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Curso: TURMA REGULAR INTENSIVA – Matéria: DIREITO CONSTITUCIONAL – Prof: BRUNO PINHEIRO – Aula

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09 - Bloco: Digite



CURSO: TURMA REGULAR INTENSIVA
DISCIPLINA: DIREITO CONSTITUCIONAL
PROFESSOR: BRUNO PINHEIRO
AULA 09 BLOCO: 1-4
MATÉRIA: PODER CONSTITUINTE

Indicações de bibliográficas:
 DIGITE AQUI AS INDICAÇÕES E APERTE ENTER APÓS CADA INDICAÇÃO


Leis e artigos importantes:
 Constituição Federal

TEMA: Poder Constituinte

PROFESSOR: Bruno Pinheiro



Continuação da aula passada

1. Métodos próprios de interpretação constitucional.

i. Científico- espiritual:
É mais tratado como método do que como sistema. (SMEND)

ii. Hermenêutico-concretizador (Hesse):
A interpretação constitucional deve buscar a concretização da Constituição. O processo de
interpretação parte do geral para o individual. Interpreta-se a CF com a finalidade de concretizar,
dar força normativa, viabilizar a aplicação da CF pelo processo de interpretação. A predominância,
portanto, é no geral, visando a aplicação prática individual das normas constitucionais.
O processo de interpretação não se encerra do geral para o individual, ele parte do individual
para o geral. Mudanças que ocorram em concreto afetam a norma geral. A interpretação se faz pelo
ciclo-hermenêutico. O STF vem utilizando essa ferramenta pelo mandado de injunção. Ex: direito
de greve, aviso prévio. Ele busca a dar concretude às normas constitucionais.
O processo de interpretação passa da norma definida abstratamente visando a sua
concretização.


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iii. Normativa-estruturante (Muller):
Parte-se da distinção entre texto e norma, que não se confundem. O primeiro são símbolos
de linguagem, é o ponto de partida da interpretação, já a norma, não se confunde com o texto, ela
é o resultado da interpretação do texto. É o conteúdo do texto.
A finalidade do intérprete é através desse processo definir o conteúdo de um texto
interpretado. É preencher o espaço normativo. A estrutura de um texto se complementa a partir de
um processo de interpretação. A atividade aqui é mais construtiva.

iv. Tópico-problemático (VIEHWEG):
Defende que a interpretação deve ser tópica, pontual, problemática. A finalidade do
intérprete, é solucionar o problema apresentável. A predominância é no individual em detrimento
do gera. É a justiça do caso concreto. As normas gerais servem para garantir segurança jurídica. A
finalidade do interprete é apresentar a melhor solução daquele caso sobre análise.

v. Método da interpretação aberta da Constituição (Haberle):
A interpretação deve ser aberta. Deve-se buscar através de instrumentos próprios garantir o
acesso mais amplo possível a interpretação da Constituição. Garantir que a sociedade possa
também se manifestar. Dar maior interpretação constitucional. Quanto mais aberta a interpretação,
mais legítima as decisões.

vi. Método comparativo (Haberle):
É o que chamamos de comércio de constituições. Troca de experiências constitucionais entre
os países. Isso não condiciona a interpretação, apenas a reforça.

2. Princípios de interpretação constitucional
Eles orientam o interprete da CF. Servem de parâmetro interpretativo. São utilizados no
processo de interpretação da constituição.

2.1. Supremacia da CF.
Parte da estrutura hierarquizada do ordenamento jurídico, que se estrutura em graus de
forma hierarquizada, sendo que a CF ocupa o ápice da pirâmide de Kelsen. Significa que o
interprete, no processo de interpretação jurídica, deve dar vasão a CF, que deve ser entendida
como norma superior se impondo a todas as demais, de cima para baixo.


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O ordenamento jurídico em um todo é afetado pelas normas constitucionais. A CF como um
todo possui o chamado “efeito irradiante”, contamina todos os demais ramos do direito. Gera o que
chamamos de constitucionalização do direito, que pode ser entendida de duas formas:
 Constitucionalização formal: é a transposição de normas infraconstitucionais para o
plano constitucional. Gera o que chamamos de inflação constitucional, inchaço da
constituição. É inserir na CF normas que deveria ser reguladas por normas
infraconstitucionais. Ex: Colégio Pedro II.

 Constitucionalização material: é chamada de constitucionalização descendente (de
cima para baixo), é a pretendida, porque com ela se põe uma releitura de todo o
ordenamento jurídico a partir dos princípios, valores constitucionais.


2.2. Unidade da Constituição
É um documento único. Logo, não podemos interpretar a CF em tiras, de forma isolada.
Temos aqui uma interpretação sistemática da Constituição, pois se fosse isolada geraria conflitos
entre normas constitucionais.

2.3. Máxima efetividade
Decorre do método hermenêutico-concretizador.

2.4. Força normativa
A CF não é documento de conteúdo meramente político, ela é norma jurídica, possui força
normativa.
2.5. Efeito Integrador
Cabe ao intérprete buscar a integração político, social, entre dispositivos/ ideais
aparentemente conflitantes. Ex: Art. 170, CF. Por ser a CF heterodoxa, ela comporta uma
pluralidade de ideias, ideais. Cabe ao intérprete, portanto, buscar compatibilizar essas ideias
políticas, sociais, filosóficos conflitantes

2.6. Concordância prática/ Harmonização
Significa que eventuais direitos podem conflitar em concreto. Devendo o interprete buscar
ponderar no caso concreto direitos conflitantes. É o princípio e interpretação que buscar harmonizar
direitos aparentemente conflitantes. Ex: Liberdade de expressão e privacidade, honra,
manifestação do pensamento com intimidade.


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Concordância prática seria em concreto, harmonização em abstrato (Art. 90, IX, CF), para
quem faz distinção, que não é ocaso do Brasil.

2.7. J usteza
Busca definir, delimitar o âmbito de atuação às funções de poderes constitucionais, de
instituições constitucionais, de órgãos constitucionais.

2.8. Interpretação conforme a CF
Essa técnica de interpretação foi estudada por Leisner, defendendo que a CF deveria se
valer de normas de cunho genérico muito mais de princípios.
Isso só serve para normas de conteúdo vago, dotadas de alto grau de abstração. Não serve
para regras constitucionais ou normas constitucionais dotadas para baixo grau de abstração. É uma
forma de preencher o espaço normativo da CF através da lei e não para excluir a aplicação
constitucional em favor de uma norma infra legal.

1.8. Princípio da proporcionalidade/ razoabilidade
A proporcionalidade tem origem no direito administrativo alemão, é mais objetiva. A
proporcionalidade pode ser dividida em 3 subprincípios.
 Adequação
 Necessidade
 Proporcionalidade em sentido estrito  A doutrina insere aqui a razoabilidade. Se
aplica na relação que se tenha meio e fim. Tem bases utilitaristas (Benthan).
A proporcionalidade nós vemos, a razoabilidade nós sentimos, são valores a nós aplicados.
Para Gilberto Ávila José A. da Silva, a razoabilidade se aplica na análise de congruência
entre norma e fato como medida de justiça.