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ECONOMIA Elementos Gerais e Conceituais Professor Econ. José Luiz Miranda (Organização)

ECONOMIA

Elementos Gerais e Conceituais

Professor Econ. José Luiz Miranda (Organização)

ECONOMIA - Elementos Gerais e Conceituais

JOSÉ LUIZ MIRANDA Economista. Mestre em Políticas Públicas. Especialista em Análise de Investimentos; Gestão em Serviços e Gestão Empresarial. Possui qualificações complementares:

Project Finance e Gerenciamento Estratégico. É Gerente aposentado da Caixa Econômica Federal onde atuou junto ao Governo Federal em projetos relacionados à Reestruturação da Dívida Pública da União (1994 a 2001) e à Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional - PROER (1995/1996) ambos decorrentes da implantação do Plano de Estabilização Monetária (Plano Real). É Consultor, Professor Universitário e Conselheiro do Conselho Regional de Economia- 18 ª Região.

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SUMÁRIO

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

 

5

INTRODUÇÃO

 

7

2.

SOCIEDADE: SISTEMAS POLÍTICO, JURÍDICO E ECONÔMICO.

 

11

3. NECESSIDADES INDIVIDUAIS, MOTIVAÇÕES E DEMANDAS SOCIAIS.

23

4.

CONTEXTUALIZAÇÃO DA ECONOMIA E SUAS VERTENTES

 

29

5.

O SIGNIFICADO DE UM SISTEMA ECONÔMICO PARA UM PAÍS

32

6.

A ESTRUTURA BÁSICA DE UM SISTEMA ECONÕMICO

 

36

7.

SISTEMA ECONÕMICO: CONCEITO DE AGENTES ECONÔMICOS

39

8.

SISTEMA ECONÔMICO: CONCEITO DE ATIVIDADES ECONÔMICAS.

43

9.

SISTEMA ECONÕMICO: SEGMENTO DE FATORES DE PRODUÇÃO

45

10.

SISTEMA ECONÔMICO: SEGMENTO OU SISTEMA

 

60

11.

SISTEMA ECONÔMICO: SEGMENTO DE BENS E SERVIÇOS

68

12.

SISTEMA ECONÔMICO: CONCEITO DE INVESTIMENTOS

73

13.

SISTEMA ECONÔMICO: CONCEITO DA DINÂMICA DA ECONOMIA

76

14.

CONCEITO DE RENDA, CONSUMO E POUPANÇA.

 

76

15.

CONCEITO E ESTRUTURAS DE MERCADO

 

84

16.

CONCEITO

DE

OFERTA

AGREGADA;

DEMANDA

AGREGADA,

88

INFLAÇÃO E RECESSÃO.

 

17. NOÇÕES DE POLÍTICA ECONÔMICA

 

91

18. NOÇÕES DE CONTABILIDADE SOCIAL, PRODUTO INTERNO BRUTO

95

(PIB) E PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB).

 

19. BALANÇO DE PAGAMENTOS

 

98

20. ECONOMIA INTERNACIONAL E AS VANTAGENS COMPARATIVAS

101

21. TAXA DE CÂMBIO E INFLUÊNCIA NO COMÉRCIO INTERNACIONAL

104

22. POLÍTICA COMERCIAL EXTERNA E ORGANISMOS INTERNACIONAIS

107

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TEXTOS COMPLEMENTARES Estudo e Discussão

109

ORIENTAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DE UMA RESENHA CRÍTICA

134

BIBLIOGRAFIA

138

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1

Processo Dialético

8

Figura 2

Processo de Tomada de Decisão

10

Figura 3

Sociedade: Interelacionamento entre os Sistemas Político, Jurídico e

13

Figura 4

Econômico. Importantes sistemas em uma sociedade - Sistema Político

15

Figura 5

Importantes sistemas em uma sociedade - Sistema Jurídico

19

Figura 6

Importantes sistemas em uma sociedade - Sistema Econômico

21

Figura 6-A

Importantes sistemas em uma sociedade Processo Dialético

22

Figura 7

Fatores de Influência em uma Sociedade

23

Figura 7A

Pirâmide de Maslow

25

Figura 7B

Relações Econômicas vinculadas às Demandas Sociais

28

Figura 8

Economia e suas Vertentes

31

Figura 9

Sistemas Político, Jurídico e Econômico.

32

Figura 10

Nível de Sofisticação do Processo de Geração e Formas da

33

Figura 11

Participação do Estado na Economia Principais Correntes Ideológicas acerca da Participação do Estado

35

Figura 12

na Economia Segmentos Básicos de um Sistema Econômico

37

Figura 13

Estrutura Básica de um Sistema Econômico

38

Figura 14

Agentes Econômicos do Setor Público

40

Figura 15

Agentes Econômicos do Setor Privado

42

Figura 16

Classificação das Atividades Econômicas

44

Figura 17

Sistema Econômico: Segmento de Fatores de Produção

45

Figura 18

Recursos Naturais: Abrangência e Tipologia

46

Figura 19

Insumos ou Matérias Primas

48

Figura 20

Infraestrutura Econômica e Infraestrutura Social

50

Figura 21

Bens de Capital e Tecnologia

51

Figura 22

Resumo de atributos relacionados à Tecnologia

52

Figura 22 A

Exemplos de Ações Estratégicas relacionadas à Tecnologia

54

Figura 22 - B

Resultados esperados a partir das ações estratégicas (

)

54

Figura 23

Recursos Humanos ou Capital Humano

56

Figura 24

População Economicamente Ativa - PEA

56

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Figura 25

População Economicamente Ativa 1999 a 2004

Concorrência Perfeita

58

Figura 25-A

Determinação do índice de Desemprego no Brasil

59

Figura 25-B

PEA; PIA; Pessoal Ocupado e Desocupado 2009 e 2010.

59

Figura 26

Dimensionamento das Fontes de Recursos Financeiros

61

Figura 26-A

Intermediação de Recursos Financeiros

64

Figura 27

Exemplo simples de um Spread Bancário

65

Figura 28

Subdivisão do Sistema Financeiro no Brasil

67

Figura 29

Processo de Geração de Bens e Serviços

68

Figura 30

Sistema Econômico: Segmento de Bens e Serviços

69

Figura 31

Segmento de Bens e Serviços: Classificação dos Bens

71

Figura 32

Segmento de Bens e Serviços: Classificação dos Serviços

72

Figura 33

Decisão de Investimento

73

Figura 34

Problema Central da Economia

77

Figura 35

Exemplo de Renda ou Receita das Empresas

79

Figura 36

Exemplos de Renda de Pessoas Físicas Assalariadas e não

79

Figura 37

Exemplo de Renda do Governo

80

Figura 38

Relação gráfica entre Consumo e Poupança

81

Figura 39

Poupança: Setor Público, Setor Privado e Nacional.

82

Figura 40

Formação de Poupança

83

Figura 41

Sistema Econômico: Segmento e Mercados

84

Figura 42

Estruturas de Mercado e Variação de preços no Mercado de

85

Figura 43

Oferta Agregada, Demanda Agregada, Inflação e Recessão.

89

Figura 44

Objetivos da Política Econômica

91

Figura 45

Produto Interno Bruto e PIB Per Capta

97

Figura 46

Balanço de Pagamentos: 2004 a 2010

100

Figura 47

Principais Produtos Exportados

102

Figura 48

Destino dos principais produtos exportados

102

Figura 49

Exemplo da Influência da Taxa de Câmbio no Preço Internacional

105

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INTRODUÇÃO

A dialética tem sido utilizada com relativa freqüência na formação de idéias e argumentos em diversos trabalhos acadêmicos e não acadêmicos, muito embora poucos tenham uma exata noção da forma como o termo veio sendo construído desde a antiguidade clássica. André Vergez (1984), apresenta uma pequena sinopse sobre a formação do conceito. De acordo com Vergez:

Para Zenon de Eléia, a dialética era entendida como a construção de argumentos dialogados para fundamentar a doutrina da mobilidade do ser e das idéias. Sócrates, por sua vez, subdividia a dialética em ironia e maiêutica; na ironia ou refutação da pseudociência procurava confundir o interlocutor acerca do conhecimento que este tinha das coisas induzindo-o, posteriormente, a penetrar em novas idéias; afirmava que o seu método consistia em parir idéias à semelhança de uma mulher que pari crianças. Platão, no entanto, já concebia a dialética como o movimento do espírito que marcha para a verdade, movimento simbolizado na célebre alegoria da caverna . Já no entendimento de Aristóteles, a dialética pertencia às ciências poéticas e não à lógica. Em oposição a Aristóteles, os Estóicos defendiam que a dialética fazia parte da lógica, pois é a ciência do verdadeiro e do falso ou nem um nem outro. Na Idade Média, a dialética constituía com a gramática e a retórica, o Trivium. O movimento renascentista, que da origem à Idade Moderna, depreciou a dialética por considerá-la sem sentido racional. Esse sentido depreciativo permaneceu em Kant; para ele a lógica das aparências e reguladora das idéias não pode ser explanada pela via científica. Finalmente para Hegel, a dialética passou a ser tratada como uma função essencial na teoria do conhecimento assumindo, assim, uma conotação moderna na qual são incorporados partes dos pensamentos de Heráclito, Aristóteles, Descartes, Kant, Espinosa, Fichte e Schelling (História dos Filósofos, 1984, p. 281). Hegel , que é considerado como um dos pensadores mais brilhantes e de difícil entendimento da história da filosofia, defendia a idéia de que o mundo não é uma coleção de unidades autônomas, de átomos e de almas com existências independentes.Nada, segundo ele, é completamente independente e subsistente, a não ser o todo e este, em sua complexidade, recebe a denominação de um absoluto que se sujeita a uma dinamicidade natural proveniente de uma lei interna. Na defesa do seu pensamento Hegel estabelecia que a dialética subdividia-se em quatro elementos fundamentais que eram denominados respectivamente de Tese, Antítese, Síntese e Nova Tese. A Tese significa aquilo que é, ou seja, uma situação predominante. A Antítese é o não ser ou aquilo que ainda não é, sendo uma oposição à situação predominante. Na contradição entre tese e antítese surge a Síntese, que é uma situação transitória para uma nova realidade que tenderá a se transformar em uma nova tese. Na linha do pensamento de Hegel, esse raciocínio é aplicado tanto à

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aquisição de conhecimento quanto à explicação dos processos históricos e políticos. Para ele, a verdadeira ciência do pensamento coincide com a ciência do ser. Com referência no pensamento de Hegel, que tem sido reinterpretado por vários pensadores mais recentes, é possível se afirmar que História da Civilização Humana se sustenta em um contínuo e permanente processo dialético, que pode ser é expresso pelos movimentos culturais e políticos decorrentes de uma dinâmica interpretação do universo e do contexto social. Esse processo provocou a transformação dos usos, costumes e valores da sociedade permitindo que os dispersos agrupamentos humanos, induzidos por suas contradições e questionamentos da realidade, abandonassem as suas cavernas e se transformasse na moderna sociedade contemporânea da informação, esta, também, submetida ao seu próprio processo dialético. Sob essa ótica, a interpretação do mundo, dos fatos históricos, políticos e econômicos, e das próprias idéias obedecem à percepção da existência de um universo em permanente movimento. A Figura 1 representa resumidamente esse processo.

A Figura 1 representa resumidamente esse processo. Professor José Luiz Miranda (ORG) Blog

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Nesse processo dialético, a educação sempre teve a missão de tornar possível aos indivíduos desenvolverem as suas capacidades e aptidões pelo acesso aos diversos campos do conhecimento. A educação, portanto, não ficou restrita ao espaço físico das instituições de ensino ou das academias; alimentou-se continuadamente da própria sociedade, onde as tendências de pensamento e de interpretação de fatos se tornaram um campo fértil ao processo educacional. Essa dinâmica deve ser percebida pelo educador na sua missão de ensinar, pois, ao submeter temas presentes no cotidiano ao ambiente acadêmico de discussões e análise, contribui para que os seus educandos desenvolvam as suas aptidões e seus questionamentos como agentes no próprio processo dialético da sociedade. Não se trata, aqui de estudar a dialética em suas diversas interpretações, mas se perceber que essa dinâmica induz transformações e formas diferenciadas de se ver o universo, o que atinge imensuradamente diversos segmentos das ciências tradicionais. Isto possibilita o surgimento de novos campos de estudo em diversas áreas do conhecimento que estão induzindo a revisão de vários paradigmas que poderiam ser considerados como consolidados. Contudo, em contrapartida, se permite ter uma visão de mundo mais diferenciada do que aquela que tinham os pensadores clássicos; não que estes tivessem uma visão limitada da realidade do seu tempo, apenas não dispunham de instrumentos que hoje se encontram disponíveis para que os atuais pesquisadores possam realizar os seus estudos e experimentos em um contexto de grande dinamicidade. Nesse cenário de contínuas transformações da sociedade um dos temas que tem obtido relevância no campo das grandes discussões é a questão do estudo da Economia em face da sua influência na sociedade contemporânea. Esta, muito embora não detenha um domínio amplo das bases teóricas da ciência em suas diversas linhas de pensamento, tem demonstrado um interesse cada vez mais acentuado pela economia. A cobertura econômica tem ocupado grandes espaços na imprensa nacional e internacional. Basta se folhear um diário de qualquer país, ouvir uma emissora de rádio, assistir a um canal de televisão ou acessar a Internet, para se observar que os assuntos de natureza econômica se fazem presentes adquirindo um destaque significativo. A difusão de informações tende a se interagir com o mundo dos negócios, com as decisões pessoais, empresariais e de governo, notadamente em uma ambiente competitivo, de grandes demandas sociais e de incertezas várias, mas que, através dos tempos vem permitindo a sobrevivência da espécie humana. Segundo Basile (Elementos do Jornalismo Econômico, 2002, p.4), essa sobrevivência só foi possível porque a espécie humana conseguiu não só acumular conhecimentos, mas, sobretudo, foi invulgarmente bem sucedida em transmitir os conhecimentos aprendidos para cada geração seguinte, fornecendo as bases para a tomada de decisão. A tomada de decisão é caracterizada como uma ação

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racional realizada no presente no sentido de gerar benefícios para o futuro, podendo atingir os planos econômico, financeiro, social, político ou pessoal, dependendo do objetivo proposto ou traçado. No Artigo “Jornalismo e Ambiente Econômico Competitivo (2002)” o Professor Hélio Schuch da Universidade Federal de Santa Catarina afirma que: Decidir é praticar uma ação racional no presente que terá como conseqüência um resultado no futuro que se constitui no aperfeiçoamento de uma relação aparentemente simples, mas que na verdade é complexa a relação custo/ benefício. Ressalta ainda que, a importância da tomada de decisão está no futuro e que para decidir são processadas informações já conhecidas e procuradas informações desconhecidas das formas mais diversas a fim de minimizar os riscos e as incertezas. A Figura 2 apresenta um diagrama que busca demonstrar o processo da tomada de decisão.

que busca demonstrar o processo da tomada de decisão. Ainda no mesmo artigo o Professor destaca

Ainda no mesmo artigo o Professor destaca que a informação para a tomada de decisão é classificada em dois grandes grupos: a informação documentada e a informação não A informação documentada é aquela acessível por diversos meios de divulgação e amplamente difundida pelos meios de comunicação. Por outro lado, a informação não documentada é aquela decorrente das experiências vivenciadas ou adquiridas pelo processo de absorção de outras informações, sujeita ao espírito crítico que é decorrente da própria dinâmica da vida. Nesse contexto, no papel de subsídio à tomada de decisão, a matéria jornalística deve ter utilidade, oportunidade, precisão, abrangência e consistência que, no seu conjunto, vai gerar a credibilidade, quesito imprescindível na vida de qualquer profissional.

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2. A SOCIEDADE: SISTEMAS POLÍTICO, JURÍDICO E ECONÔMICO. A sociedade ou organização social, campo de estudo da Sociologia e outras ciências afins, se caracteriza como um espaço dinâmico para a realização de variados tipos e formas de relacionamento com objetivos diversificados. Esse espaço tem sido objeto de estudos epistemológicos de diversos pensadores clássicos e contemporâneos. Conceitualmente a epistemologia constitui-se no estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados obtidos pelas ciências já constituídas visando à identificação dos fundamentos lógicos, seu valor e alcance do objetivo a que se propõe alcançar. Nesse aspecto alguns pensadores podem ser citados na longa trajetória de estudo da sociedade ou organização social. Augusto Conte, em sua obra Sistema da Política Positivista (1852), que sintetiza o pensamento positivista de forte influência no Século 19, defende que a Sociologia deve ser compreendida como a ciência da sociedade humana relacionada ao comportamento prático do homem com referência três esferas: A necessidade de uma autoridade absoluta de cunho centralizador, a necessidade da lei como norma de conduta e a ciência aplicada à indústria como determinante do comportamento humano. Karl Marx, em sua obra Para a Crítica da Economia Política (1859,) tendo como pano de fundo a filosofia clássica alemã, a Economia política inglesa e o socialismo francês, inicia a elaboração de um sistema de idéias que deu origem ao Marxismo, cuja doutrina econômica não pode ser compreendida sem o conhecimento da sua fundamentação filosófica.Adepto do materialismo filosófico Marx preconizou que o indivíduo não deveria ser visto de forma abstrata e sim como conjunto das relações sociais como fins de transformação do mundo. Em relação à sua principal obra, O Capital, apenas o primeiro volume (1867) foi publicado em vida e os dois seguintes publicados posteriormente à sua morte respectivamente em 1885 e 1894. Emile Durkheim, respectivamente em suas obras Da Divisão do Trabalho Social (1893) e Regras do Método Sociológico (1895), preconiza a utilização dos métodos científicos para o estudo das relações humanas e dos fatos sociais enfatizando que, para ser considerados como científicos, os estudos sociológicos devem submeter os fatos sociais aos métodos da observação, da comparação e da experimentação, semelhante aos procedimentos adotados por outras áreas do conhecimento mantendo, contudo a perspectiva objetiva de neutralidade do pesquisador. Segundo os críticos dessa tese, o indivíduo nada vale, pois ele é apenas o substrato, a matéria-prima, a fração e o resíduo de uma estrutura funcional maior. Max Weber, para considerado como um dos maiores sociólogos do Século 20, em sua obra Economia e Sociedade (1921) relacionou o desenvolvimento do capitalismo com o protestantismo, idéia exposta em sua obra anterior A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904). Nessa obra

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o autor busca vincular a economia capitalista ao conteúdo doutrinal do protestantismo caracterizando- se este por uma racionalidade específica como vocação gerada pelo Calvinismo. De acordo com o seu conceito, a ação econômica capitalista é aquela que se baseia na expectativa do lucro através da utilização de oportunidades de troca buscando se alcançar algum benefício o que tenderia a dinamizar o conjunto da sociedade a partir das ações de cada indivíduo. Como objeto de estudo da Sociologia e pautada na teoria diversos pensadores a sociedade ou organização social, em um sentido geral, pode ser na definida como um agrupamento indivíduos e de instituições estruturados sob uma hierarquia de valores, de tradições e de elementos de ordem histórica e cultural de onde se origina a interação social que é base de toda a vida em sociedade. Através da interação, os membros de um grupo repartem atividades e se inter-relacionam provocando ações recíprocas e interdependentes. Ao se interagirem os membros de uma sociedade não se vêem apenas como objetos físicos, mas como indivíduos dotados de atitudes, expectativas de comportamento, sentimentos e capacidade de estabelecer juízos de valor. A ação de cada indivíduo tem como base as suas próprias atitudes e expectativas quanto ao comportamento de outro indivíduo no contexto social em suas prováveis reações ou respostas. Para cada indivíduo, o sentido de uma ação reside parte em si mesmo e parte na contínua verificação do reflexo que a sua ação tem sobre outros indivíduos com quem interage buscando, assim, imaginar as possíveis respostas advindas de suas diferentes ações podendo implicar na necessidade de modificações de comportamento em face do contexto relacional e na busca de se obter uma resposta satisfatória para os seus anseios. Nesse ínterim, a sociedade pode ser definida como um conjunto de sistemas inter-relacionados e organizados dentro de uma estrutura autônoma e com objetivos determinados, porém, influenciados por uma hierarquia de valores, de tradições e de elementos de ordem histórica e cultural. Dentre vários, em uma sociedade podem ser identificados três importantes sistemas denominados respectivamente de Sistema Político, Sistema Jurídico e Sistema Econômico, cada um com a sua missão própria, mas em permanente interação sob a égide de um processo dialético, conforme apresentado no diagrama da Figura 3.

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ECONOMIA - Elementos Gerais e Conceituais 2.1 O Sistema Político Muito embora não se constitua o

2.1 O Sistema Político Muito embora não se constitua o objeto de uma abordagem aprofundada neste trabalho, pode se afirmar que o fenômeno político praticamente se confunde com a História da Humanidade, ou seja, desde a formação dos primeiros agrupamentos humanos organizados com estabelecimento de hierarquias de valores e eleição da figura de um líder. Sob a influência de diversos pensadores e formulações doutrinárias, esse fenômeno evoluiu gradativamente permitindo-se afirmar que, sob a ótica contemporânea, a Ciência Política tem a missão de estudar as diversas formas de organização do poder político, bem como a sua dinâmica, a estrutura das suas instituições e os seus objetivos, em uma estreita vinculação com outros campos do conhecimento humano, especialmente com a filosofia, com história e com a economia. Para um estudo sistematizado das diversas doutrinas que influenciaram a Ciência Política a leitura das obras de pensadores que influenciaram a evolução do pensamento político ocidental desde a antiguidade 1 se torna relevante para se compreender os fenômenos que se apresentam nos dias atuais,

1 Entre os diversos autores que se encarregaram dos estudos relacionados à política podem ser consultados os escritos de Platão (A República), Aristóteles (Organon), Santo Agostinho (Cidade de Deus) , Maquiavel ( O Príncipe), Tomas Morus (Utopia), Thomas Hobbes (Leviatã), Montesquieu (Espírito das Leis), Rousseau (Contrato Social), Marx ( O Capital), Max Weber (Economia e sociedade).

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as suas causas e conseqüências. No entanto, qualquer análise que se faça torna-se relevante um conhecimento da estrutura das instituições a que se referem, uma vez que as doutrinas representam formulações teóricas das instituições vigentes no cenário de formulação. Na atualidade, a Ciência Política abrange um amplo campo de estudos e de formulações científicas próprias entre as quais aquelas voltadas ao poder, ao Estado, à sociedade, à estrutura de poder, à cidadania, à representação político-partidária, às políticas públicas, à cidadania, possuindo algumas outras derivações como política internacional, equilíbrio de poder e Economia Política. No que tange à Economia Política, muito embora um consenso ainda não seja estabelecido, esta parte da premissa de que, se a economia tem um caráter comportamental, as decisões de ordem política tendem a influenciar de forma significativa o processo produtivo e o equilíbrio econômico. Assim, no âmbito da sociedade, o Sistema Político representa o espaço onde os indivíduos e as instituições coordenam as suas ações na busca da satisfação dos seus interesses a partir da manutenção de uma complexa rede de relacionamentos explícitos, recíprocos e interdependentes. Neste são desenvolvidas as diversas negociações visando à satisfação dos interesses individuais, mas que, pela sua própria dinâmica, tende a atender o conjunto da sociedade pelo estabelecimento de regras e princípios de ordenamento compulsório definidores de parâmetros de conduta. É nesse sistema em que ocorrem as variadas negociações, as deliberações de ordem política, a exemplo do estabelecimento de marcos regulatórios, entre outras situações, que tendem a propiciar a promulgação de leis que vão nortear as ações dos indivíduos e das organizações. O diagrama constante da Figura 4 busca apresentar um retrato desse sistema.

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ECONOMIA - Elementos Gerais e Conceituais 2.2 O Sistema Jurídico Sistema Jurídico representa as leis e

2.2 O Sistema Jurídico Sistema Jurídico representa as leis e regulamentos de ordenamento compulsório que estabelecem os direitos e obrigações dos indivíduos e das organizações em nível da sociedade. Para compreensão do processo econômico, em um sentido amplo, o conhecimento básico do Direito e a percepção da sua interação com a Economia se constituem em um dos elementos essenciais para se avaliar os limites e condições de atuação dos agentes econômicos no contexto de uma sociedade. Esse relacionamento objeto de estudo por vários pensadores e teóricos dentre os quais Marx (Crítica da Economia Política, 1859), Max Weber (A Ética e o Espírito do Capitalismo, 1928) e Rodolf Stammer (Economia e Direito, segundo a concepção materialista da História, 1929). No Brasil, esse conhecimento se torna mais relevante em um cenário de grandes transformações sociais no qual são desenvolvidas políticas públicas que gradativamente eliminam desajustes estruturais históricos criando as bases necessárias para uma ampla renovação de conceitos e valores alicerçada nos princípios da cidadania, do respeito mútuo e da garantia institucional e jurídica. Essas ações conjugadas permitem que País possa assinalar a sua presença qualitativa no palco internacional. A História do Direito nos mostra que, através dos tempos, a diversidade das relações humanas tornou necessária que as civilizações concebessem um conjunto de regras e princípios, cuja validade foi imposta e aceita como condição de sobrevivência social. Esse ordenamento compulsório que

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constitui a base do direito em seu sentido objetivo foi se estabelecendo em uma lenta e gradativa evolução desde os tempos mais remotos da História da Humanidade sendo, nessa trajetória, o Direito Romano, um dos maiores legados deixados pelas civilizações da antiguidade e que influenciou a formação de diversos sistemas jurídicos contemporâneos. É com base nos princípios de concepção do Direito Romano que se molda o Sistema Jurídico Brasileiro e de onde surge a definição primária do significado do Direito Positivo. O Direito Positivo é, na sua essência, um conjunto de normas jurídicas que são estabelecidas objetivamente pelo poder político, com base nos usos, costumes e valores, para regulação da convivência dos indivíduos e das instituições em sociedade definindo garantias e obrigações, podendo a sua abrangência ser de nível nacional ou de nível internacional. Quando o conjunto de normas jurídicas for aplicável apenas a uma nação em seu limite territorial, caracteriza-se o Direito Nacional. Em contraposição, se o conjunto de normas jurídicas for aplicável a mais de uma nação, caracteriza-se o Direito Internacional. Tanto em caráter nacional como em caráter internacional, as normas jurídicas vão se subdividir em Direito Público e em Direito Privado.

a) Direito Público

No campo do Direito Público, são estabelecidas as regras que disciplinam as relações de Estado, a sua estrutura funcional, a forma de governo, a distribuição de poderes, além de matérias de interesse

geral da sociedade. Pertencem ao âmbito do Direito Público O Direito Constitucional, o Direito Administrativo, o Direito Penal, o Direito Financeiro e Tributário, e o Direito Econômico. O Direito Constitucional trata da própria estrutura orgânica do Estado, sua posição estática e de onde derivam as leis gerais. O Direito Administrativo trata da dinâmica do Estado. O Direito Penal trata da prevenção e repressão da criminalidade. O Direito Financeiro e Tributário trata da organização das finanças do Estado. O Direito Econômico trata da atuação do Estado enquanto regulador das atividades econômicas.

b) Direito Privado

No campo do Direito Privado são estabelecidas as regras de atuação e de relacionamento entre os indivíduos pessoas físicas e pessoas jurídicas que buscam atender os seus interesses e satisfazer as

suas necessidades que são induzidas pelas motivações, promovendo e garantindo segurança jurídica. Estão no âmbito do Direito Privado Direito Civil, Direito Comercial, Direito do Trabalho pois regulamentam as atividades normais do cidadão em relação a outros cidadãos e em relação às instituições, quer nos atos da vida civil (Direito Civil), quer nos atos da vida comercial (Direito Comercial) ou quer nos atos das relações de trabalho (Direito do Trabalho).

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Apesar de teses em contrário, a inclusão do Direito do Trabalho no campo do Direito Privado decorre do fato de que as negociações trabalhistas não são públicas e sim privadas, sendo conduzidas por sindicatos, que são organizações não estatais. c) O Direito Internacional As normas do Direito Positivo que existem no mundo não são universais e nem são perpétuas. São particulares e têm seus limites territoriais, históricos, políticos e culturais, divergindo, em alguns casos, de uma sociedade para outra sociedade para um mesmo fato social semelhante, surgindo, assim, a dúvida sobre como disciplinar uma situação conflitante. É nesse contexto é que se destaca o Direito Internacional com o objetivo buscar soluções para o conflito interpretativo das leis para um mesmo fato em conexão, promovendo o intercâmbio através de vários Direitos Positivos autônomos, assegurando a garantia jurídica para indivíduos e instituições que transitam ou se relacionam com países de história, cultura e até religiões diferentes. A partir da década de 1980 o Direito Internacional adquire uma relevância significativa. É quando um cenário de grandes transformações e ampla internacionalização das relações políticas, econômicas e sociais, e onde as fronteiras geográficas tradicionais cedem espaço para a formação de grandes blocos políticos e econômicos. É quando ocorre um processo cada vez mais acentuado de integração mundial com a intensificação do movimento de pessoas, mercadorias e a circulação de capitais. O Direito Internacional em associação com Direito Nacional, vai permitir que um país possa fornecer e dispor de garantias institucionais e segurança jurídica nas suas relações sociais, políticas e econômicas com outros países. O Direito Internacional, também se subdivide em Direito internacional Público e Direito Internacional Privado. Por exemplo, um conflito de fronteiras entre países, a formulação de tratado de extradição por crimes cometidos ou tratamento desigual dado a cidadãos de um país em outro país suscita questões afetas ao Direito Internacional Público, pois envolve os Estados na sua função natural e de soberania. Contudo, o inventário de uma pessoa falecida que deixa bens em vários países ou uma empresa que formula um contrato para o fornecimento de bens e serviços com vários países suscita questões afetas ao Direito Internacional Privado. Isto ocorre em função de que, neste exemplo, não se trata de interesses dos Estados nos quais essas relações acontecem, mas interesses dos indivíduos e empresas envolvidos, embora seja possível haver certo envolvimento político dos governos no sentido de equalizar as divergências, desde que não venha ferir a norma jurídica internacional.

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d) Direito Constitucional

O Direito Constitucional ou Constitucionalismo relaciona-se com a lei fundamental de um país,

que é Constituição ou Carta-Magna, instrumento no qual são estabelecidos a forma de organização do estado, o regime de governo e suas atribuições, bem como os parâmetros gerais necessários à proteção dos direitos e das garantias individuais neutralizando, assim, os riscos da insegurança jurídica e institucional. É da Constituição que se vão se derivar as demais leis da sociedade, além de se possibilitar a revisitação das leis existentes até a data da sua promulgação no sentido de adequá-las ao novo dispositivo. No Brasil, a Constituição de 1988, em razão enfatizar aspectos sociais e de cidadania, permitiu

que o Direito constitucional adquirisse uma nova dimensão em sua prática jurisprudencial passando o estudo, a interpretação e o reconhecimento da força normativa da Constituição, ser uma prática recorrente em face do acelerado processo de transformações sociais e políticas porque passa o País, redefinindo o seu papel na ordem jurídica brasileira no papel das relações públicas e privadas.

A Constituição Brasileira, pela sua abrangência e pela diversidade de temas abordados desde as

garantias fundamentais do cidadão até a ordem econômica e financeira, proteção ao meio ambiente, segurança pública, entre outros temas de importância política e social permitiu a derivação de vários estatutos que permitem a regulação de ações em um processo dinâmico de grandes transformações

sociais, políticas, e culturais dentre os quais o Estatuto da Infância e Adolescência, o Estatuto do Armamento, o Estatuto do Idoso, o Estatuto de Defesa do Consumidor, entre outras inserções.

A Constituição assume um papel de não ser apenas um sistema em si mesmo com a sua

ordem, unidade e harmonia mas também um modo de olhar e interpretar todos os demais ramos do Direito. Este fenômeno consiste em que toda a ordem jurídica deve ser lida e apreendida sob a luz da Constituição, de modo a realizar os valores nela consagrados. O Direito Constitucional não identifica

apenas a inclusão na Lei Maior de normas próprias de outros domínios, mas, sobretudo, a reinterpretação de seus institutos sob o ponto de vista constitucional. No Brasil, a ordem econômica e financeira é objeto do Titulo VII da Constituição Federal que, por sua vez, é subdividido em quatro capítulos específico com seguinte direcionamento:

- Princípios Gerais da Atividade Econômica (Artºs 170 a 181);

Capítulo I

Política Urbana (Artºs 182 e 183);

Capítulo II

Capítulo III Política Agrícola, Fundiária e de Reforma Agrária (Artºs 184 a 191);

Capítulo IV Sistema Financeiro Nacional (Artºs 192).

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Se comparado ao texto original de 1988, algumas dessas disposições atualmente incorporam alterações redacionais provenientes de Emendas Constitucionais realizadas desde a sua promulgação. e) A Hierarquia das leis Outro aspecto importante do Direito, que tende a influenciar a ação dos agentes econômicos, é a hierarquia das leis ou uma ordem preferencial de importância baseada no pressuposto de que as leis variam conforme a natureza da matéria de que se tratam. No Brasil, a hierarquia das leis obedece a seguinte seqüência: Leis Constitucionais Federais, Leis Complementares, Leis Ordinárias Federais, Leis Constitucionais Estaduais, Leis Ordinárias Estaduais, Leis Municipais e as suas derivações em termos de Decretos, Resoluções, entre outras. Assim, uma lei estadual não pode contrariar os dispositivos de uma lei federal e, se isso ocorrer, tenderá a ser inaplicável ressalvado, contudo, os casos de competência exclusiva do Estado e do Município. Uma lei federal estabelece o principio a ser seguido pelas leis de hierarquia inferior que a ela devem buscar sintonização. As Leis Constitucionais são aquelas básicas do Estado e as Leis Ordinárias são derivadas das Leis Constitucionais. A Figura 5 apresenta um diagrama representativo de um sistema jurídico.

um diagrama representativo de um sistema jurídico. Professor José Luiz Miranda (ORG) Blog

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2.3 O Sistema Econômico Os problemas de natureza econômica sempre se fizeram presentes no cotidiano da sociedade. Com esse propósito Rizzieri 2 cita alguns exemplos para reflexão:

Por que o produto nacional teve um crescimento vertiginoso entre 2003 e 2008 e atualmente tem apresentado um comportamento oscilante? Quais são os fatores que contribuíram para a ocorrência da crise financeira de 2008? Por que a taxa de juros e a expectativa de retorno do investimento têm influencia no processo produtivo? O nível de liquidez financeira pode influenciar as decisões de investimento pelas organizações? O que significa inflação e quais são seus reflexos no consumo e na produção? Qual o significado do superávit primário e a sua relação com a redução do nível de investimento público na Economia? A taxa de juros é um elemento que influencia as decisões de consumo e formação de poupança? A propaganda estimula a criação de necessidades ou apenas informa sobre as características do bem ou serviço ofertado? De forma geral essas questões estão relacionadas àquilo que é denominado de Sistema Econômico. O Sistema Econômico é aquele que, em âmbito da sociedade, trata de todos os fenômenos associados ao processo de geração de bens e serviços destinados ao atendimento das demandas da sociedade interna e da sociedade externa, Essas demandas sociais são resultantes do conjunto das necessidades dos indivíduos e das organizações estimuladas pelas motivações voluntárias e pelas motivações induzidas. Em qualquer sociedade, independente da forma de governo e da ideologia dominante, é com foco no Sistema Econômico que são formuladas as diretrizes estratégicas que visam corrigir problemas de ordem estrutural e neutralizar eventuais crises cíclicas que possam provocar desequilíbrios prejudiciais ao processo de geração de bens e serviços e que possam influenciar no atendimento qualitativo das demandas da sociedade, o que tem sido historicamente objeto de estudo de diversas escolas do pensamento econômico. Em síntese, os assuntos de natureza econômica sempre se fizeram presentes na vida da sociedade desde em questões mais rotineiras como em assuntos de real complexidade, dentre os quais são destacados pelo diagrama constante da Figura 6.

2 Rizzieri, Juarez in Manual de Economia de Professores da USP, pp.4

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ECONOMIA - Elementos Gerais e Conceituais A Política Fiscal e Monetária – tratam respectivamente das ações

A Política Fiscal e Monetária tratam respectivamente das ações relacionadas às despesas do

governo e da regulação do volume de recursos financeiros disponíveis na economia;

As Finanças Públicas trata da gestão das contas do governo nas esferas federal, estadual e; municipal;

O Papel do Estado na Economia trata do nível de intervenção do Estado no processo de geração

de bens e serviços;

A Inflação relacionada às causas e conseqüências advindas do aumento sistemático de preços

provenientes da insuficiência da geração de bens e serviços para atendimento das demandas da

sociedade;

O Nível de emprego e desemprego trata do nível de mobilização da população economicamente

ativa da sociedade; As Relações Econômicas Internacionais trata do relacionamento econômico de uma sociedade com outras sociedades; Crescimento e desenvolvimento econômico trata das ações necessárias para que o processo de geração de bens e serviços possa ocorrer de forma qualitativa e que o seus resultados atender

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plenamente e de forma equilibrada as demandas de toda a sociedade. Esses assuntos e uma diversidade outros assuntos similares, estão relacionados aos estudos e ações inerentes ao Sistema Econômico. Por Fim, é importante enfatizar que os Sistemas Político, Jurídico e Econômico, cada um com a sua missão mais em permanente interação, são influenciados por diversos fatores que decorrem do próprio processo dialético e que traz como conseqüência, níveis diferenciados de organizações sociais.

níveis diferenciados de organizações sociais. Dentre esses fatores ganham destaque o nível de educação

Dentre esses fatores ganham destaque o nível de educação geral da sociedade, as formas de organização política e institucional, os padrões de conquistas tecnológicas, as condições do meio ambiente, a formação histórico-cultural, estrutura jurídica, a postura ético-religiosa, os fatores culturais de relacionamento, entre outros. No que tange à Economia esses fatores de influência podem indicar os diferentes graus de desenvolvimento econômico, o nível de distribuição equilibrada de renda, a capacidade de gerar bens e serviços de forma qualitativa de maior valor agregado, o atendimento satisfatório das demandas da sociedade por bens e serviços. Rossetti (2002) 3 faz uma análise sistematizada da influência desses fatores no processo produtivo em uma sociedade constituindo-se em uma das fontes de referência para se compreender os fenômenos que hoje se apresentam no cenário nacional e internacional. De forma geral esses fenômenos, na maioria das vezes, não são tratados com necessária profundidade por muitos

3 ROSSETTI, Domingos Paschoal. Introdução à Economia, Ed, Atlas, 2002, pp-35.

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analistas que se propõem a analisar problemas relacionados ao cotidiano das diversas sociedades, principalmente a partir de uma relação causa e efeito. O diagrama constante da Figura 7 apresenta alguns desses fenômenos.

constante da Figura 7 apresenta alguns desses fenômenos. Professor José Luiz Miranda (ORG) Blog

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3. NECESSIDADES INDIVIDUAIS, MOTIVAÇÕES E DEMANDAS SOCIAIS. 3.1 As necessidades Individuais Em um sentido empírico as necessidades individuais podem ser conceituadas como uma

sensação da falta ou de carência de alguma coisa. Todos os indivíduos, em diferentes fases da vida, sentem carências, ou seja, sentem que precisam satisfazer uma insuficiência ou uma necessidade. É o momento da percepção da necessidade e não da sua satisfação.

A satisfação de uma necessidade somente vai se caracterizar se houver interesse do indivíduo em

buscar os meios e recursos necessários para satisfazê-la a um menor custo e de forma eficiente. Esse interesse do indivíduo em satisfazer a necessidade é denominado de motivação, ou seja, o mecanismo

de estímulo à satisfação da necessidade. Se não houver a motivação a necessidade, apesar de percebida, pode permanecer em uma situação estática ou paralisante. Das múltiplas classificações disponíveis na literatura sobre as necessidades individuais, a Teoria de Maslow ou Teoria das necessidades humanas 4 é conhecida como uma das mais importantes teorias de motivação, sendo referência para diversos autores nas áreas de Psicologia, Administração e Economia. Para Maslow, as necessidades individuais obedecem a uma hierarquia ou escala de valores em escala piramidal. No momento em que o indivíduo satisfaz uma necessidade é induzido pela motivação surgindo, daí, outra necessidade em seu lugar, criando um ciclo de busca e satisfação. De acordo a Teoria de Maslow, as necessidades humanas aparecem de forma sucessiva em cinco escalas piramidais, iniciando-se pelas mais elementares ou inferiores até aqueles de nível superior.

A primeira escala, a mais básica, representa a as necessidades fisiológicas ou de sobrevivência

até atingir a quinta escala, a mais elevada, onde se encontram as necessidades de auto-realização do

indivíduo. A Figura 8 representa as escala das necessidades humanas em forma piramidal. As necessidades fisiológicas são aquelas que em primeiro lugar aparecem ao ser humano. A sua satisfação é fundamental para a sobrevivência do indivíduo e preservação da própria espécie. Muitas delas são ignoradas porque são quotidianas sendo, porém, a base das muitas atividades econômicas. Tem caráter biológico e a sua não satisfação pode por em risco a vida do indivíduo, a exemplo do alimento, do descanso, do agasalho, etc. As necessidades de segurança são aquelas que aparecem quando as necessidades fisiológicas estão satisfeitas. Não implicam em uma satisfação imediata, mas centram a sua satisfação no futuro. Essas se relacionam com o fato de que os indivíduos procuram preservar a sua integridade física e

( 4 ) Maslow, A.H. Uma Teoria da Motivação Humana, 1975 e Rossetti. Introdução à Economia, pp. 207-210

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psicológica, a exemplo da segurança pública, da segurança pessoal, da manutenção do emprego, da qualificação profissional. As necessidades sociais são aquelas que, após a satisfação das necessidades fisiológicas e de segurança, levam o indivíduo a relacionar-se com os outros membros da sociedade no sentido de busca da busca de uma sobrevivência social, a exemplo do afeto, da participação em grupo, da aceitação, da amizade, da expressão. As necessidades políticas, afirma Maslow, são aquelas que se relacionam com o fato de que os indivíduos precisam ter uma avaliação estável, um auto-respeito e apreço pelos outros. Essas necessidades levam, por um lado, a um desejo de força, realização, suficiência, domínio, competência, confiança, independência e liberdade; e por outro, a um desejo de participação, prestígio, legitimidade, reconhecimento, importância, representação, ser útil à sociedade. As necessidades de auto-realização se situam no nível mais alto da escala de valores e só atingido depois de que todas as outras escalas sejam atendidas. De acordo com Maslow, é a realização do potencial próprio do indivíduo, ou seja, daquilo que é capaz de ser. É a utopia da liberdade total. A Figura 7 A apresenta o esboço da Pirâmide de Maslow.

A Figura 7 A apresenta o esboço da Pirâmide de Maslow. Professor José Luiz Miranda (ORG)

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3.2 As Motivações Estudos mais recentes sobre motivações têm convergido para uma posição de que o indivíduo é possuidor de uma natureza própria na qual a motivação o levaria a se autodeterminar e assumir posições independentes frente a situações que lhe são impostas. Essa concepção, que se aproxima do pensamento Emmanuel Kant Filósofo da Liberdade e do antidogmatismo, que admite a influência de fatores fisiológicos, instintivos, inconscientes e sociais, mas os condiciona à racionalidade do indivíduo que, pela força de uma energia de motivação própria, se opõe ao determinismo total (5). Essa concepção torna possível definir a motivação como sendo tudo aquilo que é capaz de estimular o comportamento do indivíduo em busca da satisfação das suas necessidades hierarquizadas em forma piramidal de Maslow, dependendo da situação em que o indivíduo ocupe na sociedade. Por exemplo, a satisfação da necessidade de alimentação pode ser uma motivação de sobrevivência para uma pessoa carente (primeiro nível da Pirâmide de Maslow). Porém, essa mesma necessidade pode ser uma motivação de relacionamento social e político se esse ato ocorre em um restaurante de luxo cujo ator é um indivíduo cujas necessidades situadas na escala inferior da pirâmide já se encontram satisfeitas (terceiro e quarto níveis da Pirâmide de Maslow). Outro exemplo, a satisfação da necessidade de abrigo e proteção pode motivar um indivíduo de baixa renda a buscar um imóvel localizado em um conjunto habitacional visando o atendimento da segunda camada da Pirâmide de Maslow (segurança). Porém, essa mesma necessidade pode motivar a aquisição de um apartamento em um condomínio de luxo para um indivíduo que busca um status social. Apesar de diferenciadas, as motivações implícitas em cada um dos exemplos ilustrados podem dar origem a tipos variados de demandas sociais.

2.3 As Demandas Sociais As demandas sociais são caracterizadas como resultado da busca conjugada da satisfação das necessidades induzidas pelas motivações dos indivíduos, o que vai desencadear um processo para geração de bens e serviços em suas diversas particularidades, desde bens de consumo duráveis, bens de consumo não duráveis, serviços públicos e serviços privados. Toda e qualquer atividade econômica somente adquire dinâmica se houver demandas social sendo condição imperativa que, anteriormente, se configure as necessidades individuais induzidas pelas motivações para satisfazê-las.

( 21 ) Kant Emmanuel in Crítica da Razão Pura (1788) e Metafísica da Ética (1797)

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A presença das demandas sociais é estímulo principal para que sejam adotadas ações pelos agentes econômicos no sentido de atendê-las. Esse processo cria uma dinamização na economia trazendo benefícios para o conjunto da sociedade, não só quanto ao atendimento de uma demanda social específica, mas também, quanto ao atendimento de outras necessidades que estejam relacionadas, criando, assim, uma cadeia produtiva. Melhor esclarecendo, um indivíduo que esteja morando sob uma ponte e considere a sua situação cômoda e tranqüila, tem uma necessidade de abrigo, mas não tem motivação para propiciar uma mudança. Portanto, por si só, esse indivíduo não tenderá a gerar uma demanda social. Todavia, outro indivíduo que esteja sujeito à mesma situação, ou seja, morando sob uma ponte, mas que busca alternativas para satisfazer a sua necessidade de abrigo, tem também caracterizada uma necessidade, porém, associada a uma motivação. Nesse segundo caso, a conjugação da necessidade desse indivíduo com a sua motivação, associado com outros indivíduos que têm a mesma necessidade e motivação criam, no conjunto, uma demanda social por habitação. Esse fato induzirá o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à redução do déficit habitacional. No exemplo, o desenvolvimento de políticas públicas para a redução do déficit habitacional desencadeia um conjunto de ações que tende a estimular o setor da construção civil. Este, por sua vez, vai a gerar novos empregos diretos (construção de casas) e empregos indiretos (indústria de materiais de construção, indústria de cimento, empresas de varejo, prestadores de serviço, etc.). Os indivíduos empregados, mesmo que não tenham a necessidade de abrigo, vão dispor de renda que estimulará, por exemplo, a indústria de alimentos, de vestuário, de lazer, criando-se, então, uma dinâmica para toda a economia acarretando aquilo que é denominado de crescimento Outro exemplo são as exportações realizadas por um país. As exportações somente se apresentam porque existem demandas sociais externas. Quando essas demandas sociais externas são atendidas tendem a trazer benefícios para o país exportador, induzindo a realização de ações que vão gerar empregos diretos e indiretos. Isto vai estimular, não só o setor exportador, mas outros setores da economia pela maior disponibilidade de renda proveniente do trabalho. Para a Economia, a percepção da presença das demandas sociais e sua influenciam no comportamento dos agentes econômicos do setor público e do setor privado, se constitui em uma importante fonte para a formulação de planejamentos estratégicos e o estabelecimento de planos de ação. O diagrama da Figura 7B representa esse processo.

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ECONOMIA - Elementos Gerais e Conceituais No Brasil, a partir da promulgação da Constituição de 1988

No Brasil, a partir da promulgação da Constituição de 1988 e pelo reconhecimento da sua força normativa, ocorre um acelerado processo de transformações sociais, políticas e econômicas onde predominam movimentos de busca pela cidadania e melhoria das condições de vida da população. Esse processo tem resultado em transformações da ordem jurídica e influenciado as relações da sociedade tanto em nível do setor público como em nível do setor privado, tornando visíveis novos e diversificados tipos de necessidades, desejos e motivações. O intenso processo de mudanças decorrentes de rápida urbanização, das alterações na estrutura produtiva, da acentuada concentração das atividades econômicas e populacionais nas grandes cidades trouxe uma consciência social e política bem acentuada e que foi acompanhada de mudanças comportamentais. Comparando-se o Censo Demográfico do IBGE de 1960 e do ano 2010 verifica-se esse intenso processo de urbanização. Nesse contexto, o setor privado da economia tem buscado intensamente a modernização e eficiência das suas atividades econômicas. Todavia, esse mesmo comportamento ainda não alcançou a sua plenitude no setor público da economia em termos da reformulação efetiva das formas de gestão das políticas públicas com o objetivo de atender as necessidades da população de forma tempestiva e eficiente, o que vem gerando grandes demandas sociais. Diante desse quadro torna-se essencial que o estudo da Economia incorpore os princípios que estimulam e regem as demandas sociais. Nesse aspecto, cada sociedade ou país tem a sua própria característica induzindo ações particularizadas para atender as suas próprias demandas sociais.

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4. CONTEXTUALIZAÇÃO DA ECONOMIA E SUAS VERTENTES Etimologicamente Economia significa administração do patrimônio, palavra formada pelos

radicais gregos oíkos (casa) e nómos (lei), sendo cada usado no sentido de patrimônio. Com a

finalidade de dar a palavra uma conotação mais atualizada foi acrescentada a expressão política, do

grego polis para indicar que a Economia tem como objetivo específico se direcionar à sociedade, o que

não a faz ficar restrita aos indivíduos e as organizações, se bem que estes, em conjunto, vão influenciar

o processo econômico.

Muito embora sempre estivesse presente no cotidiano das sociedades desde as épocas mais

remotas da história ocidental e oriental, a Economia tinha seus estudos subordinados a outras ciências,

principalmente à Filosofia e à Política sendo tratada, por estas, de forma acessória. Essa tendência

prevaleceu até o meado do Século XVIII quando se iniciam os primeiros movimentos para uma

sistematização e tratamento científico da Economia. Esses movimentos foram estimulados pelo

acúmulo de riqueza na Europa em conseqüência da Revolução Comercial e do Mercantilismo que

vieram a propiciar o surgimento da Revolução Industrial. Os primeiros movimentos para o tratamento

científico da Economia tiveram como percussores os Fisiocratas de François Quesnay, na França, e o

escocês Adam Smith 6 , na Inglaterra, seguidos de diversos teóricos, entre os quais Ricardo, Keynes e

Hayek, que vieram constituir a base do pensamento econômico moderno. 7 .

O pensamento econômico moderno se caracteriza por abordar a Economia sob duas vertentes: A

vertente quantitativa e a vertente sócio-comportamental ou política.

Em sua vertente quantitativa a Economia se aproxima das ciências exatas e se manifesta no

momento em que, utilizando modelos matemáticos, estatísticos e econométricos, busca a sustentação

necessária para a formulação de teses e teorias que buscam interpretar o comportamento e as ações dos

agentes econômicos de forma racional. Essa linha de abordagem se avoluma particularmente a partir do

final dos anos 1970 ganhando celeridade com o desenvolvimento de novas técnicas de análise para

situações específicas decorrentes do avanço da informática, criando um excesso de matematização da

Economia segundo David M. Kreps 8

Em sua vertente sócio-comportamental a Economia se aproxima das Ciências Humanas - Política,

Sociologia, Antropologia, Psicologia, Direito e Geografia.

(3) Smith, Adam in Riqueza das Nações, 1776. (4) Ver Feijó, Ricardo in História do Pensamento Econômico, 2001. (5) Kreps, David. Economics - Current Position, in "Daedalus", publicação editada pela American Academy of Arts and Sciences. 1997.

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A Economia se aproxima da Ciência Política no momento em que seus estudos se interagem com as relações de Estado, as formas de Governo e a condução dos negócios públicos.

A Economia se aproxima da Sociologia no momento em que seus estudos se interagem com as

relações e organização estrutural de uma sociedade.

A Economia se aproxima da Antropologia e da História no momento em que seus estudos se

interagem com as origens, a evolução e a expressão humanas na sua dimensão biológica (fatores genéticos e biológicos); na sua dimensão cultural (fatores simbólicos, religiosos, crenças e valores); e

na sua dimensão social (fatores à organização social, à política, às instituições, à etnia e ao parentesco).

A Economia se aproxima da Psicologia no momento em que seus estudos se interagem com

questões que abordam o comportamento, as necessidades e as motivações humanas sob influência dos estímulos sociais que rodeiam os indivíduos criando estímulos e condicionamentos de graus variados em função do seu contato social.

A Economia se aproxima do Direito no momento em que seus estudos se interagem com as

normas positivas originadas dos usos, costumes e valores da sociedade.

A Economia se aproxima da Geografia no momento em que seus estudos se interagem com

questões do meio ambiente e da utilização racional dos recursos naturais. Muito embora haja discussões acadêmicas que buscam fazer prevalecer uma das vertentes sobre a outra, o que não é justificável, na formulação dos modelos de análise as duas vertentes devem ser utilizadas de forma simultânea, pois, tendem a se complementar. Por exemplo, na formulação de políticas de governo, na elaboração e implantação de projetos ou no desenho de planos estratégicos pelas empresas, a percepção de fatores associados aos diversos ramos do conhecimento e o seu reflexo no contexto de uma sociedade, constitui-se como imperativos para o sucesso ou insucesso. Muito embora um conhecimento dos conceitos fundamentais da Economia não seja ainda de um domínio amplo, a sociedade contemporânea tem demonstrado um interesse cada vez mais acentuado pela compreensão dos fenômenos econômicos, pois, estes, estão presentes no seu cotidiano através das decisões que são permanentemente tomadas pelos indivíduos e pelas organizações. Como enfatizado anteriormente, a decisão é caracterizada como uma ação racional tomada no presente no sentido de gerar benefícios posteriores que podem atingir os planos econômico, financeiro, social ou político, dependendo do objetivo proposto ou traçado. No mundo contemporâneo, em virtude de uma complexidade cada vez mais acentuada das suas relações sociais, políticas, econômicas, o estudo da Economia tem se tornado necessário para

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compreensão das decisões tomadas pelos agentes econômicos 9 diante das diversas situações de riscos e incertezas que se apresentam no cenário nacional e internacional. A Figura 8 apresenta as duas vertentes da Economia de forma sistematizada.

Figura 8 - Economia e suas vertentes

VERTENTE DAS CIÊNCIAS

EXATAS

Economia Matemática

( Linguagem Simbólica )

Auto -complementação

( Linguagem Simbólica ) Auto -complementação Interação Instrumentos matemáticos, estatísticos e
( Linguagem Simbólica ) Auto -complementação Interação Instrumentos matemáticos, estatísticos e

Interação

Instrumentos matemáticos,

estatísticos e econométricos

voltados para análise, elaboração de

modelos e fundamentação de teorias

natureza

associadas às questões de

econômica

VERTENTE DAS CIÊNCIAS

SOCIAIS

Economia Não Matemática

( Linguagem Comportamental

)

Economia Não Matemática ( Linguagem Comportamental ) Sociologia Antropologia Psicologia Direito Geografia

Sociologia

Antropologia

Psicologia

Direito

Geografia

História

Ciências Políticas

9 São aqueles que, no exercício das suas atividades no setor público e privado desenvolvem as suas atividades de forma contínua e permanente no processo de geração de geração de bens e serviços.

ECONOMIA - Elementos Gerais e Conceituais

5. O SIGNIFICADO DO SISTEMA ECONÔMICO PARA UM PAÍS Como introdução a este assunto é imprescindível recordar que, em âmbito de uma sociedade,

o

Sistema Econômico se interage com o Sistema Político e com o Sistema Jurídico cada um com a sua

própria missão, conforme demonstra o diagrama constante da Figura 9.

.
.

Nesse sentido, a presença do Sistema Econômico decorre da existência das demandas sociais que, para o seu atendimento, se faz necessária a constituição de um sistema no qual os diversos agentes econômicos possam empregar os seus recursos de forma equilibrada e dentro dos limites institucionais em um processo de geração de bens e serviços buscando obter o máximo de eficiência e resultados. Assim, independente da sua forma de governo, da ideologia predominante ou da estrutura institucional, o Sistema Econômico sempre se fará presente, porém assumindo graus diferenciados de sofisticação do processo de geração de bens e serviços em função do nível de desenvolvimento da sociedade. A partir desse pressuposto são derivadas as denominações de Economia Desenvolvida, Economia em Desenvolvimento, Economia Subdesenvolvida e Economia Dual. No aspecto institucional a atuação dos diversos agentes econômicos no processo de geração de bens e serviços deve ocorrer em situação de normalidade o que pressupõe um equilíbrio essencial para o Sistema Econômico. Surge daí o conceito da participação do Estado na Economia.

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De acordo com Rossetti (2002), 10 a participação do Estado na Economia pode ocorrer sob três formas de ordenamento institucional do processo econômico: Economia de Mercado, Economia de Comando Central ou Planificada e Economia de Sistema Misto. O Diagrama constante da Figura 10 demonstra o nível de sofisticação do processo de geração de bens e serviços e as formas de participação do Estado na Economia.

Figura 10 - Nível de sofisticação do processo de geração e

formas a participação do Estado Economia

Em função do nível de

intervenção do Estado no

processo

do nível de intervenção do Estado no processo Economia de Mercado Economia Planificada Economia sistema

Economia de Mercado

Economia Planificada

Economia sistema misto

Demandas Sociais

Economia Planificada Economia sistema misto Demandas Sociais Agentes Econômicos Atividades Econômicas Processo de
Economia Planificada Economia sistema misto Demandas Sociais Agentes Econômicos Atividades Econômicas Processo de
Economia Planificada Economia sistema misto Demandas Sociais Agentes Econômicos Atividades Econômicas Processo de
Agentes Econômicos Atividades Econômicas Processo de geração de bens e serviços Oferta de Bens e
Agentes Econômicos
Atividades Econômicas
Processo de geração de bens e
serviços
Oferta de Bens e Serviços

Em função do nível de

sofisticação do processo

Em função do nível de sofisticação do processo Economia Desenvolvida Economia em Desenvolvimento Economia

Economia Desenvolvida

Economia em Desenvolvimento

Economia Subdesenvolvida

Economia Dual

Demanda por Bens e Serviços

Subdesenvolvida Economia Dual Demanda por Bens e Serviços Demandas Sociais ECONOMIA COM ALTO GRAU DE SOFISTICAÇÃO

Demandas Sociais

ECONOMIA COM ALTO GRAU DE SOFISTICAÇÃO : Gera bens e serviços com capacidade suficiente para atendiment o das suas

demandas sociais

ECONOMIA COM BAIXO GRAU DE SOFISTICAÇÃO : Gera bens e serviços com capacidade insuficiente para atendime nto das suas

demandas sociais

Observa-se que, sob o conceito da Economia de Mercado o Estado não deve impor restrições ao processo de geração de bens e serviços devendo, os diversos agentes, atuar em total liberdade econômica. Esse princípio constitui-se no ideário da Doutrina Liberal ou Liberalismo de Mercado tendo seus pressupostos teóricos originados na Teoria Clássica da Economia com a mão invisível de Adam Smith 11 . Sob o conceito da Economia de Comando Central ou Planificada ocorre uma inversão. O seu pressuposto teórico é originado na Teoria Marxista 12 na qual não se configura a liberdade econômica dos agentes devendo estes seguir as determinações do Estado no processo de geração de bens e serviços. Sob o conceito de Economia de Sistema Misto ocorre uma espécie de primeira combinação dos conceitos anteriores no que tange à participação do Estado no processo de geração de bens e serviços.

10 Rossetti, op. cit. pp 197

11 Smith, Adam in Riqueza das Nações: Investigação sobre e suas sua natureza causas.

12 Marx Karl in As Crises Econômicas do Capitalismo.

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O seu pressuposto teórico é originado na Teoria de Keynes 13 na qual é defendido um intervencionismo moderado do Estado sobre o liberalismo extremado da economia, porém, sem os rigores da planificação. Surge daí o conceito da Doutrina Desenvolvimentista no qual, o Estado deve ser um agente atuante no processo de geração de bens e serviços no sentido de minimizar os eventuais desequilíbrios existentes em razão do nível cultural e grau de modernização da economia. Porém, se opondo à Doutrina Desenvolvimentista, a Doutrina Neoclássica ou Neoliberalismo que, muito embora não ignore as linhas gerais de atuação do Estado na Economia, defende que essa intervenção ocorra no menor nível possível de modo a manter a total liberdade do mercado no processo de geração de bens e serviços. Desse Pressuposto surge o conceito do Estado Mínimo defendido por pensadores como Friedrich Hayek e Milton Friedman 14 , que viam com preocupação o excesso de intervenção no mundo pós-segunda guerra mundial constituindo-se, assim, a nata do pensamento conservador. Aqui cabe ressaltar que se observa o mercado no seu conjunto e os resultados advindos das atividades econômicas. Nesse aspecto são ignoradas regras que norteiam a atuação e comportamento particularizado de cada agente econômico. Assim, a aplicação irrestrita do conservadorismo sob égide do livre mercado 15 e participação mínima do Estado na economia ocasionou crises de relevância mundial em razão das falhas inerentes ao mercado não identificadas pelo Pensamento Neoclássico. Essa questão suscitou a abertura de uma nova frente de debate que busca combinar os princípios da Economia, do Direito e das Organizações no âmbito do pensamento econômico. Nesse aspecto a idéia central é ampliar a aplicação do Pensamento Neoclássico ao Direito no qual o Estado tem o papel fundamental de garantir as instituições, dar-lhes segurança criando as condições para o funcionamento do mercado e de outros arranjos institucionais mediante instrumentos jurídicos regulatórios. Assim, a garantia de um ambiente institucional equilibrado tende a influenciar o comportamento das organizações na formulação dos seus contratos e dos seus níveis de governança no exercício das suas atividades econômicas. Esse princípio constitui o pensamento da Nova Economia Institucional capitaneada por Ronald Coase, Oliver Williamson e Douglass North 16 que trouxeram a contribuição para a Teoria da Analise Econômica do Direito e das Organizações. Ronald Coasse foi contemplado com o Prêmio Nobel de Economia em 1991 que, no seu discurso junto àquela academia, destacou a

13 Keynes, Jonh Maynard. A Teoria geral do emprego, do juro e da moeda

14 A propósito da tese defendida pelos pensadores consultar o endereço www.instiututoliberal.org.br

15 Entende-se mercado como o conjunto de vendedores e de compradores que realizam negócios de diversas magnitudes interagindo na busca da realização dos seus interesses.

16 Uma análise da contribuição desses pensadores poderá ser encontrada no Livro ¨Direito e Economia Análise Econômica do Direito e das Organizações “ de autoria de Décio Zylverstain e Rachel Sztain, obra Editada pela Editora Campus, 2005.

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importância de que os economistas e cientistas sociais se preocupem com o mundo como ele é e não como deveria ser. De acordo com o seu pensamento, uma organização não é apenas uma função de produção, mas, uma organização contratual que faz funcionar o mercado através de regras jurídicas que estabeleçam direitos, obrigações e garantias para os seus negócios. No Brasil há uma acentuada convergência para se incorporar nas ações de Estado os princípios da Nova Economia Institucional, tendo como base o estabelecimento de marcos regulatório para diversos setores da atividade econômica. Essas ações se tornam relevantes em face da necessidade do País se modernizar e, ao mesmo tempo, minimizar os efeitos danosos da histórica desigualdade social e distribuição irregular de renda. No bojo dessas ações, a partir de instrumentos de regulação já implantados, são destaques relevantes ações adotadas pelos agentes do setor privado nos campos da Responsabilidade Social e da Governança Corporativa, apenas para citar alguns exemplos. A Figura 11 apresenta um quadro resumido das principais correntes ideológicas da atuação do Estado na Economia.

Figura 11 – Principais correntes ideológicas acerca da participação do Estado na Economia Ausência do
Figura 11 – Principais correntes ideológicas acerca da participação do Estado na Economia
Ausência do
Estado
Estado
Planificador
Doutrina Liberal Clássica
Doutrina Marxista
(Adam Smith)
(Karl Marx)
Clássica Doutrina Marxista (Adam Smith) (Karl Marx) Estado Mínimo Estado Indutor e Regulador Doutrina
Estado Mínimo
Estado Mínimo
Estado Indutor e Regulador
Estado Indutor
e Regulador

Doutrina Desenvolvimentista

(Maynard Keynes)

Doutrina Neoclássica – NeoLibelarismo (Hayek, Friedman) )
Doutrina Neoclássica – NeoLibelarismo (Hayek, Friedman) )

Doutrina Neoclássica NeoLibelarismo

(Hayek, Friedman) )

Neoclássica – NeoLibelarismo (Hayek, Friedman) ) Mercado Regula minimamente o mercado O Estado garante o

Mercado Regula

minimamente o

mercado

O Estado garante o ambiente Institucional
O Estado garante o ambiente
Institucional

Nova Economia Institucional

(Coase, Williamson e North)

Nova Economia Institucional (Coase, Williamson e North)
Nova Economia Institucional (Coase, Williamson e North)
Nova Economia Institucional (Coase, Williamson e North) Regulação pelas organizações através dos contratos

Regulação pelas organizações através dos contratos referenciados em marcos

regulatórios

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6. A ESTRUTURA BÁSICA DE UM SISTEMA ECONÔMICO O Sistema Econômico, conforme antes enfatizado, é aquele que, no âmbito de uma sociedade, incorpora o processo de geração de bens e serviços destinados ao atendimento das demandas da sociedade interna e da sociedade externa que, no seu conjunto, são desencadeadas pelas necessidades dos indivíduos e das organizações, independente da forma de governo e da ideologia dominante. Nele são formuladas as diretrizes estratégicas que visam corrigir problemas de ordem estrutural e neutralizar eventuais crises cíclicas que possam provocar desequilíbrios prejudiciais ao processo. Nesse aspecto, para se compreender o funcionamento de um Sistema Econômico, interpretando, analisando os fenômenos que se apresentam no mundo contemporâneo e a atuação dos agentes econômicos se faz importante conhecer a estrutura básica do sistema e a função de cada um dos seus segmentos de forma orgânica e integrada.

Os agentes econômicos, conceitualmente são aqueles que, no exercício das suas atividades no

setor público e privado desenvolvem as suas atividades de forma contínua e permanente interagindo

com o processo de geração de geração de bens e serviços. Estruturalmente um Sistema Econômico é composto por três segmentos básicos que são denominados respectivamente de Segmento de Fatores de Produção, de Segmento Financeiro e de Segmento de Bens e Serviços.

O Segmento de Fatores de Produção se caracteriza por se constituir na fonte de recursos naturais, físicos, humanos e intelectuais utilizados no processo de geração de bens e serviços.

O Segmento Financeiro se caracteriza por se constituir na fonte de recursos monetários

utilizados no processo de geração de bens e serviços, bem como no financiamento para atendimento

das demandas sociais.

O Segmento de Bens e Serviços se caracteriza por se constituir no local para onde são

canalizados os resultados do processo de geração de bens e serviços para atendimento das demandas sociais, ou seja, onde são disponibilizados os bens e serviços à sociedade. Na dinâmica do processo de geração de bens e serviços esses segmentos são interligados pela atuação dos agentes econômicos. Cada um desses segmentos, que são interligados em função da dinâmica do processo de geração de bens e serviços e pela atuação dos agentes econômicos no exercício das suas atividades, possui as suas próprias subdivisões que serão tratadas mais adiante de forma particularizada. A Figura 12 apresenta um retrato desses segmentos.

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ECONOMIA - Elementos Gerais e Conceituais As Atividades Econômicas são caracterizadas como especialidades específicas

As Atividades Econômicas são caracterizadas como especialidades específicas dos agentes econômicos processo de geração de bens e serviços permitindo, conforme destacado acima, a interligação do Segmento de Fatores de Produção, do Segmento Financeiro e do Segmento de Bens e Serviços, sendo classificadas como Atividade Primária, Atividade Secundária e Atividade terciária. Os Investimentos são caracterizados como a força motriz que impulsiona qualquer economia e que envolve os agentes econômicos na busca de uma qualificação permanente do processo de geração de bens e serviços. São classificados como investimentos públicos, investimentos privados e investimentos externos, cada um com a sua própria especificidade. Tanto as Atividades Econômicas como os Investimentos serão tratados em capítulos específicos. Para complementar o processo três elementos adicionais se tornam essenciais: A Demanda por Bens e Serviços aqui denominada de Demanda da Sociedade Interna e da Sociedade Externa , a Oferta de Bens e Serviços que aqui é denominado como o resultado da geração de bens e serviços e papel do Estado, através dos seus poderes constituídos, no desenvolvimento e na manutenção de um ambiente regulatório e institucional seguro e estável para o funcionamento adequado do processo. A contraposição entre a Demanda por Bens e Serviços, e a Oferta de Bens e Serviços associados ao Papel Constitucional e Institucional do Estado reside o foco central de estudo da Economia constituindo-se como causa principal de todos os fenômenos econômicos que se fazem presentes na sociedade contemporânea. A Figura 13 um retrato instantâneo da estrutura básica de um Sistema Econômico.

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7. SISTEMA ECONÔMICO: CONCEITO DE AGENTES ECONÔMICOS Em sua maioria, os livros de Economia adotam o termo de agente econômico para representar o sujeito de qualquer atividade econômica. A ação desse sujeito pode ocorrer em nível da sociedade interna, quando está restrita aos limites geográficos de um país e executada pelos residentes, como pode ocorrer em nível da sociedade externa, quando envolve os residentes em suas relações com outros países. Em qualquer um dos casos, essas ações são influenciadas por fatores de ordem psicológica, sociológica, política, jurídica, cultural, entre outros, pois, independente do aspecto puramente produtivo ou de consumo envolve aquilo que é denominado de rede de relacionamentos, sem a qual não é possível a viabilização de objetivos Conceitualmente, os agentes econômicos são caracterizados como aqueles que, no exercício das suas atividades, têm influência no processo de geração de bens e serviços destinados ao atendimento das demandas da sociedade interna e da sociedade externa, sem perder o elo com as questões de natureza social e política. Esses agentes classificados em dois grandes grupos: Agentes Econômicos do Setor Público e Agentes Econômicos do Setor Privado. Os Agentes Econômicos do Setor Público são aqueles que, regidos pelos princípios do Direito Público ou do Direito Privado, pertencem à estrutura do Estado envolvendo, na esfera federal e na esfera estadual, o Poder Executivo, o Poder Legislativo, Poder Judiciário e o Ministério Público, e envolvendo na esfera municipal, o Poder Executivo, Poder Legislativo e o Ministério Público.Esses agentes têm uma relevante importância na concepção moderna do Estado enquanto órgão regulador das atividades econômicas nos moldes previstos na Constituição Federal e normas derivadas em face da complexidade das relações econômicas. Os Agentes Públicos regidos pelos princípios do Direito Público são aqueles relacionados à Administração Direta. Abrange a Presidência da República, Secretarias de Governo, Ministérios, Governos Estaduais, Governos Municipais, Senado, Câmara Federal, Assembléias Legislativas Estaduais, Câmaras Municipais, Tribunais Superiores, Tribunais Regionais, Tribunais Estaduais, Ministério Público (órgão independente dos poderes executivo, legislativo e judiciário). São exemplos de agentes pertencentes a essa categoria: Ministério da Fazenda, Ministério da Educação, Secretaria de Direitos Humanos, Superior Tribunal Federal, Superior Tribunal Eleitoral, Procuradoria Geral da República, Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, Secretaria de Planejamento do Estado de Goiás, Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, Tribunal Regional Eleitoral, Câmara, Municipal de Goiânia, Procuradoria de Defesa do Consumidor do Estado de Goiás, Delegacia da Infância e da Adolescência, etc.

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Os Agentes Públicos regidos pelos princípios do Direito Privado são aqueles relacionados à Administração Indireta envolvendo as Empresas Públicas, as Empresas de Economia Mista, as Autarquias, as Fundações Públicas e as Agências Reguladoras. São exemplos de agentes pertencentes a essa categoria: Petrobrás, Banco Central do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Universidade Federal de Goiás, Agência Nacional de Telecomunicações ANATEL, Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, Agência Nacional das Águas ANA, Universidade Estadual de Goiás, CELG, SANEAGO, etc. A Figura 14 apresenta um quadro resumido dos Agentes Econômicos do Setor Público.

Figura 14 - Agentes Econômicos do Setor Público

PESSOAS JURÍDICAS DO DIREITO PUBLICO

Órgãos do Poder Executivo

JURÍDICAS DO DIREITO PUBLICO Órgãos do Poder Executivo Administração Direta Presidência da República,

Administração Direta

Presidência da República, Secretarias de Governo,

Municipais

Estaduais, Câmaras Municipais

Ministérios, Governos Estaduais, Governosde Governo, Municipais Estaduais, Câmaras Municipais Órgãos do Poder Legislativo Órgãos do Poder Judiciário

Órgãos do Poder Legislativo

Órgãos do Poder Judiciário

Senado, Câmara Federal, Assembléias LegislativasÓrgãos do Poder Legislativo Órgãos do Poder Judiciário Tribunais Superiores, Tribunais Regionais, Tribunais

Tribunais Superiores, Tribunais Regionais,Senado, Câmara Federal, Assembléias Legislativas Tribunais Estaduais Estaduais, Procuradorias Municipais

Tribunais Estaduais

Estaduais, Procuradorias Municipais

Ministério Público

Procuradoria da República, ProcuradoriasEstaduais, Procuradorias Municipais Ministério Público PESSOAS JURÍDICAS DO DIREITO PRIVADO Empresas Públicas,

PESSOAS JURÍDICAS DO DIREITO PRIVADO

Procuradorias PESSOAS JURÍDICAS DO DIREITO PRIVADO Empresas Públicas, Empresas de Economia Mista, Agências
Procuradorias PESSOAS JURÍDICAS DO DIREITO PRIVADO Empresas Públicas, Empresas de Economia Mista, Agências

Empresas Públicas, Empresas de Economia Mista, Agências

Reguladoras, Autarquias, Fundações Públicas,

Administração Indireta

Os Agentes Econômicos do Setor Privado são aqueles que, regidos pelos princípios do Direito Privado, não pertencem à estrutura do Estado. Classificam-se como Pessoas Físicas e Pessoas Jurídicas. As Pessoas Físicas são representadas por aquelas que, em uma sociedade, atuam isoladamente no sentido de atender aos seus interesses e necessidades individuais, desde que não investidas no direito para representar os interesses de uma organização constituída juridicamente. Em nível da legislação brasileira as Pessoas Físicas, que também são denominadas pessoas naturais ou individuais, são aquelas capazes de legalmente exercer direitos e contrair obrigações sem distinção de sexo, raça ou nacionalidade, com as ressalvas inerentes à Constituição Federal e ao Código Civil Brasileiro.

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Para fins tributários e previdenciários, as Pessoas Físicas são, ainda, classificadas nas categorias de Pessoas Físicas autônomas, Pessoas Físicas não autônomas e Pessoas Físicas sem Atividade Econômica Formal. As Pessoas Físicas Autônomas são aquelas que exercem atividade econômica formal de caráter individual e sem vínculo empregatício. São exemplos desses agentes: Médicos, dentistas, advogados, motoristas sem vínculo empregatício, feirantes, artesãos, artistas, etc. As Pessoas Físicas não Autônomas são aquelas que exercem atividade econômica formal com vínculo empregatício. São exemplos desses agentes: Funcionários das empresas e as empregadas domésticas. As Pessoas Físicas sem Atividade Econômica Formal são aquelas que, mesmo não exercendo uma atividade produtiva, demandam bens e serviços: São Exemplos: Donas de casa, os menores de 10 anos, desempregados voluntários, desempregados involuntários. As Pessoas Jurídicas do Setor Privado são aquelas que, também atuando no sentido de atender aos seus interesses e necessidades, são representados por organizações que podem ter ou não fins lucrativos no exercício das suas atividades. As Entidades Sem fins lucrativos, de acordo com as exigências previstas em lei, podem ser classificadas como aquelas de interesse privado ou aquelas de interesse público, conforme a finalidade de criação estabelecida em seu estatuto social podendo, assim, usufruir benefícios tributários. São exemplos de entidades sem fins lucrativos e de interesse privado as associações de classe, as federações, as confederações, as instituições religiosas, as entidades culturais, etc. São exemplos de entidades sem fins lucrativos e de interesses público, as Organizações Não Governamentais constituídas com base na Lei 9790/99. As Entidades com Fins Lucrativos, denominadas de empresas ou organizações corporativas, são aquelas que, de acordo com o seu estatuto de criação e observância das exigências previstas em lei, reúnem sob a sua gestão capital financeiro, patrimônio e um conjunto de pessoas físicas imbuídas do trabalho inerente à suas atividades (empregados), tendo o objetivo de produzir e fornecer bens e serviços destinados a atender as demandas sociais. Visam, em contrapartida, a obtenção de resultados em sua atividade econômica bem como cumprir a sua responsabilidade social, até por uma questão de sobrevivência enquanto organizações. De acordo com a legislação brasileira no seu aspecto civil e tributário as empresas ou organizações corporativas são classificadas como Empresa Individual, Microempresa, a Empresa de Pequeno Porte, a Média Empresa e a Grande Empresa atuando em setores diversificados da economia.

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Ainda com relação às empresas ou organizações corporativas estas podem ser de capital fechado ou de capital aberto. As empresas de capital fechado são aquelas cujas ações representativas do seu capital social não são disponibilizadas ao público sendo denominadas de sociedade limitadas. As empresas de capital aberto são aquelas que, diferente das anteriores, as ações representativas do seu capital social são disponibilizadas ao público, podendo ser negociadas nas Bolsas de valores, fora das Bolsas de Valores ou mesmo não negociadas, sendo denominadas de Sociedade Anônimas. São exemplos de empresas ou organizações corporativas: Comércio em geral, instituições financeiras privadas, Instituições de ensino privadas, companhias seguradoras, indústria extrativas e de mineração, indústrias automotivas, indústrias petroquímicas, indústrias siderúrgicas, indústrias de transformação, indústria de bens de capital, indústrias pesqueiras, indústrias da construção civil, empresas de telecomunicações, empresas comunicação, empresas agroindustriais, empresas agropecuárias, etc. A Figura 15 apresenta um quadro resumido dos Agentes Econômicos do Setor Privado.

Figura 15 - Agentes Econômicos do Setor Privado

PESSOAS FÍSICAS

Com Vínculo empregatício

Autônomas

Sem Atividade Formal

PESSOAS JURÍDICAS

Autônomas Sem Atividade Formal PESSOAS JURÍDICAS Sem Fins Lucrativos Interesse Público Interesse Privado

Sem Fins Lucrativos

Interesse Público Interesse Privado
Interesse Público
Interesse Privado

Com Fins Lucrativos

Empresa Individual Micro empresa Pequena Empresa Grande empresa
Empresa Individual
Micro empresa
Pequena Empresa
Grande empresa

Setores diversificados da Economia

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Professor José Luiz Miranda (ORG)

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Capital Fechado

Luiz Miranda (ORG) Blog http://jmirandagoiasnews.wordpress.com/ P á g 4 2 Capital Fechado Capital Aberto

Capital Aberto

Para compreensão do funcionamento de uma economia e o processo de geração de bens e serviços para atendimento das demandas da sociedade é imprescindível saber identificar quem são os agentes econômicos em suas categorias mais diversas e o papel que desempenham em suas atividades econômicas. O conceito de atividades econômicas será objeto de abordagem a seguir.

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8. SISTEMA ECONÔMICO: CONCEITO DE ATIVIDADES ECONÔMICAS

Em um Sistema Econômico, o processo de geração de bens e serviços destinados ao atendimento das demandas da sociedade interna e da sociedade externa se realiza a partir das atividades econômicas executadas pelos agentes econômicos. As Atividades Econômicas são caracterizadas como especialidades específicas desses agentes no processo de geração de bens e serviços permitindo a interligação do Segmento de Fatores de Produção, do Segmento Financeiro e do Segmento de Bens e Serviços. Para fins conceituais e estatísticos as atividades econômicas são classificadas em três categorias básicas: Atividades Econômicas Primárias, Atividades Econômicas Secundárias e Atividades Econômicas Terciárias. As Atividades Econômicas Primárias são aquelas cuja especialidade dos seus agentes econômicos se caracteriza pela geração de bens em níveis anteriores a qualquer tipo de beneficiamento industrial. São exemplos de Atividades Econômicas Primárias: Agricultura; pecuária; exploração florestal; silvicultura; pesca; extração de minerais ferrosos; extração de minerais não ferrosos; extração de minerais radioativos; extração de pedra areia e argila; extração de pedras preciosas; extração de petróleo e gás natural; etc. As Atividades Econômicas Secundárias são aquelas cuja especialidade dos seus agentes econômicos se caracteriza pela geração bens que são sujeitos ao beneficiamento industrial em graus diferenciados, desde a pequena intervenção, como as empresas ligadas à agroindústria básica, até uma grande intervenção, como as empresas de alta tecnologia. São exemplos de Atividades Econômicas Secundárias: Fabricação de produtos derivados da carne; fabricação de produtos derivados do leite;, fabricação de produtos alimentícios e bebidas; produção de sucos, legumes em conserva e óleos comestíveis; refino do açúcar, moagem e torrefação do café; fiação, tecelagem, fabricação e confecção de vestuários e acessórios; fabricação de papel e embalagem; fabricação de produtos químicos, petroquímicos e resinoso;, fabricação de artigos de borracha; fabricação de produtos siderúrgicos e metalúrgicos; fabricação de máquinas e equipamentos; fabricação de automotivos, aeronaves e navios; fabricação de eletrodomésticos e equipamentos de informática; fabricação de equipamentos e instrumentos medicinais; sondagens, construção de edifícios e outras obras de engenharia; produção e distribuição de gás, energia elétrica e água, etc. As Atividades Econômicas Terciárias são aquelas cuja especialidade dos seus agentes econômicos se caracteriza pela geração de serviços que podem ser de natureza pública, de natureza privada ou de natureza mista. São Exemplos de Atividades Econômicas Terciárias: Atividades ligadas ao comercio a varejo e por atacado, atividades de alimentação, alojamento e hotelaria, atividades de

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transporte marítimo, fluviais, aéreos, ferroviários, metroviários e aéreos; atividades financeiras, de seguros e previdenciárias; atividades imobiliárias; atividades de assessoria e consultoria; atividades jurídicas, contábeis e de auditoria; atividades de publicidade, fotográficas e de comunicação social; atividades de investigação, vigilância e segurança; atividades ligadas à administração pública, segurança, defesa e justiça; atividades ligadas à saúde e educação, etc.

Figura 16 Classificação das Atividades Econômicas

ATIVIDADES ECONÔMICAS GERAIS

ATIVIDADES ECONÔMICAS

ATIVIDADES ECONÔMICAS

ATIVIDADES ECONÔMICAS

PRIMÁRIAS

SECUNDÁRIAS

TERCIÁRIAS

GERAÇÃO DE BENS EM NÍVEIS

ANTERIORES

AO

BENEFICIAMENTO

INDUSTRIAL

GERAÇÃO DE BENS SUJEITOS

AO BENEFICIAMENTO

INDUSTRIAL

EM NÍVEIS DIFERENCIADOS

GERAÇÃO DE SERVIÇOS

DE NATUREZA

OU DE NATUREZA PÚBLICA,

NATUREZA PRIVADA MISTA

CORRESPONDEM

AO

SETOR PRIMÁRIO DA

ECONOMIA

CORRESPONDEM

AO

SETOR SECUNDÁRIO DA

ECONOMIA

CORRESPONDEM

AO

SETOR TERCIÁRIO DA

ECONOMIA

A classificação das atividades econômicas se constitui em um dos instrumentos importantes para o estabelecimento de dados estatísticos destinados ao acompanhamento do comportamento da economia e divulgação de informações apuradas com base em metodologias usuais de pesquisa que obedecem a pressupostos básicos de qualidade e confiabilidade. Em nível internacional, o Departamento de Estatística das Nações Unidas desenvolve o trabalho de gestão de classificações mundiais, em articulação com organismos internacionais responsabilizando-se pela disseminação da documentação, promoção de discussão e organização de agenda integrada para a atualização e revisão dessas classificações. No Brasil, essa responsabilidade é da Comissão Nacional de Classificação - CONCLA, subordinada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE que edita Classificação

Nacional das Atividades Econômicas CNAE 17 , cuja estrutura é utilizada como fonte para a elaboração de

estudos estatísticos sobre o acompanhamento do ritmo da economia servindo de referência também para o enquadramento legal das atividades econômicas desenvolvidas pelas empresas.

17 Informações sobre CONCLA/CNAE acerca dos seus objetivos e estrutura consultar o endereço http://www.cnae.ibge.gov.br/

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9. SISTEMA ECONÔMICO: SEGMENTO DE FATORES DE PRODUÇÃO Por se constituir na fonte de recursos naturais, físicos, humanos e intelectuais o Segmento de Fatores de Produção é aquele de maior abrangência e diversidade como parte do processo de geração de bens e serviços para atendimento das demandas da sociedade interna e da sociedade externa. No Segmento de Fatores de Produção localizam-se os recursos naturais, os insumos ou matérias- primas, os recursos humanos, os bens de capital, a infraestrutura econômica, a infraestrutura sócia e a tecnologia conforme diagrama da Figura 17.

sócia e a tecnologia conforme diagrama da Figura 17. O comportamento, a abundância, a escassez, a

O comportamento, a abundância, a escassez, a qualificação, a forma de utilização dos recursos localizados nesse segmento tendem a ter uma acentuada influência na qualidade do processo produtivo e na conseqüente oferta de bens e serviços, tanto no aspecto positivo como no aspecto negativo. No aspecto positivo significa abundância e farta disponibilidade minimizando os custos do processo produtivo. No aspecto negativo significa escassez e pouca disponibilidade encarecendo os custos do processo produtivo. Independentemente dos dois aspectos, a observância de padrões adequados de sustentabilidade na mobilização desses recursos é fundamental para a eficiência econômica. Isto endossa a afirmação de Rossetti (Introdução à Economia, 2002, pp. 90-91) que “emprego desses fatores, a sua disponibilidade, a sua qualificação, a forma de mobilização e a sua interação resultam em padrões essenciais à geração de bens e serviços voltados ao atendimento das ilimitáveis necessidades humanas”. Na seqüência serão abordadas as características de cada desses elementos.

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9.1 Os Recursos Naturais Os recursos naturais, que na Literatura Econômica é denominado de Fator Terra, se caracterizam por ser a base primária de qualquer atividade econômica.Corresponde aos recursos ou reservas naturais, renováveis e não renováveis sobre os quais são exercidas pressões pelos demais fatores produção em razão da ação dos Agentes Econômicos objetivando a geração de bens e serviços a partir do exercício das suas atividades econômicas. Os recursos naturais são subdivididos em quatro grandes grupos: Solo e Subsolo, águas e Clima, Flora e fauna, e Extraterrestres. O Quadro da Figura 18 apresenta a abrangência e a tipologia dos recursos naturais sob a ótica econômica.

e a tipologia dos recursos naturais sob a ótica econômica. De acordo com Rossetti 1 8

De acordo com Rossetti 18 , apesar da sua amplitude, mas, sobretudo, quanto a sua importância e pressões recebidas os recursos naturais estão sujeitos aos condicionamentos de limitação e expansão. A disponibilidade dos recursos naturais na geração de bens e serviços é limitada pelos níveis de exaustão das reservas minerais, pela ameaça de extinção de espécies vegetais e animais, pela degradação do meio ambiente, por restrições legais decorrentes da preservação ambiental e pela disseminação da consciência ecológica.

18 Op.Cit. pp 92 -102

Professor José Luiz Miranda (ORG)

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As restrições legais e a disseminação da consciência ecológica, antes de ser consideradas como limitações, devem ser entendidas como indutoras para a busca de novas alternativas que combinem as atividades econômicas na geração de bens e serviços com modelos de preservação ambiental e de sustentabilidade. O atual estágio de conhecimento que associa descoberta de novos instrumentos exploratórios ao desenvolvimento de novos processos com a busca de fontes alternativas de energias e de recursos naturais têm permitido uma rápida expansão dos recursos naturais no sentido de compatibilizar a capacidade de recuperação das suas reservas e equilíbrio do ecossistema. Um dos benefícios da combinação dos aspectos limitadores com os aspectos expansionistas dos recursos naturais é o aprimoramento acentuado das técnicas de reciclagem que permite que os resíduos decorrentes do processo produtivo sejam novamente transformados e reutilizados. Pode-se afirmar que essa conscientização ecológica de utilização mais racional dos recursos naturais no processo de geração de bens e serviços é conseqüência de processo dialético associado à História da Civilização Humana evidenciada por uma contínua transformação dos usos, costumes e valores da sociedade contemporânea. Essa conscientização ecológica de forma mais ou menos acelerada vai se disseminando estimulando a busca permanente de novas alternativas de minimização do impacto ambiental.

9.2 Os Insumos ou Matérias-Primas.

No processo de geração de bens e serviços os Insumos ou Matérias-Primas se apresentam sob duas formas básicas: Matérias-Primas Brutas e Matérias - Primas Transformadas. As Matérias-Primas Brutas são aquelas que não estão sujeitas à transformação anterior equivalendo-se aos recursos naturais enquadrados nas categorias de Solo e Subsolo, Águas e Clima, Flora e Fauna, e Extraterrestres de acordo com a abrangência e tipologia mencionadas no item anterior.São exemplos de Matérias-Primas Brutas: Minerais Metálicos minério de ferro, alumínio, níquel, estanho, manganês, cobre, ouro, prata, diamante não lapidados, silício; Minerais Não Metálicos pedra, areia, argila, petróleo Bruto, fósforo, Gás Natural, etc As Matérias-Primas Transformadas são aquelas que, como o nome indica, foram sujeitas à transformação anterior podendo sofrer nova transformação conforme a forma de utilização no processo de geração de bens e serviços. São exemplos de Matérias Primas Transformadas: Combustíveis Minerais - gasolina, óleo diesel, gás liquefeito; ferro gusa, ligas metálicas para automóveis, aviões e

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navios; produtos petroquímicos - plásticos, nafta, hidrocarbonetos; borracha, energia elétrica; componentes eletrônicos, celulose para a produção de papéis e embalagens, semicondutores, etc. Os agentes econômicos participantes no processo de fornecimento de insumos são classificados como agentes extratores de matérias-primas ou beneficiadores primários e agentes transformadores de matérias primas ou beneficiadores secundários. Por exemplo, a extração de minério de ferro é um beneficiamento primário. Já a transformação do minério de ferro em aço já é um beneficiamento secundário. Outro exemplo é a produção de papel e embalagens. A derrubada da árvore é uma extração primária. Já a transformação da árvore em celulose e posteriormente em papel e embalagens são considerados como beneficiamentos secundários. As Matérias-Primas, muito embora estejam situadas no Segmento de Fatores de Produção, também se encontram refletidas no Segmento de Bens e Serviços sob a denominação de Bens de Transformação. A Figura 19 apresenta um diagrama resumido dos Insumos ou Matérias-Primas.

um diagrama resumido dos Insumos ou Matérias-Primas. 9.3 infraestrutura Econômica Também parte do Segmento de

9.3 infraestrutura Econômica Também parte do Segmento de Fatores de Produção, a Infraestrutura Econômica corresponde ao local onde estão situados os atributos físicos ou de base para utilização geral por todos os Agentes Econômicos no desenvolvimento das atividades econômicas de forma qualitativa propiciando, assim, que os bens e serviços gerados possam ter menores custos, maior valor agregado e preços competitivos.

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Nesse aspecto, a competitividade dos preços dos bens e serviços que são gerados é algo essencial para um país, notadamente aqueles em acelerado processo de desenvolvimento, onde a infraestrutura econômica é objeto de uma acentuada exigência, o que demanda, em contrapartida, a realização de permanentes investimentos em modernização e inovação. No Brasil, nos últimos anos, houve um acentuado processo de degradação da sua infraestrutura econômica com reflexos negativos na eficiência do sistema produtivo. Esse processo de degradação ocorre em função da exaustão do modelo que definia o Estado como o único Agente Econômico responsável pela realização dos investimentos nesse setor da economia, política que foi adotada pelo País nas décadas de 1950 a 1970. Essa política foi centrada em um alto grau de endividamento externo que não encontrou sustentação a partir da crise iniciada na década de 1980 levando o Estado Brasileiro a uma situação de imobilismo. Essa situação de imobilismo levou a infraestrutura no Brasil, com destaque para rodovias, ferrovias, energia, telecomunicações, entre outros, a uma situação, senão degradante, mas com incapacidade de propiciar a sustentação necessária para o desenvolvimento e competitividade do País na minimização dos seus problemas sociais. Nesse aspecto, diversos congressos, seminários e outras formas de encontros, tanto em nível do setor público como em nível do setor privado, têm sido realizados no sentido de se encontrar alternativas viáveis à solução do problema eventos estes que têm ocupado um espaço significativo nos meios de comunicação. São exemplos de elementos relacionados à Infraestrutura Econômica: Rodovias; ferrovias; portos; aeroportos; usinas hidrelétricas; usinas atômicas; redes transmissão; rede de telecomunicações, etc. 9.4 Infraestrutura Social Se a Infra-Estrutura Econômica refere-se ao aspecto físico, a Infra-Estrutura Social está diretamente relacionada às condições de vida da sociedade. Esse elemento se constitui em um dos fatores motivacionais para a realização de investimentos pelos agentes do setor privado objetivando a qualificação do processo de geração de bens e serviços, o que pode trazer reflexos significativos na dinamização do mercado de trabalho. A inexistência ou baixa disponibilidade de uma Infra-Estrutura Social adequada no que tange, por exemplo, aos serviços de educação, de saúde ou de saneamento básico, transfere a responsabilidade por garantir, por exemplo, a assistência médica, a qualificação dos recursos humanos, a segurança para o setor privado. Em existindo esta responsabilidade uma parcela significativa de custos é incorporada ao processo de geração de bens e serviços, o que pode inibir a atração de investimentos para um determinado país ou região.

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Assim como na situação da Infraestrutura Econômica a preocupação quanto a Infra-Estrutura Social tem ocupado um espaço também significativo nos meios de comunicação e partir da manifestação de diversas entidades representativas da sociedade. São Exemplos de elementos associados à infraestrutura social: Recursos humanos qualificados; instituições de ensino de qualidade; segurança pública; rede de saneamento básico e água tratada; equipamentos de lazer, etc. A Figura 20 apresenta um diagrama resumido da Infraestrutura Econômica e da Infraestrutura Social.

da Infraestrutura Econômica e da Infraestrutura Social. 9.5 Bens de Capital Se, no Segmento de fatores

9.5 Bens de Capital Se, no Segmento de fatores de Produção, a Infraestrutura Econômica e a Infraestrutura Social estão relacionadas a atributos para utilização geral pelo conjunto dos agentes econômicos, os Bens de Capital, também denominados bens de produção, relacionam-se ao uso individual para o desenvolvimento e gerenciamento das suas atividades econômicas desses agentes. Conforme a natureza e oportunidade das atividades econômicas a que estão vinculados, os Bens de Capital podem ter uma característica móvel ou imóvel. De acordo com a terminologia utilizada pela literatura econômica e para fins estatísticos, os Bens de Capital são denominados como estoques de Capital Fixo sujeitos ao fenômeno da depreciação, que é caracterizada como a desvalorização contábil de um bem durante a sua vida útil em virtude do uso e desgaste decorrentes da sua utilização.

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São Exemplos de Bens de Capital: Instalações físicas; prédio; galpões; máquinas e equipamentos, móveis e utensílios; veículos automotivos, etc. 9.6 Tecnologia A Tecnologia é caracterizada conjunto de conhecimentos e habilidades através do domínio intelectual de processos que dão sustentação qualificada ao processo de geração de bens e serviços para atendimento das demandas da sociedade interna e da sociedade externa estando presente em todos os setores da atividade econômica. Constitui-se em um elo entre o capital humano e os demais componentes do Segmento de Fatores de Produção. A Tecnologia, a contrário do pensamento comum, não se limita a fatores físicos, a exemplo de máquinas e equipamentos. Encontra-se relacionada, sobretudo, aos atributos humanos para os quais a qualificação e a capacidade intelectual são relevantes para se adequar às novas tendências, o que necessariamente provoca reflexos no Mercado de Trabalho. A Figura 21 apresenta um diagrama resumido dos Bens de Capital e da Tecnologia.

um diagrama resumido dos Bens de Capital e da Tecnologia. Professor José Luiz Miranda (ORG) Blog

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Para todos os Países, e em virtude do nível de competitividade presente no cenário mundial, a Tecnologia se torna uma das principais preocupações dos governos no sentido de desenvolver políticas públicas destinadas ao aprimoramento e capacitação de recursos humanos com a realização de investimentos voltados à educação, às pesquisas científicas e inovações em busca de diferencial estratégico que ocasione menos dependência tecnológica e, conseqüentemente, maior domínio de processos. No Quadro da Figura 22 é apresentado um pequeno resumo de atributos relacionados à Tecnologia.

um pequeno resumo de atributos relacionados à Tecnologia. O Brasil, nos últimos anos, tem buscado superar

O Brasil, nos últimos anos, tem buscado superar o retardo tecnológico através do desenvolvimento de políticas públicas de incentivo e de apoio aos setores ligados à inovação tecnológica através de agências de desenvolvimento, incubadoras nas instituições de ensino e, de mecanismos de interação entre o setor acadêmico e o setor industrial e de incentivo de melhoria do ambiente empresarial. A Constituição Federal de 1988 em seu Artigo 218 definiu as linhas mestras para o campo da Ciência e Tecnologia onde fica caracterizado o papel do Estado na formulação de políticas públicas de incentivo e apoio à pesquisa e a inovação. Contudo, somente a partir do ano 2000 o Ministério da

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Ciência e Tecnologia elaborou a o Projeto de Diretrizes Estratégicas para a Ciência e Tecnologia (DECTI) com foco nas seguintes linhas gerais.

Desenvolvimento econômico: Com foco em Ciência e Tecnologia sob a ótica econômica

visando aprimorar o processo de geração de bens e serviços em uma sociedade marcada por desigualdades regionais e sociais;

Desafios Estratégicos: Com foco na sociedade da informação e na biotecnologia, nos projetos de

mobilização nacional e nas estratégias de exploração econômica das últimas fronteiras brasileiras;

Desafios Institucionais: Com foco nos desafios legais, institucionais serem superados para que as

metas propostas no projeto possam ser alcançadas através de uma perfeita integração entre o desenvolvimento científico e a produção de inovação. Mais recentemente a Lei 10.973/2004, denominada Lei de Inovação Tecnológica, dispõe sobre incentivos à inovação e pesquisa científica no ambiente produtivo. Essa lei tem como objetivo criar um

ambiente propício para aumentar o envolvimento das empresas no desenvolvimento de projetos de Inovação Tecnológica. De acordo com esse dispositivo legal, a geração de conhecimento e a formação de recursos humanos são funções das instituições de ensino, enquanto que a inovação tecnológica deve ocorrer no âmbito das empresas. O casamento dessas duas linhas ação tende a se constituir em um instrumento relevante para reduzir a dependência tecnológica do País permitindo que este possa dispor de bens e serviços mais competitivos tanto em nível do mercado interno como em nível do mercado externo. Para um maior nível de informação acerca de programas e ações que vem sendo desenvolvidas no Brasil acerca da tecnologia recomenda-se consulta ao endereço eletrônico do Ministério da Ciência e Tecnologia www.mct.gov.br. As Figuras 22 A e 22-B na página seguinte apresenta um quadro resumido de algumas ações estratégicas e resultados esperados com implantação de políticas relacionadas ao desenvolvimento de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica.

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9.7 Os Recursos Humanos ou Capital Humano Os Recursos Humanos, também denominados de Capital humano, caracteriza-se como todo o esforço humano, físico ou mental, despendido no processo de geração de bens e serviços abrangendo diversos segmentos das atividades econômicas. Nesse conjunto alguns exemplos podem ser citados como o trabalho de um operário em uma indústria de transformação ou na construção civil, os serviços prestados pelos médicos, engenheiros, jornalistas, cientistas na realização de pesquisa, atendentes em lojas comerciais ou estabelecimentos bancários. Os Recursos Humanos assumem uma importância significativa por ser um dos principais elementos relacionados ao processo de geração de bens e serviços. De um lado participa do processo de oferta de bens e serviços enquanto fornecedor da sua força de trabalho. Por outro lado, assume um papel de consumidor de bens e serviços na qualidade de demandante. Essa correlação é obtida através de um elemento denominado de Mercado de Trabalho. Enquanto provedor do processo de geração de bens e serviços, os recursos humanos recebem uma renda proveniente da disponibilização da sua força de trabalho ao processo produtivo. Com a renda auferida pela disponibilização da força de trabalho, os Recursos Humanos passam, em função do atendimento das suas necessidades individuais, passam a ser um dos demandantes dos bens e serviços ofertados dinamizando o processo de geração de bens e serviços e, por extensão, a Economia. Para fins tributários e previdenciários, os Recursos Humanos tem seguinte composição:

Pelas Pessoas Físicas do Direito Privado, não autônomas, ao exercerem atividade econômica com vínculo empregatício. Para fins estatísticos são consideradas como População Mobilizada Economicamente estando inserida no Mercado de Trabalho Formal;

Pessoas Físicas do Direito Privado, autônomas, ao exercerem atividade econômica de caráter individual e sem vínculo empregatício. Para fins estatísticos são consideradas como População Mobilizada Economicamente estando inserida no Mercado de Trabalho Formal;

Pessoas Físicas do Direito Privado, domésticas ao exercerem o trabalho com vínculo empregatício. Para fins estatísticos são consideradas como População Mobilizada Economicamente estando inserida no Mercado de Trabalho Formal.

Pessoas Físicas do Direito Privado em cargo de direção ou dirigentes ao exercerem o trabalho empresarial, Para fins estatísticos são consideradas como População Mobilizada Economicamente estando inserida no Mercado de Trabalho Formal.

Pelas Pessoas Físicas do Direito Privado, com trabalho de caráter voluntário em geral vinculados às Organizações não Governamentais. Para fins estatísticos são consideradas como População Mobilizada Economicamente estando inseridas no Mercado de Trabalho Formal.

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Pelas Pessoas Físicas do Direito Privado, desempregadas voluntárias, desempregadas involuntárias e os informais. Para fins estatísticos são consideradas como População não Mobilizada Economicamente em um determinado momento estando inseridas no Mercado de Trabalho não Formal. A Figura 23

apresenta essa composição

não Formal . A Figura 23 apresenta essa composição Os Recursos Humanos quando enquadrados na categoria

Os Recursos Humanos quando enquadrados na categoria de não autônomos ou com vínculo empregatício são subdivididos em dois grupos: Recursos Humanos de Caráter Operacional e Recursos Humanos de Caráter Gerencial ou de Direção. Os Recursos Humanos de Caráter Operacional são aqueles relacionados com a execução direta das atividades econômicas. Já os Recursos Humanos de Caráter Gerencial, é aquele relacionado com a supervisão e gestão das atividades econômicas. Muito embora tenham funções aparentemente diferentes, ambos pertencem ao Mercado de Trabalho Formal estando sujeitos à relação de emprego. Aqueles que, em um determinado período de tempo, compõem os Recursos Humanos pertencentes ao Mercado de Trabalho não Formal - desempregados voluntários, os desempregados involuntários e os informais - têm a possibilidade de serem mobilizados como provedores de recursos para a geração de bens e serviços em função da dinâmica da Economia. Rossetti, no seu Livro Introdução á Economia (2002), denomina os recursos humanos como Fator Trabalho subdividindo-o em: População não Mobilizável Economicamente, População Mobilizada Economicamente e População não Mobilizada Economicamente. Para fins formais e legais a

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População não Mobilizável Economicamente é aquela composta pelos idosos acima de 65 anos, os incapazes juridicamente e os menores de 14 A soma da População Mobilizada Economicamente com a População não Mobilizada Economicamente, ou seja, a soma do Mercado de Trabalho Formal Com o Mercado de Trabalho Informal é denominada, na Literatura Econômica, como População Economicamente Ativa PEA. O Diagrama da Figura 24 dimensiona esse quadro.

– PEA. O Diagrama da Figura 24 dimensiona esse quadro. Estatisticamente, tanto em nível nacional como

Estatisticamente, tanto em nível nacional como em nível internacional, a determinação do índice ou indicador de emprego ou de desemprego, é realizada através da medição do comportamento da População Mobilizada Economicamente em relação à População Economicamente Ativa. O Quadro da Figura 25 apresenta um quadro do comportamento da População Economicamente Ativa do Brasil entre os anos de 1999 e 2004, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE para seis grandes regiões brasileiras: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife. A Figura 25- A apresenta o cálculo para determinação do índice de desemprego nos anos 2003 e 2004. Já o quadro da Figura 25-B

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10. SISTEMA ECONÔMICO: SEGMENTO OU SISTEMA FINANCEIRO A sobrevivência de qualquer Sistema Econômico está vinculada à existência de instrumentos financeiros que permitem a interação entre a Economia Real, representada pelo processo de geração de bens e serviços, e a Economia Nominal, representada pela remuneração financeira recebida pelos agentes econômicos que atuam nesse processo. Essa remuneração financeira pode ser denominada de Renda Individual e de Renda Nacional. A Renda Individual refere-se à remuneração recebida apenas por um agente econômico. A Renda Nacional refere-se à remuneração recebida pelo conjunto dos agentes econômicos. Os recursos relacionados à Economia Nominal via de regra tendem a circular no Segmento Financeiro do Sistema Econômico, também denominado de Sistema Financeiro. Doravante será utilizada a denominação Sistema Financeiro para designar o Segmento Financeiro do Sistema Econômico. No Sistema Financeiro situam-se as fontes de recursos monetários necessária ao processo de ge ração de bens e serviços, tanto sob a ótica da produção como sob a ótica do consumo. Com esse intuito, o Sistema Financeiro cumpre quatro funções básicas:

Receber recursos financeiros dos agentes econômicos através de depósitos em contas corrente, poupança, aplicações financeiras e outras fontes legais objetivando criar reservas destinadas à concessão de financiamentos e empréstimos a outros agentes econômicos e ao governo;

Prover recursos Financeiros ao governo através do financiamento da dívida pública;

Prover de recursos financeiros através da concessão de financiamentos e empréstimos aos agentes econômicos envolvidos no processo de geração de bens e serviços para atender as demandas da sociedade interna e da sociedade externa;

Prover de recursos financeiros, através de financiamentos e empréstimos aos agentes econômicos para que estes possam adquirir bens e serviços para suprir as suas necessidades de demanda(consumo). Para que o Sistema Financeiro possa cumprir de forma satisfatória essas quatro funções básicas torna-se necessário que sejam incorporados a esse processo dois elementos que, associados, se constituem na essência de funcionamento de um Sistema Financeiro. São eles o conceito de fontes de recursos e o conceito de intermediação de recursos financeiros. O conceito de fontes de recursos se caracteriza como a origem institucional de onde saem os recursos financeiros que vão custear os financiamentos e empréstimos realizados pelos agentes econômicos quer associados ao processo de geração de bens e serviços ou associados ao custeio da demanda por bens e serviços (consumo).

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Em razão da magnitude e complexidade adquirida pelas operações financeiras, principalmente com o advento da tecnologia da informação e da redução da utilização de instrumentos inibidores do fluxo monetário internacional, as fontes de recursos disponíveis podem se localizar no âmbito interno de um país ou no exterior conforme a natureza da operação. A Figura 28-A apresenta um dimensionamento das principais fontes de recursos.

um dimensionamento das principais fontes de recursos. Os recursos de origem própria são aqueles de propriedade

Os recursos de origem própria são aqueles de propriedade do agente econômico decorrente da formação de reservas financeiras. A utilização dessa modalidade de recursos para custeio não implica em endividamento. Em nível empresarial a sua contabilização é registrada como conta de patrimônio líquido no balanço patrimonial. Os recursos do mercado financeiro interno são aqueles obtidos junto às instituições de crédito localizadas no próprio país. A utilização dessa modalidade de recursos para custeio implica em endividamento. Em nível empresarial a sua contabilização é registrada como passivo no balanço patrimonial. Os recursos do mercado financeiro externo são aqueles obtidos junto às instituições de crédito localizadas fora do país estando sujeitos à conversão cambial. A utilização dessa modalidade de recursos para custeio também implica em endividamento. Em nível empresarial, observada a conversão cambial, a sua contabilização é registrada como conta de passivo no balanço patrimonial.

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Os recursos do mercado de capitais interno são aqueles obtidos pelas empresas junto ao mercado de capitais do país via emissão de títulos mobiliários. A utilização dessa modalidade de recursos para custeio pode implicar em endividamento ou não endividamento. Quando os títulos emitidos forem de crédito, a exemplo de debêntures, a sua utilização implica em endividamento sendo a sua contabilização registrada em conta de passivo no balanço patrimonial. Quando os títulos emitidos forem patrimoniais não implica em endividamento sendo a sua contabilização registrada em conta de patrimônio líquido no balanço patrimonial, pois implica em aumento do capital social. Os recursos do mercado de capitais externo são aqueles obtidos pelas empresas junto ao mercado de capitais externo via emissão de títulos mobiliários estando sujeitos à conversão cambial. A utilização dessa modalidade de recursos para custeio pode implicar em endividamento ou não endividamento. Quando os títulos emitidos forem de crédito, a exemplo de debêntures, a sua utilização implica em endividamento sendo a sua contabilização, observada a conversão cambial, registrada em conta de passivo no balanço patrimonial. Quando os títulos emitidos forem patrimoniais não implica em endividamento sendo a sua contabilização, observada a conversão patrimonial, registrada em conta de patrimônio líquido no balanço patrimonial, pois implica em aumento do capital social. Os recursos dos fundos setoriais públicos são aqueles obtidos junto aos denominados fundos constitucionais, a exemplo do Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO), diferenciando-se dos recursos obtidos junto às instituições em virtude de terem taxa de juros abaixo de mercado. A utilização dessa modalidade de recursos para custeio implica em endividamento. Em nível empresarial a sua contabilização é registrada como passivo no balanço patrimonial. Os recursos de entidades supranacionais são aqueles obtidos junto às instituições de caráter mundial, a exemplo Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), envolvendo projetos que implicam na movimentação de grandes volumes financeiros exigindo-se aval governamental para a sua realização. Diferem-se dos recursos obtidos às instituições de crédito internacional em virtude de terem taxa de juros abaixo de mercado. A utilização dessa modalidade de recursos para custeio implica em endividamento sendo a sua contabilização registrada como passivo no balanço patrimonial. Os recursos Private Equity são aqueles obtidos pelas empresas junto a fundos privados no país ou no exterior possuindo um caráter associativo. A utilização dessa modalidade de recursos para custeio implica na concordância com a presença de um novo sócio nas decisões de gestão. A sua contabilização por não implicar em endividamento é registrada em conta de patrimônio líquido no balanço patrimonial, implicando em aumento do capital social.

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O Conceito de Intermediação de Recursos Financeiros também como decorrência do processo de internacionalização da economia tem adquirido nos últimos anos um acentuado grau de sofisticação na medida em que as relações entre os diversos Agentes Econômicos tornam-se cada vez mais complexas e mais abrangentes. Essas relações têm sido estimuladas pela ampliação das transações econômicas com a inserção no processo da tecnologia da informação. Esse fato exige uma atuação mais efetiva do Estado, sob a ótica do Direito Constitucional, Econômico e Financeiro, no sentido de uma ação reguladora com o intuito de manter um equilíbrio imprescindível em todo o Sistema Financeiro, isto por uma questão de credibilidade institucional e para evitar crises financeiras acentuadas. A intermediação de recursos financeiros é um processo essencial ao desenvolvimento econômico sustentado e se caracteriza como uma forma de aproximação, através das instituições financeiras, entre os poupadores superavitários e os poupadores deficitários. Na intermediação financeira o bem transacionado é o dinheiro, representado por moeda e títulos, tendo como motivador um elemento denominado juros, que representa a remuneração do capital financeiro que, por sua vez, tem um preço que é denominado de Taxa de Juros. Os poupadores superavitários, que podem ser Agentes Econômicos do Setor Público ou do Setor Privado, são aqueles que depositam os seus recursos no Sistema Financeiro sendo caracterizados como aplicadores de recursos financeiros, podendo receber ou não uma remuneração (juros) da instituição financeira receptora. Os poupadores deficitários, que da mesma forma podem ser Agentes Econômicos do Setor Público ou do Privado, são aqueles que buscam o Sistema Financeiro no sentido de obter recursos para investimentos, para a aquisição de bens e serviços ou para custeio da suas atividades sendo caracterizados como tomadores de recursos, sujeitando-se ao pagamento de uma remuneração (juros) junto à instituição financeira. Nesse aspecto é importante ressaltar que, a remuneração (juros) quando paga aos poupadores superavitários aplicadores de recursos - é inferior à remuneração (juros) cobrada dos poupadores deficitários tomadores de recursos. A diferença entre a remuneração que uma instituição do Sistema Financeiro cobra dos seus tomadores de recursos e a remuneração que essa mesma instituição do Sistema Financeiro paga aos seus aplicadores de recursos recebe a denominação de Spread Bancário, estando este sujeito a uma série de outras variáveis, dentre as quais a atuação do Governo no exercício da atividade de regulação.

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Ressalta-se que o Governo, enquanto tomador de recursos junto às instituições do Sistema Financeiro estabelece um parâmetro máximo para o pagamento da remuneração na negociação com essas instituições. Esse parâmetro máximo é denominado de Taxa SELIC -Taxa do Sistema de Liquidação e Custódia de Títulos Públicos, que é definida mensalmente pelo Comitê de Política Monetária COPOM. A Taxa SELIC, assim, passa a se constituir na Taxa Básica da Economia, ou seja, aquela que vai servir de referência para realização das demais operações envolvendo a intermediação de recursos financeiros. O diagrama da Figura 26 A apresenta um retrato da Intermediação de Recursos Financeiros

um retrato da Intermediação de Recursos Financeiros Professor José Luiz Miranda (ORG) Blog

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A O diagrama da Figura 27 apresenta um exemplo numérico de um Spread Bancário Simples.

um exemplo numérico de um Spread Bancário Simples. 10.1 Subdivisão do Sistema Financeiro no Brasil Para

10.1 Subdivisão do Sistema Financeiro no Brasil

Para cumprir a sua missão de intermediação de recursos financeiros o Sistema Financeiro é subdividido em quatro partes ou mercados em razão da sua característica formal, segundo Rossetti no

Livro Introdução à Economia (2002; pp.633-638). Assim, o Sistema Financeiro é composto pelos Mercados Monetário, Cambial, de Crédito e de Capitais, cada com a sua própria função. O Mercado Monetário é caracterizado como aquele em que são realizadas as operações interbancárias de curto e curtíssimo prazo, onde o Governo executa a Política Monetária através de instrumentos de controle e de financiamento da Dívida Pública.

O Mercado Cambial é caracterizado como aquele em que são realizadas as operações relativas à

troca de moedas de curso internacional abrangendo operações de turismo, recursos financeiros para a exportação e para a importação. Essas operações são realizadas com base no câmbio flutuante, onde a cotação acompanha o comportamento diário de mercado.

O Mercado de Crédito é caracterizado como aquele em que são realizadas as operações de caráter

bancário onde as pessoas físicas e jurídicas movimentam seus recursos, saldam os seus compromissos, depositam nas cadernetas de poupança, fazem aplicações financeiras, obtêm financiamentos,

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empréstimos e créditos. É o mercado do Segmento Financeiro mais visível pela sociedade em função da presença das agências de diversas instituições financeiras pelo Brasil, tais como as da Caixa Econômica, do Banco do Brasil, do Bradesco, do Itaú, do HSBC, entre outras.

O Mercado de Capitais é caracterizado como aquele em que são realizadas as operações de

distribuição e negociação de títulos e valores mobiliários, que têm perfil de longo prazo ou perpétuos

que são emitidos pelas empresas de capital aberto e pelo próprio Governo. Nele são realizadas as operações de compra e a venda das ações das empresas com o estabelecimento de cotações de preços pelas Bolsas de Valores De forma acessória ao Segmento Financeiro ainda existem algumas instituições que atuam em

caráter complementar auxiliando Estado no sentido do acompanhamento de projetos, administração de recursos de interesse social e na concessão de financiamentos especiais destinados aos Agentes Econômicos. Essas instituições são denominadas de Agências Especiais de Fomento ou Entidades Auxiliares podendo, algumas delas atuar normalmente em outras funções do Segmento Financeiro. No Brasil são enquadradas como Agências Especiais de Fomento: O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, o Banco do Brasil, a caixa Econômica Federal e os s Fundos Setoriais de Financiamento. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES: atua na concessão de financiamentos destinados ao fomento de investimentos destinados à infra-estrutura e projetos de interesse social e estratégico para o País.

O Banco do Brasil: Atua na concessão de financiamentos voltados ao fomento de investimentos

voltados ao setor agropecuário.

A Caixa Econômica Federal: Atua na concessão de financiamentos voltados ao fomento de

investimentos voltados ao Setor de Construção Civil e ao acompanhamento de projetos vinculados ao

desenvolvimento Urbano Os Fundos Setoriais: Atuam na concessão de financiamentos para investimento de caráter

regional tais como o Fundo Constitucional do Centro Oeste, Fundo de Investimento da Amazônia, entre outros.

A Figura 28 apresenta a subdivisão básica do Sistema Financeiro no Brasil e a Figura 28-A

apresenta um dimensionamento das diversas fontes de recursos disponíveis para custear o processo de

geração de bens serviços, bem como a sua respectiva demanda.

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11. SISTEMA ECONÔMICO: SEGMENTO DE BENS E SERVIÇOS Em nível do Sistema Econômico é para o Segmento de Bens e Serviços que converge do resultado do processo produtivo caracterizado como a Oferta de Bens e Serviços destinados ao atendimento das Demandas da Sociedade Interna (pessoas físicas, pessoas jurídicas e governo) e Demandas da Sociedade Externa (não residentes no País). É nesse segmento que os indivíduos e as organizações buscam atender as suas necessidades, o que estimula todo processo produtivo nos qual os agentes econômicos em suas diversas atividades e utilizando-se de recursos situados no Segmento de Fatores de Produção e no Segmento Financeiro ou Sistema Financeiro, participam da geração de bens e serviços. A Figura 29 apresenta uma síntese desse processo.

A Figura 29 apresenta uma síntese desse processo. Professor José Luiz Miranda (ORG) Blog

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Nesse aspecto ressalta-se que as demandas da sociedade podem ser de caráter intermediário ou de

caráter final.

A demanda de caráter intermediário é aquela resultante do próprio processo de geração de bens e

serviços, ou seja, a necessidade que é criada pelo Segmento de Fatores de Produção.

A demanda de caráter final, por sua vez, é aquela resultante das necessidades de consumo da

própria sociedade, ou seja, aquela relacionada com o seu cotidiano.

Sob ponto de vista econômico esse segmento é subdividido em duas grandes categorias:

Bens e Serviços. Os Bens possuem uma natureza física sendo considerados tangíveis. Pela sua destinação e

conforme seu posicionamento na cadeia produtiva os Bens são classificados pelos seguintes grupos:

Bens de Consumo, Bens de Transformação e Bens de Capital. Para fins estatísticos, de

acompanhamento e de atendimento às disposições legais em processos de licitação dos órgãos públicos,

cada um desses grupos é objeto de uma nova subclassificação.

Os Serviços, por sua vez, não possuem uma natureza física sendo considerados intangíveis. Os

Serviços, pela sua destinação, são classificados como Serviços Públicos e Serviços Privados. A Figura

30 representa a classificação geral dos Bens e Serviços.

FIGURA 30 SISTEMA ECONÔMICO: SEGMENTO DE BENS E

SERVIÇOS

É o segmento para onde converge o resultado da geração de bens e serviços destinado ao

atendimento das demandas da sociedade interna e demandas da sociedade externa.

Segmento de Bens e Serviços Segmento de Bens e Serviços
Segmento de Bens e Serviços
Segmento de Bens e Serviços

Segmento que

possui maior

visibilidade

e Serviços Segmento que possui maior visibilidade Bens Bens Bens de Consumo Bens de Consumo Bens
Bens Bens Bens de Consumo Bens de Consumo Bens de Transformação Bens de Transformação Bens
Bens
Bens
Bens de Consumo
Bens de Consumo
Bens de Transformação
Bens de Transformação
Bens de Capital
Bens de Capital
Serviços
Serviços
Serviços Públicos
Serviços Públicos
Serviços Privados
Serviços Privados

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11.1 Classificação dos Bens de acordo com a sua destinação Bens de Consumo Os Bens de Consumo são aqueles destinados ao atendimento das demandas de caráter final relacionada às necessidades de consumo da sociedade oriundas das pessoas físicas, das pessoas jurídicas, do governo e pelos não residentes no país. O grupo de Bens de Consumo juntamente com os Serviços Públicos e Serviços Privados são utilizados como fonte para medição do índice de inflação de demanda e, também, para pesquisa quanto ao nível de satisfação do consumidor. Em função da sua característica e durabilidade os Bens de Consumo são ainda subdivididos em três grupos: Bens de Consumo Perecíveis, Bens de Consumo Semi-Duráveis e Bens de Consumo Duráveis. Os Bens de Consumo Perecíveis são aqueles que, no atendimento a uma necessidade, sobrevivem a apenas uma utilização podendo, em determinados casos, ficarem sujeitos a uma acentuada deterioração, o que tende a ocasionar perdas para o agente econômico produtor. São exemplos de Bens de Consumo Perecíveis: Produtos hortifrutigranjeiros; produtos agropecuários; produtos derivados do leite; gêneros alimentícios; bebidas gerais; combustível automotivo; lubrificantes; gás liquefeito; material hospitalar e de laboratório; material de limpeza e conservação, etc.

Os Bens de Consumo Semiduráveis são aqueles que, no atendimento a uma necessidade, precisam ser substituídos periodicamente em função do seu desgaste ou em razão da incorporação de novos atributos ou tendências. São exemplos de Bens de Consumo Semiduráveis: Vestuários; produtos têxteis; calçados; utensílios domésticos, etc. Os Bens de Consumo Duráveis são aqueles que podem ser substituídos após um longo período de utilização, em razão da incorporação de novas tecnologias ou, ainda, em virtude da melhoria do padrão de renda. São exemplos de Bens de Consumo Duráveis: Imóveis; bicicletas e similares; automóveis; aparelhos eletro-eletrônicos; mobiliários; computadores domésticos, etc. 11.2 Classificação dos Bens de acordo com a sua destinação Bens de Transformação Os Bens de Transformação são usualmente destinados ao Segmento de Fatores de Produção sendo objeto de transformação no Processo de Geração de Bens e Serviços. Assim, os Bens de Transformação, denominados por Rossetti 19 como Bens Intermediários, correspondem às Matérias- Primas Transformadas sendo que a oscilação do seu preço pode influenciar os preços dos Bens de Consumo disponibilizados para atendimento da demanda da sociedade interna e da sociedade externa. São exemplos de Bens de Transformação: Combustíveis Minerais - gasolina, óleo diesel, gás

19 Op. Cit. Pp.146

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liquefeito; ferro gusa, ligas metálicas para automóveis, aviões e navios; produtos petroquímicos - plásticos, nafta, hidrocarbonetos; borracha, energia elétrica; componentes eletrônicos; celulose para a produção de papéis e embalagens, semicondutores, etc. 11.3 Classificação dos Bens de acordo com a sua destinação Bens de Capital Os Bens de Capital, de forma semelhante aos bens de transformação, são usualmente destinados ao Segmento de Fatores de Produção sendo utilizados no Processo de Geração de Bens e Serviços, mas não sujeitos à transformação. Os Bens de Capital, denominados por Rossetti 20 como bens de produção. Os Bens de Capital podem ter uma característica móvel ou ter uma característica imóvel; são de uso particular de cada agente econômico e estão sujeitos a um processo de depreciação. São exemplos de Bens de Capital: Instalações físicas;Instalações industriais; prédio; galpões; máquinas e equipamentos, móveis e utensílios; veículos automotivos, etc A Figura 31 apresenta um quadro resumido da classificação dos bens de acordo com a sua destinação e características.

FIGURA 31 SEGMENTO DE BENS E SERVIÇOS: CLASSIFICAÇÃO

DOS BENS

Bens Bens Bens de Consumo Bens de Consumo Tangíveis Bens Perecíveis Bens Perecíveis Bens Semiduráveis
Bens
Bens
Bens de Consumo
Bens de Consumo
Tangíveis
Bens Perecíveis
Bens Perecíveis
Bens Semiduráveis
Bens Semiduráveis
Bens Duráveis
Bens Duráveis
Bens de Transformação
Bens de Transformação
Matérias -Primas Transformadas
Matérias -Primas Transformadas
Bens de Capital
Bens de Capital
Máquinas, equipamentos, etc.
Máquinas, equipamentos, etc.

11.4 Classificação dos Serviços com a sua destinação Serviços Públicos e Serviços Privados Os Serviços Públicos são aqueles prestados por agentes econômicos do setor público ou por agentes econômicos do setor privado mediante concessão ou transferência sujeita a regulação pelo Estado. A prestação dessa modalidade de serviço usualmente está vinculada à qualidade existente da Infra-estrutura Econômica e Infra-estrutura Social (elementos do Segmento de Fatores de

20 Op Cit. Pp. 146-147

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Produção).Quanto melhor a qualidade dessas infra-estruturas melhor tende a ser a qualidade dos serviços de utilidade pública. São exemplos de serviços públicos: Serviço de segurança pública e ostensiva; transporte coletivo; serviços de gás natural; serviços de água e esgoto; serviços de fornecimento de energia elétrica; serviços de telecomunicações; serviços hospitalares públicos; serviços de educação pública, etc Os Serviços Privados são aqueles prestados por agentes econômicos do setor privado e, a sua qualidade dependerá do nível de qualificação do próprio agente econômico responsável pelo seu fornecimento. São exemplos de serviços privados: Assistência médica privada; serviços hospitalares privados; serviços odontológicos privados; serviços farmacêuticos privados; assinaturas de jornais revistas e televisão; segurança privada; transporte privado; serviços financeiros das instituições privadas; espetáculos; lazer; educação privada; hotelaria, etc. A Figura 32 apresenta um quadro resumido da classificação dos serviços de acordo com a sua destinação.

FIGURA 32 SEGMENTO DE BENS E SERVIÇOS: CLASSIFICAÇÃO DOS

SERVIÇOS

Vinculados ao nível da qualidade da Infra-estrutura Econômica e Social SERVIÇOS SERVIÇOS Serviços ´Públicos :
Vinculados ao nível da qualidade da
Infra-estrutura Econômica e Social
SERVIÇOS
SERVIÇOS
Serviços ´Públicos :
Serviços ´Públicos :
São fornecidos por:
São fornecidos por:
Intangíveis
Agentes do Setor Privado mediante
Agentes do Setor Privado mediante
concessão ou transferência sujeita
concessão ou transferência sujeita
Agentes econômicos do Setor Público
Agentes econômicos do Setor Público
a
a
regulação pelo Estado
regulação pelo Estado
Serviços Privados
Serviços Privados
Vinculados ao nível de
Fornecidos por Agentes do Setor Privado
Fornecidos por Agentes do Setor Privado
qualificação do agente econômico

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12. SISTEMA ECONÔMICO: CONCEITO DE INVESTIMENTO Em termos temporais, a decisão de investir se caracteriza como uma iniciativa do presente motivada pela perspectiva de se obter benefícios no futuro, decisão esta materializada através da implantação de projetos de investimento pelos agentes econômicos do setor público e do setor privado. Conforme a natureza e os objetivos pretendidos, a decisão de se implantar um projeto de investimento deve estar baseada necessariamente em informações qualitativas, em estudos de viabilidade econômico-financeira e em avaliações de cenários de modo a minimizar riscos e incertezas que possam provocar o insucesso do projeto. Nessas condições, como principal elemento motivador da decisão, o Retorno do Investimento se caracteriza como o benefício advindo com a implantação de um projeto representando este a compatibilização entre os seus Custos e as Receitas advindas. Os Custos são representados pelos recursos financeiros aplicados que têm as suas fontes vinculadas à natureza e característica do projeto podendo estas fontes ser de origem pública, de origem privada, de origem internacional ou de origem própria. As Receitas são a representação financeira direta ou indireta do benefício advindo com a implantação do projeto. Se as Receitas forem maiores que os Custos, o projeto de investimento demonstra viabilidade motivando o agente econômico quanto à implantação. Se as Receitas forem menores que os Custos o projeto de investimento demonstra inviabilidade, o que pode não motivar o agente econômico quanto à implantação. A Figura 33 apresenta um diagrama representativo da decisão de investimento.

FIGURA 33 DECISÃO DE INVESTIMENTO

Ação no presente

FIGURA 33 – DECISÃO DE INVESTIMENTO Ação no presente Hoje Decisão de Investimento Informações qualitativas

Hoje

33 – DECISÃO DE INVESTIMENTO Ação no presente Hoje Decisão de Investimento Informações qualitativas Retorno
33 – DECISÃO DE INVESTIMENTO Ação no presente Hoje Decisão de Investimento Informações qualitativas Retorno

Decisão de Investimento

Ação no presente Hoje Decisão de Investimento Informações qualitativas Retorno do Investimento

Informações qualitativas

Retorno do Investimento

Benefício e expectativa de sucesso Informação Futuro PROJETO DE INVESTIMENTO Informação
Benefício e expectativa de
sucesso
Informação
Futuro
PROJETO DE INVESTIMENTO
Informação

Estudos de viabilidade econômico -financeira

Avaliação de cenários

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Para a Economia, as decisões individuais dos agentes econômicos na implantação dos seus projetos de investimento, no seu conjunto, tendem a criar condições para um aprimoramento constante e permanente do processo de geração de bens e serviços para o atendimento das demandas da sociedade interna e da sociedade externa, criando uma dinâmica que vai resultar em um crescimento econômico mais acentuado e uma maior criação de emprego( utilização mais acentuada de recursos humanos) e geração de renda para o consumo de bens e serviços. De forma geral, na criação de condições para um aprimoramento constante e permanente do processo de geração de bens e serviços, as decisões de investimento são direcionadas para melhorias e qualificação de elementos situados no Segmento de Fatores de Produção, tais como Infra-estrutura Econômica, Infra-estrutura Social, Bens de Capital, Tecnologia e Recursos Humanos. A melhoria e qualificação desses elementos tendem a motivar a realização de novos investimentos, conforme a expectativa do agente econômico envolvido na decisão. Exemplificando:

Os investimentos realizados em rodovias, elemento da Infra-estrutura Econômica, cria estímulos para que novas empresas possam a vir se instalar em regiões até então desprovidas de ligação viária que, por sua vez, poderão fazer novos investimentos que tenderão a criar empregos e gerar renda possibilitando, assim, a aquisição de bens e serviços para suprir as demandas locais criando um ciclo econômico. Um outro exemplo é o caso do investimento em educação, elemento da Infra-estrutura Social, que possibilita uma maior qualificação dos Recursos Humanos criando atratividade para a instalação empresas de empresas em uma região, notadamente àquelas detentoras de tecnologia agregada que, a partir da implantação de seus projetos de investimento, tenderão criar empregos e gerar renda. Na Literatura Econômica o volume de investimentos realizados em um determinado período é denominado de Formação Bruta de Capital Fixo - FBCF, cujo desempenho, no Brasil, é acompanhado permanentemente por instituições públicas e instituições privadas dentre as quais o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPEA, o IBGE e a Fundação Getúlio Vargas FGV. Os projetos de investimento são altamente variados em função da própria diversificação dos agentes econômicos e os objetivos pretendidos por cada um dos projetos. No entanto, é possível agrupá-los em quatro categorias com a seguinte denominação: Projetos de Investimento de Natureza Pública; Projetos de Investimento de Natureza Privada; Projetos de Investimento em Parceria-Público Privada e Projetos de Investimento de Natureza Externa. Projetos de Investimento de Natureza Pública - São aqueles realizados diretamente pelos Agentes Econômicos do Setor Público tendo, como fonte de recursos financeiros, o Orçamento Geral

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da União, Fundos Setoriais, Organismos Internacionais e outras fontes legais, destinando-se à ampliação, melhoria e qualificação de elementos da Infra-estrutura Econômica, da Infra-estrutura Social e da Tecnologia em nível estratégico. São Exemplos desses projetos: Ampliação e melhoria de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias; melhoria e qualificação da rede saúde pública; implantação e ampliação da rede de água tratada, esgoto e tratamento de resíduos sólidos; melhoria, aperfeiçoamento e qualificação da saúde pública; projetos sociais; desenvolvimento de pesquisas estratégicas voltadas à inovação tecnológica, etc. Projetos de Investimento de Natureza Privada - São aqueles realizados diretamente pelos Agentes Econômicos do Setor Privado, tendo, como fonte de recursos financeiros, aqueles próprios, oriundos do Sistema Financeiro e de outras fontes legais, destinando-se à aquisição, ampliação, modernização e qualificação de elementos de Bens de Capital, Recursos Humanos e Tecnologia. São Exemplos desses projetos: Ampliação de instalações físicas, aquisição de máquinas e equipamentos para a produção, qualificação do corpo operacional e gerencial da empresa; melhoria do processo produtivo, modernização do parque industrial, desenvolvimento de tecnologia de processos, etc. Projetos de Investimento em Parceria Público-Privada - São aqueles realizados em parceria por Agentes Econômicos do Setor Público e do Setor Privado tendo, como fonte de recursos financeiros, aqueles próprios, o Orçamento Geral da União, Fundos Setoriais, Organismos Internacionais e outras fontes legais, destinando-se à ampliação, melhoria e qualificação de elementos principalmente da Infra- estrutura Econômica. São Exemplos desses projetos: Ampliação e melhoria de portos, aeroportos, rodovias, ferrovia, etc. Projetos de Investimento de Natureza Externa - São aqueles realizados por Agentes Econômicos não residentes no País tendo, como fonte de recursos financeiros, aqueles próprios de origem externa, agências de financiamentos internacionais, Banco Interamericano de Desenvolvimento BID, Banco Mundial, destinando-se ao Setor Público e ao Setor Privado. São exemplos desses projetos: Ampliação e melhoria de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias; Ampliação de instalações físicas, aquisição de máquinas e equipamentos para a produção; Pesquisa e prospecção; desenvolvimento de tecnologia de processos etc.

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13. SISTEMA ECONÔMICO: CONCEITO DA DINÂMICA DA ECONOMIA A presença das necessidades individuais e a busca da satisfação dessas necessidades através das motivações criam as demandas da sociedade interna e da sociedade. Essas demandas sociais percebidas pelos agentes econômicos do setor público e do setor privado estimulam o desenvolvimento de ações vinculadas às atividades econômicas e a realização de investimentos que dinamizam a Economia através do processo de geração de bens e serviços que beneficiam o conjunto da sociedade. No entanto esse ideal encontra um obstáculo presente em qualquer sociedade, desde aquelas de padrão de renda mais desenvolvidas até aquelas menos desenvolvidas: As demandas sociais superam em larga escala a possibilidade do seu atendimento em função de um elemento de forte influência denominado de escassez ou limitação de recursos que traz, como conseqüência, a incorporação da seleção ao processo. Essa escassez ou limitação de recursos pode estar relacionada aos recursos naturais, aos insumos, aos recursos financeiros, à tecnologia disponível, aos recursos humanos, à limitação orçamentária, ao meio ambiente, entre outras Para atendimento das demandas sociais e em face da incorporação da seleção ao processo, os agentes econômicos do setor privado tendem a direcionar as suas ações para geração de bens e serviços que propiciem maior retorno financeiro, enquanto que os agentes econômicos do setor público tendem a direcionar as suas ações para questões associadas a políticas públicas e àquelas voltadas ao atendimento das necessidades básicas da sociedade. A busca da compatibilização entre o atendimento das demandas sociais e a escassez ou limitação de recursos se constitui no Problema Central da Economia (PCE) que se resume em obter respostas para três questões básicas: O que produzir? Como produzir? Para quem produzir? O que produzir? - Como não é possível produzir-se em larga escala tudo aquilo desejado pela sociedade em termos de tipos e quantidades de bens e serviços, é necessário se fazer uma seleção entre as várias alternativas disponíveis definindo-se quais serão prioritárias e em que quantidade deverá ser disponibilizada à sociedade. Por exemplo, incentivar a produção agrícola ou estimular a produção de automóveis ou as duas alternativas combinadas. Como produzir? - Derivada da questão anterior, a sociedade deve decidir a maneira pela qual os bens e serviços considerados prioritários deverão ser produzidos, a combinação tecnológica mais adequada, quais os fatores de produção deverão ser utilizados e que meios deverão ser utilizados para reduzir os custos em função da limitação de recursos.

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Para quem produzir? Uma vez decidido o que deve ser produzido, a quantidade a ser produzida e a forma de se produzir surge a terceira questão de se definir quem serão os beneficiários dos bens e serviços produzidos, de que maneira deverá ser feita a distribuição segundo a contribuição de cada um na produção ou segundo a sua necessidade. As respostas às questões relacionadas ao Problema Central da Economia e busca de soluções para esse problema de desencadeiam um conjunto de ações dos agentes econômicos. Essas ações visam a busca de melhor qualificar o Processo de Geração de Bens e Serviços e minimizar os efeitos decorrentes da escassez e limitação de recursos através de ações relacionadas à pesquisa e inovação tecnológica, reciclagem e utilização racional dos recursos naturais, à qualificação dos Recursos Humanos, à incorporação de novas técnicas de produção, entre outras ações que, como conseqüência, permitirá a modernização permanente do processo. A Figura 34 apresenta um diagrama representativo do Problema Central da Economia.

um diagrama representativo do Problema Central da Economia. Professor José Luiz Miranda (ORG) Blog

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14. CONCEITO DE RENDA, CONSUMO E POUPANÇA. A Renda, o Consumo e a Poupança são variáveis econômicas interdependentes e de forte influência no comportamento dos agentes econômicos no processo de geração de bens e serviços, tanto pelo lado da demanda como pelo lado da oferta, cujas definições permitem uma melhor compreensão do papel dessas variáveis no contexto da Economia. 14.1 Renda Essa variável expressa a quantidade de unidades monetárias recebidas pelos agentes econômicos no exercício das suas atividades em um determinado período. Em nível da sociedade interna é subdivida em: Renda das Empresas, Renda das Pessoas Físicas (assalariadas e não assalariadas); Renda do Governo e Renda Nacional. a) Renda das Empresas

A Renda das Empresas, que usualmente recebe a terminologia de Receita das Empresas,

corresponde ao volume de recursos recebidos pela venda ou comercialização de bens ou serviços, sendo subdivida em três grandes grupos básicos: Receita Bruta; Receita Líquida antes dos impostos e Receita Líquida Disponível. Receita Bruta: É Representada pelo volume bruto de recursos recebidos pela empresa. Receita Líquida antes dos impostos sobre a renda: É representada pelo volume de recursos líquidos como resultado das seguintes deduções: Custos operacionais associados à geração do bem ou serviço (insumos, bens de capital, frete, etc.); impostos indiretos que são incidentes sobre a geração do bem ou serviço (IPI, ICMS, ISSQN, etc.); despesas administrativas (papel, telefone, energia elétrica, etc); encargos trabalhistas (salários, FGTS, Previdência Social, outros benefícios concedidos, etc.). Receita Líquida Disponível: É representada pelo volume de recursos disponíveis obtido pela empresa (Lucro) após a dedução do Imposto sobre a renda e acrescido de eventuais benefícios fiscais. Esse valor, a critério dos administradores poderá ser destinado à remuneração dos proprietários, à realização de investimentos ou á formação de reservas técnicas.

A Figura 35 apresenta um exemplo de receita das empresas.

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FIGURA 35 : EXEMPLO DE RENDA OU RECEITA DAS EMPRESAS

Denominação

Denominação

RECEITA BRUTA

RECEITA BRUTA

(-)Custos Operacionais

(-)Custos Operacionais

Valor (R$)

Valor (R$)

10.000.000,00

10.000.000,00

4.000.000,00

4.000.000,00

(-)Custos Operacionais Valor (R$) Valor (R$) 10.000.000,00 10.000.000,00 4.000.000,00 4.000.000,00
(-)Custos Operacionais Valor (R$) Valor (R$) 10.000.000,00 10.000.000,00 4.000.000,00 4.000.000,00
(-)Custos Operacionais Valor (R$) Valor (R$) 10.000.000,00 10.000.000,00 4.000.000,00 4.000.000,00
(-)Custos Operacionais Valor (R$) Valor (R$) 10.000.000,00 10.000.000,00 4.000.000,00 4.000.000,00
(-)Custos Operacionais Valor (R$) Valor (R$) 10.000.000,00 10.000.000,00 4.000.000,00 4.000.000,00

(-) Impostos Indiretos

(-) Impostos Indiretos

500.000,00

500.000,00

(-)Despesas Administrativas

(-)Despesas Administrativas

1.000.000,00

1.000.000,00

(-) Encargos Trabalhistas

(-) Encargos Trabalhistas

2.000.000,00

2.000.000,00

= =

Receita antes do imposto sobre a renda

Receita antes do imposto sobre a renda

2.500.000,00

2.500.000,00

(-) Imposto sobre a renda

(-) Imposto sobre a renda

500.000,00

500.000,00

(+) Benefícios Fiscais

(+) Benefícios Fiscais

100.000,00

100.000,00

(=) Receita líquida disponível (Lucro)

(=) Receita líquida disponível (Lucro)

2.100.000,00

2.100.000,00

Possíveis destinações: Remuneração dos proprietários;Realização de

Possíveis destinações: Remuneração dos proprietários;Realização de

Investimentos; Reservas Técnicas

Investimentos; Reservas Técnicas

b) Renda das Pessoas Físicas Assalariadas e não Assalariadas Ambas têm semelhança por se tratar de uma recebida pela realização de um trabalho. No caso do assalariado o pagamento dos encargos, impostos e demais despesas, é realizado pela empresa mediante desconto realizado no salário. No caso do não assalariado o pagamento dos encargos, impostos e outras despesas é realizado pela própria Pessoa Física. A Figura 36 apresenta um exemplo.

FIGURA 36 : EXEMPLOS DE RENDA DE PESSOAS FÍSICAS ASSALARIADAS E

NÃO ASSALARIADAS

PESSOAS ASSALARIADAS

PESSOAS ASSALARIADAS

Receita Bruta

3.000,00

Receita Bruta

3.000,00

(-) Retenções (INSS, impostos, plano de saúde, fundo de

1.000,00

pensão, vale transporte, etc.

=

Receita Líquida

2.000,00

(-) Obrigações Compromissadas ( água,luz,telefone,

1.200,00

aluguel, contratos,etc.)

=

Receita Líquida Disponível

800,00

(-) Retenções (INSS, impostos, plano de saúde, fundo de

1.000,00

pensão, vale transporte, etc.

=

Receita Líquida

2.000,00

(-) Obrigações Compromissadas ( água,luz,telefone,

1.200,00

aluguel, contratos,etc.)

=

Receita Líquida Disponível

800,00

Possíveis destinações: consumo, poupança, aplicações financeiras , etc

Possíveis destinações: consumo, poupança, aplicações financeiras , etc

PESSOAS NÃO ASSALARIADAS

PESSOAS NÃO ASSALARIADAS

Receita Bruta

Receita Bruta

8.000,00

8.000,00

Encargos Profissionais (impostos, INSS, planos de saúde,

Encargos Profissionais (impostos, INSS, planos de saúde,

seguro, fundo de previdência, etc.)

seguro, fundo de previdência, etc.)

2.000,00

2.000,00

Receita Líquida

Receita Líquida

6.000,00

6.000,00

Obrigações Compromissadas (água, luz, telefone,aluguel,

Obrigações Compromissadas (água, luz, telefone,aluguel,

contratos, etc.)

contratos, etc.)

1.200,00

1.200,00

Receita

Receita

Líquida Disponível

Líquida Disponível

4.800,00

4.800,00

Possíveis destinações: consumos, poupança, aplicações financeira s, etc.

Possíveis destinações: consumos, poupança, aplicações financeira s, etc.

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c) Renda do Governo

É aquela proveniente da arrecadação de tributos e de outras fontes compulsórias que são

relacionadas à atividade econômica de um país, em um determinado período.Destina-se às despesas do

Governo relacionados aos seus compromissos constitucionais. A Receita Líquida Disponível é aquela representa o Superávit Primário sendo destinada ao pagamento do serviço da dívida. A Figura 37 apresenta um exemplo.

FIGURA 37 : EXEMPLO DE RENDA DO GOVERNO

Denominação

Denominação

Valor ( 1 milhão Reais)

Valor ( 1 milhão Reais)

RECEITA BRUTA ( impostos, taxas, contribuições e

RECEITA BRUTA ( impostos, taxas, contribuições e

outras fontes)

outras fontes)

300.000,00

300.000,00

(-) Obrigações Compromissadas ( Previdências Social,

(-) Obrigações Compromissadas ( Previdências Social,

destinações constitucionais, repasses constitucionais,

destinações constitucionais, repasses constitucionais,

etc.)

etc.)

100.000,00

100.000,00

(-)Despesas Administrativas e de Custeio

(-)Despesas Administrativas e de Custeio

40.000,00

40.000,00

(-) Encargos Trabalhistas

(-) Encargos Trabalhistas

50.000,00

50.000,00

(-) Investimentos

(-) Investimentos

80.000,00

80.000,00

= =

Receita Líquida Disponível (Superávit Primário)

Receita Líquida Disponível (Superávit Primário)

30.000,00

30.000,00

Possíveis destinações: Pagamento do serviço da dívida e formação de reservas de

Possíveis destinações: Pagamento do serviço da dívida e formação de reservas de

contingência

contingência

14.2 Consumo

O Consumo expressa a parcela da renda que é utilizada para o atendimento das necessidades

individuais de cada agente econômico que, no conjunto, resultar na Demanda por Bens e Serviços que se contrapõe à Oferta de Bens e Serviços gerada pelo processo produtivo. Em nível da sociedade

interna é subdividida em: Consumo das Famílias (Pessoas Físicas), Consumo das Empresas (Pessoas Jurídicas) e Consumo do Governo.

14.3 Poupança

A Poupança expressa a parcela da renda que não é utilizada no consumo e que pode ser utilizada

para constituição pelos agentes econômicos de reservas financeiras que poderão ser utilizadas para um eventual consumo futuro. O Consumo e a poupança têm uma relação direta com a receita líquida disponível de cada agente econômico quer seja este agente uma empresa (pessoa jurídica), pessoa física

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(assalariado ou não assalariado) e o próprio governo Somente haverá a capacidade de se fazer poupança se a receita líquida disponível se apresentar positiva, caso contrário não haverá essa possibilidade. Um outro aspecto relevante é que se o agente econômico optar por destinar uma maior parcela da renda disponível para o consumo de bens e serviços de forma imediata, menor será a parcela destinada à formação de poupança. O gráfico constante da Figura 38 apresenta o relacionamento entre a poupança e o consumo.

FIGURA 38 RELAÇÃO GRÁFICA ENTRE CONSUMO E POUPANÇA

FIGURA 38 – RELAÇÃO GRÁFICA ENTRE CONSUMO E POUPANÇA Receita Líquida Disponível Região de Poupança
Receita Líquida Disponível Região de Poupança Superavitária (Renda > Consumo ) Consumo de Bens e
Receita Líquida Disponível
Região de Poupança Superavitária (Renda > Consumo )
Consumo de Bens e Serviços
Região de Poupança Superavitária (Renda > Consumo )
(Renda > Consumo ) Consumo de Bens e Serviços Região de Poupança Superavitária (Renda > Consumo
(Renda > Consumo ) Consumo de Bens e Serviços Região de Poupança Superavitária (Renda > Consumo
(Renda > Consumo ) Consumo de Bens e Serviços Região de Poupança Superavitária (Renda > Consumo

Em nível da sociedade interna é subdividida em: Poupança do Setor Privado, Poupança do Setor Público e Poupança

A Poupança do Setor Privado: É aquela realizada pelos Agentes Econômicos pelas físicas e

pelas empresas (pessoas jurídicas) do setor privado. No caso das empresas, a poupança será representada pela retenção de uma parcela da receita líquida disponível, por decisão dos proprietários

ou dos acionistas, com a finalidade de custear os seus próprios projetos de investimento.

A Poupança do Setor Público: É aquela representada por eventuais superávits orçamentários do

Governo.

A Poupança Nacional; É aquela realizada pelo conjunto de todos os agentes econômicos do setor

privado e do setor público, de forma compulsória ou de forma voluntária, acrescida da poupança recebida do exterior por pessoas não residentes no País. A Figura 39 resume essa subdivisão.

.

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FIGURA 39 POUPANÇA: SETOR PÚBLICO, SETOR PRIVADO E

NACIONAL

POUPANÇA NACIONAL POUPANÇA NACIONAL
POUPANÇA NACIONAL
POUPANÇA NACIONAL
Setor Público Setor Público Agentes Econômico do Setor Público Agentes Econômico do Setor Público Setor
Setor Público
Setor Público
Agentes Econômico do Setor Público
Agentes Econômico do Setor Público
Setor Privado
Setor Privado
Pessoas Físicas Pessoas Físicas Pessoas Jurídicas Pessoas Jurídicas Exterior Exterior
Pessoas Físicas
Pessoas Físicas
Pessoas Jurídicas
Pessoas Jurídicas
Exterior
Exterior
Físicas Pessoas Jurídicas Pessoas Jurídicas Exterior Exterior Não residentes no País Não residentes no País

Não residentes no País

Não residentes no País

14.4. Formação de Poupança: Voluntária e Compulsória

A Poupança enquanto expressão da parcela da renda que não é utilizada no consumo e que pode

ser utilizada para constituição pelos agentes econômicos de reservas financeiras que poderão ser utilizadas para um eventual consumo futuro pode assumir uma característica de um ato compulsório ou de um ato voluntário.

A Formação de Poupança se caracteriza por um ato compulsório quando não é de livre decisão

dos agentes econômico resulta de indução decorrente da utilização de instrumentos legais pelo governo. São exemplos de formação de poupança compulsória: Previdência Social; FGTS; Programa

de Integração Social PIS, etc.

A Formação de Poupança se caracteriza por um ato voluntário quando é de é de livre decisão do

agente econômico sendo, em geral, direcionada ao Sistema Financeiro através de aplicações financeiras realizadas nas instituições financeiras. No entanto esse ato voluntário está condicionado a três elementos de estímulo que são a segurança, a rentabilidade e a liquidez. Segurança: Representa a garantia e credibilidade oferecida pela instituição financeira que é receptora dos recursos. Rentabilidade: Representa a garantia da remuneração que será recebida pela aplicação dos recursos na instituição financeira.

Professor José Luiz Miranda (ORG)

Blog http://jmirandagoiasnews.wordpress.com/

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Liquidez: Representa a possibilidade de dispor dos recursos aplicados no momento que melhor convier ao agente econômico. São exemplos de formação de voluntária: Caderneta de Poupança; Fundos de Previdência Privada; Fundos de Investimento, Aquisição de ações de empresas; aquisição de debêntures, etc. A Figura 40 apresenta um quadro resumido sobre a formação de poupança.

FIGURA 40 FORMAÇÃO DE POUPANÇA

COMPULSÓRIA

FIGURA 40 – FORMAÇÃO DE POUPANÇA COMPULSÓRIA Mecanismos de Indução VOLUNTÁRIA Livre Decisão Previdência
FIGURA 40 – FORMAÇÃO DE POUPANÇA COMPULSÓRIA Mecanismos de Indução VOLUNTÁRIA Livre Decisão Previdência

Mecanismos de Indução

VOLUNTÁRIA

POUPANÇA COMPULSÓRIA Mecanismos de Indução VOLUNTÁRIA Livre Decisão Previdência Social; FGTS; Programa de
POUPANÇA COMPULSÓRIA Mecanismos de Indução VOLUNTÁRIA Livre Decisão Previdência Social; FGTS; Programa de

Livre Decisão

Previdência Social; FGTS; Programa de

Integração Social PIS, etc.

Caderneta de Poupança; Fundos de