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EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA CAPITAL - PE ª VARA DO TRABALHO DA

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA CAPITAL - PE

ª VARA DO TRABALHO DA

DENILSON SOARES DO NASCIMENTO, brasileiro, casado, residente e domiciliado a Rua Do Rio, Nº 78, bairro da Mangabeira, Recife-PE, CEP. 52110-490, por meio de seus advogados subscritores da presente, conforme instrumento mandatário em anexo, nos termos do Art. 840 da CLT vem respeit osamente à presença de V. Exa; propor a presente,

RECLAMAÇÃO TRABALHISTA

em desfavor de AGRONETO LTDA, pessoa jurídica de Direito Privado inscrita no CNPJ ,01.369.649/0001-47 estabelecida comercialmente a Rua Acadêmico Hélio Ramos, Nº 60, bairro da Várzea, Recife/PE CEP. 50740-530. Pelas razões de fato e de direito a seguir expostas.

PRELIMINARMENTE

DAS PUBLICAÇÕES E NOTIFICAÇÕES

Inicialmente o Demandante requer à Vossa Excelência que se digne mandar fazer constar na capa do processo, bem como das futuras publicações no D.O. o nome do Dr. FILIPE CAMARA LINS E MELLO inscrito na OAB/PE 34.882, e Dr. WILTON GARRET inscrito na OAB/PE 24.318, com escritório na Rua das Pernambucanas, 30, sala 02, Graças, Cep 52.011-010, Recife/PE, aqui figurando como patrono do demandante, de modo que possam receber todas as intimações a respeito dos atos praticados no processo, sob pena de nulidade dos mesmos.

DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

O demandante afirma sob as penas da lei, e nos exatos termos do disposto no artigo 4° e seu parágrafo 1° da lei 1.060/50, com a redação introduzida pela lei 7.510/86, que não possui condições financeiras de arcar com o pagamento das custas processual e honorário advocatício sem prejuízo do próprio sustento e de sua família, pelo que faz jus à GRATUIDADE DE JUSTIÇA.

DOS FATOS

Declara o Autor ter sido contratado pela Reclamada em 04/12/2012 na qualidade de vendedor, para

Declara o Autor ter sido contratado pela Reclamada em 04/12/2012 na qualidade de vendedor, para o desempenho de atividade de vendas, com pagamento comissionado a 5% sobre os valores de pedidos + ajuda de custo no importe de R$ 800,00 pagos sempre ao fim de cada mês, tendo sido dispensado sem justa causa em 06/01/2014, sem, contudo, lhe tenha sido pago haveres rescisórios.

DO

TRABALHO

VÍNCULO

EMPREGATÍCIO

FRAUDE DO CONTRATO DE

Tem-se que a Reclamada quando do contato com o Reclamante condicionou sua contratação, exigindo-lhe a sua vinculação a COTRANE COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS EM VENDAS DO NORDESTE com o fito único e exclusivo de driblar suas obrigações obreiras, ressaltando ainda, que contrariando o disposto na legislação trabalhista, jamais fora firmado contrato de trabalho entre o Autor e a Reclamada.

Os serviços do Reclamante consistiam em visitas a clientes de indicação da Reclamada e angariar novos, fazer cobranças, firmar acordos de inadimplentes e assiná-los na qualidade de preposto, tirar pedidos e acompanhar recebimento, enviar relatórios analíticos de suas atividades e produtividade.

Destaca-se que o Reclamante não possuía margem de negociação, ou seja, os produtos eram vendidos sob preços já estabelecidos pela Reclamada mediante tabelas que eram entregues diariamente ao reclamante.

Com efeito, extrair-se-á do arcabouço probatório que o Reclamante não somente recebia diretrizes da Reclamada para o oferecimento de determinados produtos, o que já seria suficiente para indicar o elevado grau de vinculação entre as partes, data vênia, mas, também, era obrigado a executar serviços de cobrança das vendas realizadas, responsabilidade esta que o vendedor não tem.

Reforce-se, nesse particular, que todas as tarefas desenvolvidas pelo Reclamante eram controladas pela empresa, quer seja por e-mails e relatórios, quer seja, por telefonemas, o que certamente restará demonstrado através de prova testemunhal e dos documentos acostados. Inclusive, participando ativamente de reuniões e treinamentos.

Portanto, os serviços prestados pelo obreiro não eram acontecimentos esporádicos ou acidentais, tanto que a relação contratual havida entre as partes perdurou por mais de 12(doze) meses, sob regime sempre oneroso, já que o Reclamante, por se tratar de comissionista puro, era remunerado mediante o pagamento de comissões, que também é forma de pagamento de salário (art. 466 da CLT), cujo percentual era de 5% e lhe assegurava um rendimento médio de R$ 2.500,00 mensais.

Diante desse contexto, não há como deixar despercebido o nítido objetivo da Reclamada em querer

Diante desse contexto, não há como deixar despercebido o nítido objetivo da Reclamada

em querer desvirtuar a natureza jurídica da relação de emprego, o que caracteriza fraude à legislação trabalhista, nos termos do art. 9º da Consolidação das Leis do Trabalho.

Apenas a fim de demonstrar a ilicitude da sua contratação tem-se que o reclamante realizou durante o mês de Novembro/2012 treinamento na sede da reclamada e ao final a gerente de vendas selecionou os candidatos aprovados e imediatamente apresentou a documentação de vinculação ao COTRANE COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS EM VENDAS DO NORDESTE, Entretanto, a Empresa Reclamada quando da dispensa do reclamante apenas lhe informou que o mesmo estava despedido, o que por si só elide qualquer dúvida quanto sua ilicitude e consequente imprestabilidade e o real interesse da Reclamada com tais atos, não restando alternativa ao Reclamante senão recorrer à tutela jurisdicional do Estado para ver reconhecido o liame empregatício e seus consectários.

DO DIREITO

Do Vinculo Empregatício

Prevê o Art. 3º da CLT – “Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.”

Neste sentido, salutar mencionar que o Reclamante durante 13(treze) meses ininterruptos sob a nomenclatura de vendedor externo cooperativado prestou serviços a Reclamada, que, por sua vez, recompensava lhe mensalmente pelos serviços prestados valores calculados a base de 5% sobre tudo aquilo vendido, em média R$ 2.500,00/mês, + R$ 800,00 a título de ajuda de custo, os quais eram pagos através de recibos da COOPERATIVA na sede da reclamada como complemento do pagamento das comissões.

O reclamante desempenhava suas atividades com pessoalidade, isto, pois inexistia

intermediação ou participação de terceiros na concretização dos negócios, o que por si só

elucida a exclusividade e a fungibilidade dos serviços prestados.

O Autor via-se obrigado a desempenhar suas atividades em caráter exclusivo aos

requerimentos da Reclamada, chegando inclusive a representá-la na qualidade de preposto para fins de formalização de acordos de inadimplentes, como, também, participava

ativamente de reuniões e da rotina implantada pela empresa.

Via de consequência, ao Autor era exigido o envio de relatórios semanais contendo informações acerca da quantidade e, quais clientes, novos e contidos na lista enviada pela empresa, haviam sido visitados, como, também controles mantidos via telefone e demais dispositivos via e-mails. Isto, pois, a Reclamada estabelecia metas a serem alcançadas e

atribuía ao Reclamante função típica de empregado e que definitivamente não se aplicam ao cooperativado.

atribuía ao Reclamante função típica de empregado e que definitivamente não se aplicam ao cooperativado.

Relativamente à subordinação ou dependência tem-se sua demonstração na medida em que o Reclamante na verdade desempenhava a função de vendedor externo, que a fim de elidir responsabilidades trabalhistas foi orientado pela reclamada vincular-se a COTRANE COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS EM VENDAS DO NORDESTE para poder prestar os serviços de venda externa de produtos.

Sobre a prestação de serviço, na modalidade de cooperativado, vejamos Aas seguintes decisões:

COOPERATIVA. FRAUDE. VÍNCULO DE EMPREGO COM O TOMADOR DE SERVIÇOS. RECONHECIMENTO. Evidenciada a ilegalidade da contratação do trabalhador por intermédio de cooperativa, o reconhecimento de vínculo de emprego diretamente com o tomador dos serviços é medida que se impõe, conforme entendimento assente na Súmula nº 331, I, do Colendo TST.

(TRT-1 - RO: 8263820115010244 RJ , Relator: Leonardo Pacheco, Data de Julgamento: 30/04/2013, Primeira Turma, Data de Publicação: 09-05-2013)

RELAÇÃO COOPERATIVISTA. PRESSUPOSTOS. O ordenamento jurídico brasileiro contém diversos dispositivos que institucionalizam os princípios universais do cooperativismo, e enunciados pela Aliança Internacional Cooperativista e apenas ante a presença desses elementos é que se pode classificar uma relação cooperativista como autêntica. São eles: princípio da adesão livre e voluntária; da gestão democrática pelos membros; da participação econômica dos membros, da autonomia e independência; da educação, formação e informação; da intercooperação e do interesse pela comunidade.

(TRT-1 - RO: 11569820115010223 RJ , Relator: Jose Antônio Píton, Data de Julgamento: 27/11/2012, Oitava Turma, Data de Publicação:

2012-12-07)

Ausentes esses critérios, a relação não se submeterá à égide do Direito do Trabalho, pois estará caracterizada a prestação de serviços autônomos. (destaca-se)

Neste diapasão, num entendimento análogo aos dispositivos retro resta evidenciada a relação de emprego mantida entre as partes devendo por conseguinte ser tal pleito declarado para ver a Reclamada condenada ao pagamento dos consectários legais, por ser este o entendimento de nossos pretorianos Tribunais, vejamos:

Uma vez reconhecido o vínculo mantido entre as partes é devido ao Reclamante as seguintes

Uma vez reconhecido o vínculo mantido entre as partes é devido ao Reclamante as seguintes verbas:

AVISO PRÉVIO

Uma vez não tendo o Reclamante sido previamente avisado da rescisão do seu contrato de trabalho, deve a Reclamada ser condenada ao pagamento do aviso prévio no importe da remuneração média informada, ou seja, R$ 2.500,00, cabendo ainda o seu reflexo para todos os fins.

13º SALÁRIO

É devido ao Reclamante 13º Salários proporcionais e vencidos ao longo do contrato de

trabalho mantido entre as partes nos seguintes moldes;

2012 e 2014 Proporcionais.

2013 Integrais

FÉRIAS VENCIDAS EM DOBRO + 1/3 FÉRIAS PROPORCINAL 2013/2014, 03/12 AVOS.

Uma vez não tendo a empresa Reclamada concedido Férias ao Reclamante após o período

de 01 ano da sua aquisição, deve a Reclamada, considerando a repercussão do aviso prévio,

ser condenada ao pagamento em dobro das Férias do período aquisitivo de 2012/2013, e

proporcional 2013/2014 todas acrescidas do 1/3 constitucional.

DA AJUDA DE CUSTO FRAUDE.

O reclamante recebia o pagamento de parte de suas comissões a titulo de ajuda de custo,

como forma de burlar a legislação trabalhista, o INSS; FGTS e seguro desemprego, inclusive, a referida ajuda de custo era paga ao Reclamante, com assiduidade, pelo que requer o reclamante a sua integralização ao Salário para todos os fins.

FGTS + 40%

Não havendo depósitos fundiários, requer-se pela condenação da Reclamada ao pagamento do FGTS de todo o período, ante a prescrição trintenária, bem, como, a aplicação da multa

de 40% em razão da injustificada rescisão.

SEGURO DESEMPREGO

Em detrimento do reconhecimento do vínculo pleiteado, não tendo a Reclamada liberado

as

guias do SEGURO DESEMPREGO, deve-se haver condenação substitutiva a quota

de

05 parcelas para fins de Seguro Desemprego, o que se requer.

DAS MULTAS DO Art. 477 e do Art. 467.

Não havendo pagamento dos fundos rescisórios no prazo de 10 dias, previsto em lei, é devido ao Autor o equivalente ao último salário percebido, conforme preconizado no Art. 477 da CLT devendo-se ainda se imputada a Reclamada a aplicação da multa do Art. 467 na

conforme preconizado no Art. 477 da CLT devendo-se ainda se imputada a Reclamada a aplicação da
possibilidade das verbas incontroversas não serem quitadas em audiência inaugural a ser designada. DA JORNADA

possibilidade das verbas incontroversas não serem quitadas em audiência inaugural a ser designada.

DA JORNADA DE TRABALHO

O reclamante diariamente trabalhava em jornada de trabalho compreendida das 07h30min

horas às 19h30min/20h00min horas de segunda a sexta feira, com intervalo para almoço e descanso de 40(quarenta) minutos e aos sábados das 08h30min às 17h00min horas, com o mesmo intervalo.

O reclamante aos sábados visitava os proprietários de fazendas e engenhos na zona da

mata, agreste /PE, bem como, na região metropolitana do Recife/PE, de acordo com a

relação de clientes elaborada pelo reclamado.

Diante o exposto, requer o reclamante o pagamento de horas extras, em conformidade com o acima exposto, bem como, a sua incidência no aviso prévio; férias; 13º salários; repouso remunerado; FGTS + multa de 40%

DA DEVOLUÇÃO DOS DESCONTOS INDEVIDOS. INSS; TAXA COTRANE; ISS E COTA PARTE.

A reclamada efetuava descontos indevidos nos contracheques do reclamante sobre as

rubricas de INSS; COTRANE; ISS E COTAS PARTE, porém, o reclamante sempre trabalhou para a reclamada como empregado, não devendo o recolhimento do INSS ser Integral, bem como, o desconto a titulo de ISS é um absurdo, haja vista, o reclamante não ser um prestador de serviços e sim empregado do reclamado, outro absurdo é o desconto a titulo de COTRANE, com o intuito de comprovar o vinculo de cooperativado do

reclamante. Outro desconto sem nenhum fundamento é relativo a cotas partes, desconto este que o reclamante não sabe explicar a sua existência, pois, trata-se de desconto sem nenhum fundamento legal.

Diante o exposto, requer o reclamante a devolução dos descontos indevidos em seu contracheques a titulo de INSS; ISS; COTRANE e COTAS PARTE, por ser de justiça.

DA DEVOLUÇÃO DA IMPORTÂNCIA DE R$ 525,00, REFERENTE A COMPRA DO TABLET.

O reclamante, ao ser admitido na reclamada, foi obrigado a adquirir na empresa um tablet

no valor de R$ 900,00(novecentos reais) divididos em 12(doze) parcelas iguais de R$ 75,00(setenta e cinco reais), para uso no trabalho diário do reclamante.

Acontece porém, Douto Julgador, o reclamante pagou 07(sete) parcelas no importe de R$ 525,00(quinhentos e vinte e cinco reais) e ao ser demitido o reclamado recolheu o equipamento TABLET, modelo Galaxy Tab 2 7.0, marca Samsung, apesar de o reclamante haver pago 60% do valor acordado, conforme contrato de compra e venda assinado pelas partes.

Diante o exposto, requer o reclamante, a devolução do valor pago ou a entrega do

Diante o exposto, requer o reclamante, a devolução do valor pago ou a entrega do aparelho tablet modelo Galaxy Tab 2 7.0 marca Samsung, sem ônus para o reclamante.

INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL, EM FACE DA AUSÊNCIA DE ASSINATURA DA CTPS.

Nos termos do art. 13 da CLT, "a Carteira de Trabalho e Previdência Social é obrigatória para o exercício de qualquer emprego, inclusive de natureza rural, ainda que em caráter temporário, e para o exercício por conta própria de atividade profissional remunerada".

Preceitua o art. 29 do mesmo Diploma que "a Carteira de Trabalho e Previdência Social será obrigatoriamente apresentada, contra recibo pelo trabalhador ao empregador que o admitir, o qual terá o prazo de quarenta e oito horas para nela anotar, especificamente, a data de admissão, a remuneração e as condições especiais, se houver, sendo facultada a adoção de sistema manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho".

Dúvidas não pairam sobre a conduta ilegal da ré. Resta saber se tal atitude enseja o pagamento de indenização por dano moral.

A expressão "dano" denota prejuízo, destruição, subtração, ofensa, lesão à bem juridicamente tutelado, assim compreendido o conjunto de atributos patrimoniais ou morais de uma pessoa, sendo passível de materialização econômica.

O art. 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos dispõe que "todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos", devendo "agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade".

Desbravar o princípio da dignidade da pessoa humana, em face dos contornos jurídicos que envolvem a responsabilidade pela reparação, configura atividade essencial para que se compreenda o perfeito alcance do conceito de dano juridicamente relevante.

A dignidade consiste na percepção intrínseca de cada ser humano a respeito dos direitos e obrigações inerentes à convivência em sociedade, sempre sob o foco das condições existenciais mínimas para uma participação saudável e ativa nos destinos escolhidos. É indispensável atribuir à pessoa humana o direito de desenhar os contornos de sua participação na humanidade, desde que respeitadas as regras soberanas da democracia e das liberdades individuais.

"A dignidade tem inegavelmente a função de limite, tanto nas relações intersubjetivas, quanto nas relações públicas e coletivas. E tem uma função de alicerçar os direitos fundamentais. Mas não tem apenas esta função. Tem também a função de instrumentalizar o indivíduo para que tenha e exerça poder de fazer, de criar, de transformar. A dignidade, como os direitos humanos em geral, tem um componente utópico, voltado à transformação da realidade. Tem características de princípio fundante, porque informa todo o ordenamento e deve ser

observada pelo legislador e pelo intérprete do Direito. Mas é também um direito e comporta

observada pelo legislador e pelo intérprete do Direito. Mas é também um direito e comporta pretensões que podem ser judicialmente perseguidas, na perspectiva da garantia, ou do dever, encontrando expressa previsão no Direito Positivo" (Thereza Cristina Gosdal, Dignidade do trabalhador: um conceito construído sob o paradigma do trabalho decente e da honra, São Paulo: LTR, 2007, p. 49).

A realização dessas escolhas atrai outro pilar da dignidade da pessoa humana: a liberdade.

É mediante a liberdade que o homem promove suas escolhas, adota posturas, sonha, persegue projetos e concretiza opiniões. Contudo, o espectro de abrangência das liberdades individuais encontra limitação em outros direitos fundamentais, tais como a honra, a vida privada, a intimidade, a imagem.

Em uma sociedade que se pretende livre, justa e solidária (CF, art. 3º, I), incumbe ao empregador diligente, sob a premissa da dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III), promover o meio ambiente do trabalho saudável, para que o trabalhador possa executar as suas atividades com liberdade, sob a gerência da responsabilidade social.

Sobreleva notar que essas garantias, erigidas à categoria de direitos fundamentais, subsistem, no ordenamento jurídico brasileiro, como conquista da humanidade, razão pela qual auferiram proteção especial, consistente em indenização por dano moral decorrente de sua violação.

Assim dispõe o inciso V do art. 5º da Carta Magna:

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

[

]

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;"

Traduz-se, portanto, em lesão a atributos íntimos da pessoa, sobre os quais a personalidade é moldada, de modo a atingir valores juridicamente tutelados, cuja mensuração econômica envolve critérios com embasamento objetivo, em conjunto com os subjetivos, sobretudo quando não for possível aferir a extensão do dano, como, por exemplo, nos casos de dano moral a pessoas privadas de capacidade de auto compreensão.

Carlos Alberto Bittar conceitua danos morais como sendo aqueles que "se traduzem em turbações de ânimo, em reações desagradáveis, desconfortáveis, ou constrangedoras, ou outras desse nível, produzidas na esfera do lesado" (Reparação Civil por Danos Morais, 2ª Ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1993, p.31).

Mauro Vasni Paroski, em Dano Moral e sua Reparação no Direito do Trabalho, 2ª Ed.,

Mauro Vasni Paroski, em Dano Moral e sua Reparação no Direito do Trabalho, 2ª Ed., 2008, Curitiba: Juruá, p. 49, diz que "dano moral, em sentido amplo, é a lesão provocada por ato antijurídico de outrem, sem a concordância do lesado, a interesses ou bens imateriais deste, tutelados pelo Direito, ensejando compensação pecuniária".

Alexandre Agra Belmonte, por sua vez, assevera que "são danos

morais as ofensas aos atributos físicos, valorativos e psíquicos ou intelectuais da pessoa, suscetíveis de gerar padecimentos "

(Danos Morais no Direito do Trabalho, 3ª Ed., Rio de

Janeiro: Renovar, 2007, p. 94).

sentimentais

Assim, são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando-se o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação (CF, art. 5º, X). Aquele que viola direito e causa dano a outrem é obrigado a repará-lo (arts. 186, 187 e 927 do Código Civil).

Thereza Cristina Gosdal, em Dignidade do Trabalhador: um conceito construído sob o paradigma do trabalho decente e da honra, São Paulo: LTR, 2007, p. 150, afirma que "é preciso recolocar-se o trabalhador no centro do Direito do Trabalho, atribuindo a suas normas sentido e finalidade voltada para a proteção e serviço da pessoa humana. É indispensável atribuir-se ao trabalhador o direito a ser reconhecido como proprietário de sua força de trabalho e detentor de direitos fundamentais, próprios de seu pertencimento à humanidade, de sua honra".

Nesse contexto, incumbe ao empregador respeitar a consciência do trabalhador, zelando pela sua saúde mental e liberdade de trabalho, sua intimidade e vida privada, sua honra e imagem, abstendo-se de práticas que importem exposição do empregado a situações humilhantes, constrangedoras, ridículas, degradantes e vexatórias.

Este, o comando do art. 1º, III, da Carta Magna, que estampa o princípio da dignidade da pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil.

A ausência de anotação do contrato de trabalho, além de impedir o acesso do trabalhador aos benefícios previdenciários, FGTS e a outros programas governamentais, constitui obstáculo, ainda, para abertura de conta, crediário, referências e etc. Impõe sentimento de abandono, clandestinidade e marginalização, atingindo o reclamante, sua família e a sociedade.

Com efeito, a atitude patronal de ocultar a relação de emprego implica ilícito trabalhista, previdenciário, e até mesmo penal, produzindo lesões de natureza patrimonial (satisfeitas em razão da condenação) e não patrimonial, diante da perturbação da saúde mental, intimidade e vida privada, honra e imagem do trabalhador.

Na presente hipótese, não há necessidade de comprovação dos danos sofridos, porquanto esses decorrem da própria natureza da conduta patronal, restando presumíveis.

Nesse sentido, cito o seguinte precedente desta Corte: "RECURSO DE REVISTA. DANO MORAL. AUSÊNCIA DE

Nesse sentido, cito o seguinte precedente desta Corte:

"RECURSO DE REVISTA. DANO MORAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DANO (alegação de violação dos artigos 1º, III e 5º, V e X da CF/88 e divergência jurisprudencial). O dano moral pode ser definido como lesão à -esfera personalíssima da pessoa- ou, para citar o Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, pode ser conceituado como -violação do direito à dignidade humana-. Há possibilidade de que ele se evidencie no -desprestígio-, -na desconsideração social-, -no descrédito à reputação- e -na humilhação pública- do indivíduo. Mas a existência do dano moral fica configurada quando ele é presumível, ou seja, quando, em face da ocorrência de determinado fato ofensivo, o sofrimento íntimo (dano/prejuízo moral) é esperado, provável, razoavelmente deduzido. Sendo assim, sua existência decorre de uma presunção hominis, é fruto da intuição de qualquer um que, exercitando a capacidade de empatia e munido de certa imaginação, tenta colocar-se no lugar daquele que foi ofendido em sua dignidade, para assim concluir pela possibilidade de sofrimento psíquico. Essa presunção acerca da existência (ou não) do dano moral, em razão de algum acontecimento danoso, somente é possível, porque os indivíduos, a par de todas as suas particularidades e idiossincrasias (que é o que os tornam indivíduos), partilham da mesma condição humana e, em última análise, quase sempre sofrem (em maior ou menor grau) pelos mesmos motivos. A 'prova' do dano moral, portanto, é a existência do próprio fato danoso - a partir do qual se presume sua existência. Recurso de revista conhecido e provido." (RR-21400- 53.2005.5.05.0027, 2ª Turma, Relator Ministro Renato de Lacerda Paiva, DEJT de 13.4.2012).

Dessa forma, diante da presença dos requisitos ensejadores do dever de indenizar, requer o autor, a condenação da reclamada ao pagamento de indenização por dano moral.

DOS PEDIDOS

Requer-se:

a) A Notificação da Reclamada para querendo apresente contestação aos termos da inicial, sob pena de serem-lhe aplicados os efeitos da Revelia;

b) A procedência da presente ação para reconhecer o vínculo de emprego mantido entre as partes e seus consectários;

c) O reconhecimento da remuneração percebida tomando por base média apresentada, ante a remuneração de 5% a título de comissão;

d) A descaracterização do contrato de cooperativado mantido entre as partes, em razão da fraude

d) A descaracterização do contrato de cooperativado mantido entre as partes, em razão da fraude cometida pelo reclamado na admissão do reclamante;

e) A Integralização da ajuda de custo ao salário e suas repercussões;

f) Aviso prévio;

g) Férias vencidas do período aquisitivo de 2012/2013, acrescidas de 1/3;

h) Férias proporcionais 2013/2014, 03/12 avos, acrescido do 1/3;

i) FGTS de todo o período trabalhado;

j) Multa de 40% sobre saldo do FGTS;

k) 13º Salário Vencido 2013;

l) 13º Salário Proporcional 2012 e 2014 considerando o aviso prévio;

m) Indenização substitutiva do Seguro Desemprego em 05 quotas;

n) Devolução do valor de R$ 525,00, referente a compra do tablete;

o) Devolução dos descontos indevidos em seus contracheques, INSS; Taxa COTRANE; Cotas Parte; ISS;

p) Multa Art. 477;

q) Multa Art. 467

r) Juros e Correção monetária;

s) Honorários Advocatícios 20%;

t) Assinatura e baixa da CTPS do autor, com data de admissão em 04/12/2012 e demissão em 06/01/2014.

u) Indenização por Danos Morais, em decorrência da não assinatura da CTPS, a ser arbitrado por Vossa Excelência.

v) Concessão dos benefícios da justiça gratuita ao reclamante, tendo em vista não reunir condições de suportar custas e despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento, sob as penas da lei.

Protesta-se por todos os meios de provas em direito admitidas, especialmente ouvida de testemunhas e provas documentais.

Dá-se a causa o valor de R$ 50,000,00(cinquenta mil reais).

NESTES TERMOS PEDE DEFERIMENTO

Recife, 10 de abril de 2014.

FILIPE CÂMARA LINS E MELO OAB/PE. 34882

WILTON GARRET OAB/PE 24.318