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CAP í T U LO

2

A E strutura do Concreto

Tradução e adaptação Profa. Ora. Maria Alba Cincotto

PREÂMBULO

As r ela ç ões es t r u tur a - p r op r ie d ade c o n s t i t ue m a es sê nc i a da m o d er na c i ênc i a d os ma t eriais. O concre t o t em uma es t rut ur a mui t o he t erôgenea e com pl e xa . C o ns e-

o

comport a m ento do mate ri a l pode s er p r evisto com seguran ç a . T od avi a ; um conh e cime nt o da estrut ur a e das propr i edades de cada co n s t i t u int e do co n c r e t o e a re laç ã o en tre el as é ú til para se e x e r ce r u m cer t o con tr ole sobre as p r op r iedades do ma t e r ial. N es t e cap ítulo , são descritos t r ês constituintes da estrutura do concreto - a past a , o agre g a d o , e a z ona de tr ans i ção entre a pasta de cime nt o e o ag r egado. As re l a ç ões est rutu r a - pr opr iedade são disc ut idas sob o ponto de vi s t a d as ca r ac t e rís t ic a s f un d amen t a i s do c o nc r e t o , tai s como res i stênc i a , estab i l i dade d imens i onal e du r abilid a de.

quentemente , é muito di f íci l estabelece r modelos e x atos , a partir dos q ua i s

DEFIN i ÇÕES

o t ipo, a q u antidade , o tamanho , a forma, e a di s tribuição da s fases pre s ente s em

u m sólido c onstituem a sua estrutura. Os elementos graúdos da estrutura de um

m a t e ri a l podem ser vistos facilmente, enquanto os mais f ino s s ão v i sualisados

c o m a u xílio de um microscópio . O termo macroest r utu r a é ger a lmente e mprega -

do para a estrutura grosseira , vi s ível à vista humana. O limite de re s olução a olho

n ú é aproxima d ame n te 1/ 5 de milímetro (200 um) . O termo microestrutura é

e m pregado para a por ç ão aumentada mic r o s copic a mente d e uma macroe s trutura.

A capac i dade de aumento dos micro s cópios el e tr ô nic os modernos é da ordem de

1 0 5 vezes ; as s im, a aplicação de técnicas de microscopi a eletrônica de transmiss ão

e de va r redura tomaram possível anal i sar a estrutura de ma t er i ai s até um a fração de micrometro

=--=---------- -

18 Co n c r e t o : Es tr u t u r a , P r op ri edades e Mat e r iais

IMPORTÂNCIA

o progresso no campo dos materiais resultou principalmente do reconhecimento do princípio de que as propriedades de um material têm origem na sua estrutura

interna; em outras palavras, as propriedades podem ser modificadas por mudanças adequadas na estrutura do material . Embora o concreto seja o material estrutural mais amplamente empregado, a sua estrutura é heterogênea e altamente comple-

xa . As relações estrutura-propriedade no concreto ainda não estão bem desenvol -

vidas; todavia , é essencial um entendimento de alguns dos elementos da estrutura do concreto, antes de se discutir os fatores que influenciam as propriedades impor - tantes do concreto, tais como resistência (Capítulo 3), elasticidade , retração, flu- ência, fissuração (Capítulo 4), e durabilidade (Capítulo 5).

COMPLEXIDADES

No exame de uma seção transversal do concreto (Fig. 2-1), as duas fases que po - dem ser facilmente distinguidas são partículas de agregado de tamanho e forma

variados, e o meio ligante, composto de uma massa contínua da pasta endurecida .

A nível macroscópico, consequentemente , o concreto pode ser considerado como

um material bifásico, consistindo de partículas de agregado dispersas em uma matriz de cimento. A nível microscópico, começam a aparecer as complexidades da estrutura do concreto. É óbvio que as duas fases da estrutura não estão distribuídas homogeneamente, uma em relação à outra, nem são em si mesmas homogêneas. Por exemplo, em algumas áreas a mas s a de pasta aparece tão densa quanto o agre- gado enquanto em outras é altamente porosa (Fig. 2 - 2). Do mesmo modo , se vári - os corpos - de-prova de concreto contendo a mesma quantidade de cimento, mas diferentes quantidades de água, são examinados em diferentes intervalos de tem - po, será observado que, em geral, o volume de vazios capilares na pasta decresce com a diminuição da relação água/cimento ou com a idade crescente de hidratação. Para uma pasta bem hidratada, a distribuição não homogênea de sólidos e vazios isoladamente pode ser talvez ignorada quando se modela o comportamento do material . Todavia, os estudos de microestrutura mostraram que isto não pode ser aplicado para a pasta presente no concreto . Na presença de agregado, a estrutura da pasta , na vizinhança de partículas grandes de agregado , é comumente muito

diferente da estrutura da matriz de pasta ou argamassa do sistema. De fato, muitos aspectos do comportamento do concreto sob tensão podem ser explicados somen -

te quando a interface pasta cimento - agregado é tratada como uma terceira fase da

estrutura do concreto . Assim, os aspectos singulares da estrutura do concreto podem ser resumidos como segue. Primeiro , há uma terceira fase , a zona de transição, que representa a região interfacial entre as partículas de agregado graúdo e a pasta. Sendo uma camada delgada, tipicamente de 10 a 50 um de espessura ao redor do agregado graúdo , a zona de transição é geralmente mais fraca do que os outros dois componentes

p ri ncipais do concreto , e, consequentemente , exerce uma influência muito maior

s obre o comportamento mecânico do concreto do que pode ser esperado pela sua

es pe s sura. Segundo, cada uma das fases é de natureza multifásica. Por exemplo, ' cada p a rtícula de agregado pode conter vários minerais, além de microfissuras e

p

A Estrutura do Concreto

19

Figura 2-1 Seção polida de um corpo-de-prova de concreto

A macroestrutura é a estrutura grosseira de um material que é visível a olho nú . Na macroestrutura do concreto são facilmente distinguidas duas fases: agregados de diferentes formas e tamanho , e o meio ligante, o - qual consiste de uma massa incoerente de pasta endurecida .

.

vazios. Analogamente, tanto a matriz de pasta como a zona de transição contêm geralmente uma distribuição heterogênea, de diferentes tipos e quantidades de fases sólidas, poros e microfissuras que serão descritas abaixo. Terceiro, diferen- temente de outros materiais de engenharia, a estrutura do concreto não permanece estável (i.e., não é uma característica intrínseca do material). Isto porque dois cons- tituintes da estrutura - a pasta e a zona de transição - estão sujeitas a modificações com o tempo, umidade ambiente e temperatura. A natureza altamente heterogênea e dinâmica do concreto é a principal razão porque os modelos teóricos de relação estrutura-propriedades, de modo geral tão importantes na previsão do comportamento de materiais de engenharia, são de pouco uso no caso do concreto. Um conhecimento amplo dos aspectos importan- tes da estrutura dos constituintes individuais do concreto, como apresentados em seguida, é contudo essencial para o entendimento e controle das propriedades do material composto.

20

C onc r eto : E s tru t u r a , P r op ri e da des e Mat e r ia i s

2 , 000 X

Figura 2 - 2 M i croestr u t u ra da pas ta end u rec id a

A mi c r o estrutura

mi

estru t ur a não é h o mo g ênea ;

p o r o sas , é possí v e l o bser va r fases h i dratadas indiv i duais

é a est r ut u ra

f i n a d e um m a te r ial,

obse r vável

c om auxíl i o

de u m mi c r osc ó p i o .

mostr a

Uma qu e a

c r o g r af i a

e l et r ô n i ca

de varr ed u ra

d e bai x o aum e nt o

( 200 x ) d e um a pa s ta

e nd u re c ida

e nquanto a l g uma s á r e as sã o densa s, o utras sã o al t amen te p o r os a s . Em á re a s

sob aum e ntos

maior es. P o r e x e mpl o, pod e m se r

v i s tos c ris tai s g rand e s d e hidr ox ido d e c álc io, agu l has finas e l ong as de etrin gi ta e agr eg a ç õ e s

f ibr osos pequeno s de sil i cat o d e c á l cio hi dr a tado,

c om aum e n t os d e 2000x e 5000 x.

de c r i stais

I

A Estrutura do Conc r e t o

2 1

. ESTRUTURA DA FASE AGREGADO

A composição e as p ro priedades de diferentes tipos de agregado para concreto

estão descritas em deta l he no Capítulo 7 . Por isso, será aprese n ta d a aqui somente uma b reve descrição d o s e l ementos ge r ais da estrut u ra do agrega do , os que exer -

cem maio r influência s obre as propri ed ades do concre t o.

A fase agregado é pred o minantemente responsável pela massa unitária, módulo

de elasticidade , e estabilidade dimensional do concreto . Estas propriedades do

concreto dependem em larg a e x tensão da densi dade e re s istência do agregado ,

que , por sua v ez , são determinadas mais por c a racterí s ticas físicas do que por

caracter í s tica s qu í micas da es tru t ur a do agregado. Em outras palavras , a composi - ção química ou mineralógic a das fas es só l idas do agregado s ão comumente menos importantes do que característica s físicas tais como volume , tamanho , e di s tribui - ção de poros . Além da poro s idade, a form a e a text u ra do agregado graúdo também afetam as propriedades do concreto. Algumas partículas típicas do agregado são m ost r a - da s na Fig . 2 - 3 . Geralmente , o s ei x o natural tem uma forma arredondad a e uma superfície de t e x tura lisa. Roch as britada s têm uma t extura r ugosa; depende n do do tipo de rocha e d a e s colha do britador , o agregado britado pode conter um a propor - ção con s ideráve l de partícul as ch a tas ou a lo ng ada s, que af etam negati v am en te mu it a s propri eda de s do con c ret o . Partícu l a s de a gre g ado leve de pedr a - pom es, que é a l t amente celul a r , s ã o também angul ar e s e de t ex tura rugosa , m as as de argil a ou fo l h e lho e x pandido s sã o ge r almente a r r edondad as e li s as.

Figura 2- 3 For m a e te xt u ra da s u - perf íci e de partícula s d e agre gado graúdo: (a) s eixo , ar re ndond a do e liso ; ( b) ro c ha britada , equid i men - sional ; (c) rocha britada , a long a da; (d) roch a britada chata; (e ) agrega - do leve, anguloso e rugoso; (f) ag r egado leve, a rr e d on d ado e li s o .

2

2

C onc r e t o: Estru t u r a, Pro p r i edades e M ateriais

Sendo geralmente mais resistente do que as duas outras fases do concreto, a fase agregado não tem influência direta sobre a resistência do concreto, exceto no cas o de alguns agregados altamente porosos e fracos, como o agregado de pedra - pomes descrito anteriormente. O tama n ho e a forma do agregado graúdo podem, no entanto, afetar a resistência do concreto de modo indireto. É óbvio que , como indicado na Fig . 2 - 4, quanto maior o tamanho do agregado no concreto e mais elevada a pro p orção de partí c ulas chatas e alo n gadas, maior será a tendência do filme de água se acumular próximo à superfície do agregado, enfraquecendo as- sim a zona de transição pasta - agregado . Este fenômeno, conhecido como exsudação interna, s erá d isc u t i do em detalhe no Capítulo 10 .

ESTRUTURA DA PASTA ENDURECIDA

Deve ser entendido que o termo pasta endurecida, como empregado neste texto, refere-se geralmente a pastas de cimento Portland. Em b ora a composição e as propriedad es do cimento Portland sejam discu tidas em detalhe no Capítulo 6, um resumo da composição será dado aqui antes de se discutir como a estrutura da pasta evolui , resultante das reações químicas entre os min e rais do cime n to Portland e a ' água.

Exsudação

interna da

água

(a)

(b)

Figura 2 - 4 (a) R e p res ent ação esq uem á ti ca da ex suda ção em c on cr e to re cé m-l ança d o;

( b ) R u pt u ra da aderê n c i a p or cisa lh ame n to e m corpo-de-prova compressão uniax i a L

d e concr et o e n saiado à

A á g ua exs ud ada i nt e rnament e tende a ac u m u lar - s e

a

ten

ad erência por c isalham e nto na superfici e d a partícula

na v i z i nhança d e partícu la s

e xis tente

de a g regado , g rand e s,

e ntre a pa s ta d e c i m e nto e o a g re g ad o

lon g adas

e chata s , N e stas reg iões , a zona de transiç ão

e fa c ilm e nt e

d e a se r mai s fra c a

prop e nsa à fis su ra ção. Est e f e n ô m e n o

é r e sp o nsá ve l

pela ruptura da

I

do a g re g ado , indic ada na foto graf i a,

A E strutur a do Co n c r e t o

2 3

o cimento Portland a n idro é um p ó cinza que con s i s te de partícula s angul a re s d e tamanho comumente entre 1 e 50 um. É produ z ido pela moagem do c línqu e r com uma pequena quan t idade de s ulfato de cálcio, s endo o clínq u er uma mis tu ra hete - rogênea de v á rios miner a is produzidos em reações a alta temperat u ra , entre ó x ido de cálcio e s ílica , a lumin a e ó x ido de ferro. A c ompo s ição q u ímica dos minerais ' princ i pa is do clínqu e r corres ponde apro xi madamen t e a C 3 S , C 2 S, C 3 A e C 4 A F ; no cime n to Portland comum as suas respectivas quantidades estão com u men te entre 45 e 60 % , 15 e 30 %, 6 e 12 %, e 6 e 8 % . Qu a ndo o cimento é di s per s o e m águ a , o s u l fa to de cá lcio e os compo st o s de

c á lcio f o rmado s a a lta-temperatura tendem a entr ar e m s olução , e a fa s e líquid a toma - se rapidament e s a turad a em várias espé c ie s i ô n i cas. Como resul t ado d as combin a ções entre cálcio , sulfato , a luminato e íon s hidro x i l a , após a lguns minu-

to s de hidra tação do cimento Portl a nd , a parecem o s p r imeiro s cristai s aci c ulare s

de um s ulfoaluminato de c á lc i o hidratado s c h a m a do etringita; alguma s hor as ma is

tarde, cristai s pri s máticos gran d es de hidróxido d e cál c io e p e quenos cristais fibrilares d e si licatos de cálcio hidratado começam a p r eencher o e s paço v a zio

ocupado i nici a lm e nte p e l a água e as partí c ula s de c imento em dis s olução. A p ós alguns di as, dependend o da proporção alumin a - sul f ato do cim e nto Po r tl a nd , a etringita pod e tom a r - se inst áv e l e decompor-se p ar a formar o mono s s ulfa to

h idratado , que tem a form a de p l ac as hexa g on a i s. A morfologia em placa hex ago-

nal é tambem c a r a ct e rí s tic a do s alumin at o s d e c á l c io hidratado s, o s quai s se for - mam em pa s t as hidratad as de c im e ntos P o rtland , t anto com bai x o t e o r de s u lfato como de ele v ado teor d e C 3 A . Uma micrografi a ele t rônica de v arredu ra il ustra ndo

a morfol o gia tí pica de f as es preparadas pela mistur a de s olução de alumi na to d e

cál c io com s olução de s ulfa t o de cá l c io é mo s t ra d a na Fi g. 2-5. Um mod elo d as fas e s es se nci a i s pre s en t e s na mi c roe s t r utu r a de um a p ast a de c imento bem h i dr a tad a

é mo s trada n a Fig . 2 - 6 . Do modelo da microes t rutura d a pa s ta , mostrado na Fig . 2 - 6, pode- s e not ar que as vá rias fase s não e stão uniformem e nte di st ribuida s nem s ão unifo r m es em

tamanho e mo rf ologia . N o s só lido s, as heterog e neid a de s micro estruturai s p odem

le v ar a efeito s negativo s s obre a re s i s tênci a mec â nic a e outras propriedade s m e c â -

n icas relac i onadas a e l a , porque e s t a s propriedades s ão con t roladas pelo s ex tr e -

mo s mi c roest r uturai s e não pel a m i croe s trutura média. Ass im , além da e v o l u ção

da microe s trutur a, c omo r e sult a do d as tran s formaç ões química s , que o c orrem de - pois que o cimento e ntra em contacto c om a água , de v e - s e levar em cont a cert as

p ropr i edades reológicas da pasta fre s ca de cimen t o, a s q u ais também influenciam

determinanteme nte a microe s trutur a da pa s ta endurecida. Por e x emplo , como s e rá

di s cutido adiante (v er Fig . 8 . 2c ), a s p a rtículas anidra s de c im e nto têm tendênc ia a

se atrairem e formar flocos , o s qu a i s apr is ionam gr a nde quantidade d a ág ua d e mistu r a. Obviamente, as va r iaçõ e s locais na relação água - cimento s ão as pr i nci - pais fon t es de evolução d a es t rutura po r osa e heterogêne a . Em s i s tem a s d e past a de cimento altamente floculada não s omente o t a manho e a forma do s poro s , m as também os prod u to s hidr a tado s cri s t a linos s ão diferente s quando comp a r a d os ao s formados em sistemas cons i deravelmente dispersos.

I É con ve nient e

= Si0 2 ; A = A IP 3 ; F = F ep 3 ; S = S0 3 ; H = HP

mant e r a s a bre v i açõ es e mpre ga d as e m quími c a do c imento : C = Ca O ; S I

2 4

C o n c r e t o : Es tr ut ur a , P r op r i e d a d es e M ater i a i s

Figura 2-5 Micro g r a fia el et r ô n i ca de

v arr e du ra d e cri s tai s h e x ago nai s típi-

co s de m o no ss ulfato

tais acicular e s de etrin g it a f ormado s pel a mi st ur a de s oluçõe s d e a i um i nato

de c á l c i o e de sulfa t o de c á l ci o ( corte - sia de F . W . Loc h e r , Rese a r ch Inst i t u te for Ceme n t Ind u st r y , Dus s e l dorf, R e-

p úbli ca Federal A l emã).

hidr a t a d o e cri s -

Sólidos na Pasta de Cimento H i dratado

Os tipos , quantidades , e car a c te r ís tic as d as quatro fase s só lidas principai s geral - mente presentes na pasta , qu e p odem ser observadas ao microscópio eletrônico , são as seguintes .

Silicato de cálcio hidratado . A f a s e s ilicato de cálcio hidratado , abreviada para C - S - H, constitui de 50 a 60 % do v olume de sólidos de u ma p asta de cime nt o Portland comp l etamente hidratado e é, consequentemente , a ma i s importante n a determinação das propriedade s da p as ta. O fato do termo C - S - H ser hifenizado significa que o C-S - H não é um compo st o bem def i nido; a relação CIS varia entre

1 , 5 e 2 , 0 e o teor de água e s trutural va r ia a inda mais. A morfologia do C-S-H varia de fibras pouco cri s talina s a um reticul a d o cri s talino. Devido às suas dimensões

coloidais e à tend ê ncia a aglomerar , o s cri s tai s de C - S - H puderam s er ob s er v ados

s omente com o advento do micro s cópio e l et rônico. O material é frequentemente

cit a do como C - S-H gel em lit e r a tur a tr a dicional . A e s trutura cri s talina interna do C-S - H também permanece não totalment e di s tinguível . Ela foi anteriorm e nte as-

s umida como semelhante à do mineral natural tobermorita; por i sto, foi às vezes denominada gel de tobermorita.

A E s tru t ura do Co n c reto

25

I

I f Lm

I

Figura 2 -6 Modelo de uma pasta de c imento Portland bem hidratada. A representa a agre-

gação de partí c ula s de C - S - H pouco cri s talinas , que tem pelo menos uma dimen s ão coloidal

(1 a 100 nm). O esp aça mento en t re as pa r tícula s em um a agregação é de 0,5 a 3 , 0 nrn ( 1, 5

nm em média) . H repres ent a p r odutos cri s talino s h ex a g onai s tais como CH , C 4 A S H l s '

C 4 AH19' Formam cr is tais g randes , tipicamente de 1 um de c omprimento . C repre s enta ca v i-

dades capilares ou vazi o s que exi s tem quando o s e s p aç o s or ig inal m ente ocupado s pel a águ a

não foram compl e tamente pre e nchido s com produt os d e hidratação do c i mento . O tam a nho

dos

da s, de baixa rela ç ão á gu a / c imento , eles s ão in fe ri o r es a 100 nrn.

vazio s capil a r es v aria e n t r e 10 nrn e 1 um, ma s e m p as t as con s ideravelmente hidr a t a -

Embora a estrutura ex a ta do C - S - H não seja conhe c ida , alguns modelos foram

propostos para se e x plicar a s propriedades do s m a ter i a is . De acordo com o modelo de Powers - Brunauer', o material tem uma e st rutura em camada com uma área

e s pecífica elevada. Dependendo da técnica de medida , têm sido proposta s para o

C - S - H , áreas específica s de 100 a 700 m 2 / g. A resistência do material é principal-

mente atri b uída a forças de Van der Waa l s, sendo o tamanho dos poros do gelou a

dist â ncia ' sólido - sólido ao redor de 18Á . O modelo Feldman

ta a estrutura do C-S - H como sendo composta de um arranjo irregular e dobrado de camadas ao acaso, de modo a fo rm a r espaços interla m elares de forma e tama - nho difer e ntes (5 a 25Á).

Hidróxido de cálcio . Cristais de hidróxido de cálcio (também chamado portlandi t a) cons t it u em 20 a 25 % do vo l ume de sólidos na pasta hidratada. Em con - traste com o C-S-H, o h i dró x ido de cál c io é um compo s to com uma estequiometria

- Sereda' represen-

2

T . e . Power s, 1 . Am . C e ram . Soe ., vai 61 , n º 1 , pp 1-5 , 195 8 ; e S . Br u nauer , A m e ric an

S

c ientist , v ol . 50 , n º 1 , pp 2 10 - 2 9 , 1962 .

 

3

Em literatura mai s anti g a , as distância s só lid o-só lid o

entr e camada s do C - S-H f o ram

chamada s

de poro s

d o g el . Em l iter a tur a

m o d e rna

é h á bito

cham a r

d e es p a ç o

i

nterlamelar .

4

R . F . F e ldman e P . J . S ered a , E nginee r ing J ourna l (Ca n a d á), VaI . 53 , n ? 8/9 , pp 53-5 9,

C on c r e t o: Es trutur a , Propried a d es e Mater ia i s

def i n i d a, Ca( O H)2 . El e tende a f orm ar c r i s tais grandes , sob a forma de prismas hexag o na i s di s tinto s . A morfologia do s cri s tai s v aria ba s tante , apre s entando d es- de form as n ão de f inida s a té pilha s de plac as geomet r icamente bem d efi nida s . A

morfo lo gia é afet a da pel o e s p aç o di s ponível , temp e ratura de hidr a ta ç ão , e impu r e- zas p resen t es n o s istema . Comparado ao C - S-H, o potencial de contribuição do

h id róxido de cá l c io para a resistência dev i do a força s de Va n der Wa a ls é limitado ,

conse qu ê nci a de uma áre a espe c ífica c o n s ider a velmente m e no r. A l é m d isso , a pre-

se n ça de uma qu a ntid a d e con s iderá ve l de hid róxi do de c ál cio no c im e n to Por t land

hidra t a do t em um ef ei to de sfav orá ve l so bre a resistência q u í mic a a s o l u çõ e s áci -

das, por s er a solubilidade do hidró x ido de cá lc i o m a ior d o que a d o C - S - H.

de c á lcio o cup a m d e 15 a

2 0 % d o volume d e s ól idos na p as t a endure c id a e , to n sequ e ntem en t e, desem p e-

nh a m um p a pel meno r n as r el aç õe s est rutura-p r opri e d ade . Já foi esta b e l eci d o qu e, dur a nte o s primeiro s está gi os d a hid rat ação a r e lação i ô ni ca s u lfato / a l um in a d a

so lu ç ão ge ra lmente fa v o r ece a f o r maç ã o d e t ris sul fato hid r at a do , C 6 A S 3 H32'ta m- bém cham a do et r ing ita, o qu a l form a c r ist ai s pr is mátic os a cicul a r es. E m p astas de cimento Po r tland co m u El , a etr i n gi ta tra n sfor m a - se e ve n tu a lmen te e m

m o no ss ul fa t o hid rata d o , C 4 AS H1 8 ' que cristaliza em pla c as hex a go n a i s. A presen - ça de m onoss ul fato hi dratado em concreto de cimento P ort l a nd t o m a o concreto

v ulneráve l a o ata qu e por s u lfato. Dev e- se notar que tanto a etrin g ita como o

monossul fa to con têm pequ en as qu a n t idades de óxido d e ferro, o qua l p ode s ub s t i -

t ui r o ó xido de a lu mínio na estrutura dos cr i stais.

S ulfoa l um i n at os

d e cá l c io . Os s ulfo a luminat os

Gr ã os de clínquer não hidratado. D ependendo da distribuição do tama n ho

d as part ículas d e c im e n to a ni dro e do g r a u d e h idr a t ação, alg un s grãos d e clí n q ue r

nã o hid ratad o podem se r en co n t rad os na mic ro estr u t ur a de p astas d e cim en t o

hid ratad o, m esm o apó s l o ngo per ío do d e hi drat aç ão. Co mo c i tad o an t erior m e n te , as pa rtí c ul as d e c l í nqu er em ci men tos Po r t la nd atuais s i t u am - se ge r a l me n t e no

int ervalo de tama nho de 1 a 50 um. C o m a evol u ção d a hid r a t ação, pri m e ir o são

di

sso l v id as as p ar tí c ul as men ores ( i. e., desapar e cem d o siste m a) e a s partíc u las

m

aio res toma m- s e men ores . P or ca u sa d o esp aço d is ponív el lim i t a do en tre a s p ar -

tículas, o s produ t o s de h i d rata ç ã o tend e m a c r i s t a li zar - s e muito pr óx imo d as part í - cula s do cl í nqu e r em hid ra taç ão, o qu e d á a a p a rên cia de f or mação d e um rev e s t i -

m e nto ao r e do r d elas. Em i dad es po sterio re s , d evi d o à falt a de espaç o dispo n í v el ,

a hidr a ta ção in l oco d e p art ícul as d o c l í nqu er res ul ta n a formação d e u m produ to

d e hidrataç ã o muit o de nso, cuj a morfologia à s v ez es assem e lha - s e à de um a p artí - cula do clínquer or iginal .

Vazios na pasta e nd u r ecida

A lém do s só lido s descri tos ante ri ormente , a pa st a contem d if erente s tipo s de vazi -

o s, os qua i s têm uma i nfluênci a importante em suas propriedad es. Os t a manho s

car a cterí s ticos d as fase s s ólida s e do s v azio s na pa s t a são vis t os na Fig. 2 .7 . O s

v á ri o s tipo s de va zio s e s ua qu a ntidade e sig n if icado s ão discutido s em seg uid a.

E s paç o in te rl ame l a r n o C -S- H . P owers a s s umiu que a la r gura do e sp aço

nt erlamelar na es trutu ra do C - S - H é d e 18 Á e det e rminou que e le é re s pon sável por 28 % d a poro s idad e capilar no C-S - H sólido, porém Feldman e Sereda suge- rem que o e s pa ç o pode va ri ar d e 5 a 25 Á .

i

I

A Estrutura d o Conc r eto

27

f - I H --+ - + +- H + l+ - + - + H - + + + t t++ -- + - + - + - + - + -- t+1+f --- l - f - f - + - t +t+ t t-- + - t -I H - t+++++ -- ++ - + - + + t Vazio de ar aprisionado

~ H --+ - + +~ + - ~H- +++ t tt t- + - + - + - + - t ~ + f --- t - f - f - + -H+ rrr - + - t -I H - r H~ - ++ - r+ ~ m r r ,- ~' t- H HTm

~ ~+ t + m ~ t+ =I = ++ m1 4 =: H=+~ Cl ist~ i ~ l~e x a~ o ~ ai S

~ e6 ~ ( 6~ ) ,' t - r+ - + ~ K )

ou de mon os sul f a t o

H H --+ - + + - H+ l + - + - + - + +++ ++ ++ -- + - + -+-- t n a pasta de cimento

' l ' \'

O O O , - H - t -+ * H - + - t - H - HtH

Bo lhasde a r i n c orp o r ado

t tt -- t - t - H - t - ttit 1

~E~ s p ~a~~m -eLnto~im~ew ~ ~ a rt~ i~7I a +- + - + + + + + +t t- + - + - + - + -+ ~ ~ 1 - - t - + - r+ + H ~ - + + - rTTn~ - +~ XT~ , , ~H -- t - r H Tm

en tr e l â minas"-t1$$=!=I=t:::!=---o.::J::$1R=1~t:j~+ttf:1:l:1f=jH=++++m1MaXimo e sp a ç a mento tt -- r --- t - H - T TTm

de C - S-H

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pa r a dur a bili d ad e

à açãod oge l o

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I -+- + - + + +++ - ft ---+ - + -+ +++ t t++ - + - + -+-+- + particulas de C-S-H t - +H+ft --- r T - + ++ +++tt -- t -- t - + -- H+ H+r --- t - i - t - t - H T t tI

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l

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F i gu r a 2 -7 I ntervalo dimensional de sólidos e poros em u m a pasta endurecida.

Este tamanho d e vazio é mu i to pequeno p a ra t e r um e fe i t o desfavoráv e l sob r e a resistência e a pe r meab i lidade da pa s ta . No entan to , como s erá d i scuti d o em se-

guida, a águ a nestes pequeno s v azios p ode s e r re tid a por pont es de hidrogê n io, e a

sob determinadas condições pode contr i b uir p ara a retração p o r seca-

gem e para a fluência.

Vazio s cap i l ares . Os vaz i os cap i lares repr esen t a m o espaço não p reenchi do pelos componentes sólidos da pa s ta. O volume total de uma mistura cim en to-ág ua permanece essencialmente ina l terado durante o processo de hidratação . A d en s i-

dade média dos produtos' de hid r atação é consi d era v e l mente me n o r do que a den-

sidade do c i mento Po r tland anidro; e s tima-se que 1 em' de c imento,

sua remoção

após hi d ratação

completa, requer ao redor de 2 em" de espaço para acomodar os produtos de hidrataç ã o", Desse modo, a hidratação do c imento deve ser considerada co m o um processo durante o qual o espaço inicialmente ocupado pelo cimento e a água vai sendo gradativamen t e substituído pelo espaço preenchido pelos pr od utos de hidratação. O espaço não ocupado pelo cimento ou pelos produtos de hidratação consiste de vazios capilares, sendo o volume e o tamanho dos capilares dete r mina - do pela distância inicial entre as partículas de cimento anidro na pasta de cimento recém - misturada (i . e . , relação água / cimento) e o grau de hidratação do cimento. Um método de cálculo do volume total de vazios capilares, popularmente conhe-

c i d o como porosidade, em pastas de cimento Portland, tendo diferentes relações

á g ua / cimento ou diferentes graus de hidratação, será descrito mais tarde.

E m pastas bem hidratadas , de baixa r e lação água / cimento, os vazios cap il ares

podem variar entre 10 e 50 um ; em pastas de relação água / cimento elevada, n as

primeiras idades de hidratação, os vazios capilares podem atingir de 3 a 5 um, Curvas típicas de distr i buição do tamanho dos poros de algumas amostras de pasta

e nsaiadas por técnica de intrusã o de mercúrio são mostradas na Fig. 2 - 8 .

5 D e v e- se n o tar qu e o espaço in t erlamelar na fase C - S - H é con s i dera do . c omo parte d os só li dos na pasta.

6 N.T . Tra t a - se de um a simplif i caç ã o

h i dr at a r a 1 00 %; a ssi m ,

seja, c i m ento + ág u a de cris t a l ização

d o model o de Powers. Em gera l n ã o se c onsegue

h

i dr ata d o",

ou ,

caso i sso fosse possíve l , o volume f in al do " gel

+ ág u a de ge l , s u peraria o s 2 em",

28 Estru tu ras da Pasta Endurecida

0 . 5

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0 . 3

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Diâme t ro do poro, em A

a l e 0 ,7

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Diâme tr o do poro , em A

F igu r a 2-8 Di s trib u i çã o

Meht a e D.

do t a manho do s poro s e m past as de c im e nto hidr a tado ( de P. K .

Ma nmoh an, Pro c . Z '" Int . Co n g. o n the Ch em is t r y of Cem e nts , Pari s, 1980)

Não é a p o r os idade t otal , mas a di s tribui ç ã o

a p e r me a b i l idade,

tama nh o dos p oros é afe t ada pela relação á g ua / c ime n t o ,

po r os g r a nd e s i n f luen c ia m p rin c i p a lm e n t e

p e qu e n os influ e n c iam m a i s a retra ç ã o p o r s ec age m e a flu ê n c i a.

do tamanh o dos p o r o s que co n tr o la efe tiv am e nte

d e c im e n to

a r es i s t ê n c ia ,

d o

do c im e nto. O s

e as v aria ções

de v olum e

em uma pa s ta

a r esist ê n c i a

endur ec i da .

A di s t r i bui ç ã o

e p e l a idad e (g r au) de h id r ata ç ã o

à c o mpr es s ão

e a per m ea b i lida d e;

o s p o r o s

Tem sido s ugerido q u e a dist r ibui ç ão d e tam a nho s d os poro s , e n ã o a p orosid a de

capil ar total , é o melhor crit ério para av a liação da s caract er íst i c a s

l

macro poros, são adm i tido s c omo prejudic i ai s à re s i s tência e à imp e rmeabil i d a de ,

e nqu a nto vazios menore s do que 50 nrn , referidos como microporos são admitidos co mo mais importante s p ar a a retração por sec a gem e a flu ênc ia.

Ar incorporado . E n qu a nto os vazio s c a pil ar e s t ê m f orm a i rregul a r , o s va z i o s de ar incorporado são gera l mente e s férico s . Por v ária s r azõe s, discuti d a s n o Ca p í -

t u l o 8, os aditivos podem ser adicionados propositad a mente ao concreto com a

f inalidade de i ncorporar poros muito pequenos na p asta de ciment o . O ar po d e

a res maiore s do que 50 n rn de uma pa s ta , r e f erido s na l it era t u r a a tu al como

d e v az i o s ca p i-

A Estrutur a do Co n c r e t o

29

se r apri s ion a do na pa s ta fresca de cim e n t o d u rante a oper açã o de m is tura. O s va zi -

o s de ar apri si onado podem chegar a 3 nm; os vazios de ar i ncorporado v ari am

comumente de 50 a 2 00 11m. C o nsequentemente, tanto os v az ios do ar ap ris ionado como do a r i ncorpo r ado na p as ta são muito m a iores do que o s vaz i o s capilar es,

s

e ndo cap az e s de a f et a r ne ga ti va m e nte a s ua r esi s t ê ncia e i mperme a bil i d a d e .

A água na p asta endu r eci da

Ob s ervado s ao microscó pi o eletrônico, os p oro s na p asta parece m v azio s. Is to resulta da técnica de preparo das amostr as, da qu a l con s t a a sua secagem s ob vá -

cuo . Na re a lidade , dependendo da umid a de amb ie nte e d a s u a poro si dade , a p a s ta

d e cimento não tratada é c a p az de reter uma gr and e q u anti d a d e d e ág ua . D o m es-

mo modo que a s f as e s s ó l id o e v azio s di scutid as a nte riorme n t e , a ág u a pod e e st ar

p r e s ente na p as ta de v árias f orma s . A c l ass ifica ção d a ág u a e m di vers o s ti pos está

ba s eada no grau d e dif i culdad e ou de facilidad e c o m a qual el a p o d e ser re m o vi d a . Uma vez que ex i ste uma perda contínua de água de uma p asta de c i mento s at ur a da , com a diminu i ção d a umidade rela t iva , a lin h a di v isória e nt r e os di fere nte s e stados da á g ua não é rí gid a . A pe sar di ss o , a cl ass ifica ç ão é útil n a compr ee n s ão d as p r o - pri e dade s da pa s ta . Além do va por no s poro s vaz io s ou pa r c i alm e n te preen chi do s , a á gua e xis te na pa s t a n o s s eguintes e s tados .

Á gu a capilar. E s t a é a água pr es e n t e no s va zios maiore s do que 50 Á . P ode

ser descrita como o vol u me de água que está livre da inf l uência da s for ças de atração exerci das pela superfície sólid a . Na verda d e , do ponto de vista do compor - tamento n a pasta , é aconselháve l dividir a água c a pi l ar em duas c ate g oria s : a á gua em v azio s g rande s, de diâmetro> 50 nm ( 0 , 05 11m) , a qual pode s er con s ider a da como água livre , uma v ez que a s u a remoção não c a u sa q u alquer v ari ação de volume / e a á gua retida por ten s ão capil a r em c a pi l ares pequeno s ( 5 a 50 nm ), c uja remoção pode ca u s ar a retra çã o do s i s tema .

Água adsorvída " . É a ág u a q ue e s tá p r óxima à s u perfície d o só l ido; i sto é , so b

a

infl u ê n cia de f o rça s de atra ç ão , as m oléculas de água est ã o fis i camente adsorvidas

n

a su p erfície dos sólidos na pasta . Tem s i d o s ugeri d o que po d em s er fisicamente

ret idas por po n tes de h idrogê n io até seis camadas mole c ulares de água (1 5 Á) . D es d e q ue as en e rgias de ligação d e molécu l as individuai s de água dim in uem com a distânc i a em r el ação à s u perfície d o sól id o , um a po r ção maior da ág u a adsorvida

p o d e s e r p e r d i da p or se c a g e m d a pa st a a 30 % de umi d ade relativa . A pe rd a de ág u a

a d so r v id a é p r incip a lm e nt e res p o nsá vel pel a r et r aç ão d a p asta n a s e cag e m .

7

N . T. O s a u to r es

pod e m s er c on s idera do s , neste c aso , exagera d amen t e dogmático s . A s

t

e n s õe s capil a r es

ge ra d as

a p a rti r d o movim en to

d a ág u a nos p oros c a pil a res

sã o

um l imi t e t ã o

r ígi d o e ntr e po r o s qu e cau s a m p ro bl e m a s d e retr a ç ã o e poro s qu e não ca u sa m . M elho r é

con si derar p o r os co m d iâmet r o ac i m a do q u a l as con s eqü ê ncia s não s ã o tão gr av e s .

8 N . T . Ne s te c a s o p ode s er conf u n d id a ou con s iderada se à quela ju nto à s p arede s do s p o r o s .

I

res ult a do d e um a f un ção con tínu a e por t a nt o não é r azo á ve l e s t abe l ecer

co mo á gua c a p i l a r , porém r e fere -

30 Es tr u t u r as d a P a s ta Endurecida

Água interlamelar? . Esta é a água associada à estrutura do C - S - H . Tem sid o sugerido que uma camada monomolecular de água presente entre as camadas d e C-S - H está fortemente ligada por pontes de h i drogênio. A água interlamelar é per- dida somente por secagem forte (i.e., abaixo de 11 % de umidade relativa). A estru- tura do C-S- H retrai con s ideravelmente quando a água interlamelar é perdida.

Água quimicamente combinada'". É a água que é parte integrante da estru- tura de vários produtos hidratados do cimento. Esta água não é perdida na sec a - gem; é liberada quando os produtos hidratados são decompostos por aquecimento . Com base no modelo de Feldman e Sereda, os diferentes tipos de água associado s ao C - S - H estão ilustrados na Fig. 2 - 9.

Relações estrutura-propriedade

na pasta endurecida

As características de engenharia desejá v eis para o concreto - resistência, estabili- dade dimensional, e durabilidade - são influenciadas não somente pela proporção , mas também pelas propriedades da pasta , a s quais , por sua vez , dependem de as- pectos microestruturais (i.e., tipo, quantidade, e di s tribuição de sólidos e vazios). As relações estrutura - propriedade da pasta serão discutidas brevemente a seguir .

Resistência. Deve-se notar que a fonte principal de resistência nos produtos sólidos da pasta é a existência de forças de atração de Van der Waals. A adesão entre duas superfícies sólidas pode ser atribuída a estas forças de natureza física, sendo o grau de ação aderente dependente da extensão e natureza das superfícies

envolvidas. Os pequenos cristais de C - S - H, de sulfoaluminatos de cálcio hidratados,

e de aluminatos de cál c io hidratados hexagonais possuem área específica e capaci -

dade de adesão elevadas. Estes produtos de hidratação do cimento Portland ten - dem a aderir fortemente, não somente uns aos o u tros, mas também a sólidos de área espec í fica baixa,tais como o hidróxido de cálcio, grãos de c l ínquer a n idro, e

partículas de agregado miúdo e graúdo .

- j> É fato conhecido que em sólidos há uma relação i nversa entre porosidade e resistência. A resistência está baseada na parte sólida de um material ; "

consequentemente, os vazios são prejudiciais à resist ê ncia. Na pasta, o espaço

interlamelar

a influência das forças de atração de Van der Waals não podem ser consideradas

como prejudiciais à resistência , porque a concentração de tensões e ruptura

su b sequente

microfissu r as invariavelmente presentes. Como citado anteriormente, o - volume . de vazios capilares na pasta depende da quantidade de água misturada com o cimento no início da hidratação e do grau de hidratação do cimento. Quando se dá a pega, a pasta adquire um volume estável , aproximadamente igual ao volume de cimento mais o volume de água. Admitindo q u e 1 em ' de cimento prod u z 2 em ! d e produto de h idratação, P o wers efet u ou um cá l c u lo s i mp l es para demonstrar as variações na porosidade capilar com vários gra u s de hidratação em pastas de cimento com dife- rentes relações água / cimento . Com base neste trabalho, são mostradas na Fig. 2 - 10

interno da estrutura do C-S-H e os pequenos vazios que se acham sob

sob a ação de carga co m eça n o s grandes vazios capilares e nas

9 N.T . També m co nh eci d a p or água de ge l. 10 N.T . Ta m bé m c o nhecida p or á gu a d e cr i sta li zação.

A Estrutura do Conc r e t o

31

duas ilustrações sobre o processo de redução progressiva na porosidade capilar , tanto em g raus de hi d ratação crescentes (caso A) como em relaçõ e s água / cimento descrescentes (caso B) . Sendo a relação água / cimento geralmente dad a em ma s sa, é necessário saber a massa específica do cimento Portland (aproximadamente 3,14) a fim de se calcula r o volume de água e o espaço total disponível, o qual é igual à soma dos vo l umes de água e de cimen t o .

Á gua i n t e r lamelar

Á gua Ca p il ar

Águ a fisicament e adso r vida

Figu r a

ao s ilicato de c ál c io hidr a ta do ( B as e a -

do em R.F . Feldm a n e P . J . Sered a , Eng. J. (Canadá ), Vo I. 53 , n º 8/9 , 1970) .

2 - 9 T ipo s d e água associ a dos

Na p asta d e ci m e nt o hidra t ad o , a ág u a p o d e e s tar pr ese nt e s o b muit a s for m as : estas p o d e m s e r c la ss i fi ca da s de p e nd en do d o g rau d e f ac il id ad e co m qu e p o d e m se r r e m ov idas. Es ta cla s s i fi c a ç ã o é útil na c o mpr ee n s ã o

d as v a ri a ções de vo lu me d a p a s ta de c i mento q ue est ã o asso c iad a s à á g u a re t ida no s por o s p e qu enos.

No caso A, uma pasta com relação água/cimento 0 , 63 , contendo 100 em ? de cimento requer 200 em ? de água; isto resulta em 300 em " de volume de pasta ou de espaço total di s poní v el . O grau de hidratação do cimento dependerá da s cond i ções de cura (duração da hidratação, temperatura, e umidade). Assumindo que, sob a s condições padrões de cura da ASTM l1 , o volume de cimento hidratado a 7 , 28 e 365 dias é 50 , 7 5 e 100 % , re s pectivamente, o volume calculado de sólidos (ci - mento anidro mais produtos de hidratação) é de 150,175 e 200 em ' . O volume de - vazios capilares pode ser obtido pela diferença entre o volume total disponível e o volume total de sólidos. Este é de 50 , 42 e 33 % , respectivamente aos 7 , 28 e 365 dias de hidratação . No caso B , é admitido o grau de 100 % de hidratação para quatro pastas de cimento preparadas com água correspondente às relações água / cimento 0 . 7 , 0.6 , 0.5 ou 0 . 4 . Para um volume dado d e cimento, a pasta com a maior quantidade de água terá o maior volume de espaço total disponível . No entanto, após hidratação completa, todas as pastas devem conter a mesma quantidade de produto sólido de hidratação. Conseqüentemente , a pasta com o maior espaço total terminará com um volume de vazios capilares correspondentemente maior . Assim , 100 em" de cimento por hidratação completa produziriam 200 em " de produtos sólidos

I I A ASTM C 31 - St an dard M et hod of Curi n g Concrete Test Speci m e n s

especific a cura úmida a 23,0 ± 1 , 7 DC (até à ida d e do ensaio).

5738 / 83 (MB2 / 83) - Moldagem e cura de corpos-de-prova

prismáticos.

in th e F i e ld

No B r asil a Norma é NBR

de concreto cilíndricos

ou I

32 Estr ut ura s da Pasta En d u r eci d a

,

h id ratados e m c ada caso; porém, dado que o espaço t o tal em p astas de relação

água / c i mento 0. 7 , 0 . 6 , 0.5, ou 0 . 4 e ra de 320, 288 , 25 7 , e 225 em " , os vazios cap i lares calculados são de 3 7 , 30 , 22 e 11 % , respectivamente. Com o que foi aqui admit i do, uma pasta com relaçã o á gu a / c i mento 0 , 32 não teria p o rosidade capilar quando o cimento estiv e sse completa me nte hidratado . Para argamassas de cimento n o r m almente hidratadas , Powers mostrou que há uma relação exponencial do tipo S = kx ' entre a resistência à compressão (S) e a relação sólidos / espaço (x), onde k é uma constante i gual a 235MPa. A s sumindo um dado gra u de hidratação , por exemp l o , 25 , 50, 7 5 e 100 %, é pos s ível calcular

C A SO A: 100 em " de cimento , a/c = con s tante = 0 , 63 , diferentes grau s de hid r ata ç ão como

mo st r a do

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CASO B : 1 00 em ! d e ci men to, 100 % de hidrata ção, d ife r e n t e s re l ações a / c como m os t rado

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0.7

0.6

0.5

0.4

Figura 2-10 Va r i a ção na po ro si dad e ca p ilar com relações ág u a / cimento e graus d e hi - dr atação difere n tes .

F aze n d o - s e certa s hipóteses si mp licad o ras,

rela ç ã o ág ua / cim e nt o,

d i f e rente s g raus de hidratação . Uma outra a l te r n at iva é a de determinar , para um dado grau de h i dratação

e d i fe r e n t e s rela ç õ e s água / c im e n to, as vari açõe s n a p oros i dade c apila r.

o s c á l c u l o s pod e m s e r fei t os d e m o d o a mostra r , para uma dad a

ca pilar de um a p as t a d e cim e n to hidratado

em

como p oderia varia r a porosidad e

ji

A Estrutura do Concreto

33

o efeito do valor crescente da relação água/cimento, primeiro sobre a porosidade e

s ubsequentemente, sobre a resistência, empregando-se a fórmula de Powers. Os res ultados estão representados graficamente na Fig. 2-11 a. A curva de permeabilidade também indicada nessa figura será discutida mais tarde.

Estabilidade dimensional. A pasta saturada não é dimensionalmente está- vel. Enquanto mantida a 100 % de umidade relativa (UR), praticamente não ocor- rerá variação dimensional. No entanto, quando exposta à umidade ambiente, que

e s tá normalmente muito abaixo de 100 %, o material começará a perder água e a

retrair . O modo como a perda de água pela pasta saturada está relacionada à UR de um lado , e por outro lado, à retração por secagem , é descrita por L'Hermite

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Porosidade capilar . Fração de volume P

Figura 2-11 Influência da relação água/cimento e do grau de hidrata ç ão s obre a re s i s - tência e a permeabilidade .

A co mbi nação d e r e la ç ã o á g ua / cim e nto e g rau d e hidratação determina a p o rosidad e da p a sta d e ciment o

h ! ; 1r at ado . A poros id a de e o inv er so da po ros id a de ( r e l ação só l i d o / es p aç o ) es tã o rel a c i o na do s :

expo n e n c ial me n t e t a nto à resistê n c ia como à p ermea bili dade do m ater i al. A á r ea so m b r ea d a m ostr a o

i nt er v a l o - de p oro si da d e c ap i l a r ca ra c t e r ís ti co d e p as t as d e c im e nt o hid ra tad o.

3 4

C o n c r e t o: Es t ru tu ra, P r o p r i e d ades e Mat e ri ais

(Fig. 2 - 12). Assim que a UR cai abaix o de 100 %, a água l i v re retida na s grandes cavidades (por exem p lo, > 50 n rn) com e ça a ser evaporada para o ambien t e; Como

a água l ivre não está p resa à estrut u ra dos produtos hidratados por ligações físico-

q u ímicas fortes, a sua perda não seria acompanhada de retração significativa. Isto é

mostrado pela c u rva "A - B" na Fig . 2 - 12 . Assim, u m a pasta saturada e xposta a uma

UR l igeiramente me n or do q u e 1 00 % pode perder um a q u a n tidade considerável de ág u a total evap o rável antes de sofrer retração intensa. Quand o a maior parte da água livre foi perdida, prosseguindo a s ecagem,

observa- se qu e u ma perda ad i c io n al de água passa a res ult ar e m ret r ação co n side-

rável . Este fenômeno, mostra d o pe l a c u rva "B - C" na Fig . 2 - 12 , é atribuído princi-

pa l mente à perda de água adsorvida e de água retida em pequenos capi l ares

(v e r Fi g . 2 - 9).

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Perda de água

Figura 2-1 2 (a ) Perda de água em fun ç ão da umidade relati v a ; (b ) retração de a rgamas - sa d e c imento em f un ção d a pe r da de ág u a ( D e R.L'Hermi t e, Proc. F o u rth Int . Symp . on the Ch e mistr y ofCements , Washin g ton, D.C ., 1960) .

Em um a pa s ta d e c i m e n to, a p e rd a de á g u a a d s o r v ida é a prin c ip al

res p onsá v e l pela retraçã o d e se c a g em .

Tem sido suger i do que a água adsor v ida , quando co n finada em espaços est r eitos en t re dua s superfícies sólidas, causa pressão de desligamento. A remoção da água adsorvida reduz a pressão de deslig a mento e cau s a retração do sistema. A água interlamelar, p r esente na forma de um film e monomo l ec u lar de água entre as ca -

mada s da estrutura

de s ecagem. I s to s e dá porque o contato í ntimo da água interlamelar c om a super - fície sólida e o cami n ho tortuoso da trajetória de transporte através do retic u lado capil a r requer uma força motriz maior . Uma vez que a água em pequenos capilares

(

s

c

5 a 50 nrn) e x erce pressão hidro s tát i ca , a s ua remoção tende a induzir uma ten -

do C - S - H , pode também ser removida po r condições s everas

ão de compressão sobre as paredes sólidas do p o ro cap i lar, causando também

ontração do sistema. De v e - s e aqui re ssa ltar que o s mecani s mo s re s pon sáveis pela retração por s e -

c agem s ão também re s pon sá ve is pel a fluência na pasta. No caso da f l uência, uma ten sã o e x terna aplicada toma - se a força que direciona o movimento da ág u a

A E s trutura d o C on cre t o

3 5

Durabilidade. O termo durabilidade de um mate r ial r efe re - s e a o s e u t empo de vida útil sob condições ambientais dada s . A pa s ta é alcalina ; co ns equen t e m en te,

a expo s ição a águas ácidas é prejudicial ao material . Ne st as co n diçõ es, a

impermeabilidade do material , e a estanque i dade da estrutura , to r nam- s e os principai s fatores detennina n tes da durabilidade . A impenneabilidade da past a é uma car a cterística alta m en t e apreciada porque s e a ssume que uma pa s ta imp e nn e -

ável resulta r ia num concreto imp e rmeável (o ag r eg a do no concreto é a ssum id o geralmente como imp e rmeável). A permeabilidade é definida como facilidade com que um fluido pode e s coar através de um s ólido. É ób v io q u e o t a manho e a continuidade dos poros na estrutura do s ólido determinam a s ua penneab ili d a d e. Resistência e penneabilidade da pasta são du as face s da mesma moeda , com o sent i do de que ambas estão intimamente relacionada s à po r osidade capilar e à

relação s ólido-e s paço . Isto fica e v idente na curva de penneabilidade da Fig. 2 - 1 1,

a qual base i a - s e em v alores d e penneabilidade de t erminados ex p e rimentalme nt e

por Powers. A relação expon e ncia l entr e permeabilid a de e porosidade, ilustr ad a na Fig . 2 - 11 pode s er entendida a partir da influênc i a que v ário s tipo s d e poro s exer - cem obre a penneabilidade. Com o prosseguimento da hidr a taç ã o , o e s paço v azio entre a s pa r tículas de cimento or i gin a lmente d ist intas começa a s er preenchido

g radativamente pelos produ t os d e hidratação. Foi mostrado (Fig . 2 - 10) que a re l a - ção água / cimento (i . e. , espaço capilar original entre partículas de cimen t o ) e o grau de hidratação determinam a poro si dade ca pilar t otal , a qual dim i nui com o decréscimo da r e lação água / cimen t o ou aumento do grau d e hidratação . E s tudo s

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r ela ção ág ua / ci m e n to de 0.6 , 0.7 . 0. 8 e 0 .9.

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D iâ m etro d o poro (A)

Figura 2 - 13 C u r vas de di s tri bu i çã o de pequenos poros em p ast as d e c imento

d e difer en tes relaçõ e s água/cimento .

(

D e P.K . Me ht a

e D . Manmohan ,

Pro c . Z'" In t. C o n g ress o n Ch e mi s try

o fCem e nt , P a ris , 1980 )

Quand o a r e pr e s e nta ç ão g ráfica d os

> 1320 A ). fo i obs e r v a do

qu e uma

dados da F i g. 2 - 8 f o i ref e ita . ap ós se d esp r eza r

ún i c a c ur va po d ia rep r es e ntar a d i str ib ui ç ão

os po ros g rand es (i.e .• d e tam a nho d e p o r os - d e

p a s tas d e 2 8 d i as , preparadas co m quatr o rel a ç õ es á g ua /ci men to

dife r e ntes.

I s t o m ost ra qu e e m pas t as d e

c

man i f est a - se so m en t e na f or ma d e p o ros

im e n to e ndurec ida s,

o aument o n a p orosidad e

total , result ante de r e l a ções á gua / c im e n to

c r escentes,

gra nd es. E st a o b se r vação t e m g ran de sig nifica do

qu an to ao efe i to

36 Concreto: Estrutura, Propriedades e Materiais

de poro sime t ria por intrusão de mercúr i o em pastas de c imento hidratado , da F i g , 2-8 , com diferentes relações água/cimento e em vária s idades, mostraram qu e diminuição na porosidade capilar total e s tava associada à redução de poros gr a n -

de s na pasta (Fig. 2-13). Dos dados da Fig.

permeabilidade registrou uma queda exponencial quando a fração de volume d e poros capi l ares foi reduzid a de 0,4 para 0,3 . Conseqüentemente, este intervalo d e porosidade capilar parece corresponder ao ponto em que tanto o volume com o o

t a manho do s poro s capilares na pasta s ão tão reduzido s que se tomam difícei s a s

c one x õe s entre e l e s. Como re s ultado , a permeabilidade de uma pa s ta compl e t a -

mente hid r at a d a pode s e r da ordem de 10 6 vezes menor do que uma p ast a de b ai x a

idade. Po w e rs mo s trou que m e smo uma pa s ta de rela ç ão a /c 0 , 6 com hidrataç ã o completa ( 100 % ), pode tomar- s e t ã o impermeá v el quanto uma rocha , com o o ba s alto ou o m á rmore. Deve-se notar que a s porosidades representadas pelo espaço interlamelar d o C-S-H e pequenos capilares não contribuem para a permeabilidade da pasta. A o contrário, com o aumento do grau de hidr a tação, embora haja um aumento con s i - derável no volume de poro s, de v ido ao e s paço interlamel a r do C-S-H e pequen o

c a pilares , a pe r meabilidade é a centuadamente reduzida. N a pa s ta foi notada u m a

2-11 é óbvio que o coeficiente d e

rel a ção direta entr e a perme a bilidade e o v olume de poro s maiores do qu e cerc a d e 100 nm " , I s t o o c orre pro v a v elmente po r que o s i s tem a de poro s, f orm a do prin c i - palmente de pequenos poro s, te nde a tom a r- s e de s cont í nuo.

A ZONA DE TRANSiÇÃO N O CONCRET O

Significado da zona de transição

J á se perguntou porque:

O c oncreto é frá g il so b t r ação m a s dútil em comp r e ssão ?

O

s con s tituintes do c o ncreto quando en s aiad os s ep a rad a ment e à c o m -

pr

ess ão unia x i a l pe r m a necem el ástico s, at é à r uptu r a , enqu a nto o c o n -

creto mo s tr a compo rta mento e l ast o -plá s ti c o ?

A re sis tência à comp r e ss ão d e um concreto é m aio r do que a s u a re s i s - tênci a à tração de uma ordem de m a gnitude ?

Para um dado teor de cimento , uma relação á gua/cimento e idade d e

hidratação, a argama s sa de cimento será sempre mais resistente do qu e o concreto correspondente?" E que também a resistência do concreto d i -

m

i nui com o aumento do tamanho do agregado graúdo?

A p ermeabilidade de um concreto , m e smo c ontendo um ag r eg a d o m u i t o den s o s erá ma i or por uma ord e m de magnitude do que a permeabilid a d e da p as ta de cimento c o rrespondente ?"

1

2 P.K. Me h ta e D . Manrno h a n , Pr o c eedin gs 0 1 t he Se v enth I n t e r nat i ona l

Con g re ss 0 If

t h e C h ernis t r y 0 1 C e rnent s, E d i tion s S e p t i ma, V ol III , P aris, 1 98 0 .

1

3 N. T. N a ma i oria

d as v e z e s essa di f e r en ça

é imper c ept íve l

de cim e nto

e fica d e ntr o d a var ia - o conc r eto te rá se m p re

bilidad e de e nsaio . Manti d o um mesm o co nsumo re s i stê ncia ma i or que o d a p a sta e da a rg a ma s sa de

m es ma r elação a/c .

A Estrutura do Concreto

37

• Por exposição ao fogo, o módulo de elasticidade de um concreto c a i mais rapidamente do que a sua resistência à compressão ?

As respostas a estas e outras questões enigmáticas sobre o comportamento do concreto encontram-s e na zona de transição que existe entre as partí c ula s grandes de agregado e a pasta. Embora constituída dos mesmos elementos que a pasta, a estrutura e a s propriedades da zona de transição diferem das da matriz de pasta. Consequentemente, é desejável tratar a zona de transição como uma fase distinta da estrutura do concreto.

Estrutura da Zona de Transição

Devido a dificuldades experimentai s, há pouca i nformação sobre a zona de transição no concreto; todavia, com base em uma descrição dada por Maso", pode-se ter algum entendimento das suas características estruturais acompa- nhando-se a s equência do s eu desenvolvimento a partir do momento em que o concreto é lançado.

Prim e iro , em concreto re c entement e co mp ac tado , um f ilme de á gu a f orma- s e ao redor da s partículas grandes de agre g ado . Isto pode levar a uma relação água / cimento mai s elevada

n a pro x imidad e

s eguida , analogamente à m a tri z, o s íon s de cál c io, s ulfato, hidro x ila, e alum i na t o formados pela dissolução dos compo s to s de sulfato de cál c io e de aluminato de cálcio , combinam -s e

p

produtos crist a linos vizinhos ao a gregado graúdo consi s tem de cristais relativamente grande s, e consequentem e nte, formam uma es trutura mai s porosa do que na matriz de

pa s ta de c im e nto ou n a m a t r i z de a rgama ss a. Os c ristai s em pl ac a de hidr óxi d o de cálcio tendem a formar-s e em camadas orientada s , por exemplo, com o eixo c p e rp e ndicular à superfície do ag r e g ado . Finalmente , c om o p r o g res s o da hidrata ç ão , o C -S-H pouco

de

cri s t a lizado

cálcio começam a preencher os

grand es de e trin g ita e d e hidró x ido de cál c io . I s to a j ud a a aument a r a den si d a de e, consequentem e nte, a re s ist ê nci a da zon a de tran s ição.

Uma representação diagramática e uma microgr a fia eletrôni c a de v a r redura, da zona de transição do concreto, são apresentados na Fig . 2-14.

do agr e gado gr a údo d o qu e lon g e dele ( i. e . , na m a t r iz de arg ama ss a ) . Em

e le va da , estes

a ra form a r e tringita e hidró x ido de cá l c io . D ev ido à r e la ç ão á g ua/ ci mento

e um a segunda g era ç ão de c ristais menore s

de etrin g ita e de hidró x ido

espa ç os vazios entre o reticulado

cri a do p elo s cristai s

Resistência da zona de transição

Como no caso da pasta , a cau s a da adesão entre o s produtos de hidratação e a partícula de agregado são as forças de atração de Van der Waals; portanto , a resi s - tência da zona de transição em qualquer ponto depende do volume e do tam a nho dos vazios pre s entes . Mesmo para concreto de baixa relação água/cimento , n as primeiras idades, o volume e tamanho de vazios na zona de transição serão maio- res do que na matriz de argamassa ; consequentemente, a zona de tran s ição é mais fraca em re s istência (Fig. 2-15). Contudo, com o aumento da idade , a r e s istência da zona de transição pode tomar-se igualou mesmo maior do que a resistência da

15 I.C. Maso , Pr o ceedin g s o f th e S e v e nth Int e rnati o nal

C eme nt s, Vol. I , Edition s Sept i m a, P a ris , 1980.

C o n gress on th e Ch e mis t r y

o f

38 Concreto : Estrutura , Propriedades e Materiais

Agregado E ••

•• Zona de Transição

.•

Figura 2 - 14 (a) Mic r ografia

:-

(a)

C-S-H

( b )

CH

=

O

Matriz de pasta de cimento

C-A-

S-H

(Etringi t a )

e l e t rôn i ca de varre du ra, de cris t ais de hid róx i d o de cá l c i o

n

a zo n a de tra n sição. ( b ) R e p rese nt ação

diagramát i ca d a zo n a de tra n sição e d a ma t riz

d

e p as ta de c im en to no c on c re to .

N a s prim e ira s idad es , es p eci a l m e nt e qua n d o oco rreu uma exs ud aç ã o int e rna c on s id e rá ve l , o tam a nh o e o

vo lu m e de vaz i os da zon a de tran s ição sã o ma i or e s do qu e n o inter i o r d a pa s ta ou da arg a mas s a . O

tama n ho e a c o n ce ntra ç ão d o s c omp os t os c ristal i n os , t a i s co m o o h i d r ô x i d o d e cál c io e a e tringita s ã o

t a m bé m m a io r e s n a zo na d e tran s i ç ã o. A s f iss ura s formam- s e fac ilm e nt e na dir eç ã o o r togo n al ao e i x o c . T ais

ef ei t o s são r e sp o nsá v e i s pe l a r e s is t ên c i a d a zo n a - de transição, e m g e ral m a i s b aixa do que a da matri z de

15,0 , 1-----+---+---+--+-- - --1

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Pasta Zona de transição

O~----~--~--~--~--~ 7

1 dia

28

3 meses 1 ano

4 anos

Idade (escala log)

A Estrutura do Concreto

. 39

Figura 2_15 16 Efeito da idade na resis- tência de aderência (zona de transição)

e na resistência da matriz de pasta de

cimento (De K.M.Alexander, J. War- dlaw, e DJ. Gilbert, The Structure of Concrete, Cement and Concrete Asso- ciation, Londres, 1968, p. 65).

Corno resultado da interação química lenta entre a pasta de cimento e o agregado, a maiores idades a resistência da zona de transição aumenta mais do que a resistência da matriz de pasta de cimento.

matriz de argamassa. Isto poderia acontecer como resultado da cristalização de novos produtos nos vazios da zona de transição através reações químicas lentas entre constituintes da pasta de cimento e o agregado, formando silicatos de cálcio hidratado no caso de agregados silicosos, ou carboaluminatos hidratados em caso de calcário. Tais interações contribuem para a resistência porque tendem também a reduzir a concentração de hidróxido de cálcio na zona de transição. Os cristais grandes de hidróxido de cálcio possuem menor capacidade de adesão, não somen- te . pela área específica menor e forças de atração de Van der Waals correspon- dentemente mais fracas, mas também porque servem como pontos de clivagem preferencial, devido à sua estrutura orientada. Além do grande volume de vazios capilares e de cristais orientados de hidróxido de cálcio, um importante fator responsável pela baixa resistência da zona de tran- sição no concreto é a presença de microfissuras. A quantidade de microfissuras depende de inúmeros parâmetros, incluindo a distribuição granulométrica e tama- nho do agregado, teor de cimento, relação água/cimento, grau de adensamento do concreto fresco, condições de cura, umidade ambiente, e história térmica do con- creto. Por exemplo, uma mistura de concreto contendo agregado com má distri- buição granulométrica é mais suscetível à segregação durante o adensamento; as- sim, podem formar-se filmes espessos de água ao redor do agregado graúdo, espe- cialmente embaixo da partícula. Em idênticas condições, quanto maior o tamanho

do agregado, mais espesso será o filme de água. A zona de transição formada nestas condições será suscetível à fissuração quando sujeita à influência de ten-

sões de tração induzidas por movimentos diferenciais

Tais movimentos diferenciais surgem comumente tanto na secagem como no

esfriamento do concreto.

entre o agregado e a pasta.

16 N.T . O módulo de ruptura é equivalente à resistência à tração por flexão.

40 Concreto: Estrutura, Propriedades e Materiais

Em outras pala v ras , o concreto tem microf i ssuras na zona de transição mesmo antes da estrutura ser carregada. Obviamente, cargas de impacto de curta duração, retração por secagem , e cargas mantidas a níveis elevados de tensão terão como efeito o aumento do tamanho e número de microfissuras (Fig . 2-16).

Influência da zona de transição nas propriedades do concreto

A zona de transição, geralmente o elo maisfraco da corrente, é considerada a fase de resistência limite no concreto. É devido à presença da zona de transição que o , concreto rompe a um nível de tensão considera v elmente mais baixo do que a resis- tência dos dois constituintes principais.

Figura 2-16 Mapa s típicos de fissuração em concreto comum (resistência média): (a) após retraç ã o por secagem; (b) após carregamento de curto prazo; ( c ) para carregamen-

to mantido por 60 di a s a 65 % da resi s tência à compressão aos 28 dias (De A.I. Ngab ,

F:O. S1ate , e A . M.

Nilson, J . ACI , Proc. VoI. 78 , n Q 4, 1981) .

A z ona de transi ç ã o c ont é m microf i ssuras r e sultantes d e carre g ament o a curto pra zo, retração por se c agem, e flu ê n c ia .

Não sendo necessários níveis elevados de energia para estender as fissuras já existentes na zona de transição , até com tensões de 40 a 70 % da resistência últi- ma , já são obtidos maiores incrementos de deformação por unidade de força apli- cada . Isto explica o fato de que os constituintes do concreto (i.e., agregado e pasta ou argamassa) comumente permanecem elásticos até à fratura num ensaio de com- pressão uniaxial, enquanto o concreto mostra comportamento elasto-plástico. A níveis de tensão maiores do que 70 % da resistência última, as concentra- ções de tensão nos poros grandes da matriz de argamassa tomam-se suficiente- mente grandes até iniciar novas fissuras. Com tensões crescentes, essas novas fissuras da matriz propagam-se gradativamente até se unirem às fissuras originadas na zona de transição . O siste- ma de fissuras toma-se então contínuo e o material rompe. É necessário uma ener- gia considerável para a formação e propagação das fissuras na matriz sob carga de compressão. Por outro lado, sob carga de tração, as fissuras propagam-se rapida- mente a um nível de tensão muito mais baixo. É por isto que o concreto r< ; >mpede modo frágil à tração mas é relativamente dúctil à compressão. Esta é também a

A Estrutura do Concreto

41

r azã o porque a re s istênci a à tração do concreto é mais baixa do que a resistência à

c o mpressão. Este a s sunto é discutido em maior profundidade nos Capítulos 3 e 4. A estrutura da zona de transição, especialmente o volume de vazio s e mic rof i ssuras presentes, têm grande influência sobre a rigidez ou o módulo de

elast i c idade do concreto. No material composto , a zona de transição serve de pon-

te

entre os dois constituinte s : a argamassa matriz e a s p a rtículas de agregado graúdo.

M

e s mo nos casos em que os constituintes individuais têm rigidez elevada, a rigi-

dez do material composto pode ser baixa por causa de pontes rompidas ( i.e , v azi -

o s e microfissuras na zona de transição), as quai s não permitem transferência de

energia. Assim , devido à microfissuração por exposição ao fogo , o módulo de

e l a s ticidade do concreto cai mais rapidamente do que a resistência à compressão. As características da zona de transição também in f luenciam a durabilidade do concreto. Os elementos em concreto armado e protendido rompem frequentemen-

te, devido à corrosão da armadura. A velocidade de corrosão do aço é enormemen-

te influenciada pela permeabilidade do concreto . A existência de microfissuras na

interface com a armadura e o agregado graúdo é a razão

principal do concreto ser mais permeável do que a pasta ou a argamassa corres- pondente. Deve-se notar que a difusão do ar e da água é um pré-requisito nece s sá- rio à corrosão do aço no concreto. O efeito da relação água/cimento sobre a permeabilidade/difusividade

resistência do concreto

relação água/cimento e a porosidade da pasta no concreto. A discussão precedente sobre a influência da estrutura e das propriedades da zona de transição sobre o concreto mostra que , de fato , é ma i s adequado pensar em termos de efeito da relação água/cimento sobre a mistura de concreto como um todo. Isto é porque dependendo das características do agregado , tais como distribuição granulométrica e dimensão máxima , é possível ter grandes diferenças na relaç ã o água/cimento entre a matriz de argamassa e a zona de transição . Em geral , todos os outros fatores permanecendo os mesmos, quanto maior o agregado , m a ior será a relação água/cimento local na zona de transição , e, consequentemente, menos resistente e mais perme á vel " será o concreto .

é geralmente atribuído à dependência que existe entre a

e a

zona de transição na

TESTE O SEU CONHECIMENTO

1. Qual o significado da estrutu r a de um material? Como voc ê define estrutura?

2. Descreva alguns dos asp e cto s singulares da estrutura do concreto que dificultam a previsão

do comportamento do materi a l a partir de sua estrutura.

3. Discuta as caracterí s tica s f ís ico-químicas do C-S-H, do hidróxido de cálc i o , e do s

s ulfoaluminato s de cál c io pre se nte s em uma pas t a d e cimento bem h i dratada.

4. Quanto s t ipo s de v a zio s e s t ã o pr ese nte s em uma p a s t a d e c im e n t o hidratado ? Qua is

são as

s ua s dimensõe s típi ca s? Di sc utir o s i g nific a do do e s pa ç o int e rl a m e l a r c om relaç ã o às p r opri-

edades da pa s t a de c imento hidr a t a do .

I 7 N. T . Ent e ndend o a perm e abil i dade como uma pr o pried a d e f un ç ão d a e xis t ê n c i a de um

g

radiente

de p r e ssã o ,

a v a zã o de á gua que pe rco l a por unidade

de área , o u s ej a , o

c

oefici e nt e de p e rmeabilidad e

da lei de Dar cy , e m g er a l diminui com o aument o d q

4 2

Con creto : Estrutura, Pro pr ieda d es e Materiais

s.

Q u a nto s tip os d e ág u a estão as s ociados à p asta d e c i mento sat u rada ? D i sc ut ir o signific ad o

d e c ad a tip o . P or q u e é desejável fazer- s e dis ti nção entre a á g u a livre em p oros capilare s e a

ág u a a d so r vida às pa r ede s de ss e s capilare s?

6. Q u a l ser i a o vo lu me d e vaz i o s capilares em uma pasta de r ela ç ão água/ci m e n to 0 ,2 que e stá

some nt e 50 % h idra t ad a? C a l cu l a r t a mb é m a r e laçã o água/ c imento necessária para obter - se por os i da d e zero em uma p a sta d e c i men t o c o mp le t a m e nte hi drata d a.

7. Q u ando a pasta d e cime n to s a t u rad a é sec a , a p er d a de á g u a n ão

à r e tr ação por s ecagem. E x p l icar po r quê .

é dir e t a ment e pr oporcional

8

.

Em um a pa s t a de c im e n to e m h id ratação a r el ação entr e poros id a d e e imperm ea bil i d a d e é ex p o nen c i a l . Exp li ca r p orqu ê .

9

.

D ese nh a r um e s b oço tí pi co m os t ra ndo como a estr u tu ra dos pr o dut os d e hidr a ta çã o na zo n a

d e tr a n s iç ã o pas t a d e c im e n to - a gre g ado

c reto .

é diferente d a e s t ru t ur a d a p a sta de c im e nto

n o co n -

1 0. Discut i r porquê

a r es i s t ê n c i a d a zona de tran s i ção é ge r a lm e nt e mais b aixa do que a re s i s t ê n-

c ia da matri z d e pa s t a de cimento . Explica r po rq u ê o co nc re t o rompe de m odo frágil à tr ação

mas não em comp ressão .

11. Todos o s out r o s fa t ores man tido s c on st ant e s,

a resistê n cia

de um co n creto diminuir á co m a

i n tr odu ç ão de a gr e gado g r a úd o d e t a m a nh o cresc e nt e. Explica r p or qu ê.

SUG ES TÕES PARA ESTUDO COMPLEMENTAR

D IAM O N D , S . P r ocee d i n g s

f t h e C on fer e n c e

o

on H y draul ic

C e m e nt Pastes ,

Cement and

C o ncret e Associatio n , Wexham Springs, S l o u gh , U.K . , pp 2-30 , 1976.

LEA , EM . , Th e Ch e m i s tr y o f C e m e nt and Concret e, Yo r k , 1 9 7 1 , Cap o 1 0 , The Set t ing a nd Hardening

MINDESS , S . J. E YOUNG . C oncre t e, Pre nti ce Hal l , In c., En glewoo d Cl i ffs, N .J ., 1 98 1 , Cap o 4 , Hy d ra ti o n of P ortla n d Cemen t .

POWE R S , T . C., Pr o p ert i e s of Fre s h Co n c r ete , Jo hn W il ey a n d So n s , In c. , 1 9 68 , Ca p ít ul o s 2, 9, e

C

h emic a l P ub l i s h i ng

of Por t la n d Cement .

Co m pa n y, I n c . , N ew

11 . P roceedin g s of th e S e v e nth I n ternat i ona l

1 980), Eigth Co n g r e ss (Rio de Ja neiro , 1986 ), e N inth Co n g r ess (Ne w Delhi , 1 992).

C o n g r ess on th e C h e mistr y of Cem e nt ( Paris ,

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V . S.R . E FE L DMAN, a n d J.J . B E AUDOIN, Conc r ete S cience , Heyde n &

S o n Ltd ., L ondon, 1 98 1 , Ca p s . 1 a 3 , M icrostrut u r e of C em e nt Pa s t e .

S KAL N Y, J .P. , Ed . , M a ter i a l Sc i ence of C o ncret e, VoI . 1 , T h e A merican Ceramic Soci ety I n c.,

1989 .