria emitida por alguém que está em linha de dependência da direção? Simples: se a Auditoria Interna presta um serviço à própria administração, com que objetivo o auditor iria “alterar” um resultado, modificar uma opinião para encobrir alguma irregularidade? O fato é que a Auditoria Interna tem como objetivo auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos . A Auditoria Interna não tem por objetivo principal a identificação de fraudes e erros, tampouco a punição de gestores que cometam impropriedades ou irregularidades. Ou seja, se a Auditoria Interna não puder emitir uma opinião independente, autônoma, não cumprirá seu papel na estrutura organizacional. ATENÇÃO ! Se houver uma comparação entre a independência da auditoria interna e da auditoria externa, não resta dúvida de que a auditoria externa é mais independente que a interna. Outra norma muito importante quando o assunto é a Auditoria Interna é a NBC T-12 – Da Auditoria Interna – aprovada pela Resolução n 986/2003, do Conselho Federal de Contabilidade. Na verdade, a Resolução CFC n 1.329/2011 alterou a sigla e a numeração desta Norma NBC TI 01. Assim, a nomenclatura correta é NBC TI 01 . " id="pdf-obj-59-11" src="pdf-obj-59-11.jpg">
    Figura 3.1 Organograma da empresa EBX Fonte: <a href=www.ebx.com.br Essa ligação com a Alta Administração da empresa é que dá a necessária autonomia aos trabalhos da Auditoria Interna, pois não é dependente de qualquer setor da entidade. Essa autonomia é exigida, inclusive, pela NBC PI 01, norma profissional do auditor interno, emitida pelo CFC, que em seu item 3.2.1 estabelece que “O auditor interno, não obstante sua posição funcional , deve preservar sua autonomia profissional”. Nesse ponto, é comum a seguinte pergunta: como uma opinião independente seria emitida por alguém que está em linha de dependência da direção? Simples: se a Auditoria Interna presta um serviço à própria administração, com que objetivo o auditor iria “alterar” um resultado, modificar uma opinião para encobrir alguma irregularidade? O fato é que a Auditoria Interna tem como objetivo auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos . A Auditoria Interna não tem por objetivo principal a identificação de fraudes e erros, tampouco a punição de gestores que cometam impropriedades ou irregularidades. Ou seja, se a Auditoria Interna não puder emitir uma opinião independente, autônoma, não cumprirá seu papel na estrutura organizacional. ATENÇÃO ! Se houver uma comparação entre a independência da auditoria interna e da auditoria externa, não resta dúvida de que a auditoria externa é mais independente que a interna. Outra norma muito importante quando o assunto é a Auditoria Interna é a NBC T-12 – Da Auditoria Interna – aprovada pela Resolução n 986/2003, do Conselho Federal de Contabilidade. Na verdade, a Resolução CFC n 1.329/2011 alterou a sigla e a numeração desta Norma NBC TI 01. Assim, a nomenclatura correta é NBC TI 01 . " id="pdf-obj-59-13" src="pdf-obj-59-13.jpg">
    Figura 3.1 Organograma da empresa EBX Fonte: <a href=www.ebx.com.br Essa ligação com a Alta Administração da empresa é que dá a necessária autonomia aos trabalhos da Auditoria Interna, pois não é dependente de qualquer setor da entidade. Essa autonomia é exigida, inclusive, pela NBC PI 01, norma profissional do auditor interno, emitida pelo CFC, que em seu item 3.2.1 estabelece que “O auditor interno, não obstante sua posição funcional , deve preservar sua autonomia profissional”. Nesse ponto, é comum a seguinte pergunta: como uma opinião independente seria emitida por alguém que está em linha de dependência da direção? Simples: se a Auditoria Interna presta um serviço à própria administração, com que objetivo o auditor iria “alterar” um resultado, modificar uma opinião para encobrir alguma irregularidade? O fato é que a Auditoria Interna tem como objetivo auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos . A Auditoria Interna não tem por objetivo principal a identificação de fraudes e erros, tampouco a punição de gestores que cometam impropriedades ou irregularidades. Ou seja, se a Auditoria Interna não puder emitir uma opinião independente, autônoma, não cumprirá seu papel na estrutura organizacional. ATENÇÃO ! Se houver uma comparação entre a independência da auditoria interna e da auditoria externa, não resta dúvida de que a auditoria externa é mais independente que a interna. Outra norma muito importante quando o assunto é a Auditoria Interna é a NBC T-12 – Da Auditoria Interna – aprovada pela Resolução n 986/2003, do Conselho Federal de Contabilidade. Na verdade, a Resolução CFC n 1.329/2011 alterou a sigla e a numeração desta Norma NBC TI 01. Assim, a nomenclatura correta é NBC TI 01 . " id="pdf-obj-59-15" src="pdf-obj-59-15.jpg">
    Figura 3.1 Organograma da empresa EBX Fonte: <a href=www.ebx.com.br Essa ligação com a Alta Administração da empresa é que dá a necessária autonomia aos trabalhos da Auditoria Interna, pois não é dependente de qualquer setor da entidade. Essa autonomia é exigida, inclusive, pela NBC PI 01, norma profissional do auditor interno, emitida pelo CFC, que em seu item 3.2.1 estabelece que “O auditor interno, não obstante sua posição funcional , deve preservar sua autonomia profissional”. Nesse ponto, é comum a seguinte pergunta: como uma opinião independente seria emitida por alguém que está em linha de dependência da direção? Simples: se a Auditoria Interna presta um serviço à própria administração, com que objetivo o auditor iria “alterar” um resultado, modificar uma opinião para encobrir alguma irregularidade? O fato é que a Auditoria Interna tem como objetivo auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos . A Auditoria Interna não tem por objetivo principal a identificação de fraudes e erros, tampouco a punição de gestores que cometam impropriedades ou irregularidades. Ou seja, se a Auditoria Interna não puder emitir uma opinião independente, autônoma, não cumprirá seu papel na estrutura organizacional. ATENÇÃO ! Se houver uma comparação entre a independência da auditoria interna e da auditoria externa, não resta dúvida de que a auditoria externa é mais independente que a interna. Outra norma muito importante quando o assunto é a Auditoria Interna é a NBC T-12 – Da Auditoria Interna – aprovada pela Resolução n 986/2003, do Conselho Federal de Contabilidade. Na verdade, a Resolução CFC n 1.329/2011 alterou a sigla e a numeração desta Norma NBC TI 01. Assim, a nomenclatura correta é NBC TI 01 . " id="pdf-obj-59-19" src="pdf-obj-59-19.jpg">

    Figura 3.1 Organograma da empresa EBX Fonte: www.ebx.com.br

    Essa ligação com a Alta Administração da empresa é que dá a necessária autonomia aos trabalhos da Auditoria Interna, pois não é dependente de qualquer setor da entidade. Essa autonomia é exigida, inclusive, pela NBC PI 01, norma profissional do auditor interno, emitida pelo CFC, que em seu item 3.2.1 estabelece que “O auditor interno, não obstante sua posição funcional, deve preservar sua autonomia profissional”. Nesse ponto, é comum a seguinte pergunta: como uma opinião independente seria emitida por alguém que está em linha de dependência da direção? Simples: se a Auditoria Interna presta um serviço à própria administração, com que objetivo o auditor iria “alterar” um resultado, modificar uma opinião para encobrir alguma irregularidade? O fato é que a Auditoria Interna tem como objetivo auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos. A Auditoria Interna não tem por objetivo principal a identificação de fraudes e erros, tampouco a punição de gestores que cometam impropriedades ou irregularidades. Ou seja, se a Auditoria Interna não puder emitir uma opinião independente, autônoma, não cumprirá seu papel na estrutura organizacional.

    Figura 3.1 Organograma da empresa EBX Fonte: <a href=www.ebx.com.br Essa ligação com a Alta Administração da empresa é que dá a necessária autonomia aos trabalhos da Auditoria Interna, pois não é dependente de qualquer setor da entidade. Essa autonomia é exigida, inclusive, pela NBC PI 01, norma profissional do auditor interno, emitida pelo CFC, que em seu item 3.2.1 estabelece que “O auditor interno, não obstante sua posição funcional , deve preservar sua autonomia profissional”. Nesse ponto, é comum a seguinte pergunta: como uma opinião independente seria emitida por alguém que está em linha de dependência da direção? Simples: se a Auditoria Interna presta um serviço à própria administração, com que objetivo o auditor iria “alterar” um resultado, modificar uma opinião para encobrir alguma irregularidade? O fato é que a Auditoria Interna tem como objetivo auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos . A Auditoria Interna não tem por objetivo principal a identificação de fraudes e erros, tampouco a punição de gestores que cometam impropriedades ou irregularidades. Ou seja, se a Auditoria Interna não puder emitir uma opinião independente, autônoma, não cumprirá seu papel na estrutura organizacional. ATENÇÃO ! Se houver uma comparação entre a independência da auditoria interna e da auditoria externa, não resta dúvida de que a auditoria externa é mais independente que a interna. Outra norma muito importante quando o assunto é a Auditoria Interna é a NBC T-12 – Da Auditoria Interna – aprovada pela Resolução n 986/2003, do Conselho Federal de Contabilidade. Na verdade, a Resolução CFC n 1.329/2011 alterou a sigla e a numeração desta Norma NBC TI 01. Assim, a nomenclatura correta é NBC TI 01 . " id="pdf-obj-59-38" src="pdf-obj-59-38.jpg">

    ATENÇÃO!

    Se houver uma comparação entre a independência da auditoria interna e da auditoria externa, não resta dúvida de que a auditoria externa é mais independente que a interna.

    Outra norma muito importante quando o assunto é a Auditoria Interna é a NBC T-12 – Da Auditoria Interna – aprovada pela Resolução n o 986/2003, do Conselho Federal de Contabilidade. Na verdade, a Resolução CFC n o 1.329/2011 alterou a sigla e a numeração desta Norma NBC TI 01. Assim, a nomenclatura correta é NBC TI 01.

    Com relação ao conceito de Auditoria Interna, a norma estabelece:

    “A Auditoria Interna compreende os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente, e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos.” (grifo nosso)

    Como se vê, o CFC deixa claro que a Auditoria Interna deve avaliar processos, sistemas e controle, a fim de auxiliar a administração no cumprimento dos objetivos da entidade. Quanto à Auditoria Externa, é realizada por auditores que não fazem parte da estrutura da empresa. É executada por profissional independente, sem ligação com os quadros da empresa, tendo sua atuação regulada por contrato de serviços. Seu objetivo é dar credibilidade às demonstrações contábeis, examinadas dentro dos parâmetros de normas de auditoria e princípios contábeis. Podemos concluir também que tem como clientes o público externo à empresa, usuário final dessa informação. Para ficar bastante claro, vamos nos colocar na situação do interessado nessa informação produzida pela Auditoria. Os investidores se contentariam em receber dados gerenciais da própria empresa, ainda que da Auditoria Interna, sabendo que seus integrantes fazem parte da folha de pagamentos da auditada? Provavelmente não. Lembrem-se do que foi tratado anteriormente. Se for para comparar, afirmamos que a Auditoria Interna é menos independente que a Auditoria Externa. Assim, a Auditoria Externa cumpre esse objetivo de emitir opinião sobre as demonstrações contábeis, a fim de permitir a diversos interessados uma tomada de decisão mais racional sobre os investimentos feitos na organização. Pelas novas normas (NBC TA 200), as demonstrações contábeis devem ser elaboradas conforme uma estrutura de relatório financeiro aplicável. Para esclarecer, de acordo com essa norma, estrutura de relatório financeiro aplicável é aquela que é aceitável em vista da natureza da entidade e do objetivo das demonstrações contábeis ou que seja exigida por lei ou regulamento. Explicando melhor. É a “regra do jogo” a ser aplicada para aquela empresa que está elaborando as demonstrações.

    3.2. Semelhanças e diferenças entre a Auditoria Interna e Externa

    A principal semelhança entre a Auditoria Interna e a Externa está relacionada aos métodos de trabalho, que, via de regra, são bastante parecidos, tanto quanto às características desejáveis à pessoa do auditor quanto aos aspectos de planejamento, execução e emissão de relatórios. Quanto às diferenças, vamos observar o quadro a seguir, adaptado da obra de Crepaldi (2012), sendo que muitas das quais já foram comentadas nesta obra.

    Elementos

    Sujeito Ação e objetivo Finalidade Relatório principal

    Auditoria Interna

    Funcionário da empresa Exame dos controles operacionais Promover melhorias nos controles operacionais Recomendações

    Auditoria Externa

    Profissional independente Exame das demonstrações financeiras Opinar sobre as demonstrações financeiras Parecer

    Grau de independência

    Menos amplo

    Mais amplo

    Interessados no trabalho

    Empresa

    Empresa e público em geral

    Responsabilidade

    Trabalhista

    Profissional, civil e criminal

    Continuidade do trabalho

    Contínuo

    Periódico (pontual)

    Entendendo esse quadro, vocês acertarão boa parte das questões relacionadas ao tema. Cabe explicar, em relação ao elemento Relatório Principal, que o auditor interno emite recomendações à empresa auditada (da qual, como vimos, faz parte). Já o auditor externo dá um parecer (no sentido de um juízo técnico). O documento por meio do qual o auditor interno emite suas recomendações, bem como o auditor independente exprime sua opinião, é chamado, atualmente, de Relatório.

    3.3. Funções da Auditoria Interna

    Como vimos, o papel da Auditoria Interna é auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos. Para tanto, tem exercido a importante função de identificar oportunidades e estratégias para minimizar os riscos inerentes à atividade da organização a qual faz parte. É elemento-chave na avaliação e na sugestão de melhorias nos processos, sendo eficiente suporte na gestão empresarial. Outro ponto de destaque na NBC TI 01 é que a norma afirma que “A Auditoria Interna é exercida nas pessoas jurídicas de direito público, interno ou externo, e de direito privado”. Dessa forma, deixa claro que não se limita a discutir conceitos exclusivos do setor privado, incluindo as pessoas jurídicas de direito público. Sobre a finalidade da Auditoria Interna, a NBC TI 01 a coloca da seguinte forma: “agregar valor ao resultado da organização, apresentando subsídios para o aperfeiçoamento dos processos, da gestão e dos controles internos, por meio da recomendação de soluções para as não conformidades apontadas nos relatórios”.

    Grau de independência Menos amplo Mais amplo Interessados no trabalho Empresa Empresa e público em geral
    Grau de independência Menos amplo Mais amplo Interessados no trabalho Empresa Empresa e público em geral
    Grau de independência Menos amplo Mais amplo Interessados no trabalho Empresa Empresa e público em geral
    Grau de independência Menos amplo Mais amplo Interessados no trabalho Empresa Empresa e público em geral
    Grau de independência Menos amplo Mais amplo Interessados no trabalho Empresa Empresa e público em geral

    Figura 3.2 Papel da Auditoria Interna.

    Merece destaque, em relação às funções da Auditoria Interna, a relação desta com a

    prevenção de fraudes e erros. De acordo com a norma, é atribuição da Auditoria Interna assessorar a administração da entidade nesse sentido, informando-a, sempre por escrito e de maneira reservada, quaisquer indícios de irregularidades detectadas no decorrer do trabalho. A diferença entre fraude e erro é bastante simples: enquanto a fraude resulta de um ato intencional, o erro é consequência de um ato não intencional (o famoso “foi sem querer”). O que mais nos interessa nesse assunto é saber que a prevenção de fraudes e erros não é atribuição principal, finalidade precípua, objetivo maior, e outras afirmações desse tipo, da Auditoria Interna. Se a questão apresentar que é, podemos considerar ERRADO sem medo, pois a responsabilidade primária por essa detecção é da própria administração da entidade. De qualquer forma, para assessorar a administração, a prevenção de fraudes ou erros acabará fazendo parte dos objetivos da auditoria interna, não sendo, entretanto, o principal, precípuo, maior, etc. Outros pontos da NBC TI 01 serão abordados ao longo desta obra, quando tratarmos de temas específicos (planejamento, testes, relatório). Entretanto, cabe adiantar aqui, em relação à forma de opinião do auditor interno, que o relatório da Auditoria Interna deve ser apresentado a quem tenha solicitado o trabalho ou a quem este autorizar, devendo ser preservada a confidencialidade do seu conteúdo. Além disso, a Auditoria Interna deve avaliar a necessidade de emissão de relatório parcial, na hipótese de constatar impropriedades/irregularidades/ilegalidades que necessitem providências imediatas da administração da entidade, e que não possam aguardar o final dos exames. Nesse aspecto cabe lembrar que o auditor independente não emite relatório parcial. Ressalta-se a cooperação que deve existir entre o auditor interno e o independente. Segundo a NBC PI 01, o auditor interno, quando previamente estabelecido com a administração da entidade em que atua, e no âmbito de planejamento conjunto do trabalho a realizar, deve apresentar os seus papéis de trabalho ao auditor independente e entregar-lhe cópias, quando este entender necessário. Por fim, é importante verificarmos o que o item A3 da NBC TA 610 estabelece, já que as bancas têm buscado muitas questões no final das normas. Segundo essa norma, as atividades da função de auditoria interna podem incluir um ou mais dos itens a seguir:

    • Monitoramento do controle interno.

    • Exame das informações contábeis e operacionais. • Revisão das atividades operacionais. • Revisão da conformidade com leis e regulamentos. • Gestão de risco. • Governança.

    3.4. Funções da Auditoria Externa (Independente)

    Pode-se resumir a finalidade da Auditoria Externa com a afirmação de que busca conferir

    credibilidade às demonstrações contábeis, visto que, para os interessados nas informações financeiras, não basta uma opinião interna, sendo indispensável a opinião independente da Auditoria Externa. Não é atribuição do auditor independente garantir a viabilidade futura da entidade ou fornecer algum tipo de atestado de eficácia da administração na gestão dos negócios. Para relembrar, de acordo a NBC TA 200, ao conduzir a auditoria de demonstrações contábeis, os objetivos gerais do auditor são:

    “(a) obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis como um todo estão livres de distorção relevante, independentemente se causadas por fraude ou erro, possibilitando assim que o auditor expresse sua opinião sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável; e

    (b ) apresentar relatório sobre as demonstrações contábeis e comunicar-se como exigido pelas NBC TAs, em conformidade com as constatações do auditor.” (grifo nosso)

    Ou seja:

    credibilidade às demonstrações contábeis , visto que, para os interessados nas informações financeiras, não basta uma
    credibilidade às demonstrações contábeis , visto que, para os interessados nas informações financeiras, não basta uma
    credibilidade às demonstrações contábeis , visto que, para os interessados nas informações financeiras, não basta uma

    Figura 3.3 Funções da Auditoria Externa.

    Distorções são a diferença entre o valor, a classificação, a apresentação ou a divulgação de uma demonstração contábil relatada e o valor, a classificação, a apresentação ou a divulgação que é exigida para que o item esteja de acordo com a estrutura de relatório financeiro aplicável (ou seja, a diferença entre o que é e o que deveria ser). As distorções podem originar-se de erro ou fraude. Uma distorção é relevante quando pode vir a modificar a opinião do usuário. O auditor também pode ter outras responsabilidades de comunicação e de relatório perante os usuários, a administração, os responsáveis pela governança ou partes fora da entidade, a respeito dos assuntos decorrentes da auditoria, como, por exemplo, em relação a fraudes, dentre outras, desde que estabelecidas por lei, regulamento ou normas do CFC.

    Exercícios

    26. (FCC/ISS-SP/2012) NÃO é uma atividade da função da auditoria interna:

    • a) a avaliação do processo de governança;

    • b) a gestão de risco ;

    • c) o monitoramento do controle interno;

    • d) o exame das informações contábeis e operacionais;

    • e) a aprovação do relatório de auditoria externa.

    Comentários:

    A letra E, gabarito da questão, não faz sentido. Vejamos: se a auditoria externa é contratada para emitir uma opinião independente acerca das demonstrações contábeis, não faria sentido em ter de passar por alguma aprovação da empresa auditada, seja da auditoria interna, seja de qualquer setor da administração. As outras quatro alternativas se encaixam perfeitamente no que foi visto como funções de auditoria interna, na parte teórica desta obra, e foram retiradas quase que de forma literal da NBC TA 610. Resposta: E.

    27. (FCC/TRF 2 a Região/2012) O auditor independente ou externo:

    • a) tem como objetivo principal a prevenção e a detecção de falhas no sistema de controle interno da entidade;

    • b) deve produzir relatórios que visam atender, em linhas gerais, a alta administração da entidade ou diretorias e gerências;

    • c) tem de fazer análise com alto nível de detalhes, independentemente da relação custo-benefício, para minimizar o risco de detecção;

    • d) deve produzir um relatório ou parecer sobre as demonstrações contábeis da entidade auditada;

    • e) tem menor grau de independência em relação à entidade auditada do que o auditor interno.

    Comentários:

    A letra A está errada, pois o objetivo principal do auditor independente é emitir uma opinião sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Em relação à alternativa B, trata-se de auditoria interna e não externa. A letra C também está incorreta, pois o custo-benefício deve ser levado em conta em qualquer tipo de auditoria. Por fim, foi visto que quem tem menor grau de independência é a auditoria interna e não a externa. Portanto, a alternativa E está errada. Resposta: D.

    28. (FCC/TCE-SP/2012) Em relação às diferenças entre a auditoria interna e externa das demonstrações contábeis, é correto afirmar:

    • a) a auditoria externa é de competência exclusiva de contador registrado no Conselho Federal de Contabilidade, enquanto a auditoria interna pode ser realizada por um funcionário qualificado que receba treinamento adequado para tal fim;

    • b) o grau de autonomia do auditor interno é maior que o do auditor externo independente, em virtude de se reportar diretamente à controladoria da entidade;

    • c) o auditor externo executa as auditorias operacional e contábil, e o auditor interno, apenas a contábil;

    • d) o auditor externo é responsável pelo exame e avaliação do controle interno da entidade, cabendo ao auditor interno apenas implementar as modificações julgadas necessárias pelo auditor externo para o seu correto funcionamento;

    • e) regra geral, os relatórios do auditor interno são de uso exclusivo da administração da entidade, enquanto os elaborados pelo auditor independente são destinados também aos usuários externos da informação contábil.

    Comentários:

    A letra A está incorreta, pois o registro profissional se refere ao Conselho Regional de Contabilidade – CRC – e não ao Federal – CFC.

    A alternativa B também está errada, pois o grau de autonomia do auditor interno é menor do que a do auditor externo. Além disso, a auditoria interna deve estar ligada à alta administração e não à controladoria. Conforme visto no quadro comparativo, o auditor externo executa auditoria contábil, e o auditor interno, contábil e operacional, dentre outras. Embora o auditor externo faça avaliação do controle interno para definir o volume de seus procedimentos substantivos, conforme veremos em capítulo posterior, é o auditor interno que tem essa responsabilidade. Além disso, quem implementa as recomendações feitas pelo auditor interno é a própria empresa. Resposta: E.

    29. (FCC/TRE-CE/2012) É correto afirmar com relação aos objetivos da auditoria interna que:

    • a) os objetivos não variam e, independente do tamanho da empresa ou do quadro funcional, devem cobrir totalmente as atividades;

    • b) é totalmente responsável pela gestão de riscos, garantindo à gestão e governança da empresa a mitigação ou

    eliminação dos mesmos;

    • c) está subordinada aos órgãos de governança da empresa, sendo limitada sobre a possibilidade de avaliar as questões de ordem ética, valores e cumprimento de suas funções;

    • d) ela pode ser responsável por revisar a economia, eficiência e eficácia das atividades operacionais, incluindo as atividades não financeiras de uma entidade;

    • e) suas atribuições com relação ao cumprimento de leis e normas limitam-se àquelas pertinentes à área contábil e financeira, ficando as demais normas e leis sob responsabilidade das áreas específicas.

    Comentários:

    A capacidade operacional de trabalho da auditoria interna irá depender do seu quadro funcional, portanto, a letra A está incorreta. O responsável primário pela gestão de riscos da empresa, e principalmente por sua mitigação ou eliminação, é o próprio gestor. Cabe ao auditor interno avaliar essa gestão. Por isso a alternativa B está errada. A letra C está incorreta, pois o auditor interno pode avaliar as questões de ordem ética, valores e cumprimento de suas funções, independente de estar ligado à alta administração. Por fim, a letra E também está errada, pois vimos que, além de auditoria contábil o auditor interno também realiza auditorias operacionais, dentre outras. Resposta: D.

    30. (FCC / TRE-CE / 2012)– Para que a auditoria externa possa utilizar os trabalhos dos auditores internos é obrigatório que:

    • a) as reuniões sejam aleatórias e sem previsão dos assuntos a serem tratados, mantendo assim a independência;

    • b) haja subordinação dos auditores internos aos auditores externos;

    • c) os trabalhos sejam desenvolvidos de acordo com as determinações da administração da empresa e dos órgãos de governança;

    • d) a determinação da amostra, a seleção dos documentos e a revisão sejam feitas pela auditoria externa;

    • e) avalie a objetividade da função da auditoria interna e a competência técnica dos auditores internos.

    Comentários:

    Veremos mais detalhadamente essa situação (de uso do trabalho do auditor interno pelo auditor independente) em capítulo posterior. De qualquer forma, para que ele se utilize do trabalho do auditor interno, o auditor externo deverá avaliar a competência técnica, a objetividade e a independência da auditoria interna da empresa auditada, dentre outros fatores. As outras alternativas estão incorretas e serão explicadas oportunamente. Resposta: E.

    31. (Esaf/Sefaz-SP – APOFP/2009) Sobre a auditoria independente, é correto afirmar que tem por objetivo:

    • a) auxiliar a administração da entidade no cumprimento de seus objetivos;

    • b) apresentar subsídios para o aperfeiçoamento da gestão e dos controles internos;

    • c) emitir parecer sobre a adequação das demonstrações contábeis;

    • d) levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução do litígio;

    • e) recomendar soluções para as não conformidades apontadas nos relatórios.

    Comentários:

    Questão bastante comum em provas de auditoria. Para respondê-la, basta saber o objetivo de uma auditoria independente, que é, segundo a NBC TA 200,

    “aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável”. (grifos nossos)

    Deve-se ressaltar que a questão ainda traz a opinião do auditor independente com a nomenclatura antiga (“Parecer”), pois foi elaborada antes da nova normatização. A partir da edição da NBC TA 700, o produto do auditor independente, por meio do qual ele manifesta sua opinião, passou a chamar Relatório do Auditor Independente. As letras A, B e E são características e/ou objetivos da Auditoria Interna, conforme visto na parte teórica do livro. A alternativa D não corresponde a um objetivo da auditoria, mas da perícia. Resposta: C.

    32. (Esaf/Receita Federal/2009) Com relação aos relatórios de auditoria interna, pode-se afirmar que:

    • a) podem considerar posições de interesse da administração e dos gestores, sendo conduzidos aos interesses desses;

    • b) devem estar disponíveis a qualquer administrador da empresa, sem restrição;

    • c) podem relatar parcialmente os riscos associados aos possíveis pontos a serem levantados pela auditoria externa;

    • d) somente devem ser emitidos antes do final dos trabalhos, quando houver irregularidades que requeiram ações imediatas;

    • e) não devem ser emitidos antes do final dos trabalhos, por não possuírem informações completas.

    Comentários:

    Segundo o item 12.3 da NBC TI 01 (antiga NBC T12), o relatório é “o documento pelo qual a Auditoria Interna apresenta o resultado dos seus trabalhos, devendo ser redigido com objetividade e imparcialidade, de forma a expressar, claramente, suas conclusões, recomendações e providências a serem tomadas pela administração da entidade.” (grifo nosso). Dessa forma, a alternativa A está errada, pois o auditor interno deve ser imparcial em seu trabalho.

    A mesma norma determina que “o relatório da Auditoria Interna deve ser apresentado a quem tenha solicitado o trabalho ou a quem este autorizar, devendo ser preservada a confidencialidade do seu conteúdo”. Portanto, a letra B é considerada incorreta. Por fim, a norma supracitada indica que “a Auditoria Interna deve avaliar a necessidade de emissão de relatório parcial, na hipótese de constatar impropriedades/irregularidades/ ilegalidades que necessitem providências imediatas da administração da entidade, e que não possam aguardar o final dos exames.” Desse modo, as alternativas C e E estão erradas, e a letra D corresponde exatamente à oportunidade em que deve ser emitido o relatório parcial. Resposta: D.

    33. (Esaf/Receita Federal/2009)A responsabilidade primária na prevenção e detecção de fraudes e erros é:

    • a) da administração;

    • b) da auditoria interna;

    • c) do conselho de administração;

    • d) da auditoria externa;

    • e) do comitê de auditoria.

    Comentários:

    Segundo o item 4 da NBC TA 240, “a principal responsabilidade pela prevenção e detecção da fraude é dos responsáveis pela governança da entidade e da sua administração”. Conforme verificamos na NBC TI 01, a Auditoria Interna “deve assessorar a administração da entidade no trabalho de prevenção de fraudes e erros, obrigando-se a informá-la, sempre por escrito, de maneira reservada, sobre quaisquer indícios ou confirmações de irregularidades detectadas no decorrer de seu trabalho.” (grifo nosso) Resposta: A.

    34. (Esaf/PMRJ/2010) A respeito dos objetivos da auditoria interna e da auditoria independente, é correto afirmar que:

    • a) o objetivo da auditoria interna é apoiar a administração da entidade no cumprimento dos seus objetivos, enquanto o da auditoria independente é a emissão de parecer sobre as demonstrações contábeis;

    • b) a auditoria interna se preocupa em avaliar os métodos e as técnicas utilizadas pela contabilidade, enquanto a auditoria externa cuida de revisar os lançamentos e demonstrações contábeis;

    • c) a atuação de ambas não difere na essência, uma vez que os objetivos da avaliação é sempre a contabilidade;

    • d) a auditoria interna cuida em verificar os aspectos financeiros da entidade, enquanto a auditoria externa se preocupa com os pareceres a respeito das demonstrações contábeis;

    • e) o objetivo da auditoria interna é produzir relatórios demonstrando as falhas e deficiências dos processos administrativos e os da auditoria externa é emitir parecer sobre a execução contábil e financeira da entidade.

    Comentários:

    Para responder a esta questão não foi necessário um conhecimento mais profundo das principais diferenças entre esses dois tipos de auditoria, mas apenas o entendimento dos seus objetivos. Segundo a NBC TA 200, o objetivo da auditoria é aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável.

    Já a auditoria interna (NBC TI 01) compreende os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente, e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos. Dessa forma, a única alternativa que demonstra de forma correta e completa os principais objetivos dessas duas auditorias é a letra A, ressalvando, apenas, que o produto final do auditor independente agora é chamado de Relatório e não mais de Parecer. A alternativa B está errada, pois a auditoria externa não revisa os lançamentos das demonstrações contábeis, apenas emite uma opinião, e a auditoria interna tem uma função muito mais ampla do que avaliar as técnicas utilizadas pela contabilidade. A letra C está incorreta, pois como vimos, os objetivos desses dois tipos de auditoria são bem distintos. A auditoria interna não cuida apenas dos aspectos financeiros da entidade, conforme verificamos a partir de sua definição. Portanto, a letra D também está errada. Por fim, a letra E está incorreta, pois o responsável primário pela prevenção e detecção de erros, falhas e fraudes é a própria administração, e não a auditoria interna. Dessa forma, seu objetivo não é emitir um relatório apontando as falhas e deficiências, e sim emitir um relatório avaliando os processos administrativos e operacionais da empresa, que podem ou não apresentar erros. Resposta: A.

    35. (Cesgranrio/Bacen/2009) Quanto às características da auditoria interna e externa, analise as afirmativas a seguir. I. O processo pelo qual o auditor se certifica de que as demonstrações financeiras representam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da empresa, por meio da emissão de parecer, caracteriza a auditoria externa. II. O exercício da auditoria interna é privativo de contabilista registrado no Conselho Regional de Contabilidade da jurisdição.

    III. A principal característica da auditoria interna é a independência, ou seja, não possui vínculo com a empresa auditada. IV. O parecer do auditor independente pode ser classificado em: sem ressalva, com ressalva, adverso ou com abstenção de opinião. Está correto SOMENTE o que se afirma em:

    • a) I e II;

    • b) I e IV;

    • c) II e III;

    • d) III e IV;

    • e) I, II e III.

    Comentários:

    Nesta questão, o item I está correto, pois descreve exatamente o objetivo do auditor independente, que é emitir uma opinião sobre a fidedignidade das demonstrações contábeis. Ressalta-se, mais uma vez, que a questão é de 2009, antes da edição das novas normas de auditoria, e por isso a forma de emitir essa opinião era por meio do Parecer do Auditor Independente. A partir da NBC TA 700, como já sabemos, o documento citado passou a ser

    Relatório do Auditor Independente. O item II está errado, pois a exigência de registro diz respeito ao auditor independente, e não ao auditor interno. O item III também está incorreto, pois quem não possui vínculo com a empresa auditada é o auditor independente. O auditor interno é funcionário da empresa, mas também possui independência técnica, embora esta seja menor que a do auditor externo, conforme já vimos anteriormente. Por fim o item IV está correto, pois quando da vigência da NBC T 11, era exatamente essa a classificação do parecer do auditor independente. Veremos a nova classificação na presente obra. Resposta: B.

    36. (Cesgranrio/Petrobrás/2011) Com a crescente expansão dos negócios, as administrações das empresas instituíram o órgão de auditoria interna, que, em muitos ramos, tornou-se um setor obrigatório por força de lei. A auditoria interna auxilia a organização a alcançar seus objetivos, adotando uma abordagem sistemática para:

    • a) avaliação e melhoria da eficácia dos processos de gerenciamento de riscos, de controle e governança corporativa;

    • b) avaliação dos índices de liquidez e financeiros a fim de assegurar a boa saúde financeira da empresa;

    • c) elaboração do mapeamento organizacional por meio de entrevistas com todos os funcionários;

    • d) emissão do parecer sobre as demonstrações contábeis e publicação em jornal de grande circulação;

    • e) revisão das contas contábeis para elaboração do balanço.

    Comentários:

    Conforme visto anteriormente, segundo a NBC TI 01, a auditoria interna compreende exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente, e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos. (grifos nossos) Dessa forma, a letra A aborda exatamente as características da auditoria interna. As alternativas B, C e E apresentam procedimentos que são de responsabilidade da própria administração e não do auditor interno. Já a emissão do parecer sobre as demonstrações contábeis é de responsabilidade do auditor independente. Resposta: A.

    37. (Cesgranrio/Petrobrás/2011) O gerenciamento de riscos dentro da empresa é uma atividade fundamental que servirá de apoio para diversas outras atividades, como planejamento estratégico, auditoria interna etc. Nesse contexto, durante uma auditoria, o auditor interno deve:

    • a) preparar toda a estrutura da gestão de riscos, realizando o mapeamento de todas as atividades-chave relacionadas ao processo auditado;

    • b) justificar à alta administração da empresa os pontos levantados em consequência de falhas na gestão de riscos dos processos auditados;

    • c) identificar o tipo de risco associado aos processos auditados, verificando se estão classificados adequadamente quanto à sua natureza, evitando a ocorrência de duplicidade nos testes de auditoria;

    • d) avaliar a aplicação de ferramentas de alta tecnologia que são eficazes para a realização da gestão dos riscos associados aos processos auditados;

    • e) avaliar e monitorar os riscos dos processos auditados, verificando as consequências quando os objetivos não são atingidos e se os controles associados mitigam os riscos existentes.

    Comentários:

    A questão tenta confundir o candidato, combinando procedimentos que são de responsabilidade da própria administração, do próprio controle interno da empresa, com responsabilidades que são do auditor interno. A alternativa A está incorreta, pois quem elabora a estrutura de gestão de riscos dos processos da empresa são os gerentes, diretores etc., e não o auditor interno, o que não impede que este utilize gestão de riscos e auditoria baseada em riscos para traçar seu planejamento de auditoria. A letra B também está errada, pois também são os gerentes, diretores etc. os responsáveis por justificativas à alta administração de alguma falha na gestão de riscos. A classificação de risco dos processos não tem relação com a ocorrência ou não de duplicidade nos testes de auditoria. Além disso, a avaliação realizada pelo auditor interno é da gestão de riscos da empresa, e não das ferramentas de alta tecnologia. Portanto, as opções C e D estão incorretas. Por fim, a alternativa E aborda exatamente a maneira como o auditor interno deve agir em relação aos riscos dos processos auditados, que é monitorar esses riscos, avaliando o controle interno e os resultados alcançados. Resposta: E.

    38. (FCC/Sefaz/SP – APOFP/2010) As auditorias internas e externas atuam em diferentes graus de profundidade e de

    extensão nas tarefas de auditoria. Embora exista uma conexão nos trabalhos de ambas, é função da auditoria externa:

    • a) acompanhar o cumprimento de normas técnicas e a política de administração da empresa, na consecução dos seus objetivos;

    • b) avaliar e testar os sistemas de controles internos e contábil, em busca da razoável fidedignidade das demonstrações financeiras;

    • c) desenvolver continuamente o trabalho de auditoria na empresa, concluindo as tarefas com a elaboração de relatórios;

    • d) seguir as normas e os procedimentos de auditoria na execução dos trabalhos, com grau de independência limitado;

    • e) prevenir erros e fraudes, sugerindo aos administradores da empresa os ajustes necessários.

    Comentários:

    Os procedimentos apresentados nas alternativas A, C, D e E referem-se a funções da auditoria interna. A única opção que aborda procedimentos adotados pelos auditores externos é a letra B, já que o objetivo desses profissionais é expressar uma opinião sobre a fidedignidade das demonstrações contábeis. Cabe ressaltar que a FCC traz, na letra D, o termo independência limitada. Algumas bancas consideram a auditoria interna menos independente que a externa, outras tratam essa independência como limitada, e há também aquelas que preferem utilizar o termo autonomia e não independência, quando se referem à auditoria interna. Portanto, não há entendimento certo ou errado, prestem atenção na forma de cobrança! Resposta: B.

    39. (FGV/Sefaz-RJ – Fiscal de Rendas/2010) De acordo com a Resolução CFC n o 1229/09, as atividades inerentes a auditoria interna estão relacionadas nas alternativas a seguir, à exceção de uma. Assinale-a.

    • a) Revisão da conformidade com leis e regulamentos.

    • b) Monitoramento da auditoria externa.

    • c) Exame das informações contábeis e operacionais.

    • d) Revisão das atividades operacionais.

    • e) Gestão de risco.

    Comentários:

    Nesta questão a FGV cobrou, explicitamente, uma nova norma de auditoria. A Resolução

    CFC n o 1229/09 aprovou a NBC TA 610, que trata da utilização do trabalho de auditoria interna. Segundo o item A3 dessa norma, as atividades da função de auditoria interna podem incluir um ou mais dos itens a seguir:

    • Monitoramento do controle interno.

    • Exame das informações contábeis e operacionais. • Revisão das atividades operacionais. • Revisão da conformidade com leis e regulamentos. • Gestão de risco. • Governança.

    Verifica-se, portanto, que a banca exigiu, mais uma vez, a literalidade da norma. Desse modo, a única opção que não é considerada uma atividade inerente à auditoria interna é a letra B, já que o monitoramento realizado pelo auditor interno é o do controle interno e não da auditoria externa. Resposta: B.

    40. (FGV/Sefaz-RJ – Fiscal de Rendas/2010) Com relação à Resolução 986/2003, que estabelece os procedimentos relacionados à Auditoria Interna, analise as afirmativas a seguir. I. Tem por finalidade agregar valor ao resultado da organização, apresentando subsídios para o aperfeiçoamento dos processos, da gestão e dos controles internos, por meio da recomendação de soluções para as não conformidades apontadas nos relatórios. II. Deve ser documentada por meio de papéis de trabalho, elaborados em meio físico ou eletrônico, que devem ser organizados e arquivados de forma sistemática e racional. III. Deve assessorar a administração da entidade no trabalho de prevenção de fraudes e erros, obrigando-se a informá- la, sempre por escrito, de maneira reservada, sobre quaisquer indícios ou confirmações de irregularidades detectadas no decorrer de seu trabalho. Assinale:

    • a) se somente a afirmativa II estiver correta;

    • b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas;

    • c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas;

    • d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas;

    • e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

    Comentários:

    Os itens desta questão foram retirados na íntegra da NBC TI 01. O item I está exatamente como descrito no item 12.1.1.4 da norma, que estabelece que a

    auditoria interna “tem por finalidade agregar valor ao resultado da organização, apresentando subsídios para o aperfeiçoamento dos processos, da gestão e dos controles internos, por meio da recomendação de soluções para as não conformidades apontadas nos relatórios”. O item II foi retirado do item 12.1.2.1: “A Auditoria Interna deve ser documentada por meio de papéis de trabalho, elaborados em meio físico ou eletrônico, que devem ser organizados e arquivados de forma sistemática e racional”. Por fim, o item III foi transcrito do item 12.1.3.1, que determina que a auditoria interna “deve assessorar a administração da entidade no trabalho de prevenção de fraudes e erros, obrigando-se a informá-la, sempre por escrito, de maneira reservada, sobre quaisquer indícios ou confirmações de irregularidades detectadas no decorrer de seu trabalho”. Resposta: E.

    41. (FGV/Sefaz-RJ – Fiscal de Rendas/2009) De acordo com a Resolução CFC n o 986/03, com relação à auditoria interna, assinale a afirmativa incorreta.

    • a) Compreende os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente e de gerenciamento de riscos.

    • b) Está estruturada em procedimentos, com enfoque técnico, objetivo, sistemático e disciplinado, e tem por finalidade agregar valor ao resultado da organização.

    • c) Compreende, para fins de planejamento, os exames preliminares das áreas, atividades, produtos e processos que definem a amplitude e a época do trabalho a ser realizado.

    • d) Realiza exames e investigações, incluindo testes de observância e testes substantivos, que permitem obter subsídios suficientes para fundamentar as conclusões e recomendações à administração da entidade.

    • e) É fundamentada por informações denominadas de “referências”, que devem ser suficientes, fidedignas, relevantes e úteis, de modo a fornecer base sólida para as conclusões e recomendações à administração da entidade.

    Comentários:

    A FGV cobrou a NBC TI 01 na literalidade. Até mesmo na alternativa errada, letra E, a banca trocou apenas uma palavra, para tentar confundir o candidato. O auditor interno fundamenta seus resultados por meio de informações denominadas “evidências” e não “referências”. Mas não se preocupem com esse conceito agora. Abordaremos o tema evidências em outro capítulo. Resposta: E.

    42. (Cespe-UnB/TCE-TO/2009) De acordo com a relação do auditor com a entidade auditada, distinguem-se as auditorias interna e externa. Acerca desse assunto, assinale a opção correta.

    • a) O vínculo de emprego do auditor interno lhe retira a independência profissional desejável para atuar nos termos das normas vigentes.

    • b) As empresas, de um modo geral, independentemente de seu porte e da relação custo-benefício, devem dispor de auditoria interna permanente.

    • c) A auditoria interna não tem como objetivo precípuo a emissão de parecer sobre as demonstrações contábeis, sendo executada mais para fins administrativos internos do que para prestação de contas a terceiros.

    • d) A auditoria externa deve prescindir do concurso da auditoria interna, sob pena de ser induzida em seus exames e perder a desejável independência.

    • e) A auditoria externa deve atuar permanentemente e continuamente, exercendo um controle prévio, concomitante e

    consequente.

    Comentários:

    O vínculo empregatício do auditor interno não retira sua independência profissional. Portanto, a letra A está errada. Auditoria Interna é um princípio do controle interno e deve ser instituída observando outro princípio, que é o da relação custo-benefício. Dessa forma, a alternativa B está incorreta, pois o custo de uma auditoria interna não pode ser maior que seus benefícios para a empresa. A letra D também está errada, pois a auditoria externa pode utilizar os trabalhos da auditoria interna, conforme verificado no item 11 da NBC TA 610: “Para que o auditor independente possa utilizar um trabalho específico dos auditores internos, o auditor independente deve avaliar e executar os procedimentos de auditoria nesse trabalho para determinar a sua adequação para atender aos seus objetivos como auditor independente”. A alternativa E está incorreta, pois é a auditoria interna que deve atuar permanentemente e continuamente na entidade, e não a externa. Por fim, a letra C está correta, já que o objetivo de emitir uma opinião sobre as demonstrações contábeis é do auditor externo e não do interno. Resposta: C.

    Capítulo 4

    Controle Interno: Princípios, Controle Interno Contábil, Controle Interno Administrativo, Avaliação do Sistema de Controle, COSO I

    Principais legislações correlacionadas ao capítulo:

    NBC TA 265, NBC TA 315.

    Antes de apresentarmos alguns conceitos de Controle, vamos imaginar a seguinte situação:

    Você possui um livro (sabemos que hoje em dia você tem uns 500, mas vamos fazer de conta que é só um). Saber onde esse seu único livro está é relativamente fácil: vai estar na estante, na pasta, no carro, aberto na sua frente às duas da manhã. Não se exigem grandes esforços para se controlar apenas um livro. Agora, se você tem 10 livros, você pode ter um pouco mais de dificuldade, pois não vão estar sempre com você. Alguém pode pegar emprestado e “se esquecer” de devolver. Um irmão menor ou seus filhos podem rabiscá-los, rasgá-los. Isso vai te exigir uma dedicação um pouco maior para zelar por eles. Até aí, tudo bem. Mas vamos complicar um pouco a situação e considerar que você tem 10.000 livros. Bom, aí já ficou bastante difícil. Com essa quantidade de livros, emprestando, doando, lendo, envelhecendo nas prateleiras, se você não quiser passar o dia inteiro cuidando deles, vai querer contratar alguém para fazer isso por você, remunerando-o pelo serviço prestado. A ideia contida na origem do controle foi mais ou menos essa. Conforme o patrimônio da sociedade foi crescendo, foi ficando cada vez mais difícil ter certeza de que este estava sendo corretamente utilizado, exigindo controles cada vez mais complexos. Ou seja: se meu patrimônio crescer, vou ter de contratar alguém para me ajudar a cuidar dele, e vou ter de controlar a forma com que esse contratado está gerindo meus bens. Superficialmente, é isso. Na definição de controle, podemos citar Castro (2008), que esclarece que, com a incorporação da palavra “controle” aos diversos idiomas, esta obteve sentido amplo, podendo significar, dentre outros: vigilância (fiscalização contínua), verificação (exame) e registro (identificação). Entretanto, o autor afirma que o vocábulo “controle” sempre esteve ligado às finanças. Carvalho Filho (2010) afirma que a fiscalização e a revisão são os elementos básicos do

    controle. Citando Di Pietro, define fiscalização como o poder de verificação que se faz sobre a atividade dos órgãos e dos agentes administrativos, bem como em relação à finalidade pública que deve servir de objetivo para a Administração. Sobre revisão, indica que se trata do poder de corrigir as condutas administrativas, pela necessidade de alterar alguma linha das políticas administrativas, para que melhor seja atendido o interesse coletivo. Para Hely Lopes Meirelles (2005), controle, em tema de administração pública, é “a faculdade de vigilância, orientação e correção que um Poder, órgão ou autoridade exerce sobre a conduta funcional de outro”. Trazendo esses conceitos para nosso exemplo de controle dos 10.000 livros que você têm, podemos dizer que o controle seria a faculdade de vigilância do patrimônio (os livros), orientação (a correta forma de zelar pelos livros) e correção (ajustar os erros identificados) que o proprietário (você) exerce sobre a conduta funcional de outro (o contratado para zelar pelos livros, na sua ausência). Resumindo, podemos dizer que, para adequar os resultados reais aos planejados, comparando-os com padrões previamente estabelecidos, procuramos medir e avaliar o desempenho, corrigindo-o no que for necessário. E isso é controle.

    4.1. Controle Interno

    Segundo Almeida (2010), o auditor está interessado em valores significativos, referentes a erros ou irregularidades, que afetam as demonstrações financeiras, podendo conduzir os leitores a terem um entendimento errôneo sobre estas demonstrações. Um bom sistema de controle interno funciona como uma “peneira” na detecção desses erros ou irregularidades. Portanto, segundo o autor, o auditor pode reduzir o volume de testes de auditoria na hipótese de a empresa ter um sistema de controle interno forte; caso contrário, o auditor deve aumentá-lo (o número de testes). A figura 4.1 ilustra o que acabamos de comentar.

    controle . Citando Di Pietro, define fiscalização como o poder de verificação que se faz sobre
    controle . Citando Di Pietro, define fiscalização como o poder de verificação que se faz sobre

    Figura 4.1 Controle Interno Fonte: Almeida (2010)

    A avaliação dos controles internos deve ser considerada na estimativa do risco de auditoria,

    que consiste na possibilidade de o auditor chegar a conclusões equivocadas ou incompletas. Sempre que relevante, o resultado dessa avaliação deve ser registrado no plano de auditoria. Conforme a NBC TA 315, Controle interno:

    “é o processo planejado, implementado e mantido pelos responsáveis da governança, administração e outros funcionários para fornecer segurança razoável quanto à realização dos objetivos da entidade no que se refere à confiabilidade dos relatórios financeiros, efetividade e eficiência das operações e conformidade com leis e regulamentos aplicáveis.”

    Ou seja, é um processo conduzido por todos os integrantes da empresa, para fornecer razoável segurança de que os objetivos da entidade estão sendo alcançados, com relação às seguintes categorias:

    • 1 – eficácia e eficiência das operações;

    • 2 – confiabilidade dos relatórios financeiros;

    • 3 – conformidade com a legislação e regulamentos aplicáveis.

    O termo “controles” refere-se a quaisquer aspectos de um ou mais dos componentes do controle interno. Ainda segundo a norma, o auditor deve obter entendimento do seguinte:

    • a) fatores

    do setor de atividade, regulamentares e outros fatores externos relevantes,

    incluindo a estrutura de relatório financeiro aplicável;

    • b) a natureza da entidade, incluindo:

    i) suas operações;

    ii) sua estrutura societária e de governança;

    iii)

    os

    tipos de investimento

    que a entidade está fazendo e planeja fazer, incluindo

    investimentos em entidades de propósito específico;

    iv) a maneira como a entidade é estruturada e como é financiada, para possibilitar ao auditor entender as classes de transações, saldos de contas e divulgações esperadas nas demonstrações contábeis;

    • c) a seleção e aplicação pela entidade de políticas contábeis, inclusive as razões para mudanças nessas políticas. O auditor deve avaliar se as políticas contábeis da entidade são apropriadas para o negócio e compatíveis com a estrutura de relatório financeiro aplicável e políticas usadas no setor de atividade pertinente;

    • d) os objetivos e estratégias da entidade e os riscos de negócio relacionados que possam resultar em risco de distorção relevante;

    • e) a mensuração e revisão do desempenho das operações da entidade.

    4.1.1. Controle interno da entidade

    O auditor deve obter entendimento do controle interno que seja relevante para a auditoria. Embora seja mais provável que a maioria desses controles esteja relacionada com demonstrações contábeis, nem todos são relevantes. É uma questão de julgamento profissional do auditor.

    4.2. Natureza e extensão do entendimento dos controles relevantes

    Na obtenção do entendimento dos controles relevantes, o auditor deve avaliar o desenho desses controles e determinar se eles foram implementados, por meio da execução de procedimentos, além de indagações junto aos funcionários da entidade.

    4.3. Divisões do Controle Interno

    Os

    Controles

    podem

    ser

    divididos em contábeis
    divididos
    em
    contábeis

    e administrativos, assim

    preventivos ou detectivos.

    4.2. Natureza e extensão do entendimento dos controles relevantes Na obtenção do entendimento dos controles relevantes,
    4.2. Natureza e extensão do entendimento dos controles relevantes Na obtenção do entendimento dos controles relevantes,

    como

    em

    Figura 4.2 Sistema de controle Interno da Entidade. Fonte: elaboração dos autores.

    Essa figura é importante para entendermos e diferenciarmos o papel da auditoria interna em relação ao controle interno. A auditoria interna faz parte do Sistema de Controle Interno da empresa, mas não se confunde com os controles internos administrativos e contábeis. Ela tem a função, como vimos, de avaliar esses controles.

    • 4.3.1. Controles Contábeis

    São procedimentos utilizados para salvaguardar o patrimônio e a propriedade dos itens que o compõem. Relacionam-se à veracidade e à fidedignidade dos registros contábeis. Exemplos:

    • Inventários periódicos

    • Segregação de funções • Controle físico sobre ativos • Conciliação bancária • Sistemas de conferência, aprovação e autorização

    • 4.3.2. Controles Administrativos

    São procedimentos que visam proporcionar eficiência e efetividade às operações e negócios da empresa. Relacionam-se às ações ligadas ao alcance dos objetivos da entidade. Exemplos:

    • Controle de qualidade

    • Treinamento de pessoal • Análise de lucratividade segmentada • Desenvolvimento de estudos para aumento de eficiência produtiva

    • 4.3.3. Controles Preventivos

    Visam a identificar um erro ou irregularidade antes que este aconteça. Exemplos:

    • Segregação de funções

    • Limites e alçadas • Autorizações

    • 4.3.4. Controles Detectivos

    Visam a identificar um erro ou irregularidade depois que este tenha ocorrido. Exemplos:

    Conciliações e Revisões de desempenho.

    4.4. Princípios do Controle Interno

    Cada autor considera uma lista de princípios que devem ser seguidos na implementação do controle interno de uma entidade. Trouxemos a seguir os principais e mais cobrados em prova.

    • 4.4.1. Atribuição de responsabilidades

    As atribuições dos funcionários, setores e departamentos internos da empresa devem ser claramente definidas e limitadas, de preferência por escrito, mediante o estabelecimento de manuais internos de organização. Há duas atividades de controles relacionadas à atribuição de responsabilidades: alçadas e autorizações.

    • 4.4.2. Segregação de funções

    É o princípio mais exigido em concursos. Também chamada de Princípio de Oposição de Interesse, consiste em estabelecer que uma mesma pessoa não possa ter funções incompatíveis, que gerem conflito de interesses. Por exemplo, não é recomendável que o mesmo funcionário tenha acesso aos ativos e aos registros contábeis. Outros exemplos de transações que devem ser segregadas:

    • Contratação e pagamento

    • Custódia e inventário • Normatização e fiscalização

    • 4.4.3. Custo x Benefício do controle

    O custo do controle interno não deve exceder aos benefícios por ele gerados. Dessa forma, devem ser estabelecidos controles mais sofisticados para transações de valores relevantes e

    controles mais simples para transações de menor materialidade e importância. Por exemplo, não valeria a pena, em relação a esse princípio, empregar R$10.000,00 em recursos da empresa para a aplicação de procedimentos de auditoria que tivessem por objetivo avaliar a regularidade de uma compra no montante de R$2.000,00.

    4.4.4.

    Definição de rotinas internas

     

    A

    empresa

    deve

    definir

    seus

    procedimentos,

    processos

    e

    rotinas

    internas,

    preferencialmente no manual da organização. Essa normatização visa estabelecer, de maneira formal, as regras internas necessárias ao bom funcionamento da empresa. Exemplos:

    • Formulários internos e externos

     

    • Procedimentos internos dos diversos setores da empresa

     

    4.4.5.

    Limitação do acesso aos ativos

     

    A empresa deve limitar o acesso dos funcionários a seus ativos e estabelecer controles físicos sobre estes. Ressalta-se que essa limitação não se restringe apenas a ativos tangíveis, mas também aos intangíveis, como, por exemplo, informações e dados confidenciais da organização. Exemplos de controles físicos:

    • Utilização de cofres para guarda de numerários

     

    • Revista de funcionários ao deixar o local de trabalho • Utilização de senhas para acessar pastas e sistemas corporativos

     

    4.4.6.

    Auditoria Interna

     

    É o controle do controle. Não adianta a empresa implantar um excelente sistema de controle interno sem que alguém verifique periodicamente se os funcionários estão cumprindo as determinações impostas pelo sistema. Essa verificação realizada pela auditoria interna permite adaptações nas normas existentes ou criação de novas.

    4.5. Componentes do controle interno

     

    4.5.1.

    Ambiente de controle

     

    O auditor deve obter entendimento do ambiente de controle. Como parte da obtenção deste entendimento, o auditor deve avaliar se:

    a) a administração, com a supervisão geral dos responsáveis da governança, criou e manteve uma cultura de honestidade e conduta ética;

    b) os pontos fortes no ambiente de controle fornecem coletivamente fundamento apropriado para os outros componentes do controle interno, e se esses componentes não são prejudicados por deficiências no ambiente de controle.

    O auditor deve buscar entender se a entidade tem processo para:

    • a) identificar riscos de negócio relevantes para os objetivos das demonstrações contábeis;

    • b) estimar a significância dos riscos;

    • c) avaliar a probabilidade de sua ocorrência;

    • d) decidir sobre ações em resposta a esses riscos.

    Se a entidade estabeleceu tal processo (daqui em diante, “processo de avaliação de risco da entidade”), o auditor deve entendê-lo, além de seus resultados. Se o auditor identificar riscos de erro relevante que a administração deixou de identificar, deve avaliar se havia risco subjacente, do tipo que o auditor esperava que fosse identificado pelo processo de avaliação de risco da entidade. Se houver tal risco, o auditor deve obter entendimento do motivo pelo qual o processo deixou de identificá-lo e deve avaliar se o processo é apropriado a suas circunstâncias ou deve determinar se há uma deficiência significativa nos controles internos relacionados ao processo de avaliação de risco da entidade. Se a entidade não estabeleceu tal processo ou se possui processo informal, o auditor deve discutir com a administração se os riscos de negócio relevantes para os objetivos de demonstrações contábeis foram identificados e como foram tratados. O auditor deve avaliar se a ausência de um processo de avaliação de risco documentado é apropriada nas circunstâncias ou determinar se representa uma deficiência significativa no controle interno.

    4.5.3. Sistema de informação, incluindo processos de negócio relacionados, relevantes para as demonstrações contábeis e sua comunicação

    O auditor deve obter entendimento do sistema de informação, inclusive dos processos de negócio, relevantes para as demonstrações, incluindo as seguintes áreas:

    • a) as classes de transações nas operações da entidade;

    • b) os procedimentos, tanto de tecnologia de informação (TI) quanto de sistemas manuais, pelos quais essas transações são iniciadas, registradas, processadas, corrigidas conforme a necessidade, transferidas para o razão geral e divulgadas nas demonstrações contábeis;

    • c) os respectivos registros contábeis, informações-suporte e contas específicas utilizadas para iniciar, registrar, processar e reportar transações; incluindo a correção de informações incorretas. Os registros podem estar em forma manual ou eletrônica;

    • d) como o sistema de informações captura eventos e condições (que não sejam transações);

    • e) o processo usado para elaborar as demonstrações contábeis da entidade, inclusive estimativas e divulgações contábeis significativas;

    • f) controles em torno de lançamentos de diário, inclusive não rotineiros.

    O auditor deve obter entendimento de como a entidade comunica as funções e responsabilidades sobre demonstrações contábeis e assuntos significativos relacionados com esses relatórios, incluindo:

    a) comunicações entre a administração e os responsáveis da governança; b) comunicações externas, tais como as comunicações com os órgãos reguladores.

    • 4.5.4. Atividades de controle relevantes para a auditoria

    O auditor deve obter entendimento das atividades de controle relevantes à auditoria, que são aquelas as quais o auditor julga necessário entender para avaliar os riscos de distorção relevante no nível da afirmação e desenhar procedimentos adicionais para aplicação em resposta aos riscos avaliados. Aqui é necessário explicar a expressão “nível da afirmação”, que aparecerá com frequência. Segundo a NBC TA 315, Afirmações são declarações da administração, explícitas ou não, que estão incorporadas às demonstrações contábeis, utilizadas pelo auditor para considerar os diferentes tipos de distorções potenciais que possam ocorrer. As notas explicativas, por exemplo, podem ser consideradas afirmações. Outro exemplo seria o saldo de determinada conta contábil (caixa, bancos, estoques etc.).

    • 4.5.5. Monitoramento dos controles

    O auditor deve obter entendimento das principais atividades que a entidade utiliza para monitorar o controle interno, e como a entidade inicia ações corretivas para as deficiências nos seus controles. Se a entidade tem implementada uma estrutura de auditoria interna, o auditor deve determinar se a auditoria interna é relevante, verificando:

    a) a natureza da responsabilidade da auditoria interna e como ela está posicionada na estrutura organizacional da entidade;

    b) as atividades realizadas, ou a serem realizadas, pela auditoria interna.

    O auditor deve obter entendimento das fontes das informações usadas nas atividades de monitoramento da entidade e do embasamento sobre o qual a administração considera as informações suficientemente confiáveis para esse propósito.

    a) comunicações entre a administração e os responsáveis da governança; b) comunicações externas , tais como

    ATENÇÃO!

    Quanto mais efetivos forem os controles internos, menor o número e a profundidade de testes que serão aplicados ao objeto de auditoria.

    4.6. Limitações do controle interno

    Por mais que o sistema de controle interno de uma empresa seja eficiente e efetivo, nenhum controle interno é 100% infalível, devendo proporcionar apenas uma segurança razoável de que os objetivos da empresa serão atingidos. As principais limitações do controle interno, segundo a doutrina, são:

    • Conluio de funcionários

    • Eventos externos • Funcionários negligentes

    • Custo x benefício

    Vamos lembrar o que aconteceu em 2001 com o World Trade Center. Imagine que uma empresa, localizada na torre norte, tivesse implementado um backup para proteger seus dados e esse arquivo ficasse na torre sul. Dentro das boas práticas de controle e segurança, ela teria agido de forma correta, pois o backup de suas operações não estava localizado no mesmo ambiente físico dos dados originais. Entretanto, devido a um evento externo (o qual não precisamos explicar aqui), houve uma limitação nesse controle. É principalmente devido a essas limitações que dizemos que não existe como reduzir o risco de auditoria a zero, pois, por mais perfeito que seja o controle interno da empresa auditada, ele pode falhar. Veremos melhor essa questão no capítulo sobre testes e procedimentos de auditoria.

    4.7. COSO

    COSO significa Committee of Sponsoring Organizations da National Comission on Fraudulent Financial Reporting. É o Comitê das Organizações Patrocinadoras, da Comissão Nacional sobre Fraudes em Relatórios Financeiros. Criada em 1985, é uma entidade do setor privado – ou seja, foi uma iniciativa do setor privado, independente –, sem fins lucrativos, voltada para o aperfeiçoamento da qualidade de relatórios financeiros, principalmente para estudar as causas da ocorrência de fraudes em relatórios financeiros. As organizações que patrocinam o Comitê são:

    • Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados;

    • Associação Americana de Contadores; • Executivos Financeiros Internacionais; • Instituto dos Auditores Internos; • Instituto dos Contadores Gerenciais.

    As recomendações do COSO são referência para os controles internos. De acordo com o Comitê, no modelo COSO I,

    “Controle Interno é o processo conduzido pela Diretoria, Conselhos ou outros empregados de uma companhia, no intuito de fornecer uma garantia razoável de que os objetivos da entidade estão sendo alcançados, com relação às seguintes categorias:

    • 1 – eficácia e eficiência das operações;

    • 2 – confiabilidade dos relatórios financeiros; e

    • 3 – conformidade com a legislação e regulamentos aplicáveis.”

    Em 1992, o COSO publicou um trabalho denominado “Controle Interno: um modelo

    integrado”. Esse documento passou a ser referência sobre o assunto “Controle Interno”, e apresentou cinco componentes:

    • 1 – Ambiente de Controle;

    • 2 – Avaliação de Riscos;

    • 3 – Atividades de Controle;

    5 – Monitoramento.

    Ou seja, para o COSO, o Controle Interno era formado por esses cinco componentes, relacionados às três categorias de objetivos anteriormente citados. A seguir, apresentamos suas definições. Eles guardam forte relação com o que vimos no item 4.5 deste capítulo. A diferença é que agora vamos entender esses componentes na visão da própria empresa responsável pelos controles internos, sem a preocupação sobre o que o auditor irá avaliar em cada uma dessas etapas.

    • 4.7.1. Ambiente de Controle

    O ambiente de controle deve demonstrar o grau e comprometimento em todos os níveis da administração, com a qualidade do controle interno em seu conjunto. É o principal componente, e, de acordo com Wanderley (2011), os fatores relacionados ao ambiente de controle incluem:

    • integridade e valores éticos;

    • competência das pessoas da entidade; • estilo operacional da organização; • aspectos relacionados com a gestão; • forma de atribuição da autoridade e responsabilidade.

    • 4.7.2. Avaliação de Risco

    Identificação dos eventos ou das condições que podem afetar a qualidade da informação contábil e avaliação dos riscos identificados, incluindo sua probabilidade de ocorrência, a forma como são gerenciados e as ações a serem implementadas. Podemos definir risco como evento futuro e incerto (ou seja, ainda não ocorreu, e nem há certeza de que irá ocorrer) que, caso ocorra, pode impactar negativamente o alcance dos objetivos da organização.

    • 4.7.3. Atividades de Controle

    Medidas e ações integrantes de um sistema de controle que, se estabelecidas de forma tempestiva e adequada, podem vir a prevenir ou administrar os riscos inerentes ou em potencial da entidade. Não são exclusividade de determinada área da organização, sendo realizadas em todos os níveis.

    • 4.7.4. Informação e Comunicação

    Identificar, armazenar e comunicar toda informação relevante, a fim de permitir a realização dos procedimentos estabelecidos. Para tanto, deverá ser oportuna e adequada, além de abordar aspectos financeiros, econômicos, operacionais e estratégicos. Deve ser entendida como um canal que movimenta as informações em todas as direções – dos superiores aos subordinados, e vice-versa – pois determinados assuntos são mais bem

    visualizados pelos integrantes dos níveis mais subordinados.

    4.7.5. Monitoramento

    Compreende o acompanhamento da qualidade do controle interno, visando assegurar a sua adequação aos objetivos, ao ambiente, aos recursos e aos riscos. Pressupõe uma atividade desenvolvida ao longo do tempo.

    visualizados pelos integrantes dos níveis mais subordinados. 4.7.5. Monitoramento Compreende o acompanhamento da qualidade do controle
    visualizados pelos integrantes dos níveis mais subordinados. 4.7.5. Monitoramento Compreende o acompanhamento da qualidade do controle
    visualizados pelos integrantes dos níveis mais subordinados. 4.7.5. Monitoramento Compreende o acompanhamento da qualidade do controle

    Figura 4.3 Estrutura do COSO Fonte: COSO I

    Matriz tridimensional do COSO I:

    1ª dimensão: categorias de objetivos (operações, relatórios financeiros e conformidade). 2ª categoria: níveis de avaliação. 3ª categoria: componentes de controle (ambiente de controle, avaliação de risco, atividades de controle, informação e comunicação, além de monitoramento). Essa estrutura anterior vigorou até 2004, quando, em virtude dos escândalos contábeis do início dos anos 2000, o COSO divulgou o trabalho “Gerenciamento de Riscos Corporativos – Estrutura Integrada”, com um foco mais voltado para o gerenciamento de riscos corporativos e que ficou conhecido como COSO II, que não é objeto deste capítulo.

    Exercícios

    43. (FCC/TRF – 1ª Região/2011) Dentre as limitações inerentes dos controles internos, EXCLUI-SE a:

    • a) possibilidade de erros e equívocos humanos;

    • b) possibilidade de conluio para contornar as normas;

    • c) burla por administradores;

    • d) falha nos sistemas de informações tecnológicas;

    • e) eficácia do desenho do processo.

    Comentários:

    Mesmo que não soubéssemos os limites inerentes dos controles internos, poderíamos facilmente verificar que a letra E não trata de uma limitação, já que é desejável que o desenho do processo seja eficaz. As outras quatro alternativas, conforme vimos na parte teórica do capítulo, podem ser consideradas limitações à eficiência dos controles internos. Resposta: E.

    44. (FCC/Sefaz-SP – APOFP/2010)Um procedimento de controle interno dos mais eficazes para a prevenção da ocorrência de fraudes nas empresas é a:

    • a) identificação das áreas de risco;

    • b) definição de cargos e funções;

    • c) segregação de funções;

    • d) elaboração de normas e procedimentos;

    • e) habilitação dos executivos.

    Comentários:

    Nesta questão, a banca, embora não tenha explicitado, quer como resposta um princípio do controle interno. A doutrina (ALMEIDA, 2010; CREPALDI, 2012 e BOYNTON, 2002, entre outros), define diversos princípios de controle interno que devem ser observados pela empresa, tais como: relação custo x benefício do controle, segregação de funções, limitação do acesso aos ativos, amarrações do sistema de controle interno, limitações do controle interno, auditoria interna, confronto dos ativos com os registros, atribuições de responsabilidades e definição de rotinas internas. A única alternativa que traz um princípio do controle interno é a letra C. O princípio da segregação de funções, conforme visto anteriormente, estabelece que as operações de uma empresa devem ser estruturadas de forma que funcionários não realizem funções incompatíveis, ou seja, uma mesma pessoa (ou setor) não pode exercer atividades que gerem conflito de interesses e, dessa forma, facilite a ocorrência de fraudes nas empresas. Assim, embora as outras alternativas evidenciem procedimentos que, direta ou indiretamente, possam ajudar na prevenção de fraudes, a letra C é a opção que apresenta o procedimento mais eficaz. Resposta: C.