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Faculdade Energia de Administração e Negócios - FEAN

Curso de Administração – Habilitações em Gestão de Cidades e Marketing

MARCELLO B. ZAPELINI SILVIA M. K. C. ZAPELINI

METODOLOGIA CIENTÍFICA E DA PESQUISA PARA O CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

Florianópolis

2007

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 4

2 A LEITURA E SUA IMPORTÂNCIA PARA O APRENDIZADO 5

2.1 O PROCESSO DE LEITURA 5

2.1.1 que ler – e onde ler

5

2.1.2 A idéia principal

6

2.1.3 Os diferentes tipos de leitura

7

2.1.4 Fases da leitura

8

2.1.5 Como sublinhar um texto

9

2.2

ESQUEMAS, RESUMOS E FICHAS DE LEITURA

10

3 CONHECIMENTO E CIÊNCIA 14

3.1

CONHECIMENTO

14

3.1.1 Conceito

14

3.1.2 Elementos

14

3.1.3 Tipos de conhecimento

15

3.2 CIÊNCIA

18

3.2.1 Conceito

18

3.2.2 Características da ciência

19

3.2.3 Divisão da ciência

21

3.2.4.Critérios de cientificidade

24

3.3 A PESQUISA COMO PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO 25

4 O MÉTODO CIENTÍFICO 27

4.1 FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA 27

4.1.1 Conceito

27

4.1.2 Tipos de raciocínio

28

4.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS 30

5 ELEMENTOS DOS TRABALHOS ACADÊMICOS 38

5.1 ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS 40

5.2 ELEMENTOS TEXTUAIS 45

5.3 ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS 47

6

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: A NBR 6023:2002 53

8 PROJETOS E TRABALHOS DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO 60

8.1 O QUE É UM PROJETO DE ESTÁGIO 60

CITAÇÕES

49

8.2 ESCOLHA DO TEMA, DO PROBLEMA, DO LOCAL E DO ORIENTADOR

61

8.2.1 Definição da área e do tema

62

8.2.2 Definição do problema

65

8.2.3 Definição do local

69

8.2.4 Definição do orientador

71

8.3 PROJETOS DE ESTÁGIO 72

8.4 O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO 76

9 ABORDAGENS DE PESQUISA NO ESTÁGIO 81

2

9.1.1 Pesquisa quantitativa

82

9.1.2 Pesquisa qualitativa

85

9.1.3 Pesquisa quali-quantitativa

88

9.2 PERSPECTIVA TEMPORAL DE ESTUDO

89

9.3 TIPOLOGIA DAS PESQUISAS

91

9.3.1

Classificação quanto aos fins

91

9.3.1.1 Pesquisa explicativa

91

9.3.1.2 Pesquisa descritiva

92

9.3.1.3 Pesquisa explicativa

94

9.3.1.4 Pesquisa metodológica

94

9.3.1.5 Pesquisa aplicada

95

9.3.1.6 Pesquisa intervencionista

95

9.3.2

Classificação quanto aos meios

96

9.3.2.1 Pesquisa de campo

96

9.3.2.2 Pesquisa de laboratório

97

9.3.2.3 Pesquisa documental

97

9.3.2.4 Pesquisa bibliográfica

98

9.3.2.5 Pesquisa experimental

98

9.3.2.6 Pesquisa ex-post-facto

99

9.3.2.7 Pesquisa participante/participativa

100

9.3.2.8 Pesquisa-ação

101

9.3.2.9 Estudo de caso

102

9.3.2.10 Levantamento

104

9.4

CONSIDERAÇÕES GERAIS

105

10

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

106

10.1 POPULAÇÃO DE PESQUISA

107

10.2 AMOSTRA

108

10.2.1 Tipos de amostragem

110

10.2.2 Cálculo da amostra

114

11

TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS

116

11.1OBSERVAÇÃO

118

11.1.1 Observação simples

120

11.1.2 Observação participante

121

11.1.3 Observação sistemática

122

11.1.4 Roteiro de observação: Uma proposta

123

11.2

ENTREVISTA

124

11.2.1

O Focus Group

130

11.3 QUESTIONÁRIO

131

11.4 PESQUISA DOCUMENTAL

134

 

11.4.1

A pesquisa bibliográfica

138

12

ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

140

12.1 CLASSIFICAÇÃO

141

12.2 CODIFICAÇÃO

143

12.3 TABULAÇÃO

144

12.4 ANÁLISE ESTATÍSTICA

146

12.5 INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

153

3

13.1 RESUMOS DE TEXTO 154

13.2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

156

13.3 ARTIGO

158

13.4 PAPER

159

13.5 RESENHA CRÍTICA

161

13.6 ENSAIOS

163

13.7 MONOGRAFIAS

164

13.8 ESTUDOS DE CASO

165

13.9 SEMINÁRIO

167

REFERÊNCIAS 169

4

1 INTRODUÇÃO

O estudo da Administração não pode prescindir dos cuidados com o método para sua realização, tampouco independe de técnicas que aumentem sua eficiência. Foi com esse espírito que este trabalho foi realizado, objetivando fornecer ao estudante de graduação noções gerais sobre o método científico, as técnicas de estudo e as normas que regulamentam a apresentação dos trabalhos acadêmicos. Dessa forma, este trabalho procura identificar e desenvolver aspectos metodológicos básicos para o estudo e a pesquisa eficientes da Administração. Com seu foco voltado para o curso de graduação, o trabalho discute aspectos referentes aos projetos e relatórios de estágio, fase de extrema importância na vida acadêmica, que exige cuidados redobrados em termos metodológicos, e fornece bases para os trabalhos acadêmicos na área.

5

2 A LEITURA E SUA IMPORTÂNCIA PARA O APRENDIZADO

2.1 O PROCESSO DE LEITURA

2.1.1 O que ler - e onde ler

A leitura é essencial para o aprendizado e a formação do administrador de empresas, sendo ainda uma prática que o acompanhará necessariamente durante toda a sua vida profissional: relatórios, atas de reuniões, documentos da empresa, são a face mais visível, mas não a única, pois o administrador precisará se manter informado a respeito da conjuntura econômica e empresarial, os concorrentes, a realidade social em que sua organização está inserida, bem como acompanhar os mais recentes desenvolvimentos de sua especialidade. Assim, o primeiro aspecto que deve ser trabalhado para se garantir a maior eficiência no processo de leitura refere-se ao que deve ser lido. Evidentemente, deve-se procurar ler o que é importante para a vida e a prática do indivíduo. Ruiz (1995, p. 36) destaca muito bem a importância da leitura:

A leitura amplia e integra os conhecimentos, desonerando a memória, abrindo cada vez mais os horizontes do saber, enriquecendo o vocabulário e a facilidade de comunicação, disciplinando a mente e alargando a consciência pelo contato com formas e ângulos diferentes sob os quais o mesmo problema pode ser considerado. Quem lê constrói sua própria ciência; quem não lê memoriza elementos de um todo que não se atingiu.

Para determinar o que ler, é preciso ter em mente, inicialmente, o que se pretende atingir, ou seja, o propósito da leitura. De acordo com Ruiz (1995), a leitura busca captar, criticar, reter e integrar conhecimentos. Isso se faz, segundo Northedge (1998), para desenvolver os próprios pensamentos do leitor, agregando informações e idéias adicionais àquelas que este já possui, conferindo-lhe novos pontos de vista. “O objetivo da leitura não é apresentar uma porção de

É reunir suas idéias e fazê-lo repensá-las.

palavras passando em frente de seus olhos [ (NORTHEDGE, 1998, p. 34; grifos do autor).

].

6

Northedge (1998) sublinha que o conhecimento só será eficientemente construído a partir da leitura se o leitor tiver interesse pelo assunto; isso significa, antes de mais nada, que a leitura idealmente deve ser motivada por uma curiosidade e um desejo de aprendizado, de dominar o conhecimento que o texto traz. Definidos os propósitos, é preciso examinar o título do livro, o nome do autor, seu curriculum, o índice, a bibliografia, e, sempre que possível, a introdução, o prefácio, a nota do autor, para ver se este está de acordo com o que se objetiva atingir (ou seja, a leitura deve estar previamente planejada, deve seguir objetivos previamente definidos). Professores, colegas e pessoas que já tenham tido contato com a área de conhecimento da qual a obra trata podem ajudar

a tirar dúvidas quando se está selecionando a bibliografia a ser lida. Uma vez que se tenha selecionado o que será lido, o passo seguinte se refere à seleção de um local para a leitura. A grande maioria das pessoas necessita de ambiente bem iluminado, arejado e silencioso para uma leitura proveitosa. Manter distância de fontes de ruído é essencial para não prejudicar a concentração do leitor. Ergonomicamente falando, está demonstrado que a fonte de iluminação, no caso de luz artificial, deve estar à esquerda do leitor. Uma cadeira ou

poltrona confortável é fundamental, sobretudo nos casos em que a pessoa irá passar muito tempo lendo; não obstante, é recomendável interromper periodicamente a leitura para “esticar as pernas”

e descansar os olhos, reduzindo o esforço no processo. Alguns outros acessórios são importantes para uma leitura proveitosa: um dicionário de fácil manuseio deve estar disponível para dirimir dúvidas em relação ao significado das palavras do autor, e um bloco de papel com lápis ou caneta é de grande utilidade para destacar aspectos fundamentais do texto, dúvidas e pontos que mereçam maior desenvolvimento em leituras posteriores.

2.1.2 A idéia principal

Um aspecto central no processo de leitura está na captação da idéia principal ou central de cada parágrafo. Cada texto escrito, qualquer que seja sua dimensão, destaca Ruiz (1995), possui uma idéia central, fundamental para sua compreensão. O bom leitor, ao ler, concentra-se em

7

captar a idéia central do texto, procurando unidades de pensamento e idéias em cada parágrafo (RUIZ, 1995). Como reconhecer essa idéia central? Uma vez que o leitor tenha encontrado uma idéia importante em um parágrafo, ele deve memorizá-la ou anotá-la, e continuar o processo de leitura com ela em mente, procurando desenvolver a argumentação do autor a partir dessa idéia, distinguindo, dentro dessa argumentação, o principal do secundário. Normalmente, a idéia central exige maior esforço do autor em termos de prová-la e demonstrá-la, levando-o a incluir exemplos, analogias e fatos que a expliquem, que a sustentem, que a demonstrem, pois a idéia central, de uma forma grosseira, é a mensagem que o autor deseja passar.

2.1.3 Os diferentes tipos de leitura

Lakatos, Marconi (2001) apresentam uma classificação dos tipos de leitura baseada nos objetivos do leitor, organizada em termos de profundidade:

a) Scanning: é uma leitura rápida, de procura de algum tópico ou assunto, lendo-se o índice, algumas linhas ou alguns parágrafos do texto, em busca de frases ou palavras-chave. Trata-se de leitura de contato inicial com a obra;

b) Skimming: é uma leitura que objetiva captar a tendência geral de pensamento do autor do texto, usando-se sobretudo os títulos e subtítulos nos quais o texto se divide, mas também alguns parágrafos, de modo a permitir a compreensão da tendência do trabalho ou a metodologia com o qual ele foi construído;

c) Leitura de significado: procura dar uma visão ampla do conteúdo, desprezando aspectos secundários. O leitor normalmente percorre uma única vez o texto, não voltando para aprofundar sua compreensão;

d) Leitura de estudo ou leitura informativa: seu objetivo é dar uma visão completa do conteúdo do texto, exigindo normalmente mais de uma leitura do mesmo texto, a sublinha e o destaque de trechos ou palavras-chave do texto, e o resumo;

e) Leitura crítica: como o tipo mais profundo de leitura, pretende formar um ponto de vista sobre o texto, comparando o que o autor escreveu com conhecimentos anteriores, avaliando a qualidade, correção, atualidade e fidedignidade dos dados apresentados por este e a solidez da

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argumentação. Neste caso específico, o processo de leitura exige, para ser bem-sucedido, sólido conhecimento do assunto por parte do leitor. Estes dois últimos tipos de leitura são os que mais recompensam o leitor em termos de conhecimentos, mas também são os mais trabalhosos. É praticamente impossível, mesmo para o leitor treinado, captar adequadamente as idéias centrais e a mensagem do autor em uma só leitura. Por isso o processo de leitura se divide em fases.

2.1.4 Fases da leitura

Lakatos e Marconi (2001) apresentam diversas fases diferentes para o processo de leitura, que podem ser sintetizadas como se segue:

a) Leitura de reconhecimento ou leitura prévia: é uma leitura rápida, que visa dar um contato inicial com o texto, para determinar se os conhecimentos que se procura estão sendo abordados no mesmo. Lê-se normalmente o índice, os títulos e subtítulos do texto;

b) Leitura exploratória: busca sondar as informações disponíveis no texto. Já se determinou a existência, neste, do conhecimento que se pretende buscar, mas é preciso definir se de fato o texto aborda os aspectos específicos que se procura. Lê-se normalmente a folha de rosto, a contracapa e as “orelhas” do livro, a bibliografia e as notas de rodapé do texto e, mais importante, a introdução ou o prefácio do texto;

c) Leitura seletiva: visa selecionar as informações mais importantes do texto, relacionadas com o problema que se está estudando. Busca-se eliminar o supérfluo no texto, como subitens e outras subdivisões que não abordem o assunto;

d) Leitura reflexiva: nesta fase, busca-se frases-chave e idéias centrais que determinem o que o autor pensa sobre o assunto, e porque faz determinadas afirmações. É uma leitura mais profunda do que todas as anteriores;

e) Leitura crítica: avalia as informações prestadas pelo autor, hierarquizando as idéias que este desenvolve de maneira a determinar suas intenções ao escrever o texto. Nesta fase, o leitor primeiro compreende o que o autor quis transmitir, e depois modifica ou ratifica suas próprias idéias e argumentos sobre o texto;

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f) Leitura interpretativa: procura relacionar as afirmações do autor com os problemas para os quais o leitor está procurando uma solução através da leitura. É um estudo mais profundo das idéias desenvolvidas no texto, buscando a associação de idéias na solução dos problemas que motivaram a leitura;

g) Leitura explicativa: a mais profunda de todas, procura verificar os fundamentos de verdade

usados pelo autor. Portanto, o processo de leitura engloba mais de uma leitura. As fases iniciais (“a” e “b”) normalmente são cumpridas numa só leitura do texto, mas as demais exigem mais leituras. O importante, aqui, não é o número de vezes que o texto será lido, e sim quanto de conhecimento será gerado pelo processo de leitura. Esse conhecimento pode ser gerado por apenas duas leituras, no caso de leitores metódicos e experimentados, que possuem bom conhecimento do assunto tratado pelo autor. Entretanto, dependendo do leitor, leituras adicionais deverão ser empreendidas. Dessa maneira, é fundamental que o leitor disponha de tempo suficiente para a leitura antes de empreender o processo completo de leitura, ou seus objetivos serão prejudicados. Evidentemente, antes de iniciar o processo de leitura, o leitor deve ter estabelecido objetivos em relação à leitura, de modo que possa determinar quais textos devem ser lidos com maior profundidade. Isto, entretanto, será trabalhado com maior profundidade quando se tratar da pesquisa bibliográfica, na qual o planejamento prévio desempenha um papel central no delineamento.

2.1.5 Como sublinhar um texto

Sublinhar um texto é uma das melhores formas de captar seu conteúdo, pois permite identificar melhor as idéias principais de cada parágrafo, destacando-as para leituras posteriores, além de aumentar a concentração do leitor. Sublinhar, de acordo com Ruiz (1995), exige alguns cuidados:

a) Não se deve sublinhar em demasia, somente as idéias principais e os aspectos mais importantes do texto;

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b) Não se deve sublinhar após a primeira leitura, pois esta somente fornece um contato inicial com o texto, e dificilmente permite uma seleção eficaz dos detalhes mais importantes do texto;

c) A parte sublinhada deve dar a possibiliade de reconstituir todo o parágrafo;

d) O texto sublinhado deve permitir uma leitura rapidíssima do texto, como um telegrama - vai daí que a sublinha não precisa ser contínua, ou seja, não é preciso sublinhar todo um período para se captar o que ele quer dizer, mas apenas duas ou três palavras ou expressões do texto, que possam ser concatenadas posteriormente;

e) Deve-se sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia central do texto, e com um só traço detalhes e pormenores importantes do texto, associados àquela idéia;

f) As passagens mais significativas do texto devem ser destacadas com linha vertical à margem do texto;

g) Dúvidas e pontos de discordância devem ser assinaladas com um ponto de interrogação.

Naturalmente, determinar o que sublinhar, e o quanto sublinhar é um aspecto essencial para o processo eficiente de sublinha; somente a prática pode conduzir à perfeição neste item, pois sublinhas em demasia tornam monótona e demorada a leitura, enquanto que poucas dificultarão a compreensão do texto. O trabalho, entretanto, é compensador: textos adequadamente sublinhados são lidos mais rapidamente quando há a necessidade de leituras adicionais, de rememorização das idéias tratadas, e de compreensão mais profunda do que o autor desejava passar com o texto.

2.2 ESQUEMAS, RESUMOS E FICHAS DE LEITURA

Uma técnica que normalmente dá bons resultados em termos de maior aproveitamento da leitura consiste em fazer anotações sobre o texto, na forma de esquemas, fichas e resumos. Algumas dicas são importantes para facilitar o trabalho. O esquema é o processo mais simples de trabalhar o conteúdo de um texto. Consiste em condensar as idéias expressadas pelas frases do texto em palavras-chave, as idéias de um parágrafo em uma frase-mestra que transmita a idéia principal do mesmo, e finalmente, a

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sucessão das idéias desenvolvido no texto como um todo por meio de parágrafos-chave. O processo exige o encadeamento lógico das diferentes idéias, de modo que se possa ter uma compreensão do texto como um todo. Nas palavras de Lakatos e Marconi (2001, p. 25), “a

elaboração de um esquema fundamenta-se na hierarquia das palavras, frase e parágrafos-chave que, destacados após várias leituras, devem apresentar ligações entre as idéias sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido.” De acordo com Ruiz (1994), a elaboração de um esquema obedece a algumas regras:

a) É preciso ser fiel ao texto, evitando encaixar as idéias deste nos próprios pensamentos e conhecimentos;

b) Deve-se usar os títulos e subtítulos do texto como guias para apreensão do tema trabalhado pelo autor;

c) Clareza, simplicidade e critério na distribuição das idéias são essenciais para se manter fidelidade ao texto;

d) Deve-se encadear e subordinar as idéias trabalhadas pelo autor, em vez de simplesmente reuni-las;

e) Deve-se ter um sistema uniforme de observações, gráficos ou símbolos para dividir o texto e subordinar as idéias umas às outras.

Os resumos exigem um esforço maior por parte do leitor, condensando o texto de modo a reduzi-lo aos seus elementos mais importantes. Ao contrário do esquema, o resumo deve formar um texto completo, redigindo cada parágrafo de modo a garantir a compreensão do texto original, desobrigando o leitor de voltar a este quando precisar do conteúdo do mesmo. É possível também incluir no resumo uma apreciação crítica do texto, a partir de um posicionamento assumido pelo autor (RUIZ, 1994). Um resumo é um instrumento valioso para testar a compreensão do texto por parte do leitor, mas também permite treinar e desenvolver um estilo de escrita (RUIZ, 1994). Algumas regras, de acordo com Ruiz, são importantes:

a) Deve-se resumir um texto somente depois de tê-lo lido o suficiente para compreendê-lo, e depois de fazer anotações sobre o mesmo;

b) Um resumo deve ser breve e compreensível;

c) O autor do resumo deve utilizar as palavras sublinhadas e as anotações feitas ao longo do texto, pois estas devem transmitir as idéias deste;

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d) Toda vez que for necessário fazer uma transcrição textual, é preciso usar as aspas e fazer a referência bibliográfica completa da mesma;

e) Pode-se incluir, ao final do resumo, idéias integradoras, referências bibliográficas adicionais e

posicionamentos críticos a respeito do texto. Esta última regra não é referendada por todos os autores. Alguns consideram que os resumos não devem incluir posicionamentos pessoais, devendo guardar o máximo de fidelidade em relação ao texto. Severino (2000) menciona que o resumo deve usar as próprias palavras do estudante, mas precisa se manter fiel às idéias do autor do texto original. De qualqeur forma, o resumo capta, analisa, relaciona, fixa e integra o assunto estudado, expondo-o de modo a permitir uma rápida consulta e a rememorização do assunto (LAKATOS; MARCONI, 2001). Os resumos são de três tipos básicos:

a) Indicativo ou descritivo: semelhante ao esquema, é um resumo que apenas faz referência às partes mais importantes do texto, descrevendo-lhe sua natureza, forma e propósito, valendo-se de frases curtas para indicar elementos importantes deste;

b) Informativo ou analítico: mais amplo que o anterior, contém todas as principais informações do texto e dispensa leituras adicionais deste. Deve evidenciar os objetivos e o assunto do texto, os métodos e técnicas adotados na exposição do assunto, e os resultados e conclusões a que o autor chegou;

c) Crítico: formula um julgamento sobre a forma, o conteúdo e a apresentação do texto.

Resumir o texto, portanto, é um trabalho a ser empreendido sempre que for necessário absorver conteúdos e rememorizá-los rapidamente. Dessa maneira, o resumo é um aliado tanto do estudante que está realizando um trabalho de maior fôlego, que exija pesquisa em diversas fontes diferentes, ou está se preparando para uma prova (e precisa relembrar conteúdos), quanto daquele que apenas deseja maior compreensão de um determinado assunto. Subseqüentemente, este trabalho abordará os resumos enquanto trabalhos acadêmicos. Finalmente, as fichas consistem num sistema de apresentação de conteúdo do material escrito, permitindo identificar uma obra, conhecer e analisar seu conteúdo, apresentar citações importantes, e elaborar críticas ao texto (LAKATOS; MARCONI, 2001). As fichas seguem regras básicas para sua apresentação: toda ficha possui três componentes, o cabeçalho, a referência bibliográfica e o corpo ou texto, sendo opcional incluir a indicação da obra (ou seja, a que tipo de público ela se destina) e sua localização (LAKATOS; MARCONI, 2001).

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O cabeçalho identifica a ficha, apresentando-lhe o título, o número de classificação e, no caso de o conteúdo se estender por mais de uma ficha, a letra indicativa de seqüência (LAKATOS; MARCONI, 2001). Em seguida, a ficha deve apresentar a referência bibliográfica, que deve ser elaborada de acordo com a norma da ABNT (6023: 2002). Já o corpo ou texto deve ser elaborado de acordo com o tipo de ficha. A classificação das fichas é definida por sua finalidade; assim, as fichas se classificam em bibliográficas (de obra inteira ou parte), de citações, de resumo ou conteúdo, de esboço, e de comentário ou analítica (LAKATOS; MARCONI, 2001). As fichas bibliográficas abordam, de maneira sucinta e breve, os principais elementos da obra fichada, definindo-lhes o campo do saber, a problemática abordada, as conclusões às quais o autor chegou, as contribuições que este possa ter dado, as fontes dos dados, a metodologia utilizada, entre outros. As fichas de citações reproduzem fielmente citações relevantes para o estudo empreendido. As fichas de resumo sintetizam clara e concisamente as principais idéias ou aspectos da obra. As fichas de esboço são semelhantes às de resumo, mas detalham com maior profundidade a obra estudada. Por fim, as fichas de comentário analisam a obra, abordando aspectos como a forma e a metodologia de exposição, fazendo análises críticas do conteúdo e/ou a comparação da obra com outras do mesmo tema, e explicando a importância da obra para o estudo que está sendo empreendido (LAKATOS; MARCONI, 2001).

14

3 CONHECIMENTO E CIÊNCIA

3.1 CONHECIMENTO

3.1.1 Conceito

Etimologicamente, a palavra “conhecimento” deriva do latim cognitio (o termo grego correspondente é ghnosis). Segundo Nicola Abbagnano (1992), conhecimento é a técnica para comprovação de um objeto (seja ele uma entidade, um fato, uma coisa, uma realidade ou uma propriedade); o termo “comprovação” deve ser entendido como um procedimento que possibilita

a descrição, o cálculo ou a previsão do objeto. É preciso mencionar, adicionalmente, que essa comprovação não é infalível. Neste sentido, não se deve confundir o conhecimento com a crença: esta deve ser entendida como o empenho de colocar uma verdade qualquer, mesmo que ela não seja comprovável; ademais, o verdadeiro conhecimento atinge as causas da coisa. O conhecimento é um processo mais complexo do que a crença, como será visto na próxima seção, aonde serão descritos os elementos do processo cognitivo.

3.1.2 Elementos

O processo de conhecer alguma coisa ou fenômeno envolve necessariamente três elementos, a saber: o sujeito, isto é, o cognoscente ou aquele que conhece, o objeto, ou seja,

aquilo que deve ser conhecido, e a imagem, que vem a ser o ponto de coincidência entre o sujeito

e a realidade; o conhecimento vem a ser uma transferência das propriedades do objeto para o

sujeito. Felix Kaufmann (1977) frisa: a imagem não é uma cópia fiel da realidade. A figura a seguir auxiliará no entendimento:

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SUJEITO OBJETO IMAGEM Figura 1: Os elementos do processo de conhecimento Fonte: Autores
SUJEITO
OBJETO
IMAGEM
Figura 1: Os elementos do processo de conhecimento
Fonte: Autores

Toda operação cognitiva se dirige do sujeito para o objeto e tende a efetuar uma relação com esse objeto, de forma que surja uma característica efetiva deste na mente do sujeito. Dessa maneira, como dizem os filósofos, todo conhecimento é uma apropriação do mundo objetivo por parte do sujeito cognoscente. A percepção desempenha um papel fundamental no conhecimento. Embora todos os seres vivos sejam capazes de possuir alguma forma de conhecimento, somente o ser humano é capaz de transcender o conhecimento fornecido pelos sentidos: o conhecimento humano é intelectual, ou seja, o homem é capaz de conhecer as realidades materiais não somente na sua singularidade, mas vai além disso, pois ele pode comparar, analisar e fazer relações entre os objetos. Uma pedra é a mesma coisa para qualquer animal, mas somente ao homem ela pode ser considerada preciosa; uma planta é percebida pelos animais herbívoros como comida, e pelo homem como comida, como remédio, como decoração, etc.; um pedaço de carne é identificado como tal por um cachorro ou um gato, mas somente para um ser humano ele tem forma triangular ou retangular.

3.1.3 Tipos de conhecimento

A tipologia de conhecimentos que será explicada nesta seção é fornecida por João Álvaro

Ruiz em seu livro “Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos” (1995); os

estudantes que desejem se aprofundar nessa tipologia, especialmente no que tange à diferença entre as diferentes formas e o conhecimento científico devem consultar o capítulo 4 dessa obra.

O primeiro tipo que se pretende descrever é o chamado conhecimento vulgar. Este é uma

forma empírica de conhecer as coisas, baseada nas experiências e vivências de cada pessoa, que é

capaz de atingir os fatos mas não de discutir-lhes as causas. Toda pessoa acumula imensa carga

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de conhecimento vulgar ao longo de sua vida; as experiências vividas são acumuladas pelas pessoas de forma acrítica e ametódica, isto é, sem a realização de análises, de críticas ou de demonstrações sobre os objetos conhecidos.

O conhecimento vulgar forma a maior parte da carga de conhecimentos de cada um, sendo

capaz de fornecer aos homens algumas certezas; entretanto, não concede nenhuma demonstração ou prova dessas certezas. Para exemplificar o tipo de conhecimento vulgar, pode-se mencionar o fato de que, por experiência própria ou transmitida pelos parentes e amigos, todas as pessoas sabem receitas caseiras de remédios para algumas doenças; entretanto, não sabem explicar o porquê dessas receitas funcionarem, nem tampouco a forma pela qual elas fazem efeito. Um cientista procederia à análise das receitas, buscando identificar as razões pelas quais elas curam as doenças a que se destinam, bem como a forma pela qual ocorre essa cura.

O segundo tipo é chamado conhecimento intuitivo. Ruiz (1995) observa que a intuição é

uma forma de conhecimento que, pela sua característica de atingir o objeto sem “meio” ou intermediários de comparação, assemelha-se ao fenômeno do conhecimento sensorial, em particular da visão; Abbagnano reforça essa idéia mencionando que a intuição é uma relação direta com um objeto qualquer, relação esta que implica a presença do objeto. Como forma de conhecimento, o tipo intuitivo é imediato, subjetivo, e se reduz a um

único ato de experiência. Laville e Dionne (1999) associam o conhecimento intuitivo ao senso comum, observando que ele representa uma primeira compreensão do objeto, e denunciando como ele pode ser enganador. O conhecimento intuitivo não pode aspirar à validade do conhecimento científico (que é objetivo), pois suas conclusões não têm validade geral. Há duas formas de conhecimento intuitivo, a saber:

a) Sensorial: conhecimento obtido por meio dos sentidos;

b) Intelectual: conhecimento obtido por meio de determinados princípios lógicos (“nada pode

ser e não ser ao mesmo tempo sob o mesmo aspecto”), éticos (“faça o bem, evite o mal”) e estéticos (conceito do belo ou esteticamente agradável). O terceiro tipo é o conhecimento teológico, o qual pressupõe a existência de uma autoridade divina, suprema e soberana acima dos homens. Exige também a fé, e se baseia na revelação divina; os livros sagrados, revelados por Deus aos homens são as fontes dos conhecimentos divinos. Para o fiel, o conhecimento teológico é superior ao científico, pois se origina diretamente de Deus e é atingível pelo homem por meio da revelação. A fé é, dessa

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forma, o conhecimento supremo para o ser humano. A crença não deve ser confundida com o conhecimento teológico, pois este apresenta fundamento definido.

O objeto do conhecimento teológico é (ou pode ser) o mesmo do científico, mas ele se

pauta por princípios diferentes: em primeiro lugar, o cientista se vale dos sentidos e de sua razão para conhecer, ao passo que o teólogo utiliza a razão iluminada, ou seja, esclarecida por Deus; em segundo lugar, o cientista se fundamenta no conhecimento dos fatos e das experiências, enquanto que o teólogo se baseia na Revelação. Dessa maneira, enquanto o teólogo sustenta que o mundo é uma criação de Deus - pois assim está escrito nos livros sagrados - o cientista se esforça por explicar as leis físicas que deram origem ao mundo.

O quarto tipo é o conhecimento filosófico. A filosofia já foi definida das mais diferentes

maneiras, mas pode-se ficar com a conceituação de Platão, na qual ela é o “saber a serviço do

homem.” (apud ABBAGNANO, 1992). “Filósofo” é uma palavra grega cunhada por Pitágoras como um substituto para a denominação “sábio”: segundo esse pensador, apenas os deuses são sábios; os homens são apenas amigos (philos) da sabedoria (sophoi).

O conhecimento filosófico objetiva as idéias, as relações conceituais e as causas mais

remotas do objeto; embora ela tenha o mesmo objeto material das ciências particulares, estas não podem se pronunciar sobre as finalidades supremas de tal objeto, ao passo que a filosofia, sim (RUIZ, 1994). Num exemplo simples, o cientista estuda os mecanismos da vida humana, ao passo que o filósofo indaga o porquê do homem estar vivo; o cientista estuda o papel do cérebro no conhecimento, enquanto que o filósofo se concentra nos mecanismos utilizados pela mente para o raciocínio, e assim por diante.

A filosofia se vale do método racional e dedutivo para conhecer; esse método não

necessita da confirmação empírica, e sim de coerência. Além disso, a filosofia busca a síntese e o todo, enquanto que a ciência é analítica e procura a parte, o fragmento, a particularidade. Devido a isso, não existe nenhuma verdade definitiva em filosofia: ela faz perguntas, fornece respostas, mas não aspira a alcançar respostas supremas ou absolutamente corretas. A ciência, em contraste, faz perguntas e oferece respostas, algumas das quais podem ser aceitas como perfeitamente

verdadeiras (pelo menos no estágio atual de seu desenvolvimento). Finalmente, deve-se introduzir o conhecimento científico. Tal como o compreendemos, ele é uma conquista recente, podendo ser datado na Revolução Galileana do século XVII; isso não quer dizer que não existisse ciência antes de Galileu, e sim que as bases modernas da ciência

18

foram estabelecidas a partir do cientista italiano. O conhecimento científico aspira à objetividade, pois o cientista deve se despir de suas emoções e preconceitos, de forma que suas experiências possam ser repetidas e suas conclusões, verificadas por seus colegas. Além disso, o cientista se vale de uma linguagem rigorosa que é de conhecimento dos outros cientistas. O conhecimento científico se caracteriza ainda, por ser sistemático, metódico, preciso, e por estudar fatos abstratos, isolados do todo aonde se inserem. O cientista está interessado em descobrir regularidades que lhe permitam enunciar generalidades sobre os fenômenos na forma de leis; assim, ele busca descobrir relações universais e necessárias sobre os fenômenos estudados e, ao encontrá-las, prever acontecimentos e agir sobre a natureza. Evidentemente, nada disso será atingido se não for possível repetir as experiências que levaram ao descobrimento das leis; como Alan F. Chalmers colocou, “o conhecimento científico é conhecimento confiável porque é conhecimento provado objetivamente.” (CHALMERS, 1995, p. 23).

3.2 CIÊNCIA

3.2.1 Conceito

Etimologicamente, a palavra “ciência” deriva do termo latino scientia, cujo sentido original é “conhecimento”; o termo grego, epistheme, vem sendo modernamente utilizado no sentido de “epistemologia”, teoria do conhecimento. Portanto, o que se originalmente utilizava para definir todo o conhecimento humano, atualmente deve ser considerado somente como uma das formas possíveis de se conhecer. Não existe um conceito universalmente aceito de ciência. Na verdade, esse conceito não somente mudou ao longo dos séculos, como ainda foi profundamente influenciado pelas tradições de pesquisa e de conhecimento adotadas. A lista que se segue não pretende ser exaustiva, e sim apresentar uma variedade de concepções diferentes sobre o assunto:

19

Nicola Abbagnano (1992): ciência é um conhecimento que inclui, em qualquer forma ou medida, uma garantia de sua própria validade. Oposto à ela é o conceito de opinião, que não possui garantia alguma de validade;

Rubem Alves (1987): a ciência é uma especialização: ela consiste num refinamento de potenciais comuns a todos e na hipertrofia de capacidades que todos têm. Neste sentido, ela pode ser considerada uma metamorfose do senso comum, já que ambos (ciência e senso comum) são expressões da mesma necessidade de compreender o mundo com o intuito de melhor viver. Ambos estão em busca de ordem, ainda que possuam visões diferentes do que é ordem;

Roy Bhaskar (1975, apud MAY, 2004): a ciência é uma tentativa sistemática de pensar as estruturas e ações das coisas que existem e agem independentemente do pensamento;

Alan F. Chalmers (1995): a ciência é objetiva. Não existe uma categoria geral chamada “ciência”, em relação à qual alguma área de conhecimento pode ser aclamada como tal ou difamada por não sê-la;

Antonio Carlos Gil (1995): a ciência é uma forma de conhecimento, e seu objetivo é a formulação, através de linguagem rigorosa e adequada (quando possível, com o uso da linguagem matemática), de leis que regem o comportamento dos fenômenos, leis estas que sejam capazes de descrever séries de fenômenos, comprováveis por meio de experimentação e observação e capazes de prever acontecimentos futuros;

William J. Goode (1979): a ciência é um método de abordagem de todo o mundo empírico (sendo este o mundo suscetível de ser experimentado pelo homem). Não visa alcançar a verdade última, e sim analisar os fenômenos de forma que os cientistas possam apresentar

proposições sob a forma de “se

,

então

”;

Fred N. Kerlinger (1977): a ciência é um empreendimento preocupado exclusivamente com o conhecimento e a compreensão dos fenômenos naturais. Os cientistas desejam conhecer e compreender as coisas, de forma que possam afirmar: “se fizermos isto aqui, acontecerá aquilo ali”;

João Álvaro Ruiz (1995): a palavra “ciência” pode ser entendida de duas maneiras: num sentido AMPLO, ela significa simplesmente conhecimento; num sentido RESTRITO, trata-se de um conhecimento que não apenas apreende ou registra fatos, mas também os demonstra pelas suas causas determinadas ou constitutivas.

20

3.2.2 Características da ciência

O tipo de conhecimento que a ciência fornece ao ser humano é, como visto na seção anterior, muito diferente dos demais que o ser humano pode alcançar. Dessa maneira, a ciência possui diversas peculiaridades, que Antonio Carlos Gil (1995) formulou da seguinte maneira:

a) A ciência é objetiva, no sentido de que descreve a realidade independentemente dos caprichos, valores e preconceitos do observador;

b) É racional, uma vez que se vale da razão, e não de sensações ou impressões, para chegar aos resultados;

c) É sistemática, já que procura construir sistemas de idéias racionalmente organizadas e em incluir conhecimentos parciais em totalidades cada vez maiores;

d) É geral, posto que busca formular leis e normas que expliquem fenômenos de todos os tipos;

e) É verificável, dado que possibilita a demonstração da veracidade de suas informações;

f) É falível, porque reconhece sua capacidade de errar.

A objetividade (a característica apresentada na letra “a” acima) é freqüentemente considerada como uma das características centrais da ciência, um dos critérios que devem ser satisfeitos para que se possa falar em conhecimento científico. Bernstein (apud MAY, 2004) a define como uma convicção fundamental: existe uma estrutura permanente, independente da História, que permite determinar a racionalidade, a correção, a realidade, a verdade ou a bondade. Assim, a objetividade seria uma base de conhecimento à qual se pode apelar em caso de dúvida, fornecendo uma medida das afirmações feitas pelo cientista. Como uma complementação, de acordo com Ruiz (1995), a ciência se caracteriza por ser um conhecimento pelas causas (demonstra os porquês de determinado enunciado), por ser capaz de conhecer profundamente os fenômenos, por generalizar suas conclusões, por ter uma finalidade teórica (aumentar o conhecimento) e uma prática (melhorar as condições de vida do ser humano), por possuir um objeto formal (entendido como a forma pela qual ela atinge o

objeto material), por empregar método na busca do conhecimento, por operar sob condições de controle rigoroso, por alcançar um resultado final exato e por ser uma instituição social. Das características levantadas por Ruiz é importante sobretudo o fato de que a ciência é uma

21

instituição social (ou seja, a ciência é produzida em um grupo social, para uso desse grupo e deve ser validada por ele); esse aspecto fica muito mais visível nas ciências sociais, como será visto.

3.2.3 Divisão da ciência

Abbagnano (1992), Chauí (1995) e Gil (1995) destacam: ao longo da história, a ciência foi objeto de uma grande quantidade de divisões diferentes, nenhuma das quais pode ser considerada inteiramente satisfatória, ou ao menos universalmente aceita pelos estudiosos. Uma vez que não é possível apresentá-las todas, serão colocadas algumas tentativas. Abbagnano (1992) coloca, entre as divisões mais conhecidas, a de Ampère, que se baseou sobretudo nas teorias dos filósofos gregos (entre eles Platão e Aristóteles), e reconhece as ciências noológicas (ou do espírito) e as cosmológicas (ou da natureza), e a de Comte, que classifica as ciências em abstratas (que buscam descobrir as leis que regulam os fenômenos) e

concretas (ciências descritivas que buscam aplicar as leis à história dos seres existentes). Durante

o século XIX, Wilhelm Dilthey (conhecido filósofo alemão) complementou a divisão de Ampère

ao estabelecer que as ciências noológicas tentam compreender um objeto (o homem) e revivê-lo internamente, enquanto que as cosmológicas buscam conhecer causalmente um objeto externo. Mas é a divisão de Comte que se tornou mais conhecida e serve de base para a que será utilizada ao longo desta disciplina, que reconhece as ciências formais (como a matemática e a

lógica formal), que tratam de entidades ideais e suas relações, e as empíricas, que tratam de fatos

e processos. As ciências empíricas podem ser subdivididas em dois grandes grupos, as naturais

(como a física, a química, a biologia e a astronomia) e as sociais (como a sociologia, a história, a antropologia, a economia e a ciência política). A psicologia é um caso à parte: ainda que muitos a

coloquem no plano das ciências naturais, ela deve ser considerada como uma ciência social, ainda que se reconheça que seja quase fronteiriça às duas subclasses. A figura a seguir auxiliará na

visualização:

22

CIÊNCIAS FORMAIS CIÊNCIAS EMPÍRICAS (FACTUAIS) Naturais Sociais
CIÊNCIAS FORMAIS
CIÊNCIAS EMPÍRICAS
(FACTUAIS)
Naturais
Sociais

Figura 2: Divisão das ciências Fonte: Autores

Existe amarga controvérsia a respeito da divisão entre ciências naturais e sociais; desde os tempos de Comte, as ciências sociais têm sido pressionadas na busca de uma aproximação às naturais. Há dois motivos para essa controvérsia: em primeiro lugar, as ciências naturais conseguem maiores neutralidade e objetividade que as sociais. Além disso, ainda permitem maior campo de experimentação e são mais facilmente transformadas em leis de alcance geral; essas considerações levam muitos autores a desprezar o caráter científico das ciências sociais, negando- lhes o status de ciências. Dentro de tal debate, são reconhecidos quatro grupos de críticas às ciências sociais:

Em primeiro lugar, fenômenos humanos e sociais não possuem a ordem e a regularidade do universo físico e por isso não são previsíveis;

As ciências sociais não são quantificáveis e isso dificulta a comunicação de seus resultados;

Os pesquisadores sociais trazem suas normas éticas e valores para o campo da pesquisa, e com isso prejudicam seus resultados;

Por fim, as ciências naturais são experimentais, enquanto que nem sempre as sociais permitem a experimentação. Por outro lado, tem-se a reação dos defensores do caráter científico das ciências sociais, que respondem a essas críticas da seguinte maneira:

O determinismo absoluto e as relações causa-efeito das ciências naturais não são livres de questionamento. Além disso, as ciências sociais permitem fazer previsões probabilísticas;

23

O objeto de estudo das ciências sociais não é quantificável num sentido emocional, mas a inteligência, por exemplo, é mensurável. O grau de quantificação das ciências sociais, entretanto, sempre será menor do que o das naturais;

É muito difícil deixar de lado os valores, mas em problemas técnicos e teóricos eles podem ser colocados em segundo plano. Os valores não são inteiramente negativos;

Finalmente, o experimento não é de todo indispensável: ciências naturais como a astronomia não são experimentais. Há muita negligência em relação à capacidade experimental das ciências sociais. Dito isto, podem ser apresentadas as características específicas das ciências sociais, as quais Pedro Demo (1995) formulou da seguinte maneira:

a) As ciências sociais têm objeto histórico, caracterizado pela provisoriedade e pela situação de estar, não de ser. As ciências naturais possuem objeto cronológico, cuja identidade é estável;

b) O ser humano possui consciência histórica, ou seja, pode intervir em sua história e planejá-la a partir da interação de suas idéias com as condições da realidade;

c) Há uma identidade entre sujeito e objeto: o homem não pode conceber uma realidade social que lhe seja inteiramente alheia;

d) As realidades sociais se manifestam de forma qualitativa, não podendo ser manipuladas com

exatidão. Isso não implica, entretanto, em uma análise frouxa ou pouco rigorosa: a verdadeira ciência social é construída com procedimentos muito cuidadosos;

e) As ciências sociais são ideológicas, no sentido de que seu objeto é ideológico. A ideologia deve ser entendida como o modo pelo qual se justifica uma posição política, um interesse social, privilégios de classe social, etc. A ideologia não pode ser eliminada da ciência social, por isso o cientista deve controlá-la criticamente, de forma que seus efeitos não sobrepujem a cientificidade;

f) Quando se estuda uma realidade social, a separação entre teoria e prática não é perfeita. O cientista social tem um compromisso com a prática mesmo quando se omite, pois é cidadão e membro de uma sociedade. Tim May (2004) afirma que as ciências não devem ser consideradas como uma explicação

definitiva a respeito dos fenômenos da vida, que não pode nem deve ser desafiada; seu papel é

entender e explicar os fenômenos sociais, focalizar a atenção em questões particulares e

“[

]

24

desafiar crenças convencionais sobre os mundos social e natural.” (MAY, 2004, p. 22) – mas nem por isso as ciências sociais podem se arrogar a infalibilidade.

3.2.4 Critérios de cientificidade

Existem, de acordo com Demo (1995), dois tipos principais de critérios que medem a cientificidade de uma proposição ou teoria: os internos (divididos em critérios de forma e de conteúdo) e o critério externo. Os critérios internos ligados à forma são:

a) Coerência: uma teoria científica deve ser lógica, de maneira que tudo esteja em seu devido lugar, de acordo com um planejamento racional, as conclusões não contradigam os princípios, haja início, meio e fim, e assim por diante. É preciso também que o objeto seja sistematizado, claro e distinto;

b) Consistência: a obra científica deve possuir profundidade, isto é, basear-se em argumentos sólidos, ser firme, buscar o âmago do fenômeno, demonstrar conhecimento de causa e considerar discussões anteriores. No que tange aos critérios ligados ao conteúdo, deve-se mencionar os seguintes:

a) Originalidade: a teoria deve buscar renovar a ciência através de novas discussões, novas alternativas de estudo e potencialidades, ou seja, tentando abrir novos caminhos para a sua discussão;

b) Objetivação: a teoria deve ser científica, captando a realidade como ela se apresenta e buscando eliminar o máximo possível de ideologia, preconceitos e valores pessoais que possam atrapalhar a visão do cientista. O conhecimento deve estar isento de todo aspecto que deturpe a realidade. Por fim, o critério externo de cientificidade: a intersubjetividade. Como as ciências

possuem um débito para com a sociedade, é preciso levar em consideração a opinião dominante em cada assunto, obra ou autor. Três fenômenos cercam a intersubjetividade:

I) O argumento da autoridade: algumas teorias são reconhecidamente importantes e são usadas como citações;

25

II)

A opinião dominante: há, em cada escola de pensamento, uma linha de opinião que predomina sobre as demais;

III)

Comparação crítica externa: visualização das teorias, escolas e autores, e comparação entre eles.

3.2

A PESQUISA COMO CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO

A pesquisa é o método de construção do conhecimento científico por excelência. O papel da teoria não pode ser desprezado na definição da pesquisa científica. Como nota May (2004, p. 43), “a teoria, junto com a pesquisa, é de central importância nas ciências sociais.” O mesmo pode ser dito, em verdade, para qualquer tipo de ciência. A teoria auxilia a produzir hipóteses, a orientar o pesquisador em seus questionamentos, a criticar os resultados da pesquisa, a evitar erros cometidos anteriormente e denunciado por outros pesquisadores. Mas a relação entre teoria e pesquisa vai além dessas contribuições: os resultados da pesquisa submetem a teoria a reavaliações constantes, forçando-a a se reexaminar criticamente à luz dos resultados obtidos pelos pesquisadores que a testam ou avaliam empiricamente suas proposições. Nas palavras de May,

existe um relacionamento constante entre a pesquisa e a teoria social. Para nós,

como pesquisadores, a questão não é somente o que produzimos, mas como o fazemos, pois isso é inseparável do processo da pesquisa. Um entendimento do relacionamento entre a teoria e a pesquisa é parte desse projeto reflexivo que focaliza nossas habilidades não apenas para aplicar técnicas de coleta de dados, mas também para considerar a natureza e os pressupostos do processo de pesquisa. (2004, p. 44; grifos do autor).

] [

Assim, a teoria e a pesquisa encontram-se inevitavelmente entrelaçadas no processo de construção do conhecimento científico. O trabalho de pesquisa coletará dados e construirá informações que criarão condições para aperfeiçoar, modificar ou refutar as teorias então aceitas. Algumas correntes de pensamento defendem o papel transformador da pesquisa científica, mormente no caso das ciências sociais. Soriano (2004) afirma que a pesquisa em ciências sociais pode atender a quatro objetivos diferentes:

a) Pesquisas voltadas à mudança estrutural no tecido socioeconômico, a partir das classes mais necessitadas;

26

b) Pesquisas meramente especulativas;

c) Pesquisas produzidas conforme os imperativos da produção de bens e serviços por parte das organizações privadas;

d) Pesquisas voltadas a objetivos econômicos individuais.

Assim, esses pensadores consideram que a pesquisa deva ser feita em termos de produção de mudança social, e esta, como fica nítida na obra de Soriano (2004), está voltada a uma ideologia específica (o marxismo). Sem entrar nos méritos desse tipo de exposição, há que se afirmar que ela introduz uma clivagem qualitativa muito grave nas pesquisas, desprezando aquelas que não estão direcionadas à “emancipação das classes exploradas”. Se a pesquisa científica fosse produzida inteiramente com essa destinação, então a ciência estaria comprometida diretamente com um determinado tipo de juízo de valor – o que necessariamente excluiria da comunidade científica os pesquisadores não comprometidos com esse valor; e isso é inteiramente contrário ao espírito científico, que deve estar comprometido não somente com a mudança social, mas com a produção de conhecimento desinteressado (a favor de Soriano, há que se afirmar que seu manual está voltado para a pesquisa a ser produzida com fundos públicos).

27

4 O MÉTODO CIENTÍFICO

4.1 FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA

4.1.1 Conceito

“Método” deriva do latim methodus, que significa “caminho”; a palavra, no entanto, tem origens gregas: meta (através, por meio de) hodos (caminho), donde methodos. O termo vem sendo utilizado, de acordo com Abbagnano (1992), em dois sentidos: no primeiro, a palavra significa toda investigação ou orientação de investigação, como uma doutrina; neste sentido, fala- se de método dialético, método hegeliano ou método experimental. No segundo sentido, método significa uma técnica particular de investigação, isto é, um procedimento ordenado de investigação que garante a obtenção de resultados válidos, como no caso do método silogístico. O primeiro sentido definido por Abbagnano é o que normalmente se estuda nas disciplinas de Metodologia de Pesquisa, e pode ser melhor explicitado por Antonio Carlos Gil:

“pode-se definir método como caminho para se chegar a determinado fim. E método científico como o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento.” (GIL, 1995, p. 27). O método é central para a atividade científica, sendo indispensável para a produção de conhecimento científico; entretanto, é um erro considerá-lo como um dogma, pois a atitude crítica, não dogmática, é fundamental para a ciência (ALVES- MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 1999). Nesta disciplina, serão enfocados os métodos normalmente utilizados nas Ciências Sociais, posto que são aqueles normalmente adotados pelos estudiosos da Administração. Há muita discussão sobre a adequação do uso dos métodos das ciências exatas ou naturais nas ciências sociais; alguns defendem que somente o método típico da ciência natural garante cientificidade ao objeto pesquisado e à teoria resultante da pesquisa, enquanto que outros, como Kaufmann (1977) defendem exatamente o contrário. Não se entrará nesta discussão aqui; os interessados poderão consultar Chalmers (todo o livro), Blaug (parte I) e Kaufmann (parte II)

28

para maior aprofundamento na discussão. Serão vistos os métodos gerais, os métodos específicos

e os quadros teóricos de referência mais comumente utilizados nos estudos administrativos. Antes de se passar a esses tópicos, é conveniente apresentar algumas considerações a respeito das formas de raciocínio: indução, dedução e adução.

4.1.2 Tipos de raciocínio

O primeiro tipo de raciocínio que será abordado aqui é o indutivo. Este pode ser

facilmente descrito como o raciocínio que vai do particular para o todo, isto é, “[

de uma lista finita de afirmações singulares para a justificação de uma afirmação universal.” (CHALMERS, 1995, p. 27). Há várias formas de indução, das quais apenas a científica é interessante neste curso, pois ela concede segurança ao cientista. O conhecimento científico é construído a partir de induções baseadas na observação dos fenômenos, da seguinte forma: “se um grande número de As foi observado sob uma ampla variedade de condições, e se todos esses As possuíam sem exceção a propriedade B, então todos os As têm a propriedade B” (CHALMERS, 1995, p. 27). Exemplificando: se um grande número de cisnes observados são brancos, então todos os cisnes são brancos. O filósofo britânico Karl Popper colocou a posição indutivista numa sinuca, ao afirmar que bastaria observar um cisne negro para invalidar a cientificidade da proposição baseada na indução; em outras palavras, o raciocínio indutivo parte do pressuposto de que as observações de um determinado fenômeno são suficientes para construir a ciência, o que é evidentemente perigoso. Por outro lado, pode-se

] que nos leva

afirmar que, com base nas observações dos planetas do sistema solar e nas leis da Física, qualquer novo planeta a ser observado deve ter órbita elíptica - o que prova que, em certos casos,

a indução ainda é uma forma razoável de fazer ciência. Na verdade, pode-se dizer que a indução mantém sua validade como uma forma de criar hipóteses científicas a serem testadas.

O segundo tipo de raciocínio é chamado dedutivo. Este faz o caminho contrário ao

indutivo, ou seja, parte do geral para o particular. O raciocínio dedutivo opera sobretudo a partir

de silogismos, dos quais o exemplo clássico é: “Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal”. A primeira frase é chamada premissa maior, a segunda, premissa

29

menor, e a terceira, conclusão; as premissas são estabelecidas indutivamente. Evidentemente, se as duas primeiras premissas forem verdadeiras, a conclusão forçosamente o será; dessa forma, o método é muito criticado porque, na verdade, a conclusão não chega a ser uma nova teoria ou mesmo algo que possa ser considerado uma contribuição significativa à ciência. De fato, o simples estabelecimento de que Sócrates é mortal em nada acrescenta ao que já foi definido, ou seja, de que todos os homens são mortais e de que Sócrates é homem. Entretanto, o raciocínio dedutivo é a base para um método científico: o hipotético-dedutivo.

O método hipotético-dedutivo foi proposto por Karl Popper e outros cientistas como uma

alternativa para os problemas do método indutivo; ambos se fundamentam na observação dos fenômenos mas, enquanto o indutivo permite apenas a generalização empírica de observações, o hipotético-dedutivo admite a construção de teorias e de leis científicas (GIL, 1995). Popper

apontava as dificuldades inerentes à observação como um método de conhecimento, pois não se pode observar nenhum fenômeno sem uma teoria prévia, ponto de vista ou expectativa (GEWANDSZNAJDER apud ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 1999). Em seu livro “A conduta na pesquisa” (publicado no Brasil em 1972), Abraham Kaplan descreveu o método hipotético-dedutivo da forma que se segue:

O cientista, através de uma combinação de observação cuidadosa, hábeis

antecipações e intuição científica, alcança um conjunto de postulados que governam os fenômenos pelos quais está interessado; daí deduz ele as conseqüências observáveis; a seguir, verifica essas conseqüências por meio de experimentação e, dessa maneira, refuta os postulados, substituindo-os, quando necessários, por outros e assim prossegue. (apud GIL, 1995, p. 30).

] [

O método hipotético-dedutivo progride, para usar a expressão do próprio Popper, por

meio de conjecturas (hipóteses) e refutações (uma hipótese deve ser testada, e se falseada, rejeitada, sendo este o único teste definitivo da mesma: não é possível provar uma hipótese como verdadeira, mas pode-se provar que seja falsa, e neste caso, deve-se abandoná-la). Este método é muito apreciado pelos neopositivistas (que chegam a considerá-lo o único método científico

possível), mas sua dependência da experimentação torna-o pouco aplicável às Ciências Sociais, ainda que Popper defenda justamente o contrário. Ele apresenta um conjunto de teses em seu

texto “A lógica das ciências sociais” para demonstrar que não há conflito algum entre seu método

e as ciências sociais (POPPER, 1978).

O terceiro tipo de raciocínio, muito pouco tratado pelos filósofos e estudiosos da ciência é

30

operação não-lógica que consiste em pular do caos, que é o mundo real, para uma intuição ou tentativa de conjetura acerca da relação real existente entre o conjunto de variáveis pertinentes.” (BLAUG, 1993, p. 54). Ainda segundo Blaug, a adução pertence ao contexto da descoberta: ela é o insight, o eureka do pensador e do cientista, que transcende os limites da indução baseada na simples observação dos fenômenos. Na lógica formal, um dos poucos usos da adução é feito pelo filósofo inglês Peirce, para quem a adução é o primeiro momento do processo indutivo (ABBAGNANO, 1992).

4.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS

garantir ao pesquisador a

objetividade necessária ao tratamento dos fatos sociais.” (GIL, 1995, p. 28), destacam-se três: o positivismo, a dialética (e, dentro dessa denominação geral, os materialismos histórico e dialético) e a fenomenologia. As características gerais dos três serão vistas a seguir (àqueles que desejarem se aprofundar no tema, recomenda-se a leitura dos capítulos 2 e 3 do livro de Augusto Triviños e, sobre o método dialético em particular, o capítulo 6 do livro de Pedro Demo). O método positivista é, na opinião de seus defensores, a única forma possível de fazer ciência. Seu fundador, Auguste Comte, coloca-se tanto entre os pioneiros da Sociologia como entre os visionários da Filosofia, já que pretendia criar uma nova religião para a humanidade, baseada na Ciência. O modelo das Ciências Naturais, com sua exatidão, sua neutralidade, seu empirismo e sua capacidade de previsão de acontecimentos futuros foi tomado por Comte como o mais adequado para a construção de ciências da sociedade. Evidentemente, o moderno positivismo é bastante diferente do de Comte, devido às contribuições de pensadores como Ernest Mach, Rudolf Carnap, Moritz Schlick, Bertrand Russell, A. J. Ayer, Ludwig Wittgenstein, entre outros.

Segundo Triviños (1995), a filosofia positivista condena a especulação, exaltando os fatos. Ainda de acordo com esse autor, doze são as características principais do positivismo, a saber:

Dentre os métodos científicos gerais, cujo objetivo é “[

]

31

a) Em primeiro lugar, o positivismo despreza a integridade, buscando conhecer o fenômeno em suas partes isoladas. O mundo deve ser concebido como um amontoado de coisas separadas;

b) Os fatos são as únicas realidades a serem observadas pelo cientista;

c) Não se deve buscar as causas últimas dos fatos (o que é “metafísico”), e sim as relações entre eles (ou seja, busca-se conhecer como os fatos se relacionam, e não o porquê dessas relações);

d) O conhecimento é um fim em si: a ciência deve ser neutra, preocupada com conhecer e não com a aplicação do conhecimento;

e) Os únicos fatos realmente importantes são aqueles que são objetivamente dados, atingíveis por meio da experiência. Fatos metafísicos não são dignos do conhecimento científico;

f) Existe um princípio da verificação: tudo aquilo que for empiricamente verificável é verdadeiro, ou seja, toda afirmação a respeito do mundo deve ser confrontada com o dado real;

g) Tanto fenômenos naturais quanto sociais devem ser estudados pelo mesmo método;

h) As teorias científicas são formadas pela operacionalização de variáveis, isto é, pela conceituação de variáveis que significam relações entre os fenômenos;

i) Fisicalismo: todas as ciências devem ser expressas na mesma linguagem, qual seja, a da Física;

j) O conhecimento a priori, isto é, o conhecimento independente da experiência (Abbagnano, 1992), não existe;

k) Fatos e valores são diferentes, e somente os primeiros devem ser objeto de estudo dos cientistas;

l) Existem apenas dois tipos de conhecimentos autênticos: os empíricos (representados pelas

ciências naturais) e os lógicos (representados pelas ciências formais). A essas características levantadas por Triviños (1995) devem ser somadas as seguintes, de acordo com Easterby-Smith et al. (apud ROESCH, 1996): o observador é independente do fato observado, e isento de valor; a ciência progride por meio de um processo hipotético-dedutivo, em

que os conceitos são operacionalizados de forma a permitir sua quantificação; devem ser selecionadas amostras de tamanho grande o suficiente para que as conclusões possam ser generalizadas (além disso, é necessário comparar variações entre amostras); por fim, o cientista

32

deve elaborar leis fundamentais que permitam a explicação de regularidades no comportamento humano. Como síntese, pode-se destacar as seguintes características como sendo centrais para a compreensão do positivismo:

a) Empirismo;

b) Objetividade;

c) Experimentação;

d) Validade ou reprodução das experiências;

e) Formulação de leis e de previsões de comportamento dos fenômenos (LAVILLE; DIONNE,

1999).

Em torno de 1920, o positivismo foi reavaliado pelos pensadores do Círculo de Viena (Schlick, Carnap, Neurath, entre outros), que buscaram conjugar o empirismo com a lógica moderna. Esses pensadores defendiam que a Lógica e a Matemática são conhecimentos a priori, independentes da experiência (em flagrante contraste com o positivismo comtiano que, como visto anteriormente, não admitiam essa possibilidade), e o uso da indução para a formulação de teorias que poderiam ser experimentadas, sendo aceitas quando verificadas, ou seja, testadas e confirmadas; após um certo número de repetições, uma teoria seria considerada indutivamente provada (GEWANDSZNAJDER apud ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 1999). Essas concepções positivistas foram muito criticadas pelos diferentes pensadores, dentre eles Karl Popper (ver o método hipotético-dedutivo na seção anterior) e os da Escola de Frankfurt (Adorno, Benjamin, Horkheimer, Habermas, entre outros), mas desempenhou um importante papel no avanço do conhecimento (TRIVIÑOS, 1995). O segundo método científico a ser estudado é o fenomenológico. A concepção atual de fenomenologia foi criada por Edmund Husserl (1859-1938), e está ligada a um tipo de método científico no qual a única coisa que realmente importa é o fenômeno, o dado ou a coisa que se apresenta diante da consciência do ser humano, sem se importar com o fato do dado ou fenômeno ser real ou aparente: ele existe e se dá ao conhecimento; além disso, o método busca

exclusivamente mostrar o que é o dado ou fenômeno e esclarecê-lo, sem formular leis e princípios a seu respeito (GIL, 1995). O fenômeno, portanto, é tudo aquilo que aparece, que se manifesta ou se revela por si mesmo (MOREIRA, 2002). Não há, entretanto, objeto de conhecimento sem sujeito cognoscente (TRIVIÑOS, 1995).

33

Este método opera por meio do que Husserl chamou “redução fenomenológica”, ou seja,

o processo por meio do qual o fenômeno se mostra em sua forma pura, livre dos elementos

pessoais e culturais do observador; dessa forma, pode-se alcançar a essência das coisas, objetivo

máximo da fenomenologia (TRIVIÑOS, 1995), essência que deve ser descrita (MERLEAU- PONTY apud MOREIRA, 2002), essência que deve ser compreendida como a forma pela qual o fenômeno aparece diante da consciência (MOREIRA, 2002). A redução, ou epoqué, funciona da seguinte forma: o indivíduo deve “suspender” suas crenças na tradição e nas ciências, examinando os conteúdos da consciência como dados, e dessa forma descrevendo o fenômeno em sua forma mais pura (MOREIRA, 2002). À redução fenomenológica segue-se a redução eidética, voltada para a intuição da forma de alguma coisa, separando essa forma de qualquer qualidade acidental; seu funcionamento se dá em três níveis, dos quais o primeiro consiste na observação de coisas similares na natureza, as quais são posteriormente agrupadas em características comuns, ou universais empíricos, e, por fim, dentro da coisa, procura-se uma característica sem a qual não se possa pensá-la – os universais eidéticos, características necessárias das coisas (MOREIRA, 2002). Para alguns autores, como Easterby-Smith et al. (apud ROESCH, 1996), o uso do método fenomenológico implica na análise do objeto de conhecimento tomando em consideração também

as diferenças culturais entre os observadores, que levam a formas diferentes de percepção; tal visão, como observado, não é unânime entre os estudiosos. Husserl dividia as ciências em ciências de fatos, fundamentadas na experiência sensível, e ciências eidéticas, que buscam a intuição essencial, às quais se pode aplicar o método fenomenológico; entretanto, mesmo as ciências de fatos possuem essência, o que significa que também podem ser estudadas pelo método fenomenológico (GIL, 1995). Husserl também pressupunha a universalidade do conhecimento: em sua visão, a essência

captada é a mesma para qualquer sujeito cognoscente, ou seja, “[

é o mundo que pode ser conhecido por todos.” (HUSSERL apud TRIVIÑOS, 1995, p. 46). O

conhecimento fenomenológico não se preocupa com a historicidade; a busca da essência de um fenômeno implica em desprezar toda a história por trás dele, o que faz com que o método seja criticado como conservador, pois o pesquisador que o utiliza está interessado em captar a realidade para descrevê-la em sua essência, sem qualquer preocupação de atuar sobre ela (TRIVIÑOS, 1995). Entretanto, o método fenomenológico é útil para um pesquisador na

]

o mundo que eu conheço [

]

34

formulação e definição de problemas, de hipóteses, e dos conceitos utilizados na fundamentação teórica de suas pesquisas (GIL, 1995). O terceiro e último método geral a ser apresentado é o dialético. Devido às limitações de

espaço e tempo, não serão tratadas todas as vertentes da dialética, preferindo-se a concentração na chamada dialética marxista, que vem a ser a mais conhecida e utilizada pelos cientistas sociais. Segundo Gil (1995), há três formas de encarar a dialética: como uma filosofia da natureza, como uma lógica de pensamento aplicada ao estudo histórico de mudanças e conflitos sociais e como um método de investigação da realidade. Essa terceira faceta da dialética é a que interessa para os objetivos desta disciplina, e será estudada aqui. Não existe um consenso a respeito do que é a dialética, mas em geral se admite

que o pressuposto central do método seja a admissão de que “[

suficientemente contraditória para ser historicamente superável.” (DEMO, 1995, p. 86), isto é, que a realidade historicamente observável possui, em seu interior, contradições em diferentes graus (tanto solúveis quanto insolúveis), que podem ser historicamente superáveis; as contradições insolúveis dentro de uma determinada formação social são solucionadas pela superação de tal formação por uma nova. Além disso, alguns princípios são, conforme Gil (1995), comuns a todas as abordagens:

Em primeiro lugar, há o princípio da unidade e luta dos contrários, que postula que todos os fenômenos e objetos de pesquisa possuem aspectos contraditórios, indissoluvelmente unidos como opostos que se encontram em estado de luta permanente entre si, de maneira a construir e desenvolver a realidade. Demo (1995) reforça: a unidade de contrários (cada tese traz em si sua antítese) não significa exclusão pura e simplesmente, mas convivência, no objeto, desses contrários;

O segundo é o princípio de transformação das mudanças quantitativas e qualitativas. De acordo com os pesquisadores que trabalham com o método dialético, todos os objetos e fenômenos possuem características qualitativas e quantitativas, sendo que estas últimas, em seu processo gradual de mudança, geram mudanças qualitativas, e assim por diante. Triviños (1995) menciona: todo objeto tem propriedades e características, que podem ser definidas como suas qualidades, bem como características definidoras de suas dimensões, volume, peso, grau de desenvolvimento e intensidade de suas propriedades, que definem seu aspecto

toda formação social é

]

35

quantitativo. Como exemplo, a passagem do capitalismo para o socialismo se dá por meio de mudanças quantitativas, que levarão a uma nova realidade social, qualitativamente diferente;

Por fim, tem-se o princípio da negação da negação, que define o desenvolvimento como uma espiral em que, nos estágios superiores, repetem-se aspectos dos inferiores. Em outras palavras, o surgimento do novo não implica numa completa desaparição do velho, pois

implica em admitir que “[

possível que em determinadas etapas se repitam, com nova qualidade, fases do fenômeno que já foram passadas.” (TRIVIÑOS, 1995, p. 73). Com base nisto, pode-se concluir:

] [

em todas as suas relações e todas as suas conexões. Fica claro também que a dialética é

contrária a todo conhecimento rígido. Tudo é visto como em constante mudança: sempre há algo que nasce e se desenvolve e algo que se desagrega e se transforma. (GIL, 1995, p. 32).

para conhecer realmente um objeto é preciso estudá-lo em todos os seus aspectos,

o desenvolvimento tem um caráter contraditório, isto é, que é

]

O método dialético opõe-se à quantificação defendida pelos positivistas, trabalhando sobretudo com os aspectos qualitativos do objeto estudado, de forma que os procedimentos

operacionais e empíricos do positivismo sejam colocados num segundo plano. O método dialético

se apóia numa concepção materialista do mundo, em que se postula que o mundo, em todos os

seus fenômenos e objetos, é material, que a matéria é anterior à consciência (e que esta, por conseguinte, é determinada por aquela), e que o mundo pode ser conhecido (TRIVIÑOS, 1995).

O método dialético opera por meio de categorias ou conceitos centrais, dos quais a idéia da

contradição é o mais importante, e busca a formulação de leis que reflitam as ligações entre os

diferentes aspectos da realidade objetiva (TRIVIÑOS, 1995). Um interessante exemplo de como os três métodos tratam os problemas de pesquisa social

é fornecido por Triviños (1995). Ele fornece o tema “fracasso escolar”, delimita-o como

“fracasso escolar nas escolas estaduais de 1 o grau em Porto Alegre (RS)”, e depois desenvolve a

formulação do problema com base nos três métodos. Assim, o pesquisador positivista buscaria estabelecer as relações entre o fenômeno “fracasso escolar” e algumas variáveis hipotéticas,

como nível sócio-econômico da família, escolaridade dos pais, local aonde se situa a escola, sexo dos estudantes, experiência e formação dos professores. Já o fenomenólogo pesquisaria as causas

do fracasso escolar segundo alunos, pais e professores, bem como o significado do fracasso para

essas pessoas. Por fim, o pesquisador que analisasse o fenômeno por um prisma dialético investigaria os aspectos do fracasso escolar aos níveis local, regional e nacional, bem como as

36

contradições referentes ao currículo, formação e desempenho dos professores, e à localização da escola dentro da comunidade. Um exemplo associado à Administração de empresas: um pesquisador poderia estar interessado em investigar o fenômeno da motivação. Para o positivista, a motivação deveria ser definida a partir de seus resultados objetivos, em termos de melhor desempenho no trabalho ou uma escala de satisfação com o mesmo. A partir disso, a motivação seria associada a dimensões tais como tempo de serviço, classe social, faixa salarial, estrutura das recompensas disponíveis na organização, e assim por diante. Já o fenomenológo buscaria as definições de motivação dos empregados e da direção da organização, buscando determinar um conceito de motivação que pudesse ser adotado por todos os membros da mesma; paralelamente, poderia investigar as percepções de motivação em empresas do setor. Um dialético tentaria identificar as relações entre políticas da empresa e os seus resultados, identificando contradições entre as pretensões e os resultados obtidos, bem como analisaria as contradições nas visões da motivação por parte da alta direção e dos empregados. Os métodos específicos das ciências sociais são voltados para as técnicas a serem usadas pelos pesquisadores para a realização da pesquisa social, especialmente no que tange à coleta, análise e validação dos dados. Gil (1995) destaca os seguintes:

a) Método experimental: fundamenta-se na realização de experimentos controlados, em que os fenômenos estudados são submetidos à influência de certas variáveis, em determinadas condições conhecidas pelo pesquisador, de forma a observar o resultado produzido pela ação das variáveis sobre o objeto;

b) Método observacional: trata-se simplesmente da observação do fenômeno pelo cientista, que deve evitar toda e qualquer intervenção na realidade observada;

c) Método comparativo: consiste na investigação e pesquisa de fenômenos, fatos, objetos, classes sociais ou indivíduos de forma a destacar diferenças e semelhanças entre eles. Trata-se de método que se tornou muito comum nos estudos políticos e da Administração Pública nos anos 50 e 60;

d) Método estatístico: caracteriza-se pela aplicação sobretudo da teoria da probabilidade na pesquisa, de forma a determinar, com razoável precisão, o comportamento dos fenômenos e objetos estudados;

37

e)

Método clínico: bastante utilizado na psicologia, é baseado numa profunda relação entre o pesquisador e o pesquisado, que interagem entre si.

38

5 ELEMENTOS DOS TRABALHOS ACADÊMICOS

Os trabalhos acadêmicos possuem uma estrutura padronizada, que abrange elementos pré- textuais (que consistem em aspectos de apresentação e ordenação dos conteúdos do trabalho), textuais (o corpo do trabalho propriamente dito) e pós-textuais (elementos de fechamento do trabalho, considerados importantes para a compreensão dos mesmos). Os trabalhos acadêmicos, dessa maneira, são apresentados de modo a permitir um contato inicial com seu conteúdo, que pode despertar ou não no leitor o interesse em prosseguir a leitura, sendo fechados com elementos que (à exceção das referências bibliográficas), embora importantes, podem ser dispensados em uma leitura rápida. Antes de apresentar os elementos do trabalho científico, é conveniente mencionar os padrões para a formatação dos documentos, de acordo com a Norma Brasileira Reguladora (NBR) 14724:2002. O papel a ser utilizado para a digitação ou datilografia do texto é o A4. Recomenda-se usar fonte de tamanho 12 para o texto, e tamanho 10 para citações longas (destacadas no texto conforme será visto abaixo) e notas de rodapé. Não existe uma fonte recomendada, mas a Arial e a Times New Roman vêm se popularizando; o importante é que a fonte seja de fácil visualização. As margens das páginas obedecem ao seguinte padrão:

a) superior: 3 cm;

b) inferior: 2 cm;

c) esquerda: 3 cm;

d) direita: 2 cm.

Quanto à entrelinha, ela deve ser 1,5 para o corpo do texto, à exceção dos resumos, notas de rodapé, indicações de título e fonte das figuras e das citações longas, destacadas do texto, em que se deve usar a entrelinha simples. Títulos e subtítulos de seção devem ser separados do texto precedente e do sucedente por duas entrelinhas de 1,5. A paginação do documento segue uma regra simples: todas as páginas, a partir da folha de rosto, devem ser contadas para a numeração em algarismos arábicos. Vale à pena observar que não se exige mais que os elementos pré-textuais sejam numerados independentemente dos textuais em algarismos romanos, como foi o padrão até a edição da NBR 14724:2002. O cuidado que deve ser tomado é que os elementos pré-textuais não devem apresentar os números de

39

páginas, portanto, estes só serão apresentados no documento a partir da primeira página dos elementos textuais (a primeira página da Introdução). Os números de página devem ser colocados na canto superior direito da folha, a 2 cm da borda direita do papel e a 2 cm da borda superior. Quando há a apresentação de anexos e/ou apêndices, sua numeração deve ser seqüenciada em relação à dos elementos textuais e, na hipótese de o trabalho abranger mais de um volume, deve- se manter a seqüência da numeração nos volumes subseqüentes. Títulos indicativos de seção devem ser numerados progressivamente (por exemplo, 1 para introdução, 1.1 para contextualização do tema, 1.1.1 para justificativa), separando-se o título da numeração por intermédio de um espaço. As seções primárias devem iniciar uma nova página e o número desta página deve ficar aculto. O alinhamento do título segue a margem esquerda. Os títulos de seção que não recebem numeração, como o resumo, o sumário, as listas de ilustrações e as referências bibliográficas, devem ser centralizados; todos os demais devem estar alinhados com a margem esquerda. Quanto ao destaque dos títulos, usa-se maiúscula e negrito para identificar um título principal (como os capítulos), maiúscula para a seção e maiúsculas e minúsculas para as subseções. Notas de rodapé são numeradas seqüencialmente, podendo ter numeração independente, ou seja, cada novo capítulo “zera” a numeração das notas, ou usando uma única numeração ao longo de todo o texto. Elas devem ser digitadas ou datilografadas dentro das margens, em fonte de tamanho menor (10 é o recomendável), em entrelinha simples, e com um filete de 3 cm a partir da margem esquerda separando-as do texto. As ilustrações de quaisquer tipos devem ser numeradas seqüencialmente em algarismos arábicos, com o título precedido pela palavra Figura e sua respectiva numeração, legenda (se necessário) e indicação da fonte (quando necessário, ou seja, quando não se trata de figura elaborada pelo autor), sendo esses elementos (título, legenda e fonte) colocados imediatamente abaixo da figura, com entrelinhas simples. A ABNT recomenda que todo tipo de ilustração deve ser colocado o mais próximo possível do texto a que se refere, ficando a critério do autor o projeto gráfico; isso significa, entre outras coisas, que não há uma exigência em termos de separação da figura do resto do texto. Tabelas são elementos sintéticos de demonstração de idéias ou conteúdos necessários para a compreensão do trabalho. As informações nas tabelas, de acordo com a NBR 14724:2002, são tratadas estatisticamente. A apresentação das tabelas segue algumas regras:

40

a)

a

numeração das tabelas é consecutiva;

b)

cada tabela é precedida pela expressão Tabela, seu número de ordem, em algarismos arábicos,

e

pelo título (exemplo: Tabela 1: Média do tempo de serviço na empresa, por setor);

c)

fontes citadas na construção da tabela e notas explicativas aparecem abaixo da mesma, após o traço horizontal de fechamento;

d)

tabelas retiradas de outros documentos devem trazer a menção do autor, devendo ser obtida a autorização deste para sua apresentação;

e)

a

tabela deve ser inserida o mais próximo possível do texto a que se refere;

f)

na hipótese de a tabela não caber numa só folha, pode-se continuar a apresentação da mesma

em outra folha, tomando-se o cuidado de não colocar traço horizontal de fechamento na primeira folha e repetindo-se o título e o cabeçalho na folha subseqüente;

g)

tabelas devem ter traços que separem títulos de colunas nos cabeçalhos, tanto horizontais quanto verticais, mas não devem apresentar traços verticais separando as colunas nem horizontais para separar as linhas.

5.1 ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

Os elementos pré-textuais, segundo a ABNT (2002b), antecedem o texto apresentando informações que permitem a identificação e a utilização do trabalho. O primeiro desses elementos

é a capa. A capa é obrigatória em qualquer trabalho acadêmico, ao identificar o trabalho, seu autor, o local em que ele foi ou será apresentado, bem como o ano em que ele foi elaborado, além de servir de proteção para o mesmo. Os elementos da capa são os seguintes:

a) nome do autor;

b) título;

c) subtítulo (caso exista);

d) número do volume (caso o trabalho esteja dividido em volumes);

e) cidade (local onde a instituição está situada);

f) ano da entrega do trabalho.

41

A ABNT também estabelece normas para apresentação da lombada do trabalho, em caso

de encadernação de capa dura. Recomenda-se sua consulta para maiores informações.

O segundo elemento pré-textual, também obrigatório, é a folha de rosto. Essa folha é a

única no trabalho que deve ser impressa dos dois lados (caso o trabalho seja arquivqdo em

biblioteca). No anverso, figuram, nesta ordem, os seguintes elementos:

a) nome do autor;

b) título principal do trabalho;

c) subtítulo, se houver, subordinado ao título principal e antecedido por dois pontos (:);

d) número de volumes, quando houver mais de um, devendo cada volume possuir sua própria

folha de rosto, identificando o número do presente volume);

e) natureza (tese, dissertação, monografia, trabalho de conclusão de estágio ou trabalho de

conclusão de curso) e objetivo (aprovação numa disciplina, obtenção de grau - bacharel,

mestre, doutor, etc.) do trabalho, nome da instituição à qual se destina e área de concentração

(por exemplo, Administração Mercadológica);

f) nome do orientador, e caso haja, do co-orientador;

g) cidade (local) da instituição onde o trabalho será apresentado;

h) ano da entrega do trabalho.

No verso da folha de rosto deve ser colocada a ficha de catalogação da obra, no caso da

mesma ser arquivada em biblioteca. Essa ficha deve seguir o Código de Catalogação Anglo-

Americano. Para sua elaboração, é conveniente consultar um bibliotecário.

O terceiro elemento é opcional, e refere-se à errata do trabalho. Uma errata consiste

numa lista dos erros que porventura tenham sido cometidos no trabalho, com sua localização e

correção. Normalmente, a errata é uma folha avulsa, encartada no trabalho após sua impressão e

encadernação. Sua apresentação segue o exemplo abaixo:

 

ERRATA

Folha

Linha

Onde se lê

Leia-se

25

4

adminisração

administração

39

5

segundo colhidos

segundo dados colhidos

Figura 3: Modelo de errata Fonte: Autores

42

O quarto elemento é obrigatório no caso de monografias, teses, dissertações e relatórios

de estágio: a folha de aprovação. Essa folha apresenta os seguintes elementos:

a) nome do autor;

b) título;

c) subtítulo, se houver;

d) local e data da aprovação;

e) nome e assinatura dos responsáveis pelo exame e avaliação do trabalho;

f) instituição à qual pertencem os responsáveis supracitados.

O quinto elemento é opcional: trata-se da dedicatória, que consiste numa homenagem

feita pelo autor a qualquer pessoa ou instituição de sua escolha. O elemento seguinte, os agradecimentos, também é opcional, e consiste na listagem de pessoas e instituições que proventura tenham contribuído de alguma forma para a realização do trabalho. O sétimo elemento, a epígrafe, também é opcional; esta consiste numa citação, com seu autor devidamente

identificado, que está relacionada com a matéria tratada pelo trabalho. Se o autor do trabalho desejar, também poderá apresentar epígrafes nas folhas de abertura de novas seções ou capítulos do trabalho.

O oitavo e o nono elementos são obrigatórios, consistindo no resumo em língua nacional

(vernácula) e no resumo em língua estrangeira. Esses resumos consistem numa apresentação sucinta do conteúdo do trabalho, permitindo uma visão rápida, clara e geral desse conteúdo e das conclusões a que o autor chegou ao realizá-lo; o resumo deve, portanto, permitir que o leitor decida sobre a necessidade de consultar ou não o texto. O resumo não possui título, sendo simplesmente indicado pela palavra Resumo, devidamente centralizado, pois ele não é contado na numeração dos documentos.

A NBR 6028:1987 estabelece os critérios para o resumo do trabalho acadêmico. Um bom

resumo deve apresentar até 100 palavras para notas científicas e comunicações breves, até 250 palavras nos casos de monografias e artigos e até 500 palavras para os relatórios, dissertações e teses. O resumo não deve ser uma simples enumeração de tópicos, e sim uma seqüência logicamente ordenada de frases (ou seja, trata-se de um “texto corrido”, redigido da mesma forma que o texto do trabalho), redigidas na voz ativa e na terceira pessoa do singular. A primeira frase deve explicar o tema principal do documento e, em seguida, explicar a categoria de tratamento

43

(memória científica, estudo de caso, análise da situação, etc.). Alguns aspectos devem ser relevados quando da apresentação do resumo, a saber:

a) deve-se identificar os métodos e técnicas pelos quais o problema tratado no trabalho foi abordado, bem como as fontes e tratamentos dos dados;

b) ao se identificar os resultados das pesquisas, deve-se destacar o surgimento de fatos novos, descobertas, teorias anteriores, contradições, novas relações e efeitos verificados;

c) se for o caso, devem ser apresentados os valores numéricos observados, limites de precisão e graus de validade;

d) deve-se evitar a redundância ao apresentar os resultados obtidos;

e) novos aspectos, como métodos aplicados, documentos e fontes de dados recém descobertos devem ser indicados no resumo, mesmo que não tenham relação direta com o tema tratado;

f) o resumo não deve ser apresentado sob a forma de parágrafos, devendo também evitar

símbolos ou siglas que não sejam correntes e a apresentação de fórmulas ou diagramas, a não ser que sejam imprescindíveis; neste caso, deve-se definir os elementos constantes dos mesmos (ABNT, 1987). O resumo em língua estrangeira deve ser a tradução do resumo em vernáculo, devendo ser escolhido o idioma comumente utilizado para a divulgação de trabalhos científicos. Embora não exista nenhum critério para a definição da língua estrangeira a ser usada para o resumo, as mais comuns são o inglês (abstract), francês (résumé) e alemão (zusammenfassung); a critério do autor, é possível apresentar mais de um resumo em língua estrangeira. No curso de Administração das Faculdades Energia o resumo em outra lingua não é adotado. Após cada resumo, deve-se apresentar uma lista de palavras-chave (keywords em inglês), que permitem identificar quais são os termos essenciais para a compreensão ou utilização dos trabalhos. Não existe norma que regule quantos desses termos devem ser apresentados num trabalho, mas deve- se procurar aquelas que sejam representativas ou significativas para o entendimento do texto, e não aquelas que mais são utilizadas no mesmo. Palavras-chave são importantes para trabalhos indexados em bases de dados, permitindo mais facilidade de acesso aos mesmos, portanto, devem ser escolhidas com extremo cuidado. A seguir, vêm quatro elementos opcionais, a saber, a lista de ilustrações (listagem ou listagens de elementos como quadros, gráficos, organogramas, desenhos, gráficos apresentados no trabalho, seguidos dos respectivos números de páginas), a lista de tabelas (que relaciona as tabelas incluídas no texto), a lista de abreviaturas e siglas

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(relacionando alfabeticamente as abreviaturas e siglas usadas no texto, seguidas de suas respectivas explicações, grafadas por extenso, sendo recomendado fazer uma lista para cada tipo), e a lista de símbolos (na qual os símbolos são apresentados e explicados em seu significado de acordo com a ordem em que aparecem no texto). Deve-se observar que essas listagens devem ser apresentadas na hipótese de haverem três ou mais elementos, ou seja, o autor não é obrigado a incluir lista de tabelas se ele tiver apresentado apenas duas tabelas no texto. O último elemento pré-textual é obrigatório: o sumário. O sumário é a enumeração das principais divisões, seções e subseções do trabalho, na mesma ordem e grafia em que são apresentadas, acompanhadas do devido número de página. No caso de haver mais de um volume, em cada um deve ser apresentado o sumário completo. A NBR 6027:1987 regulamenta a forma de apresentação dos sumários. Segundo essa norma (apud RAUEN, 2002), o sumário não se confunde com índice, que consiste numa enumeração detalhada de assuntos, nomes de pessoas, nomes geográficos, acontecimentos, etc., seguidos de uma indicação de sua localização no texto, tampouco com lista, que é utilizada para elementos específicos como ilustrações e tabelas, muito menos com o resumo. As regras para a apresentação do sumário são as seguintes:

a)

a expressão sumário é usada como título e escrita em letras maiúsculas negritadas, centralizada na primeira linha do texto;

b)

o

título é separado dos elementos com duas entrelinhas em branco (escrevendo na terceira);

c)

as letras e entrelinhas são as mesmas utilizadas no texto;

d)

os primeiros elementos apresentados são os pré-textuais (listas de figuras, de tabelas, de siglas

e

resumos), sem indicação numérica, escritas em maiúsculas negritadas, e com uma linha

pontilhada ligando os títulos aos números da página inicial, que devem ser alinhados com a margem direita;

e)

os títulos das seções primárias e suas subdivisões são apresentados na ordem em que surgem no texto, com indicativo numérico (quando houver) alinhado à esquerda, títulos separados do indicativo por um espaço e com uma linha pontilhada ligando o título ao número da página inicial, esta alinhada com a margem direita;

f)

os últimos elementos apresentados no sumário são os pós-textuais, apresentados sem indicação numérica acompanhando o título, alinhados à margem esquerda, escritos em maiúsculas negritadas e ligados ao número inicial de página (alinhado com a margem direita) por uma linha pontilhada (IPARDES, 2000, v. 8);

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g) Os títulos principais (capítulos) são grafados em maiúsculas e negrito, os subtítulos (seções), em maiúsculas, e as subseções, em maiúsculas e minúsculas. Cada número de capítulo, seção ou subseção deve ser separado do respectivo título por dois espaços, não sendo recomendável usar pontos ou parênteses como elementos separadores no sumário (ISKANDAR, 2003).

O sumário apresentado no início deste trabalho pode ser tomado como um modelo para os

sumários de trabalhos acadêmicos, uma vez que segue as normas definidas para sua apresentação.

5.2 ELEMENTOS TEXTUAIS

Os elementos textuais consistem no corpo do trabalho propriamente dito, no qual o autor

apresenta, desenvolve e conclui as idéias que constituem o trabalho acadêmico apresentado. A

matéria do trabalho é, portanto, exposta pelo seu autor em três partes fundamentais: introdução, desenvolvimento e conclusão. Essas três partes estão logicamente encadeadas: na introdução, anuncia-se o que se pretende fazer; no desenvolvimento, a idéia anunciada na introdução é trabalhada; na conclusão, resume-se o que se alcançou e fecha-se o trabalho.

A introdução visa contextualizar o trabalho acadêmico (ou seja, que tipo de trabalho foi

realizado, qual é sua área do conhecimento e o tema abordado), apresentar o problema de pesquisa cuja investigação e solução foram tratadas ao longo do mesmo, definir seus objetivos (geral e específicos) e limitações (estas são opcionais), delinear o quadro teórico no qual o

trabalho foi desenvolvido, bem como apresentar uma indicação de sua importância ou relevância; ou seja, em linhas gerais, a introdução pode ser considerada como uma espécie de apresentação do trabalho. Não existe nenhum padrão em termos de número de páginas, devendo a introdução ser elaborada de maneira equilibrada em relação ao conteúdo do trabalho (ou seja, trabalhos muito curtos não devem ser antecedidos por uma introdução muito longa).

O desenvolvimento do trabalho é composto por tantos capítulos quanto se fizerem

necessários para a solução do problema de pesquisa. A grande maioria dos trabalhos acadêmicos exigirá a apresentação de um referencial teórico, ou seja, uma revisão da literatura a respeito do tema do trabalho, podendo esta ser dividida em tantos capítulos quanto se fizerem necessários. Outros capítulos que podem ser apresentados no desenvolvimento são a metodologia, na qual o

46

autor classifica o trabalho de acordo com critérios previamente definidos e apresenta os métodos e técnicas utilizados para a coleta, análise e tratamento dos dados constantes do trabalho, a caracterização da empresa, nos trabalhos como os relatórios de estágio e os estudos de caso ou pesquisas em empresas, o diagnóstico da situação, sempre que for importante contextualizar o problema de pesquisa dentro de uma compreensão global da realidade, análise e tratamento dos dados, em que os dados obtidos na pesquisa são trabalhados de modo a proporcionarem informações e conhecimentos ao pesquisador e aos leitores, e as recomendações, que constam dos trabalhos em que há uma proposição de um curso de ação para uma organização ou grupo social (recomendações podem ser apresentadas na conclusão do trabalho; de fato, alguns autores sugerem que elas sejam colocadas nesta). Outros elementos podem ser agregados de acordo com as necessidades do trabalho; nem todos os elementos aqui tratados farão parte de todos os trabalhos. Em relação à apresentação dos capítulos do desenvolvimento, é preciso lembrar que cada capítulo inicia uma nova página (com o seu número oculto), e que os capítulos podem ser divididos em seções. A numeração dos capítulos e seções é progressiva e utiliza algarismos romanos ou arábicos, de acordo com o critério estabelecido pelo autor. A numeração dos títulos deve ir até três algarismos (1.1.1, por exemplo), não sendo aconselhável ir além disso. Finalmente, as considerações finais consiste num fechamento do trabalho, em que os principais aspectos abordados ao longo do trabalho são recapitulados resumidamente, e as recomendações feitas são apresentadas sinteticamente (recomenda-se evitar apresentar recomendações que sejam polêmicas ou controversas, apresentando-se somente os aspectos que possam ser considerados aceitáveis sem maiores discussões). As considerações finais do trabalho também pode apontar possibilidades de estudos mais profundos ou outros problemas que possam vir a ser objeto de análise pelo autor ou por outros pesquisadores, bem como as limitações do estudo desenvolvido, caso não tenham sido apresentadas na introdução. É essencial que as considerações finais permitam analisar até que ponto os objetivos definidos na introdução foram cumpridos pelo autor do trabalho. A NBR 14724:2002 considera opcionais os aspectos referentes à importância, síntese, projeção, repercussão e encaminhamentos futuros de trabalho. Um aspecto que não pode ser esquecido: nas considerações finais não é possível introduzir elementos novos no trabalho. Mesmo que corram o risco de serem repetitivas, devem apenas trazer o que já foi tratado no trabalho.

47

Naturalmente, as dimensões dos elementos textuais num trabalho acadêmico são muito variáveis. Relatórios de estágio, por exemplo, devem ter dimensões bem maiores que trabalhos apresentados para uma disciplina, pois trabalham com maior número de elementos. Os principais cuidados devem ser tomados com a redação do texto. Severino (2000) lembra que o autor de um trabalho deve cuidar de sua linha de argumentação, redigindo parágrafos e construindo seções em que os conteúdos sejam logicamente encadeados, permitindo ao leitor acompanhar o raciocínio do autor.

Em trabalhos científicos, impõe-se um estilo sóbrio e preciso, importando mais a clareza do que qualquer outra característica estilística. A terminologia técnica só será usada quando necessária ou em trabalhos especializados, nível em que já se tornou terminologia básica. De qualquer modo, é preciso que o leitor entenda o raciocínio e as idéias do autor sem ser impedido por uma linguagem hermética ou esotérica. Igualmente evitem-se a pomposidade pretensiosa, o verbalismo vazio, as fórmulas feitas e a linguagem sentimental. O estilo do texto será determinado pela natureza do raciocínio específico às várias áreas do saber em que se situa o trabalho. (SEVERINO, 2000, p.

84).

Esta passagem resume admiravelmente os cuidados que o autor de um trabalho acadêmico deve ter ao redigir seu trabalho: é preciso ter clareza, evitando duplas interpretações, utilizar parcimoniosamente a linguagem técnica, e escrever tendo em mente o leitor do trabalho, pois é este que, afinal, irá determinar a qualidade do mesmo.

5.3 ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS

Os elementos pós-textuais são todos aqueles cuja apresentação é considerada, pelo autor, como importante para a compreensão do trabalho, mas não tão fundamental que exijam sua colocação ao longo do desenvolvimento do mesmo. São, na maior parte, elementos opcionais, que serão utilizados com economia e cuidado pelo autor para ilustrar, aprofundar ou destacar temas e assuntos tratados nos capítulos que formam o desenvolvimento. Dentre os elementos pós-textuais, apenas um é obrigatório, e diz respeito às referências, conhecidas até a revisão de 2000 da NBR 6023 como referências bibliográficas; o título mais geral se deve ao fato de que hoje em dia existem muito mais opções de obras que podem ser usadas como referências, não somente os livros e textos impressos. As referências consistem numa listagem das obras consultadas e citadas ao longo do trabalho, apresentadas de acordo com

48

os padrões definidos pela NBR 6023:2002, permitindo ao leitor identificar e consultar as fontes originais sobre as quais se baseou o trabalho. É importante diferenciar bibliografia de referências bibliográficas: aquela consiste numa lista de obras consultadas para a realização de pesquisa, ao passo que estas apresentam somente as obras efetivamente citadas ao longo do texto. Devido à importância deste assunto, ele será tratado em capítulo específico deste trabalho. O elemento pós-textual seguinte é o glossário. De caráter opcional, o glossário apresenta palavras e expressões técnicas de uso restrito ou de sentido obscuro, seguidas de suas definições. As palavras devem ser apresentadas em ordem alfabética, não devendo ser numeradas. Os demais elementos pós-textuais consistem em apêndices e anexos. Os apêndices são textos ou documentos elaborados pelo próprio autor do trabalho, e complementam a argumentação desenvolvida por este. São identificados pela expressão APÊNDICE (em maiúsculas), por letras maiúsculas consecutivas e por um travessão separando-os do título (na hipótese de existirem mais elementos do que letras no alfabeto, usam-se letras dobradas: apêndice AA, por exemplo). Observe-se os exemplos a seguir:

APÊNDICE A - Classificação dos respondentes, por seção e tempo de serviço APÊNDICE B - Nota metodológica sobre o questionário apresentado Os anexos, por sua vez, são documentos não elaborados pelo autor, e são usados para fundamentar, comprovar ou ilustrar a argumentação deste. Seu sistema de identificação é semelhante ao dos apêndices. Veja-se o exemplo:

ANEXO A - O uso de entrevistas em levantamentos, de acordo com Fletcher (1999) ANEXO B - Delineamentos de pesquisa (VERGARA, 2000) Apêndices e anexos devem ser antecedidos por lista específica, na qual eles são devidamente identificados. Na hipótese de serem apresentadas, como anexos, cópias de documentos, nas quais não seja possível acrescentar um título, é conveniente antecedê-las por uma folha de identificação. As páginas dos anexos são numeradas em seqüência aos elementos textuais. No sumário, a página inicial das seções apêndices e anexos deve ser colocada de acordo com a regra de apresentação do sumário, já referida anteriormente.

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6 CITAÇÕES

Uma citação é a menção, no texto, de uma informação extraída de outra fonte, de acordo com a NBR 10520:2002. Estas podem ser diretas, quando se referem a uma transcrição literal (ou seja, uma cópia fiel) do texto do autor consultado, ou indiretas, quando a transcrição não é literal (ou seja, modifica-se o texto original, mantendo-se suas informações originais) sendo que o pensamento do autor original é reescrito com as palavras do autor do trabalho. Naturalmente, no caso desta, é preciso tomar extremo cuidado com o uso das palavras, devendo-se preservar o significado original pretendido pelo autor citado, sem distorcer seu conteúdo. Por que se usam citações? As respostas a essa pergunta variam, mas, geralmente, as citações são utilizadas das seguintes maneiras:

a) apresentar conceitos;

b) comprovar um ponto de vista;

c) apresentar elementos adicionais para aumentar a força de um argumento;

d) valorizar aspectos trabalhados ao longo do texto.

Qualquer que seja a razão para usar a citação, é preciso lembrar-se do que Vergara (2000) afirma: deve-se usar as citações com parcimônia. Ou seja, um trabalho acadêmico não pode se constituir num sem-número de citações, em que o trabalho do autor tenha sido simplesmente compilá-las e encadeá-las ao longo do texto. As citações são elementos adicionais ao texto, jamais elementos principais.

Algumas regras gerais :

a) as entradas de sobrenomes de autor, da instituição responsável pelo texto citado ou pelo título do texto (quando não for possível determinar a autoria) devem ser feitas em maiúsculas e minúsculas, quando apresentadas fora de parênteses, e inteiramente em maiúsculas, quando apresentadas entre parênteses. O ano da publicação é referenciado entre parênteses. No caso de citação direta (literal), a página da citação também é referenciada entre parênteses;

havendo mais de um volume para o título referenciado, este deve ser apresentado após a data, separado desta por vírgula e com a apresentação do volume ou tomo abreviada). Exemplo:

Vergara (2000, p. 37) Vergara (2000) (VERGARA, 2000, p. 37) (VERGARA, 2000)

50

IBGE (2002)

(IBGE, 2002, p. 245)

b) transcrições com até três linhas são referenciadas dentro do próprio texto, separadas deste por

aspas duplas, usando-se as aspas simples na hipótese de haver aspas duplas na citação utilizada. Exemplo: Severino (2000, p. 187) escreve: “quanto à sua estrutura, o raciocínio é um todo complexo, formado que é por um encadeamento de vários juízos, que são, igualmente, conjuntos formados por vários conceitos.” No exemplo acima, a apresentação da fonte poderia se dar ao final do trecho citado, como se segue (SEVERINO, 2000, p. 187);

c) transcrições com mais de três linhas são destacadas com recuo de 4 cm em relação à margem esquerda, em letra menor que a do texto e sem aspas. Exemplo:

As variáveis podem ser de duas espécies, conforme sejam ou não conhecidos os seus valores no início da pesquisa. As variáveis sob controle são aquelas cujo valor é determinado ou mantido sob controle pelo pesquisador. As variáveis não-controladas são aquelas cujo valor é indeterminado e/ou não controlado pelo pesquisador ou cujo valor só é conhecido após o esforço de pesquisa. (RAUEN, 2002, p. 152; grifo do autor).

IBGE (2002, p. 245) (IBGE, 2002, v. 2, p. 108)

interpolações e

acréscimos também são indicadas por colchetes [interpolação de comentário do autor do

trabalho no texto da citação] e destaques são feitos com grifos, negritos ou itálicos. Na hipótese do destaque constar do texto original, utiliza-se a expressão grifo do autor, e, sendo destaque feito pelo autor do trabalho acadêmico que está apresentando a citação, usa-se a expressão grifo nosso. O exemplo acima apresenta um grifo feito por Fábio José Rauen, autor do livro donde provém a citação;

e) dados obtidos por via oral devem indicar, entre parênteses, a fonte por meio da expressão informação verbal;

d) trechos suprimidos são indicados pelo uso de colchetes e reticências [

],

f) trabalhos ainda não publicados ou em fase de elaboração devem ser destacados, incluindo-se a expressão no prelo para trabalhos prontos para edição, mas ainda não lançados, e em fase de elaboração, para trabalhos que ainda não estejam prontos. No caso de trabalhos no prelo, se a data prevista de edição for conhecida, ela deve ser adicionada;

g) no caso do autor do trabalho ter traduzido o texto da citação, deve-se usar a expressão (tradução nossa). Exemplo:

(BABBIE, 1983, p. 205; tradução nossa) Algumas regras adicionais são importantes:

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a) no caso de haverem dois autores com o mesmo sobrenome que tenham publicado seus livros

ou artigos no mesmo ano, deve-se indicá-los por meio da inicial do prenome, e, se a inicial for

a mesma, usa-se o nome completo. Evidentemente, em não havendo publicações no mesmo ano referenciadas na bibliografia, esta regra não se aplica. Exemplo:

(SILVA, R., 2000) (SILVA, J., 2000)

b) quando forem citados textos de um mesmo autor, publicados no mesmo ano, usa-se uma letra

minúscula para diferenciá-los (naturalmente, o mesmo expediente deve ser adotado nas referências bibliográficas). Exemplo:

(BRESSER PEREIRA, 1998a) (BRESSER PEREIRA, 1998b)

c) citações de documentos do mesmo autor, publicados em anos diferentes, devem ser referenciadas separando-se os anos com ponto e vírgula. Exemplo:

(BRESSER PEREIRA, 1996; 1998a; 1998b)

d) citações de documentos de autores diferentes, mencionados simultaneamente, devem ser

(SILVA, Reinaldo, 2000) (SILVA, Roberto, 2000)

separadas por ponto e vírgula. Exemplo:

(SILVA, 1993; PEREIRA, 1995; ROCHA, 1995)

e) a expressão latina apud (citado por, conforme, segundo, junto a) é usada quando se está fazendo a citação de um texto de um autor dentro de texto de outro autor. Conhecida como citação de citação. Exemplo:

(KETTL, 1997 apud BRESSER PEREIRA, 1998b) Kettl (apud BRESSER PEREIRA, 1998b)

f) outras expressões latinas são id (mesmo autor), ibidem ou ibid (na mesma obra), opere citato ou op. cit. (obra citada), passim (em várias passagens do texto), loco citato ou loc. cit. (no mesmo local). Essas expressões, entretanto, são usadas somente em notas de rodapé, à exceção de apud;

g) no caso de haver mais de um autor para o texto, deve-se separar os sobrenomes por ponto e

vírgula, quando entre parênteses, podendo-se usar tanto o ponto e vírgula quanto a vírgula se

a menção vem fora de parênteses. Exemplo:

Melo Neto; Froes (2001) Melo Neto, Froes (2001)

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(MELO NETO; FROES, 2001)

h) No caso de haver mais de três autores, pode-se citar o primeiro nome, seguido da expressão et al. (et alii, que significa “e outros” em latim), ou os três primeiros nomes seguidos de et al.

Por exemplo:

Bastos et al. (2003) (BASTOS et al., 2003) Bastos, Paixão, Fernandes et al.

(BASTOS; PAIXÃO; FERNANDES et al., 2003).

i) no caso de sobrenome composto, deve-se usar a forma mais conhecida desse sobrenome. Por isso, textos de Luiz Carlos Bresser Pereira normalmente são referenciados por Bresser Pereira ou (BRESSER PEREIRA), e não por Pereira. Se o sobrenome do autor tiver as expressões Filho, Neto, Sobrinho, estas devem ser utilizadas: por exemplo, ao citar um texto de Francisco Paulo de Melo Neto, usa-se Melo Neto ou (MELO NETO).

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7 REFERÊNCIAS: A NBR 6023:2002

As regras para a apresentação das referências no Brasil estão consubstanciadas na NBR

6023, modificada pela última vez em setembro de 2002. Essa norma apresenta os elementos que

devem ser colocados nas referências bibliográficas e determina os padrões a serem seguidos para os diversos tipos de documentos científicos normalmente referenciados nos trabalhos acadêmicos. Segundo a NBR 6023:2002, as referências bibliográficas podem ser apresentadas de quatro formas:

a) em notas de rodapé;

b) no final do texto ou de cada capítulo;

c) numa lista de referências ao final do trabalho (antecedendo anexos, apêndices e glossário);

d) antecedendo os resumos, resenhas e recensões.

Para os trabalhos acadêmicos, convencionou-se tacitamente apresentar as referências ao final dos mesmos, a não ser nos casos de resenhas e resumos de texto. Embora alguns utilizem a prática de apresentá-las nas notas de rodapé, isso não é muito recomendável, pois normalmente os avaliadores têm interesse em consultar a lista de referências antes de ler o texto inteiro, para se inteirarem do quadro de referência adotado pelo acadêmico. Antes de apresentar os principais modelos de referências trabalhadas pela ABNT, é conveniente distinguir entre os elementos das mesmas. Existem os elementos essenciais, indispensáveis para a identificação do documento consultado, como título, subtítulo (quando houver), número da edição, local da publicação, editora e data da publicação, e os elementos complementares que, em apoio aos essenciais, permitem a melhor caracterização dos documentos, como indicações de responsabilidade (tradutor, ilustrador, revisor, adaptador, compilador, etc.), características físicas e dimensões do documento, número de páginas, número de volumes, existência de ilustrações, série editorial ou coleção a que o documento pertence,

notas e o International Standard Book Numbering (ISBN), etc. (ABNT, 2002). Apenas os elementos essenciais são exigíveis numa análise da referência bibliográfica.

A seguir, serão apresentados os principais tipos de documentos referenciados nos

trabalhos acadêmicos exigidos pelos cursos de Administração. Os modelos aqui apresentados não

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esgotam a ampla variedade de possibilidades, portanto a consulta à norma original, disponível nas

bibliotecas, é essencial para dirimir possíveis dúvidas em relação à forma mais adequada de

construir a referência.

a) Para referenciar um livro utilizado no todo

SOBRENOME, Prenome (havendo até 3 autores, referenciar os nomes dos mesmos e, mais de 3, deve-se indicar o primeiro ou os três primeiros e usar a expressão latina et al.). Título do livro:

Subtítulo (quando houver). Número da edição (em sendo a primeira edição, é desnecessário citar). Local da edição: Editora, ano da edição. (Coleção - quando houver). Número de páginas, se necessário.

EXEMPLO:

MANTEGA, Guido; MORAES, Maria. Acumulação monopolista e crises no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980. (Coleção Economia, v. 7).

MITROFF, Ian. Tempos difíceis, soluções inovadoras: A arte de fazer as perguntas certas e resolver os problemas certos. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

b) Para referenciar um livro organizado, editado ou compilado por um autor ou mais

autores, contendo textos de diversos autores diferentes, usa-se, após o(s) nome(s) do(s)

compilador(es), as expressões (org.), (ed.) e (comp.), e seus respectivos plurais:

MINTZBERG, Henry; QUINN, James Brian (orgs.). O processo da estratégia. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

c) Para referenciar um texto retirado de um livro do mesmo autor, usa-se o título da parte,

antecede-se o título do livro com a expressão In:, e acrescenta-se a menção ao capítulo (se

houver) e as páginas:

Projetos de estágio e de

pesquisa em administração: guia para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudos de caso. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999, cap. 8, p. 130-153.

ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Pesquisa qualitativa. In:

Sustitui-se o nome da autora por sublinha de seis espaços (underline) para indicar que o

autor da parte é o mesmo do livro.

d) Na hipótese do texto ter sido retirado de um livro organizado por outros autores

CHAMPY, James A. Preparando-se para a mudança organizacional. In: HESSELBEIN, Frances; GOLDSMITH, Marshall; BECKHARD, Richard (orgs.). A organização do futuro. São Paulo:

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e) Quando se está citando uma tese, dissertação, monografia, trabalho de conclusão de

curso, relatório de estágio, usa-se a seguinte estrutura:

SOBRENOME, Prenome. Título do trabalho: Subtítulo (quando houver). Ano. Número de folhas. Característica - Local de apresentação.

EXEMPLO:

ZAPELINI, Marcello Beckert. Colaboração entre os setores público e privado: elementos para uma teoria política. 1996. 420 f. Dissertação (Mestrado em Administração) - Curso de Pós- Graduação em Administração, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

Se

apenas

uma

parte

do

documento

apresentada em “c”. Assim:

estiver

sendo

citada,

usa-se

a

mesma

regra

EXEMPLO:

Colaboração entre os

setores público e privado: elementos para uma teoria política. 1996. 420 f. Dissertação

(Mestrado em Administração) - Curso de Pós-Graduação em Administração, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, cap. III, p. 15-39.

ZAPELINI, Marcello Beckert. Concepções políticas clássicas. In:

f) A referência de um dicionário segue este padrão:

ABBAGNANO, Nicola. Diccionario de filosofía. 2. ed., 9. reimpr. México, D. F.: Fondo de Cultura Económica, 1992.

g) Se apenas um verbete do dicionário está sendo citado, deve-se proceder desta forma:

AUTORITARISMO. In: SOUSA, José Pedro Galvão de; GARCIA, Clovis Lema; CARVALHO, José Fraga Teixeira de. Dicionário de política. São Paulo: T. A. Queiroz Editor, 1998. p. 85-86.

h) No caso de referência de um periódico (revista) tomado em sua coleção, deve-se usar o

seguinte padrão:

REVISTA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Rio de Janeiro: FGV, 1967- . Bimestral.

i) Quando apenas um artigo de periódico está sendo citado:

SOBRENOME, Prenome. Título. Revista, local, volume, número, páginas, data.

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EXEMPLO:

GUIMARÃES, Tomás de Aquino. A nova administração pública e a abordagem da competência. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 34, n. 3, p. 125-140, maio-jun. 2000.

Naturalmente, quando há mais de um autor, deve-se referenciar os nomes dos autores até

o máximo de três; quando forem quatro ou mais, deve-se usar a expressão et al., como definido

anteriormente no capítulo sobre citações.

j) Um artigo publicado em jornal é referenciado como se segue:

SOBRENOME, Prenome. Título. Jornal, Local, data. Seção ou caderno, página.

EXEMPLO (extraído da NBR 6023:2000, p. 5):

NAVES, P. Lagos andinos dão banho de beleza. Folha de São Paulo, São Paulo, 28 jun. 1999. Folha Turismo, Caderno 8, p. 13. Se não há menção de caderno, seção ou parte no jornal, a página precede a data, como no

exemplo a seguir (também extraído da NBR 6023: 2000, p. 5):

LEAL, L. N. MP fiscaliza com autonomia total. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 3, 25 abr.

1999.

Na hipótese de não ser assinada, a matéria tem a primeira palavra do seu título

referenciado em maiúscula. Os demais elementos permanecem os mesmos.

k) Entrevistas são referenciadas sempre pelo nome do entrevistado

ÁLVARES DA SILVA, Antônio. Justa causa. Exame, São Paulo, n. 692, p.34-36, 14 jul. 1999. entrevista concedida a José Maria Furtado.

l) Documento extraído da Internet

SOBRENOME, Prenome. Título. Indicação de revista eletrônica, site ou evento. Disponível

em:

>.

Acesso em: data.

EXEMPLO:

CECATTO, Cristiano. Planejamento estratégico e RH. RH.com.br. Disponível em:

<http://www.rh.com.br/ler.php?cod=3338>. Acesso em: 10 set. 2002.

m) Um documento em CD-ROM deve ser referenciado como se segue (o primeiro exemplo se

refere ao documento como um todo, e o segundo a uma parte do mesmo):

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EXEMPLO:

CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO. Legislação profissional de Administração. Brasília: CFA, 2002. CD-Rom.

SOUSA, Renato. O papel do código de ética na vida profissional do administrador. In:

CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO. Legislação profissional de Administração. Brasília: CFA, 2002. CD-Rom.

n) Legislação:

JURISDIÇÃO (ou cabeçalho da entidade). Título, numeração e data. Ementa. Dados da publicação. Notas adicionais que se mostrem necessárias.

EXEMPLOS:

BRASIL. Constituição Federal (1988). Brasília: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Constituição (1988). Emenda Constitucional 9, de 9 de novembro de 1995. Dá nova redação ao art. 177 da Constituição Federal, alterando e inserindo parágrafos. Lex – Coletânea de

Legislação e Jurisprudência: legislação ferdeal e marginalia, São Paulo, v. 59, p. 1966, out.- dez.

1995.

o) Palestra ou aula não publicada

SOBRENOME, Prenome. Título do trabalho. Natureza da atividade, Local, data.

EXEMPLO:

ZAPELINI, Marcello. Curso de atualização em metodologia científica. Curso proferido na Faculdade Energia de Administração e Negócios – FEAN, 17-23 jul. 2003.

Algumas regras gerais são utilizadas em toda apresentação de referências

a) a lista pode ser apresentada em ordem alfabética, cronológica ou por assunto, sendo

entretanto recomendável usar a ordem alfabética;

b) cada referência deve ser apresentada em espaço simples e separada da subseqüente por espaço

duplo;

c) quando são referenciadas 2 ou mais obras do mesmo autor, não é necessário repetir o nome

do mesmo a partir da segunda referência, substituindo-o por uma sublinha de seis espaços

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antes do ponto, ou seja,

numa página e a outra na página seguinte;

Esta regra não é válida se por acaso uma referência estiver

d) quando são referenciadas obras do mesmo autor publicadas no mesmo ano, usam-se letras para diferenciá-las (como, por exemplo, 1998a, 1998b, 1998c);

e) na hipótese do autor do documento ser uma entidade, usa-se o nome da entidade em letras maiúsculas. Deve-se usar o nome completo da instituição, a menos que a sigla seja usada no documento em lugar do nome;

f) cada acréscimo à edição deve ser mencionado de forma abreviada. Assim, usa-se rev. para indicar uma edição revisada, ampl. para uma edição ampliada, aum. para uma edição aumentada;

g) quando não é indicado o local da edição, usa-se a expressão [S.l.] (sine loco), e, se o local

pode ser identificado com precisão, coloca-se o mesmo entre colchetes, como por exemplo [Florianópolis];

h) quando não há indicação de data, usa-se uma das seguintes hipóteses: [1999] quando se pode determinar com precisão a data não indicada, [1998 ou 1999] quando se pode determinar que é um ano ou o outro, [1999?], [199?] ou [19?] quando se trata de data, década ou século provável;

i) se são referenciadas duas edições diferentes do mesmo documento, usam-se duas sublinhas de seis espaços, como no seguinte exemplo:

FAORO, Raymundo. Os donos do poder. São Paulo: Globo, 1958.

3. ed. rev. São Paulo: Globo, 2001.

j) na hipótese de não haver indicação do autor do texto, utiliza-se o título como forma de entrada, usando maiúsculas para a primeira palavra;

k) documentos oficiais podem ser referenciados pelo nome do país (BRASIL, para documentos do governo federal), do estado ou mesmo do município;

l) se for necessário, o nome do tradutor e/ou do revisor deve aparecer logo após o nome do texto pesquisado. Isso é recomendável nos casos em que essas pessoas são autoridades

reconhecidas no assunto do livro (por exemplo, se Marcos Cobra, autoridade brasileira em marketing, é o tradutor de um livro de marketing, recomenda-se sua inclusão na referência);

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m) documentos extraídos de publicações periódicas (jornais ou revistas) online devem seguir as normas específicas de apresentação da referência de periódicos, acrescido da informação referente à página aonde o material está disponibilizado e da data de acesso. Um aspecto que pode ser destacado diz respeito à abreviatura dos meses, necessária para uma série de referências, como as de periódicos, jornais e da internet. A NBR 66:1989 define essas abreviaturas: janeiro: jan.; fevereiro: fev.; março: mar.; abril: abr.; maio: maio (é o único mês que não é abreviado); junho: jun.; julho: jul.; agosto: ago.; setembro: set.; outubro: out.; novembro: nov.; dezembro: dez. Ou seja, à exceção de maio, todos os outros meses são abreviados pelas três primeiras letras do nome.

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8 PROJETOS E TRABALHOS DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO

Esta seção diz respeito aos produtos gerados no processo de estágio do acadêmico de Administração. Esses produtos são o projeto, documento preliminar à realização das atividades e consolida informações a respeito das pretensões do aluno em relação ao estágio e, num segundo momento, o Trabalho de Conclusão de Estágio (TCE), que narra as tarefas realizadas pelo acadêmico na organização, apresenta o referencial teórico utilizado pelo mesmo e suas conclusões a respeito do processo como um todo.

A forma de apresentação desses documentos segue os padrões definidos na primeira seção

deste trabalho, sendo esta uma definição dos elementos do projeto e do trabalho de conclusão, tal

como definido pelo Regulamento de Estágios da faculdade.

8.1 O QUE É UM PROJETO DE ESTÁGIO?

Como anteriormente mencionado, o projeto de estágio define respostas para as seguintes perguntas:

a) O que será feito?

b) Onde e quando será feito?

c) Quem fará?

d) Como fará?

A primeira pergunta refere-se à área do conhecimento administrativo, ao tema escolhido,

ao problema formulado pelo aluno e aos objetivos que deverão ser cumpridos para a realização efetiva do estágio. Ou seja, quando se está perguntando o que será feito, essencialmente busca-se determinar qual problema estará sendo investigado pelo estagiário, e como esse problema poderá

ser respondido. A segunda questão diz respeito ao local e ao período de realização do estágio. Neste sentido, é preciso determinar em qual empresa o estágio será realizado, detalhando em que setor ou departamento da mesma as atividades se concentrarão. O período diz respeito a como as

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atividades se desenvolverão dentro da empresa: o que será feito em primeiro lugar, quais atividades serão realizadas a seguir, e quando se pretende apresentar o TCE ao orientador para a definição de datas para a defesa pública. A terceira pergunta diz respeito aos atores envolvidos no processo. Naturalmente, o aluno, como autor do projeto, é o principal responsável pelo mesmo. Entretanto, a definição do

orientador e do supervisor já devem constar do projeto, pois estes dois agentes concorrem para a maior qualidade do processo. Finalmente, tem-se a questão “como se fará o estágio”. Esta questão é provavelmente a mais complexa do projeto, uma vez que lida com a programação das atividades, com os métodos

e técnicas necessários para cumpri-las adequada e proveitosamente, com o tipo de literatura que

será utilizado, e com as previsões de gastos por parte do estagiário. Embora trabalhosa, a resposta

a esta questão deve ser a mais cuidadosa e detalhada possível, pois as questões metodológicas são essenciais para o sucesso dos trabalhos de estágio.

8.2 ESCOLHA DO TEMA, DO PROBLEMA, DO LOCAL E DO ORIENTADOR

Uma das questões mais importantes a serem respondidas quando da elaboração do projeto de estágio refere-se à definição do tema, do local e do orientador, pois estes são pontos de partida para o trabalho. Idealmente, o estágio será realizado no tema em que o acadêmico sentir maior atração ou facilidade de trabalhar, ou para o qual direcionou seus esforços ao longo da graduação, numa organização que lhe proporcionará as melhores oportunidades de aprendizado, sob a orientação de um professor que não somente domina o assunto, mas também possui afinidade com o acadêmico. Na prática, entretanto, a situação é outra. Muitas vezes, o acadêmico é obrigado a estagiar numa organização diferente daquela que sonhava, para poder realizar um trabalho na área que mais o interessa, enquanto que em outros casos o acadêmico consegue o estágio na organização que deseja, mas acaba tendo que realizá-lo em outra área e tema; casos ainda mais dramáticos são aqueles em que não se consegue nem a empresa, nem o tema que originalmente se desejava trabalhar - mas estes devem ser evitados a qualquer custo. Outro problema está na definição do

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orientador, que é restringida pelo número de orientandos que cada professor pode ter, pelos seus interesses de trabalho, pela exsitência de afinidades pessoais entre professor e acadêmico, e pela própria agenda deste. Entretanto, alguns aspectos fundamentais devem ser levados em consideração na definição do tema, do problema, da organização e do orientador do estágio, aspectos estes que guiam e facilitam as decisões do acadêmico. Ver-se-ão, a seguir, esses cuidados, tendo-se em mente que a organização proposta não deve ser considerada como uma seqüência cronológica de passos, uma vez que, muitas vezes, essas escolhas ocorrem concomitantemente, já que são interdependentes.

8.2.1 Definição da área e do tema

O regulamento de estágio estabelece as diferentes áreas da Administração dentro das quais o acadêmico deverá fazer a opção para realização de seu estágio, devendo ser consultado para a definição de quais estão disponíveis. Embora a área seja uma subdivisão da ciência, ainda assim seu conceito refere-se a um campo de conhecimento relativamente amplo, dentro do qual podem ser encontrados diferentes temas. “Área” corresponde a assunto, termo relativamente comum dentro da metodologia da pesquisa, que pode ser definido como “aquilo sobre o qual se quer saber alguma coisa, ou aquilo de que se fala.” (BEBBER; MARTINELLO apud RAUEN, 2002, p. 48). A escolha da área diz muito a respeito do estagiário, haja vista que as pessoas escolherão aquela pela qual sentem mais interesse – ou, no mínimo, sentem-se mais confortáveis para abordar. Dentro de cada uma dessas áreas, o acadêmico poderá optar pelos mais variados temas, de acordo com seus interesses, com os da empresa e com a disponibilidade de orientadores. É extremamente importante que a área escolhida pelo acadêmico corresponda, da melhor forma possível, a seus interesses profissionais; de forma geral, os estágios com melhor aproveitamento são aqueles em que o estagiário se dedica à área da Administração que mais se corresponde à sua visão de futuro enquanto profissional. Em não havendo essa definição, evidentemente, recomenda-se que o acadêmico procure a área que mais lhe tenha interessado em sala de aula ou

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que consulte a empresa junto à qual deseja estagiar. Um aspecto que auxilia na escolha do tema é

a leitura prévia: ao longo do curso, o acadêmico deve procurar se informar em livros e revistas

sobre os assuntos que mais o interessam, pois isso o ajudará muito na definição de um tema para estagiar. Em outras palavras, o que se recomenda é que o acadêmico procure, no mínimo, estagiar na área que considera mais importante para ele. Na maior parte dos casos, existe a possibilidade de negociar com a organização qual tema será trabalhado no decorrer do estágio. É para esse assunto que é preciso dedicar atenção no momento, focalizando o tema do trabalho. Se a área do estágio corresponde diretamente a uma das subdivisões principais da Administração, o tema do estágio pode ser considerado como uma aproximação maior ao trabalho que de fato será desenvolvido; o tema é uma focalização do trabalho, restringindo a área

a apenas uma de suas possibilidades de estudo. Sylvia Roesch (1999) afirma que existe uma

infinidade de temas que podem ser explorados num estágio; esses temas, de acordo com a autora, correspondem a problemas ou oportunidades a serem resolvidos ou explorados dentro da organização. Conseqüentemente, a adequada definição do tema deverá ser feita de comum acordo com a organização em que será desenvolvido o estágio. Por exemplo: um aluno pretende desenvolver seu estágio em Administração de Recursos Humanos (área), na definição de um sistema de avaliação de desempenho (tema) para a organização escolhida. Algumas tentações devem ser evitadas. Umberto Eco (1989) observa que todo estudante tende a escolher um tema bastante amplo e genérico para desenvolver seu trabalho – o que é extremamente perigoso, em vários sentidos: o acadêmico pode não terminar seu trabalho no prazo; abre-se ampla possibilidade de, na defesa do trabalho, contestar-se a bibliografia utilizada pelo estagiário; aumenta a dificuldade de coletar e tratar adequadamente as informações necessárias; por fim, pode-se acrescentar, o trabalho tende a ser menos útil para a organização em que o estágio foi realizado. Portanto, a primeira dica na escolha do tema é: restrinja o tema, evite a tentação de fazer um trabalho muito amplo. Um segundo aspecto, que Gil (1996) menciona em relação à formulação de problemas de pesquisa, mas que pode ser adaptado à realidade do projeto de estágio, refere-se à precisão. O tema do estágio deve ser definido de maneira a evitar dificuldades de interpretação por parte de orientador, supervisor e possíveis leitores. Uma sugestão é: ao preparar a revisão da literatura no

64

projeto de estágio, convém definir com o máximo de clareza o que se entende pelo tema. Dessa maneira, a segunda dica é: seja claro e preciso na definição do tema. Outra questão: o tema deve ser empírico e viável, ou seja, deve ser passível de investigação na organização em que o estágio irá ser desenvolvido. Por exemplo: o acadêmico pretende estagiar numa microempresa, na área de Administração de Recursos Humanos, e escolhe como tema planejamento de cargos e salários. Em princípio, o tema é exeqüível, a organização se interessa e o estagiário está motivado; mas não é viável realizar o estágio dessa forma, pois o planejamento de cargos e salários só é de fato exeqüível e útil para organizações de determinado porte. Na viabilidade, também é importante levar em consideração o tempo disponível para a realização do estágio, os custos envolvidos e a possibilidade de se chegar a uma solução adequada à organização. A terceira dica, portanto, é: escolha um tema que possa ser abordado na organização, e que esteja dentro de suas possibilidades em termos de custos, tempo e conhecimentos. É interessante verificar como os estudiosos da Metodologia da Pesquisa abordam a questão da definição do tema. Cláudio de Moura Castro (2006) propõe três critérios simples, mas poderosos:

a) Importância: o tema deve estar ligado a alguma questão que mobiliza ou afete algum segmento substancial da sociedade, ou a alguma questão teórica que mereça atenção na literatura. Nas palavras do autor, “importante é o tema que, mais cedo ou mais tarde, vai desembocar em conseqüências teóricas ou práticas que afetam diretamente o bem-estar da sociedade.” (CASTRO, 2006, p. 61; grifo do autor);

b) Originalidade: o tema deve ter o potencial de surpreender o pesquisador;

c) Viabilidade: a pesquisa deve ser completada considerando-se os prazos, os recursos financeiros, a competência do pesquisador, a disponibilidade de informações, a teoria existente e o apoio do orientador. Barros, Lehfeld (apud RAUEN, 2002) apresentam alguns interessantes critérios para a

escolha do tema:

a) Viabilidade técnica: metodologia e tipologia da pesquisa;

b) Viabilidade política: relevância da pesquisa na realidade contemporânea, suas contribuições e relacionamento com pesquisas já feitas;

65

d) Viabilidade financeira: custos envolvidos no projeto.

Sylvia Roesch (1999) apresenta os seguintes aspectos como fatores envolvidos na escolha do tema do estágio:

a) Ele deve ser relevante para a Administração, e ter ligação com pelo menos duas disciplinas do curso;

b) Deve ser viável em termos de acesso às fontes de informação e aos dados, e do tempo disponível;

c) Deve ser viável em termos de custo, disponibilidade de bibliografia e de orientação;

d) Deve ser do interesse da organização aonde será feito o estágio e do orientador. Tudo isso, entretanto, não substitui uma realidade: deve-se ter legítimo interesse pelo

tema de estudo. Somente esse interesse garantirá ao aluno o real comprometimento com o trabalho.

8.2.2 Definição do problema, da pergunta e da hipótese de pesquisa

Um problema bem formulado é essencial para que o estágio possa ser levado a bom termo, mas essa formulação tem se mostrado uma dificuldade para os acadêmicos. Para Rudio,

“formular o problema consiste em dizer, de maneira explícita, clara, compreensível e operacional,

qual a dificuldade, com a qual nos defrontamos e queremos resolver [

ALVARENGA; BIANCHI, 2002, p. 33). Soriano (2004, p. 48) afirma que “propor um problema a partir de uma perspectiva científica significa reduzi-lo a seus aspectos e relações fundamentais para poder iniciar seu estudo intensivo” sem, entretanto, sacrificar sua complexidade dentro de uma realidade natural ou social. Um aspecto central dentro da formulação do problema é que ele deve estar embasado em um marco teórico, ou seja, ele será elaborado depois de leitura prévia que permita ao pesquisador compreender melhor a realidade que irá pesquisar (portanto, um problema nunca é formulado do nada – ele deve refletir um conhecimento anterior sobre o assunto, conhecimento este que leva o pesquisador a desejar aprofundar-se). Dentro desse espírito, Chizzotti (2006) informa: delimitar o problema é uma atividade diretamente conectada a uma concepção de mundo do pesquisador,

(apud BIANCHI;

].”

66

seja ela genérica, seja ela expressa sinteticamente em teoria. O autor conclui: “delimitar o problema pode ser o momento mais aflitivo da pesquisa porque sua definição está conexa com a concepção que gera o problema.” (CHIZZOTTI, 2006, p. 25). Gil (1991) afirma que um problema é uma questão ainda não resolvida em algum campo de conhecimento que levanta discussões dentro deste. Numa formulação mais precisa, Laville,

Dionne (1999, p. 87) definem o problema de pesquisa como sendo “[

pode ‘resolver’ com conhecimentos e dados já disponíveis ou com aqueles factíveis de serem produzidos.” Ou seja, de acordo com os dois autores canadenses, um problema consiste em uma situação que se pretende resolver através do acesso ao conhecimento já existente ou aos dados a serem coletados junto à realidade. Conquanto esta seja uma boa definição, há que se acrescentar que, em um trabalho de estágio, obrigatoriamente todos os problemas passarão pelas duas

dimensões, apoiando-se em realidades já descritas por outros pesquisadores e em dados novos produzidos pelo estagiário.

Um bom problema de pesquisa científica, lembra Gil (1991), deve indagar como se verifica um dado fenômeno, o que o causa e quais são as conseqüências de sua ocorrência. Citando Kerlinger, Gil (1991) afirma que indagar como se pode fazer melhor alguma coisa não é um problema científico, e sim um problema de “engenharia”, pois só trata de eficiência. O estagiário, entretanto, irá analisar muitas vezes situações em que a eficiência e o “como fazer” serão centrais para seu trabalho; o fato de tal problema não ser considerado “puro” em termos científicos não quer dizer que seu estágio não seja científico, mas sim que ele representa uma aplicação do método científico à realidade empresarial. Para que o estagiário possa responder ao problema, é fundamental que ele esteja adequadamente delimitado, ou seja, ele não pode ser tão extenso que não permita uma resposta durante o período de realização do estágio nem com os recursos à disposição do acadêmico, nem ser restrito a ponto de não permitir um trabalho com as características e a profundidade de um estágio. A questão de como delimitar o problema de pesquisa pode ser adequadamente respondida tendo em mente critérios propostos por Soriano (2004):

a) Conceitualização: indica os limites teóricos do trabalho;

b) Tempo: a pesquisa deve estar situada historicamente;

c) Espaço: é preciso definir qual é a área geográfica da pesquisa;

um problema que se

]

67

e) Contextualizações: situar o problema em contextos socioeconômico, político, histórico e ecológico pode ajudar o pesquisador a defini-lo melhor.

O estagiário deve ter consciência de diversos aspectos quando da formulação do

problema:

a) há material bibliográfico que permita um estudo do problema levantado?

b) o problema gera hipóteses (tentativas de resposta)?

c) as hipóteses geradas podem ser testadas, ou seja, avaliadas na prática?

d) o problema interessa à organização na qual o estágio está sendo desenvolvido?

Um problema é formulado, portanto, como uma descrição de uma situação da realidade, e a partir desta, deriva-se uma pergunta, sendo o objetivo geral diretamente relacionado a essa pergunta; em muitos casos, a formulação do objetivo geral é praticamente idêntica à da pergunta,

apenas retirando-se o questionamento. A pergunta de pesquisa propõe uma pesquisa a partir do problema, e portanto ela deve ser de fácil compreensão e auxiliar o pesquisador em sua abordagem da realidade, bem como permitir ao analista da pesquisa compreender melhor o que será feito. A pergunta torna explícita o que se quer resolver ou responder com a pesquisa (RAUEN, 2002, p. 51).

De acordo com Laville, Dionne (1999), a pergunta reflete o modo pelo qual o pesquisador

vê a realidade, a partir de suas teorias ou ideologia. Portanto, a pergunta guia a abordagem que será dada ao problema da pesquisa. Eles propõem alguns critérios para uma “boa” pergunta:

a) A pergunta deve ser significativa, ou seja, deve deixar transparecer que o problema é significativo e o que se deve esperar da pesquisa realizada a partir dela;

b) A pergunta deve ser clara para o pesquisador e para o leitor, dificultando ou impedindo confusões e erros de interpretação ao deixar clara a direção em que se irá pesquisar. Ou seja, aqui a chave é a objetividade;

c) A pergunta deve ser exeqüível, ou seja, deve deixar claro que o pesquisador dispõe dos meios para fazer a pesquisa e que existem dados que podem ser coletados para respondê-la.

O conhecimento progride por meio de perguntas que, uma vez formuladas, são

investigadas em busca de uma resposta; para que tais respostas possam ser alcançadas, é preciso formular hipóteses (tentativas de respostas à pergunta formulada no problema) que serão testadas como respostas possíveis ao mesmo; no dizer de Laville, Dionne (1999), a hipótese é uma solução antecipada ao problema de pesquisa. Richardson (1999) coloca que as hipóteses

68

permitem orientar a análise dos dados e auxiliam a aceitar ou rejeitar tentativas de solução ao problema. Nem todos os trabalhos de estágio precisam de hipóteses: elas são indispensáveis na maioria dos estudos quantitativos e dos quali-quantitativos, mas não são obrigatórias nos qualitativos. Entretanto, mesmo no caso destes, as hipóteses sempre estão subjacentes, pois o pesquisador não se exime de antecipar soluções possíveis para o problema que ele mesmo formulou. Para a formulação das hipóteses, Richardson (1999) apresenta uma série de critérios simples, mas eficazes:

a) Clareza: as hipóteses devem evitar o uso de conceitos obscuros ou discutíveis;

b) Empirismo: os conceitos devem ter bases empíricas;

c) Verificação: as técnicas disponíveis devem permitir a verificação das hipóteses;

d) Especificação: hipóteses amplas devem ser evitadas ou desdobradas em sub-hipóteses menores;

e) Relação com a teoria: deve haver relação entre a teoria existente e a hipótese formulada;

f) Generalização: deve ser possível aplicar a hipótese não a fatos isolados, mas a aspectos gerais da área a ser analisada.

g) Relação com o problema: não se pode formular hipótese alheia ao problema, que não dê

respostas prováveis a este. Há diversos tipos de hipóteses, classificadas de diferentes maneiras. Gil (1991) apresenta uma classificação simples:

a) Casuísticas: referem-se a características específicas de determinadas pessoas, objetos ou fatos;

b) Freqüência: referem-se à freqüência com que determinada característica se repete em um grupo, uma sociedade, uma cultura;

c) Associação: estas hipóteses estabelecem uma relação de associação entre duas ou mais variáveis procurando verificar até que ponto uma delas pode ser relacionada à outra;

d) Dependência: estabelecem que uma variável independente interfere em uma outra, dita dependente. Há, portanto, relação de causalidade entre as variáveis.

69

As hipóteses podem derivar de diversas fontes diferentes: observação empírica da realidade, feita pelo próprio pesquisador; outras pesquisas já feitas sobre o mesmo tema; teorias já existentes; intuição do pesquisador (GIL, 1991).

8.2.3 Definição do local

Esta é uma das questões mais espinhosas a serem respondidas: aonde será realizado o estágio? A legislação considera o estágio como uma oportunidade de colocar em prática os conhecimentos teóricos que foram fornecidos na IE, o que evidentemente pressupõe que o acadêmico realizará seu estágio em uma organização que lhe abra amplas oportunidades de aplicação de seus conhecimentos. Na prática, entretanto, nem sempre isso é possível. Um estágio pode ser em qualquer tipo de organização, tanto pública quanto privada, e inclusive está aberta a possibilidade de realizá-lo em organizações comunitárias. Uma questão comum é se o estágio curricular pode ser realizado na mesma organização em que o acadêmico já trabalhe. Esta possibilidade está aberta, mas o estágio não pode ser realizado na mesma atividade que o profissional já realiza, sob pena de perder sua característica central, que é o aprendizado. Para ajudar o acadêmico a escolher o local de seu estágio, alguns aspectos podem ser mencionados. Em primeiro lugar, é preciso ter em mente as dimensões da empresa. Embora muitos estágios de alta qualidade sejam realizados em microempresas, estas não são adequadas para determinados tipos de trabalho. Estágios em Administração de Recursos Humanos, por exemplo, dificilmente podem ser adequadamente realizados em empresas de micro ou pequeno porte; na área de Materiais, entretanto, essas empresas são excelentes oportunidades de aplicação de conhecimentos. Portanto, a primeira dica é: procure uma empresa de tamanho adequado para a área em que você pretende realizar seu estágio, isto é, uma empresa que tenha as dimensões adequadas para as restrições de trabalho que cercam o estágio. Outro aspecto refere-se ao tipo de empresa: pública, privada ou do terceiro setor? As primeiras são normalmente interessantes campos para estudos nas áreas de Administração Geral e Organização, Sistemas e Métodos, mas já não são tão interessantes para outras áreas como, por exemplo, Administração de Recursos Humanos (devido às limitações impostas pelo Estatuto dos

70

Funcionários Públicos); dentro de Administração de Materiais e do Patrimônio, o tema Compras normalmente não pode ser adequadamente trabalhado em empresas públicas, devido às limitações da lei de licitações, embora normalmente essas empresas possuam áreas de Estoques bem organizadas, que podem ser analisadas pelo estagiário. Dessa maneira, a segunda dica consiste em: procure uma empresa que permita a aplicação dos conhecimentos normalmente ministrados na IE em seu estágio. Também é importante que a área em que o acadêmico pretende realizar seu estágio seja de interesse da organização. Dessa forma, a escolha do local normalmente não é um processo muito rápido, depende de negociação entre ambas as partes. É conveniente que, ao abordar uma determinada organização, o estagiário já tenha em mente o que ele pretende fazer, de maneira a chamar o interesse da mesma em seu trabalho; é importante que o estagiário esteja preparado para ceder, mudar o tema do estágio, se for de comum acordo e a empresa realmente for interessante para se realizar o trabalho. Portanto, a terceira dica é: procure empresas que tenham interesse na área em que você pretende estagiar. Mas, talvez, o aspecto mais importante seja este: em grande parte dos casos, a primeira escolha não é a definitiva. O acadêmico precisa se preparar para procurar por outras empresas, porque isso é o que normalmente acaba acontecendo, seja devido às características do trabalho em si, seja da empresa, sejam inclusive problemas pessoais. Muitos excelentes estágios foram realizados em empresas que estavam em “segundo lugar” na lista de preferências do estagiário, sem demérito algum para o trabalho em si. Sylvia Roesch (1999) recomenda as seguintes práticas para a escolha da organização:

a) Telefonar previamente, para localizar a pessoa a quem solicitar acesso;

b) Solicitar autorização por escrito à empresa;

c) Marcar visita à empresa, demonstrando entusiasmo pelo trabalho;

d) Obtida a empresa, enviar uma proposta preliminar;

e) Prometer entregar cópia do relatório final para a empresa.

Um outro aspecto: é sempre interessante que o estagiário esteja preparado em sua primeira visita à empresa, buscando reunir previamente conhecimentos e informações sobre a mesma, o ramo e o mercado em que ela opera, e assim por diante; uma visita ao website da empresa, uma conversa com pessoas que já trabalhem nela, ajudam a acumular conhecimentos a respeito do local do estágio e auxiliam a criar uma crucial primeira impressão favorável do

71

candidato a estagiário junto aos profissionais da empresa. Isso demonstra interesse por essa empresa específica e pode ajudar a criar uma boa impressão junto à mesma.

8.2.4 Definição do orientador

Idealmente, o orientador precisa ter três características fundamentais: afinidade com o orientando, domínio da área e interesse pelo tema. Nem sempre é possível, entretanto, juntar numa só pessoa essas características. Depende de cada pessoa determinar o que julga mais importante, se é trabalhar com um professor a quem aprecia, ou se é trabalhar com aquele que

demonstra os maiores conhecimentos na área e no tema específico em que se pretende realizar o estágio.

O papel do orientador no processo de estágio consiste essencialmente em prover meios

para a boa realização do estágio: fornecer indicações de bibliografia, facilitar contatos com a

empresa (quando necessário), sugerir (e discutir) meios e técnicas para a realização do estágio e incentivar e motivar o estagiário (ROESCH, 1999). Além disso, espera-se que o orientador seja capaz de tirar as principais dúvidas do estagiário em termos de metodologias adotadas para a realização dos trabalhos.

O aspecto mais importante na escolha do orientador refere-se a uma questão cronológica:

é de suma importância contatar o orientador no início do processo, pois ele pode colaborar ativamente na definição do tema a ser trabalhado, dos objetivos do estágio, na seleção de bibliografia e na organização das etapas de trabalho. Dessa maneira, é fundamental procurar o

orientador nas primeiras fases do projeto de estágio, para que ele possa contribuir ativamente no mesmo - e inclusive, para garantir a orientação.

É importante que o acadêmico procure despertar o interesse do orientador pelo trabalho

que está sendo realizado. Para que o processo de estágio conte com um envolvimento total por parte do orientador, é essencial que o tema interesse a este, e o instigue a colaborar da melhor maneira possível com o estagiário; embora o orientador deva ter domínio do assunto, só isso não basta: é preciso que este se envolva em suas discussões com o estagiário, sinta-se desafiado por este, tenha curiosidade a respeito dos resultados que serão alcançados.

72

a qualidade do trabalho

final é muito mais responsabilidade do aluno do que do orientador." Portanto, não se pode esperar milagres dos orientadores de estágio; embora estes tenham um papel muito importante a

desempenhar, quem vai realmente determinar se o estágio possui boa qualidade é o acadêmico, pois é este que irá realizar a pesquisa e redigir o trabalho.

Não se pode esquecer do que Roesch (1999, p. 39) afirma: "[

]

8.3 PROJETOS DE ESTÁGIO

Os projetos de estágio consolidam os elementos definidos no Regulamento de Estágio da faculdade, e definem o que o estagiário irá fazer, onde e quando essas atividades serão desenvolvidas, além de delimitar como o estágio será feito. Como um planejamento do trabalho a

ser realizado, o projeto de estágio se mostra essencial para guiar o acadêmico no desempenho das atividades, como uma indicação do trabalho para o supervisor da empresa, e como um guia para o professor designado como orientador do estágio. Um bom projeto será essencial para o sucesso do acadêmico na realização de suas atividades de estágio. Os elementos básicos do projeto de estágio são:

a) capa;

b) sumário;

c) identificação do estágio;

d) objetivos geral e específico;

e) referencial teórico;

f) classificação do estágio;

g) cronograma;

h) descrição das etapas de realização;

i) referências;

j) anexos.

A seguir, será feita uma descrição sucinta de cada um desses elementos. Como dois desses elementos (a capa e o sumário) já foram descritos anteriormente, não há necessidade alguma de repeti-los aqui.

73

A identificação do estágio exige a apresentação dos seguintes aspectos: nome do aluno,

nome da organização em que o estágio será realizado (destacando, quando possível, o setor da

empresa em que as atividades ocorrerão), nome do professor orientador (que deverá

obrigatoriamente ser um professor da faculdade) e a identificação da área de conhecimento

(dentre as áreas previstas para o regulamento do estágio) e, dentro desta, do tema do estágio

(incluindo uma breve justificativa do porquê do trabalho).

Sobre este último aspecto, é conveniente apresentar algumas considerações. O tema é o

assunto, dentro da área de conhecimento, que será estudado ou pesquisado pelo acadêmico

(LAKATOS; MARCONI, 2001). O tema deve ser escolhido, segundo as autoras, de acordo com

as aptidões, as possibilidades, tendências e inclinações do acadêmico, e ser digno de uma

investigação científica, devendo ser formulado e delimitado dentro de uma pesquisa. O tema deve

ser preciso e específico (LAKATOS; MARCONI, 2001).

EXEMPLO: um acadêmico escolhe a área Recursos Humanos e, dentro dela, o tema Seleção de pessoal.

Para facilitar o processo de construção dos objetivos, é conveniente formular uma

pergunta ou problema de pesquisa. Isso significa que o acadêmico deve analisar a realidade da

organização na qual irá realizar o estágio, e encontrar nela uma questão cuja resposta possa ser

dada por ele dentro do período do mesmo. Um problema de pesquisa é, portanto, uma questão

formulada dentro do tema, que guiará a pesquisa e as atividades do estagiário dentro da

organização. A resposta a essa pergunta é dada pelo objetivo geral, como será visto a seguir. Gil

(1996) defende que um bom problema de pesquisa deve, além de ser formulado como uma

pergunta, ser claro e preciso (não deixando dúvidas sobre o que será feito), deve ser empírico (ou

seja, estar isento de valores), suscetível de solução e estar delimitado em uma solução viável (isto

é, não pode ser tão amplo que dificulte a solução dentro dos limites de tempo, recursos e

conhecimentos do estagiário).

EXEMPLO: como a seleção de pessoal pode influir na rotatividade dos funcionários na organização?

O elemento subseqüente diz respeito aos objetivos do trabalho. Estes se dividem em

objetivos geral e específicos. Segundo Lakatos, Marconi (2001), o objetivo geral possui uma

74

visão global, abrangente, do tema, e está vinculado à significação da tese proposta pelo projeto. É

neste sentido que se afirmou acima que o objetivo geral consiste numa resposta à pergunta

formulada pelo problema de pesquisa. Já os objetivos específicos, por sua vez, “apresentam

caráter mais concreto. Têm função intermediária e instrumental, permitindo, de um lado, atingir o

objetivo geral e, por outro, aplicá-lo a situações particulares” (LAKATOS; MARCONI, 2001, p.

219). Os objetivos específicos podem ser melhor compreendidos como sendo etapas de solução

do problema, contidas no objetivo geral. Dessa maneira, os objetivos específicos não podem, em

hipótese alguma, ultrapassar os limites estabelecidos pelo objetivo geral.

EXEMPLO: Objetivo Geral: Identificar técnicas de seleção de pessoal que permitam reduzir o índice de
EXEMPLO:
Objetivo Geral:
Identificar
técnicas
de
seleção
de
pessoal
que
permitam
reduzir
o
índice
de
rotatividade do pessoal dentro da organização
Objetivos Específicos:
• Demonstrar os problemas e prejuízos de um alto índice de rotatividade de pessoal;
• Analisar as técnicas de seleção hoje adotadas pela organização;
• Analisar as técnicas de seleção recomendadas pela literatura de Recursos Humanos;
• Identificar as técnicas mais adequadas às características da organização.

O momento seguinte consiste na elaboração de um referencial teórico. Este referencial

consiste numa primeira abordagem ao conteúdo teórico subjacente ao tema, feito pelo acadêmico

como suporte para a definição do problema e dos objetivos; os conceitos incluídos nos objetivos

são um guia para elaborar o referencial, uma vez que devem ser bem compreendidos para que se

possa operacionalizá-los em um trabalho de pesquisa. Um bom referencial teórico abrange tudo o

que possa ser considerado relevante ou necessário para explicar o problema, além de orientar os

métodos adotados no trabalho e os procedimentos para a coleta e análise dos dados (ROESCH,

1999). Um bom ponto de partida para a preparação do referencial teórico é a construção de um

tópico de estudo, sendo esse tópico uma frase (ou mesmo um título para o trabalho) que sintetize

a idéia central a ser explorada ao longo do estudo (CRESSWELL, 2007). Outra dica importante:

é essencial verificar os conceitos que são apresentados nos objetivos da pesquisa e explorar,

mesmo que brevemente, seus significados de acordo com os estudiosos do assunto.

Cresswell (2007) apresenta um roteiro de como proceder para selecionar o material

necessário para a revisão da literatura no trabalho de estágio:

75

a) Se o assunto não for de domínio do pesquisador, enciclopédias podem ser consultadas para dar uma visão geral;

b) Em seguida, é recomendável buscar artigos junto a periódicos respeitáveis, especialmente aqueles que apresentem conclusões de pesquisas. Cresswell recomenda começar com os mais recentes, partindo posteriormente para os mais antigos;

c) O passo seguinte é procurar os livros. Para o autor, deve-se começar com obras monográficas sobre o tema, para depois buscar os livros que aprofundam tópicos específicos e os livros organizados a partir da contribuição de diferentes autores;

d) A quarta etapa consiste em buscar as conferências, palestras e seminários mais recentes sobre o assunto;

e) Finalmente, o processo se encerra com a consulta a teses e dissertações sobre o assunto,

dando-se preferência àquelas que provêm das universidades e instituições de ensino mais respeitadas. Após o referencial teórico, deve-se apresentar uma classificação do estágio, de acordo com a abordagem dada ao problema, os meios utilizados para realizar a pesquisa e os fins aos quais ela se destina. Para maiores informações a respeito da classificação, ver o item 9 deste trabalho. O elemento seguinte diz respeito ao cronograma de execução das atividades, acompanhado da descrição das etapas de realização. O cronograma se refere ao planejamento temporal do trabalho de estágio, apresentando as etapas necessárias ao cumprimento das tarefas e atividades previstas ao longo de períodos de tempo. Após o cronograma, o acadêmico deve definir as etapas de realização do trabalho, descrevendo sucintamente quais as atividades serão cumpridas para o atingimento dos objetivos previamente definidos. O projeto de estágio irá ser concluído com os elementos pós-textuais. As referências deverão apresentar no mínimo cinco obras diferentes, entre livros e artigos de revistas científicas (artigos de jornais e de revistas não-científicas não devem ser apresentados – ou seja, artigos de revistas como Exame, Você S.A., que têm cunho jornalístico, não podem ser contados como

referências para o projeto – por mais que pareçam adequados para o trabalho que será realizado), que serão utilizadas no trabalho de estágio. Textos extraídos da Internet podem ser referenciados, mas é preciso cuidar da confiabilidade das fontes (por exemplo, material extraído de sites que oferecem auxílio a trabalhos acadêmicos, textos sem identificação de autor ou de uma

76

organização idônea, verbetes da Wikipedia, não se constituem em fontes adequadas de referências para um trabalho acadêmico). Finalmente, os anexos incluirão a carta de apresentação fornecida pela Coordenadoria de Estágios (se tiver sido necessária), uma cópia do termo de compromisso e um parecer de aprovação assinado pelo coordenador de estágios, que será emitido quando o projeto tiver sido aprovado pelo orientador e pelo coordenador metodológico. Os elementos supracitados são considerados essenciais para o projeto, portanto são obrigatórios. Outros elementos que se mostrem necessários podem ser incluídos a critério do orientador, do supervisor da empresa ou do próprio aluno. Além disso, a faculdade poderá, através da Diretoria e da Coordenadoria de Estágios, incluir outros elementos que permitam melhorar o processo de estágio.

8.4 O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO

O processo de estágio se esgota somente quando da apresentação de um Trabalho de

Conclusão de Estágio e sua respectiva avaliação por um ou mais professores, bem como pelo coordenador metodológico. Os elementos básicos do TCE são aqueles que foram apresentados na seção 2 deste documento (pré-textuais, textuais e pós-textuais), não sendo necessário repeti-los

aqui. Alguns desses elementos, entretanto, exigem algum desenvolvimento para facilitar sua compreensão, e por isso serão abordados neste subitem para evitar maiores dificuldades por parte dos acadêmicos.

A estrutura geral do TCE deve ser como a que segue:

a) capa;

b) folha de rosto;

c) página de aprovação;

d) dedicatória, agradecimentos e epígrafes (opcionais);

e) resumo e palavras-chave (obrigatório o resumo em vernáculo);

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f) listas (Ilustrações, Tabelas, Abreviaturas e siglas, Símbolos – quando for o caso de sua apresentação);

g) sumário;

h) introdução;

i) revisão bibliográfica;

j) desenvolvimento do estudo;

k) considerações finais;

l) referências;

m) glossário (opcional);

n) apêndices e anexos (opcionais);

o) índices (opcionais).

O desenvolvimento do trabalho (elementos textuais) será composto por cinco grandes grupos de elementos: a introdução, a metodologia, a revisão bibliográfica, a caracterização das atividades desempenhadas pelo acadêmico no seu estágio e as conclusões alcançadas. Um relatório de estágio dificilmente pode ser feito em menos de quarenta páginas, considerando-se exclusivamente os elementos textuais. Em primeiro lugar, é preciso falar a respeito da introdução do TCE. Consiste na apresentação do trabalho propriamente dito. Deve preparar o leitor para o que virá a seguir no trabalho, delimitando-o adequadamente e evitando criar falsas expectativas em relação ao seu conteúdo. Ou seja, como uma abertura do trabalho, a introdução define o que será apresentado e inspira o leitor a continuar a leitura. Uma boa introdução deve conter os seguintes elementos:

a) Contextualização do tema: insere o tema escolhido dentro da área de conhecimento a que pertence, usando elementos teóricos e/ou retirados da experiência do estagiário. Deve caracterizar o problema de pesquisa formulado no objetivo do trabalho, ou seja, o que o acadêmico investigará no mesmo. Deve incluir justificativa, destacando a relevância do mesmo para o acadêmico, os benefícios advindos de sua realização e os beneficiários. A justificativa, adicionalmente, deve relacionar o objeto do trabalho com o curso e a habilitação;

b) Objetivos geral e específicos: devem ser apresentados os objetivos efetivamente cumpridos. Se o projeto previa objetivos que não foram alcançados, estes devem ser desprezados (podem ser posteriormente apresentados dentro das limitações, indicando que um determinado objetivo estava previsto, e não foi realizado pelas razões que são apresentados);

78

c) Estrutura do estudo: consiste na apresentação resumida do conteúdo dos demais capítulos do

trabalho. Após a introdução, o TCE deverá apresentar a revisão bibliográfica que dá sustentação ao trabalho, consistindo na apresentação dos conceitos pertinentes ao seu desenvolvimento. Esses conceitos devem ser apresentados na introdução, a partir dos objetivos do trabalho. A bibliografia consultada deve abranger pelo menos cinco referências sobre o assunto, sendo essas referências obtidas diretamente de livros ou revistas científicas (referências jornalísticas ou da Internet não podem ser contadas para esse quesito), devendo também trazer obras de metodologia científica e da pesquisa, que fundamentem a caracterização do mesmo em termos metodológicos. Uma revisão bibliográfica não pretende esgotar o assunto, e sim dar suporte às conclusões que o acadêmico chegou ao realizar o estágio, e deve ser redigida de acordo com as regras da redação

científica. De acordo com Cresswell (2007, p. 45-46), a revisão tem os seguintes objetivos:

Ela compartilha com o leitor os resultados de outros estudos que estão proximamente relacionados ao estudo que está sendo relatado. Ela relaciona um estudo ao diálogo corrente mais amplo na literatura sobre um tópico, preenchendo lacunas e ampliando

estudos anteriores [

estudo e um indicador para comparar os resultados de um estudo com outros resultados.

].

Ela fornece uma estrutura para estabelecer a importância do

O elemento seguinte é o desenvolvimento do estudo propriamente dito. Este capítulo consiste na real contribuição do acadêmico ao assunto em tela, sendo, portanto, fundamental para o sucesso do trabalho. Está dividido em algumas seções:

a) Metodologia da pesquisa: abrange a caracterização (tipo) de pesquisa, a população pesquisada (ou amostra, quando for o caso) e os sujeitos pesquisados, Definição dos instrumentos de coleta de dados (como mencionado no item 5.1, estes podem ser a observação, a análise documental, a entrevista e o questionário) e a descrição dos procedimentos utilizados para a consolidação dos dados coletados em informações que permitam a construção de conhecimento. Deve, portanto, explicitar a origem e forma de tratamento dos dados;

b) Caracterização da empresa: nome da empresa, setor econômico em que ela atua, dados históricos, composição atual da presidência e diretorias, organograma, descrição dos principais cargos; é conveniente posicionar a empresa em um ramo ou setor de atividades. Adicionalmente, é recomendar tratar brevemente a respeito do setor específico em que o acadêmico realizou suas atividades;

c) Descrição dos dados, análise e interpretação dos resultados: apresentação dos dados obtidos na pesquisa, tratamento dos mesmos conforme a metodologia e a interpretação dos resultados,

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à luz da bibliografia pesquisada. Este item consiste no resultado da pesquisa propriamente dita, portanto, não pode ser uma simples enumeração de atividades realizadas dentro da empresa. Espera-se que, ao responder a pergunta implícita na formulação do problema enfrentado pelo estagiário, este demonstre domínio do tema e da realidade empresarial, conhecimento de metodologia científica, e seja capaz de descrever o trabalho realizado na empresa. O elemento textual seguinte consiste nas considerações finais. Como um elemento de fechamento do trabalho, deve responder as seguintes questões: quais foram os resultados obtidos? Em que grau os objetivos propostos na introdução foram alcançados? Qual a reflexão do acadêmico sobre o propósito do trabalho e suas limitações? O que de mais importante se observou em termos de relação teoria administrativa X prática empresarial? O que se pode recomendar para ampliar ou melhorar o estudo? Essas questões, naturalmente, terão sido respondidas ao longo do trabalho, cabendo ao capítulo de considerações finais reuni-las e consolidá-las; nunca se pode esquecer que as considerações finais não são lugar para apresentar conteúdo novo, somente para resumir e concluir o trabalho. É conveniente, ainda, destacar as dificuldades porventura enfrentadas pelo acadêmico no atingimento dos objetivos (se houve mudança de algum objetivo desde a fase do projeto, pode ser interessante mencioná-la como uma

dificuldade); outro aspecto interessante refere-se às sugestões de novos estudos, que podem guiar

a empresa no aprofundamento do tema, servindo também como apoio e estímulo aos futuros

estagiários que porventura venham a ler o TCE. Os elementos pós-textuais consistirão nas referências (já descritas), glossário, apêndices

e anexos e índices. O glossário se justifica no caso de existirem termos de sentido obscuro ou

diferente do corrente sendo usados ao longo do trabalho. Os apêndices e anexos devem ser utilizados com parcimônia: apenas documentos que porventura acrescentem ao trabalho devem ser apresentados. Dentre os apêndices (que são documentos de elaboração do próprio autor da pesquisa) que devem ser acrescentados ao TCE, destacam-se os questionários e formulários de entrevista aplicados, bem como descrições mais detalhadas da metodologia de análise e tratamento dos dados, entre outros. Nos anexos (definidos como documentos elaborados por outras pessoas), documentos internos da empresa que possam auxiliar na compreensão das atividades realizadas são adequados e podem ser apresentados, resguardados, naturalmente, quaisquer impedimentos ou restrições da empresa; outros elementos que podem ser apresentados

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como anexo são catálogos e descrições de produtos e serviços, documentos teóricos que auxiliem indiretamente na sustentação das conclusões, entre outros. No que diz respeito aos anexos, é importante identificar suas fontes, de modo a garantir que outras pessoas, interessadas no assunto, possam ter, se desejarem, condições de acesso ao documento original, para conferência do mesmo. Finalmente, os índices se constituem num conforto para o leitor, podendo ser organizados índices onomásticos (que listam os nomes citados ao longo do trabalho) e remissivos (que enumeram os principais assuntos tratados).

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9 ABORDAGENS E CLASSIFICAÇÕES DA PESQUISA NO ESTÁGIO

Nesta Unidade, iniciar-se-á a apresentação dos aspectos metodológicos envolvidos na pesquisa necessária para a realização do estágio. Em primeiro lugar, serão apresentadas as duas abordagens de pesquisa (qualitativa e quantitativa), e, num segundo momento, apresentar-se-á a questão da perspectiva temporal de estudo (sincrônica ou diacrônica).

9.1 ABORDAGENS QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS

O primeiro aspecto a ser abordado diz respeito às diferenças entre as duas abordagens. De modo geral, pode-se seguir a distinção proposta por Trujillo (2003), que afirma que a pesquisa qualitativa busca verificar se uma determinada característica está presente na população pesquisada, enquanto que a quantitativa deseja verificar a freqüência com que essa característica ocorre nessa população. Este autor apresenta um interessante quadro-resumo, que é apresentado a seguir:

 

QUALITATIVA

QUANTITATIVA

Objetivo

verificar presença

mensurar presença

Representatividade estatística

baixa

elevada

Volume de informação

médio ou elevado

baixo ou médio

Profundidade

elevada

média

Teoria estatística

não aplicável

aplicável

Tamanho da amostra

poucos casos

muitos casos

Tipo de análise

subjetiva

objetiva ou numérica

Figura 4: Comparação entre as abordagens qualitativa e quantitativa Fonte: adaptado de Trujillo (2003, p. 11).

Como se pode observar, as duas abordagens podem ser consideradas complementares, no sentido de que cada uma se concentra na realidade pesquisada de maneira diferente; inclusive, diversos autores sustentam que a pesquisa qualitativa deve ser encarada como uma preparação para a pesquisa quantitativa, no sentido de que ela permite gerar hipóteses sobre a realidade, que esta buscará testar e comprovar ou refutar. Cresswell (2007) argumenta que, hoje em dia, o questionamento é antes como posicionar uma pesquisa numa continuidade entre o qualitativo e o

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quantitativo do que considerá-las numa oposição, reconhecendo a existência de uma relação entre as duas abordagens. Em pesquisas científicas, a abordagem qualitativa é muito usada nas Ciências Humanas e Sociais para a produção de novos conhecimentos. A quantitativa, embora aplicável a estas ciências, é muito usada nas Ciências Naturais e Exatas.

9.1.1 Pesquisa quantitativa

A pesquisa quantitativa já foi considerada como a única forma de se fazer ciência; o pensamento científico seria quantitativo por excelência, trabalhando com hipóteses e variáveis quantificáveis que seriam testadas e verificadas matematicamente, fornecendo um conhecimento perfeitamente científico; esta idéia, entretanto, não se sustenta mais, até porque os dados são obtidos por meio de percepção sensorial, e esta nem sempre é quantificável (KAUFMANN,

1977).

A pesquisa quantitativa, normalmente, procura identificar as relações de causa e efeito entre os fenômenos. É recomendado utilizar, preferentemente, o enfoque da pesquisa quantitativa quando o propósito do projeto implicar em medir a relação entre as variáveis, ou em avaliar o resultado do sistema ou projeto (ROESCH, 1999), ou quando se pretende trabalhar com a mensuração das características do fenômeno pesquisado, o que é feito normalmente a partir da definição de uma amostra (TRUJILLO, 2003), ou seja, uma parte da população que pode ser considerada representativa e que permite dessa forma conhecer as características de toda a população sem a necessidade de pesquisar todos os seus componentes. A pesquisa quantitativa, portanto, pretende desenvolver proposições do tipo causa-efeito, apoiadas pela lógica e pelos dados (DAVIS apud BRYMAN, 1988). De acordo com Cresswell (2007), a pesquisa quantitativa é feita para o desenvolvimento do conhecimento através de raciocínio de causa e efeito, redução de variáveis específicas, hipóteses e questões, mensuração de variáveis, observação e teste de teorias. Castro (2006) indica que o raciocínio da pesquisa quantitativa é predominantemente dedutivo, pois o pesquisador já possui suas hipóteses e deseja testá-las em campo, fazendo conjecturas a respeito do assunto e testando sua correção.

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Para a garantia de uma boa interpretação dos resultados, é recomendado a utilização do melhor meio disponível para controlar o delineamento da pesquisa. Os métodos (delineamentos) podem ser: experimento de campo; pesquisa descritiva; pesquisa explicativa. Staw (apud ROESCH, 1999) coloca que a pesquisa quantitativa é apropriada na avaliação de mudanças em grandes organizações. No caso das ciências sociais, quando utilizada a pesquisa quantitativa, recomenda-se o delineamento do grupo de controle não equivalente, pois este delineamento envolve mais de um grupo. Um aspecto que pode ser considerado refere-se à questão de hipóteses de pesquisa. Uma hipótese pode ser definida como uma proposição original, formulada a respeito de um

determinado fenômeno e que deve ser testada para ser confirmada ou refutada, ou seja, a hipótese

é uma "[

proposição testável que pode vir a ser a solução de um problema." (GIL, 1996, p. 35).

Toda hipótese envolve um conjunto de pelo menos duas variáveis. Define-se variável simplesmente como sendo qualquer coisa que possa ser classificada em duas ou mais categorias (GIL, 1995) e que possam ser objeto de uma mensuração (CRESSWELL, 2007), pois pode assumir valores diferentes dentro da população; ou seja, idade, sexo, classe social, atitudes em

relação a um processo ou fenômeno, etc., são variáveis a partir das quais podem ser estabelecidas

são previsões que o

hipóteses de pesquisa. Diante disso, Cresswell afirma que as hipóteses “[

pesquisador faz sobre a relação entre as variáveis.” (2007, p. 120). Triviños (1995) assinala: na pesquisa quantitativa, as variáveis são medidas, ao passo que na qualitativa, são descritas. As relações entre variáveis são classificadas como:

a) Causais: envolvem uma variável independente e pelo menos uma dependente, sendo esta influenciada pelo comportamento da primeira, e estão baseadas numa relação do tipo causa- efeito;

b) Assimétricas: não há relação do tipo causa-efeito, mas uma variável influencia a outra;

c) Simétricas: não há influência de uma variável sobre a outra, ainda que ambas possam ter uma causa comum;

d) Recíprocas: as variáveis influenciam-se mutuamente, interagindo e reforçando-se (GIL,

]

]

1995).

Um terceiro tipo de variável mencionado por Triviños (1995), complementar às

independentes e dependentes, é a chamada variável interveniente, que pode ser considerada como uma variável que influi ou altera as dependentes e/ou independentes.

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Muitos estudiosos da pesquisa afirmam que a pesquisa quantitativa é logicamente estruturada de forma a permitir esse teste de hipóteses, as quais são normalmente formuladas como relações causais a respeito dos fenômenos, dentro de um quadro teórico previamente formulado (BRYMAN, 1988). Esse enfoque da pesquisa é severamente criticado pelos autores, por dar excessivo destaque à teoria já existente; uma crítica recorrente seria o fato de a pesquisa se tornar conservadora. De qualquer forma, a teoria tem papel dedutivo na pesquisa quantitativa:

o pesquisador apresenta uma teoria, coleta dados para fazer um teste e reflete sobre os resultados obtidos em termos de conformação ou não entre esses resultados e a teoria (CRESSWELL,

2007).

Um dos aspectos básicos da pesquisa quantitativa é sua capacidade de generalização; o pesquisador que está realizando um estudo de caráter quantitativo normalmente está procurando resultados que transcendam os limites estreitos de sua própria pesquisa; outro ponto importante refere-se à idéia de repetição da pesquisa, ou seja, para que uma pesquisa possa ser considerada válida, ela deve ter a capacidade de ser repetida por outro pesquisador (BRYMAN, 1988) – ou seja, ela deve ser feita de modo a garantir que outra pessoa seja capaz de realizar a mesma pesquisa. Quando a pesquisa é de caráter quantitativo, as técnicas de coleta de dados são:

entrevistas; questionários; observação; testes, índices e relatórios escritos. As técnicas de análise de dadoss são os métodos estatísticos, que são a freqüência, a correlação, e a associação. Os processos de coleta e análise de dados são separados no tempo, sendo que a coleta antecede a análise. Sobre a análise, é interessante mencionar o aspecto levantado por Trujillo (2003): uma pesquisa quantitativa nada produz de novo sobre as características do fenômeno. Pelo contrário, pode-se afirmar que ela normalmente só fornece informações sobre a presença das características pesquisadas. Entretanto, como os resultados são objetivos e verificáveis (TRUJILLO, 2003), a pesquisa quantitativa gera conhecimento que pode ser aplicado em outros casos, ou generalizado para toda a população. Os dados da pesquisa podem ser divididos em primários e secundários. Os primeiros são colhidos diretamente pelo pesquisador, através dos diferentes métodos de coleta, ao passo que os do segundo tipo são os dados que não são obtidos diretamente pelo pesquisador, por exemplo: os arquivos, os bancos de dados, os relatórios (ROESCH, 1999). Daí se pode inferir que, numa pesquisa exclusivamente bibliográfica, não há dados primários, somente secundários.

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EXEMPLO: Um estagiário deseja auxiliar no planejamento da estratégia de lançamento de um novo produto no mercado. Assim, através da empresa, ele empreende pesquisa quantitativa para verificar se a população-alvo desse produto de fato apresenta as características previstas para tal população, e com que freqüência elas ocorrem.

9.1.2 Pesquisa qualitativa

De acordo com Chizzotti (2006, p. 28), “o termo qualitativo implica uma partilha densa

com pessoas, fatos e locais que constituem objetos de pesquisa, para extrair desse convívio os

significados visíveis e latentes que somente são perceptíveis a uma atenção sensível.” Ao colocar

dessa forma, o autor explicita que a pesquisa qualitativa gera conhecimento que passara

desapercebido às pessoas, além de conectá-la ao contexto humano.

Para Malhotra (2001), a pesquisa qualitativa é uma metodologia não-estruturada, de

caráter exploratório, que se baseia em pequenas amostras e permite melhor compreensão do

contexto do problema. De forma geral, ela representa uma tentativa de conhecer com maior

profundidade um problema ou fenômeno, buscando descrever-lhe as características e definindo-o

melhor perante os olhos do pesquisador; alguns autores inclusive afirmam que a tarefa básica da

pesquisa qualitativa é produzir conhecimento, mas essa visão está envolta em controvérsia. O

raciocínio é predominantemente indutivo, permitindo exploração mais livre e aberta do tema da

pesquisa (CASTRO, 2006).

Para Cresswell (2007) a pesquisa qualitativa lida com os significados das experiências

individuais, os significados construídos histórica ou socialmente, para então construir

conhecimento; adicionalmente, essa abordagem trabalha com a pesquisa sobre as reivindicações e

a participação de grupos sociais.

De qualquer forma, a pesquisa qualitativa, muito utilizadas nas ciências sociais,

é apropriada nos casos de avaliação formativa, quando se trata de melhorar a efetividade de um programa, ou plano, ou quando é o caso da proposição de planos, ou seja, quando se trata de selecionar as metas de um programa e construir uma intervenção, mas não é adequada para avaliar resultados de programas ou planos. (ROESCH, 1999, p. 155).

A pesquisa qualitativa não deve ser considerada como antagônica à pesquisa quantitativa.

Essa oposição só ocorre se o recurso à formulação de hipóteses, a quantificação do fenômeno, o

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tratamento estatístico, o raciocínio indutivo e o modelo das ciências naturais forem considerados como as únicas formas de investigar cientificamente um determinado fenômeno (CHIZZOTTI,

2006).

Na literatura é muito comum a apresentação da pesquisa qualitativa, seus métodos de coleta e análise dos dados como sendo os mais apropriados para uma fase exploratória de qualquer pesquisa, mesmo a quantitativa. Malhotra (2001) considera que a pesquisa qualitativa pode ser usada como uma fase de preparação para a quantitativa, por sua característica de contextualização do problema. Bryman (1988) afirma que os aspectos quantitativo e qualitativo de uma pesquisa devem ser encarados como formas diferentes de responder a um problema de pesquisa, mas não como oposição. O fato de a pesquisa qualitativa ser de difícil generalização (TRUJILLO, 2003) faz com que seus resultados tenham validade restrita, exigindo a complementação da pesquisa quantitativa. Algumas características definem melhor a pesquisa qualitativa:

a) Compromisso com a perspectiva das pessoas estudadas: os fenômenos são sempre estudados

a partir das perspectivas e pontos de vista dos pesquisados;

b) Descrição: a pesquisa qualitativa normalmente envolve uma descrição acurada do fenômeno e do cenário social pesquisado, não somente a partir do ponto de vista das pessoas envolvidas, mas também dos pesquisadores;

c) Contextualismo: há um compromisso com o contexto geral aonde o fenômeno ocorre, ou seja,

é preciso situar os eventos e fenômenos no espaço social mais amplo em que ocorrem;

d) Visão longitudinal: o corte longitudinal, a ser melhor delineado na próxima seção deste capítulo, refere-se a uma visão processual do fenômeno, que é considerado como sendo parte de uma evolução temporal;

e) Flexibilidade: a pesquisa qualitativa é, normalmente, menos estruturada que a quantitativa, permitindo modificações no problema de pesquisa ou nos métodos, se for o caso, para atingir melhores resultados;

f) Papel da teoria e dos conceitos: ao contrário da pesquisa quantitativa, que exige um forte

aparato teórico para funcionar a contento, a abordagem qualitativa não depende de formulação teórica prévia, favorecendo uma estratégia de teorização a partir das informações

e dados coletados (BRYMAN, 1988).

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Rossman e Rallis (apud CRESSWELL, 2007) afirmam que a pesquisa qualitativa ocorre

em cenário natural, utiliza métodos de coleta interativos e humanísticos, é emergente (em vez de

inteiramente configurada de antemão), é interpretativa (o que destaca o papel do pesquisador

como um intérprete dos dados), é holística, utiliza diferentes estratégias de coleta, análise e

comunicação de dados, baseia-se num raciocínio complexo, interativo e simultâneo

(usualmentedo tipo indutivo), e baseia-se profundamente na pessoa do pesquisador: seus

resultados não se dissociam da pessoa do pesquisador, seus valores, sua forma de ver o mundo,

seus interesses, aspectos que modelam a forma pela qual a pesquisa é delineada.

A pesquisa qualitativa pode ser considerada, apesar do que foi dito acima, como um

paradigma diferente de pesquisa, pois é uma alternativa de pesquisa que pode ser utilizada em